_______________ * Homem é FERIDO com TIRO nas costas na TIMES SQUARE _______________ * Em MAIO, uma BRIGA com DISPAROS atingiram duas MULHERES e uma MENINA de QUATRO anos de idade.

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_______________ Homem é ferido com tiro nas costas na Times Square, em Nova York. * Em MAIO, a Times Square já havia sido palco de tiros. Uma briga com disparos atingiram duas mulheres e uma menina de quatro anos de idade.

Identidade da vítima não foi revelada, e incidente está sendo investigado; NINGUÉM foi PRESO 

São Paulo

Um disparo de arma de fogo em meio a uma briga na Times Square, ponto turístico de Nova York, deixou um homem de 21 anos ferido na noite deste domingo (27), informou o site da emissora americana CNN.

O homem, que não estava envolvido na briga, acabou baleado nas costas e foi levado ao hospital, onde os médicos disseram que a expectativa é a de que ele sobreviva aos ferimentos, ainda de acordo com a CNN.

Pessoas paradas na Times Square, com telões e prédios ao fundo
Movimentação na região da Times Square, em Nova York - Angela Weiss - 11.jun.21/AFP

A identidade da vítima não foi revelada, e o incidente está sendo investigado pela polícia. Ninguém foi preso até agora. Nova York tem registrado um aumento na criminalidade. Dados da polícia divulgados pela CNN mostram que houve 680 incidentes envolvendo tiros desde o início do ano até 20 de junho, um aumento de 53% em relação ao mesmo período no ano passado.

Em maio, a Times Square já havia sido palco de tiros. Uma briga terminou com disparos, que atingiram duas mulheres e uma menina de quatro anos de idade. A garota estava comprando brinquedos com a família e foi atingida na perna. As outras duas vítimas, de 23 e 43 anos, sofreram ferimentos na perna e no pé, respectivamente. As vítimas não se conheciam, e a criança precisou de cirurgia.

LÁ FORA

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Na última semana, o presidente Joe Biden anunciou endurecimento na fiscalização da venda de armas e defendeu mais recursos para as polícias em uma tentativa de conter a alta nas mortes a tiros no país.

Os EUA vivem alta nos crimes com armas de fogo. Em 2020, a taxa de homicídios em cidades grandes cresceu cerca de 30% na comparação com o ano anterior. Neste ano, 20.989 americanos já morreram por ferimentos de armas de fogo, mais da metade por suicídio, segundo dados do Gun Violence Archive.

Biden também defendeu mais dinheiro para as polícias locais: orientou governos municipais e estaduais a usarem verbas do pacote de recuperação, aprovado em março, para contratar mais agentes e investir em tecnologia. Ele ainda pediu que o Congresso não tente barrar esse direcionamento.

Ao defender o aperto no controle de armas e o reforço nas polícias, Biden gera atritos com dois grupos rivais. O direito ao porte de armas é uma questão pétrea para a direita americana e para o Partido Republicano, que considera o tema um símbolo da liberdade. Já uma parcela do Partido Democrata quer o corte do orçamento para a polícia, como forma de evitar ações violentas por parte de agentes, como na morte de George Floyd, homem negro assassinado por sufocamento por um policial branco no ano passado. Republicanos se opõem à medida e dizem que ela deixará as cidades mais inseguras.

O anúncio da semana passada se soma a ordens executivas assinadas em abril, nas quais Biden pediu ao Departamento de Justiça que reprimisse as “armas fantasmas” —feitas de forma caseira, para não serem rastreadas. O presidente usa esse tipo de medida para levar adiante sua agenda sem ter que esperar pelo Congresso, onde a maioria democrata é estreita, e os republicanos se opõem às leis de controle de armas.

A gestão democrata enfrenta uma impaciência crescente de ativistas que querem que Biden aja mais rapidamente para combater a violência armada após ele ter prometido, durante a campanha à Casa Branca, atuar desde o primeiro dia no cargo contra o que chamou de epidemia.

_______________ Brasileira foi uma das três mulheres mortas em ataque a faca na Alemanha, informa agência alemã

Segundo jornal, ela tentou proteger a filha de 11 anos, que sobreviveu
Policiais protegem cena de ataque a faca em Wuerzburg, cidade na região alemã da Baviera Foto: KARL-JOSEF HILDENBRAND / AFP
Policiais protegem cena de ataque a faca em Wuerzburg, cidade na região alemã da Baviera Foto: KARL-JOSEF HILDENBRAND / AFP

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A professora de alemão brasileira Christiane H., de 49 anos, está entre as três mulheres vítimas de um ataque a faca ocorrido na cidade de Würzburg, na Alemanha, na última sexta-feira, informou a agência de notícias alemã Deutsche Welle.

A agência cita informações do jornal alemão Bild, segundo o qual a professora, cujo sobrenome não foi divulgado, teria se jogado sobre a filha Akines, de 11 anos, para protegê-la dos ataques desferidos pelo autor do atentado, um imigrante da Somália,  que foi preso após ser baleado na perna. A aproximação teria sido vista por uma mulher de 82 anos, que tentou puxar o agressor para longe da criança e da mãe, e acabou sendo morta, ainda segundo o jornal.

Pouco depois, a criança de 11 anos conseguiu escapar e correu para longe do local do atentado gritando que ainda não queria morrer, e sobreviveu com ferimentos graves, informou o Bild.

De acordo com a Deutsche Welle, Christiane e a filha moravam na Alemanha desde o começo de 2021, porque a brasileira tinha começado a dar aula em uma escola de Würzburg, que fica no estado da Baviera, no Sudoeste alemão, e viviam em uma casa nos arredores da cidade, segundo informações da polícia.

Contatado, o Itamaraty informou que está em contato com familiares de Christiane e com autoridades policiais locais, e têm prestado assistência aos familiares da vítima.

A polícia ainda investiga as motivações do atentado, incluindo um possível ato terrorista. O criminoso de 24 anos tinha um histórico de transtornos mentais. Ele teria gritado "Alá é grande" na hora do ataque, segundo relatos de testemunhas que estavam no local.

Outro ataque a faca ocorreu na Alemanha nesta segunda-feira, na cidade de Erfurt, no estado da Turíngia, que fica no Leste da Alemanha. Duas pessoas, de 45 e 68 anos, ficaram com ferimentos leves, mas foram internadas em hospital local para tratamento, afirma a polícia. A corporação ainda busca o agressor, descrito como um homem de cerca de 20 anos, cabelo loiro, cicatriz no rosto e fala alemão.

Recentemente, ataques ou tentativas de ataque com o uso de facas têm sido a marca de atentados com motivação jihadista, particularmente na França. Em 2019, quatro pessoas foram esfaqueadas até a morte na sede da polícia de Paris. Em outubro do ano passado, um professor do ensino médio foi decapitado por um jovem checheno de 18 anos na cidade de Conflans Saint-Honorine, a noroeste de Paris.

Em 24 de abril, uma agente administrativa da polícia até a morte nos arredores da capital. No mês passado, uma guarda municipal ficou gravemente ferida em Chapelle-sur-Erdre, cidade a cerca de três quilômetros de Nantes, no Oeste do país. Na Alemanha, há quase três anos, um ataque a faca deixou 14 pessoas feridas em um ônibus na cidade de Luebeck, no Norte do país.

Na Alemanha, porém, a maior parte dos atentados ocorridos nos últimos anos foi atribuída a pessoas com ligações com neonazistas e grupos da extrema direita, descrita como a principal ameaça à segurança da Alemanha em relatório recente do Ministério do Interior.


_______________ * Papa Francisco envia mensagens sobre os direitos LGBTQIAP+

Uma nota encorajadora do Pontífice coroou uma semana especialmente desorientadora sobre a postura do Vaticano em relação aos direitos dos homossexuais
Papa Francisco em discurso na Praça de São Pedro, no Vaticano, neste domingo Foto: TIZIANA FABI / AFP
Papa Francisco em discurso na Praça de São Pedro, no Vaticano, neste domingo Foto: TIZIANA FABI / AFP

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CIDADE DO VATICANO - Um líder no esforço da Igreja Católica Romana para alcançar católicos LGBTQIAP+ revelou no domingo que o Papa Francisco lhe enviou uma nota profundamente encorajadora, encerrando uma semana especialmente desorientadora sobre a atitude do Vaticano em relação aos direitos dos homossexuais.

Na terça-feira, o Vaticano confirmou que tentou influenciar os assuntos do estado italiano ao expressar sérias preocupações sobre a atual legislação no parlamento que aumenta as proteções para pessoas LGBTQIAP+. E, dias depois, o segundo no comando do Vaticano insistiu que a igreja não tinha nada contra os direitos de gays, mas estava se protegendo de deixar as crenças fundamentais da Igreja abertas a acusações criminais de discriminação.

Quase oito anos após a famosa resposta do Papa Francisco: "Quem sou eu para julgar?", sobre a questão dos gays católicos, tornou-se cada vez mais difícil discernir onde ele se posiciona nessa questão. Uma crescente dissonância se desenvolveu entre sua linguagem inclusiva e as ações da igreja.

O resultado é confusão e frustração entre alguns dos apoiadores liberais do papa que se perguntam se o argentino de 84 anos continua comprometido com uma igreja mais tolerante e está simplesmente lutando para compreender os contornos que mudam rapidamente de uma questão difícil, ou se é realmente um social conservador tentando agradar a todos.

O que está claro é que a nova nota servirá como alimento fresco em uma batalha dentro da igreja entre progressistas frustrados que esperam que a mensagem inclusiva do papa finalmente leve à mudança conservadores cautelosos, que esperam que a Igreja mantenha suas tradições. O serviço próprio de notícias do Vaticano informou mais tarde que o papa havia enviado a carta.

