____________________* Bolsonaro e o Neonazismo ____________________* SANTOS CRUZ diz que projeto de Bolsonaro é PESSOAL e ANARQUISTA e que Forças Armadas NÃO irão apoiá-lo ____________________________________ ____________________* Como SURGIU o HIDROGÊNIO?
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_________* VOCÊ e o UNIVERSO _________* Como surgiu o HIDROGÊNIO?
_________* O que são os "twisties", o mal que afetou Simone Biles nos Jogos de Tóquio
_________* Eventos climáticos extremos se multiplicarão, diz painel científico global
_________* Bolsonaro encolhe com reações do Supremo, TSE e pressão da CPI da Covid
_________* Degelo na Groenlândia está ACELERADO
_________* Santos Cruz diz que projeto de Bolsonaro é pessoal e anarquista e que Forças Armadas não irão apoiá-lo
_________* Bolsonaro e o Neonazismo
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“O Estado me torturou e me espancou, enquanto os ‘bandidos’ cuidaram de mim”, conta Rodrigo Pilha

247 - O ativista do PT Rodrigo Pilha, preso no Distrito Federal após estender uma faixa com os dizeres “Bolsonaro genocida” e depois torturado na prisão, contou exatamente o que passou enquanto esteve detido, em entrevista concedida à TV 247 e à Revista Fórum.
Pilha afirmou que o sistema penitenciário brasileiro é baseado na tortura e agressão, física e psicológica, e o comparou a masmorras medievais. Ele ainda chamou de “conversinha” a narrativa de que a prisão reeduca os detentos para que eles possam ser reinseridos na sociedade. “De tudo que eu estava passando, o que estava mais me agoniando era eu não poder falar, não poder contar o quão criminoso é o sistema penitenciário do Distrito Federal. Não estou acusando não, estou afirmando. Eu estou afirmando que o Estado pratica crime de tortura, de espacamento, de ameaça, de xingamento, que não dá a menor condição para as pessoas. O que o Estado faz é prender mesmo, é prender igual masmorra medieval, igual um campo de concentração. É tudo conversinha essa história de que o Estado faz alguma coisa para que a pessoa que cometeu crime seja reeducada”.
Pilha também falou sobre a “ironia” que viveu enquanto esteve detido. O Estado, que é responsável pela segurança dos detentos, torturou Pilha, segundo relato próprio, enquanto os “criminosos” que lá estavam cuidaram dele. “Aquilo que é considerado o lixo social, os bandidos, os criminosos, foram humanos. Me abraçaram e falaram: ‘ninguém vai mexer com você aqui dentro não. Fica tranquilo’. Aí um lá de trás veio e disse: ‘toma essa camisa aqui, bicho’, e me deu uma camiseta. O outro me deu uma bermuda, sabe? Então o Estado, que tinha que fazer minha custódia e minha segurança, me torturou e me espancou, e os bandidos, perante os olhos dos conservadores, dos covardes, aquilo que é considerado o lixo social foram os que me abraçaram, me deram roupa”.
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China diz que interferência dos EUA em 5G no Brasil visa "preservar interesses egoístas da supremacia americana"

247 - A Embaixada da China no Brasil divulgou nota criticando a tentativa de interferência dos Estados Unidos para barrar a Huawei de entrar na infraestrutura de telecomunicações do Brasil por meio do sistema 5G.
No texto, a embaixada ressalta que o objetivo dos EUA “é difamar a China e cercear as empresas chinesas de alta tecnologia com a finalidade de preservar seus interesses egoístas da supremacia americana e o monopólio na ciência e tecnologia”.
“A esse tipo de comportamento que busca publicamente coagir os outros países na construção do 5G e sabotar a parceria sino-brasileira, manifestamos forte insatisfação e veemente objeção”, ressalta a nota.
“Acreditamos que o Brasil vai fornecer regras de mercado em sintonia com os parâmetros de transparência, imparcialidade e não discriminação para empresas chinesas e de qualquer outra nacionalidade, bem como continuar a manter um bom ambiente de negócios para a cooperação econômico-comercial sino-brasileira”, diz outra parte do texto.
Nesta semana, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, visitou o Brasil e ofereceu ao governo Jair Bolsonaro apoio para que o Brasil se torne um sócio global da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), como moeda de troca para vetar o 5G da China.
Confira a íntegra da nota da Embaixada da China no Brasil.
Declaração a respeito dos comentários sobre Huawei do Porta-voz da Embaixada dos EUA
Os ataques dos EUA à segurança da tecnologia 5G e às empresas chinesas são mal-intencionados e infundados.
Seu verdadeiro objetivo é difamar a China e cercear as empresas chinesas de alta tecnologia com a finalidade de preservar seus interesses egoístas da supremacia americana e o monopólio na ciência e tecnologia.
A esse tipo de comportamento que busca publicamente coagir os outros países na construção do 5G e sabotar a parceria sino-brasileira, manifestamos forte insatisfação e veemente objeção.
Nos últimos trinta anos, a Huawei construiu mais de 1.500 redes de telecomunicação em mais de 170 países e territórios, atendendo a mais de um terço da população global, e não teve, sequer, um único incidente de segurança.
Aliás, nenhuma prova foi apresentada que aponta a existência de um suposto “backdoor” em produtos da empresa.
As soluções 5G da Huawei são avançadas e seguras, fato reconhecido pela maioria das operadoras do mundo.
Com 22 anos de atuação no Brasil, a Huawei criou mais de 16 mil postos de trabalho, mantém boa cooperação com mais de 500 empresas brasileiras e fornece equipamentos a quase metade das redes de telecomunicação e 40% da rede núcleo do país, atendendo a 95% da população brasileira.
Seus produtos e serviços são altamente reconhecidos pelo mercado.
Os EUA são reconhecidamente o maior “império de hackers” do mundo e constituem uma verdadeira ameaça à segurança cibernética global.
Durante muito tempo, agências de inteligência dos Estados Unidos conduziram, em grande escala e de forma organizada e indiscriminada, atividades de vigilância e espionagem cibernéticas contra governos, até mesmo dos seus aliados, empresas e indivíduos estrangeiros, com graves violações da privacidade e da segurança de terceiros.
Sem nenhuma base factual, os EUA abusam do seu poder de Estado para difamar, por qualquer meio, as empresas chinesas de alta tecnologia.
Este grosseiro ato hegemônico já foi e continua sendo criticado amplamente pela comunidade internacional.
Acreditamos que o Brasil vai fornecer regras de mercado em sintonia com os parâmetros de transparência, imparcialidade e não discriminação para empresas chinesas e de qualquer outra nacionalidade, bem como continuar a manter um bom ambiente de negócios para a cooperação econômico-comercial sino-brasileira .
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Cristina Serra: 'CPI revelou submundo de crimes e trambiques'

247 - “A maior concentração de vigaristas por metro quadrado da Esplanada gravitou (gravita?) em volta do Ministério da Saúde no momento em que mais precisávamos de gente séria e especializada”, diz a jornalista Cristina Serra sobre a atuação de "facilitadores" nas compras e diretrizes da pasta.
“Os holofotes da CPI da Covid no Senado jogaram luz sobre novos personagens, mostrando como se conectam as engrenagens de um submundo de crimes e trambiques em torno das grandes compras e aquisições do governo Bolsonaro”, destaca ela em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo.
“Constata-se que havia um ministério subterrâneo, operado por “facilitadores”, autodefinição de Airton Soligo, assessor do então ministro Eduardo Pazuello” que “atuou durante dois meses sem nomeação oficial, sem agenda pública, sem assinatura de atos.
Uma atuação clandestina e muito conveniente para quem não quer deixar rastro nem prestar contas a ninguém, a não ser ao chefe”, observa.
Ainda segundo a jornalista, “outro ‘facilitador’ é o reverendo Amilton Gomes de Paula, que abria portas com impressionante facilidade e rapidez para negociar vacinas de vento” por meio de “uma complexa rede de entidades fantasmas”.
“Uma delas, aberta na Flórida, nos EUA, registrou como diretores Bolsonaro, seu vice, Hamilton Mourão, o ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva e um certo tenente-coronel capelão Roberto Cohen.
Tem todo jeito de ser picaretagem”, afirma.
“O enredo de terror tem ainda mais um militar, o coronel Marcelo Blanco, que deixou o ministério, criou uma empresa de representação na área médica e também facilitou um atalho para o notório cabo Dominguetti”, destaca.
“Tais personagens ajudam a explicar como chegamos a ter 4.000 brasileiros mortos por dia de Covid.
Hoje ainda choramos mil mortes diárias.
É como se quatro aviões caíssem todos os dias.
Sem nenhum sobrevivente”, finaliza.
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'Bolsonaro está encurralado', diz Merval Pereira

247 - “A situação de Bolsonaro está chegando ao limite, e foi ele que forçou essa situação", escreve o jornalista Merval Pereira, em O Globo. “Quando o presidente da República anuncia que vai sair da Constituição para combater o STF, ultrapassa os limites da democracia. Bolsonaro está avançando num terreno que não controla”, completa.
Para ele, Bolsonaro vem perdendo apoios rapidamente. “O que ele tinha dos empresários já foi embora” e "a classe média já o deixou, pela maneira de se comportar, de falar, e da falta completa de postura no cargo'', ressalta Merval.
“Tudo isso faz com que ele fique isolado num nicho de militantes radicais e no próprio Exército. Imagino que o apoio do ministro da Defesa não seja acompanhado pela maioria de seus comandados, porque é um descalabro o que está acontecendo. O Congresso já derrotou amplamente o voto impresso, e acho que ele não tem muita saída; ou se enquadra, ou não vai durar no governo”, avalia. “A reação de setores da sociedade era o que estava faltando. Junto com decisões do Congresso e do STF, Bolsonaro está sendo encurralado”, finaliza.
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Braga Netto deu ordem para esvaziar poderes de Mandetta, no início da pandemia da covid-19

247 – O general Braga Netto, hoje ministro da Defesa, agiu para reduzir os poderes do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no início da pandemia da covid-19 no Brasil, quando ordenou que todas as declarações sobre a pandemia da Covid-19 fossem feitas dentro do Palácio Planalto. O militar avisou que qualquer nota à imprensa deveria passar pelo aval da Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência para 'unificação da narrativa', segundo aponta reportagem de Mateus Vargas, na Folha de S. Paulo.
"A ordem de 23 de março de 2020 está registrada em documentos entregues pela Casa Civil à CPI da Covid no Senado. O ofício foi direcionado, à época, ao ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, no momento em que Bolsonaro e o ex-deputado federal davam orientações opostas sobre o combate à pandemia. Antes da mudança, a Saúde fazia apresentações diárias sobre a crise com membros da cúpula da pasta, que tiravam dúvidas também sobre as características da doença e as melhores formas de evitar o contato. Nessas falas, a equipe de Mandetta recomendava evitar aglomerações e reconhecia que a crise sanitária poderia ser grave", informa o repórter.
Depois disso, a história é conhecida. O governo brasileiro abraçou o negacionismo e fez do Brasil um dos países com maior número de mortes por covid-19 no mundo.
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Tiros, perseguição e morte no Rio: A tentativa de sequestrar Xuxa e Letícia Spiller | Blog do Acervo - O Globo

Os PMs José Nascimento e Durval de Melo patrulhavam a Rua Lineu de Paula Machado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, quando perceberam um Chevette com placa de São Paulo estacionado de forma irregular. Na tarde daquela quarta-feira, 7 de agosto de 1991, há 30 anos, eles se aproximaram para falar com os ocupantes do veículo, mas foram recebidos a tiros. Nascimento morreu com um disparo no peito, e Melo ficou caído na calçada gravemente ferido. O automóvel saiu em disparada, mas foi perseguido de perto por seguranças privados que, por acaso, passavam por ali num carro-forte e testemunharam a cena.
Em meio a uma intensa troca de tiros, a perseguição seguiu por quase um quilômetro até a Rua Maria Angélica, onde os fugitivos tomaram a contra-mão e bateram de frente numa Fiat Uno. O motorista acabou morto com uma bala na cabeça, e o indivíduo no carona, ferido no pescoço por cacos de vidro, foi levado em estado grave ao Hospital Miguel Couto, no Leblon. Na ambulância, segundo o tenente Wagner de Oliveira, da PM, o criminoso confessou. "Ele disse que amava Letícia e que a levaria para São Paulo com a Russa", contou o tenente. Sem querer, a polícia acabara de frustrar uma tentativa de sequestrar a então paquita Letícia Spiller, conhecida como Pituxa Pastel, e a apresentadora Xuxa Meneghel.

O programa "Xou da Xuxa" estava em sua 6ª temporarada, no auge do sucesso, e era gravado no Teatro Fênix, que ficava na Rua Lineu de Paula Machado, bem perto de onde os PMs abordaram os ocupantes do Chevette. Dentro do carro, foi encontrado um mapa da Zona Sul com o local do teatro assinalado. Mas não foi isso o que mais surpreendeu os policiais que chegaram à cena após a perseguição. O automóvel havia sido transformado num veículo de guerra. Embutidas na dianteira, havia duas escopetas que podiam ser acionadas por um botão no painel. Na parte de trás, havia mais quatro escopetas que também podiam ser disparadas pelo mesmo mecanismo. Além disso, foram achadas oito granadas de mão e duas bombas.
Os suspeitos eram os irmãos Alberto e Douglas Loricchio, de 18 e 21 anos. Estudantes e técnicos em eletrônica, filhos de uma dentista e um industrial de São Paulo, eles saíram de casa dizendo que iam procurar emprego no Rio. Estavam hospedados no Hotel Praia Leme, a poucos metros do prédio onde Letícia morava. Em depoimento na 15ª DP (Gávea), Domingos Loricchio, irmão mais velho dos suspeitos, disse que a família estava surpresa e que não acreditava na versão policial de tentativa de sequestro. Entrevistados, os pais deles desqualificaram as investigações e afirmaram que os meninos tinham problemas de socialização, mas que nunca haviam apresentado comportamento violento.

Enquanto a troca de tiros ocorria nas rus do Jardim Botânico, Xuxa e as paquitas gravavam uma série de edições do "Xou da Xuxa" no Teatro Fênix. A apresentadora só soube do ocorrido no fim do dia, já que sua então empresária, Marlene Mattos, evitou que ela tomasse conhecimento, para não prejudicar a atmosfera de alegria no set do programa. Mas, a certa altura, tornara-se impossível controlar os comentários das pessoas envolvidas na produção e já a par da situação. No início da noite, ao sair do camarim para gravar os dois últimos programas marcados para aquela quarta-feira, Xuxa demonstrou aos jornalistas que soube do ocorrido:
"O que é que houve que vocês estão todos aqui? Se é sobre o que aconteceu aí fora, eu não vou falar nada", disse ela, segundo a edição do GLOBO do dia seguinte.
Marlene disse à imprensa que Xuxa vinha se mostrando assustada com a onda de sequestros que o Rio vivia no início dos anos 90. Dias antes, em Buenos Aires, onde a apresentadora passava parte da semana gravando a versão em espanhol do seu programa, Xuxa havia chorado quando um repórter perguntou se ela tinha medo de ser sequestrada. A crise de segurança já tinha levado Marlene Mattos a dobrar de quatro para oito o número de seguranças que acompanhava a apresentadora. Depois do episódio no entorno do Teatro Fênix, a empresária decidiu que Xuxa passaria uns dias a mais do que o necessário na Argentina.

"Ela chegou em casa abalada, dizendo que estava com medo. Abraçou o cachorrinho, ao entrar, e disse: 'Olha aí, quase que eu não volto'. E começou a chorar. A Xuxa é uma pessoa muito sensível e está triste com essa onda de violência. Quem não ficaria? Ela adora o Brasil e não quer viver fora daqui", contou Marlente ao GLOBO.
Pouco antes de embarcar para o Nordeste, onde faria shows das Paquitas em Natal, Recife e Aracaju, Letícia Spiller disse que nunca viu ou conversou com os irmãos Alberto e Douglas Loricchio. Para a artista, que tinha 18 anos trabalhava com Xuxa desde os 15, a tentativa de atentado ou seqüestro serviu para deixá-la alerta.
"Não sei o que aconteceu e o que eles queriam, mas não me entra na cabeça que estivessem planejando algo ruim para a Xuxa. Ela não merece nenhuma violência e sei que há lá em cima um ser superior a guiando para que nada de mal lhe aconteça.
Agora vou me cuidar mais. Antes, eu saía por aí, sozinha, para passear de bicicleta, ir a um shopping, à discoteca", disse Letícia em entrevista ao GLOBO.

Na madrugada de 12 de agosto, cinco dias após ser preso, Alberto Loricchio morreu no hospital do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe). Ele tinha sido transferido do Miguel Couto três dias antes, após uma cirurgia. Ao ser socorrido após a perseguição, seu estado era muito grave. Segundo os vigias do carro-forte que o detiveram, além de estar ferido no pescoço, Alberto tentou se matar cortando os pulsos com os pedaços de vidro. Mas seu quadro apresentou melhora após a cirurgia, por isso o óbito gerou surpresa.
A família, que visitara o rapaz no hospital dois dias após a prisão, afirmou que ele podia se mexer e estava consciente, entendendo bem o que os parentes diziam. Mesmo sem falar, Alberto teria reagido com agitação quando soube da acusação de sequestro. O irmão mais velho dos suspeitos não quis acusar a polícia, mas disse que seus pais contratariam advogados para pedir uma investigação sobre o óbito de Alberto. Houve quem cogitasse que ele pode ter sido morto em uma retaliação pelo assassinato do policial na Rua Lineu de Paula Machado. Com a morte dos dois únicos suspeitos da tentativa de sequestro, os detetives da 15ª DP disseram à imprensa que o inquérito seria arquivado.

