9 ___________________* ALERTA (2021-12-18): SATURDAY: É ASSUSTADORA a TSUNAMI da ÔMICRON em NEW YORK | Guga Chacra _____________________* ALERTA (2021-08-14): Com ALTA de MORTES de IDOSOS com 60 anos ou mais por COVID-19 no Rio de Janeiro na quantidade de ÓBITOS por Covid-19 em pessoas de 60 anos ou mais no Rio de Janeiro, número de INTERNAÇÕES de MAIORES de 80_anos chega ao MAIOR PATAMAR da pandemia no Rio. ______________________________* ALERTA:
Gerar link
Facebook
X
Pinterest
E-mail
Outros aplicativos
_____________________________________ ALERTA:
Com ALTA de MORTES de IDOSOS com 60 anos ou mais por COVID-19 no Rio de Janeiro, número de INTERNAÇÕES de MAIORES de 80 anos chega ao MAIOR PATAMAR da pandemia no Rio _________________________________________________
ALERTA * 2021-12-22 * Vxxx
De novo: Casos de Covid-19 EXPLODEM em PORTUGAL e aumentam 55% em 24 (VINTE_E_QUATRO) horas _________________________________________________
ALERTA * 2021-12-18 * Sxxx:
É ASSUSTADORA a TSUNAMI da ÔMICRON em NEW YORK | Guga Chacra _________________________________________________ ALERTA:
A EFICÁCIA VACINAS, sobretudo em relação ao imunizante que tem a tecnologia do vírus inativado (Coronavac Chinesa) em pessoas com mais de 70 anos, _______________________________ notadamente aqueles NONAGENÁRIOS, ________ têm uma EFETIVIDADE da vacina MUITO BAIXA, chega a ser ABAIXO de 30%. ____________________ Essas pessoas NÃO estão PROTEGIDAS. _______ Isso justifica a TERCEIRA DOSE. (Queiroga) _________________________________________________"Na UTI covid hoje, só IDOSOS e jovens NÃO VACINADOS", diz médica do HC-SP _________________________________________________Ômicron pode causar mais reinfecção do que variante delta, mostram estudos
Mesmo que a maioria dos casos seja leve, uma variante ALTAMENTE TRANSMISSÍVEL pode resultar em casos suficientes de Covid para SOBRECARREGAR os SISTEMAS de SAÚDE, disse o CDC.
_________________________________________________Minas Gerais identifica cinco casos da variante Mu ________________________________________________QUARTA_DOSE em transplantados? NONAGENÁRIOS estão no mesmo caso?
_________________________________________________E a EXPLOSÃO da variante DELTA na ÍNDIA? ____________ Foi contida com sucesso? ____________ O que NÃO aconteceu em BANGLADESH, PAQUISTÃO e ÁFRICA? _________________________________________________ A situação em CUBA é realmente DRAMÁTICA? Como assim? _________________________________________________Presidente da Associação Médica Mundial TEME SURGIMENTO de VARIANTE do coronavírus 'tão perigosa quanto o EBOLA'
_________________________________________________LUCAS LEONI: “Eu era o famoso MAXX_FITCH gay-for-pay" _________________________________________________
“É ILUSÃO achar que militares NÃO estarão COM BOLSONARO numa eventual AVENTURA GOLPISTA ”, diz Cynara Menezes
_________________________________________________Mais de 7.000 voos cancelados no fim de semana; ômicron se propaga pelo mundo
Diversos voos são cancelados devido à variante do coronavírus, principalmente na Europa Imagem: Guilherme Stecanella/Unsplash
26/12/2021 12h09
Nova York, 26 dez 2021 (AFP) - Mais de 7.000 voos foram cancelados em todo o mundo durante o fim de semana prolongado de Natal devido à propagação acelerada da variante ômicron da covid-19, que afeta em particular as tripulações das companhias aéreas.
A Europa é atualmente a região com mais casos, com mais de três milhões nos últimos sete dias, 57% do total mundial, assim como a maior quantidade de mortes, seguida por Estados Unidos e Canadá (1,4 milhão de novos contágios).
Passageiro é expulso de voo nos EUA por usar calcinha no lugar de máscara
A França superou a marca de 100.000 novos casos de covid-19 em 24 horas no sábado de Natal, um número sem precedentes. O governo avaliará a situação em uma reunião na segunda-feira.
O relatório mais recente do site Flightaware informa quase 2.000 cancelamentos de voos neste domingo, incluindo mais de 570 relacionados com os Estados Unidos - viagens internacionais ou domésticas.
No sábado, o mesmo site registrou quase 2.800 cancelamentos de voos, 970 relacionados aos Estados Unidos.
Na sexta-feira os cancelamentos se aproximaram de 2.400, além de 11.000 voos adiados, segundo o Flightaware.
Muitas companhias aéreas foram obrigadas a deixar pilotos, comissários de bordo e outros funcionários em quarentena, depois que os trabalhadores foram expostos à covid. As empresas Lufthansa, Delta e United Airlines cancelaram diversos voos.
De acordo com o Flightaware, a United Airlines teve que cancelar 439 voos na sexta-feira e sábado, quase 10% das viagens programadas.
"O pico de casos de ômicron em todo país esta semana teve um impacto direto nas nossas tripulações e nas pessoas que dirigem nossas operações", afirmou a empresa americana em um comunicado, no qual afirma que busca soluções para os passageiros afetados.
A Delta Air Lines cancelou 310 voos no sábado e 170 na sexta-feira, também de acordo com o Flightaware, que menciona a ômicron como o principal motivo do problema e, em menor medida, as condições climáticas adversas.
"As equipes da Delta esgotaram todas as opções e recursos antes de definir os cancelamentos", afirmou a empresa.
Onze voos da Alaska Airlines foram cancelados, depois que alguns de seus funcionários relataram que foram "potencialmente expostos ao vírus" e iniciaram um confinamento.
Na região oeste dos Estados Unidos a meteorologia prevê tempestades de neve e queda expressiva das temperaturas, o que complicará ainda mais uma situação já caótica.
Mas cidades como Seattle e Portland conseguiram aproveitar o Natal com neve.
"Condições de frio anormais e um fluxo de umidade do Pacífico resultarão em períodos prolongados de nevascas e chuvas", afirmou o Serviço Meteorológico Nacional (NWS) dos Estados Unidos.
As companhias aéreas chinesas representaram o maior número de cancelamentos: a China Eastern cancelou quase 540 voos, mais de 25% do total programado, enquanto a Air China cancelou 267, o que significa quase 25% das decolagens previstas.
Os cancelamentos representam um duro golpe para a tão aguardada retomada das viagens nas festas de fim de ano, depois do Natal de 2020 que foi muito afetado pela pandemia.
Nos Estados Unidos, de acordo com estimativas da Associação Automobilística Americana (AAA), mais de 109 milhões de americanos deveriam deixar sua área de residência de avião, trem ou carro entre 23 de dezembro e 2 de janeiro, um aumento de 34% em relação ao ano passado.
Os cancelamentos não afetaram as viagens do Papai Noel, monitoradas há décadas pelo Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (NORAD), que registrou 7.623.693.263 presentes distribuídos este ano.
O NORAD afirma que monitora o trenó do Papai Noel graças a um sensor colocado no nariz de uma das renas.
A pandemia de covid-19 já provocou 5,3 milhões de mortes no mundo desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou o surgimento da doença no fim de dezembro de 2019 na China.
A cidade chinesa de Xi'an, onde os 13 milhões de habitantes estão em confinamento, anunciou neste domingo uma desinfecção "total" e restrições ainda mais duras, no momento em que o país registrou o maior número de casos (206) em apenas um dia em 21 meses.
_________________________________________________Casos de Covid na China atingem máxima de 21 meses após surto em Xian
15.dez.2021 - Trabalhador da saúde realize teste de covid-19 em mulher em Hangzhou, na China Imagem: AFP
26/12/2021 13h06
PEQUIM (Reuters) - A China relatou seu maior aumento diário em casos locais de Covid-19 em 21 meses, já que as infecções mais que dobraram na cidade de Xian, no noroeste, o mais recente polo de transmissão de coronavírus do país.
A cidade de 13 milhões de habitantes, que entrou em seu quarto dia de lockdown, detectou no sábado 155 casos de transmissão doméstica com sintomas confirmados, ante 75 no dia anterior, segundo dados oficiais divulgados neste domingo.
Com vacinação menor, Brasil vê risco de surtos de gripe e outras doenças
Isso elevou a contagem diária nacional para 158, a maior desde que a China conseguiu conter um surto nacional no início de 2020.
Xian, com 485 casos sintomáticos locais relatados para o período de 9 a 25 de dezembro, impôs medidas pesadas para conter o surto, em linha com a política de Pequim de que qualquer surto deve ser contido o mais rápido possível.
A cidade conseguiu detectar rapidamente esses casos por meio de três rodadas de testes em massa, disse He Wenquan, uma autoridade de Xian, em uma coletiva de imprensa neste domingo, acrescentando que números elevados de casos podem persistir nos próximos dias.
"A fim de rastrear rapidamente os grupos de pessoas infectadas, após uma análise de especialistas, vamos intensificar as medidas de controle em áreas-chave, especialmente em locais com maior nível de risco", disse Wenquan.
O governo local também anunciou que lançaria uma campanha de desinfecção em toda a cidade a partir das 18h, horário local, pedindo aos moradores que fechem as janelas e tragam roupas ou outros itens de suas varandas.
Os residentes não podem deixar a cidade sem a aprovação dos empregadores ou das autoridades locais e várias rodadas de testes em massa foram realizadas para identificar os casos.
A cidade ainda não anunciou nenhuma infecção causada pela variante Ômicron, embora as autoridades chinesas tenham relatado diversas infecções pela nova variante entre viajantes internacionais e no sul da China.
Incluindo os casos importados, a China continental confirmou 206 novos casos em 25 de dezembro, ante 140 um dia antes.
Nenhuma nova morte foi relatada, deixando o número cumulativo de mortes em 4.636. A China continental tinha 101.077 casos confirmados em 25 de dezembro.
(Reportagem de Roxanne Liu, Stella Qiu e Ryan Woo)
_________________________________________________Em tempos de Ômicron, saiba como atravessar as festas de fim de ano com risco de contágio reduzido
Especialistas dão dicas de com organizar Natal e réveillon com mais proteção contra a Covid
Elisa Martins, Mariana Rosário e Melissa Duarte 18/12/2021 - 21:32
Número limitado de convidados e critério de vacinação estão entre as dicas de especialistras Foto: Unsplash
SÃO PAULO E BRASÍLIA — Ano passado, não teve amigo oculto, Papai Noel para as crianças nem ceia farta no Natal da família da analista de recursos humanos Luciana Santos, que vive em São Paulo e costuma passar as festas no Rio. A celebração contou com poucos convidados e muita apreensão com a pandemia. Este ano, com os parentes vacinados contra a Covid-19, o plano é comemorar juntos, com a mesa cheia — mas ainda com precauções.
— Amamos Natal, e no último não pudemos nos encontrar. Foi difícil, triste. Mas este ano a família está toda vacinada com as duas doses, os mais velhos até com a terceira, então vamos nos reunir. As crianças estão na maior expectativa. Mas os cuidados continuam. Vamos manter o ambiente aberto. Distanciamento vai ser mais complicado, mas nosso combinado é que se alguém tiver qualquer espirro, sintoma de gripe ou Covid, não vai à celebração — conta Luciana.
Com o avanço da vacinação e os números da pandemia em queda, muitas famílias vão fazer neste fim de ano a tradicional e aguardada reunião que faltou em 2020. Mas ainda não será o festão que as famílias costumavam fazer em dezembro, nem aquela confraternização com convidados saindo pela janela. Ou ao menos não seria o recomendado, segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO.
Se é verdade que a imunização adicionou a dose de esperança que o ano passado ficou devendo, o surgimento de novas variantes do coronavírus, como a Ômicron, e a epidemia de influenza inspiram atenção. A boa notícia é que é possível reduzir bastante os riscos respeitando quatro pilares de proteção: vacinação, distanciamento, ventilação e uso de máscaras.
— Em comparação ao mesmo período do ano passado, hoje vivemos um melhor cenário em relação à transmissão do coronavírus. Mesmo assim, se for possível fazer confraternizações em núcleos menores, não associados a aglomerações, é o mais indicado. E de preferência em locais arejados, abertos ou se fechados, com as janelas abertas. Apesar do momento positivo da pandemia, ela ainda não acabou, e a cobertura vacinal ainda não está acima dos 80%. Ainda mais com nova variante — diz o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz.
Mesmo com a boa cobertura da população adulta, a lacuna da imunização infantil ainda preocupa em alguns lares. Pai de Pedro, de 10 anos, e de Maria Fernanda, de 2, o servidor público João Paulo Biage, 33, conta que a celebração do Natal, que costuma reunir família e amigos em Brasília, vai se reduzir ao núcleo familiar mais próximo este ano. Já para o réveillon, a festa não tem destino definido:
— Neste ano, a gente nem sabe o que vai fazer no ano novo. O Natal, normalmente, é na casa da minha mãe e bem badalado. Dessa vez, a gente vai fazer no rancho do meu irmão, que é num local um pouquinho mais afastado. Lá é bom porque as crianças ficam livres, conseguem brincar bastante, ir ao lago...
Para pesquisador Vitor Mori, da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, a decisão de realizar encontros nesta época do ano é muito
Para pesquisador Vitor Mori, da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, a decisão de realizar encontros nesta época do ano é muito particular. O que deve prevalecer, portanto, é uma avaliação de risco-benefício, já que muitas pessoas não estariam dispostas a renunciar a esses momentos de encontro e de comemoração.
— A gente já vê uma reabertura de praticamente tudo, as pessoas já estão indo trabalhar, tendo que ir a locais de mais risco e não me parece que tantas pessoas estão tão dispostas a abrir mão. Muita gente já abriu mão no ano passado e pretende fazer festa este ano. O que eu costumo sugerir é fazer uma avaliação de riscos versus benefícios. São duas discussões diferentes: a primeira é o debate sobre fazer, a segunda, sobre reduzir os danos, caso faça — afirmou o integrante do Observatório Covid-19 BR.
A ampliação do uso da vacina da Pfizer para a faixa etária de 5 a 11 anos, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última quinta-feira, trouxe esperança e alento às famílias que querem ver os pequenos logo imunizados. Porém, a expectativa esbarra na falta de previsão.
— A partir do momento em que falarem “pode vacinar”, vamos estar lá (no posto de saúde com as crianças) às 5h, 6h. Comigo e minha esposa vacinados, ficamos até mais tranquilos. Estamos bem resguardados, mas a nossa preocupação é com eles. O desconhecido assusta — diz Biage.
Confira algumas dicas para passar o fim de ano:
Ceia de Natal
O melhor presente para o encontro natalino de família este ano é estar imunizado. Com convidados que já convivem normalmente e estão vacinados, não existe, a princípio, contra-indicação para a comemoração.
– Obviamente, se alguém estranho ao ambiente for convidado, aí vale inclusive pedir o comprovante de vacinação – diz o infectologista Jamal Suleiman, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo.
Tarefa difícil para muitas famílias, uma maneira eficaz de controlar a transmissão em encontros caseiros para o Natal é reduzir o número de participantes. Alguns especialistas chegam a determinar um número específico de pessoas para manter o risco baixo: até dez.
– Estatisticamente, se você se reúne com mais de dez pessoas, haverá maior proximidade, as pessoas vão falar mais alto e aumenta a chance de algum dos convidados estar com gripe (ou Covid) incubada – afirma Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury.
Não é preciso, porém, desistir da ceia sob o risco de infecção com vírus respiratórios. Granato explica que guardar uma distância de 1,5 metro na hora de comer já seria suficiente para amenizar bem o risco. Fora dos momentos em que se aproveita das comidas e bebidas, a máscara ainda é fundamental.
Réveillon
No ano passado, a tradutora Carolina Selvatici e o marido, o também tradutor Diego Magalhães, passaram o Reveillón de quarentena. Diego testou positivo para Covid poucos dias antes de receber a mãe e o irmão para passarem a festa em Florianópolis.
– Não tínhamos sintoma, mas acabamos cancelando tudo quando o teste dele deu positivo. Na hora dos fogos, só atravessamos a rua para a praia, que estava vazia, e voltamos para casa – lembra Carolina, que não vê a maioria dos familiares há quase dois anos. – Desta vez vamos passar o Ano Novo no Rio, em um apartamento com varanda grande. É um espaço aberto e poderemos ficar juntos. Mas seremos poucos, ainda assim.
Algumas famílias têm considerado fazer um teste e Covid previamente para dar mais segurança. Especialistas dizem que se entre os convidados houver pessoas que se expuseram, viajando, por exemplo, compensa, para não colocar em risco os demais. Uma dica importante é encontrar-se com quem também é cuidadoso para evitar o contágio do vírus.
– A regra é manter os protocolos e estar com pessoas vacinadas. Dá para fazer uma festa íntima com pessoas que seguem protocolos, isso é seguro – diz o infectologista Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Em ambientes arejados, ao lado de pessoas vacinadas e que mantiveram os protocolos de segurança, até o abraço de feliz Ano Novo pode acontecer sem muito risco.
– O parente meio negacionista é melhor deixar para outra hora – diz Boulos.
Confraternização com amigos
Infectologistas explicam que em termos de transmissão de doenças é pouco eficaz classificar “atividades proibidas", sobretudo em um momento de controle epidemiológico de transmissão.
O que há são riscos que podem ser mitigados por meio dos comportamentos corretos.
– O risco de transmissão não está presente na festa em si, mas na atitude e no comportamento (das pessoas que vão) – explica Renato Kfouri, pediatra Infectologista da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Ou seja, pessoas que admitem o risco de ir a uma confraternização podem transformar a atividade em menos arriscada ao, por exemplo, evitar contato próximo com desconhecidos e conversas sem máscara.
– Na comemoração de fim de ano com amigos em ambientes fechados, se houver uma pessoa não vacinada, o risco é imenso.
A recomendação é que, se for reunir, que essa reunião ocorra onde as pessoas tenham sido educadas para seguir as orientações de não aglomeração – diz o infectologista Jamal Suleiman.
– Agora, se o plano for reunir colegas de trabalho que estão esse tempo todo de maneira remota, melhor deixar para o próximo ano, quando se espera que o mundo inteiro tenha tido acesso às vacinas.
E se ainda houver algum colega resistente à vacinação, mostre a ele a importância de se imunizar.
Senão, nem no ano que vem ele vai poder participar de encontro algum.
_________________________________________________Apagão faz SUS ignorar internações em alta e atrasa respostas a epidemias
Carlos Madeiro Colaboração para o UOL, em Maceió 22/12/2021 04h00
O apagão de dados após o ataque hacker aos sistemas do Ministério da Saúde impede, há mais de dez dias, o SUS (Sistema Único de Saúde) de ter informações em tempo real sobre a curva crescente na busca de pessoas a hospitais pelo país com sintomas gripais.
Segundo fontes ouvidas pelo UOL, a falta de informações afeta de forma decisiva a avaliação de como está se comportando não só a covid-19, mas também a gripe —que tem gerado uma alta de hospitalizações em muitos estados.
Diretor da OMS: 'Um evento cancelado é melhor do que uma vida cancelada'
Sem elas, o SUS atrasa seu poder de respostas em meio à circulação de dois vírus ao mesmo tempo —que muitas vezes causam sintomas semelhantes nos infectados.
Além dos dados de atendimentos nos hospitais e internações, os estados relatam instabilidade também nas notificações de casos e mortes por covid, além do andamento da campanha de vacinação nesse período. Os sites do ministério e o ConecteSUS saíram do ar em 10 de dezembro.
Procurado, o Ministério da Saúde afirmou que "atua com agilidade para o restabelecimento de todas as plataformas impactadas o mais breve possível".
No fim da tarde de ontem, a pasta informou à imprensa que o "e-SUS Notifica foi restabelecido" — o e-SUS monitora os casos mais leves de síndrome gripal e os raros casos graves de covid-19 que não cursam com SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave).
Em nota ao UOL, a pasta disse que o acesso ao Sivep-Gripe —que monitora casos graves e mortes de covid-19 e Influenza— "está normalizado" (leia mais abaixo). Profissionais de saúde e especialistas, entretanto, dizem que ainda há graves problemas nos dois casos.
Publicações oficiais afetadas
"Sem os dados, a gente não sabe se os casos de SRAG estão aumentando e se esses casos são covid ou influenza [gripe]", diz Isaac Schrarstzhaupt, analista de dados e coordenador na Rede Análise Covid-19.
Sem dados completos, publicações oficiais sobre gripe, covid-19 e internações por SRAG também foram afetadas. Um exemplo é o boletim semanal da covid-19, produzido pelo Ministério da Saúde, que teve sua última versão publicada no dia 4. Os dados do boletim da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) também estão atrasados por conta do apagão.
Schrarstzhaupt diz que a última atualização do Sivep-Gripe ocorreu no dia 1° de dezembro. Sivep é a sigla de Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe. Ele foi criado em 2000 para monitoramento do vírus influenza no país, a partir de uma rede de vigilância.
"O Sivep tem um delay com os dados, pois demoram para digitar. Para prever cenários, existe o nowcasting do Infogripe [plataforma da Fiocruz] que tenta compensar esse atraso. O último boletim que eles conseguiram fazer foi o da semana epidemiológica 48 [entre 28/11 e 4/12]", conta.
Desde então, não há como saber se há curvas crescendo ou caindo de covid, por exemplo.
Temos os dados consolidados apenas com as Secretarias Estaduais da Saúde, e mesmo assim algumas estão sem enviar dados há alguns dias. São eles que podem indicar se estamos iniciando uma onda de covid misturada nessa epidemia de influenza."Isaac Schrarstzhaupt, coordenador na Rede Análise Covid-19
Registro de dados de vacinação também apresentou instabilidade, segundo estados e especialistas Imagem: Luis Alvarez/Getty ImagesSecretários cobram retomada
Em nota à reportagem, o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) confirmou que o ataque "impactou fortemente o monitoramento das duas epidemias [covid-19 e influenza H3N2]."
Segundo o órgão, nos primeiros dias após o ataque, houve paralisação do sistema Sivep-Gripe e os casos de SRAG não puderam ser notificados —sejam aqueles causados pelo coronavírus, da gripe ou outros vírus respiratórios.
Os casos leves de influenza são monitorados somente em unidades sentinela, onde este também é o sistema utilizado. A alimentação do sistema já foi retomada, mas o acesso dos estados às informações através de API ainda não foi retomado."Conass, em nota do dia 20 de dezembro
A API é uma espécie de túnel virtual por onde passam os dados entre dois sistemas informatizados, de forma automática. Sem ela, os estados precisam baixar os dados manualmente, em arquivo .CSV (planilha de Excel), por exemplo.
"O Conass está cobrando constantemente em relação ao restabelecimento do e-SUS Notifica e do ConecteSUS", finaliza o texto.
Como resposta às queixas do Conass e de especialistas, o Ministério da Saúde alegou, em nota enviada ao UOL por volta das 17h30 de ontem, que "o e-SUS Notifica foi restabelecido e o acesso às APIs do Sivep-Gripe está normalizado, desde a última sexta-feira (17)".
"A disponibilização dos acessos é realizada pela Secretaria de Vigilância em Saúde para os estados", diz o texto.
Entretanto, Isaac Schrarstzhaupt disse na noite de ontem que o acesso ao e-SUS para usuários externos segue fora do ar. "Agora os estados que dependiam do e-SUS para notificar ainda terão um trabalho de jogar os 11 dias represados", afirma. "Eu continuo sem acesso algum."
O Conass também informou hoje que os estados continuam sem acesso.
Alta é percebida pelo país
O apagão de dados ocorre em um momento em que estados e médicos brasileiros relatam alta no número de busca de pacientes por serviços de hospitais.
Isaac aponta ainda que gráficos produzidos por uma pesquisa que a Universidade de Maryland em parceria com o Facebook sinalizam, em tempo real, um aumento nos registros de pessoas com sintomas gripais.
"Nessa pesquisa, as pessoas respondem se tem sintomas, e vimos que tem vários estados onde as pessoas estão respondendo que estão com febre, tosse e dificuldade de respirar. É um dado adjacente, indicativo, que deveria andar junto com os dados robustos de testagem e hospitalizações. Mas eles indicam que pode estar havendo um aumento [de casos]", aponta.
Médicos do país relataram também ao UOL uma intensa alta na procura de pacientes nos pronto-socorros, e sugerem que isso está ocorrendo especialmente pelo avanço da influenza.
"Os relatos de casos de síndrome gripal só aumentam. Nos grupos de WhatsApp, vários médicos estão se queixando do alto volume de atendimentos de pacientes com quadro gripal e ainda assim não há um posicionamento oficial ou uma resolução do Ministério da Saúde. A sensação que dá é que estamos largados à própria sorte", diz Bruno Ishigami, infectologista no Hospital Oswaldo Cruz, do Recife.
Enquanto profissional de saúde, a minha impressão é que as autoridades do governo federal não se importam com a saúde da população. Pelo contrário, continuam a alimentar e incentivar os negacionistas e não demonstram nenhuma ação coordenada para melhorar a nossa atual situação."
Bruno Ishigami, infectologista
Em Porto Velho, a situação é semelhante em hospitais públicos e privados. "O número de pacientes buscando o hospital está muito maior que em outros anos, a maioria deles com febre. O número de atendimento está igual ao pico da covid aqui", diz a infectologista Lourdes Borzacov.
Em Maceió, os profissionais da saúde também já percebem a alta. "Temos recebido muitos pacientes com quadros gripais, alguns necessitando internação. Estou com três internados: um com covid e dois com influenza", afirma Artur Gomes Neto, diretor da Santa Casa. "Todo o cuidado é pouco."
O Observatório Covid alertou, em nota, ter percebido que o "número de hospitalizações de casos suspeitos de covid-19 no município de São Paulo tem crescido rapidamente desde o início de dezembro". Entretanto, diz o texto, "até o momento, não é possível afirmar, com segurança, qual o agente infeccioso responsável por este marcante aumento de hospitalizações."
Segundo o texto, três hipóteses "parecem as mais plausíveis:
Estamos diante de nova subida de casos de infecção por SARS-CoV-2, desta vez causados, predominantemente, pela variante ômicron;Estamos diante de uma epidemia de influenza A (H3N2, linhagem darwin), como observado no Rio de Janeiro;Por fim, estamos em um cenário de combinação dos efeitos da circulação desses dois vírus."
_________________________________________________
África do Sul: epicentro da ômicron deixa pico de infecções para trás
Emma Rumney e Estelle Shirbon Joanesburgo 22/12/2021 11h46
Os casos de covid-19 parecem ter atingido seu auge na província sul-africana de Gauteng cerca de um mês após a primeira detecção da variante ômicron do coronavírus no local. O impacto de surtos de infecções tem sido menos severo do que as ondas anteriores, disseram cientistas nesta quarta-feira.
Cientistas do National Institute of Communicable Diseases (NICD) disseram que, embora seja necessário mais estudo, os dados da África do Sul —cuja experiência está sendo observada de perto ao redor do mundo— contaram uma "história positiva" sobre a gravidade da variante.
Portugal antecipa e endurece restrições para festas de fim de ano
Gauteng, o centro comercial da África do Sul, lar de um dos aeroportos mais movimentados do continente e da região onde a ômicron surgiu pela primeira vez, está agora vendo uma queda nos casos diários e na porcentagem de testes positivos, disse Michelle Groome, do NICD, em entrevista coletiva.
"Realmente sentimos que isto tem persistido por mais de uma semana e que já superamos o pico em Gauteng", disse ela.
Houve um "nivelamento" em três outras províncias —Limpopo, Noroeste e Mpumalanga—, acrescentou ela, embora os casos ainda estejam aumentando em outros lugares.
Os dados do NICD mostraram que a média móvel de sete dias de casos diários —que os cientistas dizem ser mais confiável do que os casos confirmados diariamente— estava em uma trajetória descendente em Gauteng.
Um gráfico mostrou um aumento íngreme dos casos de perto de zero em meados de novembro para uma média de 10.000 casos diários no início de dezembro. Desde então, isso havia caído acentuadamente para cerca de 5.000 casos por dia em média.
Menor número de mortes
Groome advertiu que parte dos números mais baixos pode ser consequência de uma menos testagem na época das festas de final de ano.
A África do Sul, agora mantendo o nível mais baixo de um sistema de cinco níveis de restrições apesar de um rápido surto de infecções, está monitorando muito de perto os níveis de hospitalização.
Embora este indicador também tenha aumentado, até agora ele permanece muito abaixo dos níveis observados durante as ondas anteriores da pandemia, com mortes também mais baixas do que no passado e pessoas hospitalizadas por períodos mais curtos, disse Waasila Jassat, do NICD, advertindo, entretanto, que os dados relevantes tendem a ficar defasados.
As infecções nas primeiras quatro semanas da quarta onda de coronavírus, impulsionadas pela ômicron, subiram bem acima das observadas nas três ondas anteriores, mostraram os dados do NICD, mas a proporção de pessoas internadas em hospitais ficou em 5,7%, em comparação com acima de 13% nas outras ondas.
A proporção de pessoas admitidas no hospital que mais tarde morreram, entretanto, caiu para 5,6%, em comparação com 19% ou mais na primeira, segunda ou terceira ondas.
Cerca de 87% dos óbitos por covid-19 ocorridos na África do Sul entre 7 de novembro e 18 de dezembro foram de pessoas não vacinadas ou não totalmente vacinadas, mostraram os dados.
_________________________________________________
Temor da variante Ômicron cancela eventos e espetáculos em Hollywood, Broadway e West End
Premiações como do American Film Institute e do Hollywood Critics Association estão na lista de eventos suspensos
Hollywood, distrito de Los Angeles, atrai turistas com pontos de referência como o TCL Chinese Theatre, a Calçada da Fama e os estúdios da Paramount Picture Foto: Pixabay
Receba notícias em tempo real no app.
O avanço rápido da Ômicron, variante altamente infecciosa da Covid-19 capaz de infectar pessoas que já se vacinaram ou se recuperaram da doença, leva o mundo do entretenimento a fechar as portas mais uma vez.
Em Hollywood, eventos importantes da indústria cinematográfica foram suspensos, como o American Film Institute Awards, que ainda terá uma nova data definida, além do BAFTA Tea party e da festa de gala do Palm Springs International Film Festival Awards, ambos cancelados. A Hollywood Critics Association também decidiu adiar sua 5ª cerimônia anual do HCA Film Awards até 28 de fevereiro, em função do número crescente de casos positivos ligados à variante Ômicron.
Na cidade de Nova York, que vem registrando recorde de casos diários da cepa, grandes espetáculos da Broadway, como "Hamilton", "Aladdin", "Rei leão", "Dear Evan Hansen", "Ain’t too proud" e "Hadestown" cancelaram todas as apresentações durante a semana do Natal, uma das épocas mais movimentadas do ano no reduto teatral. A lista de produções que resolveram não abrir as cortinas inclui ainda "Moulin Rouge!", "Harry Potter e a criança amaldiçoada" e "Tina", um tributo a Tina Turner.
O musical "MJ", que segue a realização da última turnê mundial "Dangerous", de Michael Jackson em 1992, também teve suas apresentações de prévia suspensas. O show está programado para estrear em 1º de fevereiro de 2022. Já a produção ganhadora de prêmios Tony e Grammy "Jagged Little Pill", que já havia cancelado apresentações em dezembro, anunciou que vai fechar as cortinas definitivamente diante da crise pandemica e da detecção de vários casos positivos de Covid-19 na equipe.
Apesar do grande número de cancelamentos, a presidente da Liga da Broadway, Charlotte St. Martin, declarou em entrevista à revista The Hollywood Reporter que não há planos de encerrar as atividades. "Estamos prestando muita atenção aos protocolos. Os outros 20 a 30 shows continuam a funcionar porque estamos seguindo os protocolos que configuramos e isso mostra que eles estão funcionando", declarou.
Carrie Hope Fletcher interpreta Cinderela no musical de Andrew Lloyd Webber. Foto: Tristram Kenton
Enquanto a maior parte das produções teatrais em Nova York pretende retomar as apresentações antes do fim do ano, em Londres, os espetáculos do West End ainda devem permanecer fechados por mais tempo. É o caso do musical "Cinderela", de Andrew Lloyd Webber, que só voltará a se apresentar no Gillian Lynne Theatre em 9 de fevereiro. A adaptação do clássico já havia tido sua estreia adiada em julho deste ano em função da pandemia.
No Twitter, Lloyd Webber disse que ficou “absolutamente arrasado” com a decisão, mas que era a “coisa certa a fazer”, tanto para o público, quanto para a segurança do elenco, músicos e equipe de bastidores. “Mais uma vez, este vírus miserável acabou com a alegria de entreter o público, algo que tanto prezo”, acrescentou.
_________________________________________________Casos de Covid-19 EXPLODEM em PORTUGAL e aumentam 55% em 24 horas
Por Gian Amato 22/12/2021 • 12:28
Mulheres caminham junto ao Rio Tejo, em Lisboa | Patrícia de Melo Moreira/AFP
Um dia após o governo de Portugal anunciar medidas mais restritivas no combate à Covid-19, o número de novos casos explodiu.
Foram registrados 8.937 novos contágios em 24 horas no boletim oficial da Direção Geral da Saúde (DGS). Um aumento de 55% em relação aos 5.754 do dia anterior.
A última vez que Portugal registrou tantos casos diários foi em 4 de fevereiro, com 7.914. Naquela altura, o país tentava se recuperar de um surto causado pelo relaxamento de medidas no Natal.
Antes mesmo de o relatório vir a público, a ministra da Saúde, Marta Temido, anunciava a disparada em entrevista à “TVI”.
— Antecipando um pouco os números que teremos, em termos de boletim da DGS, vamos atingir perto de nove mil casos novos registrados nas últimas 24 horas no país — disse Temido.
Além disso, a responsável pela pasta antecipou o cenário que está por vir. Em breve, Portugal deverá bater recorde de casos registrados na pandemia.
O pico diário até agora ocorreu em 28 de janeiro, quando 16.432 casos foram reportados em 24 horas.
Em relação ao total de mortes diárias, que ontem foram 11, o número tem subido lentamente. E, de acordo com Temido, merece atenção.
— É um fato que o número de óbitos continua relativamente controlado, estando embora o país já com excesso de mortalidade face ao valor de referência — declarou Temido.
_________________________________________________
Opinião: Larissa Cassiano - O surto atípico de influenza: quem deve ficar mais atento e o que fazer
Larissa Cassiano Colunista do UOL 22/12/2021 04h00
Recentemente temos visto cenas atípicas nos prontos-socorros de São Paulo, filas de espera de 4 a 8 horas para atendimento, isso entre pronto-atendimento de adultos, crianças e obstétrico, tanto em hospitais públicos quanto privados, todos recebendo um aumento significativo no número de casos de infecções respiratórias.
O surto de influenza que assusta o Rio de Janeiro está se espalhando pelo país de uma forma inesperada e em um momento atípico. Conversando com profissionais de diversas especialidades, notei que a maioria tem visto esse aumento, mas com o contraponto de que felizmente a proporção de casos graves não acompanha o número de pacientes infectados.
Relacionadas
Por que a gripe parece piorar à noite ou antes de dormir?
Embora isso não signifique que não existam casos graves ou que eles não devam ser considerados, o que tem se observado é que parte dos casos leves, que talvez pudessem ser resolvidos em casa, tem ido ao pronto-socorro. Porque, afinal de contas, estamos em meio a uma pandemia de covid-19 que tem sintomas parecidos.
Ao longo da vida, as pessoas podem ser acometidas diversas vezes e de diferentes formas pelo vírus influenza. A transmissão pode ocorrer por secreções, gotículas ou por contato direto, com regiões como a boca. Quem se infecta pode apresentar febre (com duração de cerca de três dias), tosse, dores de cabeça e musculares, coriza e mal-estar.
Entre a população, alguns grupos possuem maior risco de doença grave e complicações: idosos, gestantes, puérperas e crianças menores de 5 anos. Como medida preventiva a vacinação é a forma mais efetiva, recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para idosos, gestantes, crianças de seis meses a cinco anos, indivíduos com condições/doenças crônicas e profissionais de saúde.
Os sintomas podem levar a um mal-estar que impacta significativamente nas atividades do dia a dia, mas geralmente não são graves e duram aproximadamente uma semana. Os casos graves podem evoluir para pneumonia bacteriana, sinusite, otite, desidratação, piora das doenças crônicas preexistentes, em que a internação poderá ser necessária.
Para compreender um pouco mais sobre o surto de influenza, que talvez se intensifique em São Paulo, conversei com Fernanda Catharino, pediatra geral do Rio de Janeiro, e ela contou que o surto de gripe chegou ao Rio de forma completamente inesperada no início de dezembro.
Esse aumento levou a pesquisas que identificaram a variante darwin do vírus influenza A, que parece ter sido importada do Hemisfério Norte e causa febre, mialgia, cefaleia, coriza e prostração. Como medida preventiva, ela destaca que a pessoa deve ficar isolada por pelo menos 5 a 7 dias para não espalhar a infecção através de gotículas, tosse e espirros. Fernanda ressalta que tem visto febre alta e persistente por 2 a 3 dias, associada a tosse secretiva que pode persistir por até 2 semanas, entre as crianças.
De volta a São Paulo, a pediatra Danielle Vigiano conta: "Influenza A iniciou agora em surto, porém já estávamos vivendo um surto de mão pé boca e roséola (herpes vírus e Coxsackie) sendo vírus que cursam com febre alta. A sazonalidade viral este ano mudou de março para outubro, novembro e dezembro devido ao retorno ao convívio social, promovendo grande angústia às famílias dos bebês recém-nascidos. Aos que forem passar festas na casa dos familiares, os pais devem estar atentos."
E no meio de surto, como podemos diferenciar quadros de covid e influenza?
Ricardo Siufi, pneumologista, traz alguns pontos: "A covid-19 parece se espalhar mais rapidamente que a influenza, no entanto, com o avanço do esquema vacinal para covid-19 na população, observamos uma tendência a queda. Quando comparada à gripe causada pelo vírus influenza A, a covid-19 tende a causar doença grave em uma maior proporção dos pacientes infectados. Já o período de incubação é mais rápido, em geral, 3 dias. Por isso, os surtos pelo vírus influenza tendem a ter um comportamento explosivo. Na covid, temos um período de incubação um pouco maior."
Em meio ao medo de que muitas pessoas podem ficar, observar o quadro é fundamental, mas saber quando procurar atendimento médico também é muito importante e Ricardo destaca quando isso deve ser feito:
1. Pacientes com sinais de gravidade - febre persistente, tosse com expectoração purulenta, evidência de outras infecções bacterianas, falta de ar ou desconforto respiratório e pacientes com sintomas sugestivos de exacerbação da doença de base.
2. Pacientes dos grupos de risco, que estão sob risco de evolução para formas mais graves da doença e, eventualmente, os pacientes serão testados e avaliados e, de acordo com o julgamento clínico, medicados com tratamento antiviral —pacientes nos extremos de idade, gestantes, portadores de doenças respiratórias, cardiovasculares, nefrológicas e hepatológicas, entre outras.
Para evitar a infeção, os cuidados que aprendemos com a covid-19 devem ser mantidos: distanciamento social, uso de máscaras e álcool para higienização. Neste momento em que mais uma vez aguardamos por uma vacina, o cuidado é a melhor prevenção.
_________________________________________________
Covid ou influenza: o que fazer em caso de sintomas e como se tratar (e se prevenir)
Coronavírus, covid, omicron Imagem: Getty Images
Coronavírus, covid, omicron
Gilvan Marques Da BBC News Brasil 21/12/2021 19h25
Febre, coriza, congestão nasal, dores musculares, dor de cabeça...
Em tempos de pandemia, a covid-19 parece ser a primeira doença a vir à mente diante dessa combinação de sintomas, especialmente devido a uma nova variante —a ômicron.
Relacionadas
'Busca por felicidade é egoísta e gera culpa', diz autor de 'A Ditadura da Felicidade'
Eis, então, que, sorrateiramente, um novo vírus aparece no Rio de Janeiro e acaba se espalhando a um ritmo veloz, inclusive para outros Estados brasileiros.
Trata-se da epidemia de influenza A - H3N2, a cepa predominante na mais recente temporada de gripe no hemisfério norte. Ela vem lotando emergências de hospitais no Brasil e gerando muita preocupação.
Também tem levado milhares de pessoas, muitas dos quais vacinadas, a pensar que contraíram o coronavírus, quando, na verdade, estão gripadas.
A BBC News Brasil entrevistou infectologistas para entender melhor as duas doenças, ambas de causa viral.
E há um consenso entre eles: não é possível distinguir a gripe ou a covid-19 apenas com base nos sintomas; eles são muito semelhantes.
Ou seja, é preciso fazer um teste.
E o diagnóstico não necessariamente se dá por exclusão.
O que ocorre, no entanto, é que, na prática, no Brasil, "a maior parte das Unidades Básicas de Saúde têm dificuldade em fazer a confirmação se é influenza por falta de testes, mas no mundo ideal é possível fazer confirmação", diz à BBC News Brasil Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
"Os sintomas da gripe e da covid são muito semelhantes, então não é possível fazer esse diagnóstico apenas pelos sintomas clínicos; são necessários os testes confirmatórios. Isso é possível através de exames laboratoriais rápidos, que indicarão se é covid ou influenza", acrescenta.
