_______________* ATUALIZAÇÃO de TESE do MIT de 1972 confirma COLAPSO SOCIAL em 2040

__________* FIM completo da PRIVACIDADE: mundo vive ESCÂNDALO da ESPIONAGEM 


Fonte: Getty Images/Reprodução
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EUA vivem 'guerra da vacina' e começam a ficar para trás na imunização

Saiba tudo sobre a FRENTE_FRIA que chega na quarta-feira e deve ser a PIOR do INVERNO 

RIO de JANEIRO GELADO: Estado e capital podem ter MÍNIMAS_RECORDES com chegada de FRENTE FRIA 

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__________* Atualização de tese do MIT de 1972 confirma COLAPSO_SOCIAL em 2040

Em 1972, um estudo científico com aspecto apocalíptico, feito pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos EUA, previu que o rápido crescimento econômico, aliado ao total desprezo da humanidade pelo meio ambiente e pelos próprios seres humanos, iria causar um colapso social massivo em meados do século XXI.

Fonte: Getty Images/Reprodução

Fonte: Getty Images/Reprodução

Decorridos quase 50 anos, um novo estudo, feito pela diretora de uma das maiores firmas de contabilidade do mundo, chegou à conclusão que o famoso best-seller do MIT, chamado “Limites para o crescimento” é bem mais consistente do que pensávamos. A nova pesquisa, considerada uma atualização de dados do arquivo original, mostra um crescimento econômico decadente e o colapso total da sociedade em 2040.

Considerada um modelo dinâmico do sistema, a previsão de 1972, que foi publicada pelo Clube de Roma, chamou, a princípio, a atenção de muitos especialistas e lideranças. No entanto, o andamento das previsões do MIT acabou sendo ridicularizado por muitos críticos.

A inutilidade do crescimento econômico contínuo

Fonte: Getty Images/Reprodução

Publicada na revista Journal of Industrial Ecology, a “Atualização dos limites para o crescimento” foi conduzida pela diretora da neerlandesa Klynveld Peat Marwick Goerdeler (KPMG), Gaya Herrington. A executiva reconheceu ter realizado o estudo como um projeto pessoal, no qual visava refutar as previsões com base em dados empíricos atuais.

Feita quase meio século depois, a pesquisa atual naturalmente se beneficiou de uma maior disponibilidade de dados desde as atualizações anteriores, e incluiu um cenário inédito e duas variáveis que não haviam sido parte das demais comparações realizadas.

Os dois cenários que mais se aproximaram dos dados observados confirmaram uma interrupção no estado de bem-estar, alimentação e produção nas próximas décadas, colocando em xeque a adequação do crescimento econômico contínuo como grande meta da humanidade para o século XXI.

Fonte: Vincent Callebaut Architectures/Reprodução

Embora o estudo confirme a inutilidade do crescimento contínuo, também conclui que o progresso tecnológico e o aumento de investimentos em serviços públicos podem evitar o risco de um colapso total, além de resultar em uma nova civilização estável e próspera, operando de forma sustentável em níveis planetários. A má notícia é que temos menos de dez anos para promover essa transição.

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Record é condenada por revelar esconderijo de vítima de violência pelo marido

Luiz Bacci

247 - O juiz Fernando Henrique Biolcati, da Justiça de São Paulo, segundo Rogério Gentile, do UOL, condenou a Rede Record a pagar uma indenização de R$ 15 mil por ter revelado no programa Cidade Alerta o esconderijo de uma mulher agredida pelo marido e que havia escapado de uma tentativa de assassinato.

A mulher, que não teve o nome revelado, avisou ao marido, também não identificado, que pretendia se separar. Dias depois, o homem pediu que ela o acompanhasse ao hospital, pois estava sentindo fortes dores na cabeça. No caminho, ele a atacou com uma faca e depois desferiu socos e pontapés contra a mulher.

Orientada pela polícia, a vítima não voltou para casa e se escondeu na residência dos seus pais. Com o agressor foragido, policiais destacaram a importância do sigilo de seu esconderijo.

Em julho de 2020, oito dias depois do ocorrido, o Cidade Alerta, apresentado por Luiz Bacci, exibiu uma reportagem sobre o caso e gravou uma entrevista com o pai da vítima sem que ele soubesse. Na conversa, o pai dizia o local em que ela estava escondida. O programa foi ao ar e mostrou inclusive fotos da mulher. 

"A partir daquele momento, T.C.P. [a vítima], seus filhos e seus pais passaram a viver uma apreensão ainda maior, não dormindo, mal se alimentando, não saindo de casa nem para ir ao mercado, sendo necessária a vigília dos vizinhos para qualquer suspeita. Foi um circo armado por essa emissora de TV, muito conhecida por telejornais populares, que se aprofunda em temas como esse (tentativa de homicídio), revestido de reportagem investigativa, que de investigativa não tem nada", argumentou a defesa da mulher em processo contra a emissora.

"Não existia nenhuma necessidade e cabimento de se informar exatamente onde a autora [do processo] se encontrava, sendo tal dado irrelevante para o relato dos fatos de interesse social", expressou o juiz Biolcati em sua determinação.

A Record ainda pode recorrer da decisão.

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Para Bolsonaro, morticínio de 263.940 na gestão do general Pazuello foi “trabalho fantástico” - Jeferson Miola

Por Jeferson Miola

Eduardo Pazuello

Ao comentar a atuação do seu atual ministro da Morte, Bolsonaro disse que “Por enquanto, pouquíssima coisa teria a falar contra o Queiroga. Ele deu seguimento a grande parte da política de quem o antecedeu, o general Pazuello, que fez um trabalho fantástico”.

O “trabalho fantástico” realizado por Eduardo Pazuello, general da ativa do Exército brasileiro, foi a morte de 263.940 brasileiros e brasileiras causadas por negligência, omissão e incompetência do governo no combate à COVID.

Quando o general da ativa assumiu interinamente o ministério da Morte com a concordância e cumplicidade do comandante do Exército Edson Leal Pujol em 16 de maio de 2020, o país contabilizava 15.662 mortes por COVID.

E, quando o general Pazuello foi afastado, em 15 de março de 2021, 10 meses depois de uma gestão desastrosa e criminosa, o número de vítimas da política homicida oficial do governo militar atingiu o total de 279.602 mortes.

O que Bolsonaro considera, portanto, como “trabalho fantástico” do general da ativa do Exército, é o morticínio de 263.940 pessoas – quase 5 vezes o total de brasileiros mortos na guerra do Paraguai.

Bolsonaro foi além, e elogiou o atual ministro Queiroga, quem “deu seguimento a grande parte da política de quem o antecedeu, o general Pazuello”, e elevou o morticínio à casa de mais de 550 mil vítimas da política governamental.

Como se vê, Bolsonaro mede a eficiência dos agentes do seu governo pelo extermínio de humanos.

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Eliane Cantanhêde diz que Lula foi um dos melhores presidentes da história para os militares

Eliane Cantanhêde e Lula

247 – "Uma das dúvidas que mais incomodam o ex-presidente e pré-candidato de 2022 Luiz Inácio Lula da Silva é por que, afinal, os militares têm tanto ódio dele e do PT. Uma dúvida justa, justíssima, porque os dois mandatos de Lula foram de paz na área militar, com o Ministério da Defesa forte, boas relações entre presidente e comandantes militares e capacitação e reaparelhamento das Forças Armadas. É inegável, é fato", afirma a jornalista Eliane Cantanhêde, em sua coluna no Estado de S. Paulo.

"Na sua gestão, foram criados a Estratégia Nacional de Defesa, o Conselho Sul-Americano de Defesa e o Comando Conjunto das Forças Armadas. E as três Forças tiveram um recorde de investimentos. Na FAB, foi definido no governo Lula e aprovado no de Dilma o programa FX-2, que renovou a frota com caças suecos Gripen NG, trazendo tecnologia, treinamento e poder bélico", lembra a jornalista. "Na Marinha, o Prosub, ambicioso programa de submarinos, em parceria com a França, que inclui um submarino de propulsão nuclear e a construção de um estaleiro e uma base em Itaguaí (RJ). No Exército, o blindado Guarani, de tecnologia nacional, e dois sistemas, o de comando e controle e o de guerra cibernética, um orgulho e um sucesso na Olimpíada e na Copa do Mundo", prossegue.

"Na época de Lula, aliás, não se ouvia falar de coronéis, tenentes-coronéis e generais metidos na Saúde e em confusões. Quando houve sindicâncias sobre desvios de conduta, foram internas, discretas e rigorosas. Ninguém precisou se referir, em nenhum momento, ao 'lado podre' militar", pontua ainda a jornalista.

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Cristina Serra: cerco de Kassio Nunes Marques ao jurista Conrado Hübner Mendes é autoritário e fere a autonomia universitária

A jornalista fez referência à iniciativa do ministro do STF Kassio Nunes Marques, que solicitou à PGR a apuração da conduta do jurista Conrado Hübner Mendes, após o professor criticar a decisão do magistrado de liberar cultos e missas em plena pandemia

Jornalista Cristina Serra, o professor Hübner Mendes e o ministro do STF Kassio Nunes Marques
Jornalista Cristina Serra, o professor Hübner Mendes e o ministro do STF Kassio Nunes Marques (Foto: Reprodução | STF)

247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, a jornalista Cristina Serra destaca que "investidas autoritárias têm que ser enfrentadas sem medo e hesitação". A colunista fez referência à iniciativa do ministro do Supremo Tribunal Federal kassio Nunes Marque, que solicitou à Procuradoria-Geral da República a apuração da conduta do jurista Conrado Hübner Mendes, após o professor criticar, em abril, a decisão do magistrado de liberar cultos e missas em plena pandemia. 

"O cerco a Conrado Hübner Mendes fere também a autonomia universitária. A representação contra ele está parada no âmbito da Reitoria da USP", afirma Cristina Serra. "O corpo docente precisa ter a certeza de que a universidade está do seu lado contra qualquer tentativa de silenciamento", acrescenta. 

De acordo com a jornalista, "autoridades deveriam entender que a submissão ao escrutínio público é inseparável do exercício do poder". "Não é o caso, obviamente, do ministro e do procurador-geral, que agem como instrumentos do bolsonarismo. Ambos desconhecem —ou fingem desconhecer— que a liberdade de expressão é direito consagrado na Constituição e reafirmado pelo Supremo".

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EUA vivem 'guerra da vacina' e começam a ficar para trás na imunização

Canadá, Espanha e Itália, por exemplo, já conseguiram vacinar um percentual maior de suas populações que os americanos
Ana Rosa Alves e New York Times
27/07/2021 - 15:36 / Atualizado em 27/07/2021 - 17:13
Observado pela primeira-dama, Jill Biden, homem é vacinado em escola de Savannah, na Geórgia Foto: JIM WATSON / AFP/8-9-21
Observado pela primeira-dama, Jill Biden, homem é vacinado em escola de Savannah, na Geórgia Foto: JIM WATSON / AFP/8-9-21

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Nos polarizados Estados Unidos, uma "guerra da vacina" ameaça piorar o novo surto do coronavírus e põe as doses anti-Covid no meio do fogo cruzado político. Se um número crescente de estados e empresas impõem a obrigatoriedade da imunização para seus funcionários, há também Legislativos estaduais e locais que proibiram bares, estádios e até mesmo cruzeiros de restringir a entrada dos não vacinados. 

O debate vem em meio ao aumento de casos no país, impulsionado pela variante Delta, cerca de 60% mais contagiosa. Os novos diagnósticos subiram 144% nas últimas duas semanas, chegando a uma média de 56,6 mil por dia e pondo em risco a retomada das aulas e do trabalho presencial após as férias de verão no Hemisfério Norte.

A piora também levou o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) a reconsiderar a liberação do uso de máscaras em ambientes fechados. Se em meados de maio, quando a pandemia parecia estar sob controle, o órgão anunciou que pessoas já vacinadas não precisariam mais usar máscaras em espaços internos, nesta terça-feira elas voltaram a ser recomendadas em áreas com altas taxas de contágio e nas escolas. 

As mortes e internações também crescem, mas em ritmo menor que os casos, já um reflexo positivo da vacinação. Até o momento, 56,43% dos americanos já tomaram ao menos uma dose anti-Covid, e 48,79% completaram a inoculação, seja com as duas vacinas da Pfizer e da Moderna ou a injeção única da Janssen, todas eficazes contra a cepa Delta. A procura pelos imunizantes, contudo, está estagnada e as campanhas da Casa Branca para alavancá-la tem se provado ineficientes.

O país, que chegou a aplicar uma média diária de 3,38 milhões de doses por dia no início de abril, hoje dá 566 mil injeções diárias. Com a perda do ritmo, países europeus como Alemanha, Espanha e Itália, que tiveram notórios problemas no início de suas campanhas de vacinação, ultrapassaram os americanos no percentual da população já vacinada.  

Nem na América do Norte o país está na dianteira, sendo ultrapassado pelo Canadá. Ao contrário de boa parte do planeta, a estagnação não se deve à escassez de doses, mas à falta de braços dispostos a recebê-las. E são a esses recalcitrantes que vários americanos inoculados atribuem a culpa pelo novo surto no país.

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Sentimento de raiva

As vacinas são muito eficientes contra casos graves e mortes, mas têm uma capacidade menor de conter a transmissão do vírus. Muitas pessoas já inoculadas, portanto, temem transmitir a doença para crianças que ainda não têm idade para se vacinar ou para parentes com o sistema imunológico comprometido.

— Fico com mais raiva conforme o tempo passa — disse ao New York Times Doug Robertson, de Portland, em Oregon, que tem três filhos muito novos para serem vacinados, incluindo um bebê com sérios problemas de saúde. — Tem uma vacina e uma luz no fim do túnel, mas algumas pessoas escolhem não segui-la — completou, afirmando que os hesitantes dificultam a vida de famílias em situações similares à sua.

Diante da imensa quantidade de informações falsas e teorias da conspiração relativas às vacinas, vários estados, cidades e negócios recorrem a medidas coercitivas. Na segunda-feira, o Departamento dos Veteranos foi a primeira repartição federal a obrigar a vacinação para seus 115 mil profissionais da saúde que trabalham em campo. 

Quase simultaneamente, o prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, ordenou que todos os funcionários de saúde da cidade estejam vacinados até 13 de setembro — caso contrário, precisarão fazer testes PCR semanais. Na Califórnia, o estado mais populoso dos EUA, uma regra similar valerá também para todos os servidores estaduais a partir de agosto. Quem descumprir as ordens, apontam ambos os estados, ficará sujeito à demissão por justa causa. 

Várias empresas e locais de trabalho recorrem a medidas parecidas: para ser contratado pela United, uma das principais companhias aéreas do país, é necessário apresentar um comprovante de vacinação. Ao menos 600 faculdades e universidades também demandam que seus corpos docentes e discentes se inoculem antes da volta às aulas, segundo o site Chronicle of Higher Education. Para atuar em Hamilton, a megaprodução da Broadway, também é necessário estar vacinado.

Contra-ataques

Em meio a discussões sobre até que ponto o Estado pode ou deve exigir a vacinação, uma comissão do governo emitiu em maio um parecer de que as leis federais não impedem o empregador de "demandar que todos seus funcionários que ingressem no espaço de trabalho estejam vacinados contra a Covid-19". Alguns estados, ainda assim, tentam impor limites.

Em maio, o governador de Montana, Greg Gianforte, assinou uma lei que proíbe os empregadores, inclusive hospitais, de exigirem que seus funcionários se vacinem. Na Geórgia, proibiu-se a criação de regras diferentes para servidores públicos a depender de seu status de inoculação. 

Na Flórida, que na semana passada era responsável por um quinto dos novos diagnósticos no país, o governador Ron DeSantis impediu que empreendimentos do estado peçam comprovantes de vacinação de clientes ou funcionários. Até mesmo estádios de futebol americano, cruzeiros ou bares são legalmente obrigados a atender pessoas não vacinadas. Medidas similares valem para Utah e Texas.

Não é à toa que o ex-presidente Donald Trump foi o mais votado nas eleições de 2020 na maioria destes estados. Enquanto 88% das pessoas que se identificam como democratas dizem que já se vacinaram ou pretendem se vacinar, o sentimento é compartilhado por apenas 54% dos republicanos, de acordo com dados da Kaiser Family Foundation.

Há outros fatores que explicam a hesitação diante da vacina, como motivos religiosos e culturais, mas é inevitavelmente um sintoma da tremenda polarização no país e da desinformação. 

Alguns grupos do Partido Democrata demandam medidas mais duras do governo, usando seus poderes regulatórios para incentivar a vacinação. Por exemplo, só repassar verbas federais para os estados que cumprirem suas metas de inoculação ou exigir que todos os funcionários federais se vacinem.Teme-se, contudo, que uma abordagem mais dura seja um tiro no pé:

— Qualquer coisa que reduza a oportunidade para diálogo honesto e a persuasão não é positiva —disse ao NYT Stephen Thomas, professor de políticas sanitárias da Universidade de Maryland. — Nós já estamos imersos em sistemas de informação isolados, nos quais as pessoas são suas próprias câmeras de eco. (Com informações da Bloomberg)

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Morre, aos 91 anos, José Arthur Giannotti, um dos maiores nomes da filosofia brasileira

Filósofo era professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e autor de estudos sobre Marx, Heidegger e Wittgenstein
José Arthur Giannotti, Filósofo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
José Arthur Giannotti, Filósofo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

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Falaceu nesta terça-feira (27), aos 91 anos, o filósofo José Arthur Giannotti, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. A informação foi confirmada por Marcos Nobre, presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e pela Companhia das Letras. Considerado por seus pares um dos maiores nomes da filosofia brasileira, Giannotti se dedicou ao estudo de autores como Karl Marx, Martin Heidegger e Ludwig Wittgenstein e presidiu o Cebrap durante quatro mandatos. Entre seus livros publicados, estão clássicos da da filosofia uspiana, como "Origens da dialética do trabalho: estudo sobre a lógica do jovem Marx", tese de livre-docência defendida em 1966 e publicada em 1985; e "Trabalho e reflexão: ensaios para uma dialética da sociabilidade", de 1983. No ano passado, aos 90 anos, lançou "Heidegger/Wittgenstein: confrontos". Em entrevista a ÉPOCA, disse que se tratava de seu "melhor livro".

