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Jardins do MAM: espelho d'água vazio e árvores secas Foto: ROBERTO MOREYRA / Agência O Globo
Jardins do MAM: espelho d'água vazio e árvores secas





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1)

Os fiéis se DESLUMBRAM diante da complexidade da vida e vê nisso o ARGUMENTO para a existência de DEUS.

2)

Mas NÃO se HORRORIZAM diante do fato da existência da DOR, AGONIA e a MORTE que fazem parte desse MESMO PROCESSO.

3)

Como alguém pode ser tão CEGO MORALMENTE?

4)

É inconcebível tamanha INDIGÊNCIA moral e intelectual, Fernando Veiga 

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Ainda soluçando descontroladamente, Bolsonaro volta a ameaçar pleito em 2022: "sem eleições limpas, não haverá eleição"

Jair Bolsonaro

247 - Em participação por videochamada em manifestação de bolsonaristas neste domingo (1) que pedem a instalação do voto impresso, Jair Bolsonaro voltou a colocar em dúvida a realização da eleição em 2022 e, portanto, a ameaçar a democracia brasileira, segundo a Folha de S. Paulo.

"Vocês estão aí, além de clamar pela garantia da nossa liberdade, buscando uma maneira que tenhamos uma eleições limpas e democráticas no ano que vem. Sem eleições limpas e democráticas, não haverá eleição", afirmou o chefe do governo a manifestantes concentrados em frente ao Congresso Nacional. Ele ainda disse que 'faremos o que for necessário para que haja contagem pública dos votos'. A urna eletrônica já é auditável e segura.

Mesmo após a repercussão negativa de sua última live na qual espalhou informações falsas sobre a urna eletrônica e diante dos pedidos do Centrão por um discurso mais moderadoBolsonaro segue em ofensiva contra o sistema eleitoral do país.

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Liberdade para Dep. Daniel Silveira?!? KKKKKKKKKK 

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“Só há uma saída para Bolsonaro: a interdição”, diz Tereza Cruvinel

Tereza Cruvinel e Jair Bolsonaro

247 - A jornalista Tereza Cruvinel defendeu, na TV 247, que o Judiciário brasileiro adote uma resposta vigorosa contra Jair Bolsonaro, que, mais uma vez, espalhou uma série de mentiras sobre as urnas eletrônicas e defendeu o voto impresso.

“Não vamos ter resposta da Câmara pelo impeachment, isso está claro. Então, o conflito é com o Supremo e o Judiciário, de onde pode vir a contenção dele. Aliás, o Supremo é que tem contido um pouco os arroubos do Bolsonaro”, afirmou a jornalista. 

Para ela, as conversas entre o presidente do STF, Luiz Fux, e Bolsonaro, não são suficientes para conter as ameaças anti-democráticas. O magistrado deve usar o discurso de retomada dos trabalhos do Judiciário, na segunda-feira (2), para "dar uma resposta" às declarações do chefe de governo.

“Isso não adianta mais. Todo mundo já viu que com ele (Bolsonaro) só tem uma saída, que é a interdição por impeachment ou por crime comum, com um processo via Supremo”, defendeu. 

No entanto, Tereza avalia que, mesmo que o STF “peite” Bolsonaro, o controle do Centrão sobre o Congresso seguirá inviabilizando um processo de impeachment. “Digamos que o Supremo resolva peitar o Aras e abrir um inquérito contra o Bolsonaro assim mesmo, por crime comum. Aí tem que pedir a licença da Câmara e tem que ter três quintos dos votos. E aí o Centrão segura. É um beco muito sem saída, nossa situação é muito dramática”, lamentou. 

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“Bolsonaro só tem duas opções: DITADURA ou PAPUDA ”.

É COMPLETO e ABSOLUTO FRACASSO, o MAIOR da história da república brasileira".

João Cezar de Castro Rocha

247 - O professor e historiador João Cezar de Castro Rocha afirmou, que, para Jair Bolsonaro, "só há duas opções: ditadura, o que ele está anunciando, ou Papuda, porque ele irá ser preso pelos seus crimes". 

"A guerra cultural NÃO permite a política, 

porque NÃO HÁ política sem DIÁLOGO, sem CONCESSÃO, sem CONCILIAÇÃO", acrescentou. 

"A consequência é o COMPLETO e ABSOLUTO FRACASSO deste governo. 


"A nossa tarefa é compreender o caráter dramático no momento presente, reunir forças e desperdiçar energias em ações que possam favorecer o bolsonarismo", disse. 

O estudioso destacou que "a guerra cultural" do governo Jair Bolsonaro "apela para o afeto, mais do que para a razão, como ela lança mão dos medos das pessoas, é muito hábil em gerar narrativas polarizadoras que produzem ódio e inventam inimigos". 


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Miguel Reale Júnior: 'há CRIMES de HOMICÍDIOS COMISSIVOS em série cometidos por Jair BOLSONARO 

Jurista Miguel Reale Júnior

247 - O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores da peça jurídica do golpe contra Dilma Rousseff, atribuiu a Jair Bolsonaro a prática de homicídio comissivo por omissão. 

"Observo no comportamento do presidente a prática de homicídios comissivos em série, por omissão, descumprindo o dever de agir quando deveria", disse ele, que participou do VI Seminário Caminhos contra a Corrupção, do Instituto Não Aceito Corrupção (Inac) e da Unesp, na última semana de julho. 


O relato foi publicado pela coluna de Eliane Cantanhêde

Membros da CPI da Covid têm uma reunião marcada para esta segunda-feira (2) com um grupo de juristas coordenados por Reale Júnior, para discuti9r os limites jurídicos da comissão e o auxílio na elaboração do relatório final da comissão, como tipificações de potenciais crimes ocorridos. 

A CPI está avançando nas investigações sobre corrupção envolvendo a compra de vacinas e na apuração de condutas de membros do governo contrárias às recomendações da ciência para o enfrentamento à pandemia do coronavírus. 

A comissão também obteve um áudio apontando que o tenente-coronel da reserva do Exército Marcelo Blanco, ex-assessor do Departamento de Logística (DLOG) do Ministério da Saúde, usou o cargo para abrir caminho a um interessado em vender 400 milhões de doses inexistentes de vacina contra Covid-19. 

Representante da Davati Medical Supply, Cristiano Alberto Hossri Carvalho foi quem entregou as gravações, mantidas sob sigilo, à CPI. A empresa propôs vender até 400 milhões de doses da AstraZeneca ao governo, mas a Davati não representava a farmacêutica e não possuía as doses.

Agenda da CPI

Na próxima terça-feira (3), a Comissão Parlamentar de Inquérito vai ouvir o reverendo Amilton Gomes de Paula, que teria recebido autorização do governo para negociar 400 milhões de doses da Astrazeneca com a Davati.

Sócio da Precis Medicamentos, Francisco Maximiano prestará depoimento no dia seguinte. 

Na quinta-feira (5) será a vez de Túlio Silveira, advogado e representante da Precisa Medicamentos. 

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'Muito triste. Uma CANALHICE, diz o GENERAL sobre SIGILO de 100 anos a CRACHÁS de acesso dos FILHOS de BOLSONARO ao Planalto

General Paulo Chagas

247 - O general da reserva Paulo Chagas afirmou ser uma "canalhice" a decisão do governo Jair Bolsonaro de impor um sigilo de 100 anos no acesso às informações de visitas do vereador Carlos Bolsonaro e do deputado federal Eduardo Bolsonaro ao Palácio do Planalto. 

"Os 100 anos de sigilo nos revela que a CANALHICE está distribuída de forma equitativa por todos os 'Poderes' da POBRE PODRE República de Pindorama! Muito triste… É hora de mudar para algo melhor", escreveu o ex-aliado de Bolsonaro no Twitter.

O documento do Planalto determinou que "as informações pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos".

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'TÁKILLPÁRILL: “Identitários estão sendo COMPRADOS por MIGALHAS pelo grande CAPITAL ”, diz Aldo Rebelo

Aldo Rebelo

247 - O ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, em entrevista à TV 247, criticou fortemente o que chamou de “pautas identitárias” da esquerda, que, segundo ele, investe em uma política “desorientada”. Ele afirmou que o caso do incêndio na estátua de Borba Gato, em São Paulo, perpetrado por ativistas do grupo Revolução Periférica, faz parte da “guerra híbrida”, que busca desestabilizar países emergentes.

“Não é uma guerra contra um só partido ou um governo. Creio que, além disso, a desestabilização permanente do País também é um objetivo”, avaliou Rebelo. “E se aproveitam de grupos desorientados. Os de direita não, pois sabem o que querem, mas os de esquerda são desorientados. É gente que perdeu a capacidade de construir o futuro e que elegeu como objetivo destruir o passado”. 

Questionado como se sente no campo da esquerda depois que assumiu a bandeira contra o que considera ser “identitarismo”, motivo que o fez sair do PCdoB após 30 anos, Aldo relembrou seu ativismo na época da ditadura militar: “Eu me sinto mais ou menos como me sentia quando enfrentava a ditadura. Era um gesto também muito solidário, pior do que esse, porque era clandestino. Militar no PCdoB naquela época era uma sentença de morte transitada em julgado. Eu não me intimidei, enfrentei, defendi minhas ideias, me expus. Você saía de casa e não sabia se chegava vivo ou se ia ficar pelo caminho quando ia fazer suas reuniões clandestinas”.

Ele disse ainda que não será intimidado pela agenda levada a cabo pela esquerda, que, na realidade, é também “a agenda dos bancos e dos monopólios”. “Então, agora eu vou me intimidar com uma agenda que eu sei que é do grande capital financeiro? É a agenda dos bancos e dos monopólios. Esses bancos destroem 200 mil empregos de mulheres e de negros e ficam fazendo demagogia, com cotas para negros e mulheres nas suas direções e dando um recurso mínimo para suas fundações. Quantos negros e mulheres o sistema financeiro e bancário demitiu no Brasil nos últimos anos? E agora atrai uma elite desses movimentos identitários com migalhas, compra o silêncio dessa elite sobre a destruição que esses monopólios promovem na economia do país, e dão como recompensa três ou quatro cargos ou algum dinheiro para essas ONGs identitárias”, disse.

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Red Bull demite funcionário que fez comentários racistas sobre Hamilton

247 - A equipe Red Bull, da Fórmula 1, demitiu um de seus funcionários após terem vindo à tona mensagens dele em uma conversa racista. As capturas de tela do diálogo, divulgadas pelo jornal inglês Sky Sports, mostram mensagens racistas citando o piloto Lewis Hamilton, da Mercedes. 

Mesmo sem citar diretamente Hamilton, a Red Bull se posicionou contra a postura racista do agora ex-funcionário. "Condenamos o abuso racista de qualquer tipo e temos uma política de tolerância zero com esse tipo de comportamento dentro da nossa organização" disse um porta-voz da equipe ao site Motorsport.

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'TÁKILLPÁRILL: “BANDEIRANTES foram instrumentos do PROGRESSO econômico NACIONAL e abriram o caminho para a CONSTRUÇÃO do BRASIL, diz Rui Costa Pimenta, presidente do Partido Comunista Operário - PCO

247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, reforçou, em entrevista à TV 247, o papel dos Bandeirantes na construção da nação brasileira e criticou o incêndio na estátua de Borba Gato, em São Paulo.

“Foi coisa de intelectuais pequeno-burgueses”, criticou. 

“Não foram jovens da periferia irados. Essa é uma política que vem da universidade. Esse negócio de Revolução Periférica foi para dar um ar popular na coisa”.

Para ele, é necessário lembrar das verdadeiras opressões e perceber que o papel dos Bandeirantes na história do Brasil foi crucial para evitar que o País se tornasse ainda mais submisso ao imperialismo: 

“A construção da nação brasileira é produto, em um certo sentido, da luta de classes. 

É um progresso que foi alcançado apesar de toda a pressão contrária. 

Para o colonialismo e o imperialismo, o ideal é que as nações oprimidas sejam pequenininhas e fracas. 

Eles dividem os países como se fosse tirando uma fatia de bolo, como na Iugoslávia e na antiga União Soviética. 

Eles querem países pequenos e fracos. O Brasil é um país grande, e isso é um progresso muito grande”.

“Eles foram instrumentos do progresso econômico nacional e abriram o caminho para a construção do Brasil. 

Se o Brasil fosse dividido em cinco países, a América Latina seria muito mais oprimida do que hoje. 

O Brasil é um estorvo na dominação política, assim como a Índia e a China”, completou. 

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Borba Rato e a cultura brasileira incendiada

Por Gilvandro Filho - Um governo que entrega a Secretaria da Cultura a um sujeito que NÃO sabe do que se trata, e NEM faz a menor questão de saber, NÃO merece chamar-se governo. 

Como NÃO dá para chamar de presidente quem entrega uma entidade feito a Fundação Palmares a ignorantes preconceituosos, os direitos humanos a fanáticos religiosos, a fiscalização da Amazônia a criminosos ambientais, a Educação a quem não a tem.

Da mesma forma, não há como se ter respeito a um governante que foi eleito no colo de uma campanha regada a mentiras e ódio, que trata seus adversários como inimigos a serem exterminados, que dá a criminosos o tratamento de ilustríssimos senhores a serem exaltados. 

Ou que entrega a saúde a militares e propineiros e que tenta transformar os brasileiros em cobaias de teses criminosas como a imunização de rebanho, prática solerte que rendeu mais de 556 mil mortes por Covid 19, genocídio que coloca o Brasil de Bolsonaro no topo da vergonha mundial.

O incêndio da Cinemateca Brasileira, ocorrido no último dia 29, liga em direção à cultura os holofotes que mostram o descaso e a irresponsabilidade com que o governo federal trata as questões relativas à pasta. 

A começar pelo nível de gestores que nomeia, como é o caso do atual ocupante, Mário Frias, que, ao invés de agir e se pronunciar com o mínimo de seriedade sobre o caso, tratou logo de culpar os governos petistas (claro!) pela hecatombe. 

Ou como a diretora que foi sem nunca ter sido, a atriz Regina Duarte, a quem a Cinemateca foi prometida, mas nunca entregue, depois que ela peregrinou sua asponice pela Secretaria da Cultura, por dois meses (março a maio de 2020), período absolutamente olvidável.

A própria Cinemateca vem sofrendo um processo deplorável de esvaziamento, onde pululam falta de recursos, ausência de projetos e demissão de servidores.

Um desleixo que constitui a mais perfeita tradução do que a cultura representa num governo de verniz neofacista. 

Vai ver que lá não tinha sequer um extintor de incêndio decente, com a validade em dia.

