__________* FÚDÊUUUUUU: o VÍRUS pode LANÇAR uma VARIANTE de mais FÁCIL TRANSMISSÃO nos VACINADOS.” __________* Efeito da DELTA no RIO DE JANEIRO expõe OMISSÃO e indica NOVA ONDA no Brasil

________________________________________

////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// *
//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

várias esferas azuis

__________* FÚDÊUUUUUU: Imunidade de rebanho praticamente impossível: o VÍRUS pode LANÇAR uma VARIANTE de mais fácil TRANSMISSÃO nos VACINADOS.” 

Efeito da delta no RJ expõe omissão e indica nova onda no Brasil

Por que as vacinas são menos eficazes em idosos? 3ª dose pode ajudá-los?

Campinas investiga surtos de covid-19 em idosos de cinco asilos






________________________________________///////////////////////////////////////////////////////

///////////////////////////////////////////////////////////////////////

__________* Reinaldo Azevedo - Repudiar o abismo é 1º passo para vencê-lo; Lindôra ESMAGA LEI e CIÊNCIA 

*

///////////////////////////////////////////////////////////////////////

///////////////////////////////////////////////////////

__________* 

'Vai para Disney de novo?': fãs como Dani Calabresa contam por que sempre voltam aos parques

Endereço preferido dos apaixonados por Mickey e companhia, Walt Disney World, na Flórida, completará 50 anos em outubro
A humorista Dani Calabresa posa em frente à Spaceship Earth, a esfera que é o cartão-postal do EPCOT, um dos parques temáticos do Walt Disney World, na Flórida Foto: Acervo pessoal
A humorista Dani Calabresa posa em frente à Spaceship Earth, a esfera que é o cartão-postal do EPCOT, um dos parques temáticos do Walt Disney World, na Flórida Foto: Acervo pessoal

Receba notícias em tempo real no app.

RIO - Dani Calabresa já não se surpreende com a reação que provoca nos conhecidos toda vez que visita um parque da Disney.

— É um tal de “mas de novo?”. Gente, não é de novo, por mim eu morava lá — comenta a humorista, que já esteve 15 vezes nos parques temáticos do grupo. — E para mim ainda é pouco! 

Dani não vive esse amor sozinha. Ela faz parte de uma legião de fãs apaixonados pelo universo criado por Walt Disney, e que se materializou, entre tantas formas, como a franquia de parques temáticos mais conhecida no mundo. O maior deles, o Walt Disney World, uma espécie de Meca para Disneymaníacos brasileiros na Flórida, completa 50 anos em outubro.

Dani Calabresa em frente ao Castelo da Cinderela, no Magic Kingdom, parque do Walt Disney World, na Flórida Foto: Acervo pessoal
Dani Calabresa em frente ao Castelo da Cinderela, no Magic Kingdom, parque do Walt Disney World, na Flórida Foto: Acervo pessoal

O Magic Kingdom ainda celebrava seu 20º aniversário quando Dani colocou seus pés ali pela primeira vez, numa viagem em família. Era o início de uma longa história, que ganharia novos capítulos com o passar do tempo. O mais recente deles, digno de um conto de fadas, foi registrado em fevereiro: em frente ao Castelo da Cinderela, a atriz foi pedida em casamento pelo noivo, o publicitário Richard Neuman.

— Foi a realização de um sonho, né? O parque é o lugar que vou para me reencontrar comigo mesma, onde eu posso ser quem sou de verdade. Foi emocionante ter vivido mais esse momento ali — lembra.

O momento romântico ganhou lugar de destaque na galeria de lembranças de Dani nos parques, ao lado de outras, claro, que a fazem rir até hoje. Uma de suas maiores diversões, conta, é levar amigos ou familiares não tão experientes quando ela à Chester and Hester's Dino-Rama, uma montanha-russa com carrinhos giratórios, numa área relativamente pouco frequentada do parque Animal Kingdom dedicada aos dinossauros:

— Ela parece uma montanha-russa dessas de parque de praia, sabe? A pessoa entra achando que é uma atração bobinha, de criança, e leva o maior susto durante o passeio. Vou só para ver a reação dos outros.

O pedido de casamento aconteceu na visita mais recente, já durante a pandemia, e que contou com uma quarentena em Punta Cana, antes de entrar nos Estados Unidos. Mas nem todas suas viagens para Orlando demandaram tanto tempo:

— Uma vez eu aproveitei que tinha quatro dias de folga e embarquei na quinta para voltar no domingo à noite. As pessoas acham que sou louca. Devo ser mesmo.

A empresária Cláudia Molina mostra suas tatuagens a Mickey e Minnie Foto: Acervo pessoal
A empresária Cláudia Molina mostra suas tatuagens a Mickey e Minnie Foto: Acervo pessoal

Em termos de “loucura”, no entanto, há quem esteja em posições mais altas nesse ranking. Cobrir os braços só com personagens da Disney tem peso dois? Se tiver, a empresária Cláudia Molina dispara na contagem.

— Elas chamam muita atenção quando vou aos parques, todo pede para ver, até mesmo quem trabalha lá. Preciso ficar de frente para o espelho pra contar direito, e mesmo assim sempre tem um desenho que me escapa — conta, Cláudia, que no começo desta semana acrescentou mais uma à coleção — Foi um Grilo Falante. Meu filho fez uma igual, no mesmo dia. É uma prova de como a Disney está presente na nossa família.

A coleção de tatuagens é apenas uma das muitas relacionadas a este universo que ela cultiva. De quadros a peças de vestuário, de utensílios de cozinha a livros, são incontáveis itens. Só de bonequinhos de vinil, da célebre linha feita entre 2008 e 2015, ela tem uns 1.300.

Cláudia Molina e Breno, seu filho mais velho, de 25 anos, que a acompanha em passeios nos parques da Disney desde os dois Foto: Acervo pessoal
Cláudia Molina e Breno, seu filho mais velho, de 25 anos, que a acompanha em passeios nos parques da Disney desde os dois Foto: Acervo pessoal

O número de visitas aos parques também costuma fugir da contabilidade, foram”pelo menos 33”. A primeira viagem foi na adolescência, em 1985, com os pais. Desde então, já esteve nas unidades dos EUA e de Paris com amigas, sozinha e com os filhos, sua companhia preferida. Os dois garotos, de 25 e 15 anos, praticamente aprenderam a andar e a falar já caminhando pelo Magic Kingdom, o parque preferido de Cláudia.

— Acho que a mensagem de que os sonhos podem se realizar, basta você se esforçar, é uma lição de vida que quis passar para eles.

A mensagem por trás da diversão encanta também Leonardo Roscoe, atleta de crossfit e dono de uma academia em Belo Horizonte. Antes da pandemia, ele também trabalhava, de duas a três vezes por ano, como guia de excursões para Orlando. Nesta condição, fez 30 visitas aos parques. Como turista “normal”, foram mais dez. Entre 2008 e 2009, trabalhou por dez semanas na área dos brinquedos Rock 'n' Roller Coaster (a “montanha-russa do Aerosmith”) e a Tower of Terror, ambas no Hollywood Studios, que se transformou no seu parque favorito.

— Estou com 33 anos, e desde os meus 19 nunca havia passado tanto tempo sem ir. Estou em crise de abstinência — brinca.

Leonardo conta que já abandonou um emprego num escritório que não o liberava para os "frilas" como guia de turismo. Agora, envolvido de corpo e alma no crossfit competitivo, ele equilibra a puxada rotina de treinamentos e competições, com as delícias dos parques temáticos.

—Quando vou para os parques, treinadores e patrocinadores pegam no meu pé. Quando viajo, acordo às 5h e procuro alguma academia, mas claro que não é a mesma coisa. O desempenho seria melhor se eu não viajasse, mas eu não seria feliz — admite, já fazendo planos para o futuro. — Quero ainda fazer os desafios de corrida de rua no parque. Minha noiva é maratonista, acho que seria uma ótima forma de unirmos as nossas paixões.

Sobre a Disney Weekend Marathon, ele pode pegar dicas valiosas com a jornalista Camila Pinheiro, que já fez várias. Mas, por questões de saúde, ela não pode correr, apenas caminhar.

— Faço questão de completar os percursos para encontrar todos os personagens e colecionar as medalhas, nem que leve sete horas — conta.

Camila Pinheiro mostra a Mickey as medalhas que ganhou nas provas de corrida de rua da Disney Foto: Acervo pessoal
Camila Pinheiro mostra a Mickey as medalhas que ganhou nas provas de corrida de rua da Disney Foto: Acervo pessoal

Depois de dez anos visitando os parques anualmente, em 2017 ela decidiu se mudar com o marido para Orlando. Hoje, morando a 15 minutos de distância do Walt Disney World, mantém um blog (Pelo Mundo Disney) voltado exclusivamente para esse universo.

— Antes da pandemia, ia cinco dias por semana. Agora, reduzi para duas — diz, como se fosse pouco, revelando que muitas vezes, gosta de ir ao Magic Kingdom só para olhar a reação das pessoas ao passear na Main Street.

Além de profunda conhecedora das atrações,  Camila é uma grande colecionadora de tudo o que remeta à Disney. Sua cozinha, ela conta, é toda temática. Num escritório, guarda seu acervo de milhares de itens, que vão de pelúcias a peças de toy art com poucos exemplares. Sua mania atual é uma linha de mochilas com as figuras dos personagens, das quais já tem 40.

— Minha casa é quase um mostruário da Disney. Mas binco que não é gasto, é investimento. Falo com o meu marido que essas peças são a nossa aposentadoria.

O coronavírus adiou alguns cruzeiros da Disney Cruise Lines (“estou com cinco reagendados”) e uma viagem de 43 dias por EUA, China, Japão e Paris, na qual ela revisitaria todos os parques do grupo pelo mundo:

— Já conheço todos eles, mas queria visitar todos de novo, numa única viagem. Estava tudo programado para ir em setembro passado. Ia fazer Califórnia, Hong Kong, Xangai, Tóquio, Paris e voltar para Orlando. Tive que cancelar tudo, mas os planos estão mantidos para o futuro.

Não é loja, é a coleção de mochilas de Camila Pinheiro, do blog Pelo Mundo Disney Foto: Acervo pessoal
Não é loja, é a coleção de mochilas de Camila Pinheiro, do blog Pelo Mundo Disney Foto: Acervo pessoal

Uma certeza ela tem: verá de perto as comemorações pelos 50 anos do Walt Disney World a partir de 1º de outubro. O evento marcará o lançamento de dois novos shows noturnos, “Disney Enchantment”, no Magic Kingdom, e “Harmonious”, no EPCOT. Neste a data será celebrada também com a inauguração da esperada atração Remy’s Ratatouille Adventure, inspirada na animação do ratinho francês, e também do novo restaurante La Crêperie de Paris.

A celebração irá durar 18 meses, para dar tempo de muita gente, impedida de viajar por conta da pandemia, conseguir aproveitar a festa. Ns próximos meses haverá ainda a inauguração do Star Wars: Galactic Starcruiser, o hotel temático de Star Wars, ao lado do Hollywood Studios. Com tantas novidades, vai até ficar fácil para o disneymaníaco responder a quem insistir a perguntar “mas de novo?”.

__________* 

China aprova uma das leis de privacidade de dados mais rígidas do mundo

Novas regras, que entram em vigor em 1º de novembro, proíbem coleta, uso, divulgação e comercialização de dados pessoais por empresas de tecnologia
O Globo, com agências internacionais
20/08/2021 - 12:13
A lei de privacidade nacional, a primeira da China, se assemelha às regras de proteção de dados da Europa Foto: Reuters
A lei de privacidade nacional, a primeira da China, se assemelha às regras de proteção de dados da Europa Foto: Reuters

HONG KONG — A China aprovou uma ampla lei de privacidade que restringirá a coleta  e uso de dados pessoais de usuários, à medida que Pequim endurece a regulamentação das empresas de tecnologia do país. A legislação foi apontada pelo jornal americano The Wall Street Journal como uma das mais rígidas do mundo.

A Lei de Proteção de Dados Pessoais, aprovada nesta sexta-feira pelo Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo, principal órgão legislativo da China,  entrará em vigor em 1º de novembro. Ela proíbe "a coleta ilegal, uso, processamento, transmissão, divulgação e comercialização de informações pessoais dos usuários", segundo agência de notícias estatal Xinhua.

A lei de privacidade nacional, a primeira da China, se assemelha à estrutura mais robusta do mundo para proteção de privacidade on-line, o Regulamento Geral de Proteção de Dados da Europa, e contém dispositivos que exigem que qualquer organização ou indivíduo manipule dados pessoais de cidadãos chineses para minimizar a coleta de dados e obter consentimento prévio.

O texto completo da lei ainda não é público e foi aprovado depois que algumas empresas chinesas de tecnologia, incluindo a Didi, dona da 99 no Brasil, terem sido acusadas de manuseio indevido de dados de usuários nos últimos meses.

Pouco depois da Didi abrir capital nos Estados Unidos, os órgãos reguladores chineses a acusaram de "coletar e usar ilegalmente informações pessoais". Pequim citou os riscos que o uso indevido de dados representa para a segurança nacional, ao mesmo tempo que os reguladores reprimem as empresas listadas no exterior.

Dados para segurança

De acordo com a agência Xinhua, a lei criará uma regulamentação mais forte do sistema de vigilância pública da China, exigindo a divulgação e rotulagem do hardware usado na identificação de pessoas em locais públicos. Os dados coletados só podem ser usados para manter a segurança pública, acrescentou a agência de notícias.

A CNN lembra que a China opera uma vasta rede de câmeras, apoiada por reconhecimento facial avançado e tecnologia baseada em inteligência artificial, para controlar o crime, mas também para verificar identidades em metrôs, escolas e prédios de escritórios.

A lei estipula que as empresas não podem usar dados pessoais para direcionar anúncios de produtos e serviços às pessoas, segundo a emissora estadual CCTV. Além disso, acrescenta, as empresas devem fornecer maneiras fáceis para que os usuários recusem o marketing direcionado.

Ações em queda

A CCTV acrescentou que informações pessoais confidenciais - como dados biométricos, saúde e contas financeiras - só devem ser processadas com o consentimento prévio do usuário.

Caso uma empresa manuseie ilegalmente informações pessoais, seus serviços podem ser suspensos ou encerrados, de acordo com a lei.

A aprovação da nova lei derrubou as cotações das ações chinesas de tecnologia nesta sexta-feira. Os papéis da Xiaomi, Alibaba e JD.com registraram queda de 2% ou mais na Bolsa de Hong Kong.

Já as afiliadas de informações de saúde da JD, Alibaba e Ping An Insurance (PIAIF) estavam entre os piores desempenhos, todas caindo 13% ou mais.

__________* 

Novos casos da variante Delta levam Austrália e Nova Zelândia a prolongarem quarentenas

Países asiáticos, como Vietnã, Japão e Coreia do Sul, também anunciaram medidas para conter aumento das infecções
Pessoas aguardam a vez em um centro de testagem de Covid-19 em Wellington, capital da Nova Zelândia Foto: MARTY MELVILLE / AFP
Pessoas aguardam a vez em um centro de testagem de Covid-19 em Wellington, capital da Nova Zelândia Foto: MARTY MELVILLE / AFP

Receba notícias em tempo real no app.

WELLINGTON e SYDNEY - Novos casos da Covid-19 em surtos provocados pela variante Delta levaram a Austrália e a Nova Zelândia a prorrogarem suas quarentenas nesta sexta-feira. Na Nova Zelândia, o confinamento de três dias anunciado na última terça-feira após o registro de apenas um caso foi ampliado até a próxima terça-feira, enquanto na Austrália o lockdown em vigor em Sydney há dois meses foi estendido por mais um mês. O país também anunciou um toque de recolher parcial a partir desta sexta-feira.

Os dois países da Oceania adotaram uma estratégia chamada de Covid zero, em que nenhum caso era admitido, mas essa política está sendo desafiada pela Delta, mais contagiosa, e pelo ritmo lento de suas campanha de vacinação.

Na Nova Zelândia, ao todo, 5,1 milhões de pessoas serão atingidas em cidades como Auckland, a maior do país, e na capital, Wellington. Onze novos casos foram registrados nesta sexta-feira, dos quais três em Wellington, o que levou a contagem de infecções no novo surto para 31. Já na Austrália, a primeira-ministra do estado de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian, afirmou aos cinco milhões de habitantes de Sydney que chegou o momento de permanecerem "em refúgio".

No caso neozelandês, os críticos da primeira-minista Jacinda Ardern têm questionado se ela vai repetir o feito do ano passado de quase erradicar a Covid-19 do país, com quarentenas e fechamento das fronteiras internacionais. Com isso, o país passou quase incólume pela primeira onda da pandemia em 2020, com um total de apenas 2.968 casos e 26 mortes até agora.

Enquanto isso, o ritmo da vacinação no país é o mais lento entre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com apenas 19% da população tendo recebido duas doses.

 — Nós já estivemos aqui antes… sabemos que a estratégia de eliminação funciona — insistiu Ardern em uma entrevista coletiva. — Os casos crescem e depois eles descem até não termos nenhum — completou.

Já a cidade australiana de Sydney enfrenta uma situação mais drástica. Durante a maior parte da pandemia, a cidade contabilizou poucos casos de coronavírus,  mas atualmente o número supera 600 por dia. A ordem de permanência em casa, antes prevista para durar até o final de agosto, seguirá em vigor até o fim de setembro.

Pessoas que moram em áreas com focos do vírus terão que seguir um toque de recolher noturno e poderão apenas fazer uma hora de exercício diário do lado de fora de casa. A Austrália também passou bem pela primeira fase da pandemia, tendo agora um total de 40.700 casos de Covid-19 e 970 mortes. No entanto, a vacinação também caminha lentamente, com apenas 20% da população totalmente imunizada.

Enquanto isso, na Ásia, o Vietnã, país que assim como Austrália e Nova Zelândia teve momentos de êxito no combate à pandemia, agora encara a fase das restrições mais rígidas. Os moradores do centro comercial da Cidade de Ho Chi Minh foram proibidos de deixarem suas casas a partir de segunda-feira. O país já tem 313 mil infecções e 7.150 mortes em razão do vírus, um aumento expressivo em relação aos 3 mil casos e 35 mortes registrados até 1º de maio.

Japão, por sua vez, planeja triplicar os testes diários da Covid-19. A medida vem depois que novos casos diários ultrapassaram a casa dos 25 mil, na quinta-feira, pela primeira vez.

Já a Coreia do Sul estendeu por mais duas semanas as regras de distanciamento social, que incluem a proibição dos encontros de mais de duas pessoas depois das 18 horas. Na Tailândia, que também havia conseguido conter os números de infecções até que a variante Delta atingisse o país, informou que o número de casos ultrapassou a marca de 1 milhão nesta sexta-feira.

__________* 

Portugal bate meta de vacinação e antecipa alívio das medidas de combate à Covid-19 | Portugal Giro - O Globo

Em reunião extraordinária do Conselho de Ministros nesta sexta-feira, o governo de Portugal anunciou que antecipará as medidas de alívio às restrições de mobilidade para conter a pandemia de Covid-19.

Isto acontece semanas antes do previsto porque a taxa de 70% da população completamente vacinada foi alcançada na última quarta-feira, 15 dias antes da data estipulada.

Nesta nova fase, com início na segunda-feira, estava prevista a queda da obrigatoriedade do uso de máscaras nas ruas em ambientes sem aglomerações. Mas este relaxamento depende da apreciação dos deputados no Parlamento, que está em recesso e voltará aos trabalhos em 15 de setembro.

- É uma uma decisão que foi tomada na Assembleia da República. É o espaço para decidir sobre uma medida com tão forte impacto nos direitos, liberdades e garantias.  A expectativa é que a Assembleia possa tomar a decisão no momento em que considere adequado - explicou em entrevista coletiva a ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, primeira-ministra em exercício durante as férias de verão do premier António Costa.

No entanto, a ministra alertou que, apesar de a obrigatoriedade ser estabelecida em uma lei que virá a cair no futuro, o uso da máscara seguirá como a principal recomendação de proteção da Direção Geral da Saúde (DGS).

- Queria deixar muito claro que não é por eventualmente termos condições para deixar de ter a máscara obrigatória que não continuarão a existir situações, mesmo ao ar livre, onde a máscara deve ser utilizada para nossa proteção e para proteção dos outros. Isto não significa que a lei tenha que estar ainda em vigor, é uma recomendação que, aliás, já existia ainda antes de a lei ser aprovada - lembrou a ministra.

Nesta nova etapa, deixa de haver limite de lotação nos transportes públicos. O número de pessoas nas mesas interiores de restaurantes e cafés aumentará de seis para oito. E, ao ar livre, a lotação passa a ser de 15 (+5).

Eventos culturais, batizados e casamentos passam a poder ter 75% do público total. Os serviços públicos com atendimento presencial passarão a dispensar o agendamento com antecedência, mas a partir de 1º de setembro.

Ainda será necessário apresentar o Certificado Digital Covid ou teste negativo para acesso aos interiores de restaurantes e cafés nos finais de semana, assim como em viagens, academias e eventos com mais de mil pessoas ao ar livre e 500 em ambiente fechado.

Comércio, estabelecimentos gastronômicos e espetáculos culturais seguem com horário para término às 2h e devem seguir regras da DGS.

A lotação em locais de comércio, como grandes lojas de rua, subirá de cinco pessoas por 100 metros quadrados para oito pessoas por 100m².

__________* Sob todos os aspectos, o governo Jair Bolsonaro é um fracasso

Governo fracassado | Opinião - O Globo

Foram necessários 31 meses de má gestão e uma escalada de ataques à democracia inédita no pós-ditadura civil-militar — que não só existiu, como durou, ao contrário do que disse o general-ministro da Defesa, Walter Braga Netto, em audiência na Câmara dos Deputados — para que porção relevante da sociedade brasileira se desse conta do que muita gente já sabia, antes mesmo do resultado das urnas eletrônicas naquele 2018. Sob todos os aspectos, o governo Jair Bolsonaro é um fracasso. Pelo histórico modesto, para não dizer inexistente, de serviços prestados pelo atual presidente nas três décadas como parlamentar, já se poderia antever a tragédia. O enfrentamento sofrível à mais grave crise sanitária em um século tornou tudo pior. Neste agosto, parecem ter chegado ao fim a tolerância da Corte Suprema e o entusiasmo do mercado financeiro. Não era sem tempo.

Para onde quer que se olhe no Brasil, há destruição, ineficiência, retrocesso. O país não melhorou com Bolsonaro no Palácio do Planalto, Paulo Guedes no Ministério da Economia, tampouco com a sucessão de nomes nas pastas da Saúde (quatro), da Educação (três), da Cidadania (três). Quem vive e observa o país da planície, faz tempo, alerta sobre os riscos às políticas públicas, aos recursos naturais e às instituições democráticas. Já são dois anos e meio de avisos em forma de cartas abertas de ex-ministros de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Educação, Saúde, Cultura, Relações Exteriores, Justiça, Fazenda, ex-presidentes do Banco Central, ex-procuradores da República.

Contra os efeitos dramáticos da política arrasa-Amazônia, também se pronunciaram parlamentares europeus, investidores estrangeiros, grandes bancos, empresariado responsável. Agências da ONU se manifestaram; entidades de defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa elencaram violações. Comunidades indígenas e organizações quilombolas recorreram a entidades multilaterais para denunciar o que chamaram, sem rodeio, de genocídio dos povos tradicionais. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil protocolou ação contra o presidente da República no Tribunal Penal Internacional, provável destino também do relatório final da CPI da Covid, pronto no mês que vem. Parlamentares da oposição, personalidades da cultura, do movimento social organizado apresentaram uma centena de pedidos de impeachment à presidência da Câmara, tanto no mandato de Rodrigo Maia quanto no de Arthur Lira.

Somente agora, quando o presidente chegou ao cúmulo de ameaçar o sistema eleitoral e entregar pessoalmente ao Senado ações de impedimento a dois ministros do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, as altas Cortes reagiram com abertura de investigações e chamando à responsabilidade o procurador-geral da República, Augusto Aras. De outro lado, o mercado financeiro, devoto de primeira hora da cartilha de Paulo Guedes, parece ter perdido a fé. A prova está na acelerada deterioração dos indicadores financeiros deste e do próximo ano.

As projeções para o IPCA, índice oficial de inflação, romperam a barreira dos 7%, maior resultado desde 2015. Por causa disso, a taxa básica de juros deve entrar em 2022 a 7,5% ao ano, patamar de 2017. O dólar voltou ao nível de R$ 5,40. A gasolina já passa de R$ 6 por litro em oito capitais, incluindo Rio de Janeiro, Porto Alegre e Maceió, segundo pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo. Em São Paulo, informou o Dieese, o preço da cesta básica (R$ 640,51) em julho equivalia a quase dois terços do salário mínimo (R$ 1.100). Há 14,8 milhões de desempregados, mais de 30 milhões de trabalhadores na informalidade, 19 milhões de brasileiros em situação de fome. E um governo que apresenta em medida provisória uma política social que tem nome, Auxílio Brasil, mas não tem foco nem orçamento. A reforma do Imposto de Renda, incompreensível pela quantidade de alterações, foi abortada três vezes na Câmara — periga ser arquivada.