Rosana Richtmann, infectologista do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, concorda.
"O teste é importante, pode ser teste rápido. Se tiver vínculo epidemiológico, tipo alguém em casa com diagnóstico confirmado, nem precisa de teste", diz.
Eduardo Sprinz, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e responsável pelo estudo da vacina de Oxford no RS, acrescenta: "Ambas são causas de síndrome respiratória aguda. Na maioria dos casos de influenza, os sintomas são mais abruptos e na comparação entre as duas, pessoas com covid podem apresentar alterações não usuais tais como paladar e olfato alterados e diarreia".
"O diagnóstico de certeza, contudo, é obtido com testes moleculares específicos, mas precisamos lembrar que outros vírus podem também entrar no diagnóstico diferencial, tal como vírus respiratório sincicial."
Em suma: fazer o teste é essencial para obter o diagnóstico correto.
"Uma pessoa que tenha sintomas respiratórios, dor de garganta, dor no corpo, com ou sem febre, deve procurar atendimento presencial para realização dos exames confirmatórios. Conforme o que houver de confirmação, será feita a orientação em relação aos sinais de alarme e em relação à orientação dos contatos (quem deve fazer exame ou não) e ao tempo de isolamento", explica Stucchi, da Unicamp.
Mas, realizado o teste, por exemplo, para covid, que pode ser feito numa farmácia ou num posto de saúde gratuitamente, é necessário ir ao pronto-socorro?
"Não precisa ir ao PS, visto que os hospitais estão lotados. Só deve ir se não estiver bem", afirma Richtmann.
Neste sentido, Marília Santini, infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), acrescenta que "só deve procurar assistência médica caso sinta que é necessário - por exemplo, se a pessoa estiver com a respiração difícil, desidratada, sem conseguir se alimentar ou se hidratar, como em qualquer outra condição de saúde".
Tratamento e prevenção
Há medicamentos tanto para covid quanto para a gripe que podem aliviar os sintomas. Em casos graves, antivirais podem ser utilizados sob recomendação médica.
Mas as recomendações principais são: repouso e hidratação. E, evidentemente, evitar contato com outras pessoas, por conta da transmissão.
Segundo a Fiocruz, é importante ficar atento aos sinais de gravidade, como:
Falta de ar e dificuldade para respirar;Dor ou pressão no peito ou estômago;Sinais de desidratação, como tonturas ao ficar de pé ou não urinar;Confusão mental.
E nas crianças:
Respiração rápida ou dificuldade para respirar;Pele azulada (cianose) ou acinzentada;Não tem lágrimas ao chorar (em bebês);Vômito acentuado ou persistente;A criança não acorda ou não apresenta sinais de interação (fica apática);Irritabilidade;Febre com erupção cutânea e tosse persistente.E como podemos nos prevenir?
A transmissão da gripe ocorre de forma muito parecida à da covid.
Portanto, em ambos os casos, a imunização é de extrema importância para proteção contra a doença —mesmo que alguns estudos recentes tenham mostrado que a vacina atual contra a gripe tenha baixa efetividade contra a H3N2. Há ainda das seguintes medidas (também comuns a ambas):
Manter a distância de 1,5 metros das outras pessoas;Higienizar as mãos com frequência (lave com água e sabão ou use álcool gel 70%);Utilização correta das máscaras cobrindo a boca e o nariz;Adotar hábitos saudáveis, alimentar-se bem e manter-se hidratado;Não compartilhar utensílios de uso pessoal, como toalhas, copos, talheres e travesseiros;Evitar frequentar locais fechados ou com muitas pessoas.
_________________________________________________
Bióloga Natália Pasternak projeta o 2022 da pandemia para o Gizmodo - Gizmodo Brasil
Exclusivo: o Gizmodo Brasil convidou a microbiologista do Instituto Questão de Ciência (IQC) para avaliar as questões da Covid-19 no próximo ano
Carolina Fioratti
5 horas atrás
Imagem:
A virada de 2021 para 2022 terá um gostinho especial pata todos.
No último final de ano, muitas famílias ficaram separadas pelos altos riscos da Covid-19. Agora, com a grande adesão à vacinação, reuniões controladas voltarão a ser possíveis. Mas ainda é cedo para dizer que o Brasil e o mundo estão na situação ideal.
Há muitas dúvidas sobre a variante Ômicron, a vacinação em crianças e a recusa ao imunizante.
O Gizmodo Brasil entrevistou com exclusividade a microbiologista Natália Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC) para projetar o que se pode esperar de 2022 sobre temas relacionados à pandemia.
Vamos a eles:
Vacinação no Brasil
Apesar da disparidade entre estados, o Brasil é um país que apresenta altos níveis de vacinação. O imunizante começou a ser oferecido aos idosos em janeiro deste ano e, neste momento, parte desse grupo já recebeu até mesmo uma terceira dose do imunizante.
Tudo isso torna o ano de 2022 promissor: os jovens estarão com a terceira dose e as crianças devem ser vacinadas, tendo uma cobertura vacinal em massa no país. Mas a pandemia é algo mundial. De acordo com Natália Pasternak, o Brasil teria que pensar de forma globalizada e se preocupar neste momento em ter um protagonismo na América Latina.
“Há muitos países, por exemplo, na América Central que ainda não conseguiram vacinar. De repente, o Brasil se juntando com outros países que também avançaram bem na vacinação como o Chile e Uruguai, poderia pensar em prover assistência para esses países mais pobres. Enquanto houver países que não conseguem controlar a pandemia, o mundo inteiro estará em risco”, explica a microbiologista.
Recusa vacinal no exterior
Por outro lado, há desafios a serem enfrentados em outras partes do mundo. Países da Europa e os Estados Unidos possuem vacinas em abundância, mas sofrem resistência por parte da população. Por conta disso, esses países não conseguem atingir a meta de vacinação.
Em contrapartida, há países, principalmente no continente africano, que não têm acesso a vacinas na quantidade necessária para suprir a demanda da população. De acordo com Pasternak, essas duas situações “acabam deixando o mundo mais vulnerável à pandemia”.
É preciso investir na vacinação em massa, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez na década de 70, levando a erradicação da varíola. A cientista explica que o Sars-CoV-2 não será erradicado, mas que podemos alcançar medidas de controle efetivas com programas de vacinação global.
Mas convencer as pessoas a tomar o imunizante já é um pouco mais difícil. Foram 50 anos de esforços do Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Brasil para que o brasileiro ganhasse confiança nas vacinas.
“É um processo longo de convencimento da população, de esclarecimento de campanhas informativas, de campanhas publicitárias e isso não se faz da noite para o dia.”
Variante Ômicron
A recusa à vacinação abre espaço para o surgimento de variantes, que podem ter certo escape à vacina. Isso não significa que pessoas vacinadas irão necessariamente desenvolver quadros graves da doença, mas ainda podem se infectar e transmitir o vírus. Dessa forma, a pandemia se estende, os níveis de hospitalização seguem altos e pessoas continuam morrendo em decorrência da Covid-19.
Por enquanto, autoridades e cientistas do mundo todo estão de olho na variante Ômicron. Estudos preliminares indicam que ela é mais transmissível que a Delta e parece ter um escape de vacinas. Isso significa que o vírus pode acabar passando batido por parte de nossos anticorpos. Mas estes anticorpos não são a nossa única resposta imune, o que indica que não estamos 100% desprotegidos do vírus, apenas um pouco mais vulneráveis.
O escape foi observado, principalmente, entre pessoas que receberam apenas uma ou duas doses do imunizante. A terceira dose parece ser suficiente para barrar a Ômicron. “Isso traz algumas informações interessantes para a gente: primeiro, de que provavelmente as vacinas vão acabar se fixando em vacinas de três doses. Mais do que chamar de dose de reforço, a terceira dose vai entrar no regime vacinal”, explica a microbiologista.
Se a situação for confirmada por pesquisadores, talvez uma quarta dose não seja necessária em 2022. De toda forma, farmacêuticas como a Pfizer e a Moderna já estão desenvolvendo vacinas específicas para a variante. Pasternak diz que “essa é a grande vantagem das vacinas chamadas plug and play. É muito fácil trocar uma sequência genética delas”, o que facilita na hora de desenhar imunizantes específicos para novas variantes.
Mas ainda há uma pergunta sem resposta sobre a Ômicron: afinal, ela causa doenças mais graves? Até agora, a variante parece ter causado quadros leves de Covid-19. Porém, essa observação deve ser tratada com cautela.
Os cientistas ainda não sabem dizer se os sintomas leves são consequência da fisiologia do vírus ou resultados de uma infecção obtida após a vacinação ou pré-exposição ao Sars-CoV-2.
Vacinação infantil
A Anvisa aprovou a vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos na última quinta-feira (16), o que significa que a faixa etária deve receber o imunizante até o próximo ano. Isso trará tranquilidade aos pais, que poderão ver seus filhos participando de atividades sociais e escolares de forma protegida.
Por mais que seja de conhecimento geral que as crianças têm menor probabilidade de transmitir a doença e também de desenvolvê-la de forma grave, ainda há preocupações.
“O próprio CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA traz a informação em seu site de que ocorreram mais de 8.000 hospitalizações de crianças [por Covid], com aproximadamente cem mortes. O número pode parecer muito baixo, mas já coloca a Covid-19 entre as 10 principais causas de morte infantil dessa faixa etária. Isso já justifica a inclusão da vacina no calendário vacinal junto a outras doenças”, explica Pasternak.
Efeito das eleições
Em 2020, o momento das eleições causou preocupações devido à aglomeração de pessoas nos locais de votação. Esse ano, o medo deve partir de outro lugar: a politização feita em cima da ciência e das vacinas.
Para Pasternak, apesar da ciência existir em um ambiente político, sendo utilizada no desenvolvimento de políticas públicas, por exemplo, “ela precisa ser compreendida na sua essência”.
“Vacinar é questão de saúde pública e é algo que precisa ser muito bem comunicado. Quando você começa a politizar em cima [da vacina] dizendo que vai ferir liberdades individuais, você está distorcendo a ciência para uma causa ideológica e política. Enfim, isso pode atrair votos, mas acaba prejudicando a saúde coletiva”, finaliza a cientista.
_________________________________________________É assustadora a tsunami da Ômicron em Nova York | Guga Chacra - O Globo
Por Guga Chacra * 18/12/2021 * SATURDAY
Semanas atrás, tomei a minha terceira dose da vacina Moderna, e minha filha, junto com quase todas as colegas da escola, recebeu a primeira dose da Pfizer, com a liberação da vacinação de crianças. Dias depois, viajei ao Brasil, em um dos momentos que me senti mais seguro contra a Covid-19 desde o início da pandemia. As mortes seguiam em queda entre os brasileiros. Meus pais estão vacinados, inclusive com a dose de reforço. Todos os meus amigos também, em uma nação onde são raríssimos os casos de não vacinados, apesar do presidente antivax. É verão, e as pessoas podem ficar mais em espaços abertos. Aqui nos EUA, a Delta ainda matava mais de mil pessoas por dia, mas normalmente em regiões americanas com baixos índices de vacinação.
PUBLICIDADE
Quando estava em São Paulo, no fim de novembro, dias antes de embarcar de volta para Nova York, surgiu a informação sobre a nova variante Ômicron na África do Sul. Faz três semanas. Fiquei preocupad, mas não imaginava que agora, uma semana antes do Natal, fosse ter a sensação de ter voltado para março de 2020. A variante Ômicron alterou completamente e em poucos dias todas as perspectivas de quem vive em Nova York, assim como já havia ocorrido na África do Sul e em Londres. É uma tsunami. O tempo todo recebemos informações de conhecidos infectados.
Espetáculos na Broadway e eventos esportivos começaram a ser cancelados. Universidades como a NYU aplicarão as provas de fim de ano on-line. Festas, idem. Todos em pânico com a chegada das festas de fim de ano. Restaurantes voltaram a ser fechados e as aulas, canceladas. Alguns que haviam retornado aos escritórios estão trabalhando de novo de casa, remotamente. As filas para testagem dão a volta no quarteirão e os resultados de PCR demoram para sair. A cidade bate recordes de novos casos.
Assim como quando surgiu o coronavírus, pouco se sabe sobre a nova variante. Há fortes indícios de que talvez seja mais amena do que a Delta, mas não dá para cravar. Pela velocidade no crescimento nas infecções, há um consenso de que é bem mais contagiosa. Neste caso, ainda que o risco de uma pessoa individualmente ter um caso severo seja menor, pode ser que, em números absolutos, com a surreal elevação exponencial dos casos, tende a superar a Delta.
Não sabemos também o risco de pegar a Ômicron em supermercados, elevadores, aviões, metrôs e cinemas, mesmo se estivermos de máscaras. Como está a situação dos profissionais da saúde diante deste contágio maior? E os trabalhadores essenciais? Tampouco sabemos o risco de transmissão em áreas externas. Será que voltaremos a usar máscaras ao ar livre? Nesta manhã, algumas pessoas, como eu, já caminhavam novamente mascaradas pelas ruas. Se o número de hospitalizações e mortes crescerem nos próximos dias ou semanas, haverá pânico.
Neste momento, a única alternativa parece ser usar a máscara N95 em ambientes fechados e tomar a dose de reforço das vacinas. Ambas ajudam a reduzir a possibilidade de infecções, embora não a eliminem. Quase todas as festas tendem a ser eventos de alto contágio, como observamos diante do número de infectados em uma festa de fim de ano na Noruega. Em poucos dias talvez, infelizmente, essa tsunami atinja o Brasil. Talvez, antes do Ano Novo.
_________________________________________________O garimpo do general Heleno e o impacto no passado, presente e futuro
Vista aérea de balsas de garimpo ilegal no Rio Madeira Imagem: BRUNO KELLY/REUTERS
André Baniwa 13/12/2021 10h23
É conhecido, desde que começou o Brasil, que os militares das Forças Armadas denominam a Amazônia como vazio demográfico para justificarem suas iniciativas absurdas, como essa do general Heleno de autorizar garimpos na região do município de São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas.
Os militares nunca enxergam os povos que têm como seu habitat a Amazônia, suas comunidades, seus territórios e todos os sistemas ou ecossistemas de vida que estão aqui. Essa atitude de nomear como vazio demográfico é, na verdade, uma demonstração da incapacidade de cumprir sua missão constitucional que prevê a proteção do meio ambiente como forma de garantir o bem-estar da sociedade brasileira. Todos devem promover a proteção do meio ambiente.
O princípio de território significa que ali tem sistemas de vida de povos, dos seres humanos, que tem direitos constitucionais que deveriam ser consultados. Seus resultados deveriam ser vinculantes, por isso não querem consultar, não querem dialogar. É uma forma de governar sem transparência, sem publicidade, fora dos princípios constitucionais.
A Amazônia nunca foi um vazio demográfico como dizem as Forças Armadas. Mas eles afirmam que é. Me pergunto se essas pessoas têm filhos, filhas, netos, netas e parentes para questioná-los sobre tantos absurdos que praticam. Não têm ética, só querem se dar bem. Só eles querem ganhar bem, e os demais que se danem, essa é a sua filosofia.
Os militares sempre estão guerreando com comunidades, as desrespeitando, abusando delas, e isso acontece muito em São Gabriel da Cachoeira. Talvez porque nunca tiveram guerra para eles, por isso guerreiam com o próprio brasileiro.
O garimpo traz muitas pessoas que aparentemente são boas, mas na verdade não são. Em São Gabriel da Cachoeira, entre a década de 1970 até os anos 1990, existiam como formigas que cortam as folhas, como pragas para as roças que vão destruindo em busca de ouro. Para isso, fazem qualquer coisa e criam discursos detonando todas as instituições do Estado, como se não fossem brasileiros.
Vão chegar nas comunidades com o discurso de que a prefeitura não está fazendo nada, que as organizações indígenas só estão ganhando muito dinheiro em nome delas, que a Funai não faz nada, que o governador não faz nada, que o presidente não presta e não vai fazer nada e assim sucessivamente. Eles fazem esse discurso só para serem aceitos, e não ficarão somente naquele pedaço autorizado, vão provocar impactos negativos e vão amedrontar todos ao redor das comunidades.
Junto a isso tudo vão prometer construir hospital, escolas, que vão levar os filhos para estudar nas universidades com bolsas de estudos, que vai ter muito dinheiro para todo mundo que aceitar suas práticas etc. É esse tipo de gente que o general Heleno, esses militares, as Forças Armadas e o governo atual estão promovendo, apoiando.
Num passado não distante, os garimpeiros enganavam os povos indígenas do Alto Rio Negro para procurarem dominar os lugares. Mas as comunidades perceberam que estavam sendo enganadas e promoveram ação de expulsar garimpeiros de lá de suas áreas depois de muitos estragos sociais, culturais e ambientais.
Mais recente, desde o governo Temer, no território dos baniwas entrava garimpeiro empresário sem dialogar, sem respeitar a organização social, afirmando ser amigo do presidente, do governador e de outras autoridades. Foram lá organizar cooperativas comunitárias, com a benção dos militares das Forças Armadas que autorizavam a pesquisa.
Quando nós nos reunimos, ouvimos os mesmos discursos da década de 70, 80 e 90. Só que nós já éramos outras pessoas, outras lideranças que já sabiam buscar entendimento, que sabiam tabuada, já tínhamos aprendido matemática, somar, multiplicar, diminuir, a divisão.
Mas foi a própria apresentação que a denunciou que este plano era insustentável, e foi assim que aquela tentativa acabou, por que as pessoas foram saindo da reunião quando viram que este projeto não tinha viabilidade nenhuma. Isso depois de muita perturbação das comunidades.
Garimpo traz muitas invasões de todas as formas, estamos vendo isso junto aos parentes yanomami, munduruku e outros no rio Madeira e, portanto, não presta. Os garimpeiros quando lerem este artigo se reconhecerão nele. E eu acho que não deveriam entrar no papo do governo, porque não vai prestar. Sei que são pessoas que têm sentimentos e família, então, principalmente seus chefes deveriam procurar meios legais de trabalhar, como gente inteligente deveria agir.
_________________________________________________O que explica a série de violentos tornados nos EUA
Vista aérea de Mayfield: cidade foi quase totalmente destruída Imagem: REUTERS
Consideradas como um dos piores eventos envolvendo esses fenômenos meteorológicos já registrados na história americana, segundo o presidente do país, Joe Biden, as tempestades causaram destruição em seis Estados.
Conheça a população que vive rodeada pelas múmias mais antigas do mundo
O mais afetado foi o Kentucky, que declarou estado de emergência. Lá, pelo menos 80 pessoas morreram, dezenas na cidade de Mayfield, onde uma fábrica de velas funcionava no momento dos eventos - e acabou reduzida a uma montanha de ferros retorcidos.
Até domingo, cerca de 40 funcionários entre os 110 que se estima que estivessem na unidade foram resgatados. A fábrica vinha funcionando com turnos extras para dar conta das encomendas para o Natal.
Sob os destroços, uma funcionária chegou a fazer um pedido desesperado de socorro pelo Facebook. No áudio, é possível ouvir alguns de seus colegas gritando e chorando ao fundo.
"Estamos presos, por favor, consigam ajuda", dizia Kyanna Parsons-Perez - que mais tarde foi resgatada - na gravação transmitida pela CNN.
A repórter da BBC Nomia Iqbal, que visitou Mayfield na manhã seguinte ao desastre, relatou ter visto "casas desmoronadas", "enterradas sob pilhas de seus próprios destroços - brinquedos, sapatos espalhados entre pedaços de metal retorcido e árvores destroçadas".
"A sensação é de estar entrando num set de um filme de desastre. É uma cidade fantasma."
Possíveis causas
O Serviço Nacional de Meteorologia (National Weather Service) recebeu mais de 30 notificações de tornados em seis Estados na sexta-feira. O mais devastador deles se deslocou por impressionantes 365 km, atravessando quatro Estados: Arkansas, Missouri, Tennessee e Kentucky.
A região do meio-oeste e sudeste dos Estados Unidos concentra algumas das condições ideais para a formação de tornados.
Nessa área, apelidada de "tornado alley" ("beco do tornado", em tradução literal), o ar frio e seco que vem do sul do Canadá costuma se deparar com o ar quente e úmido que se desloca para o norte a partir do Golfo do México. Esse encontro cria a instabilidade atmosférica que pode, por sua vez, formar as violentas colunas de ar que caracterizam os tornados.
A maior parte dos tornados observados nesta região acontece em maio e junho - outro fator que chamou atenção no episódio de sexta-feira, já que é menos comum que esses eventos extremos ocorram em dezembro, durante o inverno.
Um dos elementos que vêm sendo apontados entre as possíveis razões para a formação de tantos e tão violentos tornados, contudo, é a temperatura atipicamente quente observada em parte do país na véspera, bastante acima das médias de dezembro em algumas áreas.
Segundo o jornal The Washington Post, um forte sistema de baixa pressão que emergiu das Grandes Planícies, no norte, e foi se intensificando quando uma corrente de jato polar mergulhou na área central do país se deparou pelo caminho com a massa de ar quente que vinha causando uma onda de calor recorde na área que compreende os Estados do Tennessee, Arkansas, Mississippi, Texas e Louisiana.
Em Memphis, no Tennessee, conforme o serviço meteorológico do periódico americano, os termômetros chegaram a marcar cerca de 26ºC (79ºF), quase 15ºC (26ºF) a mais do que a média para o período.
"A atmosfera não sabia que era dezembro - temperaturas na casa dos 70ºF e 80ºF", escreveu em sua página no Twitter o meteorologista Craig Ceecee, baseado no Mississippi.
Climatologistas têm ressaltado, contudo, que ainda serão precisos estudos adicionais para entender melhor o que aconteceu na noite de sexta-feira.
Os cientistas ainda estão observando as imagens e informações disponíveis para estabelecer a categoria dos tornados, por exemplo. A intensidade deles é medida pela Escala Fujita melhorada, que vai de EF-0 a EF-5 e leva em consideração os danos causados pela passagem das colunas de ar.
Em uma coletiva de imprensa no sábado, o presidente Joe Biden afirmou que requisitaria à Agência de Proteção Ambiental e a outros órgãos ligados ao governo que investigassem as possíveis contribuições das mudanças climáticas para os eventos.
"Nós sabemos que tudo é mais intenso quando o planeta está esquentando, e obviamente isso tem algum impacto aqui, mas não é possível dar uma interpretação quantitativa para isso ainda", declarou.
_________________________________________________China registra 1º caso de variante ômicron do novo coronavírus
31.out.2021 - Médico faz testes de covid-19 em massa para residentes do distrito de Aihui após novos casos da doença do coronavírus (covid-19) em Heihe, província de Heilongjiang, na China Imagem: China Daily via REUTERS
Da AFP 13/12/2021 12h37 Atualizada em 13/12/2021 12h48
A China relatou seu primeiro caso da variante do coronavírus ômicron — informou a imprensa oficial na segunda-feira (13).
As autoridades da cidade de Tianjin (nordeste) confirmaram o caso em uma pessoa que chegou de um país não divulgado, segundo o jornal Tianjin Daily.
Reino Unido confirma primeira morte causada pela variante ômicron
Em isolamento em um hospital, o paciente assintomático testou positivo para covid-19 na quinta-feira, e outros testes detectaram "a variante ômicron", de acordo com a mesma fonte.
O país mais populoso do mundo está em alerta máximo para possíveis surtos da doença, enquanto se prepara para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em fevereiro.
A ômicron parece se espalhar mais rápido do que a variante delta. Isso reduz a eficácia das vacinas, mas, ainda assim, favorece os sintomas menos graves, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Primeiro país a registrar a covid-19, em dezembro de 2019, a China reduziu o número de novos casos do vírus, adotando rígidas restrições de fronteira, testes em massa e confinamentos seletivos.
Nas últimas 24 horas, o país registrou 101 casos de coronavírus, 21 deles importados, de acordo com a Comissão Nacional de Saúde.
_________________________________________________Reino Unido confirma primeira morte causada pela variante ômicron
Do UOL, em São Paulo
13/12/2021 09h03 Atualizada em13/12/2021 11h20
Ao menos uma pessoa morreu no Reino Unido vítima da variante ômicron do coronavírus, afirmou hoje o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, que fez um alerta contra a crença de que a nova cepa é menos mortal que as anteriores e fez um apelo a favor da vacinação. Ele não divulgou a idade do paciente e nem se ele estava vacinado ou se apresentava comorbidades.
"Infelizmente, sim, a ômicron está gerando hospitalizações e, infelizmente, pelo menos um paciente teve a morte por ômicron confirmada", disse Johnson, durante visita a um centro de vacinas em Paddington, oeste de Londres.
Segundo o ministro da Saúde britânico, SajidJavid,10 pessoas estão hospitalizadas na Inglaterra com a variante — no total, 3.137 foram diagnosticadas com a ômicron.
"A ideia de que esta é, de alguma forma, uma versão mais branda do vírus, acho que é algo que precisamos deixar de lado e apenas reconhecer o ritmo com que ele [vírus] acelera pela população. Portanto, a melhor coisa que podemos fazer é obter nossos reforços [de vacina]", disse Johnson.
Ontem, Johnson afirmou que um "maremoto" de ômicron está prestes a atingir o país. E o governo alertou que, se não forem adotadas medidas de prevenção, 1 milhão de pessoas poderá ser infectada pela nova variante até o fim de dezembro.
Ontem, 1.239 novos casos da ômicron foram confirmados no país, elevando o total detectado para 3.137 — 65% a mais que os 1.898 acumulados até o dia anterior.
O Reino Unido detectou os primeiros casos da variante no país em 27 de novembro.
O que sabemos sobre a ômicron é que ela está se espalhando a um ritmo fenomenal, algo que nunca vimos antes, as infecções [pela variante] estão dobrando a cada dois ou três dias. Isso significa que estamos diante de um maremoto de infecções, estamos novamente numa corrida entre a vacina e o vírus SajidJavid, ministro da Saúde britânico
Cientistas afirmam que a ômicron, muito mais transmissível que outras cepas, é capaz de infectar pessoas que receberam duas doses de vacina.
Dados preliminares revelados na última sexta-feira apontaram que a eficácia da vacina contra infecções sintomáticas é significativamente menor contra a ômicron para quem recebeu duas doses, mas que uma terceira dose de ambas as vacinas usadas no país — Pfizer e Moderna — pode aumentar a proteção para mais de 70%.
Segundo o ministro, apesar de os sintomas da cepa possivelmente serem mais leves, a não ser que o governo aja, o sistema de saúde poderá ficar sobrecarregado.
Johnson acelera programa de doses de reforço
Horas depois de especialistas do governo britânico elevarem o nível de alerta para a covid-19 para 4 numa escala de 5, Johnson afirmou num pronunciamento ontem que o programa de aplicação de doses de reforço deve ser acelerado.
Johnson disse que as pessoas deveriam se apressar para receber uma dose de reforço para proteger "nossas liberdades e nosso modo de vida", afirmando que o sistema de saúde teria dificuldades de lidar com hospitalizações se a variante se espalhasse por uma população somente duplamente imunizada.
"Todos com mais de 18 anos aptos a serem vacinados na Inglaterra terão a chance de receber a dose de reforço antes do Ano Novo", afirmou o premiê, que classificou a disseminação da ômicron de uma emergência.
A partir desta semana, pessoas com mais de 18 anos poderão receber a terceira dose na Inglaterra, contanto que ao menos três meses tenham se passado desde a segunda. Para acelerar a imunização, 42 equipes militares serão acionadas, e novos locais de vacinação serão abertos.
"Duas doses não são suficientes, mas três doses ainda oferecem excelente proteção contra infecções sintomáticas", ressaltou Javid.
Segundo a BBC, a meta anunciada por Johnson não significa que todos os adultos receberão a dose de reforço até o fim do ano, mas que terão a oportunidade de ao menos agendar a aplicação.
Em resposta à ômicron, o primeiro-ministro pediu que as pessoas trabalhem de casa se possível a partir de hoje e determinou a obrigatoriedade de máscara em grande parte dos locais públicos fechados.
Além disso, deverá ser obrigatório apresentar um certificado de vacinação ou um teste negativo para covid-19 para entrar em casas noturnas e grandes eventos a partir de quarta-feira, se a medida for aprovada pelo Parlamento.
Brasil tem 11 casos confirmados
O estado de São Paulo confirmou na noite de ontem o quinto caso da variante ômicron — o primeiro fora da capital. Segundo o governo paulista, a paciente é uma mulher de 40 anos, da cidade de Limeira, que foi completamente vacinada e tem apenas sintomas leves: tosse, dor de cabeça e coriza. Ela está em isolamento domiciliar e separada do marido e do filho, que tiveram resultado negativo no exame para a doença.
Dados divulgados ontem pelo consórcio de imprensa, do qual o UOL faz parte, mostram que, até o momento, 139.339.569 brasileiros foram imunizados com a segunda dose ou a dose única, o que representa 65,32% da população do país.
Desde meados de janeiro, quando começou a campanha de vacinação contra a doença no país, 159.839.190 habitantes tomaram a primeira dose, o correspondente a 74,93% da população nacional. O total de doses de reforço aplicadas até o momento é de 20.469.025.
Já no Reino Unido, até agora, mais de 51 milhões de pessoas receberam a primeira dose da vacina - cerca de 89% das pessoas com mais de 12 anos. Mais de 46 milhões - 81% dos maiores de 12 anos - receberam ambas as doses. Mais de 20 milhões de doses de reforço foram administradas, segundo dados do NHS (serviço público de saúde lcoal).
O que a OMS recomenda
A nova cepa foi classificada como "preocupante" pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A decisão foi baseada na evidência científica de que a variante tem muitas mutações que influenciam no comportamento do vírus.
Além de vacinação completa e de reforço quando oferecido, a orientação para evitar infecções continua a mesma para todas as variantes: manter distanciamento, lavar as mãos, usar máscara de forma adequada (cobrindo nariz e boca), lavar as mãos e evitar lugares fechados ou com aglomeração.
Com informações da Deustsche Welle, AFP e Reuters
_________________________________________________Ômicron pode causar mais reinfecção do que variante delta, mostram estudos
Dose de reforço da vacina contra Covid parece restaurar bom nível de proteção
Reuters
As doses de reforço de vacinas contra a Covid-19 restauram significativamente a proteção contra sintomas leves provocados pela variante ômicron do vírus, disse na sexta-feira (10) a Agência Britânica de Segurança da Saúde, revertendo em parte uma queda que seria aguda na eficácia dos imunizantes.
As conclusões preliminares de uma análise empírica são alguns dos primeiros dados sobre a proteção contra a ômicron que não vêm de estudos de laboratório, segundo os quais a atividade neutralizadora das vacinas é reduzida no caso da nova variante.
"Essas conclusões preliminares devem ser encaradas com cautela, mas indicam que alguns meses após a segunda dose de vacina há um risco maior de contrair a variante ômicron que a variante delta", disse Mary Ramsay, diretora de Imunização da agência britânica.
Cientistas da Universidade de Hong Kong conseguiram capturar pela primeira vez a imagem da variante ômicron do coronavírus com a ajuda de um microscópio, informou a instituição em um comunicado na quarta-feira (8) - HKU-MED
Ela destacou que a expectativa é que a proteção contra sintomas graves proporcionada pela dose de reforço se mantenha mais alta.
"Os dados sugerem que o risco de doença grave é significativamente reduzido após a vacina de reforço. Portanto, recomendo a todas as pessoas que tomem a dose de reforço quando estiver disponível para elas."
Uma análise de 581 pessoas comprovadamente com a ômicron revelou que duas doses de vacina AstraZeneca ou Pfizer-BioNTech proporcionavam níveis de proteção contra infecção sintomática muito inferiores à proteção que garantiriam contra a variante delta.
Mas, com uma dose de reforço da vacina Pfizer, o nível de proteção contra infecção sintomática subiu para 70% entre as pessoas que haviam inicialmente tomado a vacina AstraZeneca e para 75% entre as imunizadas com a Pfizer.
Para pessoas infectadas com a variante delta, o nível de proteção após a dose de reforço é estimado em 90%.
A agência disse que dois estudos britânicos que ainda não foram apresentados publicamente e três estudos internacionais sugerem que a ômicron provoca uma redução muito forte nos anticorpos neutralizadores, comparada aos vírus utilizados para desenvolver vacinas.
A agência também disse que, embora até agora nenhum caso de ômicron tenha resultado em hospitalização ou morte, os dados disponíveis são insuficientes para avaliar a gravidade da cepa.
Reinfecção
Outra evidência de que a ômicron provoca mais reinfecção foi obtida nos Estados Unidos. Dos 43 casos da nova variante confirmados nos EUA, 34 pessoas estavam plenamente vacinadas, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Além disso, 14 delas tinham tomado a dose de reforço, mas 5 desses casos tenham ocorrido menos de 14 dias após a aplicação, antes de a proteção adicional fazer efeito.
A ômicron foi encontrada em 22 estados americanos até sexta-feira (10). Dos casos identificados, 25 são de pessoas na faixa dos 18 aos 39 anos de idade e 14 haviam feito viagens internacionais. Além disso, 6 já tinham sido infectadas com o coronavírus anteriormente.
A maioria apresentou apenas sintomas leves, como tosse, congestão e fadiga, segundo o relatório divulgado, e uma pessoa foi hospitalizada por dois dias. Outros sintomas relatados com menos frequência incluíram náusea ou vômitos, falta de ar ou dificuldade em respirar, diarreia e a perda do paladar ou olfato.
O CDC disse que há um intervalo de tempo entre a infecção e o aparecimento de sintomas mais graves, então não se pode descartá-los por enquanto. Também se prevê que os sintomas sejam mais leves entre pessoas vacinadas ou que já foram infectadas anteriormente com o SARS-CoV-2.
Mesmo que a maioria dos casos seja leve, uma variante altamente transmissível pode resultar em casos suficientes de Covid para sobrecarregar os sistemas de saúde, disse o CDC.
______________________________________________"Na UTI covid hoje, só IDOSOS e jovens NÃO VACINADOS", diz médica do HC-SP
Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress
Lucas Borges Teixeira Do UOL, em São Paulo 13/12/2021 04h00
A infectologista e intensivista Gabriela Diniz, 33, quase não reconhece a ala de UTI (unidade de terapia intensiva) com pacientes com covid-19 no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Se, no primeiro semestre, pico da pandemia de coronavírus no Brasil, havia muito mais leitos exclusivos para a doença, com adultos de todas as idades, hoje o perfil é outro.
Atualmente, a UTI do maior complexo hospitalar da América Latina segue a tendência do estado e do Brasil. Há menos leitos disponíveis para covid, ocupados, em sua maioria, por pessoas dos chamados grupos de risco, como idosos em idade avançada e imunossuprimidos. Mas um grupo tem furado essa "bolha": jovens e adultos que não se vacinaram.
Sem provas, Bolsonaro cita 'lobby das vacinas' ao criticar passaporte
Com 77% da população vacinada, São Paulo é o estado que mais vacina no país e vê os registros de casos e mortes em níveis próximos aos do começo da pandemia. Na última quinta-feira (9), a média móvel diária estava em 61 óbitos e com menos de 1.000 novas notificações por dia —números semelhantes a abril de 2020, de acordo com o consórcio de imprensa do qual o UOL faz parte.
Casos, internações e óbitos em São Paulo registram quedas consecutivas desde o meio do ano Imagem: Reprodução/Governo do Estado de São Paulo
No HC-SP, ligado à FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), a situação é semelhante. O complexo hospitalar entrou em colapso em março. Chegou a destinar todos seus 900 leitos —300 de UTI— para o combate à doença. Agora, por falta de demanda, tem 255 leitos destinados a pacientes covid, 115 de UTI. Até a última quinta (9), a taxa de ocupação da enfermaria estava em 17,8% e da UTI, 21,7%.
Na unidade em que Diniz trabalha, eram oito pacientes até o fim da semana passada —a minoria deles com covid. Os não vacinados, infelizmente, ainda são uma preocupação.
Na UTI, com covid, o que a gente tem, basicamente, são pacientes mais velhos com fator de risco, como alguma comorbidade, transplantados imunossuprimidos --que, mesmo com a vacina, têm desfecho muito pior-- e os não vacinados. Infelizmente, eles ainda existem."Gabriela Diniz, infectologista e intensivista do HC-SP
As histórias são das mais diversas. Além dos não vacinados que acabam internados, médicos e residentes contam casos de como familiares e pessoas próximas a quem recusa a vacina também acaba impactado.
"Recentemente, tivemos um caso em que a família inteira se vacinou, mas o paciente —um médico—, não. Ele dizia que não ia pegar porque trabalhou em UTI, na linha de frente no ano passado e estava imune. A filha ficou sintomática, a família inteira ficou bem e ele acabou internado", conta Diniz.
"Ele ficou bem? Ficou, não foi invadido. Mas era um homem jovem, atleta e ficou aqui, sozinho, vendo os outros serem intubados, sem saber se ele seria o próximo. Enquanto isso, quem se vacinou teve sintomas leves, como os da gripe", completa a médica.
Vacina protege você e os outros
Também há relatos de lógica oposta. Há poucos meses, Diego Santos, 31, residente de infectologia do HC-SP, recebeu na UTI uma idosa e um adulto, mãe e filho. Ela, com mais de 80 anos, estava vacinada, ele, não. Ela acabou morrendo.
"Ele ficou internado, pode ficar com sequelas, mas acabou saindo, vivo. Já ela tinha uma condição mais debilitada pela idade mesmo. Por mais que as vacinas forneçam proteção, ainda há um escape", explica o residente. A situação poderia ter sido diferente, ele avalia, se o filho tivesse se vacinado.
Como médicos, procuramos não culpabilizar o paciente ou o familiar porque, no fim, ele também é uma vítima dessa campanha de desinformação antivacinas. Mas, se ele tivesse vacinado, poderia ter levado para casa uma carga viral menor, o desfecho poderia ter sido outro. As vacinas são importantes por isso também: protegem você e os outros."Diego Santos, residente de infectologia do HC-SP
Para os especialistas em saúde, não é coincidência que São Paulo viva o melhor momento desde o início da pandemia —ainda que haja registro de mortes todos os dias. Hoje, são mais de 35,8 milhões de paulistas com o esquema vacinal completo (77,5% da população), e 39,2 milhões com pelo menos uma dose. O estado, que chegou a ter mais de 3 mil internações por causa da covid a cada sete dias, entre março e abril, atingiu 280 na última semana —menor número do ano.
Isso pode ser sentido no dia a dia dos médicos. O pesquisador Evaldo Stanislau, infectologista do HC-FMUSP, tem tido dificuldade em achar pacientes para um estudo sobre covid que faz em parceria com a Universidade de Toronto, no Canadá.
"Precisamos de pacientes com um determinado perfil, de enfermaria e sem critérios de exclusão [doenças associadas e não muito idosos, por exemplo]. Desde que o protocolo [a pesquisa] efetivamente iniciou, conseguimos incluir apenas um paciente. Exemplifica bem a mudança no volume e perfil de internação. As vacinas entregam o que prometem: menos internações e menos mortes", afirma o infectologista.
"Alguns pacientes ainda cobram cloroquina, dizem que tomam ivermectina uma vez por semana, mas tem sido cada vez mais raro. No SUS [Sistema Único de Saúde], isso quase nunca acontece", conta Diniz, que também trabalha em um hospital particular. "Sobre a vacina, infelizmente ainda falam que é um tratamento experimental e eles não vão ser cobaias. E também rebatem dizendo que há muitos estudos sobre ivermectina."
Já está comprovado que tanto cloroquina como ivermectina não só são ineficazes contra a covid como podem piorar o quadro do paciente. A médica diz tentar explicar o mais didaticamente como as vacinas funcionam —e por que essas drogas, não. Ela conta que tem uma pasta em seu celular com estudos simples e em português sobre a eficácia dos imunizantes.
Espero o paciente melhorar, claro, para tenta-lo convencer a vacinar. Eu tento mostrar em termos científicos. Alguns dizem que vão. Ficar sozinho em uma cama de hospital com medo de ser intubado faz a pessoa refletir. Mas o ideal era que eles nem precisassem disso. Vacinas funcionam e todo mundo deveria se vacinar. Pelo seu bem e de quem você ama."Gabriela Diniz, infectologista e intensivista do HC-SP
_________________________________________________Depois da tormenta : Como está a retomada dos cruzeiros no Brasil após o baque histórico no setor causado pela pandemia
Depois da tormenta
Carlos Marcondes
Colaboração para Nossa
Alonso Reyes/Unsplash
Após o hiato — necessário, mas devastador — causado desde a paralisação da temporada 2019/2020 e que abalou o setor de cruzeiros marítimos no mundo, os gigantes dos mares voltaram agora aos portos nacionais. Na estreia do MSC Preziosa em águas brasileiras, em Santos (SP), muitos profissionais do setor se emocionaram, após 20 meses de angústia e incerteza.
O retorno dos cruzeiros ao Brasil ocorre com restrições de no máximo 75% da capacidade de leitos, rígidos protocolos para os passageiros e, por enquanto, apenas cinco dos grandes navios (Costa Fascinosa e Diadema, e os MSC Preziosa, Seaside e Splendida) — e todos envolvidos unicamente em roteiros nacionais.
