_______________ * EMISSÁRIOS do governo comunicaram PACHECO sobre ‘ALTO GRAU de INSATISFAÇÃO ’ da CÚPULA_MILITAR com CPI

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Jornalista Reinaldo Azevedo e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto

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_______________ * Com REJEIÇÃO recorde, Bolsonaro ameaça CANCELAR eleições de 2022

_______________ * VIÚVA do capitão ADRIANO fecha DELAÇÃO PREMIADA com MP e pode esclarecer assassinato de Marielle

_______________ * Reunião no Planalto com MILITARES e BOLSONARO tem vídeo sobre o 3J e “PERIGO do COMUNISMO” no país como tema (vídeos)

_______________ * Militares ameaçam reação "mais dura" se CPI citar corrupção nas Forças Armadas

_______________ * ‘Não existe banda podre das Forças Armadas’, diz o general Santos Cruz

_______________ * Olavo de Carvalho chega ao Brasil para tratamento médico

_______________ * 'Militares NÃO conseguem CONVIVER com a DEMOCRACIA, dizem advogados em nota contra ATAQUE das Forças Armadas ao SENADO 

_______________ * Relação de Flávio com caso Covaxin deve ser investigada, afirma Renan

_______________ * Omar Aziz questiona Bolsonaro sobre denúncias e reage: "não é o senhor que vai parar essa CPI"

_______________ * Michel Temer, golpista contra Dilma, discorda do impeachment de Bolsonaro e trama novo golpe: o semipresidencialismo

_______________ * Marcos Rogério levanta a voz contra Eliziane e toma invertida: 'quem está presidindo aqui sou eu' (vídeo)

_______________ * Ibovespa cai mais de 1% e dólar vira para queda

_______________ * “Pantim” das Forças Armadas pode ser senha para o golpe bolsonarista

_______________ * Nota infame dos militares afronta poder civil e encobre gangues corruptas

_______________ *DESBOLSONARIZAR a democracia, DESMORIZAR a justiça

_______________ * Prisão de Roberto Dias na CPI pode estar errada, mas também pode estar bem certa

_______________ * Jornalistas escrevem que há "QUADRILHA de MILITARES na CORRUPÇÃO da VACINA"

_______________ * Doria vende a sede do Sindicato dos Metroviários para enfraquecer luta sindical

_______________ * Uma cortina de fumaça chamada antissemitismo

_______________ * PSOL pede convocação de Braga Netto à Câmara para explicar ‘tentativa de intimidação’ da CPI da Covid

_______________ * Reinaldo Azevedo: 'NOTA dos MILITARES é MENTIROSA e GOLPISTA 

_______________ * "Ninguém chamará Bolsonaro de mito na cadeia", diz Ruy Castro

_______________ * MERVAL diz que há CORRUPÇÃO_MILITAR no Ministério da Saúde

_______________ * Miriam LEITÃO vê GUERRA entre a QUADRILHA MILITAR e a TURMA do CENTRÃO no Ministério da Saúde

_______________ * Dossiê que teria sido feito por ex-diretor da Saúde assombra civis e militares do governo Bolsonaro

_______________ * Em nova manifestação, militares criticam Congresso, STF e chamam a CPI de 'Circo Parlamentar de Indecência' 

_______________ * Com país em crise, Bolsonaro diz que está com 'agenda folgada'

_______________ * Datafolha: rejeição a Bolsonaro atinge 51%, maior taxa desde início do governo

_______________ * Delta: variante da Covid-19 sucumbe a vacinas de Pfizer e AstraZeneca, mas só após 2ª dose

_______________ * PSOL pede convocação de ministro da Defesa na Câmara para explicar ‘tentativa de intimidação’ da CPI

_______________ * Forças Armadas protestam contra situação que criaram, em nota à CPI da Covid

_______________ * O que preocupa na indicação de André Mendonça ao Supremo 

_______________ * Bolsonaro volta a fazer comentário racista sobre cabelo de apoiador: 'Olha o criador de barata aqui'

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_______________ * Com rejeição recorde, Bolsonaro ameaça cancelar eleições de 2022

Presidente Jair Bolsonaro fala ࠩmprensa ao sair do Palᣩo da Alvorada

247 - Jair Bolsonaro ameaçou nesta quinta-feira (8) cancelar as eleições presidenciais de 2022.

Em conversas com apoiadores na porta do Palácio do Alvorada, Bolsonaro voltou a fazer acusações sem provas sobre o processo eleitoral e a defender o voto impresso. “Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, afirmou. 

Novo ataque à democracia acontece um dia depois de Bolsonaro fazer acusação semelhante às urnas eletrônicas e afirmar em entrevista à rádio Guaína, e também sem provas, que Aécio Neves teria vencido as eleições presidenciais de 2014, e não a ex-presidenta Dilma Rousseff.

As recorrentes afirmações falsas de Bolsonaro sobre as eleições no Brasil se intensificam no momento em que todas as pesquisas recentes apontam o favoritismo do ex-presidente Lula (PT).

Pesquisa Ipsos encomendada pelo DEM mostra que o ex-presidente Lula é o candidato com menor rejeição para a eleição de 2022. 59% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum em Jair Bolsonaro. A marca de Lula nessa mesma questão foi de 33%, abaixo de João Doria, rejeitado por 54% dos entrevistados, Sergio Moro (47%), Luiz Henrique Mandetta (47%) e Ciro Gomes (45%). 

_______________ * Viúva do capitão Adriano fecha delação premiada com MP e pode esclarecer assassinato de Marielle

Adriano Magalhães da Nóbrega e Júlia Emílio Mello Lotufo

247 -  A viúva do capitão Adriano da Nóbrega, miliciano suspeito no envolvimento no caso do assassinato de Marielle Franco, que foi assassinado na Bahia no ano passado, está perto de homologar uma delação premiada com o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro e o Ministério Público do estado. Júlia Emílio Mello Latufo está negociando há algumas semanas com os procuradores, tendo como seu advogado o ex-senador Demóstenes Torres, que voltou a advogar. A delação já está na segunda fase, ou seja, foi aceita pelos procuradores e agora está focada em tratar de anexos específicos sobre homicídios cometidos por organizações criminosas no Rio de Janeiro, segundo o jornalista Guilherme Amado no portal Metrópoles 

Júlia Lotufo viveu um relacionamento amoroso por 10 anos com Adriano da Nóbrega e chegou a acompanhá-lo até a Bahia, onde ele foi morto, em fevereiro de 2020. Ficou foragida e teve a prisão preventiva decretada, mas a punição foi reduzida a prisão domiciliar. Antes da morte de Nóbrega, ela trabalhou na Subdiretoria-Geral de Recursos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Agora, ela responde a um processo da 1ª Vara Criminal Especializada da Capital do RJ, por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Com a morte do marido, segundo esse processo, coube a ela cuidar do espólio de atividades ilegais de Adriano. Ela foi denunciada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio (MPRJ), e nesse processo consta um documento da contabilidade dos negócios ilegais de Adriano. Essa planilha foi obtida na quebra do sigilo telemático da viúva.

Partiu de Júlia a iniciativa de fazer contato com os investigadores. Ela procurou inicialmente a Polícia Civil. O secretário de Polícia Alan Turnowski procurou o MP do Rio com o objetivo de fazer uma reunião da defesa de Júlia com a promotora Simone Sibílio, responsável pela investigação dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. Este encontro ocorreu há algumas semanas, e Sibílio se interessou sobre as informações que Júlia tinha a fornecer sobre o caso Marielle.

A defesa de Júlia foi encaminhada para outra área do Ministério Público, que investiga a participação de milicianos em assassinatos de aluguel – mortes como as cometidas pela organização criminosa Escritório do Crime. Posteriormente, o Ministério Público Federal foi envolvido na negociação e tudo caminha para que na semana que vem haja a homologação.

_______________ * Reunião no Planalto com militares e Bolsonaro tem vídeo sobre o 3J e “perigo do comunismo” no país como tema (vídeos)

Reunião no Planalto com detalhe da foto de vídeo sendo projetado

247 - Um dia antes de assinar uma nota com fortes críticas contra o senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão Parlamentar (CPI) da Covid, os comandantes das Forças Armadas participaram de uma reunião-almoço no Palácio do Planalto com o presidente Jair Bolsonaro. A cúpula do governo estava no encontro, com a presença de ministros civis e outras autoridades, cerca de 50 pessoas. No encontro, terça-feira (6) foram projetados vídeos sobre o 3J (veja abaixo) e houve discursos sobre a “ameaça comunista” ao país, segundo o jornalista Renato Souza, do Correio Braziliense.

A pauta da reunião era balanço dos 30 meses de governo. Mas foi bem além e tratou de protestos pelo país que miraram o presidente Jair Bolsonaro no fim de semana e os riscos de o número de manifestantes nas ruas aumentar e pressionar o Congresso. 

Além de ministros como Braga Netto, da Defesa; André Mendonça, advogado-geral da União; e Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional; estavam presentes o comandante do Exército, general Paulo Sérgio; da Marinha, Almir Santos; e da Força Aérea, Carlos Baptista Júnior; e integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Os vídeos projetados serviram de mote para a crítica aos protestos e ressaltaram a presença de símbolos de organizações comunistas nos atos. O texto descrito pelo narrador dos vídeos fazia referência a uma suposta tentativa de instalar o comunismo no país, remetendo a alegações usadas para instaurar o golpe militar de 1964.

Um dos vídeos é de um militante bolsonarista que se infiltrou nas manifestações que ocorreram na Avenida Paulista. Dizendo-se “ex-militante da União da Juventude Socialista (UJS)”, o homem filmou os protestos, bandeiras de partidos e acusou os participantes de vestirem verde e amarelo e portarem a Bandeira do Brasil para descaracterizar símbolos usados em atos pró-Bolsonaro.

Veja:

Em uma das imagens publicadas no Flickr do Palácio do Planalto, que está na foto desta reportagem, é possível ver um trecho do vídeo sendo reproduzido no telão (veja outra foto abaixo). De acordo com fontes no governo, a reunião ministerial foi precedida de encontros menores e conversas particulares com o presidente.

Veja a foto:

Detalhe de foto com projeção de vídeo em reunião no Planalto(Photo: Flickr Planalto)Flickr Planalto

_______________ * Jornalistas escrevem que há "quadrilha de militares na corrupção da vacina"

247 - Em artigos publicados nas últimas horas, depois da nota das Forças Armadas com ameaças à CPI da Covid e ao Congresso, jornalistas analisam a participação de militares no governo de Jair Bolsonaro e apontam que a gestão dos oficiais no Ministério da Saúde, em especial no combate à pandemia, é marcada por esquemas de corrupção. 

O escândalo no Ministério da Saúde envolve, entre outros militares, o ex-ministro Eduardo Pazuello e o secretário executivo da pasta, coronel Élcio Franco.

“O ex-secretário-executivo coronel Élcio Franco — aquele que usa o broche de uma caveira esfaqueada — estava no lado oposto ao de Ricardo Dias. Enquanto brasileiros morriam, vacina passara a ser uma moeda de troca numa disputa de poder", escreveu a jornalista Miriam Leitão, em sua coluna desta quinta-feira.

Já a jornalista Tereza Cruvinel questiona:  “A nota [dos militares] termina dizendo que as Forças Armadas "não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro". E o que farão se ficar provado que alguns dos seus, ativos ou da reserva, participaram do esquema de corrupção que vai sendo desvendado no Ministério da Saúde? Vão fechar o Congresso ou dar uma prova de republicanismo, pregando a punição de todos, inclusive dos seus?”. 

Na visão da jornalista Cynara Menezes, “Quem enlameou as Forças Armadas foram os militares que se uniram ao governo sujo de Jair”. “Defesa, que nada fez contra a militarização da Saúde, agora ameaça o país por não aceitar investigação de corrupção sobre os seus”, acrescenta. 

O articulista Jeferson Miola faz um alerta em artigo. “Se não tiver uma reação contundente dos civis, os militares interpretarão isso ou [1] como consentimento/indiferença passiva; ou como [2] medo do poder fardado. Em quaisquer dessas hipóteses, o governo militar não hesitará em escalar novos degraus rumo a um regime fascista-militar”.

O jornalista Merval Pereira, do Globo, dedicou sua coluna desta quinta-feira ao tema da corrupção militar no governo de Jair Bolsonaro. "Como uma pessoa como o cabo Dominguetti, que não sabe se expressar, escreve português errado, está à frente de um negócio de R$ 1,5 bilhão? A troco de que ele tem acesso ao segundo na hierarquia do Ministério da Saúde?", questiona.

