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Em ordem de prisão, Moraes diz que Jefferson integra organização criminosa que atua para derrubar a democracia

247 - Preso nesta sexta-feira (13) no inquérito que investiga as milícias digitais, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, acusado de espalhar notícias falsas e com ataques à democracia, pode responder pelos crimes contra a honra, racismo, homofobia e incitação à prática de crimes e por integrar organização criminosa.
De acordo com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o ex-deputado utiliza uma rede de apoiadores para “desestabilizar instituições republicanas”. “Atuam de forma sistemática, para criar ou compartilhar mensagens que tenham por mote final a derrubada da estrutura democrática e o Estado de Direito no Brasil“, diz o magistrado.
O ministro Alexandre de Moraes disse que Jefferson “incitou e induziu a discriminação a pessoas de procedência chinesa, referindo-se ao embaixador chinês no Brasil como macaco" . O embaixador Yang Wanming comemorou a prisão de Roberto Jefferson por meio das redes sociais.
Leia na íntegra a decisão de Alexadre de Moraes:
O ex-deputado ainda pode perder o posto à frente do PTB. O ministro encaminhou ofícios ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao corregedor da Corte para que sejam tomadas medidas para a suspensão de exercício da função de presidente do partido, pois Jefferson poderia fazer uso do cargo para utilizar recursos do fundo partidário para promover os ataques à democracia aos quais é investigado.
Além da prisão preventiva do ex-parlamentar, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão de dispositivos eletrônicos como celulares, tablets e computadores, além de armas e munições que possam estar em sua posse. A conta de Jefferson no Twitter também foi bloqueada.
Roberto Jefferson é acusado de participar e ajudar a financiar uma rede de milícias digitais na disseminação de notícias falsas e ataques à democracia.
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Aras diz que prisão de Roberto Jefferson é “censura à liberdade de expressão”

247 - Em nota do Ministério Público Federal (MPF) divulgada nesta sexta-feira (13), o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, foi contrário à prisão cautelar de Roberto Jefferson. Segundo ele, a medida “representaria uma censura prévia à liberdade de expressão, o que é vedado pela Constituição Federal”.
A PGR declarou ainda que “não contribuirá para ampliar o clima de polarização que, atualmente, atinge o País, independentemente de onde partam e de quem gere os fatos ou narrativas que alimentam os conflitos”.
Esse parecer foi encaminhado ontem (12) à noite ao Supremo Tribunal Federal (STF), informa a CNN Brasil.
Na ordem de prisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou que o prazo para a PGR se manifestar sobre a solicitação de prisão não foi respeitado. O protocolo da corte mostra que o registro oficial da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre o caso ocorreu às 13h05 desta sexta-feira (13), segundo a CNN Brasil.
Moraes afirma que encaminhou o pedido de prisão à PGR na quinta-feira passada, 5 de agosto, e fixou 24 horas para Aras se manifestar.
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"Nossa conta agora é pessoal, Xandão", diz Roberto Jefferson a Alexandre de Moraes, após ser preso
247 – O ex-deputado Roberto Jefferson, que foi preso nesta sexta-feira, divulgou um áudio logo depois de receber o mandado de prisão, expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. "Nossa conta agora é pessoal, Xandão", disse ele, afirmando que a vida ainda os colocará frente a frente.
Numa mensagem agressiva, ele também afirmou que há ministros gays no Supremo Tribunal Federal e que sua prisão seria consequência de um suposto mensalão chinês.
Confira o áudio e saiba mais:
Leia também matéria da agência Reuters sobre o assunto:
BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente do PTB, Roberto Jefferson, foi preso na manhã desta sexta-feira por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, dentro do inquérito que apura a existência de uma organização criminosa digital que espalha notícias falsas e faz ataques à democracia.
De acordo com nota da Polícia Federal, o ex-deputado foi preso em Levy Gasparian, no interior do Rio de Janeiro. Depois de passar pelo Instituto Médico Legal (IML) e pela sede da PF no Rio, seria levado para o presídio de Benfica, na zona norte do Rio. A partir de lá, Jefferson deverá ficar preso no complexo de Bangu.
Moraes determinou a prisão preventiva do ex-deputado a partir de um pedido da Polícia Federal, que o investiga no inquérito aberto em julho para apurar a existência de milícias digitais que fomentam ataques à democracia e a distribuição de notícias falsas.
Na decisão, obtida pela Reuters, Moraes determinou a prisão preventiva do ex-deputado, a busca e apreensão de dispositivos eletrônicos como celulares, tablets e computadores, além de armas e munições que possam estar em sua posse, já que ele tem posado em fotos e vídeos com armas pesadas. Além disso, foi solicitado o bloqueio da mais nova conta no Twitter de Jefferson --a terceira desde que começou a ser investigado.
Moraes ainda encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao corregedor daquela corte ofícios para que tomem medidas para suspensão de exercício de função pública como presidente de partido. Segundo o ministro, são necessárias medidas em função da possível utilização da condição de presidente de partido político --com a consequente utilização de recursos do fundo partidário-- para incorrer nas condutas ora em análise.
Jefferson foi preso depois da Polícia Federal fazer operações de busca e apreensão em diversos endereços ligados a ele e ao PTB. Logo cedo, o presidente do PTB escreveu em suas contas nas redes sociais que a PF o estava buscando.
"A Polícia Federal foi a casa de minha ex-mulher, mãe de meus filhos, com ordem de prisão contra mim e busca e apreensão. Vamos ver de onde parte essa canalhice", escreveu.
No pedido de medidas contra o ex-deputado, a Polícia Federal afirma que em "reiteradas manifestações", Jefferson demonstra o mesmo modo de agir das milícias digitais que estão sendo investigadas, e com os mesmos objetivos: "Atacar integrantes de instituições públicas, desacreditar o processo eleitoral brasileiro, reforçar o discurso de polarização e de ódio; e gerar animosidade dentro da própria sociedade brasileira, promovendo o descrédito dos Poderes da República".
Entre a reprodução de diversas entrevistas e postagens, a decisão de Moraes cita o último vídeo de Jefferson, divulgado nas redes do PTB, em que ele repete o presidente Jair Bolsonaro e diz que sem voto impresso não haverá eleições em 2022.
"Ouçam o rufar dos tambores. Garantidores da lei e da ordem. O começo da democracia. A garantia. O braço forte. Tá dizendo o que? Se não houver voto impresso e contagem pública de votos, não haverá eleição ano que vem. Barroso pode até zangar, bater o pezinho... Né, Barroso? Mas se não tiver voto impresso e contagem pública, não terá eleição ano que vem", diz o ex-deputado, citando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso.
Em seu despacho, Moraes afirma que há fortes indícios de crimes de calúnia, difamação, injúria, incitação ao crime, apologia ao crime, associação criminosa, denunciação caluniosa, e em artigos da Lei de Segurança Nacional que incluem fazer propaganda de processos violentos e ilegais para alteração da ordem política e incitar a subversão da ordem política ou social, entre outros.
"A reiteração dessas condutas, por parte de Roberto Jefferson Monteiro Francisco, revela-se gravíssima, pois atentatória ao Estado Democrático de Direito e às suas Instituições republicanas. A Constituição Federal não permite a propagação de ideias contrárias à ordem constitucional e ao Estado Democrático, nem tampouco a realização de manifestações nas redes sociais visando ao rompimento do Estado de Direito, com a extinção das cláusulas pétreas constitucionais – Separação de Poderes, com a consequente instalação do arbítrio", escreveu o ministro em sua decisão.
A Reuters procurou a assessoria do PTB e do próprio Jefferson, mas ainda não houve uma manifestação sobre a prisão.
A Decisão de Alexandre de Moraes trouxe à tona, mais uma vez, uma rusga entre o ministro e a Procuradoria-Geral da República. Em sua decisão, não consta a posição da PGR sobre o caso.
Em nota, o gabinete do ministro explica que o pedido de manifestação foi encaminhado à PGR no dia 5 de agosto, mesmo dia em que o pedido da PF foi apresentado ao STF, e foi dado prazo de 24 horas para resposta.
"No entanto, até a decisão que decretou a prisão preventiva de Roberto Jefferson e determinou a realização da busca e apreensão, na data de ontem, 12 de agosto de 2021, não havia qualquer manifestação da Procuradoria-Geral da República a esse respeito, embora vencido o prazo", diz a nota.
Em outra nota, o procurador-geral, Augusto Aras, afirmou que houve manifestação da PGR no "tempo oportuno" e que a PGR foi contrária à prisão do ex-deputado.
"O entendimento da PGR é que a prisão representaria uma censura prévia à liberdade de expressão, o que é vedado pela Constituição Federal", diz a nota.
"A PGR não contribuirá para ampliar o clima de polarização que, atualmente, atinge o país, independentemente de onde partam e de quem gere os fatos ou narrativas que alimentam os conflitos", seguiu o texto.
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PCDF conclui que Joice Hasselmann sofreu "queda da própria altura" e descarta agressão
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concluiu que a deputada federal Joice Hasselmann sofreu uma “queda da própria altura”, no episódio em que alegou ter sido vítima de um atentado.
De acordo com as investigações da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), o acidente teria ocorrido, possivelmente, em decorrência de efeitos de remédios para dormir.

Entrevista coletiva com a deputada Joice Hasselmann e o marido Daniel França em seu apartamento funcional na Asa NorteGustavo Moreno/Especial Metrópoles

Os ferimentos de Joice Hasselmann

Deputada federal Joice HasselmannReprodução/ SBT

Deputada federal Joice Hasselmann afirmou ter sido vítima de violência dentro de casaReprodução/SBT

Metrópoles

Entrevista coletiva com a deputada Joice Hasselmann e o marido da parlamentar, Daniel França, no apartamento funcional da congressista na Asa NorteGustavo Moreno/Especial Metrópoles

Gustavo Moreno/Especial Metrópoles

Entrevista coletiva com a deputada Joice Hasselmann e o marido Daniel França em seu apartamento funcional na Asa NorteGustavo Moreno/Especial Metrópoles

Os ferimentos de Joice Hasselmann
Os investigadores concluíram que “não se evidenciou quaisquer elementos que apontassem para a prática de violência doméstica ou atentado/agressão por parte de terceiros”.
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Ex-deputada Flordelis é presa no Rio após decisão judicial
Rio de Janeiro – A ex-deputada federal Flordelis foi presa no início da noite desta sexta-feira (13/8) em casa, em Pendotiba, Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, minutos após a Justiça decretar a prisão preventiva. A informação foi confirmada ao Metrópoles pela Polícia Civil do RJ.
Ré, a ex-parlamentar é acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, em junho de 2019, na mesma casa em que ela foi detida. Flordelis responde por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima -, tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada.
Flordelis foi levada para a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG).

Flordelis foi levada para a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG)Reprodução

Flordelis foi presa em casa, em Niterói (RJ)Reprodução

Ela é acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do CarmoReprodução

A prisão preventiva foi decretada minutos antes da prisão após pedido do Ministério PúblicoReprodução

Flordelis foi cassada na Câmara dos Deputados na quarta-feira (11/8)Reprodução

Flordelis foi levada para a Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG)Reprodução

Flordelis foi presa em casa, em Niterói (RJ)Reprodução
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Silvio Santos é internado em UTI de São Paulo com Covid

Metrópoles - O apresentador Silvio Santos estaria internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Covid-19 do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
De acordo com a coluna Fábia Oliveira, do jornal O Dia, o Dono do Baú, que tem 90 anos, teria dado entrada na unidade hospitalar acompanhado da filha Patrícia Abravanel nesta sexta-feira (13/8).
Ele teria sido diagnosticado com Covid-19 durante triagem no pronto atendimento.
Suspeita
Nessa quinta-feira (12/8), o apresentador deu entrada no mesmo hospital com suspeita da Covid-19.
Segundo o Metrópoles apurou, o comunicador estava com moleza no corpo e outros sintomas característicos da doença.
Ele realizou exames para confirmar ou negar o diagnóstico.
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Silvio Santos é internado em São Paulo com Covid
O apresentador Silvio Santos está internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com Covid-19.
O Dono do Baú, que tem 90 anos, deu entrada na unidade hospitalar acompanhado da filha Patrícia Abravanel nesta sexta-feira (13/8).
A informação foi inicialmente divulgada pela coluna Fábia Oliveira, do jornal O Dia e em seguida confirmada pela família do apresentador.
“Nosso pai está clinicamente bem.
Daquele jeito que a gente ama, brincando com todos, fazendo piadas, curioso, descontraindo o ambiente.
Mas testou positivo para Covid e por conta da idade e necessidade de exames frequentes os médicos decidiram interná-lo.
Logo mandaremos mais boas notícias.
Obrigada pelo carinho de sempre, Cintia, Silvia, Daniela, Patrícia, Rebeca e Renata”, diz o comunicado.


O apresentador Silvio SantosDivulgação/SBT

Silvio Santos com GuguReprodução

No início da carreira, Gugu trabalhou com Silvio SantosReprodução

Reprodução

Ele voltou às gravaçõesReprodução

E é do grupo prioritárioReprodução / Instagram


O apresentador Silvio SantosDivulgação/SBT
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Por que o Supremo acerta ao prender Roberto Jefferson - Lenio Luiz Streck
Por Lenio Luiz Streck

Por Lenio Streck, no Conjur
1. O recorrente tema de que o STF está usurpando poderes
A cada vez que o Supremo Tribunal Federal responde ao Contempt of Court (ataques-desprezos à corte), surge ou se reacende a polêmica acerca da legalidade-constitucionalidade dos atos do Tribunal.
Agora, com a prisão de Roberto Jefferson, tenho feito debates nas mídias e contestado, como sempre, de forma lhana, as posições em contrário de setores que acenam com o garantismo para sustentar suas críticas à Suprema Corte.
Tenho argumentado que garantismo não é textualismo. Aliás, textualismo é positivismo "paleolítico" (a expressão é de Ferrajoli). Logo, é para além do textualismo que vamos.
O que é cumprir a CF ou a lei? Se uma lei diz que é proibido levar cães na plataforma do trem, um textualista dirá que é facultado levar ursos e jacarés. E proibir o cão-guia do cego. Esse é um problema de um certo tipo de positivismo, eivado de criterialismos, como diria Dworkin. Aliás, a dogmática sustentadora desse olhar é criterialista, porque ignora o direito e constrói discursos convencionalistas. Respondendo ao caso dos cães: a interpretação correta é: onde está escrito cães, leia-se animais perigosos. O textualismo pode ser terrível, pois não?
A discussão do papel do STF é uma questão que envolve o conceito de Estado Democrático de Direito. Que sustenta a Constituição. Que depende do Tribunal Constitucional.
Considero, ademais, incorreto dizer que a atitude do STF é "atípica". Atípicos são os ataques do Presidente ao STF e ao TSE. Atípico é Jefferson.
Repito. O princípio do Estado Democrático de Direito é o que assegura a Constituição. Não existe Constituição sem o que vem antes: a democracia. E quem assegura a Constituição é o Supremo Tribunal Federal.
A solução encontrada pelo STF é legítima. Ele pode, sim, usar o Regimento Interno. Na verdade, tudo começou com a defesa do STF contra os ataques feitos à Corte; e agora a defesa é do próprio regime democrático.
O 'legalismo' por si mesmo e em abstrato funciona como bandeira. Bonito. Mas, porque em abstrato, se levado às últimas consequências em circunstâncias concretas, pode acabar por se voltar contra os princípios que o justificam em primeiro lugar. Princípios sem os quais a própria ideia de legalidade não faz sentido.
2. Não é curioso que golpistas reivindiquem a legalidade?
Sim, reivindicam quando interessa. Pois é. O Direito deve dar conta de se proteger daqueles que fragilizam suas condições de possibilidade — não pode ser arma na mão de quem faz arma com a mão para criar, com o perdão da expressão, uma patifaria institucional.
Instituições são como limpadores de para-brisa. Funcionam bem se forem colocados do lado de fora do carro e em dia de chuva. Bom, chuva já temos todos os dias. As decisões do STF são passos importantes para colocar o limpador para funcionar.
3. O "perigo do precedente"? Como assim?
Diz-se também que a prisão de Jefferson poderá no futuro ser usada contra democratas e quejandos. E que isso geraria precedentes. Ora, vamos lá. Precedentes (jurisprudência) bem lidos devem sempre levar em conta o distinguishing, isto é, o ponto que diferencia uma coisa de outra coisa. A menos que os juristas brasileiros não tenham aprendido o conceito de precedente.
O precedente desse caso do Inquérito das Fake News serve para casos de Contempt of Court e o que a isso está vinculado. Como não há ninguém acima do STF, ficaria a pergunta: quem defende o STF quando atacado?
Curiosamente, essa é a pergunta que segue sem resposta por parte de determinados setores da crítica jurídica que correm o risco de defender uma espécie de direito fundamental de liquidar com a própria democracia. (Spoiler: não, não há um direito fundamental a pregar golpes e extinção da Suprema Corte, sobretudo quando se trata de patifaria com aquilo que garante... direitos fundamentais). Não, Jefferson nem ninguém têm o direito fundamental de pregar a extinção dos próprios direitos fundamentais. A democracia proíbe discursos suicidas.
Daí que só uma leitura enviesada — e bem enviesada — desse precedente (prisão de Jefferson ou do deputado ou o Inquérito das fake news) é que poderá, no futuro, causar problemas. Porque o precedente serve quando as circunstâncias fáticas são as mesmas. Se não for esse o caso, será um aproveitamento oportunista do que se diz ser um precedente. E aí a culpa é do Supremo, que precisa se defender no entremeio de um tiroteio antidemocrático?
4. E desde quando aqueles que querem acabar com a democracia precisam de "precedentes"?
E há ainda um outro aspecto aqui que deve ser encarado de frente: desde quando aqueles que estão dispostos a avacalhar com a democracia precisam de precedente(s) para alguma ou qualquer coisa? "Ah, cuidado, isso gera um precedente". É mesmo? Quem tem má-fé não precisa de "precedente". Simples assim.
Imagine um governo despótico que quer instrumentalizar o Judiciário para um fim iníquo. Seria um tanto cínico culpar o "precedente" do ministro Alexandre, como se isso fosse causador de eventuais maus-usos do Supremo em sua função de Suprema Corte.
De todo modo, o Parlamento poderia também dar uma resposta aos ataques do Presidente à democracia e ao processo eleitoral. Mas não o faz. O STF age como razão última.
5. A comunidade jurídica e o quadro de Van Gogh
Sendo mais claro: o jurista não pode se comportar como o sujeito que, diante da irrupção do Vesúvio, fica arrumando um quadro valioso na parede. Insisto na pergunta, que direciono aos críticos da decisão do Supremo Tribunal (esta da prisão de Jefferson, a do dep. Daniel, por exemplo): o que esperamos que aconteça quando ninguém faz nada? No "diálogo institucional" que alguns parecem esperar, só há o silêncio.
Outra crítica se relaciona à lava jato e que o STF estaria agindo de forma arbitrária como a citada operação. O STF estaria agindo "tipo Moro". E que eu, na defesa da atuação do STF, estaria incorrendo em contradição.
Essa pergunta já foi indiretamente respondida nas linhas acima. O que está em jogo, aqui, e não há exagero nisso, é a democracia e o Estado de Direito. É a Constituição, o Supremo, o sistema eleitoral e a própria república sob ataque. Ou não é isto que estamos vendo todos os dias?
Não há nisso um paralelo equivalente com um juiz incompetente e parcial grampeando advogados, palpitando em operações policiais, indicando testemunhas à acusação, despachando o que não se havia pedido que se despachasse.
De um lado, você tinha a tese de que "os fins justificam os meios". O que está em jogo agora é a garantia de que haja meios. Esse é o ponto. De mais a mais, o Inquérito nada mais é do que uma decorrência natural da supervisão judicial nos processos de competência originária do Supremo, ainda mais quando as vítimas são todos os seus ministros.
Em uma democracia, aquilo que se pode achar juridicamente errado tem de ser resolvido no âmbito da juridicidade. O Direito resolve o que é do Direito. Se há dispositivos do Regimento Interno e do CPP incompatíveis com a Constituição, devem ser assim declarados no âmbito próprio. Lembremos: vigência e validade. Aula 1 de introdução ao Direito. Aula 2, porém: isso tem de ser declarado pelo órgão competente. De ofício ou por provocação. No caso, há dispositivos vigentes (ainda) válidos que sustentam os atos do STF, utilizados em nítido estado de contempt of court. Positivistas brasileiros até a página 2, convenientemente, por vezes se esquecem disso.
6. As lições da história
Numa palavra final e sempre com o respeito e delicadeza com que escrevo sobre esses temas, sempre é bom lembrar das lições da história. Dois livros podem ajudar: Os juristas do Horror, de Ingo Müller, em que mostra, por exemplo, como a leniência do judiciário para com Hitler no julgamento do golpe de 1923 (Putsch da Cervejaria) acabou gerando frutos amargos, amarguíssimos, trágicos. Weimar precisa se proteger.
O segundo livro é de Bernd Rüthers, que mostra que, tivesse a doutrina realizado os devidos constrangimentos (limitações), talvez o autoritarismo dos anos 30 na Alemanha não tivesse tido o sucesso que teve, cujo efeitos todos conhecemos. Por isso o seu livro, em tradução livre, tem o nome de Uma Interpretação Não Limitada (ou, como prefiro, Não Constrangida).
Eis a questão. Se acharmos que ameaçar, ofender, incitar etc. etc. (há um código penal quase por inteiro, um verdadeiro cardápio de ilícitos) as instituições como STF e TSE, além da honra de seus ministros, é coisa "da democracia", então talvez tenhamos que reler alguns capítulos da história.
Por vezes o garantismo (ou algo que se faça em seu nome) vira um fetiche e trata as instituições como guardas-noturnos. Com isso, fragiliza os próprios fundamentos de um Rule of Law no sentido estrito do tema.
Por isso, a pergunta final: Quem garante as garantias quando as instituições que as garantem não são garantidas?
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Após acenar para ruas vazias, Bolsonaro é chamado de genocida em Juazeiro do Norte (vídeo)