A temporada perdeu navios que desceram direto rumo à Patagônia e Antártica, já que as fronteiras marítimas seguem fechadas. O quadro poderá mudar em janeiro, dependendo das negociações entre armadoras, Anvisa e Governo Federal.
Mesmo com todas essas limitações e os possíveis impactos da quarta onda na Europa e da recém descoberta variante ômicron, o executivo Marco Ferraz acredita em um horizonte límpido para os cruzeiros turísticos. Entrevistado por Nossa, Ferraz não escondeu o sorriso no rosto, esperançoso. Ex-presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), o executivo comanda desde 2014 a Clia Brasil, principal entidade do setor no mundo e que representa uma frota de 268 embarcações, a ser reforçada com 93 novos navios até 2027.
UM TSUNAMI NO SETOR
Embora a pandemia ainda assombre o planeta, a positividade parece ter retornado aos mares. Como foi ter passado pelo tsunami de uma temporada inteira paralisada? Foi um baque enorme, sem precedentes, e um imenso desafio. Foi incrível o que as companhias conseguiram implementar, em 13 de março de 2020, encaminhando às suas casas 500 mil passageiros e 250 mil tripulantes quando tudo foi paralisado. Fizeram isso colocando as pessoas em primeiro lugar, fretando aviões e conversando com embaixadas.
A temporada 2019/2020 fechou com 30 milhões de cruzeiristas no mundo e alcançaria 31.5 milhões em 20/21. Crescíamos 5% ao ano e tivemos que parar tudo. Mas as companhias precisaram manter os navios ligados e a tripulação ativa, pois há muito trabalho para manter as certificações de qualidade, segurança e manutenção. Foram bilhões em gastos.
Algumas companhias ficaram pelo caminho, como a Pullmantur, que fez seu último roteiro pelo Brasil com um fretamento da CVC na temporada 19/20 e não sobreviveu.
Ainda é difícil dizer o que mudará daqui para frente quando a pandemia acabar. É provável que algumas medidas preventivas sejam reforçadas, como a exigência por comprovantes de vacinas e de certificações de saúde para quem for embarcar. Mas não há nada de concreto definido, nem pelas companhias, nem pelas autoridades. Será preciso aguardar para ver se teremos mudanças permanentes.
Brandon Nelson/Unsplash
DEMANDA REPRIMIDA
No último dia 5 de novembro tivemos a primeira saída da temporada. De volta ao mar, como você enxerga o mercado? Foi um sufoco a espera da liberação. A decisão saiu poucos dias antes e já tínhamos quase toda a capacidade vendida, tanto novas compras como remarcações. Em Santos, no dia 5, foi difícil segurar a emoção. Os cruzeiristas de carteirinha estão retornando com força total.
A pandemia tem impactado um pouco mais a confiança de quem nunca viajou de navio. Hoje vemos o cenário com otimismo e demanda reprimida.
Em 19/20 eram oito navios com capacidade de 550 mil leitos, comercializamos 469 mil e movimentamos R$ 2,24 bilhões na economia brasileira. Agora estamos com cinco navios um pouco maiores, capacidade de 500 mil leitos, mas só podemos vender 75%. Estimamos gerar R$ 1,7 bilhão na economia nacional. Levando em conta que só o combustível subiu 91% no último ano, além do dólar e outros gastos, é possível que tenhamos uma movimentação financeira superior.
Para a temporada 22/23 devemos superar o patamar de 19/20, pois já temos confirmados cinco navios da MSC e três da Costa. No cenário global de cruzeiros, os níveis de crescimento devem ser retomados em 2024.
O mercado de luxo no setor de cruzeiros marítimos está sempre olhando lá na frente. As vendas para a volta ao mundo da temporada 2023 esgotaram em 48 horas, o que comprova o aquecimento desse segmento.
Marco Ferraz
iStock
Como o setor está reagindo às notícias sobre a ômicron e uma nova onda?
O setor de cruzeiros tem protocolos rigorosos, como o teste diário de 10% da tripulação e dos passageiros, além de testes pré-embarque, vacinação completa obrigatória para hóspedes e tripulantes (elegíveis dentro do Plano Nacional de Imunização), menor ocupação no navio, uso de máscaras, preenchimento de formulário de saúde pessoal (DSV - Declaração de Saúde do Viajante). Todos os espaços dos navios foram redimensionados para atender às novas necessidades, além do distanciamento entre grupos, entre outras medidas.
Passamos por outras variantes, como beta, delta e agora a ômicron, e todos os protocolos minimizam a possibilidade de infecções.
Além disso, nosso contato com a Anvisa é constante e, se for preciso, os procedimentos de segurança poderão ser flexibilizados ou ajustados, de acordo com possíveis novas exigências.
Nestor Pool/Unsplash
CUIDADOS A BORDO
Por que o viajante deve confiar nos protocolos de segurança desse retorno e nas operações? A Clia trabalhou num protocolo único, em conjunto com as 56 armadoras associadas e enviado para todas as autoridades dos 50 países em que operamos. A base saiu de um protocolo central e cada país fez um ajuste. Às vezes o país exige menos e a gente acaba usando o nosso, que é mais rigoroso e controlado.
No Brasil, nosso protocolo permite apenas vacinados com o ciclo completo, mais os 14 dias. Temos restrições de ocupação em 75%, testagem obrigatória para embarque e testes frequentes de, no mínimo, 10% das pessoas embarcadas. Há ainda agentes fazendo testes adicionais aleatórios antes do embarque.
No navio o uso da máscara é obrigatório, inclusive nas áreas externas, exceto piscinas e saunas. Foram trocados todos os filtros de ar e contamos com uma área médica muito evoluída, equipada com respiradores e toda a estrutura necessária.
Um passageiro identificado como positivo será isolado e será definido com a Anvisa quando e onde acontecerá o desembarque.
Temos contratados também hotéis preparados para a quarentena e estamos em sintonia com as secretarias de saúde de todas as cidades nas quais desembarcamos. É um protocolo que não elimina 100% a chance de ter um vírus a bordo, mas que mitiga ao máximo os riscos. Acho que não tem outro setor com esse tipo de controle no turismo.
Getty Images/iStockphoto
Quais as chances de recebermos os navios com estrangeiros que agora estão no sul do continente?
Nossa expectativa é que as fronteiras aquaviárias sejam abertas até o início de janeiro. Já perdemos diversos navios de nossos associados que queriam ter parado por aqui na descida rumo a Patagônia e Antártica. São 35 navios passando por nossa costa. Temos, por exemplo, o Silversea, que pretende parar no Brasil na volta, fazendo algumas rotas na costa e também na Amazônia.
Mas veja que coisa sem sentido: se um dos navios que estão no sul do continente fretarem um avião para que os passageiros cheguem até Itajaí (SC) e levarem o navio vazio até o terminal, todos poderão reembarcar e seguir o roteiro normal pelo Brasil.
É isso que estamos tentando mostrar para o governo, que não faz sentido liberar via aérea e restringir a marítima.
Getty Images/iStockphoto
O DILEMA DA SUSTENTABILIDADE
Além da pandemia, que ainda provocará desafios para o segmento, a questão ambiental segue no holofote do turismo. O que o mercado tem feito para reduzir suas emissões? A Clia Global tem três prioridades: saúde e segurança, compliance rigoroso e meio ambiente. São 80 mil navios no mundo, sendo 800 (1%) destinados a cruzeiros; destes, quase 270 são nossos associados.
Estamos investindo para liderarmos as mudanças no setor. Assinamos compromisso para reduzir em 40% as emissões de carbono até 2030, sermos carbono zero até 2050 e desenvolvermos soluções tecnológicas que criem combustíveis limpos. Tem crescido o uso de gás natural líquido, de diesel especial e dos sistemas de exaustão de partículas EGCS, que reduzem os níveis de óxido de enxofre em até 98%.
Também há investimentos em acquadinâmica, que gera economia de combustível entre 5% e 10%. Há aplicação de tintas especiais que diminuem o atrito, micro bolhas que contribuem para o desempenho da embarcação, iluminações em LED e diminuição do uso do ar-condicionado em locais arejados.
Há ainda a tendência dos Shoreside Power, carregando navios com energia elétrica nos portos, ainda não disponível no Brasil. É rigorosa a limpeza de resíduos e a água liberada é tão ou mais limpa do que a que acessamos em casa. Também reciclamos muito: todo vidro é moído e embalado, plásticos são amassados e óleos de cozinha separados. A gente recicla mais que 60% dos lares americanos.
Getty Images
O que podemos esperar de novidades na costa brasileira para os próximos anos?
O trabalho da Clia é olhar para frente. Dos mais de 90 navios novos que estão sendo finalizados, por que um deles não pode ficar por aqui? O impacto econômico positivo seria significativo.Também estamos buscando novos destinos e temos dois bem adiantados: Ilha do Mel (PR) e Penha (SC), onde está o Beto Carrero World.
Os piersjá foram reformados, mas ainda não dá para fazermos os testes. Está em fase de regulamentação Itaparica e estamos conversando com Morro de São Paulo e Barra Grande, também na Bahia, além de Vitória (ES).
Há conversas com o Ibama para uma possível reabertura de Fernando de Noronha (PE), onde já operamos no passado. E estamos mostrando todo o investimento em tecnologia e em sustentabilidade que estamos fazendo para voltarmos à ilha com uma embarcação segura e que siga todos os protocolos de preservação.
O nosso sonho é termos navios o ano todo no Brasil. Temos clima, destinos, demanda, mas dependemos de rotas aéreas. Se colocarmos, por exemplo, um navio baseado no nordeste, entre abril e outubro, precisaremos atrair americanos, australianos e europeus.
Marco Ferraz
_________________________________________________Não dá para prever evolução de vírus | A hora da Ciência - Natalia Pasternsk
Com a chegada da variante ômicron, que tem indícios, a partir dos primeiros casos reportados, de ser menos agressiva do que as cepas anteriores, já que até agora os casos confirmados foram assintomáticos ou leves, muito tem se especulado de que isso seria o caminho “natural” da evolução de qualquer vírus: gerar gradualmente para cepas mais transmissíveis e também menos patogênicas (isto é, que causam doença menos grave).
Infelizmente, isso não é verdade. A hipótese até faz sentido quando pensamos em situações extremas (um vírus que mata o hospedeiro tão rápido que não dá tempo de contagiar outras pessoas vai se extinguir logo, um vírus totalmente assintomático vai se espalhar sem que ninguém nem note), mas há um “meio de campo” enorme entre esses extremos, com muitas posições de equilíbrio possíveis.
A ideia de que vírus tendem a se tornar inofensivos foi sugerida pela primeira vez por Theobald Smith (1859-1934), que no século 19 observou doenças de gado transmitidas por carrapatos, e concluiu que a cada vez que o gado era infectado, apresentava doença mais branda. Ele concluiu que havia uma adaptação natural de patógeno e hospedeiro, rumo à convivência pacífica.
Mas o que é crucial para o vírus é se transmitir – o que acontece com o hospedeiro depois disso é irrelevante. Pegando como exemplo um caso extremo onde a queda de virulência realmente foi observada: o caso do vírus mixoma, na Austrália. Ele causa doença grave em coelhos europeus, espécie que, introduzida na Austrália no século 19, tornou-se uma praga incontrolável. Na década de 1950, o governo australiano decidiu introduzir o vírus. O experimento virou garoto-propaganda da teoria da queda de virulência. Mas não foi exatamente isso que aconteceu.
A cepa original introduzida na Austrália, transmitida por mosquitos, era quase 100% letal e matava os coelhos em duas semanas. Seguiu-se uma cepa com letalidade um pouco menor, de 70%-95%, e que matava em um mês. E finalmente, apareceu uma de letalidade em torno de 50%-70%, que matava em 50 dias. Neste caso, o espaçamento maior entre a picada do mosquito e morte era vantagem. Quanto mais tempo o animal ficava exposto para o mosquito, mais mosquitos picavam e mais o vírus se transmitia. Por outro lado, uma cepa muito branda não teria vantagem, porque o sistema imune dos coelhos daria conta dela rapidamente. Muito mais do que uma ordem para abrandar a doença, a evolução tende a um equilíbrio fino entre transmissão e virulência. A cepa dominante do mixoma na Austrália estabilizou-se ainda bem agressiva, em torno de 75% de mortalidade. Além disso, após a seleção natural favorecer coelhos resistentes ao vírus por gerações, surgiu uma nova variante que conseguia desligar o sistema imune dos animais. Sem imunidade, os coelhos morriam de infecções bacterianas oportunistas.
Hoje a teoria mais aceita é do ajuste fino, que considera vários parâmetros: o tempo entre contaminação e sintomas, a presença ou não de reservatórios animais e o quanto o vírus dura fora do hospedeiro
No caso do SARS-Cov2, não há nenhuma pressão seletiva para reduzir virulência. Isso pode acontecer ao acaso, e seria muito bom, mas não existe vantagem evolutiva. O vírus transmite-se na fase assintomática, muito antes da pessoa adoecer ou morrer. Para o coronavírus, tanto faz o que acontece com você depois que ele pulou para o hospedeiro seguinte. Ele também apresenta reservatório animal. Assim, não existe razão para imaginar que um vírus vá evoluir para ser assim ou assado. Cada um tem seu ajuste fino. Diversos microrganismos, infelizmente, evoluem para maior agressividade. E muitos não se alteram com o tempo. A evolução é sensível ao acaso, e características se fixam se forem vantajosas ou se estiverem no local certo na hora certa.
_________________________________________________Apesar da pandemia, jovens esperam verão mais 'transante' dos últimos tempos
Com imunização em avanço e festas liberadas, entrevistados afirmam que há um 'clima de pele' no ar. Especialistas, por sua vez, pedem cautela
Festas e eventos mudaram a rotina de quem estava no confinamento Foto: Shutterstock / Shutterstock
Receba notícias em tempo real no app.
No longínquo março de 2020, o maquiador Brenno Melo dava entrevista ao GLOBO dizendo que andava assistindo a “Ursinhos carinhosos” na TV, enquanto cumpria estritamente as recomendações de isolamento, em função da pandemia. A ideia era que o desenho infantil o afastasse das tentações da carne. “Vai ser praticamente um celibato”, anunciou, na ocasião. Corta para dezembro de 2021. Devidamente imunizado, o discurso é bem diferente. “Se estava no celibato, agora estou no movimento contrário”, avisa o rapaz, de 33 anos, logo que atende ao telefone. “Este vai ser o verão da orgia. Está todo mundo se pegando.”
A pandemia está longe do fim, e a variante Ômicron acende novos alertas pelo mundo. Por outro lado, com os números de casos em queda no Brasil, o avanço da vacinação e a liberação de festas e eventos, o que não falta é gente querendo tirar o atraso. Como define o fotógrafo Lucas Bori, acostumado a registrar a cena carnavalesca carioca, “há um clima de pele no ar”. Ele diz isso com base nos primeiros agitos que pode observar com olhar clínico. “As pessoas estão loucas para viver a nova estação. Acho que esse vai ser o grande verão do amor, com todo mundo mais aberto ao afeto. E, se as coisas continuarem no ritmo que estão, isso vai aumentar ainda mais.”
Mesmo namorando, Brenno quer aproveitar a 'onda de amor' Foto: Jorge Bispo
Brenno que o diga. Depois de viver todas as oscilações de humor possíveis nos últimos meses, o maquiador parece não ter tempo a perder. “Sinto que voltamos com tudo, ainda que não dê para esquecer o que aconteceu, já que foi muito marcante. Se antes tínhamos medo de morrer, hoje, mais do que nunca, temos sede de viver.” O rapaz, cabe ressaltar, está namorando. Mas isso não significa abrir mão da “onda de amor”. “São cinco eventos numa mesma noite. Uma loucura! Eu e ele estamos na pista e, do nada, vem alguém e se mete no meio.”
Autora do livro “Os 10 (ou mais) Mandamentos da Solteira” (ed. Rocco), Krishna também anda se jogando como nunca na pista. “A última vez em que havia feito sexo foi na quarta-feira de cinzas do carnaval de 2020. Há cerca de um mês, tive o meu primeiro encontro e senti que realinhou todos os meus chacras. Digo isso porque, logo depois, vieram outros caras”, diverte-se. “Já peguei cinco e transei com mais dois.”
A moça reconhece que tampouco está nadando sozinha nessa maré. Pelas festas que foi até agora, Krishna garante que a máxima de que “se organizar direitinho, todo mundo transa” nunca fez tanto sentido. “A galera está mais rápida. Se pega alguém na balada, já leva para casa.”
Krishna é autora do livro 'Os 10 (ou mais) mandamentos da solteira' Foto: Arquivo pessoal
O clima tropical, afirma o médico e sexólogo Amaury Mendes Jr., dá aquela mãozinha. Segundo ele, estudos já mostraram que, em regiões onde há uma maior incidência do sol, a sexualidade fica mais latente. “Essa coisa de estarmos num país banhado por um litoral extenso e de usarmos menos roupa, de fato, aumenta a libido. Tanto que em regiões frias acontece exatamente o contrário, e a sexualidade não é tão importante.”
Questões climáticas à parte, o sexólogo também reconhece que quem está solteiro e cumpriu os protocolos nos últimos meses anda subindo pelas paredes. “Muitos casais até conseguiram incrementar a relação nesse período, usando brinquedos eróticos, por exemplo. Mas, no grupo dos solteiros, muita gente não aguenta mais se masturbar”, comenta. “Para essas pessoas, esse deve ser um verão arrebatador, marcado pela busca por sexo.”
Tanto Krishna quanto Brenno reconhecem que a própria lógica pandêmica justifica, em parte, tamanha euforia no ar. Afinal, há um temor de que as coisas voltem a piorar com as novas variantes, e as pessoas precisem se isolar em suas casas novamente. “Antes da pandemia, ninguém imaginava que algo do tipo pudesse acontecer em nossas vidas. Então, há essa sensação de ‘vamos viver cada dia como se fosse o último’”, descreve a autora.
Laura está de olho no carnaval Foto: Aqruivo pessoal
Mas, afinal, o que devemos temer? Embora ressalve que a reabertura no Brasil seja precoce (o ideal seria aguardar que ao menos 80% da população estivesse vacinada), Raquel Stucchi, infectologista e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, afirma que é possível manter certa positividade em relação ao futuro. Entre os pontos altos, Raquel cita adesão em massa dos brasileiros à imunização e o fato de a terceira dose já estar em curso. Com essa combinação de fatores, ela acha possível que o cenário visto em alguns países da Europa, onde cidades inteiras precisaram retomar a quarentena, não se repita por aqui. Ela acrescenta, porém, que outros cuidados serão decisivos para que isso se concretize. É o caso da exigência do passaporte vacinal e da testagem, esta muito importante para o controle em relação à Ômicron, cujos riscos ainda não estão totalmente compreendidos pela comunidade científica.
“A Covid-19 nos ensinou que não podemos cometer descuidos, porque ela nos traz surpresas num período muito curto. O que era bom pode tornar-se péssimo rapidamente”, alerta. Nesse sentido, Raquel ainda considera um equívoco a não utilização de máscaras em locais públicos, como foi liberado recentemente no Rio. O relaxamento das medidas combinado à aglomeração, sobretudo em locais fechados, pondera, mostrou-se arriscado na Europa. Portanto, não custa reforçar que um pouco de cautela não faz mal a ninguém. “A pandemia não chegou ao fim, e as chances de o mundo acabar amanhã são bem pequenas.”
Enquanto não há sinais de um grande meteoro em direção à Terra, quem é de carnaval aposta todas as fichas na folia que marca o ápice transante do verão, mesmo diante dos cancelamentos da festa anunciados por cerca de 50 cidades. Para essa turma, será o maior fervo de todos os tempos. “Vai faltar agenda”, prevê Krishna. “Vamos ter um contatinho para a manhã, um para a tarde e outro para a noite. O clima no Rio já mudou. Imagina quando chegar fevereiro? Vai ser uma loucura sensual.”
José espera experiência "antroplógica" Foto: Arquivo pessoal
A relações públicas Laura Arantes, de 26 anos, também já está de olho na festa da carne mais carnal de todas. Para ela, até segunda ordem, relacionamentos mais sérios vão ficar para depois da temporada. “Só vai ter romance se ficar estabelecido que o beijo em outras bocas está liberado. Inclusive, tenho notado muitos casais abrindo a relação”, observa. Ela afirma que a jogação é tamanha que mesmo quem não é bissexual tem se permitido beijar todas as bocas, sem exceção. “Sempre gostei de ficar com amigas em festas, mas agora tenho marcado encontros com mulheres também.”
Passageiro do mesmo bonde que Laura, o arquiteto José Guilherme Almeida, de 27 anos, diz ter vivenciado uma virada de chave nos últimos meses. Depois de tanto tempo recluso, decidiu, por ora, deixar a “coisa do romance” de lado. “Quando voltei à noite, já não estava tão sentimentalmente disponível”, analisa. “Não estava nem aí se era homem ou mulher. Queria mais era beijar na boca. Meu estilo é: respirou, a gente se pega.” O carnaval, segundo ele, será um “surto” do qual faz questão de participar. “Vai ser uma experiência antropológica transcendente”, filosofa, antes de encerrar a entrevista com um pedido: “Avisa no texto que estou solteiro, por favor”.
Se restava alguma dúvida, o recado está dado.
_________________________________________________Mila Moreira passou mal e teve parada cardíaca. Corpo da atriz será cremado no Rio - Patrícia Kogut, O Globo
O último papel da atriz na TV foi como a Gigi, da novela 'A lei do amor', em 2016 (Foto: Reprodução)
Mila Moreira será cremada nesta terça-feira no cemitério Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro. Antes, haverá um velório para familiares e amigos da atriz, morta aos 75 anos na madrugada desta segunda.
Segundo amigos próximos de Mila, ela passou o último fim de semana entre amigos queridos em Paraty, com alegria, como ela gostava. Passou mal de sábado para domingo. Uma pessoa próxima à atriz contou como foi:
- Não se sabe exatamente a causa, mas ela começou a vomitar sem parar, foi para o soro lá mesmo. Depois veio de ambulância para o Copa Star e aí continuou com a gastroenterite e finalmente uma parada cardíaca. Muito triste.
PUBLICIDADE
Maria Adelaide Amaral, grande amiga de Mila e parceira da atriz em inúmeros trabalhos, promoverá uma missa de sétimo dia em São Paulo.
_________________________________________________Por que a ÔMICRON pode ser um 'PRESENTE de NATAL; entenda
Termo foi usado por futuro ministro da Saúde da Alemanha; outros especialistas concordam que nova variante pode ser menos letal que as demais
Karl Lauterbach, futuro ministro da Saúde da Alemanha. Foto: HANNIBAL HANSCHKE / REUTERS
Receba notícias em tempo real no app.
A falta de indícios de casos graves de Covid-19 e mortes associadas à variante Ômicron podem torná-la um "presente de Natal antecipado", afirmou o epidemiologista Karl Lauterbach, futuro ministro da Saúde da Alemanha. A ideia ganha apoio de outros especialistas, como Anthony Fauci, principal conselheiro do presidente dos EUA, Joe Biden, que classificou os primeiros sinais da não gravidade da variante como “um tanto encorajadores”.
O especialista acredita que as 32 mutações identificadas na proteína Spike — usada pelo vírus para entrar nas células humanas — podem significar que a nova cepa é otimizada para infectar pessoas, ao invés de matar. Isso poderia acelerar o fim da pandemia.
Ele acrescentou que esse movimento está de acordo com a evolução da maioria dos vírus respiratórios e é bom que o coronavírus tenha chegado a esse ponto.
Desde que foi identificada pela primeira vez na África do Sul, em novembro deste ano, não há relatos de que a Ômicron tenha provocado a forma grave da Covid-19 nem morte nos pacientes que foram diagnosticados com ela. Quem foi infectado pela nova variante, até o momento, apresentou sintomas leves, sem necessidade de internação hospitalar.
PUBLICIDADE
As 50 mutações encontradas na Ômicron, das quais a maioria é na proteína Spike, assustaram a Organização Mundial da Saúde (OMS) — que a classificou como uma variante de preocupação, o nível mais alto de alerta — e os países mundo afora, que restringiram voos vindos do sul do continente africano.
Ainda não há estudos suficientes que comprovem se a Ômicron é capaz ou não de resistir aos anticorpos produzidos pelas vacinas. No entanto, há relatos de pacientes vacinados que tenham contraído a Covid-19 causada pela nova variante.
De acordo com a OMS, tudo indica que a Ômicron seja mais transmissível do que as outras variantes, incluindo a Delta, mas isso ainda não está definido. A África do Sul relatou um aumento de testes positivos para Covid-19 em áreas onde a variante está circulando. Estudos epidemiológicos estão em andamento para entender se o aumento de casos foi provocado pela nova cepa ou por outros fatores.
Evidências preliminares sugerem que pode haver um risco aumentado de reinfecção com a Ômicron (ou seja, pessoas que já tiveram Covid-19 podem ser reinfectadas mais facilmente com a nova cepa), em comparação com outras variantes preocupantes. Porém, por enquanto, as informações são limitadas.
_________________________________________________Presidente da Associação Médica Mundial TEME SURGIMENTO de VARIANTE do coronavírus 'tão perigosa quanto o EBOLA'
PUBLICIDADE
Sputnik - No mundo podem surgir mutações tão perigosas quanto o vírus ebola, aponta o presidente da Associação Médica Mundial (WMA, na sigla em inglês), Frank Ulrich Montgomery.
Montgomery alerta para a possibilidade de surgimento de uma supervariante de coronavírus.
PUBLICIDADE
“Minha grande preocupação é que possa surgir uma variante tão infecciosa quanto a delta e tão perigosa quanto o ebola”, disse ele em entrevista ao grupo de mídia Funke.
Por enquanto, não há informações precisas sobre os riscos da mutação Ômicron, mas aparentemente ela se propaga muito rapidamente, observou Montgomery, ressaltando que no início da pandemia, o mundo subestimou a sua magnitude.
PUBLICIDADE
"Eu também pensei que era uma cepa de gripe. Mais tarde, decidimos que poderíamos conseguir chegar à imunidade de rebanho, mas depois veio a delta – uma variante altamente contagiosa", disse o presidente da WMA.
Propagação e combate à Covid-19
Com 50 mutações, OMS declara a B.1.1.529 como variante de preocupação e dá o nome de 'Ômicron'
PUBLICIDADE
Ele não descartou a possibilidade de ser necessário realizar revacinação contra a COVID-19 anualmente.
A nova variante foi detectada pela primeira vez em 9 de novembro na África do Sul por meio de uma análise genética.
PUBLICIDADE
Muitos apontam para a sua alta transmissibilidade e resistência às vacinas: a variante recém-descoberta (B.1.1.529 ou Ômicron) tem mais mutações na proteína spike do que todas as outras variantes da COVID-19. Nesta sexta-feira (26), a OMS classificou-a como uma variante preocupante.
_________________________________________________Violência: atos contra restrições sanitárias se intensificam pelo mundo
20/11/2021 - Manifestação contra lockdown em Rotterdam, na Holanda, foi marcada por vandalismo Imagem: Jeffrey Groeneweg / ANP / AFP
Haia
21/11/2021 14h54
Dezenas de milhares de manifestantes em Viena, distúrbios na Holanda e cenas de saque e vandalismo nas Antilhas francesas: os protestos contra as medidas anticovid-19 implementadas por governos para conter o contágio do coronavírus estão se intensificando no mundo todo.
Em meio aos inúmeros surtos de covid-19 na Europa que trouxeram a reimposição de restrições sanitárias, várias manifestações foram organizadas em diferentes países do continente, com algumas terminando em confrontos e detenções.
'Milagre sair com vida', diz taxista que sobreviveu a atentado em Liverpool
Neste domingo (21), a polícia holandesa informou que 19 pessoas foram detidas, após uma segunda noite de protestos violentos contra as últimas medidas sanitárias implementadas pelo governo para conter a pandemia da covid-19.
Em Haia, vários policiais da tropa de choque investiram contra grupos de manifestantes que atiravam pedras e outros objetos nos agentes, em um bairro popular. De acordo com um comunicado divulgado pela polícia da capital, foi usado um canhão d'água para apagar um incêndio de bicicletas em um movimentado cruzamento de ruas.
No total, a polícia fez "19 detenções por insultos, entre outras coisas", acrescenta o texto.
Durante os confrontos, os policiais do Batalhão de Choque tiraram uma mulher de um carro, cujos ocupantes haviam gritado insultos contra as forças da ordem, e levaram-na para uma caminhonete, observou um jornalista da AFP.
Os protestos contra as restrições sanitárias pela pandemia da covid-19 voltaram a terminar em tumultos na noite de sábado (20), na Holanda, em Haia em particular, onde cinco policiais ficaram feridos.
Um dia antes, a violência na cidade portuária de Rotterdam teve um balanço de 51 detidos e três pessoas baleadas.
Também houve atos violentos em Urk, uma pequena cidade protestante localizada no centro do país, e em várias cidades da província de Limburg, ao sul.
A Holanda voltou a aplicar a ordem de confinamento na semana passada, assim como uma série de restrições sanitárias que afetam, em especial, o setor de bares e restaurantes. Agora, estes estabelecimentos devem fechar às 20h locais.
Vacinação obrigatória
Na Áustria, o governo anunciou que vai confinar a população novamente a partir de segunda-feira (22) e que a vacinação anticovid-19 se tornará obrigatória em fevereiro.
Em Viena, 35 mil pessoas foram às ruas, segundo a polícia, convocadas pelo partido de extrema direita FPO. O líder da sigla, Herbert Kickl, não compareceu ao ato, porque testou positivo para o coronavírus.
Com faixas denunciando "a ditadura do corona" e palavras de ordem como "não à divisão da sociedade", a multidão se reuniu no coração da capital austríaca, próximo à Chancelaria.
O protesto ocorreu sob forte esquema policial, já que as forças de segurança temiam a chegada de grupos violentos, vândalos, militantes neonazistas e do movimento identitário, de extrema direita.
Também ontem, milhares de pessoas marcharam pelo mesmo motivo na capital croata, Zagreb.
Na França, o porta-voz do governo Gabriel Attal alertou neste domingo que a quinta onda de covid-19 é "nítida", ao mesmo tempo em que buscou suavizar o quadro. "Há elementos que são preocupantes, mas outros que nos dão confiança", declarou.
Protestos na Austrália
Do outro lado do mundo, 10.000 pessoas se manifestaram em Sydney, também contra a vacinação anticovid-19, de acordo com a polícia.
A vacinação obrigatória é exigida apenas em alguns estados e territórios e para determinados grupos profissionais. Cerca de 85% dos australianos com mais de 16 anos estão totalmente vacinados.
Milhares de pessoas também protestaram em Melbourne, e cerca de 2.000 pessoas compareceram a uma contramanifestação, uma das primeiras deste tipo desde o início da pandemia.
Nas Antilhas francesas, a mobilização contra ol passe sanitário e a vacinação obrigatória do pessoal de saúde, apoiada por um coletivo de sindicatos e por organizações da sociedade civil, tornou-se violenta em Guadalupe, uma das duas principais ilhas do arquipélago.
Apesar do toque de recolher imposto pelas autoridades, farmácias e lojas de celulares foram alvo de manifestantes.
"A noite foi muito agitada", disse uma fonte policial à AFP, relatando que "um veículo policial foi baleado com disparos reais" na cidade de Gosier. O mesmo aconteceu contra "a gendarmaria móvel" em Pointe-à-Pitre.
De acordo com a procuradoria de Pointe-à-Pitre, na noite de sábado, 16 pessoas foram detidas e interrogadas, e cinco delas permanecem presas: uma delas, por "violência intencional com uma arma contra uma pessoa em representação do poder público".
_________________________________________________Quinta onda de covid tem velocidade 'vertiginosa', diz porta-voz da França
20.jul.2020 - Homem usando máscara passa por uma placa que informa sobre uso obrigatório do acessório em loja em Lille, na França Imagem: Denis Charlet/AFP
21/11/2021 12h00
A quinta onda da epidemia de Covid-19 na França se propaga a uma velocidade "vertiginosa", alertou neste domingo (21) o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal. Na média calculada em sete dias, o número diário de infecções dobrou, atingindo 17.153 casos positivos neste sábado (20) contra 9.458 na semana anterior.
A quinta onda da epidemia de Covid-19 na França se propaga a uma velocidade "vertiginosa", alertou neste domingo (21) o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal. Na média calculada em sete dias, o número diário de infecções dobrou, atingindo 17.153 casos positivos neste sábado (20) contra 9.458 na semana anterior.
A explosão de novos casos da Covid-19 demonstra um crescimento exponencial da epidemia no território francês. Até a semana passada, demorava três semanas para que o número de casos diários aumentasse nas mesmas proporções.
Covid: País mais vacinado do mundo, Portugal estuda volta da máscara
Segundo o porta-voz francês, alguns elementos causam preocupação ao governo, enquanto outros deixam as autoridades confiantes. Ainda não é possível determinar se a alta de casos terá impacto nas hospitalizações. Por enquanto, não é este o caso, o que se atribui à vacinação, que continua a ser muito eficaz na prevenção de formas graves da doença. Mas a imunização não impede as contaminações pela variante Delta.
Quase 75% da população francesa está completamente vacinada. A campanha de reforço com uma terceira dose de imunizante do tipo RNA mensageiro começou em setembro para idosos. Em 1° de dezembro, ela será estendida para a faixa etária de 50 a 65 anos. Há recomendação da Alta Autoridade de Saúde (HAS), um organismo independente, para que todos com mais de 40 anos tomem a dose de reforço.
"Vemos que há um forte aumento das contaminações, mas também sabemos que temos uma cobertura vacinal muito ampla (e) estamos bastante à frente dos nossos vizinhos no reforço vacinal", sublinhou Attal.
No sábado (20), havia 7.974 pacientes da Covid hospitalizados em todo o país, sendo 1.333 doentes em unidades de tratamento intensivo (UTI), contra 6.500 e 1.000, respectivamente, há um mês.
O secretário de Estado elogiou a implantação em julho do passaporte sanitário, para acesso a locais que recebem público, enquanto a maioria dos países no bloco europeu adotou essa medida posteriormente. "O governo assume esta escolha de impor restrições às pessoas não vacinadas", frisou Attal.
Protestos na ilha de Guadalupe
Enquanto as manifestações antivacina perderam fôlego na chamada França metropolitana, a parte do território situada no continente europeu, os protestos antivacina causam preocupação na ilha francesa de Guadalupe, no Caribe.
Após uma noite de violentas manifestações contra o passaporte sanitário, com atos de vandalismo, saques e confrontos com a polícia, Paris enviou 50 homens das forças especiais para controlar a situação no território ultramarino. Profissionais do setor da saúde que foram afastados do trabalho por se recusar a tomar a vacina fazem um movimento social há várias semanas na ilha, bloqueando inclusive o acesso ao hospital universitário de Pointe-à-Pitre.
O porta-voz do governo francês declarou que a violência na ilha é "intolerável e inaceitável".
_________________________________________________Holanda: protestos violentos contra medidas para conter covid têm 19 detidos
20/11/2021 - Manifestação contra lockdown em Rotterdam, na Holanda, foi marcada por vandalismo Imagem: Jeffrey Groeneweg / ANP / AFP
Haia
21/11/2021 10h29
A polícia holandesa informou, neste domingo (21), que 19 pessoas foram detidas, após uma segunda noite de protestos violentos contra as últimas medidas sanitárias implementadas pelo governo para conter a pandemia da covid-19.
Em Haia, vários policiais da tropa de choque investiram contra grupos de manifestantes que atiravam pedras e outros objetos nos agentes em um bairro popular. De acordo com um comunicado divulgado pela polícia da capital, foi usado um canhão d'água para apagar um incêndio de bicicletas em um movimentado cruzamento de ruas.
Modelo britânico que inspirou o SUS não resiste ao impacto da covid-19
No total, a polícia fez "19 detenções por insultos, entre outras coisas", acrescenta o texto.
Durante os confrontos, os policiais do Batalhão de Choque tiraram uma mulher de um carro, cujos ocupantes haviam gritado insultos contra as forças da ordem, e levaram-na para uma caminhonete, observou um jornalista da AFP.
Os protestos contra as restrições sanitárias pela pandemia da covid-19 voltaram a terminar em tumultos na noite de sábado (20), na Holanda, em Haia em particular, onde cinco policiais ficaram feridos.
Um dia antes, a violência na cidade portuária de Rotterdam teve um balanço de 51 detidos e três pessoas baleadas.
Também houve atos violentos em Urk, uma pequena cidade protestante localizada no centro do país, e em várias cidades da província de Limburg, ao sul.
_________________________________________________FPHUDÊU: Merkel sobre covid na ALEMANHA: 'será PIOR do que TUDO que VIMOS até AGORA
22 jun. 2021 - A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, alertou para a situação da covid-19 na Alemanha Imagem: Pool/Getty Images
Do UOL, em São Paulo*
22/11/2021 09h53
Atualizada em 22/11/2021 12h39
A chanceler alemã, Angela Merkel, advertiu hoje que, com a atual evolução, os recordes diários de casos e a baixa vacinação, a situação da covid-19 "será pior do que tudo o que vimos até agora". Merkel fez a afirmação durante um encontro de dirigentes de seu partido, a conservadora União Democrata Cristã (CDU), de acordo com uma fonte da Bloomberg.
Segundo a chanceler, as atuais restrições no país "não são suficientes diante da situação dramática" provocada pelo surto de infecções de covid-19 e defendeu restrições mais rígidas para tentar conter o avanço do vírus.
Autoridade de saúde alemã considera plano anticovid insuficiente
Merkel esclareceu no encontro que a situação é "altamente dramática" e comunicou que em pouco tempo os hospitais estarão sobrecarregados de infectados pela doença, caso não haja medidas rígidas para conter a covid-19 no território, informou a Bloomberg.
A chanceler disse ainda que muitos cidadãos parecem não ter entendido a gravidade do aumento da doença pelo país e ponderou que apenas a vacinação não é o suficiente para impedir a situação atual.
No encontro, Merkel solicitou aos 16 estados do país — que têm autonomia para determinar as políticas de combate à doença — para definirem medidas mais duras contra o novo coronavírus ainda esta semana.
Apesar das tentativas anteriores, o país não conseguiu elevar a taxa de vacinados para além de 68% da população.
Infecções e mortes
Nos últimos dias, a Alemanha registrou um número sem paralelo de contaminações desde o início da pandemia, ultrapassando 65 mil casos em 24 horas na semana passada. Nesta segunda, a taxa de incidência de sete dias era de 386,5, um recorde. Em algumas regiões, hospitais já informaram que suas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) estão lotadas.
No geral, 5,35 milhões de infecções por coronavírus foram notificadas na Alemanha desde o início da pandemia, em fevereiro de 2020. O país já registrou 99.062 mortes em decorrência da doença.
Teremos mais mortes, diz ministro da Saúde
O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, declarou hoje que as pessoas que não se vacinaram contra a covid-19 devem pegar o vírus nos próximos meses e algumas morrerão em decorrência da doença.
Em entrevista coletiva, Spahn declarou que o final do inverno europeu "quase todo mundo na Alemanha provavelmente estará vacinado, recuperado ou morto" e reconheceu que algumas pessoas podem achar a declaração exagerada.
"A imunidade [da população] será alcançada (...) A questão é se é por vacinação ou infecção, e recomendamos empaticamente o caminho por meio da vacinação", advertiu o ministro.
Ele apelou mais uma vez aos alemães a se vacinarem "com urgência", pois o índice nacional de pessoas que receberam as doses continua inferior à observada em muitos outros países europeus.
A Alemanha, especialmente as regiões do sul e do leste, é duramente atingida por uma nova onda de contaminações que especialistas e políticos atribuem a uma taxa de vacinação (68%) que está entre as mais baixas da Europa Ocidental.
País debate vacinação compulsória
Políticos alemães estão debatendo a possibilidade de tornar a vacinação contra a covid-19 obrigatória, considerando o aumento de novos casos e baixa taxa de imunização.
Vários membros do partido conservador da chanceler Angela Merkel disseram ontem que os governos federal e estaduais deveriam introduzir a vacinação obrigatória em breve, já que outros esforços para elevar a taxa de vacinados para além de 68% da população falharam.
"Chegamos num ponto em que devemos dizer claramente que precisamos de uma vacinação obrigatória e um lockdown para os não vacinados", escreveu Tilman Kuban, líder da ala jovem do partido de Merkel no jornal Die Welt.
O porta-voz do governo de Angela Merkel declarou que "entende" o início do debate, mas que "uma decisão não foi tomada e não será tomada por este governo".
*Com informações da AFP e da Reuters
_________________________________________________FPHUDÊU: Áustria anuncia primeira quarentena nacional da Europa e vacinação obrigatória para conter quarta onda de Covid-19
Alemanha não descarta adotar novo confinamento para fazer frente à doença, e ministro da saúde alerta para 'emergência nacional'
O Globo e agências internacionais
19/11/2021 - 08:10 / Atualizado em 19/11/2021 - 11:54
Austríacos caminham em rua comercial em meio à quarta onda de Covid-19 na Europa Foto: LEONHARD FOEGER / REUTERS/17-11-21
Receba notícias em tempo real no app.
VIENA e BERLIM — A população da Áustria, incluindo os já vacinados contra a Covid-19, entrará em quarentena a partir da próxima segunda-feira devido à quarta onda da pandemia na Europa, que causa recordes diários de casos no país. A Alemanha, por sua vez, disse mais uma vez que está diante de uma "emergência nacional" e não descarta pôr a população sob confinamento.
