_________________* Bolsonaro atira PEDRAS, _________________* STF responde com BOMBARDEIO _________________* A curiosa ALIANÇA da ESQUERDA com o EXTREMISMO ISLÂMICO

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Bolsonaro atira PEDRAS, STF_responde com BOMBARDEIO 

Ministro do STF Alexandre de Moraes - Rosinei Coutinho/SCO/STF

Gabriel Kanner: A curiosa aliança da esquerda com o extremismo islâmico

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Por que a palavra ISLAMOFOBIA foi absorvida pelo vocabulário da ESQUERDA IDENTITÁRIA ao lado de MACHISMO e HOMOFOBIA 

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[6G]: 2029_2036 (¿•?) PPV_MOISÉS vislumbra a TERRA PROMETIDA: LG bate novo recorde de distância na transmissão de dados.






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Bolsonaro é mais doido que Jânio - Eliane Lobato

Por Eliane Lobato

New York Times prevê fim de Jânio Quadros para Bolsonaro
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Por Eliane Lobato

O Brasil tem um enorme passado pela frente” (Millôr Fernandes)

Dia 25 próximo completam-se 60 anos da renúncia do presidente Jânio Quadros (1917-1992) e, no caos em que o Brasil se encontra, a data soa como uma sugestão a Jair Bolsonaro.

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Ele já se mostrou um insano muito pior do que o mandatário da década passada. Mas, desde que começou a derreter nas pesquisas sobre as eleições de 2022 e, simultaneamente, Lula passou a despontar como o mais forte candidato à presidência do País, suas fantasias golpistas avançaram para um patamar muito preocupante .

Bolsonaro perdeu a noção de ridículo, de impróprio, de limite, de responsabilidade. Vive em um universo de excentricidades patéticas, isolado e alienado da realidade. Talvez tenha chegado a hora de admitir que a maior autoridade brasileira pode, sim, ser  louca.  

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Muitos acham que é arriscado atribuir-lhe distúrbios mentais porque o louco é inimputável. Porém, é interditável.  

Apeá-lo do poder por problema cognitivo não é o melhor recurso para impedir que continue a destruir a democracia e a matar brasileiros por falta de vacinas. Mas a renúncia parece ser um trunfo que ele guarda para possível negociação quando seu clã – quatro filhos, mulher, ex-mulheres etc - estiver a caminho da cadeia.  

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O impeachment é um caminho jurídico previsto na Constituição, é o melhor e é desejado por 58% dos brasileiros, segundo pesquisa do PoderData. Porém, desrespeitosamente, o deputado Arthur Lira avisa que não vai colocar em votação nenhum dos mais de 100 pedidos encaminhados à Câmara.   

Comparar o mentecapto Bolsonaro com Jânio é injusto com o segundo - que era culto, inteligente e lúcido, embora tivesse fama de destrambelhado. Suas doidices, na maioria das vezes, resultavam em chacotas. Como quando proibiu que mulheres desfilassem de biquíni em concursos de Miss Brasil. Ou determinou que os funcionários públicos passassem a usar uma espécie de safari como uniforme. Além de comunicar-se com os subordinados através de bilhetinhos.

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O próprio símbolo de sua campanha era um deboche: uma vassoura que iria limpar o ambiente político. Surgiu, então, um slogan, sem autoria, dizendo que “depois de um doido varrido (referência ao antecessor Juscelino Kubitschek, que construiu uma cidade, Brasília), nada melhor do que um doido varrendo.” Ele abraçou a tese do maluco e a estratégia gerou votos.  

Apenas sete meses após iniciar o mandato, Jânio arriscou um gesto aparentemente tresloucado: enviou ao Congresso uma carta de renúncia. Mas o autogolpe era uma estratégia. Ele esperava que os militares e as forças políticas conservadoras, odiavam o vice, o “comunista” João Goulart  (1919-1976),implorassem para que renunciasse à renúncia e voltasse ao poder. Porém, no final,ele é que foi varrido do governo.   

Agora, Bolsonaro ameaça um autogolpe – ou contragolpe, como gosta de dizer - cometendo o mesmo erro de avaliação: acha que o ódio ao ‘comunista’ Lula e ao antipetismo das Forças Armadas formariam o cordão de proteção para salvá-lo.    

Por costear a mesma tese, o errático presidente deveria estudar a História antes de romper definitivamente com a democracia. Mas, pensando bem, o que se pode esperar de um chefe que deu a mais alta condecoração do Itamaraty a Olavo de Carvalho?  

Em resumo, os ‘milicos’ se apegaram ao poder e aproveitaram a chance para assumir o comando do Brasil. Armaram um golpe contra Jango, em 1964, e o marechal Castello Branco (1897-1967) iniciou uma ditadura militar que só acabaria 21 anos, muitas dívidas e corrupção depois. Jânio se ferrou, e levou o país para um período de trevas com Atos Institucionais, tortura, desaparecimentos e  mortes. Poderia se repetir, atualmente? Sim. Se a caserna tivesse disposta a embarcar na loucura do capitão reformado.   

Mas o lunático comandante brasileiro tem, hoje, o mesmo olhar da  ‘despedida da razão’ descrito pelo ex-senador Pedro Simon sobre Fernando Collor de Mello, em 2009.  

Transtornado, perdido, ele é uma vergonha alheia permanente. Em Águas Lindas, Goiás, perto do avião da Força Aérea Brasileira no qual iria embarcar, levantou os braços, saudou e curvou-se em agradecimento como se tivesse muita gente à sua frente. Porém, não havia ninguém no local, além de sua comitiva. Ele acenava para o vazio, como mostrou a câmera que filmou por detrás. Neste mês, abanou de um carro aberto para ruas praticamente vazias em Juazeiro do Norte, no interior do Ceará. Com o mesmo olhar.

Pouco inteligente e mal assessorado, o presidente parece estar em outro planeta quando imita o ditador fascista Benito Mussolini (1883-1945) em desfiles de motos  enquanto o país chora por mais de meio milhão de mortes devido a Covid. A última falácia foi afirmar que o desemprego, de 14,6%, e a inflação, de 8,99%, podem ser superados com “fé e crença.”  Somente um delirante guia de nação aconselharia um povo com fome e sem trabalho a orar para resolver o drama. Nada contra a oração, mas quem tem fome precisa é de comida.

Há três meses, um grupo de advogados e professores encaminhou um pedido ao Supremo Tribunal Federal para que Bolsonaro seja submetido a exames que investiguem se ele tem condições mentais de exercer as funções para as quais foi eleito. Caso seja declarado incapaz , pedem que seja afastado da Presidência da República.

O deputado federal Fausto Pinato (PP-SP) também já sugeriu internação civil para tratamento médico. “Não se trata de uma pessoa irresponsável, desequilibrada e sem noção de mundo. Na verdade, pode se tratar de uma grave doença mental que faz o presidente confundir realidade com ficção”, argumentou.  

Este ano, o PDT entregou ao Procurador Geral da República, Augusto Aras, pedido de interdição por insanidade mental do guia nacional. “O objetivo é o de impedir as ações negacionistas que multiplicam as mortes por Covid-19. Ele é louco e precisa ser interditado antes que mais brasileiros morram por sua loucura”, disse Carlos Lupi, presidente do partido.  

Há cerca de um mês, chegou à Câmara de deputados um megapedido assinado por 46 pessoas que representam sindicatos, associações, partidos etc, e lista 23 crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro. O Brasil quer sair do hospício.

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Laura Mattos: Como entrar na faculdade sem ensino médio

Em 2022, uma legião de alunos irá à universidade tendo feito apenas o 1º ano do ensino médio antes da Covid

Como serão médicos, enfermeiros, advogados, professores, jornalistas e demais profissionais da geração que está terminando o ensino médio neste e no próximo ano?

O efeito cascata dos impactos da pandemia na educação começa a dar as caras, e teremos em 2022 uma legião de alunos ingressando nas faculdades brasileiras tendo feito, de fato, apenas o 1º ano do ensino médio, antes da Covid, em 2019. O 2º e o 3º, como se sabe, foram “cursados” a distância, com uma parcela pequena de aulas presenciais, isso na melhor das hipóteses. Há estudantes que terão passado esses dois anos inteiros sem aula nenhuma, por dificuldade de acesso à internet e a dispositivos ou por terem se desengajado diante do caos que tem sido o ensino no Brasil.

  • Escola Luminova, na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo

Em 2023 será a vez dos universitários que ingressaram no ensino médio na pandemia, os quais terão cursado com alguma normalidade somente o 3º ano –ainda na dependência, sempre é bom frisar, de que se confirme essa trégua na contaminação. E, mesmo que 100% dos alunos possam assistir presencialmente às aulas em todos os estados no próximo ano, haverá a necessidade de se repor os conteúdos perdidos ao longo do 1º e do 2º ano, conforme já determinou o Conselho Nacional de Educação (CNE). Tudo isso em meio à tremenda discrepância do ponto de aprendizado em que cada estudante estará e às suspensões das turmas quando alguém testar positivo.

Os jovens sabem que não tiveram um bom preparo no ensino médio e se sentem inseguros em relação ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que seleciona estudantes para universidades. E o temor só aumentou neste segundo ano da pandemia. Em 2020, 49% pensaram em desistir da prova, enquanto em 2021 são 57%. Já o número dos que estão preocupados com o desempenho disparou, passando de 56% em 2020 para 74% em 2021 —os dados são da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus, realizada pelo Conjuve (Conselho Nacional da Juventude).

As dificuldades para se garantir uma vaga nas universidades, assim como para conseguir acompanhar os cursos de nível superior, serão, obviamente, maiores para estudantes do ensino médio público. Até os protocolos de afastamento em caso de Covid, conforme mostramos nesta Folhaampliam a desigualdade na educação, dando a estudantes de escolas privadas, com mais acesso a médicos e a testes, chances maiores de se manter em aulas presenciais. O próximo Enem e outros vestibulares vão começar a deixar claro o quanto esse fosso se ampliou. E já se espera pelo pior. Conforme disse à Folha, com extrema preocupação, a presidente do CNE, Maria Helena Guimarães de Castro, a maior parte das vagas das universidades públicas deve ser preenchida por alunos de escolas privadas, em uma escala superior à que já era realidade antes da pandemia. E, no ensino médio, só 13% são das particulares.

Os estudantes da educação básica privada, ressalte-se, também chegarão às universidades com uma base de aprendizado corroída pelo fechamento das escolas. Antes de mais nada, deve-se ponderar que 80% das escolas particulares são de pequeno e médio portes e que, dentre elas, há desigualdade na qualidade de ensino, o que se evidenciou na capacidade de dar soluções aos desafios da pandemia.

Pensemos, então, no melhor dos mundos, nos colégios de elite. Mais do que nunca, esses alunos estarão à frente na corrida pelas universidades, mas, ainda assim, não ingressarão no ensino superior com o mesmo preparo de tempos normais. O ensino remoto, por melhor que seja, é inferior a uma boa aula presencial, e até Salman Khan, astro das aulas online e fundador da Khan Academy, uma das maiores plataformas de ensino a distância do mundo, admitiu isso à Folha em entrevista publicada na segunda.

Há mecanismos para se preencher as lacunas do aprendizado nos próximos anos, entre elas, como Khan defende, ferramentas de reforço escolar gratuitas na internet. O problema é que no ensino médio o prazo para recuperação é curto. Em São Paulo, o 4º ano do ensino médio, criado com essa função, teve, de acordo com a Secretaria de Educação, baixa adesão, até porque o curso teve que ser online em parte deste ano. As chances de ganhar mais tempo ficarão, portanto, com aqueles que podem pagar por um cursinho pré-vestibular. Além de ter mais um ano para recuperar o conteúdo acadêmico perdido, terão também a chance de ganhar um fôlego para amadurecer, o que pode fazer toda a diferença especialmente para adolescentes da pandemia.

Mas o Brasil real não é o do cursinho pré-vestibular. Mesmo despreparados, praticamente sem o ensino médio, os jovens que entrarem na universidade já serão os vencedores, porque a tragédia maior será a explosão da evasão escolar. Pode dormir tranquilo o ministro da Educação, Milton Ribeiro, que defendeu em entrevista que a universidade no país deve ser para poucos. Já era assim antes da pandemia e de Bolsonaro, e será preciso muito tempo e esforço para que a educação brasileira se recupere dos estragos feitos por ambos e para que essa realidade possa finalmente mudar.

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Bolsonaro acabou - César Fonseca

24J: Ato Fora Bolsonaro em Porto Alegre
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Rejeição de 62%, segundo pesquisa do Atlas Político, é a marca antecipada da derrota em 2022 de Bolsonaro – se ele chegar lá –, mergulhado na má gestão e corrupção na pandemia; 

ela demonstra que o presidente c’est fini; 

ele passou a ser percebido como aquele que não trabalha, cuja ocupação é criar confusão; 

os seus aliados vão deixando-o para não serem tidos pelos seus conhecidos como desequilibrados tal qual o capitão; 

pinta, de forma generalizada, arrependimento entre aqueles que o elegeram; 

pior ainda ficam aqueles que ajudaram, indiretamente,  a elegê-lo, como se estivessem dando um voto útil, que se revela inútil, configurando atraso e desperdício; 

generaliza-se repúdio geral ao (des)governo que tem ministro da (des)educação que diz serem os deficientes físicos inabilitados para a aprendizagem e que a universidade pública não deve ser para todos; 

para todos, segundo o (anti)presidente, deve ser o analfabetismo, que condena o ser humano à escuridão é à exclusão; 

o ideal para o primeiro mandatário, que a história consagrará como o último e pior de todos, é toda a população estar contaminada pelo coronavírus por meio da imunização de rebanho. 

FOME E MORTE, ÂNCORAS DA INFLAÇÃO

Ele escancara a verdade macrabra: 

a ancora da inflação são o desemprego, a fome e a morte; 

o consumo cai, por falta de poder de compra dos salários, e os preços sobem, para manter constante e em elevação a taxa de lucro, para compensar o subconsumismo crônico;

o capital se descola do real para o imaginário e sua lucratividade passa a ser dada pela pura especulação; 

nunca o mercado financeiro ganhou tanto; 

por isso, os bancos passam a distribuir relatórios aos seus clientes, dando conta de que o objetivo e o foco central do capital são não deixar Lula ganhar eleição; somente eliminando-o da disputa, continuarão usufruindo da mamata, como deixou claro o recado de Steve Banon, ex-assessor ultradireitista de Donald Trump, aliado e guru de Bolsonaro;

tal qual Bolsonaro, o capital especulativo não trabalha, só ganha explorando o suor dos outros e mentindo, ao criar expectativas fantasiosas que nunca se realizam, como as pregações de Paulo Guedes; 

o farsante ministro da Fazenda tenta se equilibrar nas medidas ultraneoliberais que conseguiu, com os bolsonaristas, aprovar no Congresso, mas seu resultado prático está sendo paralisação econômica; 

não à toa diz o nacionalista Delfim Netto, ex-guru da economia, na ditadura militar, que a ameaça não é Lula, mas a continuidade de Guedes.

SOLUÇÃO NACIONALISTA LULISTA

Ao contrário de Guedes, xodó dos especuladores, sinônimo de desequilíbrio macroeconômico, Lula, solução nacionalista aos olhos de Delfim, executou, como sua gestão comprovou, o sonho popular: valorização do salário(reajuste pela inflação mais correção real pelo PIB acumulado nos dois anos anteriores), fortalecimento dos programas sociais, melhor distribuição de renda, sustentabilidade da moeda e estabilidade dos preços, nos moldes capitalistas clássicos, assegurando, consequentemente,  social democracia; ou seja, Lula é o normal, o contrapolo do anormal, do desequilíbrio neoliberal, que, Bolsonaro instaurou, graças ao golpe de 2016, montado pelo neoliberalismo de Washington; 

enquanto, agora, o salário caminha para o zero ou negativo na sua expressão máxima do termo, como o ideal dos que, na especulação, vivem da mais valia absoluta e relativa, fora dos parâmetros da normalidade, Lula desperta a nova esperança;

o senso popular já sofre no lombo a absurda distorção bolsonarista enquanto o reajuste salarial é zero, o dos bens de primeira necessidade vai às nuvens, no rastro da inflação que caminha para dois dígitos; 

em doze meses sobem:

óleo de soja, 84%; etanol: 60%; feijão, 49%; arroz, 46%; gasolina, 42%; diesel, 41%; acém. 40%; contrafilé, 36%; picanha, 34%; carne de porco,33%; gás veicular, 30% açúcar refinado, 25%, e por aí vai.

DEMOCRACIA X BANCOCRACIA

Mais destrutivos ainda à bolsa popular são os lucros dos bancos: mais de 90% no primeiro semestre; 

não é sem razão, portanto, que o oligopólio bancário abre o jogo, defendendo exclusão de Lula da eleição de 2022 como forma de sustentar a lucratividade infinita da banca;

o suprassumo do capital especulativo só encontra sua maior taxa de lucro possível, se Lula não voltar ao poder; 

como não tem terceira via capaz de garantir essa mamata financeira monumental, Bolsonaro é a solução ideal mais adequada aos especuladores; 

ele expressa o fechamento político, o breque na democracia; 

não é  essa alternativa anunciada pelo chefe do Planalto, ao tentar envolver os militares num golpe bonapartista, para fechar o Supremo Tribunal Federal, que pune a exaltação nazifascista do autoritarismo bolsonarista? 

O capitão caiu na real: a rejeição de 64% apontada pelas pesquisas inviabiliza sua reeleição; 

por isso, do ponto de vista da sua lógica antidemocrática – a mesma do capital financeiro – a democracia não é solução, mas o problema.