Leandro Demori, jornalista do site The Intercept Brasil, aponta a “parcela de ladrões no governo". "Tem 6.000 militares no governo. Muitos nas altas bocas de cargos de diretoria. Muitos em ministérios. Entre eles, como está ficando cada vez mais claro, há uma parcela de LADRÕES. As Forças Armadas podem lidar com isso como desejarem, até mesmo com mimimi”. 

O jornalista da Globo Octávio Guedes postou que "já temos ‘IPM rigoroso’ para apurar eventual envolvimento de militares em crime?! Ih, não! Agora é democracia. Tem CPI. Xiiiii”. 

Sua referência é ao frustrado atentado militar do Riocentro que teve um  inquérito do Exército que terminou dizendo que os culpados eram os alvos do atentado.

As bombas, levadas ao complexo num carro esportivo civil Puma GTE, seriam plantadas no pavilhão pelo sargento Guilherme Pereira do Rosário e pelo capitão Wilson Dias Machado. Com o evento já em andamento, uma das bombas explodiu prematuramente dentro do carro onde estavam os dois militares, no estacionamento do Riocentro, matando o sargento e ferindo gravemente o capitão Machado. 

_______________ * Militares ameaçam reação "mais dura" se CPI citar corrupção nas Forças Armadas

Paulo Sergio Nogueira, Braga Netto, Jair Bolsonaro, Almir Garnier Santos e Carlos de Almeida Baptista Junior

247 - Integrantes da cúpula das Forças Armadas ameaçam o Congresso Nacional com uma reação “mais dura”, caso a CPI da Covid volte a fazer citações a suspeitas de corrupção envolvendo militares. Membros das Forças ouvidos pela jornalista Bela Megale na noite desta quarta-feira (7) afirmaram que as próximas manifestações podem ter respostas mais críticas. Eles não detalham, porém, a extensão de suas ameaças ao Poder Legislativo.

Apesar de o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), ter deixado claro que suas declarações sobre militares corruptos referiam-se a alguns integrantes das Forças Armadas que atuam no governo e não à instituição, o comando militar aproveitou a oportunidade para tentar estabelecer um veto a qualquer investigação contra integrantes especialmente do Exército.

Os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica não só referendaram como também participaram da elaboração da nota publicada ontem pelo Ministério da Defesa, em repúdio às declarações de Aziz sobre corrupção entre parte dos militares. O presidente Bolsonaro também passou boa parte do dia focado na articulação da resposta à comissão.

Veja a nota militar: 

Aziz reagiu publicamente também na noite desta quarta e disse que o ato é uma tentativa de intimidação ao Senado. Durante o depoimento do ex-diretor do Departamento de Logística, Roberto Ferreira Dias, nesta quarta-feira, Aziz disse que “os bons das Forças Armadas devem estar envergonhados” pelo envolvimento de militares nas suspeitas de negociações de vacinas do Ministério da Saúde.

Em seu depoimento, Dias atribuiu ao ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Élcio Franco, a responsabilidade da compra de vacinar na gestão do general Eduardo Pazuello. Hoje ambos ocupam cargos no Palácio do Planalto.

_______________ * ‘Não existe banda podre das Forças Armadas’, diz o general Santos Cruz

Roberto Dias, o senador Omar Aziz e militares ao fundo

247 - O ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo Carlos Alberto dos Santos Cruz rebateu o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), após o parlamentar dizer nessa quarta-feira (7) que há muito tempo "o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo, fazia muitos anos".

“Isso não tem nada a ver com a instituição Forças Armadas", afirmou Santos Cruz à CNN Brasil. "Não se pode confundir as responsabilidades pessoais com a postura institucional", acrescentou.

De acordo com o general, não se pode considerar um volume significativo para chamar de "lado podre". Para o ex-ministro, há "um problema ou outro e são tomadas as providências normais".

_______________ * Olavo de Carvalho chega ao Brasil para tratamento médico

Olavo de Carvalho

Igor Gadelha, Metrópoles - Considerado o guru do bolsonarismo, o escritor Olavo de Carvalho desembarcou na manhã desta quinta-feira (8/7) no Brasil, após anos sem pisar no país.

Segundo apurou a coluna com três fontes envolvidas na operação, o guru bolsonarista, que tem 74 anos de idade, veio ao Brasil para dar continuidade a um tratamento médico.

Olavo estava internado com problemas respiratórios desde abril deste ano, em um hospital no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, para onde se mudou em 2005.

_______________ * 'Militares NÃO conseguem CONVIVER com a DEMOCRACIA, dizem advogados em nota contra ATAQUE das Forças Armadas ao SENADO 

Almir Garnier Santos, Braga Netto, Paulo Sergio Nogueira e Carlos de Almeida Baptista Junior

247 - O grupo Prerrogativas divulgou nota nesta quinta-feira (8) repudiando a nota das Forças Armadas formulada na quarta-feira (7) com o objetivo de intimidar o Senado Federal, personificado no senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid.

"O nítido propósito da nota consiste na intimidação ao livre exercício das atividades do Senado Federal, na medida em que promove recriminação a um pronunciamento do senador Omar Aziz, presidente da CPI que investiga desvios governamentais no combate à pandemia da Covid-19", avaliam os juristas, professores de Direito e profissionais da área jurídica membros do Prerrogativas. 

"Trata-se, portanto, de ato de intromissão no funcionamento de um dos poderes da República. As Forças Armadas não são imunes a críticas. Ao contrário. Mantiveram uma ditadura por mais de duas décadas e até hoje parece que não conseguem conviver com os imperativos da democracia", diz o texto.

Leia a nota na íntegra:

"O grupo Prerrogativas, que reúne juristas, professores de Direito e profissionais da área jurídica, movidos permanentemente pelo resguardo da Constituição da República, vem denunciar o caráter institucionalmente anômalo e ameaçador da nota oficial publicada ontem (7/7/2021) pelo Ministério da Defesa, subscrita pelo respectivo ministro de Estado e pelos comandantes das Forças Armadas.

O nítido propósito da nota consiste na intimidação ao livre exercício das atividades do Senado Federal, na medida em que promove recriminação a um pronunciamento do senador Omar Aziz, presidente da CPI que investiga desvios governamentais no combate à pandemia da Covid-19.

Trata-se, portanto, de ato de intromissão no funcionamento de um dos poderes da República - o Legislativo - que ora desempenha a sua incumbência de controle das ações do Executivo, conforme previsto no texto constitucional e atendendo a determinação do Poder Judiciário. 

Ao fazê-lo, o ministério da Defesa reincide em viciadas práticas recentes, notadamente quando, em 2018, o general Villas Boas, então comandante do Exército, acossou o STF com um tuíte divulgado pouco antes do julgamento de um habeas corpus impetrado pelo  ex-presidente Lula.

As Forças Armadas não são imunes a críticas. Ao contrário. Mantiveram uma ditadura por mais de duas décadas e até hoje parece que não conseguem conviver com os imperativos da democracia. 

O envolvimento de alguns de seus membros, da ativa e da reserva, em graves irregularidades administrativas merece a rigorosa investigação, empreendida pela CPI do Senado. O ataque ao parlamentar que comanda as investigações e que expressa de forma legítima sua perplexidade ante à corrosão moral de alguns oficiais militares, não deveria gerar essa reação corporativa e autoritária por parte das cúpulas castrenses.

Na verdade, a manifestação do Senador Omar Aziz, Presidente da CPI, cumpre o relevante papel de revelar os motivos e os autores do fracasso governamental no enfrentamento da pandemia. 

É inaceitável que as Forças Armadas continuem a se arvorar como reserva moral da nação e guardião da ordem. Tal propósito não encontra guarida em nossa Constituição. Mais inaceitável ainda é um ministro de Estado, ocupante da pasta da Defesa, produzir mensagem intimidatória ao exercício de um dos poderes da República.

Otto Maria Carpeaux, que em 1940 escapou por um triz do Nazismo na Europa, cunhou a célebre frase “na democracia, se baterem à porta de sua casa de madrugada, é o leiteiro”. Todas as democracias do mundo dormem tranquilas. Em nenhum país civilizado e democrático a democracia deve sofrer ameaças de forças militares.

Lamentavelmente, no Brasil, passa dia, passa mês, passam anos e lá vêm de novo as Forças Armadas ameaçando as instituições democráticas. Sequestraram o leiteiro, para que nunca saibamos que, quando alguém bate na porta, é ele mesmo – o leiteiro - ou algum pretendente a ditador.

O Brasil caminha para 600 mil mortos causadas pela pandemia em cujo descontrole um dos ministros  da Saúde era exatamente um militar da ativa. A CPI instalada no Senado busca apurar as responsabilidades, havendo confiáveis pesquisas mostrando que a omissão governamental causou, no mínimo, 150 mil mortos a mais.

É disso que precisamos: apurar as responsabilidades por esse genocídio. E não de ameaças à democracia".

_______________ * Relação de Flávio com caso Covaxin deve ser investigada, afirma Renan

Flavio Bolsonaro e Renan Calheiros

247 - O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito está investigando um suposto envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) com as negociações para a importação da vacina indiana Covaxin. Também está sendo apurado se o esquema, que teve irregularidades, tinha participação dos advogados Willer Tomaz, próximo a diversos políticos do Centrão e amigo de Flávio Bolsonaro, e Frederick Wassef, um dos integrantes da defesa de Flávio e também seu amigo. A entrevista foi publicada pela coluna de Guilherme Amado, no site Metrópoles. 

"O Flávio, por exemplo, numa intervenção na própria Comissão Parlamentar de Inquérito, confessou que teria levado o dono da Precisa (laboratório que intermediava a compra da vacina indiana) ao BNDES, né? Isso é a confissão de um crime. Advocacia administrativa (quando um servidor defende interesses particulares no órgão em que trabalha). Isso não é competência de um senador da República. Levar um driblador da lisura e do dinheiro público (Francisco Maximiano, dono da Precisa) a um banco oficial para obter empréstimos não é correto do ponto de vista da atribuição de um senador. Isso foi uma confissão", disse o emedebista.

O senador também disse que as digitais de Jair Bolsonaro estão presentes nas negociações da Covaxin devido ao tratamento diferenciado que o imunizante indiano recebeu. "No dia 8 de janeiro, enquanto ele recusava as vacinas do Butantan, da OMS e da Pfizer, ele pedia ao primeiro ministro da Índia a preferência para comprar vinte milhões de doses da Covaxin", pontuou

_______________ * Omar Aziz questiona Bolsonaro sobre denúncias e reage: "não é o senhor que vai parar essa CPI"

Jair Bolsonaro e Omar Aziz

247 - O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM) rebateu a acusação de Jair Bolsonaro, que, nesta quinta-feira (8), disse a apoiadores, sem apresentar provas, que o parlamentar estaria envolvido em um esquema que desviou R$ 260 milhões dos cofres públicos do Amazonas. 

No cercadinho do Alvorada, Bolsonaro atacou também o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL). "Só na cabeça de um cara que desvia do seu estado 260 milhões, como o Omar Aziz desviou, é que pode falar isso aí. Só um cara que tem 17 inquéritos por corrupção e lavagem de dinheiro no Supremo, como o Renan Calheiros, faz", disse o presidente, referindo-se às acusações de Aziz de que membros das Forças Armadas estariam envolvidos no esquema de corrupção no Ministério da Saúde, segundo a CartaCapital.

"Eu nunca lhe acusei de absolutamente nada na presidência dessa CPI. Nunca lhe chamei de ladrão, de fazer parte de esquema de rachadinha", rebateu Aziz. 

"Por isso que lhe faço um desafio. Eu lhe faço um desafio. Vossa excelência procure uma denúncia contra mim, onde eu sou réu em alguma acusação. Não há, porque não tem fatos. Não tem absolutamente nada contra a minha pessoa. Por isso que eu tenho altivez de estar aqui conduzindo isso aqui (CPI) com o maior equilíbrio que eu possa ter, mas eu peço a vossa excelência que quando estiver no cercadinho pense duas vezes no que vai falar, presidente, o senhor é o chefe de uma grande nação", acrescentou o senador.

Aziz cobrou ainda um posicionamento de Jair Bolsonaro sobre a revelação de que o líder de seu governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), teria orquestrado o esquema de propinas na compra de vacinas. 

