__________* 10 programas e funções que PERDERÃO destaque ou DEIXARÃO de existir no WINDOWS 11
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_____* 10 programas e funções que PERDERÃO destaque ou deixarão de EXISTIR no Windows 11
_____* Samsung CONFIRMA que NÃO teremos um Galaxy_Note em 2021
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No futuro, máquinas conectadas ao cérebro poderão explorar seus pensamentos - Gizmodo Brasil

Algum dia, na sua casa, você estará preso a um capacete sugando comida por um canudo e consumindo conteúdo enquanto as mídias sociais e empresas de marketing aspiram seus dados de pensamento. Este é o cenário sugerido por um artigo do Imperial College de Londres, no Reino Unido.
Ok, talvez eu tenha exagerado, mas só um pouco. Na revisão prospectiva do estado da tecnologia das interfaces cérebro-computador (BCI, em inglês), pesquisadores alertam para um futuro em que empresas como Google e Facebook minam suas emoções para fins de marketing. Nessa mesma pegada, os videogames entrariam em sua mente e o vício em tecnologia do cérebro seria equiparado ao vício de entorpecentes. Microsoft e Neuralink já estão empurrando tornando isso em realidade. O Facebook tentou, mas colocou seus planos em espera.
Primeiro, os pesquisadores listam bons motivos pelos quais essa tecnologia deverá estar amplamente disponível. A BCI permite que pessoas com funções motoras limitadas controlem próteses, cadeiras de rodas, selecionem letras em uma tela, liguem as luzes, entre outras funções. Ela também pode detectar aspectos ou condições físicas, como cansaço, por exemplo.
“Além disso, devido à falta de cinestesia, o cérebro humano é incapaz de reconhecer a influência de um dispositivo externo sobre si mesmo, o que poderia comprometer a autonomia do indivíduo. Por esse motivo, os usuários podem perceber de maneira equivocada a propriedade sobre os resultados comportamentais que são gerados pela BCI, bem como atribuir incorretamente uma causa a isso”, descreve o artigo.
Os pesquisadores alertam que a máquina pode mudar seus “traços de caráter” e moldar uma nova “identidade pessoal”, além de nos viciar e agravar a desigualdade. Rylie Green, coautora do estudo, disse em um comunicado à imprensa que a tecnologia mira os usuários que precisam de assistência utilitária, e não o público em geral. “Para alguns desses pacientes, esses dispositivos se tornam uma parte tão integrada de si mesmos que se recusam a removê-los no final do ensaio clínico”, disse.
Nem é preciso dizer que o “marketing neural”, que seleciona a resposta emocional e a tomada de decisão inconsciente, apresenta uma grande oportunidade para os governantes corporativos explorarem a coleta de dados em massa.
Na opinião dos pesquisadores, a hora de legislar o uso em massa dessas tecnologias é agora. Eles também observam que cientistas anteriores sugeriram classificar legalmente “dados neurais pessoais” como peças semelhantes a órgãos, de modo que não possam ser coletados ou vendidos. Infelizmente, a lei geralmente leva anos ou décadas para ser de fato aprovada, mas espero que, neste caso, isso não demore muito para acontecer.
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Apesar dos bugs, ainda vale a pena explorar o mundo futurístico de Cyberpunk 2077 - Gizmodo Brasil

Quando Cyberpunk 2077 foi lançado em dezembro do ano passado, todos os olhos estavam no que eu gosto de chamar de “o joguinho que não tinha nada”. O tão esperado mergulho da CD Projekt Red no gênero cyberpunk estava repleto de bugs, falhas e relatórios de condições deploráveis de trabalho da equipe de desenvolvimento. Seis meses depois, foram lançados patches suficientes para tornar o jogo (principal) jogável. Mas isso foi suficiente?
Decidi finalmente me aventurar no Cyberpunk 2077, depois de esperar vários meses para que o jogo fosse refinado o suficiente. Ainda estou no meio da minha primeira jogada, mas, no geral, estou mais satisfeita do que pensei que estaria. Na trama, encarnamos na pele de “V”, um(a) mercenário(a) no mundo corporativo de Night City. É uma distopia imunda e sem barreiras onde a estética americana e japonesa se entrelaçaram, tornando-se uma “San Fransokyo” sombria e suja. O(a) protagonista é personalizável em aparência, cibernética e origem (eu escolhi a história de fundo corporativa), embora a aparência não importe muito porque o videogame é em primeira pessoa. Eu joguei como uma personagem com apresentação feminina, então usarei os pronomes ela/dela daqui em diante.
Nota: a partir dos próximos parágrafos haverá pequenos spoilers do enredo principal. Se você não quer saber de nada, leia por sua conta e risco. Mesmo assim, vale a pena jogar, especialmente porque o título está mais barato do que nunca. A edição de PS4, que é de longe a mais bugada, tem descontos em muitas lojas. No Brasil, a versão física padrão pode ser encontrada por um preço médio de R$ 69,90. Recentemente, ele também voltou à Playstation Store, mas com o valor original de R$ 249,50. Eu não me importo com bugs ocasionais, então eu paguei pela versão mais barata.
Atenção: os próximos parágrafos contém spoilers da história principal!
Depois de fazer um assalto e testemunhar um assassinato, V pousa bem no meio de uma conspiração massiva envolvendo o chefe da Corporação Arakasa. Ela acaba fugindo dos capangas da empresa enquanto trabalha com um deles para expor a corrupção de Arasaka. Ela finalmente se encontra com um convidado indesejado compartilhando seu cérebro: o terrorista Johnny Silverhand, interpretado por Keanu Reeves. Ele é um fantasma na máquina, um homem morto virtual preso dentro de sua cabeça — e que eventualmente destruirá sua mente, a menos que eles descubram como removê-lo juntos, então eles se tornam uma dupla divertida e ao mesmo tempo frustrante. É ótimo vê-lo aparecer e ficar esperto em tudo o que V está fazendo; a interação entre eles é legal de acompanhar, mas também pode parecer que, a partir desse ponto, o jogo não é mais sobre você. É o Keanu Reeves Show. O que, quero dizer, OK, ele é ótimo. Mas ele não é V. Ele não sou eu.
O enredo principal parece familiar, mas é interessante o suficiente para te prender. V é uma mercenária que tenta remover um vírus digital que a está matando e faz isso se unindo a diferentes facções (e NPCs capazes de romance) que entregam uma peça do quebra-cabeça do “conserte-me”. No processo, ela descobre a verdade sobre o trabalho de Arasaka na preservação da consciência digital, algo que eles estão empregando para “ajudar” as pessoas com a Relíquia, ao mesmo tempo que as controla por meio de seu nome mais preciso: Soulkiller (ou “Psicófago”, no português). Há algumas coisas com inteligência artificial, mas não vou entrar muito nesse assunto porque fica complicado.

Várias missões no jogo parecem ecos de outras histórias, embora provavelmente não tenha sido algo intencional da equipe de desenvolvimento. O bioengenheiro que você procura na selva me lembra da missão “The Glowing Sea”, de Fallout 4. A “Dollhouse” sexual cheia de humanos, cujas mentes são programáveis, é bem… Dollhouse (a série de Joss Whedon). E não vamos esquecer como a maioria das facetas do gênero cyberpunk se deve muito a animes clássicos (como Akira) e Blade Runner. Nenhuma dessas coisas torna a experiência ruim; J.R.R. Tolkien carrega uma grande presença na fantasia moderna, incluindo na série The Witcher. Mas se você está procurando uma narrativa original, não a encontrará aqui. Eu hesitaria em chamar isso de pura ficção científica: não é especulativo de um mundo que poderia ser, pelo menos não mais. Eu diria que isso é mais uma peça retrofuturística, uma homenagem ao melhor da ficção científica dos anos 1980.
O destaque de Cyberpunk 2077 são os pequenos detalhes. Night City é linda, pelo menos quando não tem bugs. São vários arranha-céus, becos assustadores, telas digitais sobrepostas e transeuntes usando todos os tipos de acessórios cibernéticos. Muitas vezes me peguei evitando viajar rapidamente de um ponto para outro porque não queria perder nada. Também aprecio um videogame com missões sem combate, especialmente jogos de ficção científica, dado o quanto eles dependem do uso de armas de fogo. É por isso que gosto de jogar Detroit: Become Human, mais até do que o game merece, já que não é lá essas coisas.
Uma das coisas que não gostava em Watch Dogs: Legion era como todas as missões eram iguais: falar com uma pessoa, atirar em algumas pessoas, “hackear todas as coisas”. Cyberpunk 2077 dá aos jogadores ampla oportunidade de interagir com os personagens e o mundo em que eles vivem de maneiras que não envolvem tiroteios. A maioria das missões tem muitas opções de furtividade, e várias deles podem ser realizadas sem nenhuma luta. Além disso, existem muitas missões principais e secundárias em que é só você e as pessoas. Sem luta. Sem fugir. Encontrar um contato nas docas e conversar. Ajudar um ex-policial. Investigar a cena de um crime usando a memória virtual de alguém. Apenas isso.
Uma das missões que realmente se destacou para mim aconteceu bem no início do jogo. V é convidada a comparecer ao funeral de um amigo que foi morto durante um roubo fracassado. Ela passa o tempo procurando o item certo para colocar em uma espécie de memorial e, simultaneamente a isso, ela vasculha sua garagem e relembra algumas memórias, enquanto trabalha para fazer as pazes entre a mãe e a namorada do falecido. Ela então tem a opção de fazer um discurso, que você, como jogador, personaliza dependendo de como você escolhe se lembrar dele, ou então ela vai ao bar para tomar uns drinks em sua homenagem. Não foi tão emocionante quanto a festa na DLC “Citadel”, em Mass Effect 3, ou o epílogo em The Witcher 3: Wild Hunt. Mas ainda assim foi um momento para ser apreciado. Como jogadora, gosto de coisas assim. Isso não só me dá uma chance de respirar, mas se encaixa melhor no gênero como um todo. Cyberpunk não é apenas ficção científica — é um filme noir.

Estou gostando do jogo? Sim. Mas seria hipocrisia da minha parte se não dissesse que é impossível separar a arte do artista — ou seja, a empresa de jogos CD Projekt Red e o produto bagunçado que eles produziram. Mesmo com meses de patches e correções de bugs, ainda há muitos erros. Os exemplos incluem: arte faltando em outdoors, renderização atrasada em edifícios e personagens, designs de personagens se repetindo nos mesmos locais, carros ficando presos o tempo todo, enfim. Uma tonelada de problemas. Meu bug favorito é quando eu tomo um gole de álcool para V e ela fica bêbada (com visão embaçada e inconstante) até que eu pare e recarregue o jogo. Talvez seja um paralelo com a vida real.
Outra coisa que me incomoda é que o personagem não pode ter a aparência modificada depois da tela inicial de criação — algo que, ao meu ver, seria muito simples de se fazer, dado o escopo de tamanho de Cyberpunk 2077. Sem contar no fato de que muitas falas beiram o absurdo (para não dizer criminoso), com expressões racistas, machistas e transfóbicas.
Também não vamos esquecer os meses de aperto e outras condições de trabalho terríveis que os funcionários se submeteram na CD Projekt Red, muitas das quais foram relatadas pelos nossos amigos do Kotaku. Não menciono essas coisas para envergonhar as pessoas por jogarem Cyberpunk 2077. Afinal, eu mesma estou jogando atualmente. Eu trago esses casos à tona porque é importante entender toda a história por trás da mídia que consumimos e destacar o que funciona e o que não pode ser tolerado em hipótese alguma.
Acabei de entrar no terceiro ato de Cyberpunk 2077, o que significa que provavelmente estou me preparando para o meu momento de “cinco dias até a aposentadoria”. E mesmo que eu já tenha escrito isso tudo, vou continuar jogando. Não apenas para ver o que acontece, mas também porque é um mundo no qual estou realmente me divertindo. Se você gostaria de se ver no mundo de Blade Runner, Cowboy Bebop, Ergo Proxy ou Ghost in the Shell (não a versão com Scarlett Johansson), então Cyberpunk 2077 pode ser uma das melhores coisas que existem. Não é perfeito, e talvez algo mais apareça algum dia que resolva as muitas falhas do jogo. Mas, por agora, é uma opção divertida. Eu gosto de colocar em V alguns óculos escuros idiotas, pular na motocicleta do meu amigo e sair para assistir o pôr do sol. É bom, pelo menos até bater em uma parede invisível porque ela ainda não foi renderizada.
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Em Um Bairro de Nova York, Jolt, Erasmo 80 e mais: filmes para assistir nos streamings - Gizmodo Brasil

Com o fim de semana chegando ninguém quer ficar perdendo tempo vendo as infinitas possibilidades de filmes nos vários serviços de streaming. Por isso, o Gizmodo Brasil te ajuda com uma seleção que traz gêneros para todos os gostos.
Netflix
Caçadores de Trolls: A Ascensão dos Titãs
Arcadia pode parecer uma cidade comum, mas sua localização mágica e mística a transforma no epicentro de batalhas entre criaturas de outros mundos, como trolls, alienígenas e magos. Agora, os heróis das aclamadas séries Caçadores de Trolls, Os 3 Lá Embaixo e Magos unem forças em uma aventura épica onde enfrentam a Ordem Arcana pelo controle da magia que os une.
A Última Carta de Amor
Uma ambiciosa jornalista (Felicity Jones) encontra uma coleção de cartas secretas antigas que revelam um caso de amor proibido entre um casal (Shailene Woodley e Callum Turner) na década de 1960. Inspirado no romance de Jojo Moyes. Com Joe Alwyn e Nabhaan Rizwan.
Disney+
Brincando com Tubarões
O documentário retrata Valerie Taylor, uma exímia caçadora submarina que decidiu trocar o arpão pela câmera, aprender mais sobre os tubarões se tornando uma pioneira nos estudos e produções subaquáticas do ser marinho.
Abracadabra
Evocado por engraçadinhos desavisados, um trio ardiloso de bruxas de 300 anos de idade se prepara para lançar um feitiço sobre a cidade e reaver sua juventude. Mas antes, elas têm de agir em conjunto e passar a pena em três garotos e um gato falante.
Erasmo 80
Os 80 anos de Erasmo Carlos, pioneiro do rock brasileiro, em imagens inéditas: turma da Tijuca, Jovem Guarda, sucesso internacional, Roberto Carlos e sua influência de comportamento.
HBO Max
Em um Bairro de Nova York
Em um Bairro de Nova York é a adaptação da peça da Broadway homônima. O longa acompanha alguns dias de uma comunidade latina na periferia de Nova York. A partir do protagonista Usnavi (Anthony Ramos), dono de uma mercearia local, a história retrata um grupo em busca de seus sonhos.
Amazon Prime Video
Jolt
Em Jolt, Lindy (Kate Beckinsale) é uma mulher bonita e sarcasticamente engraçada com um segredo doloroso: devido a um raro distúrbio neurológico, ela tem impulsos assassinos esporádicos que só podem ser interrompidos quando se choca com um eletrodo especial. Incapaz de encontrar amor e conexão em um mundo que teme sua condição bizarra, Lindy finalmente confia em um homem por tempo suficiente para se apaixonar, e o encontra morto no dia seguinte. Com o coração partido e enfurecido, ela embarca em uma missão cheia de vingança para encontrar o assassino, enquanto também é perseguida pela polícia como principal suspeita do crime.
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Pela primeira vez, chimpanzés estão matando gorilas – e tem a ver com as mudanças climáticas

