____________________* Santa Cruz e Freixo buscam apoio de Lula no Rio ____________________* DEM e PSD ressuscitam rivalidades para 2022 ____________________*
Bolsonaro NÃO é INCOMPETENTE e nem OMISSO.
Ele DELIBERADAMENTE SABOTOU o combate à pandemia mesmo sabendo dos RISCOS para a VIDA dos brasileiros.
Bolsonaro AGIU consistentemente CONTRA a SAÚDE pública.
Bolsonaro ATUOU CONTRA a vida.
Tem que RESPONDER por isso
_________________________________________________
_________________________________________________
_________________________________________________
//////////////////////////////////////////////// *
///////////////////////////////////////////////////////////////// *
//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// *
///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// *
//////////////////////////////////////////////// *
________________________________________////////////Eduardo Leite e o apoio de Aécio: quem te viu e quem te vê | Lauro Jardim - O Globo
Por Lauro Jardim

Agora há pouco no debate que O GLOBO e o "Valor" estão promovendo com os pré-candidatos do PSDB à Presidência da República, Eduardo Leite justificou o apoio que está recebendo de Aécio Neves (que até subiu em seu palanque em Minas Gerais, dias atrás) com a clássica explicação de que o ex-governador mineiro não foi condenado a nada.
E que tem o direito defender-se das acusações etc. Beleza.
Muito diferente do Eduardo Leite que, em outubro de 2019, numa entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", se disse frustrado por Aécio não ter sido ejetado do PSDB. Fala Leite:
— Me senti frustrado. O partido se desconectou dos sentimentos das ruas na medida em que seu processo de gestão interna está desconectado da demanda popular, que é por conduta moral e ética, transparente, lisa. Não defendo a expulsão sumária, mas que se abra um processo na comissão de ética. Alguns defendem que não podemos julgar no partido se não há um julgamento do Judiciário. Isso não tem nada a ver uma coisa com a outra. Não estamos julgando se cometeu crime ou não. Estamos julgando a conduta do filiado, se está condizente com o partido que queremos. Há na gravação de Aécio com Joesley um pedido de recursos a um empresário que notadamente era beneficiário de programas federais sob suspeita de favorecimentos. Isso merece discussão. Se essa situação não pode ser discutida na comissão de ética do partido, qual situação que poderá ser discutida? Esse é um recado muito ruim.
Haja malabarismo
________________________________________////////////
Petrobrás, a verdade que a mídia esconde - George Torres Barbosa
Por George Torres Barbosa