Nos anos 1990, Giannotti era considerado o filósofo mais influente da República, devido a sua amizade de décadas com o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Giannotti apoiou a candidatura de FHC, participou Conselho Federal de Educação por alguns meses em 1996, e às vezes era chamado de "intelectual tucano" pela imprensa, embora nunca tenha sido filiado ao PSDB. Diferentemente de muitos de seus colegas acadêmicos, nunca quis trocar a filosofia pela política ou por cargos públicos. “Nunca pensei que meus colegas detestassem tanto a profissão que escolheram”, disse, em 1994, ao assistir à debandada de intelectuais para o governo de FHC. No início dos anos 1980, chegou a entrar no PT. mas logo se afastou do partido.

Nascido em São Carlos, no interior paulista, em 1930, Giannotti se mudou para São Paulo com a família porque o pai queria dar educação universitária aos quatro filhos: todos estudaram na USP. Adolescente, conheceu Rudá de Andrade (1930-2009) e passou a frequentar a casa do pai dele, o poeta modernista Oswald de Andrade (1890-1954). “ Na casa dos Andrades, Giannotti conheceu intelectuais como o crítico literário Antonio Candido (1918-2017), que o descreveu como um “mocinho inteligente”, e Vicente Ferreira da Silva (1916-1963). Por sugestão de Oswald, frequentou um curso sobre Platão oferecido por Ferreira da Silva e, quando entrou na Faculdade de Filosofia da USP, já tinha conhecimento de filosofia grega.

Em 1956, como era tradição na Faculdade de Filosofia, Giannotti foi enviado para a França para aprimorar seus estudos. Voltou em 1958 e organizou o Seminário Marx, um grupo de leitura de O capital que reunia jovens intelectuais, como o historiador Fernando Novais, o filósofo Bento Prado Júnior, o economista Paul Singer e FHC, então um sociólogo dos mais promissores. Giannotti apresentou aos colegas um método de leitura aprendido com os franceses: o texto filosófico devia ser lido palavra por palavra, argumento por argumento, de modo a compreender sua arquitetura.

Giannotti era conhecido por seu rigor e por ser avesso à filosofia que se limitava a comentar textos clássicos, o que chamava de "bordados". Eem 1968, publicou uma tradução de "Tractatus logico-philosophicus", a principal obra de Wittgenstein. Foi a segunda a segunda do Tractatus a ser publicada no mundo, atrás apenas de uma edição em inglês. Já Heidegger, ele começou a ler por insistência do filósofo gaúcho Ernildo Stein, embora, no início, mantivesse um pé atrás devido às ligações do filósofo com o nazismo. “Eu dizia: ‘Não vou estudar esse nazista!’, mas tive de admitir que o nazista é um bom filósofo”, disse, no ano passado, à revista ÉPOCA.

Em 1969, Giannotti foi aposentado compulsoriamente da USP, ao lado de tantos outros professores considerados subversivos pela ditadura militar. Pensou em seguir para a França, mas sua mulher, a poeta Lupe Cotrim, queria continuar no Brasil. Ela morreu em 1970, de câncer, e Giannotti acabou se exilando no Cebrap, que reuniu um punhado de intelectuais afastados de universidades pelo regime. Voltou à USP no início dos anos 1980, aposentou-se definitivamente em 1984, mas continuou ministrando cursos esporádicos na faculdade.

Em suaúltima entrevista, concedida do GLOBO no ano passado, Giannotti contou andava "apaixonado" pelo filósofo Baruch de Espinosa, um dos maiores nomes do racionalismo do século XVII. "É genial como a filosofia tem riachos — e não grandes rios — por todos os lados".

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Governo militar do Centrão | Carlos Andreazza - O Globo

Braga Netto, ministro da Defesa (e um dos grandes salários de Brasília), mandou avisar que, sem o “voto eletrônico auditável”, não haverá eleições em 2022. O recado destinara-se ao presidente da Câmara. Assim informou o Estadão; que também descreveu a forma como Arthur Lira recebera a mensagem: movimento grave, em função do qual procurou Bolsonaro para lhe dizer que iria até o fim com o presidente, mesmo que para perder a eleição, mas que não contasse com ele para qualquer ato de ruptura institucional.

A leitura do episódio propõe fotografia fácil: o presidente da Câmara impondo limites ao general golpista. (Voltaremos a isso.)

As reações à publicação da notícia a confirmaram. Lira, que em off negava a ameaça, publicamente ensaboava-se de nem-nem para declarar que, independentemente de qualquer intimidação, votaremos no ano que vem — um velho expediente de quem não quer ser desmentido. A foto estava boa para o deputado. A nota de Braga Netto a nos comunicar que ele, assumindo-se como agente político, move-se de maneira ainda mais ostensiva, que não precisa de intermediários para falar a outros Poderes e que é isto mesmo, asseverado por escrito: à vontade para disparar manifestos políticos e fazer carga sobre o Parlamento, com o peso de quem controla o paiol, por uma pauta — do populismo autoritário bolsonarista — que atribui ao governo federal e que, não havendo mais fronteiras entre Planalto e instituições impessoais de Estado, estende às Forças Armadas. Uma demonstração de musculatura. Estava bom para o general.

Braga Netto é o panfleto circunstancial a defender uma compreensão viciada que circula desde o tuíte em que o general Villas Bôas advertiu o Supremo (à véspera de o tribunal deliberar sobre habeas corpus de Lula, em 2018), que contaminou o Exército e que avança por Aeronáutica e Marinha: que as Armas, autorizadas por leitura doente da Constituição, comporiam espécie enviesada de poder moderador — a serviço de Bolsonaro para tutelar Legislativo e Judiciário.

O subserviente Braga Netto expressa o comando golpista do presidente. Bolsonaro não manda recado por terceiros e está diariamente dizendo, a quem quiser ouvir, que, sem a contagem de votos como deseja, não haverá eleições. (Como é intelectualmente desonesto e depende do conspiracionismo para existir, o bolsonarismo acusará fraude de qualquer maneira, com ou sem voto impresso.) Nada pode ser mais grave; o general sendo somente mais um estafeta muito bem aquinhoado para dispor as Forças Armadas aos interesses autoritários do mito.

Voltemos a Arthur Lira. Saiu bem na fotografia do episódio. Como democrata, garantidor da República contra a ameaça de golpe. Contra a ameaça de um golpe que é a mais perfeita impossibilidade. Lira reagindo a um golpismo do século XX, com tanques na rua para desfechar a tal ruptura — o que, por absoluta falta de meios, não haverá. Lira reagindo, pois, a um inimigo artificial, a um espantalho, fantasia que talvez ele próprio tenha criado, enquanto se cala — mui bem acolhido pelo golpista — ante os modos do verdadeiro ataque de Bolsonaro, aquele executado progressivamente, num investimento constante para minar, por dentro, o equilíbrio institucional, para esgarçar o tecido social, para destroçar a guarda constitucional, para enfraquecer a confiança no sistema eleitoral, para dilapidar, carcomendo os fundamentos, a democracia representativa e, mais amplamente, a democracia liberal; para o que colabora o presidente da Câmara, passador agressivo de boiada, atropelador dos instrumentos de defesa regimental das minorias legislativas.

Golpe, aquele (impossível) com ruptura institucional modelo 1964, é ruim para os negócios. Lira não aceita. Mas não só compõe com o populismo autoritário, esse (real) que golpeia por desgaste, sem tirar-lhe a fartura das tetas do Estado, como é sócio do governo militar de Bolsonaro. Não apenas alguém que mama, mas que controla o destino e o ritmo da ordenha. Governo militar do Centrão. Ou, como preferiria o professor Wilson Gomes, já que Centrão seria figura amorfa que não se poderá punir nas urnas: governo militar do Progressistas, com Ciro Nogueira, com general Heleno, com tudo. Sócios.

Prudência, portanto, antes de olhar para arranjo eventual do governo e logo supor que os militares perdem espaço para Lira e turma. São sócios. E só reforçam a sociedade. O governo é militar; e são os militares, os generais ramos e outros com teto duplex para remuneração, os primeiros a compreender a importância do orçamento secreto e da necessidade objetiva de ter a operação de um profissional tocada desde o Planalto. Os generais investiram as próprias Forças Armadas no sucesso do governo. Precisam da reeleição em 2022.

Nada mais representativo deste momento decisivo do que o presidente falando — ocorrência raríssima — a verdade. Sim, o capitão é — sempre foi — do Centrão. Um militar condicionado pela cultura do Progressistas. Mas não da gema do Centrão. Bolsonaro é das bordas, catador de migalhas, de rachadinhas. Um marginal do Centrão. Do Centrão ressentido. Assentado — imaginemos uma daquelas pizzas gordurosas que levam recheio na borda — dentro da casca, aboletado no catupiry da extremidade, condição ideal para que constituísse bem-sucedida empresa familiar. Nunca esteve sozinho.

Se gritar “pega Centrão”, Ricardo Barros corre com Pazuello (e Elcio Franco) no colo.

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Polícia prende taxista que transportava criminosos para roubar em ruas da Zona Sul do Rio

Com Sandro Silva de Queiroz, que confessou a participação em mais de dez casos, foi apreendido um revólver calibre 38
Taxista que transportava criminosos para roubar em ruas da Zona Sul do Rio é preso Foto: Reprodução
Taxista que transportava criminosos para roubar em ruas da Zona Sul do Rio é preso Foto: Reprodução

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RIO — Um taxista que transportava em um Cobalt alugado uma dupla de criminosos para roubar nas ruas de Ipanema, Leblon e Lagoa, na Zona Sul do Rio, foi preso em flagrante, na segunda-feira, dia 26, em sua casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Sandro Silva de Queiroz estava com uma arma calibre 38 com a numeração raspada e confessou ter participado de pelo menos dez casos em que levou os demais bandidos até as vítimas, os esperou e os ajudou na fuga.

De acordo com a delegada Natacha Alves de Oliveira, titular da 14ª DP (Leblon), as investigações tiveram início com o registro do roubo de pertences de um casal, por volta de 22h40 do dia 8 de julho, na altura do número 635 da Rua Barão da Torre, em Ipanema. Na ocasião, as vítimas foram abordadas por dois homens, que desceram do Cobalt dirigido por Sandro.

Revólver encontrado na casa de taxista preso por transportar criminosos para assaltos na Zona Sul do Rio Foto: Reprodução
Revólver encontrado na casa de taxista preso por transportar criminosos para assaltos na Zona Sul do Rio Foto: Reprodução

Os agentes então passaram a monitorar o veículo e o encontraram na porta da casa do taxista. Dentro do carro, estavam duas máquinas de pagamento por aproximação, que dispensam o uso de senhas. Questionado, ele confessou atuar junto aos demais bandidos e utilizar os aparelhos com os cartões roubados das vítimas. Sandro foi indiciado pelos crimes de porte ilegal de arma e associação criminosa e será encaminhado ao sistema prisional.

— Constatamos que o grupo se utilizava do táxi justamente para não levantar suspeitas quando chegava até as vítimas e no momento de empreender fuga. O veículo foi encaminhado para exame papiloscópico visando a identificação dos demais coautores dos crimes — explicou a delegada.

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'Campo de batalha medieval': policiais que enfrentaram invasão do Capitólio relatam momentos de horror e pedem investigação

Depoimentos de quatro agentes abriram comissão criada por democratas na Câmara e que quer descobrir motivações e culpados pelo ataque ao Congresso no dia 6 de janeiro
O Globo e agências internacionais
27/07/2021 - 16:52 / Atualizado em 27/07/2021 - 17:14
Policiais Aquilino Gonell, Michael Fanone, Harry Dunn e Daniel Hodges (da esquerda para a direita) posam para fotos antes dos depoimentos na comissão da Câmara que investiga a invasão ao Capitólio no dia 6 de janeiro Foto: CHIP SOMODEVILLA / AFP
Policiais Aquilino Gonell, Michael Fanone, Harry Dunn e Daniel Hodges (da esquerda para a direita) posam para fotos antes dos depoimentos na comissão da Câmara que investiga a invasão ao Capitólio no dia 6 de janeiro Foto: CHIP SOMODEVILLA / AFP

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WASHINGTON — No primeiro dia de audiência da comissão da Câmara dos Deputados que investiga a invasão do Capitólio, em 6 janeiro, quatro policiais que enfrentaram as centenas de pessoas que atacaram a sede do Legislativo detalharam momentos de terror, incluindo ameaças de morte e agressões vindas de todos os lados.

— Naquele dia, fomos submetidos a algo que parecia ter saído de um campo de batalha medieval — declarou Aquilino Gonell, oficial da polícia do Capitólio, afirmando que sua família, ao assistir às cenas de violência pela TV, não sabia se ele estava vivo. Para ele, tratou-se de uma “tentativa de golpe”.

Incitados pelo ex-presidente Donald Trump, que horas antes havia feito um discurso denunciando o que dizia ser uma ampla fraude na eleição vencida por Joe Biden — algo que jamais foi comprovado —, centenas de apoiadores se reuniram na frente do Capitólio para protestar contra a oficialização da vitória do democrata.

Naquele dia, os congressistas participaram de uma sessão historicamente protocolar, para confirmar os resultados do Colégio Eleitoral, mas os trabalhos foram interrompidos com a invasão, algo sem precedentes na história recente dos EUA. Em seu relato, Gonell afirmou que os invasores estavam armados com porretes, mastros de bandeiras, escudos policiais, canos de metal e pedaços de móveis arrancados durante o ataque.

— Fiquei particularmente chocado ao ver que os insurgentes nos atacaram de maneira violenta com a própria bandeira americana que dizem ter prometido proteger — afirmou.

Daniel Hodges, agente da polícia metropolitana de Washington, descreveu os invasores como “terroristas” e relatou ter sido agredido com a própria máscara de gás. Em determinado momento, ficou preso em uma porta, com uma multidão o golpeando enquanto tentava escapar.

Ele relatou casos como o de um policial que precisou amputar parte de um dedo por conta das agressões, ou de outro que foi agredido com uma arma de choque usado em animais de grande porte. Hodges revelou também que pelo menos um policial ainda está de licença médica devido a um golpe desferido contra sua cabeça.

Também da polícia metropolitana, Michael Fanone, cujas imagens da câmera presa em seu uniforme mostraram em detalhes a fúria dos invasores, afirmou ter sentido medo de morrer.

— Eles me torturaram. Me bateram. Fui atingido com uma arma de choque na base da minha cabeça muitas vezes. E eles continuaram fazendo isso. Eu gritava que tinha filhos — afirmou diante dos congressistas.

Desde o ataque de 6 de janeiro, lideranças democratas na Câmara pressionam por uma comissão bipartidária para investigar os acontecimentos daquele dia e aplicar eventuais mudanças de políticas e apontar culpados. Contudo, boa parte dos republicanos se opôs à ideia, afirmando que a iniciativa serviria de palanque para ataques contra Trump, que hoje é a principal liderança do Partido Republicano e segue com seu discurso de fraude eleitoral, visto como principal motivador do ataque.

Depois que o Senado bloqueou o projeto sobre a comissão conjunta, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, anunciou uma iniciativa composta apenas por deputados, que deveria incluir o mesmo número de parlamentares dos dois partidos. Mas por causa da indicação da republicana Liz Cheney, algoz de Trump, e o veto a dois aliados do ex-presidente, o líder da minoria, Kevin McCarthy, anunciou que não participaria da iniciativa. Hoje, a investigação é composta por sete democratas e dois republicanos.

Indiferença

A recusa dos aliados de Trump em apurar o que ocorreu naquele 6 de janeiro, em especial sobre as causas que levaram à invasão, foi duramente criticada pelos policiais ouvidos nesta terça-feira.

— Sinto como se tivesse ido ao inferno e voltado para protegê-los (parlamentares republicanos) e as pessoas nesta sala, mas muitos agora dizem que o inferno não existe, ou que o inferno não era tão ruim. A indiferença mostrada aos meus colegas é uma desgraça — afirmou Michael Fanone.

Para Harry Dunn, agente da polícia do Capitólio, o comício de Trump sobre fraude deu a seus apoiadores o impulso necessário para a invasão — e deveria ser investigado.

— Quando as pessoas se sentem fortalecidas por quem está no poder, elas assumem que estão certas — declarou Dunn à comissão. — Elas acham que estão certas, e isso é uma receita assustadora para o futuro deste país.

Ao todo, quatro pessoas morreram durante a invasão, e um policial morreu no hospital. Mais de cem agentes de segurança ficaram feridos. De acordo com documentos do Departamento de Justiça, foram abertos 543 processos contra invasores — três deles já foram sentenciados. O FBI afirma também que mais de 300 pessoas que estiveram no local ainda não foram identificadas. Muitos são ligados a grupos de extrema direita, supremacistas brancos e defensores de teorias da conspiração.