"Hoje completam 12 dias que mandamos uma carta para o senhor. É a sua chance. Só queremos uma resposta. Por favor diga para a gente que o deputado Luís Miranda é um mentiroso, que seu líder na Câmara é um homem honesto", disse o senador.

"Não é o senhor que vai parar essa CPI. Acuso-lhe, sim, isso está claro, de falar contra a ciência, de dificultar a vacina", completou.

_______________ * Michel Temer, golpista contra Dilma, discorda do impeachment de Bolsonaro e trama novo golpe: o semipresidencialismo

Michel Temer

247 - Michel Temer, que traiu o governo a que pertencia e tramou o golpe contra a presidente Dilma Rousseff, acha que a luta pelo impeachment de Jair Bolsonaro pode provocar "distúrbio" e é "inútil".

"No presente momento,  [a luta pelo impeachment] é mais um esquema eleitoral, não uma consciência coletiva como em 2016, que havia começado em 2013. Eu vi pesquisas mostrando uma divisão da população sobre impeachment. Mas enfim, levar adiante um impeachment pode causar distúrbio", declarou Temer em entrevista à Folha de S.Paulo... "por mais que as provas sejam robustas, talvez o melhor seja esperar as eleições".

Questionado se apoia a ideia do impeachment, foi taxativo: "não acho útil, com toda a franqueza". E infla a base de apoio do atual ocupante do Palácio do Planalto: "Convenhamos, o pessoal que apoia o presidente é tão ou mais ativo do que do PT".

Temer revelou que está ativo na maquinação de um novo golpe: a mudança do sistema de governo, defendendo o chamado "semipresidencialismo". "Você dá atribuições ao presidente, mas só tem governo, com primeiro-ministro indicado por ele, se tiver maioria parlamentar. Mas tem de ser semi, não parlamentarismo puro, porque o brasileiro quer eleger o presidente, quer o ver com poder".

Temer diz que as discussões sobre a adoção do semipresidencialismo começaram durante seu governo: "Isso começou no meu governo, conversando com o ministro Gilmar Mendes, que era presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Discutimos sobre a ideia de mudar o sistema de governo, em face da experiência que eu tive, inclusive, por ter trazido o Congresso para governar comigo".

_______________ * Marcos Rogério levanta a voz contra Eliziane e toma invertida: 'quem está presidindo aqui sou eu' (vídeo)

Eliziane Gama e Marcos Rogério

247 - O senador Marcos Rogério (DEM-RO), um dos mais ferrenhos defensores do governo Jair Bolsonaro na CPI da Covid, tentou nesta quinta-feira (8) levantar a voz contra a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), que presidia a sessão da comissão interinamente.

Ao fazer um pedido pela ordem, Marcos Rogério tentou impor seu momento de fala: "eu estou pedindo a palavra pela ordem. Palavra pela ordem não é um minuto", disse ele em resposta ao pedido de Eliziane para que o colega fosse breve.

Ela então respondeu de forma firme: "deixa eu falar uma coisa para o senhor. Não venha gritar aqui não. Não grite porque aqui todo mundo sabe gritar. Tenha a tranquilidade de fazer o pedido pela ordem e não fazer sua imposição. Quem está presidindo essa sessão aqui sou eu. Baixe seu tom de voz"

_______________ * Ibovespa cai mais de 1% e dólar vira para queda

Infomoney - Continuando a tendência de fortes variações na semana, o Ibovespa enfrenta nesta quinta-feira (8) um dia de forte queda após a alta de 1,54% na véspera e a baixa de 1,44% na terça-feira. No radar, os investidores acompanham o exterior, com o aumento das preocupações em torno da retomada da economia global frente a disseminação da variante delta ao redor do globo, que levou países da Ásia a retomarem medidas de restrição.

Cabe ressaltar ainda que o pregão marca o encerramento da semana para a B3, que ficará fechada na sexta-feira devido a feriado em São Paulo, o que também aumenta a cautela por aqui, uma vez que alguns investidores podem decidir zerar posições para não entrarem comprados no fim de semana prolongado.

Segundo Bruno Komura, analista da gestora Ouro Preto, o espalhamento da variante delta, que tem índice alto de transmissibilidade e afeta muito os mais jovens, junto com os dados abaixo do esperado dos Estados Unidos, dão um indicativo para o mercado de que não estamos experienciando uma retomada sólida.

“Ajuda no discurso do Federal Reserve de que a conjuntura ainda demanda medidas estimulativas, mas a economia vai se recuperar um pouco mais devagar. No Brasil, isso é pior, pois indica a necessidade de mais tempo de auxílio emergencial, o que bate diretamente no ambiente fiscal”, opina o analista.

Às 13h41 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha perdas de 1,11%, a 125.606 pontos.

Já o dólar comercial vira para queda de 0,28% a R$ 5,225 na compra e R$ 5,226 na venda, após ter flertado com os R$ 5,30 na máxima do dia (a R$ 5,295). O contrato futuro da divisa para agosto caía 0,14% a R$ 5,238.

“O medo de que a variante Delta da Covid-19 cause novos lockdowns em muitos países faz com que investidores vendam ativos de risco, junto com preocupações com liquidez mundial”, disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, em comentário a clientes.

Por outro lado, em relatório, Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, escreve que a variante delta do coronavírus e a condução da política monetária do Federal Reserve não devem promover uma disrupção na economia global.

“Países com largas fatias da população totalmente vacinadas irão provavelmente ter cenários similares ao do Reino Unido, onde o número de casos aumentou, mas as hospitalizações por Covid continuam baixas”, avalia. Nesse caso, o economista não enxerga tantos riscos econômicos, pois sem pressão sobre o sistema de saúde não há também necessidade de aumentar as restrições à mobilidade.

Enquanto isso, o ambiente político no país segue bastante tumultuado, com novos desenvolvimentos negativos para o governo na CPI da Covid e indicações de que o empresariado se opõe ao atual texto da reforma tributária, o que deve amplificar o efeito da aversão ao risco global, apontou o economista.

Na agenda dos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos na semana encerrada em 3 de julho aumentou para 373 mil, segundo dados com ajustes sazonais publicados pelo Departamento do Trabalho americano.

Esse é um possível indício de que o rápido crescimento do emprego visto no primeiro semestre de 2021 poderia enfrentar obstáculos nos próximos meses. Analistas consultados pela Refinitiv projetavam um número menor de pedidos, 350 mil. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.

Neste cenário ainda de cautela sobre o ritmo de recuperação da atividade, o rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos cai para 1,25%, menor valor desde fevereiro.

Outra gigante da economia global também contribuiu para os maiores temores do mercado: autoridades chinesas sinalizaram que podem em breve injetar mais estímulo na economia, uma mudança de tom inesperada indicando que a recuperação mais rápida do mundo pode ser mais fraca do que parece.

Por aqui, atenção ainda para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho. Puxada novamente pela alta da energia elétrica, a inflação oficial no País subiu 0,53% em junho de 2021 na comparação com maio, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira (8), representando uma desaceleração frente à alta de 0,83% de maio.

Com isso, o indicador acumula alta de 3,77% no ano e 8,35% nos últimos 12 meses. A variação acumulada em 12 meses é a maior desde setembro de 2016 (8,48%). Em junho de 2020, a taxa mensal foi de 0,26%. O dado, contudo, ficou levemente abaixo do esperado. De acordo com projeções compiladas pela Refinitiv, a expectativa era de alta de 0,59% na comparação com maio e de 8,40% frente igual período do ano passado.

Na avaliação de João Leal, economista da Rio Bravo, o número deve levar o mercado financeiro a ver um menor espaço para uma alta da Selic de 1% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto. Com o dado, as apostas devem se concentrar em alta de 0,75 ponto percentual, para 5% ao ano – abaixo do aumento de 1 ponto que estava sendo esperado por parte do mercado, afirma Leal.

Porém, quando aberto o índice de inflação, o economista da Rio Bravo afirma que o item de serviços é o que mais preocupa a casa nos próximos meses, uma vez que deve ser impulsionado neste segundo semestre diante da expectativa de reabertura econômica.

Apesar do cenário mais benigno para inflação, todos os juros futuros passaram a subir. O DI para janeiro de 2022 tem alta de sete pontos-base, a 5,80%, DI para janeiro de 2023 sobe nove pontos-base, a 7,29%, DI para janeiro de 2025 tem alta de nove pontos, a 8,32% e DI para janeiro de 2027 avança sete pontos-base a 8,74%.

O noticiário político também segue bastante movimentado, em meio à CPI da Covid, que gerou declarações contundentes e rusgas entre integrantes das Forças Armadas e o presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM).  O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, o ex-sargento da Aeronáutica Roberto Dias, recebeu ordem de prisão de Aziz, que considerou que o ex-servidor mentiu em seu depoimento ao colegiado. Dias pagou fiança de R$ 1.100 e foi liberado no final da noite.

Durante o depoimento de Dias, o presidente da CPI afirmou que “as Forças Armadas, os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo”. Em nota divulgada na noite de quarta, o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, e os comandantes das Forças Armadas repudiaram as declarações de Aziz. O senador disse considerar a nota da Defesa “desproporcional” e cobrou de Pacheco uma posição mais incisiva para defender um senador. “Pode fazer 50 notas contra mim, só não me intimidem”, disse Omar. “Não aceito que intimidem um senador da República”, afirmou o senador.

Bolsas mundiais em baixa

Os índices americanos têm quedas expressivas. Na abertura do mercado, o Dow Jones registrava 1,15%, S&P 500 tinha queda de 1,25% e Nasdaq registrava perdas de 1,45%.

Durante boa parte da manhã, os índices futuros das bolsas americanas já apontavam para perdas, com a baixa se intensificando após a agência de notícia Kyodo News apontar que o governo do Japão deve declarar novamente situação de emergência em Tóquio, que deverá perdurar até 22 de agosto para conter uma nova onda de infecções por coronavírus.

Ontem, cabe destacar, a sessão foi positiva para os índices dos EUA: o S&P subiu 0,3%, atingindo um novo patamar recorde de 4.358,13 pontos; O Dow Jones subiu 104,42 pontos, a 34.681,79; o Nasdaq fechou com uma oscilação positiva, próximo a um novo recorde.

Ações de empresas de tecnologia e internet voltaram a ter uma performance superior à média do mercado na quarta. Investidores compraram papéis de empresas que priorizam crescimento, ao invés de nomes do varejo e do setor de energia que tiveram sucesso no primeiro semestre.

Na quarta, os papéis da Apple subiram 1,8%; os da Microsoft, 0,8%; e os da Amazon, 0,5%. No último mês, essas ações tiveram altas de dois dígitos. A queda no rendimento dos títulos do Tesouro americano é apontada por investidores como um dos fatores pelo interesse nestes papéis.

Ontem, o rendimento de títulos do Tesouro com vencimento em dez anos continuou a cair, a 1,296%, o menor patamar desde fevereiro, movimento que prossegue nessa sessão.

Na véspera, foi divulgada também a ata da última reunião do Fomc, em que os integrantes discutiram a retirada de estímulos, mas incertezas sobre o panorama econômico prevaleceram. Por outro lado, incomodados com os preços de moradia, os integrantes do Fed debateram diminuir o ritmo de compra de hipotecas mais rapidamente do que de Treasuries.

Na sessão, as bolsas asiáticas fecharam em sua maioria em queda. Ações do setor de tecnologia de Hong Kong foram pressionadas com o temor renovado de regulação. O governo da China afirmou que irá atualizar “as regras sobre a listagem de ações no exterior para empresas domésticas”, e também aumentará as restrições para fluxos de dados transfronteiriços e segurança.

As ações da Tencent recuaram 3,74%; as da Alibaba, 4,13%; e as da Meituan caíram 6,43%. Assim, o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 2,89%, para 27.153,13 pontos.

No Japão, o Nikkei recuou 0,88%; na Coreia do Sul, o Kospi recuou 0,99%; na China continental, o Shanghai composto recuou 0,79%.

Além da situação de emergência em Tóquio, outros países da Ásia são monitorados de perto por conta da Covid-19. Na Coreia do Sul, o governo informou o maior número de novos casos de Covid em um dia desde o início da pandemia no país, segundo a agência de notícias Yonhap.

