_______________ * Em guerra fria tecnológica, máquina de chips minúsculos é aposta americana contra a China
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_______________ * Análise: Gustavo Cabral - Teremos mais uma onda da covid-19 no Brasil ou controlaremos a doença?

Gustavo Cabral
Colunista do VivaBem
06/07/2021 04h00
Esta pandemia tem deixado a população bastante confusa em relação a diversos assuntos, principalmente pela falta de um programa nacional de orientação social.
Por causa disso, muitos cientistas, como eu, têm atuado para além dos trabalhos de desenvolvimento científico no país e estão produzindo conteúdos em texto ou participando de diversos programas de rádio, TV e internet, na tentativa de esclarecer questões de saúde pública —inclusive, criei um programa chamado Ciência e Sociedade com o grupo do Eduardo Moreira e do Instituto Conhecimento Liberta.
Em minhas conversas com diversos especialistas na área da ciência, saúde, educação e sociedade, uma questão que começou a surgir é se enfrentaremos uma quarta onda de covid-19 no Brasil. Parece loucura ou falta de esperança falar de quarta onda se nem saímos da segunda? Respondo que infelizmente não! Pois a terceira onda de mortes já está garantida pela covid-19, mesmo que não seja a doença que provoque isso. Ficou confuso? Vou explicar...
Se conseguirmos controlar a pandemia agora (assim esperamos e lutamos), teremos a "garantia" de uma terceira onda provocada por outras doenças, devido à desassistência dada a outras necessidades, pois o diagnóstico e tratamento de quase todos os outros problemas estão reprimidos, porque os leitos dos hospitais estão ocupados com pacientes de covid-19.
Dessa forma, caro leitor, pode perguntar, mas o sistema de saúde não foi organizado para dar assistência a casos de urgências?! Vou responder com outra pergunta: e os casos que não são "urgências" e estão sendo adiados por falta de condições, quando serão atendidos? Sabem quando? Quando se tornarem urgências! Ou seja, isso está se tornando uma bola de neve tenebrosa. E essa "onda" vai surgir após a pandemia, pode ter certeza disso!
E, se tivermos uma terceira onda da covid-19, pode acontecer que seja pior do que a primeira e a segunda. Assim, isso vai provocar, no mínimo, uma quarta onda dos casos acumulados de outras doenças desassistidas, como já expliquei.
Dessa forma, ou nos unimos socialmente em prol do país e contra o vírus, ou teremos mais alguns anos de terríveis sofrimentos. E o povo não aguenta mais isso! Apesar de não acreditar que com o presidente que temos a gente consiga ter essa união, eu acredito demais que o povo seja capaz de enxergar e sentir a dor do outro. Portanto, devemos apoiar a vacinação em massa, assim como manter o distanciamento social e o uso contínuo de máscara em locais públicos, mesmo depois de vacinados.
Para que ninguém deixe de usar máscara, precisamos repetir sempre isso:
as vacinas protegem as pessoas de desenvolverem a covid-19 em estado grave e moderado, ou seja, evitam que a gente morra.
No entanto, mesmo vacinado, a gente pode pegar o vírus e não adoecer gravemente porque a vacina impede que a carga viral fique alta em nosso corpo, mas mesmo com uma carga viral baixa a gente pode passar para outras pessoas.
E passar o vírus muitas vezes pode ser passar a morte para o nosso semelhante!
Ou agimos para proteger a nós e aos outros ou todos sofreremos por mais um longo período!
_______________ * Guilherme Boulos: A rachadinha do Jair
Os filhos apenas seguiram a maracutaia construída pelo pai
O chefe do esquema sempre foi o Jair. A relação com o Queiroz era dele, não do Flavio. A Val do Açaí era funcionária fantasma no seu gabinete, como confrontamos no debate eleitoral, ainda em 2018. Não é exatamente uma novidade que os filhos apenas seguiram a maracutaia construída pelo pai. A novidade é que temos agora um relato direto e gravado de uma das participantes do esquema, Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente, falando sobre a rachadinha do Jair.
Andrea, um dos 18 parentes de Ana Cristina Valle —ex-mulher de Bolsonaro— contratados pelos gabinetes da família, relata nas gravações que seu irmão André foi demitido em 2007 pelo então deputado Jair porque entregava uma parte menor do salário do que ele desejava: "Chega! Pode tirar ele, porque ele nunca me devolve o dinheiro certo", teria dito o homem que, anos depois, se elegeu presidente para acabar com a "mamata" e "mudar tudo o que está aí".
Ela, por sua vez, contratada no gabinete de Flavio, atendia às exigências e ficava com "mil e poucos reais" enquanto repassava "sete mil" ao então deputado estadual fluminense. Relata ainda que o dinheiro era recolhido pelo coronel da reserva Guilherme Hudson, chamado de "tio Hudson", mostrando que Queiroz não era o único operador das rachadinhas.
É emblemático que a reportagem com as gravações de Andrea tenha sido produzida por uma jornalista mulher, Juliana Dal Piva. Já havia sido assim no caso dos disparos ilegais de mensagens na campanha presidencial, revelado pela jornalista Patrícia Campos Mello. Como todo covarde, Bolsonaro as ataca porque as teme.
O caso é revelador porque deixa a nu a teia de corrupção miúda que Bolsonaro sempre operou na política. Olhando as práticas fica evidente que, quando deputado, ele não participou de esquemas maiores —o que sempre apresentou como seu atestado de honestidade— simplesmente porque não foi chamado para a festa. Ou alguém acredita que um cidadão que usou por 27 anos seu gabinete para um negócio familiar de extorsão de assessores não aceitaria propina de empreiteiras?
Isso torna ainda mais verossímil sua participação ou, no mínimo, cumplicidade com a quadrilha da vacina denunciada na CPI por Luis Miranda. O que estamos vendo agora em 2021 é o "mito" desabar, tal qual os prédios erguidos por seus amigos milicianos. E se há algo que pode criar rachaduras na base fiel do bolsonarismo, mais do que o genocídio de 520 mil brasileiros, é a corrupção.
Vai ficando cada vez mais difícil para o presidente da Câmara seguir dormindo em berço esplêndido em cima dos 123 pedidos de impeachment. As denúncias se multiplicam e as ruas clamam. E agora, Lira?
_______________ * Entendendo Bolsonaro - Rachadinha e Covaxin farão colar pecha de 'corrupto' em Bolsonaro

Entendendo Bolsonaro
Colunista do UOL
05/07/2021 20h04
* Warley Alves Gomes
A política brasileira atual parece seguir um roteiro que mistura filme noir, thriller de conspiração e ficção científica. Se já pesava sobre Jair Bolsonaro a alcunha de "genocida", digna dos ditadores que ele tanto admira, a de "corrupto" ainda estava para ser mais bem costurada. Nesse sentido, a implicação direta do presidente no escândalo da rachadinha, como revelou o UOL, somada à denúncia de corrupção na compra da vacina Covaxin, caminha para dinamitar o que resta da imagem pública de Bolsonaro.
A relação do clã Bolsonaro com a prática da "rachadinha"— leia-se "peculato" ou "crime contra a administração pública" — já assombrava o presidente, mas até então estava limitada às relações entre Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz, ex-assessor do filho do presidente, suposto responsável por cobrar e administrar o esquema de repasse indevido de verba.
A reportagem desta segunda (5) altera profundamente o quadro, pois coloca o atual presidente no centro do esquema: Jair Bolsonaro, em troca de mensagens entre Márcia Aguiar e Nathália Queiroz, respectivamente mulher e filha de Fabrício Queiroz, era chamado de "01".
Esse áudio é particularmente revelador, pois, datado de 24 de outubro de 2019, portanto enquanto Queiroz se encontrava escondido na casa de Frederick Wassef — advogado da família Bolsonaro —, o conteúdo revela Márcia chamando o ex-assessor de "burro", já que continuava fazendo as articulações.
É preciso se atentar para um detalhe: se o esquema começou ainda quando Bolsonaro era parlamentar, o áudio indica a permanência da prática pela família, agora com Jair Bolsonaro na presidência. Embora não seja uma surpresa, pois, como diz o ditado "velhos hábitos nunca morrem", a denúncia agrava seriamente a situação do presidente, pois passa de suposição para indício.
Ao que tudo indica, Queiroz não era a única pessoa encarregada de recolher os salários, cabendo essa tarefa também a um coronel da reserva do Exército, ex-colega do presidente na AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras) nos anos 1970.
Este pode ser um fato decisivo na vida pública de Jair Bolsonaro e, no mínimo, mais um agravante para a situação já complicada do presidente. Se tudo for confirmado, estamos diante de um esquema de corrupção no qual o presidente e sua família se comportam como uma verdadeira máfia, elemento que sempre incrementa um bom roteiro de filme noir.
É preciso compreender essas revelações em conjunto com o contexto atual. Bolsonaro sabe que o final de seu mandato e uma possível reeleição não serão tarefas fáceis. Com as recentes pesquisas apontando a vitória de Lula, provavelmente seu principal adversário nas eleições de 2022, e seu governo em franco desgaste, tudo que o presidente menos precisava era de mais um escândalo na conta.
Ao contrário do que aparenta, Bolsonaro e sua equipe têm feeling político e o presidente já percebeu que sua situação começou a se complicar. Os áudios divulgados tendem a contribuir consideravelmente para associar sua imagem à corrupção. Importa menos que essas práticas sejam comprovadas: em matéria de política, muitas vezes a sensação vale mais que os fatos.
Ao passo que as denúncias e suspeitas recaem sobre o presidente, não lhe resta alternativa a não ser aumentar sua dependência em relação ao chamado "Centrão". Na história da Nova República, esse sempre foi um equilíbrio difícil. É fato que alguns veem em Arthur Lira (PP-AL), chefe da Câmara, um aliado do presidente. E assim tem sido até o momento. Mas é preciso se atentar para dois outros elementos.
O primeiro deles é que esse apoio não é incondicional. Lira é um aliado estratégico e não um "bolsonarista raiz", como são alcunhados os fiéis apoiadores de Bolsonaro. Em termos de práticas políticas, isso significa que o deputado dança conforme a música e não que seja sambista de uma nota só.
Ou seja, acatar ou não acatar um pedido de impeachment depende mais do termômetro político brasileiro, das possibilidades deste ser aprovado e de quanto se ganha ou se perde, politicamente, com essa jogada. Impeachment não é, nem nunca foi, questão de moral nesse país. A política brasileira segue os ensinamentos de Maquiavel à risca e as boas intenções só prosperam com boa dosagem de negociata.
E o Príncipe também, se quisermos manter a referência ao pensador florentino. E é aqui que projetamos o segundo elemento: Bolsonaro, quem se dizia avesso à política do "toma lá dá cá", já se tornou adepto fervoroso da prática e sabe que provavelmente terá de recorrer a ela mais uma vez. A lógica do Centrão é parasitária: ele faz do governo um hospedeiro e pede cada vez mais conforme a situação se complica. E nas últimas semanas ela tem se complicado cada vez mais. Cargos, incentivos, o que quer que agrade ao bloco, o presidente terá de ceder. E, enquanto cede, fica mais visível que trai seus eleitores.
Talvez a reportagem do UOL e os áudios que associam Jair Bolsonaro à liderança de um esquema "familiar" de "rachadinhas" não sejam a gota d'água para colocar um processo de impeachment em votação. Mas são elementos que contribuem para aumentar a insatisfação popular em torno do governo.
Aos poucos, vai ficando cada vez mais difícil apoiá-lo e ter sua imagem associada ao presidente pode custar muito caro. O Centrão fará seus cálculos e colocará tudo na balança. Alguns serão cuidadosos o suficiente para apoiar o governo de forma discreta; para Arthur Lira a situação é um pouco mais delicada, pois ele é a porta de entrada — ou a muralha que barra — do pedido de impeachment. Ainda é difícil saber se ele ganha ou perde com tudo isso.
Bolsonaro perde. E perde cada vez mais. Já vinha sendo chamado de "genocida", agora também é chamado de corrupto. Pelo que anunciam as próximas semanas, o termo deve colar ainda mais na epiderme do presidente.
* Warley Alves Gomes é mestre em História pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente leciona no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais - Campus Avançado Arcos. Também se dedica à escrita literária, tendo estreado com a publicação do romance O Vosso Reino, uma distopia realista que remete ao Brasil contemporâneo.
_______________ * Pedro Hallal: O incrível fracasso da Suécia na pandemia de Covid-19
Aprendi com a minha avó que 'uma mentira, mesmo que contada 1.000 vezes, continua sendo mentira'
A Suécia é o quinto maior país da Europa, embora sua população seja de apenas 10,4 milhões de pessoas. A combinação de uma grande área territorial com uma população relativamente pequena faz com que a densidade populacional seja de apenas 25 habitantes por quilômetro quadrado. A capital é Estocolmo e 87% da população sueca reside em área urbana. A expectativa de vida na Suécia é de 82 anos e o país tem um dos menores índices de desigualdade social do planeta. A taxa de alfabetização supera os 99%.
Exceto em 1958, quando conquistamos nossa primeira Copa do Mundo em solo sueco, o Brasil nunca ouviu falar tanto da Suécia como agora, durante a pandemia de Covid-19. Isso porque uma turma ideológica, sem qualquer compromisso com a ciência (ou com a verdade), passou a citar a Suécia como exemplo de enfrentamento da Covid-19. Isso porque a Suécia, lá no início da pandemia, optou por um isolamento vertical (isolar apenas os grupos de risco), apostando na tal imunidade de rebanho para vencer a Covid-19. O mais interessante é que desde junho de 2020, o epidemiologista que desenhou essa estratégia veio a público assumir o erro, pedindo desculpas ao país e admitindo que a estratégia causou mais mortes do que seria esperado.

