___________* Variante DELTA se espalha "como um INCÊNDIO", enquanto médicos estudam SE ela é mais GRAVE ___________* Covid-19: Fiocruz ALERTA sobre TENDÊNCIA de ALTA na internação de IDOSOS pela primeira vez em quatro meses no RIO

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Senadores fazem um minuto de silêncio para homenagear os 502.817 mortos por covid-19 no Brasil.

Covid-19: Fiocruz ALERTA sobre TENDÊNCIA de ALTA na internação de IDOSOS pela primeira vez em quatro meses no RIO 




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_____* KRYSTSINA TSIMANOUSKAYA, atleta de BELARUS entra na embaixada da POLÔNIA em TÓQUIO e se RECUSA a voltar para casa.

_____* A mudança da ESTRATÉGIA GEOPOLÍTICA MUNDIAL dos Estados Unidos

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Barroso prova do próprio veneno para enfrentar Bolsonaro como cúmplice da prisão de Lula e do golpe em Dilma

Luís Roberto Barroso e Jair Bolsonaro

Por Davis Sena Filho

O juiz Luís Roberto Barroso, "lavajatista" e que muita vezes atendeu aos interesses corporativos e políticos nada republicanos e anseios golpistas das cúpulas de tribunais de Justiça, PGR (MPF), PF e Grupo Globo, oligopólio midiático pertencente à famiglia Marinho, que se associaram em um consórcio de direita, que visou, sobretudo, dar um golpe de estado disfarçado de legal e legítimo acontecido no ano de 2016, a interromper malevolamente a democracia brasileira e, com efeito, rasgar a Constituição odiada pela burguesia da alma escravocrata, além de dar um pontapé no estado democrático de direito, o que permitiu a retirada de direitos conquistadas pelo povo brasileiro no decorrer de mais de um século.

O presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, viu com seus olhos que a terra haverá de comer, juntamente com muitos de seus iguais que pertencem ao pico da pirâmide social, o fim de inúmeros programas sociais que alavancaram a economia e permitiam, inclusive, a segurança alimentar e a criação de empregos e renda aos brasileiros pobres dos rincões interioranos e das periferias urbanas, sem ao menos questionar tais malevolência por meio de ações que poderiam ser encaminhadas à PGR, uma corporação elitista, ideologicamente de direita, que sempre esteve à frente do golpe contra uma presidente honesta como Dilma Rousseff, além da prisão injusta de Lula, perpetrada por covardes e delinquentes de alta periculosidade, que se aboletaram no covil da Lava Jato em Curitiba e outras capitais deste País fadado ao fracasso, por ter oligarquias de índoles escravocratas e refratárias à igualdade de oportunidades na forma de inclusão social.

Enfim, o juiz Luís Roberto Barroso é um dos muitos homens poderosos da República que participaram como cúmplices para que acontecesse o fim do processo político-eleitoral que levou, legalmente e democraticamente, o Partido dos Trabalhadores ao poder central por quatro vezes consecutivas pela força das urnas populares, o que irritou profundamente as oligarquias brasileiras, sócias dos interesses estrangeiros, exemplificados na geopolítica e vantagens comerciais dos Estados Unidos e seus associados da Europa.

Tais países, geralmente dominantes no mundo, sempre tiveram interesse na entrega do Pré-Sal e na destruição da desenvolvida engenharia nacional por parte da subalterna e subserviente burguesia brasileira e seus políticos que ora estão no poder, pois que são eternamente desprovidos de projeto de desenvolvimento e soberania para o Brasil, bem como são os autores do desmonte criminoso da Petrobrás e da entrega dos ativos da Eletrobrás e dos Correios, dentre muitas estatais que foram e serão irresponsavelmente e criminosamente passadas nos cobres pelos bandidos que assumiram a Presidência da República e seus ministérios.

O status quo brasileiro nunca teve em sua história e agenda qualquer projeto desenvolvimentista, de soberania e independência, porque suas ações e atos se resumem a apenas ter lucro e explorar ao máximo a mais valia, a transformar o País em apenas uma gigantesca loja comercial, a esquecer que dezenas de milhões de brasileiros não votaram em Jair Bolsonaro — o Bozo Diabólico — e nem apoiaram o golpe liderado pelo sujeito abjeto e usurpador Michel Temer, mas que sonham em construir uma verdadeira nação, que seja igualitária, democrática, justa e bem menos violenta, de forma que grande parte da população não seja humilhada perversamente, quando encara filas para ter acesso a ossos e pés de galinhas nos açougues e nos mercados da vida.

O juiz do STF e presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, está a ser atacado há meses, de forma desrespeitosa e muito violenta pelo tirano Jair Bolsonaro, o pior presidente em todos os sentidos da história do Brasil, chefe de um desgoverno ultraliberal e de essência fascista, que promove um verdadeiro desmanche na economia e em áreas primordiais como o meio ambiente, a saúde, a educação, a cultura, a diplomacia, assim como criminosamente é o maior responsável por cerca de 560 mil mortes de brasileiros, porque vítimas de Covid-19.

Bolsonaro chegou ao poder por causa do golpe bananeiro contra Dilma e a prisão injusta de Lula, com a aquiescência e cumplicidade do STF, cujos juízes hoje são alvos sistemáticos do presidente acusado também de ser chefe de milícias, juntamente com seus filhos. Hoje, os ministros do Supremo, que para mim devem ser defendidos e preservados pelo o que eles representam constitucionalmente e no que é relativo ao contexto político e jurídico da República, no que tange aos poderes, ao estado de direito e à Constituição, que isto fique claro e livre de dúvidas.

Esses juízes, na verdade, flertaram com a ilegalidade e apoiaram em maioria, pois há exceções para ser justo, a deposição de Dilma Rousseff, sem a mandatária ter incorrido em crime de responsabilidade. Atualmente, os magistrados da Corte Suprema enfrentam dura realidade perante um governo militar, antidemocrático, antipopular, antinacionalista e com vocação ditatorial.

Após 30 anos de democracia ininterrupta, o poder civil é tomado pela direita e a extrema direita partidária, que decide dar o controle do Governo Federal aos militares, o que acarreta o maior fracasso econômico e social de todos os tempos, de modo que será muito difícil e extremamente penoso retomar o desenvolvimento do País depois de tantas sandices, inconsequências e irresponsabilidades. Por sua vez, os juízes do STF, cara pálida, evidentemente que tem culpas em seus respectivos cartórios.

A ser assim, se a esquerda vencer as eleições — e o certame eleitoral de 2022 é a grande preocupação de Jair Bolsonaro e seu grupo de sádicos do Planalto somados ao empresariado e parte da população que se deu mal e finge e dissimula não enxergar o buraco em que se meteu — terá de estabelecer conversações sérias com o centro partidário, os militares, o empresariado e os coronéis midiáticos capitaneados pela famiglia Marinho, que mesmo a teimar com seu proselitismo político e má-fé intelectual percebeu que com o ex-capitão no poder central não há as mínimas condições para que o Brasil retome o desenvolvimento econômico, assim como tais plutocratas sabem muito bem que para ser presidente tem de ter o mínimo de traquejo e respeito pela sociedade brasileira e a comunidade internacional.

Bolsonaro é bárbaro, cara pálida! Ponto.

Não tem como ser diferente para os juízes e também os procuradores, e por isto é salutar que os juízes do Supremo, a exemplo de Luís Roberto Cardoso, ficarem atentos para que um virtual governo de esquerda e trabalhista não seja novamente alvo de criminosos engravatados, ricos e brancos, os mesmos que sabotaram o Governo Dilma Rousseff e se mobilizaram para que o Estado sequestrasse o presidente Lula para que ele não concorresse às eleições de 2018, realidade esta que chamou a atenção do mundo civilizado e colocou o Brasil  novamente na condição de republiqueta de bananas e subordinada a interesses de potências estrangeiras.

A verdade é que os ataques virulentos a Luís Roberto Barroso atingem a democracia e o estado de direito, além de ser uma temeridade que o próprio STF seja ferido em sua dignidade como guardião da Constituição. Quando os juízes se intrometem na política, bem como os procuradores (promotores), delegados e militares, dentre outras carreiras típicas de Estado, é porque algo vai muito mal em qualquer País ou sociedade, porque tais servidores tem de obrigatoriamente, segundo as leis, normas e estatutos, isentos, imparciais e justos, conforme suas profissões e cargos ocupados mediante a concurso público e pagos regiamente pelo contribuinte, o verdadeiro sustentáculo do Estado nacional.

Luís Roberto Barroso sabe disso e mesmo assim falhou quanto a ser um juiz compromissado com os desmandos e delinquências da Lava Jato, cujo juiz Sérgio Moro e seus asseclas, a exemplo do procurador Deltan Dallagnol e seus comparsas de MPF, além de delegados da PF, que impuseram por certo tempo suas versões de como entendiam a lei, de forma a ter poder estatal, político e financeiro, pois esse bando ganhou muito dinheiro como se seus membros fossem verdadeiros popstars, porque foram transformados em pessoas midiáticas, que em um certo momento foram "canonizadas" como combatentes da corrupção, sendo que se verificou depois, indelevelmente, que a corrupção está entranhada na alma dessa gente extremamente ambiciosa, chinfrim, tosca, tacanha, provinciana, brega e perigosamente criminosa.  

E o que aconteceu? Respondo: Lula Livre!

Mesmo assim, com todas as provas e contraprovas debaixo do nariz de Luís Roberto Barroso, o magistrado, um "lavajatista" confesso, votou contra a suspeição do juiz Moro e, com efeito, contra a liberdade de Lula, sendo, por seu turno, cúmplice dos crimes da Lava Jato, que estão mais do que comprovados, na verdade desde o início de seus trabalhos em meados de 204/2015. De qualquer forma é necessário que o juiz, apesar de seus gravíssimos erros quanto à preservação da Constituição e ao Estado de Direito, principalmente no que concerne à prisão injusta de Lula e à deposição covarde de Dilma Rousseff, é preciso compreender o momento igualmente grave do tempo de agora.

O STF, por inúmeros motivos, mas o principal é proteger a Constituição, está hoje à frente do combate ao desgoverno fascista dos generais, que mais uma vez mostram para o que vieram: atendem os interesses dos EUA, assegurar a entrega das estatais, mesmo as estratégicas para o desenvolvimento do Brasil, consolidar o Pré-Sal nas mãos da gringada pirata, pois malandra e esperta, bem como apoiar a retirada de direitos do povo brasileiro, sendo que um deles é ser incluído no Orçamento da União, o que fez o Partido dos Trabalhadores, até que modestamente, mas que gerou grande ódio e insatisfação por parte da classe média mesquinha, violenta e mau-caráter, sem generalizar.

Foi a classe média, que está agora a passar necessidade em todos os sentidos, pois hoje comedora do pão que o diabo amassou, que foi a base de sustentação do golpe contra Dilma e a prisão injusta de Lula. A classe média é a empregada que se considera patroa, a idiota por vocação, além de ser racista e disposta a enfrentar a luta de classe quando percebe que a empregada doméstica saiu do quartinho (senzala) de sua casa e vê o porteiro a comprar celular e televisão.

Luís Roberto Barroso é um juiz injusto, conforme suas decisões publicizadas pelo STF, mas tem de receber apoio no embate contra um presidente fascista e profundamente intolerante e bárbaro, que sonha acordado em dar um golpe de estado e definitivamente desmontar o Brasil e torná-lo um País sem dignidade e força para ser soberano e independente.

A sociedade democrática com seus diferentes grupos sociais deste País está em uma encruzilhada política e eleitoral sem precedentes, pois está a enfrentar uma corrida contra o tempo, porque somente daqui a 14 meses acontecerá as eleições presidenciais. O caminho é longo quando se tem um descontrolado no poder sem limites éticos e disposto a qualquer coisa para permanecer no poder central e manter o povo brasileiro como refém de sua loucura ideológica e politicamente imoral, como comprova seu comportamento perante a pandemia e as minorias sociais.

O Supremo Tribunal Federal, com todos seus defeitos, paradoxos e idiossincrasias, transformou-se, mesmo contra a vontade de certos juízes da Corte e também de tribunais inferiores, no instrumento principal de preservação da democracia e do Estado de Direito, apesar de seu vergonhoso papel no golpe a Dilma e na prisão de Lula, que propiciou o aumento de violência, miséria, pobreza, desemprego em massa e o desmanche da máquina do Estado brasileiro, em todos seus setores e segmentos, diga-se de passagem.

Esta é a realidade histórica do STF e dos setores democráticos da sociedade brasileira, mesmo se tais realidades são paradoxais. 

O ministro Luís Roberto Barroso bebeu de seu próprio veneno, quando se tornou um juiz injusto para depois encarar a violência e o desrespeito de Bolsonaro, mas terá de defender com tenacidade a democracia e as eleições, além das urnas eletrônicas. 

Seu papel como presidente do TSE é muito maior do que suas ideias políticas e preferências ideológicas.

Barroso prova do próprio veneno para enfrentar Bolsonaro como cúmplice da prisão de Lula e do golpe em Dilma. 

Vai à luta Barroso! É isso aí.

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O curioso (e grotesco) caso do neonazismo judaico no Brasil - Jean Goldenbaum

Por Jean Goldenbaum

Bandeira de Israel em ato pró-Bolsonaro volta a gerar polêmica

por Jean Goldenbaum

Não é do meu feitio utilizar meias-palavras. Precisamos chamar as coisas daquilo que elas são. E por mais desgosto que me traga ter de constatar a presente realidade, mais desgosto ainda me traria ignorá-la. Sim, hoje no Brasil ocorre um fenômeno bastante singular: o neonazismo judaico.

O fato de o Brasil ter se tornado a capital do Neonazismo no planeta já é notícia antiga. Qualquer um que conheça a história, a ideologia, a mentalidade e as ações do atual presidente da República, sabe que ele é o representante do Neonazismo que mais longe chegou na hierarquia de seu país. Quem conhece o assunto e lida com isso desde que se conhece por gente, como eu e tantas outras pessoas, já sabia o que Bolsonaro significava desde o início de sua aparição. Literalmente nas três primeiras entrevistas do cidadão que tive o desprazer de escutar (e isso foi em 2016, creio), já pude categorizá-lo como um nazista. Após toda a sujeira da mídia corporativa camuflando seus crimes e seu ódio, e os abraços de dezenas de milhões de brasileiros também nazistas (ou simpatizantes do nazismo, ou tolerantes ao nazismo), o Brasil chegou ao seu status atual: é hoje a vergonha global que elegeu este tipo de ser humano como líder supremo da nação.

Não precisamos nos estender sobre o parágrafo acima, afinal tudo isso já é estabelecido. Hoje, felizmente cada vez mais, escancara-se ao mundo a verdade sobre Bolsonaro, sua família e o Neonazismo. Jornalistas e pesquisadores renomados publicam nos principais veículos do país as provas cabais de que o cidadão é de fato o que sempre soubemos que ele era. Ou seja, cada vez mais há menos dúvida com relação à verdade. Mas houve um ponto crucial em toda esta história e é aí que a coisa se tornou ainda mais pessoal com relação à minha humilde pessoa. Bolsonaro oficializou os laços com o principal partido neonazista do planeta, o alemão Alternativ für Deutschland. Para mim isto é algo bastante próximo, afinal enquanto judeu que imigrou à Alemanha, sempre prestei muita atenção ao desenvolvimento do Neonazismo por aqui. E o nascimento e a ascensão do AfD pude assistir “de camarote”. Eu não somente vivia na época em Berlim, exatamente onde o AfD foi criado, mas já estava inserido no universo acadêmico, e desta forma acompanhei como se deu o desenvolvimento deste projeto nefasto dentro das universidades da cidade. Sim, o partido não nasceu em um porão, no submundo do ódio. Bem pior que isso: ele foi fundado por professores e alunos neonazistas e possui desta forma uma espinha dorsal ideológica muito sólida e bem estruturada.

Dito isto, primeiramente explico: por que escrevi acima “principal partido neonazista”? Ora, a Alemanha é o berço do Nazismo, sabemos disso. Inclusive, há poucos dias, em 29 de julho, completou-se exatamente um século do dia em que Hitler se tornou o chefe do partido nazista original (NSDAP), em 29.7.1921. E mesmo depois de tudo, ainda que seu líder maior tenha se suicidado frente a derrota, o Nazismo em si nunca morreu. Logo após tal acontecimento, em 30.4.1945, os continuadores do Nazismo já possuíam o nome eleito a ser o sucessor do Führer original. Este sucessor chamava-se Johann Ludwig Graf Schwerin von Krosigk (1887-1977) e de fato ele atuou como chanceler da Alemanha durante exatas três semanas, de 2 a 23 de maio de 1945 (período conhecido como o Governo Flensburg ou Governo Dönitz), até a dissolução definitiva do Terceiro Reich. Enfim, coincidência não existe neste jogo e este sucessor nada mais é do que o avô materno da cidadã chamada Beatrix von Storch, a mais “respeitada” neonazista da Alemanha nos dias de hoje, e com quem Bolsonaro e sua família se encontraram e firmaram juras ideológicas aos olhos do mundo todo.

Preciso deixar claro: o AfD nada mais é do que o partido neonazista com uma roupagem contemporânea. Qualquer um por aqui sabe disso, tanto os nazistas quanto os antinazistas. Quem vota para o AfD? Neonazistas convictos, ultraconservadores e nacionalistas de variadas linhas ideológicas, negacionistas da ciência, e por aí vai. O partido abraça o racismo, a xenofobia (sobretudo a islamofobia), a anticiência, e tudo o que a estes valores se alinha, como fundamentos de sua pauta. No mês passado o ‘Deutsches Institut für Menschenrechte’ (‘Instituto Alemão pelos Direitos Humanos’), principal autoridade do país no assunto, classificou oficialmente o partido como “racista e extremista de direita”. O documento oficial (que pode ser facilmente encontrado no site da instituição) se inicia da seguinte forma:

“As posições racistas e extremistas de direita são parte integrante do programa do AfD, da estratégia do AfD e do posicionamento dos líderes e políticos eleitos do AfD e são, portanto, dirigidas contra os princípios indispensáveis dos Direitos Humanos garantidos no Artigo 1 Parágrafo 1 da Constituição. Essas posições negam a dignidade humana que é igualmente devida a todas as pessoas e o princípio associado de igualdade legal a todas as pessoas.”

Enfim, não há dúvidas sobre o que é o AfD. E Beatrix von Storch localiza-se na parte mais extrema do espectro deste partido. Ou seja, mais à Direita de onde ela está, não há. E todos a conhecem por aqui.

