____________________* A NOVA GUERRA FRIA 2.0 COMEÇOU - Milton Blay ____________________*

_________________________________________________Biden celebra 1º ano de mandato e historiadora BARBARA F. WALTER alerta: há RISCO REAL de GUERRA CIVIL nos EUA _________________________________________________
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Alemanha é 'Estado ocupado' e países da Europa também se renderam, diz Rússia

Representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia comentou as relações entre a Alemanha e os EUA


9 de fevereiro de 2022, 17:06 h

Representante oficial do MRE russo, Maria Zakharova (Foto: Reuters)

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Sputnik - Representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia comentou as relações entre a Alemanha e os EUA, que disse não serem "uma relação de iguais".

A Alemanha segue sendo um Estado ocupado hoje, declarou Maria Zakharova, representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, em entrevista de terça-feira (8) à RT.

"A Alemanha, de acordo com várias características relevantes – esta não é minha opinião, nem da Rússia, isto corresponde aos termos e métricas da ciência política segue sendo, de uma forma ou outra, um Estado ocupado: 30.000 [tropas] americanas estão lá estacionadas", disse ela, apontando a Alemanha como "simplesmente um protetorado" de Washington.

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"Os embaixadores americanos na Alemanha, que deviam estar trabalhando lá para melhorar relações bilaterais, estão dando ordens a funcionários alemães", afirmou.

Zakharova citou o caso de Richard Grenell, embaixador dos EUA em Berlim durante a presidência norte-americana de Donald Trump (2017-2021), que estava "lhes dando ordens literalmente todos os dias sobre o que fazer em questões como o Nord Stream 2".

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 "A Alemanha precisa deste gás não porque goste da Rússia ou nos queira agradar – eles simplesmente precisam dele, é o que alimenta sua economia, é um recurso do qual depende seu desenvolvimento industrial, é o que eles precisam para viver, basicamente [...] um assunto vital", referiu ela.

Ela sublinhou que as relações entre os EUA e a Alemanha não são uma relação de iguais".

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"Eles falam assim com toda a gente. Mas a maior parte deles, se você tomar a UE [União Europeia], simplesmente se rendeu". A Rússia, pelo contrário, recusa-se a ser tratada dessa forma. "Podem dar ordens a qualquer um que goste disso - mas nós não, por isso não se fala assim connosco", disse Zakharova. "Se violarem algo que diz respeito aos nossos interesses e for contra o direito internacional, terão ações em resposta".

Na segunda-feira (7) Joe Biden, presidente dos EUA, instou Berlim a "encerrar" o gasoduto russo Nord Stream 2, durante a visita de OIaf Scholz, chanceler da Alemanha, a Washington.

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Facebook, Twitter, Google e Amazon são paraestatais da máquina de guerra e vigilância dos EUA

FACEBOOK colheu fundos para promover no canal de notícias Voice of America, um programa de extrema-direita, "Extremism Watch", que promove homofobia e xenofobia.

Por Marcus Atalla 4 de fevereiro de 2022, 18:25


De 2004 a 2021, empresas de tecnologia como Facebook, Twitter, Google, Amazon e Microsoft receberam mais de US$ 44,7 bilhões de dólares em contratos com agências de inteligência, indústria-militar, Departamento de Defesa (Pentágono) e Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

O que em outros países seriam empresas estratégicas estatais, no capitalismo neoliberal dos EUA, são as empresas privadas integradas ao Estado, uma espécie de terceirização de sua indústria-militar e inteligência. Um exemplo são os pesados investimentos que o país faz na Space-X do Elon Musk, após o corte de investimento na NASA. Não é apenas através de contratos governamentais, mas também na transferência de tecnologia e pesquisa base desenvolvida pela agência estatal.

Assim como a Lockheed Martin, Raytheon, General Dynamics, Boeing e Northrop Grumman nasceram na indústria-militar dos EUA, várias dessas corporações de alta-tecnologia também, segundo Yasha Levine, autor do livro “Surveillance Valley: The Secret Military History of the Internet”. 

Os grupos independentes, Little Sis, Action Center for Race and the Economy  e MPower, publicaram estudos demonstrando o lucro dessas empresas desde o início da Guerra ao Terror e das Guerras Eternas, pós o 11 de Setembro. De 2007 a 2019, contratos e subcontratos entre essas empresas e o Departamento de Segurança Interno aumentaram 50 vezes. 

Outro relatório da Tech Inquiry realizado em 2020, revelou que o Departamento de Defesa e agências federais de Imigração e o FBI,  Agência de Repressão às Drogas, o Federal Bureau of Prisons, realizaram acordos com Google, Amazon, Microsoft, Dell, IBM, Hewlett Packard e Facebook. Esses tratados costumam ser realizados por subcontratos com empresas pouco conhecidas, formando uma rede interligada dificultando a investigação.

Apenas a Microsoft teve um aumento de 800% e a Amazon de 400% em contratos federais em 2015 e 2019. Desde 2004, o Facebook, Google, Twitter, Amazon e Microsoft receberam em contratos com o Pentágono US$ 43,8 bilhões, seguido pelo Departamento de Segurança Interno US$ 348 milhões, Departamento de Estado US$ 258 milhões, Administração de Serviços Gerais e o Departamento de Justiça US$ 244 milhões. 

Facebook colheu fundos para promover no canal de notícias Voice of America, um programa de extrema-direita, "Extremism Watch", que promove homofobia e xenofobia.

Outra denúncia do relatório é a porta giratória entre essas empresas de tecnologia e as agências de inteligência, agências militares e de segurança interna. Mais de 200 profissionais que vão e voltam das empresas privadas para os órgãos de governo.

O que por fim deixa uma questão: é possível acreditar que essas empresas detentoras do monopólio das redes sociais têm isenção para julgar o que é fake news ou verdade? Censurar conteúdos e usuários através de um julgamento feito por elas mesmas? E o controle do conteúdo durante as eleições no Brasil?

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Partido Republicano chama invasão do Capitólio de 'discurso político legítimo' e censura membros que investigam ação

Deputados Liz Cheney e Adam Kinzinger têm sido, dentro da sigla, os mais críticos sobre o motim e o papel do ex-presidente Donald Trump em alimentar o ataque de janeiro de 2021

New York Times e Reuters 04/02/2022 - 16:02

Deputada Liz Cheney, do Partido Republicano, que participa das investigações da Câmara sobre a invasão do Capitólio Foto: Al Drago / New York Times

WASHINGTON — O Partido Republicano chamou oficialmente nesta sexta-feira a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 de “discurso político legítimo”, repreendendo dois de seus parlamentares que têm condenado o motim e o papel do ex-presidente Donald Trump na divulgação das mentiras eleitorais que alimentaram a invasão.

Uma votação esmagadora do Comitê Nacional Republicano (CNR) para censurar os deputados Liz Cheney, de Wyoming, e Adam Kinzinger, de Illinois, representa o clímax em mais de um ano de oscilação do partido, que começou com líderes da sigla condenando o ataque e a conduta de Trump, para em seguida passarem a minimizar e até a negar o ocorrido.

Nesta sexta-feira, o partido foi mais longe ao criticar Cheney e Kinzinger por participar da investigação da Câmara dos Deputados sobre o ataque, dizendo que faziam parte da “perseguição de cidadãos comuns envolvidos em discursos políticos legítimos”.

Foi uma declaração extraordinária sobre o ataque, que resultou em nove mortes e em 150 policiais feridos após apoiadores de Trump invadirem o Capitólio em uma tentativa de reverter a vitória do presidente Joe Biden na eleição de 2020, incitados pelas falsas alegações do ex-presidente de que o pleito havia sido fraudado.

A censura marca o esforço mais recente e contundente do Partido Republicano de subestimar o ocorrido e a tentativa mais ampla de Trump e de seus aliados de invalidar os resultados das eleições. Ao apoiá-lo e optar por punir dois dos seus membros, os republicanos aparentam ter adotado uma posição que muitos deles apenas insinuaram: que o ataque e as ações que o precederam eram aceitáveis.

A censura ocorre dias após Trump sugerir que, se reeleito em 2024, avaliaria indultar os condenados pelo ataque de 2021, pela primeira vez reconhecendo seu objetivo de “derrubar” os resultados das eleições.

A resolução, cuja conteúdo foi divulgado antecipamente pela Reuters, diz que as ações de Cheney e Kinzinger prejudicaram os esforços republicanos de reconquistar as maiorias nas duas Casas do Congresso, afirmando que o CNR "cessará imediatamente todo e qualquer apoio" aos dois membros do partido.

Na prática, a medida facilita ao aparato republicano abandonar Cheney, que pretende buscar a reeleição este ano, e investir seu dinheiro e influência na sua principal desafiante nas primárias, Harriet Hageman, que é alinhada a Trump. Kinzinger, por outro lado, já havia anunciado que não tentará se reeleger.

Cheney disse que os líderes do partido "se tornaram reféns voluntários" de Trump. “Não reconheço aqueles do meu partido que abandonaram a Constituição para abraçar Donald Trump”, afirmou a deputada na quinta-feira. “A história os julgará. Nunca vou parar de lutar por nossa república constitucional, independentemente do que acontecer."

Jeremy Adler, porta-voz de Cheney, condenou a liderança republicana no estado de Wyoming e seu presidente, Frank Eathorne, por direcionar recursos para Hageman. "Frank Eathorne e o Comitê Nacional Republicano tentam impor sua vontade e tirar a voz do povo de Wyoming antes mesmo que um único voto tenha sido depositado."

Já Kinzinger disse que não se arrepende "da decisão de manter meu juramento de posse e defender a Constituição. Continuarei a concentrar meus esforços em defender a verdade e trabalhar para combater a matriz política que nos levou aonde nos encontramos hoje”.

Nesta sexta, a maioria dos republicanos membros da Câmara tentou ignorar a resolução, não respondendo a perguntas ou dizendo que ainda não a havia lido. Os democratas, por outro lado, ficaram furiosos.

— O Partido Republicano está tão perdido agora que descreve uma tentativa de golpe e uma insurreição mortal como expressão política — disse o deputado Jamie Raskin, democrata de Maryland que é membro da comissão da Câmara que investiga a invasão ao Capitólio. 

— Pensar que um grande partido político estaria denunciando Liz Cheney por defender a Constituição e não dizer nada sobre o envolvimento de Donald Trump na insurreição é um escândalo que os historiadores ficarão horrorizados.

_________________________________________________Presidentes da Rússia e China pedem que Otan suspenda expansão

Vladimir Putin e Xi Jinping
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247 - Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, fizeram um apelo em conjunto para que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) interrompa a expansão durante uma reunião na sexta-feira (4) enquanto a Olimpíada de Inverno de Pequim tem início.

Segundo a versão em inglês do anúncio divulgado pelo Kremlin, os dois países “acreditam que certos Estados, alianças e coalizões militares e políticas buscam obter, direta ou indiretamente, vantagens militares unilaterais em detrimento da segurança de outros".

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Rússia e China, prossegue o comunicado, "se opõem a um maior alargamento da Otan e exortam a Aliança do Atlântico Norte a abandonar as suas abordagens ideologizadas da Guerra Fria, a respeitar a soberania, a segurança e os interesses de outros países, a diversidade das suas origens civilizacionais, culturais e históricas, e a exercer uma atitude justa e objetiva em relação ao desenvolvimento pacífico de outros Estados".

_________________________________________________Putin e Xi se reúnem em encontro que marca novo sistema internacional - José Reinaldo Carvalho

Por José Reinaldo Carvalho 4 de fevereiro de 2022, 05:01
Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping

Por José Reinaldo Carvalho - Os presidentes da China e da Rússia se encontram nesta sexta-feira (4), em Pequim. Putin visita a China para participar dos Jogos Olímpicos de Inverno 2022. Na ocasião, os dois líderes manterão entendimentos que resultarão na elevação a patamares mais altos das relações bilaterais e em uma cooperação mais ativa e assertiva diante dos grandes desafios mundiais.

É a "primeira visita ao exterior do ano" de Putin, diz a Central Chinesa de Televisão. O presidente da China, Xi Jinping, fará com seu colega russo o primeiro encontro presencial com um líder mundial em quase dois anos. 

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China e Rússia estão decididas a atuar conjuntamente em todas as agendas importantes para a cooperação internacional e a paz mundial. Mantendo o princípio de não interferência nos assuntos internos de outro país, a China deixou claro de que lado está na atual crise que envolve os EUA, a Otan, a Ucrânia e a Rússia. A diplomacia chinesa alertou que é necessário que os EUA, as demais potências ocidentais e a Otan, levem em conta as preocupações da Rússia.

China e Rússia estão irmanadas nos esforços pelo multilateralismo autêntico e no soerguimento de um sistema internacional multipolar, baseado no Direito Internacional, no papel preponderante da ONU e na execução plena do princípio de resolver por vias políticas específicas os conflitos entre as nações. 

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Os dois gigantes levam às últimas consequências a cooperação bilateral abrangente, uma parceria estratégica orientada para o futuro, correspondente à nova era, no caso da China, do desenvolvimento do seu peculiar sistema socialista, e no caso da Ríssia, da consolidação do seu poderio nacional, ameaçado pelos Estados Unidos. Ambos os pa[ises captaram muito bem as mensagens de Biden que, ao tomar posse e inaugurar os mandatos dos novos secretários de Estado e da Defesa, proclamou que o objetivo central do seu mandato na arena internacional é impedir a ascensão da China e conter o poderio russo.  

A cooperação entre China e Rússia é multidimensional e vai marcar época: no comércio, nas finanças, indústria, serviços, energia, ciência e tecnologia e no combate às pandemias. Igualmente, as duas potências cooperam no setor militar, aprimorando o caráter defensivo das suas forças armadas. 

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A Rússia e a China "são vizinhos próximos ligados por tradições seculares de amizade e confiança" ... "Apreciamos muito que as relações russo-chinesas de parceria abrangente e cooperação estratégica, entrando em uma nova era, tenham alcançado um nível sem precedentes e se tornaram um modelo de eficiência, responsabilidade e aspiração para o futuro", observou Putin.

As relações entre a China e a Rússia destacam-se pelo aspecto pragmático, não ideológico. Os  princípios básicos e as diretrizes para o trabalho conjunto foram definidos pelos dois países no Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa, cujo vigésimo aniversário transcorreu no ano passado. Esses princípios são: igualdade, consideração dos interesses uns dos outros, isenção de circunstâncias políticas e ideológicas dos vestígios do passado. 

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O encontro de hoje entre os dois estadistas vai reafirmar esses princípios e estabelecer as bases e os parâmetros para elevar a um nível inédito as relações bilaterais, assim como a atuação conjunta diante da situação internacional desafiadora e em transformação. China e Rússia se tornam assim países construtores de um novo sistema internacional 


_________________________________________________EUA correm para encontrar caça F-35C afundado no oceano antes da China - BBC News Brasil

A versão da Marinha dos EUA do F-35 Joint Strike Fighter, o F-35C
  • Claire Hills BBC News, Washington 28 janeiro 2022
A versão da Marinha dos EUA do F-35 Joint Strike Fighter, o F-35C
CRÉDITO, GETTY IMAGES

A Marinha americana corre contra o tempo para resgatar um de seus caças do fundo do oceano — antes dos chineses.

O avião F35-C, avaliado em US$ 100 milhões (R$ 540 milhões), caiu no Mar da China Meridional após o que a Marinha descreveu como um "acidente" ao decolar do porta-aviões USS Carl Vinson.

É o jato mais novo da Marinha americana e está repleto de equipamentos secretos.

Como está em águas internacionais, é tecnicamente um jogo justo. Quem chegar primeiro, ganha.

O prêmio? Todos os segredos por trás desta força de combate bastante cara e de ponta.

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Fim do Talvez também te interesse

Sete marinheiros ficaram feridos quando o jato caiu na segunda-feira (24/1) e atingiu o convés do porta-aviões durante um exercício militar.

Agora a aeronave está no fundo do oceano, mas o que vai acontecer a seguir é um mistério. A Marinha não vai confirmar onde afundou, tampouco quanto tempo vai levar para recuperá-la.

A China reivindica quase todo o Mar da China Meridional e tem tomado cada vez mais medidas para fazer valer esta reivindicação nos últimos anos, se recusando a reconhecer uma decisão de um tribunal internacional de 2016 que diz não haver base legal.

Crédito,

TED ALJIBE

Podcast

A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens

Episódios

Fim do Podcast

Especialistas em segurança nacional afirmam que os militares chineses estariam "bastante interessados" em chegar ao caça, e um navio de resgate dos EUA parece estar a pelo menos 10 dias de distância do local do acidente.

É tarde demais, diz a consultora de defesa Abi Austen, porque a bateria da caixa preta vai acabar antes disso, dificultando a localização da aeronave.

"É de vital importância que os EUA peguem (o caça) de volta", diz ela.

"O F-35 é basicamente como um computador que voa. Foi projetado para conectar outros meios — o que a Força Aérea chama de 'ligar sensores a atiradores'."

Segundo ela, a China não tem essa tecnologia, então colocar as mãos nela seria um grande salto.

"Se eles conseguirem entrar nos recursos de rede do 35, isso compromete efetivamente toda a filosofia da operação."

Questionada se havia ecos da Guerra Fria nisso tudo, ela responde:

"Tudo se resume a quem é o maior cachorro do parque! É basicamente uma mistura de A Caçada ao Outubro Vermelho com O Segredo do Abismo — é uma peça brilhante de três atos."

O que há de tão especial no F-35C?

Crédito,

Getty Images

Legenda da foto,

A versão da Marinha dos EUA do F-35 Joint Strike Fighter, o F-35C

- Um sistema de missão de rede que permite o compartilhamento em tempo real das informações coletadas durante o voo;

- É a primeira aeronave baseada em porta-aviões da Marinha americana com baixa visibilidade ao radar, que permite operar sem ser detectada no espaço aéreo inimigo;

- Asas maiores e trem de pouso mais robusto o tornam adequado para "lançamentos por catapulta" a partir de porta-aviões no mar;

- Tem o motor de caça mais potente do mundo e pode atingir velocidades de até 1.200 mph ou Mach 1,6;

- Pode transportar até dois mísseis em suas asas e quatro em seu interior.

Austen, ex-conselheira do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA e ex-diplomata da Otan e da União Europeia, disse acreditar que qualquer tentativa da China de reivindicar direitos de resgate foi um "teste de estresse" nos EUA.

Ela acredita que isso acontece em um momento vulnerável e perigoso, após o que alguns consideraram uma retirada desorganizada e desastrosa do Afeganistão.

Não há dúvidas de que a China quer este avião, embora a espionagem cibernética possa significar que o país asiático já têm algum conhecimento de seu interior, layout e funcionamento, diz Bryce Barros, analista de assuntos da China e membro de segurança do Truman Project.

"Acho que eles gostariam de ver partes reais do avião, para entender melhor como está disposto e encontrar suas vulnerabilidades".

A Marinha americana reconheceu em comunicado que uma operação de resgate estava em andamento após o "acidente" a bordo do USS Carl Vinson.

Como funcionaria então esta operação para recuperar a aeronave?

Uma equipe do Supervisor de Resgate e Mergulho da Marinha dos EUA prenderia bolsas à fuselagem do jato, que seriam infladas lentamente para levantar os destroços.

Esta operação será mais difícil se a estrutura da aeronave não estiver em grande parte inteira.

O caça provavelmente estava armado com pelo menos dois mísseis transportados em suas asas ou no compartimento interno, o que também poderia complicar o resgate.

Crédito,

Getty Images

Legenda da foto,

O porta-aviões USS Carl Vinson

Há precedentes para estes jogos militares de gato e rato em que o vencedor leva tudo.

Em 1974, no auge da Guerra Fria, a CIA (agência de inteligência americana) retirou secretamente um submarino russo do fundo do mar na costa do Havaí usando uma garra mecânica gigante.

Dois anos antes, militares chineses resgataram secretamente o submarino britânico HMS Poseidon, que afundou na costa leste da China.

E acredita-se amplamente que a China colocou as mãos nos destroços de um helicóptero "stealth" (de baixa visibilidade ao radar) dos EUA que caiu no ataque ao complexo de Osama bin Laden em 2011.

"Temos certeza que os militares chineses viram o equipamento e o software a bordo naquele momento", diz Barros.

A operação de resgate mais bem-sucedida do Livro Guinness dos Recordes foi o levantamento dos destroços de uma aeronave de transporte da Marinha americana do fundo do Mar das Filipinas em maio de 2019.

Estava a cerca de 5.638 m abaixo da superfície.

Uma outra opção, é claro, é destruir o caça para impedir que caia nas mãos de Pequim.

"A coisa mais fácil a fazer seria torpedear!", afirmou um oficial militar.

Mas não parece ser um caminho que esteja sendo levado em consideração.

_________________________________________________Nelson de Sá: Biden e NYT tentam colocar Alemanha de Scholz na linha

'De um jeito ou de outro', diz o Pentágono, o gasoduto russo-germânico Nord Stream 2 será barrado, se Ucrânia for invadida

A pressão americana sobre a Alemanha, país que vem resistindo à escalada contra a Rússia, prosseguiu com uma ameaça do porta-voz do Pentágono, o ministério militar dos Estados Unidos, em entrevista à rede pública de rádio NPR, ecoando por agências.

Na transcrição: "Eu quero deixar muito claro. Se a Rússia invadir a Ucrânia, de um jeito ou de outro o Nord Stream 2 não vai seguir adiante. E nós queremos ser muito claros quanto a isso".

Olaf Scholz durante sessão no parlamento alemão, em Berlim, na quinta, 27 de janeiro de 2022 - AFP

Em declaração recente, o chanceler ou primeiro-ministro alemão, o social-democrata Olaf Scholz, afirmou que o gasoduto ligando a Rússia à Alemanha, que já está pronto, é um "projeto do setor privado" e deveria ser visto "separado" da crise na Ucrânia.

Em seguida, a Casa Branca divulgou que Scholz irá a Washington em duas semanas se encontrar com o presidente americano, Joe Biden, para "discutir seu compromisso compartilhado com os esforços para impedir novas agressões russas".

Paralelamente, o New York Times publicou um longo texto em tom semelhante, com foto em quatro colunas no alto da primeira página e a chamada "Alemanha vacila na Ucrânia, e aliados se preocupam". Num dos enunciados online, "Aliados da Alemanha começaram a questionar até mesmo a sua confiabilidade como aliado".

O ataque foi concentrado, inclusive com foto, em Scholz.

POSSÍVEL SAÍDA

Menos vinculado ao governo democrata, o financeiro Wall Street Journal destacou os esforços diplomáticos de alemães e franceses para resgatar um acordo entre Rússia e Ucrânia.

Representantes dos quatro países se reuniram por oito horas e, no enunciado do WSJ, "Negociações apontam para possível saída na crise". A implementação do acordo havia sido uma promessa do presidente ucraniano, "mas pressão da opinião pública o impediu de cumprir".

Também na home do jornal, "China pede calma aos EUA na Ucrânia".

CONTRAPRESSÃO

Ao fundo, o financeiro Il Sole 24 Ore cobriu uma reunião por videoconferência entre empresários italianos e o presidente russo, Vladimir Putin.

E o financeiro Handelsblatt noticiou que uma associação de empresas alemãs, de gigantes como Siemens, VW e Basf, programou reunião semelhante com Putin para daqui a um mês.

Novo correspondente do NYT no Brasil, Jack Nicas publicou na edição de quinta (27) o obituário de Olavo de Carvalho, "guru de extrema-direita de Bolsonaro", "autoproclamado filósofo", "teórico de conspiração que zombava da pandemia" e que ascendeu junto ao atual governo brasileiro "alertando sobre uma conspiração globalista para espalhar o comunismo pelo mundo". Também "Rasputin".



_________________________________________________Empresas americanas têm menos de 5 dias de estoque de semicondutores; fábricas estão vulneráveis e podem fechar

25 de janeiro de 2022, 16:49

247, com AFP - Empresas americanas têm uma média de menos de cinco dias de semicondutores em estoque, nível que as deixa vulneráveis ​​a paralisações de produção se o fornecimento for interrompido, informou o Departamento de Comércio, nesta terça-feira (25). 

O anúncio vem em meio à crise global dos semicondutores, que prejudica a oferta global do produto utilizado em diversas indústrias. A crise gera uma pressão inflacionária, e se deve, em boa parte, aos choques econômicos causados pela pandemia. Empresas não previam picos de demanda, e estoques foram gradativamente se esvaziando. 

A Casa Branca pode agravar ainda mais a crise, tendo sugerido que possíveis sanções contra a Rússia recairiam sobre o setor de alta tecnologia, no caso de uma suposta invasão da Ucrânia. O plano ecoa as medidas que o governo Trump tomou contra a gigante chinesa Huawei, em 2020, impedindo-a de vender seus semicondutores necessários para produzir celulares, informa o Voice of America. 

Enquanto isso, Joe Biden quer investir US$ 52 bi na pesquisa e desenvolvimento local de semicondutores. A determinação está nas mãos da Câmara dos Representantes.

Um assessor democrata da Câmara confirmou à AFP que a versão do projeto de lei deve ser apresentada nesta semana.

"A cadeia de suprimentos de semicondutores continua frágil e é essencial que o Congresso aprove o financiamento de chips o mais rápido possível", disse a secretária de Comércio, Gina Raimondo, em comunicado.

"Com a demanda em alta e a plena utilização das instalações de fabricação existentes, está claro que a única solução para resolver essa crise a longo prazo é reconstruir nossas capacidades de fabricação domésticas". 

Levantamento demonstra que a demanda por chips é 20% maior do que seu nível em 2019. Empresas esperam mais pedidos do que oferta por mais seis meses.

O fornecimento médio de chips caiu drasticamente em relação aos níveis de 2019, e o Departamento de Comércio alertou que "se um surto de Covid, um desastre natural ou instabilidade política interromper uma instalação estrangeira de semicondutores por apenas algumas semanas, ela tem o potencial de fechar uma fábrica nos EUA."

_________________________________________________Galbraith, Hoover e a inação diante da hecatombe - Disparada

John Kenneth Galbraith

A crise atual não encontra paralelo na história. Temos uma desaceleração na economia mundial, que precede a crise sanitária e é agora por ela potencializada. Vivemos uma combinação da Gripe Espanhola (1918) com a Grande Depressão (1929).

A crise de 91 anos atrás teve dois caminhos de solução, o momento Hoover e o momento Roosevelt

Governantes em países capitalistas se dividem fundamentalmente entre Hoovers e Roosevelts. A referência é a Herbert Hoover, que governou os Estados Unidos de 1929 a 1933.

No auge da depressão, após a quebra da bolsa, o republicano tomou duas medidas de forma destrambelhada. A primeira foi não fazer nada para ver o que acontecia. A segunda foi iniciar uma política de cortes e redução orçamentária. O desastre foi espetacular.

Franklin Roosevelt, democrata, fez o oposto ao assumir o poder, em 1933, diante persistência da queda no abismo. Emitiu dinheiro e expandiu o gasto (investimento) público. A crise só foi debelada quando a gastança atingiu seu auge, em 1940, num acelerado esforço de guerra. O presidente dos EUA sabia para que servia o poder de Estado

Tivemos aqui, entre 2011 E 2018, dois Hoovers na economia. O segundo era também golpista. Agora temos uma besta fera fascista e genocida, que aprofunda o hooverismo ao extremo.

Vale a pena examinar brevemente o momento Hoover original, pela pena de John Kenneth Galbraith (1908-2006), em seu livro “1929, a grande crise” (Larousse, 2010, pp. 1790180). Galbraith era um aristocrata rooseveltiano dotado de humor sulfúrico e dedicado leitor de Marx.

Neste trecho suculento, ele comenta as primeiras iniciativas oficiais após o crack:

GALBRAITH COM A PALAVRA

Contudo, admitir que o Presidente Hoover estava empenhado apenas em organizar a subseqüente tranqüilização é fazer-lhe uma grave injustiça. Ele estava também promovendo uma das mais antigas, mais importantes — e, infelizmente, uma das menos compreendidas — cerimônias da vida americana. É a cerimônia da reunião que é convocada não para tratar de negócios, mas para não tratar de negócios. É uma cerimônia ainda muito praticada em nosso tempo. Vale a pena examiná-la em traços rápidos.

Os homens se reúnem por várias razões no decorrer dos negócios. Precisam instruir ou persuadir uns aos outros. Devem concordar sobre uma atitude a tomar. Acham que pensar em público é mais produtivo ou menos doloroso do que pensar em particular.

Mas existem pelo menos tantas razões para reuniões para não tratar de negócios. As reuniões são realizadas porque os homens procuram companhia ou, no mínimo, desejam fugir ao tédio dos deveres solitários. Anseiam pelo prestígio que adquire o homem que preside a reuniões, e isso os leva a convocar assembléias às quais eles possam presidir. Finalmente, há a reunião que é convocada não porque há negócios a tratar, mas porque é necessário criar a impressão de que se está tratando de negócios. Tais reuniões são mais do que sucedâneos da ação. São amplamente consideradas como ação.

(…)

O fato de não se tratar de negócios numa reunião dessa natureza normalmente não constitui motivo sério de embaraço para aqueles que a ela comparecem. Inúmeras fórmulas foram inventadas para evitar o mal-estar. Assim, os homens cultos, que são fervorosos adeptos das reuniões para não tratar de negócios, confiam de maneira acentuada na justificativa de troca de idéias.

Para eles a troca de idéias é um bem absoluto. Qualquer reunião em que se trocam idéias é, portanto, útil. Essa justificativa é um tanto exagerada. É muito difícil realizar-se uma reunião da qual se possa dizer que não houve troca de idéias.

(…)

Ver também

As reuniões para não tratar de negócios promovidas pelos dirigentes das grandes empresas dependem da ilusão deles com respeito à importância de alguma coisa bem diferente. Não é a troca de idéias ou a recompensa espiritual da camaradagem, mas a sensação solene do poder ali reunido que dá significação a essa reunião. Mesmo que nada de importante seja dito ou feito, homens importantes não podem reunir-se sem que a ocasião pareça importante. Até a observação corriqueira do maioral de uma grande empresa ainda é a declaração do maioral de uma grande empresa. O que lhe falta em conteúdo, lhe sobra no poder proveniente da autoridade econômica e financeira de quem a emitiu.

A reunião para não tratar de negócios foi um instrumento quase perfeito para a situação em que se encontrava o Presidente Hoover no outono de 1929. Pondo-se de lado a inexpressiva redução nos impostos, o Presidente evidentemente se opunha a qualquer medida governamental de grande escala para enfrentar a nascente depressão. Nem se estava muito certo, na época, sobre o que se podia fazer. Contudo, em 1929, a crença popular na livre iniciativa estava grandemente abalada. Nenhum líder político responsável podia, com convicção, proclamar-se indiferente aos fatos econômicos.

(…)

As reuniões para não tratar de negócios realizadas na Casa Branca foram uma demonstração prática da livre iniciativa. Não apresentaram nenhuma ação positiva. Ao mesmo tempo davam a impressão de uma ação realmente extraordinária. As convenções que regem essas reuniões para não tratar de negócios asseguravam que não haveria qualquer embaraço proveniente da ausência de negócios a tratar. Aqueles que compareciam a elas aceitavam como critério da importância das reuniões a importância do pessoal que a elas comparecia. Os jornais também cooperavam, destacando a importância das sessões.

Tivessem agido de outra forma e, evidentemente, minariam o valor das sessões como notícia.

Por Gilberto Maringoni

_________________________________________________A MOEDA dos EUA como ARMA de GUERRA 

Redação Disparada·18/01/2022··1 minuto de leitura

Por Cesar Benjamin – Há alguns anos, os Estados Unidos passaram a usar seu controle da moeda e do sistema de pagamentos internacionais como arma de pressão. O que sempre foi um instrumento de hegemonia tornou-se um instrumento de guerra. Empresas e bancos cubanos, venezuelanos, iranianos e coreanos do norte não podem nem pagar nem receber recursos do exterior, o que constitui um formidável mecanismo de asfixia econômica. O Brasil, com todo o seu território e seus recursos, não resistiria trinta dias a esse tipo de embargo, que é claramente ilegal. O tratado que instituiu o dólar como moeda internacional, no segundo após-guerra, não admite essa possibilidade.

Agora, a ameaça é contra a Federação Russa: se ela não aceitar passivamente que mísseis atômicos americanos sejam estacionados a menos de um minuto de Moscou, suas empresas e bancos serão expulsos do sistema internacional. Na prática, é um rompimento de relações, que ameaça seriamente a precária estabilidade de todo o mundo.

Tratei disso, sob o ponto de vista econômico, no primeiro artigo que escrevi para a Folha de S. Paulo, em fevereiro de 2008:

“Permanece em aberto a questão de saber se pode ser estável uma ordem internacional que gira em torno de uma moeda fiduciária emitida por um Estado nacional. Creio que não. Ela contém uma contradição insanável, pois o espaço de soberania de um único Estado passa a ser todo o planeta, sem que tenham sido construídas novas instituições de regulação. O preço disso são enormes tensões e instabilidades que se acumulam.”

É um texto bem pequeno. O número de toques era definido pelo jornal. Chama-se “Além da moeda”. A versão completa está neste link.

_________________________________________________Hipocrisia de Biden e Putin na Ucrânia

Por Guga Chacra 20/01/2022 • 04:30

Joe Biden e Vladimir Putin: na Ucrânia, os americanos estão só defendendo seus interesses geopolíticos | MANDEL NGAN e Mikhail Metzel / AFP

Os EUA invadiram o Iraque com base em informações falsas e provocaram uma guerra que resultou na morte de centenas de milhares de pessoas. Os EUA realizaram ataques aéreos na Líbia para mudança de regime. Os EUA armaram milícias ligadas a grupos jihadistas na Síria. Os EUA bombardeiam com drones há anos países no Oriente Médio. Os EUA armam as ditaduras da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes que cometem atrocidades no Iêmen. Os EUA dão mais de US$ 1 bilhão por ano para a ditadura de Sisi no Egito. Os EUA ocuparam por duas décadas o Afeganistão. Isso para ficar apenas neste século. Poderia citar também todas as ações americanas na Guerra Fria para derrubar governos na América Latina e apoiar ditaduras como a de Pinochet no Chile.

Quando observamos os EUA questionando a Rússia na Ucrânia, não podemos esquecer deste histórico. Oficialmente, o governo americano diz que quer defender a soberania ucraniana de poder decidir se quer se voltar para o Ocidente, distanciando-se da esfera de influência russa. Justo. Mas por que Biden não leva em consideração a soberania dos iemenitas em relação aos bombardeios sauditas? Seriam os iemenitas inferiores aos ucranianos? Mais recentemente, Donald Trump literalmente “deu” o Saara Ocidental para o Marrocos em troca de a monarquia marroquina assinar um acordo de relações diplomáticas com Israel. Em nenhum momento, os habitantes da região, que querem a independência, foram levados em consideração. O atual presidente americano nada fez para reverter a decisão de seu antecessor. Vale o argumento da soberania somente em alguns casos?

No caso ucraniano, os americanos estão apenas defendendo seus interesses geopolíticos que, neste caso, entram em choque com os de Vladimir Putin. Não significa em hipótese alguma que seja uma ação de “bondade” do governo Biden para conter os avanços do autocrata russo. Se estivesse preocupado com atrocidades de ditaduras, o presidente dos EUA teria se movimentado para impor sanções à ditadura da Arábia Saudita e suspenderia a mesada bilionária concedida ao Egito.

Putin, por sua vez, costuma mencionar a ligação histórica da Rússia com a Ucrânia — em especial o Leste do país. Teme genuinamente o avanço da Otan, que já incorporou países da antiga Cortina de Ferro, além das nações bálticas, desde o colapso da União Soviética. Imaginem se os soviéticos tivessem ganhado a Guerra Fria, incorporado Reino Unido, França e Alemanha ao Pacto de Varsóvia e se recusassem a um compromisso de não incluir o Canadá e o México na aliança? Qual seria a reação dos EUA? Mesmo a presença econômica chinesa na América Latina (veja o 5G no Brasil) já é vista como uma questão de segurança nacional para os americanos. Imagine mísseis!

A ameaça de expansão da Otan, argumentada por Putin, no entanto, não justifica a ameaça de seu regime de invadir a Ucrânia. Não há nenhuma possibilidade de a Ucrânia integrar a Otan no médio prazo. O próprio Biden já deixou isso claro uma série de vezes, incluindo em entrevista coletiva ontem. Por que o desespero do líder russo? Por que agora e não em 2018 ou 2020? Não sabemos a resposta. Mas sabemos que o Kremlin não leva em consideração a soberania ucraniana. A Ucrânia tem o direito de escolher que rumo quer seguir ainda que isso vá contra os interesses russos. Putin, um notório violador dos direitos humanos, não aceita isso.

