_______________ *Análise: Entendendo Bolsonaro - MILITARES SINALIZAM que BOLSONARO sai do poder apenas _______________ * SE QUISER __________ * THE END. O FIM.
________________________________________* Almirante ALMIR GARNIER, __________ * Ministro da Defesa BRAGA NETO, ____ * General PAULO SÉRGIO NOGUEIRA ___ * Brigadeiro BAPTISTA JÚNIOR ________
_____________ * Almirante ALMIR GARNIER, _____________ * Ministro da Defesa BRAGA NETO, _____________ * General PAULO SÉRGIO NOGUEIRA _____________ * Brigadeiro BAPTISTA JÚNIOR
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_______________ * Análise: Entendendo Bolsonaro - Militares SINALIZAM que Bolsonaro SAI do poder apenas SE QUISER
_______________ * Comandante da Aeronáutica refaz a ameaça e diz que as Forças Armadas têm base legal para agir | Míriam Leitão
_______________ * MPF cita corrupção pela primeira vez em investigação sobre Covaxin
_______________ * Bolsonaro insiste no confronto para mobilizar base, mas ela está indo embora
_______________ * Lula amplia vantagem sobre Bolsonaro e teria 46% dos votos no 1º turno, contra 25% de Bolsonaro, diz Datafolha
_______________ * Lei da Inteligência Artificial apareceu do nada
_______________ * Após conflito com militantes tucanos, partidos dão ultimato a PCO sobre atos contra Bolsonaro
_______________ * Intimidação fardada | Bernardo Mello Franco
_______________ * Forças Aparvalhadas | Bernardo Mello Franco
_______________ * A FESTA da FARDA | Bernardo Mello Franco
_______________ * 'Homem armado NÃO ameaça. NÃO vamos ficar aqui ameaçando', diz chefe da FAB sobre choque com CPI * 'NÃO temos intenção de proteger ninguém à margem da lei', diz chefe da Aeronáutica sobre corrupção entre militares
_______________ * Renan Calheiros, relator da CPI, REAGE as falas de Bolsonaro e diz que comissão não teme "QUARTELADAS"
___________ * Rodrigo Pacheco defende independência do Congresso e manda recado a militares e a Bolsonaro
_______________ * Aline Osório: "É ingênuo achar que o voto impresso vai calar o discurso de fraude"
_______________ * Bolsonaro chama presidente do TSE de 'imbecil' e volta a ameaçar dizendo que pode não haver eleição em 2022
_______________ * ENTENDA o que é a variante DELTA do coronavírus e quais são os RISCOS para o Brasil
_______________ * Com índice recorde de rejeição, Bolsonaro diz que Lula não terá ‘coragem’ de fazer campanha nas ruas em 2022
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_______________ * Análise: Entendendo Bolsonaro - Militares SINALIZAM que Bolsonaro SAI do poder apenas SE QUISER

Entendendo Bolsonaro
Colunista do UOL
08/07/2021 12h35
* Vinícius Rodrigues Vieira
A divulgação da nota de repúdio das Forças Armadas contra o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), entrará para a história como o momento em que o novo autoritarismo atravessou o Rubicão dos pudores políticos para golpear de vez a democracia.
Belchior é despido pela poesia de Ana Cañas e Maria Casadevall
Que os fardados já tinham se tornado os senhores da República sob o atual governo era evidente. No entanto, apenas nesta quarta-feira (8) ficou claro que os comandantes militares estão dispostos a tudo para manter Jair Bolsonaro na presidência.
Isso porque a CPI já demonstrou ter arsenal suficiente para atingir o coração do Planalto. Ao intimidar Aziz e distorcer suas críticas pontuais a maus militares, os comandantes não apenas sinalizam que se pretendem intocáveis, imunes a investigações e, portanto, ao império da lei. Eles indicam que o próprio governo Bolsonaro é intocável. Qualquer acusação de corrupção contra a atual administração seria golpismo, coisa de comunista.
Você não leu errado, caro leitor, cara leitora. Depois de 30 anos da dissolução da União Soviética, nossos militares ainda operam com a mentalidade da Guerra Fria. Causa espécie ler no Correio Brazileinse reportagem que relata o temor de militares ao verem imagens dos protestos contra Bolsonaro, associando-os a um suposto perigo comunista. Cuba e Coreia do Norte não fazem sequer cócegas em nós. A China dita comunista não representa tal doutrina senão um exemplo bem-sucedido de Capitalismo de Estado sob estrito autoritarismo.
Portanto, se há um espectro autoritário rondando o Brasil há anos, não é um fantasma de esquerda. Trata-se, sem dúvida, do espírito de porco do fascismo, encarnado no desrespeito a minorias e na deferência a um Estado-forte a serviço de corporações como militares e juízes, nos subsídios a grupos econômicos escolhidos a dedo em troca de apoio político.
O brasileiro médio é demasiadamente conservador para aceitar uma suposta ditadura comunista, mas suficientemente estatista para acolher um regime autoritário com traços de extrema-direita. Foi assim com o Estado Novo e com a Ditadura Militar.
Será assim com o bolsonarismo? Tudo indica que sim, pois, se os comandantes militares ousam intimidar um representante do povo e ficam impunes, o que não farão no dia em que Bolsonaro agarrar-se-á à cadeira presidencial sob o argumento de que as eleições de 2022 terão sido fraudadas? Na prática, as Forças Armadas não estão divididas, mas convergem para um autoritarismo de direita -- como já argumentei neste espaço, um bolsochavismo.
Até ontem, eu acreditava que os militares atuariam apenas como fiadores de qualquer um que possa ser eleito em 2022 -- Lula inclusive. Este, assim como qualquer eventual inquilino do Planalto nos anos vindouros, terá de se sujeitar à tutela dos fardados ou encarar uma constante instabilidade institucional. Depois da nota de quarta-feira, tenho certeza de que não apenas os militares, mas seu consórcio com o bolsonarismo, vieram para ficar com muito leite condensado, picanha e pensões para a prole.
Por falar em prole, melhor eu parar por aqui porque tenho família. Não ambiciono ser alvo de um inquérito por ofender a honra das Forças Armadas -- se bem que não há honra a ser ofendida quando já se está despido dela.
* Vinícius Rodrigues Vieira é doutor em Relações Internacionais por Oxford e professor na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e na FGV
_______________ * Comandante da Aeronáutica refaz a ameaça e diz que as Forças Armadas têm base legal para agir | Míriam Leitão - O Globo
Por Míriam Leitão

Entrevista boa é a que revela.
E essa dada pelo comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, à Tânia Monteiro para o "O Globo" REFORÇA o TOM de AMEAÇA da NOTA divulgada contra o senador Omar Aziz em vários pontos.
_______________ * MPF cita corrupção pela primeira vez em investigação sobre Covaxin