Na carta manuscrita datada de 21 de junho e tornada pública no domingo, Francisco elogiou e agradeceu ao Reverendo James Martin, um importante jesuíta e autor de um livro sobre como alcançar católicos LGBTQIAP+.

“Vejo que você está continuamente procurando imitar esse estilo de Deus”, escreveu o papa. “Você é um pregador de homens e mulheres, assim como Deus é um Pai para todos os homens e mulheres. Rezo para que continue assim, sendo próximo, tendo compaixão e com grande ternura. ”

Essas palavras quase certamente ajudarão os apoiadores liberais de Francisco, muitos dos quais ficaram profundamente desanimados com a resposta de março da Congregação para a Doutrina da Fé, o principal setor doutrinário da Igreja, para uma investigação sobre se o clero católico tem autoridade para abençoar as uniões homoafetivas.

“Negativo”, foi a resposta que Francisco aprovou

Duas pessoas que apoiam os direitos dos homossexuais e são próximas do papa afirmam que o Pontífice disse que cedeu à pressão da congregação, uma decisão que Francisco lamentou e esperava retificar. O Vaticano não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as decisões.

Mas o cardeal Gerhard Ludwig Müller, a quem Francisco demitiu de sua posição como o principal cão de guarda da doutrina em 2017, disse que a ideia era absurda.

“O papa é o papa”, disse ele, acrescentando que Francisco estava claramente no comando em tais assuntos.

O cardeal Müller e outros prelados dizem que Francisco, a nível pessoal, simplesmente não gosta de ferir os sentimentos das pessoas.

“Ele quer ser pastoral e quer estar perto do povo. É sua especialidade ”, disse o cardeal Müller. “É mais fácil ser o querido de todos do que dizer a verdade”, acrescentou. “Ele não gosta de confronto direto.”

Padre Martin, que muitas vezes é atacado por conservadores da igreja, tornou a carta pública após revelá-la em uma conferência virtual para pastores e leigos que administram a católicos LGBTQIAP+.

Na carta, Francisco disse que o padre jesuíta fez eco a Jesus ao dizer que seu ensino estava “aberto a todos”. Ele concluiu com a promessa de orar pelo "rebanho" do padre Martin.

Mas esse rebanho foi conduzido de um lado para outro pelos sinais confusos do papa ao longo dos anos.

Francisco surpreendeu os fiéis e um público secular mais acostumado a repreender a homossexualidade e o casamento gay, quando questionado por repórteres sobre um padre que se dizia ser gay. Ele respondeu: "Quem sou eu para julgar?"

Seu documento histórico de 2016 sobre a família — intitulado “A alegria do Amor” — rejeitou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas pediu aos padres que acolhessem pessoas em relacionamentos não tradicionais, como os gays.

Mais recentemente, Francisco expressou apoio às uniões civis de pessoas do mesmo sexo. Seus comentários não mudaram a doutrina da Igreja, mas representaram uma ruptura significativa com seus predecessores.

Francisco fez as declarações em uma entrevista de 2019 com a emissora mexicana Televisa, mas o Vaticano censurou a reportagem e a filmagem apareceu apenas em um documentário de outubro de 2020.

Para os liberais, tudo isso parecia estar construindo um impulso para um progresso real para pessoas LGBTQIAP+ na igreja, o que tornou a rejeição do Vaticano em relação a abençoar as uniões gays muito mais dura.

Juan Carlos Cruz, um sobrevivente chileno de abuso sexual e gay com quem o papa fez amizade, escreveu um artigo de opinião em um jornal chileno que criticava a rejeição de bênçãos do cão de guarda doutrinal como um insulto a católicos LGBTQIAP+.

O escritório doutrinário da igreja é liderado pelo cardeal Luis Ladaria, que foi escolhido a dedo pelo papa e é visto como em sintonia com ele.

Em uma nota explicativa, a Congregação para a Doutrina da Fé disse que, embora receba gays, que têm o direito de ser abençoados, a igreja não abençoará as uniões do mesmo sexo porque Deus “não abençoa e não pode abençoar o pecado”. Abençoar uma união homossexual, acrescentou, poderia dar a impressão de colocá-la no mesmo nível do casamento.

“Isso seria errôneo e enganoso”, dizia a nota.

Autoridades do Vaticano com conhecimento do documento disseram que o papa em nenhum momento se opôs à decisão e que ele foi absolutamente claro sobre as questões da doutrina da Igreja.

A decisão gerou desapontamento generalizado, até mesmo nojo, entre os gays católicos e seus defensores.

Os católicos liberais ficaram desapontados novamente na semana passada, quando o Vaticano confirmou que o ministro das Relações Exteriores da Santa Sé, o arcebispo Paul Richard Gallagher, havia entregue em mãos uma carta ao embaixador italiano na Santa Sé expressando reservas sobre o projeto que acrescentaria disposições LGBTQIAP+ de uma lei existente que torna a discriminação, violência ou incitamento com base na raça ou religião um crime punível com até quatro anos de prisão.

A igreja interveio cedo para mudar o projeto de lei porque temia que a lei pudesse obrigá-la legalmente a realizar casamentos do mesmo sexo ou ensinar ideias mais liberais sobre gênero nas escolas católicas, de acordo com um funcionário da igreja.

Alessandro Zan, responsável pelo projeto, disse que tais preocupações eram estranhas e não se refletiam na legislação. Mas o papa aprovou claramente a intervenção, disse o cardeal Giovanni Battista Re ao jornal Il Messaggero de Roma na quinta-feira.

A reação foi intensa e raivosa dos italianos que acusaram o Vaticano de interferir no processo democrático do estado e de frustrar e confundir gays católicos que, mais uma vez, viram o papa, apesar de tudo o que ele havia dito, como agindo contra eles.

Em um aparente esforço para controlar os danos, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e segundo oficial de maior escalão depois do papa, divulgou um comunicado na quinta-feira.

Ele disse que o Vaticano não estava tentando bloquear a legislação, mas temia que a linguagem vaga do projeto e a enorme latitude dos juízes italianos pudessem levar a igreja a acusações criminais de discriminação por práticas eclesiásticas básicas. Ele insistiu que a hostilidade contra os gays não motivou a oposição do Vaticano.

“Nós estamos contra qualquer comportamento ou gesto de intolerância ou ódio contra as pessoas por causa de sua orientação sexual”, disse ele.

Apoiadores liberais de Francisco argumentam que cartas como a revelada pelo padre Martin no domingo lhes dão espaço para avançar em seu evangelismo. Mas o cardeal Müller disse que nada mudou substancialmente desde que ele partiu, senão Francisco se tornou mais forte em sua defesa pelas crenças fundamentais da Igreja.

“Os últimos sinais foram um pouco significativos”, disse ele.

_______________ * CPI recolhe mais uma prova de que governo fez de tudo para retardar compra da vacina da Pfizer

Por Amanda Almeida

Dose da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Pfizer

A resistência do governo em fechar negócio com a Pfizer ganhou novo elemento a partir de um documento entregue à CPI da Covid.

Em 27 de novembro de 2020, o Ministério da Saúde perguntou à empresa se, caso o Brasil selasse a transação, ela entregaria as vacinas “em todos os pontos de vacinação indicados (atualmente são 38 mil pontos de vacinação, podendo ser ampliados), incluindo áreas remotas (como tribos indígenas com acesso por rios e/ou aeronaves)”.

A demanda foge à regra, uma vez que a Saúde é quem distribui as vacinas por todo o território nacional.

Para senadores da CPI, a pergunta inusitada é mais uma prova de que o governo fez de tudo para retardar a compra do imunizante da Pfizer.

Na comissão, não há registro de que um questionário similar, com 53 perguntas, tenha sido aplicado a outras empresas do ramo.

_______________ * SURFSIDE, palco da tragédia em Miami, é EPICENTRO da vida de RICOS FAMOSOS e DISCRETOS 

Cantor Julio Iglesias, modelos brasileiras Adriana Lima e Giselle Bündchen e jogador de futebol argentino Lionel Messi são algumas das celebridades que têm casa na luxuosa região
Alicia Civita, para o GDA*
27/06/2021 - 14:31 / Atualizado em 27/06/2021 - 18:13
A cidade de Surfside se estende por 12 quarteirões de norte a sul e oito de leste a oeste Foto: Cortesía Visit Florida
A cidade de Surfside se estende por 12 quarteirões de norte a sul e oito de leste a oeste Foto: Cortesía Visit Florida

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MIAMI — O condomínio Champlain Towers, onde ocorreu uma das piores tragédias da história da Flórida, é também epicentro do novo “point” de ricos e famosos, especialmente latino-americanos. Ivanka Trump, por exemplo, tem uma visão luxuosa do trabalho das equipes de resgate. A filha mais velha do ex-presidente americano Donald Trump mora em um apartamento no Arte, um dos prédios mais sofisticados da região, entre as ruas 87 e 88, na Avenida Collins, com vista para o mar. Os escombros onde se buscam os desaparecidos estão entre as ruas 88 e 89.

O aluguel médio no Arte é de US$ 38 mil (cerca de R$ 187,5 mil) por mês para um apartamento de três quartos e três banheiros, mais uma varanda com vista para o mar. A cifra, embora exorbitante para a maioria dos mortais, não é nada comparada aos US$ 37 milhões que Ivanka e seu marido, Jared Kushner, pagaram ao cantor espanhol Julio Iglesias por um pedaço de terra na vizinha Indian Creek Island.

Como o próprio nome sugere, é uma ilha, acessível apenas através de Surfside, onde têm casas o próprio Julio Iglesias, a modelo brasileira Adriana Lima, sua compatriota Giselle Bündchen e o marido, o astro do futebol americano Tom Brady, e muitos outros outros milionários que preferem não ser vistos, a não ser por acidente e graças aos intrépidos pilotos de barco que fazem os passeios aquáticos na Baía de Biscayne.