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Governo Biden passa a expulsar imigrantes para o Sul do México, longe da fronteira com os EUA

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WASHINGTON — Os Estados Unidos começaram a expulsar famílias mexicanas e da América Central para o Sul do México, longe da fronteira com os EUA, com base na polêmica norma conhecida como Título 42, criada durante o governo de Donald Trump. Fontes da agência Reuters revelam que quase 200 mexicanos e centro-americanos foram transportados para o interior do país vizinho na última quinta-feira, em voos com adultos que devem se tornar regulares. A medida tem o objetivo de romper um padrão de travessias repetidas da fronteira.
No primeiro trimestre, o presidente Joe Biden chegou a afrouxar as regras do Título 42, impedindo a detenção e deportação de crianças desacompanhadas nos EUA. Mas, com o agravamento da crise sanitária e o avanço da Covid-19 na fronteira, decidiu apertar o cerco contra os imigrantes.
Parte do Código Sanitário americano, o Título 42 permite ao governo proibir a entrada nos EUA quando o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) constatar que há "um sério perigo de uma nova doença ser introduzida" no país. Na semana passada, o CDC alertou para os riscos de a imigração acelerar ainda mais o avanço da variante Delta, mais contagiosa, no país.
Mas, diferentemente do que aconteceu durante o governo Trump, os EUA trabalharão com organizações não governamentais e abrigos no sul do México para garantir que os imigrantes possam retornar com segurança a seus países de origem, de acordo com a fonte.
O agravamento da pandemia coincide com o aumento do fluxo na fronteira Sul após a troca de comando na Casa Branca: apenas em junho, segundo dados da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês), 188.829 pessoas foram detidas ao chegar ao território americano, o maior número desde abril de 2000. Entre eles, 6.563 brasileiros.
A decisão de manter o Título 42, criada por Trump como medida sanitária para expulsar imediatamente quaisquer pessoas tentando entrar nos EUA sem autorização, foi recebida como uma bomba por ONGs e organizações americanas pró-imigrantes, e criticada até mesmo por aliados democratas.
A maior parte dos imigrantes que tentam atravessar a fronteira é oriunda da violência e da pobreza nos países do Triângulo Norte da América Central — Guatemala, Honduras e El Salvador. Tradicionalmente, o fluxo na região perde força com as altas temperaturas do verão no Hemisfério Norte, mas números preliminares de julho indicam que este não será o caso em 2021.
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No ataque, Jair e Paulo | Opinião - O Globo
Enquanto o Brasil afunda em crises, o presidente da República e o ministro da Economia inventam problemas. E inimigos. Agem para disfarçar a responsabilidade que têm no ambiente de terra arrasada que engolfa o país na saúde e na educação, no meio ambiente e no mercado de trabalho, na renda e na miséria. Até a inflação voltou, o que levou o Banco Central a elevar a taxa de juros em 1 ponto percentual, algo que não acontecia desde 2003, quando a Selic era medida em dois dígitos. Popularidade desidratada, gestão fracassada, resta a Jair Bolsonaro a verborragia golpista expressa em ataques ao processo eleitoral, à urna eletrônica, a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Paulo Guedes, incapaz de produzir política pública para aplacar desemprego, informalidade, desalento, tenta desqualificar o IBGE e a Pnad Contínua, pesquisa de metodologia referendada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Quando a aventura de extrema direita do Brasil com Bolsonaro chegar ao fim, haverá um país inteiro a reconstruir. Dois anos e sete meses de governo foram suficientes para escancarar a fragilidade da redemocratização. Com canetadas, o mandatário viúvo da ditadura pôs fim às artérias de interlocução da sociedade civil com a União, nomeou auxiliares orientados ao desmonte de órgãos e regulação (Ibama, Fundação Palmares e o rebaixado Ministério da Cultura são exemplos dramáticos), aparelhou instituições de Estado, como a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal.
Agora, ciente de que terá muita dificuldade em se reeleger, avança contra as eleições, via defesa irracional do voto impresso, um retrocesso que só interessa a quem se alimenta da opressão criminosa, religiosa e fisiológica ao eleitorado. Milicianos, pastores, coronéis agradecem. O presidente já admitiu que não tem como provar as acusações que lança contra a urna eletrônica. Mas, em vez de se ocupar dos graves problemas nacionais, insiste na agenda que nunca esteve no rol de prioridades dos brasileiros.
Bolsonaro perde tempo ameaçando o calendário eleitoral de 2022 e seus desafetos no STF — à frente os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, atual e próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), respectivamente —, como se não estivesse no comando de um país com 560 mil mortos pela Covid-19, ritmo vacilante de vacinação, variante Delta em transmissão acelerada. Finge não presidir uma nação com 19,1 milhões de famintos, estudantes fora da escola há um ano e meio, nível recorde de desmatamento na Amazônia, violência galopante contra povos indígenas e, por tudo isso, alvo da antipatia global.
Por sua vez, o superministro da Economia confunde a sociedade com proposta de emenda à Constituição para reescalonar o pagamento de dívidas reconhecidas pela Justiça, os precatórios, sob o pretexto de preservar recursos para uma política social que ninguém sabe qual é nem a quem se destina. De quebra, ataca o órgão oficial de estatísticas do país pelo diagnóstico preciso das mazelas que cercam o mercado de trabalho. Paulo Guedes está certo em festejar a gradual recuperação das vagas com carteira assinada apontada no cadastro nacional de admissões e desligamentos — em junho, houve saldo de 309 mil empregos. Mas erra muito ao desprezar problemas que tem o dever de combater.
O Brasil, segundo o IBGE, encerrou o trimestre março-maio com 14,8 milhões de desempregados, gente que não trabalhou e buscou ocupação. Trabalhadoras domésticas sem carteira assinada eram 3,6 milhões; autônomos sem CNPJ, 18,5 milhões. Havia 7,3 milhões de subocupados por insuficiência de horas, aqueles que precisam ganhar mais, mas não encontram oportunidades; 5,7 milhões de desalentados, brasileiros que pararam de procurar vaga porque nunca encontraram. Quatro em dez trabalhadores estão na informalidade e, portanto, sem benefícios legais nem estabilidade para consumir e viver, à beira da vulnerabilidade social.
A escalada inflacionária começou nos primeiros meses da pandemia e não mais parou. Sobem os preços dos alimentos, dos combustíveis, incluindo o gás de cozinha, e da energia elétrica — esta em decorrência da mais grave crise hídrica em quase um século. Em um ano, a comida comprada em mercados e feiras livres ficou 15% mais cara, o dobro da inflação acumulada em 12 meses; o litro da gasolina nos postos saltou 27% de janeiro a julho. A situação é preocupante a ponto de economistas elevarem há 17 semanas seguidas a estimativa para o IPCA 2021. A previsão está em 6,79%, o maior resultado anual desde 2015 e muito acima do teto da meta de inflação (5,25%). Não à toa, o Comitê de Política Monetária (Copom/BC) ontem elevou a Selic para 5,25% ao ano e antecipou nova alta de 1 ponto percentual no mês que vem.
Em meio à conjuntura gravíssima, os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, ensaiam normalidade. Felizmente, no Judiciário a tolerância aos arroubos golpistas de Jair Bolsonaro chegou ao fim. Nos primeiros dias de agosto, TSE e STF agiram coletivamente contra os recorrentes insultos do presidente da República. Empresários e intelectuais se uniram em manifesto contra o golpismo, pela democracia. Já era hora.

Por Flávia Oliveira
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Os insultos e mentiras de Bolsonaro sobre Barroso: ‘Quer que nossas filhas e netas de 12 anos tenham relações sexuais por aí’ | Lauro Jardim - O Globo

Sob aplausos de apoiadores em Joinville (SC), Jair Bolsonaro aumentou nesta sexta-feira o rosário de impropérios direcionados a Luís Roberto Barroso, sua obsessão em meio à batalha pelo voto impresso, que será levado por Arthur Lira ao plenário da Câmara.
LEIA MAIS: Roberto Jefferson pede impeachment de Barroso
Desta vez, Bolsonaro chamou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral de “filho da puta” e disse que ele tem em “sua vida pregressa” o marxismo e o trotskismo. O magistrado também foi acusado, sem qualquer fundo de verdade, de defender que adolescentes mantenham relações sexuais “sem problema nenhum”.
Disse Bolsonaro:
— Não ofendi nenhum ministro do Supremo. Apenas falei a ficha do senhor Barroso: defensor do terrorista (Cesare) Battisti, favorável ao aborto, à liberação das drogas, à redução da idade para estupro de vulnerável. Ele quer que nossas filhas e netas com 12 anos tenham relações sexuais por aí, sem problema nenhum. (...) Isso é Barroso. Estou atacando o Barroso? Não tô. Eu acho que ele deveria se orgulhar em ouvir, da minha parte, a verdade. É ele quem fala que as urnas são invioláveis.
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Subprocuradores-gerais da República assinam manifesto após ameaças de Bolsonaro contra a democracia | Ancelmo - O Globo
Por Nelson Lima Neto

Veja este importante manifesto divulgado a poucos minutos. Foi assinado por, até o momento, 27 subprocuradores-gerais da República diante das ameaças do presidente Jair Bolsonaro ao regime democrático e a realização das eleições em 2022.
O subprocuradores citam que "o regime democrático não tolera ameaças vindas de integrantes de Poderes, consistindo em crime de responsabilidade usar de ameaça para constranger juiz a proferir ou deixar de proferir despacho, sentença ou voto, ou a fazer ou deixar de fazer ato do seu ofício".
O principal, porém, diz respeito a missão do Ministério Público. Os procuradores lembram que "incumbe prioritariamente ao Ministério Público a incondicional defesa do regime democrático, com efetivo protagonismo, seja mediante apuração e acusação penal, seja por manifestações que lhe são reclamadas pelo Poder Judiciário".
Atualmente, o MPF conta com 73 subprocuradores federais em exercício. A expectativa dos signatários do manifesto, porém, é de que mais procuradores assinem o termo de repúdio as ações do presidente da República.
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Fiocruz alerta para o agravamento do risco de transmissão de Covid-19 com circulação da variante Delta

247 - Boletim Observatório Covid-19 da Fiocruz, publicado nesta sexta-feira, 6, aponta que, apesar das taxas de mortalidade e incidência de casos terem diminuído no Brasil, os números ainda preocupam por causa do agravamento da transmissão da doença com a nova variante Delta.
O boletim ainda destaca uma possível reversão no processo de rejuvenescimento da pandemia no Brasil, com taxas de internações em leitos de UTI e óbitos voltando a concentrar um maior número de idosos.
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Crimes, abusos e apartheid de Israel contra palestinos - Sayid Marcos Tenório
Por Sayid Marcos Tenório

A Human Rights Watch (HRW) divulgou, no dia 27 de julho, um relatório em que acusa a ocupação israelense de cometer atos equivalentes a apartheid, crimes de guerra e violação do direito internacional e do direito internacional humanitário, fatos documentados ao longo de décadas por várias instituições internacionais de direitos humanos. Essa conclusão é baseada na clara política israelense adotada para manter a ocupação e o domínio sobre os palestinos que vivem nos territórios ocupados, incluindo Jerusalém Oriental.Em relatório de 213 páginas, a HRW apresenta a realidade de que Israel age como uma entidade que goza de impunidade e, para isso, conta com o apoio absoluto dos EUA, que o protege de punições e permite que continue cometendo os crimes hediondos, incluindo assassinatos, prisões, deslocamento, violação de lugares sagrados para cristãos e muçulmanos e roubo de terras e recursos naturais, como as fontes de águas palestinas.Segundo o diretor executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, o estudo apresentado “mostra que as autoridades israelenses ultrapassaram todos os limites e estão cometendo crimes contra a humanidade, apartheid e perseguição”, sendo que a ação metodológica de Israel é a adoção de políticas de supremacia racistas que privilegiam israelenses judeus, enquanto oprimem os palestinos de forma severa.Apartheid é um termo jurídico originalmente utilizado para configurar o regime segregacionista da África do Sul, implantado em 1948 e derrotado em 1994. Segundo a Convenção Internacional sobre a Supressão e Punição do Crime de Apartheid, de 1993, e o Estatuto de Roma, de 1998, apartheid é um crime contra a humanidade que consiste na intenção de manter a dominação de um grupo racial sobre o outro; a opressão sistemática de um grupo dominante sobre outro; e atos desumanos.O relatório da HRW constata que há uma clara demonstração da presença desses crimes nos territórios ocupados. As práticas israelenses para manter a dominação incluem a discriminação institucional sistemática dos palestinos, através da adoção de leis que impõem um regime militar draconiano aos palestinos, ao mesmo tempo que asseguram plenos direitos aos israelenses judeus, o que não é outra coisa senão um regime de apartheid.
Os crimes e abusos desumanos cometidos pelas autoridades do estado judeu constituem graves violações dos direitos fundamentais, entre eles: o confisco de grande parte do território da Cisjordânia para a construção de assentamentos judaicos ilegais, que tem levado à destruição de casas e ao deslocamento de milhares de palestinos; e o bloqueio militar, por terra, céu e mar, da Faixa de Gaza, por um longo período, que já +ultrapassa 14 anos.
A negação de direitos civis básicos aos milhões de palestinos que vivem na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e nos territórios atribuídos a Israel desde 1948, baseada na ilegítima justificativa de “segurança de Israel”, tem sido uma cortina de fumaça adotada pelo regime sionista para sua política abusiva que segrega pessoas em vários níveis, e onde quer que vivam, pelo simples fato de serem árabes-palestinos e não judeus.
Entre as políticas de apartheid adotadas está a chamada Lei Básica do Estado-Nação do Povo Judeu, aprovada pelo Knesset, o parlamento sionista, por meio da qual Israel passa a ser legalmente um Estado exclusivo para judeus. Além disso, há um crescente número de leis aprovadas que privilegiam os colonos judeus e que não se aplicam aos palestinos que vivem nos mesmos territórios, numa clara intenção de manter a dominação sobre os palestinos.
Ao adotar uma legislação racista e de supremacia judaica, Israel relega os árabes palestinos que vivem na região a um regime de democracia de fachada, negando-lhes direitos políticos iguais e submetendo-os a permanente e odiosa discriminação nas diferentes esferas, como cidadania, saúde, educação, casamento, financiamento municipal, habitação e propriedade da terra, o que os torna cidadãos de segunda classe.
Essa legislação discriminatória representou uma vitória da extrema-direita sionista que governa Israel e consolida o regime de apartheid, ao mesmo tempo que representa uma derrota para o Direito Humanitário Internacional, já que não há nenhum precedente dessa natureza, além de contrariar as reiteradas Resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU), que reconhece o direito dos palestinos ao seu estado independente e soberano.As conclusões da HRW sobre os crimes contra a humanidade e o apartheid do regime sionista contra palestinos deveriam levar a comunidade internacional a reavaliar a natureza do seu envolvimento com Israel e adotar abordagens centradas nos direitos humanos e na responsabilização de Israel pelas constantes violações, “em vez de focar num estagnado ‘processo de paz’ e estabelecer uma comissão de inquérito no âmbito da ONU para investigar a discriminação e a repressão sistemática de Israel”.
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) saudou a divulgação do relatório da HRW, afirmando que o povo palestino está exercendo seu legítimo direito de resistir à ocupação com as capacidades disponíveis de acordo com as leis internacionais e com base nos valores religiosos e nacionais.
Diferentemente das forças de Israel, a resistência palestina tem demonstrado seu constante empenho em evitar alvos civis, apesar de todos os massacres cometidos pela ocupação israelense contra crianças e mulheres, além de famílias inteiras que foram eliminadas por bombardeios, como o ocorrido em maio deste ano, que assassinou 259 palestinos e deixou um elevado número de feridos e mutilados.
As forças da resistência têm reiterado as demandas do povo palestino, amparadas no direito internacional, pela necessidade de responsabilizar a ocupação israelense, processar seus líderes e levá-los aos tribunais internacionais. Não haverá trégua enquanto Israel segurar o povo palestino pela garganta, oprimindo-o e tornando-o refém de regime de apartheid racista de extrema-direita. Enquanto persistir essa opressão, o povo palestino não tem outra escolha a não ser resistir às agressões por todos os meios.
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O dilema de Taiwan - José Luís Fiori