BRASÍLIA - O Ministério Público Federal (MPF) citou pela primeira vez a suspeita do crime de corrupção envolvendo a compra da vacina Covaxin. Num documento em que pede cooperação jurídica ao governo da Índia, onde o imunizante é produzido, os procuradores solicitam às autoridades daquele país acesso a contratos e correspondências mantidas entre o governo brasileiro e o laboratório Bharat Biotech, responsável pela Covaxin. “A investigação brasileira iniciou-se com o fim de apurar possíveis práticas de crimes licitatórios[...], levantando a hipótese investigativa de possível ocorrência de corrupção”, diz um trecho do despacho. O caso também está na mira da Polícia Federal. Procurada, a Precisa Medicamentos, que intermediou as negociações da Covaxin com o Ministério da Saúde, negou irregularidades.
No pedido de cooperação, os procuradores afirmam que há suspeitas de corrupção praticada por agentes públicos brasileiros em relação ao contrato.
“A investigação brasileira iniciou-se com o fim de apurar possíveis práticas de crimes licitatórios envolvendo contratação realizada pelo Ministério da Saúde, que aponta a existência de irregularidades no âmbito do processo de compra pública e do contrato firmado entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa Medicamentos, levantando a hipótese investigativa de possível ocorrência de corrupção”, diz um trecho do despacho.
Além da corrupção, os procuradores afirmam que há indícios de superfaturamento, ausência de verificação de riscos na contratação envolvendo a supressão de procedimentos administrativos durante a contratação e “relacionamentos suspeitos e sugestivos de possível prática de corrupção”.
O documento menciona ainda a “inusual celeridade” com a qual o contrato foi fechado e o fato de o empresário Francisco Emerson Maximiano ser sócio tanto da Precisa Medicamentos quanto da Global Saúde, empresa que é alvo de uma ação por improbidade administrativa movida pelo MPF por ter recebido R$ 19 milhões para fornecer medicamentos para doenças raras e não ter entregue os produtos. A caso é referente a um contrato de 2017, quando o ministro da Saúde era o atual líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR). Ele nega ter cometido irregularidades no episódio.
O contrato do Ministério da Saúde para a compra da Covaxin é um dos principais focos da CPI da Covid. O acordo foi fechado em 25 de fevereiro deste ano e previa o fornecimento de 20 milhões do imunizante por R$ 1,6 bilhão, o que resulta num preço de US$ 15 por dose, o mais caro contratado pelo governo.
O contrato porém passou a chamar atenção tanto da CPI quanto do MPF depois que o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda prestou depoimentos relatando ter sofrido “pressões atípicas” de seus superiores para agilizar o processo de importação da vacina. O MPF vinha investigando o caso na esfera cível, mas no mês passado decidiu abrir uma investigação criminal.
Desde então, o ex-diretor de Logística da pasta Roberto Ferreira Dias foi exonerado do cargo. Na quarta-feira, ele chegou a ser preso enquanto prestava depoimento à CPI da Covid. Na avaliação do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), Roberto teria cometido o crime de falso testemunho ao negar ter participado das negociações de um suposto lote de 400 milhões de doses oferecido pelo cabo da PM de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti. À CPI, o militar disse que Dias lhe pediu propina de US$ 1 por dose caso fechasse contrato com ele. Dias nega ter feito o pedido.
Em meio às suspeitas sobre a compra da Covaxin, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar o caso e o Ministério da Saúde anunciou que decidiu suspender temporariamente o contrato. Segundo a pasta, a medida foi recomendada pela Controladoria Geral da União (CGU), que também investiga o assunto.
O pedido de cooperação feito pelos procuradores deverá ser encaminhado à Secretaria de Cooperação Internacional (SCI) da Procuradoria-Geral da República (PGR) que, por sua vez, deverá repassá-lo ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI).
Em nota, os advogados da Precisa Medicamentos, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, dizem que a "a contratação seguiu os mais rigorosos critérios de integridade e interesse público" e que ao questionar o laboratório indiano, ficará claro ao MPF que o Brasil contratou a vacina pelo menor preço possível. Além disso, a nota afirma que a Covaxin é um imunizante eficaz.
_______________ * Bolsonaro insiste no confronto para mobilizar base, mas ela está indo embora

Depois de dizer na live de quinta-feira "caguei para a CPI" da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro chamou o ministro Luís Roberto Barroso, que está no comando do Tribunal Superior Eleitoral, de "imbecil", por ser contra a volta do voto impresso.
O presidente, assim, mantém o tom de confronto, mesmo diante do recorde de rejeição ao seu governo, segundo pesquisa do Datafolha.
A mesma que apontou que o ex-presidente Lula ampliou sua vantagem em uma eventual disputa com Bolsonaro à Presidência.
A agressividade foi mostrada em pronunciamentos voltados diretamente para o público:
os que assistem ao presidente nas noites de quinta-feira nas redes sociais e os apoiadores que o esperam no Palácio da Alvorada.
Seria uma forma de manter a base bolsonarista mobilizada, para continuar com chances de disputar a reeleição em 2022.
Mas há um problema para Bolsonaro apontado no Datafolha, quer ele reconheça ou não a veracidade do levantamento:
a base pode estar indo embora.
O instituto aponta um êxodo de seis pontos percentuais de entrevistados que, até março, estavam entre os que consideravam o desempenho do chefe de governo bom ou ótimo.
Ao longo de cinco meses, esses seis pontos passaram a considerar a performance do presidente regular, para em seguida se colocarem no lado dos que o avaliam como ruim e péssimo.
Na pesquisa do fim da primeira quinzena de março, 30% dos entrevistados diziam que o governo Bolsonaro era ótimo ou bom.
O percentual cai seis pontos em maio, e fica estacionado no mesmos 24% no levantamento divulgado na quinta-feira.
Enquanto isso, entre março e maio, o número dos que avaliavam Bolsonaro como regular pulou exatamente seis pontos, de 24% para 30%.
E agora, voltou a 24%.
Os que consideravam o governo ruim ou péssimo em março eram 44%, o que pouco difere dos 45% apontados em maio.
Mas o contingente saltou para 51% no novo Datafolha.
Se Bolsonaro, como se viu na expressão fecal sobre a CPI ontem, e no insulto ao presidente do TSE hoje, continua o mesmo, o que mudou a partir de março?
A taxa de desemprego escalou um nível recorde no trimestre que terminou em abril e lá se mantém.
A vacinação contra a Covid, que começou em dezembro, passou a andar mais rápido e a mostrar seus efeitos.
Mas os trabalhos da CPI da Covid podem ter reforçado uma impressão na população que já estava latente: a imunização acontece não por causa, mas apesar do presidente.
Assim como esses seis pontos percentuais de apoio se foram, podem voltar no segundo semestre.
Ou se ampliar.
As indicações mais fortes são de que isso dependerá de como os brasileiros se lembrarão da atuação de Bolsonaro sobre a vacina, quando a imunização terminar.
E da evolução da taxa de desemprego.
E para onde irão as investigações de suspeita de corrupção na compra de vacinas pela CPI.
Brigar por voto de papel ou xingar não parece fazer muita diferença nesse quadro.

O ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias foi preso acusado de falso testemunho, depois de não dar respostas que deixassem satisfeitos os integrantes da CPI da Covid no Senado.
Demitido após ser acusado de cobrar propina para a compra de vacinas contra a Covid-19 pelo policial militar Luiz Dominghetti, Dias afirmou que não negociava vacinas, responsabilidade que seria de Elcio Franco, ex-secretário executivo do ministério na gestão de Eduardo Pauzello.
O jantar em que, segundo Dominghetti, teria havido o pedido de propina, foi apenas um chope, em que ambos se encontraram por acaso, apresentados por uma terceira pessoa, na versão de Dias.
_______________ * Lula amplia vantagem sobre Bolsonaro e teria 46% dos votos no 1º turno, contra 25% de Bolsonaro, diz Datafolha

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SÃO PAULO — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46% das intenções de voto para a eleição presidencial de 2022 contra 25% do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira. O petista aparece à frente do mandatário tanto na pesquisa estimulada, quando são ditos os nomes dos candidatos aos entrevistados, quanto na espontânea. Neste último caso, Lula tem 26% dos votos, enquanto Bolsonaro, 19%. Em um cenário em que os dois se enfrentam no segundo turno, o petista aparece com 58% dos votos, contra 31% do presidente.
O levantamento sugere que, pelo menos por enquanto, os candidatos que se apresentam como centristas não conquistaram o apoio dos eleitores. Na pesquisa espontânea, apenas o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) foi mencionado pelos entrevistados, com 2% das intenções de voto. A porcentagem de pessoas que afirmaram que votariam em outro nome é de 2%.
Já na pesquisa em que os nomes dos candidatos são expostos aos entrevistados, Ciro cresce nas inteções de voto, mas a corrida pela chamada terceira via continua embolada. Nesse cenário, o pedetista fica em terceiro lugar, com 8%. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tem 5%, e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM), 4%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, Doria e Mandetta estão empatados tecnicamente.
Além disso, 10% dos entrevistados disseram que pretendem votar em branco, nulo, ou em nenhum dos candidatos apresentados no questionário do Datafolha, e 2% afirmaram não saber em que vão votar. O Datafolha ouviu 2.074 eleitores, de forma presencial, entre o dia 7 e 8 deste mês.
Na primeira pesquisa Datafolha divulgada em maio deste ano, Lula já aparecia à frente de Bolsonaro, com 41% das intenções de voto contra 23% do presidente. O ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro tinha 7% — desta vez, ele não aparece na pesquisa —; Ciro Gomes (PDT), 6%; Luciano Huck (sem partido) aparecia com 4%; e João Doria (PSDB), 3%.
Cenários no segundo turno
Além de mostrar que Bolsonaro ficaria em segundo lugar no primeiro turno, o Datafolha revela que o presidente não vence nenhum dos principais adversários com vantagem.
Em um cenário de segundo turno em que Lula e Bolsonaro se enfrentariam, o petista venceria por 58% a 31%. A pesquisa oscilou três pontos percentuais para cima em favor do ex-presidente, enquanto o atual ocupante do cargo perdeu um ponto.
Contra Ciro Gomes, Bolsonaro também sairia derrotado: o ex-ministro aparece com 50%, enquanto Bolsonaro, 34%. O mesmo aconteceria se o segundo turno fosse contra Doria. O tucano teria 46%, e o presidente, e 35%.
Em meio ao avanço da CPI da Covid, a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro atingiu o índice mais alto desde o início do mandato, segundo pesquisa Datafolha. De acordo com o levantamento, 51% dos eleitores classificaram o governo como ruim ou péssimo, o pior resultado registrado pelo chefe do Executivo em 13 levantamentos feitos pelo instituto desde 2019.
A reprovação era de 45% no questionário anterior, aplicado em 11 de maio. Em 8 de dezembro, quando começou a curva ascendente, o número bateu 32%. A taxa de ótimo ou bom manteve-se estável em 24%, desde maio. Já o percentual de quem acha o governo Bolsonaro regular caiu de 30%, na pesquisa anterior, para 24% agora.
A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. A pesquisa foi feita de forma presencial em 146 municípios nos dias 7 e 8 de julho. Responderam ao questionário 2.074 pessoas acima de 16 anos.
_______________ * Defesa se nega a dar dados sobre voos da FAB à Câmara; deputado vai ao TCU | Lauro Jardim - O Globo
Por Amanda Almeida

O Ministério da Defesa se negou a informar à Câmara dados sobre voos de servidores públicos pela FAB no governo Jair Bolsonaro.
Em resposta ao requerimento do deputado Gustavo Fruet (PDT-PR), a pasta disse que, segundo um decreto, a responsabilidade pela lista de passageiros em voos da FAB é das autoridades que pedem os deslocamentos.
Em ofício assinado pelo ministro Braga Netto, a Defesa disse que não tem as relações de passageiros. Para Fruet, além de um "desprezo" a pedidos de informação do Parlamento, a resposta fere uma série de normas da legislação brasileira, a começar pela Constituição.
O deputado levará a questão ao TCU. Quer que o órgão tome providências para garantir a transparência dos dados.
_______________ * Lei da Inteligência Artificial apareceu do nada | Opinião - O Globo
Por Pedro Doria
Entrou em regime de urgência, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 21/2020, redigido pelo deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE). É o Marco Legal do Desenvolvimento e Uso da Inteligência Artificial no Brasil. Ninguém estava sabendo. Ninguém na indústria, ninguém nas organizações da sociedade civil que costumam tratar de temas ligados à tecnologia, tampouco os principais acadêmicos do setor. Apareceu do nada e, num repente, estava para tramitar em urgência.
O texto, que ainda pode ser emendado, não é ruim. Só que tampouco é bom. “Uma base de nulidades e platitudes”, ouvi de alguém que conhece particularmente bem o tipo de inteligência artificial que temos hoje. Uma lei que, como está, não serve para rigorosamente nada. No máximo, exigirá que empresas contratem advogados para ter certeza de que estão nos conformes.
E isso é particularmente estranho, porque não é a praxe da Câmara dos Deputados. Tecnologia digital é complicado. Em geral, quando leis do tipo são redigidas, os parlamentares fazem como deve ser feito, costumam cuidar direito disso. Convocam publicamente quem se interessa pelo tema, promovem debates, ouvem sugestões. Quando finalmente se chega a uma minuta de texto, cada artigo, cada parágrafo segue sendo intensamente debatido. É por isso que temos um bom Marco Civil da Internet e uma boa Lei Geral de Proteção de Dados. Porque quem entende do assunto foi consultado, participou da elaboração.
Pois é — a turma de sempre, desta vez, nem foi convidada a participar, nem sabia que ia tramitar. E, ora, quanto mais com urgência. Como se fosse para ontem.
Em abril deste ano, a União Europeia abriu para debates o texto de sua regulação de inteligência artificial. Ainda não está tramitando no Parlamento — a minuta do projeto foi apresentada ao público para colher impressões. Antes disso, houve dois anos de preparativos e discussões até chegar ao texto.
Mas a Câmara dos Deputados quer aprovar algo a toque de caixa.
Isso é um problema, porque inteligência artificial é um tema particularmente espinhoso, que conviverá conosco mais e mais nas próximas décadas. Inteligências artificiais tomarão decisões que afetarão nosso cotidiano, que terão impacto nos destinos do país, em alguns casos decisões de vida e morte. Literalmente.
Será natural que bancos tomem decisões a respeito de conceder crédito a partir de algoritmos. Os recursos humanos de empresas contarão com programas do tipo para selecionar funcionários. Quando um carro autônomo atropelar e matar alguém, terá sido uma rotina de inteligência artificial a atuar ali. Contratos poderão ser redigidos com essa tecnologia. Assim como cânceres serão detectados ou não com ela, e cirurgias no cérebro, no coração serão feitas guiadas por esse tipo de programa.
O nome mais correto não é inteligência artificial, e sim aprendizado de máquina. Porque o computador aprende a partir dos dados que carregamos e das premissas que nós, humanos, injetamos. A primeira versão do Google Photos identificou pessoas negras como gorilas. O computador não é racista. Mas foi alimentado com milhares de fotos de rostos humanos e uma ínfima fração era de pessoas negras — o programa não aprendeu como eram esses rostos. O resultado foi racista.
Tem de regular por causa disso. Porque problemas acontecerão e, muitas vezes será difícil saber por quê. E, com frequência, decisões injustas ou que causem dano sério ou mesmo que matem serão tomadas porque uma inteligência artificial foi alimentada com dados que impunham viés a suas decisões.
Algoritmos de aprendizado de máquina já decidem que mensagens políticas vemos com mais ou menos frequência nas redes sociais. Basta ver como andamos irritados e radicalizados para entender o estrago que podem causar.