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Os laços do Sionismo com o Nazismo - Sayid Marcos Tenório

Por Sayid Marcos Tenório

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu em Jerusalém 13/04/2021
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Desde o encontro de Bolsonaro, e outras figuras do seu governo e entorno, com a deputada e líder do partido de extrema-direita, e considerado neonazista, Alternativa para a Alemanha (AfD), Beatrix von Storch, neta do ministro das Finanças de Adolf Hitler, Lutz Graf Schwerin von Krosigk, muitos têm questionado sobre as contradições existentes nesse encontro, uma vez que Bolsonaro, embora useiro de atitudes fascistas e da simpatia pelo nazismo, é um fervoroso defensor de Israel, o estado judeu de apartheid incrustrado no Oriente Médio.

O movimento sionista, criado no final do século XIX, embora formado por judeus, sempre teve proximidade com os nazistas alemães. Essa relação é ocultada desde sempre pelas lideranças e, principalmente, pela historiografia oficial de Israel, que utiliza os horrores do Holocausto em seu benefício e como forma de chantagem contra o mundo, quando se sabe que não foram mortos apenas judeus nos campos de concentração nazistas da Europa.

A relação entre nazistas e sionistas não está apenas na coincidência do uso de camisas pretas pelo bando fascista de Benito Mussolini, na Itália, e pelos esquadrões do movimento juvenil Sionistas Revisionistas Betas, fundado em 1923 na Letônia e chefiado por Menachen Begin, que viria a ser o sexto primeiro-ministro de Israel, em 1977. O Movimento adotava o uso de camisas marrons em suas reuniões e manifestações, as mesmas utilizadas belos bandos nazistas de Adolf Hitler na Alemanha.

É bom lembrar de dois episódios que atestam essa ligação de sionistas com nazistas. O primeiro foi em 1933, quando o 18º Congresso da Organização Mundial Sionista, realizado em Praga, rejeitou, por 240 votos contra e 43 a favor, uma resolução que conclamava a atuação do movimento contra Hitler. Depois desse Congresso e com a esmagadora derrota da moção contra Hitler, a Organização Sionista Mundial rompeu o boicote judeu e se converteu no principal distribuidor de produtos nazistas em todo o Oriente Médio e no Norte da Europa.

O outro episódio dessa estranha relação foi quando os sionistas levaram o expoente do Serviço de Segurança (SS) nazista, Leopold Von Mildenstein (1902-1968), para uma visita à Palestina em 1934. Dessa visita resultou um longo relatório recheado de elogios ao sionismo, publicado pelo jornal nazista Der Angriff (O Assalto, em alemão), criado pelo ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebels, que ordenou que se cunhasse uma medalha comemorativa ao evento, com a suástica nazista, em uma face, e a estrela de Davi, na outra.O escritor estadunidense Ralph Schoenman, na obra A história oculta do sionismo (2008), relata vários episódios da história em que lideranças do movimento sionista mundial preferiram se associar aos nazistas, a desenvolver qualquer iniciativa para proteger os judeus do extermínio nos campos de concentração na Europa. Ele escreveu: “em lugar de demonstrar compaixão, os sionistas celebraram a perseguição de outros, mesmo quando eles, primeiro, traíram os judeus e, depois, os degradaram. Eles escolheram para si um povo vítima, a quem pudessem infligir um projeto de conquista.” O autor também acusa os sionistas de colaborar “com os piores perseguidores dos judeus durante o século XIX e século XX, incluindo os nazistas.”

Nazismo e sionismo são ideologias de direita

O sionismo é uma ideologia de direita que se apropriou do judaísmo como forma de dar sustentação às suas teses racistas e supremacistas, quando sabemos que nem todos os judeus são sionistas ou apoiam as atrocidades de Israel. Surgiu apoiado em teses fantasiosas, entre elas a de “uma terra sem povo para um povo sem terra”, tendo como base as teorias defendidas por Theodor Herzl no livro O estado judeu, de 1896, no qual o autor advoga pela existência de um lar para os judeu, onde supostamente teria existido o “Reino de Israel”, ou seja, na Palestina. A Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a aprovar, em 1975, a Resolução nº 3.379, que assemelha o sionismo ao racismo. Essa resolução foi revogada em 1991, por lobby judeu e do governo dos Estados Unidos. Sendo o sionismo uma ideologia racista e supremacista judaica, que pratica um apartheid contra o povo palestino, a meu ver, não pode haver, no seu interior, nenhum posicionamento de esquerda. Logo, o chamado sionista de esquerda é uma enorme contradição.

Apesar dessa colaboração registrada pela história e que a propaganda de Israel não pode apagar, sionistas fazem uso conveniente dos horrores do Holocausto contra judeus, ciganos, comunistas, deficientes, mestiços, homossexuais e opositores do regime de Hitler, com o nítido interesse de deturpar os fatos e criar uma cortina de fumaça ideológica em seu favor. Filkenstein atesta que “o movimento sionista, que sempre invoca o horror do Holocausto, tenha colaborado ativamente com o inimigo mais feroz que os judeus já tiveram.”

O que nos chama à atenção é o fato de muitos judeus, no mundo inteiro e particularmente no Brasil, continuarem mantendo uma linha tênue com nazistas e seus assemelhados, como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro. E isso impressiona não apenas pelo presidente ter recebido, com pompa e circunstância, uma deputada nazista no gabinete presidencial, mas pelos inúmeros exemplos de semelhança entre o discurso de Hitler e o de Bolsonaro. 

Durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro foi recebido efusivamente no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, onde, entre outros absurdos racistas contra quilombolas, disse que as minorias “ou se adequam ou desaparecem”. Apesar disso, muitos judeus votaram em Bolsonaro e continuam apoiando e fazendo parte do seu governo.

As semelhanças históricas, políticas e comportamentais fazem cair por terra o mito de que os sionistas e o estado judeu de Israel são o legado moral do Holocausto. Na Alemanha das décadas de 1930 e 1940, os sionistas se aliaram, fizeram acordos e colaboraram com os nazistas, quando os judeus tinham sua existência ameaçada. E, no Brasil, associam-se a Bolsonaro, um sujeito que flerta com o nazismo, conforme descobertas da antropóloga Adriana Dias, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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Sobre a guerra do Afeganistão - José Luís Fiori

Por José Luís Fiori

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Por José Luis Fiori 

“Whenever western leaders ask themselves the question, why are we in Afghanistan, they come up with essentially the same reply: “to prevent Afghanistan becoming a failed state and haven for terrorists”. Yet there is very little evidence that Afghanistan is coming stable. On the contrary, the fighting is intensifying, casualities are mounting and the Taliban are becoming more confident” (Gideon Rachman, Financial Times, 26 de junho de 2010).

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A queda de Cabul, em 15 de agosto de 2021, não me surpreendeu. Em 2010, escrevi um artigo tratando da derrota americana. Tampouco me espanta que tenham ficaram mais 11 anos no Afeganistão matando militares e civis para depois acabarem neste fiasco gigantesco da retirada final de suas tropas, em direção a novos objetivos…

Segue abaixo, o artigo de 2010.

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A superioridade numérica e tecnológica das forças americanas, e da OTAN, com relação aos guerrilheiros talibãs do Afeganistão, é abismal. No entanto, a situação estratégica dos EUA e dos seus aliados, depois de nove anos de guerra, vem piorando a cada dia que passa. Em apenas um mês, o presidente Obama foi obrigado a demitir, por insubordinação, o famoso Gal Stanley McChystal, que ele havia nomeado, e que era o símbolo da “novas” estratégias de guerra do seu governo.

E agora enfrenta um dos mais graves casos de vazamento de informação da história militar americana, com detalhes sanguinários das tropas americanas, e acusações de que o Paquistão – seu principal aliado – é quem prepara e sustenta os guerrilheiros talibãs. Depois do envio de mais 30 mil soldados americanos, em 2010, a situação militar dos aliados não melhorou; os ataques talibãs são cada vez mais numerosos e ousados; e o numero de mortos é cada vez maior. Por outro lado, o apoio da opinião pública americana e mundial é cada vez menor, e alguns dos principais aliados dos EUA, como a Holanda e o Canadá, já anunciaram a retirada de suas tropas, e a própria Grã Bretanha, vem sinalizando na mesma direção.

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Faz algum tempo, o general americano, Dan McNeil, antigo comandante aliado, declarou à revista alemã Der Spiegel, que seriam necessários 400 mil soldados para ganhar a guerra, e talvez por isto, quase ninguém mais acredite na possibilidade de uma vitória definitiva. Por outro lado, o governo do presidente Hamid Karzai está cada vez mais fraco e corrompido pelo dinheiro da droga e da ajuda americana, a sociedade afegã está dividida entre seus “senhores da guerra”, e o atual estado afegão só se sustenta com a presença das tropas estrangeiras. E por fim, a luta no Afeganistão, contra as redes terroristas e contra o al-Qaeda de Bin Laden também vai mal, e está sendo travada no lugar errado. Hoje está claro que os Talibãs não participaram dos atentados de 11 de setembro, nos EUA, e eles estão cada vez mais distantes da AL-Qaeda e das redes terroristas cuja liderança e sustentação está sobretudo, na Somália, no Yemen, e no Paquistão.

E quase todos os estrategistas consideram que seria mais eficaz a retirada das tropas e o rastreamento e controle a distancia das redes terroristas que ainda existam no território talibã. Resumindo: a possibilidade de vitória militar é infinitesimal; os talibãs não defendem ataques terroristas contra os EUA e não dispõem de armas de destruição de massa; e não existem interesses econômicos estratégicos no território afegão. Por isto, a Guerra do Afeganistão se transformou numa incógnita, para os analistas políticos e militares.

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Do nosso ponto de vista, entretanto, a explicação da guerra e qualquer prospecção sobre o seu futuro requerem uma teoria e uma análise geopolítica de longo prazo, sobre a dinâmica das grandes potências que lideram ou comandam o sistema mundial, desde sua origem na Europa, nos séculos XV e XVI. Em síntese:

(1) nesse sistema mundial “europeu”, nunca houve nem haverá “paz perpétua”, porque se trata de um sistema que precisa da preparação para guerra e das próprias guerras para se ordenar e expandir;

(2) nesse sistema, suas “grandes potências” sempre estiveram envolvidas numa espécie de guerra permanente. E no caso da Inglaterra e dos EUA, eles começaram – em média – uma nova guerra a cada três anos, desde o início da sua expansão mundial;

(3) além disto, este mesmo sistema sempre teve um “foco bélico”, uma espécie de “buraco negro”, que se desloca no espaço e no tempo e que exerce uma força destrutiva e gravitacional sobre todo o sistema, mantendo-o junto e hierarquizado. Depois da Segunda Guerra Mundial, este centro gravitacional saiu da própria Europa e se deslocou na direção dos ponteiros do relógio: para o nordeste e sudeste asiático, com as Guerras da Coréia e do Vietnã, entre 1951 e 1975; e depois, para a Ásia Central, com as Guerras entre o Irã e o Iraque, e contra a invasão soviética do Afeganistão, durante a década de 1980; com a Guerra do Golfo, no início dos anos 1990; e com as Guerras do Iraque e do Afeganistão, nesta primeira década do século XXI.

(4) deste ponto de vista, se pode prever que a Guerra do Afeganistão deverá continuar, mesmo sem perspectiva de vitória, e que os EUA só se retirarão do território afegão, quando o “epicentro bélico” do sistema mundial puder ser deslocado, provavelmente, na mesma direção dos ponteiros do relógio.

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Samsung traz Galaxy Book Go ao Brasil; notebook dobra em 180 graus

Nova linha de notebooks promete alto desempenho e conectividade.

Por Fábio Oberlaender, do home office

Samsung traz Galaxy Book Go ao Brasil; notebook dobra em 180 graus
1 de 3 Samsung traz Galaxy Book Go ao Brasil; notebook dobra em 180 graus
Divulgação/Samsung

Samsung anunciou a chegada ao Brasil do notebook econômico Galaxy Book Go pelo preço sugerido de R$ 2.999. Desenvolvido com o processador Snapdragon 7c Gen 2, o laptop tem tela LCD de 14 polegadas e promete alto desempenho aos usuários, além de integração com outros produtos da linha Galaxy – em especial os smartphones. O anúncio ocorreu nesta quinta (19).

Um trabalho em conjunto com a Qualcomm rendeu ao novo notebook da Samsung recursos já presentes nos smartphones mais poderosos da marca, como melhor uso de inteligência artificial para deixar a experiência mais fluida, além da economia da bateria durante a utilização.

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Samsung Galaxy Book Go — Foto: Foto: Divulgação/Samsung

Com menos de 15 mm de espessura e pesando cerca de 1,38 kg, o Galaxy Book Go é um computador leve e portátil. Sai de fábrica com o Windows 10. Outro ponto a favor é a durabilidade da bateria que, de acordo com a fabricante, resiste a até 18 horas de uso com apenas uma carga. O laptop conta também com webcam HD de 720p para chamadas por vídeo.

O Galaxy Book Go não possui ventoinha para resfriamento devido ao chip de alta eficiência energética da linha Snapdragon, o que ajuda na diminuição do nível de ruído da máquina. O processador de oito núcleos se divide em dois de até 2,55 GHz e seis de até 1,8 GHz. Vale lembrar que ele roda uma versão do Windows 10 com arquitetura Arm, que no passado suscitou dúvidas sobre o desempenho de alguns aplicativos.

Com uma dobradiça flexível em 180 graus, o lançamento da Samsung conta ainda com durabilidade de nível militar, além de um teclado resistente a líquidos.

Notebook Galaxy Book Go tem integração com outros aparelhos Galaxy — Foto: Divulgação/Samsung
3 de 3 Notebook Galaxy Book Go tem integração com outros aparelhos Galaxy — Foto: Divulgação/Samsung

Notebook Galaxy Book Go tem integração com outros aparelhos Galaxy — Foto: Divulgação/Samsung

A ficha técnica menciona 2 USB-C, 1 USB 2.0, 1 microSD, HP/Mic e Security slot (Nano). O aparelho é compatível com Wi-Fi 5 802.11ac 2×2 e Bluetooth 5.1.

Disponível na cor Mystic Silver, o Galaxy Book Go tem preço sugerido a partir de R$ 2.999 nas lojas da Samsung e de redes varejistas.

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Leonardo Sakamoto - Bolsonaro pede ao STF que Aras continue sendo seu Parça-Geral na República

Jorge William / Agência O Globo
Imagem: Jorge William / Agência O Globo
Leonardo Sakamoto

Colunista do UOL

20/08/2021 09h26

Jair Bolsonaro pediu ao Supremo Tribunal Federal que garanta ao seu aliado, Augusto Aras, o poder de continuar agindo como seu Paparicador-Geral na República. Ou seja, evitando investigações constrangedoras contra ele e seu governo.

Por conta da inação do procurador-geral da República, o STF tem instaurado inquéritos de ofício, sem depender de pedido do Ministério Público Federal, em casos que envolvem ataques à própria corte e ao Tribunal Superior Eleitoral. Enquanto ataca e ameaça ministros do STF em lives, em entrevistas e nas redes sociais, Bolsonaro pede que isso seja revisto.

Se por um lado a abertura de inquérito por ofício é alvo de críticos dos que acreditam que isso extrapola as atribuições do STF, por outro é defendida pelos que afirmam que ela obedece às regras e que é o único caminho diante de uma PGR que sistematicamente age como advogado de defesa de Bolsonaro.

A questão central é o que fazer diante de instituições que deixaram de cumprir seu papel. Independente do debate, os inquéritos têm funcionado como um dos freios ao golpismo do presidente.

Um levantamento de Eloísa Machado, professora da FGV Direito SP e coordenadora do centro de pesquisas Supremo em Pauta, e da pesquisadora Luiza Pavan, aponta que a Procuradoria-Geral da República age de forma alinhada à Advocacia Geral da União na defesa de Bolsonaro.

Nas 103 ações que questionam atos do governo em que houve manifestação de ambas as instituições, houve um alinhamento entre AGU e PGR em 85,71% delas no mérito, em 71,43% quanto ao pedido liminar e 93,97% em questões processuais de admissibilidade.

O problema, como afirmam as responsáveis pela pesquisa, é que a PGR está se alinhando a uma posição da AGU que defende o "direito" de Bolsonaro de governar ao arrepio da Constituição e do interesse público. Representativo disso é que ambas as instituições defenderam que o governo indicasse e distribuísse remédios sem eficácia para a covid-19 da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 707.

Soma-se a isso o fato de a PGR ter sido responsável por apenas 1,74% das ações contra atos do governo federal, entre 2019 e 2021, ou seja, em um momento em que o presidente atacou sistematicamente a democracia.

O primeiro inquérito aberto de ofício pelo STF foi o que investiga as fake news criadas contra a corte, em 2019. Recentemente, o Supremo incluiu Bolsonaro nas investigações, a pedido do TSE, para apurar as mentiras do presidente sobre fraude nas urnas eletrônicas.

Tudo isso ocorre em meio à tensão de quem pode ir preso no curso das investigações. O inquérito sobre uma milícia digital que atua de forma criminosa para desestabilizar a democracia, investigação herdeira daquela que analisava os atos antidemocráticos, tem potencial explosivo. Tendo já atingido vários de seus aliados, como o presidente do PTB, Roberto Jefferson, Bolsonaro teme que ele chegue a seus filhos, principalmente o vereador Carlos Bolsonaro, apontado como o responsável pelo Gabinete do Ódio.

"Não se pode abrir um processo contra o presidente da República sem ouvir o Ministério Público, isso é ditadura", afirmou Bolsonaro nesta quinta (19). Para quem defende tanto a ditadura militar brasileira (1964-1985) e se cala quando os seguidores pedem um novo Ato Institucional número 5 (que cassou direitos e deu superpoderes aos ditadores em 1968), a crítica é cinismo puro.

Após a prisão preventiva de Jefferson, na sexta (13), em meio ao inquérito sobre a milícia digital, Augusto Aras afirmou ser contrário à decisão porque ela representaria uma "censura prévia à liberdade de expressão".

