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Cenário econômico de 2022 fica cada vez mais difícil | Míriam Leitão - O Globo
Por Míriam Leitão

O cenário é de inflação, juros e desemprego altos. No final do ano, o desemprego pode cair um pouco. Nas entrevistas, o ministro Paulo Guedes repete que a economia está crescendo em 'v', mas isso não está acontecendo de fato. Não é uma retomada, é a recuperação da queda do ano passado.
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O histórico gol contra de Biden no Afeganistão | Guga Chacra - O Globo
Joe Biden deve explicações por sua incompetência no processo de retirada das tropas americanas do Afeganistão. É um dos maiores fiascos em décadas. Insisto, o problema não era a decisão de remover os 2,5 mil militares ainda presentes no país após 20 anos de guerra. Havia um consenso de que não dava para ter uma presença perpétua. Dois terços dos americanos eram a favor de se retirar e a decisão de sair foi tomada por Donald Trump.

O problema, como escrevi ontem, foi a total falta de preparo e de inteligência para a implementação. Algumas semanas atrás, Biden afirmou "não haver nenhuma circunstância na qual você verá pessoas sendo removidas do telhado da embaixada. A probabilidade de o Talibã conseguir conquistar tudo é extremamente improvável".
O que ocorreu foi exatamente o oposto do que previa Biden. As cenas no aeroporto de Cabul e o impressionante avanço do Talibã provam como errou o presidente americano e toda a sua equipe.
Este desastre marcará Biden até o final do seu governo. Será lembrado como um incompetente em sua política externa. É talvez um dos maiores gols contra da história de um presidente dos EUA. Perdeu completamente o respeito.
O fracasso dos EUA no Afeganistão é culpa de Bush, Clinton, Obama e Trump. Mas estas cenas vergonhosas e humilhantes dos últimos dias são responsabilidade de Biden. O Talibã provavelmente tomaria o poder no Afeganistão com ou sem presença americana. Mas a forma que ocorreu é inaceitável.
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Os tanques do nosso desencanto | Opinião - O Globo
O tema da semana para mim foi o relatório do IPCC sobre aquecimento global. Desde 2005, quando houve a conferência de Gleneagles, na Escócia, aprendi que o momento em que chegaríamos a uma situação irreversível seria quando as grandes correntes marinhas fossem afetadas. Parece que chegamos lá.
Como discutir isso num país em que Bolsonaro é presidente? O tamanho do adversário nos entristece porque acaba rebaixando nossas possibilidades.
No momento em que soava o alarme do IPCC para a humanidade, e para o Brasil, uma vez que ainda somos parte dela, o país estava galvanizado por um desfile de artefatos fumegantes na Esplanada dos Ministérios.
Não há o que dizer numa república bananeira quando o presidente decide promover um desfile de tanques de guerra para pressionar o Congresso. Isso é Bolsonaro.
As Forças Armadas, no entanto, me preocupam. Elas não são obtusas como muitos às vezes as descrevem. Há tecnologia moderna no ITA, livros sobre guerra moderna são produzidos por oficiais, e até reflexões sobre direitos humanos e a Convenção de Genebra.
É verdade que o Brasil não tem muita experiência real de guerra, e isso tende, segundo alguns, a uma acomodação burocrática. Vá lá, mas ainda assim a burocracia não pode escapar de uma certa racionalidade.
Como explicar um desfile de tanques para entregar um convite ao presidente? É algo que poderia ser feito por e-mail, telegrama, ofício ou mesmo por uma pequena comissão.
Posso até admitir que usem um tanque para chegar a uma cachoeira de difícil acesso. É contra o regulamento, mas não tão absurdo.
E para que toda aquela fumaceira? Não estaria dando uma falsa ideia da precariedade de nossos equipamentos? São melhores do que pareceram naquela manhã do dia 10 de agosto.
Comecei até a duvidar da racionalidade dessa Operação Formosa, que custou em torno de R$5 milhões. Em que cenário de guerra a Marinha desembarcaria esses calhambeques? Na Normandia, na Baía dos Porcos, ou seriam um reforço tardio na caça ao Lázaro Barbosa, que morreu numa operação policial em Goiás?
No fundo, fico pensando, será que esses almirantes, brigadeiros e generais têm realmente ideia do que é uma guerra moderna?
Se tivessem, dariam mais valor à informação e a seus aspectos psicológicos? Interessa mostrar ao mundo um deslocamento de tanques para entregar convites, assim como o descaso de escolher essa fumaceira para exibir às câmeras?
Suponhamos que Bolsonaro tenha transformado as Forças Armadas num tipo de milícia que ignora o mundo e está unicamente preocupada em impressionar os moradores desarmados. Ainda assim, a milícia, composta de policiais aposentados e da ativa, embora não tenha as melhores armas, sabe que o ridículo a enfraquece.
Vimos fotos de tanques na Segunda Guerra, na ocupação da Praça da Praça Celestial, na invasão soviética da antiga Tchecoslováquia. Pessoalmente, estive perigosamente perto dos tanques sérvios cobrindo a independência da Croácia.
Tanques fumegantes, no entanto, sempre dão a ideia de que foram atingidos por um projétil e estão saindo de combate. Os nossos são de fabricação austríaca, e o projétil que os atingiu não é propriamente físico, mas sim a indigência mental bolsonarista que capturou parte do comando militar.
Amigos que foram ministros da Defesa e alguns generais que respeito continuam dizendo que as Forças Armadas não embarcam numa aventura golpista.
Duvidei quando resolveram não punir Pazuello por participar de um comício político. Sei que vão explicar um dia, daqui a cem anos. Temo não estar vivo para conhecer a história.
Temo mais ainda ter de prolongar essa discussão numa prisão militar e ouvir o argumento de que as Forças Armadas são democráticas e nos encarceram apenas para nos proteger de Bolsonaro.
Mais ou menos cadeia a esta altura da vida é irrelevante. O que dói é acreditar que construímos um país vulnerável. Não há defesa nacional com a estupidez no comando.

Por Fernando Gabeira
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"Nós somos os invasores", diz Michael Moore, após derrota dos EUA no Afeganistão

Por Michael Moore, em seu facebook – Cabul, Saigon. A queda, mais uma vez. A América perde outra guerra. Nossa guerra mais longa. “Somos o nº 1 !!”Gastamos mais de US$ 2 trilhões. Sacrificamos mais de 2.300 vidas de americanos para invadir um país onde Bin Laden nunca foi, em lugar nenhum, encontrado. Bush disse que não tinha interesse em capturá-lo. A equipe de Obama o encontrou em uma casa na mesma rua de "West Point" do Paquistão. Quem diria!
NÓS somos os invasores. O Taleban não é invasor - eles são afegãos - é o país deles! Eles são loucos religiosos. Nós sabemos como é - nós temos o nosso!
Que bagunça trágica. Tirem recursos do Pentágono e do complexo militar-industrial, da NSA, da Segurança Interna. Eles enviaram nossas jovens tropas para a morte. Vergonha! 15 dos 19 sequestradores em 11 de setembro eram da Arábia Saudita! Nem o Afeganistão, nem o Iraque, nem o Irã. Por que Bandar Bush não atacou os sauditas? Oh. Certo. Encha-o!
Mais uma vez, fomos derrotados por um exército sem aviões bombardeiros, sem destróieres, sem mísseis, sem helicópteros, sem napalm - apenas um bando de caras em picapes. Não ganhamos uma guerra real na defesa deste país desde a Segunda Guerra Mundial.
76 anos atrás hoje.
Hoje é o Dia do VJ - Dia da Vitória sobre o Japão. 15 de agosto de 1945. (Obrigado, tio Lornie, por sacrificar sua vida.)
Hoje, 76 anos depois, é o dia em que os EUA perderam a Guerra do Afeganistão. Deus abençoe nossas tropas. Que nossas tropas nos perdoem.
Muitas condolências e amor a todas as famílias que perderam entes queridos nesta guerra horrivelmente triste.
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Centrão é indulgente com Bolsonaro, diz o Estado de S. Paulo em editorial

247 - O jornal O Estado de S. Paulo afirma, em editorial, que os efeitos da “submissão do Brasil a Bolsonaro são amplos e vão muito além do primitivismo bolsonarista. O Centrão, antes hostilizado pelo presidente pelas razões certas, hoje é o senhor absoluto de seu governo e determina a agenda parlamentar e a distribuição de verbas públicas, à feição de seu projeto de poder”.
“Esse projeto nada tem a ver com as tão necessárias reformas de que o Brasil necessita. O Centrão sempre foi linha auxiliar de partidos reformistas, mas jamais foi, em si mesmo, um bloco político disposto a modernizar o País. Agora com poder real em todas as esferas políticas relevantes, seja no Congresso, seja no Executivo, o Centrão vai trabalhar não propriamente pelas reformas, mas pela consolidação de seu domínio sobre a máquina federal – e vai sustentar Bolsonaro, e até apoiar sua reeleição, enquanto este não lhe obstar o avanço”, destaca o texto.
“Como se vê, Bolsonaro “acostumou-se” ao Centrão, porque era isso ou o impeachment. No entanto, que ninguém se engane: Bolsonaro, malgrado as aparências de fraqueza, conserva o poder institucional da Presidência, e isso é mais que suficiente para causar confusão e desestabilizar o País”, afirma o editorialista.
“É por isso que o Centrão trabalha com afinco pelo apaziguamento com Bolsonaro, como se isso fosse possível. Não sendo, é o caso de advertir que quem for indulgente com Bolsonaro, aceitando seus arreganhos sem reagir à altura, em defesa da democracia, será visto como cúmplice pusilânime do golpismo bolsonarista”, finaliza o texto.
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A volta do Talibã e o Ocidente sem rumo

Outras palavras - Por Patrick Cockburn, publicado originalmente no Counterpunch
Em meados do mês passado, observei os talibãs percorrerem o norte do Afeganistão, tomando lugares onde eu havia estado pela primeira vez em 2001, no começo da guerra iniciada pelos Estados Unidos. Os combatentes talibãs se apoderaram da principal ponte para o Tadjiquistão, no Amu Daria, um rio que cruzei em uma balsa difícil de manejar, poucos meses depois de iniciado o conflito.
O último comando norte-americano da gigantesca base aérea de Bagram, ao norte de Cabul, que havia sido quartel-general para 100 mil soldados, se retirou em plena noite, no início de julho, sem sequer informar a seu sucessor afegão, que disse ter sabido da evacuação final das tropas duas horas depois de ocorrida.
A principal causa da implosão das forças do governo afegão foi o anúncio do presidente Joe Biden, em 14 de abril de 2021, de que as últimas tropas norte-americanas abandonariam o país em 11 de setembro. Mas as alegações dos generais norte-americanos e britânicos, de que tudo isso está acontecendo muito rápido para que consigam preparar as forças de segurança afegãs para ficarem sozinhas, são absurdas – já que se passaram duas décadas sem que conseguissem fazer exatamente isso.
Ao findar da intervenção militar ocidental, vale a pena perguntar-se quais são as causas desse desastre humilhante. Por que tantos talibãs estão dispostos a morrer por sua causa, enquanto os soldados do governo fogem ou se rendem? Por que o governo afegão em Cabul é tão corrupto e disfuncional? O que aconteceu com os 2,3 trilhões de dólares gastos pelos EUA tentando – e falhando em – vencer uma guerra em um país que continua miseravelmente pobre?
De maneira mais geral, por que isso que foi apresentado como uma vitória decisiva pelas forças anti-Talibã, apoiadas pelos EUA, vinte anos atrás, se transformou nesta derrota?
Uma das respostas é que o Afeganistão – como o Líbano, a Síria e o Iraque – não são países onde a palavra “conclusivo” deva ser usada para qualquer vitória ou derrota militar. Vencedores e perdedores não emergem, porque há muitos envolvidos, dentro e fora do país, que não podem se dar ao luxo de perder ou de ver o inimigo vencer.
As analogias simplistas com o Vietnã, em 1975, são enganosas. O Talibã não tem nada parecido com o poderio militar do exército norte-vietnamita. Além disso, o Afeganistão é um mosaico de comunidades étnicas, tribos e regiões, sobre as quais o Talibã lutará para governar, aconteça o que acontecer com o governo de Cabul.
A desintegração do exército e das forças de segurança afegãs acelerou o ataque do Talibã, que enfrentou pouca resistência e conseguiu obter ganhos territoriais espetaculares. Essas mudanças rápidas de sorte no campo de batalha no Afeganistão são tradicionalmente geradas por indivíduos e comunidades que mudam rapidamente para o lado vencedor. Famílias enviam seus jovens para lutar pelo governo e pelo Talibã, para garantir segurança. Rendições rápidas de cidades e distritos evitam retaliação, enquanto a resistência prolongada geralmente leva ao massacre.
O padrão era semelhante, em 2001. Enquanto Washington e seus aliados locais na Aliança do Norte alardeavam sua vitória fácil sobre o Talibã, os combatentes deste voltavam ilesos para seus vilarejos ou cruzavam a fronteira com o Paquistão para esperar por dias melhores. Isso aconteceu quatro ou cinco anos depois, quando o governo afegão já tinha feito o suficiente para desacreditar a si mesmo.
A grande força do Talibã é que o movimento sempre teve o apoio do Paquistão, um Estado com armas nucleares com um poderoso exército, uma população de 216 milhões e uma fronteira de 2.600 quilômetros com o Afeganistão. Os EUA e o Reino Unido nunca admitiram verdadeiramente que, a menos que estivessem preparados para enfrentar o Paquistão, não poderiam vencer a guerra.
Outros pontos fortes do Talibã são um núcleo de comandantes e combatentes fanáticos e experientes, com raízes na comunidade pashtun, que representa 40% da população afegã. Um coronel paquistanês que comandava tropas pashtuns irregulares, do outro lado da fronteira com o Afeganistão, me questionou uma vez sobre os esforços americanos e britânicos “para conquistar corações e mentes” no sul do Afeganistão, fortemente pashtun. Ele acreditava que as chances de sucesso eram baixas, pois, segundo ele, a experiência o ensinou que uma característica central da cultura pashtun é que “eles realmente odeiam os estrangeiros”.
A propaganda sobre a “construção da nação” por ocupantes estrangeiros no Afeganistão e no Iraque sempre foi paternalista e irreal. A autodeterminação nacional não é algo que possa ser fomentado por forças estrangeiras, quaisquer que sejam suas supostas boas intenções. Elas invariavelmente levam em conta seus próprios interesses em primeiro e último lugar, e a confiança do governo afegão nas tropas norte-americanas e britânicas o deslegitimou aos olhos dos afegãos, afastando-o de suas raízes na sociedade afegã.
As vastas somas de dinheiro disponíveis com os gastos estadunidenses no país produziram uma elite cleptocrática. Os Estados Unidos gastaram 144 bilhões de dólares em desenvolvimento e reconstrução, mas cerca de 54% dos afegãos vivem abaixo da linha da pobreza, com renda inferior a 1,90 dólares por dia.
Um amigo afegão que já havia trabalhado para a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês) me explicou alguns dos mecanismos de como a corrupção pôde florescer. Ele disse que as autoridades humanitárias norte-americanas em Cabul consideram muito perigoso visitar pessoalmente os projetos que estão financiando. Em vez disso, preferiram permanecer em seus escritórios fortemente protegidos, assistindo a fotos e vídeos para acompanhar o andamento dos projetos pelos quais estavam pagando.
Vez ou outra, mandavam um funcionário afegão como esse meu amigo para ver o que estava acontecendo na obra. Em uma visita a Kandahar para monitorar a construção de uma planta de embalagem de vegetais, ele descobriu que uma empresa local semelhante a um estúdio de cinema cobrava uma taxa para tirar fotos convincentes do trabalho em andamento. Usando extras e um pano de fundo adequado, eles conseguiam mostrar os funcionários em um galpão separando cenouras e batatas, embora tal instalação não existisse.
Em outra ocasião, o funcionário da ajuda humanitária afegã descobriu evidências de uma fraude, embora desta vez houvesse poucas tentativas de ocultá-la. Procurou em vão por uma granja que recebia farto financiamento, mas que não existia, perto de Jalalabad. Em seguida, se reuniu com os proprietários, que apontaram que era um longo caminho de volta a Cabul. Interpretando isso como uma ameaça de assassinato, caso os denunciasse, não disse nada aos superiores e pediu demissão logo em seguida.
A ajuda estrangeira realmente construiu escolas e clínicas, mas a corrupção corroeu todas as instituições governamentais. Na linha de frente militar, isso significa soldados “fantasmas” e guarnições de postos avançados ameaçados que foram deixados sem comida e munição suficientes.
Nada disso é novo. Visitando Cabul e outras cidades ao longo dos anos, percebi que o Talibã tinha apoio limitado, mas que todos viam os funcionários do governo como parasitas a serem contornados ou subornados. Em Cabul, um próspero corretor de imóveis – que normalmente não simpatiza com mudanças radicais – me disse que era impossível para um sistema tão saturado de corrupção “continuar sem uma revolução”.
Ao invés disso, o fracasso do governo permitiu ao Talibã acreditar que pode retornar ao poder dentro de um ano. Essa perspectiva assusta muitas pessoas. Qual será, por exemplo, a resposta da minoria de 4 milhões de hazaras, que são xiitas de religião e próximos do Irã? No início deste ano, as bombas em Cabul mataram 85 meninas e professores hazara quando saíam da escola. Como em 2001, a guerra eterna no Afeganistão está longe do fim.
*Tradução: Gabriela Leite
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Boff cobra prisão de Malafaia 'pela indução dos fiéis a ir contra as instituições'

247 - O teólogo e escritor Leonardo Boff disse que o pastor-empresário Silas Malafasia deveria ser preso por estimular fiéis a se posicionarem contra instituições, como o Supremo Tribunal Federal (STF).
"Creio que o próximo a ser enviado a fazer companhia a Jefferson é o 'pastor' Silas Malafaia. Pelas falsidades que continua dizendo e pela indução dos fiéis a ir contra as instituições, o STF teria todos os argumentos para sustá-lo. E vai acontecer, é só esperar, sem ser profeta", afirmou o escritor no Twitter.
O pastor convocou fiéis para protestar contra os ministros do STF, no dia 7 de setembro, quando bolsonaristas farão uma mobilização de caráter golpista.
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Bolsonaristas preparam invasão da embaixada da China e ataque ao embaixador Yang Wanming em 7 de setembro