Por Pedro Doria
_______________ * Após conflito com militantes tucanos, partidos dão ultimato a PCO sobre atos contra Bolsonaro | Bela Megale - O Globo

Movimentos sociais e sindicais e partidos que fazem parte da coordenação da campanha “Fora Bolsonaro” se reúnem, neste sábado, com o Partido da Causa Operária (PCO) para dar um ultimato à sigla. O partido será cobrado para que pare de hostilizar pessoas que comparecem aos atos, mas que não são de esquerda. Caso contrário, terá que organizar suas próprias manifestações. Participarão do encontro PT, PSOL e PCdoB, além do MST, MTST e CUT.
O objetivo do grupo é mostrar que os protestos contra Bolsonaro são espaços livres e abertos a participação de todos, incluindo famílias. Os organizadores querem passar a mensagem que qualquer pessoa que concorde com a pauta do impeachment do presidente, a aceleração das vacinas e a extensão e o ajuste do auxílio emergencial no valor de R$ 600 até o fim da pandemia é bem-vinda.
No ato realizado em São Paulo em 3 de julho, o PCO entrou em conflito com militantes do PSDB para expulsá-los da manifestação que acontecia na Avenida Paulista. Depois do episódio, o PCO passou a disseminar nas redes sociais que ações dessa natureza vão acontecer nos próximos atos contra Bolsonaro, inclusive com mobilização de seus filiados em São Paulo. A ação incomodou boa parte dos organizadores dos protestos, que vão debater o tema com o partido neste sábado.
Outra medida avaliada pelos movimentos sociais e sindicais e pelas siglas é terminar a manifestação na Avenida Paulista e não seguir para a Praça Roosevelt. É nessa parte do percurso que acontecem as ações de vandalismo de black blocs ou infiltrados. O próximo ato está marcado para o dia 24 de julho.
_______________ * Intimidação fardada | Bernardo Mello Franco - O Globo

Quando o Brasil ultrapassou as 70 mil mortes pelo coronavírus, o ministro Gilmar Mendes criticou a militarização do Ministério da Saúde e avisou que o Exército estava se associando a um genocídio. Um ano e 460 mil mortes depois, as Forças Armadas também precisam explicar o envolvimento de oficiais em suspeitas de corrupção.
Ao menos seis militares entraram na mira da CPI da Covid, que apura negociatas na compra de vacinas. A tropa inclui um general, três coronéis, um tenente-coronel e um ex-sargento da Aeronáutica acusado de cobrar propina de um dólar por dose.
O senador Omar Aziz se referiu a esses fatos quando lamentou o envolvimento de “alguns” oficiais em falcatruas. Em vez de colaborar com as investigações, a cúpula militar resolveu ameaçar a CPI.
A nota divulgada pelo ministro da Defesa e pelos três comandantes militares é uma peça de intimidação explícita. Os signatários acusam o senador de “desrespeitar as Forças Armadas” e “generalizar esquemas de corrupção”. Quem assistiu à sessão do Senado sabe que isso não ocorreu.
Aziz disse que “os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia”. Em seguida, elogiou os militares e manifestou respeito pela instituição. “Quando a gente fala de alguns oficiais do Exército, é lógico, nós não estamos generalizando”, ressaltou.
A Defesa levou quase nove horas para reagir. Curiosamente, só se mexeu depois de Aziz dar voz de prisão ao ex-sargento Roberto Dias, que mentiu e foi desmascarado diante das câmeras.
Além de distorcer as palavras do senador, a nota dos militares termina em tom de ameaça. Diz que as Forças Armadas “não aceitarão qualquer ataque leviano”. Faltou explicar se a resposta virá a bordo de tanques, fragatas ou aviões de combate.
Jair Bolsonaro já mostrou que fará de tudo para obstruir o trabalho da CPI. Nas últimas semanas, ele chamou senadores de “patifes”, “picaretas” e “bandidos”. Ontem usou um termo chulo para reforçar as agressões.
Ao insinuar uma quartelada, a cúpula militar se associa a essa tática de intimidação. E sugere que está disposta a romper a legalidade para proteger um presidente rejeitado pela maioria dos brasileiros.
Leia também: Forças Aparvalhadas
_______________ * Forças Aparvalhadas | Bernardo Mello Franco - O Globo

O capitão enquadrou os generais que imaginavam comandá-lo. A avaliação é do cientista político João Roberto Martins Filho, professor da Universidade Federal de São Carlos. Um dos principais estudiosos da atuação das Forças Armadas no país, ele vê Jair Bolsonaro como uma criatura que dominou os criadores.
“A eleição de Bolsonaro teve apoio decidido da cúpula das Forças Armadas. O objetivo era voltar ao poder e controlar o presidente, mas esse projeto não deu certo. Desde a demissão do general Santos Cruz, no início do governo, ficou claro que ele seria incontrolável”, afirma.
Na quinta-feira, o Exército se dobrou a Bolsonaro e arquivou o processo disciplinar contra o general Eduardo Pazuello, que participou de ato político com o presidente. Para Martins Filho, a decisão de não punir o ex-ministro enfraquece o comandante Paulo Sérgio Nogueira e estimula a insubordinação nos quartéis.
“A atitude correta seria punir o general e esperar as consequências. Bolsonaro poderia demitir o comandante do Exército, mas sairia desgastado do episódio. Agora quem saiu enfraquecido foi o comandante”, avalia o cientista político.
O presidente arrastou Pazuello para o palanque no momento em que aparece em queda nas pesquisas e se vê cercado pela CPI da Covid. Antes disso, trocou os três comandantes militares e entregou o Ministério da Defesa ao general Braga Netto, que o professor define como “bolsonarista de carteirinha”.
“Levar Pazuello para o ato foi uma provocação aberta”, diz Martins Filho. “Quanto mais o governo se enfraquece, mais as Forças Armadas parecem aparvalhadas. Os generais do Alto Comando que pensam na institucionalidade devem estar desnorteados”, aposta.
O capitão se projetou na política ao ser punido por indisciplina nos quartéis. Agora estimula a insubordinação militar para se agarrar ao poder, avalia o cientista político. “A estratégia de Bolsonaro é semear o caos. Ele sempre tenta fugir para a frente. Enquanto puder, vai gerar instabilidade até as eleições de 2022”, prevê.
O cenário do tumulto já está desenhado. Ao atacar o voto eletrônico, o presidente indica que se insurgirá contra uma possível derrota nas urnas. Enquanto a eleição não chega, ele investe na politização de policiais militares e de oficiais de baixa patente das Forças Armadas.
“Hoje os governadores têm medo de suas polícias. Se houver uma rebelião nas PMs, só quem pode segurá-las é o Exército. Bolsonaro está brincando com fogo”, alerta Martins Filho.
O professor aponta semelhanças entre o caso Pazuello e o atentado do Riocentro, em 1981. Há 40 anos, militares contrários à redemocratização tramaram um ato terrorista para frear a abertura. O plano fracassou porque uma das bombas explodiu no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, que morreu no local.
Em vez de punir os responsáveis, o governo de João Figueiredo preferiu acobertá-los. O inquérito foi arquivado sob a alegação de que os militares teriam sido vítimas de uma armadilha. “A diferença é que agora o agitador é o presidente da República”, observa Martins Filho.
_______________ * A festa da farda | Bernardo Mello Franco - O Globo