Depois de ter iniciado na segunda-feira um confinamento apenas para não vacinados, a Áustria se tornou o primeiro Estado-membro da União Europeia (UE) a adotar uma medida tão drástica diante da nova onda. O governo austríaco também foi o primeiro do continente a impor a vacinação obrigatória para toda a população, a partir de 1º de fevereiro de 2022.
Você tem que "olhar a realidade de frente", disse o chanceler conservador, Alexander Schallenberg, ao anunciar as medidas "dolorosas", que lembram as adotadas antes das campanhas de vacinação. Ele reconheceu que as restrições impostas até o momento não funcionaram, e criticou a desinformação e a desconfiança na vacina:
— Por muito tempo, o consenso político foi que nós não queríamos vacinação compulsória neste país — afirmou o chanceler, afirmando que um número insuficiente de pessoas se inoculou e que os leitos de terapia intensiva estão em situação crítica. — Aumentar o número de vacinados é a única maneira de sair deste círculo vicioso.
A quarentena austríaca durará 20 dias para os já vacinados, e continuará por tempo indeterminado para os não inoculados, grupo contra o qual o governo adota uma linha cada vez mais dura. As pessoas só poderão sair de casa para realizar atividades essenciais, como comprar alimentos, trabalhar e se exercitar ao ar livre. Apenas supermercados e lojas que vendem produtos essenciais poderão abrir as portas.
— Ninguém quer uma quarentena total — disse o ministro da Saúde, Wolfgang Mückstein, se desculpando pela decisão do governo. — A quarentena é sempre uma imposição, mas é o instrumento mais confiável que nós temos para combater a quarta onda.
'Situação dramática'
A Áustria tem hoje a terceira maior taxa de novos casos da Europa e do mundo, com mais de 1.400 diagnósticos diários para cada milhão de habitantes — na quinta, foram registrados 14.212 novos infectados em 24 horas. Cerca de 66% da população local está vacinada, um percentual ligeiramente inferior à média europeia, apesar de o país ter adotado o passaporte sanitário na primavera boreal (outono no Brasil).
Vários países europeus, principalmente onde menos de 70% da população já tomou as duas doses, registram um aumento nos casos de coronavírus e decidiram endurecer as restrições nos últimos dias. É o caso de Suécia, República Tcheca e Alemanha, onde a chanceler Angela Merkel anunciou na quinta que irá limitar o acesso de não vacinados a restaurantes e eventos públicos, culturais e esportivos nas regiões onde hospitais estão sobrecarregados.
Nesta sexta, quase simultaneamente ao anúncio de Viena, o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, disse que "nada pode ser descartado" após ser questionado sobre a possibilidade de adotar medidas similares à austríaca. Mais da metade dos leitos de terapia intensiva no país está ocupada, e os casos continuam a aumentar.
— Toda a Alemanha enfrenta um grande surto, essa é uma emergência nacional — disse Lothar Wieler, chefe do Instituto Robert Koch (RKI), a principal instituição de saúde pública no país, um dia após Merkel afirmar que a situação atual é "dramática". — Não me arrisco a dizer como vai ser no Natal. Só posso dizer que depende de nós.
De acordo com o RKI, restrições apenas para os não vacinados são insuficientes. Segundo Wieler, as pessoas devem ficar em casa, cancelar eventos de grandes proporções, fechar os bares, boates e espaços com pouca ventilação, além de suspender grandes reuniões.
Vacinação obrigatória
Segundo Schallenberg, a vacinação compulsória na Áustria será uma medida administrativa. A equipe jurídica do governo ainda está aparando as arestas, mas tudo indica que as pessoas serão obrigadas a apresentarem provas de vacinação a partir de fevereiro para se matricular em escolas e outras instituições públicas, por exemplo.
Um mandato similar, disse Spahn, seria polarizante na Alemanha, onde há um forte movimento antivacina e uma forte preocupação com as liberdades individuais e o limite da intervenção do Estado. Merkel, ainda assim, disse na quinta que o governo federal ponderaria um pedido das regiões do país para impor a obrigatoriedade da vacinação a profissional da saúde.
Em um mês, a média móvel de casos diários na Alemanha passou de 9,3 mil para mais de 44 mil, um recorde desde o início da pandemia. Na Baviera, o premier regional Markus Söder suspendeu os tradicionais mercados de Natal e ordenou que bares e boates sejam fechadas nas áreas de maior transmissão.
A Saxônia, no Leste, região mais afetada pela quarta onda, avalia fechar teatros, cinemas e proibir público em jogos de futebol, noticiou o jornal Bild. O estado, onde as novas infecções aumentaram 14 vezes no último mês, tem a menor taxa de vacinação do país e é um reduto do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que organiza protestos antiquarentena e contra a vacina obrigatória.
A desconfiança da vacina também é um fator na Áustria, onde grupos de extrema direita convocaram para sábado um protesto contra as novas restrições. (Com Bloomberg e New York Times)
_________________________________________________Áustria inicia lockdown de não vacinados; Europa vive nova onda de covid
12 nov. 2021 - Pessoas caminham em praça na cidade de Salzburg, na Áustria Imagem: Barbara Gindl/APA/AFP
15/11/2021 10h27
VIENA (Reuters) - O governo austríaco decidiu impor um lockdown às pessoas não vacinadas contra o coronavírus a partir da segunda-feira, com a aproximação do inverno e o aumento das infecções na Europa, enquanto a Alemanha impõe limites de circulação mais rígidos e o Reino Unido expande a aplicação de reforço da vacina para incluir adultos jovens.
Nas últimas semanas, a Europa tornou-se novamente o epicentro da pandemia, o que levou alguns países a considerarem a reimposição de restrições no período que antecede o Natal e despertou o debate sobre se as vacinas por si só são suficientes para domar a covid-19.
Reino Unido estende 3ª dose da vacina anticovid para faixa de 40 a 49 anos
A chegada do inverno no hemisfério norte preocupa as autoridades, já que o vírus se espalha mais facilmente nos meses de frio, quando as pessoas se reúnem dentro de casa.
Na semana passada, a Europa foi responsável por mais da metade da média de infecções em todo o mundo e cerca da metade das últimas mortes, de acordo com uma contagem da Reuters. São os níveis mais altos desde abril do ano passado, quando o vírus estava em seu pico inicial na Itália.
Governos e empresas temem que a pandemia prolongada atrapalhe a ainda frágil recuperação econômica.
O governo da Áustria, conservador, disse que cerca de dois milhões de pessoas no país, de cerca de nove milhões de habitantes, agora só têm permissão para deixar suas casas em alguns casos, como ir ao trabalho ou fazer compras de itens essenciais.
Mas há um ceticismo generalizado, inclusive entre os conservadores e a polícia, sobre como o bloqueio pode ser aplicado - será difícil verificar, por exemplo, se alguém está indo para o trabalho, o que é permitido, ou indo fazer compras para não itens essenciais, o que não é.
"Meu objetivo é muito claro: fazer com que os não vacinados sejam vacinados, não prender os não vacinados", disse o chanceler Alexander Schallenberg à rádio ORF enquanto explicava o bloqueio, que foi anunciado no domingo.
O objetivo é conter o surto de novas infecções, alimentados por uma taxa de vacinação total de apenas cerca de 65% da população, uma das mais baixas da Europa Ocidental.
"Tempestade de infecção"
O governo federal da Alemanha e os líderes dos 16 estados alemães devem discutir novas medidas esta semana.
Três ministros de saúde estaduais alemães pediram às partes que negociam para formar um novo governo para prolongar o poder dos estados de implementar medidas mais rígidas, como bloqueio ou fechamento de escolas, à medida que a taxa de incidência de Covid-19 de sete dias atingia níveis recordes.
A chanceler Angela Merkel pediu às pessoas não vacinadas que reconsiderassem sua decisão em uma mensagem de vídeo no sábado.
"Semanas difíceis estão à nossa frente, e você pode ver que estou muito preocupada", disse Merkel em seu podcast semanal de vídeo. "Peço urgentemente a todos que ainda não foram vacinados: reconsiderem."
A França, a Holanda e muitos países da Europa Oriental também estão enfrentando um surto de infecções.
Atualmente, todas as pessoas a partir de 50 anos, aqueles que são clinicamente vulneráveis e os profissionais de saúde da linha de frente são elegíveis para reforços.
_________________________________________________ Covid-19: por que China mantém política de zerar casos da doença
Fila de testagem em massa em Xian, na China Imagem: Carla Viveiros/UOL
Stephen McDonell - BBC News, Pequim
15/11/2021 18h52
Enquanto muitos países adotam estratégia de 'viver com o vírus', governo chinês concentra esforços em eliminá-lo.
Por todo o mundo, as pessoas estão se acostumando com a vida pós-confinamento, ao passo que a vacinação em larga escala permitiu que governos suspendessem gradualmente as medidas contra a covid-19, como o uso obrigatório de máscaras.
Mas não na China, onde a pandemia começou. Ali, permanece uma política de "tolerância zero" contra o vírus, o que cria situações um tanto inusitadas.
Uma pessoa entrou em um hotel cinco estrelas para pedir informações rapidamente e acabou em quarentena de duas semanas porque um hóspede teve algum contato com o coronavírus.
Um membro da tripulação em um trem de alta velocidade teve contato próximo com uma pessoa infectada, e todos os passageiros são obrigados a se isolar.
Na Disneylândia de Xangai, 33.863 visitantes de repente tiveram que passar por testes em massa, porque um visitante no dia anterior havia sido infectado.
Tudo isso deixa claro que a China, o primeiro país a impor restrições para combater a pandemia de covid-19, será um dos últimos a amenizá-las. Mas por quê?
Prioridade número um
Muitos chineses parecem não se importar com as medidas severas, desde que sintam que sua vida está em segurança.
Perguntei a uma mulher se a China deveria reabrir mais rápido, e ela respondeu que seria melhor esperar até que a pandemia fosse resolvida adequadamente, porque a segurança da população deve ser a prioridade número um.
Outra mulher que estava voltando do trabalho para casa me disse que ainda não sabemos tudo sobre o vírus, que as vacinas vão melhorar, e, portanto, por uma questão de estabilidade social, seria melhor evitar a abertura.
Não muito tempo atrás, outros países, como Austrália, Nova Zelândia e Cingapura, estavam adotando estratégias similares, decretando confinamentos em cidades inteiras para interromper a circulação do vírus. O objetivo era zerar a transmissão local.
Mas o surgimento da variante Delta e a ampliação do programa de vacinação mudaram essa abordagem.
Com mais pessoas imunizadas, há menos infecções e, como resultado, menos hospitalizações e mortes.
Como resultado, países estão reabrindo suas fronteiras. Na China, entretanto, os vistos para estrangeiros continuam difíceis de obter, e os chineses ainda não estão tendo seus passaportes renovados depois de expirados.
Em outros locais, as pessoas estão "vivendo com o vírus". Não na China, onde mais um surto da variante Delta está sendo enfrentado com o mesmo zelo de antes da vacina.
Se os números oficiais estiverem corretos, mais de 1 mil transmissões locais foram registradas desde outubro.
O número não é tão alto, mas a propagação é significativa, atingindo 21 Províncias. Isso é importante, porque mesmo alguns casos na China desencadearão as mesmas medidas rígidas que centenas ou milhares de novas infecções.
'Nem uma única infecção é aceitável'
'Nem uma única infecção é aceitável'
As autoridades não mostraram nenhuma inclinação para alterar essa estratégia, mesmo com alguns cientistas chineses pedindo uma revisão.
O professor Guan Yi, virologista da Universidade de Hong Kong e conselheiro do governo, pediu uma mudança dos testes de ácido nucleico em massa (que detectam infecções) para testes de anticorpos em massa (que podem ajudar os cientistas a entender a eficácia das vacinas).
Em uma entrevista à emissora Phoenix TV, ele disse que, no longo prazo, não há chance de que uma estratégia de "covid zero" funcione em termos de eliminação completa.
"O vírus é permanente agora", disse ele. "É o mesmo que a gripe, que vai circular nos humanos por muito tempo".
Outros países já adotaram a mesma lógica. Mas na China, o governo instruiu a população a se mobilizar para reduzir os casos a zero. Mudar esta mensagem será difícil.
Questionado sobre quanta proteção as vacinas da China podem oferecer contra cepas mutantes do coronavírus, o professor Guan disse que a resposta cabe às fabricantes de vacinas.
Ele não está sozinho entre os acadêmicos que agora questionam a direção tomada por Pequim.
Haung Yanzhong, do Conselho de Relações Exteriores com sede em Nova York, diz que um problema chave é que as vacinas não conseguem o que o governo chinês gostaria.
"Eles não têm confiança sobre a eficácia das vacinas ? a capacidade de prevenir infecções", disse ele à BBC, "porque, na verdade, mesmo as melhores vacinas não podem prevenir infecções ? mas a estratégia de tolerância zero vaticina que não podemos aceitar uma única infecção."
Haung acrescentou que o governo chinês se viu em um beco sem saída político e ideológico ao alardear seus sucessos ao povo.
"A estratégia de tolerância zero também faz parte da narrativa oficial, para reivindicar o sucesso do modelo de resposta à pandemia chinês, a superioridade do sistema político chinês. Então, se você desiste dessa estratégia, ao passo que os casos aumentam significativamente, sabe que as pessoas vão passar a questionar o modelo. "
'Um milhão de razões'
Acrescente a tudo isso a aproximação de grandes eventos em Pequim ? há grande desejo entre as autoridades de realizá-los em um ambiente livre de qualquer surto da Covid.
Em fevereiro, por exemplo, o país sediará as Olimpíadas de Inverno. Os ingressos ainda não estão à venda, mas o objetivo é ter espectadores nas arquibancadas.
Em outubro do ano que vem, ocorrerá o Congresso quinquenal do Partido Comunista, quando se espera que Xi Jinping comece um terceiro mandato histórico.
Claro, sempre haverá algo no horizonte.
Outra interpretação um tanto sombria é que o secretário-geral Xi Jinping e seu governo defendem a ideia de reduzir a influência estrangeira na China e que a pandemia forneceu uma excelente desculpa para avançar nessa direção.
Nas redes sociais, algumas postagens de nacionalistas denunciaram a influência internacional sobre a maneira "chinesa" de fazer as coisas.
A ênfase da governança aqui certamente mudou de uma filosofia de "reforma e abertura" para uma que coloca o Partido Comunista no centro de tudo e seu líder Xi Jinping em seu próprio cerne.
Dado que outros países estão abrindo suas fronteiras, a BBC perguntou ao porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin, quando seu país poderia fazer o mesmo.
Ele respondeu que a China tem acompanhado a experiência de outros países e seguiria a ciência para tomar suas decisões à luz das novas variantes que estavam surgindo.
De qualquer forma, especialistas próximos aos que estão no poder aqui não estão sinalizando um fim iminente para "covid zero". Na verdade, é exatamente o oposto.
Custo 'muito alto'
Custo 'muito alto'
Zhong Nanshan é visto como uma espécie de herói médico na China.
O especialista em Medicina Respiratória alcançou fama global em 2003 por desafiar a linha do então governo de que o surto de Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) não foi tão grave.
Hoje em dia, as pessoas ? incluindo funcionários do governo ? ouvem o que ele tem a dizer.
Em uma entrevista recente, ele disse que as rígidas medidas contra a covid-19 da China permaneceriam "por um longo tempo".
Ele acrescentou que uma taxa de mortalidade global da covid-19 de 2% era muito alta para a China aceitar, mesmo com as vacinas em vigor.
O custo de abrir muito rapidamente não valeu a pena, disse ele, acrescentando que a China estaria observando a experiência de outros países sob seus planos de "viver com covid".
Também é importante considerar que as autoridades chinesas podem ser bastante conservadoras em sua estratégia. É possível que planejem "reabrir" o país novamente e simplesmente não tenham muita pressa em fazê-lo.
Muitos daqueles que desejam entrar ou sair da China não têm escolha a não ser esperar para ver.
Embora as classes média e alta possam lamentar a falta de liberdade para se locomover internacionalmente, muitos cidadãos chineses parecem satisfeitos em permitir que o governo administre a situação, se isso os mantiver fora de perigo.
Enquanto isso, testes em massa, quarentena centralizada, controles de transporte, vigilância de alto nível, programas de detecção e rastreamento, bem como confinamentos restritos e localizados, continuarão sendo uma grande parte da vida na China.
_________________________________________________Marieta Severo sofreu perda de memória após ter covid-19; por que acontece?
Imagem: Reprodução / Globo
Giulia Granchi Do VivaBem, em São Paulo 06/10/2021 17h00
Durante um bate-papo no podcast 'Novela das 9', a atriz Marieta Severo, que atuará na produção Um lugar ao sol, contou que segue sofrendo das sequelas causadas pela covid-19 mesmo meses após sua recuperação.
'Fiquei com muita fadiga e com problemas de lapso de memória. Eu tenho uma neta de 18 anos que teve duas vezes, e ela me falava disso. A Andréia Horta também. Nós duas tivemos juntas, então quando voltamos a gravar, foi um apoio muito grande uma para a outra', disse.
Relacionadas
Após infecção pelo novo coronavírus, Josimar passou 18 dias internado, teve perda de memória e precisou de reabilitação
Por que algumas pessoas que tiveram covid-19 sofrem de lapsos de memória?
De acordo com o neurocirurgião Feres Chaddad, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), os efeitos na memória são causados quando o vírus chega ao cérebro, e isso pode acontecer de duas maneiras diferentes.
"O Sars-CoV-2 pode entrar pelo nariz e a via olfatória, por onde ele passa, permite que o vírus chegue diretamente no hipocampo, região do lobo temporal", explica o médico.
E é o hipocampo a parte do cérebro responsável por criar memórias de curta duração. Uma vez ali, o coronavírus altera a função de células, causando mudanças especialmente nas memórias menos antigas.
Outra maneira que o vírus usa para chegar à região, explica Chaddad, é pela corrente sanguínea, e pode causar os mesmos efeitos.
A memória volta a ser como era antes?
"O que recomendamos é a reabilitação do paciente [cada caso é analisado individualmente], mas ainda não sabemos se a memória volta completamente. É uma doença muito nova para estimar o tempo ou a porcentagem de recuperação", aponta o neurocirurgião.
__________*
Covid-19: Rio tem menor taxa de transmissão desde o início da pandemia
Pessoas passam por rua de comércio popular do Rio de Janeiro Imagem: Pilar Olivares/Reuters
06/10/2021 21h37
O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro Daniel Soranz disse hoje (6), que o município está vivendo o melhor cenário epidemiológico e a menor taxa de transmissão de covid-19. "A gente tem hoje a menor taxa de transmissão da doença, desde o início da pandemia [março de 2020] e o menor número de pacientes internados", explicou em rede social.
Soranz disse que a capital tem hoje um cenário epidemiológico muito estável e está há seis semanas com redução do número de casos da doença. "Hoje as evidências científicas e os números atuais dão segurança para a gente começar a planejar medidas seletivas para a cidade do Rio de Janeiro". O secretário disse que a suspensão da obrigatoriedade do uso de máscara ocorrerá quando a cidade atingir o percentual de vacinação adequado indicado pelo Comitê Científico da prefeitura.
Brasil tem 543 mortes por covid em 24 horas, e total se aproxima de 600 mil óbitos
"Isso só ocorrerá quando tivermos 65% do total da população da cidade vacinada e 80% da população adulta vacinada. Isso deve acontecer em torno de 10 a 15 dias e a gente vai acompanhar os indicadores epidemiológicos até lá. Nós ainda temos 15 dias para acompanhar essa evolução da vacinação", avaliou o secretário.
Flexibilização
Segundo Daniel Soranz, para avançar na flexibilização é preciso avançar na vacinação. "Então o máximo de vacina que a gente recebe, a gente reduz o tempo de aplicação para poder proteger a população o mais rápido possível. Essa é a nossa estratégia. A expectativa é chegar ao final de outubro com todos os maiores de 60 anos vacinados com a terceira dose [dose de reforço] e também chegar a 80% da população vacinada no mês de novembro", disse o secretário.
__________*
Covid-19: Rio tem menor taxa de transmissão desde o início da pandemia
Pessoas passam por rua de comércio popular do Rio de Janeiro Imagem: Pilar Olivares/Reuters
06/10/2021 21h37
O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro Daniel Soranz disse hoje (6), que o município está vivendo o melhor cenário epidemiológico e a menor taxa de transmissão de covid-19. "A gente tem hoje a menor taxa de transmissão da doença, desde o início da pandemia [março de 2020] e o menor número de pacientes internados", explicou em rede social.
Soranz disse que a capital tem hoje um cenário epidemiológico muito estável e está há seis semanas com redução do número de casos da doença. "Hoje as evidências científicas e os números atuais dão segurança para a gente começar a planejar medidas seletivas para a cidade do Rio de Janeiro". O secretário disse que a suspensão da obrigatoriedade do uso de máscara ocorrerá quando a cidade atingir o percentual de vacinação adequado indicado pelo Comitê Científico da prefeitura.
Brasil tem 543 mortes por covid em 24 horas, e total se aproxima de 600 mil óbitos
"Isso só ocorrerá quando tivermos 65% do total da população da cidade vacinada e 80% da população adulta vacinada. Isso deve acontecer em torno de 10 a 15 dias e a gente vai acompanhar os indicadores epidemiológicos até lá. Nós ainda temos 15 dias para acompanhar essa evolução da vacinação", avaliou o secretário.
Flexibilização
Segundo Daniel Soranz, para avançar na flexibilização é preciso avançar na vacinação. "Então o máximo de vacina que a gente recebe, a gente reduz o tempo de aplicação para poder proteger a população o mais rápido possível. Essa é a nossa estratégia. A expectativa é chegar ao final de outubro com todos os maiores de 60 anos vacinados com a terceira dose [dose de reforço] e também chegar a 80% da população vacinada no mês de novembro", disse o secretário.
__________*
Covid-19: Saúde divulga calendário de vacinação com a dose de reforço para idosos
Publicado em 26/08/2021 - 20:33|Atualizado em 29/08/2021 - 18:34
Vacinação contra a Covid-19 - Marcos de Paula / Prefeitura do Rio
A Secretaria Municipal de Saúde divulgou nesta quinta-feira (26/08) que, ao longo do mês de setembro, será concluída a vacinação contra a Covid-19 dos adolescentes cariocas e terá início a aplicação da dose de reforço para idosos que já tenham completado a imunização. De 1º a 10 de setembro serão vacinados os idosos residentes em instituições de longa permanência (ILPI).
Em paralelo, continua a vacinação dos adolescentes com 16 a 12 anos, que será encerrada no dia 11 de setembro (sábado).
A partir da segunda-feira seguinte, dia 13 de setembro, serão vacinados os idosos com 95 anos ou mais, e o calendário segue de forma escalonada por idade até chegar aos idosos com 60 anos ou mais no dia 30 de outubro.
Pesquisador mexicano prevê que Covid-19 vai continuar como doença sazonal como a gripe
Professor de epidemiologia, Rafael Meza diz que Delta deve diminuir ameaça
Coronavírus: Delta perdeu força, mas pandemia exige cuidados, diz pesquisador Foto: Reprodução
BRASÍLIA — O professor de epidemiologia e de saúde global da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan Rafael Meza avalia que a Covid-19 deve ser tornar uma doença sazonal, principalmente no outono e no inverno, como a gripe. Os casos relacionados à variante Delta devem reduzir com o avanço da vacinação. No entanto. essa medida não é suficiente para conter, sozinha, a pandemia.
O pesquisador mexicano traça um paralelo entre a situação do país e do Brasil, sobretudo em relação à vacinação. Enquanto dados do consórcio de imprensa, do qual o GLOBO faz parte, mostram que 37,18% da população nacional já está completamente imunizada, a taxa sobe para 54% nos EUA, segundo o Our World In Data.
Há, ainda, a questão da variante Mu, descoberta na Colômbia e já detectada no Brasil, e o debate em torno do fim da obrigatoriedade das máscaras, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. O país tornou o uso facultativo em junho ao alcançar 35% dos cidadãos com duas doses, mesmo sob críticas de especialistas de que o momento era precipitado.
O Brasil vive uma tendência de queda nos números da Covid, mas especialistas avaliam que ainda não é hora de afrouxar os cuidados. Qual deve ser o cenário da pandemia no país nas próximas semanas?
Dado o elevado número de pessoas que já tiveram uma infecção pela Covid, e o número considerável de pessoas com pelo menos uma dose de vacina, é de esperar que os casos continuem a diminuir. A ameaça iminente da variante Delta deve nos dar uma pausa, já que há uma possibilidade latente de novos surtos e infecções repentinas, particularmente em áreas com baixos níveis de vacinação e imunidade.
Essa tendência de queda, que está em desaceleração, pode ser revertida nas próximas semanas devido à Delta e à flexibilização de restrições, mesmo vacinação?
EUA, Canadá, México e Reino Unido são exemplos de que, mesmo com níveis de vacinação altos, a Delta pode causar um ressurgimento nos casos em que as restrições são suspensas. Acho que essa é uma realidade que todos os países precisam enfrentar. Mas claramente os países com altos níveis de vacinação e imunidade pré-existente devido a infecções anteriores têm melhor desempenho em termos de hospitalizações e mortes, mesmo que os casos aumentem, como Canadá e Reino Unido em comparação aos EUA.
Os EUA liberaram o uso de máscaras em junho. Quais impactos essa medida, atualmente em discussão, pode ter no Brasil?
Acho que depende dos motivos pelos quais as pessoas usam máscaras. Nos EUA, uma parte considerável da população usava máscaras porque eram obrigadas pelo seu estado. Assim, uma vez que os mandatos foram suspensos, muitos desses indivíduos imediatamente pararam de usar máscaras, independentemente do seu status de vacinação. Em contraste, outros, como eu, continuaram usando máscaras em ambientes públicos e espaços fechados. Somos a minoria em certas áreas.
Acho que, no Brasil e na América Latina em geral, as coisas podem ser um pouco diferentes, com um número considerável de indivíduos usando máscaras porque acreditam que elas podem proteger a si e aos outros. É aqui que líderes e organizações de saúde pública podem desempenhar um papel fundamental, aconselhando a população sobre os benefícios do uso de máscaras e as situações em que elas são mais úteis, como por exemplo, ao andar de ônibus ou transporte público.
É possível traçar um paralelo entre a situação da Covid no Brasil e nos EUA?
Temos visto essas ondas de casos, hospitalizações e mortes seguidas por períodos de relativa calma. Com o passar do tempo, espera-se que a Covid se transforme em um fenômeno sazonal, como a gripe. Muitos especialistas acreditam que, após este outono/inverno e assim que terminarmos com os surtos de Delta, nos moveremos em direção a um padrão sazonal de epidemias da Covid nos EUA. No entanto, é claro que existem muitas diferenças entre as situações da Covid-19 no Brasil e nos EUA, o que torna difícil prever se seguirão trajetórias semelhantes. Embora os dois países tenham sido duramente atingidos, os EUA conseguiram vacinar mais rapidamente, enquanto o Brasil ainda está se recuperando.
Na América Latina, o Brasil desponta como o foco da Covid atualmente. O país está em maior risco do que os vizinhos, mesmo com a descoberta da cepa Mu na Colômbia?
Estamos todos conectados e tudo o que acontece em um país em relação à Covid provavelmente afetará o que acontece no resto. Países com altos níveis de casos se tornam fontes de surtos em outros países e de novas variantes, que afetam a todos. Acho que o Brasil tem tido muita dificuldade com a Covid, em parte por causa de sua proeminência geográfica e geopolítica, sua grande população e complexa estrutura social e política. Também acho que as grandes disparidades econômicas e sociais e o difícil clima político tornaram o Brasil particularmente suscetível ao impacto da Covid. Mas coisas semelhantes podem ser ditas de outros países da região. No final das contas, essa é uma pandemia global e todos os países passarão por surtos e ondas múltiplas até que se estabeleça um padrão sazonal.
__________*
Número de mortes e casos tem maior queda em 2021, mas idosos voltam a ser maioria, mostra Fiocruz
Boletim do Observatório Covid-19 diz que taxa de ocupação de leitos de UTI tem melhor cenário desde que foi iniciado o monitoramento, em julho de 2020
Sirlei Nunes Moreira foi a primeira a chegar para tomar a terceira dose da vacina em Serrana, interior de São Paulo Foto: Fotoarena / Agência O Globo
Receba notícias em tempo real no app.
SÃO PAULO — A taxa de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos se encontra no melhor cenário desde que foi iniciado o monitoramento, em julho de 2020, aponta Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado nesta sexta-feira. Já o número de casos e de óbitos sofreu a maior queda desde o início de 2021.
O levantamento indica, porém, que, pela primeira vez desde o início da vacinação, os maiores de 60 anos voltam a ser maioria entre internações hospitalares e na UTI e mortes. Mais da metade de casos graves e fatais ocorrem entre idosos: no total, 54,4% das internações e 74,2% dos óbitos foram de pessoas nessa faixa etária.
Segundo os pesquisadores, como a população foi beneficiada de forma mais homogênea com a vacinação, casos graves e fatais tendem a se concentrar entre idosos, especialmente nas idades mais avançadas.
“Este cenário demanda tanto ampliar a vacinação entre os diferentes grupos e com esquema vacinal completo, o que inclui adolescentes, bem como a terceira dose para idosos”, afirmam os pesquisadores da Fiocruz.
Melhora no cenário
São agora 12 semanas consecutivas de queda do número de mortes, com redução de 3,8% ao dia na última semana epidemiológica. O ritmo de redução de 1,5% ao dia vem se mantendo desde julho.
O número médio de casos também apresenta tendência de redução, mas com oscilações ao longo das últimas 12 semanas. Foi registrada uma média de 15,9 mil casos e 460 óbitos diários na semana de 5 a 11 de setembro. Apesar da queda, os números ainda são considerados altos e preocupam os pesquisadores diante da manutenção da positividade dos testes.
Apesar da análise das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), realizada pelo InfoGripe/Fiocruz, indicar tendência de melhora no quadro geral do país, o estudo chama atenção para a avaliação de média móvel das últimas semanas, que mostra que os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás e o Distrito Federal ainda estão com taxas acima de 5 casos por 100 mil habitantes − considerada muito alta.
As taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS continuam caindo consistentemente e, segundo dados obtidos em 13 de setembro, 24 estados e o Distrito Federal encontram-se fora da zona de alerta do indicador, com taxas inferiores a 60%.
Entre 6 e 13 de setembro o indicador caiu de 82% para 76% em Roraima, que saiu da zona de alerta crítico para a de alerta intermediário, e de 66% para 62% no Rio de Janeiro, que se mantém na zona de alerta intermediário. Somente três capitais apresentam taxas de ocupação superiores a 60%: o Rio de Janeiro, única capital na zona de alerta crítico, onde o indicador caiu na última semana de 94% para 82%, mesmo com alguma redução de leitos; Curitiba, que se mantém na zona de alerta intermediário, com o indicador em 64%; e Boa Vista, com 76%, que reflete o dado de Roraima, como sede do hospital com leitos de UTI Covid-19 públicos no estado. O
Os únicos aumentos expressivos observados nas taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos entre os dias 6 e 13 se deram em Alagoas (14% para 32%) e Espírito Santo (49% para 57%), correspondendo, entretanto, às quedas de 400 para 171 leitos e de 413 para 349 leitos, respectivamente.
Vacina
Segundo dados do MonitoraCovid-19, compilados com base nas informações das secretarias estaduais de Saúde, no Brasil cerca de 214 milhões de doses de vacinas foram administradas. Isso representa a imunização de 86% da população com a primeira dose e 47% da população com o esquema de vacinação completo, considerando a população adulta (acima de 18 anos).
Com exceção de Roraima, os demais estados vacinaram mais de 70% da população acima de 18 anos com ao menos uma dose do imunizante e pelo menos 30% da população com segunda dose ou dose única. Mato Grosso do Sul apresenta a menor diferença entre a primeira e a segunda doses aplicadas, com percentual de primeira dose de 90% e segunda superior a 66%. São Paulo apresenta o maior percentual de primeiras doses aplicadas, com 99% da população adulta com uma dose do imunizante e mais de 58% da com a segunda. A situação de Roraima preocupa, com 68% da população vacinada com primeira dose e 23% com a segunda.
Diante disso, os pesquisadores da Fiocruz defendem a instituição de um “passaporte de vacinas”. Na visão dos cientistas, a iniciativa é uma política pública para a proteção coletiva e estímulo da vacinação.
__________*
NY exigirá comprovante de vacinação de diplomatas para Assembleia Geral da ONU
Em nota, estado também lembrou aos diplomatas que NY exige o uso de máscara no transporte público Imagem: David Delgado/Reuters
15/09/2021 17h39
Atualizada em 15/09/2021 18h38
Todos os diplomatas que comparecerem à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na semana que vem, deverão apresentar um comprovante de vacinação contra a covid-19, confirmou nesta quarta-feira (15) a administração da cidade.
Os delegados dos distintos países deverão estar vacinados para terem acesso ao salão de debates, informou a prefeitura de Nova York ao presidente da Assembleia em uma carta datada de 9 de setembro.
Uma em cada quatro doses de vacina de covid aplicadas no mundo é CoronaVac
O documento, assinado pelo titular de Saúde de Nova York e confirmado por seu porta-voz, afirma que o salão de debates da ONU está classificado como um "centro de convenções", o que significa que todos os presentes devem estar vacinados.
Além disso, os representantes devem estar imunizados se pretenderem realizar outras atividades dentro do complexo das Nações Unidas, segundo o texto.
"Também deverão mostrar um comprovante de vacinação antes de comer, beber ou fazer exercício no interior do complexo da ONU, e para participar de todas as maravilhosas atividades de entretenimento, gastronomia e fitness da cidade de Nova York", diz a carta.
Nova York começou a aplicar um mandato de vacinação na segunda-feira, quando passou a exigir a comprovação da aplicação de pelo menos uma dose para muitas atividades em ambientes fechados, como restaurantes e casas de espetáculos.
As autoridades locais também lembraram aos diplomatas que o estado de Nova York exige o uso de máscaras no transporte público, "independentemente do estado de vacinação".
A Rússia reagiu ao anúncio da exigência através de seu embaixador, Vasily Nebenzya, que solicitou uma reunião urgente da Assembleia Geral nesta quinta-feira (16) para discutir a medida.
Nebenzya escreveu hoje ao presidente da assembleia, o maldivo Abdulla Shahid, dizendo que tinha ficado "surpreso e decepcionado" com a carta que o titular do órgão escreveu a seus integrantes, na qual que apoiava a exigência do comprovante de vacinação.
"Nos opomos veementemente que somente pessoas com comprovante de vacinação possam ser admitidas no salão" da Assembleia Geral, escreveu Nebenzya na carta, à qual teve acesso a AFP.
A 76ª sessão da Assembleia Geral começa na próxima terça-feira (21) e será concluída na segunda, dia 27.
Comece o dia com um resumo e termine com as melhores análises dos colunistas do UOL. Dois boletins de segunda a sexta.
__________*
Por que covid volta a ameaçar britânicos apesar de 65% de vacinados
O Reino Unido é o país mais afetado pela pandemia do novo coronavírus na Europa Imagem: TOLGA AKMEN / AFP
15/09/2021 18h56
Cientistas ligados ao governo do Reino Unido alertam que pode haver um grande salto no número de internações hospitalares por covid na Inglaterra se as restrições não forem reforçadas.
Baseando-se em modelos matemáticos, o comitê Sage informou que as internações pela doença podem variar entre 2 mil e 7 mil por dia no mês que vem —atualmente, são pouco mais de 750.
Relacionadas
As lições do caso em que professora sem vacina infectou metade da classe com covid-19 nos EUA
Mas eles acrescentaram que um "conjunto relativamente leve de medidas" pode conter as infecções.
Após uma queda significativa, devido à vacinação em massa, as mortes por covid voltaram a subir no Reino Unido, embora permaneçam num patamar relativamente baixo em comparação ao auge da pandemia.
Mesmo assim, o número de óbitos confirmados por dia no país por milhão de habitantes (2,07) já é quase igual ao do Brasil (2,17).
Outros países com ampla vacinação, como Israel e Estados Unidos, também viram seus números de covid crescer nas últimas semanas.
Os EUA lideram o ranking mundial no número de casos de covid confirmados por dia por milhão de habitantes, por exemplo. Ali, a taxa é de 5,54, mais do que o dobro da do Brasil.
Os dados, do último dia 13 de setembro, são da plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford (Reino Unido).
Recentemente, o Reino Unido flexibilizou as medidas de contenção da pandemia, como proibição de aglomerações e uso de máscaras.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse esperar que o aumento da vacinação possa evitar que novas restrições sejam implementadas.
Ao anunciar seu plano de inverno para enfrentar a covid na Inglaterra na terça-feira (14/9), o primeiro-ministro disse que algumas medidas poderiam ser tomadas como parte do Plano B do governo se o serviço de saúde pública do Reino Unido, o NHS (SUS britânico), enfrentasse uma pressão insustentável.
Isso inclui passaportes para vacinas, máscaras faciais obrigatórias e recomendações para trabalhar de casa.
Informações divulgadas pelo Grupo de Aconselhamento Científico para Emergências (Sage) na terça-feira, datadas de 8 de setembro, indicaram que há "potencial para outra grande onda de hospitalizações".
Os cientistas responsáveis pela modelagem matemática de infecção do vírus que assessoram o comitê —o Grupo Científico de Influenza Pandêmica em Modelagem (SPI-M, na sigla em inglês)— disseram que é possível que ele se espalhe mais rapidamente após o retorno das escolas e mais pessoas voltem aos seus locais de trabalho.
Eles observaram que os altos níveis de trabalho remoto desempenharam um "papel muito importante na prevenção do crescimento sustentado da epidemia nos últimos meses".
"É altamente provável que uma diminuição significativa no trabalho de casa nos próximos meses resultaria em um rápido aumento nas internações hospitalares."
No entanto, os cientistas acrescentaram que mesmo um "conjunto relativamente leve de medidas", se implementado cedo o suficiente, poderia limitar o aumento dos casos.
"Além de encorajar o trabalho remoto, medidas mais leves incluem recomendar que as pessoas ajam com cautela, façam testes com regularidade, isolem-se caso tenham entrado em contato com o vírus e usem máscaras".
Eles disseram que se o governo deixasse a epidemia crescer até que as hospitalizações ficassem muito altas, "medidas muito mais rigorosas (e, portanto, mais perturbadoras) seriam necessárias para reduzir a prevalência rapidamente".
No entanto, o órgão reconheceu que seu alerta anterior —de que a suspensão de todas as restrições durante o verão poderia levar a um surto em grande escala— não se confirmou.
Em entrevista a jornalistas na terça-feira (14/9), Johnson disse contar que o programa de vacinação permitiria ao Reino Unido permanecer como "uma das sociedades mais livres" da Europa, com apenas restrições limitadas para manter a doença sob controle.
"Como grande parte da população tem algum grau de imunidade, mudanças menores na maneira como pedimos às pessoas que se comportem podem ter um impacto maior."
Ele apelou aos 5 milhões de pessoas que não se vacinaram para finalmente receberem o imunizante, em um esforço para evitar restrições mais duras durante o inverno.
Na mesma coletiva de imprensa, Patrick Vallance, o principal conselheiro científico do governo, disse que o país estava em um "ponto crucial" e que os ministros precisariam reagir rapidamente se os casos aumentassem.
"Não podemos esperar até que seja tarde demais", disse.
Chris Whitty, chefe dos serviços médicos da Inglaterra, alertou que os vírus respiratórios, como a gripe e outros, seriam "extremamente favorecidos" no inverno.
Ele também enfatizou que o país entrava no outono com um índice de casos, internações e mortes muito maior do que no ano passado.
Na terça-feira, o Reino Unido registrou mais 26.628 casos e outras 185 mortes em 28 dias após um diagnóstico positivo para covid. Os dados mais recentes mostraram que havia 8.413 pacientes internados no hospital com a doença.
Em 15 de setembro do ano passado, os números eram bem inferiores: 3.105 casos diários e 27 mortes —as internações por covid, por sua vez, totalizam 1.066.
No entanto, as vacinas agora oferecem ampla proteção contra doenças graves. Cerca de 81,2% das pessoas com 16 anos ou mais no Reino Unido já receberam as duas doses do imunizante.
O ministro de Saúde do Reino Unido, Sajid Javid, também confirmou na terça-feira que todos os maiores de 50 anos no Reino Unido —bem como aqueles em outros grupos vulneráveis— receberiam uma dose de reforço.
Essas pessoas receberão a vacina Pfizer ou Moderna pelo menos seis meses após a segunda dose, a fim de maximizar o impacto do imunizante.
Análise de Hugh Pym, editor de Saúde da BBC
Os cientistas responsáveis pela modelagem matemática de infecção do vírus que se reportam ao comitê Sage eram muito pessimistas em julho, quando presumiram que a abertura da sociedade levaria a um aumento nas infecções e internações hospitalares.
O último conjunto de documentos mostra que o fechamento de escolas, o clima quente e um grande número de pessoas sendo obrigadas a se isolar desempenharam um papel maior do que o esperado no controle das infecções.