Nova pesquisa detalha dois encontros fatais em que chimpanzés selvagens atacaram e mataram gorilas. É um raro exemplo de uma espécie de grande macaco atacando outra – e os cientistas estão preocupados que a mudança climática possa ter algo a ver com isso.
Os chimpanzés e gorilas podem ser violentos e territoriais, mas suas disputas – que às vezes podem ser fatais – acontecem quase exclusivamente dentro de sua própria espécie. É inédito dois símios se matando (exceto pelo ser humano, que mata tudo). Daí a importância das novas pesquisas publicadas no Scientific Reports, em que cientistas documentam dois confrontos fatais envolvendo chimpanzés e gorilas no Parque Nacional Loango, no Gabão.
“Foi só quando ouvimos a primeira batida no peito, um som que só os gorilas fazem, que soubemos que algo diferente estava para acontecer.”
O primeiro encontro, de 52 minutos, aconteceu no dia 6 de fevereiro de 2019, e “ocorreu após uma patrulha territorial durante a qual os machos fizeram uma incursão profunda em um território vizinho de chimpanzés”, segundo o estudo.
“No primeiro encontro, quando ouvimos os gritos iniciais dos chimpanzés, realmente pensamos que nossos chimpanzés haviam se chocado com outro grupo de chimpanzés”, explicou Lara Southern, estudante de doutorado no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva e primeira autora do estudo, em um email. “Foi só quando ouvimos a primeira batida no peito, um som que só os gorilas fazem, que soubemos que algo diferente estava para acontecer.”
Um grupo de 27 chimpanzés atacou cinco gorilas – dois machos, duas fêmeas adultas e uma criança. Os gorilas tentaram se defender com força física, posturas corporais intimidantes e gestos ameaçadores, mas sem sucesso. Os quatro adultos conseguiram escapar, mas a criança, separada da mãe, não sobreviveu. Vários chimpanzés foram feridos durante a batalha, incluindo um ferimento grave sofrido por uma adolescente.
O segundo encontro letal, em 11 de dezembro de 2019, durou quase 80 minutos e foi muito semelhante ao primeiro, envolvendo chimpanzés da mesma comunidade. Neste ataque, 27 chimpanzés atacaram um grupo de sete gorilas, deixando mais um gorila infantil morto. No primeiro encontro, o bebê morto foi deixado sozinho, mas o pequeno animal, no segundo encontro, foi quase totalmente consumido por uma fêmea de chimpanzé adulta”, observou o estudo.
“Em ambos os casos, assim que o primeiro chimpanzé que viu os gorilas soltou um latido ou grito de alarme, a maioria dos outros membros do grupo reagiu imediatamente e aderiu, todos latindo juntos”, observou Southern. “Os chimpanzés trabalharam juntos para selecionar certos gorilas e, em ambos os casos, conseguiram separar os bebês gorilas de sua mãe”.
A razão para esses ataques, aparentemente não provocados, é desconhecida, mas os encontros fatais podem estar ligados à diminuição do acesso aos alimentos. Como os cientistas especulam, o aumento da competição por alimentos no parque e possivelmente em outros lugares, pode ser o resultado de mudanças climáticas, embora mais pesquisas sejam necessárias para ter certeza. Se esse for o caso, no entanto, é mais um exemplo do mundo natural sendo virado de cabeça para baixo pela mudança climática instigada pelo homem.
Pesquisadores do Projeto Chimpanzé Loango observam grandes macacos no parque há vários anos e estão aprendendo muito sobre suas relações sociais, dinâmica de grupo, comportamento de caça e habilidades comunicativas. De 2014 a 2018, a equipe documentou nove ocasiões em que chimpanzés e gorilas saíram juntos, o que costumam fazer neste parque e em outras partes da África oriental e central. Como os cientistas escreveram em seu estudo, esses encontros “sempre foram pacíficos e, ocasionalmente, envolviam alimentação conjunta de árvores frutíferas”. E como a cientista cognitiva Simone Pika da Universidade de Osnabrück observou em um comunicado à imprensa, os colegas da equipe do Congo testemunharam até “interações divertidas entre as duas espécies de grandes macacos”.
Então imagine a surpresa deles quando, em 2019, a equipe testemunhou não um, mas dois encontros violentos, cada um terminando em morte. Em ambos os casos, os chimpanzés formaram coalizões, atacaram os gorilas e usaram seu número maior a seu favor. Os dois incidentes ocorreram nas fronteiras externas do território dos chimpanzés, e os principais agressores foram chimpanzés machos adultos. Os pesquisadores foram capazes de observar os ataques a cerca de 30 metros de distância e os descrevem em detalhes em seu novo relatório.
“Nossas observações fornecem a primeira evidência de que a presença de chimpanzés pode ter um impacto letal sobre os gorilas”, explicou Tobias Deschner, primatologista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva e coautor do estudo, em um comunicado do instituto. “Agora queremos investigar os fatores que desencadeiam essas interações surpreendentemente agressivas”, disse Deschner, que lidera o Projeto Chimpanzé Loango ao lado de Pika.
Jessica Mayhew, uma antropóloga biológica da Central Washington University, disse que os primatas adotam diferentes estratégias para navegar tanto no conflito intragrupo quanto intergrupal e que os chimpanzés e gorilas apresentam abordagens muito diferentes a esse respeito.
“Se você estuda os chimpanzés, espera que qualquer briga possa rapidamente se tornar letal, o que é uma prova de sua excitabilidade, mas também de sua incrível velocidade e poder”, explicou Mayhew, que não estava envolvido no estudo, por e-mail. “No entanto, ter essa expectativa não torna um resultado letal mais fácil de testemunhar. A vida de um jovem gorila é muito perigosa – a mortalidade infantil é alta – e este estudo destaca novamente sua vulnerabilidade dentro de um grupo, mesmo com um formidável dorso prateado como pai. ”
Os grandes dorso-prateado podem pesar até 270 quilos, mas os chimpanzés têm uma força feroz. Uma pesquisa de 2017 mostrou que os chimpanzés são 1,5 vezes mais fortes do que os humanos nas tarefas de puxar e pular.
“Considerando que os gorilas ocidentais fêmeas podem pesar quase duas vezes o peso de um chimpanzé macho de 45 quilos, enquanto os gorilas machos podem ser três a quatro vezes mais pesados que um chimpanzé macho, o fato de que os chimpanzés podem roubar um gorila infantil de sua mãe é notável ”, disse Richard Wrangham, biólogo evolucionista da Universidade de Harvard, por e-mail. “Como observam os pesquisadores, os chimpanzés tinham as vantagens de um grupo maior, como as hienas quando ocasionalmente matam leões. Sua agilidade e capacidade de cooperação lhes dão força extra ”, explicou Wrangham, que não estava envolvido no estudo.
Tanto Mayhew quanto Wrangham disseram que as novas observações destacam a importância dos estudos de longo prazo com primatas no campo.
Conforme observado, os chimpanzés realizam patrulhas de limites territoriais para procurar sinais de outros chimpanzés ou para invadir comunidades vizinhas. Os cientistas acreditam que essas incursões estão ligadas a sistemas sociais de fissão-fusão, nos quais os indivíduos deixam um grupo para se juntar a outro. Este comportamento em chimpanzés sugere “paralelos funcionais e continuidades evolutivas entre a violência de chimpanzés e invasões letais entre grupos em humanos”, de acordo com o estudo. As observações modernas de grandes macacos representam um modelo vivo que os cientistas podem estudar em tempo real, como explicou Southern.
“Olhando para as pressões atuais enfrentadas por essas duas espécies, tanto em seu ambiente quanto na forma como elas interagem socialmente, podemos aprender um pouco mais sobre como nós, humanos, por assim dizer, ‘subimos ao topo’”, ela escreveu. “É crucial, agora mais do que nunca, trabalharmos para proteger essas espécies ameaçadas de extinção que fornecem uma janela para o nosso passado e merecem um lugar neste futuro.”

- Foto: LCP, Tobias Deschner
Os gorilas são parentes tão distantes dos chimpanzés quanto dos humanos. Para Wrangham, no entanto, o ataque do chimpanzé aos gorilas não foi muito surpreendente, dado seu interesse em matar. Como ele me escreveu em um e-mail:
Os chimpanzés claramente se divertem caçando e matando outros primatas, de macacos a chimpanzés e até mesmo humanos (principalmente crianças). Os bonobos também matam várias outras espécies para comer, e existem até mesmo algumas observações de macacos bebês roubados de suas mães, aparentemente para ‘brincar’, até que morressem. Os gorilas, por outro lado, mostram pouco interesse em matar outras espécies, seja na natureza ou em cativeiro.
Mas os gorilas não são gigantes gentis, um dorso-prateado feriu gravemente uma chimpanzé fêmea. Isso mostra que pode ser arriscado para os chimpanzés atacarem os gorilas, o que torna sua agressividade um quebra-cabeça fascinante. Como Southern observou, mais observações são necessárias, de preferência com gorilas que não fogem de humanos, para entender se os chimpanzés obtêm algum benefício com o gorilicida além da emoção de matar.
Quanto a outras possibilidades, Southern disse que eles “só podem realmente imaginar o porquê disso acontecer”, mas eles têm algumas teorias. Uma possibilidade é que os chimpanzés quisessem caçar bebês de gorilas como presa, mas, visto que apenas um chimpanzé manifestou interesse nisso, e dados os riscos envolvidos, realmente não faz sentido.
“Também pode ser possível que em certas épocas do ano, quando os frutos favoritos dos chimpanzés e gorilas estão mais maduros, haja níveis super elevados de competição entre os dois macacos”, explicou Southern. “Se essa competição ficar intensa o suficiente, pode até levar ao tipo de violência que observamos.”
Ela completa: “Achamos que em Loango, os gorilas são vistos como fortes competidores pelos chimpanzés, tanto no uso do espaço quanto na alimentação, da mesma forma que nosso grupo [em Loango] vê outros chimpanzés inimigos”.
O que é um ponto muito bom. Se for esse o caso, os chimpanzés não estão olhando para os gorilas como membros de outra espécie, mas os consideram uma ameaça ao seu acesso aos alimentos.
Como aponta o comunicado do Instituto Max Planck, as frutas nas florestas tropicais do Gabão não são tão abundantes como costumavam ser, e as mudanças climáticas causadas pelo homem podem ter algo a ver com isso. Por sua vez, isso pode estar causando o conflito observado entre as duas espécies de grandes macacos. Mais pesquisas serão necessárias, especialmente avistamentos de conflitos repetidos entre chimpanzés e gorilas (tanto em Loango quanto em outros lugares) e investigações mostrando os efeitos do desmatamento, mudanças climáticas e outros fatores que podem estar mudando a forma como esses macacos usam seu espaço na floresta e interagem uns com os outros. Como Mayhew explicou, esses tipos de pressão podem aproximar as populações de macacos, resultando em encontros mais frequentes e aumento da competição por comida.
“No momento, acho que é seguro dizer que este é um evento atípico, mas, como os autores apontam, há muito para desvendar neste local em termos dos tipos de pressões exercidas sobre essas duas espécies de macacos,” disse Mayhew. “É provável que a mudança climática tenha um papel na história, mas é difícil dizer sem um olhar mais cuidadoso.”
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Filme animado Injustice ganha primeira imagem e elenco em inglês - Gizmodo Brasil

Injustice, a nova animação da DC, teve sua primeira imagem revelada na última quarta-feira (21). Além disso, foi divulgada a lista completa de quem dará as vozes para os personagens do desenho no idioma inglês, incluindo Arlequina, Flash, Mulher-Gato, Lanterna Verde e outros heróis e vilões.
O site The Hollywood Reporter foi quem publicou com exclusividade a imagem em que aparece Superman com barba. Também aparecem na foto a Mulher-Maravilha, que parece olhar seriamente para alguma coisa, e o Batman, penas observando.