O desastre da Cinemateca Brasileira acontece dias depois do protesto que resultou no incêndio da estátua do bandeirante Borba Gato, na capital paulista, personagem controverso sobre o qual pesam inúmeras passagens históricas marcadas pela violência contra índios e negros, escravidão, estupros e genocídio de nações indígenas inteiras. 

O fato foi recebido com histeria, muito diferente do silêncio ensurdecedor que o distinto público apoiador do atual candidato a Borba Gato – ou seria Borba Rato? - dispensa, até agora, ao incêndio da Cinemateca Brasileira.

É a segunda catástrofe por fogo envolvendo um equipamento importante da cultura brasileira, em menos de quatro anos.

No apagar das luzes do governo Temer, um incêndio consumiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, detentor de uma dos mais importantes acervos da América Latina. 

Incêndio que ocorreu a pouco mais de um mês antes do primeiro turno da eleição que, ao final, iria impingir ao Brasil a maior de suas tragédias contemporâneas, que foi a eleição de um candidato cuja plataforma de campanha de campanha foi, abertamente, implantar o neofascismo no País, armar os apoiadores com fuzis e armas pesadas, liquidar fisicamente os adversários e aqui estabelecer uma milícia política. 

Em suma, destruir as bases da democracia.

A campanha bolsonarista anunciou aos quatro ventos o que seria da cultura nacional. 

Se hoje vemos a tentativa de destruir com tudo que lembre pensamento, arte e liberdade, nada é surpresa ou foi por acaso. 

Como várias outras ameaças aparentemente absurdas, o presidente vem cumprindo, uma a uma. 

A ferro e fogo.

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Um exército para a segurança nacional e a paz mundial

No ano em que o Partido Comunista da China (PCCh) completa 100 anos, o Exército Popular de Libertação (EPL) da China celebra seu 94º aniversário de fundação. Leia artigo do adido militar da Defesa da Embaixada da China no Brasil, o Major-General Liu Zhan

Exército Popular de Libertação da China
Exército Popular de Libertação da China (Foto: Mídia chinesa)

Por Liu Zhan (*) - No ano em que o Partido Comunista da China (PCCh) completa 100 anos, o Exército Popular de Libertação (EPL) da China celebra seu 94º aniversário de fundação. Criado pelo PCCh, o EPL sempre lutou, sob a liderança do Partido, pela independência e a segurança nacionais e empreendeu incansáveis esforços para a revitalização da nação chinesa, o bem-estar do povo chinês e a paz e o progresso comum do mundo.

Desde sua criação em 1927, o exército chinês cresceu e fortaleceu-se ao longo de vinte e dois anos de sucessivas batalhas, fez enormes sacrifícios para alcançar grandes vitórias na Guerra Revolucionária Agrária, na Guerra de Resistência contra a Invasão Japonesa e na Guerra de Libertação, culminando seus méritos históricos com a fundação da República Popular da China. Ao cumprir sua função fundamental de defender a pátria e assegurar um ambiente de paz para o trabalho do povo, o EPL, desde 1949, lutou na Guerra de Resistência à Agressão dos EUA e Ajuda à Coreia e em diversas operações de autodefesa nas fronteiras, fornecendo um sólido respaldo para fortalecer o poder popular e salvaguardar a dignidade nacional. Desde a implementação da política de Reforma e Abertura em 1978, o EPL vem seguindo um caminho com características chinesas para a redução de efetivos, participando em intercâmbios militares com outros países e em operações de manutenção da paz da ONU, e dando contribuições positivas para defender a soberania, a segurança e os interesses do desenvolvimento da China e preservar a paz regional e mundial. 

Nas circunstâncias atuais, o presidente Xi Jinping traçou o objetivo de construir um exército popular exemplar sob a liderança do Partido capaz de vencer as lutas. Dando início a uma nova jornada rumo ao fortalecimento militar, O EPL reforça o trabalho político para aderir à liderança absoluta do Partido sobre as forças armadas, ao sistema de responsabilidade do presidente da Comissão Militar, e ao princípio de servir ao povo de forma dedicada. É imperativo impulsionar as reformas da defesa nacional e do exército, com trabalhos paulatinos focados em três aspectos: o sistema de liderança e comando, o tamanho e a composição das forças, o sistema de políticas militares, remodelando de forma abrangente a configuração organizacional para estabelecer um sistema de forças militares modernas com características chinesas. É importante desenvolver a ciência e a tecnologia com o objetivo de elevar a capacidade combativa através da inovação científica e tecnológica, promover o desenvolvimento integrado militar e civil, assim como um crescimento sinergético de mecanização, informatização e inteligência de tecnologias. É primordial fortalecer a capacitação dos recursos humanos para aprimorar o sistema educacional que engloba universidades, treinamento em campo e a educação vocacional, com foco em formar comandantes para operações conjuntas, novos tipos de efetivos de combate e especialistas técnicos, criando um grande contingente de oficiais e soldados de alta competência militar. É necessário também promover a administração conforme a lei, com a criação de um arcabouço legal com características chinesas para mudar forma de governança militar, melhorando o Estado de Direito na defesa nacional e na construção das forças armadas.

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Partindo do centenário do Partido, o Exército Popular de Libertação já tem um projeto de desenvolvimento definido, mirando o 100º aniversário do exército e, mais adiante, da República Popular. No caminho do fortalecimento militar com características chinesas, as forças armadas vão acelerar a modernização da teoria militar, da forma organizacional das armas, dos efetivos e do armamento, reforçando o treinamento para o combate real, a fim de aumentar a capacidade estratégica para defender a soberania nacional, a segurança e os interesses do desenvolvimento. Assegurado o objetivo do centenário do exército em 2027, a defesa nacional e as forças armadas da China alcançarão sua modernização em 2035 e, até meados deste século, o EPL será uma força de primeira classe em nível mundial.

Um país necessita de um exército poderoso para ser verdadeiramente forte e seguro. Para a China, no entanto, esse fortalecimento não visa a expansão pela força, mas tentar reduzir a discrepância com as potências militares do mundo e proteger a pátria chinesa. Firme no caminho do desenvolvimento pacífico, a China empenha-se na diplomacia independente de paz e na abordagem defensiva na política de defesa. Sempre trabalha para construir a paz mundial, impulsionar o desenvolvimento global e defender a ordem internacional. Fiéis ao seu compromisso internacional, o exército chinês oferece uma força firme na manutenção da paz mundial, dando importantes contribuições para as operações de paz da ONU, a escolta de embarcações no Golfo de Áden, o combate à Covid-19 e ações internacionais de assistências e combate a desastres. Orientado pelo conceito de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável, o exército chinês vai intensificar seu intercâmbio com o exército brasileiro, buscar maiores cooperações bilaterais e multilaterais e fornecer à comunidade internacional mais bens públicos de segurança. O EPL trabalha, portanto, para construir uma comunidade de futuro compartilhado e um mundo belo e limpo, com paz duradoura, segurança universal, prosperidade comum, abertura e inclusão.

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Janio de Freitas: 'convém perguntar-nos se não estamos já no estado de golpe'

O colunista também afirma que o Brasil passa por uma situação de "maluquice institucional"

Ato pelo Fora Bolsonaro e o colunista Janio de Freitas
Ato pelo Fora Bolsonaro e o colunista Janio de Freitas (Foto: Stefano Figalo/Brasil de Fato RJ | Reprodução)

247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, Janio de Freitas afirma que "as portas abertas do Congresso não significam que lá dentro vigore o exercício real das responsabilidades com a preservação do regime constitucional democrático". 

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"No Supremo e no TSE, guardiães de amarelecidos recursos contra o cerco de Bolsonaro às instituições da democracia, repousam possibilidades diante de olhos que as conhecem e não as querem ver, por comodismo ou por temor. Convém perguntar-nos se não estamos já no estado de golpe", diz.

De acordo com o colunista, "o desvario de Bolsonaro se propagou". "Vive-se uma situação de maluquice institucional em que os juízes do Supremo Tribunal Federal passam a acusados, quem venceu a principal eleição condena-a por fraudulenta, o maior falsário de verdades no país tem o cargo de presidente, o general encarregado da Saúde dá condições para a morte prematura de centenas de milhares, a grande questão nacional é a derrubada ou permanência do sistema que encerrou mais de um século de roubalheira eleitoral".

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Elio Gaspari: Ciro Nogueira comprou um terreno na Lua se acha que Bolsonaro lhe deu autonomia

De acordo com o jornalista, apesar de o centrão estar com Jair Bolsonaro, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), pode ter menos autonomia que o esperado

Jornalista Elio Gaspari e o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil)
Jornalista Elio Gaspari e o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) (Foto: Reprodução / Agência Senado)

247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, o jornalista Elio Gaspari afirma que o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), "é habilidoso e experiente, mas se acha que Bolsonaro lhe deu autonomia para fechar acordos políticos na Casa Civil, comprou um terreno na Lua com vista para Saturno".

"Sergio Moro comprou um lote nesse condomínio. Ficava ao lado do 'posto Ipiranga' de Paulo Guedes", acrescenta o jornalista.

O colunista também diz que uma espécie de "o comitê eleitoral instalado no Palácio do Planalto trabalha para reeleger Bolsonaro no ano que vem". "Os profissionais sabem que isso é possível, mas temem o cenário de uma catástrofe: o capitão não chegaria ao segundo turno".

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Live das fake news sobre urnas eletrônicas foi "100% obra de Ramos"

Luiz Eduardo Ramos, Eduardo Gomes e Jair Bolsonaro

247 - A transmissão ao vivo na qual Jair Bolsonaro, ao lado de um suposto "analista de inteligência", Eduardo Gomes, disseminou informações falsas sobre o processo eleitoral brasileiro e as urnas eletrônicas foi "100% obra do ministro e general Luiz Eduardo Ramos", da Secretaria-Geral da Presidência, segundo Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Ramos foi quem descobriu o empresário paulista, dono de uma empresa de software, que diz ter provas de que, em 2014, o então candidato a presidente Aécio Neves (PSDB) venceu a então presidente Dilma Rousseff, que disputava a reeleição.

O ministro ainda treinou Gomes, seu antigo auxiliar, para explicar ao público as supostas descobertas do empresário paulista.

Bolsonaro, Ramos e Gomes tiveram reuniões nas últimas semanas para organizar o que seria apresentado na live.

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"As instituições precisam conter o criminoso Bolsonaro porque ele nunca vai parar", diz Joaquim de Carvalho

Joaquim de Carvalho e Jair Bolsonaro

247 - O jornalista Joaquim de Carvalho, em entrevista à TV 247, afirmou que as instituições democráticas do país precisam dar um basta nos crimes cometidos por Jair Bolsonaro, sendo o último deles a live na qual o chefe do governo armou uma apresentação com um suposto "analista" para propagar informações falsas sobre as urnas eletrônicas e o processo eleitoral brasileiro.

Joaquim destacou que as urnas eletrônicas foram o meio pelo qual Jair Bolsonaro e seus filhos Flávio, Eduardo e Carlos se elegeram para cargos públicos no país, mas mesmo assim ele quer desacreditá-lo como forma de preparar o terreno para tumultuar a eleição de 2022. "Ele elegeu o filho 1, filho 2, filho 3, ele se reelegeu várias vezes e se elegeu presidente. O que ele está fazendo agora, como disse muito bem o Gilmar Mendes, é uma conversa fiada. Ele está tentando é criar o ambiente para dizer: 'olha, vão me roubar'".

A tática de Bolsonaro, ainda segundo Carvalho, é a mesma utilizada pelo líder nazista Adolf Hitler, que foi contido por meio de uma aliança universal, o que deve ser feito, na devida escala, também com Bolsonaro. "Essa questão de você eleger um adversário como se você estivesse em guerra permanente é nazismo. O Hitler fez isso o tempo todo, até que houve uma grande aliança no mundo para conter o mal, naquela ocasião representado pelo Hitler. Também lá demorou muito para o mundo responder, reagir, e nós estamos vendo um criminoso na presidência, cometendo crimes, e as instituições têm que fazer alguma coisa, têm que parar esse criminoso porque ele nunca vai parar. Ele tem que ser contido".

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De saída do MDB, Requião dispara: "partido bolsonarista, racista"

247 - O ex-senador e ex-governador do Paraná Roberto Requião, que anunciou no sábado (31) que deixaria o MDB, voltou a criticar a legenda neste domingo (1) pelo Twitter: "meu velho MDB de guerra acabou". lamentou.

Requião afirmou que o partido, ao qual é filiado há 40 anos, se tornou uma sigla "bolsonarista" e "racista". "Amanhã, segunda-feira, saio oficialmente do MDB. Aí vamos ver quem sai comigo e abandona esse partido bolsonarista, racista e que se tornou absolutamente fisiológico. Será a prova da janela!".

"Sempre acreditei no que dizia Gramsci: 'não existe o canalha absoluto'. O canalha absoluto é uma figura de literatura. Depois da convenção do MDB do Paraná vou rever esta crença!", continuou.

Em uma enquete lançada pelo próprio ex-governador, ele pergunta: "na sua opinião, a qual partido devo me filiar?", e elenca opções: PDT, PT, PSB ou outro.

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As verdades monstruosas de Bolsonaro agregam mais que suas mentiras - Tarso Genro

Por Tarso Genro

Bolsonaro

Por Tarso Genro, publicado originalmente no Sul 21

Quando Bolsonaro fala ele o faz ao pé do ouvido de cada um dos integrantes da sua base, erroneamente colocada na crítica pública da esquerda como gado. 

Eles não reagem de maneira uníssona ao seu comando, mas o fazem como uma soma de indivíduos, impulsionados por motivos diversos, pretensões ocultas e abertas, que apenas se somam, miticamente, sem relação com um programa político ou com um destino comum. 

Bolsonaro não propõe enunciados, mas diatribes lancinantes, que aparentemente o separam, de um lado, da política neolibeal de Guedes e, de outro, da ordem jurídica democrática que não deveria tolerá-lo.

Seu povo não é um gado organizado com destino tocado em direção ao pasto ou ao matadouro, mas são conjuntos dispersos tocados em direção a um grande vazio sem crenças, “num cinza impalpável”, cujo amálgama interior é saber sofrer e impor sofrimentos.

Falo aqui, não dos seus eleitores, mas do cerne do bolsonarismo, que é bem pouco fascismo de massas e mais fascismo de somas de indivíduos, que suprem o vazio de ideias do seu líder com respostas de ódio e negação do mundo real.

