__________* BOLSONARO vai começar TIROTEIO contra o STF esta SEMANA, diz Villa __________* BRUNA LINZMEYER sofreu LESBOFOBIA durante QUATRO ANOS num consultório de PSICANÁLISE (¿•?)

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Austin Motel, em Austin, no Texas, virou referência para a nova safra de motéis reformados Imagem: Nick Simonite

_________________________________________ BOLSONARO vai começar TIROTEIO contra o STF esta SEMANA, diz Marco Antonio Villa _________________________________________ O enigma da 'SÍNDROME de HAVANA, que ataca espiões americanos e intriga cientistas

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BRUNA LINZMEYER sofreu LESBOFOBIA durante QUATRO ANOS num consultório de PSICANÁLISE (¿•?). Isso foi, aos poucos, MINANDO a AUTOCONFIANÇA da atriz de 28 anos.

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Ministros do STF não engoliram invasão da Esplanada no 7 de setembro | Bela Megale - O Globo

Por Bela Megale

Caminhoneiros invadem Esplanada e são recebidos com festa pelo apoiadores do presidente Bolsonaro

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não engoliram a invasão da Esplanada dos Ministérios por bolsonaristas na véspera do 7 de setembro. A avaliação dos magistrados é de que houve, no mínimo, uma “falha grave de segurança” por parte do governo do Distrito Federal.

O fato lembrou os magistrados o episódio em que fogos de artifício foram disparados em direção ao prédio do STF por apoiadores do presidente, em junho do ano passado. Na avaliação de membros da corte, na ocasião, também houve outra grave falha de segurança por parte do governo do DF e da Polícia Militar.

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Um dos fatos que aumentou a desconfiança de parte dos ministros sobre a falta de empenho da PM do DF em proteger a Esplanada e, em especial, o prédio do Supremo, é a ligação do comandante da corporação, Márcio Vasconcelos, com o governo Bolsonaro. Vasconcelos já ocupou o cargo de assessor-chefe adjunto da assessoria especial do presidente da República. O coronel também é próximo do ministro da Justiça, Anderson Torres, e do ministro Tribunal de Contas da União (TCU) e ex-ministro do governo Bolsonaro, Jorge Oliveira.

Além do presidente do STF, Luiz Fux, ligar diretamente para o governador do DF, Ibaneis Rocha, e para o comandante da PM para pedir reforço de segurança na noite de 6 de setembro, após a Esplanada ser invadida por carros e caminhões, outros ministros entraram em campo. Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes contataram o secretário da Casa Civil do DF, Gustavo Rocha, para solicitar providências. Após os apelos, os pedidos dos magistrados foram atendidos.

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Cinco anos depois do powerpoint criminoso de Dallagnol, Lula celebra 19 vitórias judiciais

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
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247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou os cinco anos do powerpoint apresentado, em 2016, pelo então coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol - a operação foi extinta no ano passado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. 

"No aniversário daquele famoso PowerPoint, o que comemoramos são as 19 VITÓRIAS de @LulaOficial na Justiça!", diz mensagem postada no Twitter do Instituto Lula nesta manhã. "Anos depois, o que tá provado? Que LULA É INOCENTE! E que a Lava Jato não passou de uma operação política e criminosa".

A última vitória de Lula no Judiciário aconteceu esta semana, após a juíza federal Maria Carolina Ayoub, da 9ª Vara Federal de São Paulo, arquivar o processo aberto contra o ex-presidente pela suspeita de tráfico de influência internacional e corrupção para beneficiar a construtora OAS. 

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Em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a decisão anteriormente proferida pela Segunda Turma da Corte no sentido de declarar a suspeição de Sérgio Moro nos processos contra Lula.

Intenções de voto

Atualmente, o ex-presidente lidera todas as pesquisas eleitorais e já fez algumas articulações políticas para as eleições de 2022. 

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De acordo com pesquisa PoderDatadivulgada no dia 1 deste mês, o ex-presidente venceria Bolsonaro no segundo turno por 55% a 30%.

Naquele mesmo dia foi divulgada a pesquisa Genial/Quaest, que apontou tendência de vitória de Lula no primeiro turno, com 47% dos votos, contra 26% de Bolsonaro.

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Karol Conká reflete sobre a cultura do cancelamento - Patrícia Kogut, O Globo

Karol Conká  (Foto: Reprodução)
Karol Conká (Foto: Reprodução)

Depois de um início de ano que mudou completamente a sua vida, Karol Conká falou abertamente sobre temas como cancelamento, racismo, a infância, os bastidores na música e na vida em um encontro inédito com Mano Brown. Ela é a convidada de estreia do “Mano a Mano”, podcast do rapper no Spotify, que estreia nesta quinta-feira.

- Só conversas profundas como a que tivemos são capazes de trazer a devida perspectiva para questões complexas como a cultura do cancelamento, da qual me tornei um ícone. Numa época em que a comunicação é tão rápida e fragmentada que mal conseguimos absorver seu conteúdo, espaços de reflexão como os que propõe o “Mano a Mano” são um verdadeiro oásis – comentou Karol ao fim do papo.

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No programa, Mano Brown será o anfitrião de convidados diversos e controversos de diferentes cenários, como música, esporte, política, religião, sociedade e cultura. Além de Karol Conká, o médico Drauzio Varella, o pastor Henrique Vieira, o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo e o político Fernando Holiday já estão confirmados entre os convidados do podcast.

Karol Conká e Mano Brown nos bastidores do 'Mano a Mano' (Foto: Jef Delgado)
Karol Conká e Mano Brown nos bastidores do 'Mano a Mano' (Foto: Jef Delgado)

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Samara Felippo faz desabafo sobre episódio de racismo com a filha caçula na escola - Patrícia Kogut, O Globo

Gabriel Menezes

Samara Felippo e as filhas (Foto: Reprodução)
Samara Felippo e as filhas (Foto: Reprodução)

Samara Felippo fez um desabafo sobre um episódio de racismo sofrido pela filha sua caçula, Lara, de 8 anos, na escola. A menina foi xingada por um coleguinha e só relatou o episódio uma semana após o ocorrido:

- A Lara veio me relatando que um amiguinho dela chamou ela de negrinha chata: “ah, sua negrinha chata”. Só que ela veio me contar isso, sei lá, uma semana depois do ocorrido. E aí, me deu uma taquicardia momentânea e eu falei: "filha, está tudo bem? Como é que você recebeu isso? Você precisa falar para a professora na hora". Porque o menino branco lá que falou não pode repetir isso. Ele tem que aprender que isso é crime... Eu falei: "fala para ele que se ele não pagar, os pais dele vão pagar" – contou a atriz numa live no instagram.

Ela relatou como reagiu ao saber do ocorrido:

- Eu mandei um e-mail para a escola e falei: "Aconteceu isso, isso e isso e eu quero saber se vocês vão falar com os pais". Eu estava até discutindo isso com o meu companheiro: "Como é que a gente vai começar a ter uma resposta positiva da sociedade se esse menino branco chega na escola, que se diz inclusiva, antirracista, mas em casa os pais são imbecis, e ele vai repetir os que os pais estão falando"... E crianças como a minha filha e tantas crianças pretas que deixam de ir para a escola e são feridas na primeira infância, atravessadas pelo racismo...

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Ela, então, desabafou: 

- Eu fiquei muito p*. E ela é forte sabe... Eu falei: "você está bem meu amor, está tudo bem? Você se ofendeu, se humilhou? Ela respondeu: "Não, mamãe, eu só fiquei com vergonha de falar na hora". Eu disse: "mas tem que falar na hora, não só para esse corpo docente saber, ter capacidade de lidar com a situação racista, como para esse menino aprender também" – contou.

A atriz afirmou, então, sobre o que a escola fez após ser avisada sobre o episódio:

- A escola chamou o menino e os pais juntos para conversar com eles. Foi o e-mail que eu recebi.

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Léo Pinheiro escreveu carta de próprio punho para voltar atrás em acusações que fez contra Lula em delação; veja o documento | Bela Megale - O Globo

Por Bela Megale

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, escreveu uma carta de próprio punho na qual voltou atrás em acusações que fez contra o ex-presidente Lula na sua delação premiada firmada com a Lava-Jato. A carta do empreiteiro foi um dos elementos que fizeram a investigação que acusava o petista de corrupção e tráfico de influência internacional ser arquivada, como revelou a coluna.

Na carta escrita em maio e anexada ao processo em junho, Pinheiro disse que nunca autorizou ou teve conhecimento de pagamentos de propina às autoridades citadas no caso. Também disse que não houve menção sobre vantagens indevidas durante o encontro ocorrido na Costa Rica. Esse documento foi uma das bases da defesa de Lula, liderada pelo advogado Cristiano Zanin, para solicitar à Justiça de São Paulo o arquivamento da investigação.

Na carta escrita de próprio punho, Pinheiro afirmou também que não sabe informar “se houve intercessão do Ex. Presidente Lula junto à Presidente (ex) Dilma e/ou Ex. Ministro Paulo Bernardo”. “A empresa OAS não obteve nenhuma vantagem, pois inclusive não foi beneficiada por empréstimos do BCIE – Banco Centro Americano de Integração Econômica. Não sabendo informar se houve efetividade da solicitação do Presidente do BCIE, senhor Nick Rischbieth junto ao senhor Ex. Presidente Lula e demais autoridades citadas”, concluiu Pinheiro.

No seu acordo de delação premiada com a Lava-Jato, Pinheiro contou uma história diferente. O ex-presidente da OAS disse que, durante uma viagem à Costa Rica, pediu a Lula que realizasse uma audiência com Nick Rischbieth, presidente do Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE). O objetivo da reunião, segundo Pinheiro, era aumentar a participação do Brasil na estrutura societária da instituição financeira, “bem como credenciar a OAS a realizar parceria com tal Banco”. O empreiteiro disse que o encontro ocorreu na suíte onde Lula estava hospedado e que contou com a presença dele de outro executivo da OAS, o diretor Augusto Uzeda. Em depoimento às autoridades, Uzeda negou a realização dessa reunião.

Ainda em sua delação, Pinheiro havia dito que, na conversa, Lula se comprometeu em interceder junto à ex-presidente Dilma e ao então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para que fosse aumentada a participação do Brasil no BCIE. O empreiteiro afirmou que Lula ficou encarregado de intermediar um encontro entre Paulo Bernardo com o presidente do banco, e que a participação da instituição financeira era fundamental para a expansão e financiamento dos negócios internacionais da OAS.

Segundo pessoas ligadas a Pinheiro, o ex-presidente da OAS pretende fazer outras cartas voltando atrás em trechos de seu acordo envolvendo Lula. Foi com base na delação premiada do empreiteiro que o ex-presidente foi condenado no caso do triplex, hoje anulado pela Justiça. 

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Depois de Barroso, ministro Alexandre de Moraes entra na mira das Forças Armadas | Bela Megale - O Globo

Por Bela Megale

Alexandre de Moraes durante sua sabatina na CCJ do Senado, em 21 de fevereiro de 2017

Principal foco de críticas de militares alinhados a Bolsonaro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, ganhou um companheiro. Seu colega no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes entrou na mira de membros da cúpula das Forças Armadas aliados do presidente.

As respostas de Moraes aos arroubos autoritários de Bolsonaro, que levaram o ministro a transformá-lo em investigado em três inquéritos e determinar a prisão de seu aliado, o ex-deputado Roberto Jefferson, são apontadas por militares como medidas que “tensionam” ainda mais a crise. Membros da alta cúpula das Forças Armadas afirmaram à coluna que Moraes “está perdendo a mão” e que não deveria “entrar no ringue” com o presidente.

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Depois que o voto impresso foi derrotado na Câmara, o tom das críticas a Barroso baixaram nos grupos de WhatsApp de militares, mas cederam espaço para Alexandre de Moraes. Nesta segunda-feira, uma ligação do ministro da Defesa, Braga Netto, para Barroso foi "vazada" durante a sessão do STF. Ele atendeu o general e um trecho da conversa pôde ser ouvido por quem acompanhou o julgamento. A ligação mostrou que, após o voto impresso ser derrotado, militares estão em contato com o presidente do TSE.

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Porta dos Fundos mira além da comédia

João Vicente De Castro fala do investimento da produtora em séries dramáticas e do sucesso que os vídeos do grupo fazem no México
João Vicente De Castro Foto: Vinicius Mochizuki / Divulgação
João Vicente De Castro Foto: Vinicius Mochizuki / Divulgação

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Durante a pandemia, João Vicente de Castro viu um dos seus primeiros grandes projetos deslanchar. O Porta dos Fundos, do qual ele é um dos sócios e fundadores, agora investe também em criações fora da comédia e do digital, através do segmento “Porta Drama”. Além disso, a produtora conquistou espaço internacional, tornando-se um sucesso no México.

O “Porta Drama” é responsável por “As Seguidoras”, primeira série nacional original da Paramount+, também construída com a participação da VIS, divisão da ViacomCBS. A trama gira em torno de uma influenciadora digital, interpretada pela atriz Maria Bopp (da série “Me chama de Bruna”), tão obcecada por ganhar seguidores que se torna uma serial killer. Para João Vicente, a história é atual, tem apelo para o público jovem e trata de um sintoma que a sociedade construiu a partir da corrida por likes.

— No fim das contas, esse tesão por aceitação é uma coisa antiquíssima. A nossa busca é por reconhecimento e pertencimento, então quando surge a ferramenta da internet as pessoas se conectam e é um fenômeno que faz sentido. Acredito que o bolsonarismo é um advento que tem muito a ver com o fato de existir internet porque pessoas que jamais se encontrariam e que jamais virariam um grupo, viraram um movimento — opina.

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Sonho de João Vicente que está ganhando forma, o segmento “Porta Drama” tem também entre seus projetos uma série baseada no romance “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, um outro sobre o jornal O Pasquim e um trabalho no gênero policial, no qual ele também vai atuar. Assim, João expande os caminhos da produtora e cria infinitas possibilidades.

— Eu ando no meio de comediantes geniais, só que nunca fui comediante. Eu gosto de fazer humor e de escrever comédia, mas sempre me interessei por fazer coisas fora desse gênero e, durante a pandemia, a gente começou a crescer e a ampliar o chamado “Porta Studios”, que é o setor que cuida de tudo fora do ambiente digital. Dentro disso, eu comecei a desenvolver projetos que eu sempre quis fazer — explica e dá detalhes do porquê escolheu trabalhar um clássico da literatura brasileira:

— Capitães de Areia foi o que fez eu me apaixonar pela profissão de ator. Existia uma peça nos anos 90, que tinha o André Gonçalves como protagonista e era genial. Ficou muito famosa e contava essa história , eu vi todas as vezes que eu podia. Eu ficava brincando de Capitães de Areia em casa. Comprei os direitos e agora estamos desenvolvendo essa série.

Filho do jornalista Tarso de Catro, que morreu quando o artista tinha apenas oito anos, João Vicente De Castro conta que passou a vida fugindo profissionalmente da sombra do pai e, o projeto do jornal “O Pasquim” torna-se especial, justamente, por reconectá-los.

— Meu pai era um cara muito genial, muito bacana e eu nunca quis ser o filho do meu pai profissionalmente, eu queria ser filho do meu pai pessoalmente. Então eu fui para um lado diferente, virei ator,roteirista, fiz coisas fora do jornalismo. Então, acho que esse projeto tem uma coisa de reconexão com meu pai. Além disso ,na segunda entrevista que dei na vida sobre o Porta dos Fundos, a repórter falou que tínhamos criado uma espécie de “Pasquim” e eu não tinha me dado conta, mas existem muitas conexões realmente. Acho que não tem nenhum grupo no mundo que possa fazer o Pasquim tão bem quanto a gente e tem tudo pra ser um sucesso — explica.

Além de buscar novos espaços no entretenimento, o Porta dos Fundos ganhou espaço internacionalmente e tornou-se um sucesso da internet no México, realizando outro sonho do artista.

— Desde o primeiro ano do Porta, eu quis replicar o nosso conteúdo fora e começamos pelo México. Hoje, nós temos um vídeo lá que é mais visto do que o nosso mais visto aqui no Brasil. As pessoas perguntam, “mas é dublado”? Não, a gente tem uma equipe de atores e atrizes, uma equipe de produtores e conseguimos fazer com que todo mundo conheça o Backdoor (Porta dos Fundos mexicano). Esse ano, vamos lançar o especial de natal lá também porque é uma animação, vamos dublar. O objetivo é continuar crescendo e conquistando novos territórios — conta João Vicente.

A exportação do Porta dos Fundos é possível devido aos temas universais que muitos dos vídeos tratam, como relacionamentos. No entanto, críticas à política brasileira são uma característica do conteúdo da empresa e isso é reflexo também da opinião de seus criadores. Em tempos de discursos calorosos e polarizados, João Vicente de Castro tem um posicionamento claro e não tem medo de retaliações por isso.

— Eu não diria que é preciso se posicionar, isso eu dizia em 2018, hoje em dia é obrigatório, definidor de caráter, é o mínimo que se espera de uma pessoa que, minimamente, tenha algum tipo de capacidade de cognição. É preciso entender que estamos num momento decisivo e determinante. O Bolsonaro já provou que não tem competência para cuidar nem daquela casa que ele se esconde na barra, quem dirá dirigir um país. É urgente que a gente tome nas mãos o problema, é preciso gritar alto, fazer barulho, cobrar, estudar, entender o mundo. Se posicionar, hoje em dia, é pouco — diz o artista.

Ator, apresentador, redator, produtor. João Vicente De Castro é, hoje, um dos grandes nomes do entretenimento brasileiro.

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Entrevista: 'Protestos vazios cobram preço político', diz cientista político Carlos Melo

Para analista, contradições na convocação e carta de Bolsonaro com aceno ao STF esfriaram manifestações contra o governo
Carlos Melo, cientista político Foto: Filipe Redondo/Agência O Globo
Carlos Melo, cientista político Foto: Filipe Redondo/Agência O Globo

SÃO PAULO — As imagens da Avenida Paulista com uma presença modesta de manifestantes contra Jair Bolsonaro rodaram as redes, utilizadas à esquerda e à direita como mostra do insucesso do protesto. Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, os organizadores cometeram um erro ao realizar um ato com baixa adesão — e isso pode cobrar um preço. Mas isso, diz ele, não representa o potencial eleitoral dos grupos políticos. Melo diz que o esvaziamento do protesto começou em contradições na própria convocação e que a carta elaborada por Michel Temer, publicada via Palácio do Planalto, arrefeceu o sentimento de que seria preciso uma resposta rápida a um iminente golpe por parte de Bolsonaro. Para o cientista político, a centro-direita precisa se "fulanizar" em torno de um nome antes de buscar uma união com a esquerda: "enquanto a chamada terceira via não tiver um rosto, a dispersão é natural".

A reprovação ao governo federal é aproximadamente o dobro da aprovação, de acordo com as últimas pesquisas. Mas o ato do domingo, convocado por MBL, Vem Pra Rua e Livres contra Bolsonaro, não conseguiu encher mais de duas quadras da Avenida Paulista. Por que essa dificuldade?

Me parece ter um problema com a convocação do ato, que desde o princípio foi convocado para ser "nem Lula nem Bolsonaro". Depois de quarta-feira (pós 7 de Setembro), ele muda sua natureza, então já tem um problema aí. Estamos falando de apenas quatro dias (até o domingo da manifestação). Além disso, existiram vetos cruzados em todo esse antibolsonarismo. Vimos pessoas do PT dizendo que não participariam de atos junto do MBL, Vem Pra Rua, mas também houve pessoas como o (deputado federal) Marcel van Hattem (Novo-RS) dizendo que "o ato que era para ser 'nem Lula nem Bolsonaro' se transformou em 'fora, Bolsonaro' e daqui a pouco vira 'volta, Lula'". Por fim, houve acordos que não foram cumpridos. O sujeito de esquerda que se prepara para sair de casa (e ir ao ato) e vê aquele pixuleco enorme (boneco inflável de Bolsonaro equiparado a Lula), ele não vai mais. Esse foi um ponto de divergência entre os organizadores.

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O protagonismo do MBL, que tem histórico de ataques à esquerda e engajamento no impeachment de Dilma, também interferiu na baixa adesão?

Ressentimentos políticos existem e são marcantes, mas eles fazem parte. A superação desses ressentimentos se dá ao longo do tempo e precisa ser operado politicamente. Não é do dia 7 para o dia 12 que esse negócio vai ser feito. Esse processo foi atropelado pelo que decorreu do discurso do Bolsonaro (no 7 de Setembro).

Qual é a influência do recuo do presidente, expresso em carta, nessa desarticulação?

Em se tratando do Bolsonaro, recuos são sempre muito precários e duvidosos. Mas a carta tira o sentido de emergência e de temor de um "golpe já", esfria aquele calor, aquele ambiente do dia 8, em que havia caminhoneiros nas ruas.  Para muita gente, ela veio como uma espécie de alívio. Dizer que a carta é um fator preponderante (para o esvaziamento do protesto) talvez seja um exagero.

Bolsonaristas debocharam do ato de domingo. Vale a pena botar carro de som na rua para encher duas quadras na Paulista?

Não vale a pena. É um erro que tem consequências. Cobra um preço político. O que que as pessoas razoáveis fazem diante dos erros? Avaliam e tentam corrigir. Claro que os adversários vão tirar sarro dos seus erros. Encontrar a justa medida, o timing certo para sair às ruas, é uma arte. Agora eles deveriam tentar fazer um balanço sincero, às vezes doloroso, dos erros que cometeram, e corrigir.

O que esperar dos próximos protestos antibolsonaro?

Há uma tendência de o próximo ser um protesto mais vigoroso do que vimos no domingo. Já houve alguns protestos feitos pela esquerda nos últimos meses, com um número bem razoável de pessoas, então há uma tendência de você ter protestos maiores. Mas é necessário colocar as barbas de molho e primeiro construir. Eles (esquerda) não chamaram um protesto para o dia 19. Chamaram para dia 2 de outubro. Então há 20 dias para se construir. Segundo lugar, é necessário ter cuidado em não cometer o erro que Bolsonaro cometeu em dizer que suas manifestações seriam gigantes. Porque depois, por maiores que elas sejam, há sempre uma frustração perto da expectativa que se criou. Criar expectativas irreais fazem você pagar um preço político alto demais por não realizá-las.

O protesto do domingo serviu para medir a expressividade de um terceiro grupo, a viabilidade eleitoral entre as esquerdas e Bolsonaro?

Acho que não. Mesmo a manifestação do 7 de Setembro ficou muito aquém do potencial do bolsonarismo. É um erro acreditar que Bolsonaro colocou todo o seu potencial ali (no 7 de Setembro). Da esquerda, a mesma coisa. Não expressa o potencial eleitoral, expressa o setor mais engajado. O problema desse terceiro grupo é que, enquanto os bolsonaristas e lulistas têm símbolos, esse não tem. Você olha para o palanque de ontem e vê vários candidatos disputando a preferência dos presentes, isso é ruim. Enquanto a chamada terceira via não tiver um rosto, essa dispersão será natural.

Em um dos carros de som na Paulista, lideranças discursaram contra PT e Lula, equiparando-os a Bolsonaro. Esse tipo de atitude pode ditar a amplitude dos próximos protestos da oposição?

É claro, isso atrapalha muito a aproximação, mas radicais existem dos dois lados. Como o PCO também é um problema quando a esquerda faz suas manifestações. No primeiro ato antibolsonaro em que o PSDB aderiu, eles foram agredidos pelo PCO.

É possível dissociar o aspecto eleitoral do cálculo da oposição na articulação desses protestos contra Bolsonaro?

Infelizmente não, pelo menos até aqui. O fator eleitoral está presente, mas não deveria estar. Se fosse um candidato de centro favorito em disputar contra Bolsonaro, será que ele abriria mão de ter Bolsonaro como adversário? É natural esse cálculo eleitoral, mas quando o que está em jogo é a própria democracia, isso é um erro.

O ex-presidente Lula lidera as pesquisas de intenção de voto. O senhor vê indisposição por parte do PT em derrubar Bolsonaro agora e prejudicar o cenário eleitoral de 2022?

Esse cálculo se baseia no seguinte princípio: tudo o mais constante, a democracia e as eleições garantidas, evidentemente parece que para o PT o melhor cenário seria disputar com Bolsonaro. Mas na percepção de que a democracia de fato não chega até lá, isso pode de fato colocar outro tipo de cálculo, de racionalidade, para os petistas. Quanto mais essa percepção se fortalecer, menos tende a se pensar na eleição, e mais na manutenção da democracia. Quanto mais o sistema político conseguir produzir conciliações, como a carta do Bolsonaro, quanto maior for a impressão de que o leão ruge muito alto mas não é feroz, o cálculo eleitoral passa a ter predominância.

Que tipo de concessão cada um dos grupos terá de fazer daqui em diante para conseguirem estar nas ruas juntos pelo impeachment?

Tem uma questão aí que é a agenda econômica, onde reside boa parte dos problemas. A agenda econômica será obrigada a ser discutida com uma pauta de políticas públicas que mitiguem todo o problema social que a gente está vivendo, o desemprego estrutural, o desalento, a miséria que voltou, inflação. Aí tanto os setores à esquerda que quiserem dialogar vão ter que encontrar uma possibilidade de complementação de políticas econômicas que ajudem no desenvolvimento, ao mesmo tempo em que protejam as pessoas.

E concessões em termos discursivos, para um lado atrair o outro?

Acho que no caso da esquerda, o movimento do Lula não é só discursivo, é simbólico. É apresentar quem será o coordenador do seu projeto econômico. Seria esse o sinal importante. Mas para o outro lado também vale questionar qual é a opinião dessas pessoas sobre a deterioração do ambiente social no Brasil. O que fazer? Só deixar por conta do mercado... A gente sabe que não resolve. O grande problema é que quando você fala na centro-direita, você fala "tá, mas quem?". Na esquerda você pode "fulanizar". É o Lula. Mas o outro campo ainda não se decidiu. Se ele ainda está internamente fragmentado, como você pode buscar uma união com a esquerda? Como resultado você tem aquela manifestação de domingo.

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Nem GOLPE, nem IMPEACHMENT ______ Merval Pereira 14/09/2021 • 04:31

Não vai ter golpe, nem impeachment. E talvez nem candidato único como terceira via. Assim como as multidões que estiveram nas ruas no 7 de Setembro apoiando Bolsonaro não impediram que ele fosse derrotado — tanto que teve de recuar —, a falta de pessoas em número expressivo nas manifestações do fim de semana não quer dizer que ele tenha maioria, como insinuou.

Bolsonaro teve uma máquina de organização muito afiada — parecia o PT nos áureos tempos, com o sindicalismo mobilizando as massas. Mas as próximas pesquisas de opinião provavelmente mostrarão Bolsonaro caindo para o que pode ser seu chão, cerca de 20% de apoiadores.

As manifestações não foram um fracasso, mas sinal de que não há condições políticas para o impeachment. Também foi um erro convocá-las pouco tempo depois do êxito das em favor de Bolsonaro. A carta que o ex-presidente Michel Temer negociou e essa demonstração fraca de apoio ao impeachment mostram que Bolsonaro ainda tem algum fôlego para seguir adiante.

Se ele não fizer alguma grande loucura, poderá chegar ao final do governo em campanha, com as vantagens que a estrutura do governo oferece na reeleição. Mas sua situação eleitoralmente continua frágil, embora esteja difícil conseguir um nome que una todos os lados na terceira via, o que poderá acontecer durante a campanha, que irá descartando candidaturas que não tenham força popular.

Só assim poderá surgir uma alternativa a Lula e a Bolsonaro. Sem essa alternativa da terceira via consistente, será uma campanha complicada, violenta e negativa, para ver quem é o menos ruim. A ideia de que uma campanha fragmentada em várias candidaturas pode levar à polarização entre Bolsonaro e Lula, apesar dos pesares, parece lógica, mas há um exemplo recente de que a fragmentação pode levar a uma vitória do centro.

Na eleição para a Presidência da França, no primeiro turno, Emmanuel Macron teve 24,01%; Marine Le Pen, 21,30%; François Fillon, 20,01%; Jean-Luc Mélenchon,19,58%. No segundo turno, Macron foi eleito com 66,10%. Embora tenham explicitado o que já se pressentia, uma centro-direita dividida, as manifestações do fim de semana mostraram também uma esquerda isolada em torno do ex-presidente Lula.

MDB, PSDB, Cidadania, DEM, quatro dos principais partidos não engajados com o PT, estão organizando um seminário intitulado “Um novo rumo para o Brasil”, que discutirá em seu painel principal amanhã a crise institucional e a democracia, reunindo três ex-presidentes — José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer — como debatedores e, como expositor, o ex-ministro da Defesa e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim. O encontro, coordenado pelo ex-ministro e ex-governador do Rio Moreira Franco, terá a presença dos presidentes dos partidos organizadores.

Diversos temas serão abordados nos painéis até o dia 27, tendo como base a democracia: “Crise fiscal, crescimento econômico e democracia”; “Desigualdade social, educação e democracia”; “Segurança pública e democracia” e assim por diante. Embora já estivesse marcado há algum tempo, coincidir com as recentes manifestações é um acaso feliz, pois mostra que é possível unir partidos distintos num esforço comum de busca de caminhos para o país.

As coisas, no entanto, andam tão atabalhoadas que eventos repentinos unem, depois separam, figuras públicas como Michel Temer e Bolsonaro. Chamado a ajudar a resolver a crise institucional em que Bolsonaro envolveu o país, o ex-presidente sacou do bolso do colete uma declaração à nação que deu um alívio à crise, até que o presidente atual volte a ser ele mesmo.

Ao mesmo tempo, Temer saiu do episódio vitorioso, a ponto de haver cartaz pedindo sua volta ao poder na manifestação da oposição e de ser aplaudido num restaurante paulistano. Fossem bolsonaristas arrependidos, fossem oposicionistas, o fato é que ele já se enxerga como uma potencial terceira via.

Pode ser que a eleição seja uma repetição dos nossos erros mais recentes. No filme “Feitiço do tempo”, o personagem central é levado a repetir o mesmo dia várias vezes, até conseguir transformar-se em outra pessoa, melhorada. Será que teremos de repetir os mesmos erros até acertarmos?

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Bolsonaro vira piada na elite do poder e Temer cai na gargalhada após imitação feita pelo filho de Paulo Marinho


247 
- Jair Bolsonaro virou piada na internet ao ser imitado pelo comediante André Marinho, filho do empresário Paulo Marinho. Na apresentação, o humorista fez referência ao fato de Michel Temer ter sido chamado para diminuir os atritos de Bolsonaro com o Poder Judiciário principalmente com o Supremo Tribunal Federal (STF), depois dos atos do 7 de setembro. 

"No tocante ao presidente, eu tenho que agradecer você demais, porque tu salvou o careca de levar minha hemorróida, pô", zomba o humorista se passando por Bolsonaro, que, no vídeo, agradeceu a Temer e, ao usar a palavra careca, fez alusão ao ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news. 

Em seguida, o comediante fez piada com a carta escrita com a ajuda de Temer, após Bolsonaro dizer, no dia 7, que não acataria decisões do STF.

"E essa cartinha que eu recebi tua, achei ela meio infantil, meio maricas. Tô achando que foi o Michelzinho que mandou pra mim. Cadê a parte que combinei contigo de queimar o STF, cadê a parte que combinei que botasse peruca no Fux, cadê a parte que combinei de botar o pau de arara na Praça dos Três Poderes e dar de chibata no lombo de Alexandre de Moraes", zombou André Marinho.

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BRUNA LINZMEYER sofreu LESBOFOBIA durante QUATRO ANOS num consultório de PSICANÁLISE (¿•?). Só que escutar da analista frases como “você não é lésbica” e “isso é uma fase” foi, ao poucos, MINANDO a AUTOCONFIANÇA da atriz de 28 anos.

Bruna Linzmeyer: 'Quando me descobri sapatão, foi uma farra dentro de mim'

Na série 'Entrevista na janela', feita com drone, atriz fala de 'Pantanal' e de ter se tornado uma voz importante no empoderamento LGBTQIAP+: ‘O amor entre mulheres é transformador’
Bruna Linzmeyer Foto: Divulgação / Jorge Furtado
Bruna Linzmeyer Foto: Divulgação / Jorge Furtado

Bruna Liznmeyer sofreu lesbofobia durante quatro anos num consultório de psicanálise. Não foi tão explícito como aconteceu com uma de suas amigas, que ouviu da terapeuta: “Você não precisa de um caminhão, mas de um caminhoneiro”. Só que escutar da analista frases como “você não é lésbica” e “isso é uma fase” foi, ao poucos, minando a autoconfiança da atriz de 28 anos.

— Quando vi, eu não dançava mais, não bebia, não amava. Parei até de escrever. Ela me fez duvidar de mim, da minha escolha, do meu desejo — conta Bruna, em entrevista por drone na série do GLOBO, “Entrevista na janela” (veja abaixo).

