_______________ * MILLY LACOMBE - Fernanda Venturini e a DELINQUÊNCIA IGNORANTE que NÃO TEME dizer seu NOME _______________ * URIÃ FANCELLI BAUMGARTNER: TRÍADE_BOLSONARISTA: corrupção, populismo, rachadinhas

________________________________________

////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// *
////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// *

________________________________________///////////////////////////////////////////////////////

///////////////////////////////////////////////////9////////////////////


**

///////////////////////////////////////////////////////////////////////

///////////////////////////////////////////////////////

_______________ * Milly Lacombe - Fernanda Venturini e a delinquência ignorante que não teme dizer seu nome

Milly Lacombe

Colunista do UOL

28/06/2021 11h44

A ex-atleta de vôlei Fernanda Venturini foi se vacinar deixando cristalinamente claro em uma mensagem de vídeo postada nas redes sociais que ela é contra a vacina, mas que precisava se vacinar para poder viajar o mundo. E já que tinha que fazer o enorme sacrifício de se vacinar, então ia tomar a menos pior das vacinas, que para ela é a Pfizer.

É um tipo de ignorância bastante solidificada e internalizada, e que não tem nenhuma vergonha de se revelar publicamente. Fernanda tem um canal no Youtube sobre saúde, o que me parece agora o equivalente a eu ter um canal sobre contabilidade e, mesmo sem entender patavinas do assunto, sair pregando desenvergonhadas farsas sobre o tema.

Vacinas funcionam, mas precisam da adesão da população; entenda por quê

Se Fernanda entendesse alguma coisa de saúde ela saberia, para começo de conversa, que não existe vacina melhor ou pior para a covid-19. Todas as que estão sendo aplicadas se mostram eficientes para evitar mortes, e as diferenças de aferição nos resultados se deve ao fato de as pesquisas terem usado métodos diferentes de medição. CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e até a Janssen têm eficiência determinante que são da ordem do viver ou do morrer. A melhor vacina contra a covid é a que está disponível no posto de saúde. É a palavra da ciência. É apalavra aferida. São dados, números, fatos.

A ignorância desenvergonhada da ex-atleta ainda foi capaz de fazer ela dizer que não acredita na vacina, mas que vai tomar para poder viajar o mundo. Fernanda é dessas pessoas que podem viajar o mundo, e isso é bom para ela. Mas uma reflexão de dez segundos levaria Fernanda a pensar o seguinte: se o mundo inteiro exige a vacina para que viajantes possam exercer seus privilégios, como exatamente a vacina pode ser desprezível ou ineficiente?

Será que Fernanda deu uma espiada nos números de infectados e de mortos nos países que já vacinaram mais da metade da população?

Fernanda pode ser contra o por do sol, mas isso não vai evitar que o sol se ponha no horizonte. Ela pode ser contra a lei da gravidade, mas isso não vai evitar que ela pule de um penhasco e se estatele no chão. Ela pode ser contra o que bem entender desde que não saia por aí declarando publica e orgulhosamente um tipo de estupidez que colabora para que mais brasileiros adoeçam, se contaminem e morram. Se 500 mil mortos não a comovem, então que pelo menos se cale.

Não surpreende saber que Fernanda Venturini é bolsonarista, o que justifica o negacionismo tosco. O que surpreende é saber que, diante de meio milhão de mortos, ela, uma pessoa pública, comete o desatino, a imoralidade, a delinquência de ir tomar a vacina e fazer um vídeo que tenta desmoralizar a vacinação que tantas vidas tem salvado. E enquanto vomita sua ignorância nas redes sociais, sorri um sorrisinho maroto, debochado, superior.

Fernanda é possuída por um tipo de baixaria que não se contenta em ser vergonha nacional e quer se agigantar optando por adicionar arrogância à estupidez: depois de gravar o vídeo dizendo "sou contra a vacina", Fernandinha achou bacana justificar a atitude sugerindo que todos e todas nós somos completos cretinos já que ela, que tem um canal que fala de saúde no Youtube, não poderia ser contra a vacina mesmo dizendo ser contra a vacina.

Entenderam? Depois de dizer a frase "sou contra a vacina", vendo que não pegou bem, ela negou ter dito a frase.

Não existe margem interpretativa para "sou contra a vacina". Não se trata de haver nessa simples frase de três palavras algum espaço para interpretação. Mas na desesperada ânsia de dizer que não disse o que disse ela ainda tentou explicar - enfurecidamente - que se fosse contra a vacina não teria se vacinado, sendo que no vídeo gravado por ela mesma Fernanda diz que estava se vacinando, mesmo sendo contra a vacina, apenas para poder viajar - já que o mundo todo agora exige o documento que prova que o viajante está vacinado.

É muita desonestidade, muita delinquência, muita miudeza de caráter numa pessoa só.

Deve ser difícil ser Fernanda Venturini. Mas mais difícil é viver num Brasil de muitas Fernandas Venturinis.

_______________ * 'Não representa o Brasil em nada', dispara Zélia Duncan sobre Fernanda Venturini - ISTOÉ Independente

Crédito: Montagem reprodução web

Sempre se posicionando contra o governo Bolsonaro e seus apoiadores, Zélia Duncan detonou Fernanda Venturini, após a ex-atleta dizer na rede social que não apoiava a vacinação contra o novo coronavírus , mas que a receberia para ‘poder viajar o mundo’.

No Twitter, a cantora disse que Venturini não representa o Brasil em nada, nem onde deveria. “A jogadora ja está falando em mal entendido… qdo ela diz que não acredita em vacina, na verdade ela não acredita em vacina, combinado? Sempre covardes… nao falha”, postou Duncan no microblog.

E completou: “A atleta disse que não disse o que disse. Lembra alguém?”.

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ * Patrimônio de Cannes, Catherine Deneuve se mostra emocionada por voltar ao festival após derrame - ISTOÉ Independente

CANNES, França (Reuters) – A atriz Catherine Deneuve, que desfila pelo tapete vermelho de Cannes desde os anos 1960, disse neste domingo que nunca ficou tão emocionada como agora ao retornar ao festival de cinema após a pandemia de coronavírus e o derrame que ela sofreu em 2019.

A atriz de 77 anos é um pilar do cinema francês e ainda aparece em vários filmes. Usando um vestido de veludo preto e um colar de ouro, Deneuve retornou a Cannes no sábado para a estreia de “De son vivant”, da diretora francesa Emmanuelle Bercot e que está sendo exibido fora da competição principal.

Deneuve e a equipe foram ovacionados de pé, comovendo visivelmente a atriz. Ela raramente aparece em público depois que a pandemia obrigou os eventos a mudarem para a internet e os organizadores do festival de Cannes a cancelar a edição de 2020.

“Foi absolutamente extraordinário. Até o último minuto, estávamos nos perguntando se isso tudo iria realmente acontecer”, disse Deneuve em entrevista coletiva para falar sobre o filme.

“Conheço Cannes há muito tempo. Cada vez é algo diferente. Mas acho que talvez nunca tenha ficado tão emocionada como ontem à noite, quando entrei no teatro e vi a forma como o público recebeu o filme e me recebeu.”

_______________ * "Tem meu apoio para o que ela quiser fazer na vida", diz Gabriela Duarte sobre mãe - ISTOÉ Independente

Crédito: Reprodução Instagram

Gabriela Duarte disse que tenta seguir a vida após sua mãe, Regina Duarte, romper um contrato com a TV Globo e assumir o cargo de secretária da Cultura do governo de Jair Bolsonaro. 

As informações são de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

“É como se tivesse fechado um ciclo nas nossas vidas. Agora é bola para frente. Tocar a vida daqui para frente e não ficar vivendo uma coisa que já passou”, disse a atriz.

Gabriela disse que a família NÃO TEM RELAÇÃO com a ESCOLHA da mãe e que continua apoiando a mãe. 

“Ela tem o meu apoio para o que ela quiser fazer na vida.

Se eu concordo ou se eu não concordo, isso realmente não importa(…)“É muito desconfortável fazer uma análise sobre determinadas atitudes que não são suas e que são de uma pessoa que você tem muito afeto, que é sua mãe”, afirmou.

A atriz também disse que se distanciou com sua mãe durante o período em que ela estava no governo. 

“Ela trabalhando envolvida lá [em Brasíl​ia] e eu aqui [em São Paulo], vivendo a minha vida. 

Tudo o que a gente tinha que discutir, fizemos da porta para dentro de casa. 

Nunca tive nenhuma necessidade de levar isso para uma esfera pública e nunca me senti cobrada a fazer isso”, disse. 

Gabriela disse que recebeu ameaças nas redes sociais. 

É muito duro esse nível de ódio, que é totalmente cego e infundado.”

_______________ * Dado Dolabella diz que não vai se vacinar contra a Covid-19 - ISTOÉ Independente

Crédito: Reprodução/Instagram

Dado Dolabella disse nas redes sociais que não vai se vacinar contra a Covid-19.  

“Eu não pretendo tomar nenhuma dessas [vacinas]. 

Vou esperar a vacina sem testes em animais. 

Um corpo alcalino e saudável não é um agente transmissor”, disse o ator.

Dado ainda criticou o consumo de carne e citou um suposto estudo da  Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o coronavírus foi transmitido aos humanos através do consumo de carne suína.

O ator disse que esta informação, que não foi confirmada pelo organismo, não foi divulgada por pressão de produtores rurais.

_______________ * Milly Lacombe - O que o futebol deve fazer com a camisa 24?

Milly Lacombe

Colunista do UOL

02/07/2021 13h05

"Que chatice esse negócio de polêmica com o número de uma camisa!", dizem as vozes que gostam de se declarar as da razoabilidade, da imparcialidade. "Tanta coisa pra se debater e agora isso. Tá certo, precisa respeitar o movimento LGBTQ, mas o movimento precisa respeitar a opinião dos outros e cada jogador usa a camisa que quiser", completam mantendo a serenidade dos que se dizem ao lado dos argumentos razoáveis.

É de fato uma chatice que ainda tenhamos que debater o uso de uma camisa cuja numeração é associada à homossexualidade. E é uma chatice ser gay no Brasil, o país que mais mata LGBTQs no mundo e, ao mesmo tempo, o que mais consome pornografia LGBTQ. Trata-se, portanto, de uma crise de desejo e, é bastante evidente, se todos se libertassem sexualmente não precisaríamos debater número de camisa cujo símbolo é associado à homossexualidade. A camisa 24 seria um item de disputa, de orgulho, de manifesto pela vida, pela liberdade, pela justiça.

Homens que estão confortáveis com seus desejos se colocam abertamente ao lado da causa do movimento LGBTQ porque sabem que defender a bandeira é defender a vida de inocentes que são assassinados apenas porque são gays. Nesse sentido, usar a camisa 24 é sim, como fez o capitão Nino, do Fluminense, dar um recado importante. Símbolos importam e comunicam.

É sim relevante que a CBF explique por que não usa a 24. É importante que os clubes que não disponibilizam a 24 expliquem seus motivos. Porque nesses casos eles terão que declarar que é por LGBTfobia, e a partir daí o papo pode ser realizado de forma clara e honesta. Homofobia tem cura, mas para que a cura comece é necessário que o assunto seja abordado.

Por isso é sim importante que esse debate, que pode parecer uma coisa meio quinta série, seja trazido à tona. Por isso é importante que a CBF não se acovarde (como faz tão bem com tudo) e coloque a 24 pra jogo. Por isso seria importante que um jogador muito à vontade com sua sexualidade heterossexual usasse a 24, como fez Nino. E por isso gestos como os de Cano, atleta do Vasco que levantou a bandeirinha com as cores do movimento LGBTQ durante um jogo, são históricos.

Só mudaremos a sociedade quando mudarmos a forma como nos afetamos uns aos outros. Só seremos livres quando todos forem livres. O machismo e a LGBTfobia, que tanto mal causam a mulheres e LGBTs, também aprisionam os homens. E essa consciência é a que vai nos elevar a um lugar de mais significado.

_______________ * Milly Lacombe - Futebol, homossexualidade e o gigantesco Vasco da Gama

Milly Lacombe

Colunista do UOL

27/06/2021 11h56

Futebol é coisa pra macho. É esporte viril. É para fortes. Futebol não tem espaço pra frescura, pra amareladas. É o ambiente ideal para que tudo o que é da ordem do masculino se potencialize. É também o lugar onde um homem pode abraçar qualquer outro homem, e às vezes até beijar, desde que seja em ocasião de gol e de título. Fora dessas circunstâncias, não vale abraço e beijo entre homens.

No futebol a gente aprende a xingar, de preferência usando mulheres e o feminino como alvo do xingamento. Filha da puta e viado são dois hits porque nada do que é da dimensão do feminino é aceitável para um homem de verdade e passa a ser material para ofensas.

Mas o que exatamente é da ordem do feminino? Se deixar atravessar por emoções e vulnerabilidades, por exemplo. Chorar em ocasião de futebol até vale, mas precisa ver em que circunstância. Chorar porque levou uma pancada na perna que é coisa de jogo, aí não, por favor. Chorar porque ganhou um título vale. Mas tudo tem limite.

Dentro de um campo de futebol, ou em volta de um monitor que esteja transmitindo uma partida, homens se comportam com liberdade. Claro que estamos falando de um grupo de pessoas que de forma geral se comporta com liberdade nessa sociedade, mas um jogo de bola é um portal para a liberdade plena, e ela envolve até uma certa permissão para que abraços, beijos e lágrimas circulem.

Apenas um completo alienado pode achar que não exista, dentro de um ambiente tão repleto de homens praticando suas masculinidades, homossexuais. Há certamente jogadores, treinadores, dirigentes, árbitros e torcedores gays. Mas ainda é atitude complexa dizer "eu soy gay" publicamente como fez recentemente um jogador de futebol americano nos Estados Unidos.

O mesmo machismo que impede que homens se deixem atravessar por sentimentos e emoções no dia-a-dia, que coloca nas costas de todos os homens o peso descomunal de ter que ser sempre forte, viril, impenetrável, que impede demonstrações de fraqueza, de cansaço, de tristeza, faz com que exista um pequeno espaço da vida - o futebol - que permita a eles se manifestarem com uma certa autonomia para demonstrar sentimentos e troca de afetos entre si.

Parte da adoração que homens têm pelo futebol deve passar por isso. O machismo, que valoriza tudo o que é da ordem do masculino, faz com que, ao mesmo tempo, homens se admirem uns aos outros mas não possam cair na tentação de revelar essa admiração com muito ímpeto.

Qualquer tipo de atravessamento passa a ser mal visto. Assim, se deixar penetrar, abstrata ou concretamente, é inaceitável. E nesse ponto chegamos à homofobia: homens de verdade não se deitam com outros homens porque, no imaginário popular, a ação exige penetração. O que é uma maluquice porque a próstata pode funcionar como um órgão sexual porque todo homem é capaz de gozar se penetrado - por um homem ou por uma mulher. Heterossexualidade também comporta a penetração masculina e apenas um tipo muito sólido e internalizado de ignorância não aceita essa consciência.