Eric Hobsbawm num dos seus clássicos (“A era das revoluções”, Paz e Terra, 1977, pgs.322 e segs.) diz que no fim do Século XVIII  “a ciência nunca fora tão vitoriosa; o conhecimento nunca fora tão difundido (…), mais de quatro mil jornais informavam os cidadãos do mundo (…), a inventiva humana dava, a cada ano, vôos cada vez mais ousados (…), a lâmpada Argand (1782-4) acabava de revolucionar a iluminação artificial” (…): o gás já passava “ao longo dos intermináveis tubos subterrâneos” e (…) “começava a iluminar as fábricas”, próximas à fome e às doenças  que grassavam lúgubres e fétidas nas vielas de Manchester.

Era o sacrifício de milhões para o avanço civilizatório, na época acolhido com benevolência por frases como esta, de Lord Palmerston (1842), sobre a fome: 

“Senhor, este é o desígnio da Providência!” 

Era um tempo no qual já se sabia que a terra não era plana e era preciso conciliar a necessidade iluminista do progresso pela ciência com a concordância magnânima do Senhor. 

Ao contrário dos dias que correm, a fé para não  perder espaços para a ideologia religiosa, precisava atribuir ao Senhor, tanto a força construtiva da ciência, como a provação pelo sofrimento que a Revolução Industrial levava pela fome.

A longa apresentação de Bolsonaro, das “provas” de fraude nas eleições apuradas pelo TSE, no último dia 29, não passou de mais um ato nada inocente. 

Em um processo contínuo de desmoralização da República, destinado a compor um discurso para o seu núcleo duro, de caráter político fascista e patologicamente doentio, a sua apresentação visava mais uma vez armá-los para um passo final na sua aventura de semear a desconfiança para  aventurar-se no golpe. 

Esta precisa contar com a indiferença da maioria e com a morte anunciada da consciência republicana.

Nos momentos de crise, a indiferença dos vivos e a morte, como ameaça  – logo ali na esquina – é o que gera o ceticismo capaz de assassinar a razão do progresso e erguer a tocha fúnebre da razão perversa. 

Não só a teoria política, mas a literatura e o cinema também nos remetem para estas quadras da História. 

É interessante, para desvendar o discurso bolsonariano das mentiras em série, lembrar igualmente das suas verdades pontuais, algumas delas mais construtivas do seu ser político do que as suas mentiras.

Quando Bolsonaro defende a tortura ele fala a verdade e desafia a sociedade, fazendo a passagem dos limites civilizados que poucos ousariam fazer, embora se saiba que milhares de pessoas – religiosas ou não – defendem estes métodos de investigação e domínio sobre o outro, pelas mais diversas razões. 

Também Bolsonaro “fala a verdade” quando ele diz que Mourão não ajuda, às vezes atrapalha, “mas ele tem que aguentar”, porque a personalidade do Vice-Presidente – como sujeito do golpismo nacional  que se apresenta como caçador de corruptos -  nao tem mais nenhum motivo para permanecer num Governo apropriado pelo maior grupo de corrupção que opera no país: o “centrão”.

O estado psicológico das pessoas que recebem os discursos de Bolsonaro é constituído a partir do “local”  – social e político – dos que o escutam. 

O que nos parece ridículo e mentiroso, para outros pode ser visto como grandioso e corajoso; o que nos avilta e nos humilha, como alguém precisa  aguentar um Presidente que defende a tortura e tem “ataques” insólitos de racismo, pode ser visto por outros como um conforto, para assumirem posições que, em outras circunstâncias históricas, não teriam coragem de fazê-lo; o que nos parece deformação necrófila, para outros pode ser a celebração de um sentimento pervertido da vida.

Este estado é mais de um estado de embriaguez permanente do que um estado de abatimento político; é mais um convívio com o próprio mal que habita e domina as suas cabeças, do que uma passagem por um delírio eventual. 

Bolsonaro não é um fascista “antigo” gerado pela crise do sistema do capital, mas é um político cujo fascismo “novo tipo”, lida com as subjetividades dominadas pelo mercado e pelo fim da identidade operária clássica, que ameaçava o capitalismo com a ideia de uma sociedade “do comum” e da autogestão do trabalho e da produção.

Marlowe, o personagem de Conrad no “Coração nas Trevas”, ao falar na compulsão da morte  como existência-limite, diz que ela é a “peleja mais tranquila  que se possa imaginar, “um cinza impalpável com  um nada sobre os pés” (…), “sem clamor, sem glória, sem o grande desejo de vitória, sem o grande temor da derrota, em uma atmosfera doentia de ceticismo tépido, sem muita crença nos próprios direitos, e menos ainda nos direito dos adversários.”

Pensei, quando reli este texto, nesta época áspera e regressiva, que tal descrição  poderia encerrar uma dupla compreensão: de um lado, da técnica fascista de “naturalização do mal”; de outro, da política necrófila como vulgarização das ideias de fatalidade e destino glorioso. 

Ambas capazes de conquistar, tanto os entristecidos pelo fracasso como os solitários sem destino, que o capital joga nas ruas todos os dias: 

ao frio, à fome e à deserção. 

Enfrentar a decomposição fascista do Estado e da Política destituindo Bolsonaro não é apenas mais uma proposta de unidade democrática, mas a única via de sobrevivência do que nos resta de República.

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Jair Messias deixa claro: dias piores virão - Eric Nepomuceno

Por Eric Nepomuceno

Jair Bolsonaro

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia 

Não adianta tentarem segurar a besta-fera: Jair Messias renova e reforça a certeza de que desconhece qualquer limite, que não tem sequer vestígio de equilíbrio e de bom senso.

Se na ditadura que ele tanto admirou e admira um dos lemas ufanistas era “ninguém segura este país”, nos dias de hoje o lema esclarecedor é “ninguém segura este desequilibrado”.

O tal Centrão, alugado por ele, bem que sugeriu modos minimamente aceitáveis. Em vão. E enquanto isso, o Brasil se faz mais e mais pária no cenário externo, e mais e mais destroçado no cenário interno.

Dez organizações de defesa do meio-ambiente, inclusive a mais influentes, publicam no “Le Monde” um chamado para que sejam suspensas importações francesas de produtos oriundos da região amazônica e do Pantanal devastadas por incêndios criminosos incentivados pelo governo brasileiro. Movimentos similares ocorrem na Áustria, na Holanda e em regiões da Bélgica.  

O governo de Jair Messias ignora olimpicamente essa e, aliás, todas as iniciativas e denúncias semelhantes.

Quase 15% da mão de obra brasileira está desempregada, e outro tanto mantêm, a duras penas, trabalhos precários. Ao menos 44% da população, o que significa cerca de 92 milhões de brasileiros, não chega a consumir o mínimo de alimentos diários recomendados por cientistas e especialistas. E pelo menos outros oito milhões passam diretamente fome.  

As imagens de famílias formando longas filas nas portas de açougues em Cuiabá à espera de receber tocos de osso de vaca é exemplar. Em outras cidades brasileiras, há os que conseguem algo mais: comprar pés de galinha e frango. É o que de mais próximo a carne conseguem ter.  

Dois presidentes de países lusófonos, Portugal e Cabo Verde, comparecem à reabertura do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. E cadê o presidente do país anfitrião?  

Desfilando sua irresponsabilidade criminosa num passeio de moto, claro que sem máscara e sem nenhum cuidado preventivo por mais mínimo que fosse. São mais de 555 mil vítimas da pandemia, do atraso nas vacinas, do esvaziamento do sistema público de saúde, das manipulações e da corrupção levada a cabo por militares incrustados no ministério da Saúde.  

E daí? Tanto choramingar não leva a nada, só complica a vida.

Um incêndio criminoso, cujos responsáveis são Abraham Weintraub, hoje refugiado em Washington para escapar da Justiça brasileira, e Mário Frias, secretário Especial de Cultura, destrói parte do acervo da Cinemateca Brasileira. E o presidente não é capaz de um gesto, uma palavra, nada, só o silêncio que não esconde que, para ele, foi apenas um foguinho a queimar papéis velhos.

Depois de disparar saraivadas de mentiras e cretinices na noite de quinta-feira, Jair Messias aproveita o sábado para repetir ameaças e, claro, expelir mais e mais mentiras e estupidezes de grandiosidade solar.

Não dá para dizer que Jair Messias perdeu a noção do absurdo e do ridículo porque ninguém perde o que nunca teve.

Não há nada que seja capaz de deter essa avalanche de absurdos e de crimes concretos, descritos nos códigos penais e, em alguns casos, na própria Constituição. Ninguém se atreve.

Portanto, não resta outra certeza: com a tresloucada besta-fera sem freios nem amarras, dias piores virão. E serão cada vez piores.  

Não é só a democracia que está em risco: é tudo.

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A frágil defesa do voto eletrônico em 2022 - Sérgio Fontenele

Por Sérgio Fontenele

Fachada do TSE e Jair Bolsonaro

Por Sérgio Fontenele 

Os poderes constituídos da República do Brasil – ou ao menos assim deveriam ser chamados – têm sido cada vez mais emparedados, é público e notório. E não só pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, que talvez comande o único ou um dos exclusivos poderes constituídos sem aparentemente quaisquer amarras institucionais, constitucionais, com a desenvoltura de um monarca absolutista, autocrático. Bolsonaro se arvora a confundir-se com o próprio Estado brasileiro, e trama, é óbvio e ululante, prolongar ou perpetuar seu poder.

E isso é perceptível até para uma criança de mais ou menos oito anos de idade, exceto para os – de novo – tais poderes constituídos, sobretudo – e não pela ordem – o Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF), proclamado pomposamente de “Guardião da Constituição Federal”. O primeiro tem um presidente que, a despeito do agigantamento da tragédia nacional, agravada por esse governo catastrófico, senta em cima de mais de 120 processos de impeachment contra Bolsonaro e seus numerosos supostos crimes de responsabilidade.

Para centenas de juristas, os “supostos” crimes de responsabilidade estão fartamente comprovados. O outro poder constituído encurralado – entre outros – é o STF, que, na história recente deste século XXI, ora lavou as mãos, como no caso da Lava Jato; ora chancelou a deposição da presidenta Dilma Rousseff. Como diriam os operadores do direito, ao “arrepio” das leis e da Constituição, que de nada serviu para o cometimento da capital injustiça de condenar uma honesta presidenta da República, que não cometeu crime de responsabilidade.

Calada da noite

Em vários episódios, como esse, na calada da noite, a quilômetros de distância da população – situação ricamente ilustrada no documentário “Democracia em vertigem”, dirigido pela cineasta Petra Costa –, o Pleno do STF tomava decisões como banir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva das eleições de 2018. Nas cordas, agora o Supremo sente a pressão, por força de todas as circunstâncias, de reagir diante da esdrúxula manobra de instituir o tal “voto auditável”, descredenciando o sistema das urnas eletrônicas, já consagrado.

O retrocesso evidente do movimento bolsonarista, que tem como motivo a iminente impossibilidade de Bolsonaro derrotar Lula nas eleições presidenciais de 2022, é claro, é nada mais é do que a tentativa de “melar” as regras do jogo, na hipótese de uma eventual vitória do ex-presidente petista. O pretendido voto impresso, portanto, seria o pretexto perfeito para abrir uma recontagem interminável, que poderia durar meses e obviamente abrir – aí, sim – um precedente de fraude eleitoral. Por isso, toda a chantagem e pressão.

A ofensiva inclui mais um capítulo da partidarização das Forças Armadas (FA), cujo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, segundo o Estadão, mandou duro recado ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), no sentido de que não haverá eleições diretas à Presidência da República. Caso o voto impresso não vingue, ora pois. Sequestrados, o Legislativo e Judiciário continuarão assistindo, passivamente, a sequência de crimes de Bolsonaro em sua cruzada para atentar contra a democracia ameaçando o voto?

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Os índios não têm alma? - Tarso Genro

Por Tarso Genro

Por Tarso Genro 

“Eu não sonho com o sucesso, simplesmente acordo cedo e trabalho para conquistá-lo.” É o bilhete que recebo no semáforo, do jovem negro que desliza como um bailarino entre automóveis sedentos de espaço, na cidade que não vai demorar a se recolher. A cidade formal vai se defender das estrelas frias que apascentam a noite de julho, mas aquele que acorda cedo “para conquistar o sucesso”, certamente dormirá num barraco frio nos limites do arrabalde encardido.

Suponho que o bailarino da esquina sequer tomou conhecimento do incêndio da estátua do corajoso caçador de índios e a sua dança urbana arriscada – que reproduz o risco dos seus antepassados para sobreviver nas hostilidades da terra – se move numa neblina entre dois tempos, hoje só esboçados: o tempo da barbárie programada do corpo que explora a si mesmo e o tempo do sucesso represado pela dor.

Entre os traficantes que sabem aproveitar os aviões da Presidência e a cidade formal está a outra cidade: do arrabalde invisível, que só aparece nas crônicas policiais quando os pequenos traficantes matam e se matam nos becos escuros, livres para morrer ou para sonhar. Os Lehmans da vida e os agentes das publicidades oficiais andam em busca dos empresários que criaram na ficção neoliberal, como ideia dos autônomos sem rumo que transformaram, inconscientemente, o seu movimento nas esquinas em fracasso pornográfico da política do neoliberalismo.

O recado do bilhete é a “ironia objetiva” do lutador pela vida, desesperado pelo emprego que desapareceu, pelos filhos, irmãos, mães, que se desintegraram na maré neoliberal. A maré que ergueu a mais espessa neblina da história republicana, que fechou a paisagem dos direitos e transformou o trabalho no embuste que todos podem ser empresários de si mesmos. Acordar cedo para conquistar o sucesso, no caso, é deixar na haste do espelho dois “Torrones” – por dois reais – mobilizando o corpo entre os carros que dominam a cidade.

Sobre o projeto a “ponte para o futuro” de Michel Temer, ora gerenciado pelo grupo cívico-militar bolsonariano, Leda Paulani escreveu: “a única conclusão que se pode chegar é que a ponte que assim se constrói é uma ponte para o abismo no qual se precipitará o país, refém de interesses específicos e de uma riqueza privada que busca o alcance dos próprios objetivos a qualquer custo, mesmo que isso implique lançar 200 milhões de brasileiros no perigoso vazio da anomia social, da qual o modelo conciliatório anterior tentava escapar”.

O perigoso vazio de anomia aí está, pois a barbárie foi naturalizada (com a ajuda da mídia que apoiou o Golpe), abrigada nos fundamentos éticos do período. Eles estão inscritos especialmente em dois episódios, protagonizados pelo líder tenebroso: uma fala, “não sou coveiro”; e um “arfar psicótico”, quando imita a falta de ar de um condenado pela doença que ele mesmo liberou.

