____________________________* Senador RANDOLFE RODRIGUES (Rede-AP ): "Oposições NÃO podem SUBESTIMAR Bolsonaro", diz senador. ____________________________* “Bolsonaro faz campanha declarada NÃO para ser reeleito. Faz CAMPANHA DECLARADA p/dar GOLPE de ESTADO ”. ____________________________*

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Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
e os entrevistadores Rudolfo Lago e Edson Sardinha em seu gabinete no Senado.
"Oposições NÃO podem SUBESTIMAR Bolsonaro", diz senador
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O fardo de todos os democratas: intensificar a frente de batalha contra o LAWFARE praticado pela mídia
LAWFARE é uma contração das palavras em inglês LAW, que significa DIREITO, e WARFARE, que significa GUERRA.
LAWFARE significa literalmente GUERRA JURÍDICA.

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Barroso chama Bolsonaro de 'farsante' e diz que populismo busca culpados para fiasco

Presidente do TSE fez duro discurso para rebater acusações que o chefe do Executivo faz sobre sistema eleitoral

Brasília

Presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Luís Roberto Barroso reagiu nesta quinta-feira (9) aos discursos golpistas do presidente Jair Bolsonaro no 7 de Setembro.

Barroso abriu a sessão da corte eleitoral com duro discurso para rebater as acusações que o chefe do Executivo faz sobre o sistema eleitoral, além dos ataques pessoais a ele dirigidos pelo mandatário.

"Todas pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história", afirmou Barroso. “Quando fracasso bate à porta, é preciso encontrar culpados."

O ministro disse que "o populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco. Pode ser o comunismo, pode ser a imprensa, podem ser os tribunais”.

atual crise institucional, patrocinada por Bolsonaro, teve início quando o presidente disse que as eleições de 2022 somente seriam realizadas com a implementação do sistema do voto impresso —essa proposta já ter sido derrubada pelo Congresso.

Em julho, em conversa com apoiadores, Bolsonaro disse que "a fraude está no TSE" e ainda atacou Barroso, a quem chamou de "idiota" e "imbecil".

"Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar, no voto auditável e confiável. Dessa forma [atual], corremos o risco de não termos eleição no ano que vem", disse na ocasião.

Um dia antes, também ao falar com apoiadores, Bolsonaro havia feito uma ameaça semelhante: "Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições".

Já no discurso em São Paulo, no 7 de Setembro, Bolsonaro voltou a mirar o sistema eleitoral. "Não é uma pessoa que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável, porque não é", afirmou. "Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada ainda pelo presidente do TSE."

Ainda no 7 de Setembro, ao escalar mais uma vez a crise institucional no país, ameaçar o STF (Supremo Tribunal Federal) e dizer que não cumprirá mais ordens judiciais do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade que podem levar à abertura de processos de impeachment, segundo especialistas ouvidos pela Folha.

Além dos crimes de responsabilidade, que possuem caráter político e jurídico, o presidente pode ter cometido também crimes comuns, ilícitos eleitorais e ato de improbidade administrativa, na avaliação de parte dos entrevistados.

O STF analisa atualmente cinco inquéritos que miram Bolsonaro, seus filhos ou apoiadores na área criminal. Já no TSE tramitam outras duas apurações que envolvem o chefe do Executivo.

Apesar de a maioria estar em curso há mais de um ano, essas investigações foram impulsionadas nas últimas semanas após a escalada nos ataques golpistas do chefe do Executivo a ministros das duas cortes e a uma série de acusações sem provas de fraude nas eleições.

FolhaJus

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Nesta quinta-feira, no início de sua fala, Barroso lembrou que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, se manifestou sobre os ataques àquela corte e seus integrantes.

Afirmou que, agora, caberia a ele, rebater o que presidente da República disse de inverídico em relação à Justiça Eleitotal. "Faço [isso] em nome dos milhares de juízes que servem à Justiça Eleitoral", destacou ele, ao classificar a linguagem de Bolsonaro de abusiva e mentirosa.

"Já começa a ficar cansativo para o Brasil ter que repetidamente desmentir falsidades."

Barroso disse que as eleições brasileiras são totalmente "limpas, democráticas e auditáveis", e que nunca se documentou fraude. Lembrou que, pelo sistema eleitoral em vigor, foram eleitos Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dima Rousseff e próprio Bolsonaro.

O magistrado frisou que há dez camadas de auditoria no sistema e comentou que contagem pública manual de votos é como abandonar o computador e regredir aos tempos da caneta tinteiro.

"Seria um retorno ao tempo da fraude e da manipulação. Se tentam invadir o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, imagine-se o que não fariam com as seções eleitorais."

Em suas palavras finais, o presidente do TSE disse que insulto não é argumento e que ofensa não é coragem.

"A incivilidade é uma derrota do espírito. A falta de compostura nos envergonha perante o mundo. A marca Brasil sofre, nesse momento, uma desvalorização global. Somos vítimas de chacota e de desprezo mundial."

FolhaJus Dia

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Após o discurso de Barroso, foi anunciada a criação de um órgão destinado a ampliar a transparência e a segurança de todas as etapas de preparação e realização das eleições.

A CTE (Comissão de Transparência das Eleições) foi instituída por meio de portaria publicada nesta quinta (9). A comissão contará com a participação de especialistas, representantes da sociedade civil e instituições públicas na fiscalização e auditoria do processo eleitoral.

Em outubro, com a presença de intengrantes da CTE, de presidentes de partidos políticos e dos ministros da Corte Eleitoral, será feita uma exposição sobre o sistema eletrônico de votação, além de visita à sala onde ficarão os códigos-fontes.

“Aqui não se faz nada às escondidas. É tudo transparente e aberto pelo bem da democracia brasileira”, afirmou Barroso.

Ataques ao sistema eleitoral e à urna eletrônica fazem parte da retórica do presidente Jair Bolsonaro desde a campanha. Na véspera do pleito, em outubro de 2018, ele afirmou que só perderia se houvesse fraude. ​

“Isso só pode acontecer por fraude, não por voto, estou convencido”, disse em live em outubro de 2018.

As acusações infundadas se mantiveram mesmo depois de eleito. Em março de 2020, Bolsonaro disse que teria vencido a eleição ainda no primeiro turno, porém nunca apresentou nenhuma prova disso.

Até hoje, não há evidências de que tenham ocorrido fraudes em eleições com uso da urna eletrônica. A urna possui diferentes medidas de segurança e de auditoria.

Independentemente disso, há especialistas que defendem que o TSE deveria aumentar a transparência do sistema eleitoral e melhorar as possibilidades de auditoria das eleições. O problema, dizem eles, é que o debate técnico e sério acaba ofuscado pela desinformação e por mentiras.

Pesquisa Datafolha realizada de 8 a 10 de dezembro mostrou que 73% dos brasileiros defendem que o sistema de voto em urna eletrônica seja mantido. Já o voto em papel, abandonado nos anos 1990, tem sua volta pleiteada por 23% da população.

Do total de entrevistados, 69% disseram que confiam muito ou um pouco no sistema de urnas informatizadas, que passou a ser adotado gradualmente em 1996. Outros 29% responderam que não confiam.

Leia a íntegra do discurso de Barroso

1. A propósito dos eventos e pronunciamentos do último dia 7 de setembro, o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Luiz Fux, já se manifestou com relação aos ataques àquele Tribunal, seus Ministros e às instituições, com o vigor que se impunha.

2. A mim, como Presidente do Tribunal Superior Eleitoral cabe apenas rebater o que se disse de inverídico em relação à Justiça Eleitoral. Faço isso em nome dos milhares de juízes e servidores que servem ao Brasil com patriotismo – não o da retórica de palanque, mas o do trabalho duro e dedicado –, e que não devem ficar indefesos diante da linguagem abusiva e da mentira.

3. Já começa a ficar cansativo, no Brasil, ter que repetidamente desmentir falsidades, para que não sejamos dominados pela pós-verdade, pelos fatos alternativos, para que a repetição da mentira não crie a impressão de que ela se tornou verdade. É muito triste o ponto a que chegamos.

⇒ Antes de responder objetivamente a tudo o que precisa ser respondido, faço uma breve reflexão sobre o mundo em que estamos vivendo e as provações pelas quais têm passado as democracias contemporâneas. É preciso entender o que está acontecendo para resistir adequadamente.

II. A recessão democrática no mundo

1. A democracia vive um momento delicado em diferentes partes do mundo, em um processo que tem sido batizado como recessão democrática, retrocesso democrático, constitucionalismo abusivo, democracias iliberais ou legalismo autocrático. Os exemplos foram se acumulando ao longo dos anos: Hungria, Polônia, Turquia, Rússia, Geórgia, Ucrânia, Filipinas, Venezuela, Nicarágua e El Salvador, entre outros. É nesse clube que muitos gostariam que nós entrássemos.

2. Em todos esses casos, a erosão da democracia não se deu por golpe de Estado, sob as armas de algum general e seus comandados. Nos exemplos acima, o processo de subversão democrática se deu pelas mãos de presidentes e primeiros-ministros devidamente eleitos pelo voto popular. Em seguida, paulatinamente, vêm as medidas que desconstroem os pilares da democracia e pavimentam o caminho para o autoritarismo.

III. Três fenômenos distintos

1. Há três fenômenos distintos em curso em países diversos: a) o populismo; b) o extremismo e c) o autoritarismo. Eles não se confundem entre si, mas quando se manifestam simultaneamente – o que tem sido frequente – trazem graves problemas para a democracia.

2. O populismo tem lugar quando líderes carismáticos manipulam as necessidades e os medos da população, apresentando-se como anti-establishment, diferentes “de tudo o que está aí” e prometendo soluções simples e erradas, que frequentemente cobram um preço alto no futuro.

3. Quando o fracasso inevitável bate à porta – porque esse é o destino do populismo –, é preciso encontrar culpados, bodes expiatórios. O populismo vive de arrumar inimigos para justificar o seu fiasco. Pode ser o comunismo, a imprensa ou os tribunais.

4. As estratégias mais comuns são conhecidas:

a) uso das mídias sociais, estabelecendo uma comunicação direta com as massas, para procurar inflamá-las;

b) a desvalorização ou cooptação das instituições de mediação da vontade popular, como o Legislativo, a imprensa e as entidades da sociedade civil; e

c) ataque às supremas cortes, que têm o papel de, em nome da Constituição, limitar e controlar o poder.

5. O extremismo se manifesta pela intolerância, agressividade e ataque a instituições e pessoas. É a não aceitação do outro, o esforço para desqualificar ou destruir os que pensam diferente. Cultiva-se o conflito do nós contra eles. O extremismo tem se valido de campanhas de ódio, desinformação, meias verdades e teorias conspiratórias, que visam enfraquecer os fundamentos da democracia representativa. Manifestação emblemática dessa disfunção foi a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, após a derrota de Donald Trump nas eleições presidenciais. Por aqui, não faltou quem pregasse invadir o Congresso e o Supremo.

6. O autoritarismo, por sua vez, é um fenômeno que sempre assombrou diferentes continentes – América Latina, Ásia, África e mesmo partes da Europa –, sendo permanente tentação daqueles que chegam ao poder.

7. Em democracias recentes, parte das novas gerações já não tem na memória o registro dos desmandos das ditaduras, com seu cortejo de intolerância, violência e perseguições. Por isso mesmo, são presas mais fáceis dos discursos autoritários.

8. Uma das estratégias do autoritarismo, dos que anseiam a ditadura, é criar um ambiente de mentiras, no qual as pessoas já não divergem apenas quanto às suas opiniões, mas também quanto aos próprios fatos. Pós-verdade e fatos alternativos são palavras que ingressaram no vocabulário contemporâneo e identificam essa distopia em que muitos países estão vivendo.

9. Uma das manifestações do autoritarismo pelo mundo afora é a tentativa de desacreditar o processo eleitoral para, em caso de derrota, poder alegar fraude e deslegitimar o vencedor.

10. Visto o cenário mundial, falo brevemente sobre o Brasil e os ataques sofridos pela Justiça Eleitoral.

IV. Referências ao TSE e ao processo Eleitoral

1. No tom, com o vocabulário e a sintaxe que é capaz de manejar, o Presidente da República fez os seguintes comentários que dizem respeito à Justiça Eleitoral e que passo a responder.

I. “A alma da democracia é o voto”.

1. De fato, o voto é elemento essencial da democracia representativa.

2. Outro elemento igualmente fundamental é o debate público permanente e de qualidade, que permite que todos os cidadãos recebam informações corretas, formem sua opinião e apresentem seus argumentos.

3. Quando esse debate é contaminado por discursos de ódio, campanhas de desinformação e teorias conspiratórias infundadas, a democracia é aviltada.

⇒ O slogan para o momento brasileiro, ao contrário do propalado, parece ser: “Conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará”.

II. “Não podemos admitir um sistema eleitoral que não fornece qualquer segurança”

1. As urnas eletrônicas brasileiras são totalmente seguras. Em primeiro lugar, elas não entram em rede e não são passíveis de acesso remoto. Podem tentar invadir os computadores do TSE (e obter alguns dados cadastrais irrelevantes), podem fazer ataques de negação de serviço aos nossos sistemas, nada disso é capaz de comprometer o resultado da eleição. A própria urna é que imprime os resultados e os divulga.

2. Os programas que processam as eleições têm o seu código fonte aberto à inspeção de todos os partidos, da Polícia Federal, do Ministério Público e da OAB um ano antes das eleições. Estará à disposição dessas entidades a partir de 4 de outubro próximo. Inúmeros observadores internacionais examinaram o sistema com seus técnicos e atestaram a sua integridade.

3. Ainda hoje, daqui a pouco, anunciarei os integrantes da Comissão de Transparência das Eleições, que vão acompanhar cada passo do processo eleitoral. Nunca se documentou qualquer episódio de fraude.

⇒ O sistema é certamente inseguro para quem acha que o único resultado possível é a própria vitória. Como já disse antes, para maus perdedores não há remédio na farmacologia jurídica.

III. “Nós queremos eleições limpas, democráticas, com voto auditável e contagem pública de votos”

1. As eleições brasileiras são totalmente limpas, democráticas e auditáveis. Eu não vou repetir uma vez mais que nunca se documentou fraude, que por esse sistema foram eleitos FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro e que há 10 (dez) camadas de auditoria no sistema.

2. Agora: contagem pública manual de votos é como abandonar o computador e regredir, não à máquina de escrever, mas à caneta tinteiro. Seria um retorno ao tempo da fraude e da manipulação. Se tentam invadir o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, imagine-se o que não fariam com as seções eleitorais!

3. As eleições brasileiras são limpas, democráticas e auditáveis. Nessa vida, porém, o que existe está nos olhos do que vê.

IV. “Não podemos ter eleições onde (sic) pairem dúvidas sobre os eleitores”

1. Depois de quase três anos de campanha diuturna e insidiosa contra as urnas eletrônicas, por parte de ninguém menos do que o Presidente da República, uma minoria de eleitores passou a ter dúvida sobre a segurança do processo eleitoral. Dúvida criada artificialmente por uma máquina governamental de propaganda. Assim que pararem de circular as mentiras, as dúvidas se dissiparão.

V. “Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral”

1. O Presidente da República repetiu, incessantemente, que teria havido fraude na eleição na qual se elegeu. Disse eu, então, à época, que ele tinha o dever moral de apresentar as provas. Não apresentou.

2. Continuou a repetir a acusação falsa e prometeu apresentar as provas. Após uma live que deverá figurar em qualquer futura antologia de eventos bizarros, foi intimado pelo TSE para cumprir o dever jurídico de apresentar as provas, se as tivesse. Não apresentou.

3. É tudo retórica vazia. Hoje em dia, salvo os fanáticos (que são cegos pelo radicalismo) e os mercenários (que são cegos pela monetização da mentira), todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história.

VI. “Não é uma pessoa no Tribunal Superior Eleitoral que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável”.

1. Não sou eu que digo isso. Todos os ex-Presidentes do TSE no pós-88 – 15 Ministros e ex-Ministros do STF – atestam isso. Mas, na verdade, quem decidiu que não haveria voto impresso foi o Congresso Nacional, não foi o TSE.

2. A esse propósito, eu compareci à Câmara dos Deputados após três convites: da autora da proposta, do Presidente da Comissão Especial e um convite pessoal do Presidente daquela Casa. Não fiz ativismo legislativo. Fui insistentemente convidado.

3. Lá expus as razões do TSE. Não tenho verbas, não tenho tropas, não troco votos. Só trabalho com a verdade e a boa fé. São forças poderosas. São as grandes forças do universo. A verdade realmente liberta. Mas só àqueles que a praticam.

4. Foi o Congresso Nacional – não o TSE – que recusou o voto impresso. E fez muito bem. O Presidente da Câmara afirmou que após a votação da Proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O Presidente do Senado afirmou que após a votação da Proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O Presidente da República, como ontem lembrou o Presidente da Câmara, afirmou que após a votação da proposta o assunto estaria encerrado. Não cumpriu a palavra.

5. Seja como for, é uma covardia atacar a Justiça Eleitoral por falta de coragem de atacar o Congresso Nacional, que é quem decide a matéria.

VII. Conclusão

1. Insulto não é argumento. Ofensa não é coragem. A incivilidade é uma derrota do espírito. A falta de compostura nos envergonha perante o mundo. A marca Brasil sofre, nesse momento, uma desvalorização global. Somos vítimas de chacota e de desprezo mundial.

2. Um desprestígio maior do que a inflação, do que o desemprego, do que a queda de renda, do que a alta do dólar, do que a queda da bolsa, do que o desmatamento da Amazônia, do que o número de mortos pela pandemia, do que a fuga de cérebros e de investimentos. Mas, pior que tudo, nos diminui perante nós mesmos. Não podemos permitir a destruição das instituições para encobrir o fracasso econômico, social e moral que estamos vivendo.

3. A democracia tem lugar para conservadores, liberais e progressistas. O que nos une na diferença é o respeito à Constituição, aos valores comuns que compartilhamos e que estão nela inscritos. A democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la.

⇒ Com a bênção de Deus – o Deus do bem, do amor e do respeito ao próximo – e a proteção das instituições, um Presidente eleito democraticamente pelo voto popular tomará posse no dia 1º de janeiro de 2023.

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"Conhecereis a MENTIRA e a MENTIRA vos aprisionará"

"A falta de compostura nos envergonha perante o mundo" - Luís Roberto Barroso em recado claro a Bolsonaro

Luís Roberto Barroso

"Quando esse debate é contaminado por discursos de ódio, campanhas de desinformação e teorias conspiratórias infundadas, a democracia é aviltada

O slogan para o momento brasileiro, ao contrário do propalado, parece ser: 'conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará'", disse ele em sessão virtual do TSE. 

O magistrado criticou o que chamou de "retórica vazia, política de palanque". De acordo com o ministro, "insulto não é argumento, ofensa não é coragem, incivilidade é uma derrota do espírito". "A falta de compostura nos envergonha perante o mundo", continuou. "Não podemos permitir a destruição das instituições para encobrir o fracasso econômico, social e moral que estamos vivendo".

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Segundo Barroso, "uma das manifestações do autoritarismo é a tentativa de desacreditar o processo eleitoral e as instituições eleitorais para, em caso de derrota, pode alegar fraude e deslegitimar o vencedor". "Começa a ficar cansativo no Brasil ter que repetidamente desmentir falsidades para que não sejamos dominados pela pós-verdade. É muito triste o ponto a que chegamos". 

O presidente do TSE também destacou que "o extremismo tem se valido de campanhas de ódio, de desinformação, que visam enfraquecer os fundamentos da democracia". "Quando o fracasso bate à porta, porque é o destino do populismo, é preciso encontrar culpados. O populismo vive de arrumar inimigo para justificar o seu fiasco", acrescentou.

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"Conhecereis a mentira e a mentira vos aprisionará", diz Barroso, em recado claro a Bolsonaro

Luís Roberto Barroso

247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, mandou um recado a Jair Bolsonaro, ao alertar que o Judiciário não compactuará com mentiras sobre as instituições. De acordo com o magistrado, uma das estratégias "do autoritarismo é criar ambiente de mentiras".

"Quando esse debate é contaminado por discursos de ódio, campanhas de desinformação e teorias conspiratórias infundadas, a democracia é aviltada. O slogan para o momento brasileiro, ao contrário do propalado, parece ser: 'conhecerás a mentira e a mentira te aprisionará'", disse ele em sessão virtual do TSE. 

O magistrado criticou o que chamou de "retórica vazia, política de palanque". De acordo com o ministro, "insulto não é argumento, ofensa não é coragem, incivilidade é uma derrota do espírito". "A falta de compostura nos envergonha perante o mundo", continuou. "Não podemos permitir a destruição das instituições para encobrir o fracasso econômico, social e moral que estamos vivendo".

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Segundo Barroso, "uma das manifestações do autoritarismo é a tentativa de desacreditar o processo eleitoral e as instituições eleitorais para, em caso de derrota, pode alegar fraude e deslegitimar o vencedor". "Começa a ficar cansativo no Brasil ter que repetidamente desmentir falsidades para que não sejamos dominados pela pós-verdade. É muito triste o ponto a que chegamos". 

O presidente do TSE também destacou que "o extremismo tem se valido de campanhas de ódio, de desinformação, que visam enfraquecer os fundamentos da democracia". "Quando o fracasso bate à porta, porque é o destino do populismo, é preciso encontrar culpados. O populismo vive de arrumar inimigo para justificar o seu fiasco", acrescentou.

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'Corretor das celebridades' é um dos alvos da segunda fase da Operação Kryptos e apontado como operador financeiro do 'faraó' dos bitcoins

Segundo a Polícia Federal, Michael de Souza Magno é ligado a grupo de Glaidson Acácio dos Santos em esquema financeiro
No site de Michael, junto a foto com Bruno Gagliasso, o ator é descrito como 'amigo, cliente, gente finíssima, sempre presente' Foto: Reprodução
No site de Michael, junto a foto com Bruno Gagliasso, o ator é descrito como 'amigo, cliente, gente finíssima, sempre presente' Foto: Reprodução

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RIO — Enquanto no mundo dos famosos Michael de Souza Magno é conhecido como o "corretor das celebridades", para a Polícia Federal (PF) ele é apontado como operador financeiro do esquema fraudulento de pirâmide montado pelo ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, preso no último dia 25 e conhecido como "faraó" dos bitcoins. Quinze dias após a prisão de Glaidson, Magno é um dos alvos da segunda fase da Operação Kryptos, nesta quinta-feira. Os agentes estiveram no seu apartamento. Além dele, os investigadores procuram o empresário João Marcus Pinheiro Dumas Viana, que também ainda não foi achado. Ele tem ligação com os negócios de Glaidson.

Nesta fase da operação, policiais e auditores fiscais cumprem dois mandados de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão no Rio. Até o momento, ninguém foi preso. Os mandados foram expedidos pelo juiz da 3ª Vara Criminal Federal, Vitor Barbosa Valpuesta.Um dos endereços fica na Península, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Em relatório da Operação Kryptos, obtido pelo GLOBO, o corretor aparece como um importante operador da GAS Consultoria Bitcoin, companhia do ex-garçom que prometia rendimentos exorbitantes mediante investimento em criptomoedas. Embora o documento pontue que não há vínculo formal entre o corretor e Glaidson, Michael era, segundo a PF, ligado ao casal Tunay Pereira Lima e Marcia Pinto dos Anjo, ambos presos no mesmo dia que o ex-garçom. O casal é sócio de Glaidson.

De acordo com o relatório, o corretor declarou, em 2021, bens e rendimentos tributáveis de R$ 32.700, além de um patrimônio de pouco mais de R$ 293 mil. "Apesar disso, desde 2017, seu patrimônio e seu padrão de vida aumentaram bastante, o que leva a RFB (Receita Federal do Brasil) a apontá-lo como provável sonegador contumaz", afirma o texto.

Conversa sobre fuga

Michael Magno também aparece em um trecho do relatório que fala sobre a possibilidade de que Glaidson fugisse do Brasil. Uma escuta telefônica, realizada com autorização da Justiça, registrou uma conversa do corretor com um homem não identificado, na qual os dois, de acordo com os investigadores, tratariam da saída do empresário do país.

O telefonema aconteceu na tarde da última segunda-feira, dia 23 de agosto, às 14h30. "Porque ele já sabia que ele tinha que sair do país rápido", afirma o interlocutor para Michael, referindo-se, segundo a PF, ao ex-garçom. Pouco depois, o próprio Michael diz: "Já era pra ter ido embora, cara, pra 'tá' bem longe daqui. Aí fica no Rio, fica indo em resenha, fica indo não sei aonde, vai pra festa".

Os advogados de Glaidson negam que ele tivesse qualquer intenção de fugir do país em definitivo. De acordo com a defesa do empresário, ele faria uma viagem para Punta Cana, na República Dominicana, onde aconteceria uma espécie de congresso da G.A.S. O evento no exterior reuniria sócios, consultores e familiares em um resort de luxo, com tudo incluído. As atividades teriam início justamente em 25 de agosto, data da prisão, e iriam até 31 de agosto.

A possibilidade de que o empresário deixasse o Brasil junto a dezenas de outras pessoas ligadas à G.A.S, aliás, foi motivo de preocupação para Michael na ligação monitorada pelos agentes. "Ele já 'tá' chamando a atenção, ele tem que passar em 'OFF', não pode ir com todo mundo, com cachorro. Com periquito e papagaio. Entendeu? Ele não pode, pô", reclama o operador para o outro homem, que concorda.

Artistas e jogadores de futebol

Nas redes sociais, Michael Magno se identifica como pioneiro no segmento de imóveis de alto padrão, e sua empresa como "30 anos de grandes negócios". Em um perfil da corretora que leva o seu nome, ele aparece numa lancha, em Búzios, numa foto cuja legenda é: "Carregando as energias pra semana". Em outra postagem, ele desce de um helicóptero na Barra da Tijuca: "Mais uma semana abençoada", escreveu.

Em uma matéria de 2019, numa página sobre celebridades, Michael se orgulhava de já ter vendido um imóvel por R$ 20 milhões. De acordo com o texto, além dos atores Bruno Gagliasso e Nilvea Stelmann, ele teria feito negócios também com Eri Johhson, Kadu Moliterno, Rayane Moraes e Juliana Kieling, além da cantora Preta Gil e os jogadores de futebol Nenê, Henrique Dourado e Giovanni Augusto.

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Pregadora que falou “parem de postar coisa de preto, de gay” vira ré. _________________________________ KARLA Cordeiro dos Santos TEDIM, pastora da Igreja Sara Nossa Terra, proferiu falas discriminatórias em culto, em Nova Friburgo (RJ), no fim de julho

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público do estado (MPRJ) e mandou para o banco dos réus a pregadora Karla Cordeiro dos Santos Tedim. 

Ela é acusada de proferir um discurso racista e homofóbico em um culto para jovens na Igreja Sara Nossa Terra de Nova Friburgo, na Região Serrana do RJ. O vídeo da pregação, em 31 de julho, circulou nas redes sociais no início de agosto e chegou à polícia.

“É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+, sei lá quantos símbolos tem isso aí. 

É uma vergonha, desculpa falar, mas chega de mentiras, eu não vou viver mais de mentiras. 

É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová em si. É Jesus Cristo. Ele é a nossa bandeira. Para de querer ficar postando coisa de gente preta, de gay, para! Posta palavra de Deus que transforma vidas. Vira crente, se transforma, se converta!”, disse Karla na ocasião.

Pastora vira ré por discurso racista e homofóbico | Ancelmo - O Globo

Por Ana Cláudia Guimarães

Pastora vira ré por discurso racista e homofóbico

O juiz Marcelo Alberto Chaves Villas, titular da 2ª Vara Criminal de Nova Friburgo, acolheu a denúncia do Ministério Público, sexta-feira passada, contra a pastora Karla Cordeiro dos Santos Tedim por racismo qualificado.

Ela é acusada de realizar discurso racista e homofóbico ao orientar féis que parassem de postar “coisa de gente preta, de gay”. O magistrado entendeu que, no ato, houve a prática de indução e incitação ao preconceito e à discriminação contra pretos e pertencentes da comunidade LGBTQIA+.

Para o juiz, o discurso de Karla "perpassa, sim, a noção inicial de que a intenção da agente seria, de fato, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça e cor, bem como o preconceito ou a discriminação de grupos identificados pelo ponto comum da vulnerabilidade com o movimento LGBTQIA+".


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Inflação tem maior alta para agosto desde 2000 e atinge 9,68% em 12 meses

IPCA subiu 0,87% no mês, acima das previsões, pressionado principalmente por combustíveis. Tensão política eleva o dólar, com reflexo sobre os preços
O preço da gasolina pressinou a inflação de agosto, que foi a maior para o mês em 21 anos Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
O preço da gasolina pressinou a inflação de agosto, que foi a maior para o mês em 21 anos Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

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RIO —  A inflação subiu 0,87% em agosto em relação a julho, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira, a maior alta desde o ano 2000. O indicador foi pressionado principalmente pelos preços dos combustíveis. Em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 9,68%.

Analistas consultados pela Reuters projetavam alta de 0,71% no mês e avanço de 9,50% em 12 meses. O resultado no intervalo de um ano é o maior desde fevereiro de 2016, quando o índice chegou a 10,36%.

Os dados mostram que a inflação em 12 meses continua acelerando e permanece bem acima do teto da meta estabelecida para o ano pelo Banco Central, de 5,25%.

Alta da gasolina de 31% em 12 meses

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito subiram em agosto. O destaque foi o grupo de Transportes, com a maior alta de preços. Puxado pelos combustíveis, o segmento registrou a maior variação (1,46%).

A gasolina subiu 2,80% e foi a maior contribuição individual para o aumento do IPCA. O etanol avançou ainda mais: 4,50%. O gás veicular (2,06%) e o diesel (1,79%) também ficaram mais caros no mês.

— O preço da gasolina é influenciado pelos reajustes aplicados nas refinarias de acordo com a política de preços da Petrobras. O dólar, os preços no mercado internacional e o encarecimento dos biocombustíveis são fatores que influenciam os custos, o que acaba sendo repassado ao consumidor final — disse o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

No ano, a gasolina acumula alta de 31,09%, o etanol de 40,75% e o diesel de 28,02%.

Peso dos alimentos e da energia

Com a tensão política, agravada após os atos do Sete de Setembro, o dólar tende a se manter em patamer elevado, contribuindo para a alta dos combustíveis e de outras matérias-primas nos próximos meses. A moeda americana fechou em R$ 5,32 na quarta-feira, e o real é a divisa que mais de desvaloriza no mundo.

Além dos combustíveis, energia e alimentos também pesaram no bolso do consumidor em agosto. O grupo alimentação e bebidas teve a segunda maior alta (+ 1,39%) do IPCA, com avanço dos preços do café e batata inglesa, por exemplo.

O agravamento das condições hidrológicas no país reduzem a irrigação das plantações, afetando a produção de alimentos e jogando as cotações para cima.

Além dos combustíveis e energia, alimentos também pesaram no bolso do consumidor em agosto Foto: Pixabay
Além dos combustíveis e energia, alimentos também pesaram no bolso do consumidor em agosto Foto: Pixabay

A crise hídrica também impacta o custo da energia, com vigência da bandeira vermelha, que adiciona R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. Em setembro, a cota extra da conta de luz vai subir ainda mais, com a entrada em vigor de uma nova bandeira, a Escassez Hídrica, que ficará em vigor até abril de 2021.

Em agosto, a energia elétrica subiu 1,1%, com reajuste de tarifas em Vitória, Belém e em uma das concessionárias em São Paulo. Embora tenha desacelerado em relação à alta de julho (7,88%), ela influenciou o desempenho do grupo habitação (+0, 68%).

Integra esse grupo também o gás encanado, que teve reajuste em alguns estados em agosto, como o Rio.

Perspectivas para o ano

A perspectiva, segundo analistas, é de piora do IPCA. Isso porque há pressões de oferta e demanda que impactam os preços, além do encarecimento do dólar.

O agravamento da crise hídrica tende a manter os custos de energia elétrica elevados, ao passo que a seca afeta a produção de alimentos e faz subir os preços da alimentação no domicílio.

Pelo lado da demanda, o avanço da vacinação e a gradual retomada da economia com diminuição das medidas de restrição à mobilidade social tendem a fazer a inflação de serviços subir.

Se as projeções dos analistas para a inflação -  com estimativas já perto de 8% para o ano - se concretizarem, o país registrará a maior inflação anual desde 2015, quando chegou a 10,67% e fechou 4,16 pontos percentuais acima do teto da meta inflacionária fixada pelo BC. Naquela ocasião, o Brasil passava por uma recessão econômica

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Aumento de bilionários e volta da pobreza extrema no Brasil mostram impacto desigual da covid

Ao se tornarem bilionários por ações, a maior riqueza dessa parcela da população não significa ganhos para a economia como um todo - Alex Silva/Estadão Conteúdo
Ao se tornarem bilionários por ações, a maior riqueza dessa parcela da população não significa ganhos para a economia como um todo Imagem: Alex Silva/Estadão Conteúdo

Lúcia Müzell

Da RFI

08/09/2021 07h48

Atualizada em 08/09/2021 07h50

De um lado, 42 novos bilionários, em plena pandemia. De outro, a pobreza extrema não para de subir. A divulgação da nova lista da revista Forbes, com alta no número de bilionários no Brasil, acontece semanas depois de cenas de pessoas comprando ossos para fazer sopa gerarem comoção no país. O que explica tanta desigualdade?

"É um país que já é muito desigual, integra sempre os primeiros lugares nos rankings de organizações multilaterais em termos de desigualdades, como um dos mais desiguais do mundo. Quando vem um choque totalmente adverso como esse, na economia, acaba por exacerbar ainda mais esse problema pré-existente", resume o economista Gedeão Locks, pesquisador sobre o tema no Centre d'Économie de la Sorbonne (CES), em Paris.

