_______ * LULA: a AMÉRICA LATINA tem que ser um BLOCO e Biden tem que ENTENDER que temos o DIREITO de CRESCER _______ * SENADORES pedem investigação CONTRA ARAS e causam IMPASSE no CONSELHO do MPF
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_______________ * LULA: a AMÉRICA LATINA tem que ser um BLOCO e Biden tem que ENTENDER que temos o DIREITO de CRESCER

247 - O ex-presidente Lula, em entrevista neste domingo (4) ao jornal Página 12, da Argentina, falou sobre a necessidade da América Latina se integrar de maneira mais sólida, formando "um bloco". O petista ainda mencionou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao dizer que a região "tem o direito de crescer".
"Não vai demorar muito para o Chile se recuperar, para o Brasil voltar a crescer, para voltar a ser respeitado internacionalmente e para discutir algo que é sagrado para mim: a América Latina tem que entender que temos que ser um bloco. Um bloco que pensa econômica e socialmente, que pensa de forma solidária. O mundo está dividido em blocos e não podemos continuar a negociar separadamente", expressou o ex-presidente.
"Temos que ficar juntos. Temos que criar um bloco forte, como estávamos fazendo com a Unasul, para que possamos negociar com a União Europeia, para negociar com a China, para negociar com os Estados Unidos. Não sei se vocês perceberam o discurso do Joe Biden ao povo americano na tentativa de destruir o que Trump havia criado. Em outras palavras, Trump foi eleito com o voto de trabalhadores que não acreditavam mais na democracia, que estavam desempregados. O discurso de Biden foi muito importante para recuperar a situação de credibilidade do povo americano, reivindicando os trabalhadores. Mas na política externa, Biden continua conservador, ele continua pensando que os Estados Unidos têm que ser como os chefes do mundo, que eles têm que lutar contra a corrupção global, que vão promover a paz mundial. Biden tem que entender que a América Latina tem que ter o direito de crescer. Não é possível que em 500 anos não tenhamos nenhum país da América Latina altamente desenvolvido. Sempre que há um governo que começa a melhorar as coisas, aparece um golpe e o governo cai. O continente latino-americano tem que se desenvolver. Queremos nossa soberania. Queremos que nossos povos tenham autodeterminação. E não vejo flexibilidade no discurso americano para a América Latina. É quase como se fosse um discurso de dominação: 'você não pode crescer. Eles não podem ter soberania. Eles não podem se desenvolver ou quando começarem a se desenvolver, enviamos um embaixador para organizar um golpe'", completou.
Brasil
Lula afirmou que pretende iniciar uma viagem pelo Brasil a partir de julho, mas garantiu não ser ainda candidato à presidência.
Sobre Jair Bolsonaro, o ex-presidente comentou sua péssima atuação na pandemia. "No Brasil, vivemos uma situação muito desagradável. Temos um presidente que não estimula o amor, nem a fraternidade, nem a solidariedade. Seu foco é o ódio. Relatos de corrupção aparecem todos os dias. Estamos formando uma comissão parlamentar para descobrir o que aconteceu. Estamos promovendo no Congresso Nacional com enorme peso o impeachment do presidente Bolsonaro. Vamos ver se a Câmara votará, porque são 120 petições de impeachment contra ele que não foram votadas. A sociedade começa a se mexer, a se manifestar, também passa a participar de atos públicos contra o governo. Estamos agindo rapidamente para consolidar o processo democrático no Brasil e fazer com que a democracia seja recuperada. A esperança é o que nos move".
Lula lembrou da campanha promovida por Bolsonaro a favor do suposto "tratamento precoce" contra a Covid-19, que tem sua ineficácia cientificamente comprovada. "O governo recomendou medicamentos sem validade científica para combater a Covid. O presidente Bolsonaro se tornou o representante daqueles medicamentos anti-malária que não funcionavam contra a Covid, mandou comprá-los. O Exército também produziu milhões de caixas desses remédios. Tudo isso está sendo investigado. Bolsonaro está sendo acusado de genocídio porque tem grande responsabilidade por muitas das mortes que poderiam ter sido evitadas. Não me sinto confortável em dizer isso porque realmente não tenho as evidências aqui comigo. A única coisa que tenho, na verdade, são os números e os gestos de total incompetência, de má vontade, de má-fé deste presidente em cuidar do povo brasileiro. Até hoje ele não usa máscara e continua mentindo. Para se ter uma ideia, foi criado um observatório de todas as mentiras contadas pelo Bolsonaro e concluíram que o Bolsonaro mentiu 3.151 vezes desde que assumiu a presidência. Ou seja, uma média de 4 mentiras por dia".
Lula falou da importância da alternância de poder, mas destacou que, com Bolsonaro no Palácio do Planalto, a democracia corre perigo. "Eu sou um democrata. Eu entendo que temos que ter alternância de poder, isso é saudável para a democracia. Não há problema que às vezes a direita vença, depois a esquerda. Isso é bom. Mas a democracia tem que ser tratada com respeito pelas instituições, com respeito pelas diferenças. Nunca imaginei que o Brasil elegeria um homem genocida para presidente, que não gosta de negros ou LGBTI. Aliás, que não gosta de sindicatos, não gosta de trabalhadores, não gosta de índios, não quer preservar nossa floresta amazônica. Em outras palavras, ele não tem limite para o mal. Ele é um presidente que promove a venda de armas. Libera com decreto-lei para que os brasileiros tenham 4 ou 5 pistolas, fuzis".
O ex-presidente disse planejar uma viagem à Argentina para agradecer ao povo do país e ao presidente Alberto Fernández pelo apoio enquanto esteve preso injustamente em Curitiba, no Paraná.
_______________ * Senadores pedem investigação contra Aras e causam impasse no Conselho do MPF

