__________* ALTA TENSÃO: TRÉGUA parece LONGE e autoridades dizem NÃO VER SAÍDA para ESTANCAR crise ENTRE PODERES. __________________________________________ NENHUM dos LADOS, nem SUPREMO nem Jair BOLSONARO, dá sinais de que vai recuar, e PAZ fica DISTANTE por ora.

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Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS. attends a news conference in Geneva Switzerland July 3, 2020. Fabrice Coffrini/Pool via REUTERS/File Photo Foto: Fabrice Coffrini/Pool via REUTERS

TEDROS ADHANOM GHEBREYESUS, Diretor-Geral da OMS9

Marcelo Freixo: acenos para o PP podem ajudar a obter apoio na Baixada Fluminense
Marcelo Freixo, PSB, PP e Baixada
O aumento do número de casos de Covid-19 não afastou o carioca das praias Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
O AUMENTO de casos de Covid-19 NÃO_AFASTOU o carioca das PRAIAS

______________________________TENSÃO chega ao AUGE, TRÉGUA parece LONGE e autoridades dizem NÃO VER SAÍDA para ESTANCAR crise entre Poderes. _______________ NENHUM dos LADOS, nem Supremo nem Jair Bolsonaro, dá sinais de que vai recuar, e PAZ fica DISTANTE por ora. 

________________________________________________________________________________________________________________________Uma SEGUNDA DOSE de AGOSTO vai ser APLICADA em SETEMBRO ________________________________________Forma-se a TEMPESTADE PERFEITA CONTRA Bolsonaro, diz NASSIF ________________________________________ABISMOS GERAM ABISMOS ________________________________________Doria diz que Brasil enfrenta sua MAIOR_AMEAÇA desde 1964 ________________________________________"GENTE BURRA QUE SÓ SABE MATAR" ________________________________________Brasil perdeu 15% da superfície de água em 30 anos ________________________________________FREIXO flerta com PP (Progressistas) candidatura de Freixo tem POUCA_PENETRAÇÃO na BAIXADA FLUMINENSE. O PP tem NOVA IGUAÇU e MAGÉ. _______________________________ 'TÁQUIUPÁRIU - BRASIL TÁÉ LASCADO Século 21 no LIXO. ____________________ Dilema JOIOxTRIGO: o joio GANHA DISPARADO, PORRA. Dá pra ter PENA dessa RALÉ? Eu NÃO tenho...! ________________________________________TEDROS ADHANOM  GHEBREYESUS, Diretor-Geral da OMS pede que países ADIEM aplicação da TERCEIRA DOSE. ________________________________________MARGARETH DALCOLMO: _____________ INTERCAMBIALIDADE entre VACINAS deve ser ESTRATÉGIA adotada JÁ e com PRAGMATISMO 

NINGUÉM consegue ser IMPARCIAL.
NINGUÉM. 
TODO MUNDO tem IDEOLOGIA.

E aí.? Sua IDEOLOGIA é IN-clusiva ou EX-cludente.?

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PALHAÇADA__________________________ DOIS PESOS e DUAS MEDIDAS: _______ (¿•?) O ISLÃ e NÓS (¿•?) - Michel Zaidan

Islã, muçulmanos
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Há muita incompreensão e intolerância no Ocidente sobre as artes, a literatura, a ciência e a filosofia do Islã.  Entende-se perfeitamente isso. O que se conhece aqui da cultura muçulmana é produto de uma "construção" discursiva ocidental produzida pelas agências de notícias e de espionagem contra aquilo que o mundo branco, cristão reformado e machocêntrico: "a barbárie do mundo árabe", contra a qual ergueu-se no Oriente Médio a última trincheira da civilização judaico-cristã - o Estado de israel.

A cultura muçulmana é muito antiga. Está associada  à tomada de Constantinopla e a hegemonia árabe no continente europeu. Essa hegemonia caracterizou-se pela tolerância para com os cristãos (ao contrário do Cristianismo e suas cruzadas), pelo desenvolvimento da ciência, da filosofia e da história. E contribuiu muito para o desenvolvimento da península ibérica e a civilização brasileira.

Deve-se, por exemplo, a plasticidade e a tendência à miscigenação racial da nossa  natureza social e cultural à influência árabe e muçulmana.

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É graças ao tempero árabe que nos tornamos mais tolerantes e receptivos à mistura, ao caldeamento racial e étnico. Dos grupos afro-brasileiros, os mais avançados que chegaram ao Brasil foram os malês, na Bahia, educados no espírito do Islã. Quem nunca ouviu falar em Avicenas, Averroes, Ibd Kaldum, grandes nomes da cultura árabe? Só a ignorância e o preconceito justificam essa visão errônea e homogeneizadora do mundo islâmico. Uma coisa é a crítica ao fundamentalismo dos estados teocráticos, que fazem da "sharia" a lei civil. Outra coisa é uniformizar o anátema à cultura muçulmana e chamar todo árabe de terrorista.

Fundamentalistas e conservadores são os cristãos evangélicos pentecostais e neopentecostais, os católicos ultramontanos. Foram esses que apoiaram o nazifascismo de Mussolini e Hitler. Não os árabes e muçulmanos. Foi Max Weber que uniu o Cristianismo reformado ao espírito do Capitalismo. Foram os soberanos cristão da Europa que escravizaram, torturaram, mataram e exploraram milhões de pessoas na África, na Ásia e na América. E hoje, a  grande nação do norte cristã e branca é a que oprime a humanidade.  

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Um pouco de tolerância e de cultura não faz mal a ninguém. Nem a esses papagaios das redes sociais.

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Os talibozos - Celso Raeder

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O Brasil governado pelo PT sequer passou perto de se transformar numa Venezuela. E muito menos em Cuba, uma vez que o ex-presidente Lula construiu as melhores relações com o governo dos Estados Unidos na gestão Barack Obama. Pelo contrário. Ampliou o diálogo e a cooperação com os norte-americanos, sem abrir mão da soberania e dos interesses econômicos que tornaram a China nosso principal parceiro comercial. Tomando como exemplo o setor de veículos em duas rodas, ambiente onde Bolsonaro acredita contar com grande número de seguidores, grandes marcas como Harley, Indian, Royal Enfield, Kawasaki, Dafra, entre outras, só investiram no país depois de perceberem a expansão do mercado para seus produtos. Até hoje, mais de 80% da frota de motocicletas em circulação foram compradas nas gestões Lula/Dilma. 

Meu interesse, como profissional de comunicação, é tentar entender como um governo com resultados tão positivos foi desconstruído tão rapidamente, sem qualquer capacidade de reação para se defender dos ataques que culminaram com a deposição da presidente Dilma, dando início ao projeto político de tomada do poder pelos Talibozos. O consórcio golpista formado para mergulhar o governo do PT num mar de corrupção, logrou êxito na empreitada sem qualquer esboço de resistência, provando a falta de maturidade política do povo brasileiro, principalmente quando comparada ao rechaço dos venezuelanos, na ocasião em que os mesmos atores institucionais do país (mídia, especuladores, Congresso, Judiciário...)  vizinho tentaram aplicar golpe semelhante. 

É verdade que nem todos os agentes do golpe que assentou Michel Temer na cadeira de Dilma estão satisfeitos com o resultado de sua obra em desfavor da democracia. Até estão sendo vítimas dos seus atos. É o caso da Globo e do STF, principalmente este segundo, que pelo papel constitucional que ocupa na República, jamais deveria se deixar levar por uma conspiração revelada pelo senador Romero Jucá. Ambos, além dos procuradores da Lava Jato, do juiz Sérgio Moro e seus assemelhados, que agora amargam a vergonha de terem suas sentenças reformadas em tribunais isentos, entregaram o país nas mãos de uma milícia armada, fundamentalista, extremista, genocida, que está excitada pela chance de reproduzir aqui o que acabou de acontecer no Afeganistão. 

Os Talibozos têm muitos motivos para acreditar que podem assassinar a democracia, e estabelecer no país uma república nacionalista comandada por bandidos da pior espécie. O principal deles é o silêncio cúmplice dos presidentes da Câmara e do Senado, que a tudo assistem sentados em pilhas de requerimentos de impeachment contra o presidente.  Será que estão esperando uma guerra civil, com milhares de mortos, mulheres estupradas, universidades destruídas a ataque de bombas, assassinatos em massa de populações indígenas para tomarem alguma providência? Vocês têm até o dia 6 de setembro para responder. 

Os líderes dos Talibozos já estão todos identificados. São aqueles pastores pilantras que divulgam vídeos ameaçando as instituições democráticas, cantores decadentes que estão na folha de pagamento ao lado de jornalistas escroques que manipulam a opinião pública, militares que desertaram dos princípios estabelecidos pelo Exército de Caxias, para seguir as ordens de um ex-capitão que jamais honrou a farda que vestiu. Fico imaginando todos eles invadindo o Congresso Nacional, armas em punho, ocupando as poltronas do plenário, gritando que “tá tudo dominado, em nome de Alá, digo... Jesus”?

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Na semana passada, o dono de uma dessas corretoras que fazem bilhões do dia da noite só com especulação na ciranda financeira, que se aventurou agora a financiar pesquisas eleitorais, ficou desesperado com a consolidação do nome do ex-presidente Lula como favorito em 2022. O que esse cara está querendo? Ele acha que vai ganhar mais dinheiro num cenário caótico como o que se vislumbra, pela inércia das instituições que já deveriam ter estancado essa escalada de violência antidemocrática? 

Se os Talibozos ampliarem o poder que conquistaram numa aberração eleitoral em 2018, por força das armas e da opressão, vou encontrar na fila de embarque no aeroporto muita gente que, até agora, vive me mandando para Cuba ou para a Venezuela. 

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Blogueira denuncia assédio sexual de Batoré, que defende golpe de estado e ataques ao STF

Nathaly e Batoré
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247 - A blogueira Nathaly usou suas redes sociais nesta segunda-feira (23) para denunciar que sofreu assédio sexual do humorista Batoré, que gravou um vídeo defendendo um golpe de estado e com ofensas ao STF.

Segundo a blogueira, o ataque ocorreu em sua primeira experiência cinematográfica. "Você tem 26 anos? nem parece ter cabelo na buceta já", relata. 

Em outro momento, ela afirma que Batoré “ficou insinuando mil coisas comigo e com quem passava na 25 de março. NOJO!”

Nathaly ainda disse que abafou o caso porque “NÃO queria que fechassem portas pra mim”

“BURRA? - Sim!”, diz. 

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Movimentação de Zé Dirceu pró André Mendonça no STF é mal-recebida entre ministros da corte | Bela Megale - O Globo

Por Bela Megale

O petista José Dirceu

A movimentação de José Dirceu para angariar votos para aprovar André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF) pegou mal. Parte dos ministros da corte afirma que o trabalho do petista junto a senadores para convencê-los a aprovar o indicado de Bolsonaro evidencia como seu passe “está fraco” e remete a uma “mensagem de desespero”.

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Os bolsonaristas também engoliram seco ao saber da atuação do ex-ministro de Lula pela nomeação de Mendonça. O discurso anticorrupção que abastece os apoiadores do presidente tem Dirceu como um dos principais alvos de ataques. Como informou o colunista Lauro Jardim, o petista tem feito lobby pela aprovação de Mendonça junto a senadores.

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Aliados de Bolsonaro vetam carta de governadores contra o autoritarismo | Bernardo Mello Franco - O Globo

Por Bernardo Mello Franco

Bolsonaro e Ronaldo Caiado em evento em Barretos, em 2019

Aliados de Jair Bolsonaro vetaram nesta segunda-feira, em reunião do Fórum de Governadores, a divulgação de uma carta conjunta contra as ameaças do presidente à democracia e ao Supremo Tribunal Federal. 

A ideia era publicar uma carta aberta de caráter suprapartidário, em defesa do estado de direito e do sistema eleitoral.

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No entanto, a proposta foi bombardeada pelos governadores Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Carlos Moisés (PSL-SC). Os três pretendem concorrer à reeleição em 2022 com apoio do presidente. 

Diante da resistência dos bolsonaristas, os organizadores do texto desistiram de divulgá-lo. A versão original havia sido redigida pelo governador Wellington Dias (PT-PI) e contava com apoio dos presidenciáveis João Doria (PSDB-SP) e Eduardo Leite (PSDB-RS).

Na reunião desta segunda, governadores de oposição alertaram os colegas para o risco de bolsonarização das polícias.

Há temor de novos casos de indisciplina após Doria afastar da PM de São Paulo o chefe do Comando de Policiamento do Interior-7, coronel Aleksander Lacerda, que convocou policiais para os atos pró-governo. 

A maioria dos governadores se mostrou disposta a repetir a atitude do tucano em seus estudos.

Na segunda passada, 14 governadores já haviam divulgado uma carta de solidariedade ao Supremo “em face de constantes ameaças e agressões” ao tribunal.

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Joséphine Baker será a primeira mulher negra a entrar no Panteão

Josephine Baker — Foto: Paul Nadar
1 de 4 Josephine Baker — Foto: Paul Nadar

Primeira estrela negra e espiã de guerra

Josephine Barke — Foto: Walery
2 de 4 Josephine Barke — Foto: Walery

Josephine Barke — Foto: Walery

Joséphine Baker é considerada a primeira grande estrela do teatro de revista. Ela também foi a primeira mulher negra a desempenhar o papel principal em uma grande produção cinematográfica no longa francês "A Sereia dos Trópicos", de 1927. Também foi uma das mais renomadas dançarinas do icônico Folies Bergère. Em Paris, ficou conhecida pelas danças sensuais e a irônica saia de bananas, que definiu sua imagem da época.

Ainda conhecida pelos posicionamentos antirracistas, Josephine foi uma das artistas negras que se recusou a se apresentar para plateias segregadas nos Estados Unidos, onde a cantora nasceu e foi também uma das vítimas da segregação do Jim Crow.

Já na Europa, sua imagem de artista glamorosa a fez um grande nome da Resistência Francesa contra os nazistas. Conhecida pelos apelidos de Vênus Negra, Pérola Negra e Deusa Crioula, os holofotes em cima de sua sensualidade a fizeram passar despercebida como espiã de guerra: além de esconder diversos franceses em sua propriedade durante a invasão nazista em Paris, Baker usou sua turnê pela América do Sul para contrabandear documentos para o general Charles de Gaulle. Em suas partituras, carregou informações codificadas sobre movimentos das tropas alemãs na França.

Cartaz da produção 'Sereia dos Trópicos' (1927), estrelada por Josephine Baker — Foto: Reprodução

Sexta mulher no Panteão

Por mais de um século, o Panteão foi a necrópole secular dos "grandes homens - e mulheres -" na França, cuja memória, a "pátria reconhecida" quer homenagear. O imponente edifício fica no coração da capital francesa. Entre os 80 personagens "panteonizados" estão políticos, escritores, cientistas, alguns religiosos e muitos militares.

Atualmente, ficam ali apenas os restos mortais de cinco mulheres, como os de Simone Veil, a última a ter sido incluída, em 2018. O escritor francês Maurice Genevoix foi o último "panteonizado", em 2020.

Joséphine Baker será a sexta mulher a entrar no Panteão, depois de Sophie Berthelot, a física Marie Curie, as lutadoras da resistência Germaine Tillion e Geneviève de Gaulle-Anthonioz, além de Simone Veil, que também era uma figura política.

Sophie Berthelot, a primeira a descansar ali, ao lado de seu marido, o cientista Marcelino Berthelot a quem ela ajudara em suas pesquisas, havia se distinguido "em homenagem à sua virtude conjugal".

Veja quem são as mulheres do Panteão francês, na ordem em que entraram:

Marie Curie

Marie Curie foi a primeira pessoa a receber dois prêmios Nobel em áreas distintas, física e química, em 1903 e 1911, respectivamente — Foto: Getty Images via BBC

Nascida em Varsóvia em 1867, Marya Salomea Sklodowska veio a Paris para estudar física e matemática. Casou-se com o físico Pierre Curie em 1895. Eles encontraram dois novos átomos, radioativos, batizados de polônio e rádio, e obtiveram o Nobel de Física em 1903, com Henri Becquerel.

Em 1906, Pierre Curie morreu atropelado por um caminhão. Viúva, Marie Curie teve um caso com o físico Paul Langevin, que também descansa no Panteão. Mas a esposa traída apresentou uma queixa contra ela e o escândalo estourou em 1911, terminando seu romance. Nesse mesmo ano, ela recebeu o Nobel de Química.

A única mulher no mundo a ser laureada duas vezes, ela morreu em 1934.

Em 1995, suas cinzas foram transferidas para o Panteão com as de seu marido, na presença do presidente polonês Lech Walesa. Uma decisão do presidente François Mitterrand tomada por sugestão de Simone Veil e outras personalidades.

Sophie Berthelot

Marcelino Berthelot (1827-1907) foi químico, biólogo e político. Muitas ruas, praças, escolas ou escolas secundárias levam o nome daquele que depositou mais de 1.000 patentes científicas e foi Ministro das Relações Exteriores e da Educação Pública.

Quando sua esposa, Sophie (nascida Niaudet), que o ajudava em suas pesquisas, adoeceu, ele disse a seus filhos (o casal tinha seis) que não poderia "sobreviver" a ela. Ele morreu alguns momentos depois dela. As causas de sua morte não foram claramente elucidadas.

A família concordou em "panteonizá-lo" com a condição de que Sophie fosse enterrada com ele. O Ministro Aristide Briand disse em seu elogio em 1907: “Ela possuía todas as raras qualidades que permitem a uma mulher bela, graciosa, gentil, gentil e culta estar associada às preocupações, sonhos e trabalho de um homem. Gênio”.

Geneviève de Gaulle-Anthonioz

A primeira mulher a receber a Grã-Cruz da Legião de Honra, Geneviève de Gaulle-Anthonioz (1920-2002) foi sobrinha do General de Gaulle. Estudante de história, ingressou na famosa Rede de Resistência do Museu do Homem, uma das primeiras criadas em Paris. Denunciada e presa em 1943, ela foi deportada em janeiro de 1944 para Ravensbrück, onde esteva ao lado de Germaine Tillion.

De volta do campo de concentração, ela trabalhou por um período no Ministério da Cultura com André Malraux com o marido Bernard Anthonioz. Mas, no final de 1958, conheceu o padre Joseph Wresinski, criador do movimento "Ajuda em qualquer perigo ", que se tornaria o ATD Quart-Monde. Em 1964, ela assumiu a chefia da associação. Em 1996, ela apelou aos parlamentares a favor de um projeto de lei de coesão social finalmente aprovado em 1998.

Germaine Tillion

Etnóloga, Germaine Tillion (1907-2008) foi uma lutadora incansável pelos direitos humanos. Aluna do sociólogo Marcel Mauss, em 1934 saiu para investigar a população berbere nos Aurès. Meio historiadora, meio repórter, ela cumpriu quatro missões ali.

Durante a guerra, ela participou da criação da Rede Museu do Homem. Ela também foi deportada para Ravensbrück, ao mesmo tempo que sua mãe, Émilie. Detentora de inúmeras condecorações por seus atos heróicos durante a guerra, ela é a segunda mulher a se tornar Grã-Cruz da Legião de Honra.

No retorno do campo de concentração, ela trabalhou no CNRS e na École Pratique des Hautes Etudes, escrevendo vários livros sobre Ravensbrück, Argélia ou sua profissão.

O seu caixão e o de Geneviève de Gaulle-Anthonioz foram instalados no Panteão em 2015, sem os seus restos mortais, a pedido das suas famílias que pretendiam mantê-los nos cemitérios onde estão enterrados.

Simone Veil

Simone Veil, sobrevivente de Auschwitz, ministra da Saúde (1974-1978) e presidente do Parlamento Europeu (1979-1982), foi uma das personalidades favoritas da França.

Também acadêmica, foi presidente da Fundação para a Memória da Shoah (2001-2007).

Sua notoriedade e popularidade se devem muito à sua luta para que a lei de interrupção voluntária da gravidez (aborto) seja adotada em 1975, apesar da oposição de grande parte da direita.

Ela foi panteonizada em 2018, um ano após sua morte. Seu marido, Antoine, falecido em 2013, repousa ao seu lado.

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Ativista dos direitos civis, pastor Jesse Jackson é hospitalizado com Covid-19 nos EUA

Ativista dos direitos civis, pastor Jesse Jackson é hospitalizado por Covid-19 nos EUA. — Foto: Ludovic Marin/AFP
1 de 1 Ativista dos direitos civis, pastor Jesse Jackson é hospitalizado por Covid-19 nos EUA. — Foto: Ludovic Marin/AFP

Ativista dos direitos civis, pastor Jesse Jackson é hospitalizado por Covid-19 nos EUA. — Foto: Ludovic Marin/AFP

O ativista americano pelos direitos civis, o pastor Jesse Jackson, foi hospitalizado no sábado (21) após ter testado positivo para Covid-19.

Jackson, de 79 anos, e sua esposa, Jacqueline Jackson, de 77, estão sendo tratados no Northwestern Hospital em Chicago, informou a organização Rainbow PUSH Coalition, em um comunicado no Facebook.