Diante de tais proporções, a deputada republicana Liz Cheney, que votou pelo impeachment de Trump no julgamento ocorrido em janeiro, ligado ao ataque, afirmou que não se deve minimizar o incidente e que espera que os EUA não sejam cegados pela divisão política. Por conta das suas divergências com o ex-presidente, em especial sobre as alegações de fraude na eleição, ela foi afastada de um cargo de liderança da sigla recentemente. Hoje, ela defende que Trump seja convocado como testemunha no caso, uma posição compartilhada por deputados democratas e pelos policiais ouvidos nesta terça-feira.

— Ele ajudou a criar essa monstruosidade — declarou Gonell em seu depoimento.

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Onda de calor seria impossível sem o efeito do aquecimento global

A onda de calor extrema que atingiu o oeste do Canadá e Estados Unidos no final de junho não teria ocorrido sem os efeitos causados pelo aquecimento global. Isso é o que mostra uma análise feita por mais de 20 cientistas de diversos países.

4 min
Onda de calor
A onda de calor do final de junho nos EUA e Canadá foi um evento extremamente raro e severo, que poderá ser mais frequente no futuro.

verão do Hemisfério Norte tem sido extremo e fatal, principalmente para o oeste dos Estados Unidos e Canadá, que têm vivenciado sucessivos episódios de ondas de calor extremas, onde os termômetros têm alcançado temperaturas nunca antes observadas e esperadas para essa região do planeta.

O aquecimento da temperatura média da Terra, devido ao aumento das emissões de gases de efeito estufa, tornou a onda de calor mortal da América do Norte 150 vezes mais provável!

O episódio mais extremo de calor ocorreu no final de junho, entre o dia 25 de junho e 1° de julho, afetando diversas cidades que raras vezes experimentaram calor tão extremo, como Portland, Seattle e Vancouver. Na província canadense de Colúmbia Britânica mais de 700 mortes e 200 incêndios florestais foram registrados em decorrência do calor excessivo. A pequena cidade de Lytton, que foi consumida pelo fogo, registrou a maior temperatura da história do Canadá, de 49.6°C no dia 29 de junho.

Um grupo de 27 cientistas de diversos países fizeram uma rápida análise para inferir se o aquecimento global, induzido pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa pelas atividades humanas, influenciou na probabilidade de ocorrência de uma onda de calor tão intensa quanto essa na região, tornando-a mais provável no clima atual.

Os cientistas compararam os registros de temperaturas máximas diárias observadas durante a onda de calor com as temperaturas máximas previstas por modelos climáticos, incluindo simulações de temperaturas considerando a atmosfera inalterada pelos efeitos do aumento da concentração de gases de efeito estufa.

Seus resultados mostraram que a influência das mudanças climáticas é inequívoca, o aumento da temperatura média da Terra de 1.2°C desde o período pré-industrial tornou essa onda de calor extrema pelo menos 150 vezes mais provável de ocorrer!

As temperaturas máximas observadas foram tão extremas que estiveram muito fora da faixa de temperaturas historicamente observadas, ficando até 5°C acima que os recordes anteriores na região. Esses extremos tornam difícil determinar com precisão o quão raro uma onda de calor tão intensa pode ter sido em períodos mais frios do passado e com que frequência pode ocorrer no clima atual. Até então, os dados indicam que no clima atual esse foi um evento extremamente raro, com uma probabilidade de ocorrência de cerca de 1 em 1000 anos.

“Essa onda de calor teria sido virtualmente impossível sem a influência das mudanças climáticas causadas pelas atividades humanas” disse Sjoukje Philip, cientista climático do Instituto Real de Meteorologia da Holanda (KNMI, sigla em inglês) que fez parte dessa análise, “Provavelmente o evento ainda é raro, mas se o aquecimento global ultrapassar 2°C, eventos assim poderão ocorrer a cada 5 a 10 anos no futuro.”

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Análise: Diogo Schelp - Ala fisiológica no governo substitui a ideológica e avança sobre a militar

Luiz Eduardo Ramos, Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira - reprodução/redes sociais
Luiz Eduardo Ramos, Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira Imagem: reprodução/redes sociais
Diogo Schelp

Colunista do UOL

27/07/2021 16h37

O presidente Jair Bolsonaro apresentou-se na campanha de 2018 com uma pauta conservadora nos costumes e liberal na economia, mas foi eleito mesmo com o discurso do antipetismo, da antipolítica e do combate à corrupção.

Para esse discurso ter credibilidade (até porque seu histórico como deputado federal apontava em outra direção), Bolsonaro precisava criticar o centrão, que havia sido o fiel da balança em todos os governos anteriores do período democrático.

O centrão é aquele bloco de partidos com presença marcante no Congresso Nacional que se caracterizam por não ter orientação ideológica bem definida e por conceder apoio ao governante de ocasião em troca de cargos e emendas do orçamento.

Em 2018, o atual ministro do Gabinete da Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, em evento que oficializou a candidatura de Bolsonaro, cantou: "Se gritar 'pega centrão', não fica um, meu irmão."

O próprio Bolsonaro disse em vídeo de 2018 que não colocaria gente do centrão no seu gabinete ministerial.

Queimou a língua, assim como agora também queima a língua o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que depois de chamar Bolsonaro de fascista em 2017 e de apoiar o petista Fernando Haddad para a presidência em 2018 acaba de aceitar o convite para ocupar o poderoso cargo de ministro da Casa Civil.

Cacique do PP, partido também do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (AL), e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PR), Ciro Nogueira é um dos líderes do centrão no Senado.

Seu embarque no gabinete ministerial de Bolsonaro serve ao propósito de consolidar a aliança do governo com o centrão.

Com popularidade em baixa e acuado pela CPI da Covid no Senado, que escancarou a desastrosa gestão federal da pandemia e estranhíssimas negociações por vacina, Bolsonaro joga no modo sobrevivência — o que, no seu caso, equivale a dizer que praticamente não consegue avançar nas fases do game de governar.

Para ganhar mais vidas nesse jogo, Bolsonaro foi obrigado a entregar a ala ideológica do seu governo e ceder espaço para o centrão, que podemos chamar de ala fisiológica.

Na ala ideológica, sobrou apenas Damares Alves, do Ministério da Mulher, Família e Direito Humanos.

O centrão, que com a chegada de Ciro Nogueira conquista seu terceiro ministério (além de Casa Civil, os ministérios da Cidadania e a Secretaria de Governo), agora disputa ombro a ombro espaço com a ala militar, ainda mais numerosa, com o controle de sete ministérios.

Há quem não considere Fábio Faria (PSD), do Ministério das Comunicações, um integrante do centrão, mas dada a possibilidade de ele se filiar ao PP, pode também ser incluído na conta.

A chamada ala técnica, composta por ministros com afinidade com os temas de suas pastas, como Teresa Cristina, da Agricultura, e Paulo Guedes, da Economia, vem perdendo cada vez mais prestígio e influência.

Guedes, por exemplo, está assistindo ao fatiamento de sua pasta para acomodar o centrão no governo e vem se conformando com o esvaziamento da agenda liberal, ainda mais com a proximidade das eleições.

Despido da agenda e do discurso que o elegeram em 2018, restou o Bolsonaro como ele verdadeiramente é e sempre foi: um político das velhas práticas do centrão.

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Pet faz xixi e cocô no lugar errado? Saiba como resolver este problema

Juliana Finardi

Colaboração para Nossa

27/07/2021 04h00

Que atire a primeira pedra quem nunca se incomodou com mudanças repentinas, falta de atenção, ansiedade e estresse. Assim como os humanos, os pets também podem apresentar mudanças de comportamento em resposta a situações desagradáveis.

No caso deles, porém, a solução para comunicar que algo não vai bem pode estar no xixi e cocô no lugar errado.

Saúde do seu pet

Carinha de dó do seu cão tem motivo! Descubra como ele se comunica com você

"O cão pode estar manifestando um distúrbio comportamental por ter sido submetido a alguma mudança por parte do tutor como separação, retorno às atividades presenciais pós-vacinação contra a covid, alterações no ambiente ou chegada de novos integrantes na família", diz o coordenador do curso de veterinária da Faculdade Anhanguera, Frederico Fontanelli Vaz.

Filhote leva bronca por xixi em tapete - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Na opinião da veterinária da DrogaVet, Alessandra Farias, o primeiro passo deve ser uma análise da idade do cão. "Quando filhotes, até os seis meses, eles ainda não controlam o xixi e o cocô de maneira correta. Nesse caso, brigar ou ficar chateado pode piorar a situação, pois os filhotes acham que é errado e podem ingerir as fezes para que o tutor 'não fique bravo'", diz.

O mesmo problema pode ocorrer com os cãezinhos idosos, que não conseguem ter o mesmo controle da bexiga que tinham quando eram mais jovens. Também podem acontecer disfunções cognitivas que os façam esquecer o local onde deveriam urinar.

"No caso de ser um cão senil, ele provavelmente precisará de mais atenção do tutor se a causa for perda do controle da bexiga ou demência, ambos causados pelo envelhecimento natural", afirma Vaz.

Casa protegida

Tapetes higiênicos e espaços para o pet fazer suas necessidades ajuda a prevenir o problema - Getty Images - Getty Images
Tapetes higiênicos e espaços para o pet fazer suas necessidades ajuda a prevenir o problema Imagem: Getty Images

A recomendação do coordenador da faculdade Anhanguera é que o tutor de um cão senhorzinho invista em fraldas, além de espalhar mais tapetes higiênicos pela casa e proteger sofás, camas e móveis, principalmente se for um cãozinho macho.

Outra dica de Alessandra é sempre reservar dois ou três espaços limpos e higienizados na casa para que os pets possam usar, lembrando sempre de serem longe do local destinado à alimentação.

Além disso, os passeios devem ocorrer, no mínimo, três vezes ao dia independente de intempéries climáticas, já que é muito comum surgirem problemas urinários em cães que só fazem as necessidades durante os passeios.

Mais um ponto relevante, de acordo com a veterinária da DrogaVet, é a castração. "Os cães aprendem o que é certo e errado, porém muitos fatores podem alterar essa rotina, uma delas é a demarcação de território, por isso é importante a castração. Além de diminuir essa demarcação, auxilia na prevenção de doenças", afirma.

Problemas de saúde também podem causar descontrole dos pets - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Problemas de saúde também podem causar descontrole dos pets Imagem: Getty Images/iStockphoto

Além do comportamental

As necessidades fora do local usual, porém, também podem significar falta de controle sobre a bexiga e até mesmo distúrbios no trato urinário e sistema endócrino ou gastrointestinal e, nestes casos, um veterinário deve ser consultado o mais rápido possível.

"Além desse comportamento fora do comum, podem aparecer outros sinais clínicos como urina turva ou com presença de sangue, esforço ou dor ao urinar, aumento da frequência para urinar e febre. No caso de o cocô ser o problema, o cãozinho pode estar com algum distúrbio no trato gastrointestinal", afirma Frederico.

Não adie a solução

XIXI NO LUGAR ERRADO - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Constatado um problema, seja qual for a causa, o importante é que o tutor não demore a tomar uma providência já que a ação de fazer as necessidades fora de um local usual pode se tornar um comportamento fixo, mais difícil de ser quebrado com o tempo se nada for feito para revertê-lo.

"O tutor pode começar a ficar estressado com toda a situação, mas deve ter muita paciência e calma com o pet, que pode estar passando por um problema. Ao perceber algo errado, deve procurar imediatamente o auxílio veterinário", recomenda Vaz.

Alessandra diz que o melhor mesmo é investir na prevenção, com check-ups periódicos que anteciparão futuros problemas.

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Iogurte búlgaro, grego ou tradicional? Veja diferenças e qual é melhor

iStock
Imagem: iStock

Luiza Ferraz

Colaboração para VivaBem

27/07/2021 04h00

O iogurte costuma ser queridinho de quem busca uma dieta balanceada, uma vez que geralmente é boa fonte de cálcio e proteínas. Mas além das versões disponíveis nas prateleiras do mercado, uma nova opção acaba de chegar ao Brasil e já levantou dúvidas sobre seus benefícios. Sim, estamos falando do iogurte búlgaro.

O grande diferencial dele está na concentração de Lactobacillus bulgaricus, bactéria identificada pela primeira vez em 1905 pelo cientista Stamen Grigorov e que dá nome à iguaria. Esse microrganismo tem grandes benefícios para a saúde: melhora o funcionamento intestinal, ajuda na digestão, além de favorecer o controle de peso, a diminuição dos níveis de colesterol e a melhora do sistema imunológico.

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Iogurte natural integral x iogurte grego: qual tem mais benefícios à saúde?

Por ter uma alta porcentagem de probióticos, ele ainda ajuda a melhorar a endorfina e serotonina no cérebro, sendo bom para o humor, para a compulsão alimentar e trazendo mais saciedade, segundo Angélica Grecco, nutricionista do Instituto EndoVitta.

Ele é produzido e fermentado dentro da própria embalagem, dispensando o processo de centrifugação e alcançando uma consistência espessa, além de um sabor encorpado e denso.

No Brasil, o iogurte búlgaro tem um grande rival: o grego, que ganhou protagonismo nas prateleiras dos mercados pela alta quantidade de proteínas, além da textura cremosa, mas, quando comparado em valores nutricionais à nova opção, acaba ficando em desvantagem.

A alternativa da Bulgária conta com cerca de 83 calorias e 3,2 g de gorduras totais em 100 gramas de produto. Na mesma porção e produzido pelo mesmo fabricante, o grego contém 152 calorias e 7,4 g de gorduras totais, sendo 5 g delas saturadas. Ambos são boas fontes de cálcio.

O iogurte integral comum, por sua vez, é o menos calórico de todos, mas também possui o menor teor de proteínas. "O búlgaro é a melhor opção dos três, tendo menos gorduras do que um copo de leite", afirma Grecco.

Além disso, a nova versão do alimento também é fonte de minerais e vitaminas B1B2B12, A, D e E. As nutricionistas ainda recomendam que nenhuma dessas versões sejam consumidas com açúcar, podendo ser combinadas com cereais, frutas, mel e geleias.

Mulher comprando iogurte - iStock - iStock
Iogurte búlgaro chegou recentemente ao mercado brasileiro e é boa fonte de vitaminas e minerais, além da proteína Imagem: iStock

Indicações e contraindicações

Esse iogurte pode ser consumido por qualquer um que não tenha intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite, mas é especialmente recomendado para aqueles que possuem quadros gastrointestinais.

"Pode ser interessante para recuperar o organismo após episódios de diarreia, reduzindo dores e desconfortos abdominais", afirma Clarissa Fujiwara, coordenadora de nutrição da Liga de Obesidade Infantil do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Pelo seu processo de fermentação mais lento, o iogurte búlgaro conta com um baixo índice de lactose e é mais digerível que os demais, podendo até ser consumido por indivíduos que têm uma intolerância leve a essa substância. "É importante ressaltar que depende do grau da pessoa. Ele é contraindicado para quem tiver um distúrbio mais severo", aponta Grecco.

A presença dos microrganismos na sua composição também pode ser benéfica para quem tem esse diagnóstico leve. "Ele reduz sintomas gastrointestinais e associados à má digestão", diz Fujiwara.

Nos casos mais graves, é importante consumir concomitantemente com a enzima lactase ou optar, futuramente, por opções zero lactose —ainda não disponíveis no mercado brasileiro para esse produto.

Quanto posso consumir diariamente?

Na Bulgária, seu país de origem, esse iogurte é usado em praticamente todas as refeições, de salgadas até doces —está presente em saladas, sopas, bebidas e sobremesas.

Diferente de outras opções oferecidas, ele pode ser consumido até duas vezes por dia em porções de 100 g, pela sua alta quantidade de probióticos e baixo índice de gorduras.

"É uma excelente forma de incluir uma fonte de proteínas e cálcio no cardápio. Um alimento que pode ser combinado a outros para um lanche intermediário ou fazendo parte de um café da manhã", completa Fujiwara.

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Opinião - Marcelo Coelho: Ultrabolsonarismo militar seria um baita tiro pela culatra do Brasil

Ameaças de golpe, uma vez caindo no vazio, fortalecem centrão como sustentáculo razoável de um presidente enlouquecido

É tanta ameaça, tanta soberba, tanta certeza de impunidade por parte de chefes militares brasileiros que eu poderia ficar totalmente desanimado e achar que toda a construção da democracia no país nos últimos 40 anos foi trabalho perdido.

Talvez não seja para tanto. Uma coisa interessante, na semana passada, foi ver que as provocações do general Braga Netto, questionando a legitimidade do voto eletrônico, não intimidaram ninguém.

Comentaristas televisivos experientes, sem nenhum traço de porra-louquice, reduziram a pó as desculpas inventadas pelo general, depois que ele resolveu assoprar a mordida anterior. Não vi sombra daquele antigo temor que se tinha na imprensa, durante os tempos da abertura, diante de despautérios e violências dos machões de quatro estrelas.

Hoje, diz-se claramente (na TV por assinatura, pelo menos) que este general mentiu, que aquele outro não diz a verdade, que o terceiro não podia ter dito o que disse.

Claro que também não vejo as reações que seriam necessárias num país plenamente emancipado e democrático.

O caso seria de prisão imediata de qualquer militar que se metesse a dar recados ao poder civil.

Seja como for, não prevalece um sentimento de medo frente ao que os militares possam fazer. Por enquanto, a hipótese de que tentem um golpe é muito remota. Difícil começar um regime de força com
popularidade em queda livre.