O nome que os locais dão à “pequena ilha”, ou melhor, ilhota, é “bunker dos bilionários”, e todos adorariam ser convidados para almoçar na casa do lendário apresentador chileno Don Francisco ou passar um tempo na piscina do Ricky Martin, mas os dois já emigraram. O primeiro se estabeleceu em sua terra natal, Santiago, e o porto-riquenho tem uma mansão ainda mais espetacular em Beverly Hills.

Se quiser sair para tomar um drink, sem precisar entrar em helicópteros ou jatos particulares, há os restaurantes do lendário Surf Club, complexo residencial e hoteleiro, que fica de frente para o mar na Rua 90. Os números das ruas são importantes porque apenas o espaço de terra que vai da 87 à 96 é considerado Surfside, com 12 quarteirões de comprimento e oito de largura. Ou seja, de leste a oeste são oito ruas que, de maneira pitoresca, receberam nomes de escritores britânicos em ordem alfabética:  Abbott, Byron, Carlyle, Dickens, Emerson, Froude, Garland, Hawthorne e Irving.

Messi e Maluma

A estrela mais admirada de Surfside é a protagonista feminina da série de televisão "Mulher Maravilha". Sim, a Mulher Maravilha original, a mexicano-americana Linda Carter é dona de um imóvel no Surf Club pelo qual pagou US$ 15 milhões no início de junho. Alguns latinos se esforçam para ver Ricardo Montaner jantando com seus filhos ou netos no Café Ragazzi, o restaurante italiano da família, localizado na esquina da Avenida Harding com a Rua 95. Surfside é elegante, e os moradores decidiram que nos 2,5 quilômetros quadrados de sua cidade, as ruas também merecem os nomes elegantes de escritores.

Segundo publicações imobiliárias de Miami, o ídolo do futebol argentino Lionel Messi já comprou um apartamento na espetacular Torre Porsche Design. Primeira construção residencial da marca alemã no mundo, ela fica na Collins com a Rua 185, ou seja, cerca de 10 minutos (sem trânsito) ou uma eternidade, dependendo do tempo, chuva e outros imprevistos, a partir das Torres Champlain.

O edifício é tão sofisticado que tem até elevador para carros, para que os vizinhos não fiquem à espera do elevador ou nos corredores, o que seria muito indesejável. A lista de proprietários da Torre Porsche inclui o bilionário mexicano Carlos Peralta Quintero, o jogador de beisebol do Colorado Rockies Carlos “CarGo” González,  e o magnata russo Igor Yakovlev, entre outros. O preço dos apartamentos varia de US$ 3,1 milhões a US$ 6 milhões para os apartamentos de três quartos, até os US$ 25 milhões que custam a cobertura do 21º andar.

Um dos que costumam passar longos períodos por lá é o artista colombiano Juan Luis Restrepo, mais conhecido como Maluma. Embora cada unidade tenha uma pequena piscina, ele costuma ser visto na piscina comunitária com seu compadre, o cantor e compositor Pipe Bueno e outros artistas e compatriotas.

Um pouco mais ao norte está a torre Armani Casa, de 51 andares. Isso não quer dizer que os residentes de Surfside fiquem com ciúmes. O resort e as residências Fendi Chateau são muito mais chiques e discretos do que os gigantes do norte. Com 12 andares e 58 unidades que variam de 340 a 700 metros quadrados e espaços comuns projetados pela própria casa Fendi, a elegância respira em todos os lugares.

Pequena Buenos Aires

Dolorosamente, 70 latino-americanos já foram colocados na lista dos desaparecidos no desabamento da torre sul das Torres Champlain. A localização era espetacular para quem ansiava pelo gosto da terra natal, mas preferia se sentir um pouco mais nos EUA, afinal, por isso chamam Miami de a cidade mais ao norte da América Latina.

Uma caminhada de oito quarteirões leva à parte mais argentina da cidade, carinhosamente apelidada de "Pequena Buenos Aires". Há até um pequeno obelisco que agora está em reforma, onde os quase 100 mil argentinos que moram em Miami e arredores sabem que podem ir para comemorar uma vitória no futebol. Além disso, há as churrascarias argentinas, o restaurante de comida argentina Manolo, a pizzaria Banchero e a padaria e confeitaria Café Buenos Aires.

Para algo mais sofisticado,  pode-se ir ao complexo Faena no sul, onde funciona uma filial do restaurante Los Fuegos por Francis Mallman, onde antes da pandemia o chef argentino dava aulas mensais de como fazer o melhor churrasco por US$ 250 (cerca de R$ 1.233) e toda a carne que se possa comer.

Compras de luxo

Embora o Distrito Design em Midtown Miami esteja lutando — e está conseguindo — para se estabelecer como o distrito de compras de luxo da cidade, a verdadeira versão floridiana da 5ª Avenida em Nova York ou do Rodeo Drive em Los Angeles é o centro comercial Bal Harbour Shops, para onde os residentes de Surfside podem ir a pé. Por lá se vê às compras a nata das celebridades latino-americanas, sem falar em estrelas mundialmente famosas como Angelina Jolie e seus filhos.

Os paparazzi capturaram imagens de Eva Longoria, Sofía Vergara, Thalía, Anna Kournikova e seus gêmeos com Enrique Iglesias, as irmãs Kardashian, as supermodelos Cindy Crawford, Elle McPerson, Gigi Hadid, a argentina Susana Giménez, os jogadores de futebol Ronaldinho e até Xuxa. A lista parece interminável.

Em suma, em Miami e nas “cidades” que a constituem — cada área que se formou de forma independente tem sua prefeitura, departamento de polícia etc. — há um pouco para todos.

Para os 6 mil residentes de Surfside, há tudo isso e muito mais. Metade da população se declara judia e, destes, há um número significativo de ortodoxos. É por isso que também existem cinco sinagogas e duas escolas judaicas que podem ser percorridas a pé. Dois restaurantes e um café Kosher e atividades familiares todo fim de semana, além de um mercado de pequenos produtores uma vez por mês.

Hoje, os parentes desesperados das pessoas que viviam na torre sul das Torres Champlain circulam por aquelas ruas com seus nomes de escritores ingleses com o coração dilacerado e, muitas vezes, os olhos tão cheios de lágrimas que não os deixam ver ou registrar tudo o que eles têm ao seu redor.

*O Grupo de Diários América (GDA), do qual O GLOBO faz parte, reúne 11 dos principais jornais da América Latina

_______________ * Instituto cita RACISMO ao recorrer ao STF contra criação do Prêmio Monteiro Lobato de Literatura

Por Nelson Lima Neto

DIVULGAÇÃO

O Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (IARA) recorreu ao Supremo Tribunal Federal pedindo liminar para suspender a criação do Prêmio Monteiro Lobato de Literatura para a Infância e a Juventude, aprovado pelo Congresso Nacional.

O instituto cita "eventuais controvérsias envolvendo as obras do autor por apresentarem elementos racistas" e a "possibilidade de questionamento acerca da incitação da discriminação racial entre as crianças”.

Os autores ainda reforçam que a criação do prêmio é uma "afronta aos princípios da Prevalência dos Direitos Humanos e do Repúdio ao Racismo, além da garantia da dignidade da pessoa humana, da ausência de preconceitos e da não discriminação".

O prêmio teve aprovação do Senado em abril, após a confirmação do Protocolo Adicional ao Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta entre o Brasil e Portugal. A iniciativa tem o objetivo de prestigiar, a cada dois anos, autores e ilustradores de livros infantis e juvenis que contribuam para engrandecer o patrimônio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

_______________ * Pesquisa revela QUEM são os eleitores DESILUDIDOS de Bolsonaro

Por Lauro Jardim

Jair Bolsonaro em solenidade do Ministério do Turismo

Se pretende mesmo se reeleger, Jair Bolsonaro terá, antes de mais nada, que reconquistar os seus eleitores desiludidos: 47% dos que votaram nele em 2018 continuam declarando intenção de fazê-lo em 2022, mas 53% não teclariam o seu nome novamente.

Os dados são de uma pesquisa inédita feita entre os dias 17 e 21 de junho com 2.002 pessoas de todos os estados do país pelo Ipec, o recém-criado instituto que sucede o extinto Ibope Inteligência.

A mesma pesquisa revela que 26% dos eleitores que votaram em Bolsonaro declaram agora que prefeririam Lula em 2022.

E quem são essas pessoas?

Eis um perfil resumido: os que têm até o ensino fundamental, moram no Nordeste, residentes no interior, com renda familiar de até um salário mínimo, em municípios de até 50 mil habitantes e os que se auto declaram pretos e pardos. São, originalmente eleitores de Lula, que votaram em Bolsonaro em 2018 e agora voltam para o petista.

_______________ * 'A caminho do céu' é SÉRIE DELICADA, para ser vista sem pressa

Patrícia Kogut

Cena de 'A caminho do céu', da Netflix (Foto: Netflix)
Cena de 'A caminho do céu', da Netflix (Foto: Netflix)

A chegada do streaming ao Brasil abriu para o público uma enorme biblioteca. Cheia de títulos antes remotos, ela oferece programas que, no passado, só os espectadores mais idiossincráticos veriam. Foi assim com as séries turcas. Agora, isso se repete com produções coreanas, também conhecidas como K-dramas. A quem quiser se aventurar nesse catálogo amplo, sugiro começar por “A caminho do céu” (na Netflix). É uma ficção encantadora, inspirada no ensaio do escritor e “limpador de traumas” (já explico do que se trata) Kim Sae-byul, “Things left behind”.

