____________________* 'RIO SHORE' promete SEXO 'SEM LIMITE'; conheça o novo REALITY de PEGAÇÃO


___________________________________________Considerado de extrema esquerda, PCO tem agenda próxima do bolsonarismo
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Foi montada uma operação de ESTELIONATO por grupos que NÃO são a favor do “Fora, Bolsonaro”, como o PSDB. O PDT votou pela REFORMA da PREVIDÊNCIA, PRIVATIZAÇÕES. 
___________________________________________O apagão moral do Facebook 
___________________________________________ 'RIO SHORE' promete SEXO 'SEM_LIMITE'; conheça o novo reality de PEGAÇÃO 
__________________________________________Como nosso cérebro pode nos deixar mais pobres (e o que fazer para evitar)
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Participantes do "Rio Shore", o novo reality show de pegação da MTV e do Paramount+ - Divulgação
Participantes do 'Rio Shore', o novo reality show de pegação da MTV e do Paramount+ Imagem: Divulgação

Felipe Pinheiro Do UOL, em São Paulo 20/09/2021 12h05

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São Paulo é eleita a melhor cidade do mundo para paqueras, diz revista britânica

Segundo levantamento, 55% dos habitantes locais disseram que a metrópole era 'boa para ficar com as pessoas'
Aos poucos, a cidade de São Paulo vai voltando a ter lojas, bares e restaurantes abertos como era antes da chegada da Covid-19. Bar Quitandinha, Vila Madalena. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Aos poucos, a cidade de São Paulo vai voltando a ter lojas, bares e restaurantes abertos como era antes da chegada da Covid-19. Bar Quitandinha, Vila Madalena. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

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A cidade de São Paulo pode ser um bom destino para solteiros em busca de novas conexões: segundo uma pesquisa realizada pela revista britânica Time Out, a metrópole foi eleita a melhor cidade do mundo para paqueras.

A revista, que também realiza levantamentos sobre temas como "as melhores cidades do mundo" e "bairros mais descolados", decidiu levar em conta quais os melhores locais para "conexões".

Participaram do levantamento 27 mil pessoas de diversas cidades pelo mundo e 55% dos habitantes locais disseram que São Paulo era "boa para ficar com as pessoas".

Segundo a revista, isso significa que a cidade brasileira é o melhor lugar para o "match" em aplicativos de paquera acontecer "muito bem". O percentual foi o mais alto registrado, acima de Xangai, na China (49%) e Istambul, na Turquia (46%).

A revista ainda faz uma recomendação para "melhorar as chances" em São Paulo: "Ignore o lado financeiro da cidade e concentre-se na diversão: coma em uma das centenas de pizzarias ou vá até a praça Roosevelt para um coquetel suave".

São Paulo também está no ranking de melhores cidades do mundo em 2021, divulgado em setembro pela revista. É a única brasileira, no 31º lugar da lista. São Francisco, nos Estados Unidos, ficou na primeira posição.

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Ausência de Renan Calheiros e Eduardo Braga em jantar de Eunício foi recado a Lula | Malu Gaspar - O Globo

Lula e Eunício Oliveira


A ausência de caciques do Senado no jantar de Luiz Inácio Lula da Silva com políticos do MDB em Brasília, na semana passada, não reflete apenas as dificuldades que o PT pode vir a enfrentar para recompor a aliança com os velhos parceiros. 

Mostra também que Lula vai ter que ter muito jogo de cintura para se equilibrar entre as disputas internas dos emedebistas.

Ao faltar ao evento, promovido pelo ex-senador Eunício Oliveira (MDB-CE), os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM) alegaram que não era conveniente se reunir com Lula, para não serem acusados de parcialidade ao aprovar um relatório da CPI da Covid que vai propor o indiciamento de Jair Bolsonaro. 

José Sarney (MDB-AP) também não foi, porque a mulher, dona Marly, estava adoentada.  

Naquela mesma noite, Calheiros e Braga se encontraram com Fernando Bezerra, líder do governo no Senado, e outros aliados do MDB, no apartamento de um amigo a poucos quilômetros do jantar de Eunício. 

Nesse "jantar do B", a conversa era outra: 

que Lula havia escolhido o interlocutor errado para começar sua reaproximação com o MDB. 

E que, se o petista quiser mesmo forjar uma aliança com o partido, terá que recorrer a eles. 

"Eunício está querendo se fazer de importante. Mas o tempo dele passou", me disse um dos presentes ao convescote alternativo. 

A relação do ex-senador cearense com a dupla, antes muito próxima, está estremecida desde a derrota de Calheiros para Davi Alcolumbre (DEM-AP) na disputa pela presidência do Senado, em fevereiro de 2019. 

Calheiros e Braga até hoje debitam a derrota na conta de Eunício, que era então o presidente do Senado. 

Acham que ele conduziu de forma frouxa o processo de sucessão, que acabou com a aprovação do voto aberto para a presidência e acabou elegendo Alcolumbre. 

O voto aberto foi aprovado depois que a primeira votação, secreta, trouxe um voto a mais do que o número de senadores presentes. 

Depois disso, Flávio Bolsonaro divulgou seu voto em Alcolumbre, e Renan saiu da disputa dizendo que o Palácio do Planalto estava exercendo pressão indevida sobre o processo. 

Eunício, que não se reelegeu, agora quer voltar ao Congresso, e sua estratégia tem sido colar sua imagem à de Lula. 

Depois do jantar, aliados de Eunício passaram a dizer que Lula acenou com a possibilidade de lhe dar um ministério caso seja eleito presidente (ele está em primeiro lugar nas pesquisas). 

Também disseram que Lula sonha com Renan Calheiros na presidência do Senado. 

Ainda há bastante tempo até a eleição para que os dois retomem a parceria. Resta saber apenas que espaço teria Eunício nesse triângulo.

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FAB envia ‘termo de recusa de vacinação’ para militares que não querem se imunizar contra Covid | Bela Megale - O Globo

Por Bela Megale

Militares da FAB

A Força Aérea Brasileira (FAB) vai liberar o retorno de não vacinados ao trabalho presencial, mas com a condição de que os militares que não querem se imunizar assinem um termo de recusa de vacinação. O documento, que vem chegando às mãos do efetivo da Força nas últimas semanas, informa que “os militares que optarem por não tomar a vacina contra a Covid-19 deverão apresentar o termo de responsabilidade”.

No termo de recusa à vacinação, o militar preenche seu nome e dados pessoais com a seguinte mensagem: “declaro para os devidos fins que me recuso a ser vacinado contra a Covid-19, mesmo sendo encaminhado para a vacinação pela minha Organização Militar e orientado quanto à importância da vacinação para a imunização e proteção da minha saúde, estando ciente ainda que a falta de imunização, neste caso, não importará em não exercício das minhas atividades profissionais habitais”.

Em sintonia com o governo Bolsonaro, as Forças Armadas não tornaram a vacinação dos militares obrigatória, o que despertou preocupação em grande parte dos militares. A postura do governo brasileiro é diferente da dos Estados Unidos, por exemplo, que tornaram a vacinação anti-Covid obrigatória para militares americanos da ativa.

Procurada, a FAB informou que “o preenchimento de termo de compromisso por militares que optaram por não tomar as vacinas disponibilizadas até o momento contra COVID-19 tem o objetivo de controle e acompanhamento do efetivo da Força Aérea Brasileira por meio de sua Diretoria de Saúde”. Disse também que não existe qualquer tipo de sanção prevista para militares não vacinados.

“Por conta da transmissão comunitária do novo coronavírus em todo o território nacional, não é possível afirmar a origem de contágio para casos da doença. Desde que foram reportados os primeiros casos do novo coronavírus no Brasil, a FAB tem empenhado esforços para garantir a saúde e proteção de seus integrantes, readequando atividades e implementando procedimentos de prevenção alinhados aos protocolos previstos”. 

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CPI da Covid já tem atalho para denunciar Bolsonaro no STF sem depender de Augusto Aras | Malu Gaspar - O Globo

Por Mariana Carneiro

Integrantes da CPI da Covid

A cúpula da CPI da Covid já tem uma estratégia para fazer com que suas denúncias contra Jair Bolsonaro cheguem ao Supremo Tribunal Federal caso o procurador-geral da República, Augusto Aras, se recuse a fazê-lo. 

Desde que assumiu o cargo, Aras vem resistindo a dar seguimento a ações contra o presidente, como a que tentou vedar a campanha “O Brasil não pode parar”, que ia contra o isolamento social, no início da pandemia, ou a que propõe a responsabilização criminal de Bolsonaro por não usar máscara.

Por lei, Aras tem 30 dias para dar um encaminhamento ao relatório final da CPI, que será entregue a ele no dia 21. Se o PGR arquivar o relatório ou não enviar as denúncias ao STF, entidades de direito privado entrarão com ações diretamente no STF. Membros da CPI já vêm discutindo essa alternativa com membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que podem assumir a causa em nome de associações de vítimas da Covid, por exemplo. 

“Em caso de eventual desídia do Ministério Público, a parte legítima da ação, ou seja, o público ou  parentes de vítimas, tem a possibilidade de ofertar uma ação direta privada ao STF”, afirma o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues. O instrumento legal para isso é a ação penal subsidiária da ação penal pública.

O relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), já está decidido a incluir Bolsonaro entre os responsáveis pela trágica marca de mais de 600 mil mortes pela Covid.  Além do presidente, cerca de 30 pessoas devem ter o indiciamento proposto no relatório final, entre eles o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Calheiros ainda avalia incluir Carlos e Eduardo nessa lista.  

Renan vai entregar o relatório final no próximo dia 19.  O documento será votado na CPI no dia 20, quando os senadores esperam também apresentar o monumento em homenagem às vítimas.  O memorial será instalado no espelho d’água em frente ao prédio do Congresso Nacional.

A apreensão com a inação de Aras e a possibilidade de as denúncias caírem no vazio fez os senadores planejarem a formação de uma espécie de "observatório da CPI" – um grupo de parlamentares que vai continuar atuando após o encerramento da comissão.

Uma das principais tarefas do grupo é desmembrar as acusações para apresentá-las em diferentes instâncias do Legislativo, do MP e da Justiça.

Segundo a programação já definida, o primeiro a receber o relatório será Aras, no dia 21 de outubro. A seguir, os senadores vão levar à Procuradoria da República do Distrito Federal os pedidos de indiciamento de pessoas que não têm foro privilegiado, como Pazuello e seu secretário-executivo na Saúde, Élcio Franco. Depois disso, eles irão à força tarefa do Ministério Público Federal de São Paulo, que já conduz os processos contra a Prevent Sênior.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, também será visitado, uma vez que cabe a ele pautar a abertura de processos de impeachment por crime de responsabilidade. 

Outra instância a que a CPI pretende recorrer para amplificar o alcance de suas descobertas é o Tribunal Internacional Penal, em Haia, onde Bolsonaro já responde a três acusações. Para isso, contará com a ajuda do grupo de juristas que assessora a CPI, entre os quais o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Junior.  "O relatório não é o fim, é um novo começo. As mais de 600.000 famílias brasileiras que perderam um amor de suas vidas exigem essa resposta de nós", diz Randolfe. 

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A uma semana do terceiro depoimento, Queiroga responde a questionário da CPI da Covid | Lauro Jardim - O Globo

Por Amanda Almeida

Marcelo Queiroga

Convocado pela terceira vez a prestar depoimento à CPI da Covid, Marcelo Queiroga enviou nesta segunda-feira, por escrito, mais de 160 páginas de informações ao colegiado.

O documento é uma resposta a um requerimento feito pelo senador Alessandro Vieira, que deveria ter sido depositado em 48 horas após a provocação.

O prazo venceu na quinta-feira, mesmo dia em que a Conitec tirou de pauta a apreciação sobre o uso de Kit Covid para tratar a doença. Logo depois, os senadores resolveram convocar Queiroga mais uma vez.

No documento entregue hoje, Queiroga responde a questões sobre os estoque vacinal até o fim deste ano, o esquema de imunização para o ano que vem e o por que de o Ministério da Saúde ter abandonado a Coronavac.

O próximo depoimento de Queiroga ocorre na próxima segunda. Alguns senadores do próprio G7 entendem como desnecessário porque seria dar palco, uma vez mais, ao bolsonarismo.

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‘Excesso de urbanização contribuiu para que ficássemos mais gordos, mais ansiosos e mais doentes’, diz Paulo Saldiva

Em entrevista, médico e pesquisador da USP fala dos benefícios da relação com a natureza para a saúde

Paulo Saldiva
Paulo Saldiva (Foto: Reprodução)
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Por Cristiane Santos, da Agência Einstein - “O excesso de urbanização contribuiu para que ficássemos mais gordos, mais ansiosos e mais doentes”, afirma Paulo Saldiva, médico patologista, pesquisador e professor do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Com mais de 500 pesquisas científicas publicadas, a maioria delas sobre o impacto das interferências humanas no meio ambiente e na saúde, o cientista é um dos palestrantes do I Simpósio Internacional de Natureza & Saúde, promovido pelo Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e que ocorre nos dias 8 e 9 de outubro no formato online. No evento, que está com as inscrições abertas, ele detalhará como a degradação do ambiente afeta a saúde humana. 

Em entrevista à Agência Einstein, o especialista relembra os números de vidas perdidas por problemas direta ou indiretamente causados pela ação humana no ambiente: cerca de 5 milhões de pessoas morrem a cada ano por conta das mudanças climáticas e 10 milhões, por causa da poluição. “São muitas mortes. A mensagem da saúde é que se começarmos a mudar a nossa forma de nos relacionarmos com a natureza, os benefícios para a saúde serão agora. Não vamos precisar esperar meses ou anos”, diz. Leia abaixo os principais trechos da conversa:

Por que a relação com a natureza é importante para a saúde?

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A exposição à natureza está relacionada com a redução da pressão arterial e dos níveis de cortisol e adrenalina e com a variabilidade de frequência cardíaca. Há uma série de estudos científicos que mostram isso, inclusive que, em hospitais mais verdes, os índices de complicação no pós-tratamento são menores e a recuperação dos pacientes é mais eficiente. Assim como ocorre nos hospitais, o contato ou só a visão da natureza nos acalma, nos tira desse ritmo frenético que nós mesmos nos impomos. Dormimos melhor porque o ruído urbano cai e a poluição luminosa diminui.

A questão da iluminação é importante porque, para dormirmos bem, precisamos que nosso organismo comece a produzir melatonina de 1 hora e meia a 2 horas antes de irmos para a cama. E o sono é importante para regular o funcionamento de todo o nosso organismo. Esses efeitos positivos da natureza sobre a nossa saúde são resquícios da relação mais próxima que tínhamos com ela antes do processo civilizatório, quando o homem caçava, percorria grandes distâncias atrás de alimentos e não vivia em sociedade. Hoje, nós modificamos a natureza de tal forma que essa ausência pode nos adoecer. 

A civilização e a rotina nas grandes cidades têm mesmo o poder de nos adoecer?

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O homem abandonou a natureza para viver entre tijolos. Esse excesso de urbanização contribuiu para que nós ficássemos mais gordos, mais ansiosos, mais doentes. No geral, somos mais sedentários: andamos de carro, usamos escada rolante ou elevador, não praticamos atividade física, comemos errado. Com a civilização e a busca por soluções que facilitem a vida dos homens, vem o adoecimento porque uma pessoa está mais perto da outra e transmissão de doenças fica mais fácil. Começam também os problemas sanitários. As epidemias e pandemias, como a da covid-19, surgem com as cidades. Na época do homem caçador-coletor, elas não existiam. Muitas doenças surgiram do contato do homem com animais. A tuberculose, por exemplo, não tem esclarecida sua origem, mas uma das hipóteses mais aceitas é que ela tenha surgido do contato do homem com bois selvagens. A gripe veio do contato com as aves. Além disso, temos as mudanças climáticas resultado da ação humana e a poluição, que são causas de adoecimento e morte, e o estresse provocado pela rotina frenética. A urbanização excessiva e a ausência de verde nas cidades geram ainda ilhas de calor urbano. Essas variações de calor induzidas pelo homem são responsáveis por cerca de 5 milhões de mortes precoces por ano em todo o mundo por doenças como infarto do miocárdio, AVC (Acidente Vascular Cerebral), pneumonia em criança e idoso. Elas não morrem por causa do calor ou do frio, mas por doenças associadas a este fenômeno. Nosso sistema de termorregulação não consegue acompanhar a velocidade das mudanças climáticas.

E, além disso, as cidades não oferecem estrutura que facilite a adaptação da população a essas mudanças, certo?

Sim. As cidades têm características geográficas diferentes entre si e também em termos de estrutura e dinheiro para investir em questões de habitação. Por exemplo, em cidades como Toronto (Canadá) e Estocolmo (Suécia), a variação de temperatura ao longo do ano é de cerca de 30 graus, mas o efeito da temperatura na saúde das pessoas é muito baixo, porque as casas, o transporte público e os prédios foram adaptados para oferecer conforto térmico à população. Já São Paulo, por exemplo, é uma cidade desigual. Uma coisa é ter 35 graus de temperatura em um apartamento na Vila Nova Conceição e outra é ter o mesmo calor em uma casa com laje em Itaquera, na zona leste, região que não tem cobertura verde. Então, esses desertos que construímos dentro da cidade promovem grande amplitude térmica que nos adoece.

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Quando esse movimento da saúde em defesa do meio ambiente começou?

Acho que ganhou força quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou os guidelines (diretrizes) de qualidade do ar global. Inclusive, vai sair uma atualização em 2022 e eu sou um dos revisores. O segundo aspecto foi em 2013, quando a Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC) classificou a poluição do ar como cancerígena, colocando a poluição na mesma categoria do tabaco e do amianto. Isso quer dizer que ficou evidenciado que a poluição é tão capaz de causar câncer quanto o cigarro. 

Como trazer, no dia a dia, a natureza para a nossa vida?

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Acho que este é um problema educacional. Nas cidades, as pessoas não prestam atenção no verde, na natureza, simplesmente porque não foram educadas para isso. Eu recuperaria o verde das escolas para que as crianças aprendessem a conviver e valorizar a natureza. Com isso, ensinaríamos para eles o contrário do que aprendemos, que foi querer ter um carro. No currículo escolar, os temas meio ambiente e sustentabilidade poderiam entrar como uma matéria horizontal nos ensinos fundamental e médio, estimulando a participação ativa da juventude e promovendo o aprendizado, a socialização e a colaboração. Esses temas também poderiam ser trabalhados em diversas disciplinas, como geografia, biologia e história. Mudança de comportamento tem a ver com educação. E eu vejo isso com esperança. Eu sinto muito mais clima para se discutir isso hoje do que 20 anos atrás. A proximidade com um parque ou estação do metrô, por exemplo, valoriza muito um imóvel. Os jovens estão preferindo usar carros compartilhados ou transporte público do que ter um veículo na garagem. E isso era impensável anos atrás. 

Essa mudança de comportamento também representa uma economia significativa na área da saúde?

Hoje estamos perdendo dinheiro com admissões hospitalares que poderiam ser evitadas e com a perda de capacidade produtiva motivada pela morte prematura de pessoas. O custo evitado em saúde decorrente da diminuição da poluição local supera o dobro do valor necessário para mitigar os gases de efeito estufa. 

Qual é a mensagem da área da saúde para os cuidados com o meio ambiente?

A saúde foi a última a embarcar no trem da sustentabilidade, mas a solução não está na saúde. A saúde não prescreve matriz energética nem cobertura vegetal, não define regras de ocupação do solo. Mas quando a gente pega dados que mostram que 5 milhões de pessoas no mundo morrem precocemente por causa da mudança climática e 10 milhões de mortes ocorrem todos os anos por doenças relacionadas à poluição de ar por ano, sustentabilidade se torna um problema de saúde. São muitas mortes. A mensagem maior é tornar a sociedade protetora do ser humano. O envolvimento da área da saúde na questão ambiental traz para o hoje os benefícios dessas mudanças que precisamos. É algo como: se você começar a caminhar mais a pé ou de bicicleta pela cidade, você vai reduzir a emissão de poluentes e também vai melhorar sua função cardiovascular, reduzir o risco de osteoporose e sua saúde mental vai melhorar. É mostrar que uma política de parques não deixa a cidade só mais bonita: ela reduz as ilhas de calor, as árvores funcionam como absorvedoras de poluição e o risco de morte por infarto cai na medida em que as pessoas conseguem utilizar os parques. Sabendo dos benefícios do contato com a natureza, da preservação do meio ambiente para a saúde, a gente torna mais palpável toda essa discussão e pode reconduzir a cidade a um caminho virtuoso. 

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Luisa Mell vai processar médico por cirurgia não autorizada: “pior que estupro”

Ativista e apresentadora diz ter sofrido violência médica ao passar por uma cirurgia não autorizada nas axilas

Luisa Mell no Hospital Albert Einstein
Luisa Mell no Hospital Albert Einstein (Foto: Reprodução/Instagram)
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247 - A apresentadora Luisa Mell anunciou, por meio de seu advogado, que irá processar o médico responsável por uma cirurgia feita contra ela sem autorização. O episódio acontece pouco depois de a ativista denunciar também o ex-marido Gilberto Zaborowsky por pressão psicológica, ameaça verbal e tentativa de coação.

“Isso é pior que um estupro. Ambos a violaram enquanto estava anestesiada e deram sequência a práticas e procedimentos não autorizados, que acumularam prejuízos estéticos irreversíveis. Um verdadeiro crime”, disse Angelo Carbone, advogado de Luisa Mell, ao portal UOL.

Luisa Mell entrou recentemente com um pedido de medida protetiva de urgência contra o empresário, com quem foi casada por dez anos. O relacionamento terminou em julho deste ano. A nova ação investigaria se o ex-marido da apresentadora, Gilberto Zaborowsky, teria alguma relação com a realização da cirurgia que não foi autorizada pela ativista.

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Ciro Gomes e os “fascistas vermelhos” - Valter Pomar

Por Valter Pomar

Ciro Gomes
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Ciro pode ser acusado de muita coisa, menos de ter sangue de barata.

Vale o mesmo para a militância do PT que foi à Avenida Paulista participar do ato contra Bolsonaro.

Sendo assim, era mais ou menos inevitável que ocorresse o que ocorreu.

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Isto posto, vale a pena pensar sobre o que disse Ciro Gomes no encerramento de seu discurso no ato de 2 de outubro, a saber: “O povo brasileiro é muito maior do que o fascismo de vermelho ou de verde e amarelo”.

Esta frase – mesmo que tenha sido dita no “calor da emoção”, como as frases de Bolsonaro sobre o Supremo – é a prova de que Ciro não é apenas um ensaio de terceira via.

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Ele tem pretensões de teórico da nova-velha-direita.

Vamos por partes.

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Na política brasileira há muito mais do que petistas e bolsonaristas, há muito mais do que esquerda e extrema direita.

Esta é a esperança da direita gourmet, que busca construir uma terceira candidatura. 

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Mas no caminho há duas dificuldades principais.

Primeira dificuldade: a polarização entre Lula e Bolsonaro reduziu o eleitorado que poderia alavancar esta terceira candidatura.

Segunda dificuldade: do ponto de vista programático, a tal terceira candidatura não é uma “terceira via”, pois tanto ela quanto o bolsonarismo são cúmplices na aplicação do programa neoliberal.

Para enfrentar estas duas dificuldades, os expoentes da terceira via escolheram concentrar fogo em Lula e no PT.

Fazem isso para tentar convencer o eleitorado de Bolsonaro de que seriam eles, da direita gourmet, os mais confiáveis para derrotar a esquerda e Lula.

Eleitoralmente falando, está tática não deu certo em 2018 e é mais difícil ainda que dê certo em 2022. 

Mas é uma tática coerente do ponto de vista de quem coloca o programa em primeiro lugar. 

E o programa desta gente é preservar as “conquistas políticas, sociais, econômicas e culturais do golpismo”.

E Ciro Gomes?

Ciro Gomes busca ir além disso.

Não se contenta em vomitar impropérios tipo “corrupção praticada pela organização criminosa”.

Seus objetivos não são meramente eleitorais.

Ciro defende um certo modelo de desenvolvimento nacional.

Neste modelo, o papel do povo é subalterno.

Mas para garantir esta subalternidade, é necessário "neutralizar" a esquerda.

No pós-Segunda Guerra Mundial isto foi feito utilizando diversos instrumentos, entre os quais "argumentar" que a luta contra o comunismo seria uma continuidade da luta contra o nazismo.

Nazismo e comunismo seriam "totalitários".

Esta é a pré-história da afirmação de Ciro sobre a esquerda fascista.

Mas há uma diferença.

No Brasil, está afirmação tem digitais... neofascistas.

Por exemplo Olavo de Carvalho: 

Por exemplo Ernesto Araújo: 

Por exemplo Bolsonaro: 

Em resumo: faz tempo que Ciro Gomes não está mais costeando o alambrado.

Seu lugar no espectro político brasileiro não é a esquerda, nem mesmo o centro.

E seu ódio contra Lula e contra o PT não deixam nada a dever ao bolsonarismo.

E se tiver chance, Ciro Gomes vai botar para quebrar.

Que apesar disso tudo ele ainda seja tratado por alguns como aliado malcriado, só Freud explica.