A mesma justificativa de censura à liberdade tem sido usada pela defesa do chefe do Poder Executivo. Pressionado pelo Supremo a apresentar provas de uma de suas maiores mentiras, de que as eleições de 2018 e 2014 foram fraudadas, a Advocacia-Geral da União e a Secretaria-Geral da Presidência afirmaram que essa cobrança impõe "uma verdadeira censura ao direito fundamental da livre expressão do pensamento do cidadão Jair Messias Bolsonaro".

Em outras palavras, o governo que quer o "cidadão Jair" tenha o direito de minar a credibilidade do sistema eleitoral sem ter evidências para tanto. A visão de "liberdade de expressão" em ambos os casos é distorcida, pois considera que esse direito é absoluto. Ou seja, por estarem em uma democracia, Jefferson ou Bolsonaro teriam a liberdade de ferir de morte a própria democracia e não serem devidamente responsabilizados por isso.

Bolsonaro escolheu Augusto Aras para o cargo fora da tradicional lista tríplice de candidatos votados entre os próprios procuradores da República. Desde então, de olho em uma vaga no Supremo, o PGR tem blindado o presidente. Ainda agora, com a indicação de André Mendonça para substituir o ministro Marco Aurélio Mello, ele nutre a esperança de ser indicado porque o Senado não morre de amores pelo ex-AGU. Mas, se não rolar, a recondução ao cargo está de bom tamanho.

Com isso, segue fazendo o que for necessário para agradar Jair, incluindo se tornar seu Protetor-Geral na República. O problema é que o plano do presidente é desmontar o país e reconstruí-lo à sua imagem e semelhança. O que faz de Aras seu cúmplice.

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Reportagem: Chico Alves - Arthur Lira é novo alvo de bolsonaristas em aplicativos de mensagens

Arthur Lira, presidente da Câmara - Getty Images
Arthur Lira, presidente da Câmara Imagem: Getty Images
Chico Alves

Colunista do UOL

20/08/2021 10h33

A enxurrada de fake news distribuída em grupos de mensagens como convocação para os atos a favor de Jair Bolsonaro no dia 7 de setembro tem um novo alvo. Além de criticar o Supremo Tribunal Federal e o Senado, bolsonaristas passaram a disparar nos últimos dias ataques ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o principal aliado de Bolsonaro no Congresso.

Como de costume, a ofensiva é baseada em informação falsa. "Bomba!!! Lira fraudou a votação. Brasília vai explodir!!!", diz uma das mensagens, referindo-se à sessão da Câmara que descartou a PEC do voto impresso. O texto não tem nenhuma sustentação na realidade.

Além das mentiras, o extremismo é outra marca das mensagens de convocação para a manifestação do dia 7. Em alguns vídeos, homens que se apresentam como caminhoneiros dizem que vão fechar as estradas federais como protesto até a saída dos ministros do Supremo.

Em uma das gravações, um bolsonarista com camisa da seleção brasileira mostra vários motorhomes como se fossem caminhões e diz que a categoria dos caminhoneiros vai aderir ao ato, o que não é verdade.

Entre outras fraudes, mensagens com áudios falsificados dos ministros Braga Netto (Defesa) e Tereza Cristina (Agricultura) também foram enviados aos grupos.

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Análise: Olga Curado - Candidato "terrivelmente evangélico" de Bolsonaro não vai para o STF

André Mendonça e Jair Bolsonaro  - Carolina Antunes/PR
André Mendonça e Jair Bolsonaro Imagem: Carolina Antunes/PR
exclusivo para assinantes

20/08/2021 22h56

Atualizada em 20/08/2021 23h15

O capitão já foi informado que o seu indicado "terrivelmente evangélico" para a vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) não deve assumi-la. O senador Davi Alcolumbre poderá explicar na próxima semana que não faz sentido dar vazão ao desejo do capitão, em indicar a quem quer que seja para uma instituição que vem desancando e tentando desacreditar. Não faz sentido um presidente da República, que questiona a decisão de um juiz, propondo impedimento dele porque não concorda com o seu julgamento, querer povoar o Tribunal.

A ideia do capitão em pedir o impedimento de dois ministros - Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, e Alexandre de Moraes - resultou na primeira interferência medianamente bem-sucedida do amortecedor do Palácio do Planalto, Ciro Nogueira, que negociou e obteve um pedido só. O capitão cedeu: trocou dois pedidos de impeachment por um - de Moraes.

Formas de prolongar o luto

A desculpa apresentada pelo capitão para que o pedido de impeachment fosse feito - os mandados de busca e apreensão contra Sérgio Reis - é uma desculpa amarela. Já era do conhecimento dele que iria acontecer. Não foi uma surpresa. O Aras encaminhou o pedido ao STF no início da semana. E mesmo o PGR não teve como se negar a agir diante do absurdo dos áudios e vídeos do cantor passadista na conclamação a um levante antidemocrático. Optou pelo caminho mais brando: da busca e apreensão, quando havia gente do lado querendo que fosse pedida prisão do boquirroto com veleidades ditatoriais.

O capitão pagará um preço. Alto. O STF também. Vai conviver com dez ministros - ou seja o empate nas decisões -, mas reconhecendo que, neste momento, a Corte está unida em torno da defesa da institucionalidade. Portanto, pode conviver com a dificuldade de ter empate em votações, ou seja, risco de impasse. Mas, isso não deve acontecer. Os ministros estão passando por cima das idiossincrasias pessoais e doutrinárias para manter o próprio STF.

O gesto do capitão, considerado histórico, tanto pelo ineditismo quanto pela petulância de apresentar um pedido de impeachment contra um ministro do STF, é descarado. Uma tentativa de seguir no seu esforço de mobilização da sua tropa, que está minguando. Segue seus instintos, que miram na criação de fatos que cairão no vazio à custa de estresse da democracia. Foi assim no delírio do voto impresso, e a cada dia, ou semana, tenta uma pauta nova para alimentar os robôs das milícias digitais.

André Mendonça será "cordeiro" sacrificado no altar dos desvarios do capitão. O advogado fiel, cuja indicação foi feita pelo capitão no dia 13 de julho, teria as credenciais para ocupar a vaga deixada pelo ministro Marco Aurélio, aposentado no dia 12 de julho. O rito de confirmação do nome do ex-AGU (advogado-geral da União) precisa de votação do Senado Federal, que inclui a sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A decisão de pautar a sabatina é do senador Davi Alcolumbre, presidente da comissão. O senador não deverá pautar.

Nos Estados Unidos, o Congresso cozinhou em fogo lento um indicado de Barack Obama para uma vaga na Suprema Corte. Obama não conseguiu nomear o juiz Merrick Garland para a Suprema Corte, na vaga deixada por Antonin Scalia. O Comitê Judiciário à época, dominado pelos republicanos, nem sequer concedeu audiências ao juiz indicado para sabatiná-lo. A compensação foi dada ao juiz por Joe Biden, que o nomeou procurador-geral de Justiça.

Davi Alcolumbre não se inspira no Senado conservador dos Estados Unidos. Ainda que tenha ouvido apelos, nos últimos dias, para seguir com o andor de André Mendonça, o desvario delirante do capitão reformado, em pedir impeachment de Alexandre de Moraes, levou por água abaixo os argumentos de que seria o momento de acenar com boa vontade.

O STF não engoliu a desfaçatez. Repudiou a estultice do capitão (digo eu, estultice, não o STF) e não silenciou diante do questionamento da autonomia de julgamento de um juiz. É o tal capitão querendo ser juiz do juiz.

Enquanto isso, o Pacheco, presidente do Senado, tenta se equilibrar nu discurso insosso, justificando que "qualquer cidadão" pode pedir impeachment de um ministro do STF. Conversa. Quer ser visto como pacificador olímpico e conquistar o espaço de uma idealizada candidatura de terceira via para a Presidência da República. Doce ilusão. Não é moderado, é medroso mesmo.

Talvez Alcolumbre possa ensinar um pouco a seu sucessor.

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STF repudia pedido de impeachment de Bolsonaro contra Alexandre de Moraes

Rafael Neves e Gilvan Marques

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

20/08/2021 20h00

Atualizada em 20/08/2021 21h39

"O Supremo Tribunal Federal, neste momento em que as instituições brasileiras buscam meios para manter a higidez da democracia, repudia o ato do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, de oferecer denúncia contra um de seus integrantes por conta de decisões em inquérito chancelado pelo Plenário da Corte", diz trecho do comunicado. (Leia nota, na íntegra, abaixo)

Advogado: 'Chance de impeachment contra Moraes prosperar é próxima a zero'

O Estado democrático de Direito não tolera que um magistrado seja acusado por suas decisões, uma vez que devem ser questionadas nas vias recursais próprias, obedecido o devido processo legal STF reage a pedido de impeachment feito por Bolsonaro

Bolsonaro cumpriu em parte o que anunciou na semana passada e apresentou hoje ao Senado o pedido de impeachment de Moraes. Essa é a primeira vez que um presidente da República pede o impeachment de um ministro da Corte.

O pedido foi assinado pelo presidente e protocolado hoje. Bolsonaro não incluiu o ministro Luis Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e frequente alvo de suas críticas.

No documento encaminhado ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) (Clique aqui para ler), Bolsonaro argumenta que o "Judiciário brasileiro, com fundamento nos princípios constitucionais, tem ocupado um verdadeiro espaço político no cotidiano do País".

Na sequência, o presidente classifica o Judiciário como um "verdadeiro ator político" e afirma que, "justamente por isso, deve estar pronto para tolerar o escrutínio público e a crítica política, ainda que severa e dura".

Bolsonaro questiona Alexandre de Moraes pela condução do inquérito das fake news — em 4 de agosto, o ministro do STF acolheu o pedido feito pelo TSE e incluiu o presidente da República na investigação para apurar a disseminação de notícias falsas. As decisões do TSE e do STF foram motivadas pelos repetidos ataques do chefe do Executivo às eleições.

Configura-se na espécie crime de responsabilidade pelo Excelentíssimo Senhor ministro Alexandre de Moraes ao impulsionar os feitos inquisitoriais com parcialidade, direcionamento, viés antidemocrático e partidário, sendo, ao mesmo tempo, investigador, acusador e julgador. Trecho do documento entregue pelo Planalto ao Senado

Trechos do pedido de impeachment protocolado por Bolsonaro contra Alexandre de Moraes - Reprodução - Reprodução
Trechos do pedido de impeachment protocolado por Bolsonaro contra Alexandre de Moraes Imagem: Reprodução

Escalada de tensão

A crise entre Bolsonaro e o Judiciário vinha em alta desde que o presidente começou, ainda no ano passado, a intensificar os ataques contra o sistema eleitoral. Ao lado disso, o STF vinha tomando decisões que desagradavam os bolsonaristas, como a prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), que havia divulgado um vídeo com ameaças e incitações de violência física aos ministros.

Por estar à frente de decisões como essa, Moraes já vinha sendo repudiado por apoiadores de Bolsonaro há mais de um ano. Barroso, por sua vez, entrou na mira do presidente nos últimos meses quando tomou, na condição de presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a dianteira da defesa às acusações sem provas que o bolsonarismo começou a propagar entre os seguidores.

As tensões explodiram há uma semana, no último dia 13, com a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB. A medida foi uma iniciativa da PF, autorizada por Moraes, mas os apoiadores do presidente concentraram suas críticas no Supremo. No dia seguinte, Bolsonaro anunciou no Twitter que abriria processos contra Moraes e Barroso.

Leia nota na íntegra

O Supremo Tribunal Federal, neste momento em que as instituições brasileiras buscam meios para manter a higidez da democracia, repudia o ato do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, de oferecer denúncia contra um de seus integrantes por conta de decisões em inquérito chancelado pelo Plenário da Corte.

O Estado Democrático de Direito não tolera que um magistrado seja acusado por suas decisões, uma vez que devem ser questionadas nas vias recursais próprias, obedecido o devido processo legal.

O STF, ao mesmo tempo em que manifesta total confiança na independência e imparcialidade do Ministro Alexandre de Moraes, aguardará de forma republicana a deliberação do Senado Federal.

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Lula diz que Centrão vai abandonar Bolsonaro e que polarização em 2022 "será entre fascismo e democracia"

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva


247 - 
O ex-presidente Lula (PT) afirmou na noite desta sexta-feira, 20, que pretende conversar com todos os partidos para as eleições presidenciais de 2022. Segundo ele, em julho do ano que vem, os integrantes do ‘Centrão’ “vão pular do barco [de Jair Bolsonaro] pra tentar se salvar”.

"Quando chegar em julho de 2022 vocês vão ver quantos do centrão vão continuar com o Bolsonaro e quantos vão pular do barco pra tentar se salvar. Como você não tem muitos partidos ideológicos no Brasil, muitos pensam eleitoralmente na cidade deles", escreveu Lula.

"Nao vou perguntar se a pessoa é de direita ou de esquerda, vou perguntar se é humano. Se é civilizado. Meu lema é o diálogo. É urgente cuidar do Brasil. Por isso em cada estado que eu chego peço pra Gleisi reunir os partidos pra gente conversar. E daí polarização é entre o fascismo e a democracia. E acho que a gente tem que polarizar mesmo. Quem quiser escolher o fascismo vai escolher", diz. : 

"E vamos conversar com todo mundo. Não pergunto pra pessoa se ela tá no centrão ou não, quero ouvir de cada um qual é o compromisso que a pessoa tem com o Brasil. Eu quero saber se eles estão conformados com esse tanto de gente na rua, com esse tanto de gente passando fome".

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A cada gesto de confronto, só restam duas opções a Bolsonaro: ou dá golpe ou sai preso, diz Wadih Damous

Wadih Damous e Jair Bolsonaro


247 - 
O advogado e ex-deputado federal Wadih Damous avalia que, com cada gesto de confronto contra as instituições, só restarão duas opções a Jair Bolsonaro: “ou dá golpe ou sai preso”.

“A cada atitude de confronto, como o pedido de impeachment de ministros do Supremo, Bolsonaro vai criando um cenário para si próprio em que só restarão duas únicas opções: ou dá um golpe ou sai preso”, postou Damous no Twitter.

No início da noite desta sexta-feira (20), o Palácio do Planalto protocolou o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

A promessa de Bolsonaro era de que ele entregaria o pedido “a pé” ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-RO), contra Moraes e também contra o ministro Luís Roberto Barroso, que além de integrar o STF presidente do Tribunal Superior Eleitoral, e com quem tem embates públicos diários há várias semanas.

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Alcolumbre: 'não há mais clima' para votar indicação de André Mendonça após pedido de impeachment

Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e advogado-geral da União, André Mendonça
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247 - O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que, diante da ofensiva de Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, não vai mais pautar a indicação de André Mendonça ao STF.

Segundo o jornal O Globo, Alcolumbre avaliou que "não há mais clima" para que a indicação feita por Bolsonaro entre na pauta do Senado. "Se Bolsonaro não respeita o Supremo, não tem condições de cobrar celeridade para a indicação", afirmou Alcolumbre. 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou que é contra o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Pacheco disse que não antevê motivos para o impeachment do ministro, e nem do próprio Bolsonaro. "Não vamos nos render a nenhum tipo de investida que seja para desunir o país. Contem comigo para união, não divisão... não antevejo elementos para impeachment de ministro do STF nem do presidente", afirmou.

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Moses Will Never Reach The Promosed Land

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Bolsonaro ateou fogo às vestes

Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes

Por Alex Solnik 

Ao pedir, sem nenhum fundamento legítimo, o impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes, Bolsonaro coloca mais lenha na fogueira. 

O gesto, inédito na história da democracia brasileira, piora ainda mais a sua situação. 

Primeiro, porque ele será derrotado. Pacheco não vai dar seguimento.

Segundo, porque Ciro Nogueira sai desmoralizado, depois de ter se empenhado para dissuadi-lo, o que abala a aliança com o centrão (como, aliás, o ex-presidente Lula previu ontem). 

Terceiro, Bolsonaro conseguiu unir ainda mais o STF contra ele. 

Quarto, aumentou mais a crise institucional, que era tudo o que o mercado não queria. Se o desembarque do setor financeiro do governo estava próximo, agora ficou mais iminente.   

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LG bate novo recorde de distância na transmissão de dados usando 6G

Imagem: LG
Imagem: LG

Talvez você se pergunte como o 5G, que temos lido e ouvido a respeito há anos, ainda não engrenou de vez, mesmo nos países em que a tecnologia está mais avançada. Essa é uma resposta complicada, mas posso te mostrar uma justificativa a partir do que virá a seguir — no caso, o 6G. Nesta sexta-feira (20), a LG anunciou ter batido um novo marco de envio da futura rede de dados sem fio. O recorde? Transmitir o sinal de um prédio para o edifício da frente.

A LG trabalhou com os Institutos Fraunhofer Heinrich Hertz (HHI) e Fraunhofer para Física de Estado Sólido Aplicada, ambos na Alemanha, para desenvolver um novo amplificador de potência, bem como uma tecnologia de formação de feixe adaptável, que é usada para direcionar melhor os sinais sem fio. Em 13 de agosto, a tecnologia foi usada para transmitir com sucesso um sinal de 6G na faixa de 155 a 175 GHz. O sinal partiu do edifício do HHI em direção ao Instituto de Tecnologia de Berlim, em uma distância de 100 metros.

Isso pode não parecer um recorde pouco significativo, visto que os dois prédios estão basicamente próximos um do outro. Mas não se engane: é uma etapa importante para fazer com que as tecnologias que impulsionarão o 6G funcionem em um ambiente prático, e não apenas dentro de um laboratório rigidamente controlado.

O recorde anterior pertencia à Samsung. Em junho deste ano, a sul-coreana usou um transmissor de 140 GHz, desenvolvido pela primeira vez em 2017 na Universidade da Califórnia (EUA), para transmitir dados a uma taxa de cerca de 775 MB por segundo (6,2 Gbps), a uma distância de aproximadamente 15 metros. Antes da Samsung, o recorde de velocidade pertencia à Nokia que, em parceria com a empresa turca Turk Telekom, alcançaram 4,5 Gbps em março de 2021. A LG não informou a velocidade obtida nos testes na Alemanha.