É uma pena que o machismo, pai da LGBTfobia, limite a vida dos homens dessa forma dilacerante. Num mundo justo, num mundo de pessoas emocionalmente emancipadas, todos nos deixaríamos penetrar por emoções, sentimentos, afetos e também por outras pessoas. Estamos dando pequenos passos rumo a esse lugar, embora haja dias que isso não fique tão claro. Hoje não é um desses dias.

Junho é o mês da visibilidade LGBTQIA+ e esse 27 de junho de 2021 entra para a história como o dia em que o Clube de Regatas Vasco da Gama, essa instituição gigantesca, fez do seu uniforme uma importante bandeira da luta pela emancipação de todos, de todas e de todes. Obrigada, Vasco.

E obrigada, Fluminense, que fez com o Vasco uma tabela histórica ao modificar seu uniforme para acomodar as cores da luta LGBTQIA+ e fazendo com que seu capitão, o zagueiro Nino, entrasse em campo usando a camisa 24 e uma tarja com as tonalidades do arco-íris. Nas redes sociais, Vasco e Flu se parabenizaram, numa troca de afetos linda e bastante rara nesse ambiente. O futebol pode ser mais. Fluminense e Vasco, dois gigantes, mostram isso.

_______________ * Milly Lacombe - Comentarista diz que MULHER NARRANDO futebol é DESRESPEITO 

8.mar.2020 - Jovem pinta o símbolo de feminino no rosto no Dia Internacional da Mulher, em Londres, onde vários grupos feministas organizaram campanhas online em vez de sair às ruas  - Tolga Akmen/AFP
8.mar.2020 - Jovem pinta o símbolo de feminino no rosto no Dia Internacional da Mulher, em Londres, onde vários grupos feministas organizaram campanhas online em vez de sair às ruas Imagem: Tolga Akmen/AFP
Milly Lacombe

Colunista do UOL

25/06/2021 17h15

"Eu acho que o futebol precisa ser tratado com um pouco mais de respeito", disse o comentarista de rádio sobre vozes femininas narrando o jogo. E ele se apressou em fazer algumas ressalvas para que todas nós possamos ter a certeza de que ele não é um monstro.

O radialista, que se chama Reginaldo Correa e trabalha na rádio Eldorado de Criciúma, emendou oferecendo outra opinião maravilhosa. Ele disse que até acha que mulher é mais competente e mais organizada do que homem, tanto que, segundo ele, tem mulher em todos os setores da vida, mas, Reginaldo volta a opinar, "pra narrar futebol ainda não dá". E aí Reginaldo imita debochadamente o que ele acha que é o timbre de voz de uma mulher.

Bolsonaro ruge como leão para a CPI, mas mia como gatinho para Luis Miranda

São tantas as camadas de complexidades desse pequeno trecho de sinceridades que precisarei ir por partes.

Reginaldo sugere no início de seu discurso que a voz feminina narrando um jogo é um desrespeito. Não fica claro quem está sendo desrespeitado, mas a gente imagina que seja o futebol e o próprio Reginaldo.

Reginaldo usa a palavra desrespeito assim de forma solta mesmo porque não passa pela cabeça dele que desrespeito seja, por exemplo, uma mulher ser estuprada a cada oito minutos.

Certamente também não passa pela cabeça dele que desrespeito é uma menina de 13, 14, 15 anos - uma criança, portanto - já não poder sair na rua sem que sobre ela caiam muitos olhares de desejo sexual, uma sensação que é internalizada em todas nós, desde o aparecimento de nossos peitos, ou até antes, de forma com que nos sintamos objetos e não sujeitos.

Reginaldo não tá nem aí para a realidade que diz que existir num mundo como esse, organizado nos mínimos detalhes pela lógica masculina que todos os dias nos diz que somos um pedaço de carne, faz com que tudo o que quisermos ser ou fazer da vida seja muito mais difícil. O caminho para chegarmos em qualquer lugar sempre foi infinitamente mais violento do que o de qualquer homem.

Mas Reginaldo não se importa com nada disso: para o grande Reginaldo desrespeito é mulher narrar jogo de bola.

Narrar uma partida é ter a chance de contar uma história. Nós, mulheres, estamos apenas começando a contar histórias sob o nosso ponto de vista. Até hoje, todas as histórias contadas tinham - e ainda têm em larga medida - o ponto de vista do homem branco e heterossexual.

Se nossa voz soa estranha em alguns lugares é porque não estamos acostumados a escutá-la exatamente nesses lugares. Vozes femininas são silenciadas desde a Idade Média. Quando dizem que mulheres falam muito a comparação não é feita em relação à fala masculina, mas sim em relação a séculos de silenciamento. Por isso a sensação é a de que estamos falando muito. Não, não estamos. Mas estamos lutando por igualdade de vozes e não vamos desistir porque Reginaldo e outros machos que preferem machos narrando estão ressentidos, machucados, enfurecidos.

Para que uma mulher ocupe lugar em profissões que eram até ontem exclusivamente masculinas ela precisa ser muito melhor do que a média de um homem em início de carreira. A uma mulher não é dada a chance de errar nesse espaço. Um erro compromete toda a luta. A mulher que erra, erra por todas porque imediatamente dizem: "Tá vendo? Mulher não sabe narrar". Em compensação, o homem que erra - e, ô, como eles erram - erra sozinho. "Foi um deslize. Ele é bom profissional. Segue o jogo".

O que fica nítido é que Reginaldo quer é voz de macho narrando jogo. E isso me leva a pensar que homem gosta mesmo é de ver outros homens performando. Ligar a TV para ver mulher jogar não é interessante. Agora, um monte de cara forte disputando corpo a corpo uma bola uns com os outros tudo narrado pela voz bem grave de um outro homem, aí sim. Aí o Reginaldo gosta demais, fica amarradão.

Por fim ele imita o que, em sua imaginação, é o timbre de voz de uma mulher: um som rachado, tacanho, abjeto e que faz os colegas de programa rirem. Eles existem uns para os outros: se entretendo, se admirando, se aplaudindo.

Se é assim que Reginaldo escuta nossas vozes então Reginaldo não gosta mesmo muito de nenhuma de nós ainda que, ele diz, possamos ser muitas coisas nessa vida - claro, sem dúvida.

Baseado em pesquisa cuja fonte são "vozes em sua cabeça", ele diz que mulheres são até melhores do que homens em muitas coisas, o que é de fato uma declaração maravilhosa porque, sem nenhuma base científica, é apenas coerente com o momento pelo qual estamos passando. Não somos melhores e não somos piores, meu caro colega. Nós apenas somos. Somos sujeitos plenos, capazes de fazer tudo aquilo que nossos desejos e sonhos quiserem. Essa tentativa demagoga e infantil de nos separar em caixas e, para algumas funções, colocar a gente em pedestais diz mais sobre sua baixa capacidade reflexiva e cognitiva do que sobre nossas qualidades e talentos.

Se Reginaldo não gosta de como a gente soa, de como a gente vibra, de como a gente grita, de como a gente explode (porque narrar um jogo é soltar a voz em muitas dimensões de emoção) não é preciso ser um gênio para entender que, de mulher, Reginaldo e todos os que concordam com ele não gostam muito.

Reginaldo, meu caro: a gente vai narrar, a gente vai vibrar a gente vai cantar. E não tem mais como esse mundo voltar a ser o que era antes.

A boa notícia é que sempre haverá uma voz masculina bem grave para narrar jogos, e você pode optar por assistir a esses e não aos outros.

No mais, apenas preciso dizer que aquilo que Reginaldo provavelmente vai chamar de exercício de livre expressão, eu chamo de masturbação. Os amigos riram e é isso que importa, não é, Naldo?

_______________ * Mayumi Sato - "Sexo é autocuidado": evento gratuito debaterá futuro do mercado adulto

Trecho da série "Sex/Life" - Divulgação
Trecho da série 'Sex/Life' Imagem: Divulgação
Mayumi Sato

Colunista de Universa

11/07/2021 13h41

Mudanças de comportamento foram previstas e mapeadas desde o início da pandemia, mas a verdade é que hábitos são difíceis de mudar e, a sensação agora, é de que não vemos a hora de voltar ao velho normal. Mas, para o segmento de marcas, produtos e serviços "adultos", relacionados ao sexo e ao prazer, algumas coisas estão realmente diferentes. E, para empreendedores atentos, isso pode representar novas oportunidades de negócio.

Sex summit - Divulgação - Divulgação
Evento Sex Summit acontecerá em agosto Imagem: Divulgação

No início de agosto acontecerá o Sex Summit 2021, evento online e gratuito que vai reunir grandes marcas do mercado adulto, especialistas em sexualidade, inovação e tendências para discutir o reposicionamento do segmento: O sexo e o prazer vistos como bem-estar e autocuidado e o que isso representa para quem trabalha, ou trabalhará, no setor.

Bíblia da saúde sexual feminina chega ao Brasil com 50 anos de atraso

Em um estudo realizado pela Spark:off, consultoria de tendências e inovação, 84% dos consumidores já consideram sexo como um ato de autocuidado (em um mesmo levantamento realizado em 2016, esse número era de 54%). E 9 em cada 10 consumidores americanos encaram a masturbação como um redutor de estresse importante para o dia a dia.

Não por acaso, grandes redes de varejo como a Amaro começam a vender lubrificantes e vibradores em meio a catálogos de roupas e cosméticos. Ao longo deste último ano, sex shops viram suas vendas dobrarem e 68% das pessoas (entre elas 65% de mulheres) testaram alguma nova posição na hora do sexo e 98% garantiram que sentiram um aumento no prazer.

Essas são descobertas importantes para as pessoas, que já incorporaram às suas rotinas uma compreensão mais profunda do que lhes proporciona prazer. A procura por novas soluções e marcas ainda mais conectadas a esses momentos de intimidade, só tende a aumentar.

E essa onda de crescimento não é restrita aos sex toys:

Filmes e séries, como a nova Sex/Life produzida pelo Netflix, podcasts de contos eróticos como o do Sexlog, a busca por venda de conteúdo como no Onlyfans, novas marcas voltadas à jornada do prazer feminino como a Feel, inovações no ramo da motelaria...

São apenas alguns dos desdobramentos do que hoje ainda chamamos de mercado adulto. Agora, mercado de bem-estar que, segundo estimativas, atingirá a cifra de U$ 125 bilhões até 2026.

Se quiser entender ainda mais esse movimento, o que pensa e deseja o seu consumidor (independente do seu segmento), acompanhe o Sex Summit 2021 e bons negócios!

_______________ * Tríade bolsonarista: corrupção, populismo e rachadinhas, escreve Uriã Fancelli Baumgartner

Estratégia de salvador da corrupção já não funciona mais para Bolsonaro

Protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro em BrasíliaSérgio Lima/Poder360 - 03.jun.2021


13.jul.2021 (terça-feira) - 5h50

Na semana passada, o Brasil assistiu à revelação de áudios nos quais uma ex-cunhada de Jair Bolsonaro, Andrea Siqueira Valle, relatou as supostas participações do presidente da República em esquemas conhecidos como “rachadinhas”. A revelação desfalca sua grande bandeira eleitoral, a luta contra a corrupção.

A América Latina é considerada por especialistas como a “terra do populismo”. O populismo é uma estratégia política na qual um “salvador da pátria” surge e promete combater as elites, a fim de fazer a vontade geral do “povo”.

Receba a newsletter do Poder360

Populistas constantemente atribuem às classes médias e altas a culpa pelas principais mazelas da sociedade. No caso da nossa região, conhecida também pelos altos níveis de corrupção, os populistas têm também usado essa pauta como bandeira eleitoral.

Bolsonaro baseou sua campanha eleitoral de 2018 na defesa da Operação Lava-Jato, responsável por prender inúmeros acusados de corrupção, incluindo o ex-presidente Lula. Inclusive em seu discurso de posse comprometeu-se a libertar o Brasil da corrupção.

O presidente chegou a nomear o juiz Sergio Moro, responsável pela operação, para o cargo de ministro da Justiça no início de seu governo, em 2019. O relacionamento durou pouco mais de 1 ano. Moro renunciou alegando intervenção do Executivo em investigações anticorrupção durante sua administração na pasta.

A “luta contra a corrupção” foi usada também como bandeira eleitoral por outros populistas latino-americanos. Hugo Chávez, na Venezuela, chegou a afirmar que nenhum governo do mundo lutaria contra a corrupção como o seu. De acordo com especialistas, Chávez deixou um rombo nos cofres venezuelanos de US$ 450 bilhões por conta da corrupção.

Na Bolívia, no ano passado, o governo interino passou a investigar mais de 600 autoridades do governo de Morales por má condução de recursos públicos. Também entre os hermanos, o ex-presidente populista do Equador Rafael Corre foi sentenciado a 8 anos de prisão pelos mesmos motivos.

Neste momento, aqui em terras brasileiras, os áudios da ex-cunhada do presidente surgem para ratificar a imagem já desgastada de Bolsonaro e o derretimento de sua avaliação junto à população. O mais recente escândalo –relatos sobre irregularidade nas negociações de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin por parte de integrantes de seu governo– reforça a percepção de corrupção arraigada. O suposto envolvimento do presidente no desvio de R$ 4 milhões por meio das rachadinhas traz à tona as investigações contra seus filhos Flávio e Carlos, acusados de operarem de maneira semelhante ao pai.

Com isso, pode-se afirmar que a corrupção cria um terreno fértil para o populismo, que se utiliza dela para chegar ao poder. Foi essa a grande estratégia de Jair Bolsonaro, que utilizou-se da maior operação de combate à corrupção da história do Brasil para eleger-se presidente e, a partir daí, tem mostrado ser mais do mesmo.

O populismo encontrou na luta contra a corrupção uma bandeira eleitoral eficiente para a ascensão ao poder. Porém, talvez ela não seja o suficiente para sua manutenção. Se um dia Bolsonaro pôde acusar seus opositores de corruptos, hoje, o teto de vidro se rompeu.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Datafolha, 52% consideram Bolsonaro desonesto. O presidente perdeu sua principal bandeira eleitoral e deverá buscar outro discurso para as eleições de 2022, pois os brasileiros, pelo menos em relação ao discurso do presidente, parecem estar se vacinando.