Seria preciso investir na criação de um “caos social”, com agentes provocadores ou atentados terroristas, ao estilo do que se tentou na década de 1980.

Ou forjar, como se fez em décadas anteriores, algum documento “provando” entendimentos de personalidades de esquerda com redes subversivas internacionais…

Essa gente é tão doida e radical que é capaz de tudo. Mas, felizmente, aqui estamos entrando no reino da especulação extrema.

Por que, então, esses chefes militares estariam caprichando em declarações golpistas? A pergunta, formulada assim, pode parecer meio boba.

Fazem declarações golpistas porque são golpistas, sempre foram golpistas, sempre serão golpistas.

Nunca se conformaram com a democracia; não sabem o que é democracia. Consideram que o ponto alto da história militar brasileira foi instaurar uma ditadura, que prendeu, matou, torturou e estuprou tantas pessoas quanto quis, e se ofendem diante de qualquer menção aos crimes cometidos.

Antidemocráticos por formação, calaram-se (mais ou menos) por um tempo. Animaram-se com a vitória de Bolsonaro e com o apoio que encontraram junto a alguns grupos de fanáticos.

Mas acredito que haja motivos mais conjunturais para essa temporada de provocações.

Primeiro, a CPI começa a pisar nos calos das Forças Armadas. Acusações envolvendo compra de cloroquina, contratos duvidosos, omissões, engavetamentos e corrupção deixaram de ser monopólio do “elemento civil” de nossa sociedade. Uma vez acuado, todo pelotão que se preza trata de resistir.

Segundo, o centrão avança sobre os cargos da República. Natural que alguns chefes militares queiram mostrar a Bolsonaro que, na hora H, serão mais fiéis ao presidente do que os líderes de partidos fisiológicos.

Na “política tradicional”, a rebeldia partidária sempre compensa —o presidente é forçado a entregar novas fatias do Estado a quem ameaça retirar seu apoio.

O ultrabolsonarismo militar seria, então, um tiro pela culatra. Ameaças de golpe, uma vez caindo no vazio, fortalecem o papel do centrão como sustentáculo “razoável” de um presidente enlouquecido.

Mas a ameaça persiste, como plano B. Sonho com um modo de o Congresso silenciar a arrogância golpista. Ponha-se em votação um plano para rever todas as aposentadorias e privilégios militares. O chefe disposto a melar o jogo da democracia não teria moral, imagino, para falar grosso num caso em que seria tão evidente seu empenho de agir em causa própria.

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Paul Krugman: O retorno do zumbi dos valores familiares

Crianças precisam de ajuda de verdade, e não de uma retórica vazia

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The New York Times

Por algumas poucas semanas, em 1992, a política nos Estados Unidos teve como foco os “valores familiares”.

O presidente George Bush pai estava enfrentando problemas em sua campanha de reeleição devido a uma economia fraca e à desigualdade crescente. Por isso, seu vice-presidente, Dan Quayle, tentou mudar de assunto atacando Murphy Brown, uma personagem em uma série de humor na TV, que decide ter um bebê apesar de não ser casada.

O incidente me veio à memória quando li sobre declarações recentes de J.D. Vance, autor de “Hillbilly Elegy” e agora candidato republicano ao Senado pelo Ohio.

Vance apontou que alguns democratas proeminentes não têm filhos, e atacou a “esquerda sem filhos”. Também elogiou as políticas do líder húngaro Viktor Orban, cujo governo subsidia casais que têm filhos, e perguntou: “Por que não podemos fazer isso aqui?”

  • Manifestação em Budapeste contra lei anti-LGBT aprovada pelo partido governista Fidesz, do primeiro-ministro populista Viktor Orbán

Como apontou Dave Weigel, do The Washington Post, que estava lá, foi estranho que Vance não tivesse mencionado o crédito fiscal aprovado recentemente por Joe Biden para as famílias, que fará enorme diferença para as muitas famílias pobres que têm filhos.

Também foi interessante que Vance tenha elogiado a Hungria em lugar de outros países europeus que adotaram políticas fortes de promoção da natalidade. A França, especialmente, oferece grandes incentivos a famílias com filhos e tem um dos maiores índices de natalidade entre os países avançados.

Assim, por que Vance decidiu selecionar para elogio um governo repressivo e autocrático com forte inclinação ao nacionalismo branco? A pergunta é retórica.

Tampouco consigo resistir a mencionar que, quando tuitei sobre algumas dessas questões algumas semanas atrás, em um final de semana, concentrando minhas afirmações na debilidade dos argumentos econômicos em favor de políticas de incentivo à natalidade, a resposta madura e ponderada de Vance foi me chamar de “uma velha dos gatos esquisita”.

Mas existe um aspecto mais importante nisso. A questão toda do foco em “valores de família” —em oposição a políticas concretas que ajudem as famílias— terminou por se provar um épico fiasco intelectual.

É claro que Dan Quayle não era intelectual. Mas sua ofensiva quanto ao seriado aconteceu em meio a uma argumentação sustentada, da parte de pensadores conservadores como Gertrude Himmelfarb, de que o declínio nos valores tradicionais, especialmente as estruturas familiares tradicionais, era o presságio de um colapso social generalizado.

O fim das virtudes vitorianas, muita gente argumentava, conduziria a um futuro de crime e caos desenfreados.A sociedade, no entanto, se recusou a entrar em colapso.

É verdade que a proporção de mães solteiras começou a crescer. Falarei mais sobre isso adiante. Mas o pico da ansiedade quanto aos valores de família por acaso coincidiu com o início de uma queda imensa no número de crimes violentos.

As grandes cidades, especialmente, se tornaram muitíssimo mais seguras. Por volta da década de 2010, o número de homicídios em Nova York tinha caído de volta ao nível da década de 1950. E já que alguém com certeza mencionará o fato, sim, durante a pandemia o número de homicídios cresceu —mas não o de crimes em geral.

Ninguém sabe o motivo exato, da mesma forma que ninguém sabe com certeza por que o número de crimes caiu, inicialmente. Mas vale a pena apontar, no entanto, que outros aspectos da sociedade também se desordenaram durante a pandemia.

Por exemplo, houve um salto no número de mortes em acidentes de trânsito, mesmo que a quilometragem percorrida pelos veículos do país tenha caído muito. Presumivelmente, o isolamento forçado causa sérios danos sociais, mas isso nada tem a ver com valores familiares.

Também vale a pena notar que o declínio das famílias tradicionais é ainda mais pronunciado em alguns países europeus do que é aqui. A França, como eu disse, conseguiu promover uma natalidade alta, mas a maioria das crianças nascidas são filhas de mães solteiras.

Como nos Estados Unidos, porém, existe pouca indicação de caos social: o índice de homicídios na França é de menos de um sétimo do americano.

É claro que nem tudo foi bem para a sociedade dos Estados Unidos. Tivemos um crescimento alarmante no número de mortes por desespero, ou seja, mortes causadas por suicídio e abuso de álcool e drogas. Mas é difícil argumentar que essa alta reflete o declínio dos valores tradicionalistas.

Na verdade, se compararmos a situação em base estadual, dos dez estados que exibem resultados mais altos em um dos indicadores de valores tradicionais, a religiosidade, sete têm número de mortes por desespero superior à média.

Isso quase certamente é um caso de correlação e não de nexo causal. Reflete a concentração do desespero em áreas rurais e pequenas cidades nas quais as oportunidades desapareceram quando o centro de gravidade da economia se deslocou para áreas metropolitanas, onde os níveis educacionais são mais elevados.

O que me conduz ao meu argumento final: quando políticos bradam sobre valores, ou atacam as escolhas pessoais alheias, isso em geral é um sinal de que não podem ou não querem propor políticas que de fato melhorariam a vida dos americanos.

O fato é que existem muitas coisas que podemos e deveríamos fazer para tornar a nossa sociedade melhor. Fazer mais para ajudar as famílias que têm filhos —com assistência financeira, serviços de saúde melhores e acesso a creches— está no topo da lista ou perto dele. E o objetivo, aliás, não é encorajar as pessoas a terem mais filhos —essa decisão cabe a elas—, e sim melhorar a vida das crianças, para que ao crescer se tornem adultos mais saudáveis e produtivos.

Por outro lado, gritar com membros da elite sobre as decisões deles quanto a suas vidas pessoais não está na lista de jeito algum. E quando isso é tudo que um político faz, é um sinal de falência intelectual, e talvez moral.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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 Paul Krugman: A direita dos EUA aposta tudo na ignorância

Mente fechada e ignorância se tornaram valores centrais para os conservadores

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The New York Times

Como todos sabem, os esquerdistas odeiam as forças armadas dos Estados Unidos. Recentemente, uma figura proeminente da mídia de esquerda atacou o general Mark Milley, que preside o estado-maior conjunto americano, declarando que “além de ser um porco, ele é estúpido”.

Ah, não. Não foi um esquerdista, mas sim Tucker Carlson, da Fox News. O que causou a explosão de Carlson foi um depoimento de Milley ao Congresso em que ele disse considerar importante que “as pessoas uniformizadas tivessem a mante aberta e leituras amplas”.

O problema é óbvio. Mente fechada e ignorância se tornaram valores centrais para os conservadores, e aqueles que rejeitam esses valores são o inimigo, não importa o que possam ter feito a serviço do país.

A audiência de Milley era parte de um furor orquestrado sobre a “teoria crítica da raça” que vem dominando a mídia de direita nos últimos meses, tendo recebido quase duas mil menções na Fox News só este ano. É frequente ouvir a afirmação de que aqueles que atacam a teoria crítica da raça não fazem ideia do que ela é, mas discordo; eles compreendem que existe alguma relação entre a teoria e afirmações de que os Estados Unidos têm um histórico de racismo e de políticas públicas que explícita ou implicitamente alargam as disparidades raciais.

Alunos durante o recreio em uma escola na cidade da Filadélfia, na Pensilvânia (EUA) - Hannah Beier - 8.mar.21/Reuters

E essas afirmações são incontestavelmente verdadeiras. O massacre racial de Tulsa realmente aconteceu, e foi apenas um entre muitos incidentes como esse. O manual de financiamento da Administração Federal da Habitação, em sua edição de 1938, realmente declarava que “não se deve permitir que grupos racialmente incompatíveis vivam nas mesmas comunidades”.

Podemos discutir sobre a relevância desse histórico para as políticas atuais, mas quem argumentaria contra reconhecer simples fatos?

A direita moderna. A direita moderna argumentaria. A obsessão atual com a teoria crítica da raça é uma tentativa cínica de mudar de assunto, desviando a atenção das iniciativas políticas altamente populares do governo Biden, e de açular a ira branca que os republicamos negam existir. Mas esse é só um dos múltiplos assuntos em que ignorância deliberada se tornou um teste para qualquer pessoa que espere encontrar sucesso político no Partido Republicano.

Assim, para ser um republicano respeitado no partido é preciso negar a realidade de que atividades humanas causaram uma mudança no clima, ou no mínimo se opor a qualquer ação para limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa. É preciso rejeitar, ou ao menos expressar ceticismo sobre, a teoria da evolução. E nem vou começar a discorrer sobre coisas como a eficácia dos cortes de impostos.

O que sublinha esse compromisso multidisciplinar para com a ignorância? Em cada tema, a recusa de reconhecer a realidade parece servir a interesse especiais. Aqueles que negam a mudança do clima atendem aos interesses do setor de combustíveis fósseis; os que negam a evolução atendem aos religiosos fundamentalistas; o misticismo dos cortes de impostos é um serviço aos bilionários que doam verbas de campanha.

Homem observa escombros na comunidade negra de Greenwood, em Tulsa (EUA), em 1921; local foi alvo de revolta de brancos, que queimaram casas e destruíram tudo o que viam pela frente - Oklahoma Historical Society/Getty Images

Mas existe também, eu argumentaria, um efeito secundário: aceitar provas e a lógica é uma espécie de valor universal, e não se pode removê-lo de uma área de pesquisa sem degradá-lo em todo o espectro. Ou seja, não se pode declarar que honestidade sobre a história racial dos Estados Unidos é inaceitável e esperar que os padrões intelectuais quanto a outros temas sejam mantidos. No moderno universo de ideias da direita, tudo é político, e não existem assuntos seguros.

Essa politização de tudo inevitavelmente cria imensas tensões entre os conservadores e as instituições que tentam respeitar a realidade.

Há muitos estudos que documentam as fortes inclinações democratas dos professores universitários americanos, o que é muitas vezes tratado como prova clara de vieses na contratação. Na Flórida, uma nova lei requer que cada universidade do estado conduza uma pesquisa anual “que considere em que medida ideias e perspectivas concorrentes são apresentadas”; a lei não ordena especificamente que mais republicanos sejam contratados, mas é claramente um gesto nessa direção.

Um contra-argumento óbvio às imputações de parcialidade nas contratações é a autosseleção: quantos conservadores escolhem seguir carreira, por exemplo, na sociologia? Os vieses de contratação são o motivo para que policiais pareçam ter apoiado Donald Trump por maioria desproporcional na eleição de 2016, ou isso é um simples reflexo do tipo de pessoa que escolhe carreiras nesse ramo de atividade?

Mas além disso, o Partido Republicano moderno não abriga pessoas que acreditem na objetividade. Uma característica notável das pesquisas sobre partidarismo acadêmico é a pesada preferência pelos democratas nas ciências duras, como a biologia e a química; mas será que isso é tão difícil assim de entender quando os republicanos rejeitam a ciência em tantas frentes?

Um estudo recente expressa espanto por até mesmo os departamentos de finanças nas universidades serem pesadamente pró-democratas. De fato, seria de esperar que professores de finanças, alguns dos quais têm trabalhos lucrativos como consultores em Wall Street, fossem bastante conservadores. Mas mesmo eles se deixam repelir por um partido que tem um compromisso para com a Economia zumbi.

O que me reconduz ao general Milley. Os militares americanos tradicionalmente preferem o Partido Republicano, mas o corpo moderno de oficiais das forças armadas tem um nível educacional elevado, mente aberta e, se posso ousar dizer, demonstra alguma inclinação intelectual – porque esses são atributos que ajudam a vencer guerras.

Infelizmente, também são atributos que o Partido Republicano moderno considera intoleráveis.

Assim, algo como o ataque a Milley era inevitável. A direita apostou tudo na ignorância, e por isso é inevitável que entre em conflito com todas as instituições –incluindo as forças armadas americanas– que tentem cultivar o conhecimento.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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Luminárias plissadas exaltam processo delicado com inspiração japonesa

Descendente de quatro avós japoneses, Mel Kawahara cria luminárias que exploram estética que reflete sua origem - Divulgação
Descendente de quatro avós japoneses, Mel Kawahara cria luminárias que exploram estética que reflete sua origem Imagem: Divulgação

Carol Scolforo

Colaboração para Nossa

27/07/2021 04h00

Mel Kawahara

Mel Kawahara

Quem é

Arquiteta formada pela Fau-Usp, Melissa Kawahara atua como designer à frente da marca que leva seu nome, especializada em luminárias com dobras

Um plissado elegante assume formas diversas nas mãos de Mel Kawahara todos os dias. Nele, misturam-se talento, estética e luz, em um encontro que não foi simples. A formação em Arquitetura concluída em 2014 em São Paulo, deu a base para múltiplas facetas dentro da profissão.

"Mas logo que saí, fui trabalhar em um escritório de arquitetura por três anos. Ao longo desse tempo percebi que ficar no computador não era bem o que queria", conta. Como já havia feito uma pesquisa com papel e dobras na USP, onde estudou, pensou em seguir o caminho do design.

Como é um hotel japonês comandado só por robôs, da recepção ao check out

"Nessa época ainda não sabia o que poderia fazer com aquela pesquisa. Depois de uma viagem para países nórdicos da Europa, vi o quanto as luminárias eram importantes na vida deles, afinal, passam a maior parte do ano com luz artificial. São povos que dão valor a possuir itens de iluminação em casa. Passei a observar que a esses objetos não precisam ter uma forma tão determinada pela função."

De volta, ideias novas

Obras criadas por Mel Kawahara - Divulgação - Divulgação
Obras criadas por Mel Kawahara Imagem: Divulgação

Ao pisar no Brasil, veio o estalo: sua pesquisa na faculdade se transformaria em uma linha de luminárias. "Criei um objetivo e fui atrás de material", lembra.

No fim de 2017, as seis peças criadas e divulgadas para amigos foram um sucesso de vendas. "Tenho amigos arquitetos e alguns indicaram para clientes e para outros amigos. Deu certo."

Mais certo ainda foi expor em feiras de design maiores, em São Paulo — Mel passou a atender clientes finais, que correspondem a metade de seu faturamento. A produção atual gira em torno de 40 peças por mês.

filme de polipropileno, um polímero, hoje torna suas peças mais resistentes que o papel, que ficou no passado.

A luz preenche o espaço sem precisar de muita coisa. Tem uma beleza etérea, sem materializar o contorno. Minha casa só tem luz indireta e acredito que isso traga serenidade, calma."

Feito à mão - Mel Kawahara - Divulgação
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Divulgação
Feito à mão - Mel Kawahara - Divulgação

Manualidades

Luminárias de Mel Kawahara - Divulgação - Divulgação
Luminárias de Mel Kawahara Imagem: Divulgação
Dobras dos objetos criam identidade da artista - Divulgação - Divulgação
Dobras dos objetos criam identidade da artista Imagem: Divulgação

Uma a uma, as peças são criadas em um processo bastante manual.

