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Bolsonaro e COMANDANTES militares apostam no CAOS e no TUMULTO - Jeferson Miola
Por Jeferson Miola

Os comandantes das Forças Armadas se viram obrigados a sair das sombras.
No momento em que o GOVERNO MILITAR é flanqueado por escabrosas denúncias de corrupção e é responsabilizado pelo morticínio e pela catástrofe econômica nacional, os militares “saem da toca” e partem para a ofensiva política. Fazem isso acirrando e incendiando o clima político.
Se a impunidade do general transgressor Eduardo Pazuello removeu o véu que recobria a imagem de falso-moralismo, falso-legalismo e falso-profissionalismo das Forças Armadas, a NOTA INFAME de ataque ao Senado [8/7] evidenciou [ EXPLICITOU ]o total desvirtuamento desta instituição de Estado, convertida em facção político-partidária de extrema-direita.
Na manifestação política assinada com o general-ministro da Defesa Braga Netto, os comandantes se assumiram como chefes partidários do governo que está causando múltiplas e terríveis catástrofes no Brasil.
Numa democracia com o mínimo de higidez do Estado de Direito, estes comandantes e o ministro-general que conspiram contra a democracia já estariam destituídos dos seus cargos.
No dia seguinte [9/7], porém, em entrevista à jornalista Tânia Monteiro/Globo, o comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior não só reafirmou os termos inaceitáveis da nota do “comitê central” do partido militar, como reforçou entendimento favorável à intervenção dos militares na política.
Conhecido como NOTÓRIO ATIVISTA BOLSONARISTA nas redes sociais, _____________________________________________ Almeida Baptista foi ALÉM, ________________________________ e AMEAÇOU ABERTAMENTE o poder político e as instituições CIVIS.
Numa democracia que tivesse o MÍNIMO de AUTORRESPEITO, este comandante não só JÁ estaria DESTITUÍDO do comando, como seria PRESO por ATENTAR contra o Estado de Direito.
Mas, ao contrário disso, ele foi endossado na pregação golpista pelo almirante-comandante da Marinha Garnier Santos que, no twitter, escreveu:
“Nos momentos de festa ou de dor, os militares estarão sempre unidos, em prol do povo brasileiro. Espírito de corpo forte”.
Este argumento dos comandantes militares é INSUSTENTÁVEL.
Nem a Constituição, nem a legislação brasileira estabelecem funções das Forças Armadas “em prol do povo brasileiro”.
Enquanto numa haste da pinça os chefes do partido militar centram a artilharia contra o Senado, noutra haste Bolsonaro direciona a ofensiva contra o judiciário.
O presidente partiu para a agressão frontal ao STF e ao TSE, e de modo autocrático passou a condicionar a realização da eleição de 2022 à aprovação do voto impresso e auditável.
Pela primeira vez ao longo desta escalada AUTORITÁRIA se observa uma reação adequada do poder civil.
Os presidentes do TSE e do Senado, ministro Luis Roberto Barroso e senador Rodrigo Pacheco, reagiram.
Bolsonaro e os chefes políticos militares parecem apostar no caos e no tumulto.
Parecem querer legitimar a INTERVENÇÃO e a TUTELA das Forças Armadas para “garantir a ordem” diante da confusão que eles mesmos deliberadamente provocam.
O doutorando de Direito da UNB Marcos Queiroz, no fio do twitter
“O Haiti é aqui: a Minustah e a ascensão do fascismo brasileiro”, reconstitui a trajetória lastimável dos Force Commanders brasileiros (que hoje comandam o poder no Brasil) no processo político haitiano para obstruir, por meios violentos, o exercício da soberania popular.
Os dirigentes do governo militar, originários do porão da ditadura militar [1964/1985], foram TREINADOS a EXERCER o poder governamental no “CONTEXTO HAITIANO ”; ou seja, no contexto de contenção, em bases violentas, cruéis e bélicas, do conflito derivado da desigualdade social.
Estes chefes político-partidários foram adestrados a governar com tirania na missão internacional no Haiti, na MINUSTAH – um grande equívoco do governo Lula com esta duvidosa “diplomacia militar” perseverantemente criticada pelo MST na época.
Lá, no Haiti, muitos facínoras hoje em postos de poder no Brasil sofisticaram as técnicas contra-insurgentes e repressoras para a contenção violenta do conflito social e político.
Se no Haiti, como acertadamente diz Marcos Queiroz, os militares brasileiros atuaram para impedir o regresso de Jean-Bertrand Aristide ao poder, aqui no Brasil eles se esmeram em impedir o retorno de Lula ao poder.
_______________ * Jean-Bertrand Aristide “Titid”: a queda na própria armadilha
No princípio era “Titid”, o padre das favelas, a voz dos sem-voz.
Já nessa época, lá da Igreja Don Bosco, em Porto Príncipe, aquele que se tornaria o presidente Jean-Bertrand Aristide, representava a esperança de um povo crucificado, de 1957 a 1986, pela ditadura dos Duvalier.
Não foi nenhuma surpresa quando, no primeiro escrutínio livre do país, em 1990, o povo e seu movimento Lavalas (A avalanche) elege o cura dos pobres.
Teríamos, então, demonstrado um entusiasmo exagerado?
“Não tivemos tempo de refletir sobre a personalidade do indivíduo”, confessa um daqueles que, depois de tê-lo acompanhado, tomaram alguma distância (mas quem não o faz hoje em dia ?), “não tivemos tempo de entender como ele poderia passar de um discurso do tipo profético, no qual ele denunciava o mal, ao exercício do poder”.
Que poder, afinal?
Quando ele veste seu novo hábito, Aristide não consegue deter a história.
Washington invadiu Granada em 1984 e acaba de colocar de joelhos os sandinistas na Nicarágua.
Sob o olhar de aprovação de George Bush pai e com o apoio da CIA, o general Raoul Cédras não espera mais que sete meses para derrubar o chefe de Estado haitiano.
A partir do 29 de setembro de 1991, em um caos conscientemente organizado, marcha-se sobre cadáveres dos “lavalassianos”.
Seria preciso esperar o 19 de setembro de 1994 para que o presidente norte-americano William Clinton, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas, envie 20 mil soldados para o restabelecimento do poder legítimo e (principalmente) colocar termo ao fluxo dos boat people que buscam refúgio nas costas dos Estados Unidos.
História degradante
No entanto, se os tempos antigos estão de volta, não é sob a forma imaginada.
“Para ele só contava a força através do poder e do dinheiro”, pode-se ouvir no dia seguinte ao 29 de fevereiro de 2004 e da nova defenestração do presidente – reeleito no dia 20 de novembro de 2000, para um segundo mandato.
Segue a lista das ignomínias do antigo “padreco”, transformado agora em responsável ou cúmplice de TODOS os CRIMES do HAITI, desde o NARCOTRÁFICO e o ASSASSINATO de OPOSITORES até pelos CÃES mortos na rua.
Trata-se de fato daquele a quem, ainda no dia 8 de janeiro de 1997, a Unesco destinava o Prêmio 1996 de Educação para os Direitos Humanos, ou assiste-se a uma destas operações de diabolização acionadas toda vez que um líder popular – ao instar de Hugo Chávez na Venezuela – se mete a cuidar, no quintal dos Estados Unidos, da desordem estabelecida?
Ao retomar suas funções, o ex-“padre dos pobres” aplica de fato as medidas NEOLIBERAIS EXIGIDAS pelas INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS INTERNACIONAIS. E o faz à sua maneira
Nesta história degradante, não há dúvida que os três anos de exílio do ex-presidente, seu desespero sem dúvida e sua frustração tem um peso enorme.
“Ele partiu como Aristide e voltou como ’Harry Stide’”, resume abruptamente Anna Jean Charles, militante do sindicato Batay Ouvriyé (ver box).
De fato, em Washington, onde ele cria fortes laços com o Partido Democrata (e particularmente ao Congresionnal Black Caucus), o pitit soyèt (filho do povo) descobre os grandes deal do establishment norte-americano.
Sempre considerado como o presidente em exercício, gerindo os fundos congelados de seu governo, torna-se um “grande comedor”, como se diz em seu país – ao qual impõe um embargo devastador para os mais desvalidos.
Seus novos amigos democratas yankees, o apóiam na retomada do poder, e na contrapartida irão se beneficiar amplamente das privatizações, especialmente no setor das telecomunicações.
Ex-“padre dos pobres”
Reinstalado em suas funções, o ex-“padre dos pobres” aplica de fato as medidas neoliberais exigidas pelas instituições financeiras internacionais.
E o faz à sua maneira.
Jean-Claude Bajeux é o Ministro da Cultura quando se prepara, no conselho de ministros, uma primeira leva de privatizações.
Ele conta:
“Quando o primeiro ministro Michel Smarck preconizava a preparação dos leilões, o presidente interrompe:
’Por que não nos organizamos para distribuir estas coisas entre nós’?”.
Entretanto é a este mesmo Aristide que a ilha deve, em 1996, a primeira transição pacífica de poder entre dois responsáveis eleitos democraticamente.
Na impossibilidade constitucional de assumir imediatamente, ele deixa então o lugar a René Préval, um de seus antigos primeiros ministros e amigo.
De maneira contraditória, é durante esse período que a crise se acirra.
Quando o “Titid” se tornou “Duque de Tabare”, do nome do bairro onde construiu uma suntuosa mansão, diversas dissensões agitaram Lavalas.
Oriundo da Organização Política Lavalas (OPL) – que acompanhou Aristide no âmbito do flerte sem amor, de uma paixão sem paixão, apenas por interesse -, o primeiro ministro Rosny Smarth pede demissão em junho de 1997, provocando uma paralisia do sistema político que duraria três longos meses.
O espaço democrático já sofre múltiplos embaraços quando acontecem as eleições destinadas a preencher as 7.500 cadeiras vagas a nível local e nacional, em maio de 2000.
Embora os observadores internacionais estimem que, de modo geral, o escrutínio se realizou normalmente, surge uma grave contestação.
Sete candidatos a senadores deveriam se submeter a um segundo turno, porém sem nenhum outro processo, a eles foram atribuídos indevidamente, seus cargos.
Situação paradoxal pois mesmo sem fraude, a Fanmi Lavalas (Família A avalanche, o novo partido de Aristides) teria ganho facilmente.
“Apenas”, nota Micha Gaillard, ex-porta-voz de Aristide no exílio, “era preciso que ele controlasse a totalidade das coisas, ele queria 100% das vagas no Parlamento.
Como ele disse durante o golpe de Estado:
’Eu sou o centro de uma roda de bicicleta, todos os raios convergem para mim’”.
Efeito bumerangue
Quando o “Titid” se tornou “Duque de Tabare”, nome do bairro onde construiu uma suntuosa mansão, diversas dissensões agitaram Lavalas
Alguns objetam que Aristide foi sobretudo vítima de correligionários fanáticos “que manipularam as urnas e as ignoraram”.
Seu único erro:
“Ele não disse nada e deixou a situação degradar”.
Talvez.
Mas o exame dos estatutos da Fanmi Lavalas revela um detalhe esclarecedor.
“Foi eleito Representante Nacional [dirigente da organização]”, anuncia o artigo 29, “o presidente Jean-Bertrand Aristide”, antes que o artigo 32 estabeleça:
“O posto de Representante Nacional se torna vago se o Representante falece ou renuncia (…)”.
Nenhuma referência, em nenhum lugar, à realização de eleições internas.
Em outros termos, exceto por vontade própria de abandonar a função, Aristide é implícita e explicitamente “presidente vitalício” de seu partido!
Devastador.
Não se vê mais diferença entre sua filosofia política e a dos Duvalier.
Efeito bumerangue, as eleições de maio de 2000 oferecem um argumento de ouro à oposição para encarar uma queda de braço em um momento em que ela já se encontrava em situação de inferioridade.
Para legar legitimidade às eleições ela boicota o escrutínio presidencial de novembro de 2000 Aristide vence, fortalecido por um apoio popular nunca contestado.
A comunidade internacional não deixa por menos e congela toda a ajuda e empréstimos, levando com isso o país à privação e ao caos.
E para sempre, a divergência na dupla interpretação dos fatos irá estimular a confusão.
“Em alguns pontos”, testemunha o Padre Frantz Grandoit, frei dominicano chamado para dirigir (e que ainda dirige) a campanha de alfabetização, “Aristide conservava uma visão social e a determinação de fazê-la triunfar em alguns aspectos.
Ele quis realmente, por exemplo, uma mudança na educação no interior do país.
Mas, em outros pontos, ele praticou a REALPOLITIK, muito MAQUIAVELICAMENTE ”.
Alguns crêem ainda ver nele um líder progressista com doses de “ogro yankee”.
Mas, se ele evoca com entusiasmo Toussaint Louverture em seus discursos, Charlemagne Péralte, o herói antiamericano, desaparece.
Enquanto o povo afronta seu pavor cotidiano e copiosas fortunas se consolidam, o Ministério da questão social toma de forma sistemática partido dos patrões contra os trabalhadores.
Quando os sindicalistas ligados a Batay Ouvriyé são ASSASSINADOS em Guacimale, no dia 27 de maio de 2002, o regime se volta CONTRA as VÍTIMAS, algumas das quais na prisão.
O escândalo das cooperativas
O IMPORTANTE para Aristide NÃO era a construção do MOVIMENTO POPULAR, mas seu CONTROLE, o estabelecimento de uma CLIENTELA UTILIZÁVEL em caso de necessidade
As certezas se rompem ainda mais com o escândalo dito das cooperativas, em 2001 e 2002.
Tudo começa com um discurso lançado no estádio nacional:
o presidente convida seus concidadãos a poupar investindo seu dinheiro nas cooperativas.
Na maior desordem, sem estruturas rígidas, as cooperativas em questão aparecem, dirigidas por não se sabe quem.
Em nome da “solidariedade social”, são anunciadas taxas de juros extraordinárias: 12% ao mês (140% ao ano!).
Um entusiasmo irrefletido ganha as classes médias.
Alguns vendem seu carro, sua pequena casa, esperando dobrar seus bens em um ano.
Mesmo os mais pobres põem a mão no bolso.
Quando, da noite para o dia, todas as cooperativas vão à FALÊNCIA e DESAPARECEM com o dinheiro dos poupadores, cerca de 170 milhões de dólares MUDARAM de MÃOS.
A única reação do governo:
ele prende Rosemond Georges, presidente da associação das vítimas…
Cresce o prestígio do movimento anti-Aristide.
Com isso, levando-se em conta o desenrolar da crise – com o país ficando sob tutela -, se o antigo padre tem uma enorme responsabilidade, a oposição também não está isenta.
Quando ela reprova em Aristide sua cumplicidade com as políticas do Fundo Monetário Internacional, ela se esquece de que, quando dirigia o governo, Rosny Smarth também assinou um plano de ajuste estrutural.
Majoritário entre 1995 e 2000, com 36 deputados e 8 senadores, seu partido, o OPL (ex-Organização Política Lavalas, transformada em Organização do Povo em Luta) explica então que, “por preocupação com compromissos, ela não colocou seu próprio programa em funcionamento”.
Aliança com o maior empregador haitiano
As eleições de maio de 2000…
Com sua volta à presidência, Aristide pediu aos sete senadores de seu partido “eleitos” irregularmente que renunciassem a seus cargos.
Ninguém o faria, a oposição não aceitaria nenhum compromisso. Boicotando o Congresso e recusando-se a participar de qualquer iniciativa governamental, ela se contenta em denunciar a desastrosa situação econômica – que agrava o embargo (justificado pela crise política) – e… a recusa de diálogo do governo.
Desprovidos de peso real, os partidos políticos, agrupados na Convergência Democrática fracassariam, no entanto, se não chegasse em socorro o Grupo dos 184, conjunto de associações de todo tipo – a “sociedade civil” – dirigida por André Apaid, o maior empregador industrial haitiano.
O homem explora mais de 4 mil trabalhadores com os quais gasta 68 centavos por dia, enquanto o salário mínimo legal é de 1,50 dólar, e se opôs a um aumento deste salário mínimo desejado por Aristide.
Esta aliança contra a natureza não incomoda os partidos de esquerda.
“Sobre toda uma série de pontos, houve consenso”, diz Gérard Pierre-Charles, coordenador da OPL:
“a introdução da democracia, das liberdades públicas, a necessidade de mudar a vida no Haiti”.
Esquece-se das divisões, das suscetibilidades, das velhas feridas, a falta de projeto comum.
Um só objetivo: derrubar o chefe de Estado.
Qual é a legitimidade de potências como os Estados Unidos e a França para “tirar” na sorte um chefe de Estado?
Ninguém colocaria em dúvida a probidade pessoal e a corajosa trajetória de dirigentes, intelectuais e militantes como Gérard Pierre-Charles (OPL), Micha Gaillard ou Jean-Claude Bajeux (Konacom), sem citar outros.
Mas a intransigência da coalizão ambígua da qual eles fazem parte (com Gaillard se tornando o porta-voz) vai precipitar a catástrofe.
Boicotado por ela, abandonado pela comunidade internacional, privado de qualquer ajuda, o antigo padre só pode contar com a massa dos desprivilegiados.
Para além de uma resistência individual que este grupo não necessariamente percebe, eles, não sem alguma razão, vêem na ofensiva levada contra “Titid” uma tentativa de “eliminar o povo do poder”.
Enquanto tal, a Plataforma Democrática (Convergência Democrática + Grupo dos 184) jamais expressou a mais modesta reivindicação social.
Já presente, tendo como principal expoente uma sucessora dos TONTONS MACOUTES – as QUIMERAS -, uma violência cega se abate sobre a oposição.
Uma culpa grande demais
No caso, atribuiu-se uma responsabilidade e uma culpa muito grande a Aristide.
“Pegue qualquer povo”, insurge-se Jacques Barros, “pressione-o, esmague-o, leve-o ao desespero, impulsione-o à morte e você passará a República de Weimar a Hitler, a Liga dos Justos a Stálin, fiéis de don Bosco às Quimeras”.
A ditadura do general Cedras atingiu essencialmente o movimento popular – 4 mil mortos – e eliminou os melhores de seus dirigentes.
Em 2003, ainda, comandos assassinos ferem e matam partidários da Fanmi Lavalas, especialmente em Goiave e no Baixo Planalto Central, para ficar só nesses casos.
Se acrescentarmos a esse contexto uma gigantesca onda de insegurança (levando todas as famílias mais abastadas a se armarem), que alguns chamam de “o romantismo verbal do povo às armas” pode-se compreender, já que não se pode justificar.
Entramos em uma outra dimensão com as Quimeras, “grupos de choque do presidente”.
Na ausência de um exército (dissolvido por Aristide na época de seu retorno de exílio) e com o golpe de Estado de 1991, ainda na memória, o regime distribui armas.
Aos oficiais do governo, nas prefeituras, nas favelas, aos líderes naturais preocupados com a justiça social, a elementos do lumpemproletariado.
Somente, uma vez armados, alguns se tornam exigentes e perigosos.
Eles começam a gostar do poder, depois se comportam como gangues criminosas, em rede de tipo mafioso, estruturadas pela polícia que leva adiante com elas operações de todos os tipos, de seqüestros ao narcotráfico.
Controlando os bairros com pulso de ferro, atacando manifestações da oposição, queimando sedes de organizações políticas, “para apoiar o presidente”.
Que Aristide tenha pessoalmente organizado ou dirigido estes grupos é algo que ainda está para ser provado.
Por outro lado, ele nunca os combateu ou condenou.
“Ao contrário”, explica um de seus ex-próximos com um suspiro de amargura, “ele explicava que eles eram o produto da miséria – o que também é verdadeiro! – e articulava seu discurso dizendo implicitamente que eles fossem em frente”.
A rebelião da clientela
Esta intervenção estrangeira foi vivida, com justiça, como um perigoso primeiro passo para permitir que a Casa Branca proceda assim em Cuba, na Venezuela ou na Bolívia
O importante para ele não era a construção do movimento popular, mas seu controle, o estabelecimento de uma clientela utilizável em caso de necessidade.
Fazendo isso, o presidente cai na própria armadilha.
Porque é a sublevação de Butteur Métayer, na cidade portuária de Gonaïves, no começo de fevereiro, que marcará para ele o começo do fim.
Membro do Exército Canibal, que ele apoiou por muito tempo, inclusive pela violência, em troca do controle das alfândegas, Métayer, ao cair em desgraça por estar muito exposto, mudou de lado.
Ele seria logo seguido pela escória dos ex-militares – criminosos, marginais e narcotraficantes – surgidos da República Dominicana e que, controlando 5 dos 9 departamentos do país, derrubariam Aristide.
Este bando mercenário não surgiu do nada.
Nos Estados Unidos, os republicanos odeiam Aristide, mas ele tem a vantagem de manter uma calma relativa e aplica reformas neoliberais.
Formalmente, eles o apoiariam até o fim, e até mesmo Colin Powell teve vivas discussões com a oposição para estimular à transigência.
Em segundo plano, o sub-secretário de Estado para a América Latina, o ultraconservador Roger Noriega e a CIA NÃO pretendem arriscar a ver chegar ao poder em Port-au-Prince, homens que eles NÃO tenham escolhido.
No fim de março de 2004, enquanto o ex-presidente se recolhe na África do Sul, são divulgados em Santo Domingo (República Dominicana) os resultados preliminares de uma Comissão de pesquisa sobre o Haiti, liderada pelo antigo procurador geral dos Estados Unidos, Ramsey Clark.
A comissão revela que “os governos dos Estados Unidos e da República Dominicana teriam participado do fornecimento de armas e do treinamento, neste país, dos ’rebeldes’ haitianos”.
Ela constata que 200 soldados das Forças Especiais norte-americanas chegaram à República Dominicana para participar de exercícios militares, em fevereiro de 2003.
Com uma autorização do presidente Hipólito Mejía, eles realizam “nas proximidades da fronteira, numa zona em que, precisamente, os ex-militares haitianos lançam regularmente ataques contra instalações do Estado haitiano”.
Nada de novo.
Desde a década de 80, Honduras teve o mesmo papel em relação aos sandinistas, na Nicarágua.
Intervenção dos EUA e da França
Os “grandes senhores” (grandes proprietários) ou outros duvalieristas RECOMEÇAM a semear o TERROR, tentando roubar as terras dos pequenos camponeses, como nos bons e velhos tempos
O avanço destes bandos armados permitiria ao embaixador dos Estados Unidos, James Foley, no dia 29 de fevereiro de 2004, empurrar o presidente para a porta de saída, auxiliado por Paris nesta tarefa e no estabelecimento de uma Força de Paz.
Buscando uma reconciliação depois da crise iraquiana, a França não pretende deixar que Washington cavalgue sozinha, sob risco de perder a influência sobre uma ilha à qual é ligada por laços históricos.
Pedindo indenizações de mais de 21 bilhões de dólares, Aristide a irritou fortemente, inclusive.
Resta uma questão claramente expressa, entre outras, pelos dirigentes dos Estados do Caribe.
Qual é a legitimidade de potências como os Estados Unidos e a França para “tirar” na sorte um chefe de Estado?
“Enquanto presidente da Assembléia Nacional, “nos confirma o senador Ivon Feuillé (Fanmi lavalas), “eu nunca recebi nenhum documento que me permitisse dizer que o presidente renunciou”.
Esta intervenção estrangeira foi vivida, com justiça, como um perigoso primeiro passo para permitir mais tarde que a Casa Branca proceda assim em Cuba, na Venezuela ou na Bolívia.
Este aspecto da questão não preocupa a ex-oposição haitiana.
Até o último momento ela escolheu a política do pior.
No dia 21 de fevereiro de 2004, Aristide havia aceitado um plano internacional prevendo a manutenção de seu mandato até 2006, a nomeação de um primeiro ministro “neutro e independente”, assim como um novo governo, fazendo concessão à oposição.
A plataforma democrática rejeitou o plano.
Ele não mencionava a demissão do presidente.
Neste ponto – a partida de Aristide -, ela obteve ganho de causa.
Mas o dia seguinte, de festa, a encontra mais frustrada que aliviada.
Em um cenário de fim de crise que ele não havia imaginado, privando-a de sua vitória, Washington, além de uma ocupação por tropas estrangeiras, lhe impôs um “primeiro ministro importado”, Gérard Latortue.
No dia 20 de março, Latortue não hesitou em qualificar os autoproclamados “rebeldes”, membros do antigo exército de torturadores, de “combatentes da liberdade”.
Fala-se de recrutar alguns para trazer “sangue novo” à polícia nacional.
No meio rural, promovidos a autoridade declarada, eles permitem aos “grandes senhores” (grandes proprietários) ou outros duvalieristas que recomecem a semear o terror, tentando roubar as terras dos pequenos camponeses, como nos bons e velhos tempos.
Fala-se, certamente, em organizar eleições.
¿?¿: Mas como fazer uma campanha enquanto o Norte (Cap Haïtien), a Artibonite (Gonaïves) e o Planalto C
Maurice Lemoine é jornalista e autor de “Cinq Cubains à Miami (Cinco cubanos em Miami)”, Dom Quichotte, Paris , 2010.
_______________ * O Agro NÃO para… de DESTRUIR, POLUIR e MATAR !
As mentiras que o agronegócio segue propagando não tem fim. Comprando espaço na mídia, perpetua a falaciosa ideia de que sem ele, não há alimento. No entanto, como explicar que o Brasil, em plena pandemia, bate novo recorde na produção de grãos ao mesmo tempo em que mais de 116 milhões de pessoas passam fome e/ou insegurança alimentar?1,2 Esse é o calcanhar de Aquiles desse sistema. Afinal, quando se trata das quatro culturas que são a base da alimentação – arroz, feijão, trigo e mandioca – a própria área de produção perdeu espaço no país para a produção de commodities. A resposta para essa pergunta é clara: o agronegócio não alimenta, apenas gera lucros nas bolsas de valores.
Vale lembrar que entre os plantios que alavancam tais lucros, destacam-se a soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, culturas majoritariamente transgênicas e, consequentemente, impregnadas de agrotóxicos. Citando apenas o exemplo da soja, a produção nacional é de 97% das variedades transgênicas, sendo responsável pelo uso de mais de 50% dos pesticidas3,4. Para que se tenha um exemplo prático – e cruel – a área utilizada para o plantio de soja no Brasil, equivale a área total de um país como a Alemanha5.
Mais do que omitir que não produz o verdadeiro alimento para as pessoas, também esconde que a área de plantio não aumentou, mas o uso de agrotóxicos segue crescendo, derrubando a teoria de que os organismos geneticamente modificados poluem menos.
Uso abusivo de agrotóxicos
Casos de intoxicação por substâncias químicas usadas nesses latifúndios, e que foram notificadas no Brasil entre 2007 e 2017, apontam 41.612 pessoas (com média de 4 mil por ano, ou 10 casos diários). No entanto, cientistas acreditam que, somando-se as subnotificações, esse valor pode ser até 50 vezes maior6. Dados oficiais do Ministério da Saúde – também muito provavelmente subnotificados – as mortes causadas pelos agrotóxicos entre 2007 e 2014 foram de 1.186 (uma vida perdida a cada 2 dias e meio)7.
O problema relacionado com os agrotóxicos são diversos. Muitas vezes atrelam seu perigo “apenas” com a questão da contaminação alimentar. No entanto, é preciso ir além, com uma visão mais holística, ecológica. A mortalidade de espécies não-alvo, como as abelhas, é de extrema preocupação. Afinal, são esses insetos os responsáveis pela polinização de aproximadamente 80% das angiospermas (plantas que produzem flor). Com a crescente mortalidade desses animais, o risco de uma maior desestabilização na produção de alimentos é real. Dois dos grandes causadores desse extermínio apícola são o sulfoxaflor e fipronil que, mesmo proibidos na Europa, seguem sendo liberados e aplicados no Brasil8. Acefato e atrazina, também banidos na Europa pela relação direta com doenças e problemas ambientais, também tem utilização constante no país9.
Soma-se a essa contaminação a crescente devastação de biomas. Trabalho recente publicado por cientistas brasileiros e britânicos apontou que a destruição da Floresta Amazônica está promovendo alterações na coloração das borboletas, colocando várias espécies em risco de extinção e, ainda mais preocupante, afetando todo o equilíbrio da teia ecológica com a perda da biodiversidade de inúmeras espécies10.
A vida silvestre, ainda que longe dos centros explorados e degradados pelo agronegócio, também já sofre com os resíduos químicos. As ameaçadíssimas araras-azuis, por exemplo, estão sendo intoxicadas por organofosforados, conforme revelou trabalho científico de Vicente e Guedes (2021)11. As antas, importantes animais para o equilíbrio do bioma pantaneiro – consideradas as “jardineiras do Pantanal” – também estão sendo vítimas dos agrotóxicos, justamente pela dispersão desses químicos também pela forma aérea, além da contaminação da água da própria água – incluindo a que nos abastece12, 13.
A presença dos agrotóxicos na água é cada vez mais preocupante e, até então, um problema longe de ser resolvido, afinal, uma vez nos corpos hídricos, não há tecnologia aplicada para sua retirada14. Estudo diversos apontam que vários princípios ativos estão relacionados com alterações genéticas, más-formações embrionárias e doenças diversas. Distúrbios endócrinos, por exemplo, estão causando puberdade precoce em crianças, onde se vê meninas de dois anos de idade com desenvolvimento das mamas e pelos pubianos15,16. Casos de câncer, má formação fetal, disrupção endócrina e tentativas de suicídio estão diretamente relacionadas com as áreas que usam agrotóxicos.
De acordo com a Portaria de Consolidação nº5 (de 28/04/2017), 27 princípios ativos de agrotóxicos devem ser monitorados. No entanto, atualmente existem mais de 500 desses compostos químicos, e mais de 3.000 produtos liberados para o uso no Brasil. Além de ser uma análise insuficiente, pouca ação é feita quando se constata a presença desses agrotóxicos. Pela legislação brasileira, por exemplo, a quantidade máxima permitida de glifosato (um dos agrotóxicos mais utilizados) é de 500µg/L, enquanto a Comunidade Europeia impõe o limite de 0,1 µg/L – ou seja, 5000 vezes maior!5. Ainda mais alarmante é que dos sete agrotóxicos mais vendidos no Brasil, três são proibidos na União Europeia devido à sua toxicidade.
Uma possível explicação é justamente o lobby da bancada ruralista, financiada pelo capital das empresas multinacionais de agrotóxicos, como Bayer/Monsanto, Syngenta, DowAgroSciences e cia. Conforme já escrevi em artigo anterior, relatando as atitudes da Bayer/Monsanto e suas táticas escusas para liberação dos OGMs e seus agrotóxicos, em recente reportagem, foi a vez de cientistas denunciarem as mesmas artimanhas e perseguição, desta vez realizada pela Syngenta para com os pesquisadores sérios que alertavam para os riscos dos agrotóxicos17. No Brasil, um caso semelhante e mais recente desse tipo de perseguição e intimidação pelo agronegócio se deu com a pesquisadora Larissa Mies Bombardi18.