"Os médicos estão monitorando a condição de ambos", acrescentou o breve comunicado.

Jackson foi vacinado contra a Covid-19 em janeiro deste ano, momento em que emitiu uma declaração pedindo à população negra para fazer o mesmo.

Nenhuma vacina oferece proteção de 100% contra doenças, mas todas reduzem o risco de infecção, hospitalização e morte, principalmente depois da segunda dose.

É importante lembrar que vacinas funcionam, mas não são infalíveis. Ainda assim, apesar de a probabilidade de infecção após a vacina ser pequena, quanto mais a doença estiver circulando, maior é o risco de o imunizante falhar. Por isso a necessidade de vacinar o maior número de pessoas possíveis o quanto antes.

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TODAS as MULHERES e todos os HOMENS do mundo PODEM usar até BURCA se quiserem. Por que não? - MENOS as MUÇULMANAS.

Nesse caso fica sendo APOLOGIA ao EXTREMO MACHISMO...!

'Nem toda mulher que usa véu é oprimida': o que diz Boushra Almutawakel, autora da imagem viral de mãe e filha de burca

Obra 'Mãe, Filha e Boneca' foi criada em 2010 — Foto: Boushra Almutawakel
1 de 2 Obra 'Mãe, Filha e Boneca' foi criada em 2010 — Foto: Boushra Almutawakel

BBC Mundo - Suas fotografias, em especial a série 'Mãe, Filha e Boneca', foram amplamente compartilhadas nas redes sociais nos últimos dias. Qual a mensagem da obra?

Boushra Almutawakel - É um comentário sobre a misoginia patriarcalMedo, controle e intolerância. O que será necessário para que esses extremistas aceitem as mulheres; quantas camadas serão necessárias?

A sensação é que a única coisa que os deixará felizes é que as mulheres sejam de fato invisíveis.

Eu venho do Iêmen, um país que sempre foi muito conservador. A partir dos anos 80, contudo, cresceu a influência do wahabismo, da Arábia Saudita, e eu pessoalmente senti que as coisas estavam ficando muito extremas.

E, para mim, isso não tem nada a ver com o Islã. Antes, os véus eram coloridos. Cada aldeia tinha seu próprio véu. Em algumas aldeias, as mulheres nem cobrem o rosto.

Não sou contra o hijab. Se fosse assim, teria aberto a série com uma mulher de biquíni. Mas onde está escrito que uma menina de 5 anos deve cobrir o cabelo?

É como se a cultura fosse muito mais forte do que a religião. Há muitas coisas maravilhosas em nossa cultura, mas a parte misógina, a parte extremista, de cobrir completamente as mulheres, escondê-las, usá-las como propriedade, não faz parte do Islã.

BBC Mundo - Algumas pessoas têm usado as suas fotos para criticas o Islã de forma geral. Como vê isso?

Almutawakel - É definitivamente um uso indevido e uma deturpação, porque a série "Mãe, Filha e Boneca" faz parte do meu trabalho como muçulmana, como árabe, como mulher iemenita usando o hijab.

Quando eu volto para casa (para o Iêmen), eu uso o hijab. Fui alvo de muito ódio, principalmente de mulheres árabes que me dizem que sou contra o Islã e o hijab.

E esse era o medo que eu tinha de exibir meu trabalho no Ocidente — algumas pessoas da direita usaram meu trabalho para mostrar como as mulheres islâmicas estariam sendo oprimidas.

E meu trabalho não é sobre o Islã, é sobre extremismo. É sobre a misoginia patriarcal, que não é encontrada apenas no mundo árabe e muçulmano, está em toda parte.

BBC Mundo - Você tem sentimentos contraditórios em relação à repercussão da obra?

Almutawakel - Sim. Fico feliz que as pessoas estejam vendo meu trabalho, mas estou um pouco chateada, porque é como se as pessoas estivessem usando meu trabalho para reforçar uma mensagem que elas querem passar.

Muçulmanos e árabes pensam que estou do lado do Ocidente, que sou contra o Islã. Mas isso vem do uso incorreto e deturpado da obra.

E não estou falando pelas mulheres afegãs. Elas podem falar por si próprias. Eu acredito que as pessoas devem escutar, e não falar em nome dos outros.

E é isso que acontece com o Ocidente. Sei que a intenção é positiva, mas também queremos nos salvar a nós mesmas, e temos voz. O Ocidente não pode continuar a falar por nós.

As mulheres afegãs precisam se manifestar. E tenho certeza que elas vão. Elas têm vozes, são fortes.

BBC Mundo - Qual papel então deveria ter o Ocidente em crises como a que acontece no Afeganistão?

Almutawakel - O Ocidente não precisa nos salvar. De todo modo, o Ocidente nos destruiu. O Talebã foi criado pelos Estados Unidos para que pudessem lutar contra os soviéticos.

E eles deixaram o Talebã para o povo afegão. Quem precisa deles? Que tipo de mundo é esse? Eu gostaria que o Ocidente ficasse fora de nossos países, incluindo o meu. Eles destruíram o Oriente Médio em todos os aspectos.

BBC Mundo - A possibilidade de a crise no Afeganistão aumentar ainda mais a islamofobia a preocupa?

Almutawakel - Claro que preocupa. E claro que aumenta. Mas a islamofobia existe com ou sem o Talebã, vem desde 11 de setembro de 2001.

Se não existissem os talebãs, buscariam outra coisa para alimentar essa propagando que dissemina que o Islã é o mal. Muito disso infelizmente tem a ver com ignorância, medo e incompreensão.

BBC Mundo - Qual a intenção por trás da série "What if..." ("E se..."), que mostra um homem usando uma burca?

Almutawakel - Não estava tentando provocar. Enquanto estava na faculdade nos Estados Unidos, passei por uma fase religiosa e usei o hijab por um ano.

Lembro-me de quando era verão, eu sentada ali, suando, e vi os jovens árabes muçulmanos de shorts... pessoalmente, aquilo não fazia sentido para mim. Então eu tirei [o véu].

E pensei: como seria o contrário? Se os homens fossem os únicos a usar o hijab. Era uma pergunta surreal que eu queria traduzir por meio de fotos.

Lembro que expus a série no Museu Nacional do Iêmen. E, para minha grande surpresa, muitas mulheres adoraram. Acho que quase todos os homens detestaram.

Lembro-me de uma briga com um médico que estudou nos Estados Unidos. Ele me perguntava: o que você está tentando dizer? Que os homens devem ser mulheres? Você está questionando o que Deus disse? Ele levou isso muito a sério.

BBC Mundo - Você viveu por vários anos na França, um dos países que proibiu o uso da burca publicamente. Como foi a experiência?

Almutawakel - É muito contraditório. O lema da França é igualdade, liberdade e fraternidade, mas a realidade é outra.

Os muçulmanos são uma minoria, são marginalizados. E eles focam nas mulheres, as mais marginalizadas, as mais vulneráveis, é como uma forma de extremismo, mas na outra direção.

Parece horrível para mim, ainda mais horrível porque o Ocidente foi educado na modernidade, com base na liberdade e na liberdade de expressão. Mas não é verdade. Simplesmente não é verdade.

BBC Mundo - Qual sua opinião sobre o intenso debate em torno do véu?

Almutawakel - Não estamos focando nos reais problemas. Sempre se diz às mulheres o que fazer, para usar o hijab ou tirá-lo, ser magra, ser jovem... Deixem-nos em paz!

Veja o que é a indústria de maquiagem e do bem-estar. Os bilhões de dólares que circulam aí. As mulheres passam por cirurgias plásticas e morrem de fome para ficarem magras. Essa também é uma forma de opressão.

Muitas das mulheres que se cobrem são médicas, políticas, escritoras, advogadas, artistas. E elas são fortes. Não porque seu rosto ou seu corpo estejam cobertos, mas por seu intelecto.

Algumas pessoas no Ocidente veem uma mulher com véu e imediatamente presumem que ela está oprimida e precisa ser salva. Mas nem todas as mulheres que usam hijab são oprimidas. E não estou falando pelas mulheres afegãs, mas pelas iemenitas e por mim.

BBC Mundo - Você se preocupa com a supressão de direitos das mulheres pelo avanço dos talebãs no Afeganistão?

Almutawakel - Sim, claro, tenho medo como todo mundo. As coisas que aconteceram no passado, mulheres que levam tiros, que são tiradas da escola, de seus empregos, que são mortas, é horrível.

Qualquer forma de fundamentalismo, de extremismo, onde não haja espaço para flexibilidade, para discussão, para diálogo, é assustador.

No entanto, acho que estamos vivendo uma época diferente, porque agora temos telefones celulares e redes sociais, e eles não podem fazer as coisas como antes.

Também acredito que desta vez muitas mulheres lutarão mais. Tiveram 20 anos de vida melhor e são fortes, ambiciosas e capazes. Eu tenho fé nelas.

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Kim Jong-Un empreende guerra cultural para minar K-pop e gírias que vêm da Coreia do Sul

Ditador norte-coreano pune com confinamento em campos jovens que consomem vídeos e filmes e se comportam como vizinhos do Sul.

G1

Em foto distribuída pela agência oficial norte-coreana, Kim Jong-un fala na reunião do Partido dos Trabalhadores em Pyongyang, em 15 de junho — Foto: KCNA via AP
1 de 1 Em foto distribuída pela agência oficial norte-coreana, Kim Jong-un fala na reunião do Partido dos Trabalhadores em Pyongyang, em 15 de junho — Foto: KCNA via AP

Em foto distribuída pela agência oficial norte-coreana, Kim Jong-un fala na reunião do Partido dos Trabalhadores em Pyongyang, em 15 de junho — Foto: KCNA via AP

Se há três anos vibrou com uma apresentação de K-pop, de um grupo de artistas sul-coreanos que visitavam a Coreia do Norte (veja vídeo abaixo), o ditador Kim Jong-un agora rotula o gênero de câncer maligno e empreende uma guerra cultural a quem fala gírias ou se comporta como os vizinhos do Sul. O alvo principal é a juventude, seduzida pelo estilo de vida livre e despojado que emana clandestinamente do outro lado da Península Coreana em vídeos e CDs.

Ditador norte-coreano assiste a um concerto da Coreia do Sul

Ditador norte-coreano assiste a um concerto da Coreia do Sul

Seis estudantes do ensino médio foram julgados e condenados recentemente a cinco anos de internação em um campo de reeducação, de acordo com o relato do Daily NK, veiculado em Seul. O crime? Assistiram no ano passado a mais de 120 filmes e séries sul-coreanos.

No lado Norte, a punição é dura e prevista em lei aprovada em dezembro: 15 anos de confinamento para quem porta material clandestino e pena de morte para quem distribui filmes e videoclipes da cultura pop sul-coreana.

A influência estrangeira é vista como uma ameaça e precisa ser minada. Como justificou em artigo o jornal “Rodong Sinmun”, veiculado pelo regime, “a penetração ideológica e cultural sob o letreiro colorido da burguesia é ainda mais perigosa do que os inimigos armados”.

Desta forma, o idioma coreano deve seguir o dialeto do Norte, considerado superior. Gírias praticadas no Sul são terminantemente proibidas, assim como roupas, penteados e danças antissocialistas que, segundo o regime, só servem para “corromper os jovens”.

A cruzada contra a cultura sul-coreana tenta estancar um flanco vulnerável no regime mais fechado do mundo, comandado de forma tirânica há três gerações pela dinastia Kim. A ditadura domina 25 milhões de habitantes sob extrema vigilância do aparato estatal.

Aos 37 anos, o atual Líder Supremo é um representante da geração dos millennials, criada pela revolução da internet, mas abomina a propagação de celulares, pen-drives, cartões de memória ou de qualquer veículo por onde possam trafegar informações que ponham em risco o futuro do sistema político em que partido, Exército e Estado funcionam como um amálgama.

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Meios, motivos e oportunidade | Opinião - O Globo

Por Eduardo Affonso

Houve um tempo em que tínhamos milhares de técnicos de futebol, daqueles conhecedores de táticas infalíveis, sob cuja batuta jamais se perderia um jogo. Infelizmente, todos trabalhavam em barbearias. Economistas capazes de debelar a inflação, quitar a dívida externa e nos livrar do FMI em três dias também existiam aos borbotões. Para nosso azar, não estavam em postos-chave no Ministério da Fazenda, mas ao volante de táxis.

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De uns anos para cá, taxistas e barbeiros perderam o protagonismo para os influenciadores digitais, sofrendo a concorrência desleal de blogueiros ou qualquer um com conta no Twitter, Instagram ou Facebook.

Bastou surgir a pandemia, e o país se viu — de uma hora para outra — com milhões de especialistas em epidemiologia, infectologia, virologia e, principalmente, farmacologia. Gente que não sabia diferenciar genérico de similar deu de citar estudos obscuros publicados em revistas ignotas e declamar a bula de medicamentos até então só conhecidos por portadores de malária e outras doenças parasitárias.

A onda seguinte foi a de quem nunca passou perto do Exame de Ordem, mas questiona com veemência a constitucionalidade das decisões tomadas por ministros do STF. Coincidentemente — ou não —, essas pessoas também são experts em procedimentos regimentais da Câmara e do Senado, com notório saber em (in)violabilidade de urnas eletrônicas.

Há uma semana fomos tomados por uma nova horda de especialistas — estes, em geopolítica e logística de retirada de tropas. “Sem sombra de dúvida, o avanço do Talibã representa uma enorme vitória sobre os piores inimigos dos oprimidos de todo o planeta”, pontificou o Partido da Causa Operária, excluindo mulheres, LGBTQI+ e minorias étnicas e religiosas da categoria de oprimidos. A geração espontânea de afeganistólogos em terras brasileiras ainda há de ser objeto de estudos acadêmicos no futuro — se houver futuro digno desse nome num mundo com coronavírus, negacionistas, palpiteiros compulsivos, militantes do PCO e talibãs.

Os sábios de orelhada formam grupos em que se retroalimentam, solidificando suas crenças (ou crendices) por meio do viés de confirmação. Assim, um pitaco é partilhado mil vezes na esperança de que se transforme em opinião e, quem sabe, em fato. O que faz lembrar o “efeito Dunning-Kruger”: pessoas sem conhecimento sólido, mas dotadas de muita autoconfiança, são levadas a acreditar que sabem mais sobre um tema do que os que efetivamente estudaram a respeito (limitações cognitivas as impedem de reconhecer que possam estar erradas). Suas conclusões eventualmente acabam por prevalecer sobre as de quem domina o assunto, mas prefere se manifestar com ponderação.

Alguns tuiteiros — que, como cantava Paula Toller, sabem de quase tudo um pouco, e quase tudo mal — deviam fazer valer seu direito constitucional de permanecer em silêncio diante de questões sobre as quais não podem se manifestar sem produzir provas de ignorância contra si mesmos.

(Kruger e Dunning, autores do estudo sobre a “ilusão da superioridade”, foram agraciados com o IgNobel de Psicologia, em 2000 — antes, portanto, da criação do Twitter. A História há de reparar essa injustiça.)

Eduardo Affonso - assinatura

Por Eduardo Affonso

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O ministro e o 'INCLUSIVISMO' 

Virou rotina. O ministro da Educação faz uma declaração polêmica, vem a reação negativa e ele pede desculpas ou afirma ter sido mal compreendido. Foi assim quando associou gays a “famílias desajustadas” e quando disse que a universidade deveria ser para poucos. A mais recente de suas falas desastradas foi a afirmação de que a criança com deficiência incluída em classes comuns atrapalhava o aprendizado das demais. Ele ainda tentou suavizar dizendo que falava isso “entre aspas” e “com muito cuidado”, mas pouca gente se convenceu disso.
Se o problema fosse apenas uma desatenção com declarações públicas, bastaria um bom treinamento de mídia para evitar problemas. Mas não é o caso. As falas são reveladoras tanto de preconceitos quando de ações ou omissões no MEC.
Na mesma entrevista em que falou sobre as crianças com deficiência, Ribeiro usou pejorativamente o termo “inclusivismo” para criticar a política de inclusão adotada no país nos últimos 25 anos. Mais do que um modismo, a ideia de que alunos com deficiência devam conviver com os demais nas mesmas salas de aula é ancorada em pesquisas que mostram o benefício dessa prática para todos os grupos. A opção por essa política, em contraponto às práticas segregacionistas do passado, tampouco é invenção brasileira, pois consta inclusive de um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Sempre houve alguma resistência à ideia de que alunos com deficiência deveriam estar matriculados com os demais. Mesmo assim, o país conseguiu avanços significativos. Em 1998, por exemplo, o Censo Escolar do MEC registrava apenas 337 mil alunos com deficiência matriculados no sistema educacional, sendo que somente 13% desse universo convivia nas mesmas salas de aula que os demais. Em 2019, esse número mais que triplicou, chegando a 1,3 milhão, com 93% matriculados em classes comuns. E o grande motor desse processo foi a rede pública, já que nas escolas particulares a proporção de alunos com deficiência incluídos é de apenas 41%.
Foi tudo perfeito? Certamente não, e aqui é preciso reconhecer um problema ainda não completamente resolvido. No questionário respondido por diretores de escolas públicas de todo o Brasil no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), 50% afirmam que há número insuficiente de profissionais para inclusão do público-alvo da educação especial e 57% declaram que não houve treinamento nos últimos dozes meses na escola para lidar com esse grupo. 
Há ainda muito a trabalhar para que toda criança com deficiência seja recebida nas escolas públicas com as melhores condições para seu desenvolvimento pleno. Mas vale aqui um exercício contrafactual: o que teria acontecido com esses 1,3 milhão de estudantes com deficiência hoje matriculados no sistema público de ensino se não fosse a pressão dos grupos que advogaram pela inclusão nas últimas décadas? Provavelmente continuariam segregados em escolas especiais ou, pior, sem acesso à educação.

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Trinta ônibus são depredados em domingo de forte calor e praias lotadas no Rio

Segundo Rio Ônibus, prejuízo é de R$ 100 mil. Veículos ficarão fora de circulação até serem consertados; concessionária nega que havia falta de efetivo nas ruas
Pessoas forçaram a entrada em ônibus pela janela no Leme; veículos tiveram janelas quebradas Foto: Reprodução
Pessoas forçaram a entrada em ônibus pela janela no Leme; veículos tiveram janelas quebradas Foto: Reprodução

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RIO – A volta para casa no domingo de sol e praia terminou com pontos de ônibus cheios, confusões e vários ônibus quebrados em Copacabana, na Zona Sul do Rio. 

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram pessoas se arriscando dependuradas nas janelas e no teto dos veículos em movimento. 

Janelas chegaram a ser quebradas para que passageiros entrassem nos coletivos. 

A Rio Ônibus diz que 30 ônibus foram quebrados no útlimo domingo. A concessionária afirma que o prejuízo passa de R$ 100 mil.

Ao todo, 30 veículos foram danificados durante volta para casa de banhistas. Imagens: Divulgação / Rio Ônibus
Ao todo, 30 veículos foram danificados durante volta para casa de banhistas. Imagens: Divulgação / Rio Ônibus

Em uma das imagens, pessoas tentam forçar a entrada em um ônibus já lotado na Avenida Princesa Isabel.

A tentativa é frustrada com a chegada de uma viatura da Polícia Militar. 

Já na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, moradores gravaram imagens de coletivos lotados e muitas pessoas se arriscando ao viajar no teto. 

Ninguém foi detido.

O aumento do número de casos de Covid-19 não afastou o carioca das praias Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
O aumento do número de casos de Covid-19 não afastou o carioca das praias
Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Em nota, a Rio Ônibus disse que “as imagens são o retrato do caos e refletem o desrespeito ao sistema regular de transportes. 

Em situações assim, vans e carros por aplicativos desaparecem ou elevam suas tarifas.

As cenas NÃO retratam uma REALIDADE ISOLADA

e, no próximo final de semana, caso NÃO haja reação por_parte das AUTORIDADES de SEGURANÇA PÚBLICA, correm novamente o risco de acontecer”. 

A Polícia Militar ainda não comentou.

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Como a China reinventou sua relação com o Talibã | Marcelo Ninio - O Globo

Criança carrega bandeiras do Talibã para vender nas ruas de Cabul

O governo chinês se declarou disposto a manter relações amistosas com o Talibã e, indo na contramão do Ocidente e de boa parte da população afegã, manifestou confiança de que o grupo manterá uma atitude tolerante e “racional” agora que voltou ao controle do país. É uma visão bem diferente da que Pequim tinha do Talibã há 20 anos.

Quatro meses depois dos atentados do 11 de Setembro, Pequim divulgou um dossiê em que citava o Talibã como patrocinador de um grupo de militantes da etnia uigur que seria responsável por dezenas de atos terroristas dentro e fora da China. Segundo o documento, esse grupo, o Movimento Islâmico do Turquestão (Etim, na sigla em inglês), havia recebido treinamento e armas do Talibã e da al-Qaeda de Osama bin Laden para lutar pela independência de Xinjiang, província no leste da China onde metade da população é muçulmana, a maioria da etnia uigur.