247 - Após os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Fabiano Contarato (Rede-ES) pedirem que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue o procurador-geral, Augusto Aras, um conflito foi gerado dentro do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF), órgão máximo que teria a competência legal para investigar Aras.
Os parlamentares querem uma apuração acerca da conduta de Aras, por omissões na fiscalização de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. Os senadores citam nota em que o PGR transfere ao Poder Legislativo a reponsabilidade de investigar a conduta de autoridades públicas na pandemia. Aras abre mão de suas funções “ao pretender indevidamente transferir a pretensão de responsabilização dos agentes políticos de cúpula ao Poder Legislativo”, segundo o grupo.
Um aliado de Aras no Conselho Superior do MPF bloqueou o processo, proferindo despacho secreto, que acabou paralisando a tramitação. Enquanto isso, outros conselheiros tentam destravar o julgamento do caso. Aras não tem maioria no Conselho Superior.
O vice-presidente do conselho, o subprocurador-geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada, adversário de Aras, havia determinado o prosseguimento do processo. A secretaria do Conselho Superior, porém, enviou o caso para o subprocurador-geral Humberto Jacques de Medeiros, aliado do PGR, que proferiu um despacho sigiloso ao qual nenhum dos conselheiros nem funcionários do conselho tiveram acesso.
José Bonifácio Borges de Andrada, então, tomou uma ação inédita ao entrar com um mandado de segurança na Justiça Federal na tentativa de obrigar que o despacho secreto de Humberto Jacques de Medeiros seja tornado público e o teor seja anulado.
"A postura do conselheiro vice-procurador-geral da República viola todos os princípios constitucionais ou legais dos atos da administração pública e da Justiça. A regra é a publicidade dos atos", diz a ação de Bonifácio sobre Humberto Jacques de Medeiros.
_______________ * FROTA diz que governo de São Paulo SABE que BLACK_BLOCS foram BOLSONARISTAS infiltrados

247 - O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) afirmou no Twitter que o governo de São Paulo, comandado por João Doria, tem pistas da infiltração de bolsonaristas em protestos e que atuaram como black blocs.
"Jajá vamos descobrir que os Black Blocks de ontem são os Bolsonaristas disfarçados.
Já temos pistas sobre isso", escreveu o parlamentar no Twitter.
O parlamentar rebateu uma postagem na rede social feita por Jair Bolsonaro, que resolveu criticar os protestos deste sábado (3).
"Nunca foi por saúde ou democracia, sempre foi pelo poder!", disse ele.
Várias cidades brasileiras registraram manifestações pelo impeachment de Bolsonaro.
Também defenderam pautas como aceleração da vacinação, retomada dos direitos sociais e do crescimento econômico.
_______________ * ULTRAJANTE : LEITE admite ter ERRADO ao DECLARAR voto em BOLSONARO em 2018 e ATACA o PT

Em entrevista coletiva neste sábado (3), o gaúcho foi perguntado sobre o movimento na última eleição.
Apesar de reconhecer o erro, Leite fez questão de dizer que, ao declarar seu voto, não apoiou Bolsonaro.
"Em 2018, foi um erro levar aquelas duas alternativas ao segundo turno, em primeiro lugar.
E, dentro do que se apresentava no segundo turno, também considero um erro o encaminhamento da eleição do presidente Bolsonaro.
Não projetávamos que, num quadro de pandemia, a sensibilidade humana do presidente fosse tão EXIGIDA (?) como está sendo. (...)
Apoiar um candidato significa, além de declarar o voto, buscar votos para o candidato.
E eu jamais fiz isso.
NÃO fiz campanha CASADA, NÃO MISTUREI meu nome ao do candidato, NÃO fiz material CONJUNTO e NEM procurei ESTIMULAR que as pessoas votassem NELE.
Declarei qual seria o meu voto em função do que se apresentava naquele segundo turno".
O governador disse que NÃO ESPERAVA (?) que os pensamentos preconceituosos de Bolsonaro se tornassem POLÍTICAS PÚBLICAS em seu GOVERNO.
"As declarações de INTOLERÂNCIA que o presidente tinha tido no PASSADO me pareciam, naquele momento, embora preocupantes, ter menos espaço para se apresentarem de forma prejudicial ao país, tendo em vista que temos instituições fortes que garantiriam que a posição homofóbica dele não significasse política pública contrária a gays.
Então a gente tem que ANALISAR esse ERRO e APRENDER com ele pra NÃO cometer mais esse ERRO no FUTURO".
O gaúcho ainda criticou o instituto da reeleição, criado durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Foi um erro. Dentro do nosso modelo político institucional, revelou-se um erro.
No sistema dos Estados Unidos, há um bipartidarismo, que proporciona uma outra condição de exercício da atividade da reeleição.
No Brasil, como há pluripartidarismo, uma fragmentação partidária, a reeleição acaba sendo um instituto ruim.
Porque o governante precisa dos apoios dos partidos e negocia esses apoios dentro do gabinete oficial, com o governo nas mãos, e, muitas vezes, PRECARIZANDO a FORMAÇÃO do governo em nome da REELEIÇÃO".
_______________ * Renan Calheiros: "Bolsonaro só quis vacina quando houve chance de propina"

247 - O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid, fez neste domingo (4) pelo Twitter uma "síntese" dos primeiros 60 dias de funcionamento da comissão que apura ações e omissões do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.
"Síntese de 60 dias de CPI: Bolsonaro desdenhou da pandemia, criou governo paralelo, sabotou os imunizantes, alastrou o vírus e entregou vidas a charlatães e lobistas de cloroquina como ele e os filhos;300 mil mortes eram evitáveis; só quis a vacina quando houve chance de propina", escreveu o senador.
Renan foi indiciado pela Polícia Federal na sexta-feira (2) e disse ter visto na ação da PF bolsonarista uma retaliação por sua atuação na CPI.
_______________ * “O lulismo voltou e está se consolidando”, diz André Singer