_________________________________________________Biden celebra 1º ano de mandato e historiadora BARBARA F. WALTER alerta: há RISCO REAL de GUERRA CIVIL nos EUA

20 de janeiro de 2022, 08:25

247 – “Como seria uma guerra civil em solo americano neste século 21? Essa pergunta faz sentido? O assunto não é simples, mas as respostas são assustadoras e podem ser encontradas em um livro lançado neste mês”, escreve provocativamente a jornalista Lúcia Guimarães em sua coluna no jornal Folha de S Paulo nesta 5ª feira. E prossegue: “A historiadora Barbara F. Walter estuda guerras civis no mundo há mais de 30 anos. Nunca se debruçou sobre a instabilidade política nos EUA. Até recentemente, seu país era o primeiro nas listas de democracias mais antigas do mundo. Não é mais, especialmente depois da tentativa de golpe de Estado com a invasão do Capitólio.”

Em 2018, a historiadora americana, professora da Universidade da Califéornia, iniciou a coleta de material e os estudos para o livro "How Civil Wars Start: And How to Stop Them" (como as guerras civis começam: e como detê-las)”. Barbara Walter havia sido recrutada pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA, órgão de Estado) com a missão específica de “não estudar os Estados Unidos”. O objetivo seria analisar outras Nações que teriam a Democracia em risco. 

Contudo, “A experiência convenceu a historiadora, bem antes do 6 de Janeiro, de que seu país já tinha avançado para o segundo estágio considerado propício a uma guerra civil. Os estágios podem ser encontrados online, já que a CIA publicou a atualização de seu Guia da Insurgência”, diz a brasileira Lúcia Guimarães em seu texto sobre o livro lançado este mês nos EUA e ainda sem data de chegar ao Brasil (disponível por e-book em inglês na plataforma Amazon).Segundo Walter, “o primeiro estágio (de uma guerra civil) é organizacional —extremistas se reúnem em torno de causas—, e a eleição de Barack Obama, em 2008, foi uma bonança para a formação de milícias brancas”. A partir daí, a historiadora elenca uma sucessão assustadora e progressiva de fatos que terminaram por ocorrer nos Estados Unidos: “No segundo (estágio), grupos começam a se armar, e episódios de violência são tratados pelo governo como incidentes isolados. O ataque ao Capitólio fez alguns analistas americanos especularem se o país já tinha passado para o terceiro estágio, o da insurreição aberta”. Para Barbara Walter, de acordo com o texto de Lúcia Guimarães, “ainda não chegamos lá”.

Historiadora alerta para risco de “anocracia”. Bolsonaro tentou isso aqui

Por fim, em seu livro, a professora da Universidade da Califórnia alerta para o estabelecimento da “anocracia”. Ou, o estado de “não-governo” ou de Estado autocrático em formação (como Jair Bolsonaro, descaradamente, tentou fazer com o Brasil em episódios determinados. O último deles, o 7 de setembro de 2021). 

“Ela alerta para duas tendências alarmantes em curso”, escreve Lúcia Guimarães ainda sobre o livro de Barbara Walter. “O país já é o que ela chama de anocracia, ou seja, não mais uma democracia completa, mas ainda não uma autocracia consumada. Se continuarem os esforços ativos do Partido Republicano para suprimir o voto de minorias prestes a se tornar maiorias e se a ultradireita tentar de novo roubar uma eleição, vai ser difícil tomar o caminho de volta”.Na conclusão do artigo na Folha de S Paulo, Guimarães elenca uma série de desdobramentos que parecem dialogar com o Brasil atual – e isso é perturbador. “A guerra civil do século 21”, escreve a historiadora, de acordo com a jornalista brasileira, “deve se assemelhar mais a uma de guerrilha, com uso de táticas terroristas”. Apesar de ter estudado a violência política em países diferentes, como Líbia e Irlanda do Norte, a historiadora americana explica que nota “dois fatores comuns para alimentar uma guerra civil. O mais importante é o país ser uma democracia parcial (ou anocracia). O segundo é a população começar a rachar em grupos religiosos, étnicos ou raciais e formar partidos políticos que visam excluir os outros”.

_________________________________________________O controle militar da Ucrânia - José Luís Fiori

Por José Luís Fiori 19 de janeiro de 2022, 04:47

“Se Hans Morgenthau estiver com a razão [a causa da Guerra da Geórgia, de 2008] é um segredo de polichinelo: a Rússia foi a grande perdedora da década de 1990 e será a grande questionadora da nova ordem mundial, até que lhe devolvam – ou ela retome – todo ou parte do seu velho território. Por isso a Guerra da Geórgia não deve ser considerada uma “guerra antiga”, pelo contrário, ela é o anúncio do futuro. (José Luís Fiori, “Guerra e Paz”. In: jornal Valor Econômico, em 28 de agosto de 2008).

“With the US distracted and Europe lacking both military clout and diplomatic unity, Putin may feel now is the best time Russia will ever have to attack Ukraine” (Financial Times, FT Weekend, January, 15, 2022).

Em apenas um ano, o mercado mundial de energia enfrentou duas grandes crises diametralmente opostas: a primeira, no início de 2020, no momento em que se generalizou a pandemia do coronavírus; e a segunda, ainda em pleno curso. Tudo começou com uma queda abrupta da demanda mundial e dos preços internacionais, provocada pela interrupção instantânea e universal da atividade econômica e pelo aumento exponencial do desemprego, começando pela China e atingindo, em sequência, a Europa e os Estados Unidos.

O consumo das empresas e das famílias caiu da noite para o dia, e os tanques e reservatórios de petróleo e gás ao redor do mundo ficaram cheios e ociosos; os próprios navios petroleiros ficaram à deriva sem ter onde desembarcar, provocando uma queda dos preços e uma paralização quase completa da produção de óleo. Como consequência, a economia mundial regrediu no ano de 2020 e a indústria energética sofreu um baque de rapidez e proporções desconhecidas. Menos de um ano depois, o cenário já havia se invertido radicalmente, depois da invenção e difusão das vacinas e depois da retomada da atividade econômica.

Com a desmontagem anterior das estruturas logísticas e a interrupção dos fluxos globais, a oferta de energia não conseguiu responder à retomada econômica, e um ano depois da primeira crise, os tanques e reservatórios de petróleo e gás natural encontravam-se vazios, e a própria oferta mundial de carvão foi interrompida por acidentes naturais e mudanças climáticas que se somaram a erros de planejamento estratégico, sobretudo no caso da China e dos Estados Unidos. Como consequência, durante o ano de 2021, os preços da energia dobraram ou triplicaram, dependendo de cada região; o suprimento de energia elétrica foi interrompido em vários países, e multiplicou-se o fechamento de empresas e as revoltas populares contra a inflação dos alimentos, do combustível e dos serviços públicos em geral.

Algumas causas dessa crise energética foram conjunturais e deverão ser superadas no transcurso de 2022, como no caso das condições climáticas extremamente adversas deste último ano. Mas outras causas se manterão e devem forçar mudanças dentro da própria matriz energética dos países mais afetados pela crise, redirecionando investimentos e apressando algumas escolhas dramáticas, como no caso mais urgente do abandono do carvão, sobretudo no caso do continente europeu. A Europa é fortemente dependente das importações de energia, sobretudo de petróleo e de gás, e é também o continente que vem liderando a luta mundial contra o uso do carvão e de todas as fontes de energia fósseis. Nesse contexto, a recente decisão da União Europeia de considerar o “gás natural” e a “energia nuclear” como “fontes de energia limpas” já deve ser vista como uma consequência imediata da crise, mas que deverá afetar a vida dos europeus, no curto, médio e longo prazo.

Na verdade, a Europa está decidindo e está sendo coagida ao mesmo tempo a transformar o gás natural na sua principal fonte de “energia limpa”, e esta decisão deve se manter e prolongar durante todo o período da “transição energética” europeia, programada para alcançar a meta de emissão zero de carbono em 2050. E já agora o mais provável é que, mesmo depois de alcançada esta meta, o gás natural siga sendo a principal componente da matriz energética europeia até o final do século, sobretudo devido ao veto alemão ao uso da energia atômica.

O gás natural apareceu junto com o petróleo no século XIX, tanto nos EUA como na Rússia, mas só começou a ser utilizado de forma mais sistemática pelos EUA nas décadas de 20 e 30 do século passado, quando os americanos possuíam apenas 10 gasodutos. Tal situação, entretanto, mudou radicalmente depois da “crise do petróleo” dos anos 60 e 70, quando o gás natural se “autonomizou” e deu um salto como fonte energética, com a multiplicação acelerada dos gasodutos nos EUA. Hoje há cerca de um milhão de quilômetros de gasodutos ao redor do mundo, 25 vezes a circunferência da Terra, e o gás natural já representa 24% do consumo mundial de energia primária, um pouco abaixo apenas do carvão, com 27%, e do petróleo, com 34%. Por isto, a nova centralidade energética do gás natural não deve se restringir à Europa, mas só a Europa tomou a decisão de privilegiar o gás na montagem de sua matriz energética, no presente e no futuro.

Esta escolha europeia deverá produzir consequências geoeconômicas imediatas, bastando ter-se em conta que um terço das reservas mundiais de gás natural se encontram nos territórios da Rússia e do Irã, que um quarto do gás consumido pela China vem do Cazaquistão, e que hoje as exportações do gás russo já são responsáveis por 40% do mercado europeu, onde os russos concorrem diretamente com o gás natural liquefeito, ou shale gas norte-americano.

Por outro lado, esta simples distribuição geográfica já fala por si só da importância geopolítica envolvida em todas as disputas comerciais e territoriais envolvendo a distribuição mundial do gás natural. Basta lembrar que as “crises do gás” de 2006, 2009 e 2014, já estiveram diretamente associadas com a interrupção dos gasodutos russos que atravessam o território ucraniano na direção da Europa. E, portanto, também, com a disputa entre Rússia, Estados Unidos e as forças da OTAN, em torno do controle militar do território da Ucrânia. Uma disputa que inclui os demais países da chamada “Europa Central” e que se prolonga desde o fim da Guerra Fria, mas que neste momento está concentrada queda de braço entre Rússia e OTAN, em torno à incorporação ou não da Ucrânia e da Geórgia como países membros da organização militar do Atlântico Norte liderada pelos Estados Unidos.

Em 1991, depois do fim da Guerra Fria, não houve a assinatura de um “acordo de paz” que definisse de forma explícita as regras da nova ordem mundial, imposta pelos vitoriosos, como havia acontecido no fim da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais. De fato, o território soviético não foi bombardeado e seu exército não foi destruído, mas durante toda a década de 90, os EUA e a OTAN promoveram ativamente a cooptação dos países do antigo Pacto de Varsóvia, a o desmembramento do próprio território russo, consolidado desde o início do século XIX, pela Dinastia dos Romanov. Começando pela Letônia, Estônia e Lituânia, e seguindo pela Ucrânia, a Bielorrússia, os Bálcãs, o Cáucaso e os países da Ásia Central. E depois disto, os EUA e a OTAN participaram das Guerras da Bósnia, da Iugoslávia e do Kosovo, e iniciaram de imediato a instalação de armamento balístico nos países da Europa Central que foram sendo incorporados à OTAN.

Somando e subtraindo, a Rússia – e não apenas a URSS –, perdeu em apenas uma década, cerca de 5.000.000 km2 do seu território imperial, e cerca de 140 milhões de habitantes do seu território soviético. Podendo se compreender assim como o desaparecimento da União Soviética transformou a Rússia numa potência derrotada e humilhada que se colocou como objetivo central, sobretudo depois do ano 2001, reconquistar seu espaço perdido questionando o novo “equilíbrio estratégico” imposto pelos EUA e pela OTAN, através de sua expansão pura e simples na direção do leste e da fronteira ocidental da Rússia.

A mesma fronteira que já havia sido atacada e invadida pelos Cavaleiros Teutônicos do Papa, no início do século XVIII; pelas tropas polonesas e católica do Rei Sigismundo II, no início do século XVII; pelas tropas suecas e luteranas do Rei Carlos XII, no início do século XVIII; pelas tropas francesas de Napoleão Bonaparte, no início do século XIX; e pelas tropas da Alemanha Nazista e de sua Operação Barbarossa, iniciada em 22 de junho de 1941, envolvendo 3,5 milhões de soldados, responsáveis pela morte de cerca de 20 milhões de russos, muitos deles trucidados pura e simplesmente, com vistas a apropriação dos recursos naturais da Ucrânia e do Cáucaso.

Foi a partir desta história de invasões e humilhações, e com o genocídio alemão ainda na sua memória, que a Rússia resolveu dizer um basta, em 2008, na Guerra da Geórgia que interrompeu por alguns anos o desejo da OTAN de colocar um pé na região do Cáucaso, onde se concentra uma boa parte das reservas energéticas da Rússia. E é também dentro deste contexto que deve ser lida a disputa em torno da Ucrânia e seu entrelaçamento com a atual crise energética europeia. Sobretudo neste momento em que a oferta europeia do gás liquefeito norte-americano vem sendo afetada pelo aumento da demanda interna do próprio mercado americano e pela concorrência dos mercados asiáticos, que estão pagando até quatro vezes mais do que seu valor no mercado europeu.

Devendo-se somar as agruras europeia neste inverno de 2022, a disputa sem fim, primeiro em torno à construção, e agora em torno à liberação do Gasoduto do Báltico, o Nord Stream 2, construído entre Vyborg na Rússia, e Greifswald na Alemanha, com capacidade imediata de entregar aos alemães e europeus mais 55 milhões de metros cúbicos anuais do gás natural russo que já se transformou numa peça chave da escalada diplomática e bélica das últimas semanas em torno ao controle militar da Ucrânia.

O que é certo é que neste momento, em plena crise energética, pandêmica e inflacionária europeia, só a Rússia tem capacidade imediata de aumentar a oferta do gás que os europeus necessitam para esquentar suas casas, baixar seus custos de produção e recuperar a competitividade de sua indústria, diminuindo o grau de insatisfação de suas populações. É esta excepcional posição excepcional da Rússia que explica o seu empoderamento e sua decisão de avançar suas peças no tabuleiro do xadrez geopolítico da Europa, colocando sentados na mesa de negociações, os EUA, a OTAN e todos os demais países europeus, para discutir a sua própria proposta de redefinição pacífica dos parâmetros estratégicos impostos à Rússia, pela “força dos fatos e das armas”, durante a década de 1990.

O mais provável é que as negociações iniciadas na segunda semana de janeiro de 2022 se prolonguem por muito tempo, ou simplesmente permaneçam congeladas. Até porque a Rússia já venceu o primeiro round, na medida em que colocou sobre a mesa de forma explícita a sua condição fundamental e inarredável para que se possa estabilizar um novo equilíbrio estratégico europeu: a não incorporação da Ucrânia e da Geórgia como países membros da OTAN. A partir deste momento, a “próxima movida” no tabuleiro cabe às “potências ocidentais, que estão plenamente notificadas de que sua eventual decisão de incorporar estes dois países à sua organização militar, representará uma declaração automática e simultânea de guerra com a Rússia.

Ou seja, servirá como sinal para o início uma invasão massiva do território ucraniano por parte do poder militar russo. E não seria improvável, nestas condições, que houvesse uma suspensão imediata do fornecimento do gás russo para os países europeus envolvidos mais diretamente num conflito que pode se transformar numa nova grande guerra mundial, no caso em que envolva uma participação direta da China, que numa situação como esta poderia se sentir livre e autorizada para atacar e ocupar Taiwan.

_________________________________________________China anuncia redução de juros, na contramão de principais economias, que apertam os cintos para a inflação

Impressão desenfreada dominava lógica dos BCs ocidentais até recentemente

www.brasil247.com - Banco central da China
Banco central da China (Foto: © REUTERS / Jason Lee)

Xinhua - O banco central da China cortou na segunda-feira (17) as taxas de juros de seus empréstimos de médio prazo (MLF) e repos reversos em 10 pontos-base, em meio aos esforços do país para reduzir o custo dos empréstimos e sustentar ainda mais o crescimento econômico.

O Banco Popular da China (PBOC) reduziu a taxa de 700 bilhões de yuans (cerca de 110 bilhões de dólares americanos) de MLF de um ano para instituições financeiras para 2,85%, em comparação com 2,95% na operação anterior.

O PBOC também adicionou 100 bilhões de yuans de fundos ao mercado por meio de recompras reversas de sete dias a uma taxa de juros de 2,1 por cento na segunda-feira, abaixo dos 2,2 por cento.

Com 500 bilhões de yuans em MLF e 10 bilhões de yuans em recompras reversas com vencimento no mesmo dia, os movimentos mencionados acima levarão a uma injeção de liquidez de 290 bilhões de yuans no mercado.

A ferramenta MLF foi introduzida em 2014 para ajudar os bancos comerciais e de políticas a manter a liquidez, permitindo que eles tomassem empréstimos do banco central usando títulos como garantia.

Uma recompra reversa é um processo no qual o banco central compra títulos de bancos comerciais por meio de licitação, com um acordo para vendê-los de volta no futuro.

A China continuará a implementar políticas monetárias prudentes que sejam flexíveis e apropriadas, com a liquidez mantida em um nível razoável e amplo, disse uma conferência de trabalho econômico realizada em dezembro passado.

_________________________________________________O perigoso cinismo do Império - Marcelo Zero

Por Marcelo Zero 15 de janeiro de 2022, 19:42

Joe Biden“Nenhuma polegada para o Leste”. 

Foi o que prometeu o então Secretário de Estado dos EUA, James Baker, a Mikhail Gorbachev, na reunião de 9 de fevereiro de 1990 para tratar da reunificação da Alemanha. 

Com efeito, em troca da aceitação da unificação da Alemanha por parte da então União Soviética, os EUA prometeram a Gorbachev que a OTAN não se expandiria nem uma polegada para o Leste e permaneceria nos limites da Europa Ocidental. 

Posteriormente, os EUA tentaram desmentir essa promessa, mas documentos oficiais do Departamento de Estado, desclassificados em 2017, comprovam que ela foi feita.

Na realidade, os documentos oficiais revelam que a promessa foi feita não uma, mas três vezes, na reunião com Gorbachev, de 9 de fevereiro de 1990. 

James Baker concordou com a declaração de Gorbachev, em resposta às garantias da União Soviética, de que “a expansão da OTAN é inaceitável”. Baker assegurou também a Gorbachev que “nem eu nem o presidente pretendemos extrair vantagens unilaterais dos processos que estão ocorrendo”, e que os americanos entenderam que “não só para a União Soviética, mas também para outros países europeus é importante ter garantido que, se os Estados Unidos mantiverem sua presença na Alemanha dentro da estrutura da OTAN, nem uma polegada da atual jurisdição militar da OTAN se espalhará na direção leste”.

Ressalte-se que o próprio Presidente George H. W. Bush havia assegurado a Gorbachev, durante a cúpula de Malta, em dezembro de 1989, que os EUA não tirariam vantagem das revoluções na Europa Oriental para prejudicar os interesses soviéticos.

Entretanto, 33 anos após essas promessas, a polegada já virou milhares de milhas. 

Mesmo após o término da Guerra Fria, os EUA se aproveitaram da fragilidade da Rússia na década de 1990 e no início deste século para promover uma enorme expansão da OTAN para o Leste, que acarreta sérias ameaças de segurança para aquele país. 

Em 1999, Polônia, Hungria e República Tcheca foram incorporadas à OTAN, apesar dos protestos russos. Numa grande segunda onda, concluída em 2004, Letônia, Estônia, Lituânia, Eslováquia, Eslovênia, Bulgária e Romênia também foram incorporadas, em meio a muitos protestos da Rússia. Em 2009, foi a vez da Albânia e da Croácia.  Em 2020, Montenegro e Macedônia do Norte também foram incorporadas à OTAN. 

Estão agora na fila das novas incorporações Bósnia e Herzegovina, Geórgia e Ucrânia. 

Esses dois últimos países fazem fronteira com a Rússia e são estratégicos para sua segurança. No caso da Geórgia, há uma disputa de fronteiras que envolve a Ossétia do Sul, de maioria russa. No caso da Ucrânia, há também disputas territoriais que envolvem a Criméia e a região do Donbas, ambas de maioria russa. 

Observe-se que o atual regime ucraniano, surgido do golpe da “revolução laranja”, apoiado decisivamente por Washington, é fortemente hostil à Rússia e a russos em geral. Em 2019, por exemplo, o parlamento ucraniano aprovou lei que torna o idioma ucraniano praticamente o único idioma oficial da Ucrânia, uma afronta num país que sempre foi bilingue, e no qual ucranianos e russos conviviam de forma pacífica.  

A bem da verdade, essa hostilidade contra a Rússia tem raízes históricas. Na Segunda Guerra Mundial, muitos grupos de ucranianos do oeste e do centro se aliaram aos nazistas contra a União Soviética. Eles promoveram o famoso massacre de Babi Yar contra os judeus de Kiev e forneceram muitos guardas para atuar nos campos de concentração nazistas. 

Na “revolução laranja”, grupos de extrema direita da Ucrânia, que se julgam herdeiros dessa tradição nacionalista e xenófoba, tiveram participação decisiva. 

Contudo, independentemente da natureza do atual regime de Kiev, o fato concreto é que a eventual incorporação da Ucrânia à Otan poderia colocar tropas dessa organização a apenas cerca de 500 quilômetros de Moscou. 

Dessa posição, um míssil de alcance intermediário, que pode ser lançado de plataformas móveis, poderia atingir a capital da Rússia em apenas 5 minutos, gerando um tempo de resposta defensiva extremamente curto. Considere-se que os EUA se retiraram do tratado com o Rússia, que regulava esse tipo de mísseis, na era Trump.

Essa séria ameaça não é, evidentemente, a primeira. A adesão da Estônia à OTAN, em 2009, já havia colocado São Petersburgo, a segunda principal cidade da Rússia, a menos de 200 quilômetros de um território controlado estrategicamente pelos EUA.

Agora, imaginem se fosse o contrário. Imaginem um cenário no qual a Rússia tivesse, por exemplo, incorporado ou tentado incorporar o Canadá (membro da OTAN) na OSTC, criando a possibilidade de inserir tropas ou mísseis no sul de Quebec, a apenas cerca de 500 quilômetros de Nova Iorque. Será que os EUA assistiriam a tudo passivamente? Evidentemente que não. Teriam reagido com extrema agressividade, como fizeram na crise dos mísseis de Cuba, no início da década de 1960, que levou o mundo ao borde uma guerra nuclear. 

Em comparação, a reação de Putin é bastante razoável, embora firme. Quer que os EUA firmem um tratado de não agressão com a Rússia e que a Ucrânia não entre na OTAN. É uma aposta na paz e na negociação. Não obstante, Biden e Blinken recusam. Por quê?

Porque sua aposta é no conflito e na rivalidade com a Rússia e a China. Querem encurralar e fragilizar esses países, vistos como “inimigos”, conforme apregoa a doutrina de segurança dos EUA, aprovada por Obama em 2010. Não querem negociar a sério, como demonstrado recentemente. Exigem, na realidade, rendição e submissão. A baixa popularidade de Biden, que tende a perder as eleições legislativas deste ano, aguça a necessidade de apresentar alguma “conquista”, no plano externo,

Querem criar um cenário semelhante ao da década de 1990, quando a Rússia estava muito fragilizada, a China ainda não havia emergido como um ator internacional de relevo e os EUA eram a única e inconteste superpotência do planeta. 

Na busca desse cenário, não vale apenas expandir a OTAN indefinidamente para o Leste europeu. Vale também transformá-la numa “OTAN mundial”.

De fato, a possível modificação do artigo 10 do tratado que criou a OTAN (Tratado de Washington), o qual limita seu alcance geográfico a uma parceria do Atlântico Norte, poderia transformá-la numa organização militar global, tal como aventado na conferência de Riga, em 2006. 

Nesse contexto, países que já possuem importantes parcerias com a OTAN, como Austrália e Japão, por exemplo, poderiam se tornar seus membros efetivos. O mesmo poderia valer para países como Índia (membro do Quad), Coreia do Sul, Taiwan etc.

Na América Latina, o Brasil, que já estabeleceu parceria com a OTAN, no governo Bolsonaro, poderia se transformar, nesse contexto, num membro dessa organização, expandindo definitivamente a influência norte-americana para o Atlântico Sul. 

Afinal, o governo Bolsonaro já inseriu subalternamente nossas Forças Armadas no Comando Sul dos EUA.

Essa aposta dos EUA em conflitos e em disputas, além de irrealista, pois o mundo não voltará à década de 1990, é extremamente perigosa. Perigosa para a economia internacional e a superação da crise, que demanda cooperação e um ambiente livre de sanções; e perigosa, sobretudo, para a segurança do mundo inteiro. 

Eles estão brincando com fogo nuclear.

As intervenções dos EUA no planeta, quer via militar, quer via sanções, matam centenas de milhares de pessoas e arruínam muitos países, como a história recente demonstra.

Tudo, evidentemente, em nome da “democracia” e da “liberdade”, como convém ao cinismo imperial. 

Cinismo que se estende por milhares de milhas.

_________________________________________________Covid: como é a estratégia da China de tolerância zero contra o coronavírus

China está fazendo um grande esforço para manter o vírus fora do país - Reuters
China está fazendo um grande esforço para manter o vírus fora do país Imagem: Reuters

Kai Wang e Wanyuan Song - BBC Reality Check

12/01/2022 17h24

A China diz estar adotando todas as medidas de segurança necessárias contra o coronavírus para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que começam no próximo mês.

Então, o que está sendo planejado para o evento e quão bem-sucedida foi a política chinesa de "tolerância zero" contra a covid?

Covid-19: metade da Europa será infectada com variante ômicron nas próximas semanas, diz OMS

Medidas mais rígidas do que na Olimpíada de Tóquio

A China está fazendo um grande esforço para manter o vírus fora do país.

O governo chinês disse que visitantes estrangeiros serão barrados ? somente moradores da China continental estarão autorizados a participar dos eventos, sob a condição de permanecerem em quarentena quando voltarem para casa. As pessoas são aconselhadas a não viajar para a capital de outras partes do país.

Uma das medidas foi a criação de "bolhas": imprensa, atletas e observadores foram separados em três bolhas distintas ? quem entrar nessas bolhas deve estar totalmente vacinada ou passar 21 dias em quarentena, segundo as regras.

Os testes para covid são realizados diariamente, e as máscaras, obrigatórias em todos os momentos.

Trens de alta velocidade funcionarão dentro de um sistema de transporte fechado para a Olimpíada - Getty Images - Getty Images
Trens de alta velocidade funcionarão dentro de um sistema de transporte fechado para a Olimpíada Imagem: Getty Images

Ninguém pode deixar as bolhas. Os participantes estrangeiros entrarão nelas na chegada à China e permanecerão em sua bolha até deixarem o país.

Funcionários locais de apoio, incluindo voluntários, cozinheiros e motoristas, também fazem parte de uma bolha selada. Eles não terão contato físico com o mundo exterior, mesmo com suas famílias.

Esse sistema se aplica não apenas a moradias, hospitais e locais destinados a servir as Olimpíadas, mas também às ligações de transporte.

Existem aeroportos de circuito fechado e sistemas ferroviários de alta velocidade (dado que a maioria dos principais locais de competição está fora de Pequim).

Todos os veículos designados para as Olimpíadas receberam um rótulo vermelho especial na frente, e as autoridades de trânsito locais até aconselharam o público a "evitar contato" se houver um acidente de trânsito com eles. O lixo será mantido em locais de armazenamento temporário, para evitar infecções cruzadas.

O que já está em vigor para a prevenção de vírus?

As viagens dentro e fora da China são severamente restritas para estrangeiros, e houve restrições ao movimento interno desde o início da pandemia.

Quaisquer viajantes do exterior que tenham permissão para entrar na China são rastreados na chegada e enviados para hotéis designados pelo governo para uma quarentena obrigatória de pelo menos duas semanas.

Na maioria das cidades, a próxima etapa é cumprir quarentena em hotel ou em casa por sete dias e, em seguida, um período de monitoramento também de sete dias, durante o qual o visitante não pode se misturar com outras pessoas e tem que enviar informações regulares sobre seu estado de saúde a autoridades locais.

A China parou de emitir e renovar passaportes para "fins não urgentes" para seus próprios cidadãos, tanto no país quanto no exterior, para minimizar ainda mais as viagens internacionais.

Também existem controles rígidos sobre a movimentação entre as cidades chinesas (e às vezes mesmo entre bairros) com mais períodos obrigatórios de auto-isolamento para aqueles autorizados a viajar.

Com os Jogos se aproximando, a China implementou lockdowns em algumas cidades onde casos foram detectados.

Durante todo o evento, as pessoas só podem sair para "assuntos urgentes", como ir ao hospital. A vigilância da polícia e de voluntários locais também está sendo intensificada, com penalidades severas para quem infringir as regras.

Os moradores podem ser retirados de suas casas a curto prazo e enviados para instalações de quarentena se infecções forem detectadas durante uma campanha de testes em massa. Todos os negócios não essenciais estão fechados, exceto lojas de alimentos e alguns outros fornecedores essenciais.

As escolas estão fechadas e o transporte público está suspenso, com quase todo o movimento de veículos proibido.

A 'tolerância zero' funciona?

Diante disso, a China teve um sucesso notável na contenção da pandemia.

Desde o final de 2019, o país registrou pouco mais de 4,6 mil mortes (segundo a plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford, na Inglaterra).

Nos Estados Unidos, foram 830 mil mortes. E no Brasil, pouco mais de 620 mil.

Verificações de temperatura são obrigatórias em muitos locais - Getty Images - Getty Images
Verificações de temperatura são obrigatórias em muitos locais Imagem: Getty Images

Por milhão de pessoas, são cerca de três mortes na China, em comparação com 2.500 nos EUA e 2.940 no Brasil.

As infecções registradas na China também foram muito baixas, raramente passando de 150 por dia em todo o país durante a pandemia.

Houve quem expressasse dúvida sobre a precisão dos dados oficiais, mas parece claro que as taxas de infecção e mortalidade foram baixas quando comparadas com outros países. A Comissão Nacional de Saúde da China diz que 85% de sua população já está totalmente vacinada.

Apesar disso, a China é um dos poucos países que segue uma política de "tolerância zero" para a covid, independentemente do custo para as liberdades pessoais e para a economia.

Custo

Outros países, como Austrália, Nova Zelândia e Cingapura, modificaram sua estrita adesão a essa abordagem no fim de 2021. A variante delta estava se consolidando de qualquer maneira e esses países também conseguiram aumentar suas taxas de vacinação.

Os casos aumentaram nesses três países, mas a esperança é que a vacinação suficiente mantenha doenças graves e mortes em níveis administráveis.

No caso da China, deve haver preocupações de que o país possa estar em risco de surtos generalizados se seus controles rígidos forem suspensos muito rapidamente.

_________________________________________________Maioria dos americanos teme o 'colapso' da democracia, indica pesquisa

A pesquisa confirma a divisão do país um ano após o ataque ao Capitólio Imagem: Saul Loeb/AFP

A pesquisa confirma a divisão do país um ano após o ataque ao Capitólio - Saul Loeb/AFP
A pesquisa confirma a divisão do país um ano após o ataque ao Capitólio Imagem: Saul Loeb/AFP

12/01/2022 21h37

A maioria dos americanos considera que a instabilidade política é a maior ameaça aos Estados Unidos, onde a democracia poderia entrar em "colapso", de acordo com uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (12) que confirma a divisão do país um ano após o ataque ao Capitólio.

Segundo uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac, 76% dos entrevistados acreditam que a instabilidade política é a ameaça mais grave ao país, em comparação com 19% que citam países estrangeiros hostis aos EUA.

Casos de covid-19 nos EUA crescem 47% na última semana e o de mortes, 40,4%

Os mais preocupados são ativistas e simpatizantes democratas (83%, contra 66% dos republicanos) e indivíduos entre 18 e 34 anos (80%).

Além disso, 58% dos consultados temem um "colapso" da democracia, em comparação com 37% que a consideram forte o suficiente para superar as divisões da sociedade americana.

O presidente democrata Joe Biden, que prometeu em 20 de janeiro de 2021 "reconciliar" o país após o mandato de seu antecessor, o republicano Donald Trump, parece ter falhado em sua aposta, já que 53% dos americanos acreditam que essas divergências vão piorar no futuro, contra apenas 15% que preveem uma melhora.

"O medo de um inimigo interno, em vez de uma ameaça externa, ressalta a amarga percepção dos americanos sobre uma democracia em perigo e divisões políticas cada vez mais profundas", avaliou Tim Malloy, da Universidade de Quinnipiac.

A pesquisa, realizada com uma amostra de 1.313 adultos americanos entrevistados de 7 a 10 de janeiro (com margem de erro de 2,7 pontos percentuais), confirma outros estudos.

Dois terços dos americanos estimaram no início de janeiro que o ataque de apoiadores de Trump à sede do Congresso em 6 de janeiro de 2021 foi "o sinal de uma escalada da violência política" e que a democracia americana ainda está "sob ameaça" um ano depois , de acordo com uma pesquisa da CBS News.

No entanto, 44% dos que foram ouvidos por Quinnipiac minimizaram a importância da invasão do Capitólio. Em agosto de 2021, eles eram 38%.

Esta pesquisa também revela uma queda acentuada na popularidade de Joe Biden na opinião pública: apenas 33% se mostraram favoráveis ao presidente, contra 36% em novembro.

A maioria dos eleitores desaprova sua política de combate à covid-19, na economia ou na política externa.

Para 49% dos entrevistados, a política de seu governo divide o país, contra 42% que pensam que ela o une.

Os congressistas também receberam opiniões desfavoráveis: 62% para os republicanos e 59% para os democratas.

_________________________________________________Biden pede mudanças em regras de obstrução do Senado para aprovar reforma eleitoral considerada crucial

Presidente abraça nova agenda ambiciosa contra mudanças de leis de votação em estados governados por republicanos. O seu principal obstáculo continua a ser o senador democrata Joe Manchin

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em discurso em Atlanta nesta terça-feira Foto: JIM WATSON / AFP

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Em um discurso em Atlanta, cidade natal de Martin Luther King, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, defendeu nesta terça-feira uma reforma das leis eleitorais dos EUA, em uma tentativa de se contrapor a leis estaduais de republicanos que, segundo vários estudiosos e analistas, podem dificultar a ida de eleitores de minorias às urnas. 

Biden fez uma defesa firme da reforma eleitoral, que representa também uma ambiciosa nova ofensiva de seu governo, e mostrou-se aberto a “quaisquer mudanças necessárias” nos regulamentos do Senado para aprovar a legislação.

O presidente não chegou a pedir a eliminação completa das regras de obstrução, um mecanismo do Senado que permite que o partido minoritário vete qualquer projeto de lei que não conseguir 60 votos, mas defendeu mudanças no dispositivo, que descreveu como tendo sido “instrumentalizado” e se tornado uma arma que permite “abusos”. Biden disse que o Partido Republicano “não usa a obstrução para unir o Senado, mas para dividi-lo”.

— Hoje estou deixando claro: para proteger nossa democracia, eu apoio a mudança das regras do Senado de qualquer maneira que elas precisem ser alteradas para evitar que uma minoria de senadores bloqueie ações sobre o direito ao voto — afirmou Biden em Atlanta. — Discutam [os projetos]. Votem-nos. Deixem a maioria prevalecer. E se essa maioria mínima for bloqueada, não temos outra opção a não ser mudar as regras do Senado, incluindo tirar a obstrução nesse caso.

A defesa da suspensão da obstrução contrasta-se com o comportamento de Biden em 2005, quando os republicanos tinham maioria e queriam encerrar com o mecanismo. Então senador, Biden defendeu a obstrução como uma ferramenta necessária para “a moderação e o compromisso”.

A situação era muito diferente do contexto atual, de alta polarização e com os partidos votando quase sempre em bloco. No atual cenário, um consenso sobre o assunto é praticamente impossível. Em seu discurso, o presidente, conhecido pela promoção de amplos acordos quando parlamentar, afirmou que o Senado “tornou-se uma sombra do que já foi”.

Muitos democratas dizem que a mudança nas regras de obstrução se aplicaria apenas a questões baseadas em direitos constitucionais, como o voto, mas republicanos e outros dizem que inevitavelmente a alteração deve ser estendida a outras leis, diminuindo o poder geral do dispositivo regulamentar e dando poder exagerado a um partido.

A visita de Biden à Geórgia, onde discursou em um espaço pertencente a quatro universidades negras ligadas à história da luta pelos direitos civis, é o mais significativo esforço liderado por democratas para aprovar novas proteções que garantam o direito ao voto.

Ela também é uma aposta para o governo de Biden como um todo, que investiu capital político em outros esforços, nem sempre bem-sucedidos — seu maior fracasso até aqui foi não ter aprovado a trilionária agenda de proteção social, que, depois de muitas tentativas em 2021, acabou paralisada, após o senador democrata Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, se recusar a endossá-la.