Surgiu então uma nova convergência de interesses entre Pequim e Washington. Se na década de 1980 chineses e americanos haviam apoiado grupos rebeldes islâmicos contra a invasão soviética do Afeganistão, 20 anos depois o inimigo comum era o Talibã, surgido desses mesmos grupos dos chamados “mujahedin”. O Afeganistão de 2001 controlado pelo Talibã estava associado a ameaças aos dois países — a al- Qaeda para os EUA e o Etim para a China. Essa convergência levou os EUA a permitirem que agentes chineses interrogassem em Guantánamo prisioneiros da etnia uigur capturados no Afeganistão e a incluir o Etim na sua lista de grupos terroristas.

Enquanto os EUA invadiram o Afeganistão e declararam guerra ao Talibã, a China trilhou um caminho diferente de combate à ameaça terrorista, que combinou repressão em Xinjiang e manobras diplomáticas. Nos últimos 20 anos, mesmo suspeitando do grupo por ligações com o terrorismo uigur, Pequim manteve contatos com o Talibã. Ao mesmo tempo, seguiu tendo relações com o governo afegão pró-Ocidente e ampliou a ajuda e os investimentos no país.

A visão pragmática da China em relação ao conturbado vizinho se fortaleceu à medida em que a presença americana no Afeganistão ficou com os dias contados. Em 2020, o governo chinês chegou a prometer ao Talibã investimentos em projetos de energia e infraestrutura no Afeganistão caso o grupo se comprometesse com uma solução pacífica para estabilizar o país. No mês passado, a fórmula “investimentos em troca de estabilidade” foi reiterada durante a visita à China de uma delegação do Talibã chefiada pelo número dois do grupo, Abdul Ghani Baradar.

Cinturão e minérios

Bem antes da retirada americana, o descrédito dos EUA causado por sua fracassada intervenção militar abrira um vácuo de influência que levou a China a mudar sua atitude em relação ao Afeganistão, de “indiferença calculada para um envolvimento estratégico”, como definiu a analista Shubhangi Pandey. Para Pequim, a estabilização do Afeganistão importa sobretudo para evitar que o país seja um abrigo para que militantes do Etim planejem atentados dentro do território chinês.

Além disso, ela abre espaço privilegiado para a exploração das reservas no Afeganistão de materiais para a indústria chinesa, como terras raras, lítio, ferro e cobalto, e libera um corredor importante para a Iniciativa do Cinturão e Rota, o megaprojeto de infraestrutura que é um dos pilares da diplomacia econômica de Pequim.

Na crescente competição entre EUA e China, a ameaça terrorista deixou de ser um ponto de convergência e tornou-se mais um motivo de atrito. Em 2020, o Etim foi retirado da lista de grupos terroristas dos EUA pelo governo de Donald Trump, que acusou a China de cometer genocídio contra minorias muçulmanas em Xinjiang. A decisão revoltou o governo chinês, que acusou os EUA de terem “duas caras” na guerra ao terror.

É cedo para saber como funcionará o governo do Talibã, mas a retirada dos EUA como ocorreu é “um desastre geoestratégico” e uma vitória para a China, que passa a ser o país com maior influência no Afeganistão e ganha “carta branca” na Ásia Central, diz o especialista em defesa Claude Rakisits. Resta saber se o Talibã irá cumprir a promessa de não permitir atividades de grupos anti-China no território sob seu controle, diz Rakisits, professor da Universidade Nacional da Austrália.

— A China acredita nisso? Provavelmente não, quem acreditaria no Talibã? Mas o Talibã vê a possibilidade de que a China faça investimentos no Afeganistão e contribua para a reconstrução do país. Por isso calculo que o nacionalismo do Talibã ficará acima da solidariedade com os uigures.

Embora o governo chinês manifeste publicamente que vê indícios de um Talibã “mais racional”, há apreensão sobre sua capacidade de frear ações extremistas. No passado, as ordens do comando central não foram obedecidas por facções locais, observa Liu Zongyi, do Instituto de Estudos Internacionais de Xangai. Para ele, a imagem mais diplomática que o Talibã tenta passar agora pode ser apenas uma estratégia, pois o fundamentalismo islâmico ainda é o que define sua ideologia. Sendo assim, escreveu Liu num artigo na imprensa chinesa, será difícil para o grupo deixar de acolher militantes islâmicos, incluindo membros do Etim.

Em entrevista ao canal estatal chinês CGTN, o economista americano Jeffrey Sachs chamou de “estúpida” a política dos EUA no Afeganistão, por ter gasto uma fortuna sem dedicá-la a desenvolver o país. Por contarem com um Exército poderoso, os EUA usam o poder militar como política externa, disse Sachs, ilustrando o raciocínio com um provérbio: “quando você tem um martelo, tudo parece com um prego”. Já a China usa o seu poder econômico como política externa. A questão é se isso dará certo com o Talibã.

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Com AÇÃO COORDENADA e ATAQUES, BOLSONARISTAS concentram 77% das menções a ALEXANDRE de MORAES após pedido de IMPEACHMENT | Sonar - A Escuta das Redes - O Globo

Menções a Alexandre de Moraes no Twitter

Um levantamento da Arquimedes que analisou as menções no Twitter ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, na última sexta-feira, dia em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pediu formalmente seu impeachment, encontrou um total de 55,6 mil perfis que originaram 218 mil publicações sobre o tema. Foi o recorde de volume de posts diários no mês de agosto sobre o ministro e 77% das publicações (em azul no grafo) partiram de apoiadores do presidente revelando indícios de ações coordenadas.

Segundo a Arquimedes, que é especializada na análise das plataformas digitais, as menções começaram com reações da base bolsonarista à decisão de Moraes que autorizou abertura de inquérito contra Sergio Reis e outros apoiadores de Bolsonaro. Logo no início da manhã, uma média de 10 mil publicações por hora sobre o ministro iam ao ar.

Esse patamar se manteve ao longo de todo o dia até que o perfil do presidente Bolsonaro anunciou que protocolou a denúncia contra o ministro no STF. A partir daí, o volume de posts sobre o tema mais que dobrou com seus apoiadores compartilhando e comemorando a notícia. No total, até a sexta-feira, soma-se aproximadamente 900 mil publicações que mencionam Moraes.

A plataforma destaca que houve presença de diversos influenciadores da rede bolsonarista, o que evidencia ação coordenada. Os perfis compartilham sobre o mesmo tema e usando os mesmos argumentos, que, de acordo com a Arquimedes, se resumem em apontar uma suposta perseguição aos “conservadores” (como costumam se autodenominar) e denunciam o que consideram um golpe do STF, que opera para o establishment político. 

O levantamento também indica que, por mais que essas redes consigam um grande volume de posts, elas acabam formando bolhas, falam apenas para si e não conseguem diálogo com outros agrupamentos.

A oposição somou 23% (em laranja no grafo) e contou com a participação de diferentes correntes ideológicas, indo da esquerda partidária (PSOL, PT e seus representantes) e alcançando a direita não-bolsonarista, representada pelo Antagonista e membros do MBL.

A Arquimedes ressalta ainda que esse episódio evidencia que o STF, e em especial os ministros Barroso e Moraes, são a bola da vez nos ataques dos bolsonaristas. Outros alvos recentes foram outros ministros do STF como Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além de políticos como Rodrigo Maia, Sergio Moro e João Doria.

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Covid-19: diretor da OMS pede que países adiem aplicação da terceira dose da vacina

Tedros orientou que as injeções de reforço sejam doadas a nações que estão com uma taxa baixa de imunizados, a fim de evitar novas variantes
Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS. attends a news conference in Geneva Switzerland July 3, 2020. Fabrice Coffrini/Pool via REUTERS/File Photo Foto: Fabrice Coffrini/Pool via REUTERS
Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS. attends a news conference in Geneva Switzerland July 3, 2020. Fabrice Coffrini/Pool via REUTERS/File Photo Foto: Fabrice Coffrini/Pool via REUTERS

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BUDAPESTE — O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nesta segunda-feira que as vacinas de reforço contra a Covid-19 devem ser adiadas, pois a prioridade deve ser dada ao aumento das taxas de vacinação em países onde apenas 1% ou 2% da população foi imunizado.

Se as taxas de vacinação não forem aumentadas globalmente, variantes mais fortes do coronavírus podem se desenvolver. Por isso, vacinas destinadas para terceira dose devem ser doadas a países onde as pessoas não receberam sua primeira ou segunda dose, disse ele durante uma visita a Budapeste.

— Além disso, há um debate sobre se as injeções de reforço são realmente eficazes — disse Ghebreyesus em entrevista coletiva com o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto.

Aqueles cujo sistema imunológico está comprometido devem receber uma dose de reforço, embora representem apenas uma pequena porcentagem da população, acrescentou.

A OMS disse na semana passada que os dados atuais não indicam que as vacinas de reforço contra a Covid-19 são necessárias e que as pessoas mais vulneráveis em todo o mundo devem ser totalmente vacinadas antes que os países de alta renda implementem uma terceira dose.

Os Estados Unidos anunciaram na semana passada que planejam tornar as vacinas de reforço da Covid-19 amplamente disponíveis a partir de 20 de setembro, conforme as infecções aumentam por causa da variante Delta do coronavírus.

A Hungria já começou a distribuir amplamente as vacinas de reforço, com qualquer pessoa elegível quatro meses depois de receber sua segunda dose de uma vacina contra o coronavírus.

Terceira dose reduz risco de infecção, diz Israel

Uma terceira dose da vacina anti-Covid-19 da Pfizer melhorou significativamente a proteção contra infecções e doenças graves entre pessoas com 60 anos ou mais em comparação com aqueles que receberam duas injeções. As informações são do Ministério da Saúde de Israel, publicadas neste domingo.

Os dados foram apresentados em uma reunião de um painel de especialistas em vacinação do ministério na quinta-feira e carregados em seu site no domingo, embora os detalhes completos do estudo não tenham sido divulgados.

As descobertas estão no mesmo nível de estatísticas separadas relatadas na semana passada pelo provedor de saúde Maccabi, de Israel, uma das várias organizações que administram doses de reforço para tentar conter a variante Delta do coronavírus.

Dividindo as estatísticas do Instituto Gertner de Israel e do Instituto KI, funcionários do ministério disseram que entre as pessoas com 60 anos ou mais, a proteção contra a infecção fornecida 10 dias após a terceira dose era quatro vezes maior do que após duas doses.

Uma terceira dose para maiores de 60 anos ofereceu proteção cinco a seis vezes maior após 10 dias em relação a doenças graves e hospitalização. Essa faixa etária é particularmente vulnerável à Covid-19 e em Israel foi a primeira a ser inoculada quando a campanha de vacinação começou no final de dezembro.

Nas últimas semanas, o ministério da saúde disse que a imunidade diminuiu com o tempo para os idosos e também para os jovens. A maioria das pessoas vacinadas que ficaram gravemente doentes em Israel tinha mais de 60 anos e problemas de saúde subjacentes.

Israel começou a administrar terceiras doses para maiores de 60 anos em 30 de julho. Na quinta-feira, o país reduziu a idade de elegibilidade do reforço para 40 anos, e incluiu mulheres grávidas, professores e profissionais de saúde abaixo dessa idade. As doses de reforço são administradas apenas para aqueles que receberam a segunda injeção há pelo menos cinco meses.

Lutando contra um surto da variante Delta desde junho, Israel tem atualmente uma das maiores taxas de infecção per capita do mundo. Quase 1,5 milhão de pessoas dos 9,3 milhões de habitantes do país receberam uma terceira injeção.

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MARGARETH DALCOLMO: INTERCAMBIALIDADE entre vacinas deve ser ESTRATÉGIA adotada JÁ e com PRAGMATISMO

Enfermeira administra dose de vacina da AstraZeneca

Muitas certezas, muitas questões em aberto, a cada dia uma constatação do previsto e ou uma descoberta. Conhecendo a taxa de transmissão inferimos que precisávamos alcançar alto percentual de cobertura da população para conter o número de casos graves e mortes pela Covid19, e, num segundo momento, muito provavelmente com vacinas de segunda geração, que poderemos interferir sobre a transmissão.

Que todos teremos que receber doses de reforço vacinal, independentemente das vacinas que recebemos, está claro, hoje. Com orientações distintas para as diferentes plataformas vacinais, porém com o objetivo comum de impedir casos graves e hospitalização pela Covid19. A efetividade contra infecções novas, que deveria contar com a variável tempo e eventual chegada de variantes mais agressivas, é, no momento, secundária frente às formas graves da doença, como estratégia. A despeito de incertezas nesse universo epidemiológico tão novo, no qual não se poderá ter uma solução única a ser oferecida, para todas as vacinas, fica cada vez mais demonstrado, pelos estudos que se sucedem, que a intercambialidade de plataformas vacinais, será o mais indicado no sentido de oferecer maior imunidade, especialmente aos mais idosos. E essa medida deverá ser imediata, prescindindo do tempo para novas evidência, no pragmatismo que medidas de saúde pública exigem.

Muito já se demonstrou quanto a intervalos de doses e produção de anticorpos neutralizantes, como por exemplo com a vacina de Oxford/AstraZeneca, na qual os intervalos de 12 semanas, mais do que uma simples medida sanitária que objetivasse cobrir o maior número de pessoas, já seria justificada. Por outro lado, recente estudo publicado na revista Lancet, com 500 indivíduos, mostra um excelente resultado em termos de praticidade e eficiência, e com a associação das plataformas de vacina com vetor de adenovírus e outra dose de RNA mensageiro suprindo eventuais faltas de uma vacina.

A definir, portanto, os grupos prioritários iniciais, e as faixas etárias, cronologicamente se iniciando pelos mais idosos, nos quais estudos já demonstraram de forma consistente, que a proteção conferida é efêmera e muito inferior aos mais jovens. Países têm tomados medidas nessa direção e iniciaram campanhas sistemáticas de doses de reforço vacinal a partir do advento da variante Delta e dos casos de reinfecção com necessidade de hospitalização, revelando falha vacinal.

A queda da imunidade após 6 meses é fato, tanto para quem teve a doença como para vacinados mais velhos. Uma dose de reforço seria capaz de aumentar a produção de anticorpos neutralizantes em até 10 vezes após duas semanas. Até o momento, reunindo toda a avalanche de informação científica gerada e publicada nas últimas semanas, parece consensual fazer uma terceira dose, para todos os idosos, acima de 70 anos, os portadores de imunodeficiências e, no caso brasileiro, os profissionais de saúde vacinados com a CoronaVac há mais de seis meses.

Há que se entender, entretanto, que medidas como essa, de doses de reforço vacinal, não são panaceias a emular crenças em fármacos, como já ocorreu, particularmente no Brasil. Precisam ser criteriosamente adotadas e aplicadas, com acompanhamento da vigilância epidemiológica.

A historiadora médica alemã Barbara Duden, que foi a grande colaboradora do pensador e polímata Ivan Illich (1926-2002), nos ensina que na saúde, e na medicina em particular, temos que compreender que não é de técnicas ou de instituições que precisamos nos libertar, como dos dogmas, mas da representação e do modo de percepção que elas possam gerar. Pode ser traduzido para os dias atuais, a partir do conceitos de equidade (ou acesso) e transdisciplinaridade, tão necessários e sustentáculos de qualquer modelo de trabalho sanitário bem sucedido.

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Doria afasta da corporação coronel da PM que convocava para manifestação bolsonarista | Lauro Jardim - O Globo

João Doria, (PSDB) Governador de São Paulo

João Doria acaba de afastar da Polícia Militar de São Paulo, por indisciplina, o chefe do Comando de Policiamento do Interior-7, coronel Aleksander Lacerda.

O coronel nos últimos dias tem convocado por meio de sua conta no Facebook seus "amigos" para a manifestação bolsonarista de 7 de setembro em Brasília. Não só: em suas postagens, afirma que Doria, que aparece numa fotomontagem como um travesti, é uma "cepa indiana", Rodrigo Maia "mafioso" e Rodrigo Pacheco um "covarde", de acordo com o repórter Marcelo Godoy.

Na sexta-feira, Lacerda, que comandava uma tropa de 5 mil homens espalhada por 78 cidades, escreveu que

"o caldo vai entornar" no dia 7 de setembro 

e que “Liberdade não se ganha, se toma. Dia 7/9 eu vou”.

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Uma segunda dose de agosto vai ser aplicada em setembro | Joaquim Ferreira dos Santos - O Globo

Por Joaquim Ferreira dos Santos

Agosto, o mês do desgosto, agora também em setembro

“Ah, quando setembro vier”, suspiravam os mais velhos, e isso era um bordão de esperança, a sinalização de que agosto podia estar sendo o estupor de sempre, só notícia ruim, mas quando setembro viesse, ah, carregado de flores e cigarras estrebuchando de tanto cantar, aí sim, a vida seria melhor.  

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Logo ali na esquina do calendário, num vestido leve de organdi, no máximo com um casaquinho de Ban-Lon vinho, lá estava a primavera e suas árvores floridas, todas carregadas com os frutos da felicidade e de um novo tempo.

Eu sei que falta pouco, e seria bom demais se tudo corresse como sempre. O vento suave entraria pela barra da baía de Guanabara, atravessaria Botafogo, bateria no paredão do Corcovado e espalharia daí, ao resto da cidade, a brisa de aconchego da nova estação.

Lamento, mas desta vez não vai dar. Politizaram o calendário. O agosto, doloroso como de hábito e pior do que nunca em 2021, foi prorrogado até 7 de setembro, quando haverá um golpe e, só aí então, os generais decidirão o destino da primavera, essa notória subversiva.

Semana passada, uma das tretas da internet foi relacionar marcas de sucesso do passado que os jovens de hoje desconhecem. Citaram o Q-Suco, o emplastro Sabiá, o tênis Bamba, o drops Dulcora (“embrulhados uma um”), a bicicleta Monark (com freio contra-pedal), os brinquedos Atma e até o jeans US Top.

Eu pinguei uma gota lírica de colírio Moura Brasil nessa nostalgia e, como se fosse um J.G. de Araújo Jorge redivivo, respondi que uma marca desaparecida era “a primavera”. Alguém ainda perguntou um “como assim?”, mas eu, fingindo continuar a brincadeira, respondi que nada mais conseguia ouvir da conversa – pois eu estava sem meu aparelho auditivo Viennatone.  

Silenciei, mas nem seria spoiler noticiar que a estação das flores está sub judice. Agosto é o mês do desgosto, aquele que em 1954 suicidou Getúlio, em 1976 acidentou JK e, o que mais lamentei, em 1955 enfartou Carmen Miranda. Já houve no Brasil, do mesmo jeito que os prédio de Nova York com os maus humores do andar 13, quem quisesse pular agosto do calendário – o atual governo, no negacionismo habitual, quer duplicá-lo.

Um sujeito aos gritos, o português ruim, palavrões aos montes, tem anunciado todo dia que vai carregar as assombrações de agosto até pelo menos o dia 7 de setembro, quando então, na Praça dos Três Poderes, revelará à nação os detalhes do golpe inspirado em Trump, no Talibam e nas bananas da saudosa Pequena Notável.

O Haiti já foi aqui, agora aqui será o Afeganistão, numa releitura ao estilo da Atlântida, outra marca desaparecida. Numa de suas chanchadas geniais, “Nem Sansão nem Dalila”, Oscarito interpretava um tirano da velha Roma. Depois de se empanturrar com uma feijoada, ele passava a mão na barriga, se espreguiçava e, lelé da cuca, dizia “Hum, estou com uma idiossincrasia”. Nos anos 50, o cinema vinha abaixo com o nonsense da frase. Era divertido. Hoje um tirano amalucado é drama.

Tem sido assim faz tempo e Jânio Quadros, que renunciou num agosto, de 1961, proibiu o biquíni em Copacabana por atentar contra o pundonor pátrio. É provável agora, por lembrar a comunista “Pra não dizer que não falei das flores”, que se peça o impeachment da primavera. O calendário vai pirar, mas as instituições continuam funcionando com a idiossincrasia de praxe. Quando setembro vier será aplicada a segunda dose de agosto.

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Abismos geram abismos | Opinião - O Globo

Por Marcus Lacerda

Todos cometemos muitos erros durante esta pandemia. Não é à toa que a Igreja Católica planeja com urgência o retorno seguro das confissões, com uso obrigatório de máscaras e distanciamento entre pecador e confessor. O Brasil tem sido visto como um desses países que pecou mais do que a média internacional e não tem conseguido perdão facilmente, porque é pecador reincidente.

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O posicionamento incauto sobre tratamentos ineficazes, distanciamento social e uso de máscaras é muito mais cultural do que propriamente um erro. Sempre demoramos mais por aqui a usar cinto de segurança, freio ABS e camisinha. Somos um povo latino, de sangue quente, desconfiado. Mas éramos conhecidos como a nação-exemplo da vacinação. Brasileiro saía de casa no sábado de manhã, com a família, pra fazer compra na feira e vacinar as crianças.