247 - O cientista político André Singer destacou a liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas eleitorais e afirmou que há uma migração de votos de bolsonaristas para o lulismo, termo cunhado pelo analista, que também foi porta-voz de Lula de 2002 a 2007.
"A julgar pela situação atual, em 2021, o lulismo voltou. Ele nunca desapareceu e agora está com bastante força. É um momento de consolidação do lulismo", disse ao programa Forças do Brasil, conduzido pelo jornalista Mário Vitor Santos, na TV 247.
O analista reforçou que o lulismo é um "programa prático de combate à pobreza, distribuição da renda".
"Nenhum governo do campo popular tinha conseguido governar o Brasil durante tanto tempo de maneira estável e conseguindo fazer mudanças", afirmou.
"O recall do lulismo está permitindo ele ser o líder mais expressivo, o candidato mais forte das forças que se opõem a este governo", acrescentou o analista.
_______________ * ULTRAJANTE : REDATORA do GOLPE contra DILMA, Janaina Paschoal diz que impeachment ‘NÃO pode ser BANALIZADO’ “DEIXEM GUEDES TRABALHAR”

247 - A relatora do impeachment contra Dilma Rousseff (PT), a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL), afirmou nas redes sociais, nesta sexta-feira, 2, que “o instituto do impeachment não pode ser banalizado”.
“DEIXEM GUEDES TRABALHAR”, destacou a deputada em_apoio ao ministro da Economia do governo de Jair Bolsonaro.
O superpedido foi assinado por legendas como PT, Psol, PSB, PDT e PCdoB.
Também assinaram entidades como a Central dos Movimentos Populares (CMP), a Frente Brasil Popular, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e a Coalizão Negra por Direitos, além de outros movimentos e políticos como os deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP), Joice Hasselmann (PSL-SP) e Kim Kataguiri (DEM).
_______________ * COMENTÁRIOS : ______ “O LULISMO voltou e está se CONSOLIDANDO ”, diz André Singer
Joyce Camargo
José Gomes
Unidade,paz e justiça!
Eduardo Pereira
Córdoba
_______________ * Kakay critica possível recesso da CPI da Covid: 'pelos 500 mil mortos, não há espaço para interromper a investigação'

247 - O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, em publicação no Estado de S. Paulo neste domingo (4), criticou a possibilidade de recesso da CPI da Covid.
"Conversei há pouco com alguns senadores e vejo que há uma hipótese de suspensão da CPI da Covid durante o recesso de julho.
Respeitosamente, eu espero que o Senado tenha conseguido uma liminar para impedir qualquer morte durante esse período.
Não sei bem quem teria esse poder,
mas só assim é possível ENTENDER a INTERRUPÇÃO dos trabalhos da CPI".
O especialista aponta a diferença desta comissão para as outras que já ocorreram na história brasileira e PEDIU, PELOS mais de 500 mil mortos pela Covid no país, que os trabalhos dos senadores NÃO sejam paralisados.
"Já disse mais de uma vez, essa não é uma CPI das construtoras, dos bancos, é uma CPI do desastre sanitário que se abateu sobre o país.
É necessário apontar os responsáveis por boa parte desses óbitos.
Já contabilizamos mais de meio milhão de mortos.
E precisamos saber quem ganhou dinheiro com nossa dor.
Não há espaço para interromper a investigação.
Em nome dos mais de 500 mil brasileiros que foram vencidos pelo vírus.
Em homenagem aos milhões que sofrem e sofreram essa perda, eu espero que os Senadores não façam essa interrupção durante o recesso.
Seria como parar um tratamento de um brasileiro infectado pela Covid.
Um brasileiro na UTI. O Brasil está na UTI e o Senado sai de férias".
_______________ *Doméstica relata ser humilhada por patroa: 'você sempre será empregada'
O texto, que a contratante nega ter enviado, ironiza a funcionária: 'muito lotado o ônibus para trabalhar? Eu não trabalho'
Texto: Caroline Nunes | Edição: Nadine Nascimento | Imagem: Freepik

