_________________________* Vírus do EBOLA pode se ESCONDER em humanos por ANOS antes de INFECTAR NOVAMENTE _________________________* Por que vacinas NÃO são SOLUÇÃO para acabar com PANDEMIAS

_________________________________________________NCG: Entrevista de NICOLELIS no YOUTUBE sobre o OTIMISMO e o FIM da pandemia foi um banho de ÁGUA GELADA (15/10?) _________________________________________________

Covid: por que OMS diz que pandemia ainda vai durar mais do que o previsto _________________________________________________

Vírus do EBOLA pode se ESCONDER em humanos por ANOS antes de INFECTAR NOVAMENTE _________________________________________________ Por que vacinas NÃO são SOLUÇÃO para acabar com PANDEMIAS _________________________________________________O que ALTA em INTERNAÇÃO de IDOSOS revela sobre EFETIVIDADE da VACINA e 3ª dose contra COVID _________________________________________________Queda em taxas de vacinação deve 'ressuscitar' doenças erradicadas do país _________________________________________________Covid-19: DOSE de REFORÇO para IDOSOS volta a ser aplicada nos postos de vacinação da cidade _________________________________________________Não adianta usar vinagre: saiba como higienizar vegetais e prevenir doenças


Foto: John Moore

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Matheus Sciamana/Photopress/Estadão Conteúdo

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________________________________________////////////Covid-19: Tire suas dúvidas sobre a aplicação da dose de reforço na cidade do Rio

Saiba quando você poderá tomar a terceira dose de acordo com o cronograma da prefeitura, conforme o grupo ao qual você pertence
Profissional de saúde prepara dose da vacina da Janssen contra Covid-19 no Museu da República, no Rio de Janeiro Foto: FramePhoto / Agência O Globo/28-06-2021
Profissional de saúde prepara dose da vacina da Janssen contra Covid-19 no Museu da República, no Rio de Janeiro Foto: FramePhoto / Agência O Globo/28-06-2021

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RIO — A cidade do Rio anunciou nesta quinta-feira as datas de aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19. São dois cronogramas diferentes: um para o reforço de todas as pessoas com 18 anos ou mais que já tomaram a segunda dose há pelo menos cinco meses — que começaram a receber o reforço já nesta quinta-feira — e outro para pessoas com 55 anos ou mais que completaram três meses desde a segunda dose — grupo que deverá seguir um calendário por idade.

As diferentes datas podem causar confusão. Por isso, o GLOBO traz respostas a uma série de possíveis questionamentos a respeito da dose de reforço no Rio. Confira:

Tomei a segunda dose há mais de cinco meses. Já posso me vacinar agora?

Sim, deve. Todas as pessoas com 18 anos ou mais que já completaram o prazo de cinco meses desde a segunda dose, conforme orientação do Ministério da Saúde, podem tomar o reforço. Na cidade do Rio, a aplicação nesse grupo começou já nesta quinta-feira. Basta procurar um posto de vacinação.

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Tenho mais de 55 anos e tomei a segunda dose há pelo menos três meses. Já posso me vacinar agora?

Não. Para esse grupo, há um calendário específico, que começa a valer no dia 29 de novembro. A partir dessa data, serão contempladas as pessoas com 59 anos ou mais que tenham tomado a segunda dose há pelo menos três meses. O calendário prossegue com cerca de cinco dias para cada idade, com uma idade por vez. Assim:

  • 29 de novembro a 4 de dezembro - 59 anos ou mais
  • 6 de dezembro a 11 de dezembro - 58 anos ou mais
  • 13 de dezembro a 18 de dezembro - 57 anos ou mais
  • 20 de dezembro a 23 de dezembro - 56 anos ou mais
  • 27 de dezembro a 4 de janeiro - 55 anos ou mais

A ideia por trás desse calendário é adiantar a dose de reforço para quem tem 55 anos ou mais. Para o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, esse público está mais vulnerável aos efeitos da Covid-19 e por isso deve seguir um prazo menor entre a segunda e a terceira doses, de três meses.

No entanto, para saber se já pode receber o reforço, a pessoa que pertence a esse grupo deverá checar duas coisas: (1) se já se passaram três meses desde a sua segunda dose e (2) se sua idade já está contemplada na data atual, de acordo com o calendário.

Caso você se encaixe no primeiro critério, mas não no segundo, não poderá tomar a terceira dose ainda. E vice-versa.

Tenho 55 anos ou mais e tomei minha segunda dose com atraso, portanto ainda não completei o prazo mínimo para a minha faixa etária, de três meses. Poderei me vacinar quando chegar a data da minha idade?

Se até lá se tiverem passado três meses desde a sua segunda dose, sim. Se o prazo ainda não tiver sido alcançado, não.

Mas repare que o calendário sempre contempla uma nova idade “ou mais”. Ou seja, você poderá tomar o reforço assim que o intervalo de três meses estiver completo, não importa quanto tempo tiver se passado desde a data marcada para o início da aplicação da terceira dose em pessoas da sua idade. Basta que a data já tenha chegado.

Tenho menos de 59 anos, mas já estou vacinado com a segunda dose há mais de três meses. Poderei tomar o reforço já a partir do dia 29?

Não. Mesmo que você já tenha completado o intervalo mínimo de três meses, é preciso aguardar a data do início da aplicação do reforço em pessoas da sua idade. Se você tem 58 anos, será no dia 6 de dezembro. Se tem 57, será no dia 13 de dezembro, e assim por diante.

A exceção é quem tomou a segunda dose há cinco meses ou mais. Quem estiver nesse grupo, não importa a idade, pode receber o reforço já a partir de hoje.

Faço parte de um grupo prioritário e por isso tomei a vacina antes das demais pessoas da minha faixa etária. Preciso comprovar que pertenço a um grupo prioritário para tomar o reforço?

Não. Embora pessoas com comorbidades, pessoas com deficiências e outros públicos prioritários da campanha de vacinação contra a Covid-19 tenham se imunizado antes da população em geral (mediante apresentação de atestado médico ou outro tipo de comprovação), o critério de aplicação da terceira dose é o tempo que se passou desde a sua segunda dose, não o seu perfil clínico.

O que importa é se você tomou a segunda dose há cinco meses ou mais ou se você é maior de 55 anos e já completou cinco meses desde a sua segunda injeção. Se você está dentro desses critérios, você pode tomar o reforço.

Tenho entre 50 e 54 anos ou mais e quero receber o reforço. Quando poderei?

Essas idades não estão contempladas na primeira versão do calendário por idade da prefeitura, divulgado nesta quinta-feira. No entanto, segundo o secretário Daniel Soranz, a previsão é que esse grupo seja contemplado no cronograma a partir de janeiro. Outras idades devem ser incorporadas futuramente, aos poucos.

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QUEM ESCREVE

ESTRATÉGIA RIGOROSA

Milhões morreriam na China sem 'Covid zero', diz especialista

Um profissional de saúde faz teste de swab para Covid em Pequim

Enquanto muitos países começam a relaxar as restrições impostas à população, confiando no aumento da taxa de vacinação, a China não tem a menor intenção de alterar sua política de Covid zero. Foi o que indicou a Comissão Nacional de Saúde, ao relatar que o novo surto da doença já atinge quase todas as províncias do país.Embora o número de casos continue muito baixo na comparação com outros países (cerca de mil desde o meio de outubro, nenhuma morte desde abril), é o surto mais extenso na China desde o início da pandemia. Depois que a Nova Zelândia abandonou a política de Covid zero, a China é o último país a manter a estratégia, e ela não deve mudar pelo menos até a Olimpíada de Inverno de Pequim, em fevereiro. Rastreamento exaustivo, testagem em massa, isolamento de áreas com infecções, controle rígido de fronteiras, a base da política será mantida, adicionada à distribuição da terceira dose da vacina.
O tamanho da população e o alto nível de contágio da variante Delta justificam a decisão do governo chinês, disse em entrevista à coluna o médico Ivan Hung, chefe da divisão de doenças infecciosas da Universidade de Hong Kong.É viável manter a política de Covid zero?Na China, por sua enorme população, no momento a melhor política é a de zero casos. Embora o país tenha uma taxa muito elevada de vacinação, a vacina com vírus inativado [aplicada na China] não é ideal. Isso quer dizer que o país ainda terá casos, especialmente da variante Delta. E se há casos eles se espalham muito rapidamente, como está ocorrendo no momento. Em poucos dias o país registrou centenas de casos em várias partes da China. Mas o país está fazendo um trabalho excelente em rastrear esses pacientes e encaminhá-los para quarentena rapidamente, porque a capacidade de testagem é enorme. Quando a maioria da população tiver recebido a dose extra contra a variante Delta, o país poderá adotar uma política diferente e relaxar a atual. Isso provavelmente vai acontecer daqui a entre quatro e seis meses. E claro, a China vai sediar a Olimpíada de Inverno em fevereiro, e antes disso há o Ano Novo chinês, quando haverá uma grande circulação de pessoas. Portanto, a política zero é correta no momento. Eu acho que em março ou abril, quando a maioria das pessoas já tiver recebido o reforço da vacina, eles poderão relaxar a política de quarentena e controle.
O tamanho da população é a maior razão para a diferença de atitude da China em relação a outros países?Há várias razões, mas acho que a mais importante é que se for permitido que a variante Delta entre e se espalhe, não será possível controlá-la. Quando se abre, não dá para voltar atrás. E se esse for o caso, devido ao tamanho da população e ao fato de muitas das cidades chinesas serem superpovoadas, o vírus se propagará rapidamente e muitas pessoas serão infectadas, especialmente os idosos. Isso acarretará uma enorme pressão para o sistema de saúde, algo parecido com o que está acontecendo neste momento em Singapura, no Reino Unido e em algumas partes dos EUA onde há baixa taxa de vacinação. Por isso, no momento a política zero é a correta para a China, pois assim o sistema de saúde e as pessoas ficam protegidas, especialmente os idosos, e o país pode ganhar tempo até que as pessoas estejam vacinadas com a segunda geração de imunizantes, que será mais eficaz contra a variante Delta. Estou certo de que teremos que conviver com esse vírus, porque ele é muito contagioso, e mesmo quem já pegou pode ser infectado de novo, algo muito parecido com a gripe sazonal. Por isso, essa é a política certa para a China. Na Nova Zelândia, essa foi também a política certa inicialmente, mas tornou-se custosa demais. E a Nova Zelândia tem uma população relativamente pequena para o território, por isso eles podem manter o distanciamento social. Mas na China não dá, por causa do tamanho da população.
A variante Delta foi decisiva para a manutenção da política de Covid zero na China?
Sim, acho que a variante é em grande parte a razão, por ser tão contagiosa. Em termos de transmissão, uma pessoa pode infectar seis ou sete pessoas ao mesmo tempo, enquanto com o vírus original era de uma a três. A primeira geração de vacinas não é eficiente para prevenir infecções da variante Delta, sua eficácia é em torno de 50%. Por isso precisamos de uma segunda geração de vacinas bem mais potentes e eficazes para lidar com a Delta. Infelizmente a atual terceira dose é ainda a vacina original, que está apenas reforçando o nível de anticorpos. A Sinovac e a Sinopharm já produziram a segunda geração de vacinas e ela será colocada em uso muito em breve.
O motivo do controle maior na China é que suas vacinas são menos eficazes?As vacinas com vírus inativado [como as chinesas] talvez não sejam tão boas como as de RNA mensageiro [tecnologia de vacinas como as da Pfizer/BioNTech e da Moderna], especialmente para lidar com a variante Delta. Entretanto, as vacinas com vírus inativado têm um nível de eficácia suficiente para proteger contra a variante, especialmente contra formas severas da doença e mortalidade. Para a China no momento, mesmo que o país tivesse a vacina mRNA, por causa da enorme população seria necessária uma política bem mais conservadora até que a maioria das pessoas receba o reforço, porque a variante Delta poderia causar uma taxa de infecção muito alta. Mesmo com uma taxa de mortalidade de 1% ou 2% os problemas seriam enormes. Milhões morreriam se as medidas forem relaxadas.
A China se tornou vítima de seu próprio sucesso na contenção da pandemia? Tanto no nível psicológico como no virológico, parece que a contenção da doença deixou as pessoas menos preparadas para conviver com o vírus, e também com menor imunidade natural, o que torna mais difícil a transição para uma fase de coexistência com o vírus.
A situação é muito parecida com Hong Kong, onde tivemos zero casos nas últimas semanas. Não acho que há qualquer outro lugar que tenha conseguido isso. E é uma boa notícia, porque as pessoas em Hong Kong, assim como na China, têm a possibilidade de se deslocar livremente, frequentar restaurantes e ir para o trabalho normalmente. O lado negativo é que poucas pessoas têm anticorpos adquiridos naturalmente por infecção, e por isso sua imunidade não é tão robusta como em outros países onde metade da população já foi infectada. Mas não acho que isso seja um problema, porque se você tem a possibilidade de vacinar a maioria da população num prazo de seis meses ou um ano com o reforço contra a variante Delta, aí será viável abrir, como fizeram outros países. É claro que é melhor vacinar as pessoas sem que a maioria tenha sido infectada e com menos vítimas de complicações e mortes pelo vírus. Por isso a melhor política é ganhar tempo até que as pessoas estejam vacinadas e só depois abrir. Enquanto isso, continua sendo possível viajar livremente dentro das fronteiras, embora não para o exterior. Acho que a maioria dos chineses pode lidar com isso, pelo menos por mais um ou dois anos. Obviamente que depois disso será preciso abrir, porque até lá o mundo estará aberto e teremos que alcançá-lo.
A política de Covid zero compensa o custo para a economia e o moral da população?Eu acho que a China é diferente de outros países, porque dentro das fronteiras é possível fazer negócios e a economia local tem uma grande autossuficiência. Portanto, o problema não é tão grande no curto prazo. E na China o custo de testagem é relativamente baixo. É bem menor do que o risco de ter um grande número de infectados nos hospitais. O custo para o sistema de saúde é muito menor do que o das medidas de prevenção. Por isso faz sentido para a China manter essa política intensiva de rastreamento e testagem e prevenir uma sobrecarga sobre os hospitais.
Em que medida o fator político pesa nessa equação? Muitos dizem que o governo chinês mantém a política de Covid zero principalmente para preservar sua reputação.De certa forma eu acho que a China está dando um exemplo muito bom de como é possível, com rígidos controles e monitoramento, ser capaz de manter a infecção sob controle até que todos estejam vacinados. Além disso, o país está doando um grande volume de vacinas para o mundo em desenvolvimento. Nenhum outro país está fazendo o mesmo nessa escala. Mas a China tem a capacidade de doar vacinas para países que não contam com elas. Pode não ser a melhor vacina em termos de eficácia contra a variante Delta, mas é boa o suficiente para proteger as pessoas contra doenças severas, hospitalização e morte.

________________________________________////////////China pede que cidadãos estoquem comida em meio a novos surtos de covid

China enfrenta dificuldades para manter a política de tolerância zero a casos de coronavírus Imagem: Getty Images

02/11/2021 11h30

Enquanto enfrenta surtos pontuais de coronavírus, a China exortou a população a estocar comida e outros itens de necessidade básica. Em comunicado divulgado nesta terça-feira , o ministério do Comércio chinês pediu que autoridades em locais com restrições impostas pela covid-19 disseminem informações sobre as redes de distribuições de produtos essenciais.

Na nota, o governo apresentou uma série de recomendações para assegurar o fornecimento de suprimentos durante os meses de inverno no Hemisfério Norte.

De acordo com Pequim, os representantes locais precisam "fortalecer" a liderança organizacional e garantir a estabilidade dos preços.

O alerta acontece em um momento em que o país asiático enfrenta dificuldades para manter a política de tolerância zero a casos de coronavírus.

A capital Pequim voltou a endurecer restrições e fechou cinemas e centros de entretenimento em algumas regiões, depois de registrar novas infecções.

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Covid-19 volta a crescer na Europa, América e em países como China e Rússia

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

03/11/2021 04h00

Enquanto o aumento da vacinação derruba o número de casos, hospitalizações e mortes no Brasil, alguns desses indicadores voltaram a crescer em diversos países na América, Europa e em nações como Rússia e China.

Os motivos vão desde os baixos índices de vacinação em alguns países ao aumento da circulação de pessoas em regiões vacinadas, avaliam especialistas consultados pelo UOL. Nos países com alta vacinação, as mortes crescem em ritmo menor do que o número de casos.

Covid: 113,3 milhões de brasileiros completam vacinação, 53,1% da população

Europa

Na Europa, a semana terminada em 19 de outubro contabilizou 1,3 milhão de casos, alta de 7% em relação à anterior, segundo o Centro Europeu de Controle de Doenças.

Embora países com altos índices de imunização já tenham ligado o alerta, o problema é mais grave na Europa Oriental em razão da vacinação lenta. Por lá, 12 países registram aumento de mortes há pelo menos duas semanas — em oito deles, há quatro.

O caso mais emblemático é a Romênia, onde a vacinação total atingiu apenas 31% da população, segundo a Universidade Johns Hopkins. Foram 226 mortes por 1 milhão de habitantes nas duas semanas encerradas em 21 de outubro. Esse índice é de 25 no Brasil e de zero na Islândia. Após quatro semanas com aumento dos óbitos, o presidente Klaus Iohannis classificou a situação como "alarmante".

Romênia - Octav Ganea/Inquam Photos/Reuters - Octav Ganea/Inquam Photos/Reuters
Paciente com covid-19 em UTI superlotada no Hospital de Emergência "Bagdasar-Arseni", em Bucareste, Romênia Imagem: Octav Ganea/Inquam Photos/Reuters

Empacada em 63% de vacinados, a Áustria cogita novas restrições sob o risco de "cair em uma pandemia de não vacinados", nas palavras do premiê, Alexander Schallenberg.

Mas o avanço da covid também afeta países com alta imunização. Nesses locais, porém, a vacina impede que as mortes cresçam no mesmo risco que as novas infeções. Na Bélgica, por exemplo, a média de mortes por 1 milhão de habitantes era de 82 há quatro semanas, número que só não é maior porque a vacinação completa no país atingiu 74%. "Estamos numa quarta onda", lamentou o ministro da saúde belga, Frank Vandenbroucke.

Na Inglaterra, o número de casos saltou de 49 mil na semana de 13 de junho para 326 mil na de 24 de outubro. Já as mortes e internações não seguiram a mesma tendência, indicando que "as vacinas desassociam a curva de contágio da de doenças graves e mortes", afirmou no dia 20 o diretor-adjunto da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan.

Enquanto isso, na França, a agência sanitária local confirmou na semana passada a retomada epidêmica no país, após um período de baixa circulação do vírus e o fim de boa parte das medidas restritivas para controlar as contaminações. Segundo a agência, o número de casos graves também voltou a crescer desde o dia 18 de outubro.

Infectologista da Fundação de Medicina Tropical de Manaus, Noaldo Lucena atribui o avanço da covid em países do leste europeu à baixa taxa de vacinação, enquanto na Inglaterra e Bélgica a razão é outra: "A vacina serve para impedir o adoecimento grave e mortes, mas a infecção e transmissão não são totalmente evitadas", diz.

Os vacinados reduzem os cuidados e voltam a circular. Isso justifica o aumento de casos, mas diminuição de hospitalizações e mortes

Os vacinados reduzem os cuidados e voltam a circular. Isso justifica o aumento de casos, mas diminuição de hospitalizações e mortes."
Noaldo Lucena, infectologista

América

Canadá - REUTERS/Blair Gable - REUTERS/Blair Gable
Primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau recebe a 1ª dose da vacina; no país, ritmo da vacinação caiu e casos aumentaram Imagem: REUTERS/Blair Gable

Já nas Américas, a situação preocupa em ao menos seis países, incluindo o "vacinado" Canadá. Mesmo com 74% de imunizados, o país enfrenta a quarta onda após queda no ritmo da vacinação em agosto: passou de 3,6 milhões de imunizados na semana de 4 de julho para 553 mil na de 24 de outubro.

Assim, os casos saltaram sete vezes, de 2.500 para 18,2 mil, enquanto as mortes aumentaram em proporção menor, de 76 para 256 óbitos, na comparação entre a semana de 18 de julho e a de 24 de outubro.

Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o infectologista Marco Aurélio Sáfadi reforça que "todas as vacinas aprovadas são extremamente eficientes para prevenir morte e hospitalização", mas "elas não têm a mesma performance para prevenir transmissão".

"Então mesmo em lugares com vacinação avançada, como no Canadá, pode haver surtos e transmissão importante do vírus se outras medidas de contenção não forem tomadas", afirma o médico.

Atualmente com 58% de vacinados, o México parecia ter controlado a doença em maio, mas uma terceira onda elevou as ocorrências: 4.900 mortos na semana terminada em 5 de setembro. A vacinação em massa a partir de agosto derrubou os índices, embora o número de mortos continue em patamar elevado: 1.800 na semana terminada em 24 de outubro.

Após o que parecia o fim da segunda onda em agosto, o número de casos no Chile voltou a crescer em setembro, terminando a semana de 24 de outubro com 11 mil notificações, quase quatro vezes mais do que em 12 de setembro. A boa notícia é que a vacinação de 77% da população impediu o aumento de mortes, atualmente estabilizada em 60 por semana.

Com apenas 41% da população vacinada, Barbados vive uma onda de transmissão iniciada em agosto, quando saiu de 64 casos por semana para os atuais 2.300. No pequeno país de 287 mil habitantes, as mortes chegaram a zerar em 22 de agosto, mas bateram em 25 na semana terminada em 17 de outubro, o recorde no país.

Já a Nicarágua parecia ter estabilizado a doença na semana de 18 de abril, quando apenas 51 casos foram notificados. Na semana de 24 de outubro, porém, foram anotados 504 casos, número que só perde para as 718 ocorrências na semana de 3 de outubro.

Apesar de apenas 5,5% de vacinados, a campanha cresceu em outubro, impedindo que as mortes aumentassem na mesma proporção.

O Haiti vive sua quarta onda de covid. Em outubro foram 51 mortes, o maior patamar desde julho (123). O país não repassou seus dados de imunização para a Universidade Hopkins.

"A diferença da alta transmissão no Canadá para o Haiti ou Bermudas é que nos países pobres a vacinação não avança, aumentando hospitalizações e mortes. Já no Canadá, em países ricos da Europa e mesmo no Chile, onde a vacinação é alta, a letalidade diminui com o avanço da vacinação", diz o professor da Santa Casa.

Em países pobres da América, a principal razão é a baixa cobertura e medidas de saúde públicas pouco efetivas: por lá é mais difícil disponibilizar máscaras, reduzir aglomerações e garantir obediência às medidas não-farmacológicas."
Marco Aurélio Sáfadi, Infectologista

China

china - Reprodução/Twitter @XHNews - Reprodução/Twitter @XHNews
China determina confinamento da população na região norte do país após surto de covid-19 Imagem: Reprodução/Twitter @XHNews

Apesar de 75% dos chineses estarem totalmente vacinados, "desde 17 de outubro ocorreram vários surtos locais espalhados na China, e eles estão se expandindo rapidamente", afirmou no domingo (24) o porta-voz da Comissão Nacional de Saúde da China, Mi Feng.

O surto de casos —não acompanhado de mortes— foi detectado pela primeira vez em 16 de outubro entre um grupo de Xangai que viajou por diversas províncias do norte da China, como Mongólia Interior, Gansu, Ningxia e a capital Pequim. Ao todo, 133 infecções foram relatadas até domingo, 106 ligadas a 13 grupos turísticos.

O governo chinês, que adota uma política de tolerância zero ao vírus, já impôs restrições. As agências de viagens estão proibidas de organizarem excursões para as províncias afetadas, enquanto a capital chinesa agora obriga os viajantes de lugares com casos confirmados a apresentarem um teste negativo e passar por 14 dias de quarentena.

A cidade também suspendeu uma maratona marcada para 31 de outubro e anunciou a detenção de seis residentes que supostamente infringiram as regras de distanciamento social. No dia 29, Pequim cancelou centenas de voos e pediu aos cidadãos que adiassem casamentos e realizassem funerais mais curtos.

Rússia

Se na China o aumento é pontual, a Rússia a pandemia nunca foi tão grave: foram 1.159 óbitos e 40.096 infectados em 28 de outubro, segundo dados do governo. Ao todo, o país contabilizou 142 mil casos na semana de 24 de outubro e 7 mil mortos no período, um recorde no país.

O avanço por lá se deve à imunização de apenas 33% dos russos, embora eles tenham desenvolvido quatro vacinas, como a Sputnik V. Para mudar o quadro, o país criou um feriado de vacinação entre 28 de outubro e 7 de novembro.