Mas eles continuam dizendo que pico de casos esperado anteriormente para agosto agora simplesmente foi adiado para o período de outubro até dezembro.
O retorno de escolas e faculdades pode elevar as taxas de casos. Outra grande onda de hospitalizações se aproxima, dizem eles.
Neste sentido, defendem a intervenção precoce com medidas que incluam, por exemplo, fazer com que mais pessoas trabalhem em casa novamente.
Isso poderá fazer com que o governo lance mão de seu plano B para a Inglaterra.
Os céticos dirão que os cientistas erraram antes e certo ceticismo é necessário. Mas poucos negariam a possibilidade de um inverno muito difícil pela frente.
__________*
Covid: Brasil registra 793 novas mortes e tem média mais alta em 9 dias
A média móvel de óbitos ficou em 597. Este é o segundo dia consecutivo que a média volta a subir, depois de um período em queda Imagem: Érica Martin/Estadão Conteúdo
Carolina Marins, Sara Baptista e Ricardo Espina
Do VivaBem e colaboração para o VivaBem, em São Paulo
15/09/2021 18h58
Atualizada em 15/09/2021 20h57
O Brasil teve hoje 793 mortes por covid-19 e a média móvel de mortes foi a mais alta dos últimos nove dias. Desde o começo da pandemia, já foram registradas 588.640 mortes pela doença. Os dados foram obtidos pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de Saúde.
Em média 597 pessoas morreram nos últimos sete dias, maior número desde 6 de setembro, quando foram registrados 603 óbitos. Além disso, é o segundo dia acima de 500 depois de passar seis dias abaixo deste indicador.
Relacionadas
CoronaVac é ou não ideal como dose de reforço contra a covid-19? Entenda
Com a média de hoje, o país sai da tendência de queda que apresentou nos últimos 22 dias para entrar em estabilidade (-5%) na comparação com o índice de 14 dias atrás.
A média móvel é o melhor indicador para analisar a pandemia, pois corrige as flutuações nos dados das secretarias de saúde que ocorrem aos fins de semana e feriados. A média dos últimos sete dias é comparada com o mesmo índice de 14 dias atrás. Se ficar abaixo de -15%, indica tendência de queda; acima de 15%, aceleração; entre esses dois valores, estabilidade.
Três estados não registraram nenhuma morte pela doença hoje. São eles: Acre, Rio Grande do Norte e Sergipe.
O Ceará revisou seus dados e por isso o número de óbitos registrado hoje foi negativo. Roraima teve problemas no sistema e por isso não atualizou o número de casos.
Seis estados apresentaram tendência de alta hoje, maior número desde 9 de agosto. Outros nove tiveram estabilidade, enquanto 11 e o Distrito Federal tiveram queda.
Das regiões, apenas o Nordeste teve queda com -28%. As demais tiveram estabilidade: Centro-Oeste (-11%), Norte (-6%), Sudeste (-1%) e Sul (5%).
Hoje foram registrados 14.532 novos casos de coronavírus. Desde o início da pandemia já foram feitos 21.032.268 diagnósticos positivos da doença.
Veja a situação por estado e no Distrito Federal
Região Sudeste
Espírito Santo: queda (-31%)
Minas Gerais: estável (-4%)
Rio de Janeiro: alta (19%)
São Paulo: estável (-12%)
Região Norte
Acre: estável (0%)
Amazonas: queda (-47%)
Amapá: alta (80%)
Pará: queda (-21%)
Rondônia: alta (80%)
Roraima: alta (41%)
Tocantins: queda (-28%)
Região Nordeste
Alagoas: queda (-17%)
Bahia: queda (-43%)
Ceará: queda (-19%)
Maranhão: queda (-51%)
Paraíba: queda (-26%)
Pernambuco: estável (1%)
Piauí: alta (50%)
Rio Grande do Norte: alta (36%)
Sergipe: queda (-90%)
Região Centro-Oeste
Distrito Federal: queda (-22%)
Goiás: estável (-3%)
Mato Grosso: estável (-10%)
Mato Grosso do Sul: estável (-35%)
Região Sul
Paraná: estável (7%)
Rio Grande do Sul: estável (-3%)
Santa Catarina: estável (7%)
Dados do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde informou hoje que o Brasil registrou 800 novas mortes causadas pela covid-19 nas últimas 24 horas. Desde o começo da pandemia, houve 588.597 óbitos provocados pela doença em todo o país.
Pelos dados da pasta, houve 14.780 testes positivos para a covid-19 no Brasil entre ontem e hoje, elevando para 21.034.610 o total de infectados desde março de 2020.
Segundo o governo federal, houve 20.138.267 casos recuperados da doença até agora, com outros 307.746 em acompanhamento.
Veículos se unem pela informação
Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de covid-19, os veículos de comunicação UOL, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e Extra formaram um consórcio para trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias diretamente nas secretarias estaduais de Saúde das 27 unidades da Federação.
O governo federal, por meio do Ministério da Saúde, deveria ser a fonte natural desses números, mas atitudes de autoridades e do próprio presidente durante a pandemia colocam em dúvida a disponibilidade dos dados e sua precisão.
__________*
Morre de Covid nos EUA negacionista que queria ser tratada com ivermectina
Veronica Wolski ficou conhecida por exibir faixas com discursos negacionistas em uma ponte em Chicago
Veronica Wolski (Foto: Reprodução)
247 - Morreu de Covid-19 na manhã desta segunda-feira (13), no Amita Resurrection Health Medical Center, em Chicago, nos Estados Unidos, Veronica Wolski, mulher de 64 anos que exigia ser tratada com ivermectina, medicamento comprovadamente ineficaz no combate ao coronavírus.
Pelas redes sociais, Veronica costumava divulgar desinformação sobre a pandemia. "Nunca usei máscara. Chamei a polícia para pessoas que tentaram me obrigar a usar máscara”, disse ela, por exemplo, em um vídeo.
A senhora ficou conhecida por exibir faixas com discursos negacionistas em uma ponte em Chicago.
A hospitalização de Veronica foi notícia no último mês depois que seu marido e apoiadores divulgaram que ela queria ser tratada com o remédio ineficaz.
__________*
Estresse pós-traumático é mais comum em recuperados da Covid-19, segundo estudo
Os pacientes infectados pelo coronavírus incluídos em uma pesquisa chinesa se mostraram mais suscetíveis a esse problema, mesmo meses após deixarem o hospital
Por Priscila Carvalho, da Agência Einstein - Um estudo chinês publicado no periódico científico Neurobiology of Stress investigou o estado emocional e o cérebro de pacientes que tiveram covid-19 no passado. Ao analisar os resultados, os pesquisadores observaram um aumento significativo de estresse pós-traumático e padrões anormais de conectividade cerebral, além de alterações nas funções sensoriais e motoras.
PUBLICIDADE
Para o trabalho, foram selecionados 50 indivíduos que contraíram o coronavírus entre fevereiro e março de 2020 em Wuhan, na China. Cerca de seis meses após saírem do hospital, eles passaram por exames de ressonância magnética cerebral e por uma análise do bem-estar emocional. E aí foram comparados com 43 voluntários que não tiveram covid-19.
De acordo com psiquiatra Michel Haddad, do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o trabalho é importante por mostrar que essa doença seria capaz de provocar estresse pós-traumático — e que isso teria a ver inclusive com mudanças cerebrais. No entanto, ele destaca que a pesquisa possui um número pequeno de voluntários, e que todos vinham de um mesmo local.
PUBLICIDADE
Fique por dentro do 247
Receba diariamente nossa newsletter em seu email
Problemas graves de saúde realmente podem impactar o bem-estar mental. “Pessoas que permaneceram muito tempo em terapias intensivas ou que tiveram grande risco de morrer desenvolvem estresse pós-traumático com maior intensidade”, afirma Rodrigo Leite, psiquiatra pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.
Como reconhecer o estresse pós-traumático
O estresse pós-traumático costuma aparecer semanas ou mesmo meses após o evento que causou o trauma. O indivíduo fica em um constante estado de alerta e revive na sua cabeça os fatos que o marcaram.
PUBLICIDADE
Sintomas como alterações do sono, irritabilidade, falta de apetite e consumos de drogas e bebidas alcoólicas costumam ser os primeiros a aparecer. Ansiedade, síndrome do pânico, depressão e outros transtornos psiquiátricos também podem surgir, principalmente em situações mais graves.
O estresse pós-traumático é subdividido em agudo, quando dura de um a três meses depois do evento; ou crônico, se persiste por mais de 3 meses. “Em alguns casos, ele começa mais de seis meses após o trauma”, informa Haddad, que também é presidente do Grupo de Estudos Psiquiátricos do Hospital do Servidor Público Estadual. Segundo ele, o quadro pode surgir de maneira isolada, ou — o que é mais comum — vir acompanhado de outros sintomas e transtornos psiquiátricos.
__________*
A bizarra tentativa de tentar afastar governador da Califórnia | Guga Chacra - O Globo
Por Guga Chacra
Antes de começar esse texto, acho importante explicar o que significa um recall, que ocorre nessa terça na Califórnia. Trata-se de um mecanismo no qual cidadãos do estado juntam assinaturas suficientes para que os eleitores decidam se removem ou não o governador do cargo. O voto se dá em duas etapas. Na primeira, a escolha se dá entre sim (a favor do recall, ou afastamento) e não (contrário ao recall). Caso a maioria vote contra do recall, o governador permanece no cargo. Se for aprovado, temos de observar a segunda etapa da votação, na qual os eleitores, depois de escolherem entre sim e não, votam em um candidato. O que tiver maior número de votos, independentemente do percentual, passa a governar a Califórnia.
Confuso? Vamos ao exemplo prático. Os californianos votaram para decidir se removem ou não o governador democrata Gavin Newsom do cargo. Se mais de 50% votarem a contra o afastamento, ele segue no cargo. Se for menos de 50%, será imediatamente afastado. Em seu lugar, entra o candidato que tiver o maior número de votos dos demais. No caso, a tendência é de ser um republicano trumpista que teria cerca de 20% — certamente é menos popular do que Newsom, mas o governador precisa da maioria dos votos; ele, não. É mais uma das bizarrices da democracia americana, com suas leis eleitorais variando de estado para estado.
Não sabemos qual será o resultado do recall. A apuração pode ser demorada. Cresceu nos últimos dias a probabilidade de ele conseguir permanecer no cargo. Afinal, está na Califórnia, um bastião dos democratas. Donald Trump foi massacrado tanto por Hillary Clinton como por Joe Biden no estado. A questão depende do comparecimento dos democratas às urnas. Os republicanos se mobilizaram.
Caso ocorra o recall de Newsom, uma série de ações californianas para combater as mudanças climáticas, que servem de exemplo para os EUA e o mundo, tendem a ser revertidas. Caso o governador sobreviva, tende a se fortalecer. Não descarte, inclusive, que possa começar a ser cogitado como candidato presidencial no futuro caso Biden não queira se reeleger, embora Kamala Harris siga como a favorita.
__________*
Reino Unido sofre escassez de alimentos e adia imposição de controles alfandegários pós-Brexit
Britânicos concluíram seu divórcio da UE em janeiro, mas têm dificuldades para se adaptar às novas regras; início de inspeções físicas foi adiado para julho de 2022
Freguesa observa pratelerias vazias em seção refrigerada de mercado da rede Waitrose, em Londres Foto: JUSTIN TALLIS / AFP/7-9-21
Receba notícias em tempo real no app.
LONDRES — O Reino Unido anunciou nesta terça-feira o adiamento da imposição de controles alfandegários para os alimentos importados da União Europeia, após abandonar o mercado comum do bloco em janeiro deste ano. Somados à pandemia de Covid-19, os efeitos pós-Brexit vêm causando uma crise de abastecimento nos supermercados e restaurantes britânicos.
As inspeções físicas de alimentos importados deveriam ter começado já no mês seguinte à concretização do divórcio, mas foram adiadas para 1o de outubro e, depois, para 1o de janeiro de 2022. Em um comunicado, o ministro do Brexit, David Frost, anunciou que o prazo será postergado mais uma vez, agora para 1o de julho do ano que vem, diante dos problemas estruturais e de abastecimento.
“Queremos que as empresas priorizem sua recuperação da pandemia ao invés de precisar lidar com as novas regras na fronteira”, disse Frost. “As empresas agora terão mais tempo para preparar esses controles.”
Espera-se que a introdução dos novos controles alfandegários cause uma pressão adicional sobre as cadeias de abastecimento britânicas, em um momento no qual os supermercados e restaurantes já enfrentam escassez. A UE é a principal parceira comercial dos britânicos, e cerca de 30% de todos os alimentos consumidos no Reino Unido vêm do bloco, segundo o Consórcio de Comércio Britânico.
De acordo com o cronograma anunciado hoje, em janeiro as empresas precisarão apenas preencher as declarações alfandegárias. Os documentos referentes à segurança e proteção, além dos certificados fitossanitários, só passarão a ser obrigatórios no segundo semestre, junto com os controles físicos dos alimentos.
Prateleiras vazias
O período adicional, disse a Confederação Britânica da Indústria (CBI), “pode ajudar a aliviar a pressão nas cadeias de abastecimento antes do tradicionalmente atribulado período natalino”:
— Mas o impacto será efêmero a menos que esse tempo adicional nos permita avançar nos desafios que as empresas enfrentam — afirmou o diretor da organização para a Europa, Sean McGuire, defendendo o relaxamento das regras de imigração, pois a “falta de abastecimento é causada pela escassez de mão de obra".
Mesmo sem os controles alfandegários, o Reino Unido já sente os impactos do Brexit. A popular rede de restaurante Nando’s, famosa por seus pratos com frango, precisou fechar alguns de seus estabelecimentos por falta de matéria-prima. No McDonald’s, faltam smoothies e bebidas engarrafadas, enquanto na rede de pubs Weatherspoon há escassez de algumas cervejas. Segundo a Coca-Cola, suas fábricas em solo britânico ficaram sem latas de alumínio, enquanto os supermercados Sainsbury têm várias prateleiras vazias.
Isso deve-se em parte à nova lei britânica de imigração, em vigor desde fevereiro do ano passado, que restringe o acesso de cidadãos europeus ao mercado de trabalho do país. Sua implementação, contudo, coincidiu com o início da pandemia de Covid-19, e os planos para ajustar a necessidade de mão de obra às novas regras foram escanteados.
"Desde então, muitos de nossos membros nos descrevem uma tempestade perfeita", analisou a CBI em um relatório. "Além da pandemia ter interrompido a preparação e adaptação ao novo sistema de imigração, também fez com que muitos trabalhadores da UE deixassem o país para ficar mais perto de suas famílias."
Sem perspectiva de melhora
As estimativas oficiais apontam que mais de um milhão de estrangeiros teriam deixado o Reino Unido em 2020 — e, entre os que ficaram, muitos não regularizaram sua situação. Logo, as empresas precisam solicitar um visto, demonstrar que o funcionário se enquadra nas regras da nova lei imigratória ou que a oferta de trabalho pagará mais de 30 mil euros por ano.
A CBI estima que o Reino Unido precisaria de pelo menos mais 100 mil caminhoneiros para aliviar os crescentes problemas de escassez. Faltam também trabalhadores capacitados para movimentar máquinas pesadas, para trabalhar em fábricas de alimento, cuidar de gado e fazer colheita. Faltam assistentes de loja, pessoas para trabalharem em almoxarifados, camareiros e eletricistas — escassez que faz várias empresas e estabelecimentos limitarem artificialmente sua capacidade.
— Tudo isso vai durar mais do que as pessoas pensam — disse ao jornal El País Andrew Sentance, economista que assessora a empresa de análise Cambridge Econometrics e ex-consultor do Banco da Inglaterra. — A falta de trabalhadores capacitados pode durar anos. O impacto que o Brexit teve em nossa capacidade de obter mão de obra da UE permanecerá. (Com Reuters)
__________*
Passageiros pulam de ônibus antes do veículo pegar fogo em acidente que fez seis mortos na Dutra
Vítimas estavam em carro que ficou prensado entre caminhão e automóvel de transporte coletivo
Carro ficou prensado entre ônibus e caminhão na Via Dutra Foto: Reprodução
Receba notícias em tempo real no app.
RIO - Imagens gravadas por testemunhas mostram o momento em que os passageiros de um ônibus pulam a janela pouco antes do veículo pegar fogo. O automóvel de transporte coletivo se envolveu em um acidente com um carro e um caminhão na manhã desta terça-feira, na via Dutra, em São José dos Campos.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ônibus de turismo prensou um carro de passeio na traseira de um caminhão. Os seis ocupantes do automóvel prensado morreram.
Pouco após a batida, o ônibus pegou fogo. Os passageiros do coletivo tiveram que saltar pela janela para escapar das chamas.
"Acidente gravíssimo aqui, Eugênio de Melo (Distrito de São José dos Campos), acabou de acontecer. Pessoal na lateral estava toda dentro do 'busão' e teve que pular para fora", diz uma pessoa que gravou as imagens no local.
As imagens também mostram algumas pessoas tentando tirar os passageiros do carro prensado. Eles estavam presos nas ferragens do veículo.
"Tudo lá fazendo força para tirar as ferragens. Nossa, tem um carro no meio", afirmou uma testemunha.
Outras seis pessoas ficaram feridas no acidente, segundo o G1. Eles foram socorridos e levados para o hospital da Fundação de Saúde e Assistência do Município de Caçapava.
__________*
Maurício luta com explosão de covid-19 antes de temporada turística
A baía de uma das ilhas em Maurício Imagem: Getty Images/iStockphoto
da AFP, em Port Louis
14/09/2021 10h44
Na ilha africana de Maurício, os hospitais estão superlotados, os ventiladores são difíceis de encontrar, e não há mais espaço suficiente no principal cemitério local para as vítimas da covid-19.
Brasileiros vacinados agora podem viajar para o Peru
Em dois meses, os casos aumentaram cinco vezes, passando de mais de 12.600 até sexta-feira (10). É, de longe, o maior aumento na África durante este período, de acordo com dados compilados pela AFP.
Desde o início da pandemia, Maurício registrou 1.005 casos de covid-19 por 100.000 habitantes, bem acima da média continental de 598.
A crise é tão aguda que o ex-primeiro-ministro Navin Ramgoolam, de 74 anos, foi para a Índia para receber tratamento.
"As pessoas não percebem como a situação é difícil", disse uma enfermeira de um centro de atendimento da covid-19, que pediu para não ser identificada, temendo retaliações. "Já estamos acima da capacidade hospitalar", desabafou.
Em julho, esta idílica ilha do Oceano Índico conhecida por suas praias foi parcialmente aberta a visitantes internacionais vacinados.
Eles tinham de ficar em uma "bolha hoteleira" por 14 dias antes de poderem sair, desde que apresentassem resultado negativo em teste de PCR.
Este mês, o governo reduziu esse período para sete dias, antes de uma reabertura completa prevista para 1º de outubro. A partir desta data, os turistas terão liberdade para passear pela ilha, caso o PCR dê negativo 72 horas antes da viagem.
"A situação está piorando, mas fomos orientados a não comunicá-la", declarou um médico que também não quis se identificar. "A prioridade do governo é garantir uma abertura tranquila das fronteiras no dia 1º de outubro", explicou.
Sem rede de proteção
O governo não explicou o aumento do número de casos, mas a imprensa informa que as pessoas ignoram o distanciamento social e outras medidas de prevenção, após serem vacinadas.
As autoridades ordenaram que as pessoas em alguns setores fossem vacinadas contra o coronavírus sob a ameaça de multa e de até cinco anos de prisão.
No último sábado (11), 61% da população estava totalmente vacinada. Ainda assim, o cenário é sombrio.
Bernard, um trabalhador do cemitério de Bigara, na ilha principal, disse que a área reservada para as vítimas da covid-19 já está lotada.
Os mortos são agora levados para outro cemitério, no norte da ilha. Os moradores estão furiosos, porque consideram que estão sendo enterrados muito perto de suas casas.
O jornal L'Express noticiou que a polícia teve de intervir quando jovens atiraram pedras contra os trabalhadores de saúde que estavam enterrando corpos no cemitério de Bois-Marchand.
"Fechamos o país, mas, mesmo assim, o número de infecções explodiu", comentou o taxista Paul Pierre, que "estremece" diante da perspectiva de um aumento de turistas.
Antes da pandemia, o turismo contribuía com 25% do Produto Interno Bruto (PIB).
"De repente, ficamos sem uma rede de segurança", reclamou a recepcionista Diana Mootoosamy. "Ao receber turistas, vamos atrair moedas estrangeiras, ou variantes" da covid-19, completou.
Outros defendem que a economia, que se contraiu 15% no último ano fiscal, precisa desesperadamente de um impulso com o turismo.
"Meu restaurante está vazio desde março de 2020. Se os turistas não voltarem, terei que fechar", disse à AFP o empresário John Beeharry.
O sistema de saúde do país está lutando para lidar com a situação.
O líder da oposição Xavier Duval relatou sua busca "traumática", semanas atrás, por um leito de hospital com ventilador para um amigo próximo.
"Temo que Maurício chegue ao ponto, em que teremos que decidir a quem dar suporte vital e quem vai morrer", lamentou.
__________*
Califórnia vota a favor da permanência do governador Newsom
Newsom teve aprovação da maioria dos eleitores do estado para permanecer no poder Imagem: Gabriela Bhaskar/Reuters
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, teve aprovação da maioria dos eleitores do estado para permanecer no poder, informam as projeções das emissoras norte-americanas hoje. Com cerca de 67% das urnas apuradas, o voto "sim" já tem mais de 64% das cédulas contadas no recall.
"Os nossos eleitores disseram sim à ciência, à vacina, ao direito de votar sem medo, à diversidade, à inclusão e aos direitos das mulheres. Muito obrigado a todos", disse Newsom em seu discurso da vitória.
General dos EUA alertou China sobre saúde mental de Trump e receio de guerra, revela livro
Essa foi a primeira vez em 18 anos que houve uma votação de "recall" na Califórnia, uma espécie de referendo sobre a atuação de um governador.
A votação foi requisitada pelos republicanos, liderados pelo ex-policial Orrin Heatlie, que consideravam as medidas tomadas por Newsom durante a pandemia de Covid-19 como "abusivas".
Durante toda a crise sanitária, o governador democrata impôs regras rígidas como o isolamento social, o fechamento de serviços não essenciais e as aulas online nas escolas para conter a disseminação do coronavírus Sars-CoV-2.
Na cédula usada na votação, os eleitores precisavam responder a duas perguntas, sendo a mais importante se o governador deveria ter ou não o mandato revogado. A segunda era quem o eleitor indicava para substituir o então líder estadual.
__________*
Saiba como tirar o certificado de vacinação da Covid-19 para viajar para o exterior
Mesmo sem normativa internacional, alguns países aceitam o Certificado Nacional de Vacinação emitido pelo aplicativo do SUS como comprovante
Certificado de vacinação é aceito como comprovante em alguns países Foto: Editoria de Arte
Receba notícias em tempo real no app.
RIO — Para quem já tomou as duas doses da vacina ou o imunizante de dose única é possível emitir o certificado de vacinação da Covid-19, aceito em alguns países como comprovante de imunização, através do site e do aplicativo ConecteSUS.
Saiba como fazer
No aplicativo
Após baixar o aplicativo ConecteSUS, crie o cadastro no sistema.
Acesse o serviço com o CPF cadastrado e a senha, e clique em "vacinas"
Na página inicial, clicar em 'vacinas' Foto: Reprodução
Em seguida, deve selecionar a vacina da covid-19 e clicar em 'certificado de vacinação'.
Alerta exibido na tela de 'vacinas' Foto: Reprodução
O documento será exibido, sendo possível validá-lo digitalmente pelo código ou QR Code oferecido.
Certificado pode ser emitido pelo site ou pelo aplicativo de forma semelhante Foto: Reprodução
Para ter a versão do documento em PDF, clicque na seta que aparece no canto superior direito da página.
Arquivo PDF pode ser gerado e validado Foto: Reprodução
No aplicativo ainda e possível ter a versão do documento em inglês e espanhol. Para isso, a pessoa que já recebeu alguma dose deve fazer os seguintes passos:
Clique no ícone da vacina
Clique em uma das doses administradas
Siga para o detalhamento
Clique em 'Certificado de Vacinação'
No topo da tela, clique na bandeira do Brasil
Para a opção do documento em inglês, selecione a bandeira dos Estados Unidos. Já para a opção em espanhol, clique na bandeira da Espanha
Certificado de vacinação em inglês Foto: Editoria de arte
No site
O processo é semelhante. No site do ConecteSUS, clique na opção "cidadão".
Em seguida, é necessário criar uma conta para acessar o sistema.
Após a criação do login, acesse o serviço com o CPF cadastrado e a senha, e clique em "vacinas".
Na página inicial, clicar em 'vacinas' Foto: Reprodução
Para emitir o documento, marque a opção "certificado de vacinação".
Em seguida, valide o certificado pelo código ou QR Code que é oferecido.
Certificado pode ser emitido pelo site ou pelo aplicativo de forma semelhante Foto: Reprodução
Também é possível gerar o PDF pelo site clicando na seta que aparece no canto superior direito.
Arquivo PDF pode ser gerado e validado Foto: Reprodução
Tanto no site como no aplicativo é possível consultar o histórico de resultados de exames para o diagnóstico de Covid-19. Ao acessar o sistema, basta clicar na opção "Exames".
Plataforma permite acesso a exames de Covid-19 Foto: Reprodução
__________*
Com vacinação abaixo da média nacional, Sul dos EUA vê hospitalizações por Covid dispararem
Atualmente, um em cada quatro hospitais na região está com mais de 95% dos leitos de UTI ocupados
O Globo e New York Times
14/09/2021 - 18:37 / Atualizado em 14/09/2021 - 19:32
Paciente com Covid é transferido em uma ambulância na cidade de Louisville, no estado de Kentucky Foto: Jon Cherry / AFP
Receba notícias em tempo real no app.
WASHINGTON — Epicentro da variante Delta nos EUA e com uma taxa de vacinação abaixo da média nacional, o Sul dos Estados Unidos testemunha um avanço cada vez mais violento da Covid. Atualmente, um em cada quatro hospitais na região está com mais de 95% dos leitos de UTI ocupados.
Não apenas a fotografia do momento é assustadora como também representa uma tendência de avanço do vírus. Em agosto, a taxa de ocupação de mais de 95% dos leitos correspondia a um em cada cinco hospitais. Em junho, isso ocorria em menos de um a cada 10 hospitais.
No Alabama, todos os leitos de UTI estão ocupados atualmente. Nos últimos dias, dezenas de pacientes no estado precisaram de leitos que não estavam disponíveis, segundo dados do Departamento de Saúde e de Serviços Humanos.
— Isso significa que eles estão na sala de espera, que alguns estão atrás das ambulâncias, coisas desse tipo — disse Jeannie Gaines, porta-voz da Assossiação Hospitalar do Alabama.
O avanço da variante Delta na região está ligado também a uma menor taxa de vacinação. Vários dos estados com os mais altos índices de ocupação de leitos de UTI, como o Alabama e o Mississippi — ambos no Sul —, também estão entre aqueles com menor aderência ao processo de imunização.
Segundo um recente estudo do Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA, os americanos não vacinados têm 10 vezes mais probabilidade de serem internados com Covid do que os vacinados.
Enquanto 54% dos cidadãos americanos já estão completamente imunizados, no Alabama essa taxa é de 40%. No Mississippi, de 41%. Outro estado no Sul, o Tennessee, que recentemente chegou a liderar a taxa de novos casos por 100 mil habitantes no país, tem 43% de sua população totalmente vacinada.
— Nossas maiores preocupações são nossas baixas taxas de vacinação — disse Scott Harris, funcionário de saúde do estado do Alabama. — Essa é a razão pela qual estamos na situação em que nos encontramos. Praticamente todas as nossas mortes são de pessoas que não foram vacinadas.
A situação das UTIs no Sul é uma consequência do avanço das infecções. A cerca de três semanas, a região chegou a registrar 73 novos casos de infecção pelo novo coronavírus por 100 mil habitantes — quase o dobro do Oeste americano, vice-líder no novo surto, onde havia 37 diagnósticos por 100 mil pessoas no período.
Mesmo diante desse avanço do vírus, um número crescente de governadores e autoridades republicanas no Sul continua resistindo sobre a obrigatoriedade de máscaras em espaços fechados e das vacinas, diferentemente dos democratas. Ao menos cinco estados, entre eles três no Sul, chegaram a proibir que repartições públicas obrigassem seus funcionários a se vacinar, por exemplo.
Na Flórida, estado que tem a quarta maior taxa de internados a cada 100 mil habitantes, o governador Ron DeSantis chegou a emitir até mesmo uma ordem proibindo empresas privadas de exigirem a imunização de seus funcionários ou clientes. Ele também vetou que escolas obriguem seus alunos a usar máscaras, algo desafiado por alguns distritos escolares do estado. Na última semana, 24 hospitais relataram ter mais pacientes de UTI do que leitos disponíveis.
No Texas, 169 hospitais estão com uma taxa maior do que 95% de lotação de leitos de UTI, número muito superior ao registrado em junho, de 69. Existem apenas cerca de 700 leitos de terapia intensiva restantes em todo o estado, segundo dados recentes.
Na cidade mais populosa do estado, Houston, hospitais construíram hospitais de campanha no mês passado para lidar com o fluxo de pacientes, e a taxa de hospitalizações no estado é agora 40% maior do que quando elas foram construídas.
__________*
Ativos aos 80 anos: avanços na medicina e na sociedade permitem revolução na longevidade
Saiba mais sobre o que possibilita que, hoje, octogenários vivam mais e muito melhor
A atriz Rosamaria Murtinho e o ator Mauro Mendonça passaram dos 80 com saúde e disposição Foto: Agência O Globo
Receba notícias em tempo real no app.
SÃO PAULO — Em 1940, a expectativa de vida média do brasileiro era de 45,5 anos. Pois foi precisamente naquela década que nasceram os homens e mulheres que dão a cara à revolução na qual vivemos hoje: os octogenários cheios de vida. Representados nesta reportagem por personalidades como os atores Rosamaria Murtinho, Mauro Mendonça, Renato Aragão, o empresário Abílio Diniz e os médicos Angelita Habr Gama e Joaquim Gama Rodrigues, eles demonstram que não só estamos vivendo mais, mas também muito melhor. Os octogenários de hoje são ativos e vivem plenamente.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016 o Brasil tinha 3,4 milhões de idosos com mais de 80 anos. Projeções indicam que hoje já seriam 4,2 milhões. E o número de octogenários segue crescendo. Em 2060, acredita-se que serão 19 milhões.
Todo mundo quer uma vida longa. Mas, sobretudo, todo mundo quer viver bem. Para o epidemiologista Alexandre Kalache, do Centro Internacional de Longevidade, do Rio, os idosos têm hoje outro papel na sociedade.
— Queremos envelhecer não no aposento, que inspira a palavra aposentadoria, mas na sala da frente. Quando nasci, em 1950, tinham 14 milhões de pessoas com mais de 80 anos no mundo. Depois dos 60, a pessoa já estava envelhecida, era invisível, e era excepcional alcançar os 80. Em 2050, chegará a 388 milhões. Hoje, o grupo da população que mais cresce é dos com mais de 80. Estamos em plena revolução da longevidade.
Dois fatores foram preponderantes para essa mudança: a prevenção e a detecção precoce de doenças. No caso da prevenção, houve uma conscientização sobre o que faz bem e o que faz mal. Por exemplo, há 40 anos, o Brasil era um país de fumantes, que conseguiu reverter esse cenário. O Vigitel, que realiza a vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico, apontou no último levantamento que só 9,8% dos brasileiros eram fumantes. A noção do que é uma alimentação saudável ou da importância da prática de atividade física também cresceu.
“O que me dá prazer aos 80 é fazer muito exercício físico, ler, praticar a gratidão e rezar para um futuro melhor para o mundo”, conta Renato Aragão, de 86 anos Foto: Fabio Rocha / Agência O Globo
Detectar os problemas no início foi a chave para que as doenças crônicas associadas ao envelhecimento pudessem ser controladas.
— Hoje, máquinas poderosas encontram um câncer ainda capaz de ser curado. Ou um problema cardíaco, com cânulas no interior do coração. Os exames de ultrassom, ressonância e tomografia computadorizada foram revolucionários. E houve avanços do tratamento que eram como ficção científica. Eu era estudante de medicina quando se falava em marca passo, e hoje temos os stents. A catarata era um perrengue, hoje a cirurgia é tranquila. Os aparelhos para evitar surdez são moderníssimos. Além disso, foram desenvolvidos tratamentos para conter obesidade, tabagismo, pressão arterial, diabetes. O número de medicações também cresceu enormemente — diz Kalache.
O que se tenta fazer é empurrar doenças inerentes ao envelhecimento para o mais tarde possível. Se não for possível prorrogar, tem que controlar.
Mas, apesar dos avanços, há desafios. Na parte científica, talvez um dos maiores seja o Alzheimer. Na parte social, a diferença entre ricos e pobres, como afirma a geriatra Maísa Kairalla, coordenadora do ambulatório de transição de cuidados da Geriatria e Gerontologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp):
— A desigualdade social, que foi avassaladora na pandemia, mostra como as pessoas envelhecem de maneira diferente. A expectativa de vida no mundo nesse período diminuiu três anos. Envelhecer não é mais tranquilo porque ainda é difícil pegar o ônibus, buscar o remédio.
Superidosos
Para envelhecer bem, é preciso se preparar, não só fisicamente, mas também econômica e emocionalmente.
— A genética conta menos para a longevidade, apenas 25% a 30%. Quem faz a diferença é a gente. E nunca é tarde para se preparar, fazendo atividade física, poupando recursos, criando vínculos sociais, de família e amigos. Envelhecer não pode ser um problema, a pessoa tem que estar ativa, seja trabalhando, viajando, namorando ou cuidando dos netos. Para envelhecer bem é preciso ter resiliência física e psicológica, ir se adaptando — diz Kalache, que conclui: — E ter vontade de viver, ter propósito.
Sobre essa vontade de viver, a antropóloga Mirian Goldenberg acaba de lançar o livro “A invenção de uma bela velhice” (ed. Record). Segundo ela, pessoas acima de 80 anos que são lúcidas, saudáveis e ativas são chamadas de “superidosos”.
— Essas pessoas conseguem chegar nessa fase com saúde, projetos, alegria de viver, lucidez, amizades, e muito aprendizado. São superidosos porque superam as expectativas para a idade deles, muitos estão melhores do que pessoas bem mais jovens. O que eles têm de diferente? Valorizam o tempo presente, não reclamam de passado, não pensam muito no futuro, não falam em morte. Têm um amor pela vida que não encontro nas outras gerações. Sabem que o bem mais precioso não é ter milhões de cliques, ganhar dinheiro, ficar magra, é o tempo presente — afirma.
“Meu entusiasmo é inabalável. O exercício da medicina é meu ideal de vida e sempre há muito a fazer”, afirma a médica Angelita Habr-Gama, de 88 anos. Seu marido, Joaquim Gama Rodrigues, 87, completa: “Olho sempre para o futuro próximo e tenho o privilégio de poder conviver mais com familiares e amigos” Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Outro aspecto da personalidade dessas pessoas é a curiosidade e a abertura para o conhecimento. Goldenberg faz um acompanhamento de um grupo de cerca de 30 superidosos e conta que, quando a pandemia começou, no ano passado, o impacto foi muito grande:
— O maior valor para eles é a autonomia, a liberdade, poder ir ao supermercado, encontrar amigos, ir à academia de ginástica. E, de uma hora para outra, eles perderam tudo isso. Os dois primeiros meses foram horrorosos, mas o processo de aprendizado e de adaptação deles é invejável. Se antes caminhavam na praça, hoje caminham dentro de casa, se antes encontravam amigos agora falam pelas redes, por telefone, chamada de vídeo, lives. Não ficam pensando no que não puderam fazer, eles pensam: o que eu posso fazer? Isso é lindo.
Quem ainda não tem 80 e se questiona sobre se tem ou não uma personalidade assim, deve saber que é possível aprender e , no futuro, ser feliz nessa fase da vida. Goldenberg conta que a curva da felicidade foi estudada por economistas em 80 países e mostra que, a partir dos 50 anos, ela tende a crescer.
— Chegamos ao fundo do poço da felicidade aos 45 e depois a curva sobe. A pessoa passa a valorizar o tempo presente, faz uma faxina emocional, para de se comparar com outras pessoas, investe no que construiu de bom e positivo: a família, os projetos, os amigos. Desenvolvem uma relação mais livre com o corpo e aparência, com o que ficam preocupadas as mulheres até os 50 anos. Elas, principalmente, dizem “nunca fui tão livre, nunca fui tão feliz. É a primeira vez na vida que posso ser eu mesma”. Esse é o discurso mais poderoso que escuto das pessoas mais velhas.
__________*
Covid-19: Praias têm risco menor de transmissão, mas é preciso adotar medidas de proteção, dizem especialistas
Com máxima prevista para 34 graus neste fim de semana de feriadão, as praias serão destino certo do carioca
Com o calor, a Praia de Ipanema ficou cheia no sábado (21). Foto: BRUNO MARTINS/FUTURA PRESS / Agência O Globo
Receba notícias em tempo real no app.
RIO — Com máxima prevista para 34 graus neste fim de semana de feriadão, as praias serão destino certo do carioca. Com a circulação da variante Delta no estado, a preocupação é o aumento da transmissão do Sars-CoV-2 e, consequentemente, do número de casos da Covid-19. Por serem ambientes abertos, as praias seriam mais seguras? Para especialistas, o risco de transmissão é menor na praia, desde que algumas medidas sejam adotadas.
Para o infectologista Marcos Junqueira Lago, coordenador de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), o risco depende da quantidade de pessoas na praia:
— Essa questão da praia a gente tem que avaliar com cuidado. É verdade dizer que a praia tem baixo risco de contaminação porque é ambiente aberto, mas se ficarem cinco pessoas por metro quadrado numa praia lotada, ela já não é tão segura assim. Praia vazia não tem risco nenhum, a praia cheia tem risco baixo e a praia lotada tem risco, sim, de contaminação.
Embora o risco de transmissão seja mais baixo ao ar livre, há momentos num dia de praia que podem causar aglomeração.
— No transporte público, a caminho da praia, as pessoas vão compartilhar espaços fechados com muita gente; quando vai a uma barraca comprar alguma coisa e tem uma interação mais próxima. No banheiro público, tem muita gente aglomerada, é um espaço fechado e mal ventilado — destaca Vitor Mori, pesquisador da Universidade de Vermont e membro do Observatório Covid-19 BR. — O risco ao ar livre é muito mais baixo, mas não é zero. Esse risco envolve principalmente interações próximas, face a face, sem máscara por um período prolongado. Seria importante que, nesses momentos, as pessoas usassem máscaras bem ajustadas.
Aumento do número de casos
Para Lago, a aglomeração que deverá ocorrer nesse feriadão vai ser responsável pelo aumento no número de casos da doença nas próximas semanas.
— Como infectologista, acho que as praias e o sol vão trazer aglomeração e, provavelmente até o feriado de 12 de outubro, um aumento grande no número de casos no Rio de Janeiro com internação e morte. A única forma de fazer com que isso tenha menos impacto, pelo menos nas internações e nas mortes, é vacinar a população.
O infectologista destaca ainda algumas medidas que poderiam ser tomadas para evitar a aglomeração nas praias. Uma delas seria estimular a saída dos banhistas antes do horário de pico.
— Diria para limitar o horário de saída das praias, se reunir com pessoal que faz linhas de ônibus, vans, oferecer mais transporte para quem sair um pouco mais cedo, ter policiamento organizando filas e saídas das praias para não deixar ônibus sair lotado — sugere Lago.
Além das praias, especialistas recomendam atividades, esportes e passeios ao ar livre para evitar a transmissão do vírus. Mori acrescenta que, mesmo em ambientes abertos públicos, o ideal é utilizar máscaras:
— Estudos mostram que um vazamento de 1% a 2% da área de contato da máscara no rosto já reduz a capacidade de reter aerossóis em até 50%. Então seria importante usar máscaras de boa qualidade e bem ajustadas.
__________*
Diferença de número de mortos pela Covid-19 entre cidades brasileiras chega a 1.777%
São Paulo e Pará estão em cada ponta. Levantamento da Rede Análise Covid-19 considera municípios a partir de 100 mil habitantes
Enterro no cemitério da Vila Formosa, zona leste de São Paulo. Foto: Caio Guatelli / 22-03-21
Receba notícias em tempo real no app.
BRASÍLIA — Após um ano e meio de pandemia, a Covid-19 ainda afeta estados e municípios de formas diferentes. Enquanto uns sofrem com alta nos números de casos e de mortes, além da sobrecarga hospitalar e dos profissionais de saúde, outros já podem experimentar um retorno à normalidade diante de níveis mais baixos de transmissão. Os extremos coexistem num Brasil à beira de atingir 600 mil mortos.
Levantamento da Rede Análise Covid-19 feito a pedido do GLOBO, com base em dados do Ministério da Saúde, mostra que São José do Rio Preto (SP) alcança 598,9 mortes por 100 mil habitantes. A taxa mais alta do país é 1.777,3% maior que a de São Félix do Xingu (PA). Com 31,9 óbitos a cada 100 mil moradores, o município representa o menor patamar do país. Esse cenário se repete quando ampliado para os rankings de cidades com os maiores e menores índices: quatro delas estão em São Paulo e outras quatro, no Pará.