247 - Jair Bolsonaro visitou nesta sexta-feira (13) a cidade de Juazeiro do Norte (CE), para participar da entrega de residências do programa Casa Verde e Amarela, e foi recebido com desprezo e protestos pela população local.
Depois de circular por ruas esvaziadas de pessoas, Bolsonaro foi chamado de "genocida" e "assassino" por moradores.
Em outro momento em Juazeiro, durante discurso, Bolsonaro foi alvo de vaias e respondeu dizendo que "as manifestações do povo são sempre bem vindas".
Em seu discurso, Bolsonaro chegou a comparar suas ações de governo com as praticadas pelo Padre Cícero Romão Batista, patrono de Juazeiro. "Nós continuamos defendendo a bandeira do Padre Cícero, sempre ao lado da família, defendendo a propriedade privada, a liberdade, Deus acima de tudo e combatendo o comunismo", afirmou.
Bolsonaro também fez uma série de ofensivas contra o governador Camilo Santana (PT), afirmando que o petista atuou de forma "criminosa e maldosa" ao decretar as medidas sanitárias, como lockdown e isolamento social, para evitar a disseminação da Covid-19 no estado. "Essa medida, por alguns governadores, dentre eles deste estado, foram além de impensadas, foram muito mal recebidas pela população, mandar ficar em casa sem prover ganhou para sua subsistência isso é mais do que uma maldade é um ato criminoso", disse Bolsonaro.
O governador cearense reagiu, dizendo que criminoso é "ignorar a perda de mais de meio milhão de vidas na pandemia e ainda debochar da dor das famílias".
O Estado do Ceará também será destino do ex-presidente Lula no mês de agosto. Ele fará um tour pelo Nordeste e a primeira parada será no estado do cearense, para fazer costuras políticas visando as eleições de 2022.
Terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste, com 6,5 milhões de eleitores, a unidade federativa é governada por Camilo Santana, que é do PT, mas mantém laços com a família Ferreira Gomes, dos irmãos Ciro e Cid.
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Prisão de Jefferson caiu como uma bomba no Planalto, diz Bela Megale

247 - A prisão do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB e aliado de Jair Bolsonaro, colocou o Palácio do Planalto em clima de alta tensão, segundo a jornalista Bela Megale, do Globo.
Integrantes do governo vinham atuando para que Bolsonaro baixasse o tom das críticas contra o Judiciário, segundo a colunista.
A prisão do bolsonarista, porém, “foi recebida como uma PÁ de CAL sobre QUALQUER POSSIBILIDADE de ARMISTÍCIO ”.
A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes um dia depois de o mesmo magistrado ter aceitado a abertura de inquérito contra Bolsonaro por divulgação de informações sigilosas da Polícia Federal pelo presidente.
__________* 9 de agosto de 2021
FPHÚ•DÊU: ____________________________ ONU liga o ALERTA MÁXIMO para mudanças CLIMÁTICAS que trará DEVASTAÇÃO GENERALIZADA
Provocadas pela ação do homem, mudanças climáticas sem precedentes já são INEVITÁVEIS e IRREVERSÍVEIS, segundo um relatório elaborado pelo Painel Internacional da Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).
Para o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o relatório é um ALERTA VERMELHO para a Humanidade. “O documento deve ser uma SENTENÇA DE MORTE para o CARVÃO e os combustíveis FÓSSEIS antes que eles DESTRUAM o planeta”, disse. (UNRIC)
No Brasil, que já enfrenta SECAS sem precedentes, um dos esforços para mitigar esse cenário exige REPENSAR o agronegócio, dizem especialistas. O avanço descontrolado da pecuária na Amazônia está destruindo o bioma, com IMPACTOS no clima do BRASIL e do MUNDO. (CNN Brasil)
Segundo a entidade, que reúne os maiores especialistas no tema, a temperatura média do planeta tende a se elevar em 1,5º C nas próximas duas décadas, trazendo devastação generalizada. (Guardian)
E os efeitos já se fazem sentir, com a Grécia enfrentando o pior verão em 40 anos, a ilha de Eubeia, a segunda maior do país, foi literalmente devastada pelo fogo, com a população de suas cidades tendo de ser evacuada em balsas. (G1)
No Brasil, que já enfrenta secas sem precedentes, um dos esforços para mitigar esse cenário exige repensar o agronegócio, dizem especialistas. O avanço descontrolado da pecuária na Amazônia está destruindo o bioma, com impactos no clima do Brasil e do mundo. (CNN Brasil)
Estados do Norte e Nordeste estão sendo prejudicados na distribuição de vacinas proporcionalmente a suas populações. O Ministério da Saúde diz que a disparidade resulta das prioridades no Programa Nacional de Imunização. Estados com mais idosos, por exemplo, receberam mais doses no início da campanha. (UOL)
A tentativa de compensar essa disparidade estaria por trás da briga entre o governo de São Paulo e o Ministério da Saúde. O ministro Marcelo Queiroga disse que há divergência entre os cálculos federais e estaduais sobre a quantidade de doses devidas a São Paulo. (Folha)
No Rio, a prefeitura da capital montou uma operação de guerra nesta madrugada para recolher e distribuir as doses prometidas pelo ministério e impedir a interrupção na vacinação hoje. (Globo)
Neste domingo, o Brasil registrou 388 mortes por Covid-19, com média móvel de 941 em sete dias, a 14ª seguida abaixo de mil. No total, houve 563.470 óbitos desde o início da pandemia. (G1)
Foi ótimo enquanto durou, mas terminaram na madrugada deste domingo os Jogos Olímpicos de Tóquio. Para o Brasil, foram os melhores de todos os tempos: 7 medalhas de ouro, 6 de prata e 8 de bronze, somando 21, duas a mais que as já históricas 19 da Rio 2016. Bicampeões olímpicos no futebol e na vela; donos de ouro, prata e bronze no boxe; a prata do vôlei feminino mantendo nossa presença no pódio da modalidade; Isaquias vencendo com uma canoa de vantagem; bronzes no judô e na natação. E sem falar nos feitos inéditos. A estreia em grande estilo no skate, com três pratas e revelação da Fadinha; o primeiro ouro do surfe olímpico com Ítalo Ferreira; o ouro nas braçadas seguras de Ana Marcela Cunha; o bronze improvável no tênis feminino e, claro, Rebeca Andrade, a moça negra da periferia de Guarulhos que levou o baile na favela a Tóquio e voltou com o ouro e a prata. Que venha Paris 2024! (Globo Esporte)
Claro que a glória tem seu preço. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) vai desembolsar R$ 4,6 milhões em bônus aos atletas. Confira quanto cada um vai receber. (Globo)
Foram também as Olimpíadas da representatividade, com a maior presença de mulheres e o brilho dos atletas LGBTQA+. (Folha)
No fim os americanos nem precisaram trambricar o quadro de medalhas. A vitória no vôlei feminino, praticamente a última competição, deu aos EUA a liderança, com 39 ouros, 41 pratas e 33 bronzes, contra os 38 ouros, 32 pratas e 18 ouros da China. (Folha)
Do peixinho de Ana Marcela ao atleta fazendo tricô, confira os vídeos mais inusitados dos Jogos. (G1)
Mas nem tudo é festa. O COB estuda processar a seleção de futebol por desrespeito ao patrocinador, a chinesa Peak. Na cerimônia de premiação, os jogadores enrolaram o agasalho do COB na cintura e subiram ao pódio com a camisa da CBF, patrocinada pela Nike. (Poder360)
A maior derrota foi da própria Tóquio. Como todas as cidades-sede, a capital japonesa esperava uma invasão de turistas e investiu muito para recebê-los, mas a Covid-19 esculhambou esses planos, mesmo com o adiamento em um ano dos jogos. (Folha)
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GESTÃO SIMPLES
Já foi o tempo que criatividade e finanças eram palavras opostas. Atualmente, a gestão financeira precisa combinar o rigor da análise financeira com a capacidade de ver oportunidades e riscos de ângulos diferentes. Segundo pesquisa global do Deloitte, os CEOs identificaram a criatividade, acima do rigor, disciplina de gestão ou visão, como a característica mais importante para que líderes naveguem com sucesso em um ambiente de negócios cada vez mais complexo. E os líderes financeiros têm papel fundamental nesse processo. Entenda como destravar a criatividade.
A inteligência artificial já é vista como essencial para a transformação digital de toda a área financeira, segundo pesquisa da NVIDIA. Porém essa transformação digital não vem sem barreiras: mais da metade citou a má comunicação e gerenciamento de projetos como as maiores dificuldades para uma implementação digital bem-sucedida. Enquanto a falta de liderança e visão foram o maior problema para um quarto dos participantes, especialmente nas pequenas e médias organizações.
A reforma do Imposto de Renda deve aumentar a tributação para PMEs que optam pelo regime de lucro presumido. A conclusão é de tributaristas, que calculam que a redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica proposta no texto não vai compensar a tributação de dividendos na fonte —com uma alíquota de 20%. (UOL)
Apesar da pressão de entidades empresariais, o texto já deve ser votado amanhã na Câmara e o relator prevê que terá mais de 300 votos de apoio. (Estadão)

POLÍTICA
O inquérito administrativo contra o presidente Jair Bolsonaro aberto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta dos ataques às urnas eletrônicas tem um componente de potencial explosivo, revela o Painel. A Corte tem em mãos um dossiê de funcionários da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) detalhando o uso político da estatal não apenas na live em que o presidente admitiu não ter provas de fraude eleitoral. O caso já motivou uma notícia-crime no STF e pode caracterizar abuso de poder político e econômico, um crime eleitoral com potencial de inelegibilidade. (Folha)
Aparentemente alheio a essa situação, Bolsonaro participou de mais duas motociatas neste fim de semana. No sábado, o evento aconteceu em Florianópolis (SC), onde voltou a atacar ministros do STF, e ontem o presidente andou de moto com apoiadores do Distrito Federal. (Poder360)
Aliás... De olho em 2022, as medidas planejadas para alavancar a decrescente popularidade de Bolsonaro já atingem R$ 67 bilhões. (Folha)
Elio Gaspari: “Bolsonaro dá a impressão de que está metido numa briga com o ministro Luís Roberto Barroso, mas sabe que sua encrenca é com o ministro Alexandre de Moraes. Barroso chegou ao Supremo vindo da sua banca de advocacia. A carreira de Moraes foi outra: ele veio do Ministério Público e foi secretário de Segurança de São Paulo. Um aprendeu a defender seus clientes. O outro aprendeu a baixar o chanfalho em quem viola a lei.” (Globo/Folha)
Líder nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Lula e seus assessores já trabalham com a possibilidade de Jair Bolsonaro não participar da eleição do ano que vem, revela a Coluna do Estadão. E isso não deixa os petistas felizes, pois avaliam que a polarização favorece Lula. Seria esse o motivo dos ataques do ex-presidente às tentativas de formação de uma terceira via. (Estadão)
Mesmo um eventual impeachment, porém, não tiraria Bolsonaro da eleição. Ao depor Dilma Rousseff em 2016, o senado, sob o patrocínio do ministro do STF Ricardo Lewandowski, manteve os direitos políticos da ex-presidente, criando um precedente. (Folha)
Radar: “A primeira notícia positiva para Jair Bolsonaro desde a chegada de Ciro Nogueira (PP-PI) na Casa Civil: se depender de Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI da Pandemia terminará muito antes do que se imagina. O relator considera já ter elementos para fechar o relatório sem precisar usar os 90 dias de prazo da segunda temporada.” (Veja)
Esta semana a CPI tem dois depoimentos muito aguardados. Amanhã será ouvido o coronel da reserva Helcio Bruno, que teria intermediado um encontro entre a Davati e o então secretário-executivo do ministério da Saúde, coronel Élcio Franco. Na quinta-feira será a vez do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Segundo o deputado Luis Miranda (DEM-DF), Bolsonaro teria atribuído a Barros “rolos” no Ministério da Saúde. (CNN Brasil)
Não se sabe bem o que os três enviados do presidente americano Joe Biden esperavam do encontro na quinta-feira com Jair Bolsonaro em Brasília. Mas certamente não era que o brasileiro repetisse as alegações falsas de Donald Trump sobre fraudes nas eleições dos EUA. Segundo fontes, os americanos saíram chocados. (Globo)
Vista inicialmente como um afago a Bolsonaro, a decisão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de levar ao Plenário a PEC do voto impresso já é encarada por políticos como a oportunidade para sepultar de vez o assunto. A proposta foi rejeitada na comissão especial por 23 votos a 11, mas parlamentares avaliam que uma derrota igualmente expressiva no Plenário deixará o Executivo sem condições de insistir no tema. Hoje Bolsonaro usa o voto impresso como casus belli em seu confronto com o Judiciário. Derrotado pela maioria da Câmara, ele precisaria lutar com o Legislativo também, o que nunca é um bom negócio. (Veja)
Dos 24 partidos representados na Câmara, 15 já se manifestaram contra o voto impresso. (Globo)
Meio em vídeo. Neste episódio de Pedro+Cora, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai comentam como o voto impresso pode significar um retrocesso para o sistema eleitoral brasileiro e seus perigos iminentes. Confira no YouTube.