O Brasil decidiu fazer campanhas de vacinação contra a poliomielite simultaneamente nos estados, mesmo sem muita evidência de que daria certo. Albert Sabin, cuja esposa era brasileira, foi convidado em Santa Catarina para ser garoto-propaganda, mas ele próprio duvidava do impacto da vacinação em massa e se posicionou contra publicamente. O ministro da Saúde da época se livrou de Sabin, num impasse diplomático, e manteve as campanhas, que foram consideradas uma inovação tecnológica.

Como o vírus é eliminado pelas fezes, o Brasil descobriu que aplicando a vacina no mesmo dia imunizava também as crianças que não haviam se vacinado — e que acabavam entrando em contato com o vírus nos esgotos a céu aberto, criando anticorpos, o que aumentava em muito a cobertura vacinal. Zé Gotinha, personagem da gestão Zé Sarney, animava a porta dos postos e atraía famílias inteiras para receber a gotinha que os livraria de uma doença que aleijava.

Hoje, com brasileiros morrendo como moscas pela Covid-19, o Brasil amarga uma posição desconfortável no ranking de vacinação, mesmo produzindo localmente duas marcas de vacina. As razões para isso não são muito claras: fala-se em conflitos de diplomacia internacional, conflitos políticos internos entre presidente e governadores e até a descrença numa segunda onda, com recusa de doses de vacinas estrangeiras. O resultado na ponta é a carestia de vacina para todos e a necessidade imperiosa de se estabelecer uma lista nacional de prioridades, que teve a concordância de especialistas, técnicos, estados e municípios.

Seguiu-se a lógica de iniciar pelos profissionais da saúde, que disputaram a tapa as primeiras doses. Todos passaram a se intitular profissionais da linha de frente para ter acesso ao escasso imunizante. Subitamente, carteiras profissionais empoeiradas saíram do isolamento diretamente para a fila de um drive-thru, muitos vestidos com um jaleco branco, para dar mais veracidade. Na sequência, os mais idosos, legitimamente vacinados, pelo seu maior risco de doença grave. Senhorinhas que sempre mentiram sobre sua verdadeira idade, disfarçadas com óculos escuros e chapéus, foram se vacinar, sem selfies.

Passadas estas duas etapas prioritárias, tivemos de lidar de forma pioneira, em Manaus, com a experiência de vacinar pessoas com morbidades. Numa verdadeira corrida pela vida, Manaus subitamente caiu doente, e uma enxurrada de laudos e receitas graciosas, falsos obesos, diabéticos e hipertensos, e doenças não listadas exigiram suas doses prioritárias. Denúncias furiosas de colegas de trabalho expuseram os chamados “fura-fila”.

Nós, na linha de frente, precisamos fazer a triagem, nos indispormos, argumentarmos e confessarmos ao povo sofrido um pecado que não é nosso. Pecadores, isolados em suas sacristias no cerrado, permanecem em silêncio. Vacinadores se lembram, ao final do dia, mais da tristeza do não vacinado do que da alegria daqueles que conseguiram salvar.

Como na poesia do Salmo 42: “Abismos geram abismos...”, e uma falta cometida sempre predispõe o pecador a cometer outras mais graves. Abyssus abyssum invocat.

*Infectologista e pesquisador

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Freixo flerta com PP de olho na eleição para o governo do Rio em 2022 | Malu Gaspar - O Globo

Por Malu Gaspar

Marcelo Freixo: acenos para o PP podem ajudar a obter apoio na Baixada Fluminense

Está rolando um flerte entre o deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ) e algumas das principais lideranças do PP nacional e do Rio de Janeiro. Em conversas reservadas com o presidente da Câmara, Arthur Lira, com o deputado federal Dr. Luizinho e com o prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, Freixo tem assuntado sobre a possibilidade de o Progressistas apoiar a sua candidatura ao governo do estado em 2022 ou até mesmo vir a formar uma chapa, lá na frente. Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil de Bolsonaro e presidente do PP, está a par das articulações.  

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Filiado ao PSB desde junho, depois de ter deixado o Psol, Freixo deve ter o apoio de Lula para a disputa ao governo fluminense em 2022. Internamente, ele tem dito que pretende formar a aliança mais ampla possível em torno de sua candidatura, para tentar para isolar os bolsonaristas no estado.

Mas a corte ao PP teria ainda uma outra finalidade: garantir apoio em regiões do Rio onde a candidatura de Freixo tem pouca penetração. 

O nicho mais cobiçado é a Baixada Fluminense, (região mais populosa e economicamente  mais importante do estado, depois da capital)

O PP tem dois prefeitos na região: Lisboa, de Nova Iguaçu, e Renato Cozzolino, de Magé.

O deputado do PSB diz que as conversas com o PP de Lira são naturais.  "Eu converso com todo mundo. Falo com o PP, falo com o Eduardo Paes, essa é a hora de conversar. E o Rogério Lisboa é meu amigo, fomos deputados estaduais juntos".  Ele diz que não há discussões sobre formação de chapa. "Está muito longe para isso, ainda falta um ano para a eleição", diz o deputado.

Hoje o PP, além de integrar o ministério de Bolsonaro, está fechado com o governador Cláudio Castro (PL), que vai disputar a reeleição. O partido tem inclusive indicados no governo e trânsito no secretariado.

Por isso os próprios pepistas consideram que, no cenário atual, uma aliança com Freixo seria  “muito difícil”. Mas não é impossível. Tudo vai depender de como a relação do partido com Bolsonaro vai evoluir, e também do desempenho de Cláudio Castro nas pesquisas. Por ora, a ordem no partido é continuar conversando.

Quem conhece bem o PP sabe que, se Bolsonaro e Castro se inviabilizarem eleitoralmente, o flerte de hoje com Freixo pode virar namoro amanhã. 

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Brasil perdeu 15% da superfície de água em 30 anos; veja números

Dados, revelados pelo projeto MapBiomas, indicam tendência preocupante: obras de represamento criadas para aumentar o acesso a recursos hídricos não compensaram as perdas ocorridas nos cursos d’água naturais
Imagem do alto mostra a degradação do Pantanal, que vem perdendo cobertura hídrica, além de vegetal Foto: Mauro Pimentel / AFP
Imagem do alto mostra a degradação do Pantanal, que vem perdendo cobertura hídrica, além de vegetal Foto: Mauro Pimentel / AFP

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SÃO PAULO — Entre 1991 e 2020, a área de superfície de rios, lagos e outros corpos abertos de água doce se reduziu em média em 15,7% no Brasil. O número, revelado neste domingo pelo projeto MapBiomas, indica tendência preocupante: obras de represamento criadas para aumentar o acesso a recursos hídricos não compensaram as perdas ocorridas nos cursos d’água naturais.

Nas três últimas décadas, a cobertura de 19,7 milhões de hectares desses corpos úmidos caiu para 16,6 milhões. As perdas aconteceram em todas as regiões, mas, somadas, equivalem a uma vez e meia toda a área de água doce do Nordeste.

Esse número, que saiu de imagens de satélite do programa Landsat, da Nasa, sobre o território brasileiro, compõe uma série de mapeamentos que cientistas ligados a ONGs e instituições de pesquisas no projeto vêm revelando nas últimas semanas.

Com detalhes sem precedentes, a equipe do MapBiomas produziu mapas mensais de todos os corpos de água doce do Brasil na forma de imagens de 9 bilhões de pixels em resolução de 30 metros por 30 metros. Isso foi feito mensalmente para toda a série histórica do Landsat, que se iniciou em 1985.

Os cinco primeiros anos do período são os únicos em que aparece uma tendência de aumento na área coberta por água no país. Entre um ano e outro, os números oscilam, mas de 1991 em diante, há uma tendência clara de ressecamento do território nacional.

Segundo o engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, a estimativa de área de água por satélite não é uma medida direta da quantidade do líquido disponível do país, porque deixa de fora os lençóis freáticos e não considera a profundidade de reservatórios. Porém, como o Brasil é um país de relevo pouco acidentado, as imagens são um bom indicativo do estresse hídrico que atravessamos.

— O que a gente enxerga na série é um indicador forte de perda de água — diz Azevedo. — E o que assusta é a tendência de longo prazo. Cada vez que temos um ano de seca mais forte, o país pode se recuperar um pouco depois, mas parece que não consegue voltar ao patamar anterior.

Essa tendência de perda vale para oito de 12 regiões hidrográficas do país, aponta o MapBiomas, que a partir de hoje torna aberto e gratuito o acesso a seus dados.

Drama pantaneiro

O bioma que mais sofreu perdas em termos proporcionais foi o Pantanal, onde a superfície média de água caiu de 1,6 milhão para 0,6 milhão de hectares de 1991 a 2020, uma redução de 70%.

Caracterizado essencialmente por extensas regiões de alagamento natural, esse ecossistema sofreu com secas nos últimos anos. O problema está relacionado ao desmatamento da Amazônia — que alimenta com chuvas o bioma vizinho —, à mudança climática global, que compromete o regime pluvial local, e também a alterações locais em cursos d’ água, como pequenas barragens.

Nenhum bioma do Brasil tem mais água do que possuía há 30 anos. A Amazônia, que concentra o maior volume de água do país, reduziu sua cobertura hídrica de 11,6 milhões para 10 milhões de hectares, uma perda de 14%, sobretudo na bacia do Rio Negro.

A Caatinga, entre 2004 e 2009, chegou a ter um ganho de 13% de área hídrica aberta, com a construção de mais estruturas para captação de água. Mas secas nos anos seguintes provocaram uma queda de 30%, e hoje o bioma perdeu, em relação a 1991, 15% da cobertura de água.

Os cientistas do projeto afirmam que boa parte dos pontos de redução mais acentuada está em região de fronteira agrícola, o que sugere o aumento do consumo de água pelo agronegócio. Além disso, represas pequenas de fazendas, que são difíceis de ver no mapa nacional mas existem em grande número, provocam assoreamento e fragmentação da rede de drenagem, reduzindo a capacidade das bacias de reter umidade.

Para se certificar de que os dados de tendência de longo prazo não fossem perturbados por eventuais períodos de seca sazonal, o projeto computou imagens da cobertura de água do país mês a mês durante os 36 anos da coleção do Landsat. Mesmo levando em conta a oscilação natural, a perspectiva de longo prazo é clara; e o diagnóstico dos cientistas, detalhado.

Mapa estratégico

“Mudanças no uso e cobertura da terra, construção de barragens e de hidrelétricas, poluição e uso excessivo dos recursos hídricos para a produção de bens e serviços alteraram a qualidade e disponibilidade da água em todos os biomas brasileiros”, escreveu Carlos Souza Jr., da ONG de Pesquisa Imazon, em comunicado do projeto MapBiomas. “Se não implantarmos a gestão e uso sustentável dos recursos hídricos considerando as diferentes características regionais e os efeitos interconectados com o uso da terra e as mudanças climáticas, será impossível alcançar as metas de desenvolvimento sustentável”, completou.

Quando se observa o histórico de 30 anos da água no mapa do Brasil, as mudanças que saltam aos olhos são as poucas grandes barragens produzidas nesse período. A perda de água em cursos naturais, apesar de mais tênue, permeia quase todas as grandes bacias do país.

Por ser de importância estratégica para o planejamento energético do país, a nova ferramenta do MapBiomas levou em consideração recomendações da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com poder de mostrar uma tendência de longo prazo, os dados do MapBiomas são uma sugestão muito forte de que a atual crise hídrica que acomete o país não é um problema isolado no tempo e se tornará mais frequente.

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Benedita da Silva no banco dos réus | Ancelmo - O Globo

Por Ana Cláudia Guimarães

Benedita da Silva no banco dos réus

Sabe o processo no qual a deputada federal e ex-governadora Benedita da Silva é ré por improbidade administrativa? A audiência foi marcada para  o dia 26 de outubro, às 14h, no TJ-Rio. 

 De acordo com a denúncia do MP, enquanto gestora da Secretaria de Estado de Assistência Social (2008-2009), a hoje parlamentar permitiu a assinatura de convênios com a Fundação Darcy Ribeiro no valor de R$ 32 milhões com “vícios formais e incomum celeridade”. Por conta da ação, Benedita da Silva já teve os sigilos fiscal e bancário quebrados e teve os bens declarados bloqueados.

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O abaixo-assinado contra o questionário 'bolsonarista' no Colégio Santo Inácio | Ancelmo - O Globo

Por Ancelmo Gois

Colégio Santo Inácio, em Botafogo

Sabe a nota que saiu aqui sobre um questionário que circula entre alguns os pais de alunos do Santo Inácio com perguntas do tipo: "O que acha da ideologia de gênero?" ou se "Acha que o feminismo está de acordo com a fé católica?".

Ontem, mais de 200 pais, até agora, entre eles o querido casseta Hélio de la Peña, soltaram uma nota de repúdio "indignados com o que consideramos uma ameaça à democracia, liberdade de expressão e à formação cidadã e consciente de nossos filhos".

A nota diz ainda que são contra "qualquer tipo de censura ou interferência, esta sim, política, na proposta pedagógica e educacional do Colégio Santo Inácio."

Aliás, o que se diz por lá é que esse movimento conservador é capitaneado pelo deputado bolsonorista Rodrigo Amorim. Ele, junto com o deputado Daniel Silveira, egresso do sistema penitenciário fluminense, quebraram em 2018 uma placa em homenagem a vereadora assassinada Marielle Franco.

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Pesadelos de agosto | Opinião - O Globo

Agosto é um estranho mês, todos sabemos no Brasil. Por que não o seria sob Bolsonaro, que em si já é um estranhíssimo governo?

Numa noite dessas de agosto, vi nas redes um cantor sertanejo nos ameaçando de caos e até fome se não adotássemos o voto impresso.

Na minha santa ignorância, perguntei: mas o que pensa o outro?

Achava que os cantores sertanejos sempre se apresentam em dupla, mas o autor da ameaça faz uma carreira solo. Achava também que cantam amores perdidos, a natureza, um pé de serra, um animal de estimação.

O cantor se dizia ligado aos caminhoneiros, daí o caos e a fome que se espalhariam pelo país. Minha perplexidade foi ainda maior: diesel e gasolina aumentam desde o princípio do ano, o etanol já está 34% mais caro. Merecíamos um castigo tão grande, por optar pela votação eletrônica?

Tenho sonhado muito nos últimos anos. Todas as noites, sonhos disparatados, mas — o que fazer ?— sonhos adoram o absurdo.

Sinceramente fiquei com medo de dormir e sonhar com a multidão pedindo a volta dos orelhões com fichas nas bancas de jornal. Ou numa hipótese mais radical, cartazes exigindo a volta do Rhum Creosotado, aquele dos famosos anúncios nos bondes de antigamente.

A indecisão diante do sono me lembrou uma história muito contada. É a do pobre homem que vivia num cômodo abaixo de um boêmio que chegava tarde à noite e tirava ruidosamente as botas. As duas pancadas da bota batendo no assoalho arruinavam o sono do vizinho de baixo.

Um dia ele tomou coragem, foi até o boêmio e pediu que tirasse as botas silenciosamente. Ao voltar para casa de madrugada, um pouco bêbado, o homem tirou uma bota ruidosamente e se lembrou do vizinho, corrigindo-se logo e depositando a outra em silêncio.

Aconteceu o previsível: o pobre homem passou a noite esperando que a outra bota fosse depositada, até que subiu ao quarto do boêmio e pediu que jogasse logo a outra bota, pois precisava dormir e trabalhar bem cedo.

A situação de muitos de nós é parecida. Estamos à espera de um golpe sempre anunciado nas entrelinhas e temos vontade de que tentem logo, para resolvermos nossa vida.

Os historiadores teriam dificuldade de explicar um golpe liderado por um cantor sertanejo.

Leio que ele se arrependeu, amigos disseram que bebeu muito.

Outra perplexidade de agosto: um sertanejo bêbado cantando um tango é muito mais previsível do que propondo um golpe.

Mas, como se diz na linguagem popular, onde há fumaça há tanques, outras pessoas com chapéu de caubói aparecem na internet dizendo que acabou a tolerância, que agora o país pegará fogo se não adotarmos o voto impresso.

Rigorosamente, os biomas brasileiros estão pegando fogo. Não teremos como os afegãos a possibilidade de nos agarrarmos no trem de pouso de aviões que partem.

Nossa única chance seria abraçarmos os pássaros maiores, jaburus, gaviões, urubus-reis, nhambus, jacus, e tentar pousar noutras raras florestas do planeta.

Com todo o respeito a essas pessoas com chapéu de caubói que se sentem acima do Estado Democrático de Direito, é preciso lembrar que a população se sente cada vez mais distante do governo Bolsonaro.

As pesquisas mostram a crescente consciência de que Bolsonaro foi apenas um acidente histórico e de que, apesar da importância númerica das forças conservadoras no Brasil, ele não as representa na sua totalidade.

Quando essa consciência se cristaliza, a extrema direita isolada nada pode fazer, além de cargas de cavalaria como nos filmes de faroeste e desfiles de tanques enfumaçados.

A imposição pela força é uma visão idealista que não se sustenta nem à direita nem à esquerda. A exportação do socialismo empurrado por baionetas fracassou na Europa; o idealismo liberal de se instalar no Afeganistão foi um fracasso.

Por mim, podem jogar logo a segunda bota, apesar do barulho e do peso das esporas.

Fernando Gabeira - assinatura

Por Fernando Gabeira

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Xuxa frente a frente com vereador que a chamou de 'assediadora de menores' | Ancelmo - O Globo

Por Nelson Lima Neto

A apresentadora Xuxa

O TJ do Rio marcou para 9 de dezembro a audiêcia que colocará frente a frente a apresentadora Xuxa e o vereador de Nilópolis, no estado do Rio, Anderson Campos (Republicanos). O caso tramita na 1ª Vara Criminal de Nilópolis.

Será para tratar da queixa-crime feita pela apresentadora após o parlamentar postar em uma rede social que Xuxa seria "assediadora de menores". A fala de Campos aconteceu em função da participação da apresentadora num pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

"Que moral que uma assediadora de menores como a Xuxa, um desvirtuador de bons costumes como o Felipe Neto e um usuário de drogas como o Casagrande tem para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro?", escreveu o vereador em 24 de maio no Twitter.

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Mulher passa mal e morre em festa em meio a pandemia: 'O samba não parava de tocar', diz amigo; vídeo

Marina Gomes Vieira, de 31 anos, comemorava a despedida de solteira de uma amiga; ela chegou a ser socorrida pelos bombeiros, que tiveram que passar pelo público na pista de dança
Marina Gomes Vieira morreu quando comemorava a despedida de solteira Foto: Reprodução
Marina Gomes Vieira morreu quando comemorava a despedida de solteira Foto: Reprodução

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RIO — Uma mulher de 31 anos morreu na noite deste sábado na pista de dança de uma festa na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo. Marina Gomes Vieira, de 31 anos, passou mal durante a comemoração da despedida de solteira de uma amiga. Algumas pessoas do público filmaram a vítima sendo socorrida e reclamaram que a banda sequer parou de tocar enquanto ocorria o atendimento.

Marina começou a se sentir mal depois de tomar uma cerveja e de uma rodada de tequila, no Armazém Maya. Pouco depois, ela relatou para os amigos que não estava passando bem.

— Primeiro ela teve uma convulsão, depois uma parada cardíaca. Ela foi reanimada por uma enfermeira que estava no local, em outra mesa. Ela foi reanimada duas vezes antes de chegar o socorro. Enquanto isso, o samba não parava de tocar. Estamos todos indignados com isso — disse o corretor de seguros Wesley Miotti.

Uma outra testemunha, que preferiu não se identificar, reclamou que o estabelecimento não permitiu a retirada de Marina. Os amigos da vítima então decidiram ligar para o Samu.

— Eles não tinham um bombeiro na casa, ninguém para prestar socorro, o samba continuava, as pessoas bebendo, os garçons passando do lado, foi uma cena de terror. O que aconteceu foi deprimente, uma coisa estúpida — disse.

Amigos da vítima reclamaram do bar Foto: Reprodução
Amigos da vítima reclamaram do bar Foto: Reprodução

O socorro chegou cerca de 34 minutos depois do chamado, de acordo com a direção do Armazém Maya. Mas para tentar salvar a vida de Marina, os profissionais de saúde tiveram que atravessar o salão ainda ocupado com pessoas a dançar e a banda tocando samba.

— O Samu chegou muito depois, mas eles passaram com custo, os bombeiros passando com a música tocando, ninguém parou, ninguém teve a sensibilidade de parar. Foram atender e ela morreu no local. Fizeram massagem cardíaca e ela já saiu morta — afirmou.

O Armazém Maya funciona normalmente neste domingo. Nas redes sociais da casa de eventos há registros de um show com público em pé no local. Procurado pelo GLOBO, o estabelecimento informou que não se trata de uma casa de espetáculos, mas de um bar com música ao vivo com capacidade para 400 pessoas. E, portanto, não tem obrigação de manter uma ambulância no local.