_______________ * A "PÁTRIA de CHUTEIRAS" não liga mais para o seu próprio futebol

Neymar esbraveja durante a final da Copa América entre Brasil e Argentina, no Maracanã - Thiago Ribeiro/Thiago Ribeiro/AGIF
Neymar esbraveja durante a final da Copa América entre Brasil e Argentina, no Maracanã Imagem: Thiago Ribeiro/Thiago Ribeiro/AGIF
Michel Alcoforado

Colunista do TAB

13/07/2021 04h01

Se vocês acham que a vaca foi pro brejo quando o Brasil perdeu para Alemanha naquele fatídico 7 x 1, já aviso, estão enganados. Esperem para ver o que nos aguarda daqui pra frente, depois da derrota envergonhada para a Argentina na final do Copa América da Covid, por apenas um gol.

Partidas de futebol são aquilo que os antropólogos chamam de fatos sociais totais. Funcionam como um microcosmo de um grupo social, revelam códigos, dilemas e contradições e oferecem a todos a oportunidade de analisar, em menor escala, o nervo central de uma sociedade. Se, diante do tenebroso jogo ficou provado que o Brazil não conhece o Brasil (como diz a música), dessa vez o problema é ainda mais sério: ninguém (nem a gente mesmo) faz ideia do que somos. Estamos perdidos!

Aprendemos com Benedict Anderson, antropólogo e pesquisador da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, que as nações são invenções sociais. Há pelo menos 200 anos, os governantes se preocupam em construir um senso de unidade para além dos limites impostos pela burocracia estatal. Não se faz um povo só com passaporte, exército, limites territoriais, autarquias e prédios oficiais. É preciso mais. O sentimento de fazer parte de um lugar se constrói pelo alinhamento das peculiares maneiras de fazer e de pensar, símbolos e histórias repetidas exaustivamente, de modo que, em pouco tempo, os cidadãos sejam capazes de reconhecê-los como tipicamente seus.

Aos poucos, mesmo que não conheçamos todos os habitantes do nosso país de origem, nos reconhecemos enquanto parte de uma mesma comunidade porque lembramos e esquecemos das mesmas histórias, cultuamos os mesmos símbolos e nos conectamos com os símbolos nacionais de igual modo. O senso de pertencimento a uma nação nos é inculcado ao longo do processo de socialização e, rapidamente, se transforma em uma segunda pele — parte de nós mesmos.

Inscritos em nossa alma como tatuagens, eles nos fazem acreditar que gostamos de samba e vibramos com o futebol porque somos brasileiros. Nos arrepiamos quando ouvimos o hino nacional sem qualquer esforço, nos sentimos instantaneamente conectados com outros compatriotas fora do Brasil rapidamente por conta dessa capacidade de os símbolos nacionais funcionarem, com eficácia, independentemente da nossa vontade.

Mesmo sem gostar de futebol, inúmeras vezes, em minhas andanças pelo mundo, fui obrigado a emitir opiniões sobre a performance da seleção, fazer dribles e mostrar habilidades futebolísticas que não domino, demonstrar intimidade sobre a história de vida de Pelé, Ronaldo e Neymar para provar (para os outros e para mim mesmo) que era brasileiro. Afinal, pelo menos desde os anos de 1950, pelo sucesso dos jogadores e dos esforços dos governantes em se apropriar do esporte como símbolo da identidade nacional, nós, brasileiros, nos agarramos à performance em campo para definir quem somos.

Ainda me lembro de uma viagem que fiz a Berlim, logo depois do fatídico jogo de 2014. No guichê da imigração, naquele momento tenso no qual a autoridade pode decidir sobre o seu destino, vi um sisudo oficial alemão abandonar o protocolo de perguntas básicas aos viajantes para debochar do resultado da partida. Assim que viu meu passaporte, começou a bradar para toda a fila que estava diante de um brasileiro, que sentia muito sobre o que aconteceu porque sabia quanto a Copa do Mundo e futebol eram temas decisivos à dinâmica nacional. Sem pestanejar, demonstrou sua solidariedade, porque tinha ciência de que uma derrota da seleção alemã não teria o mesmo peso — dado que, para nós, futebol era algo que não terminava com o fim da partida. Ele não sabia que estava errado.

Os símbolos, para funcionarem, precisam se atualizar de acordo com as transformações do mundo. Caso isso não aconteça, rapidamente perdem a importância e deixam de servir como marcadores de identidade.

Por aqui, há muito tempo futebol nacional já não tem a importância que tinha. A culpa é dos cartolas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e dos governantes que usaram o símbolo da nação de acordo com as necessidades de ocasião.

Desde o final dos anos de 1970, há um intenso processo de profissionalização no setor, o que fez do esporte algo mais próximo da ética protestante dos capitalistas de outrora do que da ideia de que vencemos partidas por força de vontade, malemolência, imprevisibilidade e jeitinho. A exportação massiva de talentos ainda muito jovens para times do exterior, a construção de estádios cada vez mais assépticos e parecidos com as arenas de música pop, a profissionalização da gestão dos times em busca da melhor performance, o uso do esporte para favorecer governos impopulares foi, pouco a pouco, minando a potência do futebol da seleção enquanto símbolo da nação.

Uma pesquisa recente do Grupo Consumoteca mostrou que 54% dos brasileiros acreditam que o futebol brasileiro está em decadência e não representa mais o Brasil. 42% dos mais apaixonados pelo esporte estão mais interessados nos campeonatos europeus e 37% dos conterrâneos mostram completa indiferença quando a bola rola no gramado.

Até aqui, nenhuma novidade. Há tempos, nós, brasileiros, sabemos que futebol e nossa relação com o país já não têm a mesma força de antes. Não à toa, ninguém sofreu tanto assim pela derrota vexatória na Copa do Mundo de 2014 — tirando o fato de ter sido vexatória, mesmo. O problema é que agora o mundo também se dá conta disso.

Enquanto a televisão da ilhota em que estou transmitia o gol da Argentina no último domingo, o garçom do hotel chegou perto da minha mesa e me ofereceu mais uma dose de bebida.

Mesmo sabendo de meu país de origem, não se atreveu a comentar o jogo. Não me perguntou sobre Neymar, Pelé ou Ronaldinho, nem teceu nenhum comentário sobre a péssima performance do time. Para ele, naquele momento, o Brasil era o país com recorde no número de mortes pela covid-19 na América Latina e marcado pelos desmandos do governo Bolsonaro.

Brasil está loco, man!, afirmou com convicção.

Eles estão nos deixando loucos, man, respondi sem titubear.

Se é verdade que os loucos são aqueles que não têm clareza sobre a própria identidade, é verdade que perdemos a razão e já não nos reconhecemos no espelho.
Saudades (?!?) dos tempos em que Pelé e Ronaldo tinham força de dizer quem éramos.

_______________ * Os investidores que ganham e os que perdem com a reforma tributária

Exclusivo para assinantes UOL

Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/07/2021 04h00

A reforma tributária proposta pelo governo pretende taxar investimentos que antes eram isentos e simplificar impostos de algumas aplicações. O relator do projeto de lei na Câmara, deputado Celso Sabino (PSDB-BA), apresentou na última terça (13) relatório que retira a taxação de dividendos de fundos imobiliários, mas mantém a cobrança de 20% de Imposto de Renda sobre dividendos de ações, além da alíquota única, de 15%, para investimentos de renda fixa, como Tesouro Direto e CDBs.

Ainda há muita água para rolar sobre esse assunto, e o relatório pode sofrer alterações antes de ser votado em plenário —o que deve acontecer apenas em agosto. Até lá, muitos investidores têm dúvidas sobre quem ganha e quem perde com a reforma. Veja abaixo o que dizem analistas ouvidos pelo UOL Economia+.

Quanto maior o bolso, maior o impacto

Para alguns analistas, a reforma tributária cria distorções.

"Penaliza quem corre o risco de comprar uma ação e dá garantia de imposto mais baixo para o cara da renda fixa, que não faz esforço nenhum", declara Flávio Conde, analista da Levante Ideias de Investimentos.

Para Alexandre Amorim, gestor de Investimentos da ParMais, a reforma deve impactar diretamente o bolso dos investidores de alto patrimônio, que conseguem ter acesso a tipos diferenciados de investimentos. Nessa lista, estão cotistas de fundos exclusivos e investidores com dinheiro aplicado no exterior.

"São investidores que estavam acostumados a pagar tributos apenas no momento do resgate da aplicação, mas que agora vão ter que lidar com a apuração de impostos cada vez que mexerem nos investimentos", afirma Amorim.

Ponto para o pequeno investidor

Para os especialistas, quem ganha com a reforma é o pequeno investidor. Se a reforma for aprovada do jeito que está, quem investe em ações vai pagar imposto a cada três meses se os ganhos ultrapassarem os R$ 60 mil. Hoje, o imposto é apurado mensalmente com limite de isenção de R$ 20 mil.

"Aquele investidor que vende, por exemplo, R$ 50 mil em ações em um mês e não vende nada ou perde dinheiro no mês seguinte sai beneficiado, porque consegue compensar", diz o gestor da ParMais.

Quem faz day trade, ou seja, compra e vende a ação no mesmo dia, também vai pagar menos imposto. A alíquota, atualmente em 20%, cai para 15% caso a reforma seja aprovada.

"A consequência disto seria a de gerar mais liquidez no mercado diário, com este incentivo a operações diárias", diz Aldo Filho, analista da Aware Investments.

Taxação de dividendos vale para todos

Independentemente do tamanho do investidor ou do prazo do investimento, a taxação de dividendos, se aprovada, valerá para todos os que investem em ações. O texto do relator manteve ainda o fim da dedução sobre os juros sobre capital próprio —o que desestimularia o pagamento desse benefício ao investidor, uma vez que a empresa não teria benefício fiscal para pagá-lo.

Sendo assim, os investidores que aplicam em boas pagadoras de proventos sentiriam o baque. Já quem investe em empresas em fase de crescimento e que não costumam distribuir dividendos ou juros para reinvestir o lucro, seria beneficiado.

"Quem se prejudicaria basicamente é o investidor que tem ações de empresas grandes, já consolidadas e não tem onde reinvestir o dinheiro, como por exemplo bancos e companhias do setor elétrico", afirma Flávio de Oliveira, chefe de Renda Variável da Zahl Investimentos.

Os fundos imobiliários vão ser mesmo taxados?

Outro ponto polêmico é a tributação de 15% sobre os rendimentos dos fundos imobiliários, que também são isentos atualmente. A isenção foi mantida pelo relator, mas o texto ainda pode sofrer alterações. Mas quem já investe em FIIs sentiu o impacto da proposta da reforma do governo de forma negativa no preço.

"Já está praticamente no preço do mercado que a tributação de fundos imobiliários vai cair", afirma Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos. Esses fundos são acessados principalmente pelo investidor pessoa física, que é atraído, justamente, pela isenção do rendimento.

Bom para quem investe em renda fixa

Os analistas acreditam que o investidor da renda fixa é o mais beneficiado pela reforma tributária. Hoje, quem investe nesse segmento paga tributo que varia de acordo com o prazo da aplicação.

A alíquota do Imposto de Renda varia de 22,5%, para quem fica investido até seis meses, a 15%, para investimentos de mais de 720 dias. A reforma propõe uma alíquota única, de 15%, independentemente do prazo —ponto que foi mantido pelo relator da proposta.

"A alíquota única beneficia o pequeno investidor em geral, já que essa equalização não exige mais 720 dias de prazo para ter imposto nessa faixa", afirma Caio Kanaan Eboli, sócio da Axia Investing.

Além de cobrar menos imposto em investimentos de curto prazo, a renda fixa também pode ficar mais atrativa com a alta dos juros. "Mas o investidor não precisa sair correndo para vender uma coisa e comprar outra, pois a reforma ainda está em votação e as coisas ainda vão se definir", diz Flávio Conde, analista da Levante.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

_______________ * Opinião - Paul Krugman: O duradouro mito dos infernos urbanos nos Estados Unidos

Americanos ainda acreditam que grandes cidades são infernos de crime e depravação

No final de semana, J.D. Vance, autor de “Hillbilly Elegy” e agora candidato trumpista ao Senado em Ohio, tuitou que estava planejando uma visita a Nova York, e tinha ouvido dizer que a cidade é “repulsiva e violenta”.

Vance, que estudou Direito na Universidade Yale e trabalha como executivo de capital para empreendimentos, certamente sabe que as coisas não são assim. Mas presumivelmente espera que os eleitores republicanos acreditem no contrário.

Mas por que será que tantos americanos ainda acreditam que as grandes cidades do país são infernos de crime e depravação?

Por que tantos políticos acreditam que ainda podem conduzir campanhas baseadas no suposto contraste entre o mal urbano e as virtudes das cidades pequenas, em uma era na qual muitos indicadores sociais parecem piores no interior do que nas grandes áreas metropolitanas das duas costas?

Homem branco vestido de terno discursa ao microfone; no alto da imagem há uma bandeira dos Estados Unidos e ao fundo um céu com nuvens
Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos durante visita ao estado do Texas - Callaghan O'Hare - 30.jun.21/Reuters

É certo que tivemos uma alta no número de homicídios no país —embora não no de crimes em geral— durante a pandemia, por motivos que continuam a não ser claros. Mas Nova York continua mais segura do que há uma década, imensamente mais segura do que há 30 anos e, se isso vale alguma coisa, consideravelmente mais segura do que Columbus, Ohio.

E se você deseja destacar uma região específica como vítima de uma crise, Nova York dificilmente seria o lugar a escolher.

Os maiores problemas sociais dos Estados Unidos acontecem-no chamado “heartland leste”, um arco que se estende da Louisiana ao Michigan. É essa a área em que número crescente de homens em idade primária de trabalho não dispõe de empregos, e onde as “mortes por desespero” —ou seja, causadas por álcool, suicídio e overdoses de drogas— atingem totais elevados.

Percebam que não atribuo esses problemas nas áreas centrais do país a alguma forma de colapso moral da parte dos moradores locais. A deterioração social da região tem raízes econômicas claras.

A ascensão da economia do conhecimento conduziu a uma concentração crescente do emprego e da riqueza nas grandes áreas metropolitanas, cujas populações têm nível educacional elevado, deixando para trás boa parte das regiões rurais e das pequenas cidades dos Estados Unidos.

E essa perda de oportunidades terminou por ser refletida na desintegração social, da mesma forma que o desaparecimento de empregos fez em muitas áreas urbanas deterioradas, meio século atrás.

É estranho dizer, porém, que a maior parte das pessoas que se proclamam “populistas”, como Vance —ou Donald Trump— não estabelecem os paralelos evidentes entre os problemas da região central do país e os dos americanos em outras eras, e tampouco propõem qualquer coisa que possa melhorar a situação.

Em lugar disso, continuam a repetir a demagogia de 1975, contrastando uma visão idealizada do coração do país, que se parece ainda menos com a realidade, a uma visão sombria da vida urbana que está desatualizada há décadas.

E o contraste mítico entre as grandes cidades malignas e as pequenas cidades bondosas tem efeitos destrutivos, e até letais, sobre as políticas públicas.