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Opinião: José Luiz Portella - Ciro contra Ciro; Freud, talvez, ajude

Ciro Gomes discursa em ato contra Bolsonaro  - VANESSA ATALIBA/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Ciro Gomes discursa em ato contra Bolsonaro Imagem: VANESSA ATALIBA/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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05/10/2021 17h32

Atualizada em 05/10/2021 20h37

Ciro Gomes foi vaiado e sofreu uma tentativa de agressão. Não faz o menor sentido a tentativa de agredi-lo, e mostra a incoerência entre quem estava no ato 'Fora, Bolsonaro" e uma inclinação à violência, que se combate no presidente. Uma turma de fariseus.

Todavia, a vaia faz amplo sentido. Ciro ataca todo mundo e não procura medir as palavras. Ofende as pessoas com termos chulos ou de baixo calão. É outra incoerência, pregar união e insultar as pessoas que estão contra Bolsonaro.

Ciro descreve sempre a mesma trajetória: É Ciro contra Ciro. Ele se destrói pelo verbo e não aprende. Somos vítimas das mesmas armadilhas que criamos para nós mesmos. Ele cai sempre na mesma.

O irmão de Ciro recebe Lula. Óbvio que informou e ouviu Ciro antes, e o encontro tem algum sentido de aproximação, de diálogo, caso contrário não haveria. No mesmo dia o outro irmão chama Lula de ladrão: "É preciso ter cuidado com a carteira". Ajuda? Faz sentido?

Ciro procura se omitir de seus erros, alivia a responsabilidade, se safando com um tipo de observação: "Fico feliz que só podem atacar meu temperamento", ou algo assim. É como se ele fosse apenas um grande brasileiro, que vai mudar a Nação, mas é mal-educado. Não é isso Ciro.

Há muito mais além. E as pessoas mais simples, menos politizadas, observam o outro pela conduta e pelo que realmente o outro lhe passa como percepção. Aprenderam a sobreviver com a percepção.

Ciro não pensa nisso e acaba menoscabando a inteligência dos outros.

Nas suas falas, que são inteligentes e bem estruturadas, onde emergem os conhecimentos que realmente tem do Brasil, e a proposta mais bem concatenada entre todos os candidatos, fulge uma empáfia visível, um jeito de "eu sei tudo", alguém que já tem o programa de governo pronto e não precisa mais de contribuição. Aliás, a campanha de Ciro é uma das mais fechadas, não inclusivas, embora haja esforço de Antônio Neto e outros.

Não há meios de participação real, só de audição de "lectures" (palestras) de um "professor" de Brasil, com a indicação de "faça tudo o que seu mestre mandar". Passa também receio pelo provável comportamento futuro.
Deputados, vários, já disseram cada um com as respectivas palavras: "Se ele é assim como candidato com 10%, imagine se sentar na cadeira de presidente".

Ciro transmite medo aos parlamentares. Não é pela conduta honesta que deverá ter, e sim pela agressividade. Comparam Ciro a Collor e Dilma, alguns a Bolsonaro, no sentido do autoritarismo e da descortesia.

Ciro seria um candidato ao impeachment por desavenças com o Parlamento e outras instituições. Um gerador de conflitos. Uma pena! A postura se sobrepõe à inteligência.

Ele tem um programa de governo muito bom. Alguém pode discordar ideologicamente, mas não pela estruturação e articulação: ali há uma proposta robusta para o desenvolvimento do país.

Porém, eleitoralmente, ele tem um paredão à esquerda, Lula, que não o deixa avançar e Ciro não irá fazê-lo xingando Lula e Haddad, ainda que tenha razão em certos argumentos, contudo a forma lhe tira a razão e assusta as pessoas. Ciro terá muita dificuldade para absorver o eleitorado de centro-direita, porque seu programa é de centro-esquerda para a esquerda. Reestatizar Eletrobras, Embraer, que podem ser ideias em discussão, não seduzirão à centro-direita. Nem a correta, em minha opinião, taxação dos mais ricos e postura dura com o capital rentista.

Ciro cometeu um equívoco monumental, que de certa forma soa como incoerência, ao contratar João Santana, o homem que destruiu Marina de forma nada elegante, sustentou Lula, e está totalmente perdido achando que muda a aceitação do eleitor com filmes como o da Bíblia e da Constituição. Que não mudará a imagem e vai parecer tão marqueteiro como as peças que Santana fazia para Lula, quando ele e sua esposa, Mônica não tinham vergonha das coisas que ela falou depois em tom de denúncia.

Conforme a mídia, paga-se 250 mil/mês para Santana. Penso, ser um dinheiro desperdiçado e que fulge com jeitão Duda Mendonça/Maluf de ser.

Creio que a única saída para Ciro crescer é conseguir mudar a imagem, com atitudes sinceras, onde se mostre mais humilde e menos metido a "sabichão", que já resolveu todos os problemas no Ceará. O que não corresponde a verdade. Resolveu parte, sem dúvida, não o todo. Ele soa sempre cabotino.

Mas, para conquistar os mais humildes e sobretudo os nordestinos que apoiam Lula, ele precisa de algo mais profundo.
Ciro precisa deitar no divã.

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Érika Hilton: 'Ameaças assustam, trato em terapia, mas não penso em recuar'

Erika Hilton em foto durante mandato de codeputada pela Bancada Ativista do Psol - Karime Xavier/Folhapress
Erika Hilton em foto durante mandato de codeputada pela Bancada Ativista do Psol Imagem: Karime Xavier/Folhapress

Mariana Gonzalez De Universa, em São Paulo 05/10/2021 04h00

Há quase um ano, Érika Hilton (PSOL) exerce seu mandato na Câmara Municipal de São Paulo sob escolta policial. A vereadora, primeira transexual eleita para uma vaga na casa e mulher mais votada nas eleições de 2020, convive quase diariamente com ameaças de morte e ataques virtuais —que, algumas vezes, saíram da internet e ganharam a vida real, como em janeiro, quando um homem invadiu seu gabinete, agitado e portando símbolos religiosos, e deixou uma carta se identificando como um dos agressores que a atacam nas redes sociais.

Essa situação, conta a parlamentar, em entrevista por telefone a Universa, fez com que ela deixasse de circular pelo bairro onde mora e exercer atividades que antes eram comuns em sua rotina, como ir à padaria ou encontrar amigos em um bar.

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Tenho trabalhado essas questões na terapia e levado todos os casos à Justiça, mas o impacto psicológico é adoecedor.

Na última semana, foi responsável por outro marco histórico na política brasileira: pela primeira vez, uma CPI foi instalada no Brasil para investigar a violência contra pessoas transexuais. O projeto, de sua autoria, tem como objetivo reunir dados, encontrar soluções e sensibilizar legisladores pela criação de novas políticas em defesa desta população.

Na entrevista a seguir, a vereadora de 28 anos fala sobre o combate à violência transfóbica desde a lesão corporal até o desrespeito ao nome social, conta como lida com as constantes ameaças e explica por que não celebra tanto assim o fato de ser a primeira travesti legisladora do município. Leia os melhores trechos:

UNIVERSA - A Câmara instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito de sua autoria para investigar a violência contra as pessoas trans e travestis na cidade de São Paulo. Qual é o cenário hoje?

ÉRIKA - O Brasil continua sendo o primeiro país do mundo que mais mata essa população, e mata com os piores resquícios de crueldade. Na cidade de São Paulo especificamente temos um número muito grande de pessoas trans que nasceram aqui ou que migraram de outras cidades e estados em busca de oportunidades. Por consequência, o número de relatos de agressões por transfobia é alarmante: 43% já foram vítimas de violência física, segundo o primeiro mapeamento da Prefeitura; entre as que realizam prostituição, a exposição à violência física é 50% maior.

Ter essa CPI acontecendo pela primeira vez no país e na maior Câmara Municipal da América Latina abre caminhos extremamente importantes, especialmente frente à negligência dos legisladores em relação a esta população.

A transfobia também aparece no atendimento em órgãos públicos, no desrespeito ao nome social e no despreparo dos agentes. De que formas a CPI pode atuar contra esse tipo de violência?

O carro-chefe da CPI é a violência que mata, claro, porque esta é a única violência que a gente não pode tentar contornar. Mas a violência estrutural também é gravíssima e gera ônus profundos na vida de pessoas trans —desde o direito ao uso do nome, que é violado constantemente, até o atendimento digno em hospitais e delegacias. Mesmo nas escolas há relatos diversos de transfobia. São pessoas que voltaram a estudar mas sofreram violências como o impedimento ao uso do banheiro e o desrespeito ao nome na lista de presença.

A CPI não pretende ser um espaço apenas para ficar remoendo essas violências, mas se propõe a ser um espaço de debate e resolução destes problemas. Queremos sensibilizar os legisladores e agentes públicos através dos dados e depoimentos que forem surgindo ao longo da Comissão. É urgente e necessário criar leis e políticas públicas para minimizar o sofrimento da população trans e travesti na cidade de São Paulo.

A LGBTfobia é considerada crime há mais de dois anos no Brasil e, como a senhora disse, somos o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo. Mesmo assim, o reconhecimento do STF levou a pouquíssimas condenações. Por quê? E como garantir que a lei seja aplicada?

Um dos primeiros pontos é que a gente não tem de fato uma lei que criminalize a LGBTfobia, o que temos é o entendimento do STF de que essa é uma prática equiparada ao crime de racismo. Depois, ainda são precisas muitas provas para registrar essa violência. Pessoas trans e travestis já sofrem um desrespeito muito grande, descrédito da sociedade, como vão provar que foram humilhadas ou xingadas se não estavam filmando na hora?

É preciso qualificar profissionais para atender as vítimas e garantir que a lei possa ser aplicada sem a necessidade de tantas provas.

E um terceiro fator é a dificuldade de acesso à Justiça —poucas pessoas conhecem seus direitos e infelizmente no nosso país o acesso à Justiça é limitado, especialmente para a população T, que é em sua maioria de baixa renda e com pouca escolaridade.

Em quase dois anos de mandato, a senhora sofreu ameaças virtuais e físicas, como a de um homem que a ameaçou com uma "38 na testa" e de outro que invadiu seu gabinete, agitado e portando símbolos religiosos. Sente medo? E como lida com ele?

Tenho medo, claro, a gente tem a história de Marielle Franco como exemplo do que pode acontecer com uma mulher negra e LGBTQIA+ que defende direitos humanos no Brasil. O medo tem o poder de nos paralisar e todas essas ameaças e ataques são tentativas de me paralisar, me intimidar para ver se eu desisto.

As ameaças e ataques que acontecem fora da internet me assustam mais, porque são pessoas que saíram do anonimato e decidiram me confrontar na vida real. Quando a violência segue no ambiente virtual a gente tem uma sensação de covardia, de alguém que está se escondendo atrás de um perfil, mas quando a pessoa se materializa na sua frente você percebe que ela está realmente disposta a cometer aquela violência que está ameaçando na internet.

Tenho trabalhado essas questões na terapia e levado todos os casos à Justiça, para que identifiquem e punam os agressores conforme a lei. A Justiça é bastante lenta e é preciso ter paciência, mas eu tenho esperança. Quanto mais medo eu sinto, mais forte eu me torno e mais certa do que estou fazendo eu fico.

O que mudou na sua rotina por causa das ameaças?

Ficou bastante conturbada. É muito difícil. Precisei solicitar escolta, redobrar cuidados com a minha segurança. Perdi minha liberdade e acho isso tão grave para a democracia. Eu não ando nas ruas, não circulo no meu bairro, não vou à padaria e preciso me exercitar acompanhada de um segurança. Deixei de ter uma vida de lazer, de bar, de diversão com a frequência que eu tinha, porque sair é estar exposta a qualquer tipo de perigo e violência. O impacto psicológico disso é adoecedor. Estamos há um ano nesta realidade, mas continua angustiante, desesperador.

Alguns de seus colegas de partido, como o deputado Jean Wyllis e a vereadora Benny Briolly, deixaram o Brasil por causa de ameaças. Já considerou essa possibilidade?

Nunca pensei em sair do Brasil. Essa possibilidade já surgiu e eu respondi: "Não vou". Não queria deixar o meu país e achava que se eu saísse do Brasil seria um retrocesso, eu estaria recuando. Amo o Brasil e acredito no papel que eu tenho neste país. Não sairei daqui a não ser que realmente não exista outra opção, mas enquanto houver a possibilidade de continuar trabalhando e ajudando a construir um Brasil melhor do este que estamos vendo hoje, não deixarei esta nação.

Sua legislatura tem pelo menos dois vereadores LGBTs no campo da direita: Fernando Holiday (Novo), que é gay, e Thammy Miranda (PL), que é um homem trans. Como você vê a candidatura de pessoas LGBTQIA+ em partidos de direita? Acredita que essa representatividade é positiva?

O que eu percebo é que são marionetes sendo utilizadas para representar interesses que jamais foram da nossa população. São pessoas LGBTQIA+ que estão no Parlamento, mas que não representam avanços em relação à dignidade das nossas pessoas, não têm compromissos com as nossas pautas. Eu avalio como uma representatividade vazia, usada para fazer aquilo que quer a direita —ou a extrema-direita, no caso do Fernando Holiday, que é do MBL [Movimento Brasil Livre]— e não acho que seja algo a se comemorar. Não há por que celebrar um corpo LGBTQIA+ que vai na contramão dos nossos direitos. [Thammy Miranda foi convidado pela vereadora Érika Hilton, mas não participa da comissão].

A senhora sente dificuldade para tratar de outros temas na Câmara que não estejam ligados a gênero e sexualidade? Como sua atuação em outras áreas, como habitação e economia, é recebida pelos colegas parlamentares?

Eu não tenho sentido dificuldade de tratar outros temas. Eu tenho me colocado, participado de outras discussões, como a do SampaPrev [proposta de nova reforma da previdência no município]. Também estou muito envolvida nos debates sobre esportes, população em situação de rua, ocupações e despejos. Tanto na Comissão [de Direitos Humanos da Câmara] quanto no meu mandato tenho trabalhado com questões que transbordam questões de raça, gênero e sexualidade.

É importante quebrar com esse olhar de que nós, pessoas LGBTQIA+, só temos capacidade de tratar desses temas, como se não tivéssemos sido eleitas para falar sobre todas as demais questões da cidade. Seria muito limitante.

Mas estas são pautas centrais da minha atuação e aparecem quando vamos falar de qualquer outro tema. Quando vou à Cracolândia atuar, por exemplo, na questão da violência da GCM [Guarda Civil Metropolitana] contra aquela população, não estamos discutindo apenas questões de raça e de sexualidade, mas também estamos falando disso, assim como estamos falando sobre habitação, serviço social, saúde pública.

Quando foi eleita, muitos celebraram o fato de ser a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Câmara, mas a senhora não celebra esse pioneirismo. Por quê?

É positivo, mas não é só positivo. Às vezes as pessoas romantizam o fato de eu ter sido a primeira e esquecem a realidade. O fato de que apenas em 2020 uma mulher trans foi eleita para a Câmara Municipal de São Paulo mostra a precariedade do acesso da nossa população à política e quantas mulheres antes de mim lutaram para estar onde eu estou, mas não conseguiram. Ser a primeira é celebrativo, sem sombra de dúvidas, porque minha eleição é um reflexo das nossas lutas, mas não podemos apenas celebrar, ignorando o fato de que a nossa sociedade é transfóbica, mata e impede que mulheres iguais a mim possam ocupar estes espaços.

A senhora foi expulsa de casa na adolescência e esteve na prostituição, realidade de 90% das mulheres trans no Brasil, segundo a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), mas se tornou parlamentar e exerce um cargo de poder. O que é preciso fazer para que sua trajetória deixe de ser exceção?

O primeiro passo é reeducar a sociedade, que foi ensinada a olhar para corpos transexuais com preconceito, e conseguir, através de políticas públicas e projetos de lei a dignidade e a cidadania para esta população. É preciso garantir o debate de gênero nas escolas e a presença dessas pessoas no ambiente escolar, com segurança para que possam estudar, se formar e ter uma qualificação profissional. A consequência disso será a entrada delas no mercado formal de trabalho e o alívio de uma trajetória de rejeição, violência e prostituição, que ainda é a única possibilidade de sobrevivência para muitas de nós. Esse é o caminho mais garantido.

Nossa luta é árdua, longa e demanda a contribuição de toda a sociedade. Combater a homofobia e a transfobia são princípios humanitários e não apenas identitários.

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Entidade judaica reage à declaração de Augusto Nunes, que defendeu o fascismo

“Não é liberdade de pensamento" diz nota dos Judeus Pela Democracia. “Crimes de ódio, crimes contra a humanidade e a defesa do genocídio étnico são parte inalienável da ideologia fascista”

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O Coletivo Judeus Pela Democracia reagiu com uma nota de indignação, publicada no Twitter, às declarações do jornalista bolsonarista Augusto Nunes que defendeu abertamente o direito de ser fascista num programa da Jovem Pan, na noite de segunda-feira (4).

“Para Augusto Nunes o problema do fascismo é ser estigmatizado. Para ele, é apenas ‘liberdade de pensamento’. NÃO! Crimes de ódio, crimes contra a humanidade e a defesa do genocídio étnico são parte inalienável da ideologia fascista. Apologia ao fascismo não pode ser aceitável”, diz a publicação da entidade judaica.

Assumindo o fascismo com desfaçatez

“Digamos que o sujeito defenda o fascismo. Ele pode, ele pode defender da mesma forma que o Partido Comunista pode defender o comunismo”, disse Nunes, durante o noturno Direto ao Ponto, traçando a típica analogia falsa que coloca o fascismo como contraponto ao comunismo.

“Está escrito ali que não existe crime comprometido com palavras. Está escrito na Constituição. Ignoram essa verdade eterna países como Cuba, Venezuela, você não tem crítica nenhuma a esses países por parte dos que acham que é possível prender alguém por crime de pensamento. Não existe o crime de pensamento, não existe. Esta é uma verdade absoluta. Não existe”, insistiu o jornalista de extrema direita, ignorando o fato do fascismo pregar a eliminação física de seus opositores.

Ele ainda falou por último que “posso dizer o que quero e você pode retrucar dizendo o contrário no mesmo tom e ponto final. É o convívio dos contrários. Como é que você acha que os jornalistas justificam isso? E isso aí, não sabemos”, finalizou, estabelecendo um verdadeiro paradoxo, uma vez que os fascistas não dialogam com aqueles que não fazem parte do grupo ideológico reacionário.

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Motorhomes: cresce nos EUA um novo estilo de hospedagem, com trailer que não sai do lugar

Hotéis e campings do interior têm apostado na transfomação de veículos em quartos fixos
Tim McKeough / 2021 / The New York Times
04/10/2021 - 04:30 / Atualizado em 04/10/2021 - 10:09
Um trailer modelo Airstream transformado em quarto no AutoCamp, na cidade de Falmouth, Massachusetts Foto: Matt Kisiday / Via The New York Times
Um trailer modelo Airstream transformado em quarto no AutoCamp, na cidade de Falmouth, Massachusetts Foto: Matt Kisiday / Via The New York Times

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Todo ano, milhões de americanos empacotam o trailer e põem o pé na estrada para fazer parte das comunidades sazonais e nômades que surgem nos parques e acampamentos situados em algumas das paisagens mais belas do país.

Segundo o estereótipo, o veículo recreativo (RV, na sigla em inglês) normalmente leva só aposentados, mas a verdade é que está atraindo mais gente jovem do que nunca, atraída pelo interesse em viver em espaços pequenos e, em parte, forçada pela crise resultante da pandemia.

De acordo com o Relatório Norte-Americano de Camping de 2021 da rede de acampamentos particulares Kampgrounds of America, o uso do RV vem crescendo consistentemente desde 2014, tendo chegado ao número recorde de 13 milhões de famílias em 2020. A titularidade na faixa de 18 a 34 anos também cresceu significativamente, como mostra o Perfil Demográfico do Proprietário de RV 2021 do Go RVing, e esse grupo já responde por 22%.

Os veículos recreativos, principalmente do estiloso modelo Airstream, têm sido reformados para servirem de quartos para hóspedes em hotéis, pousadas e campings nos Estados Unidos, como o AutoCamp, em Falmouth, Massachusetts Foto: Matt Kisiday / Via The New York Times
Os veículos recreativos, principalmente do estiloso modelo Airstream, têm sido reformados para servirem de quartos para hóspedes em hotéis, pousadas e campings nos Estados Unidos, como o AutoCamp, em Falmouth, Massachusetts Foto: Matt Kisiday / Via The New York Times

Essa fatia poderia ser ainda maior se os RVs atraíssem mais os apaixonados por design que cresceram na era dos hotéis-butique; de fato, são poucos os modelos e os parques voltados para eles, à altura do estilo luxuoso e com influências escandinavas que fez surgir sites como o Cabin Porn e transformou tantos motéis caídos na região de Catskills, no estado de Nova York.

Mas tem gente que resolveu botar a mão na massa, reformando totalmente os veículos para lhes dar o charme de um chalé contemporâneo e, ao mesmo tempo, compartilhar dicas de estilo nas redes. Os fabricantes também arregaçaram as mangas, oferecendo opções voltadas para o estilo — como a parceria recente da Airstream com a Pottery Barn, que resultou em um trailer em edição especial, e as criações retrô estilosas de empresas mais novas como a Happier Camper.

Isso ainda deixa espaço para a reinvenção da experiência dos parques —  e arquitetos, decoradores e empresários estão correndo para preenchê-lo. Como no Bay Point Landing, em Coos Bay, no Oregon, onde os profissionais da OfficeUntitled se uniram à empresa de decoração JHL Design para criar uma comunidade sazonal para a NBP Capital centrada em uma sede ampla e angular coberta de telhas de cedro escurecido, equipada com móveis discretos e confortáveis. Os resultados estão na "Wallpaper" e na "Dwell".

— Brincamos dizendo que queríamos criar algo como a versão Ace Hotel dos parques de RV, ou seja, algo único, que proporcionasse uma experiência ímpar. O que nos surpreendeu foi a necessidade que havia desse tipo de espaço intermediário, para o qual é possível fugir e curtir a natureza, mas também compartilhá-lo com os outros —explica Christian Robert, um dos diretores da OfficeUntitled.

O visitante pode chegar com o próprio RV, ficar em um dos Airstreams disponíveis ou reservar um dos chalés sobre rodas. Até há pouco tempo, os preços variavam de US$ 70 pela diária da vaga a mais de US$ 300 pela cabine. Pode também ficar o tempo todo sozinho ou socializar com os outros viajantes na sede, que inclui piscina aquecida, academia, espaço de eventos e salão de jogos; há a opção de explorar outras áreas comuns na propriedade de quase 42 hectares.

— O resort reúne a beleza da natureza com o que há de mais moderno em design, ou seja, é o lugar ideal para ter aquele "momento Instagram". Nosso público-alvo é o jovem de 20 e poucos anos que não quer gastar muito para desfrutar uma estética caprichada; quer um espaço simples, mas planejado com cuidado — diz Holly Freres, diretora da JHL.

A AutoCamp atende aqueles que querem usufruir o estilo de vida do RV, mas sem necessariamente ter o veículo. Todas as acomodações são em trailers Airstream customizados, além de alguns chalés sobre rodas e barracas luxuosas. A cadeia tem dois endereços na Califórnia (no Parque Nacional Yosemite e no Rio Russian) e abriu um terceiro em Cape Cod no início do ano. Os planos de expansão incluem as Montanhas Catskill, em Nova York, e os parques nacionais Joshua Tree, na Califórnia, e Zion, em Utah.

Cada local tem uma sede de inspiração modernista e linhas inspiradas nas décadas de 1950 e 60, usando materiais de rusticidade chique como madeira em tons negros e amarelados, pedra natural com textura e aço escurecido. Em todos há sempre uma lareira circular central.

— Nossa missão é realmente conectar as pessoas com a natureza e umas com as outras. Poderíamos ter optado por seguir o estilo de um hotel mais tradicional e construído quartos e chalés permanentes, estruturas maiores, mas essas são coisas que não se encaixam com a filosofia que preza a natureza. Espalhar diversos Airstreams por uma propriedade grande como essa é obviamente menos exigente com o terreno, o que nos permite chegar a lugares a que, do contrário, não poderíamos ir com uma estrutura grande como a que temos —  afirma Will Spurzem, diretor de decoração da AutoCamp.

A empresa começou reformando trailers antigos, mas agora desenvolve unidades customizadas com a Airstream, que passou a investir na cadeia. As unidades contam com piso de tábuas de nogueira, iluminação minimalista com lâmpadas expostas e banheiros com cara de spa e portas de correr; já as sedes são de autoria de arquitetos e decoradores famosos.

A Workshop/APD, por exemplo, localizada em Nova York e famosa pelas casas modernas e exclusivas e pelos projetos urbanos novos, é responsável pela filial de Cape Cod, perto de Falmouth, em Massachusetts, onde as diárias no Airstream recentemente variavam entre pouco mais de US$ 300 e mais de US$ 500. A firma está trabalhando na unidade de Catskills, em West Saugerties, que deve ser inaugurada entre março e abril de 2022.

Os trailers da AutoCamp, no geral, são pensados para permanecer em um só local, mas a Moliving, startup de hospitalidade de Nova York, pretende usar a mobilidade dessas unidades em sua vantagem. A companhia pretende abrir seu primeiro projeto, chamado de Hurley House, perto de Kingston, com diárias de US$ 259, nos próximos meses, mas a intenção é movimentar seus trailers de um local para outro, para dar apoio às comunidades que incham e contraem com o clima.