"A prosperidade dos países ricos não existiria sem os países pobres", defende Thomas Piketty

A maioria desses novos bilionários ascendeu ao posto graças à abertura de capital das suas empresas na bolsa — no chamado "boom" dos IPOs, na sigla em inglês para a operação. Eles se beneficiaram de uma conjuntura mundial favorável, com a abundância de liquidez nos mercados financeiros — especialmente os que se posicionam na área de tecnologia e saúde.

"Essa notícia dos bilionários em plena crise diz muito sobre o novo perfil dos ricos. A riqueza hoje está concentrada principalmente nos frutos das atividades no mercado financeiro. E isso, no Brasil, representa de fato muito da nossa concentração de riquezas", afirma Débora Freire, também especialista no tema e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Isso exacerba ainda mais o fato de que são os ricos que detêm ações no mercado financeiro e, se elas se valorizaram, eles ficam mais ricos durante a pandemia", complementa Locks.

Economia real

O problema é que, ao se tornarem bilionários pela valorização de ações, a maior riqueza dessa parcela da população não significa ganhos para a economia como um todo — não gerou mais empregos, tampouco mais distribuição de renda pela arrecadação de impostos.

"Enquanto o setor financeiro se beneficiou, a economia real foi impactada fortemente. A produção, os investimentos, que de fato ampliam a capacidade produtiva da economia, os empregos, a renda gerada no trabalho, foram fortemente impactados", indica Freire. "E esses setores — comércio, serviços — são os que empregam a mão de obra menos qualificada. Então a maior parte da população, e mais vulnerável, que trabalha sem carteira assinada, para ganhar um salário mínimo, foi tremendamente abalada."

Reforma tributária não corrige distorções

Um instrumento de correção dessas distorções seria uma tabela de Imposto de Renda mais progressiva. A alíquota máxima no Brasil é de 27,5% e atinge todos os que ganham mais de R$ 5,3 mil por mês — uma situação que a reforma tributária apresentada pelo governo não alterou.

"A alíquota marginal efetiva, ou seja, o quanto que é efetivamente o imposto dos mais ricos do Brasil, é insignificante. Especialistas do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) calcularam entre 7 e 8%, enquanto que uma pessoa que ganha um salário mínimo paga quase a metade da renda em impostos diretos e indiretos. É algo que não faz sentido algum", aponta Locks.

A reforma pautada pelo Ministério da Economia também propõe a isenção de impostos de pessoas jurídicas e autônomos cujas empresas faturam até R$ 4,8 milhões. Trabalhadores com renda até R$ 2,5 mil também ficam isentos, mas a medida se revela pouco efetiva, num país em que 41% dos trabalhadores estão na informalidade, segundo o IBGE.

Por outro lado, a tributação dos dividendos finalmente entrou na pauta — embora de maneira limitada, ao atingir apenas os ganhos superiores a R$ 2,8 milhões. "Por mais que a reforma seja um pouco bagunçada, é um avanço institucional que haja a cobrança de impostos sobre dividendos. Apesar de não ser uma grande arrecadação, isso é um passo na direção correta da progressividade tributária no Brasil", observa o pesquisador da Sorbonne.

Recuperação desigual

Da mesma forma em que a crise atingiu os brasileiros de maneira desigual, a recuperação econômica também será mais demorada para a base da pirâmide, que naturalmente fica mais exposta a uma depressão. A reabertura de postos de trabalho ainda é lenta, ressalta Freire.

"A recuperação foi para poucos. Recuperar o tecido social perdido, pessoas que estavam num emprego formal que foi perdido ou que, mesmo na informalidade, tinham rendimentos menos voláteis, é muito mais difícil e demorado", ressalta a professora da UFMG. "Quanto mais a gente aprofunda a pobreza — voltamos para o mapa da fome, por exemplo, e temos visto um aumento muito significativo da pobreza extrema —, mais difícil é de recuperar."

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Opinião: Milly Lacombe - Milly: Dani Alves pula nos braços do fascismo bolsonarista

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
Milly Lacombe

Colunista do UOL

07/09/2021 12h12

Nesse 7 de setembro, o jogador Daniel Alves postou em suas redes sociais uma foto abraçado à bandeira do Brasil com a legenda: "Brasil acima de tudo; Deus acima de todos. Dia da nossa independência e desejo-lhes que vocês peguem esse dia para se independizar (sic) também. Se independizar (sic) das opressões, das manipulações de opiniões e das influências egocêntricas. SER LIVRE É PODER SONHAR. SER LIVRE É PODER REALIZAR. SER LIVRE É SABER QUE TUDO VAI PASSAR E SOMENTE OS LEGADOS VÃO FICAR!!! VIVA A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL E DOS BRASILEIROS" #Deusnovomando (sic)".

A legenda com esse emaranhado de palavras sem sentido poderia até gerar dúvidas sobre que posição o jogador está tomando, mas a escolha pelo slogan usado pelo Bolsonarismo e emprestado do nazismo ("Alemanha acima de tudo") não deixa dúvidas.

A essa altura da pandemia, do extermínio, do genocídio não é mais aceitável que alguém defenda Bolsonaro e esse slogan fascista. Nunca foi, é verdade. Mas antes poderíamos até tentar elaborar, pensar, refletir, debater o profundo desamparo que levou milhões a desejos anti-institucionais. Agora, não mais.

Postar foto com bandeira do Brasil associada ao slogan bolsonarista é tomar partido. E o partido que Daniel Alves está tomando é o do liberal fascismo bolsonarista, esse que ameaça dar um golpe, que já nos matou às centenas de milhares, que queima nossas florestas num ritmo histórico, que acha que algumas mulheres merecem ser estupradas, que diz que não é preciso usar máscaras, que tudo bem aglomerar, que negro é medido em arroba, que mulher é fraquejada, que deixa vacina apodrecer, que libera o maior número de agrotóxico já liberado em nossa história, das rachadinhas, da naturalização de funcionários fantasmas, da celebração de milícias e milicianos. É a esse Brasil que Dani Alves está dando as mãos.

Não tem mais como se esconder. As máscaras estão caindo e os fascistas colocando a cara no sol.

E, numa gota ainda maior de desespero e de tristeza, a constatação de que Marta curtiu a postagem (e de que, depois de algumas horas, descurtiu).

Como escreveu no Twitter o comentarista da ESPN Breiller Pires: "É sempre decepcionante quando atletas com trajetórias vitoriosas e inspiradoras no esporte se comportam como capachos de extremistas golpistas. Ser ídolo vai muito além dos feitos esportivos. Empilhar troféus não impede qualquer cidadão de ocupar a lata de lixo da história". É isso aí.

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Fernando Galembeck cria tinta antichamas e coleta energia elétrica do ar

Renata Baptista

De Tilt, em São Paulo

29/08/2021 10h48

Era lá pelos anos 1950 que Fernando Galembeck, ao ajudar no laboratório farmacêutico do pai, em São Paulo, aprendia sobre os poderes dos íons de prata, um dos mais tradicionais componentes disponíveis nas farmácias como desinfetante e antisséptico.

"Uma solução muito usada continha nada menos do que nanopartículas de prata para tratar infecções nos olhos e nas vias respiratórias", lembra o professor aposentado de química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que ainda segue na ativa como colaborador.

Naquela época, a nomenclatura "nanotecnologia" nem existia —surgiu muito depois, no início da década de 1980. Mesmo em 1978, quando publicou seu primeiro artigo sobre as partículas nanométricas, ninguém falava nisso: "Eram partículas coloidais [tamanho médio entre 1 e 100 nanômetros]", diz.

Mas logo a produção científica nessa escala (um milionésimo de milímetro) ganhou força, e Galembeck foi traçando seu caminho na área. Trabalhou anos no Inomat (Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Materiais Complexos Funcionais), da Unicamp, teve mais de 36 patentes traduzidas, atuou em várias agências de fomento, publicou mais de 240 artigos científicos e recebeu inúmeros prêmios.

Nanomateriais Aplicação v2 -  -

Uma das mais importantes descobertas que fez foi a de uma nova classe de tintas retardantes de chama, que poderia evitar grandes tragédias, como a do incêndio no Museu Nacional, do Centro de Treinamento do Flamengo ou da catedral de Notre Dame em Paris, por exemplo.

Mas foi uma outra pesquisa de sua autoria que chamou a atenção da comunidade científica internacional e deu o que falar: coletar energia elétrica do ar úmido.

Galembeck e sua equipe descreveram como a água na atmosfera ganha cargas elétricas e transfere-as para superfícies sólidas ou líquidas. Para provar isso, expuseram partículas de sílica e fosfato de alumínio à alta umidade e mostraram que a sílica se tornou mais negativamente carregada, enquanto o fosfato de alumínio ganhou carga positiva.

A descoberta, feita no início dos anos 2000, foi chamada de "higroeletricidade" (higro = umidade) e abriu caminho para o desenvolvimento da "água eletrizada" — com excesso de cargas elétricas.

"É uma quebra de paradigma. Tenho dificuldades para convencer os colegas, pois vai de encontro ao que estudamos em toda nossa vida", conta.

Ainda que a experiência tenha coletado uma amostra pequena de eletricidade, o potencial para acumular carga é enorme —e inédito. O princípio pode servir de base para uma nova fonte de energia renovável, sobretudo em áreas úmidas do planeta, como os trópicos.

Isso tornaria possível abastecer casas e fábricas com eletricidade coletada de painéis, assim como é feito com a energia solar, e pode ser uma grande solução para produzir energia em áreas com falta de abastecimento, como as ribeirinhas na Amazônia. Ou ainda para abastecer de energia equipamentos para monitoramento de segurança nas encostas da Serra do Mar, com a popularização da iOT (internet das coisas), exemplifica.

"São ideias fascinantes, que novos estudos poderão tornar realidade," ressalta o pesquisador. "Temos um longo caminho a percorrer, mas os benefícios no longo prazo podem ser substanciais."

Nanomateriais Futuro dos nanomateriais v2 -  -

Num futuro não muito distante, a nanotecnologia vai ser tão corriqueira que sequer será mencionada, acredita o cientista. Mas ainda há muito espaço para evoluir em materiais já utilizados e para criar novos elementos.

Galembeck ressalta que as nanopartículas já ajudam a encapsular remédios, para evitar desperdício, e a evitar prejuízos na agricultura causados pelas geadas. Em breve, cada vez mais soluções virão para evitar perdas e problemas ambientais e de saúde, por exemplo.

"Assim como hoje já se utilizam drones para provocar chuvas em determinadas regiões — e há algum tempo isso nem era imaginado — poderemos descobrir coisas que estão além de nossa imaginação", afirma.

Nanomateriais v2 Como anda a ciência brasileira -  -

Com a experiência de quem já foi vice-reitor da Unicamp (1998-2002) e diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais, em Campinas, além de ter ocupado cargos no Ministério da Ciência e Tecnologia, no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Galembeck ressalta que o nível de investimento que temos hoje em ciência e tecnologia no país está "bem baixo".

"Mas não podemos deixar o barco afundar", afirma.

"Apesar das dificuldades e impulsionados pela criatividade, conseguimos avançar. É como diz o dito popular: 'A necessidade é a mãe das invenções'."

Este texto faz parte da série "Made In Brazil", que descreve o trabalho de 12 cientistas brasileiros que brilham criando supermateriais (e já falou sobre os cientistas que estão revolucionando o combate ao coronavírus). Estudando partículas de um milionésimo de milímetro, eles se debruçam para achar respostas capazes de revolucionar o futuro da humanidade. Leia mais aqui.

Teia cientistas nanomateriais v2 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

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VW Gol vira buggy: entenda o que está por trás de imagem que viralizou

VW Gol Buggy - Reprodução
VW Gol Buggy Imagem: Reprodução

José Antonio Leme

do UOL, em São Paulo (SP)

07/09/2021 04h00

Nas redes sociais começaram a pingar fotos do que parecia ser um buggy, ao estilo dos antigos usados em praia e feitos em cima de Fuscas, mas com aparência do Volkswagen Gol. As fotos que viralizaram não são novas, mas são verdadeiras.

O projeto do Buggy Gol foi criado no México, em 2015 por uma pequena empresa artesanal para atender o mercado de turismo da região litorânea, como Cancun e arredores.

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O buggy usa a base do Volkswagen Gol, o mesmo que está em linha até hoje no Brasil, da quinta geração e na versão básica Trend, para criar o veículo que leva turistas para cima e para baixo nas praias em passeios.

Inclusive, o carro era exportado do Brasil para o México, onde passava por essa transformação que ganhava um kit. A nova carroceria foi moldada em cima da original, mas com reforços e modificações, já que não tinha mais as portas ou mesmo o teto, o que altera a rigidez estrutural do conjunto.

VW Gol Buggy - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Do carro (já não tão) popular, foram mantidos o para-brisa, o capô e a frente, no mais o carro foi todo recortado e modificado artesanalmente. O interior também foi mantido original, inclusive com os cinco lugares.

As laterais, além de barras de reforço ganharam também um degrau integrado nas duas laterais para facilitar o acesso dos mais baixinhos.

Na traseira as lanternas são originais, mas o porta-malas foi totalmente desconfigurado já que não há também o vidro traseiro. O teto foi retirado e dá lugar a uma cobertura de lona apenas para esconder do sol.

Inspirado pelos bugues de outrora, que fizeram sucesso no Brasil e em outros mercados ao redor do mundo, e que usavam a mecânica mais prática e confiável do mercado: tração traseira, motor a ar e chassi de Fusca, mas agora com tração dianteira.

Na época em que foi criado, o Gol Buggy tinha custo na casa dos US$ 14 mil se fosse o carro mais a modificação. Se o cliente trouxesse o carro, o custo do kit era de US$ 4,7 mil.

VW Gol Buggy - Reprodução - Reprodução

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Tenho diabetes tipo 2 e gostaria de fazer jejum intermitente; é possível?

Fernanda Garcia/UOL VivaBem
Imagem: Fernanda Garcia/UOL VivaBem

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

07/09/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Você pode fazer o jejum intermitente, desde que seja recomendado por um endocrinologista ou nutricionista
  • Mas se você faz uso de insulina, assim como pessoas com diabetes tipo 1, não é recomendado o jejum intermitente
  • Ficar muito tempo sem ingerir alimentos pode aumentar o risco de hipoglicemia

Sim, é possível. Porém, o jejum intermitente deve ser recomendado e acompanhado por um endocrinologista ou nutricionista, pois eles farão um estudo adequado da quantidade de calorias ingeridas, e também indicarão a forma correta de realizar o plano alimentar.

Além disso, durante a conversa com o profissional da saúde, será avaliado se você possui outras comorbidades, faixa etária, estilo de vida, se pratica atividade física e a intensidade do treino. Sem esquecer que neste plano alimentar também deve ser orientada a forma adequada em relação aos horários e tempos de duração. Por outro lado, se você faz uso de insulina, assim como pessoas com diabetes tipo 1, não é recomendado o jejum intermitente. Isso porque ficar muito tempo sem ingerir algum tipo de alimento pode aumentar o risco de hipoglicemia.

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Outros cuidados também devem ser levados em consideração antes de iniciar o plano alimentar. É necessário saber se a quantidade e qualidade das refeições que serão realizadas conseguirão suprir a demanda metabólica do seu organismo. Caso ocorra uma deficiência calórica, você poderá ter um excesso de produção dos hormônios ligados à fome, como a grelina. E aí, o resultado será o contrário: aumentará o consumo de alimentos quando cessar o jejum, e, consequentemente, o ganho de peso virá, e até mesmo pode acontecer uma descompensação nos níveis de glicose no sangue.

Para entender melhor, o jejum intermitente é um plano de restrição alimentar em que a pessoa fica por um longo período sem ingerir nenhum tipo de alimento ou líquidos que contenham calorias. Neste tempo, o corpo começa a produzir os chamados corpos cetônicos, moléculas que vão buscar na gordura a energia necessária para o organismo se manter ativo. Por isso, ocorre o emagrecimento de forma mais rápida.

Mas é importante lembrar que, mesmo com o jejum intermitente, a pessoa pode não eliminar calorias, se nos horários das refeições ocorrer o consumo excessivo de alimentos. E o jejum intermitente pode ser feito de diversas formas, como dias alternados, tempo restrito (em torno de 8 a 16 horas por dia), além do regime 5:2, em que apenas 2 dias da semana a pessoa fica em jejum. Portanto, antes de iniciar o plano alimentar, já sabe: procure um nutricionista ou endocrinologista de sua confiança e converse a respeito para entender se essa dieta é uma boa alternativa para você.

Fontes: Gabriela Cilla, nutricionista da Clínica NutriCilla, em São Paulo e gastróloga; Luciano Giacaglia, coordenador do Departamento de Pré-Diabetes e Síndrome da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes); Teresa Lacerda, médica endocrinologista do HU-Univasf/Ebserh (Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco, em Pernambuco / Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

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Cérebro de psicopatas é semelhante ao de pessoas saudáveis, sugere estudo

Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

06/09/2021 16h33

Será que o cérebro de um psicopata é parecido com o seu? De acordo com um novo estudo, a estrutura e funcionalidade do órgão de ambos são, sim, bem semelhantes. O resultado foi publicado em 9 de abril deste ano, no periódico Cerebral Cortex.

A psicopatia é considerada uma forma extrema do transtorno de personalidade antissocial, com falta de empatia e características egoístas e desinibidas do indivíduo. Entretanto, esses traços também são comuns, embora menos marcantes, em pessoas saudáveis, sem transtornos psicológicos, conforme concluiu o estudo observacional da Finlândia.

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Como o estudo foi feito?

  • Os cientistas analisaram o cérebro de 100 pessoas sem o transtorno, com bom funcionamento cerebral. Para comparação, incluíram 19 criminosos violentos, do sexo masculino, da Finlândia, e um grupo controle de 19 pessoas também psicopatas criminais.
  • A estrutura do cérebro dos participantes foi medida com imagens de ressonância magnética.
  • Eles assistiram a filmes violentos e não violentos, enquanto sua atividade cerebral era monitorada com imagens da ressonância.

Os principais resultados do estudo

Entre os criminosos, a densidade das áreas cerebrais envolvidas no controle cognitivo e na regulação da emoção foi comprometida. Ao assistir a filmes violentos, essas áreas mostraram reações mais fortes em psicopatas.

Em uma grande amostra de participantes saudáveis, traços relacionados à psicopatia foram associados a mudanças semelhantes na estrutura e função do cérebro. Ou seja, quanto mais características psicopáticas uma pessoa tinha, mais seu cérebro se assemelhava aos cérebros de criminosos psicopatas.

Mudanças estruturais e funcionais no cérebro foram focadas nas áreas envolvidas nas emoções e sua regulação. As mudanças na atividade e na estrutura dessas áreas, inclusive, podem explicar a insensibilidade e a impulsividade associadas à psicopatia.

O estudo também mostrou que o grau de características psicopáticas pode variar na população em geral. Ter "um pouco" desses traços não causa grandes problemas, mas, para cerca de 1% da população, a psicopatia é tão forte que pode levar a um comportamento criminoso e violento.

Os pesquisadores ressaltam que estudar criminosos é difícil, mas o resultado traz informações relevantes sobre a neurobiologia da violência e agressão, além de dados importantes sobre a psicopatia. No entanto, mais estudos, principalmente de causa e efeito são necessários.

É possível reconhecer um psicopata?

Não é tão simples assim. O diagnóstico de psicopatia não é fácil de ser alcançado. "Algumas características são bastante evidentes, mas outras são mascaradas", explica Antônio de Pádua Serafim*, coordenador de psicologia do Núcleo Forense do IPq do HC-FMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

"Eles são mestres em se adaptar à realidade do ambiente em que vivem para conseguir o que querem", diz. Por isso, estudos com biomarcadores podem ser um diferencial nesse diagnóstico.

De acordo com o especialista, algumas características, quando aparecem de forma constante, são indícios do transtorno. Ausência de remorso e empatia, tendência a manipular tudo e todos para benefício próprio, dificuldade de manter uma rotina, egocentrismo, impulsividade e gosto por comportamentos arriscados são indícios de que algo pode estar errado.

Isso quer dizer então que, se meu parceiro me manipula diariamente ou se meu chefe é frio e calculista com a equipe, então eles são psicopatas? Nem sempre.

"Algumas pessoas são mais frias, outras são menos empáticas, mas esses são traços de uma personalidade", explica Serafim. "A psicopatia só é constatada quando esses traços são constantes e, mesmo assim, o diagnóstico só pode ser feito por um médico especializado", reforça.

Também é importante ressaltar que a maioria dos psicopatas não se torna violento ao ponto de cometer crimes bárbaros.

* Informações de reportagem publicada no dia 05/09/2019.

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7 de setembro: como o Dia da Independência apagou a memória da luta negra por independência e abolição

Edison Veiga - De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

07/09/2021 06h53

Uma articulação popular pedia, entre suas bandeiras, o regime republicano e o fim da escravidão. Mas seus líderes foram executados em praça pública décadas antes de 7 de setembro de 1822.

O soldado Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga (1761-1799), o marceneiro e militar Lucas Dantas do Amorim Torres (1744-1799), e os alfaiates Manuel Faustino dos Santos Lira (1775-1799) e João de Deus Nascimento (1771-1799) são nomes praticamente esquecidos da historiografia nacional. Pois eles lideraram um movimento popular que pedia independência política quando aquele que se tornaria dom Pedro I (1798-1834) não passava de um recém-nascido.

A Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios, foi um movimento emancipacionista popular que se iniciou em 12 de agosto de 1798, exatamente dois meses antes do nascimento de Pedro I. E terminou no fim de 1799 ? em 8 de novembro daquele ano os quatro líderes acima mencionados foram executados em praça pública.

Diferentemente da maneira como o processo de independência brasileira acabou sendo costurado, culminando no 7 de setembro de 1822, era uma articulação popular que, entre suas bandeiras, pedia o regime republicano e o fim da escravidão.

Muitos dos participantes do movimento, inclusive Virgens e Veiga, Amorim Torres, Santos Lira e Deus Nascimento, eram negros.

Revoltas como esta ocorreram nas décadas que precederam a Independência brasileira e, cada vez mais, são exemplos recuperados por historiadores de como a historiografia oficial do país acabou ofuscando a participação do negro em episódios importantes. Ao mesmo tempo, suscitam a reflexão: se uma luta assim tivesse conseguido prosperar, a sociedade brasileira poderia ter sido organizada de forma completamente distinta, com abolição da escravidão quase um século antes e regime republicano sem passar pelos dois governos imperiais, conduzidos por descendentes da mesma casa portuguesa.

"É interessante perceber o quanto a história do Brasil é contada do ponto de vista do colonizador e do branco. A independência foi um desses momentos que atendeu apenas a uma elite, não dando conta de garantir a liberdade para a maior parte da população brasileira, os negros e indígenas", comenta o pesquisador da história negra Guilherme Soares Dias, consultor em diversidade.

"Não aprendemos sobre esses fatos sob outra perspectiva e nem temos esses debates nas escolas. Esse era um momento efervescente da busca pela abolição com várias revoltas no Brasil e outros países conquistando essa liberdade do povo negro. A história ainda retrata apenas um lado e a gente ainda precisa buscar outras informações sobre esse período", completa ele. "Esse apagamento das lutas negras faz parte de um racismo estrutural que é resquício daquele momento em que o negro não era visto como humano e sim como coisa. A sua história, seus costumes, sua cultura, seus pensamentos não importavam, já que ele era animalizado. As pessoas precisam ter raiz."

Dias afirma que a primeira coisa tirada pela escravidão foi a própria história da população negra. "Ainda hoje precisamos fazer essa busca e jogar luz para heróis, lutas e acontecimentos que foram importantes para as pessoas negras", diz. "Essa é a narrativa que a história do Brasil ainda não conta."

Lutas contra o domínio português

Professora na Universidade Federal Fluminense e integrante da Rede de Historiadores e Historiadoras Negros, a historiadora Ynaê Lopes dos Santos cita três como os principais movimentos que pediam a separação de Portugal antes do famoso 7 de setembro. Além da Revolta dos Búzios, também destaca a Inconfidência Mineira, de 1789, e a Revolução Pernambucana, de 1817.

"Foram os mais expressivos. Mas sem sombras de dúvidas a Conjuração Baiana foi o com a maior participação efetiva da população negra, tanto a livre quanto a escravizada", ressalta. "E foi um movimento que pensava o processo de Independência correlatamente com o processo de abolição da escravidão, algo que não aparecia nos outros dois movimentos insurgentes."

Santos cita, inclusive, que isso fez com que muitos negros que haviam aderido a essas revoltas tenham as abandonado em seguida, tão logo compreenderam que "era algo que não lhes dizia respeito".

Para o historiador Philippe Arthur dos Reis, pesquisador do tema na Universidade Estadual de Campinas, é preciso olhar para vários processos de emancipação que não estavam diretamente ligados às elites. "E a Conjuração Baiana é um exemplo, que pensava também na libertação dos escravos, o que não era pensado pelas elites que dependiam do regime escravocrata", exemplifica.

"Grande parte dos movimentos e revoltas do Brasil de então tinha a participação dos mulatos e negros, que eram o maior contingente populacional. Reivindicavam melhores condições de vida, igualdade de direitos", afirma o historiador Francisco Phelipe Cunha Paz, membro da Rede de Historiadores e Historiadoras Negros e da Associação Brasileira de Estudos Africanos.

Mas ele lembra que é importante "não cair na tentação" de homogeneizar os grupo - nem os negros, tampouco os não negros. "Eles eram atravessados por entendimentos, expectativas e laços diferentes, por vezes internamente antagônicos", ressalta.

Paz conta que houve participação de negros, homens e mulheres, em revoltas no Pará, no Maranhão, no Piauí, além da Bahia. Neste caso mais emblemático, inclusive, ele ressalta que até mesmo a questão dos nomes ? Conjuração Baiana, Revolta dos Alfaiates, Revolta dos Búzios ? guarda uma disputa de narrativas.

"Ao contrário dos outros nomes, a nomenclatura 'dos Búzios' faz ligação direta com as populações negras envolvidas no levante popular que foi um dos primeiros movimentos por independência e fim da escravidão", diz. "Faz justiça, assim, ao grande contingente de pessoas de cor por trás da sua existência."

O jogo de búzios é muito presente em religiões tradicionais africanas. E os revoltosos desse episódio utilizavam essas conchas como pulseiras, como forma de identificação.

"[A Revolta dos Búzios] foi formada basicamente por escravizados, livres e libertos, trabalhadores pobres e alguns membros da elite branca liberal", explica Paz. A recuperação dessa nomenclatura foi feita graças a uma articulação baiana de movimentos sociais negros.

Para o historiador Paz, isso é simbólico do que deve ser a tarefa atual: "conseguir destacar as agendas das populações negras e os seus descontentamentos com o governo português e a sociedade escravista no Brasil".

"Além de disputar as memórias públicas em torno do processo de Independência do Brasil, que não se reduz ao ato administrativo de sua proclamação oficial", acrescenta. "Pelo contrário, é, sem sombra de dúvidas, também produto das articulações políticas e sociais das populações negras."

Reis ressalta ainda o fato de que essas revoltas que ocorreram costumam ser tratadas apenas como motins, como rebeliões contra o poder estabelecido, mas comumente não são vistas como lutas que tinham em seu cerne o ideal de emancipação, "de independência da nação". "E quando a Independência de fato ocorre, ela é uma Independência repressora, que acaba massacrando as revoltas que ocorrem depois, sob o argumento da manutenção do Estado nacional brasileiro", comenta.

Consolidação da Independência

No imaginário popular, está dom Pedro levantando a espada, gritando heroico "independência ou morte", tal e qual no famoso quadro criado em 1888 por Pedro Américo (1843-1905). Longe de ser uma fotografia, retrata de forma pomposa e distante da realidade o que aconteceu em 7 de setembro de 1822. Mas foi a narrativa que venceu, sob o prisma do homem branco europeu ? o mesmo colonizador.

"O Brasil Imperial, proclamado independente no 7 de setembro de 1822, foi uma articulação 'de portas fechadas' entre escravocratas, comerciantes e a própria família real portuguesa, com uma promessa clara - a manutenção do tráfico transatlântico e da escravidão", define Paz.

"O movimento da Independência ofuscou os outros movimentos que ocorriam na época, principalmente a questão abolicionista, porque acabou sendo um movimento de elite, uma elite preocupada em manter a autonomia que havia sido conquistada desde a chegada da corte ao Brasil em 1808", explica o pesquisador Paulo Rezzutti, autor de diversos livros sobre personalidades que viveram no período, como o próprio Pedro I.

A transferência da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, nesse contexto de fuga das tropas napoleônicas no início do século 19, acabou sendo crucial para que ocorresse no Brasil uma história da independência tão diferente do que ocorreu em outros países latino-americanos ? a começar, por não vir junto com um regime republicano.

"O Brasil já tinha uma elite de funcionários públicos, funcionários do governo e latifundiários que não queriam perder as conquistas adquiridas com a chegada da corte portuguesa", completa Rezzutti.

"A não ser no caso do Haiti, não há nenhum país da América Latina em que a Independência não tenha sido conquistada pela elite [branca]. Aqui no Brasil houve o agravante: tornou-se império porque acreditava-se que a elite brasileira não fosse tão esclarecida intelectualmente quanto o restante da elite latino-americana. Então se temia que o Brasil se fragmentasse em diversos países", explica o pesquisador.

"A ideia de manter o regime monárquico foi para garantir a integridade do Estado nacional. Mas isso acabou tendo a consequência de que a parte hegemônica da elite pensava totalmente contra a abolição", prossegue ele.

Essa acabou se tornando a narrativa preponderante, afinal, como lembra Rezzutti, "a história é escrita pelos vencedores, e a elite foi a vencedora da Independência". "Uma elite escravocrata, formada por latifundiários e burocratas que dependiam do trabalho escravo", afirma.

A historiadora Ynaê Lopes dos Santos ressalta que é preciso diferenciar "o que foi o processo de independência do Brasil" e "a história que se contou sobre isso".

"Temos um acesso muito limitado ao processo de Independência, que faz parte de um projeto nacional de contar a história como se fosse um fato que começa e termina no 7 de Setembro", pontua ela. "Na verdade, foi algo mais complexo, envolvendo uma série de interesses. A forma de contá-la tem o propósito de marcar a história do Brasil como uma história pouco conflituosa e pouco combativa."

Para Santos, o ponto-chave nessa compreensão está em encarar a homogeneidade étnica e cultural daqueles que ocupavam os altos postos do poder nas primeiras décadas do século 19 ? os deputados que representavam as capitanias brasileiras na Assembleia de Lisboa e, com a Independência, os que formam a Assembleia do Rio de Janeiro.

"Esse alto escalão político brasileiro era formado majoritariamente por homens brancos escravocratas, formados na mesma universidade, de Coimbra, ensinados pelos mesmos professores", define ela. "Comungavam as mesmas experiências e visões de mundo."

Por isso, ela explica, não existiu nesse momento da Independência um debate em relação à manutenção ou não da escravidão. "Foi uma questão silenciada. A manutenção da escravidão se deu pelo próprio silenciamento da existência da escravidão na carta constitucional de 1824", afirma a historiadora. Citando o historiador Luiz Felipe de Alencastro, ela repete que "o Brasil foi um país que nasceu apostando no futuro da escravidão".

"Aposta esta que silenciava justamente o que era a jurisdição, colocando-a na salvaguarda da propriedade privada", explica.

"Existia um acordo da classe política brasileira, em sua imensa maioria, para que fosse construído um país soberano alicerçado na manutenção da escravidão", complementa. "Porque havia a compreensão que a própria unidade nacional estava vinculada à manutenção da escravidão. A escravidão acabou sendo a instituição que ordenou o funcionamento da sociedade brasileira, não só economicamente, mas também política e socialmente."

Outro aspecto lembrado pela professora são as tantas revoltas que ocorreram para consolidar a independência. E aí novamente é preciso olhar para a Bahia, que acabou revivendo os ideais da Revolta dos Búzios no início da década de 1820 ? com a guerra da independência ocorrida, de fato, em 2 de julho de 1823.

"Naquela província, vimos os contornos mais radicais da efetivação da Independência, com as pessoas expulsando as tropas portuguesas de seus territórios", diz Santos.

"Um olhar um pouco mais crítico em relação à Independência do Brasil pressupõe pelo menos uma análise de duas escalas desse processo: aquele feito pela classe política, pela oligarquia político-econômica brasileira; de outro lado, o chão das províncias, as pessoas que realmente transformaram esse projeto de Independência em um fato real", explica a historiadora. "Nesse ponto, há uma presença muito forte de sujeitos que tiveram suas histórias silenciadas, homens e mulheres, negros, mestiços, pobres, etc."

Mas a historiografia oficial acabou realçando apenas o primeiro grupo. E esse apagamento ocorreu não só dessas revoltas pós 7 de Setembro, como também dos movimentos que ocorriam antes. "As revoltas do Brasil colonial, muitas tinham objetivos separatistas, abolicionistas e republicanos. Isso acabou suprimido da história oficial brasileira", complementa a professora.

Racismo estrutural

Ao apagar a participação do negro, a história cria um arcabouço para a manutenção do racismo estrutural. "A leitura oficial do 7 de Setembro é calcada e estruturada pelo racismo. Isso faz parte de um projeto de nação que se constituiu que se reforçou ao longo dos anos, inclusive com o advento da República, já que boa parte do que é ensinado sobre a Independência foi gestado no período republicano", frisa a historiadora Santos.

"A maneira como aprendemos a história da Independência do Brasil é mais um dos expoentes sintomas do racismos estrutural brasileiro, que silencia as inúmeras histórias e participações da população não branca na formação do país", acrescenta ela.