Os agentes econômicos descobriram agora o que a população já sabia. Divulgada no início da semana, a pesquisa XP/Ipespe mostrou que a rejeição ao governo Bolsonaro aumenta sem parar: saiu de 31% em outubro do ano passado para 54% neste mês, um recorde. Mais da metade dos consultados (52%) acha que o restante do mandato será igualmente ruim ou péssimo. Dois em três entrevistados (63%) sabem que a economia está no caminho errado.

Igualmente demolidor é o paper de Rodrigo Orair, técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que analisou o enfrentamento à pandemia à luz da política fiscal. Atestou o que a sociedade intuía e a CPI vem comprovando: o governo gastou muito, e mal. Numa comparação com 30 países que representam 70% da população e 80% do PIB global, o Brasil foi décimo em gastos, sétimo em incidência de mortes por Covid-19 e 17º em perda de atividade. “O país se mostrou ineficaz no controle da disseminação da doença causada pela Covid-19, situando-se entre os poucos com mais de mil mortes por milhão de habitantes, e, de maneira associada, verificou uma forte crise econômica e um pacote fiscal relativamente elevado”, escreveu o economista. Torrou dinheiro público (17,5% do PIB), sabotou medidas sanitárias, retardou a compra de vacinas, não conteve a crise social, permitiu a morte de mais de 570 mil brasileiros. Fracasso.

Flávia Oliveira - assinatura

Por Flávia Oliveira

__________* 

__________* Pedro Doria: Governo segue manual para 'normalizar' ruptura democrática. Mas caiu no ridículo

O golpista e o ridículo | Opinião - O Globo

Por Pedro Doria

Existe um conhecimento de política que se adquire nos livros e na prática. E existe outro, que se aprende na internet. Que sempre se aprendeu, desde os anos 1990. Quem se informa sobre política debatendo na rede por muitos anos aprende alguns truques valiosos — como manipular grupos até criar consensos sobre determinados temas. Também aprende argumentos menos úteis do que parecem. Ocorre toda hora de alguém ser equiparado a Adolf Hitler ou de um acordo entre adversários ser comparado ao pacto entre o premiê britânico Neville Chamberlain e, claro, o próprio Hitler. Nestes últimos dias, o Palácio do Planalto usou fartamente um desses truques adquiridos na lição da política popular da internet: alargar a Janela de Overton. Mas, ao fazê-lo, não atentou para uma lição importante que só se aprende em livros. (E, sim, até o final desta coluna alguém terminará comparado a um fascista. Só não a Hitler.)

Joseph Overton foi um analista político americano, morto precocemente no início deste século, aos 43 anos. Ele alertava seus clientes políticos de que há uma janela de temas que podem ser debatidos em público sem chocar a população.

Um assunto começa inimaginável de tão fora da norma. Tabu. À medida que um grupo minoritário da sociedade passa a falar dele com desenvoltura, se torna radical. Não é mais inimaginável. Se mais pessoas são expostas, um novo passo é dado. Torna-se uma visão aceitável. Não é para todo mundo, tampouco é absurdo. Quando quase metade da população aceita aquilo, a ideia já é razoável. Passe de metade, torna-se uma ideia popular. Até que vira ação, política pública ou lei.

Não foi por acidente que houve um desfile de tanques que passou por Supremo, Planalto e Congresso. Que, depois, o presidente Jair Bolsonaro tenha disparado para grupos de WhatsApp uma mensagem falando em “contragolpe” e então, em sequência, os três generais-ministros que trabalham no Palácio, cada um a seu jeito, tenham tratado do assunto ditadura. Augusto Heleno sugeriu que a Constituição permite às Forças Armadas que intervenham no Judiciário ou no Legislativo. Braga Netto falou que, para ser ditadura, nossa ditadura teria de ter matado mais. E Luiz Carlos Ramos arrematou: ditadura ou democracia é só questão de semântica.

Estão normalizando a ideia da ruptura democrática. O tema era inimaginável há três anos. Já se tornou radical. Estão abrindo a Janela de Overton.

O truque é popularíssimo em fóruns de internet. O problema é que forçar uma ideia inimaginável goela adentro da sociedade não vem sem reação. O presidente da Câmara pode estar calado, e o procurador-geral da República fingindo que não vê. Mas o povo brasileiro tem anticorpos.

Em outubro de 1934, a Ação Integralista Brasileira organizou sua maior marcha até ali. Milhares de homens vestindo verde, com banda marcial, braçadeira de sigma e estandartes se reuniram enfileirados na Praça da Sé, em São Paulo. Desfiles fascistas são construídos para demonstrar força. Intimidar. Os fascistas brasileiros não sabiam é que, no topo dos prédios da praça estavam sendo aguardados por anarquistas, comunistas e veteranos da Coluna Prestes. Que abriram fogo. De cima, vendo o corre-corre desesperado dos homens verdes, alguém logo percebeu. Parecia um galinheiro quando alguém entra.

No momento em que os fascistas viraram Galinhas Verdes, caíram no ridículo, nunca mais foram levados a sério. Nas redes, o desfile de tanques com escapamento podre ganhou a trilha do desenho “Corrida maluca”. E o ataque da Marinha a uma casinha de bonecas circulou com a música dos “Trapalhões”.

Quando o brasileiro ridiculariza o fortão do recreio, não há ideia radical que possa ser levada a sério.

Pedro Doria - Assinatura

Por Pedro Doria

__________* 

Fã de Che, camisa 10 e modelo: quem era o jogador de 17 anos que se agarrou a avião e morreu tentando fugir do Afeganistão

Zaki Anwari nasceu após a tomada do país pelas forças de coalizão norte-americanas. Chegada de grupo fundamentalista ao poder tirou as esperanças do jovem
O Globo e New York Times
20/08/2021 - 11:10 / Atualizado em 20/08/2021 - 13:02
Morto após cair de avião, Zaki Anwari tinha 17 anos Foto: Reprodução/Instagram
Morto após cair de avião, Zaki Anwari tinha 17 anos Foto: Reprodução/Instagram

Receba notícias em tempo real no app.

Camisa 10 da seleção de base, redes sociais que refletem uma vida tranquila, normal para um jovem de 17 anos, e aspirações profissionais fora dos gramados em um país que vivia, na medida do possível, a experiência de um regime democrático. Em poucos dias, tudo isso desmoronou na vida de Zaki Anwari. Em um ato de desespero após a invasão de Cabul pelas tropas do Talibã, o jovem atleta foi um dos afegãos que morreram ao tentar se agarrar a um avião em fuga do país.

"Anwari era um das centenas de jovens que queria deixar o país. Em um incidente, caiu de um avião militar americano e morreu", escreveu a federação afegã de futebol de base, em comunicado decretando luto pelo jogador e pedindo orações pela família.

Em seu perfil no Instagram, Anwari já não demonstrava tanta conexão com o futebol. Se apresentava, inclusive, como ex jogador da equipe sub-16, da qual foi camisa 10. Apesar de ter idade, não participou da maior glória das categorias de base do futebol afegão: a classificação e disputa da Copa da Ásia sub-16 em 2019.

Anwari com a camisa 10 da seleção de base afegã Foto: Reprodução/Instagram
Anwari com a camisa 10 da seleção de base afegã Foto: Reprodução/Instagram

Ainda assim, vivia a rotina de um jovem que, vindo de uma família pobre de Cabul, tentava aliar os estudos com os sonhos, como o de chegar na seleção de seu país. Aos 17 anos, nasceu poucos anos após a tomada do Afeganistão pelas forças de coalização norte-americanas e da OTAN, que expulsaram o Talibã e ergueram o regime democrático de Hamid Karzai, em 2001. A experiência de viver sob um governo de raízes fundamentalistas, pela qual passaria, nunca fez parte da vida de Anwari.

Os atletas foram uma das categorias que mais sentiram a retomada de Cabul pelo grupo. As leis impostas pelo Talibã envolvem cerceamento de direitos, em especial às mulheres, e o posicionamento contrário ao ocidente coloca em risco as carreiras dos esportistas locais, que cresceram em oportunidades com a globalização e a abertura do país no início dos anos 2000.

Ainda no Instagram do jovem, é possível ver traços do maior intercâmbio cultural com o ocidente sob a qual sua geração cresceu. Assim como vários jovens afegãos de sua idade, Zaki fazia diversas postagens em inglês. Em seus stories e postagens na linha do tempo, aparecia como modelo em ensaios fotográficos, em publicações permeadas por frases motivacionais.

Entre as postagens, chama atenção uma foto do líder revolucionário Che Guevara. "Os homens são as ferramentas uns dos outros", dizia a legenda. Numa última e simbólica postagem, há cerca de um mês, Anwari registrou o exército afegão, com hashtags como #afeganistãolivre.

— Ele era gentil e paciente, mas, como boa parte de nossos jovens, viu a volta do Talibã como o fim de seus sonhos e oportunidades esportivas. Não tinha esperança e queria uma vida melhor — disse Aref Peyman, diretor de relações públicas da federação de esportes e do Comitê Olímpico do Afeganistão.

__________* 

'A democracia precisa se defender de atos antidemocráticos', diz subprocuradora Luiza Frischeisen | Malu Gaspar - O Globo

A subprocuradora Luiza Frischeisen

Escolhido por Jair Bolsonaro para continuar no cargo por mais dois anos, o procurador-geral da República, Augusto Aras, vem provocando um desequilíbrio nos Poderes ao se omitir em investigações contra o presidente e seus seguidores. É o que diz a convidada do episódio 17 do A Malu Tá ON, Luiza Frischeisen, que poderia estar no lugar de Aras se Bolsonaro tivesse respeitado a tradição e escolhido o mais votado (no caso, a mais votada) na eleição interna para a chefia do Ministério Público. 

Subprocuradora com 55 anos de idade e mais de 30 de carreira, Luiza afirma que o Supremo só está sendo tão ativo porque Aras não cumpre seu papel. Na conversa com Malu Gaspar, ela disseca o desarranjo entre os poderes e o clima de tensão entre o Supremo e o presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores. "Determinadas coisas estão acontecendo porque o procurador-geral tem que ser mais proativo. Tanto que o Supremo sabe disso, que ele está dizendo para o procurador-geral, olha, procurador-geral, só você pode fazer isso. Porque o Supremo não pode denunciar (o presidente da República)".

Luiza explica também por que considera que as prisões do ex-deputado Roberto Jefferson e de outros acusados de atacar a democracia com discurso de ódio e incitação à violência não representam uma violação da liberdade de expressão. "A liberdade de expressão é fundamental para a democracia, mas a democracia também precisa se defender de atos antidemocráticos.”

No papo que teve mais do que política e direito, Luiza indicou ainda uma trilha sonora para os tempos atuais: Bloco na rua, de Sérgio Sampaio, na interpretação de Ney Matogrosso. “Vou botar meu bloco na rua. E acho que todo mundo no Brasil tem que botar o bloco na rua e defender a democracia”. 

Sempre conduzido pela jornalista Malu Gaspar, o A Malu Tá ON traz entrevistas sinceras e diretas com gente que está fazendo a história acontecer. O programa está disponível toda sexta-feira, a partir das 12h, na página de Podcast do Jornal O Globo, no Spotify, no Apple Podcasts, na Amazon Music, no Google Podcasts, no Deezer ou em qualquer outro agregador.

__________* 

Sergio Reis e o risco de se tornar o Wilson Simonal do sertanejo

Cantor surgido na Jovem Guarda e que fez história na música caipira de matriz rural entrou na política em 2010, sempre por partidos de direita, e se radicalizou ao ponto de defender abertamente um golpe de Estado em 2021
Gustavo Alonso, especial para O GLOBO *
20/08/2021 - 11:00 / Atualizado em 20/08/2021 - 11:03
Cantor Sérgio Reis Foto: Reprodução
Cantor Sérgio Reis Foto: Reprodução

Receba notícias em tempo real no app.

O que teriam a ver Sergio Reis e Wilson Simonal? São dois personagens da música brasileira, da mesma geração, com trajetórias muito diferentes. No entanto, suas vidas parecem mais próximas do que nunca.

Para as gerações que não o conhecem, Simonal foi um dos cantores brasileiros mais famosos dos anos 60, um dos primeiros artistas nacionais a fazer shows em estádios lotados. Inventou gênero musical (a pilantragem), criou gírias, ditou moda. Um negro de sucesso que namorava loiras e andava de Mercedes. Foi para o México na Copa de 70 como embaixador da cultura brasileira, ganhou até a chave da cidade de Guadalajara. A partir de 1971, caiu num ostracismo gradual por causa do vazamento de um crime comum: desconfiado de que estava sendo roubado por seu contador, chamou dois amigos do DOPS, a temida polícia política da ditadura, e mandou lhe dar uma “prensa” (leia-se tortura).

Era época da repressão radical, e parte da sociedade achou que era hora de contra-atacar: Simonal ganhou a fama de dedo-duro do regime, afinal ele havia dedurado o contador. O caso foi para julgamento: Simonal se surpreendeu com a independência do judiciário, visto que, como ele disse em juízo, “sempre esteve ao lado dos homens”. Acabou abandonado “pelos homens” e pelas esquerdas, que tinham sido fundamentais para sua ascensão inicial como cantor de MPB. Foi condenado judicialmente e ao ostracismo da cultura nacional por 40 anos.

Da Jovem Guarda a caipira autêntico

Sergio Reis, um cantor one-hit-wonder da Jovem Guarda (mas que grande sucesso foi “Coração de Papel”!), tornou-se a partir de 1973 um artista associado à matriz caipira da música rural de origem paulista. Abandonando gradualmente a guitarra, a bateria e as roupas urbanas, Sergio Reis foi construindo uma carreira sólida na música rural, associando-se à noção de “autenticidade”.

Gravou a música “Menino da porteira” e o filme homônimo. Tinha livre fluxo em programas como o Som Brasil, da Globo, capitaneado pelo intransigente Rolando Boldrin. Participou de novelas como Pantanal, Ana Raio e Zé Trovão na extinta TV Manchete. Ele ajudou a incrementar a oposição entre caipiras (aqueles que queriam adubar a tradição) e o sertanejos (os que queriam modernizar o som rural).

Até a virada dos anos 90, a música sertaneja ainda não ocupava espaços mais nobres da TV. Duvida? Pois acredite: na trilha sonora de Pantanal, não há uma música sertaneja sequer, isso em plena nacionalização do gênero, entre sucessos como “Entre tapas e beijos”, “Evidências” e “É o amor”. Na trilha de Pantanal só há espaço para a MPB (nomes como Ivan Lins, Simone, Sá & Guarabira, João Bosco, Maria Bethânia, Caetano Veloso e até o saxofonista Leo Gandelman) ou artistas caipiras (como o próprio Sergio Reis, mas também Adauto Santos, Marcus Viana e Renato Teixeira). Tudo mudaria com Rei do Gado, mas só cinco anos depois.

Entrada na politica

O tempo passou, e eis que o caipira Sergio Reis adentra a política a partir de 2010, sempre por partidos de direita. Tudo bem, ser de direita não é crime, e Serjão já havia demonstrado civilidade: em 2004, ele havia visitado o então presidente Lula e o presenteado com um DVD. Simpático com o petista, na época o cantor falou que Lula era “o último suspiro do pobre”, como reportou O GLOBO. Dois anos antes Lula fora eleito usando como jingle uma canção de Zezé Di Camargo, “Meu país”, uma bonita balada que fala de reforma agrária. Eleito em 2015, Serjão foi se radicalizando junto com parte do Brasil, tornando-se cada vez mais intolerante. Em 2021, defendeu abertamente um golpe de Estado.

Assim como Simonal ficou associado ao regime ditatorial, Sergio Reis, com a repercussão da gravação vazada nos últimos dias, ficou associado a um governo de intenções golpistas. Mesmo antes da acusação de “dedo-duro” Simonal já era visto como alguém “das direitas”. Antes dessa celeuma golpista, Sergio Reis também já era visto como alguém à direita do espectro político. Era sabido que ele era bolsonarista, assim como Zezé, Eduardo Costa e tantos outros. Mas não foram só os sertanejos que se seduziram por Bolsonaro. Mesmo na MPB, quem não se lembra das declarações esperançosas de Djavan e do apoio explícito de Nana Caymmi em 2018? Mas Sérgio Reis virou o bode ideal. E ao se tornar um bode, foi transformado em “sertanejo”, pois na lógica estereotipada de analisar música no Brasil, os sertanejos são sempre necessariamente reacionários.

Serjão merece responder na justiça por suas declarações. Com golpistas, não há o que negociar. E quanto a nós? Apontar o dedo é sempre um ato duplo: um dedo mira o alvo e quatro miram a nós mesmos. Vamos transformar o cantor de 81 anos num bode expiatório? Simonalizaremos Sergio Reis? Apagaremos Serjão da história por 40 anos, como fizemos com Simonal? Espero que não. E espero que não simonalizemos a música sertaneja como um todo. Até porque sempre existem as brechas: Marilia Mendonça, a mais famosa artista sertaneja na atualidade, declarou-se pelo “Ele não” em 2018. O menino bolsominion da porteira não contava com essa menina “infiel”.

* Gustavo Alonso é Professor do Curso de Comunicação (graduação) e da Pós-Graduação em Música 
da Universidade Federal de Pernambuco (PPGM-UFPE), além de Mestre e Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense. Autor dos livros "Simonal: quem não tem swing morre com a boca cheia de formiga" (Record, 2011) & "Cowboys do asfalto: música sertaneja e modernização brasileira (Civilização Brasileira, 2015)

__________* 

De deputado bolsonarista a líder de produtores de soja, veja quem são os outros alvos da operação contra Sérgio Reis

Na lista há também outro cantor da Jovem Guarda, jornalista e dono de canal no YouTube
Adriana Mendes e André de Souza
20/08/2021 - 12:03 / Atualizado em 20/08/2021 - 13:58
Os sertanejos Sérgio Reis (à esquerda) e Eduardo Araújo (direita) com o presidente Jair Bolsonaro Foto: Reprodução
Os sertanejos Sérgio Reis (à esquerda) e Eduardo Araújo (direita) com o presidente Jair Bolsonaro Foto: Reprodução

Receba notícias em tempo real no app.

BRASÍLIA -  A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta sexta-feira 29 mandados de busca e apreensão em endereços de deputado, cantor, dono de canal no YouTube, jornalista, presidente de associação que reúne produtores de soja, entre outros. As ações foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura manifestações contra democracia.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta que postagens e vídeos publicados nas redes sociais nos últimos dias demonstram que os alvos da operação têm chamado a população para praticar atos criminosos e violentos às vésperas do feriado de Sete de Setembro, durante uma suposta manifestação e greve de “caminhoneiros”.

"O objetivo do levante seria forçar o governo e o Exército a ‘tomar uma posição’ em uma mobilização em Brasília em prol do voto impresso, proposta que foi, recentemente, derrotada na Câmara dos Deputados, bem como a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Para tanto, pretendem dar um ‘ultimato’ no presidente do Senado Federal, invadir o prédio do Supremo Tribunal Federal, ‘quebrar tudo’ e retirar os magistrados dos respectivos cargos ‘na marra’”, diz trecho do documento da PGR.

Saiba quem são:

Sérgio Reis

Cantor, nome artístico de Sérgio Bavini, ex-deputado federal.  Declarou convocar uma greve nacional dos caminhoneiros contra o ministros do STF e disse que, se em 30 dias o Senado não os destituísse de seus cargos, iriam "invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra”.

Otoni de Paula

Deputado Otoni de Paula (PSC-RJ) postou vídeo após ação da Polícia Federal Foto: Reprodução
Deputado Otoni de Paula (PSC-RJ) postou vídeo após ação da Polícia Federal Foto: Reprodução

Deputado (PSC-RJ). Seria integrante do núcleo político. Postou mensagens em tom de ameaças ao Senado Federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em outro processo, já foi condenado a pagar R$ 70 mil, por danos morais, ao ministro Alexandre de Moraes.

Marcos Antônio Pereira Gomes 

Zé Trovão e Turíbio Torres em vídeo nas redes sociais Foto: Reprodução
Zé Trovão e Turíbio Torres em vídeo nas redes sociais Foto: Reprodução

Dono do canal no Youtube "Zé Trovão a voz das estradas". Em vídeos no Youtube e postagens nas redes sociais, chamou a população a ir a Brasília e exigiu a "exoneração dos 11 ministros do STF".

Eduardo Oliveira Araújo

Wellington Macedo entrevista Sérgio Reis, com o cantor Eduardo Araújo ao lado Foto: Reprodução
Wellington Macedo entrevista Sérgio Reis, com o cantor Eduardo Araújo ao lado Foto: Reprodução

Cantor que integrou a Jovem Guarda, aparece em vídeo em que Sérgio Reis incentiva a mobilização.

Wellington Macedo de Souza

Wellington Macedo, jornalista, coordenador da "Marcha da Família", divulgou vídeo e convidou a popuação para o ato em Brasília Foto: Reprodução/Facebook
Wellington Macedo, jornalista, coordenador da "Marcha da Família", divulgou vídeo e convidou a popuação para o ato em Brasília Foto: Reprodução/Facebook

Jornalista, coordenador da "Marcha da Família", divulgou vídeo e convidou a popuação para o ato em Brasília.

Antônio Galvan

Antonio Galvan é presidente da Aprosoja Foto: Reprodução/Aprosoja
Antonio Galvan é presidente da Aprosoja Foto: Reprodução/Aprosoja

Presidente da Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), aparece em vídeo na sede da entidade, em Brasília, com Sérgio Reis discursando pela mobilização, e, segundo a PGR, possivelmente patrocinou o movimento.

Alexandre Urbano Raitz Petersen

Presidente de uma associação civil de "defesa de direitos sociais", ele recebeu, segundo a PGR, doações por meio de transferências bancárias para financiar o movimento.

Turíbio Torres

Turíbio Torres com Eduardo Bolsonaro Foto: Reprodução/Facebook
Turíbio Torres com Eduardo Bolsonaro Foto: Reprodução/Facebook

Suspeito de pertencer ao núcleo operacional, com papel ativo na montagem das caravanas, na intermediação de contatos políticos e na logística de acampamento.

Juliano da Silva Martins

Também seria integrante do núcleo operacional e, da mesma forma que Turíbio, com papel ativo na organização.

Bruno Henrique Semczesz

Bruno Henrique Semczesz, articulista do site "Brasil Livre" Foto: Reprodução
Bruno Henrique Semczesz, articulista do site "Brasil Livre" Foto: Reprodução

Articulista do site "Brasil Livre" e, de acordo com a PGR, simpatizante da Sociedade de  Defesa da Tradição, Família e Propriedade e responsável pela tradução de uma entrevista em alemão com a deputada de extrema direita da Alemanha Beatrix von Storch.

__________* 

Acusada de inação em relação ao governo, PGR detalhou ao STF movimento contra a democracia previsto para 7 de setembro

Para o Ministério Público, não se trata de "mera retórica política de militante partidário", mas de atos que "podem atentar contra a democracia"
Mariana Muniz e André de Souza
20/08/2021 - 11:26 / Atualizado em 20/08/2021 - 12:36
Lindora Araujo Subprocuradora-geral da Repúblicaa Foto: Reprodução
Lindora Araujo Subprocuradora-geral da Repúblicaa Foto: Reprodução

Receba notícias em tempo real no app.

BRASÍLIA - Sob ataques e acusada de inação contra as ameaças ao processo eleitoral, a Procuradoria-Geral da República (PGR) partiu para a ação e enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de busca e apreensão em que detalha o movimento contra a democracia que levou à operação contra o cantor Sérgio Reis e o deputado federal Otoni de Paula nesta sexta-feira. A PGR vem sendo criticada por poupar o governo federal em várias frentes, não só nos ataques às urnas eletrônicas, mas também por exemplo no recente parecer contrário à abertura de investigação do presidente Jair Bolsonaro por não usar máscara em eventos públicos.

A manifestação encaminhada ao STF é assinada pela subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo, a mesma do parecer das máscaras. No documento, a PGR afirma que o movimento contra a democracia começou em 7 de julho durante a transmissão da "live" “Vamos fechar Brasília”. Nela, usando como pretexto uma suposta greve dos caminhoneiros, Marcos Antônio Pereira Gomes, dono do canal no Youtube "Zé Trovão a voz das estradas", teria incitado seus seguidores a invadir o STF e o Congresso. Ele também disse que era para "partir pra cima" do presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), e do relator, Renan Calheiros (MDB-AL), para “resolver o problema [do aumento] dos combustíveis no Brasil”.

De acordo com a PGR, ele se empolgou com a repercussão da transmissão. Assim, um dia depois, publicou outro vídeo em sua página no "Instagram" chamando "todos os brasileiros, sem exceção” a Brasília “para fazer um grande acampamento” e exigir “a exoneração dos onze ministros do STF” e o “julgamento” deles pelo Superior Tribunal Militar (STM) em razão dos “crimes que eles cometeram”.