Mas aqui no Brasil, alguns parecem fingir que nada disso aconteceu, e seguem citando a Suécia como exemplo no enfrentamento da pandemia. Até na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, a Suécia foi citada como “case” de sucesso. Vamos aos fatos. O gráfico mostra a mortalidade por 1 milhão de habitantes nos cinco países escandinavos.
Comparativamente com os outros países da região, a Suécia é, disparadamente a pior. A mortalidade acumulada na Suécia é de 1448 mortes por 1 milhão de habitantes. Na Dinamarca, essa mortalidade é de 438 por 1 milhão. Na Finlândia, Noruega e Islândia, a mortalidade é inferior a 200 por 1 milhão.
Como pode alguém vir a público citar a Suécia como modelo no enfrentamento da Covid-19?
Quando a defesa de uma ideia insiste em contrariar a realidade, estamos lidando com política, e não com ciência.
Eu tenho dois amigos que vivem na Suécia. Um é brasileiro, ex-jogador de futsal, e hoje treinador da modalidade. O outro é um pesquisador sueco, que inclusive já veio a Pelotas e apreciou um bom churrasco gaúcho. Ambos me dizem as mesmas coisas: a Suécia é um lindo país, apesar do inverno rigoroso. É um país seguro, onde a educação é levada a sério. É um país que respeita o mercado, mas com ótimas instituições e políticas de estado.
Falar bem da Suécia é algo natural. Muita gente gostaria de viver num lugar assim.
Agora, citar a Suécia como exemplo no enfrentamento à Covid-19 é, no mínimo, um grande erro.
Lembro de aprender com a minha avó Léa, falecida há dois anos: “Uma mentira, mesmo que contada 1000 vezes, continua sendo mentira”.
_______________ * Joel Pinheiro da Fonseca: Se você quer o impeachment de Bolsonaro, seja contra a violência nos protestos
Vandalismo é eticamente problemático e um desastre estratégico
Os protestos de 3 de junho chamaram muita gente às ruas, mas ainda não alcançaram a dimensão necessária para impressionar a classe política e a opinião pública.
Além disso, foram palco de infelizes atos de violência: depredação de universidade, banco, ponto de ônibus; funcionários de segurança do metrô e policial feridos; e até mesmo agressão contra manifestantes de outros partidos.
As cenas de violência correm os grupos de WhatsApp e servem como propaganda bolsonarista. Mesmo assim, não falta quem defenda o uso da violência, ecoando os argumentos usados por black blocs desde os anos 2000. Como derrubar um governo com inclinações autoritárias sem a violência?
Na realidade, a violência não é só eticamente problemática. Ela é também um desastre estratégico. É o que mostram as pesquisadoras Erica Chenowith e Maria Stephan em “Why Civil Resistance Works” (2012).
Em um levantamento exaustivo de todos os movimentos para mudança de regime no mundo entre 1900 e 2006, as pesquisadoras constataram que movimentos não violentos tiveram mais que o dobro da taxa de sucesso que movimentos violentos (e mesmo contra os regimes mais repressivos).

A explicação é simples. Primeiro: há uma brutal desproporção entre a força dos manifestantes e as forças de segurança. Por mais radicais que sejam, um punhado de jovens radicais são insignificantes perto do poder de repressão do Estado. Não há nenhuma revolução a caminho.
O que determina o sucesso de um movimento popular nos dias de hoje, mais do que a força das armas, é seu poder de conquistar a opinião pública. Sua capacidade de mobilizar pessoas simpáticas à causa e persuadir aquelas que ainda não se posicionaram.
Quanto mais violento o protesto, mais ele afasta as pessoas das ruas —especialmente os mais vulneráveis fisicamente, como idosos, mulheres e pessoas com deficiência—, seja por medo ou por antipatia. Ao mesmo tempo, coloca a opinião pública contra os manifestantes e a favor da repressão.
Um mar de manifestantes pacíficos dá a segurança para ainda mais pessoas irem às ruas. E aumenta a simpatia pela causa. Se a polícia usar da violência contra manifestantes pacíficos, a opinião pública os favorece ainda mais.

Há até quem diga que os atos de vandalismo dos protestos tenham sido obra de policiais bolsonaristas infiltrados.
Não faço ideia se a acusação é verdadeira, só ressalto a conclusão óbvia: o uso da violência é tão ruim para a causa antibolsonarista que suscita até mesmo a hipótese de sabotagem.
Em breve, conforme a vacina ganhe tração, se tornará mais seguro tomar as ruas. Será o momento de conquistar o coração do maior número de pessoas —de todos os partidos— para mostrar com clareza para a classe política que este governo já ultrapassou todos os limites.
No momento, para as legendas do centrão, é confortável ter um presidente fraco. O único jeito de mudar esse cálculo político é por meio da pressão popular. É momento de unir, não de dividir. Momento de mostrar que nenhum cidadão honesto, pacífico e solidário pode tolerar a incompetência, a má-fé, a corrupção e a podridão moral do governo Bolsonaro e seus aliados.
Se você quer que Bolsonaro pague pelos crimes que cometeu como presidente, começando já pela perda do mandato, coloque-se claramente contra atos de violência e depredação nos protestos pelo impeachment. E cobre dos organizadores passos concretos para impedir e afastar pretensos revolucionários que, num ato vaidoso e destrutivo, comprometem toda a causa. Quanto mais aliados, melhor.
_______________ * Em SC, uma família toda pegou doença de Lyme: "Apesar de tudo, agradeço"


Bárbara Therrie
Colaboração para VivaBem
04/07/2021 04h00
Após uma infestação de carrapatos na casa da mãe da arquiteta Luciana Crozetta, 42, em Orleans (SC), a família toda foi diagnosticada com a doença de Lyme, que ficou conhecida com o caso do cantor Justin Bieber. Em janeiro deste ano, Luciana chegou a tirar mais de 15 bichinhos grudados no corpo das trigêmeas Annie, Julie e Sophie, de dois anos. Nesse depoimento, a arquiteta conta como descobriu a doença e importância de ela ser difundida.
"Em maio de 2020, eu, minhas trigêmeas e meu marido, o Sérgio, fomos morar, temporariamente, na casa da minha mãe, Ivete, para ela nos ajudar com as crianças e para as meninas terem mais espaço para brincar.
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Com o isolamento social, deixamos de ter contato com algumas pessoas que nos auxiliavam com as tarefas domésticas e nos cuidados com as meninas. Minha mãe mora em uma casa com terreno grande e quintal gramado a três quadras do meu apartamento.
Em junho, as trigêmeas apresentaram algumas lesões de pele, tipo umas bolinhas brancas, como se fossem umas verruguinhas, irritabilidade, coceira, inchaço das pálpebras. A Sophie foi a primeira a ter os sintomas, acompanhados de febre de 43ºC e delírio.
Com suspeitas que variaram de covid-19, infecção viral, alergia alimentar e de contato, as meninas passaram em teleconsuta com pediatra, nutricionista, homeopata e uma dermatologista de São Paulo. Elas fizeram vários exames e tomaram alguns remédios.

Na teleconsulta com a dermatologista, mostrei uma lesão na mão da Julie, era a lesão característica da doença de Lyme, mas que só vim a descobrir depois. A médica perguntou se eu tinha cachorro em casa, disse que sim, mas que ele ficava em outra área, afastada das crianças.
Coincidentemente, o cachorro estava doente, sem comer e vomitando. A médica pediu para eu continuar observando e enviar fotos das lesões das meninas.
Alguns dias depois, a dermatologista me ligou para dizer que suspeitava que a Julie estava com a doença de Lyme, que provavelmente ela tinha sido picada por um carrapato infectado por uma bactéria. Ela me disse que ligou para a vigilância epidemiológica perguntando se havia casos da doença na região onde eu moro e eles confirmaram que sim.
A médica solicitou que fosse feita a coleta de sangue da Julie pela vigilância para ser enviada para análise ao Laboratório de Reumatologia da USP, em São Paulo.
Eu nunca tinha ouvido falar da doença de Lyme, no início resisti em acreditar, mas isso foi mudando à medida que fui pesquisando sobre o assunto na internet e que foram acontecendo algumas coisas.
Minha faxineira contou que o cachorro dela tinha morrido porque tinha sido picado por um carrapato, a babá sonhou que a Julie pedia ajuda e o cachorro da família piorava a cada dia sem a gente saber o que ele tinha.
A dermatologista prescreveu antibióticos para a Julie mesmo sem o resultado do exame, mas já considerando a doença de Lyme por causa da lesão em formato de alvo, chamada eritema migratório.
O pessoal do Laboratório de Reumatologia da USP me indicou um especialista em Lyme. Na primeira teleconsulta, o médico viu a lesão na mão da Julie e deu o diagnóstico na hora. Ele disse que a infestação de carrapatos deveria ter sido grande e decidiu que iria investigar a toda a família, incluindo eu, meu marido e minha mãe.
Ele solicitou que todos nós fizéssemos o exame específico para Lyme. Nós fizemos tanto pelo SUS quanto pelo convênio, com exceção da Annie que resistiu em coletar o exame de sangue, e acabei não insistindo.
A essa altura, o cachorro da família já tinha morrido sem um diagnóstico fechado e nós ficamos sabendo que um dos vizinhos tinha encontrado carrapatos na casa dele.