O protagonista, Geu Ru (Tang Joon-Sang), de 20 anos, tem síndrome de Asperger. Ele possui uma memória prodigiosa e grande capacidade de organização. Vive com o pai num apartamento que herdou da mãe. Os dois trabalham desfazendo o quarto e recolhendo os pertences de quem morreu. É uma atividade meticulosa, chamada na Ásia de “limpeza de traumas”. A história de vida que essas pessoas deixam para trás vai sendo recomposta durante a arrumação. Anotações, fotografias e recibos bancários dão pistas daquelas existências. Pai e filho seguem uma liturgia. Antes de começar, eles se desculpam e pedem licença. Desempenham sua tarefa com reverência e delicadeza. No fim, entregam os achados em caixas aos familiares do falecido.

A dramaturgia se desenvolve em duas camadas: há os acontecimentos na vida de Geu Ru e também essas “exumações biográficas” de quem já não está aqui para contar sua história.

Já nos primeiros capítulos, o pai do protagonista morre. O rapaz passa a viver com o tutor, um tio, Sang Gu (Lee Je-hoon), que acaba de sair da prisão. É, a princípio, uma figura negativa, que se instala no apartamento de olho numa chance de se dar bem financeiramente. Eles se antagonizam. Geu Ru precisa de ordem. Sang Gu fuma, faz bagunça e fura as barreiras da cerimônia da boa convivência.

Mas “A caminho do céu” não é tão simplista. A intimidade entre esses opostos também vai abrindo uma oportunidade de rever conceitos. Tio e sobrinho criam laços e aprendem um com o outro.

São dez capítulos que merecem ser vistos sem pressa, longe da dinâmica do binge watching. A ideia aqui é dar um gole de cada vez, para sorver as diferenças culturais imensas entre nós e a Coreia do Sul. A digestão do luto, as relações de afeto e amizade e as regras sociais no Oriente estão no centro dessa trama. Para o espectador brasileiro, há muito a ser descoberto. “A caminho do céu” é um jeito de conhecer um pouco sobre um lugar tão distante. Depois dela, há um mundo de outros títulos para explorar. Vale a pena.

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_______________ * Ministro Fábio Faria se converte ao bolsonarismo nas redes sociais por apoio da ala ideológica

Entorno do presidente vê questão de sobrevivência; a pessoas próximas chefe das Comunicações nega mudança e diz apenas fazer defesa de Bolsonaro

Brasília

Quando Fábio Faria se licenciou do mandato de deputado federal pelo PSD do Rio Grande do Norte para assumir o cargo de ministro das Comunicações, em junho do ano passado, tinha como missão fazer oficialmente uma ponte com o Congresso, em especial com o então presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e tentar melhorar a relação do presidente Jair Bolsonaro com a imprensa.

Logo de partida, convenceu o novo chefe a não mais parar no cercadinho na porta do Palácio da Alvorada. Naquele picadeiro improvisado e diante de apoiadores, Bolsonaro proferia impropérios para jornalistas, respondia contestações com gritos de "cala a boca" e gestos obscenos e promovia ataques homofóbicos ou manifestações esdrúxulas, o que acabava dominando o noticiário do dia.

Um ano depois, porém, o ministro faz aparições nas redes sociais com comentários na mesma linha do presidente e de seus assessores mais ideológicos.

Na live da última quinta-feira (24), Faria era o convidado da apresentação semanal de Bolsonaro.

O ministro foi escalado para falar da viagem que havia feito com o presidente, horas antes, pelo Rio Grande do Norte, seu reduto eleitoral, e sobre a implementação de internet para a comunidade indígena Balaio, em São Gabriel da Cachoeira (AM).

Mas acabou fazendo figuração no discurso de Bolsonaro para desacreditar a Coronavac, associada a seu inimigo João Doria (PSDB). Foi o governador de São Paulo que proporcionou a chegada do imunizante ao Brasil e sua posterior produção no país.

Bolsonaro perguntou na transmissão qual vacina Faria pretende tomar e se o assessor aceitaria a Coronavac. O ministro demonstrou constrangimento, mas o presidente insistiu. "Não, vou ver se tem a outra", respondeu o ministro.

Faria já foi aconselhado a deixar o tom radical que vem adotando mais recentemente.

"Em breve vocês verão políticos, artistas e jornalistas 'lamentando' o número de 500 mil mortos. Nunca os verão comemorar os 86 milhões de doses aplicadas ou os 18 milhões de curados, porque o tom é sempre o do 'quanto pior, melhor'. Infelizmente, eles torcem pelo vírus", escreveu Faria em 19 de junho, quando o Brasil cruzou o meio milhão de óbitos por Covid.

Cinco dias antes, gravou vídeo diante de um cavalete e folha de papel com números de vacinação, na mesma linha de argumentação de uma postagem que havia feito em 30 de maio.

A legenda da publicação dizia "'Desnarrativizando' a vacinação do Brasil e do mundo!! Jair Bolsonaro prometeu vacinar os brasileiros até o final do ano e vai cumprir!!". "Queria fazer aqui para a turma da narrativa ler, que é importante ler", disse o ministro ao introduzir a apresentação.

Em 14 de junho, publicou um vídeo com imagens da motociata que Bolsonaro promoveu em São Paulo. "Para quem queria imagens de drone… Milhares de robôs pilotando motocicletas!!!", escreveu.

Em 1º de junho, Faria já usava o cavalete com papel em um vídeo para comentar títulos de reportagens e editoriais garimpados na internet.

"Pode parecer óbvio para alguns, mas é preciso mostrar didaticamente que parte da mídia, movida por sentimentos políticos, adota um padrão diferente quando se trata do governo federal. Assim, evitamos que os menos engajados sejam manipulados por narrativas em detrimento dos fatos", afirmou.

Em 30 de maio, um dia após as primeiras manifestações contra o governo Bolsonaro, o ministro publicou duas fotos. Em uma, uma mulher envolta por uma bandeira do Brasil segura um bebê dormindo, também coberto por uma bandeira. Na outra foto, uma jovem de costas mostra as nádegas.

A primeira imagem traz o nome de Bolsonaro. A segunda, o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "A decisão é sua", diz o texto que acompanhou as fotos.

Ainda no dia dos atos pelo país, o ministro das Comunicações compartilhou a foto de uma manifestante nua, com uma maçã na boca e com pés e mãos amarrados. Ela estava deitada sobre uma mesa onde havia um cartaz em que se lia "neste governo #forabolsonaro: cardápio do dia".

"As imagens vão rodando e a ficha de muita gente vai caindo. Nunca mais o Brasil vai abandonar a sua bandeira verde e amarela, o amor à Pátria, o respeito a Deus e o legado de um governo honesto!!! Por mais que tentem, não vão conseguir. #bolsonaro2022", escreveu.

Em 6 de maio, a publicação foi direcionada ao vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho 02 do presidente e influente nas redes sociais do pai.

"A imprensa tem tara em colocar o nome Carlos Bolsonaro em tudo. Só tem uma explicação: sabem que ele foi o maior responsável pela vitória do PR [presidente da República], de quem não gostam; e que ele se conecta diariamente e mobiliza as pessoas nas redes sociais, vide as manifestações estrondosas de sábado", escreveu Faria no Twitter.

Pessoas que convivem com o ministro dizem que as postagens são um aceno ao presidente por sobrevivência no governo.

Esses interlocutores afirmam, sob condição de anonimato para não se indisporem com Faria, que ele passou a agir dessa forma publicamente porque começou a perder espaço no governo.

Depois da demissão de Fabio Wajngarten da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), Faria conseguiu nomear para o posto o almirante Flávio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos.

O almirante acumulou as duas funções por menos de um mês, pois deixou a Secom em abril deste ano. A partir daquele momento, Faria perdeu a ingerência que tinha sobre a comunicação do governo. A Secom foi assumida pelo coronel da Polícia Militar do Distrito Federal André de Sousa Costa.

Costa chegou ao Planalto pelas mãos de um amigo da família Bolsonaro, Jorge Oliveira, ex-ministro da Secretaria-Geral e atual ministro do TCU (Tribunal de Contas da União). Mas sua indicação ao comando da Secom é atribuída ao ex-PM Max Guilherme Machado de Moura, atual assessor especial da Presidência.

À Folha Costa negou que tenha sido indicado por qualquer um dos dois. "É fake. Estou Secom por vontade do sr. presidente da República. Convite feito pelo próprio", disse em uma mensagem de celular.

Procurado, Oliveira não se manifestou sobre a indicação. A Folha não conseguiu contato com Max Guilherme.

De acordo com quatro pessoas ligadas ao governo, Faria começou a mudar sua postura publicamente a partir da chegada de Costa para comandar a Secom.

O ministro não quis se manifestar sobre a reportagem, mas um integrante de seu círculo íntimo disse à Folha que ele não concorda com a avaliação de que "bolsonarizou" seu comportamento nas redes.

Segundo Faria justificou a pessoas próximas, as postagens mais contundentes foram feitas pontualmente, quando avaliou que era necessária uma resposta mais firme em defesa do governo, para que acusações não ficassem sem resposta.

Apesar da condução errática do enfrentamento da pandemia e do constante tensionamento provocado por Bolsonaro, Faria queixa-se nos bastidores de que, com a crise sanitária, o número de reportagens críticas ao seu chefe cresceu muito.

Enquanto isso, menções positivas ao governo —quando existem— são relacionadas apenas ao titular do ministério envolvido, não ao presidente.

_______________ * Sob Bolsonaro e pandemia, pessoas LGBTQIA+ sofrem com apagão de políticas públicas

Especialistas ouvidos pela Folha afirmam que essa população perdeu vez e voz no atual governo

Esta Folha noticiou, em novembro de 2018, um movimento atípico de casais LGBTQIA+ nos cartórios do país.

