______________________________* ONDAS de FRIO e CALOR matam HOMENS e MULHERES de formas diferentes no BRASIL ______________________________* Situação climática vai PIORAR ainda mais no Brasil * E o que esperar daqui em diante *
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Ondas de FRIO e CALOR matam HOMENS e MULHERES de formas diferentes no BRASIL
Situação climática vai PIORAR ainda mais no Brasil
E o que ESPERAR daqui em DIANTE
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Fundadores da Prevent Senior cantam música nazista em banda de rock

Por Laura Capriglione
Os irmãos Parrillo, Eduardo e Fernando, donos da Prevent Senior, são roqueiros. A banda deles, que conseguiu a façanha de ser escalada tanto para Lollapalooza quanto para o Rock in Rio, chama-se “Doctor Pheabes”. Diga-se de passagem que isso só foi possível porque a Prevent Senior era a patrocinadora dos dois festivais. Pois bem, os irmãos compõem músicas em inglês. Aqui, vocês têm uma canção deles, chamada de “Army of Sun”. Leia a letra e constate a idéia megalomaníaca desses “roqueiros” que querem, custe o que custar, impor militarmente suas idéias ao mundo, como em uma guerra. Porque, afinal, eles são o “Exército do Sol”. “Exército do Sol”, aliás, era o nome das SS nazistas, que tinha o nome de Waffen Schwarze Sonne, Waffen-SS, que na tradução do alemão, resulta em “Exército do Sol Negro”. O nome “Waffen Schutzstaffel”, nome oficial das SS foi escolhido exatamente para ressoar o original “Waffen Schwarze Sonne”, o “Exército do Sol Negro”, que se encontra na mitologia original nazista. As Waffen-SS eram a guarda pessoal de Hitler. Só podiam pertencer a ela jovens germânicos “puro sangue”, com condições físicas e mentais excepcionais para matar e que manifestassem fidelidade canina à ideologia nazista.
Army Of The Sun
I don’t mind if you pull the trigger
I don’t mind if you think your bigger
We’ll bleed, we’ll fight
You won’t get away won’t get away
I don’t care if you turn off the lights
I don’t think you’ll win the fight
We’ll see the light
You won’t get away won’t get away
Cause we
We are the power
We walk on water
We stand together, stand together
We
We are the power
We walk on water
We stand together
We are the Army Of The Sun
We are the Army Of The Sun
Never tell us what to do
We know a thing or two
We stand together, stand together
Never tell us what to be
In the end it’s you and me
We stand together, stand together
Cause we
We are the power
We walk on water
We stand together, stand together
We
We are the power
We walk on water
We stand together
We are the Army Of The Sun
We are the Army Of The Sun
Couse we
We are the power
We walk on water
We stand together, stand together
We
We are the power
We walk on water
We stand together
We are the Army Of The Sun
Veja a tradução:
Exército do sol
Eu não me importo se você puxar o gatilho
Eu não me importo se você pensa que é maior
Vamos sangrar, vamos lutar
Você não vai fugir, não vai fugir
Eu não me importo se você desligar as luzes
Eu não acho que você vai ganhar a luta
Vamos ver a luz
Você não vai fugir, não vai fugir
Porque nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Estamos juntos, juntos
Nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Nos ficamos juntos
Nós somos o Exército do Sol
Nós somos o Exército do Sol
Nunca nos diga o que fazer
Sabemos uma coisa ou duas
Estamos juntos, juntos
Nunca nos diga o que ser
No final, somos você e eu
Estamos juntos, juntos
Porque nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Estamos juntos, juntos
Nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Nos ficamos juntos
Nós somos o Exército do Sol
Nós somos o Exército do Sol
Porque nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Estamos juntos, juntos
Nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Nos ficamos juntos
Nós somos o Exército do Sol
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O nome da banda, Doctor Pheabes, é claramente inspirado em Doctor Phibes, o protagonista dos filmes de terror “O Abominável Dr. Phibes” e “A Câmara dos Horrores do Abominável Dr. Phibes”, estrelados por Vincent Price. Nas duas películas, Dr. Phibes é um organista que se torna o terror dos médicos que cuidaram de sua esposa Victória, morta depois de uma cirurgia de emergência por ter sido diagnosticada com uma doença rara. Phibes culpa a incompetência dos médicos pela morte da mulher e passa os anos seguintes planejando e executando uma terrível vingança contra todos os cirurgiões que atenderam Victória.
Alguém vê algo em comum com a Prevent Senior e seus proprietários “músicos”, que oprimem, humilham e destroem reputações de médicos?
Esse caso é de delírio assassino nazista. O Brasil está entregue a essa gente!
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Vídeo mostra donos da Prevent Senior cantando música nazista em banda de rock (assista)

247 - Os irmãos Parrillo, Eduardo e Fernando, donos da Prevent Senior, cantam canções com referências nazistas. Esta é a constatação da jornalista Laura Caprigliole, que publicou um artigo no portal Jornalistas Livres expondo a letra da música “Army of Sun”, que faz alusão ao exército nazista de Hitler.
De acordo com ela, “Army of Sun” traduzindo “exército do Sol”, “era o nome das SS nazistas, que tinha o nome de Waffen Swarze Sohne, Waffen-SS, que na tradução do alemão, resulta em ‘Exército do Sol Negro’”.
“O nome ‘Waffen Schutzstaffel’, nome oficial das SS foi escolhido exatamente para ressoar o original ‘Waffen Swarze Sohne’, o ‘Exército do Sol Negro’, que se encontra na mitologia original nazista. As Waffen-SS eram a guarda pessoal de Hitler. Só podiam pertencer a ela jovens germânicos ‘puro sangue’, com condições físicas e mentais excepcionais para matar e que manifestassem fidelidade canina à ideologia nazista”, explica a jornalista.
Rede hospitalar Prevent Senior é acusada de usar seus pacientes como cobaias em experimentos com a cloroquina e subnotificar mortes em decorrência da Covid-19.
Confira a letra original e a tradução:
Army Of The Sun
I don’t mind if you pull the trigger
I don’t mind if you think your bigger
We’ll bleed, we’ll fight
You won’t get away won’t get away
I don’t care if you turn off the lights
I don’t think you’ll win the fight
We’ll see the light
You won’t get away won’t get away
Cause we
We are the power
We walk on water
We stand together, stand together
We
We are the power
We walk on water
We stand together
We are the Army Of The Sun
We are the Army Of The Sun
Never tell us what to do
We know a thing or two
We stand together, stand together
Never tell us what to be
In the end it’s you and me
We stand together, stand together
Cause we
We are the power
We walk on water
We stand together, stand together
We
We are the power
We walk on water
We stand together
We are the Army Of The Sun
We are the Army Of The Sun
Couse we
We are the power
We walk on water
We stand together, stand together
We
We are the power
We walk on water
We stand together
We are the Army Of The Sun
Veja a tradução:
Exército do sol
Eu não me importo se você puxar o gatilho
Eu não me importo se você pensa que é maior
Vamos sangrar, vamos lutar
Você não vai fugir, não vai fugir
Eu não me importo se você desligar as luzes
Eu não acho que você vai ganhar a luta
Vamos ver a luz
Você não vai fugir, não vai fugir
Porque nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Estamos juntos, juntos
Nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Nos ficamos juntos
Nós somos o Exército do Sol
Nós somos o Exército do Sol
Nunca nos diga o que fazer
Sabemos uma coisa ou duas
Estamos juntos, juntos
Nunca nos diga o que ser
No final, somos você e eu
Estamos juntos, juntos
Porque nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Estamos juntos, juntos
Nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Nos ficamos juntos
Nós somos o Exército do Sol
Nós somos o Exército do Sol
Porque nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Estamos juntos, juntos
Nós
Nós somos o poder
Andamos na água
Nos ficamos juntos
Nós somos o Exército do Sol
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‘Meu alinhamento com Trump e Bolsonaro é quase natural’, diz ao GLOBO fenômeno eleitoral do momento na Argentina

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Ele foi a revelação das Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (Paso) realizadas na Argentina em meados de setembro, para definir quem serão os candidatos à eleição legislativa de 14 de novembro, na qual será renovada metade da Câmara e um terço do Senado. O economista Javier Milei, líder do partido A Liberdade Avança, ficou em terceiro lugar na capital e se transformou em culto entre seus seguidores. Ao GLOBO, ele, que se diz “libertário” e nega ser de extrema direita, elogiou o ex-presidente americano Donald Trump e o brasileiro Jair Bolsonaro, afirmou que na década de 1970 a Argentina foi cenário de uma guerra, disse considerar o aborto um assassinato e antecipou cenários catastróficos para seu país.
Os modelos de Bolsonaro e Trump foram importantes na construção de seu projeto político?
Tenho uma agenda clara, que vai contra tudo o que for socialismo ou comunismo. Todos os que estiverem contra o socialismo ou o comunismo estarão do mesmo lado que eu estou. Esse é o princípio reitor, depois podemos ter todas as diferenças que você quiser. Em meu grupo temos liberais, libertários, pessoas de centro, conservadores, de centro-direita, mas o limite que ninguém ultrapassa é a social democracia e todas as expressões mais à esquerda. É quase natural meu alinhamento com Trump e Bolsonaro.
O senhor considerada que Bolsonaro faz um bom governo?
Considero que ele iniciou sua gestão na direção correta. Colocou à frente do Ministério da Economia a um economista de prestígio da Universidade de Chicago. Agora, depois veio a pandemia e isso trouxe efeitos colaterais.
O ministro Paulo Guedes não obteve os resultados esperados…
Claro, mas isso tem a ver com um choque externo, negativo, o problema do coronavírus. São coisas que acontecem na vida. Mas eu acho muito bom como, desde o primeiro dia, Bolsonaro decidiu enfrentar a esquerda.
No outro extremo, Bolsonaro defende torturadores da última ditadura militar no Brasil. Qual é sua opinião sobre isso?
Eu não defendo torturadores. Como liberal acredito no respeito irrestrito do direito de vida de todo ser humano. Estou contra os abusos que foram cometidos pelo Estado, e também contra os atos cometidos pelos terroristas.
O senhor defende a chamada teoria dos dois demônios?
(Pensa alguns segundos) Do meu ponto de vista, foi uma guerra. O que acontece é que houve cidadãos que se rebelaram em grupos armados, tentaram fazer uma revolução comunista dentro do país (Argentina). Isso foi combatido, o problema aqui na Argentina começou no final da década de 60. No ano de 1975, no governo de Isabel Perón, foi aprovado um decreto de aniquilação (de opositores). Isso abriu a porta a um mecanismo que constituiu um crime de lesa-Humanidade. Houve erros e horrores dos dois lados. Agora, sempre a responsabilidade maior é do Estado, porque é quem tem o monopólio da violência. Está errado o que fizeram os terroristas, e pior ainda o que fez o Estado. Você não pode comer o canibal.
O senhor já participou de lives com o deputado Eduardo Bolsonaro. Como é sua relação com a família Bolsonaro?
Ainda não tive contato com Jair, mas sim com Eduardo. Ele já me ligou e combinamos que organizaríamos, em algum momento, uma reunião em Buenos Aires com representantes da centro-direita, direita, libertários, liberais, todos. Santiago Abascal (deputado espanhol e presidente do partido Vox) já se comprometeu a vir.
Alguns o definem como um dirigente de extrema-direita, o senhor concorda?
Não. Sou liberal e libertário, essas posições são coisas da esquerda, porque para a esquerda tudo o que não está do seu lado é direita.
Em temas de direitos civis, por exemplo, a legalização do aborto, aprovada em 2020 no Congresso argentino, o senhor é contra.
Sim, sou totalmente contra. O liberalismo respeita o direito à vida de todos e o aborto é um ataque contra a vida. A vida é um contínuo, que termina com a morte. Qualquer interrupção por fatores exógenos, ou seja, praticado por outro ser humano, é um assassinato.
O senhor é contra inclusive em casos extremos, como o estupro de uma menina de 10 anos?
A pergunta é: um delito se compensa com outro delito? O assassinato nunca pode estar justificado. Entendo que aos que fazem um culto da ideologia de gênero a palavra assassinato lhes incomode. Estão negando o fato de que um aborto é um assassinato agravado pelo vínculo.
Ou seja que as mulheres que realizam um aborto devem ser presas?
Não disse que devem ser presas. É uma definição sobre como se determina essa questão do ponto de vista legal.
Qual é sua opinião sobre o casamento entre homossexuais?
Acho que o casamento é um contrato e sobre ele podem decir apenas as partes. Sou contra qualquer intervenção do Estado. Você pode casar com quem você quiser, e pode ter até um contrato com múltiplos participantes. Se for voluntário, não me interessa.
Sobre a situação da Argentina, o senhor é bastante pessimista.
Sim, o país é um vulcão à beira de entrar em erupção. Temos um desequilíbrio fiscal próprio das grandes crises econômicas. Nos últimos dez anos destruímos 225 mil postos de trabalho, temos 50% de pobres e 10% de indigentes. A ala dura do governo quer jogar mais gasolina no fogo, emitindo dinheiro. A aposta do governo é que se vai explodir, que exploda depois das eleições.
Como o senhor explica seu bom desempenho nas primárias?
O liberalismo surgiu para liberar os oprimidos dos monarcas tiranos. A Argentina tem uma democracia falida, na qual o Executivo virou uma tirania, o Legislativo uma oligarquia e a Justiça não funciona. As pessoas estão acordando e os primeiros em acordar são os que não têm margem para continuar resistindo.
O senhor surgiu em momentos em que os líderes que diz admirar estão em baixa: Trump perdeu a eleição e Bolsonaro está batendo recordes de impopularidade. Por que o senhor acha que seu projeto político terá mais sorte?
(Demora alguns segundos em responder) No meio de tudo isso aconteceu uma pandemia. Para mim, Trump é um dos melhores presidentes da História dos Estados Unidos. Cada lugar tem sua dinâmica temporal. Não vou mudar minhas concepções pelo que acontecer em outros lugares do mundo.
Trump foi derrotado em consequência da pandemia?
Sim, por exemplo. O resto é questão da política americana.
No caso do Brasil, o senhor considera que o mau momento de Bolsonaro e a possibilidade de que não seja reeleito é consequencia da pandemia?
O impacto da pandemia foi muito negativo, todos os governos estão perdendo.
Bolsonaro se opôs a medidas de lockdown, não fez campanha pela vacinação contra a Covid-19 e muitas vezes sai sem máscara.
Sim, mas a Argentina fez todo o contrário e nossa economia despencou muito mais.
O senhor acha que a pandemia foi melhor administrada no Brasil?
Os resultados são óbvios. Ninguém fez as coisas pior do que a Argentina.
Qual será seu primeiro projeto como deputado?
Vou trabalhar sobre a lei de administração financeira do Estado. Isso inclui, entre outras coisas, acabar, no futuro, com o Banco Central.
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Como conviver com o RISCO de CONTAMINAÇÃO por Covid após estar 100% IMUNIZADO
Coronavírus: como reduzir riscos de Covid no dia a dia após 2ª dose
Com a recente melhora nos números de casos e mortes e o avanço na vacinação, há um relaxamento nas medidas restritivas.
Veja como avaliar o risco de infecção nesse novo cenário e se proteger.
Por André Biernath, BBC
Nas últimas semanas, prefeitos e governadores de várias partes do Brasil anunciaram um relaxamento das medidas de contenção da pandemia, que mantinham muitos espaços de convivência, como shoppings, restaurantes e estádios de futebol, fechados ou com horários e taxas de ocupação mais restritos.
O alívio tem a ver com três fatores principais. O primeiro deles é a redução significativa na média móvel de casos e mortes por Covid-19: no mês de setembro, foram registrados os números mais baixos desde o início de 2021.

Vacina e Covid-19: Preciso usar máscara e evitar aglomerações mesmo depois de vacinado?
O segundo ponto tem a ver com o avanço da vacinação. Até o momento, 71% dos brasileiros já tomaram a primeira dose e 41% estão com o esquema de proteção completo. Embora se saiba que os imunizantes não sejam 100% efetivos para evitar a infecção pelo coronavírus, eles previnem de forma significativa o agravamento da doença, que exige internação, intubação e pode levar à morte.
Em terceiro lugar, não dá para ignorar o cansaço acumulado ao longo dos últimos meses. Estamos na pandemia há um ano e meio e é complicado pensar que todo mundo continuaria em isolamento completo por todo esse tempo.
"A pandemia não acabou, mas as pessoas não querem mais se restringir com a mesma intensidade de antes", constata a médica Sylvia Lemos Hinrichsen, consultora de biossegurança da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
"Existe um limite de quanto conseguimos priorizar apenas o aspecto médico. Todos estamos cansados e há uma necessidade de retomar as atividades econômicas", admite o infectologista Renato Grinbaum, que também integra a SBI.
"E é perfeitamente possível pensar numa reabertura se tomarmos certos cuidados", completa o médico.
Que fique claro: as boas notícias recentes não significam uma liberação geral. Mas elas permitem, sim, fazer algumas coisas com um pouquinho de mais liberdade, dizem os especialistas.
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Mas como fazer isso na prática? Quais são as recomendações básicas para retomar um pouco da rotina e minimizar o perigo de pegar a Covid-19? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil levantam dicas práticas para manejar o risco e evitar que os números da pandemia voltem a subir.
Os pilares de uma retomada segura
O físico Vitor Mori, que faz pesquisas sobre engenharia biomédica na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, acredita que a discussão sobre o manejo de risco da Covid-19 ficou muito prejudicada no Brasil por causa da polarização política.
"Durante muito tempo, tínhamos um lado que dizia ser necessário reabrir tudo sem restrições. Outra parcela, por sua vez, reagiu a esse comportamento e foi para um caminho mais proibicionista. Era tudo oito ou 80", diz o especialista, que também faz parte do Observatório Covid-19 BR.
"Isso prejudicou muito o debate sobre redução de danos e a criação de políticas públicas que deveriam ter como base a autonomia do indivíduo. Temos que entender que as pessoas são suficientemente inteligentes e capazes de fazer escolhas conscientes se tiverem boas informações", completa.
Numa entrevista recente à BBC News Brasil, o infectologista Ricardo Palacios, ex-diretor de pesquisa clínica do Instituto Butantan, seguiu essa mesma linha de raciocínio.
"Precisamos começar a explicar para as pessoas sobre o manejo de risco. Um exemplo: você quer passar o Natal com familiares e amigos. Como planejar esse evento para que ele não acabe disseminando a Covid-19 para pessoas vulneráveis, que vão acabar internadas?", questiona o especialista.
Do ponto de vista prático, existem algumas premissas básicas a serem seguidas antes de pensar em retomar algumas atividades sociais.
O primeiro passo é aguardar 14 dias após completar a vacinação, seja com as duas doses ou com o imunizante da Janssen, de dose única. Esse é o tempo necessário para que o sistema imune crie uma resposta.
"É importante que todo mundo participe da campanha de imunização e tome as duas doses", reforça Hinrichsen.
Segundo, não dá para abdicar das máscaras na maioria das situações. Dependendo da ocasião, é importante usar modelos profissionais (como a PFF2) e checar se o equipamento está vedando bem as maçãs do rosto, a região do nariz, as bochechas e o queixo.

O que devemos saber sobre as máscaras PFF2/ N95
Terceiro, é necessário adaptar as recomendações à realidade individual e ter muito cuidado com a parcela da população que é mais vulnerável aos estragos da Covid. Se você vive na mesma casa de um idoso ou de uma pessoa com imunidade comprometida, por exemplo, as precauções devem ser bem maiores, para minimizar a probabilidade de você se infectar com o coronavírus e transmiti-lo para esses familiares.
"E não podemos nos esquecer também das recomendações básicas de higiene. Ao tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com as mãos para evitar espalhar gotículas e aerossóis por todo o ambiente", acrescenta Grinbaum.
Se você apresenta qualquer sintoma ou algum sinal típico de gripe ou resfriado (coriza, tosse, febre, dor no corpo…), é importante suspender qualquer atividade social ou de trabalho e evitar ao máximo o contato com outras pessoas. Se for o caso, vale buscar a orientação médica e fazer um exame para confirmar ou descartar o diagnóstico de Covid-19.
Mori orienta que as pessoas evitem, sempre que possível, situações que representam maior risco de infecção. Ele usa como exemplo uma política adotada no Japão, que pede cuidado extremo diante de três situações:
- Espaços fechados e mal ventilados;
- Locais onde há aglomerações, com pessoas muito próximas umas das outras;
- Interações sociais com muita proximidade física e por um tempo prolongado.
"É justamente na intersecção dessas três situações que há o maior risco", complementa o físico.
Por fim, outra atitude fundamental é ficar de olho nas últimas estatísticas sobre a pandemia da região onde você mora. Se os números de casos, hospitalizações e mortes voltarem a subir, será necessário restringir as atividades novamente.
Com esses cuidados gerais em mente, segundo os especialistas, é possível partir para recomendações de prevenção específicas para cinco situações cotidianas.
Encontros com familiares e amigos
Se você vai participar de uma festa de aniversário, uma refeição ou uma visita a alguém de seu círculo social, o local onde acontecerá esse encontro faz toda a diferença.
"Prefira sempre um lugar aberto e com o máximo de ventilação possível. Pode ser no quintal, na varanda, na laje, na garagem, na rua ou no parque", exemplifica Mori.
Caso nenhuma dessas opções seja possível e a reunião ocorra num cômodo fechado, abra as janelas e faça de tudo para que o ar circule pelo ambiente.
Eles recomendam manter uma distância mínima de 1,5 metro das pessoas e usar máscara o tempo todo.
"As pessoas têm o costume de tirar a máscara para fazer fotos, dançar, conversar… É preciso evitar esse comportamento", alerta Hinrichsen.
É claro que, na hora de comer ou beber, será necessário remover o equipamento de proteção do rosto. Mori sugere algumas atitudes para minimizar o risco neste momento (além de manter o distanciamento físico dos demais indivíduos presentes).
"Durante a refeição, o ideal é ficar em silêncio. Nós sabemos que quanto mais alto a gente fala, canta ou grita, mais partículas são emitidas pela boca", diz.
O número de indivíduos nas ocasiões sociais é outro fator que deve ser levado em conta: prefira encontros com poucas pessoas. Assim, fica mais fácil controlar o comportamento (e pedir educadamente que todos usem máscara) ou evitar aglomerações.
Restaurantes, bares e baladas
"No atual momento, entre um restaurante cheio e outro vazio, vá sempre no que estiver mais vazio", orienta Grinbaum.
Repare também no distanciamento entre as mesas, dizem os especialistas. Elas estão muito próximas? Ou há um espaço bom entre uma e outra?
Uma boa ideia, segundo eles, é buscar estabelecimentos que atendem com horário agendado ou visitá-los fora do pico, um pouco antes ou depois do horário que a maioria das pessoas costumam almoçar ou jantar.
Vale lembrar aqui que você estará num ambiente em que os consumidores eventualmente vão tirar as máscaras em algum momento para comer e beber.
Se alguém estiver infectado com o coronavírus ali, o risco de as pessoas ao redor pegarem Covid-19 aumenta consideravelmente, especialmente se o local for fechado.
No caso de bares e baladas, o cuidado deve ser muito maior. "Não me parece que seja o momento de ir a esses lugares. Falamos de locais fechados, com muita gente em contato próximo e com pouca adesão às máscaras", lista Mori.
Na hora de fazer exercícios
Existe um escalonamento de risco de acordo com o tipo de modalidade e o local onde acontece a prática.
Um exemplo: correr ao ar livre no parque, na rua ou na praia é muito mais seguro do que malhar numa academia sem janelas e com muita gente ao redor, apontam os especialistas. O desafio aqui é avaliar os riscos da situação e ver como se proteger da melhor maneira em cada uma delas.
Em academias fechadas, é essencial usar uma máscara de boa qualidade, que veda bem todas as entradas do rosto. Frequentar esse ambiente em horários alternativos, se possível, também é uma ótima ideia.
No caso da atividade física individual ao ar livre e sem nenhuma pessoa ao redor, dá até pra dispensar a máscara se você já foi vacinado. Mas, é claro, lembre-se sempre de vestir esse equipamento de proteção antes e depois do exercício e siga as normas de sua cidade — alguns municípios exigem o uso de máscara em ambientes públicos.
Há ainda uma situação que fica no meio-termo entre as modalidades: os esportes coletivos. É seguro reunir o grupo de amigos para o futebol de final de semana num campo ou numa quadra aberta?
"Sim, desde que todos usem máscara", responde Grinbaum.
Mori chama a atenção para os eventos que acontecem antes ou depois da partida. "O problema é que há sempre aquela carona com o amigo ou a cerveja e o churrasco após o jogo. Essas são situações que trazem mais risco", aponta.
Portanto, o ideal é evitar esses encontros sociais prolongados que antecedem ou sucedem a prática esportiva em grupo, ainda mais quando não há respeito ao uso das máscaras.
No transporte público
Pessoas circulam pela estação da Luz, em São Paulo, no dia 4 de março. Especialistas recomendam o uso das máscaras do tipo PFF2 em locais fechados, mal ventilados e com aglomerações – como o transporte público. — Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Falar em distanciamento social em ônibus, trens e metrôs das grandes cidades brasileiras é algo impraticável, especialmente nos horários de pico.
Se você tiver condições, vale usar o serviço de transporte público fora dos períodos de maior movimento, como as manhãs e os finais de tarde, quando a grande maioria dos trabalhadores sai e volta para casa.
Caso não exista essa possibilidade, resta apelar para as máscaras de boa qualidade, de preferência a PFF2, segundo os especialistas.
"Os prefeitos e governadores deveriam pensar até em distribuir gratuitamente a PFF2 a todos os usuários de transporte público", diz Mori.
Na volta ao trabalho presencial
Com o alívio das restrições, algumas empresas começaram a pedir que os funcionários voltassem a trabalhar nos escritórios, seja durante todo o expediente ou num modelo híbrido, em alguns dias da semana.
Nos prédios mais modernos, existe um sistema de ar condicionado central que renova constantemente o oxigênio num ambiente fechado e que ainda possui filtros para reter partículas microscópicas.
"Os administradores das empresas podem conversar com o engenheiro responsável para garantir que o ar está sendo filtrado dentro dos padrões de segurança", destaca Mori.
Em edifícios e andares mais antigos, onde não existe essa tecnologia, uma boa estratégia é manter janelas abertas (se possível) ou adquirir equipamentos próprios, como purificadores e monitores de gás carbônico. Eles não são 100% efetivos, segundo os entrevistados, mas já ajudam a entender a qualidade do ar daquele ambiente.
Não custa reforçar que o uso de máscaras deve ser constante, durante todo o expediente. "Os gestores também podem pensar em escalonamentos, especialmente na hora do almoço e no uso de áreas comuns, como refeitórios e o espaço do café", acrescenta Grinbaum.
Ainda no contexto profissional, existem alguns protocolos comuns que não ajudam em nada na prevenção da Covid-19, segundo os entrevistados. É o caso, por exemplo, da desinfecção de superfícies com água sanitária, álcool ou outros produtos de limpeza.
Nessa mesma linha, os especialistas apontam que a obsessão com a lavagem das mãos e dos objetos também não faz muito sentido quando pensamos no coronavírus, que é transmitido por gotículas e aerossóis que ficam no ar e são aspiradas quando respiramos.
Que fique claro: ter higiene é importante e precisamos lavar as mãos com frequência, até para evitar outras doenças infecciosas. Mas, contra a Covid-19, existem outras medidas de prevenção mais efetivas (distanciamento físico, uso de máscaras, preferência por ambientes abertos e cuidado com aglomerações) e sobre as quais deveríamos focar nossos esforços.
Por fim, vale reforçar que todas essas estratégias ajudam a diminuir riscos, mas elas não são infalíveis.
"Não existe uma tática de proteção que seja perfeita, mas podemos tomar alguns cuidados para reduzir os danos", diz Grinbaum. "E precisamos trabalhar para que essas medidas sejam respeitadas pelo bem de toda a sociedade."
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A esquerda pode estar renascendo na Europa? - BBC News Brasil
- Paula Adamo Idoeta
- Da BBC News Brasil em São Paulo