247 - Apoiadores de Jair Bolsonaro estão convocando nas redes sociais a invasão da Embaixada da China no Brasil, comandada por Yang Wanming. A ideia é que a iniciativa aconteça durante a mobilização golpista marcada para o 7 de setembro.
"Por onde esse comunista passou deixou rastro de destruição, derrubou governo", diz uma das mensagens no Twitter. "Yang Wanming precisa ser expulso do Brasil", acrescenta.
Outra postagem, direcionada a Jair Bolsonaro, afirma: "queremos q o Sr. invoque o 142 ou um AI-6 e mande o Yan Wanming de volta pra China!".
O ato dos bolsonaristas é visto como uma resposta à prisão do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das milícias digitais.
O presidente nacional da sigla petebista pregava a expulsão de Wanming do Brasil. Com armas na mão, Jefferson chamou o diplomata de "vagabundo que a China mandou para o Brasil".
No mesmo dia da prisão do ex-parlamentar, na última sexta-feira (13), o embaixador comemorou a ação da PF e desejou um "lindo dia para todos".
Veja uma sequência de posts dos bolsonaristas:
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Falha em dispositivo cardíaco causou mais de 3 mil mortes nos EUA; entenda
Aurélio Araújo
Colaboração para Tilt, em São Paulo
15/08/2021 04h00
Problemas técnicos em dispositivo criado para auxiliar pacientes que aguardavam por transplantes cardíacos contribuíram para mais de 3.000 mortes nos Estados Unidos, segundo informações reveladas pela empresa de jornalismo investigativo ProPublica no país.
De acordo com a reportagem, o dispositivo de assistência ventricular, que ajuda a bombear o sangue para irrigar o coração, da empresa HeartWare começou a ser usado em pacientes mesmo sem todas as garantias de funcionamento.
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Mortes evitáveis
O equipamento em questão foi criado pela empresa de mesmo nome e lançado nos EUA em 2012. Em 2016, a HeartWare foi vendida para outra gigante da área de tecnologia médica, a MedTronic.
Mas bem antes disso, em 2011, quando a HeartWare procurava obter a liberação junto ao FDA (sigla para Food and Drug Administration, a agência reguladora de medicamentos nos EUA), para iniciar a venda do aparelho no mercado norte-americano, o órgão fiscalizador já havia apontado que havia problemas na fabricação.
Entre eles, baterias poderiam falhar e o acúmulo de eletricidade estática poderia causar um curto-circuito nos dispositivos. Nos dois exemplos eles parariam de funcionar.
Segundo a investigação da ProPublica, o FDA confiou que a empresa corrigiria os problemas após eles serem apontados, em vez de obrigá-la de fato a corrigir e provar que o havia feito.
No intervalo entre o lançamento do dispositivo no mercado e uma nova inspeção da agência regulatória, em junho de 2014, mais de 19 mil pacientes tiveram o aparelho instalado em seus corpos. Após essa inspeção, o FDA novamente deu um ultimato de 15 dias para que a HeartWare resolvesse os problemas, e, mais uma vez, a empresa não obedeceu, de acordo com a investigação.
Até o fim de 2020, a agência recebeu mais de 3.000 notificações de mortes relacionadas ao uso do dispositivo de assistência ventricular. A falta de ação do FDA fez com que a empresa só retirasse o produto do mercado em junho de 2021.
Falta de comunicação
A reportagem que revelou ao público o escândalo ainda aponta que a agência regulatória dos EUA agiu de forma pouco transparente com relação ao produto defeituoso.
Mesmo sabendo que a HeartWare fez 15 recalls (quando o produto precisa de reparo) do dispositivo ao longo dos anos, o FDA não informou ao público que havia um risco claro em utilizar o equipamento médico.
Esse aviso, diz a ProPublica, deveria ter sido feito tanto aos pacientes que já tinham o aparelho instalado, como aos demais que poderiam vir a utilizá-lo.
"Os pacientes não têm a menor ideia, e eles confiam no FDA para garantir a segurança e a eficiência de dispositivos de alto risco", disse a especialista em regulação de equipamentos médicos Rita Redberg, ouvida pela ProPublica.
Em resposta ao divulgado, o FDA afirmou que vinha monitorando de perto os problemas com o dispositivo. Depois que a Medtronic adquiriu a HeartWare em 2016, o órgão se reuniu com a empresa mais de 100 vezes para garantir que falhas técnicas fossem corrigidas.
"Nossas decisões que tomamos ao longo do caminho sempre foram focadas no paciente", disse o Dr. William Maisel, diretor de avaliação e qualidade do produto na divisão de dispositivos do FDA. Segundo o profissional, mais de 80% das empresas corrigem seus problemas no momento em que o órgão fiscalizador os inspeciona novamente.
Porém, não parece ter acontecido com a empresa responsável pelo dispositivo falho. A Medtronic afirmou por email que: "Não há nada mais importante para a Medtronic do que a segurança e o bem-estar dos pacientes". A companhia diz colaborar com o FDA e que contratou especialistas externos para resolver os problemas listados.
Dispositivo é diferente de marca-passo
É importante diferenciar dispositivos de assistência ventricular, como o desenvolvido pela HeartWare/MedTronic, do marca-passo cardíaco artificial, bastante comum em pacientes com complicações no coração.
Os dispositivos de assistência ventricular assumem parcial ou totalmente a função de câmaras defeituosas do coração. A longo prazo, eles servem para manter vivo um paciente à espera de transplante.
Esses equipamentos bombeiam sangue, enquanto os marca-passos dão estímulos elétricos ao músculo cardíaco. Assim, esses últimos ajudam na regulação dos batimentos.
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Como o karaokê virou febre mundial sem deixar seu inventor rico - BBC News Brasil
- Ashley Byrne
- Série "Witness History", da BBC

A palavra karaokê, traduzida literalmente do japonês, significa "orquestra vazia", uma música sem canto.
Na prática, é uma engenhoca que permite a qualquer pessoa cantar uma canção popular sem se preocupar em ser afinada ou não, cantar mesmo que não seja cantora.
E é exatamente daí que veio a inspiração para o karaokê, em 1971.
Daisuke Inoue era tecladista e baterista em um clube em Kobe, no Japão. Ele tocou nagashi (uma forma tradicional de música popular no Japão e Taiwan) em um grupo de músicos independentes que se apresentavam para funcionários de escritórios e empresários que viajavam para a cidade.
"Naquela época, os japoneses eram muito tímidos para cantar na frente de outras pessoas, mas em boates ou bares às vezes havia músicos nagashi cantando para clientes bêbados. E os clientes ocasionalmente começavam a cantar com os músicos ou pediam que tocassem uma música para que também pudessem cantar", disse Daisuke à BBC em 2015.
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"Um de meus clientes, que era péssimo em cantar, me disse que ia dar uma festa com os acionistas de sua empresa e que queria impressioná-los. E me pediu para reunir alguns músicos para que pudéssemos tocar para ele, mas mudando as músicas para que estivessem em seu próprio tom e ritmo para que não soassem tão ruins."
Mas Daisuke não conseguiu reunir músicos suficientes para comparecer ao evento, e foi quando se perguntou se realmente precisava deles. Não seria melhor gravar suas faixas de apoio com antecedência e dar uma fita ao empresário?
Daisuke havia estudado engenharia elétrica e utilizou esse conhecimento para dar o próximo passo na criação do karaokê.
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Daisuke Inoue com sua primeira máquina, que batizou de 8 Juke
"Só que não me senti seguro com a parte da fiação elétrica, então fiz o que hoje seria chamado de terceirização: consegui outras pessoas para montar as peças da máquina. O sistema dentro dele foi feito por um eletricista. Ele pegou um grande amplificador e o quebrou, colocou-o na caixa com o player de cartucho de um som de carro. E então colocamos uma moeda para que as pessoas paguem por cinco minutos cantando", explica.
Mas não bastava a máquina para a criação do karaokê, mas também as gravações. Daisuke pegou canções populares e alterou-as para ficar mais perto do alcance da habilidade de canto de uma pessoa comum.
"Desde o início, não gravei as músicas no mesmo tom e ritmo. Criei o karaokê para que 80% das pessoas pudessem cantar junto com ele."
A primeira máquina de karaokê foi instalada em bar de Kobe em 1971. "Os clientes realmente gostaram tanto que começaram a chegar ao bar antes de abrir. "
Um fenômeno global
A notícia se espalhou rapidamente sobre como era divertido usar aquele novo equipamento, e Daisuke começou a alugar máquinas para bares e outros lugares.
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Bares com equipamento inventado por Daisuke Inoue se tornaram uma febre mundial
"O dono do bar tinha outra filial em Osaka e ele me pediu para fazer mais máquinas de karaokê, e isso fez com que a se espalhasse rapidamente."
Logo depois, ele chegou a Tóquio e a febre tomou o Japão, depois o Leste Asiático e por aí em diante.
O primeiro bar de karaokê no continente americano foi inaugurado em Los Angeles em 1982, quando se aproximava de ser tornar uma sensação mundial.
Hoje, as máquinas de karaokê se tornaram uma referência em bares, clubes e até mesmo em casa. Considerando isso, você pode pensar que Daisuke se tornou um homem muito rico... mas ele nunca patenteou a invenção.
"Não sabia como ganhar dinheiro com isso e não tinha dinheiro suficiente para solicitar a patente. Além disso, pensei que, sendo uma coleção de produtos pré-fabricados, não poderia ser patenteada."
Daisuke não ganhou nada a partir de sua invenção da máquina de karaokê (exceto o comércio das máquinas), enquanto a versão filipina, o sistema de karaokê Sing Along, foi finalmente patenteado por Roberto del Rosario em 1975.
No entanto, as coisas acabaram virando a favor de Daisuke, e ele começou a ser reconhecido por seu trabalho pioneiro.
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Daisuke Inoue recebeu honraria bem-humorada de Harvard por ter inventar uma maneira de as pessoas aprenderem a tolerar mais
Anos depois, ele seria considerado um dos asiáticos mais influentes do século 20 pela revista Time e ganharia da Universidade de Harvard em 2004 o Prêmio Ig Nobel, um prêmio bem-humorado concedido a pessoas que fizeram uma contribuição para a ciência. No caso do karaokê, por ter inventado uma maneira de ensinar as pessoas a tolerarem umas às outras.
Apesar de não ganhar muito dinheiro com seus primeiros trabalhos, esses experimentos com palavras, música e um pouco de engenharia criativa mudaram sua vida.
Ele continuou a construir máquinas e se embrenhou em licenças de música para dispositivos de karaokê.
E o mais importante para ele, sua invenção o deixa muito orgulhoso e feliz.
"O que me deixa mais feliz é que, às vezes, quando saio para tomar uma bebida com meus amigos, ouço as pessoas rirem e aplaudirem de tanta empolgação quando alguém está cantando karaokê, e percebo que criei uma coisa tremenda. É quando me sinto profundamente emocionado."
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O que tablet perdido em guerra revelou sobre obscuro grupo de mercenários - BBC News Brasil
- Nader Ibrahim e Ilya Barabanov
- Da BBC News em Londres (Reino Unido) e Moscou (Rússia)

Wagner é um grupo paramilitar de origem russa com operações ao redor do mundo, desde combates na linha de frente na Síria até vigilância de minas de diamantes na República Centro-Africana. Mas é notoriamente secreto e, por isso, pouco se sabe sobre ele.
Agora, a BBC obteve acesso exclusivo a um tablet eletrônico deixado para trás em um campo de batalha na Líbia por um membro da organização. O dispositivo oferece uma visão sem precedentes sobre suas operações.
Outra pista também foi dada à BBC em Trípoli — uma "lista de compras" de equipamentos militares de última geração, indicando que a organização Wagner provavelmente teve apoio do mais alto nível, apesar das repetidas negativas do governo russo de que o grupo tenha qualquer ligação com o Estado.

Era tarde da noite no início de fevereiro quando recebi um telefonema em Londres. Uma das minhas fontes na Líbia me trazia notícias extraordinárias — um tablet Samsung, com a tela quebrada, havia sido recuperado de um campo de batalha no Oeste do país.
Mercenários russos lutaram lá em apoio ao general renegado líbio Khalifa Haftar, contra o Governo do Acordo Nacional (GNA) apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), e acredita-se que o dispositivo eletrônico tenha sido deixado para trás quando os combatentes se retiraram, na primavera de 2020.
Fim do Talvez também te interesse
Há muito tempo há relatos de que Wagner estava operando na Líbia. Imagens de vigilância, gravadas por combatentes da GNA em abril de 2020 e compartilhadas com a BBC, mostram supostos combatentes do Wagner em ação.
Mas tínhamos poucas informações diretas. O grupo Wagner é uma das organizações mais secretas da Rússia. Oficialmente, não existe — atuar como mercenário é contra a lei russa e internacional. Mas se acredita que até 10 mil pessoas tenham colaborado pelo menos uma vez com Wagner nos últimos sete anos.
Após vários processos de verificação, o tablet foi trazido para Londres. Imediatamente coloquei-o em uma bolsa bloqueadora de sinal, para que não pudesse ser rastreado ou apagado remotamente.
Surpreendentemente, as informações nele eram de fácil acesso. Descobri dezenas de arquivos — desde manuais de minas antipessoais e dispositivos explosivos improvisados (IEDs, na sigla em inglês) passando por imagens de drones de reconhecimento. Havia também algumas edições de livros famosos — incluindo Mein Kampf (Minha Luta, escrito pelo nazista Adolf Hitler), a saga Game of Thrones e um guia para fazer vinho.
Mas foi um aplicativo de mapas que se destacou — vários mapas militares da linha de frente, todos marcados em russo. Pontos coloridos foram fixados nos mapas, com a maioria agrupada no subúrbio de Ain Zara no sul de Trípoli — onde os combatentes do Wagner lutaram com o GNA entre fevereiro e o fim de maio de 2020.
Também havia imagens do drone de Ain Zara. O vídeo mostrava o subúrbio deserto, de onde seus moradores fugiram.
Olhando para o tablet, não há nada que identifique seu proprietário, mas ao aumentar o zoom nos mapas, há palavras marcadas em alguns dos pontos de localização vermelhos. Meu colega da BBC Ilya — que mora em Moscou e que está investigando a organização Wagner nos últimos quatro anos — percebeu se tratar de codinomes, possivelmente de colegas do proprietário do tablet. Ilya os cruzou com um banco de dados de combatentes do Wagner criado por voluntários ucranianos e um relatório vazado da ONU listando membros do grupo na Líbia.

Acreditamos que um dos combatentes — citado como 'Metla' no tablet — é um russo de 36 anos chamado Fedor Metelkin, natural do norte do Cáucaso. Seu número Wagner pessoal, publicado no banco de dados ucraniano, é inferior a 3.000. Isso sugere que ele se juntou ao Wagner bem no início de suas operações — cinco ou seis anos atrás — quando lutava no leste da Ucrânia ao lado dos separatistas apoiados pela Rússia. Pelo que apuramos, é comum que os mesmos combatentes se movam de uma zona de conflito estrangeira para outra.

O tablet agora está em um local seguro.
O dispositivo não dá muitas pistas sobre a identidade ou passado de outros mercenários, mas a BBC desde então ganhou acesso raro a dois ex-combatentes do Wagner — sob condição de anonimato — que confirmaram que muitos dos que se juntaram ao grupo na Ucrânia viajaram à Líbia.
Um deles disse à BBC que havia cerca de mil combatentes naquele país em algum momento durante os 12 a 14 meses de combates ativos, de setembro de 2019 a julho de 2020.
Os ex-combatentes explicaram que os homens não são recrutados para uma organização chamada Wagner, mas se candidatam a contratos de curto prazo — por exemplo, como trabalhadores de plataformas de petróleo ou pessoal de segurança — por meio de várias empresas de fachada.
Eles passam por testes físicos e checagens de segurança antes de se mudarem para o campo de treinamento não oficial de Wagner, perto de Krasnodar, no sul da Rússia, que fica próximo a uma base do Exército russo.
São então enviados para o exterior, sob o entendimento de que, se forem mortos, Wagner poderá não conseguir repatriar seus corpos.
Um ex-combatente destacou que tanto a organização quanto os combatentes individuais são motivados pelo ganho financeiro. A BBC entende que a maioria dos homens vem de pequenas cidades, longe das grandes metrópoles, onde as oportunidades de emprego são escassas.
Eles podem ganhar até 10 vezes o salário médio se juntando ao Wagner, disse um dos ex-combatentes, descrevendo seus ex-colegas como "vikings modernos".
"Sempre que há algum tipo de conflito armado em algum lugar, os soldados Wagner falam sobre isso. 'Podemos ir até este local, pode render algo para nós.' Porque todo contrato e todo país significa dinheiro no bolso. Se você não tem um contrato, não tem dinheiro."
O ex-combatente disse que muitos agentes do Wagner — incluindo ele próprio — têm ficha criminal, o que torna difícil para eles ingressar no Exército regular.
E também matam prisioneiros — algo que ele admite abertamente.
"Ninguém quer uma boca extra para alimentar."
O outro ex-combatente nos falou que a organização não emite nenhum código de conduta para seus membros.

No vilarejo líbio de Espiaa — marcado nos mapas do tablet como uma posição do Wagner — encontramos um homem que nos contou que três membros de sua família foram mortos por homens que falavam russo.
Os assassinatos estão sendo ativamente investigados como um crime de guerra, de acordo com o promotor militar líbio Mohammed Gharouda, que trabalha para o Ministério da Defesa da Líbia.
O vilarejo fica a 45 km ao sul de Trípoli, e quando o visitamos em abril deste ano, o homem — cujo nome não vamos citar por razões de segurança — lembrou o que aconteceu na tarde de 23 de setembro de 2019.
O morador disse que encontrou um grupo armado na estrada, que começou a atirar para o alto. Ele foi seguido de volta para a casa de seu pai e seis ou sete estrangeiros invadiram o local. O homem e seus parentes foram revistados e levados para Qasr bin Ghashir, a cerca de 20 minutos de carro.
De acordo com a GNA, Qasr bin Ghashir era uma base do Wagner na época. O homem disse que ele e seus parentes estavam vendados, de mãos amarradas e que foram conduzidos em um caminhão por várias horas antes de voltarem naquela noite a uma fazenda em Espiaa.
Por volta das seis da manhã, diz, eles foram levados para uma pequena casa no vilarejo. Alguns dos homens voltaram para o carro, mas dois permaneceram do lado de fora da casa armados com Kalashnikovs.
"Um deles tirou a arma. Nesse momento, entendi o que estava acontecendo. Eu sabia que ele ia atirar. Quando ele começou a atirar, caí de lado e fingi estar morto."
Um de seus irmãos também sobreviveu.
O homem disse que a certa altura ele conseguiu avistar seus captores.
Quando lhe mostramos vários combatentes do Wagner que foram fotografados em Qasr bin Ghashir na época, ele reconheceu um deles como parte do grupo que sequestrou sua família e atirou nela. Nós o identificamos como Vladimir Andanov.
Uma foto sem data de Andanov caminhando ao redor de Qasr bin Ghashir foi postada online por soldados do GNA poucas horas após o assassinato.

Esse homem é suspeito de envolvimento em possíveis assassinatos extrajudiciais de prisioneiros de guerra durante o conflito no leste da Ucrânia.
Ativistas ucranianos identificaram o Norte da África como a localização mais recente de Andanov. Mas algumas pessoas que afirmam ser seus amigos negaram nas redes sociais que ele foi para a Líbia com o Wagner. Dizem que ele está em casa na Rússia.

A BBC também compilou relatos de outras mortes de civis atribuídas à organização paramilitar na Líbia. Os óbitos estão relacionados aos envolvidos na linha de frente do conflito. Evidências sugerem que cerca de uma dúzia de civis podem ter sido mortos por combatentes de Wagner durante a ofensiva de Trípoli. As vítimas supostamente incluíram três homens e duas mulheres em carros civis, que foram atacados por franco-atiradores.
Um combatente da GNA, Mohammed al-Kahasy,também nos disse que quatro homens que lutavam ao lado dele estão desaparecidos desde que foram interceptados em dezembro de 2019.

Ao lado dos pontos vermelhos de localização nos mapas do tablet, os pontos pretos indicam outro legado mortal da presença do grupo na Líbia.
Uma investigação mais aprofundada revela que essas são posições de minas. Muitas das marcações referem-se a tipos específicos de mina, como MON-50 ou OZM. Também há posições marcadas como "distrito minado", "mina controlada remotamente" ou "relaxado" — que entendemos ser uma gíria para armadilha.
Como os pontos vermelhos, alguns dos pontos pretos também são marcados com os codinomes de combatentes, sugerindo que eles podem estar no controle dessas posições específicas das minas. A palavra Metla — codinome de Fedor Metelkin — aparece novamente neste contexto.
Todas as 35 posições de minas marcadas no tablet estão no bairro residencial de Ain Zara.
Também armazenadas no tablet estão ilustrações da mina MON-50 e dois outros dispositivos de origem russa e soviética, o POM- 2 e o PMN-2. De acordo com um relatório da Human Rights Watch de 2020, essas armas nunca haviam sido vistas na Líbia — onde há um embargo de armas desde 2011.
O promotor militar Gharouda disse que as autoridades do país descobriram que o POM-2 é particularmente prevalente e um perigo considerável para os civis que retornam a suas casas na capital Trípoli.
A BBC ouviu depoimentos de moradores locais sobre a extensão de minas e armadilhas escondidas em áreas residenciais e viu fotos e vídeos dos dispositivos.
Entramos em contato com uma ONG especializada em desminagem que trabalha na Líbia para alertá-los sobre as posições da mina de Wagner que podem ainda não estar oficialmente documentadas.


Enquanto o tablet nos dá uma ideia de onde e como Wagner estava operando, um documento separado de 10 páginas essencialmente uma "lista de compras" de armas e equipamentos — nos dá uma dica de quem poderia financiar a organização.
O documento provavelmente foi recuperado durante o conflito no sul de Trípoli. Foi entregue à BBC por uma fonte de segurança da inteligência líbia em Trípoli, que estava investigando a presença de Wagner na Líbia e, especificamente, seu envolvimento na ofensiva na capital.



É datado de 19 de janeiro de 2020, o mesmo dia que o presidente russo, Vladimir Putin, participou de uma conferência em Berlim sobre um processo de paz para a Líbia.
Pedimos ao consultor de segurança Chris Cobb-Smith para analisá-lo para nós.
'Duvido muito que qualquer outra empresa militar privada (PMC) — se é que Wagner pode ser denominado como tal — tenha algo próximo do apoio que parece estar disponível para eles aqui."