A atriz Bruna Lizmeyer é a convidada da série
A atriz Bruna Lizmeyer é a convidada da série "Entrevista na Janela". Na conversa com a repórter Maria Fortuna, a atriz conta como é ser sapatão e como lida com sua sexualidade: "A possibilidade do amor entre duas mulheres é revolucionário", diz. Bruna vai além. "Eu gosto de ser quem eu sou quando estou com com mulher sapatão". A atriz também fala sobre os incêndios do Pantanal e da personagem.

Falar sobre essa experiência tem sido uma forma de ajudar outras mulheres. Bruna, que atualmente namora a DJ e artista visual Marta Supernova, se tornou uma voz importante no empoderamento LGBTQIAP+. Em suas redes, acolhe, encoraja, sobretudo, colabora na construção do que chama de “cultura sapatão”. No Instagram, criou o programete “Brindr”, inspirado no app de pegação “Grindr”, para pessoas se conhecerem.

Nessa entrevista, a atriz, que está rodando o remake de “Pantanal”,integra o elenco dos filmes inéditos “Medusa” e “Uma paciência selvagem me trouxe até aqui”, afirma que “ser sapatão é um pertencimento emocional, um lugar no mundo”.

Como será a sua "Madeleine", papel que foi de Ingra Liberato na primeira versão de Pantanal? Você já disse que a personagem terá uma "voz amargurada" e está te dando trabalho....

Faço a primeira fase da novela, são 20 capítulos. Há passagens de tempo, e Madeleine tem uma curva até chegar nessa voz amargurada. Madeleine é o tipo de personagem que olho e falo: "Que bosta de vida, que merda que ela foi parar aí com as próprias atitudes". Ela é capturada pela estrutura patriarcal e de classe, mas, ao mesmo tempo, está sempre buscando algo. Só que não encontra e vai se decepcionando. Tem uma energia alta, uma impetuosidade. Começa com muitas vontades e vai se vendo em emboscadas. Não está disposta a ceder e vai endurecendo. É alguém com o peito duro, que não se aconchega no abraço.

O remake da novela chega após sucessivas queimadas e incêndios no Pantanal. Acredita que a novela pode ajudar a chamar a atenção para importância da preservação desse bioma único no mundo?

Espero. Quando a gente fala do Pantanal, o fogo é o que mais chama a atenção, mas precisamos falar também das nascentes que estão secando, do desmatamento em volta delas, do veneno nessas águas, das plantações de soja. O Pantanal também está secando por uma exploração da natureza.

Quando conseguiremos entender que a falta de luz, de ar-condicionado tem relação direta com em quem a gente vota? Quem está denunciando esses venenos nas nascentes do Pantanal está sendo perseguido. Estamos vivenciando uma crise grande, e esse governo dificulta tudo ainda mais.

Acho que o audiovisual tem o poder de criar memória afetiva, de a gente ver o Pantanal queimando e lembrar na novela. Espero que isso contribua para uma maior conscientização nossa e do governo sobre o que precisa ser feito para que a gente tenha água nos próximos anos.

Você se tornou uma voz importante do empoderamento LGBTQIAP+. O que as pessoas que lutam para viver a sexualidade com liberdade têm precisado ouvir para tornar a caminhada menos dura?

São tantas respostas... Somos muitas e diferentes, depende de onde a gente mora, da cor da nossa pele, das escolhas de cada um. Ao longo dos últimos anos, a gente tem construído uma cultura lésbica. Ser sapatão não é só sobre amar ou fazer sexo com mulheres, mas sobre uma identificação histórica cultural, sobre um pertencimento que só é possível quando a gente encontra esse coletivo. Isso sempre vai ser importante, porque sozinha é muito difícil.

O que seria essa cultura sapatão?

A ideia de cultura sapatão é estender o que, para mim, é a vivência e a experiência de ser sapatão. Existem conversas e maneiras de perceber o mundo que só as sapatonas têm. Quais são as piadas das quais só a gente ri? Como vemos o mundo? Como nossa vivência pode ser interessante para o mundo no momento que não tem um homem aqui, para além da nossa sexualização, de duas mulheres se beijando? Há uma cultura musical explícita, Cássia Eller, Ana Carolina, Bia Ferreira. Há lacunas no audiovisual. O que gostaríamos de ver e não vemos?

As teóricas feministas lésbicas Adrienne Riche e Monique Wittig falam sobre esse deslocamento da estrutura patriarcal que ser sapatão significa, no sentido do que esperavam da gente enquanto mulher. Parece simples, mas é desestabilizador para o sistema. Porque não existe uma necessidade de baixar a cabeça para um homem. Há uma possibilidade de subversão.

Para mim, a cultura sapatão é entender que isso atravessa a minha experiência, meu trabalho, a maneira como construo uma personagem, que escrevo um roteiro, a minha escuta. Ser sapatão não é só uma orientação, é também uma identidade. Para além de sexo e romance é uma identificação cultural, um pertencimento emocional, um lugar no mundo.

Muita gente fica com mulheres, mas não pertence ao mundo sapatão. Me sinto pertencente. Acho que ser sapatão traz a oportunidade de se ver. Porque a gente é educada para ser algo que nem sabe se quer. Gostar de homem, transar com homem, amar os homens, querer trabalhar com homem...

Qual a importância da ressignificação da palavra “sapatão”, antes usada para ferir lésbicas?

É enorme, porque as capturas da nossa subjetividade se dão no dia a dia. Você fala: "Você está tentando me xingar de algo que eu sou, não vai dar para me ofender". Essa é a construção do orgulho. Aquela famosa coisa que a gente precisa entender: LGBTfobia é um problema das pessoas "héteras", assim como o racismo é um problema das brancas. 

A cantora Zélia Duncan, com quem vê rodou o filme "Uma paciência selvagem me trouxe até aqui", disse que meninas lhe devolveram o orgulho de ser sapatão. Qual é a maior contribuição da nova geração de lésbicas para o mundo contemporâneo?

Porque a geração da Zélia pôde construir antes a gente está podendo falar mais sobre isso hoje. Falar que estamos aqui. Mas a partir de agora, a gente precisa falar também sobre as nossas faltas? Temos a pauta da maternidade, da inseminação artificial, das sapatonas não "bináries", das pessoas que não se identificam nem como homem nem como mulher, a saúde lésbica...

Quais são as principais questões da saúde lésbica?

Tem tanto a física quanto a mental. O quanto psicólógos e terapeutas estão abertos a construir algo junto com o paciente? Entender que, talvez, não saibam tudo e precisam aprender? Precisamos estar atentas, porque quando achamos que está tudo bem, vem alguém da nossa confiança que não valoriza nossa vivência, inviabiliza nossa experiência, tenta cortar nossas asas. Óbvio que há profissionais incríveis, continuo fazendo análise, mas essas pessoas estão em todos os lugares.

Em relação à saúde física, há a violência ginecológica. "Você não transa com pênis, então, nem preciso te examinar". Muitas deixam de ir ao médico porque têm medo. Há também um tabu. Acham que o sexo entre vulvas não tem ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), mas tem muita. Que proteção o SUS oferece? Tem uma camisinha que precisa cortar com tesoura. Há um negócio de dentista chamado dental dam. É o que as pessoas com vulva usam fora do Brasil, mas a venda aqui é proibida. Aí, tem papel filme, que dizem não ser bom. É uma precariedade, uma invisibilização...

Também estamos falando de lesbocídio. É difícil mapear quais assassinatos são por questões de lesbofobia porque a gente não tem um mapeamento das mulheres.

Tem ainda a inseminação artificial, que é muito cara. É possível fazer pelo SUS, mas a fila é longa. Há também a violência dentro do consultório. "Quem é o pai?". Registro no cartório não é fácil e nem sempre é bem aceito. Quando a criança está maior, a questão de encontrar uma escola que entenda que ela tem duas mães...

Bruna Linzmeyer Foto: Jorge Bispo / Divulgação / Jorge Bispo
Bruna Linzmeyer Foto: Jorge Bispo / Divulgação / Jorge Bispo

Você falou em inseminação artificial. Tem vontade de colocar uma criança nesse mundo?

Tenho muitas amigas crianças, mas nunca tive vontade de ser mãe. Dizem: "Você vai mudar de ideia, é muito nova". É violento ouvir isso. Tenho escolhido até esse momento não ser mãe. Não tenho vontade nem perspectiva de ser os próximos anos. E tudo bem. Tenho outras vontades na vida. Sou mãe dos meus filmes. Isso não significa que eu não lide com a maternidade. Tenho uma construção grande com a maternidade enquanto filha e com minhas amigas. 

O ator Carmo Dalla Vecchia disse que, por mais que a pessoa vá resolvendo isso ao longo da vida, existe um preconceito interno ao se descobrir gay, porque a gente nasce ouvindo que é errado. Enfrentou esse dilema?

Tudo era um pouco não falado enquanto eu cresci. Sapatão, então, nem existia. Não se falava essa palavra. Tive uma educação da roça. Meus pais, amorosos, construíram minha autonomia e liberdade, apesar de eu ter crescido numa cidade conservadora ("Corupá", em Santa Catarina). Quando me descobri sapatão, encontrei com esse mundo dentro e fora de mim, foi uma farra, uma alegria. Fez sentido para mim. Não tive dor. Ao contrário, pensei: "Ah, tá, então, esse é o mundo, vivi para chegar aqui, simbora!".

A primeira vez que namorei uma mulher foi em 2015. Mas já vinha me relacionando com mulheres antes disso. Uma vez que fui vivendo isso de 2015 para cá de uma forma mais consciente, pude também recuperar memórias de um passado que não sabia que existia. Amei outras mulheres que considerava amigas na adolescência. A gente não via como amor romântico. Era algo que acontecia e ninguém falava sobre. Porque existe essa invisibilização. Não é nem dado como uma possibilidade. Para mim, não foi. Tipo: "Olha, você também pode amar meninas". Mas eu vivia isso.

Estava muito confortável dentro de mim, mas o mundo não fica confortável quando uma mulher, principalmente, uma mulher sapatão está confortável. Fui encontrando esses preconceitos que acabaram me capturando. Tive esse péssimo encontro com uma psicanalista lacaniana. Vivi anos de lesbofobia, de muita opressão dentro do consultório. Ela não assumia que as relações com mulheres eram importantes para mim, dizia "isso é uma fase".

Qual foi o maior absurdo que ouviu dela?

Esse tipo de opressão é tão violenta porque não se dá numa frase feita. É aos poucos, numa forma de falar, numa pergunta, num jeitinho. Quando vi, eu não dançava mais, não bebia, não amava, não me divertia mais. Parei de escrever, de fazer meus projetos. Falei: "O que aconteceu comigo?". Olhei para trás e tinha vivido anos de um abuso que tive dificuldade em perceber. Tenho uma amiga que viveu uma frase feita. Ficou um mês e meio até a psicanalista falar: "O que você precisa é de um caminhoneiro e não de um caminhão".

Nossa! Mas com você foi como ela tivesse sugado a sua autoconfiança, né?

Exatamente. Ela me fez duvidar de mim, da minha escolha, do meu desejo, da minha autoidentificação. Dessas frases feitas, ela disse: "Só um falo pode substituir outro falo". Oi? Há algo muito falocêntrico, que só valida as relações que têm pênis. A coisa mais agressiva que ela disse e diz muito sobre o mundo que a gente vive, foi: "Você não é lésbica". Imagina alguém falar para você: "Maria, você não é mulher".

Junto com essa aceitação de si mesma, da descoberta da sua sexualidade, veio uma libertação no sentido de não se cobrar um corpo padrão, de não se depilar, né?

Foi. Muita gente fica com mulher, mas nem sempre pertence ao mundo sapatão. Me sinto pertencente a essa comunidade. Ser sapatão traz a oportunidade de se ver. Porque a gente é educada para ser uma coisa e nem se pergunta se quer. Amar homem, transar com homem, querer trabalhar com homem. A gente quer tudo com os homens.

Se apaixonar por uma mulher é adentrar um mundo em que o centro dele não é um homem, mas nós. Comecei a me questionar sobre o que me ensinaram. "Ah, então, posso ser amiga das mulheres, a pessoa que mais quero trabalhar pode ser uma mulher, quem eu amo e quero dormir de conchinha também pode ser mulher. A possibilidade de o amor entre mulheres existir é revolucionário e transformador. Foi com isso que me encontrei.

 E aí, junto vêm essas coisas mais banais, tipo: "Posso ter pelo, cabelo e unha curta, não preciso usar roupa justa o tempo inteiro nem ser muito magra". Gosto do meu corpo assim, com essas gordurinhas. Existe um outro mundo, sabe?

Bruna Linzmeyer Foto: jorge bispo / Divulgaçao/ Jorge Bispo
Bruna Linzmeyer Foto: jorge bispo / Divulgaçao/ Jorge Bispo

Um mundo que não precisa da aprovação masculina...

Exato. Gosto de quem sou quando estou com mulheres sapatonas. Me sinto mais confortável, legal, generosa, relaxada. Isso é precioso, porque sou também a partir de como o outro me vê. Como as sapatonas me enxergam é muito mais legal do que como os homens me veem. De um jeito mais sincero, real. É através desse encontro com outras mulheres que amam mulheres que também me encontro dentro de mim.

Perdeu muito trabalho em publicidade quando se declarou lésbica? Hoje você faz muita propaganda nas redes....

Quando saiu no jornal, em 2015, vários trabalhos de publicidade que tinha na agenda foram cancelados. Até hoje, acho que muitas coisas não chegam até mim porque sou sapatão, uma mulher adulta que usa os pelos naturais ou porque não sou tão feminilizada quanto poderia ser.

As coisas mudaram muito de 2015 para cá e me sinto agente dessa mudança. Hoje, tem uma publicidade interessada, fico feliz de trabalhar com marcas que valorizam quem eu sou, acham importante eu ter essa liberdade, essa coragem, esse conforto com o meu corpo.

O audiovisual vai aos poucos, está engatinhando para a gente poder, de fato, contar essas histórias, ser protagonista, diretora, roteirista. 

Você rodou dois filmes recentes com mulheres e está desenvolvendo outros dois cercada por elas também. Ter mulher à frente dos projetos é um fator determinante para você estar nele? É interessante pensar isso, porque sempre fomos "estragadas", digamos assim, pelo pensamento de que a gente compete...

Me interessa muito quando as mulheres estão. Continuo trabalhando com pessoas que não são mulheres e é legal também. Não dá para a gente romantizar e falar que só porque e mulher é legal. Tem muita sapatão péssima. Mas quer dizer que talvez a gente compartilhe de uma cultura, de uma memoria afetiva que possa construir coisas a partir dessas vivências. Me interessa essa construção.

Ter um homem na direção que não se sente ameaçado por uma equipe de mulheres também pode ser legal. A gente vai construindo possibildades reais de troca para além do gênero. Agora, é estarrecedor um set de filmagem com uma mulher como chede de equipe, é muito foda! É só olhar nos olhos que a gente sabe o que a outra está falando.

Você escreveu um curta de animação com a sua namorada, Marta. Do que se trata?

Se chama "Tomate canoa". A gente conversa muito sobre a teoria do "anormal". O que é ser um corpo anormal? Hoje em dia, é do que mais me xingam. "Ah, você até pode ser isso, mas não é normal". Ser normal é o que? Ficar julgando a maneira como me relaciono só porque é desviante da norma? Resolvi pegar esse xingamento para mim, como fizemos com sapatão. O filme tem a ver com essa ideia. Como é que um corpo anormal percebe o mundo? É uma historinha de ficção sobre uma menina que colhe tomates.

Há ainda outros dois filmes em que está trabalhando, né? Um deles se chama "Corupá", nome da cidade onde você nasceu. É biográfico?

Um desse filmes é "Vulkan", que a Júlia Zakia me chamou para escrever com ela. É sobre um triângulo amoroso sapatão. Fala sobre essas possibilidades de amor. Vou atuar também, faço uma das mulheres do triângulo. "Corupá" não é uma história biográfica, só se passa na cidade em que cresci e tem relação com o modo como ela funciona, a plantação de banana, a roça, a quantidade de água que tem lá, o conservadorismo.

As personagens principais não vão ser "héteras", mas é a história de uma família de duas mulheres e uma filha, mas nenhuma tem relação amorosa entre si. Tem uma ideia de escape das estruturas normativas do mundo e aí há relação comigo nesse sentido... Mas é a maneira que enxergo a vida, todos os trabalhos que eu venha colocar no mundo vão falar de um desvio, de um desencaixe.

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Em entrevista por drone, Bruna Linzmeyer fala de 'Pantanal' e da cultura sapatão: 'O amor entre mulheres é transformador'

Atriz conta como episódios de lesbofobia em consultório de psicanálise minaram sua autoconfiançca e revela o principal xingamento com o qual é atacada atualmente: 'Me chamam de anormal'
Bruna Linzmeyer Foto: Jorge Bispo / Divulgação / Jorge Bispo
Bruna Linzmeyer Foto: Jorge Bispo / Divulgação / Jorge Bispo

Bruna Liznmeyer sofreu lesbofobia durante quatro anos num consultório de psicanálise. Não foi tão explícito como aconteceu com uma de suas amigas, que ouviu da terapeuta: “Você não precisa de um caminhão, mas de um caminhoneiro”. Só que escutar da analista frases como “você não é lésbica” e “isso é uma fase” foi, ao poucos, minando a autoconfiança da atriz de 28 anos.

— Quando vi, eu não dançava mais, não bebia, não amava. Parei até de escrever. Ela me fez duvidar de mim, da minha escolha, do meu desejo — conta Bruna, em entrevista por drone na série do GLOBO, “Entrevista na janela” (veja abaixo).

A atriz Bruna Lizmeyer é a convidada da série
A atriz Bruna Lizmeyer é a convidada da série "Entrevista na Janela". Na conversa com a repórter Maria Fortuna, a atriz conta como é ser sapatão e como lida com sua sexualidade: "A possibilidade do amor entre duas mulheres é revolucionário", diz. Bruna vai além. "Eu gosto de ser quem eu sou quando estou com com mulher sapatão". A atriz também fala sobre os incêndios do Pantanal e da personagem.

Falar sobre essa experiência tem sido uma forma de ajudar outras mulheres. Bruna, que atualmente namora a DJ e artista visual Marta Supernova, se tornou uma voz importante no empoderamento LGBTQIAP+. Em suas redes, acolhe, encoraja, sobretudo, colabora na construção do que chama de “cultura sapatão”.

Na entrevista abaixo a atriz, que está rodando o remake de “Pantanal” afirma que “ser sapatão é um pertencimento emocional, um lugar no mundo”. Ela também releva o que sentiu quando se descorbiu lésbica ("foi uma farra dentro de mim") e o principal xingamento com o qual é atacada ("me chamam de anormal").

Como será a sua "Madeleine", papel que foi de Ingra Liberato na primeira versão de Pantanal?

Madeleine é o tipo de personagem que olho e falo: "Que bosta de vida, que merda que ela foi parar aí com as próprias atitudes". Ela é capturada pela estrutura patriarcal e de classe, mas, ao mesmo tempo, está sempre buscando algo. Só que não encontra e vai se decepcionando. Não está disposta a ceder e vai endurecendo. É alguém que não se aconchega no abraço.

Você se tornou uma voz importante do empoderamento LGBTQIAP+. O que as pessoas que lutam para viver a sexualidade com liberdade têm precisado ouvir?

São tantas respostas... Somos muitas e diferentes, depende de onde a gente mora, da cor da nossa pele, das escolhas de cada um. A gente tem construído uma cultura lésbica. Ser sapatão não é só sobre amar ou fazer sexo com mulheres, mas sobre uma identificação histórica cultural, sobre um pertencimento que só é possível quando a gente encontra esse coletivo. Isso sempre vai ser importante, porque sozinha é muito difícil.

O que seria essa cultura sapatão?

Existem conversas e maneiras de perceber o mundo que só as sapatonas têm. Quais são as piadas das quais só a gente ri? Como vemos o mundo? Como nossa vivência pode ser interessante para o mundo no momento que não tem um homem aqui, para além da nossa sexualização, de duas mulheres se beijando? Ser sapatão não é só uma orientação, é também uma identidade. Para além de sexo e romance é uma identificação cultural, um pertencimento emocional, um lugar no mundo.


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Ataques de 11 de setembro: Os conselhos de Eric Hobsbawm que os EUA não quiseram seguir | Blog do Acervo - O Globo

Ataques de 11 de setembro: As torres do World Trade Center atingidas por aviões

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, há 20 anos, o então presidente americano, George W. Bush, apressou-se em achar um culpado para quem direcionar o desejo de vingança da população. Osama bin Laden e Afeganistão foram os inimigos a entrar na mira da maior potência militar do mundo. A estratégia, porém, foi criticada pelo célebre historiador Eric Hobsbawm. Em entrevista publicada pelo GLOBO sete dias depois dos ataques ao World Trade Center, e 20 dias antes da invasão do Afeganistão, o autor de "Era dos extremos: O breve século XX" afirmou que os EUA deveriam, em vez de buscar revanche, refletir sobre as razões de tanto ódio contra a América.

Para Hobsbawm, uma ofensiva americana contra o Afeganistão "seria a oficialização do recrutamento de uma nova geração de terroristas suicidas". O pesquisador, que morreu em 2012, aos 95 anos, e não viu a trágica retirada das tropas dos EUA e a retomada do Talibã, semanas atrás, afirmou que a invasão do país asiático seria a "galvanização do inimigo" Nas palavras dele, "Quando o mundo se inclina entre a razão e a insanidade, como podemos observar agora, poucas certezas permanecem, além do fato de esta guerra estar sendo declarada em nome dos que defendem a paz". Leia, abaixo, a entrevista na íntegra.

O historiador britânico Eric Hobsbawn: EUA deveriam refletir sobre tanto ódio

Uma nova cultura de guerra parece estar surgindo. O senhor teme que um choque entre as civilizações possa substituir o confronto das idéias?

Não acredito, como também não reconheço essa nova modalidade de guerra. Guerra se declara a um Estado, não a facções religiosas ou políticas. Quando lemos ou ouvimos os últimos noticiários sobre "guerra aos terroristas", "guerra do bem contra o mal", concluímos que, até agora, a guerra está sendo travada no campo da retórica. Trata-se, na verdade, de uma retórica auto-referencial dos Estados Unidos.

O senhor não concorda, então, que o governo americano deva reagir?

É natural que os americanos despertem de um drama sangrento com sede de revanche, de retaliação. Hoje, eles se sentem violados em seus mais profundos valores. Tragédias provocadas pelo terror cimentam a solidariedade civil e irrigam a sede de vingança. A hora, contudo, é de reflexão, não de revanche. O momento é inoportuno também para se falar em justiça, pois neste a justiça seria interpretada como vingança nos Estados Unidos. Mas falar em “choque entre civilizações” é uma tentativa de redirecionar o problema. Estamos assistindo a um conflito de opiniões, não a um choque entre civilizações. Cristãos e islâmicos formam uma única civilização. Ambos têm seus valores e dogmas bem sedimentados. Portanto, tentar colocá-los em lados opostos é pretender fragilizar o argumento histórico.

Qual o curso que o terror nos Estados Unidos segue?

Há duas mensagens contidas nos ataques terroristas aos Estados Unidos, que todos nós, do mundo ocidental, deploramos, assim como igualmente reagiram a maioria dos países do Oriente Médio e da Ásia. Primeiramente, o governo americano deve se perguntar por que uma onda antiimperialista, antiamericanista, que ganhou força em todos os oceanos do mundo, inunda com tanta implacabilidade os Estados Unidos? Outra mensagem encontra-se embutida em duas outras indagações: por que os responsáveis por essa tragédia sacrificaram as próprias vidas no processo, e por que os Estados Unidos são hoje odiados com imensurável rancor não somente nos países árabes e islâmicos, mas em grande parte do mundo em desenvolvimento?

Os próprios EUA deveriam responder a essas questões?

A essas perguntas, os Estados Unidos respondem com ponderações insipientes, dizendo que a liberdade e a democracia foram atacadas. A resposta não é tão simplista. A mim, pessoalmente, parece que alguém está tentando dizer ao presidente George Bush que sua política externa negligenciou as necessidades de grande parte dos países árabes e islâmicos, dos países em desenvolvimento; que nenhum país é hegemônico o suficiente para governar o mundo sozinho.

11 de setembro: Momento em que Bush é avisado sobre segundo ataque

O senhor acredita que a reação dos Estados Unidos, até o momento, tem se revelado infrutífera? Que Osama bin Laden é o culpado?

Não é improvável que Bin Laden esteja envolvido, mas estamos à espera de evidências irrefutáveis. No momento, o presidente Bush reage da maneira como os americanos desejam que ele reaja. A prisão de suspeitos nos Estados Unidos é uma resposta imediata à ansiedade, à angústia do povo americano. A declaração de guerra, igualmente. Mas é no fronte da política, da diplomacia — e não da força — que a resposta americana se mostrará mais eficiente. A política de assassinatos a mentores de ataques suicidas, conduzida por Israel na Palestina, tem fracassado. Se Bush copiar o modelo para solucionar um problema que até agora se encontra na esfera doméstica americana, é provável que se defronte também com o fracasso.

Tudo indica para uma invasão do Afeganistão....

Invadir o Afeganistão, assassinar Bin Laden e seus seguidores? Não me parece a reação mais eficiente. Se Bin Laden é mesmo o responsável pelos ataques aos Estados Unidos, outras células do terrorismo podem ser encontradas fora do Afeganistão. Quando o presidente Bush solenemente anuncia que declara guerra aos terroristas, ele não quer dizer que está se mobilizando contra o ETA ou o IRA. É isso o que o mundo muçulmano, igualmente em choque, se pergunta. Quando se fala em guerra, devem-se avaliar as conseqüências que os excessos de retórica podem gerar.

Soldado americano após invasão no no Afeganistão, em novembro de 2001

O senhor, então, não acredita que estejamos próximos de uma Terceira Guerra Mundial?

Não creio. Acho que o bom senso tende a prevalecer sobre o sentimento de intolerância. Qualquer sugestão de ação militar agressiva no Afeganistão será contraproducente: será a oficialização do recrutamento de uma nova geração de terroristas suicidas.

Vários líderes europeus, num primeiro momento reagiram com simpatia à idéia de lutar com os Estados Unidos na guerra contra o terrorismo. Diante da reação do mundo islâmico, eles recuaram. Esse recuo pode levar ao isolamento dos EUA?

Acredito que sim. A Europa teme uma eventual guerra declarada nos limites da paixão. Da China ao Brasil, Bush conta com a simpatia internacional para uma resposta eficiente ao terrorismo. Mas, entre esses países, o uso da força, até o momento, tem sido rejeitado. A melhor contribuição que Tony Blair (então primeiro-ministro britânico) poderia dar aos Estados Unidos é dizer a Bush para não se precipitar; para não se lançar em uma aventura militar. Aqui na Grã-Bretanha, onde convivemos com o terrorismo há quase 40 anos, já aprendemos que não podemos falar a mesma língua — da violência — que os terroristas falam. Seria a galvanização do inimigo. Quando o mundo se inclina entre a razão e a insanidade, como podemos observar agora, poucas certezas permanecem, além do fato de esta guerra estar sendo declarada em nome dos que defendem a paz.

Na sua opinião, a mídia tem se mostrado responsável na cobertura da tragédia americana?

Acho que não. Como eu disse antes, está havendo um choque de opiniões, e não entre civilizações, patrocinado pelos órgãos de imprensa. Mas esperemos que a opinião pública saiba distinguir entre as duas vertentes.

Uma nova era dos extremos se anuncia para o século XXI?

Os Estados Unidos são um país que despertam crítica e indignação em casa e no exterior. Vietnã, Nicarágua, os direitos palestinos negligenciados, são alguns casos que têm fomentado esses sentimentos. Mas somos meros espectadores da História. Vamos ver o que ela nos dirá. Ainda é cedo para avaliar.

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'Não pule': O incêndio que levou hóspedes do Hotel Nacional ao desespero, há 40 anos | Blog do Acervo - O Globo

Hóspede se pendura na janela do Hotel Nacional, durante incêndio, em 1981

O tecladista britânico Rick Wakeman, expoente do rock progressivo, estava na pisicina do Hotel Nacional, em São Conrado, no Rio, por volta das 13h do dia 13 de setembro de 1981, quando viu um volume assustador de fumaça saindo do 28º andar do prédio. Naquele domingo, há 40 anos, o músico, que estava na cidade para fazer um show no Maracanãzinho, viu-se dentro de um pesadelo ao lembrar que sua mulher dormia numa suíte do 26° piso, pouco abaixo do incêndio. Os funcionários acionaram o Corpo de Bombeiros, mas, até a situação se resolver, muitas pessoas ficaram encurraladas em seus quartos por causa da fumaça, enquanto outras corriam para fora do edifício.

Despesperado, um hóspede chegou a se pendurar do lado de fora do 28º andar, mas foi contido por um segurança antes de se jogar. Para evitar novas tentativas como aquela, funcionários escreveram em letras gigantes o pedido "Não pule", no asfalto da pista no entorno do hotel. O fogo e a fumaça, que transformaram o edifício de 29 andares numa enorme chaminé, atraíram a atenção de dezenas de banhistas na praia de São Conrado. A situação resgatou a memória de um incêndio no mesmo local em que dez pessoas haviam morrido, em 1977. Quatro anos depois, felizmente, ninguém se feriu, mas um policial militar sofreu intoxicação ao tirar duas mulheres do 26º andar e foi atendido no Hospital Miguel Couto, no Leblon. 

Pedido escrito na pista por funcionários do Hotel Nacional durante incêndio, em 1981

Cerca de 45 minutos após o início das chamas, os andares atingidos pela fumaça foram todos evacuados. Segundo a reportagem do GLOBO publicada no dia seguinte ao incêndio, o fogo começou numa sala do 28º pavimento onde ficava a central do sistema de som do hotel, provavelmente devido a um curto-circuito no equipamento. Imediatamente, o incêndio alcançou um cômodo vizinho, que servia de depósito de roupas de cama. Além de lençois, fronhas e colchas, havia colchões, cadeiras e camas, que, atingidos pelas chamas, serviram de combustível. O calor foi tal que destruiu pelo menos oito janelas do prédio. Ao final do dia, a gerência do Nacional ainda não sabia mensurar o tamanho dos prejuízos.

Mas a sensação era de alívio, já que não houve feridos. Aquele foi o terceiro incêndio no Hotel Nacional desde sua inauguração, em 1972. Felizmente, suas consequências não chegaram perto de se igualar a um incêndio na sala de convenções, em 1976, quando dez pessoas morreram e quatro ficaram intoxiicadas. Na época, o edifício não dispunha sequer de um sistema de segurança contra fogo.

Fumaça saindo das janelas do Hotel Nacional durante incêndio, em 1981

Joia da arquitetura encravada entre a favela da Rocinha, de um lado, e a praia de São Conrado, de outro, o Hotel Nacional foi projetado por Oscar Niemeyer, com jardins do paisagista Burle Marx. Com serviço cinco estrelas, o local, que tinha teatro para 1400 pessoas, boate e cinco restaurantes, passou a dividir a preferência dos artistas que vinham ao Rio para fazer shows. Ao longo dos anos, hospedou gente como Ray Charles, Liza Minelli, James Brown, Nina Simone, Wim Wenders e os integrantes do Jackson's Five. O primeiro Festival de Cinema do Rio aconteceu lá, em 1984, assim como as nove primeiras edições do Free Jazz festival, a partir de 1985.

O prédio se firmou como um reduto boêmio e cultural da cidade, mas começou a registrar queda no número de hóspedes, ano após ano. Em 1991, a empresa responsável pelo hotel, afogada em dívidas milionárias, pediu concordata preventiva. Em 1995, o Nacional fechou suas portas e permaneceu vazio durante duas décadas, até que, em 2016, uma nova direção retormou as atividades no edifício. Pouco tempo depois, o local voltou a interromper seus serviços e ficou parado durante cerca de um ano, até ser mais uma vez reaberto, em 2019. 

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Favela, uma nova Amazônia | Opinião - O Globo

Por Edu Lyra

O mundo se comove com a situação da Amazônia. Com razão: a floresta é uma das mais ricas em biodiversidade, serve de morada a vários povos originários e desempenha papel fundamental na regulação do clima. Se a Amazônia está em perigo, o planeta está em perigo.

Como os países já entenderam essa lição, há engajamento em escala global. O mundo desenvolvido faz aportes milionários para garantir a preservação da floresta e implementa sanções econômicas a quem insiste em lucrar com a destruição do bioma. A Amazônia é percebida como um desafio para a humanidade, e isso une lideranças políticas e empresariais dos quatro cantos do mundo.

A favela precisa se tornar uma nova Amazônia. A comunidade global precisa aprender que a miséria em qualquer parte é uma ameaça concreta à estabilidade do mundo. Logo, a situação da favela é também problema de todos nós.

O mundo ainda não conhece o valor da favela. A periferia tem garra e resiliência contra um Estado que teima em negar seus direitos mais básicos. É criativa, desenvolvendo tecnologias sociais altamente sofisticadas para garantir sua sobrevivência. A periferia gera oportunidades, mesmo em territórios que foram ignorados e segregados durante séculos.