Desta forma, o jogo aqui na Alemanha virou. A partir de 2018 eu procurei trazer ao povo alemão a informação de que o Brasil estava prestes a ser governado por um neonazista. Não foi tarefa fácil. Para abordar o tema, falei em reuniões da universidade de música de Hannover (onde leciono), interrompi concertos que eu mesmo organizei, “enchi o saco” de todo mundo que eu pude para explicar o que estava ocorrendo. Deve ter valido a pena de alguma maneira, mas a assimilação desta informação para um alemão (ou europeu de modo geral) é muito difícil. A realidade social e política de um país não-europeu é algo muito vago e rarefeito para a maioria dos europeus, que vivem imersos em seu mundo eurocentrista e que quando erguem com desprezo os olhos para fora do velho continente, avistam somente alguns países seletos, como EUA, Rússia e China, e olhe lá... Todavia, a relação de Bolsonaro com von Storch altera toda esta cena, pois ela traduz ao cidadão alemão a situação para o seu idioma. Todos sabem o que é o AfD e quem é von Storch. Então estas são as palavras-chave do momento. É a chave necessária e derradeira para que a grande maioria compreenda finalmente que não é exagero: Bolsonaro é um representante do neonazismo mundial. Mas diferentemente do AfD, que navega entre os 10%, 11% dos eleitores e não teve até agora a capacidade de vencer nem ao menos uma única prefeitura em todo o país, o Führer brasileiro governa um país continental como o Brasil.

Enfim, praticamente todos os jornais daqui da Alemanha noticiaram o encontro. Sim, está feito, Bolsonaro é agora conhecido aqui exatamente pelo que ele é. A questão que fica é: não era exatamente isto o que ele estava buscando, sobretudo em ano-véspera de eleições? Não é justamente unir as forças neonazistas do mundo o que ele pretende? E o AfD não pretende a mesma coisa, sobretudo em ano de eleições nacionais alemãs? Em minha opinião: sem dúvida, é exatamente este o objetivo do histórico encontro Bolsonaro-von Storch. Mas se isto é o que eles queriam, é também, de certa maneira, o que nós queríamos: que Bolsonaro se mostrasse ao mundo exatamente como ele é. Mais perigoso para nós da Resistência é quando ele procura se camuflar. Melhor assim.

Certo, após longa  - mas acredito que necessária - introdução, chegamos finalmente ao tema principal deste artigo. É um tema específico, mas não pode deixar de ser tratado. Que grande parte da comunidade judaica brasileira apoiou e ainda apoia Bolsonaro, não é novidade para ninguém. Que outra grande parte luta dia e noite incansavelmente contra Bolsonaro, também não é novidade para ninguém. Instituições como ‘Judeus pela Democracia’, ‘Observatório Judaico dos Direitos Humanos do Brasil’, ‘Judias e Judeus com Lula’, ‘Articulação Judaica de Esquerda’, ‘Instituto Brasil-Israel’, estão praticamente todos os dias ativos na mídia contribuindo para com a luta contra Bolsonaro. Sim, havia judeus nazistas no Clube Hebraica do RJ aplaudindo o monstro, é fato. E sim, havia judeus antinazistas fora do clube bravejando desde aquela época contra o monstro, também é fato. Sim, a comunidade é realmente rachada no meio, dividida em dois lados antagônicos e – diga-se a verdade – inimigos. Alguma semelhança com o Brasil como um todo? Sim, toda a semelhança. Da mesma forma que o Brasil está rachado no meio, os aproximadamente cem mil judias e judeus do Brasil também estão.

Mas isto em si já causa espanto, afinal os judeus tradicionalmente estiveram ao longo da história em sua maioria contrários à extrema-direita. O Brasil é sem dúvida um caso ímpar. Por exemplo, nos EUA nas últimas eleições, somente 22% dos judeus votaram em Trump, enquanto 76% votaram em Biden. Inclusive, neste país, historicamente a comunidade judaica é em termos eleitorais a segunda mais democrata ao longo da história, ficando atrás somente da comunidade afro-americana. Já na Alemanha, por experiência própria, afirmo que por volta de 90% dos eleitores judeus são liberais e/ou progressistas. Já em Israel a situação é muito mais específica, e há uma divisão muito balanceada entre progressistas e conservadores, o que resultou em um governo único formado justamente por um espectro político imenso, nunca antes visto na história moderna do planeta.

No Brasil, por motivos que ainda estão a ser estudados, a comunidade judaica é dividida praticamente em 50%-50%, entre aqueles que apoiam e lutam contra Bolsonaro. Mas a situação ainda é pior que parece: a parte que apoia o Führer, abraça inclusive o Neonazismo em sua mais pura espécie. Mesmo após a ligação de Bolsonaro com von Storch, seus apoiadores judeus permanecem fiéis. A lógica destas pessoas possui algumas variações, e tento aqui elencá-las:

1. Há aqueles que pensam: “Eu sei que ele é nazista, mas este tipo novo de nazismo não persegue judeus, então está tudo bem para mim. Enquanto ele for somente contra negros, LGBT+, indígenas, pobres, ótimo, eu não tenho nada a ver com isso. O que importa são os meus interesses, inclusive a Direita racista em Israel.”

2. Outros acreditam no seguinte: “Ele é sim nazista e consequentemente antissemita, mas ainda assim meus interesses pessoais e econômicos se servem de seus serviços. Por isso, continuo no barco.”

3. E outros talvez mais alucinados ainda pensam: “Ele não é nazista, o AfD não é nazista, são ótimas pessoas querendo o bem para pessoas do bem.”

Enfim, seja qual for a escolha acima, o fato é que construiu-se uma frente neonazista judaica no Brasil e isso é realmente um fenômeno único. Quando tento explicar aos amigos judeus aqui, fica também difícil para compreenderem...

Há somente mais duas questões que gostaria de abordar antes de concluir o texto. Primeiramente, o lastro de movimentação de Bolsonaro no mundo neonazista. Vejam, sabemos que Trump foi praticamente o “abridor oficial” da caixa de pandora para a legitimação da Extrema-direita no planeta. Ele certamente deverá ser lembrado como um dos mais nocivos políticos que já governaram na história da humanidade. Mas ainda assim, ele não foi tão longe como Bolsonaro se mostra disposto a ir – seja por falta de coragem ou por estratégia diversa. Conversa-se a boca pequena que a briga de Trump com Steve Banon, o apóstolo maior da Extrema-direita, do Supremacismo Branco e do fundamentalismo cristão no mundo de hoje (e coerentemente amigo da família Bolsonaro), tenha se dado exatamente por causa destas questões. Banon aconselhava Trump a unir e dirigir o Neonazismo mundial em uma cúpula única, mas por algum motivo o clown da Casa Branca virou o rosto ao AfD e outros partidos ultradireitistas europeus. Pessoalmente acredito que isso se deu pois em termos de estratégia política traria mais riscos do que benefício a Trump, uma vez que o AfD representa uma porta fechada até mesmo para o partido conservador alemão, a União Cristã, de Merkel. Bolsonaro está muitos passos à frente de Trump e o AfD sabe disso. Por isso a parceria se concretizou.

E por fim, eu gostaria de encostar na questão específica do antissemitismo e de Israel com relação a Bolsonaro e ao AfD. Não é simples, e diversos intelectuais e ativistas judeus já escreveram ótimos artigos sobre esta questão, mas vamos lá, tentarei colocar mais um tijolinho na parede da educação desta temática. Primeiramente: a esta altura do jogo é preciso ficar claro à leitora ou ao leitor que o “amor” de  Bolsonaro e do AfD por Israel é uma pura e completa ilusão. É uma miragem, pois se baseia em uma meia-verdade e não na verdade. É uma jogada política oportunista. Vejam: a verdade completa é que Bolsonaro e AfD amam uma Israel e odeiam uma Israel. Eles amam a Israel da Extrema-direita, que oprime os palestinos, que quer perpetuar um apartheid no país, que não quer a paz. E eles odeiam a Israel progressista, que luta desde sempre por Democracia, Justiça Social, Direitos Humanos e, logicamente, por uma solução pacífica e justa com os palestinos. Eu, que lhes escrevo, por exemplo, sou um representante da Israel que Bolsonaro e AfD odeiam. Uma vez que a Direita/Extrema-direita possuiu muita força em Israel na última década através da figura de Netanyahu, era fácil travar uma relação com a Israel que eles amam e evitar a que odeiam (que é também a que Netanyahu odeia). Com a queda de Netanyahu o jogo pode começar a virar, mas isso é tema para outro artigo.

Assim, no caso de Bolsonaro há um pacote triplo disponível no jogo de “amor” a esta meia-Israel.

Além de (1) a ideia de se alinhar à cúpula da Extrema-direita mundial que era encabeçada por Trump e Netanyahu; e (2) conquistar o apoio de parte dos judeus brasileiros que também apoiam a Israel da Direita/Extrema-direita; ele têm em seu prato (3) o essencial apoio de grande parte dos evangélicos neopentecostais, que também se alinham a uma Israel específica que atenda aos seus desejos religiosos. Baseando-se em doutrinas como a do Dispensacionalismo, estes cristãos bolsonaristas creem em uma “Israel imaginária” – termo muito bem cunhado por colegas judeus intelectuais que estudam o caso –, na qual imperaria um judeu cristianizado que em algum momento aceitaria a figura de Jesus como o messias e prepararia a terra para o seu retorno em um mundo de triunfo cristão.

No caso do AfD, somente a opção (1) é válida. A (3) não funciona, afinal há pouquíssimos evangélicos neopentecostais na Alemanha. Mas a mais interessante é a questão (2), e com ela concluirei o artigo. O AfD, no início de sua trajetória, procurou cooptar judeus na Alemanha ou recrutar judeus nazistas que possam existir no país. Mas a comunidade “enxotou” o partido com tamanha altivez, que evitou que eles tentassem novamente qualquer aproximação. Assim que o AfD surgiu, a ‘Confederação Judaica da Alemanha’ (‘Zentralrat der Juden in Deutschland’) publicou um histórico documento intitulado ‘Keine Alternative für Juden: Gemeinsame Erklärung gegen die AfD’ (‘Não-alternativa para os judeus: Declaração conjunta contra o AfD’). Este documento é extremamente claro e objetivo, e acabou com qualquer possibilidade de judeus “desinformados” apoiarem o partido. A declaração afirma categoricamente:

“O AfD não é um partido para judeus. O AfD não é um partido para democratas. O AfD é um perigo para a vida judaica na Alemanha. O AfD é um partido racista e antissemita.”

Além da Confederação, outras 41 instituições judaicas alemãs e europeias assinaram o documento. O presidente da Confederação Judaica da Alemanha, Josef Schuster, já se pronunciou diversas vezes claramente contra o AfD. Por exemplo, em 2017, ele reagiu à notícia de que o partido seria liderado por pessoas ainda mais radicais, e alarmou não somente sobre a ameaça aos judeus, mas também a outros povos e religiões:

“O AfD busca restrições à liberdade religiosa que ameaçam a vida de judeus e muçulmanos neste país. Acredito que o AfD se moverá ainda mais para a Direita sob a nova direção. O antissemitismo, o antigipsismo e o racismo pertencem ao tom comum do partido.”

Agora em 2021, o partido, desesperado por bons resultados nas eleições nacionais que ocorrerão em setembro próximo, começa a apelar cada vez mais para o extremismo e para uma ligação mais clara e direta ao Neonazismo. E a união a Bolsonaro é parte deste projeto. Felizmente há uma reação rígida na Alemanha aos planos do AfD: há um projeto de banimento do partido de todas as atividades políticas no país. Os defensores desta ação – entre eles Josef Schuster –, argumentam que o partido flerta com a inconstitucionalidade e deve ser parado antes que haja a possibilidade de crescer, pois uma vez adulto e eleito, é muito difícil derrotá-lo. Pois é, exatamente o que vimos e vemos com Bolsonaro, não?

Concluo o artigo por aqui. Penso que já esclareci os principais pontos acerca deste complexo tema. Mas antes de me despedir, tenho um pedido e um alerta a fazer ao leitor de Esquerda, que é quem majoritariamente lê meus artigos: ao ler este texto ou qualquer outro sobre judeus, não se deixe despencar na ignorância do antissemitismo. Sim, o antissemitismo é infelizmente um câncer que também existe na Esquerda brasileira. Ele não é exclusividade da Direita, a casa tradicional e histórica deste tipo de racismo. Portanto, não se rebaixe a agir como os racistas da Direita, e sim compreenda a complexidade de todo este cenário que procurei explicar. Por ora é só o que tenho a dizer sobre isso.

E um recado aos judeus nazistas do Brasil: vocês são somente uma fase doente da História. E a História não perdoa, pois ela possui responsabilidade para com a Verdade. E mesmo que esta tarde, ela há de chegar.

Deixo um abraço a todxs xs companheirxs de luta e, como sempre, ninguém solta a mão de ninguém.

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A mudança da estratégia geopolítica mundial dos Estados Unidos - Lejeune Mirhan

Por Lejeune Mirhan

Joe Biden

Prof. Lejeune Mirhan

Entre domingo, dia 25 e quarta, dia 28 de julho de 2021, três altas autoridades estadunidenses foram despachadas em missões diferentes em países distintos na Ásia, mais especificamente Índia, China, Filipinas, Cingapura e Vietnã. Pretendo analisar neste meu novo ensaio, essas viagens diplomáticas, seus significados e resultados, bem como relacioná-las a uma mudança estratégica na geopolítica mundial dos Estados Unidos. 

A semana que passou de 24 a 31 de julho, um dos temas mais comentados foi a saída dos EUA com suas tropas de ocupação de vários países do Oriente Médio. Isso foi comunicado quando da reunião que o presidente Joe Biden teve com o primeiro-ministro iraquiano, Mustafa Al-Kadhimi, na segunda-feira, dia 26 de julho, ele que ocupa esse cargo desde maio de 2020. Biden anunciou – o que já tinha anunciado – que até o final do ano, todas as tropas estadunidenses ainda presentes no Iraque, sairão do país, lá ficando em torno de dois mil soldados, que não participarão de combates diretamente. 

É fato que os EUA estão retirando suas tropas de todos os países onde mantinham presença. O país mais emblemático é o Afeganistão onde, no próximo mês de outubro eles completariam 20 anos de ocupação, a mais antiga de toda a história dos Estados Unidos. A retirada das tropas se concluirá em agosto. Falou-se que lá ficarão apenas 600 soldados, que cuidarão da segurança da sua embaixada e do aeroporto da capital, Cabul. 

Em determinado momento, nestes 20 anos, eles chegaram a ter até 150 mil soldados naquele pequeno país, que tem um PIB de pouco mais de US$10 bilhões. Os Estados Unidos gastaram dois trilhões para ocupar aquele país e saem de lá agora derrotados. Como foram derrotados todos os impérios anteriores que tentaram ocupar ou dominar o Afeganistão (1).

O que vamos presenciar, mais dia menos dia, é a volta dos Talibãs ao governo, devido à grande popularidade que eles têm entre a população. Ao mesmo tempo que tem forças guerrilheiras de combate da resistência bastante experientes e treinadas, eles já controlam mais de 50% do território do país.

No caso da Síria, calcula-se no país a presença de apenas mil soldados, em uma situação muito difícil, porque ocupam uma região onde é forte a presença do autoproclamado Estado Islâmico. São cerca de 5% do território que ainda não foi desocupado pelo governo. Mas, o que é pior, é a região onde estão os maiores campos petrolíferos sírios. A presença militar estadunidense, acaba ajudando a que o EI roube o petróleo dos sírios. 

Quando afirmamos que os EUA estão saindo do Oriente Médio, é no sentido figurativo, pois a saída não é total. Mas, a presença deles, militarmente e com tropas de ocupação, vai deixar de existir este ano. Não vai deixar de existir a vinculação política e ideológica, em especial com alguns monarcas. Especialmente, nas seis localizadas no Golfo Pérsico: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Omã, Kuwait e Emirados Árabes.

A decisão de saída, ainda que não total, mas é, a meu ver, o primeiro e mais forte indício da mudança da estratégia dos Estados Unidos na Geopolítica mundial. Eles retiram-se dali, mas vão se deslocar para algum lugar. Seus soldados não vão voltar para os EUA. Calculam-se que eles tenham mil bases espalhadas por todos os continentes.

São sete frotas navais que patrulham todos os mares e oceanos do mundo. Nenhum outro império na história teve um domínio naval tão grande quanto têm os Estados Unidos.

Parte desses soldados retirados são da Organização do Tratado do Atlântico Norte-OTAN, então, não voltarão para os Estados Unidos, mas permanecerão na Europa ou irão para a Eurásia: Letônia, Estônia e Lituânia, para ficarem amedrontando, confrontando e ameaçando a Federação Russa.

Alguns episódios relevantes

Quero a partir de agora, abordar três deslocamentos de altas autoridades estadunidenses para a Ásia em geral, especificamente a Eurásia e o Sudoeste da Ásia. Entre os dias 25 e 28 de julho, o secretário de Estado Antony Blinken, da defesa, general Lloyd Austin e a vice-secretária de Estado, Wendy Sherman, dos Estados Unidos, foram para a Ásia, em viagens que ocorreram de forma simultânea e sincronizada. Nada acontece ao acaso na política externa dos Estados Unidos. 

Missões, Contatos e Objetivos das viagens

Wendy Sherman, a vice-secretária de Estado dos EUA, visitou a China, sendo recebida pelo ministro das Relações Exteriores, Wang Yi daquele país. Wang Yi não é um ministro qualquer. Ele integra o Conselho de Estado da República Popular da China-RPC, sendo, portanto, alguém com grande poder e uma proximidade muito grande com Xi Jinping, secretário-geral do PC da China e próximo ao Comitê Permanente composto por sete membros do CC do Partido Comunista da China.

A reunião foi positiva, ainda que tenha ocorrido de forma protocolar. A vice-secretária, recebeu da RPC as suas exigências ou reivindicações ou pleitos. Em diplomacia não se usa o termo exigência, pois se você exige algo que o outro país não cumpre, eles terão que se enfrentar, o que não vai acontecer. Ela recebeu os pleitos, que devem ter analisados, mas não debateu e não emitiu nenhuma opinião. Isto é um processo, não se responde na hora. Atender ou não pleitos de outros países, não é para decisão imediata.

O objetivo das exigências é uma tentativa de normalização das relações entre os dois países, que se encontram muito tensas neste momento. Um exemplo disso é que Biden está adotando a mesma linha de Donald Trump, com o levantamento de suspeitas que o Coronavírus escapou de algum laboratório chinês e que eles seriam os responsáveis pela pandemia. Representantes da Organização Mundial de Saúde – OMS passaram um mês na China e constataram que isto não é verdade. 

Isto faz parte da guerra híbrida que visa deixar a China sob tensão para que os meios de comunicação propaguem essas ideias para que entrem na cabeça das pessoas, como os “bolsominions” no Brasil, que acreditam piamente nisto. A indignação deles é seletiva. Eles se indignam com coisas menores em outros países como Cuba, por exemplo, mas não reagem da mesma forma com a fila das pessoas em Cuiabá para receberem ossos com algum resto de carne.

O que dizem as reivindicações?

De um modo geral, pedem as suspensões de sanções. E, as sanções impostas pelos Estados Unidos, chegam a detalhar e atingir apenas uma pessoa, que pode ser uma autoridade ou um ministro, ou atingem um segmento da população. E todas essas sanções originam-se das Ordens Executivas de Biden, aquelas fortemente usadas por Biden logo no início de seu governo, que objetivavam o desmonte das maldades da era Trump.