CULTURA
Todos os fãs estão com o pensamento no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde seguem internados com Covid-19 os atores Tarcísio Meira, de 85 anos, e Glória Meneses, de 86. Segundo a família, o casal evoluiu bem. Tarcísio precisou ser intubado para diminuir o desconforto no tratamento, enquanto Glória teve sintomas leves e deve ter alta nos próximos dias. (G1)
Dolmen, do estúdio potiguar Massive Work, ainda não foi lançado oficialmente, mas já embala uma discussão: os desenvolvedores brasileiros de games têm como brigar de frente com os grandes estúdios que produzem os multimilionários jogos “AAA”? A resposta ainda é não, mas apostas independentes e marcadamente brasileiras, como o premiado Dandara, e jogos de gráficos elaborados e pegada menos regional, como o próprio Dolmen, podem mudar esse cenário. (Folha)

COTIDIANO DIGITAL
O grande vencedor das Olimpíadas foi o TikTok. A plataforma se tornou a rede social mais adotada nos bastidores, impulsionada principalmente pelos jovens atletas. O conteúdo foi onde não chegam as câmeras, desde a cama de papelão da Vila Olímpica até o funcionamento da privada tecnológica do Japão. Mais de 60 atletas brasileiros aderiram à rede social e atingiram níveis de influenciadores digitais.
As Olimpíadas também foram marcadas por outras inovações tecnológicas, como um broche para cada atleta com um marcador de passos e carros controlados remotamente que coletavam os arremessos de peso.
A Apple começou a colocar em uso um sistema que checa iPhones à distância para verificar imagens de abuso sexual infantil. A tecnologia só será adotada nos EUA e funciona antes de uma imagem ser armazenada no iCloud — procura correspondências com material de abuso sexual infantil já conhecidos e se identificado, o usuário é denunciado às autoridades. A novidade não pegou bem entre especialistas de privacidade que acreditam que a tecnologia possa ser expandida para rastrear telefones em busca de conteúdo proibido ou mesmo discurso político. (BBC Brasil)
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Ataque higienista de Janaína Paschoal gera onda de solidariedade e doações ao padre Júlio Lancellotti

Fórum - O tuite higienista em que a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL-SP) atacou o padre Júlio Lancellotti por “distribuição de alimentos na Cracolândia” foi transformado em uma fonte de arrecadação para as ações do religioso, que atende moradores em situação de rua e pessoas marginalizadas na região central de São Paulo.
A publicação da deputada, que ostenta uma foto com a imagem de Cristo em seu perfil, provocou uma enxurrada de críticas.
Foi, então, que o perfil @jairmearrependi teve a ideia de usar o tuite para divulgar o pix que padre Júlio usa para arrecadar recursos para seu trabalho junto aos pobres.
“Usei o tweet da Janaína pra divulgar o Pix do Padre Júlio e um seguidor doou R$ 500, assim, do nada. Vai ter comida pra pobre, sim, e se chorar vai ter agasalho e coberta”, publicou o perfil.
A divulgação do Pix provocou uma onda de solidariedade e muitas pessoas já haviam depositado dinheiro para as ações de padre Júlio até a tarde deste domingo (8), Dia dos Pais.
“Obrigada por divulgar. Tava querendo ajudar Pe. Júlio tem um tempo já”, tuitou um dos internautas, que doou R$ 100.
Veja mais repercussões
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De museus a parques, dez passeios virtuais para fazer em Nova York durante a quarentena

RIO - Caminhar pelo Central Park, apreciar Manhattan do alto do Empire State Building e visitar o Metropolitan Museum of Art são alguns dos programas imperdíveis de Nova York, tanto para quem visita a cidade pela primeira vez quanto para aqueles que já são velhos conhecidos do lugar. A pandemia do novo coronavírus atingiu em cheio a cidade, mas, pela internet, ainda é possível curtir um pouco de seus encantos.
Boa parte dessas das "atrações digitais" pode ser encontrada no site Virtual NYC, criado pelo NYC & Company, órgão de promoção turística da cidade, especialmente para esse período de quarentena e restrições de viagem. A partir dos links encontrados na página, selecionamos dez passeios virtuais por Nova York.
Metropolitan Museum of Art
O Metropolitan Museum of Art (ou Met, para os íntimos), tem, em seu site, uma série de vídeos em 360 graus que mostram algumas de suas áreas mais importantes. É possível caminhar pelo Great Hall (a entrada principal do prédio), pelo Charles Engelhard Court (com suas inúmeras esculturas) e pelo Templo de Dendur (paraíso de amantes da história do Egito Antigo), entre outros. Também é possível ve, em detalhes, algumas das principais coleções do museu.
Central Park
No site do Central Park Conservancy há um tour virtual por alguns dos pontos mais icônicos do parque, como o memorial "Strawberry Fields", a fonte Cherry Hill, o Bethesda Terrace e a estátua de "Alice no País das Maravilhas". Clicando em setas, o visitante "caminha" pelo parque, através de fotos e um audioguia, em inglês. Também há uma programação de passeios virtuais ao vivo, explorando determinados aspectos do parque. Eles acontecem toda quarta-feira às 13h30m (horário de Brasília), pelo aplicativo Zoom, e, para participar, é preciso registrar o e-mail. Mas também é possível assistir aos vídeos depois, no próprio site do Central Park Conservancy.
Caminhar pelos parques
O Central Park, aliás, não é o único parque de Nova York, muito pelo contrário. A cidade tem dezenas de outros parques e praças e é possível conhecer muitos deles através do site do Departamento de Parques da Cidade de Nova York. Na página, procure a área Parks @ Home, com informações e atividades, como agenda de lives realizadas por funcionários do departamento, apresentando alguns dos muitos parques novaiorquinos. Os vídeos podem ser encontrados também na página do órgão no Facebook.
Coney Island
De frente para o mar no pitoresco bairro de Coney Island, no Brooklyn, o Luna Park é uma das atrações mais tradicionais da cidade, pelo menos entre os americanos. No site deste parque de diversões à moda antiga há quatro vídeos em 360 graus que prometem a emoção de andar em alguns de seus brinquedos mais radicais, entre eles a montanha-russa Cyclone, com estrutura de madeira e inaugurada em 1927. Claro que não chega perto da adrenalina real, mas é uma experiência divertida.
Empire State Building
Observar a Big Apple do alto do mais famoso de seus arranha-céus é um programa imperdível, mesmo para quem está no sofá de casa. No site do Empire State Building há uma área que simula a visita ao mirante no 86º andar do prédio, com panoramas da vista aérea da cidade e pontos clicáveis, que se abrem em janelas contando detalhes de marcos da cidade avistados lá de cima, como a Ponte do Brooklyn. E tudo isso ao som do audioguia oficial da atração, em português.
Música clássica
Duas das grandes instituições culturais dos Estados Unidos dedicadas à música erudita e à ópera estão bastante ativas nos palcos digitais. A Metropolitan Opera tem publicado, toda noite, às 19h30m, uma peça diferente, direto de seu arquivo. Os vídeos ficam disponíveis até às 18h30m do dia seguinte. O mesmo tem sido feito pela New York Philharmonic, que exibe (em suas páginas no Youtube e no Facebook) apresentações do passado da orquestra sinfônica todas as quintas-feiras, às 19h30m. Aliás, vale a pena navegar pelas redes sociais da filarmônica, onde há vídeos recentes que mostram seus músicos, cada um em sua respectiva casa, executando trechos de peças de autores como Mahler e Ravel.
American Museum of Natural History
Um sucesso absoluto entre os que visitam Nova York em família, o museu de história natural de Nova York (leia-se: dinossauros!) também tem tido uma agenda digital bastante movimentada. No site da instituição, é possível encontrar opções de tours virtuais e também visitas guiadas digitais, feitas com profissionais do próprio museu. Estes eventos acontecem com hora marcada, e dá para acompanhar ao vivo pelo aplicativo Zoom. Para quem perder, os vídeos fica salvos no página do Facebook do museu.
Memorial do 11 de Setembro
Uma das atrações mais tocantes em Nova York, sem dúvidas, é o 9/11 Memorial & Museum, que funciona no local onde ficavam as Torres Gêmeas do World Trade Center. No site do museu há um tour virtual interativo bem interessante, com atores interpretando visitantes, cujos passos o turista em quarentena escolhe.
Construções históricas
Quer saber a história da Ilha do Governador ianque (a Governors Island) ou conhecer a casa de fazenda mais antiga de Manhattan, ou ainda visitar o local de nascimento de Theodore Roosevelt? Uma dica é assistir aos vídeos da série "Tourist in your own town", no site do New York Landmarks Conservancy. Apesar do nome, você não precisa ser um novaiorquino de carteirinha para curtir os vídeos (curtos) que falam sobre mais de 60 construções históricas da cidade. Se preferir, o material também está disponível no canal do Youtube da instituição.
New York City Museum
Como o nome já diz, o museu é dedicado à cidade de Nova York, e tem promovido debates e exposições virtuais conectando seu acervo ao momento atual, um dos mais drásticos da história da cidade. Através do site do museu, é possível participar de palestras virtuais com curadores da instituição, e também acessar parte de seu acervo.
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De bondinho, balsa ou metrô, um roteiro pelas ilhas de Nova York

NOVA YORK — Às vezes é fácil, principalmente quando se anda a pé entre os arranha-céus de Manhattan ou se dribla o tráfego nas ruas movimentadas do Queens, se esquecer de que esta nossa imensa metrópole de concreto é quase inteiramente composta de ilhas.
Com exceção do Bronx, os nova-iorquinos são todos ilhéus: Manhattan, Staten Island e Long Island, onde se situam o Brooklyn e o Queens, lá no extremo oeste. Mas além delas há várias outras ilhas, menos visitadas, que valem uma espiada.
Mesmo que as hidrovias locais dificilmente tenham algo em comum com as paisagens ensolaradas do Mediterrâneo ou as águas azuis do Caribe, ainda assim oferecem tesouros para quem estiver disposto a explorá-las. Por que então não se aventurar neste fim de semana — ou em qualquer momento do verão — a fazer uma maratona insular?
À procura de um clima marinho? Então vá para City Island, no Bronx. Quem não tem carro ou prefere ir de transporte público pode pegar o ônibus Bx29 na estação de metrô de Pelham Bay Park.
Ao desembarcar, você se verá em um bairro com cara e ambiente de cidadezinha à beira-mar e vistas matadoras do Estuário de Long Island. Delicie-se com os frutos do mar fritos (o Johnny's Reef, no extremo sul, é bem popular e tem a melhor vista da água), dê uma espiada no Museu Náutico e faça uma parada nas diversas galerias de arte ao longo da City Island Avenue.

Já se o que você quer é uma jornada de tirar o fôlego, siga para a esquina da Rua 60 com a Segunda Avenida e pegue o bondinho para Roosevelt Island, que fica entre Manhattan e o Queens no Rio East. Pelo custo de uma baldeação do metrô, você vai se ver 76 metros acima do nível da cidade, o que lhe permitirá admirar o East Side (e os bairros além dele) de um ângulo pouco comum.
Não há muitas atrações na ilha, mas muitas áreas verdes para relaxar e fazer piquenique, e uma ciclovia invejável. No lado setentrional fica o Lighthouse Park, com esse nome por causa do farol (lighthouse) de 15 metros de altura no extremo da ilha. Se for para o sul, dê uma chegada às ruínas meio macabras de um hospital para tratamento de varíola já desativado que fez ponta em "Homem-Aranha", e ao Four Freedoms Park, memorial a Franklin D. Roosevelt criado por Louis Kahn.
Mais para cima, ainda no Rio East, você encontra a Randalls Island, ligada à cidade por passarelas sobre o Rio Harlem e o estreito Bronx Kill. Dá para fazer uma caminhada bacana pelos jardins e admirar a cidade ao mesmo tempo. Ou chegar um pouco mais perto da cadeia alimentar em uma das fazendas urbanas com arrozais e uma pequena população de galinhas, sendo que nenhum dos dois é lá muito comum na cidade.

É fácil chegar à Governors Island a partir do Brooklyn e de Manhattan graças às linhas de balsa; lá, dá para andar de caiaque nas tardes de sábado e apreciar as instalações de arte. Atualmente, a ilha fica aberta às sextas e aos sábados até tarde, permitindo ao público apreciar o pôr de sol.
Staten Island, obviamente, é um mundo à parte, mas, se o que você quer é curtir um pouco da vida praiana de ilha, este é o lugar. South Beach, que dá vista para a Ponte Verrazzano-Narrows e o passadiço, normalmente é a mais movimentada. Midland Beach tem um chafariz divertido em formato de tartaruga marinha que as crianças amam, e normalmente é mais tranquila. Os ônibus que saem do centro passam nas duas; você pode tomar o S51 e/ou o S52 no terminal da balsa St. George.
A cidade agora também abriga uma nova ilha artificial: Little Island. O parque, no Hudson River Park perto da Rua 14, oferece uma vista espetacular de Manhattan e Nova Jersey e um projeto que chama a atenção. Tem também um anfiteatro para apresentações diversas. O parque é aberto ao público, mas, se sua intenção é visitá-lo à tarde, você precisa reservar a entrada.
Você deve estar se perguntando: "Mas e Coney Island?" Na verdade, ela se tornou uma península nos anos 1920 e 1930, quando o córrego que a separava de Long Island foi preenchido. Mas continua sendo um programa divertido e ótimo para a família, claro!
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Para sonhar com Nova York: dicas para aproveitar Lower Manhattan enquanto Wall Street tira férias

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NOVA YORK – O "dedão" de Lower Manhattan mergulha na água onde o Rio East se encontra com o Hudson, margeando um cais cheio de atrações. É fácil chegar aos três bairros convidativos na área — Battery Park City, Tribeca e o South Street Seaport — no transporte público para aproveitar a brisa fresca das marinas, os amplos espaços verdes, os restaurantes badalados e um sem-fim de galerias de arte. Atualmente há poucos turistas ao longo da orla e os executivos de Wall Street, em números reduzidos, parecem não ter muita pressa de voltar para o escritório.
Esta não é a primeira vez que Lower Manhattan faz jus ao nome. O vigésimo aniversário dos ataques de 11 de setembro estão aí, mas com os cortes de orçamento o Museu e Memorial 9/11 não pode nem fazer uma exposição comemorativa. O furacão Sandy arrasou ruas e lojas em 2012. A vida e a economia locais, tão prejudicadas pelo coronavírus, levarão algum tempo para se recuperar. Apesar disso tudo, porém, uma visita a qualquer desses bairros — com tempo reservado para uma caminhada nos passadiços e píeres — tem tudo para renovar os ânimos.
Battery Park City

Battery Park City, comunidade planejada erguida sobre um aterro ao longo do Rio Hudson, parece um cânion estéril coberto principalmente de casas; perto da margem, porém, as trilhas sinuosas ladeadas de muito verde dão espaço à visão integral do Porto de Nova York — e é de tirar o fôlego.
No cenário panorâmico estão a Estátua da Liberdade, Ellis Island, barcos a vela de passagem e a balsa de Staten Island. O ar, carregado de maresia, ajuda a temperatura a ficar alguns graus mais fresca do que no centro. Há mesas de piquenique e bancos espalhados por toda parte, para quem quiser usar. Área verde — Robert F. Wagner, Jr. Park; Nelson A. Rockefeller Park; Teardrop Park — é o que não falta.

A Autoridade de Battery Park City é quem administra e cuida da área, que inclui uma coleção de arte ao ar livre e a Poetry Path, instalação que espalha fragmentos das obras de mais de 40 poetas nos bancos, pavimentos e placas locais.
Mas estava bombando o Merchants River House (375 South End Ave.), aninhado na Battery Park City Esplanade. O bistrô norte-americano de jeitão casual tem dois terraços externos e uma vista espetacular. O dip de espinafre e alcachofra com chips de pão pita é bom para dividir (US$ 17 no almoço e no jantar; US$ 12 no happy hour, de segunda a sexta, das 16h às 18h). Se puder, fique para ver o pôr do sol.
Tribeca

Esse antigo bairro fabril supostamente engloba o CEP mais rico da cidade (10007), mas não é preciso deixar uma fortuna ali.
No Píer 25 do Hudson River Park há um campo de minigolfe de 18 buracos (US$ 10 para adultos, US$ 5 para crianças) e quadras de areia para vôlei. Se bater a fome, o cardápio do Grand Banks, baseado em frutos do mar, é servido a bordo de uma escuna de madeira ancorada, a Sherman Zwicker, com ostras abertas no maior capricho (US$ 19,50-US$ 25, meia dúzia).
Logo ao lado fica o Pier 26, inaugurado no ano passado, habitat de plantas locais e passadiços de madeira. As espreguiçadeiras, os balanços amplos o bastante para os adultos e balcões de frente para o rio foram criados para promover o relaxamento.

Há diversas galerias de arte com entrada franca ao longo da Walker Street (Bortolami, no nº 39; James Cohan, no 48; Lomex, no 86; WINDOW by Anton Kern Gallery, no 91). Vale a pena explorar Cortlandt Alley por causa da Andrew Kreps Gallery, no nº 22. Na Lispenard Street, procure a Denny Dimin Gallery, no nº 39; Canada, no 60. Nicelle Beauchene, em 7 Franklin Place, e a Postmasters no nº 54 da Franklin St., cuja mostra atual revela obras digitais de dar nó na cabeça, são outros galeristas de respeito.
Embora várias estejam chegando agora, Tribeca perdeu mais de 60 pontos comerciais por causa da pandemia, segundo Pam Frederick, editora do site de notícias locais Tribeca Citizen.
— O fechamento de restaurantes populares como o Sole di Capri, o Tokyo Bay e o Mariachi's, mais o querido Reade Street Pub, endereço onde sempre funcionou um bar ou outro desde o século XIX, foi um golpe duro. Tribeca tem cara daquelas vilas só de casinhas no meio da cidade grande, com ótimas opções de comer e beber bem, administradas pelos próprios donos, o que reforça ainda mais os laços com a comunidade — diz ela.

Lynn Wagenknecht e o filho, Harry McNally, geralmente estão no The Odeon (145 W. Broadway), verdadeira instituição local desde 1980. É difícil errar pedindo a porção cremosa e suculenta de macarrão com queijo coberta de farinha de rosca douradinha (US$ 18) ou a omelete de três ovos, levíssima (US$ 21).
O Mudville 9 existe há mais tempo ainda, botequim clássico desde 1977 (126 Chambers St.). Nas torneiras, cervejas artesanais em rodízio — vendidas na promoção duas por uma durante o happy hour, de terça a sexta, das 15h às 18h. Para forrar o estômago, bons hambúrgueres de carne e à base de plantas (Impossible Burgers), entre US$ 19 e US$ 20.
Desde 2018, o Frenchette (241 W. Broadway) é o bistrô bacaninha da cidade. Atualmente não é difícil pegar mesa, e as da calçada são uma delícia; para comer no salão, porém, só com prova da imunização completa.

O cardápio dos chefs Riad Nasr e Lee Hanson muda com frequência, mas as fritas douradas e crocantes são uma constante; aliás, sem dúvida as melhores da cidade. Quando estive lá, há pouco tempo, elas chegaram à mesa empilhadas ao lado de um filé de fraldinha macio mergulhado em um molho de tutano e cebolinha (US$ 45). Vale toda a pena pagar pela meia baguete densa servida com rabanetes e uma camada de manteiga da Ploughgate Creamery, tão grossa que tem cara de creme inglês (US$ 8).
O pão também é vendido na Frenchette Bakery, escondida no saguão de uma empresa ali perto (220 Church St.). Se houver gougères amanteigados, salgadinhos e cheios de queijo (três por US$ 5) na vitrine, nem pisque. E, ah, as delícias salgadas com ovos! Outro dia comi uma que tinha um ovo no meio de um croissant redondo, enfeitada com queijo Comté e fatias de mortadela com pistache que mais pareciam pétalas (US$ 8).
Mesmo que você não seja hóspede do Roxy Hotel (2 Sixth Ave.), entre para ver as apresentações ao vivo de jazz no bar ou no The Django, a casa noturna que fica no subsolo. Há também um cinema em tons de vermelho que é uma graça.
South Street Seaport

Os paralelepípedos do Distrito Histórico de South Street Seaport são meio traiçoeiros para saltos altos e bicicletas, mas certamente dão personalidade a esse cenário idílico do transporte marítimo no Rio East. Na Fulton Street há um mundo de opções de restaurantes e lojas, incluindo uma filial da livraria independente McNally Jackson, todos em prédios baixos de tijolinho que praticamente desaparecem perto dos arranha-céus à volta.
Siga rumo leste na mesma rua e atravesse a South Street, rumo às embarcações antigas ancoradas perto do Píer 17. Reformado, ele parece sem vida e comercial, mas tem um pique interno e externo invejável. Vá até a ponta, onde cadeiras robustas e bancos oferecem vista para o rio; dali, continue para o lado norte, que oferece uma perspectiva fotográfica da Ponte do Brooklyn. Há mesas de piquenique longas para alegria do público.