Até lá, salões de beleza, lojas de roupas, restaurantes, e outros serviços não essenciais permanecerão de portas fechadas. Como os hospitais estão lotados, Moscou pediu aos idosos que não saiam de casa por pelo menos quatro meses.

E o Brasil?

O infectologista da Santa Casa comemora a consolidação da campanha de imunização no Brasil. A grande vantagem, diz, é que "temos uma vacinação mais recente do que nos Estados Unidos, Israel e Reino Unido e por isso nossa imunidade ainda não caiu".

"Mas não quer dizer que vencemos a guerra. É preciso continuar avançando: tem de dar a segunda dose a todos, vacinar as crianças e organizar uma flexibilização cautelosa e com vigilância atenta para retomar as medidas restritivas se necessário", afirma.

Recentemente, o Rio de Janeiro autorizou a dispensa de máscara ao ar livre, enquanto São Paulo decretou o fim do distanciamento social. "Gostaria de ter uma vacinação um pouco mais avançada para iniciar as flexibilizações", diz o médico.

Lucena, da Fundação de Medicina Tropical de Manaus, concorda.

"Se nos países civilizados há recrudescimento de casos, o que pode acontecer no Brasil?", questiona. "A gente ainda tem muita gente descoberta e isso pode levar ao surgimento de uma nova variante. Mesmo os vacinados ainda precisam usar máscara, não aglomerar e usar álcool em gel."

______________________________________________Conheça sete superalimentos para fortalecer o sistema imunológico

Adaptar a dieta do dia a dia auxilia o corpo a obter os nutrientes necessários para a defesa do organismo
Os "superalimentos" para garantir a imunidade Foto: André Mello
Os "superalimentos" para garantir a imunidade Foto: André Mello

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RIO — Com a pandemia da Covid-19, um mecanismo do corpo humano em especial ganhou protagonismo nos estudos científicos: o sistema imunológico. Pesquisas não só detalharam seu papel no combate à infecção, como ampliaram os conhecimentos sobre a sua forma de agir contra a invasão de variados microrganismos. Mas essa não é sua única função, explica a diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Ekaterini Simões Goudouris:

— Se você tem um sistema imunológico funcionando mal, pode não apenas ter o risco aumentado de quadros infecciosos repetidos como desenvolver doenças autoimunes e câncer. 

A relação com tumores tem sido cada vez mais estudada por cientistas. Pesquisadores da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, descobriram que uma das células T (que atuam no combate a agentes desconhecidos) tem um tipo de receptor específico capaz de identificar e atacar células cancerígenas causadoras de uma ampla variedade de tumores em todo o corpo. Os especialistas acreditam inclusive que essa descoberta poderá levar a um tratamento universal no futuro.

O sistema depende de uma série de nutrientes para funcionar da maneira ideal. Portanto, ainda que o excesso desses compostos não leve a um fortalecimento acima do normal, destaca a diretora da ASBAI, a deficiência o enfraquece. 

Uma forma de recuperar os nutrientes é o consumo de alguns “superalimentos” — comidas riquíssimas em substâncias boas para o corpo. No caso, boas para o sistema imunológico. 

— O indicado é manter a diversidade na ingestão desses alimentos, porque cada um tem um nutriente em maior quantidade na sua composição — diz a nutricionista esportiva pela Universidade de São Paulo (USP), Deborah Lesting.

Mel 

Consumido há milênios, mel atua como um 'construtor do sistema imunológico' Foto: Editoria de Arte
Consumido há milênios, mel atua como um 'construtor do sistema imunológico' Foto: Editoria de Arte

Um dos alimentos mais consagrados na história da humanidade, o mel é consumido há milênios – os primeiros registros datam de 8 mil a.C. Ele desde sempre foi associado à saúde. A relação com a imunidade é mais recente e os conhecimentos nessa área vêm crescendo. Recentemente, pesquisadores da Universidade do Estado de Michigan, nos Estados Unidos chegaram a afirmar que o mel atua como um “construtor do sistema imunológico”.

Tal capacidade é provocada especialmente pela atuação antioxidante de dois compostos, os flavonóides e os polifenóis. Ambos agem neutralizando os radicais livres, as moléculas que aceleram o processo de envelhecimento das células, aumentando o risco e o surgimento de doenças crônicas. O mel também tem grandes quantidades de uma substância chamada peróxido de hidrogênio, com ação antisséptica capaz de matar comunidades de bactérias e fungos.

Iogurte

Iogurte é um leite fermentado por bactérias com grande propriedade terapêutica Foto: Editoria de Arte
Iogurte é um leite fermentado por bactérias com grande propriedade terapêutica Foto: Editoria de Arte

O iogurte é um leite fermentado por bactérias. Essas bactérias se alimentam do açúcar natural do leite (a lactose) e liberam ácido láctico. É esse processo que confere a consistência, o gosto azedinho característico e a grande propriedade terapêutica do alimento. O alimento possui pelo menos dois tipos de bactérias, a lactobacillus bulgaricus e a streptococcus thermophilus — são os chamados probióticos.

— Essas bactérias consideradas protetoras vão atuar diretamente na ação do sistema imunológico — explica a endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) Juliana Garcia Dias.

Trabalho da Universidade de Yale, publicado na revista Clinical Immunology, mostrou que cerca de 70% a 80% de todas as células imunes do corpo estão no trato gastrointestinal. 

Quinoa

Típica da América do Sul, a quinoa é considerada pela OMS um superalimento para o combate à fome no mundo Foto: Editoria de Arte
Típica da América do Sul, a quinoa é considerada pela OMS um superalimento para o combate à fome no mundo Foto: Editoria de Arte

Típica da América do Sul, a quinoa é uma semente tão nutritiva que é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um superalimento para o combate à fome no mundo pelo potencial energético.

Ela tem os chamados “compostos fenólicos”, como quercetina e canferol, e flavonóides, que são antioxidantes, e produzem o efeito semelhante ao do mel no fortalecimento do sistema imunológico. Ela também carrega uma grande quantidade de zinco, nutriente que exerce um papel na maturação das células T, responsáveis pela imunidade a nível celular.

Além disso, tem vitamina B6 em abundância. Pesquisadores da Universidade de Tufts, em Boston, observaram pacientes com imunodeficiência e relacionaram a baixa concentração dessa vitamina no organismo a uma redução na produção de anticorpos.

Batata doce

A batata doce é rica em vitamina A e vitamina C, que têm potencial antioxidante Foto: Editoria de Arte
A batata doce é rica em vitamina A e vitamina C, que têm potencial antioxidante Foto: Editoria de Arte

Os principais nutrientes da batata doce que impactam na imunidade são a vitamina A e a vitamina C. Ambas têm um papel antioxidante, ou seja, protegem as células dos radicais livres. A vitamina A é absorvida pelo corpo como resultado da conversão do betacaroteno presente no legume em vitamina. Essa substância é o pigmento responsável pela coloração alaranjada. Ou seja, quanto mais alaranjada, maior a quantidade de betacaroteno e, consequentemente, de vitamina A no legume.

Um estudo brasileiro publicado na Revista Pan-Americana de Saúde Pública relacionou ainda a deficiência de vitamina A à redução da atividade das células chamadas natural killer (NK), que fazem parte da resposta inicial do sistema imunológico. Já a vitamina C, além de ser um antioxidante, atua na manutenção da “barreira epitelial”, que é uma fina camada de células cuja função é proteger o corpo contra toxinas e bactérias. 

Spirulina

Vendida na forma desidratada, em comprimidos, cápsulas ou em pó, a Spirulina é uma alga rica em proteínas, aminoácidos, ferro, zinco e vitaminas A, B, D e E Foto: Editoria de Arte
Vendida na forma desidratada, em comprimidos, cápsulas ou em pó, a Spirulina é uma alga rica em proteínas, aminoácidos, ferro, zinco e vitaminas A, B, D e E Foto: Editoria de Arte

Trata-se de uma alga que pode ser usada como suplemento alimentar por ser rica em proteínas, aminoácidos, ferro, zinco e vitaminas A, B, D e E. Portanto, possui diversos nutrientes relacionados ao funcionamento do sistema imunológico. 

O principal deles é a ficocianina, um pigmento que dá à spirulina a coloração azul esverdeada. Ela tem uma alta atuação antioxidante e consegue inibir determinadas enzimas pró-inflamatórias.

Pesquisadores da Universidade de Jinan, na China, conduziram uma pesquisa em que atestaram a sua função imunomoduladora. Ou seja, ela melhora significativamente a ação das células formadoras de anticorpos e aumenta a atividade dos linfócitos. Ela é vendida na forma desidratada, em comprimidos, cápsulas ou em pó.

Cúrcuma

Também conhecida como açafrão-da-terra, a cúrcuma é já há bastante tempo conhecida pelo efeito antiinflamatório Foto: Editoria de Arte
Também conhecida como açafrão-da-terra, a cúrcuma é já há bastante tempo conhecida pelo efeito antiinflamatório Foto: Editoria de Arte

Também conhecida como açafrão-da-terra, é um pó extraído de uma planta da família Zingiberaceae, a mesma do gengibre. Sua principal substância, a curcumina, é já há bastante tempo conhecida pelo efeito antiinflamatório. Mais recentemente, se mostrou também ser um potente agente que atua na ativação das chamadas células T, células B, macrófagos, neutrófilos, células NK e dendríticas, todas com papel essencial no sistema imunológico.

A curcumina também pode diminuir a expressão de citocinas (substâncias segregadas por células do sistema imune que, em excesso faz mal ao corpo) e aumentar as respostas de anticorpos, aponta um estudo de pesquisadores da Universidade do Texas publicado na revista Journal of Clinical Immunology. Um trabalho da Universidade do Estado do Oregon, sugere ainda que a curcumina aumenta os níveis de uma proteína que regula a resposta imune inata, considerada a primeira barreira de defesa do organismo. 

Gengibre

Gengibre tem alta capacidade de ação antioxidante e antiinflamatória, que combatem os radicais livres Foto: Editoria de Arte

Gengibre tem alta capacidade de ação antioxidante e antiinflamatória, que combatem os radicais livres Foto: Editoria de Arte

A planta atua nas defesas do corpo pela alta capacidade de ação antioxidante e antiinflamatória, que combatem os radicais livres, explica a endocrinologista Juliana Garcia Dias, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Isso acontece graças à substância chamada de gingerol. Um estudo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Universidade de São Paulo (USP) afirma que o gingerol é capaz de modular as células T, que tem um papel primordial no funcionamento das defesas do corpo.

Além disso, trabalhos afirmam ainda que o gingerol possui inclusive uma atuação anticâncer por meio da indução da apoptose, uma forma de morte celular programada, e da autofagia, processo de regeneração natural em nível celular, que seriam capazes de inibir metástases.

* Estagiário sob supervisão de Adriana Dias Lopes



_________________________________________________Covid: taxa de transmissão volta a subir no país, aponta Imperial College

A taxa subiu para 1,04 esta semana, segundo levantamento do Imperial College de Londres. - Noel Celis/AFP
A taxa subiu para 1,04 esta semana, segundo levantamento do Imperial College de Londres. Imagem: Noel Celis/AFP

Colaboração para UOL, em Brasília 03/11/2021 08h58

A taxa de transmissão (Rt) do novo coronavírus no Brasil está em 1,04, aponta o monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido. Isso significa que cada 100 pessoas com o vírus no país infectam outras 104. Na semana passada, a taxa estava em 0,68 —menor índice registrado desde abril de 2020. Qualquer valor acima de um significa que o contágio está acelerando.

A taxa de transmissão é uma das principais referências para se acompanhar a evolução da pandemia no país. Por ser uma média nacional, o Rt não indica que a doença esteja avançando nem retrocedendo da mesma forma nas diversas cidades, Estados e regiões do Brasil. Além disso, a universidade britânica — que não estima dados relativos ao atraso nas notificações e ao período de incubação do vírus— afirma que a precisão das projeções pode variar de acordo com a qualidade da vigilância e dos relatórios de cada país.

Covid: Brasil registra média de menos de 300 mortes pela 1ª vez em 18 meses

Mortes: Brasil segue no top 3

O país registrou ontem uma média móvel abaixo de 270 óbitos pela primeira vez desde o final de abril de 2020. De acordo com dados obtidos pelo consórcio dos veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de Saúde, foram registradas 164 mortes entre segunda e terça, e a média ficou em 261 óbitos. Essa é a menor média desde 26 de abril de 2020, quando ela foi de 258 óbitos.

A melhora dos números não significa que a pandemia acabou. Para combater o vírus, ainda são necessárias a utilização de máscara e a vacinação contra a covid-19.

O total de óbitos pela doença no Brasil chegou a 608.118, de acordo com o consórcio. O número é o terceiro maior do mundo — atrás apenas dos Estados Unidos, que têm mais de 768,8 mil óbitos, e da Índia, com 459,2 mil mortes pela doença.

O país registrou 164 mortes por covid e 6.383 casos da doença, ontem. O Amapá não registrou mortes. Aos domingos, segundas e feriados, os dados da pandemia costumam ser menores, por atrasos de notificação nas secretarias de saúde, que, nesses períodos, têm a força de trabalho reduzida.

54,5% dos brasileiros já se imunizaram

O Brasil registrou 476.630 doses de vacinas contra Covid-19 na terça. De acordo com dados das secretarias estaduais de Saúde, foram 71.263 primeiras doses e 273.707 segundas. Também foram registradas 609 doses únicas e 131.051 doses de reforço.

Ao todo, 154.807.386 pessoas receberam pelo menos a primeira dose de uma vacina contra a Covid no Brasil —111.738.021 delas já receberam a segunda dose do imunizante.

Somadas as doses únicas da vacina da Janssen contra a Covid, já são 116.267.212 pessoas com esquema vacinal completo no país., o país já tem 72,57% da população com a 1ª dose e 54,50% dos brasileiros com esquema vacinal completo. Considerando somente a população adulta, os valores são, respectivamente, de 95,51% e 71,73%.


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Opinião: Dante Senra - Ninguém cuida do idoso: somos um dos piores países latinos para envelhecer

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Dante Senra Colunista do VivaBem 11/07/2021 04h00

Você acha difícil ser idoso em nosso país? É diferente de ser idoso em outros países?

É possível que você responda que, se houver amor e estrutura familiar, envelhecer é igual em todos os lugares.

Mas o que se observa na prática é que, embora essas duas coisas sejam fundamentais, não são suficientes para qualificar o envelhecimento como adequado ou minimamente saudável e seguro.

Segundo um ranking da organização não governamental HelpAge International, o Brasil é um dos piores países da américa do Latina para se envelhecer. Ficamos apenas a frente da Venezuela e do Paraguai. No mundo, ocupamos a posição número 56 entre 96 nações referidas.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), a Suíça é o melhor lugar do mundo para quem tem mais de 60 anos, seguida pela Noruega, Suécia, Alemanha e Canadá. Ocupam os piores lugares neste triste ranking Moçambique, Malawi e Afeganistão.

Em um mundo com uma população cada vez mais velha está deveria ser obviamente uma preocupação.

Embora, segundo a ONU, mais de 86% dos idosos do Brasil recebam alguma pensão ou algum tipo de assistência social financeira, o país vai mal nos quesitos de cuidado e participação social. Serviços de saúde, segurança e transporte não atendem essa parcela da população.

Em um país onde 30 milhões de pessoas têm mais de 60 anos (eram 2,6 milhões em 1950) e estima-se que em 2050 1/3 da população seja de idosos, esse já é um grande desafio para a nossa sociedade.

Diferentemente dos países que ocupam as primeiras colocações nesse ranking, o Brasil envelhece antes de enriquecer e o faz muito rapidamente. "A França demorou 45 anos para dobrar sua proporção de idosos de 10% para 20%. O Brasil vai fazer isso em 19 anos", segundo reportagem da Revista Veja São Paulo, de 2018.

Um sétimo da população mundial já tem mais de sessenta anos e essa tendência de aumento é tida como uma conquista importante da humanidade, devendo-se a evolução da medicina, vacinas, saneamento básico e maior quantidade e qualidade dos alimentos.

Entretanto, o desafio dos governos do Brasil e do mundo é torná-los visíveis, onde a inclusão social seja não apenas uma possibilidade.

Estima-se que, no Brasil, aproximadamente 70% dos idosos possuem alguma doença degenerativa-crônica e 25% têm limitações em suas atividades, o que os faz serem vistos equivocadamente como frágeis sobreviventes e por conseguinte, dependentes.

Em um mundo em que os únicos valores são a juventude e o sucesso profissional, o declínio de ambos faz com que as pessoas não encontrem mais seu lugar neste universo e ainda se tornam vítimas de atendimento de saúde precário e de outros tipos de violência urbana e até familiar.

Violência

Segundo a Agência Brasil, as denúncias de violência contra pessoas idosas representavam, em 2019, 30% do total de denúncias de violações de direitos humanos recebidas pelo canal telefônico Disque 100, disponibilizado pelo governo federal, o que somava em torno de 48,5 mil registros. Em 2018, o serviço recebeu 37,4 mil denúncias de crimes contra idosos.

No fim do ano passado, com o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19, o número observado em 2019 aumentou 53%, passando para 77,18 mil denúncias. Somente no primeiro semestre de 2021, o Disque 100 já registra mais de 33,6 mil casos de violações de direitos humanos contra o idoso, no Brasil.

Para piorar, a violência contra os idosos tem varias vertentes, como moral ou psicológica, xingamentos, impedimento do idoso receber visitas, negligência do cuidado, abandono e abuso financeiro.

O Estatuto do Idoso (Lei 10.741, de primeiro de outubro de 2003) descreve a violência contra o idoso como qualquer ação ou omissão, praticada em local público ou privado, que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico.

As tradições e leis do cuidado dos idosos divergem de acordo com diversas culturas.

Nos EUA, essa obrigação cabe ao estado. Na tradição japonesa e a moralidade ética confucionista, é papel dos mais jovens cuidar dos mais velhos e não do estado.

Ainda no Estatuto do Idoso em nosso país, em seu artigo terceiro, está escrito que "É obrigação da família, comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária".

Dada a situação atual desta parcela da população, a sensação é que aqui, em muitos casos, ninguém cuida do idoso.

A fragilidade e a necessidade de dedicação extrema levam à injustificada fadiga de compaixão ou empatia.

Alguns têm usado a pandemia para justificar a distância. Não vale mais. Os idosos têm acesso à tecnologia para se comunicar, estão vacinados. Nenhuma desculpa pode ser aceita.

Está demonstrado que a solidão é um fator determinante na redução da expectativa de vida. Estudos afirmam que cada dia de solidão tem o mesmo impacto para a saúde que fumar 10 cigarros

Se você convive, ou deveria, com um idoso, ainda é cedo para ser tarde demais.

Então, podemos melhorar nesse ranking absurdo. Lamentemos a falta de apoio do estado, mas façamos nossa parte.

É preciso cuidar da fragilidade de quem cuidou da nossa. De preferência com e por amor, mas também porque é nossa obrigação.

Os idosos carecem de cuidados físicos e emocionais. Elevar a autoestima do idoso usando o seu conhecimento na relação intergeracional resgata a dignidade e demonstra respeito. Respeitar as pessoas idosas é tratar o próprio futuro com respeito.

Os idosos têm direito a esse respeito. Não seremos pessoas dignas ou um país digno se não dignificarmos nossos idosos.

Segundo o Papa Francisco, "abandonar um idoso é um pecado mortal" e você pode encontrar na sua trajetória o que você perdeu, mas nunca encontrará o que você abandonou!

________________________________________////////////França: agência sanitária confirma retorno da epidemia de Covid-19 e aumento de casos

30/10/2021


Em média, 5.276 contaminações foram registradas diariamente na França na semana passada e 346 pessoas foram hospitalizadas, um crescimento de 12% Imagem: Reuters

A agência sanitária francesa Santé Publique France confirmou nesta sexta-feira (29) a retomada epidêmica no país, após um período de baixa circulação do Sars-CoV2 e o fim de boa parte das medidas restritivas para controlar as contaminações. Segundo a agência, o número de casos graves também voltou a crescer desde o dia 18 de outubro.

De acordo com o boletim semanal divulgado pela agência, a taxa de incidência, que corresponde à proporção de novos casos na população, aumentou 14% em cerca de uma semana e passou para 55 diagnósticos positivos para cada 100 mil pessoas, em 44 regiões francesas. A partir de 50 infecções, as autoridades sanitárias consideram que a epidemia está fora de controle.

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Em média, 5.276 contaminações foram registradas diariamente na França na semana passada e 346 pessoas foram hospitalizadas nas unidades de terapia intensiva dos hospitais, o que corresponde a um crescimento de 12%. Atualmente, 6.500 pacientes estão internados em todo o país.

"Na França metropolitana, a taxa de novas hospitalizações e internações em unidades de terapia intensiva estão crescendo ou estão estáveis em todas as regiões", afirma a agência em seu boletim. "Neste contexto, é primordial encorajar a vacinação das pessoas que ainda não se imunizaram e a terceira dose para os maiores de 65 anos e pacientes com comorbidades, além de manter a adesão às medidas de proteção", ressalta a agência.

Apesar do aumento das infecções, o governo francês espera que a vacinação, que protege contra as formas graves da Covid-19, evite a saturação nos hospitais. Cerca de 68% da população francesa está imunizada com as duas doses da vacina da Pfizer, principalmente. O passaporte sanitário, que limita a vacinados o acesso a locais públicos fechados, como restaurantes, cinemas, teatros, museus ou complexos esportivos, também tem-se mostrado eficaz para limitar as infecções. A medida, em princípio, é válida até o final de fevereiro.

Paralelamente, a epidemia continua acelerando na Europa, principalmente no leste do continente. Os países mais atingidos são a República Tcheca, onde os casos mais do que dobraram na última semana, a Hungria, a Dinamarca, a Polônia, a Croácia e a Eslováquia. Mas o número de infecções representa uma pequena parte do número real de contaminações e a comparação com outros países deve ser feita com cuidado, já que as políticas de testes diferem de um local para outro.

Situação melhora em outras regiões

Em compensação, nas outras regiões do mundo, as contaminações estão em baixa. O Oriente Médio registrou uma queda de 16% de novas contaminações, a África 11%, a Ásia 6%, a América Latina e o Caribe 3%, a Oceania 2%, e os Estados Unidos e o Canadá 1%. Israel, que lançou campanha da terceira dose reforço para os vacinados, teve a maior queda no número de casos, com - 41%. Apenas 700 infecções são registradas por dia no país.

(Com informações da AFP)


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________________________________________////////////Não adianta usar vinagre: saiba como higienizar vegetais e prevenir doenças

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Imagem: iStock

Fabiana Gonçalves

Colaboração para VivaBem

29/10/2021 04h00

A pandemia do novo coronavírus ensinou a sermos mais cautelosos nas compras. Aprendemos a higienizar melhor as mãos, seja com água e sabão, ou na rua, usando álcool em gel após tocar em qualquer superfície. Também aprendemos a lavar as embalagens de compras tão logo chegamos em casa, ou pelo menos, limpá-las com um pano seco e álcool antes de guardá-las. Mas será que a população aprendeu a lavar as verduras e legumes que vão parar na salada —e as frutas que são consumidas cruas, muitas delas com a casca?

Pela falta de tempo ou desconhecimento, muitas pessoas acabam realizando apenas uma simples lavagem em água corrente ou ainda a famosa técnica de imersão de misturas como água e vinagre, água e limão ou bicarbonato de sódio. Mas, de acordo com especialistas, nenhuma dessas ações é capaz de exterminar adequadamente pesticidas e fungicidas, fungos, bactérias e vírus. No máximo, vai conseguir eliminar algum inseto e terra.

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"A lavagem correta de vegetais e frutas é uma orientação do próprio Ministério da Saúde para que o consumo desses alimentos seja seguro à saúde", explica Natalia Barros, nutricionista especialista em Saúde Feminina, mestre em Ciências pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e em Aprimoramento em Nutrição Humana e Metabolismo pela Stanford University, nos Estados Unidos. "A olho nu pode não parecer, mas existem microrganismos e sujidades presentes neles que podem acabar sendo ingeridos e trazendo malefícios à saúde", afirma.