Imaginava que só as meninas poderiam ter a doença, mas depois parando para pensar lembramos que quando surgiram as primeiras as lesões nelas, nós também tivemos alguns sintomas. Meu marido apresentou uma lesão de pele na perna, alterações de humor e palpitação.
Eu fiquei com muita fadiga, dores nos joelhos, nos tornozelos e enxaqueca. Minha mãe teve dores articulares e mal-estar em geral. Na época não fizemos qualquer associação, mas depois descobrimos que eram sintomas comuns da doença de Lyme.
Um dia depois da teleconsulta com o especialista, as meninas estavam brincando, só de fralda, no playground no quintal da minha mãe, quando eu vi o que parecia uma sujeirinha na Julie. Tentei tirar com o dedo e a unha, mas não saiu.
Bateu o pânico, peguei minha pinça e tirei 10 bichinhos compatíveis com larvas ou ninfas de carrapatos do corpo dela. Tirei 3 da Annie, e 2 da Sofie. Coloquei os bichinhos em um tubinho, tirei fotos e mandei para o médico.
Nos dias seguintes, não deixei as meninas na área externa, mas mesmo assim encontrei mais bichinhos no corpo delas. Foi desesperador, a gente não sabia de onde vinha, pegamos nossas coisas e voltamos para o nosso apartamento só com a roupa do corpo, minha mãe foi conosco.
Pouco tempo depois, recebemos os resultados dos exames, houve variação entre os resultados do público e do privado, mas de forma geral, eu, a Julie e meu marido demos positivo, a Annie não fez.
O da Sophie e da minha mãe deram negativo nos dois, mas o médico fechou o diagnóstico pela história clínica das duas, da Sophie pelas lesões e da minha mãe por causa dos sintomas e do teste terapêutico.
Começamos a tomar os antibióticos e estamos estáveis, mas o tratamento não é fácil, é bastante debilitante para o organismo e custoso.

Ao receber o diagnóstico, tive duas preocupações. A primeira é que poucas pessoas têm o conhecimento da doença. A segunda é o medo de sermos infectados novamente justamente por não saber exatamente como se deu a transmissão.
A suspeita é que provavelmente os carrapatos, na forma de larvas, picaram algumas capivaras na região onde eu moro, e que elas adquiriram a bactéria e podem ser um reservatório natural da doença de Lyme.
Possivelmente esses carrapatos se transformaram em ninfas e nos picaram, inclusive o cachorro, nos transmitindo a doença.
A picada em mim, no meu marido e na minha mãe provavelmente passou despercebida. Toda noite olho o corpo das meninas, não as deixo sair sem repelente e tenho receio de fazer alguma atividade com elas ao ar livre.
Apesar de todas as dificuldades, tenho muita gratidão pela forma como as coisas aconteceram, pelas pessoas que participaram de todo esse processo. Se nós tivéssemos demorado mais para descobrir, a doença poderia ter avançado para a sua forma crônica e tido um desfecho pior.
Meu desejo é que através da história da minha família, mais pessoas, a comunidade local e os médicos saibam que essa doença existe. E que a partir disso haja mais pesquisa, mais conhecimento e mais informações disponíveis sobre a doença de Lyme."
Saiba mais sobre a doença de Lyme
A doença de Lyme é transmitida por carrapatos e, em nosso país, o principal carrapato conhecido pela transmissão é o carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) e causada por uma bactéria chamada Borrelia burgerdorferi. O carrapato pica o animal contaminado, que pode ser silvestre ou doméstico —no Brasil, já foram encontrados DNA da bactéria em gambás, roedores, bovinos, equinos e em cães— e depois pica o ser humano transmitindo a doença.

Os primeiros sintomas podem aparecer de 3 a 32 dias após a picada, e podem incluir fadiga, cefaleia, febre, sudorese, calafrios, dor muscular e uma lesão na pele característica em formato de alvo, chamada eritema migratório.
A doença de Lyme pode apresentar três estágios clínicos distintos e, podendo, inclusive, pular uma ou mais dessas fases, indo direto para a fase crônica.
Nas formas mais graves, a Borrelia atinge o sistema nervoso central e pode causar confusão mental, sonolência excessiva e meningite. Às vezes, a infecção inicial pode ter sintomas bem fracos ou ser assintomática.
O diagnóstico da doença é primariamente clínico, depende de o médico realizar um bom histórico do paciente e pensar que pode ser a doença de Lyme —menos de 30% dos indivíduos apresentam o eritema migratório.
O próximo passo é realizar exames de sangue, que procuram no doente anticorpos contra a bactéria do Lyme.
Pode ocorrer um exame falso-negativo, que é quando o paciente tem a doença e realiza o exame de comprovação, mas o resultado vem negativo.
Na doença de Lyme, existe uma taxa de 40 a 50% de falso-negativos, pois trata-se de um exame que busca anticorpos contra a doença e não um exame que busca a bactéria causadora da doença em si. Esses falsos negativos podem ocorrer porque no momento do exame ou os anticorpos não apareceram ainda —eles demoram de 4 a 6 semanas para aparecer na fase inicial da infecção, ou porque o organismo está produzindo níveis baixos de anticorpos— o que não seria o bastante para haver detecção no exame.
O tratamento é realizado com esquema de antibióticos, que atinjam todas as formas da Borrelia. A doença tem cura e a probabilidade aumenta quanto mais precoce é realizado o diagnóstico. Em casos considerados crônicos, a cura se torna mais difícil.
Fonte: Carlos Levischi, especialista em medicina pulmonar e doença de Lyme, que atende no Hospital Albert Einstein.
_______________ * Pai de brasileiro assassinado na Espanha: 'Tiraram a luz das nossas vidas'
Do UOL, em São Paulo
06/07/2021 16h04
Atualizada em 06/07/2021 16h14
O pai de Samuel Luiz Muñiz, jovem de 24 anos espancado até a morte em La Coruña, na Espanha, deixou uma carta em homenagem ao filho no lugar do crime, uma calçada em frente a uma boate, em que, segundo uma amiga do rapaz, ele foi agredido por um grupo de mais de 10 pessoas que desferiram ofensas homofóbicas contra a vítima, que era gay.
No cartaz, estendido em um memorial improvisado ao rapaz, nascido no Brasil, Maxsoud Luiz agradeceu aos socorristas que ainda tentaram salvar Samuel e afirmou que os assassinos do filho "tiraram a única luz que iluminava suas vidas".
Avião com 28 pessoas a bordo cai na Rússia; não há sobreviventes
"Olá, sou o pai de Samuel. Primeiramente quero agradecer ao excelente trabalho das equipes do 061 (número de emergência do país) por todo o esforço no pronto atendimento ao nosso filho", declarava o bilhete atribuído ao homem por jornais como o La Vanguardia e o Clarín.
"Nos tiraram a única luz que iluminava a nossa vida. Sabemos que temos um caminho muito longo a percorrer. Teremos o apoio de nossa família, amigos e companheiros que nos ajudarão a sair desse caminho obscuro", continua a carta afixada na calçada.
"Agradeço à nossa maravilhosa cidade, A Coruña. Obrigado de coração, que Deus possa recompensar todo carinho que estão nos oferecendo. Um abraço muito forte a todos e desejamos que nunca mais aconteça outro dia tão sombrio como o que estamos vivendo", pediu o pai de Samuel, concluindo o recado com uma frase: "Não à violência".
O cartaz do familiar, preso à rua por fita adesiva, divide espaço com flores deixadas por moradores da região que deixaram suas homenagens ao rapaz.
Ontem, milhares de pessoas tomaram as ruas das cidades espanholas em protestos pela morte de Samuel, com motivações homofóbicas. Ele foi enterrado na tarde de domingo.
Na manhã de hoje, três jovens entre 20 e 25 anos foram presos suspeitos de envolvimento com o assassinato, a polícia não descarta novas detenções ao longo do dia.
_______________ * Juliette revela momentos com a irmã na UTI e notícia da morte: 'Perdi a fé'

Felipe Pinheiro
Do UOL, em São Paulo
06/07/2021 11h06
Juliette Freire contou em detalhes como foram os últimos dias com a irmã que foi internada após sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Julienne passou por uma cirurgia, mas não resistiu e morreu aos 17 anos. A ex-BBB tinha 19 anos na época.
Dançarino se desculpa após revelar ficada com Juliette: 'Não sou perfeito'
Esse é o assunto do segundo episódio de "Você Nunca Esteve Sozinha", do Globoplay, que foi dedicado à irmã da campeã do "BBB 21" e também a momentos da carreira de Juliette, como a entrada na faculdade de direito e o trabalho como maquiadora.

Julienne foi levada ao hospital público e, por sugestão da médica, a ex-BBB correu para transferi-la a outro centro médico, onde a irmã teria condições de receber um tratamento melhor.
Ex-namorada de Julienne, Sabrina Oliveira lembra do empenho da advogada para mudar aquela situação.
Eu consegui ver esse lado de leoa [da Juliette] quando ela tentou resolver a situação. Em questão de horas, ela conseguiu transferir a irmã dela de hospital.
Juliette seguiu dentro da ambulância com a irmã. Ao chegarem ao hospital, Julienne foi para a UTI porque estava com AVC hemorrágico. No dia seguinte, a advogada tentou interagir com ela.

"Ela não conseguia falar porque estava com metade do corpo paralisado. [Pensou] Vou fazer uma piada para ver se ela está me escutando. 'Ainda bem que tu fizestes depilação, né?' Ela riu, está consciente".
No mesmo dia, Julienne entrou em coma e precisou se submeter a uma cirurgia para drenar o sangue do cérebro. Juliette foi autorizada a entrar na UTI e fez uma oração:
Eu me ajoelhei, levantei e peguei na mão dela. Enninha, se você estiver me escutando, aperta. Ela apertou. O médico falou, 'isso são espasmos'. Falei, não é. Pisca o olho, por favor. Ela piscou. Eu falei, pisca duas vezes. Ela piscou duas vezes.
Julienne passou por uma nova cirurgia para fazer uma limpeza para retirar 50% do cérebro, que havia necrosado. Juliette conta que depois de muitas horas, a porta se abriu e ela foi abraçada pelo tio.
O médico dela estava com o olho lacrimejando. Ele falou: 'ela morreu. Não aguentou'. A gente tentou reanimar, mas não teve como. O mundo parou. Entrei num estado? não sentia mais nada.
"Perdi minha fé"
Amiga de Juliette, Sayane Gomes lembrou do sofrimento da ex-BBB: "Até hoje, é doloroso falar. Juliette se enterrou junto com Julienne". Em lágrimas, a campeã do reality show da Globo diz que chegou a pensar em desistir da vida.
Eu perdi minha fé, perdi tudo. A minha mãe, coitada, ficava desesperada...todos os dias ela ia chorar na minha cama. Ela pedia para eu não fazer isso porque ela não ia aguentar perder duas filhas. Eu não tinha escolha? ia matar minha mãe também. Não podia fazer isso com ela. Engoli no seco e falei, 'vou viver. Não vou fazer isso com a senhora'.