"Não é simples desenvolver. Começo com esboços, planifico o desenho pelo computador e envio para a gráfica fazer os vincos. Deixo plissar de um dia para o outro, para que a luminária toma sua forma e depois faço as dobras complementares. Algumas levam até cinco horas", detalha.

Descendente de quatro avós japoneses, Mel acredita ter herdado deles o gosto pelo fazer manual e respeito pelo tempo da elaboração de um objeto.

É um processo delicado, mas essa é a essência do artesanal. Não poderia ser de outro jeito."

@s que me inspiram

@isseymiyakeofficial

“Amo tudo o que ele faz: como divulga a marca, como faz a direção de arte, elabora os desfiles, como ele pensa em cada detalhe de suas marcas. Acho sensacional.”

@ronanerwanbouroullec

“Esses dois irmãos franceses são designers com desenhos únicos. Pelo perfil deles, entendemos como eles têm a ver com as peças que produzem, eles comunicam isso muito bem.”

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Orlando Drummond, o Seu Peru da 'Escolinha', morre aos 101 anos

Do UOL, em São Paulo

27/07/2021 18h20

Atualizada em 27/07/2021 19h26

O ator e dublador Orlando Drummond, mais conhecido por viver o Seu Peru na "Escolinha do Professor Raimundo", morreu hoje na casa dele, no Rio, aos 101 anos em decorrência de falência múltipla dos órgãos, informou a Rede Globo.

Drummond ficou internado de abril a junho deste ano no hospital Quinta D'Or, na zona norte do Rio de Janeiro, para tratar um quadro grave de infecção urinária.

Morre o ator André Ceccato, o Barba do filme 'Carandiru'

A jornalista Marina Andrade, sobrinha-neta do ator, lamentou a morte. "Valeu cada segundo, da minha infância ao último papo nos 100 anos. Tio Orlando forjou o meu humor. Descansa depois de muita luta. Mandem muito amor para Glória, minha tia-avó e esposa de Drummond, filhos Orlandinho e Lenita e os tantos netos e bisnetos", disse no Twitter.

Em junho, ele foi homenageado pelos netos nas redes sociais para celebrar o Dia do Dublador. Com fotos ao lado do ator, eles compartilharam declarações à carreira e a Orlando.

"Quem vê de fora até pensa que o Dia do Dublador é quase um Natal aqui em casa, né? A gente não chega a tanto, mas é sempre um momento bacana para homenagear meu avô, meus irmãos, Alexandre e Eduardo Drummond, e meus colegas profissionais", escreveu Felipe Drummond.

Em maio, o neto afirmou que a saúde do dublador era de "altos e baixos' pela idade dele. "Muita gente perguntando sobre o vovô. É um processo de altos e baixos. O vovô já tem mais de 100 anos.

Obrigado pelo carinho de todos vocês", agradeceu Felipe, na ocasião.

Carreira gigante

Uma das vozes mais icônicas do entretenimento brasileiro, Orlando Drummond marcou várias gerações ao dar vida para personagens da comédia, como o Seu Peru, da "Escolinha do Professor Raimundo", ou emprestar sua voz para dublagens de Alf ETeimoso, Gargamel, Scooby-Doo, Popeye e Vingador.

Nascido no Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1919, Orlando Drummond Cardoso iniciou sua carreira como contrarregra, em 1942. A proximidade com a TV e o potencial o levaram a trabalhar como ator e posteriormente dublador, a partir de 1950. Seu personagem mais marcante da TV é Seu Peru, criado em 1952 para o embrião da "Escolinha" comandada por Chico Anysio ainda como programa de rádio.

Em 2019, quando a TV Globo recriou a "Escolinha do Professor Raimundo" com novos atores, Orlando Drummond compareceu a uma das gravações, contracenou com seu sucessor, Marcos Caruso, e elogiou o colega

"Não tem preço. Enquanto eu estiver vivo, estarei presente com muito amor e carinho. Obrigado, obrigado, obrigado. Estava magnífico, igualzinho a mim. Nota dez! O mais parecido dos personagens foi ele. Gostei do programa todo, porém mais dele, por ficar parecido comigo mesmo, me imitou. Fez muito bem, maravilha. Já tenho um substituto".

Como bem lembrou Mauricio Stycer, colunista do UOL, o papel de Seu Peru chegou para Drummond por acaso, já que estaria destinado a outro ator.

Orlando Drummond no papel do "Seu Peru" - reprodução/YouTube - reprodução/YouTube
Orlando Drummond no papel do "Seu Peru" Imagem: reprodução/YouTube

Voz única na dublagem

Embora seja uma voz frequente em tantos personagens da dublagem, Orlando Drummond criou modulações únicas e deu personalidade para cada um daqueles a quem emprestou sua voz. Seja na estabanada e sempre imitada voz do cachorro Scooby Doo quanto com o musculoso marinheiro Popeye.

A voz de Drummond certamente se destacou também entre os vilões quando ouvimos a ríspida e ameaçadora voz de Vingador em "A Cavera do Dragão" ou o temível Gargamel de "Os Smurfs". E como não se lembrar do atrapalhado ETeimoso Alf com sua voz fanha?

Entre tantos trabalhos de voz memoráveis, também fez o Gato Guerreiro de He-Man, o Corujão do Ursinho Pooh, e as dublagens em filmes do Imperador Palpatine em "Star Wars: O Retorno de Jedi" e do Capitão de "Titanic", vivido nas telonas por Bernard Hill.

Elenco da Escolinha cantou parabéns a Orlando Drummond por seus 100 anos - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Elenco da Escolinha cantou parabéns a Orlando Drummond por seus 100 anos Imagem: Reprodução/TV Globo

Até bloco de Carnaval

Mesmo afastado dos trabalhos, sempre foi presença garantida no "Diversão Brasileira", um bloco de Carnaval realizado na praça Xavier de Brito, na Tijuca, no Rio de Janeiro. Quando completou 100 anos, em 2019, ele foi homenageado pelos foliões.

"Tô chegando chegando ai pessoal! Qualquer dúvida use-me e abuse-me", disse antes de curtir a homenagem vestido de Seu Peru e com uma camiseta com seus principais personagens estampados.

Orlando Drummond deixa a esposa, Glória Drummond, com quem era casado desde 1951, 2 filhos, 5 netos e 3 bisnetos.

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'Orlando Drummond estava sofrendo e não reconhecia mais ninguém', diz filho

Do UOL, em São Paulo

27/07/2021 19h48

Orlando, filho do ator e dublador Orlando Drummond, que morreu hoje aos 101 anos, afirmou que o pai estava muito fraco nos últimos dias e não reconhecia mais os familiares.

Segundo ele, o eterno Seu Peru da "Escolinha do Professor Raimundo" piorou nos últimos dias e parou de comer. Orlando ainda contou que a família está reunida para o momento de luto.

Famosos lamentam a morte de Orlando Drummond, o Seu Peru: 'Um dos maiores'

"A gente estava preferindo que isso ocorresse porque meu pai estava sofrendo muito, estava piorando e respondendo cada vez menos. Do último sábado para cá, ele já não se alimentava, nem respondia mais a ninguém. Quando ele teve alta do hospital Quinta D'Or [em junho], ele veio para casa reconhecendo todo mundo, interagindo, falando, comendo', contou o filho, em entrevista à Quem.

"Mas sábado isso começou a mudar e ele começou a apagar, não reconhecia mais ninguém, não interagia e parou de comer. Estava só no soro. Estamos aqui ao redor da minha mãe, minha irmã, meu cunhado e eu. Meu filho e meu sobrinho estão viajando e tentando antecipar o voo para o Rio. A família está toda reunida", acrescentou Orlando.

O ator e dublador morreu hoje na casa dele, no Rio, aos 101 anos em decorrência de falência múltipla dos órgãos, informou a Rede Globo. Drummond ficou internado de abril a junho deste ano no hospital Quinta D'Or, na zona norte do Rio de Janeiro, para tratar um quadro grave de infecção urinária.

Uma das vozes mais icônicas do entretenimento brasileiro, Orlando Drummond marcou várias gerações ao dar vida para personagens da comédia, como o Seu Peru, da "Escolinha do Professor Raimundo", ou emprestar sua voz para dublagens de Alf ETeimoso, Gargamel, Scooby-Doo, Popeye e Vingador.

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Famosos lamentam a morte de Orlando Drummond, o Seu Peru: 'Um dos maiores'

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/07/2021 19h15

Atualizada em 27/07/2021 19h47

Famosos, artistas e apresentadores de TV lamentaram hoje a morte de Orlando Drummond, aos 101 anos. A morte foi divulgada pelo colunista Alcemo Gois, do jornal O Globo, e confirmada por familiares nas redes sociais.

Nas homenagens, eles lembraram da carreira do ator, humorista e dublador e exaltaram sua trajetória cheia de personagens marcantes, como o personagem Seu Peru, da "Escolinha do Professor Raimundo".

'Caverna do Dragão': Orlando Drummond relembra a voz do Vingador

Bruno Mazzeo, ator e humorista

"Viva Drummond! Dos grandes. Salva de palmas".

Felipe Neto, youtuber

"Vá em paz, Orlando Drummond, um dos maiores de todos os tempos. Muito obrigado por tudo!".

Gil do Vigor, ex-"BBB 21"

"Meu máximo respeito a este ator incrível, Orlando Drummond, eterno 'seu perú'. Obrigado por fazer parte do grupo de pessoas que foram responsáveis por trazer alegria ao povo brasileiro!".

Geraldo Luís, apresentador de TV

"A televisão e o humor ficam mais pobres. Morre o ator Orlando Drummond nosso eterno "Seu Peru" uma vida plena dedicada a arte".

Luiz Bacci, apresentador de TV

"Um dos maiores nomes do humor brasileiro acaba de nos deixar".

Patrícia Pillar, atriz

"Só podemos agradecer a Orlando Drummond pelos 101 anos de vida, encantando e alegrando o Brasil com seus personagens. Que siga em paz e que sua família tenha conforto nesse momento".

Miguel Falabella, ator e diretor

"Querido Orlando, receba essa derradeira homenagem deste fã que cresceu acalentado por sua voz plena de magia e personagens. O Brasil com certeza vai-lhe guardar no coração. Descanse guerreiro! Vamos guardar sua lembrança!".

Marcelo Adnet, humorista

"São tantos Orlandos. Agora és imortal, Orlando Drummont!".

Bárbara Bruno, atriz

"Querido Orlando Drummond, obrigada por tanto!!! Viva Orlando Drummond!!! RIP".

Danielle Winits, atriz

"Hoje nos despedimos dessa estrela que nos marcou com a sua voz e sua arte! Obrigada, Seu Peru, por tudo".

Carreira gigante

Uma das vozes mais icônicas do entretenimento brasileiro, Orlando Drummond marcou várias gerações ao dar vida para personagens da comédia, como o Seu Peru, da "Escolinha do Professor Raimundo", ou emprestar sua voz para dublagens de Alf ETeimoso, Gargamel, Scooby-Doo, Popeye e Vingador.

Nascido no Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1919, Orlando Drummond Cardoso iniciou sua carreira como contrarregra, em 1942. A proximidade com a TV e o potencial o levaram a trabalhar como ator e posteriormente dublador, a partir de 1950. Seu personagem mais marcante da TV é Seu Peru, criado em 1952 para o embrião da "Escolinha" comandada por Chico Anysio ainda como programa de rádio.

Em 2019, quando a TV Globo recriou a "Escolinha do Professor Raimundo" com novos atores, Orlando Drummond compareceu a uma das gravações, contracenou com seu sucessor, Marcos Caruso, e elogiou o colega.

"Não tem preço. Enquanto eu estiver vivo, estarei presente com muito amor e carinho. Obrigado, obrigado, obrigado. Estava magnífico, igualzinho a mim. Nota dez! O mais parecido dos personagens foi ele. Gostei do programa todo, porém mais dele, por ficar parecido comigo mesmo, me imitou. Fez muito bem, maravilha. Já tenho um substituto".

Como bem lembrou Mauricio Stycer, colunista do UOL, o papel de Seu Peru chegou para Drummond por acaso, já que estaria destinado a outro ator.

Orlando Drummond no papel do "Seu Peru" - reprodução/YouTube - reprodução/YouTube
Orlando Drummond no papel do "Seu Peru" Imagem: reprodução/YouTube

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Bolsonaro diz que está entregando a ‘alma do governo’ a líder do centrão

Presidente criticou ainda atuação do ministro Ramos, dizendo que o militar não dominou o ‘linguajar do parlamento’
Evandro Éboli e Jussara Soares
27/07/2021 - 19:45 / Atualizado em 27/07/2021 - 19:50
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente Jair Bolsonaro participam de inauguração de ponte entre Piauí e Maranhão Foto: Isac Nóbrega/Presidência/20-05-2021
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente Jair Bolsonaro participam de inauguração de ponte entre Piauí e Maranhão Foto: Isac Nóbrega/Presidência/20-05-2021

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BRASÍLIA -  Horas após sacramentar o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como novo ministro-chefe da Casa Civil, Jair Bolsonaro disse, em entrevista a uma rádio, que está entregando ao líder do Centrão a “alma do governo”. O presidente contou ainda que entendeu como um “sinal de Deus” um problema na turbina do avião no qual Nogueira viajava do México ao Brasil, após ter recebido o convite para ser ministro. 

Quando questionado sobre críticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à entrada de Nogueira, ex-aliado do PT,  no governo Bolsonaro, o presidente voltou a defender o senador, dizendo que as “pessoas mudam”. Bolsonaro disse ainda que a interlocução com o Congresso será feita de “forma salutar e não de forma comprada como ocorria no passado.”

— O Ciro está feliz. Ele falou para mim que o sonho da vida dele era ocupar um ministério como esse. E dizer ao senhor presidente Lula não é o ministério das Minas e Energia, onde o orçamento é milionário. Não é o Transporte, não é o Desenvolvimento Regional. É a chefia da Casa Civil, é a alma de um governo. É realmente a nossa interlocução aumentando com o parlamento de forma salutar e não de forma comprada como acontecia  no passado — disse.

O presidente admitiu que o ainda ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, teve dificuldade de articulação com o parlamento. General da reserva, Ramos chegou em junho de 2019 para assumir a Secretaria de Governo, cuja principal missão é interagir com o Congresso. Em março deste ano, assumiu a Casa Civil, mas seguiu com atribuição de dialogar com deputados e senadores.

—  Coloquei o Ciro porque preciso melhorar a interlocução com o Congresso. O general Ramos é uma excepcional pessoa, é meu irmão. Agora, com o  linguajar do parlamento, ele tinha dificuldade. É a mesma coisa que pegar o Ciro Nogueira e botar ele para conversar com generais do Exército. O Ciro não saberá falar com eles por melhor boa vontade que tenha — afirmou Bolsonaro.

As declarações foram dadas em entrevista à Rede Nordeste de Rádio, com transmissão para  400 emissoras nos nove estados da região e Tocantins, no Norte. Como informou o GLOBO, o presidente, em busca de popularidade, está concedendo entrevistas diárias para emissoras de todo o país. 

Na entrevista, o presidente contou ainda que Nogueira relatou que o avião em que voltava ao Brasil, após ter recebido o convite para ser ministro quando estava de férias no México, teve uma turbina explodida. Bolsonaro disse que entendeu isso como um “sinal de Deus.” Bolsonaro contou que Nogueira “viu a morte ao seu lado” e o comparou com a facada recebida por ele mesmo durante ato de campanha em 2018.

— É o momento em que você procura se encontrar. Da onde vim, para onde vou. Como é que está minha vida. Eu serei bem recebido nesse destino que cabe a todos nós? O Ciro relatou isso pra mim. Foi um sinal de Deus, no dia seguinte do convite que fiz a ele, esse problema com seu avião. Graças a Deus deu tudo certo — declarou.

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Liga dos párias: Bolsonaro e a extrema direita alemã | Bernardo Mello Franco - O Globo

Jair Bolsonaro abraça a deputada alemã Beatrix von Storch e seu marido Sven von Storch

Em entrevista ao CQC, o então deputado Jair Bolsonaro classificou Adolf Hitler como um “grande estrategista”. A gravação voltou a circular nesta segunda, depois que ele posou para fotos com uma representante da extrema direita alemã.

Beatrix von Storch é vice-líder da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido populista e xenófobo. Em março, a sigla passou a ser investigada sob suspeita de abrigar neonazistas e conspirar contra a democracia alemã.

A deputada é neta de Schwerin von Krosigk, ministro das Finanças de Hitler. Ele foi preso pelas tropas aliadas e condenado por crimes de guerra no Tribunal de Nuremberg.

Parentesco não é destino, mas Von Storch parece compartilhar parte do ideário do avô. Ela se elegeu com falas contra imigrantes e já foi suspensa de uma rede social por incitar o ódio contra muçulmanos.

Líderes de países democráticos evitam se encontrar com a turma da AfD. Os extremistas só costumam ser recebidos por párias como o ditador sírio Bashar al-Assad e o autocrata bielorruso Alexander Lukashenko. Agora conseguiram montar seu palanque no Palácio do Planalto.

A família Bolsonaro sonhava integrar um movimento global de extrema direita. Com as derrotas do americano Donald Trump e do italiano Matteo Salvini, sobrou a companhia de figuras periféricas como o premiê húngaro Vikor Orbán e os aloprados da AfD.