Alimentos mal lavados podem provocar doenças

Os vegetais e frutas podem trazer muitos microrganismos patogênicos que vêm do contato com a terra, com a água não potável onde foram cultivados ou com as superfícies dos locais de estocagem no campo. "Na terra e nos locais de armazenagem, esses alimentos podem entrar em contato com dejetos de pombos ou ratos, por exemplo, que são portadores de muitas doenças decorrentes de vírus, bactérias, fungos ou mesmo protozoários", afirma Alvaro Amarante, engenheiro químico, professor do curso de Engenharia de Alimentos da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

O leque de possíveis doenças é grande: hepatite, salmonelose, doença de chagas, leptospirose, verminoses e muitas outras. "Além disso, a maior parte das frutas e hortaliças durante seu cultivo são tratadas com defensivos. Algum teor residual desses produtos químicos pode permanecer nos produtos durante a comercialização até a chegada ao prato, e são, de modo geral, altamente tóxicos", avalia o especialista.

A melhor forma de eliminar esses resíduos é realizando o processo chamado de arraste, que consiste em lavar os alimentos individualmente e esfregando como se estivesse arrastando mesmo a sujeira. "Mergulhar os vegetais na água não tem o mesmo efeito e os microrganismos não desgrudam das folhas", explica Cilene da Silva Gomes Ribeiro, nutricionista e professora do curso de nutrição na PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). "Nos vegetais folhosos, por exemplo, o arraste ajuda a identificar parasitas, além de retirar as primeiras sujidades", afirma.

Só depois dessa etapa é que as folhas podem ir para uma imersão com solução clorada para finalizar a limpeza. A água com vinagre até pode ser usada nesta etapa se não houver outra escolha, mas não é a mais recomendada. "Não é um sanitizante eficiente pois o vinagre é um ácido bastante diluído e, por isso, não tem o mesmo efeito", diz Amarante.

No caso das frutas e legumes, eles também devem ser lavados em água corrente e a lavagem pode ter o auxílio de uma escovinha com cercas de nylon exclusiva para essa finalidade. Essa etapa é especialmente importante em frutas e legumes de superfície mais rugosa, como a abóbora e a laranja, que podem esconder mais sujidades na superfície. Depois da lavagem, assim como feito com as folhas, coloca-se em imersão em solução clorada.

Vale dizer que as recomendações de higiene também valem para hortaliças e legumes que serão consumidos cozidos, já que nem sempre o cozimento ou outro tipo de preparo quente atingem a temperatura ideal para eliminar alguns microrganismos mais resistentes.

lavagem de salada - iStock - iStock
Imagem: iStock

Água sanitária é a solução

De acordo com os especialistas, o hipoclorito de sódio com concentração de cloro ativo entre 2% e 2,5%, conhecido popularmente como água sanitária, tem efeito comprovado para remover todos os microrganismos presentes em todos os vegetais, incluindo também as frutas. Além disso é barato e pode ser encontrado facilmente no supermercado.

Para usá-lo, basta fazer uma mistura de uma colher de sopa para um litro de água. "Depois da lavagem, os alimentos devem ser mergulhados na solução e deixados de molho entre 10 e 15 minutos", ensina Luanna Caramalac Munaro, nutricionista pós-graduada em Nutrição Clínica Funcional pela VP Centro de Nutrição Funcional, em São Paulo. "Depois, deve-se enxaguar muito bem em água corrente potável, folha por folha, no caso das hortaliças, e integralmente os demais legumes e frutas", diz.

Por fim, o ideal é secar os alimentos com um pano limpo ou, no caso da salada, pode-se usar também uma vasilha adequada pra remover o excesso de água, para só então levar para o consumo.

Caso o hipoclorito não esteja disponível, Amarante sugere usar a água oxigenada 10 volumes (aquela encontrada em farmácias) na mesma diluição: uma colher de sopa em um litro de água. "Porém, o preço é muito mais caro e ainda pode deixar um sabor residual mesmo após o enxágue", afirma.

O engenheiro químico também alerta para tomar cuidado na hora de adquirir a água sanitária, que é uma solução apenas de hipoclorito de sódio e cloro. "Não confundir com outros sanitizantes e produtos de limpeza profunda encontrados no mercado, que possuem outros compostos ativos de desinfecção e não são recomendados para a higienização de frutas e hortaliças", alerta. Na dúvida, procure no rótulo da embalagem da água sanitária se o produto é recomendado para higienização de vegetais e frutas.

E os vegetais e as frutas orgânicas?

Produtos orgânicos não usam defensivos nem fertilizantes químicos, porém isto não significa que sejam mais seguros se consumidos sem a higienização correta. "Eles requerem o mesmo processo que os produtos não orgânicos, pois também são cultivados na terra e muitas vezes regados com água não potável. Além disso, os locais de armazenagem podem conter os mesmos microrganismos dos demais alimentos até a chegada ao ponto de venda", explica Amarante.

Ou seja, apesar de não conterem agrotóxicos, é preciso eliminar resíduos de terra, insetos e bactérias presentes nesses vegetais e frutas. "Vale lembrar que nem sempre uma boa higienização nos vegetais é capaz de eliminar totalmente os defensivos agrícolas contidos neles. Por isso é tão importante dar preferência aos alimentos orgânicos, quando possível", recomenda a nutricionista Natália Barros.

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Sem máscara: saiba o que pensam os médicos sobre as leis que flexibilizam o uso do acessório em áreas abertas e fechadas

O GLOBO ouviu especialistas que opinaram sobre as recentes decisões do Distrito Federal e do Rio de Janeiro de suspenderem a obrigatoriedade do uso da proteção em determinados locais
Giulia Vidale e Melissa Duarte
29/10/2021 - 03:30
Distrito Federal e Rio de Janeiro anunciaram flexibilização da obrigatoriedade do uso da máscara; especialistas opinam sobre o assunto. Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Distrito Federal e Rio de Janeiro anunciaram flexibilização da obrigatoriedade do uso da máscara; especialistas opinam sobre o assunto. Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

SÃO PAULO E BRASÍLIA — A melhora nos indicadores da pandemia associada ao aumento da taxa de vacinação — atualmente, mais de 53% da população brasileira está totalmente imunizada — trouxe à tona a discussão sobre a flexibilização do uso de máscaras. Recentemente, os governos do Distrito Federal e do Rio de Janeiro decidiram suspender a obrigatoriedade da medida preventiva ao ar livre.  No DF, a decisão passa a valer na próxima quarta-feira. No Rio de Janeiro, a lei que desobriga uso da máscara começou a valer nesta quinta-feira. 

É consenso universal que o Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, é transmitido principalmente pelo ar. Ou seja, a via predominante de infecção é a inalação de pequenas partículas contaminadas, emitidas quando uma pessoa infectada respira, fala, espirra ou tosse. Em ambientes abertos e bem ventilados, essas partículas tendem a se dispersar, o que reduz consideravelmente o risco de contaminação. Já em locais fechados e mal ventilados, elas se acumulam. Daí a decisão de retirar sempre primeiro a obrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre. 

Estudos indicam que mais de 99% das transmissões ocorrem em locais fechados e menos de 1% em áreas externas. No entanto, a decisão de retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambiente aberto ainda divide especialistas. Há quem considere precoce e quem ache que já está na hora de tentar voltar a alguma normalidade. 

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É o momento de tentar

Para o médico geneticista Salmo Raskin, diretor do Laboratório Genetika, em Curitiba, agora é um bom momento para flexibilizar a obrigatoriedade do uso de máscaras nestes ambientes e analisar os efeitos dessa decisão.

— Ninguém sabe se é seguro ou não retirar a obrigatoriedade de máscaras ao ar livre. Sabemos que o vírus está circulando porque ainda tem muito caso e morte de Covid-19 no Brasil, mas todos os indicadores estão baixando consistentemente. Em algum momento vamos precisar tentar voltar ao normal e agora é um bom momento para testar isso em ambientes abertos — diz o médico. 

Ele comenta sobre a realização de "testes" pois afirma que, se houver um aumento considerável no número de novos casos da doença 15 dias após a implementação da medida, é sinal que é necessário repensá-la. 

— Mas é válido tentar. E o sucesso vai depender muito do comportamento das pessoas — alerta. 

O infectologista Alberto Chebabo, vice-diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), acredita que em locais com baixa circulação viral, baixo número de casos, internações e casos graves, como a região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro, a retirada da máscara ao ar livre é uma medida segura. Mas ele ressalta que o item ainda precisa ser utilizado em locais com aglomeração, mesmo que ao ar livre. 

— Em um ponto de ônibus no horário do rush ou na estação de trem, as pessoas precisam continuar usando — orienta o médico.

A recomendação vai ao encontro das propostas do governo do Rio de Janeiro. O decreto estabelece que é preciso manter o distanciamento social de no mínimo 1 metro e, caso haja necessidade de aglomerar, o cidadão deve colocar sua máscara facial. A recomendação é manter distância mínima de 1 metro entre pessoas sem máscaras. No entanto, no Distrito Federal, não há essa recomendação. 

Risco de aumento no número de casos

A complexidade em se controlar aglomerações é a principal preocupação de especialistas que acreditam que ainda é cedo para tirar a obrigatoriedade do uso de máscara em ambiente aberto. 

— Tirar a máscara neste momento não traz benefício nenhum ao indivíduo ou à sociedade. Não é algo necessário para a retomada de atividades, por exemplo. Ao retirar a máscara, mesmo em ambientes externos, as pessoas vão aumentar seu risco, por menor que ele seja, e quem vai pagar a conta é quem está desprotegido — diz o infectologista e pediatra, Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM). 

Há também preocupação de que surja um efeito rebote após esse tipo de flexibilização, como aconteceu em Israel, Estados Unidos e Reino Unido. Todos esses países observaram um aumento expressivo no número de novas infecções após a suspensão da obrigatoriedade do uso de máscaras, associado à disseminação da variante Delta, considerada mais transmissível. Tanto que, em alguns, os governos voltaram atrás na decisão. Em maio, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA retirou a obrigatoriedade do uso de máscaras em locais abertos para vacinados. No entanto, dois meses depois, o órgão federal voltou a recomendar o uso ao ar livre em regiões com número de casos em alta. 

— O ambiente externo tem um risco muito menor de transmissão de Covid do que ambiente fechados. Mas temos visto locais que já tiveram situação de maior controle da pandemia, como o Reino Unido, que viram um aumento no número de casos de Covid após a liberação do uso de máscaras. Nesse momento, em que há o retorno gradual de atividades presenciais e as pessoas estão se encontrando mais, a máscara, que é uma medida que não acrescenta riscos a quem a usa, pode acrescentar uma camada de proteção. A retirada da máscara pode ser pensada, mas em um momento posterior, quando estivermos em uma situação de maior controle. Ainda temos uma média elevada de casos e mortes, comparadas com outros países — ressalta o infectologista e especialista em saúde pública, Gerson Salvador.

Locais fechados 

Se na retirada da obrigatoriedade ao ar livre há divergências, é consenso entre os especialistas a necessidade de continuar com o uso de máscaras em locais fechados. Os governos dos Estados Unidos e de Israel chegaram a liberar o uso da proteção em locais fechados para pessoas vacinadas, mas rapidamente voltaram atrás da decisão. No Brasil, Rio de Janeiro e Distrito Federal continuam a exigir o uso da máscara facial em espaços fechados. 

— Em locais fechados e no transporte público a máscara continua obrigatória porque ainda tem circulação do vírus e é preciso avançar mais na vacinação. Quando chegarmos a 80% da população totalmente vacinada, pode-se começar a discutir em quais locais fechados poderia haver uma flexibilização do uso de máscaras. Mas nesse momento é cedo para iniciar esse tipo de discussão — diz Alberto Chebabo, vice-diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

As vacinas disponíveis atualmente são altamente eficazes na prevenção de casos graves e mortes contra a Covid-19, mas não impedem a transmissão da doença e oferecem uma proteção menor contra casos leves, por exemplo. Diante disso, é importante ressaltar que a máscara continuará presente no nosso cotidiano por um período e ainda não é possível sair de casa sem ela. 

— A máscara tem que estar no bolso ou na bolsa o tempo inteiro porque a pessoa está na rua sem máscara, mas ao entrar em uma loja, no shopping ou no ônibus, vai ter que colocar a máscara — recomenda Chebabo. 

Como avaliar o risco de contágio 

O Ministério da Saúde estuda o tema desde junho, a pedido do presidente Jair Bolsonaro. A pasta trabalha na confecção de um protocolo para orientar o fim do uso obrigatório em diferentes ambientes, como os abertos e os fechados. Uma nota técnica chegou à Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 (Secovid) da pasta na quinta-feira, que deve ser publicada em novembro.

Falta, ainda, a avaliação de um grupo de trabalho a respeito de diferentes indicadores, como taxas de vacinação e de ocupação de leitos. As decisões já divulgadas por Rio de Janeiro e Distrito Federal não devem impactar nas medidas do protocolo:

— Cada estado e município possui a sua autonomia, (mas) claro que também será responsabilizado pelo ato. O nosso (parecer) trará as diretrizes gerais e seus indicadores — afirmou ao GLOBO a secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo.

A médica defendeu a continuidade do uso de máscaras em comissão da Câmara dos Deputados na quinta. Em sua fala, argumentou que é preciso ter cautela para flexibilizar e que não basta considerar a taxa de vacinação.

Já o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) mantém o posicionamento divulgado na semana passada: 

“(O orgão) sente-se no dever de apelar a todos os gestores do Sistema Único de Saúde para que mantenham seu uso de caráter obrigatório, nos moldes atuais, como estratégia indispensável ao sucesso de nossos esforços contra a pandemia. A vacinação da população, a testagem e o consequente monitoramento dos casos detectados e de seus contatos, somam-se ao uso de máscaras, à lavagem frequente das mãos e a utilização de álcool em gel como medidas indispensáveis para a superação da pandemia. (...) O momento ainda exige cautela e prudência”, diz a nota.

Os locais que decidirem suspender a obrigatoriedade do uso de máscara, é fundamental definir em quais situações o item deve ser utilizado, mesmo em ambiente externo — como em aglomerações —, aumentar a fiscalização desses ambientes e a comunicação com a população.

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Nas ruas, cariocas dizem que não estão seguros para abandonar o uso de máscaras em locais abertos

Fim do uso obrigatório foi aprovado pela Alerj, mas tem gente que não vai abrir mão da proteção
Elizeu da Silva: "Só saio de máscara" Foto: Giovanni Mourão
Elizeu da Silva: "Só saio de máscara" Foto: Giovanni Mourão

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RIO — Mesmo após a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovar ontem o fim do uso obrigatório de máscaras em ambientes abertos no estado, muitos cariocas ainda não se sentem seguros e vão continuar usando o equipamento de proteção na cidade. O prefeito Eduardo Paes e o secretário Daniel Soranz anunciaram a liberação da proteção facial, uma vez que a capital já alcançou o índice de 65% da população com o esquema vacinal completo contra a Covid-19, pré-requisito estabelecido pela prefeitura.

Estado do Rio com indicadores pré-endêmicos:  'Temos as menores taxas de incidência e de mortalidade da série histórica', diz secretário
O projeto aprovado, de autoria do presidente da Casa, André Ceciliano (PT), dá autonomia ao estado e municípios a publicar decretos flexibilizando o uso da proteção facial. No caso da capital, além do avanço da imunização, a prefeitura se baseou nas quedas dos índices de casos graves e mortes.

Na tarde desta terça-feira, enquanto o texto ainda estava sendo votado pelos parlamentares, o GLOBO entrevistou pessoas em diferentes bairros da cidade. Mesmo já tendo completado seu esquema vacinal — inclusive com a dose de reforço — a aposentada Naíde Cruz, de 88 anos, se posicionou contra a flexibilização.

Acho que ainda falta vacinarem mais gente para que seja tomada uma medida assim. Enquanto eu me sentir insegura, vou continuar andando de máscara. Independente de lei aprovada, vou continuar me protegendo — afirmou a moradora de Laranjeiras, que diz nunca ter contraído a Covid-19.
Filha da idosa, Marta Cruz compartilha da mesma opinião.

— Tomei as duas doses da vacina e, para mim, ainda não é momento para flexibilizar o uso da máscara. Essa deveria ser a última medida a ser tomada — disse, enquanto caminhava com a mãe no Largo do Machado.

 Naíde Cruz e a filha Marta defendem a proteção Foto: Agência O Globo
Naíde Cruz e a filha Marta defendem a proteção Foto: Agência O Globo

Elizeu da Silva tem 28 anos e ainda não se vacinou. Ainda assim, se diz contrário à liberação das máscaras enquanto, pelo menos, 90% da população não estiver vacinada.

— Peguei Covid no ano passado, mas ainda não me vacinei por falta de tempo. Saio de casa de máscara e só estou sem ela agora porque aqui é um local bem aberto e arejado. Em breve, vou me vacinar, até porque uma hora vão me cobrar no trabalho. E mesmo com a liberação da máscara, vou continuar usando — assumiu o promotor de vendas, na Praça Saens Pena, na Tijuca.

A poucos metros dali, sentado no banco da praça, o faturista Rodrigo Santos, de 42 anos, aproveitava o seu horário de almoço para descansar. Vacinado com as duas doses, ele estava de máscara.

— Eu sou a favor (da flexibilização) em lugares abertos, até porque o número de casos e mortes tem caído drasticamente. Particularmente, por trabalhar numa clínica de pneumologia, adquiri o costume de usar máscara o tempo todo — alegou o morador do Alto da Boa Vista, que disse deixar a proteção facial de lado somente quando está em casa e no carro.

Problemas respiratórios

Enquanto descansava para retomar sua caminhada na orla de Copacabana, o morador do bairro Moacyr Branco se disse favorável à liberação das máscaras, apesar de já ter sido contaminado e apresentar sequelas até hoje.

— Sou a favor. Acho que já tem uma porcentagem boa da população vacinada. Muita gente já se contaminou e acabou ganhando uma certa imunidade também. Eu me encaixo nos dois casos: tomei a dose única em julho e, em setembro, fiquei seis dias internado no quarto do hospital por causa da Covid. Até hoje, minha respiração não voltou ao normal: tento correr, mas cansa muito. Estou melhorando aos poucos — contou.

Também na orla de Copacabana, o aposentado Ricardo Albuquerque, de 76 anos, se disse contrário à liberação:

— Já peguei Covid, mas isso antes de tomar as minhas três doses da vacina. Felizmente, não precisei ser hospitalizado. Hoje, ando mais tranquilo na rua e até tiro a máscara quando vejo que não tem absolutamente ninguém por perto, mas acredito que estender a obrigação do uso por mais alguns meses seria o ideal. Achei essa medida meio precipitada.

________________________________________////////////Opinião: Alexandre da Silva - Sequelas sociais da covid marcarão idosas e idosos brasileiros para sempre

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Alexandre da Silva

Colunista do UOL

25/10/2021 04h00

Ainda não podemos soltar o grito preso em nossas gargantas e dizer que a pandemia acabou. Mas com o avanço da aplicação da dose de reforço, popularmente conhecida como terceira dose, muitas pessoas idosas começam a respirar um pouco melhor e também a fazer um dimensionamento do estrago e das sequelas que a pandemia deixará em suas vidas e nos seus lares.

Não serei o primeiro a comentar da tamanha incompetência da maioria dos nossos políticos e de gestores no manejo das intervenções para a redução de casos e mortes injustas por covid-19 em território brasileiro. Foram produzidas milhares de mortes e sofrimentos sem a menor necessidade.

Colunistas do UOL

'Pessoa inteligente' é quem vive em smart city? Sim, e esta é a sua cara

Ao invés de respostas baseadas nos conhecimentos científicos e na comunicação adequada sobre o cenário epidemiológico e para oferecimento de condolências pelas mortes ocorridas, tivemos muitas iatrogenias, discursos de ódio, de "Não tô nem aí com o povo" e proliferação das fake news praticadas por quem deveria nos proteger.

Chega o momento de olhar as sequelas deixadas na vida de muitas pessoas idosas. Há feridas sociais que demorarão para fechar ou que jamais deixarão de machucar corações e mentes marcadas por mais um trauma social que aniquilou sonhos e expectativas de uma vida melhor e alegre para muitas famílias.

Muitas pessoas idosas agora vivem mais sozinhas, seja pela ausência do cônjuge, de uma filha ou filho mais velho e de algum neto ou neta. Além do enorme sentimento de tristeza em relação a alguém que se foi, também há redução da renda familiar, aumento do risco da insegurança alimentar, menos comida aquecida por um botijão de gás, acúmulo de aluguéis atrasados, ausência de alguém para acompanhar nas consultas médicas ou garantir a proteção contra a violência doméstica que agora será praticada sem ninguém para evitá-la.

A morte de uma pessoa idosa que era detentora da maior renda da casa, o arrimo, deixará suas gerações sem acesso ao mundo digital e, consequentemente, com menos chances de fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e ingressar na universidade, ou de possibilitar que filhas e filhos encontrem um emprego e, com isso, obrigando netas e netos a saírem da escola ou ingressarem ainda mais precocemente no mercado de trabalho, com uma qualificação inadequada para os bons salários, que não são muitos e não são para todas as pessoas. Não foi essa a herança que idosos e idosas pensaram em deixar para seus descendentes.

E os convívios intergeracionais perdidos para sempre? A avó morreu e a neta, recém-nascida durante a pandemia, não conseguiu ser segurada por uma das pessoas que mais a aguardava. Há netos que deixaram de ter a companhia de avós nos momentos em que seus pais estarão no trabalho. O adolescente poderá ser vítima fácil para uso de drogas, reprovações e evasão escolar. Posso estar exagerando? Talvez não.

A economia não podia parar, juravam ministros e um presidente deste país. Mas o que estamos vendo? Milhões de pessoas sem emprego, milhares desalentadas e agora, com a morte ou adoecimento de uma pessoa idosa que trabalhava antes da pandemia, a situação piorou drasticamente. Festas de aniversário não serão as mesmas este ano e no outro também.

Churrascos não ocorrerão como antes, e o motivo não será a necessidade do distanciamento social. Falo aqui dos milhões de reais que deixaram de circular. O dólar subiu, a gasolina subiu e quem ganhou com isso não foi a maior parte da população. Parece que pessoas negacionistas e sem empatia não conseguem entender isso.

Estamos vivenciando pessoas idosas pegando as sobras de dentro de caminhões recolhedores de lixo, em municípios como Fortaleza, fato registrado e que considero uma das piores cenas de ano e talvez do que se vê e sente durante a pandemia.

O nosso novo normal é pior que o mais terrível dos filmes de terror! Nenhuma equipe de roteiristas seria capaz de criar uma sequência sem fim de atos cruéis contra velhos e velhas.

idoso de máscara - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Vale relembrar que, pelo que se vê nas redes sociais, muitos políticos vão bem, saudáveis e sem vacinação (é o que dizem, mas já não acredito). Um desses, talvez o líder dos crimes, ostentou a carne do churrasco que ultrapassava mil reais o quilo. Fez esse churrasco em pleno Dias das Mães.

E muitas velhas mães não tinham o que dar para comer para seus entes mais novos. Isso foi a representação da despreocupação com os direitos humanos. Ficará uma disfunção social, gerando só um pouco de cidadania, um só gole de vida ou de respirações saudáveis, mas nada completo, tudo inconcluso, imperfeito, injusto e imoral.

Outubro de 2021, muitos idosos e idosas não têm como escolher o que comer para manter diabetes ou hipertensão arterial sob controle. A atividade física é a competição pela tentativa de olhar o saco de lixo primeiro e escolher a melhor sobra, o melhor resto de comida.

Essa aprendizagem ao longo da vida é novidade e não faz parte do plano escrito das políticas públicas para o envelhecimento ativo do governo vigente. Na prática, sim, são governantes que legitimam esse hábito horrendo de não oferecer comida saudável e outras práticas salutares para todo mundo. Estimulam a competição, a neo e falsa união democrática. Apontam armas invisíveis e conseguem matar de verdade. E isso não são efeitos criados nos estúdios cinematográficos.

Muitos propósitos de vida foram aniquilados, dizimados na vida de pessoas idosas. O roteiro de viagem já programado, a disponibilidade e motivação para fazer um trabalho voluntário, a reforma da casa tão esperada, o dinheiro para comprar um pedaço de terra na sua cidade natal, o dinheiro para ajudar na graduação do primeiro ente familiar. Tudo isso deixou de ter importância e possibilidades de concretização a partir das chagas deixadas pela pandemia.