Manchin e a também senadora democrata Kyrsten Sinema, do Arizona, são novamente o principal empecilho do presidente para conseguir mudar as regras de obstrução. O pedido de mudança da norma de obstrução precisa do apoio de todos os 50 senadores democratas e do voto da vice-presidente Kamala Harris para desempatar, mas os dois senadores democratas já mostraram-se contrários à iniciativa.

_________________________________________________China é acusada de promover CAMPANHAS de DESINFORMAÇÃO no Facebook

Autoridades chinesas têm usado redes sociais para manipular imagem do país no mundo, diz jornal.

Hemerson Brandão 17 horas atrás

Segundo o jornal The New York Times, autoridades chinesas têm promovido uma extensa campanha global para manipular a imagem da China nas redes sociais ao redor do mundo.

A acusação tem como base uma série de documentos a qual o jornal teve acesso. Neles, foi constatado que uma divisão da polícia de Xangai postou um anúncio online recente para buscar empresas privadas de tecnologia especializadas em “gestão da opinião pública”.

Inicialmente, a ideia era que a atuação fosse focada apenas nas redes sociais domésticas, moldando ativamente a opinião pública local por meio de censura e disseminação de posts falsos. Entretanto, esse trabalho também foi expandido para além da China, com o departamento de polícia enfatizando que a tarefa era considerada urgente.

Censura chinesa

Utilizando-se do Facebook e Twitter, essas empresas começaram a criar centenas de perfis falsos para gerar conteúdos e atrair seguidores.

O trabalho também envolve identificar aqueles críticos que vem acusando a China de promover abusos aos direitos humanos, incluindo saber quem são e onde vivem.

Também há campanhas para deter usuários chineses que burlam os bloqueios do governo para criar contas no Twitter, inclusive para aqueles que vivem fora da China.

Conteúdos pró-China

Boa parte do conteúdo gerado é feito por uma rede de robôs que geram postagens automáticas utilizando-se de perfis difíceis de localizar.

Para dar credibilidade para as postagens pró-China, as empresas focam em engajamento, enganando as pessoas e reforçando o número de likes em posts. Assim, o fluxo de tráfego gerado aumenta as chances de publicações serem mostradas por algoritmos de recomendação em redes sociais e sites de busca.

Apesar do trabalho do Facebook e Twitter em deletar contas falsas, o jornal afirma que esse esforço dos robôs tem sido feito há pelo menos dois anos.

Quando o The New York Times questionou as autoridades chinesas, os documentos foram retirados do ar. O Departamento de Segurança Pública de Xangai não respondeu ao noticiário.

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Uma explosão causada por munição da polícia é vista enquanto apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem em frente ao prédio do Capitólio federal em Washington - Leah Millis/Reuters - Leah Millis/Reuters
Uma explosão causada por munição da polícia é vista enquanto apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem em frente ao prédio do Capitólio federal, em Washington Imagem: Leah Millis/Reuters

Leah Millis: "Milhares de apoiadores do então presidente Donald Trump, um republicano, invadem o Capitólio federal em 6 de janeiro, em uma tentativa fracassada de reverter a recente eleição e impedir Joe Biden, um democrata, de se tornar o próximo presidente. Foi o pior ataque à sede do governo americano desde a guerra de 1812.

Cheguei ao lado oeste do Capitólio federal antes dos apoiadores de Trump romperem as barreiras policiais e documentei o caos que se seguiu pelas sete horas seguintes. A certa altura ouvi a multidão cantando 'empurra' e achei que deviam ter arrombado as portas. Não quis correr o risco de ser esmagada ou ferida pela imensa multidão, que era hostil para com membros da mídia e já tinha atacado vários de meus colegas naquele dia. Optei pelo risco de escalar uma estrutura de andaime erguida para uma futura inauguração para ter uma visão melhor.

O Capitólio já tinha sido invadido por diferentes entradas, mas a luta por aquela entrada durou horas. A polícia do Capitólio e a polícia metropolitana do Distrito de Colúmbia combatiam corpo a corpo a multidão de apoiadores de Trump e, no processo, vários policiais foram seriamente feridos. Quatro pessoas morreram naquele dia e um policial atacado pelos manifestantes morreu no dia seguinte. Quatro policiais posteriormente se suicidaram.

Posteriormente, os agentes da lei conseguiram fazer com que a multidão recuasse. Às 17h04, para dispersar os manifestantes restantes, eles usaram uma granada de atordoamento, que libera uma luz ofuscante que iluminou o prédio do Capitólio. Para mim, a explosão da granada capturou a violência e o choque daquele dia: cidadãos americanos atacando e invadindo o prédio do Capitólio de seu próprio país. Nunca mais esquecerei a visão assustadora da bandeira americana tremulando acima de toda a cena, lançando uma sombra sobre o icônico domo por trás dela.

Havia muitos fotógrafos no Capitólio naquele dia e há muitas imagens significativas de dentro e de fora do prédio. Veículos de mídia de todo o mundo usaram esta foto e ela foi exibida no segundo processo de impeachment de Trump. O ataque ao Capitólio foi um momento crucial na história americana e acho que olharemos para esse dia como um momento decisivo em nosso país."

O presidente dos EUA, Donald Trump, joga golfe no Trump International Golf Club, em West Palm Beach, Flórida - Marco Bello/Reuters - Marco Bello/Reuters
O presidente dos EUA, Donald Trump, joga golfe no Trump International Golf Club, em West Palm Beach, Flórida Imagem: Marco Bello/Reuters

Marco Bello: "Quando o então presidente Donald Trump viajou para Mar-a-Lago para o Natal, o presidente eleito Joe Biden já contava com votos eleitorais suficientes para conquistar a presidência dos Estados Unidos, mas Trump não reconhecia a derrota. Ninguém tinha acesso a ele, nem mesmo o grupo de jornalistas que viajava com ele. O noticiário era dominado pela eleição, mas não havia nenhuma foto recente de Trump.

O fotógrafo Tom Brenner, que fazia parte do grupo, soube por meio de um colega de um ponto na cerca do Trump International Golf Club, de onde era possível ver Trump jogando golfe. Cheguei ao local bem cedo na manhã de 26 de dezembro e pensei: 'Esta é uma foto impossível!' Havia algumas poucas aberturas na densa parede de folhagem que davam visão ao campo de golfe, mas era difícil conseguir focar a câmera, já que a menor brisa movia as folhas, interferindo no foco. A foto dependeria de onde a bola caísse no 'green' e de onde estivessem posicionados os agentes do Serviço Secreto e os demais jogadores.

Esta foto foi obtida no meu terceiro dia de tentativas. Àquela altura, duas equipes de televisão e fotógrafos tinham se juntado a mim. Aprendi um pouco sobre golfe graças a eles, enquanto passávamos longas horas esperando.

O que adoro nesta foto é a aparência despenteada de Trump, que parece uma pessoa normal, sem a bagagem da instituição que ele representava.

Após Trump deixar a Casa Branca e se mudar para a Flórida, novas palmeiras foram plantadas para bloquear plenamente a vista do clube."

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China ultrapassa EUA e se torna líder mundial em produção científica

26 de dezembro de 2021, 11:14

247 - A produção científica chinesa atingiu a marca de maior do mundo -- ultrapassando os Estados Unidos de maneira inédita. É o que mostra levantamento realizado pela Folha de S.Paulo. 

Foram 788 mil artigos científicos em 2020 ligados a universidades, institutos e hospitais da China. Ou seja, 90 resultados científicos novos por hora.

Os EUA tiveram 767 mil artigos científicos publicados em 2020, número 2,4% maior em relação ao ano anterior. No mesmo período, a produção chinesa cresceu 10%. 

Com base no levantamento, a China lidera áreas do conhecimento como biologia molecular, farmacologia, astronomia, agricultura, ciências da computação e engenharias. Também vai bem nos estudos em economia (2º lugar no mundo) e em artes e humanidades, na qual ocupa a 6º posição mundial. 

_________________________________________________Trinta anos após fim da URSS, Rússia não superou trauma da transição econômica e da perda de poder


Crise dos anos 1990 ajudou a estabelecer padrões para a Rússia atual, que apesar de uma situação econômica mais confortável, vivencia retrocessos democráticos cada vez mais palpáveis

Manifestantes se colocam diante da polícia de choque durante protesto contra a prisão do líder oposicionista Alexei Navalny, em Moscou, no dia 23 de janeiro Foto: SERGEY PONOMAREV / NYT

Ao falar pela última vez como líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev destacou algumas de suas ideias sobre o Estado formado por 15 repúblicas socialistas que chegava ao fim naquela noite de 25 de dezembro de 1991, depois de 69 anos. Mais que isso, projetava nos anos e líderes futuros suas convicções sobre os caminhos a serem seguidos pelas antigas nações soviéticas, em especial a Rússia.

— Alguns erros poderiam ter sido evitados, muitas coisas poderiam ter sido feitas de melhor forma, mas estou convencido de que, mais cedo ou mais tarde, nossos esforços comuns darão frutos, nossas nações viverão em uma sociedade próspera e democrática— disse Gorbachev, que, ao assumir como secretário-geral do Partido Comunista da URSS, em 1985, tentara promover reformas políticas (glasnost) e econômicas (perestroika) no sistema de partido único e economia sob controle estatal.

Trinta anos depois, o modelo de democracia desejado por Gorbachev não se concretizou, dando espaço a um sistema político complexo, que junta padrões de regimes anteriores e conceitos criados pelas novas lideranças.

— Ainda estamos no período pós-imperial, no qual os russos ainda não se acostumaram às mudanças trazidas pelo colapso soviético nem aceitaram bem o fato de não se tratar mais da URSS — afirmou Fyodor Lukyanov, editor do jornal de política externa Russia in Global Affairs, em entrevista ao Christian Science Monitor. — Afinal de contas, a Rússia jamais viveu dentro das atuais fronteiras em sua história.

As turbulências que antecederam o momento em que a bandeira vermelha baixou pela última vez no Kremlin serviram de base para os movimentos iniciais da Federação Russa, pela primeira vez uma nação com líderes escolhidos de forma direta pela população.

Boris Yeltsin — que fora eleito presidente da Rússia ainda nos últimos dias da URSS — trazia um forte capital político angariado durante a resistência à tentativa de golpe contra Gorbachev em agosto de 1991, quando integrantes da linha dura do PC tentaram barrar as reformas. Ali, Yeltsin, que deixara o partido no ano anterior, passou a ser percebido como representante daqueles que não acreditavam mais na União Soviética e queriam uma transição para um novo regime. Foi o que ele fez, ou ao menos tentou fazer.

— Os anos 1990 foram um período em que, pela primeira vez na História, a Rússia adotou e desenvolveu conceitos como o Estado de direito, separação de Poderes, federalismo de verdade. Foram um momento em que a Rússia mudou sua presença internacional, apresentando-se como um um país que abraçava princípios da lei internacional — definiu Ekaterina Mishina, professora visitante da Universidade de Michigan, em seminário no Wilson Center, em abril deste ano.

'Os loucos anos 1990'

Mas era questão de tempo até que outro aspecto da mudança brusca de sistema tivesse seus efeitos: Yeltsin herdou um Estado quebrado, que vinha em estagnação desde os anos 1970 e não conseguira implementar a reestruturação econômica proposta por seu desafeto Gorbachev. A transição rápida para uma economia de mercado, conhecida como terapia de choque, traumatizou a população.

Com a liberalização dos preços, a inflação disparou. As privatizações não beneficiaram os empregados, aumentaram a desigualdade e ajudaram a criar uma nova classe, a dos oligarcas, que passaria a ter grande influência nos rumos da Rússia. Entre 1992 e 1998, o PIB russo encolheu pela metade. A expectativa de vida diminuiu cinco anos, de 69 para 64, entre 1988 e 1994. A promessa de Yeltsin de que “seriam dois ou três anos de dificuldade” não sobreviveu ao agravamento da crise, culminando com o crash de 1998, quando o governo desvalorizou o rublo e declarou moratória.

— O país viveu uma década de recessões, como se estivesse em uma guerra. Muitos economistas dizem que, apesar das dificuldades, Yeltsin fez a transição para o capitalismo, o que, de forma geral, pode ser bom, mas a maioria dos russos não pensa dessa forma, eles pensam no trauma dos anos 1990 — disse o historiador Angelo Segrillo, especialista em Rússia e professor da USP.

O trauma dos “loucos anos 1990”, como o período às vezes é chamado, ajudou a moldar aqueles que lideraram a Rússia depois da saída de Yeltsin, no final de 1999: no caso, o jovem primeiro-ministro Vladimir Putin, que assumiu a Presidência depois de uma melancólica mensagem de ano novo do agora ex-presidente, que pediu perdão pelos erros cometidos e disse ter sido “inocente” em vários momentos.

 — Quero que saibam, nunca disse isso antes e quero que saibam agora, que a dor de cada um de vocês era a minha dor, a dor de meu coração — disse Yeltsin ao renunciar.

Novos conceitos

Aliadas ao trauma da transição ao capitalismo, as condições que Putin encontrou no início de seu primeiro mandato abriram caminho para sua longevidade à frente do Kremlin. A volta do crescimento, impulsionada pela alta dos preços internacionais do gás e do petróleo, elevou os índices de popularidade do novo presidente. Salários e aposentadorias voltaram a ser pagos com regularidade. A centralização do comando do país, revertendo a ideia de federalização, e uma rápida e até certo ponto vitoriosa ofensiva contra separatistas na Chechênia trouxeram a ideia de que alguém estava “arrumando a casa”.

Por outro lado, era inegável que a liberdade democrática vista na década anterior estava sendo lentamente desmantelada. “Como muitos regimes não democráticos, a Rússia é uma ‘autocracia informacional’: finge ser democrática, usa a repressão direcionada ao invés da maciça, evita assumir a culpa pela morte de dissidentes e permite a imprensa independente e partidos de oposição”, disse Sergei Guriev, professor de Ciência Econômica na Science Po, de Paris, em artigo no site Russia Matters. Para ele, “nos últimos anos, a Rússia se tornou mais repressiva. Mas, mesmo assim, o nível de repressão não pode ser comparado ao do período anterior a Gorbachev na URSS”.

Relação entre iguais

Nos 20 anos seguintes, incluindo quatro como primeiro-ministro, Putin imprimiu sua ideia de grandeza da Rússia. Em 2005, durante o discurso sobre o Estado da União, afirmou que o fim da União Soviética foi a “maior tragédia” do século XX. Dois anos depois, na Conferência de Segurança de Munique, decretou o “fim” do mundo unipolar comandado pelos EUA, recolocando Moscou no centro do debate político global. Em 2014, ele anexou a Península da Crimeia, punindo a ex-república soviética da Ucrânia por ter levado ao poder um governo pró-Ocidente.

— Para Putin, a Rússia sempre foi uma grande potência, e os anos 1990 foram uma época fora da curva. Nos anos 2000, com a recuperação econômica, ele via que o Ocidente não aceitava uma relação entre iguais e, a partir de 2007, deu um basta, o discurso em Munique foi um ponto de virada, ali ele resolveu confrontar o Ocidente. Até ali, estava atrás do apaziguamento, mas depois mudou o tom — afirmou Segrillo.

Hoje, a economia russa voltou a perder força, mas nem isso nem o retrocesso democrático afetaram substancialmente a popularidade de Putin. As agruras acabam direcionadas a seus subordinados, como o ex-presidente tampão Dmitri Medvedev, hoje um dos políticos menos populares da Rússia. Com a oposição reprimida e dividida — um dos mais conhecidos opositores, Alexei Navalny, está preso em um processo por fraude que ele afirma ser político — não há um nome capaz de enfrentar Putin em condições de igualdade.

Depois da reforma constitucional que promoveu em 2020, ele poderá disputar pelo menos mais duas eleições presidenciais, em 2024 e 2030, e a avaliação é de que seria favorito.

 — As pessoas ficam com medo de balançar o barco, muitos o apoiam com aquela ideia de “ruim com ele, pior sem ele” — apontou Segrillo. — Alguns questionam como seria Alexey Navalny no governo sem o apoio do Parlamento, um cara que apareceu do nada e de repente se vê no meio de uma grande confusão. Existe o medo de um retorno aos tempos dos anos 1990.

Ao mesmo tempo, o historiador avalia que Putin pode optar por um caminho mais seguro: encontrar um sucessor confiável e manter o controle nos bastidores, em especial das Forças Armadas.

 —  Putin conhece a História da Rússia, sabe do histórico de homens fortes que, quando morrem, imediatamente colocam o país em um estado de “Smuta”  — disse Segrillo, usando o termo russo para “problemas”, usado na transição de poder depois da morte, em 1598, de Teodoro I, herdeiro de Ivã, o terrível, e que culminou com a chegada dos Romanov ao trono em 1613.

_________________________________________________'Do final de 1989 até 1991, percebeu-se que o sistema não tinha mais como funcionar', afirma historiador sobre o fim da URSS

Professor da USP e um dos principais pesquisadores brasileiros sobre o desmantelamento do bloco soviético, Angelo Segrillo aponta fatores e movimentos que levaram ao discurso final de Mikhail Gorbachev, em 1991
Apoiadores do Partido Comunista da Federação Russa marcham ate o túmulo do ex-líder soviético, Josef Stalin, no aniversário de 142 anos de seu nascimento Foto: DIMITAR DILKOFF / AFP
Apoiadores do Partido Comunista da Federação Russa marcham ate o túmulo do ex-líder soviético, Josef Stalin, no aniversário de 142 anos de seu nascimento Foto: DIMITAR DILKOFF / AFP

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O historiador Angelo Segrillo foi um dos primeiros especialistas brasileiros a fazer pesquisas nos arquivos soviéticos após a queda da URSS, há 30 anos. Em seu primeiro livro sobre o tema, “O declínio da URSS: um estudo das causas” (Record), ele analisa as razões que levaram ao fim do país que foi uma das duas superpotências do “breve século XX”, quando o mundo era dividido em dois blocos ideológicos antagônicos. Hoje professor da USP, Segrillo também é autor de outros livros sobre a Rússia, que herdou o arsenal nuclear soviético e a posição geopolítica da antiga potência, entre eles “De Gorbachev a Putin” e “Os russos”. Ele falou ao GLOBO sobre aquele momento.

Que causas o senhor identificou como determinantes para o fim da União Soviética?

Esse foi um processo multicausal, com muitos fatores influenciando. Se tivesse que escolher os que foram mais centrais, diria que, na área econômica, foi a desaceleração da economia e do desenvolvimento tecnológico da URSS nas décadas da chamada Terceira Revolução Industrial (ou revolução dos computadores) dos anos 1970 e 1980, o que a fez cair na competição econômica com os países capitalistas centrais. Na área política, foi o aprofundamento da alienação da população em relação à falta de democracia socialista real no país, que passou a atingir até parte da própria liderança política, que deixou de acreditar nos ideais originais da revolução e passou a agir de maneira meramente carreirista. A isso se agregavam outros fatores complicadores, como o reavivamento dos problemas entre as diferentes nacionalidades que compunham a URSS, o peso financeiro dos setores de defesa e os problemas agrícolas no país.

Muito se fala da invasão do Afeganistão (1979-1989) como fator que precipitou o descontentamento com o sistema soviético, algo que Gorbachev não conseguiu reverter a tempo. Qual o peso dessa guerra no desmantelamento da URSS?

Eu não diria que a guerra causou o descontentamento com o sistema soviético, mas a maneira desastrada como foi conduzida e, principalmente, a retirada em derrota do país em 1988, contribuíram para a perda de prestígio do sistema soviético não só no exterior, mas internamente, algo que guardou algumas semelhanças com o que aconteceu com os EUA no Vietnã. A retirada do Afeganistão, assim como o acidente nuclear de Chernobyl, em 1986, foram dois marcos simbólicos que contribuíram em muito para a perda de prestígio da URSS.

Outra questão é a própria construção da União, com 15 repúblicas com características próprias. Quando começaram a se manifestar as forças internas que levaram à separação dessas repúblicas?

A URSS era um estado multinacional com dezenas de nacionalidades diferentes exigindo seus direitos culturais especiais. Como o império russo era conhecido como a “prisão das nações”, a URSS herdou este potencial estorvo. Depois de muitas crises nos anos 1920 e 1930, aos poucos a União Soviética parecia estar equacionando, ou colocando sob controle, as disputas entre nacionalidades. Entretanto, com a abertura política da perestroika, estes problemas voltaram com força. A “carta nacional” foi usada por políticos locais para fortalecer o cacife de seus movimentos de oposição. Na parte final da perestroika, com muitos problemas econômicos e Gorbachev já sem parte de seu controle central, a “carta nacional” ajudou a derrubar o edifício chamado União Soviética. Os problemas nacionais não foram centrais no início da perestroika, mas foram extremamente influentes no meio e, principalmente, no final dela. E o problema nacional não se resumia às 15 nacionalidades titulares de cada república, já que em cada uma delas havia dezenas de nacionalidades diferentes que constituíam subproblemas.

Qual foi o peso, dentro da URSS, dos movimentos que puseram fim aos regimes comunistas nos países do antigo Pacto de Varsóvia?

Não acho que a influência vinda dos países do Pacto de Versóvia tenha sido muito determinante no processo interno da URSS. É claro que os russos sabiam o que acontecia no Leste Europeu. Mas os problemas internos eram tão maiores que balizaram o processo interno. Acho que a influência principal se deu na direção oposta. A abertura de Gorbachev desencadeou e estimulou processos autonomistas e independentistas nos países comunistas do Leste Europeu que, a partir daí, tomaram dinâmicas próprias. Um momento crucial veio quando Gorbachev deixou claro que não interferiria nos processos de reforma naqueles países. Isso foi fundamental para que se acelerassem.

Qual a importância da corrida armamentista — especialmente a nuclear — com os EUA no processo?

O aumento de custos financeiros causados pela competição com o programa “Guerra nas estrelas" de Ronald Reagan certamente aumentou a pressão sobre o já pressionado sistema soviético nos anos 1980. Entretanto, acho exagerado dizer que “Reagan quebrou a URSS com a disputa militar”, como às vezes é apregoado, pois o próprio Gorbachev respondeu posteriormente, ainda nos 1980, com seus acordos de desarmamento, o que possibilitou um alívio para a União Soviética.

É possível apontar o momento em que Gorbachev perdeu a capacidade de permanecer no poder e manter a URSS viva?

Essa é uma pergunta que provoca grandes controvérsias dentro da Rússia e entre antigos comunistas, que criticam Gorbachev por ter feito reformas muito radicais, achavam que deveriam ter controlado mais a política rumo a algo mais gradual, e não consideravam urgentes as mudanças. Já outros achavam que a União Soviética não poderia manter a competição com os EUA para sempre. Uma coisa concreta é o ano de 1988, na perestroika, quando ocorreu o “vai ou racha”. Foi o início das reformas radicais, e é algo que poderia mudar a Rússia em um sentido diferente. Não se falava em capitalismo, mas em um regime misto. Do final de 1989 até 1991, se percebeu que o sistema não tinha mais como funcionar. Gorbachev ainda tentou manter o governo de uma forma mais descentralizada, até que veio o golpe de agosto de 1991, e ele não conseguiu mais.

A história do fim da URSS por vezes é contada como se fosse um processo “de cúpula”, liderado por Boris Yeltsin, que, ao lado da Bielorrússia e da Ucrânia, selou o pacto para o fim da União. A população participou do processo ou apenas assistiu aos acontecimentos?

A perestroika foi um processo que começou na cúpula do Partido Comunista com Gorbachev em 1985, surpreendendo, por sua profundidade, a população. Mas, uma vez iniciado, os russos participaram ativamente, votando nas novas eleições mais livres e se agrupando em organizações da sociedade civil que brotaram de forma espontânea. Essa participação foi fundamental para que líderes da oposição, como Yeltsin, chegassem ao poder. Sem o apoio popular, nunca teriam conseguido isso, pois alguns, incluindo Yeltsin, foram banidos de suas próprias posições dentro do PC. Houve forte participação popular sim, mas é importante notar que, como até em democracias ocidentais, os jogos das elites e contraelites também tiveram um papel importante.

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Paul Krugman: O que perderemos se não reconstruirmos melhor

Haverá enormes custos humanos e econômicos se os planos de GASTOS MODERADOS de Biden forem descartados

The New York Times

Deixarei a análise política especializada para outros. Não sei por que o senador Joe Manchin aparentemente decidiu recuar em uma promessa explícita que fez ao presidente Biden. Ingenuamente, pensei que mesmo nesta era de rompimento de normas, honrar um acordo que você acabou de fazer fosse uma das últimas normas a desaparecer, já que a reputação por cumprir a palavra dada é útil até mesmo para políticos altamente cínicos. Também não sei o que, ou quanto, pode ser salvo do plano Reconstruir Melhor.

O que sei é que haverá enormes custos humanos e, sim, econômicos se os planos de gastos moderados, mas cruciais, de Biden forem descartados.

O fracasso em aprovar uma agenda social decente condenaria milhões de crianças americanas à má saúde e à baixa renda na idade adulta —porque é isso o que acontece com quem cresce na pobreza. Condenaria outros milhões a tratamento médico inadequado e ruína financeira se adoecerem, porque é isso que acontece quando as pessoas não têm seguro-saúde adequado. Condenaria centenas de milhares, talvez mais, a doenças desnecessárias e morte prematura pela poluição do ar, mesmo sem calcular o risco intensificado de catástrofe climática.

Senador democrata Joe Manchin, cujo apoio é crucial para passar pacote social de Biden. "Eu não posso votar por isso e não posso votar para dar continuidade a essa peça legislativa. Apenas não posso", disse ele na Fox News no domingo - Anna Moneymaker - 14.dez.2021/AFP

Não estou especulando. Há evidências avassaladoras de que as crianças de famílias de baixa renda que receberam ajuda financeira são significativamente mais saudáveis e mais produtivas quando atingem a idade adulta do que as que não receberam. Os americanos sem seguro muitas vezes não têm acesso a tratamento médico necessário e enfrentam contas impagáveis. E estudos mostram que as políticas para mitigar a mudança climática também produzirão maiores benefícios à saúde, pelo ar mais limpo, durante a próxima década.

Como um aparte, não está claro quantos americanos percebem a extensão em que estamos ficando para trás de outros países em termos de suprir as necessidades humanas básicas. Por exemplo, continuo encontrando pessoas que acreditam que temos a maior expectativa de vida do mundo, quando na realidade podemos esperar viver entre três e cinco anos a menos que os cidadãos da maioria dos países europeus.

Aliás, também há grandes e crescentes lacunas entre os estados americanos. Em 1979, a expectativa de vida na Virgínia Ocidental era apenas 14 meses a menos que em Nova York; em 2016 a lacuna tinha aumentado para seis anos. E sim, o estado natal de Manchin se beneficiaria imensamente dos gastos sociais que seu senador democrata parece determinado a bloquear.

A fragilidade da rede de segurança social dos EUA também tem consequências econômicas. É verdade que ainda temos um alto Produto Interno Bruto per capita, mas isso é principalmente porque os americanos tiram muito menos tempo de férias que seus homólogos no exterior, o que significa que eles produzem mais porque trabalham mais horas. De outras formas, ficamos para trás. Mesmo antes da pandemia, os americanos em idade mais produtiva eram menos propensos a ser empregados que os cidadãos do Canadá e de muitos países europeus, provavelmente em parte porque não ajudamos os adultos a continuar na força de trabalho oferecendo creches e licença parental.

Mas nós temos condições de melhorar nossas vidas? Uma resposta é que outros países ricos parecem administrar isso muito bem. Outra é que as objeções de Manchin à legislação proposta evaporam sob uma análise minuciosa.

Manchin afirmou que o Escritório de Orçamento do Congresso determinou que o custo da lei é "superior a US$ 4,5 trilhões". Não, não é. Essa foi uma estimativa de despesas solicitada pelos republicanos —não o impacto consideravelmente menor sobre o déficit— sob a suposição de que tudo na lei se tornaria permanente, o que não está no texto da lei. E se o Congresso aprovou a prorrogação de programas como o crédito fiscal para filhos provavelmente também aprovaria as compensações de renda. A análise da lei pelo escritório do orçamento como está no texto —que a considerou aproximadamente neutra em déficit— é um guia muito melhor de seu provável impacto fiscal do que essa hipótese manipulada.

Quanto à afirmação de Manchin de que temos uma dívida pública "assustadora", talvez valha a pena comentar que os pagamentos de juros federais como porcentagem do PIB são apenas a metade do que foram sob Ronald Reagan, e que se você ajustar pela inflação —como deveria— eles são basicamente zero.

E a inflação? Os gastos propostos no Reconstruir Melhor se espalham por vários anos, por isso não aumentariam muito a demanda geral em curto prazo —o acréscimo ao déficit no primeiro ano seria de apenas 0,6% do PIB, o que não basta para causar muita diferença na inflação em qualquer modelo que conheço. Além disso, o Federal Reserve acaba de deixar claro que está pronto para aumentar as taxas de juros se a inflação não ceder, por isso os gastos do governo devem importar ainda menos.

Como eu disse, não vou tentar analisar os processos de pensamento de Manchin, e deixarei que outros especulem sobre seus motivos pessoais. O que posso dizer é que a carta que ele divulgou para explicar por que ele disse o que disse na Fox News não parece uma declaração política cuidadosamente elaborada; nem sequer parece um manifesto ideológico coerente. Na verdade, parece apressada —um apanhado de pontos do discurso republicano enunciados apressadamente na tentativa de justificar sua súbita traição e retratá-lo como vítima.

Desculpe, mas não. Os Estados Unidos são a vítima nessa história, e não um senador que está sendo criticado por quebrar uma promessa.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

_________________________________________________EUA já perderam batalha na esfera da inteligência artificial para a China, diz ex-chefe do Pentágono __________ 11 de outubro de 2021 

"NÃO temos NENHUMA CHANCE de lutar contra a China nos próximos 15 a 20 anos. Neste momento, já é um negócio fechado; em minha opinião, já acabou", disse Chaillan, acrescentando que a China está pronta para dominar o futuro do mundo, controlando tudo, desde narrativas da mídia até geopolítica. 

_________________________________________________Oposição AMPLIA o palanque, MAS Bolsonaro AINDA LEVA MAIS POVO para as RUAS _________

MESMO com a popularidade em QUEDA LIVRE, REJEITADO por 53% da população e com a intenção de votos CAINDO para a faixa de 20%, em 2022, o capitão presidente mostrou que ainda tem MAIOR CAPACIDADE de MOBILIZAÇÃO do que as oposições REUNIDAS em mais de 100 cidades no país e no exterior.

_________________________________________________Estado Islâmico no Afeganistão (ISIS-K) pode atacar EUA em SEIS MESES (ABRIL/2022), diz Pentágono _________________________________________________IMPEACHMENT sem CENTRÃO e MOURÃO é EMPULHAÇÃO de oposição SEM AGENDA _________________________________________________“A maior ILUSÃO da ESQUERDA brasileira é com o COMPROMISSO DEMOCRÁTICO da BURGUESIA” _________________________________________________Com MEDO do relatório da CPI, Bolsonaro CHORA e se faz de VÍTIMA do mundo ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________

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_________________________________________________Senador democrata retira apoio ao pacote socioambiental trilionário de Biden, ameaçando sua aprovação

Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, se posicionou de forma contrária ao projeto de US$ 2,2 trilhões em entrevista à Fox, citando preocupação com aumento da dívida nacional
O Globo e New York Times
19/12/2021 - 12:49 / Atualizado em 19/12/2021 - 18:52
Senador democrata Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, é seguido até seu carro por repórteres em Washington, DC Foto: ANNA MONEYMAKER / AFP
Senador democrata Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, é seguido até seu carro por repórteres em Washington, DC Foto: ANNA MONEYMAKER / AFP

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WASHINGTON — O senador Joe Manchin, democrata da Virgínia Ocidental, disse neste domingo que não apoiará o projeto do presidente Joe Biden de US$ 1,75 trilhão voltados para a melhoria da rede de proteção social americana e o combate à mudança climática,  na prática enterrando a possibilidade de que seu partido aprove a legislação tal como proposta.

— Não posso votar por esta legislação — disse Manchin no programa Fox News Sunday, citando a preocupação de que ela aumente a dívida nacional. — Eu tentei tudo o que era humanamente possível. Não consigo ir mais longe, e isto é um não.

Em uma declaração divulgada depois da entrevista, Manchin alegou que o pacote, já aprovado na Câmara, aumentaria a dívida dos Estados Unidos e iria "afetar drasticamente" a capacidade do país de responder à pandemia da Covid-19 e a ameaças geopolíticas.

"Meus colegas em Washington estão determinados a remodelar dramaticamente nossa sociedade de uma maneira que deixa nosso país ainda mais vulnerável às ameaças que enfrentamos. Não posso assumir esse risco quando a dívida está em impressionantes US$ 29 trilhões e as taxas de inflação são reais e danosas para todos os americanos que trabalham duro nos postos de gasolina, nas mercearias e nas contas infindáveis dos serviços".

Segundo uma legislação proposta à parte, os gastos seriam compensados com aumento de impostos para as grandes corporações e os americanos mais ricos, revertendo parte dos cortes tributários que favorecerem esses setores no governo de Donald Trump.

Os comentários de Manchin, um senador da direita do partido ligado às indústrias do carvão e do gás, deram o golpe mais recente, talvez fatal, na peça central da agenda interna de Biden. Com os republicanos unidos na oposição à legislação conhecida como Build Back Better (Reconstruindo melhor), os democratas precisam assegurar o voto de cada senador de seu partido para que o projeto passe no Senado, onde a maioria governista é de apenas um voto, somando 51 contra 50 do partido opositor.

A Casa Branca reagiu de forma dura ao bloqueio imposto por Manchin ao projeto, no que chamou de rompimento "repentino e inexplicável" de um acordo que havia sido negociado pelo senador e o próprio Biden.

"A luta pelo Build Back Better é muito importante para abrirmos mão dela. Vamos arrumar uma maneira de seguir adiante no próximo ano", disse a porta-voz do governo, Jen Psaki, em um comunicado.

Durante meses, Manchin se reuniu com o presidente e seus principais assessores numa tentativa de assegurar um acordo que ele pudesse apoiar. Suas objeções forçaram a Casa Branca a reduzir substancialmente o escopo do pacote, que era originalmente de US$ 3,5 trilhões, e a remover alguns dos programas previstos, incluindo um plano de eletricidade limpa e outro para proibir a abertura de novos campos de exploração de petróleo nas costas do Atlântico e do Pacífico.

Também caíram do pacote, na área social, a criação de programas para financiar a licença maternidade e a licença de saúde  — os EUA são o único país rico, e um dos poucos do mundo, que não têm uma legislação nacional nesse sentido.

Já na semana passada, mesmo quando admitiu que os esforços para aprovar a legislação haviam estagnado, Biden se mostrou otimista, dizendo que as conversas com o senador continuariam e que ele acreditava que "iriam superar nossas diferenças e fariam avançar o Build Back Better".

O Senado entrou no recesso de fim de ano sem aprovar o pacote, prometendo continuar o trabalho no início de janeiro. No entanto, Manchin, neste domingo, pareceu fechar a porta para novas conversas, reclamando que seus colegas haviam passado meses manobrando para que a legislação parecesse menos custosa, ao invés de realmente reduzi-la.

Seus comentários certamente enfurecerão seus colegas democratas, que esperavam aprovar a legislação antes do final do ano. Resta ver se eles responderão modificando significativamente o projeto ainda na esperança de salvar algo que possa ser aprovado.

— Acho que ele vai ter muitas explicações a dar ao povo da Virgínia Ocidental — disse o senador de Vermont Bernie Sanders, que dirige a Comissão de Orçamento do Senado, pedindo uma votação sobre a legislação, apesar dos comentários de Manchin. — Estamos lidando com Manchin há meses. Se ele não tiver a coragem de fazer a coisa certa pelas famílias trabalhadoras da Virgínia Ocidental e dos EUA, deixe-o votar não diante do mundo inteiro.

O compromisso de que todos os senadores democratas iriam aprovar o pacote socioambiental depois que ele teve seu valor original reduzido foi acertado por Biden também em negociações com os congressistas da ala esquerda do Partido Democrata. Depois do compromisso, eles concordaram em aprovar na Câmara, no início de novembro, outro pacote proposto pela Casa Branca, de gastos em infraestrutura.

No valor de US$ 1,2 trilhão, esse primeiro pacote foi objeto de um acordo bipartidário no Senado, e também teve seu tamanho original, de US$ 1,8 trilhão, substancialmente diminuído.

_________________________________________________As três crises geopolíticas dos EUA | Guga Chacra

Por Guga Chacra 16/12/2021 • 04:30

Joe Biden tem que lidar com três grandes conflitos, mas sabe que ninguém quer mais aventuras militares americanas


Os EUA precisam lidar hoje com três crises internacionais que podem culminar em confrontos armados. 