Em 26 de fevereiro Biden sancionou 76 pessoas da Arábia Saudita, o que nunca havia acontecido. No dia 22 de julho, ele sancionou o ministro da Defesa Cubana, Álvaro Lopes Miera, e o chefe da Polícia Nacional, sob a alegação de que eles reprimiram os protestos do dia 11 de julho, que já se extinguiram. Ou seja, Biden vem seguindo a mesma linha de governos anteriores, qual seja, de governar por sanções unilaterais e ilegais, pois elas não são aprovadas por nenhum órgão ou instância multilateral da ONU. 

O que dizem estas sanções e o que elas acarretam para os e as sancionadas? A maioria dessas punições, relacionam-se com a proibição de visitar os Estados Unidos. Sem novidades e sem eficácia no caso de Cuba, pois desde o embargo de 8 de fevereiro de 1962, existem muitas restrições. Com poucas exceções e pequenos interregnos, com os governos Carter e Obama, que relaxaram as proibições, os cubanos em geral não conseguem obter vistos para ir aos EUA.   

As sanções impostas à República Popular da China recaem sobre todos os membros do Partido Comunista Chinês e seus familiares, todos os líderes e autoridades governamentais. No caso do PC da China, são quase cem milhões de membros. Se cada um desses tiver cinco membros em sua família, estamos falando de um terço da população chinesa que não pode entrar nos EUA, país que lhes vendem todos os anos 500 bilhões de dólares em todos os tipos de mercadorias e serviços. Os chineses querem a suspensão imediata dessa punição.

Chega a ser burrice uma medida desse tipo, pois o turismo é grande fonte de recursos de ingressos de dólares para qualquer país do mundo. E, no caso da China, ela é hoje um dos países cuja população mais viaja no mundo. Neste caso, como entre os dois países, não há a liberdade de entrar e sair à vontade, precisa de visto, no passaporte, os chineses não conseguem esses vistos quando procuram a Embaixada estadunidense em Pequim.

Há também restrições dos vistos de todos os estudantes chineses que frequentam universidades estadunidenses, e são milhares. Eles estão correndo o risco de não concluírem seus mestrados e doutorados e teriam que voltar para a China. A China exige também que os EUA parem de sancionar as empresas chinesas.

Todos os jornalistas, os funcionários de apoio aos meios de comunicação chineses, seus jornais, televisões, que são muitas, estão sancionados de alguma forma. A China tem TVs que noticiam para o mundo inteiro em vários idiomas. Infelizmente não tem em português, mas tem em espanhol. Essa TV chama-se CGTN, que eu recomendo que assistam. E eles têm uma das maiores agências de notícias do mundo, chamada Xinhua. Eles têm um dos maiores jornais do mundo chamado Global Times e tevês em idiomas como inglês e francês.

Essas equipes, de todos os idiomas, por exemplo, por todos os meios disponíveis – TVs e jornais – mantém sucursais nos EUA, com seus profissionais, jornalistas e pessoal de apoio sendo sempre trilíngues – todos falam, além do mandarim, o inglês e a língua da qual o seu veículo de comunicação é editado (em especial francês e espanhol, entre outros).

Todos esses órgãos – agência noticiosa e TVs em vários idiomas – têm que ter pelo menos uma sucursal em Washington, capital, para cobrir os acontecimentos e transmitir para a TV chinesa, que transmite as notícias vindas dos Estados Unidos nos vários idiomas. Então, esses órgãos de mídia chinesa mantêm centenas de jornalistas e pessoal técnico de apoio no país.

Os meios de comunicação dos Estados Unidos, impressos, radiodifundidos e televisionados, todos têm centenas de jornalistas trabalhando na China, em Pequim. E estes profissionais não sofrem nenhuma restrição ao seu trabalho (por certo, quando as primeiras sanções e restrições vieram dos EUA contra profissionais chineses, a China adotou a mesma medida).

Os profissionais de imprensa chineses e suas equipes de apoio, que atuam nos EUA, por serem chineses, estão sancionados e classificados pelos 15 órgãos de espionagem como sendo “agentes de potência estrangeira”. A China exige que seja suspenso imediatamente.

Por fim, mas não menos importante, relaciona-se com a prisão em Vancouver, Canadá, desde 1º de dezembro de 2018, da senhora Meng Wanzhou, de 46 anos, chefe de operações financeiras e vice-presidente da Huawei, a maior empresa de telefonia móvel do mundo. Ela é filha do seu fundador, Ren Zheng. Ela está em prisão domiciliar depois de pagar uma fiança milionária, acusada de fraude, lavagem de dinheiro, suborno etc. Mas, o pior é que os EUA estão pedindo para o Canadá a sua extradição. Caso o país atenda, ela será presa assim que chegar aos EUA (2).

Como é possível manterem-se uma relação normal entre dois países quando um deles tomam atitudes como estas que listamos acima. Os EUA compram produtos chineses num valor astronômico, o que corresponde a meio trilhão de dólares ao ano. Isto, em 10 anos, significa US$ cinco trilhões de dólares, o dobro do PIB do Brasil. Estas são as reivindicações, relativas à primeira viagem.

A viagem de Antony Blinken para a Índia

O secretário foi recebido pelo primeiro-ministro Narendra Modi e pelo ministro das Relações Exteriores, Subramanyan Jaishankar no dia 28 de julho de 2021, quarta-feira. Em situações normais, os ministros do mesmo nível se encontram. Não há encontro com o presidente ou com o primeiro-ministro. Protocolarmente, não há encontros em níveis diferentes na hierarquia diplomática. Mas, com os Estados Unidos a conversa é outra. Qualquer autoridade eles, de quaisquer escalões, sempre são recebidos pelas autoridades máximas dos países. 

O Narendra Modi é um desses fascistas, mas, no entanto, tem contradições com os Estados Unidos e nós temos que explorar isto. É o que os comunistas chamam de contradições interimperialistas. A Índia não é um país imperialista nos moldes da Inglaterra, França e Estados Unidos e, a Alemanha não tem esta tradição, depois da Segunda Guerra.

As três contradições com a Índia

O grande objetivo da visita de Blinken é trazer na “manga” a Carta da Índia, termo que alguns analistas usam para falar da aliança Estados Unidos-Índia, contra a China, na qual os dois países têm uma imensa fronteira. Fronteira porosa, porque não é fácil fiscalizar 3,3 mil quilômetros de fronteiras.

Querem, então, jogar a Índia contra a China. Não sei se conseguirão, mas já conseguiram com a QUAD, que é uma aliança militar naval: Estados Unidos-Índia-Japão-Austrália, para policiar o mar do sul da China e o Oceano Índico que, na verdade, é o Pacífico, mas leva este nome porque banha a costa indiana.

1. As vacinas – Os Estados Unidos não estão cedendo as milhões de doses excedentes para outros países, como a Índia por exemplo, mesmo vendendo. A Índia só perde para a China em termos de população, com 1,3 bilhão de habitantes, contra 1,5 bi da China, que já vacinou com a primeira dose toda a população. Está aplicando a segunda dose. A Índia não consegue esse feito e é por isso que a pandemia está explodindo por lá. Como, aliás, vai explodir em outros lugares, inclusive, nos EUA, porque por mais que se vacine, tem um grande número da população que não aceita ser vacinada. São os negacionistas, com a onda antivacina.

Os Estados Unidos têm quatro vezes o número de doses de que precisam. E a Índia percebeu que eles não cedem. Gerou um ressentimento. O grande objetivo da missão de Blinken deve ser o de formar a frente anti-China e fazer com que o Modi permaneça no bloco. Tenho dúvidas que isso siga adiante.

2. Investimentos no Afeganistão – Os Estados Unidos desocuparam o Afeganistão. E, a Índia, nos últimos 20 anos, investiu muito no país e, provavelmente, vai perder tudo.

3. Direitos Humanos – Os Estados Unidos, com esta onda de ‘fiscalizar’ Direitos Humanos em outros países, estão batendo nessa tecla sobre a Índia, relacionado a uma Lei aprovada por Modi, em 2019, chamada “Lei da Cidadania”, que é antimuçulmana, anti-islâmica.

Isto, de fato, é verdade, mas não cabe a nenhum país do mundo intervir. É o que os Estados Unidos fazem. Acham-se no direito de dar opinião em todo o mundo, sobre todos os países e sobre todos os assuntos, em especial os que lhe dizem respeito. Desta forma, acusam a Índia de violar Direitos Humanos de uma parte de sua população. Mas, é algo para ser resolvido pelo povo indiano. E isto irrita o governo da Índia.

A viagem do secretário da Defesa Lloyd Austin

O secretário visitou Cingapura, Filipinas e Vietnã, que é governado pelo Partido Comunista. Um país que os estadunidenses bombardearam por 12 anos, matando mais de dois milhões de vietnamitas. Hoje, aparentemente, isto está superado e eles mantêm relações comerciais.

O que Austin (dos EUA) propõe? Convênios, acordos, financiamento de projetos, em especial na sua área, militar e de defesa. É como aquela cenoura oferecida a um coelho presa em uma vara atada ao seu próprio corpo. O coelho corre atrás, mas nunca alcança. E, se alcançasse e comesse, seria algo circunstancial. E, os analistas dizem que esta “cenoura” não encantará e que esses países não sairão da órbita da República Popular da China. 

Especialmente, depois do acordo chamado ASEAN, com os 10 países do norte asiático:  Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã., que assinaram em janeiro, sob a liderança de Xi Jinping, o maior tratado de livre comércio da história. Coisa que Obama tentou durante oito anos e não conseguiu, que era o tratado chamado de Transpacífico-TP. Os Estados Unidos têm de um lado o Atlântico e do outro, o Pacífico. Então, eles são membros dos países do Pacífico.

Xi Jinping cooptou, além desses dez países membros da ASEAN, também a Austrália, Japão, Coréia e Nova Zelândia que não são membros da ASEAN e liberaram as taxas alfandegárias por 20 anos. Área de livre comércio. Isso ocorreu no dia 15 de janeiro de 2020, ou seja, Xi abre o ano novo mundial com o maior acordo comercial do mundo (3).

Por que um país iria sair desse bloco para atender aos desejos geopolíticos de uma potência que lhe oferece “cenoura”? Isto não vai acontecer. A viagem do secretário de Defesa estadunidense tinha este propósito, mas não teve e não terá êxito.

Conclusões

Temos dois debates no campo da política internacional atualmente: o primeiro diz respeito se temos mesmo uma mudança da estratégia geopolítica estadunidense com relação ao mundo e comparada com o governo anterior, que muitos acham que nada mudou (não estou entre esse, por certo). O segundo ponto seria sobre a alegada transitoriedade que vivemos no mundo entre a unipolaridade de 1991 para a multipolaridade. Estou entre os que acham que a multipolaridade já se estabeleceu. Mas, isso é tema para outro ensaio.

Resta-nos por ora a constatação, pelos exemplos das três viagens acima mencionadas em detalhes, como seus objetivos, bem como – mas principalmente – a desocupação quase completa do Oriente Médio. E a constatação que se faz é que a presença militar estadunidense decresce na proporção indireta que cresce as presenças russas e chinesas naquela ainda estratégica região petrolífera. 

Não temos ainda convicções de que a presença russa poderá vir a ser como já foi no passado da URSS. A aliança dos soviéticos com o Egito e Síria em particular era muito grande. No caso da Síria especificamente, havia notas de sua moeda local com os rostos de Lênin. O grande enigma ainda é o Egito que tem dificuldade de sair da órbita estadunidense. 

Mas, o certo é que os sinais de alteração na geopolítica sob o governo Biden são visíveis. E o caso mais emblemático de tudo isso é a tentativa de contenção da República Popular da China. Não que Trump não tenha tentado isso, mas agora as ações da armada dos EUA, a ação dos seus diplomatas é claramente no sentido do cerco à China, pelo seu Mar do Sul. Conseguirão? Em hipótese alguma, de meu ponto de vista pelo menos. 

Notas

1) Vejam o relatório do governo dos EUA que menciona esse valor neste link: <https://bit.ly/3lkIvfd>;

2) Veja mais detalhes sobre a prisão e o pagamento de fiança de soltura da empresária neste link: <https://bit.ly/3loAINo>;

3) Caso queiram ver mais detalhes sobre esse acordo acessem o link <https://bit.ly/3zYWRpF>.

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______________ BIZARRO : ______________ Record PROÍBE âncoras de emitirem OPINIÃO e EXPRESSÕES FACIAIS, após ser chamada de COMUNISTA por assessor de Bolsonaro

Mariana Godoy e Bolsonaro com Max Guilherme

247 e Portal Forum - Depois que a âncora do Fala Brasil, da Rede Record, Mariana Godoy, classificou a live do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a “fraude” da urna eletrônica como “BIZARRA”, a emissora proibiu os âncoras de emitirem opiniões. 

A determinação da Record proíbe inclusive "expressões faciais" que possam ser consideradas opinativas.

O vídeo com a fala da jornalista viralizou nas redes e claro, chegou aos corredores da Record. A fala de Mariana Godoy foi compartilhada pelo assessor do presidente Jair Bolsonaro, Max Guilherme, que respondeu à Godoy dizendo “bizarra é você” e, em seguida, acusou a Record de ser “comunista”.

Veja e vídeo de Godoy:

De acordo com o jornalista Ricardo Feltrin, a Record emitiu comunicado para todos os jornalistas da casa: “ninguém deve comentar notícias, exceto comentaristas pagos esse fim”.

Emissora já demitiu jornalista por críticas a Bolsonaro 

Em janeiro de 2021, a emissora demitiu a jornalista Adriana Araújo, após 14 anos de casa, após a profissional disparar críticas a Bolsonaro. No dia 5 de junho de 2020, Araújo fez duras críticas ao mandatário sobre a transparência do governo no enfrentamento da Covid-19: "Estou passando aqui fora de hora porque, pelo segundo dia seguido, os dados da pandemia do coronavírus não saíram a tempo do jornal. Como esse é um dado relevante demais. É uma questão de saúde pública saber o que está acontecendo no Brasil agora é muito importante para todos nós. Estou passando aqui porque os dados saíram agora há pouco, depois de 10 da noite”. No post, ela destacou a morte de 1473 pessoas ocorrida nas 24 horas antes do dia 5.

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Resposta da Justiça | Merval Pereira - O Globo

Por Merval Pereira

Como aqueles arruaceiros de rua que vivem atrás de pretexto para uma briga, o presidente Bolsonaro não passa um dia sem atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e seus ministros. E também afronta a Câmara, que se prepara para vetar a proposta de voto impresso na Comissão Especial montada para estudar o assunto.

Não é preciso ser adivinho para saber que, ao agir com tamanha imprudência, Bolsonaro quer apenas um pretexto para tentar arranjar uma grande confusão no país, diante da possibilidade de perder a eleição presidencial do ano que vem.

A resposta dura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao abrir inquérito administrativo sobre as ameaças de Bolsonaro à realização de eleições do ano que vem, com seus ataques à urna eletrônica, mostra que suas bravatas estão prestes a se ver às voltas com a Justiça.

Não há evidências de que os bolsonaristas que saíram às ruas no domingo a favor do voto impresso sejam a maioria do eleitorado, como diz o presidente. Nem que Bolsonaro tenha condições de levar as Forças Armadas a apoiar um golpe militar, muito menos por um motivo tão fútil.

O descrédito a que as Forças Armadas foram submetidas diante dos arroubos autoritários de Bolsonaro parece ter levado os militares a repensar esse apoio irrestrito, mesmo que o ministro da Defesa, Braga Netto, pareça infenso ao desgaste. Agora que se entregou ao Centrão, assumindo-se como um de seus membros desde o início de sua carreira política, Bolsonaro não deixou apenas seus seguidores mais radicais de queixo caído, mas também os militares que acreditavam na sua capacidade de lidar com políticos sem se entregar às negociações promíscuas.

Pegue-se o exemplo do sumido general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). 

Como estará se sentindo diante da desmoralização que sofreu com seu grande líder não apenas chamando para dentro do governo o grupo político corrupto que atacava, como dizendo-se ele próprio membro do Centrão?

De qualquer maneira, o que já não seria provável de acontecer, hoje parece uma quimera distante de um golpista inveterado que desde os tempos dos quartéis se acostumou a reivindicar à base de violência e terrorismo. 

Daí para a busca de um pretexto para tumultuar o panorama político, é um pulo para quem é considerado “incontrolável” pelos próprios companheiros de farda.

Dizer que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso está defendendo a urna eletrônica para favorecer o ex-presidente Lula é simplesmente não conhecer o histórico dos votos do atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

No mais recente sobre o assunto, quando o plenário do STF manteve a decisão do relator, ministro Edson Fachin, de anular o processo do triplex do Guarujá julgado na Vara de Curitiba, Barroso seguiu o relator, mas ressalvou que sempre votou pela competência da Vara presidida pelo então juiz Sergio Moro e que se curvava à maioria já estabelecida.

Mesmo assim, fez questão de anotar que considerava que a anulação não se estenderia automaticamente aos demais processos, o que acabou não se concretizando porque o ministro Gilmar Mendes a estendeu a todos os julgamentos de Moro contra Lula.

Em vários outros julgamentos, Barroso votou a favor da Lava-Jato e de Moro e pela prisão de Lula quando condenado em segunda instância.

Ontem, Bolsonaro voltou a criticar Barroso, afirmando que ele só foi nomeado para o STF pela presidente Dilma porque defendeu o terrorista italiano Cesare Battisti, caso que interessava ao PT. 

Recebeu duras respostas na volta do recesso do Judiciário. 

O presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, lembrou que independência de Poderes não significa impunidade. 

Também Barroso, presidente do TSE, criticou Bolsonaro indiretamente ao falar sobre os perigos “do populismo, extremismo e autoritarismo”. 

Segundo Barroso, depois de eleitos, esses líderes “vão desconstruindo, tijolo por tijolo, os pilares da democracia, concentrando poderes no Executivo, procurando demonizar a imprensa, procurando colonizar os tribunais constitucionais que atuam com independência”.

Mais uma vez, Bolsonaro joga com o antipetismo para tentar se colocar como o único capaz de derrotar Lula na eleição do ano que vem. 

Diante da calamidade que é seu governo, não creio que essa farsa volte a funcionar. 

Mais fácil os eleitores desgostosos tentarem encontrar uma alternativa aos dois.

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Bolsonaro sobe o tom contra Barroso de novo e diz que ele é "sujo" e "está abusando" (vídeo)

Bolsonaro e Roberto Barroso

247 - Jair Bolsonaro voltou a subir o tom contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, nesta segunda-feira (2). 

“Ele acha que é o máximo, mas tem limite dele. 

Tenho os meus e ele tem os dele. 

Está abusando não é de hoje. 

A gente espera tratar as pessoas do Brasil dentro da normalidade, mas não continue tratando o povo desta maneira", disse durante uma conversa com apoiadores, de acordo com o UOL

Ele disse que Barroso é "sujo" e xingou Lula mais uma vez. 

Ataque acontece no mesmo dia em que o Judiciário retoma os trabalhos após o recesso e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, prepara um duro discurso para rebater as acusações, sem provas, feitas pelo ex-capitão sobre a existência de fraudes eleitorais. 