_______________ * “Pantim” das Forças Armadas pode ser senha para o golpe bolsonarista - Gilvandro Filho

Por Gilvandro Filho

Ministro Braga Netto e as Forças Armadas

Por Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia

Não dá pra entender o que provocou o beicinho dos chefes das Forças Armadas na fala do presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz. Não disse nada demais o parlamentar. Sua pontuação foi normal e respeitosa com a banda que, de fato, merece respeito de nossas armas. Imagina-se que este segmento, digamos, “do bem”, do Exército, da Marinha e da Força Aérea deve ter encarado o pronunciamento com naturalidade e até com certa gratidão. Afinal, Aziz dirigiu sua justa indignação à “banda podre”, o que tem em toda e qualquer atividade e não seria diferente na caserna.

O lado sombrio da força (a armada, inclusa) existe e ganhou um prestígio inaudito num governo civil quando aceitou se acordeirar sob as garras daquele que um dia o Exército Brasileiro enxotou, por indisciplina e por inadequação. O que foi enxovalhado pelos próprios pares tornou-se um político tosco e retrógrado, com décadas de parlamento, sem nada de útil para mostrar ou juntar no seu currículo. Só uma longa trajetória marcada pelo autoritarismo, pelo preconceito, pelo saudosismo da ditadura e dos ditadores.

Esse grupo, que hoje se dói com as palavras de um senador, saltou serelepe para a barca do tenente reformado e expelido do Exército, quando este, a bordo de uma campanha suspeita e violenta, sagrou-se presidente da República. Grande parte dos bolsonaristas militares ganhou cargos no governo. Como ministros e como auxiliares de escalões variados.

Essa enxurrada de militares que ascendeu ao poder com Jair Bolsonaro, aliou-se, por conseguinte, aos mesmos políticos que execrava, de forma aberta e clara, como é o caso do Centrão e quejandos. A começar por integrantes do primeiríssimo escalão, os mesmos que chamavam o Centrão de quadrilha de ladrões e bandidos. A mesma “quadrilha” que, hoje, compõe o braço político do governo federal, ou seja, do governo militar que se formou com Bolsonaro.

O grupo militar do governo jactava-se, até então, de ser “incorruptível”, pecha que o presidente da República também se concedia, sobretudo quando queria assacar contra os seus adversários políticos e governos que o sucederam, em especial os do PT. O tempo provou que tudo não passava de mais uma falácia do bolsonarismo. O noticiário dos últimos tempos mostra Bolsonaro, sua família e seu governo enfiados até o pescoço em denúncias de em falcatruas que vão desde a tungagem do salário de funcionários, a popular “rachadinha”, a negócios cruéis e milionários envolvendo a compra de vacinas, no momento em que o país supera os 520 milhões de mortos pela falta dessas vacinas.

E aí chega a CPI da Pandemia, ou do Genocídio, e desnuda mais de 20 militares já envolvidos com corrupção e vários matizes de negociatas com vacinas, medicamentos e equipamentos que deveriam estar abastecendo a luta contra a Civid-19, mas enriquecem uma pequena ruma de espertalhões. Foi desse grupo e dessas falcatruas que falou Omar Aziz, ressalvando os militares corretos e tirando-os do grupo “podre”. Uma ressalva elogiosa à maior parte das Forças Armadas, desde que recebida com serenidade, normalidade e sem fricote. Ou como se diz no Recife, sem “pantim”.

Nesse contexto, a nota das Forças Armadas, encabeçada pelo ministro da Defesa, co-assinada pelos ministros do Exército, Marinha e Força Aérea e com enormes possibilidades de ter sido inspirada, ou até mesmo determinada, pelo seu comandante-em-chefe, é exagerada, descabida e preocupante. No clima que Bolsonaro está impingindo ao país, uma senha para os assanhados adeptos do “mito”, inclusive os armados pelo “liberou geral”, marcarem dia e hora para o golpe de Estado.

_______________ * Nota infame dos militares afronta poder civil e encobre gangues corruptas - Jeferson Miola

Por Jeferson Miola

Braga Netto e Pazuello com Bolsonaro

A nota assinada pelo general-ministro da Defesa e comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica é despropositada e intolerável:

1. é totalmente absurdo e impróprio, à luz da Constituição e da Lei Complementar 97/1999, que comandantes das Forças Armadas se manifestem politicamente e assinem libelo político de ataque a outro Poder da República;

2. reforça que as Forças Armadas atuam como facção político-partidária do governo militar, não como instituição permanente de Estado;

3. aprofunda a participação ilegal e inconstitucional das Forças Armadas, em especial do Exército, no jogo político;

4. é uma ameaça de escalada de confronto armado com o poder político no momento em que o governo militar sangra e se afoga no oceano de corrupção e morticínio; e

5. tem o objetivo de intimidar o poder civil e as instituições civis, em especial o Congresso Nacional.

Esta infame manifestação dos militares também pode ser lida como sinal de fraqueza. Com a evocação da presença das Forças Armadas na política, o governo militar apela para ostentar força e poder ante a evolução da crise de legitimidade e a crescente desmoralização do regime.

A corrupção em escala bilionária no ministério da Saúde deu-se sob o comando de ninguém menos que um general da ativa do Exército brasileiro. Eduardo Pazuello infestou o ministério com dezenas de militares em postos de natureza civil e firmou um consórcio criminoso com uma gangue civil para roubar dinheiro público e dividir o butim sob o pretexto de adquirir vacinas.

A omissão dos signatários da nota sobre esta corrupção bilionária e o esquema mafioso de civis e militares no ministério da Saúde comandado pelo general da ativa do Exército mostra, no mínimo, conivência com a corrupção e preocupação em proteger gangues corruptas.

Não causa estranheza, por isso, que o comandante do Exército que assina a nota de ameaça e intimidação do Senado Federal tenha livrado a cara do transgressor general Pazuello que participou de ato político-partidário e eleitoral do Bolsonaro.

A bola, agora, está com o poder político, com as instituições civis, com os partidos políticos e organizações democráticas da sociedade brasileira.

Se não tiver uma reação contundente dos civis, os militares interpretarão isso ou [1] como consentimento/indiferença passiva; ou como [2] medo do poder fardado. Em quaisquer dessas hipóteses, o governo militar não hesitará em escalar novos degraus rumo a um regime fascista-militar.

_______________ *Desbolsonarizar a democracia, desmorizar a justiça - Boaventura de Sousa Santos

Por Boaventura de Sousa Santos

Ex-juiz Sérgio Moro

Nas sociedades contemporâneas a fabricação da actualidade política é tão intensa quanto evanescente, tão dramática quanto efémera. Como não aceita mais que um tópico no topo da actualidade, não permite fazer relações entre diferentes temas, nem estabelecer hierarquia entre eles. Neste momento, a actualidade política brasileira é a iminente queda de Bolsonaro e a equação que ela oferece é óbvia: Bolsonaro cai, salva-se a democracia.

Esta equação é tão simples quanto traiçoeira. Oculta mais perguntas do que aquelas a que responde. O que cai quando cai Bolsonaro? Bolsonaro cai no abismo ou na almofada do “sector privado” (como Sérgio Moro)? Cai Bolsonaro ou o bolsonarismo? Cai o indivíduo Jair Bolsonaro ou o clã Bolsonaro? Que democracia se salva com a queda de Bolsonaro? Em que estado se encontra? Sofreu alguma incapacidade permanente? Pode ser desbolsonarizada? Há vacinas eficazes contra o bolsonarismo? Quais as variantes deste vírus? Vai o Brasil estar sujeito a bolsonarites sazonais? Neste contexto, a tarefa dos democratas é fazer uma sociologia das questões ausentes da actualidade – questões omitidas, presentes sob disfarce, ou apresentadas como pertencendo ao “novo ciclo”. Entre muitas outras possíveis, refiro duas.

Bolsonaro ou Moro? A primeira pode formular-se assim: Bolsonaro é a causa da crise actual? Ou a consequência de quem a quis provocar para outros objectivos? Não tenho dúvidas em afirmar que Bolsonaro é mais consequência do que causa e que, nessa medida, a sua queda, apesar de ser urgente, não deve deixar os democratas descansados.

Ao longo dos últimos setenta anos, os EUA lançaram quatro guerras globais, cada uma delas considerada permanente contra inimigos da democracia. Por ordem cronológica: a guerra contra o comunismo, a guerra contra as drogas, a guerra contra o terrorismo, a guerra contra a corrupção. Com excepção da primeira, estas guerras foram declaradas contra inimigos aparentemente não ideológicos contra os quais é fácil obter consensos alargados. Todas estas guerras foram eficazes, mas para atingirem outros objectivos que não os publicitados. Nem o comunismo, nem as drogas, nem o terrorismo, nem a corrupção foram eliminados, nem era esse o objetivo. O objectivo era, e continua a ser, o de submeter os países aos interesses geopolíticos e económicos dos EUA.

Desde 2014, o Brasil tem vindo a ser objecto de uma das interferências mais invasivas por parte dos EUA no sentido de obrigar um país ao alinhamento incondicional. Muito está em causa: os BRICS, a influência da China, a concorrência das grandes empresas brasileiras, o controle dos hidrocarbonetos, a Amazônia. Como sabemos, a arma privilegiada foi o sistema judicial e a lawfare.

lawfare tem sido usada ao longo da história, e os povos indígenas e afrodescendentes conhecem isso muito bem. A versão usada agora no Brasil teve traços específicos devido à colaboração dos grandes media e ao protagonismo político de Sérgio Moro. Pode mesmo falar-se de um tipo especial de justiça manipulada, a justiça morizada. A luta contra a corrupção é um serviço precioso à democracia quando não é politicamente selectiva e actua no marco da lei. Nada disto é possível no caso da justiça morizada.

Do ponto de vista dos interesses dos EUA, a operação Lava-jato foi um enorme sucesso e o seu autor foi Moro. Daí que ele seja o seu homem de confiança ou candidato nos próximos anos. Por Moro estar transitoriamente desmascarado, é-lhe oferecido um exílio dourado, e é-lhe concedido desde já o privilégio de ser um especialista da Amazônia em reuniões promovidas pela embaixada norte-americana.

Os EUA sabem que, no caso do Brasil, não há democracia bolsonarizada sem justiça morizada. Se alguém tiver de cair, que seja Bolsonaro, não Moro. Explica-se assim o interesse da direita nacional e internacional em continuar a propagandear Moro como o grande campeão da luta contra a corrupção. Enquanto Moro não for criminalizado pelas graves ilegalidades cometidas e se mantiver activo na política, os democratas brasileiros não podem estar descansados. Não será preocupante que os argumentos jurídicos apresentados no STF em 2016 só tenham tido resposta adequada em 2021?

O novo ciclo? O neoliberalismo desertificou a política ao privá-la de alternativas reais. Tanto a direita como a esquerda foram duramente afectadas. Às direitas foi exigido que promovessem exclusivamente os interesses do capital nacional e/ou estrangeiro, enquanto às esquerdas foi exigido que mantivessem as maiorias empobrecidas sob controle, fazendo, se necessário, concessões, desde que não significassem prejuízos maiores para os interesses do capital. Quando as esquerdas desobedeceram, foram consideradas radicais e inimigas da democracia. Logicamente, as esquerdas foram as primeiras a aperceber-se da armadilha em que tinham caído, e daí que novas lideranças tenham vindo a emergir, talvez não menos pragmáticas, mas certamente menos inocentes. As direitas foram de tal modo devastadas que a certa altura o capitalismo deixou de confiar nos políticos profissionais e procurou entregar o poder aos empresários, fossem eles Donald Trump ou Maurício Macri.

No caso do Brasil, enquanto as elites brasileiras continuarem a mandar incontestadas, não haverá novos ciclos. Haverá apenas reciclagens. A devastação da política de direita é de tal ordem que é preciso inventar empresários (Sérgio Moro) ou ir buscar líderes à esquerda. De modo algo patético, Fernando Henrique Cardoso, ansioso por recuperar o seu lugar (qual? eis a questão) na história do Brasil que julgou ameaçado por Lula da Silva, deu a mão ao concorrente que foi vítima da justiça morizada para o neutralizar duplamente. Primeiro, para lhe dizer que ele afinal nem é de esquerda, ou seja, que é um filho adoptivo das elites; depois, para lhe dizer que, nessa qualidade, deve obedecer ao que elas exigem dele neste momento: que não seja candidato.

As direitas sabem que o Brasil vive um momento de polarização criado pelo seu próprio desvario. Como a polarização é inevitável, querem privá-la de quem melhor pode beneficiar dela, Lula da Silva. Como Lula, segundo ele próprio diz, aprendeu muito durante os dezoito meses que esteve preso, é de confiar que esteja plenamente consciente da armadilha.