Com a era Merkel chegando ao fim na Alemanha, a centro-esquerda está na dianteira para ganhar as eleições deste domingo (26/9) na maior economia da Europa.
As pesquisas de opinião dão a liderança ao Partido Social-Democrata (SPD), com uma vantagem - bem pequena, é bom destacar - sobre a aliança conservadora do partido de Merkel (CDU) com o CSU, representada pela candidatura de Armin Laschet.
Uma vitória do SPD dificilmente traria rupturas: o partido é integrante minoritário da coalizão no poder atualmente, e seu candidato, Olaf Scholz, é ministro das Finanças de Merkel.
Assim, um governo Scholz seria, de muitas formas, um de continuidade - embora abraçando propostas como aumento de impostos aos mais ricos e com mudanças importantes para a América Latina e o Brasil que detalharemos mais adiante.
Por enquanto, porém, o que mais chama atenção é que, se a vitória for confirmada neste domingo, vai reforçar um aparente ressurgimento da social-democracia na Europa.
Fim do Talvez também te interesse
Para além da Alemanha, a centro-esquerda voltou ao poder neste mês na Noruega, onde o Partido Trabalhista venceu os conservadores e agora está em negociações para tentar formar uma coalizão majoritária de governo.
Com essa troca de governo norueguesa, todos os países escandinavos - Noruega, Suécia, Dinamarca, Islândia e Finlândia - passarão a ficar sob governos social-democratas, algo que não acontecia desde o final dos anos 1950. Além disso, Portugal e Espanha também são governados por partidos de centro-esquerda.
Bastião da social-democracia na Europa, com suas enraizadas políticas de bem-estar social, a Escandinávia é um exemplo importante.
Isso porque essa região também foi a que esteve na vanguarda do avanço de partidos e de políticos populistas no continente europeu, alguns anos atrás - e agora faz um regresso à centro-esquerda, explica à BBC News Brasil o cientista político Mathias Alencastro, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e doutor pela Universidade de Oxford.
Crédito,
Reuters
Jonas Gahr Stoere, vencedor da eleição na Noruega, agora tenta forma uma coalizão de governo
"Muita gente se antecipou e declarou a centro-esquerda como morta, e isso não aconteceu, exceto em países como França e Itália, onde ela realmente faliu", diz Alencastro. "Mas ela segue na Escandinávia, na Península Ibérica (Portugal e Espanha) e, agora, na Alemanha."
Para ele, muitos partidos novos, de populismo de esquerda e direita, viveram um momento de ascensão na Europa, mas não conseguiram se consolidar como gestores da máquina pública.
Em entrevista recente à agência France Presse, a pesquisadora Elisabeth Ivarsflaten, da Universidade de Bergen, na Noruega, apontou que o Partido Trabalhista norueguês parece ter se beneficiado de um anseio por um Estado mais forte e por menos desigualdades, sentimento impulsionado pela pandemia de covid-19.
Para Alencastro, o que a crise provocada pela pandemia faz, essencialmente, é "reforçar partidos muito vinculados à capacidade de administração do Estado".
"A experiência volta a ser uma característica valorizada", afirma ele.
Ascensão e queda da centro-esquerda europeia
A social-democracia costuma estar associada a um Estado maior e mais forte, seja com programas de bem-estar social (pagamento de benefícios ou fortalecimento de educação e saúde públicas, por exemplo), seja com uma ação regulatória mais presente.
Partidos social-democratas tiveram forte presença na Europa ao longo do século 20, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, mas perderam ímpeto - e eleitorado - nos últimos anos.
"Em seu auge, partidos ou coalizões com líderes (social-democratas) governavam 12 dos então 15 países da União Europeia" no final dos anos 1990, explicam os pesquisadores James F Dowes e Edward Chan em um artigo de 2018 publicado pela London School of Economics em seu blog.
"No entanto, em 2006, o número de governos liderados pela esquerda nesses países caiu para menos de cinco."
Os autores atribuem essa "erosão", no final dos anos 1990 ao início dos anos 2000, a um viés mais centrista da social-democracia nesse período e a uma "escassez de ideias" para lidar com os problemas da população, o que lhes teria feito perder sua base mais tradicional de eleitores, formada por trabalhadores.
Depois, veio a crise financeira de 2008, que fez os países europeus adotarem políticas fiscais cada vez mais rígidas - e fazendo minguar alguns programas de bem-estar estatais.
"Os social-democratas parecem ter sofrido as maiores consequências da crise econômica, com muitos deles perdendo eleitoralmente", prosseguem os autores.
Outro fator-chave, segundo eles, é a crise migratória que varreu a Europa (e que ainda está em curso) e "levou a um colapso sistemático de diversos partidos social-democratas europeus".
Crédito,
PA Media
Crise de 2008 fez governos europeus adotarem políticas fiscais mais rígidas e distantes do bem-estar social
Eleitores descontentes e temerosos dessa onda migratória se voltaram, em parte, para partidos populistas, de esquerda ou, sobretudo, de direita.
"O declínio eleitoral da social-democracia no século 21 demonstra como eles perderam a compreensão da situação socioeconômica moderna, com eleitores buscando partidos mais radicais", escreveram os pesquisadores em 2018.
O que, então, mudou agora?
Adaptação aos novos tempos
Para voltar ao poder, a centro-esquerda precisou, de algum modo, se adaptar às pressões atuais e da direita, apontam analistas.
Na Dinamarca, por exemplo, o governo social-democrata manteve políticas antimigratórias rígidas caras ao eleitorado direitista, explicou à France Presse a acadêmica Elisabeth Ivarsflaten.
Na Alemanha, "o fato de Olaf Scholz ter a disciplina fiscal como promessa de campanha mostra a universalização de agendas típicas da direita", complementa Alencastro à BBC News Brasil.
"(A centro-esquerda) teve que abraçar bandeiras nacionalistas incompatíveis com seus valores universais."
Além disso, até agora, essas novas forças social-democratas não necessariamente vão contar com apoio popular excepcionalmente alto - pelo contrário, em um cenário de alta fragmentação partidária, seguem dependendo de coalizões para governar.
"Os social-democratas costumavam ser muito mais fortes, mas agora há uma fragmentação, e não há mais grandes partidos", disse ao jornal britânico Financial Times o ex-premiê sueco Carl Bildt, político alinhado à centro direita, ao comentar a vitória da centro-esquerda na Noruega.
E a fragmentação, agregou Buildt, "torna a governança uma tarefa mais difícil".
Por fim, a centro-esquerda que volta a emergir agora não passou por um processo de renovação geracional - não há grandes nomes novos em ascensão, por exemplo - nem por significativas modernizações de seus projetos de governo, explica Mathias Alencastro.
Crédito,
EPA
Um governo de centro-esquerda alemão potencialmente daria mais atenção à América Latina e ainda mais ênfase ao controle das mudanças climáticas, diz analista
Sendo assim, uma leitura possível é de que estão voltando ao poder menos por seus próprios méritos, e mais por uma desilusão do eleitorado com as demais alternativas.
"É uma demonstração de fraqueza do projeto populista", opina o cientista político brasileiro.
O que muda para o Brasil e a América Latina
Dito isso, Alencastro vê implicações importantes para o Brasil e a América Latina, sobretudo com a possível troca de partidos no comando da Alemanha.
"Do ponto fiscal ou gerencial, um governo de Olaf Scholz muda pouco" em relação ao governo Merkel, ele avalia.
"Mas os social-democratas devem ter uma orientação mais universalista do que Merkel", que manteve-se distante da América Latina em favor dos laços alemães fortes com a Europa e a Ásia.
"Talvez Scholz olhe a América Latina e o Brasil com mais interesse, porque (seu partido) SPD tem grande tradição de integração com a centro-esquerda daqui."
Alencastro também antevê, em um eventual governo Scholz, ainda mais ênfase nas mudanças climáticas como um pilar da diplomacia alemã - o que aumentaria ainda mais a pressão europeia sobre o avanço do desmatamento brasileiro registrado sob o governo de Jair Bolsonaro.
Isso pode ser reforçado com o Partido Verde alemão, atualmente em terceiro lugar nas pesquisas de opinião e que pode acabar compondo uma futura coalizão do governo no país.
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Com política de preços insana, diesel sobe 9% e supera alta de 50% no ano
O ajuste vem após o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, convocar uma rara coletiva de imprensa virtual na véspera, quando voltou a defender a composição dos preços

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras elevará o preço do diesel nas refinarias em quase 9% a partir de quarta-feira, após 85 dias de estabilidade, informou a companhia em nota, frisando que o movimento é importante para garantir o abastecimento do combustível no país.
Com o ajuste, o valor médio do diesel vendido pela companhia a distribuidoras passará de 2,81 reais para 3,06 reais por litro, refletindo reajuste médio de 0,25 real por litro. Já a gasolina foi mantida estável.
Com o movimento, os preços médios de diesel e gasolina da Petrobras acumulam alta de mais de 50% neste ano.
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O ajuste vem após o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, convocar uma rara coletiva de imprensa virtual na véspera, quando voltou a explicar a composição dos preços dos combustíveis no país. No evento, um executivo da estatal disse que a empresa avaliava a realização de um reajuste.
O Brasil não consegue produzir todo o combustível que consome, dependendo então de volumes de importação para atender ao mercado.
"Esse ajuste é importante para garantir que o mercado siga sendo suprido em bases econômicas e sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros produtores, além da Petrobras", disse a empresa.
"Reflete parte da elevação nos patamares internacionais de preços de petróleo e da taxa de câmbio."
O petróleo Brent, referência global para o mercado, subiu cerca de 52% no acumulado do ano.
PRESSÕES
A estatal e o governo têm reiterado que a Petrobras possui liberdade para ajustar preços, conforme estratégias de mercado, mas ambos vêm sofrendo forte pressão por segmentos da sociedade que questionam os fortes avanços, que ocorrem como reflexo do mercado internacional.
Nesta terça-feira, o presidente da Câmara, Arthur Lira, publicou nas redes sociais que buscará alternativas para os preços de combustíveis.
"Amanhã, vamos colocar alternativas em discussão no Colégio de Líderes. O fato é que o Brasil não pode tolerar gasolina a quase 7 reais e o gás a 120 reais", disse Lira, que se referiu aos valores cobrados aos consumidores finais. Ele também tem cobrado explicações de Luna sobre o avanço dos valores nas refinarias.
O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, reiterou nesta terça-feira que o preço dos combustíveis é dado pelo mercado e que o governo vem trabalhando junto ao Congresso Nacional em medidas que possam reduzir impostos.
"Os combustíveis sobem de preço quando há escassez de petróleo (no mundo), e é isso que está ocorrendo... Os preços só vão cair quando tivermos mais produção (de petróleo), mais refinarias e mais investimentos. E é isso que estamos fazendo. Estamos fazendo pelos últimos 1.000 dias e continuaremos fazendo", afirmou.
O governo vem trabalhando para uma abertura do mercado de refino, que permita mais investimentos e competição, a partir de uma redução da presença da Petrobras, que colocou à venda todas as suas oito refinarias fora do Sudeste. Duas unidades já foram vendidas, e os acordos caminham para conclusão.
Albuquerque deu a declaração a jornalistas ao participar de evento para a assinatura de contrato para cessão do projeto Fosfato de Miriri, no Nordeste, onde também afirmou acreditar que o Brasil vai se tornar menos dependente da importação de fertilizantes.
Na véspera, a Reuters publicou que o presidente da Petrobras manteve contato recentemente com autoridades, incluindo Lira, que buscam alternativas para "amortecer" o preço dos combustíveis.
Uma das opções, segundo fontes, é o uso de um fundo com recursos do pré-sal para um programa de subsídios que aliviem reajustes aos consumidores, mas haveria necessidade de aprovação do Poder Legislativo.
DEFASAGEM
O repasse do aumento da Petrobras para as bombas, nos postos, depende de uma série de questões, como margens de distribuidoras e revendedoras, misturas de biodiesel, assim como tributos.
A defasagem do diesel da Petrobras ante o mercado internacional, no fechamento da véspera, estava em 15%, segundo cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
"O reajuste anunciado de 0,25 real/litro, quando a defasagem média está em 0,50 real/litro, mostra que ficar 85 dias sem ajuste não é a melhor prática. Mercados mais maduros fazem reajustes mais frequentes", afirmou à Reuters o presidente da Abicom, Sérgio Araújo.
Araújo ponderou, no entanto, que o anúncio da petroleira "sinaliza sua autonomia".
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EUA planejam intensificar colaboração com Europa para conter avanço tecnológico chinês
Anúncio foi feito por Gina Raimondo, secretária de Comércio dos EUA

Sputnik - De acordo com Gina Raimondo, secretária de Comércio dos EUA, Washington planeja intensificar a colaboração com seus parceiros europeus em matéria de controle de exportações, para contra-atacar o gigante asiático.
Os EUA precisam conseguir o apoio da União Europeia para contra-atacar a crescente influência militar e econômica da China, assegurou Gina Raimondo.
"Se realmente queremos retardar o ritmo de inovação da China, devemos trabalhar com a Europa [...] Os EUA são mais eficazes quando trabalham com seus parceiros", afirmou.
Segundo a secretária, Washington planeja intensificar a colaboração com a Europa em matéria de controle de exportações, com o objetivo, entre outros, de "privar a China de tecnologia avançada" para que o país asiático não possa alcançar os países ocidentais em setores importantes como o dos semicondutores.
"Não queremos que governos autocráticos como a China ditem as regras. Nós, junto com nossos parceiros, que se preocupam com a privacidade, liberdade, direitos individuais, proteção individual, devemos ditar as regras", ressaltou.
Nesta quarta-feira (29), a secretária de Comércio norte-americana participa, junto com o secretário de Estado Antony Blinken, na reunião inaugural do Conselho de Comércio e Tecnologia UE-EUA em Pittsburgh (EUA), onde abordará o crescente papel da China nos mercados mundiais.
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“Pacto da cloroquina” explica por que médicos bolsonaristas odeiam colegas cubanos - Cynara Menezes
Por Cynara Menezes

Por Cynara Menezes, no Socialista Morena – Médicos de Cuba fizeram um pacto secreto para promover um medicamento ineficaz contra o coronavírus e assim beneficiar o governo do país, gerando na população a falsa impressão de que a pandemia estava sob controle, às custas das mortes de centenas de milhares de pessoas. Isso te deixou indignado? Agora troque por “médicos do Brasil”, porque foi isso que aconteceu, segundo o depoimento à CPI do Genocídio da advogada Bruna Morato, que representa 12 profissionais da operadora de saúde Prevent Senior.
De acordo com Bruna, seus clientes foram constrangidos pela Prevent Senior a utilizarem nos pacientes o “kit Covid”, coquetel de remédios comprovadamente ineficazes para combater a doença, sob orientação do “gabinete paralelo” do governo. “Existia um conjunto de médicos assessorando o governo federal e esse conjunto de médicos estava totalmente alinhado com o ministério da Economia”, contou a advogada. “O que me explicaram foi que existe um interesse do ministério da Economia para que o país não pare. E se nós entrarmos nesse sistema de lockdown teremos um abalo econômico muito grande. Então existia um plano para que as pessoas pudessem sair às ruas sem medo.”
Os médicos envolvidos foram citados nominalmente por Bruna Morato: os bolsonaristas e negacionistas Anthony Wong (que teria morrido de Covid-19, mas a Prevent ocultou), Nise Yamaguchi e Paolo Zanotto, cada um deles com uma missão específica. A “estratégia” que eles desenvolveram era “dar esperança para as pessoas irem às ruas, e essa esperança tinha um nome: hidroxicloroquina”, disse a advogada. “A Prevent Senior iria entrar para colaborar com essas pessoas, é como se fosse uma troca, o qual nós chamamos na denúncia de ‘pacto’, porque assim me foi dito. Alguns médicos descreveram como ‘aliança’, outros médicos descreveram como ‘pacto’.”
Bruna disse ainda que os médicos que se negavam a ministrar o “kit Covid” eram repreendidos publicamente, demitidos ou tinham seus plantões reduzidos. E os pacientes foram induzidos a assinar um termo que não era de consentimento quando recebiam os medicamentos, sem serem informados dos estudos desautorizando peremptoriamente o uso da hidroxicloroquina, da ivermectina e de outros remédios do “kit” para tratar a doença.
Traduzindo: por questões ideológicas e econômicas, médicos orientaram outros a utilizarem remédios que não funcionam em pacientes com Covid-19. Uau. Está explicado o ódio dos bolsonaristas pelos médicos cubanos. Elogiados pelo secretário-geral da ONU por seu trabalho humanitário, não há notícia de que os médicos cubanos tenham se curvado a um governo, rasgando o juramento de Hipócrates e deixando de salvar vidas, missão primordial da profissão.
O ódio dos médicos de extrema direita aos colegas cubanos começou em 2013, quando a presidenta Dilma Rousseff lançou o programa Mais Médicos e importou profissionais da ilha para atuar nos lugares onde os brasileiros se recusavam a trabalhar (e depois que eles foram embora continuam a recusar, sobretudo nos distritos indígenas). Uma das cenas emblemáticas do período aconteceu em Fortaleza, na chegada do primeiro grupo de cubanos ao Brasil, quando médicos foram ao aeroporto hostilizar os colegas, com vaias e gritos de “volta pra senzala”.
Não por acaso, entre eles estava a médica Mayra Pinheiro, a “capitã cloroquina”, secretária de Gestão do Trabalho do ministério da Saúde de Jair Bolsonaro.
Antes de assumir o cargo, Bolsonaro ofendeu tanto os médicos cubanos, duvidando inclusive de sua formação, que o governo da ilha decidiu, em novembro de 2018, chamar de volta os 8300 profissionais. O CFM (Conselho Federal de Medicina), bolsonarista de primeira hora e que tem apoiado todas as decisões absurdas do governo em relação à Covid-19, também combateu ferozmente o programa, uma das razões do ódio de classe ao PT que culminou no golpe contra Dilma, ao lado da PEC que garantiu direitos trabalhistas às empregadas domésticas. E sobre o “pacto da cloroquina”, o que dirá o CFM?
Se dedicar a salvar vidas deve mesmo gerar muito ódio em médicos que só pensam em ideologia, grana e poder. Ser um profissional de saúde comprometido com o bem estar e a vida das pessoas deve mesmo gerar muito ódio. Médico fazendo pacto para dar remédio que não funciona a paciente? Sem dúvida os cubanos jamais seriam cúmplices de atitudes criminosas assim.
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Crise de energia na China já afeta produção de Apple, Tesla e Toyota