The Greens, na cobertura do Pier 17, oferece sessões de cinema ao ar livre todas as segundas até agosto. Dê uma olhada no calendário para não perder as datas das apresentações dos DJs e de música ao vivo.
O Píer 17 abriga uma série de restaurantes, incluindo o novo Carne Mare, a costelaria italiana de dois andares comandada pelo chef Andrew Carmellini (The Dutch, Locanda Verde). Outros destaques são o Ssäm Bar de David Chang, ressuscitado, e The Fulton, de Jean-Georges Vongerichten, especializado em frutos do mar. As mesas externas deste último, dispostas no fim do píer, são as mais atraentes — mas é claro que a localização tem um preço. Como o da margarita, que fica em US$ 26.
No Carne Mare, uma das atrações são os pãezinhos de leite, macios, cobertos de queijo — e cortesia da casa. Já os pratos são caros, mas entradas como os copinhos de alface e carne de caranguejo com crocante italiano picante (US$ 22) e os palitos de muçarela encrustados com caviar (US$ 24) são deliciosos e valem cada centavo. O sidecar feito com conhaque Dudognon Reserve saiu por US$ 16, mais alinhado com os preços praticados em outras regiões da cidade.
Meu conselho é: vá agora. E isso vale para todo o Lower Manhattan, antes que as hordas baixem por lá no pós-Dia do Trabalho (nos EUA, comemorado este ano em seis de setembro).
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Crimes, abusos e apartheid de Israel contra palestinos - Sayid Marcos Tenório
Por Sayid Marcos Tenório

A Human Rights Watch (HRW) divulgou, no dia 27 de julho, um relatório em que acusa a ocupação israelense de cometer atos equivalentes a apartheid, crimes de guerra e violação do direito internacional e do direito internacional humanitário, fatos documentados ao longo de décadas por várias instituições internacionais de direitos humanos. Essa conclusão é baseada na clara política israelense adotada para manter a ocupação e o domínio sobre os palestinos que vivem nos territórios ocupados, incluindo Jerusalém Oriental.Em relatório de 213 páginas, a HRW apresenta a realidade de que Israel age como uma entidade que goza de impunidade e, para isso, conta com o apoio absoluto dos EUA, que o protege de punições e permite que continue cometendo os crimes hediondos, incluindo assassinatos, prisões, deslocamento, violação de lugares sagrados para cristãos e muçulmanos e roubo de terras e recursos naturais, como as fontes de águas palestinas.Segundo o diretor executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, o estudo apresentado “mostra que as autoridades israelenses ultrapassaram todos os limites e estão cometendo crimes contra a humanidade, apartheid e perseguição”, sendo que a ação metodológica de Israel é a adoção de políticas de supremacia racistas que privilegiam israelenses judeus, enquanto oprimem os palestinos de forma severa.Apartheid é um termo jurídico originalmente utilizado para configurar o regime segregacionista da África do Sul, implantado em 1948 e derrotado em 1994. Segundo a Convenção Internacional sobre a Supressão e Punição do Crime de Apartheid, de 1993, e o Estatuto de Roma, de 1998, apartheid é um crime contra a humanidade que consiste na intenção de manter a dominação de um grupo racial sobre o outro; a opressão sistemática de um grupo dominante sobre outro; e atos desumanos.O relatório da HRW constata que há uma clara demonstração da presença desses crimes nos territórios ocupados. As práticas israelenses para manter a dominação incluem a discriminação institucional sistemática dos palestinos, através da adoção de leis que impõem um regime militar draconiano aos palestinos, ao mesmo tempo que asseguram plenos direitos aos israelenses judeus, o que não é outra coisa senão um regime de apartheid.
Os crimes e abusos desumanos cometidos pelas autoridades do estado judeu constituem graves violações dos direitos fundamentais, entre eles: o confisco de grande parte do território da Cisjordânia para a construção de assentamentos judaicos ilegais, que tem levado à destruição de casas e ao deslocamento de milhares de palestinos; e o bloqueio militar, por terra, céu e mar, da Faixa de Gaza, por um longo período, que já +ultrapassa 14 anos.
A negação de direitos civis básicos aos milhões de palestinos que vivem na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e nos territórios atribuídos a Israel desde 1948, baseada na ilegítima justificativa de “segurança de Israel”, tem sido uma cortina de fumaça adotada pelo regime sionista para sua política abusiva que segrega pessoas em vários níveis, e onde quer que vivam, pelo simples fato de serem árabes-palestinos e não judeus.
Entre as políticas de apartheid adotadas está a chamada Lei Básica do Estado-Nação do Povo Judeu, aprovada pelo Knesset, o parlamento sionista, por meio da qual Israel passa a ser legalmente um Estado exclusivo para judeus. Além disso, há um crescente número de leis aprovadas que privilegiam os colonos judeus e que não se aplicam aos palestinos que vivem nos mesmos territórios, numa clara intenção de manter a dominação sobre os palestinos.
Ao adotar uma legislação racista e de supremacia judaica, Israel relega os árabes palestinos que vivem na região a um regime de democracia de fachada, negando-lhes direitos políticos iguais e submetendo-os a permanente e odiosa discriminação nas diferentes esferas, como cidadania, saúde, educação, casamento, financiamento municipal, habitação e propriedade da terra, o que os torna cidadãos de segunda classe.
Essa legislação discriminatória representou uma vitória da extrema-direita sionista que governa Israel e consolida o regime de apartheid, ao mesmo tempo que representa uma derrota para o Direito Humanitário Internacional, já que não há nenhum precedente dessa natureza, além de contrariar as reiteradas Resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU), que reconhece o direito dos palestinos ao seu estado independente e soberano.As conclusões da HRW sobre os crimes contra a humanidade e o apartheid do regime sionista contra palestinos deveriam levar a comunidade internacional a reavaliar a natureza do seu envolvimento com Israel e adotar abordagens centradas nos direitos humanos e na responsabilização de Israel pelas constantes violações, “em vez de focar num estagnado ‘processo de paz’ e estabelecer uma comissão de inquérito no âmbito da ONU para investigar a discriminação e a repressão sistemática de Israel”.
O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) saudou a divulgação do relatório da HRW, afirmando que o povo palestino está exercendo seu legítimo direito de resistir à ocupação com as capacidades disponíveis de acordo com as leis internacionais e com base nos valores religiosos e nacionais.
Diferentemente das forças de Israel, a resistência palestina tem demonstrado seu constante empenho em evitar alvos civis, apesar de todos os massacres cometidos pela ocupação israelense contra crianças e mulheres, além de famílias inteiras que foram eliminadas por bombardeios, como o ocorrido em maio deste ano, que assassinou 259 palestinos e deixou um elevado número de feridos e mutilados.
As forças da resistência têm reiterado as demandas do povo palestino, amparadas no direito internacional, pela necessidade de responsabilizar a ocupação israelense, processar seus líderes e levá-los aos tribunais internacionais. Não haverá trégua enquanto Israel segurar o povo palestino pela garganta, oprimindo-o e tornando-o refém de regime de apartheid racista de extrema-direita. Enquanto persistir essa opressão, o povo palestino não tem outra escolha a não ser resistir às agressões por todos os meios.
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"A disputa é entre a democracia e o nazismo", diz Lula sobre eleições

247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou a associação de Jair Bolsonaro com o nazismo. "Diga para o povo alemão que aqui no Brasil a disputa entre Lula e Bolsonaro é a disputa entre a democracia e o nazismo. É isso que está em disputa", afirmou Lula em entrevista à emissora alemã Deutsche Welle.
Questionado se acredita que Bolsonaro dará um golpe, Lula respondeu dizendo que ele já deu e que o capitão é fruto da "negação da política". "Eu não acredito que a sociedade brasileira aceitará o golpe de Bolsonaro. Eu acho que o grande golpe ele já deu em 2018. Porque é a primeira vez que um presidente da República é eleito com base em fake news. Ele mentiu durante toda a campanha, não participou de nenhum debate, e foi eleito presidente da República. Ou seja, ele é uma mentira. Ele é o resultado da negação da política", disse Lula.
Lula é líder nas pesquisas sobre 2022. Segundo o último levantamento do instituto Datafolha, do início de julho, o petista tem 58% das intenções de voto nas simulações de segundo turno, enquanto Bolsonaro tem 31% – uma vantagem mais ampla do que na pesquisa anterior, de maio.
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Desempene! Médicos alertam sobre os danos causados no corpo pelo sedentarismo agravado na pandemia

RIO — Insone numa noite fria de julho, a arquiteta carioca Juliana Souza se viu tomada por um desejo incontrolável. Era ínfima a distância até ele, um alvo sem ambição. Parecia fácil. Mas a meta exigia flexionar as articulações enrijecidas das pernas fracas e sustentar o corpo numa coluna em permanente dor. Um sofrimento de antemão fadado à decepção, já que os braços, tão travados quanto as pernas, não esticavam o necessário.
A missão era alcançar o fundo do armário sob a pia da cozinha onde Juliana, de 44 anos, pretendia pegar uma panela para fazer pipoca, objeto do seu desejo. Mas, com a atividade física reduzida a níveis pouco coisa acima do zero e a gula e a inatividade alçadas à estratosfera durante um ano e meio de pandemia de Covid-19, Juliana, que passara a trabalhar em casa e se entregou à preguiça, se viu como a pipoca que queria comer: pouco saudável. Após cair sentada em frente ao armário da cozinha com a panela na mão, ela se deu conta de que precisava, literalmente, se mexer.
Prostrada no chão de sua cozinha, empenada, Juliana não estava só. A pandemia de Covid-19 piorou o que já era grave: o sedentarismo no Brasil. Segundo o IBGE, 40,3% dos brasileiros eram sedentários antes da pandemia. E 74% estavam acima do peso, de acordo com o Ministério da Saúde.
Dados do Projeto Convid — uma parceria entre a Fiocruz, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — mostram que 62% dos 44.062 entrevistados deixaram de fazer qualquer tipo de exercício desde o início da pandemia.
No Brasil, os que praticam exercícios propriamente ditos ainda são poucos. Estima-se que apenas 4% dos brasileiros façam exercícios físicos com regularidade, diz o professor de educação física Guto Ferrari, da academia Velox.
Uma pesquisa da marca esportiva Asics, com 812 pessoas e média de idade de 42 anos, mostrou que 40% diminuíram a frequência da prática de atividade física, embora 97% concordem que ela melhora a saúde física e mental.
O problema de Juliana e de milhões de outros brasileiros, porém, vai muito além da falta de exercícios físicos. Uma pesquisa da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), publicada na revista científica Frontiers of Endocrinology, mostrou que na pandemia 30% das pessoas reduziram toda a atividade física, não apenas os exercícios, mas as atividades cotidianas, como caminhar para ir ao trabalho ou ao banco e subir escadas.
E o tempo de tela, aquele que se passa sentado ou deitado na frente da TV, do computador e do smartphone, aumentou três horas, em média. Vale lembrar que o tempo médio gasto com telas já era acima de seis horas. O estudo da Unesp sugere que a diminuição da atividade causará um aumento mundial de 11,1 milhão de novos casos de diabetes do tipo 2 e 1,7 milhão de mortes.
— A volta à atividade física, mesmo em casa, e a recuperação de níveis básicos de condicionamento é uma urgência nacional — destaca o principal autor do estudo, Emmanuel Gomes Ciolac, professor do Departamento de Educação Física da Unesp, em Bauru.
'É preciso sentir o esforço ou não adianta'
Qualquer movimento importa, adverte a Organização Mundial da Saúde (OMS). As atividades do dia a dia treinam o corpo para manter o mínimo funcional, explica o professor de educação física da equipe Filhos do Vento Ricardo Sartorato, que trabalha na reabilitação de gente com dificuldades para executar trivialidades, como carregar sacolas de supermercado, e que arfa para dar uma volta no quarteirão ou pegar uma criança no colo.
Há pessoas de meia idade com dificuldade até para descer escadas porque perderam força e equilíbrio.
— Muita gente já estava no limite, e agora sente os efeitos na saúde e na autonomia. Tudo ficou mais difícil. O básico é se mexer por mais tempo, preservar a força. O corpo humano evoluiu para andar e precisa do movimento — frisa Sartorato.
A pesquisadora Carla Batista, da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), chama a atenção para a autoindulgência que deixou muita gente na cama.
— Se as pessoas realmente tivessem feito mais atividades domésticas, talvez nem estivessem tão mal. O problema é que elas não fizeram na intensidade que deveriam. É preciso sentir o esforço ou não adianta — salienta ela.
Envelhecimento precoce
Considerado um dos mais experientes especialistas em medicina do exercício do país, Claudio Gil Araújo ressalta que a redução da atividade física na pandemia produziu uma epidemia de insuficiência física.
— Não é mais sedentarismo. É imobilidade, com impacto na vida das pessoas e a saúde coletiva, com mais casos de lesões, dificuldades na vida sexual, além de problemas cardíacos e metabólicos. A diminuição da aptidão física causa envelhecimento precoce — adverte Araújo, diretor da Clínica de Medicina do Exercício (Clinimex).
Ele é o criador do mais aplicado teste de avaliação da aptidão física, o de sentar e levantar. O teste mede a capacidade dos quatro componentes não aeróbicos da aptidão física: força/potência, equilíbrio, composição corporal (relação de massa muscular e gordura) e flexibilidade.
Consiste basicamente em se sentar e levantar do chão com o menor número de apoios possível. Parece fácil, mas se tornou uma final olímpica de salto com vara para os empenados na pandemia.

O Brasil não tem estatísticas de quantas pessoas tiveram redução na força devido à inatividade. Mas uma pesquisa da Sociedade de Fisioterapia e Esporte da Inglaterra revelou que um terço dos ingleses disseram terem ficados mais fracos.

Pandemia não pode mais ser usada como desculpa, diz fisiatra
A perda de massa muscular se chama sarcopenia, que significa pobreza da carne. A sarcopenia faz parte do processo natural de envelhecimento, mas foi acelerada pela falta de atividade física básica no último ano e meio, enfatiza o fisiatra Claudio Cardoni, coordenador de medicina dos esportes olímpicos do Flamengo.
Ele diz que as pessoas devem manter os cuidados de distanciamento, mas não podem mais negligenciar a atividade física e usar a pandemia como desculpa.
— Quase todo mundo ficou desorganizado, e muita gente, principalmente em 2020, não saia para nada, mas também não fazia exercícios compensatórios em casa ou fazia errado e sem rotina — acrescenta Cardone.

Christiano Cinelli, coordenador de Medicina do Esporte do Instituto D’or de Pesquisa e Ensino (IDOR), lembra que a atividade física já é considerada um sinal vital, assim como pressão arterial, por exemplo. Mas no Brasil uma em cada quatro pessoas é totalmente sedentária, não caminha para o trabalho, não sobe escadas, nada. A redução de mobilidade da pandemia levou muita gente à quase imobilidade, porque as pessoas não entenderam que precisariam se movimentar de alguma forma em casa, lamenta Cinelli.
No consultório dele aumentam a cada dia os casos de lesões por enfraquecimento muscular. Há quem tenha saído de uma clausura pandêmica direto para um campo de futebol de fim de semana e colhido em vez de gols lesões em joelho, ombro, tornozelo.
Ele cita o caso de ator de TV de 45 anos, em boa forma física antes da pandemia, e que resolveu mudar os móveis da casa de lugar, embora tenha passado meses sem atividade física. O resultado foi uma ruptura do bíceps que necessitou de correção cirúrgica.
Outro paciente, um homem de 42 anos praticante de jiu-jitsu, foi fazer um jogo de dança com a filha na sala, caiu e quebrou o pé. Como tantos outros, ele havia perdido a força e a mobilidade e não percebera.
Quinze dias sem atividades já produzem efeitos negativos
Numa prova de que a vida está cheia de injustiças, em média, um período de uma semana a 15 dias com redução ou ausência de atividade já começa a ter efeitos negativos sob a aptidão física. A capacidade cardiorrespiratória costuma ser a primeira a diminuir. Em cerca de oito semanas, uma pessoa que corria volta à estaca zero de condicionamento, diz Ricardo Sartorato.
A perda de força se faz sentir em média após 15 dias. A redução de flexibilidade um pouco depois e o equilíbrio ainda resiste um pouco mais. Guto Ferrari diz que após um mês de inatividade a perda geral de condicionamento é evidente.
Segundo Claudio Cardoni, os membros inferiores foram os que mais perderam função na pandemia porque a locomoção ficou comprometida. Mas a coluna lombar é o epicentro do terremoto de insuficiência física que varre o país. São pequenas lesões acumuladas. Por trás de tantos problemas está o maior tempo sentado.
— Não existe sentar em posição errada. Sentar é errado — afirma Sartorato.