Assim como lutamos pela preservação da Amazônia, é preciso lutar também pela preservação da vida e da dignidade humana na favela. Não se trata, é claro, de espalhar a miséria, mas justamente de combatê-la, para garantir a sobrevivência física e cultural da população que habita esses territórios. As favelas do Brasil, da Argentina, da Índia, da África do Sul ou de qualquer outro lugar são o coração pulsante da humanidade.

Acabamos de realizar o jantar da Gerando Falcões em Nova York. Com a ajuda dos anfitriões Jorge Paulo Lemann, Claudio Ferro e Carlos Britto, reunimos famílias e empresários interessados na causa da favela e angariamos R$ 3 milhões, que serão integralmente investidos no enfrentamento à pobreza no Brasil.

Só conquistamos esse aporte porque convencemos parte do PIB brasileiro de que a favela é responsabilidade de todos. Essa mensagem ainda precisa alcançar as lideranças do mundo desenvolvido, os bancos internacionais, as grandes fundações. A riqueza do mundo ainda não está unida buscando soluções para o problema da miséria.

Mas sou otimista por natureza. Circula entre tenistas profissionais a ideia de que um dos segredos do campeão Rafael Nadal é a insistência. A cada partida, a cada rally, sua dedicação é tão grande que, em determinado momento, acaba dobrando o adversário.

Gosto dessa anedota porque devemos encarar a favela da mesma forma. A sociedade precisa deixar claro que não desistirá enquanto não transformar a miséria em relíquia do passado. Para nossos planos sociais, organizaremos mais jantares, mobilizaremos mais talentos para o terceiro setor, recrutaremos mais vozes influentes, levantaremos mais recursos.

Precisamos deixar de tolerar o intolerável. Se o mundo pôde se conscientizar a respeito dos problemas ambientais, transformando a Amazônia em preocupação global — mesmo que seus problemas estejam longe de ter sido superados —, podemos fazer o mesmo com a miséria e a desigualdade. Reconhecer o valor da favela significa lutar pela preservação do melhor que a humanidade tem a oferecer.

Edu Lyra-assinatura

Por Edu Lyra

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Americano é condenado a 10 anos de prisão por injetar sêmen em mulher em mercado; veja vídeo

Thomas Stemem, de 53 anos, atacou Katie Peters por trás com uma seringa enquanto ela devolvia um carrinho de compras na cidade de Churchton
Thomas Stemem injetou seringa com sêmen em Katie Peters no mercado Foto: Reprodução
Thomas Stemem injetou seringa com sêmen em Katie Peters no mercado Foto: Reprodução

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CHUCHTON, ESTADOS UNIDOS - Em fevereiro do ano passado, o americano Thomas Stemem, de 53 anos, ingressou em um mercado em Churchton, no estado de Maryland, e atacou uma mulher por trás com uma seringa. Katie Peters, que devolvia um carrinho de compras no momento, gritou e questionou se o homem a havia queimado com cigarro. Na verdade, ele injetara sêmen nela, o que acaba de lhe render uma sentença de 10 anos de prisão.

Stemem foi condenado nesta semana pelo Tribunal do Condado de Anne Arundel em razão do ataque. Ele também foi sentenciado a outros cinco anos em liberdade condicional por agressão de segundo grau a uma jovem de 17 anos com quem também teve contato, apesar de ela não ter se ferido, segundo o jornal americano The Washington Post.

A decisão foi proferida quase três meses após Stemem firmar um acordo de confissão que permite ao réu se declarar culpado sem admitir que cometeu um crime. O caso foi descrito pelo juiz como "absolutamente bizarro e perturbador".

Ferimento nas nádegas

Em 18 de fevereiro de 2020, pouco antes das 19h, Katie acabara de fazer suas compras na mercearia Christopher’s Fine Foods e devolvia o carrinho de supermercado. Nesse instante, Stemem entrou pela porta automática do estabelecimento logo após a mulher. Imagens da câmera de segurança mostram o agressor fazendo a curva para a direita e aplicando a seringa por trás de Katie, que salta imediatamente.

Em entrevista à emissora WTTG, Katie relatou que gritou com Stemem e o indagou se ele a havia queimado com um cigarro. Ela então foi até seu carro e deixou o local, mas o ferimento começou a arder.

Já em casa, ela notou uma pequena mancha vermelha, que indicava um ferimento em suas nádegas, e sentiu uma parte molhada em suas calças. Katie ligou para a polícia local, que recuperou o vídeo do circuito de segurança. As autoridades notaram que Stemem havia seguido outras duas pessoas, incluindo uma garota de 17 anos. Ele não conseguiu atingi-las.

Segundo o Post, Katie percebeu que a área ao redor do ferimento aumentou para cerca de dez centímetros de largura e procurou tratamento em um hospital próximo. Os médicos prescreveram a ela uma série de medicamentos preventivos por 30 dias. Ela ficou sem saber o que o agressor havia injetado nela por cerca de uma semana.

Os policiais conseguiram localizar o suspeito após divulgarem imagens do circuito interno do mercado. Em seu carro, os agentes encontraram uma seringa grande com um líquido desconhecido em seu interior. Também acharam uma outra seringa com o mesmo líquido na prateleira de cima de seu armário de remédios e mais nove vazias espalhadas pela casa. Após testes laboratoriais, foi constatado que era sêmen, compatível com o DNA de Stemem.

O agressor foi preso uma semana após o ataque. Na ocasião, ao ser questionado sobre o que fazia no estabelecimento, ele afirmou que não estava "fazendo nada, apenas parado ali".

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Alanis Morissette afirma que sofreu estupro por vários homens quando tinha 15 anos

Cantora canadense disse que fez terapia por muitos anos após o episódio traumático e demorou a se reconhecer como vítima
Cantora canadense Alanis Morissette Foto: Instagram / Reprodução
Cantora canadense Alanis Morissette Foto: Instagram / Reprodução

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RIO — Alanis Morissette afirmou que sofreu estupro por vários homens quando tinha 15 anos. A declaração foi dada em documentário produzido pela "HBO" e a informação foi adiantada pelo jornal americano "Whashigton Post". Ela contou que levou anos de terapia para que enxergasse que foi vítima. No Canadá, a idade legal mínima para haver relação sexual é 16 anos. Por isso, mesmo que haja consentimento quando ocorre o ato, ainda seria estupro da mesma forma.

— Vou precisar de ajuda porque nunca falo sobre isso — avisou ela ao abordar o assunto, sem revelar as identidades dos envolvidos. — Levei anos em terapia para admitir que houve qualquer tipo de vitimização da minha parte. Eu sempre diria que estava consentindo, e, então, lembrei como 'Ei, você tinha 15 anos, você não está consentindo aos 15'. Agora eu digo, 'Ah sim, eles são todos pedófilos. É tudo estupro'.

Ela disse que chegou a comentar seus traumas para algumas pessoas do meio artístico, mas não conseguiu receber o apoio que esperava, normalmente com reações constrangedoras e evasivas.

— Eu contei para algumas pessoas e meio que caiu em ouvidos moucos — lembrou.

Aos 15 anos, ela morava em casa com seus pais em Ottawa quando começou a despontar como uma estrela da televisão, assinando contrato para duas gravações com a MCA Canada. A exploração logo se seguiu, de acordo com Alanis. Mesmo em casos em que não houve abuso sexual, ela afirmou avanços sexuais indesejados eram comuns.

Sobre o longo período que levou para expor suas lembranças dolorosas, a cantora, hoje com 47 anos, explicou que queria proteger sua família.

— O fato de eu não contar informações específicas sobre minha experiência de adolescente foi quase exclusivamente em torno de querer proteger, proteger meus pais, proteger meus irmãos, proteger futuros parceiros — disse ela, que tem um irmão mais velho e um irmão gêmeo. — Toda aquela coisa de 'por que as mulheres esperam?': as mulheres não esperam. Nossa cultura não escuta.

Por motivos não especificados, ela não planeja comparecer na estreia do filme, durante o Festival Internacional de Cinema de Toronto na terça-feira, informou o "Washington Post", citando uma fonte próxima de Alanis.

Dirigido por Alison Klayman, o documentário mostra vários lados da vida da artista, desde seu início de carreira até o estrelato, exibindo cenas da entrevista gravada em sua casa na Califórnia, nos EUA.

Dados Associação de Pesquisa da Indústria Musical mostram que 67% das artistas femininas relatam ter sido vítimas de assédio sexual.

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Bolsonaro ainda tem algum fôlego | Merval Pereira - O Globo

Por Merval Pereira

Assim como as multidões que estiveram nas ruas no sete de setembro apoiando Bolsonaro não impediram que ele fosse derrotado -  tanto que teve que recuar - a falta de pessoas em número expressivo nas manifestações de ontem não quer dizer que ele tenha maioria. Essas coisas vão evoluindo e Bolsonaro teve uma máquina de organização muito afiada – parecia o PT nos áureos tempos, com o sindicalismo mobilizando as massas. Quem está no governo tem capacidade de mobilização muito grande. As manifestações não foram um fracasso, mas também foram um sinal de que ainda não há condições políticas para o impeachment. A carta que o ex-presidente Michel Temer negociou e essa demonstração fraca de apoio ao impeachment mostram que Bolsonaro ainda tem fôlego para seguir adiante. À medida que vai chegando perto o ano eleitoral, perde força a possibilidade de haver impeachment. Se ele não fizer alguma grande loucura, pode chegar com algum fôlego no final do governo e na campanha. Mas sua situação eleitoralmente continua frágil. Está difícil conseguir um nome que una todos os lados na terceira via, o que poderá acontecer durante a campanha, que vai desmobilizando candidaturas que não tenham força popular. Aí pode ser que surja uma alternativa a Lula e a Bolsonaro. Vai ser uma campanha complicada, violenta e negativa, para ver quem é o menos pior e quem merece mais ser eleito. Não se sabe o que poderá sair de tudo isso. Muita coisa ainda está para acontecer, mas o impeachment vai ficando mais difícil politicamente, a não ser que Bolsonaro ajude com as loucuras que costuma fazer.

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Ataques de 11 de setembro: As crônicas de Veríssimo, Zuenir e Xexéo sobre os atentados | Blog do Acervo - O Globo

Ataques de 11 de setembro: Nuvem de fumaça nas torres do World Trade Center

Nas palavras do escritor Luís Fernando Veríssimo, que estava em Nova York no dia 11 de setembro de 2001, "uma nuvem que ninguém poderia prever ou imaginar cobria a ponta sul da ilha de Manhattan", depois que os aviões se chocaram nas torres do World Trade Center, há 20 anos. O jornalista Zuenir Ventura contou que ficou "estatelado diante da TV, meio anestesiado, sem querer acreditar no que via" e querendo acreditar que tudo não passava de "cinema catástrofe". Já o também jornalista Artur Xexéo, que faleceu em junho, disse que, diante das imagens da tragédia, a primeira reação dele foi correr, como as pessoas fazem nos filmes de Hollywood que encenam o fim do mundo.

Na véspera do dia em que se completam 20 anos dos maiores ataques terroristas da História, nos Estados Unidos, o Blog do Acervo resgatou os primeiros textos escritos por três colunistas do GLOBO, todos eles baluartes da crônica jornalística, sobre os atentados que mudaram os rumos do século XXI. Leia abaixo.

Ataques de 11 de setembro: Luis Fernando Verissimo, Artur Xexéo e Zuenir Ventura

Luis Fernando Veríssimo: "Uma nuvem inédita no céu de Nova York"

Não havia uma nuvem no céu de Nova York pela manhã. Era um perfeito dia pré-outonal nesta cidade, que fica particularmente bem no outono, e nosso programa incluiria caminhada matinal pelo Central Park para comemorar o fim do calor e das chuvas que pegamos desde a nossa chegada, no domingo. Mas todos os planos e possivelmente todas as vidas do mundo mudaram em pouco mais de meia hora.

Antes das 9h, uma nuvem que ninguém poderia prever ou imaginar cobria a ponta sul da ilha de Manhattan, onde as torres ardiam. Uma nuvem que aumentou com a queda dos dois arranha-céus e ainda perdura no ar enquanto escrevo. Estamos longe do sul de Manhattan, e o que se vê nas ruas aqui por perto é apenas incredulidade, gente que mora fora da cidade se comunicando com suas casas, já que todas as saídas da ilha foram fechadas, e uma certa calma resignada, como se a tragédia fosse fenômeno natural — talvez porque as cenas que darão a verdadeira dimensão do horror, a dos mortos entre os escombros das torres destruídas, ainda não foram ao ar.

É difícil saber neste momento o que a nuvem inédita, cujo único precedente para os americanos é a fumaça que pairou sobre Pearl Harbor durante dias depois do ataque japonês, prenuncia. As TVs mostraram cenas de palestinos comemorando os atentados. Todas as especulações sobre sua autoria envolvem o fundamentalismo muçulmano, e o efeito mais direto do terror será, provavelmente, uma mudança radical do posicionamento americano no conflito entre judeus e palestinos, que tinha evoluído, na transição de Clinton para Bush, de envolvimento cauteloso para distanciamento cauteloso. Se as especulações estiverem certas, o distanciamento perdeu sentido: a guerra do Oriente Médio foi trazida, espetacularmente, para cá.

Os Estados Unidos passaram por duas guerras mundiais sem serem atacados, descontado o bombardeio do seu território havaiano. Com o fim do confronto com a União Soviética, e da própria União Soviética, acabou o pavor de uma guerra nuclear. Mas a nuvem cobrindo os destroços do World Trade Center não foi a única cena inédita deste dia do qual, confesso, eu estou esperando acordar a qualquer momento. Inédito também foi ver americanos e visitantes olhando para o céu ao ouvir ruídos de aviões, sem saber se são amigos ou inimigos.

Ataques de 11 de setembro: Restos do World Trade Center após atentados

Zuenir Ventura: "As televisões tiveram que avisar aos espectadores que aquelas cenas eram reais'

Aquelas cenas improváveis, quase impossíveis, o avião atravessando o prédio de um lado a outro, os rolos de fogo subindo, os edifícios se desmantelando como se fossem uma construção de areia do Sérgio Naya, implodindo, caindo para dentro, asfixiando-se em cinza e pó. E as pessoas se jogando, outras correndo, fugindo da gigantesca vaga de fumaça, algumas tropeçando, caindo e sendo soterradas pelos escombros.

Poucas vezes senti tanta impotência para escrever sobre um acontecimento e tanta impossibilidade de falar sobre outra coisa — de pensar em outra coisa, de deixar de ver aquelas imagens, de não conseguir desviar do horror todos os pensamentos. Acho que, como todo mundo, fiquei estatelado diante da TV, meio anestesiado, sem querer acreditar no que via e querendo crer que tudo não passava de efeito especial, de realidade virtual, desses filmes terminais do cinema-catástrofe.

Como flashes, me vinham as lembranças de uma tarde no World Trade Center, anos depois do atentado de 1993: a visita a uma exposição dos inventos de Da Vinci, a subida até o terraço, a vista de quase 500 metros de altura, os bares abarrotados para o happy hour, a sensação de segurança, a impressão de que nada poderia afetar o Império, abalar as bases daqueles símbolos de poder e arrogância arquitetônica.

Entendi por que as televisões americanas tiveram que avisar aos telespectadores que aquelas cenas eram reais, que os acontecimentos tinham de fato acontecido. A realidade estava finalmente copiando a ficção de mau gosto numa escala e numa fidelidade nunca vistas. Antigamente, fazia-se necessário avisar que “qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos reais é mera coincidência”. Agora era o contrário: a virtualidade do real. Tudo verdade, mas parecendo mentira.

Minha geração, a que tinha 10 anos quando houve o ataque à base de Pearl Harbour, no Havaí, passou alguns dos melhores anos de nossas vidas atormentada pelo pesadelo da Guerra Fria, perseguida pela ameaça da destruição nuclear, do apocalipse e do caos, da iminência enfim da Terceira Guerra Mundial. Nós, que sofremos boa parte do “breve século XX”, da “Era dos extremos”, que fomos contemporâneos de todos os horrores ideológicos, que assistimos a uma guerra mundial, ao Holocausto, a várias formas de extermínio em massa, acreditávamos que a "marcha da insensatez" terminaria por aí, que não iríamos ter que deixar para filhos e netos mais esse testemunho no alvorecer do século XXI: “eu assisti ao maior atentado terrorista da história da Humanidade”. Não merecíamos isso.

De repente, todos os fantasmas estavam ali na tela da TV: a paranóia se fazendo realidade. Comparou-se muito o 7 de dezembro de 1941 com o 11 de setembro de 2001, o ataque japonês com os atentados terroristas desta semana. Mas a distância entre as duas tragédias é a mesma que separa os dois mundos, o de ontem e o de hoje. Bons tempos aqueles em que só estando numa base militar se poderia ser atacado por um avião inimigo. A diferença é que ninguém está mais a salvo, em lugar nenhum.

A guerra pós-moderna não tem campo de batalha, não tem alvo militar, não tem fronteiras. É transnacional, globalizada. Não se precisa nem mais de sofisticação tecnológica. Basta a disposição suicida numa época em que a vida é tão barata, não vale nada. A única certeza é a de que, contra um fanático disposto a morrer, não há defesa possível. As esperanças nascidas com a queda do muro de Berlim, a utopia da conciliação, já haviam se chocado com a realidade das guerras étnicas e o fundamentalismo religioso. Agora, tudo ruía junto com as torres gêmeas, soterradas pelo terrorismo.

Ataques de 11 de setembro: Pessoas fogem de nuvem de detritos após colapso de torre

Artur Xexéo: "Quando vi as imagens na TV, minha primeira reação foi correr"

Quando vi as primeiras imagens na TV, do World Trade Center envolto em fumaça, minha primeira reação foi correr. Sem rumo. Foi assim que aprendi. Quando o fim do mundo começar, corra. O sinal pode ser um macaco gigantesco em cima do Empire State. Ou um disco voador de proporções enormes atacando a Casa Branca. Ou uma onda monstruosa invadindo as cidades litorâneas do planeta. Talvez Bruce Willis apareça, dê dois socos em alguém e evite o apocalipse. Mas talvez não. Aí, o jeito é correr. No meio da multidão. Sem rumo. Foi isso que sempre vi no cinema. Multidões ensandecidas, correndo em direçào à câmera para fugir do fim do mundo.

Antes de dar o primeiro passo, porém, e, depois de perceber que Bruce Willis não tinha aparecido, não vi a multidão. O mundo estava acabando. Dois aviões chocaram-se com o World Trade Center no mais ousado ataque terrorista da História. Haveria retaliaçào, é claro. E o mundo iria acabar. O correto, então, seria correr. Mas a multidão estava parada, estatelada, em estado de choque, diante da TV.

Era impossível rejeitar aquelas imagens. Olha lá o avião, de novo, chocando-se com a Torre Sul! E olha a Torre Norte desabando! Ninguém sai correndo. Na verdade, fica todo mundo de olho na CNN, na GloboNews, na BBC. As imagens que a televisão não se cansou de repetir me lembraram as muitas imagens que já tinha visto no cinema. Mas, desta vez, era de verdade. E, na vida real, não tem multidão desgovernada. A multidão quer ouvir o comentário do especialista em terrorismo, a declaraçào do presidente, a repercusssão nas bolsas e, mais uma vez, a imagem do avião se chocando com a Torre Sul. Quando o mundo começa a acabar, todos ficam de olho na TV. Até a última cena. O cinema me enganou.

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Silas Malafaia e o meta-alienado - Marconi Moura de Lima

Por Marconi Moura de Lima

Jair Bolsonaro e Silas Malafaia
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Começo esse texto pelo que colocaria ao final: “não, Malafaia, você não é alienado; é um canalha”! Nós, brasileiras e brasileiros, fomos surpreendidos essa semana com o que há de pior em termos simbólicos ao que possa significar a anti-civilização. Começou (no 7 de setembro) com Jair Bolsonaro reunindo milhares de pessoas nas ruas e milhões a ouvir pela tevê, pelos canais diversos nas redes sociais as bravatas e estupidezes desse déspota de araque que arranjamos para presidir uma das mais importantes nações da Terra. Após tantas agressões e blefes de golpes, suas falas medíocres estimularam os donos do Agronegócio a imporem a seus motoristas (empregados) que parassem o País, bloqueando centenas de rodovias estratégicas (no dia 8) a fim de obrigar o STF e o Congresso Nacional a que cumprisse as “ordens” do fascismo ébrio do Presidente da República. Forçado pela “mão invisível” do Mercado, preocupado com a economia já abalada a colapsar ainda mais, Bolsonaro chamou o (outro) traidor, Michel Temer a fazer o rascunho de uma carta aos brasileiros, recuando de suas falas golpistas no 7 de setembro; pedindo desculpas – mesmo que por entrelinhas – aos membros do STF; e clamando aos empresários da soja, milho etc., para liberarem as rodovias.

Tal carta do Presidente foi recebida por parte de seus apoiadores como um manifesto de traição àqueles que arriscaram sua vida e liberdade (o caso do bravateiro que mais se expôs no momento, Zé Trovão, que está foragido da polícia por atentar contra o STF e a integridade física dos ministros). 

A indignação com o show de horrores da semana deixou de ser apenas da parte lúcida do Brasil; agora até mesmo bolsonaristas – alguns – xingavam seu “Mito”. Novamente a República ficou à mercê da dualidade (volatilidade) mental de Jair Messias.

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Sinceramente, se fosse uma série ou novela mexicana, seria possível compreender cada dia como um capítulo de revestrés, com o vilão vencendo, hora; e a mocinha tentando chegar mais cedo no episódio derradeiro, aquele que se diz “final feliz”. Mas não! Falamos de uma República, de um povo vivendo sua “realidade”; sua para-realidade. Sinto-me na Matrix grotesca temperada com folclore brasileiro (era para ser divertido), entretanto, sem sorrisos e esperanças; apenas o assustador contido nos preâmbulos do mistério. Vivemos, portanto, a aberração das instituições e seus agentes sem noção. Para completar, no dia 9, após saber da carta de arrego[1] do Bolsonaro, indignado, Silas Malafaia divulgou em sua conta no Twitter a seguinte mensagem: “CONTINUO ALIADO, MAS NÃO ALIENADO! Bolsonaro pode colocar a nota que quiser, Alexandre de Moraes continua a ser um ditador da toga que rasgou a constituição e prendeu gente inocente. MINHAS CONVICÇÕES SÃO INEGOCIÁVEIS!” (mantida a escrita original). Parei para pensar: realmente, Malafaia não é alienado. Seu poder é outro: o de alienar pessoas; seus fiéis. Vou além. Sua influência é tão, mas tão imponente que o pastor na verdade baliza o comportamento de outros pastores, seja do baixo clero (aqueles lá da cidade pequena do interior), seja do médio clero (aqueles de cidades e igrejas grandes, com números incontáveis de “ovelhas”), seja do alto clero (aqueles que possuem canais na internet, ou são cantores gospels, ou têm milhares/milhões de seguidores na “net”).  

Sobre este último, dou um exemplo: o pastor Cláudio Duarte, um influenciador potente no meio evangélico que faz discursos em tom de piada e arrasta em suas pregações nas redes milhares e milhares de pessoas. É como se você assistisse a um “stand up” e louvasse a Deus ao mesmo tempo. Isto é, se morrer de rir ali já vai direto para o céu (perdão pelo meu trocadilho meio sem graça; é apenas para ter um parâmetro do estilo do preletor). Somente no Instagram esse líder religioso possui quase 6 milhões de seguidores, sem contar as outras redes que replicam seus discursos. E porque menciono o Cláudio Duarte? Ele é influenciado por Silas Malafaia. Chamou seus seguidores para participarem das manifestações do 7 de setembro último. E, nos bastidores, o que se conta é que ele se expôs dessa forma a pedido de seu mentor. Cláudio Duarte é, portanto, um alienado que aliena – logo abaixo – seus fiéis seguidores, os meta-alienados. Finalmente, o objetivo deste texto é aludir nossas lideranças, tanto cristãs (as não-alienadas), quanto políticas, para se pensarmos uma estratégia de neutralização o quanto possível dos discursos de Silas Malafaia[2] e outros megainfluenciadores do meio evangélico (e mesmo católico, com menor profusão).  

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Confesso que ainda não sei bem qual é o caminho. Minha proposta é avaliarmos juntos as semiologias nascentes de influenciadores cristãos, seus meios de comunicação (que não é somente para a profissão de fé, mas para a profissão política), a pedagogia antagônica ao Estado laico, o esforço de eleger mais e mais deputados e senadores (e vereadores) a fim da implantação de uma Teocracia (ou, pior, um Estado fundamentalista aos moldes do Talibã). E tudo isso somente é possível por potência dessa gente de produzir e reproduzir a alienação e a meta-alienação. 

Hora de nossos estrategistas em comunicação nos orientarem como prover a contra-alienação dessa pobre gente residente na necessária transcendência que amplia a justificação da existência humana, ou brotarão aos montes mais convenientes – alienados – Malafaias a destruírem nossa razoabilidade de pacto civilizatório.

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[1] Essa palavra, “arrego”, compôs uma hashtag (#BolsonaroArregou) a se tornar um dos assuntos mais comentados nas redes sociais nessa semana.

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[2] Quando falo que é um canalha e que de fato não é um alienado, é porque para continuar vivendo seu mundo de luxo e riqueza, Malafaia precisa de instrumentos da política (dados por gente como Bolsonaro). Isso ajuda a esconder a fortuna de certos pastores, os patrocínios com verba pública aos megaeventos e, mais ainda, as questões tributárias dos templos religiosos (sim, igrejas devem bilhões de impostos à União).

Segundo a Revista Forbes (que serve para medir riquezas pelo mundo), Silas Malafaia possui uma fortuna avaliada em 150 milhões de dólares. Sabe quanto dá isso em reais? Conta rápida com o dólar a 5 reais = R$ 750.000.000,00 (quase não cabia neste papel o tanto de zeros nestes milhões do Silas).  

Sinceramente, isso está longe de ser um servo de Deus; um seguidor dos princípios autênticos de Jesus. Não passa de um falso profeta!

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Crise econômica derrota kirchnerismo - Emir Sader

Presidente da Argentina, Alberto Fernandez, e sua vice, Cristina Kirchner
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No seu primeiro teste eleitoral, o governo de Alberto Fernandeznerismo-Cristina Kirchner sofreu uma grande derrota nas eleições primárias. A oposição venceu em 17 estados, entre eles os principais estados do país.

A principal derrota se deu no estado de Buenos Aires, historicamente o bastião do peronismo, porque ali vive grande parte da classe trabalhadora. O peronismo costumava sofrer derrota na cidade de Buenos Aires – com população basicamente de classe média e na maior parte dos estados -, mas se recuperava com vitória com pelo menos 10% de vantagem, no estado que concentra 40% dos eleitores do país.

Os candidatos kirchneristas foram derrotados com 5% de vantagem para a direita. Ao que, somados aos resultados da capital e dos estados, levou o governo de Alberto Fernandez a ter uma grande e inesperada derrota.

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O apoio a Alberto Fernandez vinha baixando, desde a sua grande vitória sobre Mauricio Macri, em 2019. Mas se mantinha ainda majoritário.

A crise econômica levou o PIB a baixar 9% no ano passado, no primeiro trimestre deste ano cresceu 2,5%, dado insuficiente ainda para recuperar 3 anos seguidos de recessão. A inflação foi sendo contida, mas ainda se mantém na casa dos 50%, com os desgastes respectivos nos salários, que não conseguem recuperar as perdas e com inflação por volta de 10%.

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O governo teve intensificada a campanha dos produtores de carne contra ele, quando decidiu proibir a exportação, enquanto não diminuísse o preço da carne para o mercado interno. Esses produtores ameaçam boicotar o abastecimento de carne para o consumo interno, com todos os efeitos de desgaste com a população, pelo peso consumo de carne.

Os efeitos sociais dessa crise foram determinantes para os desgastes do apoio ao governo. A isso se somou uma campanha midiática contra Alberto Fernandez, pelo aniversário da sua mulher, com fotos de 12 pessoas reunidas sem máscaras. Tema explorado longamente pela oposição, que acabou se somando ao desgaste do governo.

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Mantidos os resultados dessa eleição, o governo perderia a maioria no Congresso, fazendo muito mais difícil a continuidade do governo. Há dois meses ainda até as eleições de novembro, para que Alberto Fernandez, Cristina, Kicilloff – governador do estado de Buenos Aires – e outros dirigentes kirchneristas tratarem de reverter esses resultados.

A economia argentina tinha se recuperado da maior crise da sua história, quando explodiu a política suicida de Carlos Menem de partida entre a moeda argentina e o dólar, nas mãos já de um governo do Partido Radical. Entre 2001 e 2002 o país viveu a maior instabilidade política que jamais havia vivido, com uma sucessão de vários presidentes em pouco espaço de tempo.    Até que os governos de Nestor e Cristina Kirchner conseguiram recuperar a economia da Argentina, inclusive conseguindo pagar a enorme dívida externa acumulada. O governo da Cristina foi reeleito, mas sofreu uma dura campanha dos produtores de soja, quando o governo tentou aumentar os impostos de exportação, mas teve que recuar, quando ficou sem maioria no Congresso, pelo voto decisivo do seu vice-presidente à oposição.

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A derrota do candidato da Cristina, Daniel Scioli (atual embaixador da Argentina no Brasil), em 2015, para Mauricio Macri representou a retomada do modelo neoliberal e a contração de nova dívida externa. Um governo que perdeu rapidamente apoios, porque essa política econômica não atende as necessidades da massa da população, mas apenas do capital financeiro dos bancos privados.

Até que Alberto Fernandez venceu a Mauricio Macri, em 2019, mas recebeu a pesada herança de uma economia novamente em recessão e com a enorme dívida contraída pelo governo de Macri. Essa situação condiciona fortemente o governo de Alberto Fernandez, além do fato de que, tendo recém assumido a presidência, veio a crise do Covid, que volta a afetar a economia.

Por esse conjunto de fatores, o resultado eleitoral das primárias, de forma surpreendente, foi negativo para o governo. Colocando para o kirchnerismo o grande desafio de reverter o resultado em dois meses, com o risco de comprometer o resto do mandato de Alberto Fernandez, sua reeleição e a continuidade de um modelo anti-neoliberal, com o eventual retorno da direita na Argentina.

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Personagens do golpe de 2016 voltam a assombrar 2022 - Denise Assis

Por Denise Assis

Governador João Doria, ex-presidente FHC e um ato contra Jair Bolsonaro
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Por Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia

Na véspera do segundo turno da eleição de 2018, subi de elevador com um entregador de pizza e puxei assunto, perguntando em quem ele votaria. “Em Bolsonaro, respondeu animado”. Sem surpresa, tentei demovê-lo, antevendo todos os percalços que se eleito o candidato nos causaria. Argumentei com alguns pontos, mas ele, sorriso no rosto, não se deixou abalar.

- Se ele pisar na bola a gente tira, não tiramos a Dilma? – devolveu.

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- Sim. Tiramos. Mas é exatamente por isto que desta vez não vai ser fácil. Vão argumentar que não podemos trocar de presidente como quem troca de camisa. E você precisa se lembrar que o vice dele agora é um general. Estamos comprando um barulho -, eu respondi, sem nenhum efeito sobre aquele trabalhador, confiante no voto que daria e na facilidade em tirar o novo presidente do cargo, se nada desse certo.

Hoje, quando findamos uma das semanas mais trepidantes desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff, eu não pude deixar de me lembrar dessa “viagem”, quando dividi o elevador e inquietações com o entregador convicto.

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Pano rápido. Em São Paulo, onde Bolsonaro esbravejou contra o Supremo Tribunal Federal (STF), chamou o ministro Alexandre de Moraes, de Canalha e disse claramente que não mais acataria ordens daquela corte - a última instância decisória do país -, para cerca de 120 mil pessoas, o MBL, um dos principais organizadores das manifestações contra Dilma e seu governo, regeu um encontro fraco, tendo como pauta: “Fora Bolsonaro e Fora Lula”. 

Lá estavam os mesmos personagens que há cinco anos se uniram para o impeachment, com sucesso. Nesse domingo (12/09), porém, a despeito dos pulinhos animados do governador, João Dória, fazendo tremelicar os seus peitinhos caídos, não houve a adesão esperada. Erraram no time, erraram na pauta. Erraram no discurso. A pretensão é pavimentar a tal “terceira via”, encontrando um candidato (Dória espera seja ele) para desbancar o que anunciaram na pauta: fora Bolsonaro e fora Lula, numa aliança manjada e eterna: elite, mais mercado financeiro, contra os progressistas e, agora, o fascismo, no momento, no poder.

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Deu certo em 2016, quando o escriba Michel, de posse de sua pena, desnudou para o país a insatisfação para com uma presidente que, no seu dizer, o menosprezava e não reconhecia o seu valor. Buáaaa.