"A invisibilidade é uma das marcas desse poder que nega e silencia os sujeitos históricos negros e indígenas", diz o historiador Paz. "Essa 'história escrita por mãos brancas', como sentencia a historiadora negra brasileira, Beatriz Nascimento, é produzida tanto no apagamento do negro na história do Brasil, quanto no descrédito das suas narrativas no presente."

Para o historiador, o próprio movimento de independência do Haiti ? guerra travada de 1791 a 1804 que acabou resultando na primeira república americana governada por pessoas de ascendência africana ? deixava as elites brasileiras apreensivas que algo parecido pudesse ocorrer.

"Acredito que as disputas pelos sentidos em torno do 'grito do Ipiranga' e a própria independência em si, da maneira que se deu, significa menos uma ruptura anticolonial e mais uma articulação antinegra, muito pelo medo dos rumores que desciam do Haiti", comenta ele.

Para Reis, na consolidação do Estado nacional brasileiro houve uma intenção de "não lembrança", de "não significação" dos elementos de luta negra, indígena, de gênero e, "sobretudo, de classe". "Eles são apagados em nome da manutenção do poderio da elite local, que 'faz', enfim, a Independência e dão sentido a ela."

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Começa julgamento de atentado que deixou 130 mortos em Paris em 2015

Ataques foram reivindicados pelo Estado Islâmico; para especialista, risco é menor hoje, mas publicidade do caso pode incentivar ações isoladas

Bruxelas

Começa nesta quarta (8) em Paris o julgamento de 20 acusados do ataque terrorista de novembro de 2015, reivindicado pelo Estado Islâmico e que deixou 130 mortos e cerca de 500 feridos na casa de shows Bataclan, numa esplanada de bares e restaurantes em Paris e no Stade de France, em Saint-Denis.

Com duração prevista de nove meses, esse deve ser o maior julgamento criminal já realizado na França, após uma investigação que envolveu 19 países e durou quatro anos e meio. O julgamento também deve reacender uma discussão sobre a ameaça de terrorismo islâmico, segundo o especialista em contraterrorismo Alain Grignard, professor de ciência política e criminologia da Universidade de Liège, na Bélgica.

Corpo de uma vítima dos atentados terroristas em Paris, em frente à casa de shows Bataclan
Corpo de uma vítima dos atentados terroristas em Paris, em frente à casa de shows Bataclan - Christian Hartmann - 14.nov.15/Reuters

Grignard, que trabalhou na divisão antiterrorismo da Polícia Judiciária Federal belga e integra o Centro de Estudos de Terrorismo e Radicalização da Universidade de Liège, ressalva que o risco de ataques jihadistas na Europa hoje é menor. A principal preocupação no momento, segundo ele, não é com grandes ataques coordenados, como os de Paris, mas com ações individuais.

“Os fatores que alimentam o islamismo radical ainda existem, mas as bases de retaguarda, como as que atuavam no Afeganistão de 1996 a 2001 e na região sírio-iraquiana, estão desmanteladas. Os recursos humanos e técnicos de um proto-Estado permitiam ações mais espetaculares”, diz ele.

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Sem essa base de apoio, o que se teme, de acordo com Grignard, são atos mais isolados, como esfaqueamentos ou atropelamentos. “Essas ações menores podem aumentar com toda a publicidade dada ao julgamento em Paris, porque de setembro a abril só falaremos sobre o Estado Islâmico na mídia. Será a maior operação de comunicação desse grupo no Ocidente.”

Assim, diz ele, essa visibilidade pode estimular apoiadores mais ou menos próximos da causa a cometer ataques improvisados, como os que ocorreram no ano passado, durante o julgamento do atentado contra os jornalistas da publicação satírica Charlie Hebdo.

O massacre de 2015, “fomentado em Raqqa [Síria], preparado na Bélgica e executado em Paris, foi o exemplo mais exitoso na Europa de um ataque liderado pelo Estado Islâmico”, além do mais mortal, afirmou em 2019 nota da Direção-Geral de Segurança Interna, do governo francês.

Começou na noite de sexta-feira, 13 de novembro, quando um homem-bomba se explodiu ao ser impedido de entrar no Stade de France, onde cerca de 80 mil pessoas assistiam a um amistoso da França contra a Alemanha, entre as quais o então presidente francês, François Hollande.

Além do terrorista, uma pessoa morreu. Nos 40 minutos seguintes, atentados a tiros mataram 39 clientes em cafés e restaurantes nas calçadas dos 10º e 11º bairros de Paris, e no Bataclan outros 90 foram mortos. "Entraram com armas automáticas e começaram a atirar cegamente. Houve uma onda de pânico, todos correram, muitos foram pisoteados”, contou na ocasião o jornalista Julien Pierce, da rádio Europe1, que estava na casa de shows naquela noite. Quando as forças de segurança invadiram o local, dois terroristas detonaram os explosivos que levavam num cinto; um terceiro foi morto pelos policiais.

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Considerado o único sobrevivente do grupo de dez homens que atacou Paris, Salah Abdeslam, um francês de 31 anos que nasceu na Bélgica, será um dos réus-chave do julgamento que começa nesta quarta. A polícia levantou a hipótese de que ele tenha desistido de detonar seus explosivos, como planejado.

Abdeslam fugiu para Bruxelas, onde foi preso no começo de 2016. Dias depois da detenção, atentados mataram 32 pessoas e feriram 270 no aeroporto em Zaventem e numa estação de metrô da capital belga.

No começo de 2015, a capital francesa já havia sido cenário de 17 mortes em atentados jihadistas, contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado kosher.

Após o massacre de novembro e o atentado na Bélgica, outros dez ataques terroristas ocorreram na Europa nos dois anos seguintes, na Espanha, no Reino Unido, na Alemanha e na Suécia, além da própria França.

Mohamed Abrini, 36, preso pelo atentado no aeroporto de Zaventem, também estará no banco dos réus, com outros 12 acusados de participar no planejamento dos crimes. Um réu que está preso na Turquia será julgado a distância, e outros cinco, membros seniores do Estado Islâmico, postumamente —agentes afirmam acreditar que eles tenham sido mortos no Iraque ou na Síria.

Dos 14 que estarão no tribunal, o sueco Osama Krayem era membro de uma unidade de elite do grupo terrorista e é apontado como um dos idealizadores dos atentados.

No ano passado, quando o ataque completou cinco anos, associações enfatizaram a importância de lembrar as vítimas e resistir ao uso político desses atentados. “A França foi atingida no coração, mas os franceses permaneceram de pé. De pé para defender nossas liberdades e valores, de pé por todos que tombaram e por todos que restaram. Não esqueceremos nunca a noite de novembro de 2015. Não vamos desistir. Vamos nos manter juntos”, escreveu em rede social o presidente francês, Emmanuel Macron.

Menos de um mês antes, o professor de história Samuel Paty havia sido decapitado dias após mostrar charges de Maomé durante uma aula sobre liberdade de expressão. Desenhar a figura do fundador do islã é considerado blasfêmia pelos muçulmanos.

CRONOLOGIA DOS ATAQUES DE 13 DE NOVEMBRO DE 2015

21h20 (18h20 no horário de Brasília) da sexta-feira: Terroristas detonam explosivo na porta D do Stade de France, nos arredores de Paris, onde França e Alemanha disputavam um amistoso. O então presidente François Hollande estava na arquibancada. Além do terrorista, a bomba matou mais uma pessoa.

21h25: Clientes nas mesas no bar Le Carillon e no restaurante Le Petit Cambodge são vítimas de tiros de fuzil Kalashnikov, disparados de um veículo Seat Leon preto, deixando 15 mortos e outros 10 feridos.

21h30: No lado de fora do Stade de France, um segundo homem-bomba explode, matando a si próprio.

21h32: Tiros diante do bar A La Bonne Bière causam a morte de cinco pessoas e ferimentos gravíssimos em outras oito. Os atiradores estavam no mesmo carro preto.

21h36: No número 92 da rua de Charonne, novos tiros de fuzil vindos de um carro matam 19 pessoas.

21h40: No número 253 do Boulevard Voltaire, no restaurante Comptoir Voltaire, um terrorista se explode, provocando ferimentos graves em uma pessoa.

- 21h40: Um veículo estaciona diante da casa de shows Bataclan. Descem três indivíduos com armas de guerra. Eles invadem o salão e disparam rajadas durante um show. Terroristas tomam como reféns o público diante do palco e mencionam Síria e Iraque; ao todo, 90 pessoas são mortas.

21h53: Um terceiro homem-bomba se explode nas proximidades do Stade de France.

23h30 Torcedores são autorizados a deixar o estádio. Na saída, parte deles canta o hino da França.

- 0h20 Forças policiais invadem o Bataclan. Um terrorista é morto por um tiro da polícia. Os outros dois detonam seus explosivos e morrem.

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Amigos de Basquiat afirmam estar horrorizados com campanha de Beyoncé e Jay-Z com quadro do artista

Beyoncé e Jay-Z| Crédito: Reprodução

Amigos de Jean-Michel Basquiat dizem que estão “horrorizados” com a nova campanha publicitária protagonizada por Beyoncé e Jay-Z. Na propaganda da Tiffany & Co, o casal posou ao lado de uma pintura do falecido artista e um dos mais valorizados da história.

Alexis Adler, que morou com Basquiat entre 1979 e 1980, comentou sobre sua indignação ao “The Daily Beast Sunday”. “Eu tinha visto o anúncio alguns dias atrás e fiquei horrorizado. A comercialização e a mercantilização de Jean e sua arte neste momento – não é realmente o que ele tratava”, disse.

Adler comentou que o artista anticapitalista, que morreu aos 27 anos, em 1988, gostaria que sua arte fosse colocada em museus, para que assim fosse mais acessível ao público. “Infelizmente, os museus chegaram tarde, então a maior parte da arte de Jean está em mãos privadas […] Por que mostrá-lo como um adereço para um anúncio?” ela disse. “Empreste para um museu. Em uma época em que havia poucos artistas negros representados em museus ocidentais, esse era seu objetivo: chegar a um museu.”

A cantora americana é a primeira mulher negra a usar um diamante Tiffany em mais de 150 anos de existência da joia. A peça, que nunca foi cogitada para venda, foi adquirida por Charles Lewis Tiffany, fundador da marca, em 1878. O diamante foi descoberto nas minas da África do Sul, e possui mais de 128 quilates, divididos em 82 faces.

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Análise: Discursos de Bolsonaro esvaziam 'quatro linhas' da Constituição

Na lógica bolsonarista, responsabilidade pelos direitos sociais se desloca do Estado para cada indivíduo, que passa a ser o único responsável por sua própria vida

Adriane Sanctis

Doutora em direito, é professora do Instituto de Relações Internacionais da USP e pesquisadora do Laut (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo)

“Não podemos admitir que uma pessoa burle a nossa democracia, não podemos admitir que uma pessoa coloque em risco a nossa liberdade”, afirmou o presidente Jair Bolsonaro em seu discurso na manhã do Dia da Independência.

O recado era para quem está na “Praça dos Três Poderes” e “age fora” da “nossa Constituição”. Mais cedo, compartilhou vídeo dizendo que continuaria jogando “dentro das quatro linhas [da Constituição]”—sua expressão mais recorrente nos últimos dias.

A Constituição de que Bolsonaro fala neste 7 de Setembro tem um sentido muito diferente da realidade jurídico-política brasileira. A ressignificação que o presidente faz em seus discursos tende ao apagamento das próprias funções do Estado constitucional.

Já no primeiro artigo, a Carta afirma ser o Brasil um “Estado democrático de Direito”. Fez uma escolha não por qualquer democracia, mas por um regime sujeito à supremacia da Constituição. Essa supremacia não se aplica apenas aos cidadãos, mas também ao próprio governo.

Esta é a primeira função do Estado constitucional como criação histórica: limitar o poder dos governantes, regular as interações entre Estado e sociedade através da separação dos Poderes e da supremacia do direito.

Bolsonaro se proclamou “porta-voz” dos presentes na manifestação da avenida Paulista. Mais cedo, havia anunciado que iria falar “em nome do povo brasileiro”.

Quando insiste em se colocar como figura que fala pelo “povo” como se este fosse um todo homogêneo, Bolsonaro esvazia o sentido histórico da Constituição como um marco da supremacia da lei. Nem mesmo maiorias podem impor escolhas fora dos mecanismos constitucionais —eleições e representação no Congresso, por exemplo.

Seu discurso também fez a conexão entre o Estado de Direito e a “liberdade”. Bolsonaro recorreu a duas liberdades específicas na véspera do Dia da Independência em suas falas nas redes sociais: livre locomoção (art. 5º, XV) e direito de reunião (art. 5º, XVI).

Contudo, tais liberdades não são cheques em branco para cada indivíduo praticar como bem entender. Estão sujeitas a uma regulação constitucional que lhes impõe limites e condicionantes, sobretudo em função de outros direitos fundamentais, tão valiosos quanto quaisquer liberdades.

A Constituição brasileira, aliás, foi além das regras de organização do Estado e proteção de liberdades civis, e incorporou direitos sociais (como o direito à saúde, por exemplo) e normas programáticas que dão o sentido às políticas públicas.

As principais estão no artigo 3º, que define os objetivos da República: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Em 7 de setembro de 2020, exatamente um ano atrás, Bolsonaro fazia pronunciamento em rede nacional e afirmava “compromisso com a Constituição e com a preservação da soberania, democracia e liberdade” ao mesmo tempo em que traçava um histórico de celebração da Independência.

Falou em “miscigenação entre índios, brancos e negros”, em uma versão defasada e deturpada das centenas de anos de escravidão e da discriminação persistente no país. Exaltou brasileiros da década de 1960 que teriam “defendido as instituições democráticas” contra a “ameaça do comunismo”, voltando a um período que apareceu muitas vezes em outras de suas falas elogiosas a torturadores da ditadura militar.

Naquele momento da pandemia da Covid-19, o discurso surpreendeu por não fazer qualquer menção às vidas de 126 mil brasileiros perdidas até aquele momento para a doença. Hoje, mais uma vez em desrespeito às regras sanitárias, no contexto de um total de mais de 583.866 mortes por Covid, não houve qualquer menção à tragédia de mortalidade no país.

Discurso e a ação —ou omissão— política compõem uma mesma realidade.

Uma pesquisa recente de Isabela Kalil e outros autores (“Politics of fear in Brazil: Far-right conspiracy theories on Covid-19”, Política do medo no Brasil, teorias da conspiração da extrema direita sobre a Covid-19) analisou como Bolsonaro politizou a pandemia, defendendo um retorno em nome do emprego e da economia.

Foi a mobilização de um medo bem enraizado na economia política do sofrimento, que colocava a fome como efeito possível das medidas sanitárias A fome também apareceu em sua fala mais recente contra a demarcação de terras indígenas.

Nessa lógica, a responsabilidade pelos direitos sociais se desloca do Estado —como trata a Constituição— para cada indivíduo, que passa a ser o único responsável por sua própria vida.

O discurso que esvazia as “quatro linhas” da Constituição afasta o Estado de Direito e dá lugar a uma lógica individualista e violadora de direitos fundamentais. As "quatro linhas" da Constituição bolsonarista se referem a uma única ideia fixa: liberdade sem solidariedade, sem diversidade, sem igualdade. Essa não é a liberdade constitucional.

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Leonardo Sakamoto - Tietagem de Queiroz em ato golpista prova que corrupção nunca foi a questão

Colunista do UOL

07/09/2021 22h26

Foi extremamente didática a recepção que Fabrício Queiroz teve de fãs de Jair Bolsonaro na manifestação golpista realizada na orla de Copacabana, nesta terça (7).

O operador das "rachadinhas", como são carinhosamente conhecidos os desvios de salários dos servidores da Assembleia Legislativa do Rio, foi tietado e tratado como estrela.

Melhor, como um "pica do tamanho de um cometa" - para usar a icônica expressão por ele adotada para explicar o tamanho de seu medo em relação às investigações do Ministério Público sobre as maracutaias de corrupção.

E ele tinha razão. Em novembro do ano passado, Queiroz veio a ser denunciado junto com o ex-chefe, o ex-deputado estadual e hoje senador, Flávio Bolsonaro, por lavagem de dinheiro, apropriação indébita, organização criminosa e peculato.

O desenrolar desse processo avança vagarosamente por conta de disputas sobre o foro e provas nos tribunais. Mas, no geral, tudo pode ser resumido à palavra "papai".

Da mesma forma, Queiroz, que já ficou escondido na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, em Atibaia, e depois passou um tempo preso em meio ao processo das rachadinhas, está mais solto do que nunca. Deve estar se sentindo protegido. Ganha um pão com leite condensado quem descobrir quem é o seu anjo da guarda e vier me contar.

Há uma parcela de 15% da população que acredita em absolutamente tudo o que Jair diz, segundo o Datafolha. Esses fanáticos creem que há um complô contra seu "mito" e que Queiroz, seu amigo, é um trabalhador honesto e injustiçado.

Esse grupo põe fé quando Bolsonaro diz que acabou com a corrupção no Brasil e diga que garantiu transparência total - mesmo que ele, logo depois, ameace meter a porrada na boca de um jornalista que perguntou a razão de Queiroz ter depositado R$ 89 mil na conta da primeira-dama, Michelle.

Mas há uma parcela dos bolsonaristas radicais que sabe que Messias é mito, mas não é santo - e não se importa com isso. Para eles, não há problema algum se Bolsonaro tirar o seu cascalho. Pelo contrário, acham isso justo uma vez que ele estaria ajudando a livrar o Brasil do fantasma do comunismo.

Alerta de spoiler: o Brasil nunca foi um país comunista, mas o delírio é livre.

A preocupação desse grupo específico com o combate à corrupção é uma fraude tão grande quanto a honestidade do presidente da República.

E não é só porque o Ministério da Saúde, que deveria se dedicar a combater a pandemia de covid-19, especializou-se em superfaturar para o bem de políticos, militares, religiosos, policiais, parecendo um microcosmo da cidade de Sucupira, de "O Bem-Amado", de Dias Gomes. Mas porque Bolsonaro vem sendo acusado de ter usado familiares como servidores-fantasma de seu gabinete, recolhendo os salários, durante os anos em que foi deputado federal. Nos mesmos moldes de Queiroz e Flávio.

E, ao que tudo indica, também do vereador Carlos Bolsonaro. Sim, Jair é o patriarca das rachadinhas.

Há também o grupo que tira selfie com qualquer pessoa famosa para ganhar likes. Contudo, este post não vai discutir patologias.

Ter o Queiroz do Rolo fazendo selfies como um herói em um protesto de bolsonaristas que pediam o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional e criticavam a corrupção dos tempos do PT é um resumo desse ano bizarro de 2021.

Deveria ser tema de redação do Enem, se o Ministério da Educação não estivesse sem comando, claro.

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Opinião - Gregorio Duvivier: O Brasil que foi às ruas no Sete de Setembro é o que tomou 7 a 1 e gostou

O maior vexame da seleção fez com que a extrema direita abraçasse seu figurino e dissesse: esse país sou eu

Se tem uma coisa com que todo mundo concorda, é que teve um momento preciso em que tudo começou a degringolar.

Não que nossa história já não fosse, desde o início, uma grande degringolada. Mas houve uma época em que o dia de hoje parecia melhor que o de ontem, e amanhã, então, nem se fala. A tranquilidade se via no pagode: deixa acontecer naturalmente, deixa a vida me levar, deixa estar, até que...

Até que alguma coisa aconteceu —e não foi naturalmente. Foi ali nos anos 2010, durante o governo Dilma. Tem gente que acha que foi o próprio governo Dilma. Tem gente que culpa o Aécio, não reconhecendo a vitória da Dilma; tem gente que culpa o impeachment da Dilma. Tem gente que culpa as manifestações de junho de 2013. Tem gente que culpa o fim do Exaltasamba em 2012.

Desculpem, mas sei precisamente o dia em que tudo mudou. Teve um dia em que o Brasil inteiro parou para assistir ao mesmo espetáculo, e foi tão épico quanto trágico, tão inacreditável quanto irreversível.

Foi no dia oito do mês sete, precisamente às 17 horas. Faz sete anos que o Brasil parou pra ver a seleção brasileira tomar sete gols da Alemanha. Foi ali que alguma coisa se quebrou, pra sempre, como um espelho, e deu início a, pelo menos, sete anos de má sorte.

O mais curioso é que foi a partir dali que uma parcela do país adotou o uniforme da seleção —o mesmo do sete a um— como o seu avatar.

Até então, a camisa amarela não tinha ideologia: todo brasileiro tinha orgulho dela, até quem não gostava de futebol, até quem odiava a CBF (o país inteiro).

Depois do sete a um, o uniforme foi abraçado por quem votaria, curiosamente, no 17. O maior vexame da seleção fez com que a extrema direita abraçasse seu figurino e dissesse: esse Brasil sou eu, e seu uniforme será meu manto.

Faz sentido. Dizem que o fascismo nasceu da humilhação que os italianos sofreram na Primeira Guerra: é uma ideologia dos derrotados, daqueles que encontraram um gozo na própria humilhação, daqueles que disseram: “Perder uma guerra? Eu acho é pouco”.

A história se repete primeiro como tragédia, depois como farsa, depois como GIF, teria dito Marx (não sei se Groucho ou Patricia). O Brasil que foi às ruas neste Sete de Setembro é o Brasil que tomou uma goleada —e gostou.

Sete gols? Eu acho é pouco. Então aplaude a volta da fome, celebra a inflação, cultua o incêndio, espalha o vírus, boicota a vacina e ri dos enlutados. 600 mil mortos? Eles acham é pouco.

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Opinião: Mauricio Stycer - Apenas JN cita fala golpista de Bolsonaro; Band, SBT e Record amenizam

William Bonner na bancada no "Jornal Nacional" - Reprodução/Globoplay
William Bonner na bancada no 'Jornal Nacional' Imagem: Reprodução/Globoplay

07/09/2021 20h19

Atualizada em 07/09/2021 23h31

Em discurso nesta terça-feira na avenida Paulista, em São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro declarou abertamente que não respeitará "qualquer decisão" do ministro Alexandre de Moraes, incitando seus apoiadores contra o STF. Bolsonaro xingou o magistrado de "canalha" e pediu sua saída.

Essa ameaça golpista do presidente não foi relatada de forma clara na abertura dos principais telejornais da Band, SBT e Record. Os três amenizaram a gravidade do ato e das palavras de Bolsonaro e evitaram dizer com todas as letras o que aconteceu neste 7 de setembro. Só a Globo mencionou o "tom golpista" de Bolsonaro na sua "escalada" (a leitura das principais notícias do dia).

"Neutra", CNN evita qualificar conteúdo antidemocrático de ato em São Paulo

O "Jornal da Band" começou assim: "Bolsonaro ataca os governadores e xinga ministro do Supremo". Já o "SBT Brasil" anunciou: "O 7 de setembro foi marcado por manifestações a favor e contra o presidente Bolsonaro. Ele voltou a atacar ministro do STF". O telejornal da emissora de Silvio Santos se diferenciou ao exibir, no final, a íntegra do discurso do presidente em São Paulo.

O "Jornal da Record" abriu com as seguintes palavras: "O feriado do 7 de setembro foi marcado por manifestações em todo Brasil. O presidente Jair Bolsonaro chegou a São Paulo no início da tarde para discursar a apoiadores na avenida Paulista. Ele citou mais uma vez o STF e disse que não teme ficar inelegível para as próximas eleições". O telejornal disse ainda que o presidente "subiu o tom" contra ministros do STF.

O "Jornal Nacional", na Globo, foi direto ao ponto. "O desrespeito à democracia com as cores da nossa bandeira. Em diversas brasileiras, bolsonaristas insuflados pelo presidente da República usam o verde e amarelo, mas atacam pilares da Constituição. Em tom golpista o presidente discursa em Brasília e em São Paulo. Diz que respeita a Constituição, mas na mesma frase volta a ameaçar o STF."

Durante a tarde

Nos programas vespertinos, "Brasil Urgente", na Band, e "Cidade Alerta", na Record, tiveram posturas diferentes. Datena adotou um tom mais crítico. Falou em "discurso agressivo" de Bolsonaro, "ataque a ministro do STF e à instituição". E observou que a preocupação maior da população, hoje, é "com comida no prato e emprego".

Já Bruno Peruka, no "Cidade Alerta", falou em "dia histórico para a democracia". Observou que "o que importa é se expressar seja a favor ou contra". E chegou a tratar a manifestação na Paulista como "festa".

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O dia seguinte

SE Bolsonaro ameaça o Supremo em plena Paulista e o IMPEACHMENT NÃO sair da GAVETA, ele GANHOU o 7 de Setembro 

e a DEMOCRACIA ACABOU no Brasil

Se Bolsonaro não for responsabilizado criminalmente e o impeachment não sair da gaveta de Arthur Lira (PP), ele ganha.
Apoiadores do presidente Bolsonaro participam de atos com pauta antidemocrática em São Paulo, no dia 7 de Setembro de 2021.
Apoiadores do presidente Bolsonaro participam de atos com pauta antidemocrática em São Paulo, no dia 7 de Setembro de 2021.DPA VÍA EUROPA PRESS / EUROPA PRESS

O sentido da manifestação golpista de Jair Bolsonaro neste 7 de Setembro será dado nos próximos dias. Se Bolsonaro usou a máquina de Estado para ameaçar e declarou, em plena Avenida Paulista, que não cumprirá decisão do Supremo Tribunal Federal e depois de tudo isso nada acontecer com ele, o golpe avança. 

Se Bolsonaro não for responsabilizado criminalmente e o impeachment não sair da gaveta de Arthur Lira (PP), ele ganha. Esse é o único jogo que Bolsonaro sabe jogar. Essa é a história de Bolsonaro, sempre testando limites e pagando pra ver. Começou planejando ataque terrorista quando ainda era militar e seguiu afrontando a lei e contando com a impunidade. Deu certo até hoje. Tão certo que chegou a presidente da República. Bolsonaro é criatura produzida pela omissão e/ou conivência das instituições: as jurídicas e o Parlamento.

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O assassinato de João Alberto como símbolo da violência racista na América Latina

Um protesto contra o racismo no Rio de Janeiro em 13 de maio.
Um protesto contra o racismo no Rio de Janeiro em 13 de maio.ANDRE BORGES / NURPHOTO VIA GETTY IMAGES

João Alberto Silveira Freitas foi morto pelo racismo. Dois homens brancos que trabalhavam como seguranças num supermercado de Porto Alegre o asfixiaram. Beto, como era chamado pelos amigos, tinha 40 anos, era pai de quatro filhos (uma menina e três meninos) e morreu como George Floyd, mas não com o joelho de um policial em cima, e sim com os de dois homens que permaneceram por mais de cinco minutos sobre seu corpo atirado no piso. Aconteceu em 19 de novembro passado, na véspera do Dia da Consciência Negra, criado no Brasil justamente para celebrar a resistência dos negros contra a escravidão.

A Justiça do Rio Grande do Sul já aceitou denúncia contra seis pessoas pela morte de Freitas —os dois homens que o agrediram e outros quatro funcionários do supermercado apontados como cúmplices—, e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pôs o nome dele na lista de casos de violência contra pessoas negras nas Américas. A comissão aponta que não se trata de um simples incidente, como quiseram tratar as autoridades logo depois do crime, e sim de um padrão que se repete em toda a região.

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Na Colômbia, Anderson Arboleda foi morto pela polícia com pancadas na cabeça por estar na rua quando foi decretado o confinamento pela pandemia. Tinha 24 anos, e sua morte, diz a CIDH em um relatório publicado nesta terça-feira, demonstrou que a violência racial exercida pelas autoridades não são casos isolados. Nos últimos meses de 2020, a Comissão documentou outros assassinatos de jovens afro-colombianos. Harold Morales, um afrodescendente de 17 anos, faleceu após levar um tiro nas costas disparado por um policial; Julián González, de 27 anos, foi baleado no abdômen em um protesto.

A CIDH também recorda o caso de Alberth Sneider Centeno, líder da comunidade garífuna (afro-indígena) Triunfo de la Cruz, em Honduras. Ele e outros três homens, todos negros, todos afro-indígenas, foram sequestrados em 18 de julho do ano passado no que parecia ser uma operação policial. Mais de um ano se passou e nada se sabe a respeito deles, enquanto o Governo não demonstrou muito empenho em encontrá-los. A Comissão pede ao Estado hondurenho que investigue o caso.

Protestos contra o racismo no Brasil.
Protestos contra o racismo no Brasil. LUIS ALVARENGA / GETTY IMAGES

“A Comissão também observou que devido às condições de pobreza e pobreza extrema a que estiveram expostos os afrodescendentes na região, eles são cada vez mais vulneráveis a situações de violência armada”, afirma o documento, que, apesar de aplaudir os esforços de países como a Colômbia pela implementação de programas de reparação coletiva para grupos étnicos, pede um esforço maior. “Na Colômbia, dentro dos 8 milhões de colombianos registrados como vítimas do conflito armado, mais de um milhão pertencem a comunidades negras, afro-colombianas, raizales e palenqueras, sendo este grupo étnico racial o que maior número de vítimas apresenta”, observa o relatório.

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As pessoas negras não são violentadas apenas quando homens brancos as submetem até matá-las, como no caso de João Alberto Silveira Freitas, mas também quando são expostas à pobreza e à desigualdade só por serem negras. A CIDH diz que, com a pandemia de covid-19, agravaram-se as disparidades raciais, e isto afetou em maior grau os afrodescendentes, que “experimentam altos riscos de contágio e morte devido a fatores como o lugar de residência e o entorno físico”. A Comissão reitera o que comunidades no Pacífico colombiano ou nas favelas brasileiras reclamaram desde o início da crise sanitária: como garantir o distanciamento social quando se vive em aglomeração? Como lavar as mãos se não há água corrente? “No caso do Brasil, a CIDH observou com preocupação o impacto desproporcional da covid-19, particularmente pelo número elevado de casos em áreas geográficas de concentração desta população étnica-racial como favelas e comunidades quilombolas”.

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Segundo cifras citadas no relatório, no Rio de Janeiro, onde 1,5 milhão de pessoas vivem em favelas, as condições de aglomeração e insalubridade dificultam a adoção das medidas de isolamento para a contenção da pandemia; na Rocinha, a maior favela carioca, uma em cada quatro pessoas examinadas já havia sido contagiada com o vírus em junho de 2020. Em fevereiro deste ano foram registrados 1.897 contágios e 192 mortes em comunidades quilombolas. O descaso que essas populações sofrem também mata. “Não é ‘ser afrodescendente’ que facilita o contágio pela covid-19; pelo contrário, reafirma que a discriminação estrutural e sistemática historicamente enfrentada pela população afrodescendente é que a torna mais vulnerável à infecção”, salienta a Comissão.

A CIDH recorda que os afrodescendentes habitam majoritariamente áreas com níveis baixos de desenvolvimento, o que se evidencia sobretudo no acesso a serviços públicos e à educação. No Haiti, por exemplo, metade dos maiores de 15 anos é analfabeta. Em outros lugares, como Argentina, houve uma tentativa de negação do povo afro. “Naturalizou-se a crença de que não há pessoas desta origem étnico-racial, produto da negação histórica de cidadãos de ascendência africana na formação da nação”, aponta a comissão, que conta mais de 5.000 denúncias de vítimas de racismo nesse país entre 2008 e 2019.

No caso das mulheres, além da mesma discriminação racial que os homens sofrem, elas têm pouco espaço para que suas vozes sejam ouvidas. A comissão observa que as afrodescendentes “continuam enfrentando profundos desafios no exercício de seus direitos civis e políticos e, em comparação com o resto das mulheres, estão notoriamente sub-representadas em instâncias de decisão como nos Parlamentos da região”. Tampouco têm muito espaço nos meios de comunicação, e quando o conseguem são estereotipadas sob o rótulo de exóticas. “Estas representações impactam de forma agravada sua estigmatização, perseguição e criminalização”, diz a CIDH, que vê com preocupação o que acontece no Brasil, onde, diz, os casos de violência mortal contra as mulheres afrodescendentes cresceram 15%, enquanto os assassinatos de mulheres não afrodescendentes diminuíram 8%.

Durante a última década, aponta o relatório da Comissão, houve avanços em políticas públicas a favor das pessoas afro, mas não foram suficientes. A pobreza como consequência da discriminação histórica e estrutural continua dificultando a vida das comunidades negras na América Latina.

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Homem pesca uma rara lagosta azul na Escócia; Veja imagens - Gizmodo Brasil

por
Imagem: Ricky Greenhowe

Um pescador da cidade de Aberdeen, na Escócia, se surpreendeu ao pescar uma lagosta azul na última quinta-feira (2). Isso porque o animal é bastante incomum e raro: as chances de encontrar um é uma em dois milhões.

Para a BBC News, Ricky Greenhowe, de 47 anos, disse que essa é a primeira vez que isso acontece em mais de trinta anos. Ele encontrou o crustáceo no largo de Aberdeen na manhã de quinta-feira (2), quando as gaiolas foram trazidas à superfície de seu barco.

“Eu percebi imediatamente e coloquei-a em uma caixa separda”, contou. “Nunca vi uma antes e pesco desde os 14 anos.” No país, uma lagosta normal desse tamanho, com cerca de 1,5 kg, valeria £ 25 (aproximadamente R$ 153).

Porém, Greenhowe irá oferecer o bicho para um aquário ou irá colocá-lo de volta no mar. “Não se trata de dinheiro – ele deve continuar sua vida”, afirmou o pescador. “É tão raro que seria uma pena colocá-lo em uma panela.”

Chamadas oficialmente de Procambarus alleni, as lagostas azuis são coloridas por causa de uma anormalidade genética que as faz produzir mais de uma determinada proteína do que outras, deixando o seu esqueleto diferente do vermelho e do marrom.