Isso acontece porque o corpo humano não evoluiu para sentar, essa posição tira a curvatura natural na coluna e sobrecarrega suas estruturas. Para piorar, os móveis para trabalhar em casa quase sempre são inadequados.
— O somatório da perda da atividade funcional, com mais horas sentados somado à péssima ergonomia criou um apocalipse da forma física — diz Guto Ferrari.
O risco das lesões em casa
A pandemia trouxe desafios mesmo para quem nunca foi sedentário e conhece muito bem o corpo humano. A fisioterapeuta Edilene Dias, de 39 anos, é uma corredora experiente, maratonista dos Filhos do Vento, e usou os treinos solitários, ainda de madrugada para se manter em forma. Mas as medidas de distanciamento a obrigaram a organizar os horários para cuidar dos filhos de 2 e 4 anos, trabalhar e ainda fazer exercícios.
Especialista em reabilitar as lesões alheias, Edilene foi vítima da sobrecarga do acúmulo de funções em casa, de mãe que precisa dar atenção aos filhos enquanto faz outras coisas, inclusive exercícios.
— Entrei no mundo online e fazia exercícios com aplicativos. Me exercitava com as crianças nas costas, com vassouras, essas coisas. Mas essas adaptações são perigosas. Basta uma distração e você pode se lesionar. Manter a concentração em casa é quase impossível, interfone toca, a família chama, tudo tira a atenção. O resultado foi um ombro machucado — alerta ela, que já se recuperou.
Entre especialistas em reabilitação, há unanimidade que exercícios à distância precisam ser personalizados, supervisionados e muito bem orientados por profissionais.
A retomada do corpo
Empenar é rápido, desempenar leva mais tempo, mas está ao alcance de pés e mãos. A primeira recomendação dos especialistas é calibrar as expectativas. Não adianta sair por aí e correr como se não houvesse amanhã. O resultado mais imediato será uma lesão.
O importante é seguir devagar e para sempre. Entre duas e quatro semanas de exercícios regulares já começam a aumentar a aptidão física musculoesquelética e cardiorrespiratória.
Muitos correm e pedalam atrás do prejuízo. Uma pesquisa da Strava, a maior rede de atletas do mundo, com 86 milhões de usuários (11 milhões deles no Brasil), revelou que em 2021 muita gente voltou à prática esportiva propriamente dita, principalmente ciclismo e corrida. Houve um aumento global de 128% nas atividades entre março de 2020 e março de 2021.
A empresária Carmen Iglesias, de 60 anos, parou com o ciclismo nos primeiros meses de pandemia, mas foi retornando aos poucos aos treinos na Vista Chinesa, na Floresta da Tijuca.
— Sabia que na floresta, longe das pessoas e com cuidados poderia treinar em segurança. Mas a musculação fazia falta porque você perde força. Assim, fui uma das primeiras alunas a voltar à academia, assim que foram autorizadas a reabrir no início do ano — diz Carmen, em forma impecável, conquistada à custa de muito treinamento, máscara e disciplina.

E há quem tenha até melhorado a forma na pandemia, mesmo mantendo o distanciamento social. A gerente da Central Analítica do Departamento de Química da PUC-Rio, Gisele Birman Tonietto, de 56 anos, vem de uma família dedicada ao esporte, mas jamais esteve tão forte. Ela, o marido e a filha Raquel treinaram com Sartorato numa área ao ar livre do prédio onde moram.
— Ele foi a única pessoa com quem nos encontramos durante muitos meses. Detesto musculação, mas vi que com a pandemia perderia força devido à queda da atividade. Então comecei a treinar força em casa — conta ela.
Gisele, Carmen e Edilene compartilham mais do que força física. Elas têm disciplina e força de vontade, coisa de que todo mundo precisará se quiser manter o corpo e a mente saudáveis durante e depois da pandemia, garantem especialistas.
— As pessoas precisam voltar a se mexer depressa se não querem ficar paradas para sempre. A hora é agora — alerta Claudio Cardone.
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Após se declarar gay, Carmo Dalla Vecchia desabafa: 'Sempre me perguntavam: 'Que tipo de mulher você gosta?'

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Quando Carmo Dalla Vecchia se declarou gay na TV diante do país inteiro, ele sabia que, a partir dali, jamais precisaria voltar a responder uma das perguntas que mais ouviu em entrevistas durante seus 26 anos de carreira: "Que tipo de mulher você gosta?". O questionamento vinha de gente que sabia que ele era casado com o autor João Emanuel Carneiro, o que jamais escondeu, mas fazia questão de colocar uma casca de banana diante do ator.
O anúncio, além de servir para ajudar outras pessoas como ele, também fez o ator lidar com o próprio preconceito ("por mais que a gente trabalhe isso isso na vida, nascemos ouvindo que ser gay é errado"). Logo depois da declaração, ele partiu rumo ao Sul em busca do colo da mãe ("precisava olhar no olho e saber se ela ainda me amava"). Não que a sexualidade do filho fosse uma novidade. Ou que ele não tivesse avisado ("liguei para o João, para minha família, botei uma roupa prata justa e contei ao Brasil que sou gay"). Mas Carmo precisava ver de perto se ela estava lidando bem com toda aquela repercussão.
Prestes a completar 50 anos no próximo dia 21, voltar ao teatro com a peça "Forever young" em outubro, e à TV como o "marido doente" de Paolla Oliveira na novela "Cara e coragem", Carmo agora é pai. Sabe o que é ter um filho. Gerado fora do Brasil por barriga de aluguel, Pedro nasceu no dia do aniversário do ator e vai completar dois anos. Na entrevista abaixo abaixo, o ator conta que é "a mãe", enquanto "João é o pai" do menino.
Por que resolveu declarar sua sexualidade na TV agora, após 16 anos de casamento? E como se sentiu depois disso?
Porque eu queria ter pertencimento. Era algo que já queria fazer há tempos. Nunca menti pra ninguém. Qualquer pessoa que sabia da minha história ou convivia comigo um pouquinho, sabia. Mas chega uma hora em que você quer manifestar exatamente aquilo que é. Talvez também pelo meu trabalho. Sempre ouvi a pergunta: 'Que tipo de mulher você gosta?". Óbvio que a pessoa sabia, mas fazia a pergunta de maneira malandra para saber como eu sairia daquela.
Também aconteceu outra coisa... Eu tinha um melhor amigo quando criança, o Antonio. Recentemente, fizemos um grupo de WhatsApp. Vieram as eleições, discussões, e Antonio fez um comentário homofóbico. Na pandemia, ele me ligou pedindo para fazer um Zoom e me disse: "Gostaria de te pedir desculpas, gosto muito de você e se tivesse outra vida queria que você fosse meu melhor amigo de novo. Não queria ter te magoado". Pois Antonio faleceu de Covid, tinha dois dias de vida a mais do que eu. Aquilo foi muito pesado, a morte dele, de tanta gente, do Paulo Gustavo.
Quando estava no meio do meio do processo do "Dança dos famosos" foi muito difícil. Fiz cirurgia de menisco, aquilo estava sendo uma Olimpíada para mim. Pensava que não ia conseguir, minha coreografia era dificílima. A Globo contratou uma massagista e, quando ela estava fazendo massagem em mim, comecei a chorar. Naquele momento, eu disse: "Antonio gostava de mim do jeito que eu sou, vou declarar". Liguei para o João e ele disse "ok".
O sentimento é de realização. As pessoas dizem "deve estar se sentindo aliviado". Não. Estou me sentindo consolidando, sedimentando quem eu sou. E eu não sou errado. Se vou pagar um preço por isso, espero que seja legal. Corro meus riscos.
Interpretou vários galãs na TV. Teve medo de perder trabalho por seu gay?
Tive sorte de fazer personagens tortos, alguns deles com problemas mentais. Começou em "Engraçadinha", num personagem com complexo de Édipo. Também fiz os galãs. Talvez, a gente tenha receio de ser trocado do escaninho, de perder o lugar em que estava porque alguém pode dizer que você não pode estar nesse lugar. Sei o preço que tem e não estou a fim de pagar.
Aos 50, posso fazer outros personagens também, né? Até porque, se você faz um vilão, as pessoas na rua não ficam achando que você é um vilão. Por que não fazer um personagem de outra postura sexual? Por que não poder se conectar com o mocinho?
Hoje, muitos atores e até atletas das Olimpíadas se declaram gays abertamente. Acha que há mais espaço?
Não sei se tem a ver com o movimento que a gente está vivendo, o caos na saúde e na política, tantas mortes por Covid... Sou praticante de budismo desde 1997, responsável por um distrito budista em Ipanema. Teve uma hora em que pensei que precisava dar exemplo, tentar fazer a diferença no mundo. O mundo que está a nossa volta é um reflexo do que está dentro da gente. Percebi que não tinha conexão com a própria prática.
Também nunca escondi, sabe? Quando eu chegava no aeroporto, me pediam um número de contato para o caso de acidente e eu falava "marido" no grau de parentesco, vinha um silêncio... Eu estava fazendo novela das 8. O cara baixava a cabeça, eu saía do chichê e sentia que aquilo pegava fogo atrás de mim. Isso sem falar da perseguição, do preconceito quando criança... Ninguém pode saber da dor do outro...
Passou por situações de preconceito?
Na minha época de escola, a palavra bullying nem existia e se sofria preconceito dos próprios professores. Aos 9, 10 anos, tomava soco na boca do estômago de colegas que gritavam "bicha!". É cruel quando acontece. A criança deveria sair dali e ir direto contar para os pais, mas tem vergonha de ter tomado um soco por esse motivo. Para quem sofre preconceito, é um soco no estômago calado. Sem falar que, aos 10 anos, você ainda não sabe da sua iniciativa sexual.
Como foi quando você se percebeu gay?
Eu tinha 13 anos, morava no interior do Rio Grande do Sul, e pensei: "E agora, o que vou fazer?". Porque ser gay não é o padrão. Quando você nasce, te dizem que é errado e, por mais que você resolva isso na vida, tem um lado seu que também tem preconceito. Faço psicanálise há 15 anos, mas falar sobre isso talvez tenha sido também uma forma de eu me libertar do meu próprio preconceito.
Quis falar sobre pertencimento, liberdade e pensei que meu exemplo poderia servir para outras pessoas. Teve um cara que me escreveu dizendo que a mãe chorou dizendo "olha, uma pessoa igual ao meu flho". O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. Se servir para outras pessoas se enxergarem e se sentirem melhores, já valeu. Tenho um casamento bem tradicional, de 16 anos, dizemos eu te amo todo dia, temos filho. Quem dera que todo casamento fosse feliz assim.
Seu filho, Pedro, foi gerado de barriga de aluguel fora do Brasil, né? Vocês usaram sêmen seu e do João?
Sim, em Los Angeles, porque a legislação do Brasil para casal gay homem é mais complexa. Teria que ser barriga solidária e, para ser alguém fora da família, teria que entrar na Justiça. Havia um medo de algo dar errado. Pedro nasceu no dia do meu aniversário. Sobre sêmen, sim, mas prefiro não falar disso, parece que você está perguntando quem é o pai de verdade, sabe?
De jeito nenhum... Desculpe. Como vocês dividem as funções? Quem deixa tudo e quem põe ordem?
Eu sou a mãe, e o João é o pai (risos). Eu sou total a mãe, tive melasma na testa! Tem que ser muito mulher para ter melasma na testa. né? (risos). Engordei, cheguei a 109 quilos. Quando Pedro nasceu, eu fazia festa de "mesaniversário" todo mês. Meu sono ficou supersensível. Se ouço um barulho à noite, dispara uma carga de adrenalina no meu corpo... Enfim, sou mais desse trabalho normalmente associado à mãe.
João é mais o brincalhão, o bobo, desregula os horários (risos). É tudo novo, e a gente fica pensando como vai ser. Tem sido uma experiência linda. Quando Pedro surge, paramos o que estamos fazendo para brincar com ele, que me suja todo de comida. Nem todo mundo deveria ter filho. A gente, país católico, fala pouco sobre controle de natalidade. Muitas crianças nascem sem que os pais tenham desejado. Para ter filho, é preciso desejar muito, fazer tudo com afeto e amor. Porque na primeira noite sem dormir ou quando se suja todo de cocô...
Outro dia, ele tinha acabado de mamar e fui trocá-lo. Ele vomitou. Sorte que fiz curso de babá e de enfermeiro e virei o rostinho para ele não engasgar. Mas eu não sabia se limpava primeiro o cocô ou o vômito (risos). Tem que estar muito a fim, é uma infinidade de detalhes, precisa estar muito disposto. Eu e João planejamos e desejamos muito... É um reinício maravilhoso ter uma criança dentro de casa, mas com pai e mãe que não planejaram pode ser um pesadelo.
Você tem um olhar 43 que usa bastante nos seus personagens, além de uma tremida de boca. Faz isso conscientemente?
Não sei se isso é bom (risos). Sou muito nítido, transparente. Se penso alguma coisa, já aparece na cara. Tenho que tentar não fazer nada, tomar cuidado, se não vou virar um canastrão (risos).
Seus personagens são sempre misteriosos, perturbados ou problemáticos. Por que acha que é escalado para encarnar esses tipos?
Se comecei tendo complexo de Édipo (em "Engraçadinha"), o que poderia vir depois? (risos). Acho que tive foi sorte de poder fazer personagenss conturbados. São os melhores, os mais interessantes. Fiz novela em que morri no primeiro capítulo.
É difícil ser um ator casado com um escritor de novelas? Já ouviu que só conseguiu determinado papel por ser marido do autor?
TV tem algo democrático. A partir do momento em que inventaram os grupos de discussão, só fica na novela quem dá certo. Tenho mais novelas com outros autores, Thelma (Guedes) e Duca (Rachid), do que com o João. Se isso existiu, correu por trás, não chegou até mim.
Você falou sobre o budismo. Como pratica a filosofia no seu dia a dia?
O budismo é uma prática religiosa que não dá para desconectar do dia a dia, é uma base filosófica para aplicar no cotidiano. Não consigo acreditar em religião de fim de semana, cercada de dogmas. Ela tem que estar no seu casamento, no trabalho.
Minha religião me faz entender que sou parte de tudo que acontece ao meu redor. Que se algo se manifesta, ele diz respeito a mim, não sou uma vítima. Na minha prática, não existe milagre, quem tem que promover as ações para eu ser melhor, sou eu mesmo. Se alguma coisa está acontecendo comigo, a responsabilidade é minha.
Isso me ajuda a pular muitas fases, em muitas coisas na vida, não está fora do contexto do meu dia a dia. A prática do budismo me torna agente, um jogador com participação do jogo. Não existe "se Deus quiser", mas "seu eu quiser".
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Carmo Dalla Vecchia lembra homofobia na infância: 'Tomava soco no estômago aos gritos de 'bicha'

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Quando Carmo Dalla Vecchia se declarou gay na TV diante do país inteiro, ele sabia que, a partir dali, jamais precisaria voltar a responder uma das perguntas que mais ouviu em entrevistas durante seus 26 anos de carreira:
"Que tipo de mulher você gosta?".
O questionamento vinha de gente que sabia muito bem que ele era casado com o autor João Emanuel Carneiro, o que jamais escondeu, mas fazia questão de colocar uma casca de banana diante do ator.
O anúncio, além de servir para ajudar outras pessoas como ele, também fez o ator lidar com o próprio preconceito ("por mais que a gente trabalhe isso isso na vida, nascemos ouvindo que ser gay é errado").
Logo depois da declaração, ele partiu rumo ao Sul em busca do colo da mãe ("precisava olhar no olho e saber se ela ainda me amava").
Não que a sexualidade do filho fosse uma novidade.
Ou que ele não tivesse avisado ("liguei para o João, para minha família, botei uma roupa prata justa e contei ao Brasil que sou gay").
Mas Carmo precisava se certificar de que ela estava mesmo bem diante da repercussão.
Prestes a completar 50 anos no próximo dia 21, voltar ao teatro com a peça "Forever young", em outubro, e à TV como o "marido doente" de Paolla Oliveira na novela "Cara e coragem", Carmo agora é pai.
Sabe o que é ter um filho.
Gerado fora do Brasil por barriga de aluguel, Pedro nasceu no dia do aniversário do ator e vai completar dois anos.
O ator diz que é "a mãe" do menino, enquanto João, o pai.
Nessa entrevista, o ator revela porquê deciciu declarar sua sexualidade na TV após 16 anos de casamento ("queria ter pertencimento e talvez também pelo meu trabalho.
Sempre me perguntavam em entrevistas: 'Que tipo de mulher você gosta?") e conta como se sentiu depois ("consolidando quem eu sou").
Diz o que sente sobre talvez perder o papel de galã ("talvez tenha receio de ser trocado do escaninho, de perder o lugar porque alguém disse que pode estar nele, mas, aos 50, posso fazer outros personagens, né?").
Carmo conta ainda sobre o momento em que se percebeu gay ("pensei: e agora, o que vou fazer?") e sobre episódios de homofobia na infância ("aos 9, tomava soco no estômago de colegas aos gritos de "bicha!").
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Idosa cai em golpe e é roubada dentro de casa duas vezes no mesmo dia, no Rio

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RIO — Uma idosa foi alvo de golpistas no Rio após responder a uma ligação de alguém fingindo ser gerente de banco. O suspeito enganou a vítima dizendo que criminosos tinham tentado acessar a conta-corrente dela e, por isso, a empresa mandaria um funcionário a sua casa para buscar o cartão.
Consta no boletim de ocorrência que uma mulher se apresentou à idosa como a pessoa enviada pelo banco, mas não foi embora de imediato. Segundo a Polícia Civil, a criminosa passou 45 minutos no imóvel da vítima, intimidando-a. Por fim, ela localizou um saco com R$ 43 mil e saiu. Em seguida, apareceu um homem que se identificou como funcionário do banco. O ladrão subiu ao apartamento da idosa e adotou a mesma conduta de poucos minutos antes. Ele revirou o espaço e deixou a residência da vítima depois de achar uma caixa de joias, levando-a consigo.
Imagens registradas por câmeras de segurança do prédio mostram a entrada e a saída de ambos criminosos. A mulher aparece carregando um saco, e o homem, um compartimento pequeno.
Por volta das 18h de sexta-feira, policiais civis da Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade observaram uma motocicleta, sem placa, estacionada no Humaitá e, próximo ao veículo, reconheceram o homem flagrado no vídeo do circuito interno do prédio da idosa. Ele ainda estava com a mesma roupa usada no crime.
O suspeito foi identificado pela polícia como Luciano Alberindo da Silva. Diante das imagens das câmeras de segurança, ele confessou que foi àquele prédio e levou a caixa de joias da moradora. Na delegacia, a vítima também reconheceu Luciano como o homem que lhe roubou.
Com o suspeito, havia R$ 2.070, dois aparelhos celulares, que tinham sido adquiridos numa loja na sexta-feira. Os policiais verificaram ainda que ele tirou R$ 3.258 usando o cartão de outra pessoa, cujo nome ele disse que não sabia. Foi encontrado também o cartão de débito no nome de um idoso de 90 anos cego que vive sozinho. Os investigadores obtiveram imagens de outro suspeito fazendo um saque na conta do dono do cartão numa agência bancária do Humaitá, cerca de dez minutos antes de Luciano ser abordado pela polícia. Foi solicitada à Justiça a prisão temporária dele, e o mandado da prisão cautelar foi expedido e cumprido na madrugada deste sábado.
A Polícia Civil informou ainda que a investigação continua para identificar os demais integrantes da quadrilha. Luciano foi conduzido à Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC/Polinter).
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Quadro de medalhas: Estados Unidos ultrapassam China e encerram Jogos Olímpicos no 1º lugar geral

