____________________ * Governador gaúcho Eduardo Leite assume sua orientação sexual: “eu sou gay” (vídeo) ____________________ * COMO vacinação em MASSA DESDE JANEIRO teria mudado RUMO da PANDEMIA no BRASIL
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____________________ * Milhares no Brasil tomaram vacina vencida contra Covid; veja se você é um deles
____________________ * Governador gaúcho Eduardo Leite assume sua orientação sexual: “eu sou gay” (vídeo)
____________________ * Bolsonaro volta a AMEAÇAR_ELEIÇÕES: "entrego a faixa presidencial a qualquer um que ganhar de forma LIMPA. Na FRAUDE, não"
____________________ * STF encaminha à PGR pedido de investigação CONTRA BOLSONARO em caso de PROPINA na compra de VACINAS
____________________ * STF abre investigação sobre QUADRILHA que propaga FAKE NEWS e que conta com FLÁVIO e CARLOS Bolsonaro
____________________ * "NÃO será uma conversa BANAL", alerta Glauber Braga sobre encontro de CHEFE da CIA com governo Bolsonaro
____________________ * Bolsonaro distorce dados de emprego e repete suspeitas sem base sobre urnas
____________________ * Bolsonaro xinga ex-aliados pró-impeachment e diz que conta com o Congresso
____________________ * Bolsonaro ataca Moraes e STF e fala em 'retaliação' contra Flávio e Carlos
____________________ * Leonardo Sakamoto - Para DESPISTAR corrupção em vacinas, Bolsonaro AMEAÇA com GOLPE eleitoral
____________________ * Leonardo Sakamoto - OMISSÃO de Aras é usada na CPI da Covid para PASSAR PANO em Bolsonaro
____________________ * APÓS reportagem da Folha, STF ANULA CONDENAÇÃO de trabalhador rural PRESO SEM PROVAS há SETE ANOS. ____________________ * Caso se baseava em delação de réu confesso de latrocínio que havia SE_RETRATADO e relatou agressões
____________________ * Covid: COMO vacinação em MASSA desde JANEIRO teria mudado RUMO da PANDEMIA no BRASIL
____________________ * Eduardo Leite é um governador GAY e um GAY governador, NÃO dá pra SEPARAR
____________________ * Wyllys: mídia comercial festeja Eduardo Leite gay, mas NÃO questiona seu apoio a um HOMOFÓBICO e esconde FÁTIMA_BEZERRA lésbica
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____________________ * Governador gaúcho Eduardo Leite assume sua orientação sexual: “eu sou gay” (vídeo)

Agenda do Poder - O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), falou de sua orientação sexual em entrevista gravada na tarde desta quinta-feira (1º), ao programa Conversa com Bial, da TV Globo. A entrevista será veiculada na madrugada desta sexta (2).
"Eu sou gay. E sou um governador gay, e não um gay governador, tanto quanto Obama nos Estados Unidos não foi um negro presidente, foi um presidente negro. E tenho orgulho disso."
Leite disse que não tem "nada a esconder" e que se orgulha de sua sexualidade.
"Agora, como a minha participação nessa política nacional, nesse debate nacional começa a despertar talvez maiores ataques por conta de adversários, alguns vêm com piadas, ilações, como se eu tivesse algo a esconder. Pois bem, que fique claro, não tenho nada a esconder. Tenho orgulho dessa integridade de poder aqui dizer também sobre a minha orientação sexual, quem eu sou, embora devêssemos viver num país em que isso fosse uma não-questão, mas, se é, está aqui claro", disse.
Assista a um trecho da fala de Eduardo Leite:
____________________ * Bolsonaro volta a ameaçar eleições: "entrego a faixa presidencial a qualquer um que ganhar de forma limpa. Na fraude, não"

247 - Em transmissão pelas redes sociais nesta quinta-feira (1), Jair Bolsonaro voltou a falar em voto impresso para a próxima eleição e fez uma de suas ameaças mais claras à democracia brasileira: "eu entrego a faixa presidencial a qualquer um que ganhar de forma limpa. Na fraude, não".
Bolsonaro vem tentando implantar a narrativa de que o sistema eleitoral brasileiro sofre com fraudes e que somente o voto impresso pode garantir a lisura do pleito.
Ele voltou a repetir a frase de que "teremos problemas" caso a próxima eleição seja realizada por meio das urnas eletrônicas - auditáveis e seguras. "Não vou admitir um sistema fraudável. Eu não quero problemas. Não podemos aceitar as eleições do ano que vem com essa urna que está aí. Isso não é ameaça. É constatação. O povo não vai admitir".
'CPI de hoje foi bonita'
Na mesma live, Bolsonaro descreveu a sessão da CPI desta quinta-feira (1), para a qual depôs o cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominghetti, como “bonita”. “Quero ver o que os jornais de amanhã vão dizer sobre a CPI de hoje... a CPI de hoje foi bonita hein”, disse em live semanal que transmite nas redes sociais.
____________________ * STF encaminha à PGR pedido de investigação contra Bolsonaro em caso de propina na compra de vacinas

Por Ricardo Brito e Pedro Fonseca (Reuters) - A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber encaminhou para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação apresentado pela deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) contra o presidente Jair Bolsonaro por suspeita de prevaricação no âmbito de supostas irregularidades na negociação de vacinas contra a Covid-19 pelo Ministério da Saúde.
No pedido enviado ao STF, a deputada solicitou que a PGR fosse acionada para investigar indícios de corrupção, associação criminosa, advocacia administrativa e prevaricação, citando denúncia feita pelo policial militar Luiz Paulo Dominguetti --representante da Davati Medical Supply-- de que teria recebido pedido de propina de 1 dólar por dose de vacina de um servidor do Ministério da Saúde.
Segundo Dominguetti, o pedido de propina em negociação pela vacina da AstraZeneca foi feito pelo então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias -- que também é alvo do pedido de investigação apresentado pela parlamentar ao Supremo. Dias foi demitido pela pasta após a revelação da denúncia. Ele nega ter cometido irregularidades.
A AstraZeneca negou ter qualquer intermediário para venda de vacinas, lembrando que fechou contrato com o Brasil diretamente com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Se considerar que há elementos, a PGR poderá pedir a abertura de inquérito contra Bolsonaro e o ex-diretor do ministério ao Supremo. Posteriormente, se houver elementos, poderá denunciá-los criminalmente.
Além do pedido da deputada Natália Bonavides, três senadores apresentaram esta semana ao STF pedido para que o Ministério Público abra inquérito contra Bolsonaro por suposto crime de prevaricação em caso envolvendo suspeitas de irregularidades na compra da outra vacina, a Covaxin.
____________________ * STF abre investigação sobre quadrilha que propaga fake news e que conta com Flávio e Carlos Bolsonaro

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou nesta quinta-feira (1) a abertura de um novo inquérito com o objetivo de apurar a existência de uma organização criminosa dedicada a propagar notícias falsas pelos meios digitais. A investigação atinge o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), apontados como integrantes do núcleo político desse grupo.
A nova determinação do ministro vem como resposta ao pedido da Procuradoria-Geral da República pelo arquivamento do inquérito dos atos antidemocráticos, acatado então por Moraes. O ministro, na prática, multiplicou as frentes de investigação do inquérito arquivado.
O novo inquérito, segundo o ministro, vai apurar "a presença de fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político absolutamente semelhante àqueles identificados no Inquérito 4.781, com a nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito".
A investigação tem prazo inicial de 90 dias e será conduzida pela equipe da delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro, da Polícia Federal.
____________________ * "Não será uma conversa banal", alerta Glauber Braga sobre encontro de chefe da CIA com governo Bolsonaro