Carta para Julienne
O "BBB" era um sonho compartilhado entre as irmãs. Ao final do processo seletivo para entrar na casa, a advogada escreveu uma carta para a irmã. Ela compartilhou o conteúdo pela primeira vez no documentário.
Queria que você estivesse aqui vivendo isso comigo. Lembra o quanto já falamos sobre a possibilidade de participar do Big Brother? Preciso te contar que o tempo passou e esse sonho continuou em mim.
Juliette escreve para a irmã que fez faculdade, que havia passado na OAB e estava pronta para fazer concurso público, mas o "BBB" era seu conto de fadas.
Era tipo um jumento branco que a me sequestrar e me salvar da escrivaninha. Não que estivesse ruim, eu seria feliz, mas nada como a emoção de um conto de fadas. O rapaz [da produção do reality show] chegou em casa e disse, 'você está no 'BBB'. Ele estendeu a mão, eu subi no jumento branco sem olhar para trás e fui. Eu só queria sentir frio na barriga.
_______________ * Samantha Schmütz se irrita com cobrança de comentário sobre Mônica Martelli

Do UOL, em São Paulo
06/07/2021 13h22
Atualizada em 06/07/2021 14h42
Samantha Schmütz se irritou ao ver que a maioria dos comentários na transmissão ao vivo de sua entrevista para a revista Carta Capital era cobrando um posicionamento sobre a presença de Mônica Martelli em uma festa de Marina Ruy Barbosa.
Gente, esquece a Mônica. Ela já pediu desculpa, já foi. Não vou ficar aqui apontando dedo. Não vou ter nem dedo porque é tanta gente fazendo m****! Vocês estão satisfeitos agora? Vai lá perturbar ela, eu hein! Samantha Schmütz
Ex-BBB Gil dá conselho para se esquentar no frio: 'Morda ou agarre alguém'
"Cada um tem que olhar pra si. Ela foi na festa lá e já sabe que não é pra ir. Também não vou ficar de Supernanny de todo mundo, não. Tava cheia de coisa para fazer hoje. Fui ver, geral falando desse negócio."
Acho que a gente tem que virar a câmera para gente e ser coerente. Saber o que pode fazer, onde a gente pode abdicar, onde a gente pode se expor sem expor o outro. Então cada um com a sua coerência.
Dirigindo-se ao entrevistador, ela completou: "É para acalmar a galera, eles estavam nem prestando atenção na live".
A polêmica
Mônica Martelli causou polêmica no final de semana ao ser fotografada sem máscara na festa de aniversário de Marina Ruy Barbosa.
As críticas foram direcionadas à atriz porque, desde a morte de Paulo Gustavo, Mônica fez diversas falas pedindo que os fãs sigam os protocolos de segurança contra a covid-19.
Em nota enviada ao UOL através de sua assessoria, Mônica admite que errou por não ser o momento certo para reuniões durante um momento crítico da pandemia no Brasil.
Ela apontou que está vacinada e que foi testada antes de entrar na propriedade, que tinha uma área aberta, mas que ainda assim foi um erro ter ido ao evento.
_______________ * TikToker famoso é morto a tiros nos Estados Unidos

Colaboração para o UOL, em São Paulo
06/07/2021 12h09
Com mais de 2,5 milhões de seguidores no TikTok, o estadunidense Matima Miller, conhecido como Swavy, de 19 anos, faleceu após ser baleado em Wilmington, nos Estados Unidos. O crime aconteceu ontem à noite (5).
Segundo informações do The New York Post, a polícia foi chamada para socorrê-lo e ele foi levado ao hospital em Delaware, porém, não resistiu e morreu momentos depois.
Leão de estimação é devolvido após apreensão polêmica por vídeo no TikTok

A morte do tiktoker chocou os fãs dele nas redes, mas também um dos amigos mais próximos dele, o youtuber Damaury Mikula que confirmou a morte dele através de seu canal. Muito emocionado, o influenciador explicou um pouco do ocorrido. "Ele foi alvejado. Só queria dizer que eu vou fazer sucesso por ele. A única coisa que ele queria era vídeos, gente", contou.
Mikula também fala que ver o amigo ser morto foi uma das piores sensações que já sentiu. "Vê-lo sendo assassinado como se... Isso não faz sentido. Não faz", lamentou. O departamento de polícia de Wilmington ainda está investigando o assassinato do jovem.
i love these mfs yo😭🔥 we in footlocker with it🤣 @datboybrock @famouswooda ##Fyp
_______________ * Grazi critica governo, rebate seguidora e diz que sairá 'em breve' da Globo

Do UOL, em São Paulo
05/07/2021 16h02
Depois de se manifestar contra a gestão do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a pandemia do novo coronavírus, Grazi Massafera rebateu comentários negativos de alguns seguidores e revelou que deve deixar a TV Globo "em breve."
Na publicação criticando o atual cenário político do Brasil, ela disse:
Entre os inúmeros comentários que o post recebeu, uma seguidora "elogiou" a atriz e citou a emissora carioca ao escrever: "Deixa de ficar do lado dessa Globo, você é maravilhosa, gente boa, abre seu olho."
Não estou do lado da Globo! Inclusive, vou sair em breve. Estou do lado da minha consciência, caráter e humanidade, minha senhora. Respondeu Grazi
Grazi Massafera não foi a única famosa a expor seu posicionamento nas redes sociais.
As primeiras manifestações contra Bolsonaro após o superpedido de impeachment protocolado na Câmara dos Deputados aconteceram no último sábado (3) em várias cidades do país.
Nas redes sociais, estrelas compartilham imagens do ato contra o governo.
_______________ * Filha de Bruce Lee volta a atacar Tarantino: 'Cansada de brancos'
Colaboração para Splash, em São Paulo
05/07/2021 10h25
Shannon Lee, filha do ator Bruce Lee, mostrou mais uma vez seu descontentamento com a forma como seu pai foi retratado no filme "Era uma vez em... Hollywood". Na obra do diretor Quentin Tarantino, Lee (interpretado por Mike Moh) se sente ofendido quando o dublê Cliff Booth (Brad Pitt) zomba dele por acreditar que era capaz de vencer Muhammad Ali em uma luta. Lee então desafia Cliff para um combate e perde, sendo arremessado em um carro.

Quentin Tarantino diz que usaria outro nome se pudesse voltar atrás
A resposta de Shannon ao recente depoimento do diretor veio em uma coluna publicada no The Hollywood Reporter. "Como vocês já sabem, a forma como Bruce Lee foi retratada em 'Era uma vez em... Hollywood' pelo Sr. Tarantino, na minha opinião, foi pouco fiel e desnecessária, para dizer o mínimo (por favor, não vamos culpar o ator Mike Moh. Ele fez o que pôde com o que lhe foi dado). E embora eu esteja grata que o Sr. Tarantino reconheceu tão generosamente a Joe Rogan que eu posso ter meus sentimentos sobre sua representação de meu pai, eu também sou grata pela oportunidade de expressar isto: estou cansada pra c*ralho de homens brancos em Hollywood tentando me dizer quem era Bruce Lee", escreveu a filha do ator.
"Estou cansada de ouvir de homens brancos de Hollywood que ele era arrogante e um c*zão, quando eles não têm ideia e não conseguem entender o que pode ter sido necessário para conseguir trabalho em Hollywood nos anos 1960 e 1970 como um homem chinês com um (Deus o livre) sotaque, ou tentar expressar uma opinião em um set de filmagens visto como um estrangeiro e uma pessoa de cor", continuou Shannon. "Estou cansada de homens brancos de Hollywood confundindo sua confiança, paixão e habilidades por arrogância e, logo, achando necessário marginalizá-lo, assim como suas contribuições. Estou cansada de homens brancos de Hollywood acharem muito desafiador acreditar que Bruce Lee pode ter sido bom no que ele fazia e que talvez sabia fazê-lo melhor que eles".
"Estou cansada de ouvir de homens brancos de Hollywood que ele não era um lutador de artes marciais e que só fazia isso para os filmes. Meu pai vivia e respirava artes marciais. Ele ensinava artes marciais, escrevia sobre artes marciais, criava sua própria arte marcial", reforçou. "E, já que estamos aqui, estou cansada de me dizerem que ele não era americano (ele nasceu em São Francisco, Califórnia), que ele não era amigo de James Coburn, que ele não era bom com os dublês, que ele saía chamando as pessoas para brigas em sets de filmagens, que minha mãe disse em seu livro que meu pai acreditava que ele venceria Muhammad Ali (não é verdade), que tudo o que ele queria era ser famoso".
Mas Shannon fez uma ressalva: "Claro, isso não se aplica a todos os homens brancos de Hollywood. Eu trabalhei com alguns colaboradores e parceiros maravilhosos. Mas encontrei muitos deles ao longo dos anos (e não só em Hollywood) que querem explicar Bruce Lee para mim e usar Bruce Lee quando e como lhes agradam sem reconhecer sua humanidade, seu legado ou sua família".
"Também não estou dizendo que ninguém está autorizado a ter uma opinião negativa de Bruce Lee. Estou dizendo que sua opinião pode estar colorida por um viés pessoal ou cultural, e que existe um padrão. Apenas note o padrão em todas as pessoas que o Sr. Tarantino cita no caso que ele levanta contra o meu pai", sugeriu.
"Eu entendo o que o Sr. Tarantino estava tentando fazer. De verdade. Cliff Booth é um f*dão e consegue meter a porrada no Bruce Lee. Desenvolvimento de personagem. Eu entendo", escreveu Shannon. "Eu só acho que ele poderia ter feito isso de uma maneira muito melhor. Mas, em vez disso, a cena que ele criou foi apenas uma destruição desinteressante de Bruce Lee, quando não precisava ser. Foi a Hollywood branca tratando Bruce Lee como, bem, a Hollywood branca o tratou - como um estereótipo dispensável".
"Sr. Tarantino, você não precisa gostar do Bruce Lee. Eu realmente não me importo se você gosta dele ou não. Você fez o seu filme e agora, claramente, você está promovendo um livro. Mas pelo interesse de respeitar outras culturas e experiências que você talvez não entenda, eu encorajaria você a evitar fazer mais comentários sobre Bruce Lee e reconsiderar o impacto de suas palavras em um mundo que não precisa de mais conflitos e menos heróis culturais", finalizou.
_______________ * Vietnã prende jornalista após "caçada", agravando perseguições à mídia na Ásia

Semanas após o fechamento do jornal pró-democracia Apple Daily, em Hong Kong, neste mês foi a vez do Vietnã evocar uma lei de segurança nacional para silenciar um jornalista independente e seu canal online de notícias.
Le Van Dung, também conhecido como Le Dung Vova, é proprietário da CHTV, um canal digital de notícias no Vietnã. Ele foi preso em 1º de julho em Hanói, capital do país, após uma tentativa frustrada de prendê-lo em sua casa, em 25 de junho.
Em 1º de junho, autoridades vietnamitas emitiram um mandado especial pedindo a prisão de Dung, publicando avisos na mídia nacional.
A CHTV usa Facebook, Twitter e YouTube para veicular reportagens críticas ao governo comunista do Vietnã, e Dung foi acusado segundo o Artigo 117 do Código Penal do país, que condena “a criação, armazenamento e disseminação de informações, documentos, itens e publicações que se opõem à República Socialista do Vietnã”.
A Federação Internacional dos Jornalistas emitiu um comunicado afirmando que o governo vietnamita está destruindo toda a liberdade de mídia que resta no país. A federação exorta o governo a libertar Le Van Dung e todos os jornalistas acusados segundo o Artigo 117 e a revogar esta legislação.
“Os direitos e a segurança dos jornalistas devem ser protegidos para que continuem a produzir conteúdo que informe o povo do Vietnã”.

Canal sobrevive com vídeos veiculados em redes sociais
A CHTV divulgou informações em uma transmissão ao vivo no Facebook relacionadas a disputas de terras e corrupção em andamento, alertando as pessoas para essas questões e abrindo um canal para discussões, o que chamou a atenção das autoridades.
Em seus canais, tanto a amissora quanto jornalistas colaboradores têm alguns milhares de seguidores, com vídeos não ultrapassando 50 mil visualizações no YouTube.
O advogado de direitos humanos, Le Quoc Quan, disse que “os programas transmitidos ao vivo de Dung no Facebook e no YouTube focavam nas realidades sociais e nos tipos de questões atuais que atraem a atenção das pessoas. Ele também ajudou pessoas que sofrem com a injustiça a terem suas vozes ouvidas, a seu próprio pedido”.
Prisão é mais um sinal de repressão na Ásia após queda do Apple Daily
O silenciamento de publicações contrárias a governos é corrente e obedece métodos, alerta a a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Recentemente, a entidade listou o fechamento de 22 publicações críticas a seus governos locais, em cinco anos, em diferentes países.
Os métodos de “assassinatos” de jornais vão desde o sufocamento financeiro, cortando anúncios, fundos ou mesmo confiscando valores, além de sabotagens como escassez ou proibição de usar papel para impressão.
Outro método é a pressão jurídica, interpretando leis de maneira que publicações possam enfrentar processos criminais, como ocorreu em Hong Kong, com a prisão do executivo Jimmy Lai, dono do jornal Apple Daily, que fechou após ser invadido por forças de segurança do governo chinês, ou na Rússia, com processos, buscas, apreensões e prisões de jornalistas de veículos independentes que expõem o governo Putin.