Para fazer valer as suas aptidões, atravessou oceano e foi, em março daquele ano, juntamente com o ministro Gilmar Mendes e o recém-derrotado à presidência, Aécio Neves e convidados, montar a “ponte para o futuro”- o seu, é bom que se diga -, em Lisboa, em um seminário/biombo a que deram o nome de: 4ª Seminário Luso-Brasileiro de Direito.

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Pura desculpa para tramarem em terras portuguesas, o golpe. Sim, foi golpe, O Globo. Impeachment sem crime de responsabilidade provado – e pedaladas, conforme atestado pela perícia do Senado, não foram cometidas – recebe o nome de golpe. Ademais, já tinham sido praticadas por FHC sem que resultassem em impeachment.

O evento em Lisboa, originalmente de âmbito acadêmico, foi organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) - que tem entre os seus fundadores o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes -, em parceria com a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O tema não poderia ser mais atual: “Constituição e Crise: A Constituição no contexto das crises política e econômica”, que contou também com as presenças do ex-governador paulista José Serra, (PSDB) e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Mexe para cá, mexe para lá, a nossa história é feita de mais do mesmo. Quer seja nas pretensões, quer seja nos personagens, porque a motivação é uma só. Manter no comando do país, os “seus”. A burguesia, ela, sim, apta a lidar com o dinheiro, os costumes e a colocar a ralé no seu lugar. Em trens apertados, em ônibus lotados, desde que cheguem cedo para dar o café para a madame e façam funcionar as diversas repartições e máquinas, onde os salários – quando fixos – estão cada vez mais achatados.

Para refrescar a memória é bom lembrar que Michel e os ex-presidentes Fernando Henrique e José Sarney, também estiveram juntos, anunciando em meados de agosto a participação do triunvirato, somado ao ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, a participação num ciclo de debates intitulado “Um novo rumo para o Brasil”, com início em 15 de setembro. Seminário, enfim, panaceia para a disseminação de ideias com o intuito de reforçar candidaturas da direita.

Olha aí, sempre eles, discutindo o que cai melhor para a vida brasileira. A iniciativa aponta para uma convergência entre PSDB, MDB, DEM e Cidadania nas eleições presidenciais de 2022. A ideia em discussão nos quatro partidos organizadores da conferência é apresentar uma chapa única ao Palácio do Planalto, logo no início do ano.

Em maio, Jobim foi anfitrião de um almoço entre Fernando Henrique e o também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles disputaram em campos divergentes as últimas sete eleições presidenciais. FHC chegou a dizer que, se o segundo turno de 2022 ficar entre Lula e o presidente Jair Bolsonaro, votará no petista. Durou pouco a promessa. Pode-se imaginar que ele foi lá conferir a quantas andava a disposição de Lula, depois da prisão de 580 dias, de submeter-se aos seus ditames. Deve ter se decepcionado por ter encontrado o mesmo Lula, disposto a defender as pautas em favor dos trabalhadores.

Neste caso, deu sinal verde para o Dória dançar na paulista ao som de palavras de ordem, novamente ao lado do MBL, enquanto entram em cena os mesmos personagens, que hora conspiram, hora servem de “bombeiros”, desde que sigam juntos em defesa do que mais prezam: poder e dinheiro.

Diante de um Bolsonaro sem saída para o tamanho da encrenca que arrumou (pensou poder contar com a imediata adesão das Forças Armadas, que se fizeram de mortas), nos atos de 7 de setembro, Michel acorreu emprestando o seu “talento” para cartinhas em horas fatais, Gilmar intermediou o socorro e defendeu que acreditem num Bolsonaro pacato, em recente entrevista. Enquanto isto, FHC coloca a sua turma puxando o cordão nas ruas, na esperança de que ele seja engrossado pelos que também querem o “Fora Bolsonaro”. Mas, claro, acrescentando um “Fora Lula”, a cada dia mais dentro, em alta nas pesquisas. De novo, esta espécie de “turma da Mônica”, a nos assombrar.

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Lula, o invicto, vence a vilania e o arbítrio fascista - Jeferson Miola

Por Jeferson Miola

Lula
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Por Jeferson Miola 

Lula está invicto na sua epopeia contra os fascistas que violaram o sistema de justiça do Brasil e promoveram o maior esquema de corrupção judicial do mundo [aqui].

Além de invicto, Lula está vencendo a vilania e o arbítrio por portentosa goleada. O placar, humilhante, está em 19 a zero a favor dele contra a gangue chefiada por Sérgio Moro – o juiz condenado como suspeito/tendencioso pela Suprema Corte do país.

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No 10 de setembro passado foi arquivada a 19ª investigação farsesca instaurada no contexto da guerra político-jurídica-midiática – lawfare – perpetrada contra Lula.

E a 20ª e definitiva vitória do “invicto” está a caminho. De acordo com a defesa do ex-presidente, “da avalanche de processos abertos contra Lula permanece em aberto apenas um deles – relativo ao Caso dos Caças -, no qual já apresentamos pedido de arquivamento após termos demonstrado que ele foi construído pela ‘lava jato’ com a plena ciência de que o ex-presidente não havia praticado qualquer ato ilegal”.

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A derrota da Lava Jato em todas as acusações farsescas que armou para incriminar Lula é a demonstração eloquente de que nenhum processo contra ele poderia ter sido instaurado; todos foram arbitrários.

Ainda assim, mesmo sem fundamentação legal, Lula foi submetido a processos injustos e ilegais, originados em provas forjadas e transacionadas em delações negociadas por procuradores e juízes inescrupulosos com criminosos confessos.

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Lula foi alvo de uma perseguição política, midiática e judicial implacável; foi vítima de uma caçada atroz, sem paralelo na história.

A Lava Jato forjou processos kafkianos, nos quais as condenações eram definidas de antemão, num quadro de guerra jurídica permanente, de destruição de reputação pela mídia e de aplicação do direito penal do inimigo [Estado de Exceção].

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O fato histórico que mais se assemelha à violência cometida contra Lula é o caso Dreyfus [1894], que foi marcante nos estudos Hannah Arendt sobre o antissemitismo, as raízes do nazismo e sobre as origens do totalitarismo, e que ensejou a publicação do célebre libelo “Eu acuso” [J’Accuse!] pelo escritor francês Èmile Zola [aqui].

Alfred Dreyfus, único oficial de origem judaica do Exército francês, foi falsamente acusado da alta traição por supostamente colaborar com os alemães durante a guerra franco-prussiana [1870/1871] na disputa pelas terras ricas em carvão da Alsásia-Lorena.

Em 1906, 12 anos depois, constatada a monstruosa armação jurídica, Dreyfus foi inocentado e a farsa dos tribunais e juízes franceses foi cabalmente desmascarada [aqui].

A monstruosidade perpetrada contra Lula demorou menos tempo para ser desmascarada. Porém, não sem deixar efeitos devastadores para o país e, principalmente, para o povo brasileiro, brutalmente atacado nos seus direitos e na sua dignidade pelas oligarquias fascistizadas que tomaram de assalto o poder com a ajuda da gangue do Sérgio Moro.

A inocência de Lula está provada e comprovada. E, com ela, a terrível injustiça de que foi vítima. Ele ficou ilegalmente encarcerado durante 580 dias na masmorra de Curitiba, de onde foi impedido de sair com a honradez devida inclusive para se despedir do irmão morto.

A justiça, contudo, não estará efetivada enquanto os perpetradores deste crime bárbaro, que deveriam estar no banco dos réus e serem condenados à prisão, continuarem livres, ocupando cargos públicos, recebendo polpudos salários e privilégios e vivendo em imóveis milionários do padrão do clã dos Bolsonaro e adquiridos com dinheiro vivo.

A justiça não estará efetivada, enfim, enquanto criminosos escondidos em togas e em cargos públicos continuarem protegidos pelo corporativismo fascista e atentando contra a democracia e o Estado de Direito.

A punição dos autores do maior crime de corrupção, que é a violação da democracia, tem de ser exemplar, para que nunca mais volte a acontecer.

Se isso não for feito, eles aprenderão, assim como os generais ditadores aprenderam, que vale a pena destruir a democracia quando se tem a certeza da impunidade. Eles continuarão convencidos, enfim, que o crime compensa.

A vitória de Lula, que é a vitória do povo brasileiro contra o fascismo, representa uma esperança para a restauração da democracia e para a reconstrução do Brasil.

Esta vitória se deve, em grande medida, à atuação talentosa, perseverante e competentíssima da defesa de Lula ao encargo da Valeska Teixeira Zanin Martins, do Cristiano Zanin Martins e da equipe por eles coordenada. Eles foram essenciais para trazer à luz a verdade, que é libertadora e, cedo ou tarde, se impõe.

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Indicado por Bolsonaro ao STF, André Mendonça diz que é submisso a bispos da Assembleia de Deus

André Mendonça


247 -
 André Mendonça, que foi indicado por Jair Bolsonaro para integrar a Suprema Corte do país, exibindo como predicado o fato de ser "terrivelmente evangélico", participou no domingo (12) de uma reunião de obreiros da Assembleia de Deus - Ministério do Madureira e reafirmou sua “submissão” aos bispos da igreja. 

Aos líderes da agremiação, Mendonça disse que estão proibidos de chamá-lo de "excelência", pois é discípulo deles, informa o jornalista Lauro Jardim no Globo.

"Os senhores são bispos da Assembleia de Deus, mas, para além disso, Deus os constituiu bispos sobre a minha vida. (...) Vocês têm autoridade espiritual sobre a minha vida. (…) Vocês é quem são autoridades sobre mim. Eu sou um discípulo". Mendonça enfatizou que essa sua declaração é um "reconhecimento de submissão".  

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Presidente de instituto do PSDB diz que o partido não deve fazer oposição a Bolsonaro

Pedro Cunha Lima


247 -
 O presidente do Instituto Teotônio Vilela, o deputado tucano Pedro Cunha Lima (PB) disse não concordar com a decisão da Executiva Nacional do PSDB de se colocar formalmente como oposição a Jair Bolsonaro.

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Em entrevista à Rádio Correio FM, Cunha Lima afirmou que tem um posicionamento de criticar o que vê que está errado, mas de apoiar o que acredita que faz bem ao Brasil, informa o Painel da Folha de S.Paulo.

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Depois do fiasco do 12 de setembro, MBL ameaça boicotar manifestações da campanha "Fora, Bolsonaro"

Ato do MBL pedia a volta de Temer
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247 - As lideranças do MBL (Movimento Brasil Livre), grupo direitista que organizou os atos fracassados do último domingo (12), dizem que atos foram sucesso e que tendem a rejeitar manifestação com o PT. Fazem avaliação positiva sobre os atos do último domingo apesar de terem terem atraído um público diminuto. 

Segundo essas lideranças, os atos tiveram "sucesso" por terem reunido representantes de outras vertentes políticas.  

O movimento direitista ainda não discutiu se vai aderir às mobilizações que os partidos de esquerda, progressistas e os movimentos sociais estão organizando para outubro. Mas suas lideranças dizem que há poucas chances de dialogar com o PT, informa o Painel da Folha de S.Paulo.

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Golpista em 2016 e massa de apoio ao bolsonarismo, o MBL agora acusa o PT de não ter interesse no impeachment de Bolsonaro e de ser hegemonista. Afirmam que não há o que conversar com o maior partido da esquerda brasileira, deixando claro que não vai participar de manifestações contra Bolsonaro em que o PT seja um dos protagonistas. 

O MBL, o Vem Pra Rua e outros movimentos direitistas que organizaram as manifestações do último domingo também se opõem a que as forças progressistas e de esquerda defendam nas manifestações outra política econômica e os direitos sociais dos trabalhadores. 

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Rafael Moro Martins, do Intercept, foge do debate com Joaquim de Carvalho sobre a "facada de Juiz de Fora"

Rafael Moro e Joaquim de Carvalho
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247 – O jornalista Rafael Moro Martins, editor do Intercept, que chamou de "canalhice" o documentário "Bolsonaro e Adélio – uma fakeada no coração do Brasil", que aponta os furos da versão oficial sobre o caso de Juiz de Fora e exige a reabertura das investigações, não respondeu ao convite de Joaquim de Carvalho para participar de um debate público sobre o evento, apresentando seus argumentos.

A agressão do jornalista do Intercept ao trabalho de Joaquim de Carvalho, que se tornou sucesso de público e de crítica e também motivou um pedido de CPI apresentado pelo deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), que ontem revelou que Adélio Bispo de Oliveira estava numa área vip reservada a seguranças de Jair Bolsonaro, provocou revolta na internet e um movimento de cancelamento de assinaturas do Intercept. Ontem, o ator José de Abreu, uma das personalidades mais influentes da internet brasileira, anunciou que suspendeu seu apoio ao Intercept. Confira seu tweet:

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O enigma da 'síndrome de Havana', que ataca espiões americanos e intriga cientistas - BBC News Brasil

  • Gordon Corera
  • Da BBC News
Illustration of woman in a hotel room experiencing pain in her head

Médicos, cientistas, agentes de inteligência e autoridades têm quebrado a cabeça para descobrir o que causa a síndrome de Havana, uma misteriosa doença que atingiu diplomatas e espiões americanos na capital cubana. Alguns falam em ato de guerra, outros aventam a possibilidade de ser uma nova e secreta forma de vigilância e há quem diga que tudo isso é coisa da cabeça das pessoas atingidas. Então, quem ou o que foi responsável por isso?

Tudo começa com um som, um que as pessoas têm bastante dificuldade de descrever. "Zumbido", "ruído metálico", "gritos penetrantes" são algumas dessas tentativas.

Uma mulher relata um zumbido baixo e uma pressão intensa em seu crânio; outro sentiu uma pulsação de dor. Há quem não tenha ouvido nenhum som ou sentido calor e pressão. Mas para aqueles que ouviram o som, tapar os ouvidos não fez diferença. Algumas das pessoas que enfrentaram essa síndrome ficaram com tonturas e fadiga durante meses.

A síndrome de Havana surgiu pela primeira vez em Cuba, em 2016. Os primeiros casos foram entre agentes da CIA (agência de inteligência americana), o que significa que foram mantidos em segredo. Mas, eventualmente, a notícia se espalhou e, com ela, a ansiedade. Vinte e seis funcionários e familiares relataram uma ampla variedade de sintomas. Houve rumores de que alguns colegas pensavam que os doentes eram loucos e que "tudo estava na cabeça deles".

Cinco anos depois, os relatos agora chegam às centenas e, segundo a BBC, abrangem todos os continentes, deixando um impacto real na capacidade dos Estados Unidos de operar no exterior.

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  • Riahana Ibrahimi em seu restaurante em SP

Fim do Talvez também te interesse

Descobrir a verdade agora se tornou uma das principais prioridades da segurança nacional dos EUA — que uma autoridade descreveu como o desafio de inteligência mais difícil que eles já enfrentaram.

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Evidências concretas não são conclusivas, tornando a síndrome um campo de batalha para teorias concorrentes. Alguns veem isso como uma doença psicológica; outros, como uma arma secreta. Mas um conjunto crescente de evidências tem se concentrado nas micro-ondas como o culpado mais provável.

Em 2015, as relações diplomáticas entre os EUA e Cuba foram restauradas após décadas de hostilidade. Mas, em dois anos, a síndrome de Havana quase fechou a embaixada no país caribenho, já que funcionários foram retirados dali por causa de preocupações de saúde.

Inicialmente, especulou-se que o governo cubano — ou uma facção linha-dura que se opõe a melhorar as relações entre Cuba e EUA — poderia ser o responsável, implantando alguma espécie de arma sônica. À época, os serviços de segurança de Cuba estavam nervosos com o fluxo de americanos e mantinham um controle rígido sobre a capital cubana.

Mas essa teoria perdeu força à medida que casos passaram a se espalhar pelo mundo.

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Recentemente, outra possibilidade entrou em cena — uma hipótese cujas raízes estão nos recessos mais sombrios da Guerra Fria e um lugar onde a ciência, a medicina, a espionagem e a geopolítica se chocam.

Quando James Lin, professor da Universidade de Illinois (EUA), leu os primeiros relatos sobre sons misteriosos em Havana, imediatamente suspeitou que as micro-ondas fossem as responsáveis pelo problema. Sua crença se baseava não apenas na pesquisa teórica, mas na sua própria experiência. Décadas antes, ele próprio ouvira os sons.

Desde a Segunda Guerra Mundial, há relatos de pessoas sendo capazes de ouvir algo quando um radar próximo foi ligado e começou a enviar micro-ondas para o espaço. Mesmo sem ruídos externos. Em 1961, um artigo assinado por Allen Frey argumentou que os sons eram causados por micro-ondas interagindo com o sistema nervoso, levando ao termo "Efeito Frey". Mas as causas exatas — e implicações — permaneceram inconclusas.

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Na década de 1970, Lin deu início a experimentos em torno do fenômeno na Universidade de Washington. Ele se sentou em uma cadeira de madeira em uma pequena sala forrada por materiais absorventes, com uma antena apontada para a parte de trás de sua cabeça. Em sua mão segurava um interruptor de luz. Do lado de fora, um colega enviava pulsos de micro-ondas pela antena em intervalos aleatórios. Se Lin ouvisse um som, ele deveria apertar o botão.

Um pulso parecia o som de um zíper ou de um estalar de dedo. Uma série de pulsações lembrava pássaros. Todos foram produzidos em sua cabeça, e não como ondas sonoras vindas de fora. Lin acreditava que a energia era absorvida pelo tecido mole do cérebro e convertida em uma onda de pressão que se movia dentro da cabeça e era interpretada pelo cérebro como som. Isso ocorria quando as micro-ondas de alta potência eram emitidas como pulsos, diferentemente da forma contínua de baixa potência obtida de um forno de micro-ondas moderno, por exemplo.

Illustration of man undergoing an experiment on his brain

Lin lembra que teve o cuidado de não aumentar muito. "Eu não queria ter meu cérebro danificado", disse à BBC.

Em 1978, descobriu que não estava sozinho em seu interesse e recebeu um convite incomum para discutir seu artigo científico, por parte de um grupo de pesquisadores que vinha realizando seus próprios experimentos.

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Durante a Guerra Fria, a ciência foi o foco de intensa rivalidade entre as superpotências EUA e União Soviética. Até mesmo áreas como o controle da mente foram exploradas, em meio a temores de que o outro lado obtivesse uma vantagem. E isso incluía micro-ondas.

Lin viu a abordagem soviética em um centro de pesquisa científica na cidade de Pushchino, perto de Moscou. "Eles tinham um laboratório muito elaborado e muito bem equipado." Mas o experimento ali era mais rude do que o dele. Uma pessoa ficava sentada em um tambor de água salgada do mar com a cabeça para fora. Em seguida, micro-ondas eram disparadas em direção ao seu cérebro. Cientistas achavam que as micro-ondas interagiam com o sistema nervoso e queriam questionar Lin sobre sua opinião.

A curiosidade aproximou os dois lados, e os espiões americanos acompanharam de perto as pesquisas soviéticas. Um relatório de 1976 da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, "desenterrado" pela BBC, diz que não conseguiu encontrar nenhuma prova de armas de micro-ondas do bloco comunista, mas diz que soube de experimentos em que micro-ondas pulsavam contra sapos até que seus corações parassem.

O relatório também revela que os EUA temiam que as micro-ondas soviéticas pudessem ser usadas para prejudicar a função cerebral ou induzir sons para efeito psicológico. "A pesquisa de percepção sonora interna tem grande potencial de se desenvolver em um sistema para desorientar ou interromper os padrões de comportamento do corpo militar ou diplomático."

O interesse americano era mais do que apenas defensivo. Lin também sabia do trabalho secreto dos EUA com armas no mesmo campo.

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Enquanto o professor Lin estava na cidade russa de Pushchino, outro grupo de americanos não muito longe dali estava preocupado com o fato de estarem sendo atingidos por microondas — e que o próprio governo dos EUA tivesse abafado o caso.

Por quase um quarto de século, a embaixada americana em Moscou, com dez andares, foi banhada por um feixe largo e invisível de micro-ondas de baixo nível. Ele ficou conhecido como "o sinal de Moscou". Mas por muitos anos, a maioria dos que trabalhavam ali dentro não sabia de nada.

O feixe vinha de uma antena na varanda de um apartamento soviético próximo e atingiu os andares superiores da embaixada, onde o escritório do embaixador e trabalhos mais sensíveis eram realizados. Ele foi localizado pela primeira vez na década de 1950 e depois foi monitorado de uma sala no 10º andar. Mas sua existência era um segredo muito bem guardado. "Estávamos tentando descobrir qual poderia ser seu propósito", explica Jack Matlock, número dois na hierarquia da embaixada americana em Moscou em meados dos anos 1970.

Embaixada americana em Moscou, em registro fotográfico de meados dos anos 1960
Legenda da foto, Embaixada americana em Moscou, em registro fotográfico de meados dos anos 1960

Em 1974, um novo embaixador, Walter Stoessel, ameaçou renunciar a menos que todos soubessem. "Isso causou um certo pânico", lembra Matlock. Os funcionários da embaixada cujos filhos estavam em uma creche no porão ficaram especialmente preocupados. Mas o Departamento de Estado minimizou qualquer risco.

Então o próprio embaixador ficou doente, com sintomas como sangramento nos olhos. Em um telefonema de 1975 (atualmente sem sigilo) para o embaixador soviético em Washington, o secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, relacionou a doença de Stoessel às micro-ondas, admitindo que "estamos tentando manter a coisa sob controle". Stoessel morreu de leucemia aos 66 anos. "Ele decidiu bancar o bom soldado", e não fez estardalhaço com aquilo, disse sua filha à BBC.

A partir de 1976, telas foram instaladas para proteger as pessoas. Mas muitos diplomatas ficaram furiosos, acreditando que o Departamento de Estado havia primeiro ficado quieto e depois resistido a reconhecer qualquer possível impacto sobre a saúde dos funcionários ali. Essa foi uma percepção que ecoou décadas depois com a chamada síndrome de Havana.

Qual era o objetivo do sinal de Moscou? "Tenho certeza de que os soviéticos tinham outras intenções além de nos prejudicar", diz Matlock. Eles estavam à frente dos EUA em tecnologia de vigilância e uma teoria era que eles lançavam micro-ondas das janelas para captar conversas. Outra hipótese é que ativavam seus próprios dispositivos de escuta escondidos dentro do prédio ou capturavam informações por meio de micro-ondas que atingiam dispositivos eletrônicos americanos. Em um dado momento, soviéticos disseram a Matlock que o objetivo seria, na verdade, bloquear o equipamento americano no telhado da embaixada usado para interceptar comunicações soviéticas em Moscou.

Isso tudo é parte do enorme mundo de vigilância e contra-vigilância, tão secreto que mesmo dentro de embaixadas e governos apenas algumas pessoas sabem o que realmente se passa ali.

Uma teoria é que em Havana foi usado um método muito mais direcionado para realizar algum tipo de vigilância com micro-ondas de maior potência. Um ex-funcionário da inteligência do Reino Unido disse à BBC que as micro-ondas poderiam ser usadas para "iluminar" dispositivos eletrônicos para extrair sinais ou identificá-los e rastreá-los. Outros especulam que um dispositivo (até mesmo um de origem americana) pode ter sido mal projetado ou com defeito e causado uma reação física em algumas pessoas. No entanto, as autoridades americanas disseram à BBC que nenhum dispositivo foi identificado ou encontrado.

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Depois de uma certa calmaria em torno do tema, novos casos começaram a se espalhar para além de Cuba.

Em dezembro de 2017, Marc Polymeropolous acordou repentinamente em um quarto de hotel em Moscou. Agente sênior da CIA, ele estava na cidade para se encontrar com colegas russos. "Meus ouvidos zumbiam, minha cabeça girava. Senti que ia vomitar. Não conseguia ficar de pé", disse ele à BBC. "Foi assustador."

A equipe médica da CIA disse a ele, no entanto, que os sintomas não correspondiam aos casos cubanos. A partir dali uma longa batalha por tratamento médico teve início. As fortes dores de cabeça nunca foram embora, e no verão de 2019 ele foi forçado a se aposentar.

Polymreopolous pensava inicialmente que havia sido atingido por algum tipo de equipamento de vigilância técnica que havia sido "modificado além da conta". Mas quando mais casos surgiram na CIA, todos, diz ele, ligados a pessoas que trabalhavam na Rússia, ele passou a acreditar que fora alvo de uma espécie de arma.

Pouco depois, no início de 2018, foi a vez de a China entrar na história, mais especificamente no consulado em Guangzhou.

Alguns dos afetados na China contataram Beatrice Golomb, professora da Universidade da Califórnia, que há muito tempo pesquisa os efeitos do micro-ondas na saúde, bem como outras doenças inexplicáveis. Ela disse à BBC que escreveu à equipe médica do Departamento de Estado em janeiro de 2018 com um relato detalhado de por que achava que as micro-ondas eram as responsáveis pelos casos. "Isso é uma leitura interessante", dizia a resposta evasiva que recebeu.

Golomb afirma que altos níveis de radiação foram registrados por familiares de funcionários em Guangzhou, usando equipamentos disponíveis em lojas do ramo. "A agulha bateu no topo dos medidos disponíveis." Mas, segundo ela, o Departamento de Estado disse a seus funcionários que aquelas medições deveriam ser confidenciais.

Diversos problemas atrapalharam as primeiras investigações sobre o tema. Houve uma falha na coleta de dados consistentes. O Departamento de Estado e a CIA não conseguiram se comunicar, e o ceticismo de suas equipes médicas internas causou conflitos entre as partes.

  Apenas 1 dos 9 casos da China foi inicialmente associado pelo Departamento de Estado aos critérios de classificação da síndrome com base nos casos de Havana. Isso deixou outros que relatavam sintomas com raiva e se sentindo como se estivessem sendo acusados ​​de inventar tudo aquilo. Eles começaram uma batalha pela igualdade de tratamento, que continua até hoje.

Com o aumento da frustração, alguns dos afetados procuraram Mark Zaid, um advogado especializado em casos de segurança nacional. Ele agora atua para cerca de duas dúzias de funcionários do governo, sendo metade de agências de inteligência americanas.

"Esta não é uma síndrome de Havana. É um nome inadequado", afirma Zaid, cujos clientes foram afetados em muitos locais. "O que está acontecendo é do conhecimento do governo dos EUA provavelmente, com base nas evidências que tenho visto, desde o final dos anos 1960."

Zaid representa desde 2013 um funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA que acredita ter sofrido danos em 1996 em um local sigiloso.

O advogado questiona por que o governo dos EUA tem estado tão relutante em admitir a história. Uma possibilidade, aventa ele, é que isso abriria uma caixa de Pandora de incidentes que foram ignorados ao longo dos anos. Outra é que os EUA também teriam desenvolvido e talvez até adotado as próprias micro-ondas e querem mantê-las em segredo.

O interesse do país em usar micro-ondas como arma se estendeu além do fim da Guerra Fria. Documentos apontam que a partir da década de 1990, a Força Aérea dos EUA tinha um projeto com o codinome "Hello" para ver se as micro-ondas podiam criar sons perturbadores na cabeça das pessoas, um chamado "Goodbye" para testar seu uso em controle de multidão e outro com o codinome "Goodnight" para ver se eles serviriam ​​para matar pessoas. Informações da última década sugerem que eles não tiveram sucesso.

Mas o estudo da mente e o que pode ser feito com micro-ondas tem recebido atenção crescente no mundo militar e de segurança.

"O cérebro está sendo visto como o cenário de batalha do século 21", argumenta James Giordano, conselheiro do Pentágono e professor de Neurologia e Bioquímica da Universidade de Georgetown. Ele foi convidado a examinar os primeiros casos de Havana. Modos de aumentar e danificar a função cerebral estão sendo estudados, diz ele à BBC, mas este é um campo com pouca transparência ou regras.

Ele agrega que a China e a Rússia investem em pesquisas de micro-ondas e levanta a possibilidade de que ferramentas desenvolvidas para usos industriais e comerciais (por exemplo, para testar o impacto de micro-ondas em materiais) possam ter sido reaproveitadas em outras finalidades. Mas ele também se pergunta se a disseminação do medo também estava entre os objetivos.

Esse tipo de tecnologia pode existir já há algum tempo, e até mesmo ter sido usado pontualmente. Mas isso ainda significaria que algo mudou em Cuba para que fosse percebida.

Bill Evanina era um alto funcionário da inteligência quando os casos de Havana surgiram, e neste ano ele deixou o cargo de chefe do Centro Nacional de Contra-espionagem. Ele tem poucas dúvidas sobre o que aconteceu em Havana. "Foi uma arma? Eu acredito que foi", disse ele à BBC.

Ele acredita que micro-ondas podem ter sido utilizadas em conflitos militares recentes, mas aponta para circunstâncias específicas para explicar a mudança de cenário.

Cuba, a 90 milhas da costa da Flórida, há muito é considerada ideal para coletar "inteligência de sinais" por meio da interceptação de comunicações. Durante a Guerra Fria, foi o lar de uma importante estação de escuta soviética. Quando Vladimir Putin visitou o local, em 2014, aventou-se a possibilidade de que ele estava sendo reaberto. A China também abriu dois lugares do tipo nos últimos anos, de acordo com uma fonte, enquanto os russos enviaram 30 oficiais de inteligência para a região.

Mas a partir de 2015, os EUA estavam de volta a Cuba. Com sua recém-inaugurada embaixada e uma presença reforçada, os EUA estavam apenas começando a se estabelecer, coletando informações e confrontando espiões russos e chineses.

Então os sons começaram.

"Quem mais se beneficiou do fechamento da embaixada em Havana?", questiona Evanina. "Se o governo russo estava aumentando e divulgando seu rol de inteligência em Cuba, provavelmente não era bom para eles terem os EUA em Cuba."

A Rússia rejeitou repetidamente as acusações de que está envolvida, ou "utilizou armas de micro-ondas". "Tais especulações provocativas e infundadas e hipóteses fantasiosas não podem realmente ser consideradas um assunto sério para comentários", disse o Ministério das Relações Exteriores.

E tem havido céticos sobre a própria existência da síndrome de Havana, e o principal argumento deles é a situação única em Cuba.

Estresse 'contagioso'

Robert W Baloh, professor de neurologia na Universidade da Califórnia, estuda há anos sintomas de saúde inexplicáveis. Quando ouviu os relatos da síndrome de Havana, concluiu que eram uma condição psicogênica em massa. Ele compara isso à maneira como as pessoas se sentem mal quando são informadas de que comeram comida contaminada, mesmo que não houvesse nada de errado com ela. Seria o inverso do efeito placebo.

"Quando você vê uma doença psicogênica em massa, geralmente há alguma situação subjacente estressante", diz ele. "No caso de Cuba e da massa de funcionários da embaixada, particularmente os agentes da CIA que foram os primeiros afetados, eles certamente estavam sob uma situação estressante."

Em sua opinião, sintomas do dia a dia, como névoa cerebral e tontura, são agrupados — pelos pacientes, pela mídia e pelos profissionais de saúde — como uma síndrome. "Os sintomas são tão reais quanto quaisquer outros sintomas", diz ele, argumentando que os indivíduos se tornaram hiperconscientes e temerosos à medida que os relatos se espalharam, especialmente dentro de uma comunidade fechada. Isso, ele acredita, então se tornou contagioso entre outros funcionários americanos atuando no exterior.

Crédito,

Getty Images

Legenda da foto,

Embaixada americana em Havana, em registro fotográfico de maio de 2021

Restam muitos elementos inexplicáveis. Por que diplomatas canadenses relataram sintomas em Havana? Eles foram danos colaterais? E por que nenhum funcionário do Reino Unido relatou sintomas? "Os russos literalmente tentaram matar pessoas em solo britânico nos últimos anos com materiais radioativos, mas por que não há casos relatados?" se pergunta Mark Zaid.

"Eu provavelmente colocaria em stand-by a afirmação de que ninguém no Reino Unido teve sintomas", responde Bill Evanina, que diz que os EUA agora estão compartilhando detalhes com aliados para identificar casos.

Algumas questões podem não estar relacionadas. "Tivemos um bando de militares no Oriente Médio que alegou ter tido este ataque: descobriram que eles tinham intoxicação alimentar", disse um ex-oficial.

"Precisamos separar o joio do trigo", avalia Mark Zaid, que diz que pessoas comuns, algumas com problemas de saúde mental, o abordam alegando terem sofrido ataques de micro-ondas.

Um ex-oficial avalia que cerca de metade dos casos relatados por servidores americanos estão possivelmente ligados a ataques de um adversário. Outros dizem que o número real pode ser ainda menor.

Um relatório de dezembro de 2020 da Academia Nacional de Ciências dos EUA se tornou crucial na investigação. Especialistas coletaram evidências de cientistas e médicos, bem como de oito vítimas. "Foi bastante dramático", lembra o professor David Relman, da Universidade Stanford, que presidiu o painel. "Algumas dessas pessoas estavam literalmente escondidas, por medo de novas ações contra elas por parte de quem quer que fosse. Na verdade, houve precauções que tivemos que tomar para garantir sua segurança."