Integrei o quadro de advogados da Petrobrás, mediante concurso público, de 1990 até março deste ano, 2021.
Não conheci pessoalmente, mas a fama do engenheiro naval Julio Faerman é notória entre os mais antigos.
Ele foi tirado a peso de ouro da Petrobrás nos idos de 1974 pela maior fabricante mundial de plataformas, a holandesa SBM, e instalado em Londres para articular seus interesses perante a estatal, não só como fabricante, mas inclusive no bilionário ramo do afretamento de barcos. Outro engenheiro naval, o famoso Barusco, notório por devolver 100 milhões auferidos na forma de propina, confessou que recebia propina do cartel de empreiteiras desde 1997, em plena era FHC, sem que Dallagnol e os filhos de Januário se interessassem por investigar o aliado que não se pode melindrar, segundo Sergio Moro.
Cerveró falou das estripulias do filho de FHC no abominável Plano Prioritário Termelétricas PPT, no qual El Paso, Eletrobolt, EDF, Enron e congêneres recebiam o gás para suas termelétricas, subsidiado pela Petrobrás que depois era obrigada a comprar a eletricidade superfaturada, mesmo que ela não existisse !!! Nesta farra da rentabilidade garantida também se lambuzou o Gregorio Marin Preciado, aparentado de Serra (que prometeu desfazer o marco regulatório do pré-sal à CHEVRON, no consulado dos EUA, durante a campanha de 2010). Até Eike Batista se locupletou na farra do PPT com a famosa TERMOLUMA.
Tudo isso conduzido com mão de ferro pelo czar do apagão, Pedro Parente, ao ensejo de obviar o apagão que os tucanos arquitetaram, ao sucatear a Eletrobrás e, sobretudo, sabotar o planejamento Brasil 2014, que vinha do regime militar, prevendo a construção de grandes hidrelétricas, as quais, só nos governos petistas, vieram a ser construídas, com todo o cuidado ambiental que os militares não cogitavam. Mas parte delas foi feita nos governos Lula e Dilma, como Santo Antônio, Jirau (aquelas em que se fazia escada para os peixes subirem na piracema, assim disse Lula) e Belo Monte, onde houve mais de 5 bilhões de reais em compensação ambiental.
O czar do apagão, Pedro Parente, presidiu o Conselho de Administração de 1999 a 2003, quando foi vendida a maioria das ações preferenciais (PETR4) da Petrobrás na bolsa de New York por meros 5 bilhões, implicando a submissão da estatal à lei dos EUA daí em diante. A União só não perdeu o controle acionário por causa das ações ordinárias (PETR3) que, apesar de em menor número na estrutura societária, são as únicas que têm direito a voto na Assembleia Geral. Na década seguinte, o aumento de capital conduzido pelo presidente José Sergio Gabrielli elevaria a participação da União no bloco de controle e alcançaria o maior valor de mercado da Petrobras, até hoje registrado: 275 bilhões, naquele que foi o maior aumento de capital da história do capitalismo mundial. Ao fim da era FHC, a Petrobrás valia míseros 15 bilhões, era decadente em reservas provadas e um ícone dos desastres ambientais. Pedro Parente comprou 49% do grupo argentino Perez Companc por U$ 1,2 bilhão, quando a própria Perez Companc havia declarado um rombo de U$ 1,4 bilhão. Segundo depoimentos de Cerveró à Lava Jato, foram pagos 100 milhões de dólares para que essa compra fosse feita. Uma vez mais, escaparam incólumes os tucanos de alta plumagem aos seletivos investigadores da república de Curitiba.
Pedro Parente comandou uma troca de ativos da Petrobrás no valor de U$ 3.052.000.000,00 com a Repsol norte-americana, lá na Argentina, no valor de U$750.000.000,00, exatamente quando Menen e subsequentes governos neoliberais já haviam conseguido quebrar aquele país aplicando à risca o receituário neoliberal e entreguista. Pedro Parente, quando presidiu o Conselho de Administração da Petrobrás, na era FHC, entregou metade da Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas, e do campo gigante de Albacora Leste, na bacia de Campos, além de centenas de postos da BR distribuidora, tendo como contrapartida micos da Repsol na Argentina, que valiam bem menos. Essa troca de ativos foi perpetrada quando lá na Argentina se teve 3 presidentes em uma só semana e todos os empresários e os capitais empreendiam fuga da Argentina desesperadamente. Tal troca de ativos é objeto de uma ação popular impetrada por Cesar Antonio PRZYGODZINSKI e outros filiados ao SINDIPETRO de Canoas e chegou até o STJ, com a Apelação Cível 2001.71.12.002583-5/RS mas tornou ao primeiro grau para realização de perícia. Apesar dessa controvertida vida pregressa, Pedro Parente foi guindado à presidência da Petrobrás por Temer, inaugurando a cruel política de preços de paridade internacional - PPI que é o custo em dólar do derivado lá nos EUA mais frete marítimo, seguro da carga, custos tributários de internação da mercadoria e adicional de frete marítimo. Enquanto nossas refinarias operam a meia carga, abrindo espaço para importadores e, mais grave ainda, tornando interessante a compra dessas refinarias encampadas por João Goulart no célebre discurso da Central do Brasil, quando também se estendeu o monopólio da Petrobrás para o segmento de transporte de óleo e gás. Tornando às agruras do presente, o hediondo PPI eleva opreço dos combustíveis e gás de cozinha à estratosfera compelindo o povo trabalhador à uma escolha de Sofia. Ou compra o gás ou compra a mistura e vai cozinhar com lenha, em pleno século XXI.
Enquanto isso se vende variada gama de ativos ativos geradores de caixa da Petrobrás, por preço irrisório, como a NTS e TAG, malhas de gasodutos do Sudeste e Nordeste, imediatamente alugados pelos felizardos para a própria Petrobrás, o que permite aos compradores recuperar o preço pago à Petrobras em menos de 4 anos. Esses ativos em mãos privadas, sobremaneira, as refinarias, darão lugar a monopólios privados em cada região do Brasil, agravando enormemente a pauperização dos brasileiros.
Pedro Parente vendeu o campo de Carcará, no pré-sal, cujo preço do barril de petróleo foi mais barato do que uma lata de refrigerante. Vendeu a Petroquímica de Suape, única produtora de poliestireno da América Latina, pelo equivalente ao faturamento de uma semana daquela petroquímica. Vendeu e arrendou, por preços irrisórios, Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados. Já sob a gestão Castello Branco, fechou-se a FAFEN ARAUCÁRIA que produzia fertilizantes a partir de resíduos asfálticos (engenhosa solução ambiental) e que também poderia ser convertida para a produção de oxigênio, crucial para salvar vidas em Manaus.
A Fábrica de Fertilizantes em construção na cidade de 3 Lagoas (MS) foi abandonada com mais de 86% de conclusão. Moro e Dalagnol emitiram ordens para que a Petrobrás não pagasse mais os créditos de todas empreiteiras nacionais sem que elas nem ao menos fossem declaradas inidôneas, mediante o devido processo legal, com o direito ao contraditório e a mais ampla defesa, perante o órgão competente que é a CGU ou o TCU, não a Petrobrás sumariamente.
A cúpula do jurídico da Petrobrás acatou essa sentença de morte contra a engenharia nacional e, pressurosamente, criou a figura do bloqueio cautelar para eximir-se de pagar os serviços já executados e medidos. Em consequência, surgiram cidades fantasmas pelo Brasil afora, como em Rio Grande e Itaboraí com milhares de desempregados da noite para o dia, vagando com suas famílias ao relento. Tudo sob o pretexto de combater a corrupção e reduzir a dívida da Petrobrás que sempre foi compatível com os investimentos necessários para produzir no pré-sal, com gigantesco volume de óleo leve de alto valor. A dívida contraída pela Petrobrás não discrepa dos níveis de endividamento de suas congêneres, as majors do petróleo. É uma dívida maior pela singela razão de que nenhuma outra empresa de petróleo tinha um projeto de tamanha envergadura e tão promissor. A redução da dívida implementada nestes moldes e o cruel PPI permitiram a distribuição de dividendos em escala sideral, como acaba de acontecer neste último trimestre (42 bilhões de reais) mas compromete, irremediavelmente, a geração de caixa a médio e longo prazo. Privar a Petrobrás de suas reservas de óleo e gás é o melhor caminho para que, em dado momento, ela fique só com a dívida e sem condições de honrar a própria dívida contraída para produzir plataformas e navios necessários para explorar o pré-sal a 300 km da costa e 7 mil metros de profundidade.
Tanto é verdade que tal dívida não era ameaça alguma para a Petrobrás, que ela lançou bônus de dívida para resgate em 100 anos, os CENTURY BONDS. Tal emissão de dívida se deu em 1º de junho de 2015, no auge do linchamento midiático, como se lê na página A3 do JORNAL DO COMMERCIO que circulou em 02/06/2015, o que prova sobejamente a confiança dos investidores internacionais na solvência da Petrobrás. A emissão desses bônus de dívida para resgate em 100 anos, no valor de 2,5 bilhões de dólares, teve uma procura 4 vezes maior do que a emissão da Petrobrás.
Portanto, não subsiste o argumento ad terrorem de que a Petrobrás teria que vender seus ativos a toque de caixa, abaixo do valor de mercado, como vem sendo desde Temer e, já agora, sob o curioso regime do fascismo antinacional. A venda da Refinaria Landulfo Alves, na Bahia, se deu abaixo da estimativa feita pela XP Investimentos, entusiasta da Lava Jato e de Paulo Guedes.
Ainda no ano de 2015, a Petrobrás recebeu pela terceira vez o maior prêmio da indústria de óleo e gás, o OTC, em Houston EUA. Também naquele mesmo ano de 2015, a Petrobrás superou a Exxon Mobil em geração de caixa livre, tornando-se a primeira do mundo neste quesito dentre outras petroleiras internacionais de capital aberto. Enquanto isso, a Globo satanizava a Petrobrás, com a divulgação permanente daqueles dutos enferrujados jorrando dinheiro, enquanto glorificava Moro, Dallagnol e os filhos de Januário.
A Refinaria de Manaus, doada à ATEM, sonegadora de impostos federais, assim como o restante das 37% de ações da BR Distribuidora pelo equivalente ao preço do Copacabana Palace, não fazem sentido por qualquer prisma que se possa examinar. Embora seja comum a prática do farm in e farm out entre as petroleiras, por razões de melhor alocação de capital, o que se vê na Petrobrás desde 2016 é um esquartejamento frenético sem nenhuma responsabilidade com a perenidade da empresa e o interesse nacional.
A própria decisão do Pedro Parente de pagar aos fundos abutres 3 bilhões de dólares em uma class action nos EUA sem que houvesse, ao menos, uma decisão de primeiro grau, que ainda seria passível de recurso, revela que nunca houve problemas de caixa a reclamar a venda do almoço pra comprar a janta, como propalam os arautos do mercado encastelados na Globo, Estadão, Veja e Folha, que são aríetes assestados permanentemente contra a Petrobrás.
Todas as gestões da Petrobrás posteriores ao golpe permanente que se iniciou com as pedaladas imaginárias adotaram a praxe de adiantar pagamento aos bancos internacionais e nacionais, antes mesmo do respectivo vencimento, inclusive 10 bilhões de reais ao BNDES, este último sem, ao menos, haver a justificativa de que se queria trocar por dívida mais barata.
Também foi o caso do pré-pagamento, sem nenhuma necessidade, do empréstimo feito pela China, através da SINOPEC, para ser pago, não em dinheiro, mas apenas em exportações de óleo, o loan for oil. A China fez essa operação no momento em que todos queriam levar a Petrobrás à insolvência, a começar pelo auditor independente, PWC, que nunca detectou nenhuma irregularidade nas décadas anteriores, mas exigiu uma baixa contábil, totalmente artificial, de 88 bilhões, sob pena de não assinar o balanço patrimonial de 2015, o que, aí sim, levaria ao vencimento antecipado de toda a dívida da Petrobrás (covenants).
Apesar de todas as evidências de que a dívida da Petrobrás era adequada aos projetos de exploração do pré-sal, a mídia hegemônica criou o senso comum de que era necessário cortar não só a gordura mas a própria carne e até no osso (catabolismo total) e, nesse clima de terror, o STF decidiu por 9 a 2 que a Petrobrás podia vender ativos e subsidiárias sem licitação e sem prévia autorização do Congresso Nacional, com as honrosas exceções de Lewandowski e Fachin.
Até mesmo a Assembleia Geral da Petrobrás foi escanteada pois tais alienações a preço de banana são aprovadas pela diretoria executiva, sem o escrutínio do órgão máximo de uma sociedade anônima que é a Assembleia Geral de acionistas. Assim foi com Pedro Parente, foi com Castello Branco, e é agora com o general Luna e Silva. Um fast track do desmanche.
Tudo isso sob o pretexto de reduzir a dívida e, aproveitando a cortina de fumaça propiciada pela campanha insidiosa e implacável desencadeada pela mídia em conúbio espúrio com a lava jato que danificou, profundamente, a imagem da Petrobrás perante a população.
Entoa-se ad nauseam a cantilena de que houve 6 bilhões de reais de superfaturamento nas obras no período de 2004 a 2014, o que, do ponto de vista das regras internacionais de contabilidade, é imaterial se comparado ao faturamento da Petrobrás, de 2 trilhões e 400 bilhões de reais, nesse mesmo período.
O circo dos horrores se abateu sobre o corpo técnico da Petrobrás que passou a ser investigado em verdadeiros tribunais de exceção por escritórios de advocacia norte-americanos, como o Gotlieb (ganhador de fortunas na Petrobrás e no BNDES para a natimorta investigação da caixa preta que custou a cabeça de Levy). Outro escritório de advocacia norte-americano, o Baker & Mackenzie está no epicentro do Pandora Papers, em companhia de Paulo Guedes, do presidente do Banco Central, Globo et caterva. São escritórios indicados pela CIA e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos que deram uma gorjeta de 2,5 bilhões para a república de Curitiba criar seu fundo partidário, em boa hora anulado pelo STF.
Tais escritórios foram contratados, mediante honorários exorbitantes, não para defender a Petrobrás em processos nos EUA ou escrever um parecer sobre direito norte-americano. Foram contratados para conduzir o compliance da Petrobrás, que a é indústria da moda a que se dedicam próceres da lava jato, como o Carlos Alberto Lima e Sergio Moro na Alvarez & Marsal (gestora dos escombros da Odebrecht), ambos veteranos do escândalo do BANESTADO, assim como o doleiro Alberto Youssef que, por haver descumprido obrigações anteriores daquele caso, envolvendo as contas CC5, não poderia ser beneficiado pela delação premiada na lava jato.
Os escritórios de advocacia norte-americanos, verdadeiros biombos para a CIA, chegaram a apreender celulares e notebooks de cerca de 2 mil empregados da Petrobrás para as suas investigações ironicamente denominadas CIAS, ao fim das quais nada se apurou de relevante. Tanto que o ex-presidente Roberto Castelo Branco se viu compelido a pedir desculpas públicas aos empregados, na intranet da Petrobrás, após serem espionados ao longo de meses pelas famigeradas CIAS que ainda contaram com o auxílio luxuoso do escritório da respeitável ex ministra do STF Ellen Gracie Northfleet.
Há muito mais a dizer, mas deixo para outro momento. Certo é que há muito mais do que meros aviões de carreira no ar. É a tal da guerra híbrida.
________________________________________////////////Miriam Leitão enquadra Eduardo Leite por apoio a Bolsonaro em 2018 (vídeo)