Em todas, a tensão aumentou nos últimos anos e envolve uma nação com armamentos nucleares. 

Elas também incluem um adversário americano de um lado e um aliado do outro: China vs Taiwan, Rússia vs Ucrânia e Irã vs Israel.

Há diferenças óbvias entre as crises. 

Na que envolve Moscou e Kiev, o governo Biden já disse descartar a opção militar. Se a Rússia invadir a Ucrânia, apenas sanções serão impostas. Não haverá envio de tropas. Os ucranianos terão de se defender sozinhos. 

Vladimir Putin que obteve sucesso ao anexar a Crimeia (território ucraniano ocupado pela Rússia), já colocou isso na equação. Portanto, sabemos mais ou menos o que poderá ocorrer se houver a invasão.

Taiwan, por sua vez, possui uma importância geopolítica e econômica bem mais importante para os EUA do que a Ucrânia. 

Os americanos dependem dos semicondutores do país. 

Uma guerra na região afetará toda a economia global, enquanto uma na Ucrânia teria impacto marginal. 

E há a necessidade de mostrar a aliados na Ásia, como o Japão e a Coreia do Sul, que Washington irá defendê-los no caso de uma agressão chinesa.

Se houver uma invasão a Taiwan, Biden não poderá ficar de braços cruzados.

Um conflito armado entre Israel e Irã é o mais próximo de se materializar.

A equivocada decisão de Donald Trump de retirar seu país do acordo nuclear com os iranianos fortaleceu o regime. As negociações para o retorno americano ao acordo pouco avançam. Teerã passou a avaliar não ser possível confiar nos EUA e voltou a enriquecer e armazenar urânio, violando o acordo. 

Na visão dos aiatolás, melhor ser como a Coreia do Norte e o Paquistão do que terminar como Saddam Hussein e Muammar Kadafi, que abdicaram dos programas de armas de destruição em massa e acabaram depostos e mortos em intervenções militares americanas.

Os israelenses dizem que seria inaceitável um Irã com capacidade nuclear. As ameaças de bombardear as instalações nucleares iranianas são reais, e muitos em Israel veem como uma questão de sobrevivência, uma vez que o regime iraniano, ao menos retoricamente, ainda prega a destruição do Estado judaico. 

Caso haja um ataque e o Irã decida responder, com uma escalada de confrontos, qual será a reação de Biden? Levará os EUA para mais uma aventura militar no Oriente Médio ou deixará seus aliados israelenses isolados?

Nenhuma dessas crises deve ser classificada como existencial para os EUA. Nenhuma teria como palco o território americano. E todas também podem ser evitadas. 

Biden já abriu um canal de diálogo com Putin e é possível uma solução sem confronto. 

Pequim tampouco parece ter interesse em invadir Taiwan agora. 

Os custos seriam muito maiores do que os benefícios. 

O retorno ao acordo nuclear, apesar de todos os obstáculos, inviabilizaria um bombardeio israelense, ao menos momentaneamente.

A tendência é Biden tentar evitar ao máximo um confronto armado em qualquer uma dessas crises. 

A fadiga de guerras ainda persiste em Washington, depois dos fiascos no Iraque e no Afeganistão. Ninguém quer mais aventuras militares, ainda mais contra potências nucleares como Rússia e China.

_________________________________________________EUA falam em risco IMINENTE de INVASÃO da UCRÂNIA pela RÚSSIA 

Moscou nega intenção e ambos os lados parecem estar blefando, mas há risco de confronto

São Paulo

Subindo mais um degrau da crise entre o Ocidente e a Rússia, os Estados Unidos disseram a seus aliados europeus que o presidente Vladimir Putin está pronto para mandar invadir a Ucrânia, se assim o desejar.

Tal operação poderia ocorrer em janeiro ou fevereiro, segundo um relato feito na semana passada pela inteligência americana e vazado à agência Bloomberg.

Ele coincide com as alegações do secretário de Estado americano, Antony Blinken, de que os EUA temem a repetição de 2014 —quando, reagindo ao golpe que derrubou o governo pró-Moscou em Kiev, Putin anexou a Crimeia e fomentou a guerra civil que fez do leste ucraniano uma terra regida por separatistas.

Avião de transporte dispara iscas contra mísseis em treino das Forças Armadas da Ucrânia na região de Jitomir
Avião de transporte dispara iscas contra mísseis em treino das Forças Armadas da Ucrânia na região de Jitomir - Comando das Forças de Assalto Aéreas da Ucrânia via Reuters - 21.nov.2021

O alarme tem fundamento na movimentação de tropas russas em regiões a cerca de 300 km das fronteiras ucranianas, desde o começo do mês. Kiev diz que há cerca de 100 mil soldados mobilizados.

Lá fora

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O Kremlin não nega e diz que como posiciona suas forças é problema seu, mas nesta segunda voltou a negar que tenha intenção de atacar o vizinho. Repetindo o discurso linha-dura de Putin na semana passada, o porta-voz Dmitri Peskov acusou o Ocidente de estar tocando tambores de guerra ao fornecer armas como mísseis antitanque Javelin à Ucrânia.

Mais significativo do impacto do assunto, o serviço de inteligência internacional russo, o SVR, divulgou nesta segunda (22) uma raríssima nota pública negando a intenção. "Os americanos estão pintando um quadro assustador de hordas de tanques russos que irão começar a esmagar cidades ucranianas. Os burocratas americanos estão assustando a comunidade global", diz o texto.

De seu lado, o governo do impopular presidente Volodimir Zelenski realiza exercícios militares em torno de Kiev desde domingo (21), simulando ataques aerotransportados na área de Jitomir. Na semana passada, usou munição real em manobras perto da fronteira da Crimeia.

Toda essa movimentação está agitando os meios diplomáticos, pelo temor real de um confronto que possa testar o grau de comprometimento da Otan com Kiev. Os ucranianos querem fazer parte do clube militar, o que é inaceitável para a Rússia.

Disputa por mantimentos leva a ataque de drone e evidencia cessar-fogo tênue na Ucrânia

"Com ou sem a entrada na Otan, ver a Ucrânia como um porta-aviões inafundável controlado pelos EUA, estacionada a poucas centenas de quilômetros de Moscou, não é mais aceitável ao Kremlin do que foi Cuba [com mísseis soviéticos] para a Casa Branca quase 60 anos atrás", escreveu Dmitri Trenin.

Diretor do Centro Carnegie de Moscou, ele diz em artigo que "qualquer líder russo iria buscar impedir essa ancoragem, usando qualquer meio a seu dispor".

Trenin, contudo, é daqueles que não sabem se Putin está disposto a ir às vias de fato ou apenas blefando com seu poderio militar, que hoje enfrenta uma faixa de atrito com a Otan do mar Negro ao Báltico.

Outros, como Ekaterina Zolotova, da consultoria americana Geopolitical Futures, são mais assertivos. "A Rússia entende suas capacidades, limites e objetivos melhor que ninguém, e esses objetivos não incluem a desestabilização caótica da Ucrânia", disse.

"Moscou prefere uma desestabilização controlada, por meios econômicos ou usando os rebeldes no leste, que leve à implementação dos acordos de Minsk", completou, referindo-se aos acordos de 2015 que visam acabar com a guerra civil ora congelada.

O conflito já matou mais de 13 mil pessoas. Pelo texto de Minsk, Kiev voltaria a controlar o leste, mas na prática as áreas separatistas seriam autônomas, o que para o governo ucraniano é inaceitável por manter o país dividido.

Exercícios militares no mar Negro

Tanto Trenin quanto Zolotova concordam que uma invasão colocaria o arranjo, que está à mão e foi chancelado pelo Ocidente lá atrás, a perder. "Ação militar direta provavelmente nem está no radar do Kremlin", diz a consultora.

Já o diretor do Carnegie tem dúvidas, lembrando que Putin pode querer resolver de vez a situação com a Ucrânia de forma a colocar fim à viabilidade do vizinho como um Estado funcional. Da forma com que o status quo está colocado, a situação de todo modo favorece Putin, já que a Otan só aceita como membros países sem conflitos territoriais.

No começo deste ano, Zelenski testou Putin ao mover tropas para perto da fronteira e ao assinar contratos para receber armas americanas e drones de ataque turcosA resposta foram 100 mil homens se exercitando em torno de seu país, numa manobra que só acabou quando ficou claro que Kiev não atacaria as áreas separatistas.

O jogo agora é diferente, contudo. Não há exercícios militares anunciados, e especialistas veem na mobilização de divisões blindadas uma ameaça de invasão para os meses mais frios do ano, quando o terreno fica congelado e é mais facilmente transposto.

Há, é claro, o interesse ocidental em pintar Putin como vilão. "Em toda primavera ou outono desde os acordos de Minsk, Kiev vai à mídia e a seus aliados dizer que a Rússia está preparando a próxima guerra", afirma Zolotova.

Há outros fatores. Zelenski tem apoio de apenas um terço da população, segundo pesquisas, e pode buscar algum tipo de mobilização nacional. Em 2008, o então presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, fez algo semelhante ao tentar retomar o encrave russo étnico da Ossétia do Sul, e acabou derrotado por Moscou.

Tudo indica que ambos os lados estão gritando lobo, para ficar na metáfora da fábula. O problema é que o bicho já apareceu no passado recente e nada impede que um erro de cálculo o tire da toca novamente agora.

_________________________________________________China testou míssil que viaja a 5 vezes a velocidade do som, dizem jornais

Segundo relatos de jornais, o teste da China aconteceu em julho e envolveu uma "manobra sofisticada" - Thomas Peter/Reuters
Segundo relatos de jornais, o teste da China aconteceu em julho e envolveu uma "manobra sofisticada" Imagem: Thomas Peter/Reuters

22/11/2021 14h12

Atualizada em 22/11/2021 15h45

A China testou um míssil hipersônico há alguns meses capaz de lançar um projétil, uma tecnologia que nem os Estados Unidos nem a Rússia possuem atualmente, relatou o Wall Street Journal nesta segunda-feira (22).

Confirmando informações publicadas no domingo (21) pelo Financial Times, o jornal norte-americano noticiou que a China fez um teste em julho que envolveu uma "manobra sofisticada em que um projétil foi lançado de um míssil hipersônico em pleno voo".

Como vila de pescadores em Portugal aprendeu a conviver com ondas de 30 metros

Essa manobra mostra que as capacidades da China nesse campo são superiores às conhecidas até agora, acrescentou o Wall Street Journal, citando autoridades norte-americanas não identificadas.

De acordo com o Financial Times, "especialistas da Darpa, a agência de investigação do Pentágono, não sabem como a China conseguiu lançar um projétil de um veículo voando a velocidade hipersônica", cinco vezes a velocidade do som.

Eles também não sabem a natureza do projétil, que caiu no mar, segundo o jornal britânico, que cita pessoas que tiveram acesso a informações dos serviços de inteligência.

Alguns especialistas acreditam que se trata de um míssil ar-ar, e outros apenas uma isca projetada para proteger o míssil hipersônico em caso de conflito.

O Financial Times reportou em outubro que Pequim havia lançado em agosto um míssil hipersônico que circulou a Terra em órbita antes de descer para seu alvo, errando por alguns quilômetros.

Pequim negou que tenha se tratado de um teste de míssil, alegando que simplesmente testou a tecnologia de um veículo espacial reutilizável.

Mas o general norte-americano Mark Milley informou alguns dias depois de um "teste muito significativo de um sistema de armas hipersônicas", sem especificar a data.

E comparou com o lançamento, em 1957, pela União Soviética do primeiro satélite artificial, o Sputnik, que surpreendeu os Estados Unidos e lançou a corrida pela conquista do espaço.

_________________________________________________EUA estão pela 1ª vez em lista das 'democracias em retrocesso'; Brasil também aparece

Principal motivo foi a deterioração durante a segunda metade do mandato do ex-presidente Donald Trump - Jonathan Drake/Reuters
Principal motivo foi a deterioração durante a segunda metade do mandato do ex-presidente Donald Trump Imagem: Jonathan Drake/Reuters

Em Estocolmo

22/11/2021 06h45

Os Estados Unidos aparecem pela primeira vez na lista das "democracias em retrocesso", principalmente devido à deterioração durante a segunda metade do mandato do ex-presidente Donald Trump, segundo um informe sobre a democracia no mundo, que será publicado hoje.

Mais de um quarto da população mundial vive agora em democracias em retrocesso e seriam cerca de 70% se forem somados os regimes autoritários ou "híbridos", com uma tendência à degradação democrática contínua desde 2016, segundo o relatório anual da organização International IDEA, com sede em Estocolmo.

Carro invade desfile de Natal e deixa 5 mortos e 40 feridos nos EUA

Atualizada a cada ano, sua lista das democracias em retrocesso já incluía Índia, Brasil, Filipinas e dois países da União Europeia: Polônia e Hungria. Um terceiro país europeu, a Eslovênia, foi acrescentado este ano.

Embora os Estados Unidos continuem sendo "uma democracia de alto nível", o retrocesso americano está relacionado com a redução dos indicadores do país em questão de "liberdades civis e de controles do governo", informou à AFP Alexander Hudson, um dos coautores do estudo.

A International IDEA cita especialmente a "guinada histórica" dos questionamentos eleitorais das presidenciais de novembro de 2020 por Donald Trump e "a redução das investigações do Congresso sobre a ação do presidente entre 2018 e 2020".

"Classificamos os Estados Unidos como 'em retrocesso' pela primeira vez este ano, mas nossos dados sugerem que o episódio da deterioração começou pelo menos em 2019", destaca Hudson.

Cobrindo meio século de indicadores democráticos e acompanhando a maioria dos países do mundo (cerca de 160), a International IDEA os classifica em três categorias: democracia (entre eles "democracia em retrocesso"), regimes "híbridos" e regimes autoritários.

"A deterioração visível da democracia nos Estados Unidos é demonstrada pela tendência crescente em questionar os resultados eleitorais confiáveis, os esforços para suprimir a participação e a polarização galopante (...), que é uma das evoluções mais preocupantes para a democracia em escala mundial", declarou à AFP o secretário-geral da International IDEA, Kevin Casas-Zamora.

O número de países onde a democracia é considerada em retrocesso dobrou em uma década para sete.

Dois países que constavam da lista no ano passado - Ucrânia e Macedônia do Norte - saíram dela, pois a situação melhorou. Outros dois, Mali e Sérvia, foram excluídos, pois não são considerados democráticos.

Pelo quinto ano consecutivo, em 2020, o número de países que se dirigem para o autoritarismo superou o de países em fase de democratização.

Uma situação inédita desde o início da coleta de dados pela organização nos anos 1970 e que deve continuar em 2021.

Mianmar, Afeganistão, Mali

Mianmar recuará do nível de democracia para o de regime autoritário, enquanto o Afeganistão e o Mali passarão do nível de regimes híbridos ao de regimes autoritários.

A Zâmbia, agora classificada como democracia, é o único país que mudou positivamente de categoria este ano.

Para 2021, a pontuação provisória da International IDEA registra 98 democracias, o número mais baixo em vários anos, 20 regimes "híbridos", entre eles Rússia, Marrocos e Turquia, e 47 regimes autoritários, entre os quais estão China, Arábia Saudita, Etiópia e Irã.

Somando as democracias em retrocesso e os regimes híbridos e autoritários, "chega-se a 70% da população mundial. Isso mostra que algo grave ocorre no que se refere à qualidade democrática", destacou Casas-Zamora.

A International IDEA confirmou suas conclusões do ano passado, segundo as quais mais de seis em dez países aplicaram medidas problemáticas para os direitos humanos ou o respeito às regras democráticas frente à covid-19 porque eram "ilegais, desproporcionais, sem limite de tempo ou supérfluas".

Mais de nove regimes autoritários em dez estão envolvidos nestes atos, embora mais de 40% das democracias também o estejam.

"A pandemia claramente acelerou algumas tendências negativas, especialmente nos países onde a democracia e o Estado de direito sofrem desde antes", segundo Casas-Zamora.

_________________________________________________Arma hipersônica que China testou em julho tinha tecnologia nunca vista, diz Financial Times

Especialistas analisam dados para tentar entender o que os chineses fizeram; míssil teria viajado a cinco vezes a velocidade do som
Teste de míssil de deslizamento hipersônico lançado de submarino feito pela Rússia no início de outubro Foto: MINISTÉRIO DA DEFESA DA RÚSSIA / AFP/4-10-2021
Teste de míssil de deslizamento hipersônico lançado de submarino feito pela Rússia no início de outubro Foto: MINISTÉRIO DA DEFESA DA RÚSSIA / AFP/4-10-2021

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WASHINGTON — A China lançou um míssil a partir de um veículo de deslizamento hipersônico conforme a arma se aproximava de seu alvo durante um teste em julho, noticiou no domingo o jornal britânico Financial Times. Usando uma tecnologia avançada que, até o momento, nenhum país tinha conseguido, o míssil viajou a pelo menos cinco vezes a velocidade do som.

Manobrável e capaz de carregar ogivas nucleares, o veículo de deslizamento hipersônico fez o lançamento na atmosfera sobre o Mar do Sul da China, território disputado e palco de tensões geopolíticas. A façanha surpreendeu os cientistas do Pentágono, que tentam entender como Pequim conseguiu desenvolver e disparar tal arma.

Notícias em imagens nesta segunda-feira pelo mundo

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Imigrantes descansam em galpão transformado em abrigo na região de Grodno, fronteira entre Belarus e Polônia Foto: BELTA / via REUTERS
Imigrantes descansam em galpão transformado em abrigo na região de Grodno, fronteira entre Belarus e Polônia Foto: BELTA / via REUTERS
Pessoas caminham em frente à Catedral de Santo Estêvão quando o governo austríaco impôs o quarto bloqueio nacional para prevenir a disseminação da Covid-19, em Viena, Áustria Foto: LISI NIESNER / REUTERS
Pessoas caminham em frente à Catedral de Santo Estêvão quando o governo austríaco impôs o quarto bloqueio nacional para prevenir a disseminação da Covid-19, em Viena, Áustria Foto: LISI NIESNER / REUTERS
Adolescente sírio trabalha em uma fábrica de potes e panelas na cidade de al-Bab, no norte, controlada pela Turquia Foto: BAKR ALKASEM / AFP
Adolescente sírio trabalha em uma fábrica de potes e panelas na cidade de al-Bab, no norte, controlada pela Turquia Foto: BAKR ALKASEM / AFP
Homem corre ao longo do Parque West Kowloon, em Hong Kong Foto: LOUISE DELMOTTE / AFP
Homem corre ao longo do Parque West Kowloon, em Hong Kong Foto: LOUISE DELMOTTE / AFP
Estudantes assistem a uma aula após a reabertura das escolas primárias em Ahmedabad, Índia Foto: AMIT DAVE / REUTERS
Estudantes assistem a uma aula após a reabertura das escolas primárias em Ahmedabad, Índia Foto: AMIT DAVE / REUTERS

— Não consigo pensar em nenhum precedente técnico para um veículo de deslizamento hipersônico liberando algum tipo de carga, que a reportagem do FT afirma ser um míssil —  disse Ankit Panda, especialista de políticas nucleares do Carnegie Endowment for International Peace, à Bloomberg, afirmando que a comunidade internacional não deve presumir que a China tem planos de usar os armamentos, apesar de testá-los.

O FT noticiou no mês passado que Pequim realizou ao menos dois testes de armas hipersônicas, em 7 de julho e 13 de agosto. A Chancelaria chinesa, em resposta, disse que havia testado um "veículo espacial rotineiro" para ver se ele poderia ser reutilizado, posicionamento que foi repetido nesta segunda-feira:

— Após se separar do veículo aéreo antes de seu retorno, os equipamentos de apoio se incendeiam enquanto caem da atmosfera — disse o porta-voz Zhao Lijian.

Os cientistas americanos também debatem qual seria o objetivo do projétil, que foi lançado sem um alvo claro, antes de cair na água: alguns especialistas dizem ser um "míssil ar-ar", ou seja, lançado por uma aeronave com o fim de destruir outra aeronave. Outros acreditam que seria um armamento contraofensivo que almejava destruir os sistemas de defesa antimísseis de outros países, para que eles não pudessem abater armas hipersônicas chinesas em ação.

As relações sino-americanas estão tensas, com Pequim acusando o governo do presidente Joe Biden de ser hostil. Outros países ocidentais também expressaram preocupação com as recentes demonstrações de poder militar de Pequim.

"Este desenvolvimento é preocupante para nós, como deve ser para todos que buscam paz e estabilidade na região e além", disse o Conselho de Segurança Nacional do EUA em resposta à reportagem do FT. "Isso aumenta nossas preocupações sobre muitas das capacidades militares que a República Popular da China continua a buscar."

China aumenta arsenal nuclear

________________________________________////////////Dilma diz que CHINA é LUZ contra a DECADÊNCIA e ESCURIDÃO da sociedade OCIDENTAL 

Dilma Rousseff
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247 - A ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), deposta pelo golpe de 2016, afirmou que “a China representa uma luz nessa situação de absoluta decadência e escuridão que é atravessada pelas sociedades ocidentais". 

A declaração de Dilma foi feita nesta segunda-feira (22) durante um debate sobre o lançamento do livro "China, o Socialismo do Século 21" de autoria de ELIAS JABBOUR (Uerj) e ALBERTO GABRIELE (ex-economista da Unctad, agência da ONU para o comércio e desenvolvimento), publicado pela editora Boitempo. 

 "Não se pode deixar de admirar um país que sai do feudalismo, do mais brutal controle colonialista, para se tornar a segunda maior economia do mundo e a primeira em paridade de poder de compra.

E tudo indica que, até o final da década, poderemos ver a China se transformar na maior economia do mundo", disse a ex-presidenta, de acordo com a Folha de S. Paulo

Ainda segundo ela, existe desinformação e preconceito contra o país asiático. 

“Há toda uma gama de preconceito e sujeito oculto no caso do desenvolvimento da China, pelo menos da perspectiva dos países ocidentais. 

Temos que entender a relação entre o partido e os instrumentos de Estado da superação da pobreza”, ressaltou. 

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Xi reescreve passado da China para cimentar seu poder

Nova história oficial do Partido Comunista Chinês a deve ser aprovada em reunião do Comitê Central nesta semana, elevando o presidente ao mesmo nível de Mao e Deng
Chris Buckley, do New York Times
08/11/2021 - 04:30 / Atualizado em 08/11/2021 - 07:57
Uma mulher em sua casa em Chashan, na China, onde programas para reduzir a pobreza em áreas rurais ajudaram o líder do país, Xi Jinping, a ganhar amplo apoio público Foto: GILLES SABRIÉ / NYT 17-10-21
Uma mulher em sua casa em Chashan, na China, onde programas para reduzir a pobreza em áreas rurais ajudaram o líder do país, Xi Jinping, a ganhar amplo apoio público Foto: GILLES SABRIÉ / NYT 17-10-21

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PEQUIM- A imagem brilhante do principal líder da China, Xi Jinping, saúda os visitantes de exposições em museus que comemoram as décadas de crescimento do país. Biógrafos do Partido Comunista narraram com adoração sua ascensão, embora ele não tenha dado nenhuma indicação de se aposentar. A mais nova história oficial do partido dedica mais de um quarto de suas 531 páginas a seus nove anos no poder.

Nenhum líder chinês nos últimos tempos teve uma fixação maior do que Xi na História e em seu lugar nela, e conforme ele se aproxima de um momento crucial em seu governo, essa preocupação com o passado se torna central em sua agenda política.

A abertura de uma reunião de alto nível em Pequim hoje emitirá uma “resolução” reavaliando oficialmente os 100 anos de história do partido, que provavelmente consolidará o status de Xi como um líder que marcou época ao lado de Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping.

Embora seja sobre questões históricas, a resolução do Comitê Central — praticamente uma escritura sagrada para as autoridades — moldará a política e a sociedade da China nas próximas décadas.

O documento de referência sobre o passado do partido, apenas o terceiro do tipo, certamente se tornará o foco de uma intensa campanha de doutrinação. Ele ditará como as autoridades ensinarão a História moderna da China em livros, filmes, programas de televisão e salas de aula. Isso encorajará os censores e policiais a aplicarem leis mais rígidas contra qualquer um que zombe, ou mesmo questione, a causa comunista e seus “mártires”. Mesmo na China, onde o poder do partido é quase absoluto, isso lembrará às autoridades e aos cidadãos que Xi está definindo a época em que vivem e exige sua lealdade.

Visitantes em um albergue onde dizem que o presidente Xi Jinping se hospedou durante os anos em que trabalhou e morou em Liangjiahe, uma vila que se tornou um centro de peregrinação política Foto: BRYAN DENTON / NYT 6-10-21
Visitantes em um albergue onde dizem que o presidente Xi Jinping se hospedou durante os anos em que trabalhou e morou em Liangjiahe, uma vila que se tornou um centro de peregrinação política Foto: BRYAN DENTON / NYT 6-10-21

— Trata-se de criar um novo espaço de tempo para a China em torno do Partido Comunista e de Xi, no qual ele está surfando na onda do passado em direção ao futuro — disse Geremie R. Barmé, historiador especialista em China radicado na Nova Zelândia: — Não é realmente uma resolução sobre a história passada, mas uma resolução sobre a liderança futura.

Ao exaltar Xi, a decisão fortalecerá sua autoridade perante um congresso do partido no final do ano que vem, no qual ele provavelmente ganhará outro mandato de cinco anos como líder. A aclamação orquestrada em torno do documento histórico, que pode ser publicado dias após o término da reunião do Comitê Central na quinta-feira, ajudará a deter qualquer questionamento sobre o histórico de Xi.

Xi, 68 anos, é o líder mais poderoso da China em décadas e ganhou amplo apoio público por atacar a corrupção,reduzir a pobreza e projetar a força chinesa para o mundo. Ainda assim, membros do partido que buscam diminuir o domínio de Xi antes do congresso podem usar contra ele momentos questionados, como o tratamento inadequado da pandemia de Covid-19 ou as tensões com os Estados Unidos, consideradas prejudiciais.

Especialmente após a resolução, tais críticas podem ser consideradas heresia. “Xi Jinping é, sem dúvida, a figura central no controle da maré da História”, diz um artigo da Xinhua, a agência de notícias oficial, sobre a futura resolução.

Intimidar críticos

Mao levou o país a se levantar contra a opressão, Deng trouxe prosperidade, e agora Xi está impulsionando a nação para uma nova era de força nacional, diz a descrição passo a passo da ascensão da China moderna em documentos do partido e que provavelmente será consagrada na resolução.

O documento apresentará os 100 anos do partido como uma história de sacrifício heroico e de sucesso, indica uma série de artigos preliminares na mídia do partido. Tempos traumáticos como fome e censura serão tratados como temas relegados a um pano de fundo mais suave — reconhecidos, mas não elaborados.

Xi “vê a História como uma ferramenta a ser usada contra as maiores ameaças ao governo do Partido Comunista Chinês”, disse Joseph Torigian, professor assistente da American University.

— Ele também enxerga narrativas concorrentes da História como perigosas.

Muitos chineses abraçam a versão orgulhosa do passado do partido e atribuem a ele a melhoria de suas vidas. Em 2019, houve 1,4 bilhão de visitas a museus e memoriais da turnê revolucionária.

‘Ele não pode ser superado’

Ao criar uma resolução histórica, Xi está emulando seus dois antecessores mais poderosos e reverenciados. Mao supervisionou uma resolução em 1945 que carimbava sua autoridade sobre o partido. Deng supervisionou uma em 1981 que reconheceu a destruição realizada nas últimas décadas de Mao enquanto defendia seu reverenciado status como o fundador da República Popular. E ambas as resoluções puseram um limite na disputa política e na incerteza.

— A nova resolução provavelmente elogiará Mao e Deng, ao mesmo tempo em que indica que apenas Xi tem as respostas para a nova era de poder ascendente da China — disse Susanne Weigelin-Schwiedrzik, professora emérita da Universidade de Viena que estuda o uso da história pelo partido.

Para ela, Xi “é como uma esponja que pode pegar todas as coisas positivas do passado” — o que ele pensa que é positivo sobre Mao e Deng — “e pode juntá-las”.

Na representação de Xi no partido, afirma Weigelin-Schwiedrzik, “ele é o próprio fim da História da China”.

— Ele atingiu um nível que não pode ser superado.

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Pentágono infla estimativa de ogivas nucleares da China

WASHINGTON (Reuters) - O Pentágono aumentou acentuadamente nesta quarta-feira (3) sua estimativa sobre o arsenal de armas nucleares da China nos próximos anos, dizendo que Pequim pode chegar a 700 ogivas nucleares até 2027 e possivelmente mil até 2030.

Os números ainda seriam consideravelmente menores do que o arsenal nuclear atual dos Estados Unidos, mas representam uma mudança significativa na estimativa norte-americana em relação ao ano passado, quando o Pentágono alertou que o arsenal chinês chegaria a 400 até o final da década.

Os EUA pedem insistentemente que a China se una a eles e à Rússia em um novo tratado de controle de armas.

No relatório anual abrangente sobre as Forças Armadas chinesas que encaminhou ao Congresso, o Pentágono reiterou a preocupação com a pressão crescente da China sobre Taiwan, uma ilha que Pequim vê como uma província rebelde, e os programas químico e biológico e os avanços tecnológicos chineses.

Mas o relatório deu ênfase especial ao arsenal nuclear cada vez maior de Pequim.

"Ao longo da próxima década, a RPC almeja modernizar, diversificar e ampliar suas forças nucleares", disse o relatório, referindo-se ao nome oficial do país, República Popular da China.

O documento acrescentou que a China começou a construir ao menos três campos para silos de mísseis balísticos intercontinentais.

"Se a China concretiza ou não estas estimativas dos Estados Unidos dependerá em grande parte das políticas e ações dos Estados Unidos", disse Daryl Kimball, diretor-executivo da Associação de Controle de Armas.

"O potencial para a China aumentar seu arsenal para estes níveis sublinha a necessidade urgente de conversas bilaterais ou multilaterais pragmáticas para diminuir os riscos nucleares", acrescentou Kimball.

________________________________________////////////Estado Islâmico (ISIS-K) no Afeganistão pode atacar EUA em seis meses, diz Pentágono

Alerta foi feito por subsecretário para Políticas de Defesa ao Congresso americano nesta terça-feira
Logo do Pentágono vista em uma porta de acesso à sala de reunião Foto: ALEXANDER DRAGO / REUTERS
Logo do Pentágono vista em uma porta de acesso à sala de reunião Foto: ALEXANDER DRAGO / REUTERS

WASHINGTON — A comunidade de inteligência americana avaliou que o Estado Islâmico no Afeganistão poderia ter a capacidade de atacar os Estados Unidos em apenas seis meses, e tem a intenção de fazer isso, disse um alto funcionário do Pentágono ao Congresso em Washington nesta terça-feira.

As observações do subsecretário para Políticas de Defesa, Colin Kahl, são o mais recente lembrete de que o Afeganistão ainda pode representar preocupações de segurança nacional para os Estados Unidos, mesmo depois da saída das tropas americanas do país em agosto.

Os talibãs, que retomaram o poder no Afeganistão em meados de agosto, são inimigos do Estado Islâmico   —  cuja sucursal afegã é conhecida pela sigla Isis-K  —  e viram suas tentativas de impor a lei e a ordem após a retirada dos EUA frustradas por causa de atentados suicidas e outros ataques reivindicados pelo adversário.

Explosão em mesquita deixa mortos e feridos no Afeganistão

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Ataque em Kundz já é considerado o mais fatal desde que o Talibã assumiu o poder do Afeganistão Foto: - / AFP
Ataque em Kundz já é considerado o mais fatal desde que o Talibã assumiu o poder do Afeganistão Foto: - / AFP
Vítimas de explosão em mesquita foram socorridas em hospitais na região de Kunduz, no Afeganistão Foto: - / AFP
Vítimas de explosão em mesquita foram socorridas em hospitais na região de Kunduz, no Afeganistão Foto: - / AFP
Explosão ocorreu durante encontro para orações em mesquita na província de Kunduz Foto: AFP
Explosão ocorreu durante encontro para orações em mesquita na província de Kunduz Foto: AFP
Talibã afirmou em comunicado que o crime será investigado Foto: Reprodução/Redes Sociais
Talibã afirmou em comunicado que o crime será investigado Foto: Reprodução/Redes Sociais
Residentes de Kunduz correram para as ruas após ataque com bomba em mesquita da cidade Foto: Reprodução/AFP
Residentes de Kunduz correram para as ruas após ataque com bomba em mesquita da cidade Foto: Reprodução/AFP

Houve atentados a bomba contra alvos da comunidade xiita,  minoritária no país, e até mesmo a decapitação de um membro da milícia talibã na cidade oriental de Jalalabad. Em depoimento à Comissão das Forças Armadas do Senado, Kahl disse que ainda não estava claro se o Talibã tem a capacidade de lutar eficazmente contra o Estado Islâmico após a retirada dos EUA em agosto.

— É nossa análise que os talibãs e o Isis-K são inimigos mortais. Portanto, o Talibã está altamente motivado a ir atrás do Isis-K. Sua capacidade de fazer isso, eu acho, deve ser firme — disse Kahl.

O subsecretário americano estimou que o Estado Islâmico dispõe de um "quadro de alguns milhares" de combatentes.

O ministro interino das Relações Exteriores do novo governo talibã , Amir Khan Muttaqi, disse que a ameaça dos militantes do Estado Islâmico será enfrentada. Ele afirmou também que o Afeganistão não se tornaria uma base para ataques a outros países.

Kahl indicou na Comissão que a al-Qaeda poderia uma situação mais complexa no Afeganistão, dados seus laços com o Talibã. Foram esses laços que desencadearam a intervenção militar americana no Afeganistão em 2001, após os ataques da al-Qaeda em 11 de setembro daquele ano a Nova York e Washington, que deixaram cerca de 3 mil mortos. O Talibã tinha acolhido os líderes da al-Qaeda e abrigava o grupo no país.

Kahl disse que a al-Qaeda poderia levar "um ou dois anos" para recompor a capacidade de realizar ataques fora do Afeganistão contra os Estados Unidos.

O presidente democrata Joe Biden, que teve os índices de  aprovação prejudicados com a atabalhoada retirada dos EUA do Afeganistão e a retomada do país pelos talibãs, disse que os americanos vão continuar vigilantes,  realizando operações de coleta de informações que identifiquem ameaças de grupos como a al-Qaeda e o Isis-K.

Ainda assim, as autoridades americanas advertem privadamente que identificar e desestabilizar grupos como esses é extremamente difícil sem nenhuma tropa no país. Drones capazes de atingir os alvos do Estado islâmico e da al-Qaeda estão sendo levados de avião do Golfo Pérsico. Kahl disse que os Estados Unidos ainda não tinham nenhum acordo com os países vizinhos do Afeganistão para receber tropas que poderiam combater o terrorismo.

________________________________________////////////Por que a política da China para o clima afeta você também

Mudanças climáticas na China - Getty Images
Mudanças climáticas na China Imagem: Getty Images

David Brown - BBC News

16/10/2021 16h53

A luta contra a mudança climática passa invariavelmente pela redução das emissões de carbono pela China, hoje uma das mais elevadas do planeta e em trajetória ainda crescente.

Segundo o presidente do país, Xi Jinping, as emissões atingiriam um pico ainda antes de 2030 e, graças à política de transição energética, a neutralidade de carbono seria alcançada até 2060.

Pobreza no mundo deve cair em 2021, mas segue muito acima do projetado antes da pandemia, diz FMI

Ele não detalhou, contudo, como alcançará essa meta extremamente ambiciosa.

Crescimento explosivo

Enquanto todos os países enfrentam problemas para reduzir suas emissões, a China tem possivelmente o maior desafio, dado o tamanho de sua população e seu agressivo crescimento econômico.

Suas emissões per capita são cerca de metade do registrado pelos Estados Unidos. Com 1,4 bilhão de habitantes, entretanto, a China libera em termos nominais mais gases nocivos ao meio ambiente do que qualquer outro país.

Tornou-se o maior emissor mundial de dióxido de carbono em 2006 e agora é responsável por mais de um quarto das emissões globais de gases do efeito estufa.

Os compromissos assumidos estarão sob os holofotes na cúpula climática global COP26 neste mês de novembro.

Junto com todos os outros signatários do Acordo de Paris em 2015, a China concordou em fazer mudanças para tentar manter o aquecimento global em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e "bem abaixo" de 2°C.

O país reforçou seus compromissos em 2020, mas o Climate Action Tracker, um grupo internacional de cientistas e especialistas em políticas para o clima, aponta que as ações tomadas para cumprir essa meta são "altamente insuficientes".

Dependência do carvão

Reduzir as emissões da China é possível, de acordo com muitos especialistas, mas exigirá uma mudança radical.

O carvão é a principal fonte de energia do país há décadas.

