________________________* ANTES que seja TARDE - Agassiz Almeida ________________________* O PRELÚDIO da TRANSIÇÃO pelo ALTO? - Marco Mondaini ________________________* Os DONOS do PODER, SEM nome FORTE, vão de Bolsonaro - Valquer Bicalho
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_______________________________________________________Antes que seja tarde - Agassiz Almeida _______________________________________________________ O Prelúdio da Transição pelo Alto? - Marco Mondaini _______________________________________________________ Os donos do Poder, sem nome forte, vão de Bolsonaro - Valquer Bicalho _______________________________________________________ Andrea Dip - Livro explica como a "IDEOLOGIA de GÊNERO" é usada para PROJETOS de PODER _______________________________________________________ Andrea Dip - Prender Géssica e acolher estátua de Borba Gato é preservar FARSA HISTÓRICA _______________________________________________________ Andrea Dip - 7 de Setembro e o TOM de AMEAÇA na VOZ de LÍDERES_EVANGÉLICOS _______________________________________________________Fuja de gente SINCERONA - Gente SINCERA e sem CERIMÔNIA: como EVITAR _______________________________________________________
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Fuja de gente SINCERONA - Gente sincera e sem cerimônia: como evitar
“Sou muito sincera, franca, detesto falsidades”, diz ela com indisfarçável orgulho. “Não gosto de cerimônia, sou um cara simples, autêntico, comigo não tem frescura”, é o que ele proclama envaidecido.
Se o leitor desavisado ouvir essas frases, pensará em pessoas divertidas e verdadeiras, que vão tocar a real sobre o seu relacionamento ou carreira, assim como avisar, de maneira discreta, se você tem uma alface no dente ou está com a braguilha aberta. Quem sabe, pensará também o leitor, se trata daqueles que aparecem de bermudas e havaianas em compromissos sociais caretas, deixando todos à vontade com a sua informalidade e alegria. À primeira vista parecem pessoas que não se prendem às convenções pequeno burguesas, almas livres que iluminam os que estão à sua volta.
Gente elegante, fina e sincera, dirão os ingênuos.

Tolinhos. É um engano mortal. Na verdade, são criaturas demoníacas, que se instalam sorrateiras na sua vida: se você ouvir frases como as do primeiro parágrafo, cuidado, fuja o mais rápido possível sem olhar para trás ou muito menos deixar um contato de zap. Onde você pensa que encontrou o Zeca Pagodinho, na verdade, está escondido um Clodovil. Estas frases são o cartão de visitas de uma das nefastas criaturas existentes, o sincerão sem cerimônia. Não confunda com o extrovertido saltitante, que, apesar de ser mala, costuma ser do bem. Também é diferente do barraqueiro, outro satanás de quem ainda vou falar.
Quando se fala em formalidade, as pessoas logo pensam nos episódios de “The Crown” ou “Downton Abbey”, naqueles jantares em palácios, com cem talheres para cada lado do prato e mil regrinhas herméticas ou então em nobres arrogantes de pince-nez e fraque, cheios de mesuras, rodopiando pelos salões. Não, meu caro leitor, estamos em outros tempos, hoje em dia qualquer gesto de gentileza e educação é considerado cerimônia e formalidade. Quem dá bom dia ao porteiro já faz por merecer fama de pedante e se você aparecer de calçado fechado num casamento vai ser considerado um incorrigível esnobe.
O truque do sincerão sem cerimônia é travestir de irreverência o que é apenas grosseria e falta de noção. Trata-se de circo de horrores movido a intimidade. Assim que se considera “em casa”, ou seja, 30 segundos após ser apresentado a alguém ou entrar em um ambiente desconhecido, ele começa a apontar supostos defeitos físicos ou detalhes “engraçados” alheios, sempre acompanhado daquelas cotoveladinhas de parça e um hein-hein-hein ávido de cumplicidade. Também não se furta a “conselhos” que espalham constrangimento e mal-estar. A desculpa é a importância de ser “franco”, doa a quem doer. Sua sem cerimônia lhe permite aparecer de chinelos de dedo e camiseta regata em velórios ou se comportar como macaco em loja de louça na festa da firma. O sincerão considera que sua tosqueira é virtude a ser apreciada por todos e que sua grosseria é motivo de inveja alheia. Com a invasão das hordas bárbaras dos últimos anos, os sincerões estão se multiplicando, cada vez mais empoderados.
A única solução é evitar o contato visual ou a troca de mais do que duas palavras. Lembre-se: o sincerão sem cerimônia se alimenta de intimidade. Mantenha o distanciamento, evite o agrupamento e jamais, sob hipótese alguma, vote em um deles, muito menos para presidente.
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Bolsonaro faz discurso anticomunista, ataca a imprensa e mente na ONU

247 - Jair Bolsonaro abriu seu discurso na Assembleia Geral da ONU na manhã desta terça-feira (21) atacando a imprensa e o socialismo e mentindo abertamente ao afirmar que o Brasil estaria há "dois anos e meio sem corrupção".
"Venho mostrar um Brasil diferente do mostrado em jornais", disse, na abertura. Afirmou que "o Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição" e que isso "é muito" porque "estávamos à beira do socialismo".
"Estávamos à beira do socialismo. Estatais davam prejuízos de bilhões de dólares e hoje são lucrativas. Nossos bancos eram usados para financiar obras em países comunistas sem garantias", continuou.
Bolsonaro chegou a defender o chamado 'tratamento precoce' contra a Covid-19, que baseou sua política ao longo da pandemia, com base em medicamentos comprovadamente ineficazes para tratar a doença do coronavírus, e admitindo que ele próprio foi submetido a esse procedimento totalmente reprovado pela ciência.
Com o governo marcado pelo desmatamento e por infringir as leis ambientais, Bolsonaro também defendeu sua gestão ambiental e disse que o código florestal brasileiro "deve servir de exemplo para outros países". "Qual país tem uma política de preservação como a nossa?", indagou.

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Como vulcões podem provocar tsunamis? Pesquisadores explicam
Heloísa Barrense
Do UOL, em São Paulo
20/09/2021 08h46
Atualizada em 20/09/2021 21h01
A erupção do vulcão Cumbre Vieja, na ilha de La Palma (Espanha), acendeu um antigo debate sobre a possibilidade de vulcões serem responsáveis pela formação de tsunamis ao redor do mundo. O caso gerou comoção no Brasil por conta de um estudo publicado em 1999, que assinala que uma potencial erupção explosiva - nível mais alto de atividade vulcânica - pode ser capaz de gerar deslizamentos e provocar uma tsunami com força suficiente para chegar à costa do país.
O risco desse cenário, no entanto, é baixíssimo, segundo os especialistas. Mas, afinal, como podem os vulcões provocarem tsunamis?
Vulcão: Moradores são evacuados e Pedro Sánchez se dirige às Ilhas Canárias
Guilherme Lessa, doutor em Ciências Marinhas pela Universidade de Sydney e professor e pesquisador na UFBA (Universidade Federal da Bahia) no Departamento de Oceanografia, explica ao UOL que os tsunamis são provocados por uma onda de choque, que se propaga na superfície do oceano.
Eles são diferentes das marés, que ocorrem por atração gravitacional, e distintos das ondas que vemos na praia, que são geradas pelo vento. Os tsunamis são formados por um choque, que pode ser de movimentação ao longo de falhas geológicas ou pela colisão de algo que está acima da água com a própria água, como o deslizamento de uma grande quantidade de terra."
Segundo o pesquisador, os tsunamis não são necessariamente destrutivos. Eles podem ter alturas diferentes, o que inclui fenômenos dimensionados em centímetros até grandes metros. "Isso depende da intensidade do abalo sísmico, ou do volume de terra que desaba", afirma ele.
No caso de uma formação de uma tsunami por atividade vulcânica, o fenômeno, portanto, só poderia ocorrer em decorrência de uma forte erupção explosiva que ocasionasse intensos abalos sísmicos e um grande desabamento de terra na água.
"A lava força a passagem por entre fissuras nas rochas, e isso gera tremores ao longo do processo, mas são muito fracos comparados aos das placas tectônicas. Não são os tremores que geram tsunamis", explica o pesquisador. Ainda que, durante a erupção, o cone vulcânico possa sofrer deslizamentos, o fenômeno isolado não possui energia suficiente para gerar as grandes ondas.
"O que poderia acontecer em Las Palmas, por exemplo, é que os tremores poderiam induzir a queda de uma parte de uma ilha que já está fraturada, que já sabemos que há uma fissura ali", diz. No entanto, não há motivo para grandes preocupações no momento: os volumes de terra que poderiam cair na região das Ilhas Canárias são muito menores do que os propostos no estudo inicial de 1999, tornando a previsão da possível tsunami ainda menor.
Mesmo que ocorra o deslizamento, o potencial dele gerar danos é muito pequeno"

Carlos Teixeira, pesquisador do Instituto de Ciências do Mar, da UFC (Universidade Federal do Ceará), diz que o estudo foi pensado em um deslocamento de 500 metros cúbicos. "Mas os maiores deslizamentos que ocorrem geralmente são de 50 ou 80 metros cúbicos. A possibilidade de um tsunami é muito baixa, teria que ter um deslocamento muito grande de terra e em uma velocidade muito alta. Toda essa terra teria que cair de uma vez."
Mas, ainda assim, grandes ondas chegariam ao país?
George Sand França, doutor em sismologia e professor do Observatório Sismológico da UnB (Universidade de Brasília) aponta que os relatos sobre tsunamis provocadas por vulcões são muito raros e, quando há, são em regiões muito próximas às atividades vulcânicas em questão. "Pode ser que possa gerar ondas, mas muito próximas. Não é comparável com os tsunamis como os que aconteceram na Indonésia, em 2004, e no Japão, em 2011", explica.
Ainda, segundo o professor, não é possível mensurar com certeza se fenômenos distantes poderiam chegar à costa brasileira. "Há pesquisadores que acreditam que o terremoto de 1755 que atingiu Lisboa, em Portugal, fez com que uma grande onda chegasse ao Brasil, mas eu ainda sou cético a respeito disso. Existem alguns relatos de que a onda chegou, mas não em proporções tão grandes. O que é interessante é que mesmo se tivesse uma ilha caída que gerasse uma onda gigante, para chegar ao Brasil, viria com um efeito muito pequeno".
Para o professor, os efeitos maiores do vulcanismo estão relacionados à própria emissão de gases que incidem na visibilidade dos locais e na qualidade do ar. "Os casos piores são sobre o estilo e o tipo de vulcanismo, como por exemplo o que aconteceu na Islândia, que a atividade vulcânica atrapalhou o trânsito aéreo", diz. "Também tem a questão das toxinas, que podem causar danos respiratórios".
E as grandes ondas no Brasil?
Muitas vezes, órgãos governamentais emitem avisos de navegação a respeito de grandes ondas pela costa do Brasil. Apesar da perturbação marinha, o fenômeno não pode ser percebido como tsunamis. "Quando passa uma frente fria, um ciclone, ainda que sejam propagadas do hemisfério norte para a costa do Ceará, por exemplo, são ondas geradas por vento, e não tsunamis", explica o professor Carlos Teixeira. "O tsunami é provocada necessariamente por um abalo sísmico."
O Brasil não possui atividades tectônicas e, por isso, não corre grandes riscos quando o assunto são as mega ondas. "A gente está no meio de uma placa tectônica, um abalo sísmico pode chegar aqui - mas de forma muito pequena. Não há motivos para alarme ou pânico", tranquiliza.
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Quanto juntar para se aposentar com R$ 6.000/mês em CDB e fundo imobiliário
Colaboração para o UOL, em São Paulo
20/09/2021 04h00
Quem não quer chegar à aposentadoria e ter uma renda de R$ 6.000 por mês? É possível? Qual investimento fazer para conseguir esse valor? No Papo com Especialista, programa semanal e ao vivo do UOL, o economista César Esperandio fez simulações com CDBs e com fundos imobiliários.
Veja abaixo quanto você teria de investir em cada um desses investimentos para garantir uma renda mensal de R$ 6.000 na aposentadoria e assista abaixo ao trecho do programa. O Papo com Especialista é um tira-dúvidas sobre investimentos exclusivo para assinantes e é transmitido toda quinta-feira, às 15h.
Fundos imobiliários x CDB
No programa, Esperandio fez uma simulação com fundos de investimentos imobiliários (FII), considerando uma modalidade mais conservadora, com rendimento de 0,6% ao mês. Para conseguir uma renda mensal de R$ 6.000 por mês, você teria que investir R$ 1 milhão em fundos imobiliários com essa rentabilidade.
Uma opção ainda mais conservadora, mas com um rendimento melhor —um CDB que paga 1% ao mês — é preciso investir R$ 600 mil para ter uma renda mensal de R$ 6.000, segundo o economista, que também é do canal Econoweek.
No mercado, os CDBs que pagam mais que 1% ao mês, em média, são os atrelados à inflação. Há opções que pagam a inflação mais juros de quase 6% ao ano. Considerando a inflação próxima dos 10% nos últimos 12 meses, esses títulos estão pagando quase 1,2% ao mês, em média.
Neste caso, quanto maior a rentabilidade, maior é o prazo de vencimento. Há CDBs que pagam inflação mais 5,97% ao ano (Nova Futura), mas para resgate em seis anos. Há ainda quem pague a inflação mais 5,61% ao ano (Necton), mas com resgate em cinco anos.
Também há CDBs prefixados, que pagam quase 1% ao mês, em média. É o caso do CDB da Órama, que promete ao investidor 12,75% ao ano de rentabilidade, para resgate em quase quatro anos. Há também um CDB que rende 12,64% ao ano (Ativa Investimentos), para resgate em cinco anos.
É preciso considerar a inflação e risco
O economista disse que é preciso colocar a inflação nesse cálculo.
"Como a inflação vai corroendo o seu poder de compra, esses R$ 6.000 hoje não comprariam as mesmas coisas que os R$ 6.000 de amanhã", disse.
Para isso, é preciso juntar mais dinheiro conforme a inflação de cada ano até sua aposentadoria.
Além disso, o investidor precisa olhar para a classificação de risco dos CDBs. Essa classificação diz quais são as chances de o banco que está emitindo aquele CDB dar calote no investidor. Quem faz essa classificação são agências de risco e ela não é obrigatória.
Vale ressaltar que as condições de investimentos citadas para essa simulação são referentes ao dia 9 de setembro. As taxas podem variar de um dia para o outro.
Papo com Especialista é toda quinta-feira
O programa Papo com Especialista é transmitido às quintas-feiras, das 15h às 16h, na página inicial do UOL e do UOL e é exclusivo para assinantes. Reveja programas anteriores aqui.
Você pode enviar perguntas ao Papo pelo e-mail uoleconomiafinancas@uol.com.br —elas podem ser respondidas no programa.
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Jamil Chade - Na sarjeta da diplomacia, Bolsonaro não tem lugar no mundo
Colunista do UOL
20/09/2021 17h39
Participar da política internacional hoje exige a adoção de alguns protocolos. Não se trata de punhos de renda, ordem de talheres na mesa ou jargões diplomáticos. Em plena pandemia, fazer parte da comunidade internacional exige um protocolo sanitário mínimo, tanto por proteção como por respeito aos demais.
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) optou por não se vacinar e, em menos de 24 horas nos EUA, descobriu que seu lugar é constrangedor. O presidente abre amanhã a Assembleia Geral da ONU. Mas o discurso ocorre no momento em que o país é alvo de uma enxurrada de denúncias de violações de direitos humanos emitidas pelos próprios relatores da ONU. O organismo acompanha com preocupação a situação política e já deixou claro o apelo para que estado de direito seja preservado.
Se o governo conseguiu garantir que Bolsonaro não seja cobrado pela ausência de vacina para entrar no prédio das Nações Unidas, sua atitude aprofunda o mal-estar com o Brasil e cria, antes mesmo de ele subir ao palco, uma sombra sobre sua mensagem ao mundo.
Ofuscado por si mesmo, ridicularizado pela imprensa mundial e por diplomatas, inclusive de seu próprio governo, o presidente foi obrigado a comer pizza numa calçada de Nova Iorque para driblar as regras sanitárias que ele se recusa a seguir.
Sem vacina, ele simplesmente não pode entrar nos estabelecimentos. Nem na cidade americana e nem em centenas de outras pela Europa, se um dia optar por viajar para o Velho Continente.
Um dia depois, foi a vez de uma churrascaria em Nova Iorque improvisar um puxadinho para poder receber o presidente não vacinado. Mais um atestado de que sua imunidade como chefe-de-estado não é suficiente diante de um vírus que deixou o mundo de joelhos.
Não levou muito tempo para que Bolsonaro levasse um puxão de orelha, desta vez do conservador e populista Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido. Em um encontro entre os dois líderes, o britânico sugeriu que o brasileiro se vacinasse. Em seu melhor estilo desbocado, Johnson disse o que dezenas de líderes teriam adorado falar ao brasileiro.
Não distante do local do encontro, o prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, quem usou justamente o exemplo do brasileiro para dizer ao mundo: quem não cumpre regras básicas não entra. O acesso ao mundo, no fundo, depende hoje de responsabilidade, um produto escasso no Palácio do Planalto.
"Precisamos mandar uma mensagem a todos os líderes mundiais, especialmente Bolsonaro, do Brasil, de que se você pretende vir aqui, você precisa ser vacinado. E se você não quer se vacinado, nem venha, porque todos devem estar seguros juntos. Isso significa que todo mundo deve estar vacinado", declarou o democrata.
De fato, fontes diplomáticas confirmaram que líderes africanos que não tinham sido vacinados e queriam viajar para Nova Iorque para o evento da ONU acabaram cedendo e tomando suas doses, semanas antes do embarque.
A própria agenda de um presidente tóxico é um testemunho da dificuldade em encontrar interlocutor. Um dos poucos encontros bilaterais que Bolsonaro terá será com o líder polonês, Andrzej Duda, alvo de denúncias graves de tentar minar a independência do Judiciário, ataques contra gays e uma agenda ultraconservadora de dar inveja à base mais radical do bolsonarismo.
Quando Bolsonaro tomar a palavra amanhã para fazer seu discurso, a esperança do Itamaraty é de que o presidente adote um tom mais moderado. Pária e fragilizado, ele precisa reconstruir pontes pelo mundo. Mas palavras podem não ser suficientes.
Ao chegar em Nova Iorque no domingo, o brasileiro foi obrigado a entrar no hotel onde se hospeda pela porta dos fundos, evitando um protesto e uma faixa com um recado claro: "genocida". A viagem, portanto, corre o risco de apenas confirmar que, na sarjeta da diplomacia internacional, Bolsonaro e seu negacionismo não têm lugar no mundo.
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'Foi libertador': elas mudaram de vida a partir do diagnóstico de autismo
Ana Bardella
De Universa
20/09/2021 04h00
Um dia, Michelle Garcia, de 39 anos, saiu para fazer compras no mercado que ficava na esquina da casa onde morava, em Itumbiara (GO). Ao chegar no lugar, percebeu que os donos do comércio haviam mudado e as mercadorias estavam todas guardadas em lugares diferentes. A sensação foi tão perturbadora que precisou sair dali imediatamente.
Algo semelhante aconteceu com Sabrina Nascimento, de 39 anos, que mora em Salvador (BA). Diante de uma fila para pagar uma peça de roupa, o seu desconforto foi tão grande que se sentiu enjoada e precisou sair para vomitar. As duas levaram anos até perceberem que seus incômodos não eram derivados de uma personalidade "difícil" ou "estranha", mas sim desencadeados por pertencerem ao espectro autista.
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"Ao ouvir o diagnóstico dos meus filhos descobri que também sou autista"
Quanto mais leves os sintomas, mais difícil o diagnóstico
A Universa, Clay Brites, neurologista e um dos autores do livro "Mentes Únicas", explica que o autismo acontece em razão de organizações anormais ou incompletas em várias regiões cerebrais. Seu surgimento pode estar associado a fatores genéticos e ambientais, e sua característica principal é gerar na pessoa um déficit na habilidade de percepção social.
Clay esclarece que o autismo pode se manifestar em diferentes níveis, medidos de acordo com o suporte que a pessoa precisa receber. "Casos moderados e severos são mais intensos e a pessoa precisa de maior auxílio, desde a infância. Por isso são mais simples de diagnosticar. Já nos casos leves, a necessidade de ajuda é menor e a família não suspeita logo de cara ou não dá a devida importância", diz.
Segundo o especialista, isso acontece principalmente entre as mulheres, já que, conforme vão se tornando mais velhas, muitas desenvolvem uma habilidade de esconder suas dificuldades em ambientes sociais.
Fingimento tem um preço
O comportamento natural de um autista pode envolver rigidez de conduta no convívio social, nas rotinas e nas regras que segue. Na prática, eles podem ter extrema dificuldade com mudanças e serem metódicos. "Uma saída de casa pode dar início a uma cadeia de pensamentos, como saber exatamente onde vai, o que precisa levar, qual caminho vai fazer, qual horário vai chegar", aponta o neurologista.
Eles podem ser hipersensíveis ao tato, audição ou paladar, evitando sons comuns para as outras pessoas, abraços, beijos ou determinadas texturas de alimentos. No convívio social, tendem a não compreender metáforas, indiretas e muitas vezes precisam de explicações literais para entender algo do que foi dito. Podem preferir ficar isoladas, muitas vezes em um cômodo só da casa, do que socializar.
"Muitas vezes, a família percebe que existe algo de diferente, mas encaram o autista como alguém com quem não se pode contar. Isso porque muitos não conseguem cumprir tarefas necessárias, que não despertam seu interesse, mas que são obrigatórias", explica. Por isso, com o passar do tempo, eles podem até se camuflar, mas podem se sentir julgados, desenvolver fobias, depressão, ansiedade e até pensamentos suicidas.
Diagnóstico é autoconhecimento
Clay percebe que o número de diagnósticos de autistas com sintomas considerados leves na vida adulta vem crescendo. "Isso acontece porque começam a pesquisar sobre suas dificuldades na internet, encontram relatos de pessoas que já foram diagnosticadas, se identificam e procuram um profissional da área da saúde", opina.
Este foi exatamente o caso de Michelle, Sabrina e Julyana. Diagnosticadas tardiamente, elas relatam o que sentiram ao receber a notícia e como o laudo transformou a relação consigo mesmas e com as pessoas ao redor:
"Não suporto as cores fortes e os cheiros do mercado"
"Aos 33 anos, tive meu segundo filho, que passou a apresentar atrasos no desenvolvimento. Mesmo atingindo a idade esperada, ele não falava e pouco interagia com as outras pessoas. Não demorou, foi diagnosticado com autismo. Depois dessa notícia, comecei a refletir muito sobre como seria seu futuro. Comecei a pesquisar e ler relatos de adultos que sofriam com o mesmo transtorno.