“Não trata de mera retórica política de militante partidário, mas, sim, de atos materiais em curso conforme acima descrito, que podem atentar contra a Democracia e o regular funcionamento de suas Instituições”, diz trecho do documento da PGR.

A PGR cita outras manifestações de Marcos Antônio, entre elas uma em 15 de julho, quando ele volta a chamar a população e orienta os seguidores a não disseminarem informações desnecessárias para resguardá-los para a organização da paralisação. A mesma recomendação é feita no dia seguinte. Isso mostra a preocupação de evitar entrar no radar dos órgãos de segurança pública, diz a PGR.

Em 25 de julho, a PGR apontou uma reunião em um hotel em São Paulo, com 20 pessoas, entre elas alguns dos investigados. Foi quando o cantor Sérgio Reis passou a se posicionar pela mobilização. De acordo com a PGR, ele passou a reverberar as ameaças feitas por Marco Antônio.

De acordo com a PGR, em vídeo de 13 de agosto, ao lado de outros investigados, “o artista [Sérgio Reis], visando afrontar e intimar os poderes constituídos, noticia, conjuntamente com Zé Trovão e Eduardo Araújo, que seu grupo pretende para o país por 72 horas e que se o presidente do Senado Federal ‘não fizer nada’, nas outras 72 horas ‘ninguém anda[rá] no país'. De acordo com o cantor 'vai parar tudo. Não [….] só Brasília, […] o país'. Assegura que ‘nada nunca foi igual ao que vai acontecer’ e, alfim, desafia os ministros do Supremo Tribunal Federal: ‘Se eles não atenderem ao pedido, a cobra vai fumar’, asseverou, em tom de ameaça”.

A PGR também apontou que outro investigado, Alexandre Urbano Raiz Petersen, preside uma associação civil e tem recebido "doações de particulares para financiar a paralisação planejada por Zé Trovão, possivelmente patrocinada por Antonio Galvan e amplamente divulgada por Wellington Macedo e por sua Marcha para a Família”.  Galvan é o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja.

As doações iriam para o site "Brasil Livre", um portal no qual, diz a PGR, é possível acessar um formulário para levantar quantas pessoas vão participar do movimento.

De acordo com a PGR, o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), também investigado, "teria hipotecado apoio ao levante" em uma mensagem publicada no Twitter 14 de agosto "em tom de ameaça ao Senado Federal e a ministros do Supremo, o que, obviamente não se insere na esfera abrangida pela imunidade parlamentar material constitucionalmente prevista".  A PGR apontou ainda a participação de outros investigados "na montagem das caravanas, na intermediação de contatos políticos e na logística de acampamento em Brasília".

__________* 

O clamor golpista saiu do WhatsApp | Vera Magalhães - O Globo

Mateus Bonomi

Faz um ano e meio exatamente do momento em que revelei que Jair Bolsonaro usou sua conta no WhatsApp, no carnaval de 2020, para convocar para a realização do primeiro de uma série de atos antidemocráticos em 15 de março daquele ano. O mundo caiu, com razão, e o presidente mentiu, como sempre, dizendo que eu inventara a informação e que não era da sua laia (das poucas verdades que já proferiu, diga-se).

Uma pandemia, 572 mil mortos e uma crise institucional depois, o presidente saiu do escurinho do WhatsApp e conclama ato contra o Supremo Tribunal Federal ao microfone numa solenidade oficial, como fez nesta quinta-feira em Cuiabá. Se isso não é sinal cristalino de que limites foram atropelados num curto espaço de tempo, nada mais será.

O Sete de Setembro de conformação golpista que vem sendo meticulosamente organizado por Bolsonaro e seus bolsões de apoiadores, ou “células”, como o próprio Movimento Brasil Verde e Amarelo as chama, oferece três refeições a quem for, tem cadastramento aberto em site, bolsões de estacionamento para trailers e caminhões e presença confirmada de Bolsonaro em carne e osso.

Uau! Para quem reclamava do pão com mortadela, transformado pelo discurso bolsonarista em símbolo das manifestações petistas, o negócio foi bastante incrementado. Nem mais essa narrativa, entre todas as outras desculpas esfarrapadas para apoiar um deputado medíocre para presidente, restou mais. O repasto oferecido a quem se dispuser a marchar sobre Brasília pedindo fechamento do Supremo e do Congresso e intervenção militar para um autogolpe será pago com um lauto banquete.

Em vídeo que circula com a convocação para as caravanas que vão a Brasília, um pseudojornalista apresenta os apoiadores da patacoada. Estão lá os indefectíveis Sérgio Reis e pastor Silas Malafaia. E também Antonio Galvan, presidente nacional da Aprosoja. A associação de uma entidade do agronegócio com movimentos de viés golpista preocupa a própria entidade, que faz questão de dizer que não financia nem apoia os atos. Eis uma tarefa difícil: dissociar a entidade, criada em 1990 para defender produtores de soja endividados, de seu principal nome, um bolsonarista empedernido e figurinha carimbada de outras manifestações anti-Supremo.

E é neste ponto de delicada tensão que se encontra o Brasil. Ao mesmo tempo que o agronegócio é o principal esteio da economia, os produtores sérios se preocupam com a cooptação de grupos do setor para discursos que turvam o ambiente institucional e, consequentemente, de negócios. Um grupo das principais associações do agro deverá soltar uma nota na semana que vem condenando os atos golpistas de Sete de Setembro.

Ao esticar a corda até limites insondáveis, Bolsonaro vai perdendo apoio nesses setores que até ontem eram monolíticos em sua defesa. Como em sã consciência um empresário que exporte sua produção pode querer ser ligado a um governo que investe contra o meio ambiente e trama uma ruptura institucional que jogaria de vez, se bem-sucedida, o Brasil no rol dos párias globais?

A decisão de não realizar o desfile cívico-militar no Dia da Independência, que teve a pandemia como justificativa, é um raro momento recente de bom senso nas Forças Armadas. Misturar fardados e equipamentos militares com caminhões e motor homes levados a Brasília à custa de movimentos de ruptura é só o que falta para que o país mergulhe na incerteza quanto à confiança em que as Forças Armadas não acabarão por ser cooptadas para uma aventura de tentar solapar a democracia.

Neste ambiente em que o calendário funciona como uma bomba-relógio, falar em diálogo entre os Poderes soa a conversa mole para boi dormir. Nenhum ministro do STF cairá nessa ladainha. Não até ver o que vem por aí no Sete de Setembro.

__________* 

PF faz busca em endereços de Sérgio Reis, deputado bolsonarista, caminhoneiro e ruralista | Bela Megale - O Globo

Sérgio Reis

A Polícia Federal cumpre, nesta sexta-feira, mandados de busca e apreensão em endereços do cantor Sérgio Reis e do deputado bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ). Os mandados foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal,  Alexandre de Moraes. Os pedidos foram feitos pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Policiais foram à Câmara dos Deputados, onde realizaram buscas no gabinete do deputado. O foco das apurações são convocações para atos antidemocráticos e contra o STF para 7 de setembro. O cantor Sérgio Reis gravou um vídeo em que convocou caminhoneiros a fazer uma paralisação nessa data contra os ministros do STF. 

Também foi alvo de buscas o cantor Eduardo Araújo. Na semana passada, ele e Sérgio Reis estiveram no Palácio do Planalto com o presidente Bolsonaro. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Antonio Galvan, é outro nome que está entre os investigados. Ele foi o anfitrião da reunião em que Sérgio Reis falou sobre a realização de protestos pelo para pressionar a aprovação do voto impresso.

Outro alvo foi o caminhoneiro Zé Trovão. Ele postou vídeos em que pede a intervenção militar com a manutenção de Bolsonaro no poder e a organização de atos antidemocráticos no 7 de setembro. O caminhoneiro também defende que as pessoas montem acampamentos junto às sedes das Forças Armadas para pressionar pelo golpe.

Em nota, a PF informou que "o objetivo das medidas é apurar o eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições, bem como contra os membros dos Poderes".

As medidas foram solicitadas pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo em um inquérito aberto na última quarta-feira (18). Lindôra é conhecida por ser alinhada à família Bolsonaro. Foi dela o parecer que isenta o presidente de crimes por ignorar o uso de máscara e provocar aglomerações.  

Estão sendo cumpridos mandados de busca no Rio de Janeiro (1), São Paulo (2), Brasília (1), Ceará (1), Paraná (1), Santa Catarina (6) e Mato Grosso (1). Os alvos serão ouvidos à tarde nas unidades da PF nos Estados. Ao todo, estão sendo cumpridos 13 mandados em 29 endereços. 

__________* 

Operação de hoje da PF será um teste para a 'moderação' de Bolsonaro | Lauro Jardim - O Globo

Presidente Jair Bolsonaro

A operação de busca e apreensão de documentos nas residências e escritórios de Sérgio Reis e do deputado bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, será um teste exemplar para saber a quantas anda a nova tentativa de moderação de Jair Bolsonaro.

Ministros próximos ao presidente tem insistido nos bastidores que Bolsonaro prometeu baixar o tom dos ataques ao STF.

Será que Bolsonaro se segura? Será que partirá para o ataque?

A resposta virá nas próximas horas. No cercadinho do Alvorada ou nas redes sociais, os locais mais frequentes (junto com as lives) de desabafos do presidente.

__________* 

Veja como 14 canais punidos pelo TSE ampliaram narrativas pró-voto impresso no YouTube

No dia seguinte à derrota da PEC do voto impresso, o Vlog do Lisboa, por exemplo, reproduziu a informação falsa de que as urnas atuais são idênticas às de 1996

(Foto: ABr)

247 - Youtubers de 14 canais alimentaram junto com Jair Bolsonaro dúvidas sobre a confiabilidade das urnas e espalharam a informação de que o voto impresso é a melhor alternativa para as eleições. Em vídeo com 90 mil visualizações publicado em 11 de agosto, dia seguinte à derrota da PEC do voto impresso, o Vlog do Lisboa, por exemplo, reproduziu informação falsa de que as urnas atuais são idênticas às de 1996. O canal Folha Política reproduziu trechos de discursos de parlamentares bolsonaristas pró-voto impresso. 

De acordo com reportagem do site Aos Fatos, o Jornal da Cidade Online publicou no dia da votação da PEC uma entrevista com o deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) com o enunciado "Coronel Tadeu detona urnas eletrônicas". 

O youtuber Oswaldo Eustáquio afirmou no dia 10 que, depois do sepultamento da proposta, "nós vamos ter eleições com fraude novamente".

Os 14 canais de YouTube impedidos por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de arrecadar recursos pela plataforma desempenharam papel expressivo no engajamento de narrativas a favor do voto impresso na semana em que a Câmara dos Deputados enterrou a proposta. Em comum, esses youtubers alimentaram desinformação de que as urnas não são auditáveis, suspeitas infundadas de que a votação foi fraudada e ataques a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A maioria ainda estimula nos vídeos que a audiência faça doações por meio de transferências bancárias ou sites de vaquinhas online.

Nesta segunda-feira (16), o corregedor-geral do TSE, ministro Luis Felipe Salomão, determinou que YouTube, Twitter, Facebook, Instagram e Twitch suspendam a monetização de uma série de perfis e canais suspeitos de disseminar desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro. O magistrado também estabeleceu que as plataformas informem ao tribunal em até 20 dias o faturamento dessas páginas. Veja aqui o que dizem os envolvidos.

Somente no YouTube, os 14 canais listados pelo TSE somam 1,4 bilhão de visualizações. Aos Fatos analisou parte dos vídeos que eles veicularam na semana e, de fato, como alega o tribunal, desinformação sobre a segurança das urnas eletrônicas predominou entre os conteúdos tendo aparecido em ao menos 11 vídeos, que alcançaram 600 mil visualizações. O discurso é alinhado ao do presidente Jair Bolsonaro.

Em vídeo com 90 mil visualizações publicado no dia seguinte à derrota da PEC do voto impresso, por exemplo, o Vlog do Lisboa reproduziu informação falsa de que as urnas atuais são idênticas às de 1996. O apresentador Fernando Lisboa também transmitiu uma gravação em que Bolsonaro questiona a integridade dos equipamentos do TSE.

O canal Folha Política também contribuiu para a disseminação de desinformação ao reproduzir em seus vídeos trechos de discursos de parlamentares bolsonaristas pró-voto impresso. Foi publicada, por exemplo, uma gravação em que a deputada federal Caroline de Toni (PSL-SC) diz que o voto eletrônico não é auditável e que a contagem dos votos no Brasil não é pública, ambas informações falsas. O vídeo acumula 23 mil visualizações.

O Jornal da Cidade Online foi outra página que seguiu nessa linha e, no dia da votação da PEC, estampou uma entrevista com o deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) com o enunciado “Coronel Tadeu detona urnas eletrônicas”. Com mais de 23 mil visualizações, o vídeo propaga uma fala do parlamentar de que o equipamento não passa hoje por “nenhum processo de auditoria”, o que também não procede.

Já o youtuber Oswaldo Eustáquio afirmou em uma publicação no último dia 10 que, depois do sepultamento da proposta, “nós vamos ter eleições com fraude novamente”. Desde a implementação das urnas eletrônicas, entretanto, não foi registrado nenhum caso de fraude eleitoral.

SUSPEITAS DE FRAUDE

Após a derrota, alguns canais se empenharam em espalhar uma suspeita não comprovada de que o sistema da Câmara teria sido alvo de fraude durante a votação da PEC. Com 55 mil visualizações, vídeo do canal Alberto Silva questionou a lisura do processo de votação ao mencionar uma gravação em que o deputado federal e ex-ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG) afirma não ter conseguido computar seu voto.

Silva se aproveitou da denúncia para tentar estabelecer uma conexão entre o sistema de votação da Câmara e a urna eletrônica brasileira. “É assim que querem confiar, que querem que a população confie no sistema de votação que é meramente eletrônico?”, questionou.

O influenciador Roberto Boni também repercutiu a fala de Álvaro Antônio no canal Universo Filial para sugerir a ocorrência de fraude. Em vídeo com cerca de mil visualizações, Boni cobrou que deputados bolsonaristas se reunissem para solicitar uma nova votação da PEC: “Muitos deputados federais não conseguiram votar. Isso seria uma espécie de sabotagem?”.

ATAQUES A MAGISTRADOS

Aos Fatos identificou ainda ataques a ministros do STF em vídeos publicados em ao menos 10 das 14 páginas. No dia 11 de agosto, o canal Ravox investiu contra o STF e alcançou cerca de 8.000 visualizações. “Se quiser derrubar em definitivo a cleptocracia absolutista reinante, eivada de safardanas paramentados de togas ou gravatas, terá que ser assim. O diálogo parece que não funciona mais”, afirmou o youtuber no vídeo, em uma alusão à destituição dos magistrados.

O Jornal da Cidade Online obteve 91 mil visualizações em um vídeo no qual o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, preso na semana passada, diz que é preciso "tomar atitude" contra os ministros e “limpar o Supremo”.

Ganhou fôlego entre os canais ainda a descontextualização de uma fala do ministro Luís Roberto Barroso dita em tom de piada sobre as eleições em Roraima, como o Radar Aos Fatos mostrou na semana passada. Allan dos Santos, do canal Terça Livre TV, e Oswaldo Eustáquio usaram o episódio para insinuar que o ministro havia anunciado uma intenção de golpe. “Eu queria estar numa TV aberta agora mostrando isso daqui para a população brasileira”, disse Santos. “Vocês entenderam, meus amigos, o que ele falou? Eleição não se ganha, se toma. Isso é golpe”, sugeriu Eustáquio.

DESEJO DE INTERVENÇÃO

Alguns youtubers listados na decisão do TSE também defenderam que Bolsonaro usasse o artigo 142 para acionar as Forças Armadas em resposta à rejeição da PEC, o que é falso porque a Constituição não permite tal possibilidade. No canal Universo Filial, Roberto Boni afirmou que é preciso “pedir, solicitar que o presidente Bolsonaro acione o poder moderador, as Forças Armadas para salvarmos as nossas instituições”.

Discursos de apoio a um golpe militar foram encontrados ainda no canal de Oswaldo Eustáquio. Ao atacar o STF em vídeo publicado no dia 10 de agosto, por exemplo, ele ameaçou: “E se acontecer alguma coisa em [protestos marcados para] setembro, não é culpa de Bolsonaro. E tudo indica que a corda, o cordão já era. Acabou o cordão. Tava por um fio, agora não tá mais por um fio”.

MONETIZAÇÃO

Na decisão de segunda-feira, o ministro Salomão destacou que “o impulsionamento de denúncias e de notícias falsas acerca de fraudes no sistema eletrônico de votação (...) tem o potencial de comprometer a legitimidade das eleições”. O inquérito administrativo instaurado pelo TSE investiga a articulação de uma rede de pessoas que disseminam desinformação sobre o processo eleitoral e o eventual abuso de poder econômico e político.

Uma das estratégias de financiamento adotada pela maioria dos canais antes mesmo da suspensão da monetização pelo TSE é o pedido de doações às pessoas que os assistem.

Em 11 canais (Alberto Silva, Canal Universo Filial, Direto Aos Fatos, Jornal da Cidade Online, O Giro de Notícias, Oswaldo Eustáquio, Universo, Ravox, Terça Livre TV, Vlog do Lisboa e Vlog do Fernando Lisboa Replay), Aos Fatos constatou que os youtubers informam durante os vídeos seus dados bancários, senhas de PIX e links de sites de vaquinhas online para que sua audiência faça transferências bancárias.Parte dos influenciadores argumenta que os repasses são necessários para que os canais se mantenham em atividade. Alguns deles, como O Giro de Notícias, alega que já foi desmonetizado pelo YouTube, medida tomada pela plataforma quando há reiterada violação às regras de uso.

O QUE DIZEM OS ENVOLVIDOS

Aos Fatos entrou em contato com os responsáveis pelos 14 canais que foram alvo da ação do TSE. Apenas Emerson Teixeira respondeu ao pedido de posicionamento sobre as manifestações mencionadas nesta reportagem e sobre a decisão da corte.

“É muito triste o que o país está vivendo com todas essas perseguições. Não vou mudar minha postura nas postagens pois acredito nos meus direitos constitucionais. Espero que a ordem jurídica no país volte ao normal”, declarou Teixeira.

Nas redes sociais, contudo, os demais donos dos canais se pronunciaram sobre o despacho do TSE. Em vídeo no YouTube, Ravox disse que não propagou "fake news" sobre as urnas eletrônicas. "Na verdade, eu sempre deixei muito claro. Não é nem que a gente desconfie das urnas. É uma questão de aprimorar, dar mais garantias à nossa democracia. Isso é crime no Brasil?".

No Twitter, o Folha Política informou que buscará meios legais de reverter o que chamou de censura. Já Oswaldo Eustáquio disse ser vítima de perseguição do TSE, um posicionamento semelhante ao de Alberto Silva, proprietário de um canal que utiliza seu nome e do O Giro de Notícias.

Roberto Boni, responsável pelas páginas Universo e Canal Universo Filial, classificou a decisão do TSE como “confisco”, mesmo termo empregado pelo Jornal Cidade Online.

Bárbara Zambaldi Destefani, do canal Te Atualizei, afirmou que seu nome não consta em nenhum inquérito e que não foi apontada qualquer “fake news” relacionada ao seu canal. Ela disse também que a decisão teria sido uma forma de "calar sua voz".

O canal Terça Livre TV declarou que a decisão visa destruir canais de direita e que isso afetará o pagamento de funcionários, o que poderá levar ao encerramento da empresa.

Camila Abdo, do canal Direto aos Fatos, declarou que não havia problema em ter seu canal desmonetizado, porque sempre contou mais com ajuda por meio do PIX de seus seguidores, mas que acredita que a censura está institucionalizada no país.

Fernando Lisboa, proprietário dos canais Vlog do Lisboa e Vlog do Fernando Lisboa Replay, disse no Instagram que espera que a decisão seja derrubada.

__________* 

Biden não vai impedir a China de se tornar a maior economia, afirma diplomata cingapurense Kishore Mahbubani

“O que a administração Biden está tentando realizar? Impedir a China de se tornar a maior economia? Não vai acontecer", disse Kishore Mahbubani

Kishore Mahbubani e Joe Biden
Kishore Mahbubani e Joe Biden (Foto: WORLD ECONOMIC FORUM/swiss-image.ch/Photo Valeriano DiDomenico | REUTERS/Jonathan Ernst)

247 - O diplomata cingapurense Kishore Mahbubani afirmou que apesar dos ataques contra a China, a administração do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, não vai impedir o país asiático de se tornar a maior economia do mundo. “O que a administração Biden está tentando realizar? Impedir a China de se tornar a maior economia? Não vai acontecer”, disse Mahbubani ao jornal Valor Econômico. “O próprio Biden tem dito que a China não vai se tornar a número um sob a guarda dele. Se ele ficar quatro anos, talvez não, mas se for reeleito, é bem possível que aconteça, sim”, avaliou. 

Para ele, o Brasil não pode permanecer à margem dos novos desafios mundiais, o que inclui a pandemia de Covid-19.” Eu recomendaria ao Brasil não ser passivo. Não esperar até ser posto sob pressão para escolher lados. O que um país em desenvolvimento deve fazer é dizer a ambos os países: temos coisas mais importantes para resolver agora, estamos lutando contra a covid-19, contra a pobreza, contra a mudança climática. Se vocês querem competir por hegemonia, não nos envolvam. Essa é a mensagem que o governo Biden está ouvindo, certamente, do Sudeste Asiático” disse. 

“ Os dez países da Asean, cuja população somada dá 650 milhões, e que superaram a Europa e os EUA como principal parceiro comercial da China, sempre deixaram claro, mas sempre diplomaticamente, que não se envolveriam nessa competição. Querem ter boas relações com os EUA e com a China. E até certo ponto o governo Biden está entendendo o recado. Esse é um incentivo para países grandes e importantes, como o Brasil, se pronunciarem logo”, completou. 

__________* 

Moraes bloqueia redes sociais de Sérgio Reis e Otoni de Paula e impede que eles se aproximem da Praça dos Três Poderes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou que o cantor bolsonarista Sérgio Reis e o deputado federal Otoni de Paula sejam impedidos de circular até um quilômetro de distância da Praça dos Três Poderes, em Brasília

Alexandre de Moraes, Sérgio Reis e Otoni de Paula
Alexandre de Moraes, Sérgio Reis e Otoni de Paula (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF | Reprodução/Instagram | Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, responsável pela expedição de mandados de busca e apreensão contra o cantor bolsonarista Sérgio Reis e o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), determinou que o artista e o parlamentar sejam impedidos de circular até um quilômetro de distância da Praça dos Três Poderes, onde um ato em favor do governo Jair Bolsonaro e contra a democracia está previsto para acontecer no próximo dia Sete de Setembro. De acordo com o jornal O Globo, Moraes também determinou o bloqueio das redes sociais dos investigados. 

"Condutas criminosas decorrentes do abuso e desvio no exercício de direitos constitucionalmente previstos não podem ser impunemente praticadas para atentar, coagir, desrespeitar ou solapar a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições", disse o ministro no despacho que autorizou a operação desta sexta-feira (20). 

Ainda segundo Moraes, as manifestações são "criminosas e antidemocráticas" e os investigados estariam utilizando as redes sociais "para instigar os seus seguidores, e tentar coagir a população brasileira em geral, a atentar contra o Estado Democrático de Direito brasileiro e suas Instituições republicanas, inclusive com incentivo a atos expressos de ameaça e violência física".

__________* 

Mourão defende ação da PF contra Sérgio Reis e deputado bolsonarista: está dentro do 'processo legal'

“Para mim é o devido processo legal", disse o vice-presidente Hamilton Mourão sobre a operação da PF que teve o cantor Sérgio Reis e o deputado federal bolsonarista Otoni da Paula como alvos

Hamilton Mourão, Sérgio Reis e Otoni de Paula
Hamilton Mourão, Sérgio Reis e Otoni de Paula (Foto: Romério Cunha/VPR | Reprodução/Instagram | Najara Araujo/Câmara dos Deputados)

247 - O vice-presidente Hamilton Mourão disse que a ação da Polícia Federal contra o cantor Sérgio Reis e o deputado federal bolsonarista Otoni da Paula (PSC-RJ) acontece dentro do "devido processo legal". Ele, porém, ressaltou ser preciso esperar a conclusão das investigações para que os alvos da operação não sejam "crucificados" pela opinião pública.

A declaração foi feita após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra o artista e o parlamentar expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito que apura ataques às instituições.

“Existem denúncias, existe um inquérito em andamento. (Em) Um inquérito, para poder obter as provas necessárias, como é que é feita a investigação? Seja por meio de depoimento das pessoas que estão investigadas, seja apreendendo material na busca dessas provas. Obviamente tudo com autorização da Justiça, se não foge aquilo que prevê o devido processo legal. Então vamos aguardar o que vai emergir disso tudo”, disse Mourão, de acordo com o jornal O Globo.