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PEQUIM E XANGAI — A China, segunda maior economia do mundo, está mergulhada em uma forte crise de energia que, além de ameaçar o crescimento do país, já prejudica ainda mais as cadeias de suprimentos globais. A maior montadora do mundo, a Toyota, e fornecedores de gigantes como Apple e Tesla já vêm reduzindo produção devido ao menor suprimento de eletricidade.
Pelo menos 20 províncias e regiões chinesas que representam mais de 66% do Produto Interno Bruto (PIB) do país adotaram alguma forma de racionamento de energia. Algumas empresas já operam à luz de velas e shopping centers estão fechando mais cedo.
Duas razões estão por trás da crise: a escassez de carvão, uma das principais fontes de energia do país, empurrou os preços dos insumos para níveis históricos, e, consequentemente, gerou restrições de uso. Só neste ano, os preços do carvão subiram 96% na China.
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Além disso, o governo chinês tem levado a sério suas metas de redução de emissões de carbono. Pequim se prepara para sediar as Olimpíadas de Inverno, em fevereiro do ano que vem, e as autoridades querem assegurar um céu limpo aos olhos dos estrangeiros.
Isso tem levado o próprio governo a reduzir o fornecimento de energia em algumas regiões, levando a paralisações generalizadas que interrompem as atividades das fábricas e deixam muitas casas sem energia no Nordeste do país.
Vários fornecedores da Apple e da Tesla suspenderam a produção em algumas fábricas chinesas por vários dias para cumprir as políticas de consumo de energia mais rígidas, colocando as cadeias de suprimentos em risco na alta temporada de produtos eletrônicos.
Produção em ritmo lento
A Unimicron Technology Corp, de Taiwan, que fornece componentes para a Apple, informou que três de suas subsidiárias na China interromperam a produção do meio-dia de domingo, dia 26, até a meia-noite de quinta-feira, dia 30, para "cumprir a política de limitação de eletricidade dos governos locais".
A Eson Precision, uma afiliada da Taiwan Hon Hai Precision Industry, disse em um comunicado que suspendeu a produção de domingo até sexta-feira nas instalações na cidade chinesa de Kunshan.
A Concraft Holding, fornecedora de componentes de alto-falantes para o iPhone da Apple e que possui fábricas na cidade de Suzhou, por sua vez, decidiu suspender a produção por cinco dias.
Duas fontes disseram à agência Reuters que as instalações da Foxconn, em Kunshan, tiveram um impacto "muito pequeno" na produção. Segundo esses relatos, a Foxconn, grande fornecedora de componentes para a Apple, teve que "ajustar" uma pequena parte de sua capacidade nesta unidade, que inclui a fabricação de notebooks de outras empresas, mas não da fabricante do iPhone.
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Outra empresa que vem sofrendo as consequências da crise energética é a Toyota. Sem dar maiores detalhes, a porta-voz da montadora, Shiori Hashimoto, confirmou por e-mail que as operações na China estão sendo afetadas pela falta de energia do país e acrescentou que a empresa não está fornecendo uma perspectiva futura neste momento, pois a situação "ainda está mudando".
A montadora número um do mundo tem capacidade de produção de automóveis em grande escala na China, incluindo joint-ventures com fábricas locais e distribuidores, de acordo com seu site. Suas fábricas estão centralizadas em Tianjin e Xangai. A Toyota produz mais de um milhão de veículos por ano no país.
Efeitos também na Europa
Além da oferta restrita, a crise de energia não afeta apenas a China, mas também a Europa, em uma espécie de competição, o que também empurrou os preços do gás para níveis recordes nas últimas semanas.
A combinação dos crescentes preços do carvão e as metas do governo central para reduzir as emissões de carbono, aumentaram a demanda chinesa por embarques de gás natural liquefeito como uma opção mais limpa à energia a carvão.
Líderes de países da União Europeia discutirão o aumento dos preços da energia quando se reunirem no mês que vem, enquanto os governos lutam para proteger as famílias do aumento do custo do gás e da energia.
Os preços de referência do gás na Europa dispararam mais de 300% este ano devido a fatores como baixos níveis de armazenamento, interrupções e alta demanda, à medida que as economias se recuperam da pandemia de Covid-19, puxando para cima os custos de eletricidade no atacado.
Os países da UE são responsáveis pelas suas políticas energéticas nacionais e alguns governos já intervieram. A França ofereceu um pagamento único às famílias mais pobres, enquanto a Grécia está planejando subsídios para ajudar as famílias a arcar com contas mais altas.
Alguns pediram uma resposta mais coordenada da UE - com a Espanha buscando reformas no mercado de eletricidade do bloco e alertando que as altas contas de energia podem prejudicar o apoio público às políticas de combate às mudanças climáticas.
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Memórias de uma Copacabana que nunca vai se apagar

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Fui descendo a Santa Clara. Entre a Barata Ribeiro e a Nossa Senhora, lembrei da Dom Pixote, uma loja de brinquedos que ficava por ali e onde a estrela era o Autorama. O Autorama! Não consigo fazer o meu filho entender a graça do Atari, imaginem descrever o fascínio profundo que provocava uma pista de plástico em que os únicos controles eram aceleradores tronchos? Difícil explicar para quem é digital a emoção do analógico. Toda vez que compro um celular novo ou algum desses gadgets revolucionários acho que vou ter aquela mesma alegria de abrir a caixa do Autorama na manhã de Natal, mas nunca chega nem perto. O mundo ficou pequeno.
Peguei a direita na Avenida Copacabana: ali não era o Zero? Será que tinha mesmo aquele sorvete gigante na porta ou isso é coisa da minha imaginação? Perto do Cirandinha, onde tinha aquele ice cream soda que eu adorava. Nunca mais. Na esquina, a Barbosa Freitas, em frente, a Ducal. Perto, a Pituca. “Você precisa de calças novas, vamos na Pituca”, dizia minha mãe. Quanto tempo isso? Quantas décadas? Dei meia-volta. Passei onde era a Casa Mattos, que vendia material para a escola. Onde foram parar as resmas de papel almaço? E os mimeógrafos? Aqueles anos todos no Ibeu. The book is on the table. “Saber inglês é importante, você vai precisar.” O Cine Joia, a Polar, na saída da galeria Menescal, para comprar Kichutes e Bambas. “Você já é um rapazinho, precisa de sapatos”, avisou o vendedor.
Dobrei na Figueiredo Magalhães. Entre a Edmundo e a Silva Castro tinha um fliperama. As fichas custavam três cruzeiros. Ou seriam cinco? A grande arte era pegar uma ficha de telefone e ficar martelando e esmerilhando até virar uma ficha da Taito, para ser usada no Cavaleiro Negro ou no Asteroids. Não podia sacudir muito as máquinas, dava tilt e o jogo acabava. Uma lição de vida. Não tem mais tilt em máquinas, só nas pessoas. Perto era a Modern Sound, na galeria do Bruni Copacabana. Também tinha a Billboard. Onde guardei aqueles discos todos?
Mais pra cima da Figueiredo, o Merci. Ou será que eram as Casas da Banha? As sacolas, lembro que eram de papelão, deixavam as compras todas no chão quando chovia. Tínhamos que apressar o passo ao primeiro pingo. Passei pelo Shopping dos Antiquários, onde a grande diversão era correr para cima e para baixo pelas rampas curvas. Quando foi a última vez que corri sem propósito? Dobrando à esquerda, o Bairro Peixoto.
Foi nesta praça que aprendi a andar de bicicleta. Um dia fiquei maiorzinho e as rodinhas que me apoiavam começaram a entortar. “Chegou a hora de você aprender a andar sem ajuda”, avisou a minha mãe. Não é difícil, basta confiar, explicou. Ela foi me empurrando, segurando a bicicleta pelo banco e eu tentando me equilibrar em duas rodas. Fui. Quando gritei que podia soltar, ela já estava longe. Segui em frente. Para outros bairros, para o mundo, que era muito grande.
Ando com a cabeça dando voltas no ar, então vim dar uma volta pelas ruas da infância, colocar as coisas no devido lugar. O mundo mudou, ficou diferente, mas ao pisar nestas pedras portuguesas sinto que os pés continuam firmes, calçados nas memórias de uma Copacabana que nunca vai se apagar.
________________________________________////////////Caem vetos, MPs e decretos: Congresso e STF esvaziam caneta Bic de Bolsonaro | Vera Magalhães - O Globo

O strike que o Congresso promoveu numa leva de vetos do presidente Jair Bolsonaro foi uma derrota com alguns aspectos importantes a serem analisados. No plano geral, a rejeição de 11 "canetadas" do presidente se soma à derrubada cada vez mais frequente de decretos de Bolsonaro e à devolução recente de uma Medida Provisória por parte do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para mostrar o seguinte quadro: o Legislativo não vai empreender esforços para remover o presidente pelo impeachment, mas se junta ao Supremo Tribunal Federal para lhe esvaziar a tão adorada caneta Bic.
Bolsonaro começou o governo disposto a prescindir do Congresso e governar muito por decretos. Seu filho Flávio anunciou a estratégia abertamente, todo orgulhoso e pimpão, numa entrevista à Globonews ainda antes da posse. Pretendia -- e tentou -- usar essa tática para flexibilizar a legislação de armas. Ricardo Salles entendeu a ideia e a estendeu à área ambiental, com a tática da "boiada".
O Congresso num primeiro momento e o STF nessa leva mais recente trataram de tolher o "libera geral" armamentista, e outros decretos estão em análise ou sustados por liminares e podem ser derrubados quando da apreciação do mérito.
A análise de vetos do presidente da República costuma ficar para as calendas gregas. E quando essas decisões são analisadas, se o presidente dispõe de ampla base parlamentar, muitas vezes são mantidas em blocos.
A votação desta segunda-feira foi diferente em muitos aspectos. A começar da data: Rodrigo Pacheco escolheu o finzinho de setembro num acordo com o PCdoB, pela necessidade de votar o veto à federação de partidos, pleito antigo dos comunistas, um ano antes da eleição.
E também acordou com eles que, se Bolsonaro se recusar a promulgar no prazo, ele o fará.
O PCdoB costurou direitinho a derrubada do veto. Angariou inclusive o apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), que empenhou o apoio do PP. Conseguiu também o PL da ministra Flávia Arruda. No Senado, Ciro Nogueira tentou trabalhar para manter o veto de Bolsonaro, mas sofreu derrota. Até o PSD de Gilberto Kassab, contrário à tese da federação partidária, votou majoritariamente com o PCdoB: 7 a 4 entre os senadores.
Conclusão de deputados e senadores, governistas e oposicionistas que consultei nesta manhã para analisar a derrota: Bolsonaro carreia para si derrotas absolutamente desnecessárias. Só pelo valor simbólico de exterminar o PCdoB, os tão mistificados "comunistas", vetou algo que não interessa à sua base, que lhe virou as costas e sapecou no governo um passa-fora.
Bolsonaro ainda teve o dissabor de ver o Congresso lhe passar lições de bom senso ou de preocupação social, ao derrubar vetos como o que exigia prova de vida para beneficiários do INSS e o que retomava as ordens de despejo, ambos durante a pandemia.
Nesses casos e o de vetos de interesses setoriais ou paroquiais, a debandada dos partidos do chamado Centrão é outro recado eloquente para o governo. O PP de Ciro Nogueira e o PL de Flávia Arruda demonstraram não estar nem aí para o Palácio. Reflexo de uma ideia consolidada no Congresso: a de que Bolsonaro sai vetando projetos "da cabeça dele", sem ouvir seus ministros políticos. Em outras palavras: ele passou a comprar deputados e senadores à base das tais emendas do relator, mas segue desprezando a necessidade de articulação política.
O problema, para ele, é que o Congresso gosta desse jogo: como a chave do cofre das emendas já está mesmo com Lira, e se Bolsonaro desagradá-lo ele pode abrir a gaveta dos pedidos de impeachment, a tal "base" vai cuidando dos seus projetos e tratando de tirar tinta da caneta de Bolsonaro, que vai ficando, assim, ainda mais manietado.
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Luiza Trajano confirma Vargas: burguesia brasileira é burra - César Fonseca
Por César Fonseca 27 de setembro de 2021, 14:54

Como se explica o apoio de 47% da burguesia nacional, segundo o Datafolha, ao bolsonarismo que destruiu o poder de compra dos salários e coloca a própria burguesia em bancarrota por falta de consumidores para os seus produtos, levando a economia ao desemprego em massa, à concentração da renda, à desigualdade social, à fuga de capital e à estaginflação?
O desabafo da empresária Luíza Trajano, cotada para ser vice na chapa de Lula, de que a fome e o desemprego inviabilizam desenvolvimento, sinaliza crítica ao próprio empresariado que trabalha contra seus próprios interesses ao apoiar reformas neoliberais que inviabilizam fortalecimento do mercado interno, marca registrada das eras Vargas e Lula, graças à melhor distribuição da renda nacional; essencialmente, Trajano coloca na ordem do dia a crítica de Getúlio à burguesia contra o nacionalismo como fator essencial à construção da soberania nacional.
Getúlio Vargas, em Minha Alegria de Viver, do jornalista Samuel Wainer, chama a burguesia brasileira de burra por não perceber, segundo ele, que estava criando as condições para ela investir e expandir seus negócios com a criação de mercado consumidor, no Brasil, graças às legislações trabalhistas; era, na verdade, o que estava acontecendo nos países europeus e nos Estados Unidos, no pós guerra, como algo necessário à recuperação econômica global, bem como à estabilidade política, de modo a evitar o avanço do comunismo soviético, fantasma contra a propriedade privada capitalista.
SOCIAL EMBALA O ECONÔMICO
As legislações sociais se transformaram em fatores fundamentais para o desenvolvimento sustentável do mercado interno; criação do salário mínimo, sua valorização para melhor distribuir a renda, ao lado das empresas estatais como agentes desenvolvimentistas – caso da Petrobrás, Eletrobrás, indústrias metalúrgicas para transformação do minério de ferro – capaz de agregar valor ao produto industrial brasileiro – representavam exigências do desenvolvimento nacionalista impulsionado na Era Vargas, cujas consequências foram fortalecimento da própria burguesia.
Apesar disso, os burgueses comerciantes e industriais brasileiros não engoliam Getúlio, caindo na conversa antinacionalista dos Estados Unidos, contrários ao desenvolvimento varguista, que produziu recuperação econômica, principalmente, depois que realizou a auditoria da dívida nacional, diminuindo, consideravelmente, o peso dos bancos ingleses que mandavam a desmandavam na economia, até final da República Velha, detonada pela Revolução de 1930.
ETERNA OPÇÃO ERRADA
Como se sabe o jogo equivocado da burguesia nacional antigetulista, que acabaria matando Vargas, por recusar entregar a Petrobrás, impediria, historicamente, a formação de uma direita nacionalista no Brasil, a exemplo da que se desenvolveu na Alemanha, na França, na Itália, e, principalmente, nos Estados Unidos, a partir do final do século 19; sem visão geopolítica estratégia a burguesia tupiniquim não ganharia autonomia suficiente para construir capitalismo brasileiro suficientemente forte, porque desdenhou a conquista social getulista de dar poder de compra aos trabalhadores, algo essencial ao próprio poder nacionalista burguês.
Aliada dos americanos, em sua vertente entreguista, na linha da UDN e de ideólogos como Carlos Lacerda e Eugênio Gudin, a burguesia conservadora, antinacionalista, carecia de suficiente visão histórica, sintonizada com defesa da soberania nacional, submetida ao seu eterno algoz: o pensamento imperial colonialista; deu as costas aos verdadeiros ideólogos da burguesia nacional, como Roberto Simonsen, Lodi, defensores do nacionalismo pregado por Matarazzo, que apoiava Getúlio, sem se envolver demais na política interna, dada sua condição de italiano simpático a Mussolini, a quem considerava necessário para o avanço do nacionalismo na Itália etc.
ARREPENDIMENTO BURGUÊS
Em seu livro A Noite do Meu Bem, Rui Castro, descreve o equívoco e o arrependimento da burguesia nacional de participar da derrubada de Getúlio, substituído pelo General Dutra; eleito com apoio de Vargas, Dutra, no poder, jogou pela janela as políticas nacionalistas getulistas, levando os burgueses à crise de realização dos seus lucros; nas boates chics do Rio de Janeiro, os ricaços, descreve Castro, na história do samba-canção brasileiro, choravam, no embalo de Dolores Duran, o fato de que o general abriu as portas para importações de mercadorias que acabaram tomando mercado deles, levando-os à crise; ai que saudade de Gegê, lamentavam; foram levados de roldão à esfera econômica dos Estados Unidos, enquanto suas empresas entrariam em bancarrotas com o festival de importações que abalou a produção nacional.
A burguesia burra não reagiu à morte de Getúlio como prenuncio da morte da própria burguesia tupiniquim, tal como acontece, hoje, com o ataque à Era Vargas pelo bolsonarismo, antecedido, nesse sentido, pela Era FHC, submetida ao Consenso de Washington, responsável pela bancarrota político-eleitoral dos tucanos.
REPETETO DA BURRICE BURGUESA
O fenômeno do direitismo burguês burro tupiniquim se repete com Bolsonaro; em 2018, em vez de apoiar quem a promoveu, energicamente, isto é, o nacionalismo distribuidor de renda de Lula, que levou o PT a ganhar 4 eleições seguidas do PSDB, aliado do neoliberalismo de Washington, a burguesia, mal resolvida relativamente a Getúlio, cairia no conto neoliberal pela segunda vez; ajudou a dar o golpe de 2016 em Dilma e se aliou a Bolsonaro, da extrema direita, contra aquele – PT/Lula/Dilma – que favorecera seus interesses no período 2003-2016 – Era PT.
Como Getúlio, Lula valorizou salário mínimo, para assegurar mercado consumidor aos empresários, mas estes, mais uma vez, caíram na conversa imperialista de Washington de que o capitalismo brasileiro padece não de insuficiência de consumo, como diz Marx, para explicar as crises capitalistas, mas de produção de bens duráveis de luxo; o que se vê, agora, é justamente o que Marx determina: o bolsonarismo aprofundou, na pandemia, a crise de insuficiência de demanda global, que produz concentração de renda, instabilidade cambial, fuga de capital, inflação e desindustrialização, sob domínio da financeirização.
FOGO NO PRÓPRIO PATRIMÔNIO
A burguesia nacionalista, fortalecida nos tempos da ditadura militar por Delfim Netto, acabaria tocando fogo nas próprias vestes; destruiu seu próprio patrimônio, as conquistas de Getúlio que a promovia, a saber, valorização do poder de compra dos trabalhadores, igualmente, garantida por Lula, e as estatais, ponto de apoio fundamental para dinamizar indústrias do setor privado, como as empreiteiras, destruídas pela Operação Lavajato, articulada desde Washington; nesse sentido, Getúlio tem ou não razão quando disse a Samuel Wainer, que a burguesia brasileira era(é) burra, ao apoiar Bolsonaro, que a destrói?
Luíza confirma o veredito de Getúlio e defende o mesmo que Gegê e Lula: maior poder de compra dos salários para a economia voltar a crescer, ou melhor, para que as empresas, como as de Trajano, não entrem em bancarrota.
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Angela Merkel: o balanço de uma era na Alemanha, antes de dizer adeus

25/09/2021 15h06
Nenhum político terá marcado a política europeia nos últimos 16 anos como a chanceler alemã. Angela Merkel teve que lidar com muitas crises, às vezes com reações tardias. No entanto, a líder alemã nunca chegou a defender uma visão para o futuro da Europa, como seu homólogo e parceiro francês, Emmanuel Macron.
Com a chegada de Angela Merkel ao poder em 2005, uma mulher da Alemanha Oriental assumiu as rédeas do país, 15 anos após sua reunificação. Ao contrário de seus predecessores democratas-cristãos, Konrad Adenauer ou Helmut Kohl, seu "pai" na política, a nova chanceler, que cresceu na RDA comunista, não se estabeleceu politicamente imbuída de construções europeias.
Eleições na Alemanha expõem desejo de mudanças e de distância do Brasil
"No início de seu mandato, ela não entendia por que a França era tão importante para a Alemanha. Para ela, na RDA, o modelo era a Alemanha Ocidental e os Estados Unidos. Ela não gostava muito da ideia europeia ", analisa o biógrafo de Angela Merkel, o jornalista Ralph Bollmann.
Apesar de tudo, a "novata" no cenário europeu rapidamente obteve um primeiro sucesso no qual suas habilidades de negociação já brilhavam. Durante o seu primeiro Conselho Europeu, em dezembro de 2005, ela ajudou a resolver a - ainda espinhosa - questão do orçamento da UE (para o período entre 2007-2013).
"Uma enorme nuvem saiu da Europa", disse Angela Merkel após as negociações. Poucos meses após a rejeição pelos franceses e holandeses do projeto de Constituição Europeia, o fato da chanceler ajudar a cortar o nó górdio do orçamento do bloco permitiu que uma Europa ferida respirasse. "Nesse momento, ela não se concentrou apenas no parceiro francês, mas se aproximou de outros países, o que lhe permitiu chegar a um acordo sobre o orçamento da UE", disse Bollmann.
Crise e tragédia
É especialmente a partir de seu segundo mandato, que começa em 2009, que o peso de Merkel na Europa aumentará, durante a crise da zona do euro e a tragédia grega. A chanceler subestimou o alcance da crise financeira e suas implicações, e permaneceu relutante em apoiar os planos para a zona do euro.
Foi muito criticada, especialmente pela França, liderada na época por Nicolas Sarkozy, por esperar muito para chegar a uma decisão, e por permanecer inflexível. A ex-alemã oriental continuou profundamente apegada às regras do mercado e relutou em intervir. Na União Europeia e na zona do euro, ela defendeu uma política de reestruturação das economias em dificuldades, atraindo a ira dos Estados duramente atingidos no sul da Europa.
"Quando a crise do euro começou em 2010, a solidariedade entre os países membros não era uma prioridade para ela. Demorou muito para ela se tornar uma europeia convicta", diz o biógrafo Ralph Bollmann. Mas os parceiros da Alemanha, começando pela França, nem sempre entenderam as restrições da chanceler: "Muitos pró-europeus a criticaram por trair, por meio de seu apego à ortodoxia orçamentária, o legado de Helmut Kohl.
Ao mesmo tempo, as mesmas pessoas tiveram que reconhecer que a margem de manobra do Chanceler era limitada. Seu parceiro de coalizão, o Partido Liberal, alguns democratas-cristãos, o Tribunal Constitucional e o Bundesbank: todas forças que limitaram suas opções ", acrescenta Ralph Bollmann.
A pandemia, a última crise de Angela Merkel
A chanceler acabou aceitando os mecanismos de apoio da zona do euro, mas assistia, a cada nova votação no Bundestag, a sua maioria de governo diminuir. Quando a situação na Grécia ameaçou o bloco europeu, Merkel confrontou seu ministro das finanças, Wolfgang Schäuble, que implorou que Atenas deixasse a zona do euro para salvá-la. Para a chanceler, a coesão da Europa estava em jogo.
Assim que esta questão foi resolvida, no entanto, uma nova crise europeia se agigantava no horizonte com a chegada de várias centenas de milhares de refugiados, e a decisão de Angela Merkel, no início de setembro de 2015 de não fechar as fronteiras da Alemanha. Uma decisão não muito coordenada com seus parceiros, mas que ainda hoje garante grande popularidade da chanceler em todo o mundo.
Por outro lado, Merkel falhará em sua vontade de estabelecer quotas entre os países europeus para o acolhimento de refugiados. Uma reforma do direito de asilo desejada por Berlim, que não chega a ver a luz do dia.
A pandemia é a última crise que Angela Merkel teve que enfrentar. A chanceler operará uma revolução em seu país, com a iniciativa conjunta apresentada com Emmanuel Macron em maio de 2020 e que conduzirá ao plano de recuperação europeu, a chefe de governo alemã aceita a emissão de uma dívida comum europeia, um aceno para os democratas-cristãos.
Esta iniciativa foi um sucesso do eixo Paris-Berlim após a falta de resposta da Alemanha às propostas de Emmanuel Macron sobre a Europa. Surpreendentemente, as reações negativas no campo do chanceler são muito discretas.
Berlim entendeu que as principais consequências da crise econômica provocada pela pandemia eram prejudiciais aos interesses alemães, sendo os países em questão mercados importantes para este país exportador. "Este projeto pode ser seu testamento político para a Europa", diz Ralph Bollmann.
O plano de recuperação antecipa uma integração europeia, mesmo que as leituras sejam diferentes entre aqueles que o vêem como um salto qualitativo ao longo do tempo e outros como... Angela Merkel: "Este plano se refere explicitamente à pandemia, sua ação é direcionada e limitada no tempo", especificou o chanceler na tribuna do Bundestag, em junho de 2020.
"Ela não tinha ambições para a Europa"
Que conclusões podemos tirar da liderança de Angela Merkel na Europa? "Ela sempre tentou encontrar compromissos com os parceiros europeus para seguir em frente, mas foi muito devagar e perdeu o timing do continente. A virada no plano de recuperação foi um passo importante ", disse Daniela Schwarzer, diretora executiva da Open Society Foundation.
Franziska Brantner, especialista em questões europeias com os ecologistas, também saúda a gestão de crises por Angela Merkel, mas lamenta sua relutância: "Ela não tem visões, não tinha ambições pela Europa, ao contrário do chanceler Kohl ou do ex-ministro das Relações Exteriores Joschka Fischer. Ela reagia às crises para encontrar soluções, mas sem tentar seguir em frente. Manteve-se apegada, como na França, a uma visão intergovernamental da Europa, sem buscar o fortalecimento de suas instituições".
Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu e adversário dos sociais-democratas derrotado por Angela Merkel na disputa pela chancelaria em 2017, também faz uma avaliação negativa: "Ela nunca demonstrou ambição pela 'Europa. Isso também se aplica às relações franco-alemãs".
Apesar desse histórico ambíguo, Angela Merkel parece se beneficiar do apoio dos europeus. Uma pesquisa recente mostrou que se um presidente da União Europeia fosse eleito diretamente, a chanceler venceria claramente com 41% contra Emmanuel Macron com 14%.
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A esquerda pode estar renascendo na Europa? - BBC News Brasil
- Paula Adamo Idoeta
- Da BBC News Brasil em São Paulo