Por José Luis Fiori
“For more than 70 years, China and Taiwan have avoided coming to blows. The two entities have been separated since 1949, when the Chinese Civil War, which had begun in 1927, ended with the Communist’s victory and the Nationalist’s retreat to Taiwan[…]. In recent months, however, there have been disturbing signals that Beijing is reconsidering its peaceful approach and contemplating armed unification”. (O. S. Mastro, The Taiwan Temptation).[1]
A retirada das tropas americanas do Afeganistão deixa atrás de si um vácuo de poder e uma zona de grande turbulência no centro da Ásia, nas “costas” da China. Deixa por fazer também uma “negociação de paz” e “divisão de poder” em Cabul que produzirá efeitos em cadeia, por um longo tempo, em boa parte da Ásia e do Oriente Médio. Uma negociação de paz que não contará com a participação direta dos EUA, principal responsável e maior derrotado na Guerra do Afeganistão, que envolverá de uma forma ou outra países que não participaram diretamente do conflito, mas que serão afetados por seus desdobramentos nos próximos anos, como é o caso de Paquistão, Índia, China e da própria Rússia, que tem presença militar importante no Quirguistão e no Tajiquistão. Deve-se também incluir Irã e Turquia, que atuam como uma cadeia de transmissão geopolítica na direção do Oriente Médio, de onde os EUA também estão se retirando, ou pelo menos reduzindo sua presença militar.
Mesmo assim, e apesar da complexidade desse quebra-cabeças no centro da Ásia, a nova ordem mundial “sino-americana” deverá nascer de fato do outro lado da China, a partir de uma disputa que já dura 70 anos, em torno à ilha e ao controle do Estreito de Taiwan, onde se tem se assistido, nos últimos meses, a uma escalada de ameaças e “exercícios de guerra” cada vez mais frequentes e perigosos, envolvendo as Forças Armadas chinesas e americanas, junto com seus principais no sul e sudeste asiático.
Agora, na recente comemoração dos 100 anos do PCC, o governo chinês tornou púbico um plano estratégico de assalto e ocupação militar de Taiwan, já contabilizando a resposta previsível dos EUA. Apesar de que todos saibam que neste caso a surpresa do primeiro ataque é um elemento fundamental, e que portanto a divulgação deste plano é apenas mais um passo na escalada psicológica do clima de guerra na região. Por outro lado, os EUA já mudaram sua “grande estratégia” e estão deslocando seu foco do Atlântico, da Europa do Leste e da Rússia, na direção do Pacífico e da Ásia, hoje epicentro dinâmico da expansão do poder e da riqueza mundiais, e do crescimento competitivo dos arsenais militares do mundo. O mais provável é que substituam progressivamente seu “espantalho russo” pelo seu novo grande inimigo chinês.
Mas atenção, porque essa mudança americana não foi provocada pela explosão econômica da China, e sim pela decisão chinesa de construir um poder naval autônomo – decisão que só foi efetivada de fato a partir da primeira década do século XXI. Um poder naval chinês que seja capaz de desbloquear a livre circulação de seus fluxos comerciais e energéticos através dos estreitos de Taiwan e de Malaca, e de permitir a projeção internacional do seu pode marítimo. Um projeto que se acelerou definitivamente depois da posse do presidente Xi Jinping, em 2013, e do seu anúncio de que a China se propõe a ser um poder militar global até meados do século XXI.
Decisões que redefiniram imediatamente a importância estratégica das duas grandes “linhas de ilhas” que bloqueiam a saída marítima chinesa como se fossem uma “Grande Muralha” invertida. Bem no centro da primeira dessas duas cadeias de ilhas está Taiwan, uma espécie de porta-aviões inimigo situado a apenas 130 quilômetros da costa chinesa.
Em 1954, o secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles afirmou que a ilha de Taiwan não passava de um “punhado de rochas”.[2] Ao mesmo tempo, foi o próprio Dulles que ameaçou a China com um ataque atômico, caso tentasse retomar à força esse “penhasco” onde se refugiou, em 1949, o general nacionalista Chiang Kay-shek, junto com o que restou de suas tropas derrotadas pela revolução comunista liderada por Mao Tse-tung. Apesar do aparente paradoxo, Dulles tinha razão, porque a ilha de Taiwan era apenas um punhado de rochas que os próprios americanos transformaram num território estratégico para barrar a expansão do poder chinês.
A mesma ambiguidade existiu pelo lado do império chinês, que só deu alguma importância a Taiwan muito tarde, após sua conquista pelos holandeses, em 1624, e pelos espanhóis, em 1626, e depois de a ilha virar refúgio dos últimos soldados da Dinastia Ming derrotados pela Dinastia Qing, que conquistou a ilha em 1683. Esta só a transformou oficialmente em província do Império em 1885, dez anos antes de entregá-la ao Japão como tributo por sua derrota na guerra de 1895, contra os japoneses; estes a converteram numa colônia que só foi devolvida à China em 1945, depois da rendição japonesa na Segunda Guerra Mundial. E assim mesmo, quatro anos depois, a ilha voltou a ser o refúgio do general Chiang Kay-shek.
Em 1949, Taiwan tinha apenas sete milhões de habitantes e só sobreviveu como “província rebelde” graças à proteção militar dos EUA. Na prática, Taiwan se transformou num “Estado vassalo” dos EUA, com a pretensão irrealizável de “reconquistar” e “reunificar” a China. O mesmo objetivo invertido do governo chinês, uma vez que nenhum dos dois jamais aceitou a ideia americana de criação de “duas Chinas”. E foi aqui que começou a história contemporânea desse “penhasco”, que adquiriu importância estratégica cada vez maior com o passar das décadas, confirmando a tese de que é a luta pelo poder que define a importância da geografia. Começando em 1954, logo depois do fim da Guerra da Coreia, quando a China tentou retomar as ilhas de Quemoy e Matsu, no “caminho” de Taiwan, mas foi repelida pelos porta-aviões norte-americanos.
Logo em seguida, foi assinado o “Acordo de Defesa Mútua”, que transformou Taiwan também num “protetorado militar”, uma vez mais defendido pelas forças norte-americanas em 1958, quando as tropas chinesas voltaram a ser repelidas das duas pequenas ilhas, e quando a URSS ameaçou pela primeira vez utilizar armas atômicas caso os EUA atacassem o território chinês.
Desde então e até o início da década de 1970, vigorou uma espécie de “coexistência combatente” entre China e Taiwan, onde os EUA instalaram finalmente suas próprias bases militares. No entanto, a situação mudou radicalmente depois da assinatura do Comunicado de Shangai, em 1972, que consagrou a reaproximação entre os dois países depois do reconhecimento, por parte dos EUA, de que o território de Taiwan faz parte e é inseparável do território chinês, porque só existe uma China, com capital em Pequim. Depois desse reconhecimento, os EUA transferiram sua embaixada para Pequim, cancelaram o Acordo de Ajuda Mútua com Taiwan, desmontaram sua base militar na ilha e finalmente retiraram suas tropas do território de Taiwan. E foi esta vitória chinesa que abriu as portas para a integração econômica que transformou em poucos anos Taiwan no segundo maior investidor “estrangeiro” na economia continental da China.
A situação de calmaria, entretanto, se modificaria uma vez mais na década de 1990, após o fim da Guerra Fria, quando o primeiro governo eleito de Taiwan propôs a independência da ilha, mesmo sem contar com o apoio explícito dos EUA. A proposta provocou imediata mobilização militar da China, trazendo de volta ao Estreito de Taiwan os porta-aviões da Sétima Frota dos EUA. Tudo indica que exatamente naquele momento começou a ser concebida a nova estratégia chinesa de criação de um poder naval autônomo, capaz de derrotar as forças americanas no Mar do Sul da China e em Taiwan.
Como resultado dessa decisão, a China começou a adquirir ou produzir os 80 submarinos convencionais e atômicos de que dispõe atualmente, ao lado de 3 porta-aviões (o terceiro ainda inacabado) e mais 1.275 novos barcos que foram somados à sua guarda costeira, transformando-a no maior poder naval entre todos os seus vizinhos asiáticos.[3]
Os EUA controlam hoje todos os pontos estratégicos entre o mar do Japão, o Oceano Indico e o Pacífico Sul capazes de bloquear instantaneamente os fluxos comerciais e energéticos indispensáveis à sobrevivência diária da China. Depois da decisão chinesa de criar um poder naval próprio, e após o gigantesco crescimento da economia chinesa, a situação ficou intolerável para os chineses. Estes agora já podem se propor a controlar o Mar do Sul da China e vencer os EUA em todos os cenários de guerra, além de dispor do poder naval, aéreo e terrestre para ocupar Taiwan, mesmo no caso do envolvimento de tropas americanas, a menos que os EUA decidam utilizar armamento atômico, com consequências imprevisíveis para os dois lados, uma vez que a China provavelmente responderia utilizando suas próprias armas atômicas táticas.
Os norte-americanos têm plena consciência de que o controle de Taiwan deixou de ser apenas uma disputa territorial chinesa, e passou a ser uma condição essencial para que a China tenha acesso soberano ao Pacífico e ao Mar da Índia. E os EUA também sabem que os chineses podem ocupar e vencer Taiwan em poucos dias ou semanas, mesmo com a intervenção americana. Ao mesmo tempo, sabem que sua derrota na batalha em torno da ilha afetaria seu poder naval no sul do Pacífico, e sua credibilidade frente a seus aliados regionais e em todo o mundo.
Por outro lado, os chineses têm plena consciência de que sua vitória militar não encerraria o problema de sua “província rebelde”, e que depois de sua vitória sobre Taiwan, a ilha poderia se tornar cenário de uma guerra de guerrilha sem fim, financiada pelos americanos e seus aliados regionais, como aconteceu de forma invertida com os EUA na guerra do Vietnã, nos anos 1960-70.
Por isso, se estivéssemos frente a uma partida de xadrez, poderíamos dizer que os chineses estão com as “pedras brancas” e são eles que deverão abrir o jogo e mover suas peças em primeiro lugar. Mas os norte-americanos possuem a “vantagem da defesa”[4] e só moverão suas “pedras pretas” depois dos chineses. Se a China atacar Taiwan, teremos uma ordem mundial; mas senão o fizer, teremos uma outra “ordem” inteiramente diferente, e o mesmo aconteceria caso os norte-americanos ultrapassassem a “linha vermelha” definida pelos chineses.
Nesse contexto, quem “piscar primeiro” ou cometer um “erro de cálculo” poderá enfrentar consequências catastróficas. Por isso, o mais provável no curto prazo é que Taiwan se transforme no foco central e conflito permanente (como Berlim, no início da Guerra Fria), a partir de onde irão nascendo e se definindo os “protocolos básicos” da nova “ordem internacional”.
Se isso ocorrer, há que se manter a cabeça fria, porque talvez o mundo possa estar chegando, por este caminho, ao seu “novo normal”, diferente do que se poderia pensar à primeira vista, porque em última instância, como já dissemos em outro artigo, “o que estabiliza a ordem hierárquica deste sistema interestatal – sempre de forma transitória – não é a existência de um líder ou ‘hegemon’, é a existência de um conflito central, e de uma guerra virtual entre as “grandes potências”.
Uma espécie de ponto de referência para o cálculo estratégico de todos os demais Estados, que atua também como um freio ao arbítrio unilateral dos mais poderosos. Como ocorreu com a disputa entre o Império Habsburgo e a França, no século XVI; ou com a disputa entre a França e a Grã-Bretanha nos séculos XVIII e XIX; ou mais recentemente, com a disputa entre os EUA e a União Soviética, depois da Segunda Guerra Mundial”.[5]
A grande diferença, em relação à Guerra Fria, é que agora são duas grandes civilizações que estão lutando, mas ainda assim, estão lutando com as mesmas armas, pela mesma riqueza capitalista e pelo mesmo poder global.
*José Luís Fiori é professor do Programa de Pós-graduação em Economia Política Internacional da UFRJ. Autor, entre outros livros, de O Poder global e a nova geopolítica das nações (Boitempo).
Notas
[1] Mastro, O. S., “The Taiwan Temptation”, July/August 2021, p.1. In: https://www.foreignaffairs.com/print/node/1127523.
[2] Expressão utilizada pelo secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles (1988-1959) para caracterizar a irrelevância geográfica da ilha de Taiwan, em 1954. Cf. Kissinger, H. Sobre a China. São Paulo: Objetiva, p. 161.
[3] Jesus Junior, H. e Godinho, N.V.R. “A modernização naval chinesa e as implicações no Mar do Sul da China”. Revista da Escola de Guerra Naval, v. 25, n. 3, p. 791-826, set-dez. 2019.
[4] Carl von Clausewitz dizia que, na guerra, é “mais fácil conservar do que do que adquirir; de onde se segue imediatamente que, supondo que os meios são iguais dos dois lados, a defesa é mais fácil do que o ataque. Mas de onde provém essa maior facilidade da conservação e da proteção? Do fato de que todo o tempo que se escoa inutilizado se torna proveito do defensor” (Clausewitz, C. von. Da Guerra. São Paulo: Martins Fontes, p. 427).
[5] Fiori, J. L. O poder global e a nova geopolítica das nações. São Paulo, Boitempo, p. 31.
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Urna eletrônica é segura e não há evidência de fraude, diz associação de peritos da Polícia Federal

247 - A urna eletrônica é segura e não há evidências de fraude no processo eleitoral, afirmou nesta quinta-feira (5) a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (ANPC). A entidade representa peritos da Polícia Federal. A informação é do portal G1.
"Até o momento, não foi apresentada qualquer evidência de fraudes em eleições brasileiras", informou a entidade em nota.
A entidade informou ainda "confiança no processo eleitoral, tendo a certeza de que o voto eletrônico trouxe importantes avanços, dentre eles o afastamento dos riscos decorrentes do voto em cédula".
Ainda de acordo com a reportagem, o texto foi divulgado um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter incluído o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em inquérito das fake news por ataques às urnas eletrônicas. Após a inclusão, Bolsonaro ameaçou agir fora da Constituição.
A declaração de Bolsonaro foi numa entrevista transmitida pela rádio Jovem Pan em redes sociais, em que ele voltou a atacar o sistema de votação brasileiro.
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Guerra no bolsonarismo: Roberto Jefferson tenta derrubar Damares e assumir ministério

247 - O presidente do PTB, Roberto Jefferson, tem feito articulações para minar a ministra Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e tentar assumir o comando da pasta. Nos bastidores, o petebista acusou Damares de ter se convertido ao "comunismo" e vem usando aliados para atacar a ministra nas redes sociais. A informação foi publicada pelo site O Antagonista.
O blogueiro Oswaldo Eustáquio, um dos principais aliados de Jefferson, afirmou na última terça-feira (3) que a ministra é a nova aliada política de um suposto adversário de Jair Bolsonaro, o prefeito de Paranaguá, Marcelo Roque.
O PTB, de Jefferson, integra o chamado centrão, bloco partidário que é uma das bases de sustentação de Bolsonaro, alvo de mais de cem pedidos de impeachment protocolados na Câmara dos Deputados.
O ex-deputado é investigado no inquérito do Supremo Tribunal Federal que apura o financiamento e a propagação de fake news. O ex-parlamentar foi alvo de uma ação da Polícia Federal em maio do ano passado.
O blogueiro é investigado no inquérito dos atos pró-golpe, que apura o financiamento de manifestações pelo fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.
O bolsonarista Oswaldo Eustáquio foi preso em 26 de junho de 2020 por determinação do ministro da Corte Alexandre de Moraes. Em 5 de julho foi solto, mas voltou a ser detido em novembro do mesmo ano devido ao descumprimento de medidas cautelares.
O ministro Alexandre de Moraes converteu, em janeiro de 2021, a prisão preventiva decretada contra o blogueiro em prisão domiciliar. Segundo a decisão, Eustáquio terá de usar tornozeleira eletrônica e está proibido de acessar redes sociais em nome próprio ou de sua assessoria de imprensa.
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Por veto ao 5G chinês, Biden oferece aliança militar a Bolsonaro

247 - O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, ofereceu ao governo Jair Bolsonaro apoio para que o Brasil se torne um sócio global da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), como moeda de troca para vetar o 5G da China.
O tema foi discutido por Sullivan com o governo de Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (5). O emissário de Joe Biden se encontrou com o ocupante do Palácio do Planalto e o ministro da Defesa, general Braga Netto.
Os americanos fizeram o aceno ao governo Bolsonaro em mais um lance da pressão que vem desde os tempos do governo Trump para que o Brasil vete a participação da Huawei, gigante de tecnologia da China, no futuro mercado de 5G nacional. O recado foi que uma coisa depende da outra, informa a Folha de S.Paulo.
Joe Biden tenta assim conquistar o apoio das Forças Armadas brasileiras nos esforços contra a presença da Huawei nas redes de 5G.
Segundo a reportagem, o tema atualmente divide os militares. Aqueles que trabalham no GSI (Gabinete de Segurança Institucional) com o general Augusto Heleno são favoráveis ao banimento dos chineses, mas outros membros das Forças Armadas argumentam que nunca tiveram problemas com a Huawei.
Joe Biden oferece na sua parceria militar com o Brasil no âmbito da Otan condições especiais para a compra de armamentos de países que integram a organização e mais espaço para a formação e capacitação de pessoal militar nas bases militares da Otan ao redor do mundo.
A entrada na Otan como "sócio global" pode levar o Brasil a participar de guerras dos países da organização em troca de assistência militar caso o Brasil se envolva em algum conflito. Na América do Sul, o único país que tem o status de “sócio global” da Otan é a Colômbia.
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Após derrota do voto impresso na Câmara, bolsonaristas entram em desespero e viram piada nas redes: #choroimpresso

247 - A Comissão do Voto Impresso na Câmara votou e derrubou na noite desta quinta-feira (5), por 23 votos a 11, a proposta bolsonarista de instauração do voto impresso nas eleições. A derrota gerou revolta dos bolsonaristas nas redes, pois é a atual bandeira de Jair Bolsonaro, após o mandatário trocar a cruzada da cloroquina pela fake news de que há uma fraude eleitoral no sistema de urnas eletrônicas.
A reação dos bolsonarismo gerou várias piadas nas redes. Na manhã desta sexta-feira (6) a #choroimpresso era um dos assuntos mais comentados no Twitter.
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Aliado de Bolsonaro, Malafaia pede uso das Forças Armadas contra o STF e ataca Moraes: "ditador da toga" (vídeo)