A cada texto ou vídeo, eu me identificava com um trecho diferente. Até começar a pensar: 'Será que sou também?'. Resumidamente, sou uma pessoa literal. Quase não entendo piadas, jamais acho que uma indireta é para mim. Não sei dizer as palavras que as pessoas esperam ouvir quando me contam algo triste. Quando dava aulas, chorava quase todos os dias porque não sentia vontade de ir e, na sala dos professores, não conseguia participar das conversas. Nunca me forcei a ir nos eventos e por isso não me aceitavam bem.
Além disso, sempre tive a necessidade de me organizar. Geralmente, se estava para viajar, ficava doente uma semana antes, de tão nervosa. A rotina é muito importante para mim, a ponto de eu chorar quase todos os dias depois de treinar, porque tive uma personal trainer que costumava se atrasar.
Depois que procurei um profissional e obtive o laudo, tudo mudou, mas costumo dizer que a principal mudança foi no meu casamento. Antes, eu e meu marido discutíamos por coisas bobas, como eu não conseguir olhá-lo nos olhos, ou fingir que entendi alguma coisa quando na verdade não sei sobre o que ele está falando. Hoje, ele entende que, se digo que preciso deitar por alguns minutos durante o dia, é porque de fato preciso. Ele assumiu também as compras de mercado, porque não suporto as cores fortes e os cheiros do lugar.
O diagnóstico é libertador porque você passa a se conhecer. Há poucas semanas, comecei a fazer aulas de luta e, logo no primeiro encontro, me apresentei dizendo que tenho hipersensibilidade auditiva, pedi para que ela não colocasse música durante os treinos e que não mudasse as coisas de lugar. Parece algo simples, mas é algo que para mim faz toda a diferença".
Michelle Garcia, 39 anos, historiadora, Itumbiara (GO)
"Minha primeira reação foi ter pena de mim"
"Minhas filhas, que atualmente têm 4 anos, receberam o diagnóstico de autismo por volta de 1 ano e meio. Identifiquei nelas características minhas do passado. Como já fazia terapia, comentei da minha suspeita com minha psicóloga da época e ela me disse que, embora não fosse especialista na área, achava bem possível que eu também fizesse parte do espectro, sugerindo que eu procurasse um neurologista.

Depois de passar por uma longa avaliação, com entrevistas com meu marido e minha mãe, tive a confirmação aos 37 anos. Embora as pessoas digam que é libertador, minha primeira reação foi chorar muito com pena de mim mesma, da minha infância dos anos 80. Cheguei a ter embates com a minha mãe, até entender que não era possível receber a atenção de que precisava naquela época. Então, dei uma respirada. Você se liberta, se perdoa, se entende.
Algo que melhorou muito a minha qualidade de vida foi o direito a ser preferencial nas filas. Antes, eu me sentia muito mal, mas tinha que ficar ali. Um dia, aguardando para pagar por uma roupa, cheguei a vomitar. Nas ocasiões em que tenho que esperar para ser atendida, começo movimentos de me balançar, que desencadeiam crises.
No meu trabalho, não senti muita diferença, só entendi porque, ao sair de ambientes em que preciso socializar ou com muito barulho, fico muito cansada depois. No meu casamento, ficou mais fácil compreender algumas das minhas oscilações de humor e a lidar com as brigas. Já com relação à maternidade, entendi que as crises das minhas filhas desencadeiam crises em mim, e isso não quer dizer que eu seja uma mãe ruim".
Sabrina Nascimento, 39 anos, professora, Salvador (BA)
"Perceber a mim mesma como autista foi um baque"
"Passei a vida toda sendo chamada de estranha, esquisita, burra. Na infância, eu só conversava com as pessoas da família. Com os demais, fechava a cara. Não achava que tinha que ser uma pessoa diferente, mas isso mudou conforme fui crescendo. Nas situações sociais, passei a mascarar minha dificuldade em conviver com os outros e andar com pessoas das quais eu nem gostava, mas sentia que precisava estar perto para ser bem aceita. Em função disso, desenvolvi depressão e ansiedade.

Minha curiosidade em investigar sobre a possibilidade de ser autista só aumentou quando minha irmã passou a identificar em mim características muito semelhantes às da personagem Benê, de "Malhação", interpretada pela atriz Daphne Bozaski. Antes, eu achava que o autismo era sempre severo, mas depois, pesquisando na internet, tive um estalo. E então comecei a correr atrás de um diagnóstico. Como ela, não consigo manter contato visual, permanecer muito tempo em eventos sociais, ouvir determinados sons e ter contato com luzes fortes.
Perceber a mim mesma como autista foi um baque. Primeiro, fiquei muito feliz por finalmente ter uma explicação para as coisas que antes não conseguia entender. Depois, entrei em um processo de luto pelas coisas que poderia ter vivido se tivesse recebido essa notícia antes. Justamente por isso, decidi criar uma página no Instagram, na qual falo sobre o assunto e dissemino informações para mais pessoas. Hoje me cobro muito menos, até nos relacionamentos amorosos e não me forço mais a andar com quem considero tóxico".
Julyana Maia, 24 anos, bióloga, do Rio de Janeiro (RJ)
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Eduardo Bolsonaro é vaiado em loja da Apple em Nova York (vídeo)

247 - O deputado Eduardo Bolsonaro, que está em Nova York na comitiva do pai, Jair Bolsonaro, foi vaiado nesta segunda-feira (20), quando fazia compras na Apple Store da 5ª Avenida, uma das lojas mais famosas do mundo.
Eduardo Bolsonaro foi vaiado e chamado de "vergonha brasileira". Confira:
Leia também matéria da Rede Brasil Atual sobre o assunto:
‘O mundo não espera mais nada de Bolsonaro’, diz professor sobre discurso na ONU
Nesta terça-feira (21), um chefe de governo brasileiro discursa na abertura da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, como ocorre tradicionalmente desde 1955. Mas o que Bolsonaro vai dizer ou deixar de dizer na ONU pouco importa aos principais líderes do mundo. É como avalia o professor Giorgio Romano Schutte, da Universidade Federal do ABC (UFABC). Isso porque, segundo o professor de Relações Internacionais, o mundo não espera mais nada de Bolsonaro. “Se antes havia uma expectativa e uma curiosidade, agora todo mundo já formou opinião, de que é uma carta fora do baralho”, diz.
Para Giorgio Romano, se há um interesse grande, e justificado, pelo Brasil – pela importância do país –, politicamente há no mínimo indiferença pelo atual presidente. “Ninguém vai acreditar se ele disser que o Brasil é ‘campeão do meio ambiente’, por exemplo.”
No ano passado, a assembleia foi realizada virtualmente, devido à grave crise sanitária global. Jair Bolsonaro “analisou” a conjuntura em meio à pandemia dizendo que, “como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população, sob o lema ‘fique em casa e a economia a gente vê depois’”. Também defendeu a liberdade religiosa e o combate à “cristofobia”. Comentou os catastróficos incêndios na Amazônia e no Pantanal dizendo que o Brasil era vítima de uma “campanha brutal” de desinformação com “interesses” escusos.
Expectativas de mais mentiras
Antes, em 2019, com pouco menos de nove meses de mandato e cerca de três meses antes do primeiro caso de covid-19 confirmado oficialmente na China, Jair Bolsonaro fez o discurso na Assembleia Geral da ONU louvando a si mesmo, como o salvador que livrou o Brasil do pior dos males. “Meu país esteve muito próximo do socialismo”, disse. Ilustrou com “um acordo (de 2013) entre o governo petista e a ditadura cubana (que) trouxe ao Brasil 10 mil médicos sem nenhuma comprovação profissional”, em referência ao exitoso programa Mais Médicos, implementado pelo governo Dilma Rousseff.
Assim, em 2021, o mandatário brasileiro já chegou a Nova York protagonizando um episódio que deveria ser vexaminoso para o presidente de uma das maiores democracias do mundo. Mas para ele parece natural: como restaurantes na cidade não permitem refeições em ambientes internos de pessoas que não estejam vacinadas contra covid-19, ele e sua comitiva – incluindo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga – comeram pizza na calçada de um estabelecimento na noite de domingo. Depois disso, o constrangimento se repetiu no almoço de hoje, também do lado de fora de uma churrascaria. Isso porque Bolsonaro se recusa a tomar vacina.
No discurso, ele deverá abordar a questão ambiental e a vacinação contra a covid, que – segundo o presidente e o próprio Queiroga – é um sucesso. Portanto, a expectativa é de que minta mais uma vez. Promete fazer críticas, veladas ou diretas, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao marco temporal, tese defendida pelo agronegócio, cujo julgamento está suspenso na corte com empate em 1 a 1 até o momento.
Isolamento
“O que eu devo falar lá? Algo nessa linha: se o marco temporal for derrubado, se tivermos que demarcar novas terras indígenas, hoje em dia temos aproximadamente 13% do território nacional demarcado como terra indígena já consolidada. Caso tenha-se que levar em conta um novo marco temporal, essa área vai dobrar”, disse a apoiadores antes de embarcar. Não apresentou nenhuma prova do que disse.
Mais isolado após a vitória de Joe Biden nos Estados Unidos, Bolsonaro só tem reuniões agendadas com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o ultradireitista presidente da Polônia, Andrzej Duda. “Há muitas coisas acontecendo no mundo que vão ocupar espaço nessa Assembleia Geral”, diz Giorgio. Entre elas, o problema do Afeganistão, a pandemia de covid e a crise envolvendo França, de um lado, e EUA e Inglaterra de outro, após anúncio – pelos norte-americanos e ingleses – de parceria para fornecer submarinos nucleares à Austrália. Descartada inesperadamente do negócio, na sexta-feira (17) a França chamou os embaixadores em Washington e Camberra (capital australiana) para consultas.
“Tem muita expectativa pelas falas de Biden (em seguida à de Bolsonaro), de (Emmanuel) Macron, a questão do clima. Ninguém está interessado no que Bolsonaro vai dizer. Não há nenhuma relevância para o mundo”, reitera o professor da UFABC. Apesar disso, o fiel ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, parece acreditar no contrário. “A mensagem que o Brasil dará na Assembleia-Geral da ONU é aguardada por milhões de pessoas em todo o mundo”, escreveu no Twitter.
“O que o brasileiro vai falar é para o público interno”, diz Giorgio Romano. Ou seja, Bolsonaro deve mais uma vez usar a ONU para produzir conteúdo para as redes bolsonaristas. “E ainda tem o ano que vem”, lamenta o professor.
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Cena na 'calçada da má fama' mostra como Bolsonaro tornou o Brasil um país pária | Míriam Leitão - O Globo
Por Míriam Leitão

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Bolsa cai mais de 3% e dólar sobe, com temor de calote da chinesa Evergrande

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RIO — O dólar opera em alta ante o real enquanto a Bolsa cai nesta segunda-feira, refletindo um sentimento de maior aversão ao risco no exterior. O mercado financeiro global observa com temor a situação da gigante imobiliária chinesa Evergrande e seu impacto para outros mercados, como o de commodities.
Esta semana é decisiva para a empresa, pois ela tem várias dívidas a vencer até quinta-feira, e o temor é de calote. A companhia é a incorporadora mais endividada do mundo, com US$ 300 bilhões em débitos.
Por volta de 13h50, o dólar subia 0,85%, negociado aos R$ 5,3318, após atingir a máxima de R$ 5,3563. No mesmo horário, o índice Ibovespa tinha baixa de 3,42%, aos 107.626 pontos, pressionado pelo desempenho ruim da Vale e de empresas de siderurgia.
Em meio a um feriado em vários mercados asiáticos, as ações da Evergrande desabaram10,24% em Hong Kong, derrubanando a Bolsa local, que fechou em queda de 3,3%. O movimento negativo contaminou as bolsas europeias, que fecharam em queda, e as americanas.
A Bolsa de Londres cedeu 0,86% e a de Frankfurt, 2,31%. O índice CAC 40, da Bolsa de Paris, teve queda de 1,74%.
As bolsas americanas também apresentavam sinais negativos. Por volta de 13h50, no horário de Brasília, o índice Dow Jones cedia 2,10% e o S&P, 2,09%. A Bolsa de Nasdaq caía 2,62%.
Risco de calote
Segunda maior incorporadora da China, com mais de 1.300 projetos em 280 cidades chinesas, a Evergrande precisa pagar US$ 83,5 milhões em juros de uma dívida até quinta-feira. Outro débito menor mas de valor não divulgado, vencia nesta segunda-feira, com carência até amanhã, e o temor é de um calote.
O temor dos analistas é de contágio para o setor financeiro chinês e também para outras incorporadoras do país. Há dúvidas se o governo chinês estaria disposto a fazer um resgate da empresa. A Evergrande é um conglomerado que inclui, além da incorporadora, negócios com carros elétricos, mídia e tecnologia e até um time de futebol. Seu principal acionista e presidente, Hui Ka Yan, é membro do Partido Comunista há 35 anos e seria próximo do núcleo do poder em Pequim.
Para o Head de Renda Variável da Valor Investimentos, Romero Oliveira, os investidores estão procurando ativos mais seguros para se proteger devido ao aumento da percepção de risco, o que ajuda a explicar as perdas dos mercados acionários.
Segundo Oliveira, o caso Evergrande gera uma preocupação não só sobre a possível contaminação de outros setores da economia chinesa, como também da situação econômica do país como um todo.
— Questionamentos sobre economia chinesa começam a ser levantados nesse momento. O mercado espera que, de alguma forma, o governo chinês auxilie a empresa para que nada mais sério ocorra. Mas só da situação já ter chegado nesse patamar já acendeu a luz amarela.
A tendência é que os mercados emergentes sofram mais com esse aumento de aversão ao risco. O especialista da Valor ressalta que o Brasil não deve se aproveitar tando de um possível fluxo de recursos entre mercados emergentes, justamente pelos seus problemas internos.
— Esperava-se que o Brasil fosse se beneficiar do movimento que ocorreu nos últimos meses de redução de exposição em China, mas isso não aconteceu. O emergente por si só já tem uma percepção de risco maior e no caso do Brasil, com o ambiente que a gente vive, a cautela é dobrada.
A economista chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, ressalta que a aversão ao risco vista no exterior reflete a falta de previsibilidade sobre o futuro da empresa.
— O mercado está ponderando esse risco (de calote) e por isso estamos vendo esse movimento de depreciação dos mercados acionários desde a semana passada. Mas tem essa expectativa que o governo chinês terá alguma tratativa para que a situação não vá para o pior cenário possível – disse a economista, destacando que os nossos problemas internos potencializam o sentimento negativo visto no exterior.
E por que isso é um problema?
As dificuldades da Evergrande podem impor um freio ao setor de construção civil na China e, assim, reduzir a demanda por aço.
E isso influencia negativamente a cotação do minério de ferro, que vem em franca desvalorização nas últimas semanas. A Evergrande é uma das grandes consumidoras de produtos do setor siderúrgico.
O minério com teor de 62% de ferro, principal referência do mercado, fechou o dia em queda de 8,8% no porto chinês de Qingdao, cotado a US$ 92,98 por tonelada.
O minério em baixa afeta a Bolsa brasileira, pois prejudica as ações da Vale, que correspondem a quase 15% do Ibovespa, e de outras siderúrgicas importantes.
— Você tem uma correção de preço de commodities. Como a Bolsa brasileira tem uma parte relevante exposta à commodities, a gente sofre bastante — disse Oliveira, referindo-se aos papéis da Vale e da Petrobras.
Na mesma linha, segue a especialista da Veedha:
— Impacta a demanda por commodities metálicas. Se eles encerram as operações lá, isso acaba impactando diretamente na demanda por commodities metálicas no Brasil.
Além do caso Evergrande, a desaceleração da economia chinesa e a preocupação do governo local em cumprir metas de redução das emissões de carbono também são fatores que levam à desvalorização dos preços.
Vale cai quase 5%
As ações ordinárias da Vale (VALE3, com direito a voto) cediam 5,55% e as da Siderúrgica Nacional (CSNA3), 5,10%.
As preferenciais da Usiminas (USIM5, com direito a voto) caíam 4,24% e as da Gerdau (GGBR4), 4,19%.
Os papéis ordinários da Petrobras (PETR3) tinham queda de 3,25% e os preferenciais (PETR4), de 3,73%, acompanhando o movimento de baixa do petróleo no exterior.
No setor financeiro, as preferenciais do Itaú (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4) cediam 3,16% e 4,10%, respectivamente.
De olho nos juros
A semana também é marcada pelas reuniões de política monetária do Federal Reserve, Banco Central americano, e do Banco Central (BC).
Nos Estados Unidos, a expectativa é sobre possíveis sinalizações a respeito do início do processo de retirada de estímulos, o chamado “tapering”. Já no Brasil, os investidores precificam uma nova alta de 1 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que iria para o patamar de 6,25%.
Mas restam dúvidas sobre quando este ciclo de altas dos juros vai acabar. Na semana passada, o presidente do banco, Roberto Campos Neto, afirmou que vai levar a Selic “para onde precisar levar” a fim de cumprir as metas de inflação dos próximos anos.
— O mercado está em um modo de aguardo para ver quão agressivo o BC vai ser, visto que os últimos dados têm mostrado pressões altíssimas da inflação — afirma Oliveira.
Além da política monetária, as discussões do governo para garantir a reformulação do Bolsa Família, o pagamento dos precatórios e a crise hídrica seguem no radar.
A última proposta, de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para financiar o novo programa foi mal recebida pelos investidores, levando o Ibovespa a registrar a terceira semana consecutiva de perdas.
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Deputada tucana bate-boca com Zé de Abreu por críticas contra Tabata Amaral | Sonar - A Escuta das Redes - O Globo

Pâmela Dias
Um bate-boca entre a deputada estadual Cibele Moura (PSDB-AL) e o ator José de Abreu foi iniciado no Twitter após a tucana publicar na rede social que o artista agiu com “intolerância e machismo” ao compartilhar um tuíte, neste domingo, com ameaças contra a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). No post de ataque, que foi excluído da rede, um internauta escreveu que, caso encontrasse Tabata na rua, a “socaria” até ser preso. No sábado, o ator já havia chamado Tabata de “canalha”, após a parlamentar afirmar em reportagem publicada pelo O GLOBO que é necessário construir uma alternativa “que fure a polarização entre Lula e Bolsonaro”.
Em resposta à Cibele Moura, José de Abreu questionou o motivo da parlamentar não deixar público em seu perfil o partido político ao qual é filiada e rebateu afirmando que é “extremista sim, contra a violência da fome, da miséria, do desemprego, a violência da minha palavra, a única arma que tenho para lutar contra políticos anti-povo”. Por fim, o artista dirigiu um xingamento à tucana.
Após a indagação do ator, Cibele Moura encaminhou uma resposta alegando que nunca escondeu seu partido e disse que não deve satisfações “a quem incentiva agressão à mulher". Antes de iniciar a discussão com José de Abreu, a deputada respondeu uma publicação de Tabata afirmando que “essa turma é podre”, em alusão ao ator, e desejou força à vítima.
Em novo tuíte, após a troca de farpas, José de Abreu voltou a repostar uma publicação de um usuário da rede, com uma foto em que Cibele está com o braço esticado, remetendo à saudação nazista de Hitler, e escreveu: “a defensora da Tabata Amaral! Eita Brasil!”. Em resposta, a tucana disse que a imagem foi tirada durante um “juramento feito no dia da posse”.
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Bolsonaro tem um projeto diuturno de devastação ambiental
Uma pausa para a emergência | Opinião - O Globo
Por Fernando Gabeira
Neste momento em que a confusão política é menos intensa, observo que, nos grupos que sigo nas redes sociais, há um sério debate sobre o futuro do país. Sinto não participar ativamente por falta de tempo e, às vezes, boa conexão.
Não tem mais validade aquele verso de Drummond: “Ao telefone perdeste muito tempo de semear”. As pessoas estão semeando ideias, e espero que um dia sejam levadas à prática, embora a mediação do mundo político real tenda a neutralizá-las.
De minha parte, se pudesse contribuir agora, tentaria levar mais diretamente ao mundo político a ideia de uma emergência ambiental. Não há trégua nesse campo. Bolsonaro pode, apesar da relutância, aceitar a vacinação, atenuar suas frases no cercadinho, esquecer, momentaneamente, o voto impresso. Mas seu projeto de devastação dos recursos naturais é diuturno, não para nos feriados, nem com bloqueio de caminhoneiros.
Na sua cabeça, não é uma política destrutiva. Pensa na riqueza material, num conceito de progresso. Possivelmente, assim pensava a elite capixaba quando arrasou a Mata Atlântica, processo magistralmente descrito por Warren Dean no livro “A ferro e fogo — A história e a devastação da Mata Atlântica brasileira”.
Agora, as cidades do Oeste de Santa Catarina decretaram emergência por causa da seca, o reservatório de Ilha Solteira, em São Paulo, está no nível mínimo, e a Chapada dos Veadeiros arde em Goiás.
Não se trata de abordar a emergência apenas pelo ângulo planetário com base nos dramáticos relatórios da ONU. É possível partir daqui de dentro para o mundo. O Brasil está secando, perdermos 15,8% de nossa água doce em três décadas. Os incêndios no Pantanal mataram 17 milhões de animais.
E essa matança pelo fogo se completa com as balas. Como diz um morador da Serra da Bodoquena, agora que as armas são mais acessíveis:
— Morrem onças porque comem o gado; queixadas e catetos, porque comem o milho; antas e pacas, porque a carne é boa.
No momento em que acabo de concluir uma série de programas para uma temporada, sinto-me atraído pela possibilidade de documentar a crise hídrica, que considero histórica. Não no sentido comum, pela simples comparação de níveis dos rios e reservatórios e intensidade de chuva, uma espécie de variação dentro de um fenômeno regular.
Considero a crise histórica porque representa um momento de inflexão. Nunca mais seremos o país com riqueza de matas e abundância de água como costumamos nos imaginar. Todos os grandes biomas brasileiros estão sob ataque.
Não tenho outro caminho, exceto documentar essa perda. Nem há exílio possível. Conheci as asperezas do exílio, estudei o tema mais amplamente no livro de Maria José de Queiroz “Os males da ausência — Ou a literatura do exílio”. Pessoalmente, encontrei exilados que eram órfãos de um Estado, como os palestinos, os eritreus.
Mas é difícil imaginar o exílio de um país que deixou de existir, não como unidade política, mas como entidade física, sem a beleza e a exuberância que não só encantam o mundo, mas nos ligam a ele.
Ainda haveria tempo de buscar o desmatamento zero na Amazônia, de recuperar as principais bacias hidrográficas, de estancar a matança no Pantanal, a destruição do Cerrado, a liquidação do que restou da Mata Atlântica. Isso podia suscitar também uma grande cooperação internacional.
Mas o que predomina hoje no governo e, infelizmente, entre os militares, é uma certa noção de progresso e uma grande desconfiança em relação ao mundo. O Brasil vai se tornar um espelho de seu universo mental.
Pelo menos, é possível documentar a tragédia, à espera de uma tomada de consciência, algo que os eventos extremos já estão provocando no mundo.
A emergência ambiental figura no topo da agenda de alguns líderes mundiais. A preservação da Amazônia é uma aspiração da maioria do nosso povo. Vamos esperar que, por algum milagre, isso seja um tema nas eleições de 2022 e que funcione como mais uma pedra no sapato de Bolsonaro.
O Brasil pode se tornar a imagem da extrema direita, mas será tão árida quanto a alma dessa corrente política.