_______________ * Prisão de Roberto Dias na CPI pode estar errada, mas também pode estar bem certa… - Renato Rovai

Por Renato Rovai

Roberto Dias

A prisão de Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, está causando um debate acalorado nas redes. De um lado os que acham que já estava na hora de o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz, tomar uma atitude mais firme para que a comissão não venha a se desmoralizar completamente. E de outro, aqueles que consideram que houve exagero por parte da presidência e outros depoentes que também mentiram, como o ex-ministro Pazuello, por exemplo, não tiveram o mesmo destino.

Ambos os argumentos fazem sentido. E quando isso acontece é importante olhar mais para a floresta do que para a árvore. Ou seja, qual o contexto histórico do ponto de vista da CPI que a decisão se apresenta.

É verdade que outros já poderiam ter sido presos antes por cometerem falso testemunho quando tinha a obrigação de falar a verdade ao depor. Mas também é verdade que o fato de isso não ter acontecido não invalida que a partir de agora possa vir a acontecer e que, inclusive, quem já depôs não possa voltar à comissão sabendo do risco que está correndo.

É disso que se trata.

Não basta mais a CPI acumular evidências de que há crimes contra a vida e o patrimônio sendo realizados pelo governo Bolsonaro se todos os depoentes souberem que podem ir depor, mentir à vontade e que nada vai acontecer com eles.

Sempre há de haver um “cristo” para começar a pagar os pecados do mundo. Depois eles podem vir a ser divididos pela humanidade inteira.

Roberto Dias parece ter sido pego, como se diz na gíria, pra cristo. O escolhido como exemplo. É uma estratégia para tentar dar um cavalo de pau nos rumos da comissão e acelerar para que novos depoentes ajam de forma diferente. É a mais correta? É a mais justa? É a mais juridicamente aceitável? Esse debate tem gente melhor pra fazer. O fato é que quem mente na CPI pode sair preso. E neste caso Roberto Dias pode vir a ser o primeiro deles. O que não parece justo é que seja o único.

_______________ * Doria vende a sede do Sindicato dos Metroviários para enfraquecer luta sindical - Carlos Zarattini

Por Carlos Zarattini

Em 1986, a Companhia do Metrô de São Paulo cedeu uma área, na Avenida Radial Leste, para que o Sindicato dos Metroviários construísse a sua sede, que foi inaugurada em 1991. Era o governo de Franco Montoro, o primeiro governo estadual eleito diretamente ainda no período da ditadura militar, mas que trazia consigo o desejo da ampla redemocratização do país.

Montoro realizou um governo que traduzia aquele novo tempo e, apesar de ter enfrentado inúmeros movimentos e greves da categoria metroviária, sempre teve um diálogo bastante amplo e aberto com o movimento sindical.  Interlocução que foi essencial para garantir os direitos e as conquistas dos trabalhadores no Estado de São Paulo. Alguns anos mais tarde, Montoro rompeu com o PMDB e foi um dos fundadores do PSDB.

Mais de 35 anos se passaram e o PSDB continua governando São Paulo. Mas agora com um novo comandante, João Doria. Um governador que foi eleito na carona do bolsonarismo e que, mesmo tendo rompido, continua mantendo os mesmos objetivos que levaram a elite patronal brasileira a apoiar o presidente da república: a destruição de direitos dos trabalhadores, as restrições à atuação dos sindicatos, a redução de políticas públicas para os mais pobres e o desmonte do Estado.

Doria não dialoga com os trabalhadores do setor público, promove o arrocho salarial, vende o patrimônio do Estado, fecha empresas públicas sem prever e fazer qualquer estudo sobre os impactos. Por pouco não fechou até o Instituto Butantan. Agora, tem a cara de pau de festejar o excelente trabalho desenvolvido pelo órgão.

Doria não valoriza os trabalhadores, por isso não entende que a sede dos metroviários não é um edifício que serve para que alguém tenha lucro ou renda. Tem função social e de lazer. É um local para prática de esportes e atividades culturais não apenas da categoria, mas de muitas organizações populares da cidade de São Paulo.

Companhia do Metrô de São Paulo, sob o comando de João Doria, quer despejar o Sindicato. Promoveu um leilão em que uma dessas construtoras que estão construindo esses edifícios de 40 andares comprou o terreno por um valor abaixo do valor de mercado. Obviamente, vai construir mais um desses monstros. E o valor arrecadado pelo Metrô é pífio perante seus custos de operação e investimentos, sempre na casa dos bilhões de reais.

Os trabalhadores metroviários vão perder seu local de reunião para a especulação imobiliária que tem o governador como aliado. O mesmo que quer por abaixo o Ginásio do Ibirapuera para entregar o terreno para a construção de um shopping center. Um governador do mesmo partido de Franco Montoro, mas que jamais terá a mesma estatura política de um democrata que enfrentou a ditadura ao lado dos trabalhadores.

Os tempos são outros. A elite brasileira está mais voraz. Aumenta cada vez mais seus rendimentos e empobrece cada vez mais o país e a maioria do povo. João Doria é parte desse capitalismo selvagem. Seu discurso contra o negacionismo de Bolsonaro engana pouca gente.

_______________ * Uma cortina de fumaça chamada antissemitismo - Sayid Marcos Tenório

Por Sayid Marcos Tenório

A acusação de antissemitismo vem sendo uma das estratégias utilizadas por Israel para deslegitimar e fazer com que a opinião pública condene quem se opõe as políticas de apartheid e limpeza étnica adotadas contra o povo palestino. Essa alegação de antissemitismo geralmente se soma a acusação de vínculos com “grupos terroristas palestinos”. 

Os sionistas usam o antissemitismo como motivação para a justificar a existência do Estado de Israel e contra quem, segundo eles, querem derrubar “a única democracia do Oriente Médio”. Essa desavergonhada manipulação é um dos fatores da perda de apoio de Israel por parte de judeus em todo o mundo, como ocorre nos EUA, e dos movimentos da juventude judaica israelense, que se nega a prestar o serviço militar e não compactuar com as agressões sistemáticas das forças de ocupação contra palestinos.

Semitas e antissemitismo

Para que possamos começar esta discussão é necessário entender inicialmente o que é o antissemitismo, suas raízes e quem são os Semitas. Diz-se semitas aos descendentes de Sem, o filho do Profeta Noé e personagem bíblico do Antigo Testamento. São os hebreus, árabes, assírios e outros povos originários do norte da Península Arábica. As três grandes religiões monoteístas – islâmica, cristã e judaica – possuem raízes semitas, e não apenas os judeus. Etimologicamente, o termo antissemitismo significa aversão aos semitas. O termo foi criado na Alemanha, no final do século XIX, como uma tentativa de explicar cientificamente o Judenhass, palavra do alemão que significa “ódio aos judeus”.

O problema judaico, o antissemitismo e a perseguição de judeus são fenômenos fundamentalmente ligados à história europeia, não à história dos árabes ou muçulmanos. O argumento da existência desse “ódio aos judeus” foi utilizado pelo movimento sionista, fundado em 1897 por Theodor Herzl, para definir um dos centros da luta do movimento que tratava de libertar os judeus, resolver o problema do antissemitismo no Ocidente, defender o direito à autodeterminação dos judeus e à existência de um Estado nacional judaico independente e soberano nas terras pertencentes milenarmente a palestinos.

Historicamente não se pode negar o antissemitismo e os pogroms, palavra russa que significa “causar estragos”, para designar a perseguição a judeus na Rússia e no leste europeu, até desembocar no nazismo. O flagelo do antissemitismo é uma forma repugnante de racismo que discrimina não apenas judeus por quem eles são e, portanto, muito semelhante a todas as outras formas de racismo dirigidas a outros seres humanos, sejam eles muçulmanos, cristãos, de outras religiões ou mesmo sem religião, negros, pessoas de ascendência asiática, árabes etc., e por isso mesmo todas as formas de preconceito e racismo precisam ser confrontadas e eliminadas.

Contudo há muitos judeus e israelenses conscientes dos crimes praticados pelo colonialismo sionista que se envergonham com o que Israel tem feito em seu nome. Esses Judeus de princípios têm condenado consistentemente as violações de Israel contra os direitos humanos palestinos, seu colonialismo de colonos e o apartheid racista praticado sob o manto do judaísmo. Os palestinos sempre conviveram com judeus na Palestina, antes de 1948, o que atesta que a acusação de antissemitismo feita a resistência palestina é uma distorção do que realmente acontece hoje, porque os palestinos é que sofrem diariamente com violências e desrespeito à sua condição humana, por serem árabes palestinos.

Antissemitismo como forma de intimidação e perseguições

A acusação de antissemitismo usado por Israel e seus apologistas é muito conveniente e útil quando estão sem argumentos. É usada para intimidar os críticos de Israel ou para esterilizar a discussão e desviar a atenção dos problemas reais, quando é sabido que as forças da resistência e os movimentos de solidariedade ao povo palestino rejeitam fortemente as narrativas com viés religioso ou sectários da luta contra a ocupação, condenando qualquer forma de perseguição ou a negação de direitos, seja de judeus, árabes ou qualquer outra pessoa e grupos. 

As vítimas mais frequentes são o Movimento de Boicote, Desinvestimentos e Sanções (BDS) a Israel, políticos, como o trabalhista inglês Jeremy Corbyn e Guilherme Boulos, no Brasil, acadêmicos, como o escritor Edward Said, os movimentos antissionistas e até a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados (UNRWA na sigla em inglês). Para os sionistas qualquer movimento ou pessoa que defina Israel como um apartheid ou denuncie seus crimes de lesa humanidade, são acusados de antissemita.

Por outro lado, o lobby a favor de Israel, além de instrumentalizar a narrativa midiática, compra a lealdade de políticos, governos e bancadas nas casas legislativas de vários países. Cooptam igrejas evangélicas e põem-nas para trabalhar em seu favor, baseados na lenda de que o estabelecimento do Estado de Israel em 1948 está de acordo com a profecia bíblica do “retorno dos judeus à terra prometida”. Lançam uma cortina de fumaça sobre a usurpação da Palestina com apoio das potências do Ocidente desde 1947, sendo a maior ocupação por assentamentos judeus, um colonialismo que foi derrotado de grande parte do mundo e precisa desaparecer da Palestina.

Além disso, usam o holocausto de judeus ocorrido na Europa como uma indispensável e conveniente arma ideológica em seu favor nessa política de criar disfarces e deturpar fatos. O escritor de origem judaica Norman G. Filkelstein, que teve grande parte da sua família assassinada nos campos de concentração nazista, escreveu que “a maior parte das pessoas desconhece o fato de que o movimento sionista, que sempre invoca o horror do holocausto, tenha colaborado ativamente com o inimigo mais feroz que os judeus já tiveram [o nazismo].”[i]

Há uma clara distinção entre o antissemitismo, por um lado, e críticas legítimas às políticas degradantes e opressivas de Israel contra o povo palestino. O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), por exemplo, que é frequentemente acusado de antissemita pelos ocupantes sionistas, tem como prática não manifestar ou apoiar nenhuma conduta contra os judeus por quem eles são. O programa de 2017 afirma que sua luta é contra “o projeto sionista, não contra os judeus por causa de sua religião. O Hamas não trava uma luta contra os judeus porque são judeus, mas trava uma luta contra os sionistas que ocupam a Palestina.”[ii]

As forças da resistência palestina e o movimento de solidariedade internacional são contra Israel enquanto um estado colonial que ocupa a Palestina e sujeita o seu povo aos horrores da guerra, colonização e deslocamento. E não por ser um “estado judeu”. O conflito com Israel é fundamentalmente político e os palestinos estão lutando por liberdade e autodeterminação. Se a Palestina tivesse sido ocupada por outro povo que tivesse uma religião semelhante ou diferente, o povo palestino estariam lutando contra ela com toda a força com que vem lutando nestes 73 anos de apartheid e usurpação israelense.

_______________ * PSOL pede convocação de Braga Netto à Câmara para explicar ‘tentativa de intimidação’ da CPI da Covid

Omar Aziz e Braga Netto

247 - A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados apresentou à presidência da Casa nesta quinta-feira (8) um requerimento de convocação do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, segundo Bela Megale, do jornal O Globo.

O objetivo é que Braga Netto explique o conteúdo da nota publicada na quarta-feira (7) pelo ministério em resposta a uma fala do presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), que comentou casos de corrupção no Ministério da Saúde envolvendo membros das Forças Armadas que atuam no governo Jair Bolsonaro. 