O presidente Xi Jinping afirma que irá "reduzir gradualmente" o uso de carvão a partir de 2026. E que não construirá novos projetos movidos a carvão no exterior - mas alguns governos e ativistas dizem que os planos são pouco ambiciosos.

Pesquisadores da Universidade Tsinghua, em Pequim, dizem que o país precisará parar de usar carvão inteiramente para gerar eletricidade até 2050. O sistema deverá ser substituído pela produção de energia nuclear e renovável.

E, longe de fechar usinas elétricas movidas a carvão, a China está atualmente construindo novas plantas em mais de 60 pontos do país. Em muitos desses locais há mais de uma usina sendo erguida.

Como as novas estações de produção costumam ficar ativas por 30 a 40 anos, a China precisará reduzir a capacidade das usinas mais novas e também fechar as antigas se quiser reduzir as emissões, afirma o pesquisador Philippe Ciais, do Instituto de Ciências Ambientais e Climáticas de Paris.

Pode ser possível fazer uma reforma em alguns deles para diminuir as emissões, mas a tecnologia para fazer isso em grande escala ainda está em desenvolvimento - muitas plantas terão que ser fechadas após o uso mínimo.

A China argumenta que tem o direito de fazer o que os países ocidentais fizeram no passado, liberando dióxido de carbono no processo de desenvolvimento de sua economia e redução da pobreza.

No curto prazo, Pequim ordenou que as minas de carvão aumentem a produção para evitar a escassez de energia no próximo inverno. O aumento da demanda da indústria pesada após a pandemia de covid-19 levou à escassez em várias regiões do país nas últimas semanas.

Pesquisadores da Universidade de Tsinghua dizem que 90% da energia deve vir de fontes nucleares e renováveis até 2050.

Para alcançar esse objetivo, a liderança da China na fabricação de tecnologia verde, como painéis solares e baterias em grande escala, pode ser de grande ajuda.

A China primeiro adotou as tecnologias verdes como meio de combater a poluição do ar, um problema sério para muitas cidades.

Mas o governo também acredita que eles têm um enorme potencial econômico, proporcionando empregos e renda para milhões de chineses, além de reduzir a dependência do petróleo e gás estrangeiros.

"A China já está liderando a transição energética global", disse Yue Cao, do Overseas Development Institute. "Uma das razões pelas quais somos capazes de implantar tecnologia verde cada vez mais barata é a China."

A China gera mais energia solar e eólica do que qualquer outro país. Isso pode não ser tão impressionante, dada a enorme população chinesa, mas é um sinal de para onde o país está se dirigindo.

A estimativa é que a proporção de energia gerada a partir de fontes renováveis atingir 25% do total até 2030 - e muitos especialistas acreditam que a meta seja atingida antes.

Carros elétricos

A China ocupa o sétimo lugar no mundo em vendas de carros elétricos, proporcionalmente. Mas, devido ao seu enorme tamanho, ela fabrica e compra mais carros elétricos do que qualquer outro país por uma margem considerável.

Atualmente, cerca de um em cada 20 carros comprados na China é movido a eletricidade.

As autoridades chinesas e representantes da indústria automobilística preveem que quase todos os veículos novos vendidos na China serão totalmente elétricos ou híbridos até 2035.

Determinar o quanto a mudança para veículos elétricos reduz as emissões não é simples - principalmente quando se leva em consideração as fontes de fabricação e de carregamento.

Mas estudos sugerem que as emissões ao longo da vida útil dos veículos elétricos são normalmente inferiores às dos equivalentes a gasolina e diesel.

Isso é importante porque a queima de combustível do transporte é responsável por cerca de um quarto das emissões de carbono, sendo os veículos rodoviários os maiores emissores.

A China também vai produzir, até 2025, baterias com o dobro da capacidade das usadas no restante do mundo.

Observadores afirmam que isso permitirá o armazenamento e a liberação de energia de fontes renováveis ??em uma escala antes impossível.

A terra da China está ficando mais verde

Mudar a forma de produção de energia não significa que a China parará de produzir emissões de gases do efeito estufa.

Isso significa que a China vai cortar as emissões o máximo possível e absorver o que sobrar, por meio de uma combinação de diferentes abordagens.

Aumentar a área de terra coberta por vegetação ajudará no processo, pois as plantas absorvem dióxido de carbono.

Aqui, novamente, há notícias encorajadoras. O país está se tornando mais verde em um ritmo mais rápido do que qualquer outro país, em grande parte como resultado de seus programas florestais projetados para reduzir a erosão do solo e a poluição.

Também é em parte resultado do replantio de campos para produzir mais de uma colheita por ano, o que mantém a terra coberta de vegetação por mais tempo.

Qual o próximo passo?

O mundo inteiro necessita que a China seja bem-sucedida na questão climática.

"A menos que a China se 'descarbonize', não vamos vencer as mudanças climáticas", disse o professor David Tyfield, do Lancaster Environment Center.

A China tem algumas grandes vantagens, principalmente sua capacidade de seguir estratégias de longo prazo e mobilizar investimentos de grande escala.

As autoridades chinesas enfrentam uma tarefa colossal. O que acontece a seguir dificilmente poderia ser mais importante.

________________________________________////////////China testa nova capacidade militar com míssil hipersônico e surpreende EUA

Ensaio mostrou que experimentos chineses estão muito mais avançados do que americanos sabiam

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Washington e Taipei | Financial Times

China testou em agosto um míssil hipersônico de capacidade nuclear que circulou a Terra antes de acelerar em direção a seu alvo, demonstrando uma capacidade militar avançada que pegou de surpresa a inteligência dos Estados Unidos.

Cinco pessoas com conhecimento do teste disseram que os militares chineses lançaram um foguete que carregou um veículo planador hipersônico que voou em órbita baixa antes de seguir em direção a seu alvo.

O míssil errou a meta em cerca de 38 quilômetros, de acordo com três pessoas informadas sobre o ensaio, mas duas delas disseram que, ainda assim, o experimento demonstrou que a China fez um progresso surpreendente em armas hipersônicas e está muito mais avançada do que os americanos sabiam.

O novo veículo planador hipersônico foi lançado a partir de um foguete Longa Marcha, na foto carregando a sonda lunar Chang'e-5
O novo veículo planador hipersônico foi lançado a partir de um foguete Longa Marcha, na foto carregando a sonda lunar Chang'e-5 - 24.nov.20/via AFP

O teste também levantou novas questões sobre por que os EUA frequentemente subestimam a modernização militar da China. "Não temos ideia de como eles fizeram isso", disse uma quarta fonte.

Os Estados Unidos, a Rússia e a China estão desenvolvendo armas hipersônicas, incluindo veículos planadores lançados ao espaço em um foguete, mas que orbitam a Terra com seu próprio impulso. Eles voam a cinco vezes a velocidade do som, menos que um míssil balístico, mas não seguem a trajetória parabólica fixa desses projéteis e são manobráveis, o que os torna mais difíceis de rastrear.

Taylor Fravel, especialista em política de armas nucleares chinesas que não sabia do teste, disse que um veículo planador hipersônico armado com uma ogiva nuclear poderia ajudar a China a "neutralizar" os sistemas de defesa antimísseis dos EUA, projetados para destruir mísseis balísticos.

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"Veículos planadores hipersônicos voam em trajetórias mais baixas e podem manobrar durante o voo, o que torna difícil rastreá-los e destruí-los", disse o professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Fravel acrescentou que seria "desestabilizador" se a China desenvolver e implantar totalmente essa arma, mas advertiu que um teste não significa necessariamente que Pequim usaria o equipamento.

A preocupação crescente sobre as capacidades nucleares da China surge à medida que Pequim continua aumentando suas forças militares convencionais e se engajando em atividades militares cada vez mais assertivas perto de Taiwan. As tensões entre os EUA e a China aumentaram conforme o governo de Joe Biden adotou uma postura dura com Pequim, que acusou Washington de ser abertamente hostil.

Oficiais militares dos EUA alertaram nos últimos meses sobre a crescente capacidade nuclear da China, especialmente após a divulgação de imagens de satélite que mostraram a construção de mais de 200 silos de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM). A China não está vinculada a acordos de controle de armas e não se dispôs a envolver os EUA em negociações sobre seu arsenal e sua política nucleares.

No mês passado, Frank Kendall, secretário da Força Aérea dos EUA, deu a entender que Pequim estava desenvolvendo uma nova arma. Ele disse que a China fez enormes avanços, incluindo com "potencial para ataques globais do espaço". Ele não quis dar detalhes, mas sugeriu que o país asiático estava desenvolvendo algo semelhante ao "Sistema de Bombardeio Orbital Fracionário" que a União Soviética implantou durante parte da Guerra Fria, antes de abandoná-lo.

"Se você usa esse tipo de abordagem, não precisa usar uma trajetória ICBM tradicional. É uma forma de evitar defesas e sistemas de alerta de mísseis", disse Kendall.

Em agosto, o general Glen VanHerck, chefe do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad), disse em uma conferência que a China havia "demonstrado recentemente capacidades muito avançadas de veículos planadores hipersônicos". Ele alertou que a capacidade chinesa "ofereceria desafios importantes à capacidade do Norad de fornecer alertas de ameaças e avaliações de ataques".

Duas pessoas familiarizadas com o teste chinês disseram que a arma poderia, na teoria, sobrevoar o Pólo Sul, o que representaria um grande desafio para os militares americanos, porque seus sistemas de defesa antimísseis estão focados na rota polar norte.

Lá fora

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A revelação ocorre no momento em que o governo Biden faz a Revisão da Postura Nuclear, uma análise da política e das capacidades ordenada pelo Congresso que opôs defensores do controle de armas àqueles que afirmam acreditar que os EUA devem agir mais para modernizar seu arsenal nuclear devido à China.

O Pentágono não comentou o relatório, mas manifestou preocupação. "Deixamos claro nossas preocupações sobre as capacidades militares que a China continua perseguindo, capacidades que só aumentam as tensões na região e além dela", disse o porta-voz John Kirby. "Essa é uma das razões pelas quais consideramos a China nosso principal desafio em curso."

A embaixada chinesa não quis comentar o teste, mas o porta-voz Liu Pengyu disse que a China sempre seguiu uma política militar de "natureza defensiva" e que seu desenvolvimento militar não tem como alvo nenhum país. "Não temos estratégia e planos globais de operações militares como os EUA. E não temos nenhum interesse em uma corrida armamentista com outros países", disse Liu.

"Em contraste, os EUA nos últimos anos inventaram desculpas como 'a ameaça chinesa' para justificar sua expansão bélica e o desenvolvimento de armas hipersônicas. Isso intensificou diretamente a corrida armamentista nesta categoria e minou gravemente a estabilidade estratégica global."

Um oficial de segurança nacional asiático disse que os militares chineses efetuaram o teste em agosto. A China geralmente anuncia o lançamento de foguetes Longa Marcha —do tipo usado para lançar o veículo planador hipersônico em órbita—, mas ocultou visivelmente esse lançamento.

O oficial de segurança e outro especialista em segurança chinês próximo do Exército Popular de Libertação disseram que a arma foi desenvolvida pela Academia Chinesa de Aerodinâmica Aeroespacial (CAAA), um instituto de pesquisa da Corporação Chinesa de Tecnologia e Ciência Aeroespacial, principal empresa estatal que fabrica sistemas de mísseis e foguetes para o programa espacial chinês.

A Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento, que supervisiona os lançamentos, disse em 19 de julho em uma conta oficial em rede social que havia lançado um foguete Longa Marcha 2C e acrescentou que foi o 77º lançamento desse foguete.

Em 24 de agosto, anunciou que havia realizado o 79º voo. Mas não houve anúncio de um 78º lançamento, o que gerou especulações entre os observadores de seu programa espacial sobre um lançamento secreto. A CAAA não respondeu a pedidos de comentários.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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________________________________________////////////EUA já perderam batalha na esfera da inteligência artificial para a China, diz ex-chefe do Pentágono

Nicolas Chaillan, diretor de software do Departamento de Defesa dos EUA
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Agência Sputnik - Estados Unidos já perderam a batalha no campo de inteligência artificial (IA) para a China, que está se dirigindo para uma posição dominante no mundo com seus avanços em capacidades cibernéticas emergentes, disse Nicolas Chaillan, ex-chefe de software do Pentágono.

É provável que, no espaço de uma década, a China, agora a segunda maior economia do mundo, domine muitas das principais tecnologias emergentes, particularmente a inteligência artificial, biologia sintética e genética, de acordo com as avaliações dos serviços secretos ocidentais.

Nicolas Chaillan, diretor de software do Departamento de Defesa dos EUA que recentemente renunciou ao cargo em protesto contra o ritmo lento da transformação tecnológica no Exército dos EUA, disse em entrevista ao jornal Financial Times que a incapacidade de responder ao avanço da China coloca os EUA em risco.

"NÃO temos NENHUMA CHANCE de lutar contra a China nos próximos 15 a 20 anos. Neste momento, já é um negócio fechado; em minha opinião, já acabou", disse Chaillan, acrescentando que a China está pronta para dominar o futuro do mundo, controlando tudo, desde narrativas da mídia até geopolítica.

O ex-diretor de software observou ainda que as DEFESAS CIBERNÉTICAS em alguns departamentos do governo dos EUA estavam no "nível do jardim de infância", avança Reuters.

Além disso, Chaillan criticou a relutância do Google em trabalhar com o Pentágono na área de inteligência artificial e os extensos debates sobre a ética da IA nos EUA.

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Com vacinação em ritmo lento, Rússia registra novos recordes de mortes por Covid-19

País tem quase 900 mortes diárias e enfrenta alta de infecções na maior parte das regiões; autoridades querem convencer população a se imunizar e não descartam novas medidas de restrição
O Globo e agências internacionais
05/10/2021 - 15:56 / Atualizado em 05/10/2021 - 16:02
Mulher caminha diante de centro de imunização em Moscou Foto: ALEXANDER NEMENOV / AFP
Mulher caminha diante de centro de imunização em Moscou Foto: ALEXANDER NEMENOV / AFP

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MOSCOU — No dia em que a Rússia registrou o maior número de mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, 895 nas últimas 24 horas, as autoridades locais se mostraram preocupadas com o baixo índice de imunização dos russos, e sinalizaram que novas medidas de restrição podem ser anunciadas para conter o avanço das infecções.

De acordo com o site Our World in Data, a Rússia tem uma média diária de 5,92 mortes a cada milhão de pessoas, taxa acima da registrada pelos EUA, de 5,32. Nos últimos oito dias, em seis foi batido o recorde de mortes desde o início da pandemia, incluindo esta terça-feira. Em termos absolutos, apenas os EUA registram um número diário maior de óbitos.

Oficialmente, o país tem 211 mil mortes, mas o número real poderia ser até três vezes maior, segundo a Rosstat, a agência de estatísticas da Rússia.

Sobre as infecções, foram 25.110 casos confirmados nas últimas 24 horas, o maior número desde o final de julho e em um patamar próximo do recorde de 29.499, no dia 24 de dezembro do ano passado.

Em reunião com o presidente Vladimir Putin, a vice-premier, Tatyana Golikova, apontou que o número de infecções apresenta uma alta de quase 31% em comparação com o início de setembro, e que a média móvel de casos está mais de três vezes acima do registrado no mesmo período do ano passado. Ela afirmou ainda que os casos estão em alta em 67 das 85 unidades federativas russas, e há preocupação com o aumento de infecções entre as crianças, que ainda não podem ser imunizadas.

Em sua intervenção no encontro, o Ministro da Saúde, Mikhail Murashko, declarou ainda que houve um aumento de 15% no número de novas internações, mas apontou que apenas 0,03% das quase 212 mil pessoas internadas apresentam quadros graves da doença.

— Os números [da pandemia] são muito ruins, e isso é motivo para preocupação. O principal motivo para isso é o nível insuficiente de vacinação — declarou o secretário de Imprensa do Kremlin, Dmitry Peskov, em teleconferência com a imprensa. — O vírus está se tornando mais violento. E aqueles que não foram vacinados estão ficando muito doentes e infelizmente morrendo.

Desconfiança

Com uma população de 142 milhões, a Rússia tem quatro imunizantes aprovados para uso, todos produzidos localmente, com a Sputnik V como a principal vacina aplicada. De acordo com os últimos números, 48,6 milhões de pessoas (33,8% da população) receberam ao menos uma dose, e 42,5 milhões (29,6% da população) completaram o ciclo vacinal, incluindo com a vacina Sputnik Light, de dose única.

Pelas estimativas de Tatyana Golikova, outras 35,9 milhões de pessoas ainda precisam ser vacinadas para se atingir um patamar considerado seguro, enquanto 7,6 milhões de pessoas terão que receber doses de reforço.

Segundo analistas, a baixa adesão dos russos é explicada pela desconfiança em torno do processo de desenvolvimento de vacinas, e muitos não acreditam na palavra das autoridades, que anunciaram uma eficácia de 95% após a aplicação da segunda dose.

Diante de tal cenário, o governo não descarta novas medidas de restrição em áreas de alto contágio —  segundo Golikova, citada pela agência Tass, poderiam ser instituídas ações específicas em cidades onde a situação sair de controle e acionadas ferramentas de proteção a pequenas e médias empresas, mas sem novas quarentenas. A imprensa local, citando funcionários do Kremlin, aponta que 11 áreas, no Centro e no Sul do país, já são consideradas de alto risco.

Unidades federativas e municípios poderão ainda declarar seus territórios como “livres de Covid”, e receberão incentivos financeiros por parte do governo federal, e haverá a ampliação do uso de passaportes sanitários, concedidos a vacinados e pessoas com resultados negativos em testes RT-PCR, e hoje exigidos em alguns locais. O governo também não descarta oferecer incentivos, inclusive financeiros, para convencer os céticos a irem até os postos de vacinação.

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Taxas, números e ainda os velhos mitos | A hora da Ciência - O Globo

Por Margareth Dalcolmo

Cloroquina

Na semana em que os Estados Unidos batem 700 mil mortes com 43,5 milhões de casos e o Brasil, 600 mil mortes com quase 22 milhões de casos de Covid-19, nos perguntamos como chegamos até aqui. De pouco adianta considerarmos as diferenças de tamanho de população, e portanto a desproporção nos números, ou tampouco quem teve o braço poderoso do SUS como arma salvífica, ou quem morreu em casa porquanto não teve como pagar o serviço privado, como vimos em Nova York. Essas parecem frias questões estatísticas, e ainda que muito graves, se esmaecem frente aos fatos atuais que assistimos, sem surpresa, virem à tona no Brasil, do que chamaríamos más práticas médicas, passíveis de esclarecimento, apuração e punição.

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Se a qualidade de nossa presença no mundo está determinada por nosso equilíbrio emocional, psicológico e espiritual, essa vigilância do viver “aqui e agora”, em momento tão inaudito e demarcador de nossas vidas, ela exige igualmente a perda da inocência e a crítica permanente. Em meio ao desmonte desse esquema hospitalar e de uso compulsório de medicamentos que há mais de um ano sabíamos que não funcionavam para prevenção ou tratamento da Covid-19, revimos o documento que um grupo de pesquisadores e médicos escreveram no ano passado, incluindo os resultados finais de estudos bem conduzidos e revisados por pares, sobre a cloroquina e ivermectina. Este documento hoje se incorpora ao dossiê da CPI do Senado, por solicitação da mesma, para subsídio científico.

Nesse clima, lendo a recém publicada biografia do professor Didier Raoult (“Une folie française”, Ed. Gallimard) procuramos entender como o criador obstinado do engodo da cloroquina, em meio à maior crise sanitária dos últimos cem anos no planeta, colocou lenha explosiva numa fogueira já bem ardente. Entendemos perfeitamente como personalidades de muita inteligência e capacidade de articulação e argumentação podem seduzir até dirigentes com um eficiente manipular das vaidades humanas. Nascido em Dakar, no Senegal, filho de médico, exemplo de fruto dos estertores do império colonial francês, sua trajetória recente revela uma vez mais como paixões e crenças tomam o lugar da razão em tempos críticos. Com fotos suas com várias personalidades em seu gabinete, de presidentes da república francesa, e escritores famosos, como Michel Onfray, que esteve a seu lado em diversas aparições públicas, não era tão conhecido fora de suas lides o dr. Raoult, com pesquisas reconhecidas na área das rickettsioses, até que recebe uma dotação milionária do presidente Sarkozy, para seu instituto, e inicia uma profusão de publicações científicas. Bernard-Henri Lévy, o controverso filósofo contemporâneo, que também já adoecera de malária em suas viagens à África, chega a incensá-lo como “um personagem fora do comum, maior que a própria vida”.

Fundador de cinco start-ups, chamado de “druida, gaulês, sábio ou guru”, genial para uns e charlatão para outros, nega qualquer veleidade financeira, mas de fato foi após aportes de grants vultosos, que passou a ter um protagonismo mais condizente com sua personalidade e de modo corretamente premonitório declarou que vírus emergentes seriam a grande ameaça deste século, comparável àquela das grandes pestes da Idade Média e que a transmissão por aerossol seria inevitável. Bingo, mas francamente, muitos de nós sabíamos isso, e o próprio Bill Gates o dissera em entrevista dada em 2015. Com alarde anunciou em fim de fevereiro de 2020, para um auditório lotado e mesmerizado por sua verve, como discípulos de Platão na Academia de Atenas, que “os pragmáticos chineses haviam descoberto que a cloroquina é ativa in vitro” e que essa seria “a mais fácil infecção respiratória a ser tratada”. A partir daí, quando começavam as primeiras mortes pela doença na França, o professor Raoult entra na vida cotidiana dos franceses quase que por efração, um arrombamento.

Resta sempre o alerta, que norteia nosso olhar cauteloso e crítico de médicos, frente a quem insista em reiterar que “as pessoas interpretam o que elas veem e fazem suas ilusões”.

________________________________________////////////Missão: redução da desigualdade | Merval Pereira - O Globo

Por Merval Pereira


Recentemente, a propósito da tentativa de aprovar a volta dos jogos de azar no país, petistas denunciaram que o sonho de Bolsonaro é transformar o Brasil numa Cuba da época do ditador Fulgencio Batista, um cassino onde os americanos iam se divertir. Os bolsonaristas há muito atacam o PT afirmando que o ex-presidente Lula pretende transformar o Brasil numa ditadura como a cubana, regime apoiado pelo petismo.

O paralelo cruzado reflete bem a polarização que já está marcando a campanha presidencial antecipada do ano que vem e escancara o caminho que existe para uma candidatura de terceira via que tenha um projeto para o país que não seja nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O grande problema do mundo atualmente é a desigualdade de renda, que sempre esteve presente, mas ganhou dimensão planetária nos últimos anos, especialmente em países periféricos como o Brasil.

Não apenas no Brasil, a relação entre democracia e capitalismo já não é mais tão absoluta quanto foi nos últimos anos do século passado. Buscam-se modelos para aperfeiçoar a democracia representativa, que tem como um dos pilares a ideia de “uma pessoa, um voto”, criticada na China, pois não levaria às escolhas mais corretas, muito sujeitas a pressões financeiras.

Um modelo meritocrático é o que se busca nas empresas privadas ocidentais, e o que temos de fazer é buscar a legitimação da democracia representativa por reformas estruturais na educação e na distribuição de renda e das regras eleitorais, para que o cidadão tenha capacidade de escolher melhor candidatos melhores. O economista francês Thomas Piketty, um dos mais atuantes debatedores da desigualdade como fator de enfraquecimento das economias ocidentais, em seu mais recente livro em português, editado pela Intrínseca, faz uma análise sobre “uma breve história da desigualdade”. Em seguida será lançado o novo livro “Vivement le socialisme!”, ainda sem título em português.

Em entrevista à revista Le Point, Piketty diz que os Estados Unidos “inventaram um imposto progressivo bastante elevado, como em nenhum outro lugar, mas logo em seguida, com o mesmo vigor, foram no sentido oposto”. Referia-se à política do presidente Ronald Reagan, que, segundo ele, embora não fosse absurda, não deu certo. “Trinta anos mais tarde, constatamos que os americanos não alcançaram o aumento de renda esperado e, ao contrário, a taxa de crescimento da renda por habitante caiu pela metade entre 1990 e 2020.”

Piketty cita a questão da educação, fundamental na redução da desigualdade, como indicativo negativo do desenvolvimento americano: “O país ainda tem grandes universidades, ricas e no topo dos rankings, mas 70% dos americanos mais pobres não têm acesso a uma boa educação”. Piketty diz que o Imposto de Renda progressivo “permitiu reduzir muito a desigualdade sem impedir o crescimento, pois a receita gerada — pelos encargos — serviu para investir na educação, na saúde e nas infraestruturas”. Não é à toa que bilionários e milionários americanos fazem campanha pedindo para pagar mais impostos.

Entre nós, a discussão sobre a desigualdade de renda ganha contornos ideológicos que transformam o capitalismo na maldição da humanidade, e o comunismo, abandonado por Cuba e pela própria China, na salvação. Recentemente, o ex-presidente Lula festejou o centenário do Partido Comunista Chinês ressaltando que a China tem um partido político forte e um governo forte, por isso o governo tem controle e poder de comando.

Partido único e governo forte são a receita perfeita para a imposição de ideias e decisões do Partido Comunista da China, mas não nas democracias ocidentais como a nossa. O próprio Piketty, em entrevistas, já reconheceu “a tremenda redução da desigualdade de renda em termos globais, advinda da elevação de padrão de vida nas partes pobres do planeta nos últimos 30 anos, um aspecto muito positivo da globalização”. Ao analisar o modelo de desenvolvimento chinês, deveríamos fazer o mesmo que eles, em direção contrária: copiar as coisas boas do socialismo e adaptá-las ao capitalismo.

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Sim, há um 'choque de civilizações' entre China e EUA, diz analista | Marcelo Ninio - O Globo

Por Marcelo Ninio

Em 2019, uma alta funcionária da diplomacia americana causou polêmica ao definir a rivalidade entre os EUA e a China como um choque de civilizações.

O governo chinês protestou contra a descrição, que considerou racista e destrutiva para as relações bilaterais.

Mas se vista com base nos princípios filosóficos que guiam os dois países, ela retrata de maneira correta a profunda diferença que os separa, afirma o analista Andy Mok, sem medo da polêmica.

“Não há nada inerentemente errado nos dois, mas eles estão em conflito”, diz. 

Nascido nos EUA e formado em administração de empresas e relações internacionais por universidades americanas de elite, Mok é pesquisador sênior do Centro de China e Globalização, com sede em Pequim.

Andy Mok


Qual a origem desse choque e qual o caminho para amortecê-lo?

Eu realmente acho que há um choque de civilizações entre a visão americana de mundo e a da China, partindo do nível mais profundo. 

De uma perspectiva filosófica, mesmo que a China de hoje seja governada pelo Partido Comunista, ela ainda é um híbrido entre a filosofia tradicional chinesa e práticas de governança política marxista-leninista. 

Começa pela noção do “yiduobufen” na filosofia chinesa, da inseparabilidade entre as coisas. 

No Ocidente, a visão platônica é que há o ideal e há a realidade, o que de certa forma levou à visão do cristianismo de que há uma vida na terra e um Deus, com uma vida após a morte. 

Já no pensamento tradicional chinês não há vida além desta e nada é separado. 

Isso significa que não existe tanto um conceito de “branco e preto”. 

Quando você vê o legado puritano nos EUA, em que há um caminho moralmente certo e outro errado, neste ponto há fundamentalmente um choque de civilizações. 

Além disso, há na China a sociedade hierárquica confuciana, na qual a obediência é o valor mais venerado. 

Enquanto isso, nos EUA o mais venerado dos valores é a liberdade individual. 

Não há nada inerentemente errado nos dois, mas eles estão em conflito. 

Por isso, na raiz, é um choque de civilizações.

Em geral, a diferença mais ressaltada é entre democracia e autoritarismo.

O governo Biden ainda fala disso, mesmo que sem a mesma convicção de governos anteriores, que os EUA devem ser uma força ao redor do mundo para promover a democracia e os direitos humanos. 

Já a China não diz que há um caminho de Deus e que todos têm a responsabilidade moral de segui-lo. 

O que o presidente Xi Jinping propõe é um "futuro compartilhado para a Humanidade", não valores comuns. 

Enquanto os EUA falam de valores universais. 

De certa forma, isso é produto de um imperialismo cultural. 

Mas é possível ter um futuro comum com diferentes valores e diferentes sistemas.

A ausência de Deus é vista como uma vantagem da China sobre o Ocidente, por permitir que o país seja mais pragmático? Tenho ouvido com frequência essa ideia de acadêmicos chineses.

Meu entendimento é que não há um impulso pelo proselitismo na China, de dizer que um sistema sem Deus é melhor. 

Mesmo se voltarmos ao “século de humilhação” [sofrido pela China sob ocupações estrangeiras], havia muitos cristãos convertidos, mas não eram predominantes. 

Não conheço exatamente os números, mas não deviam chegar a 10% da população. 

Um dos objetivos do Partido Comunista no início era combater a superstição, considerada destrutiva para a sociedade. 

Hoje na China você ainda pode ser cristão, ou muçulmano ou budista, mas num nível oficial membros do Partido devem ser ateístas. 

Tradicionalmente não existe entre os chineses a ideia de um Deus onipotente como há no cristianismo, portanto o que há na China hoje está em compasso com essa ideia.

Houve uma avalanche regulatória nos últimos meses, que foi interpretada como parte da política do governo de promover “prosperidade comum”. Faz sentido considerar ações em setores tão diferentes como elementos dessa mesma política?
Uma das características da China é a capacidade de estabelecer objetivos de longo prazo e implementá-los. Os EUA, por exemplo, são a antítese disso. Trump reverteu e destruiu muito do que havia sido feito nos oito anos anteriores por Obama. Há uma incapacidade de andar para frente de forma contínua. O que acontece na China agora é que o projeto de rejuvenescimento da nação é profundo. Não só a reforma da economia, mas a reconstrução da sociedade. Podemos detectar isso em Deng Xiaoping, Mao Tsé-tung e até antes, nos primeiros reformistas que buscavam meios de tornar a China uma nação próspera e forte. Uma das chaves aqui é o papel do capital. Nos EUA as pessoas vivem e morrem para servir ao capital. No sistema chinês o capital é uma ferramenta. E como qualquer ferramenta poderosa, deve ser mantida sob controle e usada de forma sensata. Isso explica o aperto regulatório nas empresas de tecnologia e outras coisas que estão acontecendo. Como diz o presidente Xi, a China tem certas vantagens institucionais e burocráticas. Elas podem ser usadas bem ou mal. A organização [do país] é capaz de fazer mais, como os lockdowns durante a pandemia. Nos EUA isso não seria possível mesmo se quisessem, porque essa estrutura institucional não existe. Se num passe de mágica parte desse sistema fosse transplantado para os EUA, como os comitês de bairro e a autoridade política forte, acho que a maioria das pessoas iria obedecer, porque haveria uma estrutura.

Mas aí também há um limite entre autoridade e autoritarismo que muitos não aceitariam ultrapassar. O que é visto por uns como respeito à autoridade para outros é considerado medo.
O que é respeito? Há nele um elemento de admiração, mas também medo. Não necessariamente medo de punição física, mas de crítica e danos à reputação. No respeito há sempre um elemento de medo. Se as pessoas temem seus chefes é pelo poder que eles têm.

Há uma preocupação de que o aperto às empresas de tecnologia poderá travar justamente um dos setores mais inovadores e bem-sucedidos da economia. Não é um risco alto demais?
Claramente há um reconhecimento no governo e fora dele de que muitas coisas precisam ser corrigidas. Xi disse que a parte mais fácil [das reformas] foi feita, a difícil está por ser feita. Eu acho que é uma mudança revolucionária, o governo não gosta dessa palavra, ele prefere chamar de reformas. Vamos dizer que você quebrou a perna e ela não foi curada de forma correta. Agora o médico precisa quebrar os ossos para que eles voltem ao lugar. É isso que está acontecendo. Houve deformações no sistema e ele precisa ser quebrado para crescer de forma saudável. É doloroso e traumático, mas, a menos que haja uma ruptura, a deformação nunca será reparada. Tal processo não é apenas traumático, é perigoso. Pode haver infecção e matar o paciente. Xi é um líder que corre muito mais riscos [que seus antecessores]. É uma aposta, o que torna tudo mais fascinante, para saber onde vai levar. O que motiva muitos líderes políticos é seu lugar na História. Xi poderá se tornar o líder que completou a realização do sonho chinês e ser igualado aos grandes imperadores.

_________________________________________________Governo dos EUA derruba censura imposta por Trump e divulga números do arsenal nuclear pela primeira vez desde 2017

Americanos possuem 3.750 ogivas armazenadas e outras duas mil aguardando o desmantelamento; decisão se insere em estratégia da Casa Branca para recolocar país em sistema de mecanismos de controle de armamentos
O Globo e agências internacionais
05/10/2021 - 21:39 / Atualizado em 05/10/2021 - 21:54
Míssil balístico intercontinental Titan II, hoje desativado, em exposição em museu no estado americano do Arizona Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
Míssil balístico intercontinental Titan II, hoje desativado, em exposição em museu no estado americano do Arizona Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

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WASHINGTON  — Pela primeira vez em quatro anos, o governo dos EUA divulgou a quantidade de ogivas nucleares operacionais ou armazenadas pelo país, uma informação que havia sido colocada em sigilo pelo ex-presidente Donald Trump.

Em comunicado, o Departamento de Estado revelou que os EUA tinham, em setembro de 2020, 3.750 ogivas, redução de 88% em relação ao maior número de armas nucleares mantidas pelo país, em 1967, quando havia 31.255 ogivas, e de 83% em relação ao arsenal em 1989, ano da queda do Muro de Berlim, quando os americanos tinham 22.217 ogivas.

O Departamento de Estado ainda revela que, entre 1994 e 2020, os EUA desmontaram 11.683 ogivas nucleares, sendo que 711 entre 2017 e 2020. Outras duas mil foram retiradas do arsenal e serão desmanteladas em breve. A maior parte dessas reduções ocorreu no marco de acordos de desarmamento assinados com a Rússia.

“Aumentar a transparência dos arsenais nucleares dos Estados é importante para os esforços de não proliferação e desarmamento, incluindo os compromissos sob o Tratado de Não Proliferação, além dos esforços para monitorar todos os tipos de armas nucleares, incluindo operacionais e não operacionais, estratégicas e não estratégicas”, diz o comunicado.

Os números confirmam estimativas feitas por organizações como a Associação de Controle de Armas, que apontavam um arsenal de 5,8 mil ogivas — operacionais, armazenadas e aguardando desmantelamento — mantidas hoje pelos EUA. Segundo o último levantamento, de agosto de 2020, a Rússia possui cerca de 6.375 ogivas, maior arsenal do planeta.

As demais nações com capacidade nuclear, declarada oficialmente ou não, são Reino Unido, França, China, Israel, Paquistão, Índia e Coreia do Norte, sendo que os quatro últimos não fazem parte do Tratado de Não Proliferação.

A decisão de revelar os números do arsenal nuclear dos EUA, derrubando a censura imposta por Trump em 2017, se insere em uma estratégia do presidente Joe Biden de retomar as conversas com a Rússia sobre acordos de controle de armamentos, nucleares e convencionais.

Ao longo dos quatro anos de mandato de Trump, os EUA abandonaram uma série de tratados de segurança coletiva. A começar pelo Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermediário, em vigor desde 1988, que bania mísseis com capacidade de levar ogivas atômicas com alcance entre 500km e 5.500km. Na época, Washington alegou que os russos estavam descumprindo os termos do texto.

Na decisão mais criticada, o ex-presidente por pouco não deixou expirar o último acordo de controle de armas nucleares ainda em vigor, o Novo Start, assinado entre Moscou e Washington em 2010, que limitava o número de ogivas operacionais em 1.550. Trump queria que a China, que tem cerca de 320 ogivas, também se submetesse aos termos de um novo acordo, algo prontamente rejeitado por Pequim.

Diante do impasse, o governo Trump negligenciou as conversas, apostando em uma vitória nas eleições presidenciais de 2020, mas com a derrota nas urnas e a chegada de Joe Biden ao poder, a Casa Branca se prontificou a buscar uma extensão por cinco anos do acordo, um período que será usado para negociar um novo tratado.

Na semana passada, diplomatas russos e americanos realizaram reuniões a portas fechadas em Genebra, para firmar as primeiras bases do texto que sucederá o Novo Start, além de novos mecanismos de controle sobre armas convencionais. De acordo com um diplomata dos EUA, ouvido pela AFP, as primeiras conversas foram “produtivas”.