Veja mais imagens da lagosta azul:

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Sem carrão ou jatinho: Thiaguinho fatura R$ 2 bi, mas não ostenta nas redes

Colaboração para o Splash

07/09/2021 12h35

Atualizada em 07/09/2021 17h37

Em uma olhada pelas redes do cantor, contudo, nada se vê de uma vida de luxuosa. Nas mais de 6 mil publicações feitas em seu Instagram, Thiaguinho foca em divulgar seu trabalho, compartilhando um conteúdo em sua maior parte sobre música.

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O sambista divulga shows que fará, recordes de visualizações em vídeos e trechos de apresentações nas quais está envolvido. Não há registros de mansões, jatinhos ou carros de luxo.

Nas publicações fora do universo da música, Thiaguinho aparece geralmente ao lado de amigos, tomando algum drink, seja na piscina, no bar ou na beira do mar.

Há também registros na academia e desejos de aniversário, como para o 'parçaNeymar.

Thiaguinho ainda mostra ser alguém bastante apegado a família, compartilhando tanto fotos antigas, ainda criança, quanto momentos atuais ao lado de membros de seu clã.

Faturamento de R$ 2 bilhões avaliado pela Forbes

Segundo a revista Forbes, o cantor Thiaguinho, de 38 anos, fatura R$ 2 bilhões ao ano com sua empresa Paz & Bem. Criada em 2009 apenas como uma editora para administrar as obras e músicas do artista, a companhia virou também a gravadora e o local que administra a carreira de Thiaguinho.

Eu era muito novo na época do grupo [Exaltasamba], não tinha o conhecimento de tudo o que acontecia no mercado da música e até hoje busco conhecimento, porque é um universo muito amplo. [Cuidar da própria carreira] foi uma ótima oportunidade para crescer enquanto artista em todos os sentidos. Não só musicalmente, mas também como gestor — e entender tudo o que envolve uma carreira. Thiaguinho

Em abril, após romper oficialmente seu contrato com a Som Livre, o cantor investiu R$ 52 milhões para expandir sua empresa e se tornou dono da própria gravadora, que já foi responsável pelo lançamento de seu novo disco, a segunda parte de seu projeto "Infinito", em julho.

Thiaguinho contou que, apesar de no momento a gravadora estar focada apenas em seus próprios trabalhos, ele não descarta atuar com outros artistas no futuro.

"Tudo vai depender do crescimento dela, mas seria uma honra. Sou um cara muito curioso nesse sentido de procurar artistas e compositores novos", afirmou.

Atualmente, a Paz & Bem conta com 210 funcionários com carteira assinada e impacto indireto em cerca de quatro mil pessoas. O cantor contou que não houve demissões durante a pandemia e que todos os salários foram mantidos.

Sempre fomos muito organizados financeiramente, sempre tivemos preocupação com o caixa para que pudesse dar segurança caso acontecesse alguma coisa comigo. Conseguimos não mandar ninguém embora na nossa equipe, e isso me deixa muito feliz. Valorizo muito a galera que me ajuda a ser quem eu sou e poder fazer o que amo. Thiaguinho

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Patagônia: 11 atrações imperdíveis em uma das partes mais vazias da Terra

Patagônia é destino certo para quem quer entrar em contato com a naturreza; saiba o que fazer no Chile e na Argentina - Marco Bottigelli/Getty Images
Patagônia é destino certo para quem quer entrar em contato com a naturreza; saiba o que fazer no Chile e na Argentina Imagem: Marco Bottigelli/Getty Images

Eduardo Vessoni

Colaboração para Nossa

07/09/2021 04h00

Dona de uma das menores densidades demográficas do mundo — menos de 1 habitante por quilômetro quadrado —, a Patagônia é sonho de consumo de viajantes em busca de vida selvagem em cenários isolados.

Engana-se, porém, quem acredita que é tudo igual naquelas terras frias. São mais de um milhão de quilômetros quadrados divididos entre a Argentina e o Chile.

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Com bosques densos, geleiras e fiordes em áreas distantes que exigem longos deslocamentos a pé ou por estradas de cascalhos, o lado chileno é o mais inóspito de toda a região.

Cachoeira no Parque Nacional Torres del Paine, no Chile - Piriya Photography/	Getty Images - Piriya Photography/	Getty Images
Cachoeira no Parque Nacional Torres del Paine, no Chile Imagem: Piriya Photography/ Getty Images

Já a Patagônia argentina tem as melhores vias de acesso e cidades com boa estrutura turística, como BarilochePuerto Madryn e El Calafate. A desvantagem é que não se vê tanta vida animal como no Chile (exceto em áreas específicas).

Selecionamos onze atrações incríveis em ambas as regiões para você colocar no roteiro. Confira:

1.
Carretera Austral (Chile)

Carretera Austral - Christian Handl/Getty Images/imageBROKER RF - Christian Handl/Getty Images/imageBROKER RF
Carretera Austral Imagem: Christian Handl/Getty Images/imageBROKER RF

Sem dúvida, é uma das estradas mais cenográficas do continente. São 1.240 km de vias pavimentadas e trechos rústicos, entre Porto Montt, na Região dos Lagos, e Villa O'Higgins, no extremo sul do país.

2.
Santuario de La Naturaleza Capilla de Mármol (Chile)

Santuario de La Naturaleza Capilla de Mármol - Peter Giovannini/Getty Images/imageBROKER RF - Peter Giovannini/Getty Images/imageBROKER RF
Santuario de La Naturaleza Capilla de Mármol Imagem: Peter Giovannini/Getty Images/imageBROKER RF

Atração mais famosa da Carretera Austral, em Puerto Tranquilo, essas rochas de mármore esculpidas pelas águas do lago General Carrera ficam a 218 km de Coyhaique, cidade com melhor estrutura em toda a estrada.

3.
Laguna San Rafael (Chile)

Laguna San Rafael - Universal Images Group via Getty - Universal Images Group via Getty
Laguna San Rafael Imagem: Universal Images Group via Getty

A 5 horas de barco de Puerto Chacabuco, esse parque está entre os mais belos da região da Carretera Austral e abriga um glacial milenar com paredões de até 50 metros de altura que pode ser visto a partir de botes.

4.
Ventisquero Colgante (Chile)

Ventisquero Colgante - Christine Phillips/Getty Images - Christine Phillips/Getty Images
Ventisquero Colgante Imagem: Christine Phillips/Getty Images

Esse glacial suspenso no Parque Nacional Queulat é uma das imagens mais impactantes da Patagônia chilena e tem acesso fácil por trilhas curtas em meio a bosques 'sempre verdes', devido à alta quantidade de chuvas.

5.
Torres del Paine (Chile)

Torres del Paine - Franckreporter/Getty Images - Franckreporter/Getty Images
Torres del Paine Imagem: Franckreporter/Getty Images

Eis o destino dos sonhos de quem visita o Chile, a 150 km de Puerto Natales. Por trilhas de até 10 dias, é possível andar por estepes patagônicas, navegar lagos glaciais e ver os famosos maciços de Paine.

6.
Punta Tombo (Argentina)

Punta Tombo - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Punta Tombo Imagem: Getty Images/iStockphoto

Na chamada Patagônia Atlântica, essa é a maior colônia continental de pinguins de Magalhães e recebe por ano cerca de meio milhão de indivíduos que buscam o setor para acasalamento e criação de filhotes.

7.
Puerto Pirámides (Argentina)

Puerto Pirámides - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Puerto Pirámides Imagem: Getty Images/iStockphoto

Mais ao norte fica essa pequena cidade de imensos penhascos que lembram pirâmides e que dá acesso à Península Valdés, Patrimônio Mundial onde se pode ver baleia-franca-austral, pinguim, lobo marinho e guanacos.

8.
Ruta 40 (Argentina)

Ruta 40 - Kavram/Getty Images/iStockphoto - Kavram/Getty Images/iStockphoto
Ruta 40 Imagem: Kavram/Getty Images/iStockphoto

Com mais de 5 mil km, a maior estrada do país vai da fronteira com a Bolívia até Cabo Vírgenes, no Estreito de Magalhães. Paralela aos Andes, essa via dá acesso a clássicos patagônicos como El Calafate.

9.
Perito Moreno (Argentina)

Perito Moreno - Jiann Ho/Getty Images/iStockphoto - Jiann Ho/Getty Images/iStockphoto
Perito Moreno Imagem: Jiann Ho/Getty Images/iStockphoto

Principal atração do Parque Nacional Los Glaciares, a 80 km de El Calafate, o glacial Perito Moreno pode ser explorado em barco, sobre passarelas ou nos impressionantes trekkings sobre o gelo.

10.
Chaltén (Argentina)

Chaltén - Anastasiia Shavshyna/Getty Images - Anastasiia Shavshyna/Getty Images
Chaltén Imagem: Anastasiia Shavshyna/Getty Images

Na Capital Nacional do Trekking a regra é? caminhar. Nesta cidade de 1.600 habitantes, no PN Los Glaciares, as trilhas são gratuitas e de diferentes níveis de dificuldade, com destaques para os morros Fitz Roy e Torre.

11.
Ushuaia (Argentina)

Ushuaia - Sandra Kreuzinger/Getty Images - Sandra Kreuzinger/Getty Images
Ushuaia Imagem: Sandra Kreuzinger/Getty Images

A viagem patagônica (e o mundo) termina nesse destino considerado o mais austral do planeta. As opções de passeios vão de museus históricos em uma antiga colônia penal à estações de esqui e passeios de trem.

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Sem desperdício: aprenda 3 técnicas para fazer os alimentos durarem mais

Abacaxi desidratado: dá para fazer em casa - Getty Images/iStockphoto
Abacaxi desidratado: dá para fazer em casa Imagem: Getty Images/iStockphoto

Gabrielli Menezes

De Nossa

06/09/2021 04h00

"Hype" ou não, a sustentabilidade é um valor cada vez mais em voga no mundo da gastronomia. Evitar o desperdício, respeitar a sazonalidade e usar o máximo possível de cada alimento são critérios que guiam novos chefs como Raphael Vieira, do 31 Restaurante, em São Paulo.

A perda de alimentos é um problema nos restaurantes, mas não só. Segundo o Índice de Desperdício de Alimentos 2021, a porcentagem mais significativa de desperdício acontece dentro de casa (61%).

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Pensando nisso, Raphael detalhou como fazer de forma doméstica três processos que dão vida longa à comida e ainda conferem novos usos, sabores e texturas para os ingredientes. Confira cada passo a passo abaixo.

Envelhecimento

31 Restaurante - Gabriela Queiro - Gabriela Queiro
Maçã murchinha pode virar molho de salada Imagem: Gabriela Queiro

Frutinhas escuras, murchas ou com manchas vão direto para o lixo? Não, não. Viram tempero para salada. Comece a explorar a técnica de envelhecimento com a maçã que já passou "do ponto" dentro da geladeira.

Abra a fruta, tire a semente e processe com ajuda de um mixer. Pegue um pote e coloque a maçã processada dentro. Corte um pedaço de plástico filme e coloque encostado na maçã. Tampe e deixe em temperatura ambiente por dois dias para fermentar o restante do açúcar.

Depois desse tempo, a acidez da maçã ficará parecida com a um vinagre. Segundo o chef, o toque é bem-vindo no arroz pronto e por cima de carnes já grelhadas.

Para temperar folhas, bata 20 mililitros maçã com 50 mililitros de óleo vegetal ou azeite até emulsionar, ou seja, ficar homogêneo e encorpado. Use sal e pimenta-do-reino a gosto.

A maçã dura até um mês na geladeira.

Desidratação

Snack de couve desidratada: opção para reaproveitar folhas murchas - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Snack de couve desidratada: opção para reaproveitar folhas murchas Imagem: Getty Images/iStockphoto

O forno caseiro faz o papel de uma desidratadora profissional. Abacaxi, couve, beterraba e morango são alguns vegetais que se beneficiam da técnica, que consiste em diminuir a quantidade de água presente nos alimentos, mudando a textura.

Corte o ingrediente escolhido e distribua numa assadeira. Leve ao forno aceso na menor temperatura possível e deixe a porta entreaberta. Um termômetro te ajudará a controlar o calor, que idealmente deve ficar em 70 ºC.

O processo leva cerca de 6 horas. De tempos em tempos, vale ficar de olho para virar a travessa de lado já que o eletrodoméstico nem sempre aquece por igual.

Consuma os vegetais desidratados como um snack ou aproveite a crocância para incrementar uma salada ou o iogurte do café da manhã. Para durar mais tempo, condicione num pote com papel toalha, tampe e mantenha fora da geladeira.

Lactofermentação

31 Restaurante - Gabriela Queiro - Gabriela Queiro
Sal: 4% do peso do alimento Imagem: Gabriela Queiro
Água: lembra a de picles - Gabriela Queiro - Gabriela Queiro
Água: processo lembra picles Imagem: Gabriela Queiro

Esse processo pode ser feito naqueles ingredientes que estão mais para lá do que para cá quanto nos frescos. Rabanete, tomate, repolho e cebola-roxa se saem bem na lactofermentação.

"Em restaurantes, é comum utilizar máquinas de vácuo para desenvolver o processo de fermentação sem o oxigênio. Em casa, o equipamento pode ser substituído por algum pote, com tampa, cheio de água, que evite qualquer área de contato entre ingrediente e oxigênio".

Com o recipiente certo em mãos, você precisará de uma balança. Pese o ingrediente e calcule a quantidade de sal (sem iodo): deve ser 4% do peso. Coloque os itens no pote, cubra de água e não feche a tampa completamente para não explodir.

Mantenha o experimento em temperatura ambiente de 3 a 7 dias. Essa variação de tempo será comandada pelo clima. Quanto mais quente estiver, mais as bactérias vão agir e mais rápido será o processo.

Use o vegetal como um picles, para dar acidez na comida. A água que sobra no recipiente também pode ser aproveitada para temperar arroz ou salada. Armazene na geladeira ou num local fresco.

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Polícia leva publicitário para delegacia por insultos e ameaças a Moraes

Pepita Ortega e Fausto Macedo

05/09/2021 19h07

Ameaças e insultos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, por pessoas supostamente embriagadas que estavam no Clube Pinheiros levaram um segurança do magistrado a registrar um boletim de ocorrência por injúria na madrugada da sexta-feira, 3.

De acordo com o documento obtido pelo Estadão, um integrante da escolta pessoal do ministro disse ter presenciado um homem chamar Alexandre de "careca ladrão", "advogado do PCC", 'vamos fechar o STF" e "careca filha da puta".

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O ministro havia chegado de Brasília e estava em seu apartamento, de onde ouviu impropérios dirigidos a ele.

O B.O. foi lavrado contra o agente publicitário Alexandre da Nova Forjas, que foi conduzido por policiais militares para a 14º Delegacia de Pinheiros. No local, ele alegou que estava assistindo um jogo de futebol no Clube Pinheiros, afirmando que havia várias mesas insultando o ministro do STF. Forjas disse que não conhecia tais pessoas e, questionado sobre os insultos e ameaças, negou.

O segurança de Alexandre de Moraes relatou à polícia que foi acionado por "vigilantes particulares" que lhe informaram sobre as ameaças e injúrias que teriam sido feitas ao ministro do STF no Clube Pinheiros. Ele se dirigiu até o local, disse que "constatou da calçada e por meio da grade do clube quatro indivíduos em uma mesa falando alto e ingerindo bebidas alcoólicas" e pediu para um funcionário do clube que orientasse o grupo que insultava Alexandre para que parasse com as ofensas.

O integrante da escolta pessoal do magistrado disse ainda que permaneceu no local até cerca de uma hora da manhã, quando os "ânimos se acalmaram", e em seguida deixou o Clube. No entanto, antes de chegar na sua base operacional, o segurança foi avisado novamente pelos funcionários que os indivíduos novamente passaram a ameaçar e ofender Alexandre.

O segurança afirma que, quando chegou na portaria do Clube Pinheiros, presenciou Forjas xingar o ministro de "careca ladrão", "advogado do PCC", "vamos fechar o STF" e "careca filha da puta". Ainda de acordo com o B.O., uma outra testemunha também presenciou os fatos.

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Morre o ator francês Jean-Paul Belmondo, astro de Godard, aos 88 anos

06/09/2021 11h50

Atualizada em 06/09/2021 15h40

A França perdeu um de seus maiores atores. Jean-Paul Belmondo, astro francês que fez fama ao estrelar filmes de Jean-Luc Godard, morreu hoje (6), aos 88 anos. A notícia foi confirmada pelo advogado do ator à agência AFP. A causa da morte não foi divulgada.

Belmondo ficou conhecido pela participação em filmes como "Acossado" (1960) e "O Demônio das Onze Horas" (1965), clássicos da Nouvelle Vague dirigidos por Godard. De acordo com o advogado Michel Godesto ator "estava muito cansado há bastante tempo. Ele morreu tranquilamente".

Ator carismático que muitas vezes realizava suas próprias acrobacias, Belmondo mudou na década de 1960 para filmes convencionais e se tornou um dos principais heróis de comédia e ação do cinema francês.

Ao logo de mais de meio século de carreira, Bébel, como era conhecido pelos amigos e fãs, foi também produtor e estrela de teatro. Em 2011, ele recebeu a Palma de Honra do Festival de Cannes, principal festival de cinema do mundo. E em 2017, foi homenageado na cerimônia do Cesar, o Oscar do cinema francês.

JP Bebel - Sylvain Lefevre/Getty Images - Sylvain Lefevre/Getty Images
O ator Jean-Paul Belmondo em 2019 Imagem: Sylvain Lefevre/Getty Images

No cinema, estrelou inicialmente um curta-metragem de 1956, também dirigido por Godard. "Acossado", lançado quatro anos depois, é considerado pontapé da Nouvelle Vague, movimento que surgiu como contraponto às grandes produções de Hollywood na época.

A Nouvelle Vague é marcada pelo uso da luz e da identidade do diretor em cada uma das cenas. A dobradinha entre Godard e Belmondo fez sucesso.

O diretor foi criticado pro escrever as cenas à medida que elas seriam gravadas. O sucesso do filme ficou a cargo da boa atuação de Belmondo, que respondeu de forma correta às técnicas de Godard. O ator alcançou sucesso mesmo entre as décadas de 1960 e 1970. Junto a Alain Delon, foi peça-chave para o cinema europeu da época.

Sucesso rodado no Brasil

Um de seus maiores sucessos "O Homem do Rio", de 1964, teve parte da produção rodada no Brasil, para onde o personagem viajou para resgatar a namorada, sequestrada e levada para a Amazônia.

Ele apareceu em filmes de ação nas décadas de 1970 e 1980. No início dos anos 1970, o ator fundou sua produtora, a Cerito Filmes.

Sua decisão de seguir carreira no cinema comercial e de evitar os salões de arte gerou críticas de que ele havia desperdiçado seu incontestável talento —algo que ele sempre negou.

Quando um ator faz sucesso, as pessoas lhe dão as costas e dizem que ele escolheu o caminho mais fácil, que não quer se esforçar ou se arriscar. Mas se fosse tão fácil lotar os cinemas, então o mundo do cinema teria uma saúde muito melhor do que a que tem. Não acho que eu teria ficado nos holofotes por tanto tempo se estivesse fazendo qualquer bobagem. As pessoas não são estúpidas.

Em meados da década de 1980, Belmondo deixou os papéis de policial para se reconectar com comédia em "Feliz Páscoa" (1984) de Georges Lautner e Hold-up de Alexandre Arcady.

Em 1987, "O Solitário" é o último filme de detetive em que ele trabalha. No mesmo ano, ele voltou ao teatro, estrelado por Kean, dirigido por Robert Hossein. Em fevereiro de 1989, pela primeira vez na carreira, recebeu o César de melhor ator por "Itinerário de um Aventureiro" (1988), de Claude Lelouch.

Boxe - Alex QUINIO/Gamma-Rapho via Getty Images - Alex QUINIO/Gamma-Rapho via Getty Images
Antes de se dedicar à atuação, Jean-Paul Belmondo foi lutador de boxe Imagem: Alex QUINIO/Gamma-Rapho via Getty Images

Belmondo foi um grande boxeador

Belmondo nasceu em 9 de abril de 1933, em Neuilly-sur-Seine, filho do renomado escultor Paul Belmondo e da pintora Sarah Rainaud-Richard. Apesar de sua formação culta, ele parecia mais atraído pelo mundo dos esportes do que pelas artes e foi um grande boxeador em sua juventude.

Depois que descobriu a atuação, foram necessárias três tentativas até que o Conservatório de Paris concordasse em 1952 em aceitá-lo como estudante. Mesmo assim, não foi uma passagem tranquila, e Belmondo desistiu irritado em 1956 após a má recepção de um júri do conservatório sobre uma de suas apresentações.

Um de seus professores disse na época:

O senhor Belmondo nunca terá sucesso com sua cara de desordeiro.

A resposta de Belmondo foi um gesto obsceno. Ele estrelou mais de 80 filmes, muitos deles sucessos de bilheteria, durante o meio século seguinte.

Belmondo foi casado com a dançarina Élodie Constantin, com quem teve três filhos. Em 1989, ele conheceu Natty Tardivel, se casou em dezembro de 2002 e teve uma uma filha, em agosto de 2003. Depois de vinte anos juntos, o casal se divorciou em 2008.

* Com informações da RFI e da Reuters

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Ex-presidente Lula
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Blog do Lula - Jair Bolsonaro não se cansa de lançar ameaças à democracia e a todas as suas instituições. Enquanto profere impropérios contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), lança fake news em série contra as urnas eletrônicas, convoca manifestações antidemocráticas e ameaça um golpe de Estado, Bolsonaro utiliza repetidamente a expressão “quatro linhas da Constituição”. Promete jogar dentro das “quatro linhas”, logo depois ameaça sair delas caso seja contrariado, ao mesmo tempo em que acusa seus inimigos (curiosamente, ministros do STF e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral) de não seguir a Constituição Federal.

Com o comportamento anticonstitucional e autoritário que lhe é característico, obviamente Bolsonaro não se refere às quatro linhas da Constituição Federal quando utiliza essa expressão recorrente. Afinal, o que o presidente genocida quer dizer com esse jargão?

Em discurso na última sexta (3) convocando apoiadores para os atos de 7 de setembro – com forte caráter antidemocrático -, Bolsonaro afirmou: “se alguém quiser jogar fora dessas quatro linhas, nós mostraremos que poderemos fazer também”. No sábado (4), o atual presidente voltou a falar em ruptura institucional e entre domingo (5) e segunda (6) usou suas redes sociais para convocar inclusive servidores públicos para as manifestações. Vale lembrar que Bolsonaro só vislumbra três futuros possíveis – preso, morto ou vitorioso – , em uma nítida demonstração de desprezo pela democracia e suas regras eleitorais.

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Com base na análise de sua vida política e de seus mandatos – como deputado federal e como presidente -, traçamos as quatro linhas da Constituição Bolsonarista: armas, rachadinha, mamata e fake news, não necessariamente nessa ordem.

Armas

Bolsonaro é garoto propaganda de armas de destruição de todas as espécies. A política armamentista de Bolsonaro – que aumentou em quatro vezes a potência de armas liberadas para uso de civis, entre outros absurdos – não apenas aumenta os homicídios como facilita mega ações armadas de criminosos, como a que aconteceu em Araçatuba.Seus decretos pró-armas, diversos deles ilegais e suspensos pelo STF, incluem a autorização para que cada pessoa registre quatro armas, permitem posse de armas a moradores de áreas rurais, aumentam o limite anual de munições de 50 para 550 e revogam três portarias do Exército que possibilitavam o rastreamento e controle de armamentos. Bolsonaro afirmou que deseja que o número de armas no Brasil quintuplique.Em mais uma demonstração de escárnio, Bolsonaro ironizou os brasileiros que passam fome. “Aí tem um idiota: ‘ah, tem que comprar é feijão’. Cara, se você não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar”, disse Bolsonaro à la Maria Antonieta. Se não têm pão, que comam fuzis.

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Rachadinha

Toda a família Bolsonaro está envolvida em esquemas de rachadinhha– ou desvio de salário de assessor. Na prática, funcionários (por vezes fantasmas) dos gabinetes de todos os políticos da família devolvem parte ou todo o salário que recebem. O nome no diminutivo talvez passe a falsa impressão de que esta é uma prática sem importância. Na realidade, trata-se de apropriação de dinheiro público, correspondendo também ao crime de corrupção, já que o agente, utilizando-se de sua função pública, acaba por receber vantagem econômica indevida.

Os esquemas envolvem, além de Jair, Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, funcionários fantasma (quem lembra da vendedora de açaí?),o assessor Fabrício Queiroz, financiamento de milícia, lavagem de dinheiro em franquia de chocolate, cheques para a primeira dama, coordenação inicial do esquema por Ana Cristina Valle, então esposa de Jair, e muito mais.

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Mamata

A terceira das quatro linhas era um dos motes da campanha e dos momentos iniciais do governo de Bolsonaro. “Acabou a mamata”, era o que ele dizia. Na prática, a mamata é linha mestra de Bolsonaro, sua família e seus aliados.

Alguns exemplos são a interferência na Polícia Federal para proteger a si mesmo, seus filhos e parceiros; tráfico de influência; contratações escusas e sem licitação no ministério da Saúde; orçamento secreto no ministério de Desenvolvimento Regional; falsificação de documentos para afirmar a postura negacionista e mentirosa com relação à covid-19 e a fraude na compra de vacinas.

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Isso sem contar o gasto recorde com cartão corporativo, que chegou a R$ 5,8 milhões entre janeiro e agosto de 2021, só com despesas de Bolsonaro e sua família em viagens e despesas domésticas. Só o período de 18 dias de férias de final do ano do presidente e sua família custou aos cofres públicos R$ 2,3 milhões, em plena pandemia, sem perspectiva de compra de vacina à época. Ainda deputado, Bolsonaro costumava usar verba pública para custear viagens dos filhos, ex-mulheres e a própria lua de mel, prática que continuou em seu mandato presidencial.

Fake News

A última das quatro linhas é o carro chefe da estratégia de governo de Bolsonaro: a mentira. Eleito devido às fake news de todos os tipos, Bolsonaro segue mentindo no mínimo de quatro a cinco vezes por dia, segundo estudos nacionais e internacionais.

As mentiras de Bolsonaro foram responsáveis pela tragédia que se abateu sobre o Brasil durante a pandemia. Mais da metade das 580 mil mortes poderiam ter sido evitadas não fosse sua postura negacionista, anti-vacina, anti-máscara, a favor de aglomerações e de remédios comprovadamente ineficazes.

Enquanto o país sofre com a volta da fome, a inflação, o desemprego, a crise hídrica, o aumento da violência e muitos outros flagelos, Bolsonaro e seus seguidores se ocupam em seguir inventando e propagando fake news. O único lastro do governo é a mentira.

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Seguimos divididos entre o medo do comunismo e o medo do fascismo

Poliana e Bismarck contra o medo | Opinião

Por Marcello Serpa

Alguns anos atrás, numa viagem de surfe, encontrei um surfista italiano. Conversamos numa mistura de português, espanhol, italiano e nossas mãos. Depois de muitas risadas, me arrisquei a perguntar: como uma figura tão polêmica, o então primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, conseguia se manter tanto tempo no cargo mesmo enrolado em acusações de sedução de menores, corrupção e abuso de poder?

Meu amigo sacudiu os ombros e respondeu: “Molto semplice. Berlusconi o comunisti, comunisti o Berlusconi”. Era isso então, o eterno medo da ameaça vermelha fazendo um país inteiro refém de um político fanfarrão.

Desde o Manifesto Comunista de 1848, o medo da revolução do proletariado dominou o Ocidente. Marx e Engels pensaram numa Alemanha industrializada e em sua enorme massa de trabalhadores como palco para a primeira luta de classes e para o estabelecimento da ditadura do proletariado.

O medo também pode ser um grande agente de mudanças. Em 1871, o ultraconservador Otto von Bismarck, primeiro chanceler alemão, transformou seu medo e ódio pelos comunistas em inteligência política. Percebeu como as péssimas condições de trabalho dos trabalhadores alemães os transformavam no público-alvo perfeito para a propaganda socialista. Em 1883, ele iniciou a aprovação de um conjunto de leis de proteção ao trabalhador que, juntas, se tornaram o primeiro Estado de Bem-Estar Social do mundo. Melhores condições de trabalho, seguro-desemprego, pensão por tempo de serviço, seguro de saúde. Tudo financiado pelas três partes interessadas: o trabalhador, o empregador e o Estado. Essa inédita rede de segurança social tirou o vento das velas revolucionárias na Alemanha. A Revolução Bolchevique e a ditadura do proletariado só deram certo em 1917 num Estado absolutista, retrógrado e agrário, a Rússia dos czares.

O medo do comunismo alimentou Hitler nos anos 1930, a Guerra Fria nos 50 e a do Vietnã nos 60. Hoje, o comunismo é um bicho-papão só na imaginação da extrema direita. Cuba é uma ilha socialista cercada de capitalismo por todos os lados. A China teve em Deng Xiaoping um Bismarck às avessas. Para manter o comunismo na fachada, abriu a China para a economia de mercado. A Coreia do Norte é uma ditadura nepotista e brutal que faria Marx e Engels rolarem em seus túmulos.

Mas continuamos divididos entre quem tem medo do comunismo e quem tem medo do fascismo. Cada um manipulando o medo do outro como ferramenta política. O medo embaça a razão, bagunça a lógica e destrói fatos, trazendo à tona nossos instintos tribais de sobrevivência. Medo é a matéria-prima do “nós contra eles”, radicaliza o discurso jogando no ostracismo duas das principais ferramentas da política: o diálogo e o compromisso.

Uma das colunas do grande Carlos Alberto Sardenberg aqui no GLOBO conseguiu sintetizar nosso dilema político: “Seria ridículo ter votado em Bolsonaro para tirar Lula, depois votar em Lula para tirar Bolsonaro”. Ao ler isso, meu lado Poliana acordou. Sonhei que Bolsonaro se tornou um Pedro I. Num novo Dia do Fico, ele desistiu da reeleição e declarou: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, digo ao povo que fico em casa”. Num momento de bom senso, percebeu que, com seu nome na cédula, Lula e o PT voltariam fácil ao poder.

Minha Poliana surta e espera ver um Lula, esvaziado se Bolsonaro não concorrer, fazer o mesmo: ficará em São Bernardo dando espaço às lideranças do seu partido para tentarem explicar o passado e convencer que representam o novo na política brasileira. Quem sabe aparece um Bismarck brasileiro, tanto faz de direita ou esquerda, capaz de transformar medo e ódio em bom senso, em política pública que mereça esse nome. Capaz de unir pela inteligência, em vez de dividir pelo medo. Que pena! Meu lado Poliana não sobreviveu dois parágrafos. O mais provável é encontrar meu amigo italiano em 2023, e ele me fazer umas destas duas perguntas: por que o Lula voltou? Como Bolsonaro se reelegeu? A resposta será uma só: “Molto semplice: Lula o Bolsonaro, Bolsonaro o Lula”.

Marcello Serpa - Assinatura

Por Marcello Serpa

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O CONCEITO moldado de LIBERDADE que se OPÕE à DEMOCRACIA

Política como imitação | Opinião - O Globo

Uma semana antes do 7 de Setembro, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) publicou o manifesto do bolsonarismo. A Fiesp e a Febraban ensaiaram o discurso da democracia, curiosamente definida como “harmonia entre os Poderes”. Em contraponto, a Fiemg intitulou sua declaração com a senha de combate da extrema direita: Manifesto pela Liberdade.

Há um centro de comando único do bolsonarismo, uma espécie de Comitê Central que esculpe seus discursos. O texto da Fiemg não foi escrito em Belo Horizonte, mas no Planalto. Na hora em que vinha a público, as bandeiras dos atos bolsonaristas de amanhã sofriam uma padronização, organizando-se em torno da senha principal. Tudo — os ataques ao STF, as injúrias contra governadores e parlamentares, a contestação das urnas eletrônicas — será recoberto por uma mão de tinta fresca que exibirá a palavra liberdade.

“Assistimos a uma sequência de posicionamentos do Poder Judiciário que acabam por tangenciar, de forma perigosa, o cerceamento à liberdade de expressão no país”, escrevem os industriais mineiros para condenar o inquérito das fake news — e, de passagem, oferecer um apoio implícito ao pedido de impeachment do juiz Alexandre de Moraes. Liberdade, desdobrada em “liberdade de expressão” e “liberdades individuais”, eis a mensagem.

A senha emerge, igualmente, em textos assinados pelo ministro da Defesa, Braga Netto, um expoente da agitação bolsonarista entre os militares. Na nota de repúdio às declarações do senador Omar Aziz (7 de julho), o general proclama que “as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”. Pouco depois, em nota de desmentido de ameaças de golpe (22 de julho), ele expressa o compromisso das Forças Armadas com “a manutenção da democracia e da liberdade do povo brasileiro”.

Detalhe: a Constituição atribui às Forças Armadas as missões de “defesa da Pátria”, “garantia dos poderes constitucionais” e, por iniciativa de um deles, proteção “da lei e da ordem”. A “liberdade do povo brasileiro” é uma invenção (in)constitucional de Braga Netto — ou melhor, dos mestres ideológicos que o controlam.

A extrema direita brasileira é uma ideia fora de lugar, uma mercadoria importada, a imitação sem disfarce de um discurso elaborado nos EUA ao longo de mais de dois séculos. Lá, a noção de liberdade foi moldada em oposição aos conceitos de democracia e igualdade perante a lei. A “liberdade dos estados” funcionou como oposição à existência de uma Constituição nacional, depois como alicerce do sistema escravista e, finalmente, como moldura das leis de segregação racial. Hoje, reciclada, a reivindicação fundamenta as legislações destinadas a restringir o acesso às urnas em estados controlados pelos republicanos.

