_______________ * Após áudios sobre 'RACHADINHAS, Queiroz REPETE AMEAÇA antiga de MOURÃO sobre INTERVENÇÃO MILITAR : _______________ "AVISO foi DADO"

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_______________ * Após áudios sobre 'RACHADINHAS, Queiroz REPETE AMEAÇA antiga de MOURÃO sobre INTERVENÇÃO MILITAR :  _______________ "AVISO foi DADO"

Por João Paulo Saconi

Queiroz



Um recado de Fabrício Queiroz diante de novas revelações sobre o esquema de “rachadinha” em gabinetes da família Bolsonaro foi publicado online na quarta-feira, em forma de ameaça, pelo ex-assessor parlamentar. Em sua conta no Instagram, restrita a amigos, ele compartilhou um vídeo de três minutos que contém uma fala antiga de Hamilton Mourão sobre a possibilidade de intervenção militar no país, dita quando o general ainda não era vice-presidente.

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A publicação ocorreu horas antes do início da sessão da CPI da Covid que culminou numa nota da Defesa e das Forças Armadas contra o colegiado. O conteúdo foi extraído da plataforma Tik Tok, acompanha uma música dramática ao fundo e foi visto por pouco mais de cem amigos de Queiroz.

Durante uma palestra em Brasília, em setembro de 2017, Mourão disse que o Alto Comando do Exército considerava intervir nos Poderes caso eles não solucionassem “o problema político”. À época, Michel Temer havia acabado de ser denunciado por Rodrigo Janot ao Supremo por organização criminosa e obstrução de Justiça. A crise foi abafada quando a Câmara, pela segunda vez, livrou o então presidente de investigação durante o mandato. Ao compartilhar o discurso, Queiroz escreveu uma mensagem breve: “Aviso foi dado”.

Tal qual Temer naquele episódio, o PM reformado tem uma série de problemas a resolver com o Judiciário. No ano passado, foi denunciado junto a Flávio Bolsonaro por operar a devolução de salários de funcionários no antigo gabinete do senador. Agora, áudios de Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada de Jair Bolsonaro, indicaram que o presidente estaria envolvido no caso.

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Os registros foram revelados pela jornalista Juliana Dal Piva, do UOL, na segunda-feira, e encaminhado à PGR pelo PSOL no mesmo dia. O partido quer que Augusto Aras peça para investigar Bolsonaro, como Janot fez com Temer. A ameaça de Queiroz surge nesse contexto.

Disse Mourão, há quatro anos, agora parafraseado:

— Na minha visão, que coincide com a de meus companheiros do Alto Comando do Exército, nós estamos naquilo que poderíamos lembrar da tábua de logaritmo. Aproximações sucessivas. Até chegar o momento em que ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos. Ou, então, nós teremos que impor isso. (...) Os Poderes terão que buscar a solução. Se não conseguirem, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição não será fácil, ela trará problemas. Podem ter certeza disso aí.

_______________ * Datafolha: rejeição a Bolsonaro atinge 51%, maior taxa desde início do governo

Índice era de 45% na pesquisa realizada em 11 de maio; porcentagem de ótimo ou bom manteve-se estável em 24%
O presidente Jair Bolsonaro vê sua taxa de aprovação recuar Foto: Alan Santos/PR / Agência O Globo (05/07/2021)
O presidente Jair Bolsonaro vê sua taxa de aprovação recuar Foto: Alan Santos/PR / Agência O Globo (05/07/2021)

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SÃO PAULO - Em meio ao avanço da CPI da Covid, a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro atingiu o índice mais alto desde o início do mandato, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8). De acordo com o levantamento, 51% dos eleitores classificaram o governo como ruim ou péssimo, o pior resultado registrado pelo chefe do Executivo em 13 levantamentos feitos pelo instituto desde 2019.

A reprovação era de 45% no questionário anterior, aplicado em 11 de maio. Em 8 de dezembro, quando começou a curva ascendente, o número bateu 32%. A taxa de ótimo ou bom manteve-se estável em 24%, desde maio. Já o percentual de quem acha o governo Bolsonaro regular caiu de 30%, na pesquisa anterior, para 24% agora.

A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. A pesquisa foi feita de forma presencial em 146 municípios nos dias 7 e 8 de julho. Responderam ao questionário 2.074 pessoas acima de 16 anos.

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O levantamento pode medir o efeito de notícias recentes que envolvem o governo em suspeitas, como a revelação de áudios da ex-cunhada do presidente, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, que afirma que, quando era deputado federal, Bolsonaro demitiu o irmão dela porque ele se recusou a devolver parte do salário ao mandatário, uma prática conhecida como "rachadinha".

O período do questionário abarca, também, os depoimentos na CPI que levantam suspeitas sobre a compra da vacina indiana Covaxin; manifestações contra Bolsonaro que levaram até partidos de centro, como o PSDB, às ruas, ao lado da esquerda; e a autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a conduta de Bolsonaro no caso da negociação para a compra da Covaxin.

Na série histórica do Datafolha, a rejeição a Bolsonaro só não é pior que a de Fernando Collor, que, em 1992, enfrentava 68% de ruim ou péssimo meses antes de renunciar para evitar um processo de impeachment.

Ao analisar a divisão dos eleitores, o Datafolha revela que a maior reprovação é dada pelos eleitores que ganham até 2 salários mínimos. Para 54% deles, o governo é ruim ou péssimo. No Nordeste, a rejeição atinge 60%.

De maneira geral, quem reprova o governo é mulher (56% avaliam a gestão como ruim ou péssima), têm entre 16 a 24 anos (56%), e cursou ensino superior (58%).

Por outro lado, o desempenho de Bolsonaro é considerado mais positivo entre aqueles que têm mais de 60 anos (32% o classificaram como ótimo ou bom), entre quem ganha entre 5 e 10 mínimos (34%) e entre moradores do Centro-Oeste (34% aprovaram o governo).

_______________ * Para CPI, prisão cumpriu papel 'pedagógico' | Vera Magalhães - O Globo

Roberto Dias sai preso da CPI

Roberto Dias, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde que foi o primeiro depoente a sair preso da CPI da Covid, não chegou a passar a noite detido. Mas sua prisão teve um caráter "pedagógico" para alertar futuros convocados e todo o governo para o fato de que não está liberado sentar diante dos senadores sob juramento e mandar ver em versões cada vez mais fantasiosas.

Dias apostou alto: mesmo sabendo que a CPI tinha em seu poder desde a semana passada o celular do policial militar Luiz Paulo Dominguetti, com possíveis mensagens antes e depois dos encontros que ambos tiveram, sustentou uma versão bizarra: ele estaria na praça de alimentação de um shopping em Brasília para um "choppinho" com um amigo quando de repente foi abordado por um ex-colega do ministério, o coronel Marcelo Blanco, acompanhado de alguém que ele nunca tinha visto ou ouvido falar e que, vejam só!, por acaso tinha 400 milhões de doses de vacina para ofertar. Não mais que de repente, ele pediu para agendar uma reunião para o dia seguinte para o tal sujeito e, apesar de achar a conversa e o e-mail enviados esquisitos, ainda assim manteve a negociação semanas depois do fortuito esbarrão. Ah, e isso tudo com a sua diretoria não tendo designação para comprar ou negociar vacinas.

Se alguém que sustenta durante um dia inteiro uma patacoada dessas, mesmo com a CPI já tendo em mãos provas de que o enredo é mentiroso, seria a desmoralização comopleta da investigação, sustentam os senadores que apoiaram a decisão do presidente Omar Aziz -- sobre a qual houve divergência grande, mesmo dentro do G7.

O depoimento de Dias, dizem esses senadores, tinha uma agravante: ele é o primeiro a ser acusado pessoalmente de ter cobrado propina na negociação de vacinas. Por isso a investigação sobre ele terá de ser mais meticulosa, se desdobrando também para o caso Covaxin e para as negociações dos demais insumos de enfrentamento da pandemia que passavam pelo seu deparlamento -- e a CPI já tem caminhos que apontam para irregularidades em outras áreas, como na logística de transporte, também subordinada a ele.

Para os senadores, está evidente que os militares, em dado momento, depois de um acordo com o Centrão para manter pessoas em postos-chave, tentaram se livrar de Roberto Dias e de um grupo que atendia as suas ordens, mas graças às "costas quentes" ele conseguiu permanecer no posto, ainda que isolado. Se o mantiveram, é porque alguém pediu e conseguiu convencer o presidente Jair Bolsonaro, dizem esses senadores.

A ideia da CPI é avançar nessas duas linhas de investigação: a atuação dos militares, em consonância ou divergência com o Centrão, dentro do ministério, e também as conexões políticas que blindaram Roberto Dias mesmo diante de tantas evidências de irregularidades.