A discriminação contra as pessoas idosas também piorou. Em tempos de pandemia, o agressor passou a ficar mais tempo agredindo e planejando formas de ocultar violências. É sangue, ódio, palavras ofensivas, gestos obscenos direcionados a essas pessoas.

idoso; máscara; mercado - iStock - iStock
Imagem: iStock

Avôs, avós, pais e mães mais velhos tentam diariamente esquecer o que aconteceu naqueles meses de maior confinamento. Não dá mais. Todo aquele sofrimento ficará tatuado para sempre em seus corpos ou relembrado por um sintoma psicossomático que, só de ouvir o barulho do portão, anunciando que a pessoa agressora chegou, desencadeia uma série de hormônios e de terríveis lembranças.

E aquelas pessoas idosas já invisibilizadas antes mesmo de a pandemia acontecer? Idosos e idosas em situação de rua, privadas de liberdade, estrangeiras de pele mais escura ou que estão doentes e morando sozinhas?

Qual a proteção social que receberão para continuar em um mundo onde os preços aumentam quase que semanalmente e não se sabe de plano para oferta de empregos para quem tem mais de 60 anos ou não se fala de ações governamentais para proteção de quem está ainda mais vulnerável?

Um novo Brasil para quem tem ou terá 60 anos não será tão bom quanto deveria ser. Podemos mudar essa parte da nossa história, mas do jeito que a estamos escrevendo, cada um a sua parte, sem consultar o parágrafo ou frase anterior, sem honrar quem fez a introdução e parte do desenvolvimento do nosso país, que são os nossos e as nossas mais velhas, caminhamos para um final infeliz e que poderá adoecer e matar ainda mais gente, seja idosa ou não.

________________________________________////////////Covid-19: Dose de reforço para idosos volta a ser aplicada nos postos de vacinação da cidade

Publicado em 20/10/2021 - 19:10 | Atualizado em 20/10/2021 - 19:29
Vacinação contra a Covid-19 - Alexandre Macieira / Prefeitura do Rio

A dose de reforço destinada a idosos e a profissionais e trabalhadores da área de saúde está de volta aos postos de vacinação. Nesta quinta-feira (21/10), a vacinação será destinada a mulheres com 67 anos ou mais e profissionais e trabalhadores de saúde que receberam a segunda dose em março. O calendário está disponível no site coronavirus.rio/vacina.

Pessoas com alto grau de imunossupressão com 12 anos ou mais também podem tomar sua dose de reforço e devem apresentar comprovante de vacinação, documento de identificação e laudo médico digital do Cremerj com data inferior aos últimos 60 dias.

As unidades seguem aplicando a segunda dose, conforme a data estipulada no comprovante da primeira. Além disso, até o fim de outubro, todos os postos de vacinação estarão aplicando a primeira dose em maiores de 12 anos que ainda não tenham se vacinado.

 

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Moscou volta a impor quarentena total diante da quarta onda da pandemia; no Reino Unido, Covid tem novo pico

Apenas farmácias e supermercados estarão abertos entre 28 de outubro e 7 de novembro na capital russa
Turistas usam máscaras enquanto caminham pela Praça Vermelha, em Moscou, na Rússia Foto: ALEXANDER NEMENOV / AFP
Turistas usam máscaras enquanto caminham pela Praça Vermelha, em Moscou, na Rússia Foto: ALEXANDER NEMENOV / AFP

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MOSCOU — Moscou voltará a impor uma quarentena total entre os dias 28 de outubro e 7 de novembro, diante da quarta onda da Covid-19 na Rússia, anunciou nesta quinta-feira o prefeito da cidade, Sergei Sobyanin. Apenas supermercados e farmácias poderão funcionar no período.

A decisão tem como objetivo reduzir o número de infecções e mortes e foi tomada um dia depois de o presidente russo, Vladimir Putin, decretar um feriado em todo o país entre 30 de outubro a 7 de novembro. A quarentena na capital, a primeira desde junho de 2020, incluirá o fechamento de escolas e jardins de infância. Bares e restaurantes só poderão funcionar para entrega e retirada.

Na Inglaterra, a Covid também tem nova onda e atingiu novo pico de casos. Diante do aumento no número de hospitalizações, os funcionários do setor de saúde do Reino Unido estão pressionando o governo de Boris Johnson a retomar a obrigatoriedade do uso de máscaras para toda a população.

Na Rússia, restrições serão aplicadas também na região mais ampla em torno de Moscou, mas a presidente da Câmara Alta do Parlamento russo e aliada próxima de Putin, Valentina Matvienko, disse que outra quarentena nacional seria desaconselhável.

— Seria um enorme golpe para a economia e um golpe psicológico para os cidadãos. Não é necessário — disse Matvienko à agência de notícias TASS.

Em Moscou, os teatros e museus estão excluídos da nova quarentena e serão autorizados a permanecer abertos desde que limitem o número de visitantes, que deverão usar máscaras e apresentar códigos QR em seus telefones celulares para provar que foram vacinados ou que se recuperaram da Covid-19.

As medidas adotadas refletem um crescente senso de urgência em relação ao aumento dos casos e mortes na Rússia, que o Kremlin atribuiu às baixas taxas de vacinação. Nesta quinta-feira, o país contabilizou 1.036 mortes relacionadas ao coronavírus e 36.339 novas infecções, ambos os números representando recordes diários desde o início da pandemia.

As autoridades disseram que estão monitorando uma nova subvariante da Delta, que já foi identificada no Reino Unido e em Israel, mas acreditam que as vacinas existentes podem ser eficazes para ela.

A Rússia foi rápida em desenvolver e lançar sua vacina Sputnik V, no ano passado, mas a adesão tem sido lenta, com muitos russos citando a desconfiança das autoridades e o medo de novos produtos médicos. Apesar das dificuldades, encorajar a vacinação é o desafio mais urgente agora, já que o país tem apenas 36% da população imunizada com uma dose e 33% com as duas.

Em Moscou, o prefeito Sobyanin já anunciou quatro meses de restrições que pedem a permanência em casa de pessoas não vacinadas com mais de 60 anos de idade.

________________________________________////////////Covid: por que OMS diz que pandemia ainda vai durar mais do que o previsto

Um carregamento de vacinas da Covax chegou ao Sudão no início de outubro - AFP
Um carregamento de vacinas da Covax chegou ao Sudão no início de outubro Imagem: AFP

Naomi Grimley

BBC News

21/10/2021 08h54

Atualizada em 21/10/2021 12h30

A pandemia de covid-19 "vai durar mais um ano do que precisa" porque os países mais pobres não estão recebendo as vacinas de que necessitam, afirma a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Bruce Aylward, um alto dirigente da OMS, disse que isso significa que a crise de covid pode "facilmente se arrastar profundamente em 2022".

EUA autorizam reforços 'combinados' de vacina contra a covid

Menos de 5% da população da África foi vacinada, em comparação com 40% na maioria dos outros continentes.

O Reino Unido distribuiu mais de 10 milhões de vacinas para países necessitados. E prometeu um total de 100 milhões.

Aylward fez um apelo aos países ricos para que cedam seus lugares na fila da vacina para que as empresas farmacêuticas possam priorizar os países de baixa renda.

Segundo ele, os países ricos precisam "fazer um inventário" para ver em que pé estão com seus compromissos de doação — feitos, por exemplo, durante a cúpula do G7 em junho na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra.

"Posso dizer que não estamos no caminho certo", afirmou.

"Nós realmente precisamos acelerar, ou sabe o que vai acontecer? Esta pandemia vai durar mais um ano do que precisa."

A The People's Vaccine — uma aliança de instituições de caridade — divulgou novos números sugerindo que apenas uma de cada sete doses prometidas por empresas farmacêuticas e países ricos está realmente chegando aos seus destinos nas nações mais pobres.

Covid: por que OMS diz que pandemia ainda vai durar mais do que o previsto - BBC - BBC
Imagem: BBC

A grande maioria das vacinas contra covid foi aplicada em países de alta renda ou renda média alta. A África é responsável por apenas 2,6% das doses administradas globalmente.

O grupo de instituições de caridade, que inclui a Oxfam e a UNAids, também criticou o Canadá e o Reino Unido por obterem vacinas para suas próprias populações por meio da Covax, o programa global apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas) para distribuir vacinas de forma justa.

Os dados oficiais mostram que no início deste ano o Reino Unido recebeu 539.370 doses da Pfizer, enquanto o Canadá adquiriu pouco menos de um milhão de doses da AstraZeneca.

A ideia original por trás da Covax era que todos os países poderiam adquirir vacinas por meio do consórcio, incluindo os ricos. Mas a maioria dos países do G7 decidiu não fazer isso quando começou a fazer seus próprios acordos individuais com empresas farmacêuticas.

O consultor de saúde global da Oxfam, Rohit Malpani, reconheceu que o Canadá e o Reino Unido tinham tecnicamente o direito de obter vacinas por esta via, por terem investido recursos na iniciativa Covax, mas acrescentou que ainda assim era "moralmente indefensável", uma vez que ambos haviam obtido milhões de doses por meio de seus próprios acordos bilaterais.

"Eles não deveriam ter adquirido essas doses da Covax", afirmou.

"Não é nada mais do que double-dipping (termo em inglês que quer dizer "obter recursos de duas fontes ao mesmo tempo"), e significa que os países mais pobres, que já estão no fim da fila, vão esperar mais tempo."

O governo do Reino Unido destacou que foi um dos países que deu o "pontapé inicial" na Covax no ano passado com uma doação de £ 548 milhões (R$ 4,2 bilhões).

E o governo canadense fez questão de enfatizar que agora havia parado de usar as vacinas da Covax.

"Assim que ficou claro que o fornecimento que havíamos garantido por meio de nossos acordos bilaterais seria suficiente para a população canadense, transferimos as doses que havíamos adquirido da Covax de volta para a Covax, para que pudessem ser redistribuídas para os países em desenvolvimento", afirmou Karina Gould, ministra do Desenvolvimento Internacional do país.

A Covax pretendia originalmente entregar 2 bilhões de doses de vacinas até o fim deste ano, mas até agora forneceu 371 milhões de doses.

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Vacina de reforço tem eficácia de 95,6%, diz Pfizer-BioNTech

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Por RTP - Nova York

Uma dose de reforço da vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo consórcio Pfizer/BioNTech é eficaz em 95,6% dos casos sintomáticos da doença, mostra estudo feito pelos dois laboratórios e publicado nesta quinta-feira (21).

O ensaio clínico de fase 3, realizado em "10 mil pessoas com mais de 16 anos", demonstra "eficácia de 95,6%" e um "perfil de segurança favorável", de acordo com comunicado.

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"São os primeiros resultados de eficácia de um ensaio amplo para testar o reforço da vacina contra a covid-19", disseram as duas empresas.

O estudo foi feito no período em que a variante Delta se tornou a principal a circular.

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"Esses resultados demonstram, mais uma vez, a utilidade dos reforços para proteger a população contra a doença", afirmou Albert Bourla, diretor-geral da Pfizer, citado no comunicado.

A idade dos participantes ficou em torno dos 53 anos.

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Os resultados serão submetidos às autoridades de regulação "logo que seja possível", acrescentaram as fontes.

Vários países já autorizaram a administração de uma dose de reforço contra o novo coronavírus para estimular a imunidade das pessoas vacinadas, que costuma baixar ao fim de vários meses, conforme estudos.

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Nos Estados Unidos, os peritos da Agência de Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) defenderam, no final de setembro, uma terceira dose da Pfizer/Biontech para determinadas populações de risco, como os maiores de 65 anos.

"Os dados disponíveis sugerem imunidade em baixa em algumas populações inteiramente vacinadas", justificou a chefe interina da FDA, Janet Woodcock.

Na Europa, a Agência dos Medicamentos (EMA) aprovou, no início do mês, de forma mais ampla, o princípio de uma terceira dose da Pfizer/Biontech para os maiores de 18 anos, deixando aos estados a escolha mais precisa sobre as populações elegíveis.

A França, por exemplo, começou a administrar essa dose de reforço a alguns grupos da população: aos mais idosos (seis meses após a vacinação) e a pessoas com sistema imunológico frágil.

Outros governos estão indo mais longe: em Israel, a terceira dose está disponível a partir dos 12 anos de idade, cinco meses após a vacinação.

O tema da terceira dose reacendeu, entretanto, a questão das desigualdades entre países ricos e pobres, quando o acesso à primeira dose da vacina continua muito limitado em algumas regiões do mundo, especialmente na África.

Em Portugal, depois de o país ter atingido a meta de 85% da população totalmente vacinada, em 9 de outubro, está sendo administrada a terceira dose da vacina contra a covid-19, com prioridade para idosos com 80 anos ou mais e moradores de abrigos que necessitam de cuidados contínuos, abrangendo, nesta fase, as pessoas com 65 anos ou mais.

Na segunda-feira, foi iniciada a aplicação simultânea das vacinas contra a gripe e a covid-19 em Portugal continental, com a previsão de vacinar cerca de 2 milhões de pessoas.

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Covid-19: calcule o risco de infecção em 5 lugares públicos sem a obrigação do uso da máscara

A pedido do GLOBO, o médico geneticista Salmo Raskin estipulou a probabilidade de contágio em ambientes com 50% ou 100% das pessoas imunizadas 
Com o debate sobre a flexibilização das máscaras em alta no país, confira o risco de contágio em cinco situações sem o protetor facial e com o avanço da vacinação. Foto: André Mello / O Globo
Com o debate sobre a flexibilização das máscaras em alta no país, confira o risco de contágio em cinco situações sem o protetor facial e com o avanço da vacinação. Foto: André Mello / O Globo

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RIO — Uma das discussões mais emblemáticas e atuais na pandemia é a flexibilização do uso das máscaras. Algumas cidades já começam a falar em uma liberação gradual da medida de segurança, e o Ministério da Saúde diz avaliar a desobrigação do item. 

Segundo o ministro Marcelo Queiroga, uma equipe técnica da pasta está avaliando a desobrigação do uso da máscara, que deve acontecer de forma gradual. Em Duque de Caxias, terceiro município mais populoso do estado do Rio de Janeiro, o prefeito Washington Reis (MDB-RJ)  publicou um decreto em que suspendeu o uso obrigatório do item, tanto em lugares abertos, como em lugares fechados, tornando a cidade a primeira a abolir a medida no país. Dois dias depois, uma decisão judicial acatou o pedido do Ministério Público e suspendeu a flexibilização.

Na capital do estado do Rio, o plano da prefeitura prevê uma mudança nas regras quando a cidade atingir 65% da sua população geral com a vacinação completa. Isso pode não demorar, já que a expectativa é que o Rio atinja esse percentual na próxima semana e, com isso, seja suspensa a obrigatoriedade do uso do item em locais abertos e sem aglomeração.

No exterior, a medida vem sendo já testada em maior escala. Em Portugal, por exemplo, a desobrigação do uso de máscaras se tornou realidade somente nas ruas e veio apenas no último mês, quando mais de 80% dos portugueses já haviam completado o seu esquema vacinal. Israel, no entanto, que chegou a liberar o uso em lugares públicos e fechados em junho (quando pouco mais de 58% da população havia recebido as duas doses da vacina), retomou a obrigatoriedade nesses locais, após uma piora da pandemia no país.

O mesmo aconteceu nos Estados Unidos, que flexibilizou a obrigatoriedade para lugares fechados, quando cerca de 35% da população estava imunizada. Um mês depois, diante do aumento de casos e óbitos pela doença, o Centro de Controle de Doenças (CDC) do país voltou na decisão.

Especialistas, no entanto, acreditam ser um movimento precoce, uma vez que o Brasil ainda tem menos de 50% de sua população geral completamente vacinada. 

— O ideal seria esperar para chegarmos ao menos em 80% de cobertura — diz o geneticista e diretor do Laboratório Genetika, Salmo Raskin, em Curitiba, um dos maiores especialistas no assunto. — E mesmo com todos vacinados, é importante frisar, haverá contaminações.  

— Hoje sabemos que até uma pessoa vacinada pode se infectar e transmitir o vírus para outra. Então, mesmo em ambientes com 100% de pessoas vacinadas, pode haver transmissão do vírus. Mas é importante lembrar que o imunizado muito raramente desenvolve uma forma grave da doença, além de transmitir o vírus por um período muito mais curto de tempo — destaca o especialista.

A pedido do GLOBO, Raskin avaliou o risco de contágio em cinco lugares públicos, sem o uso de máscaras, e em dois cenários: com todos vacinados e com metade da população imunizada — caso do Brasil atualmente. Raskin considerou como baixo risco, quando a possibilidade de contágio é inferior a 30%; médio risco, entre 30% e 70%; risco alto, acima de 70%. 

Ônibus

Diversos estudos ressaltam que o transporte público é o local com maior risco de contágio. Foto: André Mello / O Globo
Diversos estudos ressaltam que o transporte público é o local com maior risco de contágio. Foto: André Mello / O Globo

Risco com todos vacinados: Alto

Risco com 50% das pessoas vacinadas: Alto

Esse tipo de transporte público, assim como o metrô e o trem, reúne três das piores características para o risco de contágio: transportar um grande número pessoas desconhecidas sem a menor possibilidade de distanciamento e com pouca ventilação ao redor. Esses veículos, portanto, se configuram como os lugares mais arriscados à contaminação. A conclusão ganhou respaldo da ciência recentemente. 

Um estudo conduzido pela Fiocruz de Pernambuco concluiu que esse tipo de ambiente é o mais perigoso. O trabalho analisou 400 amostras coletadas de superfícies bastantes tocadas, em locais e com grande fluxo de pessoas: parques, unidades de saúde, mercados, praia, além de terminais de ônibus. O último ambiente foi o campeão em contágio, com 48,7% das amostras positivas para o coronavírus. Em seguida, arredores de hospitais, com 26,8%; parques públicos (14,4%); mercados públicos (4,1%) e praias (4,1%).

Escola

A capacidade das escolas em estabelecer protocolos sanitários ajuda a diminuir os riscos de contágio. Foto: André Mello / O Globo
A capacidade das escolas em estabelecer protocolos sanitários ajuda a diminuir os riscos de contágio. Foto: André Mello / O Globo

Risco com todos vacinados: Baixo

Risco com metade das pessoas vacinadas: Médio

Lugares fechados com muitas pessoas são naturalmente propícios ao contágio. Mas, no caso das escolas, com grande capacidade de estabelecer procedimentos sanitários, como distanciamento e higienização, junto à vacinação entre os adolescentes, faz o risco cair consideravelmente.

Parte do risco mantido ainda com todos vacinados é devido à vacina contra a Covid-19 no Brasil ser autorizada para adolescentes acima de 12 anos – e as escolas são repletas de crianças. Trabalho publicado no segundo semestre deste ano na revista científica Journal of the American Medical Association (Jama), conduzido com 6.280 meninos e meninas de 0 a 17 anos, mostrou que os pequenos têm a capacidade de transmitir a doença para um adulto cerca de 1,5 maior em relação a adolescentes de 14 a 17 anos. A Pfizer já pediu autorização aos EUA para imunizar a população  de 5 a 11 anos – o aval não deverá demorar e o Brasil deverá seguir a mesma orientação.  

Restaurantes

A adoção de protocolos de segurança ajudam a diminuir o risco de contágio nos restaurante, que seguem sendo um dos lugares mais propícios à contaminação. Foto: André Mello / O Globo
A adoção de protocolos de segurança ajudam a diminuir o risco de contágio nos restaurante, que seguem sendo um dos lugares mais propícios à contaminação. Foto: André Mello / O Globo

Risco com todos vacinados: Médio

Risco com 50% das pessoas vacinadas: Alto

Uma pesquisa conduzida pela Saúde Pública do Reino Unido constatou que os trabalhadores de bares e restaurantes são a categoria com maior risco de contágio, atrás apenas dos profissionais de saúde. Os restaurantes, assim como bares, estão entre os estabelecimentos que mais sofreram o impacto econômico na pandemia, tendo de manter as portas fechadas por longos períodos. 

Isso os fez terem grande capacidade de criar regras de segurança para a volta à rotina absolutamente normal. Com protocolos, conseguem manter os riscos de infeção em nível médio. O risco só não é menor pelo fato de lidarem com alimentos e utensílios que podem facilmente ser compartilhados – e a transmissão por gotículas da saliva é implacável.  Bares e restaurantes que oferecem comida por quilo, onde os clientes se servem em bufês compartilhados, são os mais vulneráveis. Aqueles com áreas externas são os mais seguros.   

Parques e praias

Em locais abertos, o risco de transmissão é extremamente baixo. No entanto, deixar de evitar aglomerações, ainda que ao ar livre, pode aumentar as chances de infecção. Foto: André Mello / O Globo
Em locais abertos, o risco de transmissão é extremamente baixo. No entanto, deixar de evitar aglomerações, ainda que ao ar livre, pode aumentar as chances de infecção. Foto: André Mello / O Globo

Risco com todos vacinados: Baixo

Risco com 50% das pessoas vacinadas: Médio

Em ambientes amplos e abertos o risco infecção já é bem menor mesmo sem uma vacinação maciça. Uma revisão sobre a transmissão do vírus publicada pela Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, afirmou que o risco de contágio é 19 vezes maior em ambientes fechados do que abertos. Com ao menos metade das pessoas imunizadas, os índices caem drasticamente.

Além disso, no caso da praia, a transmissão do coronavírus pela água é bem pouco provável. O grande problema nesses ambientes é a aglomeração. -- O fato de estar ao ar livre não impede a transmissão de gotículas expelidas da fala, tosse ou espirro se o distanciamento não for de ao menos um metro, diz Raskin.  

O compartilhamento de objetos de uso pessoal, como guarda sol e cadeiras devem ser evitados. A prática de esportes coletivos, comuns nesses ambientes, deve também respeitar o distanciamento.  Ou seja, o risco depende mais do comportamento humano do que do local. 

Avião

Estudos mostram que o risco de transmissão do vírus ao fazer uma viagem de avião é maior durante o embarque e o desembarque do que quando a aeronave está no ar. Foto: André Mello / O Globo
Estudos mostram que o risco de transmissão do vírus ao fazer uma viagem de avião é maior durante o embarque e o desembarque do que quando a aeronave está no ar. Foto: André Mello / O Globo

Risco com todos vacinados: Baixo

Risco com 50% das pessoas vacinadas: Médio

O avião é um dos ambientes mais estudados no que se refere à propagação do coronavírus. Pesquisas mostram que o risco de transmissão do vírus na aeronave é maior durante o embarque e o desembarque do que quando o avião está no ar. Isso porque  os sistemas de ventilação, que foram desenhados para remover de forma rápida a fumaça de cigarros das cabines, são extremamente eficazes em empurrar o ar direto para baixo. 

O uso do regulador individual de ar-condicionado, ainda por cima, aquele localizado em cima do assento, dispersa as  partículas virais. Ou seja, o avião espalha o vírus porque transporta pessoas infectadas mas oferecem pouco risco de contaminação.  

Há ainda precauções a serem tomadas, como evitar o uso da bagagem de mão para os passageiros não respirarem em cima de outro sentado. A medida, afirmam os estudos, diminuir o risco de transmissão em cerca de 75%.

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Covid-19: Rio tem menor taxa de transmissão desde o início da pandemia

Pessoas passam por rua de comércio popular do Rio de Janeiro - Pilar Olivares/Reuters
Pessoas passam por rua de comércio popular do Rio de Janeiro Imagem: Pilar Olivares/Reuters

06/10/2021 21h37

Atualizada em 07/10/2021 10h54


O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro Daniel Soranz disse hoje (6), que o município está vivendo o melhor cenário epidemiológico e a menor taxa de transmissão de covid-19.

"A gente tem hoje a menor taxa de transmissão da doença, desde o início da pandemia [março de 2020] e o menor número de pacientes internados", explicou em rede social.

Brasil tem 543 mortes por covid em 24 horas, e total se aproxima de 600 mil óbitos

Soranz disse que a capital tem hoje um cenário epidemiológico muito estável e está há seis semanas com redução do número de casos da doença.

"Hoje as evidências científicas e os números atuais dão segurança para a gente começar a planejar medidas seletivas para a cidade do Rio de Janeiro".

O secretário disse que a suspensão da obrigatoriedade do uso de máscara ocorrerá quando a cidade atingir o percentual de vacinação adequado indicado pelo Comitê Científico da prefeitura.

"Isso só ocorrerá quando tivermos 65% do total da população da cidade vacinada e 80% da população adulta vacinada. Isso deve acontecer em torno de 10 a 15 dias e a gente vai acompanhar os indicadores epidemiológicos até lá. Nós ainda temos 15 dias para acompanhar essa evolução da vacinação", avaliou o secretário.