Há relatórios que apontam que um dos motivos para que o governo Trump tenha decidido minimizar a gravidade da pandemia da Covid-19, em seus primeiros estágios, foi a crença de que ela era problema apenas para as cidades grandes e os estados de maioria democrata; houve definitivamente muitas asserções de que o risco só era severo em lugares com grandes populações.

E houve muitos pronunciamentos —alguns deles em tom de inconfundível júbilo—no sentido de que a pandemia mataria as grandes cidades e os estados que as abrigam.

Na verdade, a Covid-19, ainda que inicialmente tenha atingido duramente a cidade de Nova York, não era um problema metropolitano; a densidade populacional aparentemente não influi na incidência da doença. Por exemplo, o estado do Dakota do Sul tem a mais ou menos a mesma população da cidade de San Francisco, e registrou quatro vezes mais mortes causadas pela Covid.

E agora, estados rurais e de inclinações republicanas registram índices de vacinação muito inferiores aos dos estados de maioria democrata, e por isso, se surgir uma nova onda de contágios, o mito de que as cidades são os fulcros do contágio será virada de cabeça para baixo.

Oh, e embora você talvez tenha ouvido que muita gente está fugindo da Califórnia, liberal e urbanizada, isso pode ser só mais um mito. A Califórnia está sofrendo uma crise de habitação séria, causada por preocupações particularistas dos proprietários de imóveis, mas, como no caso de Nova York, se você ouviu dizer que o estado se tornou um lugar péssimo para morar, está escutando propaganda da direita.

Além de ajudar a paralisar nossa resposta à pandemia, o mito da virtude rural e do vício urbano significa que muitos eleitores republicanos parecem desinformados de que estão entre os maiores beneficiários do “governo grande” que seu partido diz que deseja eliminar.

Ou seja, eles continuam a imaginar que o governo gasta dinheiro para beneficiar moradores urbanos dependentes da Previdência, e não em benefício de pessoas como eles.

Por exemplo, será que os eleitores dos estados de maioria republicana sabem que os gastos federais em seus estados —muitos dos quais em forma de benefícios da Previdência e do programa de saúde Medicare— superam em muitos os impostos que eles pagam a Washington?

No Kentucky, o exemplo mais extremo, o influxo anual de dinheiro federal é US$ 14 mil (R$ 73,1 mil) mais alto, per capita, do que a arrecadação federal no estado.

Se os eleitores soubessem disso, estariam tão dispostos assim a apoiar os cortes de benefícios aos trabalhadores americanos e os cortes nos impostos das grandes empresas e dos ricos?

Quero deixar bem claro que não estou criticando políticas que na prática subsidiam muitos estados. Somos todos americanos, e deveríamos estar dispostos a ajudar uns aos outros.

O problema, em lugar disso, está em políticos cínicos que depreciam algumas partes do país e dão a entender que essas regiões não são parte da “verdadeira América”. Esse cinismo matou milhares de pessoas na pandemia —e poderia também matar a democracia, facilmente.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

_______________ * Médicos de hospitais públicos de SP se indignam com a internação de Olavo de Carvalho via SUS

Médicos de hospitais públicos da capital paulista estão indignados com a internação de Olavo de Carvalho no InCor. Segundo eles, o extremista teria dado entrada na instituição pelo SUS, sem passar pela central de regulação de leitos (Crosp) do governo paulista

Olavo de Carvalho e fachada do Incor
Olavo de Carvalho e fachada do Incor (Foto: JOSHUA ROBERTS/REUTERS | HCFMUSP)

247 -  Médicos de hospitais públicos da capital paulista estão indignados com a internação do “guru” Olavo de Carvalho no InCor. Segundo eles, o extremista teria dado entrada na instituição pelo SUS, sem passar pela central de regulação de leitos (Crosp) do governo paulista. A informação é do jornal Folha de S.Paulo. 

PUBLICIDADE

Ele viajou dos EUA rumo a São Paulo para tratar da doença de Lyme, popularmente conhecida como “doença do carrapato”, que pode causar irritação na pele, dores nas articulações e fraqueza nos membros.

Os profissionais afirmaram nas mensagens que aguardam há meses por um leito para pacientes do SUS e criticaram o fato de Olavo ter conseguido uma vaga no InCor vindo dos Estados Unidos.

Questionado, o InCor afirmou que não poderia confirmar se Olavo está internado ou não pelo SUS.

“Com base na LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados] não nos é permitido divulgar informações do paciente que não estejam autorizadas como, por exemplo, a forma de financiamento do tratamento. Para detalhes sobre esse assunto, é necessário consultar diretamente ele ou seus familiares”, disse a assessoria.​

Já a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas disse que Olavo deu entrada pela emergência do InCor e que, nesses casos, não precisaria passar pela regulação de leitos.

_______________ * Militares voltam a ameaçar CPI, se Braga Netto for convocado

247 - Membros da cúpula militar voltam a ameaçar o Congresso Nacional caso a CPI da Covid confirme a convocação do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito com o objetivo de esclarecer as ameaças de militares à comissão. A informação foi publicada nesta quarta-feira (14) pela coluna de Bela Megale, no jornal O Globo.

De acordo com integrantes do alto comando das Forças Armadas, a relação entre Forças Armadas e o Congresso dependerá de como parlamentares tratarão Braga Netto. 

Militares haviam ameaçado o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), após o parlamentar dizer que os "bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia". "Fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo, fazia muitos anos", acrescentou ele em sessão na CPI

Em nota, os militares disseram que "as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro".

_______________ *

O mi-mi-mi dos militares - Euler Costa

Por Euler Costa

Não é de hoje que sabemos muito bem que, uma boa parte dos militares das Forças Armadas não se contenta mais a sua função de vigilantes e protetores do país e da soberania territorial. Não sei se eles acham pouco, ter que proteger uma país, com quase 17 mil quilômetros de fronteiras e um dos maiores litorais do mundo. 

Fora isso, há um sem número de coisas que os militares poderiam se ocupar como, por exemplo, proteger a Amazônia brasileira dos constantes ataques de grileiros, garimpeiros e madeireiros. Poderiam também ajudar a proteger os indígenas (nosso maior patrimônio), povos originários e os verdadeiros donos da terra Brasilis. Também poderiam ajudar com a logística e apoio para levar alimento aos milhões de brasileiros que hoje vivem em insegurança alimentar, aproximadamente 110 milhões, segundo relatório Luz 2021. Ainda poderiam também atuar na construção de casas populares para os milhões de famílias em situação de rua desde o fim do programa MCMV. 

Além de ajudarem a sociedade de forma real e positiva, melhoraria a imagem das FFAA junto à população e, de quebra, fariam jus aos bilhões em folha de pagamento e pensões que custam ao povo brasileiro anualmente.

Contudo, ao invés disso, preferem se ocupar com coisas mais interessantes como pintar meio fio, capinar e cortar a grama dos quartéis, manter os caminhões e jeps limpos, lustrar seus coturnos e passar caol (produto antigo que dá brilho em metais) na fivela do sinto para ficar bem brilhante. Ah sim, ainda tem as corridas matinais para manter a boa forma da tropa. Afinal o leite condensado tem que ter um destino, não é mesmo? Realmente são coisas muito mais importantes para a atividade militar. E não podemos nos esquecer dos exercícios de simulação de combate e manutenção da lei e da ordem, já que o Brasil está sempre em risco eminente de ataque. Temos muitos inimigos, como os EUA, sabem como é, né? 

Bom, mais deixemos de lado as questões secundárias e vamos ao que interessa. Depois do último golpe militar (o de 1964, sim, porque houve outros antes, como a própria “proclamação da República”, por exemplo, que foi um golpe covarde e traiçoeiro em Don Pedro II) e os 21 anos de ditadura, com a redemocratização, os militares pareciam ter adotado uma postura mais discreta, guardados em seus quartéis, cuidavam de seus assuntos em seu “mundo paralelo”. 

Claro que isso não significava que eles haviam desistido de manter as rédeas do comando do país, mas digamos que eles aceitaram afrouxar os “arreios” e deixaram os civis tomarem as decisões, desde que eles não tivessem perdas financeiras e seu “status” de instituição incorruptível fosse mantido. Para isso aprovaram a lei de anistia de 1979, garantindo que nenhum dos seus, seria condenado pelos crimes contra os direitos humanos. Todos os anos de mortes, torturas e desaparecimentos estariam anistiados para sempre. E assim o é até hoje, bem diferente da nossa vizinha Argentina e do outro vizinho, o Uruguai. Porém, com a instalação da Comissão da Verdade em 2011, início do 1º mandato de Dilma Rousseff, fez com que os militares olhassem para o governo e o PT como uma verdadeira ameaça.

Ocorre que a tutela sempre existiu, mas de forma sutil. Porém uma turma linha dura da velha guarda se mantinha lá, e fazendo escola. Uns dos expoentes da escola linha dura eram o general Augusto Heleno e seu contemporâneo, o general Eduardo Vilas Boas, aquele que se notabilizou, quando a frente do comando do Exército, ameaçou o STF por um tuíte, quando do julgamento do habeas corpus do ex- presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Os militares voltaram ao cenário político após o golpe midiático jurídico parlamentar de 2016 contra a então presidenta Dilma Rousseff. O empossado presidente Michel Temer logo se adiantou e pôs vários militares no primeiro e segundo escalão do seu governo. Temer quebrou uma tradição criada por FHC e seguida pó Lula e Dilma e nomeou um militar para o ministério da defesa. Este ministério vinha sendo comandado por civis, com o intuito de demonstrar que as FFAA estavam subordinadas às intuições democráticas. Era esse o simbolismo, mas Temer que vivia se agarrando a “cabelos no mar” devido a sua baixíssima popularidade, pensou em garantir seu mandato até o fim.Vale lembrar que Temer é cria da ditadura militar, começou sua carreira advogando para vários militares. Foi procurador geral do governo de Franco Montoro, 1º governador de São Paulo eleito por voto direto em 1982. Assim como Brizola, Montoro era um democrata, mas Temer tinha seus caminhos e sua boa relação com os militares ajudava Montoro, por tanto, ele tinha transito livre entre eles.

Temer trouxe de volta os militares para posições estratégicas e sensíveis do governo como: ABIN (Agencia Brasileira de Inteligência), chefia do gabinete da Casa Civil, FUNAI, recriou e deu a um general o GSI ( Gabinete de Segurança Institucional – uma espécie de “pode tudo”) e por último devolveu o ministério da Defesa a um militar, o general Joaquin Luna e Silva, que substituiu o civil Raul Jumgmann. Temer ainda alterou uma lei que deu aos militares a prerrogativa de julgar os crimes comuns (como homicídio) praticados pelos seus integrantes, apenas na justiça militar. Ele ainda realizou várias operações de GLO (garantia da lei e da ordem) e colocou o estado do Rio de Janeiro sobre intervenção militar durante 11 meses, cujo interventor na época é justamente o atual ministro da Defesa de Bolsonaro (e que antes foi ministro da Casa Civil), o general Walter Braga Netto. Inclusive foi durante sua gestão à frente ao estado do Rio de Janeiro, que a vereadora, Marielle Franco e, seu motorista, Anderson, foram executados, num dos crimes que mais abalaram o país e o mundo, e que, mais de três anos depois, continua sem resposta.

Porém, o que pretendo demonstrar é a total incoerência dos chefes das FFAA, quando emitiram uma nota totalmente desproporcional, após uma manifestação, em minha opinião, muito branda, e até certo ponto cuidadosa, do presidente da CPI da Covid-19, o senador Omar Aziz, do AM – PSD, quando resumidamente, disse que as Forças Armadas deveriam estar com vergonha de ter tantos militares de alta patente, envolvidos no caso da compra de vacina superfaturada da Índia – COVAXIN, além do caso onde o cabo da PM de Minas Gerais, Dominguette – que alega ter recebido uma proposta de propina, no valor de US$ 1,00 por dose na compra de vacinas da empresa DAVATI, o que daria algo em torno de dois bilhões  de reais em propina.

A incoerência está na postura adotada pelos chefes das FFAA em vários acontecimentos e escândalos escabrosos, que ocorreram ao longo dos últimos três anos e, em todos eles, o silêncio foi a resposta dada. A seguir vou apresentar, cronologicamente, os principais fatos, colocando a manchete, a fonte e a data da publicação:

1. Corrupção nos quartéis, Ministério Público detecta desvios de R$ 191 milhões nas Forças Armadas - Portal UOL – 25/10/17. 

2. Para especialistas, intervenção federal no Rio deixa saldo negativo – Correio Braziliense – 28/12/18.

3. Militares do Exército fuzilam carro de família com 80 tiros no Rio – O caso do músico Evaldo em Guadalupe – EXAME – 08/04/19.

4. Militar brasileiro preso com 39 quilos de cocaína na Espanha recebe pena de seis anos – portal G1 – 24/02/20.

5. Exclusivo: A desastrosa Operação do Exército que levou à morte de Evaldo Rosa – Pública – 29/04/20.

6. 73 mil militares receberam o auxílio emergencial indevidamente, diz Defesa – CongressoemFoco – 12/05/20.

7. Bolsonaro formaliza general Pazuello como ministro interino da Saúde – Pder360 – 02/06/20.

8. Ministério da Defesa justifica leite condensado "para dar energia aos militares" – Governo gastou 15 milhões em leite condensado – Correio do Povo – 21/01/21.

9. Além de picanha e cerveja, verba pública pagou bacalhau e uísque para militares – Ao longo do ano de 2020 as Forças Armadas compraram 700 toneladas de picanha e 80 mil litros de cerveja – CongressoemFoco -  13/02/21.

10. TCU deixa Pazuello nu ao analisar exigências para compra de vacinas - General rejeitou oferta da Pfizer alegando entreves contratuais: 'Ninguém precisa ser expert em direito para saber que valor saúde vem primeiro’, disse TCU – Veja – 18/03/21.

11.  Ex-ministro Pazuello participa de ato ao lado de Bolsonaro sem máscara – Depois de poupar presidente na CPI, Ex-Ministro da Saúde participa de ato político no Rio – CNN – 23/05/21.

12. Governo Bolsonaro baixou artificialmente rombo futuro da previdência militar, diz TCU – Folha de São Paulo – 15/06/21.

13.  Filhas solteiras de militares recebem até R$ 117 mil mensais - País gastou R$ 19,3 bilhões com pensões militares ao longo de 2020. Filhas representam 60% dos beneficiários – Portal Terra – 03/07/21.

14.  Quem é quem nos 4 núcleos do suposto esquema de corrupção na compra de vacinas – Núcleo militar – Elcio Franco (Coronel); Marcelo Blanco (Tenente - coronel); Coronel Guerra; Alex Lial Marinho (Tenente – coronel) – Gazeta do Povo – 06/07/21.