O espectro do nazismo já havia rondado o governo quando o então secretário de Cultura, Roberto Alvim, plagiou um discurso de Goebbels. Ele caiu por pressão da embaixada de Israel, mas sua plataforma de guerra cultural foi encampada pelo atual secretário Mario Frias.

Em nota contra a visita de Von Storch, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) classificou a AfD como um “partido extremista, xenófobo, cujos líderes minimizam as atrocidades nazistas e o Holocausto”.

Há três meses, o presidente da entidade, Claudio Lottenberg, participou de um jantar em que Bolsonaro foi aplaudido por empresários paulistas.

Ao fim do repasto, ele elogiou o governo e disse que o capitão foi “muito simpático”. 

A ver se a ficha cai depois das fotos com a populista alemã.

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Brigar com vice é mau negócio

O Brasil não precisa de mais esse rolo

Em apenas dois meses, Bolsonaro ameaçou não realizar eleições, insultou senadores da CPI, disse que faltou maconha nos protestos contra seu governo e queixou-se da Receita Federal por ter ido “com muita sede ao pote” num projeto que não é dela, mas do ministro da Economia do seu governo. 

É compreensível que uma pessoa capaz de acreditar que a cloroquina remedeia a Covid-19 e que as vacinas são experimentais acredite em bizarrices. 

Ex-aluno da Academia Militar das Agulhas Negras, somou -4 com +5, obteve um +9 e viu no desempenho econômico do seu governo “um milagre”: “É inacreditável”.

Atitudes inacreditáveis, porém pontuais, são uma coisa, mas presidente atacando seu vice publicamente é coisa perigosa, que, além de tudo, traz falta de sorte. 

Bolsonaro disse que seu vice, Hamilton Mourão, “por vezes atrapalha”. 

Comparou-o a um cunhado: 

“Você casa e tem de aturar (...), não pode mandar o cunhado embora”. 

Ao contrário do que acontece com seus cunhados, quem escolheu Mourão para vice foi ele. 

Aturá-lo faz parte da ordem constitucional.

Fernando Henrique Cardoso e Lula tiveram nos vices Marco Maciel e José Alencar colaboradores exemplares. 

Nos últimos 50 anos, dois presidentes encrencaram com seus vices: 

Dilma Rousseff e João Baptista Figueiredo. 

Ambos se deram mal. 

Ela foi retirada do cargo, e Michel Temer tomou-lhe o lugar. 

Figueiredo saiu do palácio por uma porta lateral, enquanto o vice Aureliano Chaves tomava posse no ministério escolhido por Tancredo Neves.

Indo mais longe, Jânio Quadros não se dava com João Goulart e renunciou achando que ele não seria empossado. 

No mínimo, brigar com vice não dá sorte.

Mourão foi escolhido às pressas (o preferido era o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança ) e acreditou que teria uma função relevante no governo, talvez cuidando da infraestrutura. 

Esqueceu-se da lição de Stanislaw Ponte Preta, o inesquecível personagem do jornalista Sérgio Porto: 

“Vice acorda mais cedo para ficar mais tempo sem fazer nada”.

Mourão está acima da média da equipe de Bolsonaro e poderia ter ajudado em tarefas mais meritórias do que embarcar para Angola numa missão municipal. 

Ademais, ele só foi colocado na chapa porque traria consigo um apoio militar. 

Fosse qual fosse o tamanho desse apoio, também não dá sorte perdê-lo. 

Sobretudo numa fase durante a qual, para um militar, a associação com Bolsonaro pode trazer vantagens, mas cobra prestígio.

O pior que pode acontecer a um país com mais de 550 mil mortos numa pandemia e 14,7 milhões de vivos desempregados é ter um capitão na Presidência desentendido com um general na Vice. 

Mourão e Bolsonaro não conseguiram criar uma relação parecida com as dos dois presidentes da ditadura que tiveram vices militares. 

O almirante Rademaker (vice de Emílio Médici) e o general Adalberto Pereira dos Santos (vice de Ernesto Geisel) dormiam até tarde e foram felizes para sempre.

É sabido que o presidente e seu vice afastaram-se.

Contudo uma separação pública de Bolsonaro e Mourão conduzirá inevitavelmente a um reflexo no meio militar. 

Quando esse veneno entra nos quartéis, a desintoxicação custa caro e demora anos para cicatrizar

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Chegada de Ciro Nogueira à Casa Civil abre caminho para PP ampliar espaço e ocupar mais ministérios

Pasta é considerada a mais importante do Executivo e concentra todas as nomeações da máquina pública
Daniel Gullino, Jussara Soares, Evandro Éboli e Bruno Góes
28/07/2021 - 04:00 / Atualizado em 28/07/2021 - 05:04
Presidente da República Jair Bolsonaro ao lado do senador Ciro Nogueira Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
Presidente da República Jair Bolsonaro ao lado do senador Ciro Nogueira Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

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BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro sacramentou ontem a escolha do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para comandar a Casa Civil e, com isso, alçou um dos principais líderes do Centrão ao espaço mais nobre já ocupado por esse bloco partidário nesta e em outras gestões no Planalto. Nas palavras do próprio Bolsonaro, ele está entregando a “alma do governo” a Ciro Nogueira.

Embora as siglas do Centrão tenham ocupado cadeiras de destaque nas gestões dos últimos três ex-presidentes da República — Michel Temer, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva — jamais haviam indicado um nome para um ministério com o prestígio da Casa Civil. A pasta é considerada a mais importante do Executivo e concentra todas as nomeações da máquina pública, por exemplo.

— E (quero) dizer ao senhor presidente Lula que não é o Ministério das Minas e Energia, onde o orçamento é milionário. Não é o Transporte, não é o Desenvolvimento Regional, é a chefia da Casa Civil, é a alma de um governo — disse o presidente em entrevista à Rede Nordeste de Rádio, citando Lula, que afirmara mais cedo que Bolsonaro havia se tornado “refém” do Centrão.

Ao optar por Nogueira, parlamentar experiente e com bom trânsito nas mais variadas matizes ideológicas, Bolsonaro olha para o presente e o futuro próximo. Caberá ao novo ministro azeitar a relação com o Congresso e, no primeiro momento, sobretudo, tentar mitigar os danos provocados pela CPI da Covid no Senado. Nogueira integrava a tropa bolsonarista da comissão, que retomará os trabalhos na semana que vem.

A entrega de um ministério central à parcela de seus aliados com fama de tratar a relação com o governo à base do fisiologismo ocorre em um dos momentos de maior enfraquecimento de Bolsonaro desde que chegou ao Palácio do Planalto. A pouco menos de um ano e meio das eleições de 2022, o presidente aparece atrás de Lula nas pesquisas de intenção de voto. Além disso, ainda não conseguiu definir o partido a que se filiará para disputar a reeleição e, com frequência, tem de explicar as suspeitas de irregularidades em sua gestão, investigada pela CPI.

Bolsonaro e o PP

A chegada de Ciro Nogueira reaquece as negociações entre Bolsonaro e o PP, partido presidido pelo agora titular da Casa Civil, com vistas à disputa eleitoral do ano que vem. A sigla também está flertando com ministros do governo, como Fábio Faria (Comunicações), cuja filiação está praticamente certa, e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), o que faria aumentar ainda mais seu espaço no governo.

A maior aproximação com Nogueira pode dar ao presidente capilaridade em busca de votos, embora parte da legenda esteja fechada com Lula, principalmente no Nordeste, onde o petista tem mais apoio. Aliados de Bolsonaro e Nogueira dizem, porém, que o futuro partidário do presidente será definido pela relação que eles construirão no governo a partir de agora.

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Massa de ar frio chega esta quarta ao Brasil e traz temperaturas perto de zero em locais onde nunca são registradas

Frente fria é fruto da terceira massa gelada vinda dos mares subantárticos até o país neste inverno; há possibilidade de neve no Sudeste e no Sul
Granizo em Getúlio Vargas (RS): a forte tempestade que atingiu o norte gaúcho na virada de segunda para terça-feira é um prenúncio da massa de ar subantártico que se intensifica nesta quarta Foto: Leomar Tesche / Agência O Globo
Granizo em Getúlio Vargas (RS): a forte tempestade que atingiu o norte gaúcho na virada de segunda para terça-feira é um prenúncio da massa de ar subantártico que se intensifica nesta quarta Foto: Leomar Tesche / Agência O Globo

RIO - Massas de ar gelado são esperadas no inverno, por óbvio, a época mais fria do ano. Mas em 2021, alguma coisa está fora de ordem, com sequências de ondas particularmente severas. A onda fria que se intensifica a partir desta quarta-feira no Centro-Sul do Brasil marca o clímax até agora — outras podem vir até o fim da estação — de um inverno extremo, como de resto está o clima do planeta este ano.

E o aumento da frequência e da intensidade de extremos, lembram cientistas, são a marca mais evidente das mudanças climáticas. Os extremos devem dominar a próxima cúpula climática, a COP-26, em Glasgow, na Escócia, em novembro. Também são destaque para o novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), previsto para agosto.

O frio desta quarta-feira é fruto da terceira massa gelada vinda dos mares subantárticos até o Brasil neste inverno. Haverá temperaturas negativas mínimas no Sudeste e no Sul, onde pode nevar. Não será a bomba de gelo anunciada em redes sociais, com “alertas” de sensação térmica de -25°C. Isso é exagero sem fundamento, já esclareceram meteorologistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Mas há perigo para as pessoas em situação de rua e para a agropecuária.

O que se destaca desta vez é a chance de as temperaturas chegarem a marcas próximas a zero em lugares onde isso nunca foi registrado ou é raríssimo, explica o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemaden.

Entre quinta e sexta, a onda pode deixar próxima de zero graus Celsius a temperatura mínima numa área que vai desde a cidade mais austral da América, a argentina Ushuaia, até São Paulo, afirma Seluchi.

  Foto: Editoria de Arte
Foto: Editoria de Arte

— Tanto em Ushuaia quanto em São Paulo as temperaturas podem ficar na casa dos 2°C. Essas temperaturas são normais no Sul do continente, mas não em parte do Sul e do Sudeste brasileiros. Então, Ushuaia, Buenos Aires, Montevidéu, Porto Alegre e São Paulo podem ter a mesma temperatura num dado momento porque essa massa se desloca muito depressa — frisa o cientista.

Onda tripla de frio

Também se destaca a sequência de três ondas de frio poderosas. A primeira onda, no fim de junho, percorreu toda a América do Sul. Surgiu no extremo sul da Patagônia, teve potência para cobrir a Amazônia, atravessar a linha do Equador e alcançar o verão do Hemisfério Norte. Atingiu dimensões colossais e trouxe a reboque um inédito e improvável ciclone subtropical em pleno inverno, o Raoni.

A segunda onda, no começo de julho, fez gear no Vale do Paraíba. E a terceira, que se inicia agora, promete fazer o termômetro ficar perto de zero onde isso não costuma ocorrer. Embora seja improvável que neve no ponto mais frio do Brasil, o Parque Nacional do Itatiaia, na Serra da Mantiqueira, devido à falta de umidade — frio haverá de sobra.

Essa massa de ar, gerada nos mares subantárticos (por isso, não é “polar”, como tem sido equivocadamente chamada), se sobressai por avançar com velocidade pelo interior do continente. Isso evita que se aqueça pelo caminho.

A provável causa dessa onda de frio é o que cientistas chamam de inércia da La Niña. Este fenômeno tecnicamente acabou. Mas o Oceano Pacífico ainda está mais frio do que o normal, o que influencia o regime de ventos que transporta as massas frias do Sul para o Norte. Por ora, no entanto, isso não passa de hipótese.

A cientista Claudine Dereczynski, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que, de fato, em 2021 a queda da temperatura (média, mínima e máxima) neste inverno está muito acentuada em relação às últimas décadas.

Segundo ela, a percepção do frio se intensifica porque desde a década de 1980 ocorre em todo o Brasil um aumento na frequência de extremos quentes e a redução na frequência de dias frios. E a diminuição da frequência de ocorrência dos extremos frios tem ocorrido de forma mais intensa no inverno. Assim, este ano, com uma sequência de três massas particularmente frias chama a atenção.

Seca é preocupação maior

O frio se sobressai num país acostumado com o calor. Pode causar prejuízos, mas é pontual e breve. Um extremo muito mais perigoso que está em curso sem prazo para terminar é a seca severíssima, que ameaça a geração de energia, a agricultura e o abastecimento d’água. O Centro-Sul do país está há oito anos com chuvas abaixo da média, enfatiza Marcelo Seluchi.

Foi um período com ocorrência de La Niña, El Niño e outros fenômenos, mas nada com força para explicar uma seca tão grave. Há ainda importantes mudanças no uso do solo, como a devastação do Cerrado, uma caixa d’água natural, que deu lugar a plantações. Além disso, secas como essas foram previstas nos modelos das consequências das mudanças climáticas.

— A atmosfera funciona como uma panela de pressão. Quanto mais calor, maior o desequilíbrio. Esse desequilíbrio pode se manifestar tanto com extremos de frio quanto de calor, de chuva e de seca — diz Marcelo Seluchi.

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Saiba tudo sobre a frente fria que chega na quarta-feira e deve ser a pior do inverno

Temperaturas negativas e geadas devem atingir regiões do Sul e Sudeste do Brasil; saiba o que fazer para se preparar
Frente fria no Rio de Janeiro. Na foto, grupo enfrenta o frio e o vento na caminhada no Arpoador, dia 29 de junho Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
Frente fria no Rio de Janeiro. Na foto, grupo enfrenta o frio e o vento na caminhada no Arpoador, dia 29 de junho Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

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RIO — Na semana em que julho se despede, o frio será intenso em algumas cidades do Brasil. De acordo com previsões meteorólogicas, uma massa de ar frio avançará sobre o país a partir de quarta-feira, dia 28, trazendo as temperaturas mais gélidas deste inverno, além de chuvas e geadas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a friagem persistirá até domingo.

Em algumas cidades do Sul, as temperaturas já começarão a cair a partir de terça-feira, quando também tem início a previsão de chuva. De acordo com o Inmet, um dos diferenciais dessa massa de ar frio será a persistência de dias consecutivos com temperaturas mínimas negativas em algumas áreas da região. 

— Há uma frente fria que já atua sobre o Rio Grande do Sul e se dissipará no oceano. No entanto, ela é responsável pela geração de uma massa de ar frio que avançará pelo interior do país, principalmente a partir da madrugada de quarta-feira, chegando com mais força nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste — explica o meteorologista do Inmet Heráclio Alves.

Segundo o Climatempo, a previsão é que Porto Alegre tenha mínima de 4°C na quarta-feira e não passe dos 12°C, temperatura distante dos 21°C de máxima que registra nesta segunda-feira. Em Curitiba, quinta-feira deve ser o dia mais frio da semana, com mínima negativa e máxima de 9°C, enquanto Florianópolis não passará dos 15°C, segundo o serviço meteorológico.

No Sudeste, algumas cidades não passarão dos 15°C até sexta-feira, dia em que Rio de Janeiro e São Paulo terão seus picos de frio. Segundo o Climatempo, a capital carioca, que hoje registra máxima de 32°C, não passará dos 17°C e terá mínima de 9°C em alguns pontos. Já na cidade paulista, a temperatura mínima deve chegar a 4°C.

Modelos meteorológicos que na semana passada indicavam uma fraca nevasca no Parque Nacional de Itatiaia, no Rio de Janeiro, agora mostram que haverá apenas geada. Apesar da expectativa frustrada de neve, ainda haverá frio intenso.

Há ainda alto risco de geada nos próximos dias em praticamente todo o Sul do país, em São Paulo e no sul de Minas Gerais. As temperaturas mais baixas do Sudeste devem ocorrer na Serra da Mantiqueira, que poderá marcar entre -2°C e -3°C. Já na região Sul, os termômetros podem atingir mínimas de até -8°C em áreas de maior altitude.

— Essa já é a terceira massa de ar que atua sobre o país nesse inverno e chega mais intensa do que as anteriores. Quando ela encontra temperaturas já mais baixas por conta da estação do ano, faz o frio ficar ainda maior — aponta Alves.

Saiba como se preparar e ajudar 

Muitos brasileiros, principalmente da região Sudeste, não estão muito acostumados com o clima gelado. Confira algumas dicas para evitar a proliferação de doenças respiratórias, como a Covid-19, e se preparar para essa frente fria:

Mantenha ambientes limpos e arejados 

O frio é um prato cheio para doenças respiratórias como alergias e resfriados. Para evitar a circulação e transmissão de vírus e bactérias, é importante manter os ambientes sempre limpos e arejados. Principalmente em tempos de Covid-19, a preocupação com a circulação do ar é fundamental. Capriche nas roupas de frio e deixe as janelas abertas, pelo menos por um período do dia, para ajudar nessa tarefa. 

Não se esqueça dos exercícios físicos 

A preguiça normalmente prevalece quando os termômetros marcam baixas temperaturas. Mas é importante manter o corpo ativo, principalmente para evitar doenças e outros sintomas comuns no frio, como as câimbras. Além disso, é uma boa forma de manter o corpo aquecido. Devido à pandemia da Covid-19 e suas altas taxas de transmissibilidade, a orientação é que sejam feitas atividades físicas ao ar livre.

Se alimente bem e se hidrate

Outra dica para evitar ficar doente no meio da friaca que se aproxima é manter uma boa dieta, rica em alimentos saudáveis para o corpo. Frutas, legumes e verduras são sempre bem-vindos, assim como, no mínimo, dois litros de água por dia. Com baixas temperaturas e o ar bastante seco, repor a hidratação do corpo também é fundamental. 