É tentador contrastar aquela conclusão de Leda Paulani com o estranho incêndio da estátua de Borba Gato, ato que não recomendaria por razões políticas, mas que certamente ajuda a desvestir a moralidade fascista de determinados setores direitistas, que não gostam de ver estátuas queimadas, mas que não se importam de conviver com os incêndios coletivos provocados por políticas de extinção dos humanos. A “compaixão”, que segundo Faulkner deveria manter os seres humanos inteiros na sua jornada infinita de afirmação e desafios, não existe no bolsonarismo, fulminada pelas premissas amorais daquela “fala” e naquele “arfar” assassino.

A parte final do texto de Leda Paulani, na excelente obra coletiva Por que gritamos Golpe? (Boitempo) traz uma conclusão extraordinária para os historiadores do futuro avaliarem as dimensões subjetivas da crise econômica do tempo presente, no exato momento em que o ENEM tem o seu mais baixo índice de inscrição desde 2005!

A constatação de Leda, cinco anos atrás, mostra que a crise material se instalou plenamente na moralidade dominante – em determinados circuitos de opinião intelectual e política – mudando-a rapidamente, para colocá-la – sem mover um músculo das faces cínicas que lhe seguem – a serviço da naturalização do fascismo.

Ao se indignarem com o incêndio da estátua de “Borba Gato”, ao mesmo tempo recusam ver as conexões do Golpe contra Dilma com a morte e a fome (que estão no cotidiano de milhões), estas pessoas excluíram do seu horizonte de humanidade as mulheres e os homens mais explorados do povo, que seriam – depois do Golpe – assediadas pela fome e pela doença. É a síndrome “Borba Gato”, que supõe que destruir a estátua de um caçador de índios é um pecado cívico, mas que apoiar um genocida e seus asseclas é sinal de “bom gosto” da razão decadente.

As almas dos índios assassinados também não se importaram com o incêndio da estátua. Ou os índios não têm alma?

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Se não fosse a política de valorização do salário mínimo, o valor hoje não seria nem R$ 600’, diz Juliane Furno

À TV 247, a economista explicou a importância da política de valorização do salário mínimo, tão relevante no combate à desigualdade, e explicou que a LDO aprovada pelo Congresso pôs fim à prática: “é o fim dessa política que edificou uma herança tão importante”. Assista

Juliane Furno
Juliane Furno (Foto: Imprensa SMetal)

247 - A economista Juliane Furno falou à TV 247 sobre a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) pelo Congresso Nacional em julho e tratou especificamente do fim da política de valorização do salário mínimo, estratégia essencial na desconcentração de renda e distribuição das riquezas no país:  “se não existisse a política de valorização do salário mínimo nestes termos, corrigido com ganho real, acima da inflação e com valorização e variação do PIB, o salário mínimo hoje não seria nem R$ 600”.

A proposta do governo para o salário mínimo para os próximos três anos acaba de vez com a política de valorização do piso nacional. Em 2021, o piso já ficou abaixo da inflação, com reajuste de 5,26%, para R$ 1.100, enquanto o INPC [Índice Nacional de Preços ao Consumidor] do ano anterior foi de 5,45%. Pela LDO, o salário mínimo para 2022 foi fixado em R$ 1.147, reajuste de 4,3% sobre o atual. Neste momento, o INPC acumulado em 12 meses, que deveria ser utilizado para a correção, está em 9,22%.

Juliane explicou que a política de valorização da renda mínima trabalha contra a desigualdade porque faz com que os mais pobres da sociedade tenham aumentos que os aproximem cada vez mais da renda média: “na medida em que os trabalhadores mais pobres em geral são os negros e as mulheres, ou seja, aqueles que mais têm sua renda indexada ao salário mínimo, se o salário mínimo tem uma política anual de valorização, isso quer dizer que os salários da base da pirâmide da sociedade tendem a ir se proximando do salário médio. Em termos de desigualdade funcional da renda, há uma redução em função da política de valorização do salário mínimo”.

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Paulo Guedes e o desemprego dos outros | Bernardo Mello Franco - O Globo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista no Planalto

Paulo Guedes encontrou um bode expiatório para os quase 15 milhões de desempregados no país. Na visão do ministro, o problema não está em sua política econômica. A culpa seria do IBGE, que mede a população em busca de trabalho.

Contrariado com os números, Guedes disse que o instituto está “na idade da pedra lascada” e ameaçou “rever” seus procedimentos. Não foi a primeira nem a segunda vez que ele agrediu o órgão federal de estatísticas.

No segundo mês do governo, o ministro entregou a presidência do IBGE a uma amiga de sua filha. Ela não tinha experiência em gestão pública e assumiu o lugar de um servidor de carreira.

Sua posse foi um espetáculo de constrangimento. Guedes propôs vender a sede do instituto e cobrou uma redução nas perguntas do Censo, alegando falta de verbas. Questionado sobre os danos à pesquisa, disse: “Se perguntar demais, você vai acabar descobrindo coisas que nem queria saber”. A frase ajuda a entender seu desinteresse pela situação dos desempregados.

O ministro foi vendido como um liberal entre os bolsonaristas, mas nunca passou de um bolsonarista entre os liberais. Suas declarações misturam grosseria, preconceito e desprezo pelos mais vulneráveis. Ele já debochou das empregadas domésticas que foram à Disney, ofendeu a primeira-dama da França e endossou a teoria conspiratória de que a China “inventou” o coronavírus.

Nos últimos meses, o doutor radicalizou o discurso antipobre. Criticou o Fies por levar “filho de porteiro” à universidade e sugeriu a distribuição de restos de comida para os miseráveis.

Guedes pertence a uma categoria especial de bolsonarista: a dos auxiliares que reagem a humilhações com mais provas de subserviência ao chefe. O economista foi desautorizado diversas vezes, mas nunca reclamou. Agora terá o ministério fatiado para dar abrigo a Onyx Lorenzoni, que já fracassou em três pastas diferentes.

Em vez de pedir o boné, o economista imita os modos do capitão. Desde o início do governo, Bolsonaro tenta desacreditar o IBGE. Num dos ataques, disse que os indicadores oficiais seriam “feitos para enganar a população”.

Ao repetir a bobagem, Guedes exaltou os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, que registrou aumento das vagas formais. Ele não precisava de um PhD em Chicago para saber que a comparação é imprópria. O Caged só contabiliza empregos com carteira assinada. Os dados do IBGE incluem o mercado informal, onde ralam 40% dos brasileiros.

O negacionismo de Guedes expõe seu descaso com quem corre atrás de trabalho. O ministro só se preocupa em manter o próprio emprego no governo.

A hora do Centrão

A chegada de Ciro Nogueira já produziu ao menos uma mudança no Planalto. Na primeira solenidade com o presidente, o chefão do PP ostentava um reluzente Rolex Cosmograph Daytona. O adereço, flagrado pelo fotógrafo Dida Sampaio, é vendido nas joalherias por R$ 86.200 (78 salários mínimos).

Eleito com a fantasia de homem modesto, Bolsonaro gosta de exibir um Aqua no pulso. O relógio sai a R$ 20 no camelódromo da Rua Uruguaiana.

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O show de Bolsonaro | Merval Pereira - O Globo

Assim como Truman Burbank - o personagem do filme "O show de Truman", de 1998, que antecipou a chegada dos reality shows ao mundo televisivo - vive em uma cidade cenográfica e é acompanhado por cinco mil câmeras durante 24 horas por dia, sem saber, o presidente Bolsonaro é protagonista de seu próprio show, mas por vontade própria.

Com uma diferença: quando descobre que toda a sua vida é uma farsa, com atores e atrizes fazendo o papel de sua mulher, seu melhor amigo, seus vizinhos, Truman começa a desejar conhecer o mundo verdadeiro. Ao contrário, Bolsonaro faz questão de viver em seu mundo imaginário, onde valem mais as imagens do que a realidade.

O filme antecipa também a crítica à chegada dos novos meios de comunicação, nos quais as pessoas se expõem ao público por prazer, não por ignorância. Bolsonaro vive de tal maneira esse mundo da internet que, para ele, o que há fora dela não existe. Foi o que se viu na quinta-feira, quando chegou ao ápice o exibicionismo de um presidente que vive em um mundo imaginário e usa fake news espalhadas por seus próprios seguidores como verdades incontestáveis que podem mudar a realidade, onde se move com dificuldade.

Os irmãoes Gold, Joel, psiquiatra, e Ian, neurologista, cunharam a expressão "síndrome de Truman", em que o pessoas imaginam-se personagens de uma encenação que não podem controlar, considerando tudo o que acontece resultado de alguma manipulação de imagens. Acho que Bolsonaro não sofre dessa síndrome, e sim a de ser Christof, o diretor do programa de televisão que transmite o show de Truman. A certa altura do filme, já conhecedor de que faz parte de uma encenação, Truman pergunta a Christof se não havia nada de real em tudo aquilo. Christof quase se lamenta dizendo: "você era real".

O diretor manipulava Truman, inventando até traumas para impedir, por exemplo, que tentasse fugir de barco da ilha cinematográfica. Os atores que representam sua família contam-lhe que ele tem trauma de mar porque seu pai morreu afogado e nunca mais o corpo apareceu. Bolsonaro, por sua vez, finge acreditar (ou acredita mesmo) serem reais as manipulações de som e imagem que se reproduzem na internet.

O presidente Bolsonaro vive uma grande fake news, acredita em tudo o que sai na internet. Prometeu apresentar provas de manipulação das urnas eleitorais e apareceu em uma live com um astrólogo sem a menor credibilidade, juntando fatos que estão na rede há anos, alguns que já foram desmentidos quando mereciam uma resposta formal, outros para os quais ninguém deu atenção, por serem ridículos.

São bobagens que ocupam o tempo do presidente de um país em crise, em meio à maior pandemia em um século, e de uma rede de televisão pública que não pode ser usada para campanha política - a live nada mais foi do que uma ação de campanha. Bolsonaro está fazendo na TV Brasil o mesmo que líderes autocráticos como Fidel Castro, em Cuba, ou Putin, na Rússia, com as tvs oficiais, em transmissões de suas ações e discursos pelo país afora.

A exigência de que os meios de comunicação que mandassem jornalistas ao Palácio da Alvorada para assistir à sua live teriam de transmiti-la na íntegra só serviu para coonestar o papel da Tv Brasil. Chega a ser patético, parece que não tem noção da realidade, ou não quer ter.

O filme "O show de Truman" foi interpretado também como uma variação do Mito da Caverna de Platão. Homens que nunca saíram de uma caverna onde estão presos convivem com imagens que são sombras projetadas na parede, a única realidade que conhecem. Um deles decide procurar uma saída e depara-se com o mundo exterior, muito maior do que aquele que conhecia.

Se voltasse para resgatar os outros prisioneiros, provavelmente não os convenceria de que o que viam era apenas um refelxo distorcido de uma realidade muito maior. Bolsonaro não quer ver a realidade ou, pior, acha que pode levar os brasileiros a acreditar que as fake news divulgadas na internet por sua prórpia gente são realidade.

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O governo empulha até quando age

Bolsonaro agrava crise hídrica ao maquiá-la

A cloroquina, a “gripezinha” e a “nova política” ganharam uma companheira. É a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética, criada em junho. Atrás dessa salada, escondem-se o risco de um apagão devido à falta de chuvas e a opção preferencial pelo negacionismo que alimenta as marquetagens do governo.

Bolsonaro não pode ser responsabilizado pela redução do volume de água nos reservatórios, mas quando decide encarar o problema maquiando-o, agrava-o. A pandemia mostrou que nos desvãos do negacionismo e da prepotência infiltram-se as picaretagens de intermediários milagreiros.

No caso da falta de chuvas, o governo erra porque quer. Tem à mão a literatura do desempenho do governo de Fernando Henrique Cardoso na crise de 2001. Os demônios de então eram os mesmos de hoje: burocratas negacionistas protegiam-se com a dispersão da autoridade.

FH deu plenos poderes a Pedro Parente, seu chefe da Casa Civil, e ele criou uma Câmara de Gestão da Crise de Energia. Os marqueteiros reclamaram, pois não queriam falar em crise.

Parente bateu o martelo:

— Não, tem que usar a palavra crise. É Câmara de Gestão da Crise de Energia, porque a população precisa entender que estamos vivendo uma crise. Não adianta esconder.

Se ele não tivesse feito isso, talvez tivesse sido criada uma Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética.

O STF criou um bate-boca

Pelas contas da ONG Artigo 19, em 2020 Jair Bolsonaro soltou 1.682 declarações falsas ou enganosas, quatro por dia. (Em quatro anos, o presidente americano Donald Trump, seu guia, soltou 30.573).

Na semana passada, a página do Supremo Tribunal Federal rebateu um bordão de Bolsonaro, segundo o qual a Corte limitou os seus poderes para combater a Covid e argumentou: “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade? Não.”

Bolsonaro havia dito que “se eu estivesse coordenando a pandemia, não teria morrido tanta gente”. Só Deus sabe quantos teriam sido os mortos se o Supremo Tribunal tivesse permitido que invadisse a competência dos estados. A CoronaVac não teria sido comprada, o distanciamento social teria sido suspenso e todo mundo estaria mascando cloroquina.

Santa iniciativa, mas o tribunal não fala por intermédio de redes sociais. Num mundo ideal, ele fala por meio de suas decisões. Pode-se entender que, em casos excepcionais, fale pela voz de seu presidente. Avacalhando o rito, acabará batendo boca em balcão de lanchonete.

Uma mentira repetida mil vezes não vira verdade, mas o seu propagador nunca deixa de ser mentiroso. Joseph Goebbels, autor da frase e ministro da propaganda de Hitler, foi um homem de muitas ideias. Em abril de 1945, quando Berlim estava em escombros e faminta, ele propôs que fossem trazidas vacas da zona rural para dar leite às crianças.

Não explicou como as vacas se alimentariam.

Carta branca

O senador Ciro Nogueira é habilidoso e experiente, mas se acha que Bolsonaro lhe deu autonomia para fechar acordos políticos na Casa Civil, comprou um terreno na Lua com vista para Saturno.

Sergio Moro comprou um lote nesse condomínio. Ficava ao lado do Posto Ipiranga de Paulo Guedes.

José Arthur Giannotti

Foi-se o professor José Arthur Giannotti. Deixou sua obra e um exemplo de distanciamento do poder.

Amigo por décadas de Ruth e Fernando Henrique Cardoso, hospedava-se no Palácio da Alvorada quando ia a Brasília.