247 - O pastor-empresário Silas Malafaia, aliado de Jair Bolsonaro, pediu intervenção militar no Brasil, após o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes autorizar a inclusão de Bolsonaro em um inquérito sobre fake news por causa dos ataques, sem provas, à confiabilidade das urnas eletrônicas. "Vamos parar de safadeza e militares já. Artigo 142 pra botar ordem nessa bandidagem dessa gente inescrupulosa. Deus tenha misericórdia do Brasil e nos livre dessa gente", disse.
"Nós estamos vivendo um tempo de mentiras, de cinismo, com apoio da Rede Globo e de grande parte dessa imprensa bandida que perdeu bilhões. Quem é contra a democracia, Bolsonaro, Barroso ou Alexandre de Moraes? Eu mostro com fato. Alexandre de Moraes e Barroso", afirmou.
"Alexandre de Moraes abriu o inquérito das fake news, o que é proibido. Ação Penal pertenceu ao Ministério Público. Ditador da toga, prendeu jornalistas e agora, capitaneado por Barroso. O TSE abre um processo contra o presidente. Não pode. Quem é contra a democracia? Quem tá rasgando a Constituição? Alexandre de Moraes e Barroso", acrescentou.
Os ataques de Bolsonaro à segurança das urnas eletrônicas têm causado atrito com o Poder Judiciário. O presidente do STF, Luiz Fux, destacou nessa quinta-feira (5) que Bolsonaro "tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes desta Corte, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes". "Sendo certo que, quando se atinge um dos integrantes, se atinge a Corte por inteiro", disse o magistrado em pronunciamento.
Em conversas reservadas, até a cúpula do Exército teria apoiado o posicionamento de Fux.
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Augusto de Arruda Botelho afirma que "Galo não será solto" e que "justiça decretou sua prisão preventiva"

247 - O advogado Augusto de Arruda Botelho usou suas redes sociais nesta sexta-feira (6) para anunciar que o líder dos entregadores de aplicativos, Paulo Galo, preso por envolvimento no incêndio da estátua de Borba Gato no dia 24/07, em São Paulo não será libertad, pois a justiça decretou sua prisão preventiva.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia deferido o habeas corpus para Galo nesta quinta-feira (6), mas como a prisão preventiva, o ativista seguirá detido.
“Galo não será solto. Em uma das decisões mais sem fundamentação que já li, a justiça decretou sua prisão preventiva”, declarou o advogado.
Integrante do movimento Revolução Periférica, o ativista Galo e sua companheira, a costureira Géssica de Paula Silva, tiveram prisão temporária decretada pela juíza Gabriela Marques da Silva Bertoli.
No pedido de liminar da defesa, os advogados afirmaram que não há respaldo legal para a manutenção do cárcere.
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"Elites precisam falar em alto e bom som", diz dono da Natura, após assinar manifesto contra Bolsonaro

247 – O bilionário Guilherme Leal, um dos donos da Natura, explicou, em entrevista ao Globo, por que assinou o manifesto da elite financeira do País contra Jair Bolsonaro. "Nós não conseguimos lidar com as outras crises sem ter democracia. E a sociedade precisa falar, na sua diversidade, nas suas lideranças, nas suas elites. Ela precisa se manifestar em alto e bom som. Não se discute eleição. Se cumpre o que está na legislação. Acho que a resposta foi positiva (ao manifesto) e o sinal está dado", disse ele.
"Neste momento onde se agudizou essa confrontação entre poderes, entendeu-se que seria importante uma manifestação. Uma explicitação dos compromissos que essas lideranças sociais, empresariais, políticas, acadêmicas e culturais têm. E assim surgiu a ideia (do manifesto). Ela já estava sendo considerada há 20 dias, um mês e chegou o momento de colocá-la na rua", afirmou. "Eu que fui para a rua no movimento das Diretas Já e vivi os tempos escuros da ditadura sei o valor que tem a democracia. Ela não vem de graça e precisa ser resguardada. Mas ela vem explicitamente sendo colocada em dúvida.Toda hora se fala de 'dentro e fora de linhas'. Isso é uma ameaça que a sociedade não pode aceitar e precisa se manifestar com clareza."
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Folha pede derrubada do ditador Bolsonaro em editorial de primeira página

247 - O jornal Folha de S.Paulo, que apoiou o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, subiu o tom em editorial publicado nesta sexta-feira (6) contra Jair Bolsonaro. O jornal chama o chefe do Executivo de “ensaio de ditador”, cobra o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sobre a abertura de um processo de impeachment, e critica a “inação” do procurador-geral da República, Augusto Aras.]
O editorial é também uma resposta ao manifesto dos bilionários divulgado nesta quinta-feira (6), que rechaça a aventura golpista de Jair Bolsonaro em contestar o sistema eleitoral vigente.
O documento tem a adesão de intelectuais, empresários e políticos. Entre os nomes que assinam estão os banqueiros Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, do Itaú Unibanco, o financista Armínio Fraga, e os economistas Pedro Malan e Persio Arida, assim como o ex-senador Cristovam Buarque.
Leia a íntegra do editorial:
Ensaio de ditador
Inação de PGR e Congresso ameaça democracia; urge reagir, até por sobrevivência
Jair Messias Bolsonaro é um presidente contra a Constituição. Comete desvarios em série na sua fuga rumo à tirania e precisa ser parado pela lei que despreza.
Há loucura e há método na sequência de investidas contra a democracia e o sistema eleitoral, ao passo que o país é duramente castigado pela ausência de governo. São demasiadas horas perdidas com mentiras, picuinhas e bravatas enquanto brasileiros adoecem, morrem e empobrecem.
Os danos na saúde, na educação e no meio ambiente, cujos ministérios têm sido ocupados por estafermos, serão sentidos ao longo de gerações.
Os juros sobem e a perspectiva de crescimento cai quando há nada menos que 14,8 milhões de desempregados. A disparada nos preços de energia e comida vitima os mais pobres. Artimanhas para burlar a prudência orçamentária afugentam investidores.
Aqui a insânia encontra o cálculo. Ao protótipo de ditador cujo governo fracassou resta enxovalhar as instituições e ameaçá-las de ruptura pela força.
Mas o uivo autoritário encontrou reação firme de agentes da lei. O Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral incluíram o presidente da República em inquéritos, que precisam ir até o fim.
Os presidentes da Câmara e do Senado e o procurador-geral da República, no entanto, não entenderam o jogo. Por ingenuidade ou interesse equivocado, associam-se a uma figura que se pudesse fecharia o Congresso, o Ministério Público e o Supremo.
Falta ao procurador Augusto Aras perceber que a vaga que ambiciona no STF de nada valeria em um regime de exceção; ao deputado Arthur Lira (PP-AL), que a pusilanimidade de hoje não seria recompensada com mais poder em uma ditadura.
A deliberação sobre os pedidos de impeachment torna-se urgente. Da mesma maneira, os achados e conclusões da CPI da Pandemia devem desencadear a responsabilização do presidente. À Procuradoria cumpre exercer a sua prerrogativa de acionar criminalmente o chefe do governo.
A inação de Aras e Lira põe em risco a democracia; é preciso reagir, até pela própria sobrevivência.
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Cúpula do Exército apoia reação de Fux, mas teme cópia de atos golpistas como nos EUA

247 - Apesar dos embates com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), membros da cúpula do Exército teriam apoiado, em conversas reservadas, com o fato do presidente da Corte, ministro Luiz Fux, ter rompido o diálogo com Jair Bolsonaro em função dos seguidos ataques feitos por ele contra a Corte e seus ministros, especialmente Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, os generais do Alto-Comando avaliam que a crise deva continuar, mas descartam a possibilidade de apoio a um golpe que venha a ser tentado pelo chefe do Executivo.
Nesta quinta-feira (5), o presidente do STF anunciou o cancelamento de uma reunião com os chefes dos três poderes e afirmou que “quando se atinge um dos integrantes, se atinge a Corte por inteiro. Além disso, sua excelência [Bolsonaro] mantém a divulgação de interpretações equivocadas de decisões do plenário bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez do processo eleitoral brasileiro".
O temor da cúpula militar é que aconteçam no Brasil episódios como os registrados nos Estados Unidos, após a derrota de Donald Trump para o democrata Joe Biden. Após a confirmação do resultado do pleito, no dia 6 de janeiro, o republicano atiçou a violência ao incitar seus apoiadores a invadirem o Capitólio. O episódio deixou cinco pessoas mortas.
Assim como Trump, Bolsonaro segue um roteiro semelhante ao atacar o Judiciário e ao afirmar, sem provas, que as últimas eleições foram fraudadas. Para os militares, o maior risco não está no conjunto das Forças Armadas, mas junto às polícias estaduais, uma das principais bases de apoio do bolsonarismo, caso ele perca as eleições de 2022.
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"Retomada" de que se NUNCA houve diálogo ou "normalidade"?!?
Em encontro com FUX, ARAS defenderá “retomada de normalidade” (¿¡!?) entre o BOZOLOIDE e STF

O procurador-geral da República, Augusto Aras, disse a interlocutores que espera que sua conversa com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, facilite a construção de um caminho de entendimento entre Bolsonaro e o Judiciário.
O encontro está previsto para esta sexta-feira.
Apesar das constantes ameaças do presidente às eleições, Aras afirma que “não vê a democracia brasileira em risco” e que a relação entre Bolsonaro e o STF “precisa voltar a um grau de normalidade”.
O PGR disse a pessoas próximas que vai atuar para a retomada do diálogo entre o presidente e os ministros da suprema corte.
Como informou o colunista Lauro Jardim, o encontro foi marcado por iniciativa de Fux e terá como tema os ataques de Bolsonaro ao STF.
O ministro procurou o PGR depois do pronunciamento em que cancelou a reunião entre os três poderes, motivado pelos ataques do presidente à corte.
__________* 2020-07: Gilmar afirma que o Exército estava se ASSOCIANDO a um GENOCÍDIO na PANDEMIA, ao ocupar postos de comando no Ministério da Saúde.
Como reação, o Ministério da Defesa divulgou uma nota EXALTANDO a ação das Forças no combate à Covid-19.
Integrantes da cúpula militar descrevem Gilmar como “persona non grata” pelas Forças Armadas...!
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A indigestão dos militares após almoço de Gilmar Mendes com o comandante da Aeronáutica | Bela Megale - O Globo

O almoço do comandante da Aeronáutica com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes nesta semana foi indigesto para boa parte dos integrantes das Forças Armadas. As críticas foram feitas tanto por membros de alta patente como em grupos de WhatsApp, em especial da Força Aérea Brasileira (FAB), comandada pelo brigadeiro Carlos Almeida Baptista Jr.
O fato mais lembrado pelos militares foi uma declaração dada pelo ministro em julho do ano passado. Na ocasião, Gilmar afirmou em uma live que o Exército estava se associando a um genocídio na pandemia, ao ocupar postos de comando no Ministério da Saúde. Naquele momento, o general Eduardo Pazuello estava à frente da pasta. Como reação, o Ministério da Defesa divulgou uma nota exaltando a ação das Forças no combate à Covid-19.
Integrantes da cúpula militar descreveram Gilmar como “persona non grata” pelas Forças Armadas e classificaram o gesto do brigadeiro Carlos Almeida Baptista Jr. de procurar o ministro como um “erro”. No encontro revelado pelo jornal “Folha de S. Paulo”, o comandante da Aeronáutica negou para Gilmar qualquer apoio a um golpe no país. A agenda acontece num momento em que a tensão entre o STF e o presidente Bolsonaro atinge o ápice.
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Bush vs. Gore, versão brasileira | Opinião - O Globo
Um adulto de 25 anos — e mesmo alguns de 30 ou mais — não tem memória de como eram as eleições no Brasil antes da urna eletrônica. Nosso histórico de fraudes é vasto. Não era raro, na Primeira República, presidentes eleitos com margens de ditadura árabe, para lá dos 90% dos votos. O velho Rui Barbosa, sempre o outsider concorrendo fora do esquema dos coronéis, que o diga. Mesmo na Nova República não havia eleição sem história de fraude. Não é este, porém, o debate que o presidente Jair Bolsonaro está levantando quando ataca as maquininhas do TSE. Ele está, em verdade, recauchutando de forma mambembe o antigo preconceito contra tecnologia digital. Um preconceito pelo qual a sociedade já passou e que dispensou. É como se o computador fosse uma caixa mágica e misteriosa. Melhor mesmo confiar no papel, que é seguro.
Não é um problema novo, tampouco misterioso. Qualquer consultoria de primeira linha passou a primeira década deste século, talvez os primeiros anos da década seguinte, ajudando empresas a enfrentar justamente essa dúvida. Quando preciso manter uma trilha em papel dos documentos que produzo — com assinaturas, com carimbos, só para ter certeza de que tudo estará lá quando for preciso? Mas já faz uns dez anos que a pergunta se tornou obsoleta.
A própria ideia de voto impresso atrelado à urna eletrônica foi imensamente debatida nos anos 2010 e chegou a alcançar o primeiro governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Não é à toa que o período bate com a época em que empresas estavam tendo essa discussão. De lá para cá, as discussões são outras. São para acelerar o que chamamos de transformação digital.
O papel enquanto documento ficou para trás. O digital também documenta. Em certas condições, melhor.
O exemplo mais claro, que todos compreendemos rapidamente, é o dinheiro. Nosso dinheiro está se digitalizando de todas as formas. Cada vez usamos menos notas, cada vez mais pagamos com cartões, transferências — e a rápida adoção do Pix só mostra como a sociedade se habituou à ideia de o dinheiro ser digital. Não é só. Cada vez menos as pessoas sentem necessidade de ter o extrato em papel da conta-corrente, do cartão. Cada vez menos se pede o recibo impresso do pagamento. Chega ao celular na hora. Está sempre ali, no app financeiro. E, a partir do ano que vem, com Open Banking, talvez baste um app só para toda a nossa vida no que envolve dinheiro.
Mas não custa entreter a ideia do voto impresso pela urna. O primeiro problema são as impressoras, que necessariamente seriam como aquelas das maquininhas de cartão. Outra tecnologia tornaria financeiramente inviável. Primeira questão: são particularmente sensíveis à umidade. Vivemos num país tropical. As chuvas começam em outubro — época das eleições. Em ambiente muito úmido, tendem a embaralhar. Ao embaralhar, o mesário terá de ser chamado para botar em ordem. Ao fazê-lo, verá o voto mais recente e, assim, quebrará seu sigilo.
Parece um problema simples; não é.
Esses boletos também são fáceis de reproduzir. Ou seja, o antigo esquema brasileiro da troca de cédulas legítimas por falsas voltará em alguns bolsões mais inseguros do país. Se o resultado da urna eletrônica não bater com a contagem de papel, qual vale? Se um partido pedir recontagem dos votos de uma sessão, e o papel tiver sido danificado — é muito sensível a calor intenso, galpões brasileiros são quentes, e desmancha com água —, como se resolve? Numa eleição apertada como a de 2014, mexe em 1% dos votos, vira o resultado.
O voto impresso é a solução errada para um problema que nunca ninguém imaginou que existisse. Porque não existe. Queremos o Bush versus Gore brasileiro?

Por Pedro Doria
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O paraíso dos picaretas | Bernardo Mello Franco - O Globo

O encerramento dos Jogos de Tóquio vai mudar a fauna dos personagens que desfilam no noticiário. Saem os atletas olímpicos e seus relatos de superação. Voltam os mercadores de vacina e suas histórias da carochinha.
A turma já reapareceu na CPI da Covid. Na terça, os senadores ouviram o reverendo Amilton Gomes de Paula. Ele desistiu de pescar almas para cavar negócios no Ministério da Saúde.
Falando de si na terceira pessoa, o pastor se apresentou como um “embaixador mundial da paz”. Em seguida, enumerou condecorações de entidades como a Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente e a Ordem dos Cavaleiros de Sião.
“Quem me conhece sabe: lá na minha igreja, eu tiro o sapato e dou para pessoas carentes”, elogiou-se. Apesar de tanto desapego aos bens materiais, ele se envolveu numa negociação de 400 milhões de vacinas com o governo.
O reverendo jurou que só tinha interesses humanitários. Para provar sua boa-fé, embargou a voz e forçou o choro. “Eu queria vacina para o Brasil”, declamou. A atuação deve ter despertado inveja no secretário Mario Frias.
Na quarta, a CPI ouviu o coronel Marcelo Blanco, que integrava a tropa do general Eduardo Pazuello. Ele estava no jantar da propina com o cabo Luiz Dominghetti, dublê de policial militar e camelô de vacinas.
Blanco trocou 108 ligações com o PM, mas disse não ter notado que falava com um estelionatário. Foi chamado de mentiroso e cara de pau. “Ontem foi em nome de Deus, hoje é em nome do patriotismo. Nunca em nome próprio”, ironizou a senadora Simone Tebet.
A semana terminou com o depoimento de Airton Cascavel, outro homem de Pazuello. Ele se definiu com um “facilitador” que tinha a tarefa de “fazer acontecer”. Mas não soube explicar por que dava ordens sem ter sido nomeado no Diário Oficial.
Cascavel sofreu outros lapsos de memória. Não se lembrou da médica negacionista que vivia no ministério e disse nunca ter falado com o PM das vacinas. Desmentido com dados de seu próprio telefone, gaguejou e mudou de assunto.
Enquanto milhares de brasileiros morriam por falta de ar, o reverendo, o cabo e os coronéis faziam negócios em Brasília. Em julho, Jair Bolsonaro disse que a capital sempre foi um paraíso de picaretas e espertalhões. Pode ser, mas eles nunca foram tão bem recebidos.
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Vai ter eleição; mas e depois? | Vera Magalhães - O Globo