Por Fernando Gabeira
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Pesquisador mexicano prevê que Covid-19 vai continuar como doença sazonal como a gripe

BRASÍLIA — O professor de epidemiologia e de saúde global da Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan Rafael Meza avalia que a Covid-19 deve ser tornar uma doença sazonal, principalmente no outono e no inverno, como a gripe. Os casos relacionados à variante Delta devem reduzir com o avanço da vacinação. No entanto. essa medida não é suficiente para conter, sozinha, a pandemia.
O pesquisador mexicano traça um paralelo entre a situação do país e do Brasil, sobretudo em relação à vacinação. Enquanto dados do consórcio de imprensa, do qual o GLOBO faz parte, mostram que 37,18% da população nacional já está completamente imunizada, a taxa sobe para 54% nos EUA, segundo o Our World In Data.
Há, ainda, a questão da variante Mu, descoberta na Colômbia e já detectada no Brasil, e o debate em torno do fim da obrigatoriedade das máscaras, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. O país tornou o uso facultativo em junho ao alcançar 35% dos cidadãos com duas doses, mesmo sob críticas de especialistas de que o momento era precipitado.
O Brasil vive uma tendência de queda nos números da Covid, mas especialistas avaliam que ainda não é hora de afrouxar os cuidados. Qual deve ser o cenário da pandemia no país nas próximas semanas?
Dado o elevado número de pessoas que já tiveram uma infecção pela Covid, e o número considerável de pessoas com pelo menos uma dose de vacina, é de esperar que os casos continuem a diminuir. A ameaça iminente da variante Delta deve nos dar uma pausa, já que há uma possibilidade latente de novos surtos e infecções repentinas, particularmente em áreas com baixos níveis de vacinação e imunidade.
Essa tendência de queda, que está em desaceleração, pode ser revertida nas próximas semanas devido à Delta e à flexibilização de restrições, mesmo vacinação?
EUA, Canadá, México e Reino Unido são exemplos de que, mesmo com níveis de vacinação altos, a Delta pode causar um ressurgimento nos casos em que as restrições são suspensas. Acho que essa é uma realidade que todos os países precisam enfrentar. Mas claramente os países com altos níveis de vacinação e imunidade pré-existente devido a infecções anteriores têm melhor desempenho em termos de hospitalizações e mortes, mesmo que os casos aumentem, como Canadá e Reino Unido em comparação aos EUA.
Os EUA liberaram o uso de máscaras em junho. Quais impactos essa medida, atualmente em discussão, pode ter no Brasil?
Acho que depende dos motivos pelos quais as pessoas usam máscaras. Nos EUA, uma parte considerável da população usava máscaras porque eram obrigadas pelo seu estado. Assim, uma vez que os mandatos foram suspensos, muitos desses indivíduos imediatamente pararam de usar máscaras, independentemente do seu status de vacinação. Em contraste, outros, como eu, continuaram usando máscaras em ambientes públicos e espaços fechados. Somos a minoria em certas áreas.
Acho que, no Brasil e na América Latina em geral, as coisas podem ser um pouco diferentes, com um número considerável de indivíduos usando máscaras porque acreditam que elas podem proteger a si e aos outros. É aqui que líderes e organizações de saúde pública podem desempenhar um papel fundamental, aconselhando a população sobre os benefícios do uso de máscaras e as situações em que elas são mais úteis, como por exemplo, ao andar de ônibus ou transporte público.
É possível traçar um paralelo entre a situação da Covid no Brasil e nos EUA?
Temos visto essas ondas de casos, hospitalizações e mortes seguidas por períodos de relativa calma. Com o passar do tempo, espera-se que a Covid se transforme em um fenômeno sazonal, como a gripe. Muitos especialistas acreditam que, após este outono/inverno e assim que terminarmos com os surtos de Delta, nos moveremos em direção a um padrão sazonal de epidemias da Covid nos EUA. No entanto, é claro que existem muitas diferenças entre as situações da Covid-19 no Brasil e nos EUA, o que torna difícil prever se seguirão trajetórias semelhantes. Embora os dois países tenham sido duramente atingidos, os EUA conseguiram vacinar mais rapidamente, enquanto o Brasil ainda está se recuperando.
Na América Latina, o Brasil desponta como o foco da Covid atualmente. O país está em maior risco do que os vizinhos, mesmo com a descoberta da cepa Mu na Colômbia?
Estamos todos conectados e tudo o que acontece em um país em relação à Covid provavelmente afetará o que acontece no resto. Países com altos níveis de casos se tornam fontes de surtos em outros países e de novas variantes, que afetam a todos. Acho que o Brasil tem tido muita dificuldade com a Covid, em parte por causa de sua proeminência geográfica e geopolítica, sua grande população e complexa estrutura social e política. Também acho que as grandes disparidades econômicas e sociais e o difícil clima político tornaram o Brasil particularmente suscetível ao impacto da Covid. Mas coisas semelhantes podem ser ditas de outros países da região. No final das contas, essa é uma pandemia global e todos os países passarão por surtos e ondas múltiplas até que se estabeleça um padrão sazonal.
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SUMMER OF SOUL'
O Woodstock negro e um lótus branco
Acaba de sair um filme surpreendente: “Summer of soul (ou, quando a revolução não pôde ser televisionada)”, sobre o Harlem Cultural Festival. Ao ar livre, num parque ao norte de Nova York, lendas do soul, blues, gospel e latin jazz tocaram para mais de 50 mil pessoas em cada um de seis domingos no verão de 1969 para, em vez de entrar para a História da música negra, passar em branco pela mídia americana por mais de 50 anos.
“Uma rosa crescendo no cimento”, segundo quem assistiu à dignidade de uma Nina Simone se juntar a um B.B. King em transe. A catarse de Stevie Wonder tocando bateria e teclados, que, além de quem lá estava, ninguém ouviu, viu ou conhecia até o lançamento do documentário de Ahmir “Questlove” Thompson, músico, produtor, líder de banda hip-hop e conhecido por ser aquela figura enorme e sorridente que dirigiu a orquestra na última cerimônia do Oscar.
Desde 1969, caixas com fitas de vídeo e áudio, num total de 40 horas de gravações, ficaram guardadas num porão esperando em vão por algum interesse da indústria cultural americana.
Na tentativa de atrair as redes de televisão ou os estúdios de Hollywood, o produtor e dono das imagens, Hal Tulchin, apelidou o festival de Black Woodstock. Só depois de sua morte, em 2017, as imagens inéditas chegaram até Questlove, que, não acreditando no que via e ouvia, resolveu produzir o documentário.
O Harlem, ainda em luto depois do assassinato de Martin Luther King um ano antes, recebeu o festival como válvula de escape para as frustrações de uma comunidade em luta contra a discriminação e em busca da sua identidade. Segundo o ativista de direitos civis Al Sharpton, Jr., esse verão de 69 é “where the negro died and black was born”, onde o termo pejorativo “negro” morre, e nasce o orgulho “black”.
O verão de 1969 foi intenso. O homem pousou na Lua, Charles Mason e seus discípulos cometeram um dos crimes mais brutais da História dos Estados Unidos, e, a duas horas de distância do Harlem, um evento definiu uma geração: Woodstock. Tudo filmado, televisionado, documentado, escrito e discutido por uma mídia e uma indústria cultural que, com sua memória seletiva, esqueceram num porão um capítulo incrível da história da música americana.
As músicas de “Summer of soul” são alguns dos chicletes de ouvido de uma era. O grupo The 5th Dimension cantando a música mais tocada de 1969, “Aquarius — Let the sunshine in”, do musical “Hair”. Sly & The Family Stone, mais pop do que nunca, e seu “Everyday people”. A rainha do gospel, Mahalia Jackson, num vocal de arrepiar, e o grupo religioso Edwin Hawkins Singers, todos de verde-limão, cantando “Oh happy day”, me converteram instantaneamente.
Se “Summer of soul” é fundamental, a série de seis episódios “Lótus branco” é imperdível.
Personagens e atores incríveis numa história criada por um quase sádico Mike White, que nunca nos deixa saber se devemos rir, chorar, sentir vergonha ou raiva.
Um grupo de superprivilegiados de férias num luxuoso resort havaiano. A cada episódio, a tensão vai acumulando entre os funcionários do hotel, com seus sorrisos artificiais e condescendentes, e os hóspedes agindo como crianças mimadas, carentes da atenção especial que acham estar embutida no pacote. Comportam-se como se o único objetivo nesta vida fosse acumular dinheiro, vantagens, coisas, experiências, incapazes de perceber o mal que podem causar a quem está por baixo ou ao lado.
Numa discussão sobre a opressão do povo nativo do Havaí, desde a derrubada do reino do Havaí e sua anexação pelos Estados Unidos, em 1898, um dos personagens dá para a filha adolescente sua versão sobre o que é privilégio: “Ninguém cede seus privilégios. Isso é um absurdo, vai contra a natureza humana. Todos estamos tentando ganhar o jogo da vida”. Para ele, estava tudo certo, os havaianos perderam, e agora que soprem as conchas para chamar para o jantar e dancem hula para os turistas.
Se a imagem da rosa crescendo no cimento define bem o Harlem Festival, o título dado pelos criadores de “Lótus branco” é de uma ironia cruel: no Havaí, uma flor de lótus nascendo da lama e da sombra para reinar linda e branca.

Por Marcello Serpa
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Cientistas chegaram mais perto de fusão nuclear; entenda como - Gizmodo Brasil

Boa parte da energia que conhecemos hoje vem de um processo de combustão, ou seja uma reação química exotérmica – transferida do interior para o exterior – que ocorre entre um combustível, apresentado em forma de substância líquida, sólida ou gasosa, e um comburente, na maioria das vezes é um gás com oxigênio.
Nesse processo, os combustíveis sofrem oxidação, porque perdem elétrons e seu Nox (número de oxidação) aumenta. Já o comburente, que é o oxigênio, reduz, pois ganha elétrons e o seu Nox diminui. Sendo assim, elas sofrem uma variação de oxirredução (quando o estado dos átomos são alterados) para a formação dos produtos (energia em forma de calor).
Esse tipo de energia está presente nos carros, aviões, trens, indústrias e infinitas coisas. Ela é responsável por cerca de 85% da energia do mundo. O problema é que esse tipo de energia que ‘queima’, libera na atmosfera gases nocivos para a saúde e para o aquecimento global, como o dióxido de carbono (CO2), sendo um dos maiores responsáveis pela crise climática.
Na busca por novas fontes de energia renováveis (limpas), além da energia solar, eólica, hídrica e outras, os cientistas miram na energia de fusão — a mesma que ocorre no Sol e nas estrelas do. Sim, meio que querem colocar o Sol numa caixa.
Num pequeno experimento bem-sucedido, cientistas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e da startup Commonwealth Fusion Systems (CFS), desenvolveram um eletroímã supercondutor de alta temperatura com o campo magnético mais poderoso já criado na Terra.
Mas, para que você possa saber como isso irá mudar nosso futuro. Vamos entender alguns pontos:
O que é energia de fusão?
A fusão nuclear, ou energia por fusão, não existe comercialmente, apenas em laboratório. Como eu já adiantei, ela é um tipo de reaação química que ocorre nos astros do espaço, ocasionada por isótopos de hidrogênio – deutério e trítio – átomos que possuem o mesmo número atômico (quantidade de prótons). Devido à gravidade das estrelas, esses elementos chegam próximos para se juntarem e se fundirem, liberando hélio e nêutron (energia).
Isso só acontece porque no interior das estrelas tem uma gravidade muito grande que atrai esses átomos, já que precisa de uma força muito grande para aproximar núcleos com a mesma carga.
No entanto, para ver o ‘Sol nascer na Terra’, os cientistas precisam fazer isso de outra forma, porque esse processo necessita temperaturas muito altas (100 milhões de graus Celsius), algo que derreteria qualquer material sólido que conhecemos. Daí a necessidade de desenvolver um objeto que suporte tanto calor.
O projeto SPARC
O projeto SPARC, como ficou conhecido, começou há três anos a partir de uma aula de engenharia nuclear ministrada por Dennis Whyte, diretor do Plasma Science and Fusion Center do MIT.
Normalmente, isso é feito por meio de campos magnéticos intensos, ou seja, os cientistas usam um tipo ‘garrafa invisível’ para conter a parte quente, um gás chamado de plasma composto por elétrons e prótons. As partículas são controladas por campos magnéticos, uma vez que elas possuem carga elétrica, e geralmente é utilizado um dispositivo arredondado chamado de tokamak para contê-las.
Em um tokamak convencional, a seção que cruza o plasma tem o formato da letra D. Quando a parte reta do D fica de frente para o lado do buraco, esse formato é chamado de triangularidade positiva. Quando a seção transversal do plasma está invertida e a parte curva de D está voltada para o lado orifício, é chamada de triangularidade negativa.
A inovação desse projeto é justamente que os cientistas utilizaram eletroímãs supercondutores de alta temperatura, que permitem um campo magnético muito mais forte em um espaço menor, em outras palavras, ele pode reter o plasma, produzindo mais energia do que consumindo.
O chefe de operações da CFS Joy Joy Dunn, disse estar empolgado com o resultado, uma vez que a equipe construiu um ímã supercondutor inédito. Além de esperar ansiosamente pela produção do SPARC que deve ser finalizado em 2025.
Por que a energia de fusão é importante?
Não é de agora que os cientistas tentam inúmeras maneiras para tornar a energia nuclear possível. Uma usina nuclear, por exemplo, é o sonho de muitas nações. O ambicioso projeto ITER, que usa supercondutores de baixa temperatura, está sendo construído no Sul da França e conta com a colaboração de mais de 35 países. A Ideia é construir o maior Tokamak do mundo. Como o próprio nome já diz “iter”, do latim, caminho ou percurso – para a energia do futuro.
As usinas de fusão seriam fontes limpas de energia porque não envolvem gases do efeito estufa, como por exemplo o CO2. Tampouco emissão de resíduos radioativos de longa vida, como a fissão nuclear que gera elementos radioativos que podem durar milhares de anos – e causarem danos à saúde. Como disse Maria Zuber, vice-presidente de pesquisa do MIT e professora de geofísica da EA Griswold, falou à imprensa do MIT que a quantidade de energia disponível é o que muda o jogo, no caso para a energia de fusão aqui, o combustível utilizado vem da água. “E a Terra está cheia de água, só precisamos saber como utilizá-la”, disse.
Seria empolgante ter uma fonte de energia quase que ilimitada. É como se estivéssemos com a faca e o queijo na mão – mas não deve ser assim tão fácil reproduzir o Sol.
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Oito anos depois, GTA V é um dos games mais lucrativos; por quê? - Gizmodo Brasil

A PlayStation Showcase da semana passada teve diversos anúncios que alegraram os fãs ao mostrar novidades de aguardadas continuações como God of War Ragnarök ou novos jogos como Marvel’s Wolverine. Mas dentre as notícias, a que surpreendeu muitos – de forma positiva e negativa – foi que GTA V e GTA Online foram adiados para o PS5 e XBox Series X|S e só chegam em março do ano que vem.
Em quase oito anos de lançamento, a Rockstar Games conseguiu fazer um jogo atravessar duas gerações de consoles (indo para a terceira), traz constante atualizações para o infinito universo de GTA se tornando uma das franquias mais lucrativas na indústria dos jogos.
O caótico e fantástico mundo de Los Santos

Em 17 de setembro de 2013, chegou ao PlayStation 3 e Xbox 360 Grand Theft Auto V e era um dos mais ambicioso por trazer três protagonistas em uma extensa Los Santos com áreas que vão desde as praias ensolaradas de Vespucci Beach ao clima árido de Blaine County.
O sétimo título carrega o DNA de GTA como o humor ácido, missões extravagantes, tiro, porrada e bomba ao som dos hits das diversas rádios ecléticas para ter de trilha sonora, tudo isso levado a enésima potência. O jogo foi um estrondoso sucesso ao conseguir fazer GTA ser mais….GTA. No Metacritic, o jogo tem a nota 97 e é um dosmais bem avaliadas pela crítica.
E mesmo quem não é de “jogos violentos” deve admitir que GTA V tem o seu charme. Os três personagens que jogamos não tem nada em comum, Franklin é um gangster de rua, Michael é um ex-assaltante de bancos que recomeçou a vida ao mudar de identidade para proteger a família enquanto Trevor é um caipira (muito perturbado) que é o melhor amigo de Michael, mas pela obra do destino (no caso, da Rockstar) eles precisam trabalhar juntos.
Essa dinâmica entre os três vai nos mostrando como os protagonistas e personagens secundários são insanamente desajustados, caóticos e isso faz com que a gente crie um vínculo entre eles com suas interações singulares e o toque de humor que faz ser GTA.
Além da história, é possível explorar os 362,6 quilômetros quadrados inspirados em lugares reais como Los Angeles, Hollywood e entre outras regiões da costa oeste dos Estados Unidos. Seja para comprar roupas no centro de Los Santos, passear na praia ou completar as missões secundárias que não necessariamente envolva violência (apesar de ser uma solução mais fácil); como coletar peças de um submarino pelo mar, desvendar um assassinato, participar de uma passeata a favor da maconha ou caçar o Pé Grande.
Para não perder essa grande história, a Rockstar fez a portabilidade para PlayStation 4 e Xbox One, para o PC em 2015 e em 2022 fará para os consoles da nova geração. Por enquanto, não há previsão se saíra para Nintendo Switch.
De Los Santos para a internet

A Rockstar soube aproveitar ao máximo o universo que criou ao disponibilizar também o GTA Online, em que é possível customizar seu próprio personagem, interagir com amigos e realizar assaltos e outras missões juntos. Desde 2013, a empresa faz diversas atualizações com eventos, pacotes de cosméticos, novas missões e itens para sempre manter o público ativo.
E claro, isso abre uma infinidade de modificações (mods) que a comunidade vai criando, seja adicionando campeonatos de skate, modo caótico ou uma horda de zumbis. Mas é claro que parte do sucesso também é o GTA RP, servidores personalizados criados pela comunidade, que usa elementos de jogos de RPG.
Os principais servidores do país são Cidade Alta (da equipe de eSports LOUD), Complexo (do time Fluxo), Hype e Bahamas e neles, ao contrário do modo livre que o GTA Online oferece, o GTA Roleplay tem regras em que os jogadores precisam seguir à riscae que devem simular a vida real (então se você escolhe ser taxista, deve trabalhar como um, por exemplo).
Os servidores não-oficiais se tornaram uma febre entre os streamers e cada vez mais tem atraído interessados. E as empresas estão de olho nesse movimento tanto que a Brahma inaugurou um bar dentro do servidor brasileiro.
Nomes conhecidos como Carol “funBABE”, Coringa da LOUD, Felipe “YoDa” e Renata “Reh” estçao entre os streamers que jogam GTA RP e tem alcançado grande audiência na Twitch e outras plataformas de streaming. Segundo o Newzoo, GTA V foi um dos jogos mais assistidos na Twitch em agosto com 144,3 milhões de horas totais.
Lucros e mais lucros