Se o nome “Injustice” lhe parece familiar, é porque é, de fato: a animação é fortemente inspirada no jogo Injustice: Gods Among Us, do estúdio NetherRealm (Mortal Kombat), e dos quadrinhos derivados escritos por Tom Taylor. A história se passa em uma Terra alternativa onde o Coringa enganou o Superman para matar Lois Lane, fazendo com que o herói domine o planeta em um ataque de fúria.
Estes serão os dubladores oficiais na versão em inglês do título:
Superman: Justin Hartley
Batman: Anson Mount
Lois Lane e Rama Kushna: Laura Bailey
Damian e Jimmy Olsen: Zach Callison
Lanterna Verde: Brian T. Delaney
Ciborgue: Brandon Michael Hall
Senhor Incrível e Killer Croc: Edwin Hodge
Homem-Borracha: Oliver Hudson
Arlequina: Gillian Jacobs
Mestre dos Espelhos, Flash e Shazam: Yuri Lowenthal
Asa Noturna e Aquaman: Derek Phillips
Coringa e Jonathan Kent: Kevin Pollak
Mulher-Gato: Anika Noni Rose
Arqueiro Verde e Victor Zsasz: Reid Scott
Ra’s al Ghul: Faran Tahir
Capitão Átomo: Fred Tatasciore
Mulher-Maravilha: Janet Varney
Soldado do Mestre dos Espelhos: Andrew Morgado
A animação Injustice é produzida pela Warner Bros. Animation, DC e Warner Bros. Home Entertainment, e conta com a direção de Matt Peters (Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips), roteiro de Ernie Altbacker (Batman: Silêncio) e produção de Rick Morales (Mortal Kombat Legends: A Vingança de Scorpion).
O filme de Injustice sai no fim de 2021.
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A vida imita a arte? Qual a diferença da realidade e da ficção em obras de pandemia
Por Erika Nishida
21 de julho de 2021
Enquanto alguns assistem TV para fugir dos problemas do mundo real, há quem assista para se afundar no absurdo da existência. E é aí, que no contexto em que vivemos, que muita gente corre para assistir filmes de pandemia — tema que sempre foi prato cheio para Hollywood.
E temos desde as representações mais absurdas de pandemias, como o clássico apocalipse zumbi, até aquelas que são tão verossímeis que até assustam, como o filme Contágio, que foi lançado há dez anos, mas ganhou popularidade em 2020.
Além de toda a ciência por trás desse tipo de ficção, os filmes sobre pandemia também falam muito sobre o aspecto humano. Mas até que ponto eles funcionam realmente como um espelho da nossa realidade?
Como a ficção se aproxima da realidade
Vittorio Talone, pós-doutorando em Sociologia e Antropologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Projeto Respiro – Projeto de investigação e apoio aos trabalhadores da saúde na Pandemia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirma que existem duas semelhanças gerais com a nossa realidade que são comuns às narrativas de obras de ficção voltadas à pandemia.
A primeira delas seria o surgimento de “algo estranho”, como um vírus, bactéria ou qualquer elemento desconhecido, sobre o qual não temos controle, e que pode ser precedido por alertas ignorados pelos poderes responsáveis pela saúde e segurança geral. Se isso parece familiar, é porque foi exatamente o que vivenciamos no início da pandemia. Antes mesmo de ser caracterizada como Covid-19, as notícias sobre um “novo coronavírus” na China falavam sobre uma misteriosa doença, sem uma origem conhecida, e que afetava as pessoas de maneiras distintas. Enquanto surgiam acusações de o governo chinês tentar esconder o que estava acontecendo no país, o vírus já se espalhava pelo mundo, e os líderes mundiais não agiram rápido o suficiente para conter o que viria a ser a pandemia atual.
A segunda semelhança apontada por Talone é “uma escalada de efeitos imediatos na forma como levamos nossa vida cotidianamente até a um ponto de ruptura radical com a vida como estamos acostumados”. Novamente, há um paralelo claro com a atual pandemia de Covid-19. Observamos a mobilização inicial dos órgãos de saúde orientando as pessoas a usarem máscaras e lavarem as mãos, passando pela suspensão de algumas atividades, fechamento de fronteiras, a implementação de novas leis até o momento em que percebemos que essas medidas não seriam temporárias. Os debates não eram mais sobre a vida pós-pandemia, mas como seria o “novo normal”.
Tara Smith, epidemiologista e professora de Saúde Pública na Kent State University, diz que a principal semelhança com a realidade que vemos na ficção são as disputas internas. “Há sempre grupos que discordam entre si.” Fã de cultura pop, Smith já escreveu até um artigo científico, publicado na British Medical Journal, sobre um possível apocalipse zumbi. A brincadeira faz parte de uma tradição de fim de ano da revista acadêmica. “Infecções de zumbis: epidemiologia, tratamento e prevenção” tem tudo para fazer você acreditar que se trata de um artigo verídico, incluindo até mesmo referências e explicações técnicas.
Dentre as diversas séries e filmes sobre pandemias, Smith acredita que Contágio é, de fato, o mais verídico:
Ainda há alguns problemas, mas podemos ver reflexos do que aconteceu com a Covid no filme: uma infecção zoonótica que se originou de um morcego na Ásia e que pode ter tido um hospedeiro intermediário e se espalhado em viagens internacionais; confusão inicial; muita desinformação; dificuldades em determinar quem vai receber a vacina etc.
Após um ano de pandemia, o que não faltam são exemplos de cenas que parecem ter sido tiradas do filme. Para citar algumas que remetem aos eventos mencionados por Smith, tivemos: diversos estudos sobre a doença ter se originado dos morcegos; grupos, e até mesmo líderes mundiais, defendendo medicamentos sem qualquer comprovação científica; pessoas tentando fugir de Paris antes do terceiro lockdown; as discussões no Brasil sobre a compra de vacinas por empresas.
Se você também já reparou que muitos filmes sobre pandemias falam de um vírus ou bactéria proveniente de animais, Smith explica: isso é baseado na própria ciência — cerca de 70% das doenças emergentes são zoonóticas. “Sabemos que há potencialmente centenas de milhares de vírus em diferentes espécies de animais que poderiam migrar para a população humana, então essa ideia é usada em muitas histórias fictícias”. De fato, alguns estudos já alertam, inclusive, sobre como a interferência humana crescente na natureza pode resultar na reincidência de alguns surtos, como a gripe suína, ou ainda no surgimento de novas pandemias.
O ser humano nos filmes de pandemia
Mas e em relação ao aspecto humano? Como as obras de ficção conseguem prever com tanta precisão o comportamento das pessoas em crises como essas? Segundo Vittorio Talone, da UFRJ, “nas ficções, há uma espécie de flagrante da fragilidade da ordem social e da empatia/humanidade a níveis pessoais”. Ele ainda cita alguns efeitos que são comumente observados: pessoas em negação podem se tornar agressivas; pessoas em posições de privilégio podem tirar proveito das outras; as instituições desabam; a confiança interpessoal é rompida.
Lembro, ainda lá no início, de casos de patrões obrigando empregadas domésticas a permanecer em suas casas devido ao perigo do contágio com a circulação delas pela cidade, mas isso sob a ameaça de demissão. Ou seja, coloca a permanência no emprego como condição de que ela aceite morar no local do trabalho. Isso é bem problemático. Tivemos também pessoas invadindo hospitais para revelar ‘a farsa’ do coronavírus para, no final das contas, tentar retomar as coisas como antes; pessoas desrespeitando as orientações sanitárias, se aglomerando em casos não necessários, porque não se sentem na obrigação de serem responsáveis pela saúde dos outros etc.
Talvez esses efeitos citados por Talone sejam o que mais aproxima os filmes sobre zumbis da nossa realidade — vemos pessoas desesperadas (quem não lembra das cenas de brigas em supermercados?), conflitos entre diferentes grupos e a dificuldade das instituições controlarem a situação. Ainda assim, é muito fácil distinguir o que não se aplica ao mundo real quando vemos um filme ou lemos um quadrinho sobre um apocalipse zumbi. Porém, em filmes tão verídicos como Contágio, pode ser difícil enxergar o que não funcionaria para a nossa realidade.
Como a ficção se difere da realidade
Primeiramente, sobre a possibilidade de um dia presenciarmos um evento apocalíptico, a epidemiologista Tara Smith diz que é improvável. “Mesmo os vírus mais mortais, como a raiva ou a ebola são (relativamente) fáceis de serem controladas quando alguns esforços são colocados em prática, e no caso de vírus respiratórios, nós dificilmente vemos algum que tenha uma taxa de mortalidade acima de 90%.”
Outra grande diferença observada por Smith é que as coisas geralmente acontecem de forma muito mais fácil na ficção. Pensando no filme Contágio, a vacina surge quase que de forma milagrosa e até mesmo os jovens são vacinados em questão de dias. Nas histórias fictícias, “vacinas e tratamentos são desenvolvidos rapidamente, os detalhes dos testes são superficiais, não existem ensaios clínicos”, diz ela.
De volta à realidade, apesar do tempo recorde, foi necessário quase um ano para que as vacinas contra Covid-19 chegassem às pessoas. Durante essa jornada, vivemos momentos de constante tensão. Acompanhamos com esperança a evolução dos testes clínicos e nos preocupamos com potenciais efeitos adversos ou problemas nos resultados à medida que eles eram anunciados. Mesmo agora que as doses já estão sendo distribuídas, alguns países como o Brasil enfrentam a falta de imunizantes necessários para toda a população.
Infelizmente, em obras de ficção, as pessoas também costumam ser mais compreensivas e acreditar mais na ciência, afirma Smith. “As coisas tendem a ser mais preto e branco: indivíduos bons e maus, soluções claras, em vez dos tons de cinza que vemos na vida real.”
De fato, se antes a ciência já enfrentava o negacionismo por uma parcela da população, isso parece ter se intensificado com a pandemia. Exemplo disso são os esforços das redes sociais em combater conteúdos enganosos e os movimentos antivacina. Somado a isso, ainda temos as manifestações contra o lockdown e uma série de disputas políticas que ilustram os conflitos que surgem em uma crise sanitária da vida real.
Para o sociólogo Vittorio Talone, a grande diferença com a realidade da pandemia é que “os autores de ficção científica, suspenses e/ou distopias levam esses cenários ao extremo e acabam pensando sobre as possíveis reações humanas e explorando as fraquezas das ‘bases morais/sociais’ das diferentes sociedades. Então, acho que projetam uma ‘perda de controle universal’ que me parece não ter tomado forma (ainda)”.
Apesar das semelhanças com a realidade atraírem nossa atenção para esse tipo de entretenimento, as diferenças reforçam que o propósito delas é exatamente o que o nome já diz: entreter. Elas não têm nenhum caráter premonitório, mas podem levantar algumas questões importantes para anam com a realidade brasileira, principalmente em meio à pandemia de Covid-19. sociedade.
A importância das obras de ficção que retratam pandemias
Se a ficção não é capaz de fornecer respostas sobre quando e como exatamente será o fim da pandemia e ainda pode nos deixar mais ansiosos ao vermos cenários tão extremos, por que consumimos esse tipo de entretenimento? Tara Smith acredita que essas obras nos atraem exatamente por se limitarem ao campo da possibilidade.
Isso oferece aos indivíduos a liberdade de investigar alguns desses cenários sem realmente passarem pela experiência Também dá às pessoas uma chance de considerarem seus planos. Max Brooks comentou uma vez que todo mundo com quem ele conversou tinha um plano para um apocalipse zumbi, mas poucos tinham realmente um plano para uma pandemia. Nós gostamos do escapismo.
Por outro lado, a forma como a narrativa é construída pode transmitir mensagens que, em nível maior ou menor, são capazes de influenciar a percepção das pessoas. “Quando nos filmes personagens não brancos são desumanizados, tornados vetores de doenças, sendo ‘descartáveis’ e secundários etc., isso pode causar efeitos no modo como se enxerga tais populações”, explica Talone.
No entanto, ele acha difícil colocar a culpa exclusivamente nos filmes e lembra da discussão que surgiu no final dos anos 1990 sobre a influência de videogames violentos no comportamento das pessoas. Segundo Talone, os impactos negativos da ficção (no caso, a violência) “vão depender muito mais das características gerais, sociais e históricas de cada sociedade, e como são as interrelações e a possibilidade de saúde mental de seus habitantes”.
Atualmente, em diferentes locais ao redor do mundo, mas principalmente nos Estados Unidos, tem surgido uma onda de ataques contra asiáticos. De acordo com o Center for the Study of Hate and Extremism, os crimes de ódio contra essa população aumentou 150% nos EUA durante a pandemia. Embora seja difícil analisar o quanto a ficção pode ter exercido um papel nesses números, Talone ressalta que ela também representa uma oportunidade para trazer à tona essas questões.
Acho que eles [livros, seriados e filmes de ficção] trazem para o espectador ou para o leitor o exercício de ver tomarem forma alguns distúrbios, problemas ou questões sensíveis, projetando quais seriam nossas reações nos cenários criados ou ‘exagerados’ E pode nem ser a intenção do escritor, diretor, autor, de tocar em um ponto delicado da sociabilidade moderna, das relações entre classes, seja lá o que for. No entanto, nos faz refletir sobre certos caminhos bizarros (no presente) que podem se concretizar ou trazem problemas correntes que costumamos deixar quietos.
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O ‘novo normal’ pós-pandemia: fobias sociais para todos os lados
Ansiedade, TOC e estresse pós-traumático são algumas das preocupações de especialistas
Por Beatriz Lourenço
21 de julho de 2021
Apandemia de Covid-19 trouxe a necessidade de isolamento social para conter a propagação do vírus SARS-Cov-2, causador da doença. Grande parte da população passou a trabalhar em casa, ter aulas online e encontrar os amigos apenas por chamadas de vídeo. Porém, após mais de um ano confinados, é possível que o medo de sair de um espaço seguro se torne uma fobia.
Em agosto do ano passado, precisei ir ao médico. Para chegar lá, tive que atravessar uma rua cheia de pedestres. Porém, no meio do caminho senti falta de ar e dor de cabeça — era uma crise de ansiedade que chegava pelo temor de me contaminar nesse meio tempo. Assim como eu, o estudante Victor Setti se acostumou com a bolha da própria casa. “Outro dia eu estava na rua e me assustei com o barulho do freio de um caminhão porque eu não lembrava que eles faziam esse som. Eu também acho estranho quando vejo pessoas em bares e restaurantes porque só consigo pensar como aquele ar é ‘venenoso'”, conta.
Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) entre onze países, o Brasil lidera os casos de depressão e ansiedade durante a pandemia. Dos 1,5 mil respondentes brasileiros maiores de 18 anos, 63% apresentaram relatos de ansiedade e 59%, sintomas de depressão. Um outro levantamento da Hibou, empresa de pesquisa e monitoramento de mercado, feito com 1,8 mil brasileiros em maio de 2021, revela que 79% considera-se estressado e 54% afirma chorar mais. Além disso, 53% dos brasileiros dizem que não se sentem em paz, 71% deixaram de dar risadas, e consequentemente, a maioria da população, 66%, está mais impaciente com outras pessoas.
Pós-pandemia e saúde mental
Enquanto alguns sentirão alívio com o fim do distanciamento, outros podem sofrer. “Quando lembro que a vacina está chegando na minha idade, me assusto um pouco. Sinto ansiedade ao voltar a conviver com aqueles que não são do meu círculo social mais próximo”, diz Setti. A professora do curso de psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Patrícia Guillon Ribeiro, acredita que esse tipo de comportamento irá aumentar à medida que as restrições diminuírem.
As chamadas fobias sociais vêm junto com padrões de esquiva. Ou seja, há uma tendência de evitar o encontro com outras pessoas por falta de confiança e medo. “Iremos viver uma pandemia da saúde mental”, afirma Ribeiro. “Isso porque estamos voltando para um ambiente que não é mais conhecido. O fundamento é o fato de que podemos contrair o vírus pelo contato humano. E, ao voltar às atividades presenciais, não saberemos quem está se cuidando da forma correta”.
No entanto, a condição não é a única que preocupa os especialistas. Segundo a psicóloga, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) relacionado à limpeza também pode aumentar ainda mais por conta dos estímulos, já que esta é uma forma de prevenção do novo coronavírus. “Não sei como vai ser quando eu precisar andar de transporte público novamente já que não consigo ter controle da higiene do local”, lamenta Ana Santos*. A diferença entre um cuidado comum e o TOC é a influência de pensamentos intrusivos. Ou seja, é a sensação negativa causada pela ideia de sujeira que necessariamente faz o indivíduo se limpar.
Já o psiquiatra Marcelo Daudt ressalta que os casos de estresse pós-traumático (EPT) também tendem a crescer. “Pode acontecer com pessoas que passaram esse momento de uma forma muito difícil. A partir de um gatilho que lembra a situação, ocorre uma sensação de reviver esse cenário. O EPT geralmente vem com evitação e sintomas físicos como taquicardia, suor e tremores”, relata.
Se necessário, busque ajuda
Namorar é F.O.D.A
Paquerar e namorar já era difícil antes da pandemia, uma vez que os aplicativos de relacionamento trouxeram uma nova dinâmica para a vida dos solteiros. Os primeiros encontros geralmente são preenchidos com insegurança e aquele friozinho na barriga que vem junto com a dúvida “será que ele(a) vai gostar de mim?”.
Porém, tudo isso, somado ao álcool em gel, máscaras e distanciamento social, pode causar um estresse maior. É o chamado F.O.D.A, termo que vem do inglês “fear of dating again”, ou “medo de voltar a namorar”, em tradução livre. A expressão foi usada pela primeira vez no jornal inglês Metro, que mostra uma pesquisa do aplicativo de encontros Hinge sobre o comportamento dos usuários durante a quarentena. Ela mostrou que a maioria dos participantes se sente enferrujado na hora do flerte. É o que está acontecendo com Marina Souza*, que não saiu com ninguém desde o começo da pandemia e até deletou os apps de paquera. “Nessas conversas, chega uma hora que acaba o assunto e o próximo passo seria o encontro. Mas ainda não me sinto segura para isso”, revela. “Acho que quando eu puder sair de novo, não vou ter mais prática na hora de conhecer alguém”.
Ribeiro ressalta que isso é normal pois nos acostumamos a ficar sozinhos. Ainda assim, é um problema a ser enfrentado. “Temos um aumento da comunicação virtual, o que faz a gente perder muito da outra pessoa, como expressões faciais, o toque e o cheiro. Aí, não conseguimos captar tudo o que está acontecendo com o crush”, diz. Nesse sentido, videochamadas e conversas por telefone podem ajudar nesse processo, já que dão uma ideia melhor das características do potencial parceiro. As pausas, as risadas e as manias são trejeitos únicos que dizem muito sobre o outro. Se você está preocupado com a possibilidade de ser estranho, saiba que o estudo do Hinge concluiu que quando os usuários realmente tentaram o namoro por vídeo, 81% deles disseram que não foi.
“Se antes a gente lidava com casais que não conversavam entre si, hoje temos que pensar naqueles que ficaram distantes. Precisamos redescobrir a magia de estar junto. No entanto, a palavra-chave é calma, vamos dar um passo de cada vez nas relações”, afirma a especialista.
* Nome fictício
Reaprendendo a socializar
Isso quer dizer que é possível desaprender a conviver em sociedade? Sim. Ribeiro compara com um músculo do corpo: “quando você deixa de se exercitar, ele atrofia e é necessário fisioterapia para resolver”, diz. “O medo é um sentimento protetivo, mas também pode ser paralisante. Dessa forma, para lidar com esse ‘novo normal’, depois que a pandemia acabar, serão necessárias algumas estratégias de enfrentamento”.
1. Primeiro, é preciso entender os sinais do seu corpo e da sua mente. Respeite a si mesmo e não vá além dos seus limites.
2. O melhor caminho é fazer apresentações sucessivas. “Você vai de pouquinho em pouquinho aumentando a exposição. Não exagere, mas sempre tenha um passo a mais para alcançar. É como se a gente estivesse aprendendo a andar novamente”, sugere a especialista.
3. Experimente meditação e exercícios de respiração. Essas são práticas que ajudam a acalmar o corpo e a mente em momentos de ansiedade.
4. Mesmo vacinado, não deixe os cuidados de lado: lembre-se de usar máscara PFF2, álcool em gel e manter o distanciamento social, se possível.
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Peste suína, semelhante ao Ebola, atinge animais na Alemanha - Gizmodo Brasil

Desde sua descoberta na década de 1920, o vírus da peste suína africana (PSA) tem causado periodicamente surtos devastadores, e às vezes misteriosos, de doenças e morte entre porcos domésticos. A ameaça do PSA é tão profunda que os países rotineiramente abatem populações inteiras de suínos possivelmente expostos e proíbem importações dos países afetados para evitar uma maior disseminação. Mas isso não impediu que o vírus se tornasse endêmico em partes da Rússia e da Europa. Desde 2018, a maior epidemia de PSA até hoje está em andamento em toda a Ásia, levando à morte de milhões de porcos e causando estragos na economia global de suínos.
O vírus da peste suína africana deve o seu nome à doença que causa. É o único vírus de DNA conhecido por se espalhar por artrópodes — neste caso, a picada de certas espécies de carrapatos moles (o material genético de um vírus pode ser RNA ou DNA). O vírus é endêmico na África Subsaariana, onde não parece adoecer gravemente seus hospedeiros nativos de carrapatos e várias espécies de suínos selvagens. Mas quando o PSA infecta porcos domésticos, pode causar uma febre hemorrágica grave, semelhante ao Ebola, com uma taxa de mortalidade de quase 100%.
Embora os carrapatos sejam normalmente o principal método de transmissão, o vírus também pode sobreviver por muito tempo na carne e nos fluidos corporais de porcos infectados, inclusive nas fezes, permitindo que se espalhe com bastante facilidade por meio do contato próximo em uma fazenda.
A recente descoberta de PSA na Alemanha é angustiante. Em setembro do ano passado, as autoridades alemãs confirmaram a presença do vírus em javalis e, em 15 de julho, tornou-se o último país a relatar casos locais de PSA, encontrados entre porcos que viviam em duas fazendas. Ainda nesta semana, foi confirmado um terceiro caso em uma pequena fazenda próxima às outras duas localidades. Após a descoberta do vírus no ano passado, muitos países proibiram temporariamente as importações de carne suína alemã, o que pode limitar a disseminação da peste na região.
A peste suína africana é um problema potencialmente sério sempre que for encontrada, mas há pelo menos uma fresta de esperança: nunca houve um caso suspeito de doença humana ligada ao vírus, embora possa permanecer viável na carne por meses, mesmo depois de ser preservado, congelado ou cozido.
Autoridades de saúde na Alemanha, no entanto, reafirmaram que o vírus provavelmente não colocará os humanos em perigo, mesmo que comam carne de animais infectados. Apesar disso, a garantia vem na esteira do vírus recentemente encontrado em várias fazendas de suínos no país, uma evolução preocupante, uma vez que a PSA é altamente contagiosa e fatal em porcos domésticos.
“Como o patógeno não é perigoso para os seres humanos, o consumo de alimentos provenientes de animais infectados não representa um risco à saúde dos consumidores”, disse o Instituto Federal da Alemanha de Avaliação dos Riscos na atualização mais recente sobre PSA.
Ainda assim, há espaço para um pessimismo sombrio se você estiver interessado o bastante. O vírus causador da PSA é o único membro conhecido de sua família viral, chamada Asfarviridae. Contudo, em dezembro de 2020, um grupo internacional de pesquisadores afirmou ter encontrado evidências de sequências de DNA de um ou mais vírus desconhecidos possivelmente relacionados à PSA em amostras de sangue coletadas em pessoas no Oriente Médio, bem como em esgotos na Espanha.
“A detecção dessas sequências sugere que pode existir maior diversidade genética entre os asfivírus do que se pensava anteriormente e aumenta a possibilidade de que a infecção humana por asfivírus possa ocorrer”, escreveram eles. Apenas um pouco para pensar.
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10 programas e funções que perderão destaque ou deixarão de existir no Windows 11 - Gizmodo Brasil