A alt-right, nova direita americana, dirigida pelo antigo assessor de Trump, Steve Bannon, subordinou a direita cristã tradicional a um caldo ideológico que mescla ideias libertárias e preconceitos nativistas. O comércio desregulado de armas foi abrigado sob a “liberdade individual”. A “liberdade de expressão” converteu-se em passaporte para a difamação em redes sociais ou a conclamação à violência contra as instituições democráticas. A invasão do Capitólio, experimento libertário da alt-right, tornou-se um modelo para a ação estratégica da direita bolsonarista no Brasil.

Liberdade, essa noção elástica, redefiniu o discurso do movimento antivacina nos EUA. As alegações anacrônicas de que as vacinas geram moléstias (autismo!) não desapareceram, mas foram envelopadas na exigência da “liberdade de escolha” ou, no caso da imunização infantil, da “liberdade das famílias”. Sob o impacto das campanhas libertárias, dois quintos dos americanos continuam sem receber nenhuma dose das vacinas anti-Covid, e o sarampo reapareceu em surtos localizados.

Fora da democracia, liberdade é privilégio de uma minoria que tem poder. Os arautos brasileiros da “liberdade” são os saudosistas da ditadura militar que hoje acalentam o sonho de um golpe contra as liberdades democráticas.

Demétrio Magnoli - assinatura

Por Demétrio Magnoli


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Lula obtém nova vitória na Justiça, que tranca a 18ª ação contra o ex-presidente

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
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247 - O ex-presidente Lula obteve na última sexta-feira (3) mais uma vitória na Justiça. O juiz Frederico Botelho de Barros Viana, da 10ª Vara Federal de Brasília, acolheu pedido da defesa do petista para trancar a ação penal na qual Lula era acusado de corrupção por supostamente ter recebido vantagens indevidas para influenciar no aumento de uma linha de crédito da Odebrecht junto ao BNDES para investimentos em Angola.

 Em nota, a defesa comunicou que por meio da decisão do juiz, "a ação penal será imediatamente encerrada".

"É a 18ª decisão que obtivemos em favor do ex-presidente Lula para encerrar ações penais e investigações contra ele, diante da inexistência de qualquer prova de culpa e da apresentação de provas de sua inocência", dizem os advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska T. Zanin Martins.

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"A verdade vai sendo restabelecida pouco a pouco. Nosso obrigado a todos que fizeram parte dessa luta. Vamos reconstruir nosso país!", publicou o perfil oficial de Lula no Twitter.

Leia a nota da defesa na íntegra:

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"Na última sexta-feira (03/09/2021), o juiz Frederico Botelho de Barros Viana, em Auxílio à 10ª. Vara Federal de Brasília, proferiu sentença acolhendo o pedido que fizemos em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para determinar o trancamento da Ação Penal nº 1004454-59.2019.4.01.3400 — que trata da 4ª. linha de crédito do BNDES obtida pela Odebrecht para a exportação de bens e serviços para Angola. Com a determinação de trancamento a ação penal será imediatamente encerrada.

É a 18ª. decisão que obtivemos em favor do ex-presidente Lula para encerrar ações penais e investigações contra ele, diante da inexistência de qualquer prova de culpa e da apresentação de provas de sua inocência — incluindo, também, a declaração da nulidade dos 4 processos originados em Curitiba contaminados pela suspeição do ex-juiz Sergio Moro e da incompetência da 13ª. Vara Federal de Curitiba, como sustentamos desde 2016.

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Na petição protocolada em 1º/07/2021 mostramos que a ação penal foi baseada em outra, conhecida pejorativamente com “Quadrilhão do PT” — na qual Lula foi absolvido definitivamente pelo Juízo da 12ª. Vara Federal de Brasília da acusação de integrar e liderar uma organização criminosa. Na mesma petição mostramos, ainda, que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no HC nº 164.493/PR, que reconheceu a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e declarou a nulidade de todos os atos por ele praticados na fase pré-processual e na fase processual, impede a utilização de qualquer elemento proveniente de Curitiba na ação penal em referência.

De acordo com o juiz, tal como argumentamos, o material proveniente de Curitiba (“lava jato”) não pode ser utilizado na ação penal em tela conforme a decisão proferida pelo STF que reconheceu a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Ainda de acordo com o magistrado, “assiste razão à defesa quando pugna que a denúncia se baseia, também, em outro processo em que o requerente foi absolvido sumariamente a pedido do próprio Ministério Público Federal – processo nº 1026137-89.2018.4.01.3400/DF. De fato, não se faz possível sustentar a justa causa de uma denúncia a partir do conjunto probatório de uma ação penal em que não se verificou o cometimento de qualquer crime, ao menos não sem que existam outros indícios aptos a reforçar a correção da hipótese ventilada”.

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Com o trancamento desta ação penal, resta uma única ação penal aberta contra Lula do conjunto de acusações que foram indevidamente assacadas contra o ex-presidente na onda de lawfare oriunda da “lava jato”. Já pedimos o trancamento desta última ação penal (“Caso dos Caças”) e tal pedido aguarda apreciação judicial.

Cristiano Zanin Martins e Valeska T. Zanin Martins".

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Não importa que Bolsonaro seja corrupto, entreguista, antipovo e genocida, o que não dá para tolerar é que ele seja corno - Jair de Souza

Por Jair de Souza

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Nestes dias que antecedem às esperadas demonstrações de força previstas para 7 de setembro, algumas revelações sobre a vida íntima de Bolsonaro estão deixando em polvorosa as hostes do nazi-bolsonarismo.

Em reportagens divulgadas pelas redes através de um canal de notícias, um ex-servidor da família Bolsonaro revelou várias de suas facetas íntimas. Uma dessas revelações está provocando pesadelos entre boa parte dos mais leais seguidores do atual ocupante do Palácio do Planalto.

A informação de que, enquanto Bolsonaro bradava sua virilidade pelos quatro cantos do país, sua então esposa andava fazendo outras coisas com alguém muito mais esperto significa um golpe dos mais demolidores contra tudo o que representa a fantasia moral daqueles que estão sempre dispostos a matar (a matar, mas não a morrer, claro) em defesa da honra de seu ídolo maior.

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É verdade que há muito tempo todo mundo já sabia do envolvimento de Bolsonaro com a apropriação indevida dos salários de seus auxiliares de gabinete parlamentar, os quais apareciam como recebedores de recursos públicos na qualidade de funcionários de assessoria parlamentar. Bem, este é um hábito que Jair Bolsonaro pode se orgulhar de haver incutido em todo o restante de sua família, já que seus três filhos que se dedicam às atividades políticas também enveredaram pelo mesmo caminho. Tanto assim que o termo “rachadinha” virou quase que uma grife associada ao clã Bolsonaro.

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No entanto, dentro da visão de mundo bolsonarista, é bastante compreensível que não haja nenhum clamor de indignação pela apropriação por parte de um deputado dos salários de todos aqueles que formalmente trabalham como seus assessores. Para quem entende que a missão de um deputado é defender os interesses dos mais espertos e tratar de aproveitar as oportunidades para enriquecer a si próprio, a tradição “rachadiniana” é muito mais um motivo para gerar orgulho do que decepção entre seus adeptos.

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Tampouco vem ao caso a vinculação de Jair Bolsonaro e todo seu clã com as atividades das milícias que atuam em várias regiões do Rio de Janeiro. Que essas milícias encabecem as mais constantes práticas criminosas daquelas áreas não é fator para causar o desconforto de nenhum de seus grandes apoiadores.

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O que de fato importa é que, tão logo assumiu suas funções presidenciais, Bolsonaro se pôs a executar aquilo que os que idealizaram e bancaram sua campanha esperavam que ele fizesse. Neste sentido, uma de suas primeiras medidas foi reforçar as iniciativas de seu antecessor Michel Temer na eliminação dos direitos trabalhistas ancorados na CLT.

Para não ficar atrás neste quesito, Bolsonaro encampou também a luta pela reforma e destruição da previdência social. E seu sucesso foi tão estrondoso que poucos trabalhadores hoje em dia nutrem alguma esperança de se aposentarem com alguma dignidade.

Porém, não ficaram por aí as proezas de Bolsonaro. Se o golpe de 2016 foi desfechado prioritariamente com o objetivo de retirar do controle nacional as jazidas petrolíferas do pré-sal, Bolsonaro soube como avançar célere e incontinentemente no caminho do desmantelamento, privatização e aniquilamento da Petrobrás. Mas, como nem só de petróleo vive a nação, ele também se lançou à desarticulação e privatização da Eletrobrás e dos Correios. Se era para fazer o desmonte da infraestrutura nacional, Bolsonaro demonstrou que sabia como agir.

Por outro lado, para dar fé de seus compromissos em relação à ecologia, Bolsonaro entrou de cabeça no processo comandado por seu ministro Ricardo Salles, aquele que ficou famoso por comandar a passagem da boiada enquanto se discutia o que fazer com a pandemia. Já que a orientação geral era para privatizar, por que não considerar que todo o solo da Amazônia deveria se tornar pastagens para os ruralistas e seu gado?

E, se há índios no caminho para obstaculizar o processo, quem vai se deter por receio a uns quantos pele-vermelhas? Portanto, hoje em dia, os jagunços dos ruralistas e os agentes dos garimpos e das mineradoras andam fazendo a festa pela região.

Se isso não bastasse para mostrar a que veio, a chegada da pandemia de covid-19 permitiu que Bolsonaro pudesse dar seu toque de mestre em sua obra. E aqui não tem para ninguém, nem no Brasil nem no resto do mundo! Nenhum outro dirigente no planeta conseguiu alcançar a cifra de 600.000 mortos por esta enfermidade em menos de dois anos. Como a maioria desses falecidos eram aposentados e pensionistas do INSS que viviam das “mamatas” pagas pelos cofres públicos, podemos estimar quanto dinheiro sobrou para que os pagamentos sagrados de juros e dividendos dos títulos da dívida pública pudessem ser honrados.

Mas, ainda não é tudo. Sabedor de que é em momentos de crise que o bom empreendedor sabe fazer grandes negócios, o governo Bolsonaro aproveitou-se da situação para arquitetar os mais ousados golpes contra a economia popular que a mente humana poderia vislumbrar. Se, até então, praticar corrupção era entendido como apropriar-se de 5, 10, 15 ou 20% dos valores dos processos agenciados, com as negociatas da roubalheira das vacinas, o governo Bolsonaro mostrou que nem o céu era limite para sua ousadia.

Entretanto, enquanto avançava por esta trilha, Bolsonaro não estava só. Ele foi devidamente abençoado por certos pastores e padres que viam nele o grande messias capaz de conduzir o rebanho no caminho que os levaria ao paraíso (paraíso para esses pastores e padres, não para o rebanho, logicamente). O capital financeiro e os ruralistas souberam respaldar um governo que lhes era dos mais fieis. Nem era caso para os âncoras e comentaristas da rede Globo e do resto da mídia corporativa levantarem dúvidas ou indignações. Sendo assim, embora alguns percalços tenham aparecido no decorrer da trajetória, não havia nada de muito sério que pudesse desabonar junto a essa gente a conduta de Bolsonaro e sua mais que abençoada maneira de conduzir o governo no tocante à economia e direitos sociais.

Caramba, mas, se o homem vem fazendo tudo certinho, tudo em conformidade com os interesses de quem abriu e traçou a rota que ele deveria seguir, por que tinha de aparecer logo uma denúncia do tipo que seus apoiadores não conseguem rechaçar ou ignorar?

Sim, para eles, não há nenhuma dificuldade em continuar sustentando um governante que rouba, que destrói a nação, que favorece os milionários, que causa o desemprego e gera a miséria para milhões e milhões de famílias. O que não dá para tolerar é que o povo fique sabendo que o tal messias seja também um corno.

Por isso, em lugar de gritar fora Bolsonaro, genocida, corrupto e entreguista, eles gostariam que todos se pusessem a gritar *FORA CORNO*.

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De 'papelão mundial' a 'escândalo': imprensa internacional critica suspensão de Brasil x Argentina

Jogo foi interrompido por funcionários da Anvisa após descumprimento de regras sanitárias por parte da equipe argentina; Conmebol diz que decisão final caberá à Fifa
Site do jornal argentino Olé: 'Sem vergonha: papelão mundial' Foto: Reprodução
Site do jornal argentino Olé: 'Sem vergonha: papelão mundial' Foto: Reprodução

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A imprensa internacional criticou a suspensão da partida entre Brasil e Argentina, que seria realizada neste domingo na Arena Neo Química, em São Paulo. O jogo foi interrompido por funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após descumprimento de regras sanitárias por parte da equipe argentina.

Agentes da Anvisa entraram no gramado para determinar a deportação de quatro jogadores argentinos que não cumpriram quarentena. Houve confusão com a chegada dos servidores federais, e a seleção da Argentina deixou o campo na sequência. O time brasileiro aproveitou para fazer um treino.

Em seu portal, o jornal argentino "Olé" destacou em sua manchete: "Papelão mundial brasileiro". O periódico ainda escreveu: "Membros de saúde se meteram no campo para deter jogadores da Premier League (liga inglesa). Escândalo total. Argentina se retirou. E a seleção de Tite apoiou os jogadores de Scaloni. Foi suspensa".

O "Clarín" adotou tom semelhante e também chamou o episódio de "escândalo" e "papelão". Na mesma linha, o TyC Sports afirmou: "Escândalo mundial! Suspenso pelas autoridades sanitárias".

Portal do argentino Clarín: 'Escândalo em Brasil x Argentina' Foto: Reprodução
Portal do argentino Clarín: 'Escândalo em Brasil x Argentina' Foto: Reprodução

Imprensa europeia

O espanhol "Marca" também classificou a decisão como um "escândalo". "Suspenso Brasil x Argentina", publicou em seu portal. O português "A Bola" noticiou a suspensão da partida e ressaltou que "no centro da polêmica estão quatro jogadores argentinos que representam clubes ingleses e que, segundo as regras determinadas pelo governo brasileiro, deviam ter cumprido um período de quarentena como todos os estrangeiros que entram no Brasil provenientes da Inglaterra".

Jornal espanhol Marca classificou suspensão como 'escândalo' Foto: Reprodução
Jornal espanhol Marca classificou suspensão como 'escândalo' Foto: Reprodução

A BBC, por sua vez, escreveu: "Brasil x Argentina suspenso após jogadores visitantes serem acusados de violação à Covid-19". Os britânicos chamaram a interrupção de "intervenção dramática".

O italiano "Gazzetta dello Sport" classificou o episódio como "inacreditável" e publicou: "Brasil x Argentina interrompido após 7 minutos por 'falta de quarentena'".

Gazzetta dello Sport: 'Inacreditável em Brasil x Argetina: interrompido após 7 minutos por falta de quarentena' Foto: Reprodução
Gazzetta dello Sport: 'Inacreditável em Brasil x Argetina: interrompido após 7 minutos por falta de quarentena' Foto: Reprodução

A Conmebol anunciou em suas redes sociais, nesta tarde, que a decisão final sobre a partida, ficará por conta da Fifa.

"Por decisão do árbitro da partida, o encontro organizado pela Fifa entre Brasil e Argentina, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo, está suspenso. O árbitro e o comissário da partida enviarão um informe à comissão disciplinar da Fifa, que determinará os passos a seguir", explicou confederação.

Os agentes da Anvisa argumentam que quatro jogadores da Argentina não podem exercer qualquer atividade no Brasil antes de passar por uma quarentena pois estiveram, antes, no Reino Unido. Apesar da determinação da Anvisa, tornada pública no início da tarde, Emiliano Martinez, Emiliano Buendia, Giovani Lo Celso e Cristian Romero foram escalados. Só Buendia não entrou em campo. Portaria da Anvisa determina que qualquer viajante que passou pelo Reino Unido faça quarentena de 14 dias devido à pandemia de Covid-19.

— Chegamos nesse ponto porque tudo aquilo que a Anvisa orientou, desde o primeiro momento, não foi cumprido. Eles tiveram orientação para permanecer isolados para aguardar a deportação. Mas não foi cumprido. Eles se deslocam até o estádio, entraram em campo, há uma sequência de descumprimentos — disse o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, em entrevista à TV Globo, lembrando que, antes, eles haviam prestado informação falsa no aeroporto.

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Maia, Ciro e Flávio Bolsonaro: políticos comentam suspensão de Brasil x Argentina nas redes

Jogo foi interrompido por funcionários da Anvisa após descumprimento de regras sanitárias por parte da equipe argentina; Conmebol diz que decisão final caberá à Fifa
Partida entre Brasil e Argentina é suspensa Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS
Partida entre Brasil e Argentina é suspensa Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS

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RIO - Após a Conmebol confirmar a suspensão da partida entre Brasil e Argentina pelas Eliminatórias neste domingo, políticos comentaram em suas redes sociais a intervenção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) diante do descumprimento de regras sanitárias por parte da equipe argentina. Agentes federais entraram no gramado da Neo Química Arena, em São Paulo, para determinar a deportação de quatro jogadores que não cumpriram quarentena.

O senador Flávio Bolsonaro (Patriota-SP) afirmou que "os argentinos deram de malandros" e "sabiam que estavam burlando a lei brasileira. O parlamentar cobrou que a Polícia Federal investigue quem não tomou providências antes do jogo.

O ex-presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (sem partido), publicou que espera que a "Anvisa tenha a mesma firmeza em relação às regras sanitárias nos eventos promovidos pelo presidente, sem máscara e vacina". Conforme levantamento do GLOBO com base no Flickr do Planalto, até junho, Jair Bolsonaro (sem partido) participou de ao menos 84 aglomerações desde o início da pandemia.

O pré-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) classificou o episódio como um "vexame explícito" e afirmou que, apesar de não haver dúvida sobre o "erro grave" dos dirigentes argentinos, o episódio poderia ser evitado "se não ocorressem obscuras transações nos bastidores, envolvendo dirigentes esportivos e algumas autoridades brasileiras".

O pedetista ainda questionou se o fato de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desrespeitar os protocolos sanitários não teria estimulado a insubordinação argentina.

A deputada Joice Hasselmann (PSL) insinuou que a CBF sabia e ignorou as orientações da Anvisa ou "tinha expectativa de acordo especial. "O futebol não deveria estar acima das leis dos países", publicoi.

Antes, a parlamentar já havia sugerido que a CBF pediu interferência ao presidente brasileiro. "Se o governo interferir estará desmoralizando a agência reguladora e a imagem do país", disse.

A imprensa internacional também criticou o episódio que culminou na suspensão da partida. Jornais argentinos classificaram como "escândalo" e "papelão mundial brasileiro".

A Conmebol anunciou em suas redes sociais que a decisão final sobre a partida, ficará por conta da Fifa.

"Por decisão do árbitro da partida, o encontro organizado pela Fifa entre Brasil e Argentina, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo, está suspenso. O árbitro e o comissário da partida enviarão um informe à comissão disciplinar da Fifa, que determinará os passos a seguir", explicou confederação.

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Marinha impõe sigilo de cinco anos a documentos sobre desfile militar de Bolsonaro


247 - 
A Marinha impôs sigilo de cinco anos aos documentos da Operação Formosa, que no mês passado incluiu um desfile com tanques em Brasília no dia da votação do voto impresso na Câmara dos Deputados.

Em resposta a um pedido do site Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação, o Comando da Marinha rejeitou compartilhar qualquer documento relacionado à operação.

A operação de intimidação, que mostrou a decadência da estrutura militar brasileira - com seus tanques fumacentos - custou aos cofres públicos R$ 3,7 milhões.

Dos R$ 3,7 milhões gastos com a operação, R$ 1,78 milhão foi utilizado o custeio de bases, R$ 1,03 milhão para locação de ônibus para transporte, R$ 721 mil para combustíveis, lubrificantes e graxas, R$ 98,7 mil para materiais de saúde, R$ 16,6 mil para suprimentos de fundos e R$ 15 mil para passagens e diárias.

A Operação Formosa acontece anualmente em Goiás, mas somente em 2021 foi realizado um desfile de blindados com o - suposto - objetivo de entregar ao chefe do governo federal um convite para acompanhar o treinamento militar.

O desfile, que virou piada por causa de um dos blindados aparentemente com problemas de manutenção, ocorreu em 10 de agosto, quando a Câmara dos Deputados rejeitou PEC do voto impresso.

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Mourão, terceira via? | Merval Pereira - O Globo

O presidente Bolsonaro acrescentou nos últimos dias mais uma preocupação às suas desditas. Além do receio de que um dos seus filhos, ou alguns deles, sejam presos em decorrência dos inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) devido aos desvios de dinheiro público (peculato) com as “rachadinhas” dos salários de servidores nos seus gabinetes parlamentares, ele teme que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o torne inelegível para a eleição do ano que vem.

Não é por acaso que escolheu como alvos preferenciais os ministros Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso. Este é no momento presidente do TSE, o outro o será durante a eleição presidencial. No Supremo, Bolsonaro acha que está resguardado, pois uma eventual punição depende de denúncia do Procurador-Geral da República, e não há indicação de que a renovação de seu mandato o tornou mais independente.

Ao contrário, como quer ir para o Supremo, Augusto Aras depende da reeleição de Bolsonaro. A próxima vaga será em maio de 2023, com a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski, e em outubro do mesmo ano, com a saída da ministra Rosa Weber. Mesmo que, como tudo indica, o escolhido André Mendonça não venha a ser confirmado agora pelo Senado na vaga do ministro Marco Aurélio Mello, dificilmente Bolsonaro abrirá mão do apoio certo de Aras ao duvidoso de um novo Procurador-Geral.

A possibilidade de cassação da chapa Bolsonaro/Mourão pelo TSE é bastante difícil, depois que o tribunal deixou de cassar a chapa Dilma/Temer por “excesso de provas”. Mas há também hoje “excesso de provas” contra a campanha de Bolsonaro, por abuso do poder econômico. Se por alguma manobra política/jurídica chegar-se ao ponto de um consenso em torno do afastamento de Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão assumiria a presidência sem nenhum problema, segundo avaliação de militares, e poderia se candidatar à reeleição em 2022.

Seria, por caminhos transversos, uma terceira via com apoio militar, depois de idealmente ter colocado ordem na bagunça institucional em que vivemos. O destino de Mourão está atrelado a essas variáveis, pois ele prefere continuar morando em Brasília. Uma candidatura a senador, no Rio, onde morava, ou Rio Grande do Sul, onde nasceu, teria preferência à possibilidade de vir a ser candidato ao governo do Rio de Janeiro. Mesmo que apareça neste momento à frente do deputado federal Marcelo Freixo nas pesquisas de opinião, é uma hipótese que está descartada pelo momento.

Ao mesmo tempo há um trabalho no Palácio do Planalto, que envolve ministros militares e o Chefe do Gabinete Civil Ciro Nogueira, para reaproxima-lo de Bolsonaro, o que vem se demonstrando difícil. Mesmo distanciado, está convencido de que não haverá arruaças nas manifestações marcadas para o Sete de Setembro, mesmo que Bolsonaro esteja esticando a corda ao máximo às vésperas da data, como se ela significasse a arrancada final para sua tomada do poder pela força, com apoio popular.

Bolsonaro tem vivido nos dias recentes em um mundo paralelo, e finge estar certo de que montam contra ele uma armadilha para impedi-lo de competir, ou então uma apuração fraudada para derrotá-lo. Seriam pretextos para um contragolpe, como classifica suas ações antidemocráticas.

Nada indica que terá sucesso, mas é capaz de provocar grandes confusões em Brasília e em São Paulo, onde discursará para seus seguidores. O discurso na Capital deve ter um tom mais contido, porque de nada adiantará tentar estimular, à la Trump, a invasão do Congresso ou do Supremo. O esquema de segurança na Praça dos Três Poderes estará reforçado, e a multidão contida à distância.

Mas, na Avenida Paulista, território de seu arqui-inimigo João Doria, Bolsonaro pode ficar tentado a insuflar seus seguidores à radicalização, o que, dependendo do que acontecer, pode acelerar as medidas judiciais contra ele. 

Quando escolheu o General Hamilton Mourão para seu vice, um dos zeros de Bolsonaro comemorou, dizendo que a oposição pensaria duas vezes antes de tentar impedi-lo. 

O feitiço virou contra o feiticeiro, e Mourão passou a ser visto por setores militares e políticos como possível solução para o problema em que Bolsonaro se tornou. 

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Merval, do Globo, diz que Mourão já tem apoio militar para substituir Bolsonaro

Mourão e Bolsonaro
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247 – O jornalista Merval Pereira, do Globo, avalia que o vice Hamilton Mourão já tem apoio militar para substituir Jair Bolsonaro, que lança o Brasil no caos e ameaça implantar uma ditadura miliciana no País.

"Se por alguma manobra política/jurídica chegar-se ao ponto de um consenso em torno do afastamento de Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão assumiria a presidência sem nenhum problema, segundo avaliação de militares, e poderia se candidatar à reeleição em 2022", escreve ele, em sua coluna.

"Seria, por caminhos transversos, uma terceira via com apoio militar, depois de idealmente ter colocado ordem na bagunça institucional em que vivemos", prossegue.

"Quando escolheu o General Hamilton Mourão para seu vice, um dos zeros de Bolsonaro comemorou, dizendo que a oposição pensaria duas vezes antes de tentar impedi-lo.

O feitiço virou contra o feiticeiro, e Mourão passou a ser visto por setores militares e políticos como possível solução para o problema em que Bolsonaro se tornou", finaliza.

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Prerrogativas lança nota defendendo inocência de Lula

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
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247 - Juristas do Grupo Prerrogativas, Lenio Streck, Marco Aurélio de Carvalho e Fabiano Santos da Silva lançaram nota defendendo a inocência do ex-presidente Lula (PT), declarando que “nenhum esforço retórico mudará a realidade dos fatos e dos autos”. Leia na íntegra.

Sim, Lula é inocente! E nenhum esforço retórico mudará a realidade dos fatos e dos autos…

Lenio Luiz Streck

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Marco Aurélio de Carvalho

Fabiano Santos da Silva

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coordenadores do Grupo Prerrogativas

O personagem Benjen Stark, de Game of Thrones, usa uma frase que mostra bem o modo como se pode dar com uma mão e tirar com outra. Ou dar o tapa e esconder a mão. A frase soa como um aforismo: “nothing someone says before the word 'But' really counts”; ou seja, nada que alguém diz antes do “mas” realmente conta.

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Por que trazemos o “filósofo” Stark? Simples. Para mostrar que uma afirmação acerca de uma pessoa pode ser anulada por uma oração adversativa. Maldosamente. E isso é ruim.

Se dissermos que “o empresário fulano é honesto, mas é um sonegador – afinal, beneficiou-se da prescrição penal”, a oração adversativa tem um papel funesto. Façamos o que diz Stark e tiremos o que vem antes do “mas” e veremos o tamanho do estrago. E assim por diante. Caetano Veloso fez show recentemente. Manchete: Caetano faz show tecnicamente perfeito, mas gelado. Pois é. Como fazer essa sepração metafísica? Só perguntando ao “filósofo” Stark.

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É o caso do ex-presidente Lula. Todos os processos contra ele se esfumaçaram, por arquivamentos, nulidades e por incompetência de foro. Quer dizer: tudo o que o Ministério Público lhe imputou foi considerado nulo, írrito, nenhum.

Uma decisão judicial emitida por um juiz incompetente vale tanto quanto uma nota de três dólares. Do nada, nada resta.

As decisões judiciais de um juiz que foram declaradas nulas por parcialidade equivalem, tecnicamente, a uma absolvição.

Logo, o que dizer dos processos fulminados dentro do devido processo legal, tudo feito dentro das “quatro linhas” do sistema? Qualquer dúvida, tire-se uma certidão negativa do ex-réu. O resultado será óbvio. Ficha limpa, dir-se-á.

Se isso é tão simples e tão verdadeiro, por qual razão grandes veículos de comunicação insistem em utilizar uma espécie de “fator Benjen Stark”, pelo qual dizem coisas como “o processo findou, mas não enfrentou o mérito”.

Ora, como separar o mérito de uma causa criminal quando há uma condição prejudicial que é a nulidade por incompetência do juízo ou a parcialidade do juiz? Impossível.

Parece bizarro ter que explicar que a Constituição tem como norte a presunção da inocência e não a presunção de culpa(bilidade). Vamos ser mais simples. Diariamente empresários, jornalistas e jornaleiros “escapam” do sistema de justiça por meio de argumentos absolutamente legais, legítimos e constitucionais: a arguição de preliminares (que no processo penal se confundem com o mérito) e “filigranas” (sic) como prescrição.

A questão é saber se as garantias processuais valem apenas para os outros e não para o ex-presidente Lula.

Portanto, muito estranho que se cobre “o mérito” de algo que nem de longe se conseguiu comprovar – pela própria inexistência de provas, pela incompetência de juízo e pela parcialidade do juiz. O réu ou indiciado não tem culpa se o juízo é incompetente e se o juiz faz patacoada.

Esse uso de oração adversativa (Lula é inocente, mas...) parece muito mais se encaixar no novo “princípio” pós-moderno do Navah – dar existência a coisas que não existem e nunca existiram.

Se Benjen Stark tem razão – e a língua portuguesa mostra que sim – então os grandes veículos poderiam atentar para esse fenômeno. Antes de colocar um “mas”, um “porém”, deveriam consultar manuais jurídicos mesmo dos mais primários, nos quais encontrarão o sentido da força do que representa uma nulidade, uma preliminar, uma anulação e um arquivamento.

A ciência existe para tirarmos dúvidas, desde que entremos no debate com sinceridade. E não para, maldosamente, afirmar e negar ao mesmo. Para que não digamos coisas pueris como “fulano dribla bem, chuta bem, tem bom preparo físico, posiciona-se muito bem, mas não é um bom jogador. Ou “fulano foi isentado de todos os processos, mas...”.

Nenhuma oração adversativa será capaz, por maior que seja o esforço retórico, de negar a verdade dos fatos e dos autos.

Lula é inocente!

E foi vítima de uma perseguição implacável . 

Uma verdadeira caçada,  comandada por um juiz parcial,  com o interesses políticos e eleitorais.

Nada mais constrangedor e preocupante para um sistema de justiça...

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Guiné: militares dão golpe, tomam o poder e prendem presidente (vídeos)


TeleSur - 
Militares liderados pelo tenente-coronel Mamady Doumbouya, líder do Grupo de Forças Especiais (GFS) da Guiné, realizaram um golpe no país da África Ocidental neste domingo.

Em declarações transmitidas pela televisão local, Doumbouya anunciou neste domingo que o presidente Alpha Condé foi preso.

Anunciou também a dissolução das instituições do Estado, a suspensão da Constituição e o encerramento das fronteiras.

O anúncio de Doumbouya ocorre depois de militares desdobrados nas primeiras horas deste domingo na cidade de Conacri, a capital, na mídia de um golpe de estado.

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Visitas ao Planalto: Bolsonaro contraria ordem da CGU e não revela quem recebe

Só este ano, Gabinete de Segurança Institucional (GSI) negou 34 acessos aos dados de quem frequentou a sede da Presidência. Controladoria-Geral da União determinou que governo libere informação, mas Bolsonaro ignora

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Foto: BBC Brasil (Reprodução)
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Há mais de seis meses o governo de Jair Bolsonaro se recusa a entregar as informações sobre quem visita e frequenta o Palácio do Planalto, sede da Presidência da República, mesmo após inúmeras determinações da Controladoria-Geral da União. Já foram 34 pedidos desse tipo, mas até agora nada foi divulgado.

De acordo com a Lei de Acesso à Informação (LAI), esses dados devem ser disponibilizados, mas ainda assim, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ignora o ordenamento jurídico e as orientações do órgão que zela pela transparência no trato com a coisa pública e segue sem revelar quem entra e quem sai do local de trabalho do chefe do Executivo federal.

O Palácio do Planalto sempre disponibilizou os dados de quem visita o presidente e outros servidores que frequentam o local, mas desde janeiro deste ano o setor responsável pela segurança de Bolsonaro, chefiado pelo general Augusto Heleno, tem se negado a fazê-lo, sempre usando como desculpa a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Ainda que esteja em vigor desde janeiro deste ano, a LGPD só é usada pelo governo para ocultar as pessoas que frequentam a sede da chefia do Estado.

Em outros casos em que informações sobre a Presidência são solicitadas e a CGU determina o fornecimento dos dados, o GSI tem triplicado o tempo médio de espera para liberação das planilhas. O que antes costumava demorar um mês, agora demora até mais de 90 dias.

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Josy Oliveira, ex-participante do 'BBB 9', morre aos 43 anos em SP

Ane Cristina e Rodolfo Vicentini Colaboração e do UOL, em São Paulo 05/09/2021 14h38 Atualizada em 05/09/2021 17h23 Erramos: este conteúdo foi alterado

A cantora e psicóloga Josiane Belizário de Oliveira, mais conhecida como Josy Oliveira, que participou do "Big Brother Brasil 9", morreu na madrugada de hoje, em São Paulo, aos 43 anos. A informação foi confirmada pela página oficial dela no Instagram.

Em contato com o UOL, Jeanne Oliveira, irmã de Josy, disse que ela sofreu um aneurisma no início do ano e passou na última terça (31) por uma cirurgia. Porém, Josy teve uma hemorragia durante o procedimento e não resistiu. A família autorizou a doação dos órgãos e o corpo dela será cremado em São Paulo, mas ainda sem confirmação da data.

Gil revela dificuldade para entrar no ritmo do PhD: 'Muito tempo parado'

"O aneurisma foi descoberto há vários meses, ela estava se programando para fazer a cirurgia e foi se precaver para que não ocorresse um caso pior e mais perigoso, e isso aconteceu", contou Jeanne.

O marido Daniel Ramos e o filho Matheus, de 5 anos, deixaram um recado para ela em post na rede social.

O momento que ninguém espera e ninguém está preparado infelizmente chegou e Deus entendeu que deveria ser agoralamentaram marido e filho de Josy.

"Obrigado por ter me escolhido e dado o privilégio de compartilhar sua vida comigo por 12 anos com o mais puro amor [...] Obrigado pela sua vida que vai permanecer para sempre viva em todos que tiveram a oportunidade de te ter por perto", diz ainda a mensagem.