O Estado norte-americano, comprovadamente, já organizou vários golpes de Estado ao redor do mundo. No Brasil, organizou o golpe contra Getúlio Vargas em 1954, o golpe militar de 1964 - que impôs um regime ditatorial por mais de 20 anos - e, recentemente, o golpe de 2016 contra o PT, através da Lava Jato.
Nesta quinta-feira, 1, Burns foi à Brasília se reunir com ministros militares de Bolsonaro. Ele e o embaixador americano em Brasília, Todd Chapman, chegaram ao Palácio do Planalto no meio da tarde desta quinta. Não há na agenda de Bolsonaro qualquer compromisso com o oficial da CIA.
O diretor da CIA passou mais de três décadas no corpo diplomático americano. Ele foi escolhido para comandar a agência pelo presidente dos EUA, Joe Biden.
____________________ * Bolsonaro distorce dados de emprego e repete suspeitas sem base sobre urnas
Juliana Arreguy e Beatriz Montesanti
Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo
01/07/2021 21h12
Atualizada em 01/07/2021 22h20
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) distorceu, em sua live de hoje (1º), dados sobre empregos e voltou a levar suspeitas sem base sobre o uso de urnas eletrônicas, falando em "sistema fraudável".
Bolsonaro manipulou e omitiu dados do Caged (Cadastro Geral de Desempregados e Empregados), uma base de dados do próprio governo, para inflar o desempenho do seu governo em relação ao anterior. E ao insinuar irregularidades no sistema eleitoral, o presidente ignorou que nunca houve prova de fraudes nas eleições brasileiras desde que o voto eletrônico passou a ser utilizado. Bolsonaro é defensor do voto impresso. Veja o que o UOL Confere checou:
Covaxin: pagar quem não está no contrato não é 'normal', como disse senador
Não há fraude comprovada nas urnas eletrônicas no Brasil
Não vou admitir um sistema fraudável de eleições.
Presidente Jair Bolsonaro em live semanal
O histórico de votações desde a adoção da urna eletrônica —usada parcialmente em 1996 e 1998, e integralmente a partir de 2000— aponta que as eleições brasileiras são confiáveis.
Com a urna eletrônica, nunca houve fraude comprovada nas eleições brasileiras, nem denúncias consideradas relevantes. Essa constatação foi feita não apenas por auditorias realizadas pelo TSE, mas também por investigações do MPE (Ministério Público Eleitoral) e por estudos matemáticos e estatísticos independentes. Além disso, há outros elementos hoje no Brasil que reforçam os resultados de eleições, como pesquisas de intenção de voto e de boca de urna.
Ainda que não haja fraude comprovada e que a possibilidade de uma acontecer seja remota, especialistas de segurança defendem considerar a existência de riscos em qualquer sistema.
"Não estou falando que aconteceu fraude, não estou falando que vai acontecer. Mas, como profissional de segurança da informação, eu preciso pensar em cenários em que esse tipo de vulnerabilidade possa ser explorado", diz Diego Aranha, professor de segurança de sistemas no Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Aarhus. "Do ponto de vista científico, dizer que nunca houve fraude não é o suficiente. Há inúmeros sistemas inseguros que nunca foram fraudados."
Resultados de seções eleitorais já ficam disponíveis na internet
O TSE [Tribunal Superior Eleitoral] tem que disponibilizar para todo o Brasil todas as seções eleitorais pormenorizadas."Presidente Jair Bolsonaro em live semanal
Os votos de todas as seções eleitorais são disponibilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) após as eleições de duas formas: na porta de cada seção, com o boletim impresso da urna, e na internet.
Constam do boletim de urna o total de votos dados, por meio daquele aparelho, a cada candidato e partido político, além dos votos brancos, nulos, o número da seção, a identificação da urna e a quantidade de eleitores que votaram naquela seção. O boletim deve ser impresso e fixado na porta da seção eleitoral, para que qualquer pessoa possa ter acesso ao material. Outras cópias do boletim são entregues pelo chefe da seção a pessoas que acompanham a votação no local, como representantes dos partidos políticos e do Ministério Público.
A consulta também é disponibilizada no site do TSE. Neste exemplo, veja que é possível consultar o resultado de cada seção eleitoral para as eleições municipais do ano passado em São Paulo. O mesmo tipo de consulta pode ser feito para qualquer outra cidade brasileira.
Mesmo com verba, voto impresso demanda 'licitação complexa', diz TSE
Já falei com a Economia, temos R$ 2 bilhões, seria isso, um pouco menos, para comprar impressoras para o ano que vem."Presidente Jair Bolsonaro em live semanal
O TSE estima, de fato, que sejam necessários R$ 2 bilhões para adotar o sistema impresso nas urnas eletrônicas. Bolsonaro já declarou publicamente que pediria ao ministro Paulo Guedes (Economia) para liberar a verba. Guedes ainda não se pronunciou publicamente sobre o assunto.
Presidente do TSE, o ministro Luís Roberto Barroso afirmou, ao site da Corte, que a compra das impressoras demanda "o preparo de uma licitação complexa" e que o governo já havia alegado falta de recursos para realizar o censo demográfico e para auxílio do Exército na proteção de indígenas.
Atualmente, o TSE prevê R$ 980,8 milhões para a compra de novas urnas para 2022. Os equipamentos não incluem impressoras e servem para substituir as urnas atuais, consideradas obsoletas pelo tribunal. As impressoras, caso aprovadas, representam um gasto extra para a Corte. O TSE também entende que não haveria tempo hábil para a produção de impressoras a tempo das eleições.
Só mais 2 países têm urna sem comprovante
Então, não podemos enfrentar as eleições do ano que vem com essa urna que tem, que não é aceita em nenhum país do mundo.Presidente Jair Bolsonaro em live semanal
A urna eletrônica sem comprovante de voto impresso, como no Brasil, é adotada também apenas em Bangladesh e no Butão, segundo levantamento da Folha publicado em junho.
Especialistas ouvidos pelo jornal apontaram que o comprovante impresso confere maior confiabilidade ao processo. Hoje, a auditagem das urnas eletrônicas no Brasil só se faz em cima dos registros eletrônicos. No entanto, a maioria rejeitou mudar o sistema neste momento, considerando o pouco tempo até as próximas eleições.
Além disso, embora possa haver melhorias no sistema de auditagem das urnas, eles reforçaram que nunca houve fraude comprovada nas eleições brasileiras desde que elas começaram a ser adotadas, em 1996.
"No atual contexto, a urna eletrônica garante segurança em várias etapas, mas obviamente o registro impresso daria uma segurança a mais —o que não quer dizer que a votação hoje em dia não seja íntegra", disse à Folha Ana Cláudia Santano, coordenadora-geral da Transparência Eleitoral Brasil.
Saldo de empregos em 2020 foi 22% do de 2019
Nós terminamos o ano de 2020 com mais emprego do que dezembro de 2019, então realmente, dado a crise que vivemos, foi um sucesso"Presidente Jair Bolsonaro em live semanal
Considerando apenas o mês de dezembro, houve mais perdas de postos de trabalho em 2019 do que em 2020, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado pelo Ministério da Economia. Foram 67.906 postos perdidos em 2020, ante 307.311 no ano anterior. O saldo é calculado considerando as contratações e demissões que aconteceram no mês.
Considerando o ano inteiro, tanto 2020 quanto 2019 terminaram com saldos positivos de criação de vagas. O saldo do ano passado, no entanto, ao contrário do que insinuou Bolsonaro, foi equivalente a 22% do valor de 2019. Foram criadas 142.690 vagas com carteira assinada em 2020, ante 644.079 em 2019.
Além disso, houve mudança na coleta de dados feita pelo Ministério da Economia para divulgar o mercado de trabalho formal, o que impede a comparação dos dados de 2020 com anos anteriores. O levantamento passou a usar dados mais abrangentes, incluindo trabalhadores temporários, que não eram contabilizados antes.
A PNAD/Contínua, divulgada em fevereiro deste ano pelo IBGE, registrou um desemprego recorde no Brasil ao final de 2020, com uma taxa de 13,5% de desempregados, o que corresponde a 13,4 milhões de pessoas. O resultado para o ano interrompe a queda iniciada em 2018, quando a taxa ficou em 12,3%. Em 2019, o desemprego foi de 11,9%.
Os dados divulgados pelo IBGE e pelo Ministério da Economia adotam metodologias diferentes. O IBGE é mais amplo e aborda também trabalhadores informais e pessoas em busca de emprego.
Mudança no Caged inviabiliza comparação
Dados do Caged hoje: foram 280 mil. Vamos comparar os períodos de janeiro a maio nos últimos 6 anos. Em 2015, a Dilma, de janeiro a maio, foram menos 243 mil, em 2016, Dilma também, menos 448 mil, sem pandemia. Depois teve o Temer, 2017 e 2018, o Temer já começou positivo, 48 mil em 2017, e em 2018, 381 mil. E aí chega nós aqui, em 2019 praticamente repetimos o período anterior do Temer, fomos para 351 mil. Depois, um período duro, de 2020, do meu governo: menos um milhão e cem mil."Presidente Jair Bolsonaro em live semanal
De fato, em maio de 2021 foram abertas 280,6 mil vagas de emprego com carteira assinada, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado hoje pelo Ministério da Economia. O acumulado dos primeiros meses do ano tem saldo positivo de 1.233.372 vagas abertas.
Os números divulgados por Bolsonaro sobre os últimos seis anos também estão corretos. No entanto, como já explicamos, houve mudança na coleta de dados feita pelo Ministério da Economia para divulgar o mercado de trabalho formal, o que impede a comparação dos dados de 2020 com anos anteriores.
Abaixo, veja os valores dos saldos de empregos entre janeiro e maio de 2015 a 2020:
- Maio de 2020: Saldo negativo de 1.144.875 vagas no acumulado entre janeiro e maio.
- Maio de 2019: No acumulado de janeiro a maio, foram criadas 351.063 vagas com carteira assinada.
- Maio de 2018: 381 mil vagas abertas entre janeiro e maio.
- Maio de 2017: No consolidado de janeiro a maio, foram 48.543 novas vagas.
- Maio de 2016: Houve saldo negativo de 448 mil vagas entre janeiro e maio.
- Maio de 2015: Foram fechados 243,9 mil empregos formais entre janeiro e maio.
Não há relação entre a variante delta e a CoronaVac
O cara da OMS que não é médico [disse]: 'Variante delta da covid se espalha também em populações vacinadas'. Abre logo o jogo que tem uma vacina aí que infelizmente não deu certo (...) Não deu certo essa vacina deles, infelizmente no Chile. Aqui no Brasil parece também que a coisa está complicada."Presidente Jair Bolsonaro em sua live semanal
Embora não seja médico, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, é biólogo com mestrado em imunologia e doenças infecciosas. Na última semana, ele alertou que a variante delta do coronavírus está se espalhando em países com boa parte da população vacinada. No entanto, na mesma ocasião ele frisou que a variante "está se espalhando rapidamente entre os que não estão vacinados".
O presidente fez alusão à CoronaVac sem citá-la nominalmente. Na live da semana passada, o UOL Confere já havia desmentido que houvesse problemas com o imunizante no Chile. Apesar de o país enfrentar superlotação em hospitais em algumas áreas, a região mais ao sul com mais de 80% da população-alvo completamente imunizada apresentou queda nas notificações.
Também não há nenhuma comprovação de que a CoronaVac seja mais suscetível à variante delta. Países que sequer aplicam a vacina registraram casos da variante, como a Austrália (que aplica a AstraZeneca e a vacina da Pfizer) e a Itália (Janssen, Moderna, AstraZeneca e Pfizer).
Ivermectina não tem eficácia provada contra covid-19
Lá [nos EUA], vários senadores já falam que o 'tratamento imediato', aquele remédio para matar piolho, começa com "i" e termina com "a", poderia ter evitado 60% das mortes [por covid-19].Presidente Jair Bolsonaro em sua live semanal
Não há estudos conclusivos que apontem que a ivermectina, medicamento antiparasitário, seja eficaz no tratamento contra o coronavírus. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Oxford sobre a questão se encontra em estágio inicial, não tendo chegado a conclusões. A equipe responsável afirmou ao Projeto Comprova, do qual o UOL faz parte, que não possui expectativa de prazo para a publicação de resultados.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o uso da substância apenas em ensaios clínicos, tendo em vista que a evidência atual sobre o uso desse medicamento para tratar pacientes com a doença é inconclusiva.
Já a Food and Drug Administration (FDA), agência de regulação dos Estados Unidos, também desaprova o uso da substância para tratar ou prevenir a covid-19 e alerta que doses excessivas do medicamento podem causar danos. A European Medicines Agency (EMA), da União Europeia, desaconselha o uso fora de ensaios clínicos.
Assim como no Brasil, nos Estados Unidos também há políticos que, sem embasamento científico, defendem o chamado "tratamento imediato" ou "precoce" para o combate à covid-19. Um deles é o senador republicano Ron Johnson, que teve sua conta do YouTube suspensa por uma semana em junho após defender na rede social o uso da ivermectina e outros medicamentos. Em sua política de uso, o YouTube não permite a divulgação de conteúdo que encoraja o uso de medicamentos comprovadamente ineficazes contra o coronavírus.
Não há provas de supernotificação de óbitos por covid
Os óbitos são consolidados 3, 4 meses depois que eles ocorreram. (...) O cara chega lá com várias comorbidades, não sei o quê, 'suspeita de covid'. O que entra aqui? Covid."Presidente Jair Bolsonaro em sua live semanal
Embora o Registro Civil possa demorar para divulgar a atualização de óbitos no país — por motivos que incluem a demora dos próprios cartórios para notificar as mortes —, os dados de óbitos por covid-19 são atualizados diariamente pelo Ministério da Saúde. A fala do presidente volta a levantar suspeita sobre a quantidade de mortes pela doença no país, algo já feito antes por Bolsonaro quando distorceu acórdão inconclusivo do TCU (Tribunal de Contas da União).
Contrariando o que diz o presidente, há especialistas que consideram que a situação no país é inversa, e que o Brasil na verdade sofre com a subnotificação dos casos. Um artigo do professor Miguel Buelta, da USP (Universidade de São Paulo), aponta que muitos óbitos registrados como SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) podem ter sido causados por coronavírus.
____________________ * Bolsonaro xinga ex-aliados pró-impeachment e diz que conta com o Congresso
Do UOL, em São Paulo
01/07/2021 19h34
Atualizada em 01/07/2021 21h19
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reagiu com risadas ao "superpedido" de impeachment apresentado contra ele por parlamentares e entidades da sociedade civil. Bolsonaro classificou os signatários como "pessoas que não têm o que fazer", mas acrescentou que a "maioria" do Parlamento não é assim e está, na verdade, "sintonizada" com seu governo.
"Esses dois que assinaram... Gastaram tinta da caneta, né? Assinaram o 'superimpeachment'. Eu estou dando risada desses dois otários. 'Superimpeachment'! Faltou vocês me trazerem aqui as acusações: genocida, não usa máscara, fez motociata... São pessoas que não têm o que fazer", afirmou o presidente durante sua live semanal.