Duas empregadas domésticas se dizem humilhadas pela ex-patroa por meio de mensagem de texto. As irmãs, Ana de Souza e Maria de Souza, são moradoras de Paraisópolis, periferia da Zona Sul de São Paulo. Elas afirmam que os ataques da contratante começaram quando Ana teve que deixar o apartamento às pressas na sexta-feira (25) para socorrer a filha de quatro anos, que estava passando mal.
Na data, a funcionária relata que próximo às 5h da manhã sua filha começou a passar mal, com vômitos e tremedeira. Preocupada com a saúde da criança e, para não também prejudicar a rotina da patroa, ela mandou uma mensagem para avisar e justificar a ausência.
“Ela [a patroa] falou que era para eu medicar a menina e ir trabalhar. Eu avisei que a minha filha ficava com uma babá de 16 anos, que não sabia agir caso a criança piorasse, e ela dizia que era para eu arrumar uma babá mais qualificada e ir trabalhar. Eu estava sem cabeça. Empregadas também são mães”, explica Ana.
A empregada seguiu o conselho da patroa, medicou a filha e foi para o trabalho no Itaim Bibi, região nobre de São Paulo. Ao chegar no apartamento, soube que o estado da criança havia piorado e que poderia ser um caso de hospitalização. Ana então pediu à patroa que solicitasse um carro de aplicativo, para chegar mais rápido em casa e socorrer a filha. O art. 12 do Decreto 3048 determina que empregadas domésticas podem se ausentar do ambiente de trabalho para acompanhar filhos ou cônjuges ao hospital.
“Ela [a patroa] ficou brava, disse que eu a estava obrigando a pedir um uber para mim e eu não fiz isso. Levei minha filha ao hospital e ela mandou mensagem o dia inteiro, me incomodando e sendo debochada comigo. Me senti humilhada, pois eu só estava preocupada com a minha filha. Ela também é mãe, deveria entender”, desabafa a profissional.
Maria conta que passou a perceber que a irmã Ana se sentia cansada pelo excesso de funções e a estimulava a pedir um aumento. Apesar de um histórico de atitudes grosseiras relatadas por outras empregadas que já passaram pela casa, Maria relembra que foi ela mesma que indicou a irmã para a casa. Ela já havia trabalhado anteriormente lá por um curto período e inclusive cobriu a ausência de Ana enquanto estava afastada por ter contraído Covid-19, em 2020.
“O meu amor pelo filho dela é imenso e por isso eu gostava de trabalhar lá, mesmo me sentindo sobrecarregada às vezes. Fui contratada para fazer a limpeza, mas ela [a patroa] passou a atribuir mais funções, como a de babá e cozinheira sem aumentar o meu salário”, relembra Ana.
Mensagem com humilhações
Segundo Maria, no final de semana a patroa passou a mandar mensagens desrespeitosas para Ana e até para o marido dela. "Ana só chorava, dizia que não queria mais ir trabalhar lá por estar se sentindo humilhada e a bloqueou. Foi então que eu entrei em contato para entender as razões que faziam ela tratar minha irmã assim e ela me enviou a mensagem ofensiva na segunda-feira”, lembra.

Mensagem recebida por Maria após confrontar a patroa quanto ao comportamento para com sua irmã, Ana. | Créditos: Acervo pessoal
Nas mensagens trocadas, a patroa e Maria discutem e a contratante pede para que Ana “faça as coisas corretamente e peça as contas”. A patroa acusa as irmãs empregadas de coação e diz que irá entrar com processo judicial contra elas.
Já Ana diz que não pretende entrar com processo contra a patroa, motivada pelo carinho que ela nutre pelo filho da ex-contratante e o respeito pelo ex-patrão, que sempre a tratou bem. Já Maria, que foi a quem a patroa se refere como “desquitada e invejosa” na mensagem, afirma que pretende seguir em frente com o processo.
“Eu não quero um centavo dela sequer. Eu quero justiça. Quero que um juiz coloque juízo na cabeça dela para que nunca mais ela aja dessa forma com nenhuma empregada. Somos pobres sim, moramos na comunidade, mas somos honestas”, relata Maria.
Para repercutir as informações, a Alma Preta Jornalismo entrou em contato com a patroa. Em um primeiro momento, ela disse não ter nada a declarar sobre a mensagem, apenas afirmou que não foi ela quem enviou e que se tratava de algo forjado pelas irmãs. Depois, ameaçou processar a agência de notícias e a repórter caso o nome dela, fotos ou imagem de seu filho fossem divulgados.
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_______________ * Sakamoto: As GRAVAÇÕES reforçam que Bolsonaro é PATRIARCA das RACHADINHAS _______________ * Isso é uma BOMBA que EXPLODE no COLO de Jair BOLSONARO
Colaboração para UOL, em São Paulo
05/07/2021 11h15
O colunista do UOL Leonardo Sakamoto explicou hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), além de ser o patriarca de sua família é o patriarca das rachadinhas, pelas gravações reveladas pela reportagem do UOL que apontam seu envolvimento direto, enquanto era deputado federal (entre 1991 e 2018), no esquema de entrega de salários de assessores.
"Agora gravações reforçam que o patriarca da família Bolsonaro também é o patriarca das rachadinhas. Agora tem um ponto: mais que um desejo de permanecer no poder para impor sua visão de mundo, tudo indica que Jair quer se reeleger também para evitar o 'xilindró', pela forma como usou recursos públicos de seu governo na pandemia, mas também como os usou antes de ser presidente", disse Sakamoto durante o UOL Debate.