Em maio deste ano, a Take-Two (empresa-mãe da Rockstar) divulgou os resultados financeiros e a empresa atingiu a receita de US $ 3,37 bilhões em ano recorde graças a algumas franquias que são suas galinhas dos ovos de ouro como NBA 2K, Red Dead Redemption e GTA V.
No primeiro trimestre de 2021, GTA V alcançou 145 milhões de cópias vendidas desde o lançamento em 2013 e GTA Online registrou um aumento de 31% em gastos recorrentes de jogadores dentro do game.
A gigante acredita que parte desses lucros foram devido a pandemia de Covid-19 em que mais pessoas ficaram em casa e investiram em videogame como forma de entretenimento. “Acreditamos que a pandemia iniciou uma mudança transformacional no consumo, revelando as possibilidades do entretenimento interativo para um mercado muito mais amplo, com o entretenimento interativo se tornando a vertical número um”.
Outro fator que também pode ter beneficiado foi quando GTA V ficou de graça por alguns dias na Epic Game Store, em 2020. O anúncio atraiu diversos jogadores deixando os servidores instáveis e a loja conseguiu mais de 7 milhões de cadastros.
Futuro da franquia
Enquanto a Take-Two fatura com seu lançamento de oito anos, muitos questionam quando a empresa lançará o desejado GTA 6? Uma pergunta difícil de responder.
À medida que a empresa não comenta nada, a internet segue se alimentando de especulações com supostos vazamentos e rumores do novo título que estão indo desde ter uma protagonista mulher até se passar em Vice City.
O fato é que teremos uma continuação, mas no momento a desenvolvedora parece estar investindo em títulos mais antigos que GTA V. No mês passado, o Kotaku divulgou que a Rockstar pode estar fazendo um remaster de três clássicos da franquia: o III, Vice City e San Andreas.
Estava planejado para os três jogos remasterizados virem como um pacote para a chegada do GTA V e GTA Online para nova geração de PlayStation 5 e Xbox Series, mas por conta da pandemia os planos acabaram atrasados.
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Por que os mais velhos não devem se preocupar com a pré-diabetes

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NOVA IORQUE — Alguns anos atrás, testes de laboratório de rotina mostraram que Susan Glickman Weinberg, então uma assistente social clínica de 65 anos, de Los Angeles, nos EUA, tinha uma leitura de hemoglobina glicosilada (chamada também de A1C) de 5,8%, um pouco acima do normal.
“Isso é considerado pré-diabetes”, disse seu médico. A1C mede a quantidade de açúcar circulando na corrente sanguínea ao longo do tempo. Se os resultados dela chegassem a 6% – ainda abaixo do número que define o diabetes, que é 6,5% –, o médico disse que recomendaria a metformina, uma droga amplamente prescrita.
— A ideia de que talvez eu tivesse diabetes era muito perturbadora —, lembra Susan, que quando criança ouvia parentes falando sobre isso como “uma coisa misteriosa e terrível”.
Ela já estava tomando dois medicamentos para a pressão arterial, uma estatina para o colesterol e outro para a osteoporose. Susan realmente precisava de outra receita? Ela também se preocupava com relatos na época de remédios importados contaminados. Ela nem tinha certeza do que significava pré-diabetes, ou com que rapidez poderia se transformar em diabetes.
— Eu me senti como o Paciente Zero —, diz. — Havia muitas incógnitas.
Agora existem menos incógnitas. Um estudo longitudinal com adultos mais velhos, publicado online neste mês na revista JAMA Internal Medicine, fornece algumas respostas sobre a condição intermediária muito comum conhecida como pré-diabetes.
Os pesquisadores descobriram que, ao longo de vários anos, as pessoas mais velhas que eram supostamente pré-diabéticas tinham muito mais probabilidade de ter seus níveis de açúcar no sangue voltando ao normal do que de progredir para diabetes. E eles não tinham maior probabilidade de morrer durante o período de acompanhamento do que seus colegas que tinham nível normal de açúcar no sangue.
— Na maioria dos adultos mais velhos, o pré-diabetes provavelmente não deve ser uma prioridade —, diz Elizabeth Selvin, epidemiologista da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg em Baltimore e autora sênior do estudo.
O pré-diabetes, uma condição raramente discutida até 15 anos atrás, refere-se a um nível de açúcar no sangue superior ao normal, mas que não ultrapassou o limiar do diabetes. É comumente definido por uma leitura de hemoglobina A1C de 5,7 a 6,4% ou um nível de glicose em jejum de 100 a 125 mg/dL; na meia-idade, pode prenunciar sérios problemas de saúde.
Um diagnóstico de pré-diabetes significa que você tem mais probabilidade de desenvolver diabetes e “isso leva à doença”, segundo Kenneth Lam, geriatra da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e autor de um editorial que acompanha o estudo.
— Isso danifica seus rins, seus olhos e seus nervos. Causa ataque cardíaco e derrame.
Mas, para um adulto mais velho que está começando a atingir níveis mais elevados de açúcar no sangue, a história é diferente. Essas terríveis consequências levam anos para se desenvolver, e muitas pessoas na casa dos 70 e 80 anos não viverão o suficiente para enfrentá-las.
Esse fato gerou anos de debate. As pessoas mais velhas com leituras de açúcar no sangue ligeiramente acima do normal – uma ocorrência frequente, uma vez que o pâncreas produz menos insulina na vida adulta – devem agir, como a Associação Americana do Diabetes (ADA) recomendou?
Ou rotular as pessoas como pré-diabéticas meramente “medicaliza” uma parte normal do envelhecimento, criando ansiedade desnecessária para aqueles que já enfrentam vários problemas de saúde?
Elizabeth e seus colegas analisaram os resultados de um estudo nacional em andamento sobre risco cardiovascular que começou na década de 1980. Quando 3.412 dos participantes compareceram para seus exames físicos e laboratoriais entre 2011 e 2013, eles tinham idade entre 71 e 90 anos e não tinham diabetes.
O pré-diabetes, no entanto, era galopante. Quase três quartos foram classificados como pré-diabéticos, com base em seus níveis de A1C ou de glicose no sangue em jejum.
Essas descobertas refletiram um estudo de 2016 que apontou que um popular teste de risco online criado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e pela ADA, chamado doihaveprediabetes.org, consideraria quase todas as pessoas com mais de 60 anos como pré-diabéticas.
Em 2010, uma revisão do CDC mostrou que 9 a 25% das pessoas com A1C de 5,5 a 6% desenvolverão diabetes em cinco anos; o mesmo acontecerá com 25 a 50% daqueles com leituras de A1C de 6 a 6,5%. Mas essas estimativas foram baseadas em uma população de meia-idade.
Quando Elizabeth e sua equipe analisaram o que realmente aconteceu com os indivíduos mais velhos do estudo cinco a seis anos depois, apenas 8 ou 9% desenvolveram diabetes, dependendo da definição usada.
Um grupo muito maior – 13% daqueles cujo nível de A1C estava elevado e 44% daqueles com glicose no sangue em jejum pré-diabético – realmente viu suas leituras voltarem aos níveis normais de açúcar no sangue. Um estudo sueco encontrou resultados semelhantes.
Desses, 16 a 19% morreram, quase a mesma proporção daqueles sem pré-diabetes.
— Não estamos vendo muito risco nesses indivíduos —, afirma Elizabeth. — Os adultos mais velhos podem ter problemas de saúde complexos. Aqueles que prejudicam a qualidade de vida devem ser o foco, não a glicose sanguínea levemente elevada.
Saeid Shahraz, pesquisador de saúde do Tufts Medical Center em Boston e principal autor do estudo de 2016, elogiou a nova pesquisa.
— Os dados são muito fortes —, diz. — A ADA deveria fazer algo a respeito.
E isso pode acontecer, segundo o diretor científico e médico da ADA, Robert Gabbay. A organização atualmente recomenda “pelo menos monitoramento anual” para pessoas com pré-diabetes, uma referência aos programas de modificação de estilo de vida que reduzem os riscos à saúde e talvez a metformina para aqueles que são obesos e têm menos de 60 anos.
Agora, o Comitê de Prática Profissional da associação revisará o estudo e “isso pode levar a alguns ajustes na maneira como pensamos as coisas”, segundo Gabbay. Entre os idosos considerados pré-diabéticos, “o risco pode ser menor do que pensávamos”, acrescentou.
Os defensores da ênfase no tratamento do pré-diabetes, que aflige um terço da população dos Estados Unidos, apontam que o tratamento de primeira linha envolve aprender comportamentos saudáveis que mais americanos deveriam adotar de qualquer maneira: perda de peso, parar de fumar, exercícios e alimentação saudável.
— Tive vários pacientes com diagnóstico de pré-diabetes e é isso que os motiva a mudar —, afirma Gabbay. — Eles sabem o que devem fazer, mas precisam de um empurrão.
Geriatras tendem a discordar.
— Não é profissional enganar as pessoas, motivá-las pelo medo de algo que não é realmente verdade — diz Lam. — Estamos todos cansados de ter coisas de que temos medo.
Ele e Sei Lee, co-autor do editorial que acompanha o novo estudo e também geriatra da Universidade da Califórnia, defendem uma abordagem caso a caso em adultos mais velhos, especialmente se um diagnóstico de pré-diabetes fizer seus filhos repreendê-los sobre cada doce consumido.
Para um paciente frágil e vulnerável, “você provavelmente está lidando com uma série de outros problemas”, afirma Lam.
— Não se preocupe com este número — continua o geriatra.
Uma pessoa de 75 anos e saudável que poderia viver mais 20 anos enfrenta uma decisão com mais nuances. Ela pode nunca progredir para diabetes; ela também pode já seguir as modificações de estilo de vida recomendadas.
Susan, agora com 69 anos, procurou a ajuda de um nutricionista, mudou sua dieta para enfatizar carboidratos complexos e proteínas e começou a andar mais e subir escadas em vez de usar elevadores. Ela perdeu 5 quilos sem precisar. Ao longo de 18 meses, sua leitura de A1C para 5,6%.
Sua amiga Carol Jacobi, de 71 anos, que também mora em Los Angeles, recebeu um aviso semelhante mais ou menos na mesma época. Seu A1C era 5,7%, o menor número definido como pré-diabético, mas seu médico prescreveu metformina imediatamente.
Carol, uma arrecadadora de fundos aposentada sem histórico familiar de diabetes, não se preocupou. Ela percebeu que poderia perder um pouco de peso, mas tinha pressão arterial normal e uma vida ativa que incluía muitas caminhadas e ioga. Depois de experimentar a droga por alguns meses, ela parou.
Agora, nenhuma das mulheres tem pré-diabetes. Embora a Carol não tenha feito nada para reduzir o açúcar no sangue e ganhado alguns quilos durante a pandemia, seu A1C caiu para níveis normais também.
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Pai processa escola por racismo e pede US$ 1 milhão após professora cortar cabelo cacheado da filha, nos EUA

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MOUNT PLEASANT, EUA — O pai de uma menina de sete anos que teve o cabelo cortado pela professora, sem permissão, entrou com um processo contra a escola e pede indenização de U$ 1 milhão. Jimmy Hoffmeyer afirma que sua filha teve os direitos constitucionais violados. Ele também alega discriminação racial e intimidação étnica, segundo a BBC.
O caso aconteceu em março na Escola Primária Ganiard Elementary, em Mount Pleasant, no Michigan. O cabelo da criança, chamada Jurnee, foi cortado três vezes ao longo de uma semana. A menina tinha os cabelos cacheados e volumosos.
Primeiro ela teve seus cachos cortados por um colega de classe no ônibus para casa. Depois por um cabeleireiro para tentar consertar o penteado. Por último, a professora fez um novo corte.
De acordo com a rede de televisão ABC, Hoffmeyer afirmou que a criança teve crises de choro e ficou "muito envergonhada" por ter que voltar para as aulas com o cabelo curto.
A unidade de ensino chegou a abrir uma investigação. O procedimento foi encerrado em julho e concluiu que, apesar de ter violado a política da escola, a professora não agiu com preconceito racial.
Hoffmeyer não aceitou essa explicação. Ele retirou a menina da escola e procurou advogados. A defesa da família argumenta que a escola não tinha permissão para cortar o cabelo de Jurnee.
Os advogados também sustentam que houve violação dos direitos constitucionais da criança, discriminação racial, intimidação étnica, imposição intencional de sofrimento emocional e agressão.
Segundo a BBC, a escola não quis comentar sobre o processo judicial.
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Vulcão nas Ilhas Canárias tem nível de alerta elevado e pode causar tsunami na costa do Brasil

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RIO — O vulcão Cumbre Vieja, localizado na Ilha de La Palma, nas Canárias, comunidade autônoma da Espanha, teve seu nível de alerta elevado de verde para amarelo pelo Plano Especial de Proteção Civil e Atenção às Emergências de Risco Vulcânico das Ilhas Canárias (Pevolca). Isso aconteceu após um aumento rápido no número de terremotos e atividades sísmicas ter sido registrado nos últimos dias. Caso ocorra uma erupção, um tsunami pode atingir as costas brasileira e africana.
Segundo o governo das Canárias, o aumento significativo nos movimentos sísmicos em La Palma começaram no último sábado. De acordo com Metsul Meteorologia, na terça-feira passada foram mais de cem tremores. O comitê Pevolca frisou que a atividade magmatica tem "o maior valor observado nos últimos 30 anos".
A divulgação do alerta causou preocupação no Brasil e colocou o assunto entre os mais comentados nas redes sociais. Mas, afinal, as chances de acontecer esse fenômeno são motivo de real preocupação?
Na visão do professor Francisco de Assis Dourado, do Centro de Pesquisas e Estudos sobre Desastres da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), as consequências de uma eventual erupção do vulcão na ilha La Palma não seriam as responsáveis por gerar ondas colossais. Ele explicou que as simulações que mostram a chegada de um tsunami usam velocidades extremas.
— Mas as probabilidades dentro desses parâmetros são muito pequenas — afirmou.
Para o geólogo André Avelar, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o risco de tsunami no Brasil depende diretamente da situação do Cumbre Vieja.
— Saber qual vai ser a magnitude disso, só depois que acontecer a erupção. Mas existe um estado de alerta prévio que isso pode acontecer, é o que está sendo divulgado no momento — afirmou. — Mas essas ondas chegariam muito mais rápido na costa da África e muito mais lentamente e atenuadas na costa do Brasil. Aqui os efeitos seriam menores.
Embora as chances de tsunamis na costa do país sejam raras, um fenômeno desse tipo já aconteceu por aqui. O perfil no Twitter da Rede Sismográfica Brasileira lembrou, numa postagem de 1º de novembro de 2020, quando um tsunami atingiu o litoral do Nordeste em 1755.
E para Dourado, um motivo de preocupação real para o Brasil seria um evento justamente como o que ocorreu em 1755, quando um terremoto atingiu Lisboa e acabou provocando de fato um tsunami que chegou no litoral do Nordeste. Se algo dessa forma se repetisse, aí sim o professor diria que os moradores poderiam começar a se preocupar.
— Eu diria que La Palma pode ser um motivo interessante para chamar atenção para o real risco que a gente tem no nosso litoral. E aí eu chamo atenção para uma coisa: pode ser um tipo de fenômeno que ocorre muito raramente — declarou. — Por exemplo, se o terremoto de 1755 (em Portugal) acontecesse novamente, nas mesmas proporções que ocorreram na época, que destruiu Lisboa e o Sul da Europa, aí a gente teria que se preocupar porque estaríamos falando de uma onda que chegaria (pelas simulações que a gente fez, bem embasadas cientificamente) em Fernando de Noronha com 2 metros de altura, e aqui na costa do Nordeste em alguns pontos em 1,7 ou 1,8 metro de altura.
O professor então disse que ondas dos tamanhos descritos podem ficar ainda maiores ao chegar à costa, com riscos de causar perdas e danos.
— Ou seja, vamos supor que chega uma onda de 2 metros no litoral: a altura máxima que ela vai alcançar é até regiões com altitude de 8 metros.
Assim como em 1755, o Nordeste seria novamente a região com maior risco de receber ondas grandes caso o Cumbre Vieja entre em erupção.
— O Nordeste é a região que pode ser mais afetada por este fenômeno lá de La Palma, porque apesar de estar a mais de 4,5 mil quilômetros, seria a parte mais próxima que o Brasil tem dessa reagião.
Alerta amarelo
O aumento rápido no número de terremotos e atividades sísmicas registrado nos últimos dias fez com que o alerta passasse de verde para amarelo, quando a população segue com suas atividades normais, mas atentas para comunicados das autoridades.
— O amarelo é (um alerta) intermediário. As pessoas devem ficar de sobreaviso e atentas porque pode haver alguma consequência — disse Avelar.
Depois do nível de atenção amarelo, há o nível laranja, quando é decretado atenção máxima para fenômenos que precedem uma erupção. Já no vermelho é feita uma notificação de emergência de que uma erupção está acontecendo.
— O monitoramento é fundamental para que as pessoas que moram na costa seham avisadas e deixem suas casas imediatamente. Pode haver prejuízo material, mas o importante é preservar a vida — disse Avelar.
Segundo ele, quando há terremotos muito próximos a um oceano, a tendência é gerar ondas:
— As boias monitoram o acréscimos de altitude. Conforme for o acréscimo, é calculado o tamenho da onda.
Para Avelar, caso haja a erupção do Cumbre Vieja, a costa africana deve ser mais afetada que a do Brasil. O geólogo frisou, ainda, que a situação atual não significa que uma erupção vá, de fato, acontecer: caso os terremotos secundários cessem, a região ficaria estabilizada.
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O bolsonarismo e as cobaias humanas | Bernardo Mello Franco - O Globo
Por Bernardo Mello Franco 17/09/2021 • 00:00

O governo Bolsonaro já produziu um imitador de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda do nazismo. Agora faz lembrar Josef Mengele, o médico que fazia experimentos macabros em Auschwitz.
O doutor ficou conhecido por usar prisioneiros como cobaias. Tratava seres humanos como ratos de laboratório, sob inspiração de uma ideologia que pregava a “higiene racial”.
Associada à barbárie nazista, a expressão “cobaias humanas” é citada no relatório da comissão de juristas que aconselha a CPI da Covid. O documento defende que o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Eduardo Pazuello sejam denunciados ao Tribunal Penal Internacional pela prática de crimes contra a humanidade.
Os juristas classificam a gestão da pandemia como um ataque à população civil. O governo sabotou medidas sanitárias, negou assistência a indígenas, retardou a compra de vacinas e apostou na tese da imunidade de rebanho, que acelerou a circulação do vírus.
O relatório descreve a crise de Manaus como um “caso exemplar de desprezo à vida”. Afirma que a cidade virou palco de um “experimento pseudocientífico” com a distribuição de remédios ineficazes. Em janeiro, os hospitais entraram em colapso e dezenas de pacientes morreram asfixiados.
As investigações da CPI indicam que o governo não foi o único a tratar doentes como cobaias. Um dossiê enviado aos senadores afirma que a seguradora Prevent Senior ocultou mortes de pacientes que participaram, sem saber, de um estudo com as mesmas drogas.
A pesquisa foi repassada a Bolsonaro, que a usou para fazer propaganda do “tratamento precoce”. A empresa negou as acusações, reveladas ontem pela GloboNews, e disse ser vítima de “denúncias infundadas”.
A professora Deisy Ventura, da Faculdade de Saúde Pública da USP, lembra que o envolvimento do setor privado é uma constante na história dos crimes contra a humanidade. “Empresas que têm afinidade com o governo costumam se prestar a este papel”, afirma.
Depois da rendição dos nazistas, Mengele fugiu para a América do Sul. Terminou seus dias no Brasil, escondido sob identidade falsa. Se voltasse hoje ao país, o doutor teria chance de conseguir um emprego em Brasília
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O Facebook sabia | Opinião - O Globo
Por Pedro Doria
O Wall Street Journal está publicando nesta semana aquilo que talvez seja uma das mais importantes séries de reportagens sobre o impacto da tecnologia na sociedade — e na política — deste ano. Os repórteres do jornal puseram as mãos numa imensa quantidade de documentos internos do Facebook que mostram quanto a companhia compreende os resultados negativos de suas ações. Pois é: compreende, e muito.
No início de 2018, o Face tocou uma profunda mudança de seu algoritmo que afetou diretamente o newsfeed. É aquela coluna central onde aparecem postagens, fotografias e vídeos logo que entramos na rede social. Eles vinham sofrendo críticas por causa da interferência de notícias falsas e publicidade financiada pela Rússia nas eleições presidenciais americanas em 2016. Insatisfeito com o que lhe parecia excessivo conteúdo noticioso, também preocupado com uma série de indicadores de uso na plataforma, o CEO Mark Zuckerberg encomendou estudos sobre como mudar.
O principal critério do algoritmo para selecionar o que aparece na tela de cada um, até ali, era auxiliar cada usuário a encontrar conteúdo que lhe fosse relevante. Passou a ser aumentar a interação com amigos e família. O objetivo era criar um ambiente menos carregado, mais amistoso.
Deu muito errado.
O método para fazer a alteração foi mudar a fórmula que dá valor a cada postagem. Um like, um joinha, vale um ponto. Um compartilhamento da postagem, cinco pontos. Se alguém faz um comentário maior, daqueles em que se gasta tempo, 30 pontos. Esses multiplicadores aumentam se a interação parte de um amigo, de um familiar. Diminuem se é de alguém estranho. Essa pontuação total auxilia os computadores do Face a decidir se uma postagem aparecerá para quem abre a rede e em que posição estará na ordem do que surge no deslizar do dedo.
O resultado foi mais peso, mais emoções inflamadas, mais raiva. E reclamações logo começaram a aparecer. Um partido polonês observou, a executivos da companhia, que percebeu uma mudança nos comentários. Se antes eram meio a meio entre positivos e negativos, passaram a 80% negativos. Atiçar a irritação do público passou a ser bom negócio. Quanto mais inflamados os ataques aos adversários, maiores e mais viscerais os comentários que chegavam, mais compartilhamentos provocavam.
Alguns partidos europeus, nessa onda negativa que veio, chegaram a mudar suas posições políticas a respeito de certos temas para aplacar a virulência na rede. Uma pesquisa espanhola detectou um aumento de 43% no número de insultos em páginas políticas. Números similares apareceram na Índia e em Taiwan.
Os objetivos do Face com a mudança do algoritmo eram dois. O primeiro, tornado público, era fazer com que a relação das pessoas com a rede se tornasse menos passiva. Em vez de um eterno assistir de vídeos, ver de fotos, que houvesse mais engajamento. Mais atenção. Uma relação ativa e maior contato com amigos e com família. O segundo objetivo, este discretamente evitado nas menções públicas, tem a ver com os números da companhia. Sua percepção é que, sem engajamento, com o tempo as pessoas poderiam abandonar a rede. O Facebook mudou para sobreviver.
Em 2020, já na pandemia, os técnicos fizeram uma experiência com posts de temas cívicos e ligados a saúde. Pararam de dar nota para aqueles muito compartilhados e comentados. O resultado foi imediato: a desinformação caiu muito, parou de ser distribuída. Foi proposto a Zuck ampliar a mudança.
Segundo os relatórios internos, ele não quis. Teme que diminua a relevância do Facebook na vida das pessoas. É uma escolha. Se, como está, amplia o ódio entre quem discorda politicamente, é um preço que o Face está disposto a pagar.