Vietnã mantém “rotina” de prender e condenar jornalistas independentes
Em abril, outros três jornalistas independentes do Vietnã foram presos e podem ser condenados a sete anos de prisão cada um, segundo a RSF. A página de Facebook da publicação para a qual os repórteres colaboravam, que havia ultrapassado 100 mil seguidores, foi bloqueada.
No mesmo mês, a blogueira Tran Thi Tuyet Dieu foi condenada a oito anos de prisão após produzir reportagens sobre corrupção e problemas ambientais.
“Em vez de limpar a corrupção do Partido Comunista, o aparato repressivo do regime agora persegue regularmente os jornalistas que investigam a corrupção”, disse Daniel Bastard, chefe do escritório da RSF para a Ásia-Pacífico.
No mapa mundial de liberdade de imprensa da RSF, o Vietnã ocupa a posição 175 entre 180 países avaliados. Na escala de perigo ao jornalismo e a jornalistas, o país é considerado local “muito ruim”, o pior status na classificação do índice.
*colaborou Inês Dell’Erba
_______________ * Repórteres Sem Fronteiras divulga balanço de jornais "condenados à morte" por repressão de governos

Uma semana depois que o jornal pró-democracia Apple Daily, de Hong Kong, fechou as portas após ter os bens congelados e jornalistas presos, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou um balanço mostrando que ele não foi o único abatido por repressão governamental.
Segundo a entidade com sede na França, pelo menos 22 jornais em todo o mundo foram levados a fechar por governos que incomodaram durante os últimos cinco anos.
Muitos sobrevivem apenas com edições online, em condições precárias após terem suas atividades cerceadas por censura direta, prisão de jornalistas, processos judiciais e multas fiscais.
Um dos casos destacados é o de um dos principais jornalistas investigativos da África, Moussa Aksar, que manteve vivo o independente L’Evenement com a receita da venda de mangas, leite de vaca e de camelo em sua fazenda. Ele acaba de ser novamente vítima de condenação judicial por suas reportagens, o que provocou protestos de organizações globais que defendem a liberdade de imprensa.
O El Nacional, da Venezuela, que resiste à censura apenas com uma versão na internet desafiando o governo de Nicolás Maduro — como em uma charge criticando a vacina cubana contra a Covid –, é outro veículo destacado pela Repórteres Sem Fronteiras.
Assassinato de jornais se tornou comum, diz RSF
“Um dos poucos principais veículos de comunicação em língua chinesa que ainda criticava o governo chinês, o Apple Daily é apenas o exemplo mais recente de um jornal que foi deliberadamente “assassinado” por meio de assédio judicial ou estrangulamento econômico muitas vezes prolongado, mas em última análise letal“, diz o relatório.
Os casos mais recentes são os do Vtime, um jornal online russo que fechou no início de junho, do Akhbar Al-Ayoum, um diário marroquino que fechou em março, e dois jornais em Mianmar, 7 Day News e Eleven.

“Assim como assassinatos de jornalistas, violência física contra eles e violação de seus direitos, o assassinato metódico de jornais também se tornou comum”, disse o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire.
Ele observa que a morte de um jornal em outro país desperta menos emoção do que a morte de uma pessoa, por isso muitas vezes passa despercebida pelo público internacional.
“Alguém que não esteja prestando muita atenção pode presumir que o jornal foi vítima de má administração ou do declínio do interesse público. Mas os jornais muitas vezes são condenados à morte, com consequências terríveis para o direito à informação ”.
Estrangulamento econômico
O Apple Daily teve de fechar após o governo de Hong Kong congelar seus ativos, impossibilitando-o de pagar funcionários e fornecedores. A asfixia econômica é amplamente usada para forçar o fechamento de jornais, observou a RSF.
O último diário independente em língua árabe do Marrocos, Akhbar Al Youm, que foi lançado em 2009 e que criticava o governo, foi estrangulado lentamente dessa forma.
Depois que seu fundador e editor, Taoufik Bouachrine, foi preso em 2018, o veículo perdeu toda a publicidade do setor estatal e não recebeu o auxílio que o governo forneceu à mídia em resposta à pandemia de Covid-19. Em março de 2021, parou de ser publicado.
O Tahrir News, do Egito, diário independente que publicava apenas uma versão online desde 2015, foi forçado a fechar em maio de 2020, depois que as autoridades bloquearam o acesso ao seu site por meses, sem explicações.

Na Nicarágua, governo boicotou fornecimento de papel a jornal
Na América Latina, as autoridades nicaraguenses conseguiram silenciar El Nuevo Diario, de 40 anos, em setembro de 2019. Crítico do governo do presidente Daniel Ortega, o jornal foi especialmente severo em sua cobertura da repressão aos protestos antigovernamentais em abril de 2018.
O governo respondeu usando seu monopólio de papel de jornal e tinta importados para privar a publicação dos suprimentos de que precisava para continuar imprimindo.

Um deles foi Carlos Fernando Chamorro, um dos jornalistas mais importantes do país, que fugiu após ter sua casa invadida na no dia 21 de junho. Editor do site Confidencial e membro de uma das famílias políticas mais influentes do país, Chamorro disse que deixou a Nicarágua para “salvaguardar sua liberdade”.
Processos judiciais criminalizam e estrangulam jornais financeiramente
O assédio judicial e a legislação arbitrária com palavras vagas também são usados para submeter jornais a uma morte prolongada, segundo a Repórteres Sem Fronteiras.
O VTimes, site de notícias independente fundado no ano passado na Rússia, decidiu fechar em 12 de junho, um mês depois que o Ministério da Justiça o colocou na lista de “agentes estrangeiros”. O site tinha manifestado preocupação com a possibilidade de processos criminais.
O site de notícias Akhbor, do Tajiquistão, tomou uma decisão semelhante no ano passado, como resultado de ter sido colocado na “lista negra” após publicar conteúdo crítico sobre questões delicadas.
Políticas semelhantes mataram o Mutações, em Burkina Faso. Como resultado de um processo por difamação, o jornal e seu editor foram condenados a pagar 17 milhões de francos CFA (26 mil euros) por danos em 2018, uma quantia exorbitante e além de seu alcance.
Um pedido de pagamento de vários milhões de euros de impostos atrasados, baseado numa aplicação muito seletiva da legislação fiscal, obrigou um dos jornais mais críticos da Zâmbia, The Post, a fechar em junho de 2016, poucas semanas antes das eleições gerais, cruciais para governo.
Censura pura e simples
Em Mianmar, foi o golpe de Estado de fevereiro de 2021 que assinou sentenças de morte para todos os meios de comunicação independentes do país no espaço de algumas semanas, pelo menos em suas versões impressas.
Em março, a junta simplesmente rescindiu as licenças de vários jornais diários, como o 7 Day News e o Eleven.
Outros jornais independentes, como o Standard Time, logo se viram enfrentando censura militar e escassez de papel. Apenas jornais de propaganda oficial estão agora disponíveis nas bancas de jornal de Mianmar.
Um dos poucos que ainda resiste com a versão online é o Mianmar Now, que já teve vários jornalistas presos e pede ajuda aos leitores.

Na Turquia, o golpe de julho de 2016 desencadeou um grande expurgo e muitos jornais foram proibidos sob o estado de emergência que se seguiu, diz o relatório da entidade.
Jornalistas do Népszabadság, um importante jornal húngaro fundado durante o levante contra o jugo soviético há 65 anos, viram a publicação em que trabalhavam ser desmantelada em outubro de 2016.
Seu proprietário, o grupo de mídia húngaro Mediaworks, negou-lhes o acesso ao edifício sem qualquer aviso prévio. Horas depois anunciou a suspensão das atividades alegando que a receita estava em queda. O Mediaworks foi vendido algumas semanas depois para um grupo de mídia próximo a Viktor Orbán, o primeiro-ministro da Hungria.
Sobrevivendo online
Para contornar as várias formas de assédio, alguns jornais conseguiram sobreviver como sites de notícias.
Após 75 anos, o histórico diário El Nacional da Venezuela foi forçado a interromper a produção de uma edição impressa em outubro de 2015. Mas conseguiu manter a cobertura independente online.
No site, ele convida os leitores a assinarem a newsletter destacando que foi o primeiro a noticiar a pandemia do coronavírus no país.

O último jornal de oposição do Azerbaijão, o Azadlig, teve que parar de imprimir em setembro de 2016, mas ainda funciona online.
A maioria dos países e territórios que usaram esses métodos para silenciar jornais independentes estão classificados como baixos ou muito baixos no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2021 da RSF, que abrange 180 países.
O Brasil caiu quatro posições no ranking deste ano e está na 111ª colocação.
Leia também
_______________ * Em guerra fria tecnológica, máquina de chips minúsculos é aposta americana contra a China

SAN FRANCISCO - O presidente americano Joe Biden e muitos políticos em Washington têm se preocupado com chips de computador e com as ambições da China na área de tecnologia.
Uma enorme máquina vendida por uma empresa holandesa despontou como uma aposta fundamental para os governantes americanos — e ilustra como são irreais as esperanças de qualquer país de construir uma cadeia de suprimentos totalmente autossuficiente em tecnologia de semicondutores.
A máquina é fabricada pela ASML Holding, com sede em Veldhoven, na Holanda. Seu sistema usa um tipo diferente de luz para formar circuitos ultrapequenos nos chips, agregando mais desempenho às pequenas fatias de silício.
A ferramenta, que levou décadas para ser desenvolvida e foi lançada para a indústria em 2017, custa mais de US$ 150 milhões. Seu transporte para os clientes requer 40 contêineres, 20 caminhões e três Boeing 747s.
A complexa máquina é conhecida como crucial para a produção dos chips mais avançados, uma capacidade com implicações geopolíticas. O governo Trump pressionou com sucesso o governo holandês a bloquear os embarques dessa máquina para a China em 2019, e o governo Biden não deu sinais de reverter essa postura.
Os fabricantes não podem produzir chips de ponta sem o sistema e "ele é feito apenas pela empresa holandesa ASML", disse Will Hunt, analista de pesquisa do Centro de Segurança e Tecnologia Emergente da Universidade de Georgetown, que concluiu que a China não pode construir seu próprio equipamento semelhante em menos de uma década.
— Do ponto de vista da China, isso é frustrante — ele disse.
A máquina se transformou em um gargalo na cadeia de fornecimento de chips, que atuam como os cérebros dos computadores e outros dispositivos digitais.
O desenvolvimento e produção da ferramenta em três continentes — usando experiência e peças do Japão, Estados Unidos e Alemanha — também é um lembrete de quão global é essa cadeia de suprimento, e quão difícil será alcançar a autossuficiência na produção de chips, conforme sonham alguns.
Isso inclui não apenas a China, mas os Estados Unidos, onde o Congresso está debatendo planos para gastar mais de US$ 50 bilhões para reduzir a dependência de fabricantes estrangeiros de chips.
Muitos ramos do governo federal americano, particularmente o Pentágono, têm se preocupado com a dependência dos Estados Unidos do principal fabricante de chips de Taiwan, considerando a proximidade da ilha com a China.
Um estudo realizado nesta primavera pelo Boston Consulting Group e pela Semiconductor Industry Association estimou que a criação de uma cadeia de fornecimento de chips autossuficiente demandaria pelo menos US$ 1 trilhão e aumentaria drasticamente os preços dos chips e dos produtos feitos com eles.
Essa meta é "completamente irreal" para qualquer pessoa, disse Willy Shih, professor de administração da Harvard Business School que estuda cadeias de suprimentos. A tecnologia da ASML “é um ótimo exemplo de por que você tem comércio global”.
A situação ressalta o papel crucial desempenhado pela ASML, uma empresa outrora obscura cujo valor de mercado agora ultrapassa US$ 285 bilhões. Ela é “a empresa mais importante da qual você nunca ouviu falar”, disse CJ Muse, analista da Evercore ISI.
Criada em 1984 pela gigante da eletrônica Philips e outra fabricante de eletrônicos, a Advanced Semiconductor Materials International, a ASML tornou-se uma empresa independente e de longe o maior fornecedor de equipamentos de fabricação de chips que envolvem um processo chamado litografia.
Usando litografia, os fabricantes projetam padrões de circuitos de chips em placas de silício. Quantos mais pequenos transistores e outros componentes couberem em um chip individual, mais poderoso ele se tornará e mais dados poderá armazenar. O ritmo dessa miniaturização é conhecido como Lei de Moore, em homenagem a Gordon Moore, co-fundador da gigante dos chips Intel.
Em 1997, a ASML começou a estudar uma mudança para o uso de luz ultravioleta extrema, ou EUV. Essa luz tem comprimentos de onda ultrapequenos, que podem criar circuitos minúsculos, muito menores do que a litografia convencional. Posteriormente, a empresa decidiu fazer máquinas com base nessa tecnologia, um esforço que custou US$ 8 bilhões desde o final da década de 1990.
O processo de desenvolvimento rapidamente se tornou global. A ASML agora monta máquinas avançadas usando espelhos da Alemanha e hardware desenvolvido em San Diego que gera luz ao explodir gotas de estanho com um laser. Os principais produtos químicos e componentes vêm do Japão.
O desenvolvimento é tão complexo em função da peculiaridades da luz ultravioleta extrema. As máquinas de litografia geralmente focam a luz através de lentes para projetar padrões de circuito em wafers.
Mas os pequenos comprimentos de onda EUV são absorvidos pelo vidro, então as lentes não funcionam. Os espelhos, outra ferramenta comum para direcionar a luz, têm o mesmo problema. Isso significava que a nova litografia exigia espelhos com revestimentos complexos que se combinavam para refletir melhor os pequenos comprimentos de onda.
Por conta disso, a ASML recorreu ao Zeiss Group, uma empresa de ótica alemã de 175 anos e parceira de longa data. As contribuições da empresa incluíram um sistema de projeção de duas toneladas para lidar com a luz ultravioleta extrema, com seis espelhos de formato especial que são retificados, polidos e revestidos por vários meses em um processo robótico elaborado que usa feixes de íons para remover imperfeições.
Desde que a ASML lançou seu modelo comercial EUV em 2017, os clientes compraram cerca de 100 deles. Os compradores incluem Samsung e TSMC, que usa a ferramenta para fazer os processadores projetados pela Apple para seus iPhones mais recentes. Intel e IBM disseram que a EUV é crucial para seus planos.
— É definitivamente a máquina mais complicada que os humanos já construíram — disse Darío Gil, vice-presidente sênior da IBM.
As restrições holandesas à exportação dessas máquinas para a China, que estão em vigor desde 2019, não tiveram muito impacto financeiro sobre a ASML, uma vez que ela tem uma carteira de pedidos de outros países. Mas cerca de 15% das vendas da empresa vêm da venda de sistemas mais antigos na China.
Em um relatório final ao Congresso e a Biden em março, a Comissão de Segurança Nacional de Inteligência Artificial propôs estender os controles de exportação a algumas outras máquinas ASML avançadas. O grupo, financiado pelo Congresso, busca limitar os avanços da inteligência artificial com aplicações militares.
Hunt e outros especialistas em políticas argumentaram que, como a China já estava usando essas máquinas, bloquear vendas adicionais prejudicaria a ASML sem muitos benefícios estratégicos. A ASML concorda.
— Espero que o bom senso prevaleça — disse Martin van den Brink, o presidente da empresa.
_______________ * Com queda de 40% no PIB, Líbano sofre com falta de comida, remédio e combustível