Bom, após essa lista de fatos ocorridos em pouco mais de três anos, e, diga-se de passagem, após o golpe de 2016, podemos observar que, a aventura dos militares, fora do seu “mundo paralelo” (os quartéis), deu luminosidade a muitas coisas que, provavelmente, jamais saberíamos, mas este é o preço que se paga quando se quer mais poder e, desvia-se de suas funções elementares. 

Todavia, o mais importante de tudo! Em nenhum dos casos citados acima, os chefes das Forças Armadas se pronunciaram de alguma forma. Pelo contrário, no caso do general da ativa, ex-ministro da Saúde, Pazuello, que participou de ato político - cometendo flagrante violação contra o Regulamento disciplinar do Exército, infringindo o artigo 57, que se aplica ao caso do general: “Manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária” – nada aconteceu.

Qual foi a atitude tomada pelo comandante da do Exercito? Absolveu Pazoello e fez mais, decretou sigilo de 100 anos, isso mesmo, 100 anos de sigilo no processo de transgressão do ex-ministro. Ora, que moral tem uma força que age assim frente a uma flagrante afronta ao seu comando? É obvio que Bolsonaro usou Pazoello como um aríete para derrubar a barreira que impedia aos militares de tomarem partido, ou terem opinião partidária. Risco muito bem calculado.

É interessante, pois um governo que sempre defendeu, de forma completamente equivocada e tosca, um movimento ideológico chamado de “Escola sem partido”, acaba por criar o precedente para termos as “Forças Armadas com partido”! Seria cômico, se não fosse trágico. 

Não que a história dos militares brasileiros seja cheia de glorias e glamorosa, não! Está muito longe disso, senão vejamos um breve resumo histórico: Guerra do Paraguai (1864 – 1870), um dos mais tristes massacres de um povo, um país que florescia como potencia industrial na América do Sul e, por isso, os EUA exigiram que o Brasil ajudasse na sua destruição. Até hoje o Paraguai sofre as conseqüências desta guerra covarde; Guerra de Canudos (1896 – 1897), mas também poderia se chamar Massacre de Canudos, onde pobres camponeses foram massacrados, pois as idéias socialistas de um líder estava chamando a atenção.

Mas, pensando bem, Temer e agora Bolsonaro podem ter feito um grande favor ao país. Ao colocar os militares de forma sistemática e maciça em suas gestões, deram ao povo, a oportunidade de ver com mais clareza e luz o que ficava nas sobras. 

A final de contas, durante os 21 anos de ditadura militar, nunca se ousou falar em corrupção, até por que não existia investigação. Porém, esta semana o Datafolha apresentou vários resultados de sua ultima pesquisa. E dois resultados, em particular, chamaram muito a atenção. Para 62% dos entrevistados, militares da ativa não devem participar de atos políticos ou se envolver com política. O outro resultado é ainda melhor: para 58% dos entrevistados os militares não devem ter cargos em governos. Ou seja, podemos agradecer a Bolsonaro, por mostrar ao povo quem brasileiro, quem realmente são os militares, desconstruindo o mito de incorruptíveis e imaculados. Principalmente os de alta patente!

Para concluir, digo então ao ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e aos seus três mosqueteiros, parafraseando seu presidente: “Chega de frescura e de mi-mi-mi, vão ficar chorando até quando? Temos que enfrentar os problemas!”

Sigam então o conselho de vosso comandante em chefe e, resolvam seus problemas, que não são poucos. Problemas éticos, de conduta, de caráter, de corrupção, de moral, transparência e etc. E, de uma vez por todas, deixem de ser um peso morto, que o povo desse país é obrigado a carregar há mais de 200 anos. 

Saiam da posição parasitária que se encontram, confortavelmente e, façam jus aos seus gordos soldos e, seus vários privilégios trabalhistas e previdenciários. E se mesmo assim, não souberem como ajudar o país a crescer e voltar aos trilhos da democracia e do desenvolvimento, pelo menos não atrapalhem! Voltem para seus quartéis, meio fios, caminhões, coturnos e fivelas brilhantes, de onde nunca deveriam ter saído.

_______________ *

Greenpeace provoca Ciro Gomes nas redes: "orgulhoso de seu partido?" | Revista Fórum

Greenpeace provoca Ciro Gomes nas redes: “orgulhoso de seu partido?”

Ambientalistas cobraram presidenciável pelo voto do PDT em favor da urgência na aprovação do PL da Grilagem. Se passar, mudança facilitará roubo de terras públicas, aumentando tensão no campo

O grupo ambientalista Greenpeace fez uma postagem no Twitter provocando o ex-ministro e presidenciável Ciro Gomes (PDT) nesta quarta-feira (14). O tuíte fazia referência a uma mensagem de Ciro, do ano passado, na qual o sempre candidato à Presidência dizia ter orgulho de seu partido, o PDT, por ter votada pela retirada da pauta da MP 910, na qual, segundo palavras de Ciro, “o genocida Bolsonaro legalizava a grilagem de terras inclusive e especialmente nas áreas sensíveis da Amazônia.

A provocação do Greenpeace foi motivada pelo voto favorável da bancado do PDT, na terça-feira (13), à urgência da PL da Grilagem, que segundo os ambientalistas quer legalizar o roubo de terras públicas, aumentando a devastação dos biomas e os conflitos fundiários.

“Oi, @cirogomes. Ontem seu partido @PDTnaCamara votou a favor da urgência do PL da Grilagem, que quer legalizar o roubo de terras públicas, aumentando o desmatamento na Amazônia e conflitos no campo. Você continua orgulhoso de seu partido, um ano depois? #GrilagemNão”, diz a íntegra da mensagem deixada na rede.

Ciro Gomes, até o momento, não respondeu aos questionamentos do Greenpeace. Na postagem, internautas cobraram uma posição do líder pedetista, já que a postura da bancada do partido na votação do tema contraria aquilo que havia sido prometido por ele e pela sigla.

Oi, @cirogomes. Ontem seu partido @PDTnaCamara votou a favor da urgência do PL da Grilagem, que quer legalizar o roubo de terras públicas, aumentando o desmatamento na Amazônia e conflitos no campo. Você continua orgulhoso de seu partido, um ano depois? #GrilagemNão https://t.co/oEV3QewE5n

_______________ *

Bolsonaro está à beira de um ataque de nervos e será preso se não for reeleito, diz empresário e ex-aliado

Empresário Paulo Marinho

247 - Hospedeiro por um ano do QG da campanha de Jair Bolsonaro entre 2017 e 2018, o empresário Paulo Marinho (PSDB) afirma que o próprio Bolsonaro está à beira de um ataque de nervos por causa da CPI da Covid-19. Os relatos foram publicados pelo jornal Folha de S.Paulo

"Conheço a peça. O capitão Bolsonaro está à beira de um ataque de nervos", disse o tucano, chegando a afirmar que o seu "ex-chefe" será preso se não for reeleito. "O capitão Bolsonaro vai enfrentar a Justiça. E arrisco dizer que vai ser preso pelos crimes que já cometeu e ainda vai cometer até final do mandato", acrescentou. 

De acordo com Marinho, "o capitão vai tentar dar um golpe com as milícias, que é o grupo que o acompanha desde o início da sua vida política". "Graças a Deus, esse grupo não tem tamanho para mudar a história da democracia brasileira. Ele acha que tem. Mas não tem", disse.

O empresário afirmou que Bolsonaro "tem uma dificuldade imensa de se expressar". "Quando a gente estava na minha casa gravando os programas de televisão, primeiro, ele não usava o teleprompter, ele não sabia se comunicar com o teleprompter. Tinha uma dificuldade de ler e falar. Ficava evidente que ele estava lendo", complementou.

Em 2020, Marinho fez uma revelação que deixou o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) em uma situação mais complicada ainda. De acordo com o empresário, o parlamentar teve conhecimento prévio da operação da Polícia Federal que prendeu 22 pessoas, entre elas dez deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

_______________ *

Bolsonaro está à beira de um ataque de nervos e será preso se não for reeleito, diz empresário e ex-aliado

Paulo Marinho cedeu casa para QG bolsonarista na eleição de 2018, hoje está com Doria e vê presidente fora do 2º turno

Rio de Janeiro

Hospedeiro por um ano do QG da campanha de Jair Bolsonaro à Presidência, entre 2017 e 2018, o empresário Paulo Marinho (PSDB) afirma que o presidente está à beira de um ataque de nervos diante dos desdobramentos da CPI da Covid-19.

Ao comentar o tom adotado por Bolsonaro diante das suspeitas de irregularidades nas compras de vacinas, Marinho diz que o presidente mostra destempero por ter consciência do risco de derrota na corrida presidencial de 2022.

"Conheço a peça. O capitão Bolsonaro está à beira de um ataque de nervos", diz Marinho, chegando a afirmar que Bolsonaro vai ser preso caso não se reeleja.

"O capitão Bolsonaro vai enfrentar a Justiça. E arrisco dizer que vai ser preso pelos crimes que já cometeu e ainda vai cometer até final do mandato."

  • O então candidato _à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, com seu filho Flávio Bolsonaro, durante sua votação em um colégio militar no Rio de Janeiro

Marinho —que conviveu diariamente com Bolsonaro entre julho de 2017 e outubro de 2018— diz não ter dúvidas de que o presidente tentará virar a mesa ante a ameaça de uma derrota em 2022.

"O capitão vai tentar dar um golpe com as milícias, que é o grupo que o acompanha desde o início da sua vida política. Gracas a Deus, esse grupo não tem tamanho para mudar a história da democracia brasileira. Ele acha que tem. Mas não tem."

Um dos principais apoiadores da candidatura de Bolsonaro, Marinho transformou a ampla academia de sua casa em estúdio de programa eleitoral em 2018. Da época, guarda vídeos inéditos e suas recordações, acervo hoje a serviço da pré-candidatura à Presidência de João Doria (PSDB), governador de São Paulo.

Como exemplo, ele conta que, certa vez, Bolsonaro exasperou-se ao tentar, por mais de 20 vezes, gravar uma mensagem para a propaganda eleitoral.

Segundo Marinho, Bolsonaro deixou o estúdio e foi para os jardins da casa, sendo tranquilizado pelo coordenador de sua campanha à época, Gustavo Bebianno, que depois virou ministro e morreu em 2020.

"O capitão tem uma dificuldade imensa de se expressar. Quando a gente estava na minha casa gravando os programas de televisão, primeiro, ele não usava o teleprompter, ele não sabia se comunicar com o teleprompter. Tinha uma dificuldade de ler e falar. Ficava evidente que ele estava lendo."

O empresário Paulo Marinho, 68, em sua casa no Rio de Janeiro - Ricardo Borges - 28.ago.2019/UOL

Além dessa dificuldade de expressão, Marinho diz reunir mostras das contradições de Bolsonaro.

  • Facada e cirurgias são obstáculos em histórico de saúde de Bolsonaro; relembre casos

Há três meses, Marinho se mudou para São Paulo disposto a colaborar com a candidatura de Doria. Ele se diz convencido de que Bolsonaro não chegará ao segundo turno. E relata que muitas pessoas riem desse prognóstico, a exemplo do que aconteceu em 2018, quando decidiu apoiar a candidatura de Bolsonaro.

"Nessa campanha, Bolsonaro vai ter que explicar o enriquecimento da família dele, dos filhos e dele pessoalmente. Esse esquema das 'rachadinhas' está mais do que provado pelo Ministério Público estadual."

"O capitão só não rodou até agora por causa da blindagem jurídica que conseguiu alcançar a nível federal. Além disso, o Adélio não estará em Juiz de Fora em 2022", diz Marinho, relatando que, ao visitá-lo no hospital, ouviu Bolsonaro dizer que já estava eleito depois de ter sido esfaqueado por Adélio Bispo durante um ato em Minas Gerais.

Para justificar o mau desempenho de Doria nas pesquisas, Marinho afirma que ele sofre o ônus de "proteger a população de São Paulo contra a Covid, coisa que o capitão não fez".

Ele reconhece ainda que Doria enfrentará a resistência dentro de seu próprio partido, sendo o deputado mineiro Aécio Neves um dos articuladores da oposição a essa candidatura.

"Tem alguns grupos no PSDB, principalmente os liderados por Aécio Neves, que estão apostando no quanto pior, melhor. Essa é uma questão da conveniência política desse grupo. Quem quer o melhor para o PSDB tem que apostar numa candidatura viável. E a única candidatura viável para o PSDB é do governador João Doria. Quem tiver o mínimo de caráter vai enxergar essa realidade", diz.

Ao falar sobre uma eventual candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), Marinho diz que seria temerário o PSDB arriscar no novo em detrimento do único nome com chance de tirar Bolsonaro do segundo turno.

Sobre o fato de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ter admitido a hipótese de o PSDB apoiar um nome de outro partido na disputa presidencial, Marinho lembra que FHC já se posicionou contrariamente a candidaturas de Doria. Todas acabaram vitoriosas.

"O presidente Fernando Henrique atua quase como uma entidade acima do PSDB. Ele tem autoridade para falar o que fala. É um homem que todo mundo respeita. Em relação ao Doria, ele errou as duas vezes em que apostou contra. Essa coisa está dando certo para o João. É mais um elemento para validar a candidatura do governador João Doria", diz.

Após dois anos na presidência do PSDB do Rio de Janeiro, Marinho deixou a função em junho, dizendo-se impressionado com o tamanho da presença do tráfico e da milícia no processo eleitoral municipal de 2020.

Ele descreve o caso do dono de um cursinho pré-vestibular que pretendia concorrer a vereador com apoio dos moradores de uma favela na zona norte do Rio. Desistiu após ser desencorajado por traficantes.

"Na véspera de a gente fechar a nominata, ele disse 'infelizmente não vou poder mais ser candidato. Fui chamado pelo pessoal do tráfico da minha região e eles disseram que lá eles apoiarão um candidato e não poderá haver outro candidato. E meu curso de pré-vestibular é lá, os meus alunos estão ali. Não tenho como desacatar essa ordem sem sofrer represália'", lembra Marinho.

_______________ *

'Menosprezei capacidade de fazer o mal do Bolsonaro', diz Eduardo Leite

247 - O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou que subestimou a capacidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de "fazer o mal" quando declarou voto nele em 2018, quando o atual ocupante do Palácio do Planalto disputava o segundo turno das eleições presidenciais contra Fernando Haddad (PT). A informação é do portal UOL. 

O  governador, que disputa as prévias do PSDB para ser candidato à presidência em 2022, disse que, naquele momento, a volta do PT ao poder lhe parecia um "mal maior".

“Era um caminho muito difícil. A volta do PT ao poder parecia um mal maior naquele momento. Eu menosprezei de fato a capacidade de fazer o mal do Bolsonaro. Eu não considerava... especialmente não sabíamos que haveria uma pandemia em que esta crueldade do presidente se apresentasse fatal, como se apresenta, com perdas de vidas”, disse. 