Pode, por exemplo, levar as unidades para perto do mar, criando uma comunidade praiana no verão, e depois, nos meses mais frios, readaptá-las para acomodar os praticantes de esportes de inverno.

—  Na verdade, criamos um hotel com capacidade física de movimentação — diz Jordan Bem, fundador e CEO do Moliving.

Desenvolvido com a SG Blocks, fabricante de estruturas pré-fabricadas e móveis, o trailer da Moliving foi bolado para o uso alternado nas redes elétrica e hídrica, e equipado com painéis fotovoltaicos, caixa d'água e tanque de esgoto, além de reservatório de água cinza. Inclui um deque integrado e duas camas de solteiro motorizadas que se unem para formar uma king size.

Acomodações deste tipo, que podem ser levadas a qualquer lugar, são um grande atrativo durante a pandemia, mas os arquitetos responsáveis por esses projetos esperam que a demanda supere qualquer surto, uma vez que apostam na nostalgia das boas e velhas viagens de carro pelo território norte-americano.

Segundo Robert, a OfficeUntitled continua criando chalés móveis para a Bay Point Landing e sendo procurada por outras construtoras que querem construir acampamentos semelhantes.

— Na AutoCamp, a demanda superou nossas expectativas iniciais desde o início da pandemia; agora a empresa já estuda o potencial de expansão para pelo menos meia dúzia de novos endereços —  conclui Spurzem.

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Os erros da vacinação privada contra a Covid: fraudes, preços exorbitantes e quebra de contrato com governos

Especialistas ouvidos pelo GLOBO apontam falhas em modelo, que abre caminho para privilégios e uso político dos imunizantes
Marina Gonçalves e Filipe Barini
02/08/2021 - 04:30 / Atualizado em 02/08/2021 - 12:15
Pessoas aguardam vacinação em centro de distribuição em Karachi, no Paquistão Foto: ASIF HASSAN / AFP
Pessoas aguardam vacinação em centro de distribuição em Karachi, no Paquistão Foto: ASIF HASSAN / AFP

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Em abril, na Colômbia, a empresa Rappi foi alvo de críticas nas redes sociais ao premiar seus funcionários mais destacados com doses da vacina contra a Covid-19, abrindo um debate ético sobre o vacinação privada. A empresa aderiu ao programa “Empresas pela vacinação”, que permite que companhias vacinem seus funcionários e até dependentes, programa similar a de outros países, como Indonésia, Paquistão, Líbano e Filipinas, que registraram fraudes, preços exorbitantes e até quebra de contrato com o governo, onde os acordos determinavam que uma parte das doses adquiridas pelas empresas fosse doada.

Analistas ouvidos pelo GLOBO apontam os erros observados nos países que adotaram o sistema híbrido de distribuição de imunizantes e alertam que, além da questão ética, a cobertura desigual, quando os mais ricos acabam sendo privilegiados, não é suficiente para conter uma pandemia, uma vez que a proteção coletiva acaba sendo preterida para dar espaço à proteção de grupos menores. Além disso, ressaltam, o negócio pode não ser rentável para as próprias empresas.

— O primeiro ponto que chama a atenção é que apenas países periféricos adotaram esse sistema no mundo. São em geral países com uma população empobrecida e uma alta desigualdade social — afirma Adelyne Mendes Pereira, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. — Nenhum dos países desenvolvidos optou por esse sistema. Mesmo em países como os EUA onde o sistema de saúde é majoritariamente privado, com indústrias farmacêuticas fortes, os governos entenderam que o papel do Estado é proteger a população de forma ampla.

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Valores elevados

Entre as poucas nações que abriram espaço para a vacinação privada, foram adotados dois modelos: no primeiro, instituições receberam permissões para comprar, distribuir e cobrar pelas imunizações. É o caso do Paquistão, que desde abril liberou a importação privada da Sputnik V, produzida pelo laboratório russo Gamaleya — e logo de cara surgiu uma questão judicial em torno do preço.

A Autoridade Reguladora de Medicamentos havia recomendado uma média de preço entre 8 mil a 9 mil rúpias (entre R$ 255 e R$ 290), mas uma empresa entrou com processo e agora vende o pacote com duas doses por 12.220 em média (R$ 390). Com o alto preço dos imunizantes e com a demora do governo em acelerar o ritmo de vacinação pública, até agora só 4% da população foi totalmente vacinada.

Na vizinha Índia, o governo limitou os valores em clínicas privadas: A Sputnik sai por 1.145 rúpias, ou R$ 80, enquanto a dose de AstraZeneca é comercializada por 780 rúpias a dose, ou R$ 55. A vacinação privada foi liberada para impulsionar o número de imunizados na nação de 1,3 bilhão de pessoas, mas o limite de 150 rúpias cobradas pela aplicação, cerca de R$ 10, vem afastando hospitais e clínicas.

No segundo modelo, empresas recebem o aval para importar as doses e aplicá-las em seus funcionários. Mas nem sempre as contrapartidas são respeitadas: nas Filipinas, o governo liberou a compra privada desde que houvesse acordos tripartites entre governo e fabricantes, com as empresas “incentivadas” a doar metade das doses ao programa estatal de imunização, o que não aconteceu. Apenas 10% da população do país recebeu ao menos uma dose.

Na Indonésia, que enfrenta um surto de casos e onde a vacinação caminha a passos lentos, a imunização privada começou em maio, com preço médio por dose em torno de 1 milhão de rúpias, ou R$ 360. Contudo, há denúncias de pessoas que usam declarações de empresas para conseguir se imunizar, mesmo não sendo funcionárias.

— A própria natureza da ação privada é distinta da pública. As empresas querem proteger poucos grupos de forma segmentada, e por isso muitas não cumpriram os acordos de doação. — afirma Adelyne Pereira, da Fiocruz.

Na Colômbia, mais de 5 mil entidades se candidataram para comprar 2,5 milhões de doses da CoronaVac. Na semana passada, no entanto, a Câmara de Comércio de Bogotá anunciou que encerrou o plano de venda para empresas privadas, devido ao avanço da campanha de imunização pública na capital. A Colômbia vacinou 23% da população com uma dose, e quase 10% com duas.

— As pessoas não estão indo em grande quantidade se vacinar, há muita desinformação. Querem uma específica e não há como escolher — conta o jornalista Carlos Valencia, do Canal RCN, que se vacinou de maneira privada esta semana.

Para Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), o momento é de se pensar no coletivo, não de forma individual.

— Em um cenário de pandemia, onde todos corremos risco com a Covid-19, e a produção de vacinas é insuficiente para atender a população, não podemos pensar em desviar vacinas que não temos para atender a um grupo de indivíduos.

Intermediários

José Cássio de Moraes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, explica que o preço pago pelas empresas, que compram doses em menor quantidade, acaba sendo mais alto, tornando o negócio pouco rentável:

— Vemos que as grandes companhias estão negociando e descumprindo acordos com o Estado, porque comprar mil doses é mais caro, proporcionalmente, que comprar 1 milhão de doses — afirma, referindo-se ao caso colombiano. — Além disso, o que aconteceu em algumas empresas na Colômbia, onde funcionários foram premiados com a vacina, é execrável.

Não são apenas os fatores sanitários que põem em xeque a vacinação privada. No começo de julho, o Moscow Times revelou que um empresário dos Emirados Árabes Unidos obteve os direitos para vender a Sputnik V, com valores elevados pelos serviços. De acordo com o jornal, a Aurugulf, empresa de Ahmed Dalmook al-Maktoum, ligado à família real de Dubai, cobrou US$ 19 por dose enviada ao governo de Gana, e US$ 22,50 por dose de uma companhia privada paquistanesa. Acordos entre o Fundo de Investimento Russo e governos europeus traziam as doses por menos de US$ 10.

— A competição para garantir doses de vacina é pesada, criando um campo fértil para intermediários inescrupulosos, e todos os especialistas concordam que a única maneira de lidar com a escassez de vacinas é através do aumento da produção — disse Akshaya Kumar, diretora de advocacia de crise da Human Rights Watch.

A empresa Aurugulf também fechou acordos com o governo do Quênia, que liberou a vacinação privada em abril, mas suspendeu a regra semanas depois, diante de denúncias sobre a venda de vacinas falsas. No Líbano, companhias ligadas a políticos compraram doses de Sputnik V oferecidas por al-Maktoum, mas, ao invés de vendê-las ao público, passaram aplicá-las gratuitamente em seus redutos, um ano antes das eleições gerais.

Abalado por uma depressão econômica e ainda sentindo os efeitos da explosão no porto de Beirute, no ano passado, o Líbano recebeu ajuda de US$ 34 milhões do Banco Mundial para custear vacinas para pelo menos um terço de sua população. Contudo, além do uso eleitoreiro das doses privadas, um grupo de deputados se vacinou no Parlamento em fevereiro, bem antes de grupos prioritários, com doses compradas pelo Estado.

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Como nosso cérebro pode nos deixar mais pobres (e o que fazer para evitar)

Estudos têm mostrado que tomamos decisões irracionais que prejudicam nossa saúde financeira com frequência - Getty Images/BBC News
Estudos têm mostrado que tomamos decisões irracionais que prejudicam nossa saúde financeira com frequência Imagem: Getty Images/BBC News

João da Mata - Da BBC News Brasil em São Paulo

03/10/2021 09h57

Estudos têm mostrado que tomamos decisões irracionais que prejudicam nossa saúde financeira com frequência. Entenda quais são os erros mais comuns e como evitar essas 'armadilhas' mentais.

Você está navegando em uma loja online e fica tentado a comprar um produto.

É um pouco mais caro do que a sua conta bancária permite, mas se torna a coisa mais urgente do mundo naquele momento. E se o preço aumentar e você perder a oportunidade? E se esgotar?

Por que usar muito a cabeça não é pensar com inteligência, segundo autora

Tomado pelo impulso, você faz as contas de cabeça e decide comprar. Não precisa nem colocar o número de cartão, que já está salvo no navegador.

Dias depois, vem o arrependimento. Ou pior, o endividamento.

Nos últimos anos, estudos nas áreas de economia comportamental e neuroeconomia têm mostrado que essas situações - em que tomamos decisões irracionais que prejudicam nossa saúde financeira - acontecem com frequência.

Mas quais são os nossos erros econômicos mais comuns? E como não cair nas "armadilhas" do nosso cérebro?

Uma boa maneira é entender o que essas áreas de estudo têm descoberto e aplicar os ensinamentos no nosso dia a dia.

Você é racional?

"A economia tradicional olhou por muito tempo para o indivíduo como alguém racional, frio e objetivo e que vai querer maximizar o seu bem-estar, seu lucro, seu ganho financeiro e interesse próprio", afirma a professora Renata Taveiros, coordenadora do Curso de extensão em neurociência e neuroeconomia na FIA.

As tomadas de decisão inconsistentes, que fogem da racionalidade, eram consideradas anomalias. Ou seja, não viravam objeto de estudos.

Mas no final dos anos 70, um grupo de pesquisadores revolucionou a economia ao olhar justamente para essas anomalias.

Surgia o campo da economia comportamental, cujo maior nome é o psicólogo - isso mesmo, um psicólogo - Daniel Kahneman, vencedor do prêmio Nobel em 2002.

"Eles abrem esse espaço de conversa para que a gente possa perceber que tem outras coisas que influenciam a tomada de decisão, e não só a ideia de maximização da utilidade, do bem-estar e do lucro. Que coisas são essas? As emoções", explica Renata.

No final dos anos 1980, outro campo de estudos vai ainda mais fundo.

Unindo as descobertas da economia comportamental e as técnicas da neurociência, a neuroeconomia tenta desvendar o que acontece no cérebro dos indivíduos na hora que ele decide fazer uma compra desnecessária, por exemplo.

"Agora a gente tem a possibilidade de abrir a caixa preta, que é como os economistas se referiam à mente das pessoas. Você consegue de fato olhar e entender o que vai acontecendo no processamento cerebral na hora que o indivíduo vai tomar uma decisão", diz Renata.

"Quando você estuda neuroeconomia, cai por terra a ideia de que podemos controlar o comportamento, a tomada de decisão, tudo o que fazemos. Porque o motivador da tomada de decisão não é o aspecto racional, cortical, lógico e analítico. Ele está muito mais ligado à emocionalidade."

Aprenda a dizer 'não' a si próprio

Antes de tudo, é bom deixar claro que os afetos e emoções não são necessariamente ruins. Pelo contrário, são de suma importância para nossa sobrevivência.

"A seleção natural nos trouxe a combinação do afeto com a razão. E não foi à toa. Isso maximiza nosso acoplamento com o mundo. Quando a gente tira emoção, a gente tira empatia pelo outro. Nossas decisões se tornam mais egoístas, e a sociedade como um todo desfalece", diz o neurocientista Álvaro Machado Dias, da USP.

Mas é fato que emoções também podem nos levar a cometer erros graves, que levam ao sentimento de culpa e ao endividamento.

É nesse sentido que os ensinamentos economia comportamental e a neuroeconomia podem nos ser úteis: tornar nossa irracionalidade previsível e evitar decisões ruins.

A primeira dica parece simples, mas na prática é bem difícil. Você deve aprender a dizer não para si mesmo.

"Não faça nada por impulso sem antes avaliar se a culpa não vai estragar a festa. Entenda melhor seu 'eu futuro', com suas agendas e cobranças. Dizer não para si é como dizer não para um filho: é difícil, mas pode ser engrandecedor", aconselha Álvaro.

Segundo Renata Taveiros Saboia, um dos motivos que tornam tão difícil essa negação dos próprios impulsos é a facilidade cada vez maior de fazer pagamentos. QR Codes, Pix, cartões de crédito que ficam salvos em sites de compras são alguns exemplos.

Além disso, o neurotransmissor chamado dopamina, que ativa o chamado "sistema de recompensa" do cérebro, também pode atrapalhar.

"Quando a dopamina está trabalhando, ela estimula o comportamento impulsivo. Como funciona? Você tem lá uma expectativa de ganhar algo. Pode ser dinheiro, bem-estar, prazer, uma imagem bacana diante dos outros, etc. E esse comportamento impulsivo te faz querer imediatamente aquela recompensa", explica.

Um exemplo de como esse sistema de recompensa é explorado atualmente é a gamificação do consumo. Ou seja, a transformação do ato de comprar em um jogo.

Aplicativos de supermercados e lojas online prometem recompensas (descontos, produtos grátis, etc.) ao se atingir um determinado número de pontos, por exemplo.

No Brasil, esse tipo de decisão ruim pode ser identificada nos nossos altos níveis de endividamento, diz Renata.

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), de agosto de 2021, aponta que um em cada quatro brasileiros (25,6%) não conseguia quitar as dívidas no prazo naquele mês.

"A gente tem problemas muito sérios no Brasil, e todo esse estímulo para consumo que estimula o comportamento impulsivo piora ainda mais essas condições", diz a neuroeconomista.

Por isso, uma dica de ouro para evitar esse tipo de decisão impulsiva é sempre "dar uma volta a mais".

"Eu costumo colocar um adesivo no cartão de crédito dos clientes dizendo 'dê mais uma volta, espere mais um pouco, respire'. Quando a pessoa vai fazer outra coisa e volta, a dopamina baixa, já que é uma substância química que tem efeito por um tempo determinado. Logo, a sensação de 'quero, quero' vai passar e ela chegará à conclusão que pode usar esse dinheiro para outra coisa. Mas tem que ser depois, na hora não dá", explica.

Não faça contas de cabeça

Só que essas decisões ruins podem ser evitadas antes mesmo da compra. Renata Taveiros explica que quando você tem a exata noção de como anda a sua vida financeira, é mais difícil ficar endividado.

"É muito importante a pessoa ter coragem e saber que vai ser muito bom se aproximar da vida financeira e olhar as contas. Muitos dizem que é difícil, mas depois que você faz isso, vem uma sensação de alívio. Se você tiver medo de olhar, vai cair em todo tipo de armadilhas mentais.", diz ela.

Uma dessas armadilhas é a "contabilidade mental" - aquela mania de fazer contas de cabeça, na maioria das vezes erradas, sobre a nossa situação financeira.

"A gente faz contas de caixinha. 'Eu ganho 100, então eu posso gastar 50 no supermercado, 20 no barzinho, só 10 no lanche, também posso ter uma parcela mensal de 15...'. Você compara 15 com 100, 10 com 100, mas não soma tudo. Depois, leva um susto e vê que está no vermelho", alerta a neuroeconomista.

Ou seja, coloque seus gastos na ponta do lápis. Some todos os seus ganhos e os seus custos de vida. Só assim você terá a real noção de quanto dinheiro pode gastar.

Cuide do seu 'eu futuro'

Uma das decisões mais importantes que precisamos tomar, pensando no nosso futuro, é a de guardar dinheiro.

É claro que o contexto da economia brasileira - com desemprego, informalidade e inflação em alta - torna isso proibitivo para muita gente.

Mas por que é tão difícil fazer isso mesmo quando há condições?

Um efeito conhecido como "desconto intertemporal" na economia comportamental pode explicar:

"Imagina que você pega um binóculo e vira ao contrário. O que acontece? O que tá lá longe fica pequenino. E o que está perto ganha um valor, um tamanho gigante", explica Renata Taveiros.

"A gente quer a recompensa imediata, agora, já, porque ela aparenta ser muito maior do que uma recompensa que é muito misteriosa, que você não sabe o que vai acontecer, lá no futuro."

Estudos neuroeconômicos mostram que algumas áreas do cérebro acionadas quando você pensa em guardar dinheiro para o seu futuro são as mesmas de quando você pensa em dar dinheiro para um estranho.

O que pode significar que, para o nosso cérebro, guardar dinheiro para o Eu futuro e dar a mesma quantia para outra pessoa é quase a mesma coisa.

Segundo Renata Taveiros de Saboia, uma solução pode ser criar um "nudge", ou seja, um empurrãozinho para que você pense com mais carinho no seu futuro.

"Uma ideia que eu costumo aplicar é usar um desses aplicativos que te deixam mais velho em uma foto. Isso te faz se conectar com aquela imagem. Aí você deve fazer o exercício de pensar o que quer para a vida daquela outra pessoa. Assim, vai criar um circuito neural que conecta o seu eu do futuro com o seu eu de hoje", diz ela.

Aprenda também a dizer 'sim' a si próprio

Mas o neurocientista Álvaro Machado Dias faz um alerta. Ainda que seja importante guardar dinheiro, é necessário também saber se permitir.

"Não assuma que se permitir é sempre ruim e nem caia na falácia de que devemos adiar continuamente o prazer para um dia poder usufruir do mesmo em intensidades maiores. Hoje, o que vemos é um mar de gente sem tesão de viver. Saia deste mar", diz ele.

De acordo com Álvaro, nem todas as decisões que tomamos na vida, sejam elas econômicas ou não, podem ser realizadas de maneira puramente racional - e nem é desejável que isso aconteça.

"Às vezes a gente é tomado por componentes emocionais, e de fato isso pode gerar desfechos ruins, inclusive arrependimento", diz ele.

"Mas a entrada em jogo desses componentes que não são formalistas, lógicos, é o que no final das contas torna as nossas decisões melhores para o grupo, espécie e cultura como um tudo", completa.

Por isso, a dica é saber alocar melhor as suas energias e preocupações:

"Não dá tempo - nem faz qualquer sentido - tentar otimizar todas as decisões. Escolha as suas batalhas. Foque nas escolhas que mais importam; são elas que, ao fim e ao cabo, definirão quem você é".

________________________________________////////////Ministério da Agricultura BOICOTA medidas de PROTEÇÃO AMBIENTAL previstas no Novo Código Florestal, denuncia ONG

A organização Mais que uma Voz ingressou com ação judicial para denunciar o Ministério da Agricultura e o Serviço Florestal Brasileiro por boicotarem a implantação do PRA

(Foto: ABr)
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ONG Mais que uma voz - Em ação judicial, a ONG Mais que uma Voz afirma que o Ministério da Agricultura e o Serviço Florestal Brasileiro agem de maneira deliberada para boicotar a implantação das medidas de proteção ambiental previstas na lei do Novo Código Florestal.

A falta de implantação prejudica a imagem do Brasil no mundo e também os pequenos agricultores, pois é uma exigência de mercados internacionais.

A ONG Mais que uma Voz ingressou com ação judicial na qual pede a implantação do Programa de Regularização Ambiental Federal – que aguarda medidas práticas para seu desenvolvimento desde 2012, quando foi aprovado pelo Congresso a Lei 12.651, conhecida como Novo Código Florestal.

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Na ação, protocolada na última sexta-feira, dia 1°, a ONG, com sede em Campos dos Goytacazes-RJ, afirma que o Ministério da Agricultura e o SFB (Serviço Florestal Brasileiro) estão sendo omissos e que buscam deliberadamente se omitir da suas obrigações para favorecer os grandes produtores rurais, em detrimento do meio ambiente.

Segundo a ONG, prova disso é o alinhamento do Diretor de Regularização Ambiental, João Adrien, com a elite do agronegócio, uma vez que ele foi superintendente da Sociedade Rural Brasileira, entidade que defende abertamente as prorrogações sucessivas das obrigações estabelecidas na norma ambiental.

“Não podemos aceitar que seja normal haver leis que não pegam e continuar empurrando com a barriga um assunto tão importante. A implantação do PRA Federal mostraria ao mundo que o Brasil está preocupado com a questão ambiental”, afirma o presidente da ONG, Washington Andrade Silva.

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A ação impetrada pela ONG pede concessão da medida liminar para que seja implantado o Programa de Regularização Ambiental Federal num prazo de 30 dias, com incidência de multa diária em caso de descumprimento. Requer, ainda, a determinação para que o Serviço Florestal Brasileiro promova a disponibilização dos Termos de Compromisso para a regularização ambiental de propriedades rurais.

Outra solicitação é o pedido de informações à Câmara e ao Senado sobre eventuais projetos de lei para prorrogação do prazo do CAR (Cadastro Ambiental Rural).

A Lei

Pela lei, cada propriedade ficou obrigada realizar seu cadastro com a situação ambiental estabelecida e um conjunto de informações declaratórias. Assim, seria possível a caracterização da propriedade, seus usos e possibilidades.

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O PRA Federal permitiria que os agricultores fizessem a regularização de sua situação. Assim, seria possível ter um “raio x” das condições ambientais das propriedades. “Estabeleceu-se, inicialmente, um prazo de dois anos para que todas as propriedades fizessem seu cadastro, mas esse prazo já foi prorrogado várias vezes”, diz a entidade na ação judicial.

Segundo a ONG, o Serviço Florestal Brasileiro tinha a obrigação legal de implantar o PRA Federal até o dia 31 de Dezembro de 2020. “O SFB, por sua vez, não tem feito nenhum esforço, nenhuma discussão, e não tem demonstrado nenhuma iniciativa no sentido de cumprir com sua obrigação legal”.

Movimento deliberado

A ação afirma que existe um movimento deliberado de setores do agronegócio para boicotar o programa. De acordo com a ação judicial, ainda que o momento seja de prosperidade no agronegócio brasileiro, “o que se percebe é um movimento articulado para tornar essa nova lei também letra morta, como ocorreu com a anterior”.

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Conforme a ONG, o SFB está sendo omisso, “na defesa meramente do interesse daqueles que estão com suas propriedades irregulares, e relutam em cumprir o mínimo estabelecido pela atual legislação”.

Benefícios do PRA

Segundo a ONG, milhões de hectares em beiras de rios e encostas deverão ser recuperados no processo de regularização das áreas e não há razão plausível para o seu não cumprimento.

O lançamento de um PRA Federal, argumenta a ONG, não oferece grande dificuldade técnica, uma vez que o banco de dados já é gerenciado pelo Serviço Florestal Brasileiro e o sistema é declaratório, ficando a cargo do proprietário rural as declarações pertinentes, bem como as medidas necessárias à regularização ambiental das áreas.

“Com essa ação omissiva estão dificultando a recuperação de milhões de hectares em APPs de beira de rio, agravando os problemas erosivos e de contaminação de águas, impedindo o estabelecimento de corredores de biodiversidade através das matas ciliares, bem como de grandes extensões de Reserva Legal a serem recuperados por grandes proprietários”.

Mercado internacional

A regularidade ambiental é hoje uma exigência dos mercados internacionais e a falta do PRA prejudica os pequenos produtores, que não possuem equipes técnicas qualificadas para responder às entidades financiadoras os questionamentos do porquê de sua propriedade ainda se encontrar em situação irregular.

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Novo decreto de Bolsonaro facilita registro e acelera liberação de mais agrotóxicos

Cerca de um terço dos venenos aprovados no Brasil são banidos na União Europeia e nos Estados Unidos

Um projeto de lei quer vedar o uso da técnica no Estado por considerá-la a mais nociva para a saúde e para o meio ambiente; para especialistas que defendem a mudança, a pulverização aérea de agrotóxico provoca danos persistentes; já o pesquisador e engenheiro agrônomo Ulisses Antuniassi, da Unesp, avalia que as grandes extensões de lavouras e o porte de algumas culturas fazem da pulverização aérea de defensivos agrícolas um método imprescindível para o agronegócio brasileiro
Um projeto de lei quer vedar o uso da técnica no Estado por considerá-la a mais nociva para a saúde e para o meio ambiente; para especialistas que defendem a mudança, a pulverização aérea de agrotóxico provoca danos persistentes; já o pesquisador e engenheiro agrônomo Ulisses Antuniassi, da Unesp, avalia que as grandes extensões de lavouras e o porte de algumas culturas fazem da pulverização aérea de defensivos agrícolas um método imprescindível para o agronegócio brasileiro
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Brasil de Fato - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) editou, nesta sexta-feira (8), um decreto que facilita o registro e prevê liberação mais rápida de novos agrotóxicos no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a intoxicação por uso dessas substâncias pode causar arritmias cardíacas, lesões renais, câncer, alergias respiratórias, fibrose pulmonar, entre outras complicações.