No “Almanaque do Exército”, ele era o coronel Jonas Madureira da Silva Filho. Na intimidade matrimonial, apenas Madu. O personagem do livro de Marques Rebelo passava os dias de pijama, no conforto da reserva remunerada. Depois do golpe, foi convocado para uma tarefa patriótica: assumir um cargo de chefia no Segal, o Serviço Geral de Abastecimento e Lubrificantes.
“O simples coronel Madureira” se passa no início da ditadura de 1964, quando os militares se apinharam na burocracia federal. Junto com os postos, veio uma penca de diárias, gratificações e mordomias. A mulher de Madu ficou eufórica: sobraria dinheiro para comprar o sonhado faqueiro de prata.
A festa da farda se repete no governo de Jair Bolsonaro. Desde a posse do capitão, o número de militares em cargos civis mais que dobrou. Saltou de 2.765 para 6.157, segundo dados do Tribunal de Contas da União.
Além de estender o cabide, o presidente engordou os contracheques. Em dezembro, o oficialato se esbaldou numa reforma da Previdência bem particular. Enquanto os paisanos sofriam perdas, os fardados ganharam reajustes de até 73%, incluindo novos penduricalhos.
Os oficiais que vão para a reserva passaram a ganhar bônus de oito salários, o dobro da regra anterior. Um dos primeiros a receber o presente foi o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Em maio, ele pendurou o quepe de almirante com um mimo de R$ 300 mil.
Ontem o “Estadão” revelou que o governo pretende criar mais duas gratificações exclusivas para os militares. Quem já recebe extras de R$ 1,7 mil passaria a embolsar R$ 6,9 mil. Um fabuloso aumento de 303%.
A farra mostra que o apoio dos quartéis a Bolsonaro virou um negócio lucrativo. A generosidade é tanta que transborda para os herdeiros. A filha do general Villas Bôas, ex-comandante do Exército, já ganhou dois cargos no ministério da pastora Damares. Agora o general Braga Netto, chefe da Casa Civil, deve emplacar a filha na Agência Nacional de Saúde.
Formada em relações públicas, a moça substituirá um servidor de carreira. A vaga fica no Rio, não exige concurso e paga salário de R$ 13 mil. Com uma boquinha dessas, nem o coronel Madureira ousaria sonhar.
_______________ * 'Homem armado NÃO ameaça. NÃO vamos ficar aqui ameaçando', diz chefe da FAB sobre choque com CPI * 'NÃO temos intenção de proteger ninguém à margem da lei', diz chefe da Aeronáutica sobre corrupção entre militares