_______________ *

'Menosprezei capacidade de fazer o mal do Bolsonaro', diz Eduardo Leite

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, declarou voto em Bolsonaro em 2018 - Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, declarou voto em Bolsonaro em 2018 Imagem: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

Do UOL, em São Paulo

14/07/2021 10h31

Atualizada em 14/07/2021 10h55

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou que subestimou a capacidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de "fazer o mal" quando declarou voto nele em 2018, quando o atual ocupante do Palácio do Planalto disputava o segundo turno das eleições presidenciais contra Fernando Haddad (PT).

Em entrevista ao jornal "Valor Econômico", o governador, que disputa as prévias do PSDB para ser candidato à presidência em 2022, disse que, naquele momento, a volta do PT ao poder lhe parecia um "mal maior".

Oyama: Bolsonaro toma Coca-cola no café da manhã e é freguês contumaz de Omeprazol

Era um caminho muito difícil. A volta do PT ao poder parecia um mal maior naquele momento. Eu menosprezei de fato a capacidade de fazer o mal do Bolsonaro. Eu não considerava... especialmente não sabíamos que haveria uma pandemia em que esta crueldade do presidente se apresentasse fatal, como se apresenta, com perdas de vidas
Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul

Apesar do voto declarado em 2018, Leite disse que não apoiou a candidatura de Bolsonaro. Segundo ele, "apoiar é pedir votos", como fez o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que usou o slogan "BolsoDoria" durante sua campanha para o governo do estado no segundo turno daquele.

"Fiz uma declaração de voto, e não fiz campanha casada, não fiz material, não pedi votos. Apoiar é pedir votos. Foi bem diferente [do Doria], bem diferente; e do que meu principal adversário no Rio Grande do Sul, o então governador [José Ivo] Sartori [do MDB] fez", declarou.

2º turno com Lula e Bolsonaro

Questionado sobre em quem votaria num eventual segundo turno entre Bolsonaro e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) no ano que vem, Leite que lutará para evitar esse cenário, mas que, se ocorrer, discutirá "lá na frente" qual o posicionamento a ser adotado.

"Vou lutar tudo o que eu posso para evitar essa situação. Se ela acontecer, vamos discutir lá na frente que tipo de posicionamento acontecerá. Lula não vai cicatrizar as feridas deixadas abertas por Bolsonaro porque está na raiz da divisão", afirmou.

O governador gaúcho disse que o país precisa acabar com essa polarização entre Bolsonaro e Lula e abrir um novo capítulo em sua história política. Ele se colocou como um político da nova geração e afirmou que espera poder ajudar a no processo de renovação.

"O país precisa encerrar esse capítulo e abrir o capítulo de uma nova história política, inclusive alterando, quem sabe, e isso eu posso ajudar a representar a geração de políticos, uma vez que sou o primeiro governador 'millenial' do país. Talvez possa dar alguma colaboração nesse sentido", declarou.

Prévias no PSDB

Sobre as prévias do PSDB para escolha de seu possível candidato ao Palácio do Planalto, Leite afirmou que o processo tem de ser conduzido de forma a evitar animosidades dentro de um partido já rachado.

Ele descartou ser vice numa eventual chapa com Doria ou Ciro Gomes (PDT) e disse que se não liderar o processo eleitoral também não será coadjuvante.

"Uma candidatura a vice, não apenas do Ciro como de qualquer outro candidato, é algo sobre o que menos me inclino. Aí ficaria no Rio Grande do Sul, para concluir o meu mandato e ajudar a conduzir o processo eleitoral local, da sucessão, e daria a minha contribuição à candidatura que viesse a ser consagrada no centro", afirmou.

Questionado se a alta rejeição a Doria nas pesquisas de intenção de voto para a presidência, Leite disse "não torcer" para que ela continue, pois poderia acabar prejudicando sua própria candidatura ao Planalto, caso seja confirmada.

"Não torço para que ela continue, porque ela vai ser importante para o partido inclusive. [Doria é] uma figura importante, que o governador de São Paulo não seja rejeitado, seja ele o candidato ou não. É o maior colégio eleitoral do país. Você tem que ir bem em São Paulo", declarou.

_______________ *

Cuba e Brasil sob ataque não-convencional - Carol Proner

Por Carol Proner

Lula e protesto em Cuba

Quando a editora Expressão Popular publicou a tradução do livro de Andrew Korybko ao português, no final de 2018, lembro-me de que as reuniões de análise de conjuntura mudaram de perspectiva, passando a reconhecer também no Brasil as novas táticas dos Estados Unidos para derrubar governos.

 O livro passou a circular nas rodas de debate político a partir de outubro daquele ano, quando a  Operação Lava Jato estava no auge do arbítrio. A estratégia jurídico-midiática havia levado Lula à prisão sob ameaça militar e passando por cima da garantia constitucional da presunção de inocência, tudo sob a aparente legalidade no apelo popular do combate à corrupção.

 Outros abusos em sequência denunciavam a trama para sustentar as medidas de exceção, e nem mesmo a ONU, malgrado a decisão do Comitê de Direitos Humanos, foi capaz de garantir direitos políticos ao ex-Presidente. 

 Em visita ao Vaticano em dezembro de 2018, juristas da Argentina e do Brasil discutiram com o Chefe da Igreja Católica documentos das forças armadas dos Estados Unidos assumindo a técnica de guerra híbrida também por intermédio do sistema de justiça. Era o lawfare em ação contra o kirchnerismo e o lulismo, uma estratégia cada vez mais explícita e extremamente eficaz quando comparada a uma guerra tradicional. 

 Nas lições de Sun Tzu, o Mérito Supremo está em quebrar as resistências do inimigo sem lutar e, olhando em perspectiva, o caso brasileiro foi digno de honra ao mérito. A tese da guerra não-convencional ficou demonstrada com a humilhante colaboração de funcionários do sistema de justiça no centro da desestabilização dos interesses nacionais. Foram poucos os funcionários diretamente envolvidos, é verdade, mas foram incentivados pelo silêncio cúmplice de todo um sistema.

 Somente em 2021 o Supremo Tribunal Federal decidiu anular os escandalosos processos contra Lula e também reconhecer a parcialidade e a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, mas a existência do lawfare, principal linha da defesa de Lula ou, por outro ângulo, o reconhecimento da perseguição política e da guerra não-convencional contra os interesses brasileiros, não foi expressamente admitido pela Corte. 

 Em rara manifestação, um dos Ministros do STF, Ricardo Lewandowsky, expôs claramente tratar-se de ilegalidade de agentes públicos na cooperação internacional em matéria penal, mas trata-se de indícios ainda pendentes de exaustiva investigação e que não prosperam por falta de vontade política e institucional.

 Este não é um problema somente para o Brasil. O caso brasileiro é só o mais eloquente. Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai, Equador, Peru e atualmente também países centro-americanos, na estratégia Biden-Kamala Harris, recebem atenção do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para temas de combate à corrupção. O México, país prioritário em todo tipo de ingerência, tem buscado formas de defesa soberana especialmente contra ONG’s de transparência duvidosa.

Agora chega a vez de Cuba. E mesmo sendo uma realidade completamente diferente, aparece claramente a estratégia de desestabilização. Aliás, uma das características das guerras indiretas é exatamente o hibridismo nos meios e métodos, a mutabilidade das técnicas invisíveis, sorrateiras e em defesa das pretensões universais como democracia, liberdade, o fim das ditaduras,  o combate às drogas, ao terrorismo e à corrupção. Além do mais, nós também sofremos as jornadas de 2013 preparando a desestabilização de 2016. 

 Em artigo recente, o jornalista Guga Chacra, ao sugerir que os protestos poderão levar a uma “primavera cubana” parece fazer eco à estratégia internacional de desestabilização da Ilha. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer razão no argumento do jornalista do jornal O Globo. Lá estão todos os elementos teóricos e estratégicos das revoluções coloridas havidas no oriente médio a partir de 2010: as ONGs com financiamento internacional, a propaganda, os discursos públicos, as marchas insurgentes, a fabricação de consensos, a guerra social em rede e várias adaptações não violentas teorizadas e experimentadas para levar ao fim de um regime.

Os protestos em Cuba, naquilo que possuem de legitimidade, trazem um dilema. Como podemos nos defender de um ataque híbrido? Como criar um sistema defensivo eficaz quando a mecânica central deste tipo de guerra silenciosa se vale de valores humanitários e solidários defendidos ideológica e sinceramente pelos movimentos sociais e populares? Eis um grande desafio para as sociedades democráticas e hiperconectadas do século XXI. Mas diferentemente do Brasil, o que não há em Cuba são funcionários subservientes e traidores dos interesses soberanos. Isso é coisa de Brasil.

_______________ *

Ciência x charlatanismo: laboratório patrocina associação de médicos que defende Kit Covid e vê faturamento disparar - Joaquim de Carvalho

Por Joaquim de Carvalho

Bolsonaro, o presidente do CFM e Bruno Caramelli (fotos: Marcos Corrêa/PR e arquivo pessoal)

A Congregação da Faculdade de Medicina da USP aprovou moção de apoio à representação que o médico Bruno Caramelli apresentou ao Ministério Público Federal (MPF) para que investigue o Conselho Federal de Medicina (CFM) por conta da defesa de remédios ineficazes contra a covid-19.

A manifestação, de 7 de julho, ocorreu alguns dias depois da Congregação do Instituto de Ciências Biomédicas da USP também se posicionar contra o chamado "Kit Covid". 

Paolo Zanotto, que propôs criar um gabinete das sombras para assessorar Bolsonaro na questão da covid-19, é docente e pesquisador do Instituto.

"O tratamento precoce com produtos farmacêuticos que constam do chamado 'Kit COVID19' é particularmente preocupante. Além de não existir comprovação científica de seus efeitos no tratamento em qualquer estágio da doença, o seu uso disseminado traz riscos à saúde das pessoas, podendo fragilizar esses indivíduos, caso sejam infectados pelo vírus SARS-Cov-2. Há evidências de que alguns desses produtos podem trazer maior risco de morte aos pacientes internados”, afirmou a Congregação do Instituto.

Os professores da Faculdade de Medicina, por sua vez, disseram:

"A Congregação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo apoia a representação do Prof. Caramelli quanto ao uso de medicamentos sem comprovação científica de eficácia contra COVID-19”.

A professora Alicia Kowaltovski, titular da Quimica da USP e da Academia Nacional de Ciências, organizou um abaixo assinado de apoio a Caramelli apenas com médicos vinculados a instituições universitárias. O texto já tem a adesão de mais de 1.000 profissionais.

Esses apoios a Bruno Caramelli serão juntados à representação protocolada no MPF, que gerou uma investigação preliminar e obrigou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a se manifestar. 

Num português sofrível, a entidade criticou médicos que se opõem à prescrição de medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina,

“Chamamos a atenção ainda para o fato de que muitos ditos especialistas se arvoram de seus posicionamentos supostamente baseados na ciência, mas na visão deste CFM, sabe-se quase nada em relação à fisiopatologia, evolução e tratamento da doença (sic)”, diz o texto encaminhado em resposta à requisição do MPF.

Em outra manifestação, em 23 de abril, o presidente do CFM, Mauro Ribeiro, afirma: 

"Caso os médicos utilizassem como parâmetro objetivo apenas a prescrição de medicamentos cientificamente comprovados para o caso, estariam de mãos atadas sem nada poder fazer”.

Caramelli, que já teve covid-19, diz que os médicos devem acolher os pacientes e trabalhar com terapêuticas que não passem a falsa impressão de que há remédio para a covid-19.

Há várias doenças em que o médico pouco ou nada pode fazer. Quem nunca ouviu um deles diagnosticar uma “virose” e mandar o paciente para a casa? 

Mas por que, em relação à covid-19, a autarquia responsável pela prática médica no Brasil decidiu se posicionar e recomendar remédios que hoje se sabem ineficazes?

O CFM diz, em essência, que, diante de uma doença desconhecida, é preciso tentar alguma coisa.

Essa tentativa custou vidas, como a do jornalista Renan Antunes e da técnica de raio-X Jucicléia de Souza Lira (veja abaixo o documentário “A História Secreta da Cloroquina”).

Pode também ter custado vidas indiretamente, como as de pessoas que, acreditando na farsa do tratamento precoce, se expuseram ao risco de contaminação.

Quem ganhou com toda certeza foram fabricantes de remédios, como a Vitamedic, detentora da patente da ivermectina no Brasil.

A empresa faz parte do Grupo José Alves, que faturou R$ 2 bilhões em 2020. Num ano em que a economia encolheu 4,1%, o grupo cresceu 10%.

A Vitamedic admitiu à CPI da Covid que o vermífugo, indicado para piolho, teve um aumento de vendas na ordem de 1.230%.

E, ao contrário do que disse o mais conhecido garoto-propaganda do produto, o comentarista da CNN Alexandre Garcia, não salvou vidas.

No ano passado, a prefeitura de Porto Feliz distribuiu comprimidos de ivermectina de porta em porta num bairro pobre da cidade.

O aposentado Tito da Silva tomou e poucos dias depois contraiu o coronavírus, foi internado e morreu. “A ivermectina não funcionou”, diz a filha Roseli da Silva.

O procurador da república Ailton Benedito de Souza também ajudou a divulgar o produto, ao encaminhar para prefeituras a recomendação de médicos bolsonaristas de adoção do suposto tratamento precoce.

Ailton Benedito de Souza também investigou a Sociedade Brasileira de Infectologia, que se posicionou contra o uso do Kit Covid.

O procurador, que é próximo do procurador-geral Augusto Aras, é do MP de Goiânia, onde fica a sede do Grupo José Alves. 

Pode ser só coincidência, já que Ailton Benedito é conhecido por defender a ideologia bolsonarista antes do início da pandemia, mas o Grupo José Alves se empenhou na defesa do tratamento precoce com métodos, digamos, heterodoxos.

O Centro Universitário Alves Faria (UniAlfa), que faz parte do Grupo José Alves, desenvolveu a plataforma na internet que atende a uma organização chamada Médicos pela Vida, aquela que se reuniu com Jair Bolsonaro em setembro do ano passado.

No encontro, além de Bolsonaro, o destaque foi o professor e pesquisador Paolo Zanotto, que se apresenta como virologista e foi orientador do mestrado e do doutorado de Átila Iamarino.

Paolo Zanotto disse, olhando para Bolsonaro, que os médicos presentes eram leões que precisavam ser liderados por um leão.

Ele colocou em dúvida a viabilidade das vacinas e defendeu o tratamento precoce.

A plataforma desenvolvida pela UniAlfa contém as Jornadas de defesa do tratamento precoce promovidas pela organização, das quais participaram, como palestrante, o próprio Zanotto e representante do Conselho de Medicina.