A nota, segundo os parlamentares psolistas, é uma “tentativa de intimidação da CPI". "É inaceitável o tom intimidador e ameaçador da nota assinada pelo Ministro da Defesa Walter Braga Netto e pelo comando do Exército, Marinha e Aeronáutica. É fundamental, portanto, que os poderes constituídos tomem as providências cabíveis para cobrar explicações aos responsáveis pelas ameaças e intimidações contra o Estado Democrático de Direito, que colocam em risco a Constituição Federal de 1988 e os valores por ela expressados”.

"A declaração do senador Aziz apenas constatava fatos", diz ainda o texto. A CPI da Covid vem se aprofundando em suspeitas da participação de militares em esquemas ilícitos por trás da compra de vacinas, com a suposta participação, por exemplo, do ex-ministro da Saúde e general da ativa Eduardo Pazuello e do ex-secretário executivo da pasta, coronel da reserva Elcio Franco.

_______________ * Reinaldo Azevedo: 'nota dos militares é mentirosa e golpista'

O jornalista fez referência à nota emitida por militares, dentre eles o ministro Walter Braga Netto (Defesa). Militares chamaram as críticas feitas pelo presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, de infundadas e irresponsáveis

Jornalista Reinaldo Azevedo e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto
Jornalista Reinaldo Azevedo e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto (Foto: Reprodução | Isac Nóbrega/PR)

247 - "Absurda, golpista e mentirosa a nota do Ministério da Defesa, assinada também pelos três comandantes militares, em reação à fala do senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI", escreve o jornalista Reinaldo Azevedo em sua coluna publicada no portal Uol.

"Em primeiro lugar, Aziz não atacou as Forças Armadas, mas as defendeu. Em segundo lugar, quem dispõe de armas não pode fazer ameaças. Ainda mais em nome da democracia. Se algum fundamento da Carta é violado, deve recorrer à Justiça, não aos canhões", acrescenta.

De acordo com o colunista, a nota das Forças Armadas "é mentirosa porque tudo o que Aziz não faz é generalizar". "Ao contrário. Quando diz que os bons das Forças Armadas têm motivos para se envergonhar, evoca aqueles que, então, seriam os princípios dos chamados setores castrenses".

_______________ * "Ninguém chamará Bolsonaro de mito na cadeia", diz Ruy Castro

O jornalista Ruy Castro faz referência às implicações de Jair Bolsonaro em casos de corrupção na pandemia

Jornalista Ruy Castro e um ato pelo Fora Bolsonaro
Jornalista Ruy Castro e um ato pelo Fora Bolsonaro (Foto: Reprodução | Mídia NINJA)

247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, Ruy Castro destaca o avanço de investigações da CPI da Covid sobre o envolvimento da Jair Bolsonaro em irregularidades na importação de vacinas. 

"A qualquer grota que chegue, inclusive o cercadinho no Alvorada, grupos ainda ululam 'Mito! Mito!'. E ele acredita nisso. Tem de acreditar. Com sua máscara de honesto caindo diante de sérias acusações que o revelam como corrupto, precisa aproveitar cada minuto na Presidência. Ninguém o chamará de ‘Mito! Mito!’ na cadeia", acrescentou.

_______________ * Merval diz que há corrupção militar no Ministério da Saúde

"Tudo leva a crer, está montado lá dentro um grupo que controla as compras de medicamentos. O mais grave é que, nesse grupo, estão muitos militares", diz ele

(Foto: Reprodução | ABr)

247 – O jornalista Merval Pereira, do Globo, dedica sua coluna desta quinta-feira ao tema da corrupção militar no governo de Jair Bolsonaro. "Como uma pessoa como o cabo Dominguetti, que não sabe se expressar, escreve português errado, está à frente de um negócio de R$ 1,5 bilhão? A troco de que ele tem acesso ao segundo na hierarquia do Ministério da Saúde?", questiona.

"Por essas e outras, não tivemos vacinas no tempo certo. As negociações sérias não encontraram caminhos no ministério, porque certamente, tudo leva a crer, está montado lá dentro um grupo que controla as compras de medicamentos. O mais grave é que, nesse grupo, estão muitos militares, de todas as patentes. Teoricamente, o general Pazuello, quando assumiu a Saúde, chamou-os para controlar a situação que já existia, e muitos foram cooptados pelos esquemas já estabelecidos", afirma.

"Há grupos de atravessadores de qualquer negócio. O tenente-coronel Marcelo Blanco, outro ex-membro da direção do ministério que descobriu sua veia de negociador, saiu e criou uma empresa de venda de insumos médicos, negocia de vacina a criptomoeda; e o cabo da PM Dominguetti, da mesma forma, nas horas vagas faz negócios com o alto escalão da Saúde auxiliado por militares seus superiores", finaliza.

_______________ * Miriam Leitão vê guerra entre a quadrilha militar e a turma do centrão no Ministério da Saúde

Ela também vê o governo Bolsonaro como um cenário de horror

(Foto: ABr | Reprodução)

247 – "Foi um dia de muitas revelações, apesar das mentiras, lacunas, inverossimilhanças de Roberto Dias. Seu depoimento deixou elementos para se concluir que há uma divisão no Ministério, de grupos com esquemas diferentes, querendo tirar vantagens na compra de imunizantes. O ex-secretário-executivo coronel Élcio Franco — aquele que usa o broche de uma caveira esfaqueada — estava no lado oposto ao de Ricardo Dias. Enquanto brasileiros morriam, vacina passara a ser uma moeda de troca numa disputa de poder", escreveu a jornalista Miriam Leitão, em sua coluna desta quinta-feira.

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"A CPI ontem deixou claro que o Ministério da Saúde do país que já perdeu 528 mil pessoas para a Covid dedica-se à guerra interna entre esquemas de poder. Militares da ativa ou da reserva, políticos do centrão se misturam nesse cenário de horror que é o governo Jair Bolsonaro", pontuou.

_______________ * Dossiê que teria sido feito por ex-diretor da Saúde assombra civis e militares do governo Bolsonaro | Malu Gaspar - O Globo

O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde saiu preso da CPI da Covid sem confirmar nem negar a existência de um dossiê sobre corrupção na pasta

Tanto os lances finais da sessão da CPI da Covid que ouviu o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, como a reação dos comandantes militares às declarações de Omar Aziz (PSD-AM) sobre a existência de um "lado podre" nas Forças Armadas tem que ser interpretadas à luz de um fato novo: a crença de que está escondido na Europa um dossiê que Dias preparou enquanto estava no Ministério da Saúde para se blindar de acusações.

Depois que o cabo da PM Luiz Paulo Dominghetti declarou à CPI ter recebido de Dias um pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina e teve o celular apreendido, o ex-diretor de logística foi demitido e percebeu que não teria alívio na CPI. 

Logo, começaram a circular nos bastidores de Brasilia informações de que o afilhado político de Ricardo Barros (PP-PR)  tinha feito um dossiê sobre casos de corrupção no ministério e iria à comissão disposto a entregar todo mundo. 

O recado chegou à CPI por meio de gente próxima a Dias e mesmo de jornalistas, configurando a guerra de nervos que se deu antes do depoimento. 

Quando Dias se sentou diante dos senadores, a expectativa dos membros do G7, o grupo de oposição e independente que comanda a comissão, era de que ele fizesse como o deputado Luis Miranda ou o PM Dominghetti e, cedo ou tarde, fizesse alguma revelação bombástica. Não foi bem o que aconteceu. 

Embora a toda hora alguém perguntasse se era verdade que ele havia emails da Casa Civil de Bolsonaro pedindo para "atender pessoas" – tipo de informação que segundo os senadores estaria disposto a dar na CPI –, Dias negou. 

Mas, quando Aziz o pressionou para dizer se tinha feito mesmo um dossiê, o ex-diretor do Ministério da Saúde não confirmou, nem negou, criando um suspense que só aumentou a tensão. 

Renan Calheiros (MDB-AL) ainda apertou Roberto Dias para dizer quem era Ronaldo Dias, seu primo que é dono do laboratório Bahiafarma – e que, segundo disseram à CPI, estaria com o tal dossiê. O ex-diretor apenas confirmou o laço entre eles e não disse mais nada. 

E aí entram os militares. 

No governo Bolsonaro, o ministério da Casa Civil, citado nas perguntas dos senadores, tem sido ocupado por generais. Hoje, o general Luis Carlos Ramos. Antes, o general Walter Braga Neto, que agora está no ministério da Defesa, e que coordenou o comitê de esforços contra a Covid montado pelo presidente Jair Bolsonaro. Portanto, citar a Casa Civil num dossiê, como sugeriu Omar Aziz, não seria trivial.

De imediato, porém, quem saiu chamuscado do depoimento foi um coronel. Segundo Dias, era Elcio Franco, o secretário-executivo do ministério, quem concentrava todas as negociações de vacina.

A todo momento, Dias empurrava as responsabilidades para o 02 de Pazuello.  O diretor de logística contou ainda que teve os principais subordinados substituídos por militares assim que Pazuello assumiu o ministério, deixando claro que havia uma rixa entre ele e os militares. 

Nas palavras de um membro da CPI bastante experiente em ocupação de espaços no governo, "os militares chegaram ao ministério da Saúde e constataram que o território já estava ocupado pelo Centrão". 

Foi nesse clima que, durante a sessão, o presidente da CPI Omar Aziz  sapecou ao microfone que "membros do lado podre das Forças Armadas estão envolvidos com falcatrua dentro do governo".

E foi essa declaração que, pelo menos oficialmente, motivou a nota dos comandantes militares, dizendo que "as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro.” 

O saldo final da crise ainda está por ser medido. Ao longo da noite, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e vários outros senadores, se esforçaram para diminuir a temperatura do conflito com os militares, expressando respeito às Forças Armadas. A preocupação, porém, continua.

Até porque Roberto Dias saiu do plenário preso, acusado de mentir à CPI, e foi solto horas depois, sob fiança. Mas, mesmo sem ter dito nada, deixou no ar seco de Brasília a crença de que ele ainda tem guardado, em algum lugar, um dossiê que pode explodir a República, levando junto a imagem dos militares no governo. 

_______________ * Em nova manifestação, militares criticam Congresso, STF e chamam a CPI de 'Circo Parlamentar de Indecência' | Lauro Jardim - O Globo

Divulgação

Logo depois da divulgação da esdrúxula nota oficial do Ministério da Defesa e dos comandantes das três Forças Armadas atacando Omar Aziz, veio a público outra manifestação de militares. 

Desta vez, oriunda do quartel-general dos militares de pijama, o Clube Militar, que resolveu atacar o Supremo, a CPI, Omar Aziz e o Congresso de uma vez só numa frase de tirar o fôlego (54 palavras).

Eis a nota oficial em apoio à manifestação do Ministério da Defesa e dos comandantes militares:

— O Clube Militar acrescenta que a generalização citada pelo presidente do “Circo Parlamentar de Indecência” se enquadra, perfeitamente, para a Instituição a qual ele pertence, onde seus integrantes, em sua grande maioria, não conseguem justificar a origem de seus patrimônios, cuja investigação é sempre bloqueada por uma Suprema Corte que envergonha o nosso Brasil.

_______________ * Com país em crise, Bolsonaro diz que está com 'agenda folgada' | Lauro Jardim - O Globo

Por Amanda Almeida

Jair Bolsonaro



Em meio a uma série de crises no país, está sobrando tempo na agenda de Jair Bolsonaro.

O presidente dedicou 50 minutos a apoiadores na porta do Alvorada na manhã desta quinta-feira, um dos recordes dele. Gastou parte deles contando piadas.

Depois de lançar suspeita sobre as eleições do ano que vem mais uma vez, entre outros comentários, ele resolveu se justificar pelo longo tempo longe do trabalho:

— Ó, a agenda lá está folgada hoje de manhã, por isso estou aqui, 'tá'?

_______________ * Dia de conflito da CPI com militares | Míriam Leitão - O Globo

Por Míriam Leitão

Omar Aziz, presidente da CPI

As Forças Armadas e o ministro da Defesa reagiram de forma exagerada e fora do tom a uma declaração do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM). E assim deram mais um passo na sua politização. Na sessão que terminou com a prisão de Roberto Dias houve tanta referência a militares que o senador disse que “os bons das Forças Armadas” deviam estar com vergonha dos “membros do lado podre”. Mais tarde, ele fez elogios às Forças Armadas, atenuando o que dissera. Os três comandantes e o general Braga Netto fizeram uma ameaça implícita. Disseram que “não aceitarão qualquer ataque leviano”. Omar, diante de um plenário em silêncio, deu sua resposta. “Podem fazer 50 notas contra mim, só não me intimidem."