247 - Durante o debate das prévias do PSDB, a jornalista Miriam Leitão cobrou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, sobre o apoio dele à candidatura de Jair Bolsonaro em 2018.
Segundo ela, à época, Leite criticava o "desastre econômico" dos governos do PT -- tese defendida pela jornalista. Por conta disso, ele apoiou Bolsonaro.
"Mas acontece que o desastre econômico é muito menor em importância e risco para o país do que o desastre no ataque à democracia, e era óbvio que o presidente e candidato Bolsonaro sempre fez apologia da ditadura. Então, o senhor colocou uma hierarquia e preferiu a questão econômica", cobrou ela.
Leitão, no entanto, fez campanha pelo golpe contra Dilma Rousseff em 2016 por conta das supostas "pedaladas fiscais", contribuindo para a crise institucional.
"Que risco nós temos que o senhor, de novo, julgue a conveniência política e apoie forças de extrema-direita, como o fez em 2018?", questionou.
Leite se enrolou ao responder: "É muito fácil para nós que temos a vida mais ou menos resolvida ficar discutindo a democracia e ignorar que milhões de pessoas deixam de comer por não ter emprego e não ter renda. Não estou defendendo que se ignore o debate pela democracia, ele é super importante".
Ele admitiu o erro e afirmou que não apoiará mais Bolsonaro. "Foi um erro. Não há hipótese de apoiar uma candidatura de Bolsonaro em 2022. O Brasil precisa de uma democracia forte, mas também precisa de emprego, renda. E para isso precisar ter reforma, e os outros caminhos à esquerda não apresentam essa alternativa", disse.
________________________________________////////////Globo comete erros jurídicos e ignora níveis de responsalidades ao dizer que Bolsonaro não é genocida, aponta Thiago Amparo