Com todo o avanço das pesquisas e comprovações científicas, pode-se afirmar claramente que não há limite seguro para o uso de agrotóxicos! Não à toa, a ciência atualmente vem sendo atacada por (des)governos negacionistas que atendem aos interesses do capital.
Mais do que essa contaminação ambiental e dos organismos, o agronegócio é diretamente responsável pelos desmatamentos – associados aos incêndios criminosos – incluindo terras indígenas. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)19, nos dois anos com Bolsonaro e sua milícia no poder, houve um aumento de 150% nessas áreas. Nem mesmo as áreas de preservação escaparam dessa política ecocida, uma vez que tiveram aumento de 62%. As denúncias do aparelhamento de órgãos responsáveis pela fiscalização e aplicação de multas ambientais são constantes, provando a política de destruição que Bolsonaro e sua milícia plantaram no país.
Em recente pesquisa publicada na revista Science, 62% do desmatamento ilegal no Cerrado e na Amazônia – os maiores biomas brasileiros com as maiores taxas de desmatamento – estão concentrados em apenas 2% das propriedades agrícolas20.
Como reflexo indireto – mas não menos importante – dos índices recordes de desmatamento amazônico, por exemplo, influenciam nos regimes de chuva no país, justamente porque o processo de evapotranspiração florestal é reduzido, diminuindo a formação dos chamados “rios voadores” e toda umidade necessária para a formação de nuvens. Com isso, menos chuva, menor volume de água nos reservatórios que geram energia “limpa”. Consequentemente, acionam-se as termoelétricas (altamente poluidoras pela queima de combustíveis fósseis, por exemplo, o que potencializa o problema do aquecimento global), e o preço energético vai para a conta do consumidor, aumentando ainda mais o custo de vida…em plena pandemia, associada aos recordes de desemprego e fome. Resumindo: os mais pobres sofrem ainda mais!
Vale apontar aqui que o relatório da Oxfam, que comprova que os 10% mais ricos são responsáveis por 52% das emissões de CO₂ do planeta. Já os mais pobres são os mais atingidos pelas mudanças climáticas. Segundo a Oxfam, elas já obrigaram mais de 20 milhões de pessoas por ano a deixarem as suas casas na última década. De acordo com estimativas do Sistema de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, em 2018, o desmatamento no Brasil representou 3,4 % das emissões globais, valores maiores que o de todos países europeus, do Japão e Austrália20.
Além de ser preocupante por ser um país com maior utilização de agrotóxicos, associa-se a isso a ingerência e incompetência do atual (des)governo para com a pandemia, tornando o momento de extrema preocupação pelos resultados ainda mais catastróficos que surgirão nas próximas gerações, tanto pela contaminação ambiental e possibilidade de novas pandemias. Afinal, como alerta Wallace em seu livro, “esses surtos não são apenas resultados de má sorte. Todos estão ligados, direta ou indiretamente, às mudanças na produção ou no uso do solo associadas à agricultura intensiva (…) que impulsiona o desmatamento e os empreendimentos que aumentam a taxa e o alcance taxonômico de patógenos (…) e através do comércio global que agora caracteriza o setor, as cepas recém-desenvolvidas podem ser exportadas para o mundo todo”21. Outro ponto preocupante são os efeitos já relatados nos organismos pelas alterações epigenéticas22,23.
Ainda que a pressão popular e de entidades da sociedade civil tenham sido positivas para a demissão do criminoso ex-ministro Ricardo Salles, seu sucessor é tão perigoso quanto. Afinal, Joaquim Álvaro Pereira Leite, integrante de uma família de fazendeiros ligados ao café, está ligado com a disputa de terras indígenas, corroborando com os interesses do agronegócio e a política de etnocídio – também escancarada pelo abusivo PL 490, que inviabiliza a demarcação de terras indígenas, destruindo os direitos dos povos originários através do chamado “marco temporal”, ignorando a existência das comunidades tradicionais antes de 5 de outubro de 198824.
Assim, um possível – e provável – governo progressista que assuma o comando da nação que hoje sucumbe à deriva do caos, deve se comprometer com políticas de incentivo e valorização da agroecologia, rompendo com as entranhas do agronegócio. No entanto, dado o histórico dos governos anteriores, não sou muito otimista com tal possibilidade. Por isso mesmo devemos cobrar que se comprometam com tais propostas, o que inclui, de maneira urgente, a reforma agrária. É preciso parar os danos do agronegócio, que ao longo dos governos legitimou, através de uma construção política, a destruição do ambiente e da sociedade. Isso se faz necessário para que o imperialismo ecológico e suas compensações financeiras para o livre direito de poluir, desmatar e matar, não se transforme também em um imperialismo ambiental, ou seja, que as garras neocoloniais estrangeiras não se apoderem de nossos biomas sob a justificativa de que não somos capazes de cuidar dos mesmos.
O avanço do agronegócio caminha junto à morte e desmatamento, fazendo jus à propriedade privada e seu rastro de sangue e fogo. Tal como os sionistas de Israel se referem aos palestinos, legítimos donos da terra, eis que o agronegócio, na tentativa de inferiorizar os povos nativos e toda sua biocultura, desde a invasão promovida pelos presidentes-ditadores durante o Golpe Militar de 64, dizia que a Amazônia precisava ser ocupada para “homens sem-terra a uma região de terras sem homens”. Como destacam Malheiro et al. (2021)25, “a escolha pelas commodities, atrelada à ilusão de que a tecnologia é capaz de produzir uma economia sem limites, não apenas degradou ecossistemas, tirando-lhes a fertilidade, mas também ceifou a fertilidade do pensamento crítico que influenciou distintos projetos políticos para o Brasil, demonstrando que a chamada modernização da agricultura não apenas gera pilhagem, dominação do território, violência e devastação, mas também […] uma amnésia biocultural, ou seja, o sepultamento dos saberes comprometidos com a vida para se pensar a vida”.
A máscara do agronegócio precisa cair de vez. É preciso mobilização, denúncia contra todos esses crimes ambientais, etnocidas e de saúde pública. As alternativas para derrotar esse sistema devastador não só existem como sempre existiram, mas desde a invasão colonial, foram surrupiadas, menosprezadas em defesa do capital. A retomada da preservação dos ecossistemas e todas as populações envolvidas, assim como a agricultura limitada e fragmentada, que respeite o ambiente florestal, são os únicos caminhos que permitirão um novo equilíbrio e, consequentemente, a sobrevivência das espécies – incluindo o ser humano.
Sejamos essa mudança, sejamos essas vozes que ecoam e educam em defesa da real preservação e produção alimentar. E lutar contra o agronegócio é lutar pela defesa da vida, da saúde, dos povos tradicionais, e só assim conseguiremos sair dessa encruzilhada que o capital nos jogou.
Luiz Fernando Leal Padulla é professor, biólogo, doutor em Etologia, mestre em Ciências, especialista em Bioecologia e Conservação. Autor do blog “Biólogo Socialista” e do podcast “Professor Padulla”. Instagram: ProfPadulla
Referências:
1.Produção de grãos bate novo recorde. Disponível em:https://www.agrolink.com.br/noticias/producao-de-graos-bate-novo-recorde_437929.html
2. Mais de 116 milhões de brasileiros não têm comida suficiente ou passam fome, diz pesquisa. Disponível em:https://www.istoedinheiro.com.br/mais-de-116-milhoes-de-brasileiros-nao-tem-comida-suficiente-ou-passam-fome-diz-pesquisa/
3. Brazil is the second largest producer of biotech crops in the world. Disponível em: https://www.isaaa.org/resources/publications/biotech_country_facts_and_trends/download/Facts%20and%20Trends%20-%20Brazil.pdf
4. Transgênicos entregam inovação para agricultores alcançarem uma produção segura e sustentável. Disponível em:https://croplifebrasil.org/noticias/transgenicos-entregam-inovacao-para-agricultores-alcancarem-uma-producao-segura-e-sustentavel/
5. BOMBARDI, L.M. 2021.Geography of Asymmetry: the vicious cycle of pesticides and colonialism in the commercial relationship between Mercosur and the European Union. Disponível em: https://ocaa.org.br/publicacao/geography-of-asymmetrythe-vicious-cycle-of-pesticides-and-colonialism-in-the-commercial-relationship-between-mercosur-and-the-european-union/
6.Dados de intoxicação.SINITOX. Disponível em: https://sinitox.icict.fiocruz.br/dados-nacionais
7.Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos. Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/relatorio_nacional_vigilancia_populacoes_expostas_agrotoxicos.pdf
8. Situação regulatória internacional de agrotóxicos com uso autorizado no Brasil: potencial de danos sobre a saúde e impactos ambientais. 2021.Disponível em: http://cadernos.ensp.fiocruz.br/csp/artigo/1383/situacao-regulatoria-internacional-de-agrotoxicos-com-uso-autorizado-no-brasil-potencial-de-danos-sobre-a-saude-e-impactos-ambientais
9. Mostafalou, S.;Abdollahi, M. 2017. Pesticides: an update of human exposure and toxicity. Archives of Toxicology, 91: 549–599.
10.SPANIOLet al. 2020. Discolouring the Amazon Rainforest. Biodiversity & Conservation. 29: 2821–2838.
11.VICENTE, E.C. &GUEDES, N.M.R. Organophosphate poising of Hyacinth macaws in the Southern Pantanal, Brazil. Scientific Reports,11, 5602.
12.MEDICI et al. 2021.Lowland tapis exposure to pesticide and metals in the Brazilian Cerrado. Wildlife Research.
13.Pesticides residues in river sediments from the Pantanal wetland, Brazil. 2008.Journal of Environmental Science and Health Part B. 43: 717-722.
14.Vocêbebe agrotóxicos? Disponível em: https://portrasdoalimento.info/agrotoxico-na-agua
15. AGUIAR, A. C. P.Más-formações congênitas, puberdade precoce e agrotóxicos: uma herança maldita do agronegócio para a Chapada do Apodi (CE). 2017. 199 f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) – Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2017. Disponível em: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/30896.
16. Agrotóxico mais usado do Brasil está associado a 503 mortes infantis por ano, revela estudo. Disponível em:https://www.bbc.com/portuguese/brasil-57209799
17. Como a Syngenta passou décadas questionando e perseguindo cientistas para abafar seus alertas sobre riscos de agrotóxicos.https://reporterbrasil.org.br/2021/05/como-a-syngenta-passou-decadas-questionando-e-perseguindo-cientistas-para-abafar-seus-alertas-sobre-riscos-de-agrotoxicos/
18.Após intimidações por luta contra agrotóxicos, pesquisadora decide deixar o país. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/03/19/apos-intimidacoes-por-luta-contra-agrotoxicos-pesquisadora-decide-deixar-o-pais
19.Com Salles e Bolsonaro, desmatamento em terras indígenas aumenta 150%. Disponível em:https://www.brasil247.com/meioambiente/com-salles-e-bolsonaro-desmatamento-em-terras-indigenas-aumenta-150-fymjukij
20. RAJÃO et al. 2020. The rotten apples of Brazil’s agribusiness.Science, 369: 246-248.
21.WALLACE, R.Pandemia e agronegócio – doenças infecciosas, capitalismo e ciência. Ed. Elefante. 2020. 608p.
22. ZANNAS, A.S. 2019.Epigenetics as a key link between psychosocial stress and aging: concepts, evidence, mechanisms. Dialogues in Clinical Neuroscience 21(4): 389–396.
23.NILSON, E.E.; SKINNER, M.K. 2015. Environmentally Induced Epigenetic Transgenerational Inheritance of Reproductive Disease.Biology of Reproduction. 93(6): 145, 1-8.
24. Ex-assessor de ruralistas, novo ministro do Meio Ambiente é ligado a disputa de terra indígena. Disponível em: https://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2021/06/novo-ministro-meio-ambiente-disputa-terra-indigena-assessor-ruralistas-agronegocio/
25. MALHEIROS, B.; PORTO-GONÇALVEZ, C.W.; MICHELOTTI, F.Horizontes amazônicos – para repensar o Brasil e o mundo. São Paulo: Fundação Rosa Luxemburgo; Expressão Popular. 2021. 288p.
_______________ * O agro quer ser POP nas escolas ou da arte de ESCONDER o ÓBVIO
No dia 13 de maio, o Movimento denominado Todos a uma só Voz realizou o Webinar “O Agro para Estudantes” com o objetivo de debater estratégias de comunicar às crianças e aos jovens uma narrativa “positiva, empática e moderna” sobre o Agronegócio brasileiro.
Lançado em 23 de fevereiro de 2021, o Movimento Todos a uma só Voz tem por objetivo unificar todos os ramos e entidades do Agronegócio no país para construir narrativas e estratégias de atuação capazes de, em suas palavras, “fortalecer a imagem e contribuir para que o Agro seja admirado pelos brasileiros e se torne uma paixão nacional”, em contraposição à imagem negativa que supostamente o Agronegócio possui, assim como seus preconceitos sobre o setor. Como uma de suas estratégias, o movimento escolheu a educação como lócus privilegiado para a sua atuação e incidência.
O evento virtual contou com a participação da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG/RP), da Federação Nacional das Escolas Privadas (FENEP), do Movimento de mães do Agro “De olho no material Escolar”, do BidFood e dos especialistas Xico Graziano e Marcos Fava Neves. Seu objetivo foi apresentar as 10 propostas temáticas sobre o Agronegócio brasileiro, elaboradas pelos dois especialistas convidados, que visam tornar o Agronegócio “interessantes e atraentes” para as crianças e jovens, conforme assinalam os autores.
As investidas do Agronegócio na Educação e sua presença nas escolas não são novidades para quem acompanha a educação e a entrada de novos atores neste campo. Desde 2001, a Associação Brasileira do Agronegócio em Ribeirão Preto (ABAG/RP) desenvolve o Programa Educacional “Agronegócio na Escola” na região de Ribeirão Preto/SP. No início de sua criação, a ABAG/RP atuava sobre 86 municípios nas regiões administrativas de Araraquara, Barretos, Ribeirão Preto, São Carlos e Franca. A região é polo importante do Agronegócio nacional e Ribeirão Preto/SP se destaca pela principal produção canavieira no país.
A criação da ABAG/RP tinha, entre outras finalidades, o objetivo de incidir sobre a opinião pública para criar uma imagem positiva do Agronegócio, conforme analisam em estudo Victor Hugo Junqueira e Maria Cristina dos Santos Bezerra (2018) intitulado “A Ideologia do Agronegócio na educação básica”. A estratégia de atuação adotada pela ABAG consistiu em: a) investir em propagandas publicitárias para a valorização da imagem do agronegócio, com inserções nos canais de televisão da região, e, b) desenvolver programas e projetos nas escolas.
O programa Agronegócio na Escola teve início em 2001, realizado em sete escolas dos municípios de Jaboticabal, Guariba, Pradópolis e Monte Alto, para 970 estudantes do primeiro ano do ensino médio. No ano seguinte, em 2002, a parceria com a Secretaria Estadual de Educação foi ampliada, e o Programa envolveria mais cinco municípios da região e passaria a atender 20 escolas, 500 professores e 6.208 estudantes. Nos anos seguintes, o Programa foi ampliando seu raio de atuação e envolvendo novos municípios a partir da parceria com a Secretaria Estadual de Educação, de maneira que em 2007 já estava sendo realizado em 141 escolas, alcançando 1800 professores e 24.500 alunos, como revela o estudo de Junqueira e Bezerra (2018).
A partir de 2008, e encerrada a parceria com a Secretaria estadual de Educação em 2009, o Programa passou a ser implementado a partir de parcerias com as secretarias municipais, tendo como foco o 8º e 9º anos do ensino fundamental, além de parcerias com diretorias de ensino, ETECs e FATECs.
O Programa se realiza por meio de palestras, elaboração de cartilhas, visitas a agroindústria, fazendas, cooperativas, instituições de ensino e pesquisa ligadas ao Agronegócio. Além disso, são realizados concursos para estimular a produção criativa de estudantes e professores sobre a temática do Agronegócio, tendo destaque a elaboração de desenhos, redações, projetos de conhecimentos, concurso do Prêmio Professor, bem como o reconhecimento de Escolas engajadas no tema.
De 2001 até 2020, segundo dados da própria ABAG, o Programa “Agronegócio na Escola” atendeu 255.952 alunos, 3.397 professores, realizou 2.299 visitas de alunos, 150 visitas de professores, desenvolvido em 111 municípios e está presente em 626 escolas (Fonte: site da ABAG).