Por Pedro Doria
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Polícia apura como corpo de empresário foi parar a 50 km de onde acharam ex
Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro
16/09/2021 13h05
O corpo do empresário Leonardo Marchado, que foi encontrado ontem no mar em Ilha Grande, na região da Costa Verde do Rio, foi localizado em uma área de difícil navegação, segundo a Polícia Civil do Rio. A corporação apura os motivos para os corpos dele e da ex-mulher terem sido encontrados tão distantes um do outro - a cerca de 50 km em linha reta.
Leonardo estava enrolado em uma rede e foi achado boiando próximo a Praia do Provetá e a Ilha dos Meros, região com muitas pedras, como o nome da praia já revela. Provetá significa "sobre pedras" em tupi-guarani.

Paraguaio mantido acorrentado pelo pescoço em sequestro é libertado em SP
O empresário, que estava desaparecido há quase um mês, foi localizado por um pescador, que acionou o Corpo de Bombeiros. Os militares usaram uma lancha e um bote no resgate.
Já a ex-mulher dele, Cristiane Nogueira, de 48 anos, que o acompanhava em um passeio de barco, foi encontrada na região da Marambaia, na zona oeste do Rio, uma semana após o desaparecimento. Os dois saíram no dia 22 de uma casa em Angra dos Reis com destino à Lagoa Verde, atração turística na região, e desapareceram.
De acordo com o delegado Vilson de Almeida, responsável pelas investigações, a Polícia Civil aguarda a Capitania dos Portos e o Corpo de Bombeiros para resgatar um barco na região, que pode estar naufragado onde o corpo de Leonardo foi encontrado. Segundo ele, as correntes marítimas que atuam no local podem justificar a distância onde os corpos foram localizados.
"Estamos aguardando a Capitania dos Portos e os bombeiros resgatarem a embarcação para poder realmente confirmar o que houve. O corpo do Leonardo foi encontrado próximo à Praia do Provetá e o corpo da Cristiane lá na Marambaia, mas tem correntes marinhas que podem justificar esse distanciamento [entre a localização dos corpos]", afirmou Vilson.
A distância em linha reta entre a Marambaia e a praia do Provetá é de pouco mais de 50 km.
A Praia do Provetá recebe o mesmo nome da vila da região habitada basicamente por pescadores e famílias evangélicas. O local tem 3 mil habitantes e é considerado tranquilo.
Empresário estava com documentos no bolso
Segundo a Polícia Civil, Leonardo foi encontrado com os documentos no bolso. A ex-mulher dele o reconheceu também por fotos enviadas e pelo relógio que usava. De acordo com a perícia do IML (Instituto Médico Legal) a causa da morte foi afogamento.
A Polícia continua investigando o caso. Desde que o corpo da ex-mulher dele foi encontrado no último dia 30, sem marcas de violência, a delegacia de Angra dos Reis passou a investigar o caso como naufrágio. A causa provável da morte da corretora de imóveis também foi afogamento.
A outra ex-esposa de Leonardo, Vanessa Morret, fez um desabafo emocionada nas redes sociais ontem.
"Por mais que a gente estivesse esperando por isso e soubesse que era a maior possibilidade [a morte dele], ninguém estava pronto para dizer adeus ao Léo. Eu sou ex-mulher, sou amiga do Léo, para mim dói, ele era uma pessoa pela qual minha família, meu marido, eu, têm carinho. É o pai da minha filha. A gente tem que acreditar que Deus sabe o que faz", disse ela.
Leonardo foi encontrado com as mesmas roupas que usava no dia do passeio - blusa preta e bermuda bege. A Polícia Civil teve acesso a imagens da casa onde o casal estava hospedado. As câmeras de segurança mostraram Leonardo e Cristiane deixando o imóvel, por volta de 17h, e seguindo em direção à embarcação, no último dia 22. A intenção deles era ver o pôr do sol na Lagoa Verde.
O casal estava passando um final de semana em Angra dos Reis e de acordo com a família tentava uma reconciliação. A família de Cristiane comunicou o desaparecimento à polícia após perder o contato com a corretora de imóveis e ela não ter retornado para o Rio de Janeiro, no dia 23 de agosto.
Durante as buscas pelo casal, uma janela e uma boia da embarcação foram encontradas.
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Caetano Veloso ataca Bolsonaro e cita Billie Eilish no single 'Anjos Tronchos'
Música integra 'Meu Coco', primeiro disco de inéditas do cantor desde 'Abraçaço', de 2012, e previsto para outubro
Caetano Veloso canta sobre um mundo tecnológico, globalizado e conectado em “Anjos Tronchos”, seu novo single, lançado na noite desta quinta (16). “Agora a minha história é um denso algoritmo/ Que vende venda a vendedores reais/ Neurônios meus ganharam novo outro ritmo/ E mais e mais e mais e mais”, ele canta na faixa.

Ele versa sobre as “telas dos azuis mais do que azuis”, e os “anjos tronchos do Vale do Silício", bilionários que comandam as grandes empresas tecnológicas que estão por trás das redes sociais. Caetano cita a Primavera Árabe, uma onda revolucionária de manifestações no Oriente Médio que ficou marcada como uma das primeiras a ser organizada através de grupos em redes sociais.
Também fala que “palhaços líderes brotaram macabros”, numa referência ao presidente Jair Bolsonaro, que tem no palhaço Bozo um de seus apelidos. Bolsonaro também ascendeu, assim como o ex-presidente Donald Trump, numa onda de extrema direita ligada às fake news —e às redes sociais.
O centro da poesia de Caetano é o acesso a computadores pessoais e a internet —e tudo o que essas mudanças causaram no mundo. Entre menções ao vício e ao poder de controle dos bilionários que estão por trás das redes e do algoritmo, a música surge como salvação, e ele termina a canção de maneira enigmática, dizendo que “miss Eilish faz tudo no quarto com o irmão”.
Billie Eilish ficou conhecida em 2019 quando despontou na indústria e se tornou uma estrela do pop mundial com um álbum inteiramente gravado no quarto da casa dos pais, ao lado do irmão e produtor, Finneas. É como se o feito da cantora pusesse um contraponto entre os acontecimentos ruins causados pelos efeitos da ultraconexão proporcionada pela internet e pelos smartphones.
Guiada por guitarras graves e sujas, a música soa quase toda experimental, praticamente sem nenhum tipo de percussão. No que pode se entender como o refrão, as guitarras soam saturadas, e há uma inserção rápida de triângulo, no que parece a colagem de uma levada de forró.
Logo após o lançamento da música, Caetano disse que coisas horrendas aconteceram na vida política de várias sociedades graças à internet. “Na nossa [sociedade] sem dúvida nenhuma, por causa da força dessa estrutura de comunicação que nasceu com a internet”, ele afirmou, em bate-papo no Twitter.
Em um dos versos da música, que ele afirmou se tratar sobre o presidente do Brasil, Caetano fala que “palhaços líderes brotaram macabros, no império e em seus vastos quintais”. “Toda a campanha de Trump, na qual a do Bolsonaro foi inspirada, teve orientação do Steve Bannon. Isso foi um negócio que causa essa doença social, um aspecto apavorante, horrendo, nesse desenvolvimento da internet e das redes sociais”, ele disse.
“Falo que aconteceu no império e nos seus vastos quintais, porque também aconteceu aqui, mas aconteceu nas Filipinas, na Polônia, na Hungria, e não deixa de ter sua importância em toda parte —na intensa afirmação da China, na quase desesperada atitude geopolítica da Rússia.”
Caetano ainda comentou que a população vive hoje “na carne” as consequências dessas eleições. “O Brasil agora vive a ressaca dessa eleição. A maioria da população rejeita o Bolsonaro, mas ele é o presidente.”
Ele também falou sobre os versos que citam a cantora Billie Eilish. “É uma coisa boa também, o fato de uma menina tão talentosa fazer esse neocool a partir do quarto dela, com o irmão dela. São coisas boas da tecnologia, como o desenvolvimento altamente vanguardista do funk carioca, sua passagem por Santos, e implantação em São Paulo através de Kondzilla. É toda uma história que tem vitalidade, força e beleza também. Agora, a gente tem sofrido mais as coisas horrendas que vieram com isso.”
“Anjos Tronchos” ganha um videoclipe na próxima sexta, a partir das 20h. A nova canção de Caetano vai integrar “Meu Coco”, próximo álbum de inéditas do cantor, que foi gravado no primeiro semestre deste ano e tem lançamento previsto para outubro.
É o primeiro álbum de Caetano em quase dez anos, dando sequência a “Abraçaço”, que saiu em 2012. “‘Anjos Tronchos’ é uma canção que terminou ficando extremamente densa. Vivemos hoje mergulhados num mar de algoritmos, possibilidades diversas de redes sociais e aparatos tecnológicos que avançam muito depressa”, disse o cantor e compositor na publicação com o anúncio do lançamento do single.
Caetano lança “Anjos Tronchos” logo depois de voltar de uma turnê pela Europa. Segundo o jornalista Mauro Ferreira em sua coluna no G1, o novo disco de Caetano tem 12 faixas, sendo que “Pardo” já foi gravada em 2019 pela cantora Céu, “Noite de Cristal” saiu em 1988 na voz de Maria Bethânia e “Autoacalanto” foi cantada em uma live. Todas são composições do baiano que ele nunca gravou.
“Meu Coco”, também segundo Ferreira, foi gravado com o ritmista Marcelo Costa, o percussionista Marcio Victor —líder da banda Psirico—, o sanfoneiro Mestrinho e o multi-instrumentista Vinicius Cantuária.
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Opinião: Andrea Dip - 7 de Setembro e o tom de ameaça na voz de líderes evangélicos

Andrea Dip Colunista de Universa 27/08/2021 04h00
"O esquerdismo é a escória da humanidade", diz a cartolina levantada por duas mulheres vestidas de verde e amarelo, logo no início do vídeo publicado repetidas vezes pelo pastor e líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia, para seus mais de 1,4 milhão de seguidores no Twitter nesta semana. O clipe é uma convocação por parte de diversos líderes evangélicos ao "povo abençoado", para que compareça às manifestações em apoio a Bolsonaro no dia 07 de setembro.
As manifestações pró-governo, que acontecem para tentar levantar a popularidade em queda do presidente, estão sendo vistas por governadores, instituições e juristas como um ato inconstitucional, por suas ameaças de invasão ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso. Ainda nesta semana, o governo de São Paulo afastou o coronel Aleksander Toaldo Lacerda do Comando de Policiamento do Interior-7, por estar convidando colegas em suas redes sociais a comparecerem ao ato. Aleksander tinha 5 mil soldados sob suas ordens.
Além do próprio Silas - feroz defensor do presidente, forte influenciador político (costuma dizer com orgulho que elege todos os candidatos que apoia) e declarado opositor aos direitos da população LGBTQIA+ e direitos reprodutivos das mulheres - convocam os evangélicos a "marchar por uma grande vitória" no vídeo o pastor Claudio Duarte - pastor do Projeto Recomeçar, palestrante, empresário e apresentador de stand up, segundo seu site; Renê Terranova - ex-Sara Nossa Terra, hoje líder do Ministério Internacional da Restauração, que já foi recebido por Bolsonaro em comitivas de pastores ao Palácio da Alvorada e participou da "motociata" este ano em São Paulo; o ex-senador, pastor e cantor gospel Magno Malta, fiel escudeiro e peça chave para a eleição de Bolsonaro em 2018; Samuel Câmara, pastor pentecostal televisivo, fundador da Convenção da Assembleia de Deus no Brasil e dono da rede de televisão Boas Novas; o apóstolo César Augusto, da Igreja Apostólica Fonte da Vida, forte interlocutor de Bolsonaro; o apóstolo Estevam Hernandes, fundador da Renascer em Cristo, amigo do presidente, preso em 2007 no Aeroporto de Miami, com US$ 56 mil em dinheiro não declarado escondidos em uma Bíblia; e o representante do movimento Nas Ruas Tomé Abduch.
"O que a gente vê no vídeo são pastores de grandes denominações, que estão falando sobre liberdade e democracia mas se a gente olhar bem, são empresários que foram favorecidos por pontuais encaminhamentos que Bolsonaro deu em termos de abonos tributários e no Congresso", diz a professora de sociologia e pesquisadora Christina Vital, do Instituto de Estudos da Religião (ISER). "Me parece uma manifestação de empresários que se favoreceram usando a religião como força dramática, emocional e mobilizadora de mentes e corações", complementa.
Em outro vídeo, também amplamente divulgado essa semana, um Magno Malta, vestido com uma camiseta com a cara de Sérgio Reis e a frase "herói da pátria", canta música criada para a ocasião, que repete o trecho do hino da Independência, adorado pelos nacionalistas: "Ou ficar a Pátria Livre, ou Morrer pelo Brasil". Em tom de samba, o cantor gospel dá o tom do ato de 07 de setembro. Nacionalismo fanático, fundamentalismo religioso, tentativa de aliciamento da polícia militar, golpe. Tom de ameaça.
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Opinião: Andrea Dip - Prender Géssica e acolher estátua de Borba Gato é preservar farsa histórica

Andrea Dip Colunista de Universa 30/07/2021 04h00
Géssica de Paula Silva Barbosa, uma mulher negra, mãe, é presa por ter supostamente participado de um ato que botou fogo na base de uma estátua que homenageia um bandeirante.
Bandeirantes caçavam, escravizavam e estupravam indígenas, negras e negros no século 18 no Brasil. Uma estátua espetada no meio da cidade de São Paulo desde a década de 1960 que, como muitos outros monumentos espalhados pelo mundo, aponta que a história que interessa é aquela escrita pelos opressores. E uma mulher negra, mãe, que diz que nem estava lá é presa.
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Sempre importante lembrar, como disse a historiadora e educadora em questões étnico-raciais Suzane Jardim em entrevista ao Brasil de Fato: "A memória negra foi varrida, como a memória indígena foi varrida e ninguém questionou".
Géssica foi detida apesar de ter dito que estava em casa cuidando da filha de 3 anos e não participou do protesto do último sábado (24) junto ao companheiro, Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como Galo, quem — ele sim— se apresentou, abriu as portas de sua casa à uma polícia sem mandado judicial, assumiu a participação e inclusive explicou os objetivos do grupo que fez a ação. "O ato que foi feito no Borba Gato foi feito para abrir um debate", disse ao chegar à delegacia.
E abriu. Tanto que estamos aqui eu, você, todos nós, falando disso, discutindo quem era a figura ali representada e sobre a importância dada às estátuas em comparação às pessoas.

Lembrei de outra entrevista, concedida pelo advogado criminalista Joel Luiz Costa à Agência Pública nesta semana sobre a chacina no Jacarezinho, no Rio, em que ele dizia: "Desde o seu início, em 1808, o maior objetivo da Polícia Militar é a proteção patrimonial. Não à toa ela é oriunda da Divisão Militar da Guarda Real da Polícia, que tinha no seu brasão a folha de café de um lado e a cana de açúcar do outro — as grandes riquezas da época que ela devia proteger. Se ela vai proteger patrimônio, ela vai defender quem tem patrimônio em detrimento de quem não tem. Historicamente, a população negra no Brasil é uma população empobrecida, a quem não é dado patrimônio e a quem a polícia não vai servir".
A prisão de Galo e de Biu (Danilo Oliveira) mas principalmente a prisão de Géssica por associação criminosa, incêndio e adulteração de placa de veículo, enquanto a estátua do bandeirante será restaurada por um empresário, protegida por câmeras de segurança e grades (veja, protegida é diferente de vigiada), é um retrato muito fiel e atual do Brasil mas também muito simbólico de como lidamos com nossa história. Não lidamos.
A estátua do Borba Gato (que está inteira, por sinal) não foi a primeira e nem será a última a receber esse tipo de intervenção — apenas no Chile em 2020, ocorreram mais de 300 atos contra monumentos.
Mas a falta de compreensão e a intolerância por parte da opinião pública e de instâncias de poder, às motivações por trás do gesto ocorrido no último sábado, mostram que o Brasil não reviu e não quer rever a própria história, perpetuando uma farsa que enaltece a colonização branca sobre esse território e passa por cima dos povos originários, ignora o sofrimento causado pela diáspora africana e é hoje reforçada pelo fogo na Amazônia, o genocídio impune da população indígena e da população negra, a morte de Marielle, a prisão de Géssica. É a imagem de um bandeirante pegando fogo pela base que incomoda, não um suposto "dano ao patrimônio".
Como disse a historiadora Deborah Neves em entrevista à Agência Pública nesta quinta-feira (29), "Vamos continuar permitindo essa interrupção do debate enquanto tratarmos isso como um dano ao patrimônio e não em um momento de se pensar em que bases e a quem a nossa sociedade continua prestando homenagens".
Enquanto escrevo esta coluna, Géssica está presa, o país está no mapa da fome, temos mais de 550 mil mortos por coronavírus, altos índices de desemprego e o feijão custando cada vez mais caro. Mas a estátua do Bandeirante está sendo acolhida e cuidada.
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Opinião: Andrea Dip - Bolsonaro sempre disse a que veio. Os negacionistas somos nós


Andrea Dip Colunista de Universa 10/09/2021 04h00
"Só Deus me tira de lá. E aqueles que pensam que com uma caneta podem me tirar da presidência, digo uma coisa para todos: nós temos 3 alternativas, em especial para mim, preso, morto ou com vitória. Dizer aos canalhas que nunca serei preso", afirmou o presidente da República do Brasil, em discurso inflamado durante o feriado de 07 de setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, após discursar em Brasília em manifestações convocadas por ele mesmo em favor de seu governo. Viagem realizada - ou viagens realizadas, no plural, já que ele tem rodado o país há meses nessas convocações - com verbas públicas, é bom lembrar.
Não há como ser mais claro em suas intenções: Bolsonaro verbaliza que não pretende deixar o poder em 2022. Assim como declara que não acatará mais qualquer decisão que vier do STF, em especial do ministro Alexandre de Moraes, a quem chama de "canalha". Ressuscita mais uma vez o voto impresso, ignorando decisão já tomada pelo Congresso Nacional de enterrar de vez o assunto e faz tudo isso citando versículos bíblicos e frases de efeito.
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O que se viu, neste 07 de setembro, foi um Bolsonaro que segue flertando com o fascismo, com o autoritarismo, um homem cujo fetiche pelas ditaduras de extrema-direita cresce na medida em que ele inflama sua base mais radical às "rupturas institucionais" e "estica essa interminável corda" como define a jornalista Cecília Olliveira em entrevista ao podcast Pauta Pública nesta sexta-feira.
A estratégia de arquitetar um inimigo, eleger um "grande outro", não é nova na história e nem mesmo no próprio Bolsonarismo. Para tirar o foco da queda de popularidade, das crises (financeira, hídrica, sanitária), do aumento do desemprego, da inflação, dos quase 600 mil mortos por coronavírus, o presidente mira desta vez o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, que não por acaso é relator de quatro inquéritos em que Bolsonaro e seus aliados são investigados. Não é um pensamento muito elaborado, mas ainda assim Bolsonaro consegue nos pautar e deixar um país em suspenso.
É uma disputa de narrativas, de imagem, do que é ou não real, do que é ou não piada. Em uma entrevista que fiz com o professor e filósofo Vladimir Safatle em 2018, às vésperas da eleição presidencial, ele disse sobre Bolsonaro: "Ele é capaz de falar tudo o que fala e, como fez ontem, falar: 'não é pra levar muito a sério o que eu falo, eu sou um comediante'. Adorno, quando vai analisar o fascismo, fala que o cerne da adesão ao fascismo é que, na verdade, ninguém acreditava no que era enunciado. Você ironiza a violência enquanto trucida todo mundo. Porque, se fosse pra assumir uma ética da convicção, ninguém iria suportar. Essa face cômica é constitutiva de todo discurso autoritário".
Bolsonaro sempre foi claro nas suas intenções de destruir o país, passar por cima de corpos dos ativistas, armar a população, fazer a "minoria se curvar à maioria". Os negacionistas somos nós, os jornalistas, a sociedade, as instituições que teimamos em não acreditar no que é enunciado. As respostas ou não respostas das instituições ao circo do 07 de setembro seguem nessa linha.
- Ele é perigoso.
-Mas não está armado.
-Está armado!
-Mas não vai tirar a arma do coldre.
-Está apontando para nós!
-Mas não vai engatilhar.
Click.
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Opinião: Andrea Dip - Livro explica como a "ideologia de gênero" é usada para projetos de poder

Na quinta-feira (16), participei do painel de lançamento do livro "Políticas Antigênero na América Latina" (disponível para download gratuito no site do Observatório de Sexualidade e Política, que assina a publicação junto da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS), um estudo bastante completo realizado a muitas mãos, que retraça a trajetória temporal antigênero na América Latina e mostra como a "ideologia de gênero" e outras fórmulas são apropriadas por políticos e líderes religiosos em seus governos e planos de poder.
A publicação define por exemplo que a "ideologia de gênero" tem sido propagada na América Latina como uma cesta vazia. "A linguagem antigênero é popular, versátil e do senso comum. Ela deixou a semântica religiosa para trás e se apropriou de argumentos da biologia, biomedicina, demografia, assim como da democracia, cidadania e do direito." E lembra que apesar de ter sido mais replicada a partir de 2013, o livro "Agenda de Gênero", da jornalista norte-americana Dale O'leary, publicado em 1997, já trazia essa ficção (termo meu), vinculada a um "marxismo, comunismo ou totalitarismo" —combinação que seria "particularmente poderosa nas eleições brasileiras de 2018, quando operou como uma cola simbólica para agrupar 'ideologia de gênero', pedofilia, Partido dos Trabalhadores e marxismo sob o mesmo guarda-chuva de acusações".
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Na conversa sobre o livro, a antropóloga e professora Isabela Kalil falou sobre como os padrões encontrados nos discursos e ações antigênero nos diversos países observados pelo estudo chamou a atenção dos pesquisadores e ressaltou que as promessas de campanha de Bolsonaro com relação ao combate à "ideologia de gênero" e à "doutrinação marxista" foram se refinando durante seu governo, e se tornaram de fato políticas públicas, porém agora voltadas à "família" —uma noção de família heteronormativa não baseada em laços afetivos, mas biológicos.
O livro também argumenta que as políticas antigênero não se resumem a promover leis e políticas retrógradas em relação a gênero, sexualidade e aborto: "As trajetórias políticas recuperadas pelos estudos mostram que o investimento feito na preservação ou restauração de ordens sexuais e de gênero está no coração da erosão democrática e da guinada à direita que varrem a região" e traz análises detalhadas sobre as alianças entre neoconservadorismo, fundamentalismo evangélico e ultraconservadorismo católico.
Recomendo muito a leitura, sobretudo a quem se preocupa com os retrocessos e ameaças aos direitos humanos e tem se feito a importante (e atualmente bastante triste) pergunta: "Como chegamos até aqui?"
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Datafolha: 59% dizem que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum; Lula tem 38% de rejeição
Pesquisa mostra estabilidade na recusa do eleitor de votar nos principais candidatos
A rejeição a Jair Bolsonaro na eleição do ano que vem segue alta: não votariam de forma alguma no presidente 59% dos eleitores, o maior índice entre todos os nomes colocados na corrida eleitoral de 2022 até aqui.
O presidente segue, segundo a nova pesquisa do Datafolha, em segundo lugar na disputa, tendo em torno de 25% das intenções de voto, a depender do cenário simulado.
O instituto ouviu 3.667 eleitores em 190 cidades nos dias 13 a 15 de setembro, em um levantamento presencial que registra margem de erro de dois pontos percentuais.