Foi um dia de muitas revelações, apesar das mentiras, lacunas, inverossimilhanças de Roberto Dias. Seu depoimento deixou elementos para se concluir que há uma divisão no Ministério, de grupos com esquemas diferentes, querendo tirar vantagens na compra de imunizantes. O ex-secretário-executivo coronel Élcio Franco — aquele que usa o broche de uma caveira esfaqueada — estava no lado oposto ao de Dias. Enquanto brasileiros morriam, vacina passara a ser uma moeda de troca numa disputa de poder.

O que o ex-diretor do Departamento de Logística falava não ficava de pé porque ele mesmo tratava de derrubar o que acabara de dizer. Segundo Dias, ele não negociou a compra de vacinas, mas aceitou marcar uma reunião no Ministério no dia seguinte ao do encontro no restaurante com o cabo Luiz Paulo Dominguetti. E nessa reunião tratou de vacinas. Ou seja, negociou.

Roberto Dias afirmou inúmeras vezes que toda a negociação de vacinas estava centralizada no secretário-executivo Élcio Franco. Se era assim, por que ele aceitou marcar uma reunião com Dominguetti e o coronel Marcelo Blanco para tratar da oferta de 400 milhões de doses? Se o assunto era vacina da Astrazeneca, porque ele nunca pensou — nem Franco — em chamar para essa conversa a Fiocruz, que tinha acordo com a própria Astrazeneca?

Na versão do ex-sargento Roberto Dias, o encontro com Dominguetti foi casual. Ele marcou um chopp com seu amigo às cinco da tarde. E apareceram por lá o coronel Marcelo Blanco, com quem havia trabalhado no Ministério, e o cabo Dominguetti. Numa hora daquelas, numa quinta-feira, no meio de uma pandemia que só naquele dia matou mais de 1.500 brasileiros, o diretor de logística do Ministério da Saúde de um país sem vacinas vai beber com um amigo. Encontra casualmente um ex-assessor que abriu uma empresa de medicamentos e um cabo da PM de Minas Gerais que diz representar uma empresa que teria 400 milhões de doses. O Ministério que foi tão fechado para a Pfizer, tão hostil ao Butantan, tão lerdo, fica de repente ágil e na tarde do dia seguinte estava recebendo em sua sala o cabo que agora ele define como picareta, aventureiro e mentiroso.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) deu chance para Dias se explicar. Lembrou que ele havia sofrido várias retaliações. Fora indicado para a Anvisa, mas a indicação fora retirada. Fora exonerado pelo general Eduardo Pazuello, mas sua demissão fora revista na Casa Civil. E após ser acusado, por Dominguetti, de cobrar a propina de um dólar por dose, ele foi exonerado. Além disso, assessores seus foram demitidos contra a sua vontade, e nomeados dois militares, um deles o tenente-coronel Alex Lial Marinho, já citado na CPI. Diante de todos esses sinais da luta interna no Ministério, Dias dizia não se lembrar dos eventos ou não ter ideia dos motivos. “Desconheço”, repetia.

Omar Aziz tentou dissuadi-lo. Pediu que ele falasse a verdade. Lembrou que ninguém ali era tolo. Na confusão que se formou após o presidente da CPI dar a ordem de prisão em flagrante por falso testemunho, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) foi ao ponto:

— O senhor tentou infantilizar esta comissão. Todo mundo sabe que o seu encontro não foi casual. Pelo amor de Deus, o senhor está sendo preso, contribua com esta comissão. O senhor não está vendo que os integrantes do governo lhe jogaram para as cobras?

A CPI ontem deixou claro que o Ministério da Saúde do país que já perdeu 528 mil pessoas para a Covid dedica-se à guerra interna entre esquemas de poder. Militares da ativa ou da reserva, políticos do centrão se misturam nesse cenário de horror que é o governo Jair Bolsonaro.

(Com Alvaro Gribel, de São Paulo)

_______________ * Datafolha: rejeição a Bolsonaro atinge 51%, maior taxa desde início do governo

Índice era de 45% na pesquisa realizada em 11 de maio; porcentagem de ótimo ou bom manteve-se estável em 24%
O presidente Jair Bolsonaro vê sua taxa de aprovação recuar Foto: Alan Santos/PR / Agência O Globo (05/07/2021)
O presidente Jair Bolsonaro vê sua taxa de aprovação recuar Foto: Alan Santos/PR / Agência O Globo (05/07/2021)

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SÃO PAULO - Em meio ao avanço da CPI da Covid, a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro atingiu o índice mais alto desde o início do mandato, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8). De acordo com o levantamento, 51% dos eleitores classificaram o governo como ruim ou péssimo, o pior resultado registrado pelo chefe do Executivo em 13 levantamentos feitos pelo instituto desde 2019.

A reprovação era de 45% no questionário anterior, aplicado em 11 de maio. Em 8 de dezembro, quando começou a curva ascendente, o número bateu 32%. A taxa de ótimo ou bom manteve-se estável em 24%, desde maio. Já o percentual de quem acha o governo Bolsonaro regular caiu de 30%, na pesquisa anterior, para 24% agora.

A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. A pesquisa foi feita de forma presencial em 146 municípios nos dias 7 e 8 de julho. Responderam ao questionário 2.074 pessoas acima de 16 anos.

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O levantamento pode medir o efeito de notícias recentes que envolvem o governo em suspeitas, como a revelação de áudios da ex-cunhada do presidente, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, que afirma que, quando era deputado federal, Bolsonaro demitiu o irmão dela porque ele se recusou a devolver parte do salário ao mandatário, uma prática conhecida como "rachadinha".

O período do questionário abarca, também, os depoimentos na CPI que levantam suspeitas sobre a compra da vacina indiana Covaxin; manifestações contra Bolsonaro que levaram até partidos de centro, como o PSDB, às ruas, ao lado da esquerda; e a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a conduta de Bolsonaro no caso da negociação para a compra da Covaxin.

Na série histórica do Datafolha, a rejeição a Bolsonaro só não é pior que a de Fernando Collor, que, em 1992, enfrentava 68% de ruim ou péssimo meses antes de renunciar para evitar um processo de impeachment.

Ao analisar a divisão dos eleitores, o Datafolha revela que a maior reprovação é dada pelos eleitores que ganham até 2 salários mínimos. Para 54% deles, o governo é ruim ou péssimo. No Nordeste, a rejeição atinge 60%.

De maneira geral, quem reprova o governo é mulher (56% avaliam a gestão como ruim ou péssima), têm entre 16 a 24 anos (56%), e cursou ensino superior (58%).

Por outro lado, o desempenho de Bolsonaro é considerado mais positivo entre aqueles que têm mais de 60 anos (32% o classificaram como ótimo ou bom), entre quem ganha entre 5 e 10 mínimos (34%) e entre moradores do Centro-Oeste (34% aprovaram o governo).

_______________ * Delta: variante da Covid-19 sucumbe a vacinas de Pfizer e AstraZeneca, mas só após 2ª dose

Experimento francês efatiza importância das doses complementares com espaçamento de três meses para a proteção contra mutações do coronavírus; os dois imunizantes analisados são aplicados no Brasil
Pigmento especial de laboratório revela áreas onde variante delta do coronavírus invadiu células num experimento (verde) Foto: Planas et al./Nature
Pigmento especial de laboratório revela áreas onde variante delta do coronavírus invadiu células num experimento (verde) Foto: Planas et al./Nature

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SÃO PAULO — A variante Delta da Covid-19, já presente no Brasil, é geralmente mais habilidosa em driblar o sistema imune das pessoas, mas os imunizantes AstraZeneca e Pfizer conseguem neutralizar bem o vírus após a segunda dose com intervalo de três meses. Mesmo com a eficácia das vacinas caindo um pouco, elas continuariam sendo vitais, indica um novo estudo.

O trabalho, liderado pelo Instituto Pasteur, da França, em parceria com outros centros de pesquisa, tem relevância para o contexto brasileiro porque esses dois imunizantes são usados pelo Progrrama Nacional de Imunizações (PNI). A variante Delta ainda não está em ampla circulação no Brasil, mas já há casos que indicam transmissão comunitária em São Paulo.

Os cientistas do Pasteur avaliaram o desempenho do vírus contra anticorpos (moléculas do sistema imune) coletados de 162 pessoas que haviam tomado a vacina no intervalo regular, de 3 meses entre cada dose. O experimento desafiou quatro linhagens diferentes do vírus contra soro sanguíneo de indivíduos com histórico de infecção ou já vacinados, com uma ou duas doses. Os cientisas também testaram cada linhagem contra tratamento de anticorpos monoclonais, produzidos artificialmente.

Além da Delta (variante que emergiu na Índia e se espalha pelo mundo agora) foram testadas as linhagens Alfa e Beta do vírus, detectadas inicialmente e respectivamente no Reino Unido e na África do Sul. O estudo também avaliou o desempenho dos anticorpos de diferentes origens contra uma versão do vírus mais próxima à original chinesa, do início da pandemia.

Em artigo publicado na revista "Nature", os cientistas do Pasteur descrevem que a Delta foi, de longe, a variante que mais deu trabalho para as células de sistema imune nos experimentos de laboratório. Os anticorpos das vacinas foram os únicos que tiveram desempenho mais consistente, mas só aqueles que estavam no soro sanguíneo das pessoas que já tinham tomado a segunda dose.

Enquanto apenas 10% das amostras de voluntários recipientes de primeira foram capazes de neutralizar o vírus delta, uma parcela de 95% das amostras de pessoas com segunda dose obteve sucesso.

Comparada com a variante Alfa, de modo geral, a variante delta foi quatro vezes mais eficiente em escapar dos anticorpos dos não vacinados. Segundo os cientistas, a vantagem evolutiva da cepa surgida na Índia é que ela é capaz de escapar tanto de anticorpos que atacam a proteína S do vírus, responsável por sua entrada na célula, quanto à proteína N, que constitui outras partes da superfície do SARS-CoV-2.

O estudo destaca a importância da segunda dose das vacinas para prevenção contra variantes existentes do vírus.

"Em indivíduos que não tinham sido previamente infectados com o SARS-CoV-2, uma dose única de vacinas da Pfizer ou da AstraZeneca praticamente não induziu anticorpos neutralizantes contra a variante delta", escreveram os pesquisadores, liderados por Olivier Schwartz. "Entretanto, um regime de duas doses gerou altos níveis de neutralização sorológica contra as variantes Alfa, Beta e Delta em indivíduos com amostras coletadas de 8 a 16 semanas após a vacinação."

O resultado do estudo do Pasteur, um experimento de bancada, foi compatível com outros estudos que se basearam na observação de pessoas efetivamente vacinadas, mas não tiveram acompanhamento clínico. Com base apenas em registros de dados, esses trabalhos estimam que a eficácia do imunizante da AstraZeneca seja de 60% contra a Delta, enquanto a da Pfizer seria de 88%. Os números são só um pouco menores que os dados de eficácia global dessas duas vacinas, medidos em testes clínicos antes do surgimento da Delta.

Aceleração de vacinação com uma dose é criticada

Outro ponto importante do estudo é que ele contraindica a proposta de se vacinar com apenas uma dose da AstraZeneca e/ou Pfizer pessoas que já haviam sido infectadas com o vírus, com o objetivo de acelerar campanhas de imunização.

A combinação de infecção natural mais uma dose de vacina pode funcionar contra algumas variantes do vírus, mas, como mostra o estudo, falha contra a Delta.

O estudo francês não incluiu em seu estudo o desafio dos anticorpos contra a variante Gama, descoberta pela primeira vez no Brasil, anteriormente conhecida como P.1. Estudos de acompanhamento de pacientes vacinados, porém, indicam que tanto a AstraZeneca quanto a CoronaVac, as mais usadas no país, frearam o avanço dessas variantes nas populações mais idosas já imunizadas com segunda dose.

Os franceses também incluíram no experimento o teste de quatro anticorpos monoclonais (produzidos artificialmente) que foram aprovados para tratamento da Covid-19 nos EUA: bamlanivimab, etesevimab, casirivimab e imdevimab. O último deles é o que foi administrado ao ex-presidente Donald Trump quando adoeceu.

Todos os anticorpos monoclonais tiveram mal desempenho contra a Delta, sobretudo o bamlanivimab, que nem sequer conseguiu se ligar à proteína S do vírus.