O Windows 11 está a caminho e trará com ele um novo visual, novas cores e recursos quando estiver disponível no final do ano. Já temos até um guia de como instalar o sistema no seu computador, caso você seja integrante do programa Windows Insider, além de algumas especificações técnicas recomendadas para rodar a plataforma.
Mas nem tudo que hoje está presente no Windows 10 sobreviverá para contar história. Isso porque a Microsoft pretende esconder ou descontinuar muitos programas e funcionalidades assim que o sucessor do Win10 for lançado. Ainda tem muito chão pela frente até que isso aconteça, mas listamos a seguir tudo o que já sabemos que deixará de ser prioridade no Windows 11.
Internet Explorer
Espere: o Internet Explorer já não tinha sido enterrado? Na verdade, ele ainda está disponível no Windows 10 se você se aprofundar o suficiente nas configurações do sistema. No entanto, todos os vestígios restantes do antigo navegador serão removidos no Windows 11, com o Microsoft Edge substituindo o browser definitivamente. Para aplicativos e sites que por alguma razão podem depender da ferramenta, será possível acessá-la usando o modo IE no Edge.
Linha do tempo

Você pode nunca ter usado a linha do tempo, o que talvez seja uma das razões pelas quais ela está indo embora com a chegada do Windows 11. O recurso permite que você sincronize sua atividade — arquivos abertos, sites visitados, entre outras — em vários computadores Windows nos últimos 30 dias, tornando mais fácil alternar entre os aparelhos conectados com a mesma conta da Microsoft.
Live Tiles
Desenvolvedores de programas e aplicações parecem não ter gostado muito do recurso Live Tiles no menu Iniciar do Windows 10, que permite que diferentes fragmentos de informações sejam mostrados e atualizados em tempo real. Se isso te lembra os widgets do seu smartphone, então você está certo. E são eles que prometem substituir os Live Tiles com a chegada do Windows 11. Só esperamos que os widgets funcionem melhor.
Grupos do Menu Iniciar

Outro recurso extraído do menu Iniciar é a possibilidade de agrupar blocos e nomeá-los como produtividade, escrita, jogos ou qualquer outra coisa. O layout do menu Iniciar também não será redimensionável, então parece que a Microsoft deseja fazer com que a experiência do menu seja a mesma para todos.
Status Rápido
No Windows 10, os aplicativos podem deixar pequenos blocos de informações na tela de bloqueio para lembrá-lo de e-mails recebidos, compromissos no calendário futuros, notificações e outras atividades. Essa função, chamada de Status Rápido, não estará disponível para programas no Windows 11 — talvez porque os widgets desempenhem esse mesmo recurso.
Localização da barra de tarefas

Falando em cortar personalizações, a barra de tarefas passará a ficar fixa na parte inferior da tela no Windows 11. Você pode nunca ter percebido, mas na versão atual do sistema é possível posicioná-la à esquerda, direita ou até mesmo no topo da tela. Portanto, quem gosta desse tipo de customização estará sem sorte na futura plataforma.
Modo Tablet
O Windows 10 faz um trabalho decente em tablets, como o Surface Pro, além de desktops e notebooks. Contudo, o Windows 11 não inclui um modo dedicado para tablets. Em vez disso, essa funcionalidade será reconfigurada e parte disso acontecerá automaticamente (como quando você conecta ou desconecta um teclado Bluetooth, por exemplo).
Cortana