Com a era Merkel chegando ao fim na Alemanha, a centro-esquerda está na dianteira para ganhar as eleições deste domingo (26/9) na maior economia da Europa.
As pesquisas de opinião dão a liderança ao Partido Social-Democrata (SPD), com uma vantagem - bem pequena, é bom destacar - sobre a aliança conservadora do partido de Merkel (CDU) com o CSU, representada pela candidatura de Armin Laschet.
Uma vitória do SPD dificilmente traria rupturas: o partido é integrante minoritário da coalizão no poder atualmente, e seu candidato, Olaf Scholz, é ministro das Finanças de Merkel.
Assim, um governo Scholz seria, de muitas formas, um de continuidade - embora abraçando propostas como aumento de impostos aos mais ricos e com mudanças importantes para a América Latina e o Brasil que detalharemos mais adiante.
Por enquanto, porém, o que mais chama atenção é que, se a vitória for confirmada neste domingo, vai reforçar um aparente ressurgimento da social-democracia na Europa.
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Para além da Alemanha, a centro-esquerda voltou ao poder neste mês na Noruega, onde o Partido Trabalhista venceu os conservadores e agora está em negociações para tentar formar uma coalizão majoritária de governo.
Com essa troca de governo norueguesa, todos os países escandinavos - Noruega, Suécia, Dinamarca, Islândia e Finlândia - passarão a ficar sob governos social-democratas, algo que não acontecia desde o final dos anos 1950. Além disso, Portugal e Espanha também são governados por partidos de centro-esquerda.
Bastião da social-democracia na Europa, com suas enraizadas políticas de bem-estar social, a Escandinávia é um exemplo importante.
Isso porque essa região também foi a que esteve na vanguarda do avanço de partidos e de políticos populistas no continente europeu, alguns anos atrás - e agora faz um regresso à centro-esquerda, explica à BBC News Brasil o cientista político Mathias Alencastro, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e doutor pela Universidade de Oxford.
Crédito,
Reuters
Jonas Gahr Stoere, vencedor da eleição na Noruega, agora tenta forma uma coalizão de governo
"Muita gente se antecipou e declarou a centro-esquerda como morta, e isso não aconteceu, exceto em países como França e Itália, onde ela realmente faliu", diz Alencastro. "Mas ela segue na Escandinávia, na Península Ibérica (Portugal e Espanha) e, agora, na Alemanha."
Para ele, muitos partidos novos, de populismo de esquerda e direita, viveram um momento de ascensão na Europa, mas não conseguiram se consolidar como gestores da máquina pública.
Em entrevista recente à agência France Presse, a pesquisadora Elisabeth Ivarsflaten, da Universidade de Bergen, na Noruega, apontou que o Partido Trabalhista norueguês parece ter se beneficiado de um anseio por um Estado mais forte e por menos desigualdades, sentimento impulsionado pela pandemia de covid-19.
Para Alencastro, o que a crise provocada pela pandemia faz, essencialmente, é "reforçar partidos muito vinculados à capacidade de administração do Estado".
"A experiência volta a ser uma característica valorizada", afirma ele.
Ascensão e queda da centro-esquerda europeia
A social-democracia costuma estar associada a um Estado maior e mais forte, seja com programas de bem-estar social (pagamento de benefícios ou fortalecimento de educação e saúde públicas, por exemplo), seja com uma ação regulatória mais presente.
Partidos social-democratas tiveram forte presença na Europa ao longo do século 20, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, mas perderam ímpeto - e eleitorado - nos últimos anos.
"Em seu auge, partidos ou coalizões com líderes (social-democratas) governavam 12 dos então 15 países da União Europeia" no final dos anos 1990, explicam os pesquisadores James F Dowes e Edward Chan em um artigo de 2018 publicado pela London School of Economics em seu blog.
"No entanto, em 2006, o número de governos liderados pela esquerda nesses países caiu para menos de cinco."
Os autores atribuem essa "erosão", no final dos anos 1990 ao início dos anos 2000, a um viés mais centrista da social-democracia nesse período e a uma "escassez de ideias" para lidar com os problemas da população, o que lhes teria feito perder sua base mais tradicional de eleitores, formada por trabalhadores.
Depois, veio a crise financeira de 2008, que fez os países europeus adotarem políticas fiscais cada vez mais rígidas - e fazendo minguar alguns programas de bem-estar estatais.
"Os social-democratas parecem ter sofrido as maiores consequências da crise econômica, com muitos deles perdendo eleitoralmente", prosseguem os autores.
Outro fator-chave, segundo eles, é a crise migratória que varreu a Europa (e que ainda está em curso) e "levou a um colapso sistemático de diversos partidos social-democratas europeus".
Crédito,
PA Media
Crise de 2008 fez governos europeus adotarem políticas fiscais mais rígidas e distantes do bem-estar social
Eleitores descontentes e temerosos dessa onda migratória se voltaram, em parte, para partidos populistas, de esquerda ou, sobretudo, de direita.
"O declínio eleitoral da social-democracia no século 21 demonstra como eles perderam a compreensão da situação socioeconômica moderna, com eleitores buscando partidos mais radicais", escreveram os pesquisadores em 2018.
O que, então, mudou agora?
Adaptação aos novos tempos
Para voltar ao poder, a centro-esquerda precisou, de algum modo, se adaptar às pressões atuais e da direita, apontam analistas.
Na Dinamarca, por exemplo, o governo social-democrata manteve políticas antimigratórias rígidas caras ao eleitorado direitista, explicou à France Presse a acadêmica Elisabeth Ivarsflaten.
Na Alemanha, "o fato de Olaf Scholz ter a disciplina fiscal como promessa de campanha mostra a universalização de agendas típicas da direita", complementa Alencastro à BBC News Brasil.
"(A centro-esquerda) teve que abraçar bandeiras nacionalistas incompatíveis com seus valores universais."
Além disso, até agora, essas novas forças social-democratas não necessariamente vão contar com apoio popular excepcionalmente alto - pelo contrário, em um cenário de alta fragmentação partidária, seguem dependendo de coalizões para governar.
"Os social-democratas costumavam ser muito mais fortes, mas agora há uma fragmentação, e não há mais grandes partidos", disse ao jornal britânico Financial Times o ex-premiê sueco Carl Bildt, político alinhado à centro direita, ao comentar a vitória da centro-esquerda na Noruega.
E a fragmentação, agregou Buildt, "torna a governança uma tarefa mais difícil".
Por fim, a centro-esquerda que volta a emergir agora não passou por um processo de renovação geracional - não há grandes nomes novos em ascensão, por exemplo - nem por significativas modernizações de seus projetos de governo, explica Mathias Alencastro.
Crédito,
EPA
Um governo de centro-esquerda alemão potencialmente daria mais atenção à América Latina e ainda mais ênfase ao controle das mudanças climáticas, diz analista
Sendo assim, uma leitura possível é de que estão voltando ao poder menos por seus próprios méritos, e mais por uma desilusão do eleitorado com as demais alternativas.
"É uma demonstração de fraqueza do projeto populista", opina o cientista político brasileiro.
O que muda para o Brasil e a América Latina
Dito isso, Alencastro vê implicações importantes para o Brasil e a América Latina, sobretudo com a possível troca de partidos no comando da Alemanha.
"Do ponto fiscal ou gerencial, um governo de Olaf Scholz muda pouco" em relação ao governo Merkel, ele avalia.
"Mas os social-democratas devem ter uma orientação mais universalista do que Merkel", que manteve-se distante da América Latina em favor dos laços alemães fortes com a Europa e a Ásia.
"Talvez Scholz olhe a América Latina e o Brasil com mais interesse, porque (seu partido) SPD tem grande tradição de integração com a centro-esquerda daqui."
Alencastro também antevê, em um eventual governo Scholz, ainda mais ênfase nas mudanças climáticas como um pilar da diplomacia alemã - o que aumentaria ainda mais a pressão europeia sobre o avanço do desmatamento brasileiro registrado sob o governo de Jair Bolsonaro.
Isso pode ser reforçado com o Partido Verde alemão, atualmente em terceiro lugar nas pesquisas de opinião e que pode acabar compondo uma futura coalizão do governo no país.
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Como ondas de frio e calor matam homens e mulheres de formas diferentes no Brasil - BBC News Brasil
Situação climática vai piorar ainda mais no Brasil
E o que esperar daqui em diante
- Cristiane Martins
- De Londres para a BBC News Brasil

Com o aumento de ondas de frio e calor extremos, o impacto das mudanças climáticas na morte de pessoas tem ficado cada vez mais evidente ao redor do mundo.
Pesquisadores calculam mais de 5 milhões de óbitos por ano, principalmente de pessoas com mais de 65 anos.
No Brasil, um estudo pioneiro feito por duas pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e um pesquisador da Universidade de Coimbra (Portugal), que ainda não foi revisado por outros cientistas, analisou dados de mortalidade na capital paulista ao longo de uma década e descobriu como temperaturas extremas matam homens e mulheres de formas e períodos diferentes. Idosos são mais vulneráveis às ondas de calor do que as idosas, por exemplo.
A cidade de São Paulo costuma ter temperaturas médias que variam entre 17ºC e 23ºC, mas os episódios de ondas de frio e calor têm sido mais frequentes e às vezes mais longos.
Uma análise de dados globais da BBC apontou que os números de dias de calor extremo dobraram ao redor do mundo desde a década de 1980. Por cerca de 14 dias por ano, entre 1980 e 2009, as temperaturas passaram dos 50ºC. Entre 2010 e 2019, esse número subiu para 26 dias.
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Esse aumento é totalmente causado pela queima de combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel, afirma Friederike Otto, diretor do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Em junho deste ano, estima-se que quase 500 pessoas morreram, principalmente idosos que viviam sozinhos, durante uma onda de calor extremo no Canadá. As temperaturas chegaram a 49,6ºC.
Neste ano, São Paulo bateu recordes de temperaturas baixas, chegando a -3ºC em algumas partes. Especialistas explicam que a situação é ainda mais grave em países como o Brasil por fatores como vulnerabilidades socioeconômicas e escassez de habitações preparadas para conter o frio.
Mas por que o corpo humano, capaz de se adaptar aos climas mais diversos do planeta, pode morrer com calor ou frio extremo? Que tipo de doenças pré-existentes aumentam as chances de isso ocorrer e o que pode explicar impactos diferentes em homens e mulheres mais velhos?
E o que se deve esperar para o Brasil nos próximos anos, com o crescente aquecimento global?
"A gente fez um estudo e identificou que o clima já está mudando de alguma maneira em todas as regiões do Brasil. Sejam temperatura, chuvas... Esses eventos que observamos nas últimas décadas já são o sinal da mudança do clima", afirmou à BBC News Brasil Lincoln Muniz Alves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos autores do relatório mais recente do IPCC, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para o clima.
Mortes por temperaturas extremas em São Paulo
Temperatura é apenas um dos fatores que impacta a saúde
O estudo assinado por Sara Lopes de Moraes e Ligia Vizeu Barrozo, ambas da USP, e por Ricardo Almendra, da Universidade de Coimbra, se debruçou sobre dados municipais de mortalidade e indicadores de temperatura e umidade de 2006 a 2015 em São Paulo, cidade de verões quentes e úmidos e invernos secos.
Com os dados à mão, os pesquisadores separaram por sexo informações diárias sobre mortes por doenças cardiovasculares e respiratórias.
Segundo o estudo, 151 mil pessoas com mais de 65 anos morreram em São Paulo de 2006 a 2015 em decorrência de doenças cardiovasculares e 64.778, de doenças respiratórias. Entre elas, 56.885 óbitos foram registrados como doença isquêmica do coração e 38.084 por doença cerebrovascular, como acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico.
O objetivo era identificar, por exemplo, se havia alguma diferença significativa na quantidade e nas causas de mortes de alguma parcela específica dessa população durante ondas de calor ou de frio. Em especial os idosos, por serem mais vulneráveis às temperaturas extremas.
"As pessoas com mais de 65 anos de idade são mais vulneráveis, pois apresentam uma diminuição da capacidade termorreguladora se comparada com a dos adultos mais jovens. Além disso, é preciso considerar que as pessoas mais velhas na maioria das vezes apresentam doenças pré-existentes (hipertensão, diabetes, colesterol alto, entre outras), se desidratam com mais frequência, são socialmente mais isoladas, podem apresentar limitações financeiras que as impedem de viver em condições térmicas adequadas/que as impedem de serem atendidas nos serviços de saúde em tempo hábil e hábitos comportamentais (tabagismo, sedentarismo, sobrepeso ou obesidade) que podem contribuir para o aumento do risco de mortalidade nos eventos extremos, como as ondas de frio e as ondas de calor.", explica Moraes em entrevista à BBC News Brasil.
Para identificar quantas daquelas mortes eram associadas a esses fenômenos climáticos, o trio de pesquisadores também precisou definir o que seria considerado um evento climático extremo, já que não há um critério definitivo e único para todos os lugares do planeta.
E não se trata apenas da temperatura em si, mas também da duração da onda de frio ou calor, da diferença dos termômetros em relação à média, dos níveis de poluição, entre outras variáveis.
E quais foram as conclusões? Cada corpo responde de uma maneira a temperaturas extremas, mas foram identificados alguns padrões na população paulistana.
"Os homens são mais vulneráveis às doenças cerebrovasculares (AVC isquêmico principalmente) nas ondas de frio e de calor, ou seja, apresentam uma maior probabilidade de morrerem por AVC isquêmico quando as ondas de frio e de calor ocorrem. As mulheres, por sua vez, apresentam maior probabilidade de irem a óbito por doenças isquêmicas do coração (o infarto agudo do miocárdio é uma doença mais comum neste conjunto) na ocorrência de ondas de frio", conta Moraes.
A maior taxa de mortes em ondas de calor ocorre quando elas duram três ou mais dias, por exemplo. Há também nesses períodos de altas temperaturas um risco maior de morte por AVC isquêmico do que hemorrágico. Segundo o Ministério da Saúde, o AVC isquêmico é o tipo mais comum e ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Geralmente é causado por trombose ou embolia.
O AVC hemorrágico, por outro lado, ocorre quando há o rompimento de um vaso cerebral e é causado principalmente por pressão alta e ruptura de um aneurisma (dilatação de uma artéria).
Durante a pandemia de covid, por exemplo, estudos apontaram que o risco de ser internado por coronavírus caiu no Brasil durante ondas de calor, mas nesses mesmos períodos a mortalidade por doenças cardiovasculares e respiratórias aumentou. Segundo especialistas, isso se acentua em indivíduos vulneráveis porque pessoas com comorbidades são mais propensas a morrer antes de receber assistência médica adequada ou de ser internada durante ondas de calor.
Mas por que as mulheres e os homens são afetados de maneiras distintas durante essas ondas de temperatura extrema?
Segundo o trio de pesquisadores, as mulheres são mais afetadas que os homens sob temperaturas altas por causa de mudanças nos hormônios reprodutivos, da expectativa de vida mais alta e outros fatores psicológicos e de regulação da temperatura do corpo em situações de calor.
Por outro lado, "homens podem ter um risco maior de morrer por diversas causas durante exposição a temperaturas extremas porque eles têm mais doenças cardiovasculares e comportamentos menos saudáveis, além de serem menos propensos a fazer check-ups periódicos de saúde e de buscarem menos assistência médica que as mulheres em relação a condições de saúde pré-existentes", como diabetes e colesterol alto.
Para Marco Túlio Cintra, primeiro-vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diversas doenças se manifestam de modo diferente entre os sexos. Ele cita como exemplo o grupo das doenças reumáticas, com os homens tendo mais gota e as mulheres com mais casos de lúpus eritematoso sistêmico.
No caso dos impactos diferentes das ondas de frio e calor, Cintra afirma à BBC News Brasil que os cientistas ainda precisam se aprofundar nos estudos para entender de fato quais são os mecanismos fisiológicos ligados a esses maiores riscos, a essa maior susceptibilidade a temperaturas extremas. Para ele, as hipóteses passam por questões hormonais ou diferentes expectativas de vida entre os sexos, com mulheres vivendo mais em geral por diversos motivos, como menor exposição ao risco e maior cuidado com a própria saúde.
"Existem algumas situações que podem explicar isso, por exemplo, como as mulheres vivem mais do que os homens. Nós temos muitos idosos com idades mais avançadas, mais debilitadas. E que pode ser por isso que essas viúvas tenham uma debilidade clínica, física, maior e com isso, maior susceptibilidade a ter consequência em ondas de temperatura extrema. É uma possibilidade. Outra são as diferenças hormonais, ou até o mesmo perfil de envelhecimento de homens e mulheres, com diferenças na fisiologia do envelhecimento relacionadas à capacidade do organismo se adaptar a condições mais extremas de temperatura."
O estudo também identificou um maior risco de morte durante ondas de frio do que nas de calor. Há diversos fatores que podem explicar esse dado, como a falta de moradia adequada na cidade de São Paulo, onde pelo menos 2 milhões dos 12,3 milhões de habitantes vivem em favelas e lares de baixa qualidade.
Mas os pesquisadores apontam principalmente para a hipótese de aclimatização dos habitantes. Ou seja, "pessoas que vivem em condições ambientais mais quentes são mais adaptadas a eventos de calor extremo e mais vulneráveis a eventos de frio extremo".
Por que as pessoas morrem 'de calor' ou 'de frio'?
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Calor intenso provoca outros problemas, como a seca
A influência das temperaturas e das condições de vida na saúde das pessoas é percebida há mais de 2 mil anos. Mas foi apenas a partir do início do século 14, na Europa, que a prática de registro e análise de dados de saúde e mortalidade teve início. Desde então, tornou-se possível estudar com maior precisão o impacto dos períodos de calor ou frio extremo na vida das pessoas, e a mudança ao longo dos anos.
Problemas cardiovasculares e respiratórios são agravados por conta do calor e frio extremo, mas pessoas com males preexistentes como diabetes, obesidade, colesterol alto e tabagismo têm maior risco de mortalidade por temperaturas extremas. Outras variáveis, como poluição do ar e a circulação de patógenos como o vírus influenza, contribuem para o aumento de mortes relacionadas à temperatura.
Os primeiros registros a respeito da relação entre calor extremo e mortalidade são do começo do século 20. Na década de 1930 surgem os primeiros dados compilados sobre um risco de mortalidade maior entre pessoas com idade entre 40 a 80 anos.
Ao longo das décadas, o desenvolvimento socioeconômico ajudou a reduzir a vulnerabilidade humana às temperaturas extremas, graças a melhores condições de moradia, transporte, vestuário e alimentação. Mas até hoje há poucos estudos que investigam a fundo as causas específicas de mortalidade associadas a ondas de frio e calor extremo e quais pessoas são mais vulneráveis a essas situações.
Os seres humanos contam com um sistema de termorregulação que faz com que o calor do corpo se mantenha geralmente entre 36,5º C e 37,5º C.
Quando o calor no ambiente ultrapassa a taxa de dissipação de calor do corpo, esse sistema termorregulador passa por um processo denominado termólise, que é quando ele trabalha para perder calor por meio do suor ao mobilizar o sistema de resfriamento do corpo. Na direção contrária, o mesmo sistema termorregulador passa a se dedicar à termogênese, que é a manutenção de calor interno do organismo para lidar com o frio externo.
Há diversos mecanismos envolvidos. Por exemplo: para diminuir a temperatura do corpo, os vasos sanguíneos podem dilatar, o que aumenta a circulação do sangue e tende a baixar a pressão. Em temperaturas muito baixas, as artérias diminuem a passagem do sangue evitando assim a redução da temperatura corporal.
Um corpo saudável se autorregula ao longo do dia e não fica superaquecido. Mas o que acontece quando ele não consegue diminuir ou aumentar a temperatura? E o que ocorre quando a exposição ao calor vai além da capacidade de resfriamento do corpo?
O principal problema é a desidratação. Em geral, o corpo de uma pessoa adulta saudável pode perder cerca de 2 a 2,6 litros de água por dia — o suor, por exemplo, aparece como resposta fisiológica do hipotálamo (responsável pela regulação da temperatura corporal).
Homens costumam suar mais do que as mulheres, já que a testosterona é o fator que gera maior atividade das glândulas sudoríparas, responsáveis pelo suor. E parte dos idosos, já com a regulação do corpo debilitada, pode perder ainda mais água do que deveria, sem perceber ou repor a perda.
A menor quantidade de líquidos em circulação no corpo deixa o sangue mais denso e aumenta a probabilidade do surgimento de algum coágulo de sangue ou outro tipo de obstrução. O coração também passa a bater mais rápido, a ficar sobrecarregado porque tenta aumentar a pressão que caiu com o maior número de vasos dilatados ao mesmo tempo para regular a temperatura. Assim, o risco de algum problema grave no coração também aumenta. Sem falar de câimbras, tontura, desmaio.
Por outro lado, com o frio os vasos sanguíneos se contraem para manter o corpo aquecido e, por extensão, acaba aumentando a pressão arterial. Em uma onda de frio, essa mudança pode acabar levando a um AVC isquêmico (que tem a pressão alta como principal causa, como dito acima), por exemplo, ou a um agravamento da hipertensão ao longo dos invernos, com diversas outras consequências para o corpo.
"Tudo isso tem impacto direto na saúde humana. Do ponto de vista da fraqueza corporal, as ondas de calor que deixam as pessoas um pouco mais debilitadas, as reações psicomotoras também ficam alteradas, incluindo percepção de risco e concentração", afirma o climatologista Lincoln Alves, pesquisador do Inpe e do IPCC.
Os efeitos dessas temperaturas extremas podem ser percebidos tanto de forma instantânea quanto ao longo de décadas. A longo prazo, estudos apontam que os efeitos centrais das mudanças climáticas na saúde das pessoas abrangem problemas de pele, danos aos olhos por conta da exposição à radiação ultravioleta, maior incidência de doenças cardiovasculares e respiratórias, alterações no metabolismo, entre outros.
Situação climática vai piorar ainda mais no Brasil
Em agosto de 2021, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, o braço da ONU para tratar do clima) publicou um relatório no qual afirma que as emissões globais de dióxido de carbono, por exemplo, teriam de ser reduzidas cerca de 7% ao ano até 2050. A importância de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global a 1,5ºC.
O efeito estufa é um efeito natural do planeta Terra, composto por vários gases, que faz a regulação térmica que permite a vida no planeta. O problema atual é que o fenômeno tem se acentuado muito mais do que o normal. "Tem se observado, ao longo de milhares de anos, um aumento das concentrações desses gases associado às emissões antrópicas [resultado das ações humanas], relacionado à queima de combustíveis fósseis", afirma Alves, um dos autores do relatório.
O aumento da temperatura e o aumento da frequência de ondas de calor e frio extremos estão relacionados à emissão desses gases do efeito estufa.
O Acordo de Paris estabeleceu como nível crítico um aumento de 1,5ºC. A média global atual está entre 1,1ºC e 1,2ºC, mas ao observarmos regiões do Brasil, como o Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste, já é possível perceber aquecimento acima do patamar de 2ºC. "Essas temperaturas regionais, por vezes, são muito maiores do que a temperatura média global", explica o climatologista.
Segundo ele, as projeções indicam que o Brasil vai sofrer bastante com esses impactos: haverá uma maior frequência e intensidade desses eventos extremos. Alves ressalta também as vulnerabilidades socioeconômicas do país. Como o Brasil é um país tropical em desenvolvimento, quase não há moradias com infraestrutura adequada para lidar com o frio, como há em países do hemisfério Norte. Dessa forma, haverá mais sofrimento e riscos para idosos brasileiros que geralmente moram em lares sem calefação e para outros segmentos mais vulneráveis, como a população em situação de rua.
E o que esperar daqui em diante?
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Getty Images
Crise climática vai se agravar, dizem especialistas
Alves afirma que há um cenário otimista, em que o mundo como um todo passa a emitir menos gases do efeito estufa do que emite hoje, e um cenário pessimista, no qual os níveis de emissão continuam iguais ou piores.
"Mesmo num cenário otimista, em que os países se comprometem a ter uma redução drástica nas emissões, ainda assim se projeta um aumento dos eventos extremos porque existe também essa questão do tempo de vida desses gases na atmosfera. Não é instantâneo. Se todos os países pararem as emissões, não será como se a temperatura fosse baixar imediatamente ou nos anos seguintes. Será em torno de 20, 30 anos", explica o especialista.
Mas o que poderia ser feito para mitigar o impacto do aquecimento global na saúde humana além da redução da emissão excessiva de gases do efeito estufa, mudança que depende principalmente de governantes e grandes empresas? Afinal, levantamento do Climate Accountability Institute apontou que 20 companhias estão por trás de um terço das emissões de gases do efeito estufa, entre elas a estatal petrolífera brasileira Petrobras.
Para Moraes, da USP, há medidas em diversas áreas que podem ser adotadas. No segmento urbanístico, ela defende a expansão das áreas verdes (a fim de amenizar o acúmulo de calor em determinadas áreas urbanas) e estratégias de infraestrutura "que podem auxiliar no resfriamento das áreas urbanas que apresentam maior risco, como os telhados verdes, telhados e asfaltos brancos, áreas com sombras, centros de resfriamento que podem atender a população mais vulnerável durante os eventos extremos de calor".
A geógrafa afirma também ser importante melhorar a comunicação pública dos riscos das temperaturas extremas para as pessoas mais vulneráveis, como as pessoas com mais de 65 anos.
Alves, do Inpe, fala ainda em melhorar a segurança das pessoas que trabalham em setores como construção civil e agricultura, como intervalos de descanso e vestuário apropriado. Ele defende também melhorias na qualidade das habitações (principalmente nas ondas de frio) e a adoção de medidas às vésperas de fortes ondas de calor, por exemplo.
"Se a previsão apontar uma onda de calor na próxima semana, as casas de repouso têm que se preparar de formas específicas, identificar quais são os idosos que são mais sensíveis, garantir que o ambiente estará bem ventilado, para que essas pessoas não sejam tão impactadas."
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Criolipólise: o que é e quais são os riscos do procedimento que deixou supermodelo Linda Evangelista 'desfigurada' - BBC News Brasil