Portanto, o Agronegócio nas escolas não é novidade, menos ainda o é a sua narrativa de que o Agronegócio é o grande motor da economia brasileira. Interessa compreender, todavia, as circunstâncias históricas e os objetivos atuais que mobilizam os agentes do Agronegócio a reposicionar sua incidência na Educação e o seu papel nas escolas, reorganizando as suas estratégias para a consolidação de sua hegemonia na sociedade. Dessa vez, o alvo são os livros didáticos.
Exemplo disso é o Movimento De olho no Material Escolar, liderado por duas mulheres ligadas ao Agronegócio, Andréia Bernabé e Leticia Zamperlini Jacintho, que iniciou a sua atuação com o objetivo de fiscalizar e disputar o currículo escolar da rede pública e privada. A movimentação teve início em 2018, quando a produtora rural Letícia Jacintho apresentou uma carta ao Colégio privado Anglo no município de Barretos/SP, alegando uma abordagem “negativa” sobre o Agronegócio no material didático. Naquela ocasião, reuniu outros pais da região de Barretos/SP para pautar a necessidade de revisão dos materiais didáticos. Para isso, buscaram o apoio das entidades do agronegócio, gestores educacionais e parlamentares da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).
Outros aliados importantes do Movimento De Olho no Material Escolar são Tereza Cristina, ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e o pecuarista Luiz Antonio Nabhan Garcia, atual secretário nacional de Assuntos Fundiários do governo Bolsonaro. O movimento conta também com o apoio especializado do engenheiro agrônomo Xico Graziano, ex-deputado pelo PSDB e ex-secretário do Meio Ambiente no estado de São Paulo.
Para o Webinar “O Agro para Estudantes”, com que abrimos esta análise, Xico Graziano e Marcos Fava Neves também apresentaram um documento, elaborado sob encomenda, contendo o título “O novo Mundo rural e a produção de Alimentos no Brasil” que sugere conteúdos e abordagens a serem trabalhadas no material do ensino fundamental de todo o país. Segundo seus autores, trata-se de atender aos anseios do Movimento de “mães e pais ligados à moderna produção agropecuária”, para promover “atualização histórica e o embasamento técnico/científico nos materiais escolares”. Essa pretensa atualização histórica e fundamentada em critérios científicos, todavia, se ocupou de afirmar que os materiais didáticos contêm “inconcebível viés político em textos relacionados à reforma agrária, ao trabalho rural e aos povos indígenas” (p.3).
Ao optarem pela criação de uma narrativa “positiva” do Agronegócio, sob a justificativa de seu papel tecnológico e “modernizador” para o campo brasileiro, os autores requentam o mito da modernização do campo, legado histórico da Revolução Verde, escamoteando todas as mazelas que o modelo agroexportador produz historicamente no país. Baseado na Base Nacional Comum Curricular, o documento pretende indicar abordagens para a elaboração do Currículo da educação básica, a serem trabalhados especialmente nas disciplinas de História, Geografia e Ciências. O documento indica ainda o empreendedorismo, conceito já amplamente reforçado na BNCC, como dimensão importante para estimular os estudantes.
Por fim, a apresentação da entrada destes atores na educação expõe mais um grupo a disputar a escola pública. A chegada destes conteúdos não vem acompanhada de investimentos em infraestrutura ou do questionamento da falta de infraestrutura das escolas. Mas vem disputar os alunos para que eles se tornem favoráveis à exploração das terras e do campo da maneira feroz e desregrada que vem acontecendo desde sempre. Também é consequência de grupos de direita e conservadores que consideram que a escola apresenta apenas conteúdos marxistas e comunistas, quando em realidade não compreende que o ensino é crítico da situação que existe no país. Como defensores de uma educação de qualidade para todas e todos e que promova a justiça social, acreditamos que essa educação deve ser libertadora e apresentar o que de fato acontece e como essa realidade pode ser transformada. Portanto, o agro não é pop e as escolas e seus professores têm sim o direito à autonomia de ensino sobre este tema.
Simone Magalhães é educadora popular, faz parte do setor de educação e do grupo de estudos Terra, Raça e Classe do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Representa o MST no Comitê Diretivo da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação e no Observatório da Alimentação Escolar.
_______________ * MPF alega que Pazuello teve 'NEGLIGÊNCIA GRAVE' e foi 'DOLOSAMENTE DESLEAL'

Do UOL, em São Paulo
08/07/2021 10h26
Atualizada em 08/07/2021 15h47
Em ação de improbidade administrativa ajuizada na semana passada, o MPF (Ministério Público Federal) alega que a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello foi gravemente ineficiente e dolosamente desleal, sendo assim imoral e antiética.
A ação foi protocolada na última semana, mas a íntegra com os detalhes da acusação contra Pazuello ainda não tinha sido divulgada. O UOL teve acesso ao documento hoje depois de publicação do jornal O Globo e da TV Globo.
CPI da Covid: Ex-chefe do PNI fala sobre imunização de grávidas e demissão
O conjunto dos fatos ora trazidos à apreciação do poder Judiciário constitui amostragem suficiente da gestão gravemente ineficiente e dolosamente desleal (imoral e antiética) do requerido Eduardo Pazuello.Ação do MPF
Na ação, os procuradores alegam que, no mínimo, Pazuello cometeu "negligência grave na ausência de adoção de providências imprescindíveis para a contenção da epidemia de covid-19".
Neste sentido, o documento cita como exemplos o "não planejamento com antecedência e eficiência para a aquisição de distribuição de vacinas em tempo hábil e a ausência de planejamento para distribuição eficiente dos kits de testes do tipo PCR"
"Diz-se, no mínimo, porque tudo indica que tais condutas são, em verdade, dolosas", completa o documento.
O texto, que é assinado por oito procuradores, aponta atitudes do ex-ministro identificadas pelas investigações
- omissão na compra de vacinas
- adoção ilegal --e indevida-- do chamado "tratamento precoce" como política pública
- omissão na ampliação de testes de covid-19 para a população
- omissão na divulgação de informações essenciais sobre a pandemia e campanhas de conscientização
- omissão no papel de gestor nacional do SUS (ao deixar de coordenar ações de controle, aquisição e distribuição de medicamentos essenciais para pacientes internados por covid)
Segundo os procuradores, "as atitudes adotadas pelo chefe da pasta da saúde o foram não com apoio em critérios técnicos, estudos científicos e necessidades prementes da população (que exigiriam diligência no planejamento para aquisição e distribuição de vacinas, kits de testes etc), mas, ao contrário, com base na aceitação acrítica (e injustificável) de orientações não técnicas e não-científicas de setores internos e externos ao governo federal".
Especificamente sobre as vacinas, o documento diz que "mesmo ciente da necessidade de imunização em massa da população, o ex-ministro Pazuello deixou, consciente e dolosamente, de adotar as medidas necessárias para adquirir milhões de doses de vacinas ainda em 2020".
A ação aponta R$ 121.940.882,15 de dano ao erário e pede o ressarcimento integral do prejuízo mais pagamento de multa de até duas vezes o valor do dano.
Além da devolução dos valores e da multa, o MPF requere a perda da função pública de Pazuello, a suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos e a proibição de contratar com o Poder Público.
Apesar de ter deixado o Ministério da Saúde, Pazuello ocupa, atualmente, o cargo de Estudos Estratégicos da SAE (Secretária de Assuntos Estratégicos) da Presidência da República. O general ainda teria pretensões de se candidatar ao cargo de senador nas eleições de 2022.
A ação é resultado de um inquérito civil instaurado inicialmente por representação de um cidadão comum. Em seguida, ela foi juntada a diversos outros pedidos de investigação apresentados por agentes públicos e entidades civis.
O UOL entrou em contato com o Palácio do Planalto no dia do ajuizamento da ação e ainda aguarda posicionamento sobre a denúncia.
Objeções a Pfizer
No documento, o MPF diz também que objeções do governo ao contrato da Pfizer não tem respaldo jurídico. O órgão também considera que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, retardou de forma deliberada o acordo com a Pfizer. As informações foram divulgadas primeiramente pelo jornal O Globo e depois confirmadas pelo UOL.
O Ministério da Saúde justifica a demora na assinatura do contrato com a Pfizer por "cláusulas leoninas" que isentavam a fabricante de responsabilidade em caso de efeitos colaterais. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a ironizar o imunizante, dizendo que não havia garantia de que a vacina não transformaria quem a tomasse em jacaré.
No documento, procuradores do MPF rebatem os argumentos do governo citando que a mesma cláusula de responsabilização foi aceita pelo governo Bolsonaro no contrato firmado com a Fiocruz para o fornecimento de doses da AstraZeneca "sem que nenhum impedimento legal tivesse sido suscitado".
"Nenhuma das objeções apontadas pelo Ministério da Saúde para aquisição das vacinas da Pfizer se sustenta do ponto de vista fático e/ou jurídico. No que se refere às cláusulas de garantias de pagamento e de não assunção de responsabilidade civil pela empresa fornecedora, o Ministério da Saúde, tão logo vislumbrou o apontado óbice, poderia ter proposto, ao Presidente da República, projeto de lei que explicitasse a possibilidade de celebração do contrato", escreveu o MPF.
A mudança legislativa foi apresentada por iniciativa do Senado no início do ano. Para os procuradores do MPF, Pazuello "retardou conscientemente" o acordo com a Pfizer e ressaltam que, mesmo após a aprovação das mudanças legislativas no Congresso, o ex-ministro consultou o TCU (Tribunal de Contas da União) antes de assinar o contrato.
"Pazuello poderia ter feito tais questionamentos ao TCU tão logo vislumbrou os óbices normativos que se antepunham, em sua visão, à celebração de contratos para aquisição de vacinas, mas, em lugar disso, retardou conscientemente a tomada de iniciativas administrativas, em omissão que custou — e tem custado — a vida de milhares de brasileiros", afirmam.
_______________ * Júlio Cocielo se livra de pagar R$ 7 milhões por tweets considerados racistas contra Mbappé e mais

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RIO — O youtuber Júlio Cocielo não terá que pagar a indenização de R$ 7,5 milhões (R$ 7.489.933,00) por tweets considerados racistas pelo Ministério Público de São Paulo, que entrou com uma ação civil pública. A decisão é do juiz Caramuru Afonso Francisco, do Tribunal de Justiça de São Paulo. A ação foi motivada após a Copa do Mundo de 2018, em que o humorista falou que o jogador Mbappé, da seleção da França, "conseguiria fazer uns arrastão top na praia, hein".
No Twitter, a postagem gerou críticas, o que fez com que paulista apagasse mais de 50 mil tweets, também considerados racistas. No levantamento feito pelo MP para a ação, estas mensagems, que reforçavam esterótipos e perpetuavam o racismo, foram incluídas. O humorista contestou de que os textos foram retiradas de contexto, "tendo tão somente exercido a sua liberdade artística".
O juiz interpretou as mensagens apontando o que poderiam ser contextos dúbios das piadas para alegar que o humorista zomba de esterótipos e não é racista. Quando Cocielo escreveu "gritei VAI MACACA pela janela e a vizinha negra bateu no portão de casa pra me dar bronca", o juiz aponta uma denúncia de estereótipos por parte do youtuber.
"Veja-se que este post se deu, segundo o autor, no dia do jogo da Copa Sul-Americana de futebol masculino entre a Ponte Preta e o Lanús e todos sabem que a PontePreta é conhecida como “macaca”. Procurou o requerido associar os negros a macacos, ou quis denunciar, emtom de humor, o estereótipo existente?", diz o texto na sentença.
Em outras mensagens, Cocielo relativizou as piadas com negros e fez outro post considerado racista: "o Brasil seria mais lindo se nãohouvesse frescura com piadas racistas, mas já que é proibido, a única solução é exterminaros negros".
"Há aqui uma defesa do extermínio dos negros ou uma crítica ao discursopoliticamente correto, identificado como a “frescura com piadas racistas”?", relativizou o juiz do caso.
No caso do jogador Mbapé, o juiz se pergunta: "a associação que o requerido faria de negros a ladrões estaria presente no post já mencionado, que deu origem à presente demanda, onde, também, há de se perguntar: o comentário sobre o jogador da seleção francesa se deveu à cor da sua pele ou à sua velocidade?"
"No post datado de 24/11/2013, fazendo alusão ao dia da consciência negra,temos a seguinte afirmação: “eu queria ter gravado um vídeo sobre o dia da consciêncianegra, só que aí eu deixei quieto porque na cela não tem wi-fi”. Temos aqui umaafirmação de que negro é criminoso ou uma denúncia de que a maior parte da populaçãocarcerária é negra a demonstrar o racismo estrutural da sociedade brasileira?"
"Notamos, pois, que, ao se verificarem os posts, por si só, já se tem umadubiedade, uma ambiguidade que exige que se tenha, pois, o contexto em que foramproduzidos e em que consiste a atividade profissional do requerido", escreveu o juiz.
_______________ * Vídeos no YouTube ensinam a invadir celular e ajudam criminosos que limpam contas bancárias
Equipamentos especiais e brechas nos aparelhos também facilitam a vida dos bandidos
Não existe sistema inviolável, e criminosos contam com um conjunto de técnicas, equipamentos, programas, tutoriais e muitas brechas para quebrar tecnologias consideradas ultrasseguras nos celulares mais avançados, como biometria e reconhecimento facial.
É o que dizem especialistas em cibersegurança ouvidos pela Folha para explicar o fenômeno dos "limpa-conta" –quadrilhas que se especializam no furto de celulares com o objetivo de fraudar contas bancárias. A explosão desse tipo de crime, principalmente na capital paulista, foi revelada pela Folha em uma série de reportagens.
E a culpa não necessariamente recai sobre a vítima que colocou a data de aniversário como senha e a repetiu em vários aplicativos –embora essa pessoa facilite muito o trabalho dos bandidos.
Parte da responsabilidade também é das instituições bancárias que não fornecem –ou não informam ao cliente sobre– opções robustas de proteção contra acessos indevidos a seus apps. Já os fabricantes vivem uma constante corrida de gato e rato com quadrilhas que se especializam em encontrar formas de furar as inovações a cada atualização lançada.