Para Isaac Schrarstzhaupt, um dos coordenadores do grupo, a multifatorialidade da pandemia — que envolve desigualdade social entre pacientes, capacidade hospitalar e surtos de Covid em determinadas localidades, entre outros — impacta nos resultados:
— São hipóteses, dependem de muitos fatores. São tantas possíveis coisas que podem acontecer que a pandemia é quase não determinística, no sentido de que, se pudesse rebobinar tudo e rodar de novo, era capaz de o resultado não ser o mesmo. Por isso, o ideal é controlar a transmissão.
Abaixo da cidade paulista, estão São Caetano do Sul (561,6), Cuiabá (557,9), Catanduva (501,3) e Santos (487,4). A capital matogrossense supera as outras 26 espalhadas pelo país em relação aos óbitos proporcionais — São Paulo e Rio de Janeiro, por sua vez, lideram em números absolutos.
— Um fator que também pode explicar é onde o vírus chegou primeiro (São Paulo). Como ele chegou de fora (o primeiro caso foi de um idoso vindo da Itália), ataca mais fortemente os locais aonde chegou. Depois, tem o fenômeno da interiorização. Cidades que estão com o vírus há mais tempo tendem a ter mais óbitos — continua o analista de dados, responsável pelo levantamento.
No outro extremo, a fluminense Japeri (91,6) e as paraenses Marituba (106,4), Tailândia (112,8) e Breves (116,8) têm os menores índices seguem atrás de São Félix do Xingu. A cidade, a 1052,7 km de Belém, é considerada a capital do desmatamento da Amazônia. Além disso, é o local que mais emite gás carbônico no Brasil, segundo estudo do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, divulgado em março.
— Falando especificamente para essas cidades aqui do Pará, a gente pode ter subnotificação por conta de acesso a serviços de saúde, isolamento geográfico etc. Breves foi uma das cidades mais atingidas na primeira onda. Fica no Marajo, são 12 horas de barco para chegar a Belém... Tanto que chegou a ter hospital de campanha em Breves — afirma a doutora em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Pará (UFPA) Helem Ferreira Ribeiro.
A biomédica e professora avalia que a circulação do coronavírus está no patamar mais baixo no estado desde o início da pandemia:
— A capital chegou a ter dois dias sem registrar mortes. Muitas restrições diminuíram, mas a gente sabe que o vírus continua circulando. Hoje mesmo (sexta-feira) se soube que teve um surto de Covid no principal hospital de pronto-socorro de Belém.
Pirâmide etária
Com dados compilados até 7 de setembro, a análise leva em consideração municípios de pelo menos 100 mil habitantes para eliminar possíveis distorções.
— Uma coisa que pode justificar é a pirâmide etária, porque essa doença mata muito mais idosos. O que a gente vê é que São Paulo, por ser mais desenvolvida, as pessoas tendem a ter uma expectativa de vida maior — explica Schrarstzhaupt, que compara: — Isso ajuda a entender porque a África, que é um continente pobre, tem poucos mortos. Tem países em que a expectativa de vida é de 55 anos, quase não tem idosos na pirâmide etária.
Questionada pelo GLOBO, a Secretaria de Saúde de São José do Rio Preto justifica que “investe muito na notificação e testagem dos casos leves, graves e principalmente óbitos possuindo uma das maiores taxas de testagem de sintomáticos. A letalidade realmente reflete que o município possui estrutura assistencial e estrutural adequados para atender os casos da doença”.
Já a de São Caetano do Sul informa que “o número não reflete todo o esforço que a cidade tem feito no sentido de controlar as taxas de propagação da epidemia e sua letalidade entre os habitantes”. Entre as razões apontadas, estão a grande parcela de idosos (24% dos moradores), a alta densidade demográfica (10,5 mil hab/km²) e a impossibilidade de adotar cordões sanitários.
“A Secretaria de Saúde de Santos informa que, desde maio de 2021, o total de óbitos em residentes tem diminuído, reflexo da robusta campanha de vacinação e de medidas adotadas pelo governo municipal. (...) Apesar dos dados mostrarem desaceleração nos óbitos por covid-19, o município segue atento à doença, com acompanhamento diário da ocupação de leitos, novos casos e óbitos”, diz a pasta.
Já o Secretário municipal da Saúde de São Félix do Xingu, Raphael Antônio Souza, afirmou ao GLOBO que não sabe explicar a causa para o baixo índice. Ele admite que falta prevenção por parte da população e que o índice de vacinação é baixo, mas afasta a possibilidade de subnotificação. Entre as possíveis causas elencadas, estão a extensa territorialidade e o fato de a maior parcela da população ser da zona rural.
Procuradas pelo GLOBO desde quinta-feira, as secretarias de Saúde de Breves (PA), de Catanduva (SP), de Cuiabá (MT), de Japeri (RJ), de Marituba (PA) e de Tailândia (PA) não se pronunciaram até o fechamento desta publicação.
__________*
Diferença de número de mortos pela Covid-19 entre cidades brasileiras chega a 1.777%
São Paulo e Pará estão em cada ponta. Levantamento da Rede Análise Covid-19 considera municípios a partir de 100 mil habitantes
Enterro no cemitério da Vila Formosa, zona leste de São Paulo. Foto: Caio Guatelli / 22-03-21
Receba notícias em tempo real no app.
BRASÍLIA — Após um ano e meio de pandemia, a Covid-19 ainda afeta estados e municípios de formas diferentes. Enquanto uns sofrem com alta nos números de casos e de mortes, além da sobrecarga hospitalar e dos profissionais de saúde, outros já podem experimentar um retorno à normalidade diante de níveis mais baixos de transmissão. Os extremos coexistem num Brasil à beira de atingir 600 mil mortos.
Levantamento da Rede Análise Covid-19 feito a pedido do GLOBO, com base em dados do Ministério da Saúde, mostra que São José do Rio Preto (SP) alcança 598,9 mortes por 100 mil habitantes. A taxa mais alta do país é 1.777,3% maior que a de São Félix do Xingu (PA). Com 31,9 óbitos a cada 100 mil moradores, o município representa o menor patamar do país. Esse cenário se repete quando ampliado para os rankings de cidades com os maiores e menores índices: quatro delas estão em São Paulo e outras quatro, no Pará.
Para Isaac Schrarstzhaupt, um dos coordenadores do grupo, a multifatorialidade da pandemia — que envolve desigualdade social entre pacientes, capacidade hospitalar e surtos de Covid em determinadas localidades, entre outros — impacta nos resultados:
— São hipóteses, dependem de muitos fatores. São tantas possíveis coisas que podem acontecer que a pandemia é quase não determinística, no sentido de que, se pudesse rebobinar tudo e rodar de novo, era capaz de o resultado não ser o mesmo. Por isso, o ideal é controlar a transmissão.
Abaixo da cidade paulista, estão São Caetano do Sul (561,6), Cuiabá (557,9), Catanduva (501,3) e Santos (487,4). A capital matogrossense supera as outras 26 espalhadas pelo país em relação aos óbitos proporcionais — São Paulo e Rio de Janeiro, por sua vez, lideram em números absolutos.
— Um fator que também pode explicar é onde o vírus chegou primeiro (São Paulo). Como ele chegou de fora (o primeiro caso foi de um idoso vindo da Itália), ataca mais fortemente os locais aonde chegou. Depois, tem o fenômeno da interiorização. Cidades que estão com o vírus há mais tempo tendem a ter mais óbitos — continua o analista de dados, responsável pelo levantamento.
No outro extremo, a fluminense Japeri (91,6) e as paraenses Marituba (106,4), Tailândia (112,8) e Breves (116,8) têm os menores índices seguem atrás de São Félix do Xingu. A cidade, a 1052,7 km de Belém, é considerada a capital do desmatamento da Amazônia. Além disso, é o local que mais emite gás carbônico no Brasil, segundo estudo do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, divulgado em março.
— Falando especificamente para essas cidades aqui do Pará, a gente pode ter subnotificação por conta de acesso a serviços de saúde, isolamento geográfico etc. Breves foi uma das cidades mais atingidas na primeira onda. Fica no Marajo, são 12 horas de barco para chegar a Belém... Tanto que chegou a ter hospital de campanha em Breves — afirma a doutora em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Pará (UFPA) Helem Ferreira Ribeiro.
A biomédica e professora avalia que a circulação do coronavírus está no patamar mais baixo no estado desde o início da pandemia:
— A capital chegou a ter dois dias sem registrar mortes. Muitas restrições diminuíram, mas a gente sabe que o vírus continua circulando. Hoje mesmo (sexta-feira) se soube que teve um surto de Covid no principal hospital de pronto-socorro de Belém.
Pirâmide etária
Com dados compilados até 7 de setembro, a análise leva em consideração municípios de pelo menos 100 mil habitantes para eliminar possíveis distorções.
— Uma coisa que pode justificar é a pirâmide etária, porque essa doença mata muito mais idosos. O que a gente vê é que São Paulo, por ser mais desenvolvida, as pessoas tendem a ter uma expectativa de vida maior — explica Schrarstzhaupt, que compara: — Isso ajuda a entender porque a África, que é um continente pobre, tem poucos mortos. Tem países em que a expectativa de vida é de 55 anos, quase não tem idosos na pirâmide etária.
Questionada pelo GLOBO, a Secretaria de Saúde de São José do Rio Preto justifica que “investe muito na notificação e testagem dos casos leves, graves e principalmente óbitos possuindo uma das maiores taxas de testagem de sintomáticos. A letalidade realmente reflete que o município possui estrutura assistencial e estrutural adequados para atender os casos da doença”.
Já a de São Caetano do Sul informa que “o número não reflete todo o esforço que a cidade tem feito no sentido de controlar as taxas de propagação da epidemia e sua letalidade entre os habitantes”. Entre as razões apontadas, estão a grande parcela de idosos (24% dos moradores), a alta densidade demográfica (10,5 mil hab/km²) e a impossibilidade de adotar cordões sanitários.
“A Secretaria de Saúde de Santos informa que, desde maio de 2021, o total de óbitos em residentes tem diminuído, reflexo da robusta campanha de vacinação e de medidas adotadas pelo governo municipal. (...) Apesar dos dados mostrarem desaceleração nos óbitos por covid-19, o município segue atento à doença, com acompanhamento diário da ocupação de leitos, novos casos e óbitos”, diz a pasta.
Já o Secretário municipal da Saúde de São Félix do Xingu, Raphael Antônio Souza, afirmou ao GLOBO que não sabe explicar a causa para o baixo índice. Ele admite que falta prevenção por parte da população e que o índice de vacinação é baixo, mas afasta a possibilidade de subnotificação. Entre as possíveis causas elencadas, estão a extensa territorialidade e o fato de a maior parcela da população ser da zona rural.
Procuradas pelo GLOBO desde quinta-feira, as secretarias de Saúde de Breves (PA), de Catanduva (SP), de Cuiabá (MT), de Japeri (RJ), de Marituba (PA) e de Tailândia (PA) não se pronunciaram até o fechamento desta publicação.
__________*
Covid-19: terceira dose para idosos começa nos postos da cidade do Rio para quem tem 95 anos ou mais
Calendário da dose de reforço tem início nesta segunda-feira e será escalonado por idade para imunizar pessoas acima de 90 anos até sábado
No dia em que completa 98 anos, Alice Sena Cardoso toma a dose da reforço contra a Covid-19, acompanhada pelo filho César Sena Cardoso, em posto de saúde em Copacabana Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Receba notícias em tempo real no app.
RIO — No bairro com a maior população de idosos do município do Rio, Copacabana, na Zona Sul, os postos de saúde começaram a manhã desta segunda-feira agitados. O motivo é a aplicação da dose de reforço (DR) da vacina da Covid-19 para pessoas com mais de 95 anos, a partir de hoje. A Prefeitura do Rio divulgou o calendário de vacinação de idosos com a terceira dose até o próximo sábado, dia para os moradores com 90 anos ou mais. O imunizante será o da Pfizer, mesmo para quem tenha sido vacinado com outro produto nas duas primeiras doses.
Pouco antes das 7h30m, a aposentada Alice Sena Cardoso, de 98 anos, e o filho, o engenheiro César Sena Cardoso, de 71, eram os primeiros da fila no Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto, na Praça Siqueira Campos. Dona Alice, que no dia da terceira dose faz aniversário, disse que seu sonho era que “ninguém precisasse passar por isso”. Mas ela acrescentou que estava feliz em “receber esse presente de aniversário”.
PUBLICIDADE
— Estou muito feliz em receber essa dose hoje. É um presente de aniversário. Estaria muito feliz se não estivéssemos passando por isso — contou dona Alice, que recebeu a aplicação pouco depois das 8h10m.
A previsão da Secretaria municipal de Saúde é vacinar, até novembro, 2,6 mil idosos por dia, a começar por aqueles com 95 anos ou mais, que recebem o imunizante nesta segunda-feira. Na terça-feira será a vez das pessoas com 94 anos ou mais, e assim por diante (veja o calendário abaixo). Os primeiros a receber a dose de reforço, de 1º a 10 de setembro, foram os idosos em instituições de longa permanência.
— Mesmo com todos os problemas, de falta de vacina e atrasos, essa terceira dose é fundamental para a população. É gratificante ver a minha mãe vacinada. Ainda mais no dia em que ela comemora mais um ano de vida — destaca o engenheiro César Sena Cardoso, filho de dona Alice.
De acordo com a direção do unidade de saúde do João Barros Barreto, a expectativa é que cerca de 108 idosos — acima de 95 anos — passem pelo local até sábado para se vacinar. Esse é o total de pessoas já imunizadas com as duas doses no espaço. Ao todo, mais de três mil idosos com mais de 90 anos deverão receber a aplicação na unidade de saúde, de acordo com os responsáveis pelo espaço.
O segundo a receber a DR no posto foi o aposentado Samuel Ruben Israel, de 96 anos. Morador de Copacabana, o idoso lembrou que foi imunizado com a AstraZeneca nas primeiras duas doses. Ele quis saber das enfermeiras se não teria problema ser vacinado com um imunizante de fabricante diferente. Foi informado que não.
— As duas últimas (vacinas) foram da AstraZeneca. Agora, tomei da Pfizer. Agora é esperar que tudo isso passe — disse.
A confirmação da terceira dose se dá num contexto de escassez de vacinas. Por determinação da prefeitura, esse reforço em idosos no Rio será com os imunizantes da Pfizer ou da AstraZeneca, mas esta última está em falta em várias partes do país. O problema se deve à demora no envio à Fiocruz, por uma farmacêutica anglo-sueca, dos ingredientes farmacêuticos ativos (IFA), matéria-prima do produto. Assim, o Rio depende de seu estoque de Pfizer para sustentar outras frentes da campanha, como a segunda dose daqueles que tomaram a primeira de AstraZeneca, cuja distribuição deve se regularizar ainda este mês.
Também por falta de vacina, a aplicação da primeira dose nos adolescentes está suspensa mais uma vez na cidade a partir de hoje. As doses de Pfizer reservadas a esse público se esgotaram no último sábado, com a repescagem do grupo de 15 a 17 anos. A vacina da Pfizer é a única autorizada pela Anvisa para uso em menores de 12 a 17 anos.
No entanto, o estado do Rio deve receber na noite desta segunda-feira uma remessa de 464 mil doses do imunizante, o que, de acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, garantirá a retomada da vacinação de adolescentes na próxima quarta ou quinta-feira, com o grupo de 14 anos.
Já para a terceira aplicação em idosos, público relativamente menor, há doses de Pfizer suficientes para uma semana e a nova remessa deve assegurar a campanha do reforço por mais tempo.
A aposentada Helena Chinelli Silveira, de 95 anos, após receber a dosagem celebrou:
— Eu acordei às 3h. Estou muito feliz.
Calendário da semana para a dose de reforço para idosos:
segunda-feira, dia 13: 95 anos ou mais
terça-feira, dia 14: 94 anos ou mais
quarta-feira, dia 15: 93 anos ou mais
quinta-feira, dia 16: 92 anos ou mais
sexta-feira, dia 17: 91 anos ou mais
sábado, dia 18: 90 anos ou mais
__________*
São Paulo estuda aplicar quarta dose de vacina em transplantados
Representantes do Centro de Contingência da Covid-19 avaliam que a resposta imune apresentada por pacientes transplantados é bem mais baixa do que na população em geral. Imagem: iStock
Representantes do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo anunciaram hoje (8) que estudam a aplicação de uma quarta dose de vacina contra a covid-19 em pessoas transplantadas. Eles avaliam que a resposta imune apresentada por pacientes transplantados é bem mais baixa do que na população em geral.
Segundo José Medina, integrante do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo e superintendente do Hospital do Rim, na capital paulista, a baixa imunidade ocorre com todas as vacinas aplicadas no Brasil. Uma das causas para essa baixa resposta, de acordo com Eloísa Bonfá, diretora do Hospital das Clínicas, pode se referir aos medicamentos tomados pelos transplantados.
"Nos pacientes transplantados que receberam a primeira e segunda dose de outras vacinas, da Pfizer, da AstraZeneca ou da Moderna, a resposta foi tão precária quanto a resposta da CoronaVac. Por isso que a nossa proposta agora é fazer reforço da quarta dose, talvez de uma quinta dose, para aquelas pessoas que não tiveram uma resposta adequada", explicou Medina.
Medina disse que um estudo feito com 12 mil transplantados apontou que 21% deles tiveram covid-19. Um em cada quatro desses pacientes transplantados positivos para a covid-19 morreu por causa da doença. "Isso é dez vezes maior do que na população em geral", disse.
O estudo comparou pacientes transplantados e funcionários do Hospital do Rim. Após a primeira dose da vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac, a soroconversão ou formação de anticorpos contra a covid-19 foi de 79% entre os funcionários. Já nos transplantados, foi apenas de 15%.
"A resposta sorológica do paciente transplantado contra o vírus induzida pela vacina foi cinco vezes menor que na população de funcionários do hospital", disse Medina. Já após a segunda dose, a resposta foi de 98% entre os funcionários e apenas 45% entre os pacientes transplantados.
Por isso, segundo ele, foi iniciado um estudo para avaliar a resposta após a aplicação de uma terceira dose da vacina CoronaVac em pacientes transplantados. "O estudo foi feito antes do assunto da terceira dose ser abordado na população em geral, porque essa resposta no transplantado estava nos intrigando muito. E a terceira dose aumentou para 53% a resposta nos pacientes transplantados", disse.
Ao contrário do governo federal, o estado de São Paulo está utilizando a CoronaVac como dose de reforço para idosos e pacientes imunossuprimidos. Para o governo federal, somente outras vacinas devem ser aplicadas como dose adicional para essa população, principalmente a Pfizer/BioNTech, já que a resposta imune apresentada pela CoronaVac tende a ser menor para esse público. Especialistas também têm criticado o governo paulista pelo uso da CoronaVac como dose de reforço para idosos, já que a resposta desse imunizante tende a ser mais baixa entre os idosos.
São Paulo começou a aplicar a terceira dose de vacina contra a covid-19 na segunda-feira (6). Essa vacinação, segundo o governo de São Paulo, será escalonada, iniciando pelas pessoas com idade acima de 90 anos. No primeiro dia de vacinação, quase 99% das doses adicionais aplicadas foram de CoronaVac.
Calendário
Pelo calendário divulgado pelo governo de São Paulo, pessoas com idade acima de 90 anos serão vacinadas até o dia 12 de setembro, público estimado em 148,7 mil pessoas. Pessoas entre 85 e 89 anos de idade começam a ser vacinadas com dose adicional no dia 13 de setembro. Essa faixa etária representa 231,7 mil pessoas em São Paulo.
Entre os dias 20 e 26 de setembro, as doses estarão disponíveis para os que têm de 80 a 84 anos de idade. Também estão inclusos nesse período os adultos imunossuprimidos, como pacientes em tratamento de hemodiálise, quimioterapia, aids, transplantados, entre outras pessoas em alto grau de imunossupressão. Nesse caso específico, a dose adicional será aplicada pelo menos 28 dias após a data da conclusão do esquema vacinal, seja pela segunda dose ou dose única (Janssen). Juntos, esses grupos totalizam 280 mil pessoas.
A partir do dia 27 de setembro serão contempladas 242,8 mil pessoas na faixa de 70 a 79 anos de idade. Já no dia 4 de outubro, começa a vacinação de dose extra dos idosos de 60 a 69 anos de idade, totalizando mais 103,9 mil pessoas.
__________*
ALERTA:
A EFICÁCIA VACINAS, sobretudo em relação ao imunizante que tem a tecnologia do vírus inativado (Coronavac Chinesa) em pessoas com mais de 70 anos, _______________________________ notadamente aqueles NONAGENÁRIOS, ________ têm uma EFETIVIDADE da vacina MUITO BAIXA, chega a ser ABAIXO de 30%. ____________________ Essas pessoas NÃO estão PROTEGIDAS. _______ Isso justifica a TERCEIRA DOSE
Reportagem da Folha mostrou que Saúde deixou vencer R$ 243 mi em vacinas, testes e medicamentos
ALERTA:
Queiroga reconhece problema de remédio vencido, mas diz NÃO haver NEGLIGÊNCIA do governo
Brasília
O ministro Marcelo Queiroga (Saúde) reconheceu nesta quarta-feira (8) que o vencimento de insumos de saúde estocados é um problema, mas afirmou que isso não ocorre por negligência do governo.
Reportagem publicada pela Folha revelou que o ministério deixou perder a validade de um estoque de medicamentos, vacinas, testes de diagnóstico e outros itens que, ao todo, são avaliados em mais de R$ 240 milhões. Agora, todos esses produtos devem ser incinerados.
"Em relação a insumos vencidos, realmente esse é um problema. Não é que o ministério deixa vencer por negligência, é porque se compra em quantidade, há insumos que foram adquiridos nos dois governos anteriores ao governo do presidente Bolsonaro e eles não foram distribuídos", justificou Queiroga durante reunião da Comissão Temporária da Covid-19 no Senado.
Ao todo, 3,7 milhões de itens que começaram a vencer há mais de três anos estão em Guarulhos (SP), no centro de distribuição logística do ministério. Quase todos expiraram durante a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido).
Além de frascos para aplicação de vacinas como BCG, gripe e hepatite B, foram perdidos produtos que seriam destinados a pacientes do SUS com hepatite C, câncer, Parkinson, Alzheimer, tuberculose, doenças raras, esquizofrenia, artrite reumatoide, transplantados e problemas renais, entre outras situações.
Na mesma reunião, Queiroga afirmou que a eficácia vacinal em pessoas com mais de 70 anos que tomaram o imunizante com vírus inativo caiu para 30%. Isso, de acordo com o ministro, justifica a aplicação da terceira dose.
"Aqueles indivíduos acima de 70 anos, notadamente aqueles nonagenários, eles têm uma efetividade da vacina muito baixa, sobretudo em relação ao imunizante que tem a tecnologia do vírus inativado. A efetividade chega a ser abaixo de 30%. É muito baixa. Essas pessoas não estão protegidas e requer terceira dose", afirmou sem citar a Coronavac, que usa esse tipo de tecnologia.
O ministro também afirmou aos senadores que a quebra temporária de patentes pode gerar desemprego e não contribuir com a produção de vacinas contra a Covid-19.
"Isso pode gerar perda de empregos aqui no nosso país e não trazer benefícios nenhum à vacina. Por isso, que o governo teve essa posição, que não é só do Ministério da Saúde, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Economia participam dessa ação. Por isso a recomendação de veto, porque do ponto de vista prático não vai trazer vacina nenhuma", disse.
No mesmo comunicado no qual anunciou a sanção, o Palácio do Planalto disse que a quebra de patentes não será aplicada neste momento.
Segundo o texto, a medida só será necessária na hipótese da empresa proprietária da patente "se recusar ou não conseguir atender à necessidade local".
__________*
__________*
Covax: Covid não acaba se 3ª dose vier antes da vacinação dos países pobres
Já foram aplicadas 5,4 bilhões de doses de vacinas no mundo Imagem: iStock
Para frear a pandemia, é imprescindível garantir que as vacinas cheguem a todas as nações de forma igualitária. O primeiro passo é imunizar ao menos 20% da população de cada país, faixa que concentra as pessoas de alto risco para a covid-19, como idosos e trabalhadores da saúde. Mas o mundo está longe desta meta.
Isso é o que defende o argentino Santiago Cornejo, diretor de Engajamento com os Países do Covax Facility, consórcio que reúne nações para a aquisição de vacinas, em entrevista exclusiva ao Estadão. Segundo ele, a coalizão ainda precisa distribuir 1,7 bilhão de doses para atingir o objetivo. Até agora, foram entregues 200 milhões de doses pelo Covax.
Relacionadas
CoronaVac e AstraZeneca reduzem em 75% e 90% risco de morte, diz estudo
Já foram aplicadas 5,4 bilhões de doses de vacinas no mundo. Apesar da taxa significativa — cerca de 40% da população global recebeu ao menos uma injeção —, não há distribuição equitativa. Nos países de renda baixa, por exemplo, só 1,8% da população teve a chance de iniciar a vacinação. Os dados são da plataforma Our World In Data, vinculada à Universidade de Oxford (Reino Unido). Leia a entrevista:
Assim como os Estados Unidos, Israel e Chile, o Brasil decidiu aplicar dose extra da vacina na população mais vulnerável. Como vê essa estratégia?
É fundamental que continuemos as pesquisas para desenvolver nosso conhecimento sobre vacinas e sobre essa doença. E, cientificamente, o que sabemos até agora é que a vacinação completa protege o suficiente até mesmo contra as variantes, como a delta (cepa identificada originalmente na Índia e mais transmissível), evitando internações graves e mortes. A prioridade máxima do mundo deveria ser garantir que cada país tenha vacinas suficientes para cumprir o esquema vacinal atual, e é isso que defendemos. É isso que vai permitir evitar internações. Assim que tivermos mais suprimentos, assim que alcançarmos essa cobertura mínima em todos os países, poderemos ver como aumentar a proteção com doses extras. Se os países começarem a usar os escassos suprimentos para aplicar uma terceira dose agora, a disponibilidade de vacinas ficará ainda mais limitada.
O acesso desigual contribui para surgirem variantes mais perigosas (a delta avança em vários países e no Brasil)?
Com certeza. Por isso sempre dizemos que precisamos vacinar muito no mundo inteiro. Não podemos ter bolsões de pessoas não vacinadas. Não vai ser apenas um país ou uma região que irá derrotar essa pandemia. Isso é impossível, o mundo de hoje é conectado, as pessoas se movimentam. Precisamos de uma solução global.
Vários países, incluindo o Brasil, começaram a vacinar adolescentes. Como avalia isso?
Precisamos de vacinas para as populações de maior risco. Ainda há muitos países que não conseguiram vacinar grupos como profissionais de saúde, trabalhadores da linha de frente, idosos e pessoas com comorbidades. Essa é a nossa prioridade e deve ser a prioridade do mundo inteiro.
Muitos países têm dificuldade para ampliar a cobertura vacinal, mesmo com estoques. Por quê? E como combater o problema?
Começamos a ver alguns países atingirem um platô na vacinação. É triste ver isso em uma pandemia que tira muitas vidas. Uma das causas dessa hesitação em receber a vacina é a desinformação e a propagação de notícias falsas. Isso tem um impacto terrível e não podemos pagar por isso. Precisamos que todas as partes envolvidas trabalhem juntas. Não se trata de uma única pessoa, mas sim da sociedade. A solução é: comunicação, comunicação e comunicação. Precisamos que os países forneçam evidências científicas, de modo simples, para que as pessoas possam entender a importância da vacinação.
Documentos entregues à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga a gestão da pandemia pelo governo Jair Bolsonaro, indicam que o Brasil poderia ter pedido doses para vacinar 50% da população, mas escolheu a cota mínima (10%). Como o senhor avalia isso?
Assim como o Brasil, muitos países pediram 10%, enquanto outros pediram um pouco mais, 20%. Creio que tenha sido uma decisão nacional, baseada em planos, estratégias e necessidades do País. O Brasil é um parceiro estratégico do Covax e temos um ótimo relacionamento desde o início.
Se o país tivesse pedido o máximo possível, já teria recebido mais doses via consórcio?
Não, teria recebido exatamente a mesma quantidade. Estamos distribuindo de modo proporcional à população dos países independentemente do número de doses contratadas. Ainda não alcançamos os 10% que prometemos ao Brasil, mas esperamos cumprir até o fim do ano. Se o País tivesse solicitado os 50%, a principal diferença seria receber mais doses nos próximos meses.
Qual é sua opinião sobre a quebra de patentes?
A patente é um elemento, mas não é a solução ou a única solução, principalmente no curto prazo. A fabricação de vacinas é muito complexa. Não se trata só da patente, mas da tecnologia por trás. Precisamos de transferências de tecnologia para impulsionar a produção em muitas partes do mundo. Leva tempo para fazer, mas é disso que precisamos para diversificar a produção. Do ponto de vista da Covax, acreditamos que precisamos de mais empresas fabricando vacinas.
E a pergunta para qual todos pedem resposta: vacinar em massa vai acabar com a pandemia?
Gostaria de poder dizer quando e como a pandemia vai acabar, mas não posso. O que sei é que temos muito trabalho a fazer ainda em 2021 porque não fizemos o suficiente para um acesso equitativo às vacinas. E, o mais importante, já começamos a nos preparar para 2022 — teremos de continuar priorizando a vacinação. Isso será importante se quisermos derrotar esta pandemia.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
__________*
Variante Mu: o que se sabe sobre linhagem do coronavírus prevalente na Colômbia
Paciente de covid-19 em Bogotá, Colômbia, em foto de junho; terceira onda da pandemia no país foi atribuída à variante Mu, identificada ali em janeiro de 2021 Imagem: Reuters/BBC News
07/09/2021 19h05
Já identificada no Brasil mas por enquanto carente de mais estudos, Mu é tratada pela OMS como uma 'variante de interesse'; veja o que já existe de concreto sobre ela.
Há pouco mais de uma semana, uma variante do coronavírus inicialmente identificada em janeiro na Colômbia entrou para a lista de mutações do Sars-CoV-2 sob monitoramento da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A variante Mu (ou B.1.621) passou a ser considerada "variante de interesse" pela OMS, por ter "uma constelação de mutações que indicam propriedades potenciais de escape da imunidade", ou seja, da proteção das vacinas - o que ainda precisa ser confirmado por mais estudos, segundo o boletim da organização divulgado em 31 de agosto.
Relacionadas
Covid: quais são os sintomas mais comuns da variante delta do coronavírus
A Mu é, por enquanto, uma "variante de interesse" sendo monitorada pela OMS - já as variantes Alpha, Beta, Gamma (a identificada no Brasil) e Delta são consideradas "variantes de preocupação".
"Desde que foi identificada na Colômbia, em janeiro de 2021, houve alguns registros esporádicos de casos da variante Mu e alguns surtos maiores foram relatados em outros países da América do Sul e na Europa", diz o boletim da OMS.
Por enquanto, prossegue a agência intergovernamental, a prevalência da Mu é de menos de 0,1% entre os casos sequenciados de coronavírus em todo o mundo.
Mas, localmente, sua prevalência tem "aumentado constantemente" na Colômbia e no Equador, onde responde por - respectivamente - 39% e 13% dos casos sequenciados. Esses dados, porém, devem ser lidos com cautela, diz a OMS, uma vez que a maioria dos países do mundo tem baixa capacidade de monitorar o sequenciamento genético das variantes da covid-19.
Estima-se no momento que a Mu circule em mais de 40 países, no Brasil inclusive - já há relatos de casos confirmados por aqui.
Mas, segundo a plataforma aberta Gisaid, que compila dados genômicos virais, a Mu representa 0% dos casos sequenciados no Brasil. A plataforma calculou haver, até o momento, dez casos identificados da Mu de um total de quase 35 mil sequenciados, ou seja, casos em que o vírus teve sua análise genômica realizada.
No México, a Mu representa 1% dos casos sequenciados. Nos EUA, 0%, mas, em números absolutos, foram detectados mais de 1,7 mil casos sequenciados da Mu.
Já na Colômbia, autoridades de saúde têm afirmado à imprensa local que a Mu já é a variante predominante em circulação no país, que por enquanto tem menos de um terço de sua população vacinada contra o vírus.
A terceira onda da covid-19 no país sul-americano, entre abril e junho, tem sido atribuída a essa variante.
Nesse período, quando a Colômbia registrou cerca de 700 mortes por dia, quase dois terços dos testes genéticos realizados nas vítimas fatais indicaram a presença da variante Mu, declarou a uma rádio local, em 2 de setembro, Marcela Mercado, diretora de pesquisas do Instituto Nacional de Saúde.
Delta ainda concentra as preocupações
O instituto colombiano apontou que a variante Mu tem demonstrado ter uma grande capacidade de transmissão.
É importante destacar que o surgimento de variantes é esperado dentro do ciclo de avanço de um vírus durante uma pandemia como a atual, principalmente em locais onde a circulação desse vírus ainda é alta. A maioria das mutações tem pouco ou nenhum efeito nas propriedades do vírus.
Mas, nesse processo, algumas variantes mais perigosas emergem - e por enquanto a Delta é a que mais desperta preocupação no mundo, por ter demonstrado uma grande capacidade de transmissão e já ter sido identificada em cerca de 170 países.
No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, a Delta é considerada a variante predominante desde meados de agosto.
"Quando um vírus se estabelece, começa a haver uma competição entre as várias linhagens, ou tipos de vírus. Isso favorece os tipos mais transmissíveis e que geram mais casos, como tem sido com a Delta em todos os lugares por onde ela passou no mundo", explica à BBC News Brasil o doutor em microbiologia e divulgador científico Átila Iamarino.
O que torna a Delta mais problemática, diz ele, é que pessoas infectadas com essa variante podem apresentar grandes quantidades de vírus nas vias aéreas superiores (como nariz , boca e laringe) mais cedo do que teriam com a versão original do coronavírus, mesmo que assintomáticas. Com mais vírus no corpo, essa pessoa pode transmiti-lo mais facilmente e ter seu sistema imunológico testado mais duramente. Por isso, detalha Iamarino, "a Delta infecta pelo menos o dobro do que o coronavírus tradicional".
"Qualquer outra variante precisa competir com isso para poder predominar, e nenhuma delas fez isso até aqui. (...) Independentemente se a variante vem aqui do lado (como o caso da Mu na Colômbia) ou da Índia, é questão de tempo para (uma variante tão transmissível como a Delta) predominar, como a gente viu acontecer."
O que causa alarme é o fato de a Delta ter avançado até mesmo em países que já têm alta cobertura vacinal. O que não significa, porém, que essa cobertura vacinal não tenha efeito, muito pelo contrário: quanto mais gente vacinada com duas doses (ou com vacina de dose única), menor a chance de as variantes surjam e encontrem terreno para proliferar.
"Apesar de pessoas com até duas doses poderem contrair e transmitir a Delta, as vacinas ainda a barram muito bem", prossegue Átila Iamarino. "Ela é claramente preocupante, mas conseguimos barrá-la."
O que chama a atenção na variante Mu
E quanto à variante Mu? Em artigo na plataforma acadêmica The Conversation, o professor de bioquímica da universidade Trinity College, na Irlanda, Luke O'Neill, resumiu o que faz com que essa variante tenha entrado no radar da OMS.
O'Neill explicou que, segundo estudos ainda em fase pré-print (e que portanto ainda precisam passar por escrutínio da comunidade científica), a Mu tem uma mutação chamada P681H, semelhante à observada na variante britânica Alpha e que potencialmente a torna mais transmissível. "(Mas) não podemos ter certeza dos efeitos da P681H sobre o comportamento do vírus até o momento", escreveu O'Neill.
Outras mutações da Mu também estão associadas a uma maior capacidade de evadir os anticorpos criados contra o coronavírus, continuou o pesquisador. Nesse caso, a evidência parece ser mais robusta. "Essas mutações também ocorrem na variante Beta, e é possível que a Mu se comporte como a Beta, contra a qual algumas vacinas são menos eficientes", detalhou.
O'Neill reforçou a conclusão da OMS de que a variante Mu ainda carece de mais estudos, para que possamos entender melhor seu comportamento e, portanto, seu perigo. "A epidemiologia da Mu na América do Sul, particularmente com a co-circulação da Delta, será monitorada", escreveu a OMS em seu boletim.
Até 29 de agosto, afirmou a OMS, havia mais de 4,5 mil análises genômicas confirmadas da variante Mu pelo mundo, identificadas nas quatro semanas anteriores e contabilizadas pela plataforma Gisaid.
Para Átila Iamarino, é importante continuar a monitorar variantes, como é o caso da Mu, mesmo que até o momento elas não pareçam tão ameaçadoras quanto a Delta. É só com esse tipo de monitoramento que saberemos, por exemplo, se alguma outra variante além da Delta conseguirá avançar em locais com altas taxas de vacinação - algo que seria um "sinal de alerta muito grande", diz o microbiologista.
Uma vez que o avanço maior da vacinação no mundo consiga barrar melhor o avanço da Delta, "pode ser que, lá na frente, outras variantes que nem sejam tão transmissíveis, mas que escapam da vacinação, consigam predominar. Mas não é o caso até aqui, em que a Delta predomina tanto em lugares que vacinaram muito como em lugares que vacinaram pouco", afirma Iamarino.
__________*
Atila Iamarino: Pandemia de Covid-19 escancara como mentiras matam
O poder da desinformação pode ser visto no movimento antivacina e no aumento de mortes por Covid nos EUA
A "MP da liberdade de expressão" impede redes sociais de tirarem do ar ou limitarem o alcance de mentiras e desinformação. Para entender as consequências dessas mentiras em tempos de pandemia, basta olhar para a situação da Covid-19 nos Estados Unidos.
No dia 25 de agosto registramos duas transições importantes do Brasil em relação aos EUA na pandemia. Chegamos em quase 61% da população brasileira vacinada com pelo menos uma dose, o que supera a proporção de americanos na mesma situação. E passamos a registrar menos mortes diárias por Covid por milhões de habitantes. Isso não é coincidência, vacinas salvam muitas vidas.
Nos cruzamos em direção a destinos muito diferentes. Nosso atraso na vacinação se deve à sabotagem de vacinas eficazes pelo Ministério da Saúde, enquanto recebiam cambistas e promoviam tratamento precoce. Quando dermos a segunda dose para a maioria dos brasileiros, teremos uma proporção bem maior de pessoas completamente imunes aqui.
Os americanos empacaram em pouco mais de metade da população completamente imunizada por conta dos que hesitam ou não querem se vacinar —apesar das vacinas sobrando. Em março de 2021, enquanto o Brasil finalmente comprava 100 milhões de doses da Pfizer, os EUA já tinham comprado mais de 750 milhões de doses de vacinas. O suficiente para vacinarem toda a população adulta mais de 3 vezes —e já compraram mais.
De acordo com as redes de farmácia e de supermercados contratadas para distribuir vacinas no país, que não conta com um sistema único de saúde, pelo menos 15 milhões de doses de vacinas da Covid foram descartadas até agosto.
Quem gosta desse desperdício americano é a variante delta que tem nadado de braçada nos estados e nas regiões que concentram a maioria dos não vacinados, como Flórida, Carolina do Sul e Tennessee, onde voltam a faltar leitos de UTI. O país voltou a registrar mais de 1.500 mortes por Covid por dia por vários dias seguidos. E, pelo menos até o final de julho, segundo o infectologista Anthony Fauci, mais de 99% das mortes por Covid se concentram entre quem não foi completamente imunizado.
Esse é o poder da desinformação. O movimento antivacina que levou muitos americanos a recusarem a imunização pode parecer algo espontâneo, mas é como o couro sintético: deliberadamente feito e desenhado para se passar por algo natural.
Conforme grupos internacionais ou nacionais, como a Sociedade Brasileira de Imunologia e a União Pró-Vacina estudam o movimento antivacina, descobrem um movimento organizado e bem financiado, promovido por uma indústria multimilionária.
É um movimento que sabe usar redes sociais melhor do que qualquer órgão público bem intencionado, para cultivar a hesitação e transformá-la em negação às vacinas, enquanto lucram com produtos como suplementos e tratamentos para promover a "imunidade natural" e com visualizações.
Nos EUA, esse movimento cresceu muito com a pandemia e agora vemos as consequências sociais do seu sucesso financeiro: americanos não vacinados buscam ivermectina enquanto morrem como moscas.
Aqui no Brasil, fizemos o contrário, consumimos ivermectina e outros engodos do tratamento precoce empurrados por quem lucrava enquanto estávamos desesperados pelas vacinas. Mas agora que podemos nos vacinar damos um exemplo de colaboração graças à competência dos brasileiros e do SUS em vacinar. Que as redes sociais sejam responsáveis e responsabilizadas pelo seu papel em informar e desinformar a sociedade e que possam agir de acordo para continuarmos assim.
__________*
Em plena pandemia, governo Bolsonaro deixa vencer R$ 243 milhões em vacinas, testes e remédios
PUBLICIDADE
247 - O Ministério da Saúde deixou vencer a validade de um estoque de medicamentos, vacinas, testes de diagnóstico e outros itens que, ao todo, são avaliados em mais de R$ 240 milhões. Agora, todos esses produtos devem ser incinerados.