“Para mim é o devido processo legal. Porque lamentavelmente o que ocorre é quando um processo desses começa, aí hoje com a divulgação que isso é dado, a pessoa imediatamente fica crucificada na opinião pública antes que termine o processo. Então tem que aguardar o desenrolar disso aí”, completou.

__________* 

Cabul, game over - Atilio Boron

Por Atilio Boron 

A queda de Cabul nas mãos do Talibã é um evento que marca o fim da transição geopolítica global. O sistema internacional sofreu mudanças significativas desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Hiroshima e Nagasaki, junto com a derrota do nazismo na Europa pelo Exército Vermelho, foram os acontecimentos que deram origem à chamada “ordem bipolar”. A queda do Muro de Berlim e a desintegração da União Soviética no final de 1991 definiram o encerramento dessa era e animaram as fantasias de estrategistas e acadêmicos estadunidenses que se iludiram com o advento do que seria “o novo século americano”.

Zbigniew Brzezinski advertiu sem êxito sobre a fragilidade da ordem unipolar e os riscos de uma ilusão tão perigosa. Seus receios confirmaram-se em 11 de setembro de 2001, quando, junto com a queda das Torres Gêmeas, também se desvanecia a ilusão unipolar. A multiplicação de novas constelações de poder global, estatais e não estatais, que emergiram com força após esse acontecimento – ou melhor, que se tornaram visíveis depois dessa data –, foi o ponto de partida para o surgimento de uma nova etapa: o multipolarismo. O “ciclo progressista” latino-americano teve como pano de fundo esta nova realidade, em que a hegemonia estadunidense tropeçava com crescentes dificuldades para impor seus interesses e prioridades. Uma China cada vez mais influente na economia mundial e o retorno da Rússia ao primeiro plano da política mundial, após o eclipse dos anos Boris Yeltsin, foram as principais características da nova ordem emergente.

Para muitos analistas, o policentrismo tinha chegado para ficar, daí a ideia de uma longa “transição geopolítica global”. E mais, alguns compararam esta nova constelação internacional ao “Concerto das Nações” acordado no Congresso de Viena (1815), depois da derrota dos exércitos napoleônicos, e que duraria mais de um século. Só que, no caso que nos preocupa, havia uma potência ordenadora, os Estados Unidos, que, com seu enorme orçamento militar e o alcance global de suas normas e instituições, podia compensar sua primazia decadente em outros domínios – a economia e alguns ramos do paradigma tecnológico atual – com uma certa capacidade de arbitragem, ao conter as desavenças entre seus aliados e manter na linha as potências desafiantes nos pontos quentes do sistema internacional. O revés sofrido pela aventura militar lançada por Barack Obama na Síria, que devolveu à Rússia seu protagonismo militar perdido, e a derrota catastrófica no Afeganistão, após vinte anos de guerra e o desperdício de dois trilhões de dólares, mais os indizíveis sofrimentos humanos produzidos pela obsessão imperial, encerram definitivamente essa etapa. A entrada do Talibã em Cabul marca a emergência de uma nova ordem internacional marcada pela presença de uma tríade dominante formada pelos Estados Unidos, China e Rússia, substituindo a que vinha sobrevivendo, a duras penas, desde os anos da Guerra Fria, formada por Washington, os países europeus e o Japão.

Daí a natureza ilusória da pretensão expressada por Joe Biden de trazer as principais nações do mundo para a mesa de negociações e, sentado à cabeceira, estabelecer as novas regras e orientações que prevaleceriam no sistema internacional porque, como ele disse, não podia deixar os chineses e os russos assumirem tarefa tão delicada. Mas as suas palavras tornaram-se letra morta porque essa longa mesa já não existe. Ela foi substituída por outra, triangular, que não tem cabeceira, onde se sentam, ao lado dos Estados Unidos, a China, a principal economia do mundo, segundo a OCDE, e formidável potência em Inteligência Artificial e novas tecnologias, e a Rússia, um empório energético, o segundo maior arsenal nuclear do planeta e um protagonista tradicional da política internacional desde o início do século XVIII, ambas erigindo limites à outrora incontornável primazia estadunidense.

Pela primeira vez na história, Biden terá que negociar com duas potências que Washington define como inimigas e que também selaram uma poderosa aliança. Os artifícios publicitários de Trump são inúteis: “vamos tornar a América grande novamente”, ou o mais recente de Biden: “a América está de volta”. Na nova mesa, pesam os fatores reais que definem o poder das nações: economia, recursos naturais, população, território, tecnologia, qualidade da liderança, forças armadas e toda a parafernália do “poder brando”. Nos últimos anos, as cartas de que dispunham os Estados Unidos para manter sua onipotência imperial perdida eram as duas últimas. Mas se suas tropas não puderam prevalecer num dos países mais pobres e atrasados do mundo, Hollywood e toda a oligarquia midiática global não poderão operar milagres. Esta etapa nascente do sistema internacional não estará isenta de riscos e ameaças de todo tipo, mas abre oportunidades inéditas para os povos e nações da África, Ásia e América Latina.

Tradução: Fernando Lima das Neves.

__________* 

PCO desmente fake news de Reinaldo Azevedo sobre fundo partidário

Reinaldo Azevedo


247 -
 O Partido da Causa Operária (PCO) desmentiu nesta quinta-feira (19) o jornalista Reinaldo Azevedo em declaração sobre a utilização do fundo partidário. 

Durante o programa "O É da Coisa" do último dia 13, Reinaldo acusou o PCO de ser uma "empresa familiar". "Esses revolucionários que vivem do fundo partidário. Não é um partido, é uma empresa familiar. Aliás, deveria estar registrada como micro-empresa", disse ele. 

Em resposta em sua página, o PCO afirmou que não recebe recursos do fundo partidário. "Reinaldo Azevedo ataca o PCO por este motivo. Pretende caluniar e mentir sobre o PCO para tentar desacreditar as críticas e ações contra o candidato do PSDB de São Paulo, João Dória, o qual pretende se levantar como candidato da terceira via, usando São Paulo como enorme alavanca de apoio", afirmou a legeda, acrescentando que tomará medidas judiciais cabíveis contra o jornalista Reinaldo Azevedo. 

__________* 

MEC tenta salvar imagem de Milton Ribeiro após ele dizer que crianças com deficiência 'atrapalham'


247 -
 O Ministério da Educação (MEC) divulgou nessa quinta-feira (19) uma nota para reafirmar o pedido de desculpas do ministro Milton Ribeiro por declarar, à TV Brasil, que alunos com deficiência "atrapalham" e "criam dificuldades" em sala de aula. Após a má repercussão da fala, o ministro tentou se explicar, mas também havia dito que 12% dessas crianças (deficientes), nas escolas públicas, "têm um grau de deficiência que é impossível a convivência".

De acordo com a pasta, "a nova política adotada pelo Governo Federal amplia os direitos, opções e o respeito à escolha das famílias, que são as únicas conhecedoras de suas realidades singulares". "A medida não é impositiva, sendo uma opção de escolha, até então, não oferecida aos que necessitam de atendimento especializado. Essa política está suspensa e em análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF)", disse.

O MEC afirmou que a pasta tem contribuído para "assegurar aos estudantes da educação especial condições de acessibilidade à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com materiais didáticos e espaços físicos adaptados às suas necessidades". "O ministro da Educação, Milton Ribeiro, já manifestou publicamente seu pedido de desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas".

__________* 

Eduardo Bolsonaro faz nova ameaça: 'uma hora as ordens do STF não serão cumpridas'

Eduardo Bolsonaro e Luís Ernesto Lacombe
PUBLICIDADE

247 - Filho de Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) voltou a ameaçar o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao jornalista bolsonarista Luís Ernesto Lacombe, na RedeTV!, o parlamentar afirmou que "vai chegar uma hora" em que as decisões do STF "não serão mais cumpridas".

"Prendem por fake news. Prendem por atos antidemocráticos. O que é um ato antidemocrático? Prendem por milícia virtual. Vai chegar uma hora em que essas ordens da mais alta Corte do judiciário nacional não vão ser cumpridas, infelizmente. Se continuar desse jeito...", declarou.

Eduardo também afirmou que "não tem mais corda para esticar", em referência à crise institucional entre o Poder Executivo e Judiciário. "Ele [Jair Bolsonaro] tenta sempre agir dentro das quatro linhas da Constituição. Mas, ao que parece, não tem mais corda para você esticar. Qual seria o próximo passo? Prender o presidente? Prender um dos filhos? A gente não tem medo de prisão. Agora, fazer isso, sem ter motivo?".

A bronca da família Bolsonaro com o STF e do próprio Eduardo não é novidade. Durante a campanha eleitoral de 2018, o deputado disse que bastaria mandar "um soldado e um cabo" para fechar o Supremo.

__________*

PF faz buscas contra Sérgio Reis e deputado bolsonarista Otoni de Paula

Cantor Sérgio Reis e deputado federal Otoni de Paula
PUBLICIDADE

247 - O deputado federal bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ) e o cantor Sérgio Reis, que recentemente defendeu abertamente um golpe no país, são alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. 

O magistrado autorizou 29 mandados no âmbito do inquérito que apura manifestações contrárias à democracia.

Agentes da Polícia Federal (PF) foram ao menos a quatro endereços no Rio e em Brasília (DF) ligados ao cantor e ao deputado.

Em nota, a PF diz que “o objetivo das medidas é apurar o eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições, bem como contra os membros dos Poderes”.

__________* 

A burca, os bebês e o Talibã | Ruth de Aquino - O Globo

Por Ruth de Aquino

Arte urbana de Shamsia Hassani, 33 anos, grafiteira afegã e professora na Universidade de Cabul

Vi uma mulher de burca pela primeira vez no metrô de Londres, no verão de 1977. Senti pena, repulsa e impotência. Fazia calor nos vagões. Os homens que a acompanhavam falavam alto e a ignoravam. Eu tentava ver os olhos da mulher por trás da tela negra. Jovem? Idosa? Seu olhar seria resignado ou um pedido mudo de socorro? Conseguiria respirar? 

Praguejei em silêncio contra o fanatismo islâmico. Ali estava, sentada na minha frente, uma mulher condenada à ausência de si mesma. Ausência de desejos, de voz, de visibilidade. Ninguém a encarava, ingleses veneram a privacidade. Mas eu não conseguia desgrudar meu olhar daquela imagem. Era a primeira vez que eu saía do Brasil, com 21 anos. Fui trabalhar no serviço brasileiro da BBC, em rádio de ondas curtas. Sim, isso existia. Criei um programa, ‘Feminino Plural’.

Trinta e quatro anos mais tarde, em 2011, a França decidiu multar toda mulher que, em espaço público, se cobrisse com a burca e com o niqab, que mostra só os olhos. A nova lei permitia outros véus muçulmanos, o xador e o hijab, que cobrem os cabelos mas deixam a face exposta. O slogan era: “A República se vive com o rosto descoberto”. 

É inacreditável, mas há mulheres que, pela religião, querem se vestir assim, totalmente cobertas. São poucas. A maioria é forçada, pelo Estado, pelos sacerdotes, ou por marido e filhos. Agora, com a volta do Talibã no Afeganistão e o retorno da sharia, a lei religiosa, o que será das moças e mulheres que aprenderam a sentir o vento no rosto? O véu integral não é pré-requisito no Alcorão, mas o islamismo radical extrapola.

Nos últimos tempos do Talibã, entre 1996 e 2001, afegãs foram apedrejadas, chicoteadas, mutiladas, executadas. Por cometer adultério ou expor o rosto. Elas foram impedidas de estudar, trabalhar, ou sair às ruas sem companhia masculina. A burca era apenas a opressão visível. 

Agora, em pânico, jovens incineram diplomas, se trancam em casa. Propagandas com mulheres nas ruas são pichadas ou pintadas. Meninas são agredidas por “atrair a atenção dos homens” ao usar sandálias. O Talibã promete ser mais moderado, mas não há como acreditar.

O medo das mulheres é tamanho que produziu cenas dilacerantes. Bebês e crianças são entregues a soldados americanos e ingleses por cima de muros com arame farpado. Só o desespero no mais alto grau leva uma mãe a abrir mão de sua cria. Os direitos dos homens também são violados numa ditadura. Mas é só olhar as imagens de barbados com turbante e fuzis para saber que as afegãs não têm futuro algum com o Talibã.

Isso não quer dizer que, sem o Talibã, a vida fosse um mar de rosas para as mulheres. Em 2019, a jornalista Mena Mangal, de 27 anos, foi morta a tiros em Cabul. Encontrada na rua numa poça de sangue. Tinha se separado do marido. A Anistia Internacional classificou o Afeganistão como o pior lugar do mundo para ser mulher.

Em Londres, nos Swinging Seventies, descobri que a luta da mulher era universal. Até hoje é. Décadas depois, novo século, novo milênio, e ainda brigamos por espaço. Mulheres ainda são espancadas e mortas só por terminar um namoro ou um casamento. 

No Brasil, a extrema-direita se alia à religião para ameaçar nossas conquistas. Não só das mulheres. Quando militares e pastores se juntam, brandindo armas ou crucifixos, gritando ofensas em nome de Deus ou da pátria, que ninguém se iluda. Nosso terreno é hoje fértil para todo tipo de fanático. Queria ver esse pessoal calado e de burca.

"Salve meu bebê". Em desespero, mães e pais em Cabul entregam bebês a militares estrangeiros
  • Compartilhe:

__________* 

Mães tentam passar bebês por cima de cerca para tropa britânica em Cabul

Bebê sendo passado em frente ao muro do aeroporto de Cabul, no Afeganistão - Reprodução/Instagram
Bebê sendo passado em frente ao muro do aeroporto de Cabul, no Afeganistão Imagem: Reprodução/Instagram

Do UOL, em São Paulo

18/08/2021 15h56

Mães estão jogando bebês sobre a cerca de arame farpado do aeroporto de Cabul, capital do Afeganistão, pedindo que os soldados britânicos os peguem, após a tomada de poder pelo Taleban.

A informação é da rede britânica Sky News.

Como o que aconteceu em Saigon na Guerra do Vietnã se compara ao que está acontecendo em Cabul

Um vídeo compartilhado pelo jornalista local Rustam Wahab mostra uma criança sendo passada de mão em mão entre uma multidão do lado de fora dos muros, que espera autorização para saírem do país.

"As pessoas estão tão desesperadas para escapar do Taleban que estão passando para a frente crianças e bebês no portão do aeroporto de Cabul", escreveu Wahab.

De acordo com a reportagem da Sky News, os soldados britânicos estão no aeroporto apoiando a evacuação do país. Um funcionário ouvido pelo correspondente Stuart Ramsay diz que as cenas vividas por eles ficarão marcadas até o fim de suas vidas.

"É terrível, mulheres estavam jogando seus bebês por cima do arame farpado, pedindo aos soldados que os pegassem, alguns ficaram presos no arame", disse o oficial, que não foi identificado.

Veja imagens aéreas da população invadindo o aeroporto para fugir de Cabul

Imagem de satélite mostra multidão de pessoas na pista do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul - -/AFP
1 / 6
mais
-/AFP
Imagem de satélite mostra multidões de pessoas na pista do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul - -/AFP
2 / 6

Na tentativa de fugir do Afeganistão, civis tentaram embarcar na parte externa de um avião militar. Alguns conseguiram, mas caíram após a decolagem

Leia mais
-/AFP
Imagem de satélite mostra multidões de pessoas na pista do Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul - -/AFP

O aeroporto de Cabul é o único ponto de saída do Afeganistão

Leia mais
-/AFP
Imagens aéreas mostram multidão perto da entrada do aeroporto de Cabul - -/AFP
4 / 6

Pessoas se aglomeram perto da entrada do aeroporto de Cabul numa tentativa de fugir do país após o Taleban assumir o poder

Leia mais
-/AFP
Moradores tentam deixar Cabul, capital do Afeganistão, após a tomada de poder pelo Talebã - -/AFP
5 / 6

Oficiais militares dos Estados Unidos relataram à agência AP que ao menos sete pessoas morreram no aeroporto após o tumulto

Leia mais
-/AFP
Uma criança afegã caminha entre uniformes militares enquanto aguarda para deixar Cabul no aeroporto da região - WAKIL KOHSAR/AFP
6 / 6

Dentro do aeroporto, uma criança afegã caminha entre uniformes militares e aguarda para deixar Cabul

Leia mais
WAKIL KOHSAR/AFP

Desde domingo, quando o grupo fundamentalista Taleban tomou a capital afegã, cenas registram tentativas desesperadas da população de deixar o país.

No começo da semana, imagens mostram civis tentando escalar a parte externa de um avião militar, e caindo após a decolagem. A aeronave partia de Cabul com funcionários da embaixada dos Estados Unidos.

Depois da cena caótica, os voos chegaram a ser suspensos, mas foram retomados horas depois.

Ontem, a Força Aérea americana comunicou que está investigando restos humanos encontrados na roda de um avião saído de Cabul.

__________* 

Assassinato da diretora de circuito da F1: investigação aponta que motivação do crime foi dinheiro e não traição

Casal já estava separado duas semanas antes do crime, e discussão sobre partilha dos bens pode ter incetivado ex-piloto a cometer o duplo feminicídio
Nathalie Maillet, de 51 anos, foi assassinada no último domingo pelo próprio marido Foto: Reprodução
Nathalie Maillet, de 51 anos, foi assassinada no último domingo pelo próprio marido Foto: Reprodução

Receba notícias em tempo real no app.

A investigação do assassinato da diretora do circuito belga da Fórmula 1, Nathalie Maillet, e de sua namorada, a advogada e professora Ann Lawrence Durviaux, apontam que a motivação do crime não foi ciúme ou traição, mas sim dinheiro. Ex-marido de Nathalie, o ex-piloto Franz Dubois foi o autor do duplo feminicídio, seguido de suicídio, no último fim de semana, na província de Luxemburgo, na Bélgica. De acordo com os jornais "Sudpresse" e "Sudinfo", eles estavam em processo de divórcio e não entraram em acordo sobre a partilha dos bens, o que teria deixado Franz irado.

Nathalie e Franz estavam oficialmente separados desde o início de agosto, cerca de duas semanas antes do crime, que aconteceu na casa do ex-casal, na cidade bela de Gouvy. O ex-piloto inclusive tinha conhecimento de que a diretora de Spa Francorchamps estava em um novo relacionamento com Ann Lawrence e promoveu um jantar com as duas horas antes de assassiná-las.

Ainda segundo os jornais belgas, o encontro no restaurante Léo, em Bastogne, a trinta minutos de carro de Gouvy, tinha como objetivo acertar os detalhes da separação e da divisão do patrimônio do ex-casal. Mas o clima acabou ficando tenso. Franz saiu do estabelecimento primeiro, depois de pagar a conta. As duas mulheres saíram depois, na mesma direção, de acordo com imagens de câmeras de vigilância que a polícia recolheu.

O trio então se reuniu na residência do ex-casal Maillet-Dubois em Gouvy, onde o duplo feminicídio seguido de suicídio aconteceu. De acordo com a promotoria de Luxemburgo, a questão da partilha dos bens teria acendido a pólvora e motivado o crime. Franz usou uma arma comprada depois de ter sido vítima de uma invasão domiciliar, nesta mesma casa, em 2018.

As novas informações também ajudam a refutar a hipótese inicial de que o homem teria sido surpreendido ao encontrar a mulher na cama com uma amante. Os corpos de Nathalie e Ann Lawrence foram encontrados ainda com as roupas que usavam mais cedo no restaurante, segundo a imprensa belga.

__________* Mentiras de Braga Netto, Ramos, PGR e redes bolsonaristas corroem a democracia

General, muitos não estão aqui | Míriam Leitão - O Globo

Ministro da Defesa comparece a Câmara dos Deputados em audiência para esclarecer o desfile militar da Operação Formosa. Na foto General Braga Netto, ministro da Defesa. 17/08/2021

O general Braga Netto mentiu sobre a História do país, ao dizer que não houve ditadura no Brasil. Ontem foi a vez de o general Ramos ofender os fatos. O ministro da Defesa disse que se tivesse havido ditadura “muitos não estariam aqui”. Ele está querendo dizer que as mortes foram poucas, e isso é odioso. Mas está também usando o mesmo método identificado pela Polícia Federal nos disseminadores de fake news, que é o de dissolver a fronteira entre a mentira e a verdade. Essa técnica de Steve Banon serve para o assalto ao poder, mas tem tido também como consequência trágica a morte de centenas de milhares de brasileiros pela Covid.

Muitos não estão aqui porque foram assassinados pela ditadura que o general Braga Netto nega ter existido. Para o general Ramos, segundo disse ontem, tudo é apenas uma questão semântica. Nesse raciocínio, basta usar algum eufemismo que o problema desaparece. Generais, muitos brasileiros foram assassinados dentro de quartéis militares e por ordem de seus comandantes. Por isso não estão aqui. A técnica da negação faz vítimas ainda hoje. Milhares de vítimas desta pandemia poderiam estar aqui. Teriam sido protegidos da morte se mentiras sobre a Covid-19 e sobre as medidas de proteção, o uso de máscara, a cloroquina e as vacinas, não tivessem sido divulgadas com tanta insistência pelo presidente da República e pelos bolsonaristas.

A mentira do general Braga Netto tenta matar os fatos de ontem. As mentiras do presidente Bolsonaro e de seus apoiadores matam pessoas no presente. A mentira colocada em documento oficial pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo é uma colaboração à morte de brasileiros e um flagrante de desvio de função. Em vez de proteger a sociedade, a Procuradoria-Geral da República (PGR) nega a ciência, rasga o princípio da precaução e desmoraliza a máscara.

Lindôra Araújo tenta desmentir o que a ciência já provou. Disse que não “é possível realizar testes rigorosos” sobre a eficácia da máscara. Segundo ela, os estudos que existem são “somente observacionais e epidemiológicos”. E ela continua com seu insulto à ciência afirmando que o presidente não foi notificado de que deveria usar máscaras em eventos públicos e chega ao cúmulo de afirmar que na ocasião dos fatos Bolsonaro “não estava doente, nem apresentava sintomas de Covid-19”, como se só os pacientes devessem usar a medida de proteção. O presidente fora questionado em ação pelo seu comportamento delinquente de promover aglomerações, em geral com recursos públicos, e nelas não usar máscaras, e ainda ter tirado a proteção de duas crianças. Lindôra acha que “inexistem elementos mínimos” para uma ação contra o presidente.

A mentira é terrível. A mentira histórica dos generais, a da subprocuradora, e a dos influenciadores bolsonaristas. E é terrível porque atinge a vida e a democracia.

Quando procuram se esconder na semântica ou na falsificação histórica, os generais Braga Netto e Ramos mostram que essa geração militar é cúmplice dos que naquele tempo fecharam o Congresso, aposentaram ministros do Supremo, censuraram, torturaram e mataram. Braga Netto parecia querer se referir até aos próprios parlamentares. A fala dele na Câmara foi assim: “Se houvesse ditadura, talvez muitos dos… muitas pessoas não estariam aqui.”

Muitos não estão aqui, general Braga Netto. Stuart Angel não está aqui. Tinha 25 anos quando foi assassinado, seu corpo jamais foi entregue à família, teria hoje 75 anos. Sua mãe Zuzu também foi morta. Vladimir Herzog não viu os filhos crescerem, morreu aos 38. Rubens Paiva não esteve com a mulher Eunice na criação dos filhos. O que o general quis dizer? Que aquele horror precisava ter matado mais para que fosse chamado de ditadura? O ministro da Defesa pode gostar da ditadura, mas negar que ela existiu é mentir.

A técnica dos sites bolsonaristas é mentir também. A Polícia Federal explicou ao TSE que eles tentam “diminuir a fronteira entre o que é verdade e o que é mentira”. Usaram isso nas postagens sobre as urnas eletrônicas, nas divulgações falsas sobre a pandemia, nos ataques ao Judiciário e ao Congresso. Eles usam fragmentos de verdade para construir suas mentiras. Os bolsonaristas tentam enfraquecer a democracia e, nas fake news sobre a pandemia, atentam contra a vida humana.

Com Alvaro Gribel (de São Paulo)

__________* 

CNN desmente ao vivo fala de Alexandre Garcia sobre vacinas

1:12

19/08/2021 14h08

Atualizada em 19/08/2021 16h40

A CNN desmentiu uma fala do jornalista Alexandre Garcia durante o programa "Novo Dia" desta quinta-feira.

Em sua participação no quadro "Liberdade de Opinião", ele disse que jovens "não precisariam tomar a vacina segundo as estatísticas."

CNN demite 3 funcionários que não se vacinaram e foram trabalhar

A estatística mostra que parece que o vírus não se dá bem com jovem, com crianças principalmente. Alexandre Garcia

Mais tarde, porém, a apresentadora Elisa Veeck desmentiu a fala de Garcia.