Na pesquisa anterior, de julho, Bolsonaro marcava os mesmos 59% de rejeição, na linha geral de estagnação do cenário político apesar das turbulências.
Os dois nomes em quem o brasileiro diz não votar na sequência são o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 38%, e o governador João Doria (PSDB-SP), com 37%. O petista oscilou para cima, de 37% no levantamento anterior, e Doria manteve a marca.
Lula lidera os levantamentos de intenção de voto do Datafolha, entre 42% e 44% a depender do cenário, estancando a subida que vinha registrando.
Abaixo do petista e de Bolsonaro na disputa ao Planalto vem Ciro Gomes (PDT), terceiro colocado nos cenários analisados, girando em torno de 10%. Ele tem uma rejeição de 30%, ante 31% há dois meses.
Um novato nas especulações eleitorais, o apresentador José Luiz Datena (PSL) aparece na sequência com 19% de rejeição.
É seguido nesse aspecto pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM, 23%, ante 18% em julho), o governador Eduardo Leite (PSDB-RS, 18%, 21% na pesquisa anterior) e um grupo de novos nomes.
São eles o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG, 17%), o ex-ministro Aldo Rebelo (sem partido, 15%), e os senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE, 14%) e Simone Tebet (MDB-MS, 14%).
No cenário eleitoral em que todos os nomes abaixo de Doria na disputa são colocados, exceto Leite, considerando que o paulista será o candidato tucano, há um empate técnico nas intenções de voto —exceto no caso de Vieira, que não pontua.
Já Lula tem mais rejeição entre quem ganha de 2 a 5 salários mínimos (46%), com ensino superior (46%), mais ricos (59%), brancos (45%) e evangélicos (47%).
Entre os nomes que buscam ser a terceira via entre os líderes da pesquisa, a ideia de herdar votos de Bolsonaro em 2018 é central para o plano. Não votariam de jeito nenhum no próprio presidente 26% daqueles que o apoiaram antes, 66% rejeitam Lula, 46%, Ciro, e 40%, Doria.
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Após atos de 7 de setembro, reprovação a Bolsonaro bate recorde, aponta Datafolha
Brasileiros NÃO aprendem NUNCA e estão além de qualquer redenção:
Os que consideram a gestão RUIM ou PÉSSIMA de BOLSONARO chegou a apenas 53%, o MAIOR desde o INÍCIO do mandato.
___________ Isso é MUITO, MUITO POUCO
Mas a "Karol com K", que NÃO cometeu NENHUM crime, chegou aos 98% de rejeição.!
O Brasil tá LASCADO, tem jeito não...!
Em julho, a reprovação ao presidente era de 51%
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Após atos de 7 de setembro, reprovação a Bolsonaro bate recorde, aponta Datafolha

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SÃO PAULO — A reprovação ao governo do presidente Jair Bolsonaro bateu rercorde, de acordo pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira. O índice dos que consideram a gestão ruim ou péssima chegou a 53%, o maior desde o início do mandato. O número foi alcançado após os episódios do 7 de setembro, em que Bolsonaro fez ameaças ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e depois recuou.
Em julho, a reprovação ao presidente era de 51%, o que indica que a elevação agora ocorreu dentro da margem de erro da pesquisa. Mas se for analisado o índice desde dezembro, a curva é de elevação. No final do ano passado, 32% consideravam o presidente ruim ou péssimo.
O presidente é avalidado como bom ou ótimo por 22%, uma oscilação negativa de dois pontos em relação aos 24% da pesquisa anterior. Bolsosnaro é considerado regular 24%, mesmo patamar verificado em julho.
A pesquisa do Datafolha foi realizada entre os dias 13 a 15 de setembro e ouviu presencialmente 3.667 pessoas com mais de 16 anos, em 190 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.
O levantamento ainda apontou um aumento da rejeição a Bolsonaro na faixa de renda entre cinco e dez salários míninos. O índice nesse grupo passou de 41% em julho para 50% agora. Entre as pessoas com mais de 60 anos, o percentual dos que rejeitam o presidente foi de 45% para 51%.
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Chegou o sinal do bilionário: Satélites de Elon Musk levam internet de alta velocidade à vida de menino em comunidade de pescadores
Após uma jornada de meia hora a pé e de barco por um estuário, em uma área escarpada e coberta por floresta, até a escola que frequenta, no remoto sul do Chile, Diego Guerrero pode finalmente ter acesso à internet.
Sua escola fica localizada no vilarejo de Sotomo, a cerca de 1.000 km ao sul da capital, Santiago, na região de Los Lagos, habitado por apenas 20 famílias.
Um punhado disperso de casas de madeira e zinco pintadas em cores vivas, encharcadas de chuva, Sotomo se destaca contra uma fileira de afloramentos rochosos, envoltos em neblina, que se projetam no Oceano Pacífico. O acesso a ele só é possível por barco.


Por décadas, seus habitantes sobrevivem pescando peixes e mexilhões para venda no mercado, uma viagem de ida e volta de cinco horas de barco.
Agora, ele é um dos dois locais no Chile escolhidos para um projeto piloto do bilionário Elon Musk, presidente-executivo da SpaceX, para recebimento de internet gratuita por um ano.


A Starlink, uma divisão da SpaceX, visa lançar 12 mil satélites como parte de uma rede em órbita baixa na Terra para fornecimento de serviços de internet de alta velocidade e baixa latência ao redor do mundo, voltado particularmente a áreas remotas que a infraestrutura terrestre de internet tem dificuldade de atender.
Desde outubro, ela oferece um programa "Beta Melhor do que Nada" para assinantes nos Estados Unidos, além de também realizar testes em outros países. No Chile, uma segunda antena será instalada em Caleta Sierra, um pequeno porto pesqueiro próximo dos desertos áridos no norte.


O plano é fundamental para geração dos fundos necessários pela SpaceX para financiamento do sonho de Musk de desenvolver um novo foguete, capaz de levar clientes pagantes à Lua e, eventualmente, tentar colonizar Marte.
Para Diego, 7 anos, uma internet estável já é um grande sonho.
Realmente gosto da internet porque posso fazer a lição de casa. É mais rápida, então podemos fazer mais coisas.
Diego Guerrero


A Starlink não respondeu ao pedido da agência de notícias Reuters por comentário.
A diretora de operações da Starlink, Gwynne Shotwell, falou em uma declaração em julho sobre o projeto piloto chileno:
"A Starlink foi projetada para comunidades remotas como as de Caleta Sierra e Sotomo. Conexões de alta velocidade podem ter um impacto transformador nessas comunidades".


A matéria favorita de Diego na escola é matemática. Ele quer ser marinheiro e adora sair no barco de pesca de seu pai, Carlos.
Carlos, 40 anos, tem planos mais ambiciosos para seu filho e espera que a janela para o mundo, que a nova conexão de internet lhe dará, ampliará seus horizontes.
Ele leva Diego à escola diariamente de barco, com frequência enfrentando vento e chuva para chegar lá.


Eu não tive a opção de ir à escola, então você faz isso quaisquer que sejam as condições, tempo bom ou ruim ou pandemia, mesmo que seja difícil.
Carlos Guerrero


Se ele tiver uma boa educação, e ele tem essa opção e está ansioso por isso, então você tem todas as esperanças de qualquer pai, de que talvez, algum dia, todas as crianças de Sotomo possam ter empregos destinados a profissionais.
Carlos Guerrero


Usando tablets fornecidos pelo Ministério da Educação, os sete alunos da escola agora podem acessar material de aprendizado online, assistir filmes, realizar visitas virtuais a museus e conversar por vídeo com alunos de outras escolas.
O único professor da Escola John F. Kennedy de Sotomo, Javier de la Barra, disse também esperar usar a conexão para desenvolvimento profissional.



O sinal é recebido por uma antena parabólica instalada no telhado da escola, que transmite por um aparelho de wi-fi para grande parte da instalação e para o pátio externo. O plano é futuramente estender o serviço para o restante do vilarejo.
Ele só funciona do meio-dia à meia-noite, devido à limitação do suprimento de diesel para o gerador que fornece energia elétrica a Sotomo.


Todavia, disse De la Barra, é um avanço significativo em comparação ao sinal intermitente de internet por celular que os moradores atualmente dispõem em seus telefones, debruçando-se para fora das janelas ou remando na baía.
A antena da Starlink foi instalada em julho e inaugurada no início de agosto, em uma cerimônia que contou com a presença da ministra dos Transportes e das Telecomunicações, Gloria Hutt.
Ela disse esperar que a Starlink será fundamental para unir o Chile e superar a grande desigualdade digital na região, uma questão exposta com o advento dos lockdowns provocados pelo coronavírus, que deixaram as pessoas sem boa internet com dificuldade para trabalhar e estudar.

O Chile possui uma das mais altas taxas de acesso à internet no continente, com 21 milhões de conexões por internet de telefonia móvel entre sua população de 19 milhões em março de 2021, segundo números do governo.
Mas como as famílias em Sotomo podem atestar, ter uma internet por celular não significa dispor sempre de sinal.


"Eu adoro morar aqui", disse Carlos Guerrero. "É tranquilo, minha família vive sem estresse, mas carecemos de conectividade, estradas, eletricidade e de água potável."
"Seria ótimo se todos esses serviços pudessem ser fornecidos para toda nossa comunidade, não apenas para uma pequena parte, para que todos pudessem desfrutá-los."

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Marsili, o misterioso vulcão ativo escondido na Europa

Apesar de muitas pessoas acreditarem que o maior vulcão ativo da Europa seja o Etna, na Sicília, ou o Vesúvio, responsável por destruir Pompeia, eles estão longe de ser a única ameaça para a população local. Isso porque o Marsili, localizado a 175 km ao sul de Nápoles, é considerado o maior vulcão ativo do continente europeu e tem uma história muito mais enigmática.
Com 3 mil metros de altura, 70 quilômetros de comprimento e 30 quilômetros de largura, suas dimensões são verdadeiramente colossais. Entretanto, há um detalhe que o difere dos demais: o Marsili simplesmente não pode ser visto pelas pessoas, uma vez que seu cume fica a 500 metros debaixo da água.
Existência subaquática

(Fonte: Wikimedia Commons)
Apesar de ter sido descoberto há mais de 1 século no mar Tirreno, os perigos que o Marsili pode representar para a humanidade só passaram a ser pesquisados na última década. Segundo estudos recentes, a atividade do vulcão poderia desencadear ondas enormes de 30 metros de altura.
Para piorar a situação, essa gigante tsunami atingiria a costa da Calábria e da Sicília silenciosamente. Por não existirem muitas tecnologias que monitorem as atividades no Mediterrâneo, nenhuma autoridade seria capaz de emitir um alerta para a população de que o desastre seria iminente.
Como o Marsili está localizado na divisa das placas tectônicas da Eurásia e da África, a intensa atividade geológica o torna ainda mais instável. Atualmente, sua atividade se limita a ruídos suaves, com emissões gasosas e tremores de baixa energia, o que não necessariamente impede com que ele volte com mais força no futuro.
Ameaça vulcânica

(Fonte: Wikimedia Commons)
Embora o Marsili seja o maior vulcão ativo na Europa, e de fato represente uma ameaça, é preciso destacar que existem pelo menos outros 70 vulcões submarinos no mar Tirreno — alguns com histórias amplamente desconhecidas. Em particular, o sul da Itália é a região do planeta que mais pode sofrer dessas ameaças.
O exemplo que desperta mais preocupação é o vulcão Palinuro, localizado a 65 quilômetros da costa de Cilento. Estudos apontam que o complexo vulcânico tem 150 metros de material solto que podem ser deslocados por meio da atividade sísmica, podendo provocar grandes tsunamis.
No momento, não há um bom sistema que alerte os italianos sobre eventuais tsunamis. Se os pesquisadores passarem a considerar que o Marsili e seus irmãos fornecem um risco imediato, é provável que o governo italiano precise reconsiderar a necessidade de implementar novas tecnologias na sua região costeira.
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Laklãnõ-Xokleng: O povo dizimado por pistoleiros que está no centro de julgamento histórico no STF | Blog do Acervo - O Globo
Por William Helal Filho

A luz do dia rompia aquela madrugada em abril de 1904, quando cerca de dez bugreiros, como eram chamados os matadores de indígenas no Vale do Itajaí, avançaram sobre um acampamento do povo Laklãnõ-Xokleng perto de Aquidaban, atual município de Apiúna, em Santa Catarina. Segundo o "Jornal Novidades", de Itajaí, em sua edição de 4 de junho daquele ano, "havia perto de 230 almas, a maior parte mulheres e crianças". Os pistoleiros surpreenderam os indígenas enquanto eles dormiam e, depois de inutilizar seus arcos, começaram a disparar sem fazer pausa. Ninguém ficou vivo na comunidade.
"O pavor e a consternação produzidas pelo assalto foi tal que os bugres (termo racista usado na época para se referir a indígenas) nem pensaram em defender-se", conta o jornal, no trecho reproduzido pelo livro "Índios e brancos no Sul do Brasil: A dramática experiência dos Xokleng" (1973), do antropólogo Silvio Coelho dos Santos. "A unica coisa que fizeram foi procurar abrigar com o proprio corpo a vida das mulheres e crianças (...) Os inimigos não pouparam vida nenhuma. Depois de terem iniciado sua obra com balas, a finalizaram com facas. Nem se comoveram com os gemidos e gritos das crianças agarradas ao corpo prostado das mães".
- A história desse massacre terrível é contada de geração em geração no nosso povo - diz Brasílio Priprá, de 63 anos, líder dos Laklãnõ-Xokleng, que hoje habitam o Território Indígena (TI) Ibirama-Laklãnô, ao longo dos rios Hercílio e Plate. - Vivemos na região Sul há 5 mil anos, ocupando uma área de milhões de hectares. Mas, com a chegada dos colonos europeus, o Estado assumiu o compromisso de nos eliminar. Eles achavam que a gente atrapalhava o progresso. Mas resistimos, sobrevivemos apesar de nosso território ter sido reduzido e muito invadido mesmo após a demarcação, já no século XX.

Quem cruza a BR-116 no trecho de Santa Catarina não imagina o tanto de sangue indígena derramado na região. A partir do século XIX, aquele se tornou um território disputado entre os povos da floresta e colonos assentados ao longo do Caminho das Tropas, como era chamado o corredor entre São Paulo e Rio Grande do Sul aberto no século XVIII e que antecedeu a atual rodovia. Mas a expulsão e a matança da etnia Laklãnõ-Xokleng, que vivia de caçar antas e colher pinhões no planalto serrano, não apagaram sua ligação com a terra. Cerca de 150 anos após a chegada dos migrantes, são os remanescentes daquela etnia que reivindicam no Supremo Tribunal Federal (STF) a garantia de seu território.
Líder indígena ameaçado por defender território no STF
Num julgamento a ser retomado nesta quarta-feira, a Corte decidirá se a TI Ibirama-LaKlãnõ, onde vivem os Xokleng, os Kaingang e os Guarani, deve ou não incorporar áreas já reconhecidas pelo governo federal como parte da terra indígena, mas que são reivindicadas pelo executivo catarinense e por produtores rurais. A ação movida pelo governo estadual se baseia na polêmica tese do marco temporal para alegar que os Xokleng não têm direito à área em disputa porque não estavam ali em 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal, cujo Artigo 231 garante a esses povos o direto sobre suas áreas tradicionais. Se prevalecer esse argumento, o marco temporal servirá para todos os processos de demarcação de terras.
- O marco temporal ignora a violência e a pressão que forçaram nosso povo a se deslocar do território original - diz Priprá, que vem sendo ameaçado por defender os interesses de sua etnia na Justiça. - Eu estava em Brasília acompanhando o julgamento, semana passada, quando me ligaram para avisar que uma família ouviu um homem me ameaçar de morte. Vou ter que me abrigar em alguma parte do Brasil até as coisas se acalmarem. Mas não vamos desistir dos nossos direitos.

Para defensores da causa indígena, a tese do marco temporal oficializa a violência da qual foram vítimas os povos do país que não estavam nos seus territórios em 1988 porque tinham sido expulsos. Os Lakãnõ-Xokleng são exemplo disso. A etnia foi dizimada por mercenários a mando de autoridades públicas, fazendeiros e comerciantes que firmaram assentamento na região a partir do século XIX. Cidades como Lages e Blumenau cresceram a partir dessa ocupação. Hoje, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), restam cerca de 2 mil indivíduos da etnia, cuja padrão de vida foi totalmente transformado pelos conflitos.
Bugreiros arrancavam orelhas dos indígenas mortos
Estudos arqueológicos sugerem que indígenas ocupam o Sul do Brasil há pelo menos 4 mil anos, quando a Europa ainda entrava na Idade do Bronze. Sua área cobria de Porto Alegre a Curitiba. De acordo com "A dramática experiência Xokleng", de Silvio Coelho dos Santos, as disputas começaram a se intensificar na segunda metade do século XIX, à medida que mais colonos ocupavam as margens do Caminho das Tropas e suprimiam o território dos antigos habitantes. O livro de Santos reproduz correspondências entre autoridades dialogando sobre o envio de recursos públicos para combater os "silvícolas", que não aceitavam passivamente a invasão. Como todo povo indígena, os Laklãnõ-Xokleng têm uma ligação social e espiritual com sua terra. Há diversos relatos de ataques dos "selvagens" a fazendas da região.
Foi aí que surgiram os "bugreiros", mercenários contratados por governos locais ou fazendeiros para matar os Xoklengs, cujas orelhas eram arrancadas como prova do número de vítimas. Entre esses assassinos, nenhum era mais cruel que o pequeno criador de gado Martinho Marcelino de Jesus, o Martim Brugreiro. Nascido em 1876, ele era jovem quando começou a atender a pedidos para caçar indígenas na mata como se fossem animais. Comandou várias expedições com dezenas de homens, que, segundo descrições, agiam sempre da mesma maneira.

"Surpreendem os índios quando entregues ao sono. Não levam cães. Seguem a picada dos índios, descobrem os ranchos e, sem conversarem, aguardam. É quando o dia está para nascer que dão o assalto. O primeiro cuidado é cortar as cordas dos arcos. Depois, praticam o morticínio. Compreende-se que os índios, acordados a tiros e facão, nem procuram defender-se, e toda heroicidade dos assaltantes consiste em cortar carne inerme de homens acordados de surpresa. Depois, dividem-se os despojos, entre eles os troféus de combate e as crianças apresadas".
O parágrafo acima está num relatório escrito no início do século XX por Eduardo Hoerhann. Sobrinho-neto do Duque de Caxias, ele era funcionário do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão federal criado em 1910, após o XVI Congresso de Americanistas, em Viena, onde o Brasil ficou sob pressão internacional para proteger seus povos originários. Hoerhann tinha só 18 anos quando foi enviado do Rio a Santa Catarina para lidar com a situação no Vale do Itajaí. Em 1914, ele conduziu o primeiro contato pacífico entre o homem branco e os Laklãnõ-Xokleng.
- No Congresso de Americanistas, as denúncias sobre o genocídio indígena que vinha ocorrendo motivaram a criação do SPI. Em 1914, os Laklãnõ-Xokleng já haviam sido tão reduzidos pela matança sistemática que eles se viram obrigados a fazer o contato para sobreviver - explica o antropólogo Alexandro Machado Namem, professor da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e autor do livro "Os botocudo no Vale do Itajaí" (2020). - Foi um período trágico da História do Brasil.