"Vejo a situação atual como bastante preocupante, porque há ferramentas tecnológicas que podem ser usadas para desbloquear um aparelho roubado e, até onde a gente sabe, a maioria dessas quadrilhas ainda não está usando essas ferramentas, e já conseguem roubar as contas bancárias", afirmou Fabio Assolini, especialista em segurança da Kaspersky. "O diabo mora nos detalhes, e esses grupos exploram os detalhes."
Segundo Assolini, ainda não está disseminado o uso do "jailbreak" –mecanismo para burlar o sistema operacional da Apple que, em seus primórdios, era empregado por usuários desejosos de instalar programas não permitidos pelo iOS, especialmente jogos. De 8 vítimas identificadas pela Folha que tiveram suas contas bancárias invadidas por criminosos, 7 delas tinham iPhone nos modelos 10 e 11.
Entre as ferramentas de "jailbreak" estão a Checkra1n, disponível para iPhones entre 7 e 11; unc0ver, que libera todos os aparelhos que usem do iOS 11 ao iOS 13.5; e Chimera, que vai até o iOS 12.2. A última versão disponível desse sistema operacional é a 14.6.
As técnicas empregadas variam conforme esse grau de sofisticação, e não necessariamente precisa haver um mestre em tecnologia por trás.

"São tantos os vídeos no YouTube que ensinam, fazem tutoriais, que qualquer pessoa com um pouco de dedicação consegue", afirma Marcos Sêmola, sócio de cibersegurança da EY Brasil.
Uma técnica empregada é relativamente simples: a retirada do chip do aparelho furtado, que é então inserido em um aparelho desbloqueado para acesso a conteúdo de nuvem e outras informações. De posse de senhas e outros dados, podem conseguir então desbloquear o aparelho original da vítima.
Poucos usuários sabem que podem proteger o chip por uma senha.
De acordo com Thiago Bordini, diretor de inteligência cibernética da Axur, as quadrilhas um pouco mais sofisticadas já se dividem em, digamos, três equipes mais especializadas.
"Tem o responsável por furtar o celular na rua, um responsável técnico que pega o celular após furto para fazer o desbloqueio do aparelho e por último um responsável que irá fazer os trâmites financeiros, como limpeza da conta bancária", explica.
Conheça 19 dicas para aumentar a segurança de seu smartphone
Programas formulados por desenvolvedores para fins legais também acabam sendo usados por esses criminosos, ele explica, já que esses softwares precisam estar atualizados para atender as necessidades dos clientes com os sistemas operacionais mais novos.
É o caso do programa dr.fone, que pode ser adquirido por cerca de R$ 300 para Android, R$ 700 para iOS ou R$ 760 para ambos, com todas as funcionalidades liberadas para cinco aparelhos por um ano, mais seguro de R$ 25. A versão para Apple já tem compatibilidade com iOS 14.
O site anuncia serviços como desbloquear as telas de "iPhone e iPad em cinco minutos". "Nenhum conhecimento técnico exigido, qualquer um consegue fazer."

Há pacotes gratuitos com serviços reduzidos. O aplicativo é conhecido de usuários idôneos que mudam de sistema operacional e precisam migrar seus dados, por exemplo, ou que inadvertidamente bloquearam seus próprios aparelhos.
Softwares desenvolvidos por empresas especializadas em perícias digitais também podem ser adquiridos pela internet, a um custo mais elevado: entre US$ 50 mil e US$ 60 mil. Um exemplo é o Oxygen Forensics Extractor, que "permite que você se conecte com uma ampla gama de aparelhos Apple iOS e Android e importe variados backups para recuperar evidências digitais valiosas de maneira rápida e eficiente".
"Uma vez que os dados são extraídos, os usuários podem escolher entre salvá-los em um backup OFB para ser mais tarde importado para nosso poderoso Oxygen Forensic Detective, comprado separadamente, ou exportado imediatamente para algum de nossos formatos, como PDF, HTML, XML etc."
A versão Detective, segundo o site da empresa, além de furar as telas de bloqueio e descobrir senhas de backups e imagens criptografados, obtém dados de nuvem, smartwatch, ferramentas de IoT, outros serviços de armazenamento e de reconhecimento óptico, facial e de imagem.
Sêmola explica a segurança digital em termos de perímetros, ou seja, camadas de proteção que se sobrepõem e que dependem de uma série de escolhas feitas pelos diferentes agentes. Uma comodidade –como desbloquear vários aplicativos com uma digital– pode custar muito caro mais tarde.
O primeiro perímetro é o próprio usuário, e aí entram questões como a definição e o armazenamento de senhas. Outro perímetro é o próprio aparelho –especialistas em cibersegurança são unânimes em frisar a necessidade de instalação da última versão disponível do sistema operacional para minimizar o risco de que o bandido se aproveite de uma brecha de uma versão que já tenha sido violada.
"Há aí outro problema que é o seguinte: quem tem iPhone mais antigo não vai conseguir usar o iOS 14. Para quem ainda consegue instalar, o aparelho começa a ficar muito lento. Isso força você a trocar de aparelho, e o preço de um iPhone novo não é dinheiro de pinga. Então entra a questão da obsolescência programada", afirma Assolini.
O aplicativo de banco e a própria instituição financeira são outros perímetros descritos por Sêmola. "Não é responsabilidade do banco se o usuário deixou a senha no bloco de notas, mas é sua responsabilidade fornecer e levar ao conhecimento do cliente opções robustas de proteção", afirma.
Permitir a recuperação de acesso às contas via SMS ou email ou fatores de autenticação como tokens no próprio ambiente do celular não são, na visão dos especialistas, práticas seguras. E a instituição bancária precisa ter sistemas capazes de não apenas monitorar transações mas de detectar anomalias e ter meios mais restritivos de fazer a "prova de vida" do cliente.
Isso porque detectar uma anomalia e ligar para o celular cadastrado para verificar o que está havendo é um tiro no pé. Segundo Bordini, circulam pelo WhatsApp tutoriais de como se passar pelo dono de um celular roubado quando o banco ligar, os chamados "esquemas de aprovação".
"São mensagens na linha 'o banco não sabe quem você é, então mantenha a calma'."
Com tantas as possibilidade, Sêmola faz uma recomendação: adote uma política de "zero trust" (confiança zero).
O aumento desse tipo de crime levou o Procon-SP a cobrar medidas das empresas e tem mantido programas de orientação dos consumidores.
A Apple, desde o início da série de reportagens, tem informado que não comenta o assunto.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) tem repetido que os aplicativos dos bancos “contam com elevado grau de segurança desde o seu desenvolvimento até a sua utilização, não existindo qualquer registro de violação dessa segurança”.
“Para que os aplicativos bancários sejam utilizados, há a obrigatoriedade do uso da senha pessoal do cliente. Os dados de uso do aplicativo, bem como a senha do cliente, jamais são armazenadas pelos aplicativos dos bancos nos celulares dos clientes.”
O YouTube diz, nos seus Termos de Serviço, que o conteúdo publicado "é de responsabilidade da pessoa ou da entidade que envia o material". E afirma: "Se você encontrar qualquer conteúdo que acredita violar a legislação ou este contrato, incluindo as diretrizes da comunidade, faça uma denúncia na plataforma".
_______________ * Ricardo Feltrin - Exclusivo: Globo esvaziou núcleo de humor após pesquisa em 2019
Colunista do UOL
08/07/2021 00h09
Em 2019 a Globo, como faz todos os anos, realizou mais uma pesquisa qualitativa com um grupo de telespectadores.
A pesquisa foi feita no primeiro trimestre daquele ano, mas, ao contrário das anteriores, jamais a emissora recebeu tantas críticas, bem como a seus produtos, segundo esta coluna apurou.
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A posse de Jair Bolsonaro na Presidência expôs uma sociedade cindida, e a pesquisa da Globo identificou isso imediatamente naquele primeiro trimestre do ano.
Grosso modo, a conclusão na cúpula da emissora foi que, independentemente de não apoiar ou compactuar com o pensamento bolsonarista, a TV Globo ainda assim precisava "dialogar" e "conversar" com os eleitores do presidente.
Dramaturgia, jornalismo, humor
A dramaturgia e o jornalismo da casa receberam bastantes críticas por parte de alguns entrevistados.
Nesses casos, a primeira foi acusada —modo de dizer— de "lacração" (na mentalidade conservadora, porque a emissora dá espaço à diversidade); já o jornalismo foi acusado de parcialidade (como "antibolsonarista", claro). Eram os apoiadores do presidente e suas falas se manifestando.
Tudo isso era esperado. Mas, o núcleo que sofreu mais rejeição foi o de humor.
Coincidência ou não, logo após o resultado dessa pesquisa a Globo começou a realizar profundas mudanças em suas produções humorísticas.
Pouco a pouco, a TV começou a mexer ou apenas pisar no "freio" em suas atrações humorísticas, principalmente, e a tirá-las do ar paulatinamente.
Em abril de 2019, acabou o "Tá no Ar", com Marcelo Adnet. Em março de 2020 foi a vez de sair o "Isso a Globo Não Mostra", até então o quadro de maior sucesso do "Fantástico". Três meses depois foi o fim do "Zorra".
Vale dizer que, até aí, a emissora pode justificar que, por causa da pandemia, não havia como gravar os programas.
De qualquer forma, praticamente todo o núcleo dirigente de humor na casa acabou sendo desmontado e demitido no ano passado —de Silvio de Abreu a Marcius Melhem, entre outros.
As maiores estrelas desse setor, como Miguel Falabella e outros, também foram dispensados num grande "passaralho".
Nada de novo no humor
Porém, chegamos a 2021 com um inédito fato: pela primeira vez em sua história a maior emissora do país não tem nenhum programa humorístico novo no ar, como esta coluna analisou em maio passado.
Para o próximo mês, a previsão era que o programa humorístico "Novo Normal", novamente com Adnet, entrasse no ar. Porém, isso também já está descartado. Mais um projeto de humor na Globo aberta que foi suspenso (pela 2ª vez, aliás).
Se quiser algum humor, o telespectador global hoje terá de se contentar com reprises como "Toma Lá Dá Cá", "Vai Que Cola" e um ou outro filme engraçadinho da "Sessão da Tarde".
Outro lado
Procurada pela coluna, a Globo confirmou a realização da pesquisa de 2019 ("fazemos todos os anos"), mas negou que as novelas tenham sido consideradas "cansativas ou amorais", e afirmou que as "reflexões sobre o humor evoluem junto com a sociedade - ao mesmo tempo em que a refletem".
"Seus limites (do humor) estão permanentemente em discussão e a polarização atual traz também um desafio adicional ao humor feito a partir da crítica social e política, uma das marcas do gênero no Brasil e na Globo", diz a nota.
Leia a íntegra da resposta da Globo abaixo:
"A Globo, como você sabe, tem uma longa tradição de realização de pesquisas. Pesquisas regulares, qualitativas e quantitativas, sobre seus conteúdos, sobre suas marcas, sobre o Brasil e os brasileiros.
Não poderia ser diferente em uma empresa que sabe que, para ser escolhida todos os dias, espontaneamente, por milhões de brasileiros, precisa escutar, conhecer, entender, atender, refletir e estar sintonizada com a sociedade.
Assim, fizemos pesquisas em 2019, como fizemos em todos os anos anteriores e posteriores, ouvindo o Brasil inteiro e não segmentos dele.
O que confirmamos, e não é surpresa, foi a grande polarização do país. Numa sociedade polarizada, o comportamento mais comum é: ou você pensa como eu ou estamos em campos opostos.
Isso trouxe uma maior complexidade para as marcas em geral --e, para as que falam com todos os públicos, no país inteiro e têm a abrangência da Globo, ainda mais.
Mas, a nossa conexão com o Brasil e com os brasileiros nunca esteve em risco.
É isso que explica a nossa liderança, conferida pelo público, e as nossas audiências --aliadas, claro, a críticas, concentradas sobretudo nas redes sociais e nem sempre orgânicas, que ouvimos e consideramos, sobretudo as que nos fazem melhorar.
Mas, mesmo diante desse desafio, a Globo nunca abandonou o compromisso de representar as variadas pautas dos diversos segmentos da sociedade brasileira. Seja no jornalismo, seja no entretenimento.
Não, nossas novelas não são consideradas 'cansativas' ou 'amorais' e aí estão os elevados patamares de audiência de todas elas, nos seus diferentes horários, em todas as regiões do país, inéditas ou em reprise, para comprovar.
Aí estão também as variadas, diárias e intensas conversas sociais que nossos conteúdos provocam todos os dias, em todas as plataformas --e que seu portal acompanha de perto e a audiência dele registra.
Ao contrário. O que ouvimos reiteradamente, com muito orgulho especialmente num momento como esse, é que nossas novelas são "companheiras do público", ajudando a população inclusive a conhecer e refletir sobre certos temas sociais importantes.
A contribuição da Globo na discussão das pautas sociais e ambientais, aliás, é especialmente reconhecida e elogiada.
O mesmo se repete no humor, que cumpre o papel de ajudar o público a se relacionar com a realidade, com leveza e descontração, a partir de uma perspectiva bem-humorada, mesmo diante de dificuldades.
As reflexões sobre o humor evoluem junto com a sociedade - ao mesmo tempo em que a refletem. Seus limites estão permanentemente em discussão e a polarização atual traz também um desafio adicional ao humor feito a partir da crítica social e política, uma das marcas do gênero no Brasil e na Globo.
As pesquisas são, assim, ferramentas importantes para ajudar nossos criadores a seguirem em frente na responsabilidade de levar emoção e diversão às mais de 100 milhões de pessoas com quem falamos todos os dias, sempre com qualidade, criatividade, liberdade e conectados com o Brasil. Central Globo de Comunicação - CGCom"
_______________ * Eduardo Leite respalda prisão de mulher que bateu panela contra Bolsonaro

Prisão de Roberto Dias na CPI pode estar errada, mas também pode estar bem certa…


_______________ * Caso Marielle: Freixo diz que troca de procuradoras é “muito grave” e cobra governador
"O MP tem que explicar, Cláudio Castro tem que explicar", disse o parlamentar
O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) criticou neste sábado (10) a saída das promotoras Simone Sibílio e Leticia Emile a força-tarefa que investiga o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018.
“O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, precisa vir à público para explicar o que está acontecendo no caso e essas trocas, do delegado, Moyses Santanna, e das duas promotoras. O chefe do Ministério Público também tem que dar explicações”, afirmou o parlamentar em live realizada no Facebook.
“Fomos surpreendidos com o afastamento. Por que se afastaram? Não sabemos ainda, mas sabemos que existe uma relação direta com a delação premiada de Júlia Lotufo, viúva do Adriano da Nóbrega, matador ligado ao Escritório do Crime”, declarou.
O parlamentar afirma que “algo aconteceu” para as promotoras saírem do caso após 3 anos de investigações. “Promotoras que são sérias, pessoas corretas, se afastam do caso. “O MP tem que explicar, o governador tem que explicar”, disse o parlamentar O que essa delação tem a ver com o caso? O que tem a ver com as milícias? Cláudio Castro, quando o senhor assumiu, o senhor teve a preocupação de me ligar garantindo que haveria prioridade no caso Marielle”, afirmou.
Freixo afirmou que o delegado Moysés Santana foi indicado para Delegacia de Homicídios naquele momento justamente com o objetivo de focar no caso. Santana foi tirado da posição na segunda-feira (5).
Anielle Franco, irmã da ex-vereadora e diretora do Instituto Marielle Franco, também lamentou a notícia em suas redes sociais. “A gente não tem um dia de paz. Sinto muito pela saída das promotoras! Promotoras essas que eu depositava muita confiança e esperança para que elas ajudassem a resolver o caso da Mari e do Anderson! Agora eu quero saber que interferências são essas! Quem mandou matar minha irmã!??”, tuitou.
_______________ * Bolsonaro diz que Barroso defende pedofilia e volta a ofender Lula (vídeo)

247 - Em sua escalada retórica desta semana, Jair Bolsonaro atacou o ministro do STF Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva num comício depois de uma motociata ao estilo do ditador fascista italiano Benito Mussolini, neste sábado e, Porto Alegre. Disse que Barroso “defende a pedofilia” e voltou a qualificar lula como “aquele de nove dedos” - Lula perdeu o dedo mindinho da mão esquerda em 1964, aos 18 anos, trabalhando na Metalúrgica Independência, localizada na capital paulista; o então torneiro mecânico atuava durante o turno da noite e, por volta das 3h00 da manhã, prensou a mão em uma prensa transversal.
Assista ao vídeo:
Bolsonaro mentiu ao afirmar que o magistrado defende a pedofilia e a liberação das drogas — Barroso nunca disse que apoia a redução da maioridade para estupro de vulneráveis, e não defende a redução da maioridade penal.
“Quero perguntar ao ministro Barroso, do STF, ministro esse que defende a redução da maioridade para estupro de vulneráveis [no caso para quem sofreu o crime]. Ou seja, é a pedofilia o que ele defende. Ministro que defende o aborto, ministro que defende a liberação das drogas. Com essas bandeiras todas, ele não tinha que estar no Supremo, tinha que estar no parlamento para defender as suas bandeiras”, disse Bolsonaro.
Ainda durante o evento realizado hoje, Bolsonaro, sem usar máscara de proteção individual contra a covid-19, voltou a mentir sobre fraude no sistema eleitoral. Em nenhum momento do discurso, Bolsonaro afirmou ter como provar que as urnas eletrônicas não são confiáveis.
O próprio TSE disse ontem, em nota, que convidou o presidente a apresentar os indícios de fraudes nas eleições de 2014 e 2018 — que ele repete em encontros com apoiadores. Segundo o órgão, Bolsonaro não deu respostas.
Bolsonaro também agrediu Lula: “Nós temos tudo para sermos uma grande nação. E isso passa pelo entendimento, pela compreensão e pela garra do seu povo. Se aquele de nove dedos [Lula] tem 60% [dos votos] segundo o Datafolha, vamos fazer o voto impresso”
É o segundo dia consecutivo de ofensas de Bolsonaro contra Barroso. Nesta sexta (10), ele chamou o ministro de "idiota" e “imbecil” e voltou a ameaçar as eleições de 2022.
_______________ * Bolsonaro confessa crime de prevaricação e diz que não podia tomar providência sobre caso Luis Miranda