A canadense Linda Evangelista, uma das supermodelos mais famosas dos anos 90, anunciou nesta semana que nos últimos cinco anos se tornou uma "reclusa" devido a uma complicação durante um tratamento estético que a deixou, em suas palavras, "permanentemente desfigurada".
"Desenvolvi hiperplasia adiposa paradoxal ou HAP, um risco que não conhecia antes de me submeter aos procedimentos", disse ela na quarta-feira em uma postagem em sua conta pessoal no Instagram.
Na mesma rede social, Evangelista também revelou que vai processar a empresa que realizou o tratamento, um procedimento estético de emagrecimento chamado criolipólise que, segundo ela, "fez o contrário do que prometia" e que a deixou "irreconhecível".
Criolipólise
A hiperplasia adiposa paradoxal (também conhecida pela sigla HAP) é um problema que raramente pode ocorrer durante um tratamento de criolipólise, procedimento ao qual Evangelista foi submetida.
A criolipólise é um procedimento cosmético de emagrecimento, que faz parte do que é conhecido como tratamentos de contorno corporal.
Esse procedimento congela a gordura corporal (tecido adiposo) em locais de difícil remoção.
Para isso, temperaturas muito baixas são aplicadas na área a ser tratada, por um determinado período de tempo.
O objetivo é separar a gordura dos tecidos e eliminá-la, sem a necessidade de cirurgias.
Segundo os promotores desse tratamento, uma única sessão destrói entre 20% e 25% das células de gordura da área tratada, embora os resultados só são observados com o tempo.

Tratamento aprovado
A Food and Drug Administration (FDA), agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, considera-o um procedimento seguro, por isso o aprovou, primeiro para uso nos quadris, em 2008, e depois no abdômen, em 2011.
No entanto, um grupo muito pequeno de pessoas — especialmente homens — sofreu uma reação adversa após se submeter a esse tratamento.
Como aconteceu com Evangelista há cinco anos, essas pessoas desenvolvem hiperplasia adiposa paradoxal, que faz com que as células de gordura aumentem em vez de encolherem, formando uma área endurecida de gordura localizada.
Essa complicação rara pode surgir entre oito e 24 semanas após o procedimento e ocorre na área onde a criolipólise foi realizada.
Pesquisas
Ainda não se sabe por que algumas pessoas desenvolvem HAP após serem submetidas ao tratamento com criolipólise.
Estudo publicado em 2014 na revista científica JAMA Dermatology, da Associação Médica Americana (AMA, na sigla em inglês), revelou que as chances de isso acontecer são muito baixas: apenas 0,0051%.
A pesquisa também destacou que "nenhum fator de risco foi identificado", em particular entre aqueles que sofrem disso, embora "pareça ser mais comum em pacientes do sexo masculino submetidos à criolipólise".
"No momento, não há evidências de resolução espontânea", acrescentaram seus autores.
No entanto, um estudo posterior, publicado em 2018, concluiu que a HAP " pode ser mais comum do que se pensava".
Esse trabalho, publicado na revista "Plastic and Reconstructive Surgery" da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS, na sigla em inglês), estimou uma incidência maior, de 0,025%.

"Segundo dados do fabricante do equipamento de criolipólise, estima-se que a HAP ocorra em 1 a cada 4 mil ciclos de tratamento", explicou.
"As pessoas pensam que as intervenções não cirúrgicas são mais seguras, mas não é bem assim", diz o professor Ash Mosahebi, cirurgião plástico e membro da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Estéticos, à BBC.
De acordo com a Mosahebi, todos os procedimentos apresentam riscos.
O estudo publicado em 2018 afirmou que "a HAP pode ser tratada com sucesso com lipoaspiração."
No entanto, em sua mensagem, Evangelista disse que havia passado por "duas cirurgias dolorosas e corretivas que não funcionaram".
Efeitos físicos e psicológicos
Em sua postagem no Instagram, a ex-modelo de 56 anos revelou com absoluta honestidade o impacto que a hiperplasia adiposa paradoxal teve em sua vida.
Evangelista disse que ficou sem trabalhar, "enquanto as carreiras das minhas colegas prosperaram".

E revelou o dano psicológico que a deixou se sentindo "irreconhecível".
"A HAP não só destruiu meu sustento, mas me jogou em um ciclo de depressão e profunda tristeza, e acabou com minha auto-estima", confessou.
Algumas das supermodelos que se tornaram famosas ao lado dela nos anos 1990 responderam a sua postagem com mensagens de apoio.
"Linda, sua força e verdadeira essência são sempre reconhecíveis e icônicas! Bravo!", escreveu a americana Cindy Crawford.
"Você é amada", acrescentou Christy Turlington, também americana.
A mensagem mais longa foi dedicada a ela pela supermodelo dinamarquesa Helena Christensen, que a parabenizou pela "imensa coragem e força" ao falar abertamente sobre seu problema.
"Posso dizer honestamente que comecei a chorar lendo isso. Não só porque eu sabia em meu coração que você, de alguma forma, estava passando por algo profundamente pessoal e perturbador, mas também porque pensei em todas as cicatrizes que a vida deixa em todos os nós, sejam elas físicas ou emocionais e quanto tempo sofremos principalmente em silêncio e sozinhas."
"É tão importante e bonito quando alguém sai da sombra e é brutalmente honesto e real. Obrigada por ser bonita por dentro e por fora", escreveu Christensen.
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Cinco curiosidades sobre o país onde o ano tem 13 meses - BBC News Brasil
- Lucy Fleming
- BBC News

Etíopes estão comemorando o início de um novo ano com várias festividades, apesar das dificuldades causadas pela inflação, a guerra e a fome no país. Saiba mais sobre o calendário único da Etiópia e sua herança cultural.
1) O ano dura 13 meses
Além do ano ter um mês a mais, o calendário etíope está sete anos e oito meses atrás do calendário ocidental, portanto, no dia 12 deste mês teve início o ano de 2014.
Isso porque a Etiópia calcula o ano de nascimento de Jesus Cristo de maneira diferente. Quando a Igreja Católica retificou o seu cálculo no ano 500 d.C., a Igreja Ortodoxa Etíope não fez o mesmo.
Portanto, o Ano Novo para os etíopes cai no dia 11 de setembro ou 12 de setembro em anos bissextos (que tem um dia a mais no calendário).
Diferentemente, do calendário ocidental, em que há meses com 31 dias e outros com 30, além de fevereiro, que é mais curto, o calendário etíope é mais simples: há 12 meses com 30 dias, e um décimo terceiro mês — o último do ano — com cinco ou seis dias, dependendo se é ou não ano bissexto.
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O tempo também é contado de maneira diferente, com o dia dividido em turnos de 12 horas, começando às 6h, o que faz com que meio-dia e meia-noite caiam às 18h ou 6h, no horário etíope.
Portanto, se alguém combina de te encontrar em Addis Ababa (capital da Etiópia) às 10h para um café, não se surpreenda se ele aparecer às 16h.
2) É o único país africano que nunca foi colonizado
A Itália tentou invadir a Etiópia, ou Abissínia, como era conhecida, em 1895, quando nações europeias disputavam o continente africano entre si, mas sofreu uma derrota humilhante. A Itália conseguiu colonizar a vizinha Eritreia depois que uma empresa naval italiana comprou o porto de Assab, no Mar Vermelho. A confusão provocada com a morte em 1889 do imperador etíope Yohannes 4º permitiu que a Itália ocupasse as planícies do país ao longo da costa.

Mas alguns anos depois, quando a Itália tentou adentrar pelo território etíope, foi impedida na Batalha de Adwa. Quatro brigadas de tropas italianas foram derrotadas em questão de horas em 1º março de 1896 por forças etíopes comandadas pelo imperador Menelik 2º.
A Itália foi forçada a assinar um tratado reconhecendo a independência da Etiópia, embora, décadas depois, o líder fascista Benito Mussolini tenha violado o acordo, ocupando o país por cinco anos.
Um dos sucessores de Menelik, o imperador Haile Selassie, se aproveitou da vitória sobre a Itália e pressionou pela criação da Organização para a União Africana (OAU), agora chamada de União Africana, que tem sua sede na capital da Etiópia, Addis Ababa.
"Nossa liberdade não tem sentido até que todos os africanos sejam livres", disse Selassie no lançamento da OAU em 1963, num momento em que boa parte do continente ainda permanecia sob domínio de potências europeias.

Ele convidou aqueles que lideravam a luta contra o colonialismo para um treinamento, entre eles Nelson Mandela, que liderou a luta contra o Apartheid na África do Sul. Mandela recebeu um passaporte etíope, permitindo-lhe viajar pela África em 1962.
"Senti que visitaria minha própria gênese, desenterrando as raízes do que me tornou um africano", disse Mandela anos depois dessa viagem.
3) Rastafáris adoram o imperador Haile Selassie
Essa crença tem origem numa fala de 1920 atribuída ao influente ativista jamaicano pelos direitos dos negros Marcus Garvey, que está por trás do movimento Back to Africa (De Volta à África): "Olhe para a África, quando um rei negro será coroado, pois o dia da libertação está próximo."
Uma década depois, quando Ras Tafari (ou Chefe Tafari), de 38 anos, foi coroado na Etiópia como Haile Selassie 1º, muitos na Jamaica enxergaram isso como uma profecia se realizando. E assim nasceu o movimento Rastafári.

A lenda do cantor de reggae Bob Marley foi instrumental em espalhar a mensagem Rastafári. A música dele "Guerra" ("War", em inglês) menciona o discurso do imperador etíope na Assembleia-Geral das Nações Unidas em 1963, pedindo paz mundial: "Até que a filosofia que acredita que uma raça é superior e outra é inferior seja permanentemente desacreditada e abandonada... Até que esse dia chegue, o continente africano não conhecerá a paz."
O disco "Exodus", de Bob Marley, descrito pela revista americana Time como o álbum do século 20, reflete o desejo dos rastafáris de retornar à África, continente que milhões de pessoas foram forçadas a deixar durante o tráfico transatlântico de escravos.

Até hoje, uma pequena comunidade rastafári vive na cidade etíope de Shashamene, 225 km ao sul de Addis Abeba, em terras concedidas por Selassie aos negros do Ocidente que o apoiaram contra Mussolini.
Selassie, um cristão ortodoxo, pode não ter sido um seguidor da filosofia Rastafári. Ele destacava que não era imortal, mas os rastafáris ainda o reverenciam como o "Leão de Judá".
Esta é uma referência à suposta linhagem de Selassie, que rastafáris e muitos etíopes acreditam que pode ser rastreada até o rei Salomão bíblico.
4) É o lar da Arca da Aliança
Para muitos etíopes, o baú sagrado contendo as duas tábuas com os Dez Mandamentos que a bíblia diz que foram dados a Moisés por Deus não está desaparecido — o Indiana Jones de Hollywood só precisava ter ido à cidade de Aksum para encontrá-lo.
A Igreja Ortodoxa Etíope afirma que a arca está sob vigilância constante no terreno da Igreja Nossa Senhora Maria de Sião de Aksum. Ninguém tem permissão para ver a arca.
Diz a tradição que a igreja possui esta preciosa relíquia graças à Rainha de Sabá, cuja existência é contestada pelos historiadores, mas não por grande parte dos etíopes.
Eles acreditam que ela viajou de Aksum a Jerusalém para visitar o rei Salomão e descobrir mais sobre sua suposta sabedoria por volta de 950 a.C.
A história de sua jornada e sedução por Salomão são detalhadas no épico Kebra Nagast (Glória dos Reis), uma obra literária etíope escrita na língua Ge'ez no século 14.
A obra conta como Makeda, a Rainha de Sabá, deu à luz um filho: Menelik (que significa Filho dos Sábios). E como anos depois, ele viajou a Jerusalém para encontrar seu pai.
Salomão queria que ele ficasse e governasse após sua morte, mas concordou com o desejo do jovem de voltar para casa, mandando-o de volta com um contingente de israelitas. Um deles roubou a arca, substituindo a original por uma falsificação.
Quando Menelik descobriu, ele concordou em manter a arca, acreditando ser a vontade de Deus que ficasse na Etiópia. Até os dias de hoje, para os cristãos ortodoxos do país, a arca é sagrada e algo a que eles ainda estão dispostos a proteger com suas vidas.
Isso ficou evidente no ano passado, quando, durante o conflito que eclodiu na região norte da Etiópia, soldados da Eritreia supostamente tentaram saquear a Igreja Nossa Senhora de Sião após um massacre horrível.
Um funcionário público da cidade disse à BBC que jovens correram para o local para proteger a arca: "Todos os homens e mulheres lutaram contra eles. Eles atiraram e mataram alguns, mas estamos felizes porque não deixamos de proteger nossos tesouros. "
5) É também lar de muçulmanos
"Se você for para a Abissínia, encontrará um rei que não tolerará a injustiça", disse o profeta Mohammed a seus seguidores quando eles enfrentaram a perseguição pela primeira vez na Meca do século 7, na atual Arábia Saudita.

Isso foi na época em que o profeta havia acabado de começar seus sermões, que se tornaram tão populares que ele foi visto como uma ameaça pelos governantes não muçulmanos da região.
Seguindo seu conselho, um pequeno grupo partiu para o Reino de Aksum, que então cobria grande parte da atual Etiópia e Eritreia, onde realmente foram bem recebidos e autorizados a praticar sua religião pelo monarca cristão Armah, cujo título real em Ge ' ez era Negus, ou Negashi em árabe.
Acredita-se que esses migrantes tenham se estabelecido na aldeia de Negash (atual Tigré). Ali, teriam se estabelecido e construído aquela que é considerada a mesquita mais antiga da África. No ano passado, a mesquita al-Negashi foi bombardeada durante os combates em Tigré.
Os muçulmanos locais acreditam que 15 discípulos do profeta também estão enterrados em Negash. Na história islâmica, essa mudança para Aksum ficou conhecida como a primeira Hijra ou "migração".
Atualmente, os muçulmanos compõem 34% dos mais de 115 milhões de habitantes da Etiópia.
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Padre italiano é preso por tráfico de drogas, desvio de dinheiro e transmissão de HIV em orgias

ROMA — O padre Francesco Spagnesi, de 40 anos, foi preso nesta quarta-feira acusado de traficar drogas em festas sexuais na cidade de Prato, na Itália. O pároco também é suspeito de desviar dinheiro dos fieis e de ter feito sexo desprotegido em orgias, apesar de saber que era seropositivo.
O namorado de Spagnesi também foi preso, de acordo com a agência Ansa. Os dois estão em prisão domiciliar. O Ministério Público italiano suspeita que o padre tenha desviado cerca de 200 mil euros da igreja. Em abril deste ano, ele chegou a ser impedido de acessar a conta da paróquia.
— Não me reconheço mais, o turbilhão da cocaína me engoliu — disse o padre aos prantos diante de seus advogados. — A droga me fez trair as pessoas da paróquia, me fez contar mentiras, me fez agir de modo que me envergonho. Agora sou HIV positivo e peço perdão a todos — acrescentou, segundo o Corriere Della Sera.De acordo com o jornal italiano, Spagnesi admitiu que falava aos fieis que as doações seriam usadas para trabalhos de caridade. No entanto, o padre usava o dinheiro para comprar cocaína e GBL, conhecida como droga do estupro.
— Devolverei o dinheiro que roubei à cúria e a caridade dos meus paroquianos para comprar drogas. Eles serão reembolsados. Vou vender tudo o que me pertence, até a casa da montanha — afirmou o padre, ao Corriere Della Sera.
Em depoimento, Spagnesi afirmou que fazia sexo seguro com seus parceiros nas festas. Mas os investigadores informaram que pelo menos 15 testemunhas fizeram relatos que contradizem o padre. Eles agora estão realizando exames para verificar se contraíram o vírus. O namorado do pároco já realizou o teste e, segundo o Corriere Della Sera, o resultado deu negativo.
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A nova família de Suzane Von Richthofen

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Quando Suzane von Richthofen sentou no banco dos réus, em 2006, ela disse que matou os pais porque foi manipulada por Daniel Cravinhos, seu ex-namorado. “A família Cravinhos achava que eu era uma galinha dos ovos de ouro. (...) Eles queriam ficar com todo o meu dinheiro. (...) O Daniel me obrigou a fazer tudo o que eu fiz”, disse ela em depoimento no Tribunal do Júri. Acabou condenada a quase 40 anos de prisão. Hoje, 18 anos após o assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, Suzane se aproximou de outra família, os Olberg. Trata-se do clã de seu ex-noivo, o serralheiro Rogério Olberg, de 41 anos. Os Olberg fazem reuniões periódicas para debater como a presença de Suzane na cidade em que vivem, Angatuba, pode ser proveitosa. No último encontro, ficou decidido que será lançada uma biografia autorizada de Suzane e todos os lucros com a obra serão repartidos entre a presa famosa e a família Olberg.
A decisão pela publicação do livro, que foi escrito por um jornalista e revisado pela família Olberg, já causou um conflito. O defensor público Saulo Dutra de Oliveira foi o primeiro a se opor. O advogado acompanha a execução penal de Suzane desde 2014 e disse à família Olberg que uma autobiografia poderia comprometer a progressão de pena da sentenciada. A família não concordou e Suzane destituiu Saulo. Em seu lugar, recrutou em maio a advogada Adriane de Melo Nunes Martorelli. Adriana já foi assessora parlamentar, é pós-graduada em Direitos Humanos pela Universidade de São Paulo e também já atuou na Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo, onde conheceu a sua mais nova cliente. A primeira providência da nova defensora foi fazer um novo pedido de progressão da pena, protocolado no dia 28 de maio. É a sexta vez que Suzane tenta ganhar a rua de forma definitiva. O Ministério Público já deu parecer desfavorável à saída. Para o promotor que acompanha a execução da pena de Suzane, Paulo de Palma, ela ainda não está pronta para se reintegrar à liberdade e ainda representa risco para a sociedade em razão da brutalidade do crime cometido. "Suzane praticou delitos graves e não comprovou, como lhe competia, a necessária melhora íntima", escreveu De Palma em seu parecer.
Pelo novo pedido, apesar de pena de Suzane vencer só em 2038, ela alega já ter cumprido mais que o exigido para progredir de regime. Um dos argumentos da defesa é o de que os irmãos Cravinhos, beneficiados pela progressão de pena, estão soltos. A defensora pede ainda que, caso a Justiça não acate o pedido de saída, que a deixe ficar fora da prisão pelo menos durante a quarentena imposta pela pandemia. Essa quarentena seria cumprida junto aos Olberg. Diz a defensora: “a Suzane vai trabalhar com corte e costura juntamente com a cunhada, Josiely Olberg Lopes. Esse apoio e acolhimento servirá de amparo à sua reinserção social em meio aberto, após 18 anos de cumprimento de pena por crime do qual se arrepende e cujas consequências são imensuráveis em todos os aspectos de sua existência”.
Mas provar o arrependimento da moça tem sido um desafio para os técnicos. Há laudos feitos com base em entrevistas conduzidas por assistentes sociais, psicólogos e funcionários de Tremembé, que apontam sinais de que Suzane lamenta o que fez. E há o teste de Rorschach, feitos por psicólogos de fora do sistema carcerário, que mostram o oposto. Nos três testes de Rorschach aplicados, os laudos atestam que não houve arrependimento. No último exame, feito em 2018, a pedido da juíza da execução penal, Wania Regina, a psicóloga Maria Cecília de Vilhena Moraes escreveu sobre Suzane o seguinte: “Egocêntrica e narcisista, ela entende que suas necessidades sejam centrais e se preocupa basicamente com ela, com pouca atenção às necessidades dos outros”. Em outro trecho, a especialista diz: “Vazia e impessoal, Suzane depende fundamentalmente do ambiente externo para se orientar na vida”.
A presença de Suzane na família Olberg, em Angatuba, não é uma unanimidade. Rogério, seu ex-noivo, não quer mais a presença da moça em sua casa, segundo relatam parentes dele. Desde outubro do ano passado ele não visita Suzane na cadeia e quem a acolhe em casa é Josiely, irmã de Rogério. Foi dela, por exemplo, a ideia de Suzane autorizar o livro contando sua história. Nos planos da família estariam também montar um negócio com o dinheiro de uma herança que Suzane tem para receber da avó. Nos mesmos exames criminológicos anexados ao seu mais novo pedido de liberdade, ela fala desse projeto. “Diante do contexto financeiro, Suzane registra que possui apartamento de herança da avó e recursos expressivos em conta poupança, garantindo meios de sobrevivência em sociedade”, descreve o relatório de acompanhamento assinado pelo assistente social, Maurício Fernandes Faria.
Enquanto Suzane está presa, Josiely conseguiu na Justiça 20 mil reais a título de dano moral ao processar uma emissora de televisão que veiculou imagens indevidas do sítio em Angatuba na tentativa de filmar Suzane. Ela tentou outras indenizações semelhantes, mas perdeu. A família também contratou advogados para tentar passar o apartamento que Suzane herdou da avó paterna, Margot Gude Hahmann, avaliado em 1 milhão de reais, para o nome da presidiária. No entanto, no meio do processo burocrático, a família Olberg descobriu que Suzane tem uma dívida junto ao INSS de quase 70 mil reais e que o processo de transferência do apartamento só seria possível se concretizar após o pagamento desse débito.
A origem da dívida se deve ao fato de Suzane ter conseguido receber entre 2002 e 2004, uma pensão pela morte dos pais que ela mesma matou. O Ministério Público descobriu e acionou a Justiça. Em 2013, uma decisão do STF obrigou que o recurso fosse devolvido com juros e correções, mas Suzane já havia gastado todo o dinheiro.
Apesar do rompimento com Rogério, sua irmã Josiely escreveu de próprio punho uma carta afirmando à Justiça que acolheria a ex-cunhada. “Eu, Josiely Olberg Lopes, residente no sítio Santa Cruz, em Angatuba, falo em nome da minha família, Olberg Lopes, que Suzane tem aqui uma casa, onde receberá todo apoio e afeto familiar que necessita para se reintegrar socialmente quando estiver em prisão domiciliar”. Membros da família afirmaram à reportagem que o convite não é unânime e que alguns acham que a presa deve seguir sua vida em outro lugar. Há ainda o fato de, quando em Angatuba, Suzane conviver com outra condenada por crime atroz. A irmã de Rogério e Josiely, Luciana, foi presa por ter participado, juntamente com o marido, do estupro de duas crianças que são filhas de seu pai com outra mulher. Condenada a 29 anos, Luciana cumpriu pena em Tremembé e por meio dela Rogério conheceu Suzane.
Fontes a quem Suzane se confidenciou afirmaram que integrar a família Olberg está longe de ser sua maior vontade. Mas que, diante da falta de familiares dispostos a dar-lhe abrigo, ter um lugar fixo para onde voltar é sua única chance de conseguir a liberdade.
*o repórter Ullisses Campbell é autor do livro Suzane: assassina e manipuladora, lançado em 2020 pela editora Matrix
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Jovem Pan causa revolta ao divulgar fake news relacionando morte de jovem à vacina da Pfizer