247 - O advogado Thiago Amparo, professor de direito internacional e direitos humanos na FGV-SP, fez críticas e apontou uma série de equívocos do editorial do Globo publicado nesta terça-feira (19) no qual o jornal classifica como "um abuso" acusar Jair Bolsonaro de genocídio.
Numa sequência de mensagens pelo Twitter, o jurista disse que o jornal da família Marinho tenta interromper o debate sobre o crime apontado contra Jair Bolsonaro pelo senador Renan Calheiros no relatório da CPI da Covid.
"O que me espanta mais no editorial é que parece como a interrupção do bom debate: ao invés de exigir que se investigue a seriedade das acusações (seja genocídio ou não), editorial soa como que corroborando com a omissão da PGR: interrompe a seriedade das acusações sobre indígenas", escreve Amparo.
________________________________________////////////
Reportagem: Pole Position - Em estreia da F1 na Arábia Saudita, homens podem usar shorts. Mulheres, não

Julianne Cerasoli
Colunista do UOL
19/10/2021 04h00
Os profissionais que trabalham na Fórmula 1 receberam nesta semana as instruções de como se vestir durante a visita da categoria à Arábia Saudita, que vai receber o campeonato pela primeira vez neste ano, no início de dezembro, em Jedá. Ainda que o esporte esteja acostumado a fazer visitas a outros países do Oriente Médio, como o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos, a recomendação de um dress code, ou código de vestuário, é incomum, tendo sido adotada nas primeiras edições do GP da Malásia, há mais de 20 anos.
O documento explica que o país está passando por um movimento de abertura em relação à vestimenta dos visitantes mas, ainda assim, "o reino da Arábia Saudita é um país conservador, com um código de vestimenta restrito. Por exemplo, a maioria das pessoas não estão acostumadas a ver pele em público. Ainda que os tempos estejam mudando e os visitantes da Fórmula 1 vão perceber isso, é melhor que o visitante, homem ou mulher, cubra-se o máximo possível para evitar ofender costumes locais. É uma questão de aderir a um código de vestimenta sensato, particularmente em áreas públicas".
A grande diferença em relação ao passado recente é a não obrigatoriedade de que as mulheres cubram a cabeça, ainda que o documento aponte que é recomendado que elas carreguem consigo um lenço. O uso de abayas, uma espécie de vestido que cobre totalmente o corpo, também não é mais obrigatório, dentro de uma abertura maior da Arábia Saudita para turistas não-muçulmanos nos últimos anos. As instruções dadas são semelhantes às de quaisquer visitantes ao país, com exceção de um detalhe: o uso de shorts.
Para as mulheres, é necessário usar roupas que cubram as pernas pelo menos até abaixo do joelho e blusas que fiquem abaixo do cotovelo. Os tecidos não podem ter transparência ou serem justos. "Blusas justas podem ser usadas com uma jaqueta por cima".