A seguir, o vídeo em que um integrante da ONG Médicos pela Vida admite o patrocínio da universidade, e o reitor desta, Carlos Trindade, explica cmo funciona a plataforma. 

Loading video

Na jornada de março promovida pela Associação Médicos Pela Vida, por exemplo, o vice-presidente do CFM, Emanuel Fortes, deveria falar sobre o "Ato Médico do Tratar - Um rápido olhar”.

Quem fez a palestra, no entanto, foi Fernando Pedrosa, do Conselho Regional de Medicina de Alagoas.

Zanotto falou em seguida. Nise Yamagushi também participou, assim como um médico que falou a respeito da experiência de Rancho Queimado, o município de 2.800 habitantes que o senador Luiz Carlos Heinze apresenta na CPI como exemplo da eficácia do tratamento precoce.

O caso de Porto Feliz, cidade do interior de São Paulo, também foi abordado nessas jornadas, embora já se saiba que lá a experiência do tratamento precoce fracassou.

De dois meses para cá, aumentou muito o número de mortos na cidade, apesar da farta distribuição de cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina.

Nesta terça-feira (13), o destaque do site da Associação Médicos pela Vida, desenvolvido pela UniAlfa, é uma nota de apoio a Paolo Zanotto, que foi duramente criticado na reunião que ocorreu pela manhã na Congregação do Instituto de Ciências Biomédicas.

Qual a credibilidade do Médicos pela Vida para defender essa estrela do Kit Covid?

A mesma que um vendedor de Coca-Cola tem para defender a fábrica do refrigerante. Aliás, o Grupo José Alves é dono da fábrica da Coca-Cola em Goiás.

Do refrigerante ao vermífugo, passando por instituições de ensino, o Grupo José Alves tem faturamento quase igual ao da Nike no Brasil.

No ano passado, ganhou 10% a mais não promovendo a saúde, mas um remédio que o próprio fabricante mundial, a Merck, disse não ter eficácia contra a covid.

Em 2019, a ivermectina gerou faturamento de R$ 44,4 milhões para o Grupo José Alves. Em 2020, foram R$ 409 milhões, alta de quase R$ 365  milhões, segundo apurou o jornal Valor.

Para o Grupo José Alves, profissionais como Paolo Zanotto e Alexandre Garcia valem ouro. 

O problema para os negócios do conglomerado é a obstinação de profissionais comprometidos com a ciência, como Bruno Caramelli da USP.

Eles teimam em apresentar ao mundo o que a ciência revela: tratamento para covid-19 não existe. A prevenção é vacina, distanciamento social, máscara e higiene das mãos.

Fora disso, é charlatanismo, que em tempos de pandemia se revela uma excelente oportunidade para ganhar dinheiro.

Loading video

.x.x.x.x.

PS: Entrei em contato com o Grupo José Alves, mas até agora não houve retorno.

_______________ *

História do imperialismo anticomunista desfila pelas ruas de Cuba - Osvaldo Bertolino

Por Osvaldo Bertolino

Por qualquer ângulo que se olhe para o regime dos Estados Unidos é impossível não ver criminosos de guerra. A atual onda de ataques ao sistema político de Cuba, explorando dificuldades naturais da ilha socialista que decorrem de fenômenos alheios à governabilidade revolucionária — como o bloqueio genocida e seu impacto nos efeitos da pandemia —, com um estardalhaço midiático condizente com o poderio bélico e econômico da doutrina da Casa Branca, faz parte desse perfil e manifesta o cerne ideológico do regime.

É um típico produto do realismo dos altos chefes militares, verdadeiros senhores da guerra e uma importante fonte de poder. A ordem militar dos Estados Unidos, até a década de 1950 uma instituição débil, transformou-se no escalão mais importante e mais caro do governo dos Estados Unidos. Os sorridentes homens de relações públicas praticamente saíram de cena e apareceu a face da sinistra burocracia instalada na máquina de guerra. Todos os fenômenos políticos e econômicos passaram a ser julgados à luz das interpretações militares da realidade.

O “realismo militar” dos chefes militares instalados no poderoso Estado-Maior Conjunto transformou-se no guia mais inspirado do governo daquele país. Desde os anos da Segunda Guerra Mundial, essa força ampliou seu campo de ação em assuntos relativos à política exterior e doméstica e atualmente pode-se dizer que a ordem militar do Estado-Maior Conjunto está solidamente instalada no Estado.

Existem dois governos nos Estados Unidos. O primeiro é o que o mundo se informa na internet, no rádio, na televisão e nos jornais, e as crianças nos livros escolares. O segundo é invisível e conduz a espionagem e a rede de informações, um aparato maciço que emprega centenas de milhares de pessoas secretamente e conduz a política externa do país. Esse governo invisível emergiu das imposições dos Estados Unidos no pós-Segunda Guerra Mundial.

Os demais países centrais, exaustos pela guerra, foram obrigados a aceitar essa ordem em troca de ajuda para a sua reconstrução. Assim, os Estados Unidos deixaram de ser apenas mais um agregado no conjunto de países que lutavam por pedaços do mundo e passaram a ocupar o pico de uma pirâmide solidamente dirigida por eles. As regras desse jogo foram definidas num momento privilegiado para o grande país americano. Nenhum representante da periferia do sistema sob o guarda-chuva da Casa Branca participou desses tratados.

A Europa, destruída e ensanguentada por duas grandes guerras num curto espaço de tempo, não estava em condições de se opor à grande capacidade de produção norte-americana proporcionada pela Segunda Revolução Industrial — que dotou o país de uma poderosa e inovadora indústria. Na Ásia, o Japão, destroçado pela guerra, foi ocupado pelos Estados Unidos, que ditaram o rumo da sua reconstrução.

Esse processo do pós-Segunda Guerra Mundial que desencadeou a dominação norte-americana no chamado mundo ocidental, portanto, levou o capitalismo a uma transformação profunda. No final dos anos 1940, somente os Estados Unidos estavam em condições de exportar capital em grande escala. E o país usou essa condição privilegiada para manter sob o seu controle as rédeas num mundo que buscava alternativas ao seu modelo político e econômico.

Na Europa, o projeto social-democrata procurou adaptar a economia planejada à tradição comercial liberal do velho continente. No Japão, o Estado se reforçava para desempenhar um papel de destaque no planejamento econômico. E cerca de um terço da população mundial rompeu com esses paradigmas e se juntou à União Soviética para reforçar o sistema de economia totalmente planificada, socialista. Desde então, os Estados Unidos intervieram em vários países e promoveram uma feroz cruzada anticomunista em todo o mundo.

Declaração de Independência

A política norte-americana sempre foi expansionista e agressiva com a América Latina. A própria constituição dos Estados Unidos como nação encerra uma contradição entre o que foi proclamado dia 4 de julho de 1776, quando o povo norte-americano aprovou a “Declaração de Independência”, e a política exterior da jovem pátria. As premissas do expansionismo continental norte-americano foram criadas com as guerras contra a população indígena e as reivindicações dos latifundiários do Sul do país de ampliar o território avançando pelas fronteiras de seus vizinhos.

William Foster, estudioso da história política do continente americano, diz que o próprio nome do país — Estados Unidos da América — expressa suas pretensões panamericanas. Já no começo do século XIX, a contradição entre os princípios humanitários e democráticos proclamados pela “Declaração de Independência” e a política exterior do jovem Estado levou à renúncia das suas tradições libertárias. A doutrina do direito natural de todos os povos decidirem seu próprio destino — um dos fundamentos da “Declaração de Independência” — passou a ser interpretada de modo a justificar como “natural” o expansionismo norte-americano.

Para os dirigentes dos Estados Unidos, essa doutrina dava ao país o direito de encarar o continente como sua área de influência direta. Com esse argumento, a princípio os presidentes Thomas Jefferson e John Adams “compraram” a Luisiana — que pertencia à França — e ocuparam a Flórida — que pertencia à Espanha. Depois, no dia 2 de dezembro de 1823, com a mensagem do presidente James Monroe ao Congresso, foi proclamada a famosa “Doutrina Monroe” — que expressa sem ambiguidades as pretensões norte-americanas à hegemonia em todo o hemisfério ocidental.

Monroe não foi efetivamente o pai da criança — antes dele, todos os presidentes haviam trabalhado para moldar aquela ordem. A mensagem do presidente foi a consequência de um movimento na Europa — envolvendo Inglaterra, França e Espanha — que pretendia “pacificar” as colônias sublevadas na América do Sul. A França enviou o seu exército à Espanha para repor no trono Fernando VII, monarca espanhol deposto por uma onda revolucionária, e despertou a reação da Inglaterra.

As colônias sul-americanas sublevadas estavam dentro do círculo comercial inglês e a França havia prometido devolvê-las à Espanha. O êxito francês significaria a automática conquista do direito de comércio na região. A Inglaterra, então, propôs aos Estados Unidos uma união para travar as pretensões francesas e sugeriu que o acordo fosse selado por uma declaração conjunta baseada no poderio marítimo dos dois países anglo-saxônicos.

Declaração conjunta

Quando Monroe tomou conhecimento da proposta inglesa, imediatamente consultou os ex-presidentes Thomas Jefferson e Jacobo Madison — e recebeu o conselho de aceitar o plano da Inglaterra, mas com uma modificação. Jefferson disse que o assunto era da mesma magnitude da “Ata da Independência dos Estados Unidos”. “Aquela nos fez uma nação, esta fixa na nossa bússola a rota a seguir através do oceano do tempo que se abre perante nós”, disse ele. “A América, tanto no Norte como no Sul, tem um conjunto de interesses diferentes dos da Europa e que lhe são muito próprios.”

A proposta da Inglaterra foi aceita, mas a declaração conjunta, recusada. Assim, no dia 2 de dezembro de 1823 o mundo conheceu a mensagem de Monroe e soube que os Estados Unidos haviam deixado a Inglaterra de lado e tomado a decisão de determinar os destinos dos povos da América. Em vez de dar a mão para a Inglaterra, os Estados Unidos deram um pontapé na Europa. De mãos livres, se apoderaram dos territórios que estavam em seus planos — como Cuba e Porto Rico —, iniciaram a monopolização do comércio na região e começaram a exportação maciça de seus capitais para os países que se tornaram independentes.

Desde então, a propaganda expansionista invocou esses princípios para justificar as ações políticas e militares extraterritoriais dos Estados Unidos. Para os meios de comunicação fortemente vinculados ao poder econômico, os norte-americanos têm o dever natural e sagrado de levar as suas tradições liberais e “democráticas” aos povos “incultos” do resto do mundo.

Anticomunismo sem escrúpulo

Por mais simplista e racista que esse pensamento possa parecer, ele é abertamente proclamado no país desde a instauração do chamado “Destino Manifesto” — uma “teoria” que surgiu e se difundiu nos Estados Unidos na metade do século XIX, segundo a qual os norte-americanos nasceram para ser o melhor povo do mundo. É muito forte a influência da religião nessa “teoria”, um destino que teria sido profetizado pela “providência divina”.

O ex-presidente George W. Bush, por exemplo, levava ao pé da letra a frase “In God we trust (Em Deus nós confiamos)” impressa em cada nota do dólar. Quando ele era presidente, as reuniões ministeriais na Casa Branca começavam com orações; frases bíblicas sempre apareciam em seus discursos.

Em sua gestão, Bush propôs a canalização de recursos sociais para entidades religiosas, a autorização de preces e sermões em escolas públicas, o subsídio a faculdades geridas por grupos religiosos e o financiamento do trabalho de entidades religiosas em presídios — uma ofensiva jamais feita, apesar da tradição religiosa do país, contra a separação entre igreja e Estado, um dos princípios basilares consagrado na Primeira Emenda à Constituição.

O ex-presidente norte-americano certamente não era refém da fé e pode-se dizer que a rigor ele tomava o nome de Deus em vão. Por trás de sua política estavam os interesses de uma parcela significativa da economia que lidera o mundo. Está também por trás da política externa do atual presidente, Joe Biden. A ideologia do “Destino Manifesto” age como um poderoso elemento mobilizador da energia do país para a conquista de novos territórios. Ao longo da história, ela foi um verdadeiro elixir do expansionismo e do intervencionismo norte-americano.

No século XX — particularmente na sua segunda metade — essa ideia, traduzida em anticomunismo sem escrúpulo, permeou a propaganda do regime norte-americano. E isso explica a visão dominante no país de que o restante do planeta — sobretudo o chamado Terceiro Mundo — é cultura e economicamente subdesenvolvido. Essa propaganda ganhou, evidentemente, novos contornos desde a queda do muro de Berlim, mas sua essência permanece a mesma e constitui, basicamente, em levar a “democracia” aos países que recusam a cartilha de Washington e em “ensinar” os “segredos” da boa gestão econômica.

Democracia mundial

O aparato de propaganda norte-americano, reproduzido acriticamente pela mídia brasileira, por exemplo, contra todas as evidências diz que Cuba precisa de uma ação modernizadora e libertária. O mesmo ocorre agora com a Venezuela, ignorando o princípio básico da soberania dos povos — caberia aos povos cubano e venezuelano, se fosse o caso, reunir forças para derrocar o seu governo, como já fizeram outros povos, inclusive o brasileiro —, pilar da democracia mundial. Tampouco o direito internacional, descaradamente golpeado.

Foi assim com o golpe militar pró-Estados Unidos de 1964 no Brasil. E com os movimentos congêneres que se alastraram pela região nos anos 1950-1960-1970. E etc. A política externa do regime de Washington segue a lógica de que a economia norte-americana depende das imensas riquezas da América Latina. Logo, seus destinos políticos devem ser controlados pelos interesses econômicos dos Estados Unidos.

A “Doutrina Monroe” ainda é um punhal cravado nas entranhas dos nossos povos. De George Washington até Joe Biden, os 46 presidentes que passaram pela Casa Branca não mudaram a essência expansionista da política externa dos Estados Unidos. Hoje, com o agravamento da crise estrutural da economia norte-americana decorrente dos seus monumentais déficits comercial e orçamentário, recrudesce a lógica da “Doutrina Monroe”.

Embora sem perder a hegemonia, no século passado — principalmente após a Segunda Guerra Mundial — os Estados Unidos travaram uma dura disputa comercial com a Europa e o Japão. Agora, diante da formação de megablocos comerciais relativamente sólidos — particularmente a União Europeia —, o controle de sua área de influência não pode correr o menor risco de enfraquecer. O seu domínio político e econômico, portanto, precisa de amarras jurídicas mais firmes para enfrentar as recorrentes tentativas de insurgência na região e fechar os espaços para eventuais investidas de outros blocos comerciais.