6G ainda levará anos para ser lançado

Com o anúncio desta sexta, a LG Electronics, que tem trabalhado com o laboratório de pesquisa europeu Fraunhofer-Gesellschaft, não entrou em detalhes sobre quantos dados foram transmitidos. Contudo, sabemos que o 6G será extremamente rápido. Isso porque os sinais as futuras redes de sexta geração vão existir no espectro terahertz (THz), que não é utilizado atualmente, além de 100 GHz e em uma largura de banda mais ampla de frequências. Para efeito de comparação, os sinais 5G operam em uma faixa de frequência de até 40 GHz.

O problema com as frequências THz é que, até o momento, elas têm um alcance muito limitado e tendem a perder energia ao passar por antenas usadas para transmissão e recepção. Em vez de adicionar ainda mais torres de celular em todo o país para preencher as lacunas, a solução ideal é encontrar maneiras de aumentar a distância das transmissões 6G.

Também é importante lembrar que o padrão 6G ainda nem foi finalizado, o que não acontecerá até 2025, no mínimo. A LG estima que uma versão estável e de longo alcance do 6G esteja pronta em 2025, mas o lançamento comercial da tecnologia só deve chegar aos primeiros consumidores a partir de 2029 ou 2030 — e isso levando em consideração as estimativas mais positivas, ainda mais quando lembramos que o 5G ainda não decolou no mundo.

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Jornalista Bianca Santana derrota Bolsonaro na Justiça e recebe indenização por danos morais

Jornalista Bianca Santana
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247 - O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmou nessa quinta-feira (19) a sentença que condenou Jair Bolsonaro (Sem Partido) a indenizar em R$ 10 mil a jornalista Bianca Santana. Durante uma live, em maio de 2020, Bolsonaro acusou a jornalista de ter veiculado fake news. No fim de julho, ele pediu desculpas.

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À Revista Fórum, a jornalista afirmou ser "um alento que a justiça tenha sido reafirmada. O texto do relator, que embasou o voto dos desembargadores, é uma importante peça na defesa da liberdade de expressão e do exercício do jornalismo". "Pedir desculpas não desfez o estrago nem significou uma mudança de postura. Pelo contrário, Bolsonaro e quem está perto dele segue atacando a imprensa e violando direitos de toda a população", disse (leia a íntegra na Revista Forum).

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Dá para ganhar 5x mais no Tesouro Direto, mas opção não é para todo mundo

exclusivo para assinantes

Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/08/2021 04h00

O investidor que procura o Tesouro Direto geralmente busca alguma tranquilidade e rendimentos certos, ainda que tenha que se contentar com retorno mais modesto. Mas há também quem use essa modalidade para tentar ganhos que podem extrapolar em até cinco vezes a rentabilidade comum desses títulos.

Os especialistas ouvidos pelo UOL dizem que, sim, é possível especular no Tesouro Direto —assim como os traders fazem na Bolsa — e ter uma rentabilidade bem maior do que a contratada, mas alertam que esse ganho depende do comportamento de indicadores e está reservado a algumas opções de títulos.

Investidores começam na Bolsa com R$ 352; que ações comprar com esse valor?

Marcação a mercado

O caráter de renda fixa do Tesouro Direto está no fato de que há uma garantia de renda ao final do contrato, mas, até que o prazo de vencimento desse contrato chegue, os títulos prefixados e indexados à inflação (Tesouro IPCA) podem ser negociados a um valor diferente do valor contratado. É nessa diferença que está a oportunidade.

Esses títulos sofrem o que é chamado de marcação a mercado, que é, basicamente, a diferença entre o preço de compra e o de venda, o que não acontece com os pós-fixados, como o Tesouro Selic. É essa particularidade que permite aos prefixados e indexados pela inflação renderem mais a quem os negocia antes do prazo de vencimento.

Como é possível buscar esse rendimento acima do valor contratado?

Carregar um título do Tesouro Direto até o vencimento implica receber exatamente aquilo que foi contratado. O rendimento acima do que foi estabelecido na compra do título só pode acontecer quando ele é vendido antes do vencimento, mas é preciso que isso aconteça em uma situação de queda da taxa aquém da que foi estabelecida quando o título foi negociado.

"Essa diferença de rentabilidade da taxa que você contratou para a taxa de mercado atual, você recebe antecipadamente por conta da marcação a mercado. Então, seu título valoriza e passa a valer mais diante da redução da taxa. É assim que, com um título de taxa de 10%, você recebe retornos de até 50%", afirma Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Research.

Quando os juros sobem, o efeito é inverso, o título rende menos na venda antecipada e o investidor que quiser ter o máximo rendimento possível deve segurar o título até o vencimento.

Rentabilidade variável na renda fixa

Mesmo em caso de rentabilidade acima do valor original, esse volume de dinheiro a mais pode variar conforme os indicadores de mercado, explica Mauro Calil, professor e presidente da Academia do Dinheiro.

"É preciso saber a hora de vender. Não é porque o nome é renda fixa e porque rendeu 18% em um mês que no próximo mês vai render igual. A renda é fixa porque existe uma promessa de rendimento, mas, na prática, ela é variável", diz o especialista.

Quais os riscos desse tipo de operação?

As taxas que incidem sobre a rentabilidade desses títulos são as de juros futuros, e elas podem mudar em um instante.

"Havendo qualquer incerteza, os investidores vão precificar os juros futuros maiores, e aí, o preço ao mercado cai e você perde no curto prazo", diz o professor. Essa perda, porém, é apenas no caso de venda antecipada do título. "Se você levar até o final [até o vencimento], você não perde nem ganha, você vai levar aquilo que contratou", diz.

Quem pode fazer trade no Tesouro Direto?

trader e Investidor profissional João Homem explica que existe a possibilidade de fazer negociações frequentes com o Tesouro Direto, mas, para isso, "é preciso entender bem sobre como é composto um título e sobre matemática financeira, para que possa aproveitar oportunidades de comprar títulos com taxas mais altas e preços mais baixos, e vendê-los com taxas mais baixas e preços mais altos".

Já teve algum momento em que fazer trade com títulos públicos foi lucrativo?

Sim. João conta que, em 2016, houve situações em que era possível comprar um título prefixado pagando 14% ao ano durante um período de cinco anos e receber isso em 2021, num cenário de juros a 3% ao ano, que era a taxa futura prevista pelo mercado.

"Imagine que você emprestou dinheiro a um amigo em 2016 com juros de 14% ao ano prefixados, pois era a taxa praticada naquele momento. Porém, a cada mês a taxa praticada foi caindo, mas seu amigo cumpria o acordo de te pagar a taxa pré-acordada (14%). Sendo assim, você estava tendo um desempenho acima do mercado", diz.

O que prejudica a rentabilidade de quem faz trade com o Tesouro?

Impostos. Qualquer título de renda fixa tem uma tabela regressiva, com pagamento de 22,5% de Imposto de Renda sobre o lucro para quem vende antes de seis meses, caindo até 15% para quem retira o dinheiro depois de dois anos de aplicação.

Além disso, tem a incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para operações durante os primeiros 30 dias, o que praticamente anula qualquer rentabilidade em vendas de um dia para o outro (day trade).

"Se você decidir fazer day trade com o título, não vai fazer sentido, porque ao comprar num dia e vender no outro, você vai pagar um IOF de quase 98% sobre o que ganhou. Só faz sentido para operações um pouco mais longas, de pelo menos duas ou três semanas, porque o IOF cai bastante, mas ainda tem o IR", afirma Marília.

Vale a pena fazer trade com os títulos?

Os especialistas são unânimes em dizer que o atual ciclo de alta da taxa Selic joga contra a marcação a mercado e, portanto, contra a rentabilidade em operações de trade com títulos públicos do Tesouro Direto.

Para ter ganhos acima das taxas contratadas, as taxas de mercado precisam cair, o que não está no cenário atual. "As taxas estão subindo e existe o risco de você ter prejuízos com essas operações neste momento", afirma Marília.

Homem também não crê que este seja o momento para especular em Tesouro Direto,

"Nossos juros reais circulam entre neutro e negativo, a inflação segue num ritmo muito acelerado, o risco Brasil está aumentando e houve deterioração do Tesouro brasileiro nos últimos meses", diz.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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Opinião: Chico Alves - Bolsonaro sugere método usado por milícias para baratear gás de cozinha

Chico Alves

Colunista do UOL

20/08/2021 14h13

Atualizada em 20/08/2021 15h50

Definitivamente, o presidente Jair Bolsonaro não sabe mais o que fazer para justificar ao eleitorado mais pobre a alta do preço do gás de cozinha. Há algumas semanas, prometeu lançar um programa de compra de botijões para a população mais carente e disse que a Petrobras teria R$ 3 bilhões para gastar com isso. Acabou desmentido pela empresa, que informou em comunicado que "não há definição" sobre tal projeto. Ontem, em sua live semanal, Bolsonaro fez mais uma declaração esdrúxula.

Começou comentando a intenção de alguns governadores de instituir o vale-gás. Em sua oratória trôpega, disparou: "Mas eu acho que, em vez do vale-gás, se zerar o imposto estadual ICMS, vai ser excelente. Sabe por quê? Nós podemos começar a tratar da venda direta do botijão de gás, a exemplo do etanol".

Após sofrer racismo, filha de senegaleses quer mostrar a África ao Brasil

A proposta maluca do presidente parte do princípio de que os governadores deveriam abrir mão de uma fatia de sua principal fonte de recurso, o ICMS, para baratear o preço do botijão.

Mais à frente, dá pitaco sobre a melhor forma de comercialização.

"Você pode pegar o teu caminhãozinho, para a tua comunidade, você vive às vezes num condomínio fechado. Uma vez por mês teu caminhãozinho vai lá e compra ali 100 botijões de gás. ICMS tá zerado", ensinou ele. "O frete do caminhãozinho vocês pagam do condomínio. Margem de lucro: zero. Não precisa ter lucro para quem for entregar lá, é o trabalho comunitário". Com isso, garante Bolsonaro, o preço seria a metade do atual.

O presidente sabe muito bem que essa receita já é posta em prática em muitas áreas pobres do Rio. Milicianos que dominam favelas cariocas periodicamente dispõem de muito mais que 100 botijões de gás. A diferença é que nesse "trabalho comunitário" o lucro não é zero. Pelo contrário. Milicianos cobram uma fortuna por cada botijão, que acaba ficando mais caro que nos distribuidores regulares.

Sob o domínio das armas pesadas da milícia, as leis de concorrência de mercado são inexistentes.

Em mais uma tentativa de se eximir da responsabilidade do poder público e repassá-la a outros, Bolsonaro radicalizou. Se a sugestão presidencial vingasse (o que é improvável), os grupos paramilitares poderiam gabar-se de que, ao menos no ramo do gás de cozinha, seu empreendimento contaria com o aval do presidente.

A fórmula bolsonariana de barateamento tem ainda uma inovação importante. Ao propor que os governadores baixem a zero o ICMS, ele na prática indica o caminho para que os cofres públicos recebam menos impostos e os distribuidores clandestinos de botijões lucrem ainda mais.

Não há possibilidade à vista de que esse delírio se concretize. Mesmo assim, a ideia de Bolsonaro deve ter sido muito comemorada em Rio das Pedras. Os milicianos agradecem.

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Embaixada alertou secretário de Biden em julho sobre colapso de Cabul, diz jornal

Governo dos EUA havia afirmado que inteligência não previa queda rápida da capital afegã

São Paulo

Cerca de 20 funcionários do Departamento de Estado que atuavam na embaixada americana em Cabul enviaram, em 13 de julho, um memorando interno para o secretário Antony Blinken e outra alta autoridade da pasta alertando sobre o potencial colapso da capital afegã logo após 31 de agosto, prazo estabelecido por Joe Biden para a retirada das tropas dos EUA.

A informação foi publicada pelo jornal americano The Wall Street Journal nesta quinta (19), com base em relatos de uma autoridade americana e de uma pessoa familiarizada com o telegrama da representação diplomática.

Combatentes do Talibã circulam armados em Cabul
Combatentes do Talibã circulam armados em Cabul - Wakil Kohsar/AFP

O memorando, enviado pelo canal confidencial do Departamento de Estado, alertava sobre o ganho rápido de território pelo Talibã e a queda subsequente das forças de segurança afegãs —serviria, portanto, de evidência que o governo Biden sabia da situação local.

O informe trazia ainda recomendações de como mitigar a crise e acelerar a retirada de cidadãos americanos e pedia ainda que a pasta usasse uma linguagem mais dura para descrever atrocidades cometidas pelo grupo extremista em sua ofensiva.

De acordo com o WSJ, 23 funcionários da embaixada, todos americanos, assinaram o telegrama, que teria sido enviado com urgência e lido por Blinken. Procurado pelo jornal, o Departamento de Estado se negou a comentar o assunto. Um porta-voz disse à agência de notícias Reuters que as visões de diplomatas compartilhadas com o órgão foram levadas em consideração e que dissidências internas de opinião são valorizadas.

Em maio já surgiam relatos de combatentes cercando postos militares na zona rural, deixando como opção para as lideranças dos vilarejos a rendição ou a morte.

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A revelação do conteúdo do telegrama vem após o chefe do Estado-Maior dos EUA, Mark Milley, afirmar, nesta quarta (18), que relatórios de inteligência não indicavam que a queda do governo do Afeganistão com o avanço do Talibã se daria tão rapidamente.

“Não havia nada que eu ou qualquer outra pessoa tenha visto que indicava um colapso do Exército e do governo em 11 dias", disse o general, em entrevista coletiva ao lado do secretário de Defesa, Lloyd Austin —a primeira dos dois desde que o grupo fundamentalista islâmico voltou ao poder.

​Segundo o general, diferentes relatórios de inteligência indicavam a possibilidade de três cenários: a tomada taleban seguida de um rápido colapso do governo afegão; uma guerra civil; e uma negociação para transição de poder. “O tempo para um rápido colapso foi estimado em semanas, meses e mesmo anos após a nossa partida.”

Reportagem desta semana do jornal americano The New York Times, no entanto, apontou que órgãos de inteligência previram que, se o grupo fundamentalista tomasse cidades, um colapso em cascata poderia ocorrer rapidamente, e as forças de segurança afegãs corriam alto risco de se desintegrarem. Em público, no entanto, o Joe Biden dizia ser improvável que isso acontecesse com tanta rapidez.

Também em julho, os relatórios questionavam se o governo afegão poderia manter o controle da capital. No dia 8 daquele mês, o presidente americano disse que a queda do governo de Ashraf Ghani era improvável e que não havia chance de americanos serem retirados do Afeganistão de forma caótica, como foi visto ao final da Guerra do Vietnã, com a tomada de Saigon.

Um dos documentos expôs os crescentes riscos para Cabul, notando que o governo afegão estava despreparado para um ataque do Talibã, segundo relatou o New York Times. Não está claro se outros relatos durante esse período apresentaram uma imagem mais otimista sobre a capacidade dos militares afegãos e do governo em Cabul de enfrentar o grupo insurgente.

saída dos aviões do aeroporto da capital afegã após a tomada do poder pelo Talibã no domingo (15). entretanto, foi marcada por pessoas desesperadas tentando embarcar —inclusive agarrando-se à fuselagem e ao trem de pouso de cargueiros— e aeronaves partindo com centenas de pessoas além da capacidade a bordo. Ao menos sete morreram, e a confusão continuou na quarta, com saldo de mais 17 feridos.

As advertências levantam questões sobre a razão de os membros do governo democrata e os planejadores militares no Afeganistão parecerem despreparados para lidar com o avanço final do Talibã sobre Cabul, incluindo o fracasso em garantir a segurança no aeroporto e em enviar mais milhares de soldados de volta ao país para proteger a retirada final dos EUA.

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Ao contrário do que diz Biden, milhares de militares afegãos combateram até o fim e foram abandonados

Talibã caça soldados ligados aos EUA e ameaça castigar familiares de agentes

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The New York Times

Fileiras de soldados afegãos em veículos blindados e picapes percorreram o deserto em alta velocidade para chegar ao IrãPilotos militares voaram baixo e rápido para alcançar as montanhas do Uzbequistão, onde estariam em segurança.

Milhares de membros das forças de segurança afegãs conseguiram chegar a outros países nas últimas semanas, enquanto o Talibã foi rapidamente tomando controle do país. Outros conseguiram negociar sua rendição e voltaram para casa. Alguns conservaram suas armas e juntaram-se ao lado vencedor.

Uniformes de militares abandonados no aeroporto de Cabul - Wakil Kohsar/AFP

Todos fizeram parte da processo de fragmentação repentina das forças de segurança nacional que os Estados Unidos e seus aliados gastaram dezenas de bilhões de dólares para armar, treinar e posicionar contra o Talibã, um esforço de construção de instituições travado ao longo de duas décadas e que desapareceu em questão de apenas alguns dias.

Mas dezenas de milhares de outros soldados rasos, comandos e espiões afegãos que combateram até o final, apesar do que vem sendo dito em Washington sobre as forças afegãs terem simplesmente se rendido, foram deixados para trás. Eles agora estão em fuga, escondendo-se e sendo caçados pelo Talibã.

“Não há saída”, comentou Farid, um comando afegão, em mensagem de texto enviado a um soldado americano que combateu com ele. Farid, que concordou em ser identificado apenas por seu primeiro nome, disse que estava escondido nas montanhas do leste do Afeganistão, encurralado depois de unidades do exército regular à sua volta terem se rendido. “Estou rezando para ser salvo.”