247 - Jair Bolsonaro afirmou, durante entrevista à Rádio Gaúcha neste sábado (10), que não pode tomar providências sobre tudo que chega até ele. A declaração foi feita em referência ao encontro mantido com o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), no qual o parlamentar teria revelado um esquema de corrupção envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin. Ele também chamou de “bandidos” os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que integram a CPI da Covid.
“Ele (Luis Miranda) pediu uma audiência pra conversar comigo sobre várias ações. Eu tenho reunião com mais de 100 pessoas por mês, dos mais variados assuntos. Eu não posso simplesmente, ao chegar qualquer coisa pra mim, tomar providência”, disse Bolsonaro conforme reportagem do jornal O Globo.
Na entrevista, Bolsonaro também afirmou que não irá responder a carta dos senadores pedindo que ele esclarecesse quais providências teria adotado após ter sido informado sobre a suspeita de irregularidades. "Não tenho obrigação de responder. Ainda mais carta pra bandido. Três bandidos (Omar, Renan, Randolfe)", disse.
_______________ * Datafolha: Maioria no país não acredita em nada do que é dito por Bolsonaro
Para 55%, ele nunca é confiável; apenas 15% dizem acreditar em tudo o que fala o presidente, segundo a pesquisa
O índice de brasileiros que não confia em nada que é dito pelo presidente Jair Bolsonaro é o maior desde que o Datafolha começou a aferir esse índice, em agosto de 2019: 55%.
É o que aponta pesquisa nacional feita pelo instituto em 7 e 8 de julho, na qual foram ouvidas presencialmente 2.074 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A série tem 11 levantamentos até aqui. Desde o anterior, de maio passado, a desconfiança subiu de 50% para os atuais 55%. Confiam em tudo o que Bolsonaro diz 15%, ante 14% no levantamento passado. Já a avaliação de que o presidente é crível às vezes caiu de 34% para 28%.
Os dados conversam com o mau estado da popularidade presidencial aferida pelo instituto, constatada nesta rodada.
Bolsonaro está com a pior avaliação de sua gestão e teria hoje baixa possibilidade de reeleição, segundo a fotografia captada pelo Datafolha. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o favorito neste momento.
O governo vive uma grave crise política, inserida na tragédia sanitária dos mais de 500 mil mortos pela Covid-19 e sombras de problemas econômicos sérios, como inflação, aperto fiscal e até racionamento de energia elétrica.
A CPI da Covid e apurações paralelas têm descoberto suspeitas sérias de corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde, e desde o fim de maio há protestos de rua inauditos até aqui.
Isso não significa que Bolsonaro esteja à beira de um impeachment, conforme avaliam líderes políticos de vários espectros. Mas sua condição política está deteriorada.
Não creem em nada que Bolsonaro fala mais mulheres e menos instruídos (60% de incredulidade), além de moradores da fortaleza petista do Nordeste (65%).
Acreditam sempre no presidente mais os maiores de 60 anos (22%), os moradores de áreas bolsonaristas como o Norte/Centro-Oeste (21%) e os aliados evangélicos (22%) —embora mesmo ali a maioria, 51%, não acredita em Bolsonaro.
Nos grupos mais específicos, há previsibilidade em consonância com outros aspectos captados pelo Datafolha. Para 38% dos empresários, Bolsonaro sempre diz a verdade. Já homossexuais e bissexuais, alvos da homofobia presidencial, são quase unânimes (75%) em rejeitar as falas do presidente. Tal avaliação é feita por 63% dos pretos.
O melhor momento de popularidade de Bolsonaro, dezembro do ano passado, já não tinha um índice muito grande de crença: 21% acreditavam no presidente. De lá para cá, a avaliação de que ele não fala a verdade subiu de 37% para o patamar atual.
_______________ * Datafolha: Pela primeira vez, maioria no país defende impeachment de Bolsonaro
Pesquisa mostra que 54% dos brasileiros querem abertura de processo pela Câmara, ante 42% que rejeitam ação
Pela primeira vez desde que o Instituto Datafolha começou a questionar os brasileiros sobre o tema, em abril de 2020, a maioria dos entrevistados se diz a favor da abertura de processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
São 54% a favor da ação pela Câmara dos Deputados, ante 42% que se mostram contrários à iniciativa. Foram ouvidos de forma presencial 2.074 maiores de 16 anos, em todo o país, nos dias 7 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos.
Na rodada anterior, realizada em 11 e 12 de maio, os pró-impedimento haviam ultrapassado numericamente os contrários à ideia, mas ainda havia um empate técnico em 49% a 46%. Agora, a diferença aumenta.
É um processo recente, que reflete o adensamento da crise política combinada à tragédia sanitária da pandemia da Covid-19, que ceifou mais de 500 mil vidas. O papel do governo federal no desastre está sendo esmiuçado pela Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado.
Foram descobertas suspeitas de negociações obscuras de vacinas inexistentes, com denúncia de cobrança de propina como revelou a Folha, e o Bolsonaro virou alvo de inquérito por supostamente ter prevaricado ao citar seu líder na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), como o líder das irregularidades em questão.
Enquanto isso, houve um superpedido de impeachment no Congresso, jogado para a gaveta pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), prócer do centrão aliado de Bolsonaro e a pessoa a quem cabe encaminhar ou não o processo. E protestos de rua, ainda mais circunscritos à esquerda, ganharam corpo em três ocasiões.
O superpedido reuniu argumentações de mais de 120 proposições semelhantes anteriores, que estão sem análise desde o tempo em que Rodrigo Maia (DEM-RJ) presidia a Câmara.
Em entrevista à CNN Brasil neste sábado (10), Lira voltou a indicar que não pretende, por ora, dar sequência a algum dos mais de 100 pedidos de impeachment de Bolsonaro. E aproveitou para defender a discussão do semipresidencialismo, para valer a partir de 2026.
"Não é o presidente da Câmara que faz o impeachment, é o impeachment que faz o presidente da Câmara. Precisa de muitas características, critérios, consequências juntas que possam unir para chegar nessa situação."
"O Brasil não deve se acostumar o tempo todo em estar instabilizado eleição após eleição, todos os presidentes que passaram e foram eleitos desde a redemocratização tiveram pedidos impeachment, votados, uns aprovados, outros rejeitados", afirmou.
Até a pesquisa de 15 e 16 de março, a oposição ao impeachment, ou quase um empate técnico, dominava. Agora, a curva registrada em maio seguiu novo rumo.
O impedimento do presidente é alvo de discussões. Líderes centristas como Gilberto Kassab (PSD) e Michel Temer (MDB), bússolas do ânimo político majoritário, disseram recentemente à Folha que pode haver inevitabilidade se houver povo na rua, pressionando o Congresso.
Ao mesmo tempo, há temor de tumultos, pela disposição beligerante de Bolsonaro e seus partidários. Neste caso, a sangria de popularidade atestada pelo próprio Datafolha seria uma ideia menos traumática, o que agrada ao atual líder nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Defendem mais o impeachment mulheres (59%), jovens (61%), mais pobres (60%, no grupo mais volumoso da estratificação econômica da pesquisa, 57% da amostra) e moradores do Nordeste (64%). Esses dados seguem a linha das outras abordagens feitas pelo Datafolha sobre Bolsonaro.
Valores ainda mais altos de aprovação ao processo são encontrados entre os que se declaram pretos (65%) e homossexuais ou bissexuais (77%).
Já o apoio ao presidente se mostra maior entre mais velhos (49% de rejeição a processo), entre os evangélicos (56%), quem ganha de 5 a 10 salários mínimos (62%), mais ricos (59%) e os empresários (68%, mas um grupo com apenas 2% da amostra).
Regionalmente, a história de outros ângulos da pesquisa se repete. Bolsonaro vê a rejeição ao impedimento ganhar por 52% a 46% no Norte/Centro-Oeste e registra um empate no Sul, com 49% para cada lado —as duas áreas são as mais bolsonaristas do país.
A situação do mandatário é desconfortável, mas a história traz exemplos díspares.
Os dois presidentes que sofreram impeachment desde a redemocratização de 1985 tinham patamares mais altos de aprovação ao processo.
Fernando Collor (então no PRN) viu 75% da população pedir sua cabeça às vésperas da abertura dos procedimentos na Câmara, em setembro de 1992 —ele viria a renunciar após ser afastado para julgamento.
Já Dilma Rousseff (PT) teve de 63% a 68% de apoio a seu impeachment em três aferições feitas pelo Datafolha. Ela acabou afastada em 2016, dando lugar ao vice, Michel Temer (MDB).
Abatido por crise política, o emedebista viu o pedido por seu impedimento ser feito por 81% dos entrevistados em junho de 2017. Mas sua força congressual e ausência de movimento forte nas ruas, como ele mesmo disse, garantiram sua sobrevivência no cargo.
O CAMINHO DO IMPEACHMENT
- O presidente da Câmara dos Deputados é o responsável por analisar pedidos de impeachment do presidente da República e encaminhá-los
- O atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é aliado de Jair Bolsonaro. Ele pode decidir sozinho o destino dos pedidos e não tem prazo para fazê-lo
- Nos casos encaminhados, o mérito da denúncia deve ser analisado por uma comissão especial e depois pelo plenário da Câmara. São necessários os votos de pelo menos 342 dos 513 deputados para autorizar o Senado a abrir o processo
- Iniciado o processo pelo Senado, o presidente é afastado do cargo até a conclusão do julgamento e é substituído pelo vice. Se for condenado por pelo menos 54 dos 81 senadores, perde o mandato
- Os sete presidentes eleitos após a redemocratização do país foram alvo de pedidos de impeachment. Dois foram processados e afastados: Fernando Collor (1992), que renunciou antes da decisão final do Senado, e Dilma Rousseff (2016)
_______________ * Após fala GOLPISTA de Bolsonaro, ARTHUR LIRA - PP-AL, (presidente da Câmara dos Deputados) faz declarações EVASIVAS, DÚBIAS e INÓCUAS.

Chico Alves
Colunista do UOL
10/07/2021 14h18
Dois dias depois da mais grave ameaça de Jair Bolsonaro ao processo democrático brasileiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), foi hoje ao Twitter discorrer sobre a força das instituições. Ao contrário do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que ontem se apresentou em coletiva de imprensa para rebater enfaticamente as teses golpistas do presidente da República, Lira foi evasivo, dúbio.
Tratou do cenário político com a clara preocupação de não desagradar bolsonaristas.
Irmão de deputado Luis Miranda desmente fala de servidora na CPI da Covid
Na quinta-feira (8), Bolsonaro subiu vários degraus em sua escalada chantagista. "Ou fazemos eleições limpas ou não teremos eleições", declarou. Ontem (9), ofendeu o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, chamando-o de "imbecil" e "idiota" por argumentar que o voto impresso favorece a fraude.
Em entrevista ao mesmo tempo serena e firme, Rodrigo Pacheco descartou a possibilidade de não haver eleições, solidarizou-se com o ministro Barroso e disse que qualquer um que se coloque contra o processo eleitoral pode ser considerado "inimigo da nação".
Lira certamente notou que seu silêncio estava pegando mal. Resolveu manifestar-se, mas o fez de forma envergonhada, com palavras que podem ser lidas tanto como condenação ao golpismo do inquilino do Palácio do Planalto quanto como crítica bolsonarista a seus adversários.
"Nossas instituições são fortalezas que não se abalarão com declarações públicas e OPORTUNISMO", afirmou no Twitter. Pergunta inevitável: "declarações públicas" e oportunismo maiúsculo de quem?
A seguir, escreve: "Tenhamos todos, como membros dos poderes republicanos, responsabilidade e serenidade para não causar mais dor e sofrimento aos brasileiros". Continuam as dúvidas: a quem Lira pede responsabilidade e serenidade? Os bolsonaristas poderão muito bem interpretar que ele se refere à CPI da Covid. Essa dubiedade é intencional.
Mais à frente, Lira diz que a Câmara "não se deixará levar por uma disputa que aprofunda ainda mais a nossa crise". A ameaça mais grave à institucionalidade não está em nenhuma disputa entre governistas e oposicionistas, algo comum na vida democrática, mas nas palavras e gestos golpistas de Jair Bolsonaro.
Por fim, comenta que a urna será a grande e única juíza de qualquer disputa política em 2022 e arremata com uma frase de ênfase insuficiente para a gravidade do momento, que poderia ser dita em qualquer ocasião: "O nosso compromisso é e continuará sendo trabalhar pelo crescimento e a estabilidade do país".
O texto de Lira deixou a nítida impressão de que ele se pronunciou apenas porque o seu silêncio conivente o estava comprometendo, não por indignação genuína.
As emendas e os cargos que o centrão recebeu no "toma lá, dá cá" promovido por Bolsonaro devem ter pesado bastante para que o presidente da Câmara tenha tratado o leão do golpismo como se fosse um gatinho.
Não deveria perder de vista, porém, que quando o felino de juba ataca ninguém pode garantir que sairá ileso.
_______________ * Promotoras deixam força-tarefa que investiga morte de Marielle

Do UOL, em São Paulo
10/07/2021 19h20
Atualizada em 10/07/2021 19h47
As promotoras que investigavam a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes deixaram a força-tarefa do MPRJ (Ministério Público do Rio de Janeiro).
A informação sobre a saída de Simone Sibílio e Leticia Emile foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pelo UOL.
Arsenal de Witzel contra Bolsonaro na CPI tem Marielle, Queiroz e milícia
As duas estavam à frente do caso desde setembro de 2018. A morte da parlamentar e do motorista ocorreu no dia 14 de março daquele ano.
Após a divulgação da saída das promotoras, Anielle Franco, irmã de Marielle, declarou sentir muito pela situação e que não tem "um dia de paz". As declarações foram feitas em uma postagem compartilhada no Twitter.
A gente não tem um dia de paz. Sinto muito pela saída das promotoras! Promotoras essas que eu depositava muita confiança e esperança para que elas ajudassem a resolver o caso da Mari e do Anderson! Agora eu quero saber que interferências são essas! Quem mandou matar minha irmã?!Anielle Franco
As mudanças na condução do caso acontecem um mês após a viúva do miliciano e ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, Júlia Lotufo, ser autorizada a fazer uma delação premiada em troca de benefícios, como a suspensão temporária da pena de prisão. O pedido da delação foi apresentando pela Polícia Civil do Rio ao procurador-geral de Justiça.
O que diz o MPRJ
Em nota ao UOL, o MPRJ informou que as promotoras optaram voluntariamente por não atuarem mais na força-tarefa que investiga o caso Marielle Franco e Anderson Gomes.
A Procuradoria-Geral de Justiça do MPRJ reconhece o empenho e a dedicação das promotoras ao longo das investigações, que não serão prejudicadasMPRJ em nota ao UOL
Segundo a nota, o MPRJ anunciará em breve os nomes dos substitutos das promotoras na força-tarefa.
Freixo cobra explicações de Castro, da polícia e do MPRJ
O amigo da vereadora Marielle Franco, deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ), fez uma transmissão ao vivo no Facebook para comentar a repercussão do caso e cobrando explicações do governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, do MPRJ e da Polícia Civil.
Freixo disse que, ao assumir o cargo de governador, Castro ligou para ele para comunicar que as investigações sobre o caso Marielle teriam prosseguimento garantido.
Em contrapartida, com a saída tanto das promotoras dos cargos que ocupavam na força-tarefa quanto a do delegado Moisés Santana do caso, Freixo afirmou que o governador não entrou em contato com ele nem com a família de Marielle para justificar as mudanças.
Há muitos anos que a gente vem vendo o jogo do bicho e caça-níquel fazendo o que querem no Rio de Janeiro. Qual foi o grande crime solucionado pela polícia do Rio de Janeiro. Foi solucionado o caso por Moisés Santana. Mas, misteriosamente, esta semana, sem nenhuma explicação, Moisés Santana foi retirado da políciaMarcelo Freixo (PSB-RJ), deputado federal
_______________ * Documentário mostra vida do pastor Billy Graham, influenciador de presidentes dos EUA

Bem antes dos tempos de redes sociais, um personagem entrou para a história dos Estados Unidos como um dos líderes mais carismáticos e com mais seguidores de todos os tempos: Billy Graham, um evangelista que se tornou tão influente a ponto de virar conselheiro de vários presidentes do país.
A Public Broadcasting Service, rede de televisão educativa dos Estados Unidos, lançou em maio o documentário Billy Graham: Oração, Política, Poder. O programa, com duas horas de duração, mostra a vida, a carreira e o legado do líder, com imagens e depoimentos de historiadores, jornalistas e do próprio Graham.
Para quem não tem acesso ao canal ou tem acesso regional restrito às plataformas onde ele está disponível (ITunes e Amazon), um compacto da produção e alguns traillers dão a ideia do impacto de Graham e de sua capacidade de hipnotizar multidões.
Em uma entrevista em que é perguntado sobre o que tinha e que outros pastores não tinham, a resposta é “não sei, fico tão surpreso com isso quanto qualquer outra pessoa”. Ele atribuiu a capacidade a um dom divino.
Grahan pregou em mais de 185 países
Billy Graham nasceu na Carolina do Norte, estudou em colégio católico e começou a ser pastor ainda na faculdade, onde se formou em Teologia. Mas antes de se dedicar à pregação religiosa, vendia escovas de limpeza. E já demonstrava a sua capacidade de oratória e de convencimento.
A fama começa a surgir após sua ida para Los Angeles, onde ele pregou para estádios lotados. Em 1950, fundou a Associação Evangelista Billy Graham.
Segundo a associação que leva seu nome, Graham evangelizou em ao menos 185 países do mundo e converteu mais de 3 milhões de pessoas, em grandes eventos chamados “cruzadas”.
MAPA MENTIROSO ____________________ China continental e Coreia do Norte?!?

O filme mostra sua ligação com os presidentes americanos e com o poder. Entre os episódios mais marcantes de sua ligação com presidentes está uma ida à Casa Branca para rezar para o presidente Harry Truman. Historiadores e biógrafos falam da associação da religião com a polarização política.
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Entre os presidentes dos quais se tornou próximo está Richard Nixon, com quem chegou a desfilar em carro aberto.