Jair Bolsonaro não tem meios para promover um golpe à 1964. Essa avaliação é unânime entre ministros do Supremo Tribunal Federal, generais comprometidos com a democracia, parlamentares, pré-candidatos a presidente, historiadores, cientistas políticos e empresários.
Diferentemente da época em que os generais puseram os tanques na rua e instauraram uma longa e nefasta ditadura de 21 anos, o mundo não vive mais uma Guerra Fria. Não haverá, portanto, apoio, explícito ou velado, de qualquer potência mundial a uma quartelada vinda de um capitão reformado do Exército e de uma parcela das Forças Armadas, com acréscimo, vá lá, de setores sublevados das polícias militares.
Outra importante demonstração de que não há na sociedade caldo de cultura para fermentar o golpismo consentido de outrora foi o manifesto em defesa da realização das eleições divulgado nesta semana, com apoio de pesos pesados do empresariado, do sistema financeiro, das artes e da academia. Não haverá, portanto, o braço empresarial do golpe, como houve em 64 e ao longo dos Anos de Chumbo.
Ainda assim, a situação que o Brasil vive é de múltiplas fraturas no estado democrático de direito, e elas levarão muito tempo para cicatrizar. Isso se não deixarem sequelas permanentes, com graves consequências sociais, econômicas, políticas e civilizacionais.
Que Bolsonaro continuará agindo diariamente, até outubro de 2022, para ameaçar as eleições e provocar balbúrdia entre os Poderes, está dado. O Judiciário já caiu em si e dá benfazeja demonstração de compromisso constitucional com sua reação coesa e com a dureza necessária.
Luiz Fux fez o necessário ao desmarcar mais uma reunião de cúpula dos Poderes, expediente a que Bolsonaro sempre recorre de forma cínica para validar seus arreganhos golpistas, tendo os presidentes do Judiciário e do Legislativo como coadjuvantes de fotos, para no dia seguinte voltar a barbarizar sem ser contido. Não mais, disse Fux. Antes tarde do que nunca.
Mas qual o horizonte para o cabo de guerra entre esses dois Poderes? Dificilmente o inquérito das fake news, em que Bolsonaro foi incluído, levará a que o presidente de fato vire réu. Porque à frente do Ministério Público Federal está alguém conivente com os arroubos golpistas do presidente, chamado Augusto Aras. E porque a Câmara, sob Arthur Lira, é uma Casa disposta a patrocinar as obsessões do presidente, desde que mediante pagamento adiantado na forma de emendas, fundão eleitoral e outras benesses.
Então, a não ser que a coisa escale muito, Bolsonaro será candidato em 22. E tem chance de ser competitivo, caso consiga arrombar os cofres públicos com uma mãozinha de Paulo Guedes e pagar um Bolsa Família de R$ 400 que não cabe no Orçamento, a menos que se mandem às favas os escrúpulos fiscais.
Ganhe ou perca, Bolsonaro terá de tal forma incitado o caos e a desconfiança de largos setores da sociedade nas instituições, a radicalização do discurso e das relações, que poderá desencadear um “efeito 2013” bastante amplificado.
Desordem social pré e pós-eleitoral. Isso num país atingido em cheio pelas mortes da pandemia e pelo desmantelamento da economia.
O projeto bolsonarista de destruição avançou até aqui, um ponto que ninguém poderia vislumbrar antes de sua eleição. O ponto positivo, que faz com que 1964 seja um tento difícil de o presidente golpista lograr, é que cada vez mais setores que estavam em inexplicável letargia estão acordando e reagindo. Vai ter eleição, sim. O que temos de fazer agora é começar a cuidar da cura pós-Bolsonaro.
__________* Capital: Mercado está 'surpreendentemente leniente' com crise institucional, diz CEO do Credit Suisse
'A fervura aumentou e o sapo está na panela. Temos de pular enquanto é tempo', diz CEO do Credit | Capital - O Globo

‘Precisamos chamar ao senso de responsabilidade.
A maior conquista de um país é a estabilidade institucional’
Para executivo, a crise que se desenha no país é mais grave do que o mercado se deu conta até agora.
E a confiança conquistada pode sumir rapidamente
Signatário do manifesto em defesa da democracia e da urna eletrônica — que até a noite de ontem já contava com quase sete mil assinaturas, incluindo empresários, economistas e intelectuais — o CEO do Credit Suisse Brasil, José Olympio Pereira, diz que o país vive "um quadro dramático de crise institucional em formação" e que a sociedade "não pode assistir calada".
O documento começou a tomar forma por iniciativa do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), grupo sem fins lucrativos, que reúne empresários, economistas e cientistas políticos.
A troca de mensagens começou há quase 20 dias, mas ganhou força após os ataques do presidente Jair Bolsonaro à urna eletrônica e ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso.
Há 17 anos no Credit Suisse, sendo dez como CEO, Olympio Pereira deve deixar a presidência do banco no país Brasil até o fim do ano.
Como o senhor avalia a situação do país?
Minha sensação é a de que estamos igual aquela história do sapo na panela.
A temperatura está aumentando e a sociedade e os mercados estão fingindo que nada existe.
Isso é muito grave.
Temos de pular (da panela) enquanto é tempo.
Não podemos assistir calados.
É preciso dar um basta e esvaziar esse balão antes que a crise se forme.
O mercado financeiro tem se mostrado otimista, com a Bolsa em alta mesmo em dias marcados pela turbulência política. Há um descolamento da realidade?
O mercado está surpreendentemente leniente e dando pouca bola para a crise institucional.
Atribuo isso a um cenário externo favorável, com juros ainda muito baixos, desempenho das Bolsas externas registrando recorde, S&P na máxima histórica.
Isso contagia.
Mas a questão local é mais séria do que o mercado pensa.
O presidente Jair Bolsonaro reagiu à decisão do Supremo de investigá-lo no inquérito das fake news acusando o ministro do STF Alexandre de Moraes de atuar “fora das quatro linhas da Constituição” e disse que o “antídoto” também não será “dentro das quatro linhas”. O senhor vê isso como uma forma de ameaça?
Estou preocupado com o ano que vem.
Podemos ter uma bagunça.
NÃO acredito que vamos ter GOLPE ou que as Forças Armadas vão tentar algo FORA da CAIXA.
Mas podemos ter muita CONFUSÃO e RADICALIZAÇÃO, e isso é MUITO RUIM.
Como se deu a articulação para criar o manifesto?
Não tem um único autor.
A ideia surgiu em grupos de discussão em que os signatários participam.
Quando me apresentaram, imediatamente achei perfeito.
Esta não é a primeira vez que o empresariado se manifesta este ano sobre uma questão considerada de interesse nacional.
Isso já havia ocorrido, por exemplo, no episódio de compra das vacinas.
Desta vez, porém, os empresários deram nome e sobrenome.
O que mudou?
Por que decidiram falar neste momento?
A fervura aumentou. Basta ler os jornais.
Estamos em uma escalada, uma crise em formação.
A onda está crescendo.
Precisamos esvaziar, chamar as pessoas ao senso de responsabilidade.
A maior conquista que um país pode ter é a sua estabilidade institucional.
Essa é a fortaleza que nos permite atrair investimentos e nos colocar como uma nação importante no mundo.
É o que nos dá o respeito frente a outras nações.
Não podemos botar isso em risco.
Sem estabilidade, o resto desmorona.
Estamos há 36 anos construindo essa estabilidade, desde o início do processo de redemocratização, em 1985, em 1988 com a Constituição e em 1989 com a primeira eleição direta.
É todo um processo para demonstrar a força das nossas instituições e construir um Estado democrático de Direito forte e estável.
Não podemos colocar isso em risco. É SUICÍDIO.
Como as sucessivas crises afetam a imagem do país no exterior e os negócios?
Ainda não afetam de forma dramática, sobretudo por essa questão de estarmos vivendo um cenário externo favorável.
Mas se tiver caos, se houver confusão, pode afetar.
E essas coisas acontecem de uma hora pra outra.
A confiança é algo que está bem até o dia em que deixa de estar.
A desconfiança pode acontecer de uma hora para a outra.
Não é porque está bem hoje que não pode haver uma crise de confiança amanhã.
O movimento reconhece que o momento é crítico, mas não se fala em impeachment. O país aguenta chegar até as eleições de 2022?
Tem que aguentar. Acho que aguenta sim.
Se as únicas opções em 2022 forem Lula e Bolsonaro, como o senhor avalia que o empresariado deverá se posicionar?
Não quero entrar em cenário eleitoral.
Minha posição é que estamos botando o carro diante dos bois.
Não podemos ficar discutindo isso a um ano e meio das eleições.
Vamos concentrar e endereçar os problemas que nós temos hoje.
O Brasil tem problemas demais no curto prazo para desperdiçar energia com a eleição do ano que vem.
Até porque as coisas podem mudar muito até lá.
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Covid-19: Média móvel de mortes fica abaixo de 900 pela primeira vez desde 8 de janeiro

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RIO — O Brasil notificou 1.086 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, elevando para 560.801 o total de vidas perdidas para o coronavírus. A média móvel foi de 882 óbitos, uma redução de 22% em comparação ao cálculo de duas semanas atrás. É a primeira vez que o índice fica abaixo de 900 desde 8 de janeiro, quando foi 872. Acre e Roraima não tiveram registro de óbitos nesta quinta-feira.
Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo, que reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h.
Foram registrados também 39.644 novos casos da doença em território nacional, elevando para 20.066.146 o total de pessoas que já se contaminaram com o vírus. A média móvel foi de 32.462 diagnósticos positivos, uma redução de 30% em comparação ao índice de 14 dias atrás, o que demonstra uma tendência de queda.
A “média móvel de 7 dias” faz uma média entre o número do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com a vista duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos e das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados, abafando o “ruído” causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.
Vacinação
Vinte e seis unidades federativas do Brasil atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 nesta quinta-feira. Em todo o país, 105.061.908 pessoas foram parcialmente imunizadas com a primeira dose de uma das vacinas, o equivalente a 49,61% da população brasileira. Já 44.275.685 pessoas estão totalmente imunizadas (com as duas doses ou com a vacina de dose única), ou seja, 20,91% da população nacional.
Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou a aplicação de 1.638.889 doses, sendo 1.012.226 vacinas de primeira dose, 613.289 de segunda dose e 13.374 de dose única.
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Chile aplicará terceira dose em imunizados com CoronaVac

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SANTIAGO - O Chile iniciará um plano de vacinação de reforço para as pessoas que foram imunizadas com a CoronaVac. A decisão foi tomada por conta da evolução de sua eficácia e à ameaça de propagação da variante Delta contagiosa, disse o presidente Sebastián Piñera nesta quinta-feira (5).
Assim como no Brasil, o Chile tem usado a vacina da empresa chinesa Sinovac massivamente em seu programa de imunização, que tem sido rápido e em grande escala. Até agora, 64% de seus 19 milhões de habitantes já foram imunizados com pelo menos uma dose.
“Decidimos iniciar um reforço da vacinação daquelas pessoas que já receberam duas doses da vacina Sinovac”, disse Piñera em relatório sobre a situação da saúde.
Nesta semana, um estudo realizado pelo Ministério da Saúde do Chile revelou que a CoronaVac tem 58,5% de eficácia na prevenção do desenvolvimento de sintomas, abaixo de uma medição anterior e de outras vacinas que são aplicadas no país.
A subsecretária de Saúde, Paula Daza, explicou que o processo vai começar com pessoas com mais de 55 anos que receberam a CoronaVac antes de 31 de março. Para o reforço, será aplicada a vacina da AstraZeneca. Já os menores de 55 anos receberão o imunizante da Pfizer em dose de reforço. Em relação aos vacinados inicialmente com o esquema de duas doses da Pfizer e AstraZeneca, Daza disse que eles continuarão a analisar para determinar quando podem precisar do reforço.
Procurado, o Instituto Butantan, que importa e fabrica a CoronaVac, informou que "há estudos iniciados no Brasil e em outros países que preveem a necessidade de uma dose de reforço anual contra o Covid-19, assim como já acontece hoje em relação à influenza (gripe)".
De acordo com o instituto, a hipótese vem sendo discutida, especialmente diante do avanço da variante delta, que está sendo acompanhada, mas, segundo a nota, "não é representativa no Brasil do ponto de vista populacional, de acordo com o levantamento semanal da Rede de Alertas das Variantes do SARS-Cov-2, coordenada pelo Butantan". No Rio, a variante cresceu 50% nos últimos 10 dias e já corresponde a 26% dos novos casos.
Decisões similares
Diante da expansão da variante Delta do novo coronavírus, mais contagiosa que as anteriores, Alemanha, França e Israel darão vacinas de reforço contra a Covid-19, desconsiderando um apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) para não o fazerem até mais pessoas de todo o mundo estarem vacinadas. Nesses país, a campanha de imunização tem sido feita com doses das fabricantes Janssenn, Moderna, Oxford/AstraZeneca e Pfizer/BioNTech.
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a França está trabalhando para distribuir as terceiras doses de vacinas contra Covid-19 aos idosos e vulneráveis a partir de setembro.
A Alemanha pretende administrar doses de reforço a pacientes imunocomprometidos, aos muito idosos e aos moradores de casas de repouso a partir de setembro, informou seu Ministério da Saúde.
O primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, pediu que os cidadãos mais velhos recebam uma terceira dose depois que o governo, no mês passado, deu início a uma campanha para dar doses de reforço.
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O que André Mendonça responde a senadores sobre o voto impresso de Bolsonaro | Lauro Jardim - O Globo
Por Amanda Almeida

André Mendonça tem sido inquirido por senadores sobre a batalha de Jair Bolsonaro pelo voto impresso.
O indicado do presidente ao Supremo responde que não vai entrar na discussão política. Se aprovado para a vaga deixada por Marco Aurélio Mello, completa, "respeitará o que diz a lei".
E que, qualquer mudança, deve ser aprovada pelo Congresso.
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Mulher em coma há 21 anos pode ser menina desaparecida quando passava férias no ES

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RIO - Uma mulher internada em estado de coma há quase 21 anos pode ter sido uma criança desaparecida em 1976, em Guarapari, no Espírito Santo. Apelidada de Clarinha, ela está em um leito do Hospital da Polícia Militar de Vitória desde que foi atropelada por um ônibus, em 2000.
Clarinha deu entrada na unidade de saúde sem documentos pessoais. Várias formas de identificar a paciente foram tentadas durante as últimas duas décadas, todas sem sucesso. Mas, no ano passado, novos exames fizeram aumentar a expectativa pela descoberta da identidade da mulher.
Um grupo de papiloscopistas da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) em atuação no Espírito Santo tomou conhecimento do caso e entrou em contato com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que vinha atuando na tentativa de descobrir quem é Clarinha.
A equipe utilizou uma técnica de comparação facial, com buscas em bancos de dados de pessoas desaparecidas com características físicas semelhantes às de Clarinha, explicou o MPES, por meio de nota.
A partir desse trabalho, os papiloscopistas chegaram a uma criança de 1 ano e 9 meses de idade desaparecida em Guarapari, em 1976. Na época do desaparecimento, a família da menina, que é de Minas Gerais, passava férias no Espírito Santo.
Clarinha aparenta ter cerca de 40 anos, de acordo com o MPES. Essa idade é considerada compatível com a da criança sequestrada quando passeava em família pelas praias de Guarapari.
Novos procedimentos foram realizados para comparar as semelhanças físicas entre a menina desaparecida e Clarinha. Um exame de reconhecimento facial foi feito por uma empresa paranaense especializada neste tipo de trabalho, a pedido do MPES. O resultado confirmou que as imagens de Clarinha e a da criança desaparecida em 1976 são compatíveis.