BEIRUTE — Dentro do seu Mini Cooper, avançando lentamente sob o sol forte em uma longa fila de carros para abastecer, Lynn Husami, de 23 anos, tentou usar bem o seu tempo. Ela fez uma reunião por telefone com seu orientador de mestrado, ligou para um velho amigo e jogou videogame. Depois de quatro horas, ela ainda não tinha chegado ao posto, estava encharcada de suor e precisava de um banheiro. Mas temia perder seu lugar na fila se fosse procurar por um.
— Estou desesperada. Estou com fome. Estou frustrada — disse Husami, resumindo os sentimentos de muitos libaneses sobre o colapso financeiro que transformou as tarefas rotineiras em pesadelos que preenchem seus dias e esvaziam suas carteiras. — Está piorando e não podemos fazer nada a respeito. Não sei como podemos consertar tudo isso.
O Líbano está sofrendo com uma crise financeira que, segundo o Banco Mundial, pode vir a figurar entre as três piores do mundo desde meados de 1800 em termos de seus efeitos sobre os padrões de vida. A moeda do país perdeu mais de 90% de seu valor desde o segundo semestre de 2019, e o desemprego disparou com o fechamento de empresas. Bens importados que antes eram comuns tornaram-se escassos.
O duplo golpe da pandemia e da enorme explosão no porto de Beirute há quase um ano, que matou cerca de 200 pessoas e atingiu gravemente a capital, agravou ainda mais o que já era uma situação ruim. No Líbano, a sensação é de que o país perdeu o controle, já que todos, exceto os mais ricos, passam seus dias suando em apagões frequentes, esperando em filas de combustível que circundam quarteirões inteiros e correndo de farmácia em farmácia para procurar medicamentos que desapareceram das prateleiras.
O Produto Interno Bruto (PIB) do país de cerca de seis milhões de pessoas despencou cerca de 40%, de US$ 55 bilhões em 2018, o último ano antes do início da crise, para US$ 33 bilhões no ano passado, informou o Banco Mundial. A renda per capita também caiu aproximadamente na mesma porcentagem durante esse período, deixando mais da metade da população pobre.
Essas contrações econômicas severas são geralmente "associadas a conflitos ou guerras", segundo o Banco Mundial. Mas a crise do Líbano foi causada por grandes déficits do governo, que o deixaram profundamente endividado, e por políticas monetárias insustentáveis que finalmente entraram em colapso, deixando os bancos em grande parte insolventes e o valor da moeda despencando.
O atual Gabinete renunciou há quase um ano após a explosão do porto de Beirute. Mas continua servindo como interino, o não lhe dá autoridade para tomar decisões políticas abrangentes enquanto os partidos políticos do país discutem a composição de um novo governo.
Com a aceleração da crise, os libaneses foram forçados a se adaptar de maneiras dolorosas: subir escadas porque os elevadores não têm energia, cortar carne ou pular refeições porque os preços dos alimentos dispararam e desperdiçar grande parte de seus dias apenas para manter seus carros em movimento.
Recentemente, Saad al-Din Dimasi, de 45 anos, deixou seu carro em ponto morto e o estava empurrando em uma longa fila formada do lado de fora de um posto de gasolina de Beirute para preservar o máximo possível de seu escasso combustível. Ele havia feito uma pausa em seu trabalho em uma empresa de calçados local para abastecer, e ficou preso por tanto tempo que agora estava atrasado para voltar ao trabalho.
Seu cabelo grisalho e a calça jeans estavam emaranhados de suor, e ele havia se despido e posto uma regata branca para tentar se refrescar. Mas suas preocupações não terminaram na bomba de gasolina. Sua casa recebe apenas algumas horas de eletricidade por dia da rede pública e ele só podia pagar por mais algumas horas de um gerador privado, o que não é suficiente para sobreviver às noites abafadas de verão.
— Assim que o ar condicionado é desligado, vêm os mosquitos e depois o calor — disse Dimasi, cujo salário mensal de 1,2 milhão de libras libanesas valia US$ 800 antes da crise, mas agora não chega a US$ 80. — Se meu filho pede algo e eu não posso dar a ele, isso me parte o coração.
A queda da moeda também tornou mais caro para os comerciantes importar medicamentos, e os pagamentos de subsídios do Banco Central para manter o estoque de remédios em dia foram adiados, causando escassez.
Do lado de fora de uma farmácia de Beirute, uma mãe chegou procurando em vão por remédio para acne para um filho e colírio para outro; um gerente de banco não conseguiu encontrar nenhum dos cinco medicamentos que o médico recomendou que sua irmã tomasse para a Covid-19; e um casal disse que tinha ido a nove farmácias sem encontrar remédios para epilepsia para a mulher e remédios para Parkinson que a mãe do homem tomava há décadas.
Em outra farmácia, Elie Khoury, 48, disse que conseguiu encontrar apenas dois dos cinco medicamentos que seu médico recomendou para tratar as dores de cabeça que o atacavam todas as noites e o mantinham acordado. Até então, ele havia procurado apenas em farmácias próximas à loja de roupas que administrava, porque seu carro estava com pouca gasolina. Mas ele temia não encontrar os analgésicos antes que as farmácias fechassem naquele dia.
— Se eu não os encontrar, terei de lidar com a dor — disse ele.
_______________ * NFT's: sucesso nas artes digitais, tecnologia movimenta millhões e agora mira na moda

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Estamos vivendo uma revolução criativa”. A afirmação é do designer paulista Adhemas Batista, de 40 anos, e diz respeito a uma tecnologia que conquistou o universo das artes digitais, movimentando altas cifras: os NFT’s, ou “tokens não-fungíveis” em tradução livre. A inovação funciona como um certificado de originalidade e exclusividade por meio de um protocolo de segurança (blockchain). O código, uma espécie de CPF, pode ser atrelado a qualquer produto em versão digital.
A plataforma surgiu em 2014 com a arte “Quantum”, do nova-iorquino Kevin McCoy. A animação octagonal foi o primeiro trabalho a ser associado a um certificado de originalidade NFT, três anos antes de o termo ser cunhado. Mês passado, a obra foi leiloada na Sotheby’s por US$ 1,4 milhão. Parece muito para um trabalho que é contemplado apenas na tela do computador? Pois no início do ano, uma obra do artista digital Mike Winkelmann, conhecido como Beeple, foi arrematada na Christie’s pelo preço de US$ 69 milhões — foi aí que o NFT começou de fato a ganhar a atenção do mundo.

Adhemas Batista teve o primeiro contato com a tecnologia logo depois. “Já tinha visto alguns colegas falando sobre isso, mas não tinha dado muita atenção. Em fevereiro, a tecnologia explodiu e comecei a pesquisar.” O designer, então, mergulhou nesse universo, ou melhor, metaverso, em parceria com as Havaianas, marca com a qual colabora há mais de 15 anos. O projeto “Felicidade” gerou cinco obras NFT’s que foram leiloadas e tiveram parte do lucro doado à ONG Favela Galeria.

Para criativos digitais, a tecnologia trouxe benefícios como independência e direitos autorais com ganho de royalties. “É o mundo inteiro vendo a nossa arte de forma muito rápida”, conta a artista plástica Paula Klien, de 52 anos, que lançou sua primeira coleção de NFT’s em maio na plataforma norte-americana. Makersplace. OpenSea, Rarible, Mintable e Nifty Gateway são outras galerias populares de compra, venda e exposição.

Se você ainda não entendeu, vai complicar mais: a grande maioria dos NFT’s é negociada em criptomoedas, como Bitcoin ou Ethereum. O que já é uma realidade por aqui. Segundo pesquisa da Global Digital Report, o Brasil é o quinto país no mundo que mais investe em criptomoedas. Em janeiro deste ano, foram movimentados 49.216,55 bitcoins pelas plataformas brasileiras de moedas digitais, o equivalente a R$ 9,4 bilhões, de acordo com a Cointrader Monitor.
Além das Havaianas, outras marcas de moda abraçaram a ideia do NFT. Há sete meses, o estúdio de design RTFKT criou um tênis em parceria com o norte-americano Fewocious, de 18 anos, e faturou nada menos do que US$ 3,1 milhões com as vendas do produto. Mais de 600 pares do calçado, lançado também digitalmente em formato NFT (e que só pode ser desfilada no mundo virtual), esgotaram em sete minutos.

Lucas Leão, de 30 anos, é o primeiro designer de moda brasileiro a criar roupas digitais por meio de sua etiqueta, lançando mês passado a primeira coleção de roupas NFT do país, no Brazil Immersive Fashion Week. “Não temos como fugir, o mundo vai caminhar para uma junção do físico como digital, o chamado ‘figital’”. Alguém ainda duvida?