Análise dos documentos

Rifle automático AK-103 com trilho de montagem
Total: 270
Chris Cobb-Smith:
"A equipe de Assalto 6 tem muitos veículos e parece ter recursos humanos substancialmente maiores, então esta é provavelmente a principal unidade de combate. Total de aproximadamente 300 pessoas. Eles solicitaram 300 capacetes e 270 óculos de visão noturna e 270 trilhos de montagem para armas."

Sistema optoeletrônico Ironia, oito unidades (duas unidades por equipe de assalto)
Sistema de radar compacto Sobolyatnik (modelo 1L227) ou um sistema análogo melhor (compacto), 8 unidades. Treinamento necessário para realizar cálculos (não temos o conhecimento)
Chris Cobb-Smith:
"As armas são, em sua maior parte, 'de última geração' — ou seja, modernas, tecnologicamente avançadas e dotadas do mesmo equipamento usado atualmente por militares russos."
"Isso não implica apenas o acesso a um orçamento substancial, mas também a autoridade para acessar a mais recente tecnologia sensível, senão secreta. Por exemplo, os radares Ironia e Sobolyatnik são relativamente novos. Conforme observado pelos solicitantes, grande parte desse equipamento exigirá um programa de treinamento — um desafio considerável em condições operacionais. Isso indica uma falta de previsão e planejamento prévio adequado."

Tanque T-72B, uma unidade
Morteiro 2B11 de 120 mm (para a equipe de assalto 1 e o grupo de assalto da legião) — seis unidades
Chris Cobb-Smith:
"Empresas [militares privadas] como a Blackwater etc. também podem ter um nível de sanção do governo dos EUA, mas não acredito que tenham escalas de equipamentos que se estendam a tanques, morteiros e drones capazes de direcionar munições"
"Parece que Wagner nada mais é do que um braço não oficial das forças armadas russas."


Uma pista de quem poderia estar bancando a operação aparece em um segundo documento que nos foi dado.
O bilhete — para as forças de Wagner em Moçambique, datada de novembro de 2019, e solicitando a substituição do equipamento danificado — é dirigido a "OOO Evro Polis". A Evro Polis é uma empresa russa supostamente beneficiária de contratos de desenvolvimento de campos de petróleo e gás na Síria.
Reportagens ligam a Evro Polis ao empresário de São Petersburgo, Yevgeny Prigozhin. Muitas vezes usando uma linguagem pitoresca, Prigozhin nega ter ligações com Evro Polis ou com Wagner.
Uma possível referência a Prigozhin aparece no documento da Líbia. Denis Korotkov, um jornalista russo que investigou o grupo Wagner durante vários anos, disse acreditar que o destinatário — chamado de "Diretor-Geral" — é o empresário.
Em ambos os documentos, ao lado das palavras "Aprovado por", encontramos as iniciais DU. Acredita-se que elas se refiram a Dmitry Utkin.
Utkin, um ex-paraquedista das forças especiais russas, é supostamente o fundador e comandante geral do grupo Wagner. Ele próprio era conhecido anteriormente como "Wagner" por causa de seu suposto interesse pela Alemanha nazista, que promovia a música do compositor Richard Wagner (1813-1883).

Acredita-se agora que ele tenha o codinome "Nono". Em ambos os documentos, vemos a figura '9' e a palavra 'Nono'.
A BBC tentou entrar em contato com Dmitry Utkin, mas não obteve resposta até a conclusão dessa reportagem.
De acordo com um dos ex-combatentes de Wagner com quem conversamos, os agentes não falam entre si quem está financiando a organização.
"É como na saga Harry Potter, em que Voldemort (vilão) é o nome que nunca é dito em voz alta. É um assunto tabu. Não vale a pena falar sobre isso, ou você pode acabar em um recipiente de metal com o rosto quebrado por duas semanas."
Em uma declaração à BBC, Yevgeny Prigozhin afirmou firmemente que não tem ligações com Evro Polis ou Wagner.
"Não ouvi nada sobre a violação dos direitos humanos na Líbia pelos russos e estou certo de que isso é uma mentira absoluta", disse ele.
"Meu conselho para vocês (BBC) é trabalharem com os fatos, não com seus sentimentos russofóbicos."
Anteriormente, ele também negou conhecer Utkin.
Em novembro de 2018, o general rebelde líbio Khalifa Haftar visitou Moscou. As imagens da época mostram Prigozhin em uma reunião no Ministério da Defesa da Rússia.

Em janeiro de 2020, Putin foi questionado se havia algum russo lutando na Líbia. E respondeu: "Se há cidadãos russos lá, eles não representam os interesses do Estado russo e não estão recebendo dinheiro do Estado russo."
Quando questionamos o Ministério das Relações Exteriores da Rússia sobre nossa investigação, o órgão nos encaminhou declarações anteriores.
A pasta disse que as informações sobre a presença de agentes de Wagner na Líbia são baseadas principalmente em dados fraudulentos e visam desacreditar a política da Rússia na Líbia.
"A Rússia está fazendo o possível para promover um cessar-fogo e uma solução política para a crise na Líbia."

A organização paramilitar Wagner surgiu pela primeira vez no leste da Ucrânia em 2014, ao lado de empresas militares privadas e brigadas voluntárias, apoiando separatistas pró-russos. Mas foi na Síria, em 2016, com suas operações contra o grupo autodenominado Estado Islâmico, que ganhou destaque.

Uma ação judicial em nome de uma família síria tenta forçar as autoridades russas a investigar os combatentes de Wagner que teriam matado um homem sírio em 2017.
Dois vídeos enviados para a internet o mostraram sendo torturado e, em seguida, decapitado por homens que o insultavam em russo, seu cadáver marcado com escrita cirílica.
Wagner ainda opera na República Centro-Africana (CAR). Três anos atrás, três jornalistas russos que investigavam o envolvimento de Wagner no país foram mortos a tiros.
O grupo também atua em outros países africanos, incluindo o Chade.
"Esta é uma grande competição para os russos. Eles não estão competindo apenas pela Líbia, eles estão competindo pela tomada de decisões internacionais na África e no mundo", disse Rabia Bu Ras, membro da Câmara dos Representantes da Líbia (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil).
Quanto à presença de Wagner na Líbia, o tablet com a tela quebrada lançou uma nova luz sobre as operações secretas do grupo ali — de movimentos de tropas a armadilhas com explosivos em bairros civis.
Seu chefe e seus membros podem estar longe dos locais marcados nos mapas na tela, mas a BBC entende a partir de testemunhos de civis e evidências de código aberto que — apesar de um cessar-fogo — os combatentes ainda operam no país e continuam a desestabilizar os esforços de paz.

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Como um ego inflado levou à destruição de uma das 7 maravilhas do mundo
- Dalia Ventura
- BBC News Mundo

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O templo de Ártemis, em Éfeso, era considerado uma das sétmas maravilhas da antiguidade. Aqui, ele aparece na ilustração 'Maravilhas do passado', de 1933-1934
O templo de Ártemis era o orgulho dos moradores de Éfeso.
A polis, ou cidade-Estado independente da Grécia antiga, ficava perto de onde hoje é a cidade portuária de Esmirna, na Turquia. E a patrona de Éfeso era Ártemis, a deusa da caça, dos animais selvagens, das terras virgens, dos nascimentos, das donzelas e da virgindade.
Segundo o historiador grego Heródoto, o templo havia sido erguido com recursos do extraordinariamente rico rei Creso de Lídia e, segundo o romano Plínio, tinha 127 colunas, 36 das quais finamente talhadas com com desenhos em relevo.
No centro do que foi um dos maiores templos gregos da história e o primeiro construído quase completamente em mármore, estava a colossal figura de Ártemis, feita em madeira enegrecida.
Era uma maravilha... Uma das sete do mundo antigo, que deixou sem alento até a Antípatro de Sídon, o autor da famosa lista: "Pousei meus olhos sobre a muralha da doce Babilônia, que é uma calçada para carruagens, e a estátua de Zeus do Alfeu, e os jardins suspensos, e o Colosso do Sol, e a enorme obra das altas Pirâmides, e a vasta tumba de Mausolo; mas quando eu vi a casa de Ártemis, ali entre as nuvens, aquelas outras maravilhas perderam seu brilho, e eu disse: 'além do Olimpo, o Sol nunca viu nada tão grandioso".
Fim do Talvez também te interesse
Além dos seus propósitos religiosos, a construção era um ímã que atraia turistas, comerciantes e até reis que faziam homenagens oferecendo diversas joias e outros tesouros. Servia também de proteção aos perseguidos, porque ninguém se atreveria a fazer algo que pudesse profanar o templo.
Mas em 21 de julho de 356 a.C. ocorreu uma catástrofe.

CRÉDITO,GETTY IMAGES
Em julho de 356 a.C. um homem decidiu incendiar o tempo de Ártemis de Éfeso com o único intuito de ganhar fama com isso
Segundo o historiador grego Plutarco, enquanto a deusa Ártemis estava ausente do santuário, ajudando no nascimento de Alexandre Magno, também conhecido como Alexandre, o Grande, um homem chamado Heróstrato queimou deliberadamente o templo que havia levado um século para ser construído.
Mas por quê?
Foi uma tragédia. Em uma noite, tudo o que existia de madeira— o teto, as escadas, as portas, os móveis e a adorada imagem de Ártemis— ardeu nas chamas e apareceu reduzido a cinzas na manhã seguinte.
Tudo o que restou do templo que havia sido o mais magnífico da Grécia foram colunas esfumaçadas, enegrecidas e arruinadas. Heróstrato foi rapidamente preso e confessou que havia incendiado o santuário para que, "por meio da destruição dessa construção tão bela, seu nome fosse difundido por todo o mundo", segundo relato de Valerio Máximo, autor da coleção Factorum et dictorum memorabilium (Feitos e ditos memoráveis).
Por causa do ato infame, além de ser torturado e executado, Heróstrato foi castigado com o esquecimento por meio do que mais tarde passou a ser chamado de damnatio memoriae — literalmente "condenação da memória".
Qualquer registro de sua existência foi eliminada e a mera menção ao seu nome foi proibida sob pena de morte.

CRÉDITO,© THE TRUSTEES OF THE BRITISH MUSEUM
Heróstrato acabou tendo a fama garantida, tendo o nome citado em obras de literatura e história
Por um tempo, a medida foi acatada, mas eventualmente Heróstrato alcançou seu objetivo.
Apesar da damnatio memoriae decretada, o historiador contemporâneo Teopompo mencionou o nome do incendiário em uma obra escrita naquele mesmo século. Portanto, apesar de sabermos pouco sobre Heróstrato, ele nunca foi esquecido.
Mais que lembrado
Na verdade, mais que lembrado pelo que fez, Heróstrato pulou dos livros de história para outras esferas. Na literatura, vários grandes nomes como Victor Hugo, Anton Tchekhov, Jean-Paul Sarte, Miguel de Unamuno e até o engenhoso Dom Quixote de La Mancha, personagem de Miguel de Cervantes, violaram a "condenação da memória".
No poema onírico inacabado "A casa da fama", de Chaucer, do século 14, Heróstrato aparece apresentando seu caso à musa Calíope, que escuta suas súplicas no tribunal da fama.

CRÉDITO,GETTY IMAGES
Atualmente, apenas algumas pilastras permanecem no local onde antes existia o templo de Ártemis
Quando a musa da poesia pergunta por que ele destruiu o templo, Heróstrato responde que queria ser famoso como eram outras pessoas cuja fama se devia a virtudes e força.
Nesse sentido, ocorreu-lhe que as pessoas más eram tão famosas por sua maldade ou sagacidade quanto as boas por sua bondade. Por isso, para garantir que tivesse algum tipo de fama, decidiu queimar o templo.
Quando ele pede que sua fama seja proclamada aos quatro ventos, a musa responde: "com prazer."
E Heróstrato não segue vivo apenas apenas no mundo da ficção, mas também no da ciência. O "complexo de Heróstrato" é um termo utilizado na psiquiatria moderna para pessoas que sofrem de sentimento de inferioridade, mas que desejam se sobressair a qualquer custo.
Para alcançar esse fim, recorrem a ações agressivas, como destruir objetos de arte, patrimônios públicos, objetos socialmente úteis e torturam ou matam animais ou pessoas.
Reconstrução

CRÉDITO,GETTY IMAGES
O templo de Ártemis foi retratado em ilustração de Maarten van Heemskerck, em 1572.
Os moradores de Éfeso iniciaram a longa tarefa de reerguer o templo sobre o cimento original pouco depois da tragédia. Anos depois, receberam calidamente aquele que havia nascido das cinzas do santuário da deusa, Alexandre o Grande.
Ele entrou triunfante em Éfeso após derrotar as forças persas na batalha de Granicus, em 334 a.C., liberando as cidades gregas da Ásia Menor.
Mas quando o heroico conquistador se ofereceu para pagar todos os gastos da reconstrução do santuário, os habitantes de Éfeso se viram diante de um dilema: não queriam ficar em dívida com o macedônio, mas como recusar a ajuda de alguém tão poderoso?
Eles se saíram dessa com uma frase diplomática que se tornou uma das mais famosas da história: "É inapropriado que um deus dedique oferendas a outros deuses."
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Mudanças climáticas: cinco coisas que descobrimos com novo relatório do IPCC - BBC News Brasil
- Matt McGrath
- Repórter de meio ambiente da BBC

O novo relatório sobre mudanças climáticas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostra que estamos diante de mudanças sem precedentes no clima - algumas delas irreversíveis.
O estudo, feito por centenas de cientistas que analisam milhares de evidências coletadas ao redor do planeta, alerta para o aumento de ondas de calor, secas, alagamentos e outros eventos climáticos extremos nos próximos dez anos.
O repórter da BBC News para o meio ambiente Matt McGrath analisa algumas das principais conclusões do relatório.
As mudanças climáticas estão se intensificando rapidamente - e são resultado da ação humana
Para quem vive no Ocidente, os perigos do aquecimento global não são mais algo distante, impactando pessoas em lugares distantes.
"A mudança climática não é um problema do futuro, está aqui e agora e afeta todas as regiões do mundo", diz o professor Friederike Otto, da Universidade de Oxford, um dos muitos pesquisadores do IPCC.
Fim do Talvez também te interesse
O que marca essa nova publicação do IPCC é o mais alto nível de confiança nas conclusões dos cientistas até agora.
A frase "muito provável" aparece 42 vezes nas 40 páginas do relatório, voltado para formulação de políticas públicas. Em termos científicos, isso é equivalente a 90-100% de certeza daquele resultado.
"Acho que não há nenhuma surpresa no relatório. É a solidez abrangente dos resultados que torna este o relatório mais forte do IPCC feito até agora", diz o professor Arthur Petersen, da University College London, à BBC News.

Petersen é um ex-representante do governo holandês no IPCC e foi observador no comitê que produziu este relatório.
"Não é um relatório acusador, são apenas fatos, claros, um atrás do outro", afirma Petersen.
E uma das conclusões mais claras do novo relatório é sobre a responsabilidade da humanidade pelas mudanças climáticas que vivemos no momento.
Não há mais dúvidas - a causa somos nós.
O limite de aumento de 1,5º C na média de temperatura está quase sendo ultrapassado
Quando o último relatório científico do IPCC foi publicado, em 2013, considerar o limite de aumento 1,5ºC como sendo seguro é a última alternativa.
Mas nas negociações políticas que levaram ao acordo de Paris de 2015, muitos países pressionaram por esse limite, argumentando que era uma questão de sobrevivência para eles.
Um relatório extra sobre esse limite de 1,5°C mostrou que as vantagens de permanecer abaixo do limite eram enormes em comparação com um aumento de 2°C. Para isso, as emissões de carbono precisam ser reduzidas pela metade até 2030 e zeradas até 2050.
Este novo relatório reafirma esta conclusão. Em todos os cenários, esse aumento de temperatura será alcançado em 2040, ou seja, a temperatura média do planeta vai ter aumentado em 1,5°C.
Embora a situação seja muito séria, as mudanças não vão acontecer repentinamente.
"O limite de 1,5° C é um limiar importante, é claro, mas de um ponto de vista climático, não é a borda de um penhasco - como se assim que esse limite 1,5°C for ultrapassado, de repente tudo se tornará muito catastrófico. Não vai ser assim repentino", explica Amanda Maycock, da Universidade de Leeds, uma das autoras do novo relatório.
"O cenário de emissões mais baixas que avaliamos neste relatório mostra que o nível de aquecimento se estabiliza em torno ou abaixo de 1,5°C mais tarde neste século. Se seguíssemos esse caminho, então os impactos seriam significativamente evitados."
A má notícia: Não importa o que façamos, o nível do mar vai continuar a aumentar
No passado, o IPCC foi criticado por ser muito conservador na análise de risco do aumento do nível do mar.
A falta de dados claros fez com que relatórios anteriores excluíssem os impactos potenciais do derretimento das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica.
Mas no relatório atual, há dados que apontam que os oceanos podem subir até 2 metros até o fim deste séculos e até 5 metros até 2150. Embora esses números sejam improváveis, eles não podem ser descartados, já que o cenário atual continua sendo o de altas emissões de gases de efeito estufa.

Mas mesmo se controlarmos as emissões e mantivermos o aumento de temperatura em torno de 1,5°C até 2100, os oceanos continuarão a subir por muito tempo no futuro. Isso porque parte das mudanças climáticas causadas pela atividade humana até agora já são irreversíveis.
"Esses números de aumento do nível do mar a longo prazo são assustadores", diz o professor Malte Meinshausen, da Universidade de Melbourne, também um dos pesquisadores do IPCC.

"As pesquisas mostram que mesmo mantendo o aquecimento em 1,5°C, veremos um aumento do nível do mar de 2 a 3 metros no longo prazo. E nos cenários de aumento de temperatura ainda maior, o nível do mar pode subir ainda mais até 2150. Isso é assustador, porque talvez não vejamos isso em vida, mas algo é que está próximo e será um legado que vai comprometer o planeta", afirma Meinshausen.
Mesmo que a elevação do nível do mar seja relativamente branda, ela terá efeitos indiretos que não podemos evitar.
"Com o aumento gradual do nível do mar, os eventos extremos que ocorreram no passado apenas uma vez por século ocorrerão com mais frequência no futuro", diz Valérie Masson-Delmotte, co-presidente do grupo de trabalho do IPCC que produziu o novo relatório.
"Eventos extremos ligados ao aumento do nível do mar devem ocorrer uma ou duas vezes por década em meados deste século. As informações que fornecemos neste relatório são extremamente importantes e devem ser levadas em consideração para que a humanidade se prepare para esses eventos."
A boa notícia: Cientistas têm mais confiança sobre o que vai funcionar
Apesar dos alertas serem cada vez mais claros e alarmantes, ainda há um fio de esperança no relatório.
Os cientistas temem que o clima do planeta seja muito mais sensível à presença cada vez maior de CO2 do que se imaginava. Eles criaram uma expressão - "sensibilidade climática" - para medir quanto o clima responde a um aumento específico de temperatura.

No último relatório, de 2013, dados apontavam que a variação de temperatura caso o nível de CO2 fosse duplicado ficaria entre 1,5°C e 4,5°C, sem uma estimativa mais precisa.
Desta vez, o intervalo diminuiu e os cientistas afirmam que novos dados mostram que o valor mais provável é de 3°C.
Por que isso é importante?
"Agora somos capazes de restringir isso com um bom grau de certeza e então usamos isso para realmente fazer previsões muito mais precisas", disse o professor Piers Forster, da Universidade de Leeds, e um dos autores do relatório.
"Então, dessa forma, sabemos que o zero realmente vai render."
Outra grande surpresa do relatório é o papel do metano, outro gás de aquecimento.
De acordo com o IPCC, cerca de 0,3ºC do 1,1ºC que o mundo já aqueceu vem do metano.
Combater essas emissões, provenientes da indústria de petróleo e gás, agricultura e cultivo de arroz, pode ser uma grande vitória a curto prazo.
"O relatório anula qualquer debate remanescente sobre a necessidade urgente de reduzir a poluição do metano, especialmente de setores como petróleo e gás, onde as reduções disponíveis são mais rápidas e mais baratas", disse Fred Krupp, do Fundo de Defesa Ambiental dos Estados Unidos.