Estão começando a vazar relatos sobre o Talibã caçando pessoas que o grupo acredita terem trabalhado e combatido ao lado de forças dos EUA e da Otan, formando um contraponto sangrento ao rosto mais suave e gentil que os militantes vêm procurando mostrar ao mundo.

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Os talibãs estão ameaçando prender ou castigar familiares se não conseguirem encontrar as pessoas que buscam. A informação é de ex-autoridades afegãs, um relatório confidencial redigido para as Nações Unidas e veteranos americanos contatados por afegãos desesperados que serviram ao lado deles.

A maioria exigiu anonimato para falar, para proteger seus amigos e entes queridos que ainda estão escondidos no Afeganistão. Os funcionários afegãos disseram que o Talibã vem vasculhando documentos no Ministério da Defesa e do Interior e na sede do serviço de espionagem afegão, redigindo listas de agentes a procurar. E há cada vez mais relatos segundo os quais os militantes se vingam de modo rápido e fatal quando esses alvos são encontrados.

Um antigo intérprete que trabalhou para as Forças Especiais americanas contou ter visto outro homem ser fuzilado a metros dele pela simples suspeita de haver trabalhado com as forças estrangeiras.

Na cidade de Kandahar, no sul do país, vídeos postados em redes sociais na semana passada pela emissora pública afegã RTA mostraram dezenas de corpos jogados na rua. Muitos seriam de soldados e autoridades executados pelo Talibã. A própria RTA agora está nas mãos do grupo fundamentalista.

Não está claro quantos soldados e funcionários de segurança afegãos estão foragidos. Dezenas de pilotos afegãos fugiram para o Uzbequistão, onde no domingo, segundo autoridades uzbeques, chegaram 22 aviões e 24 helicópteros transportando quase 600 homens. Um número desconhecido alcançou o Irã, segundo ex-autoridades afegãs.

As forças de segurança afegãs chegavam a cerca de 300 mil, no papel. Mas, em função de corrupção, deserções e baixas, dizem autoridades americanas, apenas um sexto desse total participou de fato da luta contra o Talibã neste ano.

Milhares deles se renderam quando o Talibã varreu o país, entregando suas armas depois de receber a promessa de saírem ilesos. Até agora, o Talibã parece estar respeitando esses acordos —historicamente uma parte comum das guerras travadas no país—, e os militantes parecem estar muito mais concentrados em localizar os 18 mil comandos do Exército, muitos dos quais não se renderam, e agentes do serviço de espionagem nacional, o Diretório Nacional de Segurança, ou NDS.

Alguns desses homens se refugiaram no vale do Panjshir, uma pequena faixa estratégica de terra ao norte de Cabul onde um punhado de líderes afegãos está tentando organizar uma força para resistir ao Talibã. Consta que eles teriam entre 2.000 e 2.500 homens, mas não há confirmação independente disso.

Duas décadas atrás, o líder dos mujahedines panjshiris Ahmed Shah Massoud resistiu ao Talibã no vale durante anos. Depois disso, a região ofereceu a espiões dos EUA e membros das Forças Especiais americanas uma plataforma para o lançamento da invasão que afastou o Talibã do poder nos meses seguintes ao 11 de setembro de 2001.

Desta vez, contudo, os panjshiris não possuem armas pesadas, não contam com uma linha de fornecimento passando pela fronteira norte do país, não têm apoio internacional significativo nem um líder unificador como Massoud. Mesmo afegãos que apoiam seu esforço consideram que suas chances de êxito são ínfimas.

No aeroporto de Cabul, várias centenas de comandos do NDS estão ajudando os milhares de soldados e fuzileiros navais americanos que supervisionam a evacuação de estrangeiros e afegãos, segundo autoridades americanas e ex-funcionários afegãos. O acordo fechado com os americanos prevê que os afegãos estarão entre os últimos a partir, servindo de retaguarda até serem levados de helicóptero para a liberdade. “Eles estão tendo um desempenho heroico”, disse um oficial americano.

“Isso é dizer pouco”, comentou outro.

Os comandos do NDS têm bons motivos para sentir medo. As unidades deles mataram muitos combatentes e comandantes do Talibã, mortes essas que os militantes parecem estar ansiosos por vingar.

Membros do Talibã começaram a ir às casas de funcionários seniores de inteligência pouco depois de chegarem a Cabul, no domingo(15). Na casa de Rahmatullah Nabil, ex-chefe do NDS que deixou o país nos últimos dias, eles chegaram com equipamentos eletrônicos para fazerem uma varredura da residência, segundo um ex-funcionário afegão.

No apartamento de outro funcionário de contraterrorismo, membros do Talibã deixaram uma carta nesta semana instruindo o funcionário a se apresentar à Comissão Militar e de Inteligência dos militantes em Cabul. A carta foi reproduzida no relatório confidencial redigido para as Nações Unidas, com nome e título do funcionário omitidos.

Os funcionários de contraterrorismo eram responsáveis por encabeçar os comandos que caçaram líderes do Talibã, e a carta dizia: “O Emirado Islâmico do Afeganistão considera você uma pessoa importante”.

A carta avisou o funcionário que, se ele não se apresentasse ao Talibã conforme ordenado, sua família seria detida e punida.

O documento foi repassado às Nações Unidas pelo Centro Norueguês de Análises Globais, uma entidade que fornece informações de inteligência a agências da ONU. Foi compartilhado internamente pela ONU e foi visto pelo New York Times.

De acordo com o documento, há múltiplos relatos segundo os quais o Talibã tem uma lista de pessoas que quer interrogar e punir –e conhece o paradeiro delas. O documento acrescenta ainda que o Talibã vem indo de porta em porta, “prendendo e/ou ameaçando matar ou prender familiares dos indivíduos alvejados, a não ser que eles se entreguem ao Talibã”.

Tradução de Clara Allain

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Influencers afegãos desaparecem das redes sociais

17.ago.2021 - Membro do Taleban na área externa do Aeroporto Internacional de Cabul, no Afeganistão - REUTERS
17.ago.2021 - Membro do Taleban na área externa do Aeroporto Internacional de Cabul, no Afeganistão Imagem: REUTERS

20/08/2021 12h00

A cantora afegã Aadiqa Madadgar é estrela no Instagram e no YouTube, mas a chegada dos talibãs ao poder põe seus sonhos em risco, assim como os de muitos "influencers" do país, criadores de conteúdo com milhares de seguidores nas redes sociais.

Esta artista de 22 anos, que participou do programa de televisão "Afghan Star", tornou-se famosa por sua voz.

'Nos recusamos a viver sob violento regime do Talibã', diz ativista

Muçulmana praticante, com a cabeça coberta por um véu, ela passava o dia enviando vídeos descontraídos, sobre sua arte e sua rotina, para seus 21.200 inscritos no YouTube e 182.000 seguidores no Instagram.

Em 14 de agosto, mudou radicalmente de tom e, pela primeira vez, falou sobre política em sua conta.

"Não gosto de mostrar minhas tristezas online, mas estou farta de tudo isso", escreveu. "Meu coração se parte quando vejo minha terra, minha pátria lentamente destruída".

No dia seguinte, os combatentes talibãs tomaram Cabul e, desde então, ela não postou mais.

Milhões de afegãos, especialmente mulheres e minorias religiosas, temem que suas postagens nas redes sociais possam comprometê-los.

Muitos se lembram da visão ultraortodoxa da lei islâmica que o Talibã impôs durante seu governo anterior, de 1996 a 2001, onde as mulheres eram proibidas de sair de casa sem um acompanhante familiar do sexo masculino, assim como de trabalhar e de estudar.

Com 290.000 seguidores no Instagram e 400.000 no TikTok, Ayeda Shadab é um ícone da moda para muitas jovens afegãs. E ela já mostrava medo das consequências do regime talibã para mulheres que, como ela, trabalham no setor da moda.

"Se os talibãs tomarem Cabul, pessoas como eu não estarão seguras", disse Ayeda à rede alemã ZDF durante uma entrevista recente. "Mulheres que, como eu, não usam véu e trabalham, não são aceitas", acrescentou.

Horrorizada com a chegada dos talibãs, ela disse que estava pronta para fugir. Recentemente, anunciou que estava na Turquia. Outras celebridades e "influencers" seguiram seus passos.

Alvo de retaliação

Seguindo inúmeras recomendações de ativistas, jornalistas e associações, o Facebook anunciou novas ferramentas para os usuários afegãos bloquearem rapidamente suas contas.

A rede afirmou que há anos considera o Talibã uma "organização terrorista", razão pela qual bloqueia suas contas nesta plataforma e no Instagram.

A organização norte-americana de defesa dos direitos humanos Human Rights First publicou uma série de dicas em dari e em pashto, idiomas oficiais no Afeganistão, sobre como suprimir a presença de um usuário na Internet.

Para Raman Chima, responsável do grupo de defesa da Internet Access Now na Ásia, as redes sociais devem se concentrar na avaliação de possíveis mensagens que incitem a violência.

Ele explicou à AFP que os autores das publicações "podem ser alvo de retaliação, ser considerados infiéis, ou contrários ao Islã, não apenas aos olhos do Talibã, mas também aos olhos de outros grupos extremistas religiosos do país".

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Biden diz que não pode garantir 'resultado final' da retirada em Cabul

16.ago.2021 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (DC) - Leah Millis/Reuters
16.ago.2021 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em pronunciamento na Casa Branca, em Washington (DC) Imagem: Leah Millis/Reuters

20/08/2021 15h23

Atualizada em 20/08/2021 15h50

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse hoje que não pode garantir qual será o resultado da operação para retirada de aliados e americanos do Afeganistão. Biden concede entrevista coletiva na Casa Branca.

"Esta missão de retirada é perigosa. Implica riscos para nossas forças armadas e acontece em circunstâncias difíceis. Não posso prometer qual será o resultado final ou que será sem risco de perdas. Deixamos claro para o Talibã que qualquer ataque será respondido de forma imediata e forte", afirmou.

Itamaraty procura por brasileiro que pediu ajuda no Afeganistão

Segundo o presidente, a operação é "uma das mais difíceis na história".

Biden acrescentou que fará tudo para garantir uma retirada segura aos aliados afegãos, parceiros e aqueles que podem se tornar alvo do Talibã por terem se associado ao Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos ainda relatou ter um acordo para que os talibãs liberem a entrada de qualquer americano que chegue no aeroporto de Cabul para deixar o Afeganistão —o grupo montou postos de controle para impedir a passagem de afegãos.

A data final para a retirada das tropas americanas dos Estados Unidos é 31 de agosto, mas, durante a entrevista, Biden não confirmou se o prazo está mantido.

Biden enfrenta uma tempestade de críticas desde que anunciou a retirada dos militares americanos do Afeganistão. Opositores republicanos criticaram a operação, que, segundo eles, precipitou a queda do governo afegão.

Do lado democrata, algumas vozes também lamentaram que o governo não tenha previsto as consequências dessa retirada e do colapso do regime afegão em apenas dez dias.

Desde o início das operações de evacuação de emergência em 14 de agosto, cerca de 13.000 pessoas foram evacuadas por via aérea, informou Biden durante entrevista coletiva hoje.

Os Estados Unidos planejam evacuar um total de mais de 30.000 americanos e afegãos civis por meio de suas bases no Kuwait e no Catar.

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ABMD apoia combate às fake news e ao discurso de ódio

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Nota da Associação Brasileira de Mídia Digital – Cumprimentamos o Tribunal Superior Eleitoral pela tempestiva, necessária e contemporânea intervenção no sentido de separar o joio do trigo no ecossistema em que habitamos: o das mídias digitais.

Investindo contra perfis, sites, grupos e empresas que, ao usarem a linguagem jornalística para se travestirem de veículos de comunicação e disseminar mentiras, discursos de ódio e promover atentados ao Estado Democrático de Direito, a Corte aprimora as ferramentas imprescindíveis à sociedade. O manejo preciso dessas ferramentas constitui-se em indispensável aprendizado para a defesa da livre circulação de ideias, das liberdades de informação e de expressão. 

Nós, da Associação Brasileira de Mídia Digital, e todos os veículos representados pela ABMD, cultuamos a informação, a verdade e a honestidade jornalística.

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Dar opiniões e ter posicionamentos firmes a favor de ideias ou projetos determinados, não são posturas dissociadas do jornalismo.

A interrupção dos canais de financiamento a perfis, sites, blogs e empresas que dão vezo a discursos de ódio, à propagação de mentiras, que fazem apologia a ideais antidemocráticos ou a personalidades que se vendem como “salvadores da Pátria”, tem o irrestrito apoio desta associação.

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O Tribunal Superior Eleitoral demonstrou com atos – e sem dar margem a omissões – que trilha o caminho correto no aprimoramento institucional, no amadurecimento do sistema de freios e contrapesos, em prestígio da democracia brasileira.

A Associação Brasileira de Mídia Digital tem entre suas bandeiras primordiais a luta pela auto-regulamentação da atividade jornalística no ecossistema em que vivem seus associados. Colocamo-nos à disposição do TSE para promover um amplo debate no sentido de instituir mecanismos capazes de aprimorar e promover a auto-regulamentação, o monitoramento, a fiscalização e a punição daqueles que não aderirem às corretas práticas jornalísticas. Temos certeza de que isso não tolherá o debate, a crítica e a análise que são motores dos bons princípios jornalísticos.

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Florestan Fernandes Filho, 

Presidente da ABMD

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Luís Costa Pinto,

Vice-presidente da ABMD

Dri Delorenzo,

Secretária-executiva da ABMD

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Vídeo: com Hino Nacional, Amado Batista convoca povo para ato contra STF

Amado Batista
Reprodução/Instagram

Em vídeo que circula nas redes sociais, o cantor Amado Batista convoca a população a participar do ato antidemocrático em apoio a Jair Bolsonaro (sem partido) e contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Brasil, acorda! Estaremos juntos nas ruas em favor do Brasil, em favor da nossa liberdade, em favor do nosso capitão, presidente. Aliás, nós o elegemos para isso, para que ele pudesse dar um rumo novo a esse país, virasse um primeiro mundo, que é o que todos nós sonhamos”, diz, na gravação.

Reprodução/Facebook

Divulgação

Divulgação

O cantor Amado BatistaReprodução/Facebook/Amado Batista

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No vídeo, Amado Batista afirma, ao som do Hino Nacional, que há “vários corruptos travando a vida do presidente”.

Veja o post feito pela vice-presidente nacional do PTB, Graciela Nienov:

A publicação foi divulgada no fim da noite de quinta-feira (19/8) no perfil da liderança política. Nesta sexta-feira (20/8), a Polícia Federal (PF) cumpriu 13 mandados de busca e apreensão; um deles ocorreu em um endereço do cantor Sérgio Reis.

O artista é investigado após anunciar, no último sábado (14/8), pelas redes sociais, que organiza uma manifestação, com o movimento dos caminhoneiros e agricultores, em favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O protesto está marcado para ocorrer no próximo dia 7 de setembro, na Praça dos Três Poderes.

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Michelle Bolsonaro transforma Palácio do Planalto em sede clandestina de cultos evangélicos

Cultos com a presença da primeira-dama feriram normas do Governo do Distrito Federal para eventos religiosos na pandemia. Circulado em vermelho, o registro de propriedade da Presidência da República no mapa fixado na parede
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Paulo Motoryn, Brasil de Fato - A Igreja Batista Atitude de Brasília, frequentada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, tem uma célula (Célula Bilíngue Shalom) que realiza cultos clandestinos no Palácio do Planalto, sede da Presidência da República.

Os encontros nas dependências do Executivo Federal ocorrem, pelo menos, desde janeiro de 2020 e não foram interrompidos com o advento da pandemia, em março do ano passado. Infringiram, portanto, as regras impostas pelo Governo do Distrito Federal a eventos religiosos na pandemia.

Além disso, a mesma igreja identifica em suas páginas nas redes sociais dependências internas do Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, como se fosse sede da "Célula Bilíngue Shalom". 

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O Brasil de Fato obteve dezenas de fotos que apontam a realização de pelo menos 11 cultos na sede do governo federal. Em algumas delas, a reunião de fieis contou com mais de 30 pessoas  - todas sem usar máscara -, incluindo a primeira-dama, como mostra a imagem abaixo, de dezembro do ano passado. Michelle Bolsonaro está de pé, entre o centro e a direita, usando uma camiseta roxa.

O pastor que comanda os trabalhos religiosos do grupo é um servidor em cargo de confiança da Secretaria-Geral da Presidência, chamado Francisco Castelo Branco. Ele é casado com a tradutora de Libras do presidente Jair Bolsonaro, Elizângela Castelo Branco (outra que tem por hábito frequentar os cultos no Planalto), e trabalhou no Gabinete Pessoal do chefe do Executivo. 

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O Brasil de Fato coleciona uma série de depoimentos de servidores e imagens que provam a utilização do Palácio do Planalto como sede da igreja ligada a Michelle.

Apesar disso, nem a Presidência da República (contatada via Secretaria de Comunicação Social  - Secom) nem a Igreja Batista Atitude responderam aos contatos da reportagem, tentados insistentemente desde o início da semana. Foram procurados dois pastores da agremiação religiosa, que não responderam às mensagens e telefonemas, além de um canal eletrônico de comunicação da igreja.

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A imagem abaixo é de um contato entre o Brasil de Fato e o pastor Francisco. Como se nota, o contato é do dia 16 de agosto, e segue sem resposta. Na realidade, há muito poucas evidências em sites e espaços públicos da realização dos cultos clandestinos no Planalto. A Igreja Batista Atitude, em suas publicações nas redes sociais, informa com destaque o endereço de realização de seus cultos, encontros e eventos, menos quando se trata da "Célula Bilíngue Shalom".

Ainda assim, trata-se de um fato - e não de uma hipótese - a utilização do Palácio do Planalto como sede de igreja e local de realização de cultos, antes e durante a pandemia.   

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Além dos servidores federais que confirmaram a informação ao Brasil de Fato, as imagens analisadas pela reportagem trazem um mapa que tem a propriedade da Presidência da República fixada no alto, à direita.