Isso tudo vai "preparar" o depoimento do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP), que ficou para o dia 20 justamente para que haja tempo de reunir mais informações, documentos e possíveis conexões entre ele e os esquemas investigados pela CPI.

_______________ * A corrupção sob Bolsonaro é mais limpinha? | Malu Gaspar - O Globo

Bolsonaro e os filhos: para seguidores do presidente, rachadinha não é roubo

Eu não ia voltar ao assunto porque, como diz uma amiga, enjoa. Mas os fatos se impõem. Na manhã de quarta-feira, o ministro Paulo Guedes esteve na Câmara dos Deputados. E não conseguiu, como nenhum auxiliar de Jair Bolsonaro consegue mais, escapar de perguntas sobre suspeitas de toma lá dá cá ou corrupção no governo. Guedes respondeu com uma de suas pérolas:

— Não estou vendo nenhuma troca de dinheiro por baixo de mesa, dinheiro de cueca.

Leia também: Dossiê que teria sido feito por ex-diretor da Saúde assombra civis e militares do governo Bolsonaro

O ministro se referia a um episódio da era petista, quando um assessor do deputado federal José Guimarães (PT-CE) foi preso no Aeroporto de Congonhas com US$ 100.500 escondidos na cueca e outros R$ 209 mil não declarados numa sacola. O escândalo foi grande, e Guimarães sofreu um processo, mas em 2012 foi considerado inocente pelo Superior Tribunal de Justiça.

Guedes talvez não lembrasse que seu governo também teve um senador pego pela Polícia Federal tentando esconder R$ 33 mil na cueca. O bolsonarista Chico Rodrigues, que empregava até um sobrinho do presidente da República no gabinete, se licenciou para evitar a cassação, mas voltou ao cargo sem ter sido denunciado pelo Ministério Público.

Inspirado, o ministro da Economia recorreu a mais uma comparação, ao ser questionado sobre o toma lá dá cá com o dinheiro do Orçamento secreto, como ficou conhecido o opaco mecanismo de liberação de emendas em troca de apoio para o governo:

— Há coisas diferentes: uma é o que a Lava- Jato mostrou. Financiamento de campanha, dinheiro por fora. Você aparelha o Estado e coloca lá uma porção de diretores numa Petrobras. Aí teve a delação premiada do presidente da Odebrecht, que falou: “Eu paguei R$ 100 milhões para conseguir o Reiq” (regime de benefício fiscal para a indústria petroquímica). Isso é compra de influência parlamentar.

Mas, ao tentar provar seu ponto, Guedes assumiu sem querer o toma lá dá cá:

—É totalmente diferente do que está acontecendo agora, que é uma emenda impositiva, republicana. Aí fala: “Quem é que é do governo aí?”. A, B e C. “Então, olha, articula suas emendas aqui com o meu ministério e vamos fazer obras públicas que o nosso governo considera importantes.”

Para além da elasticidade dos conceitos do ministro da Economia, que já não surpreende, chama a atenção que ela expressa um discurso cada vez mais comum no bolsonarismo: que a corrupção no atual governo não é nada em comparação com o que se passou na era PT. É como se dissessem que “a nossa corrupção é mais limpinha”.

Nas redes e nos grupos, o que mais se vê é o argumento de que, se a propina não chegou a ser paga, ou se o dinheiro de um contrato fraudulento não foi liberado, então não houve corrupção. Alguém se lembra de já ter ouvido isso antes?

Outra versão do mesmo argumento brotou diante da revelação, pela repórter Juliana Dal Piva, de áudios em que uma ex-cunhada de Bolsonaro diz que o presidente sabia das rachadinhas nos gabinetes da família — tanto que teria excluído do esquema o irmão dela, que não devolvia a parte do salário combinada.

— Rachadinha não é roubo, mas é crime — chegou a dizer um comentarista da Jovem Pan, esforçando-se para enxergar diferença entre roubo e desvio de dinheiro público.

Nos últimos dias, circulou ainda no zap bolsonarista um vídeo antigo mostrando a ex-mulher de Valdemar Costa Neto, cacique do PL, contar na Câmara dos Deputados, durante o escândalo do mensalão, ter visto malas cheias de dinheiro chegando a sua casa. “Já não se fazem mais CPIs como antigamente”, dizia a legenda, sugerindo que só no passado os roubos se contavam em malas de dinheiro. (Em tempo: Costa Neto continua muito influente.)

A piada perdeu a graça nesta quarta-feira, quando o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz, decretou a prisão do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias em plena sessão, por perjúrio.

Depois de semanas aceitando placidamente as mentiras de integrantes do governo Bolsonaro, como o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten ou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, a CPI mudou de rumo e resolveu morder o governo para valer.

Embora seja legítimo questionar o porquê dessa guinada, do ponto de vista político o recado foi claro: daqui para a frente, quem mentir tem muito mais chances de ir preso.

A história está repleta de exemplos do que acontece quando gente enrolada em esquemas se vê acuada. Paulo Guedes que se prepare. Quanto mais as investigações avançam, mais difícil fica sustentar que há corrupções e corrupções, e que no governo Bolsonaro se rouba mais limpo.

_______________ * Briga de quadrilhas | Merval Pereira - O Globo

Por Merval Pereira

A nota do Ministério da Defesa e dos comandantes das Forças Armadas criticando o presidente da CPI, senador Omar Aziz, é uma distorção de suas palavras e atinge todo o Senado. Deveriam estar indignados, sim, com os militares que se envolveram em negócios polêmicos na Saúde.

Tudo leva a crer que estamos diante de uma briga de quadrilhas de atravessadores de contratos de vacinas no Ministério da Saúde. Com acesso até ao gabinete da Presidência da República, como revela uma das mensagens do celular do cabo da PM Luiz Paulo Dominguetti. A prisão do ex-servidor Roberto Dias pela CPI da Covid é apenas um percalço nessa disputa de poder.

O ex-secretário executivo do ministério, coronel Elcio Franco, está no centro das disputas pelas negociações, e Roberto Dias, cuja cabeça foi pedida por ele em outubro, mas Pazuello segurou por pressão do líder do governo, Ricardo Barros, sugere que a eventual responsabilidade final era de Franco.

Pelo menos uma culpa o coronel Elcio Franco tem: garantiu que investigou o processo de compra da Covaxin e não descobriu os erros esdrúxulos que a senadora Simone Tebet apontou num dos recibos (invoices) enviados pela empresa intermediária Davati.

Quando foi à entrevista para denunciar o deputado Luis Miranda como falsificador de documentos, nem ele nem o patético ministro Onyx Lorenzoni sabiam que havia três recibos. Apontaram como falso o único verdadeiro, que pedia antecipação de pagamento de US$ 45 milhões.

Os depoimentos de servidores da Saúde na CPI da Covid mostram como o ministério é dividido em feudos que não se falam, onde cada um cuida de seu negócio, e ninguém cuida do geral. Dias disse ontem na CPI que esse processo, que chamou de segregado, existe de propósito, para garantir sua higidez.

Há quem veja, no entanto, que, com esse esquema, a chance de haver corrupção é maior, porque ninguém se responsabiliza pelo que já foi feito ou pelo que será feito. Todos querem saber apenas de seu nicho. O exemplo de hoje é típico: anos atrás, Dias punira a empresa Global por não ter cumprido um contrato de US$ 21 milhões, mas foi incapaz de relatar esse fato quando recebeu a proposta de compra de vacinas da Precisa, cujo controle é exercido pela Global.

Essa separação de setores decisórios deu-lhe a desculpa de que não era sua tarefa analisar as empresas que oferecem vacinas ao governo brasileiro. No entanto, sua omissão serviu a seus próprios interesses, pois, como indicam as investigações e as mensagens encontradas no celular de Dominguetti, estava negociando esse suposto lote de 400 milhões de doses da AstraZeneca havia algum tempo.

Da mesma forma que, ao atacar o deputado Luis Miranda, o coronel Elcio Franco defendia não o governo, mas a si próprio, pois aceitou levar adiante uma negociação que claramente era fictícia. Como uma pessoa como o cabo Dominguetti, que não sabe se expressar, escreve português errado, está à frente de um negócio de R$ 1,5 bilhão? A troco de que ele tem acesso ao segundo na hierarquia do Ministério da Saúde?

Por essas e outras, não tivemos vacinas no tempo certo. As negociações sérias não encontraram caminhos no ministério, porque certamente, tudo leva a crer, está montado lá dentro um grupo que controla as compras de medicamentos. O mais grave é que, nesse grupo, estão muitos militares, de todas as patentes. Teoricamente, o general Pazuello, quando assumiu a Saúde, chamou-os para controlar a situação que já existia, e muitos foram cooptados pelos esquemas já estabelecidos.