Alexandre Garcia disse que jovens não precisariam tomar a segunda dose da vacina [contra a covid-19], segundo as estatísticas. Aliás, tomar as vacinas, segundo as estatísticas. Para esclarecer esse tema, nós da CNN Brasil procuramos o infectologista e também diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri. Segundo o médico, a medida que se previne mortes em adultos e idosos, os casos de hospitalização com formas graves serão entre os não vacinados. Ou seja, a proporção maior de casos graves irá acometer as pessoas que não tomaram a vacina. Elisa Veeck

Ela ainda reforçou que, neste ano, 1.581 pessoas entre 10 e 19 anos morreram por covid-19 no Brasil.

No caso das crianças, [a taxa de hospitalização] que era de 0,35% poderão, sem vacina, chegar a 15%. Além dessa informação, acrescentamos que o registro para este ano de mortes por covid-19 entre crianças e jovens é de 1.581. Isso mesmo. 1.581 pessoas entre 10 e 19 anos morreram por covid-19 somente em 2021. Elisa Veeck

Alexandre Garcia coleciona polêmicas na emissora. Recentemente, também no "CNN Novo Dia", ele se desentendeu com Rafael Colombo ao dizer ironicamente que "não estava sendo entrevistado" ao ser contrariado pelo apresentador quando defendeu que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tinha "todo o direito" de lançar um decreto proibindo governadores e prefeitos de decretarem restrições para o controle de coronavírus.

__________* 

Campinas investiga surtos de covid-19 em idosos de cinco asilos

Mesmo com todo seu público vacinado, lares de idosos voltaram a ter casos de Covid-19 - Getty Images
Mesmo com todo seu público vacinado, lares de idosos voltaram a ter casos de Covid-19 Imagem: Getty Images

Do Estadão Conteúdo, em São Paulo

19/08/2021 14h22

Atualizada em 19/08/2021 14h22

A prefeitura de Campinas, no interior paulista, investiga surtos de covid-19 em cinco lares de longa permanência para idosos. Mesmo com todo seu público vacinado, esses espaços estão voltando a registrar casos e mortes pelo coronavírus no interior do Estado. O registro de infecções e mortes entre imunizados, como foi o caso do ator Tarcísio Meira, tem reforçado o debate sobre a aplicação da 3ª dose em grupo mais vulneráveis, como os mais velhos. Na quarta-feira, 18, o Ministério da Saúde afirmou avaliar aplicar uma injeção extra e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recomendou que se avalie a medida.

Segundo especialistas, as vacinas disponíveis contra a covid-19 reduzem significativamente, mas não zeram a possibilidade de casos graves e de mortes pela doença. Isso também mostra a necessidade de manter as medidas sanitárias - como uso de máscara e distanciamento social - para conter a transmissão.

Relacionadas

Pessoas que recusaram vacina em São Paulo poderão voltar aos postos hoje

Desde abril, foram ao menos 277 infecções e 33 óbitos em 13 unidades de oito cidades paulistas, conforme apurou a reportagem. Os surtos mais recentes e com maior número de pessoas infectadas aconteceram em Campinas. O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), da Secretaria Municipal de Saúde, investiga ocorrências em cinco unidades que abrigam pessoas idosas, três delas de uma mesma instituição. No total, 113 pessoas se infectaram (88 residentes e 25 funcionários) e 14 idosos morreram. Eles estavam vacinados.

Os casos começaram a aparecer em junho, mas as mortes aconteceram entre julho e agosto. Segundo a diretora do Devisa, Andrea von Zuben, ainda não foi possível saber se as infecções decorrem de variantes que já circulam na região, como a delta. Originalmente identificada na Índia, essa nova cepa do coronavírus é mais transmissível. "O que temos como praticamente certo é que houve quebra de barreiras de proteção, possibilitando a entrada do vírus", disse.

Segundo as apurações iniciais, é provável que funcionários com sintomas gripais tenham ido trabalhar, o que não deveria ter acontecido. "Estamos trabalhando na correção do que a gente avaliou como não coerente. Isolamos os idosos e os suspeitos, fizemos a testagem, e reforçamos as medidas sanitárias, como uso de máscara e álcool gel em todos os ambientes." Conforme a gestora, as visitas estavam suspensas quando o surto começou.

Especialista em saúde pública, Andrea afirma que a vacina certamente contribuiu para evitar uma situação ainda mais grave. "Sabemos que a vacina não impede uma infecção, mas reduz sua gravidade. No caso dos óbitos, são idosos com mais de 80 anos que tinham várias outras patologias que a covid-19 agravou. Não podemos, com isso, reduzir a importância da vacina", disse.

Nesta quarta-feira, 12 residentes de uma unidade foram internados com covid-19 no Hospital de Campanha de Ourinhos. O espaço atende 60 idosos e todos já receberam as duas doses da vacina. Conforme a prefeitura, os pacientes não estão em estado grave, mas foram internados para evitar que passem a doença para outros internos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, nenhum funcionário apresentou a doença. A suspeita é de que a contaminação tenha acontecido quando pessoas externas trabalhavam na reforma da fachada do lar.

Também nesta quarta, foi confirmado um surto de covid-19 no Lar São Vicente de Paulo, em Votuporanga. Conforme a administração, 32 idosos e 17 funcionários testaram positivo, mas a maioria dos pacientes está assintomática, o que é atribuído à vacinação. Outros 12 idosos com testes negativos estão em ala separada. O espaço iniciou contratações de emergência para substituir os servidores que foram colocados em quarentena.

Mortes

Em Piracicaba, uma residente do Lar dos Velhinhos morreu em junho após contrair covid-19. A idosa de 80 anos havia recebido as duas doses da vacina. De acordo com o presidente da entidade, Ivens Santiago Marcondes, esse foi o único óbito pelo coronavírus confirmado este ano, enquanto no ano passado foram registradas 30 mortes, a última delas em agosto. "Adotamos restrições bem rigorosas às visitas e reforçamos os protocolos sanitários", disse. Os 584 residentes e funcionários foram vacinados.

Em Americana, um surto de covid-19 irrompeu no final de maio na instituição Residencial Benaiah. No total, 22 idosos e duas funcionárias contraíram a doença. Uma paciente de 98 anos não resistiu. Outros quatro residentes foram internados, mas já deixaram o hospital. As duas servidoras tiveram apenas sintomas leves.

Na Vila Vicentina, em Bauru, um surto iniciado em maio contaminou 23 residentes e causou seis mortes. De acordo com a gerente Renata Mancini, os idosos que foram a óbito tinham diversas comorbidades e foram levados para o sistema de saúde logo no início dos sintomas. Os demais pacientes já se recuperaram. "Os 48 residentes na época tinham acabado de receber a segunda dose. Os 67 funcionários também tinham sido vacinados", disse.

Terceira dose

Segundo o infectologista Carlos Magno Fortaleza, docente da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é muito provável que os idosos precisem receber uma terceira dose da vacina contra a covid. "Estudos estão sendo feitos nessa direção, mas ainda não se sabe se uma terceira dose vai melhorar a eficácia da imunização", disse. Ele lembrou que todas as vacinas, não só contra a covid-19, têm menor efetividade em idosos devido à imunossenescência - envelhecimento do sistema imunológico.

Em alguns países, segundo o especialista, está sendo aplicada a terceira dose em idosos, embora ainda sem base científica. "Nos Estados Unidos, fazem a dose extra para pessoas que têm a imunidade deteriorada pela medicação, como os transplantados." O país também anunciou que sua população idosa será revacinada a partir de setembro deste ano.

Israel, Chile e Uruguai são outros que já adotam a estratégia. A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, é contrária a esta escolha. Fortaleza acredita que o fato de os idosos terem sido vacinados há mais tempo também precisa ser levado em conta. "O que é certo é que não podemos baixar a guarda em relação às medidas preventivas, ainda mais com a variante Delta nos rondando", disse.

Idosos internados

Pesquisa realizada pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp) apurou que 60% dos pacientes internados em leitos de UTI de hospitais particulares têm mais de 70 anos. Em leitos clínicos, essa faixa etária também predomina, com 52% das internações. O levantamento, divulgado nesta quarta, foi feito no período de 12 a 17 de agosto em 60 hospitais privados da capital e do interior.

Para o médico Francisco Balestrin, presidente do Sindhosp, a volta dos idosos aos hospitais é preocupante e pode estar relacionada à queda da imunidade devido ao tempo decorrido da vacinação. "É importante avaliar a necessidade de uma terceira dose de reforço das vacinas atualmente disponíveis", disse. O médico observa ainda que os idosos imunizados podem ter voltado à vida normal sem os devidos cuidados, como uso de máscara, lavagem de mãos e isolamento social.

As mais lidas agora

__________* 

Por que as vacinas são menos eficazes em idosos? 3ª dose pode ajudá-los?

Roberto Gardinalli/Futura Press
Imagem: Roberto Gardinalli/Futura Press

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

19/08/2021 16h18

morte de idosos vacinados colocou a 3ª dose do imunizante contra covid-19 em discussão. O Ministério da Saúde informou, nesta quarta-feira (18), que já avalia a aplicação de uma dose de reforço nos idosos e nos profissionais da saúde. Alguns países também já estão se movimentando sobre a nova dose da vacina —caso dos Estados Unidos.

Mas a dúvida que fica é: por que as vacinas, incluindo as de covid-19, mas não só elas, são menos eficazes nos idosos? No caso da CoronaVac, que foi amplamente aplicada nos mais velhos, um estudo feito em São Paulo, de janeiro a abril de 2021, mostrou que a vacina tem menor efetividade entre idosos de mais de 80 anos em relação aos adultos —28% para casos assintomáticos, 43,4% contra hospitalizações e 49,9% para mortes.

Relacionadas

Mortes por covid-19 de pessoas vacinadas são raras, diz especialista

Mas a resposta pelo qual motivo isso acontece é complexa e envolve vários fatores fisiológicos. O primeiro, e talvez mais relevante, é a imunossenescência, o envelhecimento natural do sistema imunológico, responsável por nos proteger de agentes infecciosos.

"Assim como envelhece a pele, o cabelo, o fígado, rim, cérebro, o sistema imunológico, responsável pelas células de defesa, também passa por isso. Por isso que idosos têm mais tendência a morrer de doenças infectocontagiosas", explica a geriatra Priscilla Mussi, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

Isso não vale apenas para covid-19, mas, sim, para qualquer doença que tende a ser mais agressiva na população idosa, como gripe e pneumonia. "A imunossenescência faz as pessoas ficarem mais sensíveis a qualquer infecção. O avô que mora com o neto, por exemplo, pode pegar gripe dele e agravar para uma pneumonia. A gente precisa ter sempre esse receio e preocupação com os idosos", diz a geriatra.

Esse ponto também explica, por exemplo, por que mesmo vacinados, alguns idosos morrem pela covid-19. Nenhuma vacina, seja a CoronaVac, Pfizer ou da AstraZeneca, impede que as pessoas sejam infectadas. O objetivo delas é impedir que a pessoa tenha um quadro grave da doença e, consequentemente, morra.

Um outro ponto importante é que existem alterações consideráveis no funcionamento de algumas células, como nos linfócitos (responsáveis pela defesa do corpo), segundo Sergio Surugi Siqueira, farmacêutico bioquímico, especialista em patologia geral e imunologia clínica e professor da farmácia da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

"São fatores que vão além do envelhecimento. Há uma alteração no funcionamento e na quantidade dos linfócitos de pessoas mais velhas. Por isso, eles respondem com menos eficiência a uma vacina, por exemplo", diz.

Para ficar mais claro, o linfócito T ajuda o linfócito B a produzir os anticorpos contra a doença em questão —objeto das vacinas. E essas células vão diminuindo em quantidade e em sua função em pessoas com idades mais avançadas.

Há ainda outro ponto fundamental nessa questão: a resposta imune é algo muito individual. "A resposta imunológica é um fenômeno individual. Existem idosos que têm uma imunossenescência mais acentuada e há idosos que apresentam uma imunossenescência menos acentuada e que, por isso, tendem a responder melhor às vacinas", explica Siqueira.

CoronaVac é eficaz ao que se propõe

Esses números da CoronaVac, por exemplo, têm chamado atenção, mas isso não invalida seu uso. Pelo contrário, a vacina é considerada eficaz ao que se propõe, basta ver o caso na cidade de Serrana (SP), que teve redução de 95% das mortes.

Lembre-se que qualquer proteção é melhor do que nada, sobretudo em um momento de pandemia. "Interessante é que, antes, ninguém questionava [os números] das outras vacinas, mas esse olhar para a covid chamou mais atenção", conta Ana Karolina Barreto Marinho, membro do Departamento Científico de Imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

De acordo com a imunologista, há uma diferença entre eficácia e efetividade das vacinas que precisa ficar clara. "A eficácia é avaliada na fase 3 dos estudos, que mede a quantidade de anticorpos e células de defesa após a vacina. É se ela foi eficaz, em porcentagem, para criar anticorpos que protejam contra o agente", explica.

Já a efetividade, conforme Marinho esclarece, é o que mais interessa, já que é o momento que estamos vivendo agora, de vida real. "É para ver se a vacina, em determinada população, vai diminuir adoecimento, hospitalizados e mortes. São os resultados a longo prazo. Isso é muito importante a nível de saúde pública", diz.

A imunologista explica ainda que todas as vacinas disponíveis contra covid, no momento, são eficazes e efetivas ao que se propõe. "A gente, claramente, já viu isso —há redução nos números de mortos e internados." Mas o que pode acontecer, de acordo com ela, é que a flexibilização total em alguns estados faça esses números aumentarem progressivamente.

O que pode ser feito para os idosos? 3ª dose? Dose de reforço?

Há muitas discussões sobre o tema. De acordo com os especialistas, existem estratégias que podem ajudar, sim, a melhorar a proteção dos idosos. Uma delas e que, talvez, esteja mais em discussão, é a 3ª dose da vacina contra covid.

"Essa terceira dose poderia ser, por exemplo, de outro fabricante, com outra plataforma, para melhorar a resposta imunológica que já foi iniciada pelas primeiras doses da outra vacina", diz a imunologista da Asbai.

Mas há uma diferença entre a dose de reforço que é indicada quando as duas doses, inicialmente, conseguiram ter boas respostas no sistema imunológico, mas por questões epidemiológicas, é possível dar uma reforçada com essa nova dose.

"Com uma terceira dose, a gente está querendo dizer que aquela população alvo, de repente, não conseguiu atingir os níveis desejáveis de eficácia", explica Barretos.

Mais vacinados e hábitos saudáveis

Além de novas estratégias de vacinação que já estão sendo avaliadas pelos órgãos, algo que auxilia na resposta imune dos idosos —e também de pessoas de outras faixas etárias— é ter hábitos saudáveis: dormir bem, alimentação balanceada e fazer atividades físicas.

Também é essencial que os adolescentes, jovens e adultos, principalmente os que convivem com idosos, tomem a vacina. Isso é também uma forma de protegê-los da covid-19. Lembre-se que vacina não é uma decisão individual, é um pacto coletivo.

__________* 

Professor sofre tentativa de assassinato e escapa após arma falhar 3 vezes

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

18/08/2021 20h30

Um professor escapou de uma tentativa de assassinato, em Guaratinga (BA), após ser abordado por um homem que disparou três vezes contra ele, mas viu a arma falhar em todas elas. O vídeo que mostra o momento da tentativa de assassinato foi gravado pela câmera de segurança do bar em que eles estavam, no último domingo (15).

Nas imagens, é possível perceber que a vítima, acompanhada da noiva, não parece sequer perceber que o criminoso se aproxima e dispara o gatilho três vezes.

Segundo o relato da vítima, que não teve nome revelado, à Polícia Civil, ele estava no estabelecimento, quando um vizinho o avisou que havia um homem atrás dele com uma arma.

O caso está sendo apurado pela delegacia de Guaratinga, que afirmou já ter recebido as imagens, que comprovam a tentativa de homicídio, mas não informou se a investigação tem suspeitos ou possíveis motivos para o crime.

__________* 

Karol Conká desabafa sobre rejeição no BBB 21: 'Não consigo sair de casa'

Karol Conká desabafa sobre rejeição no BBB 21: "Não consigo sair de casa" - Reprodução/Instagram
Karol Conká desabafa sobre rejeição no BBB 21: 'Não consigo sair de casa' Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/08/2021 12h46

Atualizada em 19/08/2021 12h46

A rapper Karol Conká desabafou sobre sua saída do BBB 21 após máxima rejeição do público.

Durante bate-papo com a ex-BBB Thelma Assis no YouTube, a cantora contou que lida com os efeitos de sua trajetória no programa até hoje."Foi tão forte tudo que eu acredito que possa ter uma pessoa muito louca, atravessar a rua e fazer alguma coisa... O nível que chegou do ódio foi tão grande que eu não consigo sair. Se eu sair na rua eu vou ficar com pânico. Eu não saí até agora. Não andei na rua, não fui mais em padaria e supermercado. Não vou a lugar nenhum. Conseguiram me arrastar para um barzinho que tinha pouquíssimas pessoas, mas fiquei uma hora e não me senti confortável", disse.

"Se não fossem as pessoas me lembrando todo dia que eu tenho amor dentro de mim, talvez eu não estivesse mais aqui. Eu estava me sentindo um peso na terra. As mensagens foram tão pesadas que eu falei: 'realmente, acho que eu sou um lixo'", acrescentou a cantora.

Apesar disso, Karol não se arrepende de ter aceitado participar do programa. "Ainda estou digerindo atitudes minhas que eu reprovo, estou tratando as camadas que me levaram a ter descontrole, coisas que me envergonham muito... Não me arrependo de ter entrado no reality, me arrependo de não ter olhado mais pra mim, por que se eu tivesse feito isso, talvez não teria entrado, ou teria entrado com outra atitude. A verdade é que eu estava há dois anos deprimida, achando a vida um saco".

__________* 

Idosos acima de 70 anos voltam a ser maioria em UTIs para Covid de hospitais privados em SP

Queda na imunidade e descuido com protocolos de saúde podem explicar alta, de acordo com médico

São Paulo

Pesquisa realizada em hospitais privados do estado de São Paulo entre os dias 12 e 17 de agosto indica que seis em cada dez pessoas internadas em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para Covi-19 são pessoas com 70 anos de idade ou mais.

Idosos também formam a maioria entre aqueles internados em leitos clínicos de Covid-19 nos hospitais particulares, com 52%.

O levantamento do SindHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo) foi feito em 60 hospitais privados paulistas, sendo 27% deles da capital e 73% do interior. Ao todo, essas unidades somam 2.470 leitos de UTI e 4.762 clínicos. Do total, 1.094 são leitos clínicos destinados a pacientes Covid, e 707, para UTI Covid.

Esse foi o 18º levantamento do SindHosp desde o início da pandemia. Os dados indicam que a tendência se inverteu. Desde que essa informação passou a fazer parte dos boletins, em junho, essa foi a primeira vez que pessoas acima de 70 anos (com 60%) foram maioria entre os internados.

A faixa predominante era de pessoas de 51 anos a 60 anos, que chegou a ser 85% de todos os internados em leitos de UTI Covid privados, segundo sondagem feita entre os dias 26 de julho e 1º de agosto. Agora ela é de 14%, atrás do grupo de 41 a 50 anos, com 16%.

Para o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, existem algumas hipóteses para a volta das pessoas de mais idade aos leitos de UTI. Elas envolvem tanto relaxamento em relação aos protocolos sanitários e ainda uma eventual queda na imunidade. “Os estudos sobre a terceira dose da vacina são muito importantes para avaliar o aumento da imunidade”, afirma.

Ocupação

Segundo o levantamento mais recente do SindHosp, houve aumento na taxa de ocupação de leitos de UTI Covid. Dos estabelecimentos de saúde pesquisados, em 71% a taxa de ocupação de leitos de UTI varia de 51% a 70%. Na sondagem anterior, feita entre 26 de julho a 1º de agosto, apenas 42% dos hospitais que registravam ocupação de 51% a 70%.

Apesar disso, apenas 2% dos hospitais pesquisados operam com taxas mais altas, de 80%.

Dados do governo estadual indicam que 8.055 pessoas estão internadas devido à Covid, sendo 4.107 em UTIs e 3.948 em leitos de enfermaria. A taxa de ocupação dos leitos de UTI Covid no estado nesta quarta é de 42,1%.

Na cidade de São Paulo, a taxa de ocupação dos leitos de UTI para tratamento de pacientes com o novo coronavírus na rede municipal era de 36% nesta quarta-feira.

Ao todo, segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), havia 680 pessoas internadas na rede municipal com o novo coronavírus.

__________* 

Análise: Thiago Goncalves - Como conseguimos as imagens mais detalhadas de galáxias já feitas até hoje?

Imagem em alta resolução da galáxia Hércules A obtida pela rede de radiotelescópios Lofar. O jato produzido pelo buraco negro pode ser observado em laranja - R. Timmerman; Lofar & Telescópio Espacial Hubble
Imagem em alta resolução da galáxia Hércules A obtida pela rede de radiotelescópios Lofar. O jato produzido pelo buraco negro pode ser observado em laranja Imagem: R. Timmerman; Lofar & Telescópio Espacial Hubble

Thiago Signorini Gonçalves

19/08/2021 04h00

A rede de radiotelescópios Lofar (Rede de Baixa Frequência, em inglês) anunciou nesta semana a divulgação de imagens de altíssima resolução de galáxias e outros astros. A equipe internacional obteve dados de quase 25 mil objetos, a maioria fora de nossa própria galáxia, a Via Láctea.

O catálogo inclui galáxias e quasares, ou seja, buracos negros supermassivos no centro de galáxias que produzem jatos e emissões energéticas. Para muitos deles, são as imagens mais detalhadas já observadas.

Relacionadas

Receba notícias de Tilt no WhatsApp e no Telegram

Para atingir esse objetivo, os cientistas tiveram de combinar dados de várias antenas de rádio espalhadas pela Europa. Tradicionalmente, o Lofar utilizava apenas um conjunto de antenas na Holanda, mas pela primeira vez conseguiram fazer observações conjuntas a partir de 70 mil antenas em todo o continente.

Como no caso da famosa foto do buraco negro, essa técnica (denominada interferometria) nos permite simular um telescópio com tamanho semelhante à distância entre as antenas.

Quando usavam apenas os instrumentos holandeses, a distância máxima entre elas era de 120 km, mas com os observatórios espalhados pelo continente, conseguiram chegar à impressionante marca de 2.000 km, uma melhoria no poder de observar detalhes por um fator de quase 20.

O feito não chega sem desafios. Primeiramente, porque as antenas não estão fisicamente conectadas, como seria o caso em um observatório único. Assim, é necessário registrar os sinais de rádio digitalmente para que sejam combinados posteriormente por um computador.

E não é qualquer computador que é capaz de processar esses dados. O crucial é juntar pares individuais de antenas; para 70 mil antenas, são quase 2,5 bilhões de pares possíveis! Apenas um supercomputador pode fazer tantas contas, mesmo porque o conjunto produz dados a uma taxa de 13 terabits por segundo.

As dificuldades não param por aí. Como estão em lugares diferentes, as condições meteorológicas podem introduzir ruídos em cada observatório de forma heterogênea, o que também dificulta bastante a análise de dados.

No final, foram necessários vários anos de observações e desenvolvimento de software para chegar ao catálogo divulgado.

Mas os esforços valem a pena. Como exemplo, uma das imagens divulgadas mostra a galáxia Hércules A, velha conhecida dos astrônomos, em detalhes jamais vistos até hoje.

Os cientistas mostraram, por exemplo, como o jato produzido pelo buraco negro supermassivo no centro da galáxia não atua de forma constante, mas em erupções momentâneas. Essas erupções são capazes de temporariamente expelir mais material, a nuvem observada ainda guarda o registro de erupções passadas.

No entanto, a melhor notícia é mesmo como mostraram que as observações são possíveis, e os obstáculos não são intransponíveis. Isso abre portas para que outros grupos de cientistas possam, no futuro próximo, utilizar a rede de radiotelescópios para novos projetos de pesquisa astronômica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

__________* 

Análise: Fernanda Magnotta - Afeganistão, entre o dogmatismo de Washington e o pragmatismo de Pequim

  • Integrantes do Taleban fazem patrulha nas ruas de Herat - Stringer/Reuters

19/08/2021 04h00

Atualizada em 19/08/2021 06h05

Acompanhamos, nos últimos dias, a escalada de tensões no Afeganistão, com a retomada de poder pelo grupo Taleban. Enquanto, de um lado, os Estados Unidos e países europeus se ocupavam de esvaziar embaixadas e resgatar funcionários, de outro, a China reconhecia o novo governo e declarava disposição em construir, com ele, relações amistosas. Rapidamente, portanto, o Afeganistão se transformou em um microcosmos do que promete ser o mundo do século 21: um espaço de permanente confronto entre o dogmatismo de Washington e o pragmatismo de Pequim.

Por mais que o presidente norte-americano Joe Biden, ao reafirmar a decisão de retirar as tropas norte-americanas do Afeganistão, tenha tentado rejeitar o caráter missionário-cruzadista da incursão no país, essa é uma mensagem indigesta para quem tem boa memória.