Segundo nota divulgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a ideia é "modernizar" os trâmites e diminuir a burocracia na análise de novos produtos.

Antes do decreto, substâncias e ingredientes ativos aprovados pelo Mapa, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisavam de uma licença especial temporária para serem usados no campo. Bolsonaro excluiu essa necessidade, atendendo a uma reivindicação do setor químico.

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Além de flexibilizar o processo de registro, a nova regra estimula estudos sobre o tema e estabelece o prazo de até três anos para a análise sobre a segurança dos agrotóxicos.

O texto do decreto cita a necessidade de fiscalização do uso dos agrotóxicos, mas ignora uma série de problemas que limitam a eficácia da inspeção.

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"Bolsonaro edita decreto que altera regras sobre agrotóxicos e tem a cara de pau de dizer que, com isso, os produtos serão mais modernos e menos tóxicos. É mentira, esse sujeito é genocida", reagiu o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) em suas redes sociais.

Cerca de um terço dos venenos aprovados no Brasil são banidos na União Europeia e nos Estados Unidos. Mais de mil novas substâncias já foram liberadas pelo atual governo.

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Balaio do Kotscho - CPI chegando ao fim: o governo de Jair Bolsonaro agoniza em praça pública

Paciente da Prevent Senior, Tadeu Frederico de Andrade, chega ao Senado para prestar depoimento na reta final da CPI da Covid - Edilson Rodrigues/Agência Senado
Paciente da Prevent Senior, Tadeu Frederico de Andrade, chega ao Senado para prestar depoimento na reta final da CPI da Covid Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado
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07/10/2021 14h59

Atualizada em 07/10/2021 16h13

Abaixo, um breve resumo dos principais fatos deste 7 de outubro de 2021, um dia comum dentro da nova normalidade. São 15 horas, e muita coisa ainda pode acontecer. Como diz nosso comandante supremo das Forças Armadas, nada esta tão ruim que não possa piorar.

O relatório final da CPI da Covid só será divulgado no dia 19, mas os fatos macabros revelados, ao longo de 163 dias e 56 depoimentos sobre ações e omissões, irresponsáveis e criminosas, da administração federal no combate à pandemia, já foram suficientes para deixar o governo de Jair Bolsonaro agonizando em praça pública, exatamente um mês após o autogolpe fracassado de 7 de setembro, que o levou a assinar o armistício com o STF para garantir uma sobrevida.

Nesta quinta-feira, os estarrecedores depoimentos de um paciente que sobreviveu na masmorra hospitalar e de um médico que foi demitido da Prevent Senior não deixam mais nenhuma dúvida sobre o papel de agentes públicos e privados nesta tragédia prestes a completar a marca de 600 mil vítimas.

Ficou provado, ao final, que não precisava ter morrido tanta gente, e milhares de vidas poderiam ter sido salvas se, desde o início, o governo não tivesse atrapalhado o combate à pandemia, com seu negacionismo doentio, o atraso e a corrupção na compra de vacinas, as sucessivas demissões de ministros da Saúde, a falta de uma coordenação nacional, os conflitos com os governadores e as grotescas figuras do "gabinete paralelo" que orientavam o presidente da República.

Nada aconteceu por acaso. Foi uma política deliberada para negar a ciência e provar que o presidente estava certo em receitar cloroquina e defender a imunidade de rebanho, ao pregar para os seus devotos em lives, entrevistas e conversas no "cercadinho" do Alvorada, ao longo destes 19 meses de pandemia. .

Quando mais gente morria, e os hospitais ficavam superlotados de doentes, mais o capitão se apegava às suas certezas, como um napoleão enlouquecido do cerrado que combatia seu próprio país até a morte para salvá-lo dos comunistas.

No mesmo momento em que o cidadão brasileiro Tadeu Frederico de Andrade revelava ao país como suas filhas o salvaram da morte planejada na Prevent Senior, para cortar custos de UTI, desligar aparelhos e ministrar morfina, Bolsonaro fazia a sua última tentativa para salvar a cloroquina, ao intervir, de longe, numa reunião da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), órgão do Ministério da Saúde que orienta o uso de remédios e insumos.

Por "ordens de cima", ou melhor, do topo da hierarquia, o ministro Marcelo Queiroga simplesmente mandou tirar da pauta a discussão sobre o protocolo do "kit covid" implantado pelo general Eduardo Pazuello, logo quando assumiu o cargo de ministro, sob a ordem "um manda e outro obedece", que seria enterrado nesta reunião, por recomendação dos médicos e técnicos da comissão.

E sabem o que aconteceu? O documento sobre a cloroquina vetado por Bolsonaro logo vazou na CPI e o fiel Queiroga foi convocado para depor, pela terceira vez, quando a comissão já estava encerrando os trabalhos de ouvir testemunhas e investigados, e preparando o relatório final. Nasceram para perder, incompetentes que são.

Queiroga pazualinizou-se para não ser demitido, em meio a mais uma crise no Ministério da Saúde, que foi parar numa delegacia de polícia de Brasília, onde a secretária do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, mais conhecida como Capitã Cloroquina, registrou boletim de ocorrência contra o chefe de gabinete, João Lopes de Araújo Junior, por sofrer ameaças, depois de ter sido acusada de agir, em conjunto com o ministro Onyx Lorenzoni, de tramar a queda do ministro da Saúde.

Lopes teria dito a Mayra que "vai ver a mão de Deus" sobre ela. Pobre Deus, em nome de quem se falam e fazem as maiores barbaridades.

Este é o nível do "ministério técnico" nomeado por Bolsonaro para se livrar do "é dando que se recebe", quem diria... Quanto mais fraco o governo, mais forte fica o Centrão. A ex-presidente Dilma e o ex-super Posto Ipiranga do capitão que o digam.

Na esbórnia em que se transformou esse governo, com o ministro Paulo "offshore" Guedes procurando uma boia para se salvar, depois de ser lançado ao mar pelo Centrão, que o convocou a prestar contas no plenário, o presidente Bolsonaro ainda encontrou tempo para vetar o trecho de uma nova lei aprovada no Congresso, que previa a oferta gratuita de absorventes higiênicos e outros cuidados básicos de saúde menstrual a alunas de escolas públicas de ensino médio, mulheres em situação de rua e presidiárias.

É preciso, claro, economizar verba pública para pagar as emendas parlamentares do bilionário orçamento secreto que agora está sendo investigado pela Controladoria-Geral da União e Polícia Federal. Em audiência na Câmara, o ministro da CGU, Wagner Rosário, disse "não ter dúvida" de que há corrupção na compra de tratores pelo governo via orçamento secreto, em que haveria pagamento de propina a parlamentares. Bolsonaro já não controla todos os controles, tem alguma coisa errada na cabine de comando.

Na mesma hora, no mesmo país, numa outra sala do mesmo Congresso Nacional, o sobrevivente Tadeu Frederico de Andrade contava sua saga num digno e pungente depoimento, que fez até senador ficar com lágrimas nos olhos (ver matéria aqui no UOL).

O que falta ainda para enterrar de vez esse desgoverno, sem choro nem vela, sem dó nem piedade?

Vida que segue.

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Grupo de Ciro Gomes se passa por Dilmistas para atacar Lula em visita a Eunício Oliveira

Apoiadores de Ciro, comandados pelo "Social Media Designer" do PDT João Cyrilo, foram desmascarados nas redes sociais. Antes, conseguiram emplacar notas em sites como sendo apenas "eleitores da ex-presidente"

Apoiadores de Ciro Gomes se passam por Dilmistas para atacar Lula (Reprodução)

Um grupo de sete apoiadores de Ciro Gomes, liderados por João Carlos Cyrilo, secretário-geral da Juventude Socialista e “Social Media Designer” do PDT, se passou por apoiadores de Dilma Rousseff (PT) para atacar Lula em um protesto fake em frente à casa do ex-presidente do Senado, Eunício de Oliveira (MDB-CE), em Brasília, na noite desta quarta-feira.

Os apoiadores de Ciro disfarçados de Dilmistas levaram faixas onde se lia: “tá fazendo o que com essa gente Lula?”. O grupo ainda teria gritado palavras de ordem como ““Esses canalhas que o senhor janta hoje aí que golpearam a nossa democracia! Respeita a Dilma, Lula!”.

O protesto fake foi divulgado em fotos e vídeo (veja abaixo) pelo próprio Cyrilo, que no Twitter se identifica somente como “ativista da democracia e tweeteiro profissional”.

“Lula esbravejou tanto aos golpistas em 2015, tanto conclamou para lutar contra o golpe do MDB e hoje janta, como se nada tivesse acontecido, com a cúpula dos golpistas? O que é isso, companheiro?”, escreveu às 20h54.

O próprio cirista divulgou cerca de três horas depois a repercussão por parte da imprensa, incluindo o site O Antagonista, que classificou o grupo apenas como “eleitores da ex-presidente”.

A reportagem do Poder 360, que também não cita que o grupo é aliado a Ciro Gomes, lembra que Eunício Oliveira era senador e votou a favor do golpe contra Dilma.

O ato fake foi desmascarado nas próprias redes em comentário em tuite de Gustavo Castañon, professor de Filosofia e Psicologia na Universidade Federal de Juiz de Fora que é ligado ao grupo.

“Hi gente, parece que uns dilmistas escracharam o Lula lá no jantar com a quadrilha que deu o golpe na Dilma, confere?”, publicou Castañon, recebendo como resposta “foi uma turma do PDT”.

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França pede explicações à Igreja pela defesa do 'sigilo da confissão' nos casos de abuso sexual

Governo vai convocar presidente da Conferência dos Bispos francesa (CEF) para esclarecer situação após relatório mostrar ao menos 216 mil casos de violência sexual cometidos por integrantes do clero contra menores
Chefe da Conferência dos Bispos da França, Eric de Moulins-Beaufort Foto: THOMAS COEX / AFP
Chefe da Conferência dos Bispos da França, Eric de Moulins-Beaufort Foto: THOMAS COEX / AFP

PARIS — O governo francês anunciou nesta quinta-feira que convocará o presidente da Conferência dos Bispos da França (CEF, na sigla em francês), o monsenhor Éric de Moulins-Beaufort, para pedir explicações sobre sua defesa do "direito da confissão" mesmo em casos de abusos de menores de idade por integrantes da Igreja Católica.

O dirigente dos bispos católicos da França declarou na quarta-feira — dia seguinte à publicação de um relatório que constatou ao menos 216 mil casos de abuso sexual contra menores cometidos por integrantes do clero a partir dos anos 1950 — que o sigilo da confissão é "mais forte que as leis".

— Nada é mais forte que as leis da República em nosso país — disse hoje o o porta-voz do governo, Gabriel Attal, destacando que o presidente Emmanuel Macron pediu ao ministro do Interior, Gérald Darmanin, que convocasse Moulins-Beaufort.

Uma fonte próxima a Darmanin disse à AFP que o ministro "receberá, no início da próxima semana, o monsenhor para pedir explicações sobre suas declarações".

O relatório da Comissão Independente sobre Abusos Sexuais na Igreja (Ciase) constatou ainda que o número de casos de abuso sexual na Igreja francesa nos últimos 70 anos pode passar de 300 mil se forem consideras as agressões cometidas por católicos que não têm cargos eclesiásticos, como catequistas e animadores de grupos de jovens.

Para evitar novos casos, o relatório da Ciase recomendou que a Igreja deixe claro que o sigilo da confissão não encobre crimes do tipo, que devem ser denunciados à Justiça, entre outras propostas.

Embora o Papa Francisco, que expressou "vergonha" pelos abusos contra crianças na França, tenha transformado o combate ao assédio em uma prioridade, sempre ficou estabelecida uma linha vermelha: o sigilo da confissão.

"Uma informação de 'delictum gravius' que tenha sido mencionada em uma confissão está sob o sigilo sacramental mais rígido", afirma um manual de 2020 do Vaticano para administrar esses casos.

O respeito ao direito da confissão, um dos sete sacramentos na doutrina católica junto com o batismo e ao casamento, exclui qualquer acusação a partir de uma admissão feita no confessionário.

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Caso Mari Ferrer: por falta de provas, Justiça decide absolver empresário da acusação de estupro de vulnerável contra influencer

Após recurso movido pela acusação, colegiado decidiu, por unanimidade, inocentar André Camargo Aranha, confirmando sentença da primeira instância
Mari Ferrer: fotos sorrindo ficaram no passado da influencer após episódio relatado por ela em boate de Florianópolis Foto: Reprodução
Mari Ferrer: fotos sorrindo ficaram no passado da influencer após episódio relatado por ela em boate de Florianópolis Foto: Reprodução

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RIO — O Tribunal de Justiça de Santa Catarina confirmou, nesta quinta-feira (7), em segunda instância, a absolvição do empresario André Camargo Aranha, acusado pela influencer Mariana Borges Ferreira, conhecida nas redes sociais como Mari Ferrer, pelo crime de estupro de vulnerável.

O colegiado de desembargadores concluiu que não havia provas que sustentassem a acusação, confirmando sentença que já havia sido proferida em primeira instância. 

A blogueira afirma que, em 15 de dezembro de 2018, quando trabalhava como embaixadora de uma festa na boate Café de La Musique, em Jurerê Internacional, Florianópolis (SC), foi dopada e obrigada a ter relação sexual quando não tinha discernimento sobre seus atos.

A decisão foi tomada por unanimidade. 

Os magistrados acompanharam o voto do desembargador Ariovaldo Rogério Ribeiro da Silva, da 1ª Câmara Criminal do TJSC, que conduziu a sessão. 

Ainda cabe recurso em instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na sessão, presencial, foram ouvidos os advogados de acusação, Júlio Cesar Ferreira da Fonseca, e de defesa, Cláudio Gastão da Rosa Filho.

André Camargo Aranha: empresário foi absolvido em primeira e segunda instância das acusações de estupro de vulnerável Foto: Reprodução
André Camargo Aranha: empresário foi absolvido em primeira e segunda instância das acusações de estupro de vulnerável Foto: Reprodução

Em setembro do ano passado, Aranha já havia sido absolvido em primeira instância, em decisão que gerou críticas e revolta por parte da opinião pública

O caso ficou ainda mais conhecido quando, logo em seguida, veio à tona um vídeo gravado durante o julgamento, que mostrava o advogado de André Aranha, Cláudio Gastão da Rosa Filho, desqualificando Mari Ferrer. 

Na gravação, feita durante sua sustentação, ele aparece exibindo imagens sensuais da jovem, e fazendo comentários pejorativos sobre sua conduta. 

Ele chamou as imagens da catarinense de "ginecológicas" e afirmou que "jamais teria uma filha do nível" de Mariana.

Na ocasião, a atitude foi repudiada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, que definiu as imagens como "estarrecedoras". 

À época, Da Rosa Filho defendeu-se afirmando que a sessão havia sido longa e que a as imagens tinham sido editadas fora de contexto.

As perícias feitas durante a investigação do caso confirmaram que Ferrer e Aranha tiveram relações sexuais, e que a jovem, à época com 21 anos, havia de fato perdido a sua virgindade. 

No entanto, apesar de imagens de câmeras de segurança mostrarem a jovem cambaleando, e haver testemunhas que afirmam que Ferrer deixou a boate aparentemente sob efeito de álcool, os exames toxicológicos e de dosagem alcoólica não detectaram qualquer tipo de substância conhecida no corpo da jovem.

A reportagem não conseguiu contato com os advogados de acusação e defesa. 

Nas redes sociais, Mari Ferrer publicou à véspera do julgamento imagens em referência ao caso, mostrando um braço roxo, laudos feitos por psiquiatras que apontam necessidade de a influencer usar medicamentos e manter acompanhamento médico, e imagens que mostram seus olhos inchados. 

Em texto, publicou uma passagem da Bíblia. 

Um abaixo assinado publicado por ela também já somava 339.170 assinaturas pedindo ao TJSC a condenação de André Aranha.

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Por que tantos vencedores do Nobel de Literatura não têm livros no Brasil?

Premiação do tanzaniano Abdulrazak Gurnah trouxe de volta uma velha frustração dos leitores brasileiros
O escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah Foto: Reprodução
O escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah Foto: Reprodução

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RIO — O anúncio do tanzaniano Abdulrazak Gurnah como o Nobel de Literatura de 2021 trouxe de volta uma velha frustração, que vem se tornando quase anual. Quatro dos últimos 10 laureados não tinham obras publicadas no Brasil.

Foi o caso da poeta americana Louise Glück  no ano passado, e também da bielorrussa Svetlana Alexiévitch (2015), o chinês Mo Yan (2012) e o sueco Tomas Tranströmer (2011). Muitos dos outros vencedores deste período também não eram fáceis de achar.

Embora conhecido no Brasil, o austríaco Peter Handke estava fora de moda, com apenas dois livros em catálogo. E a autora anunciada junto com ele, a polonesa Olga Tokarczuk, tinha só um: “Os vagantes”, publicado por aqui em 2015 pela Tinta Negra. 

Livros do romancista Abdulrazak Gurnah: obra ainda não publicada no Brasil Foto: JONATHAN NACKSTRAND / AFP
Livros do romancista Abdulrazak Gurnah: obra ainda não publicada no Brasil Foto: JONATHAN NACKSTRAND / AFP

O Nobel esquentou o mercado - e o mesmo deve acontecer com a obra de Gurnah. Um mês depois, a Todavia publicou “Sobre os ossos dos mortos”, de Tokarczuk, e a Estação Liberdade lançou “Ensaio sobre a jukebox” e “Ensaio sobre os cogumelos”, de Handke.

Às vezes, os leitores precisam esperar mais para ler um Nobel em português. Em 2012 e 2014, poucos brasileiros conheciam o poeta chinês Mo Yan e a escritora e jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, ambos publicados posteriormente pela Companhia das Letras. Quando levou o prêmio, em 2013, a contista canadense Alice Munro já tinha um punhado de títulos no Brasil, tanto pela Companhia das Letras quanto pela Biblioteca Azul (Globo Livros), mas ainda estava longe de ser um sucesso comercial. A maioria dos livros do francês Patrick Modiano já tinha sido editada no Brasil, mas estava esgotada quando ele foi laureado, em 2014.

— Os nomes mais óbvios, que acabam sendo os que já têm livros publicados aqui, têm sido preteridos pelo prêmio — argumenta Livia Vianna, editora executiva da Record. — Neste ano mesmo, uma de nossas autoras, Maryse Condé, cujo livro "Eu, Tituba" já tem grande público no Brasil,  estava em bolões de todo o mundo e não foi o caso. Assim como Margaret Atwood e Murakami, ambos com imenso público leitor no Brasil, estão sempre entre os prováveis, mas nunca entre os vencedores, que têm sido, basicamente, surpresas.

Livia cita como exemplos das escolhas imprevisíveis a vitória do cantor-compositor Bob Dylan, em 2016, e a dupla premiação do ano passado:

— Os nomes escolhidos têm sido tão peculiares que se tratam de autores de público quase sempre restrito. Se é restrito até no estrangeiro, quer dizer que aqui dificilmente o autor já é publicado.

A escassez tem a ver também com algumas características do mercado editorial brasileiro. Uma delas é a preferência por publicar autores que escrevem em inglês ou fazem sucesso em mercados de língua inglesa, como os Estados Unidos e o Reino Unido. Mesmo autores já lançados por editoras inglesas e americanas enfrentam dificuldades para conquistar o mercado brasileiro se escrevem em línguas para as quais não há tantos tradutores qualificados por aqui, como o polonês e o chinês. Mo Yan, por exemplo, só foi ser publicado no país, primeiro pela Cosac Naify e depois pela Companhia das Letras, após o prêmio. Em 2018, o sueco Tranströmer foi editado pela Âyiné.

Liev Tolstói

O escritor russo Liev Tolstói Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Em 1901, no ano de estreia do Prêmio Nobel, a escolha do poeta francês Sully Prudhomme em detrimento de Liev Tolstói provocou um escândalo. Um grupo de artistas suecos chegou a escrever para o russo lamentando a decisão da Academia Sueca.

Marcel Proust

O escritor francês Marcel Proust Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Escrever uma das obras literárias mais importantes do século XX, "Em busca do tempo perdido", não foi suficiente para que Proust ganhasse o Prêmio Nobel. Um dos motivos seria o fato do autor abordar temas polêmicos na época.

James Joyce

O escritor irlandês James Joyce Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Grande influência de futuros vencedores, como Samuel Beckett e Saul Bellow, o autor de "Ulysses", "Finnegans Wake" e "Dublinenses" sequer foi indicado ao Nobel, apesar do impacto dos seus trabalhos na literatura moderna.

Virginia Woolf

A escritora britânica Virginia Woolf Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Só treze mulheres ganharam o Nobel e a escritora e ensaísta britânica Virginia Woolf, autora de "Orlando" e "Mrs. Dalloway", não foi uma delas. A primeira mulher a ser agraciada foi a autora sueca Selma Lagerlöf em 1909.

Jorge Luis Borges

O retrato do escritor argentino Jorge Luis Borges foi feito durante as gravações do documentário "Borges para milhões" e é a fotografia que despertou no artista o desejo de registrar autores Foto: Daniel Mordzinski
Foto: Daniel Mordzinski

As polêmicas posições políticas do escritor argentino em apoio a ditadores na América Latina e na Europa o afastaram do prêmio. Borges costumava dizer, em tom irônico, que "esse pessoal em Estocolmo acha que já me deu um Nobel".

Paul Valéry

O poeta francês Paul Valéry Foto: Arquivo
Foto: Arquivo

O poeta francês foi indicado Nobel 12 vezes entre 1930 e 1945, quando finalmente a Academia Sueca decidiu escolhê-lo. No entanto, Valéry morreu em julho e o prêmio foi para a poeta chilena Gabriela Mistral.

Vladimir Nabokov

O escritor russo-americano Vladimir Nabokov Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Indicado ao prêmio em 1974, o autor russo-americano conhecido por seu romance "Lolita", de 1955, perdeu para uma dupla de escritores suecos que, na época, fazia parte do comitê do Nobel.

Chinua Achebe

O escritor nigeriano Chinua Achebe Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Um dos principais escritores da África, o autor nigeriano morreu em 2013 sem receber a láurea. Apenas quatro africanos receberam o prêmio, entre eles o seu conterrâneo Wole Soyinka, em 1986.

— No caso de muitos idiomas, como o próprio polonês, o russo etc.,  acaba sendo inevitável você só conhecer determinado autor depois que ele passa pelo filtro da indústria editorial de língua inglesa. Ou mesmo quando o autor “acontece” em culturas hegemônicas, como nos EUA, na Alemanha ou na França — explica Leandro Sarmatz, editor da Todavia, citando as escolhas pouco óbvias da Academia Sueca. — Ela muitas vezes confere o prêmio justamente a autores importantes que julga merecedores de uma maior audiência, seja por motivos literários ou não. Assim, nomes que não estavam tanto no radar ganham uma dimensão mundial. O que é bom em muitos casos, basta pensar no que aconteceu, nos últimos anos, com Svetlana e Olga.

'Nem tão terrível assim'

Para Otavio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras, o tamanho relativamente pequeno do público leitor brasileiro ajuda a explicar por que alguns escritores ainda não têm livros em português quando recebem o Nobel. No entanto, ele contemporiza: a escassez de Nobéis recentes por aqui não é maior do que em outros países.

— O Brasil não está numa posição tão terrível assim. Os mercados de língua inglesa se interessam menos por tradução de ficção e poesia do que a Alemanha ou a Itália, por exemplo — afirma.

O fato de a Academia Sueca, nos últimos anos, não ter premiado autores que estavam bem colocados nas listas de apostas, também impede que editores garantam aos leitores os livros dos recém-nobelizados. Talvez numa tentativa de reafirmar sua independência, a Academia Sueca, apesar dos apelos do público, tem evitado premiar nomes ligados a pautas identitárias e às vezes até privilegiado escritores elogiados pela crítica mas já quase esquecidos.

— Handke, por exemplo, é um autor que foi muito publicado no Brasil em seu auge, nos anos 1980, mas não estava na crista da onda, nem aqui nem alhures — diz Marques da Costa.

Ao contrário. A premiação do austríaco, cujo talento literário é unanimidade,  foi alvo de muitas críticas por ele ter sido um notório defensor do ditador sérvio Slobodan Milosevic, acusado de  crimes contra a Humanidade.

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Ex-Miss Reino Unido leva R$ 2,6 bilhões após divórcio de magnata

A fortuna se aproxima do patrimônio estimado da rainha Elizabeth II, de R$ 2,7 bilhões.
Kirsty Bertarelli. Foto: Reuters
Kirsty Bertarelli. Foto: Reuters

A ex-Miss Reino Unido Kirsty Bertarelli, de 50 anos, ficou com uma fortuna de cerca de R$ 2,6 bilhões pelo acordo de divórcio alcançado com advogados do magnata Ernesto Bertarelli, com quem ficou casado por 21 anos e teve três filhos, contou o "Daily Mail". A soma faz de Kirsty, afirmou o tabloide, "a divorciada mais rica do Reino Unido".