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Os Estados Unidos assumiram a ponta do quadro de medalhas apenas no último dia de Jogos Olímpicos. E foi o suficiente para vencer a disputa com a China e garantir a primeira colocação geral. Ao chegarem pela 39ª vez ao lugar mais alto do pódio, os americanos abriram vantagem sobre os chineses, que ganharam uma medalha dourada a menos em Tóquio.
Além disso, EUA e China foram a finais de boxe, mas perderam todas. Kayshawn Davis foi superado pelo cubano Andy Cruz, nos leves, enquanto Richard Torrez Jr. foi derrotado por Bakhodir Jalolov, do Uzbequistão, nos super-pesados. No feminino, Li Qian saiu derrotada pela britânica Lauren Price.
Virada no fim
O cenário parecia bem favorável à China, que manteve a liderança ao longo da maior parte da competição. Mas os resultados do penúltimo e último dia de evento foram decisivas para a virada. Até o fim da manhã deste sábado, a China contava com 38 medalhas douradas, enquanto os EUA chegaram a 36 graças a conquistas no atletismo no penúltimo dia de competições.
A última vez que os norte-americanos foram superados no quadro de medalhas foi em Pequim-2008, pela própria anfitriã, que terminou com 12 ouros a mais. Desde os Jogos de Pequim, para evitar a superioridade dos chineses, parte da imprensa dos EUA adotou uma nova forma de exibir o ranking de medalhas. O primeiro colocado, nesse formato, fica com o país que obteve mais pódios no total.
Embora a carta olímpica estabeleça que o Comitê Olímpico Internacional (COI) não divulgue classificação por nações, convenhou-se elencá-las a partir do número de ouros conquistados. Em caso de igualdade, o critério de desempate é a quantidade de pratas e só depois a de bronzes. O próprio site oficial dos Jogos de Tóquio classifica os países conforme os ouros faturados. Por essa contagem, as chances de que haja um empate não são pequenas.
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Em uma rua de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, conflito ganhou as redes e tirou questão palestina do limbo

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De um lado de uma pequena rua do bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, um prédio de dois andares de pintura rosa maltratada pelo tempo leva no topo da laje quatro bandeiras de Israel, uma estrela de Davi e um letreiro com a inscrição em hebraico "para suas fronteiras". A frase completa era "e os filhos voltaram para suas fronteiras", em referência à passagem bíblica sobre a expulsão dos judeus de Israel, mas, há alguns anos, a primeira parte caiu.
Do outro lado, enfeitam o muro desenhos de um soldado segurando balões com as cores da bandeira palestina e o mapa da região levantando voo. Os cartazes dizem, em árabe, “vamos ficar aqui”. Na última quinta-feira, Aref Hammad se sentou em uma cadeira de plástico na calçada para contar sua história. Os 18 membros da família do palestino de 70 anos podem perder as casas em que moram há 65 anos por causa de um processo que se arrasta há décadas, abalando a imagem de Israel e contribuindo para desencadear a guerra contra o Hamas em maio.
— Me ofereceram um cheque em branco, para eu escrever o preço que quisesse, a oportunidade de emigrar para outro país, mas não posso concordar em dar a terra, porque ela pertence a mim. Eles me expulsaram da minha terra em Haifa e querem me expulsar de novo — diz ao GLOBO enquanto usa os dedos para levar de um lado a outro do fio as contas do masbaha, usado por muçulmanos para orar, contar ou manter as mãos ocupadas.
Casas palestinas de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, são alvo de disputa desde os anos 1970. Até 1948, ano da independência de Israel, a região era habitada por judeus e árabes. Com a guerra que se seguiu, judeus tiveram que deixar suas casas. Jerusalém Ocidental passou a ser governada por Israel e sua parte oriental, pela Jordânia, cujo governo, com apoio da ONU, instalou ali refugiados palestinos.
Em 1956, 28 famílias de refugiados vindas de Jerusalém Ocidental e cidades como Jaffa e Haifa se mudaram para residências recém-construídas no bairro. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou Jerusalém Oriental, passando a controlar os dois lados. Organizações religiosas judaicas que tinham direito a terras na área de Sheikh Jarrah no período pré-guerras entraram com processos para reavê-las.

Desde então, os moradores palestinos vivem sob a ameaça de despejo. Algumas casas já foram desocupadas e são hoje habitadas por colonos judeus, como o prédio rosa de dois andares e janelas fortificadas com tapumes e grades, alvo de ação da polícia em 2009.
— Todo o bairro foi ocupado por 500 soldados e policiais. Eles entraram às 4h da manhã, vieram com caminhões e funcionários e desocuparam a casa à força, tiraram os móveis, empilharam num campo e mandaram a gente buscar — conta Muhammad Ghawai, 36 anos, que morava no prédio com mais de 30 parentes.
A presença da polícia é parte do cenário no bairro. Nas ruas, cercas improvisadas deixam clara a mensagem de que a área é monitorada. Ao longo dos últimos anos, Sheikh Jarrah foi palco de protestos e embates entre os vizinhos, com muitos judeus israelenses contrários à ocupação se manifestando do lado dos palestinos.
Da casa para o mundo
A chegada das redes sociais pôs o bairro na pauta internacional. Com os primeiros desalojamentos filmados, as imagens ganharam o mundo. Em 2013, um menino de 11 anos ganhou fama ao relatar o drama de sua família, cuja casa está hoje dividida na metade: a da frente, ocupada por colonos, a de trás, por palestinos.
Mohammed El-Kurd tem agora, aos 23 anos, 230 mil seguidores no Twitter. Lá, relata o dia a dia da família, na casa onde vive desde criança e na Suprema Corte de Israel, onde um recurso dos palestinos está em julgamento. Sua irmã, Muna, tem 1,6 milhão de seguidores no Instagram e virou celebridade.
Atualmente, a calçada em frente à casa abriga uma tenda improvisada onde as famílias recebem a mídia internacional, que vem dando mais atenção ao tema desde maio, quando o bairro virou um emblema das demandas palestinas.
Na quinta, uma família da Cisjordânia que havia conseguido autorização do governo israelense para entrar em Jerusalém passou por ali para tirar fotos com a jovem de hijab, tênis e mom jeans, o mesmo estilo adotado por jovens de Nova York, onde seu irmão vivia até voltar para dar apoio à família no início do ano.
— Eles dizem que são donos de toda esta terra, mas não têm nenhum papel que prove isso — diz Muna, usando no pescoço um pingente com a frase "Salve Sheikh Jarrah".
O jardim da casa dos El-Kurd viralizou nas redes sociais em um vídeo em que Muna acusa Yaakov Fauci de estar roubando sua casa. O colono responde: "Se eu não roubar, outra pessoa vai roubar."
Hoje, quem lidera a briga pelo lado judeu em Sheikh Jarrah não são mais as organizações religiosas do pré-guerra, que venderam seus direitos, agora nas mãos da Nahalat Shimon, associação americana de colonos. Palestinos com quem O GLOBO conversou dizem que essas áreas não correspondem aos terrenos onde vivem hoje.
A briga judicial
Há outra questão. Como a Jordânia não passou as propriedades para os palestinos e cobrava deles um valor simbólico, a Nahalat Shimon afirma que eles têm de pagar aluguel. Os palestinos apresentaram documentos à Suprema Corte argumentando que Amã estava prestes a transferir a propriedade quando veio a guerra de 1967. Propriedades transferidas não poderiam ser reivindicadas de volta, de acordo com a lei israelense.
A proposta de acordo feita pela Suprema Corte na semana passada a quatro famílias, incluindo os El-Kurd, prevê o adiamento do despejo contanto que os palestinos admitam que a propriedade está registrada em Israel como pertencente à Nahalat Shimon e paguem aluguel. Eles têm que responder nesta semana.
— Houve centenas de veredictos e eles nunca cumpriram com nada. É muito barato. Se "proprietários" não for colocado por escrito, não irei me reunir de novo — disse no tribunal o advogado da associação, Ilan Shemer, que criticou a proposta e não respondeu a pedidos de entrevista.
A lei de Israel permite que israelenses reivindiquem na Justiça propriedades desocupadas em 1948, direito negado aos palestinos de Jerusalém que também perderam terras e casas naquele conflito.
— O que está perante o tribunal é uma simples questão de propriedade — diz Avi Bell, professor de Direito da Universidade Bar Ilan, argumentando que a lei israelense não diferencia entre grupos e que, se a Justiça não passar aos colonos o direito às propriedades, estará discriminando contra judeus. — O proprietário venceu em primeira instância porque a propriedade está registrada e comprovada, e os possuidores não têm fundamento legal para ficar, mesmo os descendentes dos inquilinos. Os arrendamentos expiraram. As questões legais seriam as mesmas se o proprietário fosse palestino e os posseiros, judeus.
Desconfiança e insultos
Grupos que defendem os direitos dos palestinos discordam e dizem não se tratar de uma questão de aluguel, e sim de uma política de controle demográfico sobre Jerusalém, que os israelenses afirmam ser sua capital. Um estudo do Jerusalem Institute for Israel Studies mostra que os palestinos não têm direito de reivindicar antigas propriedades em Israel porque, em sua maioria, elas foram transferidas a entes privados. Podem apenas pedir uma baixa indenização.
— É assim que Israel opera. Para se tornar um Estado, teve que comprar propriedades, às vezes de maneira mais legal, às vezes menos — diz Mairav Zonszein, analista do centro de estudos International Crisis Group. — Não é só uma questão legal. Israel diz que é uma questão de propriedade privada, como se dissesse respeito a um lugar específico. Todo mundo sabe que isso não é verdade, que a questão é política.
O clima de desconfiança no bairro é permanente. Palestinos e judeus vivem espiando o que os vizinhos estão fazendo, tirando fotos e, às vezes, trocando insultos. Ainda assim, as declarações na última audiência mostram que os dois lados ainda têm energia. Abdel Fattah Skafi mudou para o bairro quando o cenário ainda era de oliveiras e figueiras, há 65 anos. Ele é de uma das famílias que responderão à proposta de acordo e diz estar disposto a levar a briga adiante.
— Não estou cansado e em 20 anos não estarei cansado.
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Presidentes da Câmara e do Senado sinalizam caminhos distintos para pautas bolsonaristas

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BRASÍLIA — Alçados aos postos de comando do Congresso com o apoio do Palácio do Planalto, os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), enviaram na última semana recados diferentes ao presidente Jair Bolsonaro. Em meio à crise entre Executivo e Judiciário, o deputado fez um gesto de boa vontade ao governo — já o senador assumiu o papel de antagonista. Enquanto Lira deu sobrevida ao voto impresso e prometeu pautá-lo em plenário nos próximos dias, Pacheco rechaçou a iniciativa e, sem citar Bolsonaro, disse que aqueles que ameaçam as eleições serão vistos como “inimigos da nação”.
Ainda que ambos tenham alternado momentos de maior ou menor proximidade com o governo federal ao longo dos seis meses em que estão à frente dos cargos, a adoção de tons distintos em um momento de turbulência institucional sinaliza que pautas de interesse do bolsonarismo continuarão tendo alguma acolhida na Câmara — mesmo que sejam derrotadas depois —, ao passo que no Senado a margem para a amplificação do discurso será mais estreita.
Desde que o Centrão conquistou mais espaço na Esplanada dos Ministérios, com a nomeação de Ciro Nogueira na Casa Civil, Lira passou a defender com mais afinco o governo. Já Pacheco, a partir da instalação da CPI da Covid, acumulou episódios de desavença com governistas.
Na Congresso, a atitude de Lira de pautar em plenário a proposta rejeitada na comissão especial é vista em duas dimensões. Por um lado, o presidente da Câmara deu fôlego à pressão de Bolsonaro e estimulou os ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Por outro, a iniciativa poderá resultar em uma derrota definitiva do governo.
— A decisão dá uma sobrevida ao discurso de bolsonaristas, que querem pressionar pelo voto impresso. Com o assunto em plenário, porém, prevejo uma derrota avassaladora do governo — diz o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM).
Pacheco já avisou que, ainda que o texto seja aprovado na Casa vizinha, não terá espaço no Senado.
Ao assumir a responsabilidade de levar o tema para a discussão com todo o conjunto da Casa, Lira afirmou que o “voto impresso está pautando o país”. Ele, porém, fez referência ao discurso mais duro proferido contra o governo, em março, quando afirmou que dava um “sinal amarelo”. No contexto da fala, trata-se de uma advertência para um possível processo de impeachment.
Nas últimas semanas, Lira se empenhou para aprovar duas pautas importantes para o governo: a privatização dos Correios e a regularização fundiária, que legaliza a ocupação em terras da Amazônia. Desde que assumiu o cargo, o deputado tenta costurar a votação de temas prioritários à gestão — já foram aprovadas a autonomia do Banco Central e o novo marco regulatório do gás.
Antes de a CPI da Covid ser instalada, Lira e Pacheco se posicionaram contra qualquer investigação, argumentando que tratava-se de momento inoportuno e que o importante seria selar uma “união” para superar a fase mais aguda da pandemia.
A partir do momento em que o STF determinou a instalação da comissão, Pacheco deixou de criar qualquer obstáculo, postura que rendeu um desentendimento público com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Lira, por sua vez, continuou a criticar o colegiado.
Enquanto alterna bons e maus momentos com o governo, Pacheco é estimulado a disputar a Presidência em 2022. O PSD tenta tornar o seu nome viável e aposta na cadeira de presidente do Senado para catapultá-lo. O tema chegou a criar atritos. Segundo aliados de Lira, Pacheco tenta se viabilizar como um nome nacional desde que foi alçado ao comando do comitê de crise para o enfrentamento à pandemia.
Recado final
Embora Lira esteja mais próximo do Planalto, o recado de ambos é de que o Congresso não aceitará mais questionamentos se o voto impresso for definitivamente enterrado. Declarações reiteradas de Bolsonaro pondo em xeque a confiabilidade das urnas eletrônicas e ameaçando a eleição de 2022 caso o modelo de cédulas não seja incorporado ao processo eleitoral foram o combustível da crise, que gerou uma reação dura do presidente do STF, Luiz Fux, cancelando um encontro entre chefes de Poderes. Na Corte, os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes entraram na mira de Bolsonaro e reagiram — o ministro Nunes Marques, indicado pelo presidente, foi acionado pelo governo para tentar restabelecer pontes. No lado do Planalto, a tarefa cabe aos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Fábio Faria (Comunicações).
Outros personagens da crise
Governo
Jair Bolsonaro — O presidente insistiu em elevar o grau da crise, com reiterados ataques ao sistema eleitoral e a ministros do STF. Como estratégia, disse que as declarações não eram dirigidas ao Supremo, mas a alguns integrantes.
Ciro Nogueira — Recém-empossado na Casa Civil, procurou Fux para agendar um encontro na semana que vem. Neste momento, a principal missão do ministro é encontrar um caminho para contornar a crise.
Fábio Faria — O ministro das Comunicações também participa das gestões para tentar amenizar a tensão e vem mantendo contato com o ministro Dias Toffoli, ex-presidente do STF.
Judiciário
Luiz Fux — Presidente do STF, que já havia se reunido com Bolsonaro para apaziguar as relações, vocalizou uma dura resposta institucional ao presidente e cancelou uma reunião entre os chefes de Poderes: “Pressuposto do diálogo é o respeito mútuo”
Luís Roberto Barroso — Alvo de ataques, presidente do TSE enviou ao STF pedido de investigação contra Bolsonaro e abriu inquérito na Corte eleitoral para apurar conduta do presidente sobre a confiabilidade das urnas e a realização de eleições.
Alexandre de Moraes — O relator do inquérito das fake news tornou Bolsonaro investigado no procedimento, foi alvo de ofensas e também rebateu as declarações.
Nunes Marques — Indicado por Bolsonaro ao STF, o ministro foi acionado pelo Planalto para tentar distensionar a relação com a Corte. Ele estava no plenário quando Fux fez o discurso em defesa do Judiciário.
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CEARÁ vira o centro nervoso do Nordeste com ESCALADA das FACÇÕES CRIMINOSAS de Rio e SP

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FORTALEZA — Eram 5h30 do dia 13 de julho quando moradores do assentamento Uga-Uga, no bairro do Tabapuazinho, em Caucaia, cidade do litoral do Ceará que faz parte da região metropolitana de Fortaleza, foram acordados aos sobressaltos.
Sob o barulho de tiros, as casas, a maioria de tijolos aparentes, eram invadidas, e eles recebiam ordem de despejo.
Estavam sendo expulsos pelo tráfico.
— Acordei com uma gritaria. Levantei e fui olhar pela brecha da porta. Adolescentes armados trocavam tiros — conta um morador, que vê a presença de traficantes como o elemento mais trágico de um cenário que já era de pobreza, com ruas de terra batida, mal iluminadas e sem saneamento.
O Ceará vive as consequências da alta de 75,1% das mortes violentas em 2020 — a maior do país.
O ataque na Uga-Uga reflete esse novo momento do crime no estado.
Pelo menos 50 famílias foram expulsas e, mesmo após a Polícia Militar ocupar a comunidade, poucas tiveram coragem de regressar.
Região em que a violência sempre esteve associada à desigualdade e à disputa por terras, como no caso do cangaço, o Nordeste entrou na rota de um comércio de drogas mais organizado e cruel, e que se beneficia das mazelas sociais.
Com a chegada das grandes facções do crime organizado do Rio e de São Paulo, chacinas, disputa territorial com armamento pesado e códigos de conduta impostos à população mimetizam um retrato muito parecido com o que a Região Sudeste experimentou a partir dos anos 1990.