A vacinação foi atrasada em meses por causa dessa estrutura montada dentro do ministério, onde parece que até hoje o deputado Ricardo Barros tem influência. Os depoimentos estão dando a visão de como a burocracia brasileira favorece a corrupção. Para espanto geral, existiu um processo de compra de 400 milhões de doses de vacina sem um fiscal do contrato. A servidora Regina Célia Oliveira foi nomeada para a função um mês depois que ele já era discutido.

Há grupos de atravessadores de qualquer negócio. O tenente-coronel Marcelo Blanco, outro ex-membro da direção do ministério que descobriu sua veia de negociador, saiu e criou uma empresa de venda de insumos médicos, negocia de vacina a criptomoeda; e o cabo da PM Dominguetti, da mesma forma, nas horas vagas faz negócios com o alto escalão da Saúde auxiliado por militares seus superiores.

_______________ * Seleto clube dos ricaços com fortuna superior a US$ 100 bi ganha seu 9º integrante. Veja a lista dos centibilionários

Steve Ballmer, ex-CEO da Microsoft, entra para o grupo, que é liderado por Jeff Bezos, que ficou ainda mais rico após deixar comando da Amazon
Steve Ballmer, o ex-CEO da Microsoft, é o mais novo integrante do grupo de 'centibilionários', com um patrimônio líquido de mais de US$ 100 bilhões Foto: Bloomberg
Steve Ballmer, o ex-CEO da Microsoft, é o mais novo integrante do grupo de 'centibilionários', com um patrimônio líquido de mais de US$ 100 bilhões Foto: Bloomberg

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NOVA YORK — Um dos clubes mais exclusivos do mundo acaba de ganhar um novo membro, com um segundo aspirante batendo na porta. Steve Ballmer, o ex-CEO da Microsoft, possui um patrimônio líquido de mais de US$ 100 bilhões, o que o torna a nona pessoa no mundo a atingir esse patamar elevado e entrar para o clube dos ''centibilionários'', ao lado de Jeff Bezos, Bill Gates e Elon Musk.

O fundador da Oracle, Larry Ellison, ficou um pouco aquém de se tornar o número 10 do grupo, terminando na quarta-feira com uma fortuna de US$ 98,6 bilhões, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.

Ballmer, de 65 anos, que deixou o cargo de CEO da Microsoft em 2014 e, agora, é dono do Los Angeles Clippers da NBA, viu sua fortuna crescer US$ 20,1 bilhões este ano, enquanto Ellison acrescentou US$ 18,9 bilhões a seus cofres.

Veja a listas dos bilionários americanos que enriqueceram ainda mais este ano

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Mark Zuckerberg aumentou em US$ 8,1 bilhões sua fortuna somente nesta quinta-feira, com a força dos resultados do primeiro trimestre do Facebook. Foto: Stephen Lam / Reuters
Mark Zuckerberg aumentou em US$ 8,1 bilhões sua fortuna somente nesta quinta-feira, com a força dos resultados do primeiro trimestre do Facebook. Foto: Stephen Lam / Reuters
O fundador da Amazon, Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, ficou US$ 11,7 bilhões mais rico este ano Foto: ALESSANDRO DI MARCO / ANSA
O fundador da Amazon, Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, ficou US$ 11,7 bilhões mais rico este ano Foto: ALESSANDRO DI MARCO / ANSA
Larry Page, do Google, adicionou US$ 26,6 bilhões este ano depois que a empresa sediada na Califórnia registrou lucro recorde no ano passado Foto: Eduardo Munoz / Reuters
Larry Page, do Google, adicionou US$ 26,6 bilhões este ano depois que a empresa sediada na Califórnia registrou lucro recorde no ano passado Foto: Eduardo Munoz / Reuters
Elon Musk, cofundador da Tesla, teve a fortuna aumentada US$ 5,1 bilhões desde janeiro Foto: Bloomberg
Elon Musk, cofundador da Tesla, teve a fortuna aumentada US$ 5,1 bilhões desde janeiro Foto: Bloomberg
Bilionário do setor financeiro Warren Buffet também está na lista dos americanos que aumentaram suas riquezas este ano: ganho com ações Foto: AFP
Bilionário do setor financeiro Warren Buffet também está na lista dos americanos que aumentaram suas riquezas este ano: ganho com ações Foto: AFP

Uma alta nas ações de tecnologia alimentou a mais recente onda de riqueza, com sete das pessoas com patrimônio maiores de US$ 100 bilhões obtendo suas fortunas de empresas de tecnologia.

Jeff Bezos, que ficou ainda mais rico após deixar o comando da Amazon, está entre os maiores beneficiários desse rali e agora tem um patrimônio líquido recorde de US$ 212,1 bilhões.

Juntos, os nove membros do clube dos 'centibilionários' — junto com Ellison — acrescentaram cerca de US$ 245 bilhões a suas fortunas desde o início do ano e agora valem, coletivamente, US$ 1,36 trilhão.

Além de ser principalmente composto por empresários que chefiam empresas de tecnologia, o grupo também é majoritariamente americano, com o magnata Bernard Arnault, do grupo francês de luxo LVMH, dono de marcas como Louis Vuitton, Christian Dior e Tiffany, sendo a única exceção.

Conheça o grupo dos US$ 100 bilhões

  • Jeff Bezos  - patrimônio líquido de US$ 212,1 bilhões; ganhos de US$ 21,9 bilhões em 2020
  • Ellon Musk - patrimônio de US$ 177,2  bilhões ; ganhos de US$ 7,5 bilhões
  • Bernard Arnault - patrimônio de US$ 169,4 bilhões; ganhos de US$ 55 bilhões
  • Bill Gates - patrimônio de US$ 148,3 bilhões; ganhos de US$ 16,6 bilhões
  • Mark Zuckerberg - US$ 130,4 bilhões; ganhos de US$ 26,9 bilhões
  • Larry Page - patrimônio de US$ 115,4 bilhões; ganhos de US$ 32,9 bilhões
  • Sergei Brin - patrimônio de US$ 115,5 bilhões; ganhos de US$ 31,7 bilhões
  • Warren Buffett - patrimônio US$ 101,5 bilhões; ganhos de US$ 13, 8 bilhões
  • Steve Ballmer - patrimônio de US$ 100,5 bilhões; ganhos de US$ 20,1 bilhões
  • Larry Ellison - patrimônio de US$ 98,6 bilhões; ganhos de US$ 18,9 bilhões

Fontes: Bloomberg Billionaires Index

_______________ * Haiti: A história violenta de um país que teve seu primeiro presidente esquartejado, há 200 anos | Blog do Acervo - O Globo

Tela de 1802 pintada por Auguste Raffet mostra batalha durante Revolução Haitiana

A história do Haiti é uma cronologia de brutalidades desde 1492, quando o navegador e explorador Cristovão Colombo, a serviço dos reis católicos da Espanha, desembarcou na ilha que ele batizou de Hispaniola.

Em menos de cem anos, toda a população nativa havia sido escravizada ou morta, enquanto aquelas terras se tornavam um dos principais destinos de negros raptados da África para trabalhar sob tortura em lavouras de açúcar, cacau e café. A partir de 1791, uma revolução faria do Haiti o primeiro país das Américas a abolir a escravidão e o segundo a se declarar independente. Mas a insígnia da violência jamais zarpou daquele naco de terra no Caribe.

Em 1697, a parte ocidental da ilha, onde fica o Haiti, foi cedida à França pela Espanha, que manteve a porção Leste, onde hoje fica a República Dominicana. O Haiti se tornou, então, a mais próspera colônia francesa das Américas, apelidada de "Pérola das Antilhas". Mas tanta riqueza era gerada às custas de milhares de negros escravizados, vítimas de doenças como a febre amarela, abusos físicos e execuções (a expectativa de vida na região não passava de 21 anos de idade).

Influenciados pelos ideais de igualdade e liberdade da Revolução Francesa de 1789, os cativos começaram uma série de revoltas a partir de 1791, depredando engenhos e matando milhares de proprietários de terra. A rebelião se espalhou e, três anos mais tarde, os governantes franceses, pressionados, aboliram a escravidão.

Nascido na colônia caribenha, o escravizado Jean-Jacques Dessalines trabalhava em uma plantação de cana-de-açúcar até se tornar um dos líderes da Revolução Haitiana, comandada por outro ex-cativo chamado Toussaint L'Overture, hoje considerado o grande herói da libertação do Haiti.

Para obter o fim da escravidão, L'Overture se aliou à França no esforço de repelir invasores britânicos e, mais tarde, foi nomeado general e governador da província. Entretanto, ele foi preso em 1802 e deportado para Paris, enquanto o estadista Napoleão Bonaparte tentava, traiçoeiramente, restaurar a escravidão na província caribenha. Foi quando Dessalines reuniu novamente as tropas de revoltosos e, após meses de batalhas, derrotou de uma vez por todas o exército colonial francês.