Líder do Taleban pede que todos os 'presos políticos' sejam libertados

Para além de desarticular a Al Qaeda e combater o terrorismo e as forças insurgentes na política afegã, a invasão de 2001 foi fortemente pautada no conceito de "nation building". Prevalecia, nos Estados Unidos, a ideia de que a democracia liberal era de importância vital para induzir relações pacíficas e cooperativas entre os Estados. Assim, na medida em que os instintos agressivos de líderes autoritários fomentariam a guerra, promover a liberdade nos conduziria à paz. Esse era o espírito que pautava a narrativa dominante naquele momento. Os Estados Unidos eram colocados como um exportador de valores e como tutores de um processo de transformação política e social no Afeganistão.

Depois de vinte anos de ocupação, a saída norte-americana abre espaço para que imponha, dessa vez, uma outra cartilha: a do pragmatismo chinês, que será marcada, prioritariamente, por interesses econômicos na região. Diferente do que costumam fazer os norte-americanos, não interessa aos chineses balizar relações bilaterais a partir de princípios morais ou políticos. O modelo chinês, como bem resumiu Joshua Cooper Ramo no clássico texto "O consenso de Beijing", está pautado em: i) modernização via inovação e saltos tecnológicos; ii) crescimento sustentável e distribuição de riqueza; iii) autodeterminação.

No caso específico do Afeganistão, as relações com o Taleban miram, primeiramente, os interesses no setor de minérios, particularmente de ferro e cobre, além de metais raros, muito úteis para a indústria de alta tecnologia.

Em segundo lugar, a China vislumbra desenvolver a infraestrutura necessária para integrar o Afeganistão ao "Belt and Road Initiative", o maior projeto chinês no campo internacional, que envolve a construção de estradas, portos e ferrovias conectando Ásia, África e Europa.

Em terceiro lugar, os chineses buscam, ao se aproximar do novo governo, extrair do Taleban o compromisso de que não apoiarão movimentos de independência da província chinesa de Xinjiang, na qual a maioria da população é muçulmana, sobretudo da etnia uigur.

Por fim, do ponto de vista geopolítico, a China está diante de uma oportunidade para eclipsar os Estados Unidos, ocupando não apenas o vácuo de poder deixado pelos Estados Unidos, mas também capitalizando sobre as falhas norte-americanas nessa operação e tornando sua ação hegemônica mais difícil na região.

Hoje, 19 de agosto, é feriado nacional no Afeganistão. Em condições normais, celebrar-se-ia a independência do país, ocorrida em 1919. Apesar disso, diante de tudo o que estamos assistindo e, na encruzilhada entre Washington e Pequim, está difícil encontrar forças para comemorar. Se o modelo norte-americano é arrogante, o modelo chinês é indiferente. Ambos são auto interessados. Em nenhum dos casos é sobre o Afeganistão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

__________* 

Análise: Afeganistão, China e vacinas mostram um Biden mais Trump do que Trump

Democrata irrita aliados e confunde apoiadores ao ser incisivo onde antecessor era errático

São Paulo

Incensado como a salvação do mundo ocidental após os quatro anos de turbulência, mentiras e reviravoltas da Casa Branca sob Donald Trump, o presidente Joe Biden tem tomado decisões que desagradam aliados e deixam apoiadores atônitos.

Depois do republicano, não seria difícil ter apoio da maioria esmagadora dos líderes que importam no Ocidente, com as notórias exceções de Jair Bolsonaro e um ou outro autocrata escondido no orçamento da União Europeia, e contar com a simpatia da mídia liberal predominante.

Biden fala sobre a terceira dose da vacina contra Covid-19 na Casa Branca
Biden fala sobre a terceira dose da vacina contra Covid-19 na Casa Branca - Jim Watson - 18.ago.2021/AFP

Só que o longo período de namoro com Biden já dá sinais de desgaste devido às decisões que substituem o caráter errático do republicano por uma assertividade em temas nos quais eles basicamente concordam. Em resumo, Biden é mais Trump que Trump, ao menos na sua inserção prática no mundo.

O exemplo do Afeganistão é dos mais claros. Após passar a campanha eleitoral criticando o republicano por ter tratado a pão e água os aliados europeus, Biden fez uma série de mesuras diplomáticas, culminando na sua turnê europeia de junho. Nela, mais do que juras de amor e cooperação com a União Europeia e a Otan, aliança militar liderada pelos EUA e desprezada por Trump, Biden buscou cooptar os colegas para se unir a ele no grande jogo contra a China —e, por tabela, a Rússia.

Além de desagradar alguns sócios, interessados em manter bons negócios com Pequim e Moscou, um assunto ficou engasgado: a decisão unilateral de Biden de deixar o Afeganistão e a consequente vitória taleban.

Afinal de contas, nos estertores da ocupação de duas décadas, havia talvez 3.500 americanos por lá, ante o dobro do contingente de países da Otan.

Todos queriam sair, é claro, mas não houve nenhuma discussão com aqueles que embarcaram na aventura americana em 2001, britânicos à frente. 

Não é casual a grita na classe política do Reino Unido sobre o inominável visto na pista do aeroporto de Cabul.

Concorre para isso também a opinião pública europeia, sempre mais sensível a temas humanitários do que a americana.

Eleição tem em todo lugar.

Significativamente, Biden ratificou o acordo assinado por Trump em 2020, que era no mínimo otimista acerca dos compromissos que os Talebans assumiram, de buscar negociação com o governo de Ashraf Ghani e respeitar a cartilha ocidental de direitos humanos.

A primeira parte é autoexplicativa, com Ghani gravando vídeos do exílio em Abu Dhabi

O fato de o tsunami militar operado pelo Taleban em duas semanas ter sido visto como uma marolinha potencial pela Casa Branca é uma triste repetição de padrões no trato de dados de inteligência.

Resta saber se foi incompetência para menos, como no caso da debacle em Benghazi em 2012, ou má-fé para mais, como na invasão de 2003 do Iraque. 

Já a ideia de um Taleban moderado, reafirmada a cada entrevista dos barbudos senhores do poder em Cabul, é colocada em xeque a cada notícia de repressão e a própria ideia de reintrodução da lei islâmica no país.

O caso afegão é o mais gritante, mas longe de ser único. 

A relação com a China passou de uma atabalhoada abertura de frentes por todos os lados, nos salvos da Guerra Fria 2.0 inaugurada por Trump em 2017, para um confronto aberto.

As expectativas de que Biden tentaria um diálogo com os chineses, de resto sempre exageradas pelos apologistas do Partido Democrata no espectro à esquerda, foram substituídas por uma realidade dura.

Parte disso é a necessidade do presidente de se mostrar firme, mesmo quando errado, já que o fantasma do "Sleepy Joe" impingindo a ele por Trump não descansa. 

Assim, quando os chefes da diplomacia da China e dos EUA quase saem aos gritos num fim de mundo no Alasca, as cartas estão na mesa.

Biden pode até se encontrar com Xi Jinping, como fez com um impassível Vladimir Putin, o russo a quem chamara de assassino. 

Mas o fato é que a lógica de um mundo multipolar cada vez mais rachado entre EUA e China, com a Rússia a tiracolo, só faz crescer.

Todas as críticas ao "América primeiro" de Trump podem ser feitas a Biden na gestão da questão das vacinas contra a Covid-19. 

Nesta semana, ao reafirmar que a terceira dose para os americanos vem antes da ajuda a outros países, o presidente deixou claro sua linha de ação.

Ele está errado?

Se você for um apoiador que o via como uma espécie de cavaleiro reluzente a tirar os EUA das trevas do isolacionismo e jogar o país numa era renovada de multilateralismo, sim. 

É nesse dilema que aliados e liberais americanos se veem hoje.

Se você considerar que metade do país que ele governa pensa como Trump e a própria história americana é um longo compêndio de posições solitárias que refletem sua posição geopolítica continental, protegida, intercalada com momentos de imperialismo envergonhado, há lógica no rumo de Biden.

Claro, Cabul cobrará seu preço em eleitores-pêndulo, seja entre os que veem uma humilhação americana, seja pelos que se horrorizam com corpos caindo do céu. 

Por outro lado, seu desassombrado discurso sobre a crise, no qual lavou as mãos, traz também uma franqueza pouco usual, ainda que de ocasião.

Por óbvio, Biden tem trunfos, a começar por não ser um bufão repugnante como Trump é visto. 

Sua insistente agenda ambiental também é um ativo importante. Mas, a cada dia, parece mais uma versão focada do vilão predileto dos liberais.

__________* 

Efeito da delta no RJ expõe omissão e indica nova onda no Brasil

Lola Ferreira

Do UOL, no Rio

19/08/2021 04h00

Apesar do avanço da vacinação, o Rio de Janeiro sofre um agravamento da pandemia com aumento de casos e internações. Cientistas ouvidos pelo UOL não creditam o cenário somente à escalada da variante delta, mas ao que entendem como omissão das autoridades.

Para especialistas em saúde, a principal forma de evitar que a situação no Rio se repita em outros estados, instaurando uma nova fase da pandemia no país, é o retorno a medidas mais restritivas —e não o afrouxamento, a exemplo de anúncios recentes do governador João Doria (PSDB), em SP, e do prefeito Eduardo Paes (PSD), no Rio.

RJ: UTIs para covid têm maior ocupação em 2 meses; 7 cidades chegam a 100%

Todos os países que confiaram só na vacinação têm problemas nesse momento. Abrir tudo com a circulação da delta é um negacionismo gourmet. É só ver o exemplo dos outros países que ela dominou."Miguel Nicolelis, médico e neurocientista

Atualmente, a delta domina 37% das amostras de covid-19 analisadas no Brasil, e a variante gamma, 62%, segundo a Gisaid, plataforma que monitora o avanço das variantes em todo o mundo. No Rio, a proporção é de 48% para a delta e 36% para a gamma. A delta já está presente em 76% dos 92 municípios do estado.

Em linha com o que já acontece no Rio, levantamento do Info Tracker, sistema de monitoramento da pandemia das universidades paulistas USP e Unesp, prevê que a delta possa responder por um aumento de casos em São Paulo a partir de setembro.

Gestores repetem erros

Ao analisarem o quadro do Rio —cuja capital foi definida como "epicentro" da delta e o governo estadual já fala em um "possível enfrentamento de nova onda de contágio"— infectologistas veem semelhanças com os momentos que antecederam as primeira e segunda ondas no país.

As semelhanças não dizem respeito somente ao agravamento de índices, mas à postura adotada por gestores públicos. "A pandemia precisa de gestão constante. Não é só abrir leito. Os dados caírem uma vez não significa que não possam subir novamente", disse Nicolelis.

O infectologista Renato Kfouri afirma que as previsões de alta de casos e mortes devem se confirmar em nível nacional, mas que não é possível definir em qual proporção.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações também critica anúncios de reabertura plena. "O momento epidemiológico exige cautela, independentemente da delta. A gente já tinha problemas antes da delta. Com 30 mil ou 40 mil casos por dia, não há motivo para comemorar."

Embora a média diária de mortes no Rio mostre queda e o índice nacional esteja abaixo dos mil óbitos, Nicolelis destaca que esses indicadores criam uma falsa ilusão de que está "tudo bem". "Só porque você saiu do nível dez do inferno e está no nível oito, não significa que você esteja bem."

Tanto para reverter a delta no Rio quanto para evitar o avanço da variante em outros estados brasileiros, os especialistas defendem esquema vacinal completo para ao menos 70% da população e, enquanto isso, restrições de circulação para quebrar a cadeia de transmissão.

Rio vê idosos de volta a UTIs e pico de casos

"Tudo que vemos no Rio mostra que o risco é real de ter uma outra explosão no Brasil. Medidas de restrição deveriam ser retomadas mais de um mês atrás, para evitar nova subida", diz Nicolelis.

O estado do Rio começou a registrar queda nas internações de pessoas com mais de 60 anos a partir de abril, quando 896 idosos estavam em UTIs da rede pública estadual para tratar a covid-19.

A partir de então, os números caíram gradativamente por 11 semanas até que voltaram a subir entre o final de junho e início de julho. De acordo com a SES (Secretaria de Estado de Saúde), foi a partir desse período que a delta passou a dominar as amostras coletadas no estado.

Um estudo da Fiocruz divulgado pela TV Globo mostrou que pela primeira vez desde fevereiro o número de mortes por covid cresceu entre pessoas de 60 anos ou mais na capital. Também foram registradas 175 mortes de pessoas com 80 anos ou mais, segundo estimativa da última semana epidemiológica, maior patamar desde abril.

Agosto também registrou a terceira semana do ano com mais casos confirmados (27 mil) no estado.

Na terça-feira (17), a taxa total de ocupação de UTIs para covid no estado era de 70% e ao menos sete municípios não tinham mais leitos do tipo disponíveis. Os dados acenderam um alerta no governo estadual, que articula a abertura de novos leitos para evitar falta de atendimento.

Perfil de internados no Rio

Na capital fluminense, julho registrou um aumento na proporção de pessoas idosas internadas.

Em fevereiro, a proporção de cariocas com mais de 80 anos internados para tratar a doença era de 10,7%. O índice ficou em torno de 7% em abril e maio, voltando a crescer (8,7%) em junho e aumentando mais de 4 pontos percentuais em um mês, alcançando 13% em julho.

A internação de idosos entre 70 e 79 anos seguiu a mesma tendência.

A faixa etária com mais internados em julho (último com dados disponíveis) era a de pessoas de 40 a 59 anos (33,6%) —o índice caiu 12 pontos percentuais em relação a junho.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado na reportagem, ao menos sete municípios do RJ não tinham nesta semana leitos de UTI para covid-19 disponíveis. A informação foi corrigida.

__________* 

Variante delta torna a imunidade de rebanho impossível, dizem cientistas

Vacinação ampla continua sendo arma fundamental contra Covid, afirmam pesquisadores

“Suspeito que o que o VÍRUS vai LANÇAR a seguir uma VARIANTE que talvez seja ainda melhor na TRANSMISSÃO em populações VACINADAS.”

  • Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha

    Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha

    Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha

Bruxelas

Quem esperava ser protegido da Covid pela imunidade coletiva pode esquecer e tomar logo sua vacina, afirmam especialistas de algumas das principais universidades europeias, com base nos dados disponíveis até agora.

variante delta, duas vezes mais contagiosa que o Sars-Cov-2 original, enterrou (ao menos por enquanto) as chances da chamada imunidade de rebanho —aquela em que o número de pessoas protegidas contra infecção é grande o suficiente para conter a circulação do vírus.

Quando os primeiros casos de Covid surgiram, cientistas calcularam que essa imunidade coletiva poderia ocorrer quando cerca de 70% de uma população estivesse protegida.

várias esferas azuis
Imagem obtida pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas mostra uma micrografia de transmissão eletrônica de partículas do vírus Sars-Cov-2 isoladas de um paciente com Covid - National Instituteof Allergy and Infectious Diseases/NIH/AFP

“Mas essa sempre foi uma aproximação, presumindo muitas coisas e ignorando outras mais”, diz Samir Bhatt, professor da escola de saúde pública do Imperial College de Londres.

A porcentagem deriva de dados como a proteção fornecida pela vacina contra a infecção (diferente da eficácia contra doença grave e morte) e a capacidade intrínseca de propagação do vírus, ambos ainda não totalmente conhecidos ou em transformação.

Outro fator de imprecisão é que a transmissão varia fortemente de acordo com o comportamento humano: o vírus circula mais se as pessoas se encontram mais, por mais tempo e com menos barreiras —e essa variável também está em constante mudança ao longo do tempo.

As pesquisas iniciais indicavam que o Sars-Cov-2 passava de um infectado para duas ou três pessoas, mas essa razão de contágio subiu com o aparecimento da alfa e mais ainda com a delta, diz Raghib Ali, pesquisador clínico sênior da Unidade MRC de Epidemiologia da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

“Cada vez que esse número aumenta, sobe também a porcentagem calculada para imunidade de rebanho”, diz o pesquisador. O novo mutante, indicam os cientistas, é capaz de passar de uma pessoa para cerca de seis ou sete.

Na ponta do lápis, com essa taxa de contágio, a imunidade de rebanho seria de cerca de 85%, mas apenas se a vacina ou a recuperação de um caso de Covid prevenissem completamente as infecções, o que não ocorre.

“A chegada da delta foi realmente uma virada de jogo”, diz o virologista Jeroen van der Hilst, professor de imunopatologia da Universidade de Hasselt (Bélgica).

Além de o mutante ser muito mais contagioso, os dados indicam que indivíduos vacinados podem ser infectados e infectar outros, diz ele. “Isso significa que o vírus pode circular em uma comunidade com um grande número de pessoas vacinadas. Com essa noção, temos que concluir que a imunidade de rebanho não é mais possível.”

Duração da imunidade

Para o professor emérito de estatística aplicada da Open University (Reino Unido) Kevin McConway, os dados já disponíveis sobre a barreira das vacinas ao contágio são insuficientes para estimar qual seria uma imunidade coletiva para a Covid, seja qual for a variante que predomina.

“Muitos cálculos são indiretos: estima-se a eficácia contra infecção assintomática, por exemplo, e, em seguida, fazem-se suposições sobre a probabilidade de um assintomático transmitir o vírus a outra pessoa. Há várias fontes diferentes de incerteza aqui, então as estimativas não são muito boas”, diz ele.

A mesma falta de informação existe para os que desenvolveram imunidade natural, por terem sido infectados, e para o caso dos que tiveram Covid e foram também vacinados.

“Imagine que atingimos a imunidade coletiva, mas a defesa das pessoas desaparece completamente dois anos depois. Como a imunidade de rebanho significa apenas que qualquer surto será pequeno e será contido rapidamente, ainda haverá alguma infecção depois desses dois anos. Se a defesa das pessoas diminui, eles se tornam suscetíveis novamente e os surtos podem se espalhar novamente e se tornar perigosos”, exemplifica McConway.

Ali, de Cambridge, também aponta a questão da eficácia das vacinas como uma das barreiras para a proteção coletiva. Os números variam de acordo com a marca do imunizante e o esquema de aplicação, mas “é provável que na maior parte dos países ela fique abaixo dos 80%”, diz.

Isso quer dizer que, mesmo que 100% de uma população fosse completamente vacinada, a barreira de 85% para se obter imunidade coletiva não seria atingida.

O pesquisador faz uma comparação com o sarampo, uma doença também altamente infecciosa, cuja porcentagem de proteção necessária para a imunidade de rebanho é de 95%.

O vírus do sarampo, porém, não sofre as rápidas mutações do Sars-Cov-2, e as vacinas são praticamente 100% eficazes para evitar a transmissão. Nesse caso, se 95% das crianças são vacinadas contra o patógeno, ele não se espalha mais nessa população.

No caso da Covid, “com o declínio da imunidade, a evolução contínua do coronavírus, um retorno à normalidade no comportamento das pessoas, a expectativa de que a doença desaparecerá porque atingimos um limite é ilusória”, diz Batt, do Imperial College.

Vacinação fundamental

Para o diretor do instituto de genética da UCL de Londres, François Balloux, há um único benefício —inexplorado— dessa impossibilidade. "Isso deve acabar com as guerras culturais em torno das vacinas. As pessoas devem ser encorajadas a se vacinarem, mas, no final das contas, o objetivo principal da vacinação agora é proteger a si mesmas, não a outros. Então, viva e deixe viver", afirmou ele em rede social.

Ou seja, tomar a injeção não se trata mais de um dever em relação aos outros (para garantir a proteção coletiva), mas uma proteção para si mesmo: "Não haverá nenhuma 'barreira de imunidade de rebanho' para se esconder atrás".

E, dizem os cientistas, os fármacos podem não impedir totalmente o contágio, mas reduzem sensivelmente as mortes.

McConway prefere não afirmar categoricamente que a imunidade coletiva é impossível, mas também vê como conclusão óbvia que, “seja qual for essa resposta, devemos continuar vacinando as pessoas rapidamente e coletar mais dados”.

Mesma opinião tem Van der Hilst, para quem os governos devem almejar a vacinação completa da população. “A boa notícia é que tanto as vacinas quanto uma infecção anterior protegem quase completamente contra Covid grave.”

Ainda que não elimine a circulação do coronavírus, a proteção mais ampla controla a velocidade de circulação do patógeno, reduzindo o risco de novas mutações. “Quanto mais gente for vacinada, mais estabilidade haverá”, diz Ali.

Segundo o pesquisador de Cambridge, uma proteção melhor poderá vir da nova geração de imunizantes que estão sendo aplicados, com aplicação pelo nariz. Cientistas acreditam que ela terá eficácia maior também contra a infecção, além de contra a instalação da doença.

Por outro lado, não é possível descartar o risco de que apareça uma nova variante do Sars-Cov-2 com capacidade ainda maior de escapar da imunidade fornecida pela vacina, disse na semana passada o chefe do grupo de vacinas da Universidade de Oxford, Andrew Pollard, em audiência no Parlamento britânico.

“Suspeito que o que o vírus vai lançar a seguir uma variante que talvez seja ainda melhor na transmissão em populações vacinadas. Portanto, esse é um motivo ainda maior para não fazer políticas públicas em torno da imunidade de rebanho.”

Em comentário sobre as declarações de Pollard, o professor de saúde pública Paul Hunter, da Universidade de East Anglia (Reino Unido), disse que “a ideia de que os que não foram vacinados terão proteção indireta daqueles que já estão imunizados é simplesmente inatingível”.

__________* 

Reinaldo Azevedo - Repudiar o abismo é 1º passo para vencê-lo; Lindôra esmaga lei e ciência

Reprodução
Reinaldo Azevedo

Colunista do UOL

18/08/2021 22h49

As manifestações da subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo ao Supremo, negando que Jair Bolsonaro tenha cometido crimes ao promover aglomerações sem máscara — usando dinheiro público — e expondo duas crianças ao risco de contaminação geraram indignação e revolta em várias frentes.

Senadores resolveram agir.

O mesmo se deu com colegas seus de MPF, também subprocuradores-gerais.

Já volto ao caso. Mas quero comentar um aspecto em particular.

Na terça, dia em que a doutora enviava seus pareceres aos ministros Rosa Weber e Ricardo Lewandowski — respectivos relatores de duas notícias-crime —, Augusto Aras realizava reuniões com senadores para cuidar de sua recondução à PGR.

E ele deve consegui-la sem grande esforço.

Ainda que a PGR e o próprio procurador assistiam, impassíveis, à escalada golpista do presidente.

É estupefaciente que assim seja. 

Em entrevista à Folha, que ainda comentarei, Aras tenta se defender.

E evidenciou, uma vez mais, por que sua atuação é indefensável.

Lembra de 'O Caçador de Pipas'? Brasil já viveu febre de livros afegãos

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e um grupo de pares do Senado anunciaram que vão entrar com uma representação ao Conselho Nacional do Ministério Público. 

O que vai nos pareceres de Lindôra é coisa muito grave. 

Lembro o que dispõe o Artigo 127 da Constituição sobre o papel do Ministério Público:

"O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis."

Há uma lei que impõe o uso de máscaras em ambientes públicos. 

A doutora parece não considerá-la, assim, forte o bastante. 

Mas há o saber científico firmado, comprovado e inquestionável sobre a eficácia da máscara para reduzir o contágio — e cumpre lembrar que o país assistir à expansão da variante Delta, sabidamente mais contagiosa.

A ESTUPIDEZ SOBRE CIÊNCIA

Escreve Lindôra:

"Não é possível realizar testes rigorosos, que comprovem a medida exata da eficácia da máscara de proteção como meio de prevenir a propagação do novo coronavírus.

É que seria incabível envolver pessoas numa pesquisa científica e deixá-las, por determinado tempo, sem usar máscaras faciais, ou seja, possivelmente expostas ao contágio de doença que pode vir a ser mortal, somente para medir a efetividade de tais equipamentos de proteção individual.

Os estudos que existem em torno da eficácia da máscara de proteção, portanto, são somente observacionais e epidemiológicos. 

Dessa forma, não há, nem haverá pesquisa com alta precisão científica acerca do assunto.

Apesar disso, a Organização Mundial da Saúde, baseada nos testes científicos que foram realizados recentemente, na medida das possibilidades e apesar das limitações práticas, abandonou posicionamento anterior expresso e passou a recomendar o uso de máscara de proteção facial para diminuir a propagação do patógeno causador da COVID-19. 

A OMS reconhece, porém, que, além das máscaras faciais, outras medidas de prevenção devem ser tomadas conjuntamente "como parte de uma abordagem abrangente de 'Faça tudo'".

A única coisa que faz sentido nesse apanhado de sandices é o fato de que, com efeito, os cuidados não devem se limitar às máscaras.

É preciso, também, evitar as aglomerações. 

E, sabidamente, o presidente as promove, como, de resto, apontam os peticionários originais da notícia-crime.

Mesmo exercendo as graves responsabilidades que exerce, Lindôra ignora o que seja o saber científico e como ele funciona. 