Símbolo conservador, pastor se tornou influenciador de presidentes
Andrew Dole, professor de religião do Amherst College, disse em um artigo sobre o líder religioso no portal The Conversation que Graham foi considerado como “aquele que reviveria o Evangelismo”, conduzindo-o para uma nova versão, mais moderna, livre de visões fundamentalistas:
“Com o passar do tempo, ele se tornaria próximo a um porta-voz oficial do movimento.”
_______________ * Leonardo Sakamoto - Acuado, Bolsonaro mostra os dentes e ameaça atacar. Como um pinscher
Colunista do UOL
10/07/2021 11h49
"Meu couro é grosso", afirmou o presidente Jair Bolsonaro, nesta sexta (9), em mais uma viagem de campanha pré-eleitoral paga com nossos impostos, desta vez a Caxias do Sul (RS). Não é o que parece. Bolsonaro sente-se acuado e não consegue esconder isso.
Age como se fosse um pinscher. Quando acreditar estar em perigo, o diminuto cachorrinho mostra os dentes, rosna, fica uma fera e ameaça partir para o ataque. Quem não conhece o currículo do bicho, fica assustado. Mas precisamos nos lembrar: um pinscher é pequeno como um... pinscher.
O que faz alguém "bom de cama"? Juntos há 15 anos, casal dá exemplo
Da mesma forma, um bufão é apenas um bufão, desde que as instituições da República, incluindo as Forças Armadas, obedeçam à Constituição Federal e não aos delírios autocráticos de um clã.
Com as acusações de que teria prevaricado diante das denúncias de corrupção envolvendo seu governo na compra da vacina indiana Covaxin para proteger aliados no Congresso Nacional e de que teria fomentado a contaminação em massa da população em busca de imunidade de rebanho, gerando mais de 530 mil mortes, Bolsonaro vai perdendo apoio inclusive entre seus seguidores mais fiéis. A rejeição ao seu governo atinge recorde: 51% segundo o Datafolha. Considerando apenas sua gestão (sic) da pandemia, o número vai a 56%.
Para estancar isso, vai à guerra. Mostra os dentes, rosna, fica uma fera, ameaça partir para o ataque.
Xinga os institutos de pesquisa - de índices de desemprego às taxas de desmatamento, o bolsonarismo tem o péssimo hábito de culpar o termômetro pela febre. Chama de imbecil o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, por ele defender que a urna eletrônica é segura e introdução do voto impresso, como defendido por Jair, apenas tumultua o processo. Afirma que as eleições do ano que vem serão fraudadas e que já há um ganhador escolhido, mesmo sem prova alguma. Tenta jogar os militares contra a CPI da Covid, que tem descoberto a presença de alguns coronéis em esquemas de compra fraudulenta de vacinas ao lado de prepostos do centrão.
Ameaçar com um golpe de Estado é uma forma de preparar o terreno para questionar os resultados no ano que vem se eles não forem do seu agrado e também uma cortina de fumaça sobre os negacionismos, as sacanagens, os cambalachos e as rachadinhas de seu governo.
E, claro, é uma tentativa de garantir o controle sobre o assunto que está em destaque na sociedade. As manchetes dos principais jornais e portais desta sexta estavam inundadas de um presidente que disse, literalmente, ter cagado para os questionamentos da CPI feitos a ele, que xinga membros de outros poderes, que insinua que poderia não permitir eleições. A imprensa está certa em destacar tudo isso porque não há como não dar espaço para Bolsonaro tentando implodir a democracia.
Parece, portanto, que ele consegue o seu objetivo. Contudo, a estratégia de tentar sequestrar a agenda pública fazendo sangrar a República tem um custo, porque desgasta a sua própria imagem junto ao cidadão médio. Este quer viver e quer emprego - coisas que ele não se esforça em garantir, tirando o corpo fora quando o assunto é a reconstrução da economia.
Não é à toa que, neste momento, a maioria da população acha que o presidente é incompetente, despreparado, indeciso e pouco inteligente. Mas também falso, desonesto e autoritário, segundo a pesquisa Datafolha.
Após o Senado ser ameaçado pela cúpula das Forças Armadas, em meio à investigação de corrupção na saúde que atinge militares, finalmente seu presidente, Rodrigo Pacheco, veio a publico para defender a instituição, o Tribunal Superior Eleitoral e a democracia. E Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, afirmou que as eleições vão sim acontecer. Quer Jair queira ou não.
Se o Poder Legislativo e o Judiciário garantirem freios constitucionais ao Palácio do Planalto, e as Forças Armadas pararem de baixar a cabeça para o presidente, lembrarão à sociedade que o pinscher ladra, mas não morde.
_______________ * Cristina Serra: BAIXEM_o_tom, FARDADOS ! _______________ * O Brasil NÃO TEME suas CARRANCAS, COTURNOS e TANQUES
Generais, brigadeiros e almirantes deveriam ser os primeiros a querer esclarecer as gravíssimas denúncias de corrupção, reveladas pela CPI da Covid, que batem à porta de Bolsonaro e de uma penca de fardados. Mas o que estamos vendo é bem o contrário.
Como em outros momentos da nossa história, a cúpula das Forças Armadas e o Ministério da Defesa preferem esconder a sujeira embaixo do tapete, peitar as instituições democráticas e afrontar a Constituição e a sociedade civil. É esse o sentido da nota assinada pelo ministro Braga Netto e pelos três comandantes militares após a declaração do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), de que há um "lado podre das Forças Armadas envolvido com falcatrua dentro do governo".
Alguém duvida disso? A pior gestão da pandemia no mundo foi a de um militar brasileiro, o general da ativa Eduardo Pazuello. Agora, sabemos também que a alta hierarquia do ministério na gestão dele, toda fardada, aparece no "vacinagate", notadamente seu ex-secretário-executivo, o coronel da reserva Elcio Franco.
Depois de tantos anos restritos aos quartéis e às suas atribuições profissionais, os militares voltaram ao poder de braços dados com um sujeito desqualificado, medíocre, notoriamente ligado a esquemas criminosos, que vão de rachadinhas a milicianos, e que é sustentado no Congresso pelo centrão.
Cúmplices e agentes ativos de tudo isso, os militares vêm cantar de galo, atribuindo-se o status de "fator essencial de estabilidade do país". Ora, é exatamente o contrário. Senhores fardados, vocês deixarão uma herança de morte, doença, fome e corrupção. Querem enganar quem? Acham que estão em 1964?
Baixem o tom, senhores. O Brasil não tem medo de suas carrancas, de seus coturnos e de seus tanques. Generais, vistam o pijama e, quando a pandemia passar, organizem um campeonato de gamão na orla de Copacabana. É o melhor que podem fazer pelo país.
_______________ * Jaime Spitzcovsky: Encontros SIGILOSOS refletem PRESSÕES de Biden por MUDANÇAS no Oriente Médio _____ Reuniões entre SAUDITAS e IRANIANOS mostram como funciona diplomacia SECRETA na região
O teatro da diplomacia no Oriente Médio testemunhou recentemente a revelação de duas iniciativas secretas. Sauditas e iranianos, arqui-inimigos regionais, reuniram-se em abril no Iraque, e, na semana passada, líderes dos aliados Israel e Jordânia dialogaram no palácio presidencial do país árabe.
Vazamentos da “diplomacia secreta” pela mídia internacional permitem identificar a busca de acomodação à era Joe Biden em dois capítulos do cenário médio-oriental.

Trump investiu na aproximação entre Israel e monarquias árabes conservadoras do golfo Pérsico, lideradas pela Arábia Saudita, como ferramenta para enfrentar a teocracia iraniana. Biden manterá a opção, mas com importantes flexibilizações: tentativa de retomada do pacto nuclear com Irã, recuperação de diálogo com lideranças palestinas moderadas e pressão por mudanças em estratégias sauditas.
E os encontros sigilosos dos últimos meses refletem tais mudanças. Bagdá, capital do Iraque, recebeu emissários de Riad e Teerã, cujas relações diplomáticas foram rompidas em 2016. Os dois países protagonizam disputa histórica por liderança no Oriente Médio, pois a Arábia Saudita capitaneia o mundo árabe e sunita, enquanto o Irã simboliza o nacionalismo persa e a vertente xiita do islamismo.
Lá Fora
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Sauditas e iranianos mergulham em batalhas por esferas de influência, apoiando lados antagônicos nos conflitos políticos ou militares em palcos como Iraque, Síria e Líbano. A rivalidade contamina também o cenário palestino, com apoio de Teerã ao fundamentalismo do Hamas, e monarquias do golfo Pérsico apostando em lideranças dispostas a dialogar com Israel.
O antagonismo saudita-iraniano se reflete na tragédia da guerra do Iêmen, conflito responsável pela morte de mais de 233 mil pessoas e por ondas de fome e destruição. Enquanto Teerã despeja apoio aos rebeldes houthis, Riad encabeça a aliança militar em auxílio ao governo iemenita.
A Casa Branca pressiona pelo fim da catástrofe no Iêmen. E a Arábia Saudita, em busca de acomodação com o aliado norte-americano, sentou-se à mesa com o rival Irã, que procura, via diplomacia, recursos financeiros para enfrentar sua dramática crise econômica. O próximo episódio do diálogo saudita-iraniano deve ocorrer em Omã, ainda sem data definida. E longe do sigilo diplomático da fase anterior.
Mas uma cortina de fumaça envolveu a conversa entre o primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, e o rei jordaniano, Abdullah. O diálogo coloca a Jordânia, praticamente ignorada por Trump, de novo no epicentro da diplomacia do Oriente Médio.
Biden e Bennett concordam sobre a importância do país árabe para a estabilidade regional, devido a sua posição geográfica, perfil demográfico e liderança religiosa. A monarquia abriga relevante população de origem palestina, guarda laços fundamentais com locais sagrados para o islamismo em Jerusalém e compartilha fronteiras com cenários de conflitos, como Síria e Iraque.
Abdullah viaja aos EUA no dia 19, para se reunir com Biden, poucos meses após enfrentar crise doméstica descrita como tentativa de derrubá-lo do poder. A Casa Branca oferece luminoso apoio ao monarca, primeiro líder árabe a ser recebido com pompa e circunstância em Washington.
E longe das sombras da diplomacia secreta.
_______________ * Jogos Olímpicos: a ousada fuga de atleta iraquiano após troca de olhares 'proibida' com Bill Clinton

George Wright - BBC News
09/07/2021 20h55
"Não olhe para o presidente (Bill) Clinton." Essas foram as instruções que Raed Ahmed recebeu antes da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta.
O levantador de peso iraquiano tinha ouvido que Bill Clinton e os Estados Unidos queriam destruir seu país e não deveriam ser respeitados. A mensagem veio de funcionários do Comitê Olímpico iraquiano, que seguiam ordens do filho mais velho de Saddam Hussein, Uday.
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"Eles disseram para não olhar para a esquerda ou para a direita porque o presidente estaria lá. 'Não olhe para ele'", conta Raed. "Eu respondi: 'sem problemas'."
Raed sorria enquanto corria para o estádio, orgulhosamente segurando sua bandeira nacional. Ele tinha 29 anos quando foi escolhido para esta honraria.
Apesar de ser acompanhado pelos olhos atentos das autoridades iraquianas, o atleta acabou olhando para a direita. "Não pude acreditar", diz ele. "Clinton olhou para nós. Vi que ele ficou muito feliz quando nos viu. Ele se levantou e batia palmas."
Aquele instante mudou a vida de Raed para sempre.
Nascido em uma família muçulmana xiita na cidade iraquiana de Basra, em 1967, Raed é filho de um treinador de fisiculturismo. Começou a ficar conhecido pelo levantamento de peso no início dos anos 1980 e, em 1984, foi coroado campeão nacional na categoria de até 99 kg.
Mas seu sucesso esportivo decolava em um cenário de turbulência em sua terra natal.
Em 1991, o Iraque enfrentava rebeliões de árabes xiitas, no sul, e de curdos, no norte do país. As rebeliões começaram logo após a primeira Guerra do Golfo, quando forças iraquianas invadiram o Kuwait em 1990 e foram derrotadas por uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.
Em fevereiro de 1991, dias antes do início do ataque terrestre da coalizão, o então presidente americano, George W. Bush, transmitiu uma mensagem dizendo aos iraquianos que havia uma maneira de evitar um derramamento de sangue no país.
"Se os militares iraquianos e o povo iraquiano usarem as próprias mãos para forçar o ditador Saddam Hussein a se afastar", disse Bush no discurso. Os xiitas e os curdos acreditavam que isso significaria que os Estados Unidos apoiariam levantes contra Saddam. Eles começaram em março.
Em Basra e em outras cidades, centenas de civis desarmados saíram às ruas e assumiram o controle de prédios do governo, libertando prisioneiros de cadeias e confiscando estoques de armas de pequeno porte. No auge dos confrontos, eles haviam tirado o controle de 14 das 18 províncias do país das forças de Saddam e os combates aconteciam a quilômetros da capital, Bagdá.
Mas, à medida que o levante se espalhava pelo país, autoridades americanas insistiram que nunca foi sua política intervir nos assuntos internos do Iraque, nem remover Saddam do poder.
Com o fim da Guerra do Golfo e os rebeldes sem apoio dos Estados Unidos, Saddam deu início a um de seus atos mais brutais de repressão contra os xiitas e curdos, matando dezenas de milhares de pessoas em poucos meses.
Raed se lembra de testemunhar o primo de Saddam, Ali Hassan al-Majid, também conhecido como Chemical Ali, então encarregado de reprimir as rebeliões, alinhando estudantes da universidade em Basra e atirando neles.

As sanções econômicas da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Iraque também começaram a atingir duramente as pessoas comuns. Raed diz que a população lutava para comprar os alimentos mais básicos, como pão e arroz.
Ele já pensava em como sair do país.
Diferente da maioria dos iraquianos, Raed teve a oportunidade de viajar para o exterior para competir. Mas ser um esportista de elite no Iraque significava ficar cara a cara com Uday Hussein, o filho conhecidamente implacável de Saddam, que foi presidente do Comitê Olímpico Iraquiano e da Associação de Futebol do Iraque.
As punições de Uday por infrações como perder um pênalti, receber um cartão vermelho ou jogar mal incluíam torturas com cabos elétricos, banhos forçados em esgoto não tratado e até mesmo execuções. "Ele fazia o que quisesse, ele era filho de Saddam", diz Raed.
Em um esforço para se proteger, Raed fazia o possível para diminuir as expectativas de Uday antes dos torneios internacionais. "Eu via as pessoas quando saíam da prisão. Os jogadores de futebol ou basquete nos diziam: 'Cuidado quando for às competições'. Eles mataram muita gente", conta.
"Quando ele me perguntou se eu conseguiria levar para casa uma medalha de ouro, eu disse que não. Para uma medalha de ouro, você tem que se exercitar por pelo menos quatro anos e era muito difícil fazer isso em Basra, com pouca comida e água. Para levantamento de peso, você precisa de muita comida e atividade física."
Cada vez mais, Raed via as competições internacionais como a melhor maneira de sair do Iraque para sempre. Ele trainava mais duro do que nunca, com duas sessões exaustivas por dia, cinco dias por semana, para fazer seu melhor.

Em 1995, ele viajou para a China para o Campeonato Mundial de Halterofilismo, mas sentiu que a probabilidade de as autoridades chinesas o mandarem de volta era muito alta para ousar uma tentativa de fuga. Seu desempenho foi bom o suficiente para garantir uma vaga na equipe olímpica, no entanto.
Ele iria para Atlanta e ele sabia que os Jogos de 1996 nos Estados Unidos ofereceriam uma oportunidade melhor.
Antes de viajar para as Olimpíadas, Raed entrou em contato com um amigo nos Estados Unidos. Ele tentava avaliar os riscos: e se o mandassem de volta ao Iraque? O que aconteceria com sua família? Como escapar dos olhos sempre vigilantes das autoridades iraquianas? Raed não tinha certeza se uma fuga era realista quando embarcou no avião para os Estados Unidos.
Ao chegar à Vila Olímpica, Raed se acomodou e tentou não levantar suspeitas. Ele tinha, afinal, a responsabilidade de carregar sua bandeira nacional no maior evento do planeta.
Antes da cerimônia de abertura, ele foi insistentemente instruído a não olhar para o presidente Clinton pelo ex-tradutor de Saddam, Anmar Mahmoud, que havia viajado com a equipe olímpica. "Eles queriam mostrar que os iraquianos não gostavam dos Estados Unidos e não gostavam do presidente", disse Raed.
Mahmoud estava exatamente atrás de Raed enquanto eles marcharam pela pista olímpica, em 19 de julho de 1996. Raed conta que Mahmoud percebeu que ele estava olhando para Clinton, mas não disse nada. As autoridades iraquianas também pareciam genuinamente surpresas com os aplausos do presidente, diz ele.
Qualquer dúvida remanescente havia desaparecido: ele não voltaria para o Iraque. Mas agora vinha o problema de como ficar nos Estados Unidos.
Raed contatou outro amigo nos Estados Unidos, chamado Mohsen Fradi, e contou seu plano. Foi quando um graduado em engenharia da Universidade da Geórgia com o nome de Intifadh Qambar, que tinha acesso à Vila Olímpica, veio visitá-lo.
Ele pediu ajuda para tirá-lo de lá. Os dois se encontraram em segredo, mas colegas começaram a suspeitar. "As autoridades olímpicas iraquianas começaram a desconfiar que eu queria ficar e me disseram que eu não tinha permissão e que seria preso se o fizesse", disse ele.
Raed não se intimidou. O plano estava traçado, mas antes de tudo ele ainda precisava competir. Incapaz de se preparar à altura de seus rivais, ele terminou em terceiro lugar em sua categoria.
Com a competição fora do caminho, era hora de sua fuga.
Na manhã de 28 de julho de 1996, a equipe olímpica iraquiana se preparava para visitar um zoológico próximo. Enquanto a equipe descia para tomar café da manhã, Raed fingiu que tinha esquecido algo em seu quarto. Ele rapidamente fez as malas e correu para a frente da Vila Olímpica. Esperando por ele em um carro estavam Qambar e Fradi. Raed entrou e eles foram embora.
"Meus pensamentos estavam com minha família o tempo todo", lembra ele. "Fiquei preocupado com eles e com o que aconteceria com eles depois que as autoridades iraquianas descobrissem que eu estava fugindo. Não tinha medo por mim mesmo porque sabia que estava em boas mãos... e não corria nenhum perigo aqui. O medo e a preocupação que sentia eram por minha família."
Raed - que saiu sem passaporte, já que as autoridades iraquianas guardavam toda a sua documentação - foi se encontrar com um advogado iraquiano-americano que havia viajado de Nova York e eles foram a uma agência de imigração para explicar o desejo de Raed de permanecer nos Estados Unidos.

Em seguida, uma entrevista coletiva foi organizada e ele encarou a imprensa mundial. "Todos os outros em nosso grupo desviaram o olhar do presidente Clinton. Eles não foram homens", disse Raed, segundo o jornal New York Times. "Eu amo meu país. Só não gosto do regime."
Após a coletiva, Raed disse que o escritório de Uday Hussein ligou para a rede CNN. Uday pediu que avisassem ao atleta que ele precisava voltar porque sua família inteira estava sendo mantida como refém. Os familiares acabaram sendo libertados depois que Raed se recusou a retornar ao Iraque, mas ele não pode falar com eles por mais de um ano.
"As coisas estavam muito difíceis para eles, as pessoas não queriam mais falar com eles. Minha mãe era diretora de uma escola e foi expulsa", diz.
Depois de receber asilo, Raed diz que trabalhava sete dias por semana para poder pagar por um passaporte iraquiano falso para a esposa. Em 1998, ela conseguiu chegar à Jordânia, onde buscou ajuda de funcionários da ONU antes de viajar para os Estados Unidos.
Raed e sua esposa se estabeleceram em Dearborn, Michigan, onde vivem até hoje e criaram cinco filhos. Dearborn tem uma grande comunidade árabe e, desde 2003, quando a Guerra do Iraque começou, milhares de refugiados iraquianos se estabeleceram na área. "Dearborn é como Bagdá", brinca Raed.
Ele montou uma concessionária de carros usados — e continuou treinando como levantador de peso. Também treinou times locais de futebol e basquete do Iraque.
Então, em 2004, após a queda de Saddam Hussein, ele voltou ao Iraque pela primeira vez. "Toda a minha família estava esperando por mim e queriam me ver porque não nos encontrávamos desde 1996. Eles só choravam quando me viram, não acreditavam que me veriam novamente", lembra. Os pais de Raed ainda moram em Basra, mas visitaram os Estados Unidos todos os anos até o início da pandemia.
Olhando para o futuro, Raed acha que provavelmente ficará em Michigan, embora se mudar para algum lugar com as temperaturas de sua terra natal sempre tenha sido uma ideia atraente.
"Quero me mudar para a Flórida porque o clima é igual ao do Iraque", ele ri. "Aqui, especialmente de dezembro a fevereiro, é muito difícil viver - há muita neve e muito frio. Eu nunca tinha visto neve antes. Eu pensava: 'Como as pessoas vão lá fora com sete ou dez centímetros de neve?'."
Ele diz que vai assistir à cerimônia de abertura das Olimpíadas em Tóquio em julho, como sempre faz. "É muito nostálgico para mim e me lembra de quão longe eu vim. Toda vez que assisto, eu tenho vontade de estar lá e participando de alguma forma", diz Raed.
"Assistir realmente me levará de volta a 25 anos atrás e tenho certeza que vou reviver minha experiência."
_______________ * Shirley Manson, do Garbage: 'Estou FRUSTRADA e TEMO o FUTURO da HUMANIDADE