Ilustração mostra Jean-Jacques Dessalines, primeiro governante do Haiti independente

Em 1º de janeiro de 1804, Dessalines decretou a independência do Haiti e, em setembro do mesmo ano, declarou-se imperador do país. Entre os meses de fevereiro e março daquele ano, o governante exortara sua população a executar todos os brancos, e mesmo os filhos de franceses, que não tinham fugido. Acredita-se que mais de 3 mil pessoas tenham sido mortas naquele genocídio, entre elas muitas mulheres e crianças filhas de fazendeiros e militares. 

Na tentativa de resgatar uma economia devastada após a morte de mais de 200 mil haitianos durante as revoltas contra a França, Dessalines obrigou todos os homens a trabalhar como soldados ou em plantações destinadas à exportação. Seu governo era tão rígido ao exigir o cumprimento de suas ordens que muitos haitianos achavam que haviam sido escravizados mais uma vez.

O primeiro governante haitiano não viveu por muito mais tempo. Em outubro de 1806, Dessalines foi vítima de um motim apoiado por boa parte da população, que o via como um tirano. Relatos descrevem de formas diferentes a maneira como ele foi atacado e morto na capital, Port-au-Prince, mas é sabido que seu corpo teve membros e a cabeça arrancados e expostos em diferentes partes da cidade. O assassinato não amenizou a tensão, e o país mergulhou numa guerra civil. 

Em 1825, nenhum governo havia reconhecido a independência do Haiti. Era uma retaliação das potências à insurreição de afrodescendentes escravizados e à matança de pessoas brancas. Para obter reconhecimento de seus antigos exploradores, o então presidente do país caribenho, Jean-Pierre Boyer, assinou com a França um acordo no qual o Haiti reduzia em 50% as tarifas de importações da França e uma indenização de 150 milhões de francos (mais de US$ 20 milhões em valores atuais), equivalente a um ano de receitas na ex-colônia. O país recorreu a empréstimos extorsivos e só terminou de pagar a dívida em 1947. 

A história do Haiti continuou marcada por conflitos, miséria, tragédias naturais e instabilidade política. Desde sua independência, o país teve dezenas de governantes assassinados ou depostos, além de longos períodos de ditadura.

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_______________ * Férias escolares na pandemia: saiba como viajar com as crianças em segurança

Especialistas falam como evitar os acidentes mais comuns e a infecção pelo novo coronavírus

Sara Meirinho com seu marido, Bruno Peres, e o filho do casal, Théo, de cinco anos, esperam um voo num aeroporto durante a viagem de férias da família Foto: Acervo pessoal

Sara Meirinho com seu marido, Bruno Peres, e o filho do casal, Théo, de cinco anos, esperam um voo num aeroporto durante a viagem de férias da família Foto: Acervo pessoal

Se toda viagem requer planejamento, aquelas com crianças exigem muito mais atenção. Da escolha do destino aos cuidados nos momentos de diversão, pais e responsáveis precisam considerar uma grande variedade de riscos, sobretudo durante a pandemia. Com as férias escolares de julho ainda em meio à ameaça da Covid-19, é hora de revisar este check-list.

Dar preferência a destinos que ofereçam atrativos ao ar livre, com pouca aglomeração e que sejam perto de casa, e, claro, não dar férias às máscaras e ao álcool gel, são os conselhos mais comuns de pediatras para quem deseja viajar com os filhos neste momento em que o contágio do novo coronavírus permanece alto.

— Enquanto a nossa cobertura vacinal estiver baixa, temos que continuar mantendo os mesmos cuidados dos últimos meses — diz a gerente médica do Centro Brasileiro de Medicina do Viajante (CBMEVi) Flávia Bravo, que também é pediatra. — Apesar de, percentualmente, não ficarem tão doentes como pessoas de outras faixas etárias, crianças podem sim ter Covid-19 e, em geral, pegam dos adultos. Por isso, é fundamental observar se quem está ao redor delas respeita os cuidados básicos.

Pensando em evitar grandes aglomerações, a consultora de viagens Sara Meirinho e o engenheiro de telecomunicações Bruno Peres escolheram percorrer, em maio, a Rota das Emoções, entre Maranhão, Piauí e Ceará. Théo, o filho de 5 anos do casal, foi junto. Sempre de máscara.

— Antes da viagem, conversamos muito com ele sobre a importância de usar a máscara. Ele entendeu bem, até porque já está há mais de um ano com esse hábito. No avião, usou direitinho a máscara descartável por baixo da de tecido — conta Sara. — Durante a viagem, demos preferência, quando possível, a hotéis espaçosos e com poucos quartos e a passeios privativos.

Atenção ao álcool em gel

Nas viagens que a advogada Diana Magalhães fez com seu filho, Arthur, a preocupação maior era evitar que o menino, agora com 1 ano e 11 meses, levasse as mãos à boca e aos olhos. Como o pequeno ainda não usa máscara, a solução era caprichar no álcool gel sempre que ele driblasse a vigilância dos adultos. Juntos, eles já viajaram tanto para destinos distantes, como Mato Grosso do Sul e Bahia, quanto para o interior do Estado do Rio.

— Nos sentimos mais seguros no avião do que no aeroporto, até porque ele está na idade de querer correr o tempo todo, e segurar no saguão era difícil — lembra.

O álcool gel é um grande aliado, claro. Mas ele também deve ser mantido longe das crianças, como orienta o presidente do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria, Marco Antônio Chaves Gama.

— O álcool 70% em gel e, principalmente, em líquido podem causar irritação na pele e nos olhos e aumentar o risco de queimadura. Basta uma simples fagulha, um curto num celular que esteja carregando perto, para isso acontecer — alerta.

Queimadura e intoxicação, aliás, estão entre as causas que mais levam crianças a serem hospitalizadas. Quedas, como a que sofreu um menino de 6 anos em 25 de junho no parque Beto Carrero World, que resultou num traumatismo craniano, também são uma ameaça.

— Em torno de 40% dos acidentes ocorrem nos períodos de férias, por conta dos momentos mais livres e sem supervisão atenta de um adulto — explica Erika Tonelli, coordenadora do Instituto Bem Cuidar, parte da ONG Aldeias Infantis SOS, voltada para cuidados com crianças e adolescentes.

Operação 'pente fino'

Segundo Erika, trânsito, afogamento e queimaduras estão entre as principais causas de acidentes neste período. Mas, com as crianças passando mais tempo em casa por conta da pandemia, podem ocorrer também intoxicação, sufocação e quedas domésticas. Para diminuir a chance de algo assim acontecer, ela orienta os pais a fazerem um “pente fino” no ambiente, seja um parque, um hotel ou uma casa alugada:

— Observe se as janelas e sacadas possuem redes ou grades de proteção. Caso contrário, certifique-se de que elas possam ser trancadas ou avalie uma forma de impedir o acesso das crianças a esses locais. Atente-se também ao acesso aos fogões, aquecedores e lareiras, instalações elétricas, piscinas, tanques e baldes.

Para piscinas, o pediatra Chaves Gama orienta o uso de coletes, em vez de boias de braço ou de cintura, que garantem menos estabilidade às crianças. E que os pais nunca estejam a mais “de um braço” de distância dos pequenos. Mas dentro ou fora d’água, o mais importante é estar sempre de olho:

— O uso exagerado de celulares pelos pais é um grande problema. Tomar conta de uma criança é uma atividade, não pode ser feita dividindo o olhar com outra coisa. Se não tiver atenção, o responsável só vai notar o problema quando escutar o choro da criança, e às vezes pode ser tarde demais.

Especialistas falam como evitar os acidentes mais comuns e a infecção pelo novo coronavírus
Sara Meirinho com seu marido, Bruno Peres, e o filho do casal, Théo, de cinco anos, esperam um voo num aeroporto durante a viagem de férias da família Foto: Acervo pessoal
Sara Meirinho com seu marido, Bruno Peres, e o filho do casal, Théo, de cinco anos, esperam um voo num aeroporto durante a viagem de férias da família Foto: Acervo pessoal

Se toda viagem requer planejamento, aquelas com crianças exigem muito mais atenção. Da escolha do destino aos cuidados nos momentos de diversão, pais e responsáveis precisam considerar uma grande variedade de riscos, sobretudo durante a pandemia. Com as férias escolares de julho ainda em meio à ameaça da Covid-19, é hora de revisar este check-list.

Dar preferência a destinos que ofereçam atrativos ao ar livre, com pouca aglomeração e que sejam perto de casa, e, claro, não dar férias às máscaras e ao álcool gel, são os conselhos mais comuns de pediatras para quem deseja viajar com os filhos neste momento em que o contágio do novo coronavírus permanece alto.

— Enquanto a nossa cobertura vacinal estiver baixa, temos que continuar mantendo os mesmos cuidados dos últimos meses — diz a gerente médica do Centro Brasileiro de Medicina do Viajante (CBMEVi) Flávia Bravo, que também é pediatra. — Apesar de, percentualmente, não ficarem tão doentes como pessoas de outras faixas etárias, crianças podem sim ter Covid-19 e, em geral, pegam dos adultos. Por isso, é fundamental observar se quem está ao redor delas respeita os cuidados básicos.