Entre novembro e dezembro daquele ano foram realizados 4.027 casamentos homoafetivos, um recorde de acordo com a Arpen-Brasil (associação do setor).

Patrícia Borges, 31, sete meses depois de ser agredida na avenida Paulista
A travesti Patrícia Borges, 31, sete meses depois de ser agredida na avenida Paulista - Bruno Santos/Folhapress

A corrida aos cartórios foi o primeiro termômetro das incertezas sentidas pela população LGBTQIA+ antes da posse de Jair Bolsonaro (sem partido) como presidente.

Quando o casamento homoafetivo foi conquistado no STF (Supremo Tribunal Federal), em 2011, Bolsonaro disse que a união familiar só era possível entre um homem e uma mulher. O novo presidente, porém, não apresentou nenhum projeto de lei no Legislativo para dissolver o enlace civil entre pessoas LGBTQIA+, e o direito segue valendo.

Mas especialistas em questões humanitárias, ativistas e representantes de organizações civis ouvidos pela Folha dizem que as pessoas LGBTQIA+ perderam vez e voz ao longo dos dois anos e meio do atual governo.

“É preciso um Stonewall 2.0, mas desta vez, no Brasil”, diz Michele Brea Soares, ativista trans de Porto Alegre. A Revolta de Stonewall, ocorrida em 1969 na cidade de Nova York, deu origem ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, celebrado nesta segunda-feira (28).

Gays, lésbicas e travestis colocaram fim às agressões que sofriam em batidas policiais ocorridas num bar da cidade, o Stonewall Inn. O grupo resistiu por três dias, e o movimento virou um marco por mais igualdade de direitos.

Para os especialistas, o governo Bolsonaro desmantelou políticas públicas, estancou investimentos e criou um apagão em relação às demandas do segmento, que se viu ainda mais vulnerável na pandemia de Covid-19.

Bolsonaro já propagou fake news de que as escolas brasileiras contavam com um "kit gay"; criticou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) por causa de uma questão sobre o dialeto usado entre gays e travestis; ameaçou vetar projetos audivisuais com temática LGBTQIA+ na Ancine e interveio na anulação de um vestibular específico para transgêneros e intersexuais na Unilab (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira).

No atual governo, os projetos para a população LGBTQIA+ são discutidos na Secretaria Nacional de Proteção Global, que gerencia o Departamento de Políticas de Promoção de Direitos de LGBTs. Ambos estão sob o guarda-chuva do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos chefiado pela pastora evangélica e advogada Damares Alves.

Em 2020, segundo dados obtidos pela revista Época por meio da Lei de Acesso à Informação, o departamento LGBTQIA+ de Damares contava com ao menos R$ 4,5 milhões orçados, mas nada foi gasto até meados da primeira semana de dezembro daquele ano.

A ministra que iniciou sua gestão dizendo que “menino veste azul e menina veste rosa” contou em reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), neste ano, que o Brasil tem reafirmado sua “posição de defesa da vida desde a concepção”, segundo o comunicado da pasta divulgado à imprensa.

Damares citou no encontro internacional iniciativas para mulheres, idosos, indígenas e povos isolados da Amazônia, mas não apontou nenhuma ação ligada às pessoas LGBTQIA+.

Bruna Benevides, pesquisadora da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), observa que as demandas de saúde, como o aumento dos ambulatórios para hormonização e dos hospitais públicos credenciados para as cirurgias de readequação sexual, não avançaram.

Benevides também cita o desmonte do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos LGBTs, um colegiado criado em 2001 para orientar as políticas públicas na área. “De 30 cadeiras, hoje só restam 6”, diz.

Para Toni Reis, diretor da Aliança Nacional LGBTI, o atual cenário e as falas de cunho homofóbicas de Bolsonaro propiciaram que “os conservadores saíssem do armário e criassem um clima hostil contra a população LGBTQIA+".

Sem olhar para as demais identidades, o Brasil é considerado o país que mais mata pessoas transgênero entre as grandes nações, de acordo com rankings internacionais. E nem o coronavírus freou essa violência.

Em 2020, foram contabilizados 175 casos de assassinatos entre pessoas trans e travestis no país –alta de 41% em relação ao ano anterior. Nos quatro primeiros meses deste ano, outras 56 mortes violentas foram computadas pela Antra.

As informações reunidas pela associação são de crimes divulgados na imprensa porque o país não possui um banco de dados sobre o problema e tampouco sabe quantas são e como vivem as pessoas LGBTQIA+ em seu território.

A travesti Patrícia Borges, 31, foi atacada por quatro pessoas na avenida Paulista enquanto fazia panfletagem eleitoral para Erika Hilton, mulher trans eleita vereadora na cidade de São Paulo, em novembro do ano passado.

Recebeu golpes de bastão de ferro, teve o cabelo puxado, foi mordida e xingada. “Me senti um lixo e, enquanto eu apanhava, ouvia: você é feia. É um homem de peito, apenas”. Borges diz saber por que apanhou. “É um preconceito estrutural. Só o fato de eu não ter recebido ajuda de ninguém que viu a agressão já mostra isso”, diz.

Braço de Patricia Borges, apoiadora de Erika Hilton, após agressões na Avenida Paulista
Braço de Patrícia Borges, apoiadora de Erika Hilton, após agressões na avenida Paulista - Arquivo pessoal

Ela registrou um boletim de ocorrência no 78º DP (Jardins) por injúria e lesão corporal. Apenas nesta última sexta-feira (25) —sete meses depois do fato— recebeu a notícia de seu advogado que a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o caso.

Pedro Martinez, o advogado da travesti, diz ter suado a camisa para ver o caso investigado. “Nós precisamos realmente ficar em cima, enquanto advogados, para fazer a coisa andar porque a gente percebe uma resistência da polícia em levar esses crimes [de transfobia] com a celeridade necessária.”

Apesar de o STF ter criminalizado a homofobia e a transfobia, em 2019, as vítimas encontram barreiras da delegacia ao judiciário para responsabilizar os agressores. A ALL OUT, organização global de defesa dos direitos LGBTQIA+, localizou ao menos 34 entraves em uma pesquisa recente.

São problemas ligados à falta de transparência das instituições, à formação inadequada dos agentes públicos que têm dificuldade em reconhecer um crime de ódio, de entendimento sobre se uma pessoa realmente foi vítima de LGBTfobia e até a pandemia.

“As vítimas enfrentam uma corrida de obstáculos que, juntos, se transformam numa nova violência para aqueles que buscam por Justiça”, afirma Leandro Ramos, diretor da ALL OUT para a América Latina.

No estudo, a entidade reforça duas recomendações: a uniformização dos boletins de ocorrência entre os estados e a formação adequada dos agentes públicos em direitos LGBTQIA+. “Assim teremos dados e gente qualificada dando o tratamento correto ao problema”, aponta Ramos.

Para a vereadora Erika Hilton (PSOL), vítima constante de ataques transfóbicos na internet, um movimento positivo ocorreu no governo de Bolsonaro. “É tanta negação de direito, de escanteio de nossas pautas que 30 pessoas trans foram eleitas justamente durante a gestão dele”, diz ela.

OUTRO LADO

Folha solicitou entrevista com Marina Reidel, a gestora trans do departamento LGBT do ministério de Damares, mas ela afirmou não ter agenda disponível.

Em resposta aos questionamentos apontados por ativistas nesta reportagem, a pasta afirma que tem centrado esforços na ampliação da empregabilidade de trans e travestis e que em apenas um projeto deve beneficiar até 3.500 pessoas.

A pasta disse ainda que outra estratégia é o combate à violência LGBTfóbica, com o aperfeiçoamento das denúncias coletadas pelo Disque 100, que será aprimorado.

Sobre os recursos à população LGBTQIA+ empenhados em 2020, a pasta afirmou que o valor é de R$ 3,3 milhões, dos quais houve a liquidação de apenas R$ 145, 2 mil. "Ainda estão em andamento as tratativas com os convenentes para a formalização dos Termos de Fomento e liberação dos recursos".

Em relação ao Conselho LGBT, o ministério disse que o colegiado está mais amplo, apesar de haver apenas três assentos para organizações da sociedade civil ante 15 em anos anteriores.

DESAFIOS E CONQUISTAS DA POPULAÇÃO LGBTQIA+

A partir dos anos 1950
Surgem as divas trans que se tornam grandes estrelas no Brasil e na Europa, como Rogéria, Jane di Castro, Eloína e Fujika, entre outras

_______________ * Homem mais PODEROSO da REPÚBLICA, Lira CONTROLA Câmara, Orçamento e destino de Bolsonaro | Vera Magalhães

Arthur Lira, presidente da Câmara

Seria Arthur Lira o homem mais poderoso da República hoje? Dada a forma como operou para garantir, além da presidência da Câmara, o controle direto de R$ 11 bilhões em recursos do Orçamento da União e o destino de Jair Bolsonaro, sim.

Entender as motivações e a forma como esse personagem opera hoje é fulcral para calcular a fidelidade que os demais agrupamentos sobre os quais ele tem ascendência --- seu partido, o PP, e o Centrão, que hoje é a base do governo na Câmara -- vão se comportar.

Este texto é uma segunda parte da análise que publiquei mais cedo aqui no blog sobre como o caso Covaxin aumentou exponencialmente o custo Bolsonaro para o Centrão e para o PP, que você pode ler abaixo.

A pergunta ali é chave para entender o personagem Arthur Lira: quando o custo passa a ser maior que o ganho de apoiar o governo e segurar Bolsonaro? No caso do presidente da Câmara, ainda há muita lenha a queimar antes de ele pensar em jogar Bolsonaro ao mar.