Colega de Bolsonaro no Exército recolhia valores do esquema, diz ex-cunhada
Em três reportagens publicadas hoje na coluna da jornalista Juliana Dal Piva mostram gravações que revelam o que era dito no círculo íntimo e familiar do presidente.
As declarações indicam que Bolsonaro participava diretamente da rachadinha: nome popular para uma prática que configura o crime de peculato (mau uso de dinheiro público).
"Isso é uma bomba que explode no colo de Jair Bolsonaro. Ainda mais no momento em que ele está envolvido em acusações de prevaricação por ter deixado passar indícios de corrupção na compra da Covaxin para exatamente ajudar o centrão.
Agora volta a assombrá-lo por um mau uso de dinheiro público, um peculato, que envolve diretamente seu nome, como bem mostrou a extensa investigação da Juliana", continua Sakamoto.
"Agora, é interessante porque bolsonaristas sempre usaram como tática de defesa que o problema das "rachadinhas", que é um nome educado, na verdade é desvio de dinheiro público, não envolve o presidente, apenas o senador Flávio Bolsonaro, seu filho. As redes bolsonaristas falam isso", conclui.
_______________ * Vídeo flagra momento em que raio atinge carro com crianças nos EUA; veja
Colaboração para o UOL, em São Paulo
05/07/2021 09h43
Um motorista que passava por uma rodovia de Waverly, em Kansas (EUA), em 25 de junho, flagrou o momento em que um raio atinge um veículo que trafegava em sua frente. Por sorte, ninguém se feriu.
Carl Hobi, que se diz um "caçador de tempestades", aproveitou uma tempestade que acontecia enquanto dirigia para ligar sua câmera. Nas imagens, um clarão aparece de repente e atinge uma SUV preta.
Jovem é filmado destruindo Porsche na rua; dono permitiu, diz polícia
"Eles ficaram assustados e a primeira coisa que fizeram foi se certificar de que as crianças estavam bem e ficaram aliviados pela segurança de todos", disse o autor do vídeo à Newsweek.
Embora a descarga tenha parecido assustadora, o carro, que tinha uma criança de 8 meses, duas de 1 ano e os pais delas, protegeu os passageiros.
Apesar de ninguém se ferir, o carro ficou avariado pela descarga elétrica. "O carro parecia estar morto, provavelmente está perdido", contou.
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Celso Rocha de Barros: Se a manifestação está vermelha demais para o seu gosto, junte uma turma e vá vestindo outra cor
Objetivo deve ser alinhar o máximo de interesses contra o autoritarismo assassino de Bolsonaro
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Ninguém queria estar lá: em um mundo em que Bolsonaro não tivesse trabalhado pela propagação da morte por sufocamento e acobertado roubo de dinheiro de vacina, todos poderiam esperar o fim da vacinação para começar a se manifestar. Não é esse o mundo em que vivemos.
Ninguém precisou ir de moto para dar a impressão de que encheu. Nas fotos, estão todos de máscara. E, se fossem esperar a vacinação acabar, pelo ritmo atual, os protestos seriam liderados pelo jovem Hugo, filho recém-nascido dos deputados Sâmia Bomfim e Glauber Braga (ambos do PSOL), que já seria presidente da UNE.
As bandeiras dos partidos e movimentos próximos da esquerda predominaram amplamente no sábado, mas houve uma novidade: pequenos grupos de liberais e centristas compareceram aos atos com mais visibilidade do que antes.
Alguns deles já estavam lá: membros do movimento de renovação política Acredito organizam protestos contra Bolsonaro há vários meses (e são os donos do bonecão inflável Capitão Cloroquino).
Mas dessa vez havia também pequenos contingentes do PSDB de São Paulo, do movimento liberal Livres e de outras camisas não vermelhas.
O primeiro lado bom disso é que o pessoal parece ter entendido que, se a manifestação está vermelha demais para o seu gosto, junte uma turma e vá vestindo outra cor. Não dá para esperar que a esquerda organize a manifestação e seja proibida de erguer sua bandeira.
A essa altura, já está claro que a turma do “meu partido é o Brasil” queria dizer que, para eles, o Brasil era só o partido deles. A direita democrática tem que ter partido, camisa, bandeira próprios, porque a bandeira do Brasil tem que ser de todo mundo. Aí os amigos de esquerda vão dizer: bom, com exceção dos caras do Acredito, esses “centristas” todos entraram na briga pelo impeachment só porque agora perceberam que é mais fácil tirar Bolsonaro do segundo turno de 2022 do que Lula.
É, né, companheiro? É por isso que a notícia saiu no caderno de política, onde, aliás, também sai esta coluna.
Nosso objetivo deve ser esse, alinhar o máximo de interesses possíveis contra o autoritarismo assassino de Bolsonaro. Se a turma liberal voltar a tentar vencer na política, nas alianças, disputando as ruas, sem impeachment mutreteiro ou apoio à extrema direita, maravilha. Que vença o melhor em 2022 e que o Jair volte a ser nanico.
Até porque não basta derrotar Bolsonaro, é preciso reorganizar uma democracia estável no Brasil. O democrata que vencer em 2022 tem que contar com uma oposição liderada por outros democratas.
Há algo que talvez ainda não tenha sido percebido por todos os militantes da esquerda brasileira. Em 2021, nós não somos o minúsculo PT de 1980, fazendo barulho enquanto o MDB conduz a transição. Se Lula suceder o desastre de Bolsonaro, terá que assumir papel parecido ao do PMDB nos anos 1980, Deus queira que com políticas econômicas melhores, mas com a mesma disposição de atrair aliados. Pode não ser o que a esquerda gostaria de fazer agora, mas ninguém escolhe sua tarefa histórica.
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Opinião: Anielle Franco - "Para Onde Vamos" na TV - Tem uma revolução correndo nos nossos olhos