Pensando em evitar grandes aglomerações, a consultora de viagens Sara Meirinho e o engenheiro de telecomunicações Bruno Peres escolheram percorrer, em maio, a Rota das Emoções, entre Maranhão, Piauí e Ceará. Théo, o filho de 5 anos do casal, foi junto. Sempre de máscara.

— Antes da viagem, conversamos muito com ele sobre a importância de usar a máscara. Ele entendeu bem, até porque já está há mais de um ano com esse hábito. No avião, usou direitinho a máscara descartável por baixo da de tecido — conta Sara. — Durante a viagem, demos preferência, quando possível, a hotéis espaçosos e com poucos quartos e a passeios privativos.

A consultora de turismo Sara Meirinho e seu filho, Théo, de cinco anos, em São Luís do Maranhão, durante viagem da família à Rota das Emoções, entre Maranhão, Piauí e Ceará Foto: Acervo pessoal
A consultora de turismo Sara Meirinho e seu filho, Théo, de cinco anos, em São Luís do Maranhão, durante viagem da família à Rota das Emoções, entre Maranhão, Piauí e Ceará Foto: Acervo pessoal

Atenção ao álcool em gel

Nas viagens que a advogada Diana Magalhães fez com seu filho, Arthur, a preocupação maior era evitar que o menino, agora com 1 ano e 11 meses, levasse as mãos à boca e aos olhos. Como o pequeno ainda não usa máscara, a solução era caprichar no álcool gel sempre que ele driblasse a vigilância dos adultos. Juntos, eles já viajaram tanto para destinos distantes, como Mato Grosso do Sul e Bahia, quanto para o interior do Estado do Rio.

— Nos sentimos mais seguros no avião do que no aeroporto, até porque ele está na idade de querer correr o tempo todo, e segurar no saguão era difícil — lembra.

O álcool gel é um grande aliado, claro. Mas ele também deve ser mantido longe das crianças, como orienta o presidente do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria, Marco Antônio Chaves Gama.

— O álcool 70% em gel e, principalmente, em líquido podem causar irritação na pele e nos olhos e aumentar o risco de queimadura. Basta uma simples fagulha, um curto num celular que esteja carregando perto, para isso acontecer — alerta.

Queimadura e intoxicação, aliás, estão entre as causas que mais levam crianças a serem hospitalizadas. Quedas, como a que sofreu um menino de 6 anos em 25 de junho no parque Beto Carrero World, que resultou num traumatismo craniano, também são uma ameaça.

— Em torno de 40% dos acidentes ocorrem nos períodos de férias, por conta dos momentos mais livres e sem supervisão atenta de um adulto — explica Erika Tonelli, coordenadora do Instituto Bem Cuidar, parte da ONG Aldeias Infantis SOS, voltada para cuidados com crianças e adolescentes.

Operação 'pente fino'

Segundo Erika, trânsito, afogamento e queimaduras estão entre as principais causas de acidentes neste período. Mas, com as crianças passando mais tempo em casa por conta da pandemia, podem ocorrer também intoxicação, sufocação e quedas domésticas. Para diminuir a chance de algo assim acontecer, ela orienta os pais a fazerem um “pente fino” no ambiente, seja um parque, um hotel ou uma casa alugada:

— Observe se as janelas e sacadas possuem redes ou grades de proteção. Caso contrário, certifique-se de que elas possam ser trancadas ou avalie uma forma de impedir o acesso das crianças a esses locais. Atente-se também ao acesso aos fogões, aquecedores e lareiras, instalações elétricas, piscinas, tanques e baldes.

Para piscinas, o pediatra Chaves Gama orienta o uso de coletes, em vez de boias de braço ou de cintura, que garantem menos estabilidade às crianças. E que os pais nunca estejam a mais “de um braço” de distância dos pequenos. Mas dentro ou fora d’água, o mais importante é estar sempre de olho:

— O uso exagerado de celulares pelos pais é um grande problema. Tomar conta de uma criança é uma atividade, não pode ser feita dividindo o olhar com outra coisa. Se não tiver atenção, o responsável só vai notar o problema quando escutar o choro da criança, e às vezes pode ser tarde demais.

_______________ * A eleição foi limpa, nós perdemos porque faltou voto', diz vice de Aécio após fala sem provas de Bolsonaro

Aécio afirma não acreditar em fraude em 2014 e defende deixar para depois discussão de voto impresso

Brasília

Candidato a vice na chapa de Aécio Neves (PSDB) na eleição presidencial de 2014, o ex-senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) rebate as suspeitas levantadas pelo presidente Jair Bolsonaro sobre aquela disputa e diz que os tucanos não foram derrotados por fraude.

"A eleição foi limpa, nós perdemos porque faltou voto", afirma Nunes Ferreira à Folha.

Na quarta-feira (7), Bolsonaro disse ter um levantamento "feito por gente que entende do assunto" que apontaria a vitória do candidato do PSDB naquela eleição. "O Aécio foi eleito em 2014", declarou, sem apresentar provas, em entrevista à Rádio Guaíba.

Naquele disputa, Dilma Rousseff (PT) foi reeleita com 52% dos votos, ante 48% do tucano Aécio, com vantagem de cerca de 3,5 milhões de votos.

Derrotado pela chapa encabeçada por Dilma, o candidato tucano a vice-presidente rejeita essa afirmação. "É evidente que ele não tem prova nenhuma, porque não houve fraude", diz Nunes Ferreira.

Tucanos que participaram daquela disputa descartam essas suspeitas. Eles atribuem a derrota a um desempenho abaixo do esperado em estados como Minas Gerais, reduto eleitoral de Aécio.

O próprio candidato do PSDB reconheceu a derrota no domingo em que foi realizado o segundo turno. Ele telefonou para Dilma e cumprimentou a presidente reeleita pela vitória. Embora os tucanos tenham pedido uma auditoria nas urnas eletrônicas após aquela eleição, eles não questionam o resultado da votação.

Aécio não quis comentar as declarações de Bolsonaro e declarou apenas que não acreditava na hipótese de fraude na eleição de 2014.

À Folha ele afirmou também que a discussão sobre a confiabilidade da urna eletrônica e a possível adoção do voto impresso, defendida pelo presidente, ficou "contaminada pelo radicalismo dos discursos".

"Eu não acredito em fraude e tampouco que as urnas de primeira geração devam ser tratadas como cláusulas pétreas e que não possam evoluir", declara.

O deputado tucano integra a comissão especial da Câmara que discute a proposta para implementar a impressão do voto na urna eletrônica.

Aécio defende a criação de "algum nível de auditagem" nesse sistema de votação, mas diz agora que essa discussão deve ficar para depois das próximas eleições.

"Eu não acredito que devamos ficar presos eternamente às urnas de primeira geração. Mas é melhor deixarmos para voltar a esse debate depois de 2022."

Após a eleição de 2014, o PSDB pediu uma auditoria nas urnas eletrônicas. Segundo Aloysio Nunes Ferreira, "não houve alegação de fraude" naquela ocasião.

"Havia uma grande polêmica sobre a segurança da urna, geralmente alimentada por segmentos da direita. Mas o que a direção do partido decidiu foi pedir uma auditoria, não uma recontagem de votos. A vitória da Dilma foi reconhecida publicamente pelo Aécio", afirma o candidato a vice em 2014.

Ao fim daquele processo, o PSDB declarou que as urnas eletrônicas eram "inauditáveis", uma vez que não foi possível ter acesso a todos os níveis de criptografia das máquinas.

"A conclusão foi que não se pode dizer que houve ou não houve fraude", afirmou o advogado Flávio Pereira, um dos representantes do PSDB naquela auditoria.

Ele diz que “um contingente expressivo da sociedade” demonstrava dúvidas sobre o sistema de votação e que "era preciso dar uma resposta para legitimar o processo eleitoral". Esse, segundo ele, foi o objetivo da auditoria.

"O maior propósito era trazer uma legitimidade para o processo. O passado estava resolvido, mas nós precisávamos legitimar para o futuro. E houve um aperfeiçoamento do sistema", declara.

Bolsonaro levantou suspeitas de fraude eleitoral diversas vezes, incluindo a disputa que ele venceu, em 2018. Ele já declarou que se recusará a passar a faixa presidencial para um adversário que vença as eleições caso ele considere que há irregularidades no processo.

O presidente, no entanto, nunca apresentou indícios que reforcem suas suspeitas.

No final de junho, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão, deu 15 dias para que Bolsonaro apresente as provas que diz ter sobre uma suposta fraude no sistema eletrônico de votação.