"Quando se trata de nosso planeta superaquecido, cada fração de grau é importante - e não há maneira mais rápida e viável de diminuir a taxa de aquecimento do que cortando as emissões de metano causadas pelo homem."
Justiça será acionada
O lançamento do relatório a apenas alguns meses da conferência climática COP26, que será realizada em Glasgow, significa que provavelmente ele será o alicerce das negociações. O IPCC tem histórico nesse ponto: sua avaliação anterior em 2013 e 2014 preparou o caminho para o acordo climático de Paris.
Este novo estudo é muito mais forte, mais claro e mais confiante sobre o que acontecerá se os governantes não agirem.
Se eles não agirem com rapidez suficiente e a COP26 terminar de maneira insatisfatória, os tribunais podem se envolver mais.
Nos últimos anos, na Irlanda e na Holanda, ativistas ambientais foram à Justiça para forçar governos e empresas a agirem com base na ciência sobre as mudanças climáticas.
"Não vamos permitir que este relatório seja arquivado por mais inação. Em vez disso, vamos levá-lo aos tribunais", disse Kaisa Kosonen, assessora política sênior do Greenpeace.
"Ao fortalecer as evidências científicas entre as emissões causadas pelos humanos e as condições climáticas extremas, o IPCC fornece novos e poderosos meios para que todos, em todos os lugares, considerem a indústria de combustíveis fósseis e os governos diretamente responsáveis pela emergência climática. Basta olhar para a recente vitória judicial conseguida pelas ONGs contra a Shell para perceber o quão poderosa a ciência do IPCC pode ser", diz Kosonen.
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Os efeitos alarmantes das mudanças climáticas sobre o mundo, segundo novo relatório da ONU - BBC News Brasil
- Matt McGrath
- Repórter de meio ambiente

O impacto adverso da humanidade sobre o clima é a "constatação de um fato", declaram cientistas da Organização das Nações Unidas (ONU) em um estudo histórico.
O relatório diz que as emissões contínuas de gases do efeito estufa podem romper um importante limite de temperatura em pouco mais de uma década.
Os autores também mostram que um aumento do nível do mar de cerca de dois metros até o final deste século "não pode ser descartado".
Mas há uma nova esperança de que reduções profundas nas emissões de gases de efeito estufa possam estabilizar o aumento das temperaturas.
Essa avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) está em um documento de 42 páginas conhecido como Sumário para os Formuladores de Políticas.
Fim do Talvez também te interesse
É o primeiro de uma série de relatórios que serão publicados nos próximos meses. Também é a primeira grande revisão da ciência das mudanças climáticas desde 2013.
Seu lançamento ocorre menos de três meses antes de uma importante cúpula do clima em Glasgow, na Escócia: a COP-26.
"O Relatório do Grupo de Trabalho 1 do IPCC de hoje é um 'alerta vermelho' para a humanidade", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.
"Se unirmos forças agora, podemos evitar a catástrofe climática. Mas, como o relatório de hoje deixa claro, não há tempo para delongas e nem espaço para desculpas. Conto com os líderes do governo e todas as partes interessadas para garantir que a COP-26 seja um sucesso."
Em um tom forte e seguro, o documento do IPCC afirma "é inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, os oceanos e o solo".
De acordo com um dos autores do relatório, o professor Ed Hawkins, da University of Reading, no Reino Unido, os cientistas não podiam ser mais claros neste ponto.
"É uma constatação de um fato, não tem como ter mais certeza. É inequívoco e indiscutível que os humanos estão esquentando o planeta."
Crédito,
EPA
O relatório aponta que incêndios florestais devem aumentar em muitas regiões; na foto, um incêndio no norte da Inglaterra, em 2018
"Usando termos esportivos, pode-se dizer que a atmosfera foi exposta ao doping, o que significa que começamos a observar extremos com mais frequência do que antes", disse Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial.
Os autores dizem que desde 1970, as temperaturas da superfície global aumentaram mais rápido do que em qualquer outro período de 50 anos nos últimos 2 mil anos.
Esse aquecimento "já está causando muitos extremos climáticos em todas as regiões do globo".
Quer sejam ondas de calor como as vistas recentemente na Grécia e no oeste da América do Norte, ou inundações como as da Alemanha e da China, "sua atribuição à influência humana se fortaleceu" na última década.
Fatos-chave do relatório do IPCC
- A temperatura da superfície global foi 1,09ºC mais alta na década entre 2011-2020 do que entre 1850-1900
- Os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados desde 1850
- A recente taxa de aumento do nível do mar quase triplicou em comparação com o período entre 1901-1971
- A influência humana é "muito provavelmente" (90%) o principal impulsionador do derretimento global das geleiras desde a década de 1990 e da diminuição do gelo marinho do Ártico
- É "praticamente certo" que extremos de calor, incluindo ondas de calor, tornaram-se mais frequentes e mais intensos desde a década de 1950, enquanto os eventos frios se tornaram menos frequentes e menos graves
O novo relatório também deixa claro que o aquecimento que experimentamos até agora provocou mudanças irreversíveis em escalas de tempo de séculos a milênios em muitos de nossos sistemas de suporte planetários.
Os oceanos continuarão a aquecer e se tornar mais ácidos. As geleiras montanhosas e polares continuarão derretendo por décadas ou séculos.
"As consequências continuarão a piorar a cada pequeno aquecimento", diz Hawkins.
"E para muitas dessas consequências, não há como voltar atrás."
Quando se trata do aumento do nível do mar, os cientistas modelaram uma faixa provável para diferentes níveis de emissões.
Mas um aumento de cerca de dois metros até o final deste século não pode ser descartado. Nem mesmo um aumento de cinco metros até 2150.
Crédito,
FEATURECHINA
Inundações recentes no centro da China causaram muitas mortes
Esses resultados, embora improváveis, ameaçariam com inundações muitos milhões a mais de pessoas nas áreas costeiras até 2100.
Um aspecto fundamental do relatório é a taxa esperada de aumento da temperatura e o que isso significa para a segurança da humanidade.
Quase todas as nações da Terra assinaram os objetivos do Acordo climático de Paris em 2015, inclusive o Brasil.
Este pacto visa a manter o aumento das temperaturas globais bem abaixo de 2°C neste século e buscar esforços para mantê-lo abaixo de 1,5 °C.
O novo relatório diz que em todos os cenários de emissões considerados pelos cientistas, ambas as metas serão descumpridas neste século a menos que grandes reduções de emissões de carbono ocorram.
Os autores acreditam que um aumento de 1,5ºC será alcançado até 2040 em todos os cenários. Se as emissões não forem reduzidas nos próximos anos, isso acontecerá ainda mais cedo.
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ANDY RAIN
Manifestantes pedem ação por parte dos políticos antes da cúpula do clima em novembro que acontecerá em Glasgow, na Escócia
Isso foi previsto no relatório especial do IPCC em 2018 e este novo estudo agora o confirma a previsão.
"Alcançaremos um grau e meio [de aumento] anualmente muito antes. Já atingimos durante dois meses no El Niño em 2016", disse o professor Malte Meinshausen, um dos autores do relatório do IPCC da Universidade de Melbourne, na Austrália.
"A melhor estimativa do novo relatório é que isso aconteça em meados de 2034, mas a incerteza é enorme e varia entre agora e nunca."
As consequências de superar 1,5 ° C num período de anos seriam indesejáveis. O mundo já experimentou um rápido aumento em eventos extremos por causa de um aumento de temperatura de 1,1° C desde os tempos pré-industriais.
O que é o IPCC?
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas é um órgão da ONU criado em 1988 para avaliar a ciência em torno das mudanças climáticas.
O grupo fornece aos governos informações científicas que eles podem usar para desenvolver políticas sobre o aquecimento global.
O primeiro de seus relatórios de avaliação abrangentes sobre as mudanças climáticas foi lançado em 1992. O sexto desta série será dividido em quatro volumes. O novo relatório - de cientistas do Grupo de Trabalho 1 do IPCC - é o primeiro desses volumes a ser lançado.
"Veremos ondas de calor ainda mais intensas e frequentes", disse outro dos autores do relatório do IPCC, Friederike Otto, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
"Também veremos um aumento nos eventos de fortes chuvas em escala global, além de mais tipos de secas em algumas regiões do mundo".
"O relatório mostra claramente que já estamos vivendo as consequências das mudanças climáticas em todos os lugares. Mas vamos experimentar mudanças adicionais e simultâneas que aumentam a cada nível maior de aquecimento", disse a professora Carolina Vera, vice-presidente do grupo de trabalho que produziu o documento.
Então, o que pode ser feito?
Embora este relatório seja mais claro e seguro sobre as desvantagens do aquecimento, os cientistas estão mais esperançosos de que, se pudermos cortar as emissões globais de gases do efeito estufa pela metade até 2030 e zerar as emissões líquidas em meados deste século, poderemos interromper e possivelmente reverter o aumento de temperaturas.
Zerar as emissões líquidas envolve a redução das emissões de gases de efeito estufa tanto quanto possível usando tecnologia limpa e, em seguida, enterrando quaisquer liberações restantes usando a captura e armazenamento de carbono, ou absorvendo-as com o plantio de árvores.
Crédito,
EPA
O presidente da COP-26, Alok Sharma, em visita à Bolívia
"A ideia anterior era que poderíamos obter temperaturas maiores mesmo após zerar as emissões líquidas", diz outro coautor, Piers Forster, da Universidade de Leeds, no Reino Unido.
"Mas agora esperamos que a natureza seja gentil conosco e se formos capazes de atingir o zero líquido, esperamos não obter nenhum aumento adicional de temperatura. Deveríamos eventualmente ser capazes de reverter parte desse aumento de temperatura e resfriá-la um pouco."
Embora as projeções futuras de aquecimento sejam mais claras do que nunca neste relatório e muitos impactos simplesmente não possam ser evitados, os autores alertam contra o fatalismo.
"Reduzir o aquecimento global realmente minimiza a probabilidade de atingirmos esses pontos de inflexão", diz Otto, da Universidade de Oxford. "Não estamos condenados."
Um ponto de inflexão ou uma limiar de controle se refere a quando parte do sistema climático da Terra sofre uma mudança abrupta em resposta a seu aquecimento contínuo.
Para os líderes políticos, o relatório é mais um em uma longa história de alertas. Com a aproximação da cúpula do clima COP-26 de novembro, ela ganha um peso maior.
Cinco impactos futuros
- Em todos os cenários de emissões, as temperaturas chegarão, em 2040, 1,5° C acima dos níveis de 1850-1900
- É provável que o Ártico esteja praticamente sem gelo em um setembro, pelo menos em uma ocasião antes de 2050 em todos os cenários avaliados
- Alguns eventos extremos "sem precedentes no registro histórico" acontecerão com mais frequência com o aquecimento de 1,5° C
- Eventos extremos relacionados ao nível do mar que ocorreram uma vez por século no passado recente devem ocorrer pelo menos anualmente em mais da metade dos locais onde há medição de marés até 2100
- Provavelmente haverá aumentos de incêndios florestais em muitas regiões
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Mata Atlântica mudará mais até 2050 do que nos últimos 21 mil anos - BBC News Brasil
- Oliver Wilson
- The Conversation*

A Mata Atlântica brasileira é um dos lugares com maior diversidade biológica do planeta. Aproximadamente uma em cada 50 espécies de plantas e animais terrestres vertebrados vive lá — e em nenhum outro lugar.
Estendendo-se por 3.000 km ao longo de grande parte da costa brasileira e pelo interior até a Argentina e o Paraguai, sua incrível diversidade vem de um mosaico de diferentes ecossistemas, incluindo pastagens naturais, florestas tropicais, florestas antigas adaptadas ao frio do inverno, "florestas nubladas" montanhosas e enevoadas, e muito mais.
Mas sua surpreendente biodiversidade está correndo um sério risco: o bioma foi destruído por vários séculos de desmatamento e mudanças de habitat.
Agora, as perturbações que estamos causando nos sistemas climáticos da Terra ameaçam, nas próximas décadas, causar mais rupturas aos ecossistemas da Mata Atlântica do que qualquer mudança natural em muitos milhares de anos.
Já restam apenas fragmentos de Mata Atlântica. Somente um quarto da área florestal remanescente está a mais de 250 metros de um terreno descampado — isso é uma caminhada de três minutos, pelo asfalto.
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Mais de 80% de sua vegetação natural foi destruída desde que os europeus chegaram ao Brasil, e alguns ecossistemas da Mata Atlântica têm 50% de chance de entrar em colapso nos próximos 50 anos.
O aquecimento global acrescenta outra ameaça.
O clima da Terra sempre mudou, mas as rupturas neste século provavelmente serão maiores e acontecerão mais rápido do que qualquer coisa que a humanidade já testemunhou.
Temperaturas mais altas e precipitações mais variáveis serão um desafio particular no sul da Mata Atlântica, onde os ecossistemas compreendem um delicado equilíbrio de espécies — algumas dos trópicos quentes, outras adaptadas a invernos gelados, mas quase todas dependentes de umidade constante.
Estudar o passado para prever o futuro
Como as mudanças climáticas do século 21 vão afetar o sul da Mata Atlântica?
Tenho trabalhado com colegas no Reino Unido, Suécia e Brasil para descobrir, e colocar o próximo meio século de mudanças num contexto de 21 mil anos.
Olhar para o passado pode parecer uma escolha surpreendente, mas fornece os melhores — talvez os únicos — dados concretos que temos sobre como os seres vivos reagem a grandes mudanças climáticas.
Nos últimos 21 mil anos, as peculiaridades na órbita da Terra levaram nosso planeta do pico da última Era do Gelo ao período de calor do Holoceno.
Se pudermos encontrar ecos das condições futuras em milênios passados e desvendar como as espécies e os ecossistemas responderam a eles, podemos melhorar nossas previsões sobre o que o futuro nos reserva.
Para fazer isso, nosso estudo reuniu reconstruções e projeções de climas passados e futuros, dados sobre 30 espécies-chave de florestas e pastagens e várias dezenas de locais onde mudanças anteriores no clima e na vegetação foram registradas (como pólen fossilizado enterrado em camadas de lama do pântano).
O que descobrimos é profundamente preocupante.
Como era de se esperar, nossos dados mostraram que o sul do Brasil tem esquentado gradualmente desde a última Era do Gelo.
Quase toda a região tinha um tipo de clima semelhante às áreas montanhosas de hoje há 21 mil anos — temperado com verões quentes —, mas essa zona climática diminuiu com o tempo, e as planícies passaram a ter um tipo de clima mais quente.
Enquanto isso, uma zona de clima de floresta tropical permaneceu restrita à costa norte da região, avançando e recuando ao longo dos anos.
Mas, sem o controle das emissões de carbono, cada tipo de clima mudará mais nos próximos 50 anos do que em qualquer um dos períodos nos últimos 3 mil anos que analisamos.
O aumento das temperaturas globais vai fazer com que o tipo de clima mais quente das planícies se expanda ainda mais e mais rápido do que se expandiu em milênios.
Crédito,
Getty Images
Temperaturas mais altas e precipitações mais variáveis serão um desafio particular no sul da Mata Atlântica
A vasta expansão do clima de floresta tropical pode fazer com que ele surja em áreas que não existia desde antes da última Era do Gelo.
E, expulsas das áreas que ocuparam desde o início do nosso estudo, as condições mais frias das montanhas vão encolher para sua menor extensão em mais de 21 mil anos.
Mas o que essas mudanças drásticas no clima significarão para a Mata Atlântica em si?
Uma coisa é certa, não vai ser simples. Espécies e ecossistemas mudam de maneira confusa ao longo do tempo.
Surpresas ecológicas são comuns, especialmente quando o clima é muito diferente do atual — as espécies podem prosperar inesperadamente em condições que atualmente evitam, ou podem formar grupos diferentes de todos os que conhecemos hoje.
Nosso estudo encontrou várias evidências de mudanças na composição dos ecossistemas do sul da Mata Atlântica ao longo do tempo, assim como dois períodos com grandes extensões de comunidades vegetais curiosas e inesperadas. Eles ocorrem nos momentos de maior mudança climática.
O primeiro aconteceu há cerca de 12 mil anos, quando o mundo saiu do último período glacial e entrou no Holoceno, mais quente. O segundo pode acontecer durante a minha vida.
Na década de 2070, as terras ao norte e ao leste de nossa região de estudo podem perder espécies adaptadas ao frio que abrigou por 21 mil anos ou mais — como a antiga e icônica Araucária, um fóssil vivo —, a serem substituídas por árvores tropicais mais tolerantes ao calor em um arranjo que é raro no presente.
Nossos modelos sugerem que mais de 100.000 km² do sul da Mata Atlântica passariam por mudanças em sua composição de espécies, impulsionadas pelo clima, no século 21 de altas emissões do que em qualquer outro momento nos últimos 21 mil anos.
Preocupantemente, encontramos indícios de que essas mudanças já podem estar em andamento, com as comunidades vegetais adaptadas ao calor começando a empurrar suas vizinhas adaptadas ao frio morro acima.
Nosso estudo fornece uma maneira útil de compreender a Mata Atlântica brasileira — o que aconteceu com ela antes, assim como o que pode acontecer a seguir.
Mas nossos resultados também revelam as limitações de nos basear em cenários passados — mesmo ao longo de dezenas de milhares de anos — para compreender os efeitos do nosso futuro climático radicalmente alterado pelo homem.
Apesar dos séculos de devastação causada pelo desmatamento, parece que o teste mais difícil para o sul da Mata Atlântica ainda está por vir.
* Oliver Wilson é aluno de doutorado em ciências ambientais na Universidade de Reading, no Reino Unido.
Este artigo foi publicado originalmente no site de textos acadêmicos The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês).
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Mudança do clima acelera criação de deserto do tamanho da Inglaterra no Nordeste - BBC News Brasil
- João Fellet - @joaofellet
- Da BBC News Brasil em São Paulo

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em 9/8, reforça que o Brasil abriga uma das áreas do mundo onde a mudança do clima tem provocado efeitos mais drásticos: o Semiárido.
O relatório aponta que, por causa da mudança do clima, a região — que engloba boa parte do Nordeste e o norte de Minas Gerais — já tem enfrentado secas mais intensas e temperaturas mais altas que as habituais.
Essas condições, aliadas ao avanço do desmatamento na região, tendem a agravar a desertificação, que já engloba uma área equivalente à da Inglaterra (leia mais abaixo).
Criado na ONU e integrado por 195 países, entre os quais o Brasil, o IPCC é o principal órgão global responsável por organizar o conhecimento científico sobre as mudanças do clima.
O documento apresentado nesta segunda (AR6) é o sexto relatório de avaliação produzido desde a fundação do órgão, em 1988.
'Área seca mais densamente povoada'
"O Nordeste brasileiro é a área seca mais densamente povoada do mundo e é recorrentemente afetado por extremos climáticos", diz o relatório.
O IPCC afirma que essas condições devem se agravar: se na década de 2030 o mundo deve atingir um aumento de 1,5°C em sua temperatura média, em boa parte do Brasil os dias mais quentes do ano terão um aumento da temperatura até duas vezes maior.
Em várias partes do Semiárido, isso significa verões com temperaturas frequentemente ultrapassando os 40°C.

Hoje, segundo o IPCC, o mundo já teve um aumento de 1,1°C na temperatura média em relação aos padrões pré-industriais.
Para limitar o grau do aquecimento, é preciso que os países reduzam drasticamente as emissões de gases causadores do efeito estufa — como o gás carbônico, produzido pelo desmatamento e pela queima de combustíveis fósseis, e o metano, emitido pelo sistema digestivo de bovinos.
Morte da vida no solo
Para o meteorologista e cientista do solo Humberto Barbosa, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), temperaturas extremas põem em xeque a sobrevivência no Semiárido de micro-organismos que vivem no solo e são cruciais para a existência das plantas.
Há dois anos, Barbosa diz ter encontrado temperaturas de até 48°C em solos degradados no interior de Alagoas.
"A vegetação não crescia mais ali, independentemente se chovesse 500 mm, 700 mm ou 800 mm. Não fazia mais diferença, pois toda a atividade biológica do solo não respondia mais", afirma.
Sem vida no solo, aquela região se tornou desértica, como tem ocorrido em várias outras partes do Semiárido.
Na Ufal, Barbosa coordena o Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), que desde 2012 monitora a desertificação no Semiárido.