Caio Delcolli
Colaboração para Splash, de São Paulo
10/07/2021 04h00
Ícone dos anos 1990 e diva pop do feminismo, Shirley Manson admite ser frustrante lançar o novo álbum do Garbage, "No Gods No Masters", em meio à pandemia. Do futuro, então, nem se fala. Apesar disso, ela está ansiosa para a tão aguardada turnê com Alanis Morissette e Liz Phair.
O Garbage em breve começa a ensaiar para cair na estrada na turnê, anunciada com alarde no fim de 2019, pouco antes de o mundo parar. Em seguida, a banda toca com o Blondie no Reino Unido. Manson, 54, está empolgada por integrar um line-up que transborda girl power, o que ainda é tão incomum.
Sem deuses, sem mestres
Politizado e elogiado pela crítica, o novo álbum é um sonoro chega-pra-lá no racismo, na misoginia e em tantas outras formas de opressão a grupos sociais sub-representados nos espaços de poder, além de uma expressão de preocupação com o futuro do planeta.
Um disco distópico para tempos distópicos.
"No Gods No Masters" ("sem deuses sem mestres", em tradução livre) é a frase que Manson viu grafitada em Santiago, Chile, durante a onda de revoltas no país que começou em 2019 com o aumento da tarifa de transporte público e que dura até hoje. É um dos mais bem feitos pelo Garbage, ela diz.
Sinto-me frustrada e com um pouquinho de medo do futuro da humanidade. Acho natural se sentir assim, a não ser que você tenha escolhido ignorar tudo isso deliberadamente. E eu entendo, porque é uma maneira de autopreservação. Mas eu não poderia ignorar. Precisei reagir. É meu dever como ser humano.
Por mais descrente que possamos estar, a cantora insiste em tirarmos lições globais do que estamos vivendo:
Podemos aprender com a pandemia que não podemos nos dar o luxo de pensar apenas em nós mesmos. Esse é o novo mundo, o novo jeito de vivermos em sociedade. Precisamos assimilar isso.
Machismo e música
Manson é feminista antes de a indústria cultural cooptar a causa. O primeiro disco do Garbage é de 1995, e desde aquela época, a cantora já colocava o dedo na ferida. Não seria diferente, portanto, após a explosão do movimento Me Too, com mulheres denunciando assédio e violência.
Na faixa "The Men Who Rule the World", ela canta:
Os homens que dominam o mundo / fizeram uma sujeira do c*ralho / a história do poder / a adoração do sucesso / o rei está na contabilidade / ele é o presidente do conselho / mulheres lotam os tribunais / todas sendo acusadas de serem p*tas
Na indústria da música não é diferente. Nos últimos anos, muitos casos de violência de gênero têm sido relatados por mulheres, como bem mostram as histórias de Britney Spears e Ke$ha. Manson lamenta não ter visto as coisas mudarem para melhor.
Gosto que agora a gente discute esse tabu. O poder do movimento Me Too está em tornar esse assunto mainstream. Todos estão dispostos a falar disso hoje em dia, mas não vejo muitas mudanças sendo implementadas.
Perguntada sobre episódios de assédio que teria sofrido, ela não se fez de rogada ao apontar os culpados:
Quase toda mulher tem experiências com violência de gênero. Esse é o padrão. O Me Too jogou luz sobre um problema global com o comportamento masculino. Até homens têm experiências com violências infligidas por outros homens. É um problema masculino.
Segundo Manson, homens precisam assumir responsabilidade, e ela diz não entender por que tão poucos demonstram importarem-se com a questão.
Homens são poderosos. Eles têm força física e nós, enquanto sociedade, precisamos ensiná-los a ter autocontrole. Não estou de todo certa se pode-se usar a desculpa de que homens não podem evitar ser violentos, pois eu acho que, sim, eles podem.
A vocalista diz ainda acreditar que falhamos nisso há séculos e chegou a hora de repensarmos a cultura em que vivemos.
É injusto e desagradável. Não consigo imaginar que querer machucar os outros seja uma boa maneira de se viver. Acho que isso é inimaginável para você também, então vamos pensar em uma solução.
Mas e o Brasil, hein? A última vez que ela esteve no país com os colegas de banda —Butch Vig, Duke Erikson e Steve Marker— foi em 2016. A cantora diz que, no fim deste ano, depois de fazerem as turnês já agendadas, eles planejam voltar à América do Sul para divulgar "No Gods No Masters".
Será?
Até 2012, a gente nunca tinha ido ao Brasil. A recepção dos fãs foi bastante comovente, intensa e profunda. Eu me lembro de tudo, até do lindo hotel em que ficamos e de como a noite foi mágica. Espero que a gente volte.
_______________ * Saiba como REDUZIR a conta de LUZ. _____ Pequenas mudanças no comportamento AJUDAM a ECONOMIZAR dinheiro
Um prédio de 18 andares no centro de São Paulo. Milene Godoy, enfermeira, mora há três anos no edifício e aprendeu a economizar energia elétrica com mudanças que aconteceram no próprio condomínio, que decidiu trocar as lâmpadas por LED e sensor de presença em todos os andares, para manter as luzes apagadas.
E as máquinas de lavar só funcionam com agendamento por aplicativo. Com essas medidas, o consumo de energia foi reduzido em 35% e os moradores já sentiram essa melhora no bolso. São pequenas ações que fazem toda a diferença.
Em SP, consumidores residenciais terão aumento de 11,4% nas contas de luz
“Ao logo do dia deixa a iluminação natural entrar. No final do dia, à noite, faz o contrário. Fecha a casa para conservar a temperatura. Vai passar roupa? Começa com algumas roupas mais pesadas e deixa as mais levas para o final, porque você consegue passar com ferro fora da tomada. Junta o maior número possível de roupas. São atitudes como essas que podem reduzir o consumo entre 30% e 40%”, recomenda Wagner Carvalho, especialista em eficiência energética.
“O fator principal de toda economia é a disciplina. Nós fizemos a automação dos elevadores para que não funcionem todos ao mesmo tempo fora do horário de pico. Quando chega a noite que já tem um movimento menor”, conta o síndico João Xavier, que cuida de um condomínio comercial. “Nós fizemos a readequação de todas as lâmpadas da garagem mantendo a mesma qualidade de iluminação”, completa.
_______________ * Por que é tão assustador falar de HOMOSSEXUALIDADE para CRIANÇAS?

Brenda Fucuta
Colunista de Universa
10/07/2021 04h00
No dia 25 de junho, ao meio-dia, Arley parecia indignado porque o Burguer King estaria usando crianças "para poder promover esse festival de indecência". Pelo menos este foi o comentário dele junto ao vídeo publicado na página do BK no Facebook. O vídeo mostra crianças explicando aos adultos a visão delas da homossexualidade e da convivência com familiares homossexuais. Comercial pró-diversidade na semana do Dia Internacional do Orgulho Gay.
Arley não estava sozinho. O comercial ganhou 12 mil dislikes (versus 13 mil likes, é verdade), 17 mil comentários (entre críticas e elogios), mais de 5 milhões de visualizações no Youtube.
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Entre os que não gostaram, estava Diego, que ameaçava deixar de ser cliente do BK; o Sandro, que achou o comercial imoral; o Beto, que achou a peça publicitária bem forçada. "Que depto de marketing MEDÍOCRE. Todos têm que ser aceitos e respeitados sim, mas envolver crianças na causa LGBT pra vender sanduiche NÃO PASSA DE APELAÇÃO."(sic). Achei que o Beto tocou no machucado duas vezes. Na primeira, quando ele falou de crianças. Na segunda, quando falou de empresas adotando causas sociais. Vamos às crianças, o cálice sagrado no debate da defesa dos costumes.
Para a maior parte dos homofóbicos, a homossexualidade - assim como a diversidade de identidades de gênero -, é coisa obscena e contagiosa. Contagiosa: se a gente falar muito no assunto, vira gay, trans, assexuado, bissexual etc.
Por esse raciocínio, as crianças deveriam ser protegidas, desde cedo, de conversas sobre o tema para que não se contaminem e não sejam expostas a um mundo depravado. Então, se uma criança demonstrar disforia de gênero (inadequação com o gênero com o qual nasceu), devemos ficar quietos e fazer de conta que nada está acontecendo. Quem sabe, passa? (Não, não passa.)
Se outra criança conviver com tio gay, mãe lésbica, vó bissexual, ela deve ser trancada em um quarto para não testemunhar nenhuma cena de carinho à mesa da cozinha, nenhum comentário sobre um afeto em um churrasco da família, nada sobre o amor não tradicional? A ela, deveria ser negado o conhecimento sobre o que está vendo e vivendo?
Vou fazer uma comparação esdrúxula, mas pode ser educativa. Seria como nunca falar que a mãe está triste, nunca comentar que o pai machucou o joelho ou revelar que a avó está com diabetes - coisas que não têm nenhuma relação com o que estou falando, mas que são tidas como negativas, certo? Assim como a homossexualidade, a transexualidade, a bissexualidade e várias outras questões que não entendemos e crucificamos por absoluta ignorância e medo.
Concluindo o raciocínio: se não falarmos de diabetes, tristeza, machucado, homossexualidade e até educação sexual - que previne abuso de adultos e gravidez indesejada, por exemplo - as crianças crescerão puras e sem dores? Claro que não. Crescerão sem capacidade de entender o que está a sua volta. Porque, querendo ou não, a diversidade existe. Deve, inclusive, estar escondida dentro de algum armário da família dos homofóbicos.
Este sentimento de que as crianças não devem ser contaminadas com a temática LGBT+ é tão forte que até um cliente gay do BK se manifestou contra o comercial. Diz Sergio: "Eu sou gay mas essa situação eu discordo totalmente!!! Não é bom ensinar as crianças sobre LGBTSQAI isso!!! Absurdo." (sic)
Por que Sergio? Outra comparação. Vamos supor que o comercial falasse da heterossexualidade. Teríamos crianças explicando que heterossexualidade é quando meninos gostam de meninas, em vez de "meninos gostam de meninos" para explicar a homossexualidade. (Veja, a criança, no comercial da BK, explica o que é homossexualidade, não receita a homossexualidade. Até porque ninguém escolhe ou vira homossexual. Nem se você, hétero, quisesse muito, ia conseguir tal proeza.) Na outra cena, teríamos uma criança dizendo que nunca pensou que teria padrasto, até saber que a mãe estava namorando sério. No comercial da BK, a menina diz que tem uma madrasta porque a mãe namora uma mulher. Seria melhor para esta menina que a mãe namorasse escondido? Que ela não entendesse o afeto de duas mulheres importantíssimas na vida dela? Por que, Sergio, isso seria melhor? Os gays existem - e você é a prova disso -, crianças em famílias gays existem e são felizes, e, pasmem, crianças gays também existem. E, se depender de nós, também podem ser felizes.
Por fim, quero falar das empresas que adotam causas sociais. Pode ser até que o Beto tenha um ponto. Vamos supor que o comercial faça parte de uma estratégia de marketing da empresa, que quer, como tantas outras, ser reconhecida como moderna e legal. Empresas bacanas defendem as mulheres, criticam o racismo, empregam as pessoas com deficiência, possuem comitês LGBT+, apoiam a transição de funcionários transexuais. Nem sempre o fazem por acreditar que é o certo, é o justo, já que mulheres, negros, pessoas com deficiência, gays, lésbicas e transexuais costumam enfrentar mais barreiras sociais e econômicas do que homens brancos.
De algum tempo para cá, as empresas realmente passaram a enxergar esses públicos como estrategicamente importantes para seus negócios. O argumento costumeiro: uma empresa com diversidade em seus quadros é mais rápida, mais inteligente e compreende melhor o mercado. Pode ser. Mas também sabemos que mulheres, negros, pessoas com deficiência, LGBT+s e simpatizantes são clientes potenciais. Quanto mais valorizados pela sociedade, mais dinheiro eles ganharão. Mais dinheiro, mais poder de consumo. O que significa mais clientes para o negócio. Isso se chama expansão de mercado.
De uma maneira ou de outra, adotar uma comunicação pró-diversidade, embora ainda exija coragem, é um caminho sem volta. Os que não gostarem, vão precisar mudar de lojinha e de lanchonete, como o Arley, que terminou seu comentário no Facebook dizendo que "Bora comer no McDonald's pelo menos lá eles se preocupam apenas em vender lanches." Epa, peraí Arley. Em 2017, o McDonalds criou embalagens de batata-frita com as cores LGBT+. Foi uma ação tímida e talvez ele demore mais que seu concorrente menor, o BK, para divulgar um vídeo como este que te irritou tanto. Mas, se eu fosse você, já ia buscando receitas caseiras de hambúrguer.
_______________ * CoronaVac e AstraZeneca têm EFETIVIDADE em IDOSOS contra Gamma, diz estudo da FIOCRUZ

Do VivaBem, em São Paulo
10/07/2021 08h49
O Observatório Covid-19 da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) publicou uma nota técnica em que aponta que a CoronaVac e a vacina da AstraZeneca possuem efetividade em pessoas com mais de 60 anos de idade na proteção contra a variante Gamma.
O estudo ainda apontou a efetividade dos dois imunizantes, os mais utilizados no Brasil, garantem proteção contra hospitalização ou óbito.
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"Os dados obtidos até este momento refletem principalmente as evidências de proteção vacinal frente à variante Gamma, preponderante no país neste período", diz a nota da Fiocruz, responsável pela produção da vacina da AstraZeneca no Brasil.
Sobre a efetividade dos imunizantes contra hospitalização ou óbito, o estudo verificou os resultados após aplicação da primeira dose e depois de o esquema vacinal ter sido encerrado com a segunda.
Vacina da AstraZeneca, após primeira dose:
- 60 a 79 anos: 81,7% de efetividade
- 80 anos ou mais: 62,8% de efetividade
CoronaVac, após primeira dose:
- 60 a 79 anos: 70,3% de efetividade
- 80 anos ou mais: 62,9% de efetividade
Vacina da AstraZeneca, após a segunda dose:
- 60 a 79 anos de idade: 93,8%
- 80 anos ou mais: 91,3%
CoronaVac, após a segunda dose:
- 60 a 79 anos de idade: 79,6%
- 80 anos ou mais: 68,8%
O estudo levou em conta dados reportados até 7 de junho. A avaliação envolveu um total de registros de mais de 40 milhões de vacinados com pelo menos uma dose de vacina e mais de 798 mil casos graves ou mortes com confirmação ou suspeita de covid-19. Os casos foram diferenciados entre imunizados ou não, e divididos ainda por faixas etárias.
Para a Fiocruz, o estudo permitiu "constatar a efetividade dos dois principais imunizantes aplicados no Brasil na redução de casos graves e hospitalizações".
"Com os resultados de efetividade da vacinação aqui descritos e com a cobertura vacinal maior nestas faixas do que em outras no período, a vacinação foi um importante fator para redução do número de casos graves e óbitos", diz a nota técnica.
_______________ * JUCA KFOURI: REJEIÇÃO à SELEÇÃO ocorre por ANTIPATIA a Neymar e IMAGEM da CBF

Do UOL, em São Paulo
10/07/2021 04h00
Com a final entre Brasil e Argentina, hoje, às 21h, na Copa América, Neymar manifestou o seu incômodo com os brasileiros que possam torcer pela equipe argentina por conta de Lionel Messi, que busca o seu primeiro título com a camisa principal da seleção de seu país, assunto que rendeu diversas manifestações de diferentes figuras do futebol, como Casagrande, Djalminha e Zagallo.
No podcast Posse de Bola #141, Juca Kfouri analisa o que leva torcedores brasileiros a preferirem o título da Argentina e elenca fatores que têm afastado a ligação do torcedor com os atuais comandados por Tite, como o calendário prejudicial aos clubes do país e até as atitudes do próprio Neymar.
"Tem a ver com a antipatia do Neymar, das declarações que o Neymar faz, como hoje aparece, tem a ver com a perda de vínculos, com o fato de a seleção ser composta por jogadores todos quase que jogam fora do Brasil, tem a ver com a atrapalhação que a seleção causa no calendário dos times, porque as datas Fifa não são respeitadas, os campeonatos seguem.
Ou você acha que o torcedor do Flamengo não estava torcendo para o Brasil ser eliminado para ter o Gabigol e o Everton Ribeiro de volta o mais rapidamente possível e assim os demais?", questiona Juca.
Casão ironiza 'patriota Neymar' e diz que atleta é 'súdito' de Bolsonaro
"Por causa disso tudo, por causa da casa bandida do futebol, por causa da imagem de corrupção que existe na CBF, tudo isso faz com que realmente o torcedor, boa parte dos torcedores acabe torcendo contra a seleção ou esteja por aqui da seleção, não se ligue mais na seleção", completa.
Juca afirma que a final de hoje tem relevância por colocar frente a frente duas rivais históricas como Brasil e Argentina, reunindo cinco títulos mundiais brasileiros e dois argentinos no Maracanã, mas considera que o torcedor brasileiro não fará grande festa em caso de título e nem vai sofrer em caso de derrota para os argentinos.
"É claro que esse jogo de sábado é um jogo absolutamente imperdível, porque são sete títulos mundiais que se encontram no Maracanã, espera-se que com bom gramado. Quem gosta de futebol tem que ver esse jogo, mas se o Brasil ganhar ninguém vai para a rua comemorar e se o Brasil perder, muita gente vai dizer 'que bom que perdeu, porque esses caras são muito chatos'. No fundo, é isso", conclui.
Posse de Bola: Quando e onde ouvir?
A gravação do Posse de Bola está marcada para segundas e sextas-feiras às 9h, sempre com transmissão ao vivo pela home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte nas redes sociais (YouTube, Facebook e Twitter).
A partir de meio-dia, o Posse de Bola estará disponível nos principais agregadores de podcasts. Você pode ouvir, por exemplo, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e Youtube --neste último, também em vídeo. Outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts.
_______________ * Casão ironiza 'patriota Neymar' e diz que atleta é 'súdito' de Bolsonaro

Do UOL, em São Paulo
09/07/2021 16h42
Walter Casagrande Jr, comentarista do Grupo Globo, ironizou a postura de Neymar, atacante da seleção brasileira, após o jogador criticar torcedores que vão apoiar a Argentina amanhã, na final da Copa América. O duelo entre os países acontece às 21h (horário de Brasília), no Maracanã.
Em sua coluna no "GE", o ex-jogador ainda afirmou que o camisa 10 do Brasil é "súdito" do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), citando que a dupla deixou os argentinos "motivados" para a decisão.
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"Mais de 500 mil mortos no país pela covid-19, governo negacionista que não comprou a vacina quando deveria para poder salvar vidas, escândalo da 'rachadinha' com a família Bolsonaro, violência policial nos morros do Rio matando crianças e muitas pessoas inocentes... Nada disso deixa o 'patriota' Neymar bravo. Mas, se falarem que vão torcer contra a seleção, porque o Messi é o maior ídolo da garotada brasileira, isso irrita muito", iniciou Casão.
O comentarista afirmou ainda que Neymar "não tem identificação nenhuma com a maioria da torcida brasileira" e disse que o atacante há anos, "tornou o jogador mais antipático, debochado e desrespeitoso do futebol mundial".
Por fim, Casagrande classificou, ainda em sua coluna, o craque como "súdito" de Bolsonaro após as falas em relação ao jogo de amanhã.
"Desta vez, o presidente Jair Bolsonaro e seu súdito Neymar deixaram os argentinos motivados para essa final porque, como os dois não respeitam ninguém, falaram coisas que transformaram essa partida como a mais importante da história para os nossos vizinhos."
Farpas não são inéditas
Não é a primeira vez que Casagrande critica a postura de Neymar. Em abril deste ano, também em sua coluna, o comentarista disse que o craque do PSG é "mais celebridade do que jogador".
"Na minha opinião, trata-se de um ótimo jogador com a camisa da seleção. E nada mais. (...) Hoje, é mais celebridade do que jogador. E deveria ser ao contrário. Tudo o que ele conseguiu foi graças à bola, e não como comentarista de reality show", disse Casão, em alusão ao "Big Brother Brasil".
Há dois anos, quando Neymar ameaçava deixar o PSG, o comentarista relacionou, no SporTV, o comportamento do atacante com a suposta falta de interesse de outras equipes em seu futebol.
"Vamos por partes. Qualidade do Neymar: altíssima. Jogador de alto nível, acima da média. Deveria estar disputando ser o melhor do mundo, como ele já foi o terceiro na época do Barcelona. Segunda parte: comportamento do Neymar pós-saída do Barcelona... Muito ruim em todos os sentidos", iniciou.
"Se algum time grande quisesse mesmo o Neymar, de verdade, já tinha ido lá e comprado, como fizeram com o Lukaku (Inter de Milão), com o Hazard (Real Madrid), com o Griezmann (Barcelona). Quer um jogador? Vai lá, não importa o preço, e pronto. Não tem nenhum desespero de nenhum time para ter o Neymar", finalizou Casão.
_______________ * Zagallo critica brasileiros que torcem para Argentina: "HOSPÍCIO" [ mas o BOLSONARISTÃO NÃO é hospício..! ]