Numa Câmara operando em modelo híbrido, com a grande maioria dos deputados operando remotamente de seus Estados, o poder que Lira adquiriu de destinar R$ 11 bilhões diretamente a essa massa por meio da chamada RP9, a emenda do relator ao Orçamento, é inigualável.

Deputados de diferentes partidos, do governo e da oposição, são unânimes: a destinação desses recursos é 100% determinada por Lira. A ministra Flávia Arruda, colocada por ele na articulação política, não tem voz sobre um centavo desses recursos.

E por que a dispersão dos deputados nos Estados joga a favor de Lira? Porque ela reduz a ascendência dos líderes sobre suas bancadas, e favorece a linha direta do presidente da Câmara com cada um dos "contemplados". Além disso, ainda que sintam em sua base a insatisfação do eleitorado com Bolsonaro e o governo, os deputados não vão a Brasília para sentir a crise política agravada refletiva na "temperatura" do plenário, que sempre foi fator decisivo nas guinadas de maiorias como Centrão para abandonar o navio de presidentes que passam a ser alvo de pressão das ruas pelo impeachment, como Fernando Collor e Dilma Rousseff.

Nesse aspecto, o distanciamento social contra o qual Bolsonaro tanto vociferou acaba jogando a seu favor, ironicamente.

Com essa dispersão geográfica dos deputados, Lira concentra poderes não só de ministro encarregado do Orçamento como de líder do governo, definindo a pauta e cabalando ele próprio os votos. "Hoje o Ricardo Barros não é o líder do governo, não tem participação em um voto sequer para o governo. O verdadeiro líder é o Lira", analisa um deputado da cúpula da Câmara.

Arthur Lira, presidente da Câmara, e o líder do governo, Ricardo Barros

Outro dado da equação não linear da política neste momento: Lira não vai mover uma palha para salvar a pele do correligionário Ricardo Barros, apostam os observadores mais bem posicionados da Câmara. Eles têm uma rixa histórica, que seria a razão pela qual, consultado pelo deputado Luis Miranda, Lira não o desencorajou a "explodir" o deputado paranaense.

"Não acredito que o Arthur mandou o Luis Miranda explodir o Barros, mas também não o desencorajou", explica um observador privilegiado das relações desse grupo.

Por tudo isso, o grau de resiliência de Arthur Lira ao lado de Bolsonaro é superior ao do restante do Centrão. Mas não é impermeável ao agravamento da crise, ainda mais se outros expoentes do grupo, além de Barros, começarem a se queimar. Por isso, a pressão das ruas no recesso e a volta da Câmara mais nervosa em agosto podem começar a operar mudanças no "fechamento" do presidente da Câmara com o presidente.

Até lá, dizem os observadores, ele espera ter acelerado a destinação das emendas. Acompanhar esse fluxo será vital para entender como vai se movimentar o homem mais poderoso da República hoje.

_______________ * VINTE MORTOS são encontrados em BARCO à DERIVA no CARIBE 

Há duas crianças entre as vítimas; Autoridades ainda investigam óbitos
O Globo e agências internacionais
28/06/2021 - 12:31 / Atualizado em 28/06/2021 - 15:39
Vinte mortos são encontrados em barco à deriva no Caribe Foto: Reprodução/Divulgação/Ilhas Turcas e Caicos
Vinte mortos são encontrados em barco à deriva no Caribe Foto: Reprodução/Divulgação/Ilhas Turcas e Caicos

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COCKBURN TOWN — Autoridades das Ilhas Turcas e Caicos, no Caribe, estão investigando o caso de um barco que foi encontrado à deriva com 20 corpos dentro. Entre as vítimas, que não tiveram as identidades reveladas, há duas crianças.

A embarcação foi descoberta por pescadores na última quinta-feira. Eles alertaram a Marinha e a polícia, que rebocaram o pequeno navio logo em seguida. De acordo com o jornal local The Sun, os corpos encontrados já estavam em estágio de decomposição.

Em comunicado, a porta-voz da polícia, Takara Bain, informou que a hipótese de um assassinato foi descartada, mas os investigadores ainda apuram o que pode ter acontecido.

O delegado Trevor Botting disse que o barco parecia ter vindo de fora do Caribe e as autoridades acreditam que o destino final da viagem não era as Ilhas Turcas.

— Meus investigadores estão trabalhando para descobrir suas identidades e como eles faleceram. Independente das circunstâncias, essa é uma situação trágica na qual muitas pessoas perderam suas vidas. Nossos sentimentos e orações vão para as famílias que perderam parentes amados. Vamos fazer de tudo para identificá-los e entrar em contato com os familiares —  ressaltou Botting no mesmo comunicado.

Apesar de não identificado, há possibilidade do grupo ser formado por migrantes ou refugiados. Autoridades do arquipélago frequentemente lidam com embarcações irregulares que fazem viagens organizadas por traficantes. No dia 25, a polícia interceptou um navio de 12 metros que transportava 43 migrantes haitianos, incluindo uma criança, na ilha de Providenciales.

Naufrágio matou venezuelanos

Em dezembro de 2020, o naufrágio de um barco com venezuelanos no Caribe deixou pelo menos 14 mortos. O grupo morreu afogado a pouco mais de 11 quilômetros do porto venezuelano de Güiria, na Península de Paria, um dos pontos mais próximos de Trinidad e Tobago, destino final da travessia.

_______________ * Esquema MISTO de vacina da ASTRAZENECA+PFIZER produz MELHOR resposta imunológica, diz estudo

Pesquisa da Universidade de Oxford envolveu 830 participantes e vale para intervalo de quatro semanas; análises continuam
Profissional de saúde prepara imunizante da AstraZeneca para vacinação no Sri Lanka Foto: ISHARA S. KODIKARA / AFP
Profissional de saúde prepara imunizante da AstraZeneca para vacinação no Sri Lanka Foto: ISHARA S. KODIKARA / AFP

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LONDRES — Um esquema misto de vacinas contra Covid-19, em que uma dose da Pfizer é administrada quatro semanas após uma dose da AstraZeneca, obtém melhor resposta imunológica do que dar o reforço com a própria AstraZeneca, mostra estudo da Universidade de Oxford divulgado nesta segunda-feira. 

A pesquisa, chamada Com-COV, comparou esquemas mistos de duas doses das vacinas Pfizer e AstraZeneca e descobriu que, em qualquer combinação, elas produziram altas concentrações de anticorpos contra a proteína spike do coronavírus.

Os dados apoiam a decisão de alguns países europeus que começaram a oferecer alternativas à segunda dose da AstraZeneca depois que a vacina foi associada a coágulos sanguíneos raros.  

Matthew Snape, professor de Oxford responsável pelo estudo, disse que a descoberta poderia ser usada para dar flexibilidade ao lançamento de vacinas, mas ainda não é suficiente para recomendar uma mudança mais ampla dos cronogramas clinicamente aprovados. 

"É certamente encorajador que essas respostas de anticorpos e células T pareçam boas com os esquemas mistos", disse. "Mas acho que o padrão deve permanecer, a menos que haja uma boa razão em contrário, para o que está provado que funciona", acrescentou Snape referindo-se aos esquemas de vacinas que usam a mesma marca e foram avaliados em testes clínicos.  

A maior resposta de anticorpos foi observada em pessoas que receberam duas doses da vacina Pfizer, com ambos os esquemas mistos produzindo melhores respostas do que duas doses da vacina AstraZeneca.

Uma dose de AstraZeneca seguida pelo reforço com a Pfizer produziu melhor resposta de células T e também uma resposta de anticorpos mais alta do que a Pfizer seguida pela AstraZeneca. 

Os resultados foram para combinações de vacinas administradas em intervalos de quatro semanas e envolveram 830 participantes. 

O Com-COV também está analisando esquemas mistos ao longo de um intervalo de 12 semanas, e Snape observou que a dose da AstraZeneca é conhecida por produzir uma resposta imunológica melhor com um intervalo mais longo entre as doses. 

No Reino Unido, as autoridades sugeriram um intervalo de 8 semanas entre as doses da vacina para maiores de 40 anos e um intervalo de 12 semanas para outros adultos. 

"Dada a posição de abastecimento estável do Reino Unido, não há razão para alterar os calendários de vacinas neste momento", disse o vice-chefe médico da Inglaterra, Jonathan Van-Tam, acrescentando que os dados em um intervalo de 12 semanas influenciariam futuras decisões sobre a implementação programa.

Mais de 80% dos adultos no Reino Unido já receberam uma dose de vacina contra Covid-19 e 60% receberam duas doses. 

_______________ * Vacina da AstraZeneca produz forte resposta imunológica com terceira dose, diz estudo

Pesquisa da Universidade de Oxford descobriu que reforço, ainda em estudo pelo Reino Unido, aumenta as respostas dos anticorpos e das células T
Primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida por Oxford em parceria com a AstraZeneca já é aplicada em vários países, inclusive no Brasil. Foto: SONNY TUMBELAKA / AFP
Primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida por Oxford em parceria com a AstraZeneca já é aplicada em vários países, inclusive no Brasil. Foto: SONNY TUMBELAKA / AFP

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LONDRES - Uma terceira dose da vacina Oxford-AstraZeneca produz uma forte resposta imunológica, aponta estudo divulgado nesta segunda-feira. No entanto, ainda não há evidências de que tais aplicações sejam necessárias, especialmente dada a escassez de imunizantes em alguns países.

O estudo da Universidade de Oxford descobriu que uma terceira dose da vacina aumenta as respostas imunológicas dos anticorpos e das células T. Além disso, a segunda dose pode ser atrasada em até 45 semanas após a primeira, o que também levar a uma resposta imunológica aprimorada.