Em 2019, o laboratório revelou que 13% de toda a região estava em estágio avançado de desertificação. Essa área engloba cerca de 127 mil quilômetros quadrados.
"Na nossa região, naturalmente não haveria um deserto, só que a gente tem hoje um deserto", ele diz.
Barbosa explica: segundo a ciência, climas desérticos (ou áridos) são aqueles onde o índice de chuvas é inferior a 250 mm por ano. Nessas condições, a sobrevivência de plantas e animais é bastante difícil — daí o aspecto vazio de boa parte das paisagens desérticas.
Mas essas condições climáticas não se aplicam a nenhuma região do Brasil, nem mesmo o Semiárido, que continua a receber entre 300 mm e 800 mm de chuvas ao ano.
Ainda assim, a mudança do clima e o desmatamento criaram paisagens desérticas na região.
"O solo dessas regiões foi perdendo a atividade biológica, embora as chuvas continuem acima do que se espera para uma região desértica. Esse é o paradoxo", diz Barbosa.
Ele afirma que, nesse estágio, é praticamente impossível reverter o fenômeno. "O custo da recuperação de áreas desertificadas é alto, e no Brasil não temos capacidade econômica para fazer esse tipo de investimento."
Maior seca da história
Entre 2012 e 2017, o Semiárido enfrentou a maior seca desde que os níveis de chuva começaram a ser registrados, em 1850. Essa seca, que é atribuída às mudanças climáticas, ajudou a expandir as áreas desertificadas.
Barbosa diz que a pandemia dificultou a realização de viagens para medir o progresso da desertificação após 2019, mas tudo indica que o fenômeno segue avançando.
A área já desertificada equivale ao tamanho da Inglaterra, cerca de três vezes o tamanho do Estado do Rio de Janeiro, ou a 23 vezes a área do Distrito Federal. Essas terras não são todas contíguas e ocupam diferentes partes do Semiárido. Enfrentam, ainda, diferentes graus de desertificação, embora em todas o fenômeno seja considerado praticamente irreversível.
Alguns dos principais núcleos de desertificação ficam em Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Cabrobó (PE) e no Seridó (RN).


Imagens de satélite mostram como os núcleos têm crescido nas últimas décadas, enquanto as áreas verdes que os circundam vão rareando.
No núcleo de Cabrobó, que ocupa uma vasta área nas duas margens do São Francisco, as poucas manchas verdes na paisagem se devem a lavouras irrigadas com a água do rio.
Os Estados mais impactados pela desertificação são Alagoas (com 32,8% de sua área total afetada pelo fenômeno), Paraíba (27,7%), Rio Grande do Norte (27,6%), Pernambuco (20,8%), Bahia (16,3%), Sergipe (14,8%), Ceará (5,3%), Minas Gerais (2%) e Piauí (1,8%).
Região mais impactada do Brasil
A desertificação no Semiárido brasileiro foi citada pelo IPCC em seu relatório anterior, de 2019, que teve o pesquisador Humberto Barbosa como coordenador de um capítulo sobre degradação ambiental.
O relatório apontou que 94% da região semiárida brasileira está sujeita à desertificação.
"A região semiárida é a mais impactada (pela mudança do clima) no Brasil, e é a região onde você tem os índices de desenvolvimento humano mais baixos do país", afirma Barbosa.
Com o agravamento das condições climáticas, diz ele, tende a se acelerar o êxodo de moradores rumo a outras partes do país.
Os preocupantes sinais que unem frio recorde no Brasil a enchentes e calor pelo mundo
O papel do desmatamento
Para os cientistas, está claro que a desertificação tem sido acentuada pelas mudanças climáticas e tende a aumentar se as alterações continuarem se intensificando.
Porém, a degradação dos solos do Semiárido também se deve a outra ação humana: o desmatamento na Caatinga, o ecossistema natural da região.
Segundo Humberto Barbosa, ainda não se sabe quanto da desertificação se deve ao desmatamento e quanto se deve às mudanças climáticas. "É muito difícil separar os dois processos."
Quarto maior bioma do Brasil, abarcando 11% do território nacional, a Caatinga já perdeu 53,5% de sua cobertura original, segundo o MapBiomas, plataforma que monitora o uso do solo no país.
O bioma vem sendo destruído desde os primeiros séculos da colonização do Brasil, quando grandes áreas de vegetação nativa passaram a ser derrubadas para dar lugar principalmente a pastagens para bovinos.
A pecuária, aliás, é apontada com uma das principais causas para a desertificação no Semiárido.


O pesquisador Humberto Barbosa explica que, muitas vezes, os bois são criados em áreas relativamente pequenas, compactando o solo ao pisoteá-lo repetidas vezes.
Com o tempo, nem mesmo o capim cresce mais ali, e a terra fica totalmente exposta à radiação do sol. A degradação se completa quando a chuva atinge a terra nua, levando embora os últimos nutrientes do solo.
Embora a destruição venha ocorrendo há séculos, mais de um quarto do desmatamento da Caatinga ocorreu após 1985, segundo o MapBiomas.
E neste ano, os índices de desmatamento deram um salto preocupante. Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), até 1° de agosto, houve na Caatinga 2.130 focos de queimadas— o maior número em nove anos e uma alta de 164% em relação ao mesmo período de 2020.
Os focos se concentram no oeste do bioma, onde a Caatinga se encontra com o Cerrado na região de fronteira agrícola conhecida como Matopiba (nome formado pelas iniciais dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Como em outros biomas, o fogo é geralmente usado na Caatinga para "limpar" uma área antes do plantio. Mas as chamas acabam degradando o solo e limitam sua vida útil para a agricultura, estimulando a busca por novas áreas quando ele se esgota.
Falta de políticas públicas
Humberto Barbosa diz que, apesar da gravidade da situação enfrentada pelo Semiárido e da perspectiva de piora, não há qualquer plano governamental para mapear a desertificação e combatê-la.
A última iniciativa do governo federal nesse campo, afirma, foi o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAN), lançado em 2006, mas descontinuado.
Tampouco há um sistema nacional para monitorar o desmatamento na Caatinga e orientar ações de fiscalização e controle — diferentemente do que ocorre na Amazônia, que conta com os sistemas Prodes e o Deter, baseados em imagens de satélite.
E o futuro?
Segundo o relatório do IPCC, sem ações contundentes para conter a mudança do clima, a Caatinga e outras regiões semiáridas do mundo "vão muito provavelmente enfrentar um aquecimento em todos os cenários futuros e vão provavelmente enfrentar um aumento na duração, magnitude e frequência das ondas de calor".
"De forma geral, as secas se ampliaram em muitas regiões áridas e semiáridas nas últimas décadas e devem se intensificar no futuro", diz o texto.
Os maiores prejudicados pelas mudanças serão as populações locais: segundo o IPCC, elas tendem a enfrentar oscilações na quantidade e regularidade de água, o que impactará gravemente sua "segurança alimentar e prosperidade econômica".
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Sikêra Jr. ataca Lula, Felipe Neto e Drauzio Varella no programa Raul Gil
Apresentador bolsonarista, que chamou gays de “raça maldita”, disparou diversas críticas contra artistas e políticos

247 - O bolsonarista Sikêra Jr. participou da reestreia do quadro Para Quem Você Tira o Chapéu, do Programa Raul Gil, neste sábado (14), e disparou diversas críticas a artistas e políticos
O bolsonarista Sikêra Jr. participou da reestreia do quadro Para Quem Você Tira o Chapéu, do Programa Raul Gil, neste sábado (14), e disparou diversas críticas a artistas e políticos.
O apresentador rejeitou todos os dez nomes apresentados. “Nenhum desses aí merece minha atenção. Me perdoe por traumatizá-lo na volta desse quadro”, disse o âncora do Alerta Nacional a Gil, depois de olhar os dez chapéus.
De acordo com o portal Metrópoles, o primeiro deles fazia menção a Felipe Neto. “Esse garoto se perdeu completamente. Ele se acha a mente mais brilhante da política brasileira. Você se perdeu. Éramos seus fãs”, disse Sikêra, que ainda acusou o youtuber de “abusar da inocência das crianças”, sem dar exemplos concretos e justificativas para a acusação.
Ele também “não tirou o chapéu” para
Drauzio Varella,
Léo Dias,
Randolfe Rodrigues,
Marina Silva,
Luísa Mell,
Tico Santa Cruz e
Guilherme Boulos e
Lula.
Sikêra Jr foi alvo de uma grande campanha de desmonetização após dizer que gays “são uma raça maldita.
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“Batem no Bolsonaro, mas elogiam as barbaridades do Paulo Guedes", afirma Requião
Para o ex-senador Roberto Requião, o que assusta é a ausência de crítica por parte da sociedade e da mídia comercial. “Batem no Bolsonaro, mas elogiam as barbaridades do Paulo Guedes (ministro da Economia). O resultado é que temos aquela barbaridade do desfile de tanques", disse
Rede Brasil Atual - O jornalista Juca Kfouri recebeu no programa Entre Vistas, da TVT, o ex-governador do Paraná e ex-senador Roberto Requião. O político conversou sobre a situação do país e escândalos envolvendo o governo Bolsonaro, entre outros temas. Requião deixou no início do mês o MDB, partido que integrou desde a oposição à ditadura civil-militar (1964-1985). Ele criticou o alinhamento do partido com o governo e agora busca nova legenda. Já surgiram convites de PT e PDT, entre outras.
“Sou um guerreiro. Genéticamente, um quadro da esquerda brasileira. Meu bisavô, sergipano, fundou o primeiro partido socialista no Brasil no dia seguinte da proclamação da República. Meu pai era militante. Eu herdei essa vocação (…) Não sou briguento, insisto em princípios. E governei sempre desta forma. Nunca mudei discurso por conta de eleição. A melhor maneira de fazer política é dizer nossa verdade. Continuo na luta por um projeto de construção nacional, por um país soberano e independente”, disse o político.
Governo militar
Requião definiu características do país que considera problemas históricos, como as pensões abusivas e vitalícia de filhas solteiras de militares. Neste contexto, estão privilégios e distorções de integrantes do Exército, exacerbadas no atual governo.
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“Essa é a cara do Brasil. Pior ainda do que as filhas dos militares é o fato de que Bolsonaro concedeu post mortem o título de marechal para o coronel Brilhante Ustra. O assassino da ditadura. Marechal. As filhas estão recebendo mais de 15 mil reais. Nada contra as filhas do Ustra, mas essa atitude é uma afronta à memória nacional, dos que lutam, que lutaram, deram a vida por um país melhor. É duro ter que engolir”, criticou.
Para o político, o que assusta é a ausência de crítica por parte da sociedade e da mídia comercial. “Batem no Bolsonaro, mas elogiam as barbaridades do Paulo Guedes (ministro da Economia). O resultado é que temos aquela barbaridade do desfile de tanques (…) Tanques absolutamente ridículos, dos anos 1960. Para amedrontar o Centrão. Que ilusão. O Centrão não é amedrontável, ele é comprável. Parecia fumacê de combate à dengue. Eu pensei que Bolsonaro enfim deu uma utilidade para os tanques do Exército, combater a dengue”, ironizou.
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Aras vê censura em prisão de Jefferson, mas processa professor da USP que o criticou
Ao chamar de censura prévia a prisão de Roberto Jefferson por Alexandre de Moraes, fez mais uma leitura do direito de acordo com sua conveniência

Portal Metrópoles - Ao chamar de censura prévia a prisão de Roberto Jefferson por Alexandre de Moraes, fez mais uma leitura do direito de acordo com sua conveniência. Aras divulgou uma nota na sexta-feira (13) dizendo que foi uma “censura prévia à liberdade de expressão”, ignorando que Jefferson ameaçou fisicamente diversos ministros.
A postura difere completamente da tomada por Aras contra o professor Conrado Hübner Mendes, da USP, que fez e faz diversas críticas a Augusto Aras. O PGR pediu à Justiça Federal em Brasília que Mendes seja condenado pelos crimes de calúnia, injúria e difamação.
Escreveu Hubner Mendes em sua coluna na Folha de S.Paulo:
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“Aras não economiza no engavetamento de investigações criminais: contra Damares por agressão a governadores; contra Heleno por ameaça ao STF; contra Zambelli por tráfico de influência; contra Eduardo Bolsonaro por subversão da ordem política ao sugerir golpe”.
Em postagens no Twitter, o professor chamou Aras de “Poste Geral da República” e “servo do presidente”. Além disso, afirma que ele é o “grande fiador” da crise atual.
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A bravura das argentinas contra os crimes sexuais dos militares - Moisés Mendes
Por Moisés Mendes

Por Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia
Os argentinos nos ensinam a todo momento o que deve ser feito para que um país se livre da ameaça da volta ao poder de um grupo de militares amontoados na garupa de um Bolsonaro.
Eles remexem sem parar nas feridas da ditadura, para lidar com seus traumas e buscar a reparação e para que os criminosos não fiquem impunes.
A Argentina envolve-se agora com mais uma situação dolorosa. Chegou ao desfecho a decisão de três ex-presas políticas ligadas aos Montoneros de denunciar violências sexuais sofridas na prisão.
Os violentadores, os oficiais Jorge Tigre Acosta e Alberto González foram condenados esta semana pelo Tribunal Oral Federal de Buenos Aires a 24 e a 20 anos de prisão.
Nunca antes torturadores e assassinos argentinos haviam sido condenados por crimes sexuais. As denúncias foram feitas por Silvia Labayrú, Mabel Lucrecia Luisa Zanta e María Rosa Paredes, que estiveram presas nas masmorras da Escola de Mecânica da Marinha (ESMA) entre 1977 e 1978.
A primeira pergunta, formulada principalmente pela extrema direita, é esta: mas só agora, mais de quatro décadas depois? Primeiro, o que aconteceu agora foi a condenação, porque as denúncias existiam desde 2014.
E por que então só em 2014? Porque são elas, as vítimas, que sabem o que as trouxe até ali em silêncio. Por medo de represálias, pelo temor da incompreensão moralista da sociedade, por vergonha, porque se sentiriam violadas pela segunda vez, agora publicamente, e pelo esforço para ser forte e lidar com o horror como segredo íntimo.
Só elas sabem por que só agora, e não é isso o que importa. O que interessa é: ainda bem que agora ficamos sabendo mais da violência dos militares argentinos contra as mulheres que eles mantinham na cadeia, enquanto também caçavam seus maridos, filhos, irmãos, mães, pais.
Perseguiram, calaram, prenderam, torturaram, mataram, promoveram desaparecimentos, apropriaram-se dos filhos das mulheres encarceradas que nasciam nas prisões e violentaram jovens submetidas a todo tipo de tortura.
A psicóloga Silvia Labayrú conta que, mais do que testemunhas (que dificilmente existem), o que elas tinham era a verossimilhança dos seus relatos.
Elas tiveram como provar com suas verdades que foram abusadas na prisão. Não foram violentadas, como disse Silvia ao jornal Página 12, com revólveres na cabeça, mas com a violência de quem tinha o domínio absoluto da vida da encarcerada.
González e Acosta eram criminosos famosos e já haviam sido condenados à prisão perpétua por crimes de lesa humanidade, como torturas e desaparecimentos.
É interessante que, no momento de revelar o que aconteceu, para que a vítima consiga lidar com a violência sofrida, e não só buscar a punição do abusador, apareçam personagens aparentemente surpreendentes.
Também são protagonistas do drama das mulheres alguns dos próprios camaradas de luta das encarceradas, que as reprimiam porque elas decidiram falar.
Foi o que aconteceu, bem antes dos três casos investigados agora, com denúncias públicas feitas por Sara Solarz de Osatinsky. Sara foi a primeira a relatar, nos anos 90, abusos sexuais cometidos pelos militares.
Mas para a Justiça machista a violência sexual era parte das torturas, e não um crime específico contra as mulheres e, possivelmente, também contra homens que decidiram não falar ou morreram antes de poder contar o que sofreram.
Silvia lembra que, quando Sara, a Quica, denunciou o sequestro de bebês de desaparecidos e as violências sexuais na prisão, muitos companheiros dos Montoneros disseram que ela deveria ter preservado a memória e a honra do seu homem.
Quica vivia com Marcos Osatinsky, líder guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias. Ela teve dois filhos, de 18 e 15 anos, assassinados pela ditadura.
E Marcos foi morto a tiros em Córdoba, em 1975, depois de ser retirado da prisão, o Cárcere dos Encausados, atado ao para-choque de um carro e arrastado pelas ruas da cidade.
Quica morreu em novembro do ano passado, aos 85 anos, em Genebra. Silvia está com 65 anos. Contar o que sofreu aos 20 anos foi doloroso, mas é o que está feito, e os dois abusadores foram condenados.
Foi a sua deliberação íntima que ajudou a levar ao desfecho inédito da condenação e da exposição pública das violências sexuais cometidas pelos ditadores e seus prepostos.
Os argentinos têm a defesa das suas memórias contra a repetição do terror, numa luta liderada sempre pelas mulheres. Há mais casos em de abusos e estupros em investigação.
Não há a mínima chance de a Argentina ver os violentadores de Silvia Labayrú, Mabel Lucrecia Luisa Zanta e María Rosa Paredes fora da cadeia, onde os dois certamente irão morrer.
No Brasil, torturadores e assassinos da ditadura, que nunca foram presos, são promovidos ao posto de marechal, mesmo depois de mortos.
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Breno Altman: “imprensa brasileira funciona como um partido político”

247 - O jornalista Breno Altman, editor do site Opera Mundi, contou em entrevista à TV 247 a razão pela qual escolheu nunca trabalhar em veículos da imprensa hegemônica brasileira.
Altman afirmou que não aceita assumir postos que limitem sua liberdade. “A grande imprensa funciona exatamente como um partido. Você passa a ter uma limitação na sua atividade política a partir do momento em que você assume uma função de responsabilidade - ou mesmo sem ser uma função de responsabilidade - em um veículo da chamada grande imprensa. Você tem obrigação de restringir sua opinião. Esse é o modelo dominante. Não é o único, mas é o dominante”.
“Em muitas redações você não pode emitir sua opinião. Se você for jornalista de esporte você não pode dizer para que time torce. Chegou a se estabelecer em alguns diários a proibição do jornalista votar, como existe nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, faz parte do código de ética do The New York Times que os jornalistas não podem votar. Então é um tolhimento da liberdade”, completou.
Altman ainda defendeu a instauração no Brasil da cláusula de consciência. “O Brasil é muito atrasado em termos de liberdade de imprensa. Aqui no Brasil deveria existir a cláusula de consciência, que existe em alguns países, como na Itália. Ou seja: nenhum jornalista será obrigado a escrever aquilo que não tenha a ver com a apuração que fez. Aquilo que não tem a ver com a verdade que ele foi verificar”.
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Malafaia convoca evangélicos para ato contra o STF no dia 7 de setembro

247 – O empresário da fé Silas Malafaia, um dos mais próximos aliados de Jair Bolsonaro, convocou o "povo evangélico", para protestar contra os ministros do Supremo Tribunal Federal, no dia 7 de setembro. A manifestação segue a linha da que foi chamada pelo sertanejo e ex-deputado federal Sérgio Reis, que convocou caminhoneiros a parar o Brasil no dia 7 de setembro para defender "garantia da lei e da ordem", pretexto para uma intervenção militar. Confira:
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Monica Benicio sobre caso Marielle: “sentimento é de que a resolução está ainda mais longe do que no passado”

247 - A vereadora do Rio de Janeiro Monica Benicio (PSOL), em entrevista à TV 247, deu atualizações sobre as investigações do caso Marielle Franco e avaliou que a situação atual é preocupante, uma vez que a saída das promotoras chefes põe em risco a punição dos envolvidos nos assassinatos de Marielle e Anderson Gomes.
“Se fosse para definir o status (das investigações) em uma palavra, eu diria ‘preocupação’. No próximo sábado, completam-se três anos e cinco meses da execução da Marielle e do Anderson. Nesse tempo eu venho dizendo que a gente está aqui cobrando Justiça por Marielle entendendo o tamanho do que isso significa para a democracia no Brasil”, lamentou.
“Todas essas reviravoltas do caso que a gente acompanha pela imprensa é, sem dúvida nenhuma, muito preocupante. A mais preocupante de todas foi a saída das duas promotoras que estavam à frente do caso e eram muito comprometidas. Isso sinaliza para a gente que algo não está caminhando tão bem. Temos o Ronnie Lessa e o Élcio de Queiroz presos por terem sido os executores, mas eles também não foram levados a julgamento, e esse júri está próximo. Com a saída das promotoras, esse júri também se torna uma preocupação e uma angústia”, prosseguiu.
Contudo, a vereadora reafirmou a necessidade de a população manter a vigilância sobre o caso, que tem um significado importante para a democracia brasileira. “A respeito dos mandantes, nesse momento a gente fica com um sentimento de que está ainda mais longe do que já esteve em outro momento. Mas isso não desanima. Pelo contrário, aumenta a responsabilidade social para acompanhar o caso e para nos mantermos vigilantes. Não cabe na minha cabeça que seja razoável na história do Brasil o assassinato de uma vereadora democraticamente eleita, brutalmente executada, fique sem resposta”, afirmou.
“Pedir justiça por Marielle e Anderson tem que ser um compromisso da sociedade, daqueles que defendem a democracia, daqueles que defendem a pauta dos direitos humanos como uma pauta ampla e não como essa falácia que os bolsominions insistem em ficar batendo nas teclas”, concluiu.
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Deputado do PSL e presidente da Frente Parlamentar dos Caminhoneiros chama Sérgio Reis de "canalha" (vídeo)