A assistente digital da Microsoft não será descontinuada inteiramente do Windows 11, mas deixará de ser usada no processo de configuração inicial e não ficará mais presa à barra de tarefas. Não está claro o que a Microsoft planejou para a Cortana. Mas com base nos recursos que foram adicionados ao longo do ano passado, ela poderá ser reposicionada como uma ferramenta de negócios, e não como uma central (principalmente de voz) para tudo o que o usuário for fazer no computador.
Modo Windows S
Este é outro recurso que não está desaparecendo completamente, mas sim perderá um pouco deve destaque: o Modo S, que só permite que aplicativos da Microsoft Store oficial sejam instalados para melhorar o desempenho e a segurança da máquina. A partir do Windows 11, ele será opcional.
Skype
O Skype ainda estará disponível no Windows 11, mas o novo sistema operacional não o incluirá como um programa integrado da mesma forma que o Windows 10 faz. Isso porque a Microsoft agora está focada no Teams como uma resposta para todas as suas necessidades de comunicação, incluindo vídeo. Logo, prepare-se para muitas integrações de Teams na experiência final do Windows 11.
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Como chips no cérebro vão mudar nossa relação com as máquinas
Tecnologias de interface cérebro-máquina atraem investimentos de magnatas como Eln Musk
Por Caio Carvalho
24 de julho de 2021
Imaginar que um dia o nosso cérebro será capaz de controlar objetos e interfaces com o poder da mente não é mais coisa de filme de ficção científica. Na verdade, isso já está acontecendo graças a pesquisas científicas no mundo todo. Não para nos transformar em super humanos (pelo menos neste primeiro momento), mas para facilitar tarefas que, por si só, já são bastante simples — abrir um aplicativo no celular, bater uma foto, entre outras. Para quem tem alguma deficiência física, as chamadas sondas neurais podem ir além e auxiliar no comando de próteses, embora os métodos atuais para alcançar esse objetivo ainda sejam um tanto invasivos.
Fato é que o tema já atraiu atenção do CEO da Tesla, Elon Musk. Além da montadora de carros e da SpaceX, para foguetes, o bilionário financia a Neuralink, uma startup que surgiu em 2016 com planos ambiciosos de estreitar a integração do cérebro humano com as máquinas. As primeiras demonstrações do que essa tecnologia cerebral será capaz de fazer ainda são limitadas, mas nem por isso deixam de impressionar.
Decodificando o cérebro
Oconceito por trás de interfaces cérebro-máquina não é recente. No final da década de 1940, o matemático estadunidense Norbert Wiener propôs a ideia de “cibernética”: sistemas, sejam eles mecânicos, elétricos ou biológicos, que podem ser controlados por meio de uma determinada informação. A tese ganhou força com o avanço das comunicações (e, sim, é deste conceito de cibernética que partiu toda nossa noção de ciberespaço).
As interfaces cérebro-máquina podem se traduzir de inúmeras formas. Desde um capacete externo, sem métodos invasivos, até dispositivos minúsculos implantados diretamente no tecido cerebral. O que permanece igual é o objetivo: captar os sinais, principalmente os elétricos, da atividade cerebral e direcioná-los para um ponto de controle, que pode ser a interface de um celular, uma prótese ou qualquer outro mecanismo que seja capaz de interpretar e receber corretamente aquele sinal vindo do cérebro.
Além de decodificar os sinais cerebrais, muitas sondas passaram a ter como função secundária estimular a atividade do nosso cérebro. No entanto, decodificar essas informações dá um baita trabalho, especialmente porque bilhões de processos acontecem ali.
“A gente consegue extrair bastante coisa, mas estamos muito longe de saber o que uma pessoa está pensando. Usando algumas técnicas, conseguimos extrair informações de como o cérebro funciona. Porém, precisamos distinguir como cada uma delas está sendo traduzida”, explica Gabriela Castellano, docente do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) do Instituto Brasileiro de Neurociências e Neurotecnologia (BRAINN). Castellano integra o grupo de neurofísica da instituição, que tem como foco de pesquisa o estudo de dados cerebrais provenientes de diferentes técnicas, além do desenvolvimento de novos métodos para a obtenção desses dados (como sondas neurais e novos aparelhos para espectroscopia óptica).
No caso de uma prótese, por exemplo, a pesquisadora afirma que o cérebro precisa pensar em comandos pré-estabelecidos, que por sua vez são enviados para um equipamento e traduzidos na forma de comando. “Para enviar um comando para uma prótese, temos que fazer com que o paciente gere sinais cerebrais específicos. Por isso, ele pensa em coisas bem específicas, como o movimento da mão direita ou esquerda, ou no movimento do braço, porque coisas assim são mais fáceis de detectar”, completa.
Os desafios da Neuralink e os chips no cérebro
ANeuralink surgiu em 2016, na Califórnia, como uma startup focada em neurociência e pesquisa médica, para ajudar pacientes em tratamentos por meio de chips implantados. Esses chips seriam capazes de captar os sinais elétricos emitidos pelos neurônios e traduzi-los para que então pudessem ser interpretados por um computador. Até então, a ideia do chip era bastante segmentada: pacientes com lesões graves no cérebro ou que perderam os movimentos devido a um derrame.
Não demorou muito para que Elon Musk ampliasse o potencial da Neuralink, que desde então tem se apresentado como uma empresa que visa democratizar a inteligência artificial por meio da simbiose entre máquina e humano. Nos primeiros comunicados, Musk foi categórico em descrever a tecnologia como uma forma de sobrevivência e adaptação de humanos com as máquinas. Musk está no grupo de pessoas que afirmam que a inteligência artificial um dia será maior do que a humana. Lembra daquele ditado “se não pode com ela, junte-se a ela”? É mais ou menos por aí.
O resultado dessa expansão da Neuralink veio em 2019, quando Musk revelou a criação de um microchip implantado na parte de trás do ouvido e que, teoricamente, poderia captar os sinais elétricos emitidos pelo cérebro. Batizada de N1, a primeira versão do chip é pequena mesmo: tem 4 mm por 4 mm. Apesar do tamanho reduzido, ele comporta 1.024 eletrodos colocados em cabos flexíveis mais finos ainda, cada um medindo cerca de 20% da espessura de um fio de cabelo. Esses fios, por sua vez, podem detectar a atividade de neurônios do cérebro humano. Para efeito de comparação, implantes neurais usados atualmente no tratamento de doenças, como Parkinson, possuem apenas 10 eletrodos.
O material dos componentes é um aspecto fundamental no desenvolvimento das sondas neurais. Segundo a Neuralink, as sondas são compostas principalmente por poli-imida, um material biocompatível, acompanhado por um condutor de ouro ou platina.
Outro ponto destacado por Musk é que, diferente dos métodos atuais, o chip N1 é “instalado” no corpo do paciente por um processo bem menos invasivo. Sim, ainda é um processo cirúrgico e, portanto, apresenta seus riscos. Contudo, a Neuralink criou um robô-cirurgião extremamente preciso que, controlado por um médico, pode implantar os cabos flexíveis no tecido cerebral sem causar danos ao paciente. A startup diz que o processo é tão seguro que a pessoa toma apenas uma anestesia local, não precisa raspar o cabelo e poderia ter alta do hospital no mesmo dia, já que o robô faz um furinho na pele e no crânio para inserir os fios, que por sua vez ficam ligados à base principal atrás da orelha. Todo o procedimento demoraria no máximo 45 minutos.
Cerca de um ano depois de mostrar o N1, a companhia apresentou uma evolução do protótipo. Ele mantém os mesmos 1.024 eletrodos, mas sua principal mudança está no design: em vez de conectar os cabos flexíveis a uma base atrás da orelha, o implante agora fica inteiramente colado na parte superior do crânio e tem o tamanho de uma moeda (23 mm x 8mm). O funcionamento também parece não ter passado por grandes alterações, uma vez que o objetivo é receber informações e, a longo prazo, estimular os neurônios.
Todos os comandos acontecem sem a dependência de fios ou cabos conectados em aparelhos externos. Ou seja, a transmissão é feita sem fio.
Ratos, porcos e agora macacos já receberam o chip da Neuralink. Os testes ainda são bem limitados, mas já mostraram ser possível estimular os animais a interagir com objetos no ambiente (no caso dos porcos) e controlar interfaces apenas com a atividade cerebral (macacos).
Ainda são controles básicos, em partes porque os eletrodos do chip N1 ficam posicionados no córtex — camada mais superficial do cérebro — e apenas uma quantidade de neurônios pode ser estimulada; algo entre 1 mil e 10 mil deles, o que é pouco, se levar em consideração que milhões de processos acontecem em nosso cérebro. Futuramente, a Neuralink espera ser possível usar os eletrodos para melhorar a vida de pessoas com distúrbios neurológicos, como doença de Parkinson e Alzheimer, e transtornos como autismo ou depressão. E quem sabe auxiliar no controle de próteses ou devolver os movimentos de um paraplégico, caso os fiozinhos do N1 penetrem mais fundo no cérebro.
O desafio disso tudo? O próprio cérebro. Por menos intrusivo que o chip da Neuralink promete ser, o cérebro é um órgão inteligente capaz de corroer qualquer item externo inserido em seu interior ou superfície. Logo, o chip antigo teria que ser removido e trocado por um novo de tempos em tempos
“Além de decodificar o que bilhões de neurônios do cérebro estão dizendo, os maiores desafios [no desenvolvimento das sondas] envolvem as técnicas, porque extrair o sinal desses neurônios é bastante difícil. Podemos colocar um eletrodo no escalpo da pessoa para captar sinais do cérebro e fazer com que esses sinais cheguem bem atenuados a uma prótese, por exemplo. Também podemos implantar um eletrodo diretamente no cérebro, e aí a informação é muito mais limpa, o que permite direcionar melhor o sinal de neurônios específicos. Em contrapartida, este segundo método exige uma cirurgia para abrir a cabeça do paciente e colocar o eletrodo lá dentro. E o cérebro reconhece aquele eletrodo como algo que está atacando ele, até começar a criar uma cicatriz em volta, fazendo com que o sinal do eletrodo perca intensidade”, diz Castellano.
De acordo com a Neuralink, a remoção do chip N1 é tão simples quanto o implante, e já foi comprovado que macacos que tiveram o componente extraído do cérebro não apresentaram sequelas mesmo semanas após a remoção. Mesmo assim, os desafios permanecem e precisam ser acompanhados continuamente. “De um lado, se precisamos fazer uma cirurgia de inserção, ideal é encontrarmos materiais que sejam melhores aceitos pelo organismo e não gerem perda de sinal. Do outro, podemos usar mecanismos externos que, embora dispensem procedimentos cirúrgicos, têm um sinal cerebral que é mais ruidoso e mais difícil de ser interpretado”, completa.
Pesquisas brasileiras não ficam atrás
Aneurociência brasileira figura entre as que mais se destacam no estudo do cérebro humano. Um dos centros mais proeminentes é o BRAINN — Instituto Brasileiro de Neurociências e Neurotecnologia, também conhecido como Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão do Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (CEPID BRAINN)—, sediado na Unicamp, em Campinas, e apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O BRAINN é fruto de um trabalho conjunto entre pesquisadores da Unicamp e de outras instituições brasileiras, e tem várias linhas de estudo envolvendo o cérebro. Uma delas é a criação de sondas neurais capazes de registrar e estimular atividades elétricas do sistema nervoso. E mais: facilitar o desenvolvimento dessas sondas para que, daqui alguns anos, a tecnologia seja barateada e facilite a fabricação nacional de peças que podem ajudar no tratamento de doenças.
Além de Castellano, outro trabalho do corpo multidisciplinar do Instituto é a linha de pesquisa de Roberto Panepucci, professor, pesquisador do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer e coordenador de Transferência de Tecnologia do BRAINN. Panepucci tem como especialidade a parte de fabricação de dispositivos, em escala micro e nano, usados em sondas neurais, além de circuitos integrados fotônicos (que recebem a luz e enviam para um fim específico).
Panepucci, em conjunto com a pesquisadora Vanessa Gomes, pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e que faz parte do esforço do CTI no âmbito do projeto BRAINN, reforçam o que contamos anteriormente: os materiais usados nas sondas precisam ser os mais maleáveis e adaptáveis possíveis. Seguindo por esse caminho, Gomes, que é especialista em microssistemas e nanoeletrônicos, conta que uma das principais linhas de pesquisa é no uso do grafeno.
“Um aspecto das sondas neurais é que elas precisam ter uma tolerância maior do organismo. Como são ferramentas para investigar o funcionamento do cérebro, quanto menor for a rejeição, melhor. O grafeno se destaca devido suas propriedades de interface. Além disso, ele é transparente opticamente, tem uma condutividade elétrica muito alta e se mostrou respostas positivas na aplicação tanto para registro quanto para estimulação elétrica das células. Também teve resposta de impedância satisfatória e em testes de biocompatibilidade”, diz.
Rickson Coelho Mesquita é cientista e professor do Instituto de Física da Unicamp desde 2011, e também está envolvido com pesquisas do BRAINN, estas focadas em métodos ópticos aplicados ao estudo do cérebro. Sua tese de doutorado foi a primeira a utilizar métodos de espectroscopia no infravermelho próximo para aplicações em neurociências no Brasil, que visa usar a luz, particularmente a luz infravermelho, para entender como o cérebro funciona. A grosso modo: ao refletir a luz infravermelho sob o córtex, parte dessa luz é absorvida pelas moléculas de hemoglobina (que transporta oxigênio pelo organismo) e a outra parte carrega informações sobre o quanto de luz foi absorvido lá dentro.
Ao monitorar a quantidade de luz “devolvida” por essas moléculas, Mesquita afirma ser possível descobrir como elas variam e, consequentemente, quais regiões do cérebro funcionam na região monitorada. As informações coletadas em uma determinada área do cérebro, embora sejam muito pequenas, podem então ser usadas como parâmetro médico e, eventualmente, no controle de dispositivos, como próteses, órteses e cadeiras de rodas.
“Também é possível modular o cérebro em certas atividades. Por exemplo, quando algumas pessoas têm déficit de atenção, eu posso monitorar a região do cérebro responsável pela atenção e usar essa informação [capturada pela luz infravermelho que reflete e volta] para ensinar a melhorarem sua atenção. Ou ainda, usar essa informação da luz que volta como um comando de computador para dispositivos externos. É muito similar ao que aconteceu na Copa do Mundo de Futebol de 2014 com o trabalho do Miguel Nicolelis e o exoesqueleto. O que foi feito ali é exatamente o que estamos fazendo com luz, mas usando eletroencefalografia (EEG), medindo o sinal eletrofisiológico com eletrodos”, explica.
Esse, inclusive, é um dos episódios de maior repercussão mundial para a neurociência brasileira. O exoesqueleto, apelidado de BRA-Santos Dumont 1, foi controlado por Juliano Pinto, que na época tinha 29 anos e era paciente paraplégico da AACD. Neste caso, o controle do exoesqueleto aconteceu por meio de uma touca de EEG que interpretava sinais do cérebro de Juliano, permitindo que ele fosse o responsável pelo pontapé inicial da Copa.
De acordo com Miguel Nicolelis, médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade Duke (EUA), tudo seguiu um roteiro bem planejado e dependia que fatores externos, como o clima, ajudassem na apresentação — que sim, foi bastante curta, mas mostrou do que a ciência brasileira é possível.
“Foi uma pressão enorme. Tínhamos data e hora, e uma audiência de 1,2 bilhão de pessoas assistindo ao vivo. Se um transistor do EEG queimasse, se chovesse ou se houvesse uma ventania muito forte, os planos seriam frustrados. Foi um esforço coletivo mundial: 150 pessoas de 25 países colaboraram sem receber nada (com exceção dos estudantes) para produzir algo que não existia — um robô controlado diretamente pela mente humana”, conta.
Nicolelis ainda revela os efeitos da touca de EEG e do exoesqueleto após a exibição na Copa de 2014. O neurocientista diz que, um mês após o evento, os pacientes que fizeram uso contínuo do equipamento apresentaram recuperação de lesões medulares completas. “Alguns deles recuperaram movimentos voluntários abaixo das pernas. Pacientes paraplégicos crônicos também apresentaram sensibilidade nos membros inferiores. Ao seguirmos esses pacientes por mais de dois anos e meio, acompanhamos sua migração de um quadro irreversível para paraplegia incompleta ou parcial”, explica.
Por falta de verbas no Brasil, Nicolelis afirma que o projeto teve de ser interrompido. No entanto, toda a infraestrutura usada na época foi implementada no sistema ambulatorial do Instituto Santos Dumont, em Macaíba, no Rio Grande do Norte.
O futuro dos chips cerebrais
Apesar de não fazerem previsões de futurologia, os cientistas se mostram animados com avanços no campo das sondas neurais. Ao mesmo tempo, demonstram uma certa preocupação sobre a forma como o entendimento do cérebro levanta questões relacionadas à privacidade, biohacking e segurança da informação.
“As coisas estão evoluindo em uma velocidade rápida e exponencial. Quando você pisca já em alguma coisa nova acontecendo. Eu acredito que a tendência é sim que as interfaces evoluam significativamente. Talvez não ao ponto de ser possível controlar tudo com um dispositivo implantado na sua cabeça. Mas cada vez mais você poderá comandar coisas de formas mais simples. Em algum momento, talvez você consiga comandar o celular com o cérebro, mas pode ser que isso demore um tempo para acontecer até o lançamento de interfaces mais comerciais”, diz Gabriela Castellano.
Roberto Panepucci e Vanessa Gomes acreditam que também será fundamental produzir essas sondas em escala industrial. “Hoje já é possível produzir milhares de sondas muito rapidamente e por um custo menor”, contam.
“É uma área que permite explorar o cérebro e refletir sobre outros aspectos que não são apenas tecnológicos. Tem toda uma área de pesquisa neuroética que envolve o sigilo e privacidade da atividade neural humana. E acho que o maior desafio é as pessoas entenderem que não é só uma tecnologia: tem todo o lado humano e filosófico por trás disso, que prevê assegurar a privacidade. Ninguém quer transformar o ser humano em um híbrido. As interfaces precisam ser mantidas sob o controle da mente humana”, completa Miguel Nicolelis.
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No divã: por que tantos filmes e séries questionam a ‘bondade’ dos super-heróis?
Guerras, crises e a política são somente parte daquilo que cria heróis traumatizados – dentro e fora das HQs
21 de julho de 2021
Você já fez terapia ou pelo menos se consultou com um psicólogo? Essa é uma prática muito boa que deveria se tornar hábito. Assim como algumas pessoas vão ao dentista duas vezes por ano, todos deveríamos reservar um tempinho para conversar com um psicólogo e organizar a mente. Isso serve para pessoas comuns, mas também para super-heróis.
Nos últimos anos, ficou cada vez mais comum vermos super-humanos tentando resolver problemas que tinham dentro da cachola. Para isso, ou eles dão uma passadinha no “divã” da terapia, ou tentam botar a angústia para fora. Por causa disso, estamos perdendo aquela imagem de super-herói perfeito e invulnerável, e os estúdios estão investindo nessas narrativas para dar um ar de profundidade às histórias.
“Nos primeiros 40 anos dos quadrinhos, uma narrativa mais simplificada dominou o mercado dos quadrinhos. Graças ao Stan Lee e seus quadrinhos da Marvel, o super-herói passou a ter uma vida pessoal, problemas psicológicos e se aproximar mais dos problemas do leitor. Esse modelo fez muito sucesso com as histórias do Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e Capitão América, e é reproduzido até hoje pela indústria”, explica o pesquisador do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP, Waldomiro de Castro.
Nas telinhas e telonas vemos vários heróis assumindo a importância de conversar, como o Utópico, em O Legado de Júpiter, e Bucky Barnes, em Falcão e Soldado Invernal”. Em WandaVision vemos a Feiticeira Escarlate cruzar as fases do luto após a morte de seu marido, Visão, em Vingadores: Guerra Infinita”. Em Watchmen – O Filme, o cruel Rorschach se consulta com um psiquiatra após ir para a prisão. Durante os testes – que dão nome ao personagem -, ele consegue identificar os próprios traumas, mas mente para não ser considerado doente.
O professor e pesquisador de quadrinhos, Mario Marcello Neto, explica que muitos desses debates encontrados nas HQs fazem parte de um sentimento de dívida dos autores estadunidenses. “Essa geração pós-Guerra do Vietnã está muito imbuída em uma sociedade que tem muitas dívidas a pagar, seja com minorias ou com eles mesmos. Esse aparecimento do ‘divã’ nos contextos mais atuais, reflete um certo avanço no reconhecimento da importância da saúde mental. Porém, uma coisa que dita isso [ter ou não o divã] é o ritmo da história. Eu acho que se houver muito conflito pessoal, as pessoas saem do cinema. Eu não consigo ver uma cena como a consulta do Soldado Invernal acontecendo em um filme dos Vingadores, porque [o filme] é muito frenético”.
“E, às vezes, você pode ser um herói ou um vilão dependendo do contexto. Um super-herói é um sujeito que também tem fragilidades, acontece com muitos personagens, não apenas nos seus traumas, mas também na questão da agressão. Isso sem dúvida abre muito campo para explorar novas histórias e narrativas. Eu acho positivo, porque tira a ideia de que há um super-homem em cada um desses heróis. Isso está afinada aos debates atuais”, explica a pesquisadora de história da arte Vanessa Bortulucce.
À medida em que as décadas avançam, a postura do super-herói se modifica. Em alguns momentos, como na década de 1960, muitos heróis se envolveram no movimento pacifista. Já na década de 1980, vemos personagens com personalidades mais assertivas e mais agressivos. Agressividade essa geralmente associada aos traumas que deram origem ao lado heroico deles, como as mortes dos pais de Bruce Wayne (Batman) e do tio de Peter Parker (Homem-Aranha) e até mesmo o suicídio do pai de Utópico. Com isso, esses personagens apresentam uma postura muito mais agressiva em relação aos criminosos. “Você nunca viu um Batman tão violento como o da década de 1990”, afirma Castro.
Ascensão em meio ao desastre
ACrise de 1929, também conhecida como “A Grande Depressão”, marcou um dos momentos mais caóticos do capitalismo na era moderna. Ela teve origem nos Estados Unidos, que na época já tinha se consolidado como a maior economia do mundo. Com a crise, muitas empresas quebraram e o desemprego saltou de 4% para 27%. Foi um verdadeiro caos econômico que em pouco tempo trouxe sérias consequências para a sociedade. Esse tsunami de problemas que sucedeu a crise foi crucial para a revolução das comics.
Para Vanessa Bortulucce, a principal relação entre a Grande Depressão e as HQs é a mudança do cenário das histórias. “Como a Crise de 29 envolveu o mercado de ações, os bancos e etc, você tem as cidades como um lugar marcado por desastres e más notícias. Então, os quadrinhos sofrem um certo refluxo nesse ambiente”, explica ela. Fora do ambiente das cidades, novos cenários começaram a ganhar força, como o espaço sideral de Flash Gordon e Brick Bradford.
Essa fragilização acabou criando o conceito do “herói extraordinário”, aquele que resolve problemas com facilidade, sem quebrar a cabeça, e assim entrega uma aventura fantástica que restaura a esperança do leitor, que não tem muita paciência para novos problemas.
Em 1938, quando foi lançada a primeira HQ do Superman, o herói absorveu muitas características da época, especialmente nas edições lançadas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O kryptoniano era invencível, imparável, como se estivesse passando uma mensagem. O mesmo pôde ser vista nas revistas da Capitã Marvel. Assim surgiram os primeiros aspectos para se discutir o mito do herói nas comics.
Mito do herói no traço e na tela
Contar sobre a vida dos personagens humanizou os super-humanos e até mesmo os alienígenas como Clark Kent. Isso reforçou a ideia de que um herói pode ser qualquer pessoa, como um fazendeiro do Kansas, um jovem franzino do Brooklyn ou um nerd do Queens.
“O Super-Homem é um alienígena, mas o leitor olha para o Clark Kent, que é um homem comum. Ao se mostrar como um homem comum, ele estabelece um reconhecimento, e o leitor pensa em um Super-Man que estaria, simbolicamente, dentro dele. Com os heróis da Marvel, Stan Lee tem uma importância vital nesse sentido, porque ele inverte a lógica do Super-Homem: você não tem um herói que se passa por um homem comum, mas um homem – ou mulher – comum que pode se mostrar como herói”, diz Bortulucce.
Pensando sobre essa afirmação da pesquisadora, alguns nomes do MCU vêm em mente, como Viúva Negra, Falcão, Gavião Arqueiro, Homem de Ferro, Homem-Formiga, Vespa e muitos outros. Esses heróis sem poderes “mágicos ou alienígenas” usam tecnologia e habilidades de combate para derrotar os vilões. Porém, diferentemente dos heróis do século 20, os personagens da Marvel nos cinemas não carregam consigo um senso inabalável de justiça e têm em comum traumas que precisam ser tratados seriamente.
Heróis enlatados
Todo esse roteiro de heróis traumatizados e órfãos é bem conveniente para os enredos, como vimos até aqui. Por isso essa jornada entre perda e poder foi reproduzida em larga escalada para as dezenas de heróis que surgiram nas décadas seguintes aos anos 1960. Esses heróis chamados de enlatados basicamente mudam de nome, o lugar de origem, mas a essência segue sendo a mesma. Essa zona de conforto permitiu que grandes estúdios e produzissem vários heróis sem perder o trunfo de uma história dividida entre vida civil e vida com uniforme, como explica Mario Marcello Neto.
“Algumas coisas se repetiriam, como a ideia da orfandade como característica para ser super-herói. Nisso a gente tem desde Shazam até o Batman. Parece até que o critério para ser herói é não ter os pais e mães [biológicos]. Na década de 1940 era pior e os heróis que sobreviveram daquela época para cá são muito poucos. Naqueles anos a gente via heróis que eram plágios. O próprio Shazam se envolveu em um processo de plágio por causa das semelhanças com o Superman”.
Heróis e política
Entre as influências que as histórias de super-heróis podem ter na sociedade está a política. Assim como foi o caso do governo de Reagan nos anos 1980, as políticas e as HQs fazem essa troca de signos. Além de exercer uma influência natural com seus enredos, as histórias em quadrinhos também podem ser utilizadas como ferramenta política, como explica Bortulucce. “Muitos personagens surgem por causa da Segunda Guerra Mundial, como o Capitão América. Guerra do Vietnã? Homem de Ferro. Corrida espacial? Quarteto Fantástico. O medo e a maravilha do poder atômico? Hulk e Homem-Aranha. Minorias e lutas sociais? Pantera Negra e X-Men. Os quadrinhos são uma grande ferramenta política”.
Um bom e recente exemplo aconteceu durante as manifestações de 2013 contra o então governo de Dilma Roussef (PT). Muitos manifestantes foram às ruas com camisas da CBF e máscara do personagem V, de V de Vingança. A intenção era mostrar que “o povo” estava disposto a ir longe, como V foi. Na história em quadrinhos, o personagem adota um tom professoral e filosófico em seus discursos, e tem todo o tipo de ideia para derrubar um governo fascista que governava a Inglaterra. Entre as ações de V está a explosão do Parlamento Britânico.
Essa ideia de que todo mundo pode ser um herói se mostra nesses tipos de situação. Na época, Alan Moore, o autor da HQ, chegou a comentar sobre o caso em entrevista ao site UOL. “Há 30 anos eu estava apenas respondendo à situação da Inglaterra da minha perspectiva. Não eram premonições do que aconteceria no futuro”, disse ele sobre a produção de V de Vingança. “Acho que não tenho muito a dizer a respeito [do uso das máscaras], porque eu sou apenas o criador da história. E eu não tenho uma cópia de ‘V’ em casa, isso foi tirado de mim por grandes corporações”, completou.
Esse uso do V por manifestantes em 2013 é apenas um exemplo da relação entre quadrinhos e política. “As histórias em quadrinho influenciam em termos de filosofia de vida. Os leitores acabam se influenciando pelas ideias e propostas, acabam acreditando na visão de mundo daqueles heróis. Mas eu não acredito que uma pessoa normal seja influenciada aponto de vestir uma máscara ou uma roupa e sair por aí batendo nas pessoas resolvem os problemas do mundo”, diz Castro.
Então, da próxima vez que você assistir a uma série, filme ou ler uma HQ e se perguntar: isso não está realista demais? Lembre-se de que a resposta é sim! Tudo vai ficar cada vez mais real enquanto continuaremos a ver homens voadores atirando raio laser pelos olhos.
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Jessé Souza: "Bolsonaro é o líder político da milícia"