FH colocou-o, por mérito, no Conselho Federal de Educação, que autoriza a criação de universidades particulares. Quando entrou na pauta a transformação das faculdades Anhembi-Morumbi em universidade, ele votou contra, perdeu, pegou o boné e abandonou o Conselho.

Na época, ele explicou:

“Há faculdades sem bibliotecas, que tomam estantes emprestadas quando temem a chegada da fiscalização. Há escolas que são caça-níqueis. Quando anunciei minha demissão, um dos conselheiros disse que, tendo perdido a votação, eu queria vencer no tapetão. O meu jogo é outro. Não recorro a amizades para resolver esse tipo de problema. Eu estava hospedado no Alvorada e não comentei o episódio com o presidente. Não vou ganhar no tapetão. Quero ir à luta no gramado.”

Lutou enquanto viveu.

Cenário da catástrofe

O comitê eleitoral instalado no Palácio do Planalto trabalha para reeleger Bolsonaro no ano que vem. Os profissionais sabem que isso é possível, mas temem o cenário de uma catástrofe: o capitão não chegaria ao segundo turno.

O ex-ministro Gilberto Kassab, respeitado por suas previsões eleitorais, admitiu essa hipótese há poucas semanas.

De lá para cá, de forma sibilina, Bolsonaro disse em duas ocasiões que poderá não se candidatar. Isso não é verdade, mas, por via das dúvidas é uma rota de fuga, fabricando algum tipo de crise.

Paes, o festeiro

A revista “Economist” chamou o capitão de Bolsonero, mas ele ainda não fez o que o prefeito do Rio anunciou. Eduardo Paes revelou uma programação de festas para a primeira semana de setembro. Empunhou um slogan, “Rio de Novo”, e prometeu festas, comidas e jogos de botequim.

Isso num dia em que os dados oficiais do Rio registraram 154 mortes, com 89% dos leitos de UTIs ocupados.

A pandemia matou mais de 30 mil pessoas na cidade, inclusive o pai do prefeito.

Com seu chapéu panamá, Paes adora festas. Hospedou uma Olimpíada que legou elefantes brancos e inaugurou a ciclovia Tim Maia, “a mais bonita do mundo”, que desabou três vezes e matou duas pessoas.

A programação anunciada por Paes não incluiu um só ato em ação de graças, no qual poderiam ser lembrados os mortos.

Em tempo: Nero não cantou enquanto Roma pegava fogo. Ele não estava na cidade.

Mico diplomático

No próximo sábado, completa-se um mês da divulgação da notícia de que o pastor Marcelo Crivella seria o novo embaixador do Brasil na África do Sul.

A etiqueta diplomática recomenda que o nome de um novo embaixador só seja divulgado depois da concessão do agrément do país para onde ele irá. A mesma etiqueta informa que quando o governo não responde prontamente, isso significa que ele prefere não receber o indicado.

Crivella está com o seu passaporte retido por decisão judicial.

Cadeia de comando

O capitão Bolsonaro disse que tratou do caso da vacina indiana com o general Pazuello, que passou a denúncia ao coronel Elcio Franco, que nada viu de errado na picaretagem.

Nunca é demais relembrar o texto que o general Dwight Eisenhower escreveu em junho de 1944, na véspera da invasão da Normandia pelas tropas aliadas, para o caso de um fracasso:

“Se alguma culpa deve ser atribuída à tentativa, ela é só minha”.

No padrão de seu governo, a encrenca da Covaxin terminará sendo atribuída às vítimas da Covid.

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Falta de manutenção descaracteriza obras paisagísticas de Burle Marx espalhadas pelo Rio

Cuidado com o sítio do paisagista, declarado Patrimônio Mundial, não se reflete em outros pontos, como o Largo do Machado, a estação do bondinho e a Praça do Teatro Armando Gonzaga
Descuido. Espelho d’água no Largo do Machado estava tomado pelo lixo,na semana passada: parte do legado do paisagista no Rio é desconhecido dos próprios cariocas, diz diretora do Instuto Burle Marx Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
Descuido. Espelho d’água no Largo do Machado estava tomado pelo lixo,na semana passada: parte do legado do paisagista no Rio é desconhecido dos próprios cariocas, diz diretora do Instuto Burle Marx Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo

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RIO — O reconhecimento do Sítio Burle Marx, em Guaratiba, como Patrimônio Mundial da Unesco é um convite para o carioca conhecer outras obras, distribuídas pela cidade, desse artista múltiplo. São dezenas, algumas praticamente desconhecidas do grande público. Em 2009, ano do centenário do paisagista Roberto Burle Marx, morto em 1994, a prefeitura do Rio publicou um decreto com o tombamento provisório de 83 trabalhos. A lista inclui jardins em praças públicas e endereços privados, painéis e muros escultóricos.

O texto considerava a necessidade de salvaguardar essas obras de ações que prejudicassem sua integridade. Em alguns casos, porém, a preservação ficou apenas na intenção. Parte do legado está em péssimo estado, por falta de manutenção adequada.

— Muitos dos espaços projetados por Burle Marx e seus colaboradores não são conhecidos e, por isso, não compreendidos por parte da população como um patrimônio. Alguns estão necessitando de cuidado maior de manutenção, como é o caso da calçada de pedras portuguesas da Avenida Atlântica e seus grupamentos vegetais, que precisam de revisão especializada para replantio e restauro do piso. Outro espaço semelhante é o Parque do Flamengo, obra mais importante de Burle Marx na cidade do Rio, e que precisaria de um olhar mais delicado sobre esse patrimônio vivo, público e democrático da cidade. A Praça Senador Salgado Filho, em frente ao Aeroporto Santos Dumont, que já foi importante praça de “entrada” da cidade, é outro exemplo, pois hoje está descaracterizada e com poucos cuidados — relata Isabela Ono, diretora-executiva do Instituto Burle Marx.

Praça descaracterizada

A Praça Senador Clóvis Salgado Filho é uma unanimidade entre os apreciadores da obra de Burle Marx, que a consideram a mais abandonada e desfigurada de todas. Uma equipe do GLOBO tinha estado no local há dois anos e, na época, constatou problemas como lago sem água e tomado pela sujeira, parte da grama morta e ralos quebrados. Um retorno, na semana passada, mostrou que, se alguma coisa mudou, foi para pior.

Praça esquecida. Ao lado do Teatro Armando Gonzaga, só há grama seca e lixo Foto: Agência O Globo
Praça esquecida. Ao lado do Teatro Armando Gonzaga, só há grama seca e lixo Foto: Agência O Globo

— É um jardim que Burle Marx criou para receber os turistas. Tinha exemplos de nossa flora local. A ideia era ambientar o visitante com a natureza do Rio de Janeiro, mas perdeu completamente esse sentido. É um pedaço do Aterro que está muito malcuidado — critica a professora da Uerj e historiadora da arte Vera Siqueira.

Isabela, que é filha de Haruyoshi Ono, grande parceiro profissional do paisagista, considera que a iniciativa do tombamento dos trabalhos, que inclui a praça em frente ao aeroporto, foi um importante movimento para a preservação das obras, que não se concretizou.

— Na época do tombamento, alguns locais já estavam descaracterizados e outros já não existiam. Alguns jardins foram recuperados principalmente por conta desse decreto, como o do Instituto de Resseguros do Brasil. Burle Marx pensou os espaços das cidades em diálogo com os elementos naturais, com a paisagem carioca, conjugando estética e arte na criação de ambientes democráticos e de convivência entre o homem e a natureza. Importante compreender a importância desses espaços como patrimônio de toda a sociedade e, assim, valorizá-los e preservá-los — disse.

Grama seca e sujeira

É possível encontrar outros exemplos de descaso com o trabalho do paisagista. Na Praça do Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes, na Zona Norte, a situação também é crítica. Distante do projeto original, não dá nem para perceber que ali, um dia, existiu um jardim que já foi motivo de orgulho dos moradores. Na semana passada, o que se via no local eram grama seca, sujeira e um grupo de moradores de rua acampados próximo à parede do teatro.

Abandono. No terminal dos bondinhos, no Centro da cidade, matagal onde um dia houve um jardim de Burle Marx Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
Abandono. No terminal dos bondinhos, no Centro da cidade, matagal onde um dia houve um jardim de Burle Marx Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo

— Era um espaço bonito e bem cuidado. Muita gente usava como cenário para fazer as fotografias de casamentos realizados numa igreja aqui perto. Agora, não dá nem para trazer as crianças para brincar — lamentou a dona de casa Maria Emília Rocha, de 57 anos, moradora do bairro.

No Largo da Carioca, no Centro, o principal problema é a desordem urbana, que esconde a beleza dos desenhos dos mosaicos no calçamento de pedras portuguesas. O local está tomado por camelôs que, apesar dos esforços da prefeitura para ordenar o comércio ambulante na região, ainda são encontrados vendendo livremente um pouco tudo: de óculos e máscaras de proteção facial a uma grande barraca caldo de cana. Em um dos extremos também podem ser encontrados muitos moradores de rua.

Situação parecida é encontrada no Largo do Machado, onde havia muito lixo dentro de um lago, na semana passada. No entorno do MAM, no Aterro do Flamengo, um dos espelhos d’água estava vazio, e outro, com muita sujeita. Também havia árvores secas e sem poda. No terminal dos bondinhos de Santa Teresa, no Centro, o que era para ser uma obra de paisagismo virou um imenso matagal.

Na Praça Santos Dumont, na Gávea, o chafariz do jardim está desligado e faltando um pedaço da grade.Em outra praça da Zona Sul, a Chaim Weismann, no Flamengo, o descaso também impera. No Instituto de Puericultura e Pediatria da UFRJ, onde há um belo painel de Burle Marx, o problema está no entorno. Há dois anos, O GLOBO mostrou o projeto de paisagismo no passava despercebido porque o espaço virou um estacionamento. Por lá também nada mudou. No caso do Palácio Gustavo Capanema, no Centro, a barreira para apreciar o belo trabalho paisagístico, como um jardim suspenso projetado por Burle Marx são os tapumes de uma obra interminável, iniciada em 2014.

Jardins do MAM: espelho d'água vazio e árvores secas Foto: ROBERTO MOREYRA / Agência O Globo
Jardins do MAM: espelho d'água vazio e árvores secas Foto: ROBERTO MOREYRA / Agência O Globo

Jardins privados

A historiadora Vera Siqueira diz que mesmo os jardins privados que foram projetados por Burle Marx enfrentam situação parecida com os que estão localizado nos espaços públicos. Ou seja, uns estão bem cuidados e outros, nem tanto. Outros, segundo ela, se transformaram tanto que não dá nem para reconhecer mais a origem do trabalho de Burle Marx. Porém, ela reconhece que a conservação não é fácil.

— A planta é viva, cresce, morre, pega doença e precisa de um trabalho realmente de conservação que nem sempre acontece. O próprio Aterro ainda é bem cuidado em algumas partes. Um jardim privado que virou público, que é o do Instituto Moreira Salles, é super bem cuidado. Tiveram problema com queda de arvores durante uma chuvarada, mas refizeram de acordo com o projeto. Tem alguns exemplos bons e outros nem tanto — diz, acrescentando que o tombamento ou mesmo o reconhecimento internacional, por si só não garantem a preservação. — O Sítio Burle Marx é tombado nas três esferas, a municipal, a estadual e a federal. Mesmo assim, a conservação dele é feita porque é Iphan quem banca, dentro do seu orçamento, com todas as dificuldades que enfrenta. Tem cuidados, os jardineiros são muito dedicados. Mas só o tombamento não adianta, assim como o reconhecimento internacional, porque há bens que foram chamados de patrimônio mundial antes mas que, atualmente, estão sendo retirados dessa lista porque não mantiveram a sua integridade, como eles chamam.

Para o arquiteto Sérgio Magalhães, não é só o Rio que cuida mal de sua área pública. Isso acontece em outros lugares. Porém, na sua opinião, a cidade tem espaços magníficos, que mereciam mais atenção não apenas da prefeitura, mas também da sociedade.

— Quando você tem obra prima como utilidade pública e ela não está conservado suficientemente, o caso é mais complicado. E o Rio tem do Burle Marx obras espetaculares, únicas no mundo. Um exemplo são as calçadas da Avenida Atlântica, de pedras portuguesas e desenhadas por Burle Marx. São uma pintura com quatro quilômetros de comprimento. E elas precisam ser bem conservadas. Não estão, mas a conservação delas não é uma atribuição só do município. Precisa ser também compartilhada pelos proprietários dos prédio fronteiros, que aliás é o que a lei determina. No caso da Avenida Atlântica, seria da prefeitura o canteiro central e o calçadão de ondas. Isso tudo teria de estar um brinco. É um presente gigantesco que a cidade recebeu. Outro exemplo é o Aterro do Flamengo — afirma o arquiteto, que destaca a importância de Burle Marx para o paisagismo e a cidade. — Ele é um artista com prestígio crescente no mundo. É pioneiro na identificação de valores locais que ficaram esquecidos. Dar valor para a natureza é uma coisa que hoje soa muito bem aos corações do mundo todo, que estão preocupados com o clima e com o planeta. A obra dele sinaliza nessa direção, além de ser muito rica em vários aspectos. Ele é um artista múltiplo.

A prefeitura fala

Procurada, Prefeitura do Rio enviou a seguinte resposta sobre as situações encontradas:

"A Secretaria Municipal de Conservação vai enviar equipe para fazer vistorias em todas as praças citadas na reportagem, ao longo da primeira quinzena de agosto, e programar o restauro nos trechos danificados de pedras portuguesas, além do reparo na grade da Praça Santos Dumont, na Gávea.

A Gerência de Monumentos e Chafarizes, vinculada à Seconserva, informa também que fará vistoria, na próxima semana, para programar o serviço de limpeza nos lagos do MAM, na Glória, da Praça Senador Clóvis Salgado Filho, no Centro, e do Largo do Machado, no Catete.

Com relação ao Chafariz da Praça Santos Dumont, na Gávea, o órgão esclarece que já está realizando o levantamento orçamentário das peças necessárias para fazer o conserto do equipamento, a fim de colocá-lo em funcionamento novamente.

A Comlurb informou que a Praça Chaim Wrizman, em Botafogo, o Terminal do Bondinho de Santa Teresa e a Praça Senador Clóvis Salgado Filho, no Centro, e a Praça Santos Dumont, na Gávea, recebem limpeza diária no 1º turno e roçada a cada quinze dias. A Comlurb também promoveu este mês na Praça Senador Clóvis Salgado Filho uma poda de limpeza das palmeiras e de livramento de luminárias, cobertas por alguns galhos (seguem fotos). Todas as intervenções foram acompanhadas por engenheiros florestais e agrônomos da Companhia.