Além disso, é possível ver, também, imagens das tradicionais colunas prateadas internas do Palácio. Abaixo, uma foto de divulgação da Presidência, com as colunas e, logo depois, duas imagens dos cultos, com destaque para as colunas.

De acordo com as normas do Governo do Distrito Federal, pequenas capelas e células religiosas poderiam ainda abrir para reza e celebração de cultos e missas on-line. Elas estavam impedidas de organizar encontros presenciais, como foi feito dentro das dependências da Presidência.

A lei também determinava que as pessoas só poderiam entrar nos estabelecimentos religiosos se estivessem de máscara e com a garantia de afastamento mínimo de 1,5 m entre as pessoas, com demarcação de espaço. Os dois pontos também foram infringidos.

Da mesma maneira como o que ocorre com as dependências do Palácio do Planalto, as páginas oficiais da Igreja Batista Atitude têm publicadas fotos de encontros de fieis realizados no Palácio da Alvorada, a residência oficial do presidente da República, identificadas como sendo a "Célula Bilíngue Shalom". 

Em junho, o Brasil de Fato mostrou que o pastor Francisco Castelo Branco, nomeado por Bolsonaro para trabalhar em seu gabinete pessoal na Presidência em setembro de 2020, tem atuado como agente de viagens no horário do expediente - além de comandar os cultos da "Célula Bilíngue Shalom".

De acordo com o Portal da Transparência, Castelo Branco recebe R$ 10.217 mensais desde fevereiro deste ano, quando foi transferido para a Secretaria-Geral da Presidência. Antes, no gabinete pessoal de Bolsonaro, recebeu por cinco vezes o salário de R$ 5.685. No total, já ganhou mais de R$ 75 mil do governo federal.

No horário do expediente, no entanto, Francisco Castelo Branco segue atuando como agente de viagens na agência Bereshit Viagens, empresa registrada em 2017 em nome de uma parente chamada Juceli Lima de Castelo Branco.

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Moraes bloqueia conta de 'coalizão cristã' que organiza ato golpista contra STF

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Metrópoles - A pedido da subprocuradora-geral da República, Lindora Araújo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que o Banco Central bloqueie uma conta vinculada ao ato contra a democracia marcado para o próximo dia 7 de setembro.

O cantor Sérgio Reis, o caminhoneiro Zé Trovão, o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) e outros oito investigados foram alvos, nesta sexta-feira (20/8), de mandados de busca e apreensão.

“[Determino] a expedição de ofício ao Banco Central para o bloqueio da chave PIX 7desetembro@portalbrasillivre.com, bem como da conta a qual a referida chave se encontra vinculada, nos termos requeridos pela Procuradoria Geral da República, com envio a esta Corte, no prazo de 24 horas, das informações pertinentes”, assinalou Moraes.

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A chave foi divulgada no site Brasil Livre, que diz ser um espaço de “reflexão e ação da direita conservadora na internet”.

O dinheiro cai na conta da Coalização Pro-Civilização Cristã. “São doações de particulares para financiar a paralisação planejada por Zé Trovão, possivelmente patrocinada por Antonio Galvan e amplamente divulgada por Wellington Macedo e por sua Marcha para a Família”, assinalou a PGR, segundo a decisão de Alexandre de Moraes.

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Juliana Paes perde R$ 500 mil em golpe


Por Bruno Menezes, Metrópoles - 
A polícia de São Paulo investiga o golpe do qual foi vítima a atriz Juliana Paes, após assinar contrato com uma empresa chamada F2S Intermed de Negócios. Juliana depositou R$ 500 mil e foi surpreendida com o desaparecimento do homem que se passava por dono da firma e que sumiu com meio milhão da artista. Outros enganados pelo esquema de pirâmide financeira, conforme as investigações, seriam o também ator Murilo Rosa e o jogador Luís Fabiano.

De acordo com a colunista Fábia Oliveira, do jornal O Dia, a atriz não chegou a tratar diretamente com o suposto golpista. O negócio teria sido acertado em maio de 2018, intermediado por um consultor financeiro da confiança de Juliana e que também foi vítima do golpe.

Na proposta consta que o dinheiro investido seria usado para comprar e revender carros, com rendimento de 4% a 8%, o que nunca aconteceu. Em maio deste ano, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu a prisão preventiva de três homens, sendo um deles o dono da F2S, e de uma mulher, esposa dele. De acordo com o MPSP, ela recebia, por meio de uma conta bancária pessoal, os altos valores que as vítimas depositavam para a F2S.

Leia a íntegra no Metrópoles.

Juliana Paes perde R$ 500 mil em golpe; Murilo Rosa também é vítima

Rio de Janeiro – A polícia de São Paulo investiga o golpe do qual foi vítima a atriz Juliana Paes, após assinar contrato com uma empresa chamada F2S Intermed de Negócios. Juliana depositou R$ 500 mil e foi surpreendida com o desaparecimento do homem que se passava por dono da firma e que sumiu com meio milhão da artista. Outros enganados pelo esquema de pirâmide financeira, conforme as investigações, seriam o também ator Murilo Rosa e o jogador Luís Fabiano.

De acordo com a colunista Fábia Oliveira, do jornal O Dia, a atriz não chegou a tratar diretamente com o suposto golpista. O negócio teria sido acertado em maio de 2018, intermediado por um consultor financeiro da confiança de Juliana e que também foi vítima do golpe.

Os famosos ainda não conseguiram reaver o dinheiro

A atriz virou centro de uma discussãoReprodução

Murilo Rosa João Miguel Junior/TV Globo/Divulgação

Ator compareceu ao MP para levar informações sobre o casoTV Globo/Reprodução

Jogador Luís Fabiano também foi uma das vítimas do golpeReprodução

Ele fez história defendendo times como o São PauloReprodução/ YouTube

Na proposta consta que o dinheiro investido seria usado para comprar e revender carros, com rendimento de 4% a 8%, o que nunca aconteceu. Em maio deste ano, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu a prisão preventiva de três homens, sendo um deles o dono da F2S, e de uma mulher, esposa dele. De acordo com o MPSP, ela recebia, por meio de uma conta bancária pessoal, os altos valores que as vítimas depositavam para a F2S.

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Bolsonaro ataca direito de greve e cria sistema de monitoramento de paralisações

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247 O governo Jair Bolsonaro (sem partido) implementou, segundo a Folha de S. Paulo, um sistema para monitorar greves no setor público federal. A indicação é de corte de ponto automático de servidor grevista.

Professores e sindicalistas enxergam a medida como um ataque ao direito de greve e preveem que o sistema pode inibir a organização do funcionalismo.

Com o monitoramento, órgãos federais devem informar ao governo federal a ocorrência de greves e o desconto de remuneração será imediato. "Constatada a ausência do servidor ao trabalho por motivo de paralisação decorrente do exercício do direito de greve, os órgãos e entidades integrantes do Sipec [Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal] deverão processar o desconto da remuneração correspondente". 

A regra foi criada em maio por meio de uma instrução normativa do Ministério da Economia.

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"Nunca imaginei que voltaríamos a uma situação de anomalia democrática", diz Lula

Lula
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247 - Como parte de sua viagem ao Nordeste, o ex-presidente Lula esteve nesta sexta-feira (20) com a presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), e outras lideranças políticas em um encontro promovido pelo partido.

Gleisi e Dino discursaram no evento e lembraram da perseguição jurídica promovida pela Lava Jato contra o ex-presidente ao longo dos últimos anos.

Lula, em sua fala, disse ser "muito importante" refletir "sobre o que está acontecendo no nosso país e o que aconteceu em um passado bem recente". "Nunca imaginei que depois dos avanços que tivemos na Constituição de 88, a gente voltaria a uma situação de anomalia democrática. Todos nós temos que refletir se em algum momento nós tivemos responsabilidade pelo que está acontecendo".

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A declaração do petista vem em um momento em que Jair Bolsonaro, chamado por Lula de "genocida que não tem respeito nem por 600 mil pessoas que morreram", coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro e faz sucessivos ataques à democracia.

O ex-presidente afirmou que a oposição ainda não conseguiu mostrar à população que uma situação como esta, de ameaça de volta a uma ditadura, não é normal.

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Impeachment

O ex-presidente afirmou que tem dúvidas se a Câmara dos Deputados votará o impeachment de Bolsonaro e disse: "vocês vão ter que tirar o Bolsonaro do poder".

A outra opção, segundo Lula, é uma interdição do chefe do governo via Supremo Tribunal Federal (STF): "ele é um desequilibrado".

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Pandemia

O petista contou ainda que o ex-ministro da Saúde e deputado Alexandre Padilha (PT-SP) lhe deu uma bronca após ver imagens de sua chegada ao aeroporto de São Luís do Maranhão e pediu que o ex-presidente não viaje mais pelo país sem um médico ao seu lado. Lula, então, pediu que a população não se esqueça dos cuidados com a pandemia. "Depende de nós. Evitar aglomerações, evitar tirar a máscara, lavar a mão"

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Opinião - Gabriel Kanner: A curiosa aliança da esquerda com o extremismo islâmico

Por que a palavra islamofobia foi absorvida pelo vocabulário da esquerda identitária ao lado de machismo e homofobia

É interessante observar como a política muitas vezes coloca lado a lado correntes de pensamento aparentemente antagônicas, e, da mesma forma, provoca conflitos entre ideologias aparentemente similares.

Um exemplo histórico foi o acordo de não-agressão firmado entre Hitler e Stalin em 1939. Como se sabe, em 1941 esse pacto foi rompido, e a União Soviética acabou tendo um papel decisivo na derrota alemã. Porém, a curta aliança entre os dois rivais só foi possível graças a um objetivo em comum: o desejo de expansão de seus respectivos territórios.

Um objetivo em comum tem o poder de aproximar grupos políticos que, em outras condições, seriam inimigos. É o caso da esquerda identitária com o extremismo islâmico.

A sugestão de que existe um objetivo em comum entre esses dois grupos poderá levantar muitas dúvidas e questionamentos. Afinal, o que defende a esquerda identitária? O que aproxima ela do islamismo radical? Qual pauta em comum os dois defendem? Vou buscar responder essas questões abaixo.

Comecemos entendendo o que é a esquerda identitária. Após a retumbante derrota do marxismo clássico para o capitalismo no século 20 (representada pelo colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria), uma nova onda de pensamento marxista foi ganhando cada vez mais força.

Após a derrota na batalha econômica, os marxistas logo perceberam que a “luta de classes” entre burguesia e proletariado precisaria ser repaginada para continuar engajando as novas gerações. Afinal de contas, ao contrário do que imaginavam os intelectuais, o proletariado estava interessado cada vez mais em trabalhar e sustentar sua família, e não em fazer revolução. Foi dessa repaginação que surgiu a nova esquerda identitária.

Muitas vezes chamada de “progressismo”, essa ideologia foi muito influenciada por pós-modernistas como Michel Foucault e pelos pensadores da Escola de Frankfurt. A esquerda identitária, ou progressista, busca representar o pensamento coletivo de grupos identitários, sendo os principais deles mulheres, negros, homossexuais e, mais recentemente, transgêneros. Na esquerda identitária, o indivíduo não tem muita relevância; o que vem primeiro é o grupo ao qual ele pertence.

Após os marxistas gradualmente abandonarem a luta de classes tradicional, surgiram as novas divisões da esquerda moderna, dessa vez por gênero, etnia e sexualidade. Palavras como racismo, machismo, homofobia, transfobia e gordofobia, entre outras, passaram a ser repetidas incansavelmente por todos os lados, com a mesma lógica do marxismo clássico: toda relação humana pode ser observada como uma relação entre um opressor e um oprimido.

Nesse processo, a “islamofobia” também passou a fazer parte do vocabulário da esquerda identitária, seguindo o mesmo raciocínio: qualquer atitude que possa ser considerada preconceituosa contra algum grupo específico deve ser classificada como nociva e deve ser combatida. Aqui vale pontuar que nem todos os grupos estão aptos a receber o apoio dos progressistas. Cristãos, por exemplo, jamais entrarão nessa lista. Abaixo entenderemos a razão por trás disso.

No caso do Islã, há uma aparente contradição entre as pautas defendidas pela esquerda identitária e as atitudes concretas de grupos extremistas islâmicos. Os dois exemplos mais óbvios são o machismo e a homofobia. Segundo um estudo de 2013 do Pew Research Center, com 38.000 muçulmanos em 39 países, mais da metade deles, na média, são favoráveis à adoção da Lei de Sharia em seus países.

Segundo a lei islâmica, ou Lei de Sharia, a homossexualidade é ilegal e pode ser punida com execução. Os direitos das mulheres também são praticamente inexistentes. Até 2001, no Afeganistão, o Talibã promovia o apedrejamento de mulheres acusadas de adultério. Elas também eram proibidas de estudar ou trabalhar.

Levando tudo isso em consideração, como é possível que a esquerda identitária trabalhe ferozmente para combater o machismo e a homofobia e, ao mesmo tempo, seja complacente com os regimes que mais promovem esse tipo de opressão no mundo?

Os exemplos deste “apoio” são inúmeros. Apenas para citar alguns: em uma famosa entrevista de 2014, o ator americano Ben Affleck, conhecido por ser de esquerda e apoiar o Partido Democrata, confrontou o apresentador Bill Maher após o mesmo fazer críticas ao Islã. Affleck chamou Maher de “islamofóbico” e disse que suas opiniões eram “nojentas”.

Em 2019, a revista de extrema-esquerda Carta Capital publicou uma notícia com o título “Islamofobia sufoca e aterroriza muçulmanos em todo o mundo”. E, nesta semana, o Partido da Causa Operária (PCO) considerou a tomada de poder pelo Talibã no Afeganistão uma “enorme vitória”.

Taleban avança para tomar controle do Afeganistão

Agora chegamos ao ponto principal. Afinal, o que há por trás desta aliança aparentemente contraditória entre o progressismo e o extremismo islâmico? Qual o principal objetivo que os une? A resposta aparece quando deixamos de olhar para as estratégias adotadas por cada um e focamos no resultado que querem atingir.

A esquerda progressista acredita que o mundo Ocidental, representado principalmente pelos EUA, deu errado. Ela acredita que é um mundo opressor, machista, racista, e homofóbico. Ela acredita que os valores judaico-cristãos sobre os quais foram construídos boa parte dos países ocidentais são retrógrados e limitantes e estão dificultando o “progresso” da humanidade. Ela acredita que tudo que foi construído até aqui deve ser combatido para que um novo Ocidente possa surgir.

Os exemplos deste ódio dos progressistas ao Ocidente também são abundantes, como quando ateiam fogo em bandeiras ou derrubam e queimam estátuas, prática recém-importada pela esquerda tupiniquim. Outro exemplo recente que teve repercussão mundial foi do time de futebol feminino dos EUA, que se ajoelhou antes dos jogos nas Olimpíadas de Tóquio para protestar contra os EUA, o país que deveriam estar defendendo.

Do outro lado, os extremistas islâmicos também acreditam que o Ocidente deu errado e precisa ser combatido. O principal exemplo até hoje do ódio do extremismo islâmico ao Ocidente foi o ataque do dia 11 de setembro de 2001, prestes a completar 20 anos.

Para o fundamentalismo islâmico, a sociedade moderna Ocidental representa o que há de mais degradante e sórdido no mundo. Liberdade sexual irrestrita, pornografia, sexualização de crianças e ideologia de gênero representam o principal mal a ser combatido no mundo. Paradoxalmente, são todas pautas que fazem parte da agenda progressista.

A esquerda identitária e o extremismo islâmico têm visões diametralmente opostas de mundo. No entanto, estão cada vez mais unidos pelo ódio ao Ocidente e pelo desejo de destruir, ou no mínimo reformular, os países que têm apreço pela democracia e que se sustentam na tradição judaico-cristã.

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Excesso de carinho: 5 cuidados com o carro que detonam seu veículo

A intenção é boa, porém existem cuidados com carro que na prática causam mais desvantagens do que vantagens; confira - Getty Images
A intenção é boa, porém existem cuidados com carro que na prática causam mais desvantagens do que vantagens; confira Imagem: Getty Images

20/08/2021 04h00

Atualizada em 20/08/2021 10h07

Tem dono que não economiza dinheiro nem disposição para cuidar do próprio carro. É verdade que seguir à risca o plano de manutenções recomendado no manual do veículo prolonga a vida útil de componentes. Além disso, evita o agravamento de problemas cujo reparo, ali adiante, elevaria - e muito - a conta na oficina.

Contudo, como dizem, todo excesso faz mal, e o ditado também vale para automóveis. Com a (boa) intenção de preservar o patrimônio, há proprietários que exageram no carinho, fazendo eles mesmos ou contratando serviços desnecessários.

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Além do desperdício de tempo e dinheiro, há práticas cujo efeito é o oposto do desejado e trazem danos ao amado veículo.

Confira cinco exemplos clássicos que não deixam dúvida: é preciso cuidar, mas do jeito certo.

1 - Polimento da pintura tem limite

Polimento revitaliza a pintura, mas excesso remove a camada de verniz, deixando aparência fosca - Alessandro Shinoda/Folhapress - Alessandro Shinoda/Folhapress
Polimento revitaliza a pintura, mas excesso remove a camada de verniz, deixando aparência fosca Imagem: Alessandro Shinoda/Folhapress

Não há problema algum em lavar o carro nos fins de semana e passar aquela cera caprichada na pintura, desde que o veículo esteja na sombra, para prevenir o aparecimento de manchas.

Também é fundamental usar produtos adequados para esse tipo de cuidado, incluindo esponja e pano de microfibra.

Muitos recorrem ao polimento para devolver o brilho à pintura, especialmente em carros mais antigos e rodados.

O resultado chega a impressionar, a ponto de pessoas fazerem elas mesmas o serviço na garagem de casa, utilizando uma máquina politriz.