O painel analisou diversas causas (incluindo psicológicas) e concluiu que pulsos de micro-ondas direcionados e de alta energia eram provavelmente responsáveis ​​por alguns dos casos, semelhante à opinião de James Lin, que prestou depoimento.

Embora o Departamento de Estado dos EUA tenha patrocinado o estudo, o órgão ainda considera a conclusão apenas uma hipótese plausível e as autoridades dizem que não encontraram mais evidências para sustentá-la.

O governo Joe Biden indicou que está levando a questão a sério. Funcionários da CIA e do Departamento de Estado recebem conselhos sobre como responder a incidentes. E foi criada uma força-tarefa para dar apoio à equipe no que agora são chamados de "incidentes de saúde inexplicáveis". Tentativas anteriores de categorizar os casos a partir de critérios específicos foram abandonadas. Só que a falta de uma definição clara torna fica mais difícil quantificá-la.

Em 2021, surgiu uma nova onda de casos, incluindo Berlim e Viena. Em agosto deste ano, uma viagem da vice-presidente americana, Kamala Harris, ao Vietnã foi atrasada em três horas por causa de um caso na embaixada em Hanói. Diplomatas agora fazem dezenas de perguntas antes de aceitar missões no exterior com suas famílias.

A CIA assumiu a busca por uma explicação, com um veterano da caçada a Osama bin Laden no comando da missão.

Sinais no sangue

A acusação de que outro país estaria prejudicando funcionários dos EUA teria consequências grave. "Isso é um ato de guerra", diz Polymeropolous, ex-CIA. Mas as autoridades na cúpula americana exigirão evidências concretas para agir, só que até agora, dizem investigadores, elas ainda não existem.

Cinco anos depois dos primeiros relatos, algumas autoridades americanas dizem que pouco se sabe sobre o início da síndrome de Havana. Mas outros discordam. Eles dizem que a evidência de micro-ondas é muito mais forte agora, embora ainda não seja conclusiva.

A BBC apurou que novas evidências estão chegando à medida que os dados são coletados e analisados ​​de forma mais sistemática pela primeira vez. Alguns dos casos deste ano mostraram marcadores específicos no sangue, indicando lesão cerebral. Esses marcadores desaparecem após alguns dias e, anteriormente, muito tempo havia transcorrido até que eles fossem identificados. Atualmente as pessoas estão sendo testadas muito mais rapidamente após relatar os sintomas pela primeira vez.

O debate continua acirrado, e é possível que a resposta, se surgir, seja complexa. Pode haver um núcleo de casos reais, enquanto outros foram espelhados na síndrome. As autoridades levantam a possibilidade de que a tecnologia e a intenção possam ter mudado com o tempo, talvez mudando para tentar perturbar os EUA. "Gostamos de um diagnóstico de rótulo simples", afirma Relman, da Universidade Stanford. "Mas às vezes é difícil de obtê-lo. E quando não podemos, temos que ter muito cuidado para não simplesmente jogar as mãos para o alto e deixar passar."

O mistério da síndrome de Havana pode ser seu verdadeiro poder. A ambiguidade e o medo que ele espalha agem como um fator multiplicador, fazendo com que mais e mais pessoas se perguntem se estão sofrendo e tornando mais difícil para espiões e diplomatas operarem no exterior. Mesmo que tenha começado como um incidente bem definido, a síndrome de Havana pode ter ganhado vida própria.

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As lições do caso em que professora sem vacina infectou metade da classe com covid-19 nos EUA - BBC News Brasil

  • Paula Adamo Idoeta
  • Da BBC News Brasil em São Paulo
Crianças em escola
Legenda da foto, Caso ocorrido na Califórnia ilustra a importância de se manter rígidos protocolos sanitários em escolas e não se ignorarem sintomas, mesmo que leves

No momento em que as escolas da cidade de Nova York - que abriga a maior rede de ensino dos EUA - reabrem suas portas para a totalidade dos alunos, ao mesmo tempo em que os índices de vacinação contra covid-19 estagnaram entre os americanos e a variante delta avança, o país e o mundo discutem a segurança das crianças na volta às aulas.

As crianças, desde o início, têm sido proporcionalmente menos afetadas que os adultos pelo coronavírus Sars-Cov-2, mas seguem suscetíveis sobretudo se estiverem rodeadas de adultos não vacinados ou que não cumprirem protocolos sanitários, como mostra um estudo do Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos EUA (veja detalhes do caso abaixo).

Nesta segunda-feira (13/9), segundo o jornal The New York Times, 1 milhão de crianças nova-iorquinas retornaram às salas de aula, a maioria delas pela primeira vez em 18 meses. Todos os funcionários do Departamento de Educação da cidade serão obrigados a se vacinar, por ordem da prefeitura.

Mas a obrigatoriedade da vacinação, bem como do uso de máscaras, ainda é um ponto controvertido nos EUA.

No que diz respeito às máscaras, segundo levantamento da Associated Press, até agosto, apenas dez Estados americanos e a capital Washington DC seguiam as recomendações do CDC e exigiam que todos os estudantes e educadores usassem a proteção facial.

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Trinta e dois Estados deixaram a decisão nas mãos dos distritos escolares ou dos pais. E oito Estados, na contramão das recomendações, aprovaram leis ou ordens executivas impedindo que o uso de máscaras fosse uma exigência.

No que diz respeito à vacinação, o presidente Joe Biden afirmou, em discurso na semana passada, que "90% dos funcionários de escolas e professores estão vacinados (no país). Precisamos chegar a 100%."

A professora que acabou infectando metade da turma com covid-19

Nessa discussão, ganhou notoriedade recentemente um estudo produzido pelo CDC detalhando um caso ocorrido na Califórnia, que ilustra a importância de medidas preventivas nas escolas para garantir a proteção de alunos e educadores.

Em 25 de maio, segundo o CDC, o Departamento de Saúde Pública do Condado de Marin foi notificado que uma professora do ensino fundamental havia testado positivo para a covid-19. Ela não havia sido vacinada.

Ao longo das semanas seguintes, outros 26 casos de covid-19 (sintomáticos ou assintomáticos) foram identificados entre alunos da escola e seus parentes.

Os alunos, por sua vez, tinham menos de 12 anos e, portanto, ainda não podiam ser vacinados, segundo as regulações vigentes em torno das vacinas aprovadas nos EUA (aqui no Brasil também só estão sendo vacinados adolescentes acima de 12 anos, com a vacina da Pfizer; a CoronaVac teve até o momento pedido negado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para que fosse aplicada em crianças a partir de três anos).

Na sala de aula da professora californiana, foi identificado que a metade dos estudantes (12 de um total de 24) acabou sendo contaminada.

Outro foco de contaminação na mesma escola ocorreu em outra classe, aparentemente quando um aluno fez uma "festa do pijama" em sua casa.

Crédito,

EPA

Legenda da foto,

Alunos indo para a escola em Los Angeles; condado californiano determinou vacinação obrigatória para estudantes com 12 anos ou mais

"O elo epidemiológico entre as duas classes permanece desconhecido, mas acredita-se que se deva à interação dentro da escola", diz o CDC.

O caso - em que todos se recuperaram de quadros leves da covid-19, sem a necessidade de hospitalização - trouxe lições importantes, como aponta o estudo do CDC.

A BBC News Brasil pediu também a análise do pediatra brasileiro Daniel Becker, que integra o Instituto de Saúde Coletiva da UFRJ e o Comitê Científico de ações anti-covid da prefeitura do Rio de Janeiro.

Veja a seguir alguns dos pontos mais importantes:

Sintomas, mesmo que simples, não devem ser ignorados

A professora em questão (que não foi identificada), segundo o CDC, começou a apresentar sintomas da covid-19 - no caso dela, congestão nasal e fadiga - a partir de 19 de maio, mas trabalhou mais dois dias sentindo febre, tosse e dores de cabeça, antes de ser testada (e dar positivo), em 21 de maio.

A professora acreditou se tratar de sintomas de alergia, mas o caso ressalta a importância de não deixarmos passar nem mesmo sintomas leves - particularmente em um momento de avanço da variante Delta, que é bem mais transmissível que a versão original do coronavírus.

Alguns dos sintomas da Delta são semelhantes aos de um resfriado comum - como obstrução nasal, coriza, tosse, dor de garganta, febre, dor de cabeça, falta de apetite -, o que pode fazer com que passem despercebidos.

Essa atenção aos sintomas deve se dar também no caso das crianças, que não devem ser mandadas à escola de forma alguma se apresentarem até mesmo coriza, explica Daniel Becker.

"Temos que nos manter cuidadosos e testar todas as crianças com quadro febril ou coriza, depois do quarto ou quinto dia (dos sintomas), com teste de antígeno (o que é feito com a inserção do "swab" no nariz e cujo resultado que sai poucas horas depois)", diz o médico - ressaltando, porém, que, mesmo com a Delta, os quadros graves de covid-19 em crianças ainda são mais raros do que em adultos e que reações alarmistas são contraproducentes.

"O importante é sermos muito cuidadosos com as crianças e mantermos um olhar de vigilância, mesmo que seus pais tenham sido vacinados - porque vez ou outra podemos ter casos graves", agrega.

É sempre bom lembrar que, no caso da covid-19, mesmo pessoas assintomáticas (e vacinadas) podem transmitir o vírus, embora os casos sejam mais raros do que entre grupos não vacinados.

No caso do estudo californiano, todos os que testaram positivo para covid-19 ficaram dez dias em isolamento, bem como as pessoas que tiveram contato com eles. As salas infectadas foram temporariamente fechadas e higienizadas durante esse período.

A importância da máscara

Assunto altamente politizado nos EUA, a máscara demonstrou sua importância no episódio da escola californiana.

A investigação do CDC apontou que a professora em questão parece ter descumprido a exigência local de uso de máscaras em espaços fechados e leu em voz alta para seus alunos - falar em voz alta, sem máscara, é uma das formas como inadvertidamente espalhamos mais gotículas de saliva potencialmente contaminadas.

A maior incidência de alunos infectados foi justamente entre os que sentavam nas primeiras fileiras diante da professora (veja abaixo no gráfico do CDC).

Crédito,

Reprodução/CDC

Legenda da foto,

Gráfico do CDC, em inglês, mostra (nos retângulos de linhas azuis, os casos assintomáticos; pintados de azul, os casos sintomáticos) os alunos de uma sala de aula na Califórnia que foram infectados, após aula com professora não vacinada e sem máscara

Nas circunstâncias atuais, opina Daniel Becker, é "inadmissível que um professor não use máscara em sala de aula". "A politização do uso das máscaras é uma estupidez - que não se consiga chegar a um consenso sobre algo tão simples", critica.

Um ponto é que a infecção na escola californiana ocorreu apesar de medidas sanitárias importantes terem sido tomadas: as salas de aula estavam com as janelas abertas e tinham filtros de ar de alta eficiência.

Apesar disso, a ventilação dos ambientes escolares continua sendo uma medida crucial para diminuir as chances de transmissão do vírus, ao reduzir a concentração de gotículas e aerossóis potencialmente infectados (uma sugestão de especialistas é colocar um ventilador de frente para uma janela - ele funciona como uma espécie de exaustor, puxando o ar de dentro e empurrando-o para fora do cômodo).

A vacinação ofereceu proteção comunitária

"Esse surto originado em uma professora não vacinada demonstra a importância de vacinar funcionários de escola que estão em contato próximo e em ambientes fechados com crianças que não podem ser vacinadas, à medida que as escolas reabrem as portas", diz o estudo do CDC, destacando o alto potencial de espalhamento da variante delta.

Mas o CDC ressalta também que a alta taxa de vacinação no condado de Marin, onde fica a escola em questão, ajudou a conter o coronavírus, oferecendo proteção coletiva:

"Uma transmissão além (de estudantes e familiares) parece ter sido impedida pelos altos níveis de vacinação comunitária. No momento do surto, cerca de 72% da população para a qual havia vacina disponível estava totalmente vacinada", diz o estudo.

"Essas descobertas sustentam as evidências de que as atuais vacinas contra covid-19 aprovadas emergencialmente pela FDA (agência americana que regula medicamentos e alimentos) são efetivas contra a variante delta. No entanto, os riscos de transmissão continuam elevados entre indivíduos não vacinados em escolas", prossegue o texto.

Crédito,

Reuters

Legenda da foto,

Professora cumprimenta aluna em escola de Nova York, em foto de abril; cidade reabriu suas salas de aula neste 13 de setembro

O CDC ressalta que, além da vacinação em massa, é preciso manter medidas rígidas de prevenção - uso correto de máscaras, testagem rotineira, ventilação constante e quarentena no caso de pessoas sintomáticas ou que testaram positivo - para garantir a proteção no ambiente escolar.

Nos EUA, depois de a campanha de vacinação em massa ter colocado o país na dianteira global da proteção contra a covid-19, a resistência de parte da população à imunização criou terreno fértil para que a variante delta se espalhasse em algumas comunidades.

Essa resistência também fez com que os EUA reduzissem o ritmo de imunização da população em geral. Segundo a plataforma Our World in Data, da Universidade de Oxford, até 12 de setembro em torno de 178,7 milhões de americanos estavam totalmente vacinados, de uma população total de 328 milhões de pessoas.

Atualmente, enquanto o Brasil aplica diariamente 0,66 dose de vacina a cada 100 habitantes, nos EUA essa taxa é hoje de 0,22.

Isso levou a medidas como a adotada no condado de Los Angeles, também na Califórnia, onde a vacinação de todos os estudantes com 12 anos ou mais passou a ser obrigatória, a despeito da resistência de parte dos pais - seja por não se sentirem seguros quanto à vacina ou por não concordarem com interferências externas na tomada de decisões com relação às crianças, informou a agência Reuters.

Mas, nas palavras de uma das integrantes do conselho escolar (em cuja instância foi aprovada a obrigatoriedade das vacinas), "não vejo isso (vacinação) como sua escolha ou minha escolha. Vejo isso como uma necessidade comunitária. O que significa que as pessoas terão de fazer coisas com as quais não estão confortáveis, com as quais estão inseguras ou que possam conter algum risco."

Adultos têm que proteger as crianças

Por fim, uma lição importante do estudo do CDC é que ainda recai sobre os adultos a responsabilidade de garantir que as escolas sejam lugares seguros.

"As vacinas são eficientes contra a variante delta, mas o risco de transmissão segue elevado entre pessoas não vacinadas em escolas onde não há um cumprimento rígido das estratégias de prevenção", diz o CDC.

Por enquanto, diz o pediatra Becker, o que sabemos é que, como a variante Delta é mais transmissível, ela também se transmite mais entre crianças, na mesma proporção (ou seja, ainda em números absolutos menores do que entre adultos).

No Rio de Janeiro, a delta é considerada a variante do coronavírus prevalente nas contaminações desde o mês passado, elevando a sobrecarga em hospitais. Uma análise recente apontou que essa variante representa 90% dos casos geneticamente sequenciados no Estado - e é bom lembrar que, em diversos momentos da pandemia, a situação no Rio de Janeiro antecipou o quadro geral visto no restante do país.

"Com a Delta, estamos vendo crianças levando o vírus para casa, o que não víamos tanto antes. Mas a grande maioria das crianças continua pegando a covid-19 em casa, dos adultos", diz Becker.

Esse aumento de contágio pela delta não tem, ao menos por enquanto, se refletido em mais mortes entre crianças, diz o médico.

"Não há neste momento explosão de casos entre crianças ou motivo para pânico. Mas temos que implementar os protocolos com rigor. Não é momento para festinhas em lugares fechados, porque a delta é braba mesmo. Temos que cuidar das crianças, que são um grupo ainda não vacinado", conclui.

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Testemunhas brasileiras relembram horror do 11 de Setembro: 'Vi o inimaginável e nunca mais fui o mesmo' - BBC News Brasil

  • André Bernardo
  • Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil
Colapso da primeira das Torres Gêmeas visto de longe, em 11 de setembro de 2001; atentado completa 20 anos
Legenda da foto, Colapso da primeira das Torres Gêmeas visto de longe, em 11 de setembro de 2001; atentado completa 20 anos

Quando viu pela janela do escritório uma gigantesca bola de fogo na Torre Norte do World Trade Center (WTC), a administradora de empresa Stéphanie Habrich, de 50 anos, pensou que um avião de acrobacia tivesse perdido o controle e se espatifado contra o prédio.

Alemã criada no Brasil e funcionária do Deutsche Bank, ela trabalhava no quarto andar da Torre 4, um dos sete edifícios do complexo empresarial.

"Me lembro muito bem do dia lindo que fazia. Não havia uma única nuvem no céu", recorda. "Tinha chegado mais cedo para acabar um trabalho que precisava entregar naquele dia".

Para o empresário paulista Tácito Cury, de 40 anos, a impressão foi outra. Ao saltar do metrô, foi avisado por um policial que havia um incêndio na Torre Norte, mas que o acesso à Torre Sul, onde trabalhava em uma escola de idiomas, no 57° andar, estava liberado. Quando chegou ao saguão, não tinha dúvidas: era apenas mais um thriller de ação que algum estúdio estava filmando pelas ruas sempre movimentadas de Nova York.

Nenhum deles, dois dos mais de 17 mil funcionários do WTC, podia imaginar que um dos principais cartões-postais da cidade estava sob ataque.

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Quem chegou mais perto do horror por trás daquela explosão foi o economista gaúcho Larry Pinto de Faria Júnior, de 63 anos. Operador de uma empresa do mercado financeiro, a Garban Intercapital, que funcionava no 25º andar da Torre Norte, Larry estava ao telefone, conversando com clientes, quando ouviu um estrondo semelhante a uma bomba. Pela janela, estilhaços de vidro e destroços de fuselagem despencavam do céu.

Quando a torre de 107 andares começou a balançar, igual ao pêndulo de um relógio, Larry murmurou, baixinho: "Não vai aguentar". Foi o tempo de pegar suas coisas, berrar "Vai cair!" para o colega ao lado e correr para uma das saídas de emergência.

Naquele dia, quatro aviões comerciais foram sequestrados por 19 terroristas. Dois deles, o voo 11 da American Airlines e o 175 da United Airlines, foram arremessados contra as Torres Gêmeas, em Nova York. O primeiro, pilotado por Mohamed Atta, 33, atingiu a Torre Norte às 8h46 (horário local), e o segundo, comandado por Marwan al Shehhi, 23, a Torre Sul, às 9h03. Um terceiro avião, o 77 da American Airlines, foi jogado contra o Pentágono, na Virgínia, às 9h37, e o quarto, o 93 da United Airlines, caiu sobre um bosque na Pensilvânia, às 10h03.

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Correspondente da Globo em Nova York de 1996 a 2002, Edney Silvestre morava a poucos quarteirões do WTC e foi o primeiro repórter da TV brasileira a chegar ao local

Juntos, os quatro ataques, planejados e executados pela rede terrorista Al-Qaeda, comandada por seu fundador, o saudita Osama Bin Laden (1957-2011), deixaram um saldo de 2.977 mortos e quase 7 mil feridos. "Havia um 20º terrorista, um francês de origem marroquina chamado Zacarias Moussaouri, que deveria atacar a Casa Branca. Mas ele não aprendeu a pilotar a tempo", conta o escritor Ivan Sant'Anna, autor de Plano de Ataque (2006).

Ficção ou realidade?

Tácito Cury só se deu conta de que não se tratava de uma superprodução de Hollywood quando a porta do elevador se abriu no 30º andar e viu uma multidão de feridos - uns gritando de dor, outros pedindo ajuda - querendo entrar na cabine. Em vez de subir até o 57°, desceu pela escada de incêndio.

Na rua, procurou um lugar seguro para telefonar para o pai, que morava no Brasil. Queria avisar que, na medida do possível, estava bem. Ainda não tinha desligado o telefone quando viu o segundo avião, um Boeing 767, transportando 51 passageiros e nove tripulantes, ser arremessado contra a Torre Sul. "O impacto foi tão forte que o chão tremeu. Parecia terremoto", diz.

Larry de Faria Júnior conta que a descida até o térreo foi tensa, mas organizada. Não houve empurra-empurra ou algo do gênero. Ele estava no 15° quando cruzou com uma equipe do Corpo de Bombeiros subindo, rumo aos andares do topo atingidos pelas chamas. Cada um deles carregava cerca de 45 quilos em roupas e equipamentos.

"Como está a situação lá embaixo?", perguntou Larry para um dos bombeiros. "Tem muita fumaça, senhor", respondeu o rapaz. "Mas, está tranquilo". Os bombeiros, todos muito jovens, subiram para não mais descer. "Nenhum deles sobreviveu à queda das Torres Gêmeas", lamenta Larry, que morava em Nova York desde maio de 1999.

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Hospedada no 6° andar do Hotel Marriott, anexo às Torres Gêmeas, a empresária paranaense Adriana Maluendas tinha prova às 9h30 do dia 11 de setembro no 17° andar da Torre Sul

A empresária paranaense Adriana Maluendas, de 49 anos, não trabalhava nas Torres Gêmeas. Hospedada no 6° andar do Hotel Marriott, que fazia parte do complexo WTC, tinha prova às 9h30 no Instituto de Finanças de Nova York (NYIF, em inglês), no 17° andar da Torre Sul. Ainda estava à procura de um sapato que combinasse com sua bolsa quando um barulho muito forte estremeceu o quarto 635. Assustada, tentou ligar para a recepção, mas ninguém atendeu. "Preciso descer agora", decidiu.

No hall dos elevadores, deparou-se com uma senhora em uma cadeira de rodas. "Por favor, vá buscar ajuda", suplicou ela. Foi o que Adriana tentou fazer ao chegar ao lobby. Em vão. "Ver as pessoas pedindo ajuda e não poder ajudá-las foi uma das piores sensações da minha vida".

O repórter Edney Silvestre e o cinegrafista Orlando Moreira foram os primeiros jornalistas brasileiros de TV a chegar ao local do maior atentado terrorista da história. Correspondente da TV Globo em Nova York de 1996 a 2002, Edney tinha acabado de chegar em casa, vindo da academia de ginástica, quando ligou a televisão e viu um enorme buraco no WTC. Morador da Union Square, chegou ao local em poucos minutos.

O cheiro de carne queimada, recorda, era pavoroso. "Terrível não basta para descrever", diz. Uma das cenas que presenciou foi a do pai de dois bombeiros desaparecidos. Cavava os escombros com as mãos e perguntava: "Meu filho, você está aí?". Muitos pais, mães, filhos, maridos e mulheres não tiveram o que enterrar. "Testemunhei o inimaginável. Nunca mais fui o mesmo. Mas evito pensar nisso. Hoje, procuro viver o aqui e agora", afirma.

Fuga desesperada

Nos andares mais altos das torres, muitas pessoas quebravam as janelas para respirar, agitavam peças de roupas e pediam socorro aos helicópteros da polícia. Algumas delas, acuadas pelo fogo, calor e fumaça, desistiram de esperar por resgate e saltaram para a morte.

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Larry Pinto de Faria Júnior cruzou com uma equipe do Corpo de Bombeiros enquanto descia as escadas de emergência

Dali a pouco, o que parecia impossível aconteceu: as duas torres, de 420 metros de altura cada, não resistiram aos impactos das aeronaves e começaram a ruir. A Torre Sul, a segunda a ser alvejada, colapsou primeiro, às 9h59, e a Norte, às 10h28. Em minutos, se transformaram em um amontoado de escombros.

"Se as Torres Gêmeas, em vez de caírem de pé, tivessem tombado para um dos lados, a tragédia teria sido ainda maior", explica Ivan Sant'Anna. "O número de mortos poderia ter chegado a dezenas de milhares".

Quando as duas torres foram ao chão, levantou-se uma nuvem negra de poeira, cinzas e fuligem. "Não tive opção: ou saía correndo ou era engolido por aquele tsunami. Corri uns 20 quarteirões", lembra Tácito.

Quem também fugiu em disparada foi Stéphanie. Quando o segundo avião foi arremessado contra a Torre Sul, ela ouviu um barulho ensurdecedor, seguido por incontáveis explosões. Pensou que os terroristas estivessem lançando bombas sobre Nova York. Com medo de ser atingida, procurou abrigo em algum prédio das redondezas, mas não encontrou. "A maioria já estava com as portas fechadas. Os que continuavam abertos não me deixaram entrar", lamenta.

Foi quando pegou o metrô, gratuito, até a rua 81, onde morava. Sem as chaves de casa, tocou a campainha dos vizinhos e pediu para telefonar para o pai no Brasil e a mãe na França. "Foi a única vez na vida que ouvi meu pai chorando", emociona-se.

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Legenda da foto,

Stéphanie Habrich trabalhava no 4° andar da Torre 4. Quando o segundo avião foi lançado contra a Torre Sul, achou que os terroristas estivessem bombardeando Nova Iorque

Adriana não teve tanta sorte. Ao descer as escadas do Marriott, muitos hóspedes, ainda de pijamas e aos gritos de "Corram!", empurravam uns aos outros. Ali, ela levou o primeiro de seus muitos tombos daquele dia. Na calçada, tentou correr para o mais longe possível dos escombros do WTC.

"Pareciam animais tentando fugir de um incêndio na floresta", compara. Durante a fuga, foi empurrada e caiu no chão. Pisoteada pela multidão, quebrou dentes, fraturou costelas, ficou com hematomas. "A nuvem era escura e o ar, irrespirável. Não conseguia enxergar nada a um palmo de distância", recorda. "Tinha certeza de que não conseguiria escapar com vida daquele pesadelo".

Tácito ainda não tinha se refeito do baque do 11 de Setembro quando, no dia seguinte, levou outro susto. Ao embarcar em um trem do metrô, pegou um exemplar do jornal Daily News esquecido em um dos assentos do vagão. Não acreditou quando leu que um dos 19 terroristas da Al-Qaeda, justamente o que arremessou o voo 175 da United Airlines contra a torre onde trabalhava, era aluno do curso de inglês.

Atônito, ligou para a sede do curso, que ficava na rua 56, e confirmou o nome: Marwan al Shehhi, dos Emirados Árabes Unidos. Um aluno, ele descreve, tímido, discreto e caladão. "Foi um choque. Como professor substituto, dei aula para ele umas duas ou três vezes", relata.

Depois do terror

Na sexta, dia 14, Stephanie já estava de volta ao trabalho. O banco para o qual trabalhava contratou psicólogos para atender os funcionários e montou um terminal com computadores em um galpão de Nova Jersey.

"Desde que havia chegado a Nova York, em 1996, trabalhava, no mínimo, 12 horas por dia", calcula. "Passei a questionar como queria viver minha vida dali em diante".

Tacito Cury, no Central Park, com as Torres Gêmeas ao fundo
Legenda da foto, O empresário paulista Tácito Cury (na foto, com as Torres Gêmeas ao fundo) descobriu, no dia seguinte aos ataques, que deu aula de inglês para Marwan al Shehhi, terrorista que arremessou o Boeing 767 sobre a torre onde ele trabalhava

Depois que saiu do banco, em 2002, Stephanie fez mestrado em Relações Internacionais na Universidade Columbia e mudou-se para São Paulo e, em 2011, lançou Joca, o primeiro jornal infanto-juvenil do Brasil, distribuído para mais de 150 escolas, públicas e particulares, de todo o país. "Se o Joca existisse em 2001, teríamos explicado aos nossos leitores o que é um atentado terrorista", exemplifica.

No sábado, dia 15, tão logo os aeroportos de Nova York reabriram, Larry pegou o primeiro avião para o Brasil. A empresa onde trabalhava abriu um escritório temporário em São Paulo, onde ele exerceu suas atividades por um ano e dois meses. Depois disso, regressou a Nova York.

Em 2018, visitou o museu e memorial do 11 de setembro inaugurado em 2014 em homenagem às vítimas da tragédia. Instalado no subsolo do Marco Zero, reúne cerca de 10 mil artefatos, desde a turbina de um dos Boeings usados como míssil no ataque até um caminhão dos bombeiros parcialmente destruído. "Chorei como criança", conta.

Em outubro de 2020, Larry retornou ao Brasil. Desde então, vive em Porto Alegre, sua cidade-natal.

O acervo do museu guarda, entre outras "relíquias", o passaporte e as chaves do quarto 635 do Marriott Hotel, doados por Adriana. Por causa do ataque, ela passou a sofrer de estresse pós-traumático. Durante muito tempo, sentia calafrios toda vez que ouvia as sirenes dos bombeiros e de ambulância e, à noite, chegava a trocar o pijama pelo moletom na hora de dormir. Tinha pavor de que outra tragédia daquelas acontecesse e ela não estivesse pronta para sair correndo.

Desde 2002, vive em Nova York e, em 2016, lançou o autobiográfico Além das Explosões. "Até hoje, não tenho palavras para descrever o que vi e vivi: triste, doloroso, impactante...", arrisca-se.

Quando descobriu que um dos pilotos suicidas tinha estudado no curso onde trabalhava, Tácito resolveu ligar para a polícia federal dos EUA, o FBI. Seus chefes não gostaram da publicidade indesejada e resolveram demiti-lo. Sem emprego, decidiu abrir sua própria escola de idiomas, hoje presente em 60 países. Não satisfeito, virou chef confeiteiro e montou um bistrô em São Paulo.

Em 2015, gravou uma palestra TEDx, Cinco Lições de Sobrevivência. "Não é todo dia que a vida dá uma segunda chance para você. O que eu fiz? Dei um reset na minha história e comecei de novo, praticamente do zero", conta ele, que hoje se divide entre São Paulo, Paris e Nova York.

Preso em 16 de agosto de 2001, Zacarias Moussaouri, que deveria ter atacado a Casa Branca, hoje com 53 anos, cumpre prisão perpétua no Colorado. Já a cadeirante do Marriott foi resgatada por funcionários do hotel. Morreu em 2009, de causas naturais.

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Lilia Schwartz, Marcos Nobre e Daniela Campello advertem: Bolsonaro está "em contagem regressiva para o golpe"

Historiadora Lilia Schwartz, filósofo Marcos Nobre e a cientista política Daniela Campello mais um ato contra Jair Bolsonaro ao fundo
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247 - O filósofo Marcos Nobre, cientista social, professor da Unicamp, avalia que Jair Bolsonaro não vê a eleição do ano de 2022 como centro do seu projeto de poder porque não é um democrata. 

De acordo com o analista, Bolsonaro abriu a contagem regressiva para um possível golpe quando fez novos discursos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) nos atos do 7 de setembro. 

"Vamos ter a clareza de que é uma maratona, não é corrida de 100 metros rasos. O que o Bolsonaro fez no 7 de setembro foi ligar a contagem regressiva do golpe, que ele tem de dar até o final do próximo ano", diz Nobre. As entrevistas foram concedidas ao portal Uol.

"A gente não pode contar que alguém que não é um democrata faça raciocínios meramente eleitorais. Do outro lado, o campo democrático só faz raciocínios eleitorais e, por isso, está perdendo o jogo. O campo democrático está jogando amarelinha, enquanto Bolsonaro está construindo um octógono de MMA. Estamos jogando dois jogos diferentes", continua.

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O estudioso destaca que as eleições de 2022 serão o oposto da de 2018. "Em 2018 não tinha um presidente no exercício da função candidato à reeleição. Isso organiza a eleição sempre. Por isso, em 2018, era a eleição para um outsider. Agora, é ao contrário, você tem um incumbente à reeleição, esse incumbente tem uma base social muito fiel e ele organiza a eleição. Ou seja, todo mundo tem que ser contra ele", complementa. 

A historiadora e antropóloga Lilia Schwartz reforça que Bolsonaro "está dando golpe todo dia". "Desde que ele entrou, ele continua fazendo palanque. Ele já está aparelhando as instituições e já trabalha com um grupo que forma as suas próprias impressões", acrescenta. 

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A cientista política Daniela Campello diz que Bolsonaro tenta a todo o momento dar um golpe no país. Mas a analista não acredita no sucesso dele. "Não existe o dia 2 do golpe. Ele não consegue criar um governo autoritário estável, minimamente estável. Mas ele tem a capacidade de criar caos por bastante tempo, e esse é o pavor", diz ela, professora associada da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ebape).

Eleições presidenciais

De acordo com o analista, nenhum pré-candidato ainda conseguiu se colocar como um nome consolidado para a chamada 'terceira via'. "Não existe coordenação na terceira via", avalia Daniela Campello. "Existe uma série de candidatos que não se falam. Mesmo que houvesse uma intenção de eleitores do Bolsonaro de migrar para alguém que vença Lula, o fato de ter uma oferta grande de nomes dificulta a terceira via".

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Para Lilia Schwartz, a existência de várias pré-candidaturas da terceira via, que para ela representa "muito cacique para pouco índio". 

A historiadora afirma que o ex-presidente Lula fará frente ao atual presidente. "Não teremos uma frente sem Lula, assim como o PT não terá uma frente possível se não contar com a assim chamada terceira via".