No entorno do MAM Parque do Flamengo, é feita limpeza diária em dois turnos e roçada a cada quinze dias. Em relação ao serviço de poda, a Comlurb realizou recentemente, final de maio e início de junho, uma grande ação de manejo de árvores em todo o Aterro do Flamengo, inclusive o entorno do MAM (conforme fotos). Todo o serviço foi acompanhado por engenheiros florestais e agrônomos da Companhia, respeitando o projeto paisagístico Roberto Burle Max.

No Largo da Carioca e no Largo do Machado, é feita limpeza diária em três turnos e roçada a cada quinze dias. Na Praça do Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes, a Comlurb informa que o local está roçado e recebe limpeza em dias alternados. Há uma área interna com mato alto, mas é de atribuição do Governo do Estado.

Já o Instituto de Puericultura da UFRJ, trata-se de uma área federal de atribuição da Prefeitura da UFRJ.

Em relação às pessoas em situação de rua, a Secretaria Municipal de Assistência Social, informa que, no entorno do MAM, há ações periódicas da Equipe de Abordagem Social Especializada/24h para atendimento social e acolhimento. Há também ações conjuntas com a Comlurb, Guarda Municipal, Subprefeitura do Centro, como a realizada na semana passada, quando o local foi limpo e organizado.

E na praça do Teatro Armando Gonzaga, em Marechal Hermes, a SMAS envia equipe do CREAS Márcia Lopes ao local periodicamente e constatou que não são moradores de rua que lá frequentam. São moradores de residências próximas que se reúnem na praça, geralmente para ingerir bebida alcóolica.

Por fim, a Fundação Parques e Jardins está atenta aos espaços projetados por Burle Marx, assim como às demais áreas verdes da cidade que ficaram sem receber a devida manutenção nos últimos anos. A FPJ recebeu os parques e praças do Rio em péssimo estado de conservação e nesses primeiros 180 dias de gestão intensificou as ações para a recuperação desses locais. Foram recuperadas mais de 200 praças, 6 parques públicos reabertos, 216 vistorias realizadas, 1.374 mudas de árvores plantadas e 4.600 mudas de arbustivas para a revitalização de canteiros em praças, parques e jardins da cidade. Todos os projetos desenvolvidos pela FPJ contam com a participação de outros órgãos e secretarias municipais, que realizam mutirões de ações conjuntas para a revitalização desses espaços".

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Animais surgiram 350 milhões de anos mais cedo do que se acreditava - Gizmodo Brasil

por
atualizado em
30 de julho de 2021 @ 11:27
Imagem: E.C. Turner

Uma nova descoberta indica que rochas antigas do noroeste do Canadá contêm estruturas consistentes com esponjas do mar. Com 890 milhões de anos, eles podem ser os fósseis de animais mais antigos conhecidos na Terra. As análises desse material foram publicadas na revista Nature

Formas de vida simples e unicelulares apareceram pela primeira vez na Terra há cerca de 3,4 bilhões de anos, mas demorou um pouco para que surgissem formas de vida animal mais complexas. A explosão Cambriana de formas de vida complexas aconteceu há cerca de 540 milhões de anos, o que coincide com os mais antigos fósseis de esponja já registrados.

Em 2018, a descoberta de esteroides – um biomarcador conhecido – em rochas datadas entre 660 milhões e 635 milhões de anos atrás, empurrou o surgimento de esponjas para era Neoproterozoica, que é pelo menos 100 milhões de anos antes do período Cambriano. As análises genéticas das esponjas modernas também sugerem uma origem primitiva para essas criaturas marinhas, reforçando ainda mais a noção de que elas foram os primeiros animais da Terra.

O biólogo especialista em esponjas Paco Cardenas, da Universidade de Uppsala, na Suécia, não estava envolvido no novo estudo, mas disse que essa discrepância entre o registro fóssil e as evidências químicas e de DNA “foi altamente debatida nos últimos anos”. Daí a importância da descoberta recém-relatada, que tem implicações em como entendemos a origem de toda a vida animal.

Elizabeth Turner, da Laurentian University, em Sudbury, Canadá, é a única autora do novo artigo e relata a descoberta de estruturas semelhantes a fósseis de 890 milhões de anos, encontrados em rochas retiradas dos recifes de Little Dal, na localidade de Stone Knife Formation, noroeste do Canadá.

“Se esses fósseis forem confirmados como esponjas, eles definitivamente serão os primeiros fósseis de animais registrados, retrocedendo seu surgimento para 350 milhões de anos antes do Cambriano”, explicou Cardenas por e-mail. Esta descoberta “pode finalmente respaldar as antigas evidências”, mas “também levanta novas questões”, acrescentou.

Imagem: EC Turner

Observando as rochas com um microscópio, Turner notou estruturas em forma de tubo cobertas por cristais de calcita mineral. Essas características tinham uma semelhança impressionante com os esqueletos fibrosos das esponjas córneas e se formaram a partir da decomposição dessas criaturas antigas, ela argumenta. Esponjas Demospongiae, ou córneas, ainda existem hoje, e você pode até estar usando uma como esponja de banho. Turner foi capaz de descartar outras interpretações das microestruturas devido à configuração do material fóssil.

“Consiste em pequenos tubos que se ramificam de forma divergente e depois se juntam para formar uma malha tridimensional complexa”, disse ela por e-mail. “Dos organismos ramificados que podem ser considerados como interpretações alternativas, nenhum deles tem esse tipo de malha tridimensional – nem algas verdadeiras, nem bactérias, nem fungos.” Ao mesmo tempo, as esponjas córneas “têm exatamente esse tipo de malha microestrutural”, e essa malha “também foi descrita em esponjas fósseis indiscutíveis”, acrescentou Turner.

Cardenas observa que “deve-se destacar que não se trata de fósseis esponjosos indiscutíveis, como sugere o título do artigo”. Na verdade, o título os descreve como “possíveis” fósseis de esponja, mas eles “se parecem com os restos do esqueleto da proteína da esponja – como os que hoje são encontrados em esponjas com esponjas córneas”, mas “os pesquisadores vão esperar a confirmação de outros fósseis do mesmo período”, escreveu ele.

O fato de os primeiros animais do planeta serem esponjas, ou pelo menos semelhantes a esponjas, não é uma surpresa, “visto que elas são o tipo de animal mais básico tanto hoje quanto no registro fóssil”, escreveu Turner. Além do mais, a “idade do material que apresentei é compatível com as previsões dos relógios moleculares, o que sugere que as esponjas surgiram nessa época”, explicou ela, acrescentando que “esponjologistas fósseis previram que deveríamos encontrar este tipo de material consideravelmente rochas mais velhas.” As principais conclusões deste estudo “são exatamente o que foi previsto por meio de várias outras linhas de trabalho não relacionadas”, observou Turner.

Cardenas, por outro lado, disse que encontrar fósseis de esponja com mais de 250 milhões de anos antes do aparecimento dos compostos de esponja esteroides, mencionados acima, é “inesperado”. Outros compostos foram encontrados a partir do mesmo período que os fósseis recém-reportados, mas “eles ainda não foram designados como esponjas”, disse ele, “embora sua semelhança” para os compostos esponja “seja reconhecido”.

Talvez mais surpreendente ainda seja o aparecimento de esponjas antigas cerca de 90 milhões de anos antes que o oxigênio na atmosfera da Terra atingisse os níveis necessários para sustentar a vida animal – ou assim pensávamos. Se a nova descoberta for confirmada, isso significa que as esponjas e, portanto, a vida animal complexa, apareceram antes do segundo dos dois eventos de oxigenação da Terra, ou seja, o evento de oxigenação Neoproterozoico.

“Se eu estiver correta em minha interpretação do material, os primeiros animais apareceram antes desse evento e podem ter sido tolerantes com níveis de oxigênio comparativamente baixos”, observou Turner.

A descoberta também sugere que as formas de vida complexas não foram completamente eliminadas durante as eras glaciais da Criogenia que ocorreram entre 720 milhões e 635 milhões de anos atrás. Esses foram os chamados episódios da Terra Bola de Neve, uma época em que toda a superfície do nosso planeta, argumentou-se de maneira controversa, estava coberta de gelo.

Supondo que a nova interpretação esteja correta, isso significa que as esponjas existiam 890 milhões de anos atrás, então surge a pergunta: quando elas surgiram, de fato? Como a nova pesquisa aponta, as esponjas não parecem se incomodar com a falta de oxigênio e as eras glaciais intensamente poderosas, portanto, é possível sugerir um aparecimento ainda mais precoce. “O registro geológico precisa ser interrogado com muito mais intensidade e com uma mente realmente aberta para responder a essas perguntas”, disse Turner.

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A anatomia de um spyware: por que o Pegasus afeta a todos nós | NextPit

A anatomia de um spyware: por que o Pegasus afeta a todos nós

O spyware Pegasus permitiu que os governos colocassem escutas nos celulares de jornalistas, ativistas e políticos. O CEO do WhatsApp, Will Cathcart, alertou que o perigo representado pelo spyware não é limitado a um pequeno círculo de pessoas. Conversamos com especialistas em segurança para saber se o Pegasus realmente afeta a todos e como.

As autoridades de segurança já estavam de olho no Grupo NSO e em seu spyware Pegasus há algum tempo. Entretanto, em julho de 2021, ficou claro que a empresa israelense permite que os governos espionassem jornalistas, políticos e ativistas de direitos humanos. O software, que deveria ser usado para combater o terrorismo, tornou-se assim uma ferramenta de poder para governos totalitários.

Mas a maioria de nós não é ativista ou jornalista escrevendo reportagens sobre governos corruptos. No entanto, o CEO do WhatsApp, Will Cathcart, destacou que o perigo representado pelo Pegasus não está limitado às pessoas com o spyware no celular. Uma declaração com a qual muitos leitores do NextPit concordam.

NSO Group NextPit
O NSO Group Technologies é uma produtora israelense de software / © NextPit

Mas por que devo me preocupar se não sou jornalista investigativo, nem político, nem ativista dos direitos humanos? Para isso, falei com especialistas em segurança cibernética e descobri que o perigo do Pegasus não é apenas político ou mesmo simbólico.

Mas para entender o perigo real por trás do Pegasus, precisamos primeiro descobrir como o Grupo NSO e o próprio Pegasus funcionam. Afinal, nossos celulares são seguros, não?

Como funciona o Pegasus e o que o spyware pode fazer

O Pegasus é um trojan que foi descoberto por um ativista de direitos humanos em 2016, que percebeu como o spyware se infiltra em novos dispositivos. Ahmed Mansoor recebeu um SMS em 2016 que lhe prometia informações sobre violações dos direitos humanos, de acordo com o Citizen Lab. Para acessar esses dados, ele deveria abrir um link para um site que não conhecia.

Em vez de clicar no link, ele encaminhou o SMS aos pesquisadores do Citizen Lab. E eles foram capazes de relacionar este caso individual com casos anteriores que se referiam ao mesmo endereço do site. Assim, como nos e-mails de phishing, o Grupo NSO distribui seu spyware através de mensagens SMS. A vantagem aqui é que tudo o que você precisa é o número de telefone do alvo e uma isca válida.

iphone hero
O Pegasus também furou as proteções de segurança dos iPhones / © NextPit

A visita ao site, que Ahmed Mansoor evitou em 2016, teria então desencadeado uma série dos chamados "ZETAs". Isto se refere a ataques a falhas de dia-zero — ataques que visam uma falha de segurança ainda desconhecida. A rigor, os ataques de dia-zero descrevem vulnerabilidades que são exploradas no dia em que são descobertas. Entretanto, como descobriremos mais tarde, as falhas utilizadas pelo Pegasus permaneceram vulneráveis por um período de tempo mais longo.

Em 2016, o Pegasus explorou nada menos do que três bugs de dia-zero (confira os detalhes exatos nas fontes) que no final das contas permitiam fazer um jailbreak. No iOS, o jailbreak concede acesso irrestrito à maioria das funções de um iPhone ou iPad. Este "jailbreak escondido" dificilmente poderia ser detectado pelo usuário. Somente o navegador.

Dica em vídeo: os iPhones estão desprotegidos com o Pegasus?

A instalação do Pegasus tinha uma consequência bastante inteligente: o spyware desativa as atualizações automáticas do iOS. Isto significa que uma atualização não poderia mais fechar as brechas de segurança exploradas — o dispositivo comprometido permanecia vulnerável.

Isto era seguido pela criação de uma conexão criptografada a um servidor do Grupo NSO — e ativando um mecanismo de autodestruição para evitar o rastreamento.

Neste ponto, é importante mencionar que, nos casos conhecidos, não somente os dispositivos iOS foram afetados. Celulares Android também podiam ser comprometidos pela Pegasus — em vez de um jailbreak, o acesso root era liberado usando bugs de dia-zero. O que é mais importante, no entanto, é a grande variedade de dados que podem ser lidos com o Pegasus.

O Pegasus pode ler estes dados do celular invadido

Se você sabe um pouco sobre o iOS e Android, os termos "root" e "jailbreak" provavelmente causaram uma pequena indignação. Já que, a princípio, quase nenhuma falha permanece fechada para um invasor. O que oferece a você recursos bem legais não é nada bem-vindo nas mãos de um hacker.

Porque além de gravar conversas, copiar a agenda de contatos e acessar documentos e fotos, o que mais foi manchete em 2021 com o Pegasus foi a espionagem de mensageiros como o WhatsAppTelegramSignal e cia. Mesmo recursos de proteção como a criptografia de ponta a ponta não adiantam muito se os invasores podem puxar os dados do celular usando direitos de administrador.

Em poucas palavras: se o Pegasus se instalou no celular, você está encurralado. Isto é especialmente crítico se a agenda contém informações sobre informantes secretos, denunciantes ou outras pessoas importantes — ou se eles lhe enviaram informações importantes ou confidenciais.

Mas a presença de um spyware como o Pegasus tem outras consequências que são muito menos óbvias.

É por isso que o Pegasus realmente afeta a "todos nós"

Dificilmente algum de nós é um alvo direto do Pegasus. Como jornalista de tecnologia, sou completamente desinteressante para o governo do Azerbaijão, e isto se deve a um fator além da minha irrelevância: o Pegasus é muito caro. Portanto, o software não é adequado para a vigilância em massa de populações inteiras.

Você está preocupado com as revelações sobre o software Pegasus?