Antes, Bolsonaro falava do PSL, seu antigo partido, dando a entender que "esses dois" a quem chamou de "otários" são filiados à legenda. O presidente não citou nomes, mas sua declaração pode ter sido direcionada aos deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP), ex-PSL, e Joice Hasselmann (PSL-SP), signatários do "superpedido" de impeachment.
São pessoas que não têm o que fazer. Em vez de ajudar o Brasil, ficam inventando essas questões para atrapalhar a vida de quem produz. Deixo claro que a maioria do Parlamento está perfeitamente sintonizada. Me apoiam, eu os apoio também. Interesse duplo, né? Muitos parlamentares querem obras para suas áreas.Jair Bolsonaro, em live de 01/07
O documento enviado ontem unifica 122 pedidos de impeachment contra Bolsonaro que já foram apresentados, mas não foram pautados pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), e também pelo seu antecessor no cargo, Rodrigo Maia (sem partido-RJ).
O "superpedido" lista 21 atos cometidos por Bolsonaro e que, de acordo com a lei nº 1.079/1950, que define os crimes de responsabilidade de autoridades de Estado e rege o processo de impeachment, configurariam 23 crimes. O documento foi protocolado com 46 assinaturas, com nomes que vão da esquerda à direita, além de entidades da sociedade civil.
Nos bastidores, o grupo que apresentou o pedido admite, poém, que a tendência é que Lira não dê andamento ao processo. No momento, o governo tem o apoio do centrão, que tem Lira entre seus líderes e que blinda possíveis ações contra o governo. Neste ano, o bloco ganhou mais força com indicações diretas para ministérios e outros cargos no governo.
"Ogro", diz Joice
Ontem, durante a entrega do "superpedido" de impeachment à Câmara, Joice Hasselmann chamou Bolsonaro de "ogro", "genocida" e disse que, apesar de já ter integrado sua base de apoio, jamais votaria nele novamente. Ela também afirmou não ter hesitado "em um único momento" antes de assinar o documento.
"Nós temos hoje o pior presidente da história da República. Eu fui líder desse ogro, mas fui a primeira da direita a sair quando a popularidade dele estava aqui [alta]. Eu sei o quanto me custou, e nunca mais, nem com uma arma na cabeça, esse homem leva um voto meu. Ele jamais será reeleito, mas o Brasil não aguenta até 2022", justificou a deputada.
Joice foi líder do governo na Câmara entre fevereiro e outubro de 2019. No ano seguinte, ela passou a ser crítica do governo Bolsonaro e foi alvo de ataques de apoiadores do presidente durante sua campanha nas eleições de 2020, quando disputou a prefeitura de São Paulo.
____________________ * Bolsonaro ataca Moraes e STF e fala em 'retaliação' contra Flávio e Carlos
Do UOL, em São Paulo
01/07/2021 20h43
Atualizada em 01/07/2021 22h21
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou hoje o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), por decidir abrir uma investigação sobre a possível existência de uma organização criminosa que divulga fake news para atacar a democracia. Segundo ele, que também acusou o STF de tentar interferir no Poder Legislativo, o inquérito seria uma "retaliação" contra seus filhos, o senador Flávio (Patriota-RJ) e o vereador Carlos (Republicanos-RJ).
"Me chamam de misógino, racista, fascista, homofóbico, genocida... Tudo bem. Chamam o [pastor] Silas Malafaia de tudo, até mais do que falei aqui, chamam os parlamentares de tudo, não tem problema nenhum. [Mas] Quando alguém faz uma crítica ao STF, cai o mundo. Nós queremos democracia!", disse o presidente durante sua live semanal.