O ministério mantém sigilo sobre o estoque. Documento interno de 2018 determina que sejam negados pedidos de acesso aos dados sobre produtos armazenados ou vencidos, contra a opinião da CGU (Controladoria-Geral da União).
PUBLICIDADE
O jornal Folha de S.Paulo teve acesso a tabelas do ministério com dados sobre os itens, número de lote, data de validade e valor pago pelo governo. A lista de produtos vencidos inclui, por exemplo, 820 mil canetas de insulina, suficientes para 235 mil pacientes com diabetes durante um mês. Valor: R$ 10 milhões.
O governo Bolsonaro também perdeu frascos para aplicação de 12 milhões de vacinas para gripe, BCG, hepatite B (quase 6 milhões de doses), varicela, entre outras doenças, no momento em que despencam as taxas de cobertura vacinal no Brasil. Só esse lote é avaliado em R$ 50 milhões. Alguns itens que serão incinerados estão em falta nos postos de saúde.
__________*
Vinte anos depois do 11 de Setembro, EUA se voltam para ameaça mais perto: o terrorismo interno
Para analistas, medidas depois dos atentados impulsionaram o surgimento de grupos de extrema direita que já existiam
Receba notícias em tempo real no app.
Se em boa parte dos últimos 20 anos o foco da segurança nacional dos Estados Unidos foi a “guerra ao terror”, iniciada após os atentados terroristas da al-Qaeda em 11 de setembro de 2001, hoje os olhos de Washington estão virados para o seu próprio território: a ameaça interna, principalmente de grupos de extrema direita, é considerada a principal pelas agências americanas de Inteligência. Isso não significa que as ameaças que vêm de fora tenham deixado de representar um perigo, ou que não possam crescer, dizem analistas.
A reação de Washington aos atentados que deixaram quase 3 mil mortos não apenas deu início à mais longa guerra da história do país, no Afeganistão — onde o então governo do Talibã era acusado de dar abrigo a Osama bin Laden, chefe da al-Qaeda. Ela também abasteceu o preconceito contra muçulmanos, que, ao lado do crescimento da imigração e do sentimento de que o país estava ficando “menos branco”, impulsionaram grupos de extrema direita que já existiam. A eleição de Donald Trump em 2016, com um discurso racista, xenófobo e anti-imigração, fechou o ciclo.
Momento em que a segunda torre do World Trade Center (WTC) é atingida por um dos quatro aviões comerciais sequestrados pelos terroristas em 11 de setembro de 2001; no primeiro plano, a ponte do Brooklyn. Dois aviões foram lançados contra as torres, um contra o Pentágono e o quarto, que ia para a Casa Branca, caiu na Pensilvânia Foto: Sara K. Schwittek / Reuters
— O terrorismo da supremacia branca está profundamente enraizado aqui, e a “guerra ao terror” o ignorou. As elites americanas optaram por desviar o foco— disse o jornalista Spencer Ackerman, autor do recém-lançado livro "Reign of Terror: How the 9/11 Era Destabilized America and Produced Trump" (Reinado do terror: como a era do 11 de Setembro desestabilizou a América e produziu Trump).
De fato, o extremismo interno nunca esteve ausente. Pelo menos desde 1994, os EUA sempre tiveram mais ataques ou tentativas de atentados que falharam vindos de grupos de extrema direita, uma disparidade que cresceu ainda mais a partir de 2013, segundo um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.
Parte dos analistas concorda com a decisão de Washington de se empenhar para enfrentar o terrorismo islâmico após o 11 de Setembro, mas critica a forma como isso foi feito. Ackerman relembra que práticas como detenções por tempo indeterminado e tortura foram intensificadas, e que o FBI colocou agentes em mesquitas e espionou lideranças religiosas que não enfrentavam nenhuma acusação concreta.
Medo de Barack
Em meio à guerra em várias frentes no exterior contra os jihadistas, os EUA passaram a deixar para escanteio os investimentos e esforços investigativos contra a ameaça que já estava ao seu lado. Uma série de outros fatores em conjunto potencializaram o crescimento e o recrutamento de novos integrantes por grupos da extrema direita. Paralelamente à queda da confiança na imprensa, o uso da desinformação e o avanço das redes sociais permitiram que os extremistas se conectassem e espalhassem teorias conspiratórias de maneira mais rápida e eficiente.
— A extrema direita usou a desinformação como uma forma de transformar o medo e as dúvidas das pessoas numa arma, para fazê-las sentir que precisavam lutar contra um inimigo — disse Kurt Braddock, professor da Universidade Americana que pesquisa estratégias usadas por grupos extremistas para recrutar e radicalizar seu público-alvo. — Esse inimigo não seria percebido como tal se essas pessoas não tivessem sido expostas a essa desinformação.
A própria eleição de Barack Obama para a Presidência (2009-2017), um negro filho de um queniano com nome muçulmano, “assustou a extrema direita”, observou Braddock. Na campanha de 2008, por várias vezes o adversário de Obama, o senador republicano John McCain (morto em 2018), teve que calar pessoas mais radicalizadas em seus comícios que chamavam o democrata de terrorista. Na época, uma virada ultraconservadora se consolidava no Partido Republicano, representada por movimentos como o Tea Party e alimentada pelas medidas excepcionais tomadas na “guerra ao terror” lançada por George W. Bush.
Agora, uma das justificativas do governo de Joe Biden para a retirada do Afeganistão é justamente que a maior ameaça aos EUA vem de dentro. A nova prioridade tem respaldo popular. Atualmente, 65% dos americanos estão extremamente preocupados com grupos terroristas internos, enquanto 50% têm o mesmo sentimento em relação a grupos de fora do país, segundo uma pesquisa feita pela agência de notícias AP com a Universidade de Chicago.
Risco jihadista
No entanto, mesmo com os Estados Unidos tendo adotado mais medidas de segurança e prevenção ao longo das últimas duas décadas para evitar a ação de jihadistas dentro do país, o terrorismo islâmico ainda pode representar um perigo, advertem analistas.
Dias antes da conclusão da retirada das forças dos EUA do Afeganistão em 30 de agosto, um atentado cometido por um homem-bomba matou mais de 180 pessoas num portão do aeroporto de Cabul, incluindo 13 soldados americanos. O ataque foi reivindicado pelo Estado Islâmico (EI) da Província de Khorasan, ou o Isis-K, a filial afegã do grupo terrorista que surgiu durante a ocupação americana do Iraque.
Os analistas mencionam o temor de ações como essa inspirem indivíduos a executarem ataques em nome do grupo, como aconteceu no massacre de Orlando, em 2016, quando um americano de origem afegã matou 50 pessoas, dizendo agir em nome do Estado Islâmico.
Jason Blazakis, diretor do Centro de Terrorismo, Extremismo e Contraterrorismo do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, teme que, em longo prazo, o risco do terror jihadista volte a ser maior para os Estados Unidos.
— O principal perigo do EI no Afeganistão é a capacidade de fazer com que combatentes estrangeiros encontrem um porto seguro para realizar atividades violentas contra o Talibã e os civis afegãos. Mas, com o tempo, acredito que possa acontecer como quando pessoas se juntaram ao EI na Síria e no Iraque, o que gerou uma plataforma de lançamento de ataques do EI na Europa, como os atentados de 2015 em Paris — afirmou Blazakis, que trabalhou em contraterrorismo do Departamento de Estado americano entre 2008 e 2018. — Temo que a situação no Afeganistão crie um porto seguro para os jihadistas executarem uma operação externa.
O ex-conselheiro de Segurança Nacional americano Zbigniew Brzezinski, morto em 2017, costumava criticar a “guerra ao terror” de Bush dizendo que não fazia sentido “declarar guerra a um método”. Queria dizer com isso que a tática secular de atacar civis para causar insegurança e medo pode ser prevenida com trabalho de Inteligência, mas nunca eliminada, pois conta com o fator surpresa e indivíduos radicalizados dispostos a morrer.
— O terrorismo islâmico violento é muito complicado — disse Raffaello Pantucci, analista do Centro Internacional para Pesquisa de Violência Política e Terrorismo. — A resposta em longo prazo é assumir que este é um problema que você tem que administrar, ao invés de erradicar.
__________*
No Estado do Rio, 89% dos casos de Covid são da variante Delta. Petrópolis confirma três mortes
Última amostragem realizada pela Secretaria de Estado de Saúde mostra que maioria dos casos de coronavírus no Rio é causada pela variante Delta
Na cidade do Rio, 96% dos casos de covid são pela variante Delta Foto: Roberto Moreyra
Receba notícias em tempo real no app.
A última rodada de análises realizada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde (SVAPS), revelou que 89,18% das amostras eram da variante Delta e 10,82%, da variante Gamma. Para o levantamento, o programa de vigilância genômica da Covid-19 usou 370 amostras coletadas entre os dias 04 e 16 de agosto. Petrópolis confirmou que três mortes de pacientes que estavam internados na rede pública no mesmo período foram causadas pela Delta.
A prefeitura da cidade informou que, dos cinco casos de Delta detectados pelo estudo, um era de uma paciente de 19 anos, moradora do Chácara Flora, a qual teve alta e passa bem; outro de uma mulher de 59 anos, moradora de Corrêas, que ainda está internada em leito clínico, apresentando quadro estável; e os demais foram os três casos de idosos com 90, 78 e 73 anos, todos com comorbidades, que foram a óbito.
Apesar do avanço da vacinação, ainda é muito importante que a população mantenha os cuidados que previnem a infecção pela doença. E, para a imunização completa, é necessário tomar as duas doses dentro do prazo especificado.
“É fundamental que as pessoas continuem usando máscara da forma correta, cobrindo o nariz e a boca, lavem as mãos com água e sabão ou usem álcool em gel quando isso não for possível, e mantenham o distanciamento social. Evitar as aglomerações ainda é muito importante. São atitudes que salvam vidas. É importante que cada um continue fazendo a sua parte", destaca o secretário de Saúde, Aloisio Barbosa da Silva Filho. Ele ainda acrescenta que "é fundamental que as pessoas não deixem de vacinar”.
Prevenção, com uso de máscara e distanciamento, é necessária mesmo com a vacinação Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Delta cresce no Rio
A pesquisa ainda expôs que a Delta foi identificada em 77 municípios do estado e que, na cidade Rio de Janeiro,96% das amostras sequenciadas correspondiam à variante. Na rodada anterior da pesquisa, quando foram sequenciadas 334 amostras coletadas entre os dias 24 de junho e 31 de julho, 61,08% eram da variante Delta e 20,66% da variante Gamma.
A partir da detecção da Delta, em junho de 2021, esta linhagem aumentou a sua frequência, se tornando a variante dominante no mês de agosto no Estado do Rio de Janeiro.
Sequenciamento não é rotina
Segundo o Estado do Rio, o sequenciamento do coronavírus não é um exame de rotina, nem de diagnóstico, mas sim feito como vigilância genômica, para identificar modificações sofridas pelo vírus SARS-CoV-2 no estado e embasar políticas sanitárias.
O estudo ocorre por amostragem. Um dos critérios de escolha dos casos a serem estudados são os que têm maior carga viral — ou seja, de pacientes que podem ter maior gravidade clínica.
O projeto Corona-Ômica-RJ é um dos maiores estudos de vigilância genômica do país e, desde janeiro, já avaliou 4.405 amostras. Ele faz parte de uma parceria entre SES, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, Laboratório Central Noel Nutels, Fiocruz e Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Ainda de acordo com o Estado, independentemente da cepa do vírus ou linhagem, as medidas de prevenção e métodos de diagnóstico e tratamento da Covid-19 seguem os mesmos, com o uso de máscaras e álcool em gel, lavagem das mãos e distanciamento social. Qualquer pessoa com sintomas ou que tenha recebido o diagnóstico da doença deve adotar a quarentena de 14 dias.
__________*
Por que Austrália vai abandonar estratégia de 'zero covid'
País tem uma abordagem cautelosa e não vai suspender as restrições apressadamente Imagem: Getty Images
A Austrália mudou sua estratégia de enfrentamento à covid-19: é hora de abandonar os lockdowns e "sair da caverna", anunciou o primeiro-ministro Scott Morrison.
Com a vacinação acelerada, ele diz que em breve os australianos "viverão com o vírus" pela primeira vez. Ou seja, não tentarão eliminar sua circulação.
'Terá uma vida melhor', diz militar que cuidou da bebê passada para americanos no Afeganistão
É uma mudança drástica para um país acostumado a ver poucos casos de infecções.
Qual foi a estratégia?
A estratégia adotada pelo país foi o que alguns apelidaram de "fortaleza australiana".
A Austrália pretendia manter a estratégia de "zero covid-19" restringindo a entrada de estrangeiros, rastreando todas as infecções e fechando as fronteiras dos estados após surtos.
Lockdowns em todas as cidades e Estados têm sido frequentemente decretados - às vezes após um único caso.
Melbourne, por exemplo, passou por mais de 200 dias de lockdown ao longo desse período.
Essas medidas têm sido criticadas por seu custo e por causa do bem-estar mental das pessoas.
Mas, até agora, elas impediram surtos de casos de covid-19, milhares de mortes e permitiram que muitos australianos vivessem livremente.
Então, o que mudou?
A variante Delta mudou esse cenário Austrália. Em junho, ela se consolidou em Sydney antes de se espalhar para Melbourne e a capital Canberra.
Os governos estaduais colocaram suas capitais de volta sob lockdown. Atualmente, um em cada dois australianos deve ficar em casa.
Isso ajudou a suprimir a propagação de casos. Em Sydney, o número R - a taxa de disseminação do vírus - caiu de 5 para 1,3.
Mas as autoridades disseram que a estratégia "zero covid" não é mais alcançável.
Isso intensificou as críticas ao governo Morrison sobre os baixos níveis de vacinação da Austrália, com muitos acusando-o de complacência. Morrison havia afirmado em abril que a vacinação "não era uma corrida".
Mas ele agora segue o governo do estado de New South Wales ao dizer que as vacinas são o único caminho para a reabertura da Austrália. O estado de Victoria - onde fica a cidade de Melbourne - também abandonou a estratégia nesta semana.
Qual é o novo plano?
Cerca de 36% dos australianos com mais de 16 anos estão totalmente vacinados - longe de ser o suficiente para sair dos lockdowns, dizem os especialistas.
"Este dia da marmota tem que acabar, e vai acabar quando começarmos a chegar a 70% e 80%", disse Morrison na semana passada.
A vacinação na Austrália está acelerando - agora o país está vacinando mais rápido do que o Reino Unido e os EUA fizeram em seus picos de vacinação.
Nas taxas atuais, a Austrália poderia vacinar 70% de seus maiores de 16 anos até meados de outubro.
A nação também começou a vacinar crianças com mais de 12 anos.
A ideia é começar então a aliviar os lockdowns - assim, as pessoas vacinadas terão mais liberdade.
Mas o país planeja continuar testando e rastreando, mantendo restrições mais brandas, como uso de máscaras e distanciamento social. Lockdowns menores também serão uma possibilidade, mas são considerados improváveis.
"O plano proposto é na verdade muito cuidadoso", diz Ivo Mueller, especialista em saúde e imunidade populacional da Universidade de Melbourne.
"Não é um 'Dia da Liberdade', não é 'vamos atirar tudo pela janela e sair para festejar' - não é isso que está sendo proposto."
Quando as fronteiras internacionais serão abertas?
Isso acontecerá quando a Austrália atingir 80% de pessoas vacinadas. Mas a viagem estará aberta apenas para países designados como "seguros" e para pessoas que foram vacinadas.
A primeira-ministra do estado de New South Wales, Gladys Berejiklian, disse que está planejando uma reabertura em novembro, mas alguns especialistas dizem que isso pode acontecer mais cedo.
"Com a vacinação dupla em 80%, prevemos permitir que nossos cidadãos tenham acesso a viagens internacionais e que também recebamos australianos em casa pelo Aeroporto de Sydney", disse Berejiklian esta semana.
O plano nacional também permite "bolhas de viagem" para países seguros, indicando que os estrangeiros vacinados também poderão entrar.
A companhia aérea Qantas sinalizou a reabertura de rotas em dezembro para o Reino Unido, EUA, Cingapura, Canadá e Japão.
Mas está todo mundo feliz?
As pesquisas mostram que 62% dos australianos apoiam o plano de reabertura do governo.
Mas muitos australianos não estão seguros com a ideia de "conviver com o vírus", depois de estarem acostumados com baixas taxas de infecção.
A modelagem do governo, preparada pelo Doherty Institute, da Universidade de Melbourne, estima que a reabertura com 70% de vacinados pode levar a 13 mortes em seis meses - desde que os testes e rastreamento estejam funcionando bem. Mas esse número pode subir para 1.500 se houver menos medidas de saúde, segundo a projeção.
Foi apenas nesta semana que a Austrália registrou sua milésima morte por covid-19, o último país do G20 a fazê-lo.
Então, psicologicamente, é uma grande mudança de mentalidade, diz Mueller.
Mais de 90% dos casos da Austrália ocorreram nos arredores de Sydney e Melbourne. Mas seis dos oito estados e territórios da Austrália viram pouco do vírus.
"Eles basicamente não têm transmissão e nem restrições. As pessoas basicamente vivem vidas normais, então dizer a elas que precisam enfrentar o vírus é muito, muito difícil", diz Mueller.
Disputa política
Portanto, partes do país livres da covid-19 discordam do governo federal e de outros estados quanto à estratégia.
Sob o sistema de federalismo da Austrália, os governos estaduais têm controle sobre a saúde, o policiamento e as fronteiras internas.
Queensland e Western Australia (Austrália Ocidental) agora se recusam a abrir seus estados, enquanto Sydney vê mais de 1.000 infecções por dia.
"Não consigo entender por que há pessoas lá dizendo que devemos nos infectar deliberadamente", disse o premiê da Austrália Ocidental, Mark McGowan.
Mas Morrison argumenta que esses estados não podem se esconder do vírus para sempre.
"A maioria dos estados da Austrália precisa perceber que eventualmente eles terão que sair da estratégia de zero covid porque simplesmente não é sustentável para sempre", diz Mueller.
O que a Austrália pode aprender com o exterior?
Muito pode ser aprendido com outros países sobre como reabrir com segurança e ajustar o risco, dizem os especialistas.
O distanciamento social poderia ser uma exigência nas escolas, como na França e no México? Com as viagens, a Austrália poderia adotar testes de diagnóstico rápido usados ??na Europa e na América do Norte? Qual é o melhor passaporte de vacina para permitir o movimento com segurança?
Os especialistas enfatizam que a Austrália precisa agora se concentrar na vacinação de grupos de risco, como comunidades indígenas, antes de reabrir.
Eles observam que o plano de reabertura da Austrália também já foi moldado pelas experiências do Reino Unido e dos Estados Unidos.
Embora a Delta tenha causado ondas de infecção em ambas as nações, as vacinações estão reduzindo enormemente as doenças graves e mortes.
"Isso nos dá a certeza de que estamos no caminho certo com as vacinas", afirma Mueller.
O plano da Austrália de reabertura com 80% de vacinados é um nível mais alto do que o de 54% adotado pelo Reino Unido, onde o nível de vacinação está agora em cerca de 80% da população elegível. Na Dinamarca, onde 70% são vacinados, quase todas as restrições foram retiradas.
Cingapura, que atingiu 80% esta semana, também está à frente em seus planos de reabertura, mas está adotando uma abordagem cautelosa como a Austrália, mantendo viagens só para países considerados seguros e restrições como o uso de máscaras.
__________*
SP e Rio são únicos estados que devem usar Coronavac como 3ª dose
Ministério da Saúde recomendou o uso das vacinas de Pfizer, AstraZeneca e Janssen como reforço na proteção Imagem: Matheus Sciamana/Photopress/Estadão Conteúdo
Mariana Hallal
São Paulo
04/09/2021 18h15
Apesar de o Ministério da Saúde ter recomendado o uso das vacinas de Pfizer, AstraZeneca e Janssen como reforço na proteção contra a covid-19, os estados do Rio de Janeiro e São Paulo incluíram a Coronavac como uma opção para a dose extra. A aplicação de uma terceira dose da vacina do Butantan é segura e não causa reações graves, mas especialistas criticam a decisão de usá-la como dose de reforço porque ela é menos eficaz, especialmente entre os idosos.
Em São Paulo, o início da aplicação da chamada "terceira dose" está marcado para a próxima segunda-feira. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, foram distribuídas 380 mil doses e os municípios estão orientados a utilizar todas as vacinas disponíveis. O Ministério da Saúde programou para o dia 15 de setembro o início dessa nova fase da campanha e, portanto, só deve distribuir as doses da Pfizer na metade do mês.
Queiroga: Coronavac não será usada em 3º dose por ter registro emergencial
Na capital paulista, o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, também disse que entre os dias 6 e 15 de setembro a cidade aplicará "a vacina que estiver disponível na unidade" como reforço. Após o dia 15, com a chegada das doses que devem ser enviadas pelo Ministério da Saúde, o imunizante da Pfizer deve ser priorizado.
A nota técnica 27/2021 do Ministério da Saúde, que trata do assunto, diz que a dose de reforço deve ser aplicada em imunossuprimidos vacinados há 28 dias e em idosos acima de 70 anos vacinados há seis meses. Nesta etapa deve ser aplicada prioritariamente a vacina da Pfizer e, na falta dela, as vacinas da Janssen e da AstraZeneca.
No Rio de Janeiro, o estado pretende misturar as vacinas. Quem tomou duas doses de Coronavac deve receber Pfizer, AstraZeneca ou Janssen como reforço. Aqueles que tomaram qualquer outra vacina contra a covid podem receber uma injeção extra da Coronavac. Já a cidade do Rio disse em nota que usará apenas Pfizer e AstraZeneca como reforço - a vacina da Janssen não está disponível no País neste momento. Outros 20 estados e o Distrito Federal disseram à reportagem que não vão usar a Coronavac como dose de reforço. Acre, Amapá, Rondônia e Sergipe não responderam.
O infectologista Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz e ex-membro do Centro de Contingência contra a covid de São Paulo, vê com bons olhos a combinação de vacinas, mas aponta que oferecer a Coronavac como terceira dose para os idosos não é uma boa estratégia. "A terceira dose com Coronavac pode ser aplicada em profissionais da saúde jovens, mas não nos grupos de risco. Os idosos estão mais vulneráveis atualmente e continuarão assim se usarmos a Coronavac no reforço."
Para fins de comparação, o infectologista diz que estudos em pré-print, ainda não revisados por pares, mostram que a terceira dose da Coronavac aumenta em dez vezes a proteção contra a covid-19. Com a vacina da Pfizer, a eficácia aumenta entre cem e mil vezes.
Croda diz que a Coronavac cumpriu um papel fundamental no início da pandemia, principalmente por ser a única vacina disponível em grande quantidade no País, mas fala que agora temos opções melhores à disposição. "A Coronavac talvez tenha sido a vacina que mais salvou vidas porque chegou em tempo oportuno. Entretanto, neste momento, temos outras opções."
O especialista vê a decisão de São Paulo como um movimento político do governo. "Talvez eles queiram usar a Coronavac porque compraram muitas doses. Dessa vez, quem está fazendo política é o governo de São Paulo", observa.
Ele diz que nenhum outro país que usou a Coronavac em sua campanha de vacinação utilizou o mesmo imunizante como dose de reforço. "Chile, Uruguai, Bahrein, Emirados Árabes Unidos? Todos esses países vacinaram com a Coronavac e agora estão usando AstraZeneca ou Pfizer no reforço", cita.
O imunologista Jorge Kalil reconhece a importância da terceira dose, mas diz que a Coronavac não deveria ser usada para este fim. "Não acho que vale a pena oferecer a Coronavac como dose de reforço sobretudo para idosos e imunossuprimidos. Eu seguiria o que foi definido no PNI (Programa Nacional de Imunizações)." Para embasar sua posição, o especialista cita que o dado de efetividade da Coronavac em idosos acima de 80 anos é muito baixo.
Butantan e OMS
Em nota, o Instituto Butantan lamentou a postura do Ministério da Saúde e diz que a decisão de não usar a Coronavac como dose de reforço tem "motivos políticos e ideológicos". O instituto disse que a pasta "atua desde o início da pandemia para desqualificar uma das melhores vacinas disponíveis no mercado". Segundo o Butantan, estudos feitos pela Sinovac mostram que a terceira dose da vacina gera "robusta reação imunológica e aumento na produção de anticorpos". O texto enviado ainda diz que "o Butantan defende o uso da Coronavac como imunizante de dose adicional para toda a população idosa e público imunossuprimido de qualquer faixa etária".
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, garantiu que, sem registro definitivo dado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Coronavac não será utilizada como dose de reforço. Segundo Queiroga, como o imunizante foi aprovado em uso emergencial, o registro definitivo deve ser pleiteado. "Se (o diretor do Butantan) Dimas Covas tem evidência científica, ele deve apresentar à Anvisa", disse Queiroga, em entrevista à CNN Brasil.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) vem se manifestando contra a terceira dose de qualquer fabricante porque a maioria dos países ainda não conseguiu oferecer as duas primeiras doses da vacina para a sua população. Dados do site Our World In Data, ligado à Universidade de Oxford, mostram que 40% da população mundial já recebeu ao menos uma dose da vacina contra a covid-19. No entanto, esse volume está concentrado em países desenvolvidos, enquanto nas nações pobres apenas 1,8% das pessoas iniciaram o esquema vacinal.
Santiago Cornejo, diretor de Engajamento de Países do Covax Facility, disse em entrevista ao Estadão que este não é o momento de aplicar uma terceira dose. Ele reforça o discurso da OMS e pede que o foco seja oferecer as duas doses a toda a população mundial mais vulnerável para, depois, pensar no reforço. "Defendo que precisamos de vacinas para as populações de maior risco."
__________*
Análise: Variante delta vai encontrando espaço pelo país: a semana da pandemia
Imagem: iStock
Danielle Sanches
Do VivaBem, em São Paulo
03/09/2021 14h15
O avanço da variante delta no Brasil, que já é dominante em alguns estados, e a estabilidade nos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) no país são os destaques da semana sobre a pandemia do coronavírus.
Ela está entre nós
Responsável pela maior parte dos casos de covid-19 nos Estados Unidos e em grande parte da Europa, a variante delta —surgida lá na Índia— ganha território no Brasil.
Relacionadas
Somente a vacinação não deve parar a delta, diz epidemiologista britânico
Em São Paulo, um estudo realizado pela prefeitura em parceria com Instituto Butantan revelou que a cepa está presente em pelo menos 69,7% das amostras identificadas na capital paulista.
Dados da Fiocruz mostram que agosto foi um mês importante para a delta no país. Além de São Paulo e Rio de Janeiro, o estado do Rio Grande do Sul também viu a variante dominar os casos no período.
Na semana passada, o governo de Minas Gerais também divulgou que a variante já predomina nas amostras colhidas no estado —o que explica a diferença para o sistema da Fiocruz é que os dados demoram a chegar para essa contabilização nacional.
Mas outros estados seguem ainda com poucos casos ou nenhum, indicando que ainda há espaço para os casos provocados pela cepa cresçam nos próximos meses.
E o que isso quer dizer?
Bem, já sabíamos que a delta é altamente transmissível —muito mais que a versão original do novo coronavírus— e que, por isso, uma vez em território nacional, seria difícil segurar sua disseminação. Nesse cenário, especialistas encaram com preocupação a retomada econômica, com reabertura de espaços em que as pessoas facilmente podem estar aglomeradas.
Um dado importante a se acompanhar são os casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) pelo Brasil, já que o Sars-CoV-2 é responsável pela quase totalidade dos pacientes virais da doença desde 2020.
De acordo com a Fiocruz, esse número parou de cair após meses em queda; no entanto, a expectativa de uma alta em agosto não se concretizou, indicando uma estabilidade.
Mesmo assim, a pandemia está longe de terminar. Por isso, é importante manter as medidas de distanciamento social, além de continuar usando máscara ao sair de casa, lavando as mãos com água e sabão e usando álcool em gel sempre que necessário.
"Coronavírus: o que você precisa saber" é um boletim produzido pela equipe de VivaBem com uma análise rápida das notícias mais relevantes dos últimos dias sobre a pandemia de uma forma simples e prática para todo mundo entender.
__________*
Pesquisadores buscam vacinas capazes de neutralizar o coronavírus no nariz
Uma vacina em forma de spray nasal de fácil aplicação, baixo custo, proteção duradoura inclusive contra variantes e capaz de bloquear a ação do novo coronavírus ainda no nariz, onde começam as infecções.
Esse é o objetivo de um projeto que está sendo desenvolvido por um grupo de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), em parceria com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).
Relacionadas
Técnica permite sequenciar RNA do SARS-CoV-2 com resolução 25 vezes maior
O novo imunizante, ainda em fases iniciais de estudo, foi apresentado na segunda-feira (30/8) durante o Ciclo ILP-FAPESP de Ciência e Inovação. O evento, uma parceria entre a Fapesp e o ILP (Instituto do Legislativo Paulista), está disponível na íntegra no YouTube .
"Uma das vantagens da imunização nasal é que ela gera uma imunidade local no nariz, na orofaringe [parte da garganta logo atrás da boca] e nos pulmões. É exatamente o 'território' ideal para impedir a consolidação de uma infecção pelo SARS-CoV-2. Vacinas injetáveis são muito boas para induzir imunidade sistêmica e também nos pulmões, mas não são especialmente boas para gerar uma resposta protetora na região nasal e orofaringe", explicou Edécio Cunha Neto, professor da FM-USP (Faculdade de Medicina) e pesquisador do Laboratório de Imunologia do InCor (Instituto do Coração).
O projeto, do qual ele é um dos pesquisadores principais, tem apoio da Fapesp e é coordenado por Jorge Elias Kalil Filho, professor da FM-USP e chefe do HC-FM-USP - Laboratório de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas.
"As vacinas que existem hoje são excelentes, desenvolvidas em tempo recorde, mas agora precisamos de um imunizante de segunda geração capaz de contornar problemas que apareceram no decorrer da imunização [escape imune ou efeitos adversos, por exemplo] e servir como reforço às injetáveis", disse Cunha Neto.
Segundo o pesquisador, o objetivo é criar uma vacina que gere anticorpos neutralizantes duradouros e também estimule de forma robusta a imunidade celular - aquela mediada pelos linfócitos T, que reconhecem o patógeno e destroem células infectadas.
Além disso, a nova vacina deve proteger contra variantes de preocupação. Para isso, os pesquisadores estão desenvolvendo um antígeno que pode conter a região da proteína S (spike, presente na superfície do vírus) que se liga às células humanas (RBD) de três ou quatro variantes ao mesmo tempo.
O antígeno vai conter ainda pedaços de proteínas que estimulem a resposta celular, mais duradoura do que aquela mediada pelos anticorpos neutralizantes. Por isso, deve incluir os chamados linfócitos T CD8+ citotóxicos, que matam células infectadas, e os linfócitos T CD4+, que ajudam na produção de anticorpos e nas respostas citotóxicas.
Atualmente, a equipe está testando 25 combinações diferentes de proteínas, que serão encapsuladas em nanopartículas de cerâmica recobertas com um polímero para garantir a adesão do imunizante ao ambiente nasal.
Testes preliminares com duas doses de protótipos do antígeno levaram à geração de altas quantidades de anticorpos neutralizantes em camundongos. Cunha Neto ressalta que o produto esperado deverá ainda ser estável em temperatura ambiente, além de seguro, com baixo custo e domínio de todo o processo de fabricação no país.
A expectativa é que os testes clínicos sejam realizados em 2022.
Vigilância genômica
Para saber quais variantes devem ser alvos de uma vacina, é essencial saber quais as cepas mais presentes no país. Para isso, alguns grupos realizam no Brasil a chamada vigilância genômica. O trabalho consiste em sequenciar o genoma das variantes em circulação para determinar as que são mais preocupantes em termos epidemiológicos.
Em uma parceria com a Prefeitura de São Paulo, o Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE), apoiado pela Fapesp, está monitorando a prevalência da variante delta do SARS-CoV-2 no município.
"No início, a proporção dessa cepa era de 2%, mas ela vem subindo sistematicamente e se espalhando em vários pontos da cidade de São Paulo. Hoje estamos em torno de 33%. Infelizmente, a delta vai predominar nas próximas semanas", disse Ester Sabino, professora da FM-USP e pesquisadora do IMT-USP (Instituto de Medicina Tropical).
Outro palestrante foi Fernando Spilki, pró-reitor de pesquisa da Universidade Feevale e coordenador da Rede Corona-Ômica do MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações), criada em 2020 para liderar os esforços de vigilância genômica no país. Entre outros assuntos, o pesquisador falou dos esforços para integrar dados de todo o território nacional.
Sandra Vessoni, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Instituto Butantan e coordenadora da Rede de Alertas das Variantes do SARS-CoV-2 do Estado de São Paulo, falou sobre o monitoramento, diagnóstico e a definição da estratégia vacinal realizados pela instituição.
Paola Cristina Resende Silva, pesquisadora do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz, coordenadora da equipe de curadoria da plataforma de dados GISAID no Brasil, explicou como é realizado o trabalho no repositório, que reúne dados de sequenciamento de variantes do mundo todo.
O encontro, que teve como mediador Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp também contou com a presença de Karina do Carmo, diretora-presidente do ILP, e da deputada Patricia Bezerra, presidente da Comissão de Saúde da ALESP.
__________*
Fiocruz: RJ está 'na contramão do país' em ocupação de leitos de UTI covid
Imagem: Mister Shadow/Estadão Conteúdo
Lola Ferreira
Do UOL, no Rio
03/09/2021 17h16
A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) alertou hoje que o Rio de Janeiro está "na contramão do país" pois é o único estado que registra tendência de aumento na já alta taxa de ocupação dos leitos de UTI para covid-19.
A análise consta na edição mais recente do boletim Observatório Covid-19, divulgado hoje pela fundação. O Rio está hoje com 72% dos seus leitos de UTI para covid ocupados na rede pública. É o segundo estado com maior ocupação, atrás apenas de Roraima, que tem ocupação de 82%.
Carlos Bolsonaro encaminha ofício ao MP contra passaporte da vacina de Paes
Mas os pesquisadores alertam que Roraima tem uma infraestrutura restrita, de apenas 50 leitos de UTI, enquanto o Rio possui cerca de 2.100 na rede pública.
Quinzenalmente, ou em edições extraordinárias, pesquisadores da Fiocruz analisam os indicadores relacionados à covid-19 no país e fazem projeções e alertas.
Rio e Goiás na 'zona de alerta' para ocupação
O boletim aponta que o Rio de Janeiro está na "zona de alerta intermediário" para o indicador, junto a Goiás, que tem 62% dos leitos de UTI ocupados.
No último boletim, o estado do Centro-Oeste tinha 69%.
Ou seja, ainda que o índice se mantenha alto, registrou queda.
A situação do Rio, no entanto, é diferente: tem mantido índices altos, mesmo com ampla oferta de leitos.
"Está na contramão do país ao ratificar a tendência de crescimento do indicador", diz o texto.
O boletim também cita um "temor" de que a tendência de melhora nos indicadores da pandemia seja interrompida no restante do país, a exemplo do estado do Rio, com a circulação da variante delta.
A recomendação é "manter cautela e continuar acompanhando os indicadores nas próximas semanas".
Veja as taxas de ocupação de cada estado na última semana e hoje:
Acre: 7% para 9%
Alagoas: 24% para 16%
Amapá: 20% para 15%
Amazonas: 50% para 41%
Bahia: 40% para 33%
Ceará: 41% para 37%
Distrito Federal: 61% para 58%
Espírito Santo: 44% para 42%
Goiás: 69% para 62%
Maranhão: 48% para 45%
Mato Grosso: 61% para 45%
Mato Grosso do Sul: 48% para 37%
Minas Gerais: 42% para 31%
Pará: 40% para 42%
Paraíba: 19% para 18%
Paraná: 61% para 59%
Pernambuco: 42% para 38%
Piauí: 40% para 41%
Rio de Janeiro: 70% para 72%
Rio Grande do Norte: 35% para 31%
Rio Grande do Sul: 56% para 55%
Rondônia: 50% para 43%
Roraima: 74% para 82%
Santa Catarina: 52% para 47%
São Paulo: 43% para 36%
Sergipe: 30% para 25%
Tocantins: 57% para 43%
Ainda que outros estados tenham registrado leve aumento na taxa de ocupação, eles não alcançaram níveis críticos tampouco se mantêm com ocupação alta ao longo das últimas semanas, como o Rio de Janeiro.
Capital fluminense tem a pior taxa de ocupação
Em relação às capitais, a cidade do Rio continua sendo a pior em relação à taxa de ocupação dos leitos de UTI para covid.
Com 96%, o Rio está 14 pontos percentuais acima de Boa Vista — onde estão os 50 leitos de Roraima.
Depois, cinco capitais estão na considerada "zona de alerta intermediário": Curitiba (75%), Goiânia (69%), Porto Alegre (66%), Belo Horizonte (61%) e Fortaleza (60%). O restante está fora da zona de alerta, com taxas que vão de 58% em Brasília a 10% em Rio Branco.
O boletim da Fiocruz recomenda a manutenção das medidas de uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos. "Deve-se evitar a perspectiva alarmista, mas também não se deve assumir que o panorama indica a possibilidade de flexibilização absoluta de atividades e circulação de pessoas", afirma a fundação.
A Fiocruz também alerta para a necessidade do avanço de forma rápida da vacinação para os grupos ainda não alcançados, além da aplicação da dose de reforço em idosos.
A segunda dose para quem tomou Coronavac ficou suspensa na cidade e será retomada amanhã (4), depois de dois dias. A vacinação de adolescentes, que foi interrompida por falta de doses da Pfizer —única aprovada para essa faixa etária— ainda não tem data para ser retomada.
__________*
Minas Gerais identifica cinco casos da variante Mu - Gizmodo Brasil
por
publicado em
3 de setembro de 2021 @ 16:41
O painel da Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) divulgou, nesta sexta-feira (3), que Minas Gerais registrou os 5 primeiros casos da variante do coronavírus denominada Mu, descoberta inicialmente na Colômbia, em janeiro.
A caracterização dessa variante foi realizada pelo Centro de Tecnologias de Vacinas (CT-Vacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para o G1, Flávio Guimarães da Fonseca, professor e pesquisador do CT-Vacinas, disse que ainda não há informações se os casos foram importados ou se há transmissão comunitária da cepa no estado.
Segundo ele, as amostras foram coletadas e enviadas para testagem entre os dias 13 de julho e 5 de agosto.
É preciso lembrar que o Brasil já registrou 10 casos da variante. Também conhecida como B.1.621, ela foi detectada primeiramente durante os Jogos da Copa América. Duas pessoas da delegação colombiana, que jogaram em Cuiabá contra o Equador em 13 de junho, testaram positivo para ela.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está monitorando a situação, uma vez que declarou a Mu como variante de interesse — e isso é preocupante. Uma cepa do SARS-CoV-2 recebe essa definição quando apresenta mutações no material genético que podem implicar em uma alta taxa de transmissão ou resistência às vacinas.
“A variante Mu tem uma constelação de mutações que indicam propriedades potenciais de escape imunológico. Dados preliminares apresentados ao Grupo de Trabalho de Evolução do Vírus mostram uma redução na capacidade de neutralização de soros de convalescentes e de vacinados semelhante à observada para a variante Beta, mas isso precisa ser confirmado por estudos adicionais”, diz um relatório da OMS.
Ao todo, a cepa já é responsável por 4,6 mil casos em pelo menos 40 países, sendo quase 2 mil somente dos Estados Unidos. Para evitar a contaminação, é essencial manter as medidas sanitárias, como higienização das mãos, vacinação e distanciamento social.
__________*
Nova variante do coronavírus é detectada na Colômbia e se mostra resistente a vacinas
247 - Cientistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) estudam uma nova variante do coronavírus que surgiu na América do Sul. Batizada de "Mu", a cepa foi identificada pela primeira vez na Colômbia em janeiro e, desde então, foi encontrada em outros países do continente e na Europa. A informação foi publicada pela agência AFP.
De acordo com boletim da OMS, publicado na noite dessa terça (31) para esta quarta-feira (1), "embora a prevalência global da variante Mu entre os casos sequenciados tenha diminuído e, atualmente, seja inferior a 0,1%, sua prevalência na Colômbia (39%) e no Equador (13%) aumentou constantemente".
A OMS disse que a variante B.1.621, segundo a nomenclatura científica, tem mutações que podem indicar resistência a vacinas. De acordo com a entidade, serão necessárias novas pesquisas para entender suas características.
__________*
Reportagem: Lucia Helena - Como fica, se a CoronaVac não tem 50% de eficácia em idosos com mais de 70?
Muitas pessoas ficaram preocupadas após uma pesquisa liderada pela Fiocruz mostrar que, em quem tem mais de 70 anos, a CoronaVac oferece uma proteção de 46,8%, em média, contra a infecção pelo coronavírus, após duas semanas da segunda dose.
A eficácia fica abaixo dos 50%, mínimo definido pela OMS (Organização Mundial de Saúde) no ano passado para um imunizante ser aprovado para uso na população. O FDA, que é o órgão regulatório americano, e a nossa Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) adotaram o mesmíssimo crivo. Desse modo, qualquer vacina contra o Sars-CoV-2 aplicada em nossos braços superou essa porcentagem na famosa fase 3, a etapa final de estudos antes da liberação para a população.