A recomendação é um pouco mais branda para os homens, aos quais é pedido que cubram ombros e pernas. Além disso, ao contrário das mulheres, será permitido aos homens usar shorts, desde que isso faça parte do uniforme das equipes e que eles sejam usados apenas na pista e no transporte do hotel para a pista.
Além da questão do vestuário, há a recomendação de que os visitantes evitem demonstrações de afeto em público e o uso de palavras e gestos "profanos".
A penúltima etapa do campeonato vai acontecer em uma pista que está sendo construída na cidade de Jedá —e cujas últimas imagens, inclusive, geraram dúvidas no paddock devido ao atraso nas obras, ainda que os organizadores garantam que tudo ficará pronto a tempo— que é um dos pontos de partida para a peregrinação à cidade sagrada de Meca. Não-muçulmanos, no entanto, não têm permissão para visitar a cidade. O contrato dos sauditas com a F1 é de pelo menos 10 anos e, ainda que os valores não tenham sido divulgados, acredita-se que seja a prova mais lucrativa da categoria, com investimento de mais de US$ 65 milhões por ano. Não que este seja o único investimento saudita no esporte, depois que a petrolífera Aramco fechou um contrato de patrocínio de longo prazo com a categoria, juntando-se a DHL, Emirates, Heineken, Pirelli e Rolex como uma de suas parceiras globais.
A ida da Fórmula 1 à Arábia Saudita tem gerado discussão por dois pontos: o foco em sustentabilidade e, principalmente, depois que a categoria passou a se pronunciar a respeito de questões voltadas aos direitos humanos dentro da campanha We Race As One ("nós corremos como um só", em português). Em todas as etapas, são divulgadas ações em cada um dos lugares por onde a F1 passa, ligadas aos dois temas, além da exibição de um vídeo antes da largada, após o qual os pilotos estão livres para usar camisetas e se manifestarem da maneira que quiserem a respeito da causa escolhida. Isso aconteceu mesmo em países com histórico de desrespeito aos direitos humanos, e deve se repetir na etapa saudita.
________________________________________////////////
FMI aponta perdas permanentes do PIB mundial com a pandemia, diz economista

247 - O relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) que rebaixou a previsão de crescimento da economia mundial deste ano para 5,9%, divulgado na semana passada, também apontou que a pandemia de Covid-19 irá deixar “marcas duradouras”no tocante à recuperação econômica.
“Por exemplo, nos casos de emergentes asiáticos (excluindo China), África Subsaariana e América Latina e Caribe, os produtos internos brutos agora previstos pelo Fundo para 2024 deverão estar, respectivamente, 9%, 5% e 4,5% menores que aqueles projetados antes da pandemia, em janeiro do ano passado. Apenas Estados Unidos e emergentes da Europa Oriental aparecem com PIB maiores que antes”, destaca o economista Otaviano Canuto em sua coluna na Folha de S. Paulo.
Canuto destaca, ainda, que o documento “projeta que até 2024 haverá perda de empregos em relação a tendências de antes da pandemia maior entre emergentes e em desenvolvimento”. Para o economista, “há uma perda definitiva quando se comparam as trajetórias antes previstas e as efetivas com a pandemia. Mesmo que se supusesse hipoteticamente um exato retorno da economia ao ponto de partida prévio, retomando a partir daí a taxa de crescimento anterior à pandemia, todo o PIB não gerado durante a crise estaria permanentemente perdido”.
“Trata-se de situação diferente das crises associadas a ciclos industriais ou financeiros comuns na história porque, nesses casos, em geral terá ocorrido previamente algum período de crescimento acima do normal ou tendencial. Na pandemia só há o lado da perda”, completa. “A pandemia está deixando cicatrizes nos mercados de trabalho. Desemprego por tempo significativo leva à erosão de qualificações. A qualidade e a quantidade de horas na formação de capital humano também estão sendo negativamente impactadas”, diz ele mais à frente.
“A pandemia deixará outras cicatrizes, como abordado por Diggle e Bartholomew (2021). É preciso levar em conta que o suporte financeiro pelo setor público tornou possível a sobrevivência de empresas ‘zumbis’, ou seja, incapazes de gerar retornos e com dificuldade de cumprir serviços de dívida. O suporte via políticas públicas evitou a morte de empresas viáveis em condições normais, mas o efeito colateral de criar zumbis constitui, por seu lado, um entrave na realocação de recursos”, destaca.
Em relação à recuperação econômica, Canuto alerta para “o perigo de que políticas econômicas nacionais passem a privilegiar a prevenção contra riscos e retrocedam na integração produtiva através das fronteiras que marcou a globalização nas décadas anteriores à crise financeira global, já sujeita a pressões no sentido oposto desde então. A primazia da eficiência e da minimização de custos cederia espaço à segurança contra riscos de choques sobre a disponibilidade de importações. As rupturas no abastecimento que têm marcado o atual momento da recuperação da crise podem ser usadas como justificativa para tal”.
“Há também que se levar em conta como possível consequência positiva o reforço —aparentemente o caso em muitos países— do apoio político doméstico à busca do crescimento sustentável e inclusivo. Por enquanto, porém, ficam as perdas permanentes de PIB”, finaliza.
________________________________________////////////
Universitária festeja aniversário com bolo confeitado com o retrato de Hitler | Ancelmo - O Globo
Por Ana Cláudia Guimarães