247 - Os desmandos políticos e sociais cometidos por Jair Bolsonaro desde que assumiu a presidência da República e a sua ligação com organizações paramilitares deram o tom da entrevista do escritor, advogado e sociólogo Jessé Souza a Ricardo Nêggo Tom no programa “Um Tom de resistência” na TV 247.
Para Jessé, o projeto de poder do atual mandatário do País visa unificar milícias e forças de segurança do Estado para garantir a sua governabilidade. “Esse sempre foi o seu plano. E ele nunca deixou de explicitar isso. Bolsonaro é o líder político da milícia, e trabalha há duas décadas em conjunto com essa organização, tendo várias ligações entre eles. A forma como ele se utiliza da política, a questão das “rachadinhas”, que, certamente, foi ele quem ensinou aos filhos como se faz. Ele age como um chefe de quadrilha. Não tem outra definição melhor”.
O autor de “A elite do atraso” associa a suposta política de combate ao crime que levou Bolsonaro ao poder - e que conta com a operacionalidade das milícias como braço do Estado - à continuidade do genocídio da população preta brasileira, o que ele classificou como racismo. “Bolsonaro é o principal representante da mensagem miliciana, que propaga uma noção de guerra contra o crime, sob a forma de um racismo popular. Porque quem morre na guerra contra a polícia é o jovem negro. As balas disparadas pela polícia sempre escolhem o corpo negro como alvo. Nas classes populares, quando se fala de violência policial, de guerra contra o crime, guerra contra as drogas e etc, as pessoas sabem que isso é uma senha para a matança indiscriminada de jovens negros. Obviamente, isso é uma das formas de racismo. Quase sempre, o racismo precisa assumir uma forma, uma máscara, para que ele possa se exercitar dizendo que é outra coisa”.
O escritor aponta ainda o presidente da República como o homem escolhido pela elite burguesa para manter a estrutura social racista e excludente no País. “Bolsonaro é, e sempre foi o líder político desse racismo, que ele uniu ao racismo secular das classes dominantes brasileiras, que apoiaram Sérgio Moro no ‘combate à corrupção’. Que também é uma máscara para o racismo, excluindo a participação de negros e pobres, para estigmatização do povo, para criminalizar a soberania popular e os eventuais líderes que as classes populares, na sua maioria, negra e mestiça, possa colocar no poder”. Jessé Souza também avaliou a educação brasileira sob o governo de Jair Bolsonaro e classificou como “maldade em estado puro” o fato de o presidente ter recorrido ao STF para não ter que oferecer internet aos alunos da rede pública de ensino.
Jessé entende que “não há outra admissão para este fato. Bolsonaro não é apenas um político conservador como, por exemplo, Geraldo Alckmin, que governa para a elite, mas não é obrigatoriamente um monstro. Imagina um cara que recorre ao STF para impedir as crianças brasileiras que mais precisam de terem acesso à internet. Isso é algo que demonstra a monstruosidade do que está acontecendo no País, que está no seu pior instante. A questão é entender como 57 milhões de pessoas votaram para eleger esse monstro, que todos já sabiam que era assim. O que está vindo à tona sobre ele são detalhes. Porém, o que ele sempre foi e desejava já estava explícito. Estamos lidando com alguém que nunca escondeu quem ele era. E isso foi legitimado pela parte da sociedade que o elegeu. Uma prova de que estamos num país perverso e literalmente doente. Um país que elege Bolsonaro é como a Alemanha que elegeu Hitler. E não é apenas uma aproximação retórica. Estamos falando de dois absurdos humanos, dois monstros”.
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Kassio Nunes aciona Procuradoria para apurar conduta de colunista da Folha que o criticou
O ministro Kassio Nunes Marques, do STF, acionou a PGR contra o professor de direito constitucional da USP Conrado Hübner Mendes, colunista do jornal Folha de S.Paulo

247 - O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), acionou a PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o professor de direito constitucional da USP Conrado Hübner Mendes, colunista do jornal Folha de S.Paulo.
Segundo reportagem do jornal, em ofício ao procurador-geral da República, Augusto Aras, Kassio anexou texto de autoria de Conrado e afirmou que ele fez afirmações “falsas e/ou lesivas" à sua honra, o que, na visão dele, podem configurar os crimes de calúnia, difamação e injúria.
O magistrado solicitou ao chefe do Ministério Público Federal a “apuração e responsabilização criminal do(s) autor(es) do fato”.
O documento foi encaminhado à PGR em junho. A Procuradoria deu andamento ao caso e repassou a representação à Polícia Federal.
Kassio anexou no ofício à PGR o artigo “O STF come o pão que o STF amassou”, publicado em abril e no qual colunista abordou a decisão do ministro que liberava a realização de cultos, missas e demais celebrações religiosas no país, em meio a medidas restritivas para a Covid-19.
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Bemvindo Sequeira: “Ciro Nogueira no governo representa a aristocracia da lama”
Ator e humorista analisa com bom humor a conjuntura política brasileira, define o Centrão como “um ninho de ratos” e o Brasil como uma “aristocracia da lama”. Assista na TV 247

247 - Ator, humorista e militante político, Bemvindo Sequeira, atualmente com residência fixa em Portugal, analisou com bom humor a conjuntura política brasileira e criticou fortemente a mudança de Ciro Nogueira para a Casa Civil, ainda não formalizada por Jair Bolsonaro. À TV 247, ele lamentou o que chamou de “rataria” do Centrão e definiu o Brasil como uma “aristocracia da lama”.
“O Centrão nada mais é que um ninho de ratos, uma rataria completa. Eles não têm ética, não têm moral, são um bando de canalhas. Tanto faz ele [Ciro Nogueira] falar bem do Lula e chamar o Bolsonaro de fascista e logo depois ir para o governo do Bolsonaro. O negócio deles é dinheiro, é grana, não é nem o poder. E fica tudo em família, porque a mamãe dele é a suplente”, disparou.
“Quer dizer, estamos numa aristocracia da mais vulgar, a aristocracia da lama, do lodaçal. A mamãe é a baronesa e eu também sou barãozinho, quando não assumo a casa grande, a mamãe assume por mim. Essas coisas acontecem no Brasil e nos decepcionam e nos dão muita tristeza, sobretudo quando vemos o Brasil de longe, como estou vendo”, lamentou o ator.
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“O bolsonarismo é o racismo e a morte como políticas de governo”
A cantora Alliye de Oliveira e o professor Acauam Oliveira concordam com a reflexão, debatida no programa “Um Tom de resistência”, apresentado por Ricardo Nêggo Tom na TV 247. Os dois se lembraram da recente declaração racista do secretário Mário Frias contra o historiador Jones Manoel. Assista



247 - Autor da introdução do livro “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC’s, Acauam Oliveira classificou como a “realização de um sonho” poder ter participado do trabalho de artistas que representam muito, e em vários sentidos, para a cultura periférica brasileira. “Acho que a palavra principal para descrever essa experiência é ‘realização’, por estar ali fazendo um trabalho que, em alguma medida, estava produzindo alguma coisa junto aos meus ídolos. Ao mesmo tempo que foi o texto mais difícil que eu já escrevi na vida, porque Racionais não é qualquer coisa. Eles representam muita coisa, em vários sentidos, para muita gente. Muita coisa para o povo preto, para o pessoal da periferia, para a história do País, para a história da música popular e para a mudança do imaginário do que significa ser negro no Brasil. Foram as dez páginas mais difíceis que eu escrevi na vida”, relembra Acauam.
A gestão da arte e da cultura do País, que atualmente está nas mãos do ator Mário Frias, levantou um debate acerca do racismo como política de governo no bolsonarismo. A fala racista do atual secretário contra o historiador negro Jones Manoel, dizendo que ele precisava de um “bom banho”, foi lembrada no programa. Para Alliye de Oliveira, essa fala ilustra bem a sofisticação do racismo nesse país, que usa de palavras de duplo sentido para tentar mascarar a intenção. Você pode chamar uma pessoa de suja em função da aparência, ou pelo seu mau-caratismo. Ela maquia bem todo esse discurso racista que está infiltrado na nossa sociedade”. Acauam avalia que tudo no bolsonarismo é mais explícito. Principalmente, o racismo. “O bolsonarismo é a morte tornada política de governo. E esse comentário racista é a cara do bolsonarismo. É isso que ele representa para os pretos do País. Uma política de destruição. E é nesse lugar que eles querem nos ver. Nós (negros) somos os sujos, os feios, aqueles que devem ser eliminados”.
O professor também classifica a atual gestão da cultura no País como inexistente. Para ele, “não existe gestão de cultura no governo Bolsonaro. Pelo menos, não como a gente compreende tradicionalmente. A primeira coisa que precisamos fazer é colocar isso bem claro para que não normalizemos isso que estamos chamando de governo”. Alliye, que morou mais de dez anos na França, concorda com Acauam e entende que “Bolsonaro é uma materialização de uma vontade que talvez esteja também fora do Brasil. Eu acredito que somos um país extremamente ameaçador para outras nações, pelo porte de país, pela quantidade de pessoas que tem, com a quantidade de recursos naturais e de potencial humano que dispomos na nossa sociedade, de norte a sul. O Brasil é um projeto muito audacioso para quem é supremacista e defende princípios aristocráticos. Imagine um país como o nosso, liderando econômica e culturalmente, com toda essa mistura de pessoas e com a sua diversidade de pessoas rica e também ameaçadora, para quem está vendo de fora. Eu vejo Bolsonaro como a luva perfeita para a mão que quer sabotar o desenvolvimento de países como o nosso”.
O epistemicídio da representatividade cultural negra, sob o viés da apropriação cultural, também esteve em pauta. A invisibilização de artistas negros na Bossa Nova, como é o caso de Johnny Alf, um dos criadores do gênero, suscitou algumas reflexões no debate. “Johnny Alf de fato foi uma grande inspiração para Tom Jobim. Assim como Pixinguinha, Villa Lobos, Cole Porter e Henri Salvador também foram. Eu acredito que no meio musical essa questão do racismo não tenha se espalhado de uma maneira tão radical, como midiaticamente falando. Eu acredito, como até hoje acontece, que o negro, o preto não é, entre aspas, um produto vendável, apresentável. Não é apenas o Johnny Alf. Temos várias cantoras desse período que surgiram no apartamento da Nara Leão, que fazem sucesso fora do Brasil e que aqui ninguém nunca ouviu falar”, analisou Alliye.
Acuam, que também é pesquisador musical, lembrou da importância da Bossa Nova como um movimento de afirmação da “branquitude” brasileira na música internacional. “Tem um texto da Liv Sovik em que ela vai dizer que a Bossa Nova serviu para o pessoal de Ipanema e da zona sul do Rio de Janeiro provar no exterior que eles também eram brancos. Chegar lá fora e dizer ‘somos brancos diferentes, a gente toca samba, tem mais suingue, mas nós somos brancos também’. Enquanto isso, muitos dos precursores, gente que estava lançando uma nova linguagem musical internamente, e que era negra, não desfrutavam dos mesmos frutos de privilégio. Mas se a Bossa Nova é uma mistura de samba e jazz, o que tem de branco aí?”.
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Chanceler cubano diz que não se pode permitir que uma superpotência destrua pequenos países para impor seu domínio
O Ministro das Relações Exteriores da República de Cuba, Bruno Rodríguez, fez a afirmação durante a 21ª Reunião de Ministros das Relações Exteriores da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac)

247 - A Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) realizou neste sábado (24) a 21ª Reunião de Ministros das Relações Exteriores. O chanceler cubano, Bruno Rodríguez disse que o povo de seu país rechaçou a intentona golpista dos Estados Unidos.
"Deliberada e cruelmente, o governo do presidente Donald Trump identificou a Covid-19 como uma oportunidade para reforçar o bloqueio genocida e a agressão contra meu país. Essa política é aplicada hoje pelo presidente Joseph Biden e ameaça a integridade do povo cubano", afirmou Bruno Rodríguez.
O ministro destacou que a campanha de descrédito, financiada com fundos federais dos Estados Unidos e do governo da Flórida, recorreu a mentiras e deturpações, para incitar a desordem e a violência e justificar a intervenção. Mas, na sua opinião, "não houve eclosão social e o povo cubano rejeitou e venceu de forma contundente a intentona, com unidade e consenso da ampla maioria dos cidadãos".
Bruno Rodríguez fez um apelo: "Vamos todos lutar para mudar e democratizar a ordem internacional", afirmando a posição de princípios de Cuba,de que não se pode permitir que uma superpotência destrua pequenos países para impor seu domínio, informa o Granma.
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"A Amazônia está morrendo" e o Brasil é o principal culpado, diz cientista do Inpe
Se antes a floresta funcionava como um sumidouro de carbono, agora já emite mais CO2 do que consegue absorver, o que pode contribuir para o agravamento das mudanças climáticas no mundo