_______________ * PSOL pede convocação de ministro da Defesa na Câmara para explicar ‘tentativa de intimidação’ da CPI | Bela Megale - O Globo

Braga Netto

A bancada de deputados federais do PSOL apresentou à presidência da Câmara um requerimento de convocação do ministro da Defesa, Walter Braga Netto. Os parlamentares exigem que ele dê explicações ao plenário sobre a nota publicada ontem pela pasta em resposta a uma fala do presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz, que citou corrupção envolvendo membros das Forças Armadas que atuam no governo. Os deputados do PSOL afirmam que nota é uma “tentativa de intimidação da CPI". 

"É inaceitável o tom intimidador e ameaçador da nota assinada pelo Ministro da Defesa Walter Braga Netto e pelo comando do Exército, Marinha e Aeronáutica. É fundamental, portanto, que os poderes constituídos tomem as providencias cabíveis para cobrar explicações aos responsáveis pelas ameaças e intimidações contra o Estado Democrático de Direito, que colocam em risco a Constituição Federal de 1988 e os valores por ela expressados”, escreve a bancada do PSOL no requerimento.

Os parlamentares destacam que as suspeitas de corrupção apuradas pela CPI sobre compra de vacinas são do período em que o Ministério da Saúde estava sob o comando de Eduardo Pazuello, que é general da ativa, e tinha outros militares em importantes posições hierárquicas na cadeia de comando. “A declaração do Senador Aziz apenas constatava fatos – cada vez mais fartamente demonstrados na CPI – que vem comprovando que os esquemas de corrupção do Governo Bolsonaro”, diz o documento.

– É inaceitável o tom intimidador e ameaçador da nota do Ministério da Defesa, que tenta constranger os trabalhos da CPI da Covid-19 e seus membros. Trata-se de mais uma ameaça à democracia, algo constante no governo Bolsonaro. O envolvimento de militares ou de qualquer outra pessoa nas graves irregularidades do esquema de compra de vacinas deve ser investigado a fundo – disse a líder do PSOL na Câmara, Talíria Perone (RJ).

_______________ * Emissários do governo comunicaram Pacheco sobre ‘alto grau de insatisfação’ da cúpula militar com CPI | Bela Megale - O Globo

Rodrigo Pacheco

A nota emitida pelas Forças Armadas contra o presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM), não pegou de surpresa o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Ontem, emissários do Palácio do Planalto procuraram Pacheco para comunicar o “alto grau de insatisfação” da cúpula militar com a manifestação de Aziz. A coluna apurou que chegou a Pacheco a informação de que as Forças Armadas iriam se manifestar sobre a fala do senador a respeito de corrupção entre alguns membros das Forças e que ainda poderiam “dobrar a aposta” caso houvesse novas declarações.

O presidente do Senado avaliou que era essencial baixar a fervura e optou por um discurso mais moderado sobre a manifestação militar. A fala de Pacheco desagradou boa parte de seus pares, que esperavam uma defesa mais incisiva do parlamentar. Ele destacou “respeito” aos militares em um discurso no plenário. À coluna, senadores afirmaram que Pacheco deveria ter se limitado a dizer que o dever das Forças Armadas é proteger a soberania nacional e não ameaçar outros poderes. O próprio Omar Aziz disse que a nota do Ministério da Defesa foi uma tentativa de intimidar a Casa.

A reação da Defesa foi considerada desproporcional pelo Congresso Nacional. Omar Aziz foi claro em dizer, ontem, que suas declarações se referiam a alguns militares que atuam no governo, e não à instituição. Como a coluna informou, integrantes da cúpula das Forças Armadas prometem uma reação “mais dura”, caso a CPI da Covid volte a fazer citações a suspeitas de corrupção envolvendo militares. Esses integrantes não explicaram, porém, que reação seria essa.

_______________ * Forças Armadas protestam contra situação que criaram, em nota à CPI da Covid

Pedro Doria Analitico Foto: O Globo
8/07/21
12:24
Braga Netto em visita a posto de vacinação em Brasília: mortos pela Covid-19 e suspeitas de corrupção contra coroneis restringiram repercussão de comunicado / Crédito: Pablo Jacob / Agência O Globo
Braga Netto em visita a posto de vacinação em Brasília: mortos pela Covid-19 e suspeitas de corrupção contra coroneis restringiram repercussão de comunicado Crédito: Pablo Jacob / Agência O Globo

Em abril de 2020, quando o então ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva acompanhou o presidente no sobrevoo de um ato de ataque à democracia em um helicóptero do Exército, houve grande alarme. Ontem, quando o atual ocupante da pasta, Walter Braga Netto, assinou com os três comandantes das Forças Armadas uma nota de ataque à CPI da Covid dizendo que “não aceitarão qualquer ataque leviano”, a repercussão foi bastante menor.

Muito ocorreu de lá para cá. Mais de meio milhão de brasileiros morreram por conta de uma gestão desastrosa da pandemia. Azevedo e Silva entregou o cargo, assim como os comandantes anteriores das Forças, num ato de resistência às pressões do Planalto. E um general da ativa subiu ao palanque político do presidente da República, quebrando a lei e o regimento do Exército, sem ter sido punido.

Mas não foi só isso que aconteceu — nas últimas semanas, brasileiros começaram a ouvir os nomes de coronéis e mais coronéis em frases nas quais palavras como propina, corrupção, bilhão, peculato, irregularidades se amontoam.

Antes da CPI, parecíamos ter um governo irracional, anticientífico, que ameaçava a democracia. Aos poucos, conforme as investigações do Senado avançam, a irracionalidade e a postura anticiência têm cada vez mais cara de algo que o eleitor conhece bem: corrupção governamental. E militares estão tão misturados nos depoimentos quanto indicados do Centrão.

Perde-se o respeito, e junto com ele, o medo. Militares não são, nem nunca foram, estranhos à corrupção brasileira. Os escândalos durante a ditadura não são poucos — mas o Congresso era amordaçado e, a imprensa, censurada. Nenhum dos dois ocorre hoje, e as informações por isso chegam à luz.

Com a eleição de um político do baixo clero cuja carreira é marcada por um histórico de discursos antidemocráticos misturados com rachadinhas, os militares escolheram participar do governo. Vão sair dele tendo perdido a imagem que conquistaram com as décadas de democracia. Sendo vistos como não tendo compreendido para que servem Forças Armadas numa democracia, como incompetentes e, principalmente, como corruptos.

No final da ditadura, uma das letras da banda de rock RPM fazia o desenho de como os brasileiros viam o Exército na época. “Fardas e força/Forjam as armações/Farsas e jogos ... Juram que não/Corrompem ninguém/Agem assim/Pro seu próprio bem.”

É como se nada houvesse mudado.

7/07/21
19:36
Ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias na sessão da CPI da Covid em que foi preso acusado de ter mentido em depoimento / Crédito: Adriano Machado / Reuters
Ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias na sessão da CPI da Covid em que foi preso acusado de ter mentido em depoimento Crédito: Adriano Machado / Reuters

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias foi preso acusado de falso testemunho, depois de não dar respostas que deixassem satisfeitos os integrantes da CPI da Covid no Senado. Demitido após ser acusado de cobrar propina para a compra de vacinas contra a Covid-19 pelo policial militar Luiz Dominghetti, Dias afirmou que não negociava vacinas, responsabilidade que seria de Elcio Franco, ex-secretário executivo do ministério na gestão de Eduardo Pauzello. O jantar em que, segundo Dominghetti, teria havido o pedido de propina, foi apenas um chope, em que ambos se encontraram por acaso, apresentados por uma terceira pessoa, na versão de Dias.

_______________ * O que preocupa na indicação de André Mendonça ao Supremo | Opinião - O Globo

Por Editorial

andré mendonça

A indicação provável do advogado-geral da União, André Mendonça, à vaga aberta com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello no Supremo Tribunal Federal (STF) tem chamado a atenção pelo motivo errado. Diz-se que, com a indicação, o presidente Jair Bolsonaro tentará cumprir a promessa de pôr na Corte um nome “terrivelmente evangélico” (Mendonça é pastor presbiteriano licenciado). Mas essa não é a característica mais relevante dele, nem deveria despertar crítica.

Bolsonaro tem mandato para indicar quem quiser, desde que respeite as regras da Constituição: idade entre 35 e 65 anos, notório saber jurídico e reputação ilibada. Numa população com 30% de evangélicos, é mesmo estranho não haver nenhum na instância mais alta do Judiciário. Se a intenção fosse só melhorar a representatividade, não haveria problema. Diversas posições de fundo religioso — em temas como aborto, drogas, casamento ou educação —, mesmo que erradas, são dignas de representação nas instituições.

A ressalva a fazer está noutro aspecto. Na Advocacia-Geral da União (AGU), a subserviência de Mendonça a Bolsonaro enseja dúvidas legítimas sobre sua visão da democracia e de instituições como o próprio Supremo.

Mendonça abusou do pedido de inquéritos com base na Lei de Segurança Nacional (LSN) para cercear a liberdade de jornalistas, cartunistas ou opositores de Bolsonaro. Em fevereiro, quando era ministro da Justiça, defendeu, em desafio a tudo o que se sabe de segurança pública, decretos que ampliavam o acesso às armas e à munição, sob a alegação de que essa sempre fora a “bandeira política” do presidente.

Foi para a AGU no lugar de José Levi, que se recusara a assinar uma ação descabida de Bolsonaro contra medidas de governadores e prefeitos para deter o contágio pelo coronavírus. Mendonça assinou. Depois defendeu no Supremo a liberação de cultos presenciais em plena pandemia, sem disfarçar que tinha conhecimento do altíssimo risco de transmissão.

Mendonça tem, é certo, credenciais que o aproximam do Supremo. É coautor de um livro com Alexandre de Moraes e não seria o primeiro a usar a AGU como trampolim para o STF (também seguiram essa rota os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes). Não há como deixar de lamentar, porém, sua presença reduzir ainda mais a proporção na Corte daqueles que fizeram carreira como juízes (com a saída de Marco Aurélio, restariam apenas quatro dos 11: Rosa Weber, Nunes Marques, Ricardo Lewandowski e Luiz Fux).

Se for mesmo indicado, o Senado deveria submetê-lo a uma sabatina séria, não à “aprovação automática” de praxe, para que ele tenha a oportunidade de esclarecer as dúvidas sobre suas convicções. O que tem a dizer a respeito da liberdade de expressão e da LSN? Qual sua opinião sobre as medidas de restrição na pandemia, acesso às armas ou voto impresso? Como agiria diante de um desafio de bolsonaristas a um resultado indesejável nas urnas? São essas as questões que devem preocupar o país se ele estiver no STF, não sua religião.

_______________ * Bolsonaro volta a fazer comentário racista sobre cabelo de apoiador: 'Olha o criador de barata aqui'

Presidente associou 'black power' à sujeira; caso semelhante já havia ocorrido em maio
O presidente Jair Bolsonaro 30/06/2021 Foto: Divulgação
O presidente Jair Bolsonaro 30/06/2021 Foto: Divulgação

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RIO — O presidente Jair Bolsonaro voltou a fazer uma piada racista sobre o cabelo de um apoiador negro com "black power", ao associar seus fios crespos à sujeira. O episódio ocorreu na manhã desta quinta-feira em Brasília durante uma conversa do presidente com simpatizantes na saída do Palácio do Alvorada. Bolsonaro se referiu ao homem como "criador de barata".

— Como está a criação de barata ai? Olha o criador de barata aqui — afirmou o presidente, rindo e apontando para o homem. — Você não pode tomar ivermectina que vai matar seus piolhos.

As imagens foram transmitidas por um canal no YouTube simpático ao presidente. Comentário semelhante já havia sido feito por Bolsonaro ao mesmo apoiador em maio deste ano, também durante uma conversa na saída do Alvorada.

Em outro momento, Bolsonaro voltou ao assunto com outro comentário racista sobre o mesmo apoiador. Simpatizantes presentes chegaram a afirmar em tom de brincaderia que o presidente seria processado.

— Quantas vezes você lava esse cabelo por mês? — debochou Bolsonaro aos risos.

Em resposta, o  homem, cujo nome não é citado nas imagens, afirmou que não é um "negro vitimista" e disse que Bolsonaro tem intimidade para, nas suas palavras, "brincar":

— O presidente tem essa intimidade para brincar, da mesma maneira que dá liberdade para o pessoal brincar.

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