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Procon-SP: limite de R$ 1.000 no Pix pode gerar efeito contrário; entenda

Desde ontem as transferências e pagamentos feitos por pessoas físicas, entre as 20h e as 6h, no Pix estão limitadas R$ 1 mil - Tiago Caldas/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Desde ontem as transferências e pagamentos feitos por pessoas físicas, entre as 20h e as 6h, no Pix estão limitadas R$ 1 mil Imagem: Tiago Caldas/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo 05/10/2021 10h26 Atualizada em 05/10/2021 15h02

O presidente do Procon-SP, Fernando Capez, disse ontem que a limitação de R$ 1.000 nas transferências e pagamentos feitos por pessoas físicas no Pix pode gerar um "efeito contrário" e contribuir para aumentar o tempo dos sequestros envolvendo a forma de pagamento.

Ao UOL, o Banco Central declarou entender "a relevância do tema segurança e se solidariza com as vítimas de crimes e fraudes", mas explicou "que as transações com suspeita de fraude no âmbito do Pix representam apenas 0,0011% da quantidade total de transações, ou seja, uma parcela ínfima em relação ao universo de operações realizadas, que se mantém constante ao longo do tempo".

BC aumenta combate a contas laranjas para reforçar segurança do Pix

Desde ontem as transferências e pagamentos feitos por pessoas físicas, das 20h e 6h, estão limitadas a R$ 1.000 no Pix. A medida foi aprovada pelo Banco Central (BC) em setembro, com o objetivo de coibir os casos de fraudes, sequestros e roubos noturnos.

As contas de pessoas jurídicas não foram afetadas pelas novas regras. A restrição vale tanto para transações por Pix, sistema de pagamento instantâneo, quanto para outros meios de pagamento, como transferências intrabancárias, via Transferência Eletrônica Disponível (TED) e Documento de Ordem de Crédito (DOC), pagamentos de boletos e compras com cartões de débitos.

A limitação de transferência das 20h às 6h da manhã pode gerar um efeito contrário, que já ocorreu com bancos 24 horas, ou seja, a vítima permanecer em poder dos sequestradores durante toda a noite até o amanhecer. Ela é abordada de madrugada e fica em poder do sequestrador mais 3 ou 4 horas, então, nós pretendemos amenizar essa medida com outras providências que vamos sugerir ao Banco Central.Fernando Capez à Jovem Pan

O presidente do órgão de defesa do consumidor destacou que fará hoje uma reunião com diretores do BC (Banco Central) onde irá solicitar mais providências de segurança na forma de pagamento, visto que houve o aumento no número de sequestros-relâmpago, fraudes e crimes envolvendo o Pix.

Segundo Capez, o Procon vai sugerir ao BC implantar o valor máximo de R$ 1.000 de transferência diária por conta, nos primeiros 60 dias da aplicação dessa medida "emergencial".

"Quem quiser dispor de valores superiores a R$ 1.000 [para transferência] nesses 60 dias deverá pedir expressamente [ao banco] e somente após 48 horas da solicitação é que poderá efetuar transferências superiores a R$ 1.000", detalhou.

Ele ainda explicou que essa transferência acima de R$ 1.000 só poderá ser feita para uma conta cadastrada 24 horas antes pelo correntista, de modo a evitar o envio do dinheiro para conta de "laranjas" — contas abertas por criminosos em nome de outras pessoas.

Para o presidente, essa é uma medida melhor do que cada correntista ser o responsável por colocar um valor limite para transferências diárias via Pix em seus aplicativos. "Deixar o limite [de transferência] a cargo de cada correntista gera uma frustração do criminoso na hora da abordagem, e pode ficar violento."

Capez ainda disse que o Procon "vai responsabilizar os bancos por todo e qualquer golpe aplicado contra cliente que passar por conta de laranja e não houver a devida fiscalização".

Apesar dos argumentos, o BC informou ao UOL que a medida sugerida pelo Procon "não seria efetiva, ao contrário, prejudicaria os mais de 100 milhões de cidadãos e mais da metade das empresas do Brasil que utilizam e confiam no meio de pagamento".

O que diz o BC?

"A segurança é um dos pilares fundamentais do Pix. Desde sua concepção, o tema foi detalhadamente estudado e debatido de forma a garantir um arcabouço robusto para a proteção dos usuários e do ecossistema como um todo. Existe no âmbito do Fórum Pix, um grupo de trabalho temático (GT-Segurança) exclusivamente dedicado ao tema, que reúne os principais especialistas em segurança financeira do país.

Cabe ressaltar que a segurança deve ser entendida como uma disciplina dinâmica, que exige atualização constante, visto que novas formas de fraude/golpes/ataques surgem com frequência. Em função disso, a segurança do Pix é entendida como um processo contínuo, que abrange amplo diálogo com os diversos agentes envolvidos, bem como o monitoramento e a atualização tempestivas em suas regras e infraestrutura de forma a mitigar riscos.

Posto isso, há que se ressaltar que as transações com suspeita de fraude no âmbito do Pix representam apenas 0,0011% da quantidade total de transações, ou seja, uma parcela ínfima em relação ao universo de operações realizadas, que se mantém constante ao longo do tempo. Importante destacar que não há registro de situação de fraude nas infraestruturas do Pix. As causas são todas externas ao ecossistema, fruto majoritariamente do resultado de engenharia social ou de questões relacionadas à segurança pública.

Em relação especificamente à proposta do Procon, conforme dados de uso do Pix, o BC explicou que tal medida não seria efetiva, ao contrário, prejudicaria os mais de 100 milhões de cidadãos e mais da metade das empresas do Brasil que utilizam e confiam no meio de pagamento.

O Pix é responsável por aproximadamente 1 bilhão de transações por mês. Suspender o Pix prejudicaria 40 milhões de cidadãos e microempreendedores que foram incluídos no sistema de pagamentos por este meio, sendo 8 milhões deles em São Paulo, e que teriam que pagar tarifas nas suas transações ou abandonar o uso de pagamentos digitais. O Pix, ao fazer a inclusão financeira, ajuda a evitar que essas pessoas carreguem dinheiro no bolso, o que inibe eventuais crimes de roubo ou similares.

É importante enfatizar que os bancos e demais instituições que ofertam o Pix devem estabelecer limites máximos de valor conforme o perfil do cliente, e os clientes podem ajustar tais limites pelo próprio aplicativo ou internet banking, tendo o pedido para redução efeito obrigatório imediato.

O Banco Central entende a relevância do tema segurança e se solidariza com as vítimas de crimes e fraudes. Reafirma que está à disposição das forças de segurança pública e da Justiça para colaborar na prevenção e no combate a golpes/crimes envolvendo qualquer meio de transferência de recursos no âmbito do Sistema Financeiro.

Conforme divulgado, o BC adotou medidas adicionais que englobam, entre outras, o estabelecimento de limite diário de R$1.000,00 para transferências entre pessoas no período noturno nos diversos meios de transferência eletrônicos.

No próximo 16 de novembro, entrará em vigor o Mecanismo Especial de Devolução, que facilitará o processo de ressarcimento em caso de fraude, uma vez que padronizará os procedimentos e prazos de análise das instituições, utilizando a própria infraestrutura do Pix para facilitar a comunicação entre as instituições envolvidas, bem como o bloqueio e a devolução dos recursos.

O Pix é uma realidade que facilitou dinâmicas de pagamento, democratizou o acesso a meios de pagamentos eletrônicos, ampliou a competitividade no setor. Além disso, está incentivando a eletronização dos pagamentos que representa economia para o país como um todo e beneficiando a vida de milhões de brasileiros e negócios.

Qualquer medida em sentido de restringir o seu uso seria um retrocesso para o Brasil, o que apenas levaria os criminosos a migrar para roubos de dinheiro (a medida levaria as pessoas a voltar ao uso intensivo de dinheiro) ou crimes envolvendo outros instrumentos de pagamento, mantendo a população vulnerável."

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Pensão alimentícia: entenda quando um irmão deve pagar para o outro

Vinícius de Oliveira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/10/2021 04h00

Apesar de ser um direito garantido por lei, a pensão alimentícia ainda é um assunto que gera muitas dúvidas. As perguntas, normalmente, estão relacionadas aos valores que devem ser pagos, quem tem direito e quais são os deveres de quem paga.

Os casos mais comuns são quando a ação de alimentos é solicitada ao pai ou à mãe de uma criança menor de idade. No entanto, a lei também prevê o contrário: filhos e netos podem ter que pagar pensão para pais e avós. E, na ausência destes, os irmãos também podem ser acionados na Justiça.

Para explicar essa situação, possível mas muito rara, o UOL conversou com Elisa Cruz, defensora pública e professora da FGV Direito Rio, e com Tatiana Moreira.Naumann, especialista em direito de família. Veja a seguir.

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O que é pensão alimentícia?

Pensão alimentícia é um valor, subsidiário e complementar, pago a partir de um acordo pessoal ou determinado pela Justiça. Esse valor engloba as necessidades de moradia, alimentação, lazer, educação, saúde etc. Quando vinculada à renda mensal da pessoa, é geralmente fixada entre 20% e 30% do total. Também pode ser oferecida em forma de cesta de alimentos.

Como funciona o processo para solicitar pensão alimentícia para os irmãos?

Para solicitar a pensão alimentícia, primeiro é preciso propor uma ação de alimentos contra os pais ou avós. A pessoa que exige os valores ou alimentos terá de contratar um advogado ou ir até a Defensoria Pública para dar entrada no processo, comprovando os gastos de quem vai receber e a possibilidade financeira de quem vai pagar.

Tendo como base a Lei nº 5.478, de 25 de julho de 1968, a Justiça irá analisar o pedido e fixar um valor inicial. Depois disso, o devedor será citado judicialmente e ouvido junto com as testemunhas. O juiz deve analisar os gastos e como cada responsável pode contribuir para a segurança alimentar de quem vai receber a pensão.

Caso os pais não consigam pagar, os filhos e netos podem ser citados judicialmente. Na inexistência de descendentes que possam pagar a pensão alimentícia, os irmãos podem ser acionados. É o que diz o artigo 1.697 da Lei nº 10.406: "na falta dos ascendentes [pais ou avós], cabe a obrigação aos descendentes [filhos ou netos], guardada a ordem de sucessão e, faltando estes, aos irmãos, assim germanos como unilaterais."

"É uma situação muito incomum. Primeiro, você pede alimentos para os pais ou avós, depois, para os filhos e netos. Quando você esgotou toda a cadeia familiar, você passa para os irmãos", afirma a advogada Tatiana Moreira Naumann.

Posso solicitar a pensão alimentícia diretamente para os irmãos?

Em raríssimas exceções. Para isso, os pais e avós da pessoa devem estar mortos e ela não deve ter descendentes. Neste caso, a ação de alimentos pode ser feita diretamente para os irmãos. Em outras situações, é preciso entrar primeiro com uma ação contra outros familiares diretos.

É comum solicitar a pensão alimentícia para os irmãos?

É a situação mais rara quando se trata de pensão alimentícia. "Uma das razões é que as pessoas não sabem dessa possibilidade", diz a defensora pública Elisa Cruz. "Em segundo lugar, é porque tem tanta gente antes, que é difícil chegar até os irmãos."

Os meio-irmãos precisam pagar a pensão alimentícia na íntegra?

Comprovada na Justiça a impossibilidade de pagamento por parte dos pais, avós, filhos e netos, os irmãos podem ser acionados para execução da ação de alimentos na íntegra ou de forma complementar.

A lei não faz distinção entre irmãos consanguíneos (por parte de pai), irmãos uterinos (por parte de mãe) ou irmãos germanos (mesmo pai e mãe). Todos podem ser solicitados para pagar uma ação de alimentos.

"O que você tem como diretriz é levar em consideração a possibilidade, a necessidade e a proporcionalidade. Se você tem três irmãos, mas você ganha mais, você vai ter que pagar mais. A regra é essa", diz a advogada Tatiana Moreira Naumann.

Como é calculado o valor da pensão alimentícia?

São observados três itens:

  • De quanto a pessoa precisa
  • Possibilidade de quem paga
  • Razoabilidade: tem que ser algo que respeite quem vai receber, mas também quem vai pagar

A pensão alimentícia é calculada sobre o valor da renda mensal. O valor da pensão geralmente é fixado entre 20% e 30% dos rendimentos.

Quem tem direito a receber a pensão alimentícia dos irmãos?

Todos possuem direito de cobrar alimentos dos irmãos, desde que comprovada a necessidade. Vale lembrar que os irmãos só são acionados judicialmente em caso de impossibilidade total ou parcial dos ascendentes (pais e avós) e dos descendentes (filhos e netos) arcarem com os custos da pensão.

Quais são os direitos e deveres de quem recebe pensão alimentícia?

A pensão alimentícia, por si só, é um direito por lei. O pagamento dela não está vinculado a nenhum outro direito ou dever.

Quais são os direitos e deveres de quem paga pensão alimentícia?

O valor estabelecido tem o objetivo de garantir o melhor interesse de quem recebe. Portanto, pressupõe-se que a pensão alimentícia será empregada para prover necessidades básicas de moradia, alimentação, lazer, saúde e educação.

Irmãos que pagam pensão podem dar entrada em um processo de prestação de contas para ter certeza de que o valor está sendo utilizado para pagamentos das despesas com alimentação, remédios e outros, por exemplo.

Quanto tempo demora, em média, o processo de solicitação?

Muitos fatores influenciam o tempo do processo de solicitação de pensão alimentícia: desde a complexidade até a disposição (ou não) das partes de fazer um acordo. Com a pandemia, tornou-se ainda mais difícil definir um tempo. Alguns casos são resolvidos em semanas, e outros demoram anos.

Até quando é paga a pensão alimentícia para irmãos?

O pagamento da pensão alimentícia para irmãos não tem prazo mínimo, nem máximo. A Justiça é quem irá determinar o tempo necessário de pagamento.

"O juiz pode decidir que serão pagos alimentos por dois ou três anos, por exemplo. Isso acontece bastante para mulheres [que solicitam pensão para ex-maridos]. Nesses casos, o juiz fixa um prazo para elas conseguirem entrar novamente no mercado de trabalho. Pode-se fazer isso também no caso de irmãos", explica Elisa Cruz.

Caso a decisão não tenha um prazo de pagamento definido, os devedores podem entrar com um novo processo para rever e modificar o que foi decidido pela Justiça. Esse processo, chamado de exoneração de alimentos, tem que estar muito bem justificado e, para ser aceito, deve haver um fato novo como desemprego ou perda da renda.

O valor da pensão alimentícia é recalculado ano a ano?

Não. A Justiça fixa o valor da pensão alimentícia com índices automáticos de reajuste. Por exemplo, uma porcentagem em cima do salário mínimo ou do salário do pagador. Assim, quando esses valores são automaticamente reajustados, a pensão também é.

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Possível DNA fossilizado de dinossauro divide opiniões entre a comunidade científica - Gizmodo Brasil

O que a polêmica mostra, no fim das contas, é que o DNA de dinossauros não podem ser sequenciados. Pelo menos, não ainda.

Isaac Schultz

Trabalhando em restos extremamente bem preservados em Jehol Biota, no nordeste da China, alguns paleontólogos relataram que detectaram biomoléculas fossilizadas em um dinossauro com penas que viveu no Cretáceo Inferior. As descobertas foram publicadas na revista científica Nature Communications Biology.

Esse intrigante material microscópico foi encontrado no fêmur de um Caudipteryx, dinossauro que se parece com um peru que viveu entre 125 milhões e 113 milhões de anos atrás. A equipe colocou cartilagem do fêmur sob um microscópio e a tingiu com substâncias químicas chamadas hematoxilina e eosina, que são usadas para destacar os núcleos celulares e o citoplasma das células.

Eles também tingiram a cartilagem de uma galinha e descobriram que a cartilagem do dinossauro e da ave se iluminavam da mesma maneira. Os pesquisadores disseram que os núcleos e a cromatina, o material de que são feitos nossos cromossomos, eram visíveis. 

“Dados geológicos se acumularam ao longo dos anos e mostraram que a preservação de fósseis na Biota de Jehol foi excepcional, devido às finas cinzas vulcânicas que sepultaram as carcaças e as preservaram até o nível celular”, disse o coautor do estudo Li Zhiheng, paleontólogo de vertebrados do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados da Academia Chinesa de Ciências, em um comunicado à imprensa.

Membros da equipe de pesquisa também descreveram a descoberta de material genético em outra amostra no ano passado; como o Gizmodo relatou na época. Alguns cientistas eram igualmente céticos em relação às suas afirmações de que vestígios de material genético foram preservados no crânio fossilizado do Hypacrosaurus. O fóssil de Caudipteryx no novo trabalho é cerca de 50 milhões de anos mais velho que o Hypacrosaurus.

“Eles foram identificados usando métodos completamente diferentes daqueles usados com o Hypacrosaurus”, escreveu Alida Bailleul, que liderou o novo estudo, em um e-mail ao Gizmodo. “Mas o que foi impressionante foi a coloração com hematoxilina do núcleo da célula em Caudipteryx — ela era comparável à coloração vista em um núcleo de célula de galinha”, disse Bailleul, paleobióloga do Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados em Pequim.

Se esse fóssil revelasse as mesmas estruturas que foram destacadas na galinha moderna, seria uma demonstração notável de quão bem o material biológico pode ser preservado e como a cartilagem foi preservada pela ação do tempo. Mas nem todo mundo está tão convencido daquilo que apareceu nas manchas.

O fóssil de Caudipteryx, com o fragmento inspecionado em amarelo à direita. Foto: Bailleul e equipe, Communications Biology 2021

“Eu realmente não vejo o que mudou tanto aqui”, disse Evan Saitta, pesquisador do Centro de Pesquisa Integrativa do Museu de História Natural em Chicago. “A mudança de tempo que nos interessa não é entre o Hypacrosaurus e este novo espécime; a diferença é a quantidade de tempo entre a preservação do DNA e qualquer um desses fósseis”.

O DNA mais antigo, ainda sequenciado, foi descrito em um artigo em fevereiro e saiu dos dentes de um mamute de aproximadamente 1 milhão de anos. Todos os dinossauros (exceto os pássaros) foram extintos há cerca de 65 milhões de anos. Isso torna os materiais dos dinossauros “absurdamente mais antigos” do que os resultados “espetaculares” dos restos do mamute peludo, disse Saitta.

Então, o que exatamente estava reagindo às tinturas e manchas que a equipe recente aplicou na cartilagem de dinossauro? De acordo com Saitta, podem ser micróbios que se instalaram nos restos do dinossauro ou preenchimento mineral do espaço deixado pelo material genético deteriorado. Esta última hipótese é a opinião de Nic Rawlence, diretor do laboratório de paleogenética da Universidade de Otago, na Nova Zelândia.

“O limite atual do DNA antigo é de 1,2 milhão de anos atrás, e não esperamos poder voltar muito no tempo, certamente não até a Era dos Dinossauros”, disse Rawlence em um e-mail para o Gizmodo. “Embora essas células fossilizadas e o DNA desse novo dinossauro possam se parecer com as de uma galinha moderna, elas são uma cópia de pedra, onde as células e o DNA foram substituídos por minerais, da mesma forma que um osso de dinossauro é uma versão mineralizada do osso moderno.”

Quando os ossos fossilizam, eles o fazem desde suas características macroscópicass até os menores elementos de sua estrutura. Isso permite que os paleontologistas façam coisas como aprender sobre as taxas de crescimento do Tiranossauro rex, por exemplo, à medida que surgem buracos no osso onde os vasos sanguíneos costumavam estar. Mas o material genético se deteriora rapidamente — uma equipe estimou que o DNA deixaria de ser legível após 1,5 milhão de anos, fazendo com que o material do dente de mamute tivesse se alterado. E os restos mortais dos mamutes só ficaram bem preservados porque estavam revestidos pelo permafrost — camada de gelo espessa que reveste áreas geladas.

“Quimicamente falando, você lida aqui com uma configuração completamente diferente de compostos, em comparação a quando você olha para um material permafrost, que é praticamente comparável ao peru congelado em seu freezer, a rigor”, disse Jasmina Wiemann, uma paleobióloga molecular de Yale Universidade, em uma videochamada.

Isso torna a situação daquele mamute de um milhão de anos fundamentalmente diferente daquela do Caudipteryx, de 125 milhões de anos. Embora os dentes de mamute tenham sofrido diagênese — o processo pelo qual os compostos orgânicos são gradualmente substituídos por coisas inorgânicas, como os minerais — eles foram resfriados pelo clima da Sibéria, preservando as biomoléculas até os dias modernos. (Esta é também a razão pela qual você ocasionalmente lê sobre os pesquisadores da Idade do Gelo serem capazes de comer o que estudaram).

Um esqueleto de mamute lanoso. O DNA sequenciado mais antigo é dos dentes de um mamute de 1,2 milhão de anos.Foto: PHILIP FONG / AFP (Getty Images)

“Quando se trata de moléculas de DNA reais, acho que é praticamente impossível que elas permaneçam no material dos dinossauros”, escreveu Love Dalén, um paleogeneticista do Centro de Paleogenética que estava na equipe de dente de mamute, em um e-mail para o Gizmodo. “Nós sabemos, tanto por estudos empíricos quanto por modelos teóricos, que mesmo sob condições completamente congeladas, as moléculas de DNA não sobrevivem mais do que cerca de 3 milhões de anos.”

“Só porque diferentes corantes ou manchas reagem com partes de um resíduo fossilizado não significa que qualquer molécula de DNA real permaneça no fóssil”, acrescentou Dalén.

Além do mais, só porque um osso se fossiliza não significa que todos os componentes da criatura sejam trocados por qualquer mineral ou composto metálico específico. Cada dinossauro morto, em cada depósito ao redor do mundo, implica em um conjunto único de condições, de modo que nenhum fóssil é o mesmo, quimicamente falando. Isso significa que um osso Hypacrosaurus de Montana terá passado por um tipo diferente de fossilização do que um Caudipteryx na China, tornando o trabalho de biólogos moleculares, geoquímicos e paleontólogos muito mais complicado.

“Ele passa por um moedor, mas o que sai fica muito parecido”, disse Wiemann. “Estamos perdendo um entendimento básico de como funciona a fossilização. Acho que esse é todo o desafio aqui.”

O DNA do mamute pôde ser sequenciado porque estava mais congelado do que fossilizado. Ou seja, o DNA não teve a oportunidade de interagir com o ambiente molecular ao seu redor, e particularmente, com a água, que faz com que o DNA se decomponha, como disse para o Gizmodo, o coautor do artigo.

Portanto, além da questão do que exatamente foi preservado no Caudipteryx, é importante reconhecer que o DNA de dinossauro não pode ser sequenciado, pelo menos não ainda. As moléculas simplesmente passaram por tantas mudanças que não se parecem com os animais de que faziam parte. Mas as biomoléculas antigas podem persistir: proteínas de dinossauros foram aparentemente encontradas em ossos de 200 milhões de anos, embora, como uma equipe de pesquisa, incluindo Saitta, tenha apontado em um artigo, ossos de dinossauros em decomposição são um lar feliz para micróbios, que podem representar a genética de dinossauros.

Um zoom das células tingindas de Caudipteryx sob luz transmitida (esquerda) e polarizada (direita). Foto: Bailleul e equipe Communications Biology 2021.

Parte do problema com o artigo recente, disseram vários cientistas, foi o método de coloração usado para comparar o Caudipteryx com os núcleos de galinha. A hematoxilina e a eosina podem se ligar a todos os tipos de coisas, não apenas ao material genético, disseram os pesquisadores, tornando os resultados bastante vagos. “Eu acho que é complicado aplicar um protocolo de coloração que não seja muito específico para algo como materiais fósseis”, disse Wiemann.

Uma etapa útil para lidar com essa ambiguidade seria cruzar os resultados da coloração com métodos independentes adicionais. Essa “triangulação” ajudaria a colocar o problema do tecido de lado, disse Saitta. Wiemann também sugeriu o uso de espectroscopia de massa para observar todo o osso e ver se o material que foi tingido poderia ser mapeado para qualquer nucleobase ou estrutura de açúcar-fosfato do DNA. É um “mar de pesquisas incrivelmentes excitantes”, acrescentou Wiemann, dizendo que esses métodos adicionais ajudariam a identificar exatamente o que está preservado no fóssil.

“Acredito que se você quer se dedicar profundamente aos estudos biomoleculares do tempo, você DEVE incorporar tantos métodos quanto possível, e deve considerar e descartar, com dados, quaisquer alternativas, como invasão por micróbios, antigos ou modernos”, disse Mary Schweitzer, paleontóloga molecular da Universidade Estadual da Carolina do Norte e do Museu das Montanhas Rochosas em Montana, ao Gizmodo por e-mail. Schweitzer foi coautora do artigo do Hypacrosaurus ao lado de Bailleul, que trabalhou no laboratório de Schweitzer. “Para mim, o objetivo final é obter informações de sequência, para que qualquer coisa que possamos aprender sobre as alterações diagenéticas (de processos geológicos) dessas moléculas recuperadas torna-se crítico.”

Dois fósseis, separados por 50 milhões de anos, revelam um dilema biomolecular no espaço de dois anos. Se essa linha do tempo é algo para continuar, mais dados podem chegar em breve, trazendo mais clareza para esta empolgante nova área da paleontologia.

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Novos estudos mostram que faxina faz bem para a saúde

Arrumar e limpar a própria casa pode manter a mente saudável
A produtora de eventos Adriana Serrano voltou a fazer limpezas constantes eu seu apartamento em São Paulo Foto: MARCO ANKOSQUI / Agência O Globo
A produtora de eventos Adriana Serrano voltou a fazer limpezas constantes eu seu apartamento em São Paulo Foto: MARCO ANKOSQUI / Agência O Globo

SÃO PAULO — Uma casa suja e bagunçada dificulta a vida. Não só pelo documento perdido ou a falta de um prato limpo, mas também porque afeta a saúde mental. Pesquisas e especialistas indicam que viver num lugar que parece ter recebido uma visita do Saci é fonte de estresse e ansiedade.

Não à toa, a rainha da organização, Marie Kondo, estreou no Netflix a segunda temporada de enorme sucesso do seu programa. As chamadas “personal organizers” vêm se proliferando e o setor de limpeza foi um dos poucos a crescer na pandemia. Se antes era possível bater a porta e deixar tudo para depois, como as pessoas passaram a ficar mais em casa, se tornou mais difícil suportar o caos.

Estudo da Universidade da Califórnia publicado no Jornal de Personalidade e Psicologia Social com casais com filhos mostra que as mulheres que afirmam ter uma casa suja e bagunçada têm níveis aumentados de cortisol, o hormônio do estresse. Nos que não percebiam a desordem, grupo que inclui a maioria dos homens, os níveis do hormônio caíam ao longo do dia.

Uma outra pesquisa, da Universidade de New South Wales, na Austrália, que saiu na publicação científica Ambiente e Comportamento indica que cozinhas desorganizadas e com coisas para limpar levaram as pessoas a se descontrolarem com a comida —passaram a comer mais.

— Uma casa desorganizada desencadeia estresse porque há uma grande quantidade de informações e coisas a fazer. Uma pessoa que é muito caótica acaba sendo mais ansiosa. E mesmo que esse estresse seja sutil, com o tempo ele desencadeia alguns sintomas físicos e emocionais — explica a psicóloga Marilene Kehdi.

Flourish logo

A produtora de eventos Adriana Serrano, 50 anos, precisou abrir mão da faxineira que ia semanalmente à sua casa durante a pandemia. Ao assumir o trabalho, descobriu nele uma forma de se tranquilizar.

— O visual, a coisa limpa e clean sempre me acalmou muito. Durante a pandemia, aumentei meu nível de organização e limpeza, comecei a me dedicar a limpar pequenos detalhes, coisas que a gente não faz no dia a dia. Isso me ajudou a passar por esse período e fez com que eu me sentisse melhor — conta.

Com o passar do tempo, ela entendeu que a bagunça e a sujeira prejudicavam sua saúde mental e adotou novas técnicas para lidar com as coisas por fazer.

— Já passei por períodos, quando estava atolada de trabalho, que não tinha tempo de arrumar e depois de 15 dias a casa virava um pandemônio. Ficava muito ansiosa, olhando pilhas de roupa para lavar, pia para encarar, até tomar coragem e dizer ‘ou arrumo ou não vou conseguir mais viver’. Aprendi com os anos: antes eu sofria com a bagunça, mas não entendia o que podia sanar isso, não agia. Como não gosto de lavar louça, esperava juntar bastante, mas ia dando um desespero quando a pia ficava cheia. Isso me estressava. Agora lavo com mais frequência. Hoje tenho consciência de que fico mais feliz e relaxada.

Origem do caos

Mas, diferentemente do que muita gente pensa, bagunça e sujeira não são, necessariamente, coisas que andam juntas. Segundo os especialistas, a bagunça é um excesso de coisas que se acumulam e criam espaços caóticos, ainda que limpos. Por isso, o primeiro passo para acabar com ela é diminuir a tralha.

— Tudo o que a gente tem, a gente precisa administrar, sejam as coisas, as atividades ou os relacionamentos. Com a sobrecarga, somos obrigados a escolher o que administrar. A pessoa cuida, por exemplo, da carreira e da família, mas não dá conta da casa — diz a ex-bagunceira e fundadora da consultoria Onde Eu Deixei, Carol Ferraz.

Ela explica: se imagine no carro. Quando o entregador oferece um anúncio de imóvel, você pega? Pronto. É mais uma coisa para administrar (jogar no lixo, normal ou reciclado, enfiar na bolsa e se livrar depois ou esquecer no canto do carro indeterminadamente).

Ou então: adora pequenos quadros e bibelôs. Vai tirar o pó? Então reveja se vale a pena ter isso. Para Ferraz, as pessoas precisam ser “porteiras” escolhendo com mais rigor o que entra na vida delas.

A própria Marie Kondo prega que as pessoas se livrem dos excessos, doando ou descartando o que não lhe “traz alegria”. Mas muitas das coisas que possuímos revelam mais sobre nós do que se imagina.

— As coisas têm um simbolismo. Por exemplo: já vi armário de quem fez transição de carreira e mantinha todas as roupas corporativas, mesmo não precisando mais, porque se desapegar é como deixar aquela parte dela para trás. É um processo de elaboração, de encerrar ciclos. O mesmo acontece com a maternidade. Tem aquela peça que a mulher guarda desde antes de engravidar, há 10 anos, e ela diz “essa calça é quando estou bem com meu corpo”. Aí eu digo: “mas, meu bem, quando você cabia nessa calça tinha o metabolismo de um puma, você tinha 20 anos. Olha a cobrança que está colocando em cima de si mesma, o que está pedindo de você”. As coisas não devem servir para nos gerar culpa — conta Ferraz.

Sem perfeccionismo

Muita gente não limpa ou arruma não por ser desleixada, mas por ser perfeccionista. São pessoas que pensam que se não for para deixar a casa brilhando, a sala igual à da revista ou as roupas dobradas com perfeição, melhor nem fazer. Só que, para manter a casa e a saúde mental, também é preciso avaliar se a régua não está muito alta.

Ferraz, que é professora do método de organização da Marie Kondo para alunos de diversas partes do mundo, garante que o brasileiro, em geral, é exigente com limpeza em um grau que não se vê em outros países. Na nossa rotina, novas coisas foram somadas e nenhuma foi subtraída.

— Sob aspecto histórico, nos anos 1950, 60, quem era responsável pela casa? A mulher antes se dedicava a isso o tempo todo, mas ela entrou no mercado de trabalho e passou a ter jornada tripla. Só que a organização não acompanhou esse movimento. Pensam na casa perfeita, como se não tivesse vida, uma coisa que a mulher nos dias de hoje não vai conseguir manter.

Às vezes o problema nem é a sujeira ou a desordem em si, mas a sensação de insuficiência gerada por não conseguir dar conta de fazer tudo o que precisa ser feito.

Os excessos são inimigos do bem-estar. Tanto a limpeza exagerada pode ser um sintoma do Transtorno Compulsivo Obsessivo, quanto a bagunça e coleção de coisas podem ser alertas para o Transtorno Acumulativo. O ambiente tem que ser saudável, assim como seus moradores.

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'Vou trazer meu filho de volta para casa', diz mãe de brasileiro baleado na cabeça nos EUA

Em entrevista ao GLOBO, Mônica Marchezani relata recuperação do filho João Pedro, de 23 anos, e detalha perseguição que resultou em oito tiros contra carro em que o jovem estava quando foi atingido
João Pedro (centro) ao lado dos pais, do irmão e da namorada Foto: Arquivo pessoal
João Pedro (centro) ao lado dos pais, do irmão e da namorada Foto: Arquivo pessoal

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RIO - Há quase um mês, a dona de casa Mônica Marchezani vai todos os dias a um hospital de Chicago, nos Estados Unidos, para ficar ao lado do filho João Pedro, de 23 anos. Estudante de robótica, ele foi baleado na cabeça enquanto saía com amigos para um bar na cidade americana, onde mora há cerca de quatro anos. Internado em estado grave, o brasileiro está sem enxergar e falar, além de ter o lado esquerdo paralisado. Como não pode dormir na unidade, sua mãe chega cedo e fica sempre até o fim do horário permitido para acompanhar sua recuperação. Após o jovem deixar a UTI na última quinta-feira, começa a dar pequenos sinais de evolução.

— A cada dia ele melhora um pouco mais. Ele ainda não enxerga, não fala, mas a gente faz leitura labial para se comunicar. Se ele está acordado e calmo, a gente consegue melhor. Se está muito sonolento, não mexe muito a boca. E se está muito agitado, a gente não consegue ler. Tem sido um desafio — disse Mônica ao GLOBO. — Ele aperta a nossa mão, responde coisas simples. Para sim, aperta uma vez, e para não, duas vezes.

João Pedro também segue sem os movimentos no lado esquerdo do corpo. No último dia 27, data de seu aniversário, ele recebeu a visita dos pais ao mesmo tempo, permitida pelo hospital. Mas, enquanto rezavam juntos de mãos dadas, o estudante moveu sutilmente a sua canhota.

João Pedro, de 23 anos, foi baleado na cabeça em Chicago Foto: Arquivo pessoal
João Pedro, de 23 anos, foi baleado na cabeça em Chicago Foto: Arquivo pessoal

— Ele apertou a minha mão do lado esquerdo, muito sutil, mas mexeu. Até perguntei se meu marido tinha visto e falei: 'Filho, mexe a mão para o papai ver'. E ele movimentou. Quando a enfermeira chegou e pediu para ele mexer, ele não mexeu. Eu pedi para ele de novo, e ele mexeu. A enfermeira disse que era um milagre — disse sua mãe, emocionada.

Os médicos ainda não descartam risco de morte e pregam cautela com a evolução, embora animadora. Os profisisonais avaliam que é cedo para fazer qualquer diagnóstico ou cravar que ele terá sequelas. Ele deu entrada na unidade na madrugada de 5 de setembro, quando foi alvejado dentro do carro de um amigo.

Perseguição com oito tiros

Horas antes, João Pedro e namorada foram às compras para o apartamento que acabaram de alugar. Um casal de amigos, que também se mudara recentemente, os acompanhou. Após passarem a tarde juntos, resolveram sair à noite para celebrar. Primeiro, se reuniram na casa do casal e de lá partiram no mesmo carro, em um grupo de cinco pessoas.

A caminho de um bar, o rapaz que dirigia percebeu que uma moto os seguia. Viu também que o condutor estava armado. A reação foi desviar para despistá-lo. Ali começava uma fuga pelo bairro, até que se depararam com uma dupla em outra moto. Durante a perseguição, o carona disparou oito vezes contra o veículo. Um dos tiros atingiu João Pedro, que imediatamente caiu no colo de sua namorada.

João Pedro, de 23 anos, é estudante de robótica nos EUA Foto: Arquivo pessoal
João Pedro, de 23 anos, é estudante de robótica nos EUA Foto: Arquivo pessoal

— Aqui não é comum ter moto, porque é muito frio. Então, o amigo do João percebeu e viu que o cara estava armado. A moto começou a se aproximar e, nisso, ele "fechou" a moto. Não sei se foi para derrubar. Começaram uma fuga, pelo desespero, pelo medo. Até que se deu conta de que tinha outra moto com duas pessoas. As duas motos se aproximaram cada vez mais, e o carona disparou oito tiros no carro. Um desses atingiu meu filho na cabeça — conta Mônica.

Assim que o estudante foi atingido, o grupo ligou para a polícia, que os encontrou em um posto. Dali, João Pedro foi encaminhado de imediato para o hospital. A bala atingiu o lado esquerdo da nuca e atravessou até se alojar perto na região da testa. Após analisar filmagens das câmeras de segurança, a polícia diz que já trabalha com suspeitos do crime.

Cirurgia e coma induzido

O estudante chegou ao hosipital acordado e ciente do que havia acontecido, mas não sentia o lado esquerdo. Ele foi então intubado e levado para a UTI com uma proteção no pescoço. A família foi comunicada na sequência sobre o ocorrido e correu para a unidade.