Anna Beatriz Anjos, Agência Pública - Há uma semana, o telefone da pesquisadora Luciana Gatti não para de tocar. Coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE) do Inpe, ela liderou uma pesquisa publicada na última quarta-feira (14) pela conceituada revista Nature com conclusões importantes sobre a realidade da Amazônia: se antes a floresta funcionava como um sumidouro de carbono, agora já emite mais CO2 do que consegue absorver, o que pode contribuir para o agravamento das mudanças climáticas no mundo. Cerca de 60% da Amazônia fica no Brasil, que compartilha o bioma com outros oito países.
De 2010 a 2018, a equipe comandada por Gatti mediu os níveis de dióxido de carbono em quatro localidades da Amazônia e concluiu que as regiões com as maiores taxas de liberação do gás de efeito estufa, na parte leste do bioma, são as que mais sofreram desmatamento. A porção sudeste, que abrange o sul do Pará e o norte do Mato Grosso, é a mais afetada e está em situação de emergência. “Estamos perdendo a floresta amazônica nessa região”, alerta a cientista.
Para frear o processo, Gatti defende a moratória do desmatamento e das queimadas por pelo menos cinco anos em toda a Amazônia, mas sobretudo na região sudeste, que precisa imediatamente também de projetos de recuperação florestal. “Num cenário desses, tenho fé que exista possibilidade de retorno”, afirma a pesquisadora. No entanto, ela vê distância entre a atual política ambiental e as medidas necessárias. “O Brasil tem um papel central e com certeza uma responsabilidade muito maior, porque não só temos a maior parte da Amazônia, como também a maior parte do desmatamento e das queimadas está aqui dentro. E o governo está fazendo o inverso do que deveríamos estar fazendo.”
Por que a Amazônia deixou de atuar como um “sumidouro” de carbono e passou a emitir mais CO2 do que absorver?
O que a gente encontrou é que as áreas que estão muito desmatadas – dentro da nossa amostragem de quatro lugares de estudo –, em torno ou acima de 30%, já mostram uma mudança na condição [de absorver carbono] muito grande na estação seca. A teoria que elaboramos é de que a condição de seca extrema todo ano em agosto, setembro e outubro estava levando a floresta, além de reduzir a absorção, a aumentar a mortalidade [das plantas]. Imagina uma árvore: na super seca, com uma disponibilidade de água minúscula, no mínimo as folhas começam a ficar marrons, a cair e tem espécie que chega a hibernar: caem todas as folhas e elas param de fazer fotossíntese, mas continuam respirando. Sob estresse muito grande, a gente entende que as plantas não só emitem mais carbono do que absorvem, mas chegam até a morrer. Na parte sudeste da Amazônia [que compreende o Sul do Pará e o norte do Mato Grosso], onde observamos o maior aumento de temperatura, aumentou em agosto, setembro e outubro 2,5 graus. Se a gente olhar só agosto e setembro, aumentou 3,1 graus Celsius nos últimos 40 anos, e reduziu 24% de chuva. Imagina uma floresta tropical úmida: como é que uma árvore típica de uma região com abundância de chuva e temperaturas amenas vai sobreviver numa situação dessas? O que começa a acontecer é que as árvores mais sensíveis morrem e só as mais resistentes sobrevivem.
Até o momento, o que é possível afirmar sobre os principais fatores para essa mudança?
Basicamente, desmatamento e queimadas, porque eles vão mudar o clima, principalmente na estação seca. E aí entra na bola de neve. A estação seca vai fazer a floresta ficar cada vez mais fácil de queimar, e a coisa só se retroalimenta.
Com base nas conclusões do artigo, é possível afirmar que o sudeste da Amazônia está passando por um processo de savanização? Isso pode representar a chegada do tipping point, o ponto de não retorno, em que a floresta perde suas características irreversivelmente?
Com certeza, se a gente não mudar nada, esse é o futuro – isso se já não chegamos, pois é muito difícil dizer se já não estamos num ponto de não retorno. Hoje, o que dá para dizer é que tem mais árvores morrendo do que crescendo no sudeste da Amazônia. Isso é uma certeza, a gente vê que, mesmo subtraindo a emissão proveniente das queimadas, a cada ano que passa a floresta emite mais carbono. O segundo ponto é que tem menos chuva, maiores temperaturas e o desmatamento está desenfreado. O cara desmata na estação chuvosa e espera meses para seca e, quando vai tacar fogo, a floresta ao redor que ele não suprimiu está super seca, então o fogo acaba queimando a floresta não desmatada, o que também representa emissão de carbono. Estamos jogando um monte de carbono na atmosfera e ajudando a acelerar as mudanças climáticas, e estamos liberando menos vapor de água na atmosfera – e então reduzindo as chuvas – e contribuindo para que a temperatura aumente. E então essa floresta vai estar mais suscetível a ser queimada. As coisas vão se retroalimentando, é um looping – cada ano está pior. A região sudeste da Amazônia está em emergência, ali nós estamos perdendo a floresta amazônica. Tinha que ter uma medida já de proibição de queimadas e desmatamento nos estados do Pará e do Mato Grosso. Essa região que já está mais emitindo carbono do que absorvendo é do meio do Pará para baixo.
Diante dessa situação de emergência, o que é preciso fazer para evitar a chegada ao ponto de não retorno na região sudeste da Amazônia?
Vamos fazer um exercício de sonhar: nessa região, vão ficar proibidas queimadas de julho a novembro, vai haver uma moratória do desmatamento e vamos ter muitos projetos de recuperação florestal e de promoção da economia com a floresta em pé. Num cenário desses, tenho fé que exista possibilidade de retorno. Imaginemos uma bola de neve positiva: neste ano não teremos nem queimadas ou incremento do desmatamento, então a floresta terá um respiro e poderá se recuperar um pouco. Desse modo, no ano seguinte, teremos, no mínimo, uma estabilização da redução de chuva ou até um pequeno aumento caso a floresta cresça um pouco. Sabemos que este ano isso não acontecerá porque já tivemos aumento do desmatamento, que vai causar decomposição [dos restos de material orgânico das árvores] mesmo que não taquem fogo. Quanto mais crescer a floresta, mais ela vai evapotranspirar [“evapotranspiração” e o processo de perda de água do solo por evaporação e perda de água da planta por transpiração], mais vai ter chuva e menor fica a temperatura, então ela vai ter mais condição de se recuperar. Mas, no mínimo, é preciso haver uma moratória de cinco anos nas queimadas e no desmatamento e a criação de projetos de reflorestamento nessa região. Essa é a tarefa que está colocada e a ciência pode contribuir muito apontando a direção que precisamos tomar. Na verdade, a moratória do desmatamento precisa ser na Amazônia inteira.
Como a degradação florestal causada pelo desmatamento reduz a capacidade da floresta amazônica de absorver carbono?
Tem um estudo orientado pelo professor Luiz Aragão [também pesquisador do Inpe e um dos autores do estudo liderado por Gatti] sobre uma floresta primária [aquela que nunca foi desmatada] que queimou. Num primeiro momento, essa floresta queima e joga CO2 na atmosfera, mas não para por aí, pois ao longo dos trinta anos seguintes uma parte dela vai morrer e provocar emissões por decomposição, que representam 72% do total das emissões – isso significa que não há liberação de carbono apenas no momento em que a floresta queima. Há ainda outra informação: o tanto que essa floresta se recupera equivale apenas a um terço do total das emissões. A floresta queimada representará um grande volume de emissões que não está sendo computado e que, pelo jeito, é até maior do que o proveniente de desmatamento, quando o tronco, que é o grosso da massa de carbono, vai para venda. A degradação faz com que, no ano seguinte [ao desmatamento], haja menos árvores para evapotranspirar e, por consequência, menos chuva, temperaturas mais altas e uma floresta ainda mais seca, o que fará com que o fogo se alastre mais rapidamente. É fácil da gente concluir que a degradação, nas regiões com um volume de desmatamento muito alto, é muito superior às regiões com taxas menores de desmatamento.
De que maneira essas práticas podem impactar o regime de chuvas e quais as consequências disso para todo o país?
As árvores jogam vapor de água na atmosfera – elas fazem parte da composição da chuva. Na Amazônia, as massas de ar entram na floresta levando a umidade do oceano, aí chove e há uma reposição desse vapor de água para que continue o processo de chuva a partir da evaporação dos rios, lagos, áreas alagadas e a evapotranspiração das árvores – esta última responde em média por um terço da reposição de água, mas pode variar de 25% a 50%. Se a gente já desmatou 20% da Amazônia, já reduzimos a reposição do vapor de água na atmosfera por meio das árvores. O problema é que esses 20% de desmatamento não estão distribuídos igualmente pelo bioma, estão mais concentrados no que chamamos de “arco do desmatamento”. Neste cinturão, a redução de precipitação já é muito grande e se intensifica ainda mais na estação seca. Há uma mudança muito intensa nos meses de agosto, setembro e outubro, exatamente quando vemos um grande número de queimadas no Brasil, porque já está chovendo no mínimo 20% a menos na Amazônia. Então, para o resto do Brasil e também para uma parte da América do Sul – Paraguai, Uruguai etc, já que a massa de ar vai descendo –, há menos chuva também.
O artigo revela diferenças significativas entre as porções leste – onde fica o Brasil – e oeste da Amazônia em termos de capacidade de absorção e emissão de CO2. Por que há divergências tão gritantes entre elas?
A parte leste [considerada no estudo] tem mais ou menos 2 milhões de km² e está 30% desmatada, em média, enquanto a parte oeste está em média 11%. Quando calculamos o quanto a floresta está conseguindo compensar as emissões de CO2 decorrentes das queimadas, verifica-se que na Pan-Amazônia essa taxa é de 30%. Se considerarmos apenas o Brasil, ela cai para 18%, pois a maior o desmatamento aqui é muito maior do que nos outros países da Amazônia. Podemos dizer com toda certeza que o Brasil é o pior país no cuidado com a Amazônia.
O estudo traz resultados referentes ao período de 2010 a 2018, mas é possível afirmar que a Amazônia vem perdendo sua capacidade de absorver carbono há mais tempo?
Nosso estudo só tem nove anos, sabemos que nesse período a mortalidade na Amazônia aumentou. O professor Roel Brienen [da Universidade de Leeds, no Reino Unido], em um estudo publicado na Nature em 2015, viu muito claramente a mortalidade na Amazônia aumentando desde 1990. Dois anos depois, o professor Oliver Phillips, coordenador do projeto RAINFOR [que monitora o comportamento do bioma amazônico em diversos aspectos], separou a Amazônia em cinco partes e mostrou que a região sudeste faz uma remoção menor de carbono, que a cada ano diminui mais. Então, a gente já tinha essa sinalização de outros estudos. No nosso cenário de nove anos, a gente enxerga uma variabilidade ano a ano do balanço de carbono porque tem anos em que chove mais e anos em que chove menos, anos mais quentes, anos mais frios – cada ano sai de um jeito. É por isso que tomamos a decisão de fazer o estudo de uma década. Ainda não completou uma década, temos nove anos aí, mas a gente já tinha o entendimento de que está havendo uma interferência nos fluxos de carbono. Ainda teremos mais quatro anos de medidas, e o que queremos agora é fazer parcerias mais estreitas com quem está estudando a floresta lá embaixo, para entender melhor o que está acontecendo com ela. Se a gente conseguir separar a decomposição da absorção, vamos conseguir ver o que mais tem interferido nessa redução da absorção de CO2. Quanto mais você vai desenvolvendo ferramentas, mais você vai entendendo. Não dá pra dizer que entendemos tudo na Amazônia, ainda tem muito para entender. A natureza é tão complexa que tudo está interligado com tudo. Eu gosto de pensar na natureza como um jogo de dominó, onde você põe todos os dominós um do lado do outro e na hora que você mexe em um, na sequência mexe com todos os outros. O efeito da nossa interferência na natureza é muito maior do que a gente imagina.
Sabendo das taxas crescentes de desmatamento e focos de queimadas nos últimos anos, pode-se afirmar que a política ambiental do governo Bolsonaro acentua essa tendência?
Sem dúvida. Temos as mudanças climáticas interferindo nesse processo e o estamos acelerando ainda mais com taxas recordes de desmatamento e queimadas na Amazônia. Basicamente, estamos multiplicando os efeitos das mudanças climáticas com o desmatamento na Amazônia. Nós tínhamos na Amazônia uma segurança, uma proteção contra as mudanças climáticas, porque ela é um corpo de árvores gigantescas jogando um monte de vapor de água na atmosfera e ajudando a resfriar. Ela deveria estar reduzindo os impactos da mudança climática para nós, mas estamos desmatando, queimando e transformando a Amazônia numa aceleração das mudanças climáticas. A gente tem que defender a Amazônia, ela está sendo assassinada, está morrendo.
E o Brasil tem papel fundamental nisso…
Exato. O Brasil tem um papel central e com certeza uma responsabilidade muito maior, porque não só temos a maior parte da Amazônia, como também a maior parte do desmatamento e das queimadas está aqui dentro. E o governo está fazendo o inverso do que deveríamos estar fazendo. Vou dar um outro exemplo de condução errada: estamos passando por um momento de escassez de chuvas, o que está impactando a geração de energia, porque os reservatórios estão baixos por conta das mudanças climáticas, do desmatamento e das queimadas. Qual é a solução brilhante? Termelétricas a gás, que vão jogar ainda mais gases de efeito estufa na atmosfera e só vão piorar o cenário.
Como os territórios indígenas podem ajudar a frear esse processo todo?
Na prática, o que a gente vê é que as reservas indígenas são as que mais efetivamente protegem a floresta. O desmatamento e a degradação são menores nas terras indígenas, exceto quando os desmatadores, os mineradores, grileiros, invadem essas terras. Os indígenas cuidam da floresta, têm um modo de vida que não depreda, não desmata. Eles fazem o mínimo para sobrevivência, não existe essa ambição de fazer aquele monte de plantação para vender bastante, ficar rico e criar um monte de gado para exportar.
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Telesul completa 16 anos oferecendo muita informação de qualidade aos povos
A Telesul é produto dos acontecimentos que marcaram o ano de 2002 na Venezuela com o golpe mediático contra a democracia

247 - A Nova Televisão do Sul comemora neste sábado 16 anos informando e integrando não só os povos da América Latina e do Caribe. O canal também cruzou as fronteiras regionais e atinge mais de 100 países, reforçando os laços de fraternidade e solidariedade.
A Telesul consolidou-se como um eixo transformador da comunicação, oferecendo uma visão crítica da atualidade, ao lado de seus correspondentes, analistas e especialistas, que contribuem para a importante missão de informar a população.
Com o surgimento desta multiplataforma comunicacional, surgiu a oportunidade de dar voz a quem não a podia elevar, expressando-se não só perante as injustiças, mas também pelas conquistas alcançadas no seu recanto do mundo.
Como surgiu a Telesul
A Telesul nasceu como uma resposta à necessidade de integração e comunicação entre os povos da América Latina, uma alternativa às informações preconceituosas da mídia hegemônica.
A ideia de multimídia é fruto dos acontecimentos que marcaram a Venezuela em 2002 com um golpe midiático contra a democracia e a soberania daquele país.
Naquela época, a mídia, apoiada pela direita internacional, mostrava uma visão única do que acontecia em Caracas nos dias do sequestro do presidente Hugo Chávez, sem contar com a organização e a coragem do povo venezuelano, que desempenhou um papel fundamental pela defesa da Revolução Bolivariana.
Chávez, no fortalecimento das relações multilaterais na região e com uma visão cada vez mais inclusiva, apresentou o projeto junto com o Comandante Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, do que hoje conhecemos como a Nova Televisão do Sul e que transmitiu pela primeira vez em 24 de julho de 2005.
Posteriormente, Argentina, Nicarágua, Equador e Uruguai aderiram ao projeto.
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Borba Gato é lembrado nas redes sociais por caçar e escravizar índios e negros
Nome do personagem se tornou o mais citado no Twitter depois do incêndio de sua estátua em São Paulo

247 - Após o incêndio na estátua do Borba Gato na zona sul de São Paulo neste sábado (24), durante a mobilização internacional contra Jair Bolsonaro, o nome do personagem passou a liderar os trending topics (assuntos mais comentados) do Twitter.
Internautas lembraram principalmente o papel de Borba Gato na caça, escravidão e assassinato de índios e negros enquanto os bandeirantes desbravavam territórios no interior do País. Algumas matanças chegaram a dizimar etnias, além de roubos de materiais históricos desses povos.
“Tidos como heróis pela história dos brancos, os bandeirantes foram invasores cruéis, saqueadores de aldeias, estupradores, assassinos, escravagistas”, lembrou a codeputada estadual eleita por São Paulo, Mônica Seixas.
O debate sobre o ressignificado histórico de nomes de ruas e monumentos, a fim de não dar publicidade a personagens que foram por exemplo torturadores ao longo da história, ganhou força durante manifestação em Charlottesville, nos Estados Unidos. Entenda.
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Zambelli minimiza aliança com o centrão: quem é Bolsonaro mesmo vai apoiá-lo
Deputada Carla Zambelli tentou justificar a nomeação de Ciro Nogueira à Casa Civil: “todo mundo sabia que para poder governar Bolsonaro teria que dialogar com o centrão”

247 - A deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) tentou defender Jair Bolsonaro e minimizou sua aliança com o Centrão durante fala na Marcha para Jesus, organizada por igrejas evangélica, neste sábado (24).
“Acho que tem alguma resistência natural a qualquer pessoa que seja de fora do bolsonarismo puro. Mas quem é Bolsonaro mesmo sabe que, por mais que eventualmente não possa entender a atitude dele (presidente) agora, que existe um propósito. Todo mundo sabia que para poder governar Bolsonaro teria que dialogar com o centrão”, disse Carla Zambelli.
A tentativa de justificar o diálogo de Bolsonaro com o centrão - apesar de negar, durante a campanha, que isso aconteceria - acontece depois do anúncio do nome do senador Ciro Nogueira, presidente do PP, para Casa Civil. O parlamentar do Piauí já chamou Bolsonaro de “fascista”, fez elogios a Lula e apoiou Fernando Haddad em 2018.
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Opinião: Brenda Fucuta - 'Minha tia perdeu a memória': como é ser esquecida pelos que te amam
Brenda Fucuta
Colunista de Universa
24/07/2021 04h00
No domingo à noite, soube que uma tia querida, embora distante, tinha acabado de morrer. Na segunda de manhã, as filhas, a neta, dois sobrinhos, uma amiga da família e eu acompanhamos o sepultamento -- bem no estilo pandemia, rápido, sem velório. Fui vê-la morta porque não a tinha visitado, viva, como ela merecia. Havia prometido presenteá-la com um áudio livro, o que não fiz. Erros que vivemos cometendo.
Minha presença no enterro não significava mais nada para ela, significava para mim e, talvez, para as filhas.
O céu estava azul, o ar, gélido, e não havia desespero, apenas as histórias sobre o fim e o meio contadas entre lágrimas e risadas. Tia Lola viveu 94 anos e foi engraçada, inteligente, matriarca de uma família com três filhas - que ela criou sozinha, viúva -, uma neta e duas bisnetas. Uma família que sempre me encantou, pois só fazia mulheres.
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"Quando minha avó me esqueceu, foi horrível", contou a neta, Mariana. Eu não sabia. Mariana era a luz da tia Lola, a favorita entre todas, a bendita. Tia Lola esqueceu da única neta perto dos 90 anos, embora não tenha esquecida da bisneta mais velha. Não esqueceu do espanhol, a língua falada na sua infância e retomada no fim da vida. Algo parecido aconteceu com minha avó paterna, que chegou a se esquecer dos filhos. Por outro lado, meus avós maternos morreram lembrando-se dos nomes dos mais de 40 netos. A razão desses mistérios é assunto dos neurocientistas, nem vou me alongar aqui. Queria falar desse sentimento de ser esquecida pelas pessoas que te amaram.
Sempre me preocupei com a possibilidade de esquecer as pessoas. Como seria esquecer meus filhos, por exemplo? É um pensamento tão exasperante que prefiro ignorá-lo. Mas quando ouvi o lamento de Mariana, percebi que minha preocupação não fazia muito sentido.
Suponho que quem esquece não se incomoda tanto quanto quem é esquecido. São os que se apagam os que sofrem. Existe rejeição maior do que essa?
Embora a gente saiba que não é proposital, que o cérebro pode perder contato com o coração por mau uso, obsolescência ou qualquer outra razão, quem aguenta ser deletado? Mesmo na trivialidade de uma relação de trabalho, não é aflitivo perceber que você nada significou para alguém? Aquele ex-colega que não te reconhece em um encontro casual em um restaurante, por exemplo. O colega nem foi importante, não era amigo nem nada, mas se você se lembra dele, como assim ele não se lembra de você?
Um ex-namorado. Ele te manda uma mensagem, depois de anos sem vocês se verem, dizendo que amanheceu se lembrando daquela conversa que vocês tiveram em um dos primeiros encontros. Ele descreve a conversa, a comida, a bebida e a roupa que você estava vestindo. Vocês não estão apaixonados, não querem mais ficar juntos, mas ouvir aquela mensagem te dá um conforto delicioso. Sim, ele se lembra de coisas que até você mesma tinha esquecido.
É como se o fato de você continuar existindo na memória de alguém confirmasse a própria existência
Sempre pensei que a nossa história, a nossa identidade, se baseasse na nossa capacidade de lembrar. Lembrar do nosso passado, de quem somos. Agora, percebo que somos mais do que isso. Para sermos, precisamos ser amados. Precisamos existir nas memórias dos outros também.
Na mesma semana que tia Lola morreu, meu pai fez 88 anos. Ele não se lembrava mais da idade que estava celebrando em uma pequena comemoração com a mulher, os outros filhos e os netos. Mas, quando eu liguei, lembrava do meu nome, de quem eu era. E, para mim, isso nunca foi tão importante.
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Piloto consegue pousar em 20 minutos, mas passageiro morre após passar mal

Do UOL, em São Paulo
23/07/2021 21h16
Um voo que seguia de Manchester, na Inglaterra, até Málaga, na Espanha, teve que ser desviado emergencialmente após um passageiro de 84 anos sofrer um mal súbito no coração. Em pouco tempo, o piloto identificou o aeroporto de Nantes, na França, como o mais próximo ,e foi capaz de desviar e pousar em segurança em apenas 20 minutos, mas, ainda assim, o idoso não resistiu e morreu.
O caso aconteceu durante uma viagem operada pela RyanAir, em 16 de julho, num Boeing 737. De acordo com o telejornal Manchester Evening News, um membro da equipe de bordo, com a ajuda de dois passageiros, profissionais de saúde, chegou a fazer massagem cardíaca durante a aterrissagem de emergência e a usar desfibrilador para que a equipe médica, já de prontidão no solo, pudesse atendê-lo.
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Samsung confirma que não teremos um Galaxy Note em 2021

Por Nilton Kleina
via nexperts
A fabricante sul-coreana Samsung confirmou que não irá adicionar um membro da família Galaxy Note em 2021.
A informação partiu de TM Roh, presidente e chefe da divisão mobile da empresa, em uma postagem no site oficial da marca.
De acordo com Roh, a ideia é que os smartphones dobráveis da Samsung ocupem o espaço da família, já que eles contarão com uma tela de maior qualidade, ecossistema de serviços ainda mais integrado e suporte para a S-Pen, entre mais funções antes reservadas para a outra linha de dispositivos.
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Rumores de que um possível Galaxy Note 21 não seria revelado este ano já circulavam há alguns meses, mas a Samsung não chegou a declarar a família como encerrada.
O texto do executivo não chega a dizer que não teremos mais modelos da linha, mas a estratégia da Samsung parece ser a de que outros modelos "herdem" as suas principais características.
"Em vez de revelar um novo Galaxy Note desta vez, vamos expandir recursos adorados do Note para mais dispositivos Samsung Galaxy", explica.
Expectativa
O primeiro Galaxy Note foi anunciado em setembro de 2011 e, na época, muitos consumidores estranharam a tela "enorme" de 5,3", mas logo o modelo caiu no gosto de uma parcela do público por recursos de produtividade, navegação e consumo multimídia.
Já o primeiro Galaxy Fold, que parece o herdeiro da categoria, teve o primeiro modelo revelado em 2019.
"O próximo Galaxy Z Fold combina o melhor que smartphones e tablets oferecem e entrega formas completamente novas de trabalhar, conectar e criar, enquanto o Z Flip traz um estilo ainda mais refinado, com materiais mais fortes e duráveis.
Eu firmemente acredito que esses dispositivos vão responder ao chamado por tecnologias móveis mais versáteis que precisamos na medida em que navegamos pela estrada adiante".
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É necessário colocar o feijão de molho antes de cozinhar?