Relacionadas
3ª dose com e sem CoronaVac e passaporte da vacina: a semana da pandemia
A questão é que a vida real pode surpreender com um número diferente, talvez nem tão animador, já que pelas ruas existe uma quantidade bem maior de pessoas do que a de voluntários de um teste, todas muito diferentes entre si e com diversos problemas, sejam de saúde, sejam do ambiente onde vivem.
Nessa prova de fogo, que é uma espécie de hora-do-vamos-ver das vacinas, dois trabalhos recentes apontam que a CoronaVac nem sempre chega lá, naqueles 50%, quando injetada em idosos. E agora, como fica?
Em maiores de 90 anos apenas?
Na semana passada, o próprio Instituto Butantan fez questão de divulgar um estudo com 60,6 milhões de brasileiros imunizados entre janeiro e junho deste ano com a sua vacina, a CoronaVac, ou com a da AstraZeneca. Deles, 44% ou 26,8 milhões tinham acima de 60 anos. Os autores são das universidades federais da Bahia e de Ouro Preto, em Minas Gerais, da Universidade de Brasília, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, da Fiocruz e, ainda, da britânica London School of Higiene & Tropical Medicine.
Primeiro, a boa notícia: nos indivíduos entre 60 e 89 anos, ambas as vacinas foram consideradas eficazes para evitar a infecção pelo Sars-CoV-2 e altamente eficazes para, naqueles casos em que o vírus não foi barrado, ao menos diminuir a necessidade de ir para o hospital, ser internado em UTI e morrer. Claro, isso para quem fez tudo como mandava o figurino, isto é, tomou as duas doses de uma ou de outra vacina.
De cara, então, precisa ficar claro um ponto: a vacinação funciona. Ninguém — nem os cientistas, nem uma pessoa leiga, mas com juízo — vai falar algo diferente. No entanto, na análise por idade, os resultados com o público mais velho acendem uma lâmpada amarela.
No caso da CoronaVac, a redução no risco de hospitalização, admissão em UTI e morte foi de 84,2%, 80,88% e 76,5%, respectivamente, olhando para as pessoas com mais de 60 anos em geral. Show de bola. Só que nada foi tão maravilhoso naqueles indivíduos com mais de 90 anos.
Nessa faixa etária longeva, a redução da ameaça de ser hospitalizado ficou em apenas 32,7%, a de precisar de UTI foi de 37,2% e a de morrer, 35,4%. Ou seja, todas bem abaixo dos 50%, o mínimo esperado.
Já o trabalho liderado pela Fiocruz que citei no começo do texto aponta um desempenho menor da CoronaVac até mesmo em pessoas na faixa dos 70 anos. A pesquisa envolveu diversas universidades brasileiras, como a de São Paulo, a Estadual de Mato Grosso do Sul, a Federal de Mato Grosso, para citar exemplos, além de instituições de fora, como a Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.
Nessa investigação, foram analisados 43.774 residentes de São Paulo septuagenários ou mais velhos. E, entre eles, a eficácia para evitar a covid-19 foi de somente 24,7% até 13 dias após a segunda dose da CoronaVac, subindo para 46,8%, em média, após duas semanas da segunda picada.
Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno: em compensação, a vacina do Butantan derrubou o risco de hospitalizações (55,5%) e mortes (61,2%), que é o que mais interessa no caso da infecção pelo Sars-CoV-2, cá entre nós.
Só vale ficar esperto para o seguinte: lembre-se que os números são os de duas semanas após a segunda dose, quando o imunizante estaria em seu apogeu no organismo. Ora, como tudo indica que a proteção oferecida pelas vacinas contra a covid-19 não dure mais do que alguns meses, caindo paulatinamente, a falta de uma margem em idosos criaria certa preocupação, se de largada eles já não alcançaram com a CoronaVac muito mais do que aqueles 50%.
A CoronaVac merece "cancelamento"?!
A pergunta acima foi feita para chocar. Mas vou dizer a você que ela chegou a passar pela cabeça de algumas pessoas como se, lá atrás, tivesse acontecido um engano ao aprovarem o imunizante do Butantan. Longe disso.
Como lembra a pediatra Mônica Levi, presidente de da Comissão de Revisão de Calendários de Vacinação da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), surpresas assim podem acontecer com qualquer — atenção, qualquer— vacina na chamada fase 4 dos estudos
E que fase é essa? "É justamente a que estamos vivendo, a da vida real, depois que essa vacina é aprovada e começa a ser aplicada em toda a população", explica.
Para a gente recapitular, a fase 1 de testes é para ver se uma candidata à vacina é de fato segura, sem causar outros males enquanto previne uma infecção, cobrindo um santo para despir outro. "Envolve pouquíssimos indivíduos, na casa das dezenas", conta a médica.
Na fase 2, o número de participantes nos testes já aumenta para algumas centenas. A avaliação de segurança segue. Aliás, ela nunca é abandonada — nem hoje, em plena farmacovigilância, quando qualquer efeito inesperado deve ser imediatamente reportado.
Voltando à segunda etapa, nela os cientistas ficam de olho na eficácia, comparando também dosagens diferentes para ver qual funciona mais sem aumentar efeitos adversos.
Já na fase 3, aquela que antecede a aprovação, são milhares de pacientes imunizados, mas eles jamais poderiam ser equiparados com os milhões nas ruas. Até porque, em geral, os testes não têm voluntários muito idosos ou com doenças capazes de abalar o sistema imunológico. "E isso não só pelo risco, mas porque já se espera que, no organismo desses indivíduos, a resposta não será a mesma", diz Mônica Levi.
No caso, um ponto positivo para a CoronaVac: nessa terceira etapa, ela foi aplicada em profissionais de saúde na linha de frente, ou seja, em gente com muito mais risco de pegar a covid-19 do que provavelmente as pessoas que participaram de estudos nessa mesma fase de outros imunizantes.
Daí que, em tese, se fosse testada com outro público, menos cercado de pessoas que contraíram o Sars-CoV-2 na época, talvez os resultados da CoronaVac na fase 3 teriam sido até melhores. Nunca vamos saber. O que sabemos no presente é que ela prova ser uma boa opção para os mais jovens.
A dúvida é se idosos deveriam tomar a CoronaVac na dose de reforço que já foi estipulada para setembro pelo governo ou se suas doses deveriam, agora, ser distribuídas em regiões nas quais ainda estão sendo imunizadas pessoas na faixa dos 30 anos, por exemplo. É nesse debate que devemos nos concentrar.
Normal: os números mudam mesmo
"Esses dados sobre vacinas são sempre extremamente dinâmicos", afirma a epidemiologista Carla Domingues, ex-coordenadora do PNI (Programa Nacional de Imunizações) do Ministério da Saúde, do qual esteve à frente ao longo de oito anos.
Segundo ela, as porcentagens de eficácia podem se modificar com o tempo, com a proteção diminuindo após certo período do esquema vacinal inicial, ou podem se revelar diferentes conforme o público analisado.
A aprovação é dada a partir de uma porcentagem para a efetividade geral de uma vacina, uma espécie de média, grosseiramente explicando. "Em outras doenças, a linha de corte para um imunizante ser considerado eficaz costuma ser até maior, de 70%. Mas, na pandemia, a OMS considerou 50%", conta Mônica Levi.
Será que a OMS fez concessão pelos apuros que a humanidade estava passando? Não exatamente. Para chegar nessa porcentagem, ela também levou em conta a proporção de pessoas ao redor do globo que seria imunizada — uma proporção altíssima na pandemia.
Com o passar dos meses, porém, é que se vê o quanto grupos específicos da população se desviam das taxas de proteção declaradas na fase 3 — para mais ou para menos. "No caso dos idosos, tende a ser sempre para menos, em função do fenômeno que conhecemos por imunossenescência", diz Carla Domingues. As defesas, com a idade, não respondem como antes.
Duas ou três doses?
Será que adiantaria aumentar o número de doses da CoronaVac em idosos para ver se, então, ela alcançaria os 50% de proteção nessa faixa etária? Talvez. Mas não faz tanto sentido pensar nisso hoje.
"Se tivéssemos vacinado apenas 30% dos idosos, por exemplo, e então notássemos que a resposta não era tão boa nesse público, até poderíamos pensar em alternativas para a CoronaVac. Mas agora essa população inteira já foi vacinada", diz, pragmática, Carla Domingues.
Mas saiba: as pessoas mais velhas que receberam a CoronaVac não perderam tempo na fila de vacinação. Até porque devemos considerar o contexto, lembrando que essa já foi a vacina mais disponível para os brasileiros e, sem ela, gente de todas as idades estaria em um mato sem cachorro.
Carla Domingues conta que, quando não há outro imunizante, deve ser aplicado aquele que está na mão, mesmo que apresente taxas relativamente baixas de eficácia. Quer um ótimo exemplo? "Em idosos, a vacina da gripe oferece uns 40% de proteção", conta a epidemiologista. "Mas não existe outro imunizante contra o vírus influenza, causador da gripe. Então, é melhor dar uma vacina que ofereça 40% do que nada."
Reforço com CoronaVac ou com outra vacina?
A partir de setembro, o governo oferecerá o reforço da imunização para idosos, dando preferência às vacinas da Pfizer ou da Janssen para esse finalidade. Mas pode acontecer de estados e municípios oferecerem a CoronaVac como uma das opções — o governo de São Paulo já deu a entender essa possibilidade.
Um reforço de vacina é dado quando, passados meses ou anos, a proteção já não é a mesma. "Mas, no caso, essa dose tem a função de fazer os níveis de anticorpos voltarem aos níveis alcançados após o esquema de vacinação primário", explica a doutora Carla Domingues."Isto é, se eu tenho um imunizante com eficácia de 50%, o reforço tende a recuperar esses 50%. Dificilmente irá superá-los. Por isso, não vejo sentido em fazer o reforço de quem é idoso e tomou a CoronaVac com esse mesmo imunizante, se ele já demonstrou uma eficácia mais baixa nessas pessoas."
Mônica Levi lembra que a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) iniciou um estudo para ver qual seria o melhor imunizante para ser aplicado como reforço para quem recebeu a CoronaVac, incluindo repetir a dose da própria. "Mas, até que se prove o contrário, pode ser mais interessante dar o reforço com a Janssen, com a Pfizer ou até mesmo com a AstraZeneca para quem passou dos 70 anos", opina. Essa, de qualquer maneira, deveria ser uma decisão de cientistas. Levantar a bandeira da vacinação sem ouvi-los é contraditório.
__________*
Israel constata que 3ª dose de vacina reduz muito os riscos de Covid-19
Uma terceira dose para maiores de 60 anos ofereceu cinco a seis vezes mais proteção após dez dias em relação a doenças graves e hospitalização.
Por Reuters
1 de 1 O presidente de Israel, Isaac Herzog, recebe 3ª dose da vacina Pfizer/BioNTech contra a Covid-19, em 30 de julho de 2021, no lançamento da campanha para reforçar a imunização em pessoas com mais de 60 anos — Foto: Maya Alleruzzo/Pool via AFP
O presidente de Israel, Isaac Herzog, recebe 3ª dose da vacina Pfizer/BioNTech contra a Covid-19, em 30 de julho de 2021, no lançamento da campanha para reforçar a imunização em pessoas com mais de 60 anos — Foto: Maya Alleruzzo/Pool via AFP
Uma terceira dose da vacina da Pfizer melhorou significativamente a proteção a infecções e a casos graves de Covid-19 entre pessoas com 60 anos ou mais em Israel, em comparação com aqueles que receberam duas doses, mostraram resultados de estudo publicado pelo Ministério da Saúde do país neste domingo (22).
Os dados foram apresentados em uma reunião de um painel ministerial de especialistas em vacinação na quinta-feira (19) e apareceram no site do ministério neste domingo (22), embora os detalhes completos do estudo não tenham sido divulgados.
Primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennet, recebe a terceira dose da vacina da Pfizer, como parte da campanha de reforço para conter a disseminação da variante Delta pelo país
As descobertas foram parecidas com estatísticas relatadas na semana passada pelo grupo israelense de saúde Maccabi, uma das várias organizações administrando doses de reforço para tentar conter a variante Delta do coronavírus.
Detalhando estatísticas do Instituto Gertner de Israel eKI Institute, funcionários do ministério disseram que entre pessoas com 60 anos e mais a proteção contra a infecção fornecida a partir de dez dias após uma terceira dose foi quatro vezes maior do que após duas doses.
Uma terceira dose para maiores de 60 anos ofereceu cinco a seis vezes mais proteção após dez dias em relação a doenças graves e hospitalização.
Essa faixa etária é particularmente vulnerável ao Covid-19, e em Israel eles foram os primeiros a receber a vacinação, no final de dezembro.
Nas últimas semanas, o Ministério da Saúde disse que a imunidade diminuiu com o tempo para idosos e jovens também.
A maioria das pessoas vacinadas que ficaram gravemente doentes em Israel tinha mais de 60 anos.
Israel começou a administrar a terceira dose para maiores de 60 anos em 30 de julho. Na quinta-feira, diminuiu a idade de elegibilidade para mais de 40, e incluiu mulheres grávidas, professores e profissionais de saúde com idade inferior.
__________*
Covid-19: com mortes de idosos em alta, número de internações de maiores de 80 anos chega ao maior patamar da pandemia no Rio, estima Fiocruz
Dado foi calculado com o auxílio de um método estatístico chamado 'nowcasting', que tenta compensar o atraso nas notificações
Paciente internado com Covid-19 no Hospital Raul Gazolla Foto: Pilar Olivares / Reuters
Receba notícias em tempo real no app.
RIO - A Fiocruz identificou uma alta na quantidade de óbitos por Covid-19 em pessoas de 60 anos ou mais no Rio de Janeiro. É o primeiro aumento no número de mortes nessa faixa etária desde fevereiro. O dado foi calculado com o auxílio de um método estatístico chamado 'nowcasting', que considera o comportamento dos números da pandemia para compensar o atraso nas notificações e estimar indicadores em tempo real. Para os cientistas de Métodos Analíticos em Vigilância Epidemiológica (Mave-Fiocruz), que desenvolvem o estudo, a situação dos idosos com 80 anos ou mais é particularmente impressionante.
A quantidade estimada de óbitos da última semana epidemiológica para a faixa etária é de 175; em dados consolidados, não se vê um número tão alto desde abril. O município do Rio está se tornando, segundo o próprio prefeito Eduardo Paes, o 'epicentro' da variante Delta no país.
Na semana passada, como o GLOBO mostrou, os especialistas da Fiocruz detectaram o primeiro aumento no número de hospitalizações por quadros graves de Covid-19 entre idosos em cinco meses. Uma semana depois, ele se refletiu nas estimativas de mortes.
Ao mesmo tempo, o grupo dos 80 anos ou mais manteve, pela segunda semana consecutiva, o crescimento mais acentuado no índice de internações. Ele somou, na última atualização do estudo, 848 hospitalizações estimadas em uma semana. O maior número desde o início da pandemia.
Segundo o pesquisador Leonardo Bastos, responsável pela análise, três fatores podem explicar o repique da Covid-19 entre os idosos: o relaxamento das medidas restritivas, a gradativa perda da proteção conferida pelas vacinas e a variante Delta, mais transmissível que as demais linhagens do coronavírus.
— Como aumentaram as hospitalizações segundo a data de primeiros sintomas, era questão de tempo até que os óbitos aumentassem, infelizmente. A esperança é que as mortes não subam da mesma forma que as internações, pois a efetividade das vacinas para evitar óbitos é maior que para evitar hospitalizações — diz Bastos.
Integrante do Mave e desenvolvedor das análises do Boletim InfoGripe, o pesquisador Marcelo Gomes acredita que o efeito das vacinas pode já ter chegado a um ponto de saturação, especialmente nos mais idosos. Isso preocupa, uma vez que o Rio, como o resto do Brasil, falhou em reduzir o nível de transmissão do vírus.
— A terceira dose em idosos é algo que se discute no mundo todo. Mesmo com a vacina funcionando, reduzindo casos graves e óbitos, ainda assim a população mais idosa continua se mostrando mais vulnerável. Nesse grupo, sabemos que a eficácia das vacinas é um pouco menor do que no resto da população, e também há a questão da perda de memória imunológica, que é natural nos mais velhos. Isso realmente precisa ser discutido. Mas a gente não pode perder de vista que existem outras medidas. Não podemos deixar só na mão das vacinas o nosso cenário epidemiológico — afirma Gomes.
Nesta sexta-feira, na divulgação do 32° boletim epidemiológico do Rio, Paes disse ter solicitado à Secretaria municipal de Saúde um novo calendário para a próxima etapa da vacinação na cidade, que deve ser divulgado na semana que vem. A intenção da prefeitura é vacinar adolescentes e, simultaneamente, aplicar a injeção de reforço em idosos.
— Pedi ao Soranz que apresente, entre hoje e segunda-feira, um calendário que contemple a vacinação de adolescentes, que vamos vacinar com mais calma, com mais tempo, porque esse público geralmente não contrai casos graves. E, no Rio de Janeiro, vamos pressionar pela terceira dose para idosos. Por favor, vamos mandar a dose da vacina. Nesse momento, (a) situação (é) de guerra — disse Paes. — A gente vai pressionar aqui no Rio pela dose de reforço. Os idosos precisam de dose de reforço. Tem muita imunização que de certa maneira já se foi. E você tem uma variante Delta dessas, a pessoa pega e o risco de ter caso grave é maior. Minha ansiedade para acabar os 18 anos é porque a gente precisa, sim, vacinar pessoas mais velhas
Crianças e adolescentes
Embora o novo agravamento da pandemia ameace sobretudo os idosos, as estimativas da Fiocruz mostram que os menores de idade, alvo da próxima fase da campanha de vacinação na cidade, atravessam agora o pior momento desde o início da pandemia no Rio de Janeiro. Na última atualização das projeções de nowcasting, a tendência de alta nas internações por síndrome respiratória aguda grave em crianças e adolescentes com diagnóstico de Covid-19 se acentuou pela segunda semana consecutiva nas faixas etárias de 0 a 9 anos e 10 a 19.
Para Leonardo Bastos, o cenário inédito retratado pelos números é uma consequência inevitável do aumento do nível de exposição ao coronavírus entre os menores.
— O nível de exposição das crianças aumentou tanto que uma parte das crianças que se infectaram evoluiu para um quadro mais grave — avalia. — Não acredito que a volta às aulas presenciais tenha tido influência sobre esse número por enquanto, mas ela deve ter um impacto futuro. As escolas, com protocolos desatualizados, podem aumentar o nível de exposição das crianças e posteriormente um aumento de hospitalizações.
Embora representem uma pequena porção dos internados por SRAG no estado, crianças e adolescentes já vinham apresentando uma clara tendência de crescimento no índice desde a semana epidemiológica 30, que foi de 25 a 31 de julho. O dado se confirmou novamente na semanas epidemiológicas 31 e 32, a mais recente.
Em se tratando de casos notificados, a série histórica para as faixas etárias vai ao encontro das previsões do instituto. Dados extraídos pela própria Fiocruz do sistema Sivep-Gripe, do Ministério da Saúde, mostram que a faixa dos 0 a 19 anos chegou a representar mais de 10% das internações por SRAG no estado, a maior proporção desde o fim de fevereiro. O número pode ter sido influenciado pelos efeitos da vacinação, que reduziram a quantidade de hospitalizações entre os mais velhos, ampliando o percentual dos mais novos.
Para Bastos, uma outra hipótese para o aumento de notificações de SRAG entre crianças e adolescentes com diagnóstico de Covid-19 é a chamada contaminação cruzada. Ela acontece quando uma pessoa dá entrada no hospital com sintomas decorrentes da infecção por um patógeno, mas ao mesmo tempo porta outro, que não dá indícios de presença.
No caso dos menores de idade, este segundo patógeno seria o coronavírus, que tende a desenvolver quadros assintomáticos de infecção em crianças. Assim, um menor de idade pode ser hospitalizado por outro tipo de virose respiratória — por exemplo, um vírus sincicial respiratório (VSR), que acomete com mais frequência crianças de 0 a 9 anos e tem um forte componente sazonal — e entrar também para os registros de diagnósticos de Covid-19, por portar o coronavírus no momento da internação.
— Os relatos são de que crianças têm um quadro muito leve de Covid, até mesmo infecções assintomáticas. Então a criança ter se infectado por Covid e outra coisa não é algo impossível — lembra o especialista.
Aumento nos índices
O aumento no número de atendimentos de casos de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave na rede municipal preocupa a prefeitura. Embora o índice esteja num patamar inferior aos recordes registrados no ano passado, ele já se aproxima da marca que alcançou no último pico de casos no município, que se encerrou em maio. Naquele mês, a média móvel de atendimentos diários chegou a 454; na segunda-feira, foi a 427. Salta aos olhos também seu aumento rápido: entre os dias 2 e 9 de agosto, o indicador cresceu 14%.
Os novos números surgem na esteira de uma tendência deflagrada pelo aumento na quantidade de casos confirmados de Covid-19 na cidade, anunciado na semana passada. Embalado pela variante Delta, mais transmissível, ele interrompeu uma festejada sequência de cerca de dez semanas de queda nas notificações. Agora, a perspectiva de agravamento é que se consolida: como mostram as contagens atualizadas, o Rio registrou na semana epidemiológica 29, que foi de 18 a 24 de julho, o maior número de casos de síndrome gripal desde a semana epidemiológica 21, que foi de 23 a 29 de maio, quando o estado ainda se recuperava de uma terceira onda. Foram 35.299 casos na semana mais recente, contra 36.205 em maio.
O número de internados em UTIs de Covid-19 no município também segue uma curva de aumento, tendo chegado, nesta terça-feira, ao maior patamar (465) desde 2 de julho (574), quando a última onda da pandemia na cidade se abrandava. A taxa de ocupação para leitos reservados ao tratamento da Covid-19 está em 94%, segundo dados extraídos do Censo Hospitalar da Secretaria municipal de Saúde na tarde desta sexta-feira. No estado inteiro, a fila por um leito de Covid-19, que também vem crescendo, chegou à maior marca desde o dia 10 de maio. Foram 152 nesta quinta-feira, contra 157 naquela data.
Diante do novo cenário, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, informou, na divulgação do 32° boletim epidemiológico, que o Rio de Janeiro reabriu 60 leitos de Covid-19 na última semana.
— A gente tá avançando na vacina, mas temos um aumento preocupante de casos no Rio. Estamos no meio do inverno, com uma nova variante circulando. É muito importante que as pessoas respeitam as medidas restritivas, além de usar máscara. Ainda vemos muita gente desrespeitando a norma de uso de máscara — disse Soranz.
Pela segunda semana consecutiva, por influência da variante Delta, todas as 33 Regiões Administrativas da cidade do Rio estão com nível alto de risco de contaminação por Covid-19. As medidas restritivas em vigor atualmente, contudo, foram prorrogadas.
__________*
Morte de idosos vacinados põe 3ª dose da vacina contra covid em debate
Imagem: iStock
Júlia Marques
São Paulo
13/08/2021 19h33
A morte do ator Tarcísio Meira, de 85 anos, vítima da covid-19, e o aumento de internações de idosos no Rio e em São Paulo levantaram o debate no Brasil sobre a necessidade de dar uma terceira dose para os idosos. Especialistas ouvidos pelo Estadão dizem que a revacinação para essa faixa etária será necessária, mas veem com ressalvas uma injeção extra agora, uma vez que boa parte dos adultos brasileiros ainda não foi completamente imunizada. Outros países, como Chile e Israel, já aplicam o reforço em grupos mais vulneráveis.
Tarcísio Meira já havia completado a vacinação contra a covid-19 em março, mas não há confirmação sobre qual imunizante. Internado desde 6 de agosto no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o artista foi intubado, mas não resistiu. A mulher dele, a atriz Glória Menezes, de 86 anos, também foi internada, com quadro mais leve.
Relacionadas
EUA veem como inevitável aplicação da 3ª dose da vacina contra a covid-19
A morte do ator não sugere ineficácia das vacinas. Em um momento de alta circulação do vírus, as infecções - mesmo em pessoas vacinadas - podem ocorrer. No caso de idosos que receberam as doses, os quadros podem evoluir para a morte, embora os riscos sejam pequenos. Os mais velhos e as pessoas imunocomprometidas, como pacientes de câncer, têm sistema imunológico mais enfraquecido e a produção de anticorpos - para qualquer vacina - é menor e cai com o tempo.
Carla Domingues, epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), afirma que ainda faltam evidências científicas para definir a melhor estratégia de revacinação. Também diz que dados sobre internações e mortes de idosos vacinados não são conclusivos para que o País corra para dar a 3ª dose a esta faixa etária. "Essa decisão não pode ser tomada de forma assoberbada."
Estudo conduzido pela Fiocruz com pesquisadores do Observatório Covid-19 BR projetou aumento de internações de idosos com covid-19 nas últimas semanas. Em São Paulo, segundo os dados compilados pelo grupo, o crescimento ocorre tanto na faixa etária de 70 a 79 anos quanto na de idosos com mais de 80 - a subida é maior neste último grupo.
Os números não permitem dizer que o aumento de internações tem relação com a diminuição da proteção das vacinas, mas essa é uma das hipóteses, segundo Leonardo Bastos, do Programa de Computação Científica da Fiocruz. "A diferença entre os grupos é a cobertura vacinal. Eles (os idosos de mais de 70) receberam a vacina antes."
Os dados de internação da Fiocruz são projeções a partir de números oficiais do Ministério da Saúde, registrados com atraso. Para fazer a análise, os pesquisadores "aprendem" com o a demora de registros e estimam a situação real vivida nos hospitais. No Estado do Rio, a alta de internações é mais acentuada entre os maiores de 80, mas também já foi verificada na faixa etária de 60 a 69 anos em agosto.
Em julho, o Ministério da Saúde iniciou pesquisa para indicar a necessidade da 3ª dose para idosos que tomaram a Coronavac. O Estadão apurou que a câmara técnica do Plano Nacional de Imunização (PNI) vai discutir nesta sexta-feira a tendência de internações de idosos. Oficialmente, o ministério diz apenas que acompanha estudos de efetividade das vacinas e, "caso seja necessária a administração de doses adicionais, o tema será levado à Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis".
"É premente que o Ministério da Saúde estude o assunto para planejar", diz Carla. Antes de iniciar a 3ª dose, porém, ela acredita que o Brasil precisa acelerar a vacinação com a segunda dose, considerando o avanço da variante Delta, mais transmissível. Estudos já demonstraram que só uma dose das vacinas não protege contra a cepa. A possibilidade de revacinação, segundo a epidemiologista, deve ser estudada para todas os imunizantes - e não apenas para a Coronavac. Mas já se sabe que vacinas produzidas com vírus inativado, como é o caso da Coronavac, exigirão reforço no futuro.
No exterior, campanha do reforço já começou
Nos países que estão mais à frente na cobertura vacinal, a estratégia de revacinação já começou. É o caso de Israel, que iniciou este mês a aplicação da 3ª dose do imunizante da Pfizer em maiores de 60 anos. O país tem 62% da população totalmente imunizada graças a uma rápida campanha que começou em dezembro. No Brasil, só 22,4% da população tomou as duas doses.
Nos Estados Unidos, que têm metade da população totalmente imunizada, a Food and Drug Administration (FDA) analisa a liberação de doses de reforço contra a para pessoas imunocomprometidas. E, nesta quarta-feira, vacinados com duas doses da Coronavac no Chile começaram a receber uma 3ª dose da vacina da AstraZeneca.
A 3ª dose no Chile começou a ser aplicada para maiores de 86 anos, mas o plano nacional contempla vacinar com a dose extra os maiores de 55 anos nas próximas quatro semanas. O país andino conduziu uma das campanhas de vacinação mais eficientes do mundo, que já alcançou 82% do público-alvo com duas doses e quase 87% com uma dose.
Para a epidemiologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Brasil tem dificuldades de fazer esse debate porque parte significativa da população ainda não tomou nenhuma dose. "O Brasil precisa fazer esforços para ter mais doses e proteger as pessoas que têm diminuição da resposta imunológica."
Em Estados ou municípios com vacinação mais adiantada, o dilema de prioridades se impõe. A capital paulista, por exemplo, deve iniciar a vacinação de adolescentes este mês - e disse aguardar definição do Ministério da Saúde e do governo do Estado para planejar a 3ª dose aos idosos. Procurado sobre a intenção de aplicar a dose extra, o governo estadual paulista não respondeu. A prefeitura do Rio já informou que pretende aplicar uma terceira dose de vacinas em idosos antes do mês de outubro.
Ao Estadão, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que, embora estudos da Sinovac já tenham mostrado que uma dose adicional potencializa a resposta imunológica no caso da Coronavac, "não podemos pensar em um novo ciclo quando apenas pouco mais de 20% da população recebeu a segunda dose" da vacina. "Temos de ter uma imunização de porcentual elevado, de 80% a 85% da população com as duas doses, para, inclusive, termos uma resistência maior às variantes", afirmou. Ele lembra que a Organização Mundial de Saúde não recomenda a terceira dose enquanto a cobertura entre adultos nos países segue baixa.
Segundo Ethel, uma eventual decisão de postergar a vacinação de adolescentes para atender idosos é complexa. "É difícil tomar decisões no cenário de escassez, não deveríamos ter de fazer essa escolha. E nossos adolescentes também merecem ser vacinados". Ela destaca que os EUA vêm registrando aumento de internações entre crianças e adolescentes, associado à variante Delta.
Uma saída nesse caso, diz, seria destinar a Coronavac para adolescentes e aplicar vacinas de RNA, como a da Pfizer, nos idosos. Estudos mostraram boa eficácia da Coronavac em crianças, mas o imunizante ainda não está aprovado no Brasil para esta faixa etária. O Butantan, responsável pela produção da Coronavac, aguarda a liberação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Já na opinião do infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas da USP, uma vez observada alta de internações em idosos, a vacinação de adolescentes deveria ser adiada um pouco para dar preferência aos idosos. E medidas não farmacológicas têm de ser intensificadas no Brasil, segundo os especialistas. "Como estamos com transmissão acelerada, não tem medida única. Mesmo que a 3ª dose possa acontecer, precisamos usar máscara", diz Ethel. Outras medidas, como o distanciamento social, continuam recomendadas.
As mais lidas agora
__________*
Funcionários da fazenda onde Tarcísio Meira morou na pandemia relatam simplicidade de artista: 'Tomava café com a gente'
Ator estava em quarentena com a esposa, Glória Menezes, em uma fazenda de Porto Feliz (SP) desde o começo da pandemia. O ícone da dramaturgia, que tinha mais de 60 anos de carreira, não resistiu à Covid-19 e morreu na quinta-feira (12).
Por Edilson Junior, Pâmela Ramos e Paola Patriarca*, G1 Sorocaba e Jundiaí
Em entrevista à TV TEM, a artesã Nivea Maria Turuel conta que grande parte da família dela já morou na propriedade comprada pelo casal e, durante um período, ela também teve a oportunidade de trabalhar na fazenda para os artistas.
"Ele sempre foi uma pessoa muito boa, sempre foi um homem simples. Vinha na casa da gente e tomava café com a gente. Ele não saía da cozinha, eu sempre estava com ele. Às vezes até me atormentando porque eu não tomo café e ele fazia eu tomar café", lembra Nivea.
Moradores de Porto Feliz lamentam a morte do ator Tarcísio Meira
A fazenda em que os atores estavam tem criação de gado e plantações. Vizinho do casal, o produtor de uva, Jeferson Castilho, afirmou que Tarcísio era tranquilo e simpático com todos da cidade, que tem cerca de 53 mil habitantes.
"A propriedade é vizinha nossa. Ele vinha comprar uva e era um senhor tranquilo, simples, um homem que conviveu muito em Porto Feliz. Várias vezes encontrei com ele em supermercado, farmácia, padaria. Muito tranquilo, simpático. Um homem que vai deixar muita saudade para Porto Feliz", afirmou.
1 de 3 Tarcísio e Glória em sítio de Porto Feliz, no Natal de 2018 — Foto: Reprodução/Instagram
Presenteava crianças do sítio
A família de Regiane Domiciano guardará como recordação a gratidão pela acolhida de Tarcísio Meira na fazenda. Ao G1, ela conta que há 30 anos, o sogro dela foi contratado para trabalhar como ajudante geral no local e, desde então, tanto Regiane quanto o seu marido, que também trabalha no sítio do ator, passaram a morar no local.
"Meus sogros vieram do Paraná para trabalhar aqui com os três filhos. O meu marido começou a trabalhar com ele quando o meu sogro adoeceu e se aposentou e continua até hoje como tratorista agrícola. O Tarcísio foi uma pessoa maravilhosa com a nossa família, pois o meu sogro continua morando aqui no sítio."
"Não era só patrão, era amigo de todos do sítio, fazia de tudo por seus funcionários. Ele era acostumado a dar presente às crianças do sítio no Natal e sempre tirava fotos com todos. Por causa da pandemia, no final do ano passado ele fez depósito bancário para não ter contato com ninguém", relembra.
Tarcísio Meira e Glória Menezes: história de amor na vida real e nas telas
Regiane explica que o ator se dedicava a cuidar do "Sítio Glória" desde que foi morar no local, no início da pandemia de Covid-19.
"Ele veio morar pra cá no começo da pandemia e apenas saía de carro acompanhado da Glória após o expediente dos funcionários. Ele gostava de ver a criação de gado e a plantação de milho que usava para a alimentação dos bois", explica.
2 de 3 Glória Menezes em sua fazenda de Porto Feliz — Foto: Reprodução/ Instagram
A prefeitura de Porto Feliz emitiu uma nota lamentando a morte do ator.
"A Prefeitura de Porto Feliz manifesta o mais profundo pesar pelo falecimento do ator Tarcísio Meira. Tarcísio possuía fazenda em Porto Feliz e desde o inicio da pandemia estava morando na cidade. Neste momento de dor, a Prefeitura se solidariza com amigos e familiares e expressa as mais sinceras condolências pela perda."
Paixão pelo campo
Em entrevista ao Globo Rural em 2013, Tarcísio explicou que a paixão por ter um lugar no campo começou quando filmou com Anselmo Duarte, que tinha um sítio em Itu, interior paulista. Ele, então, amou o lugar e procurou um para ter também.
"Ele me arrumou um lugar que eu pudesse reunir com amigos, em Porto Feliz. Uma terra ociosa. Perguntei para um amigo se me ajudava e ele disse que ajudava. Fizemos um confinamento. Não foi muito bem, mas também não foi mal. E comecei a aprender e de lá para cá fui aprendendo. Chegou uma hora que quis ser fazendeiro e procurei um amigo. O gado foi para Porto ", afirmou na época.
"O importante disso tudo, a terra, o campo, são muito importantes na minha vida. Me dá um equilíbrio que eu preciso. A televisão, o trabalho na televisão, você se exaure muito, empresta muito de si para o personagem. Então, você sofre com os problemas do personagem. Na fazenda é uma sensação muito especial. Você começa ouvir ruídos que você nem imagina", disse durante a entrevista.
Morte
O ator estava internado no hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo, em tratamento contra a doença.Ele e Glória Menezes deram entrada no hospital na última sexta-feira (6). O artista chegou a ser intubado na UTI e fazer hemodiálise contínua.
Já a atriz, de acordo com o boletim médico divulgado pelo hospital na quarta (11), está se recuperando bem e recebe auxílio de oxigênio via nasal. Ela está internada em um apartamento.
Amigos lembram importância de Tarcísio Meira para cultura brasileira
3 de 3 Atores receberam a segunda dose no interior de SP — Foto: Reprodução/Instagram
O Tarcísio nasceu em São Paulo (SP) no dia 5 de outubro de 1935. Estreou na Globo em 1967 e trabalhou em mais de 60 programas, entre minisséries, especiais e novelas.
Atriz de teatro, televisão e cinema, Glória Menezes nasceu em Pelotas (RS). Na Globo, estreou em 1967 com a novela "Sangue e Areia". Atuou em mais de 40 telenovelas na emissora.
Tarcísio e Glória foram casados por quase 60 anos e são pais do também ator Tarcísio Filho.
__________*
Variante Gama é mais agressiva do que cepa original do vírus da Covid-19, mas é contida com vacina e lockdown, diz estudo
Pesquisa da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto comprovou ligação entre a mutação do vírus que causa a Covid-19 com aumento expressivo de casos graves e mortes
Imagem do vírus da Covid-19 Foto: Reprodução
Receba notícias em tempo real no app.
RIO - Pesquisa mostra que prevalência da variante Gama (P.1) foi responsável por aumento expressivo de casos graves (127%) e mortes (162%) em março e abril de 2021, no município de São José do Rio Preto (SP), mas que vacinação e lockdown de 15 dias foram capazes de mitigar seus estragos. O estudo está publicado na plataforma medRxiv, ainda sem a revisão de pares.
— São conclusões esperadas, mas que precisam de uma comprovação clara por causa do ambiente em que vivemos. Nosso estudo confirma que as vacinas protegem da morte por Covid-19 e o lockdown funciona para reduzir a circulação do vírus. Fora isso, conseguimos demonstrar que a P1 é, de fato, uma variante mais agressiva, algo que ainda não estava tão claro entre a comunidade científica —diz Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), responsável pela pesquisa.
O estudo foi realizado pelo Laboratório de Pesquisas em Virologia da Famerp no Hospital de Base (HB) de Rio Preto, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP), Fundação Bill &Melinda Gates, Universidade de Washington, University of Texas Medical Branch e Secretaria Municipal de Saúde de São José do Rio Preto. O grupo teve apoio da FAPESP, da Rede Corona-ômica (mantida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações por meio da Financiadora de Estudos e Projetos e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), do Instituto Butantan e do National Institutes of Health, dos Estados Unidos.
A pesquisa foi realizada com a vigilância genômica do SARS-CoV-2 em Rio Preto e região desde outubro de 2020. Os pesquisadores analisaram 272 genomas completos do novo coronavírus a fim de detectar a prevalência das variantes. Das 12 linhagens identificadas, as mais prevalentes foram P.1 (72,4%), P.2 (11%), B.1.1.28 (5,6%) e N.9 (4,6%).
Nogueira explica que, a partir do fim do ano passado, a cidade de São José do Rio Preto passou por dois grandes picos de casos e mortes: um em dezembro de 2020 e outro em fevereiro de 2021, quando as ocorrências da doença explodiram.
— De acordo com a análise, em outubro do ano passado estavam circulando várias variantes do coronavírus. Em dezembro, no entanto, houve o predomínio da P2 [detectada pela primeira vez no Rio de Janeiro], o que pode ter resultado na alta de casos, mas sem aumento na gravidade da doença. Foi no dia 26 de janeiro de 2021 que detectamos o primeiro caso de P1 no município e, logo depois, essa cepa passou a ser dominante. É nesse período, a partir de março, que ocorre um aumento de mais de 100% no número de casos graves e mortes — revela Nogueira.
Ainda segundo o pesquisador, o período de alta de contágios da P1 na cidade paulista coincidiu com a vacinação dos idosos.
— Quando houve a disseminação da P1 no município praticamente 100% dos maiores de 70 anos estavam vacinados, a maioria com CoronaVac. Segundo o estudo, as vacinas correspondem entre 60% e 70% de proteção contra a morte de casos graves nessa população vacinada, o que é uma ótima notícia — diz Nogueira.
Variantes
Variantes são formas mutantes do vírus e, embora a grande maioria apresente comportamento epidemiológico similar ao da cepa ancestral, algumas delas preocupam por serem potencialmente mais transmissíveis ou até mais letais. A linhagem P.1 (Gama) foi descoberta pela primeira vez em novembro de 2020, em Manaus (AM), e rapidamente se espalhou para outros Estados brasileiros, principalmente os da região Sudeste. Atualmente, é dominante no Brasil.
Em dezembro de 2020, a variante B.1.1.7 (Alfa) foi detectada pela primeira vez no Reino Unido. Atribui-se a ela uma transmissão aumentada entre 30% e 50% e a gravidade dos casos é 30% superior.
Já na África do Sul, foi detectada pela primeira vez a variante B.1.351 (Beta), associada ao aumento do risco de transmissão e redução na neutralização viral por terapia com anticorpos monoclonais, soros convalescentes e soros pós-vacinação.</p>
Mais recentemente a variante Delta, detectada pela primeira vez na Índia, se espalhou pelo mundo, possivelmente impactando a recente alta de casos na Europa, Estados Unidos e China. Ela já chegou no Brasil e preocupa autoridades sanitárias.
________________________________________ ////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// * ////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// * ________________________________________ /////////////////////////////////////////////////////// /////////////////////////////////////////////////////////////////////// http://www.nano-macro.com/?m=1 __________* Quarks, léptons e bósons __________* Vencedor de Nobel apresenta novo estudo sobre partículas fundamentais __________* Bóson de Higgs – Como, onde e porque surgiu * /////////////////////////////////////////////////////////////////////// /////////////////////////////////////////////////////// __________* Como surgiram os BÓSONS de Higgs, QUARKS e LÉPTONS ? O HIDROGÊNIO surgiu quando o Universo esfriou o suficiente para que a interação entre os QUARKS e LÉPTONS acontecessem. * Mas por que o BÓSON de Higgs deu origem a esse ZOOLÓGICO de partículas tão diferentes? * O...
Comentários
Postar um comentário