A fortuna se aproxima do patrimônio estimado da rainha Elizabeth II, de R$ 2,7 bilhões. Além da enorme quantia, Kirsty também ficará com uma mansão avaliada em R$ 387 milhões, localizada em Genebra (Suíça). O casal Kirsty e Ernesto estava posicionado na 14ª posição dos mais ricos do "Sunday Times", com uma fortuna estimada em R$ 68,5 bilhões. Ela também possui um chalé de R$ 60 milhões na estação de esqui suíça de Gstaad.

Kirsty é agora mais rica do que as estrelas da música pop como Mick Jagger (R$ 2,3 bilhões), Ed Sheeran (R$ 1,6 bilhão) e Adele (R$ 1 bilhão)."A separação foi amigável", disse um porta-voz do ex-casal.

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CPI traça estratégia para pressionar Augusto Aras a investigar autoridades indiciadas em relatóriofinal | Bela Megale - O Globo

Aras enterra a Lava-Jato, mas  senta em cima dos rolos da famiglia Bolsonaro.

A cúpula da CPI da Covid traçou uma estratégia para pressionar o procurador-geral da República, Augusto Aras, a investigar as denúncias que estarão presentes no relatório final da comissão. Os senadores vão entregar o documento a diferentes Ministérios Públicos Federais e Estaduais para que os órgãos apurem fatos envolvendo pessoas sem foro privilegiado que também serão indiciadas pela CPI.

A avaliação de senadores é que haverá uma pressão “de baixo para cima” entre membros do MP. Ou seja, com as investigações correndo em diferentes segmentos do órgão, Aras será pressionado tanto por seus pares quanto pela opinião pública a se mobilizar. Somente a PGR pode investigar pessoas com foro, como o presidente Bolsonaro e o líder do governo na Câmara Ricardo Barros (PP-PR), que serão alvos do relatório.

Os crimes atribuídos ao ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e ao seu ex-braço-direito na pasta, Élcio Franco, que não têm foro privilegiado, constarão na documentação que será entregue ao MPF do Distrito Federal. O órgão da capital federal também concentrará as denúncias envolvendo a Precisa Medicamentos, empresa que intermediou a venda da vacina Covaxin ao governo.

O material relativo aos experimentos da Prevent Senior em pacientes e à obrigação de seus médicos receitarem o kit Covid será destinado à Força-Tarefa do Ministério Público do Estado de São Paulo. A Assembleia Legislativa de São Paulo e a Câmara Municipal da capital paulista também receberão a documentação. Os Ministério Público Federal e Estadual de outras localidades, como Amazonas, irão receber outra parte das denúncias.

Os atos de entrega do relatório final também serão usados para manter a CPI em evidência e com a opinião pública a seu favor, mesmo após o encerramento dos trabalhos. O vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), é responsável por elaborar uma agenda entre membros da comissão e segmentos do MP e da sociedade civil para manter as denúncias da CPI em pauta.

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Câmeras de segurança registram homem que estuprou e matou idosa nadando na piscina do condomínio da vítima

O caso aconteceu na última quinta-feira e Cristian de Jesus Santos, de 23 anos, foi preso em flagrante horas depois de cometer os crimes
Acusado de estuprar e assassinar idosa de 67 anos na Bahia curte piscina no condomínio da vítima Foto: Reprodução
Acusado de estuprar e assassinar idosa de 67 anos na Bahia curte piscina no condomínio da vítima Foto: Reprodução

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Câmeras de segurança gravaram o momento em que um suspeito de roubar, estuprar e esganar até a morte uma idosa de 67 anos toma banho de piscina no condomínio de alto padrão da vítima, em Salvador. 

As imagens foram divulgadas pela Folha de S. Paulo. 

A polícia não disse ao GLOBO se os registros foram feitos antes ou depois de o acusado cometer os crimes. 

O caso aconteceu na última quinta-feira e Cristian de Jesus Santos, de 23 anos, foi preso em flagrante horas depois.

A vítima foi identificada como Maria Helena Mazzei Pereira e era viúva do ex-juiz do trabalho e advogado Rui Vinhas Pereira. 

Ela deixou três filhos e seis netos. De acordo com a polícia, o acusado era funcionário de uma imobiliária e há uma semana trabalhava em uma reforma no imóvel da vítima.

Acusado de estuprar e assassinar idosa de 67 anos na Bahia curte piscina no condomínio da vítima Foto: Reprodução
Acusado de estuprar e assassinar idosa de 67 anos na Bahia curte piscina no condomínio da vítima Foto: Reprodução

Cristian atuava no sétimo andar, mesmo em que a vítima morava, e também no quarto. Ele admitiu à polícia que foi até a casa da idosa para pedir um copo de água, com o intuito de roubá-la, mas acabou a estuprando e matando. A polícia investiga porque ele escolheu a vítima.

Após cometer os crimes, o suspeito roubou o celular da vítima e o escondeu em uma estrutura de energia, próximo da casa dele, no bairro da Liberdade, onde foi flagrado pelos policiais. 

Segundo noticiado pelo G1, o suspeito tem passagem na polícia por roubo de veículos e participa de um grupo de tráfico de drogas.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que “as investigações estão em fase conclusiva e mais detalhes não podem ser divulgados”.

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O apagão moral do Facebook

Não é nem sábio, nem prudente, nem admissível, que tanta gente dependa de uma única companhia; sobretudo uma controlada por um único homem

Tudo o que o Facebook não precisava, nesse momento, era de um apagão como o que aconteceu na segunda-feira. Faz tempo que a rede está sob a mira de autoridades no mundo inteiro, mas desde que o Wall Street Journal começou a publicar uma série de reportagens baseada no vazamento de pesquisas internas da empresa, a atenção geral foi redobrada.

Há muita coisa errada com o Facebook, a começar pelo fato de que o Facebook é proprietário também do Instagram, do Messenger e do WhatsApp. Juntas, essas redes alcançam metade da população mundial. Não é nem sábio, nem prudente, nem admissível, que tantas pessoas dependam de uma única companhia — sobretudo uma única companhia controlada, efetivamente, por um único homem.

Existe uma lenda antiga que diz que a Arpanet, precursora da internet, foi projetada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, no fim dos anos 1960, para sobreviver a um ataque nuclear. Como se faria isso? Em linhas muito gerais, com computação distribuída e roteamento automático. Ou seja: em vez de ligar todos os computadores da rede a um único ponto central, as máquinas estariam conectadas entre si, mas seriam unidades independentes. Se uma ou mais fossem atingidas, as demais continuariam funcionando e “conversando” umas com as outras.

Para um contingente incalculável de pessoas, Facebook, WhatsApp e Instagram são, de fato, a internet: tudo o que conhecem da internet, tudo o que fazem na internet. Pois o planeta regrediu tanto em termos de liberdade e de segurança nas redes que um reles erro técnico, cometido por uma equipe de uma empresa privada, conseguiu deixar meio mundo sem conexão. O mais grave é que parte desse meio mundo usa as redes da empresa para viver; o mais absurdo é que as portas fechadas do Facebook impediram usuários de entrar em outros sistemas, porque muita gente faz login em aplicativos através do Facebook.

Há 50 anos, isso não teria acontecido.

Mas essa é só uma das pontas do iceberg em forma de ouriço chamado Facebook. No domingo, Frances Haugen, que trabalhou lá e que vazou os documentos para o WSJ, deu uma entrevista ao “60 minutes”, o telejornal mais popular dos Estados Unidos. Haugen voltou a ficar em evidência na terça-feira, quando depôs no Senado.

Seu depoimento foi amplificado pelo apagão. Mesmo quem não estava prestando atenção parou para ouvir porque, na segunda-feira, não conseguiu acesso.

O que Haugen disse foi, em essência, o que todos nós que observamos as redes sociais já sabemos há algum tempo: que elas estimulam a polarização e corroem a democracia; e que o Instagram é particularmente nocivo para jovens ao apresentar em imagens filtradas uma perfeição que não existe.

O extremismo é incentivado porque gera mais likes e mais engajamento. Todo mundo quer saber qual é a treta, e linchar quem tem opiniões divergentes virou uma grande diversão.

O que faz o depoimento de Haugen ser diferente de tudo o que já ouvimos é que ela trouxe provas de que, conhecendo os seus efeitos perversos, o Facebook optou por continuar lucrando com publicidade e não tomar providências, tornando-se cúmplice de crimes contra a Humanidade.

No futuro, nossos netos vão olhar para trás, incrédulos, perguntando onde estavam os governos que permitiram isso.

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'Morreu lutando para viver', diz amiga de jovem morta e concretada na parede por pedreiro no litoral de SP

Joice Maria da Glória Rodrigues, de 25 anos, foi estrangulada com uma camiseta e teve o corpo acimentado em uma parede por um pedreiro, de 56 anos. A vítima estava desaparecida desde o dia 27 de setembro
Joice Maria da Glória Rodrigues, de 25 anos, havia desaparecido em São Vicente, SP Foto: Reprodução
Joice Maria da Glória Rodrigues, de 25 anos, havia desaparecido em São Vicente, SP Foto: Reprodução

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RIO - Familiares e amigos de Joice Maria da Glória Rodrigues, de 25 anos, prestaram homenagens nas redes sociais à jovem assassinada e concretada por um pedreiro, de 56 anos, em São Vicente, região da Baixada Santista de São Paulo. Segundo os relatos, Joice era alegre, religiosa e deixou duas filhas e o marido Gabriel Penha, com quem era casada desde 2013.

A sogra da vítima Elissandra da Penha, publicou uma nota carinhosa de saudade à única nora: “Você deixará muita saudade, minha única nora. Era assim que você gostava de ser chamada. Vamos te amar para sempre”, escreveu.

Em depoimento, uma amiga da vítima relatou que Joice “morreu lutando para viver” e completou dizendo que a jovem construiu uma linda família, que a amava muito e que será cuidada por parentes e amigos.

“Quem a conheceu sabe o quanto ela era alegre, onde chegava mudava totalmente o ambiente, amava a família mais que tudo, estava sempre fazendo as pessoas rirem, ela era forte e sempre correu atrás do que queria, sempre disposta a ajudar”, conta.

Outros conhecidos da jovem também publicaram mensagens de indignação pela morte trágica da vítima. Se referindo à Joice como “minha baixinha”, uma colega deixou sua mensagem de saudade. “Não estou conseguindo acreditar que você se foi Joice Maria, vai deixar saudades. Descansa em paz minha baixinha, eternamente no meu coração. Que maldade, dói muito”. “Basta tudo que nós mulheres estamos passando, quanta falta de respeito, quantos assédios, quantas mortes, quantos ataques”, pontuou outra.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Joice aparece cantando em uma igreja evangélica que frequentava. Em diversos posts em seu perfil do Facebook feitos por ela mesma, é possível ver o carinho que a jovem também tinha por seus familiares e amigos. "Hoje meus parabéns vai para meu paidrasto que é um cara incrível que chegou nas nossas vida para somar e nos fortalecer", escreveu a vítima em abril.

O caso

Joice desapareceu no dia 27 de setembro. Estudante, ela morava no bairro Quarentenário, na Área Continental da cidade, com o esposo e duas filhas. Ela saiu para visitar o avô, que mora no bairro Parque Bitaru, na Área Insular, durante a tarde do dia do desaparecimento. Ela ficou no local até por volta das 19h, quando saiu. Desde então, ninguém conseguiu localizar a jovem.

A jovem foi localizada pela Polícia Civil na parede de um imóvel em construção na Rua Senador Lúcio Bittencourt, no bairro Esplanada dos Barreiros, após um pedreiro, de 56 anos que não foi identificado, admitir nesta terça-feira que a matou estrangulada com uma camiseta depois de ter mantido relações sexuais com a vítima. O homem ainda informou a participação de um segundo suspeito, de 35 anos. Os dois foram presos por homicídio e ocultação de cadáver.

No local onde Joice foi assassinada, os agentes encontraram pinos plásticos vazios, geralmente utilizados para acondicionar cocaína, além de uma sacola com calcinhas na parte superior da construção, que foi apreendida.

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Pandemia e falta de artistas: por que protestos pelo impeachment têm baixa adesão?

Políticos e acadêmicos ouvidos pelo GLOBO também citam uma espécie de “trauma” por causa das manifestações que levaram a afastamentos anteriores de presidentes
Protesto contra o Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reuniu vários movomentos da esquerda brasileira na Avenida Paulista Foto: Vincent Bosson/Fotoarena/Agência O Globo
Protesto contra o Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reuniu vários movomentos da esquerda brasileira na Avenida Paulista Foto: Vincent Bosson/Fotoarena/Agência O Globo

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SÃO PAULO — Políticos de esquerda e especialistas ainda tentam encontrar razões para a adesão abaixo do esperado ao protesto do último dia 2. Embora 56% da população defenda o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, segundo o Datafolha, as ruas não ficaram cheias. Pandemia, falta de mobilização “fora da bolha”, ausência de artistas e até uma espécie de “trauma” por causa das manifestações que levaram a afastamentos anteriores de presidentes são citados como motivos por políticos e acadêmicos ouvidos pelo GLOBO.

Pablo Ortellado, professor de gestão de Políticas Públicas na USP, coordenou pesquisas com participantes da manifestação do dia 2 na Avenida Paulista convocada pela esquerda e do ato de 12 de setembro organizado no mesmo local pelos movimentos de direita MBL e Vem Pra Rua. Ele acredita que os ressentimentos do processo de impeachment de Dilma Rousseff e a dinâmica eleitoral de 2022 estão impedindo que os protestos ganhem amplitude.

— Nessas duas manifestações, os organizadores tentaram dar um caráter amplo, mas as nossas pesquisas mostraram que as pessoas que estavam ali não engolem uma frente ampla. A polarização que se instalou no país nos últimos anos está funcionando como um bloqueio e está impactando na mobilização.

Ortellado também ressalta que mobilização de rua é “uma coisa enigmática”.

— Mobilização de rua e opinião pública são coisas diferentes. É possível ter uma posição que é majoritária na sociedade, mas que não gera mobilização — diz o professor da USP ao explicar a diferença entre o apoio majoritário ao impeachment e a presença tímida na manifestação.

Presidente do PDT, Carlos Lupi acredita que uma parte da população, principalmente os “simpatizantes do campo popular”, ainda tem receio de ir às ruas por causa da pandemia do novo coronavírus. O dirigente, que esteve nos atos do Rio e de São Paulo no dia 2, também vê um trauma da população com os impeachments de Fernando Collor em 1992 e de Dilma em 2016 porque os problemas brasileiros não foram solucionados após esses processos.

Caráter mais amplo

O presidente do partido de Ciro Gomes acredita, porém, que a situação pode mudar conforme a situação econômica se agrava.

— Temos descontrole da inflação, com preços de produtos essenciais em alta, crise hídrica. Isso tende a se agravar e pode causar uma explosão.

Lupi lembra ainda que no passado artistas foram fundamentais para as grandes mobilizações.

— O que atrai o povão é artista. A campanha das Diretas tinha Fafá de Belém, tinha Gil, Caetano, Chico.

A participação de artistas é um das inovações que está sendo discutida para a próxima manifestação, marcada para 15 de novembro. A ideia é que esse ato tenha um caráter mais amplo desde a organização e não fique vinculado à esquerda.

Sábado na Paulista, houve dezenas de discursos de várias lideranças, muitas delas desconhecidas. Esse formato é alvo de críticas, por ser considerado pouco agregador. A participação do PCO, partido radical de extrema-esquerda, também foi questionada. Militantes da legenda não seguiram o pacto definido de evitar defesa de candidaturas e de não atacar os demais participantes.

— Só estaremos presentes em uma construção que agregue apenas os que têm compromisso com a frente ampla — afirma Fernando Guimarães, coordenador do Direitos Já, movimento de defesa à democracia que une políticos da centro-esquerda à centro-direita.

As manifestações do último sábado tiveram uma adesão menor do que os atos de apoio a Bolsonaro no dia 7 de setembro, apesar de as pesquisas apontarem uma queda de popularidade do presidente ao longo do ano. Para a cientista política Esther Solano, professora da Unifesp, que faz pesquisas com apoiadores de Bolsonaro desde 2017, não há uma contradição entre esses dois fenômenos:

— São dois movimentos que acontecem em paralelo. Ao mesmo tempo em que Bolsonaro joga o seu jogo com a base mais fiel e a mobiliza, ele vai perdendo a sua base mais moderada, que, como mostram as pesquisas, fica incomodada com o discurso mais agressivo. Não é incoerente o fato de estar perdendo seguidores e ter ocorrido uma grande manifestação em setembro.

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Considerado de extrema esquerda, PCO tem agenda próxima do bolsonarismo

Responsável por brigas em atos pró-impeachment, sigla defende porte de arma, voto impresso e é contra vacinação obrigatória
Manifestação contra o presidente Bolsonaro Foto: Edilson Dantas / O Globo
Manifestação contra o presidente Bolsonaro Foto: Edilson Dantas / O Globo

SÃO PAULO — Representante do Partido da Causa Operária (PCO) no caminhão de som da manifestação contra Jair Bolsonaro no último sábado, na Avenida Paulista, Antônio Carlos levou 60 segundos para desagradar a alguns de seus pares. Com o microfone na mão, ele xingou Ciro Gomes no ato cuja pretensão era unificar a esquerda pelo impeachment do presidente.

— Tem cretino que diz que é contra o Bolsonaro, mas fez igualzinho à direita. Levantou calúnia e chamou o Lula de canalha. Canalha é o Ciro Gomes!

Pedetistas rebateram e, mais tarde, Ciro deixaria o local sob vaias e tentativas de agressão por parte de manifestantes do PT e da CUT. Não foi a primeira vez que o PCO apareceu de forma ruidosa em protestos da oposição a Bolsonaro. No ato do dia 3 de julho, seus militantes agrediram membros do PSDB.

Com 4.200 filiados, o PCO é majoritariamente um partido de homens brancos. Entre suas 55 candidaturas na eleição de 2020, negros representavam 12,7%, e mulheres, 25,5%. Ninguém foi eleito. Seu presidente é o mesmo desde a fundação, em 1995: Rui Costa Pimenta, candidato a presidente três vezes.

Considerado um partido de extrema esquerda, o PCO tem agenda próxima a um movimento de espectro ideológico inverso: o bolsonarismo. Essa afinidade foi tratada num artigo publicado no site “Brasil Sem Medo”, ligado ao ideólogo da direita radical Olavo de Carvalho. Intitulado “Por que você não aguenta mais concordar com o PCO”, o texto diz que os dois grupos têm as mesmas críticas, como, por exemplo, “a não concordância com a vacinação obrigatória ou com as agendas gays e feministas”, mas por motivos diferentes. “Para o PCO são casuísmo; para os conservadores, princípios”.

A convergência das pautas é anterior à chegada de Bolsonaro à Presidência. Em 2014, Pimenta defendeu o direito de qualquer cidadão portar armas de fogo e a criação de milícias populares como forma de combater o crime.

Na eleição à Prefeitura de São Paulo, o candidato do PCO, Henrique Áreas, defendeu acabar com as multas de trânsito e revogar a redução na velocidade das Marginais, que serviria para “reprimir a população e retirar dinheiro”. Ambas as pautas são caras a Bolsonaro. O PCO, aliás, também defende o voto impresso.

De olho nos próximos atos, partidos de esquerda atuam para aparar as arestas com a centro-direita.

— A esquerda não tem votos para aprovar o impeachment, partidos como PSDB, DEM e PSL devem ser aceitos nos protestos — diz o presidente do PDT paulistano, Antônio Neto.

Antônio Carlos, por sua vez, aponta que o clima de confronto deve continuar.

— Foi montada uma operação de estelionato por grupos que não são a favor do “Fora, Bolsonaro”, como o PSDB. O PDT votou pela reforma da Previdência, privatizações. O que se viu de atrito foi até pouco.

________________________________________////////////As razões do fracasso do leilão de petróleo que o governo ainda tenta dizer que foi um sucesso | Míriam Leitão - O Globo

Ato contra leilão da ANP :

O governo Bolsonaro tenta esconder, mesmo depois de ter vendido apenas cinco de 92 blocos de petróleo, que foi um retumbante fracasso. Esse governo acha que se disser que a lua é quadrada, ela passará a ser quadrada. Isso que aconteceu de manhã é um fiasco, mas era bem previsível.

As empresas de petróleo hoje estão envolvidas em limpar sua cadeia produtiva, em se descarbonizar. Por isso estão investindo em novas energias e querendo ser conhecidas como empresas de energia, e não de petróleo. Estão calculando suas emissões e neutralizando, ou com mudanças de práticas, ou com compensações ambientais. É uma cadeia de difícil descarbonização, mas esse assunto está no foco das atenções dessas empresas. Portanto, elas não correriam o risco de comprar áreas perto de santuários ecológicos sem que esse assunto estivesse bem estudado.

O ICMBio alertou no ano passado que era “temerário” explorar petróleo em áreas tão próximas do Atol das Rocas e de Fernando de Noronha. Foi ignorado. Esse ano o Ministério do Meio Ambiente assinou com o Ministério das Minas e Energia um documento dizendo que estava tudo bem. E a ANP disse que o estudo de impacto ambiental seria feito depois. Uma coisa assim tão malfeita iria afastar os bons investidores. O maior risco era que uma empresa sem preocupação com a reputação acabasse dando lance.

Outra questão que fica clara nesse assunto é como no governo Bolsonaro, os órgãos traem as suas missões. E isso significa que eles estão atuando ilegalmente. O Ministério do Meio Ambiente não pode ser anti-ambiental como tem sido desde o começo desse governo. A lista dos que fazem o oposto do que deveriam fazer, portanto estão agindo contra o sentido das leis que os criaram, é muito grande. A cada dia há um exemplo de órgão que faz o oposto do que deveria.

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A roupa de Monique no tribunal | Ruth de Aquino - O Globo

Por Ruth de Aquino

Monique Medeiros chega para sua primeira audiência no tribunal, sete meses após o assassinato escabroso do filho de quatro anos

Quando vi a mãe de Henry de blusão largo de moletom branco, jeans e sandálias havaianas - sua roupa do presídio - chegando para o julgamento, pensei na mensagem que ela passaria para os juízes. Despojada? Humilde? A antes perua abusava, em perfis sociais, de oncinhas, decotes profundos, roupas coladas, bijuterias e joias. 

Ao depor na delegacia, 17 dias depois da morte bárbara do filho de quatro anos, fez uma selfie com os pés pra cima, o seio empinado em primeiro plano, o collant cavado deixando entrever a tatuagem. Sorrindo. Sem-noção total. 

Ao ver agora Monique no tribunal, despida de qualquer traço de vaidade no vestir – sem dispensar, porém, a sobrancelha feita ou a maquiagem – , eu me lembrei de Carmen Mayrink Veiga. Carmen foi colunista de etiqueta em jornal popular do Rio. Eu dirigia a redação. Ela respondia, na coluna, a dúvidas enviadas por cartas. Um dia, recebeu correspondência inusitada, de uma detenta no Rio, acusada de homicídio. As amigas de cela eram todas fãs de sua coluna. 

“Dona Carmen, irei a julgamento na próxima semana. Estou preocupada. Qual é a roupa que devo usar para impressionar favoravelmente promotores e juízes? No primeiro julgamento, usei jeans, camiseta e tênis, e fui condenada. E agora, o que devo vestir?” – escreveu, em português correto.

Carmen ficou comovida. Resistiu à óbvia sugestão – evitar listras horizontais – e deu uma dica. “Use uma roupa simples e sóbria, com meia-calça e sapato escarpin, cabelos penteados e maquiagem leve”. 

Carmen frequentava altas rodas, mas sabia como a roupa e a postura podiam ajudar ou prejudicar na hora de pedir emprego. Suas “Dicas de Carmen”, lidas no Country, nas casas de classe média e nos presídios, foram tema de extensa reportagem do The Wall Street Journal em 1998. As trocas com leitores comuns deixaram Carmen menos dogmática no ensino das boas maneiras, segundo o WSJ.

Nos tempos atuais, em que muita gente boa, culta e liberada abandona qualquer ideia de discrição e etiqueta e se expõe, na saúde e na doença, na euforia e na depressão, de forma desavergonhada nas redes sociais, Monique não é exceção. A imagem que emerge de seu Instagram é um desfile de mau gosto e exibicionismo impossível de deletar. 

A cada sessão no salão de beleza, ginástica ou viagem, ela se emperequetava para se mostrar. Veja bem, tá cheio de Monique assim por aí. Os paparazzi perderam o emprego porque as pessoas viraram paparazzi de si mesmas. A tatuagem que fez para cobrir o nome do marido após uma briga? Está lá no Insta, no corpo, barriguinha encolhida de fora. 

Trocou de roupa duas vezes para se apresentar na delegacia. Colocou um macacão escuro, cintado, com uma tiara no cabelo, mas seu advogado a aconselhou a vestir um conjuntinho branco mais discreto. Oscar Wilde, o maldito poeta irlandês gay, preso por sua homossexualidade no século XIX, dizia que “só os frívolos não julgam pela aparência”. Talvez.

Em julgamento, claro, não está a frivolidade mas a crueldade, o sangue frio. Monique ignorou relatos da babá de que o padrasto Jairinho torturava seu filho. Ameaçou instalar uma câmera e exigiu grana do marido. Acobertou a versão do monstro sádico, foi presa de mãos dadas com ele...e depois disse que era oprimida. Monique sorriu após o crime escabroso. E escreveu na prisão: “Eu fui a melhor mãe que meu filho poderia ter tido”. 