A deputada Juliana Brizola (PDT-RS) acaba de entrar com uma denúncia no Ministério Público do Rio Grande do Sul contra apologia nazista praticada pela estudante de História, Caroline Gutknecht (na foto ao lado do marido), 24 anos, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). No último dia 25, ela comemorou o seu aniversário com um bolo confeitado em homenagem a Hitler (foto), imagens posteriormente compartilhadas na rede social.
Na festa, Caroline aparece usando o casaco com o emblema da UFPel para dar, segundo Juliana Brizola, o aval à homenagem a Hitler:
"Em tempos de proliferação do discurso de ódio, manifestações neonazistas e racistas têm surgido em diversos setores da sociedade, causando a necessidade de ações firmes de todas instituições estatais. É intolerável qualquer manifestação, sob um falso argumento de liberdade de expressão, que faça apologia ao nazismo. Estes símbolos trazem consigo as ideias de intolerância, ódio, racismo e extermínio do outro e não podem, serem admitidas. Neste sentido, conforme documentos acostados a presente, cumpre trazer à tona fato ocorrido pela estudante Caroline Gutknecht, estudante de História da Universidade Federal de Pelotas que fez apologia a símbolos nazistas na comemoração de seu aniversário", afirmou Juliana Brizola.
Segundo a deputada, dados extraídos da Agência Senado, a ONG Safernet, identifica um recente aumento no número de sites com conteúdo nazista. Em junho de 2020, a ONG conseguiu a remoção de 7,8 mil páginas com essa temática. Em junho de 2019, conseguiram derrubar 1,5 mil. Porém, publicações com conteúdos nazistas prosseguem, apontando estudos acadêmicos, que informam, segundo Juliana Brizola, "um crescimento no número de células neonaziastas no Brasil. Atualmente, existem em torno de 530 espalhadas por todas as regiões do país".
Juliana Brizola afirma ainda que páginas nas redes sociais que denunciaram o ato criminoso de apologia ao nazismo foram retiradas do ar. A reitora Isabela Fernandes Andrade, da Universidade de Pelotas, emitiu um documento dizendo que a universidade está acompanhando com cautela as denúncias para que não aconteçam atos injustos "devido a análises intempestivas". A reitora garante, em documento, que a UFPel é contra qualquer tipo de enaltecimento ao nazismo, ao facismo e a autores de crimes contra a humanidade.


________________________________________////////////Rio de Janeiro: 75% dos feminicídios em 2020 ocorreram dentro de casa

Camila Brandalise
De Universa
18/10/2021 11h17
"Se foi tão nova e cheia de vida", disse Veronica da Veiga sobre a sobrinha, Priscilla da Veiga Freitas, de 26 anos, após encontrá-la morta em casa, em setembro de 2020. O marido, o cabo da Polícia Militar Leandro Alves Siqueira, foi preso como principal suspeito de ter cometido o crime.
O nome de Priscilla se junta ao de outras 77 mulheres mortas pela condição de gênero no ano passado no Rio de Janeiro, Em média, houve uma vítima de feminicídio a cada cinco dias no estado. Em 75% dos casos, foram assassinadas dentro da própria casa e, em 78% das vezes, o autor do crime era o companheiro ou ex. Em 20 dos crimes, os filhos presenciaram a violência.
Relacionadas