_______________ * Simone Tebet aponta fraude grosseira em documento sobre compra da Covaxin pelo governo Bolsonaro

Por Maria Carolina Marcello (Reuters) - A senadora Simone Tebet (MDB-MS) apontou nesta terça-feira na CPI da Covid no Senado indícios de manipulação de documento utilizado pelo governo federal para tentar desacreditar as denúncias de possíveis irregularidades no processo de importação da vacina indiana contra o coronavírus Covaxin.
Tebet apontou o que considerou indicações de "clara comprovação de falsidade de documento privado", ao apresentar o documento durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) desta terça-feira que ouviu o depoimento da servidora do Ministério da Saúde Regina Célia Oliveira, fiscal do contrato para a compra da vacina indiana.
"Nós estamos falando de falsidade ideológica formulada por alguém. Ele tem a marca e o logotipo desenquadrados, não estão alinhados em alguns pontos, como se fosse uma montagem. Eu tenho inúmeros erros de inglês, e, talvez, o mais desmoralizante dele seja o (erro) 17: no lugar de preço, 'price', está 'prince'", descreveu a senadora.
Tebet referia-se a documento apresentado pelo ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e atual assessor especial do Palácio do Planalto, Elcio Franco, ao lado do ministro da Secretaria de Governo, Onyx Lorenzoni, para rebater as denúncias de irregularidades reveladas à CPI pelos irmãos Miranda.
O deputado Luís Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, disseram ter relatado suspeitas de irregularidades no contrato com a Covaxin ao presidente Jair Bolsonaro, o que levou o presidente para o centro da CPI.
À CPI, os irmãos apresentaram versões de invoices apresentadas ao longo da negociação para a compra das vacinas. Uma dessas versões foi apontada pelo ministro e pelo assessor especial como falsa, ocasião em que mostraram o que seria a versão verdadeira -- agora denunciada por Tebet.
Após a intervenção de Tebet, a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) pediu a realização de perícia técnica nas invoices que tratam da Covaxin.
"A senadora (Tebet) trouxe, por exemplo, possível fraude de documentos e, aí, portanto, uma tentativa até de obstrução dos trabalhos da CPI, o que é muito grave", disse Gama.
Com base nas afirmações dos irmãos Miranda, senadores pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira uma investigação de Bolsonaro, afirmando haver "grandes chances" de o mandatário ter cometido o crime de prevaricação ao não ter atuado sobre as suspeitas de irregularidades.
_______________ * Elio Gaspari diz que Bolsonaro pode cair por conta da roubalheira nas vacinas

247 – O jornalista Elio Gaspari, um dos mais experientes do País, avalia que o mandato de Jair Bolsonaro, que já cometeu dezenas de crimes de responsabilidade e é alvo na CPI de investigações sobre corrupção na compra de vacinas, está em perigo. "Os irmãos Miranda denunciaram a picaretagem indiana durante uma conversa, e ele não fez nada. É forte, mas pode ser pouco", pontua Gaspari.
"A Bolsonaro de nada adianta mobilizar pelotões contra a CPI, maltratar repórteres, ou falar para convertidos nas redes sociais. A compra de vacinas pelo governo brasileiro expôs um redemoinho de picaretagens. Um cabo da PM mineira diz que recebeu um pedido de pixuleco de US$ 1 para cada uma dos 400 milhões de doses da AstraZeneca", lembra o jornalista.
"O mandato de Jair Bolsonaro está em perigo. Na melhor das hipóteses (para ele) a reeleição torna-se um sonho perdido que milicianos não conseguirão reativar", afirma ainda Gaspari.
_______________ * Compra de vacinas expôs um REDEMOINHO de PICARETAGENS _____ Uma receita para Bolsonaro (Elio_Gaspari)
As pedaladas que custaram o mandato a Dilma Rousseff tinham algo de malandragem contábil, só. O rolo das vacinas tem muito mais que isso. Ainda faltam-lhe, contudo, as digitais de Jair Bolsonaro. Os irmãos Miranda denunciaram a picaretagem indiana durante uma conversa, e ele não fez nada. É forte, mas pode ser pouco.
Negacionismo só produz misérias. A “gripezinha” abalou a credibilidade do governo em tudo que tem a ver com uma pandemia que já matou mais de 525 mil brasileiros. O mandato de Jair Bolsonaro está em perigo. Na melhor das hipóteses (para ele), a reeleição torna-se um sonho perdido que milicianos não conseguirão reativar.
A Bolsonaro, de nada adianta mobilizar pelotões contra a CPI, maltratar repórteres ou falar para convertidos nas redes sociais. A compra de vacinas pelo governo brasileiro expôs um redemoinho de picaretagens. Um cabo da PM mineira diz que recebeu um pedido de pixuleco de US$ 1 para cada uma dos 400 milhões de doses da AstraZeneca. Capilé de US$ 400 milhões num golpe semelhante é coisa que não existe, mas outras libélulas giravam em torno da AstraZeneca. A vacina do cabo custaria US$ 4,50 (com o pixuleco incluído). Na mesma época, um misterioso operador oferecia-se para privatizar imunizações, oferecendo a mesma vacina a um grupo de empresários por US$ 23,79 a unidade. A proposta foi detonada pelos bilionários que seriam mordidos. Isso com a AstraZeneca.
Com a Covaxin indiana, o ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União, pergunta ao governo por que a unidade, negociada a US$ 10 em novembro do ano passado, foi contratada por US$ 15 em fevereiro.
Todos os laboratórios reiteram que nada tiveram a ver com essas ofertas. Tudo não passaria de conversa de atravessadores, mas, em todos os casos (salvo no da oferta ao consórcio de empresários), na outra ponta havia servidores públicos habilitados a negociar.
A única vacina que não foi rondada pela turma do pixuleco foi a CoronaVac. Aquela que, segundo ele, NÃO SERÁ COMPRADA (maiúsculas de Bolsonaro).
O capitão pode persistir no caminho do vitupério. Nele, a Covid-19 era uma gripezinha, e as vacinas poderiam transformar cidadãos em jacarés. Esse negacionismo já levou o país à ruína dos 525 mil mortos e mandou o governo às cordas. Recorrer aos militares, nem pensar, pois eles já carregam o desastre do general Pazuello e dos coronéis que ele levou para o Ministério da Saúde.
O tamanho do problema sugere que seria conveniente nomear uma pessoa ou uma comissão independente para tratar dessa cavalariça, limpando-a. Nada a ver com notáveis terrivelmente seja lá o que for. Para fulanizar, apenas mostrando um perfil dessa pessoa. Poderia entregar o caso ao ministro Marco Aurélio Mello, que está prestes a deixar o Supremo Tribunal Federal.
Essa pessoa, ou comissão independente, investigaria o que acontece no Ministério da Saúde e no seu entorno, restringindo-se à questão do preço das vacinas. Terminado o serviço, entregaria a Bolsonaro uma bandeja com a cabeça dos envolvidos, bem como uma avaliação de seu papel nos episódios. Esse procedimento não tiraria das costas do capitão os 525 mil mortos da Covid-19, nem os quase 15 milhões de desempregados. No mínimo, aliviaria o país de um aspecto de sua conduta irracional.
_______________ * O Brasil não inventou a cretinice
Eu sei como é. Às vezes parece que Pedro Álvares Cabral botou o pé na praia e pariu no segundo passo a cretinice. Que ela gostou do calorzinho e proliferou, tornando-se endêmica e tão genuinamente brasileira quanto o cafuné, o cuscuz e o chorinho. A História também não ajuda, denegrida pelo sadismo dos sinhozinhos, pela covardia oportunista dos capitães do mato, pelo fisiologismo dos burocratas, pela longa tradição de sanguessugas que aparelharam todos os setores da sociedade.
Mas não, o Brasil não inventou a cretinice. Ela é anterior ao país, tão antiga quanto a mais antiga profissão do mundo, que aliás foi impingida como culpa às mulheres pelos cretinos.
A cretinice é antiga, e contemporânea. Enquanto o Brasil é impedido de tirar do poder uma quadrilha de milicianos devido a um congresso e a juízes comprados, Steve Bannon, estrategista político que ajudou Trump a vencer as eleições, criou uma escola de formação de líderes populistas. Cinco mil pessoas de todo o mundo se inscreveram para participar. Cinco mil cretinos, dos quais setenta e dois foram escolhidos para aprenderem os fundamentos dos governos populistas e se tornarem líderes de extrema direita em seus países. O nome do curso é Escola de Gladiadores. O nome do órgão que coordena o curso é Instituto para a Dignidade Humana. Existe algo mais cretino do que sugerir que a dignidade do mundo será alcançada através do empenho de gladiadores? Imagino alguns ensinamentos, como convencer eleitores de que as notícias são mentira e que as mentiras são notícia. Ou gritar Comunista! para qualquer pessoa que questione o que é dito.
O Brasil é uma nação em luto, pelas mortes por violência, miséria e pandemia, pelas instituições que nem sempre funcionam, pela destruição dos recursos naturais. É tudo muito ruim, e por isso é importante lembrar, nesse desespero escuro, com a esperança esgarçada, que não estamos fadados ao fracasso. Às vezes ajuda colocar o que sabemos, quem somos e o que já conquistamos em perspectiva. Olhar o mundo, e perceber que outras nações já passaram ou passam por problemas semelhantes. Que em outros países filhotes de Trump cobiçam o poder. Essa é a boa notícia: a cretinice não é exclusiva ao Brasil, nem única opção do destino. É possível recusar a carapuça do fatalismo, se curar do complexo de inferioridade e se livrar do mal. Nós somos maiores e melhores, nós somos mais. A má notícia é que a luta não termina nunca, e dá trabalho. Tem que ir para a rua, gritar nas redes, apoiar a imprensa livre, cobrar dos políticos e se envolver nas comunidades.
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Por falar em comunidade: o projeto Rio de Livros ainda segue pela cidade. Leitores podem comprar livros em uma das oito livraria de rua (Argumento, Berinjela, Folha Seca, Blooks, Da Vinci, Janela, Lima Barreto e Malasartes) para serem doados em bibliotecas comunitárias. É um projeto lindo, e que liga através da leitura os dois lados da cidade partida, na triste e precisa definição do Rio cunhada pelo mestre Zuenir.
_______________ * Bolsonaro transformou rachadinha em negócio de família | Bernardo Mello Franco - O Globo

Os Bolsonaro transformaram a atividade parlamentar num negócio de família. Pai e filhos penduraram dezenas de assessores fantasmas em seus gabinetes. A turma fingia que trabalhava e repassava a maior parte dos salários ao clã.
O Ministério Público já havia comprovado os desvios no escritório de Flávio Bolsonaro, denunciado por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Agora uma nova gravação situa o presidente no topo do esquema.
Andrea Siqueira Valle passou duas décadas como funcionária de Jair Bolsonaro na Câmara. Em áudio revelado pelo UOL, ela admite que participava da “rachadinha”. Ficava com 10% do salário e devolvia o resto ao então deputado.
A fisiculturista é irmã de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda mulher do capitão e mãe do jovem lobista Jair Renan. Durante o casamento, ela comprou 14 imóveis, parte deles em dinheiro vivo.
A ex-cunhada conta que Bolsonaro comandava a arrecadação clandestina e chegou a demitir um de seus irmãos. O rapaz também recebia sem trabalhar, mas não devolvia a quantia combinada. “Foi um tempão assim até que o Jair pegou e falou: ‘Chega. Pode tirar ele porque ele nunca me devolve o dinheiro certo’’’, diz Andrea.
A gravação ainda acrescenta um novo personagem à trama: o coronel Guilherme Hudson, colega do presidente na Academia Militar. Segundo a fisiculturista, ele era um dublê do ex-PM Fabrício Queiroz. Levava os fantasmas ao caixa eletrônico e recolhia as contribuições em espécie.
Esta não é a primeira vez que Bolsonaro aparece como beneficiário da rachadinha. O MP já havia descoberto que Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da primeira-dama. O procurador Augusto Aras não quis investigar o caso, e o Supremo decidiu arquivá-lo nesta semana.
A inconfidência da ex-cunhada também deve empacar na Justiça, já que o presidente não pode ser processado por crimes anteriores ao mandato. Mas tem potencial para danificar ainda mais a imagem do “Mito”, que passou a ser chamado de corrupto nos atos pró-impeachment.
Eleito com discurso moralista, Bolsonaro ensinou aos filhos uma das fórmulas mais rasteiras de embolsar dinheiro público. O escândalo das vacinas sugere que ele só demorou a se envolver em rolos maiores por falta de oportunidade.
_______________ * Parlamentarismo: a boia da direita - Emir Sader
Por Emir Sader