Você já ouviu falar que os feijões devem ser colocados de molho antes de ir para a panela? Se alguma vez você já tentou experimentar seus dotes culinários com esse tradicional grão da nossa culinária, essa é uma técnica que normalmente é passada de geração em geração com o intuito de ajudar no processo de cozimento.
Mas será que isso realmente é necessário? Por mais que não pareça, esse truque tem um porquê. Ao colocarmos o feijão na água por algum tempo antes de levá-lo ao fogo, livramos o alimento dos chamados antinutrientes — compostos presentes em alimentos vegetais que dificultam a absorção de nutrientes essenciais para o nosso organismo.
Importância do feijão na água

(Fonte: Pixabay)
Além de ser um conhecimento popular, colocar o feijão de molho antes de cozinhá-lo é uma prática benéfica para sua saúde e com eficiência comprovada pela Ciência. De acordo com um estudo feito pelo Centro de Pesquisa em Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), o tempo indicado para deixar o grão descansando é entre 8 e 12 horas.
Quando realizamos o processo de "remolho" do feijão, os antinutrientes vão aos poucos sendo dissolvidos na água. Depois desse período, é essencial descartar a água da vasilha e não reutilizá-la para o cozimento do alimento. Apesar dessa ser uma prática um tanto quanto abandonada pelos mais jovens, ela continua sendo muito recomendada.
O principal benefício de deixar o feijão de molho é que essa é uma importante etapa para eliminar as substâncias que causam problemas digestivos, como os desconfortáveis gases. Isso ocorre porque os grãos têm muitos fitatos, que são oligossacarídeos não digeríveis, e também taninos, os quais aumentam a formação de gases.
Benefícios para a saúde

(Fonte: Pixabay)
Algumas pessoas realizam o processo de remolho para diminuir o tempo de cozimento do feijão na panela, mas a realidade é que esse é apenas um "bônus" da prática. Ao contrário de outros alimentos, que podem perder nutrientes ao serem colocados na água por muito tempo, o feijão não apresenta o mesmo tipo de problema.
Na realidade, como boa parte dos antinutrientes vão embora quando deixamos o grão de molho, os reais nutrientes benéficos para o nosso organismo têm absorção facilitada, ou seja, ao removermos o fitato, conseguimos aproveitar muito mais o cálcio, o ferro, o magnésio e o zinco disponibilizados pelo feijão.
Esse é um processo que também funciona para outras leguminosas, como é o caso da soja e do grão-de-bico, por exemplo. Agora que você sabe essas informações, chegou a hora de "escutar os conselhos da sua avó" e deixar o feijão de molho por um momentinho!
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7 técnicas simples para desentupir seu vaso sanitário

A gente vai direto ao ponto porque, se você clicou nesse link, provavelmente está desesperado para se livrar do que quer que seja que está entalado e desentupir logo seu vaso sanitário. Mas a primeira questão, caro colega, é entender justamente o que causou esse entupimento para analisar possíveis alternativas para resolvê-lo.
Nesse contexto, nós não estamos falando sobre o pratão de feijoada que você bateu na hora do almoço — até porque, se for esse o problema, a resolução é simples. O negócio é que crianças, às vezes, jogam coisas que não deveriam ir para o vaso sanitário. Caso tenha um brinquedo no cano (ou uma cobra...), só mesmo um profissional para resolver.
Agora, se o problema tiver sido causado pelas "funções normais" do corpo humano ou por lixos pequenos, como papel higiênico, não é tão difícil desentupir seu vaso sanitário sem desentupidor ou encanador. A seguir, a gente mostra sete técnicas simples.
1. Água quente e detergente
A técnica mais simples que você pode tentar, se o "obstáculo" for apenas o de sempre, é jogar um litro de água bem quente no seu vaso sanitário. Misturá-la com detergente também pode ajudar. Deixe a água agir por 20 minutos para derreter tudo e desentupir seu vaso sanitário, depois tente soltar a descarga novamente.

(Fonte: Freepik/Reprodução)
2. Água sanitária
Só o detergente não deu conta? Então vamos para a segunda opção: água sanitária. Jogue meio litro do produto dentro do vaso e aguarde uns 10 minutos para a água dar uma derretida no seu "obstáculo".

(Fonte: G1/Reprodução)
3. Bicarbonato de sódio e vinagre
A feijoada foi pesada mesmo, né? Se a água sanitária não desentupiu seu vaso sanitário, vamos partir para uma mistura caseira de bicarbonato de sódio e vinagre (boa para desentupir pias também). A receita é de meio copo de vinagre para uma colher de bicarbonato, deixando agir por uns 20 minutos.

(Fonte: Freepik/Reprodução)
4. Filme plástico (ou uma bola)
Sabe aquele filme plástico usado para encapar coisas? Ele pode ser uma ótima técnica para desentupir seu vaso sanitário sem desentupidor, até porque ele faz a mesma coisa que o equipamento: vácuo. Essa é a minha técnica favorita!
Para isso, "embale" bem seu vaso, de forma que não passe nem um pouco de ar. Então, solte a descarga algumas vezes. A força do vácuo vai mandar o "obstáculo" para longe. Uma bola de plástico pode servir para o mesmo propósito do filme plástico.

(Fonte: Vitoria News/Reprodução)
5. Cabide de arame
A partir de agora, as coisas ficam mais difíceis, porque você vai ter que sujar as mãos, literalmente. Quer dizer, você até pode usar uma luva, mas nunca é muito bom colocar a mão num vaso entupido, né? Enfim: você pode desmontar um cabide de arame e usá-lo para tentar puxar ou empurrar o objeto que está preso no vaso.

(Fonte: Amazon/Reprodução)
6. Pano de chão
Essa é a pior de todas, mas pode ser útil, caso você não tenha nenhum dos itens que mencionamos anteriormente. A ideia é usar o pano de chão para empurrar o "inimigo", enquanto você vai dando a descarga. Melhor do que tentar empurrar com suas próprias mãos, né? É muito recomendado o uso de luvas nessa técnica.

(Fonte: Freepik/Reprodução)
7. Soda cáustica
Para terminar, a técnica mais drástica, caso absolutamente nada tenha funcionado, é usar soda cáustica — misturando duas colheres dela em um balde de água, com duas colheres de sal. O negócio é que a soda é um produto bem forte, que pode até danificar seu vaso e ser um perigo para sua saúde. Então, proteja-se bem quando for manuseá-la e use essa última técnica com parcimônia.

(Fonte: Wikimedia Commons/Reprodução)
Esperamos que alguma dessas técnicas funcione para você. Se tiver mais alguma sugestão, deixe aí nos comentários.
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Moedas das Olimpíadas: relembre e veja quanto valem hoje

Quem acompanhou as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016 em sua totalidade deve se lembrar que, na ocasião, o Banco Central disponibilizou 17 moedas temáticas de R$ 1 que traziam desenhos referentes a algumas modalidades disputadas na ocasião, entre elas boxe, futebol, judô e outras. Cinco anos se passaram desde então e a pergunta que fica no ar é: elas valem algo atualmente?
Caso tenha essa pergunta na sua cabeça, a resposta é positiva: você pode sim fazer uma graninha com elas. Dependendo do estado de conservação, elas podem valer algo entre R$ 6 e R$ 500, e um lote completo com todos os exemplares pode chegar a custar incríveis R$ 7 mil em alguns sites.
De todas elas, a mais rara de ser encontrada é a da bandeira olímpica, lançada em 2012 para celebrar o anúncio dos jogos em território nacional. Já as demais estão na sequência, juntamente com seus anos de lançamento:

(Fonte: Moedas antigas/Reprodução)
- Bandeira Olímpica (2012);
- Atletismo (2014);
- Natação (2014);
- Paratriatlo (2014);
- Golfe (2014);
- Basquetebol (2015);
- Vela (2015);
- Paracanoagem (2015);
- Rúgbi (2015);
- Futebol (2015);
- Voleibol (2015);
- Atletismo paralímpico (2015);
- Judô (2015);
- Boxe (2016);
- Natação paralímpica (2016);
- Mascote Vinícius (2016);
- Mascote Tom (2016).
Vale ressaltar, entretanto, que essas moedas tendem a se valorizar cada vez mais – logo, se você tem todas as moedas guardadas, a tendência é que elas possam valer ainda mais daqui alguns anos.
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Borba Gato: o escravizador de indígenas tomado por herói

No último sábado (24), novamente a estátua de Borba Gato, situada na zona sul da cidade de São Paulo, foi alvo de depredações. Dessa vez, um grupo de pessoas decidiu atear fogo ao monumento, erguido para homenagear o bandeirante. Mas qual é a razão de tanta rejeição a esse personagem da história brasileira?
Borba Gato: de herói a inimigo popular
Manuel de Borba Gato (1628-1718) foi um dos mais conhecidos e bem-sucedidos bandeirantes. Ele desempenhou um importante papel no processo de exploração de outras regiões do país pelos paulistas, entre os séculos XVI e XVII.

Imagem falsa e romantizada de Borba Gato.
Borba Gato sempre esteve envolvido com os desbravadores. Chegou a se casar com Maria Leite, filha de Fernão Dias, outro importante bandeirante. Aliás, ele fez parte do grupo criado por Dias para sair em expedição pelo país em busca de pedras de esmeralda. Um dos feitos mais importantes na trajetória de Borba Gato foi a descoberta do filão de ouro nas minas da região de Sabará, no estado de Minas Gerais.
Outros nomes comuns são os de Antônio Raposo Tavares, Domingos Jorge Velho, Bartolomeu Bueno da Veiga e Manuel Preto. Eles surgem na história como importantes bandeirantes que partiram em expedições para o interior da América do Sul em busca de riquezas, como ouro, esmeraldas e prata.
Muitos consideram essenciais as iniciativas desses personagens históricos, afinal, em vários casos contribuíram para o aumento territorial do país no período colonial, assim como de suas riquezas. No entanto, os bandeirantes não se deslocavam para zonas desconhecidas apenas em busca de pedras e metais preciosos. Entre as atribuições desses grupos também constavam o extermínio de quilombos e a captura de indígenas para serem escravizados.
Lançado em 1929, o livro Vida e Morte do Bandeirante, do pesquisador Alcântara Machado, é composto de relatos detalhados sobre como os grupos de bandeirantes capturavam e mandavam para a escravidão negros e índios que encontravam em suas viagens. Como resultado desse processo, etnias inteiras foram dizimadas em confrontos violentos.
A polêmica da estátua
Nomes de bandeirantes, como Fernão Dias, Borba Gato e Raposo Tavares, são facilmente encontrados em ruas, avenidas e monumentos no estado de São Paulo. Nunca foi segredo os objetivos das expedições e as mortes que elas causavam por onde passavam. Contudo, com a Revolução de 1932, um movimento liderado pela oligarquia paulista que exigia uma nova constituição e atacava o autoritarismo de Getúlio Vargas, os bandeirantes passaram a ter outro papel.
As lideranças da época precisavam de algo que despertasse na população um sentimento de união e identidade. E é aqui que entra em cena o bandeirante Borba Gato, que passou a ser lembrado e homenageado como herói, ganhando enorme peso como símbolo paulista. Com isso, a história de 300 mil índios capturados e escravizados, assim como das mortes ocorridas, da destruição de quilombos e dos confrontos sangrentos provocados pelas bandeiras, foi deixada de lado.
Estátua em chamas de Borba Gato.
A estátua de Borba Gato, incendiada no último fim de semana, foi inaugurada em 1963. Com a redescoberta dos feitos negativos deste e de outras personalidades do passado, vários grupos começaram a questionar qual é o valor ou a necessidade de manter algo como homenagem a alguém cuja história envolve sangue, morte e destruição. Algumas iniciativas estão surgindo, como projetos de lei para a retirada de monumentos, bem como troca de nomes de ruas e avenidas cuja origem são personagens de atitudes reprováveis.
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Símbolos escravagistas: por que só nos importamos com os dos outros?

Mais de 100 anos depois do fim da escravidão no país, podemos presumir que a maioria das pessoas concorda que escravizar outros seres humanos pela diferença da cor da pele é algo absolutamente errado e absurdo. Embora a escravidão tenha acabado legalmente em 1888, o seu legado, o racismo, ainda existe na sociedade. Infelizmente, isso ocorre não só do Brasil, mas também em outras nações, como os Estados Unidos (para citar apenas um).
Em uma rápida visita ao centro das cidades, é fácil encontrar monumentos ou estátuas de pessoas que pavimentaram a história de uma forma não muito positiva. Se essas ações negativas estão historicamente marcadas, por que os símbolos foram criados e ainda estão lá até hoje?

A estátua do bandeirante Borba Gato foi incendiada, levantando o debate da relevância de símbolos históricos de personalidades que foram responsáveis por mortes, estupros, bem como caças a indígenas e negros na época da escravidão. (Fonte:Twitter/Reprodução)
A relevância de monumentos históricos
Os defensores dos monumentos, além de apontarem os atos como vandalismo e depredação de obras públicas, dizem que o debate deve ser feito de forma mais apaziguadora e que os monumentos servem para "recontar" a história. Em contrapartida, quem apoia o fim das homenagens diz que se é para relembrar o passado a fim de evitá-lo, por que isso não é feito em museus e de forma mais elaborada, como ocorre em Auschwitz, na Polônia?
No contexto sobre as lutas raciais, há uma comparação entre as atitudes dos brasileiros e as dos norte-americanos. Nos Estados Unidos, há uma radicalização muito maior tanto com os símbolos escravagistas como com o racismo em si. O caso de George Floyd e do movimento Black Lives Matter têm um impacto social muito maior lá do que os movimentos ocorridos aqui.
Por que a indignação com símbolos escravagistas é diferente nos EUA e no Brasil?
Desde 2016, no governo de Barack Obama, o Estado adotou políticas de retirada das áreas públicas monumentos e símbolos racistas e confederados. O Brasil teve 100 anos a mais de escravidão do que nos EUA, totalizando 353 anos, mas ainda ignoramos os debates sobre o nosso passado escravista e tratamos como vandalismo intervenções em monumentos racistas.
Nos Estados Unidos, houve a retirada da estátua do general confederado Robert E. Lee, símbolo dos Estados escravistas do sul na Guerra Civil Americana. (Fonte: Getty Images/AFP)
Os historiadores apontam que o histórico do movimento por direitos civis trouxe uma consciência política muito maior para os norte-americanos do que a disseminada no Brasil. Como aqui nunca houve política explícita de segregação, as pessoas acreditam no mito da democracia racial e não conseguem associar as discriminações que ocorrem contra negros e indígenas (seja no mercado de trabalho, seja na vida pessoal) ao racismo estrutural.
Assim, a sociedade brasileira não reconhece como racismo a perpetuação desses símbolos. Além disso, o debate é feito de modo muito superficial e não inclui referências do movimento negro ou do indígena para ir a fundo na relevância desses monumentos na história desses povos.

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