Não sei se Dona Carmen – sempre família e mãezona – teria estômago, hoje, para aconselhar Monique. Acho que não. Mas ela vetaria o moletom com havaianas no tribunal. Diria: troque a roupa do presídio.

No seu perfil no Instagram, Monique expôs tatuagem cobrindo nome de Jairinho. Depois da morte do filho, fez selfie sorrindo na delegacia
Trocando de roupa a conselho do advogado para depor

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Por filiação de Bolsonaro, Roberto Jefferson, da cadeia, apoia a expulsão da própria filha do PTB

Cristiane Brasil e Roberto Jefferson
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247 - O PTB, legenda presidida pelo ex-deputado Roberto Jefferson, preso desde agosto, anunciou na noite desta quarta-feira (6) a expulsão da ex-deputada Cristiane Brasil, filha de Jefferson do blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio e do pastor Fadi Faraj. O motivo é o racha racha interno em torno da possível filiação de Jair Bolsonaro ao partido. Roberto Jefferson apoia a expulsão da filha e dos outros dois. 

A crise teria começado quando Jefferson foi preso e entregou o comando do partido à vice-presidente da legenda, Graciela Nienov, que agora atua como presidente interina. Nienov e Brasil são adversárias políticas e estariam disputando o controle da legenda. Nesta quarta-feira (6) durante o dia, a filha de Jefferson garantiu que não seria expulsa do partido, mas, à noite, a  Secretaria Jurídica do PTB anunciou a expulsão dela e dos outros dois.

“A Secretaria Jurídica do PTB informa que Cristiane Brasil, Fadi Faraj e Oswaldo Eustáquio serão expulsos da legenda”, diz comunicado do partido às 22h37 desta quarta. “Além disso, Fadi Faraj e Oswaldo Eustáquio responderão por denunciação caluniosa após disseminação de fake news sobre o partido, em especial, contra a Vice-Presidente Graciela Nienov”, prossegue a nota.

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Veja:

Jefferson entrou em confronto com a filha ao enviar cartas e áudios enviados a membros do partido da prisão, na qual falava em possível “conspiração” de Cristiane Brasil e do bolsonarista radical Oswaldo Eustáquio dentro da legenda. As críticas se tornaram públicas dias depois 

Jefferson está internado e deve voltar à prisão nos próximos dias. Em postagem nas redes sociais nesta quarta-feira (6), pouco antes do anúncio do PTB sobre sua expulsão, Cristiane Brasil acusou Graciele Nienov de estar tramando uma “nova prisão” de seu pai.

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“Fiquei inclusive sabendo que a interina vai fazer mais uma festa hoje para celebrar a nova prisão do meu pai… e a culpa é minha? Isso não está nada normal! Jantar pela prisão do meu pai no PTB! Mais uma farra das loiras! Com champanhe e tudo mais! O ‘plano’ delas dando certo!”, escreveu a ex-deputada.

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Milton Neves defende Paulo Guedes, diz que seus R$ 51 milhões nas Ilhas Virgens são uma "merreca" e que deputados são "malas"

Jornalista Milton Neves e o ministro da Economia, Paulo Guedes
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247 - O jornalista esportivo Milton Neves, conhecido por suas posições de extrema direita, saiu em defesa de Paulo Guedes, após a revelação de que o ministro da Economia tem R$ 51 milhões em uma conta aberta por ele em uma offshore nas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal no Caribe. Para Neves, o valor é uma "merreca". Ele disse também que os deputados que irão inquirir Guedes são "malas".

"Aguardem que vai ser engraçado alguns deputados tentando encantoar Paulo Guedes na Câmara Federal. Inteligente, liso, legal e competente, Guedes vai dar baile na turma em 'interrogatório' sobre a 'merreca' que tem nas Ilhas Virgens perto de seu monumental pé de meia no Brasil!", escreveu o jornalista no Twitter. 

Em outro tuíte, Neves afirmou que "o saco do Paulo Guedes deve ser muito grande para aguentar tantos malas e tanta desinformação  sobre sua imensa fortuna brasileira e da legal 'merreca' (prá ele) que tem no exterior".

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Veja os tuítes

O ministro fundou, em 2014, a Dreadnoughts International, uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Meses depois, Guedes aportou na conta US$ 9,55 milhões, o que representou US$ 23 milhões na época (no câmbio atual, o valor hoje corresponde a 51 milhões de reais).

De 2019 em diante, o titular da pasta valorizou o seu patrimônio em pelo menos R$ 14 milhões em consequência do aumento do dólar - atualmente o valor corresponde aos R$ 51 milhões. A moeda fez crescer o equivalente em reais das aplicações para quem tem conta no exterior. A moeda norte-americana ficou 40% mais cara desde o início do governo de Jair Bolsonaro.

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Voo de Paris mostra que serviços do Aeroporto do Galeão deixam a desejar | Ancelmo - O Globo

A privatização, ao contrário do que prometem certos remédios vendidos nas feiras da minha terra, não resolve tudo.

Veja a foto. O voo da Air France que desembarcou ontem no Aeroporto Internacional do Galeão trazia oito pessoas que precisavam de cadeiras de rodas, mas havia apenas um "cadeirista" – o funcionário habilitado a empurrar os cadeirantes.

E mais: ao menos uma cadeira não tinha assento, a pessoa se sentou diretamente na lona.

A entrega da bagagem levou quase uma hora. As malas chegavam aos soluços: dez delas, pausa; outras cinco, pausa; três mais, pausa; e assim por diante.

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Dossiê de alunos denunciou doutorando à UFRGS antes de investigação por racismo

Álvaro Hauschild escreveu que pessoas negras 'exalam um cheiro típico' e que 'têm um cérebro programado para fazer o máximo de filhos que puder'
Rodrigo Castro e Alfredo Mergulhão
07/10/2021 - 04:30 / Atualizado em 07/10/2021 - 07:50
Amanda Klimick com o namorado Jota Júnior Foto: Reprodução
Amanda Klimick com o namorado Jota Júnior Foto: Reprodução

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RIO - "Que vergonha". A frase, acompanhada de um emoji vomitando, foi o início de um pesadelo para a psicóloga Amanda Klimick, de 23 anos, moradora de Porto Alegre. A mensagem do que seria um caso de assédio deflagrou uma série de ataques racistas a seu namorado, o estudante de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Sérgio Renato da Silva, conhecido como Jota Júnior. Amanda é loura e tem olhos verdes. Jota é negro. O estranho que a abordou é um doutorando de Filosofia, que estuda na mesma universidade de Jota, o que levou o caso para a polícia, mas sobretudo para dentro do debate acadêmico.

O episódio é, na verdade, mais um no rol de denúncias de racismo e misoginia feitas contra Álvaro Hauschild, apontado como assediador. No inquérito que corre na Polícia Civil do estado, está anexado um dossiê feito por alunos da universidade, que foi entregue em agosto à UFRGS, mas não resultou em qualquer ação contra o estudante.

Universidade tem cotas

Entre outras frases para ilustrar sua perplexidade pelo fato de Amanda se relacionar com Jota, Hauschild escreveu que negro “exala um cheiro típico”, que “tem um cérebro programado para fazer o máximo de filhos que puder” e “consegue harmonizar bem na savana”. O doutorando também abordou, de acordo com os relatos da moça, fundamentos supostamente genéticos para defender que o povo europeu — aparentemente em alusão a ele e a Amanda em contraposição a Jota — “precisou ser guerreiro” e se defender dos invasores para se purificar”. Todas as cópias das mensagens fazem, agora, parte da investigação. Hauschild nega ter sido racista. Ele afirmou ao GLOBO que “tudo pode ser distorcido e jogado no ventilador para causar impacto e prejudicar a pessoa”.

— Não foi só racismo. Foi uma quantidade gigantesca de absurdos, de crueldade, de machismo, de misoginia, de preconceito contra casais inter-raciais. É muito doloroso tudo que aconteceu. E imaginar que uma pessoa como ele está dentro de uma universidade, é um formador de opinião — rebate Amanda, afirmando acreditar que Hauschild a viu com Jota e passou a agir como stalker, já que mora perto de seu trabalho

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Carta de escola carioca alertando pais sobre 'Round 6' viraliza e ganha apoio de pediatras do Rio

Para médicos, crianças de 7 e 8 anos não estão preparadas para cenas de sexo e violência da série; adolescentes devem ver com os pais a série que virou sucesso mundial
Cena da série 'Round 6': na ficção, personagens se envolvem em jogos sangrentos Foto: Divulgação
Cena da série 'Round 6': na ficção, personagens se envolvem em jogos sangrentos Foto: Divulgação

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Uma carta aberta sobre os riscos provocados pela série "Round 6" no público infanto-juvenil, enviada aos pais de alunos da escola Aladdin, no Pechincha, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, viralizou em grupos de WhatsApp nesta quarta-feira (6/10) e ganhou o apoio de pediatras e profissionais da saúde.

Encaminhada com frequência no aplicativo, o documento cita preocupação com o fato de muitas crianças estarem assistindo ao conteúdo de "violência explícita, tortura psicológica, suicídio, tráfico de órgãos, cenas de sexo, pederastia e palavras de baixo calão".

A carta aberta sobre os perigos da série 'Round 6' para crianças Foto: Reprodução
A carta aberta sobre os perigos da série 'Round 6' para crianças Foto: Reprodução

A carta foi redigida por profissionais da escola carioca, nesta semana, depois que alunos de 7 e 8 anos comentaram com professores sobre a série sul-coreana. Muitas crianças afirmaram que estavam acompanhando a trama ao lado dos pais, o que deixou pedagogos assustados.

— Estranhamos muito isso, porque a série traz um teor inapropriado para a idade dos alunos. Sentimos necessidade de emitir esse alerta aos reponsáveis — conta Fabiana Barreto, coordenadora pedagógica do Jardim-Escola Aladdin, em atividade há 26 anos. — Muitos pais nos agradeceram, e o que está nos surpreendendo é que isso repercute além da comunidade escolar. Alcançou uma proporção maior e abriu um debate.

Sucesso mundial e série mais vista da Netflix, "Round 6" apresenta a história de pessoas que se envolvem num jogo mortal em busca de uma fortuna calculada em US$ 39 bilhões. Ao longo de nove episódios, os personagens se enfrentam em batalhas sangrentas que reproduzem brincadeiras infantis, como "cabo de guerra" e disputas com bolinhas de gude.

Presidente da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, Katia Telles Nogueira adverte que a alusão a brincadeiras, na ficção, provoca uma sedução entre o público infantil. E isso pode causar danos psicológicos. Para a pediatra, o material não deveria ser visto por crianças na faixa dos 7 e 8 anos, pela inadequação do conteúdo, que tem classificação indicativa de 16 anos.

A recomendação é diferente para adolescentes. Segundo a especialista, pais deveriam assistir à produção ao lado dos filhos com mais de 12 anos e promover, em seguida, conversas críticas sobre a obra.

— Proibir pura e simplesmente um adolescente de ver "Round 6" é algo mais complexo. Os pais devem estar juntos dos filhos, gerenciando os horários a que eles têm acesso ao computador e ao streaming e propondo que a família assista à série junto — diz Katia. — As crianças gostam dessa onda de K-pop. Elas ouvem as músicas e, muitas vezes, são atraídas para esse tipo de ação coreana. O que mais aconselho é a conversa entre pais e filhos. E se é para brincar, que seja fora da tela. Temos que tirar as crianças da tela. Este é nosso lema: menos tela, mais ação.

A carta publicada pelo Jardim-Escola Aladdin salienta que a série "Round 6" tem sido assunto entre todos os alunos, inclusive aqueles com 7 anos, durante o recreio e os horários livres. "O que nos causa preocupação é a facilidade com que as crianças acessam esse material", argumenta o documento, acrescentando que a produção da Netflix é recomendada para maiores de 16 anos, de acordo com a classificação etária.

— As crianças acabam reproduzindo o que estão vendo... E a gente não quer ver nossos alunos brincando de "Batatinha Frita 1, 2, 3" (algo presente na série), para depois fazerem gestos como se estivessem se matando — frisa Fabiana.

Leia a íntegra da carta

"CARTA ABERTA AOS PAIS E RESPONSÁVEIS

Prezados,

A parceria entre escola, família e sociedade é fundamental para o sucesso da Educação. Sendo assim, nosso objetivo com esta carta é alertar aos responsáveis sobre algo que temos escutado durantes os dias com nossos alunos e tem nos chamado atenção.

No dia 17 de setembro de 2021, foi lançada na NETFLIX a série 'ROUND 6'. A série coreana, com classificação etária de 16 anos, está batendo os 'records' de audiência, inclusive nas redes sociais como: Facebook, Instagram e Tik Tok.

O conteúdo da série que contém: violência explícita, tortura psicológica, suicídio, tráfico de órgãos, cenas de sexo, pederastia, palavras de baixo calão entre outras coisas tem sido assunto entre nossos alunos durante o recreio e horários livres.

A série, utiliza-se de brincadeiras simples de criança como: 'Batatinha frita 1,2,3', 'Cabo de guerra', 'Bolas de gude' e outras, para assassinar a 'sangue frio' as pessoas que não atingem o objetivo final. O que nos causa preocupação é a facilidade com que as crianças acessam esse material.

Lembramos, apenas para informação, que canais de Streaming como a NETFLIX e outros possuem a 'Restrição de visualização por classificação etária', uma ferramenta preciosa para que nossas crianças acessem somente o conteúdo apropriado à sua idade.

Sabemos que é responsabilidade da família decidir o que é melhor para suas crianças, mas enquanto educadores temos o dever de alertar e honrar o compromisso com a Educação.Certos de sua compreensão, nos colocamos a disposição para qualquer esclarecimento que se faça necessário.

Atenciosamente, Direção"

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Quem é Frances Haugen, a delatora do Facebook?

2.out.2021 - Frances Haugen (à dir.), ex-funcionária que fez denúncias sobre o Facebook à CBS News - Robert Fortunato/CBS News via Reuters
2.out.2021 - Frances Haugen (à dir.), ex-funcionária que fez denúncias sobre o Facebook à CBS News Imagem: Robert Fortunato/CBS News via Reuters

Marcella Duarte*

Colaboração para Tilt, em São Paulo

06/10/2021 13h49

Atualizada em 06/10/2021 19h57

A semana anda intensa para o Facebook. Depois do apagão que afetou suas plataformas na segunda-feira (4), ontem foi a vez da ex-funcionária do conglomerado Frances Haugen, 37, prestar depoimento no Senado dos Estados Unidos.

Ela, que trabalhou como gerente de integridade do Facebook, vazou semanas antes documentos confidenciais da empresa para a imprensa e autoridades norte-americana. 

Segundo Haugen, as redes sociais do grupo "enfraquecem a democracia", ao colocar os lucros acima da segurança e do bem-estar dos usuários — afirmação que Mark Zuckerberg, fundador do Facebook e presidente-executivo, negou publicamente.

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"Estou aqui porque acredito que os produtos do Facebook prejudicam os adolescentes, semeiam divisões e enfraquecem a nossa democracia. 

A liderança da empresa sabe como tornar o Facebook e o Instagram mais seguros, mas não querem fazer as mudanças necessárias, pois colocaram os seus lucros astronômicos acima das pessoas e escolheram crescer a qualquer custo", disse no início de seu testemunho.

Em resposta ao que foi dito no depoimento da ex-funcionária, Lena Pietsch, diretora de comunicações de políticas públicas do Facebook, afirmou em comunicado, que Haugen trabalhou na empresa por menos de dois anos, nunca liderou uma equipe e nunca participou de uma reunião decisória com a alta liderança.

"Ela disse [em seu depoimento] mais de seis vezes que não trabalhou nos assuntos pelos quais foi questionada. Não concordamos com a maneira como ela caracterizou muitos dos temas sobre os quais testemunhou. 

Apesar de tudo isso, concordamos em uma coisa: é hora de começar a criar um padrão de regras para a internet", disse Pietsch.

Afinal, quem é Haugen?

Haugen nasceu em Iowa (EUA), e é engenheira eletricista e de computação pela Faculdade Olin — Massachusetts.

Com um MBA pela Universidade de Harvard, ela se declara uma "especialista em gerenciamento algorítmico de produtos" e "defensora do monitoramento público das redes sociais".

Aos 37 anos — 15 de carreira —, ela já trabalhou para outras gigantes de tecnologia, como Pinterest, Yelp e Google, onde atuou por quatro anos como engenheira de software e gerente de produto.

Foi contratada pelo Facebook em 2019 como gerente da equipe de integridade cívica, que lida com questões relacionadas à democracia e desinformação. 

Segundo ela, mais tarde, recebeu funções de "contraespionagem".

Segundo ela, essa experiência a fez pedir demissão em maio deste ano, após se decepcionar com a empresa.

"Fiquei cada vez mais alarmada com as escolhas deles". 

Haugen acredita que a companhia de Mark Zuckerberg é "substancialmente pior do que qualquer outra".

Antes de sair, ela afirma ter feito cópias de milhares de páginas de memorandos e documentos internos, que mostram que o Facebook sabia dos problemas que causa na vida das pessoas.

A ex-funcionária disse que o Facebook montou equipes para trabalhar com o combate a desinformação antes das últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos. 

Uma das ações foi alterar seus algoritmos para reduzir a propagação de fake news. 

Após o pleito eleitoral do ano passado no país, sua equipe foi desmontada.

Com a invasão em janeiro deste ano do Congresso dos Estados Unidos por parte dos apoiadores de Donald Trump, mobilização organizada em grande parte por redes sociais, Frances Haugen decidiu agir.

Em março, se mudou para Porto Rico imaginando que poderia continuar seu trabalho remotamente. 

Contudo, diz ela, a empresa disse que não seria possível. 

Foi aí que a ex-gerente pediu demissão.

O que ela denuncia

A ex-gerente enviou documentos para o jornal The Wall Street Journal, que os publicou ao longo das últimas três semanas, preservando a identidade de Haugen. No último domingo (3), ela finalmente mostrou seu rosto, em uma entrevista dada ao programa 60 Minutes, da emissora CBS.

Entre as acusações feitas que preocupam o Congresso norte-americano, estão documentos que mostram que dados de que a empresa tem conhecimento de que seus produtos estão prejudicando a saúde mental e a autoestima dos usuários, principalmente de garotas adolescentes.

Uma apresentação interna do Instagram diz que "pioramos os problemas com a imagem do próprio corpo para uma a cada três (32%) garotas adolescentes". Também há indícios de que as redes sociais potencializam casos de ansiedade e depressão entre os jovens, sendo um ambiente tóxico e cheio de discurso de ódio.

Em nota ao programa 60 Minutes, o Facebook afirmou que mantém contratos com 80 agências de checagem de informações em 60 idiomas e que um ambiente violento é ruim para os usuários, para os anunciantes e para os negócios.

Ou seja, a empresa não prioriza o lucro no lugar da segurança de quem utiliza suas plataformas, reiterou Mark Zuckerberg em comunicado divulgado ontem (4).

Além disso, a empresa criticou a reportagem do WSJ e destacou que as informações foram tiradas de contexto. De acordo com o Facebook, a condução de pesquisas internas mostra o comprometimento do grupo em entender problemas difíceis e complexos que pessoas jovens podem enfrentar.

*Com informações da agência de notícias AFP, do jornal The Wall Street Journal e BBC

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A longa estrada de 'Malhação', que chegou ao fim na Globo - Patrícia Kogut, O Globo

Patrícia Kogut

Elenco de 'Malhação' em 1995 (Foto: CEDOC/TV Globo)
Elenco de 'Malhação' em 1995 (Foto: CEDOC/TV Globo)

Desde que saiu aqui na coluna a notícia de que “Malhação” acabou, uma onda de nostalgia se espalhou nas redes sociais. Atores, diretores e roteiristas que participaram da produção ao longo das décadas relembram suas passagens pela história com fotos antigas e depoimentos. Sem querer azedar a tristeza póstuma desses saudosistas, mas já estragando, lembro que nem sempre se falou de “Malhação” com esse orgulho. Basta um pouco de memória da televisão para saber isso.

A trama foi lançada pela Globo em 1995, como uma soap rap. Ninguém sabia o que isso significava, mas ajudava a destacar a ideia de “novidade”. A classificação era mais provavelmente um eufemismo para denotar uma novela de menor orçamento. Era gravada num cenário único, na Cinédia, em Jacarepaguá (não havia Projac ainda). Naqueles primórdios, “Malhação” ficava fora das fronteiras das produções mais profissionais da emissora. Era um lugar para o lançamento de talentos e onde se podia experimentar. Um certo amadorismo era permitido e perdoado. Hoje, olhando para trás, é possível dizer sem ser injusta que esse caráter de “laboratório” valeu: muitas trajetórias de sucesso começaram ali. A uma certa altura, “Malhação” se “profissionalizou”. Ganhou investimento e musculatura e chegou a cravar audiências de 40 pontos. As histórias até se repetiam, mas o público de adolescentes ia se renovando a cada temporada.

Agora, a Globo terá de achar outra boa fórmula para abrir sua grade noturna. A conferir.

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Veja como estão as protagonistas de todas as temporadas de "Malhação":

  • Juliana Martins foi a primeira protagonista de 'Malhação', em 1995. 'Muito orgulho de ter ajudado a contar essa história. Programa pioneiro em relação à representatividade dos jovens' Reprodução e Leo Aversa

    Juliana Martins foi a primeira protagonista de 'Malhação', em 1995. 'Muito orgulho de ter ajudado a contar essa história. Programa pioneiro em relação à representatividade dos jovens' Reprodução e Leo Aversa


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“Guedes será o novo cadáver da mídia que trata sua audiência como idiota”, diz Jean Wyllys

Ex-deputado Jean Wyllys na Câmara dos Deputados
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247 - O ex-deputado Jean Wyllys (PT) afirmou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, é um "cadáver político" após as revelações de que mantém R$ 51 milhões em conta offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal usado por quem lava dinheiro ou sonega impostos. 

Nesta quarta-feira (6) a Câmara aprovou por 310 votos favoráveis e 142 contrários, a convocação de Paulo Guedes ao plenário para falar do escândalo, revelado no caso Pandora Papers. A sessão para ouvir Guedes ainda não tem data marcada, mas poderá ser realizada na próxima semana.

Pelo Twitter, Wyllys afirmou que depois do ex-juiz Sérgio Moro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por parcialidade contra o ex-presidente Lula, o ministro Paulo Guedes é o novo cadáver político embalsamado pela imprensa comercial brasileira, que está "desmoralizada em sua insistência em tratar sua audiência como idiota". "Além disso, ao perpetrar este tipo desinformação, ela compromete o bom jornalismo que ainda consegue fazer", disse Jean Wyllys. 

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Homens que mataram e concretaram jovem em parede continuaram trabalhando na obra por dias, diz polícia

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247 - Os dois suspeitos de assassinarem Joice Maria da Glória Rodrigues, jovem de 25 anos que estava desaparecida há oito dias, a teriam estrangulado e concretado o corpo na parede de uma obra onde trabalhavam em seguida. Eles teriam continuado o trabalho no local mesmo depois da ocultação do corpo, segundo a Polícia Civil.

O corpo da jovem foi encontrado nesta terça-feira, 5, em São Vicente (SP), em uma obra onde um pedreiro e um autônomo trabalhavam. Ela estava desaparecida há mais de uma semana e foi encontrada após investigações da 3ª Delegacia de Homicídios, informa o G1.

“De acordo com o delegado titular que conduz o caso, Thiago Nemi Bonametti, a polícia apurou com testemunhas que a jovem mantinha relações sexuais consensuais com o pedreiro. Na data do desaparecimento, ela passou na obra para encontrá-lo. A principio, ele negou que sabia do desaparecimento dela”, informa o G1.

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No segundo depoimento, ele confessou que a matou estrangulada junto com o colega após relações sexuais. 

Testemunhas disseram à polícia que os dois já se conheciam há muitos anos, e tinham uma espécie de relacionamento.

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Teria tido uma discussão entre a jovem e o autônomo, que começou a estrangulá-la e pediu ajuda para o pedreiro. Após matá-la, concretaram Joice na parede para ocultar o cadáver. Apenas o pedreiro confessou o crime.

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Bernardinelli-Bernstein é o maior cometa já descoberto viaja na direção da Terra

Corpo celeste batizado de Bernardinelli-Bernstein tem cerca de 150 km de diâmetro; cientistas afirmam que não há motivo para preocupação, já que sua órbita está muito longe
Cometa Bernardinelli-Bernstein tem cerca de 150 km de diâmetro Foto: Noirlab/NSF/Aura/J. da Silva
Cometa Bernardinelli-Bernstein tem cerca de 150 km de diâmetro Foto: Noirlab/NSF/Aura/J. da Silva

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Um dos maiores cometas já descobertos está viajando em direção à Terra pela borda do sistema solar e deve se aproximar mais nos próximos dez anos. Cientistas o detectaram pela primeira vez em 2014, mas só agora foram capazes de identificá-lo.

O cometa foi batizado de Bernardinelli-Bernstein em homenagem aos cientistas que o descobriram, entre eles um brasileiro. O corpo celeste chegou a ser confundido com um pequeno planeta conhecido como planeta anão. Ele tem cerca de 150 km de diâmetro, distância entre Rio de Janeiro e Cabo Frio, e é aproximadamente 31 vezes maior do que os cometas geralmente observados pelos astrônomos. Normalmente, os cometas têm de três a cinco quilômetros de diâmetro.