Flexibilização

Segundo Daniel Soranz, para avançar na flexibilização é preciso avançar na vacinação. "Então o máximo de vacina que a gente recebe, a gente reduz o tempo de aplicação para poder proteger a população o mais rápido possível. Essa é a nossa estratégia. A expectativa é chegar ao final de outubro com todos os maiores de 60 anos vacinados com a terceira dose [dose de reforço] e também chegar a 80% da população vacinada no mês de novembro", disse o secretário.

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Pelo menos oito estados brasileiros tiveram redução de 70% ou mais nas internações por Covid-19

Levantamento do GLOBO mostra efeito da vacinação sobre a hospitalização no país; quedas chegam a mais de 90%
Mariana Rosário, Elisa Martins e Rodrigo de Souza
07/10/2021 - 04:30 / Atualizado em 07/10/2021 - 10:41
CTI covid-19 no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, Acari. Foto: Hermes de Paula Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo
CTI covid-19 no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, Acari. Foto: Hermes de Paula Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

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RIO E SÃO PAULO — Com quase 45% dos brasileiros totalmente vacinados e 70% com aplicação parcial, o Brasil já colhe os frutos de uma imunização ampla contra a Covid-19 também dentro dos hospitais. De acordo com levantamento do GLOBO, realizado com dados disponibilizados por secretarias de Saúde, ao menos oito estados apresentam quedas de 70% ou mais no número de hospitalizados com a doença em comparação ao pico da pandemia, que deve atingir a marca de 600 mil mortes esta semana.

Os dados foram colhidos obedecendo a metodologia de contagem disponibilizada por cada região. Como não existe método único de divulgação, em algumas localidades há a apresentação de números conjuntos de UTI ou enfermaria. Ou então, média mensal, no lugar de variações diárias.

O Rio de Janeiro, por exemplo, teve em setembro o menor número de novas internações desde o começo da pandemia, contabilizando todos os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A classificação abarca todos os casos respiratórios, com diagnóstico para Covid-19 ou não. A análise geral, porém, se faz importante já que algumas cidades fluminenses tiveram dificuldades de testagem para o coronavírus. No mês passado, foram 6 mil internados no estado, um número 70% menor do que o pico da doença, em abril.

O Pará também bateu as menores médias em setembro, tanto nas internações de leitos clínicos quanto na UTI. A redução na internação geral ficou próxima a 90%, quando comparada a setembro e março deste ano.

Em situação parecida está o Espírito Santo, com queda de 74% no número de internados na UTI quando comparamos os recentes indicadores com as taxas de abril deste ano — o pior momento da pandemia na região. Na terça-feira, 250 pessoas estavam hospitalizadas em leitos de alta complexidade. A menor taxa ocorreu em 10 de setembro, com 189 registros.

No Rio Grande do Sul, a queda foi de 79% nos hospitalizados em UTI, suspeitos e confirmados por Covid-19, considerando os indicadores de 21 de março comparados com 5 de outubro. Na Paraíba, a queda geral foi de 87%.

Quedas acima dos 90%

O Ceará chegou a ter 1.717 leitos de UTI abertos, no dia 6 de abril. Na data, 1.585 pessoas estavam hospitalizadas, 94,4% a mais do que a última terça. No Tocantins, a queda pode ser observada no número de novas internações gerais: na terça-feira, houve a internação de um único paciente com Covid-19 na rede estadual. Trata-se de uma queda de 97,7% em comparação aos 45 hospitalizados em um único dia, em 23 de março. O registro de um único paciente internado ao longo de 24 horas também ocorreu no final de setembro e no dia 2 de outubro e, antes disso, somente em 1º de janeiro.

O estado de São Paulo, por sua vez, apresentou nesta semana a taxa mais baixa de internações por Covid em um ano e meio de pandemia. Atualmente, há 4.674 pessoas hospitalizadas em decorrência da doença na rede pública estadual, sendo 2.244 em unidades de terapia intensiva (UTI) e 2.430 em enfermaria.

Segundo a secretaria estadual de Saúde, marca similar tinha sido atingida pela última vez em 10 de abril do ano passado, com 1.919 pessoas em UTIs e 2.689 em leitos clínicos, em um total de 4.608 pacientes. A título de comparação, o estado já chegou a ter 31 mil pessoas hospitalizadas em decorrência da infecção pelo coronavírus, um número sete vezes maior que o atual.

Na rede particular paulista, as internações também estão em queda. Uma pesquisa do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp) apurou que 98% dos hospitais pesquisados informam que houve diminuição da internação de pacientes com Covid. Destes, 64% dos serviços de saúde apontam diminuição da ocupação de leitos entre 41% e 50%. O estudo foi realizado entre 13 e 21 de setembro e ouviu 60 hospitais privados, sendo 27% da capital e 73% do interior de São Paulo. Juntos, eles somam 2.454 leitos de UTI e 4.157 leitos clínicos.

Para o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, a queda de internações tem relação direta com o avanço da vacinação contra a Covid-19.

— Não tenho dúvida de que isso tudo é feito do processo massivo de vacinação no país. O brasileiro, ao contrário de outros povos, têm uma cultura vacinal. Temos esse hábito desde a década de 70, quando iniciamos a imunização da meningite. As pessoas já viram o quanto isso é fundamental, embora às vezes ainda tenhamos sinais trocados em relação a isso por parte das autoridades — afirma.

Com a vacinação fixada como fator principal da queda, há um segundo fator — muito mais restrito, diga-se — que ajudou a reduzir as médias de hospitalização. Trata-se da alta prevalência da variante Gama, surgida em Manaus, que elevou os indicadores de casos e mortes no Brasil ao longo do primeiro semestre do ano, deixando um número de pessoas menos suscetíveis às infecções. Embora, é importante ressaltar, já se saiba que a proteção da vacina é mais potente e duradoura do que a conquistada por meio da infecção natural.

— O que trouxe impacto para a redução das internações foi vacinar acima de 92% dos maiores de 18 anos com primeira dose em todo o Brasil. Não há, por exemplo, uma sazonalidade marcante para esse vírus — diz o médico infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O mesmo alento no índice de internações também pode ser percebido nas taxas de ocupação dos leitos. De acordo com levantamento da Fiocruz, divulgado na última sexta, 24 estados têm níveis de ocupação de UTI consideradas fora da área de alerta, ou seja: abaixo dos 60%. Relatórios anteriores mostravam que, em março, 25 estados e o DF tinham taxa acima de 80%, no maior colapso sanitário da história do Brasil.

Não vacinados

Outra maneira de observar o impacto da vacinação é avaliar a carteirinha de imunização dos novos internados que chegam aos hospitais. Em 30 de setembro, no Hospital Ronaldo Gazolla, no Rio, referência no tratamento de Covid-19, das 218 pessoas internadas na instituição, 206 — ou seja, 94% do total — não tinham tomado nenhuma dose de imunizante, por exemplo.

Em São Paulo, um levantamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas realizado entre janeiro e setembro mostrou que quase 9 em cada 10 pessoas internadas por SRAG relacionadas ao coronavírus não tinham se vacinado contra a Covid-19.

Especialistas defendem, contudo, que se olhe para parte dos leitos instalados ao longo da pandemia — para dar conta do volume intenso de pacientes — com a intenção de mantê-los prestando um serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS) e desafogando algumas localidades.

— O SUS deu uma resposta para a pandemia nessa expansão nos leitos de terapia intensiva. É importante que essa oferta seja mantida como um legado — afirma Alberto Chebabo, vice- presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

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No Alasca, epicentro da pandemia nos EUA, médicos precisam escolher quem irá viver ou morrer

Isolamento geográfico e escassez de recursos dificultam atendimento no estado, assim como a vacinação abaixo da média e resistência a medidas sanitárias
Pessoas protestam contra obrigatoriedade do uso de máscaras, tema debatido pela Assembleia Legislativa de Anchorage Foto: Ash Adams / New York Times
Pessoas protestam contra obrigatoriedade do uso de máscaras, tema debatido pela Assembleia Legislativa de Anchorage Foto: Ash Adams / New York Times

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ANCHORAGE, Alasca — Se a pandemia de Covid-19 perde força nas Américas, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde, a situação é preocupante no Alasca, atual epicentro da crise sanitária nos Estados Unidos. A situação no estado é tão crítica que os médicos precisam escolher quem tratar. 

Quase dois anos após o início da pandemia, a situação no exclave americano lembra as cenas vistas nos primeiros meses do ano passado: faltam equipamentos, os pacientes são tratados nos corredores e há racionamento de emergência. Diante da sobrecarga, o governador Mike Dunleavy, do Partido Republicano, pediu ajuda de médicos de outras regiões do país.

No maior hospital do estado, o Centro Médico Providence, em Anchorage, os médicos precisam escolher quem tratar de acordo com as melhores probabilidades de sobrevivência. Em um caso, dois pacientes precisavam de hemodiálise contínua, mas havia apenas uma máquina disponível. Os médicos puseram um deles no equipamento e depois trocaram para o outro. O primeiro não resistiu à Covid. 

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Durante boa parte da pandemia, o isolamento natural do estado ajudou a manter a crise sanitária sob controle. Havia critérios rigorosos de testagem para quem desembarcava vindo de fora e muitos vilarejos foram postos em quarentena para conter a transmissão. No início da vacinação, mobilizarama aviões e barcos para que as doses chegassem às regiões mais remotas.

Na última semana, contudo, o Alasca registrou 125 novos casos por 100 mil habitantes, a maior taxa entre os estados dos EUA e o quádruplo da média nacional. As mortes não sobem na mesma proporção: houve 0,37 óbitos por cada 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 0,54.

Resistência à vacina

Como em boa parte dos outros estados, no entanto, há grande resistência à vacina. Hoje, apenas 58% da população do estado tomaram ao menos uma dose, e 51% já completaram seu ciclo vacinal, de acordo com dados do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA.

Em paralelo, o governador Dunleavy vem resistindo a medidas mais contundentes para conter a transmissão, algo impopular em boa parte do eleitorado republicano predominante no Alasca, onde o então presidente Donald Trump venceu no ano passado com quase 53% dos votos. Enquanto os novos casos caíram 24% nos EUA na última quinzena, eles aumentaram 7% no estado. 

Após 19 meses de pandemia, a sobrecarga do sistema hospitalar não é novidade, mas a distância do remoto estado para o resto do território americano impede a flexibilidade de transferir pacientes para cidades ou estados vizinhos. A ajuda principal está a mais de 2.400 km de distância, em Seattle, cujos hospitais também enfrentam dificuldades para lidar com a crise sanitária.

— Quando os hospitais estão lotados, não é possível simplesmente pôr os pacientes em uma ambulância e levá-los para outras cidades  — disse a senadora Lisa Murkowski no plenário do Senado na semana passada, descrevendo sua própria ida à emergência em Fairbanks para levar um parente que precisava de ajuda.

Resistência às máscaras

Médicos e enfermeiros vêm pedindo para que a população leve a crise sanitária mais a sério, mas não raramente são recebidos com hostilidade. No fim do mês passado, por exemplo, quando a Assembleia Legislativa de Anchorage debatia o uso obrigatório de máscaras, os especialistas foram vaiados por pessoas que demandavam tratamento com ivermectina, remédio sem qualquer eficácia comprovada contra a Covid-19, promovido também pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em uma outra reunião, no dia seguinte, uma pessoa armada foi presa por causar desordem. Nesta sessão, vários moradores usavam uma estrela de Davi amarela, comparando o uso obrigatório de máscaras ao Holocausto. Vários médicos, segundo o New York Times, debateram se deveriam ir ao encontro.

Nos hospitais, enquanto isso, os especialistas se deparam com dilemas éticos sobre a triagem que precisam fazer. Segundo Michael Bernstein, do hospital em Anchorage, a equipe de triagem precisou tomar decisões em cerca de 10 casos. Em um deles, por exemplo, os respiradores foram alocados para pessoas com menos complicações e um homem com Covid-19 e câncer avançado não sobreviveu.

O hospital também foi forçado a postergar atendimento de outras formas, disse Bernstein. Até semana passada, por exemplo, 29 cirurgias cardíacas haviam sido adiadas e 21 pedidos de transferência foram negados. 

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Joel: Queiroga deixou de lado a ética médica e abraçou o bolsonarismo

Do UOL, em São Paulo

05/10/2021 13h45

Atualizada em 05/10/2021 13h52

Para Joel Pinheiro, colunista do UOL, é "lamentável" o fato de o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, esconder quais medicamentos foram prescritos a ele enquanto estava com covid-19 em Nova York, nos Estados Unidos.

"Sabendo do grau de notícias falsas que correm sobre medicamentos no Brasil, seria importante o ministro da Saúde ser o primeiro megafone a estar dizendo: não funciona. Mas ele não vai fazer isso", disse Joel ao UOL News, programa do Canal UOL.

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"Ficou muito claro, de uns tempos para cá, que, entre a ética médica dele e o bolsonarismo e bajular o Poder e a opinião pública altamente radicalizada, ele escolheu o bolsonarismo, entregando qualquer dignidade que ele tinha", afirmou Joel.

Hoje mais cedo, ao ser indagado por jornalistas sobre que remédios havia tomado enquanto estava com covid-19, o ministro optou por não revelá-los. "É uma questão privativa", se restringiu a responder Queiroga.

Ainda assim, para o colunista, o debate sobre remédios como hidroxicloquina e a cloroquina, comprovadamente ineficazes contra a covid-19, está "cada vez mais no passado". "O foco agora é na vacinação, seguir em frente", disse.

Para ele, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e demais membros do governo devem ser punidos por propagandearem o uso de medicamentos ineficazes contra a covid-19. Fora isso, como levantar discussões sobre prescrições de medicamentos, "é bola para frente".

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Médicos criticam liberar uso de máscara já e temem que vírus ganhe força

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), indicou que a obrigatoriedade do uso de máscara deve ser liberada este mês na capital fluminense - 13 ago.2021 - Andre Melo Andrade/Immagini/Estadão Conteúdo
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), indicou que a obrigatoriedade do uso de máscara deve ser liberada este mês na capital fluminense Imagem: 13 ago.2021 - Andre Melo Andrade/Immagini/Estadão Conteúdo

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

05/10/2021 13h00

Resumo da notícia

  • Prefeito do Rio fala em desobrigação do uso com 65% da população vacinada
  • Médicos recomendam cautela e dizem que ser melhor esperar que se chegue a 80%
  • Outros fatores também precisam ser considerados, como números de mortes e casos
  • Em São Paulo, prefeitura deve esperar que idosos recebam a dose de reforço

A projeção da Prefeitura do Rio de desobrigar o uso de máscaras em ambientes abertos a partir de 15 de outubro é criticada por especialistas da área da saúde ouvidos pelo UOL. A indicação foi feita ontem pelo prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD), em mensagem publicada em sua conta no Twitter.

Na cidade de São Paulo, a prefeitura estuda uma data para adotar a mesma medida, mas não crava uma data, embora indique que a partir de novembro a cidade já deva ter toda sua população adulta com esquema vacinal completo (duas doses ou dose única).

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Na capital fluminense, segundo dados do site da prefeitura na manhã de hoje, 56,5% da população já está com esquema vacinal completo. Para que a flexibilização aconteça, Paes indicou que a marca precisaria chegar a 65%, o que ele estima que aconteça em meados deste mês.

paes - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Em maio, em um dos piores momentos da pandemia no país, Paes foi flagrado sem máscara em roda de samba no Rio Imagem: Reprodução/Twitter

"Esse é um vírus que surfa nas oportunidades. E o que a gente tem que fazer é não dar oportunidade", diz Flávio Guimarães da Fonseca, presidente da SBV (Sociedade Brasileira de Virologia) e virologista da UFMG (Universidade Federal de Minais Gerais).

Fonseca salienta que, no país como um todo, não temos metade da população com o esquema completo. Atualmente, 94,2 milhões de pessoas já estão imunizadas, aproximadamente 44% da população.

Mesmo que o Rio atinja 65% em dez dias, ainda seriam necessárias mais duas semanas após a aplicação da dose para que a pessoa tenha a imunização.

São Paulo ainda avalia

Na cidade de São Paulo, o UOL apurou que estudos são feitos sobre a flexibilização do uso da máscara. Atualmente, os parâmetros estimados para se chegar nesse cenário incluem que 100% dos idosos já estejam com dose de reforço e 90% da população adulta com esquema vacinal completo. A gestão de Ricardo Nunes (MDB) tem usado como exemplo o que tem sido feito em Portugal.

"Até final de outubro, seguramente chegaremos a 100% da população com a segunda dose. Até meados de outubro, já teremos dado a dose de reforço a toda a população com mais de 60 anos", disse hoje o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido.

"Hoje nós temos uma média na cidade de 15 óbitos em sete dias, ou seja, algo entorno de dois óbitos por dia. A cidade está muito próximo de, com o controle da pandeia, chagar ao momento de zero obtido, mesmo que isso venha a mudar posteriormente. Tudo isso será analisado para a eventualidade de inclusive não se utilizar a máscara", afirmou Aparecido.

Ao UOL, Aparecido afirmou que o cenário das próximas semanas deverá ser avaliado, com uma decisão a ser tomada sobre a utilização de máscaras entre o final de outubro e o início do próximo mês.

Não é só número de vacinados

Flexibilizar as medidas não farmacológicas é dar chance para o vírus voltar com força, para aumentar novamente os números, que é justamente o que a gente não precisa, não quer. Por isso, sou contra. Acho que esse tipo de flexibilização é muito aguardado, necessário em algum momento, mas não agora
Flávio Guimarães da Fonseca, presidente da SBV

Especialistas consultados pelo UOL dizem acreditar que o ideal seria aguardar que cerca de 80% da população já esteja imunizada para se pensar em liberar a necessidade de máscara, como avalia o presidente da SPI (Sociedade Paulista de Infectologia) e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Carlos Magno Fortaleza. "E número de mortes diárias abaixo de cem no país", diz. Atualmente, a média móvel de mortes está por volta de 500.

Médicos lembram que, mesmo a pessoa estando vacinada, ela poderá transmitir o vírus. Por isso, o infectologista Evaldo Stanilslau, do Hospital das Clínicas de São Paulo, também pontua que a taxa de transmissão deve ser considerada para a decisão sobre flexiblizar o uso de máscara. No Brasil, segundo dados do Imperial College, a taxa de transmissão está em tendência de crescimento.

"Se a gente não tiver uma transmissão comunitária baixa, e sustentada de maneira baixa, acho que é um equívoco a gente flexibilizar e liberar do uso de máscara", diz Stanislau, reforçando a necessidade de se fazer "testagem sentinela" para que se possa entender o real cenário da pandemia no país.

"As pessoas estão muito afoitas nesse relaxamento e o preço pode ser alto. Ao contrário, se fizermos tudo como se deve, aí teremos plenas condições."

Exemplos para o Brasil

Os especialistas também reforçam a necessidade de se observar as experiências de outros países. Alguns que flexibilizaram o uso da máscara antes do tempo tiveram que voltar atrás, como se viu em Israel e em parte dos Estados Unidos, por exemplo.

"Diversos estados dos Estados Unidos liberaram do uso de máscaras em maio, quando haviam vacinado um pouco mais da metade da população com as duas doses. É exatamente o mesmo cenário que estamos vivenciando em alguns estados no Brasil", observa Luiz Gustavo de Almeida, microbiologista e membro do Instituto Questão de Ciência.

Ele lembra que, mesmo vacinada, a pessoa ainda pode transmitir o vírus caso seja contaminada. "Portanto, máscaras ajudam a evitar que pessoas ainda não vacinadas sejam infectadas", diz. "Não é hora para pensar em baixar a guarda em nenhum fronte."

Avanço com tranquilidade

Almeida frisa a importância da máscara no caso do Rio também pensando no Carnaval, que Paes já indicou que deverá acontecer sem restrições. "Isso, certamente, atrairá turistas de todo o Brasil. Mas com 80% da cidade do Rio de Janeiro vacinada, já seria possível flexibilizar o uso de máscaras, sempre acompanhando o número de novos casos, internações e óbitos."

Juarez Cunha, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), diz entender que estamos em um momento mais tranquilo da pandemia, se comparado com o primeiro semestre, quando chegamos a ter 4.000 mortes por dia, mas que seria mais seguro esperar termos a maior parte da população imunizada.

Cunha, porém, está preocupado porque já tem observado que parte da população já não respeita o uso de máscara e o distanciamento, promovendo aglomerações. "Acho que a gente precisa avançar mais ainda na vacinação para ter mais tranquilidade."

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'Uma nova pandemia já é considerada inevitável', diz diretora-adjunta da OMS

04/10/2021 14h43

Atualizada em 05/10/2021 10h33

Em entrevista à RFI, a diretora-geral adjunta da Organização Mundial de Saúde, Mariângela Simão, afirmou que a OMS prepara um "tratado sobre pandemias" e que um novo fenômeno pandêmico é apenas "uma questão de tempo". Segundo Mariângela Simão, uma nova pandemia é "inevitável" e a questão é "quando ela vai acontecer".

Simão diz que a OMS terá uma Assembleia Mundial de Saúde em novembro em que será discutida a possibilidade de desenvolver um "tratado para pandemias". A decisão, segundo ela, ainda não foi aprovada, mas o tema circula entre os países, "não só por reforçar o papel da OMS em uma situação de emergência de interesse público como essa", mas também porque "cria uma série de formalidades que os países e o setor privado têm que tomar no caso de uma emergência como uma pandemia mundial", explica.

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A OMS já se prepara para uma nova pandemia? "Vai ter uma próxima pandemia", diz Simão. "Isso é uma coisa que a gente já sabe e que é inevitável. É uma questão de quando vai acontecer", diz.

"Essa pandemia, depois da gripe espanhola, foi a mais impactante e é também uma constatação: acho que o mundo precisa acordar porque a gente vê que não foram apenas os países em desenvolvimento que foram afetados. Afetou o mundo todo, ninguém estava preparado", considera. "A Assembleia Mundial de Saúde agora em novembro estará discutindo a possibilidade de desenvolver um tratado para pandemias", conta a diretora-geral adjunta da OMS.

A reunião ainda deve ser um momento para discutir questões atuais sobre as variantes do coronavírus e a distribuição da vacina. "Acho que tem duas coisas, um lado é em relação a esse coronavírus específico que é o Sars-Cov-2 e as variantes, algumas variantes de preocupação, como o caso da delta, que está presente em 188 países", analisa. "Então a preocupação e o empenho [da OMS] em aumentar a cobertura vacinal é global, mas em todos os países e não apenas em alguns, para evitar que novas variantes preocupantes surjam", diz Simão.

Vacina para adolescentes após prioritários

Sobre a vacinação de adolescentes enquanto política de saúde pública, Mariângela Simão diz que "a OMS emite uma recomendação baseada num grupo de especialistas que auxilia a organização neste sentido". "Desde julho desse ano, a gente tem recomendações relacionadas ao uso da vacina da Pfizer, é a única que tem recomendação para utilização na população entre 12 a 15 anos, e já havia a recomendação para pessoas acima de 16 anos", lembra.

"Mas a OMS faz a ressalva que a vacina deve ser priorizada para adolescentes portadores de comorbidades. No entanto, para a geral da população de adolescentes, a vacina para este grupo deve ser administrada após a cobertura de todos os outros grupos prioritários. Essa é a recomendação para os países que ainda não atingiram uma cobertura mais alta na população de adultos", diz.

Vacinação intranasal

Em relação à vacina intranasal, incentivada por especialistas pela facilidade de aplicação (que talvez diminuísse algumas resistências) mas também por proteger a porta de entrada do vírus, a diretora é cautelosa na hora de avaliar esse tipo de imunização.

"A gente ainda não tem nenhuma vacina nasal aprovada globalmente para a covid. Acredito que algumas possam estar em fase 3, a última fase antes dela ser autorizada emergencialmente em algum país. Faz sentido se pensarmos num tipo de produto ideal, seria ótimo uma vacina que pudesse ser administrada via nasal, mas ainda não estamos lá", afirma.

Vacinação das crianças

"Não tem vacina aprovada ainda para criança então não pode ter uma política nacional usando vacinas que não foram aprovadas para idade abaixo de 12 anos", lembra a diretora. "Nós só temos uma vacina aprovada para uso em adolescentes a partir de 12 anos. Tem vários estudos em andamento, mas nenhuma delas foi aprovada ainda pela OMS para uso em crianças", aponta Simão.

Vacina anticovid anual?

Para Mariângela Simão, ainda não existem indicações claras da OMS de que a vacina anticovid possa virar uma vacina anual. "No entanto, é possível que isso aconteça. Esse é o comportamento desse tipo de vírus, da família dos coronavírus, de se tornarem endêmico. O importante é ter sempre em mente que o mais importante é evitar que as pessoas mais suscetíveis morram por conta desse vírus e que a economia pare como parou", afirma.