O governo britânico disse que está estudando uma campanha de reforço da vacina no outono, com três quintos dos adultos já tendo recebido as duas doses da vacina contra a Covid-19.

Andrew Pollard, diretor do Oxford Vaccine Group, disse que a evidência de que o imunizante protege contra as variantes atuais por um período prolongado de tempo significa que tal reforço pode não ser necessário.

— Temos que estar em uma posição em que possamos aplicar a terceira dose se for necessário, mas não temos nenhuma evidência de que isso seja necessário — disse ele em entrevista coletiva. — Neste momento, com um alto nível de proteção na população do Reino Unido e nenhuma evidência de perda, dar terceiras doses agora enquanto outros países não têm doses é inaceitável.

Estudos já haviam mostrado que o imunizante, desenvolvido pela Universidade de Oxford e licenciado para a AstraZeneca, tem maior eficácia quando a segunda dose é adiada para 12 semanas em vez de quatro semanas.

A pesquisa foi lançada em um pré-print e analisou 30 participantes que receberam uma segunda dose tardia e 90 que receberam uma terceira dose, todos com menos de 55 anos.

Isso ajuda a amenizar as preocupações de que as vacinas de vetor viral contra Covid-19, como aquelas feitas pela AstraZeneca e Johnson & Johnson/Janssen, podem perder sua potência se inoculações anuais forem necessárias devido ao risco de o corpo produzir uma resposta imune contra os vetores que entregar a informação genética da vacina.

— Houve algumas preocupações de que não seríamos capazes de usar esta vacina em um regime de vacinação de reforço, e isso certamente não é o que os dados estão sugerindo — disse à Reuters a autora do estudo, Teresa Lambe, do Instituto Jenner de Oxford.

_______________ * Há 20 mil anos, humanidade enfrentou uma epidemia de coronavírus, indica novo estudo

Pesquisa da Universidade do Arizona, nos EUA, descobriu genes humanos que evoluíram rapidamente no antigo Leste Asiático para impedir infecções por coronavírus; eles podem ajudar com futuros medicamentos contra a Covid-19
Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula (azul-petróleo) infectada com partículas do vírus SARS-CoV-2 (laranja), isolada de uma amostra de paciente. Imagem capturada no Centro de Pesquisa Integrada (IRF) do NIAID em Fort Detrick, Maryland. Foto: Agência O Globo
Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula (azul-petróleo) infectada com partículas do vírus SARS-CoV-2 (laranja), isolada de uma amostra de paciente. Imagem capturada no Centro de Pesquisa Integrada (IRF) do NIAID em Fort Detrick, Maryland. Foto: Agência O Globo

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NOVA YORK — Pesquisadores encontraram evidências de que uma epidemia de coronavírus atingiu o Leste Asiático há cerca de 20 mil anos e foi devastadora o suficiente para deixar uma marca evolutiva no DNA das pessoas vivas atualmente.

O novo estudo, publicado na quinta-feira na revista Current Biology, sugere que um antigo coronavírus assolou a região por muitos anos, dizem os cientistas. A descoberta pode ter implicações negativas para a pandemia da Covid-19, caso ela não seja controlada logo por meio da vacinação.

— Isso deve nos preocupar. O que está acontecendo agora pode estar acontecendo por gerações e gerações — disse David Enard, biólogo evolucionista da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, que liderou o estudo.

Até agora, os pesquisadores não podiam olhar muito para trás na história dessa família de patógenos. Nos últimos 20 anos, três coronavírus se adaptaram para infectar humanos e causar doenças respiratórias graves: Covid-19, Sars e Mers. Estudos sobre cada um desses coronavírus indicam que eles surgiram em nossa espécie vindos dos morcegos ou de outros mamíferos.

Quatro outros coronavírus também podem infectar as pessoas, mas geralmente causam apenas resfriados leves. Os cientistas não observaram diretamente esses coronavírus se tornando patógenos humanos, então eles confiaram em pistas indiretas para estimar quando os saltos entre espécies aconteceram. Os coronavírus ganham novas mutações em uma taxa aproximadamente regular e, portanto, a comparação de sua variação genética torna possível determinar quando eles divergiram de um ancestral comum.

O mais recente desses coronavírus leves, denominado HCoV-HKU1, cruzou a barreira das espécies na década de 1950. No caso do mais antigo, denominado HCoV-NL63, pode ter sido há 820 anos.

No entanto, antes desse ponto, a trilha do coronavírus esfriou — até que Enard e seus colegas aplicaram um novo método à pesquisa. Em vez de olhar para os genes dos coronavírus, os pesquisadores analisaram os efeitos no DNA de seus hospedeiros humanos.

Mudanças no genoma humano

Ao longo de gerações, os vírus provocam enormes mudanças no genoma humano. Uma mutação que protege contra uma infecção viral pode muito bem significar a diferença entre a vida e a morte, e será transmitida aos descendentes. Uma mutação que salva vidas, por exemplo, pode permitir que as pessoas dividam as proteínas de um vírus.

Mas os vírus também podem evoluir. Suas proteínas podem mudar de forma a superar as defesas do hospedeiro. E essas mudanças podem estimular o hospedeiro a desenvolver ainda mais contra-ofensivas, levando a mais mutações.

Quando uma nova mutação aleatória acontece para fornecer resistência a um vírus, ela pode rapidamente se tornar mais comum de uma geração para a outra. E outras versões desse gene, por sua vez, tornam-se mais raras. Portanto, se uma versão de um gene domina todas as outras em grandes grupos de pessoas, os cientistas sabem que isso é provavelmente uma assinatura de uma evolução rápida no passado.

Nos últimos anos, Enard e seus colegas pesquisaram no genoma humano esses padrões de variação genética para reconstruir a história de uma série de vírus. Quando começou a pandemia da Covid-19, ele se perguntou se os antigos coronavírus haviam deixado uma marca própria que os distinguiriam.

Ele e seus colegas compararam o DNA de milhares de pessoas em 26 populações diferentes ao redor do mundo, observando uma combinação de genes conhecidos por serem cruciais para os coronavírus, mas não para outros tipos de patógenos. Em populações do Leste Asiático, os cientistas descobriram que 42 desses genes tinham uma versão dominante.

Esse foi um forte sinal de que as pessoas no Leste Asiático se adaptaram a um antigo coronavírus. Mas o que quer que tenha acontecido na  região parecia ter se limitado a ela.

— Quando os comparamos com as populações de todo o mundo, não conseguimos encontrar o sinal — disse Yassine Souilmi, pesquisador da Universidade de Adelaide, na Austrália, e coautor do novo estudo.

Os cientistas então tentaram estimar há quanto tempo os habitantes do Leste Asiático haviam se adaptado a um coronavírus. Eles aproveitaram o fato de que, uma vez que uma versão dominante de um gene começa a ser transmitida de geração em geração, ela pode receber mutações aleatórias inofensivas. Conforme mais tempo passa, mais dessas mutações se acumulam.

Enard e os demais pesquisadores descobriram que os 42 genes tinham quase o mesmo número de mutações. Isso significava que todos eles haviam evoluído rapidamente mais ou menos ao mesmo tempo.

— Este é um sinal que não devemos esperar que aconteça por acaso — disse Enard.

Genes podem se tornar alvos de medicamentos

Os pesquisadores estimaram que todos esses genes desenvolveram suas mutações antivirais em algum momento entre 20 mil e 25 mil anos atrás, provavelmente ao longo de alguns séculos. É uma descoberta surpreendente, uma vez que os asiáticos orientais na época não viviam em comunidades densas, mas formavam pequenos grupos de caçadores-coletores.

Aida Andres, uma geneticista evolucionista da University College de Londres que não esteve envolvida no novo estudo, disse que achou o trabalho convincente. No entanto, ela não acredita ser possível fazer uma estimativa firme de há quanto tempo a antiga epidemia ocorreu.

— O momento é complicado. Eu pessoalmente acho que não podemos estar tão confiantes em afirmar que isso aconteceu alguns milhares de anos antes ou depois — afirmou.

Os cientistas que procuram medicamentos para combater o novo coronavírus podem querer examinar os 42 genes que evoluíram em resposta à antiga epidemia, disse Souilmi.

— Esses dados estão nos apontando para botões moleculares para ajustar a resposta imunológica ao vírus — disse o pesquisador.

Anders concorda, acrescentando que os genes identificados no novo estudo deveriam receber atenção especial como alvos de medicamentos. 

— Você sabe que eles são importantes. Essa é uma coisa boa sobre a evolução — afirmou.

_______________ * Caderno especial histórico do GLOBO no dia do Orgulho LGBTQIAP+ repercute nas redes e nos programas de TV

Ana Maria Braga, Fátima Bernardes, Ingrid Guimarães e Ana Furtado celebram a edição deste 28 de junho
Ana Maria Braga parabeniza edição do GLOBO sobre o Orgulho LGBTQIA+ Foto: Reprodução Globo
Ana Maria Braga parabeniza edição do GLOBO sobre o Orgulho LGBTQIA+ Foto: Reprodução Globo

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RIO — Nesta segunda-feira, O GLOBO apresentou em sua edição impressa um caderno especial em comemoração ao dia do Orgulho LGBTQIAP+. Nas redes sociais, a iniciativa repercutiu entre famosos, e programas de TV celebraram a publicação em meio à comemoração da data, da luta e dos avanços para a comunidade LGBTQIAP+.

Para marcar a data, a sigla do movimento e o logotipo do jornal foram mesclados, alterando, pela primeira vez em 95 anos de existência da publicação, o visual da marca.