Anielle Franco
05/07/2021 06h00
Entre a casa grande e a senzala, nossa via sempre foi o quilombo(Vilma Reis, 2021)
Começo minha primeira coluna do mês de julho, o Julho das Pretas, referenciando a mulher que para mim vem sendo fruto de constante inspiração e aprendizado nos últimos meses e uma das personagens da minissérie documental "Para Onde Vamos", que estreia na próxima quarta-feira (7), a ativista negra brasileira e socióloga Vilma Reis.
Vilma, Paula, Áurea, Elaine e eu, Anielle. Esses são os nomes das cinco personagens da nossa minissérie "Para Onde Vamos". Com entrevistas e imagens dos bastidores da atuação de mulheres negras ao longo dos anos, suas histórias, disputas e vitórias, a minissérie documental "Para Onde Vamos" chega no mundo apresentando uma narrativa de ação, potência e perspectiva positiva que desconstrói e subverte os espaços marcados por exclusão e violência contra mulheres negras e visibiliza algumas das maiores representantes de uma verdadeira força de progresso e renovação política em nosso país atualmente.
A minissérie, filmada durante a pandemia e com uma equipe totalmente feminina e majoritariamente composta por mulheres negras de cinco cidades diferentes, começou a ser pensada a partir da pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco e o movimento Mulheres Negras Decidem, em 2020, e que contou com a participação de mais de 250 ativistas negras de todo o Brasil. O desafio em decidir quais histórias contar foi enorme, uma dessas histórias é a minha, que vocês que me leem aqui em Ecoa UOL há mais de um ano, já conhecem. Hoje, as histórias que quero contar são as das outras personagens que me acompanham nessa produção imperdível. São mulheres negras, mulheres de luta e que estão revolucionando seus territórios e o nosso país e que por isso, todos devem conhecer.
Vilma Reis é socióloga, doutoranda em Estudos Étnicos e Africanos no PosAfro da Universidade Federal da Bahia, UFBA e ocupou o cargo de ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia de 2015 a 2019. É também uma feminista, defensora de direitos humanos, ativista do movimento de Mulheres Negras brasileiro, atua no Fórum Marielles da Bahia e na Coalizão Negra por Direitos, tendo sido pré-candidata com uma pré-campanha lindíssima e inspiradora para a prefeitura de Salvador pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Vilma, em 2020, liderou o movimento e campanha Agora É Ela, que envolveu centenas de ativistas negras do movimento de mulheres negras brasileiras em defesa de sua pré-candidatura. Na série, Vilma nos presenteia com importantes análises do papel das mulheres negras no fortalecimento da democracia brasileira e na construção de políticas públicas verdadeiramente capazes de dar soluções aos nossos problemas. Ela relembra a morte da minha irmã, Marielle, e reforça a ideia que defendemos desde o momento de sua morte ao afirmar que "Quando lançam nosso sangue sobre o chão, nós brotamos pois somos sementes!"
Elaine Ferreira do Nascimento é pesquisadora e coordenadora adjunta da Fiocruz-PI, responsável pela avaliação de serviços de saúde, doenças negligenciadas e determinantes sociais de saúde. Uma mulher negra que ocupa um espaço relevante da saúde pública no Brasil, na maior instituição de pesquisa biomédica da América Latina e uma das maiores do mundo, a Fundação Oswaldo Cruz. Como profissional que acompanhou de perto a pandemia de covid-19 e o impacto que essa pandemia teve na vida de milhares de brasileiros.
Como ativista e também uma mulher negra lésbica, em um dos episódios de nossa minissérie, ela reforça que a importância de amar outra mulher ao nos dizer que: "A política me torna revolucionária, a justiça social me torna cidadã, mas amar uma mulher é o que me torna humana". Em suas produções científicas e trabalho na Saúde Pública e no SUS, consegue desenhar caminhos para a garantia do acesso à saúde para populações minorizadas e que, por vezes, as políticas públicas insistem em esquecer de suas especificidades, como é o caso de mulheres negras e lésbicas.
Já Paula Beatriz, outra personagem da série, é professora e diretora da Escola Estadual Santa Rosa de Lima, no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. Paula é um desses nomes que devemos sempre lembrar, pois foi a primeira mulher transexual a assumir a direção de uma escola pública em São Paulo. Em 2019, recebeu o Prêmio Ruth de Souza, oferecido pelo Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado de São Paulo (CPDCN), da Secretaria da Justiça e Cidadania pelo trabalho desenvolvido na área da educação. Na série, Paula nos lembra que "A educação é a promotora maior para um país crescer" e que portanto, essa deve ser a vida de mudança para a política de nosso país. Paula nos mostra os caminhos e aponta um novo movimento para a educação pública no Brasil.
Áurea Carolina, deputada federal pela qual tenho extrema admiração e respeito e nossa representante parlamentar na minissérie, tem uma importante trajetória de luta pelos direitos das mulheres negras. Foi a vereadora mais votada de Belo Horizonte (MG) nas eleições municipais de 2016, mesma eleição que minha irmã disputou. Áurea, assim como Marielle, promoveu uma verdadeira revolução feminista negra em sua cidade. Ela foi a mulher mais votada na história da cidade e a deputada federal com a quinta maior votação do estado em 2018. Na série ela reforça que "a gente vem reverenciando essas mulheres negras e sabendo que a gente tem um papel de continuidade". Áurea é precursora de um movimento inovador na política brasileira: o Gabinetona, uma experiência de mandato coletivo. Hoje, como deputada federal, ela trabalha em defesa dos direitos das mulheres, da negritude, das juventudes, dos povos e comunidades tradicionais e contra a mineração predatória, tema de extrema relevância na política brasileira e que até então era discutido apenas por homens brancos.
Nossas histórias falam por si, e não tenho dúvidas da importância dessa produção para a reafirmação do lugar das mulheres negras frente ao avanço do fascismo e retrocessos que o Brasil enfrenta. A minissérie "Para Onde Vamos" pretende ser um processo de visibilização da atuação de mulheres negras frente ao atual contexto social, político e econômico em nosso país. Apresentamos o movimento das mulheres negras do Brasil através de histórias de ativistas que estão liderando verdadeiras revoluções no modo de pensar, agir e executar políticas públicas no país.
O primeiro episódio da minissérie documental "Para Onde Vamos" estreia nesta quarta-feira, dia 7 de julho às 19h30 na TV aberta para todo o Brasil, no Canal Brasil e online no Globoplay. Antes disso, teremos nossa pré-estreia com um bate-papo incrível com a diretora da nossa minissérie, Claudia Alves da Fluxa Filmes e todas as cinco personagens. Esse papo acontece a partir das 18h no canal do Youtube do Canal Brasil.
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Opinião - Ronaldo Lemos: Os investigadores-cidadãos da CPI
Em movimento 'crowdsource', internautas ajudam senadores na comissão
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Um dos aspectos mais interessantes e menos falados da CPI da Covid-19 é como ela provocou um movimento de investigação “crowdsource” de abrangência nacional. O termo “crowdsource” diz respeito a como uma atividade pode ser distribuída entre participantes de toda a internet, que, agindo juntos, conseguem produzir uma espécie de inteligência coletiva.
Diferentemente de CPIs anteriores, os senadores da CPI da Covid-19 não estão limitados no processo de investigação. Enquanto os depoimentos e as investigações acontecem, usuários da rede em todo o Brasil se mobilizam para encontrar inconsistências nos depoimentos e até mesmo realizar investigações por conta própria. O resultado dessas atividades é então postado na internet, copiando em tempo real os integrantes da comissão.
A CPI —ao contrário do que tem sido dito— não é um espetáculo a que a plateia assiste calada esperando o final para bater palma. É um jogo participativo que transformou um contingente enorme de usuários da rede em investigadores-cidadãos, que participam ativamente dos lances de cada dia. É como se a quarta parede tivesse sido totalmente derrubada.
Isso ficou claro com depoimentos propositalmente confusos da semana passada. Com a quantidade de informações novas trazidas, conjugadas com pistas falsas, houve uma intensa interação entre senadores e esse conjunto de investigadores-cidadãos enquanto os próprios depoimentos ocorriam.
Foram os usuários da internet que conseguiram organizar minimamente a confusa trama, mostrando as inconsistências do que estava ocorrendo e devolvendo os achados de volta à CPI, que na hora assimilou as informações novas.
Esse fenômeno de investigação “crowdsource” não é novo. Outros crimes graves foram investigados dessa forma. Um exemplo emblemático foi o atentado na maratona de Boston, em 2013. O FBI praticamente não tinha pistas dos autores. Foi quando o agente especial Richard DesLauriers fez um apelo ao público para que enviasse imagens do evento captadas por meio de celulares e câmeras de vigilância. O FBI recebeu então 13 mil vídeos e mais de 120 mil fotos. Em um dos vídeos analisados, proveniente de uma câmera de segurança, o FBI identificou o suspeito, que acabou sendo condenado pelo ato terrorista.
É uma pena, no entanto, que esse tipo de mobilização “crowdsource” aconteça apenas com eventos que conclamam o interesse público. Outros fatos igualmente graves estão em curso, mas não têm mobilizado atenção nenhuma. Ao contrário, passam desapercebidos.
Um exemplo é a atual proposta de reforma eleitoral em curso no Congresso. Trata-se da maior reforma eleitoral desde a redemocratização. São mais de 900 artigos de lei divididos em três frentes diferentes que ninguém leu. A maioria esmagadora das pessoas nem sabe que ela existe. Só que o Congresso quer aprovar tudo em 15 dias. Se a reforma seguir do jeito que está, terá o efeito de piorar o sistema eleitoral brasileiro de forma irremediável.
Uma solução seria aplicar a mesma energia de “crowdsource” que está sendo direcionada à CPI também no acompanhamento da reforma eleitoral. Vale correr porque seus articuladores estão com pressa. Querem justamente passar a boiada antes que a inteligência coletiva perceba o que estão fazendo.
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Já era Achar normal que cada banco retivesse todos dados dos clientes
Já é Open banking
Já vem Open finance
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Por que trabalhadores nos EUA estão pedindo demissão em ritmo recorde
Ángel Bermúdez
Da BBC News Mundo
04/07/2021 15h55
Atualizada em 05/07/2021 16h22
O número recorde de pedidos de demissões nos Estados Unidos em abril parece materializar uma tendência que o pesquisador Anthony Klotz, especialista em psicologia organizacional, batizou há alguns anos de "a Grande Renúncia" — um realinhamento no mercado de trabalho em que uma parcela considerável de pessoas, por diversos motivos, estão escolhendo largar seus empregos.
Naquele mês, quase 4 milhões de trabalhadores, o equivalente a 2,7% de toda a força de trabalho do país, deixaram seus empregos. É um recorde desde 2000, quando esse tipo de dado começou a ser registrado.
Família descobre saldo de R$ 250 bilhões e fica em 'pânico'
A pandemia de coronavírus atingiu o emprego nos EUA com força brutal. Em apenas dois meses, entre fevereiro e abril de 2020, o número de desempregados passou de 5.717.000 para 23.109.000. A partir daí, começou uma gradual retomada, à medida que governos, empresas e funcionários encontraram uma forma de se adaptar ao novo cenário.
Com essa recuperação parcial, a taxa de desemprego ficou em 5,8% no último mês de maio, bastante abaixo dos 14,8% em abril de 2020 — porém acima dos 3,5% registrados antes da pandemia.
A onda de demissões compõe um quadro ambíguo: ela ocorre no mesmo país em que há mais de 9,3 milhões de desempregados, segundo dados de maio do Departamento do Trabalho.
Então, por que enquanto milhões de americanos estão procurando empregos, há outros milhões que estão pedindo demissão?
Esgotamento e epifanias