"Iniquidade vacinal"

Sobre a desigualdade no acesso às vacinas para diferentes populações de todo o planeta, ela lembra que "trata-se de uma iniquidade vacinal, a gente tem uma enorme distância entre a cobertura média vacinal em alguns continentes, e, por exemplo, o continente africano. A média global hoje é de 32%, mas as médias, como se sabe, são 'burras', porque existem os extremos. O território da União Africana tem hoje menos do que 4% de cobertura vacinal", sublinha Mariângela Simão.

Tratamento para a covid

"A OMS já recomendou mais cedo neste ano a utilização da betametazona, uma medicação que está há 50, 70 anos no mercado é um corticoesteroide, para pacientes graves em ambientes hospitalares porque ele impacta na mortalidade", lembra Mariângela Simão.

"Em julho a OMS fez uma recomendação para o que a gente chama de anticorpos monoclonais, bioterapêuticos, os bloqueadores da L6. Então estes dois medicamentos foram recomendados em julho e essa semana que passou a OMS recomendou uma outra combinação de anticorpos monoclonais, o coquetel do Regeneron e que é bem como você falou, essas medicações são caras e de baixa disponibilidade e elas têm o objetivo de impedir a morte. Elas são utilizadas em ambiente hospitalar a gente ainda não tem nenhuma medicação aprovada para prevenção, profilaxia e nenhuma medicação aprovada para casos leves", lembra a executiva.

"Esse é o objetivo básico, trabalhar com a indústria farmacêutica para que os países tenham acesso a preços sustentáveis para poder dar acesso aos seus pacientes", diz Simão. "Isso no momento está bastante difícil porque está concentrado em apenas dois produtores, um deles concentra 3 dos 4 produtos a Roche, Regeneron, e a Sanofi com outro produto, então está muito concentrado com uma capacidade de produção que não é grande. A expectativa é que a gente vai ter nesses primeiros 6 meses de produção uma disponibilidade ainda difícil desses produtos e um preço alto, essa é uma conversa que está acontecendo nesse momento com a Roche", afirma.

Covax: vacina para os países pobres

"Os Estados Unidos não só se comprometeram o ano que vem em doar 500 milhões de doses da Pfizer, mas o governo norte-americano já possibilitou a entrada de 200 milhões de doses da Pfizer neste ano", lembra Simão. "Então a França e vários outros países estão doando, o que é muito bem-vindo. Não resolve todo o problema, mas é muito bem-vindo que países que têm condições e que já atingiram coberturas vacinais maiores estejam contribuindo para uma maior equidade da cobertura global", diz a diretora-geral adjunta da OMS, cujo diretor-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus, não se cansa de criticar a falta de "equidade vacinal" entre países pobres e ricos.

________________________________________////////////Queda em taxas de vacinação deve 'ressuscitar' doenças erradicadas do país

Média de cobertura de vacinação em 2020 ficou em apenas 75% - iStock
Média de cobertura de vacinação em 2020 ficou em apenas 75% Imagem: iStock

Carlos Madeiro Atualizada em 29/09/2021 11h42

O Brasil não atingiu nenhuma das metas de cobertura das vacinas infantis disponíveis pelo PNI (Programa Nacional de Imunização) em 2020. Apesar de gratuitas, seguras e eficazes, a imunização ficou em apenas 75% (o ideal são taxas sempre acima de 90%), no ano passado, acentuando uma queda que vinha desde 2015 e que abre as portas para que doenças já erradicadas do país ressuscitem.

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Vacina da Pfizer é segura para crianças de 5 a 11 anos, dizem fabricantes

A vacinação infantil é obrigatória no Brasil, segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). No caso do Bolsa Família, por exemplo, a não vacinação das crianças leva à suspensão do benefício. Veja aqui o calendário completo do Ministério da Saúde.

O índice de vacinação brasileiro regrediu, no ano passado, a taxas de cobertura similares a dos anos 1980. A pandemia é apenas um dos fatores que explicam o fenômeno, já que a cobertura vacinal cai há pelo menos seis anos.

"Sem dúvida, a desinformação é a principal causa da queda da cobertura vacinal. As pessoas --incluindo aí vários profissionais de saúde-- desconhecem os calendários vacinais para adolescentes, gestantes, adultos, idosos e imunodeprimidos. Some-se a isso o desserviço prestado pelas fake news e eis o resultado desastroso que estamos vendo", analisa Rosana Richtmann, infectologista e diretora do Comitê de Imunização da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

O documento "Panorama da Cobertura Vacinal no Brasil", do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), lançado em maio, diz que "o Brasil e o mundo têm visto as vacinas se tornarem vítimas de seu próprio sucesso."

"Como as imunizações controlaram doenças, as pessoas pensam que não precisam mais se proteger e abrem mão da vacinação, sem se dar conta que ela precisa acontecer de forma contínua", explica Antônio Carlos Bandeira, diretor da SBI e professor da UNI-FTC, Salvador (BA).

O relatório do IEPS mostra que a percepção de baixo risco por conta do enorme declínio na prevalência e/ou erradicação de doenças imunopreveníveis e o aumento da preocupação com a segurança e confiabilidade das vacinas têm levado a uma redução na cobertura vacinal e ao ressurgimento de surtos de doenças.

Doenças de volta

O melhor exemplo disso ocorreu com o retorno do sarampo, que reapareceu após anos de erradicação. "Ele voltou por causa das baixas coberturas vacinais", afirma Renato Kfouri, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

A proteção contra a doença está inclusa na vacina tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola. Ela é dada de forma gratuita em duas doses pelo SUS (Sistema Único de Saúde) nos postos de saúde.

Em 2016, a OMS (Organização Mundial de Saúde) conferiu ao Brasil o certificado de erradicação da doença. Três anos depois, o país perdeu a certificação.

Em 2019, o país registrou 20.901 casos da doença. Em 2020, foram confirmados 8.448 casos de sarampo. "Hoje estamos com circulação ativa do vírus do sarampo, que segue agora ampliando. Os números caíram no último ano não pela vacinação, mas pelas medidas não farmacológicas contra a covid-19", completa.

Uma das preocupações dos pesquisadores é que, com o paulatino retorno às atividades normais com o avanço da vacinação contra a covid-19, outras doenças transmissíveis devem fazer mais vítimas.

Temos outras doenças eliminadas no país que podem voltar pela queda de cobertura, como a rubéola materna, a rubéola congênita, o tétano, a poliomielite. E temos várias doenças controladas pela imunização como a coqueluche, a meningite bacteriana, a poliomielite.

Renato Kfouri, presidente da SBIm

A queda da cobertura da pólio chama a atenção do presidente da SBIm. Nos últimos seis anos, a cobertura da vacina caiu de patamares acima de 95% e ficou em 76% em 2020. Nas regiões Norte e Nordeste, essas coberturas foram ainda menores: em 65% e 72%, respectivamente.

Em 1997, a apresentadora Xuxa fez campanha pela vacinação ao lado do boneco Zé Gotinha  - Paulo Giandalia/Folhapress - Paulo Giandalia/Folhapress
Em 1997, a apresentadora Xuxa fez campanha pela vacinação ao lado do boneco Zé Gotinha Imagem: Paulo Giandalia/Folhapress

A vacinação contra pólio sempre foi um símbolo da vacinação infantil no país e deu origem ao símbolo da imunização brasileira, o "Zé Gotinha".

Hoje, entretanto, em vez de gotinhas a cada 15 meses, a vacina é injetável e dada em doses a partir de dois meses de vida.

O último caso de poliomielite no Brasil ocorreu em 1989, na Paraíba, mas como o vírus ainda segue circulando no mundo (é endêmica em Paquistão e Afeganistão) o mundo ainda não se livrou.

"Nos preocupa com a crise do Afeganistão. Já era difícil controlar —imagina agora com esses problemas deles?! Além disso, vamos ter uma maior circulação das pessoas de lá no planeta, e esse vírus pode retornar. Falta pouco para erradicarmos ela do mundo, mas com as baixas coberturas —que não ocorrem apenas no Brasil— fica difícil", diz Kfouri.

Na prática, basta que uma criança aqui não vacinada tenha contato com uma outra que tem o vírus, e a doença pode iniciar um ciclo endêmico novamente no país. "A pólio é uma doença que não tem cura, mas pode ser evitada com a cobertura vacinal", completa.

Quedas e campanhas

O documento do IEPS destaca que a maior queda de cobertura vacinal ocorreu com a hepatite B em crianças de até 30 dias, que registrou uma perda de 16 pontos percentuais em um ano, seguida pela BCG (tuberculose) e a primeira dose da tríplice viral, que sofreram reduções de aproximadamente 14 e 15 pontos percentuais, respectivamente.

"Com exceção da pneumocócica, os percentuais de cobertura de todas as vacinas analisadas foram inferiores a 80% em 2020", diz o documento.

Renato Kfouri aponta que pessoas mais jovens tendem a não perceber a importância da vacinação. "São doenças que as pessoas não conhecem, nunca viram e acham que não precisavam se vacinar, ou vacinar seus filhos. A gente já vinha percebendo isso até 2019, e 2020 com o problema da pandemia só piorou", aponta.

Além da complacência, temos também vários fatores como a falta de confiança nos governantes e profissionais de saúde; conveniência de horários; o crescimento de movimento antivacina; a comunicação contínua falha. Não existem hoje campanhas para vacinar contra todas as doenças, isso atrapalha a todos.

Renato Kfouri

Ele lembra ainda que uma das coisas que precisa ficar claro à população é que a vacina não é só uma proteção individual. "Veja no caso da pólio: a gente tem que ter 95% de cobertura vacinal porque há pessoas que não podem tomar. A cobertura elevada protege aqueles que não podem fazer determinadas vacinas. É o que chamamos de imunidade coletiva, que protege pelo seu entorno, por exemplo, a criança imunodeprimida", explica.

Para ele, a chave da retomada está em campanhas educativas e informativas. "A gente tem visto, no caso da covid, que o brasileiro acredita em vacina. Isso é consequência do nosso PNI, que sempre levou um recado de confiança e segurança que a população acredita muito. O Brasil vai ser um dos países que terá maior cobertura contra a covid, mas precisamos reverter também a baixa cobertura de outras doenças", afirma.

"Temos um calendário maravilhoso, muito completo, com vacinas seguras, eficazes e gratuitas", afirma Kfouri.

Ministério cobra municípios

VivaBem, o Ministério da Saúde afirmou que a imunização seguiu e segue como rotina durante a pandemia e pede para que a população procure os postos de saúde para atualizar a caderneta de vacinação.

"A pasta recomenda que os processos de trabalho das equipes de saúde sejam planejados com o objetivo de imunizar o maior número possível de pessoas contra as doenças, conforme orientações do Calendário Nacional de Vacinação", diz.

O ministério ainda orienta que os gestores municipais de Saúde estabeleçam parcerias locais com instituições públicas e privadas, para descentralizar o máximo possível a vacinação.

"Além disso, cada município deve estabelecer estratégias, considerando ampliar as coberturas vacinais, no intuito de atingir as metas de vacinação", alega.

Campanha Movimento Vacinação

Para alertar sobre a importância de manter as vacinas em dia, a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) lança hoje (29) a campanha Movimento Vacinação, que visa conscientizar sobre os riscos da queda da cobertura vacinal no Brasil.

Confira os conteúdos da campanha aqui no UOL e também no site http://movimentovacinacao.com.br/.

________________________________________////////////'Não estou te perguntando, estou te comunicando', ouviu filha de segurado da Prevent ao questionar médico sobre tratamento

Diretora de cinema relata como pai foi passado para cuidados paliativos de Covid sem seu consentimento

São Paulo

Em maio de 2020, quando a pandemia de coronavírus passou a se deteriorar rapidamente no Brasil, a roteirista e diretora de cinema Bel Bechara buscou tratamento para seu pai, Murillo Bechara, 91, na rede Prevent Senior.

Em depoimento à Folha, ela relata as semanas de internação do aposentado e o périplo da família à luz do que tem sido exposto na CPI da Covid.

Desde o começo, quando chegaram as primeiras notícias sobre a Covid no Brasil, comentei com meu marido: meu pai não pode pegar isso de jeito nenhum. Eu era responsável pelos cuidados dele, que com 91 anos sofria de Alzheimer e insuficiência cardíaca.

Em acordo com a geriatra particular, diminuí a circulação de pessoas em torno de meu pai, suspendendo a fono e a fisio, além de garantir um esquema para que os cuidadores não precisassem de transporte público. Nada foi suficiente, ele contraiu Covid.

Fachada de uma unidade da Prevent Senior
Fachada de uma unidade da Prevent Senior em São Paulo - Amanda Perobelli - 28.set.21 / Reuters

Devido aos custos muito altos de um tratamento em hospital particular, recorri ao Prevent Senior, plano de saúde que foi feito às pressas para ele quando tive que trazê-lo para São Paulo.

Primeiro ele foi parar no pronto-socorro de uma unidade do Sancta Maggiore, onde constataram 50% dos pulmões tomados por pneumonia. Em contato com minha irmã que mora fora, avisei: vão querer dar cloroquina. Era o começo da pandemia, mas já sabíamos que seria muito arriscado para pacientes cardíacos.

Decidimos não autorizar. O médico do pronto-socorro, irritado com a minha recusa em conceder autorização, disse que, se eu quisesse mesmo que eles fizessem de tudo pelo meu pai, deveria repensar aquilo. Virou as costas e saiu.

Na época, justifiquei a atitude dele pelo nervosismo da situação: era um cenário de guerra, um enfrentamento de uma doença sem tratamento conhecido.

Meu pai foi transferido para outra unidade, onde ficou internado em um apartamento. Os médicos começaram a conversar sobre a possibilidade de não intubá-lo caso agravasse, opinando que não valeria a pena.

Deixei bem clara a posição da família e levei um documento por escrito acenando para a nossa escolha: queríamos que investissem nele, em vez de mandá-lo para o paliativo. O médico me garantiu que não precisava do documento e que nossa opção já estava registrada no prontuário.

No outro dia, fui comunicada que a equipe médica queria conversar comigo. Ao chegar ao hospital, um médico paliativista, seguido por um séquito de jovens (talvez alunos) me comunicou que meu pai tinha sido sedado com morfina depois de uma piora e que não seria intubado.

Ao tentar questionar, ele respondeu: "Não estou perguntando, estou comunicando". Disse ainda que a missão dele era proteger os pacientes de familiares como eu, dispostos a submetê-los a intervenções dolorosas que não levam a nada.

Nesta altura, eu já conhecia o conceito de distanásia, da qual estava sendo acusada. Mas a Covid era uma doença nova e, conversando com vários médicos, fiquei sabendo de casos como o de uma idosa de 94 anos com mais comorbidades que meu pai que chegou a ser intubada e sobreviveu. A geriatra particular que cuidava do meu pai opinou: neste caso, a escolha deveria ser da família.

Fiz uma videochamada para a minha mãe e minha irmã se despedirem do meu pai, mas não desisti de lutar. Preparamos material para uma liminar, que não precisou ser utilizado. Depois da repercussão de uma reportagem publicada nesta Folha, meu pai foi devidamente intubado e transferido para a UTI.

Acompanhei tudo de perto e vi que realmente tentaram salvá-lo, mantendo sempre comunicação aberta comigo nas duas semanas em que ele permaneceu ali. Não tenho como saber, no entanto, se o dia que ele passou na base de morfina e sem os cuidados adequados tirou-lhe as últimas chances.

Quando ele faleceu, tive que ir ao necrotério "reconhecer o corpo". Naquele cenário de muitas mortes e caixões fechados, me pareceu uma medida de segurança para evitar erros.

Como estava proibida a manipulação de corpos, não havia possibilidade de limpeza ou tratamento funerário. Eu o encontrei ensanguentado dentro de um saco azul. Ninguém deveria ver uma pessoa amada nessas condições.

Saindo dali, entrei no elevador, onde dois funcionários comentavam sobre o médico paliativista que "aprontou de novo", com novas reclamações de outra família. Eles riam.

O horror já estava posto, mas ficar sabendo agora, pela CPI, que era tudo proposital, que colocavam idosos no paliativo para reduzir custos e distribuiam remédios ineficazes por motivos ideológicos eleva tudo ao patamar de crime contra a humanidade. Que sejam responsabilizados e possamos reconstruir nosso país.

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Como ondas de frio e calor matam homens e mulheres de formas diferentes no Brasil - BBC News Brasil

Situação climática vai piorar ainda mais no Brasil

E o que esperar daqui em diante

  • Cristiane Martins
  • De Londres para a BBC News Brasil
Casal na rua em dia frio em SP
Legenda da foto, Estudo pioneiro analisou dados coletados ao longo de uma década em SP

Com o aumento de ondas de frio e calor extremos, o impacto das mudanças climáticas na morte de pessoas tem ficado cada vez mais evidente ao redor do mundo.

Pesquisadores calculam mais de 5 milhões de óbitos por ano, principalmente de pessoas com mais de 65 anos.

No Brasil, um estudo pioneiro feito por duas pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e um pesquisador da Universidade de Coimbra (Portugal), que ainda não foi revisado por outros cientistas, analisou dados de mortalidade na capital paulista ao longo de uma década e descobriu como temperaturas extremas matam homens e mulheres de formas e períodos diferentes. Idosos são mais vulneráveis às ondas de calor do que as idosas, por exemplo.

A cidade de São Paulo costuma ter temperaturas médias que variam entre 17ºC e 23ºC, mas os episódios de ondas de frio e calor têm sido mais frequentes e às vezes mais longos.

Uma análise de dados globais da BBC apontou que os números de dias de calor extremo dobraram ao redor do mundo desde a década de 1980. Por cerca de 14 dias por ano, entre 1980 e 2009, as temperaturas passaram dos 50ºC. Entre 2010 e 2019, esse número subiu para 26 dias.

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Esse aumento é totalmente causado pela queima de combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel, afirma Friederike Otto, diretor do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Em junho deste ano, estima-se que quase 500 pessoas morreram, principalmente idosos que viviam sozinhos, durante uma onda de calor extremo no Canadá. As temperaturas chegaram a 49,6ºC.

Neste ano, São Paulo bateu recordes de temperaturas baixas, chegando a -3ºC em algumas partes. Especialistas explicam que a situação é ainda mais grave em países como o Brasil por fatores como vulnerabilidades socioeconômicas e escassez de habitações preparadas para conter o frio.

Mas por que o corpo humano, capaz de se adaptar aos climas mais diversos do planeta, pode morrer com calor ou frio extremo? Que tipo de doenças pré-existentes aumentam as chances de isso ocorrer e o que pode explicar impactos diferentes em homens e mulheres mais velhos?

E o que se deve esperar para o Brasil nos próximos anos, com o crescente aquecimento global?

"A gente fez um estudo e identificou que o clima já está mudando de alguma maneira em todas as regiões do Brasil. Sejam temperatura, chuvas... Esses eventos que observamos nas últimas décadas já são o sinal da mudança do clima", afirmou à BBC News Brasil Lincoln Muniz Alves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos autores do relatório mais recente do IPCC, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para o clima.

Mortes por temperaturas extremas em São Paulo

Temperatura é apenas um dos fatores que impacta a saúde

O estudo assinado por Sara Lopes de Moraes e Ligia Vizeu Barrozo, ambas da USP, e por Ricardo Almendra, da Universidade de Coimbra, se debruçou sobre dados municipais de mortalidade e indicadores de temperatura e umidade de 2006 a 2015 em São Paulo, cidade de verões quentes e úmidos e invernos secos.

Com os dados à mão, os pesquisadores separaram por sexo informações diárias sobre mortes por doenças cardiovasculares e respiratórias.

Segundo o estudo, 151 mil pessoas com mais de 65 anos morreram em São Paulo de 2006 a 2015 em decorrência de doenças cardiovasculares e 64.778, de doenças respiratórias. Entre elas, 56.885 óbitos foram registrados como doença isquêmica do coração e 38.084 por doença cerebrovascular, como acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico.

O objetivo era identificar, por exemplo, se havia alguma diferença significativa na quantidade e nas causas de mortes de alguma parcela específica dessa população durante ondas de calor ou de frio. Em especial os idosos, por serem mais vulneráveis às temperaturas extremas.

"As pessoas com mais de 65 anos de idade são mais vulneráveis, pois apresentam uma diminuição da capacidade termorreguladora se comparada com a dos adultos mais jovens. Além disso, é preciso considerar que as pessoas mais velhas na maioria das vezes apresentam doenças pré-existentes (hipertensão, diabetes, colesterol alto, entre outras), se desidratam com mais frequência, são socialmente mais isoladas, podem apresentar limitações financeiras que as impedem de viver em condições térmicas adequadas/que as impedem de serem atendidas nos serviços de saúde em tempo hábil e hábitos comportamentais (tabagismo, sedentarismo, sobrepeso ou obesidade) que podem contribuir para o aumento do risco de mortalidade nos eventos extremos, como as ondas de frio e as ondas de calor.", explica Moraes em entrevista à BBC News Brasil.

Para identificar quantas daquelas mortes eram associadas a esses fenômenos climáticos, o trio de pesquisadores também precisou definir o que seria considerado um evento climático extremo, já que não há um critério definitivo e único para todos os lugares do planeta.

E não se trata apenas da temperatura em si, mas também da duração da onda de frio ou calor, da diferença dos termômetros em relação à média, dos níveis de poluição, entre outras variáveis.

E quais foram as conclusões? Cada corpo responde de uma maneira a temperaturas extremas, mas foram identificados alguns padrões na população paulistana.

"Os homens são mais vulneráveis às doenças cerebrovasculares (AVC isquêmico principalmente) nas ondas de frio e de calor, ou seja, apresentam uma maior probabilidade de morrerem por AVC isquêmico quando as ondas de frio e de calor ocorrem. As mulheres, por sua vez, apresentam maior probabilidade de irem a óbito por doenças isquêmicas do coração (o infarto agudo do miocárdio é uma doença mais comum neste conjunto) na ocorrência de ondas de frio", conta Moraes.

A maior taxa de mortes em ondas de calor ocorre quando elas duram três ou mais dias, por exemplo. Há também nesses períodos de altas temperaturas um risco maior de morte por AVC isquêmico do que hemorrágico. Segundo o Ministério da Saúde, o AVC isquêmico é o tipo mais comum e ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Geralmente é causado por trombose ou embolia.

O AVC hemorrágico, por outro lado, ocorre quando há o rompimento de um vaso cerebral e é causado principalmente por pressão alta e ruptura de um aneurisma (dilatação de uma artéria).

Durante a pandemia de covid, por exemplo, estudos apontaram que o risco de ser internado por coronavírus caiu no Brasil durante ondas de calor, mas nesses mesmos períodos a mortalidade por doenças cardiovasculares e respiratórias aumentou. Segundo especialistas, isso se acentua em indivíduos vulneráveis porque pessoas com comorbidades são mais propensas a morrer antes de receber assistência médica adequada ou de ser internada durante ondas de calor.

Mas por que as mulheres e os homens são afetados de maneiras distintas durante essas ondas de temperatura extrema?

Segundo o trio de pesquisadores, as mulheres são mais afetadas que os homens sob temperaturas altas por causa de mudanças nos hormônios reprodutivos, da expectativa de vida mais alta e outros fatores psicológicos e de regulação da temperatura do corpo em situações de calor.

Por outro lado, "homens podem ter um risco maior de morrer por diversas causas durante exposição a temperaturas extremas porque eles têm mais doenças cardiovasculares e comportamentos menos saudáveis, além de serem menos propensos a fazer check-ups periódicos de saúde e de buscarem menos assistência médica que as mulheres em relação a condições de saúde pré-existentes", como diabetes e colesterol alto.

Para Marco Túlio Cintra, primeiro-vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), diversas doenças se manifestam de modo diferente entre os sexos. Ele cita como exemplo o grupo das doenças reumáticas, com os homens tendo mais gota e as mulheres com mais casos de lúpus eritematoso sistêmico.

No caso dos impactos diferentes das ondas de frio e calor, Cintra afirma à BBC News Brasil que os cientistas ainda precisam se aprofundar nos estudos para entender de fato quais são os mecanismos fisiológicos ligados a esses maiores riscos, a essa maior susceptibilidade a temperaturas extremas. Para ele, as hipóteses passam por questões hormonais ou diferentes expectativas de vida entre os sexos, com mulheres vivendo mais em geral por diversos motivos, como menor exposição ao risco e maior cuidado com a própria saúde.