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BRASÍLIA - Militares são, tradicionalmente, avessos a entrevistas. O recente embate entre as Forças Armadas e o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), porém, fez com que o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, decidisse falar.
Em entrevista exclusiva ao GLOBO, o brigadeiro Baptista diz que os militares estão incomodados com o que descreve como uma tentativa de associação, por parte da CPI, entre a corporação e as suspeitas de corrupção apuradas pelos senadores. Critica o tratamento dispensado a colegas que estão na mira das investigações, como o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-secretário-executivo da pasta Elcio Franco. Mas afirma que as Forças não vão tolerar casos comprovados em seus quadros. “Não somos lenientes com desvios e não temos qualquer intenção de proteger ninguém que está à margem da lei.”.
O comandante da Aeronáutica diz que os militares se mantêm “dentro das linhas da Constituição”. E trata como um “alerta às instituições” a nota divulgada anteontem, na qual ele e os demais comandantes militares dizem que as “Forças Armadas não aceitarão ataques levianos”. Sobre as especulações de que poderiam embarcar numa aventura golpista, afirma: “Homem armado não ameaça”.
As Forças reagiram de forma dura à CPI com a nota divulgada anteontem?
Nós sabemos que a nota foi dura, como nós achamos que devia ser. É um alerta às instituições. A defesa é das instituições, como falamos no final. Cada instituição do país tem a obrigação de se preocupar com a democracia e o respeito às instituições. E nós, instituição militar, não abriremos mão disso.
A nota foi uma resposta ao presidente da CPI?
A nota foi voltada pessoalmente a ele, não foi um agravo à CPI ou ao Poder Legislativo. Mas uma resposta aos ataques à instituição militar. Foi resposta ao presidente da CPI, porque ele colocou isso de uma forma que nos parece generalizada. E esta observação dele ontem (anteontem) já se repetiu em algumas outras oportunidades, particularmente em relação ao general (Eduardo) Pazuello (ex-ministro da Saúde), ao Elcio (Franco, ex-secretário executivo da Saúde). A CPI acontece para levantar os fatos e as possíveis responsabilidades, mas a gente precisa saber que é um inquérito, é uma fase investigativa. Aquilo lá é investigação? O povo tem de responder.
Na sua avaliação, a CPI está exorbitando?
Não gostaria de entrar nessa avaliação da CPI. Não cabe às Forças Armadas opinar.
Quando falam na nota que não vão aceitar ataque leviano às Forças Armadas, o que quer dizer essa ameaça?
É um alerta. Exatamente o que está escrito na nota. Nós não enviaremos 50 notas para ele (Omar Aziz). É apenas essa.
Mas o que pode acontecer?
Nós temos mecanismos dentro da base legal para evitar isso. E aí nós precisamos preservar as instituições. Receio que o país entenda que apenas as Forças Armadas sejam responsáveis pela garantia institucional. Não, todas as instituições são responsáveis. Estou falando da instituição Parlamento brasileiro, da Presidência, dos tribunais, do STF (Supremo Tribunal Federal), da imprensa. Tem instituições que ainda não entenderam isso. Mas nós temos certeza da nossa responsabilidade.
Quando o senhor fala que existem mecanismos legais para responder ao presidente da CPI, o senhor fala em recorrer à Justiça ou Ministério Público? Na oposição há quem diga que vocês estão ameaçando com golpe.
Não... Homem armado não ameaça. Não existe isso. Nós não vamos ficar aqui ameaçando. O presidente do Senado (Rodrigo Pacheco) foi bastante feliz na sua colocação. As autoridades precisam entender o que está por trás da autoridade. Nós precisamos entender que o ataque pessoal do senador (Omar Aziz) à instituição militar não é cabível a alguém que deseje ser tratado como Vossa Excelência. Porque nós somos autoridades. O comportamento de cada um de nós, das autoridades, exige ponderação e entendimento do todo. E essa disputa política do país é normal, mas sinto ser em tão baixo nível, em nível muito raso. Sinto que esta disputa deve ter como limite os riscos que ela pode trazer à institucionalidade do país. Essa disputa política não pode ultrapassar os limites da aceitabilidade, que começa pelo respeito às instituições, entre os Poderes. E aí estou falando em tese. Não estou dando recado para ninguém.
Os ataques incomodam?
Estes ataques desnecessários, volto a dizer, não podem... Façam o devido processo legal, apurem as responsabilidades, doa a quem doer. Não temos qualquer intenção de proteger ninguém que está à margem da lei. O estado democrático de direito, que é uma unanimidade da sociedade, exige que os princípios legais sejam seguidos. E que ninguém seja julgado prematuramente. Mas, uma vez comprovado que agiu à margem da lei, que cada um pague na forma da lei.
Mas, reiterando, é que aquela última frase da nota das Forças Armadas, dizendo que não aceitarão ataques levianos, levou a algumas observações de que militares poderiam estar ameaçando com golpe.
As Forças Armadas continuam com seu princípio legalista e de acatamento à Constituição.
O presidente participou da elaboração da nota? Ela foi redigida no Planalto?
Negativo. Foi redigida dentro do Ministério da Defesa, com a participação do ministro (Braga Netto) e os três comandantes (Exército, Marinha e Aeronáutica).
A ideia foi de quem?
Partiu de nós quatro. A maneira como o ataque foi percebido por nós foi muito ruim.
Fala-se muito da presença dos militares no governo, sobre militarização.
Somos cidadãos. Os militares nos últimos anos se voltaram para dentro dos quartéis, com aperfeiçoamento da sua profissionalização. Quando a gente olha lá para trás, para governar, o presidente Fernando Henrique trouxe quem ele conhecia, em quem ele confiava. Trouxe acadêmicos, professores, políticos, profissionais do meio dele. O presidente Lula trouxe, da mesma forma, sindicalistas. E eu não vejo nenhum problema nisso, porque quando você fala em cargo de confiança, são cargos de confiança. Não vejo como diferente do que aconteceu com o governo Bolsonaro. O presidente Bolsonaro trouxe para o governo, em sua maioria militares da reserva, que podem atuar como qualquer cidadão. E uma minoria da ativa, que é autorizada pela legislação vigente a ocupar cargos de natureza civil por até dois anos.
Existe sempre uma comparação de desempenho entre militares e civis.
Não estou aqui num devaneio de que os militares sejam 100% diferentes dos não militares. Logicamente que nós também temos problemas de desvios de conduta interna. Mas, existe, sim, uma característica em relação aos militares: nós não somos lenientes com isso, na medida em que a gente saiba. Isso é muito importante. A Força Aérea acaba de expulsar sete oficiais por envolvimento com atividades ilícitas. Ou seja, nós não somos lenientes com desvios. Nem desvios administrativos nem de comportamento.
Mas esse governo pode ser chamado de governo militar?
Essa ideia de que nós temos um governo militar, nós vemos claramente isso como uma pauta. E isso sim, tem nos desagradado muito. Uma pauta de parte da oposição, dentro do jogo político. E eu não estou me metendo no jogo político de governo e oposição. Esta pauta de colocar no imaginário popular que os militares, principalmente os de mais alta patente, não são tão honestos, sequer tão capazes, é uma pauta que parte da imprensa vem tentando incutir nas suas matérias. E parte da oposição também. Alguns valores como combate à corrupção, valores republicanos, foram a base da campanha do presidente Bolsonaro, que o elegeram. Para que a oposição tente voltar, ela tem de combater esses valores. A razão de estarem fazendo isso é mostrar que esse governo não é tão diferente do que nós já vimos anteriormente.
O senhor acha que há prejulgamentos?
Aquele rapaz (Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde) que estava lá depondo ontem (anteontem), funcionário público concursado, ele (Omar Aziz) tratou como um militar da Força Aérea Brasileira. Ele era um sargento controlador (de voo) que pediu demissão da Força Aérea em 2009. Eu não estou dizendo que o rapaz tem ou não culpa. Acho que o processo tem de chegar às conclusões. Só que, o presidente de uma CPI, prematuramente, fazer julgamentos de oficiais, e a gente está vendo ele fazer isso com o Pazuello, um general da ativa, isso é muito desagradável e não podemos aceitar.
O senhor acha que eles estão conseguindo mudar a percepção da população sobre as Forças Armadas?
A sociedade já, há algum tempo, está muito polarizada. Há mais de dez anos. As pessoas pararam de ouvir o outro lado. O diálogo passa a ser desnecessário. As pessoas estão ficando mais surdas, mais radicais nas suas posições, e isso é ruim para a sociedade. A sociedade deve discutir democraticamente, entender o ponto de vista do outro, reduzir inflexibilidade, entender as dificuldades da sociedade... Hoje, quem fala mal de alguma coisa não escuta nada sobre qualquer coisa boa do outro lado, e vice-versa.
Como o senhor analisa as críticas sobre o fato de comandantes militares estarem se posicionando publicamente sobre diversos assuntos, inclusive em redes sociais?
Tem muita gente que se desacostumou de ver os comandantes falarem, principalmente depois da criação do Ministério da Defesa. Outro dia, sofri uma representação de um deputado do PSOL por causa de um post no Twitter. Uma coisa é os comandantes não se meterem em política partidária, o que não está acontecendo. Outra coisa é imaginarem que um comandante de uma Força, com 70 mil ou 200 mil homens e mulheres que representam, uma parte importante da sociedade, sejam apolíticos, alienados da conjuntura do Brasil. Penso que nossa participação tem sido ponderada e responsável, evitando trazer discussões político-partidárias para dentro das organizações militares. Essa discussão toda na sociedade está muito esgarçada. O momento é de união. Já temos dificuldades demais. A polarização e o radicalismo têm prejudicado atingirmos o bem-estar social. Para isso, cada instituição deve cumprir sua missão dentro dos limites de autoridade que tem. Precisamos de maturidade e reflexão de todos.
_______________ * Renan Calheiros, relator da CPI, reage as falas de Bolsonaro e diz que comissão não teme 'quarteladas'

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BRASÍLIA - O relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta sexta-feira que a comissão vai continuar o trabalho de investigação, sem medo de "quarteladas". Na quarta-feira, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) comentou o envolvimento de militares em irregularidades nos fatos investigados. O Ministério da Defesa reagiu dizendo que "as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro". Na noite de quarta, Omar se manifestou novamente dizendo que não seria intimidado.
— Vamos em frente, sem medo e investigando quem precisar ser investigado. Nós não podemos ter medo de arreganhos, de ameaças, de intimidações, de quarteladas. Vamos investigar haja o que houver. Estamos aqui apenas cumprindo um mandamento do povo brasileiro que quer saber o que aconteceu e poderia ser feito para evitar uma quantidade muito grande, mais de 300 mil vidas poderiam ter sido salvas se o governo tivesse feito sua parte — afirmou Renan, acrescentando:
— Não vamos investigar instituições militares. Longe de nós. Temos responsabilidade institucional. Agora nós vamos sim investigar o que ocorreu nos porões do Ministério da Saúde. E na medida em que esses fatos forem sendo conhecidos, que as provas forem apresentadas, vamos cobrar punição dos seus responsáveis, sejam eles civis ou militares. Não importa. O que importa é que o povo brasileiro terá uma resposta.
Renan também citou a resposta a carta enviada por ele, por Omar e pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ao presidente Jair Bolsonaro para ele dizer se o deputado Luís Miranda (DEM-DF) é mentiroso. Durante a live desta quinta-feira, Bolsonaro respondeu ao oficio dizendo "caguei para CPI":
— Ontem nós mandamos uma carta para o presidente da República, e o país ficou estupefato com a maneira como ele respondeu esta comissão parlamentar de inquérito. A escatologia proverbial do presidente da República recende ao que ocorreu no seu governo na pandemia. Todos sentimos esses odores irrespiráveis que empestearam o Brasil e mataram tantos inocentes — afirmou o relator da CPI.
Miranda relatou à CPI que, em encontro com Bolsonaro, denunciou pressão sobre seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo, para liberar a vacina Covaxin. Na ocasião, ele disse que o presidente mencionou o nome do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que foi ministro da Saúde quando a pasta fechou contrato com a empresa Global, que recebeu pagamento antecipado mas nunca entregou os medicamentos comprados. A Global é sócia da empresa Precisa, representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech, desenvolvedor da Covaxin.
_______________ * Rodrigo Pacheco defende independência do Congresso e manda recado a militares e a Bolsonaro