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Bolsonaro vai começar tiroteio contra o STF esta semana, diz Villa

00:00  olaboração para o UOL 13/09/2021 14h59

O historiador e colunista do UOL, Marco Antonio Villa, disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltará a mirar seus ataques contra o STF (Supremo Tribunal Federal) a partir desta semana, devido ao fato da Corte analisar duas pautas importantes e sensíveis ao governo: a continuidade da votação do marco temporal das terras indígenas e o decreto do governo que ampliou o acesso a armas e munição no país.

Em entrevista ao UOL News, Villa destacou que "esta semana ele [Bolsonaro] vai começar o tiroteio contra o STF" por causa dessas duas pautas e ressaltou, ainda, o depoimento do advogado e empresário Marcos Tolentino da Silva à CPI da Covid, que também pode afetar diretamente o governo - hoje, a 15º Vara Federal de Brasília autorizou a Comissão a expedir, se necessário, um mandado de condução coercitiva para que ele compareça no Senado para prestar depoimento.

Aras quer suspensão de MP de Bolsonaro que dificulta combate a fake news

Tolentino, advogado de formação e dono da Rede Brasil de Televisão, teve seu nome associado às investigações da CPI depois de ser apontado como "sócio oculto" do FIB Bank. A empresa é responsável por oferecer uma garantia considerada irregular por senadores do colegiado no negócio de compra da vacina indiana Covaxin e seu depoimento é um dos mais aguardados.

A votação do marco temporal é apreciada pelo STF desde o final de agosto e discute a tese de que os indígenas só possam reivindicar demarcações das terras que estavam ocupando, comprovadamente, à época da promulgação da Constituição de 1988. Relator do caso, o ministro Edson Fachin votou contra essa proposta, ou seja, a favor dos povos indígenas. No final de semana, Bolsonaro afirmou que uma eventual decisão da Corte contrária ao marco temporal pode representar o "fim do agronegócio" no país.

Na semana passada, um dia depois das manifestações golpistas e antidemocráticas do 7 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes liberou para julgamento os processos sobre a política armamentista do governo federal e, segundo a colunista do UOL, Carolina Brígido, a tendência é de que o STF derrube as normas que ampliam o porte de armas no país. Caso isso aconteça, significará uma derrota para Jair Bolsonaro que se elegeu em 2018 com a promessa de facilitar o acesso às armas e munições.

No UOL News de hoje, Marco Antonio Villa destacou que a junção de todas essas pautas "acabará com a paz" do presidente porque ele está em um "campo fora da democracia, que é o campo do nazifascismo".

Ainda, o historiador disse temer por uma eventual reeleição de Bolsonaro em 2022 porque ele irá "ensanguentar o sistema eleitoral" no país. Segundo o colunista, os vários discursos e falas do mandatário sobre inverdades contra as urnas configuram-se uma tática do governo para inflar sua base fiel de apoiadores caso ele seja derrotado nas eleições de 2022 - principalmente se ele sequer conseguir ir para o segundo turno.

"Teremos guerra civil em 2022. A origem disso é que você tem um grupo de milhares de militantes que vão agir nesse processo eleitoral de forma violenta", disse Villa, ressaltando temer conflitos mais violentos com "quebra-quebra e até mortes".

Para o historiador, esse "grupo é estimulado pelo Bolsonaro que diz ser uma farsa as eleições, as urnas... E ele irá perder [o pleito presidencial]. O que ele fará quando perder? Ele vai incendiar o Brasil. É ficção imaginar que o Bolsonaro vai respeitar o resultado das urnas", completou.

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Opinião: Diogo Schelp - Oposição precisa assumir que não há condições para impeachment de Bolsonaro

Manifestação antibolsonarista de 12 de setembro - Reprodução/MBL
Manifestação antibolsonarista de 12 de setembro Imagem: Reprodução/MBL
00:00 Diogo Schelp Colunista do UOL 13/09/2021 15h11

Os esvaziados protestos deste domingo (12) contra Jair Bolsonaro reafirmam algo que está mais do que evidente há meses: não há condições políticas para um processo de impeachment contra o presidente.

Há quatro motivos para isso. O primeiro é o desinteresse do maior partido de oposição, o PT, em pressionar para valer pelo afastamento e pela inelegibilidade do presidente, o que impacta no segundo motivo, a dificuldade dos variados grupos pró-impeachment em deixar as diferenças de lado por um instante e se unir em torno da causa comum. O terceiro é a popularidade de Bolsonaro — mais baixa do que nunca, mas suficientemente elevada para fazer contrapeso ao antibolsonarismo. O quarto é a resistência na Câmara dos Deputados, tanto por parte da maioria dos parlamentares como do presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL), a um processo de impedimento de Bolsonaro.

Fux bateu duro em Bolsonaro, o 'falso profeta do patriotismo'

O PT atuou escancaradamente contra a mobilização que uniu movimentos de direita, como o MBL e o Vem Pra Rua, partidos de centro e de esquerda, como o PSDB e o PDT, e algumas centrais sindicais nos protestos de 12 de setembro.

Há um componente de ressentimento pelo protagonismo de alguns desses grupos no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e pelo apoio à eleição de Bolsonaro, em 2018, mas a verdadeira razão, oculta, para o boicote às manifestações é o cálculo eleitoral.

Para Lula, o melhor cenário para 2022 é ter Bolsonaro como principal adversário nas urnas. Não interessa ao pré-candidato presidencial do PT uma eleição sem Bolsonaro, com quem pode polarizar, e correr o risco de enfrentar um nome moderado da centro-direita, capaz de crescer nas pesquisas, angariando os votos antipetistas.

Eis porque Lula demorou tanto para apoiar publicamente o impeachment de Bolsonaro, quando outros correligionários da esquerda já o faziam. E, mesmo agora, esse apoio do PT ao impeachment é claramente apenas para inglês ver.

O que nos leva ao segundo motivo da ausência de condições políticas para o impeachment. Não há clima para afastar um presidente do poder por meio de um julgamento político no Congresso Nacional sem respaldo visível das massas populares.

Ou seja, sem povo nas ruas, a elite política em Brasília não se mexe. Fernando Collor de Mello caiu após os grandes protestos dos caras-pintadas, alavancados pelo PT, mas com forte adesão de outros setores políticos. Dilma enfrentou a devastadora maré verde-amarela, que unificou a direita, mas também partidos de centro e centro-esquerda.

Já os atuais protestos pró-impeachment estão rachados. A esquerda conseguiu reunir mais gente nas manifestações de maio e junho do que os atos pró-Bolsonaro de 7 de setembro, mas petistas e psolistas recusam-se a marchar ao lado de grupos de direita. Tucanos chegaram a ser agredidos por manifestantes de esquerda mais radicais nos atos de 4 de julho, em São Paulo.

O PT e parte da direita que rompeu com Bolsonaro não conseguem deixar para 2022 as discussões em torno do abismo ideológico que os separa.

A menos de um ano para o início da campanha, a agenda eleitoral se impõe. O grito de #ForaBolsonaro, principalmente para o PT, acaba sendo só um slogan para incendiar as bases, não uma agenda política real e imediata.

Sem uma oposição unida, fica ainda mais fácil para os grupos de apoio a Bolsonaro fazerem o contrapeso, a demonstração popular de força e dissuasão contra o impeachment — isso quando não estão conspirando abertamente por uma agenda golpista. Foi o que se viu nos atos de 7 de setembro.

O governo Bolsonaro enfrenta atualmente o seu nível mais baixo de aprovação popular, segundo as principais pesquisas de opinião, mas nunca rompeu o piso de 20% de apoio. É ruim, mas não tanto quanto a impopularidade enfrentada por Collor (9% de aprovação) ou por Dilma (8%).

Sem o derretimento da aprovação a Bolsonaro abaixo dos dois dígitos, não se cria o clima político capaz de convencer parlamentares do centrão a abandonar as emendas orçamentárias e os carguinhos no governo para seus apadrinhados em prol de um impeachment do presidente.

Isso explica por que Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, se impõe como maior barreira ao afastamento de Bolsonaro ao manter na gaveta os 130 pedidos de impeachment contra ele. E também por que, em diferentes sondagens, não haveria votos suficientes de deputados para autorizar a abertura de um processo de impeachment.

Juridicamente, não faltam motivos para o afastamento de Jair Bolsonaro. O presidente cometeu crimes de responsabilidade em sua gestão desastrosa da pandemia, como demonstram as evidências colhidas pela CPI da Covid no Senado, e nas ameaças à ordem institucional que sustenta a democracia brasileira, como bem explicou o jurista Miguel Reale Júnior, coautor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, em entrevista ao UOL.

Politicamente, porém, não há condições para o impeachment. A oposição faria melhor se concentrasse as energias em desenvolver estratégias para vencer Bolsonaro nas urnas e evitar que ele e seus apoiadores consigam empastelar o resultado das eleições.

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Bolsonaro ligou a contagem regressiva do golpe, diz especialista

Colaboração para o UOL, no Rio

13/09/2021 12h41

Atualizada em 13/09/2021 16h11

Especialistas ouvidos pelo UOL Debate de hoje foram unânimes ao dizer que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atua na Presidência da República com intenções golpistas. De acordo com eles, as manifestações do último 7 de setembro representam um marco na tentativa do presidente de acabar com a democracia no país.

"Vamos ter a clareza de que é uma maratona, não é corrida de 100 metros rasos. O que o Bolsonaro fez no 7 de setembro foi ligar a contagem regressiva do golpe, que ele tem de dar até o final do próximo ano", afirma Marcos Nobre, filósofo e cientista social, professor da Unicamp.

Às vésperas de viagem de Bolsonaro, ONU denuncia abusos no Brasil

Para o filósofo, Bolsonaro não vê a eleição do ano que vem como centro do seu projeto de poder porque ele não é um democrata. O professor contrapõe a estratégia do presidente com a atuação de grupos progressistas que, para ele, não estão organizados.

A gente não pode contar que alguém que não é um democrata faça raciocínios meramente eleitorais. Do outro lado, o campo democrático só faz raciocínios eleitorais e, por isso, está perdendo o jogo. O campo democrático está jogando amarelinha, enquanto Bolsonaro está construindo um octógono de MMA. Estamos jogando dois jogos diferentesMarcos Nobre

A historiadora e antropóloga Lilia Schwartz vai além ao dizer que Bolsonaro "está dando golpe todo dia". Para ela, o desmonte de instituições brasileiras e de várias políticas públicas construídas em governos anteriores fazem parte do projeto de poder a longo prazo do presidente.

"Desde que ele entrou, ele continua fazendo palanque. Ele já está aparelhando as instituições e já trabalha com um grupo que forma as suas próprias impressões", afirma a historiadora.

Caos

A cientista política e professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Daniela Campello é enfática ao afirmar que o golpe está nas ações de Bolsonaro desde seu primeiro dia de governo.

Tem uma série de mudanças de comportamentos que estão acontecendo por causa das ameaças, veladas ou não, de Bolsonaro, que para mim já configura golpe, no sentido de que mudaram a dinâmica e a qualidade da democracia que tínhamos pré-BolsonaroDaniela Campello

A cientista política diz que o presidente tenta a todo o momento dar um golpe no país. Mas ela não acredita no sucesso dele.

"Não existe o dia 2 do golpe. Ele não consegue criar um governo autoritário estável, minimamente estável. Mas ele tem a capacidade de criar caos por bastante tempo, e esse é o pavor", afirma Campello.

Já o professor Marcos Nobre não vê a concretização de um golpe dado por Bolsonaro, apesar de acreditar que ele trabalhe para fazê-lo. Para ele, as Forças Armadas não apoiariam um golpe que tem a adesão de apenas 25% da população (base estimada de apoiadores de Bolsonaro, segundo pesquisas recentes).

Se 75% estiverem organizadamente rejeitando o governo, rejeitando o golpe, não tem golpe que possa ser bem-sucedido. Uma base de 25% organizada na extrema-direita dá um golpe se os outros 75% não estiverem organizadosMarcos Nobre

Eleições 2022

Sobre as eleições do ano que vem, os três especialistas têm a mesma opinião sobre a chamada terceira via. Para eles, há uma profusão de possíveis candidatos como alternativas a Bolsonaro e a Lula, mas sem uma identidade única.

"Não existe coordenação na terceira via. Existe uma série de candidatos que não se falam. Mesmo que houvesse uma intenção de eleitores do Bolsonaro de migrar para alguém que vença Lula, o fato de ter uma oferta grande de nomes dificulta a terceira via", afirma Daniela Campello.

Lilia Schwartz também vê como ponto negativo a existência de vários candidatos da terceira via, que para ela representa "muito cacique para pouco índio". Ela diz que o ex-presidente Lula fará frente ao atual presidente.

Não teremos uma frente sem Lula, assim como o PT não terá uma frente possível se não contar com a assim chamada terceira viaLilia Schwartz

Marcos Nobre, no entanto, diz que nosso atual problema "não é só eleitoral". O filósofo afirma que as eleições de 2022 serão o oposto da de 2018.

"Em 2018 não tinha um presidente no exercício da função candidato à reeleição. Isso organiza a eleição sempre. Por isso, em 2018, era a eleição para um outsider. Agora, é ao contrário, você tem um incumbente à reeleição, esse incumbente tem uma base social muito fiel e ele organiza a eleição. Ou seja, todo mundo tem que ser contra ele", diz Marcos.

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Bolsonaro desaba em popularidade digital após nota retórica sobre o 7 de Setembro

Índice de Popularidade Digital, da Quaest, mostra que expectativa e mobilização dos bolsonaristas se transformou em frustração

São Paulo

​Logo após os atos do 7 de Setembro que mobilizaram sua base em demonstração de apoio, ​o presidente Jair Bolsonaro teve um tombo de popularidade nas redes sociais ao divulgar uma carta em que volta atrás nos ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e nas ameaças golpistas.

IPD (Índice de Popularidade Digital) de Bolsonaro, medido pela consultoria Quaest, mostra que as manifestações do Dia da Independência fizeram Bolsonaro chegar ao seu segundo melhor patamar desde o início do ano, com 81,8 pontos.

Marcas maiores, em torno de 83 de pontos, foram vistas apenas no início de janeiro e no começo de maio, na esteira da motociata do presidente em Brasília.

Já no dia 8, o índice cai para 62,4 e vai diminuindo ainda mais para 53,7 na quinta (9), dia da divulgação da carta, e 37,1 na sexta (10) —a pior marca de Bolsonaro em 2021.

Sua popularidade digital chegou a variar em torno de 37 pontos somente no início de julho, quando a CPI da Covid avançou sobre suspeitas de corrupção na compra de vacinas.

"Os atos do dia 7 trazem uma criação de expectativa. Bolsonaro foi capaz de fazer algo que quase ninguém hoje consegue, que é gerar expectativa. O processo de mobilização coordenada para os atos foi todo positivo para o presidente. O problema é que depois a euforia se transformou em frustração", resume Felipe Nunes, cientista político, professor da UFMG e diretor da Quaest.

Como mostrou a Folha, a nota retórica de Bolsonaro deixou atordoada e silenciosa, em um primeiro momento, a base de apoiadores do presidente, que se decepcionou com a sinalização de moderação patrocinada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB).

Após os atos em que Bolsonaro ameaçou a democracia, boa parte do mundo político, sobretudo a oposição, além do presidente do STF, Luiz Fux, condenou uma tentativa de ruptura institucional, o que elevou a pressão crítica sobre o presidente.

Algo que a nota não conseguiu reverter —dado o descrédito na suposta moderação do presidente.

Por outro lado, os bolsonaristas, desmobilizados e desiludidos com a carta, não defenderam o mandatário nas redes, o que fez desabar seu IPD. "Foram movimentos que desagradaram a oposição e a base", resume Nunes.

A métrica do IPD avalia o desempenho de personalidades da política nacional nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Wikipedia e Google. A performance é medida em uma escala de 0 a 100, em que o maior valor representa o máximo de popularidade.

São monitoradas seis dimensões nas redes: fama (número de seguidores), engajamento (comentários e curtidas por postagem), mobilização (compartilhamento das postagens), valência (reações positivas e negativas às postagens), presença (número de redes sociais em que a pessoa está ativa) e interesse (volume de buscas no Google, YouTube e Wikipedia).

​Os dados do IPD mostram que a mobilização e o trabalho político de Bolsonaro para o Dia da Independência foram perdidos nos três dias seguintes. O início da queda, no dia 8, foi influenciado pelo pedido de Bolsonaro para que caminhoneiros que o apoiam desbloqueassem as estradas.

Segundo a consultoria, os 40 dias que antecederam os atos tiveram mais de 3 milhões de postagens com esse tema. Assim como nas ruas, também nas redes o 7 de Setembro funcionou como uma demonstração de força de Bolsonaro.

"A base do presidente vinha muito engajada, mas essa euforia enorme, quando se transforma em 'arregou', deixa a base sem argumento", afirma o professor.

Horas após a carta, no entanto, explicações começaram a aparecer de forma sistemática nos grupos virtuais bolsonaristas. As teses variavam entre a nota fazer parte de uma estratégia de Bolsonaro ou de um suposto acordo com o STF. ​

Nunes afirma que Bolsonaro tem condições de recuperar seu IPD. Ele é, entre os presidenciáveis e líderes políticos, quem tem maior IPD médio desde janeiro de 2019.

"A base fiel de Bolsonaro é muito organizada, engajada e mobilizada. Acredito que essa frustração pode ser canalizada em prol do projeto maior, que é a manutenção do bolsonarismo no poder. Isso tende a arrefecer essa angústia deles e pavimentar um caminho de recuperação", diz o diretor da Quaest.

Com a queda, Bolsonaro se aproximou do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ranking do IPD, mas isso não significa que o petista tenha ocupado o vácuo de popularidade do presidente nas redes.

Em agosto, com a viagem ao Nordeste, Lula teve alta em sua popularidade digital. O ex-presidente também teve alta no dia 6, com seu pronunciamento sobre o Dia da Independência, atingindo 59 pontos. Depois disso, porém, terminou a semana com índice de 44,6.

A análise do IPD aponta ainda para a série de dilemas que envolve o governo Bolsonaro de forma geral. Isso porque, segundo Nunes, está claro que "a base bolsonarista, de fato, se mobiliza mais conforme mais radicalizado é o discurso do presidente".

Com isso, Bolsonaro se torna "refém" dos seus apoiadores. Do ponto de vista eleitoral, o paradoxo é o de que "o processo de radicalização parece garantir a ida de Bolsonaro para o segundo turno, mas impede que se conecte com o eleitor mediano", afirma Nunes.

Já em relação à manutenção do cargo de presidente, em meio à ameaça de impeachment diante do discurso de ruptura institucional, o impasse é, ainda de acordo com o cientista político, entre "radicalizar para manter as chances eleitorais e se moderar para cumprir as exigências do mundo político".

"Bolsonaro está na corda bamba entre agradar a base e respeitar as instituições, o que gera uma criação necessária de instabilidade", diz Nunes. Aqui há outra contradição, uma vez que a instabilidade atrapalha o crescimento econômico, algo que também impulsionaria Bolsonaro na eleição de 2022.

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A esquerda que foi ao ato do MBL errou - Valério Arcary

Por Valério Arcary

Ato contra Jair Bolsonaro reuniu o MBL e partidos como o PCdoB
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1. Foram muito pouco expressivos. Na verdade, somente, simbólicos, pelo número de presentes. Politicamente, considerando as faixas e discursos, a inflexão foi, sendo generosos, incompleta e desonesta. Quem ajudou, direta ou indiretamente, a eleger Bolsonaro e decidiu apoiar o impeachment, deveria começar admitindo que errou feio. Não criticando quem lutou contra Bolsonaro e não aceitou o ultimato de comparecer, sim ou sim, incondicionalmente, e de branco, sem identidade. Mas o balanço não deveria ter surpreendido ninguém. Não era maduro, sábio ou emergencial ter ido à Paulista neste dia 12 de setembro por cinco razões:

(a) aceitar o ultimato com uma adesão apressada seria desagregador, e não uma manobra inteligente, porque foi somente uma coincidência a sequência de cinco dias entre o dia 7/9 e o dia 12/9, afinal o MBL tinha marcado o ato com o eixo Nem Bolsonaro, nem Lula, há dois meses, muito antes de Bolsonaro ter decidido convocar às ruas para o dia 7 de setembro e, mesmo com o giro de véspera, continuaria sendo um trampolim para uma “terceira via”;

(b) o novo momento da conjuntura abre a possibilidade e ainda há tempo, pelo menos até dezembro, de atos conjuntos entre a oposição de esquerda e setores da oposição liberal, mas terão que ser atos, no mínimo, pelo impeachment, e a realidade é que a executiva do PSDB não aprovou a posição externada, pessoalmente, por João Doria, e Kassab já declarou que depois do pedido de desculpas escrito por Michel Temer o impeachment ficou difícil, portanto, há uma construção necessária, mas complexa a ser feita;

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(c) quem não foi aos atos de 7 de setembro se equivocou, embora a ansiedade seja compreensível, não é boa conselheira, porque não é verdade que o momento da conjuntura, neste mês, é uma situação crítica, de iminência de perigo real e imediato de um autogolpe neofascista, diante da qual devêssemos arriscar tudo agora e já, custe o que custar, ao contrário, Bolsonaro recuou, ainda que de forma farsesca e dissimulada, em dois dias e, por enquanto, se relocaliza para as eleições de 2022;

(d) a unidade da oposição de esquerda se articula em um campo de independência de classe, unindo movimentos sociais e partidos na campanha Fora Bolsonaro, e não pode nem deve fazer curvas improvisadas e precipitadas, porque há perigo de derrapar, e é muito desorganizadora e triste a divisão que, infelizmente, não foi possível evitar com o PCdoB;

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(e) o MBL é uma componente liberal da extrema-direita que rompeu com bolsonarismo, o que é positivo, mas não demonstrou, em nenhum momento, ter preservado uma base social própria, e seria um erro a esquerda construir uma escada para a direita liberal se reposicionar com legitimidade como oposição, se passou os últimos dois anos e meio votando e aprovando os projetos encaminhados por Bolsonaro;

2. Cálculos cerebrais são úteis para a elaboração política, mas a luta pelo poder não se reduz nem obedece, estritamente, somente a racionalizações. O perigo “maquiavélico” é desconhecer que as classes não são homogêneas, e sucumbir à tentação de que, no contexto de cada momento da luta, têm plena consciência de onde está a defesa de seus interesses. A “superintelectualização” de análises esquece que a representação de interesses é feita por partidos e lideranças de carne e osso. E as lideranças erram. O erro mais comum é a subestimação de Bolsonaro, à esquerda e à direita. Em abstrato, depois da demonstração de força de Bolsonaro no dia 7 de setembro, e considerando o agravamento da crise econômica, social e institucional, o mais lógico seria que a fração da classe dominante que se inquieta com a crescente “disfuncionalidade”, ou seja, a ruína do governo Bolsonaro, se apressasse em abrir o caminho para uma candidatura de “terceira via” colocando na mesa a necessidade do impeachment. Em princípio, teoricamente, deveriam girar com todas as forças pelo impeachment. Mas a realidade é que essa decisão ainda não feita. Não foi feita por três razões: (a) primeiro, e mais importante, porque depois das ameaças de Bolsonaro, no dia 7 de setembro, há muito temor de qual seria a capacidade de Bolsonaro de incendiar a sua base social, e mergulhar o país em uma situação dramática de turbulência imprevisível; (b) porque um segundo impeachment, em um intervalo de cinco anos, é uma solução extrema nos marcos do regime; (c) porque há muita insegurança em função da relação de confiança do Alto Comando das Forças Armadas com Bolsonaro e porque há ainda pouca confiança no que seria um final de mandato de Mourão.

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3. A luta pelo poder tem alternância de tempos. A oposição liberal terá que priorizar os últimos quatro meses deste ano de 2021 para desgastar Bolsonaro para tentar viabilizar uma candidatura de direita liberal que seja sustentável para as eleições de 2022. A polarização contra a esquerda e Lula será no ano que vem, e será impiedosa. Não há qualquer possibilidade de uma candidatura de “terceira via” chegar ao segundo turno, se o apoio a Bolsonaro não for reduzido a menos da metade do que mantém até agora, no máximo até março/abril. Essa perspectiva não é impossível, mas é muito improvável. Teria que se precipitar uma “tempestade perfeita”: terceira onda da pandemia, inflação em aceleração contínua, recuperação econômica interrompida, desemprego elevado, escândalo de corrupção e apagão elétrico, em variadas combinações. Mas além destes fatores objetivos, a construção da “terceira via” tem diante de si outro problema: a ausência de candidatura, e de um arco de alianças partidárias para garantir financiamento e tempo de TV. Quem seria? Ainda há tempo para a afirmação de um nome, relativamente, outsider ou exterior ao material humano disponível? Ou seria mesmo um dos nomes já apresentados: Doria, Mandetta, Pacheco, Simone Tebet ou, quem sabe, Ciro Gomes? Tudo isto permanece incerto. Outra solução para facilitar a construção da “terceira via” seria o impeachment. Mas não pode ser adiada, indefinidamente. Muito mais radical e perigosa, porém, mais efetiva. Um giro de uma ala da burguesia na direção do impeachment pode ser feito, evidentemente, a frio ou a quente. As pressões para um acordo de estabilização, via Michel Temer, obscuro e suspeito, avançou nos últimos dias. Mas há ainda muita incerteza no ar. Não podemos descartar que uma saída da crise institucional pela via de um impeachment pode ganhar mais adesões burguesas. A probabilidade de um impeachment a “frio” articulado no Congresso com legitimação no Supremo Tribunal Federal é pequena, ou quase nula. É impossível porque Bolsonaro não deixará de enfurecer sua base social de apoio nas camadas médias para irem às ruas. E um impeachment a “quente” só é possível com uma mobilização de massas muito superior ao patamar do bolsonarismo. Historicamente, foram muito excepcionais as situações em que qualquer fração da burguesia brasileira teve a disposição de impulsionar mobilizações de massas, muito menos, contra um governo que ajudaram a eleger. Não há qualquer garantia de que seja possível.

4. A ausência de Lula na agitação e nos Atos de rua tem sido grave. Quem pensa que essa localização “estadista” é uma “tática genial” está equivocado. Ajudar na convocação e ir aos atos não diminui Lula. Evidentemente, tampouco faz sentido fantasiar que um vídeo de Lula ou o anúncio de sua presença seriam o suficiente para “mover montanhas”. A esquerda tem reais dificuldades objetivas de mobilizar na escala de milhões. Mas não ir dificulta a preparação dos atos, e diminui o impacto da oposição de esquerda. Esta postura repousa em dois erros que têm a mesma premissa: subestimar o perigo golpista da estratégia de Bolsonaro. O primeiro é a expectativa de que as instituições do regime, sejam os Tribunais Superiores ou alguma das Casas do Congresso, o TCU (Tribunal de Contas da União) e, muito menos, a PGR (Procuradoria Geral da União), seriam uma garantia de barreira contra os impulsos golpistas de Bolsonaro é uma ilusão. O segundo é a esperança de que os veículos mais influentes da mídia comercial, os grupos Globo, Folha e Estado de São Paulo possam substituir o papel da esquerda é, igualmente, enganosa. A luta contra Bolsonaro agora não pode ser terceirizada. Bolsonaro não é o inimigo eleitoral ideal em 2022. Os neofascistas já deixaram claro que não aceitarão perder as eleições. Esse é o sentido do grito na Paulista: vitória ou morte, ou seja a chantagem da guerra civil. A aposta quietista de que podemos aguardar despreocupados para medir forças nas eleições de 2022 é, portanto, um erro grave. As mobilizações de 2021 construídas através da Frente Única da Esquerda, em escala nacional, foram muito importantes. Mas é inescapável reconhecer que, por variadas razões, não alcançaram a dimensão necessária para abrir o caminho do impeachment. Pesaram os perigos sanitários, as inseguranças depois de cinco anos de derrotas, os temores diante das ameaças fascistóides, e nossas próprias debilidades orgânicas. O desafio colocado é a combinação da tática da Frente Única de Esquerda com a unidade de ação policlassista. Trata-se de combinação, porque imaginar que as amplas massas populares que, até hoje, não foram às ruas sairão de suas casas somente em defesa da “democracia” é delirante. O realismo político mais elementar nos ensina que a luta pelo Fora Bolsonaro, ou seja, Abaixo o governo deve ser apresentada junto com a defesa das reivindicações de classe. Devemos ir às ruas, lealmente, com todos que se posicionem pelo impeachment, mas sem renunciar a disputa política pela hegemonia de um programa de esquerda.

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Mídia corporativa culpa esquerda pelo fracasso das manifestações do MBL e da terceira via

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 247 – O "editor invisível" que atua nas redações da mídia corporativa combinou a mesma versão para o fiasco dos atos deste domingo convocados pelo MBL, organização que atuou no golpe de 2016 e na ascensão do fascismo no Brasil, contra Jair Bolsonaro e também contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A causa do fracasso teria sido "a divisão das oposições", como se fosse possível que a oposição participasse de um ato contra seu principal líder, o ex-presidente Lula, que lidera todas as pesquisas e tem chances reais de vencer as eleições presidenciais de 2022 em primeiro turno.

Tal tese esteve estampada nas capas de Folha, Globo e Estado de S. Paulo nesta segunda-feira. No entanto, o verdadeiro ato das oposições contra Jair Bolsonaro deve ocorrer em 2 de outubro. O que aconteceu neste domingo foi apenas uma manifestação liderada por uma dissidência do fascismo golpista no Brasil.

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Em tempo: o editor invisível é a chamada mão invisível do mercado, que comanda as redações da mídia corporativa.

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Primeiro-ministro da Espanha convoca reunião urgente após violência homofóbica

No último domingo, um homem gay foi espancado por oito homens encapuzados na porta de sua casa em Madrid

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O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, convocou uma reunião urgente de uma comissão de seguimento do plano de luta contra crimes de ódio depois de uma agressão homofóbica a um jovem de 20 anos. As informações são do Sic Notícias.

Segundo a porta-voz de Sánchez, Isabel Rodríguel, o chefe do executivo quer “liderar pessoalmente” esta matéria e irá participar no encontro convocado para esta sexta-feira, dia 10 de setembro.

O ataque homofóbico ocorreu no domingo, dia 5 de setembro, quando oito homens encapuzados agrediram um homem de 20 anos na porta de sua casa, em Madrid, atirando-o ao chão, cortando seu lábio e escrevendo a palavra “maricón” (maricas) em uma das nádegas com uma navalha.

Os ativistas LGBTQIA+ denunciaram o aumento da homotransfobia no país e anunciaram que irão realizar protestos de rua nos próximos dias. Além disso, eles denunciam que as estatísticas oficiais apresentam apenas “uma fração” do real problema, considerando que muitos incidentes não são relatados.

Primeiro-ministro da Espanha convoca reunião urgente após violência homofóbica
Reprodução

Em julho, o assassinato do auxiliar de enfermagem nascido no Brasil, Samuel Luiz Muñiz, em La Coruña, Espanha, despertou uma onda de protestos pelos direitos LGBTQIA+ e virou notícia no mundo inteiro.

Segundo a imprensa espanhola, Samuel nasceu no Brasil, mas chegou à Espanha com 1 ano de idade. As denúncias de testemunhas indicam que a morte do jovem se deu por homofobia. O crime ocorreu em frente a uma balada, na segunda noite em que La Coruña abria as portas de suas casas noturnas. Na véspera, Samuel também tinha saído, aproveitando o início do verão.

Uma amiga dele, Lina, testemunhou o crime e concedeu uma entrevista ao jornal espanhol El Mundo, explicando que a dupla deixou a casa noturna um pouco antes das 3h da manhã para fumar e fazer uma videochamada para Vanesa, namorada de Lina. Em determinado momento da conversa, eles foram intimidados por um jovem que passou acompanhado por uma mulher, e reclamou que estava sendo filmado. Enquanto tentavam explicar que estavam numa conversa, Samuel teria sido ameaçado: “Ou pare de gravar ou eu mato você, v****”, teria dito o criminoso.

Samuel teria tido tempo apenas para responder “vi*** o quê?!”, e logo em seguido foi agredido com um soco forte. Lina e um jovem desconhecido teriam conseguido separar e parar o agressor. Minutos depois, ele teria retornado com um grupo grande, que Lina calcula ser entre 12 pessoas, e eles espancaram Samuel até a morte gritando “vi*** de me***”. Em seguida, eles fugiram. Equipes de socorro tentaram reanimá-lo por duas horas, sem sucesso.

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“Surgiram vários barbeiros em saunas e surubas”, conta o pioneiro na área

Conhecido como "barbeiro nu", Danyel Nacymento viu surgir concorrentes após o alto índice de desemprego e agora surge como "esteticista nu"

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Desde 2019, o carioca Danyel Nacymento (50) abriu mão da profissão de contador para prestar serviços nu, fazendo barba, cabelo, massagem e depilação em homens. Em março de 2021, em entrevista ao Gay Blog BR, Nacymento contou um pouco sobre sua relação com clientes e falou sobre planos de expansão para seu negócio: “Com certeza vou expandir assim que a galera já estiver vacinada, já tenho até um grupo de salas. Com certeza, todos estarão pelados, inclusive minha ideia é uma espécie de happy hour, pelo menos de 15 em 15 dias”.