"Existem algumas situações que podem explicar isso, por exemplo, como as mulheres vivem mais do que os homens. Nós temos muitos idosos com idades mais avançadas, mais debilitadas. E que pode ser por isso que essas viúvas tenham uma debilidade clínica, física, maior e com isso, maior susceptibilidade a ter consequência em ondas de temperatura extrema. É uma possibilidade. Outra são as diferenças hormonais, ou até o mesmo perfil de envelhecimento de homens e mulheres, com diferenças na fisiologia do envelhecimento relacionadas à capacidade do organismo se adaptar a condições mais extremas de temperatura."

O estudo também identificou um maior risco de morte durante ondas de frio do que nas de calor. Há diversos fatores que podem explicar esse dado, como a falta de moradia adequada na cidade de São Paulo, onde pelo menos 2 milhões dos 12,3 milhões de habitantes vivem em favelas e lares de baixa qualidade.

Mas os pesquisadores apontam principalmente para a hipótese de aclimatização dos habitantes. Ou seja, "pessoas que vivem em condições ambientais mais quentes são mais adaptadas a eventos de calor extremo e mais vulneráveis a eventos de frio extremo".

Por que as pessoas morrem 'de calor' ou 'de frio'?


Calor intenso provoca outros problemas, como a seca

A influência das temperaturas e das condições de vida na saúde das pessoas é percebida há mais de 2 mil anos. Mas foi apenas a partir do início do século 14, na Europa, que a prática de registro e análise de dados de saúde e mortalidade teve início. Desde então, tornou-se possível estudar com maior precisão o impacto dos períodos de calor ou frio extremo na vida das pessoas, e a mudança ao longo dos anos.

Problemas cardiovasculares e respiratórios são agravados por conta do calor e frio extremo, mas pessoas com males preexistentes como diabetes, obesidade, colesterol alto e tabagismo têm maior risco de mortalidade por temperaturas extremas. Outras variáveis, como poluição do ar e a circulação de patógenos como o vírus influenza, contribuem para o aumento de mortes relacionadas à temperatura.

Os primeiros registros a respeito da relação entre calor extremo e mortalidade são do começo do século 20. Na década de 1930 surgem os primeiros dados compilados sobre um risco de mortalidade maior entre pessoas com idade entre 40 a 80 anos.

Ao longo das décadas, o desenvolvimento socioeconômico ajudou a reduzir a vulnerabilidade humana às temperaturas extremas, graças a melhores condições de moradia, transporte, vestuário e alimentação. Mas até hoje há poucos estudos que investigam a fundo as causas específicas de mortalidade associadas a ondas de frio e calor extremo e quais pessoas são mais vulneráveis a essas situações.

Os seres humanos contam com um sistema de termorregulação que faz com que o calor do corpo se mantenha geralmente entre 36,5º C e 37,5º C.

Quando o calor no ambiente ultrapassa a taxa de dissipação de calor do corpo, esse sistema termorregulador passa por um processo denominado termólise, que é quando ele trabalha para perder calor por meio do suor ao mobilizar o sistema de resfriamento do corpo. Na direção contrária, o mesmo sistema termorregulador passa a se dedicar à termogênese, que é a manutenção de calor interno do organismo para lidar com o frio externo.

Há diversos mecanismos envolvidos. Por exemplo: para diminuir a temperatura do corpo, os vasos sanguíneos podem dilatar, o que aumenta a circulação do sangue e tende a baixar a pressão. Em temperaturas muito baixas, as artérias diminuem a passagem do sangue evitando assim a redução da temperatura corporal.

Um corpo saudável se autorregula ao longo do dia e não fica superaquecido. Mas o que acontece quando ele não consegue diminuir ou aumentar a temperatura? E o que ocorre quando a exposição ao calor vai além da capacidade de resfriamento do corpo?

O principal problema é a desidratação. Em geral, o corpo de uma pessoa adulta saudável pode perder cerca de 2 a 2,6 litros de água por dia — o suor, por exemplo, aparece como resposta fisiológica do hipotálamo (responsável pela regulação da temperatura corporal).

Homens costumam suar mais do que as mulheres, já que a testosterona é o fator que gera maior atividade das glândulas sudoríparas, responsáveis pelo suor. E parte dos idosos, já com a regulação do corpo debilitada, pode perder ainda mais água do que deveria, sem perceber ou repor a perda.

A menor quantidade de líquidos em circulação no corpo deixa o sangue mais denso e aumenta a probabilidade do surgimento de algum coágulo de sangue ou outro tipo de obstrução. O coração também passa a bater mais rápido, a ficar sobrecarregado porque tenta aumentar a pressão que caiu com o maior número de vasos dilatados ao mesmo tempo para regular a temperatura. Assim, o risco de algum problema grave no coração também aumenta. Sem falar de câimbras, tontura, desmaio.

Por outro lado, com o frio os vasos sanguíneos se contraem para manter o corpo aquecido e, por extensão, acaba aumentando a pressão arterial. Em uma onda de frio, essa mudança pode acabar levando a um AVC isquêmico (que tem a pressão alta como principal causa, como dito acima), por exemplo, ou a um agravamento da hipertensão ao longo dos invernos, com diversas outras consequências para o corpo.

"Tudo isso tem impacto direto na saúde humana. Do ponto de vista da fraqueza corporal, as ondas de calor que deixam as pessoas um pouco mais debilitadas, as reações psicomotoras também ficam alteradas, incluindo percepção de risco e concentração", afirma o climatologista Lincoln Alves, pesquisador do Inpe e do IPCC.

Os efeitos dessas temperaturas extremas podem ser percebidos tanto de forma instantânea quanto ao longo de décadas. A longo prazo, estudos apontam que os efeitos centrais das mudanças climáticas na saúde das pessoas abrangem problemas de pele, danos aos olhos por conta da exposição à radiação ultravioleta, maior incidência de doenças cardiovasculares e respiratórias, alterações no metabolismo, entre outros.

Situação climática vai piorar ainda mais no Brasil

Em agosto de 2021, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, o braço da ONU para tratar do clima) publicou um relatório no qual afirma que as emissões globais de dióxido de carbono, por exemplo, teriam de ser reduzidas cerca de 7% ao ano até 2050. A importância de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global a 1,5ºC.

O efeito estufa é um efeito natural do planeta Terra, composto por vários gases, que faz a regulação térmica que permite a vida no planeta. O problema atual é que o fenômeno tem se acentuado muito mais do que o normal. "Tem se observado, ao longo de milhares de anos, um aumento das concentrações desses gases associado às emissões antrópicas [resultado das ações humanas], relacionado à queima de combustíveis fósseis", afirma Alves, um dos autores do relatório.

O aumento da temperatura e o aumento da frequência de ondas de calor e frio extremos estão relacionados à emissão desses gases do efeito estufa.

O Acordo de Paris estabeleceu como nível crítico um aumento de 1,5ºC. A média global atual está entre 1,1ºC e 1,2ºC, mas ao observarmos regiões do Brasil, como o Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste, já é possível perceber aquecimento acima do patamar de 2ºC. "Essas temperaturas regionais, por vezes, são muito maiores do que a temperatura média global", explica o climatologista.

Segundo ele, as projeções indicam que o Brasil vai sofrer bastante com esses impactos: haverá uma maior frequência e intensidade desses eventos extremos. Alves ressalta também as vulnerabilidades socioeconômicas do país. Como o Brasil é um país tropical em desenvolvimento, quase não há moradias com infraestrutura adequada para lidar com o frio, como há em países do hemisfério Norte. Dessa forma, haverá mais sofrimento e riscos para idosos brasileiros que geralmente moram em lares sem calefação e para outros segmentos mais vulneráveis, como a população em situação de rua.

E o que esperar daqui em diante?

Crise climática vai se agravar, dizem especialistas

Alves afirma que há um cenário otimista, em que o mundo como um todo passa a emitir menos gases do efeito estufa do que emite hoje, e um cenário pessimista, no qual os níveis de emissão continuam iguais ou piores.

"Mesmo num cenário otimista, em que os países se comprometem a ter uma redução drástica nas emissões, ainda assim se projeta um aumento dos eventos extremos porque existe também essa questão do tempo de vida desses gases na atmosfera. Não é instantâneo. Se todos os países pararem as emissões, não será como se a temperatura fosse baixar imediatamente ou nos anos seguintes. Será em torno de 20, 30 anos", explica o especialista.

Mas o que poderia ser feito para mitigar o impacto do aquecimento global na saúde humana além da redução da emissão excessiva de gases do efeito estufa, mudança que depende principalmente de governantes e grandes empresas? Afinal, levantamento do Climate Accountability Institute apontou que 20 companhias estão por trás de um terço das emissões de gases do efeito estufa, entre elas a estatal petrolífera brasileira Petrobras.

Para Moraes, da USP, há medidas em diversas áreas que podem ser adotadas. No segmento urbanístico, ela defende a expansão das áreas verdes (a fim de amenizar o acúmulo de calor em determinadas áreas urbanas) e estratégias de infraestrutura "que podem auxiliar no resfriamento das áreas urbanas que apresentam maior risco, como os telhados verdes, telhados e asfaltos brancos, áreas com sombras, centros de resfriamento que podem atender a população mais vulnerável durante os eventos extremos de calor".

A geógrafa afirma também ser importante melhorar a comunicação pública dos riscos das temperaturas extremas para as pessoas mais vulneráveis, como as pessoas com mais de 65 anos.

Alves, do Inpe, fala ainda em melhorar a segurança das pessoas que trabalham em setores como construção civil e agricultura, como intervalos de descanso e vestuário apropriado. Ele defende também melhorias na qualidade das habitações (principalmente nas ondas de frio) e a adoção de medidas às vésperas de fortes ondas de calor, por exemplo.

"Se a previsão apontar uma onda de calor na próxima semana, as casas de repouso têm que se preparar de formas específicas, identificar quais são os idosos que são mais sensíveis, garantir que o ambiente estará bem ventilado, para que essas pessoas não sejam tão impactadas."

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O que alta em internação de idosos revela sobre efetividade da vacina e 3ª dose contra covid - BBC News Brasil

  • André Biernath - @andre_biernath
  • Da BBC News Brasil em São Paulo
Idosa é vacinada contra a covid-19
Legenda da foto, Existem pelo menos quatro fatores que ajudam a explicar a queda de proteção das vacinas entre os mais velhos

As últimas estatísticas de casos, internações e mortes por covid-19 no Brasil trazem uma conclusão importante: as vacinas funcionam e protegem contra as formas graves da doença, mas algumas pessoas mais vulneráveis realmente precisam tomar uma terceira dose, apontam especialistas.

Um dos principais trabalhos a mostrar essa realidade é o Boletim Observatório Covid-19, publicado semanalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

No material, é possível ver claramente como a proporção de indivíduos acima de 60 anos que foram hospitalizados ou morreram por infecções respiratórias diminuiu ao longo de todo o primeiro semestre de 2021 — vale lembrar aqui que a campanha de imunização do Brasil se iniciou justamente pelos mais velhos.

Com o passar do tempo, porém, a participação relativa dessa faixa etária entre os acometidos pela pandemia voltou a subir de forma preocupante.

A reversão nas tendências exigiu adaptações no Plano Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, que anunciou que ofertaria uma terceira dose da vacina a alguns grupos a partir de setembro.

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Fim do Talvez também te interesse

"Nosso trabalho enquanto cientistas é justamente coletar os dados e orientar ajustes nas políticas conforme a gente conhece melhor os imunizantes e seus efeitos na prática", diz a imunologista Cristina Bonorino, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Outra mudança importante, que tem a ver com os aprendizados recentes, foi a necessidade de adotar estratégias mais inteligentes sobre o uso dos recursos disponíveis. Antes, num cenário de escassez de doses, a premissa era aplicar as vacinas que estivessem disponíveis em quem mais precisava. Hoje em dia, existe a possibilidade de indicar o uso de um imunizante ou outro para situações e públicos específicos.

Mas como chegamos até aqui? E como esses novos conhecimentos impactam a vacinação contra a covid-19 e podem ajudar a controlar a pandemia?

Como uma onda

Para entender todo esse cenário, precisamos olhar com mais atenção para os informes publicados pelo Observatório Covid-19 da FioCruz. Lá, é possível conferir que os indivíduos acima de 60 anos representavam 63% de todas as internações e 80% das mortes por Síndrome Aguda Aguda Grave (SRAG) registradas no Brasil durante a primeira semana de 2021.

E aqui vale uma ressalva: os serviços de saúde do país são obrigados a notificar ao Ministério da Saúde todos os casos de hospitalização por infecção respiratória. Essa base de dados de SRAG, portanto, permite ter uma ideia de como está a situação dessas doenças no país, embora não consiga detalhar especificamente qual o tipo de vírus (ou outro agente) que é o principal responsável por todas essas internações. Mas, durante a atual pandemia, considera-se que a maioria dos quadros infecciosos tenha mesmo a ver com o coronavírus.

Bom, mas o que aconteceu com esses números nos meses seguintes, conforme a campanha de vacinação contra a covid-19 avançava e protegia especialmente a camada mais velha da população brasileira?

Como era de se imaginar, os números despencaram: em meados de junho, os idosos passaram a representar 27% das internações e 34% das mortes por SRAG. A participação relativa deles nas estatísticas oficiais caiu pela metade.

Gráfico de internações por infecções respiratórias por faixa etária
Legenda da foto, No gráfico de internações por infecções respiratórias, a participação relativa dos idosos diminui com o avanço da vacinação e volta a subir mais recentemente
Gráfico de óbitos por infecções respiratórias por faixa etária
Legenda da foto, Também acontece com os óbitos por SRAG: após uma queda no primeiro semestre, os mais velhos voltaram a representar uma fatia considerável dos registros de mortes por essa causa

Porém, a partir de julho e agosto, esses índices voltaram a subir significativamente entre essa população. Em algumas semanas de setembro, 54% das hospitalizações e 74% dos óbitos ocorreram entre os mais velhos.

E há pelo menos quatro fatores que ajudam a explicar esse fenômeno.

1. Mais jovens vacinados

Como explicamos acima, a vacinação contra a covid-19 priorizou, num primeiro momento, os profissionais da saúde e os idosos.A meta era proteger aqueles que tinham mais probabilidade de infecção pelo vírus ou que corriam maior risco de sofrer com as complicações da doença, que exigem internação e intubação.

Com o passar dos meses, os mais jovens foram incluídos aos poucos na campanha, até que, nos meses de agosto e setembro, muitas cidades brasileiras já tinham aplicado ao menos a primeira dose em praticamente 100% de todos os indivíduos com mais de 18 anos.

"O avanço da vacinação com a primeira dose já permitiu que houvesse uma redução de risco dos mais jovens, que também passaram a ficar um pouco mais protegidos de hospitalizações e óbitos pela covid-19", analisa o infectologista Julio Croda, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Com isso, a participação relativa de cada faixa etária nos números de internações e mortes voltou a ficar "equalizada": como a infecção pelo coronavírus é muito mais perigosa para os idosos, eles voltaram a representar novamente uma fatia grande dos acometidos.

2. Sistema imune dos mais velhos

O segundo ponto que ajuda a explicar esse aumento de hospitalizações de idosos por infecções respiratórias é o envelhecimento natural do sistema imunológico.

Conhecido entre especialistas como imunossenescência, esse processo foi descrito há tempos e tem a ver com uma menor efetividade das células de defesa com o passar das décadas.

E isso traz consequências práticas para a saúde: os idosos são mais suscetíveis às infecções, correm maior risco de desenvolver câncer e costumam responder menos aos imunizantes.

"A imunossenescência é algo natural e já prevíamos que poderia ocorrer uma maior perda de proteção das vacinas entre idosos", aponta Croda, que também faz pesquisas pela FioCruz.

3. As variantes

O terceiro ponto tem a ver com o desenvolvimento de novas versões do coronavírus, como a Alfa, a Beta, a Gama e a Delta. Essas quatro, inclusive, são classificadas como variantes de preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Elas começaram a aparecer no final de 2020, quando as primeiras vacinas contra a covid-19 já estavam na etapa final dos testes antes da aprovação pelas agências regulatórias.

Ou seja: os imunizantes foram desenhados para proteger contra as versões "mais antigas" do coronavírus. As novas linhagens, porém, trazem mutações genéticas importantes, que podem interferir na efetividade das doses.

"Nós temos dados que mostram essa queda de proteção das vacinas em relação à variante Delta, por exemplo", diz Croda.

A boa notícia é que, embora tenha ocorrido um certo prejuízo no desempenho, os imunizantes continuam a funcionar relativamente bem e garantem uma proteção, especialmente contra as formas mais graves da covid-19.

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4. O tipo de vacina utilizada

Nos primeiros meses de campanha, justamente o período em que os mais velhos tomaram as doses, a CoronaVac era o principal imunizante à disposição no Brasil.

Desenvolvido e fabricado pela farmacêutica chinesa Sinovac e pelo Instituto Butantan, em São Paulo, esse produto é baseado na tecnologia do vírus inativado, que é utilizada há décadas pela ciência.

Em resumo, amostras do coronavírus passam por uma série de procedimentos em laboratório, que inativam o agente infeccioso e impedem que ele se replique no nosso organismo. Mesmo assim, aquele material pode ser reconhecido pelo sistema imune, que gera um contra-ataque caso o vírus de verdade resolva aparecer pelo pedaço.

Mas há um problema nessa história: idosos costumam responder menos às vacinas de vírus inativado.

"A CoronaVac foi muito importante por ser a primeira a chegar e ajudou a diminuir o número de pessoas hospitalizadas e mortas por covid-19", destaca o imunologista Jorge Kalil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

"Quando utilizada em duas doses em indivíduos idosos ou com a imunidade comprometida, porém, ela não desencadeou uma resposta suficientemente elevada", completa o especialista, que também faz pesquisas no Instituto do Coração (InCor), na capital paulista.

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Evidências anteriores já mostravam que idosos costumam responder menos às vacinas de vírus inativado, como a CoronaVac

Alguns trabalhos já demonstraram essa menor taxa de eficácia da CoronaVac em pessoas de idade mais avançada. Uma das evidências mais recentes nesse sentido vem de uma pesquisa conduzida pelo imunologista Manoel Barral-Netto, da FioCruz Bahia.

O cientista avaliou dados de mais de 75,9 milhões de brasileiros que tomaram a CoronaVac ou a vacina de AstraZeneca/FioCruz entre 18 de janeiro e 24 de julho de 2021.

Primeira conclusão: os dois imunizantes são efetivos e resguardam contra infecção, hospitalização e morte por covid-19, inclusive contra as variantes de preocupação que circulavam pelo país no período analisado.

Na população geral, a vacina AstraZeneca/FioCruz oferece 90% de proteção, enquanto na CoronaVac essa taxa ficou em 75%.

Quando analisamos essas porcentagens por faixa etária, porém, vemos como os idosos respondem menos às vacinas de vírus inativado: entre indivíduos de 80 a 89 anos, o produto de AstraZeneca/FioCruz trouxe uma proteção de 89,9%. Já a taxa da CoronaVac caiu para 67,2%.

E o tombo nos índices é ainda maior em quem tem mais de 90 anos: a AstraZeneca/FioCruz ficou com 65,4% de efetividade, enquanto a CoronaVac baixou para 33,6%.

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Nos primeiros meses de campanha de vacinação contra a covid-19, a CoronaVac foi o produto mais utilizado

"Já tínhamos suspeita da influência da idade na queda da efetividade, porque o mesmo ocorre com outras vacinas. O que fizemos foi delimitar claramente esse ponto de declínio. Essa é também a primeira comparação feita entre vacinas que usam diferentes plataformas", disse Barral-Netto, à Agência FioCruz de Notícias.

"A intenção é fornecer dados para embasar decisões dos gestores", acrescentou.

Cristina Bonorino destaca que esse e outros trabalhos reforçaram a necessidade de dar uma atenção especial aos idosos no atual momento.

"Os dados de vida real nos mostraram claramente que, a partir dos 70 anos, há uma queda grande na proteção e precisávamos fazer algo para melhorar isso", relata a pesquisadora, que também representa a Sociedade Brasileira de Imunologia.

Kalil concorda. "Começamos a ver que indivíduos acima de 80 anos começaram a ser hospitalizados e morrer mais e mais. Nós perdemos cerca de 2 mil indivíduos nessa faixa etária todos os meses e a tendência, infelizmente, é o aumento desse número", estima.

Mas o que pode ser feito para frear essa subida?

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Ainda que a imunidade costuma ser mais frágil e durar menos tempo entre os mais velhos, ainda não está claro quanto tempo dura a proteção contra a covid-19 entre eles

A exemplo do que foi feito em algumas partes do mundo, o Brasil decidiu ofertar uma terceira dose de vacina contra a covid-19 para idosos e indivíduos com imunidade comprometida.

O anúncio, feito no dia 25 de agosto pelo Ministério da Saúde, afirmava que esse público seria convocado para a campanha a partir da segunda quinzena de setembro, o que efetivamente está acontecendo em muitas cidades e Estados.

Esse movimento marca outra mudança importante nos esforços para dar um fim à pandemia: a adoção de uma estratégia mais inteligente no uso dos recursos disponíveis.

Você deve se lembrar que, durante os últimos meses, a frase "vacina boa é vacina no braço" se tornou praticamente um mantra e foram feitas muitas críticas aos cidadãos que queriam escolher um imunizante ou outro — eles foram apelidados até de "sommeliers de vacina".

Isso tinha a ver com a falta de doses e o pouco conhecimento sobre os melhores resultados de cada produto de acordo com algumas características gerais da população.

Mais recentemente, com o avanço da ciência e a maior disponibilidade de doses em território nacional, essa seleção otimizada da vacina mais recomendada para públicos específicos começou a fazer mais sentido.

Para as gestantes, por exemplo, o imunizante da AstraZeneca foi contra-indicado pelo maior risco de alguns eventos adversos. Essas mulheres passaram a receber, então, doses de Pfizer.

Isso acontece agora com os idosos. "O Programa Nacional de Imunizações e seu conselho consultivo, composto por 20 médicos e cientistas com grande experiência na área, chegaram à conclusão que seria melhor dar a vacina da Pfizer para indivíduos com mais de 70 anos", explica Kalil.

E essa decisão está baseada nas evidências, apontam os especialistas. "Nós temos estudos que mostram que uma terceira dose de Pfizer aumenta em 20 a 40 vezes a presença de anticorpos neutralizantes, em comparação aos níveis dessas substâncias após a segunda dose. Já com a CoronaVac, essa elevação chega, no máximo, a 10 vezes", compara Croda.

E aqui vale reforçar mais uma vez: CoronaVac e AstraZeneca/FioCruz são imunizantes efetivos, seguros e funcionam super bem nos mais jovens, como apontam os cientistas. Portanto, eles continuam a ser indicados e todos que tomaram a primeira dose precisam voltar ao posto na data indicada para assegurar um bom nível de proteção.

"As vacinas inativadas são muito boas para pessoas mais jovens e nem tão boas assim para os idosos. Para os mais velhos, elas foram importantes antes, no início da campanha, mas agora estamos num outro momento", conclui Kalil.

Para quem já passou dos 70 anos, portanto, a atual situação da campanha brasileira permite escolher a vacina da Pfizer como terceira dose para garantir uma resposta ainda melhor.

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O Ministério da Saúde orienta que idosos e indivíduos com a imunidade comprometida recebam preferencialmente a terceira dose da vacina da Pfizer

Do ponto de vista individual, a recomendação é ficar atento ao calendário de vacinação de sua cidade e ir ao posto para atualizar a proteção com uma terceira dose, caso você faça parte do público-alvo nas datas anunciadas.

Bonorino vai além e acredita que o ideal seria já programar não apenas uma, mas duas doses extras de vacina aos mais velhos. "Eu defendo que os idosos recebam duas doses da Pfizer. O que precisamos fazer é revacinar essa população", reforça.

E além de ofertar os imunizantes, a imunologista aponta a necessidade de o poder público educar a população sobre as outras formas de prevenção da covid-19, como o distanciamento físico, o uso de máscaras e a escolha de ambientes arejados e com boa circulação de ar.

"As pessoas acham que após a imunização estão liberadas para fazer qualquer coisa. Não é bem assim", diz. "Precisamos vacinar, vacinar e vacinar. Junto com isso, é necessário seguir com todos os outros cuidados para que a pandemia não se prolongue por mais um ano", finaliza.

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Por que vacinas NÃO são SOLUÇÃO para acabar com PANDEMIAS

  • Mario Fontán Vela e Pedro Gullón Tosio
  • The Conversation*
Vacinas para o covid-19
Legenda da foto, "Não podemos nos concentrar em uma vacina para cada novo microorganismo."