247 - O deputado federal Nereu Crispim (PSL-RS), que é presidente da Frente Parlamentar dos Caminhoneiros e Celetistas, chamou o cantor Sérgio Reis de "canalha" e disse que "caminhoneiro não é gado massa de manobra".
O deputado rebateu o vídeo feito pelo cantor, que afirmou que estaria organizando uma manifestação de caminhoneiros para o dia 7 de setembro em apoio a Jair Bolsonaro, ato desmentido pelas principais lideranças da categoria.
“Senhor Sérgio Reis, você é um canalha, devia estar buscando uma maneira de resolvermos o problema da fome no Brasil, o problema de dar dignidade à população brasileira, não atuar para beneficiar o setor do agronegócio que explora o caminhoneiro”, disse em vídeo divulgado nas redes sociais.
"Sergio Reis tu é um canalha! Caminhoneiro não é gado massa de manobra! Quem atenta contra as instituições tem que ser preso! Nunca usou a tribuna da câmara para defender a categoria e agora vem com esse blá blá blá tabajara defensor de Caminhoneiro! Fora mané!", acrescentou na postagem.
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Em áudio, Sérgio Reis diz que tem ajuda financeira para golpe e ameaça ‘quebrar tudo’

247 - Um áudio atribuído ao cantor Sérgio Reis mostra o bolsonarista ameaçando um golpe no país e dizendo também que é financiado para poder colocar em prática a ação antidemocrática.
Na gravação, que viralizou nas redes neste domingo (15), Reis ainda diz que se o Senado não acatar os pedidos “populares” de impeachment contra os ministros do STF, eles irão "quebrar tudo”.
Apesar do apelo do bolsonarista, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), não dará andamento aos pedidos de impeachment prometidos por Jair Bolsonaro contra os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
"Não há qualquer casualidade e nenhum fato objetivo na argumentação apresentada por Bolsonaro", segundo um interlocutor de Pacheco, ouvido por Gerson Camarotti, no G1.
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No Afeganistão, uma lição ao império - Paulo Moreira Leite
Por Paulo Moreira Leite

Por Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia
Numa operação alimentada pela imensa comoção interna produzida pelo atentado de 11 de setembro de 2001, as tropas estadunidenses e de um reduzido conjunto de aliados começaram a desembarcar no Afeganistão meses depois do ataque às Torres Gêmeas de Nova York.
Vinte anos depois, o balanço mostra uma tragédia anunciada, que só contribuiu para agravar o atraso social e a pobreza do país.
Num processo que lembra a guerra do Vietnã, a operação encerra-se sob o repúdio geral da própria população dos Estados Unidos -- mais 70% dos eleitores pedem a retirada das tropas do país.
Outros dados também são significativos. O número oficial de mortos pela guerra é calculado em 174 000, com índices de fatalidade em prejuízo da população local -- conforme levantamento da Universidade de Brown, perto de 90% das vítimas fatais eram afegãs.
A devastação produzida pela guerra provocou o deslocamento de 5,7 milhões de refugiados, forçados a mudar-se por falta de emprego ou casa, em geral nem uma coisa nem outra.
Quanto à política local, a presença de novos colonizadores cumpriu um papel previsível: só ajudou a reforçar esquemas corruptos de dominação política.
A intervenção norte-americana em nada contribuiu para a necessária evolução democrática do país, com um receio particular pelos direitos das mulheres, que ali enfrentam um dos regimes mais opressivos do planeta.
Haverá muito a ser feito depois da partida dos invasores, portanto.
Ensaio para uma aventura ainda mais terrível, custosa e devastadora -- a invasão do Iraque --, a operação no Afeganistão custou 486 bilhões de dólares, encerrando-se com uma lição sempre atual da diplomacia.
Por mais poderosos que sejam seus exércitos, nenhum império tem o direito de desprezar a autonomia de povos e países -- e assim as tropas estadunidenses vão embora do Afeganistão sem deixar nenhum saldo aproveitável após vinte anos de ocupação.
Uma vergonha, quando se compara um PIB per capta de U$ 65.297, para os EUA, contra U$ 507 para os afegãos.
Alguma dúvida?
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Em tom de ameaça, bolsonarista Oswaldo Eustáquio dá “prazo de 72 horas” para Rodrigo Pacheco

Metrópoles - O militante bolsonarista Oswaldo Eustáquio ecoou a convocação do cantor Sergio Reis por uma manifestação pelo impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Morais e Luís Roberto Barroso.
Em vídeo publicado nas redes sociais, ele dá “prazo de 72 horas para que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), cumpra a lei, coloque em pauta pedidos de impeachement de Moraes e Barroso”. Segundo ele, “caso contrário, vamos parar o Brasil. Não há outro caminho, senão, fazermos valer o artigo 1 da Constituição que diz que todo poder emana do povo”.
Os pedidos ainda não foram feitos, mas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse em postagem no twitter que apresentaria ambos na segunda-feira (16/7).
A nova onda de ataques de Bolsonaro e seus apoiadores ao STF veio na sequência da prisão do presidente do PTB e ex-deputado federal Roberto Jefferson, que teve seu mandato parlamentar cassado na época do Mensalão.
Jefferson foi preso no contexto do inquérito das milícias digitais, tocado por Morais. Oswaldo Eustaquio também já foi preso por ordem de Morais no inquérito das fake news.
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Urgente: Bolsonaro convoca seus seguidores para golpe de estado no dia 7 de setembro

Por Guilherme Amado, do Metrópoles – O presidente Jair Bolsonaro encaminhou na tarde deste sábado (14/8) uma mensagem para uma lista de transmissão no WhatsApp em que fala sobre a necessidade de um “contragolpe” e convoca apoiadores para se manifestarem no dia 7 de setembro com o objetivo de mostrar que ele e as Forças Armadas têm apoio para uma ruptura institucional.
A mensagem, que pode ser lida na íntegra ao fim desta reportagem, foi enviada pelo número pessoal do presidente para diferentes integrantes do governo e amigos. Como não há o selo de “Encaminhada” com que o WhatsApp marca as mensagens, não é possível saber se o próprio presidente as escreveu ou se copiou de alguma fonte e colou na lista de transmissão antes de enviá-las — o que tira o selo de identificação de encaminha. Ainda assim, é provável que seja uma mensagem encaminhada porque fala de Bolsonaro em terceira pessoa. Na lista de transmissão estão ministros de Estado, apoiadores e amigos do presidente.
O texto da mensagem se dirige a outras pessoas de direita, e pede que elas leiam o texto para não criticarem Bolsonaro por não radicalizar o suficiente.
“Atenção direitista sem noção, você mesmo que está falando merdas (sic) como ‘Vamos tomar o poder já que ninguém faz nada’, ‘Bolsonaro tá muito devagar’ ou ‘FFAA não fazem nada’. Faça o favor de ler com atenção o abaixo escrito, compreender as coisas como realmente são e assim passar a nos ajudar e não atrapalhar, começa o texto, que apresenta na sequência uma série desses comentários.
No trecho mais forte da mensagem, defende-se que o “contingente” da manifestação em 7 de setembro deve ser “absurdamente gigante” para “comprovar e apoiar inclusive intencionalmente” que o presidente e as Forças Armadas têm o apoio necessário para dar um “bastante provável e necessário contragolpe”.
“Hoje, fazer um contragolpe é muito mais difícil e delicado do que naquela época, além do grave aparelhamento acima relatado, temos uma constituição comunista que tirou em grande parte os poderes do Presidente da República e foi por estes motivos que o Presidente Bolsonaro, no início de agosto, em vídeo gravado, pediu para que o povo brasileiro fosse mais uma vez às ruas, na Avenida Paulista, no dia sete de setembro, dar o último aviso, mas, desta vez, ele reforçou que o “contingente” deveria ser absurdamente gigante, ou seja, o tamanho desta manifestação deverá ser o maior já visto na história do país, a ponto de comprovar e apoiar, inclusive internacionalmente, para que dê a ele e às FFAA, para que, em caso de um bastante provável e necessário contragolpe que terão que implementar em breve, diante do grave avanço do golpe já em curso há tempos e que agora avança de forma muito mais agressiva, perpetrado pelo Poder Judiciário, esquerda e todo um aparato, inclusive internacional, de interesses escusos”.
Em outro trecho da mensagem encaminhada por Bolsonaro, lê-se que a manifestação do 7 de setembro, que vem sendo organizada por apoiadores de Bolsonaro, autorizaria o “nosso presidente Jair Bolsonaro juntamente com as nossas honrosas FFAA” a tomarem “as decisões cabíveis para que o Estado democrático de direito seja reestabelecido, o equilíbrio entre os poderes salvaguardado, o cumprimento da Constituição seja imperativo, o respeito à soberania nacional e do povo brasileiro sejam priorizados, a transparência das eleições seja cumprida e o resgate do STF hoje sequestrado por apátridas ocorra”.
Outro trecho da mensagem ressalta uma alegada aliança entre Bolsonaro e as Forças Armadas.
“As FFAA (Forças Armadas) e o presidente Bolsonaro vêm tentando de todas as formas evitar uma ruptura institucional, pois sabem o grande problema que inicialmente poderá representar a todos nós, isso se chama cautela e estratégia, visando um bem maior e comum à nação”.
A coluna procurou o Palácio do Planalto, para que Bolsonaro comentasse o teor da mensagem, mas não obteve resposta. O espaço está aberto a manifestações.

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Depois de onda de frio, previsão é de calor intenso e ar seco nesta semana no país

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RIO - Uma grande massa de ar quente e seco vai predominar sobre o Brasil ao longo desta semana, interrompendo a temporada de frio intenso, segundo previsão do Climatempo.
De acordo com os meteorologistas, as temperaturas vão subir nos próximos dias por amplas regiões e muitas cidades vão registrar calor intenso.
As temperaturas mais altas são esperadas entre terça e sexta-feira em áreas do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Acre, Amazonas. Alguns pontos podem chegar perto dos 40°C.
Ainda há previsão de bastante calor no interior do Paraná, de São Paulo e de Minas Gerais, com temperaturas na casa dos 35°C.
As capitais do Sul e do Sudeste também terão elevação significativa na temperatura. No Sul a capital mais quente deve ser Porto Alegre. O dia mais quente será na quinta, com máxima de 33°C.
No Sudeste, a capital mais quente será o Rio De Janeiro, com máximas que chegam aos 33°C até o fim da semana. Já em São Paulo, entre quarta e sexta, as máximas vão ficar próximas dos 30°C, o que não acontece desde março deste ano.
Umidade baixa
De acordo com o Climatempo, preocupa para essa semana os níveis de umidade, que seguem baixos pela falta de chuva, o que aumenta o risco de queimadas.
O ar mais seco e quente será notado principalmente no interior do Paraná, no Centro-Oeste do país, interior nordestino, sul da Amazônia e no interior de SP e Minas Gerais.
A umidade relativa do ar vai atingir índices críticos, abaixo de 20% em amplas áreas do interior paulista, entre o noroeste de Minas e o Triângulo Mineiro, Mato Grosso do Sul, Goiás, DF, Mato Grosso, oeste da Bahia, sul do Piauí e do Maranhão e Tocantins.
A umidade também tende a cair, com valores abaixo de 30% nas demais áreas de São Paulo, inclusive na capital, em Belo Horizonte, pelo sertão do Nordeste, em Rondônia e no sul do Pará.
Além disso, a falta de chuva prolongada deixa o ar e o solo secos. Essa falta de umidade faz com que a vegetação fique muito seca e mais propensa a pegar fogo.
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Entre Bolsonaro e Trump, diferença são os militares. A voz de Trump vem ao Brasil
A repórter Beatriz Bulla revelou que deve chegar ao Brasil no próximo domingo Jason Miller, ex-porta-voz de Donald Trump. Vem divulgar sua rede social, Gettr, criada para contornar a expulsão de Trump das grandes plataformas americanas. A Gettr tem 250 mil brasileiros listados. Entre eles estão Jair Bolsonaro e dois de seus filhos.
Miller foi uma testemunha privilegiada da ruinosa insurreição de 6 de janeiro, quando Trump tentou melar o resultado da eleição americana. Para quem viu o desfile do pelotão da fumaça em frente ao Palácio do Planalto na semana passada, o golpe de Trump era muito mais delirante.
À tarde, o vice-presidente Mike Pence presidiria a reunião do Senado que sacramentaria a eleição de Joe Biden.
Às oito da manhã, Trump sabia que tinha milhares de seguidores em Washington e falou com Jason Miller. Esperava que Pence aceitasse as objeções dos republicanos e revertesse o resultado: “Faça isso, Mike. Esta é a hora da coragem”, tuitou.
Pouco depois, Trump ligou para Pence, mas o vice disse que não tinha poderes para tanto. Seu papel seria apenas cerimonial. “Você não tem coragem”, respondeu Trump. Ele tinha um plano e foi para um comício perto da Casa Branca.
Por volta de meio-dia e meia, enquanto Trump discursava incitando a multidão, Pence soltou uma nota oficial informando que não reverteria o resultado da eleição. Às 12h58m começava a invasão da área do Capitólio.
Às 14h12m, a multidão estava nos corredores. Alguns gritavam “enforquem Pence”. O vice-presidente e os senadores foram retirados do plenário, e o vice foi levado para um lugar seguro. Trump tuitava: “Mike Pence não teve a coragem de fazer o que devia ser feito.”
Estava enganado. Agentes de segurança queriam levar Pence para uma base aérea, mas ele decidiu ficar no prédio. Às 16h, o vice-presidente telefonou para o secretário de Defesa informando que pretendia retomar os trabalhos e queria que o Capitólio estivesse livre dos invasores: “Mande a tropa, mande logo.”
Entre o instante em que Pence deixou o plenário do Senado e as 20h, quando voltou para sua cadeira, a insurreição estava contida. Passaram-se seis horas, durante as quais as instituições democráticas americanas foram postas à prova.
Donald Trump passou a maior parte do tempo grudado nas televisões. Com o tempo, vai-se saber quem ligou para quem, dizendo o quê.
Às 21h, quando Pence já havia recomeçado a sessão que confirmaria a vitória de Joe Biden, Jason Miller começou a redigir uma nota na qual Donald Trump aceitava que se procedesse a uma “transição ordeira”. Reconhecia a necessidade da transição, o que não significava que reconhecesse o resultado da eleição. Fosse qual fosse o plano que Donald Trump tinha na cabeça, estava acabado.
Trump e Bolsonaro
Durante as seis horas de caos em Washington, Bolsonaro pôs suas fichas no cavalo errado.
Ele disse o seguinte:
“Eu acompanhei tudo hoje. Você sabe que sou ligado ao Trump. Então, você sabe qual a minha resposta aqui. Agora, muita denúncia de fraude, muita denúncia de fraude. Eu falei isso um tempo atrás, e a imprensa falou: ‘Sem provas, presidente Bolsonaro falou que foi fraudada a eleição americana’”
Poucas vezes, houve tamanha afinidade entre um presidente brasileiro e seu colega americano. Quando Bolsonaro disse “sou ligado ao Trump”, apontava para uma conexão que vai além da simpatia.
Trump contestava a eleição de Joe Biden. Bolsonaro contestava não só a eleição americana, como também a brasileira do ano que vem.
Trump acreditou na cloroquina e na imunidade de rebanho. Bolsonaro também.
Trump recusou-se a usar máscaras e duvidou da utilidade do distanciamento social. Bolsonaro também.
Trump disse que o vírus foi uma criação chinesa. Bolsonaro também. (Fazendo-se justiça a Trump, ele só saiu com essa patranha depois que os chineses disseram que o vírus havia sido espalhado pelos americanos.)
Por mais delirante que Trump tenha sido na sua conduta durante a pandemia, não há vestígio de picaretas agindo com relativo sucesso na burocracia da saúde pública americana.
Trump encrencou com seu vice. Bolsonaro também.
Trump quis militarizar o feriado de 4 de julho nos Estados Unidos botando tanques nos jardins da Casa Branca. Bolsonaro desfilou blindados fumacentos diante do Planalto.
Trump e os militares
É no capítulo das relações com os militares que salta aos olhos uma diferença entre o que aconteceu nos Estados Unidos e o que acontece no Brasil.
Lá, como cá, apareceram militares da reserva propondo excentricidades. Um general trumpista da reserva queria colocar o país sob lei marcial. Ficou no palavrório.
O general Mark Miley, chefe do Estado Maior Conjunto dos EUA, sentiu cheiro de queimado na movimentação dos trumpistas antes do 6 de janeiro.
Vendo uma manifestação em Washington no dia 2, ele cravou: “Esse é um momento do Reichstag. O Evangelho do Führer”.
Era uma comparação com os assaltos de Hitler ao regime democrático da Alemanha.
Não há prova de que Trump tenha tentado mover tropas do Exército, Marinha ou Aeronáutica no seu pastelão.
Pelo contrário. Na tarde do dia 6, quem pediu tropas foram os democratas Nancy Pelosi e Charles Schumer.
No dia 8, quando Trump já estava no chão, Pelosi, presidente da Câmara, telefonou para o general Miley, argumentando que o presidente estava fora de si e poderia fazer outras maluquices. Ela especulava a possibilidade de declará-lo incapaz.
Quanto às maluquices (o uso de armas nucleares para criar um caso), Miley tranquilizou-a. Quanto à declaração da incapacidade de Trump, ele cortou:
“Eu não vou caracterizar o presidente. Não é meu papel.”
Serviço
Estão na rede três reconstituições das maluquices de Donald Trump, publicadas nos Estados Unidos.
Diante da pandemia:
“Nightmare Scenario“ (Cenário de Pesadelo), de Yasmeen Abutaleb e Damian Paletta.
Sobre o 6 de janeiro:
“Landslide” (Expressão em inglês para designar uma vitória folgada numa eleição), de Michael Wolff
“I Alone Can Fix It” (Eu Consigo Consertar Isso), de Carol Leonnig e Philip Rucker
Madame Natasha
Madame Natasha acompanha as sessões da CPI da Covid mascando cloroquina e decepcionou-se com a intenção dos senadores de acusar Bolsonaro por “charlatanismo e curandeirismo” durante a pandemia.
Charlatanismo, vá lá, mas falar em curandeirismo é uma ofensa aos muitos pajés do círculo de amizades da senhora.
O charlatão sabe que o óleo de peixe não cura reumatismo. Já o curandeiro acredita nas virtudes de suas poções.
Zé Arigó (1921-1971) foi um homem honesto. João de Deus, antes de ser apanhado em seus delitos sexuais, fez fama atendendo muita gente boa. Isso para não mencionar os milhares de pajés que cuidaram de indígenas. O cacique Takumã Kamayura (1932-2014) é hoje uma lenda para os povos do Xingu.
Natasha acredita que essa confusão é crendice de homem branco.
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HACKER que interferiu nas eleições de 2018 se chama Sérgio Moro, diz especialista ___________________________
O maior BENEFICIADO e o HACKER:
Mesmo após a cerimônia de sepultamento do voto impresso na Câmara, Bolsonaro voltou a dizer, sem provas, que as eleições anteriores foram fraudadas e que um hacker invadiu o sistema do TSE adulterando as urnas.
Um especialista confirmou que as eleições de 2018 realmente tiveram interferência de um grupo de hackers de Curitiba: “Os hackers usaram um sistema baseado em Powerpoint para tirar um dos candidatos da urna eletrônica”, declarou o especialista, sem provas, mas com convicção.
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Cartões por aproximação já superaram 100 milhões de operações este ano, mas pagamento sem senha tem riscos. Veja dicas para se proteger