Bolsonaro ri de pedido de impeachment: 'Maioria do Congresso me apoia'
Como retaliação, com toda certeza, o senhor Alexandre de Moraes manda investigar 'organização criminosa', dois deputados, o Flávio, meu filho, senador, e o Carlos também. (...) Isso me lembra os países comunistas. Você vai buscar o cara em casa, leva a esposa dele embora, leva o filho, e aqui é a mesma coisa. Qual o próximo passo agora? Qual ação contra os meus filhos vão querer fazer?Jair Bolsonaro, em live de 01/07
Bolsonaro também comentou sobre — e criticou — a reunião de ontem entre líderes partidários e os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli em apoio ao voto eletrônico, segundo noticiado pela Folha de S.Paulo. O presidente, que defende a adoção de um "voto auditável", com impressão de comprovante de votação, avaliou o encontro como uma tentativa de interferência do Judiciário no Legislativo.
"O STF me acusou de interferir na Polícia Federal, não tem prova de nada, zero. Agora eles estão interferindo no Parlamento", acusou. "Parece até que esses ministros estão negociando alguma coisa com o Legislativo. Olha, a gente não quer isso aqui. Parece que é isso aí, e isso é horrível para a democracia. Nós não podemos aceitar isso aqui, essa interferência deslavada no Legislativo."
"Drible" na PGR
Criticada por Bolsonaro, a decisão de Moraes "dribla" um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), que queria o encerramento do inquérito sobre o financiamento de atos antidemocráticos, do qual o ministro é relator. A solicitação foi acatada, mas Moraes também abriu uma nova investigação para dar seguimento ao processo, ainda que de maneira um pouco diferente.
Segundo o magistrado, as investigações feitas pela Polícia Federal trazem "fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político absolutamente semelhante àqueles identificados com a nítida finalidade de atentar contra a democracia e o Estado de Direito".
Agora encerrado, o inquérito dos atos antidemocráticos foi aberto em abril do ano passado para investigar a realização e o financiamento de manifestações para atacar instituições como o STF e o Congresso Nacional, o que contraria a Constituição. Os protestos reivindicavam, entre outras pautas, a reedição do AI-5 (Ato Institucional nº 5), que, em 1968, endureceu a ditadura militar no país.
Bolsonaro chegou a participar de um ato a favor de uma "intervenção militar" em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, mas não foi alvo do inquérito. O caso foi remetido ao STF porque os atos teriam contado com a participação de deputados federais, que detêm foro privilegiado na Corte.
(Com Agência Brasil e Reuters)
____________________ * Para despistar corrupção em vacinas, Bolsonaro ameaça com golpe eleitoral


Leonardo Sakamoto
Colunista do UOL
01/07/2021 20h55
Desde a antológica "golden shower" no carnaval de 2019, o roteiro é o mesmo: acuado por denúncias ou notícias ruins, o presidente da República emite declarações bizarras com o objetivo de excitar os 14% de bolsonaristas-raiz e indignar o naco civilizado da população nas redes sociais.
Desta vez, nesta quinta (1º), ao defender novamente o voto impresso, prometeu não entregar o cargo se perder com eleições fraudadas. Sabemos, contudo, que ele prepara terreno para considerar fraudadas toda eleição que não ganhar. E a prova da fraude que irá apresentar é o seu próprio mimimi.
A cortina de fumaça desta vez serve para esconder o fato que o seu governo, que ele sempre vendeu como honestíssimo em detrimento a outras administrações, está na lama por conta das denúncias de superfaturamento e cobrança de propina na compra de vacinas. Ou seja, cascalho obtido com o dinheiro que poderia salvar vidas.
"Eu entrego a faixa presidencial a qualquer um que ganhar de mim na urna de forma limpa. Na fraude, não. Para o Brasil, agora: tiraram o Lula da cadeia. Os crimes são inacreditáveis. Tornaram um ladrão elegível. No meu entender, para ser presidente na fraude, porque, no voto, ele não ganha, não ganha de ninguém. Então, não vou admitir um sistema fraudável de eleições", afirmou em sua live semanal. Ou seja, se Lula ganhar dele, é fraude.
Em março de 2020, sem apresentar evidências, Jair Bolsonaro afirmou que havia sido eleito no primeiro turno de 2018, mas foi roubado. "Pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu fui eleito no primeiro turno mas, no meu entender, teve fraude", disse Bolsonaro.
Nunca apresentou prova, e nem vai apresentar, porque não há. Pior, diante da cobrança para mostrar os indícios de fraude, passou a dizer que é o Tribunal Superior Eleitoral que deve provar que não há fraude. O que é tosco, porque a Justiça Eleitoral já realiza testes abertos com simulações de ataques a cada eleição e nada é identificado.
Jair está tenso. Ao que tudo indica, ele pode ter prevaricado por ter se omitido diante das evidências de que a negociação para a compra da vacina indiana Covaxin demonstravam cambalacho.
Após ser informado do problema pelo deputado Luiz Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, um servidor do Ministério da Saúde que descobriu a sacanagem, ele teria dito que isso era coisa de Ricardo Barros (PP-PR), seu líder na Câmara dos Deputados. E que acionaria o diretor-geral da Polícia Federal para investigar.
Coisa que não fez. Até porque, convenhamos, não é que Bolsonaro tenha um centrão trabalhando para ele. O centrão é que tem um presidente de mascote. Enquanto Jair garantir emendas, cargos (inclusive aqueles que facilitam trambiques) e ajudar na aprovação de leis e portarias, mantém sua cadeira no Planalto.
Na CPI da Covid, nesta quinta, o cabo da PM de Minas Gerais e representante comercial Luiz Dominguetti, que denunciou pedido de propina por um servidor do Ministério da Saúde ao negociar doses de AstraZeneca, mostrou um áudio com a voz de Miranda dizendo que se tratava de negociação de imunizantes envolvendo o irmão dele, o tal servidor.
Ao que tudo indica, o áudio se trata, na verdade, de uma negociação de luvas para mercados nos Estados Unidos no ano passado. Ainda não se sabe o que levou Dominguetti a divulgar essa bobagem, mas ela foi suficiente para as redes bolsonaristas ficarem em polvorosa na tentativa de desqualificar o depoimento do deputado Luiz Miranda. Ou seja, mais nuvem de fumaça, involuntaria ou armada.
Usar uma ameaça de golpe de Estado para esconder da população que a corrupção em seu governo pode ser ainda pior que a de outros que se lambuzaram na governabilidade do toma-lá-dá-cá (pior porque permitiu a sacanagem que custaram vidas) não é novidade também. No ano passado, Bolsonaro incentivou seus seguidores a defenderem o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal ao ser cobrado de inação diante da pandemia.
Hordas gritando "AI-5! AI-5! AI-5!" ou segurando tochas em frente ao STF foram um toque de requinte medieval.
O pior não é só o oportunismo golpista de Bolsonaro. A falta de criatividade do presidente da República e seus assessores em criar novas distrações, além de corroer instituições por dentro, transformou a República em um disco arranhado, que quer enervar quem o escuta, repetindo golpe, golpe, golpe...
____________________ * Leonardo Sakamoto - Omissão de Aras é usada na CPI da Covid para passar pano em Bolsonaro
Colunista do UOL
01/07/2021 17h07
O líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra (MBD-PE), usou uma manifestação do procurador-geral da República, Augusto Aras, para "atestar" à CPI da Covid que, apesar dos fatos, das evidências e dos 518 mil mortos, o presidente da República não foi omisso na compra de vacinas contra covid-19.
Em manifestação a uma ação movida pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) apresentada ao Supremo Tribunal Federal, que pediu, em março deste ano, em meio a compra de imunizante em grande escala, Aras afirmou que não houve falha do governo federal nessa área.
"O quadro atual demonstra o incremento gradual da oferta de vacinas e, consequentemente, do quantitativo de pessoas vacinadas, a confirmar a ausência da alegada inação a justificar a intervenção excepcional do Judiciário", afirmou Aras.
Este é trecho problemático: "ausência da alegada inação". A justificativa do PGR encontra eco nas desculpas entregues hoje por bolsonaristas, de que o país tem comprado cada vez mais vacinas. A questão é que, no ano passado, o governo deixou de adquirir as doses quando o mundo inteiro fechava negócios com os laboratórios. Se o presidente tivesse tido outro comportamento, milhares de pessoas poderiam ter sido salvas.
A mesma CPI da Covid descobriu mais de 100 mensagens com propostas de venda da Pfizer e do Instituto Butantan ao governo desde meados do ano passado. O presidente da República não apenas ignorou o negócio, como atacou ambos imunizantes e fez piadas com eles. Disse que não compraria a "vachina" e que quem tomasse a Pfizer poderia virar "jacaré". Hoje, faz de conta que nada disse, contando com perda de memória coletiva.
No caso da CoronaVac, Bolsonaro chegou a desautorizar o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello a prosseguir com as tratativas para compra de 46 milhões de doses em outubro de 2020. Caso tivesse fechado contrato antes com a Pfizer e o Butantan, o processo de imunização no Brasil teria começado forte ainda em dezembro, o que salvaria dezenas de milhares de vidas.
Não é possível afirmar que o procurador-geral mentiu, contudo. De fato não houve "inação", mas ação deliberada para sabotar uma campanha maciça de vacinação, apostando na imunidade de rebanho através de contágio amplo da população. Que, até uma morsa com cãibra sabe, teve como efeito colateral, a morte em massa.
Aras, de olho em uma vaga de ministro ou, pelo menos, na recondução ao cargo de chefe do Ministério Público Federal, tem feito tudo o que é preciso para proteger Jair dele mesmo. Se continuar produzindo manifestações úteis assim, corre o risco de se torna um dos 11 do Supremo.
____________________ * Após reportagem da Folha, STF anula condenação de trabalhador rural preso sem provas há sete anos
Caso se baseava em delação de réu confesso de latrocínio que havia se retratado e relatou agressões
O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou nesta quinta-feira (1º) a condenação do trabalhador rural José Aparecido Alves Filho, preso há sete anos sem provas, e mandou libertá-lo.
A decisão do ministro se deu após a publicação pela Folha da história de José Aparecido na série de reportagens Inocentes Presos. O trabalhador rural foi condenado a 21 anos por latrocínio apesar de o único indício contra ele ser uma delação desmentida depois.
Na decisão de Fachin, ele determinou também que seja feito um novo interrogatório de Evandro Matias Cruz, réu confesso do crime que voltou atrás nas afirmações feitas em delegacia em 2014 e disse que José Aparecido é inocente.
"Não é justo alguém estar pagando por algo que não cometeu. Não tem por que a pessoa estar ali presa sem ter cometido o crime. Quem tem que pagar somos nós que cometemos. Ele está pagando por um crime pelo qual ele não cometeu", disse Evandro à Justiça.
Ele também relatou ter apanhado para incriminar José Aparecido. "Então, senhor, aconteceu o seguinte... Devido ao espancamento, a forma como eles me bateram, tomando choque... Eles me forçaram, mostrando fotos... Forçaram a falar que era o José Aparecido, mas o José Aparecido não teve envolvimento", disse na primeira oportunidade em que se retratou em juízo, ainda em janeiro de 2015.
Condenado em primeira e segunda instâncias, o trabalhador rural está detido na Penitenciária de Iperó, no interior paulista. Com a decisão, ele deve ser solto nesta sexta-feira (2).
A família planeja um churrasco para recebê-lo. "Estamos pulando aqui na roça", disse a mulher de José Aparecido, Vanessa Veiga Lopes, moradora de Tuiuti, no interior paulista.
Segundo ela, os dois filhos, de 10 e 12 anos, que tinham apenas três e cinco anos quando o pai foi preso, estão eufóricos. "A minha mãe, que tem meu marido como filho, e minha sogra, por ser de idade, estão meio anestesiadas, parece que não caiu a ficha".
Já o advogado da família, Nagashi Furukawa, exaltou o papel da reportagem na libertação de José Aparecido.
"É resultado de um longo tempo de trabalho, sete anos. A alegria é indescritível. É preciso dizer sobre a importância da imprensa livre. Foi a matéria do jornal que certamente fez com que o ministro debruçasse sobre os autos e visse o que estava acontecendo", disse.