Uma outra etapa do processo de identificação está em andamento. O MPES requisitou o perfil genético de Clarinha a um laboratório. Material genético da paciente também foi enviado para a Polícia Civil de Minas Gerais, que mantém arquivados os dados dos pais da criança desaparecida em Guarapari.
Os materiais coletados de Clarinha e da menina que sumiu em 1976 serão comparados. "O Ministério Público capixaba solicitou a comparação entre os perfis genéticos e, nesse momento, aguarda o resultado dos procedimentos adotados pela Polícia Civil mineira", informou o MPES.
Tentativas de identificação
Clarinha foi atropelada em uma avenida movimentada no centro de Vitória. De acordo com testemunhas, ela fugia de um perseguidor não identificado.
Inicialmente, a paciente foi levada para o antigo Hospital São Lucas, na capital capixaba, e passou por diversas cirurgias. Posteriormente ela foi encaminhada para o Hospital da PM e desde então vive em estado vegetativo, sendo tratada pelo corpo médico e enfermeiros.
Em 2016, uma reportagem do Fantástico deu novo ânimo para quem tentava descobrir a verdadeira identidade de Clarinha. Após a veiculação, 102 famílias procuraram o MPES tentando identificar a paciente como uma possível parente desaparecida.
Desse total, 22 casos avançaram por terem apresentado dados similares ao perfil de Clarinha ou fotos parecidas com a paciente. Em seguida, testes de DNA foram feitos mas os resultados mostraram-se incompatíveis para traços familiares.
Agora, tanto o MPES quanto os profissionais do Hospital da Polícia Militar, em Vitória, estão na expectativa de que o mistério sobre a identidade de Clarinha finalmente seja desvendado.
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Casal morre por asfixia dentro de motorhome em Gramado, diz perícia

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RIO - A secretária de Educação de Gravataí, Sonia Oliveira, e o marido, Ricardo Abreu, morreram por asfixia, segundo peritos do Posto Médico-Legal (PML). A informação foi confirmada pelo delegado Gustavo Celiberto Barcellos, titular da Delegacia de Polícia de Gramado, na tarde desta quarta-feira. Mais cedo, o motorhome passou por perícia e equipes identificaram um vazamento de gás em razão de uma falha no aquecedor do veículo.
Aquecedor a gás:saiba identificar riscos de acidente e como providenciar manutenção
— A causa das mortes seria por asfixia. Ou seja, por intoxicação por monóxido de carbono. A perícia da equipe de engenharia também constatou defeitos no sistema de aquecimento da água, com combustão inadequada e liberação de monóxido de carbono também inadequada. — ressaltou Barcellos.
O delegado disse ainda que aguarda o laudo completo da perícia no veículo, mas que essas informações iniciais já reforçam a linha de investigação.
Sonia Oliveira e José Ricardo Abreu haviam chegado ao camping em Gramado onde o veículo estava no último sábado. Os dois deveriam retornar para casa na segunda e, como isso não aconteceu, parentes chamaram a polícia.
Sonia era filha do ex-prefeito e ex-deputado estadual Dorival de Oliveira. Ela e Ricardo deixaram três filhos e um neto. O prefeito de Gravataí, Luiz Zaffalon decretou luto oficial de três dias e a suspensão das aulas nesta quarta-feira. O velório de Sonia e Ricardo aconteceu no saguão da Prefeitura de Gravataí.
A nota de pesar da prefeitura:
"A Prefeitura de Gravataí informa, com profundo pesar, o falecimento da secretária municipal da Educação, Sonia Oliveira, e de seu marido, Ricardo Abreu. Uma das figuras públicas mais queridas de Gravataí, com dezenas de anos de atuação na política, filha do ex-prefeito e ex-deputado estadual Dorival de Oliveira, Sonia deixa os filhos Felipe e Karolline e o neto Arthur. O prefeito Luiz Zaffalon decretou luto oficial de três dias e a suspensão das aulas nesta quarta-feira, 4 de agosto. O Município de Gravataí, por meio do prefeito Luiz Zaffalon, manifesta sua solidariedade e condolências a familiares e amigos da sempre querida Sonia Oliveira e de seu esposo, Ricardo Abreu. Ainda não temos informações sobre os atos fúnebres".
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Veja conversa em que Luis Miranda dá 'contragolpe' em homem se passando por Rodrigo Maia e ganha R$ 50

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BRASÍLIA — O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) conseguiu emplacar um "contragolpe" via WhatsApp em um homem se passando pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ao sofrer uma tentativa de extorsão de R$ 20 mil, o deputado acabou lucrando R$ 50. O caso foi antecipado pela "Folha de S.Paulo".
Nos prints da conversa na última segunda-feira, obtidos pelo GLOBO, o golpista se apresenta com um "boa noite deputado". "Boa noite. Presidente?", questiona Miranda. "Você usa Banco do Brasil ou PIX?", pergunta então o homem que tenta dar o golpe.

"Presidente, você sabe que eu tenho o maior prazer em te ajudar. O que precisa?", pergunta o deputado. Em seguida, o golpista passa as "instruções" de como queria a transferência.

A partir do pedido, Luis Miranda começa a tentar se desvencilhar do falso Rodrigo Maia. "O problema é que eu só tenho dinheiro na aplicação ou no especial. A conta sempre fica com zero", avisou Miranda.

No contra-golpe, avisou o homem que se passava por Maia que seu aplicativo estava bloqueado para transferência e só poderia liberar se pagasse R$ 49,90 de taxa de serviço. Miranda avisa que trataria na segunda-feira pessoalmente.
O golpista pede urgência no que o deputado dá o troco: "Então me manda esses 50,00 e eu pago on line agora e liberará as funções do banco". E o golpista se rende e faz o depósito por Pix.

Luis Miranda já denunciou o ocorrido à Polícia Legislativa da Câmara.
Na última sexta-feira, Maia contou em sua conta do Twitter que sua conta tinha sido invadida por hackers.

— Vale ressaltar que os R$50,00 estão a disposição do Depol para informar para onde devem ser enviados. Justiça, polícia, doação e etc. — disse Luis Miranda ao GLOBO.

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'Jamais imaginei que aquilo existisse', diz pastor sobre mensagens deixadas por jovem que matou os pais no ES

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RIO - As imagens do apartamento onde um filho matou os próprios pais na madrugada de ontem deixaram consternados os fiéis da Igreja Missão Praia da Costa, em Vila Velha, na Grande Vitória. O templo religioso era frequentado pelas vítimas, o médico Paulo Oliveira Cesar, de 68 anos, e sua mulher, Raquel Heringer Cesar, de 61. O casal foi assassinado a facadas pelo próprio filho, o estudante de medicina Guilherme Heringer Cesar, de 22 anos. O universitário foi encontrado sem vida no mesmo local.
O imóvel foi encontrado pela polícia com mensagens pintadas nas paredes e em folhas da Bíblia. Em uma página do livro Apocalipse, estava escrita a mensagem "ele me obrigou". Em uma parede e nas portas de dois cômodos foram grafados os números 666.

Uma outra imagem mostra o desenho de um crucifixo, um pentagrama e os versículos do Apocalipse que dizem: "Festejai ó céus, o diabo desceu até vós, pouco tempo lhes resta". Paulo Oliveira Cesar também era pastor evangélico.
- Eu vi as imagens, mas o rapaz, pelo contrário do que mostram as fotos... Essas questões das cavernas do coração assustam a gente. Jamais imaginei que aquilo existisse, que ele possa ter tido contato com algum livro sobre aquilo. O comportamento dele foi paradoxal, não é o que conhecemos. Ele era um rapaz alegre, estudante de Medicina - contou o pastor Simonton Araújo, líder da congregação religiosa.

Araújo e César eram amigos há mais de 30 anos e também conviviam fora da igreja. O último encontro entre eles ocorreu na semana passada. Na ocasião, pastor e médico tiveram um "papo grande" e a vítima não demonstrou "nada que levasse a crer nisso que aconteceu", disse o líder religioso.
A juventude da igreja também relatou espanto com a atitude tomada por Guilherme, segundo o pastor. O suspeito dos crimes participava das atividades realizadas pelo grupo de jovens.

- Nenhum deles sabia disso, nem os mais próximos. Ninguém tinha ideia disso - afirmou Araújo. - Foi uma fatalidade, uma dor para todos, a gente não previa ou tinha indícios, porque era uma família muito amiga e próxima, que cresceu na igreja - acrescentou.
Além de Guilherme, César e Raquel tinham uma filha. Ela mora no Canadá e está tentando viajar para o Brasil a tempo de participar do velório.

O caso é investigado pela Polícia Civil do Espírito Santo e foi registrado como "duplo homicídio com uso de arma branca". Os corpos do casal foram encontrados em cômodos diferentes. César estava caído no banheiro e Raquel foi localizada morta em cima da cama.
"Segundo informações apuradas por policiais civis do Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), o suspeito do duplo homicídio, filho do casal, cometeu suicídio logo após o crime. A arma utilizada no crime foi apreendida e encaminhada à perícia", informou a Polícia Civil, por meio de nota.
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Fux acertou o tom da reação aos ataques de Bolsonaro | Míriam Leitão - O Globo
Por Míriam Leitão

O ministro Luiz Fux acertou no tom do pronunciamento e na decisão que tomou de suspender a reunião entre os três poderes.
Isso não era hora de mais uma tentativa vã de arrancar compromissos de moderação do presidente da República.
A democracia brasileira está frágil porque o Procurador-Geral da República não tem feito o seu papel de defesa da sociedade, o presidente da Câmara tem oscilado entre o apoio ao projeto de Bolsonaro e a ambiguidade.
O presidente do Congresso tem reagido de forma mais fraca do que deveria.
O Brasil está vivendo uma crise institucional provocada pelo presidente Jair Bolsonaro.
Por isso é correta a definição do ministro Fux que “o presidente da República tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes da Corte”.
É ele, Bolsonaro, quem tem desferido os ataques sucessivos, personalizando em Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.
Mas, como lembrou Fux, todos estão atingidos.
Esta semana foi de tensões crescentes, e nas últimas 24 horas o presidente ameaçou duas vezes agir fora da Constituição.
As ameaças estão cada vez mais explícitas.
Fux, antes do recesso do Judiciário, tentou o caminho do convencimento.
E, como todos os que buscam esse caminho, ele se frustrou.
O discurso que fez na abertura dos trabalhos do Judiciário era um tom abaixo do que deveria.
Hoje, Fux, finalmente, encontrou o tom certo.
Em vez de orações sem sujeito, a afirmação clara de que o presidente da República está atacando.
Em vez de mais uma reunião de conchavo, a portas fechadas, e sem transparência, um comunicado público de que a reunião está cancelada.
__________* Quarks, léptons e bósons
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"Vamos ficar quietos assistindo tudo isso?", questiona ex-presidente da Febraban