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RIO - A carioca Rosângela Duarte levou um susto no caixa de uma lanchonete quando a atendente devolveu o seu cartão já com o comprovante da transação impresso pela maquininha, sem que tivesse digitado a senha. Ela não sabia que estava ativada no seu cartão a função de pagamento por aproximação (NFC, na sigla em inglês).
— Não pedi para ativar, o Itaú não me avisou da funcionalidade, sequer sei o limite de pagamento sem senha. Quero desabilitar, tenho medo de ter um assalto no ônibus e fazerem a limpa na minha conta — diz ela.
O pagamento por aproximação é a modalidade que mais cresce hoje no Brasil, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs). Em junho, foram registradas 112 milhões de transações, número sete vezes maior do que no mesmo mês de 2020, relata a entidade.
Falta de informação dos bancos
A falta de informação sobre a nova funcionalidade, no entanto, chama atenção na pesquisa on-line, com cerca de mil internautas, realizada pelo Procon-PR.
Entre os respondentes, 77,4% disseram não ter recebido informação do banco sobre o novo recurso e 76,7% não sabiam o valor máximo para pagamento sem senha.
— Não somos contra a tecnologia. Entendo que durante a pandemia, então, é bom poder fazer uma operação sem contato com a maquininha, reduz o risco de contaminação. Mas a falta de informação deixa o consumidor vulnerável — destaca Claudia Silvano, diretora do Procon-PR.
Diante dos inúmeros vídeos circulando na internet sobre risco de fraudes com o cartão de aproximação em locais com aglomeração, Claudia convocou reunião com emissores de cartões.
A Comissão de Defesa do Consumidor da OAB RJ já alertava sobre os riscos da nova tecnologia, em um parecer emitido em 2019.
— Não somos contra a modernidade, ela precisa ocorrer, mas preservando a segurança do consumidor. Por isso, o parecer recomenda ampla informação de riscos e cautelas que devem ser adotadas pelo consumidor — diz Bruno Leite de Almeida, relator do parecer.
Conferir extratos ajuda
A rotina de conferir todos os pagamentos recebidos assim que chega em casa pode ter salvado o motorista de aplicativo Sivaldo Rego de um grande prejuízo. Ao conferir as entradas, viu dois débitos de R$ 40 feitos em intervalo de 12 minutos na lanchonete em que costuma tomar um cafezinho no fim do dia, de R$ 2,50.
— Corri no carro e não localizei o cartão. Imediatamente transferi todo o dinheiro dessa conta para não correr mais riscos. Quando receber o novo cartão vou desabilitar a função — afirma Rêgo.
Para reduzir riscos, o consultor financeiro Felipe Nogueira pediu ao banco para que limitasse a quatro as operações consecutivas sem necessidade de senha no seu cartão:
— Depois da quarta operação é preciso digitar a senha. Além disso, deixei um limite baixo por operação sem senha e recebo notificação de movimentação pelo celular, qualquer irregularidade imediatamente aviso ao banco.
O acompanhamento em tempo real da conta pelo celular livrou a contadora curitibana Ana Christina Franco de uma tentativa de fraude:
— Parei no posto e quando fui pagar o caixa me informou que não tinha passado na primeira maquininha, foi logo para a outra e fez o pagamento por aproximação. Quando pedi o recibo, disse que não estava imprimindo. Verifiquei no celular e ele havia me cobrado R$ 50 a mais. Ameacei chamar a polícia e me devolveram a diferença.
Limite para transação
Ela se queixa da dificuldade para desabilitar a função:
— Faço tudo pelo app no banco Inter, mas não consegui desabilitar a aproximação.
A Abecs informa que para realizar a transação é preciso uma distância menor do que quatro centímetros entre cartão e maquininha, se não houver interferência no wi-fi. O limite máximo para pagamento sem senha, diz, é de R$ 200. E afirma que não houve aumento de reclamações ou casos de fraude.
Em geral, afirma a entidade, os emissores enviam material informativo com o cartão, e muitos oferecem opção de desabilitar a funcionalidade por app ou outros canais de atendimento.
O Itaú Unibanco destaca que a tecnologia NFC se tornou ainda mais relevante na pandemia por não necessitar de contato físico. E acrescenta que é possível desativar o recurso na central de atendimento.
O Inter diz estar em contato com a cliente e afirma encaminhar informações aos clientes sobre a funcionalidade que, acrescenta, pode ser desativada na área de cartões do app, no botão configurações.
O Banco Central (BC) explica que não existem normas específicas para essa modalidade de pagamento. Apesar dessa autonomia, o BC ressalta que há disposições legais e regulatórias a serem observadas. Entre elas, segurança da transação e da informação, acompanhamento de fraudes e informação ao consumidor.
Em caso de problemas, se não houver solução pelo emissor, recomenda registro de queixa via “fale conosco". Os Procons também podem ser acionados.
Confira algumas orientações para maior segurança
- Distância: A Abecs informa que a conexão com pagamento se faz a até 4cm de distância entre a máquina e o cartão.
- Cuidado: Se seu cartão é novo, provavelmente a função de pagamento por aproximação já está habilitada. Mas é possível desabilitar.
- Informação: Apesar de não haver normas específicas para esse serviço, o Banco Central diz que a informação ao consumidor é mandatória, como segurança e acompanhamento de fraudes.
- Atenção: Esse tipo de dispositivo exige atenção extra para onde guardar o cartão. A recomendação é não deixá-los em bolsos traseiros, mesmo estando dentro da carteira, para evitar contato involuntário com máquinas. E nunca perder de vista bolsa e carteira.
- Limite: Para a operação sem necessidade de senha o limite máximo costuma ser de R$ 200, mas é possível reduzir o valor.
- Segurança: Uma orientação é verificar com o banco a possibilidade de limitar o número de operações consecutivas sem senha. Em caso de perda, roubo ou furto, isso reduz o risco de prejuízos.
- Notificação: Outra recomendação é adotar sistemas de notificação de compras que podem soar rapidamente o alerta para o caso de operação irregular.
- Problema: Em caso de problemas com o dispositivo procure o banco. Se não resolver, registre queixa no “fale conosco” do Banco Central e nos Procons.
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Pandemia provoca revolução doméstica e cria hábitos que vieram para ficar

RIO — Lá para o final de março do ano passado, boa parte do Brasil se viu recluso em casa por causa de um vírus recém-chegado ao país. Para quem estava acostumado a uma vida agitada, com deslocamentos rotineiros, a quebra de rotina — carregada pelo medo da pandemia — causou um choque. Aqueles que puderam se beneficiar do isolamento enfrentaram questões que partiram do tédio (já arrumei todos os meus armários, e agora?), passando pela solidão (tenho saudades dos meus amigos, e agora?) até chegar às dúvidas existenciais (acho que estou com depressão, e agora?). Depois de muitos divórcios, videochamadas, novos hobbies, sessões de terapia e uma crise sanitária que dura muito mais do que o esperado, as coisas foram se assentando. O que era compulsório ganhou tons voluntários. Parte da turma que torcia o nariz para um modo de vida mais caseiro acabou se acostumando: redescobriu o valor do lar e pretende seguir na toada doméstica.
A casa virou um palco onde os conflitos aparecem com mais frequência, pois não foi possível adiar as soluções de algumas questões internas, analisa o terapeuta Arnaldo Cheixas.
— No começo fiquei meio doida, o dia todo em casa, lidar com a família, mas agora estou mais tranquila — diz a artista visual Gabrieli Gama.
Ela deixou a criatividade aflorar. Começou a fazer cliques de si mesma para treinar a fotografia, a praticar exercícios aeróbicos com vídeos no YouTube e a assar pães, este um clássico pandêmico. “Fico uns 15 minutos sovando a massa, desestressando.”
Passar a preparar a própria comida foi um dos hábitos adquiridos nesse período de transformações drásticas que vieram para ficar. O bibliotecário carioca João Marco Luz, de 29 anos, se considera um “crítico” de feijão, mas dos outros, porque nunca havia tido coragem de usar a panela de pressão para preparar o prato. Com o contrato de trabalho suspenso, João, que sabia “no máximo fazer um macarrão”, aproveitou o tempo livre para se aventurar na cozinha. O feijão saiu saboroso. Depois, o rapaz se arriscou na picanha na cerveja, no peixe de forno...
— Achei maneiras de ocupar meu tempo, e isso fez bem para minha saúde. Assistir a séries e jogar videogame acaba enjoando, então busquei algo que me desafiasse — conta.
Assim, surgiu também o interesse por aprender a tocar violão, encostado desde 2018.
— No começo da quarentena foi difícil, sempre tive muitos amigos. Mas me conheci melhor e aprendi a apreciar minha companhia. Coloco uma música, pego uma cerveja e aproveito.
Homens, mulheres, jovens e velhos passaram, enfim, a ter mais tempo para a olhar para si mesmos nos mais variados aspectos da vida, provocando grande e rápido impacto na saúde mental e física.
— Percebemos que tínhamos arestas para aparar internamente, tanto no ambiente físico da casa, do trabalho, quanto nas condições psicológicas, morais e espirituais. Pessoas ficaram com medo de estar consigo mesmas, de olhar para dentro e não encontrar nada. Mergulharam, por exemplo, em uma vida virtual para fugir — afirma a filósofa Lúcia Helena Galvão, que complementa: — Já outros aproveitaram para repensar seus propósitos e imprimiram melhorias. Pararam para observar os detalhes, ouvir a música de que mais gostavam, se reconectaram com as mais belas leituras. Assim, desenvolveram capacidades que não vão perder depois e pavimentaram o caminho para uma vida equilibrada e feliz.
Casa multifuncional
Uma das grandes mudanças foi em relação à atividade física. A maioria dos brasileiros ganhou peso, sim, no período (estima-se que ao menos 20% da população tenha engordado mais de 3 quilos), mas outros muitos passaram a se mexer em espaços diminutos da casa, como no canto da sala ou do quarto. Desprovidas dos equipamentos grandiosos das academias, essas pessoas lidam agora com pesos e cordas improvisados e, não raro, com o apoio de móveis. Um esforço, que, segundo os especialistas, leva ao autoconhecimento dos limites do próprio corpo e da força de vontade. Criou-se um novo tipo de interação com o espaço físico, que impactou também as relações.
Além das adaptações para os exercícios e para o home office, os lares passaram por uma revolução na decoração. O setor de construção civil e móveis e decoração deu um salto em 2020, no meio de uma crise aguda do varejo.
Muita gente percebeu que morava mal, no sentido de não iluminar bem os ambientes ou de faltar personalidade à própria casa, e investiu em mudanças voltadas para o bem-estar pessoal.
— O profissional que projeta hoje “sala, cozinha e quarto” está desenhando o passado. É preciso levar em conta as atividades, como trabalhar, comer, receber amigos, e dar à casa a flexibilidade necessária, com móveis que deslizam e cortinas, por exemplo — afirma o arquiteto Guto Requena.
Houve quem tenha se mudado para respirar novos ares, rumo ao interior, ao litoral ou a espaços cercados por natureza. As plantas, inclusive, nunca dominaram tanto os lares. A terapeuta energética mineira Nádia Schmidt, 28, foi morar sozinha em um apartamento com varanda e criou um canto bastante pessoal, com flores, tapetes, almofadas coloridas e fotos da infância. Ela passou a se interessar por vinhos, realizou cursos, voltou a pintar quadros e até adotou um gato para lhe fazer companhia, o Carlos Daniel.
— Estou começando a circular um pouco, mas criei um apego mais forte com minha casa. Agora, selecionarei bem o que eu quero fazer, se realmente vale sair. Não tem mais essa história de ir a algum lugar só para falar que foi.
Medo na volta
A consciência do valor de nosso lar se consolidou. Porém, para alguns foi além e agora pode trazer problemas. Trata-se de quem escolhe ficar no ambiente doméstico por medo do mundo lá fora, após restrições tão duradouras.
O horizonte da volta à total “normalidade”, com barzinhos, festas e jantares sem restrições, traz angústia e ansiedade a alguns. Isso porque o desejo de regressar ao convívio se estendeu por tanto tempo que pode ter esmorecido. Os temores ganharam até nome em inglês, o F.O.M.A. (Fear of Meeting Again, algo como “medo de voltar a encontrar”). Mas não há dúvida de que muitos e muitos sairão dessa experiência única da humanidade fortalecidos.
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A chegada tardia à vida adulta na nova série 'Mr. Corman' - Patrícia Kogut, O Globo
Patrícia Kogut