Durante este tempo, Danyel se surpreendeu com o surgimento de concorrentes – fato que ele atribui ao alto índice de desemprego e, em alguns casos, a oportunidade de oferecer discretamente a profissão mais antiga do mundo. E, a partir deste cenário, Danyel decidiu deixar de ser o “barbeiro nu” para ser o “esteticista nu”.

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Danyel Nacymento em seu antigo espaço – crédito: acervo pessoal

Você não quer ser mais conhecido como “barbeiro nu”?

Não me importo em ainda ser conhecido como “barbeiro nu”, mas depois que comecei aqui no Rio, surgiram vários, em saunas e outros lugares reservados para suruba etc. O pessoal que já cortava cabelo perdeu o emprego por causa da pandemia, e ficaram sem opção, totalmente diferente da minha proposta que era realmente prestar um serviço diferenciado – e não por falta de opção ou com segundas intenções. Sou realmente naturista. E, como sou naturista, sempre sonhei em trabalhar nu. Agora, no meu negócio, posso realizar esse desejo que, diga-se de passagem, está sendo muito bem aceito. Só em divulgar no Instagram, estou fechando a agenda da semana na sexta-feira anterior.

Você acredita que muitos homens se aproveitaram desse título para tirar vantagem, muitas vezes sem ter inclusive a técnica de como se corta o cabelo ou barba?

Sim! Exatamente.

Então, na sua opinião, transformaram algo de teor nudista em uma mercantilização do sexo?

Alguns sim, mas não costumo julgar, cada sabe onde “o sapato aperta”.

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Danyel Nacymento em seu antigo espaço – crédito: acervo pessoal

Você fechou o espaço que você tinha?

Não. Apenas paralisei temporariamente porque a pandemia estava feia. Então, optei por preservar a minha saúde e dos meus clientes, que são inclusive fiéis ao meu trabalho. Alguns já viraram amigos de verdade. E, nesse intervalo todo, consegui comprar a minha própria sala, então, mais uma vez, estou com a proposta de uma prestação de serviço diferenciado, faço todos os procedimentos estéticos, mas sempre eu e o cliente nus.

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Novo espaço no Rio de Janeiro – crédito: acervo pessoal

Neste espaço não terá corte/barba para não ter essa associação com o termo “barbeiro nu”?

Poderá ter sim corte e barba, somente o foco atualmente é outro.

Você acha que o governo deveria incentivar autônomos?

Não! Acho que o governo deveria incentivar o trabalho formal, com carteira assinada, e como incentivo ao empregador, diminuir os encargos sobre a folha de pagamento. Autonomia deveria ser uma opção e não a única saída. Na minha empresa, se eu colocar algum colaborador, será com carteira assinada e todas as garantias trabalhistas.

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Secretário de Segurança de Santo André usa espiritismo para disseminar ódio a LGBTs

Edson Sardano, que se autodeclara como espírita, gravou um vídeo dizendo que bissexuais são promíscuos e que o espiritismo não é uma religião "aberta" à diversidade

Na última semana, começou a circular nas redes sociais um vídeo onde Edson Sardano, Secretário de Segurança Pública de Santo André (SP), faz discuso de ódio contra LGBTs. Autodeclarado espírita, Sardano é coronel da Polícia Militar e membro dirigente do Centro Espírita Dr. Bezerra de Menezes no Grande ABC Paulista.

“A coisa está partindo para a bandalheira. Então você pega o LGBT… então você pega lá o ‘B’, que é bissexual. Me perdoe, para mim, bissexual já é sinônimo de promíscuo. Bi, nem bi nós somos, [nós somos] monogâmicos. Agora na ‘moda’ quero um homem, agora eu quero uma mulher (…) Esse é o tal do sexismo, porque tudo isso tem a ver com essa prática, com a necessidade de praticar de ‘sexuar’. Não tem necessidade nenhuma. Chico Xavier nunca teve uma relação sexual. Divaldo [Franco] nunca teve uma relação sexual. O Cristo nunca teve uma relação sexual. Irmã Dulce, Madre Teresa de Calcutá, e não são homossexuais, bissexuais, trans. São ‘criaturas humanas’.

Espiritismo é uma religião aberta? É, mas não é escancarada. Tudo isso é apologia ao corpo. Então nós precisamos sair fora disso. Esse ativismo, e todas essas pautas que fomentam brigas não têm nenhum cabimento pela ótica espiritual. Olha, é negro, pobre, homossexual, tudo isso é coisa do corpo e não tem como fugir da questão da perpetuação da espécie. Tem gente que quer mudar isso aí também, da espécie humana procriar sem ser ‘convencionalmente'”, disse Edson Sardano.

Assista ao vídeo:

LGBTFOBIA É CRIME NO BRASIL

Desde junho de 2019, a LGBTfobia se tornou crime no Brasil, tendo o STF enquadrado a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero na Lei de Racismo (7716/89). A pena para quem cometer o crime será de um a três anos, além de multa; se houver divulgação ampla de ato homofóbico em meios de comunicação, como publicação em rede social, a pena será de dois a cinco anos além da multa.

HOMOSSEXUALIDADE NA VISÃO ESPÍRITA

doutrina espírita, longe de Edson Sardano, crê que o espírito humano não tem sexo e que um mesmo ser pode, em diferentes encarnações, ser homem ou mulher, sendo capaz de amar homens e mulheres.

Considerado o maior brasileiro de todos os tempos e o principal divulgador da doutrina espírita no Brasil, Chico Xavier, disse no programa Pinga Fogo, da extinta TV Tupi, que a homossexualidade e bissexualidade são condições da alma humana e não devem ser “encarados como fenômenos espantosos” e nem serem atacadas pelo “ridículo da sociedade que desfruta de uma sexualidade dita normal” e, portanto, essas pessoas não deveriam ser “sentenciada as trevas”.

Já o médium Divaldo Franco se posiciona de forma semelhante a Chico Xavier, dizendo que a homossexualidade não interfere em nada, e a pessoa será julgada após a morte perante sua conduta moral. José B. de Campos prega que o problema quanto a sexualidade se dá na promiscuidade, e isso independente de orientação sexual. Portanto, Campos entende que a pessoa deve ter um marido e constituir um lar.

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Nando Moura xinga Ciro, Tico Santa Cruz e PCdoB em ato da 3ª via; veja vídeo

O músico e militante de extrema direita criticou o MBL por ter convidado pessoas do campo da esquerda

Por Marcelo Hailer  
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O músico e militante de extrema direita Nando Moura atacou Ciro Gomes, Tico Santa Cruz e o PCdoB por terem participado do ato organizado pelo MBL, que aconteceu neste domingo (12) na Av. Paulista, em São Paulo, e em diversas cidades do Brasil.

Durante o seu discurso, Moura afirmou atacou nominalmente o líder do PDT, Ciro Gomes. “O Ciro Gomes é o cara que falou que ia receber o juiz Sergio Moro na bala, falou que a Venezuela é uma democracia, então porra, vamos dialogar com esses caras, vocês estão loucos?”, comentou o músico.

Em seguida, ele criticou o fato de o PCdoB considerar que a Venezuela e a Coreia do Norte são democracias. “O PCdoB estava comemorando a tomada de Cabul pelo Talibã, o PCdoB é um puxadinho do PT, eles diem que a Coreia do Norte e a Venezuela é uma (sic) democracia”, lamentou.

O vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, também foi alvo de ataques de Nando Moura. “O Tico Santa Cruz escreveu uma carta, sem citar nomes, mas essa carta dizia como ele ia torturar com crueldade aqueles caras que não pensavam como ele. Eu vou ficar do lado do cara fazendo o que?”, relatou.

Por fim, ele exaltou que faz parte da parcela que busca por uma terceira via. “Nem Lula, nem Bolsonaro, para a puta que o pariu. Você que acha que eu vou tirar foto com PCdoB, Ciro Gomes, Tico Santa Cruz, não me confunda com a sua mãe, canalhas… o vermelho nas bandeiras deles, o verde e amarelo é nosso!”, finalizou Nando Moura.

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Adriana Calcanhotto reage à ausência de crase na nota sobre Maitê Proença

Na última semana, a revista Veja publicou uma nota sobre o possível namoro de Adriana com Maitê Proença

A atriz Maitê Proença (63) e a cantora Adriana Calcanhotto (55) estariam tendo um romance, segundo nota publicada pela revista Veja na última sexta-feira, dia 10 de setembro. Ainda segundo a publicação, as duas não estariam escondendo a relação de amigos e familiares.

A nota da revista Veja diz: “Com a vida social voltando aos poucos, novos pares vão se formando. Nesse roteiro se encaixam duas famosas: a atriz Maitê Proença, 63 anos, e a cantora Adriana Calcanhotto, 55, vêm circulando juntas em jantares, reuniões, rodas de violão e pequenos encontros nas casas dos muitos amigos que já tinham em comum, numa relação de admiração mútua que vai além da amizade pura e simples — e isso não é segredo para quem convive com as duas. ‘Elas formam um casal e parecem bem felizes’, resume uma pessoa próxima. Discreta, Maitê desconversa quando perguntada sobre seu relacionamento com a cantora, iniciado há poucos meses. ‘Não sou muito de abrir a minha intimidade, prefiro preservar alguns assuntos’, disse a VEJA” (sic).

Em sua conta oficial do Instagram, Calcanhotto publicou um print da matéria, mas não confirmou nem negou o romance, apenas debochou do veículo pela ausência de crase em na última frase (“disse a VEJA”, quando na verdade, “Maitê disse à VEJA”).

“Disse a Veja que Maitê disse à Veja”, brincou Adriana.

Nos comentários, Proença deu sequência à piada: “A Veja disse isso da própria Veja?”.

Reprodução

crase se dá à união da preposição “a” com o artigo definido “a(s)”, ou com o “a” inicial dos pronomes demonstrativos “aquele(s)”, “aquela(s)” e “aquilo”, ou, ainda, com o “a” inicial dos pronomes relativos “a qual” e “as quais”. Ao acento indicador de crase, dá-se o nome de acento grave. Se usa quando o complemento de um verbo exige a preposição “a” for um substantivo feminino antecedido de artigo feminino “a”.

Adriana Calcanhotto reage à ausência de crase na nota sobre Maitê Proença
Adriana e Maitê – Reprodução

VAI TER BOLINHO?

Adriana Calcanhotto foi casada por 26 anos com a cineasta Suzana de Moraes, filha de Vinicius de Moraes, falecida em 2015 por um câncer. Já Maitê Proença, teve vários casamentos heteroafetivos, sendo o primeiro com Paulo Marinho, por 12 anos, com quem teve uma filha, e o empresário Zé Maurício Machiline.

Segundo o jornal Extra, foi o próprio Machline que serviu de “cupido” para o relacionamento das duas, quando as convidou para sua casa em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Zé e Maitê namoraram por três anos, e o término não impediu os dois de continuarem amigos, já que antes do próprio relacionamento, eles já eram muito amigos.

Proença estava reclamando publicamente da dificuldade de conseguir um novo amor durante a pandemia. Já Calcanhotto se dividia entre Brasil e Portugal, onde ela dá aula na Universidade de Coimbra, mas devido ao isolamento social, ela não pôde mais viajar e permaneceu mais tempo no Brasil.

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Correio Braziliense naturaliza o assassinato de Lula e dá corda a "investidores" - Davis Sena Filho

Por Davis Sena Filho

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Por Davis Sena Filho

"O Correio Braziliense é o escárnio de quem é bárbaro e selvagem. Ponto!"

O jornal Correio Braziliense, pertencente à falimentar empresa Diários Associados, cujo fundador foi o empresário Assis Chateubriand, sempre foi um jornal conservador, de direita, além de ser imprensa de sustentação à ditadura militar, que sempre combateu sem trégua, primeiramente, os políticos trabalhistas, a exemplo de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, para com o tempo se dedicar a combater, sistematicamente, o Partido dos Trabalhadores e suas lideranças, nas pessoas de Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu e Dilma Rousseff, dentre tantos outros políticos que o Correio considerasse inimigos do sistema de capitais, que o jornal se coloca como um de seus porta-vozes.

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Nos idos de 1989 a início de 1991 e depois por curto período em 1995, trabalhei como redator de Política e de Economia no Correio Braziliense, aliado político por interesse financeiro de primeira hora de governadores e vice-governadores de direita do Distrito Federal, a exemplo de Ibaneis Rocha, Rodrigo Rollemberg, que foi para o campo da direita, Rogério Rosso, Paulo Octávio, José Roberto Arruda, Maria de Lourdes Abadia, Wanderlei Vallim, além de apoiar e fazer parceria especialmente com Joaquim Roriz, político goiano, um dos coronéis do Estado de Goiás e de Brasília, cidade que é plena de políticos de direita, que administram um dos maiores orçamentos da União.

Roriz é um recordista com quatro mandatos de governador. Ele foi nomeado uma vez, no fim da década de 1980, e assumiu o Palácio do Buriti por mais três vezes, agora de forma direta e muito dinheiro público usado em suas campanhas, além de na época receber o apoio dos maiores empresários de Brasília, todos envolvidos com corrupção, a exemplo de Luiz Estevão, Paulo Octávio, Wagner Canhedo e Venâncio, dentre muitos outros empresários, além de ter o apoio de toda a imprensa burguesa de Brasília, à frente o Correio Braziliense e o Jornal de Brasília, sendo que esta publicação pertence ao maior conglomerado de comunicação de Goiás, que é controlado pela família Câmara.

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Fernando Câmara vendeu 50% do jornal a um empresário bilionário que atua no DF nos ramos de postos de gasolina e construção civil. Esses empresários, somados aos mais novos que estão a atuar no DF nas duas décadas do século XXI, sempre financiaram a endinheirada direita brasiliense, que se empenha ao máximo e joga sujo para ter o controle do Governo do DF e, consequentemente, manter eternamente o status quo, pois a dominar o orçamento, cujos dirigentes determinam as políticas públicas a serem efetivadas, sempre a priorizar os interesses da burguesia e da classe média alta de Brasília.

Porém, o assunto é o ex-presidente Lula e a forma como ele foi tratado por uma coluna do Correio Braziliense, bem como a normalização por parte do periódico de direita quanto a um possível assassinato do maior líder de esquerda e da oposição brasileira, de modo que ele seja impedido de ser candidato com muita chance de se eleger presidente pela terceira vez, após 12 anos sem ter quaisquer mandatos, nem o de vereador.

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A verdade é que se torna inaceitável a notícia publicada no Correio Braziliense, que retorna ao seus piores momentos de barbáries publicadas em um tempo não muito longe, que remonta à ditadura militar e aos quatro mandatos de Roriz, que aprontou todo tipo de corrupção, e acabou renunciando o mandato de senador, porque denunciado e acusado, juntamente com o diretor do BRB e um doleiro, de se envolver com o desvio de R$ 400 milhões dos cofres do banco estatal, entre os anos de 2004 e 2007.

Roriz, um dos maiores aliados do Correio Braziliense, que durante anos encheu fartamente seus cofres com o dinheiro de publicidade e propaganda oriundo do GDF, foi alvo da Operação Aquarela da Polícia Civil, que investigou um dos maiores (se não for o maior) escândalos da história do DF, mas não foi preso por causa de prescrição do processo e ser na época maior de 70 anos. E ficou tudo por isso mesmo...  

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Enquanto isso, o Correio continua com sua cantilena direitista e neoliberal, assim como sua direção, de forma desrespeitosa e leviana, permite que um de seus empregados e colunista publique texto tão irresponsável e perigoso para a preservação da vida de Lula, além de ser profundamente antidemocrático, pois avalia se o presidente Lula poderia ser alvo de um atentado letal, como se estivesse a falar sobre uma reunião social ou de trabalho.

O Correio Braziliense, hipocritamente e cinicamente, defende a liberdade de expressão e a usa conforme seus interesses, porque jamais aceitou a regulação das mídias, que não tem nada a ver com censura ao conteúdo de suas publicações, mas mente à população ao afirmar que regular e regulamentar as mídias é nocivo às "liberdades" e à "democracia", como se o conglomerado Diários Associados fosse democrático e zelasse pela diversidade de pensamento.

Tudo história da carochinha ou do Pinóquio. E por quê? Porque os donos do Correio Braziliense, em todas épocas de suas existências, geração após geração, apoiaram a conspiração contra Getúlio Vargas, em 1954, a ditadura militar de 1964, a eleição controversa do ex-presidente Fernando Collor, o golpe contra Dilma Rousseff, a prisão de injusta de Lula, e agora, de forma lamentável e deplorável, publica texto que trata da morte de Lula como uma possibilidade viável ou normal, segundo os "investidores", cujos nomes e locais de trabalho são incógnitas.

A verdade é que os diretores do Correio, que controlam a redação e o que é publicado por ela, deveriam ser imediatamente afastados, juntamente com o pseudo colunista ou jornalista, para deixar de fazer um jornalismo de esgoto, tacanho, bizarro e exageradamente ideológico, além de preconceituoso. Aliás, o Correio Braziliense é useiro e vezeiro em cometer desatinos e inconsequências no que é realtivo ao seu conteúdo tóxico no decorrer de décadas.

O artigo de péssima qualidade e desprovido de noção e sensatez, mas de imensa burrice, intitulado “Em meio à radicalização, investidores veem possibilidade de Lula ser assassinado" é de uma pobreza moral e intelectual que leva milhares de pessoas a pensar sobre o quão é medíocre e sórdido o barbarismo de certos barões da imprensa e de seus empregados, que fazem tudo para manter o Estado sob controle de empresários ou de políticos financiados por eles para defender seus interesses econômicos.

A verdade é que essa gente quer manter a todo custo os benefícios e privilégios que, notadamente, favorecem os "investidores?" e os empresários do agronegócio, que estão a financiar criminosamente os caminhoneiros fantoches que resolveram fechar as estradas, sem perceber que são trabalhadores sacrificados e jamais serão convidados para sentar à mesa dos ricos e milionários, que apostam em um golpe de estado, com o fascista Jair Bolsonaro à frente da criminosa conspiração.

Lula lidera as pesquisas eleitorais após derrotar inapelavelmente certos setores da Justiça, bem como o MPF e sua criminosa Lava Jato plena de bandidos, que hoje estão desmoralizados e desacreditados, além de também superar as diatribes de agentes da PF. Agora, eu te pergunto, cara pálida: "O que se poder esperar de um jornaleco, que faz um jornalismo de esgoto e ratifica a insanidade de um colunista que fala em assassinato de um político do tamanho e da importância de Lula?"

Nada. Simplesmente nada... Afinal, a "fonte" do estúpido que fez tal publicação leviana e violenta são os "investidores", sendo que ao parece são obscurantistas, golpistas anônimos e bandidos covardes, porque não é realmente aceitável o Correio Braziliense descer a tão baixo nível, que daqui a pouco está a apoiar em suas manchetes o golpe de estado desejado por Bolsonaro, como se os dirigentes do Correio se transformassem nos caminhoneiros destrambelhados e analfabetos políticos, mas autoritários, que ora ficam a zanzar pelas rodovias de alguns estados deste País como verdadeiros zumbis.

Volto a ressaltar: Lula é líder em todas as pesquisas até agora. Pesquisas de inúmeros institutos, diga-se de passagem, sendo que sua candidatura literalmente desagrada certos setores da economia e segmentos da sociedade, que por razões políticas e ideológicas, assim como econômicas, a exemplo dos "investidores" anônimos do artigo do Correio Braziliensa e dos empresários do agronegócio, que comprovaram, ipsis litteris, que não são "tech", nem "pop", e muito menos "tudo".

Eles são sim, e o Correio sabe muito bem disso, oportunistas e golpistas, que mesmo sendo bilionários ou milionários, produtores de commodities, que afirmo mais uma vez: NÃO DEPENDEM DO MERCADO INTERNO, porque seus produtos são para exportação, como a carne de gado, a soja, o milho, o petróleo, os minérios e tudo o que pode ir para o exterior, pois a pornográfica diferença cambial entre o real e o dólar os favorece e privilegia, e é por isso que eles apoiam um desgoverno ultraliberal e fascista, que dolarizou criminosamente a economia para favorecer os "investidores" bandidos, que se transformaram em fonte do Correio Braziliense.

Entende-se por "investidores" que não investem em no País, mas apenas neles, os acionistas, os jogadores da bolsa de valores, os aplicadores de bancos comerciais e os safados desse desgoverno que o Correio apoia, mas que certamente quando o caldo entornar os condôminos desse jornal golpista e burguês irão saltar fora do barco, que estará a naufragar. É a praxe dessa gente irresponsável que trata com naturalidade o ASSASSINATO de um candidato de esquerda e favorito, por enquanto, para vencer as eleições presidenciais de 2022.

O Correio naturalizou o crime de assassinato, a fim de dar voz ativa aos donos do dinheiro que atuam no mercado de capitais, que odientamente tratam o povo brasileiro como lixo ou cidadão de quinta categoria, bem como o Brasil é visto como um gigante a ser roubado e servir apenas como um País para essa gente, como os donos do Correio, deitar e rolar, assim como morar no exterior, pois o Brasil serve somente como fonte de suas riquezas, além de o trabalhador ser tratado como mão de obra barata descartável. Exigiu, troca-se... O Correio Braziliense é o escárnio de quem é bárbaro e selvagem. É isso aí.

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Depois do fundamentalismo neopentecostal, o talibã caminhoneiro - Homero Gottardello

Por Homero Gottardello

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Ninguém, em sã consciência, tem dúvidas de que o bolsonarismo é um verdadeiro buraco-negro que, de um lado, suga para seu interior toda a qualquer manifestação de equilíbrio, de moderação ou temperança. O desgoverno atual tem, realmente, um poder astrofísico inexpugnável que se manifesta por uma espécie de ascendência sobre o absurdo, sobre o irracional, capaz de convencer as pessoas mais ingênuas de paradoxos que contestam a mais acessível das ciências. Essa influência, esse domínio sobre o ilógico despertou das profundezas da sociedade uma horda de boçais, uma turba de aloucados, que agora ameaça a ordem institucional não pela força, não pelos bloqueios das estradas ou pela resistência armada, mas pelo desatino. São tantos os alucinados, os celerados, os doidos que saíram das tocas, que não há vagas manicomiais para resguardá-los – ou seja, mesmo que conseguíssemos reuni-los, não haveriam hospícios neste mundo que comportassem tanta gente. De modo que os cerca de 75% da população diagnosticados como normais se tornaram reféns de uma minoria delirante, formada por verdadeiros animais.

Estamos falando de uma parcela da sociedade que, durante décadas, permaneceu em silêncio, exilada de qualquer lugar de fala, proscrita pela própria alienação. Despertada pelo bolsonarismo, essa patuleia ignara emergiu do isolamento de forma totalmente desordenada, raivosa, anárquica, como saída de um filme de zumbis. Agora, liderados por escroques do quilate de um Zé Trovão, ocupam a Esplanada dos Ministérios e se espalham pelas estradas de todo o país como uma legião de mortos-vivos. O movimento, que se insurgiu como uma manifestação orgânica, sem um porta-voz ou dirigente capaz de responder pela classe, se tornou uma troça de bandoleiros – só em Brasília, já forma “protocolados” 13 movimentos independentes, que não dialogam entre si. Enquanto um reivindica o fim do “homossexualismo no Supremo Tribunal Federal (STF)”, outro exige o “voto impresso”, um assunto que foi ordinariamente debatido e rejeitado no próprio Congresso, há pouquíssimo tempo.

São, infelizmente, pessoas que atuam como verdadeiras âncoras, quando se projeta o futuro nacional. Infortunada e miseravelmente, são uma escória, uma ralé, uma choldra que, se fosse atingida por um raio milagroso e extinta, não faria falta – pelo contrário, nos liberaria da imobilidade. Lastimavelmente, é um grupo de miseráveis, de bestas, de selvagens que não têm a mínima condição de integrar o corpo social. São um “anti-povo”, parte do fundamentalismo da inurbanidade, representantes do fanatismo da estupidez, uma falange de patetas que, enquanto não se comportavam com agressividade, eram até tolerados. Mas não há mais como conviver com esses grupos, na medida em que se tornaram violentos, agressivos, criminosos.

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Hoje, dois dias após a prometida “reindependência”, a estupidez deste escorralho pode ser medida por dois fatos: o primeiro e mais significativo deles foi o tom de resignação do discurso do “excrementíssimo”, durante reunião remota com os líderes dos BRICS (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Depois de relinchar impropérios do mais absurdos sobre a China, o galhudo pôs o rabinho entre as pernas e elogiou o país que, agora, é um parceiro “essencial”. O segundo fato foi a prisão do tal Zé Trovão, uma espécie de aiatolá bovino, que manipulava o gado caminhoneiro à distância, do México, de onde falava grosso até ser descoberto pela Polícia Federal.

Por falar na PF, o bolsonarismo também deu com os burros n’água, porquanto fica cada vez mais evidente e manifesto que os policiais civis, militares e até mesmo federais que, em um rompante de desvario, embarcaram na canoa furada do “mito” estão, agora, tendo que colocar os caminhoneiros para correrem. É verdade que estes últimos são de uma ingenuidade que só encontra par na própria ignorância e que esta combinação os capacita a desculparem as balas de borracha e as bombas de gás, atribuindo à repressão por parte dos policiais uma força maior, uma causa divina, uma imposição das circunstâncias. São pessoas tão toscas, tapadas, que não apenas aceitam a coerção, no próprio lombo, como a justificam como um martírio patriótico. Note, que são esses elementos que dominam as estradas, espalhando o medo nas famílias que viajam em carros de passeio, já há algum tempo.

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O Brasil não pode seguir refém dos caprichos ou, simplesmente, da loucura de uma Sara “Winter” Giromini da vida, uma “ex-garota de programa, que não pode viver em sociedade”, segundo as palavras do próprio irmão, Diego. Gente desta mesma estirpe não pode se interpor à vida, se entrepor à liberdade de milhões de brasileiros, meramente porque acredita nas bravatas, nas fanfarronices, nas cascatas e nas lorotas de um anormal que, momentaneamente, ocupa a Presidência da República. Aliás, o tal Zé Trovão descobrirá, nos próximos dias, que foi, apenas e tão somente, mais um dos mentecaptos usados pelo Mussolini de Rio das Pedras em benefício próprio. Se um deputado federal, como o ex-trocador de ônibus Daniel Silveira, não consegue se desenrolar do novelo de trâmites e procedimentos, da papelocracia do Judiciário, imagine um bobão cuja maior habilitação é uma carteira de motorista da categoria “D”.

É mais fácil um neto do Lula vencer a eleição para a Presidência, em 2038, do que o Zé Trovão ter um habeas corpus analisado no STF, até lá. Quando conseguir sair da cadeia, a esposa já vai estar no quarto casamento.

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O que falta aos beócios que compõem a claque do bolsonarismo é discernimento, é ponderação para enxergarem seu papel desprezível na fenomenologia política contemporânea. Se retirassem a viseira por alguns minutos, apenas para tomar banho, por exemplo, avistariam a realidade que os cerca, reparariam que não passam de massa de manobra, de buchas de canhão, de um pelotão de indigentes intelectuais pronto para ser sacrificado. O que falta a essa escumalha, a essa escória, é a consciência de seu próprio desvalor, a compreensão de sua indignidade, o senso de que não está mergulhada no esgoto, mas o tino de que é o próprio esgoto. Porque nós, os normais, sabemos disso há muito tempo e só não o dizemos todos os dias como forma de continência, por pena, por comiseração. Mas tudo tem seu limite e a condescendência da sociedade com os subumanos, com a animália, ultrapassou o suportável.

Se ninguém se mexer, agora, o homo sapiens será dizimado pelos neandertais.

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O bolsonarismo vai derrotar Bolsonaro - Ricardo Mezavila

Por Ricardo Mezavila

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O bolsonarismo, aos poucos, vai se tornando maior que Bolsonaro que, mesmo tentando se afastar da criação, não terá facilidade para se livrar da horda de fanáticos que criou e que vive uma realidade paralela. 

Prova disso foram os caminhoneiros comemorando a decretação de um estado de sítio que não houve, pelo contrário, Bolsonaro divulgou áudio em que pede a desmobilização da categoria, desbloqueio das rodovias, porque estaria impactando na economia e prejudicando os mais pobres. 

Um dos líderes, Zé Trovão, que tem mandado de prisão expedido por ataques ao Supremo, que segundo o deputado Alexandre Frota estaria escondido no Panamá, gravou um vídeo contrariado com o conteúdo do áudio.  

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Trovão disse que os caminhoneiros estavam atendendo a uma convocação feita em maio por Bolsonaro. Revoltado, disse que sua vida estava destruída e que não sabia quando veria sua família novamente.  

Assim como ele, muitos dos seguidores que foram aos atos dia 7, entenderão que Bolsonaro é um blefe, que usa seu carisma, populismo e sua esperteza política em causa própria, para livrar a si e seus filhos dos crimes cometidos. 

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Bolsonaro é o responsável pela mobilização e pelo caos, foi ele que prometeu um golpe e não entregou, frustrando seus seguidores fanáticos. Sem controle sobre o bolsonarismo, as criaturas não atenderão mais as ordens do criador e podem partir para a vingança

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Safatle: 'este país acabou. Se for para lutar, que seja para criar outro'

O filósofo critica os atos golpistas de 7 de setembro e diz que o país "acabou". "Se for para lutar, que não seja para salvá-lo, mas para criar outro", afirma o estudioso, que também faz um alerta sobre as condutas antidemocráticas de Jair Bolsonaro: "uma insurreição nunca precisou da maioria da população para impor sua vontade"

Filósofo Vladimir Safatle
Filósofo Vladimir Safatle (Foto: Reprodução)
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247 - "Não há mais nada a salvar ou a preservar nesse país. Ele acabou", diz  o filósofo Vladimir Safatle em análise publicada no jornal El País. "Um país cuja data de sua independência é comemorada dessa forma simplesmente acabou", afirma ele sobre os atos golpistas desta semana. "Se for para lutar, que não seja para salvá-lo, mas para criar outro".

De acordo com o estudioso, a "manifestação do 7 de setembro marcou uma clara ruptura no interior do governo Bolsonaro". "De fato, acerta quem diz que o governo acabou. Mas isso significa apenas que Bolsonaro pode agora abandonar a máscara de governo e assumir a céu aberto o que esse 'governo' sempre foi, desde seu primeiro dia, a saber, um movimento, uma dinâmica de ruptura que se serve da estrutura do governo para ampliar-se e ganhar força", diz.

Sobre atos golpistas, o pesquisador afirma que "de nada adianta falar que essa manifestação 'flopou', que estavam presentes apenas 6% do esperado". E faz um alerta: "uma insurreição nunca precisou da maioria da população para impor sua vontade. Ela precisa de uma minoria substantiva, aguerrida, unificada e intimidadora, pois potencialmente armada".

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Genoino: ou tiramos Bolsonaro ou ele mata as liberdades democráticas

“A permanência dele na Presidência da República é um risco para as liberdades, para os direitos e para o povo brasileiro”, disse o ex-deputado federal e ex-presidente do PT à TV 247. Assista

José Genoino
José Genoino (Foto: ABr | Roberto Parizotti)
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247 - O ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoino, em entrevista à TV 247, defendeu que o impeachment de Jair Bolsonaro seja a prioridade máxima da oposição.

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Genoino disse não ser possível esperar até a próxima eleição para tirar Bolsonaro do poder e alertou para o risco que o atual chefe do governo federal representa para a democracia. “Nós não podemos menosprezá-lo. Ele quer virar o jogo para não ter eleição. Primeiro temos que garantir a saída dele. A permanência dele na Presidência da República é um risco para as liberdades, para os direitos e para o povo brasileiro. Não dá para a gente ficar esperando ele sangrar até 2022. Isso é uma tática equivocada. ‘Ganhar parado’ não existe”.

“O 7 de setembro revelou uma coisa: ou tira ele, ou ele vai matar, sacrificar as liberdades políticas. Estamos diante de uma encruzilhada. Não adianta meio termo, um pé lá e outro aqui, não adianta fazer de conta que não há uma crise institucional profunda”, afirmou.

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Blogueiro Allan dos Santos cita 'game over'; veja reações de bolsonaristas

Do UOL, em São Paulo

09/09/2021 18h06

"Game over [ou fim de jogo, na tradução livre]", resumiu o blogueiro Allan dos Santos, um dos principais aliados de Bolsonaro até então. "Inacreditável", acrescentou, em outra mensagem, ainda parecendo não acreditar na carta divulgada pela presidência.

PM tenta remover caminhões bolsonaristas da Esplanada dos Ministérios

"Se era xadrez 4D, parece que Bolsonaro tomou um xeque-mate de uma rainha tridimensional. Depois da demonstração de força do povo, o presidente demonstra fraqueza. Situação bem complicada para os patriotas. Bolsonaro pode ter assinado sua derrota hoje...", escreveu o jornalista Rodrigo Constantino. "O sistema declarou guerra ao povo. O presidente sucumbiu ao sistema."