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Com sua aproximação, os especialistas poderão saber mais sobre a formação do sistema solar. Segundo Gary Bernstein, um dos astrônomos envolvidos na descoberta, o cometa não visitava o sistema solar há mais de 3 milhões de anos.

— Temos o privilégio de ter descoberto talvez o maior cometa já visto, ou pelo menos maior do que qualquer um bem estudado, e o flagramos cedo o suficiente para que as pessoas o vissem evoluir à medida que se aproxima e aquece — disse Bernstein à BBC.

Especialistas alertam, porém, que não há motivo para preocupação já que sua órbita está muito longe. Isso significa que o corpo celeste não irá colidir com a Terra. A estimativa é de que ele chegará mais perto do planeta em 21 de janeiro de 2031. Ainda assim, o cometa estará a a cerca de 1,6 bilhão de milhas de distância do sol.

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    Percepção de que Lula é mais apto para combater a corrupção do que Moro é a maior derrota da imprensa brasileira

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    247 – A pesquisa Quaest, que mostra a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em todos os cenários, não chega a ser surpreendente. O levantamento perguntou quem é o melhor candidato à Presidência da República para controlar a economia. Lula aparece à frente com 44%, Bolsonaro tem 18%, Ciro, 6%, Moro, 4%, seguidos pelo governador João Doria, o apresentador José Luiz Datena e a empresária Luiza Trajano, com 2% cada, e o governador Eduardo Leite, com 1%.

    O que chamou a atenção de setores da imprensa comercial foi um tópico seguinte. Lula está à frente nos outros temas consultados, como combater a corrupção. Nesse item, ele aponta 28%, frente a 24% de Bolsonaro, 5% de Ciro, Doria e Datena, com 2%, Trajano e Leite, com 1%. Não sabem ou não responderam, 19%. O ex-ministro da Justiça e ex-juiz federal, Sergio Moro, que condenou Lula por corrupção (decisão que foi, neste ano, anulada pelo Supremo Tribunal Federal, que também declarou o ex-magistrado suspeito), teve 14% nesse quesito.

    Os brasileiros, portanto, consideram Lula mais honesto do que Moro – ou, numa hipótese mais benigna para o ex-juiz declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal, mais apto a combater a corrupção. O levantamento revela que os brasileiros despertam contra a máquina de desinformação criada contra o ex-presidente Lula, que foi também uma máquina de propaganda a favor de Moro. Mas quais foram os resultados deste "combate à corrupção"? Na prática, a ascensão de um governo miliciano marcado por corrupção, a destruição da economia, desemprego recorde e o enriquecimento do ex-juiz que se apresentava como paladino da moral. Confira algumas reações à pesquisa:

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    Sikêra Jr. sofre mais uma derrota na justiça e ainda leva sermão de juíza

    Sikêra Jr.
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    247 - A 1ª Vara Cível do Amazonas negou pedido do apresentador Sikêra Jr., da RedeTV!, contra o grupo Sleeping Giants Brasil. O âncora do Alerta Nacional queria punição e pagamento de indenização por danos morais e materiais dos responsáveis pelo projeto, que encabeçaram uma campanha para desmonetizar o apresentador --Sikêra perdeu dezenas de patrocinadores e anunciantes devido a frases homofóbicas. A informação é do portal Notícias da TV. 

    O caso ainda cabe recurso em segunda instância.

    Na decisão, a juíza Sheilla Jordana de Sales argumentou que existe legalidade na ação do Sleeping Giants de questionar as marcas parceiras do programa após a conduta preconceituosa de Sikêra

    Além disso, a juíza deu uma "lição" no apresentador e o acusou de não defender plenamente a liberdade de expressão.

    Em 23 de junho deste ano, Sikêra Jr. disse em seu programa na RedeTV! que gays eram uma "raça desgaçada". Dias depois, o Sleeping Giants Brasil, projeto formado pelo casal Mayara Stelle e Leonardo de Carvalho Leal, começou uma campanha para desmonetizar o apresentador na TV e em suas plataformas digitais.

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    Otto Alencar diz que versão da ANS sobre Prevent não convence: “o senhor está atendendo a determinações do presidente”

    Diretor da ANS, Paulo Rebello, e senador Otto Alencar
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    247 - O senador Otto Alencar (PSD-BA) disse não acreditar que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) só tenha tomado conhecimento das denúncias contra a Prevent Senior através da CPI da Covid, como alegado pelo diretor-presidente do órgão, Paulo Roberto Rebello Filho, durante depoimento nesta quarta-feira (6). "Não me convence que só tenha tomado conhecimento depois da CPI, porque blogs e jornais já denunciavam a Prevent Senior desde março", disse o parlamentar.

    A afirmação do senador foi feita após o depoente afirmar que "a ANS teve conhecimento das graves acusações contidas no dossiê contra a Prevent Senior pela CPI da Covid”, e tais situações nunca foram denunciadas diretamente à agência, não aparecendo nos monitoramentos feitos periodicamente pelo órgão. 

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    Otto Alencar rebateu que Rebello não estava dizendo a verdade. “O senhor não está dizendo a verdade. Está claro que o senhor está atendendo a determinações - como o Ministério da Saúde atendeu - do presidente da República para permitir o teste criminosamente feito na Prevent Senior em pessoas que não tinham conhecimento que estavam tomando a medicação. Em nenhum momento a ANS tomou conhecimento disso, de uma coisa amplamente divulgada?”, questionou.

    O diretor-presidente da ANS afirmou que tomou conhecimento das denúncias contra a Prevent Senior através da CPI da Covid. A fala provocou reação dos senadores da comissão, que apontaram omissão da agência, uma vez que o caso já era tratado pela imprensa desde o ano passado.

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    DEM e PSL aprovam fusão e criam União Brasil

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    247 - O DEM e o PSL aprovaram nesta quarta-feira (6), em suas respectivas convenções, a fusão dos partidos e a criação do União Brasil, que será identificado nas urnas eletrônicas pelo número 44. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda precisa aprovar a nova legenda, o que pode demorar alguns meses.

    A cúpula do DEM prevê que o processo de regularização seja finalizado em três meses, informa o G1

    O União Brasil será presidido pelo deputado Luciano Bivar (PSL-PE) e terá o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), como secretário-geral. "Haverá baixas entre os parlamentares bolsonaristas, como o próprio filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, que formalizarão a saída do PSL para não fazerem parte do novo partido assim que a fusão estiver próxima de ocorrer. Analistas acreditam que um total de 25 deputados federais deixará a sigla", escreve a Fórum.

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    Veja a lista da cúpula do União Brasil:

    • Presidente: Luciano Bivar
    • 1º vice-presidente: Antônio Rueda
    • Vice-presidente: José Agripino Maia
    • Vice-presidente: Isnard de Castro e Silva Filho
    • Vice-presidente: Ronaldo Caiado
    • Vice-presidente: José Carlos Inojosa
    • Vice-presidente: Maria Auxiliador Seabre Rezende
    • Vice-presidente: Rodrigo Gomes Furtado
    • Vice-presidente: Mendonça Filho
    • Vice-Presidente: José Geraldo Vechione
    • Vice-Presidente: Davi Alcolumbre
    • Vice-Presidente: Cristiano Bivar
    • Vice-Presidente: Bruno Soares Reis
    • Secretário-geral: ACM Neto
    • Tesoureira: Maria Emília Rueda

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    “Só o senhor não estava sabendo?”, ironiza Humberto Costa ao diretor da ANS sobre denúncias contra a Prevent

    Humberto Costa e Paulo Roberto Rebello, da ANS
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    247 - O senador Humberto Costa (PT-PE) contestou na CPI da Covid nesta quarta-feira (6) a versão do diretor-presidente da ANS, Paulo Roberto Rebello, de que o órgão só tomou conhecimento das denúncias contra a Prevent Senior através da Comissão no Senado. O senador lembrou que as irregularidades já eram notícia na imprensa e que denúncias já eram feitas pelos clientes desde 2020. “Só o senhor não estava sabendo?”, ironizou.

    O parlamentar denunciou ainda que o lucro das empresas de saúde aumentou durante a pandemia, devido à queda na taxa de sinistralidade nos planos de 83% para 73% de 2019 para 2020. Em sua fala, o senador apontou ainda que o governo de Jair Bolsonaro quer “esvaziar a ANS”, que até hoje possui cargos de direção com nomes não efetivos. “O desejo desse governo, como tudo, é fazer com que as coisas não funcionem”.

    Ele também defendeu que “cada plano desse” tenha “uma reserva” para usar em casos de desequilíbrio financeiro e também para pagar indenizações de pessoas que foram prejudicadas pelas ações do próprio plano de saúde”. Ele rechaçou o que chamou de “conversa mole” de quem quer comparar a CPI com a Lava Jato por querer “acabar com a Prevent Senior”. “Ninguém quer acabar com a Prevent Senior, e nem é fácil acabar”, disse.

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    ANS vai instaurar comissão técnica na Prevent Senior em 15 dias

    A ANS vai instaurar um regime especial de direção técnica na operadora Prevent Senior, segundo Paulo Roberto Rebello. Na CPI, ele afirmou que a medida será decretada ainda em um prazo de 15 dias por conta das “denúncias novas e extremamente graves” reveladas pela comissão.

    Rebello argumentou que só soube das denúncias contra a Prevent após a CPI e indicou que a empresa mentiu ao enviar materiais sobre o tratamento de pacientes com o chamado ‘kit Covid’.

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    "É lamentável que o STF tenha sido infiltrado", diz Lewandowski sobre espiã de Allan dos Santos em seu gabinete

    Ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF)
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    247 - O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), se manifestou nesta quarta-feira (6) sobre as mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) que indicam a ex-estagiária de seu gabinete Tatiana Garcia Bressan atuou como espiã para o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.

    Questionado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o ministro Lewandowski afirmou ser “lamentável que a Suprema Corte tenha sido infiltrada por uma pessoa sem compromisso com ética pública e a democracia”.

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    Documento da Polícia Federal  traz diálogos entre o blogueiro e Tatiana Garcia Bressan, de 45 anos. Ela estagiou no gabinete de Lewandowski de 19 de julho de 2017 a 20 de janeiro de 2019, antes da abertura dos inquéritos contra Allan, em março daquele ano. As conversas começaram em 23 de outubro de 2018 e vão até 31 de março de 2020, quando ela já não estagiava mais no STF.

    Nesta quarta-feira (6), o ministro Alexandre de Moraes determinou à Polícia Federal que colha o depoimento de Tatiana Garcia Bressan sobre os diálogos com o blogueiro acusado de ser um dos comandantes da milícia virtual que propaga fake news nas redes sociais.

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    "Bolsonaro vai perder", garante Lula, em entrevista ao jornal francês Libération

    247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista ao jornal francês Libération e afirmou que Jair Bolsonaro será derrotado nas eleições de 2022. "Bolsonaro vai perder", garantiu Lula.

    Nas redes sociais, o Libération anunciou a entrevista, que será publicada nesta quinta-feira (7). 

    Lula vence em todos os cenários

    O ex-presidente Lula (PT) segue como favorito para a eleição presidencial de 2022, segundo pesquisa feita pela Quaest Consultoria, encomendada pela Genial Investimentos, e divulgada nesta terça-feira (5).

    O petista lidera a corrida presidencial em todos os cenários estimulados de primeiro turno. Seus índices de intenção de votos variam entre 43% e 46%. 

    O segundo colocado, também em todas as simulações, é Jair Bolsonaro, que soma entre 24% e 27% das intenções de voto.

    O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) aparece como terceiro colocado, tendo entre 10% e 12% das intenções de voto.

    ________________________________________////////////BONINHO finalmente vai ter o que merece?

    Ex-câmeras do Big Brother entram com ação trabalhista contra Globo e acusam BONINHO de ASSÉDIO MORAL 

    Washington Santos e Boninho
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    247 - Ao menos oito ex-câmeras do Big Brother Brasil, reality show da Rede Globo, entraram com uma ação trabalhista contra a emissora, segundo Leo Dias, do Metrópoles, alegando terem sofrido assédio moral por parte de Boninho, diretor da produção. 

    Um vídeo gravado e divulgado por um dos profissionais terceirizados detalha as acusações. Segundo relato, os funcionários eram submetidos a tratamentos humilhantes e grosseiros por parte de Boninho. “Vou desmascarar você, Rede Globo. Vamos ver quem está mentindo. Aguardem que vocês verão”, diz Washington Santos.

    Santos diz que a ação é motivada também por "insalubridade no ambiente de trabalho". “Nós passamos por diversos tipos de constrangimentos… De ser chutado, de ser posto para fora pelo braço, pelo próprio diretor geral, como eu fui retirado do Câmera Cross – como se chama o corredor envolta da casa… Retirado pelo braço pelo diretor geral, o senhor Boninho. Eu e outros colegas sofremos diversos tipos de assédio moral. Além disso, da falta de respeito com o profissional, nós também sabemos de muita coisa”, disse o ex-câmera.

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    Santos também diz ter sido chamado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para falar sobre o caso da estudante de odontologia Aline Vargas, que abriu um boletim de ocorrência contra um produtor do BBB por supostamente ter solicitado a ela fotos nuas como condição para avançar para a próxima fase da seletiva do reality. “Eu tenho total certeza que ela sofreu, não tenho dúvidas. Até porque, se não tivesse sofrido, quatro funcionários e um com quase 30 anos de Rede Globo não teriam sido mandados embora. Tenho total certeza como a Aline Vargas, e diversas outras participantes e ex-participantes, pessoas que chegaram na final, que passaram pela seletiva, não só meninas, não, rapazes também, passaram (pelo o que ela passou)… Vamos soltar os vídeos, vou desmascarar você, Rede Globo. Vamos ver quem está mentindo. Aguardem que vocês verão”, finaliza.

    Em nota, a Globo nega veementemente as acusações.

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    Bando em motos faz arrastão para roubar pedestres na Grande SP

    Um dos suspeitos morreu após suposta troca de tiros com policiais em Taboão da Serra

    São Paulo

    Dois adultos foram presos e um menor, apreendido, suspeitos de participar de uma série de assaltos, ocorridos no fim da noite de segunda-feira (4), nas cidades de Taboão da Serra e Embu das Artes, ambas na Grande SP. O número total de vítimas, assim como de objetos levados, ainda são estimados pela polícia.

    Um autônomo de 21 anos, que estaria envolvido nos crimes, morreu após ser ferido em uma suposta troca de tiros com policiais. As circunstâncias do tiroteio são apuradas pela Polícia Civil.

    Segundo registros do 1º DP de Taboão da Serra, foi notificado à polícia que uma moto Honda CG 160 vermelha e outra, Yamaha Fazer preta, estariam sendo usadas por quatro criminosos para realizar roubos em série.

    Em um vídeo, feito por câmera de monitoramento, uma vítima, que caminha pela via, é abordada pelos ladrões, que levam o celular do rapaz, sem desembarcar dos veículos.

    Os assaltos teriam começado em Embu das Artes, se estendendo até Taboão da Serra, quando a PM recebeu as informações sobre as motos e os ladrões. O número de roubos é de ao menos cinco, segundo a polícia, que não especificou onde cada um deles ocorreu.

    Por volta das 23h de segunda, policiais se depararam com os suspeitos na rua Edson da Silva Coelho, em Taboão da Serra, onde o homem de 21 anos teria trocado tiros com os PMs.

    Ele chegou a ser socorrido por uma unidade dos bombeiros até o pronto-socorro Antena, onde acabou morrendo.

    Dois homens, de 19 e 21 anos, foram presos e um adolescente, de 17, apreendido. Todos foram levados à delegacia da Grande São Paulo.

    Uma das motos usadas pelo bando, de acordo com a polícia, é roubada e, a outra, conta com emplacamento adulterado. Ambas foram apreendidas para perícia, da mesma forma que a arma supostamente usada pelo autônomo e também o armamento dos policiais.

    O trio permanecia à disposição da Justiça até a publicação desta reportagem.

    Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública) o caso foi registrado como desobediência, receptação, resistência, homicídio (consumado e tentado), legítima defesa, ato infracional de desobediência, ato infracional de dirigir sem permissão ou habilitação, localização/apreensão de objeto e veículo e ato infracional de adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

    Outros casos de violência

    A cidade de São Paulo vive uma onda de​ roubos seguidos de morte, que aumentaram em 22% comparando as 38 vítimas de latrocínio de janeiro a agosto deste ano, com as 31 do mesmo período do ano passado. A zona sul da cidade registrou, nos sete primeiros meses de 2021, mais da metade dos assaltos em que vítimas são assassinadas na cidade.

    Na quinta-feira (30) uma dentista de 55 anos morreu no hospital Parada de Taipas, na zona norte da capital paulista, após ser ferida em uma tentativa de assalto, em Pirituba. O crime ocorreu em frente à casa da vítima. Dois criminosos, em uma moto, permanecem foragidos.

    A autônoma Alessandra Tomie Watanabe Kokubun Fagundes, 41 anos, morreu após ser ferida com ao menos dois tiros, durante um assalto, no dia 2 , em Itanhaém, no litoral paulista - Reprodução/Tomie Kokubun no Facebook

    Entre os dias 22 e 25, ao menos oito pessoas foram mortas em ações criminosos diferentes, na Grande SP, no litoral e na capital paulista.

    Três jovens, com idades entre 16 e 25 anos, foram mortos a tiros, na noite do dia 25 na favela do Alba, na região do Jabaquara (zona sul da capital paulista), de acordo com a Polícia Civil. Ninguém havia sido preso até a publicação desta reportagem.

    Uma adolescente de 17 anos e um pedreiro de 44 anos morreram após serem baleados em um assalto, por volta das 19h10 do dia 24, segundo a Polícia Militar, em Itanhaém (106 km de SP). A SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirmou na ocasião que a PM, durante uma ronda, prendeu duas mulheres, de 20 e 26 anos, dois homens, de 22 e 27, além de apreender um adolescente de 16 anos. Eles estavam em uma pousada da região.

    No dia 23, o programador Renato Nunes Consentino, 40 anos, se apresentou à Polícia Civil de Mairiporã (Grande SP), suspeito de matar três pessoas de uma mesma família a facadas, na madrugada do dia anterior, na zona rural da cidade.

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    Pesquisas confirmam que a Era Secular está chegando a galope nos Estados Unidos


    Secularização está chegando a galope


    A tão prevista Era Secular está chegando a galope. Pesquisa após pesquisa revela aumentos vertiginosos de americanos que dizem que sua religião é "nenhuma".

    A Pesquisa da Família Americana de 2017 descobriu que “ninguém” passou de um terço dos adultos nos EUA — a proporção mais alta já registrada. Essas pessoas sem igreja se tornaram a maior categoria de fé do país.

    Divulgada em novembro pela Brigham Young University, a pesquisa nacional descobriu que 34% dos entrevistados se autodenominavam ateus, agnósticos ou “nada em particular”. Eles ultrapassaram os protestantes (33%), católicos (21%), judeus (2%), muçulmanos (2%), mórmons (1%), hindus (1%) e “outros” (4%).

    Outra pesquisa de 2017, feita pela Pew Research, descobriu que a proporção de americanos que se identificam como religiosos caiu para cerca de metade. Apenas 48% escolheram “religioso e espiritual”, 27% escolheram “espiritual, mas não religioso”, 18% escolheram “nem religioso nem espiritual” e 6% se disseram “religiosos, mas não espirituais”.

    Também no mesmo ano o Public Religion Research Institute emitiu um relatório dizendo que "atualmente apenas 43% dos americanos se identificam como brancos e cristãos" e que "em 1976 cerca de 8 em 10 americanos (81%) dos americanos se identificaram como brancos e com uma denominação cristã”,

    Claro, parte desse declínio impressionante decorre da demografia. Imigrantes asiáticos, hispânicos, negros e outros aumentam a população da América, reduzindo a proporção de brancos europeus tradicionais. No entanto, o recuo implacável da religião também é um fator importante na mudança.

    Com base em uma pesquisa com mais de 100.000 participantes em todos os 50 estados, o PRRI disse que aqueles que respondem abertamente que não têm religião agora constituem um quarto dos adultos, excedendo os católicos (21%), evangélicos brancos (16%) e todos os grupos menores.

    Vários estudos anteriores encontraram um recuo implacável da religião nas democracias ocidentais. Começou na Europa após a Segunda Guerra Mundial, depois se espalhou pelo Canadá, Austrália, Japão, Nova Zelândia e outros. No início, a América parecia uma exceção — mas a tendência chegou com força total.

    O protestantismo tradicional, com ministros educados em seminários e visões políticas progressistas, foi o primeiro a sofrer o baque.

    Grandes denominações começaram a entrar em colapso na década de 1960 e perderam milhões de integrantes, Na sequência, multidões de católicos abandonaram sua igreja — um êxodo tão grande que um décimo dos adultos americanos hoje são ex-católicos. Finalmente, tardiamente, as perdas começaram a atingir os evangélicos brancos.

    O fundador do PRRI, Robert P. Jones, autor de The End of White Christian America , comentou que as pesquisas estão "fornecendo evidências sólidas de estar ocorrendo uma nova e segunda onda de declínio de religiões de americanos brancos, a exemplo do que houve na última década nos Estados Unidos".  

    O diretor de pesquisa do PRRI, Daniel Cox, disse que especialmente os jovens americanos estão abandonando a religião — muitos deles enojados com valores intolerantes e fanáticos entre os fundamentalistas que denunciam gays, tentam proibir o aborto, protestam contra a sexualidade de Hollywood, querem manter a maconha ilegal e coisas do gênero.

    “Os jovens têm muito menos probabilidade de acreditar que esta é uma 'nação cristã' ou de dar preferência à identidade cristã”, disse Cox. 

    Os próprios gays renunciam à religião com quase o dobro da taxa de "heterossexuais". O estudo PRRI descobriu que 46% deles dizem que sua fé é "nenhuma".

    As perdas de igrejas na América têm implicações políticas. Os evangélicos brancos são o coração do Partido Republicano, enquanto os “não” mais jovens e com formação universitária se destacam na base democrata. O segmento GOP está encolhendo enquanto o grupo liberal está crescendo. Infelizmente, muitos “não” não votam — mas mesmo assim sua ascensão muda a cultura e os valores da América.

    A civilização ocidental passa por épocas — a Renascença, o Iluminismo, a Revolução Industrial, a Era Colonial, a ascensão da democracia, etc. Acho que o Ocidente agora está firmemente na Era Secular, quando a religião sobrenatural se transforma em uma franja desacreditada. 

    O mundo muçulmano continua atolado na fé mágica, com consequências trágicas, mas o Ocidente está mudando em direção à honestidade intelectual.


    > James A. Haught é jornalista e membro da FFRF (Freedom From Religion Foundation), organização sem fins lucrativos que se dedica à defesa da separação entre o Estado e a Igreja. O artigo acima foi publicado em junho de 2018 no Free Inquiry. Ele se mantém atual porque pesquisas mais recentes confirmam suas premissas.

    Secularização orgânica que ocorre nos Estados Unidos é força do bem 



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    Morre o 'maior homofóbico do Brasil', Júlio Severo - Guia Gay São Paulo

    Ativista cristão escreveu livro 'O Movimento Homossexual', no qual acusa gays de querer cooptar crianças

    Publicado em 04/05/2021
    julio severo homofóbico
    Severo divulgava a Associação de Defesa Hétero (ADH)

    Morreu o blogueiro e ativista cristão Júlio Severo. 

    Segundo o Gospel Prime, Severo teria sofrido infarto. 

    O religioso era ferrenho opositor dos direitos LGBT e morava na Guatemala com a esposa e seis filhos.

    Para Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), o mais antigo em atividade na América Latina, Severo era "o maior homofóbico do Brasil".

    "Caluniou e difamou internacionalmente líderes gays e o movimento homossexual. Morreu tarde! Xocotô berolô", escreveu Mott em suas redes sociais.

    A saída do Brasil teria ocorrido após passar a ser alvo do Ministério Público Federal por suas ações tidas como homofóbicas, em especial seu ataque a parada LGBT.

    Em seu site, Severo divulgava a Associação de Defesa Hétero (ADH) e publicou o livro "O Movimento Homossexual" (Ed. Betânia), de 1998.

    Na publicação, Severo afirma que objetivo do movimento homossexual é fazer com que crianças e adolescentes aceitem a homossexualidade como "opção saudável de vida".

    Em tuíte de 30 de abril, perfil com nome do escritor divulgou texto próprio intitulado "O que você não sabe sobre o ativismo homossexual no governo Bolsonaro". Aí a coordenadora LGBT do Governo Federal, Marina Reidel, que é transexual, é chamada de "ele". 

    O deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) - o mesmo que avisou semanas atrás que deixará seu partido após anúncio de um setorial LGBT no DEM - lamentou a morte do blogueiro. "A (sic) toda a família e amigos minhas condolências, perda irreparável", escreveu.

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    CRISTÃ

    Morre o blogueiro e ativista evangélico Júlio Severo

    Blogueiro morava na Guatemala com a sua família.

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    em

     
    Júlio Severo (Foto: Reprodução/YouTube)

    O blogueiro e ativista Júlio Severo, conhecido no meio evangélico por suas denúncias e críticas, faleceu vítima de um infarto, segundo informações compartilhadas nas redes sociais.