ENTENDA O CASO
O crime pelo qual José Aparecido foi condenado ocorreu na noite de 24 de março de 2014, em uma área rural de Bragança Paulista (SP), a 85 km da capital, e teve como vítima o patrão dele, o sitiante José Henrique Vettori, então com 68 anos de idade.
Vettori foi rendido por homens armados quando parou a picape na entrada de seu sítio no município de Tuiuti, vizinho a Bragança. Mesmo sem oferecer resistência, ele foi agredido e morto por um dos ladrões enquanto era levado para outro local.
Os criminosos colocaram o corpo na caçamba da picape, atearam fogo nela e fugiram. O homem apontado como autor do disparo foi Edilson Paulo de Souza, tio de Evandro. Um terceiro criminoso, apelidado de Peixe, ajudou a iniciar o incêndio.
Toda a dinâmica montada pela polícia se baseia em depoimento de Evandro, dado na delegacia cerca de dois meses depois do crime, quando ele foi localizado em uma cidade no interior de Minas, Santana do Manhuaçu, escondido na casa da avó.
Os policiais chegaram até o mecânico após investigarem um Fiat Palio abandonado e batido em uma estrada vicinal por Evandro durante a fuga. Neófito na criminalidade, ele se desesperou ao cruzar com duas viaturas da PM que estavam em sentido contrário e nem perceberam o acidente.
A confissão de Evandro foi registrada em vídeo. A análise das imagens e do documento produzido a partir dele revela como a polícia construiu a tese de que José Aparecido era o terceiro elemento do crime.
Nos 37 minutos e 48 segundos de gravação, em nenhum momento os policiais pedem para que o mecânico descreva as características físicas desse terceiro elemento, o Peixe. Também não questionam se o comparsa era branco, negro, alto, baixo, gordo ou magro, novo ou velho, procedimento que deve iniciar qualquer processo de reconhecimento.
Em vez disso, quase no final do depoimento, os policiais apresentam a Evandro meia dúzia de fotos. Quando viu uma foto de José Aparecido, Evandro ficou por alguns segundos pensativo.
"Eu não tenho a absoluta certeza. Mas...", começou ele, sendo interrompido por um policial que participava da reunião, que o questionou sobre o motivo da incerteza. "O boné. Está sem boné. E parece que o cabelo está maior", afirmou ele.
Os policiais propuseram buscar uma foto mais recente de José Aparecido porque, conforme consta no processo, eles usavam uma foto em preto e branco quando o trabalhador rural tinha 17 anos, tirada mais de 18 anos antes.
O delegado do caso afirmou que um reconhecimento presencial foi feito na mesma noite do interrogatório, quando Evandro confirmou a participação de José Aparecido. No entanto, um dos policiais que serviu de testemunha no procedimento alegou posteriormente que não participou do ato.
O delator, por sua vez, nega que tenha reconhecido José. "Só tinha o Zé, só o Zé estava lá. Disse que não reconhecia o Zé, tomei mais dois tapas", relatou Evandro em audiência realizada no fórum de Bragança Paulista em 2015.
Após o interrogatório, Evandro deu três depoimentos negando que José Aparecido tivesse participado do crime. No entanto, o primeiro depoimento e um bilhete citando que corroborava com as primeiras informações serviram para que o trabalhador rural fosse condenado em duas instâncias.
Após as condenações, Evandro disse que o bilhete não anulava os depoimentos em que inocentava José Aparecido e reafirmou a informação.
A Folha conversou com José Aparecido na prisão, em Iperó. Lá, ele relatou sentir falta do trabalho e dos filhos.
"Eu sinto saudades de trabalhar no que eu fazia, né? Lá fora, junto com a minha família, meus filhos", disse. "Foram sete anos assim que eu não vi o crescimento dos filhos. Meus filhos que tão lá precisando do pai que tá aqui na cadeia."
Na ocasião, relatou sentir vontade de comer um bolo de milho, feito pela mulher na noite em que foi preso. Em saída temporária recentemente, visitou a família e comeu três bolos. Agora, esposa dele já prepara os ingredientes para muitos outros.
____________________ * Covid: Como vacinação em massa desde janeiro teria mudado rumo da pandemia no Brasil