247 - Em edição do programa bolsonarista “Os Pingo nos is”, da Jovem Pan, os apresentadores realizaram uma dura campanha contra a vacinação contra o novo coronavírus, ao comentar a decisão do Ministério da Saúde, após repercussão negativa, de voltar atrás na decisão contra a vacinação de adolescentes.
O apresentador Guilherme Fiuza criticou a vacinação de adolescentes. Segundo ele, está acontecendo uma "oscilação de diretrizes, o que não inspira confiança na população, em relação à vacinação de adolescentes, com as vacinas que ainda estão em desenvolvimento”. Precisa ter “prudência”.
Pegando carona nos ataques de Fiuza, a jornalista bolsonarista Cristina Graeml começou a criticar a vacinação em adolescentes e começou a citar o nome de supostas vítimas da imunização contra a Covid-19. Veja o momento.
Nas redes sociais, uma internauta denunciou que foi citado o nome de seu primo como uma das supostas vítimas da vacina da Pfizer contra o novo coronavírus.
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"A BBC está do lado errado da história", diz Joaquim de Carvalho

247 - Diante de um novo ataque contra o documentário da TV 247 "Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil", desta vez partindo da BBC, braço de comunicação do governo britânico, o jornalista Joaquim de Carvalho, responsável pela produção, novamente recomendou que as grandes redações refaçam o caminho que ele fez até concluir que o episódio da suposta facada contra Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018 tem uma série de inconsistências.
Para Joaquim, "o ponto de partida" da BBC é "equivocado". "Eles estão entrando no lado errado da história. Por que o documentário fez tanto sucesso? Porque havia um vazio, uma demanda muito grande. O [Alexandre] Frota ligou para você [Leonardo Attuch] e disse: 'eu já desconfiava, agora eu tenho certeza'. E outras pessoas também, porque elas estavam sem orientação. A imprensa tem esse papel. Não é fazer a cabeça da pessoa, é dar informação de qualidade para orientar aqueles que formam opinião. Então houve uma explosão de audiência e isso virou assunto. E aí, naturalmente, as pessoas vão se revelando".
"Vão investigar a facada, não o repórter. Tudo bem, é um direito fazer críticas. Não tem problema nenhum. Mas o mais importante é usar esse ímpeto jornalístico, essa força, este orçamento que eles têm... Aqui foi feito um milagre. Um documentário com R$ 60 mil em dois meses. Isso foi um milagre. Eles têm estrutura para fazer documentários e reportagens com muito mais estrutura orçamentária em vez de ficar atacando. Vai apurar o conteúdo. Não é tão difícil ir a Juiz de Fora", completou.
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Justiça aumenta para 13 anos de reclusão a pena de empresário condenado por infectar mulheres com HIV no Rio

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RIO — A Primeira Câmara Criminal do Rio decidiu, por unanimidade, aumentar em 5 anos e 4 meses a pena de Renato Peixoto Leal Filho, condenado, em junho de 2018, por contaminar mulheres com o vírus HIV. Na ocasião, o empresário, que é soropositivo, havia sido submetido a uma pena de sete anos de reclusão. Com a nova decisão, Renato, hoje com 49 anos, precisará cumprir, ao todo, 13 anos e 4 meses de prisão.
De acordo com a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), o empresário estava em Prisão Albergue Domiciliar desde setembro de 2019, após pouco mais de dois anos na cadeia. Ele havia sido preso preventivamente em julho de 2017, depois que uma investigação da 16ª DP (Barra da Tijuca) apontou que ele havia transmitido intencionalmente o vírus da AIDS para pelo menos duas mulheres.
O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) informou que o cartório da 19ª Vara Criminal, onde tramitou a ação, vai preparar a Carta de Execução de Sentença — que descreve o total da pena a que o réu foi submetido e indica o regime inicial de cumprimento — e enviar para a Vara de Execuções Penais (VEP), responsável por coordenar o andamento das penas. Segundo o TJ-RJ, "assim que a VEP receber a Carta de Sentença, adotará as medidas nela determinadas".
A decisão da Primeira Câmara Criminal frisa que deve ser "mantido o regime inicial fechado, como fixado na sentença". Assim, após a conclusão dos trâmites burocráticos, o mais provável é que Renato tenha de retornar a um presídio.
O caso seguiu para a segunda instância porque tanto a defesa de Renato, que queria a absolvição, quanto o Ministério Público do Rio (MP-RJ), pleiteando uma pena maior, recorreram da sentença inicial. Os desembargadores acabaram concordando com a tese da promotoria, que pediu uma punição mais rigorosa pelo fato de que as vítimas mantinham um relacionamento com o empresário e de os crimes terem sido cometidos mais de uma vez em sequência.
Desmascarado por ex-parceiras
As investigações tiveram início em agosto de 2015, quando uma das vítimas procurou a polícia para denunciar Peixoto.
Já na 16ª DP, que assumiu o caso, uma segunda mulher foi ouvida e fez um relato parecido.
Segundo elas, o réu abordava moças pelas redes sociais e as convencia a sair.
Posteriormente, sem informar sobre a doença, insistia para fazer sexo sem o uso de preservativo.
Meses antes de o primeiro registro de ocorrência ser feito, uma jovem de 23 anos que morou com Peixoto começou a procurar outras pessoas que teriam se envolvido com ele, com o intuito de alertá-las.
Na época, o GLOBO ouviu duas dessas mulheres, que confirmaram ter mantido relações sexuais com o empresário, sem preservativo e sem saber de sua condição.
Reunido, o grupo juntou áudios com ameaças feitas por Renato caso as ex-companheiras tornassem as acusações públicas.
Elas também compilaram vídeos, que eram enviados às próprias vítimas, em que ele aparecia transando sem camisinha com várias mulheres. Todo o material foi entregue à polícia, colaborando para a resolução do inquérito.
Quando o caso veio à tona, Renato chegou a conceder uma entrevista para o GLOBO em que confirmou ser soropositivo e ter transmitido a doença para duas ex-companheiras, mas negou os outros relatos.
Ele atribuiu o imbróglio a uma suposta vingança de uma ex-namorada, a jovem que procurou as outras mulheres para denunciá-lo.
O relacionamento do casal durou cerca de dois meses, quando a mulher, então com 23 anos, retornou para a cidade natal, em outro estado. Ao GLOBO, ainda durante as investigações, ela contou ter descoberto que o ainda companheiro era soropositivo ao encontrar um exame em seu apartamento.
— Eu o confrontei, mas primeiro ele negou. Só com muita insistência admitiu — disse ela, que ainda passou algumas semanas morando com Renato: — Ele era muito obsessivo e agressivo verbalmente. Eu tinha medo. Acabei indo embora escondida, com a ajuda de uma amiga.
Já Renato deu versões diferentes para o ocorrido durante a conversa com o GLOBO. Primeiramente, informou ter avisado desde o início do relacionamento que era soropositivo — "quandou ela soube, falou que não teria problema transar inclusive sem camisinha, porque queria ser mãe", frisou. Minutos depois, entretanto, forneceu um relato semelhante ao da própria jovem:
— Ela descobriu aqui em casa, através de exames da minha ex-mulher. Ela descobriu e eu abri o verbo. Até então, eu não tinha comunicado — reconheceu à época, antes de acrescentar: — Expliquei pra ela que, no meu caso, como me trato há muitos anos, o vírus é praticamente... o meu médico é um dos melhores do Brasil, eu mesmo pergunto sempre qual é o risco de pegar caso minha camisinha estoure e eu não perceba, e ele falou que é 99% de chance de não pegar.
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Rita Lee: A prisão na ditadura durante a primeira gravidez e a visita de Elis Regina na cadeia | Blog do Acervo - O Globo

Vestindo um terno branco, colete verde e botas pretas, Rita Lee chegou à 20ª Vara Criminal, em São Paulo, pouco depois das 13h. No corredor de acesso ao tribunal, advogados e funcionários do fórum se misturavam a estudantes e hippies cabeludos com roupas coloridas. Durante a audiência, enquanto o promotor Neuton Ramos pedia a condenação da artista, ela se manteve séria, olhando de vez em quando para os jornalistas. Mas, naquela quinta-feira, dia 2 de setembro de 1976, quando o juiz Antonio Aurélio Maciel leu a sentença, a roqueira de 28 anos começou a chorar.
Rita se encontrava presa desde a semana anterior. Ela estava grávida de três meses de seu primeiro filho, Beto Lee, quando, às 7h30 do dia 24 de agosto, a Divisão de Entorpecentes bateu à porta de sua casa na Vila Mariana. Na versão da polícia para a imprensa da época, os agentes foram à residência da cantora após receber denúncias sobre uso de drogas durante a temporada de shows da roqueira com a banda Tutti-Frutti no Teatro Aquarius. Na manhã da prisão, a tia da artista abriu a porta, os agentes entraram, reviraram tudo e, mais tarde, disseram ter encontrado no local 300 gramas de maconha, restos de cigarros e um narguilê.

Numa entrevista à revista "Quem" em 2010, Rita disse que aquilo foi tudo plantado pela polícia. Na época, ela garantiu que a droga não era sua e que ela tinha parado de fumar porque estava grávida. Mas os agentes não deram ouvidos. O Brasil vivia uma ditadura militar e, ainda que em 1976 o governo já cogitasse a abertura política, as polícias estavam comprometidas com uma guerra declarada a usuários de drogas. Hippies eram tratados como bandidos e, segundo a cantora, ela foi usada de troféu. Até porque Rita simbolizava a liberdade sexual feminina em um período muito conservador do país. Várias de suas músicas foram consideradas eróticas demais e censuradas ou modificadas para não ferir a "moral e os bons costumes".
A ex-vocalista dos Mutantes foi presa junto com suas empresárias e oito integrantes da Tutti-Frutti. De início, ela ficou no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Foi lá que, no segundo dia de xadrez, apareceu ninguém menos que Elis Regina levando pela mão o filho João Marcello Bôscoli, então com 6 anos. "Na época dos festivais da Record, Mutantes e Tropicalismo, Elis passava pela gente virando a cara. Ela fez parte daquela passeata contra a guitarra elétrica na música brasileira. A última pessoa que eu esperava que fosse me visitar na cadeia era a Elis", contou Rita numa live com o amigo Ronnie Von, em novembro do ano passado. "Quando o carcereiro falou: 'Ô, Ovelha Negra, tem uma cantora famosa rodando a baiana, dizendo que vai chamar a imprensa. Ela quer te ver'".

Hoje com 73 anos de idade, a roqueira disse que saiu da cela curiosa para saber de quem ele estava falando. "Fiquei esperando, não sei, uma Nossa Senhora do Rock, e, de repente, vejo a Elis com o João Marcelo. Ela soltou a mão do filho e me deu um abraço. Perguntou como eu estava, disse que eu estava muito magra. Aí começou a falar duro com os policiais: 'O que vocês estão fazendo com ela?'", relembrou Rita. "O que ela berrou, o que ela aprontou lá dentro... E você pensa que os caras falavam alguma coisa? Não falavam nada. Ela baixinha cobrando: 'Eu quero um médico já. Se não vier já, eu chamo a imprensa'. Ninguém mexia com a Elis. Ela era do Olimpo. Que mãezona! Mandou que comprassem comida para mim, deu dinheiro e ainda pediu troco (risos). Me ajudou como se fosse uma amiga de infância".
A roqueira dos cabelos ruivos também era grande na cena nacional. Em 1975, lançara o disco "Fruto proibido", repleto de hits como "Agora só falta você" e "Ovelha negra". Depois de dois dias no Deic, ela foi levada ao presídio feminino do Hipódromo, onde encontrou uma recepção calorosa das detentas. "Eu saí do camburão escutando palmas e gritos", contou a artista em entrevista publicada pelo GLOBO em 4 de novembro de 1976. "Pensei comigo: 'será que estou sonhando?' Aí, vi pelas grades as mãozlnhas acenando pra mim e ouvi gritos de 'Rita, Rita, Rita!'. Para chegar na minha cela, atravessei um corredor, e elas dando a maior força".

Na mesma conversa com a equipe do jornal, a artista disse que estranhou a comida da penitenciária, mas contou que engolia tudo, "morrendo de vontade de sobreviver, pensando sempre no meu filho". Ela escreveu uma carta para o guitarrista Roberto de Carvalho, pai de Beto Lee e companheiro dela até hoje. Naquelas páginas manuscritas, agora expostas na mostra "Samsung Rock Exhibition Rita Lee", no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, Rita se dizia conformada quanto a dar à luz na prisão e pedia ao amor de sua vida para não esperá-la e "fazer o que quiser". Felizmente, o período atrás das grades não se prolongaria muito mais.
Depois de oito dias no Hipódromo, a cantora se apresentou na 20ª Vara Criminal para o julgamento. Foi condenada a um ano de prisão domicilar e multa de 50 salários mínimos. Naquele período de reclusão, Rita morou na casa de seus pais, na Vila Mariana. Ela podia sair diariamente, a partir das 7h, mas tinha que estar de volta às 19h. Na entrevista ao GLOBO de novembro de 1976, a cantora disse que, apesar da acolhida das outras detentas, viveu momentos de muita tristeza na cadeia, sem saber quando sairia dali. "Se eu não estivesse grávida, acho que não suportaria. Ele me deu muita força, naquele momento de desespero".

Na casa dos pais, a artista foi obrigada a suspender a vida normal de uma estrela do rock. Só podia sair à noite para fazer shows e, mesmo assim, tinha que se submeter a exames toxicológicos. "Acordo cedo, faço natação, que é um exercício legal para a gravidez, volto, tomo café, almoço, escuto um pouco de música e vou para o ensaio no nosso estúdio de Vila Alpina. Fico lá até as cinco da tarde. Aí volto, pois o meu tempo está se esgotando", contou a roqueira ao jornal. "À noite, fico escrevendo, compondo, assisto a todas as novelas, analiso os personagens. Vejo também os noticiosos, tomando conhecimento do que se passa aqui e no mundo".
Quando Beto Lee nasceu, em março de 1977, Rita ainda estava em prisão domicilar. Ela chegou a escrever uma música, "X 21", inspirada nos dias de Hipódromo (sua cela era o "xadrez 21"), mas a canção foi proibida pela censura. Nos anos seguintes, mesmo com a distenção política, a roqueira continuaria sendo alvo frequente do moralismo. A letra do hit "Banho de espuma", por exemplo, teve que ser alterada para entrar no álbum "Saúde", de 1981. A original dizia "Em plena vagabundagem/Em qualquer posição/Falando muita bobagem/Bulinando com água e sabão". Depois de passar pelo filtro dos militares, ficou: "Em plena vagabundagem/Com toda disposição/Falando muita bobagem/Esfregando com água e sabão". Para alguns pesquisadores, Rita foi uma das artistas mais censuradas da ditadura. Título este que, hoje, a cantora, ironicamente, considera uma espécie de estrela no currículo.

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Com fim da vacinação por idade, Prefeitura do Rio agora busca 227 mil na repescagem oferecendo 'escolha' de vacina

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RIO — Iniciada em 31 de maio, a vacinação contra a Covid-19 por idade na cidade do Rio se encerrou nesta sexta-feira. O município alcançou 96,8% de sua população vacinável (pessoas com 12 anos ou mais) com pelo menos uma dose da vacina e 61% com a imunização completa. Agora, a prefeitura fará a repescagem para os retardatários — 227 mil cariocas que perderam a data da primeira dose ou da segunda, de acordo com o painel da Covid-19 da prefeitura — com um grande mutirão neste sábado.
Para estimular a imunização, os não vacinados terão direito, inclusive, a uma prática que as autoridades do município sempre condenaram: a escolha de vacina. A Secretaria municipal de Saúde (SMS) deixará que a pessoa opte pela CoronaVac, AstraZeneca ou Pfizer, conforme anunciou o titular da pasta, Daniel Soranz, na entrevista coletiva da divulgação do 38° boletim epidemiológico da cidade, nesta sexta-feira.
— Esta é uma das poucas ocasiões em que teremos todas as três principais vacinas disponíveis nos postos. Quem está com a imunização atrasada poderá escolher qual vacina tomar amanhã excepcionalmente — anunciou Soranz.
A repescagem da primeira dose é para todas as pessoas com 12 anos ou mais, e da segunda, para todas as idades. Neste último caso, a prefeitura espera receber 80 mil atrasados neste sábado. As expectativas esbarram, porém, em outra marca da campanha de imunização: a escassez de vacina. Segundo Soranz, crítico da logística de distribuição de doses pelo Ministério da Saúde, os estoques atuais dos três imunizantes não devem durar mais do que este sábado.
A prática de "escolha" do imunizante foi historicamente criticada pela administração municipal, especialmente em contextos de escassez. No entanto, desde o mês passado, a prefeitura mudou o tom sobre o assunto em ocasiões pontuais, com o objetivo de estimular a vacinação. Foi por esse motivo, por exemplo, que em meados de agosto a secretaria resolveu liberar a aplicação da segunda de Pfizer em quem tomou a primeira de AstraZeneca. Esta decisão também foi decorrente da redução das previsões de entregas de frascos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), fabricante do imunizante AstraZeneca no Brasil.
Redução do intervalo da Pfizer
Ontem, a prefeitura do Rio anunciou ainda que deve reduzir o intervalo da vacina da Pfizer na próxima semana para as pessoas com idade a partir de 40 anos. A informação foi adiantada pelo prefeito Eduardo Paes no Twitter e confirmada por Daniel Soranz na entrevista coletiva do 38° boletim epidemiológico. Até agora, o intervalo da vacina da Pfizer foi reduzido apenas para maiores de 50 anos, para quem o prazo entre as duas doses é de 21 dias. A Secretaria municipal de Saúde ainda não disse qual será o novo prazo entre as injeções do imunizante para a faixa dos 40 anos.
— Estamos fechando os cálculos, fechando os últimos detalhes. Mas provavelmente vamos reduzir o intervalo da vacina da Pfizer para a faixa dos 40 anos ou mais na semana que vem — disse Soranz durante a entrevista.
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O secretário foi questionado sobre o assunto depois que o prefeito Eduardo Paes, que não participou da coletiva, publicou a novidade no Twitter. "Que emocionante ver a molecada de 12/13 anos vacinando com seus pais. Bom saber que a ignorância, a terra plana e o negacionismo não prosperam! Amanhã é dia de super repescagem! Não deixem de ir se vacinar. E semana que vem devemos reduzir o intervalo entre as doses de vacina!", escreveu.
Ainda na entrevista coletiva, minutos antes da publicação de Paes, Soranz afirmou que a possível antecipação da segunda dose para novas faixas etárias dependeria da entrega de remessas pelo Ministério da Saúde.
— Pode ser que a antecipação aconteça se o ministério entregar doses suficientes — disse.
Situação epidemiológica
Os indicadores da Covid-19 mantiveram a tendência de queda pela terceira semana consecutiva, segundo o 38° boletim epidemiológico da cidade do Rio, divulgado pela prefeitura nesta sexta-feira. E, pela primeira vez desde o início da publicação dos boletins, em janeiro deste ano, todas as 33 Regiões Administrativas (RAs) do município desceram para nível de risco moderado (amarelo) de transmissão da doença. Na semana passada, três RAs ainda estavam classificadas com risco alto (laranja): Copacabana, Centro e Tijuca.
Segundo a Secretaria municipal de Saúde, a tendência de queda nas internações permanece na cidade. Entre as semanas epidemiológicas 33 (15 a 21 de agosto) e 37 (12 a 18 de setembro), houve 42% de redução nas novas admissões. Foram 609 no primeiro período de referência, contra 361 no último.
A redução também é indicada pelo número de casos confirmados — um indicador mais propenso a atrasos de atualização. Além disso, nesta semana, a quantidade semanal de novos óbitos, que até o último boletim se mantinha estável, começou a indicar queda.
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— A redução dos óbitos sempre demora um pouquinho, chega em torno de 20 a 30 dias depois. Agora, vemos que esse indicador já teve reversão, já começa a demonstrar redução — informou o subsecretário de Vigilância em Saúde, Márcio Henrique Garcia.
Ainda segundo a prefeitura, o Rio tem agora menos de 500 internados por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), e a fila de espera por leitos continua zerada.
— A pandemia ainda não acabou, mas temos um cenário mais tranquilo e esperamos que continue assim — disse Garcia.
De acordo com o painel da Covid-19 da prefeitura, a média móvel de mortes pela doença na cidade está em 68 confirmações por dia, uma variação para cima de 6% em relação à média de 14 dias atrás. A leve alta não se confirma na prática, segundo a prefeitura. Nas últimas semanas, os números de notificações diárias em todo o estado ficaram comprometidos devido a uma atualização no sistema usado pelos municípios para comunicar casos de Covid-19, o e-SUS Notifica. A mudança causou um boom nos registros, e parte deles se refere a casos que ocorreram em outras épocas. A avaliação da secretaria se baseia em outro dado, o número de mortes por data de ocorrência. Trata-se de um indicador mais preciso, mas mais vulnerável a atrasos.
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— (O aumento nos registros de mortes no estado) É totalmente divergente do que a gente tem no panorama epidemiológico de internação, e os óbitos são reflexo da internação. Não há nenhum registro de aumento de casos ou de mortes, mas seguimos muito atentos — informou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. — Estamos no melhor cenário de toda a pandemia.
Segundo ele, o número de internações pela doença na cidade se encontra no menor patamar desde abril de 2020. Outros indicadores disponíveis no painel da prefeitura também estão em queda, mas já alcançaram patamares menores este ano.
Há, por exemplo, uma redução de 62% de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e síndrome gripal notificados no município entre as semanas epidemiológicas 32 e 37. Foram 19.982 ocorrências na última semana de referência, contra 53.173 casos na semana 32. Mas o total da semana 37 é maior do que o da semana 6 (7 a 13 de fevereiro de 2021), que teve a menor soma de ocorrências de 2021: 13.613.
Nas redes públicas de urgência e emergência, os atendimentos para casos do tipo têm uma média móvel atualizada de 288 registros por dia, uma redução de 18% em relação a duas semanas atrás. Como no caso do outro indicador, a queda se confirma, mas não chega ao menor nível do ano. No dia 12 de fevereiro, a média chegou a 220 notificações diárias.
Embalada pela conclusão da vacinação dos cariocas com 12 anos ou mais, contudo, a prefeitura se baseia na recente melhora dos indicadores para promover os maiores relaxamentos de restrições já autorizados desde a chegada da Covid-19. Na semana passada, eventos ao ar livre para até 500 pessoas foram liberados, assim como a presença de público em estádios, embora limitados a 50% da capacidade e abertos apenas para pessoas completamente vacinadas.
Além disso, a secretaria informou nesta sexta-feira ter autorizado seis eventos-teste a serem realizados nos próximos meses. Estão entre eles, como o GLOBO revelou, festas e festivais sem uso obrigatório de máscaras nem distanciamento.
Dados
Pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz (Icict-Fiocruz), o epidemiologista Diego Xavier diz que os dados oficiais disponibilizados pela prefeitura não bastam para que se possa dizer sem dúvidas que as mortes por Covid-19 na cidade caíram.
— Quando analisamos números de mortes por Covid-19, temos dois dados: os óbitos por data de divulgação (ou seja, quando aquela morte foi registrada) e os óbitos por data de evento (ou seja, quando aquela morte aconteceu de fato). Esse segundo indicador é o correto, mas é mais atrasado. A pessoa que morre hoje pode ser registrada só daqui a duas semanas, por exemplo. Por isso, considerando exclusivamente os dados oficiais, ainda é cedo para cravar que as mortes caíram de fato, sobretudo com os problemas de represamento dos últimos dias. O melhor seria tentar compensar esse atraso com técnicas de projeção disponíveis — avalia.
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Membro do grupo de Métodos Analíticos em Vigilância Epidemiológica da Fiocruz (Mave-Fiocruz), o pesquisador Leonardo Bastos desenvolve, em parceria com o Observatório Covid-19 BR, uma técnica de atualização dos dados com base no comportamento dos números de registros ao longo da pandemia, o chamado nowcasting. A última análise semanal do estudo mostrou que há uma tendência de redução das mortes pela doença no estado, mas, segundo Bastos, ela não é suficiente para respaldar a liberação de eventos-teste sem máscara, como a prefeitura anunciou.
— É bom que se exija a vacinação de quem frequentar o evento, mas a vacina não previne a transmissão. Nosso cenário atual é adequado para se pensar em eventos-teste, mas precisamos manter as medidas não-farmacológicas, como o uso de máscaras. As restrições precisam ser retiradas gradualmente — diz.
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Crise na China evidencia risco de manter “crescimento fictício” | Marcelo Ninio - O Globo
Por Marcelo Ninio