Ajude quem precisa 

Nem todo mundo tem o privilégio de poder se esconder debaixo de um edredom e um casaco quentinho. Muitas pessoas em situação de rua ou em vulnerabilidade financeira podem adoecer em período de frio intenso como o que se aproxima. Procure iniciativas de ONGs e órgãos municipais, se informe sobre as campanhas de doações de agasalhos e contribua.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a Secretaria Especial de Ação Comunitária está recolhendo cobertores, agasalhos e quaisquer outras vestimentas de frio para doação a populações de favelas e áreas menos favorecidas da cidade.  

*Estagiária sob orientação de Eduardo Graça

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Rio gelado: Estado e capital podem ter mínimas recordes com chegada de frente fria

Todo o território vai sentir a mudança no tempo, mas em especial as áreas tradicionalmente mais frias, como o Sul e a Região Serrana
Turistas aproveitam o frio para curtir Petrópolis, na Região Serrana Foto: Gabriel de Paiva em 23/07/2021 / Agência O Globo
Turistas aproveitam o frio para curtir Petrópolis, na Região Serrana Foto: Gabriel de Paiva em 23/07/2021 / Agência O Globo

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RIO — A despedida de julho será gelada por todo o Estado do Rio de Janeiro. Nos próximos dias, a previsão é de variação de temperatura. Pode esquentar nesta segunda e terça-feiras, mas os termômetros terão uma queda acentuada já a partir de quarta com a chegada da massa de ar frio mais forte a alcançar o Rio este ano. Segundo a MetSul Meteorologia, a expectativa é que seja registrado novo recorde no ano de baixa temperatura. Todo o estado vai sentir a mudança no tempo, mas em especial as áreas tradicionalmente mais frias, como o Sul e a Região Serrana.

De quarta para quinta-feira, segundo a empresa, pontos já costumeiramente mais frios na cidade do Rio devem registrar temperaturas entre 7 e 8 graus, como na Vila Militar e no Alto da Boa Vista, podendo diminuir ainda mais. Já a expectativa de neve se dissipou para Itatiaia — que tem os registros mais baixos no parque nacional. Na região deve haver geadas, como ocorreu em outras ocasiões neste inverno. Para enfrentar o frio da maneira correta, abaixo, a pediatra e alergista Selma Sabrá dá dicas de como cuidar da casa e da saúde.

Os ventos ganham força a partir de quarta-feira, o que vai causar uma queda também na sensação térmica, segundo a MetSul. É neste período que a temperatura terá maior queda, principalmente na madrugada e na manhã de quinta-feira. O ar frio, por ser mais denso, vai movimentar a massa de ar e gerar vento. Na previsão, podem chegar à velocidade de 31 km/h. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê vento moderado e rajadas para o dia.

"À noite, quando a temperatura cair de 10 a 12 graus, o vento vai trazer a sensação de 7 ou 8 graus. O vento vai potencializar a sensação de frio", prevê a MetSul para o Rio.

As chuvas, que não marcam tanta presença na estação e andam ainda mais escassas no Brasil este ano, voltam a aparecer nos próximos dias, com pancadas já a partir de quarta, segundo o Climatempo. O tempo mais úmido vai contribuir para uma sensação maior de frio, mesmo não marcada pelos termômetros. Já a partir de sexta-feira, as condições mais secas tornam o ambiente propício para a geada em pontos da Região Serrana.

— Há uma chance bem alta de serem as temperaturas mais baixas, assemelhando-se à primeira onda de frio no fim de junho e começo de julho. Podemos ter tanto a manhã mais fria do ano como a tarde mais fria nesta semana. Deve ter sim uma condição bem fria prevista. Pode sim bater a menor temperatura do ano — diz o meteorologista César Soares, do Climatempo.

As previsões do tempo entre os órgãos variam, com média de três graus de diferença. A expectativa de frio mais intenso e de ventos mais fortes é comum a todas. Para a capital, de acordo com o Climatempo a semana terá:

  • segunda-feira: mínima de 12 graus e máxima de 31 graus; sol e sem nuvens
  • terça-feira: mínima de 14 graus e máxima de 32 graus; sol com algumas nuvens
  • quarta-feira: mínima de 14 graus e máxima de 24 graus; sol com muitas nuvens a nublado e pancadas de chuva no fim da manhã
  • quinta-feira: mínima de 11 graus e máxima de 18 graus; sol com pancadas de chuva de manhã e muitas nuvens à tarde
  • sexta-feira: mínima de 9 graus e máxima de 20 graus; sol com muitas nuvens a nublado
  • sábado: mínima de 11 graus e máxima de 22 graus; sol com muitas nuvens a nublado

As chuvas, que não marcam tanta presença na estação e andam ainda mais escassas no Brasil este ano, voltam a aparecer nos próximos dias, com pancadas já a partir de quarta, segundo o Climatempo.

Rio deve continuar sem neve

A MetSul Meteorologia indica chance de neve apenas para o Sul do Brasil esta semana. Apesar das baixíssimas temperaturas nas alturas do Parque Nacional de Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, condições típicas da região não são favoráveis ao fenômeno:

"A chance em Itatiaia é pequena porque só operam camadas de inversão térmica, diferentemente do que vai acontecer no Sul do Brasil onde todo o perfil vertical da atmosfera, ou seja, da base da nuvem onde surge a neve até o chão, todo o perfil vai estar favorável. É muito comum na região do Itatiaia, pela sua grande altitude, existirem camadas de inversão térmica, ou seja, camadas mais quentes, de temperaturas mais altas, aí isso poderia prejudicar a ocorrência de neve. Tecnicamente não é possível se descartar. Mas é uma chance muito pequena", segundo a MetSul.

A geada, no entanto, deve marcar presença mais uma vez no parque, que já teve registro este ano. De acordo com o Inmet, responsável por operar no local a estação que marcou recorde este ano com 9,9 graus negativos, a paisagem deve ser renovada na sexta-feira, com mínima de 0 grau e máxima de 20 graus.

O mês pode ser tradicionalmente de férias, mas o frio faz parte do charme da região. O Hotel Terras da Finlândia, em Penedo, em Itatiaia, está lotado. O movimento é superior ao do ano passado, quando ainda não havia a vacinação contra a Covid-19 e as medidas de restrições eram mais rígidas no estado. Os hóspedes vão de malas cheias com itens para enfrentar as baixas temperaturas, conta Ana Paula Oliveira, gerente de vendas da unidade:

— Penedo sempre deu muito movimento. E agora, tem fila para entrar. As pessoas trazem casaco, touca, luva. Principalmente o carioca vem atrás do frio e gosta de ir ao parque nacional. Além desse passeio, recomendamos aproveitar os festivais de fondue.

Também em Penedo, o Hotel Bougainville vê as reservas aumentarem durante os meses das férias. Os visitantes são principalmente da cidade do Rio ou da Baixada Fluminense e cerca de 10% do Estado de São Paulo. O perfil do público é formado 50% por casais e 50% por famílias com filhos.

— O frio é atrativo nessa época do ano — aponta Oneglia Cavalcanti, gerente do hotel.

Cuidados com a casa e com o corpo

Se por um lado há os caçadores de frio, quem busca se proteger ao máximo pode deslizar e acabar cometendo erros que podem causar o efeito contrário. Os ambientes fechados já são apontados há tempos como um vilão, isso bem antes da pandemia de Covid-19. Nas estações com temperaturas mais baixas, vírus e bactérias tendem a se propagar com facilidade, e a falta de circulação do ar é um dos agravantes.

Sintomas como coriza e obstrução nasal que agravados podem resultar em crises de sinusite, bronquite e asma se tornam mais frequentes, segundo a pediatra e alergista Selma Sabrá. E no caso de viroses, a chance de contágio também fica elevada.

— Pelo ambiente ficar mais fechado porque está ventando ou frio, isso favorece até a propagação de viroses. O paciente, que já é alérgico e que de um modo geral já tem sintomas respiratórios, piora por conta da diminuição da temperatura. Normalmente, esfria muito, a temperatura cai, e aí começam os sintomas a ficar mais evidentes, principalmente quem já tem alergia — explica a médica.

Se o Rio de Janeiro é conhecido pelas altas temperaturas, a hora de tirar casacos e cobertores do armário é um dos momentos que exigem atenção, em especial para quem tem alergias. Nesta segunda e terça-feiras, o sol aparece ao longo do dia. Essa é a hora de pegar vestimentas e cobertas para pegar um arzinho, tirando o cheiro "de guardado", que pode ter origem de ácaros e mofo. Quem preferir lavar para tirar a poeira também pode aproveitar para secar bem as peças.

Em momentos mais quentes do dia, o ideal é abrir as janelas para deixar o ar circular e arejar a casa. Os cuidados são muitos, que vão desde a temperatura certa na hora do banho à atenção em manter a rotina de lavar bem as mãos. A pediatra e alergista Selma Sabrá indica o que requer atenção nesta época.

Atenção com a casa:

  • Colocar casacos, mantas, cobertas e cobertores no sol para poder arejar
  • Lavar bem as roupas para tirar as poeiras, mas sem deixar o cheiro de produtos, como amaciantes e detergentes, em especial para uso por pessoas que têm alergia. Pode optar pelo uso de produtos neutros
  • Não varrer a casa com vassoura, mas passar pano úmido ou aspirador. Varrer levanta a poeira, o que é pior em ambientes que tendem a ficar fechados
  • Tapetes e cortinas têm que ser aspirados para evitar o acúmulo de poeira
  • Caso não seja possível higienizar sofás e poltronas, cobri-los com um lençol durante o uso, a ser trocado pelo menos uma vez por semana
  • Para as crianças, evitar bichinhos de pelúcia ou lavá-los e higienizá-los

Cuidados com o corpo:

  • Fazer atividade física é bom e necessário, mas sem se expor sem estar devidamente agasalhado
  • Evitar alimentos gelados porque isso mantém o corpo mais frio. Opções de alimentos e bebidas mais quentes são melhores
  • Manter-se hidratado bebendo água, o que auxilia também na peleEvitar banhos muito quentes. Os hidratantes corporais são uma aposta para melhorar a pele, mas devem ser evitados produtos com aroma muito forte e requer atenção ao rótulo de componentes para quem tem alergias (opções hipoalergênicos são mais indicadas)
  • Lavar bem as mãos e com frequência. Em temperaturas mais baixas, vírus e bactérias se propagam de maneira mais fácil
  • Evitar locais fechados e com aglomeração
  • Em casos de congestão nasal, dormir com a cabeceira da cama mais elevada

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Embaixador torturado e assassinado pela ditadura militar será homenageado pelo Instituto Rio Branco

Palácio do Itamaraty, sede da Diplomacia brasileira

247 - A atual turma do Instituto Rio Branco, a escola de formação de diplomatas do Itamaraty, decidiu honrar o embaixador José Jobim (1909-1979) como homenageado do grupo, informa o Painel da Folha de S.Paulo.

Em 2018, o Estado brasileiro reconheceu que Jobim foi morto pela ditadura militar após ter afirmado que denunciaria casos de superfaturamento na construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu. 

O diplomata José Jobim foi sequestrado, torturado e morto pela ditadura militar.

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Fim completo da privacidade: mundo vive escândalo da espionagem - Lejeune Mirhan

Por Lejeune Mirhan

Por Lejeune  Mirhan 

O escândalo

Começo este ensaio mencionando o livro 1984, de Georges Orwell, com o qual eu tenho divergências ideológicas. Mas, neste livro, que escreveu em 1949, ele menciona a existência de um “Big Brother” (“O grande irmão”). O livro é, na verdade, uma alusão à URSS, da qual era muito crítico. Mas, a abordagem vale para outras situações e outros estados totalitários.  

 Lembrei-me desta obra, porque o controle na sociedade que ele descreve é total. E, aplicando isto sobre este software que vamos falar, tenho convicção de que o objetivo dos desenvolvedores é manter um sistema de vigilância 100% sobre todas as pessoas que eles tiverem interesses em manter sob controle e vigilância.

Outro livro que me chama a atenção é Fahrenheit 450, de Ray Douglas Beabury, escrito em 1953. Fahrenheit 450 é a temperatura em que o papel pega fogo e o contexto se dá em uma sociedade onde os livros eram banidos. Os bombeiros ateavam fogo nos livros que eles localizassem nas casas das pessoas. A leitura era proibida.  

Os dois livros têm versões em forma de filme. Fiz questão de iniciar estes escritos com a menção desses dois livros excepcionais por eles terem uma relação direta com a situação, quase que distópica, que vivemos com a situação que, a seguir, descreveremos.

Quem denunciou o escândalo?

Edward Snowden, estadunidense, analista de sistemas, ex-funcionário terceirizado da National Security Agency-NSA, está exilado na Rússia. A NSA é a principal agência de espionagem e segurança interna, de um total de 15 agências. No organograma das agências dos EUA, a NSA está sempre no meio dele. As outras, inclusive a CIA, gravitam em torno dela.

Ele teve acesso a informações sigilosas. Ele adota a mesma linha do ativista australiano Julian Assange, que está preso nos Estados Unidos, que divulgou ao mundo informações de telegramas diplomáticos, de como os Estados Unidos agem no mundo inteiro, no sentido que as pessoas têm o direito de saberem o que os estados fazem em seu nome. Este tem sido o crime dos que pensam dessa forma. E têm sido duramente perseguidos por isso.

Snowden trouxe à tona aquilo que estava no subterrâneo da sociedade de informações e espionagem dos Estados Unidos. Ele afirmou que esta semana teriam novas revelações. E, de fato, no dia 20 de julho, dois grupos denunciaram mundialmente o grande escândalo.

Um deles é a Anistia Internacional, muito antiga. Eu, pessoalmente, tenho muitas divergências com ONGs. Elas até prestam alguns serviços, mas, no geral, a ação delas é contra a nossa linha política mundial que defendemos, um outro mundo possível e, se possível, um mundo socialista.  

Outra ONG que fez a denúncia é a Forbidden Stories, cuja expertise, grande objetivo é dar prosseguimento a investigações iniciadas por jornalistas que passaram a serem perseguidos pelas suas reportagens. O jornalista, no caso, sai de cena e eles continuam investigando. É uma espécie de consórcio mundial de jornalistas investigativos. Mas, não é a única. A famosa denúncia do “Panamá Papers”, feita em 2016, foi feita por outro consórcio de jornalistas.

A denúncia foi publicada originalmente no Washington Post, no El País e no Le Monde. O escândalo é sobre 50 mil números de telefones celulares que foram hackeados. Os proprietários, sem saberem, tiveram instalados em seus aparelhos, o programa denominado Pegasus, que rouba informações. Eles, então, estavam sob total monitoramento e vigilância em tempo integral.

Na lista aparecem 180 jornalistas, muito conceituados e empresas jornalísticas, como Financial Times (Inglaterra), The New York Times e Washington Post (EUA), El Pais (Espanha) e Agence France Press-AFP e Le Monde (França). Os principais jornalistas destes veículos ou agências foram monitorados. Foram monitorados também, chefes de Estados e de governos.

A empresa que desenvolveu o software em Israel

É uma empresa chamada NSO Group. O nome faz referências às iniciais dos nomes dos três fundadores, em 2010: Niv CarmiShalev HulioOmri Lavie. Os três serviram na unidade chamada 8200, que é uma unidade do Corpo de Inteligência de Israel. Eles são egressos do sistema de inteligência, espionagem e investigação de Israel. Tem então, vínculo com o Mossad, a agência de espionagem israelense.

A empresa fica em uma cidade próxima de Tel Aviv, chamada Herzliya, tem atualmente 800 funcionários e está à venda. O valor inicial pedido é de um bilhão de dólares. Ela atua na Europa, na cidade de Luxemburgo (país de mesmo nome), com o nome de OSY Tecnologye nos Estados Unidos, ela atua com o nome deWest Bridge. Trata-se, portanto, de um conglomerado com investidores internacionais que aportaram recursos, tornando-se operadores.

Registro que pelas pesquisas que fiz, que o aplicativo chamado WhatsApp e o Facebook, em 2018, entraram com recurso nos Estados Unidos, contra essa empresa e contra esse software, porque quebravam o sigilo e a segurança do aplicativo, que eles se orgulham em dizer que é criptografado de ponta a ponta. O que já vimos que não é verdade.

Eles entraram com a ação, com base em uma lei, em vigor, nos Estados Unidos, desde 1986, chamada de Lei de Fraudes e Abusos de Computadores. Fizeram essa lei em uma época – há 35 anos – quando os computadores não tinham a tecnologia que têm hoje. Mesmo assim fizeram esta lei de proteção.

O que faz o software “spyware”

São programas que entram no celular e roubam dados, informações à revelia dos seus donos. São softwares que entram quando os usuários clicam permitindo ou acessando algo que chega via mensagens. E, ao clicar, o “spyware” se instala no aparelho. Qualquer antivírus detecta e pode eliminar o programa indesejado.

Eles são muito comuns. Há grandes corporações que vendem este tipo de antivírus e vivem disto. Eles, então, são superatualizados. No Brasil, a empresa UOL (Universo on Line), que é o maior produtor de conteúdo e maior site do Brasil, que vende vários tipos de serviços, e, entre eles, o mais importante é um pacote completo e muito abrangente, que protege computadores, tablets e celulares.

Existem empresas mundiais que desenvolvem continuamente, programas que matam os novos vírus que surgem todos os dias. As maiores e mais famosas empresas nessa área são a Kaspersky (russa), Norton, McAfee e Avast (esta é gratuita).  