Quanto a Lula, Bolsonaro provocou: 

“Querem devolver a direção do Brasil para um corrupto, cachaceiro, loteou as estatais, vendeu até a mãe para ficar no poder”. 

Ele ainda chamou Lula de “picareta” e “bêbado incompetente”.

Bolsonaro também fez referência a inviolabilidade das urnas por meio de uma piada homofóbica. 

“O Barroso disse que as urnas são impenetráveis”, ironizou. 

Ainda segundo ele, “a imprensa está aí para desinformar e falar mentiras. 

Em cima dessa mentira, vem o Datafolha e, depois tudo isso acertado, tem a contagem na sala secreta pelo seu Barroso e meia dúzia de funcionários, tá justificado. 

E aí se eu quiser eu recorro ao Supremo".  

"Se as eleições tiverem problema, dizem 'recorra à Justiça'. 

Qual Justiça? 

O Supremo, que colocou o Lula para fora e o tornou elegível?”, completou. 

Em baixa nas pesquisas, Bolsonaro aproveitou a ocasião para também desferir ataques contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

"Se deixar que se faça eleições dessa forma que está aí, o Barroso ajuda a botar o cara para fora da cadeira e torna elegível, e o Barroso vai contar os votos lá: qual a consequência disso?", disse. 

"Querem dar a direção ao Brasil para um corrupto, cachaceiro, arrebentou as estatais, loteava tudo aqui e vendeu até a mãe para ficar no poder, aparelhou tudo... 

Querem fazer que nem a Argentina?”, emendou.

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CPI já tem provas contra Bolsonaro e pode apontar novos crimes, diz Randolfe

Randolfe Rodrigues

247 – O senador Randolfe Rodrigues avalia, em entrevista à jornalista Julia Lindner, que já há provas suficientes contra Jair Bolsonaro levantadas pela CPI da Covid. "Para nós da CPI, não tem dúvida o crime de prevaricação no caso da Covaxin. Esse crime não há dúvidas. O que nós estamos investigando é por que o presidente prevaricou. O senhor presidente, tendo recebido a notícia de um esquema de corrupção em curso no âmbito do Ministério da Saúde, não tomou providências. E também há outros crimes. Nós estamos procurando os liames entre os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência e os demais", disse ele.

Ranfolfe afirmou ainda que não se preocupa com a eventual blindagem do procurador-geral Augusto Aras em relação a Bolsonaro. "Não será apenas uma autoridade que será acionada pelo relatório final da CPI. E eu quero lembrar que as autoridades têm o prazo de 30 dias para dizer quais são as providências que tomaram a partir do relatório entregue, sob pena de serem responsabilizadas penal e criminalmente. Então, o poder de um relatório de uma CPI não pode simplesmente ser descartado. Em segundo lugar, acredito que a gente deve estruturar o relatório final em três grandes pontos: crime de lesa-humanidade, que vai para o tribunal penal internacional; crimes comuns, que vão para o Ministério Público Federal; e os crimes políticos, que deverão ir para a Câmara dos Deputados", afirmou.

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Variante delta se espalha 'como um incêndio', enquanto médicos estudam se ela é mais grave

Funcionária checa temperatura de passageiro no aeroporto de Guarulhos

247 - Com uma nova onda de contágios alimentada pela variante delta da Covid-19 atingindo países de todo o planeta, os especialistas na doença estão correndo para descobrir se a mais recente versão do coronavírus faz com que as pessoas —especialmente as não vacinadas— adoeçam de forma mais grave do que versões anteriores. A reportagem é do jornal Folha de S.Paulo.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos alertou que a variante delta, identificada inicialmente na Índia e agora dominante em todo o planeta é “provavelmente mais severa” do que versões anteriores do vírus, de acordo com um relatório interno que foi tornado público na última sexta-feira (30).

A agência mencionou pesquisas no Canadá, Suécia e Escócia que demonstram que as pessoas infectadas pela variante delta apresentavam probabilidade maior de necessidade de hospitalização do que os contagiados em estágios anteriores da pandemia.

A reportagem ainda informa que, em entrevistas à Reuters, especialistas na doença afirmaram que os três estudos apontavam para um risco maior nessa variedade, mas que as populações cobertas pelos estudos eram limitadas e as constatações ainda não haviam sido revisadas por especialistas externos.

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Fux anuncia nos bastidores que fará duro discurso contra Bolsonaro e militares na reabertura do STF nesta segunda

Fux e Bolsonaro

247 - O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, fez espalhar nos bastidores do poder em Brasília que fará nesta segunda-feira (2) um duro discurso contra as ameaças de Jair Bolsonaro com apoio dos militares à democracia, contra o próprio STF, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a realização das eleições de 2022. O discurso de Fux será no início da tarde, na abertura dos trabalhos do STF depois do recesso.

A noticia provêm do jornalista Luis Nassif e da coluna Radar, de Veja, que atribui a informação às “palavras de colegas da Corte”.

Nassif escreveu neste domingo:

“Acabo de receber a informação de fonte estreitamente ligada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. Diz ele que, no discurso de reabertura dos trabalhos do Supremo, Fux deixará de lado o temor reverencial e baterá duro em Bolsonaro. 

A decisão foi acelerada por dois episódios. O mais recente, os ataques da deputada Bia Kicis ao Ministro Luís Roberto Barroso. O segundo, a constatação de que Bolsonaro já não dispõe do mesmo poder de dissuasão de antes. Ou seja, estaria tomado da coragem dos que enxergam os inimigos caídos no campo de batalha.

A fonte é privilegiada. Não obteve a informação diretamente de Fux, mas de pessoas próximas a ele.

Estando corretas as informações, pela primeira vez, desde que assumiu a presidência do STF, Fux sentará na cadeira de presidente.

Mais importante que o gesto em si, são as circunstâncias que o inspiraram. Como Fux não é dotado de uma coragem cívica maior, o gesto foi precedido de análises consistentes sobre o momento político atual”.

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'É o que tenho para governar", diz Bolsonaro sobre aliança com o Centrão

Bolsonaro

247 - Jair Bolsonaro defendeu nesta segunda-feira (2) a aliança de seu governo com o Centrão e suavizou as críticas contra o vice-presidente Hamilton Mourão. Segundo ele, a aproximação com o Centrão é necessária por ser o que tem "para governar” e que Mourão "não tem atrapalhado em absolutamente nada". Na semana passada, ele comparou o vice a um “cunhado indesejado”. 

“O pessoal fala "Centrão"...Olha, senta na minha cadeira aqui e governe sem o voto de mais da metade dos parlamentares que são aí (do) dito Centrão. Vem aqui e governo sem eles. Aprove PEC, aprove projetos de lei", disse. "É fácil, de forma pejorativa, acusar o Centrão. Outra, eu sempre fui do Centrão. Eu sempre fui do PP. Raramente eu estive fora de um partido que estava fora dessa sigla. Agora, não podemos simplesmente achar: 'ah, o Centrão está fora simplesmente do destino do Brasil'. É o que eu tenho para governar. E tenho me dado muito bem com essas pessoas”, disse Bolsonaro à rádio ABC, do Rio Grande do Sul, de acordo com o jornal O Globo. 

Sobre o relacionamento com Mourão, o ex-capitão disse que “conversa com ele esporadicamente. Ele tem uma vida bastante, quase que independente. Não temos maior problema com ele”. “Mas o vice aqui não tem atrapalhado em absolutamente nada. Não discutimos ainda em profundidade qual o futuro político dele. É uma pessoa que tem feito seu papel aqui”, completou. 

Ainda segundo Bolsonaro, “de vez em quando ele (Mourão) fala alguma coisa que vai de encontro aos interesses do governo, mas faz parte das regras do jogo. Não podemos ter um vice também que se esconda de tudo. Ele dá sua opinião, às vezes atropela o governo, mas a gente vai convivendo sem maiores problemas”.

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Polícia foi criada para controlar pessoas negras e pobres, diz capitão da PM

Capitão da PM Fábio França

247 - Doutor em sociologia pela Universidade Federal da Paraíba, o capitão da Polícia Militar Fábio França diz que "a polícia foi criada, obviamente, para controlar a população negra e pobre". A entrevista foi concedida ao jornal Folha de S.Paulo.

"Quando a família real veio para o Brasil, montou o primeiro aparato de segurança pública do país e criou as guardas municipais permanentes. À época, a ideia era a elite branca controlar a grande maioria de escravizados, alforriados, fugitivos e brancos pobres. Não era permitido, por exemplo, reuniões de três a cinco pessoas de pele negra. Elas poderiam ser presas ou açoitadas por isso", diz.

De acordo com o capitão, "além de a população negra sofrer com esse aparato, ainda há o fato de que negros se tornam policiais e não têm essa perspectiva". "Nos cursos de formação, não existe um debate sobre a origem e a história das polícias militares".

O sociólogo também afirma que, no doutorado, levantou "a tese de que programas de policiamento comunitário como as UPPs, Unidades de Polícia Pacificadora, no Rio, tinham um discurso que criava 'sociabilidade estratégica'. A ideia era fazer com que o Estado conseguisse entrar com forças repressivas nas periferias e nos grandes centros urbanos".

"Minha hipótese é a de que há convencimento através de um discurso de humanização. As pessoas das periferias se convencem de que é necessário a polícia estar lá para representar o Estado. Isso gera um controle social muito mais sofisticado, que não busca usar a violência direta, mas sim a violência simbólica", afirma.

Segundo o estudioso, violência simbólica é "uma maneira de fazer com que o dominado aceite o discurso do dominador sem resistência, acreditando que tudo aquilo é bom para ele. O objetivo é mostrar que as formas de dominar o outro são tão inteligentes que os grupos dominantes não precisam fazer nenhum esforço. Basta utilizar o discurso adequado para o convencimento acontecer".

"Com essa mudança de discurso por meio de encontros entre pessoas das comunidades e policiais, por exemplo, cria-se a visão de que as coisas estão acontecendo, facilitando a entrada dos agentes. Mas o que não percebem é que os policiais, por estarem sempre presentes, acabam controlando e vigiando melhor".

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CPI da Covid volta com força total e mira corrupção na compra de vacinas

Senadores fazem um minuto de silêncio para homenagear os 502.817 mortos por covid-19 no Brasil.

247 – "A CPI da Covid retoma os trabalhos nesta segunda-feira para aprofundar as investigações sobre suspeitas de irregularidades na compra de vacinas pelo governo Bolsonaro. A partir de terça-feira, o foco da CPI será a negociação envolvendo empresas e intermediários para oferecer vacinas sem o aval de fabricantes estrangeiros. Na próxima semana, a comissão volta a se debruçar sobre o caso da empresa Precisa Medicamentos e o Ministério da Saúde para a aquisição da Covaxin", informam os jornalistas Paulo Cappelli, Natália Portinari e Julia Lindner, em reportagem publicada no Globo.

"A cúpula da comissão tem planos de acelerar os trabalhos para que o relatório final de investigação fique pronto até o final de setembro. A ideia é que o documento produzido pela CPI aponte os indícios de fraude em contratos do Ministério da Saúde, as omissões do governo e ainda a promoção de medicamentos ineficazes durante a pandemia", descrevem ainda os repórteres.

O primeiro depoimento previsto é do reverendo Amilton Gomes, na terça-feira. A CPI quer esclarecer a participação da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Religiosos), entidade fundada por Amilton, em uma negociação paralela de vacinas levada ao Ministério da Saúde. O policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que ofereceu 400 milhões de doses de AstraZeneca sem autorização do laboratório e sem origem comprovada, contou com a intermediação do reverendo para ser atendido pelo governo federal.

Para quarta-feira estava previsto o depoimento de Francisco Maximiano, presidente da Precisa Medicamentos, empresa que atuou como intermediária na venda da vacina indiana Covaxin ao governo. Ele comunicou que não pode comparecer porque está na Índia. A princípio, o plano é deixar sua oitiva para a semana que vem, quando a comissao deve concentrar suas atenções para o caso. A CPI também pretende ouvir Tulio Silveira, advogado da Precisa, que participou das tratativas.

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Ciro Nogueira ignora marketing de "homem modesto" de Bolsonaro e estreia ostentando Rolex de R$ 86 mil

Ciro Nogueira

247 - A chegada de Ciro Nogueira já produziu ao menos uma mudança no Planalto, informa o jornalista Bernardo Mello Franco, em sua coluna no jornal O Globo. 

Na primeira solenidade com o presidente, o chefão do PP e novo chefe da Casa Civil ostentava um reluzente Rolex Cosmograph Daytona. O adereço, visível numa foto de Dida Sampaio, é vendido em joalherias por R$ 86.200 (78 salários mínimos).

Eleito com a fantasia de homem modesto, Jair Bolsonaro gosta de se exibir com um Aqua no pulso. O relógio sai a R$ 20 no camelódromo da Rua Uruguaiana, no centro do Rio.

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Desconfinamento pós-pandemia faz vírus respiratórios mais agressivos surgirem em crianças

Sputnik - Os hospitais no Reino Unido estão observando um aumento no número de crianças que sofrem de infecções respiratórias graves. Isso inclui um pico de VSR fora da estação por conta do desconfinamento pós-pandemia.

O pico de uma infecção chamada vírus sincicial respiratório (VSR), em crianças pequenas, algumas com apenas dois meses de idade, resultou em um número crescente de internações hospitalares por bronquiolite, uma inflamação pulmonar semelhante à bronquite no Reino Unido.

Os médicos apontam que as restrições impostas para prevenir a disseminação da COVID-19 também contiveram outros vírus respiratórios. Como muitos países estão suspendendo essas restrições, muitas doenças respiratórias estão se espalhando novamente, segundo reportagem do Science Alert.

O VSR é um patógeno respiratório comum - tão comum na verdade que quase todos nós somos infectados por ele aos dois anos de idade. Para a grande maioria das pessoas, esse vírus causa uma doença leve que se assemelha a um forte resfriado, com coriza e tosse. Esses sintomas normalmente desaparecem sem tratamento dentro de uma ou duas semanas.

No entanto, em aproximadamente uma em cada três crianças, o VSR pode causar bronquiolite, uma inflamação dos bronquíolos, os menores tubos de nossos pulmões. Isso restringe as vias respiratórias e os pacientes apresentam aumento da temperatura e dificuldade para respirar, muitas vezes emitindo um chiado ao respirar.

Embora a bronquiolite muitas vezes possa ser tratada sem muito mais do que fluidos e paracetamol, às vezes pode evoluir para uma doença grave. Se a respiração de um jovem ficar severamente restringida, os sintomas podem piorar, causando temperaturas acima de 38 ºC, lábios azuis e dificuldade respiratória aumentada.

Em crianças pequenas, isso pode resultar na recusa de alimentos e fraldas secas por longos períodos. É quando muitos pais tomam a decisão correta de levar seu filho ao hospital. Embora a maioria dos casos possa ser controlada, a bronquiolite às vezes é fatal. Aproximadamente 3,5 milhões de crianças em todo o mundo a cada ano são hospitalizadas, com cerca de 5% desses casos, infelizmente, resultando em morte.

Onda retardada

Parece que as respostas da COVID-19, como aumento da lavagem das mãos, uso de máscara e redução do contato próximo entre as pessoas, levaram a uma temporada de gripe muito diminuída no inverno de 2020-2021.

O mesmo aconteceu com o VSR, com estudos relatando 84% menos hospitalizações devido a bronquiolite em países do hemisfério norte do que em anos anteriores. Reduções dramáticas também foram observadas na Austrália.

Agora o oposto está acontecendo, afetando um ano inteiro de recém-nascidos que não teriam encontrado muitos vírus respiratórios enquanto as restrições estivessem em vigor. Além do Reino Unido, Portugal também relatou mais casos de crianças hospitalizadas pelos mesmos motivos neste verão no Hemisfério Norte.

No entanto, ainda não é possível identificar definitivamente quais crianças desenvolverão bronquiolite. No entanto, em alguns países, os indivíduos são identificados como de alto risco por meio de fatores de risco conhecidos e recebem tratamentos profiláticos.

Com o VSR, foi demonstrado que certas respostas imunológicas aumentam a gravidade da doença e têm sido associadas ao desenvolvimento de asma. Devido à natureza generalizada do vírus e da asma no Reino Unido, a conexão entre os dois é amplamente estudada.

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A competição entre a ICR e o Novo Quad pelo futuro boom de crescimento do Afeganistão - Pepe Escobar

Por Pepe Escobar

Por Pepe Escobar, para o Asia Times

Tradução de Patricia Zimbres, para o 247

Há pouco mais de uma semana foram retomadas as penosamente lentas negociações de paz entre o governo de Cabul e o Talibã, que então se arrastaram por mais dois dias, observadas por enviados da União Europeia, dos Estados Unidos e da ONU.

Nada aconteceu. Não se conseguiu sequer chegar a um acordo quanto a um cessar-fogo durante o Eid al-Adha. E, pior ainda, não há qualquer programação para o que irá ocorrer quando as negociações forem retomadas em agosto. O líder supremo do Talibã, Haibatullah Akhundzada, divulgou um comunicado: o Talibã "defende enfaticamente uma solução política".

Mas como? As diferenças irreconciliáveis dão as cartas. A realpolitik dita que não há a menor possibilidade de o Talibã vir a adotar a democracia liberal ocidental: o que eles querem é a restauração do emirado islâmico.

O presidente afegão Ashraf Ghani, de sua parte, é visto como pato manco até mesmo nos círculos diplomáticos de Cabul, onde ele é ridicularizado por ser teimoso demais, e por não estar à altura da situação. A única solução possível no curto prazo seria um governo provisório. 

No entanto, não há nenhum líder de prestígio nacional – nenhuma figura do tipo Comandante Massoud. Há apenas chefes guerreiros regionais - cujas milícias protegem seus próprios interesses locais, e não os da distante Cabul.

Embora os fatos concretos apontem para uma balcanização, o Talibã, mesmo na ofensiva, sabe que não seria capaz de tomar militarmente o Afeganistão.

Rússia, China, Paquistão e os "istãos" da Ásia Central – todos estão se esforçando ao máximo para superar o impasse. Jogos de sombras, como de costume, vêm funcionando a pleno vapor. Tomemos, por exemplo, o importantíssimo encontro da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC, os estados da antiga União Soviética) – quase simultâneo à recente Cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, em Dushanbe e a subsequente conferência sobre a conectividade entre a Ásia Central e a Ásia do Sul, realizada em Tashkent.

A cúpula da OTSC foi 100% à prova de vazamentos. Mas, em ocasião anterior, eles haviam discutido "as possibilidades de usar o potencial dos estados-membros da OTSC para manter sob controle a altamente volátil fronteira tajique-afegã.

Isso é assunto muito sério. Uma  força-tarefa chefiada pelo Coronel-General Anatoly Sidorov, comandante do Estado-Maior do OTSC, ficou encarregada de "medidas conjuntas" de patrulhamento das fronteiras. 

Entra em cena então um lance ainda mais intrigante do jogo de sombras – recebido com uma negativa não-negativa tanto por Moscou como por Washington.