Em dezembro de 2020, foram aprovadas as primeiras vacinas contra a SARS-CoV-2.

Ao longo das campanhas de vacinação, as análises mostraram a alta eficácia desses imunizantes.

Isso não mudou, mesmo diante das novas variantes. As vacinas continuam sendo essenciais quando se trata de reduzir a probabilidade de formas graves da covid-19: hospitalização, internações em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e mortalidade.

Como resultado desses excelentes resultados, foi divulgada a mensagem de as vacinas como uma ferramenta fundamental de saúde pública, e a ciência por trás de sua realização como única saída para a situação atual.

Esse quadro de análise da pandemia — e do conceito de saúde pública que daí surge — carece de profundidade e procura pela raiz dos problemas que esta crise tem evidenciado.

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Fim do Talvez também te interesse

"A medicina é uma ciência social e a política nada mais é do que uma medicina em grande escala", disse o patologista Rudolf Virchow (1821-1902) no século 19.

Da mesma forma, nossa análise deve ir mais longe para tentar compreender um fenômeno que não pode ser reduzido exclusivamente à sua dimensão de saúde.

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Surtos e doenças com perspectiva histórica

Se olharmos para a história das doenças infecciosas, parece difícil imaginar um cenário onde possamos viver sem nos preocupar com os microrganismos presentes em nosso meio.

Apesar de o ônus das doenças infecciosas ter diminuído nos últimos 30 anos, o número de surtos epidêmicos aumentou.

Isso significa que, embora em termos globais, doenças crônicas como o câncer e as doenças cardiovasculares ainda sejam responsáveis pelo maior número de mortes, estamos em uma situação de vulnerabilidade a novas infecções com potencial pandêmico.

Essa alteração ocorre principalmente em surtos de origem zoonótica, nos quais um microrganismo salta de animais para humanos .

Portanto, focar nosso olhar no SARS-CoV-2 torna difícil tentarmos entender as causas do aumento desses fenômenos e seu impacto em nossas sociedades.

Isso colocou as interações com os animais e a destruição dos ecossistemas no centro da pesquisa de novas doenças infecciosas.

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Problemas estruturais de saúde afetam impacto individual "rio abaixo"

O conceito de One Health (uma integração da saúde das pessoas, animais e meio ambiente) já é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais abordagens para enfrentar os problemas de saúde emergentes.

As causas das causas das pandemias

Uma das principais funções da epidemiologia é descobrir quais são os elementos que nos fazem ter uma saúde cada vez melhor.

Esses determinantes são encontrados em diferentes níveis: alguns respondem às nossas características individuais, mas outros estão associados a elementos estruturais como o sistema de saúde, o local de residência ou mesmo o sistema econômico e político.

É o que pesquisadores e organizações internacionais têm chamado de "determinantes sociais da saúde".

Às vezes são representados como um rio: os determinantes individuais são encontrados na parte inferior, enquanto as "causas das causas" estão na parte superior.

Estes, por sua vez, influenciam as causas que estão "rio abaixo".

Se aplicarmos essa abordagem à pandemia covid-19, podemos localizar três eixos principais de análise:

1. Aumento da frequência de zoonoses

O surgimento de zoonoses depende de um delicado equilíbrio entre pessoas, patógenos e biodiversidade.

No momento em que um desses elementos (como os humanos) altera o equilíbrio de um ecossistema, as consequências podem ir além do impacto inicial.

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Há cada vez mais surtos que podem se transformar em pandemias

Isso pode favorecer o contato com patógenos desconhecidos ou a alteração da biodiversidade que mantinha certos microrganismos em baixo risco para zoonoses.

Algumas das atividades humanas que têm sido relacionadas à maior frequência desses fenômenos têm sua origem em um modelo de produção e extração de recursos que acarreta mudanças no uso do solo, desmatamento ou modificações de microclimas que acabam alterando o equilíbrio dos ecossistemas.

2. Rápida disseminação de doenças transmissíveis

Com a generalização do acesso a meios de transporte como o aéreo, o surgimento em uma parte do mundo de uma zoonose que se transmite entre humanos pode se espalhar internacionalmente a uma velocidade maior do que a capacidade de resposta dos sistemas públicos de saúde.

Além disso, devemos também considerar o impacto ambiental de certos modelos de mobilidade que podem alterar o equilíbrio que mencionamos no primeiro ponto.

3. Impacto desigual da epidemia

Embora a princípio os principais líderes tenham tentado estabelecer um marco de solidariedade argumentando que a pandemia afetou a todos nós igualmente, essa afirmação logo foi desacreditada pelas evidências que estavam sendo coletadas em diferentes partes do mundo.

Pessoas com renda mais baixa que tiveram que continuar trabalhando pessoalmente foram mais expostas durante a pandemia.

Terminada a primeira onda pandêmica, os sistemas de vigilância permitiram observar que o risco de contágio aumentava à medida que diminuía o poder socioeconômico, devido à maior participação em empregos presenciais e à precariedade do trabalho, ou mesmo às condições de moradia que dificultavam o isolamento.

Além disso, a probabilidade de morrer de covid-19 também não seguia uma distribuição homogênea entre os grupos sociais.

Os grupos mais marginalizados têm maior prevalência de patologias — como diabetes ou obesidade — que estão associadas a um quadro grave da doença.

Esse fenômeno de uma pandemia que atua sobre as desigualdades de saúde pré-existentes é conhecido como "sindemia".

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Saúde pública com foco nos determinantes sociais não pode se limitar a uma campanha de vacinação

As causas das causas

Como dissemos no início, diante dos bons resultados das vacinas comercializadas, estabeleceu-se um discurso que coloca a vacina como a única ferramenta para mitigar a pandemia.

No entanto, se olharmos para a análise de algumas das possíveis causas das causas da situação atual, a vacina não é dirigida contra nenhuma delas.

As pandemias não são apenas fenômenos virológicos, mas fenômenos sociais cuja forma é determinada pela atividade humana e pela organização de nossa sociedade.

Portanto, se queremos minimizar seu impacto no futuro, não podemos nos concentrar em uma vacina para cada novo microrganismo, mas sim em implementar os meios necessários para reduzir a probabilidade de seu aparecimento, sua rápida disseminação e seu impacto diferencial na população.

Não é uma dicotomia absoluta, mas a atenção às causas das causas requer estratégias e recursos de longo prazo que não produzirão resultados imediatos.

Uma saúde pública com foco nos determinantes sociais não pode se limitar a uma campanha de vacinação, mas deve compreender os fenômenos que estão por trás do surgimento de novas doenças e sua distribuição desigual na sociedade.

Só assim podemos começar a falar da verdadeira saúde pública como ferramenta para resolver os problemas de saúde coletiva.

*Mario Fontán Vela é doutorando em Epidemiologia e Saúde Pública pela Universidade de Alcalá (UAH), em Madri, na Espanha, e Pedro Gullón Tosio, professor-assistente de saúde pública da mesma universidade.

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Buraco na camada de ozônio ultrapassa tamanho da Antártica

Localizado no Hemisferio Sul, dano já é maior que 75% que os demais nesta época do ano desde 1979
Buraco localizado sobre o Polo Sul está maior que o tamanho do continente Antártica. Foto: ESA/COPERNICUS SENTINEL
Buraco localizado sobre o Polo Sul está maior que o tamanho do continente Antártica. Foto: ESA/COPERNICUS SENTINEL

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RIO — O Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS) anunciou, nesta quinta-feira, que o buraco na camada de ozônio no Hemisfério Sul ultrapassou o tamanho da Antártica, continente com cerca de 14 milhões de quilômetros quadrados.

— Depois de um início bastante normal, o buraco de ozônio em 2021 cresceu consideravelmente nas últimas duas semanas, e agora é maior do que 75% dos buracos de ozônio nesta época desde 1979 — anunciaram os cientistas responsáveis por acompanhar o desenvolvimento do buraco da camada de ozônio sobre o Polo Sul.

Eles destacaram ainda que, no ano passado, o buraco já havia crescido de forma fora do normal, e se tornado um dos maiores já registrados pela organização. Os pesquisadores acrescentam que o dano na camada observado neste ano pode continuar a crescer nas próximas semanas:

— (O buraco) parece muito semelhante ao do ano passado, que também não era realmente excepcional até o início de setembro, mas depois se tornou um dos maiores e mais duradouros buracos na camada de ozônio em nosso registro de dados nesta época do ano. Agora, nossas previsões mostram que o buraco deste ano evoluiu para um um pouco maior do que o normal. O vórtice é bastante estável e as temperaturas estratosféricas estão ainda mais baixas do que no ano passado, por isso pode continuar a crescer ligeiramente nas próximas duas ou três semanas.

Tamanho e durabilidade do buraco sobre o Polo Sul já havia sido fora do normal em 2020, o que se repetiu em 2021. Foto: Copernicus Atmosphere Monitoring Service / ECMWF
Tamanho e durabilidade do buraco sobre o Polo Sul já havia sido fora do normal em 2020, o que se repetiu em 2021. Foto: Copernicus Atmosphere Monitoring Service / ECMWF

O anúncio foi feito na data em que é celebrado o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. Desde que o buraco sobre a Antártica foi descoberto, em 1985, ele tem sido monitorado pelo CAMS, que também acompanha a radiação ultravioleta que atravessa a camada de ozônio para atingir a superfície da Terra.

De acordo com o serviço, a cada ano, à medida que o Hemisfério Sul entra na primavera, produtos químicos produzidos pelo homem liberados na atmosfera quebram o ozônio sobre a Antártica e deixam a camada muito mais fina.

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Bolsonaro "anda tossindo mais do que o de costume" após viagem aos EUA


247 - Auxiliares presidenciais estão preocupados com a saúde de Jair Bolsonaro, segundo a Veja. Desde que o chefe do governo federal voltou de Nova York, Estados Unidos, onde participou da Assembleia-Geral da ONU, ele "anda tossindo mais do que o de costume".

Casos de Covid-19 na comitiva presidencial que foi aos EUA têm aparecido e, por esta razão, Bolsonaro deve fazer um novo teste PCR neste fim de semana.

Um ministro conta que as tosses de Bolsonaro começaram quando ele já havia retornado ao Brasil.

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Covid: Mudança na Saúde gera pico artificial com 92 mil casos ocultos no RJ

Testes para identificar casos de covid-19 - Divulgação / Prefeitura de Itaguaí
Testes para identificar casos de covid-19 Imagem: Divulgação / Prefeitura de Itaguaí

Lola Ferreira Do UOL, no Rio 21/09/2021 04h00

O estado do Rio de Janeiro foi responsável por 84% dos casos de covid-19 de todo o país no sábado (18). No entanto, apesar de computados agora nas estatísticas, 92.614 dos 105.700 registros do RJ são antigos, sendo 38% do ano passado.

A SES (Secretaria de Estado de Saúde) atribui o pico artificial a casos represados que foram "encontrados" após atualização do sistema de notificação do Ministério da Saúde. Mas tanto o RJ quanto a Saúde não explicaram por que até então esses registros eram desconhecidos.

Morte de jovem em SP não tem relação com vacina contra covid-19, diz Anvisa

A soma dos casos ocultos distorceu a média diária nacional de casos —o índice que marcou 18.273 na sexta (17) subiu para 34.127 no dia seguinte —e gerou questionamentos sobre o atual momento epidemiológico no estado.

Todos os 92,6 mil registros escondidos se referem a casos leves da doença, já que os números de casos graves e óbitos são inseridos em outros sistemas.

O que dizem o RJ e a Saúde

A secretaria afirma que o e-SUS, sistema do Ministério da Saúde que registra os casos de covid-19, foi atualizado, o que exigiu um "ajuste de base" por parte do Rio para extrair os dados.

UOL questionou a SES sobre quais ajustes foram feitos e se houve mudança nos critérios de classificação da doença ou na forma de leitura dos dados.

Em resposta por telefone, a assessoria de imprensa da pasta disse apenas que os ajustes estão em curso, sem dar detalhes.

Já o Ministério da Saúde informou que as mudanças no e-SUS foram feitas para "para melhor atender às ações de vigilância".

A pasta disse que houve a inclusão de novos campos relacionados ao tipo de teste para detectar a covid-19. No entanto, não associou diretamente essa mudança ao pico artificial de casos.

O estado de São Paulo, que também enfrenta problemas com a atualização do sistema, informou que os casos encontrados somente agora não haviam sido identificados no sistema antigo.

No dia 17, o estado registrou 23.586 casos —destes, apenas 153 nas 24 horas anteriores. Antes desse pico de casos, a SES de SP informou ter identificado no sistema da Saúde a ampliação dos tipos de testes para classificar a doença.

Tanto o Rio quanto São Paulo relatam que estão "empenhados" para se adaptar ao novo sistema.

Ao UOL, o Ministério da Saúde informou que houve treinamento para os estados e um período de adaptação. "Até o momento, o ministério não foi procurado por nenhum estado relatando problemas", afirmou a pasta, por meio de nota.

Análise de cenário

Alberto Chebabo, vice-presidente na Sociedade Brasileira de Infectologia, afirma que o represamento de casos leves não têm o mesmo peso que os registros graves e óbitos na análise do cenário epidemiológico.

"Número de casos leves também [baseiam políticas de saúde], mas são muito menos importantes que casos graves, pois estes são os que impactam na questão dos leitos e na mortalidade", disse o médico.

A SES do RJ explicou que a análise de risco dos municípios, bem como as decisões de combate à pandemia de covid-19, são feitas a partir da data em que os infectados manifestam os primeiros sintomas, e não quando os casos entram no sistema.

Por isso, mesmo com o pico de registros, o estado mantém apenas uma das oito regiões administrativas com risco alto para a covid. A avaliação de risco considera a taxa de ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria, previsão de esgotamento dos leitos, número de óbitos, casos e casos graves.

Casos do RJ estão concentrados em 25 municípios

UOL analisou, a partir do total de registros da última semana, onde estão concentrados os casos notificados tardiamente no Rio. Dos 92 municípios, 25 se destacam pelo alto número de casos semanais, que diverge do padrão da pandemia até então.

O município com maior acúmulo é Barra Mansa, que divulgou 13.037 casos em toda a semana, incluindo o sábado. A última semana com maior registro havia sido em janeiro, com 1.091 casos. Entre os dias 5 e 11 deste mês, Barra Mansa registrou 283 casos de covid.

Ontem, o município tinha 24% dos leitos de UTI para covid ocupados. O risco do município para a covid-19 está baixo pela SES, com 6 pontos numa escala que vai até 30.

Apenas dois municípios que estão entre os 25 com mais registros têm risco considerado alto —Itaperuna e Santo Antônio de Pádua, com 20 e 22 pontos na escala até 30.

Em Itaperuna, a média de casos notificados por semana é de 95 durante toda a pandemia, mas na semana em que os dados "apareceram" houve 7.308 registros. Antes, a pior semana havia sido em julho de 2020, com 472. Atualmente, oito dos dez leitos de UTI para covid no município estão ocupados.

Em Santo Antônio de Pádua, a média de casos registrados semanalmente é de 70, mas o pico alcançou 1.493 na última semana. O município não tem leitos de UTI para covid.

Outros 11 municípios estão com risco alto, 16 com risco moderado e a maioria (83) com risco baixo.

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Atitudes como usar máscaras e vacinar-se são muito mais do que gestos individuais | A hora da Ciência - O Globo

Por Margareth Dalcolmo

Vacinação e uso de máscaras resgatam o senso de coletividade, diz colunista

Nada mais atual após essa semana de relevantes notícias sobre o processo de vacinação do que manter a aplicação de doses de reforço em grupos vulneráveis (idosos e imunodeficientes) no Brasil, de par com as publicações médicas, corroborando o efeito inquestionavelmente benéfico de vacinar. A prestigiosa revista New England Journal of Medicine publica o estudo desenvolvido em Israel demonstrando o efeito altamente protetor da dose de reforço com a vacina da Pfizer em maiores de 60 anos, vacinados cinco meses antes, contra doença grave. Corrobora a decisão sanitária de adotar essa medida colocando-a num patamar diferenciado e independente da discussão sobre acesso equânime às vacinas, como querem confundir alguns.

Sem dúvida nos é muito incômodo, e o foi desde que ao final de 2020 nos demos conta de que dez países concentravam a aquisição de 75% da produção mundial de vacinas, e de que o mecanismo Covax, salvaguarda esperada para os países mais pobres, não conseguiria assegurar, no ritmo necessário, acesso a essas populações. Vacinas foram concebidas, desenhadas, resgatadas de experiências anteriores, testadas em estudos de grande qualidade e registradas regulatoriamente, num exemplo maior do que o homem pode criar, com empatia e eficiência. A realidade, entretanto, é que menos de 1% da população do hemisfério sul está completamente imunizada e apenas 10% dos países de economias médias. Visto que a doação ou atos de caridade tampouco resolvem, está, portanto, na ordem do dia a questão da cessão de patentes e a manufatura de vacinas destinadas a esses países.

A turbulência desnecessária e disseminação de insegurança após a inoportuna portaria do Ministério da Saúde nos últimos dias geraram imediatas decisões sanitárias contrárias de prefeitos e secretários, bem como de várias sociedades médicas, Anvisa e da Associação Médica Brasileira, desconstruindo a confusão e resgatando uma salutar confiança de pais e responsáveis frente ao álibi biológico gerado por razões políticas.

O mito de Sísifo, sabemos, é um ensaio filosófico escrito por Albert Camus, em 1941, no qual o autor introduz a filosofia do absurdo, qual seja, o homem em busca de sentido diante da vida. Sísifo, o personagem da mitologia grega condenado a empurrar uma pedra até o topo de uma montanha, quando quase alcança o feito, vê a pedra que rola montanha abaixo, impelida por uma força irresistível, instando-o a repetir o esforço desprendido, eternamente. Para Camus, o homem vive em busca de seu sentido no mundo ainda que o encontre muitas vezes desconexo, e guiado pelo equívoco das religiões e ideologias políticas. Como transpor para a realidade atual um nexo que não seja o render-se (no caso de Camus, o suicídio), e, sim, o rebelar-se, como em saudável desobediência civil a favor da vida. Em outras palavras, sobre uma base teórica precisa e revelada reiteradamente pela comunidade científica, resgata-se a riqueza da confiança como um fio condutor da boa relação entre prescritores e usuários.

No fértil terreno literário, encontramos outros paradigmáticos exemplos. O mito da caverna de Platão, na Alegoria da Caverna, traz a crítica sobre a ignorância e importância da busca pelo conhecimento, quando uma realidade se torna incômoda.É o caminho para se sair da inércia e do comodismo da verdade fácil, nutrida pela repetição, quando o ambiente de insegurança e dúvidas é propício. Nessa metáfora, as correntes do preso na caverna representam o senso comum e a opinião pública (os pré-conceitos), que podem aprisionar as pessoas nesse nebuloso mundo de sombras.

Autores têm dito, como Giorgio Agamben, filósofo italiano, que as crises, ou o que ele chama de a “vida nua”, exatamente pelo medo de perder, desde afetos, trabalho, convicções religiosas e políticas, afastam as pessoas, cegam e separam. Respeitosa e modestamente ousaria discordar. Nesse momento pandêmico, atitudes como manter distanciamento físico, usar máscaras e vacinar-se são muito mais do que gestos individuais, são o resgate do sentido mesmo da vida em coletividade.

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Vírus do Ebola pode se esconder em humanos por anos antes de infectar novamente - Gizmodo Brasil

por
Foto: John Moore (Getty Images)

Uma nova pesquisa genética parece confirmar um medo que os cientistas tinham sobre o surto mortal de Ebola (EVD)  na Guiné em fevereiro deste ano: a origem do dos casos provavelmente foi ocasionada por restos adormecidos do vírus em um sobrevivente que havia contraído a doença pelo menos cinco anos antes. A descoberta, publicada na Nature, pode complicar os esforços para conter a patologia emergente.

No final de janeiro de 2021, uma enfermeira de 51 anos de um país da África Ocidental contraiu o Ebola. Como muitas vítimas, ela inicialmente apresentou sintomas vagos como dor de cabeça, náusea e fraqueza geral. Embora ela tenha sido hospitalizada, os médicos infelizmente a diagnosticaram com malária e salmonela, e ela foi enviada para casa depois de dois dias. Porém, adoeceu novamente e morreu três dias depois.

Após sua morte, o marido e outros membros da família que compareceram ao funeral também ficaram doentes e quatro pessoas morreram. Esses casos alertaram as autoridades nacionais de saúde. No início do ano, amostras de sangue confirmaram o surto de ebola, e profissionais de saúde correram para controlá-lo. Entre fevereiro e junho de 2021, quando o contágio foi formalmente declarado encerrado, foram registrados 16 casos confirmados, além de 12 mortes.

Normalmente, os surtos de ebola começam com a transmissão zoonótica de um animal infectado para uma pessoa, com certos morcegos considerados o hospedeiro primário do micróbio. Mas as primeiras análises das amostras de sangue coletadas das vítimas durante esse surto sugeriram que algo mais estava acontecendo. O germe encontrado nas coletas de sangue parecia muito semelhante a uma variante coletada de sobreviventes do surto de Ebola na África Ocidental de 2013-2016, a maior e mais mortal epidemia do vírus até o momento, com mais de 11 mil mortes. Os cientistas logo suspeitaram que o vírus havia, de alguma forma, ressurgido de um hospedeiro humano anos depois e estava ativo novamente.

O estudo sugere que o palpite está certo. Pesquisadores na Guiné, França e Alemanha conduziram o sequenciamento genético desta geração do vírus coletado de 12 vítimas do surto, usando-o para construir genomas completos ou quase completos do vírus. A partir daí, eles usaram essas informações para construir uma árvore genealógica das cepas e as compararam com o microorganismo que estava circulando  há cinco anos.

O vírus encontrado na Guiné este ano estava, de fato, relacionado com o vírus visto durante o surto anterior da África Ocidental, disseram os autores, indicando “que as novas infecções não foram o resultado de um novo evento de escape de um reservatório animal.” Além disso, eles não encontraram sinais de muita divergência genética entre aquela época e agora, sugerindo que não estava sendo transmitido fortemente entre humanos durante todo esse tempo. Em vez disso, o vírus de origem pode estar causando uma infecção persistente, mas lenta, com reprodução desacelerada em um sobrevivente, ou pode ter ficado completamente latente e, em seguida, reativado por algum motivo desconhecido, tornando o infectado um ponto de contágio novamente.

Cientistas sabem, desde o surto na África Ocidental, que o vírus pode sobreviver despercebido nas vítimas por algum tempo após terem se recuperado totalmente, especialmente em partes do corpo onde o sistema imunológico está menos ativo, como os olhos ou esperma. Mas o tempo mais longo conhecido entre alguém contrair o vírus e passá-lo para outra pessoa ou ficar doente novamente, antes disso, foi em torno de um ano e meio. Uma janela muito maior de transmissão do vírus significa que as comunidades podem ser mais vulneráveis ​​a surtos futuros do que se pensa atualmente. Também pode tornar a vida de sobreviventes, que já tendem a sofrer discriminação e preconceito de outras pessoas, ainda mais difícil, alertam os autores.

“A origem humana do surto de EVD de 2021 e a mudança associada em nossa percepção da emergência de Ebola exigem atenção cuidadosa aos sobreviventes da doença”, escreveram eles. “A preocupação de que os sobreviventes sejam estigmatizados como uma fonte de perigo deve ser uma questão de atenção escrupulosa.”

Nesse caso, é possível que o paciente tenha transmitido o vírus durante a relação sexual. Mas, dado que a primeira nova vítima foi uma enfermeira, o paciente também pode ter experimentado um ressurgimento dos sintomas que levaram a uma consulta de saúde e transmissão naquele ponto. A própria enfermeira pode ter tido um retorno de infecção latente, embora isso seja menos provável, uma vez que ela não tinha nenhum caso documentado anteriormente.

De maneira geral, os autores dizem que essas descobertas devem alimentar pesquisas para encontrar uma maneira de manter os sobreviventes livres do vírus e proteger as comunidades depois que um surto diminui.

“Além da importância de medidas de saúde adequadas focadas nos sobreviventes, o ressurgimento tardio do vírus também destaca a necessidade urgente de novas pesquisas em agentes antivirais potentes que podem erradicar o reservatório de vírus ativo em pacientes com EVD, e em vacinas eficazes que fornecem proteção de longo prazo ”, escreveram.

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Matheus Sciamana/Photopress/Estadão Conteúdo
Uuuuuu

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