— Foram as piores horas da minha vida. Só sabíamos que ele tinha sido baleado. Tinha um capelão esperando a gente, e ele nos deu a notícia de que o nosso filho havia sido baleado na cabeça. Foi desesperador. Nunca senti tanta dor, pavor — afirma Mônica.

Os pais de João Pedro autorizaram a implantação de um dreno no cérebro, que não foi suficiente. O estudante precisou ser submetido a uma cirurgia na qual os médicos cortaram parte do osso de sua cabeça para evitar a compressão. Um monitor cerebral e um medidor de pressão arterial foram instalados. E o jovem, colocado em coma induzido.

O brasileiro ainda desenvolveu uma pneumonia durante a internação. Precisou colocar um catéter que espalhasse a medicação de forma mais rápida.

— Tenho certeza de que ele vai se recuperar. Sei que vai ser no tempo dele, mas não me importo. Ele está vivo e é um milagre. Como mãe, digo que o meu filho vai sair dessa. Vou trazer meu filho de volta para casa — afirma Mônica.

Campanha de arrecadação

Em razão dos altos custos do sistema de saúde dos EUA, um amigo da família criou uma campanha de arrecadação para ajudar. Inicialmente, a vaquinha online estabeleceu uma meta de US$ 50 mil, mas o valor deve ser revisto. Enquanto João Pedro está em perigo de vida, o Medicaid, um programa de saúde do governo que restitui o hospital, cobre os gastos. Depois, fica por conta da família.

Até o momento, já foram angariados quase US$ 45 mil. Para ajudar, basta acessar a campanha no site GoFundMe ou por meio de Pix para as chaves ajudejp@gmail.com ou caron04@gmail.com.

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Com novas fissuras, vulcão nas Ilhas Canárias fica 'muito mais agressivo' após 15 dias de erupção

Aumento da atividade neste domingo provocou desmoronamento parcial do cone do Cumbre Vieja; nuvem com poeira e gases tóxicos chegou ao Caribe
Cumbre Vieja registrou atividade 'muito mais agressiva' neste domingo Foto: Divulgação Involcan
Cumbre Vieja registrou atividade 'muito mais agressiva' neste domingo Foto: Divulgação Involcan

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LA PALMA - O vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, registrou duas novas fissuras e ficou "muito mais agressivo" neste domingo, data em que completa 15 dias de erupção. Com o aumento de sua atividade, parte da estrutura do cone foi derrubada, segundo o Instituto Vulcanológico das Ilhas Canárias (Involcan).

De acordo com as autoridades, a superfície afetada pela lava já é de 399 hectares, cerca de 52,5 hectares a mais que ontem. Até o momento, foram afetadas 1.074 construções. Dessas, 946 foram completamente destruídas. Entre elas, está a "casa esperança", que havia ficado intacta apesar de rodeada por uma paisagem devastada. Na última quarta-feira, o casal proprietário comunicou que a construção desmoronou. Mais de 6 mil pessoas já tiveram que ser evacuadas.

Uma nuvem de poeira do deserto do Saara associada ao dióxido de enxofre emitido pelo vulcão atingiu Porto Rico e a região do Caribe neste domingo, causando a deterioração da qualidade do ar. Especialistas já haviam manifestado preocupação com a liberação de gases tóxicos, que podem irritar olhos e pele, além de prejudicar a respiração. O governo recomendou que as pessoas usassem máscaras e óculos e evitassem abrir janelas e portas.

A lava também arrasou uma praia famosa por sua "onda perfeita" para surfistas em La Palma. Conhecida pelo relevo acidentado e suas pedras vulcânicas, Los Guirres está coberta por uma massa de magma quente de aproximadamente 500 metros de largura e 700 metros de comprimento, desde que o magma chegou ao Oceano Atlântico.

À medida que avançam os mais de 80 mil metros cúbicos de lava expelidos, se espalhando pelo mar, a paisagem outrora coroada por suas altas falésias se torna irreconhecível aos olhos de seus frequentadores. O local já foi palco inclusive de campeonatos das Canárias, que atraíam boa parte da população.

Em meio a esse cenário, o ministro do Turismo e Desportos, Raúl Camacho, lançou uma campanha para incentivar viagens à ilha assolada pela erupção. Em mensagem divulgada nas redes sociais, ele afirma que uma das formas de ajudar a comunidade é "viajar e consumir" no local.

O apelo foi feito horas depois de a associação turística da ilha comunicar um panorama crítico de cancelamentos em massa e uma taxa de ocupação da rede hoteleira em torno de apenas 15%.

'Pirâmide' de fumaça

A lava expelida chegou ao mar na noite desta terça-feira e formou uma "pirâmide" de cerca de 50 metros. Desde então, o magma ganhou uma área de quase 20 hectares (200 mil metros quadrados) no Oceano Atlântico. Segundo o Copernicus, programa europeu de observação da Terra, a ilha cresceu em 338 hectares de superfície.

As autoridades pediram que os moradores evitem sair de suas casas e se aproximar da coluna de fumaça. Por conta da liberação de gases tóxicos, também foi recomendado o uso de máscaras e óculos para evitar inalação e o contato com os olhos.

O vulcão entrou em atividade no domingo retrasado, o que não acontecia desde 1971.  De acordo com o Involcan, a erupção do Cumbre Vieja pode durar de 24 a 84 dias. A projeção leva em conta dados sobre explosões anteriores na ilha de La Palma. A média de duração do fenômeno é de 55 dias.

_________________________________________________'Devemos evitar a polarização entre o inaceitável (Bolsonaro) e o indesejável (Lula)', diz Pedro Passos, da Natura

Empresário defende construção de terceira via eleitoral e diz haver provas para impeachment
Um dos fundadores da Natura, Pedro Passos hoje é copresidente do conselho de administração da empresa Foto: Claudio Belli / Agência O Globo
Um dos fundadores da Natura, Pedro Passos hoje é copresidente do conselho de administração da empresa Foto: Claudio Belli / Agência O Globo

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SÃO PAULO — O empresário Pedro Passos é um defensor claro da chamada terceira via para as eleições presidenciais de 2022. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, o copresidente do conselho de administração da Natura diz que não se pode escolher entre o inaceitável — a reeleição de Jair Bolsonaro — e o indesejável — a volta do ex-presidente Lula.

Passos vê evidências de crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro que justificam a abertura de um processo de impeachment. Para ele, porém, só há chance real de cassação com protestos de rua e oposição unida. O empresário participará de um evento com políticos e especialistas sobre desafios do país organizado pela Comunitas na próxima quinta-feira.

O mercado tem revisado para baixo as projeções de crescimento do PIB e para cima as previsões de inflação. Como o senhor vê o cenário para o futuro?

Talvez nunca tenhamos passado por uma situação tão difícil, que soma uma série de crises: sanitária, econômica e política. Até o fim do ano, podemos talvez estar mais livres da parte crítica da pandemia. Por outro lado, o agravamento da situação econômica é evidente, todos os cenários com projeção de PIB para baixo, inflação alta e um cenário muito crítico proporcionado pela política. A situação de empobrecimento do país é muito grave e vamos ter de conviver com alta volatilidade até o calendário eleitoral definir o que acontecerá.

Qual é o maior desafio?

É o de caráter político.

O senhor disse há dois meses que o presidente deveria renunciar. Desde então, houve escalada no tom de Bolsonaro até 7 de setembro e, agora, uma suposta arrefecida. Pode haver um Bolsonaro paz e amor?

Não (risos). Enquanto ele estiver no poder, vai continuar polarizando, causando bastante confusão. Isso vai tornar o cenário econômico brasileiro muito ruim. A perspectiva de ele renunciar seria a de ele ser espremido por movimentos, inclusive do Congresso, e por indagações que existem contra ele.

Os protestos de rua entrariam nessa conta?

Não tenho visto uma mobilização forte, até porque a oposição a ele e ao Lula não se organizou em uma frente ampla. Há interesse do PT em manter a polarização com Bolsonaro, que é o candidato mais fácil de se vencer no segundo turno. Devemos lutar por uma alternativa que saia da polarização entre o que é inaceitável, a reeleição de Bolsonaro, e o que é indesejável, a reeleição do Lula. Por razões diferentes: um (Bolsonaro) porque não é democrata, é perigoso, não tem programa, não tem empatia com a população. O outro (Lula) porque traz uma agenda velha, de atraso, de intervenção econômica.

“Prometeram um governo reformista, mas não entregaram. E há esse descontrole fiscal, com precatório e ameaça ao teto de gastos ”

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Com que nome a terceira via teria chance?

Opinar sobre um nome seria imprudente neste momento, essa definição vai se dar mais lá na frente. Temos as prévias do PSDB, que é um momento importante da decisão. Acredito que na corrida final (diferentes candidatos) possam se unir.

É factível um impeachment de Bolsonaro?

Os elementos para um impeachment estão aí, as evidências de crimes de responsabilidade estão presentes. Do ponto de vista jurídico, não teria dúvida. Do ponto de vista político é uma avaliação difícil. Há uma base de deputados e senadores que tiram vantagem da situação e negociam com o governo para a manutenção do status quo.

A alternativa a isso é ter o povo na rua (protestando). Precisaria ter uma frente ampla, e isso não é provável porque a situação das pesquisas (eleitorais) é relativamente confortável para o PT.

Economicamente seria um problema o impeachment?

É um processo que gera alguma instabilidade, mas dentro do quadro que vivemos, não sei se agravaria tanto.

Bolsonaro tem um ano e três meses pela frente. Quais riscos econômicos o país corre?

Bolsonaro aposta em uma saída que vá contra as instituições, embora eu acredite que o Brasil ainda tem instituições fortes. É evidente que a reeleição dele é pouco provável, mesmo se for ao segundo turno.

O senhor tem participado de manifestos da iniciativa privada em defesa, por exemplo, das eleições. Qual deve ser o papel do setor privado no debate público?

Tem de assumir papel de discussão do Brasil que se quer com visão ampla, ao contrário do que nos trouxe até aqui, que foi a iniciativa privada defendendo interesses muito setoriais e específicos. O Estado brasileiro hoje é possuído por grupos de interesse, muitos deles privados, que não permitem que a arrecadação seja alocada no que é prioritário para a maior parte da população. A iniciativa privada precisa entender que esse quadro é prejudicial para ela própria, porque o país não cresce.

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Há consensos no empresariado sobre esses temas? A desigualdade é vista como problema?

Mesmo ícones do liberalismo econômico entendem que é necessário realocar investimentos para priorizar a igualdade de oportunidades, a melhoria das condições de vida da população com coisas estruturantes, como educação e saúde. Isso ficou claro na pandemia, temos vivido uma pobreza marcante. Não teremos um país competitivo e produtivo com isso.

Há dúvidas sobre como deve ser a estratégia para diminuir a desigualdade. Defendo que transferência direta de renda, como a do Bolsa Família, é bem-vinda para uma população que passa fome e não pode esperar. Mas não podemos ficar só discutindo isso, e sim coisas relevantes para dar qualidade de vida à população, como educação, saúde, mobilidade.

Nessa modernização, os padrões ESG são cada vez mais relevantes para investidores internacionais. Qual lugar o Brasil pode ocupar nesse quesito?

Vamos passar por uma grande mudança ao fazer a transição para economia de baixo carbono. O Brasil tem um conjunto de oportunidades porque temos vantagens comparativas interessantes. Temos sol, água, terra produtiva, podemos gerar créditos de carbono de maneira muito mais efetiva e com custo menor que outros países com matriz energética mais suja. Mas isso tudo só é futuro se não ficarmos atrelados aos velhos padrões industriais de baixa capacidade de inovação e baixo investimento em ciência. E este governo foi especialmente cruel com a ciência. Não enxerga o futuro, acha que motosserra é símbolo de desenvolvimento.

“Vai perder valor quem achar que emitir CO2 é um problema menor, vai quebrar”

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Mil dias de assombração | Opinião

Por Fernando Gabeira

O governo Bolsonaro comemora mil dias. Já escrevi e falei sobre o tema, analisando a trajetória política desse experimento. Mas ainda não parei para me perguntar como foi possível manter, ainda que de forma precária, a sanidade mental neste país enlouquecido.

Jamais poderia imaginar um governo tão singular como o de Bolsonaro, no qual crimes e trapalhadas se entrelaçam de tal maneira, tragicômico. Quando comecei a entender de política, o confronto esquerda-direita tinha outros contornos. Nosso bairro proletário era getulista. A simpatia juvenil estava ao lado dos vizinhos. Mas havia gente como meu pai, que votava no brigadeiro Eduardo Gomes.

A encarnação da direita naqueles anos tinha outro perfil. Votem no brigadeiro, diziam as mulheres que o apoiavam, ele é bonito e é solteiro. Até um doce foi criado em homenagem a ele.

Quando Bolsonaro postou aquela famosa cena de golden shower, perguntando do que se tratava, percebi que estávamos num outro momento histórico. A clássica e austera direita dava margem a um sensacionalismo radiofônico que, sob a máscara de moralidade, usava as cenas de crime e sexo para garantir audiência.

Quando o então secretário de Cultura, Roberto Alvim, fez um discurso imitando o líder nazista Joseph Goebbels, dizendo que a arte brasileira seria heroica e imperativa, percebi também um novo tom.

Dificilmente os governos militares que dominaram o país a partir de 1964 aceitariam um discurso abertamente nazista, sobretudo porque um dos orgulhos nacionais foi exatamente a participação na Segunda Guerra no lado oposto a Hitler.

Não só a vulgaridade, mas uma certa visão moderna de inconsequente colagem de ideologias estava em jogo. Assim como uma concepção também muito moderna de que não existe a verdade dos fatos, mas apenas versões. O que é mais um componente assombroso da atualidade.

Alguém definiu assim o diálogo com os novos atores políticos: é como se jogasse xadrez com pombos, eles desarrumam o tabuleiro e saem cantando vitória.

A versão cinematográfica de quase todas as taras do governo pode ser encontrada, em cores, naquele vídeo da reunião de 22 de abril de 2020. Em primeiro lugar, a assombrosa fala de Bolsonaro defendendo que as pessoas se armem para combater a ditadura, insinuando que ela se encarnava nos governadores que defendiam restrições sociais contra a pandemia.

Interessante ver como os generais que o apoiam assistiam calados e satisfeitos com o discurso, algo que no passado seria impensável. Na mesma reunião, o então ministro do Meio Ambiente propunha derrubar as regras ambientais, deixar a boiada passar, enquanto o Brasil se preocupava com a pandemia. No mesmo filme, veremos Bolsonaro dizendo que precisa da PF para proteger a família e aliados e um ministro da Educação propondo a prisão de ministros do STF.

Em Leipzig, no início dos anos 90, cobri manifestações dos skinheads, jovens que têm simpatias pelo nazismo. Creio que posso dizer isto com tranquilidade: entre eles havia mais consciência ambiental que no governo Bolsonaro, para o qual devastar os recursos naturais é um ato de fé.

Há todo um capítulo ainda dos rituais próprios do governo Bolsonaro: conversas no cercadinho, motociatas, o escudo com a expressão “imbrochável”, os dedos imitando armas, empunhar o violão como se fosse um fuzil.

Em termos feministas, isso seria uma masculinidade tóxica. Eu diria, a começar pelas motociatas, uma masculinidade evanescente.

Você monta numa motocicleta, ostenta um escudo de imbrochável e, a cada instante, imita uma arma com os dedos: creio que até um estagiário de psicologia arriscaria a óbvia interpretação.

É difícil classificar tudo isso. Não me parece longe de algo que possa ser descrito como a carnavalização do fascismo. É, ao mesmo tempo, engraçado e letal, uma fanfarra em verde-amarelo com 600 mil mortes na pandemia, milhares de árvores derrubadas, milhões de animais carbonizados.

Fernando Gabeira - assinatura

Por Fernando Gabeira

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E agora, José? - Moisés Mendes

"Bolsonaro deve ter se acalmado, porque não foi desta vez que se sentiu de fato acuado pelas ruas", diz o colunista Moisés Mendes

Milhares na Esplanada dos Ministérios contra Bolsonaro em 2 de outubro de 2021
Milhares na Esplanada dos Ministérios contra Bolsonaro em 2 de outubro de 2021 (Foto: Reprodução)

Bolsonaro recuou muitas casas, depois do 7 de setembro, e agora a oposição terá pelo menos que ficar parada depois dos atos desse sábado. Ficar no lugar, sem jogar por um tempo, já será uma grande vantagem.

Bolsonaro não blefa mais com o golpe, e as esquerdas, que esperavam o centro que não veio, terão de descobrir o que fazer com o acovardamento de Bolsonaro. As ruas podem ter extraviado a capacidade de oferecer respostas.

Os próximos lances ficam ainda mais imprevisíveis. Bolsonaro escreveu a cartinha, aquietou-se e ficou esperando pelo que aconteceria nas ruas com a aglomeração dos que desejam derrubá-lo, dos que fingem querer o seu fim e dos que desejam apenas mantê-lo fraco.

Não há como não admitir, sob pena de incorrer em erros passados: os atos podem ter chegado ao esgotamento, talvez porque poucos continuem acreditando que Bolsonaro possa cair e, quem sabe, porque a maioria nem queira que caia.

Uma observação de quem ainda mantém cacoetes de repórter, depois da manifestação em Porto Alegre: faltaram a vitalidade de caminhadas anteriores, os jovens e até os políticos.

Faltaram até os cartazes artesanais que, a partir de maio, pareciam ter trazido de volta às ruas a gurizada ausente desde 2013. O ato em Porto Alegre, não se enganem, foi apenas protocolar. Em São Paulo e no Rio dizem que foi cerimonioso.

É possível que tenha batido o cansaço com as caminhadas intermitentes, que não cumprem outra função que não seja a de acalmar a alma e passar a sensação de que assim Bolsonaro é mantido sob tensão.

Quem se arrisca a convocar os próximos atos? De novo daqui a dois meses? Com quem? Com que apelo? O Brasil terá descoberto a fórmula dos atos bimestrais, para que ninguém durma sentado?

Estamos antecipando o vácuo do fim do ano. A CPI do Genocídio não teria mais nada a oferecer antes do relatório que sairá ainda em outubro.

Há quem tenha alguma esperança com a retomada dos trabalhos da CPI das Fake News. Por enquanto, é muito pouco.

Quem busca consolos pode dizer que os atos tiveram Ciro Gomes, Fernando Haddad e Guilherme Boulos no mesmo palanque.

Eles apareceram, mas não atraíram mais gente do que nos atos anteriores. Não se criou um fato novo com a pretendida aglomeração de todo mundo, e Ciro ainda teve que voltar para casa com o eco de uma vaia.

Confirmou-se o que já estava sendo antecipado. Que as manifestações nos informariam, em algum momento, que chegamos aonde é possível chegar.

Para passar daí e atingir outro patamar será preciso apostar no que ainda é incerto e improvável. As oposições entram agora no modo Mandrake, até saber como poderão voltar a se mexer. É uma bobagem querer avaliar o que aconteceu, como a direita sugere, pela ausência de Lula.

Bolsonaro deve ter se acalmado, porque não foi desta vez que se sentiu de fato acuado pelas ruas. E a oposição deve começar a pensar no que dizer quando alguém perguntar: e agora, José?

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Após a Folha ser acusada de racismo, ombudsman diz que jornal manterá o jornalista Leandro Narloch

Ombudsman da Folha de S.Paulo, José Henrique Mariante afirmou que a empresa manterá em seus quadros o jornalista Leandro Narloch, mesmo após o jornal ser acusado de racismo pelo professor de Direito Thiago Amparo

(Foto: Divulgação)
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247 - Após a Folha de S.Paulo ser acusada de racismo pelo professor de Direito Thiago Amparo por causa de um texto do jornalista Leandro Narloch, José Henrique Mariante, ombudsman do jornal, publicou um texto afirmando que a empresa não vai eliminar Leandro Narloch de seu quadro de colunistas. 

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"Seria apenas outra rusga entre articulistas ou emissores de opinião, exercício que este diário adora abrigar, não fosse um elemento importante que sobressai nas tantas críticas ao jornalista acusado de racismo. Ele é um alvo subsidiário. O problema mesmo está na Folha, que parece não ter entendido direito o que aconteceu na última semana", diz Mariante.

Membro do Conselho Editorial da Folha, o professor Thiago Amparo havia denunciado que o jornal deu espaço para a relativização dos danos causados pela escravidão no Brasil, após apublicação do texto com o título "Luxo e riqueza das sinhas pretas precisam inspirar o movimento negro", do jornalista Leandro Narloch.

"Perceba, o questionamento do time de colunistas negros do jornal não é se Narloch foi ou é racista, mas como a Folha pode dar guarida a uma opinião racista", continua Mariante. "O preconceito não é mais do jornalista, é do jornal que o acolheu. O mesmo jornal que montou uma editoria de diversidade, fez um trainee para jornalistas negros e que contratou essa turma acima por entender que isso era importante, que a Folha precisava de novos horizontes e públicos. Faltou combinar os limites da pluralidade? Não teria essa nova Redação outros limites? O jornal não imaginou que abraçaria um universo com tolerâncias diversas?", escreve.

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Com o povo pedindo impeachment, Estadão resolve atacar Lula e o compara com o bolsonarismo

Enquanto o povo pede impeachment de Jair Bolsonaro, o jornal O Estado de S.Paulo afirma que o ex-presidente Lula "continua pregando a irresponsabilidade fiscal e a cizânia". Também resolveu afirmar que a proposta de regulação da mídia é "tão constrangedora quanto a hostilidade bolsonarista à imprensa"

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Tayze/Comunicação Brisa Bracchi/Reprodução/Facebook)
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247 - Enquanto Jair Bolsonaro bate recordes de rejeição e é alvo de mais de 120 pedidos de impeachment, o jornal O Estado de S.Paulo publicou um editorial em que preferiu atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder em todas as pesquisas eleitorais, com chances de vencer no primeiro turno. Também afirmou que a proposta de regulação da mídia é "tão constrangedora quanto a hostilidade bolsonarista à imprensa".

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Ao atacar o ex-presidente, o jornal disse que, "mesmo depois de todos os danos causados ao Brasil, Lula continua pregando a irresponsabilidade fiscal e a cizânia, como se vê pelo comportamento de seus apoiadores". "A esquerda pode ser democrática e responsável – tudo o que o lulopetismo não é", diz a publicação.

"Igualmente negacionista e repleta de interesses políticos é a recusa do PT em admitir seus erros na seara econômica, na conivência com a corrupção e com o mau uso do dinheiro público e na disseminação do ódio no País", complementa.

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O jornal também resolveu criticar a proposta de regulamentação da mídia e comparou Lula e Jair Bolsonaro. "A defesa lulopetista da 'regulação da mídia', sob o argumento de que a imprensa persegue Lula, também contraria os fundamentos do Estado Democrático de Direito, sendo, portanto, tão constrangedora quanto a hostilidade bolsonarista à imprensa".

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Três pessoas morrem após explosão em churrasqueira em Curitiba

Três pessoas morreram durante um churrasco no Paraná; uma explosão na churrasqueira é a principal suspeita de causar o acidente - Reprodução/Facebook
Três pessoas morreram durante um churrasco no Paraná; uma explosão na churrasqueira é a principal suspeita de causar o acidente Imagem: Reprodução/Facebook

Lorena Pelanda Colaboração para o UOL, em Curitiba 04/10/2021 10h19

Os jovens Wemerson Souza, de 26 anos, Gustavo Lucas Castro, de 27, e Larissa Petez, de 20, morreram após a explosão de uma churrasqueira em um sobrado no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. O acidente foi no sábado à noite.

As vítimas chegaram a ser encaminhadas ao Hospital Evangélico Mackenzie, referência nesse tipo de atendimento em Curitiba, mas não resistiram aos graves ferimentos causados pelo fogo. Os dois jovens morreram momentos depois da chegada à unidade de saúde. Larissa morreu ontem à noite.

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Willian Silva Benítez, de 28 anos, também queimado, está internado na UTI, em estado grave. O dono da casa, que promovia o churrasco, chegou a ser socorrido com ferimentos, mas já recebeu alta.

Aline Emelly, uma das convidadas presentes no evento, se livrou por pouco da explosão. "A gente estava fazendo um churrasco normal, de fim de semana. Na hora do acidente, por sorte, eu tinha acabado de levar o meu celular para carregar, na parte de baixo do sobrado, e a explosão na churrasqueira foi no andar de cima. Foi tudo muito rápido e como não tinha muita mobília perto, o fogo não se alastrou muito", disse ela, ao UOL.

Segundo o Corpo de Bombeiros, uma das hipóteses é que algum material inflamável, como gasolina, tenha sido utilizado para acender as chamas.

Marcelo Pereira, socorrista voluntário de São José dos Pinhais, auxiliou no atendimento de uma das vítimas. "Atendemos um jovem que estava com 90% do corpo queimado. Infelizmente, as pessoas ainda jogam gasolina ou álcool no fogo para aumentar a queima do carvão e, na maioria das vezes, quando a explosão atinge as vias aéreas fica mais difícil sobreviver", afirmou.

A Polícia Civil do Paraná deve instaurar um inquérito para investigar o caso.

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Professor se emociona com reação positiva dos alunos ao contar que é gay

Após saberem que o nome do namorado do professor era "Victor", os alunos só quiseram saber quando iam conhecê-lo

 

Um post feito por um professor chamado Gustavo Porcino (25) viralizou no Facebook após ele ser coagido pelos alunos de 10/11 anos a contar sobre seu estado civil e receber um inesperado carinho das crianças. As informações são do Terra.

“E o fatídico dia chegou, estou eu dando a aula de boas, quando no meio da aula de divisão me surge o seguinte questionamento ‘Professor você namora?’ e ‘Qual o nome da sua namorada?’, duas perguntinhas tão simples, mas que para alguns é um frio na espinha (e eu me incluo dentro dessa)” — disse Porcino.

“Na hora eu fiquei enrolando, falando que não ia falar o nome de ninguém, nesse momento a aula não era de divisão e sim ‘Qual o nome da namorada do professor?’. Pediram a primeira letra, características, cor de cabelo, tudo para tentar adivinhar, até chantagem emocional ‘Nossa professor, a gente conta tudo da nossa vida pro senhor e o senhor nem vai contar para gente ?'”, continuou.

“Até que de tantos nomes femininos, eu ouço lá do final da sala ‘É VICTOR?’. Eu disse que sim, e fiquei esperando a reação, e do nada a próxima pergunta foi ‘Ele da aula aqui?’, ‘traz ele aqui para gente conhecer ele’, ‘ele da aula também?’ ‘Ele gosta da gente?’, prosseguiu.

“Uma tranquilidade que não coube em mim, crianças de 10/11 anos, já entendem que existe o amor independente do sexo, ninguém ficou chocado por ser dois homens, mas sim, preocupados, se o Victor iria gostar deles e se ele iria um dia lá.

O mundo hoje em dia mesmo depois de tantos anos ainda nos priva de tantas coisas, nos faz ter medo de demonstrar nosso amor. A maldade esta na cabeça dos adultos, para as crianças é simplesmente amor!

E para fechar com chave de ouro recebi essa cartinha da minha aluna Livia”

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“Já deu para mim”, diz Victor Ferraz sobre sua aposentadoria nos filmes pornôs

Victor Ferraz também esclarece a polêmica declaração de Arthur Mondelo sobre o casamento com Raissa Barbosa

 
GAY BLOG by SCRUFF

Logo após a notícia de que o ator pornô Victor Ferraz ficou noivo de sua namorada, Raissa Barbosa, saiu em vários canais que ele se aposentaria do ramo pornográfico e daria um novo rumo para sua vida.

Em conversa exclusiva ao GAY BLOG BR, ele explica as razões pela qual tomou a decisão e também esclarece a polêmica com o outro ator Arthur Mondelo.

1 — Então começamos do último fato, há quanto tempo você é a Raissa estão juntos? Eu li que você vai abandonar a carreira no pornô. É verdade? Quais são seus futuros projetos?

Nós reatamos há cerca de um mês e, sim, parei 100% com a pornografia e agora decidi que quero seguir uma nova vida. O “Victor Ferraz” se aposentou. De qualquer forma, agradeço todo meu público, o carinho e respeito que tiveram por mim ao longo desse tempo. Sou realmente grato.

Reprodução

2 — Você faz isso pelo seu casamento e para proteger sua relação? Não dá para conciliar ambos os trabalhos?

A decisão de parar com tudo foi única e exclusivamente minha. Não só porque vai ser melhor para o meu casamento, mas também porque acredito que “já deu” para mim.

3 — Deu para fazer uma boa poupança com o trabalho na pornografia gay? Se arrepende algo?

Sim, só pensar no futuro que isso é possível. E não, não me arrependo de nada.

"Já deu para mim", diz Victor Ferraz sobre sua aposentadora nos filmes pornôs
Reprodução

4. Só uma última coisa: O Arthur Mondelo disse em um programa de televisão que seu casamento com ela é uma farsa e que tinham feito essa proposta pra ele algum tempo antes como uma forma de levantar o nome dela que caiu o engajamento depois de A Fazenda. O que você tem a dizer sobre isso? Algum recado pra ele em si?

Tudo isso é mentira e eu não tenho absolutamente nada a comentar. Só digo que ele está querendo fama e é um baita mentiroso.

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Erasmo dá conselho machista para Aline: 'Por respeito ao seu namorado'

A Fazenda 2021: Erasmo e Aline conversam na área externa - Reprodução/Playplus
A Fazenda 2021: Erasmo e Aline conversam na área externa Imagem: Reprodução/Playplus

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/09/2021 16h51

Atualizada em 28/09/2021 20h20

Depois de ser confrontado por Aline, em relação a um comentário que ela considerou sexista, Erasmo confessou para a atriz seu incômodo com o comportamento da peoa quando ela consome álcool nas festas de "A Fazenda 13" (RecordTV). Ele sugeriu que ela adotasse uma postura sóbria.

Victor é alvo de mentira e Erasmo acusa Dayane: 'Jogando sujo'

"Eu acho que você pode se prejudicar lá fora quando você bebe", disse o influenciador fitness.

"Muito", concordou Aline. "Não vou beber mais".

"Tanto na primeira quanto na segunda festa, eu acho que você pode se queimar muito lá fora", continuou o peão.

"Eu já devo ter me queimado", respondeu a atriz. "Eu perco a mão mesmo".

"A partir do momento que você entra em um programa com uma pessoa lá fora e todo mundo sabe disso...", falou Erasmo.

"Mas cê acha que eu errei muito?", perguntou a peoa. Ele concordou. Aline ficou surpresa: "Muuuito?"

"Eu acho", disse o influenciador.

"Tipo muito grande?", questionou a atriz, com uma risada leve.

"Não muito grande, mas eu acho que foi uma postura inadequada, sabe? Por respeito ao seu namorado", opinou Erasmo. "Então assim, se você não sabe beber, não bebe. Porque se você quer beber pra se divertir, beleza. Agora quando você sabe que não consegue segurar a onda, eu acho melhor você ficar bêbada lá fora. Porque aqui a gente esquece que tem câmera. Na festa, principalmente".

"Eu esqueci totalmente", refletiu Aline.

O peão continuou: "O nego foi a mesma coisa, caiu na própria armadilha dele. A Day também. A Day não tem ninguém lá fora, mas o fato de você ter alguém lá fora, eu acho que é muito ruim pra você".

"Eu acho que você é uma menina que contribui muito com a sua energia, seu trabalho. Você é muito proativa, você cuida das pessoas, você é maravilhosa. Só que realmente, eu acho que essa sua atitude da festa não me agradou", concluiu Erasmo.

"Mas eu fiz algo ruim pra você?", indagou a atriz.

"Não! De forma alguma. Pra mim, não. De forma alguma. Eu acho que você fez pra você mesma", respondeu o influenciador.

A Fazenda 2021: Os looks escolhidos por Adriane Galisteu para o reality

A Fazenda 2020: Adriane Galisteu fez a estreia com look da Beyoncé - Reprodução / Instagram
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Aooo peoa!

A Fazenda 2020: Adriane Galisteu fez a estreia com look da Beyoncé

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Reprodução / Instagram

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Aline agradece conselhos machistas de Victor

A Fazenda 2021: Aline diz que seguiu os ‘conselhos’ de Victor  - Reprodução/PlayPlus
A Fazenda 2021: Aline diz que seguiu os ‘conselhos’ de Victor Imagem: Reprodução/PlayPlus

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/10/2021 19h14

Atualizada em 02/10/2021 19h14

Em conversa com Victor Pecoraro, Aline agradeceu os conselhos machistas que recebeu do peão em "A Fazenda" (RecordTV). A ex-panicat afirmou que se controlou na festa e não "passou dos limites" com a bebida.

"Ouvi suas críticas construtivas e foram muito boas para mim", disse a peoa. Novamente, ela refletiu sobre as consequências de seus atos no reality em relação ao seu namorado, o humorista Léo Lins.

Lary Bottino entra em 'A Fazenda 13' durante festa: 'Estou passando mal'

No início da semana, Pecoraro aconselhou Aline a conter sua liberdade excessiva. Na ocasião, além de pontuar os selinhos que a peoa dá em Day, ele disse: "Não é só isso, mas é conversas com os meninos sobre sexo, essas coisas, sacou? Essa liberdade excessiva. Se você tivesse solteira aqui, para mim está tudo certo".

Percebendo que Victor passou o dia quieto, Aline deu um toque: "Mantenha sua alegria". Os peões ainda falaram sobre a conexão que têm e sobre a amizade que levarão para fora do reality.

Um mergulho na diversão! Festa fundo do mar em 'A Fazenda'

A Fazenda 2021: Decoração festa fundo do mar - Reprodução/Playplus
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A Fazenda 2021: Decoração festa fundo do mar

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A Fazenda 2021: Dayane Mello na festa fundo do mar - Reprodução/Playplus

A Fazenda 2021: Dayane Mello na festa fundo do mar

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A Fazenda 2021: Peões na festa fundo do mar - Reprodução/Playplus

A Fazenda 2021: Peões na festa fundo do mar

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A Fazenda 2021: Decoração festa fundo do mar - Reprodução/Playplus

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A Fazenda 2021: Bil Araújo se diverte em festa - Reprodução/Playplus

A Fazenda 2021: Bil Araújo se diverte em festa

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A Fazenda 2021: Victor Pecoraro cai no choro em festa - Reprodução/Playplus

A Fazenda 2021: Victor Pecoraro cai no choro em festa

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A Fazenda 2021: Peões curtem festa com tema 'fundo do mar' - Reprodução/PlayPlus

A Fazenda 2021: Peões curtem festa com tema 'fundo do mar'

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A Fazenda 2021: Peões na festa fundo do mar - Reprodução/Playplus

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A Fazenda 2021: Rico e Aline dançam durante festa - Reprodução/Playplus

A Fazenda 2021: Rico e Aline dançam durante festa

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A Fazenda 2021: Dynho brinca com tartaruga na festa - Reprodução/Playplus

A Fazenda 2021: Dynho brinca com tartaruga na festa

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A Fazenda 2021: Peões durante festa fundo do mar - Reprodução/Playplus

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A Fazenda 2021: Erika durante festa fundo do mar - Reprodução/Playplus

A Fazenda 2021: Erika durante festa fundo do mar

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A Fazenda 2021: Tati Quebra Barraco e Gui Araujo falam de Victor Pecoraro

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A Fazenda 2021: Solange diz não conhecer Lary Bottino - Reprodução/Playplus

A Fazenda 2021: Solange diz não conhecer Lary Bottino

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A Fazenda 2021: Sthefane e Marina dançam na festa

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A Fazenda 2021: Dynho dança na festa fundo do mar

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A Fazenda 2021: Lary Bottino conversa com Gui Araujo e Rico Melquiades - Reprodução/PlayPlus

A Fazenda 2021: Lary Bottino conversa com Gui Araujo e Rico Melquiades

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A Fazenda 2021: Lary Bottino surpreende Gui Araujo na festa - Reprodução/PlayPlus

A Fazenda 2021: Lary Bottino surpreende Gui Araujo na festa

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A Fazenda 2021: Lary se apresenta para Solange - Reprodução/PlayPlus

A Fazenda 2021: Lary se apresenta para Solange

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A Fazenda 2021: Lary Bottino entra em festa - Reprodução/Playplus

A Fazenda 2021: Lary Bottino entra em festa

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'Rita sempre deu valor ao que é, e não ao que esperam dela', conta João Lee

João Lee e Rita Lee: filho do meio da cantora é músico, DJ, produtor e assina curadoria de exposição sobre ela - Reprodução
João Lee e Rita Lee: filho do meio da cantora é músico, DJ, produtor e assina curadoria de exposição sobre ela Imagem: Reprodução

Beatriz Mazzei Colaboração para o UOL 02/10/2021 04h00

As diversas camadas de Rita Lee estão exibidas na nova exposição "Samsung Rock Exhibition Rita Lee", em São Paulo no MIS (Museu da Imagem do Som). A exibição conta com direção artística de Guilherme Samora, estudioso do legado da artista e cenografia de Chico Spinosa. A cantora, aos 73 anos, acompanhou a idealização e concepção da amostra ao lado do filho do meio, João Lee, que assina a curadoria da amostra. João é músico, DJ, e produtor musical.