O magistrado, que integra o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), editou uma portaria para estabelecer que todas as autoridades que relatem inconformidades no processo eleitoral ficam obrigadas a apresentar elementos nesse período.

Diferentemente do que Bolsonaro tem difundido, o coordenador jurídico nacional de sua campanha presidencial em 2018, Tiago Ayres, defendeu em entrevista à Folha a confiabilidade e a segurança das urnas eletrônicas.

O advogado eleitoral também é favorável à implantação de um sistema de impressão do comprovante do voto dado na urna eletrônica, mas com um argumento bem distinto do que prega Bolsonaro.

"Todas as eleições realizadas até hoje tiveram resultados fiéis à vontade popular", disse Ayres, para quem o mecanismo de impressão do comprovante servirá tão somente como reforço à segurança "do já louvável" sistema.

Alguns dispositivos de segurança das urnas eletrônicas

  • Dispositivos de segurança
  • Uso de criptografia
  • Código certifica que o sistema da urna é o gerado pelo TSE e não foi modificado
  • Somente o sistema do TSE pode funcionar na urna
  • O sistema da urna fica disponível para consulta pública por seis meses
  • Em Testes Públicos de Segurança, especialistas tentam hackear o equipamento e apresentam as falhas encontradas para o TSE corrigir
  • Urnas selecionadas por sorteio são retiradas do local de votação e participam de uma votação paralela, para fins de validação
  • Sistema biométrico ajuda a confirmar identidade do eleitor
  • “Log”, espécie de caixa-preta, registra tudo o que acontece na urna
  • Impressão da zerésima e boletim de urna
  • Processo não é conectado à internet
  • Lacres são colocados na urna para impedir que dispositivos externos (como um pendrive) sejam inseridos

O que Bolsonaro já disse sobre urnas eletrônicas

  • ‘PERDER NA FRAUDE’

Em live, em setembro de 2018, quando se recuperava de facada

“A grande preocupação realmente não é perder no voto [a eleição presidencial], é perder na fraude. Então, essa possibilidade de fraude no segundo turno, talvez até no primeiro, é concreta.”

  • ‘NÃO POR VOTO’

Em live, em outubro de 2018, antes do segundo turno das eleições

“Isso só pode acontecer por fraude, não por voto, estou convencido.”

  • ‘VOTO IMPRESSO É SINAL DE CLAREZA’

Em novembro de 2019, após Evo Morales renunciar à Presidência da Bolívia

“Denúncias de fraudes nas eleições culminaram na renúncia do Presidente Evo Morales. A lição que fica para nós é a necessidade, em nome da democracia e transparência, contagem de votos que possam ser auditados. O VOTO IMPRESSO é sinal de clareza para o Brasil!”, escreveu nas redes sociais.

  • ‘A DIFERENÇA FOI MUITO MAIOR’

Em live, em novembro de 2019, comentando a renuncia de Morales

"Todo mundo dizia que eu tinha tudo para ganhar as eleições na reta final. Eu tinha certeza disso e teve no final 55% para mim e 45% para o outro candidato. Muita gente achou que a diferença foi muito maior. Como um lado ganhou, e nas ruas todo mundo tinha essa convicção de que eu ia ganhar, não houve problema. Mas imagina se o outro lado ganha as eleições, como é que a gente ia auditar esses votos? Não tinha como auditar.”

  • SUPOSTAS PROVAS

Durante evento em Miami, em março de 2020

“Pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente [até hoje o presidente não apresentou o material], eu fui eleito no primeiro turno, mas, no meu entender, teve fraude. E nós temos não apenas palavra, temos comprovado, brevemente quero mostrar, porque precisamos aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos. Caso contrário, passível de manipulação e de fraudes (...).”

“A minha eleição em 2018 só entendo que fui eleito porque tive muito, mas muito voto. Tinha reclamações que o cara queria votar no 17 e não conseguia. Vão querer que eu prove. É sempre assim. O cara botava um pingo de cola na tecla 7, um tipo de adulteração.”

“Tenho minhas fontes [que dizem] que realmente teve muita fraude lá. Isso ninguém discute. Se foi suficiente para definir um ou outro, eu não sei.”

  • ‘É NO PAPELZINHO’

Em conversa com apoiadores, em dezembro de 2020, dá informação falsa sobre as eleições para Presidência da Câmara dos Deputados, que adota sistema eletrônico desde 2007

"O que é comum na Câmara, não sei como está agora. As eleições na Mesa [Diretora], para presidente, é no papelzinho. Não sei como vai ser esta agora."

  • PIOR QUE OS EUA

Nesta quinta (7), ao comentar invasão do Congresso americano

“Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos.”

“Lá [EUA], o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente lá que votou três, quatro vezes, mortos que votaram. Foi uma festa lá. Ninguém pode negar isso daí.”

_______________ * Nunca houve fraude comprovada nas eleições com urna eletrônica no Brasil

Juliana Arreguy

Do UOL, em São Paulo

08/07/2021 15h48

Atualizada em 08/07/2021 17h01

Nunca houve fraude comprovada nas eleições brasileiras desde a adoção das urnas eletrônicas, ao contrário do que voltou a insinuar hoje, sem base em qualquer prova ou indício, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em declarações publicadas no YouTube pelo canal Foco do Brasil, Bolsonaro disse a apoiadores em Brasília que se as eleições de 2022 não forem "limpas", elas não acontecerão. A fala do presidente foi em resposta a uma pessoa não identificada que afirmou: "Se não tiver roubo nas urnas, a maioria está com o senhor." Pesquisas de intenção de voto recentes têm mostrado Bolsonaro atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na preferência do eleitorado.

Voto impresso: TSE aponta risco de fraude; senadores falam em 'insegurança'

O presidente defende a implementação do voto impresso — ou seja, da impressão de um comprovante do voto nas urnas eletrônicas — e costuma colocar em dúvida a lisura das eleições no Brasil caso não haja a mudança de sistema. No entanto, as suspeitas são infundadas. Até hoje, nunca houve qualquer prova ou mesmo denúncia relevante de fraude nas urnas eletrônicas.

Como mostrou reportagem do UOL publicada em junho, o histórico de votações desde a adoção da urna eletrônica —usada parcialmente em 1996 e 1998, e integralmente a partir de 2000— mostra que o sistema é confiável.

A constatação não é apenas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que organiza as eleições, mas também de investigações do MPE (Ministério Público Eleitoral) e de estudos matemáticos e estatísticos independentes. Mesmo especialistas em segurança que defendem a adoção do voto impresso e o aprimoramento do voto eletrônico reconheceram ao UOL que ataques bem-sucedidos às urnas brasileiras são improváveis e dependeriam de uma combinação muito específica de fatores para ocorrerem.

Histórico de contestações sem provas

Além de levantar suspeitas infundadas sobre supostas fraudes no futuro, o presidente também alega há mais de um ano, sem apresentar qualquer prova ou indício, que as eleições de 2018 foram fraudadas. O próprio governo federal já admitiu que não possui provas das acusações feitas pelo presidente.

Em setembro daquele ano, antes mesmo do pleito que o elegeu, Bolsonaro disse — sem mostrar nenhuma prova — que existia um programa capaz de inserir votos a favor do PT, partido do candidato rival Fernando Haddad. O TSE determinou que o vídeo fosse retirado do ar.

No mês passado, Bolsonaro também contestou o resultado da eleição presidencial de 2014 e afirmou que o candidato do PSDB, o hoje deputado federal Aécio Neves, teria sido eleito em vez de Dilma Rousseff (PT). O tucano questionou o resultado da disputa na época, mas uma auditoria feita pelo próprio PSDB constatou que não houve fraude.

Aécio disse hoje ao UOL não acreditar que tenha havido fraude em 2014, mas defendeu a modernização do sistema eleitoral.

Em entrevista à Folha publicada hoje, o então candidato a vice na chapa com Aécio, Aloysio Nunes Ferreira, rebateu as suspeitas levantadas por Bolsonaro e afirmou: "A eleição foi limpa, nós perdemos porque faltou voto".

Em entrevista à BBC Brasil, o cientista político do Insper Carlos Melo avaliou as declarações de Bolsonaro como uma forma de contestar o resultado das eleições de forma antecipada. As falas do chefe do Executivo brasileiro seguem a cartilha do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que colocou a eleição norte-americana de 2020 em suspeição antes mesmo de ela acontecer.

Voto impresso e pesquisas eleitorais

A insistência de Bolsonaro em levantar suspeitas infundadas de fraude eleitoral ocorre no momento em que o presidente aparece atrás de Lula em pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos três meses: Datafolha, em maio; Ipec, em junho; e CNT/MDA e PoderData/Band, em julho. Na semana passada, o presidente disse — mais uma vez sem provas — que uma eleição sem voto impresso favoreceria o petista.

Em paralelo, a Câmara discute uma PEC (Projeto de Emenda à Constituição), que torna o voto impresso obrigatório. O projeto é da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), aliada do presidente.