Obra de Lênin

Esse foi o sentido político da proposta da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), derrotada pela ascensão de governos progressistas na região, iniciada com a eleição de Hugo Chávez na Venezuela, em 1998. O sempre atual diagnóstico de Vladimir Lênin, o líder da Revolução Russa de 1917, no Capítulo X da obra Imperialismo – Fase Superior do Capitalismo, intitulado “O Lugar do Imperialismo na História”, diz que o imperialismo é, pela sua essência econômica, o capitalismo monopolista. E pode ser aplicado inteiramente à atual situação.

Além de outras características, Lênin afirmou que os monopólios agudizam a luta pela conquista das mais importantes fontes de matérias-primas. “A posse monopolista das fontes mais importantes de matérias-primas aumentou enormemente o poderio do grande capital e agudizou as contradições entre a indústria cartelizada e a não cartelizada”, escreveu ele. “Aos numerosos ‘velhos’ motivos da política colonial, o capital financeiro acrescentou a luta pelas fontes de matérias-primas, pela exportação de capitais, pelas ‘esferas de influência’, isto é, as esferas de transações lucrativas, de concessões, de lucros monopolistas, etc., e, finalmente, pelo território econômico em geral”, acrescentou.

Outra importante constatação de Lênin é que da tendência dos monopólios para a dominação em vez da tendência para a liberdade, da exploração de um número cada vez maior de nações pequenas ou fracas por um punhado de nações riquíssimas ou muito fortes, originaram os traços distintivos do imperialismo. “Esse capital financeiro que cresceu com uma rapidez tão extraordinária, precisamente porque cresceu desse modo não tem qualquer inconveniente em se apossar das colônias — as quais devem ser conquistadas não só por meios pacíficos pelas nações mais ricas”, escreveu ele.

“A comparação, por exemplo, entre a burguesia republicana norte-americana e a burguesia monárquica japonesa ou alemã mostra que as maiores diferenças políticas se atenuam ao máximo na época do imperialismo. E não porque essa diferença não seja importante em geral, mas porque em todos esses casos se trata de uma burguesia com traços definidos de parasitismo”, acrescentou.

Tensões abafadas

A radiografia é perfeita para se entender o atual estágio da economia norte-americana. É evidente que uma economia com essas características, com o peso de um Produto Interno Bruto (PIB) que rompe a barreira dos US$ 8 trilhões, não tem como conviver com a paralisia das engrenagens que lhe são peculiares. A disparidade de poder — sobretudo militar — entre os Estados Unidos e os demais países também deve ser considerada nessa equação. Seu histórico é um bom guia para se entender o que isso significa.

Sob a proteção do guarda-chuva nuclear norte-americano, esteio da Guerra Fria, as demais potências capitalistas se desenvolveram num ambiente sem guerras. A economia japonesa, umbilicalmente ligada à economia norte-americana, floresceu. E a Europa Ocidental evoluiu ao ponto de construir uma entidade supranacional, a União Europeia. Os grandes conflitos mundiais eram contidos, em grande medida, pelo direito internacional, base de sustentação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Hoje, esse equilíbrio começa a se romper; existem contradições demais permeando o cenário mundial. Assim, as tensões antes abafadas pelo jogo internacional afloraram e foram reduzidas à pura expressão militar. Novos inimigos, reais ou forjados, entraram em cena e passaram a ser considerados pela estratégia expansionista como alvos — destacadamente as nações que não rezam pela cartilha de Washington.

No âmbito imperialista, esse quadro foi construindo uma tática belicosa fundada basicamente num imaginário “choque de civilizações” — ideia expressa por Samuel Huntington em seu livro homônimo. Segundo o autor, a conjunção da “civilização confuciana com a islâmica” seria, hoje, a maior ameaça ao ocidente.

A relação do ocidente com o oriente é uma das formas clássicas de entender a configuração mundial moldada por duas guerras mundiais — e algumas guerras locais — ao longo do século XX. Mais do que projeções geográficas e culturais, esse modo de ver o planeta é corroborado pela análise econômica. Afinal, o corte é preciso em discriminar os países relevantes para a economia norte-americana daqueles que não o são.

Especulação financeira

É evidente que a América Latina e a África não têm o mesmo assento no termo ocidente. Mas são regiões que, consideradas globalmente, ainda não oferecem perigo à hegemonia anglo-americana construída ao longo do século XX. No oriente, contudo, a transformação do Japão no primeiro país a se industrializar e a se desenvolver economicamente fora da “civilização europeia” puxou a fila das nações asiáticas que entraram para o clube das economias integradas ao capitalismo dos países centrais. Recentemente, termos como Newly Industrialized Economies (Economias Recém-Industrializadas) e Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) passaram a fazer parte do vocabulário econômico ocidental.

A economia capitalista asiática, umbilicalmente ligada à economia norte-americana, tem um crédito monumental em títulos do Tesouro dos Estados Unidos — recursos que financiam os gigantescos déficits do império. Foi o repatriamento de uma parte dessas aplicações que provocou a “crise asiática” do final dos anos 1990. Com a ofensiva da “globalização”, aquelas nações externamente vulneráveis, dependentes de mercados e de fontes de matérias-primas externos, beijaram a lona. O Japão, que enfrentou uma longa crise, é o país da região com maiores dificuldades para se levantar. Para complicar mais ainda o cenário japonês, há em seu flanco a pujante economia chinesa — que ocupou em larga medida o seu mercado mundial.

Esse quadro tem tudo a ver com a dinâmica da especulação financeira internacional. A “bolha especulativa” chegou ao seu limite com o esgotamento da capacidade mundial de financiamento do alucinado endividamento público norte-americano pelo agravamento da crise de seus principais financiadores. Assim, os Estados Unidos também passaram a enfrentar o problema da vulnerabilidade externa. E o tombo da economia norte-americana, que inevitavelmente levaria as demais economias à bancarrota, passou a assombrar o mundo.

Aparelhos ideológicos

No pós-Segunda Guerra Mundial, o regime norte-americano fincou suas bandeiras no oriente porque era real a possibilidade de o continente asiático seguir por um caminho próprio. Coréia e China são exemplos nesse sentido. Com seu feixe de tradições preservado, a China, por exemplo, inventou o seu próprio modelo de desenvolvimento, seu próprio estilo de fazer a roda da economia girar. De quebra, o país tem sido hábil em adaptar-se às transformações do ambiente em que atua, em absorver, mesmo que de projetos rivais e teorias adversárias, aquilo que é fundamental à sua sobrevivência.

Essa flexibilidade inteligente é um dos aspectos mais notáveis do sistema chinês. Esse país tem grande interesse na disposição das peças políticas no tabuleiro mundial — assim como a Rússia, que também têm interesses comerciais na América Latina. Essa contradição talvez seja o maior ponto de interrogação que se forma com a decisão dos brutamontes do Pentágono de forçar um atalho na busca de uma estratégia que responda à desesperadora necessidade de uma saída para a crise econômica norte-americana.

São fatos que demonstram que é falso o argumento dos aparelhos ideológicos do regime de que as armas norte-americanas têm um sentido defensivo, uma função política de balanço de forças. Quando se vira a moeda, a sua outra face revela que o belicismo está mais perto do que se imagina. Sob o ardiloso pretexto de combate ao narcotráfico e ao terrorismo, o Pentágono apregoa aos quatro ventos que entre os alvos de sua doutrina de atacar primeiro estão organizações políticas e países da América Latina.

Olhar sobre o México

Chama a atenção, nesse sentido, a proliferação de bases militares norte-americanas na região e a formação de equipes especializadas para responder pelos assuntos latino-americanos, encarregadas do roteiro de hostilidades a Cuba e a Venezuela. Nesse tabuleiro, é importante lançar um olhar especial sobre o México governado pelo presidente progressista Andrés Manuel López Obrador. A história das relações do México com os Estados Unidos mostra que os dois países estiveram em conflito praticamente em todo o decorrer dos séculos XIX e XX. A arrogância de Washington sempre foi respondida com altivez pelo povo mexicano.

O México é o grande exemplo revolucionário do continente. No seu território, houve uma revolução antes do que a da Rússia — em 1910. Os mexicanos lutaram e venceram, ao longo de sua história, três nações: Espanha, França e os Estados Unidos — que não puderam ocupar suas terras, ainda que tenham se apossado de parte delas. Até 1934, o país teve 73 movimentos revolucionários. Madero, Pancho Villa, Emiliano Zapata e Lázaro Cárdena, entre outros, são as grandes figuras que iniciaram os movimentos insurretos a anti-imperialistas.

Aquele país nunca serviu de comparsa dos Estados Unidos. Suas relações com Cuba não foram interrompidas nem quando a Organização dos Estados Americanos (OEA), organismo fantoche do imperialismo, seguindo ordens do Departamento de Estado norte-americano, determinou o rompimento de relações com o governo revolucionário de Havana. A Cidade do México é cercada por uma grande avenida chamada “Insurgentes”. O sentido dessa insurgência foi magnificamente descrito pelo jornalista John Reed no começo do século XX em seu livro México Rebelde.

Habilidade política e compreensão da realidade são a chave-mestra para essa luta. E isso implica em compreender e considerar a situação de isolamento de Cuba nesse processo. O embaixador cubano Rosendo Canto Hernández, que serviu seu país na Espanha, vai à raiz da questão. “O que é a história de Cuba senão a história da América Latina? E o que é a história da América Latina senão a história da Ásia, África e Oceania? E o que é a história de todos estes povos senão a história da exploração mais inumana e cruel do imperialismo no mundo inteiro?”

Para que brotasse em Cuba a raiz da total independência da América Latina dos Estados Unidos, foi preciso a semente plantada por Simon Bolívar, José Martí, San Martin e outras figuras imortais para o continente, regada por personalidades inesquecíveis como Fidel Castro, Che Guevara, Hugo Chávez, dentre outros. Por isso, a experiência cubana dói de maneira especial no coração do imperialismo.

Anticomunismo no Chile e no Brasil

A onda atual contra Cuba segue o mesmo roteiro de sempre, que tudo transforma, deforma, canaliza para suas versões, para seu proveito, para a multiplicação do seu dólar, comprando palavras ou silêncio e tentando calar os progressistas que lutam com os povos.

É importante enfatizar que a Revolução Cubana surgiu num contexto de feroz ofensiva anticomunista norte-americana. Em 1959 já havia uma coordenação golpista na América Latina, iniciada em 19 de maio de 1954 quando os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com a Guatemala, alegando que o governo do presidente Jacobo Arbenz Guzmán, democraticamente eleito, adotava medidas de “tendências comunistas”, ataque que evoluiu para a invasão do país por bandos mercenários.

No Chile e no Brasil já havia a ação do anticomunismo da “Doutrina Truman” do pós-Segunda Guerra Mundial – que potencializou a “Doutrina Monroe” e o “Destino Manifesto”, fundadores do expansionismo dos Estados Unidos com o slogan “A América para os americanos” –, com a cassação dos registros e dos mandatos dos respectivos partidos comunistas.

Era a mesma base imperialista das ações militares no imediato pós-guerra e das guerras na Coreia e no Vietnã. As tentativas de golpes e o assalto ao poder em 1964 no Brasil se ligavam a muitas outras ações golpistas na região. Com essa doutrina, o sistema norte-americano impôs seus ditames à base de um imenso poderio militar, econômico e propagandístico, um cerco ao socialismo que emergia com força.

A Revolução Cubana, a Revolução Chinesa e a libertação do Vietnã demonstraram o vigor da autodeterminação dos povos e de suas soberanias. A resposta com as políticas de morticínios mostra a dimensão dos desafios enfrentados e vencidos por Cuba. Mas eles não cessam e mais vez se apresentam como uma barreira não só contra o povo cubano; são desafios que dizem respeito ao futuro da humanidade, a luta da civilização contra a barbárie.      

Ordem Cruzeiro do Sul

O Brasil conhece bem esse tipo de ataque. No processo do golpe de 1964 ele já aparecia com nitidez, uma onda que começou a se levantar já no governo Jânio Quadros, quando a política externa brasileira não se alinhou ao anticomunismo que os Estados Unidos exportavam para a América Latina — principalmente após a Revolução Cubana. Quando o presidente condecorou o líder revolucionário “Che” Guevara com a Ordem Cruzeiro do Sul, os protestos direitistas se levantaram com força.

Para o imperialismo norte-americano e seus aliados internos, a simpatia que a Revolução Cubana despertava nos povos da região era um fato novo que precisava ser combatido antes de maiores consequências. Em 1963, já no governo João Goulart, a OEA, que Fidel Castro chamava de “Ministério das Colônias de Washington”, aprovou uma resolução, por 14 votos contra um e quatro abstenções, pedindo aos governos maior controle da “subversão comunista no hemisfério”.

Em 1962, quando o governo norte-americano acelerou a ofensiva para tentar varrer os movimentos comunistas do continente, as posições diplomáticas do governo Goulart irritavam Washington. Os Estados Unidos organizavam encontros de chanceleres para discutir a situação em Cuba e o Brasil sempre manifestava-se contra as medidas propostas. Na OEA, o representante brasileiro votou contra a expulsão de Cuba da organização. E os prepostos do imperialismo no Brasil manifestavam sua fúria contra o governo sem meias palavras.

A cada lance dessa queda-de-braço, as organizações anticomunistas, amplamente apoiadas pela mídia, tornavam-se mais estridentes. Tudo como agora. A síntese dessa doutrina imperialista contra Cuba foi bem formulada por Fidel Castro, o principal dirigente da Revolução Cubana, em resposta a uma provocação de Bush, que para defender o bloqueio genocida havia dito que “o comércio com Cuba não faria outra coisa senão encher os bolsos” dos líderes cubanos:

“Eu não me pareço absolutamente nada com as corruptas personagens que o senhor honra com a sua amizade no mundo, ou com as que, seguindo receitas capitalistas e neoliberais, confiscaram o Estado e transferiram para o exterior centenas de milhões de dólares, grande parte deles lavados por prestigiados e influentes bancos norte-americanos. O senhor, tão apegado às grandes fortunas como milionário e filho de milionário que é, talvez nunca possa compreender que existam pessoas insubornáveis e indiferentes ao dinheiro.”

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ *

_______________ *

/////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

_______________ * Milly Lacombe - Fernanda Venturini e a delinquência ignorante que não teme dizer seu nome

_______________ * 'Não representa o Brasil em nada', dispara Zélia Duncan sobre Fernanda Venturini - ISTOÉ Independente

_______________ * Patrimônio de Cannes, CATHERINE DENEUVE se mostra emocionada por voltar ao festival após DERRAME - ISTOÉ Independente

_______________ * Tríade bolsonarista: corrupção, populismo e rachadinhas, escreve Uriã Fancelli Baumgartner

*

*

/////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

________________________* QUARKS, LÉPTONS e BÓSONS ________________________* COMUNISMO de DIREITA e NAZISMO de ESQUERDA. É o FIM da PICADA...! ________________________* http://www.nano-macro.com/?m=1

9