Mas empresas como o NSO Group são capazes de atrair governos como sua base de clientes, colocando pessoas muito poderosas em um campo de atuação que de outra forma seria dominado por cibercriminosos, empresas de segurança e desenvolvedores.

Destaco abaixo dois pontos que surgiram na conversa com dois especialistas em segurança como tendo implicações para todos os usuários de Internet e celulares. Como o NextPit é um site de tecnologia, não entrei na questão política, bastante discutida desde as revelações de julho. Contudo, se você estiver interessado, sugiro ler o guia da BBC Brasil.

O mercado de bugs de segurança oferece grandes perigos

Governos e Estados não têm apenas um interesse muito grande em certas informações. Eles também têm muito dinheiro. De acordo com a empresa de segurança Lookout, um alvo no menu de vigilância do Pegasus custa em média 25 mil dólares (cerca de R$ 130 mil). Em um caso, o Grupo NSO chegou a vender 300 licenças por 8 milhões de dólares (R$ 41,5 milhões).

Assim, a empresa tem um orçamento de milhões à sua disposição para comprar os bugs de dia-zero já mencionados no mercado clandestino. Segundo Bodgan "Bob" Botezatu, Diretor de Pesquisa de Ameaças da Bitdefender, o nome dessa prática é "exploit-brokering" (algo como mercado de falhas de segurança). E empresas como o NSO Group estão causando vários problemas.

Bob Botezatu Bitdefender
Bogdan "Bob" Botezatu adverte sobre as conseqüências de empresas como o Grupo NSO no mercado clandestino de falhas de dia-zero / © Bitdefender

Por um lado, a compra reduz a probabilidade de que uma empresa de segurança ou mesmo seu próprio desenvolvedor obtenha informações sobre vulnerabilidades críticas. Afinal de contas, nem sempre é a ética que pauta os hackers e os descobridores de tais falhas de segurança, afirmou Bob.

Por outro lado, empresas como o Grupo NSO se beneficiam de manter as vulnerabilidades abertas o máximo de tempo possível. Afinal de contas, eles querem explorar as brechas de segurança. E mesmo que o Grupo NSO não torne as falhas públicas, as vulnerabilidades permanecem abertas. Isto significa que elas não apenas permanecem exploráveis, mas também disponíveis para outros hackers e ataques - um grande risco de segurança.

Portanto, embora o Grupo NSO não esteja visando um grande número de usuários com sua base de clientes, certamente há empresas e hackers que estão fazendo exatamente isso. Um exemplo, Bob aponta graficamente, foi a revelação de uma vulnerabilidade crítica no protocolo SMB - um protocolo para compartilhar arquivos de rede.

Uma subdivisão da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos havia usado esta vulnerabilidade durante cinco anos para monitorar certos indivíduos. A brecha, conhecida como "EternalBlue", foi eventualmente roubada por um grupo chamado "The Shadow Brokers" e publicada em partes da rede. A NSA foi forçada a relatar a falha de segurança à Microsoft.

Ser inocente não significa nunca estar sob suspeita

Bob levantou uma segunda questão que achei muito interessante em relação ao Pegasus. Como comentou um leitor em minha pesquisa sobre o spyware, quando se trata de proteção de dados, muitas vezes se ouve o argumento: pode me espionar à vontade, eu não tenho nada a esconder. No entanto, esta atitude é bastante perigosa.

Talvez você só tenha que estar no famoso "lugar errado na hora errada" em uma viagem para ser um alvo potencial para o software de espionagem. E mesmo que não haja informações críticas em seu celular, o Pegasus não muda as fechaduras das portas que teve que abrir durante o ataque. Por isso Bob adverte: "se o seu celular passou pelo root ou jailbreak, ele permanecerá assim".

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Se o seu celular pode ser atualizado, não fique esperando / © NextPit

Assim, juntamente com a interrupção das atualizações de software, seu celular fica desprotegido após um ataque de spyware. É verdade, os governos podem querer apenas procurar por informações secretas que não podem encontrar sobre você. Mas a porta também está aberta para criminosos cibernéticos que querem seus dados bancários e senhas.

Portanto, mesmo que você não se veja como um alvo do Pegasus, é importante se proteger contra esse e outros spywares.

Como se proteger contra o Pegasus e companhia

Depois de todo esse cenário pessimista, Filip Chytry diz que as coisas podem ser ainda piores. O especialista em segurança adverte: a polêmica na imprensa sobre o Pegasus se deve em grande parte porque envolve personalidades políticas e pessoas famosas estão ligadas a ela.

Os sites de notícias publicaram em 20 de julho de 2021 que até mesmo políticos relevantes como o francês Emmanuel Macron ou o presidente iraquiano Barham Salih foram espionados com a ajuda do Pegasus. Os números de telefone dos amigos do jornalista assassinado Jamal Khashoggi também foram encontrados nas listas do Grupo NSO.

Emmanuel Macron NextPit
O presidente francês Emmanuel Macron teria sido espionado pelo Pegasus / © Frederic Legrand/COMEO/Shutterstock

Ou seja: o Pegasus está nas manchetes dos principais jornais e revistas porque é uma boa história. Mas é apenas a ponta de um iceberg que inclui muitas outras empresas com um modelo de negócios semelhante. Sobre isso, Filip citou como exemplo o software alemão FinFisher (saiba mais sobre o FinFisher no site da DW Brasil).

Os problemas que abordei neste artigo, que ambos os especialistas em segurança mencionaram independentemente na conversa, apontam para um problema sistêmico. Portanto, lidar com sua própria proteção de dados é, mais uma vez, mais importante do que nunca.

Descobrir se o Pegasus está instalado em seu celular não é uma tarefa muito fácil, mas os dois especialistas em segurança nos deram uma dica realmente simples: mantenha atualizados o seu smartphone e os aplicativos instalados.

Adiar atualizações é uma má ideia exatamente por esta razão. Mas, de acordo com uma das nossas recentes enquetes, poucos de vocês fazem isso no final das contas. Preparei uma pequena lista de verificação com base nas outras dicas de Bob Botezatu e Filip Chytry:

Lista de verificação de segurança: como se proteger contra spywares

  1. Instale as atualizações assim que estiverem disponíveis;
  2. Ative as atualizações automáticas dos aplicativos;
  3. Verifique regularmente por atualizações das versões de apps instalados via APK;
  4. Antes de viajar para o exterior: verifique ainda em casa se há uma nova atualização de segurança - se você estiver viajando para um país onde está preocupado com a espionagem, obtenha um segundo celular barato que você pode jogar fora depois;
  5. Nunca abra links de fontes nas quais você não confia.

A dica de Bob para conseguir um "celular descartável" (burner phone) parece algo saído de um filme de Hollywood. Mas considerando as consequências de spywares como o Pegasus para a segurança futura de seu smartphone, este conselho não é tão absurdo. Além disso, a instalação de softwares de segurança pode proteger o seu smartphone.

De acordo com Bob, muitas soluções de segurança — incluindo a de seu empregador Bitdefender — utilizam inteligência artificial para detectar anomalias no tráfego de dados e no comportamento de certos apps. Mesmo que um novo spyware ainda não seja conhecido e, portanto, suas características ainda não estejam nos bancos de dados das empresas de segurança, você pode receber um aviso e se proteger.

Conclusão: colocar muitos em perigo para proteger muitos?

A existência de spywares como o Pegasus, também chamado de "Trojan governamental", aponta para uma contradição na segurança cibernética. Já que para monitorar a comunicação de certas pessoas, a segurança de inúmeros smartphones e PCs é posta em risco.

Não há apenas consequências diretas, como o perigo de pegar um trojan no celular pessoal. São muito mais as consequências indiretas, como as brechas de segurança que ficam abertas por maistempo, que afetam cada um de nós. Alimentar um mercado no qual falhas de segurança zero-day são vendidas para desenvolvedores de spyware cria mais insegurança no uso de sistemas operacionais e aplicativos.

O Pegasus é um caso extremo aqui, pois a espionagem serviu não apenas para "proteger a democracia", mas para auxiliar regimes autoritários, de modo que o argumento de que não se tem nada a esconder como um "cidadão inocente" em um país democrático, ou que o Pegasus é tão caro que apenas pessoas realmente relevantes são espionadas não conta.

"O Pegasus afeta a todos nós" — mesmo que não em sua forma direta, pelo menos no impacto que o spyware e a exploração comercial das falhas que ele aproveita tem sobre a segurança cibernética como um todo.

Fontes

  • WhatsApp-chef über Pegasus: "Das betrifft uns alle" - Frankfurter Allgemeine Zeitung
  • The Million Dollar Dissident NSO Group’s iPhone Zero-Days used against a UAE Human Rights Defender – Citizenlab
  • Technical Analysis of Pegasus – Lookout (PDF)
  • Revealed: leak uncovers global abuse of cyber-surveillance weapon – The Guardian

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Telegram: como encontrar e entrar em grupos e canais? | NextPit

Telegram: como encontrar e entrar em grupos e canais?

Neste guia, o NextPit explica como encontrar e entrar um grupo no aplicativo Telegram, seja privado ou público, com ou sem um link de convite "t.me".

Como quase todos os apps de mensagens, o Telegram permite criar e se juntar a grupos, tanto privados quanto públicos. Os grupos no Telegram podem ter até 200.000 membros e são poderosos instrumentos de comunicação, mas não devem ser confundidos com os canais.

Mas como você encontra um link de convite? O que são os Diretórios do Telegram? Explico tudo isso.

Grupo ou canal? O que são e qual a diferença no Telegram?

Bem, eu não vou insultar sua inteligência explicando o que é um bate-papo em grupo em um aplicativo de mensagens.

Basta observar que um grupo no Telegram pode ter até 200.000 pessoas e que é impossível criar um chat de grupo secreta. Por esse motivo, suas conversas em grupo não são criptografadas de ponta a ponta.

Entretanto, um grupo no Telegram é privado por padrão, o que significa que somente pessoas que são diretamente convidadas ou têm um link de convite "t.me" podem participar. É possível tornar um grupo público, isso faz com que ele apareça nas buscas de grupo/canal e poderá ser acompanhado por qualquer pessoa.

Acima de tudo, os grupos no Telegram não devem ser confundidos com os canais. Os grupos são projetados para discussões de vários participantes, o que significa que as trocas são recíprocas. Já os canais não são tão interativos. Um canal no Telegram é projetado para transmitir conteúdo para uma ampla audiência.

telegram how to find groups channels difference
À esquerda, o grupo NextPit França no Telegram para chat com a equipe (nesse caso eu e... eu), à direita, nosso canal de notícias / © NextPit

Você não se torna um "membro" de um canal, mas pode assiná-lo e os canais no Telegram podem ter um número ilimitado de assinantes. Quando você posta em um canal, a mensagem é assinada com o nome e a foto do canal, não a sua, e somente os administradores de um canal podem postar nele para começo de conversa.

Os canais também oferecem toda uma série de métricas de mídia e audiência, com análises e estatísticas de tráfego, engajamento, etc... Um canal no Telegram cumpre a mesma função que uma conta oficial no Twitter, Instagram ou Facebook de uma mídia, instituição, personalidade ou empresa.

NextPit Brasil, por exemplo, tem um grupo no Telegram "NextPit BR Community" para que os leitores participantes possam conversar diretamente com os editores.

Por outro lado, também temos um canal "NextPit BR News", onde compartilhamos os artigos publicados no site e no qual os participantes só podem ler e compartilhar os posts. Eu inclui os links de convite "t.me" para ambos, mas você pode encontrá-los pela barra de busca no Telegram, pois são públicos.

Esta autopromoção sem vergonha, no entanto, me permite fazer a transição para a próxima seção deste guia: como encontrar e entrar em um grupo no Telegram?

Como encontrar e participar de um grupo no Telegram?

Como explicado acima, há uma diferença importante entre grupos privados e públicos, e esta distinção condiciona o acesso de novas pessoas. Para encontrar e se juntar a um grupo privado, você sempre precisará de um convite direto ou um link "t.me". Para um grupo público, há várias opções para encontrar grupos em torno dos seus interesses.

Como encontrar e entrar em um grupo no Telegram público/privado com um link de convite

Não é possível encontrar um grupo privado no Telegram pela função de busca integrada no app de mensagens. Você tem que ser convidado diretamente por um dos participantes ou receber um link de convite "t.me/ nome_do_grupo", caso do t.me/nextpit_br.

Para um grupo privado, somente administradores podem gerar e compartilhar um link de convite. Em um grupo público, qualquer membro pode acessar o link de compartilhamento e enviá-lo a alguém. Também é possível entrar em um grupo privado (ou público) usando um código QR.

Este sistema de convite também se aplica a grupos públicos, mas não é obrigatório. O link do convite pode ser acessado por todos, basta tocar no banner do grupo no topo e ele será exibido. Você não precisa da aprovação de um administrador para se juntar a um grupo público.

Nextpit BR Telegram
Mais uma oportunidade para participar da Comunidade NextPit no Telegram ;) / © NextPit

Como encontrar e participar de um grupo público no Telegram usando a barra de busca

Para encontrar e entrar em um grupo público, você não precisa de convite. O sistema de convites também funciona os grupos abertos, claro, mas não é essencial como nos grupos privados.

Para encontrar um grupo público, basta usar a função de busca do Telegram:

  1. Da tela inicial do app, toque no ícone da lupa na parte superior direita;
  2. Digite o nome da empresa, site, organização, personalidade, marca ou simplesmente um tópico de sua escolha;
  3. Os grupos públicos aparecem na categoria Busca Global;
  4. Selecione o grupo de sua escolha e toque nele;
  5. Uma vez no grupo, toque no botão Entrar, no rodapé da tela.
telegram how to find groups search bar
Entrar em um grupo ou canal no Telegram segue os mesmos passos / © NextPit

Os grupos públicos e os canais no Telegram são misturados nos resultados. Para distingui-los, lembre-se que um grupo público exibe um número de "membros" enquanto um canal exibe um número de "inscritos" sob seus respectivos nomes.

Como encontrar e entrar em um grupo público do Telegram usando agregadores on-line

A função de busca do Telegram pode se tornar limitada rapidamente. Você pode encontrar muitos sites que oferecem comparações e seleções dos melhores grupos do Telegram. O termo em inglês para isso é "diretório" (directory).

Pessoalmente, acho este tipo de sites bastante obscuro, o conteúdo quase nunca é trabalhado ou checado editorialmente, em suma, são minas de conteúdo como você pode encontrar em qualquer lugar sobre qualquer tema.