01/07/2021 07h41
Atualizada em 01/07/2021 08h00
Quase 130 mil vidas poderiam ser salvas em 2021 se o Brasil tivesse iniciado uma campanha massiva de vacinação contra a covid-19 ainda em janeiro.
Essa é uma das conclusões de um trabalho assinado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que realizou essas contas no final de fevereiro.
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Covid: Paraná tem caos na 3ª onda com pouca vacina, UTIs lotadas e pacientes do Paraguai
O assunto voltou aos holofotes nos últimos dias, em razão dos depoimentos da CPI da Covid e das denúncias de corrupção nas negociações de compras de vacinas.
Em 24 de junho, o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), declarou no Senado Federal que "o atraso na compra das vacinas da Pfizer e da CoronaVac resultou em 95,5 mil mortes".
"Outros pesquisadores, usando um método inclusive mais robusto que o nosso, estimaram 145 mil mortes especificamente pela falta de aquisição de vacinas tempestivamente pelo Governo Federal", disse o pesquisador na CPI.
No dia seguinte, a sessão que ouviu os irmãos Luis Miranda (DEM-DF), deputado federal, e Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, foi marcada pelo detalhamento das acusações de pressão para compra de vacinas que sequer haviam finalizado os estudos clínicos, enquanto a negociação de imunizantes de outros fornecedores se arrastou por semanas ou até meses.
Nos últimos dias, o jornal Folha de S.Paulo revelou um novo episódio, em que um suposto representante de uma empresa americana afirma que funcionários do Ministério da Saúde teriam "cobrado" um extra de US$ 1 (R$ 5) por dose para fechar a compra de 400 milhões de unidades da vacina da AstraZeneca.
Diante de tantos fatos, vem a pergunta: o que poderia ter acontecido com a pandemia no Brasil se a aquisição de vacinas tivesse sido feita sem atrasos e percalços, para que a campanha se iniciasse com antecedência?
Os cálculos indicam que muitas vidas poderiam ter sido salvas.
O que mostram as pesquisas?
Como mencionado no início da reportagem, um dos trabalhos que melhor estimou o impacto de uma campanha de vacinação ampla e rápida foi realizado por representantes da USP e da FGV.
Num trabalho publicado em 23 de fevereiro de 2021, eles propuseram um modelo matemático para entender como o atraso na vacinação poderia impactar o número de casos e mortes por covid-19.
Os resultados, que foram divulgados num artigo que está em pré-print e ainda não foi revisado por outros especialistas, revelam que 127 mil mortes poderiam ter sido evitadas no Brasil se a campanha tivesse começado "em condições ideais" no dia 21 de janeiro de 2021.

Para que esse número de vidas salvas fosse atingido no final do ano, os autores entendem que seria necessário aplicar cerca de 2 milhões de doses todos os dias — quantidade que, para a estrutura já disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), não seria um exagero ou algo fora da realidade.
O cálculo também revela que, conforme as semanas passam, esse número de vidas salvas ao longo do ano diminui: caso uma campanha massiva só se iniciasse em 21 de fevereiro, a taxa de mortes evitadas cairia para 86 mil.
Em março, esse número ficaria em 54 mil. Em abril, seria reduzido para 30 mil. Em maio, para 16 mil.
"Ao que tudo indica, a vacinação em massa no Brasil só deve começar de fato em agosto. [...] Para que um cenário diferente fosse possível, essa negociação [de compra de vacinas] deveria ter sido feita já no ano passado", analisou o professor de matemática aplicada Eduardo Massad, autor principal do estudo, numa entrevista para a Agência Fapesp em março de 2021.
Na mesma reportagem, Massad também chamou a atenção para o fato de que todos os resultados de casos e mortes por covid-19 eram subestimados, pois não consideravam a chegada das variantes do coronavírus, capazes de tornar as curvas epidêmicas ainda mais acentuadas.
A importância de ser ágil
Uma segunda investigação, também divulgada em pré-print por cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), reforça a necessidade de vacinar o maior número de pessoas no menor espaço de tempo possível.
O cálculo levou em conta uma série de variáveis, como a eficácia dos imunizantes disponíveis no país, o potencial que esses produtos possuem de prevenir casos moderados, graves, internações ou mortes e até a percepção de risco que as pessoas que já tomaram suas doses possuem sobre as outras medidas preventivas, como o uso de máscaras e o distanciamento físico.
Mesclando todos esses fatores, o estudo chegou a um total de 18 cenários diferentes de como a vacinação poderia influenciar o ritmo da pandemia no país.
Um exemplo: se 630 mil pessoas fossem vacinadas por dia com a CoronaVac, a vacina mais prevalente no Brasil, numa hipótese em que ela protege 100% contra os quadros mais severos, seria possível diminuir em 45% as mortes por covid-19.
Porém, se o número de imunizados aumentasse para 1,2 milhão/dia, a queda dos óbitos seria de 65%.
Já no caso da AZD1222, de AstraZeneca, Universidade de Oxford e FioCruz, essas porcentagens seriam ainda maiores: o uso de 630 mil doses a cada 24 horas levaria a uma redução de 57% no número de vítimas. Já com 1,2 milhão de vacinados, daria para chegar a um número 74% menor de óbitos.

Por mais que essas porcentagens pareçam abstratas e longe da nossa realidade, o físico médico Thomas Vilches, um dos autores do estudo, entende que elas sinalizam algo essencial: a necessidade de botar o pé no acelerador e ampliar o acesso à vacinação.
"Nosso trabalho evidencia que as taxas de eficácia de um imunizante ou outro nem fazem tanta diferença quando pensamos em termos coletivos. O mais importante mesmo é a velocidade com que se vacina a população", resume o especialista em modelagem matemática de doenças infecciosas, que hoje é consultor da Universidade Yale, nos Estados Unidos.
Efeitos já aparentes
Há ainda uma terceira evidência sólida dos ganhos que um programa ágil de vacinação contra a covid-19 pode trazer.
Ela vem da observação dos grupos que iniciaram a campanha e já estão com praticamente 100% de seus integrantes protegidos com as duas doses, como é o caso dos profissionais da saúde e dos idosos.
Um time de pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), da Universidade Harvard e do Ministério da Saúde avaliou justamente essa questão em uma pesquisa divulgada recentemente, no dia 19 de junho.
Os autores apontam que, nas seis primeiras semanas de 2021, 25% das mortes por covid-19 ocorreram entre pessoas com mais de 80 anos. A partir de maio e junho, essa faixa etária passou a representar apenas 12% dos óbitos registrados.
O mesmo fenômeno foi observado nos indivíduos de 75 a 79 anos algumas semanas depois.
Mas o que ajuda a explicar esse declínio, mesmo num momento em que a segunda onda estava em pleno vapor país adentro?
Justamente a vacinação veloz com foco nos mais velhos.
"O rápido aumento da cobertura vacinal entre idosos brasileiros foi associado a quedas importantes na mortalidade relativa em comparação com indivíduos mais jovens", escrevem os cientistas.
"Se as taxas de mortalidade entre os idosos permanecessem proporcionais ao que foi observado até a semana 6 [entre janeiro e fevereiro], seriam esperadas 43.802 mortes adicionais relacionadas à covid-19 até a semana 19 [entre maio e junho]", concluem.
Agora, já imaginou o que poderia ter ocorrido se mais brasileiros tivessem acesso à vacina ainda neste primeiro semestre de 2021?
Perguntas sem respostas
Apesar de todos esses modelos e contas seguirem uma linha de raciocínio e darem uma ideia do tamanho da oportunidade perdida, é realmente complicado colocar na balança todos os fatores que poderiam influenciar nesse cenário.
E boa parte dessas incertezas e variáveis se deve ao fato de a vacinação ter um efeito coletivo: quando alguém recebe as duas doses, não está apenas se protegendo, mas impedindo que novas cadeias de transmissão do vírus sejam criadas e afetem outras pessoas.
Vamos a um exemplo prático desse fenômeno: depoimentos e documentos compartilhados na CPI revelam que a Pfizer fez uma oferta de 70 milhões de doses de vacinas para o Brasil ainda em agosto e setembro de 2020, mas não obteve respostas para seguir com as negociações.
Segundo esses mesmos relatos, a farmacêutica se comprometia a entregar as primeiras 1,5 milhão de unidades ainda em dezembro do ano passado.
Considerando que o imunizante necessita de duas doses para conferir a proteção desejada, isso significa que esse primeiro lote contemplaria cerca de 750 mil brasileiros.
E é justamente aí que vem a grande questão: não seriam apenas esses primeiros 750 mil contemplados ainda no final de 2020 que ficariam mais protegidos do coronavírus e de suas complicações, mas toda a rede de contatos deles se beneficiaria disso.
Ora, se a vacina impede a transmissão do agente infeccioso (ou ao menos as suas manifestações mais graves, que exigem internação e intubação), esse primeiro grupo de vacinados já representaria uma possível "quebra" nas cadeias de transmissão.
E isso, por tabela, reduziria não apenas o surgimento de novos casos, como também a taxa de internações e mortes pela doença.
"Acontece que as epidemias e pandemias crescem de forma exponencial. Uma pessoa infectada passa o vírus para duas, que transmite para quatro e assim por diante", diz Vilches.
"Agora, se você impede que a primeira pessoa dessa cadeia se infecte, os benefícios disso também são exponenciais, pois você deixa de passar o vírus adiante", completa o especialista.
E todo esse pensamento sinaliza que, caso a vacinação começasse com força total já em dezembro de 2020 ou janeiro de 2021, seria possível prevenir um grande número de casos e de mortes que aconteceram dali em diante no Brasil.