Porém, mesmo se você tiver o conhecimento técnico, saiba que polir a pintura não é algo para se fazer com frequência.

"Polimento é uma ação retificadora, para uniformizar, recuperar o brilho e remover imperfeições. Como remove parte da camada de verniz, ele tem um limite. Existem carros que não toleram mais que três polimentos", alerta Antônio Carlos Cosimato, da Deep Cleaning, empresa especializada em detalhamento automotivo.

2 - Colocar aditivo no óleo ou no combustível

Tanque de combustível aditivo - Getty Images - Getty Images
Muitas oficinas oferecem aditivos de combustível e até de óleo, mas especialista diz que são dispensáveis Imagem: Getty Images

Esse serviço, muitas vezes ofertado em postos de combustível com a promessa de "limpar" o motor e melhorar o consumo e o desempenho, é desnecessário e em alguns casos pode até causar danos, alerta Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil.

"Tanto o combustível quanto o óleo lubrificante já são certificados e vendidos com a formulação necessária para proporcionar o funcionamento ideal do motor", afirma.

O engenheiro lembra que, se o cliente fizer questão de um produto para prevenir o acúmulo de sujeira e de resíduos nos componentes internos, os postos já oferecem variantes aditivadas de gasolina e etanol.

"Não recomendo colocar aditivo", orienta.

3 - Limpeza 'preventiva' dos bicos injetores

Limpeza dos bicos injetores - Fabio Braga/Folhapress - Fabio Braga/Folhapress
Limpeza dos bicos não tem quilometragem indicada e só é necessária quando há alguma obstrução Imagem: Fabio Braga/Folhapress

"Hoje não está prevista a limpeza de bicos injetores no plano de manutenção, ao menos nos manuais que eu já consultei. Desconheço montadoras que recomendam a prática ao atingir determinada quilometragem", afirma Erwin Franieck, mentor em engenharia avançada da SAE Brasil.

Franieck diz que nunca solicitou o serviço e até hoje nenhum dos veículos que já teve necessitou do serviço.

"Essa cultura vem do tempo do tempo do carburador, quando era preciso remover o depósito de resíduos que se formava. Com a melhora na qualidade do combustível, o surgimento da injeção eletrônica e a evolução dessa tecnologia, a limpeza em intervalos regulares já não é obrigatória ", pontua.

Para o especialista, essa intervenção deve ser realizada apenas quando o motor apresenta falha de funcionamento comprovadamente causada por bico entupido.

"Tem de avaliar caso a caso. O sensor de oxigênio, a popular sonda lambda, pode identificar redução na vazão em um ou mais bicos injetores. Porém, o problema pode estar relacionado a outros componentes, como filtro obstruído e falha na bomba de combustível", explica.

4 - Encher tanque até a boca para evitar pane seca

Encher o tanque até quase transbordar evita problemas causados pela pane seca, mas não é recomendável - Pedro A. Tesch/Agência Eleven - Pedro A. Tesch/Agência Eleven
Encher o tanque até quase transbordar evita problemas causados pela pane seca, mas não é recomendável Imagem: Pedro A. Tesch/Agência Eleven

O manual do proprietário deixa bem claro: rodar com o tanque constantemente na reserva não é benéfico para o carro, pois, além de trazer risco de pane seca, que pode causar danos mecânicos e rende multa de trânsito. O consumo também sobe nessa situação.

"O tanque quase vazio significa mais espaço para vaporização do combustível. A taxa de perda por evaporação, portanto, sobe", explica o engenheiro Everton Lopes.

Para evitar o problema, há motoristas que preferem encher o tanque o máximo possível, até quase transbordar - ainda mais em tempos de reajustes sucessivos dos combustíveis. Contudo, a estratégia igualmente não é recomendada e quem sofre com isso é o carro.

"Encher o tanque até o bocal danifica o cânister, que é filtro com carvão ativado responsável por reter os gases provenientes da evaporação do combustível. Esse filtro, geralmente localizado próximo ao tanque, é encharcado, perdendo toda sua eficiência", alerta Lopes.

De acordo com o engenheiro, os vapores que emanam do tanque são altamente tóxicos e poluentes - daí a importância de se manter o cânister em bom estado.

A orientação do especialista é parar o abastecimento assim que gatilho for desarmado - o que proporciona nível adequado e seguro.

5 - Descarbonização do motor

Prática conhecida promove limpeza química de partes internas, mas é capaz de causar danos graves - Getty Images - Getty Images
Prática conhecida promove limpeza química de partes internas, mas é capaz de causar danos graves Imagem: Getty Images

A limpeza química da parte interna de motores, conhecida como "flush", é um serviço que promete melhorar o consumo e também a performance.

A técnica utiliza produtos que podem ser adicionados diretamente no tanque ou no cárter, com o objetivo de remover a carbonização naturalmente causada pela queima do combustível e do lubrificante consumido no processo.

Segundo Everton Lopes, a prática pode causar danos no lugar de benefícios - especialmente em veículos bastante rodados e que não costumam ser abastecidos com combustível aditivado.

Segundo ele, o "flush" é capaz de danificar componentes internos, como bronzinas, anéis e camisa do pistão, trazendo risco até de travamento do propulsor - o que exigiria uma retífica.

"Não recomendo, sobretudo se o motor apresentar alta quilometragem e maior consumo de óleo, por conta do desgaste natural dos componentes internos, com formação de borra", avalia.

Segundo o especialista, o ideal, nesse caso, é desmontar o propulsor e efetuar limpeza mecânica com escova e produto específico, de forma a retirar todos os resíduos antes de montá-lo novamente e colocá-lo para funcionar.

Lopes explica por que a limpeza química pode ser bastante nociva - ainda mais se não for acompanhada em seguida da troca do óleo lubrificante.

"Quando você realiza um procedimento como esse, a carbonização e outros resíduos que se desprendem das válvulas de admissão e escape e dos pistões costumam contaminar o óleo. Especialmente o carvão traz partículas sólidas que, se ingressarem no circuito de lubrificação, causam riscos, trazendo a possibilidade até de o propulsor engripar e parar de funcionar".

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Paraquedista sofre queda e morre ao tentar manobra nos Lençóis Maranhenses

20/08/2021 12h24

Atualizada em 20/08/2021 12h32

Um paraquedista de São Paulo identificado como Gildson de Oliveira, de 55 anos, morreu após perder o controle do equipamento e se chocar contra o chão próximo a Lagoa Azul, em Barreirinhas, nos Lençóis Maranhenses.

O caso aconteceu no fim da tarde de ontem e um vídeo mostra o momento do acidente, quando ele tenta realizar uma manobra chamada 'curva baixa', quando o paraquedista muda a direção já próximo ao solo. No entanto, a manobra falha e Gildson acaba se chocando violentamente contra o chão.

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Equipes de bombeiros civis, colegas e outros paraquedistas realizaram os primeiros socorros e a vítima foi levada para o Hospital Regional de Barreirinhas, mas acabou morrendo.

A Polícia Civil investiga se houve alguma falha no equipamento que teria contribuído para o acidente, mas as primeiras informações apontam para uma morte causada por falha humana.

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Imagem: Reprodução/Facebook e Reprodução de vídeo

"Todos que estavam no local já foram chamados para prestar esclarecimento, e conversei com um instrutor. Ele confirmou que ele [Gildson] fez uma manobra errada e acabou se chocando com muita força na região das dunas. Então, a princípio, foi infortúnio causado pelo próprio paraquedista", afirmou ao UOL o delegado de Barreirinhas, Ricardo Carneiro.

O evento que Gildson participava se chama "Boogie dos Lençóis", um dos maiores do país, e que também convida as pessoas a participarem de saltos sobre as dunas dos Lençóis Maranhenses. Em nota, os organizadores lamentaram a morte do paraquedista e declararam que as medidas de segurança foram seguidas.

"O Boogie dos Lençóis 2021 lamenta profundamente o acidente sofrido por Gil, um de nossos atletas, na tarde da quinta-feira, 19. Estamos prestando solidariedade e oferecendo todo o suporte para a família, nesse momento de dor. Asseguramos que seguimos, em todos os saltos realizados no Boogie dos Lençóis, as medidas de segurança recomendadas, porém o paraquedismo é uma atividade de alto risco, que os atletas assumem a cada vez que praticam", diz a nota.

O ICMBio, responsável pela administração de toda a região do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, disse que se solidariza com os familiares de Gildson e que o evento estava autorizado a acontecer no local, com a condicionante de equipes de resgate, mas a gravidade do acidente impossibilitou salvar a vida da vítima.

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Porchat entende a alegria de Marcos Mion: 'Saiu da Record de cabeça baixa'

Marcos Mion e Fábio Porchat deixaram a Record e fazem parte do Grupo Globo - Reprodução/Instagram e Divulgação
Marcos Mion e Fábio Porchat deixaram a Record e fazem parte do Grupo Globo Imagem: Reprodução/Instagram e Divulgação

Lucas Pasin

de Splash, no Rio

20/08/2021 04h00

Fábio Porchat entende perfeitamente a euforia de Marcos Mion com o novo emprego. Assim como o novo contratado da TV Globo, Porchat também deixou a Record (no seu caso, em 2019) e passou a trabalhar na emissora carioca. Em conversa com o UOL, o apresentador de "Que História é Essa, Porchat?" e "Papo de Segunda", no GNT, elogiou muito o novo colega e disse entender totalmente sua empolgação com a mudança:

O Mion é um cara muito talentoso, bacana e que realmente sonhava em vir para a Globo. Além disso, ele era a estrela da Record, depois de tanto tempo por lá, e foi mandado embora. Ninguém entende exatamente o motivo da demissão. Saiu de cabeça baixa e de repente é chamado pela emissora em que sempre sonhou.

3:38

Porchat disse ter sentido a mesma alegria que Marcos Mion em sua mudança: "Estou na Globo e feliz da vida. No meu caso foi 'voltar para a Globo', né? Porque eu nasci aqui. Escrevia para a emissora. E o Mion está vindo pela primeira vez. Tenho certeza que vem com tudo e vai mandar bem demais aos sábados".

Fábio Porchat - Juliana Coutinho/Globo - Juliana Coutinho/Globo
Fabio Porchat faz planos de vida longa para o programa "Que História é Essa, Porchat?" Imagem: Juliana Coutinho/Globo

Volta da plateia em 2021?

Foram apenas seis meses no ar e o "Que História é essa, Porchat?" já precisou, assim como outros programas, se adaptar aos tempos de pandemia. O apresentador e criador da atração, que já gravou toda a temporada de 2021, com previsão de ir ao ar até dezembro, revela ao UOL planos de vida longa ao programa e espera que, no próximo ano, possa voltar a receber plateia presencial.

Em março de 2022 começaremos a gravar a quarta temporada e eu espero que a gente já possa voltar da forma como eu idealizei. Acredito que a leveza do programa foi exatamente o que a gente precisava nesses tempos. O 'Que história é essa, Porchat?' não dá opinião, não é tão lacrativo. É realmente um programa para você colocar na TV, dar risada e ir dormir.

Ainda como novidades, Porchat planeja repetir convidados e trazer histórias novas: "É uma atração que não tem fim, as pessoas podem voltar para contar outras coisas e eu quero fazer isso. Além disso, torço para que o programa volte para a Globo também no ano que vem."

Viciado em trabalho

Com dois programas na TV, quadros de entrevista no Youtube e diversas lives com convidados, Fábio Porchat se define como "viciado em trabalho". Ele "culpa" o vício no fato de não ter filhos:

Não consigo parar de ter ideia. Quando paro para respirar, já estou pensando em um novo projeto. Não precisava ter feito o 'Livro Aberto' [programa no Youtube] por exemplo. Mas me deu vontade de conversar com escritores num momento em que ninguém fala de livro. Aí vou me movimentando. Trabalhar é minha sina e é isso que gosto de fazer. Não ter filho facilita muito, mas faz você trabalhar.


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Desativada, famosa fábrica de cristais vende acervo de 50 mil peças

Desativada há décadas, Cristaleria Nacional está vendendo acervo de 50 mil peças de vidro e cristal - Fernando Moraes/UOL
Desativada há décadas, Cristaleria Nacional está vendendo acervo de 50 mil peças de vidro e cristal Imagem: Fernando Moraes/UOL

Décio Galina

Colaboração para o TAB, de São Paulo

20/08/2021 04h00

Pela fachada de 18 passos, você não dá nada. Sobrado pichado, três janelas blindadas no térreo e um portão preto que lembra o penitenciário. Não há som dentro da casa, que parece abandonada. Mas só parece.

O silêncio da rua de paralelepípedo, com remendos de asfalto, é quebrado pelo ruído de ré de caminhões que manobram em um galpão em frente. A rua Lopes Coutinho e seus arredores têm o ritmo de velhos armazéns e fábricas esquecidas do Belenzinho, bairro da zona leste de São Paulo com esquinas sem movimento e pequenos comércios locais, quase parados no tempo.

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Mesmo sem uma placa que indique tal condição, o imóvel dessa fachada "que você não dá nada" está à venda. Com mais atenção, nota-se uma placa de metal entre a janela e o portão: Cristaleria Nacional Ltda, o que explica o C e o N que, mais de perto, aparecem dentro de círculos no portão. Tarde fria e ensolarada do início de agosto, nada se mexe na calçada.

Agora viaje no tempo, volte 80 anos, e imagine este endereço bombando, com o entra e sai de 300 operários na linha de produção, representantes de vendas, funcionários administrativos, o sonho do catalão Lorenzo Fló Badell (1891-1971) em pleno vapor. Lorenzo começou sua saga no Brasil em Porto Alegre, na década de 1920, já farejando oportunidades em indústrias de vidro.

É em São Paulo, no entanto, ao lado do irmão José, que ele inaugura a Cristaleria Cruzeiro, em 1931 - o empreendimento durou cinco anos. Em 1937, desta vez sozinho, Lorenzo lança a Cristaleria Nacional. Com a expertise de artesãos estrangeiros de grande apuro técnico (italianos de Murano, por exemplo) e domínio do uso de cores (inclusive o vermelho), a produção da CN ganha fama nacional graças aos vidros e cristais de qualidade.

O declínio acontece nos anos 1990, com a queda dos pedidos. A chama dos fornos perde ainda mais força em 1998, quando é diagnosticado o câncer de Lourenço Fló Jr. (1918-2006), no comando da fábrica desde a morte do pai, em 1971. A produção se torna esporádica até 2006. Aí, sim, os fornos se apagam para sempre.

Atrás dessa fachada, embrulhado em jornais antigos, empilhado em altas e profundas estantes, um acervo de 50 mil peças resiste a décadas de poeira, em uma fábrica em ruínas, com o piso esburacado como se tivesse sido bombardeado.

Em 2018, três primos resolvem desembrulhar o passado e colocar à venda as peças que foram a razão dos Fló desde a chegada ao Brasil. Uma delas é a psicóloga Flávia Fló, de 42 anos, bisneta de Lorenzo, o fundador. "Vamos entrar?", ela convida com as chaves da fábrica tilintando na mão.

Flávia Fló na Cristaleria Nacional, no Belenzinho, zona leste de São Paulo - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Flávia Fló, uma das bisnetas do fundador da CN, Lorenzo Fló Badel Imagem: Fernando Moraes/UOL

'Saiu pra almoçar e já volta'

"Eu estudava de manhã e vinha bastante aqui à tarde. Sempre acompanhava minha mãe, ajudava a embalar as peças e ficava babando no mostruário e na praça de produção. Lembro muito do vidro sendo soprado, cortado. Era mágico...", recorda a psicóloga.

Nas paredes da recepção, um relógio, coberto de pó, mostra 9h05; no calendário, a data é 30 de novembro (sem ano marcado). Sobre a mesa central, notas fiscais de época e carimbos secos fazem companhia ao telefone de disco e fio encaracolado. Nas mesas laterais, máquinas de escrever em perfeito estado dormem sob capas pretas empoeiradas. "Este abandono me mobilizou. O discurso da família sempre foi 'não vamos desmontar...', mas estamos esperando o quê?"

Ao lado dos primos Philippe e Luciana, Flávia pôs a mão nas peças e, em 2018 (centenário de nascimento do avô, Lourenço Fló Jr.), lançou o site da Cristaleria Nacional para vender uma seleção de produtos feita na ponta dos dedos: copos coloridos, vasos, lustres, jarras, taças e cinzeiros. Vendeu como água.

Peças na Cristaleria Nacional, no Belenzinho, zona leste de São Paulo - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Peças na Cristaleria Nacional, no Belenzinho Imagem: Fernando Moraes/UOL

O escritório é onde Lourenço Jr. despachava. Tem um mapa antigo do Estado de São Paulo, um cofre e poucas fotos enquadradas na parede, como a de Lourenço Jr. ao lado de autoridades do Rotary Club. "A sala está de um jeito que parece que meu vô saiu para almoçar e já volta", comenta Flávia. "O Rotary era a coisa mais importante para ele, em segundo vinha o Corinthians e aí, a fábrica... Vidreiro mesmo foi o meu bisavô..."

De fato, remexendo livros na estante do escritório, aparece "Elaboración Y Trabajo del Vidrio", de A. Mero, da Editorial Ossó, de Barcelona, 1948. A gestão do fundador vai até o início dos anos 1970, época tida como o auge da Cristaleria Nacional, depois de duas décadas com vendas impulsionadas por diferentes motivos: os anos 1950 refletiram a demanda do pós-Segunda Guerra Mundial (quando os produtores europeus estavam em frangalhos); e os 1960, momento em que o Brasil teve aumento de investimento em infraestrutura graças à construção de cidades como Brasília - lá, o Santuário Dom Bosco encomendou peças da CN, aumentando a boa reputação da marca.