Uma terra indígena invadida por colonos, madeireiros e uma barragem
Depois do contato, foi instalado no Vale do Itajaí o Posto Indígena Duque de Caxias, o que contribuiu para o fim das matanças. Uma outra forma de opressão, porém, teve início. Em seu livro, Namem conta que a TI Ibirama foi criada em 1926, com pouco mais de 20 mil hectares, tamanho ínfimo perto da vastidão que eram as terras Laklãnõ-Xokleng no passado. Em 1965, o governo federal homologou o território com uma dimensão ainda menor: 14 mil hectares. Ainda assim, a partir dessa década, houve muitas invasões por colonos e madeireiras, o que levou à extração predatória de árvores nobres e de palmito, hoje praticamente extinto na região.
O pior ainda estava por vir. Em 1975, o governo federal declarou parte da reserva como área de utilidade pública para construir um complexo de barragens para contenção de enchentes, com objetivo de proteger municípios próximos. Como estávamos em meio a uma ditadura militar, não havia margem nenhuma para contestação. As obras, concluídas na década de 1980, causaram enorme impacto na vida dos Laklãnõ-Xokleng, que ficaram ser ter onde plantar ou morar e foram obrigados a se deslocar dentro do território.
- O governo construiu o lago de contenção da barragem norte dentro da reserva, sem que houvesse consulta da população indígena - critica Namem. - Aquilo agravou muito a situação de um povo que já vinha sofrendo com invasões por décadas.

Nos anos 90, os próprios indígenas começaram um processo de retomada das terras invadidas que culminou com um grupo de trabalho que, após muita análise, concluiu que o território Laklãnõ-Xokleng tem, na verdade, 37 mil hectares. A partir de então, ficou claro que a própria criação da reserva, em 1926, com 20 mil hectares, foi a primeira expropriação realizada pelo governo contra seus habitantes originários. Em 1999, a Funai reconheceu, após muito "vai e volta", os 37 mil hectares da TI Ibirama, demarcada com essa dimensão pelo governo federal em 2003, o que gerou novas contestações judiciais da parte de agricultores e do próprio governo estadual. Na prática, então, o STF precisa decidir se reserva dos Xokleng tem apenas os 14 mil hectares demarcados em 1965 ou os 37 mil definidos pela pesquisa posterior.
Ao longo do século XX, o Estado deixou de patrocinar matanças de Xoklengs, ainda que tenha continuado a negar o direito desse povo a suas terras. Mas isso não significa que nunca mais houve assassinatos. Em 1954, o indígena Brasílio Priprá foi ao Rio denunciar invasões das terras e crueldades cometidas por Eduardo Hoerhann, o funcionário do SPI que conduzira o contato pacífico em 1914. Chefe do Posto Duque de Caxias, instalado na reserva, ele era acusado de violentar mulheres Xokleng e obrigar moradores do território a trabalhar para ele sem remuneração. Ao voltar do Rio, Priprá foi assassinado por capangas de Hoerhann, que chegou a ficar preso depois daquele crime. Nascido três anos depois, o Brasílio Priprá que hoje lidera os Xokleng recebeu seu nome daquele indígena morto.
- Eu seria o irmão dele, então recebi seu nome como homenagem - conta Priprá, que está de novo em Brasília para acompanhar o julgamento da ação no STF. - Resistimos até hoje e não vamos parar de lutar, mesmo com todas as ameaças que continuamos a sofrer.
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Ao responsabilizar PT, terceira via assume ser ruim de rua - Helena Chagas
Por Helena Chagas

Por Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia
As forças que torcem por uma terceira via e os organizadores das esvaziadas manifestações de domingo passado pelo impeachment tentam responsabilizar PT, PSOL e movimentos sociais da esquerda pelo fracasso. Apontam um "boicote" aos atos, acusando o ex-presidente Lula e seus apoiadores de terem passado a não querer mais o impeachment depois de as últimas pesquisas mostrarem que Lula bate Bolsonaro em todos os cenários em 2022.
É possível até que, lá no fundo do coração, alguns petistas torçam por essa possibilidade, mas não tem fundamento ou lógica política achar que o PT, o Psol e os movimentos e eles ligados irão agora desistir do discurso do impeachment. Tanto não é assim que estão programando uma manifestação para dia 2 de outubro, e trabalham para que seja grande. Vão convidar todos os setores.
Ainda que o quadro da disputa com Bolsonaro possa parecer mais fácil para Lula hoje, os articuladores do seu lado sabem que abandonar a defesa do impeachment representaria um sério abalo de imagem, uma desconexão com os anseios da maioria da população, que hoje, segundo as pesquisas, quer ver o presidente da República pelas costas.
A mobilização, portanto, vai continuar. Até porque tornar o impeachment realidade não está em suas mãos - mas nas do Centrão, e aí são outros quinhentos. A ausência no último domingo era a atitude óbvia num protesto convocado pelo MBL. Ou alguém esperava ver Lula no carro de som ao lado do "pixuleco" em que aparece vestido de presidiário e abraçado a Bolsonaro?
Ao responsabilizar o PT pelo fracasso de suas manifestações, a centro direita da terceira via, que conseguiu criar um fato político reunindo os principais pré-candidatos num mesmo palanque, passa um recibo péssimo para sua própria reputação: assume que quem tem o poder de mobilizar as ruas são os petistas e seus aliados. Como , cinco dias antes, Bolsonaro também mostrara essa capacidade, a conclusão que se tira é de que a terceira via é ruim de rua - o que não é nada bom para quem quer ter um candidato competitivo à presidência.
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Nunca correr nem encarar: as regras de sobrevivência no território de ursos

Marcel Vincenti
Colaboração para Nossa
14/09/2021 04h00
Ao fazer trilhas na natureza, muita gente busca ter encontros próximos com animais selvagens.
Mas o que acontece quando, durante uma caminhada entre rios e bosques, você se depara com um bichão peludo que pesa centenas de quilos, chega a ter mais de 2 metros de altura quando fica em pé e tem força para destroçar um ser humano em poucos segundos?
Na natureza selvagem

Brasileiro é resgatado no Alasca após viagem inspirada em história famosa
Este tipo de experiência é vivida por trilheiros no noroeste da América do Norte, em regiões como British Columbia (no Canadá) e Alasca (Estados Unidos).

Lá, pessoas que realizam viagens frequentes em ambientes selvagens costumam deparar-se com gigantescos e assustadores ursos, como os "grizzly bears".
O cientista ambiental canadense Jamie Albino, por exemplo, tem um longo currículo de tours por áreas selvagens de regiões de seu país como British Columbia e Northwest Territories, onde é possível admirar horizontes marcados por montanhas, rios e bosques.

Mas, nestas incursões na natureza, ele já se viu frente a frente com enormes ursos em diversas ocasiões.
"Certa vez, estava com um amigo e seu cachorro em uma área remota de British Columbia e, de repente, vimos, a alguns metros de distância, um urso grizzly em pé nos olhando através da mata. Fiquei impressionado, pois o cachorro começou a tremer com a presença daquele animal", conta ele.
Pegamos o carro, fomos embora, mas, na estrada logo adiante, nos deparamos novamente com um grizzly. É bem possível que fosse o mesmo urso. Acho que ele estava nos stalkeando"

Para Jamie, é muito difícil saber como alguns destes bichões irão reagir na presença de humanos. Ele já conseguiu fotografar famílias de ursos caminhando tranquilamente pela mata a não muitos metros de distância e, também, já se deparou com o poder de destruição das feras.

"Fiz uma trilha na região dos Northwest Territories e, ao chegar a um ponto de acampamento da área onde não havia ninguém. Notei que estava tudo devastado, provavelmente por um grizzly", lembra.
A porta da cabana havia sido destruída e os alimentos que estavam lá dentro foram devorados. Havia vômito e cocô de urso por todas as partes"


Em outra ocasião, ele estava viajando com sua esposa e dois cachorros por uma zona selvagem de British Columbia e, ao parar perto de um bosque para colher cogumelos, o canadense viu um grizzly olhando para ele, do meio das árvores.
"Meu cachorro começou a latir de maneira agressiva e fiquei com medo de que ele atacasse o urso. E o grizzly começou a vir em nossa direção, até ficar a uns 10 metros de distância. Cheguei a pegar um rifle, mas ele virou e foi embora".

Técnicas de sobrevivência
Para sobreviver a estes encontros com ursos, viajantes adotam curiosas técnicas que permitem que as trilhas sejam cruzadas com bastante segurança.
Jamie, por exemplo, sempre presta atenção na direção do vento ao atravessar, a pé, territórios onde há a presença de ursos potencialmente agressivos.
É sempre importante caminhar a favor do vento, para que seu cheiro chegue até os ursos. É fundamental que eles saibam que você está na área e que sintam, de antemão, que você não representa perigo"
"Nestes casos, eles geralmente não perturbam os humanos e você acaba nem sabendo que eles estavam por perto. Mas, se forem pegos de surpresa com a sua presença, eles podem ficar muito agressivos", complementa.

A canadense Tera Dabner é outra trilheira com muita experiência no noroeste da América do Norte.
Ela já teve encontros com "grizzlies", por exemplo, em regiões como o Wrangell-St.Elias National Park and Preserve, uma área recheada de rios, montanhas e bosques no Alasca.
"Eu estava com um grupo de 10 pessoas no Wrangell-St.Elias National Park and Preserve. Após cruzarmos um rio, exaustos e molhados, nos deparamos com um grizzly gigantesco. Nesta hora, é fundamental não se desesperar e não correr. Começamos a andar para trás bem devagar e saímos do campo de visão do animal", relata ela.
Acampamos na região naquela noite e, quando estava tudo escuro, ouvimos barulhos de ursos perto das barracas. Eles acabaram indo embora, mas ninguém dormiu naquela noite"

Tera conta que, quando se vê frente a frente com um urso, jamais olha nos olhos do animal, pois isso pode despertar reações perigosas no bicho. Além disso, não considera um bom presságio encontrar fofos filhotinhos de urso no meio das trilhas.
"Se a mãe dos filhotes estiver por perto, ela pode sentir que humanos são uma ameaça para suas crias. A situação pode ficar bem perigosa".
Já quando monta acampamento em regiões em que há presença destes animais, ela projeta mentalmente um amplo triângulo sobre o terreno do camping e adota uma técnica que promete trazer mais segurança para as pessoas ali presentes.
"Em uma ponta deste triângulo imaginário, levanto as barracas. Na outra ponta, monto os equipamentos de preparação de comida. E, na terceira ponta, a uma distância segura, deixo os alimentos, de preferência pendurados em lugares altos. Você não vai querer largar comida perto das barracas, pois isso pode atrair ursos famintos para muito perto do grupo".

Famintos por tudo
Jamie, por sua vez, diz que ursos como os grizzlies podem ser atraídos por qualquer tipo de cheiro e conseguem comer basicamente qualquer coisa.
"Eu nunca deixo, por exemplo, desodorantes dentro da minha da barraca. Ursos sentem cheiros à longa distância e podem achar que aquilo é comida. E são animais que mastigam tudo", conta.
Há casos de grizzlies que comeram tanques de lanchas paradas em margens de rios, pois sentiram o odor do combustível e quiseram engolir aquilo"

E viajantes que exploram determinadas áreas selvagens do noroeste da América do Norte também caminham equipados com um spray que traz uma fórmula que atua como repelente de ursos.
Tera e Jamie, porém, afirmam que nunca precisaram usar este recurso.
"Ursos não são maus. Eles não ficam caçando humanos para matá-los. Mas é preciso saber se adaptar ao seu território", diz o canadense.
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Felipe van Deursen - Como estas curiosas estruturas circulares podem conter o avanço do Saara

Foto: reprodução Instagram @ecogazzetta
15º29'N, 13º09'O
Grande Muralha Verde
Kanel, Matam, Senegal
Quando a harmonia entre dois vizinhos anda balançada, por motivos internos ou externos, é na fronteira que isso é mais sentido, seja na calçada que você divide com a vizinha que teima em reclamar dos latidos do seu cachorro seja nas tensões que envolvem crises migratórias, tráfico de drogas e milícias rivais, como entre Colômbia e Venezuela. Muitas e muitas vezes, a própria fronteira é objeto de disputa, de Armênia vs. Azerbaijão a Zâmbia vs. Zimbábue.
Colunistas do UOL
País precisa de consenso agora e pós-Bolsonaro, diz Maria Hermínia Tavares
Em 1989, uma pequena guerra na África Ocidental teve um pouco de tudo isso. Seis anos antes, a Mauritânia iniciou um programa estatal de agricultura que prejudicou pequenos produtores rurais no país e no Senegal, do outro lado de um rio que também se chama Senegal.
Esses países são duas ex-colônias francesas, ambas de imensa maioria islâmica. Mas após a independência elas seguiram caminhos diferentes. A Mauritânia reforçou as ligações árabes (hoje virtualmente toda a população é muçulmana). Já Senegal manteve conexões com o mundo francófono e tem uma minoria cristã. O distanciamento ficou mais abalado quando um período de secas no Sahel, a zona de transição entre o deserto e a savana, apertou ainda mais o cerco aos camponeses nos dois lados da fronteira.
Quando a realidade é essa, vale qualquer desculpa para o pau começar a cantar. Até pasto. Disputas em torno de áreas de pastoreio nas margens do rio levaram à ruptura diplomática e, depois, à guerra. Em dois anos, o conflito deixou algumas centenas de mortos e muitos milhares de refugiados.

Baobá, a famosa árvore africana, no deserto senegalês. Foto: iStockphotos
O INIMIGO AGORA É OUTRO
Hoje, a fronteira entre os dois países é foco de um novo conflito, contra um inimigo comum. Nos últimos meses, jardins circulares têm surgido na área, o que poderia dar a impressão de que a luta é contra alienígenas. Mas não se trata de um filme de M. Night Shyamalan. Os jardins são uma nova arma para tentar conter a desertificação que ameaça todos os países do Sahel.

Foto: reprodução
Mais de dez jardins circulares, chamados de tolou keur, foram implementados nos últimos meses. Eles funcionam como uma mistura de pomar e farmácia naturais. Os círculos interiores têm plantas medicinais. Nos intermediários, mamão, limão, caju, manga e outras frutas. Nos exteriores, baobás e mognos africanos providenciam nutrientes às plantas, sombra aos humanos e proteção contra os ventos que arrastam a areia do deserto.
Todas as espécies são resistentes às intempéries do clima. Além disso, o formato circular permite que as raízes cresçam em direção ao centro, o que facilita a retenção de água e a compostagem, explica a agência de reflorestamento do Senegal.

Foto: reprodução Instagram @ahmedlatouri
O grande fator que tornou a iniciativa bem-sucedida até o momento, segundo especialistas, é que ela engaja as comunidades locais a participar. Esse seria o grande diferencial em relação a outras ações da chamada Grande Muralha Verde, projeto que ambiciona barrar o avanço da desertificação com uma faixa de 8 mil quilômetros de florestas do Senegal, às margens do Atlântico, ao Djibuti, no Mar Vermelho, do outro lado do continente.
O problema é que o projeto da União Africana, iniciado em 2007, atingiu apenas 4% da ousada meta de cobrir 100 milhões de hectares de árvores. A Grande Muralha Verde é um colosso que envolve a política e o aparato burocrático de diversos países e ainda incita debates científicos sobre as principais causas da desertificação (variações climáticas, excesso de áreas de pasto, represas, conflitos étnicos, grandes secas, ventos, chuvas) e a melhor maneira de combatê-la.

Foto: reprodução Instagram @ecolibri.senegal
Enquanto isso, os senegaleses arregaçaram as mangas e investiram em algo prático. Aly Ndiaye, engenheiro agrícola que participou da criação do tolou keur, disse à Reuters que o objetivo era fazer jardins menores, produtivos, permanentes, sequenciais e úteis às comunidades, em vez de uma longa e perene linha de árvores.
Curiosamente, foi a pandemia que criou o cenário para o desenvolvimento do tolou keur. No ano passado, o Senegal fechou as fronteiras para conter a disseminação do coronavírus – o que parecia estar ajudando: o país teve um pico de apenas 160 casos diários em 2020, bem diferente de 2021, quando passou dos mil casos diários em julho.
Com tudo fechado, as comunidades rurais foram as mais expostas, pois dependiam mais de alimentos e remédios vindos do exterior. Foi aí que a agência de reflorestamento viu que era necessário incentivar um programa que as tornasse mais autossustentáveis, segundo a Al Jazeera.
Nem todos os jardins estão prosperando. Em alguns, a desertificação não parece ter freado. Mas em Kanel, por exemplo, tem dado certo. Os cuidadores precisaram só dar um jeito de lidar com os roedores. Um muro e cães mantêm as pragas afastadas da hortelã e do hibisco.
Mudanças climáticas influenciam a política, queiram ou não os negacionistas. A seca ajudou a estourar uma pequena e esquecida guerra no Senegal nos anos 1980. E uma seca nos anos 2000 pavimentou o caminho para a maior guerra do mundo na década passada, na Síria.
A iniciativa no Senegal pode mostrar em escala internacional o que a turma dos "pais de planta" sabe bem. Jardins trazem paz.
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André Marinho, humorista que imitou Bolsonaro em jantar para Temer: 'Não quero ficar só pregando para convertido'

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O episódio está cristalizado na memória de André Marinho. No dia 28 de outubro de 2002, enquanto as TVs exibiam o primeiro pronunciamento de Lula como presidente, a então criança de 7 anos adentrou o quarto dos pais e desatou a imitar o político. Foi um “momento eureca”, relembra o humorista, hoje com 26 anos, que desde então usa o que classifica como um “dom” para “quebrar o gelo” em festinhas. E não demorou a fazer disso sua profissão. Anteontem, ele descobriu que uma imitação cômica poderia “chacoalhar os alicerces da República”, como conta.
Em jantar na casa do investidor Naji Nahas, diante de figuras como o ex-presidente Michel Temer, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e o próprio pai, o empresário Paulo Marinho, André arrancou gargalhadas ao satirizar o presidente Jair Bolsonaro. Um vídeo da ocasião ganhou as redes sociais e pôs o nome do humorista entre os assuntos mais comentados da internet ontem.
— Foi uma bomba atômica — define, sem modéstia, o integrante do programa “Pânico”, da Jovem Pan FM, que ganhou 20 mil seguidores nas redes apenas ontem.
De um lado, bolsonaristas o atacaram com a hashtag “#bobodacorte”, alegando que o encontro seria o início da candidatura de Temer para 2022.
— Atribuíram uma importância desmedida ao evento — afirma André. — Bolsonaristas têm a sensibilidade absurda para qualquer um que ouse criticar o mito deles, o que só demonstra a natureza autoritária deles. E o autoritarismo detesta o riso.
Do outro lado da arena cibernética, houve quem apontasse hipocrisia no fato de um humorista fazer graça com a situação política do país diante de investidores milionários.
— Qualquer mudança no Brasil depende de se estar aberto a quem tem poder para tomar decisões políticas. Ninguém reforma o sistema pelo Twitter — diz.
Com formação em Direito e passagem pelo curso de Ciência Política da Universidade de Nova York, o jovem fala do desejo de virar um comunicador (uma de suas referências é Danilo Gentili) e consolidar um programa de talk-show, algo que já faz em seu canal no YouTube. A veia artística é compartilhada com a irmã, a cantora Giulia Be (ambos são filhos da decoradora Adriana Bourguignon).
— Bom comunicador é aquele que transita em todos os lados. E é isso que justifica minha presença lá no jantar. Não quero ficar só pregando para convertido — ele responde, frisando que a carreira política é “algo fora da órbita hoje”.
O discurso só adquire um tom hesitante quando o assunto é Jair Bolsonaro, que ele apoiou, com unhas e dentes, em 2018. Aliás, à época , a casa de Paulo Marinho e do filho se transformou numa espécie de QG da campanha.
— É complicado. Lógico que estou pagando minha penitência por ter tido um vínculo próximo a Bolsonaro. Congelando a linha do tempo, para mim, foi um privilégio ter sido testemunha ocular de capítulos alucinantes da trajetória do presidente ao Planalto. Mas tem aquela máxima. Dê poder ao homem, e verás quem ele é.
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Mais 7GW de energia limpa no setor elétrico | Míriam Leitão - O Globo
Por Alvaro Gribel

O setor elétrico vai aumentar a potência instalada no sistema em 7,4GW no ano que vem, e quase tudo disso, 7GW, será de energia limpa: 3,6 GW de solar, 2,1 de eólica, 350 MW de UHE, e 980 MW de biomassa. Apenas 380 MW serão de térmica fóssil. Essa é uma boa notícia em meio à forte crise do setor.
Segundo o consultor Luiz Augusto Barros, da PSR Energy, esses leilões foram contratados no governo Temer, e os projetos estarão concluídos para entrar no sistema no ano que vem.
- Essa energia vai ajudar o país a atravessar o ano de 2022, que continuará difícil para o setor elétrico - explicou.
Há outras boas notícias recentes. Segundo Barroso, houve aumento de chuvas na região Sul, o consumo de energia está menor do que o esperado, como reflexo da perda de potência da recuperação, e a Argentina está enviando mais energia para o Brasil. Além disso, as paradas de manutenção de plataformas da Petrobras serão mais curtas do que o esperado.
- A chave (para lidar com a crise hídrica) vai ser deixar as térmicas ligadas no período úmido. Há também muita nova oferta não hídrica no sistema e se chover na média histórica a gente passa tranquilo. Precisa chover pelo menos 70% da média histórica, ou seja, 30% a menos, pra gente poder passar – disse Barroso.
Apesar disso, o consultor faz questão de pontuar a gravidade do momento. Em evento ontem no banco BTG, ele reforçou que o governo precisa melhorar a comunicação, para estimular o uso racional de energia pelos consumidores.
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Folha envia 21 perguntas a Joaquim de Carvalho sobre o documentário da fakeada de Juiz de Fora