O atual cenário
Se considerarmos que a vacinação contra a covid-19 teve início no dia 17 de janeiro de 2021, isso significa que já se passaram 165 dias de campanha.
Até o momento, 99,8 milhões de imunizantes já foram aplicados (considerando as primeiras e segundas doses), o que significa uma média de 608 mil vacinas utilizadas todos os dias.
Vale notar que esse número está abaixo das metas estabelecidas tanto no estudo da USP e da FGV quanto no trabalho feito por especialistas da Unicamp e da Unesp.
Outro ponto de destaque é a falta de constância no ritmo de imunização: enquanto tivemos dias com recordes absolutos, como é o caso de 23 de abril (1,7 milhão de doses aplicadas) e 17 de junho (2,2 milhão de doses), há momentos em que os postos de saúde parecem viver no marasmo total.
A boa notícia é que a média mensal de vacinação está subindo, como mostra a lista abaixo:
- Janeiro: 192.424 doses/dia
- Fevereiro: 247.824 doses/dia
- Março: 556.574 doses/dia
- Abril: 743.164 doses/dia
- Maio: 626.876 doses/dia
- Junho: 808.677 doses/dia
Mas, novamente, é preciso destacar que o Brasil pode muito mais: com a estrutura do Programa Nacional de Imunizações (PNI) já disponível e distribuída por todas as regiões, seria possível alcançar tranquilamente uma média de 1,5 a 2 milhões de vacinados todos os dias.
E essa meta já foi obtida em experiências anteriores, como as campanhas de imunização contra a poliomielite e a gripe.
Além da importância da rapidez na vacinação, Vilches apela para a urgência em lidar com outros dois desafios do momento: continuar respeitando as medidas não farmacológicas de prevenção, como o uso de máscaras e o distanciamento social, e desencorajar o comportamento de preferir um tipo de vacina ou outro.
"A grande ironia das medidas de controle é que, quanto mais elas fazem efeito e diminuem os números de casos e mortes, menos necessárias elas parecem aos olhos da sociedade", observa o especialista.
"Mas é importante notar que, enquanto não tivermos uma boa parcela da população vacinada, todos esses cuidados básicos seguem necessários", recomenda.
Outro ponto é o fenômeno dos "sommeliers de vacinas", que querem escolher qual produto será aplicado neles ? alguns preferem a Pfizer, outros vão de AstraZeneca e assim por diante.
Esse tipo de atitude não faz nenhum sentido em nosso atual momento, entende o pesquisador.
"Não podemos achar que nossa proteção individual é mais importante que toda a imunidade coletiva gerada quando boa parte da população já recebeu as suas doses", diz.
"E será justamente essa imunidade coletiva que permitirá a gente sair da pandemia no futuro", completa.
O outro lado
A reportagem da BBC News Brasil procurou o Ministério da Saúde para saber como o Governo Federal interpreta o ritmo de vacinação contra a covid-19 no país.
A resposta veio por meio de uma nota enviada pela assessoria de imprensa, que diz que o ministério "não mede esforços para ampliar a vacinação da covid-19 em todo país, com o objetivo de alcançar toda a população vacinável até o final de 2021. O Brasil atingiu uma marca importante que demonstra o avanço na vacinação: ultrapassou a casa de 129 milhões de doses distribuídas para todo o Brasil e mais de 98 milhões de doses aplicadas. Além disso, a pasta também antecipou mais de 16 milhões de doses, que chegariam no segundo trimestre, para dar celeridade à campanha de imunização".
O texto também informa que já foram contratadas 600 milhões de doses e elas serão entregues até o final do ano: "O quantitativo é suficiente para imunizar toda a população brasileira vacinável, de 160 milhões de pessoas. A pasta esclarece que depende das entregas dos fabricantes para realizar a distribuição aos estados."
Por fim, os responsáveis pela comunicação do ministério dizem que há uma intensificação das ações "que promovam a comunicação e mobilização social sobre os benefícios da imunização, a importância do alcance das coberturas vacinais, bem como a prevenção da doença. Além disso, estimula estados, municípios e Distrito Federal na busca ativa dos indivíduos para completar o esquema vacinal".
____________________ * Eduardo Leite é um governador gay e um gay governador, não dá pra separar – Por Gabriel Galli | Revista Fórum
Não é possível dissociar uma coisa da outra. Assim como a política que ele fez até agora, que o levou a apoiar um candidato abertamente LGBTIfóbico à Presidência
Por Gabriel Galli *
Os rumores invasivos e inadequados sobre a homossexualidade do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, já eram antigos. Parece que ele não fazia muita questão de esconder a orientação sexual, mas também não vinha a público assumir abertamente. Isso mudou na noite desta quinta-feira (1°), quando assumiu sua homossexualidade em rede nacional no programa de Pedro Bial. Bial que, aliás, não esqueçamos, ganhou atenção recentemente por abrir espaço para transfobia numa entrevista com o ex-jogador de futebol Ronaldo.
Em um trecho da entrevista divulgado nas redes sociais, Leite diz: “Eu sou gay. E sou um governador gay, não um gay governador”.
Sinceramente, fico feliz que tu tenhas assumido abertamente, Eduardo. Em um estado conservador como o nosso, a representatividade de pessoas LGBTI+ na política tem ainda mais importância. Ver que, para alguém como nós, é possível chegar lá, tem um potencial transformador principalmente para aqueles que estão se desenvolvendo e tentando entender seu lugar no mundo.
Mas tu és os dois, Eduardo. O governador gay e o gay governador. Não tem como separar. Nossa vivência interfere na política. E isso é algo bom. Não tem nada de errado. Tu sabes como é difícil ter que esconder uma parte tão importante da vida para ser aceito. Que tu uses isso como forma de combater a discriminação. Já passou o momento de se esquivar.
Continuo sendo contra o governo do Eduardo Leite pelas políticas que aplica. O fato de ser um homem gay por si só não o torna nosso aliado, muito menos alguém sensível aos direitos dos trabalhadores e dos mais oprimidos. Leite ainda é o governador que, por mais que não seja um completo reacionário e seja mais sensível que muitos de seu partido às questões envolvendo costumes, ainda continua tentando instalar uma política que ao fim e ao cabo amplifica a desigualdade e constrói miséria. Pergunto-me muito, inclusive, como deve ter sido para ele apoiar um candidato abertamente homofóbico à Presidência.
Agora, não reconhecer a importância de Leite sair do armário é esquecer da nossa história muito recente. Pra mim, seria um grande erro. Isso simplesmente não seria possível alguns anos atrás. Precisamos admitir também que o que estão fazendo com ele é atacá-lo sistematicamente pela orientação sexual, como se ser LGBTI+ tornasse alguém inapto para ser governante. Isso é inadmissível.
E lembremos que se Eduardo Leite pôde sair do armário hoje em dia é porque tivemos uma geração de LGBTI+ que deu a cara a tapa, foi humilhada e agredida, mas não desistiu de lutar. Devemos muito a elas e eles.
*Gabriel Galli é jornalista, mestre em Comunicação e ativista pelos Direitos Humanos das pessoas LGBTI+ e vivendo com HIV/Aids. É diretor da ONG Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade – e assessor parlamentar.
____________________ * Wyllys: mídia comercial festeja Eduardo Leite gay, mas não questiona seu apoio a um homofóbico e esconde Fátima Bezerra lésbica
Portal Forum - Em uma sequência de tuites na madrugada desta sexta-feira (2), Jean Wyllys criticou duramente a “peça de propaganda política” feita “imprensa comercial de direita” sobre o anúncio do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), que assumiu ser gay durante entrevista no programa de Pedro Bial, na Globo.
“Que destaque foi dado por essa mesma imprensa ao fato de Fátima Bezerra (PT-RN), governadora do RN e aliada desde sempre da comunidade LGBTQ, ser lésbica? Nenhum. Mas decidem fazer uma festa com o outing tardio do governador, feito sob medida num programa da TV Globo”, criticou.
Jean Wyllys ressalta ainda o fato de que Bial, em nenhum momento, indagou Leite sobre o apoio a Jair Bolsonaro – “um racista homofóbico” – nas eleições de 2018. “Não se questiona esse sujeito em nenhum momento por que ele apoiou explícita e alegremente um racista homofóbico que atua contra a comunidade. Apenas se elogia o sujeito”.