Embora sejam inúmeras as razões individuais pelas quais trabalhadores podem decidir pedir demissão, Anthony Klotz, professor associado de administração na Escola de Negócios Mays, da Universidade Texas A&M, diz que há quatro grandes explicações para a "Grande Renúncia" estar se concretizando agora.
A primeira é que muitos funcionários que já queriam deixar seus empregos em 2020 adiaram essa decisão.
"Entre 2015 e 2019, o número de demissões nos Estados Unidos cresceu ano a ano, mas esse número caiu muito em 2020, o que faz sentido dada a incerteza da pandemia. As pessoas permaneceram nos seus empregos, mesmo que quisessem deixá-los", explicou Klotz à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC).
Estima-se que em 2020 houve quase 6 milhões de demissões a menos nos EUA do que o esperado.
Com o avanço da vacinação e a melhoria da economia no país, essas pessoas podem ter sentido um cenário mais favorável para concretizar a saída.
"As mais recentes estatísticas do Departamento do Trabalho têm mostrando um recorde histórico de demissões em abril me levam a crer que muitas dessas pessoas já começaram a deixar seus empregos", diz Klotz.
O segundo fator que pode ter impulsionado esse fenômeno é o "esgotamento do trabalho".
"Sabemos por diversas pesquisas que, quando as pessoas se sentem esgotadas no trabalho, é mais provável que saiam."
"Vimos inúmeras histórias de trabalhadores essenciais, mas também de muitas pessoas que trabalharam de casa e tentaram equilibrar o tempo da família e do trabalho, que experimentaram altos níveis de esgotamento (na pandemia). No momento, há mais trabalhadores 'esgotados' do que o normal", aponta o especialista, acrescentando que a "única" cura para esta situação é um bom período de descanso, mas como este nem sempre é possível, a saída se torna inevitável.
Um terceiro fator que pode explicar essa onda de demissões, segundo Klotz, são os momentos de revelação ou epifania.
Eles acontecem quando uma pessoa, que pode estar feliz com seu trabalho, de repente vive uma situação que a faz querer deixar o cargo — como não conseguir a promoção que esperava ou ver algum colega ser demitido.