Pegasus, desenvolvido pela NSO é completamente diferente dos spywarenormais. Ele se instala no celular, à revelia dos seus proprietários, sem que o usuário tenha que fazer qualquer operação. Ele entra e age sem que o usuário saiba. Quando o dono do aparelho percebe que está sendo monitorado, ele já extraiu todas as informações e dados.

Dizem os experts no assunto, que o programa é tão completo e complexo que ele sabe mais sobre todos nós, do que nós mesmos: para onde vou, locomoção, troca de mensagens. E sabem mais dos aplicativos instalados, do que o próprio dono do celular.

Mas, esse software faz mais. Quando você aciona o antivírus ele não é detectado e se auto extingue, não deixando rastros e o usuário não fica sabendo que ele esteve no aparelho. Isto é algo muito grave e a mídia brasileira e as pessoas ainda não perceberam a gravidade de um programa como este existir em uma sociedade que se diz livre.

Mas, o software faz mais ainda. Ele tem a capacidade de acionar o gravador e ligar a câmera de filmagem à revelia do usuário, mesmo que o celular esteja desligado. Em muitos casos, se recomendaria retirar a bateria. Mas, hoje não mexemos mais na bateria, que são blindadas.  

Portanto, quando o usuário desliga o aparelho e imagina que ele esteja desativado, qualquer programa de satélite localizador, sabe exatamente onde a pessoa está, o tempo todo. Por exemplo, se a pessoa está na reunião do sindicato, do partido político, de um gabinete de um conselho de ministros, eles estão gravando tudo, através daquele aparelho hackeado.

Então, não se trata de um spywarecomo os outros, que roubam e copiam mensagens, roubam os contatos de telefone e, eventualmente, alguma senha. Não é só isso, ele grava e filma à revelia do dono do aparelho, que sequer saber que o software está instalado. Os especialistas recomendam reiniciar o celular mais de uma vez ao dia.

Pegasusé tratado em Israel, conforme um articulista do jornal Haaretz como “uma arma cibernética que permite o terrorismo patrocinado pelo Estado contra a sociedade civil”. Ele sabe que Israel é o maior desenvolvedor de sistemas, armas, espionagem etc.

O que a empresa NSO diz? A propaganda deles diz assim: “Este programa é uma inteligência cibernética para a segurança e a estabilidade global. A NSO cria tecnologia para ajudar agências governamentais a prevenir e inibir o terrorismo e crimes que possam salvar milhares de vida”. Portanto, pela propaganda da empresa, trata-se de algo bom e benéfico que os governos podem adquirir para combater o terrorismo e salvar vidas.

Na verdade, o software não combate, mas promove o terrorismo de Estado, quando adquirido por governos. Mas, ele pode ser adquirido por quaisquer pessoas, em qualquer lugar do mundo, como por exemplo, opositores de um governo. Trata-se, então, de uma arma que tem que ser combatida.

Em quem ele foi utilizado no mundo, o envolvimento de Israel e o Brasil

Alguns nomes de pessoas racheadas foram já divulgados. Em 2013, no ano das manifestações no Brasil, soubemos que a presidente Dilma foi espionada, sob a gestão Obama, um governo dito democrático. A Petrobras também foi espionada, para servir aos interesses das petroleiras estadunidenses.  

É isto que fazem os espiões deles, no mundo inteiro. A CIA, cujo representante esteve no Brasil e foi recebido indevidamente, pelo presidente da República, se ela faz um serviço desses, é espionagem, para beneficiar os Estados Unidos, para beneficiar o país e as empresas.

Estão na lista parcial de autoridades, o presidente da França, Emmanuel Macron, que convocou para o dia 22 de julho, uma reunião de emergência dos seus serviços de inteligência e o conselho de segurança para tratar do assunto e tomar medidas. Espero que a França possa liderar um movimento para tentar barrar e colocar limites na produção de tecnologias desta natureza, se isto for possível. Se isto não for possível, o mundo do amanhã, já chegou, e ele não terá nenhuma privacidade.

Outros nomes que foram grampeados e monitorados integralmente: Cyril Ramaphosa, (presidente da África do Sul), do Congresso Nacional Africano, que é uma Frente Partidária, que reúne os partidos mais progressistas, sob a liderança do Partido Comunista. Nelson Mandela era deste movimento que governa a África do Sul desde 1994, quando terminou o regime do Apartheid.

Imran Khan, primeiro-ministro do Paquistão. Lembrando que o país é um dos nove membros do seleto Clube Atômico, onde estão também EUA e Israel; Mohammad VI, Rei do Marrocos; Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, que é equivalente ao presidente da União Europeia; Saad Hariri, ex-primeiro-ministro do Líbano; Dr. Tedros Adhanom, presidente da Organização Mundial da Saúde - OMS, responsável pelo combate à Pandemia de Covid-19 no mundo.

Estes são alguns dos nomes das pessoas que consegui apurar em minhas pesquisas. Mas, outros nomes virão à tona, pois são 50 mil.

O jornal israelense chamado Times of Israel, deu em primeira capa que o Sheik Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktum, que manda nos Emirados Árabes, também comprou o software. Ele é governante do Emirado de Dubai. Ele teria espionado a esposa e a filha, após comprar o spywarede US$ 5 milhões. Lembrando que ele tem um iate de 500 milhões e o valor do software deve ser dinheiro de gorjeta.

 Lista dos países ou governos que compraram

Eu li três fontes que dão números diferentes sobre o número de países que constam entre os 50 mil números de telefones hackeados. Há uma fonte que cita 10 países. O jornal que citei acima, de Israel, fala em 20 e o El País fala em 34 países. Os que me chamam mais a atenção são: Arábia Saudita, Ruanda, México, Hungria, Marrocos, Índia, Azerbaijão e Bahrein. Quatro deles são monarquias absolutas do Mundo Árabe. Marrocos não é monarquia absoluta porque tem Parlamento.

É preciso registrar que a Arábia Saudita comprou o software e um dos espionados foi ninguém menos do que Jamal Khashoggi, que foi assassinado dentro da Embaixada Saudita, em Istambul, em 2018. Ele é filho de um jornalista famoso, que também já morreu, Adnan Khashoggi, que fazia uma moderada oposição ao rei, que é governado pelo filho que atende pelo nome, que é a sigla MBS, Mohamed Bin Salman. A pessoa que se apresenta como nosso presidente esteve com ele em Riad, e bateu foto ao seu lado, dizendo que o príncipe herdeiro é o modelo de pessoa que ele admira.

Mohamed Bin Salman mandou matar Jamal Khashoggi dentro da embaixada. Mataram, picaram o corpo e dissolveram em ácido. Esta é a Arábia Saudita dos “direitos humanos” que os EUA protegem. Donald Trump ficou em uma saia justíssima quando esse escândalo veio à tona. Ele tinha que tomar uma providência.  

Houve até pessoas que defenderam o rompimento de relações diplomáticas dos EUA com o país. Mas, isso jamais aconteceria, uma vez que a Arábia Saudita compra bilhões de dólares em armamento todos os anos e os EUA têm lá uma quantidade de soldados, aviões, tanques impressionantes e, é a partir dali que eles agem, como na invasão ao Iraque. O registro é de que Jamal Kashogui foi assassinado a partir da espionagem por meio do Pegasus.

O envolvimento de Israel

Como este software é considerado por Israel como uma arma, a existência da empresa e seu único produto – ela não vende outra coisa, apenas este software – ele tem que ser registrado no Ministério da Defesa israelense. Isto comprova a ligação direta com o estado sionista. É Israel que autoriza a empresa vender para este ou aquele governo, para um opositor ao governo, de uma linha em que eles não estão de acordo.

Então, a empresa está à serviço de Israel. Israel tem o poder de veto e de autorização da venda. O faturamento da empresa não é público mas, pelo número de funcionários pode-se ter uma ideia do seu faturamento, comercializando apenas um tipo de produto.

Israel está comprometida até o pescoço com o que está acontecendo em decorrência do uso do spyware Pegasus. O país é tão culpado que, desde terça-feira (20 de julho), quando o escândalo veio à tona, eles formaram um gabinete de crise composto pelo ministro da defesa, pelo chefe do Mossad e o próprio primeiro-ministro Naftali Bennett, que estão discutindo o que fazer.

O Brasil

Coube ao UOL e a Folha de S. Paulo, publicar em maio de 2021, uma reportagem informando que estava tramitando em Brasília uma licitação para adquirir este software Pegasus. É a licitação nº 3/21, no valor de R$ 25 milhões (cinco milhões de dólares). Uma licitação que tramitava por pedido de Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro e ocorria dentro do Ministério da Justiça.

A licitação foi cancelada, mas quem é que garante que esse software não foi adquirido? Ele está à venda não só para governos. Eles vendem para particulares, com a autorização de Israel. Aqui nós lembramos aquela viagem feita em maio deste ano, com nove pessoas, com gastos pagos pelo erário público, por nós, através dos nossos impostos, uma viagem fracassada, cujo objetivo era conhecer um tal spray nasal, que está na fase de testes clínicos e que não tem ainda nenhuma eficácia comprovada. O objetivo oficial foi esse, mas esse não foi o objetivo principal, houve objetivos secundários e um deles foi o de apoiar Netanyahu na campanha eleitoral, a qual acabou perdendo.  

Foram para lá apoiar o sionista, fascista, de extrema-direita, que mantém vínculos fortes com a famíglia Bolsonaro. Mas, eles foram especialmente conhecer o software e, a partir daí, chegando no Brasil, começou então, a tramitar a compra. Mas, pior do que isso, está tramitando um acordo que envolve, segundo o site da Câmara dos Deputados: “medidas como o intercâmbio de tecnologias, treinamento e educação em questões militares, colaboração em produtos de defesa e troca de conhecimento e experiências nas áreas operacional, científica e tecnológica relacionadas à defesa”.

Este é o acordo que está para ser votado na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. E, quem me garante então que o software não foi comprado pelo chamado “Gabinete do Ódio”, que fica instalado dentro do Palácio do Planalto?

E, se foi comprado, que já não esteja há tempos em operação, monitorando e espionando dezenas ou centenas de pessoas? Quantos dos 50 mil números de telefones são do Brasil e, a quem pertencem? Quem mandou espionar essas pessoas? Ou os leitores têm a ilusão de que nenhum brasileiro esteja nesta lista?   

Consequências e desdobramentos – quem ganha com isso?

Eu vou entrar no terreno da especulação e expor a minha opinião, mais do que uma análise. Isso em função que não há ainda provas diretas que ligam o software com forças políticas e correntes de opinião que ganhariam com a comercialização desse software.

Quem ganha com isso? Do meu ponto de vista, são aquelas pessoas que têm uma concepção de mundo e de sociedade absolutamente totalitárias. Daqueles que partem do princípio de que todo mundo tem que ser controlado, monitorado e vigiado 24 horas por dia. E quem são essas pessoas? Não tem uma face? Não! Eu falei de uma corrente de pensamento e tem muitas pessoas que têm esse pensamento. Mas, qual é a cara delas?  

Eu arrisco dizer também, evidentemente, que Israel está envolvida diretamente no desenvolvimento, aprovação e venda do software. Eu afirmo com todas as letras e sem medo de ser acusado de antissemita, que o sionismo internacional é beneficiário deste software.

Assim, o sionismo internacional é o maior beneficiário. E o que é o sionismo Internacional? É aquela corrente de pensamento que existe dentro da comunidade judaica internacional – ainda que nem todos pensem assim – que quer a colonização da Palestina e a tomada do que resta de terra daquele povo, e entregar para estrangeiros que nunca moraram na Palestina. Este é o sionismo internacional, que tem apoio de alguns cristãos, os neopentecostais, os sionistas cristãos, que são tão ou mais perigosos que os judeus sionistas.  

Eu também acho que é beneficiário deste programa, o capitalismo financeiro internacional, para monitorar os passos dos executores do modelo neoliberal nos países com os opositores deste modelo que está em crise no mundo inteiro. Um modelo em decadência. E, o Brasil, insiste em ir na contramão da história, aplicando o modelo que nem os Estados Unidos estão mais adotando, a partir da posse do presidente John Biden, em janeiro deste ano.  

Então, são as pessoas, as correntes, as grandes corporações que seriam as beneficiárias de um programa como esse.

Quais os desdobramentos deste escândalo

Hoje temos no mundo o campo do imperialismo e esta empresa em Israel está no campo do império, mas nós temos também o campo da resistência, que é um conjunto de instituições, partidos, países que lutam contra o imperialismo. E o Brasil vai voltar para este campo no ano que vem, com o presidente Lula. A Índia vai voltar para este campo quando Narendra Modi perder as eleições. Ele é racista, hinduísta, que persegue cristãos e muçulmanos.  

Eu espero que o nosso campo da resistência inclua nas suas pautas esse tema do direito à privacidade, mesmo sabendo que de certa forma, esta bandeira do marco regulatório já está na ordem do dia. Esta empresa deste software, atua à margem de todos os marcos regulatórios legais que existem nos países que não são muitos. O Brasil já tem o seu, mas quem é que garante que este marco proíba a aquisição, operação e funcionamento de um software desta natureza?

Então, que faça parte das nossas pautas e das nossas reivindicações em todo o mundo, a proibição absoluta de desenvolvimento de tecnologias desta natureza, que visam o controle da vigilância e monitoramento 24 horas, da maioria ou da totalidade das pessoas no mundo.

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Instituto Clima e Sociedade diz que o governo BOLSONARO tem postura NEGACIONISTA na CRISE de energia e ALERTA para RISCO de APAGÕES

O BRASIL passa pela PIOR CRISE HIDRELÉTRICA em 91 anos.

"A gente vê ministros e outras figuras aparecendo e NEGANDO que estamos diante de um RISCO de RACIONAMENTO e de APAGÕES", disse a consultora do instituto, Amanda Ohara. 

"Se na PANDEMIA, em que lidavam com vidas humanas, houve NEGAÇÃO, imagina na energia, no início de um período ELEITORAL", afirmou, de acordo com relato publicado no jornal Folha de S.Paulo.


O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou na semana passada para o esgotamento da potência no atendimento aos horários de maior consumo no fim do ano. 

O alerta reforçou no mercado a percepção de que, sem controle da demanda, aumentará o risco de apagões nos horários de picos é elevado. "Não tem varinha de condão que faça aparecer oferta de energia", afirmou o ex-diretor do ONS Luiz Eduardo Barata.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico do Ministério de Minas e Energia deu sinal verde, em maio, para a necessidade de acionar usinas termelétricas, mais poluentes e mais caras. No mês seguinte, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aumentou em 52% a parcela da conta que paga pelo funcionamento dessas usinas. Segundo a Agência Lupa, do jornal Folha de S.Paulo, cerca de 85,6% de toda a energia no país era gerada em hidrelétricas (298,6 TWh de um total de 348,9 TWh) em 2001. O percentual caiu para 65,2% em 2020, apontou um relatório do ministério.

Nesta semana, o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), Christiano Vieira da Silva afirmou que a região Sudeste, responsável por 70% da capacidade de armazenamento do Brasil, está com apenas 26% de sua capacidade. 

De acordo com o físico José Goldemberg, ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo, "a pior coisa que o governo está fazendo no momento é não preparar os brasileiros para a situação difícil que vamos enfrentar". "Pelo contrário, está tranquilizando as pessoas", disse. 

Medidas

O governo apostará na entrada de 15 gigawatts (GW) em nova capacidade de geração entre 2021 e 2022, o equivalente a 8% da capacidade instalada atual, além de 16 mil quilômetros de novas linhas de transmissão, aumentando a malha em 10%.

Em nota divulgada nesta terça, o ministério disse que mantém  uma campanha pelo uso consciente de energia e água. "Não há indicativo de corte de carga e, portanto, de apagões nem no pior cenário utilizado [pelo ONS]", acrescentou. "Não obstante, as medidas em curso contemplam ações visando obter adicionais de geração que permitem que a operação do sistema conte com mais 'folga' entre a oferta e a demanda".

A pasta citou outras medidas adotadas para enfrentar a crise, como a revisão de regras para importação de energia e negociações com empreendedores para antecipar obras. 

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Para Bolsonaro, CHACINA de 263.940 na gestão CRIMINOSA do general Pazuello foi “TRABALHO FANTÁSTICO ”

Quando PAZUELLO assumiu interinamente o MINISTÉRIO_da MORTE, o país contabilizava 15.662_9MORTES.

E, quando foi afastado, 10 meses depois do comando NEGLIGENTE, OMISSO e DESASTROSO do milico, o Brasil atingiu o total de 279.602 MORTES.

Eduardo Pazuello

Bolsonaro foi além, e elogiou o atual ministro Queiroga, quem “deu seguimento a grande parte da política de quem o antecedeu, o general Pazuello”, e elevou o morticínio à casa de mais de 550 mil vítimas da política governamental.

Como se vê, Bolsonaro mede a eficiência dos agentes do seu governo pelo extermínio de humanos.



Atualização de tese do MIT de 1972 confirma COLAPSO SOCIAL TOTAL em 2040

Em 1972, um estudo científico com aspecto apocalíptico, feito pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos EUA, previu que o rápido crescimento econômico, aliado ao total desprezo da humanidade pelo meio ambiente e pelos próprios seres humanos, iria causar um colapso social massivo em meados do século XXI.

Fonte: Getty Images/Reprodução

https://www.megacurioso.com.br/estilo-de-vida/119471-atualizacao-de-tese-do-mit-de-1972-confirma-colapso-social-em-2040.htm

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