O Armazém Maya afirmou ter prestado todo o atendimento e que a banda só tocou nos minutos após o mal súbito sofrido por Marina. De acordo com a empresa, não se sabia da gravidade da situação até aquele momento. Pouco depois, os músicos teriam parado a apresentação e o gerente acionou o Samu e o Corpo de Bombeiros.

Marina Gomes Vieira passou mal e morreu em festa em SP Foto: Reprodução
Marina Gomes Vieira passou mal e morreu em festa em SP Foto: Reprodução

O estabelecimento disse ainda que um garçom que já trabalhou no aeroporto e tem formação em primeiros socorros ofereceu os primeiros atendimentos. O Armazém Maya sustenta, ainda, que Marina saiu com vida do local e os clientes que estavam na despedida de solteiro não foram obrigados a pagar a conta.

Homenagem

O irmão da vítima, Francisco Alberto Gomes Vieira, prestou uma homenagem à Marina em suas redes sociais: "Minha irmã linda, sua partida nos deixa todos sem chão, obrigado pelo tempo que esteve conosco, te amaremos para sempre", escreveu.

Procurada pelo GLOBO, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou não foi localizado registro de ocorrência com essas características. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Guarulhos para questionar se a festa tinha autorização e sobre as queixas de demora no socorro, mas não obteve retorno até a publicação.

Em 4 de agosto, o governo de São Paulo anunciou um plano de retomada das atividades sociais do estado. Na ocasião, ficou definido que eventos como "shows com público em pé" continuariam vetados até, pelo menos, dia 1° de novembro. A expectativa é de que nesta data 90% dos adultos estejam completamente vacinados.

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Recusa à imunização contra a Covid-19 lota hospitais e cria brecha para a Delta

Nas UTIs, médico se dizem exaustos e pedem que população se vacine
Hospital Ronaldo Gazolla, no Rio, tem maior UTI dedicada à Covid-19 do país; maior parte dos pacientes não foi vacinada Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo
Hospital Ronaldo Gazolla, no Rio, tem maior UTI dedicada à Covid-19 do país; maior parte dos pacientes não foi vacinada Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

RIO — Com problemas na distribuição de vacinas, quase 70% da população do país sem imunização (duas doses ou dose única da Janssen) e acossado pelo avanço da supertransmissível variante Delta, o Brasil sofre com outro agente de perpetuação da pandemia. São as pessoas que se recusam a se vacinar e, com isso, expõem a si mesmas e à sociedade a um risco que poderia ser evitado. Elas lotam as UTIs e desesperam os médicos.

Ignorância, paranoia, religião, ideologia, desinformação, egoísmo, crença em falsos tratamentos. Há uma variedade de motivos por trás dos casos que todo dia chegam a hospitais e cemitérios.

— É muito desgastante. A gente não aguenta mais ver gente morrer. Estamos exaustos. A Covid-19 pode ser controlada com vacinas. E há quem se recuse a ser imunizado, essas pessoas prolongam a pandemia, perpetuam a desgraça — afirma Ana Helena Barbosa da Silva, coordenadora médica da Terapia Intensiva do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, a maior UTI de Covid-19 do Brasil, no Rio.

Na semana passada, o secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, disse que 95% dos internados no município são pessoas que não se vacinaram e apenas cerca de 5% dos internados tomaram ao menos a primeira dose.

Soranz está convicto que a maioria dos cariocas quer se vacinar. Segundo ele, 90% dos cariocas acima dos 40 anos tomaram a primeira dose. Mas lamenta que uma minoria continue a prejudicar o combate da pandemia.

— Onde há pessoas que não se vacinam, há internação e morte — afirma.

A coordenadora das UTIs do Hospital Gazolla salienta que o Rio está no epicentro da propagação da Delta. Segundo ela, 70% dos internados têm menos de 60 anos e a maioria não foi vacinada. A cepa em ascensão é cerca de 60% mais transmissível.

— É de rasgar o peito ver jovens morrendo. Pelo amor de Deus, se vacinem. Precisamos também que alguns líderes religiosos se conscientizem sobre as consequências trágicas de sua negação deliberada da ciência — acrescenta Silva.

A pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcolmo diz que no Brasil não existe um movimento antivacina, como em EUA e Europa.

— Aqui temos a ignorância politizada, que tem seus efeitos amplificados por campanhas tóxicas de desinformação nas redes sociais — destaca Dalcolmo.

O Gazolla está abrindo mais leitos de UTI. Há casos de jovens com menos de 18 anos que ainda não puderam ser vacinados ou de outros um pouco mais velhos que se infectaram antes de chegar a vez deles. Alguns ficam com os pulmões fibrosados, duros, e não conseguem mais ventilar.

— Dá uma indignação muito grande saber que pessoas que poderiam já ter se vacinado se recusaram e, com isso, prolongam a pandemia — diz a coordenadora do Gazolla, que rezou todos os dias até chegar a vez do próprio filho, de 18 anos.

Casos de negação da vacina estão pelas UTIs Brasil afora, enfatiza a chefe da Unidade de Doenças Infecciosas Parasitárias do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe-Uerj), Anna Caryna Cabral. Para ela, a pandemia amplificou um problema que já ocorria com outras doenças, alimentado pela ignorância.

No tratamento da Aids e da tuberculose, por exemplo, alguns pacientes ouvem de seus guias espirituais que estão curados, não precisam de remédios nem de vacinas. Na Covid-19 não é diferente, diz Cabral.

— Quando o doente fica bom, dizem que foi a religião, o chá. O médico leva a culpa, mas não o crédito.

Ludhmila Hajjar, chefe da UTI Covid do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, lamenta que uma minoria de pessoas prejudique o combate à pandemia.

— Infelizmente, ainda há quem continue a tomar ivermectina, na ilusão do tratamento precoce —afirma.

O infectologista Rafael Galliez, professor da UFRJ, está preocupado com a vacinação de gestantes. Elas são grupo de risco para a Covid-19 e há uma percepção de que a Delta tem levado a um aumento de casos mais graves entre elas. Ainda assim, muitos médicos, diz, hesitam em prescrever a vacina.

— A Covid-19 é uma ameaça real e urgente, um risco infinitamente maior do que a possibilidade de efeitos adversos que qualquer vacina possa ter— alerta.

Tragédias reais

Nas estatísticas diárias de mortos e doentes graves de Covid-19 estão as tragédias de brasileiros não imunizados por vontade própria, desinformação ou infortúnio. São casos que se repetem a cada dia nas UTIs país afora. A seguir, médicos relatam algumas dessas histórias. Os nomes dos pacientes foram trocados para preservar sua privacidade.

Extermínio de idosos

Dona Doralice, de 83 anos, não aceitava ser vacinada. Seus parentes contaram aos médicos que ela achava que a vacina que era invenção do governo para matar os idosos. A Covid-19 não lhe permitiu reconsiderar. Quando chegou ao Hupe-Uerj, foi intubada e morreu em poucos dias.

Cedo demais

José Carlos Belfort, de 42 anos, celebrou a vacina, mas não entendeu que só estaria imunizado após 15 dias da segunda dose. Assim que tomou a primeira, foi comemorar num pagode. Mas o coronavírus cruzou o seu caminho. Asmático, morreu de Covid-19 no Hupe-Uerj.

Sem salvação

Edilson Castro tinha 72 anos e acreditava piamente na pregação de seu pastor. Afinal, Castro havia tido Covid-19 leve no ano passado. Quando o pastor lhe afirmou que não precisava se vacinar, ele se recusou. Pouco depois, o coronavírus o pegou. Desta vez, com gravidade. Ele não resistiu.

Sommleier de vacina

José do Nascimento, de 50 anos, não confiava em qualquer vacina. Quando chegou sua vez, descobriu que sua “preferida” não estava disponível e voltou para casa. Só não contava que a visita de um parente lhe traria também o coronavírus. Ele está intubado na UTI do Ronaldo Gazolla.

Luto em família

Beatriz Vieira, de 22 anos, morava com os avós, que não tinham se vacinado por ter mobilidade reduzida. Era ela quem saía. Em julho, Beatriz foi infectada. Transmitiu para a avó de 80 anos e o avô de 83, que adoeceram. Os três foram internados no Gazolla. Só Beatriz e a avó voltaram.

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Marieta Severo: 'Nunca senti uma angústia cívica tão profunda'

Atriz, que grava próxima novela das 9, diz que país está ‘desmoronando por dentro’, critica conservadorismo e fala da luta do marido para se recuperar de um AVC

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Marieta Severo estranha quando se olha no espelho. Ainda não se acostumou com os cabelos brancos. Mas está “felicíssima” após passar quase 30 de seus 74 anos retocando os fios com tinta escura. A pandemia a libertou (“eu e a um monte de mulheres, o que é maravilhoso!”). Quem dá de cara com a atriz pessoalmente tem a impressão de que ela nasceu para o novo penteado. Ele contrasta com a pele morena e coroa a elegância de seu corpo esguio. Mas é pela tela do Zoom que a atriz desanda a falar, emendando um assunto no outro com a urgência de quem está entalada.

— Todo mundo está com gritos parados na garganta, né? Ou berrando mesmo — analisa a atriz, que define os últimos dois anos como “os mais difíceis da minha vida”.

Um dos casais mais simpáticos da TV brasileira: Dona Nenê e Lineu, vividos pelos atores Marieta Severo e Marco Nanini, na série "A grande família" Foto: Carlos Ivan / TV Globo
Um dos casais mais simpáticos da TV brasileira: Dona Nenê e Lineu, vividos pelos atores Marieta Severo e Marco Nanini, na série "A grande família" Foto: Carlos Ivan / TV Globo

Os motivos vêm tanto do micro quanto do macro,  como ela diz. O micro é o universo particular da atriz. Em junho do ano passado, Aderbal Freire-Filho, seu companheiro há quase 20 anos, sofreu um AVC. Os dois viviam um casamento em lares separados, mas depois do episódio, Marieta o acolheu. É na casa dela, em meio a um esquema hospitalar, que o diretor teatral encara, consciente, a batalha para recobrar os movimentos. Marieta leva fé.

— Acredito que ele vai conseguir recuperar algo da vida dele e da nossa.

O medo da morte ficou ainda mais concreto quando a atriz contraiu Covid em dezembro. Ficou internada a poucos metros do marido, no mesmo hospital. Diante do diagnóstico de quase 50% do pulmão comprometido, perguntou ao médico: “Vou ser intubada e morrer?”. Felizmente, escapou dessa. Mas a dor de ver o parceiro impossibilitado de exercer plenamente sua capacidade intelectual e o espírito combativo que marca sua personalidade, é um duro golpe para a Marieta, que credita à atual situação política do país outra razão pela qual tem sido tomada por um baixo-astral constante.

— Nunca senti uma angústia cívica tão profunda, apesar de ser de uma geração que viveu a ditadura. Sei o que é ter uma barreira diante dos sonhos, do melhor do país, impedindo a gente de florescer em plena juventude. Aqueles tanques na rua (refere-se ao desfile de blindados realizado em Brasília dias atrás)... Como alguém defende um regime que coloca um cano de descarga na boca de um jovem e sai arrastando ele pelo quartel? — diz a atriz, com a voz embargada ao lembrar o assassinato de Stuart Angel, filho da estilista Zuzu Angel, que era sua amiga. — Não acho que exista clima ou conjuntura internacional para um golpe, mas está tudo preparado para isso. Sou gata escaldada, né? Ter que voltar a lidar com esse medo é assustador. Essa ideologia que está dominando não só o Brasil, mas vários lugares, o desmonte das nossas conquistas, o retrocesso dos direitos trabalhistas, tudo que está sendo feito por debaixo do panos...

O cerceamento à liberdade artística também é motivo de alerta. A atriz enxerga um projeto ideológico em andamento que “não acredita na democracia e quer asfixiar a liberdade de expressão”, secando verbas para projetos que não sigam a cartilha do governo.

— O que vão permitir que se filme, arte sacra? A gente se perde diante dos absurdos. O que estará tramando Damares? Um negro que demoniza negros na Fundação Palmares. Pessoas são escolhidas pelo viés ideológico e não pela capacidade de ocupar os cargos. O país está desmoronando por dentro — afirma, criticando ainda a conduta do presidente na pandemia. — Senti inveja de países que lidaram com a desgraça de forma responsável, com afeto, solidariedade, orientações precisas e não com o uso político da tragédia. Esse acréscimo de desespero é imperdoável, matou muita gente.

'Precisava mudar o mundo'

Para Marieta, é impossível assistir a tudo isso calada. Ela, no entanto, não se sente no direito de cobrar posicionamento de ninguém.

— O princípio da minha vida é a liberdade individual. Cada um se manifesta como quer, com sua consciência. Ninguém tem que nada. Se quiser usar a voz só em sua música, é um direito. Também tem gente que não está se manifestando porque concorda — acredita. — Acho que quanto maior a consciência de como a política está impregnada em nossas vidas, melhor para a coletividade. Sou de uma geração que nunca se furtou a se posicionar. Cada trabalho que escolhi tinha uma intenção, eu precisava ter dentro de mim o impulso de mudar o mundo.

Esse impulso permanece vivo em Marieta, tanto no Teatro Poeira, que mantém em Botafogo, quanto em Dona Noca, personagem que encarna em “Um lugar ao sol”, novela das 9 em fase de gravação. No mais, ela trava a luta diária contra o abatimento armada de seu famoso bom humor.

— Tenho que viver muito para ver a virada do Brasil na direção do país que a gente sabe que ele é. Por isso, faço muita ginástica para ficar saudável — brinca. — Acho que quanto mais as forças contrárias tentam, os melhores pensamentos também se reforçam. Não adianta reprimir homossexual, ser racista, violento. O caldeirão vai ficando mais denso e vem à tona. O ser humano quer ser livre. Quem quer ser sufocado, que se sufoque. Reprima seu filho, bote ele de azul, a filha, de rosa... Mas não vem impor isso como regra a um país.

Na busca pela alegria, a família é fonte certa. Os encontros que reúnem as três filhas do casamento com Chico Buarque, Silvia, Helena e Luísa, e os sete netos funcionam como alimento. Neles, Marieta baba diante do neto mais velho, Chico Brown, no piano, ou Lia, filha de Luísa, na flauta.

— É uma família musical, estou querendo ver quem vem para o palco — provoca Marieta, que conta aprender sobre a pauta contemporânea com as meninas. — Minhas netas estão dando um banho no que se refere à consciência de gênero, de raça e da situação econômica do país. Por isso, repito: não adianta querer segurar as rédeas do mundo.

Mas Marieta, sobretudo, ensina, como conta a neta Irene, de 15 anos, filha de Silvia.

— Minha avó me ensina a ser justa e a seguir a vida com calma quando as coisas não estão tão tranquilas assim. Quando ela diz que vai dar certo, eu sei que vai.

'Resgato minha humanidade através da ficção'

Além da família, a ficção salva Marieta Severo. É  na pele de Dona Noca, a cozinheira batalhadora e cheia de jogo de cintura que ela interpreta na próxima novela das 9,  "Um lugar ao sol", que a atriz tem encontrado ânimo para seguir.

— É o personagem mais positivo que já fiz. Ela tem muita sabedoria de vida. Superou momentos difíceis e os transformou em coisas construtivas. Às vezes, estou com uma questão grave, leio o texto e penso: "Que danada! Que bacana o que ela pensou diante disso". Dona Noca sempre me resgata — conta Marieta, que recentemente protagonizou o delicado filme "Noites de alface", de Zeca Ferreira.

Além de valores comunitários, o longa também fala sobre perdas e de envelhecimento, assunto com o qual Marieta tem uma maneira própria de lidar.

— Sempre tive a tendência de achar que o momento em que estou é melhor. Que para frente só vai ficar pior (risos). Também acho que, em cada idade, você tem todas as outras. Quando é jovem, tem momentos de velhice, de desânimo. Há dias em que estou com 20 ou 30, em outros, com 90 — brinca ela que, a partir de terça-feira (24), volta a protagonizar cenas sexy na reprise de "Verdades secretas". 

A amoral e inescrupulosa Fanny, personagem da atriz na novela, marcou uma virada na carreira de Marieta, que havia passado 14 anos encarnando a Dona Nenê de "A grande família".

— Acho que o público tinha esquecido que eu era uma atriz fazendo a Dona Nenê. Virei a própria. Fanny era tudo que eu precisava. Mas, agora, vamos ver como esse Brasil mais careta e conservador vai reagir... Porque tem todo um erotismo, uma sexualidade...

Outra motivação que leva Marieta adiante são os 17 anos do Teatro Poeira e do Poeirinha, as salas dela e de Andréa Beltrão. As duas, junto com Aderbal, tinham programado a comemoração dos 15 anos dos teatros, mas aí veio a pandemia... A data será festejada em janeiro, com a reabertura das salas e uma exposição que celebra a memória do teatro e as peças que passaram por lá. A curadoria é de Bia Lessa.

— Será uma grande comemoração, a gente está precisando, né? É quase que nos festejar também. Apesar desse olhar malévolo que estão tentando colocar sobre o mundo artístico, o  ser humano não vive sem a arte. Isso ficou ainda mais claro na pandemia — lembra Marieta. — Eu resgato a minha humanidade através da ficção, da Noca, do Poeira. Isso me alimenta, me faz sobreviver.

Amiga e parceira profissional mais constante, Andréa Beltrão é testemunha dessa garra.

— Marieta vive o presente e constrói para o futuro sempre. Com força, alegria, doçura, firmeza, curiosidade, inquietação e amor. Ela é a amiga presente em todas as horas, minha vida se divide em antes e depois de Marieta.

A importância de Marieta para o cinema nacional será lembrada pelo Inffinito Film Festival, que homenageará a atriz em sua próxima edição, em setembro. Uma mostra só com filmes estrelados pela artista, que tem 34 longas no currículo, será exibida no evento.

— Marieta representa a força do cinema brasileiro. A força da retomada, simbolizada com "Carlota Joaquina", e também a força feminina, com papeis marcantes e potentes —, destaca Adriana L. Dutra, documentarista e diretora do festival.

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Aposta de Bolsonaro mostra ousadia de um blefador compulsivo

Ousadia de um fraco | Merval Pereira - O Globo

Por Merval Pereira

Ao anunciar que apresentará outro pedido de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), desta vez Luis Roberto Barroso, o presidente Bolsonaro dobrou sua aposta no caos, como é de seu feitio de blefador compulsivo. Só faz piorar sua situação, pois a cada arruaça institucional que promove, ajuda a afundar seu governo e abre caminho para que seja abandonado por sua base parlamentar trânsfuga.

O ex-presidente Lula, que conhece como o Centrão negocia, já previu que seus principais líderes não ficarão ao lado de Bolsonaro por muito mais tempo. A não ser os radicalizados, os apoiadores do presidente vão abandonando o barco ao constatarem que o país talvez não aguente muito mais tempo com ele à frente, e muito menos a perspectiva de um novo mandato.

Tendo sido eleito principalmente pelo antipetismo, Bolsonaro nunca deixou de ser o político do baixo clero que sempre foi, e também não cumpriu seu programa liberal na economia e de combate à corrupção. Ao contrário, fez questão de reforçar o que lhe distingue negativamente, e que faria com que disputasse com o Cabo Daciolo a insignificância nas urnas se não tivesse enganado o eleitorado com um programa que nunca poderia ter cumprido por sua própria índole, que era desconhecida da maioria que, de boa fé, viu nele o único candidato capaz de derrotar o petismo.

Boa parte dos que já o abandonaram esperava que, eleito, incorporasse o espírito do cargo e refreasse seu linguajar chulo e sua maneira grosseira de ver o mundo. Mas Bolsonaro nunca entendeu o que significa ser o Presidente da República de uma das maiores democracias do mundo, ao contrário. Levou para os palácios presidenciais hábitos e costumes do baixo clero político, quando não ambições ditatoriais que certamente não estavam nos planos de grande parte de seus eleitores.

Nem ao Centrão interessa esse clima de tensão e discórdia no país. Não é da índole de seus integrantes apoiarem governos autoritários, pois sabem que fora da democracia parlamentar não têm importância nenhuma. Serão cassados por corrupção juntamente com os políticos ideológicos de esquerda, sobrando espaço apenas para os aloprados bolsonaristas no jogo de poder ditatorial. Com a mesma facilidade com que se entregou ao Centrão para evitar o impeachment, Bolsonaro os jogaria às feras se fosse vitorioso na sua aventura golpista, alegando que tentou acordos, mas foi traído pela ganância de políticos aventureiros.

A tentativa de constranger os membros do Supremo Tribunal Federal com pedidos de impeachment foi dos passos mais ousados que já deu nessa escalada golpista, mas também dos mais desastrados. Por inédita, a iniciativa é revestida de simbolismo político extraordinário, ao mesmo tempo que será inócua. Só seria possível um gesto dessa magnitude se tivesse de antemão a certeza do apoio do Senado, que não terá.