O jornal Kommersant revelou que Moscou ofereceu uma certa "hospitalidade" ao Pentágono em suas bases militares no Quirguistão e no Tajiquistão (ambos estados-membros da OCX). O objetivo: ficar conjuntamente de olho no extremamente mutável tabuleiro de xadrez afegão – e evitar que cartéis de tráfico de drogas, islamistas do tipo ISIS-Khorasan e refugiados cruzem a fronteira desses "istãos" da Ásia Central.  

O objetivo russo – apesar das negativas não-negativas – é não deixar os americanos se safarem assim tão fácil da "bagunça" (copyright Sergey Lavrov) que aprontaram no Afeganistão e, ao mesmo tempo, impedi-los de estabelecer novamente alguma ramificação do Império das Bases na Ásia Central. 

Após 2001, eles criaram bases no Quirguistão e no Uzbequistão, que, entretanto, foram mais tarde abandonadas, em 2004 e 2014. O que está claro é que não há a menor chance de os Estados Unidos voltarem a estabelecer bases militares em territórios dos estados-membros da OCX e da OTSC.

Nasce um novo Quad

No encontro sobre a conectividade entre a Ásia Central e a Ásia do Sul, realizado em Tashkent logo após a reunião da OCX, em Dushanbe, algo de muito intrigante ocorreu: o nascimento de um novo Quad (esqueçam aquele do Indo-Pacífico). 

Essa foi a versão do Ministro das Relações Exteriores do Afeganistão: uma "oportunidade histórica de abrir florescentes rotas de comércio internacional, [e] as partes pretendem cooperar para a expansão desse comércio, para a construção de canais de trânsito e para o fortalecimento dos vínculos empresa-a-empresa".

Se isso soa como algo saído diretamente da Iniciativa Cinturão e Rota, bem, aqui vai a confirmação pela Chancelaria paquistanesa:

"Representantes dos Estados Unidos, do Uzbequistão, do Afeganistão e do Paquistão concordaram, em princípio, em criar uma nova plataforma diplomática quadrilateral focada no aumento da conectividade regional. As partes veem a paz e a estabilidade de longo prazo no Afeganistão como sendo de importância crítica para essa conectividade regional e concordam que paz e conectividade regional se reforçam mutuamente". 

Os Estados Unidos fazendo Cinturão e Rota bem ali, na praia da China?  Um tweet do Departamento de Estado o confirmou. Podem chamar isso de um caso geopolítico de "se não consegue vencê-los, junte-se a eles".  

Bem, essa, provavelmente, é a  única questão com a qual praticamente todos os atores do tabuleiro de xadrez afegão concordam: um Afeganistão estável turbinando o fluxo de carga através de um nó vital  da integração eurasiana. 

O porta-voz do Talibã, Suhail Shaheen, vem sendo muito consistente: o Talibã vê a China como "amiga" do Afeganistão e está ansioso para que os investimentos de Pequim nos trabalhos de reconstrução comecem "o quanto antes".

A questão é o que Washington pretende alcançar com esse novo Quad - que, até o presente momento, existe apenas no papel. É simples: jogar uma chave de fenda nas engrenagens da OCX, liderada pela Rússia-China, e o principal fórum para a organização de uma possível solução para o drama afegão. 

Nesse sentido, a competição entre Estados Unidos e Rússia-China no teatro afegão se encaixa perfeitamente no esquema Build Back Better World, ou B3W (o Reconstruir Melhor Mundial) que tem como objetivo – pelo menos em tese – oferecer um plano de infraestrutura como alternativa à Iniciativa Cinturão e Rota e tentar vendê-lo a países que vão desde o Caribe e África até a Ásia-Pacífico. 

O que não está em questão é que um Afeganistão estável é essencial para estabelecer uma conectividade plena por via ferroviária, ligando a Ásia Central rica em recursos naturais aos portos paquistaneses de  Karachi e Gwadar, e a partir dali, aos mercados globais.

Para o Paquistão, o que acontecerá a seguir é, certificadamente, uma  situação geoeconômica com ganhos para todas as partes - seja pelo Corredor Econômico China-Paquistão, que é um dos carros-chefe do Projeto Cinturão e Rota, seja pelo novo e incipiente Quad. 

A China irá financiar a altamente estratégica rodovia Peshawar-Kabul. Peshawar já está conectada ao CECP. O término da construção da rodovia irá simbolicamente selar o Afeganistão  como parte do Corredor Econômico. 

E então há o deliciosamente batizado Pakafuz, o acordo trilateral assinado em fevereiro entre o Paquistão, o Afeganistão e o Uzbequistão, visando à construção de uma ferrovia – uma conexão fundamentalmente estratégica entre a Ásia Central e do Sul.

A total conectividade entre a Ásia Central e o Sul da Ásia, por acaso, também é um dos principais pontos da plataforma da estratégia russa, a Parceria da Grande Eurásia, que interage de múltiplas maneiras com a Cinturão e Rota. 

Lavrov passou um bom tempo na cúpula da Ásia Central e do Sul, em Tashkent, explicando a integração da Parceria da Grande Eurásia e da Cinturão e Rota com a OCX e a União Econômica da Eurásia.

Lavrov se referiu também à proposta uzbeque de "alinhar a Ferrovia Trans-siberiana e o corredor Europa-China Ocidental com novos projetos regionais". Tudo se interconecta, de qualquer ângulo que se observe.  

Assistindo ao fluxo geoeconômico 

O novo Quad, de fato, chegou com atraso em termos da acelerada transmutação geopolítica do Grande Interior Eurasiano, o Heartland. O processo vem sendo liderado pela China e pela Rússia que, em conjunto, vêm gerindo as questões da Ásia Central.

Já em inícios de junho, uma importantíssima declaração conjunta China-Paquistão-Afeganistão ressaltou o quanto Cabul irá lucrar com o comércio via porto de Gwadar, do CECP.

E, então, há o Gasodutistão.

Em 16 de julho, Islamabad e Moscou assinaram um mega-acordo  sobre um gasoduto de 1.100 quilômetros e custo de 3 bilhões de dólares americanos, indo de Port Qasim, em Karachi até Lahore, a ser comcluído até fins de 2023.

O gasoduto transportará gás natural liquefeito importado de Catar até o terminal de GNL de Karachi. Esse é o Projeto Gasoduto Pakstream - localmente conhecido como o projeto Gás Norte-Sul. 

A interminável guerra do Gasodutistão entre o IPI (Índia-Paquistão-Irã) e o TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-Paquistão-Índia) - que há anos venho acompanhando em detalhes – parece ter terminado com um ganhador de terceira via.

Tanto quanto o governo de Cabul, o Talibã parece estar dando muita atenção à geoeconomia e ao fato de o Afeganistão estar no cerne de um  inevitável surto de crescimento econômico. 

Talvez ambos os lados devessem estar dando muita atenção também a Zoon Ahmed Khan, uma brilhante paquistanesa que trabalha como pesquisadora no Instituto da Estratégia da Iniciativa Cinturão e Rota, na Universidade de Tsinghua.

Zoon Ahmed Khan observa que "uma contribuição importante que a China traz por meio da ICR é enfatizar o fato de que países em desenvolvimento, como o Paquistão, têm que encontrar seu próprio caminho de desenvolvimento, em vez de seguir o modelo ocidental de governança".  

Ela acrescenta: A melhor coisa que o Paquistão pode aprender com o modelo chinês é como criar seu próprio modelo. A China não deseja impor seu trajeto e sua experiência a outros países, o que é muito importante". 

Ela afirma categoricamente que a Iniciativa Cinturão e Rota "vem beneficiando uma região muito mais vasta que o Paquistão. Com a iniciativa, o que a China tenta fazer é apresentar aos países parceiros sua experiência e as coisas que ela pode oferecer". 

Tudo o que foi dito acima, decididamente, se aplica também ao Afeganistão - e à sua tortuosa mas, em última análise, inevitável inserção no atual processo de integração eurasiana. 

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Ex-presidentes do TSE saem em defesa das urnas eletrônicas: "jamais se documentou qualquer fraude"

Em nota, ex-presidentes do TSE e a atual cúpula apontam que a aprovação do voto impresso traria de volta um cenário de "fraudes generalizadas"

(Foto: ABr | Alan Santos/PR)

247 - Ex-presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além do atual, Luís Roberto Barroso, lançaram nesta segunda-feira (2) uma nota condenando o projeto do voto impresso, defendido agressivamente por Jair Bolsonaro. A informação é do blog de Valdo Cruz, no G1.

O texto também é assinado pelos ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. 

Na nota, os magistrados apontam que a aprovação do voto impresso traria de volta um cenário de "fraudes generalizadas". 

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"A contagem pública manual de cerca de 150 milhões de votos significará a volta ao tempo das mesas apuradoras, cenário das fraudes generalizadas que marcaram a história do Brasil", afirma um trecho do texto.

"Jamais se documentou qualquer episódio de fraude nas eleições. Nesse período, o TSE já foi presidido por 15 ministros do Supremo Tribunal Federal. Ao longo dos seus 25 anos de existência, a urna eletrônica passou por sucessivos processos de modernização e aprimoramento, contando com diversas camadas de segurança", dizem os ministros.

Eles destacam ainda que as urnas eletrônicas, ao contrário do que diz Jair Bolsonaro, são auditáveis. 

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"As urnas eletrônicas são auditáveis em todas as etapas do processo, antes, durante e depois das eleições. Todos os passos, da elaboração do programa à divulgação dos resultados, podem ser acompanhados pelos partidos políticos, Procuradoria-Geral da República, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal, universidades e outros que são especialmente convidados. É importante observar, ainda, que as urnas eletrônicas não entram em rede e não são passíveis de acesso remoto, por não estarem conectadas à internet".

Veja a íntegra da nota abaixo: 

Nota pública

O Presidente, Vice-Presidente, futuro Presidente e todos os ex-Presidentes do Tribunal Superior Eleitoral desde a Constituição de 1988 vêm perante a sociedade brasileira afirmar o que se segue:

1. Eleições livres, seguras e limpas são da essência da democracia. No Brasil, o Congresso Nacional, por meio de legislação própria, e o Tribunal Superior Eleitoral, como organizador das eleições, conseguiram eliminar um passado de fraudes eleitorais que marcaram a história do Brasil, no Império e na República.

2. Desde 1996, quando da implantação do sistema de votação eletrônica, jamais se documentou qualquer episódio de fraude nas eleições. Nesse período, o TSE já foi presidido por 15 ministros do Supremo Tribunal Federal. Ao longo dos seus 25 anos de existência, a urna eletrônica passou por sucessivos processos de modernização e aprimoramento, contando com diversas camadas de segurança.

3. As urnas eletrônicas são auditáveis em todas as etapas do processo, antes, durante e depois das eleições. Todos os passos, da elaboração do programa à divulgação dos resultados, podem ser acompanhados pelos partidos políticos, Procuradoria-Geral da República, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal, universidades e outros que são especialmente convidados. É importante observar, ainda, que as urnas eletrônicas não entram em rede e não são passíveis de acesso remoto, por não estarem conectadas à internet.

4. O voto impresso não é um mecanismo adequado de auditoria a se somar aos já existentes por ser menos seguro do que o voto eletrônico, em razão dos riscos decorrentes da manipulação humana e da quebra de sigilo. Muitos países que optaram por não adotar o voto puramente eletrônico tiveram experiências históricas diferentes das nossas, sem os problemas de fraude ocorridos no Brasil com o voto em papel. Em muitos outros, a existência de voto em papel não impediu as constantes alegações de fraude, como revelam episódios recentes.

5. A contagem pública manual de cerca de 150 milhões de votos significará a volta ao tempo das mesas apuradoras, cenário das fraudes generalizadas que marcaram a história do Brasil.

6. A Justiça Eleitoral, por seus representantes de ontem, de hoje e do futuro, garanteà sociedade brasileira a segurança, transparência e auditabilidade do sistema. Todos os ministros, juízes e servidores que a compõem continuam comprometidos com a democracia brasileira, com integridade, dedicação e responsabilidade.

  • Ministro LUÍS ROBERTO BARROSO
  • Ministro LUIZ EDSON FACHIN 
  • Ministro ALEXANDRE DE MORAES
  • Ministra ROSA WEBER
  • Ministro LUIZ FUX
  • Ministro GILMAR MENDES
  • Ministro DIAS TOFFOLI
  • Ministra CÁRMEN LÚCIA
  • Ministro RICARDO LEWANDOWSKI
  • Ministro MARCO AURÉLIO MELLO
  • Ministro CARLOS AYRES BRITTO
  • Ministro CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO
  • Ministro JOSÉ PAULO SEPÚLVEDA PERTENCE
  • Ministro NELSON JOBIM
  • Ministro ILMAR GALVÃO
  • Ministro SYDNEY SANCHES
  • Ministro FRANCISCO REZEK
  • Ministro NÉRI DA SILVEIRA

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Assessor de Bolsonaro diz que jornalismo da Record é “totalmente comunista”

Max Guilherme, sargento da PM do Rio de Janeiro e atualmente assessor especial de Bolsonaro, afirmou que o jornalismo da emissora é “totalmente comunista”

Mariana Godoy e Bolsonaro
Mariana Godoy e Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Por Guilherme Amado, em sua coluna no portal Metrópoles - Um assessor do gabinete de Jair Bolsonaro atacou em suas redes sociais o jornalismo de uma das emissoras mais próximas do presidente, a TV Record. Max Guilherme, sargento da PM do Rio de Janeiro e atualmente assessor especial do presidente, afirmou que o jornalismo da emissora é “totalmente comunista”.

Max Guilherme compartilhou um vídeo da jornalista Mariana Godoy, que acertadamente chamava de “bizarra” a live do presidente na quinta-feira (29), com críticas.

“Bizarra é você e esse jornalismo totalmente comunista, que não leva informação nenhuma e sim ideologia socialista. As máscaras vão caindo e vocês vão só perdendo credibilidade”, escreveu o assessor.

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TikTokers Anthony Barajas e Rylee Goodrich morrem após tiroteio em cinema nos EUA

Influenciador Anthony Barajas e amiga Rylee Goodrich foram atingidos na cabeça durante sessão do filme 'The Forever Purge'

(Foto: Reprodução/Instagram)

247 - O TikToker Anthony Barajas, de 19 anos, morreu na manhã deste sábado (31), após ter sido baleado em um cinema na Califórnia na última segunda-feira (26). O ataque matou sua amiga Rylee Goodrich, outra popular tiktoker de 18 anos, segundo a polícia de Corona, ao sul do estado.

Barajas era conhecido por vídeos com esquetes, entrevistas e lip-sync no TikTok, onde tinha mais de 980 mil seguidores. Segundo a agência France Presse, os dois foram baleados em um cinema que exibia o filme "The Forever Purge" ("Uma noite de crime" em português), sobre um governo totalitário que permite que qualquer crime seja cometido por uma noite, incluindo assassinato.

De acordo com as investigações, o motivo do crime ainda não foi revelado mas os policiais suspeitam de um homem chamado Joseph Jimenez, que foi preso com a carteira de Rylee. As autoridades não acreditam que o assassinato dos jovens foi provocado, já que o suspeito e as vítimas não tem nenhuma conexão.

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Atleta de Belarus entra na embaixada da Polônia em Tóquio e se recusa a voltar para casa

Ministério das Relações Exteriores polonês informou que a velocista Krystsina Tsimanouskaya "recebeu a oferta de um visto humanitário e está livre para continuar sua carreira esportiva na Polônia, caso decida por isso"

Krystsina Tsimanouskaya no aeroporto em Tóquio
 1/8/2021   REUTERS/Issei Kato
Krystsina Tsimanouskaya no aeroporto em Tóquio 1/8/2021 REUTERS/Issei Kato (Foto: REUTERS/Issei Kato)

Reuters - Uma atleta de Belarus no cerne de um impasse olímpico com seu próprio país entrou na embaixada da Polônia no Japão nesta segunda-feira, um dia depois de se recusar a embarcar em um voo para casa que disse estar sendo forçada pela equipe a pegar contra sua vontade.

Krystsina Tsimanouskaya, de 24 anos, pedirá asilo à Polônia, disse um membro da comunidade bielorrussa local que está em contato com ela. Autoridades consulares polonesas não responderam a pedidos de confirmação ou comentário.

Mais cedo, Marcin Przydacz, uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores polonês, tuitou que Tsimanouskaya "recebeu a oferta de um visto humanitário e está livre para continuar sua carreira esportiva na Polônia, caso decida por isso".

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A velocista parou diante da embaixada em uma van prateada sem identificação perto das 17h locais. Ela saiu com sua bagagem olímpica oficial e cumprimentou duas autoridades antes de entrar nas dependências.

Duas mulheres, uma delas portando a bandeira vermelha e branca considerada o símbolo da oposição em Belarus, foram aos portões para apoiá-la.

ORIGEM NA DÉCADA DE 1960

A criação da Direita Religiosa

As vitórias do Bozo e de Trump seguem um roteiro ideológico traçado pelos militantes moralistas ali nos SESSENTAS do SÉCULO PASSADO. Observa-se a construção de um discurso político-religioso capaz de juntar católicos tradicionalistas, evangélicos conservadores, protestantes e militares brasileiros.

Cada um dos grupos tem suas idiossincrasias e interesses, porém a junção resulta numa salada à base de fake news, hipocrisia e desejo autocrático. De um lado, há o ódio à modernidade, representada pelo ecumenismo, pela liberdade de escolhas e de costumes; de outro, a tentativa de manter o CONTROLE sobre a VIDA e a CONSCIÊNCIA alheias.

O livro de Benjamin Cowan, “Moral majorities across the Americas: Brazil, the United States, and the creation of the religious right”, traz toda a história da reação conservadora, com nomes aos bois e documentos, além de seguir as relações dos sediciosos brasileiros com os americanos.


A provável assunção de André Mendonça como ministro do STF faz parte de uma sedição urdida ainda na década de 1960. Por trás da indicação de alguém “terrivelmente evangélico”, esconde-se a reação de alguns bispos católicos à modernização pregada pelo Concílio Vaticano II.

Enxergaram ali uma guinada intolerável na Igreja.

Em oposição às ideias saídas do encontro convocado pelo Papa João XXIII, houve uma união inédita entre bispos conservadores, teólogos e ativistas moralistas. E ainda políticos oportunistas. Por rejeitar uma sintonia da religião com uma postura em defesa da justiça social, menos vetusta (o abandono do latim nas missas…), os descontentes iniciaram um processo reacionário de tomada do poder em todos os níveis da sociedade. Touché: décadas depois, vemos a ocupação de espaço político no Congresso, na mídia e na Justiça.

. Sim, 

Os nomes dos principais bois: os bispos Geraldo de Proença Sigaud e Antônio de Castro Mayer, depois aliados (financiados também) por Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP (Tradição, Família e Propriedade). 

Em documentos levantados por Cowan, 

 Vale lembrar que o mercado acabara de inventar o jovem com suas vontades e contestações (o sexo livre e a minissaia são problemões…).

A melhor arma, portanto, é o medo. Instaurá-lo em meio à ingenuidade da população menos instruída. Inspiram-se no passado, quando a tática deu resultados: a figura do demônio consumindo os pecadores no inferno; o Deus onisciente capaz de vigiar até seus pensamentos.