247 - Ex-presidente do Santander e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) Fábio Barbosa afirmou ao jornal Estado de S.Paulo que o manifesto assinado por empresários e integrantes da elite financeira em apoio ao sistema eleitoral e contra as manobras golpistas de Jair Bolsonaro representa uma mudança na postura dos empresários.
“Muitos setores têm se manifestado. A gente entendeu que esse mundo empresarial não havia se manifestado. Nosso ponto de vista é que o sistema é confiável e não há razão para duvidar da legitimidade das eleições que aconteceram. Vamos ficar quietos assistindo a isso aqui ou vamos participar e colocar nosso ponto de vista?”, afirmou Barbosa ao jornal paulista.
Ao Estado, o banqueiro disse que o movimento em torno do manifesto, que até agora reuniu 6 mil assinaturas, começou com um grupo de 30 pessoas ligadas ao Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) e cresceu em 24 horas.
“[O manifesto] tem um impacto por ser uma manifestação de empresários que normalmente não se manifestam e evitam entrar em discussões políticas”, avaliou.
O manifesto
O documento pede respeito às eleições de 2022 e a garantia de realização do pleito, em resposta às ameaças golpistas de Jair Bolsonaro. O texto cita a crise sanitária, social e econômica, as mortes pela Covid-19 e o desemprego.
Entre os signatários estão nomes de peso do mundo empresarial e financeiro, como Frederico e Luiza Trajano, do Magazine Luiza, Pedro Moreira Salles e Roberto Setubal, do Banco Itaú Unibanco, Carlos Jereissati, do Iguatemi, Pedro Passos e Guilherme Leal, da Natura, e Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde.
Também assinam economistas como Armínio Fraga, Pedro Malan, Ilan Goldfajn, Persio Arida, André Lara Resende, Alexandre Schwartsman e Maria Cristina Pinotti.
Veja na íntegra
“O Brasil enfrenta uma crise sanitária, social e econômica de grandes proporções. Milhares de brasileiros perderam suas vidas para a pandemia e milhões perderam seus empregos.
Apesar do momento difícil, acreditamos no Brasil. Nossos mais de 200 milhões de habitantes têm sonhos, aspirações e capacidades para transformar nossa sociedade e construir um futuro mais próspero e justo.
Esse futuro só será possível com base na estabilidade democrática. O princípio chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos. A Justiça Eleitoral brasileira é uma das mais modernas e respeitadas do mundo. Confiamos nela e no atual sistema de votação eletrônico. A sociedade brasileira é garantidora da Constituição e não aceitará aventuras autoritárias.
O Brasil terá eleições e seus resultados serão respeitados.”
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Você e o Universo…
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Quero que você se olhe um pouco.
Não, não é necessário buscar um espelho para isso.
Basta apenas observar a pele dos seus braços, suas mãos. Toque seu rosto.
Agora observe os objetos em sua volta (incluindo o computador).
Observe sua composição.
Observando bem ficamos maravilhados na gama enorme de coisas que podem ser feitas com menos de uma centena de elementos básicos.
Eu, você, familiares, bichinhos de estimação, computador, maçã (que acabara de comer uma) e tudo que nos cerca é feito de elementos químicos.
Carbono, Ferro, Fósforo, Magnésio, Potássio, Oxigênio, Hidrogênio e Nitrogênio ou, como nos computadores, Silício, Tungstênio e tantos outros (há equipamentos eletrônicos que possuem ouro na composição por suas propriedades únicas).
Essas coisas podem ser encontradas na Terra ou pelo Universo na forma livre ou com “amiguinhos” criando compostos (o silício por exemplo é facilmente encontrado em rochas; o hidrogênio na sua forma pura é raro na Terra, vivendo sempre em compostos como a água ou combinado com o carbono).
Acontece que nem sempre foi assim.
Esses elementos não surgiram espontaneamente na Terra.
Aliás, cientistas atualmente precisam de uma energia muito alta para gerar elementos comuns na superfície terrestre, como o Ferro.
Se hoje esses elementos surgem em modernos laboratórios onde os cientistas (modernos alquimistas) criam e modificam elementos para surgir outros e sabendo que nós somos feitos desses compostos e que não somos (como espécie) mais antigos que a Terra uma pergunta deve ser feita:
onde surgiu essa miríade de elementos que compõem não apenas você ou eu, mas toda a vida na Terra (incluindo a própria Terra)?
A resposta é simples: do Universo (dãã…).
Ok, ok… creio que a resposta era mais nítida antes mesmo de ser feita a pergunta.
Mas eu cheguei no ponto onde eu quero fazer a verdadeira pergunta:
onde surgiu no Universo todos os elementos que nos compõem?
Até o Ferro, tudo bem…
Sol, fonte de energia para praticamente toda as formas de vida da Terra (excetuando algumas formas microscópicas que vivem nas profundezas do oceano e conseguem viver bem de compostos de enxofre vindos de vulcões subterrâneos).
Graças a sua conversão de hidrogênio em hélio (seguindo a famosa equação de Einstein E=mc²) ocorre a liberação de luz e calor que é irradiado para todos os lados.
Uma pequena fração dessa radiação atinge a Terra, permitindo que a vida flua e evolua nas mais diversas formas. A transformação de hidrogênio em hélio no interior do Sol acontece devido às altas pressões e temperatura em seu núcleo. Os átomos de hidrogênio estão tão próximos e se movendo tão rápido que frequentemente ocorre uma colisão entre eles. Imagine que um átomo de hidrogênio seja uma pessoa. Imagine agora o metrô de São Paulo no horário de pico. Agora imagine essas pessoas (hidrogênios) juntas dentro do metrô (núcleo do Sol) em horário de pico com greve dos ônibus coletivos e em dia de chuva. A proximidade e a colisão entre elas é inevitável. Acontece que, ao contrário das pessoas que apenas colidem, os átomos de hidrogênio no interior do Sol se chocam com uma velocidade muito alta, fundindo-os. Quando isso acontece, ocorre liberação de energia em forma de luz e calor, além de surgir um átomo de hélio. Aliado a tremenda pressão e gravidade do Sol, os fótons produzidos nessas colisões no núcleo demoram cerca de 200 mil anos para sair do Sol e chegar até à Terra.
Bom, a energia chegou aqui e pronto acabou… mas é só isso que acontece no Sol? Converter hidrogênio em hélio? Não, meu amigo ou minha amiga. A pressão no interior do Sol permite que avancemos na tabela periódica. Ou seja, além do hélio, também é produzido o lítio, berílio, boro, carbono e assim sucessivamente. Isso acontece do mesmo jeito para produzir o hélio, através de colisões, só de átomos cada vez mais pesados. E isso vai até chegar no ferro.
Ué, mas por que não até no último elemento natural, o urânio?
Então, estrelas como o Sol não tem condições de produzir elementos mais pesados pois é necessária uma pressão muito alta. E como sabemos que esses elementos existem, eles devem ter sido produzidos em algum lugar do Universo. Era preciso alguma coisa muito mais poderosa para dar conta do recado.
Explosão básica…
Olhando para os céus, os astrônomos encontraram estrelas que era não uma ou duas mas 20, 30 vezes maiores que o Sol (como medida de comparação, cabem cerca de um milhão de planetas Terra no Sol. Um milhão!) A sua força gravitacional é incrivelmente alta e a pressão em seu interior muito forte. Entretanto, ainda não era suficiente para produzir urânio, por exemplo. Mas, ao analisar o ciclo de uma estrela desse porte os cientistas descobriram que a morte desse tipo de estrela é muito, mas muito violenta. A energia liberada na explosão da que chamamos de supernova é tão alta que permite construir os elementos naturais mais pesados da natureza, como o urânio. A explosão da estrela manda esses elementos para todos os lados do Universo e podem vir a fazer parte na constituição de novos sistemas estelares no futuro.
Em um passado muito distante, existiam, como existem hoje, diversas supernovas. Essas estrelas tem vida muito curta (é como se vivessem a vida adoidado), cerca de 10 a 100 milhões de anos. Estrelas como o Sol tem vida mais longa (são estrelas menos festeiras) e podem viver cerca de 10 bilhões de anos. Num passado distante, essas estrelas explodiram, criando todos os elementos que existem na natureza. Essas nuvens da explosão remanescente foram, aos poucos, se juntando e com o passar dos milhões e milhões de anos começaram a surgir novas estrelas e planetas. E isso foi o que aconteceu com nossa querida Terra. Toda essa diversidade de elementos que existem hoje no planeta (e em você também) veio de estrelas e de supernovas.
É fascinante pensar isso. Olhe para você novamente. O fósforo, carbono, nitrogênio e demais elementos que compõem cada uma de suas células esteve, num passado distante, fazendo parte da constituição de uma supernova! Ela, que no passado fez brilhar uma parte do Universo hoje faz parte do que podemos chamar de eu, de você, desse computador ou do seu bichinho de estimação. Pensar em coisas assim nos coloca em nosso devido lugar no Universo. E que um ser, dotado de um cérebro consegue, ao ler essas palavras, imaginar o Sol, uma supernova ou viajar nos lugares mais distantes do Universo e compreender os mais variados processos realmente nos mostra o quão incrível é a natureza.
Antes de terminar, gostaria de fazer uma pergunta: bom, sabemos como os elementos mais pesados no Universo surgiram, certo? Mas, e o elemento mais leve, o hidrogênio. Como ele surgiu? As estrelas são constituídas primariamente por hidrogênio e ele deve ter surgido de algum modo. Os cientistas pensaram nessa questão por muitos anos. Em uma espécie de continuação, no próximo post vamos ver a resposta que eles propuseram para o surgimento não apenas do hidrogênio, mas de todo o Universo. Até a próxima sexta-feira. :)
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De ONDE veio o HIDROGÊNIO?
- 16 comentários -
Esse post é uma espécie de continuação de “Você e o Universo…”. Recomendo que leia para se inteirar do assunto.
O hidrogênio é um dos principais elementos (senão o principal) que existe na natureza. Composto apenas por um próton em seu núcleo atômico e de um elétron orbitando em sua eletrosfera, o átomo de hidrogênio é o mais simples e por isso, tem presença marcante em todos os lugares. Sua mais famosa associação é com o oxigênio, formando o H2O ou simplesmente água. Ele também participa em praticamente todos os compostos orgânicos existentes (ligando-se ao carbono como por exemplo para constituir a glicose que é o açúcar C6H12O6).
Um dos elementos mais abundantes da natureza (cerca de ¾ da matéria do Universo) estava desafiando os físicos. De onde o hidrogênio surgiu? Ele é constituinte primário de estrelas e de nebulosas. Sua presença em estrelas serve como estopim para a formação de todos os demais elementos da natureza, começando pelo segundo mais simples (hélio) até o mais pesado naturalmente (urânio). Embora ele seja raro na forma pura na Terra (já que o átomo dele é tão “leve” que ele escapa da força de gravidade), encontramos facilmente em compostos, que constituem a água, eu ou você. A Ciência precisava responder essa questão.
O início das coisas
Para grandes pensadores como Aristóteles, o Universo sempre esteve aqui. Estava do mesmo jeito no passado, estava como está hoje e no futuro não teria mudado uma vírgula sequer. Esse Universo de Estado Estacionário servia bem para as observações da época e explicava com clareza do porque as coisas serem como serem. Esse pensamento manteve-se pouco alterado durante séculos até que um senhor, metido a britânico da alta sociedade, disse que as coisas que compunham o Universo, como nebulosas, estavam se afastando uma das outras. Ora, quem é esse cara que disse isso? Quem foi esse senhor que fez Einstein dizer que cometera o maior erro de sua vida? Foi Edwin Hubble.
Por nossa sorte, indo contra o que os pais queriam (que fosse advogado), Hubble era apaixonado pelas estrelas e passava horas observando e tirando fotografias do céu noturno. Com o tempo, e com dados do americano Vesto Slipher, percebeu que nebulosas e galáxias estavam se distanciando uma das outras. Mais ou menos na mesma época Einstein havia criado uma Constante Cosmológica para frear o Universo em expansão que surgia de seus cálculos. Para ele o Universo deveria ser estático caso contrário ele se colapsaria contra a própria ação da gravidade. Ao observar e analisar os estudos de Hubble e de outros, ele vira que sua equação estava certa e que aquela Constante não serviria para nada. Por isso que ele disse que havia feito o maior erro de sua vida (hoje Einstein poderia ficar feliz ao saber que sua Constante não foi totalmente esquecida entre os astrônomos que ainda o usam para outros fins).
Por incrível que pareça, na mesma época, um padre belga chamado Georges Lemaître havia proposto que no passado, tudo no Universo estava concentrado num único ponto que, num dado momento, explodiu. Isso justificaria o fato das coisas estarem se expandindo nas observações e nas equações de Hubble. Além do mais, ela explicava algo muito interessante.
No passado distante, toda a matéria do Universo estava concentrado num ponto muito pequeno, extremamente quente e denso. Num determinado momento, aquilo explodiu. Não interprete explosão como de uma bomba, mas de que tudo aquilo expandiu rapidamente, ocupando “espaço”. Em nanossegundos muitas coisas aconteceram que não convém detalhar aqui mas nesse período ocorreu o que os cientistas chamam de Teoria Inflacionária o qual o Universo se expandiu muito rápido. Isso é importante para que entendamos um conceito que direi daqui a pouco. A medida que o Universo se expandia sua temperatura foi caindo e aquela energia toda dispersa começou a fazer sentido com o surgimento de radiações e partículas fundamentais, como quarks e os fótons. Os quarks e outros fundamentais são os que constituem a matéria.
Cerca de 100 segundos depois disso, bárions (que são constituídos por três quarks) começaram a se juntar. Prótons e nêutrons, que são bárions, formaram o núcleo dos primeiros átomos. Uia, quer dizer que… calma, ainda não terminei! Quase 400 mil anos depois de surgiu o Universo, a temperatura havia caído tanto que elétrons (também partículas fundamentais) que estavam vagando pelo Universo finalmente começaram a se sossegar na presença dos núcleos atômicos, constituindo a eletrosfera. Núcleo mais elétrons formam o que chamamos de átomo!
Sim meu caro, aí está a explicação para a formação do elemento mais simples do Universo, o hidrogênio (olhinhos brilhando). E sabe qual é a teoria que explica o surgimento disso tudo? Você deve ter ouvido falar como a Teoria do Big Bang! Obviamente Lemaître não chegou dizendo tudo isso mas a base da teoria está aí: de que as coisas expandiram repentinamente e que explica com sucesso a expansão que observamos atualmente. Além disso, ela explica, satisfatoriamente, a origem de elementos simples, como o hidrogênio. Outros elementos leves, como hélio também surgiram nessa época, já que nada impedia a união de mais prótons e nêutrons para constituir núcleos um pouco mais pesados, mas a maior parte da matéria produzida foi hidrogênio.
Lembra-se da parte que havia dito sobre Teoria Inflacionária? Então, muita gente não acreditava na teoria do Big Bang na época em que ela foi apresentada. Entretanto essas vozes foram caladas quando, em 1964, os americanos Arno Penzias e Robert Wilson detectaram um estranho, mas persistente ruído quando apontavam uma antena para o céu. E o ruído era sentido em todas as direções que apontavam a antena. Julgaram a princípio que poderia ser algum problema na antena e iniciaram possíveis reparos (incluindo a retirada de um ninho de pombos no interior da antena). Entretanto, ao religarem os aparelhos o ruído continuava lá. Não demorou para perceberem que o que estavam ouvindo era o ruído do Big Bang!
Hoje o Universo emite um “ruído”, chamada de Radiação Cósmica de Fundo na temperatura de quase 3 K. Isso é constante e ocorre para qualquer lugar que você aponte a antena. Uma explicação para isso foi que, no princípio, o Universo estava muito juntinho permitindo a transferência de calor por igual em todas as áreas mantendo a mesma temperatura. E como o Universo expandiu muito rápido (Teoria Inflacionária, lembra) isso se manteve constante no Universo e hoje detectamos como essa radiação constante de 3 K em todos os lados. Sabe aquele canal de TV fora do ar ou aquele ruído que você ouve ao trocar de faixa no rádio. Então, aquilo é o ruído do Big Bang. Ou seja, se você quer um bom programa de domingo na TV é só colocar num canal que não exista e curtir o domingão. rsrs
Concluindo (finalmente…)
Nenhum cientista trabalha sozinho. Nenhum cientista está certo de tudo. A Ciência é o trabalho de diversas pessoas ao longo dos anos, cada um contribuindo com um tijolinho para aumentar nosso conhecimento sobre as coisas. Muitas da teorias defendidas séculos atrás não tem fundamento nenhum hoje e, com certeza, teoria hoje defendidas ficaram sem sentido daqui a vários anos. A Ciência é essa incrível ferramenta que ajuda a entender o mundo e tudo que nos cerca. Pode não ser grande coisa em nosso cotidiano saber como o hidrogênio surgiu ou o carbono de meu corpo mas são perguntas que são feitas a medida que vamos aprendendo mais coisas e temos curiosidade em saber realmente o lugar onde vivemos. Sinto-me maravilhado em saber que os átomos que me constituem vieram de um estrela, de uma supernova e de um grande estrondo que deu origem a todo o Universo.
Embora isso não seja talvez conversa para falar entre amigos (quem me conhece sabe que menti agora) eu sei que em meu íntimo, ao olhar para o céu noturno pipocado de estrelas (no interior onde moro ainda tenho essa dádiva) não sinto medo pois ele é conhecido para mim pois eu fui ele no passado e ele será alguém no futuro. Fico feliz em saber disso…
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O que são os "twisties", o mal que afetou Simone Biles nos Jogos de Tóquio
Demétrio Vecchioli
Do UOL, em Tóquio
03/08/2021 13h27
Simone Biles saiu das Olimpíadas de Tóquio com apenas duas medalhas.
Nenhuma de ouro.
Poderia ter sido um dos maiores fracassos da história do esporte, mas ela saiu maior do que entrou.
Ao ter coragem de admitir que a pressão que sentia era grande demais e estava afetando suas performances, ela se tornou um ícone de alerta de saúde mental.
O que pouca gente, ao menos no Brasil, entendeu, é que o stress sofrido por ela tinha um efeito muito concreto.
Não era apenas medo de decepcionar alguém.
Mas uma espécie de vertigem que tira seu equilíbrio e a faz perder noção de espaço e movimento durante suas piruetas.
Quem já olhou para baixo quando cansado ou com sono e sentiu uma tontura sabe o quanto um lapso em seu cérebro pode ser desconfortável.
Para Biles, desconexões entre cérebro e corpo como a que sofreu tem um nome: twisties.

Biles deixa Tóquio sem ouro, com futuro indefinido, mas como heroína

Para explicar o que é isso, encontramos uma explicação no beisebol.
Por lá, o bloqueio mental conhecido pelo termo em inglês yips faz com que seus braços deixem de corresponder aos estímulos do cérebro.
Uma reportagem do site da liga norte-americana, a MLB, explicou:
o arremessador tem força para jogar a bola mais longe, mas o braço se desconecta do cérebro e lança a bola muito mais fraca.
Não é frescura, não é falta de treinamento, não é despreparo psicológico.
É um bloqueio mental que atinge atletas renomados que, de uma hora para outra, têm desempenhos pífios durante dias ou semanas seguidas.
O bloqueio que Simone Biles sofreu é parecido.
A diferença para o beisebol é a consequência dessa desconexão entre corpo e mente.
No jogo de tacos, o risco é ser sacado do time.
Na ginástica, quando a atleta perde o controle sobre o que seu próprio corpo pode fazer quando está no ar, girando a até três metros do chão, o risco é mortal.
Nesses momento, o o conhecimento motor adquirido durante os anos de treinamento simplesmente desaparece.
Na apresentação que marcou a desistência de Biles na final por equipes, ela pretendia fazer um salto com duas piruetas e meia.
Seu corpo só deu um giro e meio.
"Eu não tinha ideia de onde estava no ar.
Eu poderia ter me machucado", explicou Biles.
Lembre-se: ela está acostumada a realizar saltos raros até mesmo para a ginástica masculina e que não deverão ser repetidos por outras mulheres tão cedo.
Biles treinou tanto que sabe como nenhuma outra o exato momento em que precisa girar o corpo em velocidade nos 3,5 segundos entre bater a mão no cavalo e terminar o salto com os dois pés no colchão.
Naquele dia, essa memória cerebral simplesmente se perdeu em alguma sinapse.
A americana encerrou a apresentação de pé, assustada, mas inteira.
Sem a noção espacial, perdida no ar, poderia ter caído de cabeça, ou numa angulação que causasse sérias lesões em seus membros inferiores.
Simone Biles disse que já havia sentido twisties em outras ocasiões, uma delas no início de 2019.
Depois de dizer isso, outros ginastas falaram sobre o problema:
"Eu tenho os twisties desde os 11 anos.
Não posso imaginar o medo de que isso aconteça com você durante a competição", postou no Twitter a americana Aleah Finnegan.
Isso porque durante a maior parte do tempo os ginastas saltam em poços de espuma.
Só mais perto das competições e, especificamente nelas, é que os saltos são feitos em superfícies duras.
Uma coisa é sofrer o bloqueio caindo na espuma.
Você pode insistir nos exercícios sem sofrer risco de lesão até que seu corpo entenda como recuperar as conexões mentais novamente.
Outra, em um colchão fino durante uma competição.
Laurie Hernandez, outra ginasta que já fez parte da seleção dos Estados Unidos, contou ao site das Olimpíadas de Tóquio que já teve o problema e que ele afeta não apenas o controle motor, mas também a moral do atleta, que deixa de acreditar na sua capacidade de executar um movimento.
Em treinos, isso pode ser resolvido reaprendendo a saltar ao longo de alguns dias —novamente, no fosso de espumas.
A recuperação de Biles, que voltou a competir hoje na final da trave e saiu com a medalha de bronze, foi grande.
Por que o problema que ela enfrentou era muito mais do que medo.
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Jamil Chade - Eventos climáticos extremos se multiplicarão, diz painel científico global
Resumo da notícia
- Informe do IPCC que será lançado na próxima semana vai constatar relação entre mudanças climáticas e as atividades humanas
- UOL obteve com exclusividade rascunho do texto que está sendo alvo de negociações nesta semana
- Verões mais longos e mais quentes, secas e chuvas torrenciais vão se intensificar, mesmo se humanidade frear emissões de CO2
A frequência de eventos climáticos extremos - chuvas torrenciais, elevação do nível do mar, secas e elevadas temperaturas em locais tradicionalmente frios - será multiplicada ao longo do século 21, mesmo que a humanidade consiga frear o aumento das emissões de CO2. E isso já é o resultado da ação humana no planeta.
A constatação fará parte do novo informe do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e que será lançado na próxima segunda-feira. Há mais de uma década, o grupo que recebeu o prêmio Nobel da Paz constatou que as mudanças climáticas já eram uma realidade. Agora, apontam que tal cenário está intimamente relacionado com a atividade humana e que não se trata de um ciclo do planeta.
O documento, o primeiro de tal dimensão em sete anos, está sendo negociado por cientistas e representantes de governos nesta semana. Mas de acordo com o rascunho do informe obtido pelo UOL, todos os indicadores e previsões apontam para um cenário mais grave do que se imaginava há apenas dez anos.
O texto elaborado por mais de 240 cientistas e com mais de 3,9 mil páginas também deixa claro: "influência humana aqueceu o sistema climático a uma taxa que não tem precedentes nos últimos 2 mil anos".
O informe vem em um momento em que a Europa descobre o impacto mortal das chuvas, que o Canadá registra 49 graus Celsius e temporais assolam a China.
"É praticamente certo que a frequência e intensidade do calor extremo e a intensidade e duração das ondas de calor aumentaram na maioria das regiões terrestres desde 1950, enquanto os extremos frios se tornaram menos frequentes e severos", diz o informe.
"As ondas de calor marítimas se tornaram mais frequentes no século 20 e a influência humana contribuiu muito provavelmente para 84-90% desses casos desde pelo menos 2006", indicou.
De acordo com o IPCC, a influência humana contribuiu também para a seca e "é provável que a proporção de ciclones tropicais que são categorizados como intensos tenha aumentado mais nas últimas quatro décadas". "Esta mudança não pode ser explicada apenas pela variabilidade natural", confirma.
Emissões de CO2 estão relacionadas com temperaturas
Na avaliação do IPCC, há uma relação direta entre as emissões de CO2 e as temperaturas do planeta para o restante do século. O grupo acredita que, em comparação ao nível médio entre 1850 e 1900, a temperatura média global da superfície entre os anos 2080 e 2100 será entre 1,0°C e 1,8°C acima, mesmo com a taxa mais baixa de emissões.
Mas se nada for feito em termos de emissões, as temperaturas ficarão 3.3°C a 5,7°C acima. Tal transformação apenas foi registrada há mais de 3 milhões de anos.
"Há uma relação linear entre as emissões cumulativas de CO2 e o aquecimento global que elas provocam", aponta. Para cada 1000 PgC de CO2 acumulado pode causar um aumento de temperatura de 1,0°C -2,3°C.
Esta relação implica, segundo o IPCC, que estabilizar a relação entre a atividade humana e o aumento de emissões é fundamental para frear o aumento da temperatura global.
Cada meio grau adicional de aquecimento global ainda causa aumentos estatisticamente significativos em temperaturas extremas, na intensidade da precipitação forte e a severidade das secas.
"A ocorrência de eventos extremos que são raros no presente aumentará com o aquecimento global adicional, mesmo a 1,5°C", alerta.
De acordo com o IPCC, portanto, mesmo com a situação se estabilizando, a frequência e intensidade de calor extremo e a duração das ondas de calor vão aumentar. Em algumas regiões, a incidência de eventos extremos pode ser duas ou três vezes maior ao longo do século.
Recordes sendo batidos
Ao longo do informe, todos os dados apontam como recordes foram batidos nos últimos anos, seja em termos de temperaturas, cobertura de gelo ou transformações climáticas.
"Nos últimos 50 anos, a temperatura da superfície global observada aumentou a uma taxa sem precedentes pelo menos nos últimos 2000 anos", diz. "É mais provável que a década mais recente tenha sido globalmente mais quente do que qualquer outra década desde o auge da última interglacial, cerca de 125 mil anos atrás", afirma.
De acordo com o IPCC, durante a última década, a cobertura anual de gelo do mar Ártico atingiu seu nível mais baixo desde pelo menos 1850, e a cobertura no final do verão foi menor do que em qualquer outra época durante pelo menos os últimos 1000 anos. A recente retirada global das geleiras é sem precedentes, pelo menos nos últimos 2000 anos", constatam.
O documento também aponta que a taxa de elevação do nível médio global do mar a partir de 1900 subiu mais rapidamente do que em qualquer outra época em pelo menos os últimos 3 mil anos. Já a taxa de "ganho de calor do oceano foi maior no século passado do que em qualquer outra época desde o fim da última era glacial".
A acidificação da superfície do oceano é maior agora, e tem aumentado mais rapidamente, do que em qualquer outra época do século passado.
Para os cientistas, tais extremos "teriam sido extremamente improváveis de ocorrer sem a influência (do homem) sobre o sistema climático".
Sem uma redução drástica de emissões de CO2, a previsão é de que o século 21 veja a temperatura ultrapassar a elevação de 2°C, em relação à média entre o período de1850-1900. Mesmo se o mundo neutralizar as emissões de CO2 até 2050, o risco é de que se atravessa a elevação de 1,5°C.
Aquecimento mais cedo e elevação do nível do mar
Outra constatação dos cientistas é de que o mundo viverá uma transformação de seu clima anos antes do que se previa originalmente. A elevação intensa poderá já ser identificada na 2030. Isso é cerca de dez anos antes das estimativas feitas no início do século.
No informe, a temperatura pode exceder na década de 2030 a marca de 1,5°C em relação ao período de 1850-1900, com uma probabilidade entre 40% e 60%.
Os glaciais continuarão a perder massa por pelo menos várias décadas, mesmo que a temperatura global esteja estabilizada. Há uma alta confiança de que tanto a Groenlândia quanto as placas de gelo da Antártida continuarão a perder massa ao longo deste século. "Os processos de desestabilização das placas de gelo poderão contribuir com mais de um metro adicional de aumento do nível do mar até 2100", dizem.
O IPCC também desfaz qualquer ilusão sobre a questão das cidades costeiras. "É praticamente certo que o nível médio global do mar continuará a subir ao longo do século 21, com uma provável elevação de 0,28-0,55 m (no cenário mais baixo) e 0,63-1,02 m (no cenário mais pessimista) em relação à média de 1995-2014", diz.
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Análise: Maria Carolina Trevisan - Bolsonaro encolhe com reações do Supremo, TSE e pressão da CPI da Covid