Atlas da Violência 2021: 66% das mulheres assassinadas no Brasil são negras
Os dados fazem parte do Dossiê Mulher 2021, do ISP (Instituto de Segurança Pública), um mapeamento da violência doméstica cometida no estado no último ano.
Menos de 10% das vítimas tinham medidas protetivas contra os agressores. Mais da metade delas tinha sofrido algum tipo de violência, mas não registrou ocorrência. A maioria tinha entre 30 e 59 anos (58%) e era negra (55%). Segundo os autores, os crimes foram cometidos após uma briga, em 27 casos e, em outros 20, após o término do relacionamento. "Mostra como o machismo está enraizado na sociedade. Se fosse o homem terminando, ele teria sido morto? Com certeza não. É como se a mulher não tivesse direito de terminar relacionamento", explicou a presidente do ISP, Marcela Ortiz.
11 vítimas de violência doméstica por hora
O levantamento traz mais números alarmantes: no ano passado, 98 mil mulheres registraram ocorrência por violência doméstica em território fluminense, o que significa que 11 pessoas foram agredidas a cada hora.
Assim como nos casos de feminicídio, a maioria das vítimas tinha entre 30 e 59 anos.
No evento do lançamento da pesquisa, Ortiz ressaltou que os registros de violência doméstica e de feminicídio caíram durante a pandemia. "Apesar de haver a possibilidade de subnotificação por causa da pandemia, da impossibilidade de a vítima sair da própria residência, pela presença e controle do agressor, podemos destacar o aumento das medidas que dão mais proteção às vítimas, assim como a implementação de programas com o mesmo intuito, como a Patrulha Maria da Penha", afirmou.
"A violência contra a mulher é uma escada e dá sinais. É importante que no primeiro sinal que o relacionamento se mostra abusivo, é importante que a mulher denuncie para não chegar no último degrau, que culmina no fim da vida dela", disse Ortiz.
Sete meninas com até 14 anos foram estupradas por dia no estado
Em relação à violência sexual, houve 11 registros de estupro por dia, uma queda de cerca de 15% em relação a 2019. Mas, em contrapartida, houve aumento dos casos de estupro de vulnerável, quando a vítima tem menos de 14 anos ou não tem condição de manifestar resistência.
Esse tipo de crime teve mais do que o dobro dos registros na comparação com o ano anterior. Foram sete meninas de até 14 anos estupradas por dia.
Como procurar ajuda
Se você está sofrendo violência doméstica ou conhece alguém que esteja passando por isso, pode ligar para o número 180, a Central de Atendimento à Mulher. Funciona em todo o país e no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita. O serviço recebe denúncias, dá orientação de especialistas e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. O contato também pode ser feito pelo WhatsApp no número (61) 99656-5008.
Para denunciar, procure a delegacia próxima de sua casa — preferencialmente, da mulher — ou então faça o boletim de ocorrência eletrônico, pela internet. O pedido de proteção é enviado imediatamente ao juiz, que tem até 48 horas para atender a solicitação. Em alguns casos, a medida é concedida pela própria autoridade policial.
Caso tenha receio de ir a uma delegacia, é possível procurar o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) da sua cidade. Em alguns deles, há núcleos específicos para identificar que tipo de ajuda a mulher agredida pelo marido precisa, psicológica ou financeira, por exemplo, e dar o encaminhamento necessário.
Também é possível realizar denúncias de violência contra a mulher pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil ou no site do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
________________________________________////////////Estantes antigas enchem a decoração de versatilidade e memórias afetivas
Silvia Montico
Colaboração para Nossa
18/10/2021 04h00
Basta um olhar atento para os feeds de decoração de interiores para perceber que elas estão de volta. Sim, as clássicas estantes dos anos 60, 70, 80 e 90, que são peças repletas de memórias afetivas.
Afinal, se você é um millenial com certeza se lembra de uma estante dessas na sua casa de infância. Ou então, se você nasceu antes dos anos 80, é muito provável que tenha sido você mesmo a ir em uma loja de móveis para comprar um desses modelos.
Objetos de estimação

Fotografias na decoração: saiba como usar para valorizar ambientes
Amor à primeira vista
A digital marketing Paula Amorim encontrou a sua enquanto "dava uma passada" por um bazar de móveis antigos. "Minha ideia era achar algum móvel para preencher um espaço da sala que estava bem vazio. Pensava em um aparador ou algo do tipo, mas quando me deparei com a estante fiquei apaixonada".


Em seguida, Paula rodou a loja umas dez vezes "matutando", como ela mesma diz. "Como eu poderia levar para casa, será que valia a pena, será que se desmontasse dava para montar novamente, eu ia saber reformar essa estante?", contou. Segundo ela, o vendedor, notando sua indecisão, disse: "se você pagar à vista, dou um desconto e de R$ 120 eu faço por R$ 90". A partir daí, Paula sabia que a estante não podia ser deixada para trás.
Arrumei um carreto e nem precisei reformar. Acabei passando apenas cera para lustrar a peça. Decorei com lembranças, livros e plantas. Ela já resistiu a duas mudanças e é sem dúvida o meu móvel preferido da casa", conta.
Um achado no meio da rua Sé a estante de Paula já chama atenção pelo baixo preço, a da estagiária Eliane Souza impressiona ainda mais, pois saiu de graça.

Em uma caminhada pelas ruas de Jundiaí (SP), onde mora, Eliane e o marido encontraram a estante dando sopa na calçada. "Estava sendo literalmente descartada. Por aqui há um dia de coleta chamado 'cata-treco', em que os moradores podem colocar nas calçadas os móveis e materiais que não utilizam mais para que um caminhão faça a coleta. E ela estava ali".
A estagiária agiu rápido e junto do marido carregou a estante por cerca de 600 metros, até chegar em sua casa.
Ela é uma estante modular, provavelmente da década de 1960 e nunca mais saiu da minha casa", contou.
Estante cheia de histórias
Depois de morar sete anos fora do Brasil, a arquiteta e paisagista Nicolle Maia Gaioka, pôs os pés na casa nova e logo visualizou a configuração dos móveis da sala, que era grande e com pé direito alto. "A minha primeira leitura do espaço foi de ter poucos móveis, mas de porte grande e com presença".

Apaixonada pela combinação de estantes, prateleiras e plantas, sua intenção era transformar a parede principal da sala numa parede verde. "Com isso em mente, comecei o processo do garimpo da estante, que deveria ocupar a parede toda e ter bastante espaço, nichos e prateleiras de diferentes alturas para acomodar os vasos", detalhou.
No primeiro dia de busca em sites de móveis usados, Nicole já encontrou sua atual estante. "Era uma peça fabricada em janeiro de 1975 e a família Telles, a antiga dona, me contou que era um móvel de luxo. A madeira de cerejeira estava na moda naquela época e era tendência ter essa estante na decoração", detalha.
Nicole foi a fundo para conhecer o passado do seu móvel e soube pela neta da dona original que "sua avó gostava muito da peça, pois era bastante moderna para a época e sua parte favorita era o espaço do bar".