247 - O presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-RO), concedeu uma entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (7), no qual defendeu a independência da instituição, em uma resposta direta aos militares, que enviaram uma nota ameaçadora à CPI da Covid no Senado nesta quinta. Ele também mandou recado a Jair Bolsonaro, que vem fazendo frequentes falas que colocam em risco a lisura das eleições de 2022.
"Temos compromissos que são inarredáveis, inafastáveis. O compromisso com a República, com o pluralismo político e da separação entre os Poderes, que signifique o respeito. Entre elas uma separação entre os poderes, que não significa necessariamente desunião”, declarou Pacheco.
“Quero reafirmar a independência do Congresso, que não admitirá qualquer atentado à sua independência. E às prerrogativas de seus parlamentares: por palavra, opinião e voto”, diz Pacheco. O senador defendeu em seguida a “preservação absoluta do estado democrático de direito e da democracia”.
O pronunciamento aconteceu dois dias depois de o Ministério da Defesa, juntamente com as Forças Armadas, divulgar uma nota em tom ameaçador contra a CPI da Covid e chamando o presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), de “leviano e irresponsável” diante de denúncias de corrupção que envolveriam alguns militares no Ministério da Saúde. Hoje o tom dos militares subiu. Em discurso no Senado no mesmo dia, Aziz cobrou de Pacheco uma reação mais dura em resposta aos militares. O próprio senador Aziz respondeu à nota.
_______________ * Aline Osório: "É ingênuo achar que o voto impresso vai calar o discurso de fraude" | Malu Gaspar - O Globo

A advogada Aline Osório tinha 32 anos e engrenava uma carreira internacional num escritório em Paris quando decidiu interromper tudo para voltar ao Brasil bem no início da pandemia. Ela aceitou um convite do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Roberto Barroso, para assumir uma missão inglória: defender a segurança das urnas eletrônicas e combater a desinformação sobre as eleições no Brasil.
Depois de pouco mais de um ano na função, a convidada deste episódio de A Malu Tá ON constata: no atual ambiente de polarização política, mesmo que se adote o voto impresso, a segurança das eleições continuará sendo questionada. “É ingênuo achar que a implantação do voto impresso vai calar algum discurso de fraude.”
O problema, diz Aline, é que, se não for combatido, tal discurso pode alimentar o descrédito sobre o sistema eleitoral e, no limite, sobre a própria democracia. “Quantos candidatos derrotados vão pedir recontagem e vão querer questionar o resultado na Justiça? As eleições ao final vão ser decididas por juízes, não pelos cidadãos. A política vai se tornar uma grande guerra de liminares e não de propostas, ou de disputa legítima de candidatos”.
Com a certeza de quem acredita que, no sistema atual, a fraude nas urnas eletrônicas é "impraticável", Aline coloca em seu devido lugar as alegações do presidente Jair Bolsonaro de que teria ganhado as eleições de 2018 no primeiro turno.
"As entidades podem pedir depois das eleições todos os arquivos que foram usados nas eleições, para verificar. Se os partidos que questionam o resultado tivessem interesse em conferir, o fundo partidário tem dinheiro suficiente para contratar especialistas para isso. E nas eleições de 2018 não houve pedido. Isso poderia ter sido feito", ela afirma. "Ninguém fez".
Alçada ao comando de uma equipe de mais de mil pessoas, Aline teve de lidar com situações típicas do machismo na corte que só recentemente recebeu a primeira ministra mulher: “Já fiz audiências em que antes de me darem bom dia perguntavam ‘mas quantos anos você tem’? Ou que tentavam me arrumar marido”.
O podcast A Malu Tá ON traz, toda semana, entrevistas sinceras e diretas com gente que está fazendo a história acontecer. O programa está disponível às sexta-feiras a partir das 12h, na página de Podcast do GLOBO, no Spotify, no Apple Podcasts, na Amazon Music, no Google Podcasts, no Deezer ou em qualquer outro agregador.
_______________ * Bolsonaro chama presidente do TSE de 'imbecil' e volta a ameaçar dizendo que pode não haver eleição em 2022

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BRASÍLIA — Em desvantagem em pesquisas, o presidente Jair Bolsonaro voltou a colocar em dúvida a segurança das eleições nesta sexta-feira, novamente sem apresentar provas. Bolsonaro repetiu que há a chance de não serem realizadas eleições em 2022 e chamou de "idiota" e "imbecil" o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso. Bolsonaro ainda atacou o presidente e o relator da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL).
— Não tenho medo de eleições. Entrego a faixa a quem ganhar. No voto auditável. Nessa forma, corremos o risco de não termos eleição no ano que vem. Porque é o futuro de vocês que está em jogo — disse Bolsonaro, em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada.
Uma pesquisa do Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou que rejeição a Bolsonaro atingiu 51%, maior taxa desde início do governo. No mês passado, um levantamento do Ipec apresentou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando a disputa eleitoral do próximo ano.
De acordo com o presidente, os institutos de pesquisas participariam de uma fraude ao lado do TSE para beneficar Lula:
— Daí vem os institutos de pesquisas, fraudados também, botando ali o nove dedos lá em cima. Para que? Para ser confirmado o voto fraudado no TSE — disse, acrescentando depois: — Já está certo quem vai ser presidente no ano que vem. A gente vai deixar entregar isso?
Bolsonaro defende que é preciso imprimir um registro do voto, após a votação na urna eletrônica. Ele, contudo, nunca de nunca ter apresentado nenhuma prova de fraude no modelo atual.
O presidente também atacou Barroso, dizendo que os argumentos dele contra a proposta de voto impresso são de um "imbecil" e "idiota":
— É uma resposta de um imbecil. Eu lamento falar isso de uma autoridade do Supremo Tribunal Federal. Só um idiota para fazer isso aí.
Procurado por intermédio da assessoria, Barroso ainda não se manifestou.
Bolsonaro também voltou a dizer, sem provas, que houve irregularidade nas eleições de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) venceu Aécio Neves (PSDB), e disse que "a fraude está no TSE". De acordo com Bolsonaro, a evolução dos votos, minuto a minuto, não permitiria a vitória de Dilma.
— Em 2014 se mostrou a apuração minuto a minuto. Obviamente vocês não tiveram acesso. E minuto a minuto, no segundo turno, Aécio Neves, começou o Aécio Neves lá em cima e a Dilma lá embaixo. Com o tempo, essas curvas foram se cruzando até que se estabilizaram na horizontal com a Dilma na frente — disse. — Depois que as curvas se tocaram, ou momentos antes das curvas se tocarem, era Dilma ganhou, Aécio ganhou, Dilma ganhou, Aécio ganhou. Por 271 vezes. É você jogar uma moeda 217 vezes para cima e dar cara, coroa, cara, coroa, cara, coroa.
Para Bolsonaro, isso significa que houve "fraude" e "roubalheira". Em 2014, depois das eleições presidenciais, o PSDB pediu uma auditoria no sistema de votação, alegando falta de transparência. A auditoria foi realizada, mas não foram encontradas irregularidades.
O presidente ainda voltou a atacar Omar Aziz e Renan Calheiros, dois dos principais nomes da CPI da Covid, que tem causado desgaste ao governo ao investigar possíveis irregularidades na compra de vacinas.
— Quem vota em Omar Aziz ou é ignorante ou nasceu naquele lugar. O cara que desviou 260 milhões de saúde investigando saúde — disse Bolsonaro, repetindo acusação feita na quinta-feira e negada por Aziz.
Além disso, Bolsonaro ainda vinculou Renan a possíveis fraudes na eleição:
— Vocês acham que Renan Calheiros, por exemplo, se pudesse fraudar a votação, ele fraudaria, pelo caráter que tem? A única forma de bandidos como Renan Calheiros se perpetuarem na política, entre outros que estão do lado dele, o nove dedos, é na fraude.
_______________ * Entenda o que é a variante delta do coronavírus e quais são os riscos para o Brasil