Os refugiados urbanos se tornaram uma faceta dessa nova violência.
O “confisco” dos imóveis por quadrilhas, que já se tornou comum em comunidades pobres do Rio e de São Paulo, atinge agora não apenas o Ceará, inclusive municípios do interior, mas localidades de outros estados do Norte e Nordeste.
Execução de rivais
O estopim da expulsão de moradores da Uga-Uga foi a execução, por traficantes locais, de integrantes de uma quadrilha rival, que reagiu com a invasão.
Os assassinos escaparam pelos mangues nos arredores.
Dezenas de pessoas deixaram suas histórias para trás.
Alguns tiveram de vender barato os poucos bens que juntaram nos últimos anos, como geladeiras e TVs usadas, para pagar rapidamente o frete e salvar a própria vida.
Sem recursos, muitos usaram carrinhos de mão, mesmo não sabendo para onde ir.
Uma operação difícil e custosa, para quem sobrevive da reciclagem.
A pobreza na Uga-Uga contrasta com a paisagem de balneário de Caucaia, cuja orla extensa começa na foz do Rio Ceará e segue por 20 quilômetros até a zona portuária do Pecém.
Mesmo com a ocupação policial nas horas seguintes ao conflito, inclusive com a instalação de uma base móvel no local, o temor persiste entre os que ficaram no assentamento ou retornaram.
— Me sinto mais seguro com eles (policiais), mas fico com medo porque um dia vão embora — diz um morador, sem se identificar.
Responsável pela base, o major Messias Mendes lembra que encontrou um cenário de pessoas “aflitas, em pânico, desconfiadas” no local.
A polícia faz um trabalho de convencimento para que os moradores retornem.
— Conversamos, mostramos respeito pelos seus medos e apresentamos soluções confiáveis, deixando claro que a força que ostentamos é apenas para protegê-los — explica, acrescentando que a ação é feita com apoio da prefeitura,que tenta melhorar a iluminação e a limpeza.
O secretário de Segurança Pública e Defesa Social do estado, Sandro Caron, sustenta que houve uma queda de 34,9% do número de assassinatos em Caucaia no primeiro semestre deste ano, com 142 registros do crime contra 218, no mesmo período, em 2020.
— Quem tem o controle do território é o Estado — afirma. — Onde a gente quer entrar, a gente entra.
No entanto, o vento de violência continua a soprar. Pouco depois da invasão do Uga-Uga, uma chacina tirou a vida de cinco pessoas no distrito de Boqueirão das Araras, também em Caucaia, no dia 1º.
Coroinha assassinado
No rastro dos dois ataques, em curto espaço de tempo, está o racha de uma fação criminosa com raízes no Rio e que disputa o poder com outro grupo criminoso, que surgiu em 2016 no estado e se tornou o braço armado de outra facção de São Paulo.
Em maio, durante a segunda onda da pandemia da Covid-19, confrontos se espalharam por várias cidades por ordens vindas dos presídios.
— Entre pessoas armadas, o resultado do conflito tende a ser a morte de ambos os lados— avalia Luiz Fábio Paiva, do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará, que acompanha a mudança de padrão da criminalidade local.
A disputa atinge inocentes por vingança, como no caso da Uga-Uga, ou por engano: sem saber que descumpria um código de conduta do tráfico, o coroinha Jefferson de Brito Teixeira, de 14 anos, foi assassinado, na Barra do Ceará, em 18 de agosto de 2020. por causa de três traços feitos com lâmina de barbear na sobrancelha. Era modismo dos MCs que inspiravam Jefferson. Mas ele foi confundido com integrante de uma fação cuja sigla tem três letras. No caminho para uma aula de capoeira, ao cruzar o território da quadrilha inimiga, o adolescente foi agredido com socos, pontapés, golpes de pedaços de pau e pedradas. Depois, foi morto a tiros na Rua São Pedro, mesmo nome da paróquia onde servia desde criança. Cinco suspeitos do crime foram presos no mês passado.
Com dificuldade de aprendizado, Jefferson tinha o apelido de “Chaves”, por ser atrapalhado como o protagonista da série de TV mexicana. Apavorada e desiludida, a avó, que o criava, deixou a cidade.
— Era uma criança. A avó foi embora por não suportar viver sem ele. Nem foi por medo. Ela o via em todo lugar na casa, onde só ficaram as lembranças — diz uma parente que teme se identificar e espera justiça. — O que aconteceu não tem explicação a não ser crueldade. Hoje não podemos ir ao posto de saúde ou à praia (áreas controladas por facção rival).
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O GLOBO se renova e amplia conteúdo que chega ao leitor

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RIO — Maior jornal do Brasil, O GLOBO vai passar por uma renovação para surpreender e oferecer cada vez mais conteúdo a seus leitores. A partir deste domingo, o jornal vai apresentar novas seções, tanto na internet quanto na versão impressa, para trazer uma abordagem pioneira sobre saúde e bem-estar, contar melhor o que ocorre de importante no país e ampliar sua cobertura de cultura e comportamento.
A busca por mais qualidade de vida foi alçada a prioridade nos últimos anos e isso fez crescer o interesse das pessoas por temas ligados à saúde, especialmente após a pandemia do coronavírus. Saúde vista não como doença, mas como a chave para uma vida cotidiana melhor. A nova editoria de Saúde, que estará à frente de um dos encartes do jornal, dará luz ao debate sobre novas formas de viver e se cuidar.
A seção vai tratar de saúde física e mental, saúde no trabalho, longevidade, neurociência, beleza, nutrição, vida sexual, tratamentos pioneiros, descobertas científicas, entre outros temas. A editoria abrigará a cobertura da Covid, hoje sob a guarda de Sociedade, que será extinta.
Em Saúde, o leitor do GLOBO terá notícias exclusivas, reportagens analíticas, entrevistas e debates. A nova editoria contará também com artigos exclusivos assinados por médicos, biólogos, nutricionistas, especialistas em esporte e espiritualidade.
— O novo caderno tem como objetivo levar a saúde para dentro da casa e do trabalho do leitor por meio de um grande leque de assuntos, para que eles sejam esclarecidos e debatidos de forma responsável e prazerosa — explica a editora Adriana Dias Lopes, que chega à Redação após 18 anos como editora e repórter de Saúde na revista “Veja” e no “Estado de S.Paulo”.

Política e Brasil
Outra novidade importante no jornal será a ampliação do espaço dado a grandes temas e histórias de interesse nacional. Essas reportagens serão publicadas em uma nova editoria, Brasil, que atenderá ao público cada vez mais nacional que hoje lê O GLOBO. Brasil terá histórias de personagens inspiradores, discutirá questões das grandes cidades, como violência e saneamento, e falará sobre assuntos como meio ambiente, educação e diversidade, antes abordados em Sociedade. Para isso, terá a colaboração de jornalistas baseados nas cinco regiões do país.
— A ideia é falar do melhor do brasileiro, mas também dos problemas que mais nos afligem. É uma curadoria que vai colocar em pauta aquilo que é fundamental ser debatido, com histórias, personagens, contextos regionais e o colorido inerente a uma realidade tão rica e diversificada — conta a editora Carla Rocha, que há 27 anos edita e escreve sobre administração pública no GLOBO.
Com a criação de Brasil, a atual editoria de País mudará de perfil e passará a se chamar Política. Nela, estará a cobertura dos três Poderes, das eleições e dos partidos, garantindo o foco necessário para atender à complexidade do cenário nacional hoje. (Veja no quadro acima a nova organização do jornal).
A partir de domingo, o Segundo Caderno será ampliado e reformulado. O leitor terá um caderno com design inteiramente novo, mais vibrante e sofisticado. O conceito será, cada vez mais, investir na pluralidade dos temas abordados, reforçando o caráter nacional do GLOBO. Para isso, o Segundo Caderno ganhará mais espaço, tanto na versão digital quanto na impressa, se firmando como um hub de cultura e comportamento, que reflita as transformações da sociedade.
Reportagens sobre filmes, séries, livros e cultura digital ganham destaque dentro de um mix que une ainda música, televisão, artes plásticas, teatro e política cultural.
— O Segundo Caderno vai aprofundar o debate de pautas relevantes, antecipar tendências e se consolidar como um suplemento diverso e conectado com as expressões culturais do Brasil e do mundo — ressalta a editora Gabriela Goulart, que desde o início do ano está à frente do caderno.
O novo Segundo Caderno já antecipou uma de suas novidades, a coluna de humor Sensacionalista, e ganhará a colaboração do cartunista argentino Liniers, da tira Macanudo. As marcas Boa Viagem e Rio Show, com um cardápio que inclui de novas formas de viajar às últimas novidades do universo da gastronomia, seguirão sendo publicadas dentro do suplemento. Tudo isso, em um caderno redesenhado.
— Uma proposta editorial inovadora precisa ser acompanhada por um design arrojado. A nova organização das páginas valoriza as imagens e tem como objetivo tornar a leitura mais agradável — explica Alessandro Alvim, editor executivo visual.
Em função de sua abrangência e relevância, a cobertura dos temas de gênero, hoje abrigadas sob o selo Celina, passa a se estender por todo o jornal, dentro das editorias afins. Assim, as discussões sobre o avanço da participação feminina na Olimpíada, por exemplo, fica em Esporte, como a maior presença de mulheres no comando das grandes empresas caberá à Economia.
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Foi cruelmente ASSASSINADA, NUA e com as PARTES do CORPO da cintura para baixo ARRANCADAS e DILACERADAS, a menina DAIANE GRIÁ SALES, 14 anos, do povo KAINGANG, noroeste/RS.

Lamentavelmente os jovens, especialmente meninas, têm sido vítimas preferenciais de homens perversos, assassinos e estupradores. Exige-se justiça e medidas de proteção aos territórios e aos direitos dos povos indígenas”.
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Entidades cobram apuração da morte de menina kaingang

Sul 21 - A morte da adolescente kaingang Daiane Griá Sales, de 14 anos, encontrada, quarta-feira (4), em uma lavoura próxima a um mato, na Terra Indígena do Guarita, região noroeste do RS, nua, e com as partes do corpo da cintura para baixo arrancadas e dilaceradas, provocou a manifestação de indignação de diversas entidades que cobram das autoridades a imediata apuração do caso.
A regional Sul do Conselho Indigenista Missionário (Cimi Sul) divulgou nota manifestando indignação diante do cruel assassinato de Daiane Griá Sales e destacando que “a violência que se pratica contra indígenas se intensifica na medida em que se proliferam os discursos de ódio e intolerância contra os povos em âmbito nacional”. Lamentavelmente os jovens, especialmente meninas, têm sido vítimas preferenciais de homens perversos, assassinos e estupradores. Exige -se justiça e medidas de proteção aos territórios e aos direitos dos povos indígenas”, diz a nota.
O Cimi Sul cobra ainda que a Funai e os órgãos de investigação Federal promovam ações no sentido de coibir as violências e responsabilizarem os agressores e criminosos, bem como averiguarem e ou identificarem, se os crimes estão vinculados a intolerância e o racismo contra os povos indígenas.
A Campanha Levante Feminista contra o Feminicídio no RS, que implementa a campanha Nem Pense em Me Matar, divulgou nota denunciando a impunidade que acompanha os feminicídios no Estado e exigindo a apuração da morte de Daiane com a identificação dos responsáveis. “Precisamos nos levantar, elevar nossas vozes e indignação, para exigir que este crime seja apurado e seus responsáveis identificados. A impunidade e a normalização das mortes das mulheres está transformando tragédias em fatos comuns de nossas vidas”, afirma a nota.
A Ong Feminista Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas (GAMP) e a Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos se manifestaram no mesmo sentido, exigindo a apuração do caso.
A Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) também protestou contra o crime de barbárie cometido contra a jovem kaingang, lembrando que o assassinato de indígenas virou um caso cotidiano no Brasil. “Parece que não é suficiente matar. O requinte de crueldade é o que dilacera nossa alma, assim como literalmente dilaceraram o jovem corpo de Daiane, de apenas 14 anos. Esquartejam corpos jovens, de mulheres, de povos. A violência cometida a nós, mulheres indígenas, desde a invasão do Brasil é uma fria tentativa de nos exterminar, com crimes hediondos que sangram nossa alma”, diz a entidade.
O Conselho Estadual dos Povos Indígenas de Santa Catarina foi outra entidade a se manifestar por meio de nota denunciando o crime de barbárie cometido contra Daiane e exigindo providências imediatas das autoridades. “É urgente a intervenção do Ministério da Justiça em defesa da vida e da garantia dos direitos dos povos originários deste país, inclusive com a apuração dos fatos e a punição dos autores do assassinato de Daiane Griá Sales”, defende o CEPIn/SC.
A Secretaria de Igualdade, Cidadania, Direitos Humanos e Assistência Social do RS divulgou uma nota de pesar e indignação pela morte de Daiane. “O caso estarrecedor da menina Daiane expõe o quão necessário e urgente é fomentar as políticas públicas protetivas e transversais para essa população que vem sofrendo de forma constante violências de todos os tipos em todo o território brasileiro”, afirma o órgão do governo gaúcho. A Secretaria afirma que está acompanhando as investigações que “estão sendo conduzidas com absoluta prioridade pelas forças policiais do Estado, a fim de elucidar qualquer hipótese que possa ter ocasionado esse fato”.
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Lucas Leoni: “Eu era o famoso MAXX FITCH gay-for-pay”
Entre altos e baixos, o ex-ator pornô conta sobre a arriscada estratégia de entrar no pornô pela indústria gay antes de tentar a sorte em filmes héteros
Você provavelmente o conhece por outro nome e por outro tipo de filme que não envolve necessariamente mulheres. O rapaz da foto hoje atende como Lucas Leoni, mas foi com o nome de Maxx Fitch que ele conheceu o gostinho da fama ao atuar em diversos filmes gays nos Estados Unidos.
Hoje, beirando os 30, e de olho na indústria heterossexual, Lucas diz que topou transar com homens no passado não apenas pelo dinheiro, mas para chamar atenção das produtoras heterossexuais. A arriscada e duvidosa manobra deu certo por um tempo, mas não vingou, sobretudo com essa nova onda de atrizes que se recusam a filmar com atores que tiveram um passado na indústria gay.
A carreira acabou sendo deixada de lado quando Lucas abandonou a Flórida, estado com importantes produtoras do gênero, como BangBros, Mofos e RealityKings, para tentar a vida na Virginia, longe dos holofotes. De lá, o ator de 1.90 de altura, 80kg e 22,5 cm conversou exclusivamente com à coluna Inside Porn sobre dramas pessoais, sexo e a vontade de ser levado a sério no pornô e na indústria musical.

VOCÊ ESTÁ MELHOR HOJE DO QUE ANTES…
Que nada! Eu pareço um homem velho. Se eu tirar a barba fica ainda pior, mas se eu deixar a touca na cabeça está tudo bem.
A GALERA GOSTA DO ESTILO CARECA, BARBA, BOINA… É UM BOM COMBO.
Sim, mas infelizmente as mulheres da nossa geração se referem a esse “combo” como “hatfished”, algo como ‘ele é gato até tirar a touca…”. Eu sou bem realista quanto a minha beleza. Eu reconheço que elas curtem um tipo que não é exatamente o meu. Durante o ensino médio eu tive que ouvir isso várias vezes e acabou destruindo minha autoestima, sabe? Mas hoje em dia eu entendo. Não é algo que me deixa triste, apenas chateado pelas pessoas resumirem as outras pelo que elas aparentam ser fisicamente. As pessoas podem ser cruéis às vezes.

PERDER O CABELO NESSA IDADE É ALGO QUE TE INCOMODA?
Sim, é genético, então não há o que fazer. Eu pensei em cortar de vez, mas como está caindo aos poucos… não é um problema até você encontrar alguém que está interessado em trabalhar contigo, daí seis meses se passam e sua aparência não é a mesma e então perco trabalho por isso.
A QUEDA DE CABELO É UMA DAS RAZÕES PELAS QUAIS VOCÊ DEIXOU DE FAZER FILMES ADULTOS?
É uma delas, sim. Eu estaria mentindo se dissesse que não. Eu realmente não pareço mais o cara que vocês viam nos filmes. Meu cabelo se foi e eu preciso cuidar mais da minha pele, acho que preciso de um bronzeado (risos). A verdade é que minha vida mudou muito desde que mudei aqui para a Virgínia, muito estresse e problemas com pessoas próximas acabaram me afastando do pornô. O fato de ninguém ter me levado a sério, apesar de eu ter sido o primeiro cara a fuder com a atriz Holly me deixou chateado. Mas eu ainda tenho contato com o pessoal da BangBros, Mofos, o John O’Bourne e outras produtoras.
NENHUM CONVITE RECENTE TE CONVENCEU A VOLTAR?
O presidente da Digital Playground queria que eu fosse para Los Angeles filmar para ele, mas, novamente, devido a problemas pessoais e muitas merdas acontecendo por aqui na Virginia, eu não consegui ir. Isso foi bem recente. E também fiquei impossibilitado por causa de um acidente que tive com uma garota. Ela estava com aquele negócio que as mulheres colocam na vagina para evitar gravidez e não me disse nada. Eu tenho um pau grande pra caralho e quando eu meti meu pau machucou, ficou inchado, rasgou a pele. Foi uma merda. Vou ter que passar um tempo andando sem cueca por aí.