Em um artigo publicado em julho na mais importante revista de teoria política do Partido Comunista da China, o presidente Xi Jinping ressaltou que uma das prioridades do “novo estágio de desenvolvimento” do país é deixar para trás o “crescimento fictício” da economia.
Xi se referia a setores sustentados por altos níveis de endividamento como o da construção, onde a facilidade de crédito levou a uma grande quantidade de investimentos em projetos não produtivos. A crise na incorporadora Evergrande, que sacudiu os mercados globais pelo risco de calote de parte de sua dívida, evidencia o dilema das autoridades, diz o economista Michael Pettis, professor de Finanças da Universidade de Pequim e autor de vários livros sobre a economia chinesa.
Para levar adiante seu plano de frear a oferta de crédito fácil, é preciso aceitar uma queda significativa nos números do PIB, abrindo mão do “crescimento fictício”. Mas essa é uma ação que esbarra em grande resistência política, afirma Pettis, que há anos alerta para os riscos do excesso de endividamento para a economia chinesa.
Como a situação chegou a esse ponto?
Por muito tempo as incorporadoras cresceram rápido demais. Seu sucesso era puxado por três fatores: alto endividamento, muita liquidez e grandes lucros brutos. O problema é que nos últimos anos a liquidez desacelerou, chegando a ser negativa em agosto. O governo passou a ficar tão preocupado com o volume de endividamento no setor imobiliário que começou a impor limites. Não é a primeira vez que isso acontece. Há anos o governo fala em tomar medidas. Mas toda vez que tentava frear o crescimento das incorporadoras havia recuos, porque isso afeta a economia, reduz o preço dos imóveis e desacelera o setor imobiliário, que tem enorme importância na economia chinesa. Eles representam 25% do PIB e empregam milhões de pessoas, direta e indiretamente. Só a Evergrande tem 200 mil funcionários. Por isso é muito difícil exercer controle. Não há uma saída fácil. A Evergrande significa um grande dilema para os reguladores. Se querem eliminar a cultura da dívida é melhor não intervir. Mas sem uma intervenção há o risco de os problemas se alastrarem rapidamente e afetarem a população. Quanto maior a intervenção mais difícil será solucionar o problema. Acho que os reguladores se surpreenderam com a rapidez com que a economia ficou sob risco e estão ansiosos para aplicar uma solução que ponha um fim nisso.
Se uma intervenção parece inevitável, porque o governo ainda não se pronunciou?
É muito complicado. Se o governo faz um anúncio é para cessar o pânico. Isso significa que é preciso pensar em todos os componentes. O que fazer com as pessoas que investiram em ativos da Evergrande? O que fazer com os funcionários da Evergrande? O que fazer com as pessoas que pagaram adiantado por imóveis da Evergrande que não estão finalizados? O que fazer com a indústria de tinta, que está prestes a falir por ter fornecido enormes quantidades à Evergrande e não foram pagos? O que fazer com as construtoras que trabalhavam para a Evergrande e suspenderam os pagamentos a seus operários? Há muitos elementos nessa equação e é preciso encontrar uma solução para todos. Uma solução pela metade não serve. Quando o governo entrar em cena deve ser para acabar com o pânico. Há vários tipos possíveis de intervenção, da máxima, em que o governo garante todos os pagamentos e acaba com a crise ao outro extremo, em que não há intervenção alguma. O governo deverá escolher algo no meio, mas qual? Uma solução política melhor talvez leve a uma solução econômica pior e vice-versa. É muito difícil apresentar uma resposta que agrade a todos. Na realidade não há tal saída, é preciso encontrar uma solução que basicamente agrade a Xi Jinping, Liu He [principal assessor econômico] e as pessoas em torno deles.
Sabia-se que o setor imobiliário chinês era “viciado em dívida”. Porque o governo não agiu com mais firmeza para reduzir essa dependência?
Por que as bolhas crescem? Politicamente é muito difícil esvaziá-las. Quem faz isso é acusado de destruir algo que estava funcionando. É muito difícil argumentar que se a bolha não for esvaziada em algum momento ela explodirá e causará grandes danos. É algo muito difícil de provar. Como disse um presidente do Fed [BC americano], o trabalho do Banco Central é cortar a bebida quando a festa está ficando animada. Fica todo mundo furioso, porque enquanto estão bebendo as pessoas não costumam pensar na ressaca do dia seguinte.
Pode ser que o governo tenha pretendido forçar essa crise na Evergrande para promover as correções necessárias, ao impor no ano passado limites à alavancagem das incorporadoras, as chamadas “três linhas vermelhas?
As três linhas vermelhas são o gatilho, não a causa. A causa é o vasto e excessivo endividamento do setor imobiliário. Em algum ponto isso ia ter que parar, seja por medidas regulatórias ou porque a situação ficou tão fora de controle que haveria uma crise. Os reguladores decidiram botar um fim nisso, mas não havia meio de fazê-lo sem causar danos. Há anos as autoridades têm tentado colocar um freio, mas toda vez que eles agem há prejuízos e torna-se politicamente inaceitável e eles recuam.
O governo está disposto a aceitar um crescimento menor do PIB para frear o endividamento?
Claro que as pessoas que podem responder a essa questão jamais irão discuti-la. Meu palpite é que o crescimento real é menor do que eles pensam. Portanto, mesmo se eles acreditam que é possível abrir mão do crescimento fictício gerado pelo setor imobiliário, o custo político de uma queda no PIB pode ser difícil de aceitar. E mesmo se conseguirem se livrar do mau crescimento, parar de construir apartamentos que ficarão vazios e não trazem nenhum valor econômico, de construir pontes desnecessárias e estender ferrovias a lugares que não fazem sentido, qual será o crescimento real da China? Eu acho que será bem menor do que eles esperam. Por muitos anos o crescimento do PIB foi maior que o da renda das famílias. Então em teoria hoje poderia haver uma grande queda no crescimento do PIB sem uma queda drástica no crescimento da renda. Politicamente é muito d
Quais os riscos da crise na Evergrande para a economia mundial?
Acho que são bastante limitados. O perigo de um contágio financeiro é pequeno. O sistema financeiro chinês ainda é em grande medida fechado. A razão de os mercados terem reagido tão mal à crise da Evergrande é que há muita confusão sobre a China. Então sempre que algo acontece na China a reação dos mercados é recuar. Se a Evergrande forçar um reajuste na economia chinesa, com menos investimento e mais consumo, tudo o que a China importa para investimento, como minério de ferro, terá uma demanda menor [com impacto sobre exportadores como o Brasil]. Não quer dizer que isso se dará imediatamente, mas em algum momento isso acontecerá. A China não pode continuar tendo o maior nível de investimento da história, isso já há 20, 30 anos. Se a Evergrande é o que levará a essa mudança nós não sabemos, é esperar para ver.
O governo tem capacidade de promover essa mudança?
Tem, mas lembre qual o papel da dívida. A dívida vem crescendo rapidamente na China desde os anos 1980, mas isso não era muito notado porque o PIB crescia na mesma velocidade. Só nos últimos dez ou 15 anos a dívida acelerou e o PIB desacelerou. E a razão disso é que a dívida foi usada em investimentos desnecessários. O Brasil passou pelo mesmo nos anos 1970. O papel da dívida é manter os investimentos em alta, que por sua vez são necessários para manter o crescimento do PIB, empregos, etc. Mas se você quer se livrar da dívida é preciso aceitar um nível bem menor de investimentos e um crescimento do PIB muito mais baixo. É sempre um problema político. Todos querem ter altas taxas de crescimento, o problema é que num certo ponto não dá mais para jogar esse jogo e os ajustes se tornam extremamente perigosos. Por isso, quanto antes os ajustes são feitos, melhor.
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A casa dos horrores da Prevent Senior
Com a exceção do Afeganistão e talvez da Síria, que têm problemas mais urgentes e tenebrosos, todos os países do mundo tratariam como escândalo espantoso um episódio como o da Prevent Senior. Não apenas porque a prestadora de serviços de saúde ministrou remédios sem eficácia a seus pacientes, mas porque usou parte da sua clientela, velha e indefesa, para fazer testes e experiências que resultaram na morte de pessoas. No Brasil, parece apenas mais um caso dos muitos que já foram banalizados pelo dia a dia de uma terra sem lei.
Os dados até aqui revelados pelos repórteres Ana Clara Costa e Guilherme Balza não deixam margem para dúvida, a Prevent Senior agiu deliberadamente de maneira criminosa e odienta. Desrespeitou o direito dos pacientes e seus familiares, não cumpriu com o seu dever profissional, moral e ético, omitiu ou fraudou informações e mentiu. O pacote de absurdos praticados por orientação expressa dos dirigentes da empresa, que alguns médicos se recusaram a obedecer, precisa ser ainda esmiuçado e em seguida seus responsáveis punidos com toda a extensão e com o absoluto rigor da lei.
Além de matar pacientes, as orientações dadas aos funcionários da Prevent Senior serviriam também para esculachar os doentes com experimentos sem qualquer apoio científico e sem autorização formal de pacientes, famílias ou entidades que regulam o setor, como a Anvisa. A empresa diz que a orientação era dos médicos, não do seu corpo administrativo. Mentira. As reportagens mostram o contrário. Há casos, já fartamente documentados, de clientes da Prevent Senior que ligavam para a empresa para relatar casos de Covid e recebiam em casa horas depois, sem pedir, kits de cloroquina, ivermectina e outras drogas comprovadamente ineficientes no combate à doença.
O Hospital Sancta Maggiore, da Prevent Senior, em São Paulo, virou uma casa de horrores. Pacientes, todos idosos, porque a empresa como o nome diz trata exclusivamente de seniores, foram tratados até a eclosão do escândalo como cobaias de experiências macabras. Se fosse um filme, você diria que o roteirista exagerou. Exagerou tanto que colocou dentro do hospital três personagens que se somaram ao esforço do gabinete paralelo do presidente Jair Bolsonaro para enfrentar a Covid por meios ineficazes. Estavam lá os médicos Nise Yamagushi e Anthony Wong e o empresário travestido de periquito Luciano Hang.
Nise, que se sentiu ofendida ao ser contestada na CPI da Covid, andou pelo Sancta Maggiore fazendo a interface do gabinete paralelo com a Prevent Senior. Wong, que como Nise pregava o tratamento precoce, morreu naquele hospital bombardeado pelo pacote completo de remédios ineficientes. Até ozônio pela via retal foi administrada em Wong enquanto ele estava desacordado num leito de UTI pouco antes de morrer. Hang levou para a casa de horrores a sua mãe, que obviamente morreu com tratamento inadequado.
O milionário, que poderia ter levado a genitora para se tratar no Einstein ou no Sírio Libanês, preferiu usar os serviços da Prevent Senior, possivelmente orientando por Nise ou outro membro do gabinete paralelo. Quando o caso se tornou público, Hang emitiu uma nota reclamando da “maldade humana” pelo que chamou de desrespeito com a sua mãe. Nenhuma palavra sobre a omissão da Covid no atestado de óbito da senhora que, como no de Wong, constavam diversas causas e nenhuma menção ao que a levou a ser internada.
Hang também nada disse sobre a continuada exploração do cadáver da mãe por ele próprio, que fez um vídeo para tratar disso e afirmou que ela poderia ter sobrevivido se tivesse tido “tratamento precoce”, levantando um cartaz com esses dizeres. Pior é que a pobre senhora foi submetida a toda a bateria de remédios do kit Covid da Prevent Senior. Até ozônio foi ministrado a ela. O empresário lamenta que não foi preventivo e não conseguiu salvar a vida da mãe. Mas, como disse o presidente que ele tanto mitifica numa entrevista a ativistas alemães de extrema-direita, a maior parte dos óbitos foi de pessoas com comorbidade que “apenas tiveram suas vidas encurtadas em alguns dias ou semanas”.
De volta em 2026
O maior equívoco da vida pública nacional pode dizer adeus temporariamente à política no ano que vem? Muita gente que circunda Jair Bolsonaro tem dito que ele pode não se candidatar à reeleição em 2022. O quadro ainda está sendo desenhado, mas a hipótese é bem concreta caso se confirme a inviabilidade da sua candidatura, já detectada por pesquisas. Neste caso, ele poderia dizer estar apenas cumprindo promessa de campanha. O Centrão até já se posicionou, sugerindo que poderia blindar a ele e seus filhos no Congresso para não serem punidos pelos crimes que cometeram. Como pacote adicional, Bolsonaro encaminharia ao Congresso uma PEC acabando com o instituto da reeleição. Neste caso, poderia voltar em 2026 sem ter de enfrentar um presidente no cargo.
Basta?
A saída do cenário de Bolsonaro bastaria? Não, não bastaria. Ele precisa ser julgado e condenado pelos inúmeros crimes que já cometeu e pelos que ainda vai cometer até deixar o Palácio do Planalto. Nem o impeachment sozinho seria suficiente para que o Brasil mostre ao mundo, depois da passagem grosseira do presidente Sujismundo e de sua comitiva por Nova York, que o seu maior dano histórico foi reparado.
Senado progressista
O Senado sempre foi a casa conservadora do Congresso Nacional, cabendo à Câmara um perfil um pouco mais (não muito) progressista. Esses papéis se inverteram desde a posse de Arthur Lira e a implantação da sua pauta para lá de heterodoxa. A Câmara virou um feudo do que há de mais retrógrado na política e o Senado passou a exercer a função de reparador de estragos produzidos pelos deputados. Foi o que aconteceu com a PEC da reforma política, com a revogação da permissão dada pela Câmara para as coligações em eleições legislativas. Por isso, aliás, Rodrigo Pacheco é pré-candidato a presidente. Já Lira...
Uma vez fantasma...
Como revelou o repórter Felipe Bachtold, a mulher do presidente da Câmara, Arthur Lira, denunciada como funcionária fantasma quando era empregada da Assembleia Legislativa de Alagoas, foi nomeada em julho secretária-adjunta da representação estadual do governo de Roraima em Brasília. No escritório, ninguém sabe dizer se aex-fantasma Angela Lira tem aparecido para trabalhar. Nem porque uma alagoana que mal conhece Roraima virou representante do estado na capital federal.
O que é pior?
O que parece mais patético: o deputado zerinho dizer que o prefeito de Nova York é marxista e os EUA podem se tornar uma grande Venezuela ou o apresentador Tucker Carlson, da Fox News, fazer ar sério e assustado como se estivesse ouvindo uma revelação?
Melhor calar
Não havia hora melhor para ficar calado, mas o vice Hamilton Mourão é daqueles que não pode ver uma geladeira aberta, acha que é flash de TV e começa a falar. Ao defender o machismo de Wagner do Rosário, dizendo ser normal as pessoas eventualmente darem uma aloprada, Mourão mostrou o que mesmo velhos oficiais aprendem na caserna.
Medalhas
Depois que a Assembleia Legislativa de São Paulo resolveu criar a medalha Erasmo Dias de Segurança Pública, vale avaliar se não cabem também a medalha Brilhante Ustra de Interrogatório Policial e a medalha Newton Cruz de Pacificação das Vias Públicas. Da mesma forma, pode-se pensar na medalha Jair Bolsonaro de Respeito aos Valores Democráticos.
Fenaj X Google
A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, a Zequinha, quer criar uma taxa progressiva a ser cobrada de plataformas digitais como Google, Facebook e Amazon para formar um fundo que promoveria o “jornalismo de qualidade” no Brasil.
Ir à igreja
Pesquisa da Bateiah Estratégia e Reputação revela que as pessoas estão ansiosas para a pandemia passar para poder, veja só, ir à igreja. A sondagem, que ouviu 1.455 pessoas em todo o país, mostra que 26,2% pretendem prioritariamente voltar aos seus templos quando a pandemia cessar. Outros 17,8% querem fazer turismo, enquanto 14,5% estão loucos para voltar a bater perna nos centros populares de comércio; 11,1% querem ir a restaurantes; 9,5% sonham em voltar para as academias de ginástica; e 8,7% querem retomar sua agenda cultural indo a teatros e a shows.
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Com a mãe investigada, Jair Renan ameaça CPI da Covid com vídeo de armas: "alô CPI” (vídeo)

Por Flávia Said, Metrópoles - O filho 04 do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Jair Renan Bolsonaro, gravou um vídeo na manhã desta segunda-feira (20/9) em uma loja que vende armas de airsoft e também equipamentos letais e citou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que investiga ações e omissões do governo federal no combate à pandemia.
Nos últimos meses, a CPI avançou sobre denúncias de corrupção na negociação de vacinas e passou a apurar a distribuição irregular de medicamentos sem eficácia comprovada no tratamento da Covid-19.
No vídeo, divulgado no Instagram, Jair Renan aparece usando um boné com os dizeres “Make Brazil great again”, em referência a slogan de campanha do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, “Make America great again”.
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Jean Wyllys responde Globo, que pediu para Bolsonaro se comportar na ONU: "seu filho não vai se portar bem à mesa nunca"

247 - Após o vexame de Jair Bolsonaro em Nova York (EUA), onde o chefe do Executivo brasileiro demonstrou seus comportamentos negacionistas na cidade onde ocorre a Assembleia Geral da ONU, o ex-deputado Jean Wyllys (PT) escreveu no Twitter:
“Imaginem a decepção de quem escreveu o editorial de O Globo sugerindo/ pedindo a Bolsonaro melhorasse a imagem do Brasil em reunião da ONU (ou seja, que ele mentisse aos chefes das outras Nações Unidas sobre quem ele é de fato)! O filho de vocês não vai se portar bem à mesa nunca”.
O ex-parlamentar se referia ao editorial do jornal O Globo “Bolsonaro tem chance de reparar imagem do Brasil”.
“Faria bem Bolsonaro se decidisse, inspirado pela carta escrita com o ex-presidente Michel Temer, dar meia-volta também nos temas ligados a meio ambiente e direitos humanos. Se conseguir mostrar ao mundo seu lado ‘Jair Peace and Love’, talvez começasse a reverter os danos que seu governo causou ao país na cena internacional. É improvável que convencesse a todos, mas seria, pelo menos, um começo”, diz o editorial
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Opinião: Jose Paulo Kupfer - Quebra de gigante ameaça China; melhor não apostar em marolinha aqui
José Paulo Kupfer
20/09/2021 16h35
O Ibovespa, principal índice do mercado de ações no Brasil, derretia, com queda de quase 3,5%, descendo abaixo de 110 mil pontos, no início da tarde desta segunda-feira (20). No mercado cambial, a cotação do dólar também se encontrava pressionada, subindo a R$ 5,35. O primeiro pregão da penúltima semana de setembro, nos mercados de ativos brasileiros, veio sangrento.
Não, não era mais uma reação de decepção do pessoal do mercado financeiro com o presidente Jair Bolsonaro. A turma, de fato, poderia ter se desiludido mais um pouco com o marketing tosco do governante que apoiava, na chegada a Nova York, onde se encontra desde o fim da tarde de domingo (19), para discursar nesta terça-feira (21), na sessão de abertura da assembleia geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Mas o que está derrubando os mercados é um possível terremoto internacional bem mais grave, com epicentro na China.
O presidente brasileiro, o único não vacinado dos mandatários do G-20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, publicou uma foto, comendo na rua um pedaço de pizza, ao lado de ministros e assessores, por não poder entrar em restaurantes sem áreas ao ar livre. A foto, na calçada de uma loja de rede popular de pizzarias, configurava uma grotesca ação populista, com intuito de reforçar entre apoiadores sua imagem de "homem do povo" - um "homem do povo" hospedado em hotel cinco estrelas, no miolo de Manhattan, com diária a R$ 1.350.
Também não era o "risco fiscal", o problema doméstico invariavelmente invocado por 11 entre 10 economistas de mercado para momentos de pressão sobre os ativos financeiros, o que, desta vez, fez o pregão vir abaixo. O que estava puxando as cotações para baixo, na Bolsa, e para o alto, no câmbio, era uma empresa chinesa. Uma incorporadora imobiliária gigante, chamada Evergrande, ameaçada de quebrar e arrastar uma multidão de investidores, fornecedores e compradores com ela.
Alta de preços de energia na Europa e preocupações com os sinais do Fed (Federal Reserve, banco central americano) sobre o início da regularização da política monetária, com o início da alta dos juros, também estão atuando para derrubar os mercados. Mas o temor principal vem mesmo da superendividada gigante chinesa.
Analistas consideram pouco provável neste momento que a eventual quebra da Evergrande se alastre pelos mercados globais. Mas é inevitável vislumbrar o espectro de crash global de 2008, deflagrado em setembro daquele ano pela quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers, embora gestada desde 2007 com a intensificação de operações especulativas com ativos financeiros sem lastro.
Nascida em 1996, a Evergrande esteve na liderança do boom chinês da construção civil, absorvendo a migração de populações inteiras do campo para as cidades - uma das explicações para o longo período de supercrescimento econômico experimentado pelo país. Hoje carrega dívidas monumentais de US$ 300 bilhões, o equivalente a quase 5% do PIB brasileiro. Imóveis não estão sendo entregues nos prazos estabelecidos em contrato e suas dificuldades se refletem na cotação das ações, que perderam 80% de valor, em 2021.
Questão crítica é saber se a quebra da Evergrande, hoje considerada até "provável", vai arrastar a economia chinesa para uma recessão e, mais, se vai arrastar o resto do mundo, como em 2008. Primeira dúvida é como as autoridades chinesas vão atuar, se vão salvar a empresa ou apenas tentar controlar a distribuição dos prejuízos.
Em sua conta no Twitter, o economista Rodrigo Zeidan, professor da Universidade de Nova York, no campus de Xangai, e colunista da "Folha de S. Paulo", avalia como improvável que a crise da Evergrande transborde das fronteiras chinesas. "Não há como a quebra da Evergrande gerar colapso do sistema financeiro global, por uma razão simples: a China não tem sistema financeiro integrado com o do mundo e o yuan [a moeda chinesa] nem é conversível", explicou.
Zeidan lembrou, porém, que "crises financeiras se espalham pelas vias do comércio e do sistema financeiro". Segundo ele, portanto, se a crise financeira chinesa ficará contida na China, o mesmo não se poderá dizer se a economia chinesa entrar em recessão. "Se China entrar em recessão, o mundo também entra", registrou Zeidan.
A China é de longe o maior parceiro comercial do Brasil. O fluxo de comércio entre os dois países somou, em 2020, US$ 111 bilhões, com exportações brasileiras elevando-se a US$ 70 bilhões, importações de US$ 34 bilhões e saldo favorável ao Brasil de US$ 36 bilhões. O segundo posto é ocupado pela União Europeia, com fluxo comercial de US$ 55,3 bilhões, metade do mantido com a China. Mais abaixo, na terceira posição, aparecem os Estados Unidos, com US$ 45,6 bilhões em transações com o Brasil.
Uma crise de endividamento na China, freando o crescimento econômico, a esta altura, tem potencial para afetar, negativamente, a economia mundial. Grandes exportadores para a China, caso do Brasil, seriam mais afetados.
Para analistas, a derrubada no mercado de ações e a alta na cotação do dólar, no Brasil, não reflete um ambiente de pânico entre os investidores. Mas o cenário internacional ganhou enormes incertezas e o futuro próximo não está claro. As atenções se voltam para os reguladores de mercado chineses, em busca da descoberta do que eles farão no caso Evergrande.
Nesta quinta-feira (23), há vencimento de US$ 130 milhões em juros a serem pagos pela Evergrande. Dependendo do desenrolar desse pagamento, as tensões podem amainar ou, caso se configure um calote, evoluir mais rápido para uma crise aguda. Porém, mesmo que esta primeira barreira seja superada sem maiores traumas, o cenário se complicou, e é mais prudente não apostar todas as fichas de que se trata apenas de uma marolinha.
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Risco de calote da chinesa Evergrande derruba Bolsas pelo mundo; entenda
Ibovespa recua 2,33%; mercado lembra crise imobiliária de 2008, mas especialistas apontam diferenças
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O temor de um calote bilionário da Evergrande, uma gigante do mercado imobiliário chinês, derrubou Bolsas pelo mundo, provocando um mergulho no pregão no Brasil.
O Ibovespa, principal índice da B3, recuou 2,33%, e fechou com 108.843 pontos. O dólar subiu 0,81%, cotado a R$ R$ 5,3320.
Nos Estados Unidos, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram 1,78%, 1,70% e 2,19%, respectivamente.
Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 (zona do euro) retrocedeu 2,11%. Também caíram as Bolsas de Londres (-0,86%), Paris (-1,74%) e Frankfurt (-2,31%).
A Evergrande, cujo passivo é estimado US$ 355 bilhões (R$ 1,89 trilhão), informou a credores que não conseguirá cumprir os pagamentos de juros da dívida com vencimento nesta segunda-feira (20).