Jogar-se contra o STF por conta própria, ele e a turba que adere às suas provocações e arruaças, mostra mais desespero que fortaleza. Assim como a patacoada militar que encenou, com o desfile de tanques sucateados, só trouxe perda de prestígio para ele e os comandantes militares. A “ameaça” de discursar nas manifestações dia 7 de setembro marcadas para Brasília e São Paulo é mais uma escalada na confrontação com o Supremo e o Congresso.

Como é descontrolado,  Bolsonaro vai botar fogo nessa crise. Com uma multidão pedindo a saída de ministros do STF, voto impresso, e outras coisas, não terá palavras sóbrias; não vai dar certo. Para justificar a voz nas manifestações, mostrar que o povo está a seu lado, terá que incendiar as massas, e será difícil se controlar.

A ação da Polícia Federal contra o sertanejo Sergio Reis e o deputado  Ottoni de Paula, autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, primeiro alvo de Bolsonaro, é uma demonstração clara de que não dá para brincar com coisa séria, como as instituições democráticas. Não é possível incentivar revolução, invasão do STF e quebra-quebra no Congresso e ficar por isso mesmo. Mas grave mesmo é quando o presidente toma essa atitude, demonstrando total inconsequência, sem avaliar o que pode acontecer a partir daí. Ou até avaliar, e acreditar que a arruaça vai favorecê-lo.

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O fantasma da cadeia | Bernardo Mello Franco - O Globo

Rejeição de Bolsonaro bate recorde

Na noite de quinta-feira, Eduardo Bolsonaro expôs o fantasma que apavora a família presidencial. O deputado reclamava do cerco a aliados que ameaçam a democracia e conspiram contra a eleição de 2022. Em tom de desabafo, questionou: “Qual seria o próximo passo? Prender o presidente? Prender um dos filhos?”.

Depois do sincericídio, o Zero Três ainda tentou se corrigir. “A gente não tem medo de prisão”, disse. Mas suas três perguntas já haviam escancarado o pânico do clã.

O Judiciário deu novos passos para desmontar a máquina de ódio e desinformação que sustenta o bolsonarismo. Na segunda-feira, o Tribunal Superior Eleitoral bloqueou o financiamento de sites especializados em notícias fraudulentas. Quatro dias depois, a Polícia Federal fez buscas contra aliados do presidente que organizam atos golpistas.

A operação da manhã de sexta foi autorizada por Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. No fim da tarde, Jair Bolsonaro apresentou um pedido de impeachment contra o ministro.

Na família presidencial, o vereador Carlos Bolsonaro é o mais assustado com o avanço das investigações. Quando o TSE fechou a torneira dos sites de fake news, o Zero Dois acusou o golpe e reclamou de “censura”. Na semana anterior, ele havia protestado contra a prisão de Roberto Jefferson, que classificou como “injusta”.

“Qualquer inocente sabe que sua prisão é preocupante não somente a um, mas a todos os brasileiros”, tuitou o vereador. Sua preocupação parece menos ligada ao ex-deputado do que ao próprio destino.

O patriarca do clã também ganhou novos motivos para temer a cadeia. No início do mês, ele foi incluído na lista de investigados no inquérito das fake news. Na decisão, Moraes anotou que o presidente pode ter cometido onze crimes em seus seguidos ataques ao sistema eleitoral.

Bolsonaro sabe que o Senado barrará qualquer tentativa de cassar ministros do Supremo. Seu objetivo é inflamar a militância de extrema direita antes dos atos governistas de Sete de Setembro. O factoide também alimenta a campanha para minar a confiança popular no voto eletrônico. Moraes assumirá o comando do TSE em agosto do ano que vem, às vésperas das eleições.

A ofensiva contra o Supremo é um novo alerta a quem ainda se ilude com a ideia de que Bolsonaro possa se moderar. Em queda nas pesquisas, o presidente fará de tudo para manter os eleitores mais radicais a seu lado. Por isso, tende a aumentar os ataques às instituições e as ameaças de golpe.

A disputa de 2022 definirá mais que o futuro inquilino do Planalto. Para a família Bolsonaro, será uma questão de vida ou morte. Se perder o cargo, o capitão também perderá a blindagem judicial. Seu antecessor, Michel Temer, sabe bem o que isso significa. Ele foi preso em 21 de março de 2019, apenas 79 dias depois de deixar o poder.

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Destino trágico das mulheres afegãs | Míriam Leitão - O Globo

Em Cabul, mulheres afegãs participam de encontro contra as violações do Talibã

O mundo vê paralisado o destino das mulheres e meninas do Afeganistão. A tragédia já está escrita, todos sabem. Elas vão ser impedidas de estudar, trabalhar, circular, viver a vida. As que se rebelarem, morrerão. É como se fosse um destino inevitável, e aceitável, que mais da metade de um país seja encarcerada e torturada. As mulheres têm sido ao longo da história humana submetidas às mais variadas violências. Do assédio moral ao sexual. Das pressões físicas às psicológicas. O tempo passa, os séculos passam, e elas estão sempre sendo excluídas, tolhidas, caladas.

As mulheres do Afeganistão são a ponta extremada de um problema que o mundo nunca enfrentou com a radicalidade necessária: a discriminação contra a mulher. Em outros países islâmicos as pessoas do sexo feminino são também tratadas como um ser de segunda classe e oprimidas com base em interpretações fundamentalistas do islamismo. Mas não apenas lá. Em todas as religiões, culturas, países, gerações, as mulheres enfrentam, em graus diferentes, de maneira diversa, a violência de serem tratadas como inferiores.

O mito de Antígona tem quase dois mil e quinhentos anos e permanece vivo. Das tragédias gregas, está entre as mais conhecidas. Vem sendo encenada repetidamente, revisitada de todas as formas, desde a primeira vez que foi ao palco, provavelmente, em 442 a.C. É um grito que atravessa o tempo. A professora da Universidade da Califórnia Helen Morales, no seu livro “Presença de Antígona”, usa como epígrafe uma frase do texto de Sófocles, significativo como vários outros. “Claramente a menina tem um espírito feroz… Ela ainda não sabe se submeter a circunstâncias más.” Quem diz isso são os anciãos de Tebas sobre a jovem que se rebelou contra o rei Creonte lutando pelo direito de enterrar seu irmão Polinices. A punição final para a ousadia de Antígona é ser encarcerada entre os mortos. Assim viverão as mulheres afegãs, assim vão crescer as meninas afegãs. O mundo sabe disso, muito vai se falar sobre o assunto, mas elas estarão lá entregues ao seu destino trágico, como antígonas modernas, diante de uma plateia que pouco fará para resgatá-las. Os grandes países estão imersos em sua impotência. Vários foram derrotados pelos afegãos, e, portanto, as mulheres serão consideradas despojos de uma guerra perdida.

No mundo inteiro meninas e mulheres sofrem. Alguém pode dizer que são dores incomparáveis. São sim. Há gradações e por isso eu escrevi aqui que a dor da afegã é a ponta mais extremada de um problema da humanidade. Os casos de feminicídio, da violência que chamam “doméstica”, dos abusos em todos os países, como aqui, neste momento, não nos deixam esquecer que o machismo é estrutural, é universal, é milenar.

O poder é masculino, intoleravelmente masculino. As exceções são apenas isso, casos à parte. Algumas mulheres brilham por algum tempo, como fez Angela Merkel, como um dia fez Indira Gandhi, depois tudo volta a ser como era. O Brasil de Bolsonaro chega a ser caricato, com a ministra da Mulher e sua visão fundamentalista da Bíblia dizendo que a mulher tem que ser submissa ao marido, com o Itamaraty se unindo a países radicais islâmicos nas votações internacionais, com as piadas machistas do presidente, com o bolsonarista histérico, tipo Sérgio Reis, dizendo “eu não tenho medo, eu não sou mulher”. O idioma tem inúmeros símbolos da segregação. Fala-se “o homem” para se referir à humanidade. Viril, atributo masculino, é sinônimo de coragem. A lista é longa.

Eu poderia falar dos avanços e eles existem, empurrados pelas várias ondas do feminismo. Somos nós mulheres de diversas gerações que estamos forçando as portas fechadas. Mas, sinceramente, é preciso falar das permanências. Por que tão longa desigualdade? Por que por tantos milênios da história humana as mulheres foram condenadas ao papel secundário, muitas vezes em suas próprias vidas?

Creonte diz à altiva Antígona: “Quem deve obediência ao próximo não pode ter pensamentos arrogantes como os teus”. Em seguida, dirigindo-se ao coro, afirma: “Pois homem não serei — ela será o homem — se esta vitória lhe couber sem punição.” A tragédia de Antígona está escrita, todos sabem. O que a trouxe da Grécia antiga aos dias de hoje é que a história da rebeldia feminina sendo punida tem se repetido ao longo dos séculos. E se repete, agora, no Afeganistão.

Com Alvaro Gribel (de São Paulo)

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Doria diz que Brasil enfrenta sua maior ameaça desde 1964

Governador de São Paulo, João Doria, durante entrevista coletiva
16/08/2021 REUTERS/Carla Carniel
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RIO DE JANEIRO (Reuters) - A democracia brasileira nunca esteve tão ameaçada desde o golpe militar de 1964, disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), citando atos do presidente da República, Jair Bolsonaro, como o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Ele disse ainda que, na próxima segunda-feira, haverá um encontro da maioria dos governadores do país para discutir o que chamou de crise institucional.

Segundo Doria, será um encontro virtual de governadores, o maior desde 2019.

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"Será uma encontro pela defesa do meio ambiente e da democracia, além do apoio ao STF e o rechaçamento a atos autoritários de setembro", disse Doria a jornalistas na sede da Associação Brasileira de Imprensa, citando manifestações planejadas para o dia 7 de setembro.

Apenas três governadores ainda não confirmaram presença no encontro, disse Doria, que participa da organização da reunião juntamente com o governador do Piauí, Wellington Dias (PT).

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Doria manifestou apoio ao ministro Alexandre de Moraes e ao STF, que são os "guardiões" da democracia e da Constituição.

"Nunca o Brasil esteve tão ameaçado desde o golpe de 64... toda semana o presidente da República ou um representante flerta com o autoritarismo, ameaçam o Supremo e as forças democráticas...", disse.

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"Deixo o apoio ao STF e aos ministros, ele é nossa garantia institucional da democracia e temos que proteger o STF", concluiu.

Neste sábado, Bolsonaro disse que faz tudo "dentro das quatro linhas da Constituição".

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"Engraçado: quando entro numa ação no Senado, fundada no artigo 52 da Constituição, o mundo cai na minha cabeça. Quando uma pessoa, no inquérito do fim do mundo, me bota lá, ninguém fala nada. Não é revanche", comentou o presidente em entrevista a jornalistas.

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Forma-se a tempestade perfeita contra Bolsonaro, diz Nassif

Luis Nassif e Jair Bolsonaro
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Por Luís Nassif, no GGN - Forma-se a tempestade perfeita. E, desta vez, contra Bolsonaro. Aparentemente, o pesadelo bolsonarista entra na fase agônica. Em breve, será substituído por outros pesadelos, de um país que abdicou do senso civilizatório.

O jogo é simples de entender.

Em qualquer organização criminosa, a coesão depende da capacidade do chefe de se mostrar poderoso.  Quando começa a vacilar, ocorre o desembarque dos aliados de ocasião e, principalmente, daqueles envolvidos em ações criminosas.

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Era essa a percepção de Bolsonaro, quando ampliou-se seu conflito com o Supremo Tribunal Federal (STF). Gradativamente, seus principais seguidores foram sendo engolfados por denúncias e ações judiciais – os irmãos Weintraub, Ricardo Salles, general Pazuello. A CPI do Covid acelerou o processo, denunciando os militares envolvidos na esbórnia da saúde.

Montou-se um cabo de guerra, tendo de um lado Alexandre de Morais, MInistro do STF, e de outro Bolsonaro. Entende-se por aí o desespero de Bolsonaro. Se ele não enfrentasse e vencesse a contenda, haveria a debandada de seu grupo.

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No desespero, tentou de tudo. Apelou para as Forças Armadas, blefou o quanto pôde, fez paradas de motos, convocou seguidores para manifestações, valeu-se o quanto pôde do Gabinete do Ódio. Nada deteve a marcha do STF.

E aí revelaram-se dois Bolsonaros, o da realidade virtual e o do mundo real.

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O da realidade virtual tem a assessoria profissional de Steve Bannon, no objetivo único de animar seguidores. O do mundo real é cercado de uma mediocridade ampla e irrestrita, de generais da reserva oportunistas, sem lastro intelectual e sem conhecimento político. Só um completo analfabeto político faria como o Ministro da Defesa, Braga Netto, de blefar na ameaça ao Congresso, e não ter mais nenhuma carta à mão quando Congresso e STF pagaram para ver.

Paralelamente, o governo Bolsonaro passou a ser totalmente desacreditado no front econômico. No início, Guedes se sustentou com sua conversa de vendedor de biotônico e sua disposição de entregar ao mercado os grandes negócios da privatização. Era uma maneira de disfarçar sua gritante anomia em relação aos problemas reais da economia.

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Gradativamente, as magias de Bolsonaro e Guedes foram cansando por falta de inovação. Sempre a mesma coisa, Bolsonaro criando eventos para chocar e Guedes manipulando conclusões econômicas falsas. O avanço inexorável da realidade esvaziou ambos os discursos.

Agora se tem a derrota plena de Bolsonaro nas seguintes frentes:

  • perdeu a batalha para o STF, depois de uma tentativa desastrada de tentar individualizar os alvos – Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Conseguiu a unanimidade do Supremo em defesa dos seus.
  • O blefe do impeachment de ambos os Ministros. Teve que voltar atrás na forma mais atabalhoada possível: em uma mesma live, dizendo-se aberto para rever a ambos e, ao mesmo tempo, reiterando as críticas. Um bufão!
  • O blefe da intervenção militar, claramente exposto pelo cantor Sérgio Reis. Bolsonaro só conseguiria mobilizar as Forças Armadas no bojo de grandes movimentações populares em defesa do golpe. Não conseguiu uma coisa nem outra. Já Sérgio Reis conseguiu um processo do qual não irá se livrar facilmente.
  • O blefe da ameaça de Braga Netto ao Congresso. Teve que aceitar uma convocação para uma audiência na qual ouviu de um deputado da oposição – Paulo Teixeira, do PT – que, se não acatasse a Constituição, seria preso.
  • A total desarticulação de Paulo Guedes com a reforma tributária, e tentando se equilibrar entre o auxlio-emergência – essencial para a recondução de Bolsonaro – e a Lei do Teto.
  • As declarações do presidente do Senado, que desceu do muro para atacar as ameaças às eleições.
  • O cerco implacável ao Procurador Geral da República Augusto Aras, obrigando-o a atuar com firmeza na denúncia dos quadros bolsonaristas que ameaçavam manifestações no dia 7 de Setembro.
  • Derretimento gradativo de sua popularidade

Agora, o primarismo de Bolsonaro, que o habilita no máximo a jogos de porrinha, terá que enfrentar um xadrez complexo.

Se avançar mais, será impichado.

Se não avançar, perderá sua base.

Não tem a menor condição de propor um pacto naciona., por não ter dimensão política, nem credibilidade.

O pior é que, para ele, não há empate. Sendo apeado do poder, será julgado, condenado e amargará prisão por seus crimes. Não apenas ele como todos seus filhos.

Ele não tem nem dimensão política para negociar uma lei da anistia, igual àquela que preservou da Justiça militares sanguinários, que voltaram ao poder com ele.

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Você pode reduzir seu consumo de dados no WhatsApp seguindo estas 4 dicas Como gastar menos dados usando o WhatsApp

Se você quer tirar o máximo do WhatsApp, é bom saber alguns passos fundamentais para economizar seu pacote de dados. Baixar e enviar arquivos, ligações de voz e até mesmo o backup das mensagens e arquivos podem estar por trás do consumo exagerado. 

Se você quiser poupar o 4G, siga as dicas abaixo. 
O guia está separado para dispositivos com sistema operacional Android e iOS. 

1. Saiba onde ver qual consumo de dados pelo WhatsApp Se você quer ter noção do quanto seu uso do WhatsApp tem pesado no pacote de dados, o aplicativo tem uma ferramenta que explica direitinho essas estatísticas. Para vê-las, você deve seguir o seguinte caminho. 

No Android Clique nos três pontinhos no canto superior direito da tela e abra "Configurações"; 

Dentro deste menu, selecione a opção "Armazenamento e dados"; 

Toque em "Uso de rede";

Nele você pode observar todas as informações de dados gastos pelo WhatsApp, ou reiniciá-los para ter uma contagem precisa a partir de quando você desejar. 

2. Desabilite downloads automáticos fora do wi-fi.

Você pode reduzir seu consumo de dados no WhatsApp seguindo estas 4 dicas

Como gastar menos dados usando o WhatsApp - Estúdio Rebimboca/UOL
Como gastar menos dados usando o WhatsAppImagem: Estúdio Rebimboca/UOLDe Tilt, em São Paulo

21/08/2021 09h00

Se você quer tirar o máximo do WhatsApp, é bom saber alguns passos fundamentais para economizar seu pacote de dados. Baixar e enviar arquivos, ligações de voz e até mesmo o backup das mensagens e arquivos podem estar por trás do consumo exagerado.

Se você quiser poupar o 4G, siga as dicas abaixo. O guia está separado para dispositivos com sistema operacional Android e iOS.

1. Saiba onde ver qual consumo de dados pelo WhatsApp

Se você quer ter noção do quanto seu uso do WhatsApp tem pesado no pacote de dados, o aplicativo tem uma ferramenta que explica direitinho essas estatísticas. Para vê-las, você deve seguir o seguinte caminho.

No iOS

  1. Entre no WhatsApp e toque em "Configurações", no canto inferior direito da tela;
  2. Acesse a opção "Armazenamento e dados";
  3. Dentro dessa tela, selecione "Uso de Rede";
  4. Aqui, você pode ver o número de mensagens enviadas e o volume de dados de mídias (fotos, vídeos), Status, ligações e o total. No final, você pode tocar em "Zerar estatísticas", reiniciando a contagem para ter um parâmetro em um período específico.

No Android

  1. Clique nos três pontinhos no canto superior direito da tela e abra "Configurações";
  2. Dentro deste menu, selecione a opção "Armazenamento e dados";
  3. Toque em "Uso de rede";
  4. Nele você pode observar todas as informações de dados gastos pelo WhatsApp, ou reiniciá-los para ter uma contagem precisa a partir de quando você desejar.

2. Desabilite downloads automáticos fora do wi-fi

No iOS:

  1. Na tela de Configurações do WhatsApp, abra "Armazenamento e dados";
  2. Na guia "Download automático de mídia", Por padrão, as fotos estarão com download automático para dados de celular (quando você está conectado no 4G) ligado e as outras mídias só no wi-fi;
  3. Entre em cada uma delas individualmente (Fotos, Áudio, Vídeos e Documentos) e escolha se o celular baixará, ou não, os arquivos automaticamente -- você pode deixar tudo desativado até para economizar memória se quiser.

No Android:

  1. Já partindo de "Armazenamento e dados", toque em "Ao utilizar dados móveis";
  2. Uma janela abrirá permitindo que você escolha quais tipos de arquivos serão baixados fora do wi-fi automaticamente. Só o item "Fotos" estará pré-selecionado. É só tocar nele para desabilitar e depois tocar em "Ok";
  3. Se quiser desligar downloads automáticos no wi-fi, é só seguir o mesmo processo na opção "Ao usar uma rede wi-fi".

3. Reduza o gasto de dados em ligações fora do wi-fi

No Android: Toque nos três pontinho no canto superior direito da tela e depois em "Configurações"; Vá até "Armazenamento e dados"; É só tocar no interruptor que diz "Usar menos dados em chamadas". 

4. Não deixar backups serem feitos fora do wi-fi

No Android: Na tela de "Configurações", selecione a opção "Conversas"; Ela abrirá um novo menu, onde você deve selecionar "Backup de conversas"; Vá até "Fazer backup via" e certifique-se de que a opção selecionada é "Somente Wi-Fi".

No Android: Na tela de "Configurações", selecione a opção "Conversas"; Ela abrirá um novo menu, onde você deve selecionar "Backup de conversas"; Vá até "Fazer backup via" e certifique-se de que a opção selecionada é "Somente Wi-Fi".

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Me ajuda, como evitar que o WhatsApp sobrecarregue e trave o celular?

Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Bruna Souza Cruz

De Tilt, em São Paulo

13/08/2021 04h00

Texto, áudio, fotos, vídeos, documentos, memes, GIFs. O WhatsApp guarda essa montanha de arquivos para a gente. O problema é quando a troca de mensagens se torna a vilã e afeta a memória do celular. A falta de espaço pode deixar o aparelho bem mais lento.

Tem muita gente que é desapegado e costuma apagar tudo o que envia e recebe, mas isso não é lá tão comum. Por isso, separamos aqui algumas dicas para você evitar que o WhatsApp lote a memória do seu celular. São passos rápidos, simples e que podem deixar o desempenho do celular bem melhor.