NÃO É LÁ UM SACRIFÍCIO, VAI?
Sabe que algumas pessoas não conseguem me dar? Só chupam. Eu gosto de meter de quatro, puxar o cabelo e fazê-la sentir o que estão levando por trás. Eu sou um cara alto, então gosto de fuder em pé também. Gosto de segurá-las. Transar em mesa ou em coisas altas também me dá tesão, tipo balcão de cozinha ou mesa de jantar. Se os olhos de uma mulher não viram e não ficam com lágrimas, então não estão chupando meu pau bem o bastante…
QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE FILMOU?
A última cena foi em 2015, uma cena hetero. Caralho. O tempo voa. Conversando com você me faz pensar que eu realmente gostaria que as coisas tivessem ido em uma direção melhor. Eu poderia ter focado mais nesta indústria e ter encontrado pessoas que acreditassem realmente no meu talento como ator pornô e não apenas pessoas invejosas.
EU VI VÁRIOS POSTS SEUS RECLAMANDO DE UMA EX-NAMORADA NAS REDES SOCIAIS…
Acho que esbarrei com mais gente invejosa na vida do que a maioria das pessoas comuns. Às vezes são as pessoas muito próximas que fodem com a gente – e não é no sentido sexual. Eu sou um cara do bem, mas tive que lidar desde cedo com dramas que não me levaram a lugar algum. Embora as pessoas não me dêem o crédito necessário, eu sei quem ajudei e quem estendi a mão um dia. Você sabe como as mulheres narcisistas são quando elas são descobertas, né? Elas jogam toda a merda em você. Foi basicamente isso que aconteceu, mas não vou citar nomes.
DO JEITO QUE VOCÊ FALA, PARECE QUE SÓ AS MULHERES SÃO “FILHAS DA PUTA”…
Nada disso. Uma vez eu escrevi uma música com um brother meu. Nós tínhamos uma banda juntos e ele cometeu suicídio. Aquilo foi um choque pra mim. Eu escrevi “Rest in peace”. Um outro cara da banda, que tocava guitarra, pegou essa letra e publicou como se fosse de autoria dele, fez até sucesso nas rádios, deu entrevistas, ou seja, tirou vantagem de mim. A sensação é que estou sempre fazendo coisas que as pessoas usam em favor delas, independente se são mulheres ou homens. Tem muito amigo filho da puta nessa vida.
ENTÃO A FALTA DE SORTE NO PORNÔ FOI UM REFLEXO DO QUE JÁ VINHA ACONTECENDO NA VIDA REAL?
Sim. Nunca recebi crédito como artista musical e nem mesmo no pornô. Demorou um ano para as pessoas descobrirem que eu fiz uma cena com a Melissa Moore, por exemplo. Não recebi o reconhecimento que gostaria, embora aquela tenha sido a primeira cena hetero que fiz.
MAS NO PORNÔ GAY VOCÊ PRODUZIU BASTANTE CONTEÚDO. NÃO HOUVE RECONHECIMENTO ALI?
Pergunta difícil. Eu não me arrependo de ter feito filmes com homens, apesar desse trabalho ter aberto portas para mim na cena pornô hétero. Tudo que aprendi sobre atuação, ângulos, aberturas, dominação veio do meu período como ator pornô gay. A essência é a mesma, afinal é sexo. Eu apenas não gosto quando as pessoas confundem o que vêem nos vídeos com o que eu sou na vida real. E também não gosto quando a comunidade gay, que eu respeito muito, me julga por ter ido para o pornô hétero. Eu não traí comunidade alguma, apenas resolvi direcionar minha carreira para a minha sexualidade. Mas mais uma vez não deu muito certo.
ACHEI QUE O CAMINHO PARA O PORNÔ HÉTERO FOSSE MAIS DIFÍCIL PARA AQUELES QUE COMEÇAM NA CENA GAY…
Depende. E todos esses rumores de que os atores gays são sujos, porque alguns fazem bareback ou se expõem mais ao risco de doenças é muito falso e hipócrita. Eu sempre tive resultados negativos para todos os exames necessários para filmagens. O problema é que algumas dessas atrizes pornôs mais famosas estão se negando a contracenar com caras que já fizeram pornô gay antes, alegando que não querem correr riscos. É meio injusto. Elas acham que o cara que atuou em filmes gays é sujo apenas quando elas têm essa informação. Mas aí você tem um exame que prova que você está limpo. E então, qual é o argumento? É por isso que eu não faço alarde das poucas oportunidades que ainda aparecem.

VOCÊ JÁ ENFRENTOU PRECONCEITO POR TER TRANSADO COM HOMENS POR DINHEIRO?
As poucas vezes foram aquele tipo de preconceito velado.
QUANTOS ANOS VOCÊ TINHA QUANDO FEZ A PRIMEIRA CENA E COMO FOI PARAR NA INDÚSTRIA?
Eu tinha 22 anos e, naquela altura da vida, estava morando com duas mães solteiras, que meio que me apresentaram para esse mundo. Antes disso, a vida também não estava fácil. Eu morava no meu carro, que posteriormente acabei perdendo e fiquei sem teto. Um dia, sem grana, vi um anúncio no Craigslist procurando por atores pornôs. Eu não ligava muito para certas coisas na vida, exceto para quantos shows eu poderia fazer aos finais de semana. Eu queria viver de música, sabe? Não me importava, por exemplo, em dormir no carro, desde que eu pudesse ter dinheiro para me dedicar à música.
MÚSICA?
Sim. Antes do Garrett (o nome verdadeiro dele) ser um ator pornô, ele era um produtor musical. Também já fui entregador de pizza e ganhava algum dinheiro cantando em shows aos finais de semana. Até cheguei a fazer turnês, dar entrevistas em rádios, apareci em revistas, tudo isso por causa da música. Tinha uma banda, fiz grana, mas depois a vida se tornou uma bagunça de novo. E as duas mulheres que mencionei antes… elas realmente foram importantes, porque me ajudaram a ter alguma base. Mas um dia eu fiz as malas, peguei um trem para a Flórida para trabalhar com um tio meu e fazer pornô quando pudesse. O pornô sempre foi uma carta na manga para mim.
POR QUÊ?
Porque eu tenho pauzão e gosto de fuder. Meu corpo é peludo e acho que isso chama atenção. No pornô gay, caras de pau grande fudendo homens com carinha de jovens e passivos estavam em alta, então tirei vantagem disso.
E O QUE ACONTECEU EM SEGUIDA?
Eu comecei a filmar bastante. As coisas estavam indo bem. Mas eu não curtia muito, estava fazendo aquilo por dinheiro e para chamar atenção das produtoras heterossexuais. Eu queria algum tipo de reconhecimento e alguma fama também. Só que os produtores gays me desencorajaram. Eles diziam para eu tirar da cabeça essa ideia, de que o mercado hétero não iria me absorver. O problema é que eu cansei de fuder a bunda dos caras. Eu queria poder fazer algo mais.
VOCÊ FILMARIA UMA CENA GAY HOJE, CASO FOSSE CONVIDADO?
Olha, alguns produtores amigos meus do pornô gay já me chamaram, mas eu também estava impossibilitado devido ao que relatei pra você antes. E a verdade é que depende. Analisaria cada convite individualmente.
ENTÃO, O LUCAS É BASICAMENTE UM CARA HÉTERO QUE FEZ FILME GAY POR ACASO…
Sim e muitos dos caras que eu fudi eram heterossexuais também. Eles estavam ali pelo mesmo motivo que eu. E eu odeio ter que dizer isso, mas eu era o famoso gay-for-pay.
VOCÊ JÁ TEVE ALGO COM OUTRO CARA FORA DAS CÂMERAS?
Uma vez eu transei com um amigo gay antes da minha primeira cena apenas para ter certeza que eu conseguiria repetir isso diante das câmeras. Isso foi antes de ir para a Flórida. Foi engraçado, nada especial e um pouco estranho.
VOCÊ FEZ PASSIVO EM UMA CENA. COMO FOI?
Fiz uma cena apenas. É uma coisa difícil. Eu não consigo. Doeu bastante.
APESAR DE TUDO, VALEU A PENA?
Sim. Eu estava trabalhando em uma construção marítima e filmando uma vez por semana, então, eu ganhava dinheiro e não tomava muito meu tempo. Porém, eu abriria mão de tudo para poder voltar aqueles tempos de Flórida, onde eu estava feliz, filmando, do que onde estou agora.
E POR QUE MESMO VOCÊ ABANDONOU A VIDA NA FLÓRIDA? POR CAUSA DE MULHER?
Ah, cara, na verdade foi por causa de um amigo que estava realmente fudido aqui e precisava da minha ajuda. E adivinha o que aconteceu depois que eu o ajudei? Ele foi embora e me deixou na merda.

O QUE TEM FEITO ULTIMAMENTE?
Nada muito importante, na verdade. Tenho trabalhado em alguns projetos musicais e tentando ver se consigo algo na Flórida novamente. Tenho melhorado minhas habilidades na guitarra e acho que quero focar nisso por um tempo. Parece um pouco confuso porque minha vida ainda não está legal. Estou começando do zero, sem suporte e amigos. Sei que sou capaz, mas não sei por onde ir…
AQUI NO INSIDE PORN VOCÊ SEMPRE TERÁ UM LUGAR CATIVO…
Obrigado! Aliás, o trabalho de vocês é incrível. Fiquei feliz de ter sido convidado. Adorei a entrevista com o Johnny Sins. O cara é foda. Você não tem ideia de como ele é forte aqui nos Estados Unidos. Ele é o cara. Eu gostaria de ser como ele. É realmente um ator que admiro. Acho que vou até raspar minha cabeça de vez em homenagem a ele (risos).
TENHO CERTEZA QUE EM BREVE VEREMOS VOCÊ EM ALGUMA PRODUÇÃO…
Tomara. Eu espero poder trabalhar com o John O’Bourne de novo e receber algum contato da Mofos para cenas amadoras. Queria também ter dinheiro para passar um mês tentando descolar algum trabalho no pornô, mas não tenho. Também seria legal ter um agente. Acho que isso ajudaria no meu retorno.
Para acompanhar o ator no Twitter: @LucasLeoniXXX
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______________________________________ 7 de agosto de 2021
Com Covid-19, Tarcísio Meira e Gloria Menezes estão no Albert Einstein; ator está na UTI, intubado.

Tarcísio e Glória foram VACINADOS em FEVEREIRO deste ano, em Porto Feliz, interior de São Paulo.
247 - O ator Tarcísio Meira, de 85 anos de idade, foi internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, na sexta-feira (6) e está intubado.
Sua esposa, a atriz Glória Menezes, de 86 anos, também está internada.
O estado de saúde dela é menos grave e ela está recebendo atendimento médico em um quarto particular.
A assessoria de Tarcísio e Glória confirmou as informações.
"O casal foi diagnosticado com a Covid.
Estão no Albert Einstein em quarentena para recuperação.
O Sr. Tarcísio teve que ser intubado, mas a Dona Glória está com leves sintomas", afirmou Tadeu Lima, assistente pessoal do casal, à revista Quem.
O ator é casado com a também atriz Glória desde 1962, com quem teve Tarcísio Filho em 1964.
A novela mais recente de Tarcísio foi Orgulho e Paixão, da Globo, exibida em 2018.
Na época, ele foi afastado da trama por conta de uma infecção pulmonar.
O casal é pai de Tarcísio Filho, 58 anos. Glória também é mãe de Amélia Brito, 64, e João Paulo Brito, 62, da união com Arnaldo Brito.
Nas redes sociais, Mocita Fagundes, mulher de Tarcísio Filho, comentou sobre esse momento delicado para a família.
"Estavam isolados e num descuido foram contaminados.
Essa doença é traiçoeira, mas estamos muito fortalecidos, cheios de amor e muita esperança em tê-los em casa daqui a pouquinho.
Por enquanto, peço que se unam a nós nessa corrente de orações e energias positivas", escreveu ela.
Tarcísio Meira e Glória Menezes, um dos casais mais famosos das novelas brasileiras, foram dispensados da Globo em 2020, depois de mais de 50 anos na emissora.
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Tarcísio Filho fala sobre as condições de saúde dos pais, Tarcísio e Glória, internados com Covid-19 - Patrícia Kogut, O Globo

O casal Tarcísio Meira e Glória Menezes segue internado em São Paulo, no Hospital Albert Einstein, com Covid-19. Em conversa exclusiva com a coluna, o filho dos dois, o ator Tarcísio Filho, falou sobre as condições de saúde dos dois:
- Dentro do possível, eles estão bem. O pai ele está estabilizado, está bem. Está respondendo bem. Eu fiquei feliz porque ele está respondendo bem aos procedimentos todos. Foi a notícia que eu tive. E a mãe está bem mesmo, ela está no quarto. Está com uma tossinha. Vai fazer os exames agora para saber se vai diminuir um pouco a infecção. Já tinha diminuído ontem. Eles estão bem.
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Agora há pouco, um comunicado foi divulgado no perfil oficial de Tarcísio Meira no Instagram. Ele diz que o ator continua intubado. Apesar disso, está respondendo muito bem aos medicamentos e os médicos estão esperançosos. Já a atriz está bem melhor e, segundo os médicos, deve ter alta em breve.
Leia na íntegra:
“Tarcísio e Glória seguem Internados mas em situações diferentes, o Tarcísio graças a Deus está evoluindo muito bem aos medicamentos e os médicos estão muito esperançosos. Ele continua intubado para um melhor conforto no tratamento. Já Glória Menezes evolui muito bem, e segundo os médicos já estar perto de receber alta, Muito Obrigado a todos pelas orações e vibrações positivas”
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Tarcísio Meira e Glória Menezes estavam passando a quarentena em sítio

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RIO - O casal de atores Tarcísio Meira e Glória Menezes escolheu passar grande parte do tempo da quarentena no sítio da família, no interior de São Paulo, mesmo já tendo tomado as duas doses da vacina. Tarcísio está intubado por conta da Covid-19 e Glória também está internada com a doença.
Glória, de 86 anos, e Tarcísio, de 85 anos, estão internados no hospital Albert Einstein. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do casal. O ator está intubado na Unidade de Terapia Intensiva, e a atriz, com sintomas leves, encontra-se no quarto.
Páginas de fãs nas redes sociais reúnem fotos do casal na fazenda. Em uma delas, Glória aparece sob uma mangueira, com a legenda: "A moça linda e faceira das mangas passando para desejar a todos um agosto repleto de sáude, alegria e farto que esse mês seja melhor do que o anterior".
Neste sábado, a nora do casal, Mocita Fagundes, casada com o ator Tarcísio Flho, postou em sua rede social que Tarcísio e Glória "estavam isolados e num descuido foram contaminados". "Essa doença é traiçoeira", continuou ela, falando que acredita na recuperação do casal de atores. "Estamos muito fortalecidos, cheios de amor e muita esperança em tê-los em casa daqui a pouquinho. Por enquanto, peço que se unam a nós nessa corrente de orações e energias positivas".
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Nora de Tarcísio Meira e Glória Menezes fala sobre internação dos sogros com Covid-19: 'Essa doença é traiçoeira'

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Casada com o ator Tarcísio Flho, Mocita Fagundes confirmou no Instagram a internação de Glória Menezes e Tarcísio Meira, ambos com Covid-19. O ator está intubado na Unidade de Terapia Intensiva do hospital Albert Einstein, em São Paulo, e a atriz, com sintomas leves, está no quarto. Mocita afirmou que eles estavam isolados e se contaminaram num descuido. Tarcísio Filho testou negativo para a doença, segundo ela.
"Saiu na imprensa que o casal Glória e Tarcisão estão internados com Covid. Infelizmente não é fakenews. É verdade. Estavam isolados e num descuido foram contaminados. Essa doença é traiçoeira.Mas estamos muito fortalecidos, cheios de amor e muita esperança em tê-los em casa daqui a pouquinho. Por enquanto, peço que se unam a nós nessa corrente de orações e energias positivas.Não vou ficar me alongando e nem dando boletins médicos. Vou ficar quietinha ao lado do @tarcisio.magalhaes.7 que - graças a Deus - testou negativo para Covid. Carinho e oração sempre fazem um bem danado."
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“SE PAUTOU o voto IMPRESSO, Lira deveria PAUTAR TAMBÉM o IMPEACHMENT ”, diz Rogério Correia

247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) usou as redes sociais para dizer que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), deve defender o impeachment de Bolsonaro com o mesmo empenho que está fazendo com o voto impresso, ao propor a discussão da PEC no plenário.
Para o deputado, o impeachment de Bolsonaro deve ter o mesmo peso democrático, já que existem mais de 150 pedidos ignorados por Lira e que não foram seuqer pautados.
“Sob o argumento de garantir a democracia e a vontade de setores da sociedade, a PEC do voto impresso será pautada no plenário pelo presidente @ArthurLira_ .Tomara que este mesmo raciocínio seja considerado para pautar o impeachment. Já são mais de 150 pedidos”.
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“Se pautou o VOTO IMPRESSO, Lira deveria pautar TAMBÉM o IMPEACHMENT de Bolsonaro”, diz Rogério Correia

“Sob o argumento de garantir a democracia e a vontade de setores da sociedade, a PEC do voto impresso será pautada no plenário pelo presidente @ArthurLira_ .
Tomara que este mesmo raciocínio seja considerado para pautar o IMPEACHMENT de BOLSONARO. ____________________ Já são mais de 150 pedidos”.
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“Eu me espanto com como os negros são tratados no Brasil”, diz escritor angolano João Canda

Por Victor Castanho - O escritor e coordenador editorial João Canda discutiu, na série Áfricas, da TV 247, seu projeto literário de resgate de tradições e ainda discorreu sobre o estranhamento que teve ao observar o racismo no Brasil. “Só conheci o racismo quando chegamos no Brasil”, disse.
Fundador da editora Literáfrica, Canda afirma que a filosofia de vida adotada por muitos angolanos impede que se estabeleçam fortemente esses preconceitos. “A filosofia africana preza pela coletividade. Logo, não importa se você é branco, azul ou laranja”, disse. O autor atribui essa cosmovisão à predominância da filosofia ubuntu no país.
A palavra ubuntu, do kibundu, é um termo tão significativo quanto o é saudade para a lusofonia. O vocábulo carece de uma tradução clara e única e, semanticamente, remete à noção de que há uma intrínseca relação entre todos nós. É um humanismo que preza pela harmonia de todas as mulheres e homens e talvez possa ser interpretado a partir da lógica do “eu sou porque nós somos”. Não é de se estranhar que, tendo crescido dentro dessa filosofia, Canda tenha se surpreendido ao constatar o racismo no Brasil.
“Quando eu venho ao Brasil eu me espanto com como nós negros somos tratados, com como somos olhados. E isso não assustou só a mim, mas a muitos outros africanos”, afirmou.
Para o escritor, os caminhos para a desconstrução do racismo institucional e para a fomentação de um espírito crítico nas pessoas está no resgate das tradições e raízes culturais pré-coloniais. E como seria feito esse resgate? Segundo João, a resposta está na contação de histórias.
“O processo de contar histórias africanas transcende sua função de entretenimento. O contar histórias é uma ferramenta de preparação para a construção e consolidação da sua identidade. Na contação de histórias você tem contato com quem você é, com seus valores, com sua cultura, com seus hábitos”, afirmou. “Muita gente desconhece seus valores e tradições e assim são influenciadas pelo que for mais impactante. O reconhecimento de sua identidade e seus valores impede essa influência desvairada”, acrescentou.
O projeto literário de Canda busca recuperar essas raízes e o autor propõe ao seu leitor que compreenda a si mesmo.
A entrevista de João não somente nos ensina sobre seu projeto literário, mas nos convida a incorporar a máxima aforismática: “conhece a ti mesmo”.
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Bolsonarista, Regina Duarte sai em defesa do voto impresso

247 - Ex-secretária de Cultura do governo Jair Bolsonaro, a atriz Regina Duarte se uniu ao ex-capitão e usou as redes sociais para questionar a higidez do sistema eleitoral e defender a adoção do voto impresso.
“O que o meu coração pede é transparência eleitoral! Não há o que temer… ou há ?!#voto #votoimpresso #votoimpressojá”, postou no Instagram.
Em seus discursos, Bolsonaro vem questionando o voto eletrônico e afirmando, sem provas, que o sistema teria sido fraudado nos últimos pleitos.
Confira a postagem de Regina Duarte sobre o assunto.



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