"Continuo aliado, mas não alienado. Bolsonaro pode colocar a nota que quiser. As minhas convicções são inegociáveis", protestou o pastor Silas Malafaia.

Em discurso feito direto da tribuna da Câmara, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) se disse "frustrada" com documento e comparou o sentimento de agora ao mesmo que sentiu quando houve o pedido de demissão do ex-ministro Sérgio Moro.

"A princípio, eu vou dizer que fiquei até um pouco frustrada. Frustrada da mesma forma da época em que o Moro pediu demissão", disse ela. "Mas quando o presidente Bolsonaro posta um carta dessa, onde se põe de humilde para poder harmonizar os poderes, e vocês [se refere à oposição] acham ruim, porque para vocês 'quanto pior, melhor'... Mas eu tenho certeza que o tempo dirá que o presidente estava certo", completou, em seguida.

A carta é um recuo de Bolsonaro, em meio a uma crise institucional com o STF e com o Congresso e a uma paralisação de caminhoneiros que ganhou força ontem. No documento, Bolsonaro suaviza o tom ao citar o ministro Alexandre de Moraes, alvo principal dos seus ataques no feriado da Independência.

Intitulada "Declaração à Nação", a nota oficial do governo Bolsonaro foi divulgada momentos após uma reunião com ex-presidente Michel Temer, em Brasília. No encontro, um dos assuntos tratados foi a paralisação de caminhoneiros, que o governo tenta controlar — em 2018, quando era presidente, Temer lidou com uma greve da categoria. E foi Temer quem indicou Moraes para o STF.

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer: 1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar. 2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news. 3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de "esticar a corda", a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia. Trecho da nota divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro

Racha entre bolsonaristas

O movimento de racha entre apoiadores de Bolsonaro deu os seus primeiros sinais após o chefe do Executivo enviar um áudio para ser distribuído nos grupos de caminhoneiros, pedindo que a tal paralisação fosse interrompida.

O apelo do presidente surpreendeu os motoristas, que, a princípio, duvidaram de sua autenticidade. Até mesmo o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), fiel representante dos delírios bolsonaristas e um dos alvos do inquérito do STF sobre manifestações antidemocráticas, garantia que a mensagem era fake.

A partir daí, o feitiço virou contra o feiticeiro, conforme ressaltou o colunista do UOL Chico Alves. O que se seguiu nos grupos de WhatsApp e Instagram foi uma chuva de críticas pesadas dos motoristas ao ocupante do Palácio do Planalto. Os termos usados vão desde "decepção" até palavrões dos mais cabeludos.

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Opinião - Bruno Boghossian: Nota de Bolsonaro não é recuo, é habeas corpus para político em perigo

Acuado, presidente busca proteção para não ser punido pelos crimes que já cometeu

Jair Bolsonaro acionou um advogado para tentar se salvar do cerco que se formou contra ele após o 7 de setembro. Com a ajuda de Michel Temer (OAB 16534/SP), o presidente divulgou uma nota para afirmar que jamais teve a "intenção de agredir" outros Poderes nos atos golpistas. O texto pode parecer um recuo, mas é, na verdade, um pedido de habeas corpus para um político em perigo.

Os dez parágrafos da declaração publicada nesta quinta (9) pelo Planalto dão todos os sinais de que Bolsonaro está em busca de proteção, não de diálogo e pacificação. No texto, o presidente ignora sua ameaça pública de descumprir decisões judiciais e torce para que a manobra seja suficiente para não ser punido pelos crimes que já cometeu.

Dois dias depois de chamar Alexandre de Moraes de "canalha", o presidente agora diz que tem apenas "conflitos de entendimento" com ele. Em vez de pedir que o ministro do STF seja enquadrado, Bolsonaro afirma que vai buscar resolver essas divergências na Justiça.

A defesa do presidente vai ter trabalho, já que é impossível destruir as provas de que ele incitou a desordem e a desobediência, do alto de um trio elétrico e à luz do dia. Nos protestos do feriado, Bolsonaro disse com todas as letras que não cumpriria decisões tomadas por Moraes e voltou a lançar suspeitas falsas sobre a lisura das eleições.

Bolsonaro busca blindagem com o argumento de que suas declarações "decorreram do calor do momento". Faltou lembrar que a ameaça ao STF foi gestada por semanas e que suas primeiras palavras contra o tribunal no dia 7 foram dadas ainda pela manhã, no frescor do Palácio da Alvorada, enquanto uma criança tocava o hino nacional no piano.

O presidente percebeu que as investigações contra seu grupo político vão continuar e que conversas sobre um impeachment começam a ganhar corpo. Ameaçado, ele simula um passo atrás para reduzir temporariamente as pressões sobre o governo até que fique confortável o suficiente para atacar de novo.

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'Zé Trovão e sua turma perderam chão com áudio de Bolsonaro', diz Josias

Colaboração para o UOL

09/09/2021 10h06

Atualizada em 09/09/2021 13h30

Em meio às tensões provocadas pelos bloqueios dos caminhoneiros em, pelo menos, 15 estados brasileiros, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) lançou um áudio ontem à noite pedindo a desmobilização. Segundo o colunista Josias de Souza, Zé Trovão se irritou com a gravação divulgada.

"Zé Trovão e sua turma perderam o chão ao ouvir áudio de Bolsonaro", ironizou o colunista durante sua participação no UOL News. "Zé Trovão vai acabar chamando o mito de canalha", acrescentou. O nome real da figura bolsonarista é Marcos Antônio Pereira Gomes, que está foragido da polícia e apareceu ontem em vídeo nas redes sociais encorajando as paralisações.

Após ato golpista de Bolsonaro, MBL quer fazer 'nova Diretas Já' no domingo

Zé Trovão é acusado de promover a incitação de atos de caráter golpista contra o Congresso Nacional e a Suprema Corte, por meio das redes sociais. Ele teria descumprido ordens cautelares determinadas anteriormente por Moraes.

Segundo Josias, o bloqueio dos caminhoneiros é algo que provoca medo na população brasileira, "porque viveram isso em 2018" com a greve da categoria. Ontem, foram relatadas algumas filas longas em postos de gasolina, causadas por pessoas com receio de efeitos parecidos com os de três anos atrás.

No entanto, representantes da classe afirmam que a situação está normal e que a movimentação é política. Na análise do colunista, os "caminhoneiros usam a falta de nexo para trancar rodovias enquanto Bolsonaro lembra que tem um país".

Apesar do áudio do presidente pedindo o fim da paralisação, Josias criticou a postura do mandatário federal. "Bolsonaro se revela um gestor autossuficiente em crises: ele mesmo explora a mobilização política, ele mesmo fareja os danos na economia e ele mesmo abandona os caminhoneiros", falou.

Lembrando que Bolsonaro costumava incitar posturas radicais dos caminhoneiros em 2018, Josias disse: "Um bloqueio como o de 2018 no governos dos outros é refresco, no dele é problema".

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Motéis beira de estrada ganham nova cara e são sucesso nos EUA

Austin Motel, em Austin, no Texas, virou referência para a nova safra de motéis reformados - Nick Simonite
Austin Motel, em Austin, no Texas, virou referência para a nova safra de motéis reformados Imagem: Nick Simonite

Mari Campos

Colaboração para Nossa

09/09/2021 04h00

Os motéis dos EUA estão voltando aos bons tempos durante a pandemia. Antes associados a hospedagens ruins à beira de estrada e frequentemente figurando em filmes e séries de terror, esse tipo de propriedade (que nos EUA têm conotação muito diferente do Brasil) tem sido a preferida de muitos americanos em tempos de covid-19 e ganhou novo status.

Enquanto viagens de trem, avião e ônibus diminuíram no país desde março do ano passado, as viagens de carro aumentaram enormemente. Somente durante o verão, estima-se que mais de 680 milhões de viagens de carro (as famosas road trips) sejam feitas em território americano.

Destino: Estados Unidos

Trem com janelões panorâmicos faz viagem com vista para montanhas nos EUA

Piscina do Austin Motel: como outros empreendimentos, ele foi da decadência ao renascimento com uma vibe cool - Nick Simonite - Nick Simonite
Piscina do Austin Motel: como outros empreendimentos, ele foi da decadência ao renascimento com uma vibe cool Imagem: Nick Simonite

Justamente quando a maioria das pessoas pensava que a indústria dos motéis caminhava para a extinção, ela retorna com força total. E o setor hoje tem hóspedes muito mais jovens e até viajantes de alto padrão.

Afinal, nada mais prático nestes tempos de necessidade de distanciamento social do que ir direto do carro para o quarto, sem passar por grandes lobbies, elevadores ou cruzar com muitos hóspedes no seu caminho.

O Phoenix Hotel, também remodelado, manteve a estrutura clássica dos motéis "de filme"  - Nick Simonite - Nick Simonite
O Phoenix Hotel, também remodelado, manteve a estrutura clássica dos motéis "de filme americano" Imagem: Nick Simonite

Quase um século de história

O primeiro "motor-hotel" teria nascido em 1925 na Califórnia, com estacionamentos individuais e entrada direta para os quartos. Mas é o Torrance's Alamo Plaza Hotel Courts, aberto em Waco, Texas, em 1929, considerado até hoje o primeiro motel de fato dos EUA.

Depois dele, não demorou para diferentes redes aparecerem e instalarem unidades do gênero em todos os estados americanos. Mas a história de amor de viajantes com esse tipo de propriedade não durou para sempre. Nas últimas décadas do século 20, boa parte dos turistas americanos já associava motéis a hospedagens de péssima qualidade, baratas nos quartos e tráfico de drogas. E filmes de terror, é claro.

Os clássicos letreiros na beira das estradas americanas: da decadência aos filmes de terror - Getty Images - Getty Images
Os clássicos letreiros na beira das estradas americanas Imagem: Getty Images

Afinal, o simples letreiro de "vacancy" (quartos livres) à beira da estrada já provocou arrepios na espinha em muita gente depois de muitos filmes de horror, como Psicose, Temos Vagas e Identidade, terem este tipo de hospedagem como cenário principal. Séries feitas para a TV, como "Bates Motel", "Vampire Diaries" ou "Supernatural", também sempre colocaram os motéis como lugares assustadores.

Na década de 60, estimava-se que existissem mais de 61 mil motéis nos EUA. Em 2012, apenas 16 mil motéis tinham sobrevivido ao novo milênio (segundo dados apresentados no livro "No Vacancy: The Rise, Demise and Reprise of America's Motels", sem tradução no Brasil).

Você se hospedaria aqui? O motel imortalizado em "Psicose" ganhou série  - Reprodução - Reprodução
Você se hospedaria aqui? O motel imortalizado em "Psicose" ganhou série Imagem: Reprodução

Mas a necessidade de manter o máximo distanciamento social nas viagens da pandemia acendeu o farol verde para alguns empresários da indústria da hospitalidade de que a reformulação dos motéis poderia cair muito bem nesses tempos. Estruturas originais foram redesenhadas, ganharam amenidades contemporâneas e têm visto a ocupação crescer todo mês.

Motéis feitos para as redes sociais

As grandes renovações em antigas propriedades aconteceram geralmente sem abrir mão do estilo meio vintage da decoração. Mas em muitos motéis tudo foi agora milimetricamente pensado para aparecer no Instagram, incluindo cadeiras de balanço suspensas, cantos de café charmosos, objetos modernos e cartela de cores pastel em móveis e paredes.

Quarto do Austin Hotel preservou o estilo vintage, com pegada instagramável - Quarto do Austin Hotel preservou o estilo vintage, com pegada instagramável - Quarto do Austin Hotel preservou o estilo vintage, com pegada instagramável
Quarto do Austin Hotel preservou o estilo vintage, com pegada instagramável Imagem: Quarto do Austin Hotel preservou o estilo vintage, com pegada instagramável
O Hotel Magdalena também optou por mesclar o kitsch "para as redes" a elementos modernos - Nick Simonite - Nick Simonite
O Hotel Magdalena também optou por mesclar o kitsch "para as redes" a elementos modernos Imagem: Nick Simonite

Muitos novos motéis também foram inaugurados nos últimos anos pré-pandemia e tiveram seu grande boom a partir do ano passado. São bons exemplos o Austin Hotel (em Austin), o Bluestem Hotel (Torrance), o Cara Hotel (Los Angeles) e o Spa City Motor Lodge (Saratoga). Todos se fizeram bastante presentes nas redes sociais nos últimos tempos e colaboraram significativamente para o crescimento das demandas do setor.

Independentemente do nome comercial adotado incluir ou não a palavra "motel", essas propriedades compartilham as semelhanças físicas dos corredores externos, poucos quartos, estacionamentos próximos, construções de um a três andares, e espaços comunitários.

Edifício de poucos andares e espaços comunitários: características que se mantém. Na foto, o Phoenix Hotel - Nick Simonite - Nick Simonite
Edifício de poucos andares e espaços comunitários: características que se mantém. Na foto, o Phoenix Hotel Imagem: Nick Simonite

São justamente esses fatores — que dispensam lobbies, elevadores e contatos pessoais em geral — que têm ampliado a sensação de segurança e controle para muitos turistas na pandemia. Mas internet de boa qualidade é obrigatória em todos eles, até porque parte significativa dos novos hóspedes tem ficado ali por períodos mais longos, trabalhando remotamente.

Alguns motéis têm hoje espaços de co-working, pequenas galerias de arte e até happy hour com vinho cortesia — tudo para atrair diferentes perfis de hóspedes e fazê-los se sentirem em casa por mais tempo. Alguns possuem até DJs animando espaços ao ar livre durante os meses mais quentes.

Bar da piscina do Hotel Magdalena: para happy hour ou "resort office" - Nick Simonite - Nick Simonite
Bar da piscina do Hotel Magdalena: para happy hour ou "resort office" Imagem: Nick Simonite
O Magdalena também tem uma pequena galeria no lobby - Nick Simonite - Nick Simonite
O Magdalena também tem uma pequena galeria no lobby Imagem: Nick Simonite

O californiano Hugo Rowe, de 23 anos, tem se hospedado em alguns motéis com a namorada nos últimos meses e se confessa surpreso.

Temos encontrado lugares lindos, que parecem os hostels mais legais da Europa! Mudamos completamente a ideia que tínhamos sobre motéis serem lugares bizarros e assustadores"

Demanda sem precedentes

Diversas propriedades do gênero tiveram um aumento de ocupação sem precedentes no período, atraindo novos públicos e chegando a ultrapassar em 200% os índices pré-pandemia.

A brasileira Marina Vidigal, que mora na Califórnia, se hospedou com o marido e os dois filhos pequenos em dois motéis americanos desta nova safra durante a pandemia pela praticidade.

A brasileira Marina Vidigal se hospedou com a família em dois motéis da nova safra - Marina Vidigal/acervo pessoal - Marina Vidigal/acervo pessoal
A brasileira Marina Vidigal se hospedou com a família em dois motéis da nova safra Imagem: Marina Vidigal/acervo pessoal
Um deles foi o Silver Surf, na Flórida, com estrutura completa de cozinha no quarto e piscina para os pequenos - Marina Vidigal/acervo pessoal - Marina Vidigal/acervo pessoal
Um deles foi o Silver Surf, na Flórida, com estrutura de cozinha no quarto e piscina para os pequenos Imagem: Marina Vidigal/acervo pessoal

No Silver Surf, em Anna Maria Island, na Flórida, gostaram muito da estrutura completa da cozinha para poderem comer em segurança no quarto. "O mais legal foi ter entrada privativa para a praia", diz Marina, que conta suas viagens pelo país no blog IdeiasnaMala.com. "Oferece também piscina para os pequenos e café da manhã para retirarmos e comermos no quarto", explica.

O Silver Surf tem se beneficiado da nova onda cool dos motéis americanos e, mesmo com preços mais altos que no pré-pandemia, já tem várias datas com reservas esgotadas até o final do ano.

Foto que Mariana fez do quarto da família no Silver Surf: decoração vintage - Mariana Vidigal/arquivo pessoal - Mariana Vidigal/arquivo pessoal
Foto que Mariana fez do quarto da família no Silver Surf: decoração vintage Imagem: Mariana Vidigal/arquivo pessoal

Alta dos preços

Com tantas transformações, melhorias, novos serviços e demanda crescente, os preços dos motéis americanos também subiram consideravelmente durante a pandemia. Hoje, muitos começam suas tarifas em US$ 150 por noite (aproximadamente R$ 760) — e os valores podem ser facilmente o dobro ou até o triplo disso em regiões muito turísticas, na alta temporada.

Marina conta que ficou hospedada também em outro motel em Healdsburg, região vinícola de Sonoma, Califórnia, que era bastante simples e custou US$ 400 por noite.

Com as mudanças, alguns motéis chegam a preços de hotelaria de alto padrão. Na foto, área de estar de uma suíte do Magdalena - Nick Simonite - Nick Simonite
Com as mudanças, alguns motéis chegam a preços de hotelaria de alto padrão. Na foto, área de estar de uma suíte do Magdalena Imagem: Nick Simonite

"Alguns dos motéis estão cobrando hoje tanto quanto hotéis de alto padrão, o que não faz sentido", explica o americano Todd Keefe.

Mas temos preferido esse tipo de hospedagem durante a pandemia para evitar elevadores, corredores cheios e dor de cabeça", conclui

Nova safra, novos hóspedes

A nova safra de motéis americanos que fazem sucesso entre diferentes perfis etários e sociais de hóspedes — inclusive estrangeiros — inclui propriedades como o The Driftier (Nova Orleans), Amigo Motor Lodge (Colorado), Pioneertown Motel (Califórnia), Phoenix (São Francisco) e Anvil (Jackson).

Todos eles têm design meio hispter, meio vintage, e fazem sucesso nas redes sociais. Até motéis da icônica Rota 66 entraram nessa onda, como o Blue Swallow Motel, no Novo México, que passou por completa remodelação.

Entrada do Anvil, em Jackson, porta de entrada do famoso parque nacional Yellowstone - Mikael Kennedy - Mikael Kennedy
Entrada do Anvil, em Jackson, porta de entrada do famoso parque nacional Yellowstone Imagem: Mikael Kennedy
Quarto do Anvil: decoração na medida para o público hispter - Mikael Kennedy - Mikael Kennedy
Quarto do Anvil: decoração na medida para o público hispter Imagem: Mikael Kennedy

O estado do Texas tem tido uma das maiores demandas do setor no país. O Bunkhouse Group, após o sucesso do icônico Austin Motel na cidade homônima, lançou outros empreendimentos semelhantes na cidade e até em destinos normalmente associados ao turismo de luxo, como Jackson Hole.

O Valencia Hotel Group também inaugurou diferentes propriedades no estado, apostando não apenas nas viagens de carro da pandemia mas também nas memórias afetivas dos adultos de hoje que, quando crianças, se hospedavam em propriedades do gênero nas férias com os pais.

Área da piscina do Hotel San Jose, em Austin, no Texas, um dos estados mais promissores para os novos empreendimentos - Hannah Koehler - Hannah Koehler
Área da piscina do Hotel San Jose, em Austin, no Texas, um dos estados mais promissores para os novos empreendimentos Imagem: Hannah Koehler
Os novos motéis atraíram de volta turistas que, na infância, hospedavam-se em família nos motéis então decadentes. Aqui, quarto do San Jose - Nick Simonite - Nick Simonite
Os novos motéis atraíram de volta turistas que, na infância, hospedavam-se em família nos motéis então decadentes. Aqui, quarto do San Jose Imagem: Nick Simonite

O engenheiro Todd Keefe, de Orlando, voltou a se hospedar em motéis na pandemia, após décadas sem fazê-lo. "Quando eu era criança, a gente ficava em motéis nas viagens para economizar. Eram lugares horríveis, mas tudo era diversão naquela época e guardo memórias lindas", diz. E completa:

Hoje, podemos viajar com nossos filhos para motéis que evocam essas lembranças, mas que felizmente oferecem toda a higiene, segurança e conforto de que precisamos"

Lobby do Austin Motel, um dos mais famosos da nova safra, com direito a lojinha com itens que fazem referência a ele e à "cultura do motel" - Nick Simonite - Nick Simonite
Lobby do Austin Motel, um dos mais famosos da nova safra, com direito a lojinha com itens que fazem referência a ele e à "cultura do motel" Imagem: Nick Simonite

Diversos hóspedes apreciam a segurança implícita no layout dos motéis e optam por fazer suas refeições no quarto, mesmo quando não há infraestrutura para cozinhar.

"Nós temos aproveitado para comprar cervejas artesanais, queijos e vinhos locais e até cestas de café da manhã de delicatessens premiadas nos lugares que visitamos. Assim comemos e bebemos muito bem no conforto e na segurança do nosso quarto", diz a professora Helen Bradenton, de Dallas.

Café da manhã do Shoml, restaurante do Hotel Magdalena - Jessica Attie - Jessica Attie
Café da manhã do Shoml, restaurante do Hotel Magdalena Imagem: Jessica Attie
E refeição do Joann's Fine Food, um típico dinner americano anexo ao Austin Motel - Matt Harrington - Matt Harrington
E refeição do Joann's Fine Food, um típico dinner americano anexo ao Austin Motel Imagem: Matt Harrington

Ela conta que ela e o marido sempre preferiram ficar em hotéis românticos e renomados, e viajavam quase sempre de avião. Mas na pandemia mudaram completamente os hábitos, passaram a viajar de carro e já se hospedaram em oito motéis diferentes desde junho do ano passado — incluindo o Austin Motel, no Texas, o preferido do casal.

Jardim interno e área de bar do Austin, o professora Helen Bradenton, de Dallas - Nick Simonite - Nick Simonite
Jardim interno e área de bar do Austin, o preferido da professora Helen Bradenton, de Dallas Imagem: Nick Simonite

Não se sabe se os motéis continuarão surfando essa onda por muito tempo. Mas, pelo menos enquanto durar a pandemia, esse tipo de propriedade deve continuar a receber um fluxo constante de viajantes ávidos pelo design vintage caprichado e por minimizar as possibilidade de contato com outras pessoas.

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Coreia do Norte celebra aniversário em desfile com ditador calado e sem armas nucleares

Ausência de mísseis balísticos e de discurso de Kim indicam foco do regime em questões domésticas

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Seul | AFP e Reuters

Coreia do Norte comemorou seu 73º aniversário com um desfile militar marcado pelo silêncio do ditador Kim Jong-un e pela ausência de mísseis balísticos —elementos que com frequência eram exibidos em celebrações semelhantes nos últimos anos.

As imagens divulgadas pela agência de notícias estatal KCNA nesta quinta-feira (9) mostram uma multidão de soldados perfeitamente enfileirados, carros militares, fogos de artifício e uma ala inteira de pessoas vestidas com trajes de proteção contra materiais tóxicos, como armas químicas e radiação.

A KCNA disse ainda que as autoridades de saúde norte-coreanas "estavam cheias de entusiasmo patriótico para exibir em todo o mundo as vantagens do sistema socialista, enquanto protegiam firmemente a segurança do país e de seu povo contra a pandemia mundial".

Desfile militar em celebração do 73° aniversário da Coreia do Norte, em Pyongyang - KCNA - 9.set.21/AFP

Apesar da declaração, nenhuma das milhares de pessoas reunidas na praça Kim Il-sung, na capital Pyongyang, usava máscaras de proteção contra o coronavírus nas fotos e vídeos divulgados pela KCNA —com exceção do grupo que usava os trajes de segurança de cor laranja.

A Coreia do Norte não confirmou oficialmente nenhum caso de Covid-19, mas fechou fronteiras e impôs medidas de prevenção rígidas. Kim Jong-un compareceu ao evento e assistiu ao desfile das forças paramilitares e de segurança pública dos Trabalhadores Camponeses da Guarda Vermelha, a maior unidade de defesa civil do país. O contingente estimado em quase 6 milhões de soldados foi uma força de reserva criada após a retirada das tropas chinesas que lutaram pelo Norte na Guerra da Coreia (1950-1953).

Lá fora

Na newsletter de Mundo, semanalmente, as análises sobre os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante.

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Em 2020, o ditador gabou-se das capacidades nucleares da Coreia do Norte e exibiu mísseis balísticos intercontinentais nunca vistos durante um desfile militar no país. Em janeiro deste ano, na véspera da posse de Joe Biden na Casa Branca, outra parada apresentou projéteis semelhantes para submarinos, que foram descritos pela KCNA como "a arma mais poderosa do mundo".

Neste ano, porém, Kim saudou a população, mas não discursou —ou ao menos sua fala não foi divulgada.

Já a exposição de materiais bélicos ficou limitada a armas convencionais, lançadores de foguetes e tratores que carregavam outros tipos de mísseis, que, segundo a agência estatal, podem ser usados "para atacar os agressores e suas forças vassalas com poder de fogo aniquilador em uma emergência".

As imagens da KCNA também mostraram Kim cumprimentando com apertos de mãos um grupo de pessoas que o aplaudiam e jantando com outras autoridades do país.

Vestido com um terno cinza de padrão ocidental, Kim também estava visivelmente mais magro do que em aparições anteriores. Especialistas ouvidos pela imprensa americana destacaram também uma postura de mais energia por parte do ditador.

Para Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos da Coreia do Norte em Seul, a percepção da ausência de armas estratégicas e o foco nas forças de segurança pública são indícios de que Kim está concentrado em questões domésticas, como o combate à Covid-19 e a economia do país.

"O desfile parece ter sido estritamente planejado como um festival doméstico com o objetivo de promover a unidade nacional e a solidariedade do regime", disse Yang à agência de notícias Reuters.

Para ele, os fatos de não haver armas nucleares e de o ditador não ter discursado na celebração foram tentativas de "manter o evento discreto e deixar espaço de manobra para futuras negociações com os Estados Unidos e com a Coreia do Sul".

Desde 2019, as negociações para persuadir a Coreia do Norte a abrir mão de suas armas nucleares e de seu arsenal de mísseis balísticos estão paralisadas. À época, uma cúpula entre Kim e o então presidente americano Donald Trump no Vietnã fracassou.

O governo de Joe Biden disse que vai usar a diplomacia para alcançar a desnuclearização do regime, mas não mostrou disposição em atender às demandas norte-coreanas pela flexibilização das sanções ocidentais impostas ao país.

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Entenda como foi feita a foto do 11 de Setembro que virou marco da memória mundial

Spencer Platt diz ter sentimentos conflitantes sobre imagem que registra Torres Gêmeas em chamas

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São Paulo

Quando saiu de seu apartamento na manhã de 11 de setembro de 2001, Spencer Platt ouviu o barulho avassalador de helicópteros e viu fumaça saindo de alguns prédios. Ele havia estado na festa de aniversário de um amigo na noite anterior e não pensava em deixar sua casa naquele dia, mas sua namorada e um boletim de rádio com a notícia de que um avião tinha atingido a torre norte do World Trade Center o convenceram a pegar uma câmera, duas lentes e ir para a rua.

Ao chegar à base da ponte do Brooklyn —que liga a região de Dumbo, no distrito do outro lado do rio, ao sul da ilha de Manhattan—, ele se deparou com um grupo de taxistas reunidos, apontando e olhando para cima. “Ali eu pude ver o que estava realmente acontecendo. Eu falava com eles enquanto fotografava. Por pura sorte, eu tinha mirado minha câmera para cima e estava tirando mais algumas fotos quando o segundo avião veio e se chocou contra a torre sul”, ele conta, em entrevista por Zoom, de Nova York.

“E, honestamente, eu nunca vi aquele avião vindo, aconteceu muito rapidamente.”

As Torres Gêmeas em chamas logo após os aviões sequestrados se chocarem contra elas - Spencer Platt -11.set.2001/Gettty Images

Sua fotografia, na qual se veem as porções superiores das Torres Gêmeas cobertas por imensas bolas de fogo e de fumaça negra, é provavelmente a imagem mais conhecida dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 —à época, a imagem foi reproduzida na imprensa do mundo inteiro, inclusive na primeira página deste jornal.

Logo que bateu a foto, Platt baixou a câmera para conferir o resultado no visor LCD de seu equipamento digital primitivo. Ao ver o registro, alguns taxistas que estavam no seu cangote disseram “meu Deus, o que acaba de acontecer?”, ele lembra.

Hoje fotojornalista da agência Getty Images, Platt tinha 20 e poucos anos no 11 de Setembro e conta que à época era um tanto ingênuo e não esperava fortes emoções na vida profissional. Mas isso não se devia necessariamente ao seu temperamento. Na virada do século, dividia a impressão com seus colegas de profissão de que eles haviam sido privados de registrar os grandes fatos históricos das décadas anteriores, como a Segunda Guerra, a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos e a Guerra do Vietnã.

“Pensávamos que não nos restaria nada para fazer, que cobriríamos pequenos eventos, de menor importância. Era assim que eu me sentia naquela manhã. É claro que você não quer que eventos terríveis se repitam, mas você tinha um senso de inveja e ciúmes dos colegas mais velhos”, conta, dizendo que chegou a conhecer um jornalista da cidade onde cresceu que havia coberto a Segunda Guerra e listando como influências o romancista Ernst Hemingway —que trabalhou como motorista de ambulância na Primeira Guerra— e o fotojornalista Robert Capa.

Com sua câmera Leica a tiracolo, o húngaro cobriu os conflitos mais importantes da primeira metade do século 20. É de sua autoria, por exemplo, a fotografia definitiva dos momentos finais da Segunda Guerra, a do desembarque dos soldados aliados numa praia da Normandia, muito conhecida e reproduzida.

Meio século mais tarde, Platt também fez uma imagem que entrou para a memória visual de uma geração, abrindo imageticamente o século 21. Como ele encara hoje, 20 anos depois, sua fotografia das Torres Gêmeas em chamas?

“Tenho sentimentos conflitantes sobre ela”, ele afirma. “Estava falando sobre isso com um amigo um dia desses, e ele disse que é uma foto que mostra o momento em que, literalmente, milhares de pessoas estão perdendo as suas vidas, e ele está certo. De certo modo, ela é uma imagem incrivelmente colorida e poderosa dessa bola de fogo e seus olhos são imediatamente atraídos por isso, mas, se você conseguir olhar através disso, ali é um momento no qual milhares de vidas estão chegando ao fim. Não é algo para o qual quero olhar todos os dias. Mas me sinto orgulhoso, porque é um documento histórico.”

Nas décadas seguintes, Platt cobriu guerras nas quais os Estados Unidos se envolveram, como as do Iraque e do Afeganistão, e também se dedicou a registrar histórias de dependência de drogas e de pobreza em seu próprio país, além de conflitos em outros lugares do mundo, como Congo, Ucrânia, Honduras, Indonésia e Libéria.

Em 2007, ganhou o prêmio de foto do ano no World Press Photo, a mais importante láurea no fotojornalismo, com uma imagem de jovens libaneses num carro conversível avaliando os danos causados ​​por bombardeios, por parte de Israel, no bairro de Beirute onde moravam.

A imagem capta a reação espontânea de pessoas atingidas por uma tragédia incomensurável. Este é um traço comum a muitas fotografias de Platt —ele não se preocupa apenas em registrar o fogo, a fumaça e os destroços. No 11 de Setembro, registrou o desastre em Nova York na foto de um casal que se abraça ao deixar a área das Torres Gêmeas e na imagem de uma mulher e de um homem negros cruzando a ponte do Brooklyn lado a lado, aparentemente tranquilos, enquanto os prédios ardem ao fundo.

"Quando olho essa foto, fico levemente chocado e sem acreditar. Eles parecem trabalhadores e caminham de maneira calma e surreal para casa", comenta. Platt diz se ver mais como um fotógrafo de rua, um andarilho das cidades sem uma agenda fechada, do que como um fotojornalista em busca da notícia propriamente dita, afirmando misturar os dois mundos em seu trabalho.

Tanto as imagens dos ataques terroristas quanto sua foto vencedora do World Press Photo foram feitas num mundo em que a internet era mais rudimentar e os celulares, simples. Ao ser questionado se é mais difícil criar fotos históricas hoje, num contexto no qual todos estão com um smartphone à mão, Platt diz que, numa primeira análise, isso pode parecer verdadeiro, já que, afinal, milhares de imagens de qualquer evento chegam ao Instagram em minutos.

Nesta avalanche, ele acrescenta, há algumas imagens surpreendentes, como por exemplo o vídeo do sufocamento de George Floyd em Minneapolis no ano passado, feito por uma amadora —ela “mudou o mundo e certamente não era uma profissional de vídeo”, ele afirma.

Por outro lado, o fotógrafo sustenta que as imagens mais poderosas a emergirem e se fixarem em nossa memória são quase sempre tiradas por profissionais —no caso dele, andando de moto por Nova York e parando em intervalos regulares para mandar os registros para sua agência. São fotografias “oportunas, legendadas adequadamente e colocadas num contexto real de notícia, sobretudo quando lutamos com um mundo de notícias e opiniões dúbias e fatos incertos”.​

Grupo de jovens libaneses observam bairro destruído por bombardeio de Israel em Beirute; foto venceu o World Press Photo - Spencer Platt -15.ago.2006/Getty Images

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