Economistas afirmam que a situação é grave, capaz de trazer de volta o “fantasma da crise de 2008”, como relatou a casa de análise Levante Research em boletim enviado nesta manhã a investidores.
Em setembro de 2008, o banco americano Lehman Brothers quebrou ao reconhecer a insolvência de créditos imobiliários, sem receber socorro do Fed (o banco central dos EUA), o que provocou um efeito dominó de perdas em instituições financeiras pelo mundo afora.
Enrico Cozzolino, sócio-analista da Levante, afirma que, neste momento, a Evergrande levantou "uma bandeira amarela" para o mercado.
Roberto Dumas, professor de economia chinesa do Insper, recomenda cautela no pessimismo. "O mercado está em pânico porque não sabe se o governo chinês irá atuar, então, eu digo: calma, o governo deverá interferir", diz Dumas.
Magnata chinês perde US$ 1 bilhão com temor de colapso da Evergrande
Segundo dados levantados por Dumas, a Evergrande tem papel estratégico para projetos de longo prazo que buscam o desenvolvimento econômico da China. A empresa é responsável por 1.300 empreendimentos em cidades de baixa renda e emprega 3,8 milhões de trabalhadores ao ano.
Além de citar a preocupação com o impacto social, o professor reforça que o governo chinês tem forte capacidade de interferência na gestão dos ativos que compõem parte considerável da dívida da Evergrande, os WMPs (Wealth Management Products ), espécie de títulos emitidos sem garantia.
"O governo vai interferir de alguma maneira, pois pode trocar dívida por ativos", diz Dumas. "Não vai ser fácil, mas está longe de virar um Lehman Brothers porque o governo chinês vai fazer alguma coisa."
Dumas estima em algum momento, o governo vai promover a reestruturação da companhia, com venda de ativos, limitando as perdas para evitar tensão social.
Ele lembra que a China tratou o colapso do Lehman Brothers como um sinal da falência do Consenso de Washington e da ascensão do Consenso de Pequim. Também usou o evento como um marco para o início do fim do império americano. "Deixar que aconteça a mesma coisa com a Evergrande é praticamente descartável", afirma ele. Incerto é o destino dos executivos responsáveis pela degringolada da companhia.
O economista Rodrigo Zeidan, colunista da Folha, também destaca que, apesar de grave, o colaspso da Evergrande não deve ter efeito em escala global (entenda o porquê).
No curto prazo, porém, a crise da empresa chinesa deverá piorar a situação da Bolsa brasileira, avaliam os analistas.Segundo Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, o pregão local já vinha sendo afetado pela desaceleração econômica chinesa, alimentada por restrições impostas pelo governo para tentar zerar os casos de Covid-19 no país e também por políticas públicas que buscam reduzir emissões de dióxido de carbono.
Folha Mercado
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O país é o maior importador mundial de minério de ferro, cujo preço vem sendo rebaixado devido à redução da demanda.
Ações de empresas de mineração e siderurgia brasileiras estão sendo fortemente prejudicadas, o que explica, em parte, as recentes quedas do Ibovespa.
"A Vale, que representa 13,6% do Ibovespa, teve 53% das suas receitas do segundo trimestre deste ano vindas de exportações para a China", diz Arbetman. "Tem impacto direto."
Na última sexta-feira, a Bolsa brasileira registrou queda de 2,06%, fechando o pregão com 111.439 pontos e acumulando perda semanal de 2,49% —a terceira semana seguida de queda. No ano, o recuo atingiu 6,37%.
A última vez que o Ibovespa havia caído ao patamar dos 111 mil pontos foi em março, um dia após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin que anulou todas as condenações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela Justiça Federal de Curitiba, devolvendo, assim, os direitos políticos a ele.
Raio-X
Evergrande
Fundação: 1996, na cidade de Guangzhou, na China
Ativos: R$ 1,89 trilhão
Vendas por ano: R$ 577,22 bilhões
Empregados: 200 mil funcionários no momento
Projeções para 2022: R$ 2,47 trilhões em ativos e R$ 824,60 bilhões em vendas
Ramo imobiliário: um dos principais braços de atuação do grupo é a Evergrande Real Estate, do ramo imobiliário, que possui cerca de 1.300 projetos espalhados por 280 cidades da China
Clientes: o foco da Evergrande Real Estate está na entrega de casas decoradas e o público da companhia é estimado em aproximadamente 12 milhões de proprietários
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Bolsa cai 2,33% e atinge o menor patamar do ano com temor de calote da chinesa Evergrande

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RIO — A possibilidade de um colapso da gigante imobiliária chinesa Evergrande derrubou as bolsas de valores em todo o mundo nesta segunda-feira. No Brasil, onde as commodities vinham sustentando a economia fragilizada pelas tensões políticas e fiscais, a expectativa é que a crise na China atinja não apenas a Bolsa, mas prejudique o próprio crescimento econômico brasileiro. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de São Paulo, encerrou o dia em queda de 2,33%, aos 108.843 pontos.
Esse foi o menor patamar diário atingido pelo índice neste ano, ficando abaixo dos 110.035 pontos registrados no dia 26 de fevereiro.
O dólar comercial, por sua vez, fechou em alta de 1,04%, cotado a R$ 5,3416.
— A crise na Evergrande pode ter um impacto maior principalmente nas empresas da Bolsa exportadoras de commodities, como Vale, siderúrgicas, frigoríficos, que são mais ou menos 30% do Ibovespa. Mas tem um impacto importante na economia também, porque a gente fica sem motor de crescimento — afirma Bruce Barbosa, sócio-fundador da Nord Research, que acrescenta: — Com Brasília em chamas, o presidente brigando com o STF, o STF brigando com o presidente, o Legislativo brigando entre si, e a gente sem conseguir passar as reformas tão importantes para um crescimento de longo prazo, nosso motor estava no superciclo de commodities, que pode dar uma parada agora.
Esta semana é decisiva para a Evergrande, pois ela tem várias dívidas a vencer até quinta-feira, e o temor é de calote. A companhia é a incorporadora mais endividada do mundo, com US$ 300 bilhões em débitos.
Em meio a um feriado em vários mercados asiáticos, as ações da Evergrande caíram10,24% em Hong Kong, derrubando a Bolsa local, que fechou em queda de 3,3%. O movimento negativo contaminou as bolsas europeias e americanas, que fecharam em queda.
A Bolsa de Londres cedeu 0,86% e a de Frankfurt, 2,31%. O índice CAC 40, da Bolsa de Paris, teve queda de 1,74%.
Em Wall Street, o índice Dow Jones cedeu 1,94% e o S&P, 2,21%. Em Nasdaq, a queda foi de 2,40%.
Risco de calote
Segunda maior incorporadora da China, com mais de 1.300 projetos em 280 cidades chinesas, a Evergrande precisa pagar US$ 83,5 milhões em juros de uma dívida até quinta-feira. Outro débito menor mas de valor não divulgado, vencia nesta segunda-feira, com carência até amanhã, e o temor é de um calote.
O temor dos analistas é de contágio para o setor financeiro chinês e também para outras incorporadoras do país. Há dúvidas se o governo chinês estaria disposto a fazer um resgate da empresa. A Evergrande é um conglomerado que inclui, além da incorporadora, negócios com carros elétricos, mídia e tecnologia e até um time de futebol. Seu principal acionista e presidente, Hui Ka Yan, é membro do Partido Comunista há 35 anos e seria próximo do núcleo do poder em Pequim.
Para o Head de Renda Variável da Valor Investimentos, Romero Oliveira, os investidores estão procurando ativos mais seguros para se proteger devido ao aumento da percepção de risco, o que ajuda a explicar as perdas dos mercados acionários.
Segundo Oliveira, o caso Evergrande gera uma preocupação não só sobre a possível contaminação de outros setores da economia chinesa, como também da situação econômica do país como um todo.
— Questionamentos sobre economia chinesa começam a ser levantados nesse momento. O mercado espera que, de alguma forma, o governo chinês auxilie a empresa para que nada mais sério ocorra. Mas só da situação já ter chegado nesse patamar já acendeu a luz amarela.
A tendência é que os mercados emergentes sofram mais com esse aumento de aversão ao risco. O especialista da Valor ressalta que o Brasil não deve se aproveitar tando de um possível fluxo de recursos entre mercados emergentes, justamente pelos seus problemas internos.
— Esperava-se que o Brasil fosse se beneficiar do movimento que ocorreu nos últimos meses de redução de exposição em China, mas isso não aconteceu. O emergente por si só já tem uma percepção de risco maior e no caso do Brasil, com o ambiente que a gente vive, a cautela é dobrada.
A economista chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, ressalta que a aversão ao risco vista no exterior reflete a falta de previsibilidade sobre o futuro da empresa.
— O mercado está ponderando esse risco (de calote) e por isso estamos vendo esse movimento de depreciação dos mercados acionários desde a semana passada. Mas tem essa expectativa que o governo chinês terá alguma tratativa para que a situação não vá para o pior cenário possível – disse a economista, destacando que os nossos problemas internos potencializam o sentimento negativo visto no exterior.
E por que isso é um problema?
As dificuldades da Evergrande podem impor um freio ao setor de construção civil na China e, assim, reduzir a demanda por aço.
E isso influencia negativamente a cotação do minério de ferro, que vem em franca desvalorização nas últimas semanas. A Evergrande é uma das grandes consumidoras de produtos do setor siderúrgico.
O minério com teor de 62% de ferro, principal referência do mercado, fechou o dia em queda de 8,8% no porto chinês de Qingdao, cotado a US$ 92,98 por tonelada.
Os contratos futuros da commodity, negoaciados em Cingapura, despencaram 11,5% nesta segunda-feira. Os preços despencaram cerca de 60% desde um recorde em maio, e estão abaixo dos US$ 100 pela primeira vez em mais de um ano, à medida que a demanda chinesa diminui.
O minério em baixa afeta a Bolsa brasileira, pois prejudica as ações da Vale, que correspondem a quase 15% do Ibovespa, e de outras siderúrgicas importantes.
— Você tem uma correção de preço de commodities. Como a Bolsa brasileira tem uma parte relevante exposta à commodities, a gente sofre bastante — disse Oliveira, referindo-se aos papéis da Vale e da Petrobras.
Na mesma linha, segue a especialista da Veedha:
— Impacta a demanda por commodities metálicas. Se eles encerram as operações lá, isso acaba impactando diretamente na demanda por commodities metálicas no Brasil.
Além do caso Evergrande, a desaceleração da economia chinesa e a preocupação do governo local em cumprir metas de redução das emissões de carbono também são fatores que levam à desvalorização dos preços.
Vale cai 3%
As ações ordinárias da Vale (VALE3, com direito a voto) encerraram o pregão em queda de 3,19%. Ao longo do dia, os papéis da mineradora chegaram a ceder mais de 6%.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) caiu 2,58%, enquanto as preferenciais da Usiminas (USIM5, com direito a voto) baixaram 1,24% e as da Gerdau (GGBR4), 4,41%.
Os papéis ordinários da Petrobras (PETR3) perderam 1,06% e os preferenciais (PETR4), 1,40%, acompanhando o movimento de baixa do petróleo no exterior.
No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) cederam 2,41% e 3,75%, respectivamente.
De olho nos juros
A semana também é marcada pelas reuniões de política monetária do Federal Reserve, Banco Central americano, e do Banco Central (BC).
Nos Estados Unidos, a expectativa é sobre possíveis sinalizações a respeito do início do processo de retirada de estímulos, o chamado “tapering”. Já no Brasil, os investidores precificam uma nova alta de 1 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que iria para o patamar de 6,25%.
Mas restam dúvidas sobre quando este ciclo de altas dos juros vai acabar. Na semana passada, o presidente do banco, Roberto Campos Neto, afirmou que vai levar a Selic “para onde precisar levar” a fim de cumprir as metas de inflação dos próximos anos.
— O mercado está em um modo de aguardo para ver quão agressivo o BC vai ser, visto que os últimos dados têm mostrado pressões altíssimas da inflação — afirma Oliveira.
Além da política monetária, as discussões do governo para garantir a reformulação do Bolsa Família, o pagamento dos precatórios e a crise hídrica seguem no radar.
A última proposta, de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para financiar o novo programa foi mal recebida pelos investidores, levando o Ibovespa a registrar a terceira semana consecutiva de perdas.
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Leonardo Sakamoto - Irrelevante na ONU, Bolsonaro viajou a Nova York para fazer live de luxo
Colunista do UOL
20/09/2021 12h03
Jair Bolsonaro afirmou que vai falar umas "verdades" na Assembleia Geral das Nações Unidas. O problema é que, por lá, ninguém está interessado nessas verdades. Só o público dele no Brasil. Ou seja, vai ser, como em anos anteriores, uma versão de luxo das lives que ele faz às quintas-feiras, paga com o dinheiro do contribuinte.
O mundo quer nossas matérias-primas, nosso mercado consumidor e nossos serviços ambientais, mas não está interessado no que pensa (sic) esse chefe de Estado na ONU porque já entendeu que ele não tem o que dizer. A menos que defenda com todas as letras sua política de genocídio de povos indígenas ou que avise que vai criar entraves a investidores internacionais, o seu discurso na abertura da Assembleia Geral, nesta terça (19), será mais um factoide a ser consumido pelos fãs.
Vai deixar alguns jornalistas e diplomatas envergonhados? Vai. E, no máximo, confirmar se ele está em uma fase de recuo ou de avanço em suas aproximações sucessivas contra as instituições democráticas. E só.
Um factoide tão bizarro quanto ele comer pizza na rua para vender a ideia de que não se importa em entrar em restaurantes de Nova York desde que mantenha seus "princípios" - o protocolo da cidade obriga vacinação para frequentar o interior desses estabelecimentos. E o naco negacionista de seus seguidores pira com a necropolítica de Jair.
Como já disse aqui em anos anteriores, ao contrário do que circulam em grupos bolsonaristas, abrir a Assembleia Geral não é sinal de prestígio deste atual presidente, mas tradição inaugurada na fundação da ONU. Uma homenagem ao Brasil, em reconhecimento a uma época em que a diplomacia brasileira fazia diferença no mundo.
Além disso, o discurso de um chefe de Estado é, na grande maioria das vezes, voltado mais a seu público interno do que à comunidade das nações. Mesmo quando ele vomita nacionalismo e teorias conspiratórias contra nossa soberania, está influenciando a sua plateia, não o mundo.
Com isso, o presidente excita aquela camada de 11% a 15% da população, segundo o último Datafolha, que pula no abismo se ele mandar ou acredita em tudo o que diz. Ou seja, vai usar mais uma vez a política externa para fortalecer o bolsonarismo-raiz, base de sua militância e seu escudo de proteção.
É, por exemplo, para os ruralistas que o apoiam que ele falava quando defendeu na Assembleia Geral do ano passado que os incêndios na Amazônia são culpa dos indígenas e não de pecuaristas, madeireiros, grileiros de terra.
Como explica um diplomata que vários anos de ONU, o discurso na AG é um cartão de visitas para o mundo. Mas, no caso de Bolsonaro, o mundo já sabe o que vai encontrar. A elite política e econômica do Ocidente talvez faça cara de nojinho e realize alguns protestos.
A maioria sabe, contudo, que tanto imagens de satélites com fogo e desmatamento quanto uma montanha de quase 600 mil mortos por covid não mentem. Bolsonaro conta com o desprezo de uma boa parte dos líderes das democracias ocidentais por seu comportamento biocida, suas políticas piromaníacas, terraplanismo sanitário e sua incompetência econômica.
A garantia de que Bolsonaro vai mentir na ONU é a mesma de que o sol nascerá a cada novo dia. Ele aposta que a construção da realidade para os seus seguidores não brota de fatos, mas da narrativa que sai de sua boca. E, para eles, palavras firmes de seu líder no exterior representam que ele peita o mundo - mesmo que o mundo o veja como um covarde.
Quem fica agradecido com isso é o presidente norte-americano Joe Biden, que discursa após o brasileiro.
Após o desastre que representou a forma como tirou as tropas do Afeganistão, é bom que ele tenha Bolsonaro logo antes. Primeiro, para lembrar aos democratas nos Estados Unidos que Donald Trump, de quem o governo brasileiro era vassalo e cópia mal-ajambrada, pode voltar. E, segundo, qualquer líder mundial ganha a envergadura de um estadista falando depois de Jair.
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Evergrande: crise na China pode desencadear quebra mundial do mercado financeiro

247 - Agrava-se rapidamente a crise de liquidez de uma das principais imobiliárias da China, a Evergrande, a incorporadora mais endividada do mundo. O medo da falência da empresa levou a um colapso das Bolsas asiáticas nesta segunda-feira, 20, pois ela terá de arcar com pagamentos de juros milionários esta semana.
Segundo o jornal El País, “os mercados têm o receio de que, se o Governo chinês não agir, as dificuldades da Evergrande possam desencadear uma onda de quebradeira e contaminar o setor financeiro, que injetou empréstimos para empresas e compradores”.
Segundo reportagem do jornal espanhol, a Evergrande acumula dívidas no valor de mais de US$ 300 bilhões (cerca de R$ 1,6 trilhão). O valor corresponde a 2% do PIB chinês e é do tamanho da economia da África do Sul. Na quinta-feira, 23, a empresa terá de pagar juros de US$ 84 milhões de seus títulos offshore, além de outros US$ 47,5 milhões no dia 29 deste mês.
O preço das ações da empresa caiu 10% nos mercados de Hong Kong neste início de semana, ficando em seu nível mais baixo dos últimos 11 anos, segundo o El País, que informou ainda que “o índice Hang Seng Imobiliário caiu cerca de 7%, chegando aos piores patamares desde 2016, enquanto o índice geral do mercado de ações de Hong Kong fechou em mínimos anuais”.
A crise da empresa interferiu nas Bolsas de Valores do mundo inteiro. No Brasil, por exemplo, a Bolsa fechou a segunda-feira em queda de 2,33% após operar o dia inteiro em baixa.
Crise financeira
A falência da Evergrande se dá principalmente pelos créditos fáceis adquiridos para construir seus projetos. Segundo o El País, a empresa, fundada em 1996, é “um símbolo dos excessos da bolha imobiliária chinesa”. Ainda, o grupo tem cerca de 800 empreendimentos em construção; metade deles está paralisada por falta de caixa.
“Agora, os compradores de moradias que adiantaram parcelas para comprar um dos apartamentos que a Evergrande estava construindo enfrentam uma preocupante possibilidade: a de que seus imóveis nunca sejam concluídos. Empreiteiros e fornecedores correm o risco de não receber os pagamentos pelos serviços prestados, o que, por sua vez, pode levar a uma crise de liquidez que põe em risco sua própria existência”, diz a reportagem.
“Por sua vez, os bancos e outras entidades que concederam empréstimos à empresa podem não receber o dinheiro devido, o que teria consequências graves para todo o sistema financeiro: cerca de 300 empresas são credoras dos empréstimos concedidos à Evergrande. A falência da imobiliária pode levar ao encarecimento do crédito, entre outros problemas”, continua.
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Villa: Bolsonaro em NY é uma vergonha e só faltou sentar na sarjeta
Colaboração para o UOL
20/09/2021 13h06
O historiador e colunista do UOL Marco Antonio Villa afirmou que a cena do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comendo pizza na rua em Nova York, nos Estados Unidos, por não ter autorização para entrar no restaurante, já que ainda não foi vacinado contra o coronavírus, é mais uma "vergonha" para o Brasil. O chefe do Executivo Federal está em NY para participar da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).
Em entrevista ao UOL News, Villa apontou que para completar a cena "patética" protagonizada pelo presidente faltou apenas ele "sentar na sarjeta". Ainda, o colunista ressaltou que este "é o momento mais triste da história do Brasil republicano", inclusive "no campo das relações exteriores".

Sem dar mais detalhes, Bolsonaro diz que discurso na ONU será 'em Braille'
"Imagina qualquer chefe de Estado de outro país estrangeiro que foi à Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), quem que agiu assim? Só um, o Bolsonaro. E ele é, infelizmente, a representação do Brasil. Então é mais uma vergonha para o Brasil. Não é a primeira vez e não será a última enquanto ele for presidente. É patético", declarou.
Na entrevista, Marco Antonio Villa destacou que ainda "mais grave" do que a cena de Jair Bolsonaro jantando na rua é o fato de ele não ter se vacinado contra a covid-19, "porque estimula outras pessoas aqui no Brasil a também não se vacinarem".
"Nós sabemos a importância do imunizante para enfrentar a covid", diz, salientando que a atitude do mandatário "é um sinal para o mundo de que o presidente brasileiro é um negacionista" que representa um "perigo para a saúde pública não apenas dos brasileiros, mas de todos os habitantes do planeta", completou.
Por que Bolsonaro teve que comer em pé na calçada?
Em agosto, Nova York deu início à medida batizada de "Key to NYC Pass" (Chave para o passe de Nova York, em tradução livre do inglês), na qual passou a ser exigida certificação de vacinação contra covid-19 para entrar em locais públicos fechados como restaurantes, museus e academias. Jair Bolsonaro, como é de conhecimento público, debocha da vacina contra o coronavírus e se recusa a tomar o imunizante.
Como não está vacinado, durante sua estadia em NY, Bolsonaro, se quiser fazer refeições em restaurantes da cidade, terá que buscar estabelecimentos com mesas na calçada ou em ambientes externos, uma vez que a restrição se aplica a espaços internos.
No jantar, Bolsonaro esteve acompanhado de parte da comitiva que o acompanha na viagem. Além do ministro do Turismo, Gilson Machado, que publicou a imagem nas redes sociais, também participaram do jantar o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o ministro da Justiça, Anderson Torres, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, e chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos.

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