Parte considerável das medidas protetivas que se tomam contra quaisquer doenças — e isto vale para qualquer campo do saber — nasce da dedução.

A partir de premissas dadas como verdadeiras, porque testadas, chega-se a uma conclusão necessária, inescapável.

E, com efeito, não é preciso que pessoas sejam expostas ao risco de morte para comprovar que determinadas práticas podem ser homicidas.

Se Lindôra estivesse certa, boa parte do saber científico que organiza o mundo deveria merecer apenas a classificação de mero raciocínio especulativo.

O que vai acima é de tal sorte estúpido que me parece preferível, para Lindôra, que se duvide de sua isenção política.

Não sendo assim, então estaríamos diante de um caso espantoso de ignorância que a inabilita para o cargo.

REITERO A QUESTÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA

A doutora está tão atrapalhada que manda ao Supremo um texto com suspeitas explícitas de analfabetismo, como neste trecho:

"Essa [não uso de máscaras] conduta não se reveste da gravidade própria de um crime, por não ser possível afirmar que, por si só, deixe realmente de impedir introdução ou propagação da COVID-19"

Como? 

Então não se pode afirmar que o não uso "deixe realmente de impedir" a contaminação? 

Lindôra sabe de língua portuguesa o que sabe de ciência, e as duas ignorâncias se juntam para justificar comportamentos do presidente que a lei define como crimes.

Quando a ela dar de ombros para o mau uso do dinheiro público, dizer o quê?

SEUS PARES REAGIRAM

Membros do Ministério Público Federal também reagiram. 

Subprocuradores-gerais, colegas seus, pensam em recorrer a Conselho Superior do Ministério Público.

Também a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) reagiu.

Até porque está evidenciado que sem sempre a doutora é assim tão laxista no emprego da lei.

Lembrou o senador Randolfe Rodrigues:

"A posição de sua Excelência contradiz inclusive decisão anterior, que ela exarou quando pediu ao Superior Tribunal de Justiça que o desembargador Eduardo Almeida Prado, do Tribunal de Justiça de São Paulo, fosse investigado por passear em uma praia de Santos sem máscara.

Bem faria Sua Excelência se tivesse mantido essa conduta correta que fez em relação ao comportamento do desembargador paulista.

A decisão de ontem da doutora Lindôra Araújo contraria totalmente a ciência, as recomendações da Organização Mundial da Saúde, contraria as recomendações da nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária, contraria as recomendações do CDC dos Estados Unidos, contraria toda a lógica da ciência."

Os fatos falam por si.

AS CRIANÇAS

Se a estupidez do raciocínio é inaceitável, ao lado da desprezível aplicação seletiva da lei, as manifestações de Lindôra sobre as crianças expostas ao risco, por ação de Bolsonaro, mergulha no terreno do abjeto.

Observem como a subprocuradora-geral recorre a sutilezas da linguagem para, de algum modo, lançar no terreno da dúvida o que está documentado por fotos e vídeos inequívocos:

"Os noticiantes alegam que, por ocasião de visitas oficiais aos Municípios de Pau dos Ferros e Jucurutu, no Rio Grande do Norte, em 24 de junho de 2021, a autoridade noticiada teria descumprido norma sanitária local que tornara obrigatório o uso de máscara de proteção da facial, por força da epidemia de COVID-19.

O Presidente da República, em Pau dos Ferros-RN, teria retirado a máscara de proteção facial de uma criança que estava em seu colo. 

Por sua vez, em Jucurutu-RN, o Presidente teria incentivado uma criança de 10 anos, por meio de gestos, a retirar o equipamento de proteção do rosto, enquanto ela recitava uma poesia".

Vamos ver:
1: os noticiantes não "alegam". Eles informam. Os fatos aconteceram;
2: o presidente não "teria descumprido"; ele descumpriu;
3: Bolsonaro não "teria retirado" a máscara de uma criança; ele a retirou;
4: não "teria incentivado" outra a criança a fazê-lo; ele incentivou.

Não se aplica a linguagem da dúvida. 

Mas, claro!, Lindôra precisa relativizar o absurdo.

Diz a doutora, numa manifestação que, não sendo pautada pela ignorância, corre o risco de ser cínica:

"Como não houve referência ao fato de o Presidente da República estar acometido de COVID-19 em tais oportunidades, as condutas a ele atribuídas não causaram perigo de lesão ao bem jurídico protegido pela norma penal".

Como? 

As crianças só estariam expostas ao perigo se o próprio Bolsonaro estivesse contaminado?

É isso o que nos informa, dadas as circunstâncias, tudo o que a ciência sabe sobre a doença?

A Procuradoria-Geral da República já estava no fundo poço havia tempos.

Lindôra foi lá e abriu um alçapão.

Reitero a exortação:

o Ministério Público é titular da ação penal, mas não do inquérito.

Este pode ser aberto pelos ministros do Supremo ainda que a PGR se oponha.

Que Rosa Weber e Ricardo Lewandowski o façam.

Até para que se consolide para a história o particular momento por que passa o país.

O primeiro passo para sair do abismo é repudiá-lo.

__________* 

Para Tony Ramos, Regina Duarte 'se iludiu' com Bolsonaro: 'Me surpreendeu'

[ ELA ZOMBOU DOS MORTOS ASSASSINADOS PELA DITADURA ]
Tony Ramos diz que não tem intimidade com Regina Duarte para conversar sobre o cargo no governo - Divulgação
Tony Ramos diz que não tem intimidade com Regina Duarte para conversar sobre o cargo no governo Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

18/08/2021 10h32

O ator Tony Ramos se surpreendeu quando soube que sua colega Regina Duarte assumiria a secretaria especial de Cultura no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em entrevista ao site "O Antagonista", ele relembra:

"Quando vi aquela notícia, como ela é uma produtora teatral, no passado produziu, interpretou e participou de peças importantes, eu falei: será que ela tem algum projeto? Depois, foi o que aconteceu, lamento por ela. Que é uma ótima pessoa, muito boa colega, etc. Me surpreendeu. Eu acho que ela se iludiu achando que dariam a ela condições de trabalhar."

Gloria Maria celebra retorno ao estúdio do 'Globo Repórter'

Tony Ramos afirma que não conversou com a atriz sobre o assunto, porque não tem esse tipo de intimidade com ela:

Não tenho essa intimidade. Isso que também tem que ficar claro: nem todos entre nós somos íntimos, por exemplo, como eu era com nosso querido e saudoso Tarcísio [Meira], sou de Glória [Menezes], tem alguns outros amigos meus que são mais íntimos, de dentro de casa. Tony Ramos

O ator diz se incomodar com o negacionismo do governo em relação ao coronavíus e à vacina: "Deixa eu te dizer uma coisa com sinceridade: eu não julgo ninguém, a não ser suas atitudes. As atitudes, eu julgo. O negacionismo com vacina, por exemplo, me deixou sempre desesperado. Eu sempre acreditei na vacina".

Não adianta ficar falando: 'ah, todo mundo tá sujeito a morrer'. Isso é desesperador. É desesperador quando você, há muito mais tempo, poderia ter tomado outras providências. Isso é um fato. Assim como é um fato que a cultura está jogada ao léu. Tony Ramos

Para ele, a cultura está abandonada: "Se me disserem: não, estamos preparando aquilo que achamos que tem que ser. Uma cultura não pode ser aquilo que alguém ache que tem que ser. A cultura é múltipla".

Eu não vou acessar o hip hop, o funk. Não porque eu seja contra. Que contra? Não sou contra mesmo. Mas não é a minha praia, eu não curto. Mas eu respeito como manifestação cultural, entendeu? É uma manifestação e você tem grandes rappers, o Emicida é um grande rapper com grandes letras. Eu não sou o camarada que vai lá selecionar aquela música para ouvir, porém ela é manifestação popular, e tudo aquilo que for manifestação popular é cultura de um povo.

__________* 

Amor, estranho amor: A vida sexual de uma atriz pornô tem muito em comum com a sua. Fernanda, Ruana, Amanda e Ágatha provam por quê

Universa
Adicione um atalho para o UOL Universa ao seu celular. É leve, não detona seu 4G

O prazer feminino tem seus segredos e, para algumas pessoas, a veracidade dos orgasmos é o maior deles. De acordo com uma pesquisa publicada em novembro de 2019 pela revista científica "Archives of Sexual Behavior", 58,8% das mulheres (héteros) já fingiram durante uma relação sexual.

Parte de uma indústria que tenta vender um ideal de sexo machista e superlativo, com orgasmo múltiplos, gemidos estridentes e mulheres hipersexualizadas sempre prontas para atender a lascívia masculina, as atrizes de filmes pornô também têm uma vida sexual e amorosa longe das câmeras. Para quem ganha a vida com sexo, é possível atingir o clímax durante o trabalho? Ou fingir orgasmos é parte da rotina em horário comercial? Como as atrizes pornô lidam com o prazer dentro e fora do set?

Universa conversou com quatro atrizes para saber como elas gozam na real. Sem travas para falar sobre o assunto, Fernanda, Ruana, Amanda e Ágatha revelaram suas preferências, os bastidores da indústria pornô e as experiência pessoais, bastante comum a todas as mulheres: já esbarraram com parceiros ruins de cama e nem sempre chegam ao orgasmo.

Duda Gulman
Duda Gulman

"Não é fácil encontrar um homem que atenda minhas expectativas"

"Meu nome é Amanda Tozzi, tenho 31 anos e artisticamente sou Mandy May Xtuber. Entrei no pornô aos 28 anos de idade. Como passei a trabalhar no ramo mais velha, sempre impus os limites do que estava disposta ou não a fazer. Sou uma pessoa não binária e pansexual.

Sempre gozei muito fácil, amo me masturbar e se estou solteira me masturbo todo dia —quando acordo e antes de dormir. A sensação de orgasmo para mim é a mesma dentro e fora dos sets fisicamente falando. Longe de cena eu gozo muito rápido se chupam meus pés durante a penetração ou se me masturbam enquanto me penetram.

Tenho uma posição favorita, que é a da cowgirl [a que a mulher fica em cima do parceiro]. Não é fácil encontrar um homem que atenda as minhas expectativas porque a maioria deles não liga para as preliminares —eles só querem te usar como troféu, para não se sentirem inseguros.

A primeira vez que gozei foi sozinha. Estava na quarta série, devia ter cerca de 10 anos. Não tinha maldade! Só estava curiosa para ver como era minha vulva e descobri o prazer

O maior obstáculo de conseguir transar casualmente, quando se é atriz pornô, é ver que o interesse de alguém não é só em você: muitos que nem são atores querem sair do encontro com vídeos ou fotos. Quando a gente recusa, eles insistem: "Pelo menos uma foto depois vai rolar né?" Eu percebia que a pessoa só queria ter o que "ostentar" em uma roda de amigos e perdia o interesse antes de conhecê-la.

A maioria das vezes em que estou em cena, encaro ali como uma peça de teatro com penetração. Tem espaço para o prazer, mas em primeiro lugar preciso cumprir os ângulos e poses que o filme exige.

No início da minha carreira eu gozava em 50 ou 60% das vezes em que atuava —o que para mim era um ótimo número— às vezes, na vida pessoal, a média é bem menor que essa. Atualmente só faço cenas com meu namorado. Com ele, gozo pelo menos três vezes por cena.

Acho que sexo nem sempre termina em orgasmo. Para mim o principal é que as duas partes estejam empenhadas em dar e sentir prazer.

Às vezes a pessoa não chega lá por algum motivo nada a ver com o sexo. Daí ok. Porém, não gozar porque a outra pessoa não se empenhou? Isso não devia acontecer nunca."

Isabel Lins
Isabel Lins

"Minha vida sexual é lenta. Não faço com qualquer pessoa"

"Me chamo Fernanda Braga, tenho 31 anos e desde 2019 trabalho como profissional do sexo. Sou formada em design de interiores e, há pouco tempo, decidi abrir mão de uma carreira tradicional para sobreviver como atriz pornô, prostituta e camgirl [profissionais que se exibem eroticamente pela internet].

Sempre fui uma pessoa 'sexual', apesar de só ter realmente descoberto do que gosto na cama aos 28 anos de idade —coisas além da penetração e de posições básicas. O fato de eu nunca ter tido problema com sexo influenciou, e ajudou bastante, a minha escolha profissional. Acho que toda pessoa que trabalha no ramo precisa gostar do que faz.

É engraçado falar sobre como eu gozo fora dos sets, porque minha vida sexual é lenta. Acabo recorrendo bastante à masturbação para gozar. Tenho diversos brinquedos eróticos que uso para trabalho, gravações, mas normalmente eu gosto de me masturbar só com o dedo.

Durante a pandemia, passei a usar o Tinder para encontrar novos parceiros. No app, uso meu nome de trabalho (Fefis). Depois que eu conheço alguém que eu realmente me interesso, aí sim eu revelo minha verdadeira identidade: prazer, me chamo Fernanda Braga

Quando estou procurando um parceiro casual, presto atenção na aparência da pessoa. Gosto de sexo intenso, não faço com qualquer pessoa porque isso envolve intimidade e confiança. Até nos meus atendimentos presenciais (enquanto prostituta), se a pessoa quer me dominar, eu sempre recuso. Acho que isso você precisa reservar para um parceiro de confiança, que aceita seus limites.

Já recusei cliente porque muitos acham que é só chegar, jogar dinheiro na sua cara e te tratar como uma boneca inflável. E não é assim. O cara que está acostumado a sair com garota de programa já sabe como abordar uma mulher pelo WhatsApp, sabe que tipo de informação pedir e nos tratar como uma pessoa normal, porque não somos brinquedos.

Tento, nas minhas redes sociais, educar os homens sobre como lidar com uma atriz pornô, nem tudo que a gente vê em um filme acontece na vida real. É preciso respeitar, e valorizar, o nosso trabalho

Nunca cheguei a sentir dor enquanto gravava alguma cena, entretanto nem sempre a gente sente aquele prazer todo. É diferente de uma transa normal porque você precisa estar olhando para a câmera, prestando atenção no movimento, com pessoas a sua volta. Precisa de uma concentração a mais."

Duda Gulman
Duda Gulman

"Com meu ex-marido só gozei uma vez"

"Trabalho com sexo há oito anos. Comecei vendendo fotos e conteúdos eróticos para algumas pessoas, mas hoje também atuo como atriz pornô e camgirl. Me chamo Ruana Pires, tenho 33 anos, e Turbinada é meu 'nome de guerra'.

Fui casada por 10 anos. Sempre fui safada, mas com meu ex-marido, eu só gozei uma vez. Eu fingia chegar ao clímax para agradá-lo, porque ele não gostava de 'me esperar'. Atualmente, eu me masturbo todo dia. Estou vendo Netflix e do nada mudo para algum site pornô.

A mulher precisa conhecer o próprio corpo, saber do que ela gosta ou não, porque o homem não se importa com isso

Para trabalhar no ramo, a mulher precisa gostar de sexo. Não é só o dinheiro que move o mundo da putaria. Se você não gosta de transar, vai chegar uma hora que você não vai dar conta. Eu, por exemplo, só entro no site de camgirl quando estou em um dia bom, se estou meio pra baixo, não gravo.

Na hora de contracenar, é mais difícil de ter prazer. Ao gravar algo sozinha, sempre sinto prazer. Eu me preparo antes, me masturbo, assisto a outros vídeos. Tenho uma lista de filmes pornô favoritos. Antes da cena, não tem como rolar toda essa preparação. Tento me envolver com o ator, ver o que me dar prazer nele, para tentar gozar no set.

Não adianta mentir, nem todas as vezes eu gozo no set. O famoso 'vamos fingir que cheguei ao clímax' acontece bastante

Fora do trabalho, se eu conheço alguém e me interesso por ele/ela, antes de transar, preciso conversar bastante. A gente que grava conteúdo, na vida pessoal, é bem "chata", sondamos muito o outro para ver se a química bate. Amo pessoas inteligentes e na cama gosto de gente carinhosa, Na minha opinião, a preliminar é mais importante que as vias de fato. Os meus melhores orgasmos não foram com penetração.

Quando estou com um parceiro, vou guiando-o, falando sobre o que e como eu gosto. Na vida pessoal, também é comum não gozar. Curiosidade: sou muito ligada ao cheiro. No passado, teve uma vez que fiquei muito apaixonada por um cara, mas na hora da relação não conseguia me concentrar por causa do cheiro dele.

Há pouco tempo, descobri que sou bissexual. Contracenei com outras mulheres e fiquei curiosa para saber como seria na vida real. Depois disso, fui dar um rolê com amigos e fiquei com uma menina. De verdade

Achei a transa entre duas mulheres melhor do que muito homem; somos mais delicadas, conhecemos melhor o corpo da outra, não precisamos de penetração."

"Têm dias que realmente não estou com vontade de transar"

"Acabei de sair da gravação de um cara que tem 34 centímetros de pênis. A cena me proporcionou algumas assaduras. Gravei com ele à base de analgésico, tomei três. Me chamo Ágatha Ludovino, tenho 22 anos e estou no ramo desde os 17.

Na hora de aceitar um trabalho, eu considero se aquilo vai me afetar —psicologicamente ou fisicamente. Se é uma pessoa que não se expõe a muitos riscos (ator que grava em casa de swing, por exemplo). Gravo sem camisinha porque trabalho com algumas produtoras internacionais e lá fora eles só consomem esse tipo de conteúdo.

Não é sempre que eu gozo em cena. Temos um problema técnico que dificulta isso: que é o tempo exigido em cada posição para a cena. Fica um pouco cansativo

Pode até estar legal, mas a gente repete tanto o movimento que, às vezes, o prazer passa e fica dolorido. Quando eu começo a sentir dor, tento me controlar para saber se não é algo psicológico. Se está forte, peço para o diretor me dar uma pausa. Nunca cheguei a não concluir uma cena. Anal mesmo, eu tenho muita dificuldade de gravar. Tomo analgésico, álcool e procuro encontrar meu estado zen.

Atuo como atriz pornô e também sou prostituta, mas parei de atender presencialmente por causa da pandemia. Sempre me diverti com os clientes. Gosto de conversar para criar uma afinidade com a pessoa para que eu sinta tesão nela. Faço ele se dedicar também ao meu prazer. Aviso: 'Se não me chupar, eu não vou chupar você'. Tem muito cliente que não pergunta o nome da gente, diz que estamos diferentes da foto, são grossos. Já cheguei a chamar a polícia porque o cara não quis me pagar.

Nunca namorei na minha vida. Poucas vezes saí com alguém sem receber dinheiro em troca. Tenho medo e receio de sair com desconhecidos

Na minha frente, os caras não levam a mal quando eu dou algum toque sobre sexo. Dou dicas como 'vai com calma, não fica debruçado em cima de mim, faz isso, aquilo'. É lógico que tem gente que fica ofendida, mas a maioria não.

A minha libido é alta, mas têm dias que realmente não estou com vontade de transar. Raramente me masturbo. Quando estou com tesão, chamo algum amigo ou alguém com quem eu transe normalmente, que já sabe do que eu gosto, para me ajudar. É bom para espairecer.

Já rolou de acabar a cena e eu continuar com vontade, mas quando isso acontece é preciso me controlar, vestir a roupa e ir para um motel. Não tenho preferência sexual, tenho preferência por caráter. Se a pessoa me trata bem, se é higiênica e bem cuidada, eu vou me interessar por ela."

Duda Gulman

__________* 

Força-tarefa de cientistas pede aumento de 5,5 vezes no gasto para prevenção de pandemias

Grupo aponta que investimento global de US$ 22 bilhões ao ano eliminaria a maior parte do risco de emergência de novos vírus; valor equivale a 2% do prejuízo com a Covid-19
Enfermeiro veste traje de segurança em hospital de campanha para doentes de ebola no Congo, em 2019 Foto: BAZ RATNER / REUTERS
Enfermeiro veste traje de segurança em hospital de campanha para doentes de ebola no Congo, em 2019 Foto: BAZ RATNER / REUTERS

SÃO PAULO - Uma força-tarefa internacional de cientistas lança hoje um relatório avaliando o risco de o planeta enfrentar uma nova pandemia, com recomendações para evitá-la. A receita oferecida consiste sobretudo em medidas que restrinjam o contato de pessoas com animais hospedeiros de vírus, e o custo delas é barato: US$ 22 bilhões por ano, o equivalente a apenas 2% das perdas econômicas globais provocadas pela Covid-19.

O documento produzido pelo grupo de pesquisadores, liderado pelo Instituto de Saúde Global da Universidade Harvard, de Cambridge (EUA), colocou foco no problema do chamado spillover (transbordamento, em tradução literal). Esse é o termo técnico que biólogos usam para descrever o evento de transmissão de vírus ou outros agentes infecciosos de um animal para um humano.

Um spillover esteve na origem da pandemia de Covid-19 e da maioria das outras epidemias com origem conhecida. Para prevenir isso, dizem os cientistas, é preciso não apenas monitorar frentes que oferecem maior risco, mas deter atividades predatórias que não oferecem nenhum benefício econômico global, sobretudo o desmatamento e o tráfico de animais silvestres.

O mundo registra em média dois eventos de spillover por ano, segundo o relatório, mas é difícil prever de antemão quais desses episódios ficarão circunscritos a um ou dois casos, quais se tornarão epidemias locais e quais se tornarão pandemias. Alguns hospedeiros merecem especial atenção da vigilância epidemiológica, afirmam os cientistas, sobretudo morcegos, roedores, macacos e aves aquáticas.

Mas só metade dos vírus que saltam para humanos sai da natureza. O resto são patógenos de animais domesticados. Na pecuária, grandes rebanhos aglomerados oferecem farta oportunidade de mutação e disseminação de agentes infecciosos com risco de contágio para pessoas. Esse setor, dizem os cientistas, se beneficiaria da mudança de algumas práticas e requer uma estrutura mais robusta de monitoramento no mundo todo.

Segundo os pesquisadores, o investimento feito para mitigar esses problemas todos é atualmente de US$ 4 bilhões, e não está à altura dos US$ 4 trilhões de prejuízo global que uma pandemia como a da Covid-19 pode provocar. Multiplicando o valor por 5,5 o planeta poderia reduzir senão ao todo, ao menos a maior parte do risco de novos spillovers.

Cortando o mal na raiz

Aaron Bernstein, professor de Harvard que coordenou a força-tarefa, explica que já existem muitas medidas em prática para conter o espalhamento de futuros patógenos, mas a maior parte do aparato se concentra em frear a epidemia depois que o spillover acontece em primeiro lugar.

— Todos os formuladores de políticas que consideram gastar um pouco mais para conservar florestas ou coibir o tráfico de animais silvestres querem saber qual o tamanho do investimento necessário, e precisam de uma resposta clara — afirmou o pesquisador ao GLOBO.

— Se levarmos em conta aquilo que perdemos com a Covid-19, mesmo que esse valor seja diluído ao longo de um século, um programa de conservação de florestas só precisa ser minimamente eficiente para ter um bom custo-benefício.

Em outras palavras, manter árvores em pé e os animais em seus hábitats tem um custo econômico menor que o de impor lockdowns ou abater rebanhos para conter epidemias em curso.

No relatório, os pesquisadores apontam que os riscos maiores de patógenos emergentes estão na Índia e na China, não à toa o Sars-CoV-2 apareceu em território chinês. Países africanos e latino-americanos estão num segundo plano, mas também abrigam uma boa parte de áreas de risco.

Para Bernstein, a melhor contribuição que o Brasil pode dar para prevenção global de novos patógenos é acabar com o desmatamento.

— Nós sabemos muito pouco sobre vírus circulando na selva amazônica, mas mesmo com o pouco que sabemos temos razão para crer que muitas potenciais doenças emergentes ainda não descobertas podem estar ali — diz o cientista de Harvard.

Desequilibrio geográfico

Um dos coautores de Bernstein no relatório foi o epidemiologista Guilherme Werneck, professor da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Para o brasileiro, apesar de a solução para mitigar o problema do spillover ser relativamente barata numa escala global, sua implementação requer uma costura diplomática complicada.

Um dos problemas é que, apesar de todos cidadãos do mundo serem potenciais vítimas de uma pandemia, o risco de emergência dos patógenos está concentrados em países tropicais mais pobres, que têm poucos recursos para empregar.

— O dinheiro teria que sair dos países desenvolvidos, e isso teria que ser por decisões aplicadas no nível de um organismo multilateral global que canalizasse esses recursos para enfrentar esses problemas nos locais de maior risco — diz Werneck. — Sem um grande acordo global multilateral, isso fica difícil. Muitos países pobres têm emergências mais importantes para resolver, como fome ou guerra civil.

Uma boa notícia sobre o problema é que uma parte da solução já vem sendo debatida no âmbito de dois grandes acordos internacionais. A preservação de florestas e ecossistemas é negociada tanto no Acordo de Paris para o clima quanto na CDB (Convenção da Diversidade Biológica). Uma boa parte do custo de prevenção de pandemias que os cientistas calculam está em medidas adicionais, como pesquisas de campo e sistemas de vigilância genética para identificar novos patógenos.