    Júlio Severo vivia na Guatemala, onde morava ele, sua esposa Sarah e 6 filhos. O blogueiro deixou o Brasil depois que passou a ser perseguido pelo Ministério Público Federal depois de denúncias de “homofobia” por sua cobertura da Parada Gay de 2006.

    Nas redes sociais, internautas lamentaram a morte do evangélico, deixando mensagens de condolências para a família de Severo. Até mesmo seu desafeto, o filósofo Olavo de Carvalho, deixou mensagem pela morte do blogueiro.

    “Julio Severo morreu. Que Nosso Senhor perdoe os seus pecados”, escreveu Olavo, que era criticado por Júlio por conta de seus ataques contra os evangélicos.

    O deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), também lamentou a morte do blogueiro, afirmando ter sido informado do falecimento de Júlio Severo. “A toda a família e amigos minhas condolências, perda irreparável”, lamentou.

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    "Igreja Católica ainda encobre abusos sexuais", diz repórter de "Spotlight"

    Conteúdo exclusivo para assinantes

    Maria Carolina Trevisan e José Dacau, colunista do UOL e do UOL

    Um comitê independente de investigação sobre abusos sexuais cometidos por clérigos e membros leigos da Igreja Católica na França revelou que — pelo menos — 330 mil crianças foram vítimas de agressores sexuais da Igreja nos últimos 70 anos. O documento aponta também que membros da Igreja acobertaram as violações e encobriram os crimes.

    MP determina investigação contra padre suspeito de violência sexual em MG

    Na coletiva de imprensa sobre a conclusão do relatório, o presidente desse comitê, Jean-Marc Sauvé, disse que "até o início dos anos 2000, a Igreja Católica mostrou uma profunda e até cruel indiferença com as vítimas". Segundo o documento, os agressores atacavam principalmente meninos novos, antes que chegassem à adolescência. Crianças.

    Há registros de que apenas uma pessoa tenha violentado 150 vítimas. A Igreja Católica francesa expressou "vergonha" e pediu perdão. Sauvé recomenda que haja reparação financeira e responsabilização da instituição, além de um mecanismo mais eficiente para evitar essa dinâmica secular, que permite que abusos sexuais de clérigos aconteçam na Igreja de forma sistêmica. Ele indica também mudanças no sistema jurídico interno.

    A apuração estima que havia entre 2.900 e 3.200 abusadores sexuais operando no âmbito da Igreja Católica francesa desde 1950. Desses, poucos foram punidos pela instituição ou pelo sistema de justiça criminal.

    O que se tornou público na França acontece no mundo inteiro, inclusive no Brasil, país em que mais da metade da população se declara católica, segundo o IBGE.

    caso do ex-padre Ernani Maia dos Reis, que liderava um mosteiro em Monte Sião e cometia violência sexual contra monges que viviam sob seu comando foi revelado com exclusividade em reportagem do UOL na semana passada. A apuração do núcleo investigativo também resultou no documentário "Nosso Pai", lançado por MOV, o selo de produções audiovisuais do UOL.

    No relatório francês, as vítimas disseram que sentem vergonha, sofrimento, solidão e culpa, mesmos sentimentos que acometeram os monges do Santíssima Trindade.

    A dificuldade de denunciar casos de violência sexual cometidos por clérigos

    Os mecanismos existentes hoje na Igreja Católica para evitar casos de violência sexual cometidos por seus padres e sacerdotes não são eficazes. O acesso aos processos canônicos é restrito às arquidioceses, não há transparência sobre a apuração e sobre a responsabilização, não existem meios de acompanhamento pela sociedade civil, não há garantias de que quem denuncia os abusos ficará protegido — e não será culpado.

    Igreja demorou 14 anos para incluir a omissão como delito no Código de Direito Canônico, o que só passa a valer a partir de dezembro deste ano. A mudança determina ainda que a violência sexual contra adultos também é crime.

    Com tamanha lentidão para um problema urgente e muito grave, a denúncia via imprensa se torna um dos poucos meios de evidenciar essa brutalidade. Uma história emblemática que marcou a cobertura desse tipo de violação foi revelado pelo núcleo investigativo do jornal The Boston Globe, o Spotlight. A equipe de jornalistas descobriu que o arcebispo de Boston, Cardeal Law, sabia que o padre John Georghan abusava sexualmente de crianças por décadas e nada fez a respeito. A reportagem rendeu à equipe do Spotlight o Prêmio Pulitzer de Serviço Público em 2003 e se tornou um filme ganhador do Oscar.

    A investigação, que começou com um caso, cresceu e teve impacto importante: listou 87 padres que cometeram violações. Após a publicação do escândalo, outros vieram à tona nos Estados Unidos e no mundo. "Foi o primeiro escândalo de abuso sexual por clérigos nos Estados Unidos e talvez no mundo", afirma o repórter Mike Rezendes em entrevista ao UOL. Mike foi um dos repórteres da equipe do The Boston Globe a mergulhar nas histórias. Atualmente, ele trabalha como repórter investigativo na agência de notícias Associated Press e continua publicando sobre esse tipo de violação.

    "Em todas as situações no mundo inteiro a Igreja faz tudo o que pode para acobertar o abuso, acobertar a responsabilidade pelo abuso, ocultar documentos e não ser transparente. O papa Francisco disse muitas coisas boas, fez discursos muito bons, pediu perdão muitas vezes pelo abuso sexual clerical, mas o que ele fez, substancialmente, não foi muito significativo para os sobreviventes", diz Mike, coautor de "Traição: A Crise na Igreja Católica" e um dos autores de "Pecado contra os Inocentes: Abuso Sexual de Padres e o Papel da Igreja Católica".

    "O processo de apuração desses casos continua completamente controlado pelo Vaticano, não há nenhuma fiscalização externa significativa", completa. Por isso a importância da imprensa em investigar denúncias como essa. No caso do ex-padre Ernani, um dia após a publicação da reportagem do UOL o papa Francisco desligou Ernani da Igreja Católica e o Ministério Público de Minas Gerais pediu a abertura de um inquérito para a polícia civil.

    "O jornalismo é fundamental em revelar histórias como essas. Se não fosse pelo jornalismo, esses casos não viriam a público, continuariam sendo um segredo gigantesco e abominável. E essas dezenas de milhares de pessoas continuariam sofrendo em silêncio." Ele afirma também que, em muitas cidades, como em Boston, a polícia e as autoridades legais são muito próximas da Igreja, o que dificulta ainda mais a investigação.

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    Talibã: as juízas afegãs caçadas pelos assassinos que condenaram

    Ex-juízas contam à BBC como agora vivem às escondidas por medo de retaliação do Talibã - BBC
    Ex-juízas contam à BBC como agora vivem às escondidas por medo de retaliação do Talibã Imagem: BBC

    Claire Press

    Da BBC *

    05/10/2021 12h03

    Atualizada em 05/10/2021 13h54

    Elas foram as pioneiras dos direitos das mulheres no Afeganistão. Defensoras ferrenhas da lei, buscaram justiça para os mais marginalizados. Mas agora, mais de 220 juízas afegãs estão escondidas por medo de retaliação sob o regime do Talibã.

    Seis ex-magistradas falaram à BBC de locais secretos em diferentes pontos do Afeganistão. Seus nomes foram alterados para garantir sua segurança.

    Taiwan diz que precisa estar alerta a ações militares 'excessivas' da China

    Ao longo de sua carreira como juíza, Masooma condenou centenas de homens por violência contra as mulheres, incluindo estupro, assassinato e tortura.

    Mas poucos dias depois que o Talibã assumiu o controle de sua cidade e milhares de criminosos condenados foram libertados da prisão, as ameaças de morte começaram.

    Seu telefone pessoal foi bombardeado por mensagens de texto e áudios enviados de números desconhecidos.

    "Era meia-noite quando soubemos que o Talibã havia libertado todos os detentos", diz Masooma.

    Combatentes do Talibã em guarda fora do aeroporto de Cabul - Getty Images - Getty Images
    Combatentes do Talibã em guarda fora do aeroporto de Cabul Imagem: Getty Images

    "Fugimos imediatamente. Deixamos nossa casa e tudo para trás."

    Nos últimos 20 anos, 270 mulheres atuaram como juízas no Afeganistão.

    Algumas delas estão entre as mulheres mais poderosas e proeminentes do país, e são figuras públicas conhecidas.

    "Viajando de carro para fora da cidade, usei uma burca, para que ninguém me reconhecesse. Felizmente, passamos por todos os postos de controle do Talibã", relata Masooma.

    Pouco depois de partirem, seus vizinhos enviaram uma mensagem para ela dizendo que vários membros do Talibã haviam chegado à sua antiga casa.

    Masooma diz que assim que descreveram os homens, ela soube quem a procurava.

    Vários meses atrás, antes do Talibã retomar o controle do país, Masooma estava julgando um caso que investigava um membro do grupo pelo assassinato brutal de sua esposa.

    Ao considerá-lo culpado, Masooma condenou o homem a 20 anos de prisão.

    "Ainda consigo ver a imagem daquela jovem em minha mente. Foi um crime brutal", diz Masooma.

    "Depois que o caso acabou, o criminoso se aproximou de mim e disse: 'Quando eu sair da prisão, farei com você o que fiz com minha esposa.'", conta ela.

    "Na época, não o levei a sério. Mas desde que o Talibã assumiu o poder, ele me ligou várias vezes e disse que colheu todas as minhas informações dos tribunais."

    "Ele me disse: 'Vou te encontrar e ter minha vingança.'"

    Sabe-se que pelo menos 220 ex-juízas estão atualmente escondidas em todo o Afeganistão, segundo uma reportagem investigativa da BBC.

    Conversamos com seis ex-juízas de diferentes províncias e seus depoimentos nas últimas cinco semanas foram quase idênticos.

    Todas receberam ameaças de morte de membros do Talibã que já haviam sido condenados à prisão.

    Quatro nomearam homens específicos que condenaram por assassinar suas esposas.

    As juízas mudaram seu número de telefone pelo menos uma vez devido às ameaças de morte.

    E atualmente estão vivendo às escondidas, mudando de endereço de tempos em tempos.

    Todas também disseram que suas antigas casas foram visitadas por membros do Talibã. Seus vizinhos e amigos relataram ter sido questionados sobre o paradeiro delas.

    Em resposta às acusações, o porta-voz do Talibã Bilal Karimi disse à BBC: "As juízas devem viver como qualquer outra família sem medo. Ninguém deve ameaçá-las. Nossas unidades militares especiais são obrigadas a investigar essas queixas e agir em caso de violação".

    Grafite mostra dura realidade do Afeganistão - BBC - BBC
    Grafite mostra dura realidade do Afeganistão Imagem: BBC

    Ele também repetiu a promessa do Talibã de uma "anistia geral" para todos os ex-funcionários do governo em todo o Afeganistão: "Nossa anistia geral é sincera. Mas se alguns desejam iniciar um processo para deixar o país, nosso pedido é que não façam isso e fiquem em nosso país."

    Durante a libertação em massa de prisioneiros, muitos criminosos não associados ao Talibã também foram libertados.

    No que diz respeito à segurança das juízas, Karimi também disse: "No caso dos narcotraficantes, mafiosos, nossa intenção é destruí-los. Nossa ação contra eles será séria".

    Como mulheres com alto nível de escolaridade, essas juízas eram anteriormente o principal ganha-pão de suas famílias. Mas agora, sem salários e com suas contas bancárias congeladas, elas estão vivendo às custas de seus familiares.

    Por mais de três décadas, a juíza Sanaa investigou casos de violência contra mulheres e crianças.

    Ela diz que a maioria de seus casos envolveu a condenação de membros do Talibã, bem como do grupo autodenominado ISIS (Estado Islâmico).

    "Recebi mais de 20 telefonemas ameaçadores de ex-presidiários que agora foram libertados."

    Ela está atualmente escondida com mais de uma dezena de membros da família.

    Em uma única ocasião, um de seus parentes do sexo masculino voltou para a antiga casa de sua família. Mas, enquanto empacotava algumas roupas, o Talibã chegou à casa em vários carros cheios de homens armados, liderados por um comandante.

    Mulheres temem perda de direitos sob novo regime Talibã - Getty Images - Getty Images
    Mulheres temem perda de direitos sob novo regime Talibã Imagem: Getty Images

    "Abri a porta. Eles me perguntaram se esta era a casa da juíza", diz ele. "Quando eu disse que não sabia onde ela estava, eles me jogaram na escada. Um deles me deu uma coronhada com sua arma e começou a me bater. Meu nariz e minha boca estavam cobertos de sangue."

    Depois que os homens armados foram embora, o parente de Sanaa foi para o hospital.

    "Disse a outro parente que devemos continuar mudando minha irmã de endereço. Não há outra saída agora. Não podemos fugir para nenhum outro país, nem mesmo o Paquistão."

    Lutando pelos direitos das mulheres

    O Afeganistão sempre foi considerado um dos países mais difíceis e perigosos do mundo para as mulheres. De acordo com a ONG Human Rights Watch, cerca de 87% das mulheres e meninas serão vítimas de abuso durante a vida.

    Mas esta comunidade de juízas, ao trabalhar para defender as antigas leis do país que visavam apoiar as mulheres, ajudou a advogar a ideia de que violência contra as mulheres poderia ser criminalizada e punida.

    Isso incluía acusar indivíduos em casos de estupro, tortura, casamento forçado, bem como em casos em que as mulheres foram proibidas de possuir propriedades ou de ir ao trabalho ou à escola.

    Como algumas das figuras públicas femininas mais proeminentes em seu país, todas as seis dizem que enfrentaram assédio ao longo de suas carreiras, muito antes de o Talibã assumir o controle total do país.

    Meninas ainda não puderam voltar à escola desde que o Talibã retomou poder - Getty Images - Getty Images
    Meninas ainda não puderam voltar à escola desde que o Talibã retomou poder Imagem: Getty Images

    "Queria servir ao meu país, por isso me tornei juíza", diz Asma, falando de um local seguro.

    "Na vara de família, tratei principalmente de casos envolvendo mulheres que queriam o divórcio ou a separação de membros do Talibã".

    "Vivíamos sob ameaça real. Uma vez, o Talibã até lançou foguetes contra o tribunal".

    "Também perdemos uma de nossas melhores amigas e juízas. Ela desapareceu no caminho do trabalho para casa. Só mais tarde seu corpo foi descoberto."

    Ninguém jamais foi acusado pelo assassinato da juíza desaparecida. Na época, os líderes locais do Talibã negaram qualquer envolvimento.

    Não se sabe qual será a atuação da nova liderança do Afeganistão em relação aos direitos das mulheres. Mas até agora as perspectivas são sombrias.

    Um gabinete só de homens, sem nomeação para supervisionar os assuntos das mulheres, já foi anunciado, enquanto nas escolas, o Ministério da Educação ordenou que professores e alunos voltassem ao trabalho, mas não funcionárias ou estudantes do sexo feminino.

    Falando em nome do Talibã, Karimi disse que ainda não poderia comentar se haveria funções para juízas no futuro: "As condições de trabalho e oportunidades para as mulheres ainda estão sendo discutidas".

    Não há representantes do sexo feminino em novo governo Talibã - Getty Images - Getty Images
    Não há representantes do sexo feminino em novo governo Talibã Imagem: Getty Images

    Até agora, mais de 100 mil pessoas foram evacuadas do país.

    Todas as seis juízas dizem que estão procurando uma saída — mas não apenas não têm acesso a dinheiro, como dizem que nem todos os membros de suas famílias imediatas têm passaportes.

    A ex-juíza afegã Marzia Babakarkhail, que agora vive no Reino Unido, tem defendido a evacuação urgente de todas as ex-juízas.

    Ela diz ser importante não esquecer aquelas que vivem nas províncias mais rurais do Afeganistão, longe da capital do país, Cabul.

    "Fico com o coração partido quando recebo um telefonema de uma das juízas dos vilarejos dizendo: 'Marzia, o que devemos fazer? Para onde devemos ir? Estaremos em nossos túmulos em breve.'

    "Ainda há algum acesso à mídia e à internet em Cabul. As juízas de lá ainda têm voz, mas nas províncias rurais, elas não têm nada".

    "Muitas delas não têm passaporte ou a papelada correta para solicitar a saída do país. Mas elas não podem ser esquecidas. Também correm sério perigo."

    Vários países, incluindo a Nova Zelândia e o Reino Unido, já disseram que oferecerão algum apoio. Mas não se sabe quando essa ajuda chegará ou quantas juízas serão beneficiadas com a medida.

    A juíza Masooma diz temer que tais promessas não se materializem a tempo.

    "Às vezes, eu penso: qual é o nosso crime? Ter educação? Tentar ajudar mulheres e punir criminosos?

    "Amo o meu país. Mas agora sou uma prisioneira. Não temos dinheiro. Não podemos sair de casa.

    "Olho para o meu filho pequeno e não sei como explicar-lhe porque ele não pode conversar com outras crianças ou brincar no corredor. Ele já está traumatizado.

    "Só posso orar pelo dia em que seremos livres novamente."

    * Com colaboração de Ahmad Khalid

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    Ex-funcionária do Facebook pede regulamentação da empresa ao Congresso dos EUA

    Frances Haugen falou aos senadores depois de redes saírem do ar

    Washington | AFP

    Uma denunciante do Facebook prestou depoimento nesta terça-feira (5) aos congressistas americanos para pedir a regulamentação do gigante das redes sociais, um dia depois do apagão mundial que bilhões de usuários e expôs a dependência mundial de seus serviços.

    A ex-funcionária da rede social Frances Haugen testemunhou no Capitólio, depois de vazar para as autoridades e para o The Wall Street Journal um enorme arquivo de investigações internas que detalham como o Facebook sabia que seus sites eram potencialmente prejudiciais para a saúde mental dos jovens.

    Haugen falou aos senadores um dia depois de o Facebook, seu aplicativo de fotos Instagram e o serviço de mensagens WhatsApp terem ficado quase sete horas fora do ar, o que afetou "bilhões de usuários", de acordo com rastreador Downdetector.

    Ex-funcionária do Facebook, Frances Haugen, pede regulamentação da empresa ao Congresso dos EUA - Drew Angerer - 5.out.2021/Pool via REUTERS

    Haugen alertou em um discurso preparado sobre o risco de não criar novas defesas para uma plataforma que revela pouco sobre seu funcionamento.

    "Acredito que os produtos do Facebook prejudicam as crianças, intensificam a divisão e enfraquecem a nossa democracia", destacou. "É preciso que o Congresso aja. Essa crise não será resolvida sem a sua ajuda".

    Folha Mercado

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    Em seu depoimento, Haugen aponta o perigo do poder nas mãos de um serviço que se tornou necessário na vida diária de tantas pessoas.

    "A empresa esconde intencionalmente informações essenciais aos usuários, ao governo dos Estados Unidos e aos governos do mundo todo", disse a declaração de Haugen. "A gravidade desta crise exige que saiamos das nossas estruturas regulatórias anteriores".

    O Facebook se opôs fortemente à indignação em relação às suas práticas e seu impacto, mas esta é apenas a mais recente de uma série de crises que atingem o gigante do Vale do Silício.

    Há anos, os congressistas americanos ameaçam regulamentar os negócios do Facebook e de outras plataformas de rede social para enfrentar as críticas de que os gigantes do setor de tecnologia invadem a privacidade, servem de amplificador e caixa de ressonância para informações perigosas e prejudicam o bem-estar dos jovens.

    Depois de anos de fortes críticas às redes sociais, sem grandes revisões legislativas, alguns especialistas se mostraram céticos sobre a possibilidade de uma mudança vinda do Congresso.

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    'Rio Shore' promete sexo 'sem limite'; conheça o novo reality de pegação

    Participantes do "Rio Shore", o novo reality show de pegação da MTV e do Paramount+ - Divulgação
    Participantes do 'Rio Shore', o novo reality show de pegação da MTV e do Paramount+ Imagem: Divulgação

    Felipe Pinheiro

    Do UOL, em São Paulo

    20/09/2021 12h05

    Um grupo de amigos curte uma temporada de férias em Búzios, na Região dos Lagos do estado do Rio de Janeiro. Na casa, eles não precisam se preocupar com o estoque de bebidas, em sair para trabalhar e outras situações do cotidiano. A regra do "Rio Shore", o novo reality show de pegação do Brasil, é uma só: aproveitar como se não houvesse amanhã.

    Pode até parecer algum reality familiar, mas umas das principais diferenças é que em "Rio Shore" o grau de intensidade é maior. O UOL conversou com Tiago Worcman, vice-presidente sênior da MTV América Latina, que revelou detalhes sobre o programa. A estreia está prevista para 30 de setembro na MTV e no Paramount+.

    Dayane eleva autoestima de Rico: 'Quem te disse que não é bonito?'

    Nada de ex!

    Natallia é uma das participanter do 'Rio Shore'; que estreia em 30 de setembro - Divulgação - Divulgação
    Natallia é uma das participantes do 'Rio Shore'; que estreia em 30 de setembro Imagem: Divulgação

    "Rio Shore" é a primeira produção original do Paramount+. O formato fez tanto sucesso que ganhou várias versões pelo mundo, como "Acapulco Shore", no México, e a mais bem-sucedida, a edição britânica "Geordie Shore", com 21 temporadas. Mas o que o diferencia do "De Férias com o Ex", por exemplo, que também é exibido pela MTV?

    A começar pelo conceito. No "De Férias", os participantes que saem do mar ressuscitam sentimentos de relacionamentos amorosos que acabaram (ou que ficaram mal resolvidos), o que garante um clima de tensão. Já em "Rio Shore", as situações são novas e desenvolvidas aos olhos do público.

    É por isso que o elenco costuma seguir o mesmo a cada temporada. É a "família shore", como dizem os participantes, pois os laços são construídos dentro do programa.

    "É quase uma novela dentro de um reality. Eles vão se transformando durante a temporada. Isso é o principal, a vida deles é colocada dentro do Shore", compara o executivo da Viacom.

    E o principal: praticamente não tem limites!

    "É um reality show em que mostramos sem filtro pegação, curtição, liberdade e festa. Não tem limite. O 'De Férias' tem algumas regras. O tablet é quem guia o que eles devem e não devem fazer. A convivência em 'Rio Shore' gera milhões de histórias. Há episódios que se tivessem script [roteiro] pareceria exagerado. É impressionante. É mais rico do que um script, muitas vezes".

    "É muita pegação"

    Uma das características dos reality shows é chocar a audiência com brigas e sexo. É claro que em "Rio Shore" a temperatura também vai esquentar — em todos os aspectos.

    A cada episódio você fala, não acredito que isso é possível. É muita pegação. Nos primeiros episódios, todo mundo se conhece e rola muito sexo entre eles. Você pensa, formou um casal? Em dez minutos você vê que não é um casal. É uma interação próxima de corpos, que depois se transformam em tretas — Tiago Worcman

    "Sexo é cereja do bolo"

    Apesar de cenas de sexo fazerem parte do reality show, o vice-presidente da Viacom diz que o sucesso da franquia se deve mais ao contexto. E como em qualquer história da vida real, a pegação pode rolar.

    Não queremos que as pessoas assistam ao reality para ver cenas de sexo explícito. Hoje, você pode fazer isso de várias maneiras. Não é a nossa onda. A nossa onda é mostrar como eles se relacionam, de uma maneira geral. Não de uma maneira hardcore. O sexo é a cereja do bolo.

    Reality foi gravado na pandemia

    Depois de passagens por 'De Férias' e 'Acapulco Shore', Novinho está de volta! - Divulgação - Divulgação
    Depois de passagens por 'De Férias' e 'Acapulco Shore', Novinho está de volta! Imagem: Divulgação

    "Rio Shore" foi gravado durante quase um mês no meio da pandemia. O protocolo de segurança impôs algumas mudanças ao formato, que geralmente é marcado por festas em baladas. Ao contrário de um "BBB", por exemplo, o confinamento no formato é mais flexível. Os participantes, por exemplo, saem da bolha e conhecem pessoas de fora do convívio.

    "Não pudemos fazer como no 'Geordie' ou 'Acapulco Shore' em que eles vão para uma boate de clube. As boates estavam fechadas. Recriamos alguns lugares. Fechamos um beach clube e fizemos festa ao ar livre", explica Worcman.

    É uma temporada encerrada nela mesma. Não tem aquela interação de andar na rua e encontrar pessoas aleatórias. O lado positivo é que faz eles mergulharem muito na relação entre eles mesmos, sem dispersar para o mundo de fora.

    Matheus, o Novinho, já é conhecido do público da MTV. Participou de duas temporadas do "De Férias com o Ex" e do "Acapulco Shore". Ele volta agora ao "Rio Shore". Aliás, quem o apelidou de Novinho foi a cantora Anitta, de quem é amigo. Por que trazê-lo de volta a mais um reality show?

    Temos sempre esse olhar de levar personagens para os nossos próprios realities. E o Matheus foi um deles. É carioca nato e entendemos que ele tem o espírito Shore. Essa coisa mais de família, de amigos. Ele é um verdadeiro Shore.

    Uma característica do programa é que todos os participantes são do estado do Rio da Janeiro. "Existe uma variedade de raças e orientações sexuais. Nosso pedido é que tivesse uma variedade, mesmo que cultural", disse Worcman.

    "Rio Shore"

    Estreia: Quinta-feira, 30 de setembro
    Horário: Às 22h
    Onde assistir: Os dois primeiros episódios no serviço de streaming Paramount+. E o primeiro episódio na MTV.

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