Maria Carolina Trevisan
Colunista do UOL
03/08/2021 13h40
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) forçou tanto os limites da democracia que, enfim, tem respostas mais contundentes às suas atitudes. As ações previstas para esta semana prometem dar limites ao presidente, contrabalançar seus ímpetos golpistas e desnudar suas ambições pouco republicanas.
O primeiro recado — forte, porém contido — veio do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, na reabertura dos trabalhos do tribunal na segunda (2). Ele disse que a harmonia entre os Poderes não supõe "impunidade de atos que exorbitem o necessário respeito às instituições". Bolsonaro não tem demonstrado nenhum respeito ao STF.
Arma em casa não é fator de proteção à mulher, como pensa Joice
Fux não mencionou o presidente, apesar de ter se dirigido aos atos do mandatário do país. O discurso foi o abre-alas para o que o Tribunal Superior Eleitoral colocasse — com muito mais ênfase — consequências claras em seguida.
Até segunda (2), o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, buscou fortalecer a confiança na urna eletrônica e a lisura do processo eleitoral pelos canais oficiais sem entrar em embate direto com o presidente.
Mas Jair forçou tanto que o ministro deixou de lado a estratégia de não dar muita visibilidade às ameaças contra as eleições — as quais ele atribuía o peso de "retórica" vazia — para pontuar uma demarcação muito mais objetiva e contundente sobre até onde essa intimidação poderia chegar.
O TSE agiu. Aprovou na noite de ontem, por unanimidade, a abertura de um inquérito administrativo e o envio de uma notícia-crime ao STF para que Bolsonaro seja investigado no inquérito das fake news. Os votos foram a favor da apuração de ofício, que não depende da Procuradoria Geral Eleitoral no caso do inquérito administrativo.
A notícia-crime, que deve ser aceita pelos ministros do Supremo, fará a investigação da própria live do presidente da República, da última quinta (29), em que prometeu mostrar provas de fraudes às urnas eletrônicas, mas emplacou informações falsas recicladas.
O espetáculo de Bolsonaro tinha a intenção de incendiar a base bolsonarista radical e provocar uma adesão maior às manifestações do último domingo (1º). Um novo ato em seu apoio está previsto para próximo ao dia 7 de setembro, em Brasília.
Serviu para instigar as instituições a tomarem posição clara: "Há retardatários que gostariam de voltar ao passado. E parte dessa estratégia inclui ataque às instituições", disse Barroso.
Com a notícia-crime aceita, Bolsonaro passará a ser um presidente investigado com risco de ser condenado pela Justiça Eleitoral. A questão agora é saber se as instituições irão até o fim ou se é mais uma atitude para tentar moderar o incontornável.
Próximos dias
Nesta quarta (4), o novo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, representante do centrão, toma posse. Ele deve delimitar os papéis de cada ala do governo, demarcando limites.
Sua atuação levará em conta o custo que é estar no governo Bolsonaro. Para valer a pena, Nogueira tem que ter poder e autonomia até para dizer o que o presidente deve acatar. Veremos nos próximos dias qual será o seu tamanho no governo federal.
Em paralelo, a CPI da Covid volta à cena. Até agora, a comissão desmontou os arranjos da cúpula da Saúde — dirigida pelo ex-ministro general Eduardo Pazuello e envolvida com o diretor-executivo, Elcio Franco, em tratativas corruptas para a aquisição de vacinas.
A CPI também demonstrou a existência de um gabinete paralelo que apostou e gastou recursos em medidas inócuas como a compra, produção e distribuição da cloroquina, que não só é ineficaz contra a covid-19 como pode provocar outros problemas de saúde.
A campanha negacionista do governo também ficou evidente com a negligência acerca dos protocolos de restrição de circulação do novo coronavírus, como o uso de máscaras e o distanciamento social.
Agora, a comissão deverá esclarecer o papel que teve o ministro militar Braga Netto, que geria a Casa Civil e deveria ter coordenado um gabinete de crise, assim como a atuação do líder do governo na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR).
Está pautada a análise da quebra de sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático do parlamentar com base no depoimento do deputado federal Luiz Miranda (DEM-DF), sobre a aquisição de vacinas Covaxin.
E na quinta (5), a PEC do voto impresso deverá ser legalmente enterrada. Presidentes de 11 partidos fecharam posição contra o voto impresso, inclusive a base aliada de Bolsonaro no Congresso. Eles representam 326 deputados entre os 513 integrantes da Câmara, número suficiente para derrubar a medida.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que chegou a esboçar apoio à proposta de Bia Kicis (PSL-DF) e manobrou para adiar a votação para depois do recesso, sofreu desgaste e mudou de posição.
Com isso, qualquer discussão de defesa do voto impresso será golpe. É mais uma derrota do presidente Bolsonaro. Ficou evidente que a tentativa de Jair é emplacar a defesa do voto fraudável que dê lugar a decisões antidemocráticas.
É uma semana de grandes desgastes para Bolsonaro, em que o Supremo sinaliza que não deve mais tolerar os insultos diretos à corte ou à democracia, o TSE mostra que ele deve ser investigado com base na própria live, o centrão define o papel que cabe aos outros componentes do governo, a CPI pressiona e está cada vez mais próxima a Bolsonaro e a estratégia do voto impresso será derrubada.
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Degelo na Groenlândia está ACELERADO
Onda de calor na Groenlândia derreteu cerca de 8 bilhões de toneladas POR DIA, o DOBRO da TAXA MÉDIA durante o período de verão
Desde quarta-feira (28), a calota polar que cobre o vasto território ártico derreteu cerca de 8 bilhões de toneladas POR DIA, o DOBRO da taxa média durante o período de verão

O aquecimento do Ártico é três vezes mais rápido do que no resto do mundo. Seu retrocesso, que começou há várias décadas, se acelera desde 1990 e pode provocar a liberação de vírus e bactérias mortais.
Da RFI - Uma onda de calor na Groenlândia, com temperaturas de mais de 10 graus acima das esperadas nesta época do ano, desencadeou um episódio de derretimento "maciço" do manto de gelo do país esta semana. A advertência foi feita por glaciologistas que observam a área.
Desde quarta-feira (28), a calota polar que cobre o vasto território ártico derreteu cerca de 8 bilhões de toneladas por dia, o dobro da taxa média durante o período de verão, de acordo com dados do Portal Polar, uma ferramenta de modelagem administrada por institutos de pesquisa dinamarqueses.
De acordo com o instituto meteorológico dinamarquês DMI, temperaturas incomuns de mais de 20 graus Celsius foram registradas no norte da Groenlândia nos últimos dias, com recordes locais. Essa onda de calor, que também afetou grande parte do território ártico, acelerou o degelo da calota polar.
A título de comparação, o imenso volume de água derretido diariamente nos últimos dias – 8 bilhões de litros de água doce – "seria suficiente para cobrir toda a superfície da Flórida com cinco centímetros de água", diz o Polar Portal.
O recorde diário de degelo da Groenlândia, registrado no verão de 2019, não foi quebrado, mas a parte do território onde o gelo derreteu é maior do que há dois anos, notou o site de observação do Ártico.
Aumento do nível do mar e novas doenças
Segunda maior calota glacial depois da Antártica, com uma área de quase 1,8 milhão de quilômetros quadrados, a camada de gelo que cobre a Groenlândia preocupa os cientistas porque o aquecimento do Ártico é três vezes mais rápido do que no resto do mundo. Seu retrocesso, que começou há várias décadas, se acelera desde 1990 e pode provocar a liberação de vírus e bactérias mortais.
De acordo com um estudo europeu publicado em janeiro, o degelo da camada de gelo da Groenlândia contribuirá para o aumento geral do nível do mar em 10 a 18 centímetros até 2100, o que é 60% mais rápido do que a estimativa anterior. O manto polar da Groenlândia contém o suficiente para elevar os oceanos de 6 a 7 metros.
Devido a um início de verão relativamente frio com queda de neve e chuva, o recuo do manto de gelo em 2021 ainda está na média histórica, de acordo com o Portal Polar. O período de degelo vai de junho ao início de setembro.
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Santos Cruz diz que projeto de Bolsonaro é pessoal e anarquista e que Forças Armadas não irão apoiá-lo
“A gente percebe que é alguma coisa pessoal e muito anarquista também. Com clareza, você tem a destruição das instituições", disse o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo

247 - O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo, afirmou que Jair Bolsonaro tem o “poder pessoal” como projeto de governo. Para ele, Bolsonaro está perturbando de forma deliberada o sistema de votação no Brasil para justificar uma intervenção das Forças Armadas, mas que estas não deverão embarcar no plano.
“A gente percebe que é alguma coisa pessoal e muito anarquista também. Com clareza, você tem a destruição das instituições. A Anvisa foi desmoralizada, o Ministério da Justiça, o Coaf foi desmoralizado”, disse o militar em entrevista à jornalista Míriam Leitão na Globonews, que será levada ao ar nesta terça-feira (3).
O general, que hoje está na reserva do Exército, disse que jamais viu um desgaste tão grande nas Forças Armadas. “Fiquei 47 anos no Exército, eu nunca vi as Forças Armadas sofrendo um desgaste tão grande como estão sofrendo agora, exatamente no governo do presidente Bolsonaro”, acrescentou. Para ele, o ex-capitão está criando uma anarquia no país.
Por conta disso, Santos Cruz disse estar discutindo com alguns partidos visando disputar as eleições de 2022. O objetivo, segundo ele, seria defender as Forças Armadas do desgaste causado pela politização.
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Bolsonaro e o Neonazismo
O que parecia inexplicável do ponto de vista do interesse político-eleitoral de Bolsonaro, ganha luz com a recente descoberta da pesquisadora antropóloga Adriana Dias

Liszt Vieira, Carta Maior - Para um candidato à Presidência da República que sempre contou com o apoio dos judeus conservadores, tudo indica que Bolsonaro deu um tiro no pé ao receber e tirar foto oficial com a deputada alemã Beatrix von Storch, do partido de extrema direita Alternativa para Alemanha (AfD) que abriga neonazistas.
O presidente da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg, que há 3 meses aplaudiu Bolsonaro num jantar com empresários de São Paulo (O Globo, 28/7/2021), lançou nota criticando o encontro do presidente com a deputada neonazista. O que parecia inexplicável do ponto de vista do interesse político-eleitoral de Bolsonaro, ganha luz com a recente descoberta da pesquisadora antropóloga Adriana Dias.
Conforme publicado no site Intercept, essa pesquisadora encontrou carta de Bolsonaro publicada no site neonazista Econac, com data de 2004. Na carta, Bolsonaro dizia: “Vocês são a razão da existência do meu mandato”. Além disso, três sites diferentes de neonazistas trazem um banner com a foto de Bolsonaro e um link para o site que ele tinha na época. Como se vê, desde 2004, pelo menos, os neonazistas apoiam Bolsonaro.
Não é a primeira vez que um militar brasileiro apoia o nazismo. Na ditadura de Getúlio Vargas, nos anos 30 do século passado, o próprio Ministro da Justiça, Francisco Campos, autor da Constituição ditatorial, era um notório admirador de Mussolini. O ministro da Guerra, Eurico Dutra, não escondia suas simpatias por Hitler, assim como o chefe do Estado-Maior, Góes de Monteiro, e o chefe da polícia da capital, Filinto Müller. Dutra e Monteiro chegaram a ser condecorados pelo Terceiro Reich com a maior distinção possível dada a estrangeiros. Ambos pressionaram para o Brasil apoiar a Alemanha na Segunda Guerra Mundial.
O Ministro das Relações Exteriores, o chanceler Oswaldo Aranha, ex-embaixador nos Estados Unidos, era um contraponto à forte influência alemã no regime. Getúlio acenou publicamente para a Alemanha e Oswaldo Aranha negociou nos bastidores com os Estados Unidos. Antes e nos primeiros anos da 2ª. Guerra, o Brasil permaneceu numa posição de ambiguidade e pragmatismo. Consta que Getúlio negociou com os americanos a construção da Usina Siderúrgica Nacional em Volta Redonda em troca da cessão de uma base aérea em Natal para os EUA.
De lá para cá, os militares brasileiros se subordinaram aos interesses dos EUA e sua ideologia liberal anticomunista da guerra fria em troca de apoio e algum equipamento militar. Mas as ideias fascistas continuaram atuando nos bastidores, empolgando corações e mentes dos militares brasileiros. Estavam presentes na tentativa frustrada de Jacareacanga em fins de 1955 para impedir a posse de Juscelino Kubitschek, na chamada “República do Galeão” que tentou um golpe militar em 1954, adiado 10 anos pelo suicídio de Getúlio, no embargo à posse de Jango após a renúncia de Jânio Quadros em 1961, no golpe de 1964, no AI-5 em dezembro de 1968, durante toda a repressão da ditadura militar, no atentado do Riocentro em 30/4/1981. Bolsonaro foi a expressão maiúscula do fascismo que germinava na sombra do ideário militar, uma espécie de “retorno do reprimido”, devidamente atualizado com o uso da mídia digital e sua indústria de fake news, espelhada na experiência da empresa Cambridge Analytica no Brexit, em junho de 2016 no Reino Unido, e na eleição de Trump, em novembro de 2016, nos EUA.
Agora, pesquisadores encontraram no Arquivo Nacional documento mostrando o antissemitismo do Exército. O documento confidencial do Ministério do Exército, de 12/2/1976, com o título Informação número 303/76-CB, o Assunto “O Judeu e o Comunismo” a Origem “DOI/CODI/ II Ex ------------------P.00769/76, e Difusão CTE K- SNI/ASP, depois de um texto carregado de preconceito, relaciona em seguida 56 militantes de esquerda, de origem judaica, que lutaram contra a ditadura militar.
Bolsonaro não encontrou no Exército nenhum obstáculo para desenvolver suas ideias fascistas. Após sua eleição em 2018, Bolsonaro e seus filhos passaram a cortejar e visitar países com regimes autoritários de extrema direita e se reunir com suas lideranças. Em abril de 2019, Eduardo Bolsonaro visitou o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, e o vice premier da Itália, Matteo Salvini, líder da Liga. Em julho de 2021, visitou a Ucrânia e sua indústria bélica. E não escondeu sua simpatia pelo grupo paramilitar de extrema direita 'Pravyi Sektor', O presidente Jair Bolsonaro adiou visita a Hungria e Polônia por causa da pandemia e já demonstrou simpatia pelo ditador das Filipinas, Rodrigo Duterte. No que se refere a Trump, a relação de Bolsonaro é de vassalagem.
“O papel do Governo brasileiro ficou claro em janeiro de 2021, quando funcionários de alto escalão de Trump enviaram mensagens a outros países informando que projetos que tinham sido conduzidos pela Casa Branca seriam assumidos a partir daquele momento por Bolsonaro. Seria do presidente brasileiro a função de liderar a aliança internacional ultraconservadora criada para influenciar as decisões da ONU, OMS e outros organismos. A informação faz parte de um e-mail enviado a colaboradores por Valerie Huber, do governo Trump, anunciando em 20 de janeiro de 2021 que o Brasil gentilmente ofereceu-se para coordenar essa “coalizão histórica” (El País, 26/7/2021).
Os Bolsonaros são parte integrante da articulação internacional de extrema direita que espera o retorno de Trump ao poder nos EUA. Bolsonaro está assumindo papel de liderança nesse movimento para se colocar de joelhos aos pés de seu big boss, Donald Trump. Essa missão é prioritária para Bolsonaro, pois corresponde à sua ideologia neonazista. Para levar adiante essa tarefa, ele prejudica até mesmo seus interesses eleitorais.
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