O ex-deputado, que deixou o mandato e o Brasil por sofrer ataques constantes do clã Bolsonaro, ainda criticou a divulgação de um card feito pela Folha de S.Paulo nas redes sociais, que destaca ainda uma comparação com o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, feita pelo próprio governador gaúcho.
____________________ * Milhares no Brasil tomaram vacina vencida contra Covid; veja se você é um deles
Segundo registros oficiais, cerca de 26 mil doses da AstraZeneca fora da validade foram aplicadas em 1.532 municípios
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Pelo menos 26 mil doses vencidas da vacina AstraZeneca foram aplicadas em diversos postos de saúde do país, o que compromete sua proteção contra a Covid-19. Os dados constam de registros oficiais do Ministério da Saúde.
Até o dia 19 de junho, os imunizantes com o prazo de validade expirado haviam sido utilizados em 1.532 municípios brasileiros.
A campeã no uso de vacinas vencidas é Maringá, reduto eleitoral de Ricardo Barros (PP), líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados. A cidade paranaense vacinou 3.536 pessoas com o produto da AstraZeneca fora da validade (primeira dose em todos os casos).
Depois aparecem Belém (PA), com 2.673, São Paulo (SP), com 996, Nilópolis (RJ), com 852, e Salvador (BA), com 824. As demais cidades aplicaram menos de 700 vacinas vencidas, sendo que a maioria não passou de dez doses.
Além disso, outras 114 mil doses da vacina AstraZeneca que foram distribuídas a estados e municípios dentro do prazo de validade já expiraram. Não está claro se foram descartadas ou se continuam sendo aplicadas.
AstraZeneca é a vacina mais usada no Brasil. Ela responde por 57% das doses aplicadas neste ano. A imensa maioria foi utilizada de acordo com as orientações do fabricante.
Todos os imunizantes expirados integram oito lotes da AstraZeneca importados ou adquiridos por consórcio. Um deles passou da validade no dia 29 de março. O que venceu há menos tempo estava válido até 4 de junho.
O lote pode ser conferido na carteira individual de vacinação. Quem tiver recebido uma dose de um desses oito lotes de AstraZeneca após a data de validade (veja gráfico) deve procurar uma unidade de saúde para orientações e acompanhamento.
Além disso, de acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19, quem tomou imunizante vencido precisa se revacinar pelo menos 28 dias depois de ter recebido a dose administrada equivocadamente. Na prática, é como se a pessoa não tivesse se vacinado.
O plano define, também, que cada indivíduo vacinado seja identificado com o lote da imunização recebida, o produtor da vacina e a dose aplicada. Isso é feito justamente para acompanhamento do Ministério da Saúde e eventual identificação de erros vacinais.
O DataSUS (sistema de informações do Ministério da Saúde) também identifica todas as pessoas imunizadas com um código individual, acompanhado de informações sobre idade, grupo prioritário de vacinação, data da imunização e lote da vacina recebida.
Já a data de validade de cada lote vacinal consta de outro sistema do governo federal, o Sage (Sala de Apoio à Gestão Estratégica), que registra os comprovantes de entrega dos imunizantes contra Covid-19 por estado. Em cada um desses recibos há informações públicas sobre o número do lote vacinal, a data de validade, o fabricante e a data de entrega.
A Folha cruzou as duas bases —DataSUS e Sage— a partir do número do lote das vacinas. Foram consideradas todas as imunizações do país contra Covid-19 até 19 de junho.
O levantamento inédito mostra que, até essa data, um total de 25.935 doses de oito lotes de AstraZeneca foram aplicadas fora da validade. Metade desses lotes veio do Instituto Serum da Índia; a outra metade, da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).
As vacinas desses lotes foram distribuídas de janeiro a março pelo governo federal para todos os estados do país antes do vencimento. Elas somam quase 3,9 milhões de doses, das quais cerca de 140 mil não foram utilizadas dentro do prazo de validade. Dessas, até o dia 19 de junho, 26 mil tinham sido aplicadas já vencidas.
A maioria (70%) das doses aplicadas depois da validade é de um mesmo lote do Instituto Serum, identificado como "4120Z005". O bloco venceu em 14 de abril, mas continuou sendo aplicado depois dessa data pelo país.
Paraná e Pará —que receberam os imunizantes desse lote em 24 de janeiro, logo depois de o primeiro lote de AstraZeneca da Índia ter chegado ao Brasil— têm a maior quantidade de registros de doses após o vencimento. Em Maringá e Belém, quase todas as doses vencidas foram ministradas especificamente nos dias 22 de abril e 11 de maio.
A capital do Pará também registrou 27 doses aplicadas após vencimento de outro lote, identificado como "CTMAV501", que veio da Opas e expirou em 30 de abril.
São Paulo também está entre os estados com maior quantidade de registros de doses aplicadas depois do vencimento: foram 3.648 unidades dos oito lotes vencidos de AstraZeneca ministrados (1.820 delas do mesmo lote indiano "4120Z005").
Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo confirmou cerca de 4.000 doses ministradas após validade.
A pasta disse que "orienta os municípios sobre a aplicação da vacinação contra a Covid-19 e a importância da verificação da data de validade antes do uso do frasco de uma vacina, inclusive com documentos técnicos com todas as condutas necessárias. Todas as grades são distribuídas dentro do prazo de validade."
Os casos constatados de aplicação de vacina fora da validade, de acordo com a pasta, são avaliados individualmente para definição da conduta apropriada definida pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações).
Já a Secretaria Municipal de Saúde de Belém informou que nenhuma dose de imunizante vencido foi aplicada na cidade.
"Entretanto, é possível que tenha havido erros nos registros, especialmente nas primeiras etapas da campanha de vacinação em massa, quando as anotações eram feitas manualmente em fichas de papel e posteriormente digitadas", afirma por email.
De acordo com os dados oficiais do Ministério da Saúde, no entanto, 99,7% dos registros de AstraZeneca após validade em Belém são de segunda dose. Foram ministradas, portanto, a partir de abril (a vacinação começou no país em janeiro e o intervalo entre doses desse imunizante é de 90 dias).
A Secretaria Estadual de Saúde do Paraná informou que há um problema de integração dos dados entre municípios e o sistema federal, "um erro de leitura da data de exportação do dado".
A pasta não explicou, no entanto, como esse problema interfere na data de validade das doses de vacina ministradas no estado —que, vale lembrar, estão vinculadas aos lotes no Sage.
Também por nota, o Ministério da Saúde informou "que acompanha rigorosamente todos os prazos de validade das vacinas Covid-19 recebidas e distribuídas" e que "as doses entregues para as centrais estaduais devem ser imediatamente enviadas aos municípios pelas gestões estaduais. Cabe aos gestores locais do SUS o armazenamento correto, acompanhamento da validade dos frascos e aplicação das doses, seguindo à risca as orientações do Ministério."
A validade das vacinas contra Covid-19 depende da tecnologia e dos insumos utilizados no desenvolvimento do imunizante. Essas informações integram os dados analisados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para regulação dos imunizantes utilizados no país.
A AstraZeneca e a Pfizer duram até seis meses. A Janssen, com validade original definida em três meses, agora pode ficar armazenada por até quatro meses e meio. A Coronavac tem duração de um ano —o primeiro lote dessa vacina utilizado no Brasil venceria somente em novembro.

Os dados de vacinação contra Covid-19 têm sido monitorados pela Folha, que mostrou, recentemente, que 3,6 milhões de brasileiros com mais de 70 anos não estavam completamente imunizados contra Covid-19 (cerca de 1 milhão deles ainda sem a primeira dose).
Nesse último caso, a maior quantidade de casos ocorreu em Santo André (SP), cuja prefeitura também alegou problemas na migração de dados dos vacinados. Na época, no entanto, o governo de São Paulo disse, em nota, que não havia registrado problemas operacionais na migração das informações para o DataSUS.

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