247 – O jornalista Ranier Bragon, da Folha de S. Paulo, enviou nesta tarde um questionário, com 21 perguntas, ao jornalista Joaquim de Carvalho sobre o documentário "Bolsonaro e Adélio – uma fakeada no coração do Brasil", que já alcançou mais de 800 mil visualizações, desde que foi lançado, na noite do último sábado. O tom das perguntas deixa claro que a intenção da Folha não é investigar as fragilidades do caso, que foram detalhadas por Joaquim de Carvalho, com riqueza de detalhes, em seu documentário. Ao contrário, a Folha busca confirmar a versão oficial e desacreditar o trabalho de Joaquim, que vem tendo ampla repercussão. Leia, abaixo, toda a mensagem enviada pelo repórter da Folha:
Boa tarde, Joaquim, meu nome é Ranier Bragon, sou repórter da Folha de S.Paulo, tudo bom?
Estou fazendo uma matéria sobre a repercussão nas redes sociais do "Bolsonaro e Adélio - Uma Fakeada no Coração do Brasil" e gostaria de fazer as seguintes perguntas:
1 - Qual ou quais principais elementos inequívocos de seu trabalho você poderia elencar para sustentar o termo "Fakeada" no título do vídeo?
2 - Embora o título faça a ligação direta entre a facada e o termo fake, não há, em suas falas no vídeo, nenhuma afirmação peremptória nesse sentido. Por que?
3 - Em determinado ponto, o sr. afirma haver fortes pistas de que o atentado tenha forjado por Bolsonaro ou a sua equipe com o intuito de haver ganho político. A que o sr. atribuir o fato de a Polícia Federal não ter encontrado nada que permita essa conclusão, em duas investigações?
4 - Se o objetivo do grupo político fosse supostamente promover um atentado falso, com uma facada falsa, por que escolher uma via pública, cercada de celulares e câmaras de imprensa e câmaras de monitoramento, e uma infinidade de pessoas. O risco de serem descobertos não seria muito grande, em sua avaliação?
5 - Se o objetivo do grupo político fosse promover um atentado falso, em que um dos pontos da trama envolvia uma operação de doença pré-existente, por que supostamente tomar um suposto remédio para esse suposto mal na frente das câmaras, ainda exibindo-o ao cameraman?
6 - Se o objetivo do grupo político fosse promover um atentado falso, que contaria com a participação de Adelio Bispo, por que postar nas redes sociais, tanto de Carlos Bolsonaro e do próprio Adélio, informações que ligam ambos ao curso de tiro da .38?
7 - Se o objetivo do grupo político fosse promover um atentado falso, por que a insistência em uma nova investigação da PF após a primeira e a segunda?
8 - O sr. encontrou indicativos de que os investigadores da PF (e os integrantes do Ministério Público) também fazem parte da suposta fraude?
9 - Se Adelio supostamente faria parte da suposta trama pelo menos dois meses antes, para que registrar no próprio celular fotos de locais onde Bolsonaro passaria?
10 - Em determinado ponto, é apontado como indicativo suspeito uma suposta eleição em que o prefeito de Juiz de Fora teria vencido após levar uma pedrada na cabeça. O sr. encontrou indicativo de que atentados (reais e forjados) só funcionariam em Juiz de Fora, na visão dos supostos operadores da trama?
11 - vídeo reproduzido do site True or Not traz Bolsonaro batendo na mão de um homem que, segundo o vídeo, faz uma contagem regressiva com uma das mãos. Qual é o objetivo dessa contagem, na avaliação que o sr. tirou com base na sua investigação?
12 - Por que o objetivo dos supostos criminosos seria desviar o foco de um fotógrafo sendo que várias câmaras, incluindo dezenas ou centenas de aparelhos celulares, filmavam a cena?
13 - A se levar em conta a suposição de que a faca foi plantada, o que seria o objeto que aparece nas imagens nas mãos de Adelio?
14 - O vídeo mostra postagens de Carlos Bolsonaro na .38 em 7 de julho. Já Adelio, segundo o vídeo, em 3,4 e 5. Qual elemento exato comprova que ambos estiveram no mesmo dia, no clube?
15 - Se Adelio estava criminosamente ligado aos cérebros do suposto falso atentado, por que ele resolveu apagar ou alterar o seu Facebook somente quando Fabio Morato resolveu investigar? Por que o sr. acha que os próprios advogados de Bolsonaro requisitaram à PF investigação sobre suposta notícia de adulteração na página do Facebook de Adélio, levando a acreditar em uma possível tentativa de ocultação de provas por terceiros?
16 - Se a suposta tramoia envolvia a participação de Adelio, o que, na avaliação do sr., dava tamanha segurança ao grupo criminoso de que nada seria descoberto nem ele revelaria nada a policiais federais que, lembre-se, trabalhavam sob um governo que, inclusive, tinha outro candidato na época (Henrique Meirelles)?
17 - Por que, na avaliação do sr., nesses três anos não houve nenhuma confissão por parte do suposto grupo criminoso, que deveria necessariamente contar com a equipe de aliados próxima do candidato, familiares, seguranças, agentes da polícia federal, seguranças eventuais, testemunhas próximas, policiais federais destacados para a investigação, integrantes do ministério público, médicos, enfermeiros e funcionários da Santa Casa de Juiz de Fora, do hospital Albert Einstein, entre várias outras pessoas?
18 - Ao questionar os valores encontrados na conta de Adelio, o sr. afima no vídeo que eles fazem parte do acerto trabalhista, mas questiona como Adelio vivia, se alimentava. A PF diz que ele fazia pequenos saques para suas despesas do dia a dia, "fruto do recebimento de gorjetas e diárias em trabalhos como garçom ou como auxiliar de pedreiro, entre outras atividades sem vínculo". Por que o sr. omitiu essa parte?
19 - Tendo em vista a tese defendida de que Adelio faria parte do atentado fajuto, por que os organizadores do suposto plano, que seriam dotados de elevada competência tendo em vista não terem sido pegos até agora, depositariam dinheiro diretamente na conta de Adelio?
20 - Qual o documento oficial da Justiça Eleitoral o sr. obteve para afirmar ter havido filiação de Adelio Bispo ao PSD? Por que, no vídeo é omitida a informação constante no depoimento de Adelio no sentido de jamais ter existido tal filiação?:
"Esclareceu que esteve no diretório político do PSD na cidade de
Uberaba/MG, em 2016, buscando informações acerca da possibilidade de filiação,
tendo obtido da secretária que o atendeu um cartão do Deputado Federal MARCOS
MONTES, cartão este também encontrado em meio aos documentos apreendidos.
Contudo, não formalizou a filiação e, posteriormente, esteve no Tribunal Regional
Eleitoral – TRE - solicitando certidão de comprovação de não filiação a partido político,
ocasião em que teria deixado o requerimento de desfiliação assinado para eventual
desligamento do PSD, imaginando que pudesse ter tido sua inscrição ao partido
realizada sem sua autorização. A certidão, emitida na mesma data da comunicação de
desfiliação acima citada, também foi localizada entre os seus pertences":
21 - Por que não é relatado no vídeo, quando o sr. trata do áudio "calma aí, calma aí cara", que a pessoa que gravou e é a dona da voz prestou depoimento à PF e que diz que achava "que Adelio queria tão somente tocar nas mãos do candidato de uma forma atabalhoada". E que nada contra ela foi encontrado nas investigações?
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Oposição na Câmara se une na organização de dois atos contra Bolsonaro

247 - Partidos da oposição na Câmara dos Deputados unificaram as diretrizes para novas manifestações pelo impeachment de Jair Bolsonaro marcadas para os dias 2 de outubro e 15 de novembro. São eles: PSOL, PT, PCdoB, PDT, PSB, PV, Rede, Solidariedade e Cidadania.
Bolsonaro é alvo de mais de cem pedidos de impeachment devido aos inúmeros crimes de responsabilidade cometidos antes e durante a pandemia do coronavírus, como tentativa de interferência na Polícia Federal, estímulo a um golpe no país e recomendações contrárias à ciência no âmbito da pandemia.
Os últimos atos bolsonaristas aconteceram no dia 7 de setembro, quando Bolsonaro disse que não acataria decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes - o magistrado incluiu Bolsonaro no inquérito das fake news, em agosto.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluiu na investigação sobre Bolsonaro que corre no órgão a apuração sobre a origem do financiamento dos atos golpistas do 7 de setembro. O Judiciário quer saber quem realizou o pagamento de transporte, diárias, quem participou da organização das manifestações e se elas tiveram conteúdo de campanha eleitoral antecipada.
O tribunal já apura os ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas.
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Parecer dos juristas tipificando crimes de Bolsonaro torna mais robusto o relatório da CPI | Míriam Leitão - O Globo

O grupo de juristas que listou os crimes cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro e integrantes do governo na gestão da pandemia foi até modesto no parecer entregue à CPI. Apontaram sete eventuais crimes: crime de epidemia, crime de prevaricação, crime contra a humanidade, infração de medida sanitária, charlatanismo e incitação ao crime.
Em um artigo que fiz em maio do ano passado chamado "Bolsonaro entre artigos e incisos", conversei com um procurador que fez uma lista enorme de crimes que o presidente estava cometendo tanto na 1079/1950, a Lei do Impeachment, quanto na Constituição Federal.
O parecer dos juristas liderados por Miguel Reali Jr fortalece o relatório da CPI, porque vai além das impressões, das informações e dados do relator. Os juristas tipificam os crimes, enquadram exatamente o ponto da lei que o presidente agrediu. Fortalece porque passa a ter uma discussão jurídica e não só política.
Entre os crimes apontados está o crime de saúde pública, em que o presidente cometeu ao estimular a invasão de hospitais, por exemplo. Cometeu infração de medida sanitária ao não usar máscaras, estimular aglomerações. Bolsonaro chegou a tirar máscaras do rosto de crianças.
Pelo crime de prevaricação, mesmo sendo informado de suspeitas de corrupção no Ministério da Saúde, nada fez. Segundo a denúncia dos irmãos Miranda, o presidente, inclusive, apontou o nome do deputado Ricardo Barros como possivel envolvido e ele continua líder do governo. Todas as investigações da CPI até agora mostram, de fato, que o governo desprezou o contato com fornecedores confiáveis de vacina e permitiu negócios com intermediários que não tinham credibilidade e com os quais foram feitas negociações obscuras.
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“Fake news faz parte da nossa vida. Quem nunca contou uma mentirinha para a namorada?”, diz Bolsonaro (vídeo)

247 - Em cerimônia de entrega de prêmio voltado a ‘personalidades’ da comunicação no Palácio do Planalto na tarde desta terça-feira (14), Jair Bolsonaro afirmou que não é necessário tentar impedir a circulação de notícias falsas, uma vez que elas “fazem parte da nossa vida” e “morrem por si só”.
“Fake news faz parte da nossa vida. Quem nunca contou uma mentirinha para a namorada? Se não contasse, a noite não ia acabar bem”, disse, aos risos. “Eu nunca menti para Michelle”, completou em seguida, em um comentário machista.
“Hoje em dia o fake news morre por si só. Duvido [que exista alguém] que apanha mais do que eu. Eu nunca recorri ao judiciário para tentar reparar isso”, disse ainda Bolsonaro durante seu discurso.
A seguir, ele comparou fake news com um apelido e defendeu que não é necessário “regular”, mas sim “deixar o povo à vontade”. “Eu entendo também que o ‘fake news’ é quase como um apelido. Se botar um apelido agora no Queiroga e ele ficar chateado, vai pegar o apelido. Cai por si só. Não precisamos regular isso aí. Deixemos o povo à vontade.”
Na semana passada, Bolsonaro assinou uma Medida Provisória que protege quem propaga fake news. Alvo de diversas críticas, o projeto não deve ser aceito pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-RO).
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Os donos do Poder, sem nome forte, vão de Bolsonaro - Valquer Bicalho
Por Valquer Bicalho

A polarização política permanece entre a esquerda, representada por PT, PSOL versus a direita, representada por quem couber no balaio do Centrão, financiado pelo agronegócio e mercado financeiro, com mídia corporativa como seu núcleo de comunicação.
Os atos bolsonaristas de 07 de setembro, que seriam a experimentação do atual presidente para medir forças com o STF e com os donos do poder, não deram resultado e Bolsonaro foi obrigado a recuar, já que corria o risco de perder o mandato por crime de responsabilidade.
Desiludido com a possibilidade de uma terceira via para derrotar Lula ou Bolsonaro, em razão da polarização que vive o Brasil desde 2002, o mercado entendeu que precisava escolher um lado, aceitou e organizou o recuo.
E escolheu Bolsonaro.
Por isso colocou as velhas raposas políticas de sempre para articular via Centrão a paz entre STF e Bolsonaro. A Gilmar Mendes e Temer couberam as conversas para pôr uma focinheira em Bolsonaro e alinhar um armistício com os ministros do STF.
Sem um candidato de direita com votos que faça tudo que Bolsonaro faz para eles, entregando as empresas estatais, aprovando leis que facilitem a vida dos bancos e grandes negócios, ou seja, um Bolsonaro que mastigue de boca fechada e não converse sem exalar odor, restou aos donos do poder domarem a fera e o prepararem para ir para uma eleição com ele mesmo. Quem não tem voto pela direita caça com Bolsonaro.
A chegada de Temer a Brasília e a carta recuo de Bolsonaro perante o STF e Congresso deixaram claro que foi feita a barganha. Bolsonaro se mantém no poder, e será o representante da direita em 2022, se nenhum dos candidatos da terceira via não se viabilizar eleitoralmente.
Ainda há uma pequena chance com Dória, que é simpático da direita, mas que não tem o controle do seu próprio partido. Eduardo Leite, do mesmo PSDB de Dória, é só um ensaio para emplacar uma vice em alguma chapa de direita.
Outra possibilidade é Ciro, que antes tentava convencer a esquerda que só ele conseguiria vencer Bolsonaro, por isso precisavam *deixá-lo* passar para o segundo turno. Ciro agora corre Brasil afora tentando convencer a direita que só ele consegue vencer Lula no segundo turno, e que para isso precisam fazê-lo ser o candidato da direita. Mudou o lado, mas a missão continua a mesma, quase impossível, já que para isso é preciso o segundo lugar abrir alas para o pedetista passar.
Portanto, esse é o cenário, com Lula favorito para ganhar em 2022, sem uma candidatura viável pela terceira via, é com Bolsonaro que o mercado, dono do Centrão, e a mídia irão.
Apoiar Lula, somente se Bolsonaro ficar totalmente incontrolável, o que não é muito difícil, dados os problemas que ele tem para lidar com a democracia. Caberá a Temer organizar as relações entre Bolsonaro, Congresso e Poder Judiciário e junto com os generais controlar o capitão.
A corrupção de Bolsonaro?
Para políticos de direita isso nunca foi problema no Brasil, eles dão um jeito, têm o judiciário e mídia na mão para isso mesmo.
Impedir Lula continua no radar, ainda que agora seja bem mais difícil. Caso ele ganhe, sabem que serão tratados com republicanismo, como já foram nos mandatos anteriores de Lula, mas temem que os ativos do país que foram entregues possam ter que ser devolvidos. Algo não muito crível, já que Lula é um conciliador e não deve fazer nenhum movimento de rompimento de contrato.
Na dúvida, o mercado prefere um Bolsonaro controlado no bolso deles, domado, *pois até* agora não contam com outro Bolsonaro de nome diferente.
Assim, sem terceira via, sem engolir Lula, mais uma vez, é com o Bolsonaro que os donos do poder vão.
Cabem aos trabalhadores lutar por Lula presidente, sem ilusões com frente ampla à direita.
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Antes que seja tarde - Agassiz Almeida

Vivemos, desde a independência do Brasil, em 1822, um dos seus momentos mais graves como nação. Há pouco mais de dois anos e meio, o que assistimos? A palavra cala e a pena treme para descrever. Os problemas do país, de mês a mês, amontoam-se e se agravam, sem solução, e quando se enfrentam, é de forma errada ou tardiamente.
Ungido por uma febre política no país, em 2018 – a História retrata bem este fenômeno –, Jair Bolsonaro e sua trupe de filhotes galgaram o poder, com votações consagradoras, elegendo governadores, senadores e deputados, egressos muitos deles de um monturo de sombras.
Instala-se a síndrome da imbecilidade. Eis aonde chegamos. Da 6ª economia do mundo, fomos rebaixados à 12ª posição. O baronato militar nepotista, na sua marcha insensata, implantou a política do ódio e da cizânia, e dela se alimenta quase diariamente. Escancaram-se as portas ao preconceito, ao racismo, à degradação das minorias e ao desrespeito às instituições. Insulam-se polícias contra governadores, violam-se os mandamentos das Forças Armadas, instituição do Estado - o caso do general Pazuelo é escancaradamente patente -, prega-se descaradamente a violência: “compre fuzil e não compre feijão”.
A pandemia da Covid-19 é um sinistro capítulo à parte, que o mundo acompanhou estarrecido. Cresce a boçalidade criminosa. Ridiculariza-se o uso da vacina: “quer virar jacaré, então, tome a vacina do João Doria”. Debocha-se do isolamento social. Enquanto a maioria dos países já vacinou 70 por cento da sua população com as duas doses, nós patinamos em 32 por cento.
Estamos nos limites das 600 mil mortes pela Covid-19 e o desencontrado chefe da nação se queda indiferente aos graves problemas do país: a inflação que atinge os mais humildes e a classe média, a alta da gasolina, a crise da energia e a hídrica. No entanto, o motoqueiro mor, simplesmente, não está nem aí. É totalmente despreparado para o exercício da função presidencial. Enfim, quando a nossa população vai acordar deste pesadelo?
No plano criminal, que tipo de delito é este? Genocídio no qual está enquadrado Jair Bolsonaro.
Olhemos as páginas da História. Os sanguinários ditadores, Hitler, Mussolini, Franco, Pinochet e Idi Amin Dada se apoiaram na política do ódio, da formação de fanáticos, na violência e na cizânia entre compatriotas, familiares, instituições armadas, e formaram verdadeiras legiões de ensandecidos, diante dos quais não sabemos se estão num hospício ou num picadeiro.
O chefe do governo, na desastrada avidez pelo poder, transformou a data símbolo da nação, 7 de setembro, num destampar de graves crimes contra a ordem democrática, a independência dos poderes, e berrou como um apoplético: não vou cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal. Estes tipos se vestem dessa roupagem: o país sou eu. Danem-se a hierarquia militar, os partidos políticos e o sofrimento do povo.
Deixo estas palavras, que vêm de um velho viandante de longas caminhadas. Ou as forças vivas da nação, Congresso Nacional, Forças Armadas, governadores e sociedade civil se posicionam numa visão patriota de alijar do poder este tresloucado, ou nós poderemos mergulhar numa Síria, num Afeganistão e numa Espanha do século passado.
O barril de pólvora, Bolsonaro preparou. Falta apenas acender o estopim para se abater sobre o povo brasileiro a tragédia de um enfrentamento mais grave ou até de uma guerra civil. Levantemos a voz e decidamos, para que, no amanhã, a História não nos condene por inércia ou covardia.
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O Prelúdio da Transição pelo Alto? - Marco Mondaini
Por Marco Mondaini

Caso venham a acontecer realmente como previstas e tendo como base as últimas pesquisas de opinião, as eleições presidenciais de 2 de outubro de 2022 parecem se encaminhar para uma disputa entre o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula, que, a depender das circunstâncias do momento, poderão ser decididas já no primeiro turno a favor do candidato do Partido dos Trabalhadores.
Num exercício de imaginação política, gostaria de, nas próximas linhas, me abstrair momentaneamente da possibilidade mais que concreta da resolução da grave crise que assola o país por intermédio de um golpe de Estado de corte fascista encabeçado por Bolsonaro, com o apoio daquilo que afirmam as mesmas pesquisas ser um contingente de algo entre 1/3 e 1/4 da população brasileira, e sugerir o ensaio de uma outra saída política por meios não democráticos.
Pois bem, e se, ao contrário do que afirma a quase totalidade dos analistas da situação política nacional, a nota/carta ditada pelo golpista vampiresco Michel Temer e assinada pelo presidente da república não representar de fato um recuo transitório ou, dito de maneira mais vulgar, um vergonhoso pedido de arrego?
E se, ao contrário, a nota/carta for o prelúdio de uma tentativa de transição pelo alto do quadriênio desastroso do governo Bolsonaro para um governo que mantenha na sua integralidade o projeto ultraneoliberal de Paulo Guedes (que, a bem da verdade, tem seu início com o “Uma Ponte Para o Futuro” do mesmo golpista vampiresco Michel Temer), com a promessa de afastamento completo dos ataques constantes às instituições, em particular ao Supremo Tribunal Federal?
E se, afastada em definitivo a decolagem de um/a candidato/a que represente a tão sonhada terceira via entre “as duas candidaturas extremistas”, a fórmula da transição pelo alto for pactuada pelas diversas frações da classes dominantes, com a anuência da maioria conservadora do Congresso Nacional, em meio a uma campanha eleitoral caracterizada por inúmeros atos de violência?
E se, por fim, for decidido pela maioria conservadora do parlamento que a transição pelo alto será levada a cabo junto ao cancelamento das eleições e a formação de um governo ultraneoliberal, sem a presença de Bolsonaro e sua alcatéia?
Reconheço que talvez seja excessiva a imaginação política da minha parte, mas não tenho dúvidas de que a foto do prelúdio dessa transição pelo alto já existe e foi tirada na noite de 13 de setembro, na casa de Naji Nahas, na zona sul de São Paulo, no jantar que homenageou o golpista vampiresco Michel Temer.



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