"Com a pandemia, quase todos nós sofremos um impacto que nos fez reavaliar nossas vidas. Tantas pessoas tiveram essas epifanias! Algumas perceberam que querem ficar mais tempo com sua família; outras agora sentem que seu trabalho não é tão importante quanto pensavam, ou querem abrir seu próprio negócio", explica.
"Muitas pessoas estão considerando fazer mudanças em suas vidas, e isso muitas vezes significa mudar suas carreiras."
A ampliação do trabalho remoto
A quarta possível explicação para a "Grande Renúncia" estar se concretizando agora tem a ver com o trabalho remoto, expandido na pandemia. Muitas pessoas se adaptaram a trabalhar de casa e agora não querem voltar ao escritório, embora para Klotz esta parcela de pessoas seja menor.
"Como seres humanos, temos a necessidade fundamental de desfrutar da autonomia. Quando você trabalha à distância, consegue estruturar o dia à sua maneira e tem muito mais flexibilidade do que no escritório. Por isso, muitas pessoas não querem perder essa liberdade. Existem pessoas que estão se demitindo para buscar empregos remotos ou híbridos", afirma o especialista.
Um estudo internacional encomendado pela Microsoft revelou que 70% dos funcionários querem que as empresas mantenham a opção flexível do trabalho remoto, e 45% dos que trabalham remotamente têm planos de se mudar para um novo local de moradia, já que não precisam mais ir para o escritório.
E cada vez mais empresas estão dispostas a oferecer essa possibilidade a seus funcionários. De acordo com dados fornecidos pelo LinkedIn à BBC News Mundo, anúncios na plataforma oferecendo cargos remotos aumentaram cinco vezes entre maio de 2020 e maio de 2021.
O setor de mídia e comunicação lidera a oferta de empregos remotos (27%), seguido pela indústria de software e tecnologia da informação (22%).
Ao mesmo tempo, quase 25% de todas as inscrições para vagas feitas entre o final de abril e maio foram para empregos remotos.

Oportunidades para carreiras específicas
Analistas apontam ainda uma outra explicação para essa onda de pedidos de demissão nos EUA.
Trabalhadores antes considerados mal pagos, como funcionários de restaurantes e hotéis, estão um pouco mais valorizados no país.
Segundo números do Departamento do Trabalho, entre aqueles que deixaram seus cargos no último mês de abril, mais de 740 mil eram do setor de lazer, hotelaria e restaurantes. Esse número de pessoas que fizeram a transição equivale a 5,3% do total de trabalhadores do setor.
A reabertura abrupta da economia criou uma grande demanda por esses funcionários, o que obrigou as empresas a oferecerem incentivos, inclusive melhores salários, para preencher as vagas.
"Há muita rotatividade em cargos de baixa remuneração, nos quais as pessoas realmente não têm uma progressão na carreira. Se você encontrar um emprego que lhe ofereça um pouco mais, mudar não tem nenhum custo para você", explicou Julia Pollak, economista da consultoria ZipRecruiter, ao jornal The New York Times.
_______________ * Guedes não tem conhecimento de questões sociais sobre a fome, diz presidente do Locomotiva
Em evento, ministro da Economia comparou o prato dos brasileiros com o dos europeus e afirmou que há desperdício de alimentos
Por Rafael Bitencourt, Valor — Brasília
Além de não convencer, o esforço do ministro da Economia, Paulo Guedes, de justificar na noite de sexta-feira seu posicionamento sobre uso da sobra de comida dos restaurantes como forma de minimizar a fome no Brasil ainda indicou falta de preparado para lidar com questões sociais. A avaliação é do presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.
Guedes recebeu críticas na quinta-feira ao refletir que os pratos dos europeus, que passaram por duas grandes guerras, são pequenos e, no Brasil, existe um enorme desperdício de alimentos pelas classes mais altas. A declaração foi dada no evento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), onde o ministro defendeu que aí estaria uma das saídas para enfrentar a forme.
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“O ministro da Economia, de novo, sai em público para demonstrar o seu total desconhecimento das questões sociais. Guedes deveria ir um dia a uma favela para conhecer a realidade do Brasil e não fazer comentários que negam a verdade factual e terceirizam responsabilidades”, afirmou Meirelles, em entrevista ao Valor.
Leia a reportagem completa no site do Valor Econômico.


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