Josy foi a 12ª eliminada da edição do reality show da Globo, cujo vencedor foi Max Porto. Relembre a participação de Josy no reality.

Ex-participantes do BBB conversaram com o UOL e lamentaram a morte. Janaína do Mar, da 11ª edição do programa, foi madrinha do casamento dela e contou que todos os ex-participantes ficaram tristes quando souberam da informação. Josy é a quarta participante do BBB que já morreu.

Formada em psicologia, Josy trabalhou principalmente como cantora antes de entrar no "BBB". Em 2006, gravou o disco "Influências", sua estreia na música e sempre gostou de MPB e música eletrônica. Ela tocava violão, percussão e piano.

A ex-BBB Josy Oliveira - Reprodução/TV Globo/Fabrício Mota - Reprodução/TV Globo/Fabrício Mota
A ex-BBB Josy Oliveira Imagem: Reprodução/TV Globo/Fabrício Mota

'Big Brother'

Um produtor da Globo foi à casa da família de Josy em 2009 apresentar um suposto pré-contrato, que garantia uma vaga na semifinal da etapa de seleção.

"Quando eu fui chamar meus pais para assinarem o termo de responsabilidade que disseram ser necessário, o produtor abriu uma mochila, retirou algumas malas e disse para a Josy arrumar as coisas porque ela já estava no 'BBB'", contou a irmã, na ocasião.

Josy Oliveira passou por vários testes para entrar no 'BBB', desde cadastro na internet, participação em perguntas e respostas e entrevistas.

Ela não chegou ao programa pelos "métodos convencionais". Diferentemente das temporadas anteriores, naquele ano, 4 participantes não entraram direto na casa, sendo Josy uma delas. Ao lado de Daniel, Emanuel e Maíra Brito, a cantora acabou sendo escolhida para passar uma semana confinada em uma casa de vidro (a primeira aparição da mesma), submetida a uma votação popular.

Logo ao entrar na casa, Josy engatou um romance com Ton, um dos participantes mais rejeitados da temporada. Os dois se conheciam e mantinham um relacionamento aqui fora, que continuou dentro do programa. Contudo, Josy e Ton não viveram uma relação às mil maravilhas.

Paredão difícil

Dentro da casa, Josy era considerada uma participante forte. Isso aconteceu após a jovem eliminar em um paredão duplo a competidora Naná, a qual os integrantes da casa viam como uma das principais favoritas ao prêmio.

A própria Josy mostrou-se bastante surpresa ao resultado, não conseguindo disfarçar sua cara de susto quando Pedro Bial, apresentador da temporada, anuncia Naná como eliminada da noite.

josy - Reprodução/Rede Globo - Reprodução/Rede Globo
Josy foi eliminada na reta final, em paredão contra Ana Carolina Imagem: Reprodução/Rede Globo

6ª colocada da temporada, Josy foi eliminada na reta final, no dia 29 de março de 2009. Em seu discurso de eliminação, Bial exaltou a trajetória da jovem.

Há biografias mais calmas, que se apresentam como planícies, mansas colinas, linhas mais ou menos suaves e previsíveis. Vidas sem alto contrastes. Vejamos a trajetória de Josy. Ela começou de menos de 0, presa durante 7 dias na casa de vidro, que acreditem, é muito mais torturante que o quarto branco. Depois, quando conseguiu finalmente entrar na casa foi literalmente atacada por Ton, que de tão ansioso, demonstrou de forma totalmente desastrada seu afeto. Aí ele foi eliminado, Josy ficou "viúva", renasceu, cresceu no jogo, se fez respeitar. Foi pro paredão com quem mais todo mundo tinha medo de ir, a Naiá. Eliminou a Naiá. Do paredão subiu as alturas da liderança, por muito pouco não emplaca a segunda liderança. Sem a liderança, voltou ao paredão".

Errata: o texto foi atualizado
Josy Oliveira tinha 43 anos, e não 41 como informava a versão anterior do texto e que foi reproduzida pela home. O erro foi corrigido.


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Algumas taras da direita brasileira - Flávio Aguiar

Por Flávio Aguiar

Ministros admitem que Brasil está sendo "humilhado" no evento
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Diz que a palavra “tara” vem de uma outra, árabe, tarah, arcaica tarh, que significa “desconto”. Seu significado original é o do peso de um continente vazio de seu conteúdo, algo assim como um vagão de trem desprovido de sua carga. Daí, por estes processos metafóricos da vida, em geral eivados de preconceitos, “tarado” passou a designar alguém que carrega consigo um peso morto psicológico, uma espécie de obsessão que o desequilibra para a “vida normal”.

Coloquei esta última expressão entre aspas porque sabemos o quanto a “vida normal” pode ser cheia de “taras”, e o quanto os “homens de bem”, “normais”, podem carregar consigo taras inomináveis. Na Alemanha, ao final dos anos 30 do século passado, o “normal” era ser nazista, e os artistas que destoavam eram vistos como “degenerados”, e por aí ia, ou ainda vai.

Fiz este preâmbulo inicial para tecer considerações sobre o que vejo como algumas taras da direita brasileira, pesos mortos que ela carrega consigo, no processo em que foram se tornando, pelo menos desde o fim da Segunda Guerra, continentes sem conteúdo, presas de seus próprios preconceitos, de que não conseguem se libertar.

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Neste 31 de agosto celebramos o quinto aniversário do golpe parlamentar-midiático-jurídico contra a presidenta Dilma Rousseff. Este golpe conviveu com o golpe da Lava-Jato contra Lula e contra o Brasil, e abriu as portas para o golpe bolsonarista nas eleições de 2018, estribado na falsidade ideológica das mentiras chamadas pudicamente de fake news.

A seguir, veio esta série de golpes do governo bolsonarista que, para dizer o mínimo, confunde “governar” com “dirigir motocicleta” acompanhado por um bando de marmanjos descerebrados. Sem falar no seu Mágico de Oz, o ministro Paulo Guedes, que confunde seguidamente “administrar” com “dolce far niente”.

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Bom, com a ajuda de mais algumas figuras sinistras, como o chanceler Ernesto Araújo, o ministro Ricardo Salles e a ministra Damares, além da infindável procissão de militares incompetentes e com fama de corruptos, conseguiram destruir a imagem internacional do Brasil (o que não é pouco, um feito sem precedentes na nossa história), construída laboriosamente desde que D. Pedro I se casou com Da. Leopoldina, da Casa Austríaca dos Habsburgo, e Pedro II com Da. Teresa Cristina de Bourbon.

Bom, mas a verdade é que em sua carreira, a direita de nosso país, sobretudo a partir do final da Segunda Guerra, começou a manifestar um vezo maníaco por romper com a ordem institucional do país, talvez por sentir como se tornava difícil vencer eleições com sua avidez programática de entregar suas mãos, pouco afeitas ao trabalho, mesmo o manual de escritório, para preservar o privilégio de seus anéis.

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Na série de golpes que foram desfechando desde então – em 54, contra Getúlio; em 55, contra Juscelino; em 61, contra Jango; em 64 contra o Brasil inteiro; em 68, o supra-sumo do golpe dentro do golpe; em 2016 contra Dilma e em 2018 contra as eleições, promovendo o atual usurpador do Palácio do Planalto – a direita brasileira manifestou algumas constantes de comportamento que a recomendariam para um tratamento clínico que ajudasse a resolver seu comportamento crescentemente cínico. Senão vejamos:

(1) O alinhamento dos golpistas com a política e os interesses dos Estados Unidos, sabotando um desenvolvimento autônomo do Brasil, seja nos tempos da Guerra Fria ou agora, com os interesses econômicos e políticos de Washington, diante do pré-sal nas águas territoriais brasileiras, ou das tentativas de barrar a presença da China e da Rússia na América Latina.

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(2) O papel ativo na preparação, no desfecho e na sustentação dos golpes por parte de quase toda a mídia tradicional, corporativa e empresarial do país, que, não raro, praticaram formas de autocensura antes mesmo de serem também censuradas pelos regimes arbitrários que ajudaram a instalar.

(3) A repressão brutal contra movimentos de trabalhadores na cidade e no campo, contra o movimento estudantil e outros campos de resistência, acompanhada pela censura à informação, de arrocho salarial e de restrição aos direitos trabalhistas.

(4) Embora a participação de civis na organização dos golpes e na sustentação dos regimes subsequentes tenha sido sempre importante, quando o golpismo tem sucesso segue-se uma crescente militarização do Estado brasileiro, com consequências nefastas em todas as esferas da vida pública.

(5) Os golpistas buscam toda a forma de subterfúgios legais e jurídicos para construir, justificar e sustentar suas ações, sempre ao arrepio da lei mas procurando apresenta-las como compatíveis com o ordenamento jurídico da nação.

(6) Não menos importante é a seleção de palavras-chave e de bandeiras que ocultem a verdadeira natureza das ações golpistas e construam uma fachada de respeitabilidade perante a História do país. Foi e é assim com as bandeiras de uma suposta luta contra a corrupção, como no caso do “mar de lama” contra Getúlio em 1954 ou no caso mais redente da Operação Lava-Jato contra Lula e os governos de esquerda no país; com o levantar recorrente do espantalho do comunismo para justificar a repressão; ou como na tentativa de esconder o caráter golpista em 64 sob o nome de “Revolução”.

(7) Todo este esforço visa, dentro de outras características, a construção de uma fachada fantasiosa, onde o recurso a imagens religiosas tem sido importante, que substitua a visão da realidade e justifique a naturalização da violência contra todas as formas de oposição ao golpismo, o que muitas vezes incluiu assassinatos e o uso da tortura.

(8) Last but not least, o comportamento deliquescente e delinquente desta direita veio, ao longo do tempo, promovendo figuras cada vez mais escalafobéticas e alopradas para cumprir seu desígnio de não ter desígnios para o país.

Depois do governo anódino e reacionário de Eurico Gaspar Dutra (que, aliás, venceu com ajuda de Vargas), a direita promoveu de novo o brigadeiro Eduardo Gomes, aquele que, rimando com seu posto militar, era “bonito e solteiro”. A seguir, veio o carrancudo general Juarez Távora, contra Juscelino.

Daí pra frente, a coisa começou a desandar. Jânio Quadros era um desequilibrado. Os presidentes militares, embora mantivessem o decoro da caserna (com exceção de Figueiredo, encantado com o perfume de estrebaria) , eram múmias históricas. Sarney até que deu para o gasto, promovido a presidente por um acidente médico-hospitalar. Collor revelou-se um narciso meio pirado. Deixo FHC para o final. A sucessão Alckmin – Serra – Aécio revelou-se progressivamente derretida, picolés de chuchu, como se dizia de um deles.

Temer foi um fiasco, parecia mais porteiro de cemitério do que presidente da República. Bom, quanto a Bolsonaro, nem falar. Parece uma genitália que assumiu definitivamente o controle de uma cabeça sem cérebro.

Deixei FHC para o final. Por quê? Porque para mim ele é um enigma. Será que foi o professor Fernando Henrique Cardoso, o “príncipe da Sociologia”, que gestou esta fachada política chamada FHC, negociando com o que de mais reacionário havia na política brasileira de então, o PFL? Ou terá sido o contrário? Isto é, o FHC desde sempre medrou sob a fachada que era o professor-príncipe, desabrochando no hoje baronete de Higienópolis? Vá se saber.

Bom, mas pelo menos ele tinha princípios ecológicos, sabia comer com garfo e faca e tomar vinho francês. Não fazia feio no banquete geopolítico, o que não é pouco para a élite brasileira.

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Análise: Ronilso Pacheco - Gil, do BBB 21, pode ser gay e evangélico, e ele não estará sozinho 

A "CACHORRADA" também pode significar LIBERTAÇÃO, FELICIDADE e SALVAÇÃO.

Gil teme como será recebido por integrantes da igreja após participação no BBB 21 - Reprodução/Globoplay
Gil teme como será recebido por integrantes da igreja após participação no BBB 21 Imagem: Reprodução/Globoplay

Ronilso Pacheco

Colunista do UOL

02/05/2021 09h52

Este artigo foi motivado pelas angústias tornadas públicas por Gilberto Nogueira, participante do BBB 21. Gil do Vigor, como ficou conhecido, tornou-se não apenas uma das figuras mais marcantes desta edição, como conseguiu levantar um dilema que flui silenciado e desconfortável para um grande número de pessoas evangélicas: escolher entre viver a sua sexualidade fora do padrão heteronormativo ou reprimi-la para permanecer na igreja.

Por diversas vezes, Gil, que foi seguidor da igreja mórmon, compartilhou sua dor por saber que ao se assumir gay para o país inteiro num programa com a audiência do BBB, ele não seria aceito de volta em sua igreja. Por vezes, disse que amava a igreja e gostaria apenas que ela o aceitasse com sua sexualidade, a "cachorrada".

Embora para muitos evangélicos, mórmons não sejam reconhecidos como cristãos, isso importa pouco aqui. Com relação à sexualidade, a postura é a mesma das igrejas evangélicas conservadoras e fundamentalistas: a homossexualidade é considerada como pecado e abominação aos olhos de Deus.

No entanto é importante saber que este "dogma" (a homossexualidade é pecado e abominação para Deus), há tempos tem sido questionado, e cada vez mais deixado de ser hegemônico e absoluto. Esta é uma boa nova não apenas para Gil do Vigor, mas para milhares, talvez milhões de pessoas, principalmente jovens que arrastam o fardo da culpa.

Muitos destes jovens, passaram por um doloroso processo de "reversão", conhecido como "cura gay", que submete a si mesmo a torturas físicas e psicológicas para reprimir um desejo que consideram impuro, sujo e pecaminoso. Embora sem os mesmos métodos, esta também é a lógica por trás dos diversos projetos de cura gay que já foram propostos no Congresso por parlamentares integrantes da bancada evangélica.

Essa interpretação da bíblia legitimou a destruição de famílias, com filhos e filhas rejeitadas por pais e mães que acreditam estar fazendo a difícil escolha de ser fiel a Deus ao expulsá-los de casa ou permitir que eles e elas se vão. Em muitos casos, adolescentes gays são agredidos, na compreensão de que a "surra" expulsará deles o "demônio da homossexualidade".

Acampamentos com o objetivo de reprimir a homossexualidade são feitos com métodos que vão do banho de água fria, a orações decoradas, passando pela automutilação e a terapia ocupacional para não "pensar em sexo".

Não são poucos os teólogos e teólogas e estudiosos competentes da Bíblia que, com amor e compromisso com a igreja, a partir de seu domínio inquestionável dos textos originais em hebraico e grego, estão seguros e muito bem fundamentados de que os textos usados para afirmar que a bíblia condena a homossexualidade são lidos de maneira equivocada.

Esta disputa em torno da interpretação bíblica passa longe dos olhos do senso comum, que acaba tendo a impressão, e a convicção, de que bíblia, igreja e diversidade sexual são inconciliáveis. As vozes conservadoras e fundamentalistas conseguiram impor de tal forma a interpretação de "aberração" e pecado que poucos conhecem o que tem sido feito, em outra direção: mais acolhedora, afirmativa e muito bem embasada biblicamente.

Em 2016, por exemplo, a IBP (Igreja Batista do Pinheiro), em Maceió, tomou a decisão em assembleia de que aceitaria a adesão de membros assumidamente LGBTI+ e que a estas pessoas seria dado o direito de serem batizadas, participarem da celebração da ceia e usufruírem de todas as prerrogativas de um membro heterossexual.

Por força desta decisão, a CBB (Convenção Batista Brasileira), que é a maior e mais influente organização que reúne as igrejas batistas no país, expulsou sumariamente a Igreja Batista do Pinheiro da convenção. Nas palavras do seu pastor presidente, Wellington Santos, foi um grande "retrocesso". Mas na prática é consideravelmente mais triste e chocante do que isso.

Contudo, a IBP não voltou atrás em sua decisão, e segue sendo uma igreja referencial e afirmativa. Gil, que é pernambucano, certamente se sentiria feliz e acolhido lá. Em 2019, a teóloga Odja Barros, um nome relevante dos estudos bíblicos feministas no país, e também pastora da IBP, organizou e lançou o livro "Vocação Para a Igualdade: Fé e Diversidade sexual na IBP", junto com o também pastor e teólogo Paulo Nascimento.

O livro é a narrativa e o olhar dos próprios membros da igreja e de sua liderança, oferecendo as razões bíblicas, teológicas e pastorais para tomarem a decisão que causou a indignação da conservadora CBB.

Em 2017, surgiu o movimento "Evangélicxs pela Diversidade". A fundação do grupo foi fruto de um encontro ocorrido no ano anterior, em Brasília, quando um grupo de pessoas LGBTI+ evangélicas, e também heterossexuais aliados, reuniram-se para conversar sobre "Bíblia, gênero e sexualidade".

É este movimento que, em junho de 2020, durante o mês do Orgulho LGBTI+, iniciou, junto com a Plataforma Intersecções, a campanha "Fé na Diversidade", que recolheu mais de 170 assinaturas de lideranças de igrejas e organizações evangélicas para publicar a carta aberta "Declaração em reconhecimento da dignidade e do amor de Deus às pessoas LGBTI+".

O primeiro item desta carta traz inclusive um pedido de perdão a esta comunidade pela "incompreensão e negação ao Evangelho de Cristo e silêncio diante do sofrimento causado pelo modo como as igrejas cristãs têm tratado o tema". Certamente se estende ao Gil, por todo seu sofrimento.

Todas as lideranças signatárias da carta estão comprometidas com a compreensão de que não há conflito entre as expressões diversas da sexualidade e a fé evangélica. 

E, ao que parece, este movimento e esta libertação não irá retroceder porque ela está garantida na nova geração de evangélicos LGBTI+.

Já são muitos os jovens, como o ativista ANTONIO VALENTE, que produz interessante conteúdo sobre o tema nas mídias sociais e se apresenta como "bicha evangélica, que fala sobre sexualidade, raça e fé".

Há alternativas, há espaços, há casa, acolhida e afirmação para quem está sofrendo sozinho.

A "CACHORRADA" também pode significar LIBERTAÇÃO, FELICIDADE e SALVAÇÃO.

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Análise: Ronilso Pacheco - Justiça por Floyd quebra (por um momento) impunidade da supremacia branca

19.abr.2021 - Manifestantes protestam do lado de fora do tribunal durante o julgamento do ex-policial em Mineápolis - Chandan Khanna/AFP
19.abr.2021 - Manifestantes protestam do lado de fora do tribunal durante o julgamento do ex-policial em Mineápolis Imagem: Chandan Khanna/AFP

Ronilso Pacheco

Colunista do UOL

20/04/2021 19h43

As vítimas negras da brutalidade policial nos Estados Unidos saíram nesta terça-feira (20), ao menos por um momento, da noite mais escura. E este momento se tornou histórico.

condenação do ex-policial Derek Chauvin pelo assassinato de George Floyd não tem precedente, e dificilmente alguém de fora da cultura norte-americana pode dimensionar com precisão o que isto significa.

O É DA COISA: E Bolsonaro segue ameaçando com o "Rachadão da Rachadinha"

Em muitos casos, uma câmera foi protagonista. E foi devastador ver que isso não foi suficiente.

Foi devastador para a comunidade afro-americana ver em 1991 o espancamento de Rodney King, o linchamento em 1955 de Emmet Till, de 14 anos, e ainda os enforcamentos de tantos negros no sul dos Estados Unidos na era da segregação.

Foi doloroso ver um júri branco dar a absolvição para todos os policiais brancos que por pouco não levaram King à morte, deixando sequelas e marcas que ele nunca perdeu.

A polícia e a supremacia branca, nos EUA, veem a si mesmas como instituições intocáveis.

Quando o vigilante George Zimmerman foi absolvido em 2013, esse fantasma voltou, mortal, violento, imponente e impune. O adolescente Trayvon Martin, de 17 anos, desarmado e indefeso, foi impedido de ter justiça.

Barack Obama esperava poder fazer o que Joe Biden pôde fazer hoje: parabenizar a família de Trayvon. Mas tudo o que conseguiu foi lamentar e dizer que Trayvon poderia ter sido seu filho.

Em 2014, Eric Garner e Michael Brown, em um curto espaço de tempo, conheceram a morte pelas mãos de policiais brancos. Seus pais, irmãos, amigos, toda a comunidade negra, também nunca viram justiça.

A polícia nos Estados Unidos é um cavaleiro do apocalipse que consegue ceifar vidas negras, atualizando métodos desenvolvidos na era da escravidão, sem pesar nem culpa.

Dificilmente um negro adulto, uma mulher negra adulta nos Estados Unidos confia um pouco que seja no que as mudanças nas políticas de policiamento podem trazer de forma benéfica para a comunidade negra. Quando não havia lei, havia a mentalidade. As leis foram mudando por décadas, mas a mentalidade racista, violenta e indiferente continua viva.

A condenação de Derek Chauvin fez hoje, por um único dia, as vítimas de décadas saírem da noite mais escura. O que os negros americanos chamam de trauma, a dor que nunca cessa, a ferida evocada por supremacistas brancos insatisfeitos com negros e latinos conquistando direitos e falando alto no país que eles continuam achando que pertence a eles, supremacistas.

A frieza de Chauvin foi determinante. Chauvin não foi condenado por ter assassinado George Floyd, Chauvin foi condenado pela sua frieza. Ela colocou os próprios americanos, brancos, conservadores, o júri, contra a sua própria alma racista. Aquela mão no bolso, aquela segurança, aquele olhar confiante e de desprezo feriu os próprios americanos.

De alguma forma, a condenação de Chauvin tem um efeito global. Não por uma condição de referência mundial dos Estados Unidos, mas porque as dores da população negra no mundo se conectam, se assemelham.

Hoje, ainda que seja apenas por hoje, todos que perderam o ar com o assassinato de Floyd, puderam respirar o ar que faltava.

Tradutor: Justiça por Floyd quebra impunidade da polícia e da supremacia branca

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Análise: Ronilso Pacheco - Por que julgamento do policial que matou Floyd resume história dos EUA

9.mar.2021 - Manifestante segura retrato de George Floyd em frente ao tribunal onde o caso é julgado em Minneapolis (EUA) - Chandan Khanna/AFP
9.mar.2021 - Manifestante segura retrato de George Floyd em frente ao tribunal onde o caso é julgado em Minneapolis (EUA) Imagem: Chandan Khanna/AFP

20/04/2021 11h58

Atualizada em 20/04/2021 15h29

Em Mineápolis, milhares de soldados da Guarda Nacional estão espalhados pelas ruas da cidade, enquanto empresas foram fechadas com tapumes e cercas colocadas em volta dos principais edifícios.

A cidade que sedia o julgamento de Derek Chauvin, o policial que matou George Floyd, "fechou" e o que se vê nas ruas são policiais, soldados e manifestantes que chegam de todo o país.

Em Illinois, o governador J. B. Pritzker ativou 125 membros da Guarda Nacional para apoiar a Polícia de Chicago. Em Washington, funcionários do governo solicitaram a assistência da Guarda Nacional na cidade em caso de protestos em grande escala.

NBA, a poderosa liga de basquete americana, instruiu os times a ficarem vigilantes sobre o impacto de um veredicto nesta semana, incluindo a possibilidade de adiamento do jogo. As principais redes de TV dos Estados Unidos focam a cobertura do veredito e, principalmente, as reações no momento que a decisão do júri for conhecida.

O presidente Joe Biden está avaliando como lidar com o veredicto no julgamento, seja qual for —a definição passa por se dirigir à nação inteira, com uma mensagem mais geral pedindo protestos pacíficos, ou uma mensagem clara diretamente para a comunidade afro-americana do país.

Tudo isto é para dar a dimensão do que significa o julgamento de Derek Chauvin e como o próprio país se reconhece neste julgamento. Não é exagero dizer que a história do país está resumida no julgamento em Minnesota, e que este não é o julgamento mais importante das últimas décadas por acaso.

Ecos de Trump impulsionam guerra política e cultural

Os Estados Unidos saíram completamente afetados pelo trumpismo e sua canalização do protagonismo da supremacia branca, ataques racistas e o ultra conservadorismo evangélico branco. O assassinato de George Floyd, à luz do dia e lentamente, visto pelo mundo inteiro, acendeu um poderoso movimento antirracista nos Estados Unidos e mundo afora, incluindo o Brasil.

A derrota de Donald Trump se tornou também a derrota política de muitos desses movimentos racistas, supremacistas, ultra conservadores e fundamentalistas religiosos. A invasão ao Capitólio em 6 de janeiro foi a resposta mais rápida e inesperada dos saudosos da era Trump que não demoraram a responder como irão ao limite para "ter o país de volta".

Mas esta disputa não se restringiu a extremistas civis admiradores de Trump. O Partido Republicano não demonstrou qualquer interesse em se desvincular das ideias trumpistas e assumiu uma disputa que coloca os EUA, nesse momento, em uma verdadeira guerra política e cultural.

Entre as disputas, estão a batalha contra a supressão de votos na Geórgia, com um projeto de lei que interfere diretamente no acesso da população negra ao voto, e a luta para banir a chamada Teoria Crítica Racial de currículos escolares e formação de agentes de segurança, o que permitia a questão racial ser um elemento importante para pensar justiça e direitos civis no país.

O projeto da Lei da Igualdade, que está no Senado, enfrenta verdadeira investida dos republicanos e de conservadores religiosos, porque beneficia e alcança de maneira mais ampla a população LGBTQIA+.

Para além da disputa política parlamentar entre republicanos e democratas, o embate se espalha pelo país. Há professores universitários progressistas sendo silenciados, monitorados. Ataques com tiros voltaram a ser frequentes e símbolos da era da escravidão, como a forca, são encontrados em universidades, como uma espécie de sinal ou "mensagem".

Tudo isso está canalizado no julgamento de Chauvin?

A resposta é sim. A depender do veredito, toda essa tensão pode explodir simultaneamente no país. Desde a era da segregação, desde a era do reverendo Luther King, o país, de maneira generalizada, não se encontrava nesta frequência.

Esta pode ser uma semana decisiva para o país que se considera a maior democracia do mundo. E é bom que não esqueçamos, que esta situação limite tem a ver com raça e racismo e vem de longe, como no Brasil, embora a sociedade brasileira transite entre o silêncio e a dissimulação.

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O 'outro' gás que contribui cada vez mais para o aquecimento global

As principais fontes de metano incluem a agricultura, os campos de petróleo e gás e os aterros sanitários - Fernando Bizerra Jr/Efe
As principais fontes de metano incluem a agricultura, os campos de petróleo e gás e os aterros sanitários Imagem: Fernando Bizerra Jr/Efe

Matt McGrath

Repórter de Ciência da BBC News

04/09/2021 12h51

Embora limitar o dióxido de carbono tenha sido a estratégia mais amplamente usada, o último relatório da ONU sobre as mudanças climáticas mostrou que o metano é responsável por grande parte do aquecimento atual. De onde ele vem e como pode ser limitado?

Um dos dados mais surpreendentes do recente relatório da ONU sobre mudanças climáticas foi a proeminência do metano como gás responsável pelo aumento das temperaturas.

Uma campanha agressiva para cortar as emissões de metano poderia dar ao mundo mais tempo para enfrentar as mudanças climáticas, dizem os especialistas.

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sugere que entre 30% e 50% do aumento das temperaturas se deve a esse gás poderoso, mas de vida curta.

As principais fontes de metano incluem a agricultura, os campos de petróleo e gás e os aterros sanitários.

Por décadas, os maiores esforços para enfrentar o aquecimento global têm se concentrado em limitar as emissões de dióxido de carbono (CO2) oriundas de atividades humanas, como geração de energia ou desmatamento.

Isso se baseia em evidências científicas, já que o CO2 é responsável por cerca de 70% do aumento do aquecimento global ocorrido desde a revolução industrial.

O metano (CH4), por outro lado, não tem recebido essa atenção.

Isso pode estar mudando, já que um importante estudo das Nações Unidas no início deste ano destacou seu impacto ambiental.

Agora, segundo o relatório do IPCC, calcula-se que o metano tenha acrescentado meio grau centígrado ao aquecimento global.

Fontes de metano

Então, de onde vem todo esse gás?

Cerca de 40% do metano se origina de fontes naturais, como pântanos, mas a maior parte dele vem de uma série de atividades humanas.

"É uma combinação de origens, da agricultura — incluindo pecuária e cultivo de arroz — à outra fonte importante de metano, que são os depósitos de lixo", diz o professor Peter Thorne, um dos cientistas do IPCC, da Maynooth University, na Irlanda.

"Uma das principais fontes vem da produção, transporte e aproveitamento do gás natural, que tem um nome enganoso, e deveria se chamar gás fóssil", acrescenta.

Desde 2008, houve um aumento significativo nas emissões de metano que os pesquisadores associam ao boom do fraturamento hidráulico, o método de exploração de petróleo em partes dos EUA.

Em 2019, o metano na atmosfera atingiu níveis recordes, cerca de duas vezes e meia maior do que na era pré-industrial.

O que preocupa os cientistas é que o metano é um fator forte quando se trata do aquecimento climático. Em um período de 100 anos, ele aquece entre 28 e 34 vezes mais que o CO2.

No entanto, um aspecto positivo do CH4 é que ele não dura tanto no ar quanto o CO2.

"Se você emitir uma tonelada de metano hoje, em uma década você esperaria que apenas meia tonelada permanecesse na atmosfera e em duas décadas, um quarto de tonelada", diz o professor Thorne, acrescentando:

"Então, basicamente, se pudermos parar nossas emissões de metano até o final do século, sua presença na atmosfera deve retornar aos níveis naturais, como estavam em 1750."

No curto prazo, os especialistas acreditam que, se as emissões de metano fossem reduzidas em 40-45% na próxima década, o aumento da temperatura até 2040 poderia ser limitado em 0,3 grau.

Em um mundo onde cada fração de grau conta, isso potencialmente faz uma enorme diferença neste esforço para evitar que as temperaturas globais subam mais de 1,5 grau.

O gado

O que entusiasma muitos pesquisadores é a crença de que uma série de ações relativamente simples pode ajudar rapidamente a limitar a produção de metano.

"É relativamente barato limitar algumas de suas fontes", diz o professor Euan Nisbet, da Royal Holloway University de Londres.

"Em particular, estamos falando de vazamentos na indústria de gás, que agora são muito mais fáceis de se detectar do que há 10 ou 20 anos, pois os instrumentos para detectá-los são muito melhores."

"Algumas ações podem ser tomadas muito rapidamente: nos trópicos, você pode colocar terra em cima dos enormes aterros urbanos e também pode impedir o incêndio de resíduos da colheita", acrescenta.

Essas medidas rápidas funcionam. Nos EUA, os esforços para coletar gás em aterros sanitários reduziram as emissões de metano em 40% entre 1990 e 2016.

Na agricultura, também ocorrem mudanças técnicas relacionadas ao manejo de dejetos e rações que podem reduzir as emissões desse gás.

Mas alcançar grandes reduções exigirá ação política.

Em países como a Irlanda ou a Nova Zelândia, onde a agricultura desempenha um papel fundamental na economia, essas mudanças podem ser problemáticas.

Para ter sucesso, essas decisões devem ser justas e equitativas.

"Você não pode simplesmente dizer às pessoas que elas não podem mais criar mais vacas ou ovelhas", diz o professor Thorne.

"São necessárias políticas para ajudar na transição para outros meios de gestão da terra, mas isso não vai acontecer se as pessoas disserem que você não pode mais criar gado. Tem que ser uma abordagem muito mais sutil."

A escolha dos consumidores em relação à sua dieta de carnes e laticínios, sem dúvida, terá um impacto neste setor.

Indústria

A indústria de petróleo e gás também enfrenta um grande desafio na limitação do metano.

As leis atuais não conseguiram impedir os vazamentos. Mas há um interesse crescente de empresas do setor de combustíveis fósseis em usar tecnologia que possa identificar rapidamente essas perdas e eliminá-las.

"Se você olhar de um ponto de vista objetivo, o setor está melhorando em relação a vazamentos e incidentes, mas não rápido o suficiente", diz Arnel Santos, um veterano da indústria de petróleo, primeiro com a Shell e agora com a empresa de tecnologia de energia mCloud.

"Precisamos andar mais rápido para mostrar que podemos realmente implantar tecnologia para melhorar o que fazemos, porque as melhorias até agora não são rápidas o suficiente em relação ao que estamos vendo", acrescenta.

Talvez a maior mudança necessária no cenário internacional seja separar o metano de outros gases que causam o aquecimento.

Como os negociadores do clima da ONU lidam com todos os gases de efeito estufa em um mesmo processo político, há preocupações de que eles possam fazer trocas, comparações e compromissos sobre o metano que anulem os esforços para reduzir essas emissões.

Muitos agora estão pedindo um processo separado para o metano, nos moldes do Protocolo de Montreal, que conseguiu reunir os países para regular os gases que afetaram a camada de ozônio.

"Para parar o aquecimento a longo prazo, devemos parar as emissões de dióxido de carbono", disse o professor Thorne.

"Mas para nos ajudar nesse caminho, poderíamos tratar esses gases de maneira diferente. E se pudéssemos tratar o metano de maneira diferente, poderíamos ganhar tempo para nos adaptar às mudanças que estão ocorrendo."

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O fardo de todos os democratas: intensificar a frente de batalha contra o lawfare praticado pela mídia - Larissa Ramina

Por Larissa Ramina

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
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Está em curso uma guerra contra o Brasil. Uma guerra não militar, por isso chamada de guerra não convencional, guerra irregular, assimétrica ou híbrida. Embora não faça uso de armas e equipamentos militares, é uma guerra, e como tal, provoca danos de dimensões equivalentes ou ainda maiores do que a guerra convencional. A guerra híbrida compreende várias estratégias de combate, sendo uma delas a guerra jurídica ou o chamado lawfare.