Políticos bolsonaristas pleiteiam a adoção integral do sistema já para 2022. Para eles, só o registro do voto em papel garantiria a auditoria da eleição.

Em junho, o TSE afirmou ao UOL que o voto no Brasil é auditável antes, durante e depois das eleições:

  • Antes: "os sistemas da urna eletrônica são devidamente assinados e lacrados com a participação de todos os interessados"
  • Durante: "dezenas de urnas são sorteadas em todos os estados para um teste de integridade no dia da votação"
  • Depois: "é possível conferir os boletins impressos pelas urnas ao final da votação com a totalização divulgada pelo TSE". Nessa última etapa, disse o tribunal, qualquer cidadão pode fazer a própria conferência.

Críticos do voto impresso alegam que a mudança pode impor dificuldades a pessoas com deficiência visual e analfabetos, além de colocar em risco o sigilo do voto. Outra questão apontada é a possibilidade de falha na impressão, como o travamento do papel.

As falhas nas impressoras ocorreram em um teste feito em 2002 pelo TSE no Distrito Federal e em 150 pequenas cidades. A adoção do voto impresso foi considerada mal-sucedida pelos técnicos do tribunal na ocasião, tanto pelo problema com as impressões, como pela quantidade de filas provocadas durante a votação.

Mesmo que a medida seja aprovada pelo Congresso este ano, tanto o TSE como especialistas consultados pelo UOL consideram inviável que o modelo seja adotado integralmente a tempo das próximas eleições. O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, alega que a compra de impressoras terá um custo elevado (R$ 2 bilhões) e exige uma licitação complexa.

"A introdução do voto impresso seria uma solução desnecessária para um problema que não existe, com um aumento relevante de riscos", afirmou Barroso no mês passado.

_______________ * Leonardo Sakamoto - Com ameaça de golpe eleitoral, Bolsonaro esconde rachadinha e corrupção

Colunista do UOL

08/07/2021 16h40

Acuado por gravações, reveladas pelo UOL, que indicam que embolsou salários de servidores de seu gabinete quando deputado federal e pelas denúncias de corrupção envolvendo seu governo no processo de compra de vacinas contra covid-19, Bolsonaro ameaçou novamente os brasileiros, nesta quinta (8), com um golpe de Estado no ano que vem. Tá ficando chato de tão repetitivo.

A tática é uma junção do útil com o agradável - para ele, claro. Mistura uma cortina de fumaça manjadérrima com a ameaça de derrubar a democracia no ano que vem, tendo sucesso naquilo que Donald Trump falhou ao tentar reverter a derrota eleitoral no grito. A cada surto autoritário, Jair aumenta um pouco a bizarrice para causar espanto. Agora, ele diz que as eleições podem nem acontecer.

Afirmou aos seus seguidores em frente ao Palácio do Alvorada que "ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições". Parte de uma premissa mentirosa (que as eleições não são limpas no Brasil porque não há voto impresso) e coloca em risco o processo de escolha do próximo presidente. A possibilidade de alternância de poder é um dos pilares da democracia, não que ele se importe com isso.

Em suma, para Bolsonaro, eleições limpas são as que ele ganha.

A nova ameaça vem no momento em que as denúncias já pesam sobre sua imagem. Pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta (8), aponta que ele atingiu a maior reprovação desde o início do mandato: 51%. A aprovação continua no mínimo histórico, 24%.

Jair passou quase três décadas sendo reeleito como um parlamentar come-xinga-dorme-xinga, sem ter aprovado um projeto de lei relevante. Enquanto era reconduzido a cada quatro anos à possibilidade de coletar rachadinhas, não questionou a lisura das eleições para deputado federal no Rio de Janeiro.

Parece a criança mimada que sempre ganhou os jogos que disputou e quando percebe que há uma chance de perder, diz, de antemão, que o resultado será roubado se não for do jeito dele. Quando a gente jogava disputadas peladas ou partidas de taco na rua de terra ao lado da casa onde cresci, meninos de nove anos tinham muito mais dignidade que isso.

Bolsonaro despejou esse chorume durante a eleição de 2018 de forma preventiva. Desde então, tem dito que a venceu no primeiro turno. "Pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu fui eleito no primeiro turno mas, no meu entender, teve fraude", afirmou em março de 2020. Nunca mostrou nada. Pior, diz que quem tem que apresentar provas de que a eleição não foi roubada é o Tribunal Superior Eleitoral.

O equivalente a acusar alguém de ladrão e cobrar da pessoa a prova de que é honesta.

Os sucessivos ataques à urna eletrônica querem preparar terreno para uma derrota em 2022, excitando seus seguidores civis mais fiéis e deixando suas tropas de policiais simpatizantes de prontidão. A impressão do voto, para ele, tem o objetivo de criar mais uma forma de questionar a eleição, não de melhorar a sua segurança.

Ao mesmo tempo, como já dito, usa o bafafá para afastar as denúncias de peculato, corrupção e prevaricação que abundam sobre ele e aliados.

A repetição dessas ameaças já causa impactos na sociedade. A maioria da população (55,4%) acredita que os candidatos derrotados à Presidência da República, na eleição do ano que vem, não aceitarão o resultado, segundo pesquisa CNT/MDA, divulgada na segunda (5). Claro que o único pré-candidato que tem indicado sistematicamente que não aceitará nada que não seja a sua própria eleição é o próprio Bolsonaro. É ele o sujeito oculto da pesquisa.

Em 1º de julho, o presidente havia prometido não entregar o cargo se perder com eleições fraudadas. Contudo, deixou claro que vai considerar fraudada uma eleição em que Lula vencer. "Eu entrego a faixa presidencial a qualquer um que ganhar de mim na urna de forma limpa. Na fraude, não. Para o Brasil, agora: tiraram o Lula da cadeia. Os crimes são inacreditáveis. Tornaram um ladrão elegível. No meu entender, para ser presidente na fraude, porque, no voto, ele não ganha, não ganha de ninguém. Então, não vou admitir um sistema fraudável de eleições", afirmou em sua live semanal.

A mesma pesquisa CNT/MDA aponta que, no primeiro turno, Lula teria 41,3% das intenções de voto, Bolsonaro, 26,5%, Ciro e Moro, 5,9% cada. Na disputa de segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 52,6% a 33,3%, e Ciro ganharia do atual presidente por 43,2% a 33,7%.

Se Bolsonaro gastasse a quantidade de tempo em que passa atuando por sua reeleição (seja ameaçando golpes, seja viajando com nosso dinheiro para fazer campanha pré-eleitoral, seja promovendo carreatas em sua própria homenagem) fazendo algo útil, como o combate à covid-19, milhares de brasileiros não teriam morrido e milhões não teriam perdido o emprego.

Mas aí não seria Bolsonaro, esse moleque mimado que pensa primeiro em si mesmo. O pequeno Jair deve estar morrendo de medo do que vai acontecer se ele amanhecer em Primeiro de Janeiro de 2023 sem a imunidade presidencial. Pena de quem mora neste país.

_______________ * Reportagem: Thaís Oyama - Nota das Forças serviu para "avisar que dali não passa", diz militar

Bolsonaro com a tropa antiga: agora, mais perto de ter a sua - Reprodução/YouTube
Bolsonaro com a tropa antiga: agora, mais perto de ter a sua Imagem: Reprodução/YouTube
Thaís Oyama

Colunista do UOL

08/07/2021 11h31

A nota assinada ontem pelo ministro da Defesa, e subscrita pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, serviu para "traçar uma linha e avisar que dali não passa", afirmou um militar próximo da nova cúpula das Forças.

O comunicado, que acusa o senador Omar Aziz de agir de forma "vil e leviana" contra as instituições militares, é a primeira manifestação política divulgada em conjunto pelos comandantes que ascenderam depois da crise causada pela demissão do ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva.

Partido de Kassab pode ser fiel da balança na nomeação de Mendonça ao STF

A frase final do texto — "as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro"— repete, em forma e conteúdo, o que disse o presidente nas vezes em que ameaçou colocar o Exército nas ruas a pretexto de "libertar" a população de inexistentes lockdowns decretados por governadores.

Disse Bolsonaro em discurso no Espírito Santo no mês passado: "Tenho as Forças Armadas do meu lado, sou o chefe supremo delas. Jamais elas irão às ruas para mantê-los em casa. Poderão, sim, um dia ir às ruas para garantir a sua liberdade e seu bem maior que é aquilo previsto em nossa Constituição".

O discurso de Bolsonaro foi feito dois meses depois de ele demitir o ministro Azevedo e Silva e trocar todos os comandantes das Forças. Braga Netto, nomeado o novo ministro da Defesa, escolheu o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira para comandar o Exército; o almirante de esquadra Almir Garnier para a Marinha; e o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Júnior para a Aeronáutica. À exceção do brigadeiro, que nunca escondeu sua simpatia pelo bolsonarismo, a posição dos demais restava uma incógnita.