Como a OMS (Organização Mundial da Saúde) não tem o poder de arbítrio para muitas das medidas a serem exigidas dos países, não é improvável que surja a proposta de um tratado contra o spillover nos moldes do Acordo de Paris. Guardadas as proporções, o que a força-tarefa de risco pandêmico produziu agora pode ser o embrião de um relatório como os do IPCC, o painel do clima da ONU, com ciência para embasar programas políticos.

__________* 

‘Na era Talibã, se você ajudar, é morto também’, diz escritor afegão que tenta evacuar pessoas LGBTQIAP+ do país

Nemat Sadat, que mora nos EUA, tenta retirar 100 compatriotas de Cabul: 'É uma situação muito grave'
Soldado talibã numa rua de Cabul Foto: WAKIL KOHSAR / AFP
Soldado talibã numa rua de Cabul Foto: WAKIL KOHSAR / AFP

O escritor, professor e ativista LGBTQIAP+ Nemat Sadat, de 41 anos, nascido no Afeganistão e naturalizado americano, logo pergunta se vimos as imagens de afegãos caindo do avião no ar em Cabul.

—Aquilo me lembrou as pessoas pulando das Torres Gêmeas, mas os Estados Unidos não se importam — disse ele, em entrevista por Zoom, diretamente de San Diego, na Califórnia.

Num fuso horário de 11 horas de diferença, Nemat passou os últimos dias sem se desgrudar do WhatsApp, do Twitter e do e-mail, trocando mensagens com compatriotas gays, lésbicas e transexuais. Todos desesperados para fugir de Cabul e escapar do regime Talibã. No momento, ele organiza com uma ex-aluna americana, que trabalha numa ONG e também está em solo afegão, a tentativa de evacuar uma lista com mais de 100 pessoas.

—O Talibã está entrando de casa em casa, procurando por traidores, pessoas que trabalhavam com os americanos, com os governos do ocidente e LGBTQIAP+ e os matando. É uma situação muito grave. Eles fizeram isso em vilarejos e outras cidades e vão fazer o mesmo em Cabul — diz Nemat.

Autor do romance “The Carpet Weaver” (“O tecelão de tapete”, em tradução livre) que conta a história de um jovem gay no Afeganistão dos anos 1970 e 1980, Nemat saiu do país com apenas 1 ano. Morou na Alemanha até os 5, quando emigrou para os Estados Unidos, numa colônia de afegãos que se estabeleceu na Califórnia durante a invasão soviética no país asiático.

Nemat Sadat Foto: Elliott O'Donovan / Divulgação
Nemat Sadat Foto: Elliott O'Donovan / Divulgação

Em 2012, voltou à terra natal como professor da Universidade Americana do Afeganistão e, ao falar sobre direitos LGBTQIAP+ nas salas de aula e fora delas, sofreu diversas ameaças. Depois de pouco mais de um ano, viu-se obrigado a deixar Cabul por segurança. Mas intensificou o ativismo e tornou-se uma referência dentro e fora do paísde origem. Por isso, ele diz, tem trabalhado com tanto afinco nessa evacuação.

Ele frisa que, antes do Talibã, gays, lésbicas e transexuais também não tinham liberdade total. Mas a questão é que havia redes de apoio, mesmo que pequenas. E que serão exterminadas agora.

—Havia aliados. Em Cabul, por exemplo, um cirurgião plástico fazia redesignação sexual de graça se você não pudesse pagar. Ele fez milhares de operações na última década. Havia pessoas que cuidavam de abrigos para vítimas de violência e gente sensível à causa. Na era talibã, se você ajudar, será morto também — diz Nemat. — As pessoas mais liberais foram ou irão embora ou estarão com muito medo de apoiar a diversidade.

Em tempo, uma última notícia sobre o cirurgião. Segundo Nemat, ele tem um consultório na Turquia e foi até lá na semana passada. Não conseguiu mais voltar. Sua esposa e filha estão em Cabul, já queimaram toda a documentação que ele tinha sobre as cirurgias e estão tentando escapar a todo custo.

__________* 

EUA voltam a registrar mais de mil mortes por dia por Covid pela primeira vez em cinco meses

Aumento nas mortes ocorre em meio a uma campanha de vacinação estagnada e lotação dos hospitais
Paciente com Covid-19 é transferido de hopital em Miami Foto: CHANDAN KHANNA / AFP
Paciente com Covid-19 é transferido de hopital em Miami Foto: CHANDAN KHANNA / AFP

Receba notícias em tempo real no app.

WASINGTON — Os Estados Unidos registraram 1.017 mortes pela Covid-19 na terça-feira, o equivalente a cerca de 42 óbitos por hora, de acordo com a contagem da Reuters, à medida que a variante Delta continua a afetar partes do país com baixas taxas de vacinação. As mortes relacionadas ao coronavírus aumentaram nos EUA no último mês, com uma média de 769 por dia, o maior número desde meados de abril. Ao todo, desde o início da pandemia, 623 mil americanos morreram por causa da doença, mais do que em qualquer outro país.

A última vez que os EUA registraram mais de mil mortes diariamente foi em março. A situação atual levou o governo do presidente Joe Biden a confirmar, na noite de terça-feira, que planeja prolongar as exigências para os viajantes usarem máscaras em aviões, trens e ônibus, e também em aeroportos e estações de metrô até meados de janeiro. Como em muitos outros países, a variante Delta tem apresentado um grande desafio para a contenção dos contágios.

— Ainda estamos em uma pandemia de não vacinados. Há mais de 85 milhões de americanos elegíveis para a vacinação [contra Covid-19] que ainda não se vacinaram — disse Biden nesta quarta-feira, acrescentando que não descansará "enquanto os governadores que são contra o uso de máscaras continuarem intimidando funcionários locais".

O Facebook disse nesta quarta-feira que removeu mais de três dezenas de páginas, grupos e contas do Facebook ou Instagram vinculadas a 12 pessoas que espalhavam desinformação sobre vacinas contra Covid-19, depois que a Casa Branca pediu às empresas de mídia social que aumentassem o controle sobre fatos relacionados à pandemia compartilhados em suas plataformas.

"Também impusemos penalidades a quase duas dezenas de páginas, grupos ou contas adicionais vinculadas a essas 12 pessoas", disse o Facebook em uma publicação com o título "Como estamos agindo contra os superpropagadores da desinformação de vacinas". 

Algumas das principais desinformações sobre vacinas que o governo Biden está combatendo incluem que os imunizantes contra a Covid-19 são ineficazes, falsas alegações de que carregam microchips e que prejudicam a fertilidade das mulheres, disse um funcionário da Casa Branca no mês passado.

Autoridades americanas começaram a acelerar a vacinação diante da ameaça renovada, com a média de doses aplicadas aumentando em 14% nos últimos sete dias. Cerca de 60% do país já receberam ao menos uma dose da vacina, enquanto 50% da população estão completamente imunizados com as duas doses.

Apesar do aumento da imunização, o país ainda lida com a baixa procura pela vacina e o negacionismo de grupos sociais. Na faixa etária de 18 a 39 anos, menos de 50% completaram o ciclo vacinal,  segundo o Centro de Controle e Doenças e Prevenção (CDC). Embora governos locais e empresas tenham, inicialmente, oferecido incentivos como dinheiro e prêmios para as pessoas serem vacinadas, o surto de casos atual fez com que algumas empresas e estados passassem a exigir que os seus funcionários se vacinem se quiserem manter seus empregos.

Apesar disso, os hospitais dos EUA continuam a lotar com novos pacientes, já que as hospitalizações relacionadas à Covid-19 aumentaram em cerca de 70% nas duas últimas semanas. O país relatou mais de 100 mil novos casos por dia em média nos últimos 12 dias, o maior número em seis meses. O Sul dos EUA continua sendo o epicentro do surto atual da doença, com a Flórida contabilizando um recorde de cerca de 26 mil novos casos na semana passada.

O número de crianças hospitalizadas com a Covid-19 está aumentando em todo o país e já chegava a 1.834 na manhã de terça-feira, de acordo com dados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, uma tendência que os especialistas em saúde atribuem à variante Delta ser mais infecciosa em crianças do que a cepa Alfa original.

__________* 

Internados por Covid-19 com mais de 70 anos voltam a ser maioria em hospitais, mostra sindicato do setor

Para o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, dado é preocupante e pode estar relacionado à queda de anticorpos gerados pelas vacinas
Idosos voltam a ser maioria em leitos de Covid-19 Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo / 18-03-2021
Idosos voltam a ser maioria em leitos de Covid-19 Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo / 18-03-2021

Receba notícias em tempo real no app.

RIO — Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo sindicato de hospitais privados de São Paulo (SindHosp) mostrou que a maioria dos pacientes internados (60%) por Covid-19 na rede particular do estado voltou a ser mais frequente entre quem tem mais de 70 anos. Em leitos de enfermaria, os idosos com mais de 70 também voltaram a prevalecer (52% do total).

O levantamento foi feito entre os dias 12 a 17 de agosto, com 60 hospitais privados paulistas, sendo 27% da capital e 73% do interior, em um total de 2.470 leitos de UTI e outras 4.762 vagas de enfermaria. Desse montante, 1.094 são leitos clínicos destinados a pacientes Covid e 707 de UTI.

Para o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, a retomada da internação dos idosos é um dado preocupante e pode estar relacionada ao fato de essa faixa etária ter tomado a vacina há mais tempo e agora experimentar uma queda nos anticorpos contra a doença.

— Importante avaliar a necessidade de uma terceira dose de reforço das vacinas atualmente disponíveis,destaca o especialista, que suspeita que os idosos imunizados possam ter voltado a ter uma vida normal sem os devidos cuidados como o uso de máscara, a lavagem de mãos e o distanciamento social.

Desde o início do ano, com o avanço da vacinação entre as faixas etárias mais velhas, era possível observar, gradativamente, as internações mudarem o perfil, aumentando proporcionalmente entre jovens.

Falta de equipe e a variante Delta

Na mesma pesquisa do SindHosp, metade das instituições ouvidas (50%) apontam como maior problema no enfrentamento à pandemia o afastamento de colaboradores por problemas de saúde; 39% relatam ser a falta de outros profissionais de saúde; e 11%, a falta de médicos.

Questionados se o hospital tem encontrado problema na reposição de funcionários, 62% informam que sim.

Sobre a variante Delta, que tem se mostrado altamente contagiosa, 91% dos hospitais afirmaram não estar sequenciando o vírus para saber quais variantes predominam — apenas 9% instituições fazem o teste para a variante Delta.

__________* 

Assassino levou diretora de circuito da F-1 e a namorada para jantar em restaurante horas antes de matá-las

Ex-piloto cometeu duplo feminicídio contra sua ex-mulher, Nathalie Maillet, e a advogada Ann Lawurence Durviaux, antes de se suicidar
O ex-piloto Franz Dubois convidou Nathalie Maillet e Ann Lawurence Durviaux para jantar antes de matá-las Foto: Reprodução
O ex-piloto Franz Dubois convidou Nathalie Maillet e Ann Lawurence Durviaux para jantar antes de matá-las Foto: Reprodução

Receba notícias em tempo real no app.

A imprensa belga divulgou nesta quarta-feira novos capítulos do caso de duplo feminicídio seguido de suicídio cometido pelo ex-piloto Franz Dubois contra sua ex-mulher, Nathalie Maillet, e a namorada dela, a advogada Ann Lawurence Durviaux, no último final de semana, na Bélgica. As primeiras infomações davam conta de que ele teria se surpreendido ao chegar em casa, em Gouvy, na província de Luxemburgo, e encontrar Nathalie, diretora do circuito de Spa Francorchamps, com uma amante. Mas o jornal “Sud Presse” revelou que os três jantaram juntos horas antes do crime.

Nathalie, Ann Lawurence e Franz foram ao restaurante Léo, em Bastogne, cidade a 30 minutos de carro de Gouvy, na noite do crime, 14 de agosto. A promotoria de Luxemburgo confirmou a informação do jornal. “Estiveram presentes os três”, disse Grégory Bertholet, dono do Léo, ao "Sud Presse": "Na verdade, conversei com eles. E em nenhum momento poderíamos ter previsto o que estava por vir. Eles não estavam alcoolizados quando foram embora”.

Outras testemunhas, por outro lado, falam de forte tensão: uma discussão sobre o futuro divórcio e a divisão de bens teria incomodado Franz, que teria deixado o restaurante sozinho após pagar a conta. Uma versão que o diretor do estabelecimento refuta. Segundo ele, os três saíram juntos, por volta das 23h (horário local), menos de uma hora antes do duplo assassinato, cometido na residência do ex-casal Dubois-Maillet em Gouvy. Franz atirou nas duas mulheres antes de se suicidar.

Ainda segundo o “Sud Presse”, Jean-Marc Durviaux, irmão de Ann Lawrence, contou que o jantar teria sido organizada pelo próprio Franz para celebrar seu aniversário, o de Ann Lawrence e também o último aniversário de casamento dele com Nathalie.

Jean-Marc também indicou que Franz e Nathalie estavam em processo de divórcio e que a relação entre Nathalie e sua irmã era bem conhecida por Franz. Para ele, o que aconteceu na noite de sábado em Gouvy “parece ter sido planejado”.  “O relacionamento delas começou na primavera (entre fim de março e fim de junho no Hemisfério Norte). Elas haviam explicado as coisas a Franz em julho e ele parecia concordar”, disse Jean-Marc.

__________* 

Com sintomas gripais, variante Delta traz dificuldades para o diagnóstico de Covid-19

Alta de casos no país faz médicos aumentarem a testagem de pacientes com coriza, ardência na garganta e dor de cabeça
Aglomeração na Saara, no Rio: casos da Delta em ascensão na cidade Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Aglomeração na Saara, no Rio: casos da Delta em ascensão na cidade Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Receba notícias em tempo real no app.

SÃO PAULO — O nariz escorre, a cabeça dói, a garganta arranha: será que é Covid, resfriado, gripe, alergia ou sinusite? A dúvida logo preocupa quem identifica em si ou em uma pessoa próxima esses sintomas. E não é para menos, alertam médicos. O coronavírus, principalmente no começo da infecção, facilmente se confunde com esses problemas já bem conhecidos pela população e, com a chegada da variante Delta ao Brasil, a indefinição tende a ser ainda maior.

A cepa, identificada inicialmente na Índia e hoje espalhada por todos os continentes, mudou o perfil dos sintomas de parte dos pacientes, como relatam profissionais do Reino Unido e dos Estados Unidos, entre outros locais. Às observações deles se somam as de médicos do Brasil, onde a proporção de casos provocados pela Delta tem crescido nos levantamentos. Se, em junho, ela estava em 2,3% dos casos no país, em julho, já havia passado para 21,5%, segundo dados da Rede Genômica Fiocruz.

O avanço dessa linhagem do vírus, que demonstra ser mais transmissível, é notado especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em ambos os estados, a maior parte das amostras sequenciadas geneticamente ainda é da variante Gama (também chamada de P1 ou “de Manaus”), mas a fatia da Delta está aumentando nas últimas semanas.

Na cidade do Rio, no estudo mais recente, revelado no dia 3 de agosto pela Secretaria de estado da Saúde, 45% das amostras já são da Delta. No território fluminense como um todo, a cepa indiana responde por 26%. Na Grande São Paulo, de acordo com dados do Instituto Adolfo Lutz divulgados no começo do mês, a Delta aparece em 23% dos casos da região.

PCR deve ser feito a partir do terceiro dia de sintomas

Coriza (nariz escorrendo, na linguagem popular), dor de cabeça e ardência na garganta têm aparecido com maior frequência entre os pacientes que testam positivo, observam médicos ouvidos pela reportagem no Rio de Janeiro e em São Paulo. Perda de olfato, perda de paladar, tosse e falta de ar, por outro lado, não são mais tão relatadas nos atendimentos das últimas semanas, observam esses profissionais.

— Essa variante parece bastante com sintomas gripais simples, então a gente tem que testar sempre o paciente. A partir do terceiro dia de sintomas, a gente já recomenda que faça o teste RT-PCR, para confirmar ou descartar essa possibilidade — conta Antonino Eduardo Neto, gerente médico do hospital Badim, no Rio de Janeiro. — Já está claro que alguns pacientes, para os quais você não pensaria com muita força em Covid no ano passado, tem que pensar agora — completa.

A mudança no perfil dos sintomas do início da doença segue o que foi observado antes na linha de frente de países em que a Delta gerou uma explosão de casos. Por isso, ela tem sido interpretada aqui como um efeito prático da entrada da variante no Brasil, ainda que não haja estudos abrangentes classificando esses sintomas e que não seja possível avaliar com que cepa cada paciente está. No país, a identificação só ocorre por amostragem, para acompanhamento da vigilância sanitária.

No Rio, a situação também é percebida no Hospital São Lucas Copacabana, conta o pneumologista Alexandre Pinto Cardoso.

— Os sintomas rinossinusais parecem mais frequentes e mais intensos do que antes — diz. — Mas quando evolui para sintomas mais graves, a forma é absolutamente a mesma — destaca.

Dificuldade para respirar, queda na saturação de oxigênio e quadros de trombose, entre outros problemas graves, continuam sendo vistos nas pessoas com maior comprometimento.

Na prática, ter sintomas mais parecidos com os de gripe ou resfriado no começo da doença não impõe um desafio ao tratamento da Covid, que continua o mesmo, afirmam os médicos, mas reforça a necessidade de certos protocolos.

No Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, por exemplo, as equipes da recepção já receberam orientação para ficarem atentas aos sintomas da Delta desde a chegada do paciente à porta, evitando, na triagem, que ele se misture com outros que não apresentam esses sintomas, conta o otorrinolaringologista Arnaldo Tamiso.

E, fora do ambiente hospitalar, controlar a transmissão vira um problema maior ainda. Diante de desconfortos que não acendem um alerta tão forte, por serem considerados banais, a tendência é que as pessoas circulem mais enquanto estão contaminadas e, assim, espalhem o vírus. Por isso, a testagem deveria ser reforçada neste momento.

— Por estarmos diante de uma variante bastante contagiosa, quanto mais rápida essa identificação, melhor é o bloqueio e a redução da disseminação — alerta Isabella Albuquerque, infectologista e coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital São Vicente de Paulo, no Rio, onde as queixas dos pacientes também têm mudado no começo dos quadros.

Nas últimas semanas, de meados de julho para cá, tem sido comum ainda que os pacientes até se surpreendam com o pedido para fazer teste de Covid e, na sequência, mais ainda, quando se deparam com um resultado positivo, nota o otorrinolaringologista Antonio Celso Ávila da Costa, sócio das clínicas Spot, na capital paulista.

— Eles chegam ao consultório dizendo ‘Estou só com uma sinusite ou com um resfriado, é aquilo de sempre’. Alguns querem até repetir o teste porque não acreditam [no resultado] — conta. — Ficou na percepção de muita gente que, para estar com Covid, tem que perder o olfato, o paladar, ter tosse e falta de ar — avalia.

Mudar esses conceitos é um novo desafio, assim como também reforçar a necessidade de afastamento diante de sintomas brandos.

— A gente tem que ser mais liberal para afastar as pessoas do trabalho e das atividades — conclui João Prats, infectologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

__________* 

Algumas verdades sobre o Afeganistão | Guga Chacra - O Globo

Combatentes do Talibã em uma das estradas que levam a Cabul

O Talibã já avançava há anos no Afeganistão e nunca foi eliminado pelos EUA. Ao longo das duas décadas de presença militar americana, sempre controlaram áreas do país, mesmo depois de terem sido derrubados do poder em 2001. Sem dúvida, quando cerca de 140 mil militares da Otan estavam baseados no território afegão no início da década passada, tiveram de recuar. Mas jamais estiveram perto de serem eliminados.

Alguns argumentam que os EUA deveriam ter mantido tropas remanescentes e não ter levado adiante a retirada. Desta forma, impediriam o avanço do Talibã e a abertura para que grupos terroristas internacionais, como a al-Qaeda e o Estado Islâmico montassem bases no país. Este argumento, no entanto, não se sustenta. Tanto que a retirada americana do Afeganistão era um dos raros consensos na ultrapolarizada eleição do ano passado, na qual Donald Trump e Joe Biden divergiam em absolutamente tudo nos demais outros tópicos. O problema todo esteve na incompetência do atual presidente no processo de retirada – não temos como saber se o seu antecessor faria melhor.

Os EUA tinham menos de 3 mil militares no Afeganistão neste momento. Não eram tropas de combate. Serviam para dar suporte e treinamento às forças afegãs, garantir a segurança de interesses americanos como a embaixada e realizar operações de contraterrorismo. Nos últimos anos, o Talibã vinha progressivamente conquistando território. Inevitavelmente, em algum momento, chegaria a Cabul independentemente dessas tropas. Diante deste cenário, Trump negociou um acordo com o grupo afegão. Retiraria as tropas americanas em troca de o Talibã não dar guarida a organizações terroristas como a al-Qaeda. Isto é, sabia que o Talibã venceria de qualquer maneira.

Não foi levado em conta por Trump, e tampouco por Biden, que o retorno do Talibã ao poder levaria à eliminação dos direitos das mulheres e um retrocesso em todo o avanço do país nos últimos anos. A presença americana não tinha como ser eterna e, para conter o Taleban, teriam de enviar dezenas de milhares de militares americanos, levando em conta que essa estratégia fracassou com Bush e posteriormente com Obama. Houve resignação em aceitar que o mundo não é perfeito e mulheres são perseguidas em muitos outros países, incluindo aliados americanos como a Arábia Saudita, e inimigos, como o Irã.

O Estado Islâmico não necessariamente se fortalece com o Talibã chegando ao poder. Os dois grupos são inimigos, apesar de seguirem a mesma vertente ultraradical do islamismo sunita, propagada pela Arábia Saudita — mais uma vez, aliada dos EUA. Não é interesse da organização afegã em ver um grupo rival forte em seu território.

A al-Qaeda é diferente. A rede fundada por Osama bin Laden sempre foi aliada do Talibã. Não há garantia alguma de que o grupo afegão cumprirá o que prometeu em seu acordo com Trump. De qualquer maneira, não podemos esquecer que a al-Qaeda, por meio de sua aliada Hayet Tahrir al-Sham, controla a Província de Idlib na Síria, onde luta contra o regime de Bashar al-Assad. Também atuam em áreas do Iêmen e em muitas partes da África, como a Somália, por meio do al-Shabab. E, ainda assim, o grupo se enfraqueceu globalmente.

Para completar, nunca é demais lembrar que quem armou os mujahedin nos anos 1980 foi a CIA. Estes mujahedin viriam a se tornar o Talibã. Pelo visto, Reagan foi mais competente em montar esta milícia afegã do que seus sucessores na tentativa de treinar o Exército afegão.

__________* 

Depois de Barroso, ministro Alexandre de Moraes entra na mira das Forças Armadas | Bela Megale - O Globo

Por Bela Megale

Alexandre de Moraes durante sua sabatina na CCJ do Senado, em 21 de fevereiro de 2017

Principal foco de críticas de militares alinhados a Bolsonaro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, ganhou um companheiro. Seu colega no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes entrou na mira de membros da cúpula das Forças Armadas aliados do presidente.

As respostas de Moraes aos arroubos autoritários de Bolsonaro, que levaram o ministro a transformá-lo em investigado em três inquéritos e determinar a prisão de seu aliado, o ex-deputado Roberto Jefferson, são apontadas por militares como medidas que “tensionam” ainda mais a crise. Membros da alta cúpula das Forças Armadas afirmaram à coluna que Moraes “está perdendo a mão” e que não deveria “entrar no ringue” com o presidente.

Depois que o voto impresso foi derrotado na Câmara, o tom das críticas a Barroso baixaram nos grupos de WhatsApp de militares, mas cederam espaço para Alexandre de Moraes. Nesta segunda-feira, uma ligação do ministro da Defesa, Braga Netto, para Barroso foi "vazada" durante a sessão do STF. Ele atendeu o general e um trecho da conversa pôde ser ouvido por quem acompanhou o julgamento. A ligação mostrou que, após o voto impresso ser derrotado, militares estão em contato com o presidente do TSE.

/////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////


*

Arte urbana de SHAMSIA HASSANI, 33 anos, grafiteira afegã e professora na Universidade de Cabul

Arte urbana de Shamsia Hassani, 33 anos, grafiteira afegã e professora na Universidade de Cabul




"SALVE meu BEBÊ". Em desespero, mães e pais em Cabul entregam bebês a militares estrangeiros

"Salve meu bebê". Em desespero, mães e pais em Cabul entregam bebês a militares estrangeiros




Arte urbana de SHAMSIA HASSANI, 33 anos, grafiteira afegã e professora na Universidade de 


/////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

________________________* QUARKS, LÉPTONS e BÓSONS ________________________* COMUNISMO de DIREITA e NAZISMO de ESQUERDA. É o FIM da PICADA...! ________________________* http://www.nano-macro.com/?m=1

9