Num contexto internacional em que golpes de Estado militares passam a ser inaceitáveis, tornando a guerra híbrida uma opção viável, a disputa política pode ser transferida para o plano judicial que desfruta, aprioristicamente, de legitimidade indiscutível. Por isso, ao treinamento de militares latino-americanos na antiga Escola das Américas soma-se o treinamento de operadores jurídicos em escolas judiciais e programas de capacitação jurídica, com objetivos de perseguir governos que resistem às ofensivas neoliberais estadunidenses, de forma aparentemente democrática, pois utilizando-se perversamente da legitimidade do direito, dos órgãos jurisdicionais e de seus operadores. Nesse sentido, ganharam protagonismo as International Law Enforcement Academies – ILEAs (Academias Internacionais de Aplicação da Lei), que foram estabelecidas em 1995 pelo então Presidente Bill Clinton para, oficialmente, combaterem a criminalidade internacional. 

Não por acaso, as ILEAs são controladas politicamente, recebem financiamento de agências dos EUA como a USAid e operam mediante instruções do Department of Justice. Isso explica o porquê, na América Latina como um todo, substituem-se sistemas penais mais inquisitivos por sistemas penais acusatórios similares ao modelo estadunidense, atribuindo maior empoderamento aos órgãos do Ministério Público.

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O termo lawfare é uma contração das palavras em inglês law, que significa Direito, e warfare, que significa guerra. Portanto, lawfare significa literalmente guerra jurídica. Compreender o lawfare, todavia, exige um exercício intelectual de grande envergadura, por se tratar de um conceito ainda em construção e em disputa. Apesar das expressões lawfare e guerra jurídica estarem amplamente consolidadas, a ressalva que deve ser feita é de que ambas realçam o plano judicial do fenômeno quando, na verdade, essa guerra é conduzida com a mesma intensidade no âmbito midiático. Sem a articulação com a mídia, seguramente a batalha no terreno jurídico não alcançaria o mesmo resultado, razão pela qual entendemos que a expressão que melhor descreve a estratégia seria “guerra jurídico-midiática”. Isso quer dizer que o lawfare não é simplesmente uma ofensiva levada a cabo pelas vias judiciais, mas uma ofensiva levada a cabo pelas vias judiciais apoiada fortemente por uma mídia comprometida com os objetivos políticos, econômicos e geopolíticos perseguidos. Eugénio Zaffaroni deixa clara a importância da dimensão midiática ao constatar que a mídia hegemônica não apenas está a serviço do poder econômico transnacional, como faz diretamente parte dele, em uma complexa rede de interesses intimamente compartilhados.

Como resultado da articulação entre operadores do sistema de justiça e a mídia, fabricam-se consensos que acabam por aniquilar da vida pública os supostos ‘inimigos políticos’, por meio da construção do fenômeno que tem sido chamado de “pós-verdade”: parece mais fácil aceitar uma mentira, desde que repetida ad nauseam pelos meios de comunicação de massa, do que fazer o esforço de entender uma verdade complexa ignorada por eles. Na prática, isso constitui um juízo paralelo e uma penalidade antecipada.

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Andrew Korybko, um dos principais estudiosos da guerra híbrida, fala no “caos sistêmico” ou “caos estruturado” como estratégia semiótica de atribuir um significante a elementos psiquicamente difusos em uma sociedade, como ressentimento, medo, insegurança, insatisfação. Tais elementos podem produzir efeitos catastróficos e imprevisíveis, que atuam na geração do caos e na consequente intensificação da polarização, atmosfera cara ao extremismo de direita. Nesse sentido Wilson Roberto Vieira Ferreira, do Portal Cinegnose, constata que a matéria-prima da guerra híbrida é uma nova estratégia de comunicação política, que ele chama de “bomba semiótica”. Tratar-se-ia de uma estratégia híbrida de ação política através das mídias, que opera com vetores simultâneos semióticos, cognitivos, psicológicos e fenomenológicos, fazendo com que a narrativa midiática coincida com a experiência pessoal dos alvos visados, moldando a opinião pública à base do choque de notícias que fazem uso de ferramentas linguísticas e semióticas inéditas, e criando um “pseudoambiente” para a opinião pública, crucial para a percepção de que o País está imerso no caos se para exortar a radicalização e polarização política.

Conforme explicaram Celso Antônio Bandeira de Mello, Weida Zancaner e Marco Aurélio de Carvalho no artigo “O fardo que a Folha precisa carregar”, publicado na Folha e criticando um Editorial do próprio Jornal, a ideia de que, apesar da absolvição em 17 processos o ex-Presidente Lula ainda deve explicações à sociedade, não corresponde à verdade dos autos, além de gravemente inverter o princípio constitucional da presunção de inocência. E acrescentam: “Tais processos começaram pelo fim. O juiz atirou as flechas e depois pintou os alvos”, ou seja, a parcialidade e a incompetência de Sérgio Moro devidamente constatadas pelo STF não deixam dúvidas de que o ponto de partida foi a condenação do réu, seguindo-se a busca desesperada por provas, e na falta destas, a condenação pela “convicção”.

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Apesar da absolvição e da inequívoca inocência de Lula, a grande mídia insiste em atuar como instância julgadora, acima até mesmo do órgão de cúpula do Poder Judiciário Brasileiro. Mesmo após promover antecipadamente a condenação do ex-Presidente, sem provas e de forma absolutamente autoritária e desleal, insiste no discurso de que Lula continua sendo culpado. E é aqui que devemos insistir: a batalha contra o lawfare deve ser intensificada para combater a narrativa mentirosa de que Lula é culpado, ainda que absolvido em 17 processos judiciais. O objetivo de promover sua morte política, portanto, continua sendo buscado. 

Last but not least: Joe Biden pode até ter recentemente afirmado que a decisão sobre o Afeganistão não é apenas sobre o Afeganistão, mas é sobre o fim de uma era de grandes operações militares. A era das intervenções militares parece estar em seus últimos suspiros, mas a era das intervenções pura e simplesmente, essa sobrevive. E é por isso que o fardo de todos os democratas deve ser a intensificação da frente de batalha contra o lawfare, sem, todavia, menosprezar o seu aspecto midiático.

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Seinfeld: série de comédia chega em outubro na Netflix - Gizmodo Brasil

por
atualizado em
1 de setembro de 2021 @ 15:02
Divulgação

Passando por alguns serviços de streaming aqui no Brasil (com um dos mais recentes sendo o Amazon Prime Video), a série de comédia Seinfeld fará parte do catálogo da Netflix a partir de 1º de outubro. Nos Estados Unidos ela fazia parte do Hulu, sendo distribuída por fora ao redor do mundo.

O acordo da Netflix marca a primeira vez que um único serviço de streaming detém os direitos globais de Seinfeld. Por referência, The Office, How I Met Your Mother Friends, grandes séries de comédia que sempre mudaram de “casa” aqui no Brasil, não seguiam um acordo global – então explica-se o fato de ambas terem feito parte da Netflix, HBO e Prime Video em algum momento.

Seinfeld retrata a vida de quatro amigos vivendo em Nova York: Jerry Seinfeld (nome do ator e do personagem, que batizam a série), George, Elaine e Kramer. Sua exibição foi de 1989 até 1998, sendo referência do gênero sitcom para programas americanos que vieram depois, durando 180 episódios divididos em 9 temporadas.

A chegada de Seinfeld na plataforma em 2021 é verdadeiro um marco, pois são dois anos desde o anúncio do acordo de 500 milhões de dólares. Dos últimos anos para cá, a Netflix perdeu os direitos globais de outras séries de comédia, mas a mais memorável aos brasileiros Friends, série que voltou “completa” ao nosso país há poucas semanas pela HBO Max.

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Nem ele, nem ela: por que a linguagem neutra é importante

Segundo especialistas, transformar a língua é legitimar a existência de quem não se reconhece como cisgênero.

1 de setembro de 2021

linguagem inclusiva

Ainternet é um lugar que propõe debates e dissemina temas importantes para a sociedade, um deles é sobre gênero — um conjunto de representações e comportamentos construídos a partir da diferença entre os corpos, que servem como indicadores culturais da identidade pessoal e social de alguém.

Em maio de 2021, Demi Lovato, estrela da música e da televisão, declarou publicamente que é uma pessoa não binária. “Eu passei por um trabalho de cura e reflexão e, com isso, tive a revelação de que me identifico como pessoa não binária”, disse em vídeo publicado no Twitter. Assim como elu, Bárbara Paz também se sente assim: em uma entrevista para o podcast Almasculina, a personalidade se descreveu como uma pessoa inquieta. “Uma mulher, um homem, não binária. Descobri que sou não binária há pouco tempo”, disse no episódio que foi ao ar em maio.

Mas o que significa isso? Segundo o manual de consultoria de diversidade da Diversity Bbox, o termo não binário é usado para descrever pessoas cuja identidade de gênero não é de homem ou de mulher. Também representa quem transita entre os gêneros, é uma combinação de gêneros ou está além. Segundo uma pesquisa publicada na revista científica Nature em janeiro deste ano, 1,19% dos adultos brasileiros se identificam dessa forma.

A comunicação entra em pauta com a necessidade de pensar em uma linguagem inclusiva para além dos pronomes ele e ela. É a chamada linguagem neutra ou não binária. “Assegurar isso como prática é viabilizar que se torne real a existência de todos os corpos”, diz o psicólogo Carú de Paula, ao Bitniks. “Se há uma vida fora da norma existente, precisamos garantir que ela seja respeitada em todos os sentidos. Quando isso é reconhecido na fala, gera saúde mental.” Isso porque é a partir desse reconhecimento que se pensa em políticas públicas, desenvolvimento de saúde e garantias para essas pessoas.

A linguagem neutra também permite um novo leque de possibilidades para os pequenos. “Se, em uma aula de português na escola, por exemplo, uma criança se separa com uma realidade não binária, ela sabe que pode viver a vida em sua plenitude de formas diferentes para além do masculino e feminino”, completa Carú.

Um português sexista

Oportuguês usa pronomes e artigos para definir o gênero das pessoas a quem estamos nos referindo. Mas na história da língua, isso nem sempre foi assim. “No latim, de onde deriva o português, não era necessário o uso de pronomes e nem de identificação de gênero nas palavras”, explica o linguista Danniel Carvalho. “Mas na mudança dele para as outras línguas românicas, como o italiano, o francês, o espanhol e a nossa, houve a necessidade de inclusão de novos elementos.”

Segundo o especialista, fatores sociais e políticos provavelmente interferiram nesse processo. Um deles pode ter sido o fato da dominação da escrita pela Igreja Católica na Idade média, que transmitiu seus aspectos conservadores para a linguagem.

Mas hoje, a busca pela igualdade de gênero possibilitou novas discussões sobre o assunto. “Se levarmos em conta as identidades travestis e as não binárias, a língua acaba não os contemplando. Então passamos a pensar sobre como remediar esse problema.” Primeiro, se discutiu algumas terminações neutras como o @ ou o X. No entanto, isso não é acessível para pessoas com deficiência visual, já que alguns leitores tecnológicos não entendem as palavras escritas dessa forma. Além disso, surgiu a necessidade de vocalizar essas terminações. Foi aí que houve a sugestão de inserir o artigo “e” no final das palavras — amigo, por exemplo, vira amigue — e a criação de pronomes como ile e elu.

Para Carvalho, a maior dificuldade da linguagem não binária, assim como outras linguagens não preconceituosas, é que ela desafia o poder dominante. E Carú concorda com isso: “A língua faz parte de um sistema que existe para manter uma estrutura patriarcal da nossa sociedade.” Isso quer dizer que ainda há um tabu muito grande em se difundir algo que fuja da dicotomia do Adão e da Eva. Isso gera um desconforto na maior parte da população e, principalmente, naqueles que ditam as regras.

Isso se reflete no Projeto de Lei 5248/20, que proíbe o uso da linguagem neutra na grade curricular e no material didático de instituições de ensino públicas ou privadas no ensino da língua portuguesa no ensino básico e superior. A proposta, escrita pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), inclui a vedação em documentos oficiais dos entes federados, em editais de concursos públicos, assim como em ações culturais, esportivas, sociais ou publicitárias que percebam verba pública de qualquer natureza. Segundo Derrite, seu intuito é “determinar que o aprendizado da língua portuguesa seja feito de acordo com a norma culta, com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) e com a grafia fixada no tratado internacional vinculativo do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa”.

No mundo afora

Assim como no Brasil, outros países do mundo estão tendo esse debate — porém, de forma mais aberta e avançada. Em Portugal, expressões neutras e inclusivas já podem ser usadas em certidões e registros civis por recomendação do governo.

Já na Argentina, a Faculdade de Ciências Sociais de Buenos Aires aprovou o uso da linguagem neutra institucionalmente em 2019. O documento, publicado no site oficial da instituição diz que “para que a igualdade jurídica se traduza em igualdade efetiva, é necessária uma profunda transformação nas práticas sociais”.

Em inglês, tanto o britânico Oxford Dictionary quanto a editora norte-americana Merriam-Webster reconhecem o pronome “they”, no singular, como a maneira de fazer referência a pessoas não binárias. A palavra foi escolhida como a palavra do ano, em 2019, por esse último. “Embora as pesquisas geralmente sejam motivadas por eventos no noticiário, o dicionário também é um recurso primário para obter informações sobre o próprio idioma, e a mudança no uso do ‘they’ tem sido objeto de crescentes estudos e comentários nos últimos anos. As buscas por seu significado aumentaram 313% em 2019 em relação ao ano anterior”, afirmou a publicação inglesa.

Afinal, como ser inclusivo através da fala?

Carvalho reflete que não é necessário mudar toda a língua para ser inclusivo. “A gente não precisa criar expressões ou adotar uma forma que dificultariam a acessibilidade. O que podemos fazer é evitar determinadas expressões”, afirma. Ou seja, ao invés de falar “alunos e alunas”, é possível usar palavras que neutralizam as marcas de gênero, como “estudantes”.

Evitar classificar os membros da comunidade de acordo com gênero também é possível. Que tal usar “corpo docente” ao invés de “professores”? “É um exercício difícil e que exige atenção, mas precisamos sair da zona de conforto para fazer qualquer tipo de mudança. A própria língua oferece essas alternativas. É só pensar quais palavras você conhece que não dividem as pessoas em masculino e feminino”, conclui.

Perguntar como uma pessoa prefere ser chamada pode ser outra saída, no entanto, ouvir o outro com atenção é a melhor forma de identificar. “No encontro com uma pessoa, o mais importante é a escuta. Sair do piloto automático é essencial. É preciso de uma vigilância de si porque nós somos os reprodutores da norma. Evitar disso é ideal para fazer mudanças efetivas”, diz Carú.

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Cientistas encontram restos de massacre de 6,2 mil anos na Croácia - Gizmodo Brasil

Tanto a mudança climática quanto o aumento da população tendem a causar desorganização social e atos violentos, como o que aconteceu em Potočani.
Imagem: Institute for Anthropological Research

Um grupo de pesquisadores da Croácia analisou os restos de um massacre que aconteceu no local há 6,2 mil anos. 

Os indícios indicam sinais de violência em ao menos 41 pessoas e mostram pistas de como os povos viviam na época.

O sítio arqueológico foi descoberto em Potočani, no ano de 2007, mas os restos encontrados lá só passaram a ser analisados em 2012. 

Os esqueletos foram limpos, inventariados e passados para uma análise básica — na qual especialistas estimaram a idade, o sexo e fizeram a documentação de patologias e traumas.

“Este é o caso mais antigo conhecido de assassinato em massa que conhecemos”, diz James Ahern, professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Wyoming, em nota à imprensa.

O que se sabe sobre esses povos é que os indivíduos enterrados em vida eram pastores que se mudavam com seu gado a diferentes áreas de pastagem de acordo com a estação do ano. 

Eles também extraíam cobre para produzir ferramentas.

“O DNA, combinado com as evidências arqueológicas e esqueléticas — especialmente aquelas que indicam violência sistemática, talvez até no estilo de execução — demonstra um massacre indiscriminado e sepultamento aleatório de 41 indivíduos de uma comunidade pastoril antiga no que hoje é o leste da Croácia”, explicou Ahern.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista Nature, 70% dos esqueletos não tinham relações parentais entre si e incluíam 21 homens e 20 mulheres. 

Entre eles, haviam adultos de até 50 anos, adolescentes e crianças com apenas 2 anos de idade.

Logo, ficou evidente que  não foi morte em decorrência de causas naturais.

Além disso, lesões cranianas foram encontradas em 13 dos 41 indivíduos assassinados no local.

“Embora não tenhamos evidências sobre a causa da morte de outros indivíduos, suas mortes foram quase certamente violentas”, diz Ahern. 

As datações de radiocarbono realizadas e os estudos da sedimentologia do terreno indicam que houve um único evento de sepultamento após o massacre.

O estudo também considerou o papel potencial da mudança climática no evento de sepultamento em massa.

Isso porque quando o clima muda, recursos como água, vegetação – incluindo ração para gado e outros animais – e animais de caça se tornam menos previsíveis.

“O aumento do tamanho da população faz com que os grupos excedam seus recursos locais e exijam expansão para outras áreas. 

Tanto a mudança climática quanto o aumento da população tendem a causar desorganização social e atos violentos, como o que aconteceu em Potočani, que se tornam mais comuns à medida que os grupos entram em conflito um com o outro”, conclui o especialista.

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'Terá uma vida melhor', diz militar que cuidou da bebê passada para americanos no Afeganistão

Família da menina a entregou por cima do muro do aeroporto da capital em meio a cenas de caos

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  • BBC News
 Atualizado em 
BBC - Bebê foi passada pela família em momento de desespero após tomada de Cabul (Foto: BBC News)
Bebê foi passada pela família em momento de desespero após tomada de Cabul (Foto: BBC News)
Assinatura BBC topo (Foto: BBC)

O militar britânico Ben Caesar foi um dos responsáveis por cuidar da bebê passada para soldados americanos após a tomada de Cabul pelo Talebã. A família da menina a entregou por cima do muro do aeroporto da capital em meio a cenas de caos, quando centenas de pessoas tentavam deixar o Afeganistão.

"A menina na verdade estava com ótima saúde quando cuidamos dela. Óbvio que estava um pouco angustiada por ter sido separada de sua família e entregue a estranhos, mas estava com um estado de saúde melhor do que muitas das outras crianças das quais cuidamos", disse Caesar em entrevista à BBC.

BBC - Caesar fez parte da equipe que cuidou das crianças que fugiram do Talebã em Cabul (Foto: BBC News)
Caesar fez parte da equipe que cuidou das crianças que fugiram do Talebã em Cabul (Foto: BBC News)

O militar tem experiência com crianças pequenas - é pai de uma criança com mais ou menos a mesma idade da menina.

"Eu tenho um bebê de 14 meses e também já fiz isso antes, tenho um filho de 16 anos", contou Caesar à BBC. "Então tenho um pouquinho de experiência cuidando de bebês."

"Nós, como grupo, conseguimos fazer ela se acalmar", disse Caesar.

"Umas das minhas colegas tinha alimentado a menina e trocado as fraldas dela, então eu sabia que ela não estava com fome, não estava suja, mas ela não estava se acalmando", conta. "Então nós a ninamos e caminhamos com ela até ela estar mais confortável, e depois disso ela parecia um pouquinho mais feliz."

Caesar fez parte de uma equipe médica militar que ficou responsável pelo bem estar das crianças que estavam sem os pais na parte controlada pelos EUA do aeroporto de Cabul.

"Para nós que temos filhos e estávamos nessa missão, é de partir o coração ver essas crianças em situação de desconforto. Mas nós sabíamos que elas estavam indo para um lugar melhor e terão uma vida melhor", disse o militar.

"Nossos colegas noruegueses e americanos foram incrivelmente receptivos com as crianças, ajudando-as a seguir em frente e ir para a Noruega ou para os Estados Unidos, onde muitas se reencontraram com suas famílias, que tinham conseguido fugir", contou Caesar.

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Opinião - Jaime Spitzcovsky: A nova e desafiadora fase do Partido Comunista Chinês

Em meio a mais controle social, Xi alerta filiados ao partido sobre riscos crescentes

É possível imaginar o tom solene usado, na quarta-feira (1º), pelo dirigente da China, Xi Jinping, em discurso a alunos da Escola Central do Partido Comunista, templo da formação ideológica dos novos mandarins. “O grande rejuvenescimento da nação chinesa entrou em uma fase fundamental, e os riscos e os desafios que enfrentamos crescem de maneira visível”, discursou.

O pronunciamento de início de semestre, divulgado pela mídia estatal, contribui para a compreensão da ofensiva recente de Xi, arquitetada para aumentar controle partidário sobre setores tão diversos como empresas de tecnologia, instituições de ensino e meios de comunicação. A saraivada responde à principal preocupação do regime: como se manter no poder, pois a sociedade chinesa se torna mais complexa, resultado do aprofundamento de reformas econômicas e da expansão da urbanização e da classe média.

Xi Jinping em discurso a alunos da Escola Central do Partido Comunista - Zhai Jianlan - 1º.set.21/Xinhua

É o chamado “paradoxo chinês”. Depois da meteórica ascensão nos últimos 40 anos, reforça-se na cúpula partidária a percepção da inevitabilidade de manter o crescimento econômico, na estratégia apoiada em avanço tecnológico e aumento da classe média, como Xi deixou claro em fala no congresso do PC Chinês em 2017.

Obviamente, as opções de Xi se baseiam na ideia da manutenção do regime, ou seja, modernizar a China, mas sempre sob a mão de ferro do PC. Evidencia-se então o paradoxo: enquanto reformas inevitáveis redesenham o cenário econômico e social, tornando-o mais complexo e desafiador para o sistema de partido único, apertam-se cada vez mais amarras em busca de controles, com tentáculos da estratégia permeando mundos tão diversos como big techs, currículo escolar e meios de comunicação.

Três fenômenos em especial desafiam os mestres da Escola Central e os estrategistas do PC: expansões de classe média, do ensino —em particular o de nível superior— e da urbanização. Quando a revolução de Mao Tse-tung triunfou, em 1949, menos de 15% dos chineses viviam em cidades. O índice saltou, em 2020, para 64%.

Nos idos da ortodoxia maoista, a mera ideia de classe média representava “visão burguesa e contrarrevolucionária”. Hoje, as estimativas variam, mas não seria exagero falar em cerca de 500 milhões de chineses, num universo de 1,4 bilhão, como integrantes do mundo do consumo. Mais urbanos, mais consumidores e com mais acesso à educação. Divulgado em maio, o último censo revelou aumento, em dez anos, na taxa de adultos a alcançar a universidade: passou de 8,9% para 15,4%.

O redesenho profundo da sociedade chinesa e seus desafios tiram o sono do PC. Seus líderes, embora cientes da inevitabilidade das trepidantes alterações econômicas, suspiram com saudades do cenário social da era maoista, quando controles férreos do regime se implementavam com mais facilidade.

E livros como “O Fenômeno Gorbatchov”, do historiador Moshe Lewin, também acendem sinal de alerta no governo chinês. A obra mostrava, já em 1988, as mudanças estruturais da sociedade soviética implementadas pelo próprio Kremlin e que seriam alguns dos fatores responsáveis pela desintegração da URSS, em 1991. Segundo Lewin, na era Gorbatchov (1985-91), a taxa de urbanização alcançou 65%, enquanto a parcela de adultos com educação universitária mais do que quadruplicou em relação a 1960.

Apesar das diferenças históricas e culturais, a comparação sino-soviética é inevitável. E suficiente para levar Xi Jinping a apertar controles políticos e sociais, enquanto mantém mudanças econômicas. Tudo isso para fugir da sina de Mikhail Gorbatchov.

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Por que devemos apoiar as manifestações populares em Cuba?

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Vera Lúcia*

No último domingo, Cuba foi sacudida por uma onda de protestos populares motivados pela fome, desabastecimento, e pela crise na saúde em meio à pandemia. Soma-se a isso a repulsa à ditadura de uma oligarquia da alta cúpula das Forças Armadas e do Partido Comunista de Cuba (PCC), o único permitido no país e que de comunista hoje só tem o nome.

O presidente Miguel Díaz-Canel, condenou os protestos, acusando os manifestantes de serem financiados pelos EUA e pela burguesia gusana de Miami, e impôs uma dura repressão, cujo saldo, até o momento, é de centenas de presos e outros tantos feridos.

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13 jul, 2021

Sempre repudiamos e continuamos repudiando o bloqueio estadunidense a Cuba, bem como qualquer tentativa de ingerência dos EUA ou da antiga burguesia dos tempos de Fulgêncio Batista na Ilha. Mas também nunca concordamos com a condução stalinista e ditatorial de Cuba, que acabou levando-a de volta ao capitalismo.

Afinal, Cuba é socialista?

Infelizmente, o capitalismo foi restaurado em Cuba. Hoje, o que há é uma ditadura comandada por burocratas e militares que, como na China, se transformaram em burgueses e administram um país capitalista, com uma economia de mercado, e em sociedade com multinacionais europeias e canadenses.

Por isso, não temos dúvida de que lado devemos estar: ao lado do povo cubano.

As mobilizações e a bronca popular evidenciam problemas que a ditadura e seus apoiadores – dentro e fora da Ilha – tentam esconder: a restauração capitalista apagou praticamente todas as conquistas da revolução de 1959 e aprofundou no país os mesmos males conhecidos: a fome, a miséria, o desabastecimento e o desemprego, todas agravadas pela pandemia.

Portanto, nada mais justo do que apoiar as mobilizações em Cuba, assim como apoiamos as demais lutas que ocorrem na América Latina. E pedimos aos trabalhadores e lutadores latinos americanos que manifestem solidariedade ao povo cubano que sai às ruas.

É também urgente a realização de uma campanha internacional pela liberdade dos manifestantes presos em Cuba, pois lutar não é um crime.

Por outro lado, é preciso denunciar e combater qualquer tentativa de ingerência imperialista ou vinda dos gusanos e exigir o fim imediato do bloqueio econômico dos EUA a Cuba.

Por fim, as agressões imperialistas contra Cuba não podem nos confundir e nos impelir a apoiar um governo ditatorial que oprime os trabalhadores e o povo pobre cubano.

Saudamos a luta do povo cubano. E conclamamos por uma nova revolução em Cuba, mas agora sobre a base de uma democracia operária, e que sirva como um ponto de apoio para uma onda revolucionária e socialista na América Latina e no mundo.

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CPI deve denunciar Bolsonaro por crime de lesa-humanidade, diz Randolfe

Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
e os entrevistadores Rudolfo Lago e Edson Sardinha em seu gabinete no Senado.
"Oposições NÃO podem SUBESTIMAR Bolsonaro", diz senador

Em apenas dois dias em janeiro de 2021, mais de 30 pessoas morreram em Manaus sufocadas. Vítimas da covid-19, elas não tinham oxigênio. 

A tragédia era o episódio final da construção de um macabro laboratório. 

A capital do Amazonas foi usada como centro da experimentação do chamado “tratamento precoce” contra a pandemia. 

O isolamento social foi desestimulado. 

Um aplicativo, o  Tratecov, foi desenvolvido para recomendar aos pacientes o uso de medicamentos sem eficácia comprovada. 

E a omissão levou à falta de oxigênio na CPI.

Para o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), somente o trágico episódio de Manaus já justifica que a comissão denuncie Jair Bolsonaro por crime de lesa-humanidade. É o que ele afirma nesta entrevista exclusiva ao Congresso em Foco. “Houve a clara utilização dos manauaras como cobaias. A CPI apontará para essas responsabilidades”, afirma Randolfe.

Neste primeiro trecho da entrevista, o senador fala sobre a CPI:

A despeito, porém, de toda a situação vivida pelo país na pandemia como consequência da atuação do presidente, Randolfe reconhece que Bolsonaro ainda tem a seu lado uma parcela da sociedade, uma forte militância que, seja agora ou em 2022, não deve ser subestimada.

E que pode dificultar que ações mais severas contra o presidente sejam tomadas ao final da investigação.

“Estamos diante de um grande empecilho, um grande obstáculo, que é a aliança que há hoje entre o fundamentalismo miliciano de extrema direita do governo Bolsonaro e o patrimonialismo corrupto que sempre esteve em voga no Brasil corrupção”, diz o senador. “Bolsonaro é o presidente da República e, na prática, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é o primeiro-ministro”.

Na segunda parte da entrevista, Randolfe fala sobre cenário político:

Para Randolfe, os grupos governistas tentaram o tempo todo trabalhar na CPI para evitar que a investigação avançasse sobre pessoas muito próximas do presidente. 

Talvez até mesmo da sua própria família. 

Uma situação que ficou consubstanciada no áudio da conversa vazada entre Bolsonaro e o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO), na qual o presidente fala que precisava na CPI fazer “do limão uma limonada”. 

“Qual a limonada que queriam e qual o limão que queriam impedir? Que chegássemos a Karina Kufa, a Marconny, a Jair Renan, a Ricardo Barros. É uma pena comunicar a eles que nós conseguimos chegar a esses personagens”.

O vice-presidente da CPI refere-se, respectivamente, à advogada da família Bolsonaro, Karina Kufa; ao advogado Marconny Faria, apontado como lobista da Precisa Medicamentos, empresa atravessadora na tentativa de aquisição da vacina indiana Covaxin; ao filho do presidente, Jair Renan Bolsonaro, e ao líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), investigado por participação tanto na intermediação da Covaxin quanto da vacina Convidencia do laboratório chinês CanSino.

Segundo o senador, as últimas investigações da CPI levam a conexões entre esses personagens. Foi em um churrasco, no dia 25 de maio, quando o país já contabilizava 22 mil mortes pela covid, na casa de Karina Kufa, que, segundo Randolfe, Marconny Faria e Ricardo Santana, também apontado como ligado à Precisa, começaram a discutir sobre negócios envolvendo a pandemia e o Ministério da Saúde. Neste churrasco também estava presente Jair Renan.

“Há elementos muito fortes contra a advogada da família do presidente”, afirma Randolfe. “Ela indica pessoas para participar de processos fraudulentos para a obtenção de vantagens indevidas no âmbito da administração pública”. No caso do filho 04 do presidente, não há relação investigada que o aponte diretamente para negócios relativos à pandemia. Mas Marconny aparece como uma espécie de tutor empresarial dele. Segundo o vice-presidente da CPI, há uma robusta quantidade de informações obtidas pela comissão sobre essas relações entre Marconny, a Precisa, Karina Kufa e Jair Renan. Só do Whatsapp de Marcony, afirma o senador, a quantidade de informações soma 320 mil páginas.

Líder da oposição no Senado, Randolfe divide o trabalho de investigação feito pela CPI em três fazes. Na primeira fase, foram investigados os crimes contra a ordem sanitária, contra a saúde pública, nos quais a responsabilidade do presidente, na avaliação do senador, já era evidente mesmo antes da comissão de inquérito. A partir dos depoimentos do deputado Luís Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, Luís Ricardo, funcionário do Ministério da Saúde, a CPI entrou na investigação das irregularidades nos processos de aquisição de vacinas. Agora, a terceira fase avança, ao identificar o papel de quem fez lobby no Ministério da Saúde para fraudar licitações e obter vantagens.

Randolfe é autor de um dos requerimentos de criação da CPI. Seu pedido foi anexado a outro, do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), centrado em querer identificar não o governo federal mas os governos estaduais e possíveis irregularidades no uso de recursos enviados aos estados. Girão e os demais governistas na CPI o tempo todo apontam que a comissão ignorou essa vertente, que deverá ser reforçada em um relatório paralelo que pretendem preparar.

Entre os pontos sempre destacados pelos governistas, haveria irregularidades na aquisição de respiradores pelo Consórcio Nordeste, formado pelos governadores dos estados da região. Randolfe rebate essas acusações dos governadores. Lembra primeiro que há um impedimento legal de a CPI investigar governadores, reforçado por um entendimento nesse sentido do Supremo Tribunal Federal. E a CPI não poderia investigar o Consórcio Nordeste porque ele não recebe recursos federais. “Os recursos são consorciados dos estados membros. Não existe um ente federado que poderia receber esses recursos vindos do governo federal. Quer aprofundar a investigação, o faça no âmbito dos ministérios públicos estaduais e das assembleias legislativas”, rebate o líder da oposição.

"Haverá uma arruaça contra a ordem democrática"

Para Randolfe, o conjunto de coisas apuradas pela CPI ajudou a sociedade a descortinar os fatos. “A popularidade de Bolsonaro caiu não graças à CPI. A CPI apenas revelou os erros que foram cometidos.

A CPI descortinou fatos. 

A perda de popularidade é competência dele mesmo. 

Ele que nos levou a quase 600 mil mortos. 

À mais grave hídrica de todos os tempos. 

Erros da política econômica nos levam à inflação. 

A instabilidade política compromete a economia”, aponta.

Mas há um grupo que segue ao lado do presidente. E, por isso, diz Randolfe, sua força não pode ser subestimada pela oposição. “Se tem um erro que a oposição não pode cometer é subestimar a força de Bolsonaro. Trata-se de um movimento fundamentalista de extrema-direita. Que tem uma certa base social”.  E que, na opinião de Randolfe, não trabalha necessariamente para reeleger o presidente em 2022. 

“O presidente faz campanha declarada não para ser reeleito. Faz campanha declarada para dar golpe de Estado”.

O senador não acredita, no entanto, que esse será o resultado dos movimentos pensados para o feriado de Sete de Setembro, a próxima terça-feira. “Eu acho que haverá uma arruaça contra a ordem democrática. Eu não acredito em ruptura”, pondera.

“Como é o dia seguinte a um golpe de Estado no Brasil hoje? Eu não acredito que os seis comandos militares, ou um dos seis comandos militares, se levantem contra a ordem democrática para atender aos arroubos autoritários de um descontrolado. Como é esse dia seguinte? Destitui os onze ministros do STF, ou dez, salva um que seja mais próximo? Fica tudo por isso mesmo? Fecha o Congresso Nacional? Não tem reação do mercado financeiro? Sinceramente, eu não acredito”.