A nota de ontem deixa mais claro a que vieram também os outros dois comandantes. Bolsonaro está mais próximo de ter "o seu" exército.

_______________ * Análise: Crise entre militares e CPI expõe tigre de papel criado por Bolsonaro

Sem apoio para aventuras, presidente usa insatisfação da caserna como nova ameaça

São Paulo

O protagonista foi próprio senador amazonense, que externou o que todo o mundo político comenta: a presença ostensiva de figuras militares nos rolos que vêm sendo descobertos nas entranhas do Ministério da Saúde.

Braga Netto faz pronunciamento na apresentação dos três novos comandantes de Força, a seu lado
Braga Netto faz pronunciamento na apresentação dos três novos comandantes de Força, a seu lado - Sergio Lima - 31.mar.2021/AFP

Para ficar numa analogia bélica, a reação foi desproporcional. O presidente Jair Bolsonaro incitou o ministro Walter Braga Netto (Defesa) a formular uma nota incendiária, que só falta sugerir que o Senado precisa se curvar aos desígnios da caserna.

Pior, na avaliação de alguns oficiais-generais, ele trouxe no texto a assinatura dos três comandantes de Forças, recém-alçados ao posto após a crise que derrubou o antecessor do general Braga Netto, Fernando Azevedo, e toda a cúpula militar em abril.

Isso ocorreu em alguns momentos agudos da crise no ano passado, mas com tom mais sereno típico do também general Azevedo.

Não que a fala de Aziz tenha sido relevada: mais de um desses oficiais considera inadmissível que as Forças Armadas sejam vilipendiadas, nas palavras deles, por causa da eventual transgressão de cinco oficiais da reserva —sob o comando, aí o tom de voz fica mais comedido, de um general da ativa, Eduardo Pazuello, então ministro.

Bolsonaro manipulou tal sentimento. Aziz, por sua vez, então explicou tardiamente que não falava do estamento militar como um todo, mas respondeu à altura ao dizer que não se intimidaria nem com 50 notas.

Tendo humilhado o Comando do Exército quando impediu a punição a Pazuello por ter ido ilegalmente a um ato político com ele, Bolsonaro fez valer sua repetida asseveração de controle dos fardados —logo ele, que saiu pelas portas dos fundos da Força.

A nota diz que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro".

O problema é óbvio para elas: não aceitarão como? Vão sitiar o Senado e infiltrar Forças Especiais, talvez lideradas pelos colegas de curso de Pazuello, para prender Aziz?

Considerando que os Altos-Comando do Exército e da Aeronáutica, além do Almirantado, têm se colocado contra as insinuações de aventuras autoritárias de Bolsonaro, a impressão que fica é de que seus comandantes estão passando recibo por meia dúzia de suspeitos —e aí cada um entende o que quiser.

O nervo exposto é a conhecida reversão do processo de atuação política dos fardados. O roteiro é conhecido: empoderados no governo Michel Temer e no episódio do habeas corpus de Lula, os militares embarcaram na candidatura Bolsonaro e foram fiadores da montagem de seu governo.

Só que, como apontou o próprio Temer, que nega ter disparado o processo, uma coisa é ter alguns militares em pontos afeitos às suas funções, outra é inundar a Esplanada com fardas e ocupar a Saúde com pessoas alheias à pasta em meio a uma pandemia.

Assim, além do vaivém como bucha de canhão retórica de Bolsonaro contra o mundo, as Forças acabaram se vendo escrutinadas administrativamente —logo elas, que sempre se orgulharam da imagem de profissionalismo. Daí para a associação com corrupção, conhecendo a máquina pública brasileira, é um pulo.

Fardados são atores políticos no Brasil desde a Questão Militar, pelo menos, no Império. A República nasceu sob espadas, e temos todo o século 20 para pontuar a questão. O caminho da profissionalização deveria ser o único para estabelecer o papel moderno das Forças.

Há setores militares francamente incomodados com o rumo que a associação com Bolsonaro tomou, ainda que sejam poucos os que façam mea culpa explícito. O argumento do "o PT não poderia voltar" ainda é sacado com frequência, o que leva à questão sobre o que acontecerá se Lula for eleito em 2022.

A própria CPI é vista, nos altos escalões, como um instrumento do jogo político, que visa ao fim estabelecer a igualdade de condições entre Bolsonaro, Lula e quem mais aparecer: todos seriam corruptos.

Até aí, avaliação política é livre —e o fato de o governo estar tentando se livrar dos acusados no episódio das vacinas mostra a dimensão de risco percebida, já aferida de resto na caracterização do presidente como um corrupto nos protestos recentes.

Mas há modos e modos de protestar institucionalmente. Ao aceitar o padrão Bolsonaro de rugido, os militares acabam sendo expostos como tigres de papel, exceto que desejem violar a Constituição.

_______________ * Análise: Entendendo Bolsonaro - Militares sinalizam que Bolsonaro sai do poder apenas se quiser

O almirante Almir Ganier, o ministro Braga Neto, o general Paulo Sérgio Nogueira e o brigadeiro Baptista Júnior - Alexandre Manfrim / Ministério da Defesa
O almirante Almir Ganier, o ministro Braga Neto, o general Paulo Sérgio Nogueira e o brigadeiro Baptista Júnior Imagem: Alexandre Manfrim / Ministério da Defesa

Entendendo Bolsonaro

Colunista do UOL

08/07/2021 12h35

* Vinícius Rodrigues Vieira

A divulgação da nota de repúdio das Forças Armadas contra o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), entrará para a história como o momento em que o novo autoritarismo atravessou o Rubicão dos pudores políticos para golpear de vez a democracia.

Belchior é despido pela poesia de Ana Cañas e Maria Casadevall

Que os fardados já tinham se tornado os senhores da República sob o atual governo era evidente. No entanto, apenas nesta quarta-feira (8) ficou claro que os comandantes militares estão dispostos a tudo para manter Jair Bolsonaro na presidência.

Isso porque a CPI já demonstrou ter arsenal suficiente para atingir o coração do Planalto. Ao intimidar Aziz e distorcer suas críticas pontuais a maus militares, os comandantes não apenas sinalizam que se pretendem intocáveis, imunes a investigações e, portanto, ao império da lei. Eles indicam que o próprio governo Bolsonaro é intocável. Qualquer acusação de corrupção contra a atual administração seria golpismo, coisa de comunista.

Você não leu errado, caro leitor, cara leitora. Depois de 30 anos da dissolução da União Soviética, nossos militares ainda operam com a mentalidade da Guerra Fria. Causa espécie ler no Correio Brazileinse reportagem que relata o temor de militares ao verem imagens dos protestos contra Bolsonaro, associando-os a um suposto perigo comunista. Cuba e Coreia do Norte não fazem sequer cócegas em nós. A China dita comunista não representa tal doutrina senão um exemplo bem-sucedido de Capitalismo de Estado sob estrito autoritarismo.

Portanto, se há um espectro autoritário rondando o Brasil há anos, não é um fantasma de esquerda. Trata-se, sem dúvida, do espírito de porco do fascismo, encarnado no desrespeito a minorias e na deferência a um Estado-forte a serviço de corporações como militares e juízes, nos subsídios a grupos econômicos escolhidos a dedo em troca de apoio político.

O brasileiro médio é demasiadamente conservador para aceitar uma suposta ditadura comunista, mas suficientemente estatista para acolher um regime autoritário com traços de extrema-direita. Foi assim com o Estado Novo e com a Ditadura Militar.

Será assim com o bolsonarismo? Tudo indica que sim, pois, se os comandantes militares ousam intimidar um representante do povo e ficam impunes, o que não farão no dia em que Bolsonaro agarrar-se-á à cadeira presidencial sob o argumento de que as eleições de 2022 terão sido fraudadas? Na prática, as Forças Armadas não estão divididas, mas convergem para um autoritarismo de direita -- como já argumentei neste espaço, um bolsochavismo.

Até ontem, eu acreditava que os militares atuariam apenas como fiadores de qualquer um que possa ser eleito em 2022 -- Lula inclusive. Este, assim como qualquer eventual inquilino do Planalto nos anos vindouros, terá de se sujeitar à tutela dos fardados ou encarar uma constante instabilidade institucional. Depois da nota de quarta-feira, tenho certeza de que não apenas os militares, mas seu consórcio com o bolsonarismo, vieram para ficar com muito leite condensado, picanha e pensões para a prole.

Por falar em prole, melhor eu parar por aqui porque tenho família. Não ambiciono ser alvo de um inquérito por ofender a honra das Forças Armadas -- se bem que não há honra a ser ofendida quando já se está despido dela.

* Vinícius Rodrigues Vieira é doutor em Relações Internacionais por Oxford e professor na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e na FGV

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