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Receba notícias de Tilt no WhatsApp e no Telegram

1. Bloqueie o download automático

WhatsApp salva automaticamente todos os arquivos que circulam dentro das mensagens, mas existe uma configuração que impede que tudo isso fique salvo no aparelho.

Depois de configurada, você passa a ver as fotos e os vídeos meio borrados. Se quiser abrir, é só selecionar a imagem.

Caso contrário, é só ignorar e aproveitar a tranquilidade de não ter um arquivo que não deseja lotando o seu celular.

Além disso, o seu pacote de dados vai agradecer, pois isso vai impedir que ele seja consumido por causa dos arquivos baixados automaticamente.

iPhone

  • Vá nas configurações do aplicativo e procure o item relacionado a "Armazenamento e dados";
  • Observe que existe um destaque para "Download automático de mídia";
  • Selecione cada item (entre fotos, áudio, vídeos e documentos) e selecione "Nunca";
  • Agora nenhum arquivo vai ser salvo sem que você queira.

Android

  • Entre em "Armazenamento e dados" dentro das configurações do WhatsApp;
  • Observe que aparecem três opções envolvendo as mídias: "Quando utilizar a rede de dados"; "Quando conectado ao wi-fi"; "Em roaming";
  • É preciso que as palavras "nenhuma mídia" apareçam nos três tópicos. Para isso é só entrar em cada um e desmarcar os itens (fotos, áudio, vídeos e documentos) que estão habilitados;
  • Clique no "Ok" para confirmar.

No caso do Android, as mensagens de voz sempre são baixadas automaticamente.

2. Libere espaço em determinadas conversas

Caso o seu celular esteja cheio de arquivos do WhatsApp e você não faz ideia de como resolver, é possível fazer uma faxina bem prática para liberar espaço.

Você pode apagar de uma vez todas as fotos ou vídeos recebidos de um determinado grupo ou pessoa (se não quiser ser tão radical, também dá para escolher individualmente o que você deseja apagar).

O passo a passo funciona no Android e nos dispositivos da Apple.

  • Entre na mensagem e selecione o nome do contato/grupo para ter acesso aos seus respectivos dados;
  • Entre no item que se refere a mídia, links e docs (documentos). Todas as fotos, vídeos e arquivos trocados vão aparecer;
  • Selecione tudo ou só o que deseja apagar;
  • Depois vá no símbolo de lixeira e confirme a exclusão.

3. Limpeza completa

  • Abra o WhatsApp e encontre a opção que faz referência ao armazenamento e dados;
  • Entre em "Gerenciar armazenamento".

Uma tela com os GBs que ocupam a memória do seu celular vai ser exibida no topo do visor. Abaixo, existe a opção "Analisar e apagar itens". Ali você poderá deletar os mais pesados de uma vez (ou apenas alguns).

  • Maior do que 5 MB (o que é prático para apagar os arquivos maiores)
  • Encaminhados com frequência (arquivos de mídia compartilhados repetidamente pelo WhatsApp)

Um pouco mais abaixo aparecem os grupos e contatos que possuem os maiores volumes de arquivos trocados no WhatsApp e que ocupam espaço. A lista padrão é em ordem do maior para o menor. Mas isso pode ser mudado para "Mais recente" e "Mais antigo". Siga o mesmo esquema: selecione tudo para fazer a limpeza completa (ou apague alguns arquivos)

Use a sua voz para "escrever" mensagens no WhatsApp

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"Gente BURRA que SÓ SABE MATAR"

A força das afegãs: Na Grécia, onde está o maior número de refugiados vindos do Afeganistão, mulheres denunciam barbárie do Talibã

Universa

A força das afegãs

André Naddeo
Colaboração para Universa
André Naddeo/UOL
André Naddeo/UOL

"No mínimo, apanharam"

No último dia 17, o porta-voz do grupo radical islâmico Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou: "As mulheres afegãs não têm o que temer, vamos trabalhar juntos pela recuperação do país. Ombro a ombro". Mujahid ressaltou ainda que elas "farão parte do nosso governo, poderão trabalhar e estudar, contanto que estejam dentro dos limites do Islã''.

Estar dentro dos limites quer dizer seguir à risca a Sharia, a rígida lei islâmica que obriga, dentre outros temas polêmicos, mulheres cobrindo todo o corpo e que só podem sair de casa com um "guarda-costas" do sexo masculino. Em tradução literal, a palavra Sharia significa "um claro caminho para a água". Pois clareza e um futuro cristalino são tudo em que as mulheres afegãs não acreditam para o seu país.

"Eles são imutáveis", diz, com toda a convicção, Sumaia, de 52 anos, natural de Kandahar, a segunda maior cidade afegã e berço da criação dos extremistas que já controlaram o país entre 1996 e 2001.

Sempre receosas de possíveis e futuras represálias, todas as entrevistadas nesta reportagem não deram o sobrenome.

"A gente nunca sabe o que pode acontecer, esses imbecis estão sempre buscando notícias, seja onde for", diz Sumaia, uma das centenas de mulheres que protestaram em Atenas, Grécia, na última quinta-feira (19) contra o novo governo para expressar seus temores sobre o futuro de uma pátria para que, um dia, sonham em voltar.

"Aqui, com todos os problemas que temos, pelo menos podemos protestar com segurança. No Afeganistão, isso agora acabou", disse, preocupada com o que pode ter acontecido com o valente grupo feminista que levantou cartazes contra o novo regime, um dia após o Talibã controlar a capital Cabul. "No mínimo, apanharam."

270 mil afegãos já deixaram país

Somente neste ano, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), com a escalada da violência no país, 270 mil afegãos deixaram seus lares em busca de refúgio. Dentro da Europa, a Grécia é o país que mais acolhe refugiados oriundos do Afeganistão: das 4.718 pessoas que entraram em território grego, em 2021, 45,3% são afegãs.

Atualmente, são 29.716 afegãos solicitantes de asilo na Grécia, que aguardam suas respectivas entrevistas oficiais, um número bastante superior aos sírios, por exemplo (7.520). Estes números só tendem a aumentar. São mais de 100 mil imigrantes no país que é uma das portas de entrada para a União Europeia e estima-se que pelo menos 40% são fugitivos dos intermináveis conflitos armados no Afeganistão.

André Naddeo/UOL
André Naddeo/UOL

Controle da informação

Sumaia viu com os próprios olhos as barbaridades cometidas contras as mulheres afegãs antes da ocupação norte-americana, em 2001. E lembra bem como a comunidade internacional não tinha acesso ao que, de real, acontecia em território afegão.

"Um genocídio está acontecendo agora mesmo, enquanto eu falo com você", afirma. "Todos sabemos que o Talibã controla a informação. Jornalistas já não vão mais poder relatar assassinatos, ataques ou violações de direitos humanos. Ainda mais agora que todos os estrangeiros estão deixando o país. Eu jamais vou confiar no que diz um 'Taleb', isso é impossível", diz ainda, usando o diminutivo comum entre os afegãos ao se referirem ao grupo radical islâmico.

O futuro é mais do que obscuro

Há dois dias, com a tomada de poder, o canal Tolo News, conhecido no país por ter apresentadoras, anunciou formalmente que já não vai mais colocar mulheres como âncora de seus telejornais. Ainda é incerto se as profissionais da informação seguirão na equipe jornalística da emissora em outras funções.

André Naddeo/UOL

"Eles me chicotearam por usar chinelos"

Com máscara, boné e hijab, Khadija, de 42 anos, também viveu os sombrios cinco anos da Sharia no Afeganistão, entre 1996 e 2001. "Eu era uma garota que vivia em Takhar [província próxima ao Tajiquistão], e um dia saí de casa usando chinelos. Fazia muito calor. Um 'Taleb' me viu e perguntou por que eu não estava usando meias, que aquilo era Haram", relembra. Haram é um termo árabe retirado do Corão, o livro sagrado muçulmano, que designa o pecado, proibido.

Me jogaram no chão e chicotearam os meus pés em praça pública. Não saí mais de casa por meses. Como você acha que eu posso acreditar no que esses animais estão dizendo?

Outro motivo pelo qual ela não crê no tom moderado do grupo radical é o que ouve de familiares e amigos no Afeganistão. "Já sabemos que estão perseguindo artistas, eles não querem cultura, nada. Vou protestar todos os dias aqui, se possível, até que a comunidade internacional entenda que deve fazer algo por nós", diz.

Jovens marcham com a bandeira do país, símbolo de resistência ao Talibã

André Naddeo/UOL
André Naddeo/UOL
André Naddeo/UOL

Casamentos forçados

Mariam tem 15 anos e, em meio à multidão de cerca de 1.500 afegãs e afegãos na praça Syntagma, no centro de Atenas, destaca-se com gritos de "liberdade é o nosso direito" e pelo fato de usar boina e trajes militares, com o rosto pintado em verde, vermelho e negro, as cores da bandeira do Afeganistão.

"Eu me vesti como soldado hoje porque é um momento de luta", afirmou. "É o momento de todos erguerem a voz contra esses lunáticos."

Natural de Herat, a terceira maior cidade do país, ela chegou há dois anos à Grécia. Aprendeu o idioma rapidamente na escola —deu várias entrevistas em grego fluente para emissoras locais— e não se conforma com o fato de que está livre, na Europa, enquanto suas amigas de infância esperam pelo pior.

"Estão batendo de casa em casa e dizendo que as meninas vão ter que se casar com soldados talibãs. É a realidade. É a minha gente, a minha família que está me contando tudo isso", relata.

Herat foi uma das últimas cidades a serem dominadas pelo Talibã antes do fatídico cerco a Cabul.

Fico pensando que poderia ser eu, jovem, tendo que me casar com homens nojentos, horríveis, que só querem se aproveitar, nos escravizar

A jovem afegã de apenas 15 anos demonstra uma maturidade que só não é surreal para a sua idade porque, segundo ela, "um mês de vida para você, são dois, três anos para nós".

Ela insiste que não crê no tom de moderação dos 'Talebs' simplesmente porque o componente mais usado pelo grupo radical segue em prática: a violência cotidiana. "Eles estão dizendo que vão ajustar algumas coisas de momento, mas, outro dia, mataram o governador de Herat. Eles nunca vão mudar", comenta.

Mariam se refere ao ataque terrorista sofrido por Shukrullah Shakir, governador do distrito de Herat, no último dia 3, poucos antes de o Talibã controlar o estratégico território que faz fronteira com o Irã. "Eles não vão deixar de matar pessoas. Pode ter certeza. Enquanto o Talibã estiver no poder, não vai existir desenvolvimento para o Afeganistão."

André Naddeo/UOL

Atentado do Talibã contra crianças

Fareshta tem 32 anos e é natural de Ghazni, uma cidade no sudeste do país, e sua vida está marcada por um episódio em que quase perdeu a única filha, Hannah. O motivo pelo qual deixou o Afeganistão e veio à Grécia, há dois anos e meio, foi um ataque desferido, segundo ela, justamente pelos Talibãs a uma escola da sua cidade natal.

O Talibã que está no poder agora é o mesmo que atacou com gás uma escola cheia de crianças, cheia de meninas que só queriam estudar. Entre elas, a minha filha

Com a voz embargada, ela relembra: "Hannah ficou em coma por 24 horas e quase morreu. Desde então, sofre com problemas físicos e psicológicos. Ela desenvolveu epilepsia e tem muitas convulsões. Continua sob tratamento aqui na Grécia".

Mãe de outras três crianças, Fareshta sabe que é privilegiada por não estar, agora mesmo, vivendo sob o domínio Talibã, mas faz questão de frisar que "podemos estar aqui, longe, mas nossa mente e coração não estão calmos, porque nosso país não está a salvo".

"Eu costumo dizer que eles podem fazer qualquer tipo de anúncio oficial, o que seja. Mas a grande verdade é que o Talibã não merece a nossa confiança. As caras deles não encaixam com a alma do nosso país. Queremos e precisamos de paz".

"Gente burra que só sabe matar"

Dentre diversos gritos de paz entoados ao longo da manifestação, uma música se destacava e era sempre cantada em uníssono: "Minha Terra", do compositor e poeta afegão Dawood Sarkhosh. A canção é considerada um hino por retratar, com precisão, as décadas de sofrimento e violência desde a ocupação soviética no Afeganistão, em 1979.

"Virei um morador de rua. Indo de casa em casa. Você [Afeganistão] é meu amor, minha existência. Meus poemas e músicas não têm sentido sem você", diz um dos trechos da canção, cantada em lágrimas por Bahar, 17 anos, natural de Jalalabad, cidade próxima da capital Cabul.

Ela é da etnia Hazara, com traços orientais e com um longo histórico de perseguições por parte dos Talibãs por serem xiitas. Os Hazaras formam, de longe, o maior grupo de refugiados afegãos em solo europeu.

Me sinto derrotada, queimando e me destruindo por dentro. Estamos falando de um grupo que já controlou nosso país por cinco anos. E como era a vida? Onde estavam os direitos das mulheres? Era e vai continuar sendo pior do que ser uma escrava

"Agora eles se proclamam Emirado Islâmico e são contra uma bandeira de séculos de existência. Estamos falando de gente burra que só sabe matar. Eles não têm qualquer educação. São burros mesmos. Perseguem artistas, e não entendem que um país só consegue se desenvolver se as pessoas têm acesso à educação."

Segundo Bahar, Sarkhosh previu muito bem o futuro do seu país. "A minha parte preferida é quando ele canta que a 'minha terra está cansada de perseguições e está impaciente, sem esperança'. É exatamente como estamos nos sentindo agora. Sem esperança."

Publicado em 21 de agosto de 2021.

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Ele é brasileiro: Com sotaque único, Ariel Palacios mistura Brasil e Argentina e faz história na GloboNews

Leandro Carneiro
De Splash, em São Paulo
Globo / João Cotta

Você provavelmente já ouviu o sotaque desse brasileiro na televisão e achou estranho. Ariel Palacios está no ar com a Globo News desde os primeiros anos da emissora, que completa 25 anos em 2021. Também é um rosto conhecido de quem acompanha esporte no "Seleção SporTV".

O que muita gente provavelmente não sabe é que ele não é argentino.

Aliás, esse foi um dos pedidos de Ariel nesta conversa: contar ao mundo que ele é brasileiro nascido na Argentina. Não entendeu? Bem, a história do jornalista transita muito entre os dois países rivais no futebol, mas não é tão difícil quanto parece.

Ariel nasceu na Argentina. Quando era pequeno, veio para o Brasil. Foi criado por aqui e depois, mais velho, resolveu voltar para o país vizinho. Fala português com sotaque espanhol. Mas, na hora do futebol, torce mesmo é pela seleção brasileira.

Pega essa, Messi.

Globo / João Cotta

Nasce um brasileiro na Argentina

O que todos sabem e veem todos os dias na televisão é que Ariel é cheio de boas histórias e que gosta de contá-las.

Pegando do começo: os pais do jornalista eram argentinos, mas vieram para o Brasil para aproveitar o "país do futuro". Em 1966, a mãe engravidou e quis voltar para seu país, para que Ariel nascesse por lá. Ainda pequeno, a família voltou para cá, e viveram em Governador Valadares (MG), São Paulo e Londrina (PR), onde Ariel passou a maior parte da vida.

Depois de se formar em jornalismo e fazer alguns trabalhos por aqui, a vida de Ariel ganhou mais um novo país. Na Espanha, ele fez um curso no prestigioso El País. Então, retornou mais uma vez para a nação onde nasceu:

"Vim para Buenos Aires com a minha mulher, que na época era namorada, depois de muitos anos sem vir. Encontrei o correspondente do El País em Buenos Aires e ele me perguntou por que eu não me mudava de vez, já que quase não tinha brasileiro Argentina", explica.

Foi o início de uma carreira bem sucedida:

E assim comecei como correspondente do Estadão. Um ano depois, me ligaram da CBN. Nunca havia feito rádio e comecei ali. Meses depois, foi a vez da GloboNews, que estava sendo formada. Nunca tinha feito TV, perguntei se não era um problema. Me disseram para não me preocupar.

Comecei transmitindo por telefone, do orelhão, do celular, de casa. Anos depois, comecei a aparecer na câmera.

Ariel Palacios

Reprodução/Linkedin

Mulheres poderosas

O interesse da mãe de Ariel em ter o filho na Argentina não tinha apenas a ver com a nacionalidade. A família de Ariel tem um histórico importante na luta pelo direito da mulher no país. Sua bisavó fez parte da primeira turma de obstetras da América Latina.

É possível ver essa influência inclusive no cenário de Ariel durante as aparições na TV. Na estante, ao fundo, além de naves de "Star Trek", série da qual é fã, também aparecem dois espéculos vaginais.

Tenho muito orgulho, um era da minha trisavó e outro da bisavó. Minha bisavó foi uma das primeiras obstetras da América Latina. Em 1922, as mulheres não tinham acesso. A mãe dela, minha trisavó, viu a filha estudando, resolveu estudar e entrou na faculdade também. Tiveram um consultório de excelência, e, por isso, guardo os espéculos, tenho muito orgulho desse lado feminista da minha família.

Globo / João Cotta

E o esporte?

Um dia, Ariel que já havia trabalho com entretenimento e falava sobre política na Globo News, foi convidado por André Rizek para dar seus pitacos esportivos na TV. O motivador foi um acaso.

"Escrevi um livro chamado Os Argentinos, um manual sobre a Argentina para brasileiros, e o capítulo de esportes ficou enorme. O editor encomendou outro livro por causa da Copa de 2014, no Brasil, e que escrevi junto com o Guga (Chacra). Eu falo da Argentina e ele do Brasil".

O que era para ser apenas uma participação, acabou se tornando mais frequente. Ariel, então, passou a colaborar com o SporTV.

Ele conta que hoje é conhecido por seu trabalho no SporTV do que na GloboNews, embora esteja há mais tempo na emissora focada em jornalismo. Antes da pandemia, era comum encontrar turistas brasileiros que o reconheciam pelos comentários sobre futebol.

Eu sou brasileiro. Sempre torço pelo Brasil, não nessa Copa América, que sempre fui contra a realização não só aqui, mas como em qualquer país da América do Sul. Colômbia, Argentina, depois Brasil. Achava absurdo promover um torneio desses em plena pandemia. Assim como condenei a aglomeração na Argentina para celebrar a vitória.

Ariel Palacios

Reprodução/Instagram

E quando desliga a câmera?

O esporte também ocupa Ariel nas horas vagas. Mas, apesar de ter raízes em dois países dominados pelo futebol, o tempo livre do jornalista é ocupado com outra modalidade.

Adoro arco e flecha, espero todo sábado para ir lá treinar com a minha mulher e com a minha filha. Tive de parar por vários meses por causa da pandemia. Voltamos agora, com distanciamento enorme. Acho fascinante, relaxo.

Outro hobby de Ariel é ler livros. "Aqui em casa, todo mundo lê. Deitamos os três, cada um com um livro. Gosto de livros de história e de ficção".

Se tem algo com que não gasta tempo é dirigir: Ariel brinca que ocupou a parte do cérebro que lida com carros com outras informações. Por isso, aproveita Buenos Aires para caminhar.

Publicado em 21/08/2021

Edição: Liv Brandão ; Texto: Leandro Carneiro;

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Retirada americana do Afeganistão gera alarme e leva foco para China

Humilhação dos EUA prenuncia mudança geopolítica, assusta aliados e causa corrida armamentista

São Paulo

A retirada americana após 20 anos de guerra no Afeganistão não provocou apenas a volta ao poder do Talibã e as cenas de desespero de pessoas tentando fugir de Cabul, dispostas a morrer agarradas a aviões em decolagem.

Houve um alarme geral em aliados americanos acerca da confiabilidade de Washington, perceptível publicamente no Ocidente na forma de críticas e na Ásia, como incipiente corrida armamentista regional.

Civis afegãos entram em um C-17 americano para deixar o país sob controle do Taleban
Civis afegãos entram em um C-17 americano para deixar o país sob controle do Taleban - Brando Cribelar - 20.ago.2021/Forças Armadas dos EUA/AFP

Mais importante, foi movida uma peça fundamental para o xadrez geopolítico não só local, mas de todo o planeta, por envolver a disputa central do mundo do século 21, a Guerra Fria 2.0 entre Estados Unidos e China.

A polarização entre os dois países tenderá a crescer na Ásia, com o deslocamento dos recursos militares americanos para aquilo que Barack Obama chamava de pivô do Pacífico.

Isso trouxe oportunidades e problemas para Pequim. Por um lado, seu apoio ao Talibã já nas fases preliminares da reconquista do Afeganistão garante os chineses como o poder externo garantidor no país, provavelmente com a parceria cada vez maior com a Rússia.

Isso visa lhe garantir estabilidade na fronteira oeste, que é permeável a infiltrações radicais nos movimentos islâmicos da sua região de maioria muçulmana, Xinjiang.