É difícil classificar “Mr. Corman”, série que acaba de estrear na Apple TV+. Drama? Fantasia? Ela reúne mais de uma chave: um pouco de melancolia se mistura a doses econômicas de humor. Tudo isso se soma a alguns devaneios lisérgicos que carregam o espectador no susto do realismo à pura fantasia.
Joseph Gordon-Levitt criou, produziu, escreveu, dirigiu e estrela esse enredo. A narrativa rompe padrões, mas faz isso de forma suave e lenta. O espectador demora a notar esse trançado de linguagens. Vale insistir.
Acompanhamos um professor de quinto ano do ensino básico numa escola no Vale de San Fernando, na Califórnia. Na primeira cena (na foto), Josh Corman está em sala de aula. Seus alunos são bem jovens, mas ele propõe questões subjetivas e profundas. Os meninos e meninas se mostram interessados pela matéria. “O que é ter sorte na vida?”, quer saber o mestre, para, em seguida, emendar: “Quem aqui acha que tem sorte?” (quase todos dizem que não, com exceção de um garoto latino cuja resposta entrega sua formação religiosa). Simpatizamos de cara com o protagonista.
O episódio inicial mostra um homem equilibrado e sensível. Só que não é nada disso. Josh Corman acaba de entrar na faixa dos 30. Por trás de tanta doçura, há um mar de frustração. Seus sonhos da juventude não se realizaram. Ele era um músico ambicioso e dono de algum talento, mas desistiu da carreira. Mais do que isso: abandonou totalmente os instrumentos, não toca nem por diletantismo. Morava com uma noiva, mas ela o deixou. Ele agora divide um apartamento de estudante com um amigo de infância. Chegou à vida adulta um pouco tardiamente e cheio de insatisfações, embatucado com o que poderia ter acontecido caso tivesse feito outras escolhas. Faz pensar no famoso poema de Robert Frost, “O caminho que não tomei” (“Entre duas possibilidades, que caminho tomar?/Pode ser entre dois amores, dois empregos, duas ruas/dois países. Pode ser uma encruzilhada qualquer”).
A trama avança, e Corman vai perdendo o ar tranquilo do começo. Ele não tem autoestima. E sofre com ataques de pânico e de ansiedade. Sua angústia crescente é o centro dessa história. Ele tenta sair do buraco. Acha que tem de romper com uma rotina repetitiva e limitada e vai sozinho até uma boate. Lá, dança com uma desconhecida, entabula uma conversa e vai para a casa dela. Mas o encontro acaba desastroso, um insucesso na cama. Tudo dá errado.
Falta agilidade ao desenvolvimento do enredo, e a série demora a apresentar seus trunfos. Isso acontece, mas só lá pelo fim do segundo episódio. Gordon-Levitt garante ótimos momentos contracenando com Arturo Castro (Victor), amigo com quem seu personagem mora, e com a talentosa Debra Winger, que faz sua mãe. Com ela, Josh ainda mantém um laço infantil, outra fonte de drama e de humor.
A série é bonitinha e, de quebra, tem boa música. Vale conferir.
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'Nos tempos do imperador', um baita programão
"Nos tempos do imperador”, a primeira novela inédita da pandemia, traz no título um herói calmo, culto, ponderado, melancólico até. Bem diferente de seu explosivo e apaixonante pai, d. Pedro I, que na magnífica “Novo mundo”, foi interpretado por Caio Castro. E também completamente distinto da baixaria que estamos vendo por estes trópicos, mais de 150 anos depois. A julgar pelos primeiros capítulos, irretocáveis nos cenários, na fotografia e nos figurinos, o folhetim se anuncia como uma bem-vinda pausa poética de delicadeza dramatúrgica entre as farsas grotescas da nossa realidade.
A escalação do triângulo amoroso real foi mais que acertada. Selton Mello traz nos olhos o fundo de tristeza que dominou d. Pedro II desde a mais tenra infância e a firmeza com que ele, por exemplo, enfrenta o paraguaio Solano López ao dizer: “O Brasil não se curvará a ditadores” (recado bem propício agora, aliás). Mariana Ximenes está fantástica como a condessa de Barral, preceptora das princesas imperiais e amante do imperador. E Leticia Sabatella tem todos os atributos para dar, finalmente, voz à mulher que por mais tempo (46 anos) esteve no coração do poder no Brasil, a imperatriz Teresa Cristina, que a narrativa historicamente machista sempre descreveu como submissa e silenciosa, uma sombra inculta do marido filósofo, intelectualmente “superior”.
A tese é difícil de sustentar ante as evidências de seu mecenato cultural. A começar pela importação da Itália daquela que se tornaria a maior coleção de objetos clássicos da América Latina, mais de 700 itens oriundos de escavações arqueológicas de Pompeia, Herculano e Veio. Setenta por cento desse tesouro viraram cinzas no incêndio do Museu Nacional, em 2018. Sob seu patrocínio e influência vieram grandes pintores, como Alessandro Ciccarelli, Giovanni Castelpoggi e Nicola Antonio Facchinetti; músicos, cantores e atores, como a diva do teatro Adelaide Ristori; e é bom lembrar que, graças a ela, Carlos Gomes não foi aprimorar seu talento com Wagner na Alemanha (como queria d. Pedro II), mas com Giuseppe Verdi na Itália, o que possibilitou a lendária apresentação, no Teatro Alla Scala de Milão, da ópera “O Guarany”, a primeira obra latina a triunfar nos palcos do Velho Continente. A quem quiser saber mais sobre a personagem fora da novela, recomendo o livro “Teresa Cristina de Bourbon: uma imperatriz italiana nos trópicos” (EDUERJ), do professor Aniello Angelo Avella.
Na formação de Teresa Cristina havia também uma repulsa íntima à escravidão. Sua Nápoles natal foi a primeira capital italiana a ter uma ferrovia, a adotar a iluminação a gás e foi o berço de uma das mais importantes escolas filosóficas a atacar o comércio de almas. Um dos responsáveis por arranjar a união do casal imperial, aliás, foi o então cônsul-geral napolitano no Rio de Janeiro, Gennaro Merolla, que escreveu que a escravidão corrompia os costumes e repudiava o Evangelho baseando-se em falsos fundamentos. Quando a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, a mãe, que estava em Milão, lhe escreveu num telegrama: “Felicitações pelo triunfo da grande causa sob os seus auspícios”.
Em paralelo às tramas românticas palacianas, o grande desafio de “Nos tempos do imperador” talvez seja situar o inexplicável: como essa simpática e esclarecida família, cujos diálogos já denotam um espírito abolicionista, protelou tanto a abolição, enlameando sua moral e sua reputação em troca de não ser apeada do poder pelas oligarquias — como acabou sendo.
Numa pandemia marcada pelo movimento #BlackLivesMatter e pela publicação de vasta literatura sobre os efeitos nefastos da escravidão nas tragédias do Brasil de hoje, será mais do que necessário ver na TV a importância e o protagonismo da resistência negra nesse processo, encarnada no personagem Jorge/Samuel, muito bem interpretado pelo ator Michel Gomes.
Não tenha dúvida: ele é o galã da seis.
( Bruno Astuto )
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ZIGUE-ZAGUE fisiológico dos sem firmeza ideológica
A prisão de Zelig - JEFFERSON é o maior FARSANTE da política NACIONAL dos últimos 50 anos
Esta coluna queria tratar do déspota da pauta da Câmara. Tentaria mostrar que o deputado Arthur Lira, sem constrangimento e cada vez mais enfaticamente, faz o que bem lhe dá na telha na condução dos temas da Casa. Como presidente da Câmara, ignora mais de cem pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro, mas dá andamento a pautas tão esdrúxulas quanto extemporâneas como a reforma política menos de quatro anos depois da última mudança e antes dela ter sido testada em pleito nacional. O assunto era bom. Aliás, o que não falta no Brasil é assunto. Tanto que amanhecemos na sexta com a prisão de Roberto Jefferson, presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que roubou a coluna de Lira.
Jefferson, um aliado incondicional de Jair Bolsonaro e de seus métodos ultradireitistas, é o maior farsante da política nacional dos últimos 50 anos. Ao longo de sua carreira política, já ocupou espaço em todos os lados do espectro político. Durante a ditadura, era filiado ao MDB, único partido de oposição ao regime militar. O homem que hoje prega o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal iniciou sua trajetória ao lado dos que defendiam o voto direto e a anistia ampla, geral e irrestrita, o fim do AI-5, das prisões políticas e da tortura.
Com o fim do bipartidarismo, mas ainda no governo do último general, João Figueiredo, deixou o MDB e fez um rápido pouso no PP, partido de centro, antes de aterrissar no PTB, sigla que Leonel Brizola perdeu para Ivete Vargas, sobrinha neta de Getúlio Vargas. O PTB, que antes da ditadura era o partido do trabalhismo histórico, virou um agrupamento de centro-direita e assim vem navegando pela política nacional desde 1981. Jefferson, como o partido que preside, faz o ziguezague característico de gente ou agremiação fisiológica e sem firmeza ideológica.
No governo de Fernando Collor, foi um dos mais destacados membros da tropa de choque que defendeu mas não conseguiu evitar a cassação do mandato do presidente. Passou a ser reconhecido pela sua truculência. Foi também citado entre os envolvidos no escândalo de propinas que resultou na CPI do Orçamento instalada logo depois do afastamento de Collor. Mas essa biografia degradada não impediu que o PT aceitasse o seu apoio no segundo turno da primeira eleição de Lula em 2002 e, no governo, desse cargos a aliados de Jefferson.
O homem que antes de ser preso invocou “Deus, pátria e família”, tripé do fascismo, governou com o PT até traí-lo e denunciá-lo no caso do mensalão. O episódio só se desenrolou porque Jefferson sentiu-se traído por José Dirceu que nada fez quando eclodiu um escândalo de propina nos Correios, dirigido por aliado do petebista. O então deputado deu em seguida uma entrevista para a jornalista Renata Lo Prete, então na “Folha de S. Paulo”, dizendo que o PT pagava aos partidos por seu apoio no Congresso. Foi uma bomba que teve diversos desdobramentos, inclusive a cassação e a posterior prisão de Roberto Jefferson.
O ex-deputado lembra Zelig, um dos mais interessantes personagens criados por Woody Allen no filme de mesmo nome. Leonard Zelig, interpretado por Allen, era um homem absolutamente sem graça, mas que tinha um distúrbio que lhe dava capacidade de transformar sua aparência tornando-a igual a de todos de quem ele se aproximava. Poderia também ser comparado a Mel, outro personagem de Woody Allen, vivido por Robin Williams em “Desconstruindo Harry”. Mel, que seria o alter ego de Harry, passa o filme todo fora de foco, literalmente.
Obviamente Jefferson é muito pior que Zelig, por ser um imitador barato, que muda o discurso e a cor de sua bandeira unicamente por interesse fisiológico. Também é pior que Mel, porque este tenta achar um foco, enquanto Jefferson deliberadamente prefere operar no escuro, no opaco, longe de olhos atentos, ou fora de foco. Sua prisão é justa e lembra mais uma vez como é urgente um controle mais eficiente que impeça a propagação de conteúdos de ódio nas redes sociais.
Vexame sombrio
O vexame só não foi maior porque o desfile de tanques teve um componente político que transcendeu ao clima farsesco e ridículo que o envolveu. Foi uma intimidação ao Congresso sob qualquer ponto de vista. Foi uma evidente tentativa de mostrar força, apesar de só ter externado truculência. Foi intolerável. Mais uma vez o governo mais estúpido da história da República brasileira cometeu um ato intolerável. E mais uma vez vai ficar por isso mesmo. A única alegria daquele dia triste foi o ato ter acabado se tornando num desfile patético de sucatas que se arrastaram pela esplanada engasgando, pipocando e soltando fumaça preta de óleo mal queimado.
Ninguém perdeu
Mal saiu do plenário que rejeitou o voto impresso e o presidente da Câmara começou a pregar que ninguém perdeu com o resultado histórico. Como ninguém perdeu? Quem defendia a mudança foi derrotado categoricamente, perdeu, apesar do esforço de Arthur Lira em mostrar o contrário. Aliás, tem deputado sussurrando em Brasília que Lira buscou votos de última hora a favor do projeto para evitar derrota acachapante de Jair Bolsonaro. Além de proteger o presidente, Lira defendia o Centrão, outro derrotado na sua primeira prova de força no Congresso Nacional.
Nem prece, nem tanque
A bancada evangélica que saiu em defesa do voto impresso (75% dos seus membros votaram a favor) foi outra abalroada pela rejeição da Câmara. Não houve prece que conseguisse aprovar a volta absurda do voto impresso. Tampouco houve tanque com força para tanto. Foi um desfile de derrotas.
Aécio outra vez
Maior vexame do que o promovido pelo desfile de cacarecos foi o de Aécio Neves. O deputado e ex-candidato a presidente se absteve de votar contra a emenda do golpe, apelidada na Câmara de PEC do voto impresso. Seu não voto significa apoio à proposta de Bolsonaro. Um vexame de quem não honra o sobrenome de Tancredo. Junto, Aécio arrastou consigo outros 19 deputados do PSDB que votaram a favor da emenda ou se recusaram a votar.
Compromisso de Bozo
Arthur Lira disse aos repórteres credenciados no Congresso que na véspera da votação da PEC do voto impresso conversou com Bolsonaro e este lhe garantiu que aceitaria qualquer resultado. Oras, francamente. Precisava consultar o presidente? Se ele dissesse que não aceitaria o resultado, e daí? O que você faria, nobre deputado? E, claro, Bozo não cumpriu o combinado como se viu.
Fará falta
José Serra vai fazer falta no Senado durante os quatro meses de licença que tirou para tratar de Parkinson. Trata-se do mais produtivo senador da República. Nos seus seis anos e meio de mandato, aprovou 26 projetos de lei e outros 47 aguardam votação. Também aprovou uma emenda à Constituição das cinco que submeteu ao plenário e ainda tramitam na casa.
O dono da pauta
Arthur Lira (foi cheia a semana do deputado) ainda precisa explicar a decisão monocrática de retirar poder do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara. Na sessão que cassou a ex-deputada Flordelis, Lira anunciou mudança no trâmite de processos de cassação, permitindo que o plenário mude o teor da decisão do Conselho. Antes, o plenário podia acatar ou rejeitar o relatório do Conselho, agora pode mudar o seu conteúdo, abrandando a pena do parlamentar denunciado. É bom não esquecer que em fevereiro Lira tentou aumentar ainda mais a blindagem de deputados. Foi derrotado.
Presença maior
A sessão de Flordelis, aliás, teve 457 votos. A da PEC do voto impresso teve dez a menos. Claro que a cassação da deputada era tão importante quanto tardia, mas a emenda do golpe merecia mais atenção e maior rejeição dos ilustres deputados.
Dar por lido
Assistir a sessões da Câmara pode resultar em surpresas curiosas. Na sessão da cassação de Flordelis, o deputado Rubens Pereira Jr (PCdoB-MA) pediu a volta do “dar por lido”. Trata-se de um instrumento antigo e que havia sido banido na Casa em que um parlamentar finge que lê um discurso no plenário e os demais fingem que ouvem. O discurso escrito é entregue à Mesa e publicado nas mídias oficiais da Câmara. Trata-se de um faz de conta que é a cara do Congresso. É o engana eleitor.
Índios fora
O presidente do Brasil recebeu esta semana um grupo de índios, ou brasileiros originários, no Palácio do Planalto. Mas do lado de fora. Na calçada. É assim que opera Bolsonaro. Por sorte do Brasil, um cocar (maior símbolo de azar na política) foi colocado em sua cabeça.
Por fim
Qual é mesmo o treinamento militar que a Marinha faz em Formosa, cidade do interior de Goiás que fica a 1.169 quilômetros do porto marítimo mais próximo, o do Rio de Janeiro? Claro que o almirantado vai ter uma explicação. Mas, considerando que o mar é um detalhe e o negócio é operar em terra, sugiro que no próximo ano a Marinha brasileira faça uma operação conjunta com a boliviana. Tem tudo para ser um sucesso.
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O ATOLEIRO dos EUA no AFEGANISTÃO
Porta dos fundos
Faltam três semanas para o vigésimo aniversário do 11 de Setembro de 2001. O ataque terrorista daquele dia foi o mais ousado da História moderna. Deixou os Estados Unidos de joelhos por várias horas e, de certa forma, sem rumo desde então. Data sombria, portanto, indelével da memória coletiva deste milênio, assim como o 22 de novembro de 1963 (assassinato de John F. Kennedy), marcou fundo quem viveu a segunda metade do século XX. Distintos em quase tudo — escopo, duração, vítimas anônimas x alvo único, consequências históricas —, os dois acontecimentos têm em comum um tripé capaz de minar qualquer sociedade: medo, insegurança coletiva e teorias conspiratórias. A morte violenta de Kennedy deixou o país em orfandade sentimental. Os suicidas islâmicos do 11 de Setembro, que reduziram a escombros as orgulhosas Torres Gêmeas do capitalismo e racharam a fortaleza militar do Pentágono, expuseram ao mundo a vulnerabilidade da superpotência. Foi um choque e um luto cataclísmicos.
O atual presidente, Joe Biden, assumiu a Casa Branca decidido a acabar com a guerra que os EUA travam no Afeganistão há 20 anos. Ela fora desencadeada por George W. Bush, com apoio maciço do Congresso e recurso à tortura, para castigar o país que dera abrigo ao grupo jihadista al-Qaeda, responsável pela matança do 11 de Setembro. Está agora em seus estertores, mas não da forma desejada por Washington.
O Afeganistão nunca deixou de ser um exasperante atoleiro militar para as Forças Armadas e os ocupantes da Casa Branca. A imposição de sucessivos governos pró-Ocidente e a exclusão do Talibã nunca conseguiram pacificar o país, repetindo o fiasco tentado meio século antes no Vietnã. O envio de mais de 100 mil soldados à terra estrangeira e a realização de eleições tampouco conseguiram emplacar a nação afegã idealizada. Bush saiu da Casa Branca e deixou o caos sem olhar para trás. Entre promessas de retirada total e o envio de mais reforços, seus sucessores Barack Obama e Donald Trump também ali atolaram.
Biden agora cravou a saída definitiva até o 31 de agosto próximo. Talvez pretendesse fazer dessa promessa um motivo de alívio nacional, justamente às vésperas do sempre traumático aniversário do 11/9. A ver. Até porque as forças do arqui-inimigo Talibã já percorrem o solo afegão com aisance feroz e anunciam que o governo local apoiado pelos americanos não ficará de pé. Planejam concluir seu arrojado assalto ao poder em semanas e refazer do Afeganistão um Emirado Islâmico. Sobretudo, querem celebrar o seu próprio 11 de Setembro, obrigando os EUA a sair pela porta dos fundos, às pressas, sem prometer nem concessões nem pacificação com adversários internos.
Para o povo afegão, derrotar potências estrangeiras é parte da história nacional — já enxotaram os ingleses em três guerras, expulsaram e fizeram sangrar os soviéticos e agora despacham o colosso americano sem maiores cerimônias. Ainda ficarão com um bom butim militar. Estima-se que as Forças Armadas dos EUA tinham em território afegão 65 mil contêineres de 10m x 3m x 3m só de material bélico (sem contar veículos, blindados, aviões, é claro). Parte desse maná terá de ser deixada para trás.
Não é de hoje que conflitos globais desembocam em cemitérios imperiais. A Primeira Grande Guerra, sozinha, gerou a dissolução de três deles — o Império Russo, o Austro-Húngaro e o Otomano. Finda a Segunda Guerra Mundial, o próprio Império Britânico achou melhor cuidar de seu Serviço Nacional de Saúde do que persistir sine die em sua vocação imperial. Fez bem. Os Estados Unidos, por sua história e fundamentos, sempre preferiram o papel de xerife, seja para invadir, ocupar, desestabilizar, trocar de regime , “democratizar”. Das guerras sem fim mais recentes, acabam sobrando mausoléus em forma de embaixadas.
Às margens do Rio Tigre jaz um desses mastodontes. Foi fincado no perímetro mais protegido da capital do Iraque, país também invadido por Bush na Guerra ao Terror deslanchada após o 11 de Setembro. É formado por 21 edificações, se estende por uma área maior que o Vaticano e foi planejado para abrigar até 16 mil pessoas. Na verdade, uma cidade-bunker dentro de um bunker. Apenas 10% da ocupação seria destinada a diplomatas, outros 10% a administradores. Os restantes 30% caberiam a pessoal terceirizado e 50% a forças de segurança. À época da inauguração, um integrante do Departamento de Estado descreveu o complexo como “fortaleza destinada a manter o povo e a realidade do lado de fora”. Cabul, a capital do Afeganistão, também tem uma dessas embaixadas-mamutes. Um dia parecerá sítio arqueológico de uma era pouco edificante.

Por Dorrit Harazim
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Palácio Capanema à venda: um símbolo do desmonte da cultura | Bernardo Mello Franco - O Globo

O governo incluiu o Palácio Gustavo Capanema, uma joia do centro do Rio, no “feirão de imóveis” anunciado para o fim do mês. O edifício é um marco da arquitetura moderna e um patrimônio da cultura brasileira. Nos últimos sete anos, a União investiu R$ 100 milhões para restaurá-lo. Agora o ministro Paulo Guedes quer vendê-lo para engordar o caixa às vésperas da eleição.
A sede do antigo Ministério da Educação e Saúde nasceu do traço do franco-suíço Le Corbusier, que visitou o país em 1936. O croqui reunia os principais elementos de sua arquitetura: construção sobre pilotis, terraço-jardim, janelas em fita.
O projeto foi desenvolvido por uma equipe integrada por Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy. Os azulejos de Candido Portinari, as esculturas de Bruno Giorgi e os jardins de Burle Marx transformariam o edifício num museu a céu aberto, inaugurado por Getúlio Vargas em 1945.
Hoje o edifício de 16 andares abriga uma biblioteca pública, uma sala de espetáculos, parte do acervo da Biblioteca Nacional e as superintendências de órgãos culturais.
“Quando me disseram que o palácio seria vendido, pensei que fosse piada. É como se Roma resolvesse vender o Coliseu”, compara o arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti, diretor da Casa Roberto Marinho.
A notícia do leilão, publicada pelo Valor Econômico, também provocou calafrios no poeta Armando Freitas Filho. O autor de “3x4” bateu ponto no Capanema por mais de duas décadas. Dividiu seus elevadores com Carlos Drummond de Andrade, Lucio Costa e Ferreira Gullar.
“É mais um crime dessa gente que tomou conta do Brasil. Minha vontade é responder com palavrões. Talvez eles só entendam assim”, desabafa o poeta.
O Ministério da Economia incluiu o Capanema numa lista de 2.263 imóveis a serem vendidos no Rio. “Vamos convidar incorporadoras, fundos imobiliários e investidores em geral”, animou-se o secretário especial de Desestatização, Diego Mac Cord.
“Este governo é incapaz de compreender a importância histórica e arquitetônica de um edifício. No universo deles, tudo é dinheiro e mercadoria”, protesta Juca Ferreira, ministro da Cultura nos governos Lula e Dilma.
“Só um governo demolidor da cultura poderia ter uma ideia assim”, concorda Marcelo Calero, que comandou o ministério na gestão Temer. O deputado estuda medidas judiciais para barrar o negócio. Um decreto-lei de 1937, ano em que o palácio foi erguido, impede a alienação de imóveis tombados que pertençam à União.
Para Lauro Cavalcanti, o leilão do Capanema agravaria o esvaziamento do Rio, iniciado com a transferência da capital para Brasília. “O prédio é uma atração turística internacional. Não se trata de nostalgia, e sim de valorizar o que a cidade tem de melhor”, defende. Ele define a possível venda como uma “estupidez cultural”, que ilustra “o descalabro que estamos vivendo no Brasil”.
No dia em que tomou posse, Jair Bolsonaro extinguiu o Ministério da Cultura. Foi o ato inaugural de uma série de boicotes ao setor. O governo perseguiu artistas, asfixiou a produção de filmes e abandonou órgãos como a Cinemateca Brasileira. Vender o Capanema num “feirão de imóveis” seria o símbolo final do desmonte.
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Talibã humilha Biden | Guga Chacra - O Globo

Com a entrada do Talibã em Cabul e o avanço do grupo na última semana, conquistando a quase totalidade das grandes cidades do país, ficou claro o fracasso do presidente Joe Biden no processo de retirada das forças americanas do Afeganistão depois de duas décadas de presença militar.
Aqui é preciso diferenciar a decisão de se retirar, tomada por Donald Trump e mantida por Biden, da retirada. Os EUA demonstram enorme incompetência no processo de remoção das tropas. Ao decidirem o momento da saída, deveriam estar mais preparados para o avanço do Talibã. Não estavam. O Pentágono, o Departamento de Estado e os serviços de inteligência americanos não conseguiram prever este final para a ocupação americana.
A retirada teria de ocorrer em algum momento e o Talibã sempre seria uma ameaça. Os EUA perderam a guerra ao não conseguirem formar e treinar um Exército afegão ao longo de 20 anos. Não é uma derrota de agora. Com todo o armamento e treinamento americano, as forças afegãs apresentam um desempenho ridículo contra o grupo extremista.
A culpa maior pelo fiasco dos EUA no Afeganistão é de George W. Bush, que iniciou a guerra. Barack Obama também é muito responsável por não ter encontrado uma solução ao longo de dois mandatos. Trump, resignado, aceitou a derrota e fez um acordo com o Talibã. Biden, ao implementar esse acordo sem se preparar, levará o ônus do fiasco.
A retirada dos EUA é apoiada por mais de dois terços dos americanos. Mas não a forma humilhante como ocorre a retirada. Esta marca ficará com Biden até o fim de seu mandato. Foi humilhado. Trump terá o argumento de que queria sair sim do Afeganistão, como a maioria dos americanos, mas não dessa forma patética com o Talibã retornando ao poder.
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PLAYPILOT: melhor AGREGADOR gratuito de STREAMING da Suécia está disponível no Brasil

Vários países da Europa, além dos Estados Unidos, aumentaram drasticamente o número de pessoas buscando, assistindo e transmitindo conteúdo. A pandemia acelerou esse comportamento de visualização e os consumidores em todo o mundo estão explorando, experimentando e testando novos serviços de streaming, especialmente das gigantes empresas norte-americanas.
Na Escandinávia, onde surgiu a PlayPilot, os consumidores assíduos têm entre 2 a 3 serviços de streaming pagos, além do conteúdo de vídeo disponível por meio de emissoras estaduais, redes de TV a cabo e, claro, Youtube, além de outros serviços gratuitos.
Os consumidores na Dinamarca, Suécia e Noruega têm até 20.000 horas de conteúdos disponíveis em vários serviços gratuitos de streaming. A PlayPilot pertence a um novo tipo de serviço — agrega todos os serviços VOD (vídeo sob demanda) locais e internacionais em um único aplicativo.
O aplicativo sueco PlayPilot possui diferenciais como manter registrado onde seu programa favorito está, quando foi lançado um novo episódio, quando aquele filme que você sempre procura fica disponível na Netflix ou no iTunes.
Para melhor compreensão, a PlayPilot não é um tipo de “Spotify de vídeos”. Neste sentido, assemelha-se mais como uma versão do famoso Shazam, só que voltado apenas para vídeos. A proposta do PlayPilot é fazer você encontrar tudo o que procura e se conectar ao lugar certo.

Algumas pesquisas mostram que consumidores podem passar até 40 minutos em um único dia procurando algo novo para assistir. O PlayPilot é a forma para evitar as confusões e brigas em casa quando um não concorda com o outro sobre o que assistir ou não encontram o que procuravam.
Este tipo de novidade conquista os internautas não só pela qualidade e por ser gratuito, mas por ajudar a explorar ao máximo os serviços VOD (vídeo sob demanda) que assinamos e que nos deixam confusos com tantas possibilidades.
É possível abrir uma conta e fazer seu perfil gratuitamente acessando o site da playpilot.com. O mais interessante é que você pode seguir seus amigos que também estão na plataforma, além de ver o que eles estão assistindo e do que estão gostando. É possível ainda usar uma série de recursos, muito semelhantes ao do WhatsApp, o que deixa a novidade ainda mais atrativa.








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