Por Emir Sader
Mais uma vez, a direita apresenta o parlamentarismo como fórmula para impedir que um presidente de esquerda eleito pelo povo exerça plenamente seu mandato - artigo de Emir Sader
Várias vezes na história recente do Brasil, a direita apelou à alternativa do parlamentarismo como sistema de governo em que ela pode, com menos obstáculos, obter maioria e, ou governar diretamente, ou controlar o governo. Afinal, a direita tem muitas dificuldades de projetar líderes políticos nacionais, mas em compensação costuma controlar o Congresso, como regra política geral no país.
A primeira vez em que a direita apelou para o parlamentarismo foi no referendo convocado em 1963, para tentar limitar os poderes do governo de João Goulart. As eleições presidenciais de 1960 permitiram à direita projetar um líder nacional, Jânio Quadros, mas, como sintoma de que sua votação não tinha uma marca definida da direita, quando era possível votar em um candidato a presidente de uma chapa e para vice de outra, Jango, de centro-esquerda, foi eleito vice presidente – a fórmula Jan-Jan saiu vitoriosa.
O desastre de procurar um líder popular que não vinha das suas fileiras -depois das sucessivas derrotas do brigadeiro Eduardo Gomes (1945 e 1950) e do general Juarez Távora (1955)- fez com que, depois de nova tentativa golpista em 1961, no momento da renúncia do Jânio, com Jango na China, a direita teve que aceitar a posse do vice-presidente.
Mas o compromisso político que permitiu superar o impasse foi a imposição do regime parlamentarista pelo Congresso, ainda em 1961, como forma de aceitar a posse do Jango, mas limitar seus poderes. A solução não permitiu estabilidade institucional, diante das crises que o país enfrentava. Jango apoiou- se nas mobilizações populares que marcaram a história do país desde o final da década anterior, protagonizadas sobretudo pelo movimento sindical e pelas greves que lograva convocar.
A situação de instabilidade política e de crise econômica do período de governo Jango, terminou permitindo que o governo convocasse um referendo para questionar o parlamentarismo. As opções de formas de governo expressavam também duas alternativas radicalmente opostas para o país: as reformas de base do Jango –especialmente a limitação da exportação dos lucros pelas empresas multinacionais e a reforma agrária– e o projeto entreguista da UDN, representado por Carlos Lacerda, candidato da direita para as eleições presidenciais previstas para 1965.
O retorno ao presidencialismo foi aprovado contra a posição de grande parte dos partidos políticos, que controlavam ou limitavam o poder do presidente através do Congresso.
Trinta anos depois, em situação política muito diferente, diante da pressão de setores ultra conservadores para a restauração da monarquia e da consciência da direita da dificuldade muito maior de projetar uma liderança nacional – com o fracasso do Collor em 1992 -, a direita voltou a apresentar a alternativa do parlamentarismo.
O que parecia consensual no meio político, pelo favorecimento do poder dos partidos pelo Congresso, terminou sendo derrotado, com reafirmação do presidencialismo. Sem lideranças próprias, a direita teve que pescar FHC no campo político da oposição, mas aderido ao neoliberalismo, para ser seu presidente. Porém, desde então, afirmou-se a capacidade da esquerda de eleger e reeleger presidentes –com Lula e Dilma -, enquanto a direita e o centro controlavam o Congresso, obrigando os governos do PT a alianças parlamentares e também nas fórmulas presidenciais, com um vice do PMDB.
Durante os governos do PT, impotente diante da liderança nacional do Lula, frente a quem só podiam opor a força parlamentar da direita e do centro, o que obrigava o governo a alianças, em particular com o PMDB, vez ou outra se especulava de novo com o parlamentarismo, como forma de limitar o poder dos governos do PT.
Até que agora, como se descobrissem a pólvora, diante do fracasso do governo do Bolsonaro e da iminência de uma nova vitória do PT, juízes do STF – Luís Roberto Barroso, com o apoio de Gilmar Mendes, voltam à carga com proposta parlamentarista, disfarçada de um suposto semipresidencialismo, para esconder a rejeição do parlamentarismo. Naquela base do “se colar, colou”.
Mas a proposta esvazia totalmente o poder do presidente, que se limitaria a nomear embaixadores, ministros das Cortes Supremas, etc mas o chamado “varejo politico”, o governo realmente existente seria exercido por um primeiro ministro, eleito pelo Congresso. Supostamente a troca de primeiro ministro seria menos traumática, se dando conforme correlação de forças do momento entre os partidos no Congresso.
Para não aparecer que se volta para mudar as eleições presidenciais do próximo ano, esse sistema de governo, na versão inicial, só entraria em vigor em 2026, mas nada impede que, no meio de uma discussão no Congresso, viesse a ser proposto para 2022, como nova boia para a direita, diante do que considera um novo naufrágio, representado por uma eleição do Lula.
O povo teria expropriado seu poder de eleger o presidente, como fez ao longo do período de 1989-2014, especialmente diante da possibilidade real de voltar a eleger presidentes do PT, com restabelecimento da democracia.
É uma operação muito torpe, um novo golpe contra a democracia e contra o PT. Uma nova boia que a direita, uma vez mais contando com o STF, tenta, para limitar o poder do povo de definir os destinos do país, quando os presidentes da direita –Temer e Bolsonaro– colocados na Presidência através de golpes e de fraudes, fracassaram. Se valem da composição frontalmente antidemocrática e antipopular desse Congresso, para tentar passar mais essa burla à vontade popular.
As forças democráticas têm que derrotar essa manobra, que pretende tirar do povo o direito do povo de eleger o presidente do Brasil, para deixá-lo nas mãos de um sistema de partidos totalmente falido.
_______________ * Militares no poder: desmanche, morticínio e corrupção - Jeferson Miola
Por Jeferson Miola

Por Jeferson Miola
Ao atuarem como facção político-partidária que detém o poder e comanda o país, os militares ficaram, naturalmente, sujeitos a maior escrutínio público. Segredos, lendas e “mistérios” da vida castrense guardados a 7 chaves no mundo hermético em que se encapsulam e escapam ao controle civil, agora vêm ao conhecimento geral.
Encobertos pelo manto do falso-moralismo, do falso-profissionalismo e do falso-legalismo das Forças Armadas, ao longo de décadas os militares lograram sedimentar na sociedade brasileira a auto-imagem de baluartes “puros, incorruptíveis e competentes”.
Consideram-se fundadores da consciência nacional e tutores da Nação. Estão convencidos de que incumbe a eles, e não aos civis “impuros, corruptos e incompetentes”, a tarefa de conduzir a Nação ao encontro com seu destino.
O conhecimento, entretanto, de privilégios, corrupção, nepotismos e desvios anti-republicanos mostra que a realidade é bastante diferente.
A sociedade finalmente está descobrindo a opulência nos quartéis bancada com dinheiro público: alta litragem de uísque 12 anos, conhaque de grife e cervejas; toneladas de lombo de bacalhau, picanha e de outros cortes nobres de carne; leite condensado a preço de ouro e outros caprichos do gênero.
Mais de 85% das verbas do ministério da Defesa são destinadas ao pagamento de salários, aposentadorias e pensões. Ao redor de 87 bilhões de reais do orçamento nacional são carreados todo ano para a “família militar”, que é composta por 805 mil integrantes, dentre militares da ativa [358 mil], da reserva [189 mil] e pensionistas [257 mil].
Para se ter noção da magnitude deste valor, basta comparar com o orçamento do SUS em 2021, de R$ 145 bilhões para atender 210 milhões de brasileiros/as.
O investimento na defesa da soberania deve ser uma prioridade nacional. O enorme sacrifício da sociedade brasileira em canalizar altas somas do orçamento nacional [R$ 100,9 bi] para gastos militares não tem assegurado, apesar disso, uma eficaz política de defesa nacional, visto que a quase totalidade do orçamento militar do país dirige-se ao pagamento de salários, aposentadorias e pensões de dependentes de militares.
Reportagem do jornal Estadão mostrou que 137,9 mil pensões são pagas a filhas de militares mortos. Dezenas delas recebem acima do teto constitucional de R$ 39,3 mil. A matéria menciona que “em fevereiro deste ano, eram 14 casos de pensionistas que ganhavam mais de R$ 100 mil líquidos, já depois dos descontos”. A pensão mais antiga data do ano 1930 do século passado.
É notório o caso da neta do ditador Emilio Garrastazu Médici, adotada por ele como filha poucos meses antes do seu falecimento em 1985, o que assegura a ela uma pensão mensal vitalícia de R$ 32,6 mil. Lamentavelmente, burlas e fraudes como esta não são incomuns.
Neste período de governo militar, os militares infestaram o aparelho de Estado com mais de 10 mil oficiais em cargos técnicos de natureza civil. Criaram artifícios para receberem salários “duplex” e extra-teto. Afora casos de nepotismo cruzado, mordomias, favorecimentos e, claro, de “tenebrosas transações”, negociatas e esquemas bilionários de corrupção, como no ministério da Saúde comandado por ninguém menos que um general da ativa do Exército.
Enquanto aprovam no Congresso o congelamento dos salários do funcionalismo civil das três esferas de governo, os militares se concedem ganhos salariais. Eles aumentam a idade mínima para aposentadoria e reduzem os proventos dos trabalhadores civis dos setores público e privado, ao mesmo tempo em que ficam imunes à reforma previdenciária e garantem condições vantajosas para a “família militar”.
Mas nem só de corrupção é feito o governo militar. O morticínio que já se aproxima das 530 mil vidas perdidas é um legado catastrófico que ficará marcado para sempre na história do Brasil.
Os generais da ativa e da reserva, chefes políticos do governo militar, são os reais responsáveis pelo extermínio de centenas de milhares de compatriotas, e deveriam, por isso, estar respondendo pelos seus crimes e negligências na CPI da pandemia. Mas, por enquanto, estão conseguindo se safar. A revelação, contudo, dos esquemas mafiosos de oficiais do Exército e do líder do governo com o conhecimento do Bolsonaro, poderá levar à investigação e responsabilização deles na CPI.
O país está sendo devastado em todos sentidos. Está em curso um feroz e brutal processo de desmanche do Brasil. Nesta verdadeira guerra de saqueio das riquezas nacionais, liquidação do patrimônio estatal e pilhagem dos fundos públicos, o Exército atua como a força de ocupação que oportuniza a perpetração deste terrível ataque à soberania nacional.
O desastre do governo militar, que se afoga num mar de corrupção e morticínio ao mesmo tempo em que arruína o país, já se reflete na perda de prestígio dos militares e na queda da confiança da população nas Forças Armadas. A repulsa à presença dos militares na política é cada vez mais amplificada nas mobilizações de rua pelo Fora Bolsonaro!.
A interrupção deste processo de desmanche, corrupção e morticínio é a maior urgência deste período histórico dramático.
O primeiro passo para isso é o impeachment do Bolsonaro, o biombo que esconde por trás de si os reais responsáveis pela hecatombe nacional – os chefes políticos que conspiraram contra a democracia, emparedaram as instituições e partidarizaram as Forças Armadas, transformando-as em facção política da extrema direita.



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