Para Randolfe, projeta-se mais o que ele chama de “ação para esculhambar a democracia”. E que, dependendo da sua gravidade, precisa ser respondido com uma forte reação. “Sem política de apaziguamento”, afirma. “Não pode ter política de Chamberlain. Tem que ter política de Churchill”, compara, referindo-se aos líderes britânicos na Segunda Guerra Mundial. Primeiro-ministro no início do conflito, Neville Chamberlain pregava uma política de apaziguamento com a Alemanha nazista de Adolf Hitler. Foi substituído por Churchill, que conduziu a guerra que derrotou Hitler e o seu regime.

“Quando se fala em polarização para a disputa de 2022, eu acho que a polarização que deve haver é entre todos os que se aliam às forças democráticas de um lado e do outro Jair Bolsonaro”, diz ele. “A Rede estará ao lado de derrotar Bolsonaro, se possível no primeiro turno”.

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Leonardo Sakamoto - Proposta golpista de Bolsonaro quis colocar mais dez aliados no Supremo

Colunista do UOL

03/09/2021 19h18

Após Jair Bolsonaro falar em "renovação" de ministros no Supremo Tribunal Federal, nesta sexta (3), um interlocutor no Palácio do Planalto lembrou à coluna que ele já defendeu publicamente a ampliação do número de integrantes da corte de 11 para 21 - e ainda pensa nisso. A mudança permitiria que indicasse 12 nomes - 10 novos mais dois para repor as vagas deixadas por Celso de Mello e Marco Aurélio.

"Temos discutido aumentar para 21", afirmou o então candidato à presidência da República em entrevista à TV Cidade, de Fortaleza, em julho de 2018. "É uma maneira de você colocar dez isentos lá dentro porque, da forma como eles têm decidido as questões nacionais, nós realmente não podemos sequer sonhar em mudar o destino do Brasil", disse.

Juristas a rechaçaram a possibilidade, afirmando que uma Proposta de Emenda à Constituição com esse intuito afrontaria a separação entre poderes. Diante disso, o próprio STF poderia considera-la inconstitucional.

Vale ressaltar, contudo, que ministros do STF já declararam que é ilegal a interpretação do artigo 142 da Constituição, que trata da função das Forças Armadas, e é usado por bolsonaristas para justificar o pedido de um golpe militar com o presidente no poder.

A declaração foi dada em mais um ato de campanha eleitoral antecipada - desta vez, ele usou uma cerimônia para a assinatura de um contrato de concessão de ferrovia.

Bolsonaro ameaçou os ministros do STF Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso sem citar seus nomes. Afirmou que os atos golpistas em apoio a ele, no próximo dia 7, serão um "ultimato" aos dois.

A deposição de magistrados de uma Suprema Corte ou o aumento no numero de juízes apenas para garantir vereditos favoráveis a um determinado governo são práticas adotadas por governos autoritários à direita e à esquerda em todo o mundo.

No Brasil, o Ato Institucional número 2, baixado pela ditadura militar em 27 de outubro de 1965, aumentou de 11 para 16 ministros, dando ao governo maioria no STF. Militares insatisfeitos com a decisões da corte contra membros do governo pressionaram por essa mudança.

E na esteira do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, Artur da Costa e Silva decretou a aposentadoria compulsória de três dos 16 ministros em janeiro de 1969: Evandro Lins, Hermes Lima e Victor Nunes. Outros dois, Gonçalves de Oliveira e Antônio Carlos Lafayette, deixaram o STF em protesto.

Após ter uma composição altamente favorável, a ditadura devolveu o STF ao número de 11 ministros através do AI-6, em 1º de fevereiro de 1969.

O presidente tem exigido liberdade absoluta para si e seus aliados atacarem a integridade do sistema eleitoral, espalharem mentiras sobre fraudes em urnas eletrônicas e ameaçarem fisicamente membros do Supremo.

"Curvem-se à Constituição, respeitem a nossa liberdade, entendam que vocês dois estão no caminho errado porque sempre dá tempo para se redimir", disse nesta sexta.

O texto constitucional, contudo, não admite direitos absolutos, prevendo limites e punições para quem abusa de sua liberdade para ferir de morte a própria democracia.

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Opinião: Felipe Moura Brasil - A resistência contra Lula e Bolsonaro

Montagem com fotos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do deputado federal Jair Bolsonaro - Arte/UOL
Montagem com fotos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do deputado federal Jair Bolsonaro Imagem: Arte/UOL

Felipe Moura Brasil

Colunista do UOL

27/08/2021 00h42

Heath Ledger e Joaquin Phoenix podem ter superado Jack Nicholson no papel de Coringa, mas nem Kevin Spacey superou Gene Hackman no papel de Lex Luthor, "a maior mente criminosa do nosso tempo", que dirá Jesse Eisenberg.

Hackman, hoje com 91 anos, é um dos meus atores favoritos porque ele conseguiu ser hilariante não só como o vilão que oferece a localização do Super-Homem ao general Zod em troca da Austrália, mas também como o promotor que recusa uma oferta de suborno para entregar uma testemunha a Leo Watts, em "De frente para o perigo".

A cena se passa em um trem de passageiros. Um dos capangas do gângster, sentado à mesa com Robert Caufield, personagem de Hackman, oferece a ele "dez vezes o que você ganha em um ano", enquanto outro membro da gangue acompanha a conversa de pé. O primeiro reitera a proposta, fazendo uma sutil ameaça: "Dez vezes. Você não iria tão longe nem se trabalhasse por mais 30 anos. E há sempre a chance de não sobreviver."

O diálogo é divertido porque Caufield se faz de sonso, como se não soubesse o paradeiro da testemunha, escondida em um dos vagões. Como ela pretende depor no tribunal contra seu chefe, o capanga insiste, lembrando que o personagem de Hackman, embora tenha sido o melhor da turma de Direito e fuzileiro premiado, tem "reputação de falar demais", "irrita muita gente" e "nunca vai chegar a promotor estadual". "Acho que há dois motivos para alguém continuar como adjunto: ou é rico ou tem medo de voar solo", provoca.

A reação sarcástica de Caufield é memorável: "Há um terceiro motivo: não gosto de gente como você. Detesto, ainda mais, gente como seu chefe. Gosto muito de colocá-los na cadeia. Se eu quisesse ganhar dinheiro, teria de defender vocês. Não seria divertido. Eu me sentiria sempre sujo. Gosto de ir à sala de audiência e observar enquanto o juiz lê a sentença e o colarinho de vocês começa a ficar apertado. Vou adorar sentar lá e ver Leo Watts. Gosto do meu lado na Justiça. O pagamento não é incrível, mas o ar é muito melhor."

O capanga, ainda assim, não se dá por vencido: "Estou oferecendo tanto dinheiro que sua vida seria muito diferente. Não me diga que está acima das tentações."

"Estou muito tentado pela sua oferta", ironiza Caufield. "Mas há um pequeno problema."

"Qual é o problema?"

"Não sei de que mulher você está falando."

O fingimento do promotor é altruísta, claro: para manter seus princípios, protegendo a vida da testemunha no caminho tortuoso ao tribunal, Caufield assume os riscos de morrer assassinado nas próximas estações ou de viver sem maiores luxos.

Eu, Felipe, coleciono e descrevo momentos cinematográficos de grandeza moral, porque eles são tão raros na política brasileira que o imaginário do cidadão em meio a disputas tribais fica limitado a exemplos de oportunismo rasteiro e sonsice perversa.

Lula, que atribuiu à falecida esposa Marisa Letícia as principais decisões acerca do triplex no Guarujá, poderia ter recusado tanto as reformas quanto o uso do sítio de Atibaia, propriedade também customizada por corruptores confessos da OAS e da Odebrecht, empreiteiras favorecidas no esquema de corrupção da Petrobras durante os governos do PT. O petista nem precisaria enfrentar tentativas de homicídio, apenas aceitar uma vida sem maiores luxos do que os demais de que já dispunha.

Na falta da preocupação moral, no entanto, resta a políticos tão somente o medo de ser preso, o que naturalmente diminui, até o limite da onipotência, quanto mais juízes ele e seus correligionários tiverem indicado para tribunais superiores e quanto mais leis anticrime ou eleitorais suas bancadas puderem alterar a favor da blindagem geral.

Quatro ministros do STF indicados por Lula (Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Rosa Weber) foram decisivos para a formação da maioria a favor da suspeição do juiz concursado (Sergio Moro) que o condenou em primeira instância no caso do triplex e em cujas mãos ficou inicialmente o do sítio, o que levou à anulação de provas também neste caso, contribuindo para a recente decisão da juíza Pollyanna Kelly, de Brasília, de rejeitar a denúncia do Ministério Público contra o petista.

Quem pautou a suspeição do juiz no caso do triplex e depois a estendeu ao do sítio foi Gilmar Mendes, o ministro indicado no governo do PSDB que, conforme tantas vezes previ, encerrou uma ação penal contra José Serra por recebimento de propinas da Odebrecht e lavagem de dinheiro transnacional, anulando todas as provas obtidas contra seu amigo tucano pela extinta força-tarefa da Lava Jato em São Paulo. Em julho de 2020, Dias Toffoli suspendeu uma ação da Polícia Federal no gabinete e no apartamento funcional do senador e mandou lacrar todo o material reunido até então pelos investigadores, o que incluía e-mails íntimos trocados com Gilmar que poderiam ser usados pela Procuradoria-Geral da República para pedir a suspeição do ministro. Pelos efeitos práticos de seus votos e decisões, portanto, Gilmar ajudou Toffoli a blindar Lula, enquanto Toffoli ajudou Gilmar a blindar Serra.

Quem ajudou a blindar Toffoli e Gilmar, por sua vez, foi a família Bolsonaro, quando enterrou a CPI da Lava Toga em busca de blindagem no Supremo contra a investigação de peculato em gabinete, muito antes de João Otávio de Noronha contribuir no STJ, suspendendo a tramitação da denúncia contra Flávio. Curiosamente, Gilmar e Toffoli agora aliviam a barra até do advogado dos Bolsonaro, Frederick Wassef: o primeiro o blindou contra a operação E$quema S, o segundo contra a quebra de sigilo fiscal determinada pela CPI da Pandemia.

Se ainda havia dúvida sobre a aliança de Jair Bolsonaro com o establishment contra o combate à corrupção, ela se esvaiu na aprovação da recondução do seu indicado Augusto Aras ao cargo de PGR, com apoio do PT. Bastou repetir o mantra do fim da "criminalização da política" que o parecer favorável de Eduardo Braga, de quem o próprio Aras pediu a absolvição em investigação de caixa três, recebeu 55 votos de senadores, sob o protesto de Alessandro 'Caufield' Vieira: "Não podemos criminalizar a política, mas o caminho para isso é excluir os criminosos da política, e não, de qualquer forma, acobertar quaisquer atos que possam ser considerados criminosos."

No mesmo dia, Flávio Bolsonaro, denunciado por lavagem de dinheiro, votou contra um projeto do próprio Vieira que dificulta a lavagem de dinheiro ao vedar operações em espécie a partir de certas quantias e também transações imobiliárias - o que teria impedido Flávio, Carlos e Eduardo de adquirir imóveis da forma como já fizeram. O projeto, apesar do primogênito do presidente, foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, embora o avanço tenha sido apenas um sopro de ar em meio àquilo que o ministro do STF Luís Roberto Barroso chamou de vingança do sistema.

O momento mais emblemático dessa retaliação veio no dia seguinte, com a revelação da "reforma" eleitoral elaborada para barrar a eventual candidatura de Sergio Moro à presidência em 2022 e de Deltan Dallagnol a qualquer outro cargo eletivo, já que o texto da deputada Margarete Coelho, do PP de Ciro Nogueira, torna inelegíveis todos os magistrados ou membros do MP que tenham se afastado do cargo há menos de cinco anos das eleições, como sugeriu Toffoli em 2020. Satisfeito com Lula e Bolsonaro, o sistema tenta se blindar e se vingar contra quem se sentiria sempre sujo se compactuasse com seus expedientes.

Lex Luthor teria mais sorte no Brasil que na Austrália. Qualquer Coringa consegue fazer de Brasília a sua Gotham City. O prazer de observar o colarinho apertado dos quadrilheiros, enquanto juízes de primeira e segunda instâncias, às vezes até do STJ, liam suas sentenças, acabou para os pagadores de impostos. Sobrou, contudo, uma resistência dispersa, pronta para sair às ruas sem Super-Homem, nem Batman. Enquanto a claque de Bolsonaro fatura alto distraindo inocentes úteis com falsas polarizações e a de Lula sente novamente a perspectiva de poder, eu gosto mesmo é de permanecer e resistir na primeira realidade, compartilhada pelos potenciais manifestantes de 12 de setembro.

O pagamento não é incrível, mas o ar é muito melhor.

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Opinião: Felipe Moura Brasil - Bolsonarismo defende impunidade, disfarçada de 'liberdade'

Acompanhado da primeira-dama Michelle, o presidente Jair Bolsonaro chega ao STF para a cerimônia de posse do novo ministro do tribunal Kassio Nunes Marques - Pedro Ladeira/Folhapress
Acompanhado da primeira-dama Michelle, o presidente Jair Bolsonaro chega ao STF para a cerimônia de posse do novo ministro do tribunal Kassio Nunes Marques Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Vamos relembrar uma breve cronologia.

2019:

"Nosso Kassio é uma figura respeitadíssima no mundo jurídico hoje, tenho certeza que vai chegar a tribunais superiores", diz o senador piauiense Ciro Nogueira (PP), líder do Centrão, sobre seu conterrâneo Kassio Nunes Marques, então desembargador do TRF-1.

2020:

Com aval de Gilmar Mendes, Jair Bolsonaro indica Kassio Nunes Marques ao STF. Para celebrar a indicação, o presidente vai comer pizza na casa de Dias Toffoli, em quem dá um abraço carinhoso na entrada - já que, em 2019, Toffoli manteve suspensa durante meses a investigação sobre as rachadinhas de Flávio Bolsonaro; e a família Bolsonaro enterrou a CPI da Lava Toga, que investigaria Toffoli.

2021:

Com votos do "nosso Kassio" do Centrão, a Segunda Turma do STF arquiva o inquérito do quadrilhão do PP - do qual Ciro Nogueira e Arthur Lira eram alvos - e rejeita outra denúncia contra Ciro Nogueira, acusado com seu pupilo Dudu da Fonte de tentar comprar o silêncio de uma testemunha no âmbito do próprio inquérito do quadrilhão do PP, decorrente das investigações da Lava Jato.

Os demais votos são de Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, o ministro que havia pedido vista nos dois processos, devolvidos providencialmente por ele somente depois de Kassio assumir o lugar do agora aposentado Celso de Mello e garantir a maioria a favor da blindagem. O caso de obstrução de Justiça, curiosamente, Gilmar levou mais de dois anos para devolver.

No caso do quadrilhão, Mello havia votado junto com Luiz Edson Fachin e Cármen Lúcia pelo recebimento da denúncia feita pelo então PGR Rodrigo Janot, que acusava a cúpula do PP de comandar um dos esquemas de corrupção responsáveis pelo prejuízo bilionário à Petrobras durante o governo do PT. Gilmar e Lewandowski haviam ficado vencidos, então Gilmar pediu vista durante a análise do recurso dos denunciados e articulou as condições para a devolução.

Jair Bolsonaro, parceiro de Gilmar na trama que salvou o presidente da Câmara eleito com seu apoio (Lira) e o novo ministro da Casa Civil de seu governo (Nogueira), não dá a mínima quando o STF blinda acusados de corrupção e crimes conexos, ou derruba a prisão em segunda instância - neste caso, deixando vencidos, entre outros ministros, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, atuais alvos do presidente.

Na verdade, além da PGR aclamada pelos petistas, Bolsonaro até reforça a ala do Supremo que garante a impunidade de políticos, além de afagar seus integrantes em troca da boa vontade com o filho denunciado, ou da má vontade com o MP do Rio de Janeiro, cujo recurso contra o foro privilegiado de Flávio quase faz aniversário na gaveta de Gilmar.

O problema se dá, para o presidente, quando o STF investiga, ordena buscas em endereços ou manda prender preventivamente reacionários aloprados da tropa de seus outros filhos, Carlos e Eduardo, reforçada por tiozões como o cantor Sérgio Reis, que trocou "pinga ni mim" por "nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra".

Temeroso de eventuais medidas contra Carluxo, Bolsonaro então dá piti e acaba usando, como instrumento de propaganda e suposta pressão, um mal ajambrado pedido de impeachment contra Moraes, escrito na primeira pessoa da segunda realidade.

Para o relator do inquérito das fake news aberto por Toffoli (com endosso do então AGU André Mendonça, do PGR Augusto Aras e do próprio presidente, que precisou ter o nome incluído, para questionar, com dois anos de atraso, a interpretação do regimento), não tem pedido de aval, abraço carinhoso, nem pizza de sábado à noite com futebol na TV.

Na falta de medidas anticorrupção e reformas liberais no governo, entregue ao Centrão, Moraes virou o antípoda da nova causa improvisada do bolsonarismo: a defesa retórica e vitimista das "liberdades" - a rigor, as de aloprar, inclusive na pandemia, quando a vida alheia está em jogo pela infecção de um vírus potencialmente letal. "Antes de qualquer discussão econômica, devemos tratar da pauta das liberdades", sentenciou Eduardo Bolsonarodiscípulo de Steve Bannon, com quem voltou a encontrar.

Por mais viciado que seja um dos inquéritos e por mais discutíveis que sejam as prisões preventivas, só trouxa acredita que as liberdades de expressão e crítica englobam ameaças, golpismo, crimes contra a honra, incitação ao crime, bem como o financiamento dessas práticas; de modo que a palavra "liberdades", usada como mantra na novilíngua bolsonarista, designa tão somente a impunidade mesmo.

Na primeira realidade, essa é a única meta pela qual os Bolsonaro atuam com esforço diário e parcial competência. A velha política, da qual fazem parte, eles conseguem manter impune; a claque, nem sempre. Mas a função real de cada reacionário aloprado é justamente a de posar de mártir para promover as falsas bandeiras de seus líderes.

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Análise: Felipe Moura Brasil - A função do reacionarismo aloprado

Roberto Jefferson e o presidente Jair Bolsonaro - Reprodução
Roberto Jefferson e o presidente Jair Bolsonaro Imagem: Reprodução

Felipe Moura Brasil

Colunista do UOL

13/08/2021 14h37

Dias antes da derrota do voto impresso no plenário da Câmara dos Deputados, por falta de 79 votos para os 308 necessários à aprovação da PEC, respondi assim à pergunta de um seguidor no Instagram Stories sobre a manobra do presidente da Casa, Arthur Lira:

"[Jair] Bolsonaro pode tentar comprar a vitória, distribuindo cargos e emendas, mas, no momento a tendência é de derrota, até porque ele emporcalhou a pauta ameaçando eleição, espalhando mentiras e xingando [o presidente do TSE, Luís Roberto] Barroso. Lira não se importa com voto impresso, só quer lavar as mãos."

Agora sabemos quanto Bolsonaro - que mantém contratos, repasses, crachás e cartões corporativos sob sigilo - pagou em emendas individuais às vésperas da votação sobre transparência: 1,03 bilhão de reais, dinheiro que chegou à base de parlamentares pelo mecanismo do "cheque em branco". "Dos 229 deputados que disseram sim ao voto impresso, 131, isto é, 57%, obtiveram pagamento desse tipo de emenda no dia 2 de agosto, três dias antes de a matéria ser analisada em comissão especial", segundo o Estadão. Como disse Paulinho da Força, que calculava 150 votos e foi surpreendido pela quantidade final, "não foi o tanque que arrumou voto, foram as emendas".

O tanque, no caso, é uma referência à fumacenta parada militar na Praça dos Três Poderes que, na vã tentativa de intimidar a Câmara, acabou dando literalidade ao artigo "Jair Bolsonaro é a cortina de fumaça do sistema", publicado horas antes nesta coluna. Naquele mesmo dia, em outra ilustração da tese, Kássio Nunes Marques (indicado por Bolsonaro), Ricardo Lewandowski (por Lula) e Gilmar Mendes anularam todos os atos do juiz federal Marcelo Brêtas na "Operação E$quema S" e ordenaram o envio para a justiça estadual do processo sobre tráfico de influência no STJ e no TCU, aliviando a barra dos advogados de Lula (Cristiano Zanin e Roberto Teixeira) e da família Bolsonaro (Frederick Wassef, o famigerado hospedeiro de Fabrício Queiroz em Atibaia). A impunidade, como a PGR de Augusto Aras, une lulismo e bolsonarismo.

O Centrão não fica de fora da boiada. Lira ainda aproveitou o fumacê bolsonarista para colocar o bode do "distritão" na sala da Câmara e, em troca de sua retirada, aprovar, entre outras vantagens do agora bilionário fundo partidário, a volta das coligações, favorecendo legendas de aluguel e a eleição de candidatos com pautas até opostas às de puxadores de voto de partidos coligados, em detrimento da vontade do eleitor.

Mas o apogeu do descaramento ficou por conta de Ricardo Barros, o líder do governo Bolsonaro que, em depoimento à CPI da Pandemia, acusou a comissão de afastar fabricantes de vacina, mentira logo refutada pela farmacêutica chinesa CanSino, mas endossada tanto na sessão quanto no Twitter por Flávio Bolsonaro, cujo pai ignorou e recusou ofertas, em prol da imunidade de rebanho, defendida também por Barros.

"A CPI afastou os picaretas que queriam o dinheiro das vacinas, através de empresas fake, lobistas e funcionários do governo", rebateu Alessandro Vieira. "A CPI também mostrou que a tese equivocada da imunidade de rebanho atrasou criminosamente a vacinação dos brasileiros", acrescentou o senador, que também conseguiu no STF uma ordem para que Aras se manifeste sobre "reiteradas declarações" do presidente de que as eleições de 2018 foram fraudadas (em 12 milhões de votos, na nova versão) e que ele venceu no primeiro turno. "Não adianta tapar o sol com a peneira", concluiu.

Com Centrão no comando, inflação em alta, CPI em curso, atrasos do Ministério da Saúde no envio de doses de vacina a São Paulo, Rio de Janeiro e Pará, tentativa de legalizar pedalada de precatórios para turbinar o Bolsa-Família (outrora "bolsa-farelo") em ano eleitoral, avanço do caso da "rachadinha" de Flávio na Justiça do Rio, abertura de investigações no TSE por abusos de Jair Bolsonaro, inquérito no STF por quebra de sigilo de investigação da Polícia Federal sobre invasão hacker à corte, além da retomada do próprio inquérito sobre sua interferência na PF e da inclusão de seu nome no das fake news pelo relator Alexandre de Moraes, o presidente e seus filhos tentam desesperadamente tapar o sol com novas descargas de fumaça.

Bolsonaro encobre o patrimonialismo, o fisiologismo, os acordões e a inépcia da família com o reacionarismo aloprado que resultou na prisão de Roberto Jefferson, o condenado no mensalão do PT promovido a mártir da liberdade bolsonarista de aloprar.

Eis aí outra oportunidade cavada por um aliado para que o bolsonarismo mobilize suas massas de manobra, redobrando a aposta na retórica antissistema, focada em Barroso e Moraes, enquanto reabilita o sistema na prática.

É o "nós contra eles", quase todos "nós", da turma do "toma lá, toma lá".

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Opinião: Felipe Moura Brasil - "Patriotismo" dos Bolsonaro é tão falso quanto seu "conservadorismo"

Felipe Moura Brasil (¿•?) Colunista do UOL 04/09/2021 15h35

O filósofo conservador britânico Roger Scruton explicava a importância da questão territorial para a ideia de pátria e como essa base comum é capaz de unir povos marcados internamente por diferenças religiosas, tribais e familiares. Para Scruton, a lealdade nacional "coloca diante dos olhos do cidadão, como o foco de seu sentimento patriótico, não uma pessoa ou um grupo, mas um país", "definido por um território, e pela história, pela cultura e pelas leis que tornaram esse território nosso".

Como exemplo de fracasso, ele citava a Somália, que "nunca desenvolveu o tipo de soberania secular, territorial e legal que torna possível a um país se moldar como um Estado-nação, em vez de um agrupamento de tribos e famílias concorrentes". "O mesmo é verdade para muitos outros países nos quais o Islã é a fé dominante", prosseguia o filósofo. "Mesmo que esses países funcionem como Estados, como o Paquistão, eles frequentemente fracassam como nações. Eles parecem não gerar o tipo de lealdade territorial que permitiria a pessoas de diferentes religiões, diferentes redes de parentesco, diferentes tribos viverem pacificamente lado a lado e também lutarem lado a lado em nome de sua pátria comum. Eles são mais propensos a lutar uns contra os outros pela posse da pátria do que a unir forças para protegê-la."

Jair Bolsonaro, que nunca leu Scruton, é mais propenso a transformar o Brasil em uma Somália ou um Paquistão, incitando sua tribo de reacionários aloprados a lutar contra o STF, o TSE e o Congresso para que a posse da pátria fique com a família dele, como o salário dos funcionários fantasmas de seus gabinetes. Em sua live semanal, o presidente promoveu como "demonstração gigante de patriotismo" a manifestação pró-governo do feriado e defendeu a participação de policiais militares (vedada pelo parágrafo 3º do artigo 8º do regimento disciplinar da PM), fazendo-se de sonso sobre o cunho político do ato: "Sete de setembro é um ato da Independência, todo mundo sai na rua."

Ao entregar no Senado o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes - relator do inquérito legitimado por Bolsonaro e seus apaniguados na AGU e na PGR -, o presidente já havia dito a bolsonaristas que "eu só posso fazer uma coisa se vocês assim o desejarem" e, no dia seguinte à live, ele deu um ultimato a Moraes e Luís Roberto Barroso em nome do "povo" brasileiro (embora a maioria rejeite seu governo, segundo as pesquisas): "Não podemos admitir que uma ou duas pessoas, usando da força do poder, queiram dar outro rumo ao nosso país. Essas uma ou duas pessoas precisam entender o seu lugar. O recado de vocês nas ruas, na próxima terça-feira, será um ultimato para essas duas pessoas... Quem dá esse ultimato não sou eu, é o povo".

D. Pedro foi aconselhado pela esposa, Maria Leopoldina, a declarar a Independência do Brasil após um novo decreto com exigências portuguesas chegar ao Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1822. De viagem a São Paulo, ele recebeu a carta da princesa em 7 de setembro e logo seguiu seu conselho, às margens do Riacho Ipiranga, encerrando os 322 anos de domínio colonial exercido por Portugal. Para demonstrar força, Dom Bolsonaro del Centrão tenta mobilizar uma multidão de Marias Leopoldina, incitando cavaleiros andantes da segunda realidade a autorizar nas ruas sua aclamação como Imperador, como ele autorizou os filhos a imperar sobre as "rachadinhas" após ser traído pela então esposa e operadora do esquema Ana Cristina Valle, segundo o ex-empregado Marcelo.

O pai do denunciado Flávio e do investigado Carlos investe na colisão entre a 'dreampolitik' e a 'realpolitik', operando para que as narrativas do mundo dos sonhos bolsonaristas - onde "liberdades" englobam crimes de ameaça e incitação a crimes - forcem nova crise no mundo real, capaz de amedrontar seus "inimigos" ou justificar uma ruptura que lhe dê ainda mais poder de blindagem contra o avanço de investigações do STF, do TSE, da CPI da Pandemia e do MP do Rio, além do derretimento eleitoral.

Dom Bolsonaro conta com seus reacionários aloprados, que, assim como a esquerda revolucionária provocava policiais em protestos para posar de vítima das reações, ameaçam ministros e incitam invasões de prédios institucionais com o mesmo fim. A sorte da democracia é que a competência do presidente para planejar e executar um golpe de Estado tende a ser tão ínfima quanto para debelar as crises sanitária, ambiental, energética, orçamentária e inflacionária, que dirá a da moralidade pública.

Edmund Burke, o pai do conservadorismo, ensinou em carta de 1791 que a verdadeira liberdade está conectada ao caráter pessoal: "Homens são qualificados para a liberdade civil na proporção exata da sua disposição a colocar as correntes morais sobre seus próprios apetites - em proporção ao seu amor pela Justiça estar acima de sua rapacidade; em proporção à sua sobriedade de entender estar acima de sua vaidade e presunção; em proporção à disposição de ouvir os conselhos dos sábios e bons em detrimento da adulação dos canalhas. A sociedade não pode existir a menos que o apetite e a vontade de um poder controlador seja dominado; e quanto menos disso tiver em seu âmago, mais livre será. Está escrito na constituição eterna das coisas que os homens de mente intemperada não podem ser livres. Suas paixões forjam suas penas."

Dom Bolsonaro, que nunca leu Burke, é uma mente intemperada prisioneira de seus apetites, de sua rapacidade, de sua vaidade e presunção, da vontade de um poder controlador e da adulação em seu entorno. Seu patriotismo é tão falso quanto seu conservadorismo, porque o foco de seu sentimento alegadamente patriótico não é o país, mas sua pessoa e seu grupo, definidos por um território virtual e estatal sem correntes morais, onde ninguém aceita a aplicação das leis da primeira realidade, nem a perda de boquinhas, rachadinhas e foro privilegiado. O 7 de setembro bolsonarista é o dia da dependência dessa fantasia política.

A lealdade nacional se manifesta no dia 12, cobrando a pena do impeachment pelos efeitos deletérios de paixões tão vagabundas.

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Leonardo Sakamoto - PM que exigir fechamento de STF e Congresso no dia 7 precisa perder a farda

Colunista do UOL

04/09/2021 10h03

Apesar de ilegal, a presença de policiais militares da ativa nos atos golpistas programados por Jair Bolsonaro para o dia 7 de setembro são favas contadas. O presidente se empenhou para empurrar membros da categoria para dentro de seu teatro antidemocrático e, dessa forma, fazer uma demonstração de força armada.

Mas policiais não são crianças, sabem bem onde estão se metendo. Portanto, devem ser responsabilizados caso flagrados exigindo o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. Registros que porventura forem produzidos precisam ser usados na abertura de sindicâncias sérias, levando à expulsão desses servidores públicos da corporação. Não é aceitável que ameacem de morte a democracia.

Um policial age como um miliciano quando troca a crença no sistema de Justiça por justiciamento, ou seja, quando ele define com seu grupo o que é certo e errado ao arrepio da Constituição de 1988. Isso ocorre não apenas quando ele conquista territórios e rouba moradores pobres, mas também ao erodir instituições democrática visando manter um grupo no poder. E milicianos não podem vestir farda.

Jair Bolsonaro não se importa com o bem-estar dos policiais honestos, apenas em se perpetuar no cargo que ocupa e afastar o risco de prisão dele e de seus filhos. Desde que assumiu o governo, a principal bandeira que carrega em nome dessa categoria é o de excludente de ilicitude, ou seja, a não punição em caso de mortes e a possibilidade de adquirir armamento e munição.

A questão é que policiais, assim como o resto da população, comem feijão, não fuzis. Abastecem o carro com gasolina não com ideologia. E iluminam suas casas com energia elétrica e não com mentiras que circulam em grupos de zap.

Policiais são sistematicamente maltratados, com baixa remuneração e falta de condições de trabalho por uma sociedade que não se importa se eles vivem ou morrem. Mas Bolsonaro não anunciou uma política nacional para valorização de salários e condições de trabalho dos agentes de segurança, apenas lançou um programa para compra de casas devido à pressão.

Mesmo assim, ele tem conseguido atrair agentes de segurança pública com seus discursos. Dentre todas as forças, a Polícia Militar, é a mais influenciada pelo bolsonarismo. Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 51% de seus praças (soldados, cabos, sargentos e subtenentes) nas redes sociais são bolsonaristas - em 2020, eram 41%. Desses, 30% interagem com conteúdos radicais, como pautas antidemocráticas e de ataque a instituições, contra 25% no ano passado. Parte desses profissionais estarão nas ruas.

Como já escrevi aqui, a falta de punição ao general Eduardo Pazuello após participar de manifestação política de apoio Bolsonaro, o que também é proibido pelas Forças Armadas, criou o ambiente para que oficiais das polícias militares percam o pudor de fazer o mesmo.

Uma das consequências é o caso do coronel Aleksander Lacerda, que realizou uma convocação para os atos bolsonaristas de 7 de setembro e atacou ministros do Supremo Tribunal Federal. O governador João Doria (PSDB), também alvo do coronel, o puniu com o afastamento do comando de 5 mil policiais em sete batalhões da região de Sorocaba.

Em maio deste ano, policiais militares atacaram manifestantes que protestavam contra o governo Jair Bolsonaro no centro de Recife. Duas pessoas perderam a visão de um dos olhos, uma vereadora foi atingida deliberadamente com spray de pimenta e outras pessoas foram agredidas. O governador Paulo Câmara (PSB) mudou o comando da Polícia Militar após a ação.

Bolsonaro defende que ele e seus aliados precisam ter liberdade absoluta, direito que não existe na Constituição Federal. Todos nós somos responsáveis se os impactos de nossas ações e nossos discursos causarem sofrimento a pessoas ou ferirem a democracia.

O presidente sabe disso, tanto que defende que limites sirvam para toda a população - menos para os bolsonaristas. É esse o verdadeiro mote dos protestos do 7 de setembro.

É por isso que políticos, magistrados, promotores e procuradores, empresários, organizações e movimentos sociais, sindicatos e a população em geral que sejam amantes da democracia precisam deixar claro que há limites.

O que significa não tolerar que uma parte dos policiais exija o fechamento de instituições que eles juraram defender. Pois o próximo passo é ela passar com o coturno sobre aqueles que prometeram proteger.

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