No Mais Você, programa matinal da Rede Globo, Ana Maria Braga parabenizou O GLOBO pela homenagem e destacou a capa com o economista e ex-BBB Gilberto Nogueira:

— Gostaria de cumprimentar o jornal O GLOBO por trazer um caderno especial, que vale muito a pena conferir. Na capa traz Gil do Vigor, falando sobre a importância de fazer com que as informações cheguem às pessoas. O caderno tem vários outros artigos importantes, que ajudam a incentivar o respeito. Esse é um caminho sem volta —  disse Ana Maria Braga.

No Encontro com Fátima Bernardes, a apresentadora ressaltou a mudança na logomarca no impresso, um marco para o veículo.

— Na edição de hoje, o jornal O GLOBO, em 95 anos de vida, mudou pela primeira vez sua logomarca e colocou a sigla LGBTQIAP+. Muito maravilhoso! — afirmou Fátima Bernardes.

Fátima Bernardes mostra capa histórica do Globo no Dia do Orgulho LGBTQIAP+ Foto: Reprodução Globo
Fátima Bernardes mostra capa histórica do Globo no Dia do Orgulho LGBTQIAP+ Foto: Reprodução Globo

Já nas redes sociais, a apresentadora Ana Furtado deixou a sua opinião sobre a edição do jornal:

— Que linda a capa! Dia do Orgulho! — escreveu ela.

Ana Furtado elogia edição especial do Orgulho LBGTQIA+ do Globo Foto: Divulgação
Ana Furtado elogia edição especial do Orgulho LBGTQIA+ do Globo Foto: Divulgação

A atriz Ingrid Guimarães fez questão de postar uma foto do caderno especial do GLOBO, deixando um bom dia colorido para os seus seguidores.

Ingrid Guimarães posta edição especial do GLOBO em rede social Foto: Divulgação
Ingrid Guimarães posta edição especial do GLOBO em rede social Foto: Divulgação

Representando a edição deste 28 de junho na edição impressa, o slogan de Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, é: “contra qualquer preconceito, vigore!”.

Além de uma entrevista com o ex-BBB falando sobre representatividade, o caderno especial do GLOBO trouxe artigos ressaltando a importância em se ter pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexuais, assexuais, entre outras possibilidades de identidade de gênero e orientação sexual, nas empresas, na ciência e em todas as esferas sociais, tendo como base a aceitação de todas as formas de amor e o orgulho de ser quem é.

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As cores do Brasil de 2021

Mercado de trabalho, ciência e entretenimento: pessoas LGBTQIAP+ ocupam espaços, mas luta está longe do fim
Prefeitura do Rio ilumina locais turísticos com as cores do Orgulho LGBTQIAP+. Na foto, Welson e João Pedro, namorados, em frente ao Museu do Amanhã Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo
Prefeitura do Rio ilumina locais turísticos com as cores do Orgulho LGBTQIAP+. Na foto, Welson e João Pedro, namorados, em frente ao Museu do Amanhã Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

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O ano de 2021 tem sido marcado por um intenso debate sobre diversidade. Da paixão dos brasileiros por Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, um economista gay que se destacou no Big Brother Brasil, ao avanço da agenda inclusiva dentro das empresas, 2021 indica mais oportunidades e menos preconceito contra a população LGBTQIAP+.

Por outro lado, os desafios ainda persistem com reiterados ataques homofóbicos e transfóbicos nas redes sociais e números de violência física altos, porém imprecisos. As dificuldades estatísticas indicam a falta de encaminhamento da questão pelas instituições responsáveis.

O GLOBO apresenta hoje, em sua edição impressa, um caderno especial sobre o tema e um encarte com um pôster da bandeira do Orgulho LGBTQIAP+. Para marcar a data, a sigla do movimento e o logotipo do jornal foram mesclados.

Caderno especial e megapôster do Dia do Orgulho LGBTQIAP+ Foto: Agência O Globo
Caderno especial e megapôster do Dia do Orgulho LGBTQIAP+ Foto: Agência O Globo

Essas reportagens estão no site e nas redes sociais do jornal, você pode lê-las aqui:

No Dia do Orgulho LGBTQIAP+, Gil do Vigor fala sobre representatividade: 'Temos que continuar abrindo a boca'
Economista reflete sobre a importância de se discutir gênero em programas de entretenimento: 'Quando se discute no “Encontro com Fátima Bernardes”, no “Mais Você”, no “BBB”, no “Jornal Nacional”, você faz com que a informação chegue'

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Vivian Miranda tem uma carreira brilhante nos EUA e luta pela longevidade trans: ‘Uma batalha maior que a vida’
A astrofísica brasileira Vivian Miranda Foto: Arquivo Pessoal
A astrofísica brasileira Vivian Miranda Foto: Arquivo Pessoal

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Em janeiro do ano que vem, a carioca Vivian Miranda, de 35 anos, chegará a Stony Brook, em Nova York, para ocupar o cargo de professora-adjunta de Astrofísica. O feito é simbólico: Vivian é uma mulher em meio a uma área majoritariamente masculina, numa das mais prestigiadas universidades do mundo. Uma mulher trans.

Chamar-se assim (na apresentação de sua conta no Instagram, inclusive, está escrito: “Mulher transexual com muito orgulho!”) foi algo que ela só conseguiu nos Estados Unidos, onde vive desde 2010, quando foi para Chicago cursar o doutorado em Astronomia. Lá, Vivian fez a transição de gênero, pois, no Brasil, não sentia que isso seria possível. Em 2016, quando estava no pós-doutorado da Pensilvânia, assumiu o gênero feminino definitivamente. Algo que só fez no Brasil dois anos depois, sob uma enxurrada de preconceitos.

— Quando estava em Chicago, vinham pessoas do Brasil e falavam: “Vamos abrir concurso na sua área, e você vai fazer”. Mas quando souberam... Os concursos aconteceram e em nenhum deles eu fui bem-vinda— relembra ela, agora no segundo pós-doc no Arizona. — Tenho histórias horripilantes. Você via na expressão das pessoas. Ainda mais que eu estava no começo da transição, tinha traços masculinos. Disseram que eu joguei fora a minha carreira. E eu continuava publicando, fazendo a mesma ciência.

Vivian recebeu ligações de professores tentando convencê-la a não vir ao Brasil fazer provas e descobriu que uma banca achou que ela precisava ser “mais neutra, mais física e menos trans”. Seu currículo, no entanto, seguiu inabalável. Depois da transição, ganhou, em abril de 2019, o prêmio Leona Woods, que celebra as contribuições de mulheres e outros grupos minorizados na Física, e fez projetos em parceria com a Nasa. Mais tarde, conseguiu a cobiçada vaga de professora na Stony Brook.

— Vivian é uma das maiores especialistas em Cosmologia, a área que se dedica ao estudo do universo. Basta dizer que ela acabou de conseguir emprego numa das melhores universidades do mundo — diz o professor do departamento de Física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Rogério Rosenfeld, que a carioca lista como um de seus maiores incentivadores. — Colaboro com ela há algum tempo e admiro seu entusiasmo e sua sensibilidade no trato com as pessoas.

Nascida na Vila da Penha e criada em Ipanema, no Rio, Vivian tem conexão com a Cosmologia desde pequena. Gostava de observar o céu no sítio da família em Teresópolis e colecionava reportagens sobre Astronomia. Na adolescência, participou da Olimpíada Brasileira de Astronomia e esticava horas a fio no Planetário da Gávea.

— Estudava à noite (no colégio Pedro II) para passar o dia no planetário — diz. — Lá existe uma biblioteca bem legal. Isso mostra a importância de planetários. Devia ter mais no Rio, pois foi fundamental na minha educação. O investimento é grande, mas dá lucro.

Vivian tinha certeza do caminho profissional (ela fez graduação em Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, com o intuito de seguir na Astronomia no doutorado) e de sua identidade de gênero. Mas os caminhos pareciam conflitantes.

— Sempre vesti roupas da minha mãe. Na hora de fazer primeira comunhão e me confessar, foi tudo sobre isso. Eu me sentia muito culpada — relembra. — Acreditava que, semostrasse isso para o mundo, nunca ia conseguir ser cientista.

Agora que fez a transição e é uma astrofísica reconhecida, em que pé está a vida? Certamente há alívio, mas a luta continua:

— Tenho pensado muito em como lidar com uma batalha que vai ser maior do que a vida — reflete. — Não tenho esperanças de que vou chegar ao final da minha existência com uma sociedade que vai me aceitar de maneira tranquila.

Mas Vivian não é pessimista, tem esperanças no “trabalho de formiguinha”. Acha que, daqui a algumas décadas, a população LGBTQIAP+, que está entrando em cargos mais baixos nas universidades agora, estará em postos suficientemente altos para que não se repita o que aconteceu com ela em concursos.

— Vai melhorar. (Mas) vai continuar depois da minha existência. Como você lida com uma batalha que você não pode ganhar sem perder o fôlego? Essa questão grave do suicídio das pessoas trans está relacionada ao fôlego. Aqui nos EUA, há muitos trans de terceira idade e tenho pensado bastante em como ir até o final. Isso inclui saber as brigas em que vou entrar — explica.

Dentre os combates que Vivian Miranda trava estão falar sobre a falta de incentivo à ciência e o sentimento de medo no Brasil, país onde a expectativa de vida das pessoas trans é de 35 anos.

— (No governo Trump) houve coisas bizarras, mas não foram 10% das mudanças que eu vi no Brasil. 

Aí, as pessoas olhavam, às vezes xingavam, não colocavam em cargos de poder, mas eu não sentia medo de morrer. 

Hoje, eu sinto — diz ela. — Ipanema sempre foi um refúgio, um lugar diverso. Agora é um território hostil. 

Tenho vontade de voltar ao país, adoro os meus alunos brasileiros, mas vou ter que viver numa bolha muito restrita.

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