Célia Regina, mãe de Flávia, e a tia Carmen Lucia - "as guardiãs do acervo", nas palavras da sobrinha - seguem trabalhando em uma pequena sala da fábrica, agora organizando os pedidos que chegam pelo site ou pelo Instagram, localizando peças em um mar de pacotes. Mais de 10 mil peças já foram vendidas para 18 Estados no Brasil e para Nova York (EUA), o que traz um sentimento ambíguo para a família: se por um lado estão dando vida a um acervo que acumulava poeira, por outro, estão se desfazendo de uma coleção finita. Os itens mais procurados são os chamados copo whisky e copo bola.

"No início, não tínhamos a expectativa de fazer algo grandioso; simplesmente pensávamos em colocar aquelas peças para circular pelo mundo, não fazia sentido tantas coisas lindas ali guardadas. Festejamos quando acaba alguma peça, mas, sim, a finitude das peças é um lembrete ruim. Por isso, vamos fazer um documentário", revela Flávia.

Flávia Fló na Cristaleria Nacional, no Belenzinho, zona leste de São Paulo - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Fábrica conserva milhares de peças e fornos, praça de lapidação, entre outros Imagem: Fernando Moraes/UOL

O brinco da Cristaleria

A sensação de túnel do tempo se aguça ao passarmos pela porta que liga o escritório de Lourenço Jr. à escada para a parte superior do sobrado - os aposentos, que conservam poucos móveis e peças aleatórias espalhadas, serviram de lar para a família na década de 1940 (destaque para o amplo banheiro, com vitral colorido de cena campestre).

Depois, há uma sala que sempre foi o brinco da CN: o mostruário, espaço que servia de vitrine para os clientes e era (continua sendo...) abarrotado de peças únicas, lapidadas e coloridas. Atualmente, não há um esquema regular de visita a esse lugar e os itens não estão à venda, teoricamente - já ocorreram concessões e negócios foram fechados com o filé histórico da fábrica. "Meu sonho era ter uma peça da Cristaleria na loja Amoreira [rua dos Macunis, em São Paulo], e isso aconteceu rapidamente, em um mês a gente já estava lá."

Peças da Cristaleria Nacional, no Belenzinho, zona leste de São Paulo - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Vasos, lustres e taças fazem parte do acervo Imagem: Fernando Moraes/UOL

No pátio dos fundos, abre-se um vasto quintal, que aquela fachada tão bem disfarçou.

Há fornos, esteiras de resfriamento das peças, sala de química das cores, praça de lapidação, sala de montagem dos lustres, telhas e piso esburacados, caixas de madeira com lustres transbordando, mato e galhos velhos cobrindo paredes, cipó escorrendo na boca dos fornos, e prateleiras e mais prateleiras com as peças embaladas uma a uma e depois em conjuntos (meia ou uma dúzia). Em um canto do terreno, a chaminé já não comporta todas as letras da marca, pois teve o topo demolido por questões de segurança.

A fábrica pode estar em ruínas, mas a admiração pelo legado dos Fló está intacta para a próxima geração da família. "Meus filhos (Bernardo, de 9 anos, e Antônio, de 7) são completamente apaixonados pela fábrica. Sempre querem explorar este universo; em casa, brincam de embalar copos e fazer sacolinhas e caixas. E já me pediram pra guardar algumas coisas especiais para suas casas no futuro", conta Flávia.

O encontro previsto para durar duas horas acabou se alongando por quatro horas e meia. Tudo leva a uma contemplação mais extensa. Copos lapidados cobertos de poeira hipnotizam. Corredores de estantes lotadas de peças mudam de tom conforme a luz baixa por janelas de vidros quebrados e telas de arame contra pomba. Histórias são desfiadas até a noite ocupar o Belenzinho. Antes de Flávia trancar a porta da recepção, dá para bater de novo o olho no relógio de parede: 9h05.

Flávia Fló na Cristaleria Nacional, no Belenzinho, zona leste de São Paulo - Fernando Moares/UOL - Fernando Moares/UOL
'Não faz sentido tantas coisas lindas ali guardadas', diz Flávia, sobre o acervo da CN Imagem: Fernando Moares/UOL

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Análise: Bolsonaro se pela de medo de Moraes; ação contra inquérito é coisa vencida

Reprodução/Montagem
Imagem: Reprodução/Montagem
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20/08/2021 08h33

Atualizada em 20/08/2021 14h04

Jair Bolsonaro resolveu aprontar mais uma. A Advocacia-Geral da União recorreu ao Supremo com uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) para tornar sem efeito o Artigo 43 do Regimento Interno da Corte. É o dispositivo legal que permitiu a Dias Toffoli abrir, de ofício, no dia 14 de março de 2019, o Inquérito 4.781, que tem Alexandre de Moraes como relator. É o tal das fake news. E também é aquele em que, hoje, o próprio Bolsonaro é investigado. Já volto ao ponto. Antes, algumas considerações.

O presidente que temos é movido pelo ódio e pelo medo. O primeiro o lançou na vida pública, e uma série de desastres, mormente os praticados pela Lava Jato, fez do triunfo da estupidez uma alternativa viável. Ei-lo na cadeira presidencial.

Busca e apreensão para Reis e outros? Que golpistas respondam por seus atos

As pesquisas apontam o que maioria dos brasileiros pensa da sua gestão. Até o mercado financeiro resolveu pescar em outras águas. Era o último bastião de apoio efetivo. Percebeu que, mais perdido do que Bolsonaro, só mesmo o seu Posto Ipiranga...

O medo veio depois, não é? Afinal, ele é presidente há dois anos e oito meses. Não tem um governo, mas uma folha corrida. A política do ódio persiste porque essa é sua condição permanente. Conjugadas uma coisa e outra, temos um governante desastrado, autoritário e golpista. E, a rigor, o golpismo é o que lhe restou. Com ele, mobiliza seus fanáticos e vai mantendo a condição de candidato viável ao menos a disputar o segundo turno. Daí que não abra mão da guerra permanente contra o Supremo.

OS PEDIDOS DE IMPEACHMENT
Bolsonaro anunciou que levaria pessoalmente ao Senado os pedidos de impeachment de Alexandre de Moraes -- de quem tem medo pânico -- e de Roberto Barroso. Está sendo vivamente desaconselhado a fazê-lo pelo que resta de prudência no seu entorno. E quem mais o desestimula é justamente a Advocacia Geral da União. Entendam: o seu pedido nem sequer rende um debate jurídico mínimo. Mais: Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente da Casa, já deixou claro que não tomará conhecimento da estrovenga. Mas como ele faz para continuar a cometer crimes sem ter um Moraes no seu pescoço?

Eis que vem, então, à luz a patranha da ADPF contra o Artigo 43 do Regimento Interno. E com pedido de liminar. Isto é: a AGU pede que o relator sorteado suspenda a eficácia do dito-cujo. Se concedida a liminar, as investigações em curso ficariam congeladas até a manifestação do pleno. Se a peleja fosse vencida, o inquérito seria extinto. Esse é o delírio de Bolsonaro, mas não vai acontecer.

QUESTÃO JÁ FOI JULGADA
Uma das coisas espetaculares nessa iniciativa é que se pede que o Supremo julgue o que já foi julgado há pouco mais de um ano. Já houve uma ADPF, a 572, contra o inquérito 4.781. Por 10 votos a 1 -- a discordância única foi de Marco Aurélio --, os ministros decidiram que a investigação não afronta a Constituição. Lembremo-nos que, ainda como procuradora-geral da República, Raquel Dodge tentou arquivar o inquérito, o que foi rejeitado por Moraes porque, por óbvio, o MPF não tinha competência para tornar sem efeito uma decisão do presidente do Supremo.

A ADPF 572 questionava a portaria que abriu o inquérito. A de agora pede que seja considerado inconstitucional o próprio Artigo 43 do Regimento Interno. Caso os ministros não aceitem — e a AGU desconfia que assim será —, o órgão solicita que se dê à norma o que considera uma interpretação conforme a Constituição, impondo uma série de restrições à investigação. Todas elas excluiriam Bolsonaro da investigação.

ARGUMENTO CENTRAL
Qual é o argumento central dessa ADPF, repetindo o daquela que já foi julgada -- e ecoando algumas críticas que andam por aí, bastante influentes em setores da imprensa, especialmente aqueles próximos ao lavajatismo?

O Supremo estaria impedido de abrir uma investigação sem que houvesse um pedido expresso do Ministério Público Federal ou sem a sua concordância. Os realmente interessados devem ler as 380 páginas— sei que é muita coisa; um pouco por dia — do julgamento da ação de 2020. Ali estão expressos os votos dos ministros.

Com clareza e riqueza de dados, exemplos e jurisprudência, fica claro como a luz do dia que o sistema acusatório vigente no Brasil confere ao Ministério Público a titularidade da ação penal — o que inclui o oferecimento da denúncia —, mas não o da investigação. Meus caros, até um ministro da Justiça pode determinar à PF, de ofício, que abra um inquérito.

Inexistem tanto o monopólio de investigação por parte das polícias judiciárias como de determinação de abertura de inquérito por parte do Ministério Público. O que se busca é confundir a titularidade da ação penal com a da investigação.

Sim, Bolsonaro estaria no melhor dos mundos se alcançasse o seu intento, não é? Também a investigação ficaria sob o escrutínio apenas do MPF. Com uma Lindôra Araújo pela frente, poderia barbarizar à vontade. É por essa razão que insisto em que, nos dois casos sobre os quais essa senhora se manifestou, os respectivos relatores — Rosa Weber e Ricardo Lewandowski — podem abrir o inquérito se assim decidirem.

INTERPRETAÇÃO
A AGU sabe que será derrotada na essência: a afirmação de inconstitucionalidade do Artigo 43. Nesse caso, pede, então, interpretações restritivas:
- que inquéritos de ofício, como o 4.781, se atenham a crimes cometidos no espaço físico do tribunal. Também essa questão já foi vencida. Se só o prédio compreende o STF, as votações à distância padeceriam de ilegalidade congênita. Notaram? Isso poria fim ao Inquérito 4.781;

- que o relator do inquérito fique impedido de decretar medidas cautelares sem o concurso do Ministério Público. Notaram? Isso teria impedido a prisão de Roberto Jefferson;

- que o ministro-relator seja impedido, no futuro, de julgar eventuais ações contra autoridades com prerrogativa de foro. Vale dizer: se Bolsonaro vier a responder a uma ação penal no Supremo — hipótese remota —, o que se quer é tirar Alexandre de Moraes do julgamento.

A QUESTÃO DE FUNDO
A questão de fundo que não aparece aí é a seguinte: a conversa de que o ministro que relata o inquérito será também o que vai julgar é falsa como moeda de R$ 3. Para que se abra uma ação penal contra Bolsonaro, é preciso que:
1: a Procuradoria Geral da República ofereça a denúncia. Lindôra Araújo e Augusto Aras já deixaram suficientemente claro que isso não vai acontecer;
2: que dois terços da Câmara autorizassem que o STF julgasse a abertura -- o que, sabe-se, também não aconteceria, ainda que a PGR deixasse de ser omissa.

Mas e se isso acontecesse?

Ainda assim Moraes ou outro qualquer não estariam impedidos de julgar porque estariam se debruçando sobre a peça acusatória apresentada por aquele que tem a titularidade da Ação Penal: o Ministério Público.

Toda essa conversa mole parte da premissa falsa de que, ao fim do Inquérito 4.781, Moraes vai formular a denúncia, aceitá-la e julgá-la. Mentira! Ele enviará o inquérito concluído para Aras, como fez com o dos atos antidemocráticos. E o procurador-geral fez o quê? A despeito do show de horrores que lá vai, pediu o arquivamento nos casos que envolviam autoridades com prerrogativa de foro. Um escárnio!

No fim das contas, essa ADPF não passa de mais uma provocação, ainda que bem arranjadinha na pena da Advocacia Geral da União, que, note-se, neste governo, atua, às vezes, como banca privada do bolsonarismo.

Ah, sim: estará o Planalto torcendo para que seja Nunes Marques o relator sorteado?

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'Não vou recuar um milímetro', diz Otoni após ser alvo de mandado do STF

Do UOL, em São Paulo

20/08/2021 08h43

Atualizada em 20/08/2021 10h06

O deputado federal bolsonarista Otoni de Paula (PSC-RJ) disse que não irá recuar "um milímetro" em relação aos seus posicionamentos. As declarações foram feitas hoje, nas redes sociais, após o parlamentar ser alvo de um mandado de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Ao todo, 29 mandados foram autorizados pelo ministro do STF. Agentes da Polícia Federal foram ao menos a quatro endereços no Rio de Janeiro e em Brasília ligados ao cantor, na casa e no gabinete do deputado.

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Em uma mensagem aos apoiadores e à imprensa compartilhada no Facebook, Otoni de Paula afirmou que "dentro do que a democracia permite" ele manterá a postura que tem e que não acredita que poderá ser preso por não ter feito nada que o possa incriminar.

De acordo com o deputado, a polícia não encontrou dinheiro escondido ou joias para serem apreendidas em sua residência.

Não, eu não fiz nada para ser preso, ok? Claro que nós estamos vivendo em um estado de exceção no Brasil, é claro, portanto em um estado de exceção você pode ser presoOtoni de Paula

Segundo a Polícia Federal, objetivo das ações contra o parlamentar e Sérgio Reis é apurar o eventual cometimento do crime de "incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições, bem como contra os membros dos Poderes".

Diante da busca e apreensão, o deputado classificou o comportamento do ministro Alexandre de Moraes como "ditatorial" e disse ainda que o mandado de hoje "não muda em nada" a sua vida porque ele está "de cabeça erguida" por não dever "nada a ninguém".

Otoni disse ainda que Moraes é a autoridade que tem prerrogativa de prender "todos aqueles que ele acha que tem de prender e que ele acha que ameaçam a democracia".

O ministro Alexandre de Moraes, que tem tido um comportamento autoritário e, por isso, que eu já adjetivei o comportamento dele como déspotaOtoni de Paula

Na sequência, o deputado disse que um dia todos irão prestar contas a Deus e, se a justiça na Terra falhar contra o ministro Alexandre de Moraes, a justiça divina essa não falhará.

Os mandados, que foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, estão sendo cumpridos no Distrito Federal, além dos estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Ceará e Paraná.

Políticos estão repercutindo nas redes sociais a operação. O do filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), chamou os dois principais alvos da ação — Otoni de Paula e o cantor Sérgio Reis — de "vítimas".

Entenda o caso

Otoni foi denunciado pela PGR ao STF em julho de 2020 pelos crimes de difamação, injúria e coação no curso do processo.

O deputado havia divulgado um vídeo se referindo ao ministro Alexandre de Moraes como "lixo", "canalha" e "esgoto do STF". Após a divulgação das imagens, o parlamentar se tornou alvo de um inquérito que apura o seu envolvimento em atos antidemocráticos.

Devido a repercussão do caso, Otoni de Paula entregou o cargo de vice-liderança do governo, motivado — segundo ele —, porque teriam tentado associar o presidente Bolsonaro a suas perspectivas sobre Moraes.

Em julho de 2020, a Justiça de São Paulo determinou que Facebook, Google e Twitter retirassem do ar ataques feitos pelo deputado contra o ministro.

O deputado foi condenado a indenizar Moraes em R$ 70 mil, por danos morais, visto pelo parlamentar como "exagero". A medida foi expedida pela 44ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo.

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Análise: Carolina Brígido - Bolsonaro atira pedras, STF responde com bombardeio

Ministro do STF Alexandre de Moraes - Rosinei Coutinho/SCO/STF
Ministro do STF Alexandre de Moraes Imagem: Rosinei Coutinho/SCO/STF

20/08/2021 11h01

Atualizada em 20/08/2021 14h02

A cada pedra que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) arremessa contra o STF (Supremo Tribunal Federal), recebe de volta um bombardeio. Há dias o presidente ameaça apresentar ao Senado um pedido de impeachment contra os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Ainda não tomou essa atitude. E, mesmo que faça isso, a chance de dar em nada é grande.

Enquanto isso, Barroso e Moraes tomaram atitudes concretas em resposta aos ataques do presidente, com repercussão na área criminal. Barroso abriu inquérito no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para apurar discursos de Bolsonaro contra o sistema eleitoral e Moraes incluiu o presidente no inquérito das fake news, que tramita no Supremo.

Na semana passada, Moraes mandou prender o presidente do PTB, Roberto Jefferson, aliado de Bolsonaro que ameaçou ministros do STF. Nesta sexta-feira (20), ordenou operação de busca e apreensão contra o cantor Sérgio Reis, apoiador do presidente que convocou greve geral dos caminhoneiros para protestar contra os ministros do STF.

Na quinta-feira (19), Bolsonaro tentou mais uma ofensiva - novamente, sem chance alguma de ter consequência prática. Ele entrou com uma ação no STF para impedir o tribunal de abrir inquérito por iniciativa própria, sem o aval da PGR (Procuradoria-Geral da República). O inquérito das fake news, que mira Bolsonaro e aliados, foi aberto dessa forma.

A ação proposta pelo presidente será julgada pelo próprio Supremo. No tribunal, os ministros já declararam em plenário apoio unânime ao inquérito das fake news - ainda que ele tenha sido instaurado de forma atípica. Para integrantes do Supremo, é importante haver inquéritos abertos para proteger a democracia de ataques.

Além do inquérito das fake news, outra investigação cumpre esse papel: um inquérito, comandado também por Moraes, para investigar a atuação de milícias digitais contra o sistema eleitoral e instituições democráticas. Aliados de Bolsonaro também estão na mira dessa apuração.

Sem o apoio nem mesmo da AGU (Advocacia-Geral da União), Bolsonaro insiste na apresentação dos pedidos de impeachment contra os ministros do STF. Os parlamentares já preparam a gaveta para arquivar o caso. O ato do presidente, se levado adiante, será isolado no governo. Com isso, Bolsonaro alcançará dois objetivos: dar satisfação à militância e se distanciar ainda mais do diálogo com o Judiciário.

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