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SÃO PAULO — O que acontece quando uma variante perigosa do coronavírus se choca com outra também ameaçadora em uma briga por território? A pergunta, que parece saída da narração de um documentário de vida selvagem, se aplica bem à disputa que as variantes Delta, detectada inicialmente na Índia, e Gama, identificada primeiro no Amazonas, podem travar no Brasil. Esse embate mórbido está em observação pelos cientistas, principalmente desde que casos que apontam transmissão comunitária (quando eles não são “importados”) da Delta foram achados por aqui.
— As variantes britânica e sul-africana entraram no Brasil, mas não se espalharam — recorda o cientista Amilcar Tanuri, coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ. — Mas com a Delta não sabemos como será. A gente terá que acompanhar com estudos de larga escala. É preocupante como ela vai se comportar. No Rio, por exemplo, nós já vimos a variante P2 ser substituída pela P1 (outra nomenclatura para a Gama) em questão de um mês.
De acordo com o Ministério da Saúde, 16 casos da variante Delta foram notificados no Brasil até agora. A maior parte deles no Maranhão, que tem seis diagnósticos positivos — todos em tripulantes de um mesmo navio. O estado é seguido por Rio de Janeiro e Paraná, com três, e depois, Goiás, com dois. Além de Minas Gerais e São Paulo, com um caso positivo por estado. Dois óbitos foram confirmados, no Maranhão (um indiano de 54 anos) e no Paraná (uma gestante de 42 anos que esteve no Japão).

Na capital paulista, para tentar identificar a origem da transmissão, a prefeitura realiza um inquérito epidemiológico entre contactantes da família do primeiro caso conhecido — um homem de 45 anos —, revelado na segunda-feira, mas que adoeceu ainda em junho. Cerca de 30 pessoas fazem parte do rastreio. Caso não seja possível identificar quem trouxe o vírus até a cidade, estará confirmada a transmissão comunitária.
Essa demora em descobrir os casos é outro ponto de preocupação. O mapeamento genômico da Covid no Brasil (maneira que se tem para conhecer o vírus em circulação) ainda é muito inferior, por exemplo, ao feito no Reino Unido, ainda que tenhamos melhorado em 2021, conta Fernando Spilki, virologista e coordenador da Rede Corona-ômica. A iniciativa, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, foi criada para observar as variantes.
— De fevereiro de 2020 a fevereiro de 2021, o Brasil tinha feito cerca de 2,6 mil sequenciamentos, mas de fevereiro deste ano até agora temos 22 mil. Melhoramos muito, mas para ter um acompanhamento mais rápido e fidedigno precisaríamos agilizar ainda mais e ter mais recursos — diz.
Proteína mais forte
A Delta, assim como as três demais variantes de preocupação, ganhou atenção ao conquistar espaço em meio a uma nova e pior onda da doença. Na Índia, isso ocorreu principalmente a partir de fevereiro de 2021, embora a circulação tenha iniciado em outubro de 2020. Em meses, ela tornou-se dominante no cenário local e, posteriormente, em países para os quais migrou, em trajetória que lembra a das variantes Alfa (Reino Unido), Beta (África do Sul) e Gama (Amazonas).
Em comum, esses locais têm o fato de terem registrado altas incidências da Covid. É sempre em um lugar com muitos contaminados, explica o virologista José Eduardo Levi, que o vírus tem cenário livre para ganhar mutações e passá-las adiante. Nessa competição por espaço, as piores formas tendem a vencer.
Não é à toa que as variantes de preocupação têm semelhanças nas mutações, ressalta Levi, que coordena um projeto de vigilância genômica do vírus na rede de laboratórios Dasa. As mutações que mais chamam a atenção na Delta ocorrem em pontos específicos da proteína spike — o material que forma a coroa do vírus. Essa proteína é o ponto de ligação entre o coronavírus e a célula humana. Com a variação da nova cepa, o vírus faz essa conexão com maior facilidade. Estudos chegam a apontar que ela seja 60% mais transmissiva.
— A proteína spike desta cepa é mais forte. Ela se “gruda” melhor ao receptor e fica mais difícil de romper a ligação, seja por meio de vacinas e anticorpos monoclonais. A Delta entra para a célula com mais facilidade — explica Salmo Raskin, membro da Sociedade Brasileira de Genética Médica.
Eficácia da vacinação
Há ainda dúvidas em relação à performance das vacinas frente à variante. Resultados iniciais, contudo, apontam para boa efetividade, mesmo que reduzida. Um novo estudo, liderado pelo Instituto Pasteur (França), concluiu que as vacinas da Pfizer e AstraZeneca são capazes de neutralizar o vírus após a segunda dose. O trabalho, publicado na revista Nature, analisou o soro sanguíneo de 162 pessoas vacinadas. Diante da Delta, os anticorpos daqueles com esquema vacinal completo tiveram efetividade de 95%. Só com uma dose, a resposta foi de 10%.
Quanto à CoronaVac, estudos iniciais na China também apontam para a efetividade, afirma Dimas Covas, diretor do Butantan.
Embora não se saiba qual cepa prevalecerá no Brasil, as formas de controle são as mesmas de sempre, lembram os especialistas.
— Isolamento e vacinação: é isso o que precisamos fazer — diz Maurício Nogueira, virologista e professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.
_______________ * Com índice recorde de rejeição, Bolsonaro diz que Lula não terá ‘coragem’ de fazer campanha nas ruas em 2022 | Bela Megale - O Globo

Com índice recorde de rejeição, o presidente Jair Bolsonaro segue cético a pesquisas. Com olhos fechados para o aumento da reprovação do seu governo, o presidente tem dito a seus aliados que nã acredita que Lula terá “coragem” de fazer campanha de rua em 2022. Bolsonaro diz que o petista vai querer se poupar de possíveis hostilidades nas ruas. A vida de Bolsonaro, porém, não está fácil quando o assunto é viagem.
Como mostrou a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 51% dos eleitores classificaram o governo como ruim ou péssimo. Esse é o pior resultado registrado pelo chefe do Executivo em 13 levantamentos feitos pelo instituto desde 2019.
Auxiliares de Bolsonaro que o acompanham nas agendas Brasil afora afirmaram à coluna que, para onde vai, presidente encontra apoiadores, mas os gritos de “Fora Bolsonaro” também são companhia constante, em especial em incursões na região Nordeste.
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