E houve então a criação do bode. No caso, o comunismo. Inicia-se a retórica do perigo vermelho como ameaça à família, aos valores cristãos (discurso compartilhado pela direita americana). Da destruição do lar papai e mamãe pela esquerda, passa-se para a guerra cultural, outro campo visto como arena da modernidade.

Os carolas enxergam a pornografia, a mudança de costumes, até as drogas como elementos capazes de desestabilizar o mundo sonhado pelos conservadores.  Os integrantes da TFP se vestirão com batas de inspiração medieval, mas seus cortes de cabelo se assemelham (oh, meu deus) aos balillas de Mussolini.

Os milicos golpistas de 1964 encampam logo alguns dos ódios dos tradicionalistas moralistas. Contrários ao ecumenismo, à secularização, à justiça social pregada pelo clero progressista (embora esse discurso venha direto de Jesus Cristo), antiestatistas e, depois, neoliberais.

A bagunça dos militares saiu fora do desenho dos moralistas. Embora avidamente estatizantes, mas abraçados ao capitalismo, entre outros setores, incentivam a cultura de mercado, como a indústria cinematográfica e a música popular brasileira (criam legislação e incentivos específicos). Com esse descuido, o gênio sai da lâmpada — a fornada de contestadores, alguns claramente sátiros (Chico, Mautner, Taiguara, Caetano, Odair José), ou… as grandes bilheterias das pornochanchadas, como “A virgem e o machão” ou “A dama da zona”. (O funk carioca é neto dessa turma...).

Para causar um pânico moral, os ativistas moralistas, como Sigaud e a TFP, forçam a barra e juntam liberação sexual e revolução de costumes à esquerda. Outra lorota. Logo viriam as campanhas contra o aborto e a liberação de armas.

Pensando bem, a conta não fecha. Não importa. Ponha a culpa nos malditos comunistas.

Miguel de Almeida-Assinatura

Por Miguel De Almeida

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Um ano da explosão no porto de Beirute: crônica de uma descida do Líbano ao inferno

Ainda não há punidos pela detonação, que agravou descrédito da classe política e marcou agravamento da pior crise econômica já vivida pelo país árabe
Escultura chamada "O gesto", do artista libanês Nadim Karam, feita no porto de Beirute com destroços da explosão Foto: JOSEPH EID / AFP
Escultura chamada "O gesto", do artista libanês Nadim Karam, feita no porto de Beirute com destroços da explosão Foto: JOSEPH EID / AFP

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BEIRUTE — Em 4 de agosto de 2020, um incêndio no porto da capital libanesa causou uma das mais poderosas explosões não nucleares da História. Ele desfigurou a cidade, matou 200 pessoas e traumatizou toda a nação. O cataclismo foi sentido até em Chipre, a cerca de 200 km de distância.

A magnitude do dano, semelhante ao de uma guerra ou de uma catástrofe natural, chocou o mundo.  Um desastre pelo qual ninguém, ou quase ninguém, prestou contas, e pelo qual ninguém foi julgado. Em muitos casos, as famílias das vítimas nem sequer receberam visitas ou explicações das autoridades.

O Líbano já estava à beira do colapso antes da explosão, com uma economia deprimida, um setor de saúde saturado pela pandemia e um futuro obscurecido pela fuga de cérebros.

— Pensamos que havíamos chegado ao fundo do poço. Como a situação poderia piorar? — disse Rima Rantisi, professora da Universidade Americana de Beirute.

A população acusa os dirigentes — muitos deles no poder há décadas — de corrupção e incompetência e, sobretudo, de deixar o país afundar.

Um ano após a tragédia, o país ainda não tem um governo estável que o tire da pior crise socioeconômica que já vivenciou. Bilhões em ajuda do exterior continuam bloqueados por falta de reformas.

Um ano atrás, no dia 4 de agosto, às 18h, centenas de toneladas de nitrato de amônio armazenadas no porto sem medidas de proteção — como as próprias autoridades reconheceram — pegaram fogo e provocaram a explosão.

As imagens do cogumelo no céu de Beirute lembravam os bombardeios atômicos americanos de Hiroshima e Nagasaki em 1945. Solidariedade floresce sobre escombros de Beirute

‘Nossa vida parou’

A população atribui a tragédia no hangar número 12 à negligência e à corrupção das autoridades, que permitiram o armazenamento de materiais perigosos por anos perto de bairros residenciais.

— O que ficou claro para mim naquele dia é que aqueles que governam este país são criminosos e assassinos — disse Rima Rantisi. — Depois da explosão, entendemos perfeitamente: enquanto eles permanecerem no poder, nada se resolverá.

A tragédia deixou 214 mortos, de acordo com um balanço oficial, mais de 6.500 feridos, pessoas incapacitadas para o resto da vida e dezenas de milhares de desabrigados.

Nesta quarta-feira, quando se completa um ano da explosão, as famílias das vítimas farão uma missa no porto e manifestações serão convocadas contra os governantes.

— Nossa vida parou no dia 4 de agosto, perdemos tudo — resume Karlen Hiti Karam, de 26 anos, em luto pelo marido, irmão e prima, todos bombeiros enviados ao porto para ajudar a apagar as chamas. — Nada pode aliviar nossa dor e sinto mais falta deles a cada dia. 

Antes da explosão, o colapso econômico já havia começado. 

Os responsáveis por tudo isso são os mesmos. Eles devem ser responsabilizados.

Mas, em um país que registrou vários assassinatos políticos pelos quais ninguém foi julgado ou detido, é difícil pensar que a justiça seja possível.

O primeiro juiz encarregado do dossiê da explosão, Fadi Sawan, foi afastado em fevereiro após causar um alvoroço político ao acusar o chefe do governo demissionário, Hassan Diab, e três ex-ministros de negligência

As tentativas de seu sucessor, Tarek Bitar, de fazer o mesmo se chocaram com novas manobras para evitá-lo.

Estado falido

Para os libaneses, a explosão de 4 de agosto foi a gota d’água. 

Eles já estavam decepcionados com a falta de resultados dos protestos de outubro de 2019, quando a ira popular irrompeu contra a elite governante do país. 

E agora, a economia vai de mal a pior, com o colapso da libra libanesa e restrições bancárias sem precedentes causando longas filas para se conseguir dinheiro.

Filas também são formadas em frente aos postos de gasolina e os moradores sofrem cortes de energia, com blecautes que afetam até o aeroporto internacional de Beirute, onde expatriados libaneses chegam com malas carregadas de remédios impossíveis de serem encontrados no país.

Hospitais alertam para uma catástrofe de saúde devido à falta de energia.

O bairro de Mar Mikhael, na região portuária de Beirute, recuperou uma aparência de normalidade, com lojas e bares abertos.

Mas as autoridades pouco ou nada fizeram para ajudar as vítimas e reconstruir uma cidade devastada. 

O fardo da limpeza dos escombros recaiu sobre um exército de jovens voluntários e ONGs. 

Apesar das obras de reconstrução e reparo, a catástrofe deixou cicatrizes nos bairros mais atingidos, que abrigam museus, galerias de arte e joias históricas.

— Todas as pessoas que conheço têm problemas de sono e lutam diariamente, agarrando-se ao que lhes resta — disse Rima Rantisi. — Todos os dias acordamos com algo pior do que no dia anterior.

O Líbano, antes considerado "a Suíça do Oriente Médio", tornou-se um Estado falido. 

E quem viveu uma guerra civil diz que a crise atual é pior.

‘Dirigido por loucos’

O artista Bernard Hage relata esse declínio em quadrinhos publicados no jornal independente L'Orient-Le Jour.

— Imagine um hospital psiquiátrico mal equipado dirigido por loucos — escreveu Hage recentemente. 

— Eu realmente vejo uma DISTOPIA, é a única palavra que consigo pensar para descrever o Líbano. 

É o seu pior pesadelo e você não tem controle sobre ele.

Mas, como muitos ativistas, ele não perdeu as esperanças. 

A solidariedade da população lembrou que o pulso da "revolução" de 2019 ainda estava batendo. 

Alguns candidatos antigovernamentais chegam a sonhar com um avanço nas eleições legislativas marcadas para 2022. 

Mas Bernard Hage aposta acima de tudo em uma investigação para finalmente ver um líder na prisão.

— Se essa explosão for capaz de derrubar pelo menos um, pode ser o início de uma série. 

Seria o primeiro efeito dominó a derrubar o sistema. 

A brecha no muro — afirmou.

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Milton Neves faz baixaria contra Lula e desacelera vídeo para simular embriaguez

247 - O jornalista e apresentador da Band Milton Neves compartilhou nas redes sociais um vídeo manipulado para acusar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estar embriagado. 

O vídeo compartilhado por Milton Neves mostra Lula concedendo entrevista em que critica Jair Bolsonaro, mas é DESACELERADO, tornando a voz de Lula mais LENTA e INSINUANDO uma suposta EMBRIAGUEZ do petista

Milton Neves compartilhou o vídeo do músico bolsonarista Roger Moreira, da banda Ultraje a Rigor. 

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Despresidente inaugura a ‘escateologia’ - Adilson Roberto Gonçalves

Por Adilson Roberto Gonçalves

Ao que tudo indica, a interpretação constitucional da falta de provas contra o despresidente feita pelo centrão e asseclas foi além, pois assumiram que genocídio é um ato estranho ao exercício da função do presidente e, por isso, o dito cujo não pode ser responsabilizado. Tal espanto foi trazido por articulistas de jornalões que deveriam se lembrar do quão importante foi eles defenderem que uma pedalada era suficiente para remover a mandatária do país, já que assim manda a Constituição, não é mesmo? 

O presidente não é um moleque a ser corrigido com puxões de orelha. Trata-se de crimes praticados em graus severos, não superficiais ou passíveis de impunidade. Especula-se que sua saúde esteja comprometida. Difícil de não associar tal fato a uma estratégia diversionista de fugir de suas responsabilidades. Em face da abundante verborragia escatológica do despresidente e de sua internação hospitalar, concluímos que ele sofre de sinapses intestinais. Se ele está à beira de um colapso nervoso, o que se dirá do povo brasileiro em luto pelo mais de meio milhão de mortos pela covid-19, desemprego em alta e instabilidade social gritante? 

Para além do mote ‘templo é dinheiro’, inaugura-se, assim, uma nova linha “escateológica” da religião, perdoem-me o neologismo, dado o apoio mútuo ao e do desgoverno de Brasília. É inegável que a crença mística foi importante para a sobrevivência de nossa espécie, mas essa questão pretérita foi transmutada nas nefastas religiões de hoje. Ainda que a teocracia da prosperidade tenha invadido os espaços públicos e políticos, quero acreditar que nem todo evangélico apoia essa turba. Como exemplo, os movimentos progressistas que defendem a descriminalização do uso de drogas o fazem por questões de saúde e segurança pública. O ópio do povo não está aí incluído. 

Aos que ainda não estão entendendo o golpe em articulação por falta de ação das forças contrárias, foi necessário um cientista membro do corpo editorial de um dos jornalões para trazer de forma mais didática uma lista de crimes praticados no seio da presidência. No meio do mês de julho, o professor Rogério Cezar de Cerqueira Leite enumerou-os de forma interligada ao reflexo da falta de um mínimo de inteligência na condução do país. Tristes tópicos, parodiando o filósofo.

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Protestos contra vacina reúnem mais de 200 mil pessoas na França

Em Paris, quatro cortejos reuniram 14.250 manifestantes, de acordo com as autoridades de segurança da capital

Ato convocado pelo movimento de extrema direita Os Patriotas, em Paris
Ato convocado pelo movimento de extrema direita Os Patriotas, em Paris (Foto: Sarah Meyssonnier/Reuters)

Da RFI - O terceiro sábado consecutivo de manifestações na França contra a vacinação para combater o coronavírus contou com a participação de mais de 204 mil pessoas em todo o país, segundo balanço do Ministério do Interior. Em Paris, quatro cortejos reuniram 14.250 manifestantes, de acordo com as autoridades de segurança da capital. Em vários momentos, a polícia respondeu aos projéteis lançados pelos manifestantes com bombas de gás lacrimogênio e jatos d'água.

O Ministério do Interior registrou 184 protestos em todo o território contra a obrigatoriedade de vacinação contra a Covid-19 para determinadas categorias profissionais e a expansão do passaporte sanitário para a realização de diversas atividades. O documento foi adotado no último domingo pelo Parlamento francês, depois de seis dias de intensos debates.

A adesão às manifestações vem crescendo, já que na primeira delas, há 21 dias, foram registrados 150 mil participantes, passando para 161 mil no sábado passado. Hoje, a marca simbólica de 200 mil pessoas foi superada. Neste sábado, a mobilização envolveu grandes cidades, como Paris, Marselha, Lyon, Bordeaux e Lille, e cidades menores, como Nantes, Rennes, Toulon e Montpellier. 

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A dispersão da maior passeata parisiense, que se dirigiu do bairro de Villiers para a praça da Bastilha, foi marcada por tensão entre policiais e manifestantes. Bombeiros intervieram para apagar incêndios em latas de lixo e uma mulher foi atendida por médicos voluntários, notaram jornalistas da AFP. 

De acordo com um balanço provisório comunicado pelo Ministério do Interior, três policiais ficaram feridos, segundo as autoridades de segurança da capital. 

Cartazes virulentos contra Macron e policiais

"Todo mundo odeia a polícia", gritavam alguns manifestantes. Quando o cortejo passou pelas escadarias da Ópera, militantes chamaram os policiais franceses de "putas de Macron". Nos cartazes, eles reivindicam mensagens como “fora Macron”, “terror sanitário” e “não ao passaporte sanitário”. Também se vê nas ruas frases como "Sou o judeu de Macron, me vacinem contra o fascismo e o capitalismo". A imprensa francesa tem sido hostilizada, com cartazes que trazem inscrições como "Mídia mentirosa" e "Queremos a verdade". 

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Os protestos têm sido liderados pela extrema direita, mas também são recuperados pela esquerda radical e por movimentos antissistema – entre eles, o dos coletes amarelos. Os ataques ao governo de Emmanuel Macron, acusado de “ditador”, são virulentos.

Na marcha que saiu de Montparnasse, ao sul da capital, o líder do partido de extrema direita Patriotas, Florian Philippot (ex-número 2 da Frente Nacional) estava à frente. A maioria das pessoas estavam sem máscara, empunhavam bandeiras da França e chegaram a rasgar o símbolo da União Europeia.

Jornalistas são insultadas por manifestantes

Duas jornalistas da agência de notícias AFP que cobriam o protesto em Montparnasse foram insultadas por participantes. Elas filmavam a passeata em cima de um banco do mobiliário público quando três ou quatro homens tentaram impedi-las de registrar as imagens e um outro cuspiu nas pernas de uma delas, relatou uma das jornalistas. A AFP decidiu, então, suspender a cobertura desse cortejo.

Mais de 3 mil policiais foram mobilizados para garantir a segurança dos protestos em Paris. Na semana passada, confrontos foram registrados na avenida Champs-Elysées.

Passaporte da discórdia

Uma pesquisa indicou nesta sexta-feira que 40% dos franceses apoiam os protestos contra a instauração do passaporte sanitário, um documento que comprova a vacinação completa ou um teste negativo para o coronavírus. Este atestado agora é exigido no país para a entrada em estabelecimentos culturais e de lazer, e deverá ser ampliado a partir de 9 de agosto para locais como bares e restaurantes. A expectativa  do governo é barrar, pela vacinação, o avanço da variante Delta do coronavírus.

Os manifestantes consideram que as medidas adotadas pelo governo são "liberticidas" e restringem o direito de ir e vir.

Enquanto cresce a mobilização, o número de pessoas hospitalizadas com a Covid-19 também aumenta e passou, neste sábado, para 7.409 pacientes, incluindo 467 internações nas últimas 24 horas. Nas UTIs, o número de doentes com a forma grave da infecção viral passou em sete dias de 878 para 1.099. Desde o início da pandemia, a França registra 111.898 mortes por Covid-19.

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Covid-19: Fiocruz ALERTA sobre TENDÊNCIA de ALTA na internação de IDOSOS pela primeira vez em quatro meses no RIO 

Análise também indica aumento de hospitalizações por SRAG entre crianças de 0 a 9 anos

RIO - Depois de quatro meses de queda ou estabilidade, o número de hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave entre idosos com diagnóstico confirmado de Covid-19 voltou a apresentar tendência de aumento no Rio de Janeiro. 

O alerta é do grupo de pesquisa Métodos Analíticos para Vigilância Epidemiológica, da Fiocruz (Mave/Fiocruz) e do Observatório Covid-19 BR, que traçam modelagens estatísticas da pandemia a partir de dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), do Ministério da Saúde.

A informação consta numa análise realizada por nowcasting, um método estatístico que projeta números da pandemia não para o futuro, mas para o momento atual. 

Ele visa a evitar imprecisões causadas por um possível atraso nas notificações de casos — problema que pode afetar os números de até 15 semanas atrás, segundo o pesquisador Leonardo Bastos, responsável pelo estudo. 

O modelo que Bastos usa em suas projeções se baseia nos próprios dados históricos da Covid-19, levando em conta o comportamento dos números diante de fatores como o atraso nas notificações e a evolução temporal da pandemia.

— Com essa janela de 15 semanas, realizamos uma análise conservadora. 

Ou seja, consideramos que os dados epidemiológicos de uma semana qualquer só vão estar atualizados e consolidados em sua versão definitiva 15 semanas depois. 

Isso aumenta a segurança dos dados que levantamos — explica Bastos.

Os gráficos elaborados pelo grupo na última semana epidemiológica mostram que o número de internações por SRAG cresce em três faixas etárias: 

60 a 69 anos, 70 a 79 e 80 anos ou MAIS, sendo este ÚLTIMO o público com o AUMENTO mais ACENTUADO

O novo cenário se desenha num contexto em que o Rio de Janeiro, ao contrário de todos os demais estados do país, volta a apresentar tendência de alta para casos confirmados de Covid-19, conforme apontou o boletim do consórcio de veículos da imprensa deste domingo.

Flourish logo

Segundo a análise da Fiocruz, que leva em conta a semana dos primeiros sintomas da SRAG, o grupo de 80 anos ou mais tem também o maior número absoluto de hospitalizações entre as faixas que registram aumento. 

Nesse público, o total de novos casos projetados na atualização mais recente é de 595 ocorrências. 

Em seguida vêm as pessoas de 70 a 79 anos, com cerca de 420 hospitalizações, e de 60 a 69, com aproximadamente 380.

Além disso, a faixa etária dos 80 anos ou mais é a primeira a registrar um aumento contínuo nas projeções semanais, movimento que começou, de acordo com os dados, na semana epidemiológica iniciada no dia 13 de junho — e que já perdura, portanto, há mais de um mês. 

Na semana seguinte, foi a vez dos idosos de 70 a 79 anos. 

No início de julho, a faixa dos 60 a 69 anos começou a refletir a tendência. 

Como resultado, todos esses grupos atualmente apresentam mais chances de crescimento do que de queda na quantidade de internados.