O Telegram tem uma página dedicada em seu site oficial que permite explorar grupos e canais de acordo com diversas categorias. Você também pode pesquisar por nome, descrição ou palavras-chave.

telegram how to find groups official website mobile
O diretório oficial do Telegram não lista todos os grupos e canais / © NextPit

Como explicado, existem muitas alternativas não oficiais, sendo uma das mais conhecidas o Tdirectory.me, mas tenha lembre-se que eles são agregadores. As seleções não são verificadas e você tanto pode encontrar o grupo perfeito, como também um celeiro de golpes online.

Além disso, como estamos na web e ela é feita por (e para) seres humanos, é provável que você se depare com muitos grupos e canais pornográficos. Encontrei um sub-reddit com um nome que soava muito oficial, mas foi EXCLUSIVAMENTE alimentado por mensagens de grupos no Telegram para fãs do Onlyfans etc... Não estou dizendo que seja ruim ou inútil, apenas que procurar um grupo ou canal do Telegram pode ser bastante aleatório.

Há também canais do Telegram que promovem outros grupos e canais. Mas quase todos eles cobram dos administradores, portanto não estou muito inclinado a dar visibilidade para eles aqui. Também me lembro de um bot @tchannelsbot que era super útil e agia como um diretório. Mas não está mais ativo desde 2017 e não encontrei uma boa alternativa.

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Xiaomi assume o segundo lugar entre as fabricantes de celulares | NextPit

Xiaomi assume o segundo lugar entre as fabricantes de celulares

A Xiaomi continua subindo degraus no pódio dos celulares. De acordo com números preliminares da consultoria Canalys, os chineses são agora o segundo maior fabricante mundial de smartphones pela primeira vez em um trimestre, deixando a Apple em terceiro lugar. A Samsung continua liderando o ranking.

  • Canalys publicou números preliminares de vendas para o 2ºT/21;
  • Xiaomi superou a Apple, a Samsung permanece na frente;
  • Oppo e Vivo completam o top 5.
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Não é bem uma novidade que a Xiaomi tem lançado muitos celulares. Mas muitos modelos novos não significam necessariamente mais smartphones vendidos, mas no caso da Xiaomi o plano parece estar funcionando. De acordo com os últimos números (preliminares) da empresa de pesquisa de mercado Canalys, somente a Samsung vendeu mais celulares no mundo inteiro do que a Xiaomi no segundo trimestre de 2021.

83 por cento mais celulares distribuídos do que no ano anterior

O fato da Xiaomi ter sido capaz de ocupar o segundo lugar atrás da Samsung pela primeira vez na história deve-se ao fato de ter conseguido vender 83 por cento mais smartphones do que no mesmo trimestre do ano anterior. Em comparação, as vendas da Samsung aumentaram em 15% e as da Apple em apenas 1%. As chinesas Vivo e Oppo tiveram aumentos de 27 e 28 por cento, respectivamente. O gráfico a seguir ilustra isso mais uma vez:

Canalys Smartphone Prelim 5
Em geral, foram enviados 12% mais smartphones do que no ano anterior / © Canalys

Deve-se lembrar, entretanto, que as estimativas da Canalys ainda são preliminares e também devemos levar em conta que o segundo trimestre é geralmente um período de entressafra para a Samsung e especialmente para a Apple. Portanto, é apenas um instantâneo, que pode já parecer diferente no terceiro ou quarto trimestre.

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Xiaomi chega em preço - e qualidade

Os dias da Xiaomi lançando celulares baratos de plástico que não passavam de imitações do iPhone ou da Samsung já ficaram para trás. O sucesso atual ainda pode ser explicado pela política agressiva de preços, pelo menos no exterior, com um preço médio de venda 40 a 75% mais baixo do que o da Samsung e da Apple.

Ao mesmo tempo, a Xiaomi se tornou uma fabricante que busca inovação (200 watts de carga rápida, por exemplo). Sabemos que os chineses podem construir flagships de alta qualidade antes mesmo do monstro Mi 11 Ultra. No NextPit, os celulares da Xiaomi aparecem em nossas listas dos melhores frequentemente, seja tratando dos melhores smartphones em geral, dos melhores celulares intermediários ou das melhores câmeras.

A propósito, o gerente de pesquisa da Canalys, Ben Stanton, detalhou de onde vem o grande crescimento da Xiaomi: a empresa cresceu 50% na Europa Ocidental, 150% na África e até 300% na América Latina.

Qual o limite para a Xiaomi?

Com uma participação de mercado de 17%, a Xiaomi não só deixou a Apple para trás, mas também está se aproximando perigosamente dos 19% da líder Samsung. Mas mais uma vez, tanto a Apple quanto a Samsung lançarão novos topos de linha em 2021. No caso da Samsung, estamos esperando o Galaxy Z Fold 3, entre outras coisas, enquanto a Apple lançará a linha iPhone 13.

As chinesas Vivo e Oppo também não vão querer ficar paradas nesta batalha pelo topo do pódio dos celulares, apenas a Huawei parece ter se despedido deste grupo, justamente um ano após ter assumido a segunda colocação.

O que você achou? Estamos testemunhando uma troca de posições no mercado de celulares - ou os números da Canalys são apenas um instantâneo e tudo vai mudar com o lançamento do novo iPhone?

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“Brasil tem uma elite sem senso patriótico”, diz Margarida Salomão

Margarida Salomão

247 - A prefeita de Juiz de Fora (MG), Margarida Salomão (PT), condenou o projeto do semipresidencialismo, cuja tramitação avança rapidamente na Câmara. Para ela, a Proposta que prevê a mudança no sistema de governo representa os interesses de uma elite “subserviente”. Críticos da oposição e autoridades veem o semipresidencialismo como uma tentativa de golpe para reduzir os poderes de um eventual governo Lula.

“É uma coisa impressionante a subserviência da elite brasileira. É impressionante como podemos ter uma elite tão sem vergonha e tão desprovida de senso patriótico. A elite americana pelo menos é nacionalista. Agora, a elite brasileira é verdadeiramente vergonhosa, porque estar tramando coisas como semipresidencialismo indica a nossa postura agachada, que nós não podemos reivindicar o tamanho que temos, em termos de tamanho populacional, potencial econômico e presença geopolítica”, criticou a prefeita, que participou do programa Globalistas, na TV 247. 

Margarida Salomão relembrou os anos do governo Dilma Rousseff, que buscou forjar relações com países emergentes e rivais dos Estados Unidos. “Há alguns anos, me lembro de que, conversando com a presidenta Dilma, ela elogiou a postura da Rússia, que tinha colocado o pé na porta, para usar as palavras dela, quando os Estados Unidos ameaçaram invadir a Síria. E eu perguntei, porque a Rússia, que é como nós, uma baleia, um país grande, com uma grande população e com um grande potencial econômico, reclama a sua autonomia e sua disposição de interferir na cena mundial, enquanto o Brasil está sempre envergonhado e subalterno e nessa posição tão desconfortável? E ela respondeu: ‘é uma coisa óbvia, a Rússia jamais foi colônia’. Acredito que o grande problema daqui, junto com o racismo, é o patriarcalismo e o colonialismo, que é uma marca registrada dos grupos dirigentes brasileiros”, afirmou. 

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Análise: Bolsonaro mobiliza reservas que sobraram e coloca centrão diante de impasse

Atos da bolha do presidente mostram alguma FORÇA no isolamento, deixando cenário para 2022 TURVO 

São Paulo

Jair Bolsonaro tinha, no mês passado, 24% de aprovação popular segundo o Datafolha

Muito menos que os 51% que o reprovavam, e, somado a uma curva de popularidade descendente, o presidente estava diante de um cenário bastante desconfortável.

A situação só piorou politicamente, levando à tentativa de entrada do centrão, na figura do agora ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI), no centro nervoso do governo.

Manifestantes em favor do presidente Jair Bolsonaro se reúnem na avenida Paulista, em SP
Manifestantes em favor do presidente Jair Bolsonaro se reúnem na avenida Paulista, em SP - Bruno Santos/Folhapress

Ato contínuo, Bolsonaro precisou emitir sinais externos de independência e protagonizou um dos momentos mais bizarros desde a redemocratização, usando a estrutura estatal para promover mentiras na forma de vídeos juvenis que lançam dúvidas sobre a lisura das urnas eletrônicas.

Atacar o sistema eleitoral é a nova defesa da cloroquina, com efeitos sistêmicos tão ou mais graves. 

É algo eficiente em termos de discurso: a política ou seus meandros estão longe de serem entes confiáveis na visão do brasileiro médio, não sem razão.

Daí a instrumentalizar isso em favor de sua defesa, foi um pulo para o presidente. 

Os milhares de pessoas que foram às ruas neste domingo (1º) para apoiar a tese acerca das urnas é um lembrete de que os 24% ainda são mobilizáveis, com uma vantagem sobre os participantes de atos contrários a Bolsonaro.

Ali, não estão os 51% que reprovam a gestão, e sim a franja à esquerda desse contingente

Apesar de um ou outro sinal, a classe média de corte conservador que foi à rua para ajudar a derrubar Dilma Rousseff (PT) em 2016 não deu as caras.

Ponto para Bolsonaro, que conseguiu as fotografias e imagens que quis para manter seu novo delírio de estimação vivo na gaiola com a qual ameaça as instituições que permitem sua existência política. 

Segue a ignorar seus aliados, cada vez mais agastados.

Significativo do tipo de aderência que o grupo inspira, ex-ministros rifados por Bolsonaro estiveram nos atos, como os párias do ambiente (Ricardo Salles) e da diplomacia (Ernesto Araújo). 

De desleais esse ditos ideológicos não poderão ser acusados.

Ainda assim, não era exatamente uma multidão, longe disso.

O Rio de Janeiro, com sua particularidade demográfica, até forneceu um quórum maior. 

Na avenida Paulista, maior termômetro do país, contudo, os números visíveis foram bem mais modestos.

Claro que para as redes bolsonaristas, alheias à realidade, isso não importa, e fotografias mais fechadas em concentrações pontuais vão validar a hashtag qualificando de "gigante" a iniciativa deste domingo. 

É o que temos.

Mas a circunscrição do protestos na bolha bolsonarista leva a outras considerações. 

Quanto tempo o centrão, ao menos o PP que ora domina Casa Civil e Câmara, irá aceitar a coparticipação em um governo que parece ter adotado a tática unidimensional do confronto institucional?

É um impasse previsível.

Um presidente de partido do grupo, ora alijado do centro do poder, dizia no sábado que o desespero de Bolsonaro poderia acelerar algo impensável até há pouco, um movimento com apoio tácito do centrão para destituí-lo.

Uma coisa é dizer aqui e ali que urnas não são confiáveis, afirmou esse dirigente. 

Ruim, mas passa e será barrado pelo Congresso

Outra é acusar o chefe do Tribunal Superior Eleitoral de um crime, beneficiar o adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e ameaçar diretamente o pleito de 2022.

Procurado neste domingo para comentar os atos, adotou um tom "blasé", se dizendo pouco impressionado. 

Mas ressaltou: achou que haveria menos gente nas ruas.

O xadrez é bastante complexo, e um Bolsonaro isolado tenta com os atos dizer que ainda "tem rua", aspas obrigatórias. 

Pode ter umas faixas, talvez calçadas, mas o asfalto sob seus pés parece estar em franca redução.

O presidente demonstrou força, mas a força que lhe é residual e que combina com o seu temor básico de ser preso ao fim de tudo isso, como explicitou na live de quinta-feira (29).

Não é muito diferente do que ocorreu com Donald Trump nada por acaso o ídolo político de Bolsonaro e sua prole.

Quando o solo estreitou-se sob o então presidente americano, já derrotado por Joe Biden na tentativa de reeleição, o republicano promoveu a farsa da intentona de 6 de janeiro, quando o equivalente ao pessoal que foi às ruas neste domingo no Brasil tentou melar à força a sessão do Capitólio que confirmaria a vitória do democrata.

Fracassaram, com repercussões e danos institucionais sérios, a começar pela inaudita necessidade de os chefes militares americano se manifestarem contra qualquer golpismo.

Aqui, temos Walter Braga Netto (Defesa) indo na direção contrária, mas comandantes na ponta prometendo legalismo —embora discretamente, fora do olhar público.

Nesse sentido, Bolsonaro já venceu como ente político: o Brasil de 2021 é uma grande bagunça, e o das eleições de 2022, um CAMPO MINADO de HIPÓTESES EXPLOSIVAS.

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Ainda soluçando descontroladamente, Bolsonaro volta a ameaçar pleito em 2022: "sem eleições limpas, não haverá eleição"

Jair Bolsonaro

Mesmo após a repercussão negativa de sua última live na qual espalhou INFORMAÇÕES FALSAS sobre a urna eletrônica e diante dos pedidos do Centrão por um discurso mais MODERADOBolsonaro SEGUE em OFENSIVA ontra o sistema eleitoral do país.

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Brasil tá LASCADO: estamos num BECO SEM saída, a situação é DRAMÁTICA

Mesmo que o STF “peite” Bolsonaro, o controle do Centrão sobre o Congresso seguirá inviabilizando um processo de impeachment

Tereza Cruvinel _ 30 de julho de 2021, 21:05
Tereza Cruvinel e Jair Bolsonaro

247 - “Não vamos ter resposta da Câmara pelo impeachment, isso está claro. 

“Digamos que o Supremo resolva peitar o Aras e abrir um inquérito contra o Bolsonaro assim mesmo, por crime comum. 

Aí tem que pedir a licença da Câmara e tem que ter três quintos dos votos. E aí o Centrão segura. É um beco muito sem saída, nossa situação é muito dramática”, lamentou. 


Borba RATO e a cultura brasileira INCENDIADA 

Por Gilvandro Filho - Um governo que entrega a Secretaria da Cultura a um sujeito que NÃO sabe do que se trata, e NEM faz a menor questão de saber, NÃO merece chamar-se governo. 

Como NÃO dá para chamar de presidente quem entrega uma entidade feito a Fundação Palmares a ignorantes preconceituosos, os direitos humanos a fanáticos religiosos, a fiscalização da Amazônia a criminosos ambientais, a Educação a quem NÃO a tem.

Da mesma forma, NÃO há como se ter respeito a um governante que foi eleito no colo de uma campanha regada a mentiras e ódio, que trata seus adversários como inimigos a serem exterminados, que dá a criminosos o tratamento de ilustríssimos senhores a serem exaltados. 

Ou que entrega a saúde a militares e propineiros e que tenta transformar os brasileiros em cobaias de teses criminosas como a imunização de rebanho, prática solerte que rendeu mais de 556 mil mortes por Covid 19, genocídio que coloca o Brasil de Bolsonaro no topo da vergonha mundial.

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