Colaboração para o UOL, em São Paulo
09/07/2021 17h35
Bicampeão mundial (1958 e 1962) como jogador e campeão mundial (1970) como treinador da seleção brasileira, Zagallo entrou no debate sobre brasileiros torcendo para Argentina na final da Copa América - a seleção de Messi encara o Brasil amanhã, às 21h, no Maracanã.
Em um vídeo publicado em seu Instagram, Zagallo disse não ver problema em um brasileiro torcer para a seleção argentina contra qualquer adversário, mas entende que aqueles que deixam de torcer para o próprio país deveriam "ir para um hospício".
Comentarista do SporTV torcerá para Argentina contra o Brasil por Messi
"Acho que um brasileiro pode até torcer para a Argentina em um jogo contra o Chile. Mas o brasileiro, que se diz brasileiro, vai torcer a favor da Argentina contra o Brasil? Esse tem que ir para um hospício!", disse Zagallo no vídeo.
Na legenda da publicação, o Velho Lobo brincou com uma de suas frases marcantes: 'Vocês vão ter que me engolir'. Zagallo questionou a torcida contra o Brasil e escreveu: 'Vocês vão ter que engolir algumas verdades'.
"Brasileiro torcendo pela Argentina contra o Brasil? Vocês vão ter que engolir algumas verdades…", diz a legenda da publicação.
_______________ * "Vai para o c...", diz Neymar sobre brasileiros que torcem contra seleção

Colaboração para o UOL, em São Paulo
08/07/2021 18h52
Neymar fez um desabafo sobre alguns brasileiros que declararam torcida para a Argentina na final da Copa América de 2021. Segundo o atacante, ele respeitará a decisão das pessoas, mas não concorda.
"Sou brasileiro com muito orgulho e com muito amor. Meu sonho sempre foi estar na seleção brasileira e ouvir a torcida cantando. Jamais torci, ou torcerei se o Brasil estiver disputando alguma coisa, seja lá qual foi o esporte, concurso de moda, Oscar, ou o c*** a quatro", começou por dizer ele, que completou:
Seleção treina com 'oi' de Neymar e sem escalação definida para decisão
"Se tem Brasil, eu sou Brasil. E quem é brasileiro e faz diferente? Ok, vou respeitar, mas vai para o c*** né. Obs: Só serve para quem está contra."
Brasil e Argentina entram em campo neste sábado (10), às 21h (de Brasília), no Maracanã. A decisão marcará o reencontro de Messi e Neymar, ex-companheiros de Barcelona.
Em uma entrevista para o 'Olé', o atacante do Vasco, Germán Cano disse que conhece muitos brasileiros que declaram torcida aos adversários do Brasil na decisão.
"Tem muitos brasileiros aqui que querem que a Argentina saia campeã, principalmente por causa do Messi. Tenho alguns companheiros que hoje, no treino, me disseram que querem que a Argentina seja campeã", disse o argentino.

_______________ * FABÍOLA ANDRADE, comentarista do SporTV torcerá para ARGENTINA contra o Brasil por Messi

Colaboração para o UOL, em São Paulo
07/07/2021 13h57
Comentarista do SporTV, Fabíola Andrade torcerá para a Argentina contra o Brasil, pela final da Copa América. Fã de Lionel Messi, ela quer que o craque conquiste seu primeiro título pela seleção neste fim de semana.
Fabíola posou com a camisa da Argentina e justificou sua torcida por Messi no jogo de sábado, às 21h (de Brasília), no Maracanã. A comentarista ainda liberou as "cornetas" de seus seguidores nas redes sociais.
Messi ou Neymar? Colunistas elegem quem é o destaque da Copa América
"Antes de me apedrejarem em praça pública, deixem me explicar: eu amo o Brasil, o futebol brasileiro, amo morar aqui e não acho que nacionalidade define o caráter de uma pessoa. Logo, tenho vários amigos argentinos. Mas não vou torcer para a Argentina na final da Copa América por causa deles não", iniciou Fabíola em postagem no Instagram.
"Torço porque amo o futebol e a pessoa de Lionel Messi. Esse cara precisa ganhar um título com a camisa do país dele! Por justiça! Quero uma rival forte e vitoriosa! O maior clássico do mundo só é gigante porque ambas as seleções são gigantes... 'Ah, Fabíola, duvido que tenha um argentino que torça para o Brasil', e eu (alguma vez na vida) fiz algo porque outra pessoa fez ou deixou de fazer? Sigo sempre meu coração, minha razão e o que eu acho que é certo... O Brasil acabou de ser campeão da Copa América... Deixo esse título pro maior do mundo: Leo", completou.
Apesar das justificativas, Fabíola foi criticada por alguns colegas.
"Vai ser vice novamente... Uma seleção que não ganha nada desde 93, é grande? Tem duas Copas. Se tivesse VAR, teria zero", provocou o narrador Dandan.
"Eu também sou fã do Messi. Um gênio! Torço muito para que ele faça 1500 gols com a camisa do Barcelona, do PSG, do Íbis, etc. Mas, com a camisa da Argentina e contra o Brasil, não dá!", rebateu Benjamin Back, apresentador do SBT.
_______________ * Painel: Fala de comandante da Aeronáutica irrita parlamentares governistas e da oposição
Congressistas criticaram postura do tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista Junior
A reação no Congresso à entrevista ao jornal O Globo do comandante da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista Junior, foi unânime entre os grupos políticos: reprovação absoluta.
De oposicionistas do governo na CPI da Covid até bolsonaristas, os parlamentares viram como inoportunas e desnecessárias as falas de Baptista Junior após a divulgação da nota assinada com os outros comandantes das Forças Armadas e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto.
Na cúpula do Congresso, a atitude de Baptista foi entendida como um avanço para o campo da política, fora do escopo das Forças Armadas.
A própria disposição em dar uma entrevista já revela postura que destoa da forma como vinham agindo seus antecessores e outros comandantes das Forças, avessos a externar opiniões publicamente.
Nela, o tenente-brigadeiro disse que a nota das Forças era um “alerta às instituições” e que não enviariam 50 notas para o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).
Nas redes sociais, Baptista também é menos contido e se manifesta por meio de curtidas em mensagens políticas, geralmente em apoio a Jair Bolsonaro.
_______________ * Celso Rocha de Barros: NÃO se ILUDA, SE houver GOLPE, VAI SER PARA ROUBAR. ________________* Comandantes MILITARES AMEAÇARAM dar um GOLPE de ESTADO caso a CPI continue a investigar OFICIAIS BOLSONARISTAS
Jair Bolsonaro disse que ou a eleição de 2022 vai ter voto impresso ou ela não vai acontecer. As Forças Armadas e todas as outras instituições da República deveriam ter publicado uma nota conjunta dizendo: “Jair, se der golpe, vai morrer. Abs.” Não publicaram.
Ao invés disso, na semana passada comandantes militares ameaçaram dar um golpe de Estado caso a CPI continue a investigar oficiais bolsonaristas que roubaram dinheiro de vacina.
Pelo menos a turma de 64 tinha a decência de mentir que o golpe deles era para combater a corrupção. Era uma época em que o vício ainda prestava homenagem à virtude.
A CPI da pandemia já achou indícios fortes de que existem militares e ex-militares bolsonaristas enrolados no escândalo do roubo de dinheiro de vacina.
Roberto Dias, ex-sargento da Aeronáutica indicado por Bolsonaro para o Ministério da Saúde, é acusado de pedir suborno de um dólar por dose de vacina comprada.
O coronel da reserva Élcio Franco, homem de confiança de Pazuello no Ministério da Saúde, conduziu a negociação em que a mutreta teria acontecido. Há outros militares acusados de terem pressionado pela liberação da vacina e de terem feito a intermediação entre os picaretas e o ministério.
Até aí, era inteiramente previsível. Os militares são seres humanos como todos os outros. Há entre eles honestos e corruptos, como em toda parte.
A maciça entrada de militares na máquina administrativa brasileira, onde sempre houve os mais variados esquemas, inevitavelmente levaria alguns deles para o lado da mutreta. Aconteceu com todos os grandes partidos políticos.
Por isso, quando Omar Aziz, presidente da CPI, lamentou que as investigações tenham encontrado militares corruptos, a reação das Forças Armadas deveria ter sido dizer que corrupção existe em qualquer lugar e que o importante é prender aqueles contra os quais surgirem provas consistentes.
Ao atacar o presidente da CPI do Senado, as Forças Armadas estão sinalizando, voluntária ou involuntariamente, que protegerão seus corruptos.
Isso é ruim em si, mas é pior ainda para o futuro da instituição: se a manobra der certo e os investigadores forem intimidados, de agora em diante todos os ladrões que atualmente entram na política para roubar preferirão entrar para as Forças Armadas, onde a impunidade será garantida.
Quando Bolsonaro saiu candidato sem partido político, mas com forte apoio nos quartéis, os militares que o apoiavam disseram que estavam participando como cidadãos, não como militares.
Bom, quando pegaram corrupção nos partidos dos civis, nenhum deles teve o poder de ameaçar os investigadores com as armas e tropas da República.
A nota do Ministério da Defesa sobre a CPI e seu silêncio sobre o golpismo do presidente da República, a entrevista golpista do chefe da Aeronáutica, tudo isso é sintoma da degeneração moral que Jair Bolsonaro causou na República brasileira.
O militar que acha que as armas da República são dele é exatamente igual ao político que acha que o dinheiro público é dele. Não deve ser difícil, para o sujeito que acha uma coisa, achar a outra.
Por isso, lembre-se: nos próximos meses vai ter golpista falando de “esticar a corda”, de “comunismo”, e, é claro, de “voto auditável”. Não se iluda. Se houver golpe, vai ser para roubar.
_______________ * Juca Kfouri: ________ Dê o GOLPE, Garganta RASA !
08/07/2021 16h16
O genocida ameaça ao dizer que não haverá eleição se não for como ele quiser
O Garganta Rasa volta a ameaçar, acuado, denunciado, em queda vigorosa nas pesquisas, cada vez mais isolado no Brasil, cada vez mais pária no mundo civilizado.
Ignorante, orgulhoso de jamais ter lido um livro, desconhece o que Getúlio Vargas chamava de "guampada de boi manso".
Garganta Rasa não assusta mais ninguém. Destruiu tanto que o que restou de apoio são escombros, gente desqualificada entre empresários desonestos, fraudadores, comunicadores vendidos, tristemente expostos em atos de bajulação explícita, políticos gananciosos do centrão e redondezas e fundamentalistas ignorantes, uma redundância.
Cabos eleitorais de pescoços grossos, bíceps grandes e cérebros raquíticos repetem as bazófias do Garganta Rasa, prontos para a luta.
PMs indisciplinados, provocadores infiltrados, imaginam entrar em cena para não deixá-lo só, sem se dar conta que não contam, tão poucos são.
Dê o golpe, Garganta Rasa!
Chame as Forças Armadas e ordene que fechem o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, calem a imprensa independente, e, não se esqueça, matem os tais 30 mil que há tanto tempo lhe incomodam — se é que alguns deles não estão entre os 530 mil que seu governo genocida e corrupto já matou.
Comece por Fernando Henrique Cardoso, é claro!, este perigoso agente do comunismo internacional (desculpe, ex-presidente, ser herói com seu pescoço…).
Só não deixe o golpe a cargo do general Eduardo Pazuello, porque aí será um convite ao fracasso.
Winston Churchill dizia que a guerra é assunto sério demais para deixar nas mãos dos militares, por isso melhor será encomendá-lo ao ministro Paulo Jegues, aquele que tem a fórmula para acabar com a fome no Brasil — assim como o Garganta Rasa sabe que para diminuir a poluição basta ir menos ao banheiro, com o que ameniza-se, também, a crise hídrica.
Demorou, Gargantão, mas o país acordou para o maior erro já cometido em mais de 500 anos de existência. E nem mais o bufão de cabelo amarelo está na Casa Branca para deixá-lo brincar de golpe.
Mas é capaz que os próximos passos da história lhe deem razão e não aconteça eleição em 2022.
Com o seu nome nela, bem entendido, ou fora do segundo turno, porque não o atingirá, ou até mesmo no primeiro, porque o impeachment chegará antes.
Nesta segunda hipótese, é provável que possa ver a contagem dos votos colhidos pelas urnas eletrônicas de dentro da cadeia, porque rachadinha é crime, dar guarida a milicianos é crime, ameaçar a democracia é crime, não necessariamente nessa ordem.
Enfim, fica aqui o desafio, a provocação de alguém desarmado, incapaz de dar um tiro: dê o golpe!
O tiro lhe sairá pela culatra como coice na nuca, Cavalão!
SOBRE O AUTOR
Juca Kfouri é formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999 e foi colaborador da ESPN-Brasil entre 2005 e 2019. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, de 2000 até 2010, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha, onde permanece com sua coluna três vezes por semana. Apresenta, também, o programa Entre Vistas, na TVT, desde janeiro de 2018.
Colunas na Folha: https://blogdojuca.uol.com.br/lista-colunas-na-folha/
_______________ * Deixa eu te contar o que é torcer contra o Brasil, Neymar

Milly Lacombe
Colunista do UOL
10/07/2021 22h51
Torcer contra o Brasil é se colocar ao lado de um presidente genocida.
É posar sorridente com um candidato que disse que algumas mulheres merecem ser estupradas.
É apoiar político que compara negro a gado.
É aceitar de bom grado jogar uma Copa América em solo nacional durante uma pandemia, sobre 530 mil corpos, SEM JAMAIS se manifestar a respeito da falta de um planejamento nacional decente de imunização ou SEQUER pedir por vacinação rápida.
Torcer contra o Brasil é sonegar imposto de renda,
é calar diante de acusações de assédio moral e sexual,
é ser conivente com políticas públicas que aprofundam desigualdades.
Torcer contra o Brasil é JAMAIS se colocar politicamente, mesmo diante das maiores evidências de que a população brasileira está sendo vítima de um extermínio.
É fingir que não está por dentro das acusações de corrupção na compra das vacinas que poderiam ter evitado a morte de quase 400 mil brasileiros e brasileiras
e deixar de emitir nota de repúdio a respeito.
Torcer contra o Brasil é ignorar o que está acontecendo no seu país,
ignorar o sofrimento de toda uma nação,
ignorar o genocídio cometido por uma administração autoritária, desumana, miliciana
e seguir sua vida de celebridade vibrante SEM usar um mínimo da sua influência para ajudar as pessoas que nasceram nesse país que você diz defender com muito orgulho, com muito amor.
TUDO ISSO AÍ é torcer contra o Brasil.
Já apoiar a seleção da Argentina, que joga contra um time de calados covardes que usa a camisa amarela símbolo de um vergonhoso golpe contra Dilma Rousseff, não é torcer contra o Brasil.
É, pelo contrário, torcer a favor de alguma decência, de alguma moralidade, de alguma dignidade.
É, mais do que berrar por Messi e por seu time, deixar sair um grito de desabafo entalado em nossas gargantas há mais de um ano.
Um grito contra o sufocamento de tantos de nós, contra a partida desnecessária daqueles que amamos, contra a pulsão de morte e destruição de um governo que atua por lógicas liberais-milicianas, contra um presidente que faz vídeo debochando das mortes por falta de ar.
Torcer contra uma seleção brasileira que em nada representa sua população,
uma seleção que JAMAIS se coloca ao LADO do POVO,
que se encastela em berço esplêndido ao calar diante de situações de injustiças e opressões não é torcer contra o Brasil; é torcer a favor.
Então, Neymar, Tite e companhia, coloquem sua viola desafinada no saco porque todos nós que estamos aqui na luta para derrubar esse governo genocida, e que por isso torcemos pela Argentina, somos, SEM NENHUMA DÚVIDA, mais patriotas do que QUALQUER UM de VOCÊS. COVARDES.
_______________ * Milly Lacombe - A ESTRANHA RELAÇÃO entre FUTEBOL e casas de APOSTAS: é IMORAL, quer VALER?
Milly Lacombe
Colunista do UOL
10/07/2021 13h14
Acho que não sou apenas eu que não aguenta mais escutar aquela voz gritando "quer valer?" nos intervalos comerciais entre partidas de futebol. É uma das propagandas mais chatas já criadas, sem dúvida. Mas para além da chatice e do infernal bordão tem um debate que talvez tenhamos que enfrentar e que trata da relação entre esportes e apostas em dinheiro.
A legalidade desse tipo de atividade é recente no Brasil, e ainda estamos tentando estabelecer regras de convívio para essa relação perigosa. Perigosa porque até os mais ingênuos sabem que nos lugares em que o dinheiro entra com muito poder ele tende a causar estragos éticos, morais e até espirituais.
Claro que desde que esportes competitivos existem, existem também as apostas. Não se trata de uma novidade. A novidade é a concentração de renda e de poder nas mãos de algumas corporações, e a relação que essas corporações passam a ter com o esporte e, nesse caso, com o futebol mais especificamente.
Sou filha de um pai maravilhoso, que me deixou de herança o amor pelo futebol entre outras muitas poesias, mas que durante toda a vida foi um homem viciado em jogos de azar. Sei que tipo de estragos o vício pode causar em aspectos individuais e também familiares. Mas, claro, o álcool também faz isso e há aqueles que bebam socialmente e não se viciem. Não acho que tenhamos que dicotomizar o debate colocando ele na chave do certo e do errado, do moral e do imoral, mas apenas trazê-lo para a superfície e abordar prós e contras, perigos e benefícios, coisa que não está sendo feita.
Existe uma enorme zona cinza de aspectos imorais e anti-éticos que misturam apostas a dinheiro e esse jogo que a gente tanto ama, o futebol. Convidar jovens a apostar indiscriminadamente, como temos feito com impressionante regularidade nos intervalos das partidas transmitidas pela TV, é perigoso e indecente. É preciso que essa relação seja regulada, que os perigos que ela oferece sejam tema de diálogos.
É preciso também que haja regulações muito específicas que envolvam o poder que os aplicativos e sites de apostas têm. O novo patrocinador do São Paulo é também patrocinador do Southampton e do Arsenal, embora não estampe o nome na camisa do último. É, portanto, uma corporação com muito dinheiro e esse jogo de interesses precisa ser muito transparente.
Seria importante saber quem são os sócios dessas empresas, qual o lucro, como aplicam o dinheiro, quais os impactos sociais que produzem, qual a relação trabalhista que mantém com seus funcionários.
Não podemos mais nos dar ao luxo de deixar de nos perguntar quem são as empresas que investem no futebol, como elas atuam no mercado, que tipo de causas sociais as mobilizam. O mundo está passando por momentos de extrema crise financeira, social, moral, sanitária. O planeta está sendo destruído em nome do lucro de poucos e da exploração de muitos. Se a gente ama o futebol precisa cuidar ara que ele deixe de fazer parte desse ciclo imoral de exploração e distribuição de dinheiro.
Porque sem que a gente participe ativamente dessa luta por transparência e regulações, esse esporte tão bonito e capaz de mobilizar tantos bons afetos vai acabar morrendo, se tornando apenas mais uma mercadoria entre tantas outras que estão a serviço dos interesses de uma pequena classe dominante movida a uma desmedida obsessão por acúmulo de poder e de dinheiro. Quer valer?



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