Isso vai na contramão de todas as outras faixas etárias da população adulta, que mostram propensão à estabilidade ou à redução.

Os pesquisadores classificam as descobertas como preocupantes, já que os idosos foram a primeira parcela da ampla população cujos índices manifestaram o efeito positivo da vacinação contra a pandemia. 

Na avaliação de Bastos, ainda é cedo para definir as causas dos novos índices, mas já é possível levantar hipóteses. 

Uma delas se relaciona com os eventuais buracos na cobertura vacinal das pessoas com 60 anos ou mais.

— O Estado de São Paulo não fez o mesmo movimento nessas faixas etárias. 

Pode ser porque lá a cobertura vacinal entre idosos é maior do que no Rio. 

As internações que temos hoje nesse público PODEM SER de pessoas que atrasaram a segunda dose, ou que nem tomaram a primeira ainda — pondera o especialista.

Dados extraídos da plataforma LocalizaSUS e das estimativas populacionais do Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo (Seade) mostram que o número de idosos paulistas vacinados com ao menos uma dose da vacina já chegou a 120%, ou seja, superou as projeções da população total do estado para a faixa etária. 

Em comparação, o Rio se encontra no patamar dos 92% idosos contemplados com uma injeção do imunizante — o que indica, em números absolutos, que 221 mil idosos ainda estão à margem da campanha de vacinação (as informações estão sujeitas ao atraso na atualização dos dados). 

Só na capital, a quantidade de idosos que não voltaram para tomar a segunda dose da vacina beira os 100 mil, conforme o GLOBO mostrou neste sábado, a partir de informações da Secretaria municipal de Saúde (SMS).

Para o pesquisador Marcelo Gomes, membro do Mave, os novos números podem ter ainda uma outra causa: 

uma eventual saturação do efeito da vacina

A hipótese joga luz sobre a importância das medidas restritivas de combate ao contágio.

Ainda NÃO está muito claro o que está por trás desses números, mas um novo aumento de internações entre idosos pode significar que a vacina já entregou o que tinha de entregar, e que outros fatores seguem tendo influência sobre a pandemia. 

Não conseguimos reduzir o índice de transmissão, de modo que a população mais idosa, sobretudo dos 60 aos 69 anos, permaneceu superexposta — diz Gomes.

Em se tratando especialmente dos idosos com 80 anos ou mais, a ascensão da quantidade de internados talvez decorra, segundo o especialista, de uma possível queda do nível de proteção conferido pelas vacinas

Isso apontaria para a necessidade de reforço periódico da imunização desse grupo.

— Em termos de proteção coletiva, não se observa diminuição no efeito da imunização. 

Em pessoas com 60 a 79 anos, isso seria surpreendente, pois essa faixa foi contemplada há pouco tempo

Quanto à população acima de 80 anos, é aí que mora a grande discussão. 

Nessa idade, o sistema imune já não responde da mesma forma à vacina, um efeito da imunossenescência (redução da capacidade de resposta imunológica do organismo em idosos). 

Por isso será preciso avaliar a necessidade de uma terceira dose nesse público.

Ambos os especialistas descartam que a mudança de panorama se deva à influência da variante Delta, a mais transmissível das linhagens do SARS-Cov-2 já catalogadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e a segunda mais predominante nas análises de sequenciamento genômico do Estado do Rio. 

Bastos pontua que os números que dão base às projeções refletem uma situação epidemiológica anterior à chegada da variante ao estado.

— Ela podia já estar circulando, mas ainda não tinha sido confirmada. 

O que não quer dizer que o cenário não pode piorar em breve, com a contribuição dela — afirma o especialista.

Gomes lembra que a linhagem ainda está longe de se tornar predominante:

— O principal motivo disso é sobretudo comportamental. 

Ainda veremos como vai ser essa disputa de território entre a Delta e a Gamma, atualmente predominante. 

É uma questão de ecologia, de embate mesmo entre as linhagens. 

Ainda é cedo para pôr tudo na conta da Delta.

Crianças de 0 a 9 anos

A análise da Fiocruz também indica o aumento de hospitalizações por SRAG entre crianças de 0 a 9 anos com diagnóstico confirmado de Covid-19, único público que apresenta tendência de alta no indicador além dos idosos

Os pesquisadores ressaltam que essa faixa agora se encontra em sua pior fase em termos de internações desde o início da pandemia, com uma tendência contínua de aumento desde o fim de junho.

Para explicar o fenômeno, ainda obscuro para os cientistas, Bastos levanta uma hipótese: a das contaminações simultâneas.

— No caso da síndrome respiratória aguda grave, um aumento nas internações em crianças pode indicar o efeito de enfermidades sazonais, que costumam afetar especialmente a faixa dos 0 a 9 anos de idade. 

Vamos supor que uma criança dê entrada no hospital com SRAG causada por outro patógeno, mas também esteja infectada com o coronavírus.

Ou seja, ela teve uma segunda infecção. 

Nesse caso, não se trata de uma SRAG causada por Covid, e sim de uma SRAG em pessoa com Covid confirmada. 

É uma possibilidade que levantamos tendo em vista que o padrão de aumento registrado nessa faixa etária não se repete entre outros grupos de menores de idade, como o de 10 a 19 anos, por exemplo — explica o pesquisador.

Trata-se de uma hipótese pode se estender às demais faixas etárias com alta nas hospitalizações.

Estas, ao contrário do grupo de 0 a 9 anos, já foram contempladas pela campanha de imunização.

— Pode ser que, nos adultos, a vacina esteja prevenindo que a presença do coronavírus gere um quadro grave de Covid. 

E, por outro lado, pode ser que esses mesmos adultos estejam indo ao hospital com SRAG causada por outro agente. 

Nesse caso, teríamos mais um retrato do efeito positivo da vacina, que já se provou decisivo em outras parcelas da população.

— Pode ser também que as novas hospitalizações não tenham tido ainda desfecho clínico, e por isso o número de mortes ainda talvez aumente nas próximas semanas, que serão importantes — diz.

Segundo o especialista, contudo, houve pelo menos uma outra ocasião durante a pandemia em que a vacina desempenhou um papel determinante na prevenção de mortes, o que corrobora sua influência no panorama atual. 

Na terceira onda da Covid-19 no estado, enquanto as demais faixas etárias de 20 a 59 anos registraram dois picos de internações entre março e maio, o grupo das pessoas com 60 anos ou mais teve apenas um pico, em março.

— O repique observado entre as demais faixas etárias não se aconteceu entre os idosos. Mais um sinal de que as vacinas funcionam — afirma.

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Da ignorância se criou a fé,do conhecimento saiu a dúvida,pois o pensar está acima do crer...

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Por que os Estados Unidos não vencem mais as guerras

Fora a Guerra do Golfo em 1991, Washington não obteve nenhuma vitória clara desde 1945. As retiradas no Afeganistão e no Iraque refletem suas dificuldades frente às guerras de guerrilhas
Amanda Mars, de El País
03/08/2021 - 06:00 / Atualizado em 03/08/2021 - 09:45
Soldados americanos em base militar de Taji, ao Norte de Bagdá Foto: THAIER AL-SUDANI / REUTERS 23-8-20
Soldados americanos em base militar de Taji, ao Norte de Bagdá Foto: THAIER AL-SUDANI / REUTERS 23-8-20

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WASHINGTON - Uma semana antes da queda de Saigon, que marcou o fim da Guerra do Vietnã em abril de 1975, o coronel Harry Summers se reuniu em Hanói com seu homólogo vietnamita, o coronel Tu, para negociações de paz.

— Você sabe que você nunca nos derrotou no campo de batalha — disse Summers.

O coronel Tu ficou pensativo por um momento, e então respondeu:

— Pode ser, mas é irrelevante.

O diálogo exibe o paradoxo vivido pelos Estados Unidos na maioria dos conflitos que aconteceram nas décadas seguintes. O país tornou-se uma superpotência depois de 1945, o líder global após a queda da União Soviética, e, basicamente, parou de ganhar guerras.

Fora a Guerra do Golfo de 1991, quando o objetivo claro era expulsar o Iraque do Kuwait, os EUA não ganharam nenhuma guerra importante, clara e indiscutivelmente. A natureza das disputas mudou, e a maioria delas agora é conduzida por grupos terroristas e diferentes organizações, algo pantanoso e difícil de detectar.

Summers, que se tornou um escritor e estudioso daquela guerra maldita, concluiu que seu homólogo estava certo naquele dia. Que, derrotados ou não no campo de batalha, os americanos haviam perdido a disputa de duas décadas, de um modo tão terrível que se transformou até mesmo em um símbolo e em um lema: "Não queremos outro Vietnã".

Os americanos não queriam outro Vietnã no Afeganistão, não queriam no Iraque, não queriam em nenhuma das guerras que a maior potência mundial começou o novo século travando, e que viraram teias de aranha, sem que se seja derrotado, mas tampouco vitorioso, e as quais custa muito abandonar.

No caso afegão, foram duas décadas. Os últimos militares americanos partirão do país no dia 31 de agosto, com o Afeganistão à mercê da cada vez mais forte guerrilha talibã. No Iraque, o conflito mais impopular da História americana recente, o presidente Joe Biden concordou na semana passada em encerrar a missão de combate até o final de 2021, após 18 anos.

São conflitos que terminam sem capitulações nem cerimônias de vitória, onde o inimigo mal é visto e nem sequer veste uniforme. Biden admitiu no caso do Afeganistão que, após 20 anos,  os EUA não podiam mais esperar resultados diferentes dos obtidos.

— Alguns insistem que este não é o momento de partir — disse ele em um discurso em abril. — Quando seria um bom momento para ir? Daqui a um ano? Em mais dois? Em mais 10 anos? Depois de 10, 20, 30 bilhões de dólares a mais?

O professor de ciência política Dominic Tierney, residente nos Estados Unidos, estudou essa questão em profundidade em “The Right Way to Lose a War: America in an Age of Unwinnable Conflicts” (“A maneira certa de perder uma guerra: Os Estados Unidos em uma era de conflitos que não podem ser vencidos”).

— Os Estados Unidos são muito eficazes para chegar à vitória em guerras entre Estados, e por isso venceram a Guerra do Golfo de 1991. 

Mas 90% dos conflitos agora são civis, com guerrilheiros, terroristas e insurgentes lutando dentro do mesmo país. 

Os EUA enfrentam então dificuldades, porque não entendem a política local nem a dinâmica interna. 

O Afeganistão é um caso muito claro, porque é uma guerra em que entraram de repente, com os atentados de 2001, e não sabiam quase nada daquele país —  afirmou ele por telefone.

O presidente George W. Bush lançou a ofensiva junto com os países aliados apenas um mês após os ataques do 11 de Setembro, porque o Talibã estava abrigando Osama bin Laden e outros líderes da al-Qaeda ligados ao ataque. 

Seu objetivo era destruir esse grupo terrorista e expulsar o Talibã do Afeganistão. 

Para Dominic Tierney, houve um grande fracasso.

— Os Estados Unidos não se renderam ao Talibã, mas foi uma campanha de 20 anos terrivelmente custosa, em vidas e em dólares. 

O resultado é que o Talibã está ressurgindo. 

Se pudéssemos voltar a 2001 e dizer a eles que, duas décadas depois, eles continuariam no país, todos ficariam horrorizados — disse ele.

Os estágios iniciais da invasão criaram uma sensação de vitória, ele acrescenta, porque um pequeno número de soldados conseguiu expulsar o Talibã — uma miragem que encorajou Bush rumo à Guerra do Iraque dois anos depois. 

Eventualmente, perceberam haver dois problemas subjacentes: 

que o Talibã contava com um apoio considerável da população pashtun, e que eles dispunham de um santuário no Paquistão para se refugiar, se recuperar e voltar à guerra.

— A guerra acabou para os Estados Unidos, não para os afegãos — afirmou.

Mark Perry, analista de defesa do Quincy Institute e autor de uma dúzia de livros sobre política externa e guerra, discorda. 

Em sua opinião, a morte de Osama bin Laden e o colapso da al-Qaeda, que eram os principais objetivos, impediram que o Afeganistão figurasse na lista das derrotas, embora "seja claro que também não é uma vitória".

O problema, diz ele, é que os Estados Unidos "tiveram pretensões excessivas".

— Nunca fomos bons para construir Estados, e desperdiçamos vidas e riquezas tentando fazer isso. 

O mesmo aconteceu com o Iraque e a Síria, embora a Síria seja um caso especial, porque não tentamos lá.

Os Estados Unidos têm cerca de 200 mil soldados destacados em todo o mundo, um número que flutua constantemente por retiradas e reforços decididos quase diariamente, e que não inclui operações especiais e outras secretas.

Biden — e, apesar de antitético na substância e na forma, também Donald Trump — aposta desde a sua chegada à Casa Branca em reduzir recursos e esforços no Oriente Médio, e em chamar a atenção para os desafios que a China representa hoje em nível econômico e militar .

Iraque, o maior erro

O Iraque, entretanto, é um caso diferente do Afeganistão. 

Nesse caso, ao invés de uma redução drástica dos 2.500 soldados que ficaram no país, Washington acertou com Bagdá uma redefinição de seu papel no território, e continuará oferecendo treinamento e assistência logística. 

O governo Barack Obama já havia anunciado o fim da guerra em 2011, quando retirou quase todas as tropas. 

Em 2014, no entanto, os soldados voltaram a pedido do governo iraquiano para enfrentar o terrorismo do Estado Islâmico.

Para Perry, a Guerra do Iraque foi o maior erro da política externa americana em 40 anos. 

Os falcões do governo Bush a promoveram usando como principal argumento armas de destruição em massa que nunca foram encontradas.

— Não deveríamos ter ido e, se o fizéssemos, deveríamos ter alcançado o objetivo de derrubar Saddam Hussein e partir. 

Agora vamos embora, mas 20 anos depois — afirmou. 

— A lição dos últimos anos é que os Estados Unidos nunca deveriam ter se envolvido em conflitos civis no exterior. 

Creio que vimos as últimas intervenções americanas desse tipo por algum tempo.

As últimas semanas provaram que ele estava certo.

Em frangalhos, o governo interino do Haiti pediu o envio de tropas americanas para conter a instabilidade no país após o assassinato do presidente Jovenel Moïse. 

Biden respondeu em poucos dias que isso não estava na agenda.

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Santos Cruz diz que confusão criada por Bolsonaro com urna eletrônica é deliberada | Míriam Leitão - O Globo

Ex-ministro da Secretaria de Governo do presidente Jair Bolsonaro, General Santos Cruz

Meu entrevistado do programa de hoje, 23h30 na Globonews, é o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo. Para ele, o presidente Jair Bolsonaro está criando deliberadamente confusão com a urna eletrônica. Lembrou que tanto o presidente como seus filhos foram eleitos por este mesmo voto eletrônico por 20 vezes.

Perguntei se pode ser um plano para gerar convulsão social e as Forças Armadas serem obrigadas a intervir. Cruz respondeu que pode ser o plano sim, mas não vai dar certo pois as Forças Armadas são profissionais e não irão seguir.

Na entrevista, Cruz não deixou de criticar comandantes, mas poupou o do Exército. Também fez críticas ao ministro Braga Neto.
Questionei se seria candidato, e ele respondeu que gostaria de ser  independente, como é possível em outros países. Como nosso sistema não permite, admitiu que está conversando com alguns partidos. Cruz afirmou  que entrou no debate porque Bolsonaro estava criando uma anarquia no país. E que precisava estabelecer alguns pontos, como a defesa das Forças Armadas, que ele considera que estão sofrendo muito desgaste por conta da politização neste governo.

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CPI comete abuso de autoridade | Merval Pereira - O Globo

A segunda temporada da CPI da Covid vai começar com muitos fatos investigados e apurados e o ritmo vai ser mais intenso. Estão mapeando todas as irregularidades cometidas, podendo até anunciar um relatório final antecipado. Deve dar muitos  problemas para o Planalto, porque já há indícios fortes de que o governo Bolsonaro foi, no mínimo, relaxado na questão da pandemia – há até indícios de que foi deliberado o atraso na compra de vacinas e a proteção a medicamentos que não têm eficácia comprovada.

Mas a CPI precisa tomar cuidado para não abusar de sua autoridade, como a decisão de quebrar o sigilo fiscal e bancário da rádio Jovem Pan.

É fato que a rádio apoia o governo Bolsonaro, mas não se pode atacar uma empresa jornalística sem o mínimo de explicação convincente. Deveriam ir em cima do funcionário da rádio identificado como ligado ao gabinete de ódio do Palácio do Planalto. A Jovem Pan pode ter sua linha editorial e não pode ficar submetida a esse constrangimento; é um claro abuso de autoridade.

É preciso investigar os blogueiros bolsonaristas que recebem dinheiro do governo para estimular a militância, e com objetivos claros de perseguir pessoas e desmoralizar jornalistas de oposição. O mesmo aconteceu na gestão Lula-Dilma.

É uma atitude ilegal que precisa ser combatida. Mas um órgão profissional de imprensa, estabelecido, não pode sofrer essa ameaça.

Ouça o comentário na rádio CBN:

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Depois da variante Delta do novo coronavírus, teremos a Epsilon? | A hora da Ciência - O Globo

Por Margareth Dalcolmo

Pigmento especial de laboratório revela áreas onde variante delta do coronavírus invadiu células num experimento (verde)

Sabemos que vírus são microrganismos centenas de vezes menores que bactérias, que 80% deles infectam animais antes de humanos e que são mutantes por sua própria natureza. Essencialmente um pequeno pedaço de material genético com 400 a 900 genes, encapsulado em concha proteica denominada capsídeo.

Vírus são negados como seres vivos por muitos cientistas, uma vez que não possuem capacidade metabólica — precisam invadir a célula viva de um hospedeiro para ganhar energia e se reproduzir.

Existem, ademais dos vírus influenza dos gêneros A, B, C e D (sendo o A o grande causador de epidemias), quatro grandes grupos de vírus. Os retrovírus, que incluem sarampo, gripe, febre amarela e o HIV, não têm DNA, apenas duas fitas de cópias de RNA. Os filovírus, que incluem o ebola e as febres hemorrágicas, contêm apenas um filamento de RNA envolto em membrana. Ainda que esteja demonstrado que têm seus reservatórios em animais, como os morcegos, guardam seus mistérios. Nos flavivírus, cujo nome vem da palavra latina para coloração amarela, estão a dengue, febre do Nilo, Encefalite japonesa B e zika. E, finalmente, os coronavírus, cujo nome deriva do formato de sua cápsula em coroa composta pelas projeções da proteína espícula (spike).

Descobertos em meados da década de 1960, os coronavírus foram os causadores das epidemias de SARS (síndrome respiratória aguda grave) no ano de 2003 e da MERS (síndrome respiratória do oriente médio) em 2012. Como se espera das epidemias de vírus respiratórios agudos, essas desapareceram, ao contrário da endemicidade legada pela presente pandemia, visto a sua dispersão universal alcançada.

Dentre as mutações ocorridas no Sars-Cov-2 original, desde a cepa Wuhan, quatro são consideradas “de preocupação”. Para não estigmatizar a origem da sua mutação, são denominadas por letras gregas: Alfa, Beta, Gama e Delta.