Em uma viagem completa à memória da artista, os visitantes são convidados a percorrer 18 salas que exibem desde a infância encantada pelo Peter Pan até a vovó Lee, escritora de livros infantis, passando pela Rita censurada e presa durante a ditadura. A experiência se completa com os manequins realistas da artista trazendo os figurinos originais de shows e apresentações de televisão.

"Queremos mostrá-la desde a época de criança sonhadora, fazendo uma conexão de como essas inspirações foram levadas para a carreira artística", conta João Lee em entrevista a Universa.

Ao chegar na exposição, o início da jornada é marcado por jogo de luzes e atmosfera intergaláctica que sugerem a imersão no mundo da estrela Rita Lee Jones. Com material coletado e adaptado de sua autobiografia lançada em 2017, as salas trazem tom em primeira pessoa, assim como no livro.

Rita Lee com a família, na infância, no bairro da Vila Mariana  - Divulgação - Divulgação
Rita Lee com a família, na infância, no bairro da Vila Mariana Imagem: Divulgação

Na primeira sala, a artista abre as portas do porão do casarão de sua família na Vila Mariana, bairro onde viveu toda sua infância ao lado dos pais, Romilda Padula Jones uma italiana religiosa, carinhosamente chamada de Chesa, e Charles Fenley Jones, um americano militar e médico. A Rita é a caçula das irmãs Mary e Virgínia.

No centro da sala, a primeira televisão dos Jones com uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida em cima, uma representação de como sua mãe deixava. Para resgatar a criança Rita, a área também traz seu álbum do Peter Pan completo e ironicamente, um frasco de lança-perfume de 1950, que o pai usava nos jogos do Corinthians. Apesar de defini-lo como rígido e conservador em seu livro, a amostra relembra esses momentos de descontração.

Me lembro daquele tubo de lança perfume. Ele tinha um papel muito importante de celebração dentro da família da minha mãe. Era mais um aromatizador do que um lança mesmo. Não é atoa que virou letra de música depois.

Álbum de Família

A atmosfera familiar segue na próxima sala, onde a exposição insere os visitantes em um clima de café da tarde na casa da Rita por meio do álbum de família. Na parede, recordações das gerações da família Lee com fotografias em preto e branco de Charles e Chesa se casando, fotos do marido Roberto de Carvalho, com quem é casada até hoje, e dos filhos Beto (44), João (42), e Antônio (40). Para finalizar, registros da nova geração composta pelos netos da cantora: Izabella, filha do primogênito, e Arthur, filho do caçula.

Crescer com todos eles foi uma alegria. Convivi com a minha avó até meus 10 anos, ela era um doce. Todas as mulheres da minha família eram acolhedoras. Existia um senso de proteção muito forte entre elas e com a gente.

Durante toda a infância e adolescência, apesar da rotina agitada do meio artístico, João fala da mãe como uma figura presente. "Quando eu era, criança vivia um paradoxo entre o que as pessoas diziam da minha mãe publicamente e o que eu via em casa. Falavam que ela era roqueira, falava palavrão, era rebelde, mas o que eu via era uma pessoa carinhosa e doce".

Entre a figura pública e a que vivia no cotidiano, João diz que o lado materno prevalece aos seus olhos. "Pra mim, ela é muito mais a minha mãe. Quando eu tô sentado conversando com ela no sofá, nem lembro que ela é uma artista. Tinha vezes em que só me dava conta quando a gente saia e aí era inevitável não lembrar", relata.

R & R: Rita e Roberto

Roberto de Carvalho e Rita Lee com os filhos João e Beto - Reprodução - Reprodução
Roberto de Carvalho e Rita Lee com os filhos João e Beto Imagem: Reprodução

Vindo de uma família tradicional carioca, o compositor e multi-instrumentista Roberto de Carvalho foi o grande parceiro musical e de vida de Rita Lee. O casal se conheceu nos anos 70 em um show do Ney Matogrosso, onde Roberto fazia parte da banda como guitarrista.

Desde aí, seguem juntos contrariando as estatísticas dos casais do meio artístico. Hits de sucesso como "Mania de Você" e "Banho de Espuma" revelam a paixão avassaladora do casal que "faz amor por telepatia", mas para o filho do casal, a amizade e a coragem de viver sob as próprias regras é o que faz com que Rita e Roberto estejam junto há mais de 40 anos.

O casal nunca escondeu da mídia que já viveu em apartamentos diferentes dentro do mesmo prédio para preservar a individualidade e manter o relacionamento vivo.

Eles são muito modernos, então se permitiram mudar a dinâmica. Nessa época, o quarto da minha mãe ficava no andar de cima, então à noite ela dava um soco na parede para o meu pai ir para a varanda pra que ela pudesse descer uma cestinha com um presentinho para ele. Foi uma época de namorico depois de quase 30 anos juntos.

Para o filho, a questão do casal viver na estrada juntos, em turnês e shows também acabava reforçando essa necessidade de terem se afastado um pouco nos momentos fora do trabalho. A relação dos dois é um dos temas das salas da exposição.

Música brasileira e Ditadura

Os irmãos Sérgio e Arnaldo Batista e Rita Lee, integrantes do grupo Os Mutantes no 3 Festival de Música Popular Brasileira da Record, em 1967 - Acervo UH - Acervo UH
Os irmãos Sérgio e Arnaldo Batista e Rita Lee, integrantes do grupo Os Mutantes no 3 Festival de Música Popular Brasileira da Record, em 1967 Imagem: Acervo UH

Entre 1964 e 1985 o Brasil viveu a ditadura militar. O regime trouxe profundas marcas para a cultura do país por conta da censura, que submetia trabalhos artísticos à análise de liberação por meio de critérios morais e políticos.

Foi nesse contexto que Rita Lee ingressou na música brasileira, que na época, vivia o conflito entre a brasilidade da Bossa Nova da Jovem Guarda e as influências estrangeiras das guitarras elétricas. No meio da dualidade, Rita Lee dançou com todas as influências para criar sua própria identidade musical.

Inicialmente, nos anos 60, foi integrante da banda O'Seis, com as amigas do colégio e os irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista. Poucos anos depois, a formação deu origem aos Mutantes, composta pelo trio da Rita e os Batista. Com a banda, lançou grandes hits como "Panis Et Circensis", "Ando Meio Desligado", "Balada do Louco".

Essas passagens musicais da artista são mostradas na exposição na sala dos anos 60. Nessa área, destaque para Rita Lee vestida de noiva com os Mutantes no Festival Internacional de 1668 da TV Globo. O vestido foi roubado do figurino da atriz Leila Diniz, que estrelava na novela O Sheik de Agadir.

Na sequência, nos anos 70, se uniu à banda Tutti Frutti, que marca o lançamento de um dos álbuns mais importantes de sua carreira, o Fruto Proibido.

Feminismo

Rita Lee é um símbolo do pioneirismo feminino na cena artística do rock - Divulgação - Divulgação
Rita Lee é um símbolo do pioneirismo feminino na cena artística do rock Imagem: Divulgação

Ela foi muito pioneira. Nos anos 70, uma mulher decide fazer um álbum de rock todo cor de rosa e chamá-lo de Fruto Proibido. Ela dizia que queria chocar mesmo. Ai de quem não deixasse ela fazer isso.

A irreverência e atitude de Rita fugiam dos padrões das mulheres da época e fizeram com que a artista se tornasse um símbolo do pioneirismo feminino na cena artística do rock. Durante a carreira, trazia para suas composições a liberdade e a sexualidade feminina de forma aberta e sem tabu.

Segundo João, a artista viveu o machismo da indústria do rock na pele. "Ela me conta de reuniões de gravadora que ela fazia quando tinha menos de 30 anos. Era só ela e mais seis homens sentados na frente dela dando palpite sobre suas roupas, comportamento, opiniões políticas", conta.

Para o músico, Rita Lee contrariou a sociedade quando nos anos 50, sendo filha de um militar e de uma mulher extremamente católica, decidiu ser cantora e se aventurar no mundo do rock, ainda pouco habitado pelas mulheres.

Naquela época, esperava-se que as mulheres fossem donas de casa ou mães de família, mas a maior bandeira da minha mãe foi dar mais valor ao que ela era e não ao que a sociedade esperava dela. O feminismo faz parte da vida dela porque ela defendia acima de tudo, a liberdade de pensamento e de expressão.

A expressão do poder feminino de Rita estava em diversas canções, incluindo o hit "Cor de Rosa Choque", que precisou ser modificado vinte vezes por conta da censura.

A prisão

Rita Lee nos anos 1970 - Reprodução - Reprodução
Rita Lee nos anos 1970 Imagem: Reprodução

Após a Época Tutti Frutti, Rita Lee se aproximou ainda mais de Gilberto Gil. A amizade deu origem à turnê Refestança de 1977. Os shows vieram depois da prisão de Rita Lee. "Ele também havia sido preso e decidimos unir os ex-presidiários para cantar Brasil afora" conta a artista.

Não à toa, Gilberto Gil tornou-se o padrinho de Beto Lee, o primeiro filho da artista, que viveu dias na prisão, ainda na barriga da mãe. Rita Lee foi presa durante sua primeira gestação. Na ocasião, policiais entraram em sua casa à noite procurando por drogas e implantaram os ilícitos para levá-la à cadeia. O caso ocorreu como uma forma de revanche depois do assassinato de João, um fã de Rita Lee que estava no show dos Mutantes com o namorado, quando foi morto por policiais.

A mãe de João reencontrou-se com a artista depois da morte do filho e entregou uma carta a ela dizendo que o filho era apaixonado por ela e havia morrido por sua causa. Após esse encontro, Rita se aproximou da mãe do fã para encontrar os responsáveis pelos crimes até chegar nos policiais.

Quem sou eu pra dizer que minha mãe não fazia coisa errada? Mas essa prisão veio no pior momento, ela estava grávida e realmente tranquila. Ela me disse que os policiais que a prenderam foram nas delegacias em São Paulo, mostrando ela aos oficiais com fosse ela fosse um troféu.

Esses relatos têm espaço em uma sala que dá destaque à prisão da artista, incluindo seu manequim com o figurino de presidiária usado por um show que fez assim que saiu da cadeia. Na sala também está a carta da mãe do fã e uma carta emocionante que Rita escreveu de dentro do cárcere para Roberto de Carvalho.

Como curador da exposição, João Lee ressalta a importância de dar espaço a essa fase histórica de repressão militar para conscientizar e educar o público sobre esse período.

Rita Pop Star e seu legado

Em uma caminhada cronológica, no primeiro andar da exposição, o visitante entende quem é Rita Lee, quais são suas raízes familiares e sua essência pioneira e transgressora. Já no segundo, se depara com uma artista consolidada e conhecida em todo o Brasil. Após a ditadura, o fim dos anos 80 e os anos 90 são marcados por muitas inserções de Rita Lee na mídia. Nessa época, suas músicas viraram tema de novela e foi convidada para diversas inserções na televisão brasileira com destaque para o programa da Hebe em 1997 pela divulgação do disco Santa Rita de Sampa.

O dia ficou marcado pelo selinho que Rita Lee deu na Hebe de forma não planejada. A partir deste dia, a apresentadora passou à famosa tradição de dar selinhos nos artistas que passavam pelo programa.
Após Santa Rita de Sampa, a artista lançou mais discos, entre eles o sucesso "Acústico MTV", "3001", e "Balacobalo". A cantora deixou os palcos em 2012 e desde então vive de forma mais reservada com o marido, a família e os netos.

"Ela sempre teve muita criatividade, então ao sair da rotina da música, foi mergulhando em outras áreas. Começou a escrever os livros infantis e a pintar bastante", conta João. Chamados de "Amiga Ursa" e "Dr. Alex", os livros de Rita Lee são para crianças, trazendo à tona a sua causa do coração, que é a proteção animal.

Minha mãe sempre teve uma questão de defender os marginalizados, indefesos... Tem até uma história da vida dela em que ela vai adotar um cachorro e a moça do espaço diz com que só sobrou a cadela manca, como se aquilo fosse ruim. Na mesma hora ela diz 'é essa mesmo que eu quero'.

Rita Lee tem músicas pré-prontas para serem lançadas nos próximos anos - Reprodução / Instagram - Reprodução / Instagram
Rita Lee tem músicas pré-prontas para serem lançadas nos próximos anos Imagem: Reprodução / Instagram

Em 2021, no meio de um tratamento de câncer no pulmão, João diz que Rita Lee passa seu tempo dançando com as músicas do álbum "Rita Lee & Roberto Classix Remix", que traz uma roupagem eletrônica para as faixas do casal. O álbum foi inteiramente produzido por João Lee em um trabalho que durou dez anos de imersão na obra de seus pais.

Mesmo ansiosa com o resultado, segundo João, Rita Lee gostou tanto da compilação que chamou um dos DJs do álbum para produzir seu último lançamento com Roberto, chamado "Change", um single cantado em inglês e francês. "Quando ela ouviu as músicas levantou pra dançar. Fiquei feliz de trazer de volta a ela essa empolgação pela música que estava adormecida", lembra João.

Para Universa, o produtor revela que o casal já tem músicas pré-prontas a serem lançadas nos próximos anos.

O mais importante da parceria dos meus pais é que um provoca o outro a andar para frente. Nesse momento de tratamento de saúde da minha mãe, eles seguem juntos. Minha mãe é uma pessoa iluminada. Sou privilegiado de ter os meus valores vindo dela. Ela é realmente um espetáculo.

Serviço | Samsung Rock Exhibition Rita Lee
Data: a partir de 23 de setembro de 2021
Local: MIS - Museu da Imagem e do Som - Avenida Europa, 158, Jardim Europa - São Paulo/SP
Horário: de terça a domingo, das 10h00 às 18h00
Ingressos: a partir de R$ 25,00, nas plataformas da Ingresso Rápido e INTI
Classificação indicativa: Livre

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Leonardo Sakamoto - 'BOLSOCARO' domina protestos no lugar de 'GENOCIDA. E isso é ruim para ele

Colunista do UOL

02/10/2021 19h14

Protestos pelo impeachment de Jair Bolsonaro, realizados neste sábado (2), colocaram a disparada no preço do gás de cozinha, dos alimentos, da gasolina e da energia elétrica como protagonista. Não que o termo "Bolsocaro" não estivesse presente desde as manifestações contra ele desde maio, mas agora figurava onipresente nas faixas, nos jingles, nos cartazes, nos discursos.

Em frente ao Masp, na avenida Paulista, a estrela era um botijão de gás de cozinha inflável e gigante, lembrando que o produto atinge R$ 125. Estampava a marca "UltraGuedez", em crítica ao czar da economia. Não era o único inflável com a mesma ideia no protesto em São Paulo, nem nos outros atos pelo país.

Com isso, as manifestações atingem em cheio uma das maiores preocupações do presidente da República: a sua queda de popularidade diante da alta da inflação, que afunda a classe trabalhadora, corroendo o poder de compra de salários e benefícios sociais.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro parece ter feito um cálculo mórbido: os mortos pelo coronavírus causariam um dano menor para suas intenções eleitorais do que a fome, o desemprego e a pobreza.

Por isso, empurrou a população de volta às ruas, atacando o isolamento social e promovendo remédios inúteis à covid. Usou até os dados distorcidos da Prevent Senior baseados em experimentos em cobaias humanas em sua campanha a favor da cloroquina.

Caso Bolsonaro não tivesse sabotado sistematicamente as medidas de isolamento social, nem combatido o uso de máscaras, muito menos postergado contratos de compra de vacinas, a pandemia seria mais curta e a economia teria voltado ao normal muitos antes, com menos mortos e menos desemprego.

Para ele, os 600 mil mortos (ou 0,28% da população) ainda é um número menos preocupante do que 14,1 milhões de desempregados, ou uma taxa de 13,7%. Ou um aumento na cesta básica, que subiu 34% nos últimos 12 meses, em Brasília, e 26%, em Porto Alegre, de acordo com o Dieese. Sem falar de uma gasolina que ultrapassa R$ 7 em muitas cidades e o tal botijão de gás - que de tão caro provoca uma volta ao uso da lenha, colocando em risco a vida dos mais pobres.

Ele diz que quis proteger vidas e empregos e os governadores e prefeitos, ao promoverem quarentenas, não deixaram que isso acontecesse. Mentira: suas ações ceifaram ambos.

Bolsonaro parece se preocupar mais em ser chamado de 'Bolsocaro' do que de 'genocida'

A pandemia prolongada artificialmente por ele levou o desemprego a patamares nunca vistos por aqui, chegando a 14,8 milhões. Quando a fome apertou (a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional calcula em 19,1 milhões no final do ano passado), Bolsonaro cancelou o auxílio emergencial em 31 de dezembro e só retomou em abril, com valores mixurucas de R$ 150, R$ 250 e R$ 375 - muito menos que os R$ 600 ou R$ 1200 aprovados pelo Congresso no primeiro semestre de 2020. O piso não compra 25% da cesta básica em São Paulo.

Botijão de gás inflável é usado em protesto contra Bolsonaro no Rio de Janeiro - Marcela Lemos/UOL - Marcela Lemos/UOL
Botijão de gás inflável é usado em protesto contra Bolsonaro no Rio de Janeiro Imagem: Marcela Lemos/UOL

Paralelamente a isso, Bolsonaro também trouxe instabilidade à política com os ataques à democracia, criando um ambiente com menos segurança para investidores e seguiu errante na gestão da economia, atendendo a interesses de aliados no Congresso, preocupando-se apenas em evitar o impeachment. O dólar subiu e, com ele, a inflação.

Por fim, desprezou os alertas climáticos nos anos anteriores, deixando que a situação das hidrelétricas baixasse a níveis ridículos. Isso aumentou absurdamente a conta de luz e colocou apagões em nosso horizonte.

A última pesquisa Datafolha mostra que 54% da população reprova a gestão de Bolsonaro sobre pandemia, o que é pouco, considerando tudo o que fez. Isso mostra que ele conseguiu, de certa forma, passar a muita gente a ideia de que nada podia fazer diante do vírus. Mas não vai conseguir o mesmo com a economia. Se colar nele a imagem de político que trouxe a inflação de volta, não se elege nem para síndico de prédio.

Ao focar na degradação da situação econômica, lembrando que a situação é culpa sim de suas ações e inações e as de seu governo, a oposição acerta em algo que ele não poderá se esquivar. Com exceção dos seus seguidores mais fanáticos, o resto da população tende a ver a economia como uma questão federal.

Não à toa, ele está torcendo para que o programa da Petrobras, que anunciou a liberação de R$ 300 milhões em subsídios para a compra de gás de cozinha por famílias muito pobres, dê certo. A sua popularidade depende disso.

A impressão é que ele gasta mais tempo se justificando quanto à economia do que sobre os mortos da covid-19. Ser chamado de "genocida" parece assustar menos Bolsonaro do que ganhar a alcunha de "Bolsocaro".

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Josias de Souza - Impeachment sem centrão e Mourão é empulhação de oposição sem agenda

Colunista do UOL

02/10/2021 02h15

Levado às ruas pela sexta vez neste sábado, o "Fora, Bolsonaro" tornou-se mero adorno de faixas e camisetas de uma oposição à procura de agenda. Sem a adesão do centrão e do Mourão, o slogan conduz apenas a uma rima pobre: empulhação.

O ingrediente mais notável da atual conjuntura não é a debilidade de Bolsonaro nas pesquisas, e sim a incapacidade dos adversários do presidente de articular a abertura de um processo de impeachment.

O capitão revelou-se um presidente precário. Com a pilha de mortos por Covid roçando a marca de 600 mil, ele continua receitando cloroquina e questionando a eficácia das vacinas.

Num instante em que brasileiros fazem fila para obter ossos descartados por supermercados, Bolsonaro desafia a paciência alheia. Afirma que quem compara sua obsessão por armas com a fome deveria dar "um tiro de feijão" quando tiver a casa invadida.

Embora Bolsonaro conspire contra a estabilidade do próprio governo, a hipótese de o impeachment avançar é pequena, mínima, quase inexistente. Por quatro razões:

1) Falta base legislativa. A instabilidade política do governo é lucrativa para o centrão, que controla a chave do cofre na Casa Civil e a distribuição de nacos do Orçamento na presidência da Câmara;

2) Falta unidade social. A impopularidade de Bolsonaro bateu em 53%. Mas ele ainda é considerado um presidente bom ou ótimo por 22% do eleitorado;

3) Falta articulação com o gabinete da vice-presidência. Quem clama pelo "fora, Bolsonaro" ainda não se animou a gritar "viva o general Mourão";

4) Falta sinceridade ao pedaço da oposição mais bem-posto nas sondagens eleitorais. Lula e o PT não querem derrubar, mas polarizar com Bolsonaro.

Excetuando-se os devotos do presidente, que aprovam incondicionalmente a sua atuação, os brasileiros enxergam o governo de duas maneiras. Uma parte avalia que falta rumo à gestão Bolsonaro. Outra parte acha que o capitão tomou o rumo da crise.

Entretanto, a menos que um meteoro caia sobre o Planalto, todos terão de se conformar com a ideia de que Bolsonaro, eleito como solução por 57,8 milhões de brasileiros, permanecerá no trono até o último dia do mandato —mesmo contra a vontade de quem enxerga nele um problema.

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Balaio do Kotscho - Oposição amplia o palanque, mas Bolsonaro ainda leva mais povo para as ruas

Mulher carrega criança em ato contra o presidente Jair Bolsonaro, na avenida Paulista, em São Paulo - Herculano Barreto Filho/UOL
Mulher carrega criança em ato contra o presidente Jair Bolsonaro, na avenida Paulista, em São Paulo Imagem: Herculano Barreto Filho/UOL
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Ricardo Kotscho

Colunista do UOL

02/10/2021 18h04

Depois de assistir às manifestações antidemocráticas de Jair Bolsonaro, no 7 de setembro; da turma do nem-nem do MBL, no dia 12; e neste sábado, da oposição ampliada, com a participação de 20 partidos, todas as centrais sindicais, religiões e centenas de movimentos populares, não dá para ter dúvidas sobre quem levou mais povo às ruas.

Mesmo com a popularidade em queda livre, rejeitado por 53% da população e com a intenção de votos caindo para a faixa de 20%, em 2022, o capitão presidente mostrou que ainda tem maior capacidade de mobilização do que as oposições reunidas em mais de 100 cidades no país e no exterior.

É verdade que, para isso, Bolsonaro mobilizou todo o governo, a um custo ainda desconhecido, com forte apoio financeiro do mercado e do agronegócio mais atrasado, de forças de segurança estaduais e paramilitares, mas o fato incontestável é que não dá para comparar o tamanho das suas manifestações de 7 de Setembro em Brasília, Rio e São Paulo com as de hoje, nas mesmas capitais.

Os grandes espaços vazios deixados na avenida Paulista, na Cinelândia e na Esplanada dos Ministérios mostraram que as oposições, mesmo unidas, ainda têm um longo caminho a percorrer para enfrentar Bolsonaro nas ruas, faltando exatamente um ano para as eleições.

Neste 2 de outubro, as palavras de ordem da pauta política pedindo o impeachment de Bolsonaro perderam espaço nas faixas e nos cartazes para as reivindicações da vida real do povo, decorrentes da crise econômica que se agrava a cada dia, com a inflação galopante, a falta de emprego e de comida, o preço do gás e dos combustíveis.

Em lugar de bonecos do presidente, apareceram em todo lugar botijões de gás infláveis e faixas com a inscrição "Tá muito caro, a culpa é do Bolsonaro", contra a reforma administrativa e a privatização dos correios, e grupos de defesa dos direitos dos movimentos dos negros, de mulheres, do LGBT +, dos indígenas, de estudantes protestando contra os cortes na educação e das torcidas uniformizadas do futebol.

A grande diferença entre os comícios do presidente e os protestos da oposição é que, no palanque dele, só Bolsonaro fala, enquanto nos caminhões de som das oposições sobe tanta gente que o povo fica meio perdido para saber quem está falando.

Os seguidores de Bolsonaro ouvem-no em silêncio, obsequiosos, como se estivessem assistindo a uma missa; nos protestos da oposição, o clima lembra mais uma grande quermesse, com cantorias e batucadas, ninguém presta muita atenção no que está se falando.

É mais ou menos a mesma diferença que existe entre uma parada militar e um desfile de escola de samba, duas faces de um mesmo país.

Apareceram até bonecos de Paulo Freire e Patativa do Assaré, ícones da cultura nordestina, levados para a avenida Paulista pelo Grupo Oficina e, em volta dos carrinhos de comida, no Rio, um cartaz informava: "Aceita-se cartão".

Na Globo News, o cantochão monocórdico do comentarista Gerson "você tem ali" Camarotti atravessou o dia inteiro, sem que ele acrescentasse alguma informação nova, como se estivesse tocando um realejo. Havia um pouco mais de ritmo na transmissão da CNN, mas nas duas emissoras faltou repórter na rua para ouvir o povo, o grande ausente nos comentários. O que sua excelência, o cidadão, estará pensando de tudo isso?

Entre os presidenciáveis que contam, quem faturou mais com as oposições unidas foi o pedetista Ciro Gomes, que falou no Rio e, em seguida, voou para São Paulo, onde já tinha se apresentado também no nem-nem do dia 12.

E, mais uma vez, quem se ausentou foi o ex-presidente Lula, o líder nas pesquisas presidenciais, que não foi a nenhuma das cinco manifestações anteriores da campanha nacional do "Fora Bolsonaro".

A próxima manifestação das oposições já está marcada para o feriado de 15 de Novembro.

Vida que segue.

Em tempo: antes que me chamem de cego, informo que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo estimou em 8 mil pessoas o público no ato da avenida Paulista. Na manifestação de Bolsonaro, de 7 de Setembro, a SSP calculou o público em 125 mil pessoas.

Em tempo 2: Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares, uma das organizadoras dos atos, informou que um total de 700 mil pessoas foram às ruas para protestar contra Bolsonaro em 304 cidades de todo o país e do exterior.

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Opinião: Mauricio Stycer - Globo e Band destacam enquanto Record e SBT escondem atos contra o governo

Flavio Fachel e Ana Luiza Guimarães apresentam o Jornal Nacional - Reprodução
Flavio Fachel e Ana Luiza Guimarães apresentam o Jornal Nacional Imagem: Reprodução
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Mauricio Stycer Colunista do UOL 02/10/2021 21h03

Num sábado de poucas notícias, seria possível imaginar que as manifestações contra o governo Bolsonaro em dezenas de cidades teriam destaque nos telejornais das principais emissoras do país. Não foi o que aconteceu, porém, em dois deles. SBT e Record não deram maior importância aos atos. Já Band e Globo colocaram o assunto na abertura de seus noticiários.

O "Jornal da Record", que normalmente começa com uma matéria policial, abriu neste sábado com uma notícia sobre a crise econômica - justamente o tema principal das manifestações contra o governo.

Especial da Record sobre inflação detona Guedes, mas poupa Bolsonaro

"Mesmo com a reabertura do comércio, a atividade econômica ainda patina para voltar aos níveis pré-pandemia. Pior que isso: com desemprego e inflação lá em cima, os indicadores estão escolhendo. As pessoas compram apenas o essencial e a corda estoura para os autônomos e pequenos empreendedores", lamentou a Record.

Na sequência, o telejornal anunciou outros cinco destaques do dia - e mais uma vez ignorou as manifestações contra o governo. Os principais assuntos do sábado foram: o esforço de devedores de colocar as contas de luz em ordem; as três mortes no interior de São Paulo por causa de uma tempestade de poeira; a queda da vacinação contra covid-19 nos EUA; a situação do sistema que abastece a capital paulista de água; e o fato de dois terços dos idosos já terem telefone celular. Só no final do telejornal, as manifestações foram mencionadas numa reportagem de 40 segundos.

No "SBT Brasil" as manifestações foram mencionadas depois de quase 20 minutos de notícias policiais. Num resumo de três minutos, o telejornal falou em "protestos contra o governo". De forma protocolar, citou atos realizados em uma dezena de cidades, mencionando a pauta dos protestos. Sobre a manifestação em São Paulo, houve menção à presença de Guilherme Boulos, Fernando Haddad e Ciro Gomes, ex-candidatos à Presidência. O telejornal registrou que Ciro foi vaiado.

No "Jornal da Band", a primeira notícia da noite foi sobre as manifestações: "Partidos de oposição protestam contra o governo. Manifestantes vão às ruas em dezenas de cidades". Com repórteres nas ruas em São Paulo e no Rio, o telejornal registrou que houve convocação de atos em mais de 200 cidades.

Sobre o ato em São Paulo, a Band observou que ocupou oito quarteirões da Avenida Paulista e reuniu representantes de 21 partidos e movimentos sociais. O telejornal reproduziu trechos dos discursos de Haddad e Ciro. E disse: "Os manifestantes criticaram principalmente a atuação do governo no combate à pandemia, o descontrole da inflação no país e o alto índice de desemprego", anotou.

Os atos foram, igualmente, a principal notícia na "escalada" do "Jornal Nacional": "Manifestantes voltam às ruas pedindo o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Em todos os Estados e no Distrito Federal protestaram também por mais vacinas, contra a inflação e o desemprego", anunciou o telejornal.

O telejornal dedicou sete minutos ao assunto, mostrando imagens das manifestações em inúmeras cidades e destacando as pautas dos atos. Segundo a Globo, o protesto em São Paulo ocupou dez quarteirões da Paulista. O telejornal listou os nomes de todos os políticos que discursaram, dando uma ideia dos diferentes partidos que participaram do ato.

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A nova Guerra Fria 2.0 - Milton Blay

Por Milton Blay 2 de outubro de 2021, 09:35

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Em seu discurso na  76ª Assembleia-Geral da ONU, dia 21 de setembro, Joe Biden, disse que não queria uma nova Guerra Fria, embora  tivesse enviado uma série de mensagens claras ao seu inimigo Xi Jinping nesse sentido:  defendeu a liberdade de navegação no Mar do Sul da China, se posicionou contra ataques cibernéticos coordenados pelos países asiáticos, citou Xinjiang, onde a minoria muçulmana iugure estaria sendo dizimada e escravizada.

As palavras de Biden chegam tarde demais, pois a nova Guerra Fria, apelidada  2.0, não apenas já está no centro da geopolítica do século 21 como talvez seja mais perigosa que o equilíbrio do terror que dominou as relações internacionais na segunda metade do século 20.

Como alertou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, "Receio que nosso mundo esteja indo em direção a dois conjuntos de regras econômicas, comerciais, financeiras e de tecnologia, duas perspectivas de desenvolvimento de inteligência artificial e, no limite, duas estratégias militares e geopolíticas. Essa é a receita para problemas. Isso seria muito mais imprevisível do que a Guerra Fria".

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Com efeito, este novo conflito, que opõe os Estados Unidos à China, é infinitamente mais complexo, portanto mais instável, que o bilateralismo anterior. Como prova o recente episódio  em que os EUA se aliaram ao  Reino Unido para fornecer à Austrália submarinos nucleares, com o objetivo de conter avanços regionais da China. O acordo significou a formação de uma frente anti-Pequim e o enterro de um contrato longamente negociado pela Austrália com a França, o que foi considerado uma "punhalada nas costas" pelo governo de Emmanuel Macron. Os estaleiros franceses já estavam na fase 3 de construção dos submersíveis.

O episódio demonstra, como se necessário fosse, que o presidente norte-americano não era sincero ao declarar, na tribuna da ONU, que "Defenderemos nossos aliados e amigos e vamos nos opor às tentativas de países mais fortes de dominar outros mais fracos, seja pela força, por coerção econômica, exploração tecnológica ou desinformação.”

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Em bom português, Biden usou o espaço, em seu primeiro discurso em uma Assembleia-Geral como presidente, para reafirmar a posição de que "os Estados Unidos estão de volta" ao cenário global, depois que seu antecessor, Donald Trump, abandonou fóruns e acordos multilaterais. Acontece que a China não teme o seu maior e único concorrente. Hoje, os chineses respondem por mais de 20% do PIB mundial. Ainda é uma economia menor do que a americana (US$ 20,5 trilhões dos EUA contra US$ 13,4 trilhões da China), mas, quando a comparação é feita em termos de paridade de poder de compra, Pequim supera Washington: 19% ante 16%.

Até 2012, quando Xi Jinping chegou ao poder, a regra chinesa era a da discrição política. O novo líder mudou tudo, centralizou poderes e se tornou a figura medular do regime. Seu gosto pela geopolítica o fez avançar os peões ainda mais e rapidamente no tabuleiro mundial. Sua missão é estruturada em torno do "sonho chinês", composto de uma política ecológica voluntariosa, reabilitação da cultura tradicional, reforço da presença do Partido Comunista na sociedade, luta contra a corrupção, influência internacional. No setor externo, Pequim age como Washington, que durante décadas exportou o american way of life, exaltando os valores capitalistas, vendo-se como o "gendarme" do mundo.

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Hoje, sobretudo na Asia e África (continente que o chinês visita dezenas de vezes por ano), mas também na Europa, Pequim, através do megaprojeto da nova Rota da Seda, dissemina um discurso similar: - Se vocês querem se desenvolver e enriquecer como a gente, façam como nós. Nossa receita está disponível.

Esse é o recado de Pequim na era Jinping.

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A Europa  não está preparada para uma estratégia de confronto em nenhum setor: militar, tecnológico, econômico, diplomático. Não há tampouco qualquer estratégia alternativa. No início de 2019, houve um sobressalto europeu em relação aos investimentos chineses. Pequim foi considerado um “rival sistêmico”, um “competidor econômico”. Paris e Berlim foram sensíveis aos alertas. Os investimentos das empresas estatais chinesas passaram a se submeter às mesmas regras ditadas pela política de concorrência europeia. Mas não durou, a questão foi se diluindo e as salvaguardas abandonadas.

Quanto aos gastos militares, embora totalizem um quarto das despesas dos americanos, são o segundo do mundo, voltados para a criação de uma área de influência que ultrapassa a Ásia. 

Dias atrás, no Airshow China 2021, em Zhuhai, foram apresentados voos da nova versão do Chengdu J-20, o caça furtivo chinês mais avançado, com motores produzidos no país. Foi uma maneira de provocar os Estados Unidos, seu rival estratégico na chamada Guerra Fria 2.0. “Só posso dizer que, se eles não estão assustados, vamos nos encontrar no céu", desafiou o comandante-adjunto da Força Aérea da China, Wang Wei.

Cento e cinquenta unidades desse modelo, destinados à linha de frente da defesa na região do Indo-Pacífico já foram construídas.

Os chineses também apresentaram uma versão para a guerra eletrônica, equipada com "pods" para uso de ondas eletromagnéticas visando atrapalhar as capacidades adversárias. Isso além de novos drones de reconhecimento, uma versão furtiva de ataque, um novo míssil de combate aéreo de longo alcance e armas de combate de proximidade.

A resposta americana foi imediata. Os Estados Unidos revelaram ter acelerado a construção de seu novo bombardeiro estratégico com tecnologia furtiva, o conhecido avião invisível. No dia 20 de setembro, o secretário da Força Aérea, Frank Kendall, anunciou que cinco aviões B 21 Raider estão em fabricação. Trata-se de uma asa voadora subsônica de difícil detecção pelos inimigos, capaz de lançar munições convencionais e nucleares.

Foi uma claríssima réplica a Pequim; como disse o próprio Kendall:

"Se eles continuarem no caminho no qual parecem estar e aumentarem substancialmente sua força de mísseis balísticos intercontinentais, terão em breve capacidade para um primeiro ataque".

Nos últimos meses, imagens de satélite mostraram que os chineses estão em franca ampliação dos sítios com silos para o lançamento dessas armas.

A doutrina chinesa descarta a ideia de um primeiro ataque nuclear, até porque tem hoje uma quantidade insuficiente de bombas para fins dissuasórios. Mas isso pode evoluir rapidamente.

De acordo com o Stockholm International Peace Research Institute, os Estados Unidos têm cerca de 5.550 ogivas nucleares e a Rússia, 6.255. Segundo o Pentágono, no ano passado a China tinha “apenas” 200, enquanto o Instituto de Estocolmo estimava o arsenal chinês em 350 ogivas nucleares. Esse número, contudo, pode até quadruplicar na próxima década.  

Hoje, acredita-se ser possível evitar o pior, já que Biden e Jinping têm  interesses comuns imediatos, mas ainda é cedo demais para se fazer previsões de médio prazo. A história se desenrola em décadas e nenhum analista sério se arrisca a descartar os atritos crescentes no mar do Sul da China, no estreito de Taiwan, nas fronteiras indo-chinesas. Basta uma faísca para o fogo pegar e se alastrar. A Guerra Fria 2.0 começou.

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