Além do mais, o Afeganistão poderá ver alguma infraestrutura chinesa e dinheiro de reconstrução, como o porta-voz talibã Suhail Shaheen pediu na sexta (20). Em troca, acesso aos reportados bilhões em reservas afegãs de terras-raras, essenciais para a indústria eletrônica.

Armado com fuzil dos EUA e com guarda-costas vestido de soldado americano, um dos líderes da rede Haqqani, Khalil Haqqani, fala após as orações de sexta na mesquita Pul-i-Khishti, em Cabul
Armado com fuzil dos EUA e com guarda-costas vestido de soldado americano, um dos líderes da rede Haqqani, Khalil Haqqani, fala após as orações de sexta na mesquita Pul-i-Khishti, em Cabul - Victor J. Blue - 20.ago.2021/The New York Times

Mas ninguém deve esperar tropas chinesas intervindo se der errado, diz Meia Nouwens, especialista em política de defesa chinesa do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres. "A experiência ocidental no Afeganistão é um poderoso conto cautelar."

Para ela, há uma questão maior que transcende o momento de humilhação dos EUA: "A mudança do foco militar americano para o Indo-Pacífico", de resto já em ensaio no mar do Sul da China e no estreito de Taiwan.

A vitória talibã é uma enorme derrota para a Índia, que ao longo dos anos cortejou o regime pró-EUA em Cabul como forma de dar o troco no Paquistão, seu rival existencial.

Islamabad havia fomentado o Talibã nos anos 1990 justamente para ter um aliado a mais na região, ganhando a chamada profundidade estratégica em caso de guerra.

"Duas décadas depois, o jogo virou de novo, e no período o Paquistão aliou-se à China", disse o analista político paquistanês Junayd Mahmud, da "capital das áreas tribais" Peshawar.

Além de esperar qual será o grau de governabilidade do Afeganistão, o governo de Narendra Modi agora consolidará o alinhamento que vem ensaiando há anos com os EUA em nome de um inimigo comum, a China.

Tradicionalmente buscando a neutralidade, a Índia passou anos comprando material militar soviético/russo e com boas relações com Washington.

Mas a "guerra ao terror" empurrou o Paquistão para o colo econômico e bélico chinês: há hoje US$ 25 bilhões investidos por Pequim no corredor econômico com o Índico passando pelo aliado.

Com isso, temendo isolamento na Ásia, os indianos reforçaram sua parceria com os americanos, simbolizada com seu renovado interesse no Quad, o grupo de aliados dos EUA no Indo-Pacífico que foi remontado por Donald Trump e virou peça da estratégia de Joe Biden.

Sinal claro disso foi a refrega entre as duas potências nucleares nos Himalaias, no ano passado. O conflito refluiu, mas hoje a estratégia militar de Nova Déli é focada em Pequim, considerando sua arquirrival Islamabad uma extensão do adversário.

O Quad é mais bem visto num mapa: ele reúne EUA com Japão, Austrália e Índia, formando um círculo em torno de saídas marítimas chinesas, as artérias de sua economia. Biden mal disfarça a intenção de mantê-las sob pressão.

Por sua vez, a Rússia de Vladimir Putin tem adotado uma posição mais cautelosa em relação ao Talibã, ciente de que seu principal interesse, ver o Ocidente desgastado, foi obtido sem maiores esforços.

De resto, o desengajamento dos EUA sempre cria janelas: hoje é Putin quem ocupa o papel de protetor dos curdos da Síria, ao coibir os avanços turcos no país árabe onde interveio em 2015.

O interesse central do russo é manter sua fronteira centro-asiática estável, por meio da militarização de seu principal aliado, o Tadjiquistão. Os tanques e tropas que foram para ficar duas semanas em exercícios em solo tadjique já ganharam uma estadia prolongada em um mês, senão de forma perene.

Nessa configuração mais focada nos vizinhos do Afeganistão, a certeza de que os EUA não são parceiros confiáveis disparou reações.

O Turcomenistão, que assim como o Uzbequistão é o "ão" menos alinhado com Moscou, começou a renovar sua frota militar.

Se deu bem a brasileira Embraer, que já entregou dois aviões de ataque leve A-29 Super Tucano e deverá vender ao menos mais quatro, em um negócio amplamente divulgado pela mídia estatal turcomena, mas sobre o qual ninguém fala oficialmente.

Lá Fora

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Não só ela. A italiana Leonardo também forneceu ao menos dois jatos leves M-346FA, uma versão melhorada do desenho russo Yak-130, e dois cargueiros táticos C-27J Spartan. Aqui também não há detalhes de valores.

Os uzbeques também estão de olho em material semelhante, isso se não resolverem ficar para si com a frota de ao menos 14 Super Tucano e outros aviões cujos pilotos usaram para fugir do Talibã no fim de semana passado.

Politicamente mais importante, a desconfiança sobre Biden atingiu seus aliados na Otan, a aliança que apoiou a aventura americana no Afeganistão. O presidente virou um Judas no Parlamento britânico.

A decisão unilateral de deixar os afegãos ocorreu num momento em que o governo de Boris Johnson tentava propagandear seu plano "Global Britain".

Como o nome diz, visa sugerir projeção mundial de poder de Londres com a viagem inaugural de seu novo porta-aviões, o HMS Queen Elizabeth, e um grupo de ataque com americanos e holandeses.

Cabul acabou com o show, que incluiu um entrevero com os russos no mar Negro, com direito a tiros de advertência de Moscou.

Dois outros atores importantes acompanham o desenrolar da confusão. O Irã, que era adversário do Talibã quando o grupo foi derrubado pelos EUA na esteira do 11 de Setembro de 2001, agora está próximo dos fundamentalistas.

É uma teocracia xiita conversando com radicais sunitas, algo meio imiscível, mas negócios são negócios, e ambos querem ver os EUA pelas costas.

Novamente, o conceito de profundidade estratégica aparece: é bom para todos, ainda mais para uma Teerã que vê uma coalizão árabe-israelense-americana montada a oeste.

Tudo isso é uma ironia, dado que a grande rival de Teerã é Riad, e a Arábia Saudita foi um dos três países do mundo que reconheceram e apoiaram o Talibã na sua primeira e brutal tomada de poder, em 1996.

São velhas as histórias dos militantes invadindo cidades com camionetes brilhantes dadas pela monarquia saudita. Tantos anos depois, o interesse do reino em apoiar os talibãs parece nulo, dado que ele já tem de lidar com a própria crise de imagem devido aos abusos de seu regime.

Já a Turquia, que fez diversos investimentos no antigo regime afegão, está no que Burcu Ozcelik, do Departamento de Política e Estudos Internacionais da Universidade de Cambridge (Reino Unido), escreveu: uma situação de risco.

"Ancara vai tentar usar suas relações próximas com Paquistão e Qatar [onde a liderança exilada do Talibã se baseia] para se posicionar como mediadora. Mas a falta de um arcabouço legal claro torna a perspectiva perigosa, exceto que os termos do engajamento diplomático sejam claros", escreveu.

Além disso, há a questão dos refugiados. O presidente Recep Tayyip Erdogan já disse que seu país não será um "depósito" deles, e levantou um muro fronteiriço a leste.

Todas essas são conjecturas ainda, tão inescrutáveis quanto a história que veio após George W. Bush mandar suas tropas em 2001. Afinal, como bem sabem os britânicos e os russos, o Afeganistão faz jus ao apelido de “cemitérios dos impérios”.

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Bolsonaro vai para a cadeia se tentar golpe, diz Alessandro Vieira

Senador Alessandro Vieira na Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia Jefferson Rudy/Agência Senado Jefferson Rudy/Agência Senado

Suplente na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) diz acreditar que já existem fatos que podem configurar crime por parte direta do presidente Jair Bolsonaro na condução do combate à pandemia do novo coronavírus. Em entrevista ao Congresso em Foco, o parlamentar, porém, diz não acreditar que o relatório da CPI resultará no  impeachment do presidente e afirma que Bolsonaro pode vir a tentar um golpe. Se isso ocorrer, ressalta o senador, o destino do presidente deverá ser a cadeia.

“Ele acredita que o caminho autoritário é melhor.  Bolsonaro realmente mostra um absoluto desapreço pela democracia, pelas instituições e não quer fazer um esforço pela democracia de negociar, dialogar, ouvir a sociedade. Isso aponta para uma postura golpista, então eu acredito que Jair Bolsonaro possivelmente tentaria um golpe”, declara o senador. "A postura dele é muito baseada no seu desejo de permanecer no poder, seja através de uma reeleição ou seja através do golpe. Então tudo que ele faz é focado nisso, não tem uma base mobilizada."

O senador, entretanto, diz ter certeza que Bolsonaro não teria condições de concluir um golpe de Estado no Brasil. “Tentar é possível sim e acredito que vai gerar um trauma nacional muito grande. Acredito que nossas instituições são robustas o suficiente para suportar esse desafio”, explica o parlamentar. “São poucos crimes que são mais graves que uma tentativa de golpe. A consequência é a cadeia.”

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Crime de responsabilidade

Para Alessandro Vieira, a CPI traz à luz a inércia do governo federal ao não  comprar vacinas quando poderia, apostando em teorias conspiratórios e tratamentos sem comprovação científica, além de não ter feito, em nenhum momento, uma grande campanha de esclarecimento da população, o que resultou nos mais de 570 mil mortos pela covid-19 desde o início da pandemia.

“Ao tomar a decisão política, pessoal de não fazer isso - e  isso está demonstrado por vídeos, com postagens, por atos formais do presidente da República e do governo -, Bolsonaro retardou o combate e consequentemente aumentou o número de contaminados e o número de mortos”, diz o senador que afirma ter clareza que o presidente participou do mercado das vacinas e adotou um comportamento criminoso. “Você tem um crime de responsabilidade que parece muito evidente, quando se nega ao cidadão brasileiro o direito essencial à saúde pública.”

A percepção do senador é que a CPI exerceu influência numa mudança de rota do governo na condução do combate ao novo coronavírus à medida que as investigações foram avançando. "O governo reduziu um pouco a desinformação, acelerou a compra e distribuição de vacinas com fornecedores sérios e cancelou todos os aventureiros que estavam ali circulando no Ministério da Saúde. Tivemos um resultado muito positivo nesse sentido."

Apesar das evidências que já apontam a responsabilidade de Bolsonaro na negligência ao combate da covid-19, Alessandro Vieira acredita que será necessário buscar caminhos alternativos ao impeachment por não ver a possibilidade de o processo ser pautado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), mesmo com pesquisas apontando que 54% dos eleitores apoiam o impeachment, de acordo com o Datafolha.

“Ele [o processo de impeachment] começa através de fatos graves, a irresponsabilidade do presidente e pode, ou não, chegar no impeachment. Você vem com uma série de fatores e um deles é a presença do povo nas ruas questionando, reclamando. Isso progressivamente está acontecendo”, aponta o senador. “Definir como esse cidadão [Arthur Lira] vai se comportar… A gente sabe que é o tipo de político, a corrente política que é o Centrão, que vai se adaptando ao poder. Na hora que o Bolsonaro deixar de ser poder, é possível que ele [Lira] mude o posicionamento.”

Trunfo da CPI

Ao avaliar a condução dos trabalhos da CPI da Covid, seus erros e acertos, o senador Alessandro Vieira aponta a aproximação da sociedade no acompanhamento da comissão é um dos pontos positivos. "Essa CPI, particularmente, chamou muita atenção da população, pela gravidade dos fatos. Esse acompanhamento próximo, ajudou muito a comissão a corrigir rumos, a encontrar informações que eram difíceis”, explica ele.

Um ponto falho apontado por Alessandro Vieira é a falta de qualificação dos senadores e das equipes  no trabalho de fiscalização. Para o senador, é necessário capacitação das equipes. “Após a CPI, vai ser apresentada uma proposta ao presidente Pacheco [Rodrigo Pacheco] para que se crie e treine uma equipe própria do congresso, do Senado para que possa assessorar e garantir que esse trabalho seja mais eficiente, mais transparente.”

Apesar das dificuldades e do número reduzido de pessoas na análise dos documentos juntados pela CPI, o senador espera já ter concluído o relatório no próximo mês. “ Acredito que nós vamos conseguir cumprir os objetivos da CPI antes do prazo final. O prazo final é início de novembro. A expectativa é que dentro do mês de setembro conseguir ter uma conclusão com relatório sólido, respeitado, com informações verdadeiras."

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Após pedido contra Moraes, Barroso recomenda música de Chico Buarque

Ministro do STF Luís Roberto Barroso - Nelson Jr/STF
Ministro do STF Luís Roberto Barroso Imagem: Nelson Jr/STF

Do UOL, em São Paulo

20/08/2021 20h39

Após pedido de impeachment, protocolado no Senado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Luís Roberto Barroso postou nas redes sociais uma mensagem de reflexão e recomendou aos seguidores a música "Vai passar", de Chico Buarque.

"Dicas da semana: Um texto: Plano Cohen, CPDOC; Um pensamento: 'O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos e dos sem ética, mas o silêncio dos bons". M. Luther King; Uma música: Vai passar, Chico Buarque", escreveu ele, na mensagem.

Pacheco diz 'antever' ausência de fundamentos em impeachment de Moraes

O Plano Cohen —citado por Barroso nas redes sociais— é um documento que foi divulgado pelo governo brasileiro, no ano de 1937. O suposto documento informava que os comunistas iriam causar tumultos entre operários e estudantes, causariam incêndios em casas e prédios públicos, manifestações populares a fim de saquear e depredar patrimônios, eliminariam autoridades civis e militares que se opusessem aos atos e por fim, exigiriam a liberdade de presos políticos.

Já em relação à música "Vai passar", do cantor e compositor Chico Buarque, que chegou a ficar 14 meses exilado na Itália durante o período da ditadura militar, trecho da letra diz: "Num tempo | Página infeliz da nossa história | Passagem desbotada na memória | Das nossas novas gerações | Dormia | A nossa pátria mãe tão distraída | Sem perceber que era subtraída | Em tenebrosas transações"

Barroso utiliza as redes sociais para dar dicas culturais, todas as sextas-feiras, aos seus mais de 270 mil seguidores no Twitter, mas, recentemente, tem usado isso também para mandar indiretas ao presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro ataca Moraes e Barroso

Um dia após a prisão de Roberto Jefferson, seu aliado político, o presidente Jair Bolsonaro reagiu ameaçando levar ao Senado um pedido de abertura de processo contra os dois ministros: Alexandre de Moraes, que determinou a prisão de Jefferson, e de Barroso, ministro do STF e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), alvo de ataques constantes do chefe do Executivo.

No pedido de hoje, no entanto, Bolsonaro não incluiu o nome de Barroso.

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TENSÃO chega ao AUGE, TRÉGUA parece LONGE e autoridades dizem NÃO VER SAÍDA para ESTANCAR crise entre Poderes

NENHUM dos LADOS, nem Supremo nem Jair Bolsonaro, dá sinais de que vai recuar, e PAZ fica DISTANTE por ora

A semana terminou da pior forma possível na avaliação de líderes partidários e ministros de cortes superiores. Os que acreditavam que seria possível amortecer as tensões terminaram a sexta-feira (20) decepcionados. Mais do que isso, essas pessoas agora dizem não enxergar uma saída para a crise institucional que o país atravessa, sem precedentes na história recente, segundo essa leitura. A avaliação é que nenhum dos lados, nem Supremo nem Jair Bolsonaro, dá sinais de que vai recuar, e a paz parece longe neste momento.

Os principais nomes que atuam em busca de amenizar as tensões estavam sem palavras nos minutos seguintes a Bolsonaro entregar ao Senado o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes na noite de sexta. A principal mensagem de uma ala do Supremo é de "calma".

Entre aliados do presidente, a sensação descrita é de que, de fato, como previsto, é impossível controlá-lo.

Mesmo que já seja sabido que Bolsonaro age sempre dessa maneira imprevisível, e gosta da polarização, auxiliares apontam que a operação da PF autorizada por Moraes esvazia os movimento para tentar segurar seus atos impulsivos.

No mundo político a leitura é a de que já não importa muito como a briga começou, mas cada ataque servirá para justificar uma reação supostamente de defesa, de lado a lado. Líderes partidários falam em momento delicadíssimo, que pode caminhar para uma situação trágica. A avaliação é que Bolsonaro está definitivamente partindo para o tudo ou nada.

Dois movimentos importantes devem manter baixa a esperança daqueles que tentam colocar panos quentes na situação. O presidente da República prometeu entregar o segundo pedido de impeachment nos próximos dias, o de Luis Roberto Barroso. O segundo ponto é que há promessas de que a mobilização no dia 7 de setembro será grande, com atos que pedem a saída de ministros do STF.

Ao mesmo tempo, as investigações que foram abertas para conter os excessos de Bolsonaro e seus apoiadores seguem em andamento, podendo ter novidades a qualquer momento.

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Após ataque de Bolsonaro ao STF, ex-ministros assinam ato por democracia

12.ago.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante sua live semanal - Reprodução/YouTube
12.ago.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), durante sua live semanal Imagem: Reprodução/YouTube

Do UOL, em São Paulo

21/08/2021 13h11

Ex-ministros da Justiça e da Defesa citaram "crise institucional" em um manifesto em defesa da democracia encaminhado hoje ao Senado como resposta aos ataques de Jair Bolsonaro (sem partido) direcionados aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

O texto foi assinado pelos ex-ministros Miguel Reale Jr., José Eduardo Martins Cardoso, Jose Gregori, José Carlos Dias, Aloysio Nunes Ferreira, Tarso Genro, Celso Amorim, Eugenio Aragão, Jacques Wagner e Raul Jungmann.

Também presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Barroso tem sido um dos principais alvos dos ataques de Bolsonaro, que se intensificaram nas últimas semanas em meio à discussão em torno do "voto impresso auditável".

Bolsonaro questiona Alexandre de Moraes pela condução do inquérito das fake news —em 4 de agosto, o ministro do STF acolheu o pedido feito pelo TSE e incluiu o presidente da República na investigação para apurar a disseminação de notícias falsas. É a primeira vez que um presidente pede o impeachment de um ministro da Corte.

'Capricho de presidente e afronta à Constituição'

No documento, o grupo de dez ex-ministros cita a manifestação de presidentes e ex-presidentes do TSE sobre a transparência e segurança das urnas eletrônicas. No manifesto, eles ainda entendem que Bolsonaro reconheceu não ter provas das supostas fraudes em eleições, mas seguiu defendendo o voto impresso "que ofenderia o sigilo do voto".

Estabelecendo constante confronto como forma de ação política, agora o presidente da República elegeu por inimigo o Judiciário e individualizou o ataque na pessoa dos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso"Trecho extraído do manifesto

"O presidente da República segue, dessa maneira, o roteiro de outros líderes autocratas ao redor do mundo que, alçados ao poder pelo voto, buscam incessantemente fragilizar as instituições do Estado Democrático de Direito, entre as quais o Poder Judiciário", complementa o documento.

"É imperioso dar de plano fim a esta aventura jurídico-política, pois o contrário seria sujeitar o nosso Judiciário a responder a um processo preliminar no Senado Federal para atender simples capricho do presidente que vem costumeiramente afrontando as linhas demarcatórias da Constituição".

'Negativa repercussão internacional do país'

O manifesto vê nas atitudes de Bolsonaro uma "aventura política" em busca de uma "crise institucional artificialmente criada".

"Eventual seguimento do processo surtirá efeitos nocivos à estabilidade democrática, de vez que indicará a prevalência de retaliação a membro de nossa Corte Suprema gerando imensa insegurança no espírito de nossa sociedade e negativa repercussão internacional da imagem do Brasil".

STF repudiou pedido de Bolsonaro

Em nota, o STF repudiou o presidente, disse que a democracia "não tolera que um magistrado seja acusado por suas decisões" e que Moraes irá aguardar a deliberação do Senado.

Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), declarou que analisará o pedido, porém indicou que não o levará adiante. "Não antevejo fundamentos políticos, técnicos e jurídicos para o impeachment do ministro do STF, como também não antevejo para o impeachment do presidente da República", declarou, em evento em São Paulo.

Entenda o caso

O presidente vinha defendendo a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 135/19, de autoria da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), que quer adotar uma espécie de comprovante impresso após votação na urna eletrônica. O projeto, porém, foi derrotado duas vezes: primeiro, na comissão especial da Câmara; depois, no plenário da Casa, onde alcançou apenas 229 dos 308 votos favoráveis necessários.

Os ataques de Bolsonaro a Barroso são frequentes, feitos sempre que o presidente acusa o sistema eleitoral adotado no Brasil de fraude —sem, no entanto, apresentar provas de suas alegações. No início do mês, em viagem a Joinville (SC), Bolsonaro chegou a xingar Barroso de "filho da p...".

"Aquele filho da p... ainda faz isso. Aquele filho da p... do Barroso", disse Bolsonaro em meio a uma aglomeração de apoiadores. No vídeo, é possível ver que a maioria das pessoas — incluindo Bolsonaro — ou não está de máscara, ou a usa de maneira errada.

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