Conhecendo a imensa capacidade de transmissão da denominada cepa Delta, várias vezes superior à original, e considerando o risco real que se torne dominante, inclusive no Brasil, uma questão se coloca. À luz da baixa cobertura vacinal completa no mundo, de par com a desigualdade de acesso aos imunizantes, precisaremos denominar uma futura mutação, seguindo o alfabeto grego? Teremos novas ondas, de morbimortalidade atenuada? Ou será como na Gripe Espanhola, que atingiu todo o planeta no início do século XX, em que a segunda onda foi mais letal do que primeira?

Em meio a tantas angústias do mundo real, sobretudo quanto à efetividade conferida pelas vacinas ora disponíveis, nos vemos entre percalços, surpresas, descobertas e decepções durante esse já longo período pandêmico. Mas não pensamos que chegaríamos a este ponto: ter que que avaliar o impacto que pessoas não vacinadas, por qualquer razão ou convicção obscurantista, podem causar a outros.

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Cientistas obtêm imagem de rádio mais detalhada possível até hoje de galáxia 'irmã' da Via Láctea

Imagem da galáxia de Andrômeda em 6,6 GHz, obtida por radiotelescópio na Itália Foto: S. Fatigoni et al (2021)
Imagem da galáxia de Andrômeda em 6,6 GHz, obtida por radiotelescópio na Itália Foto: S. Fatigoni et al (2021)

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RIO — Após 66 horas de observação e análise de dados obtidos por um radiotelescópio de 64 metros na Itália, cientistas chegaram até a imagem mais detalhada possível até agora da galáxia de Andrômeda, tida como "irmã" da Via Láctea. Segundo os autores do estudo, publicado recentemente no periódico "Astronomy and Astrophysics", a descoberta é um importante avanço no estudo sobre as regiões de Andrômeda onde nascem novas estrelas, o que também representa um melhor conhecimento da próxima galáxia onde está o planeta Terra.

— Compreender a natureza dos processos físicos que ocorrem dentro de Andrômeda nos permite entender o que acontece em nossa própria galáxia mais claramente, como se estivéssemos olhando para nós mesmos, de fora — disse Sofia Fatigoni, doutoranda no Departamento de Física e Astronomia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. — Esta imagem nos permitirá estudar a estrutura de Andrômeda e seu conteúdo com mais detalhes do que nunca foi possível.

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Participaram da análise cientistas da Universidade de Roma La Sapienza e do Instituto Nacional de Astrofísica italiano, que utilizaram o Radiotelescópio da Sardenha — de antena única, com uma grande área efetiva, e capaz de operar em altas frequências de rádio. Como resultado, surgiu a primeira imagem de rádio de Andrômeda na frequência de 6,6 GHz. Entre os dados obtidos, está a estimativa da taxa de formação de estrelas dentro da galáxia. Assim, o estudo mostra um mapa detalhado que destaca o "disco da galáxia" com a região onde nascem novas estrelas.

Galáxia Andrômeda, a 2,5 milhões de anos-luz de distância Foto: GALEX, JPL-Caltech / NASA
Galáxia Andrômeda, a 2,5 milhões de anos-luz de distância Foto: GALEX, JPL-Caltech / NASA

Até então nenhum mapa capturou uma região tão grande do céu ao redor da galáxia de Andrômeda havia sido feito nas frequências da banda entre um GHz a 22 GHz.

— Em particular, fomos capazes de determinar a fração das emissões devido aos processos térmicos relacionados às primeiras estações de formação de novas estrelas, e a fração dos sinais de rádio atribuíveis a mecanismos não térmicos devido aos raios cósmicos que espiralam no campo magnético presente no meio interestelar — disse Fatigoni.

Embora seja difícil perceber a estrutura da galáxia na faixa de frequência utilizada, os autores explicaram que só assim apareceriam características particulares, o que foi descrito como "crucial para entender quais processos físicos estão acontecendo dentro de Andrômeda".

— Ao combinar esta nova imagem com as adquiridas anteriormente, demos passos significativos no esclarecimento da natureza das emissões de microondas de Andrômeda e nos permite distinguir processos físicos que ocorrem em diferentes regiões da galáxia — disse a doutora Elia Battistelli, professora no departamento de física da Sapienza e coordenadora do estudo.

A partir do mapa resultante, os pesquisadores foram capazes de identificar um catálogo de cerca de 100 "fontes pontuais", incluindo estrelas, galáxias e outros objetos no fundo de Andrômeda.

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Saiba o que é Afasia Progressiva Primária, doença rara que causou a morte de Alicinha Cavalcanti

Promoter de 58 anos sofria de APP, uma doença neurodegenerativa que pode evoluir até que o paciente não consiga ter funções corporais básicas
Alicinha Cavalcanti Foto: reprodução
Alicinha Cavalcanti Foto: reprodução

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SÃO PAULO — A promotora  de eventos Alicinha Cavalcanti morta nesta segunda-feira (2), aos 58 anos, sofria de uma doença neurodegenerativa que era capaz de comprometer, sobretudo, a capacidade de comunicação.

Alicinha lutava contra a Afasia Progressiva Primária (APP), de acordo com a amiga Marília Gabriela, jornalista. Trata-se de uma doença extremamente rara, que evolui a quadros nos quais o paciente não consegue mais ter funções corporais básicas, como comunicar-se e movimentar-se. Quando muito avançado,  o quadro de saúde guarda semelhanças com o Alzheimer, outra doença degenerativa, mas com maior prevalência na sociedade.

A APP costuma ser identificada quando a pessoa apresenta dificuldades ao falar. Normalmente, a complicação de saúde aparece em pacientes com idade anterior aos 65 anos de idade. As complicações relacionadas ao quadro, por exemplo, causam a incapacidade de formar frases com sentido ou levam à utilização de palavras inadequadas no meio de frases.

— No começo, a pessoa tem autonomia, consegue fazer muitas coisas, apenas não consegue falar direito. Na progressão da doença, aparecem outras complicações, que é o quadro demencial e o esquecimento — explica Ricardo Amorim Leite, médico neurologista.

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De acordo com o especialista, a APP em si não é responsável por casos fatais. Porém, o comprometimento severo causado pela doença avançada impede a alimentação, a movimentação e, portanto, acarreta a queda progressiva da autonomia. A mortes relacionadas a quadros do tipo, portanto, são normalmente relacionada à infecções e outras complicações relacionadas ao estado global do paciente. Não existe medicamento próprio para o tratamento da doença.

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Diretor de filmes pornôs premiado é acusado de estupro por atrizes

Duas mulheres registraram boletins de ocorrência contra Fábio Pereira da Silva, conhecido como Binho Ted, diz site
O diretor Fábio Pereira da Silva, conhecido como Binho Ted Foto: Facebook / Reprodução
O diretor Fábio Pereira da Silva, conhecido como Binho Ted Foto: Facebook / Reprodução

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O diretor de filmes pornôs Fábio Pereira da Silva, conhecido como Binho Ted, de 43 anos, está sendo acusado de estupro por atrizes. Duas delas registraram boletins de ocorrência contra ele, que nega os crimes. As informações são do portal "UOL", que conseguiu contato com sete atrizes que já trabalharam com Fábio e relataram terem sofrido violência sexual por parte dele.

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De acordo com três das atrizes, a abordagem ocorreu em intervalos de descanso e fora dos sets de filmagem. Cinco relatos apontam para violação de regras durante filmagens: Fábio teria realizado ou tentado realizar práticas sexuais barradas pelas atrizes sem consentimento.

As atrizes afirmam que Fábio se aproveitaria, principalmente, das iniciantes, que se sentem mais inseguras e vulneráveis. Depois dos abusos, segundo elas, o diretor ameaçaria as vítimas, dizendo que iria prejudicá-las no trabalho e contaria sobre os filmes para parentes e amigos, já que algumas atrizes escondem o trabalho na indústria pornô.

Uma das atrizes que contou ter sido estuprada por Fábio foi Evelyn Buarque, de 23 anos. Segundo ela, em maio de 2018, quando estava se maquiando, o diretor tentou forçar uma relação sexual. A atriz o empurrou mas, de acordo com ela, Fábio só desistiu do abuso quando uma pessoa entrou no local onde eles estavam. Evelyn fez um boletim de ocorrência contra o diretor em maio deste ano.

"Ele dizia que, se eu abrisse a boca, perderia outros trabalhos. Eu me sentia manipulada, queria falar, mas não tinha forças. Eu era uma menina que estava começando e achava que as pessoas pensariam que eu queria aparecer", contou.

Evelyn criou um grupo de WhatsApp para incentivar mulheres a denunciar o diretor. Ela afirmou ter tido contato com 12 mulheres que io acusaram de abuso. Além dela, a atriz Teh Angel também fez um registro de ocorrência contra Fábio.

Exposição em vídeo

A primeira a expor o diretor foi Ágatha Ludovino, de 21 anos. Em 2019 ela publicou um vídeo numa rede social acusando Fábio de abusos em três ocasiões. Ela apagou o registro por, segundo afirma, ter recebido ameaças de pessoas ligadas a Fábio. Mas, agora, também pretende fazer um registro de ocorrência.

Ágatha contou que, após a publicação do vídeo, as ofertas de trabalho diminuíram. Ela acredita que isso aconteceu por Fábio ter pedido a outros diretores que não a contratassem. A atriz disse ter se sentido desamparada pois pelo fato de, logo após sua denúncia, Fábio ter vencido o Prêmio Sexy Hot como melhor diretor do ano — a premiação é a mais importante da indústria pornô do Brasil.

Luara Amaral, de 21 anos, disse que Fábio a traumatizou quando, em 2019, "passou a mão em suas partes íntimas" quando ela se trocava. Em outra ocasião ela afirma ter sido estuprada pelo diretor nos bastidores — ele não teria usado preservativo. A atriz denuncia que, no dia seguinte, foi novamente abusada por Fábio, que a fez tomar duas pílulas do dia seguinte.

De acordo com a reportagem do "UOL", há anos rumores sobre abusos cometidos por Fábio circulam nos bastidores da indústria de filmes pornôs. O portal teve contato com um diretor que, de forma anônima, revelou que Fábio contou ter "macetes" para se aproveitar de atrizes. A revelação teria sido feita durante um trabalho feito pelos dois, em 2020.

O Sexy Hot informou que, ao saber das denúncias, tirou de sua programação todos os filmes licenciados da HardBrazil, a produtora de Fábio, e deixou de comprar vídeos dela. O canal informou ainda que o prêmio de melhor diretor foi escolhido pelo público.

Diretor nega abusos

Há 22 anos na indústria pornô, Fábio nega os abusos. Ao "UOL" ele disse que as atrizes que o acusam qurem "aparecer", agem assim por motivos pessoais ou por "birra", por não terem sido mais chamadas para participar de seus filmes. O diretor alega também que produtores orquestram sua difamação para se livrarem da concorrência. Ele afirmou ainda que a acusação de Luara é falsa: "Filmamos na presença de todos uma cena de simulação de sexo. Não ocorreu estupro nem foi oferecida pílula para a atriz."

O diretor negou também as acusações de Ágatha, alegando que "ela vem a cada instante com uma versão mentirosa". De acordo com ele, "são todas inverdades". Já em relação a Evelyn, ele afirma não ter tido "nenhum tipode relação sexual" com ela. Fábio relatou ainda que, dois dias após a filmagem, a agtriz fez um post no Instagram para agradecer pelo trabalho.

Fábio deu entrada num inquérito policial, na 97ª DP, em São Paulo, contra Evelyn, Teh Angel e Ágatha Ludovino dizendo ter sido vítima de difamaçao e calúnia por parte das três.

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Imperdível: "Três estranhos idênticos". Documentário está na Netflix

Cena de 'Três estranhos idênticos' (Foto: Netflix)
Cena de 'Três estranhos idênticos' (Foto: Netflix)

Robert, David e Eddy são trigêmeos que ignoravam a existência um do outro até os 19 anos. 

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Documentário 'Três estranhos idênticos' narra uma história excepcional - Patrícia Kogut, O Globo

Patrícia Kogut

Cena de 'Três estranhos idênticos' (Foto: Netflix)
Cena de 'Três estranhos idênticos' (Foto: Netflix)

Gêmeos univitelinos costumam crescer buscando afirmar sua identidade para evitar a sombra da comparação. E é através do esforço de diferenciação que as individualidades vão sendo reforçadas. O que vemos no documentário “Três estranhos idênticos” é o inverso. Robert, David e Eddy são trigêmeos. Mas ignoravam a existência um do outro até os 19 anos. Quando se descobrem, nos anos 1980, o encantamento é imenso, um sentimento de tal maneira avassalador que eles só pensam em enxergar aquilo que têm em comum: os detalhes do corpo, o olhar, o gestual, o gosto pelos esportes, o temperamento etc. A incrível história desse trio é o tema do aclamado filme que está na Netflix. Daqui para a frente tem spoiler.

As crianças nasceram em um subúrbio de Nova York em julho de 1961. Foram entregues pela mãe biológica a um orfanato mantido pela comunidade judaica. Todos eles sabiam que eram adotados, mas não imaginavam que tinham irmãos. Suas famílias tampouco jamais foram informadas desse fato.

Até que, por uma incrível coincidência, o cenário muda. Chega a hora de Robert Shafran — adotado por um médico e sua esposa — ir à universidade. No primeiro dia de aula, ele é recebido de forma estranhamente calorosa pelos colegas. Alguns rapazes desconhecidos o abraçam. Meninas que ele nunca viu o beijam sensualmente. Eles o chamavam de Eddy Galland. Assim, o rapaz descobre que tem um gêmeo. Mais adiante, encontram o terceiro irmão. Por trás desse segredo, há um experimento científico de arrepiar e moralmente muito questionável.

O documentário narra uma história, por si, excepcional. O roteiro aprofunda isso, ao valorizar mistérios que só se esclarecem no fim. É imperdível.

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MUDOU a natureza da RESPOSTA institucional: agora são INQUÉRITOS (contra as LOUCURAS do Bozoloide) e NÃO "notinhas de repúdio"

O ministro do STF Luis Roberto Barroso

Na live de quinta-feira, foram duas horas de mentiras sucessivas, agressões aos ministros do STF e, principalmente, de ameaça a realização das eleições.

E o próprio Bolsonaro confessou, ao vivo e a cores, que NÃO tinha provas do que estava dizendo. - Palhaço Patético !!!

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Mudou a natureza da resposta institucional: agora são inquéritos e não notas de repúdio | Míriam Leitão - O Globo

O ministro do STF Luis Roberto Barroso
A abertura de inquéritos contra o presidente Jair Bolsonaro não foi uma mudança de tom, mas sim uma mudança da natureza da resposta institucional. Por unanimidade, a Corte do TSE abriu um inquérito administrativo para apurar os ataques sem provas que ele vem fazendo ao sistema eletrônico de votação. Em outra resposta, uma notícia crime foi apresentada no STF pelo ministro Luis Roberto Barroso ao Supremo Tribunal Federal para que o presidente Bolsonaro seja incluído no inquérito das fake news. 
O inquérito administrativo vai investigar corrupção, fraude, condutas vedadas, propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder político-econômico. Mas tudo isso no âmbito eleitoral, cujo fim pode ser inclusive a inelegibilidade. No STF, a investigação é criminal e ocorrerá no âmbito do inquérito que já está em andamento.  Os dois têm a mesma base: os constantes ataques sem provas às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral do país.
O mais duro movimento aconteceu porque o presidente, de sua parte, escalou numa proporção jamais vista na quinta-feira passada. Não foi só transmitida apenas pela rede social como usualmente. A emissora pública de televisão, a TV Brasil, retransmitiu a live. Foram duas horas de mentiras sucessivas, agressões aos ministros do STF e, principalmente, de ameaça a realização das eleições. E ele mesmo disse que não tinha provas do que estava dizendo.
Como o presidente escalou nas ameaças às eleições em si, a resposta institucional foi também  em outro patamar, não só as costumeiras notas de repúdio tradicional. Desta vez houve ação.

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Depois de quebrar internet, IZA diz: 'Mais importante é se olhar no espelho com afeto'

Cantora foi assunto nas redes sociais com fotos de biquíni
IZA Foto: Divulgação
IZA Foto: Divulgação

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Dona dos hits "Pesadão", "Brisa", Talismã" e "Gueto", IZA (tudo maiúsculo mesmo porque ela é superlativa), é uma voz potente na indústria da música, nas redes sociais e no campo da representatividade. Carioca gente boa de Olária, a estrela pop também assume sua porção modelo vez por outra. É tão apaixonada por moda que chegou a cogitar estudar o assunto na faculdade. Mas acabou mesmo com o canudo de Publicidade.

Em entrevista exclusiva à ELA, IZA fala sobre a importância da roupa para sua música, autoconfiança, amor próprio e até sobre lingerie. Leia a seguir.

IZA Foto: Divulgação
IZA Foto: Divulgação

Você acaba de assumir mais uma vez sua porção modelo para uma grife de lingerie. Como é estar nesse papel?

Acho importante me aliar a uma marca como a Valisere que pensa na representatividade da mulher brasileira, que mostra que a lingerie é versátil e que pode ser usada por todas como ferramenta de estilo com conforto e praticidade.

Qual é sua relação com a lingerie? Prefere as mais "sexy" ou confortáveis?

Sempre que a gente fala sobre o corpo da mulher, tocamos nesse assunto da autoconfiança, do amor próprio e da liberdade. Acho que quando a gente se sente confortável, quando uma peça foi feita pensando no nosso corpo, isso acaba mudando o olhar. Gosto das duas coisas. Na verdade, eu gosto de peças que combinam o conforto com a beleza. Gosto de me sentir sexy, mas ao mesmo tempo confortável.

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Falam muito de seus looks poderosos de clipes e shows. Como usa a moda?

Sempre gostei muito de moda, inclusive foi uma das faculdades que pensei em cursar. As roupas cantam por mim, quando não estou cantando. Sei que são uma forma de me comunicar, de me sentir segura, afinal elas são minhas aliadas. Acho legal que as pessoas prestem atenção nisso e entendo o impacto que isso tem na vida das meninas que se inspiram em mim e no meu trabalho. A moda não tem regra, não tem certo e errado, nem cor certa. Sou uma pessoa meio street, gosto de combinar rua com glamour.

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KRYSTSINA TSIMANOUSKAYA, atleta de BELARUS entra na embaixada da POLÔNIA em TÓQUIO e se RECUSA a voltar para casa.

Ministério das Relações Exteriores polonês informou que a velocista Krystsina Tsimanouskaya "recebeu a oferta de um visto humanitário e está livre para continuar sua carreira esportiva na Polônia, caso decida por isso"

Krystsina Tsimanouskaya no aeroporto em Tóquio
 1/8/2021   REUTERS/Issei Kato

Reuters - Uma atleta de Belarus no cerne de um impasse olímpico com seu próprio país entrou na embaixada da Polônia no Japão nesta segunda-feira, um dia depois de se recusar a embarcar em um voo para casa que disse estar sendo forçada pela equipe a pegar contra sua vontade.

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