Após o falecimento da dona original, a estante foi para o quarto do seu marido e tinha um valor sentimental enorme para ele. "Era uma lembrança da esposa, de um móvel que ela amava muito e de um momento de pura felicidade vivido por eles", comentou Nicole.
E foi com esse mesmo carinho que a arquiteta levou o móvel para sua casa. "Minha relação com móveis vintage é muito afetiva e quando descobri a história por trás dessa estante fiquei emocionada. Senti uma conexão com minha antiga casa em Portugal, que também tinha como parte central o bar. Era como se eu tivesse encontrado um pouco dela aqui no Brasil", detalhou.
Essa é a magia do vintage. As histórias, as conexões. Essa estante já tinha tanta importância na vida dos Telles e eu nem mesmo tinha nascido, e agora ela está aqui comigo nesse meu recomeço em terras brasileiras".
Resgate da memória afetiva

Para a designer Ana Laura Gomes e a garimpeira Bia Betarello, as estantes antigas têm feito tanto sucesso nas redes sociais (e fora delas) porque resgatam memórias afetivas.
"Acho que não tem ninguém nascido nessas épocas que não tenha se deparado com uma estante assim na casa de alguém da família", diz Ana Laura.
Unidas pela paixão pelos móveis antigos, as amigas abriram uma loja especializada em mobiliário usado, localizada em Amparo, no interior de São Paulo.
"Nossa história com as estantes vintage começou quando encontramos uma feita de caviúna. O dono queria vender para comprar um rack e nós a resgatamos para um futuro melhor. Depois de postar, ela foi vendida em minutos. Então começamos nosso garimpo específico para essas peças", conta Bia.

Para as sócias, as estantes são ícones de uma transformação da indústria de móveis que, até então, ou eram feitos por marceneiros ou projetados num desenho único, o que não possibilitava a personalização ou o acesso, devido ao alto custo das peças.
"Essas estantes modulares, que surgiram com um material alternativo e eram folheadas em madeiras nobres, tinham a grande vantagem de ter valor mais acessível. Além disso, podiam ser adaptadas ao espaço e formato desejado por cada cliente", conta Ana Laura, explicando um pouco porque esses modelos fizeram tanto sucesso no passado se tornaram uma espécie de vira-lata caramelo das casas brasileiras.
Essas estantes não costumam ter design assinado, mas são amadas incondicionalmente, além de terem se tornado peças clássicas e versáteis", completa Ana.
Como usar estantes antigas na decoração

As garimpeiras Ana e Bia contam que as estantes antigas combinam com qualquer estilo de decoração, já que são os objetos que serão colocados em seus nichos é que vão ter o DNA da casa. "Coloque coisas divertidas, plantas, livros e ela faz o seu trabalho", diz Ana Laura.
Já a estagiária Eliane Souza optou por combinar as tonalidades dos móveis, compondo com paredes mais neutras, para poder apostar em objetos e têxteis coloridos sem pesar na decoração.
Mas esse 'combinar' é muito pessoal. O mais importante é eu gostar do móvel (sem modismos)", frisa.

A digital marketing Paula Amorim aposta no equilíbrio entre o novo e o antigo na hora de decorar. "Baseie-se no seu gosto e tente visualizar o móvel com o que você já tem em casa. Como minha decoração é mais contemporânea, para os móveis antigos não pesarem, eu uso a estante com objetos leves, coloridos e, claro, muitas plantas".
A dica da arquiteta Nicolle Gaioka é sair do óbvio e explorar diferentes usos e funcionalidades de um móvel antigo, seja ele qual for. "Um banco vintage pode virar suporte para vaso, uma penteadeira pode virar aparador para corredor de entrada, não tem regra", diz.
Para ela, não há nada mais atual do que misturar vintage com contemporâneo, então não precisa ter medo de errar.
Não se esqueça de se divertir no processo, pois esse mundo vintage tem uma magia única e é repleto de muitas histórias e possibilidades infinitas", completa.
________________________________________////////////
Randolfe quer Guedes no relatório e ameniza divergências

247 - O vice-presidente da CPI da Covid-19, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), defendeu que a Comissão Parlamentar de Inquérito peça a autoridades competentes o indiciamento do ministro da Economia, Paulo Guedes. O parlamentar negou divergências com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que adiou para a próxima semana a apresentação do relatório.
"Temos outras contribuições, textos como do senador Alessandro Vieira que trazem outros indiciados, como o ministro Paulo Guedes. A eventual divergência que há neste momento é de forma, não de conteúdo. Vamos pacificar", disse Randolfe. O relato dele foi publicado pelo site Metrópoles.
Incialmente prevista para esta quarta (20), a apreciação do relatório ficou para 26 de outubro.
________________________________________////////////
Globoplay cresce 68%, bate recorde e pode faturar R$ 1 bilhão no ano - Cinema/TV / Notícias - BCharts Fórum

Segundo relatório financeiro da Globo divulgado a investidores, o faturamento do Globoplay cresceu 68% no segundo trimestre de 2021. O número é uma boa notícia para a Globo, que no primeiro semestre teve um prejuízo de R$ 144 milhões. Mas os números também mostram que as despesas do crescimento da plataforma de streaming têm aumentado rapidamente.
A Globo afirma que os usuários do Globoplay assistiram a mais de 193 milhões de horas de conteúdo nos meses de abril, maio e junho. No período, a plataforma trouxe uma receita adicional de R$ 113 milhões em comparação ao mesmo período do ano passado. Já a base de assinantes aumentou 42% em relação ao segundo semestre de 2020. O Big Brother foi a principal razão para o crescimento do número de assinantes.
Com relação ao faturamento ter crescido mais que o aumento do número de assinantes, a Globo explica que as recentes parcerias do Globoplay com concorrentes como Deezer, Apple TV+ e Amazon Prime ajudaram a melhorar o faturamento. Segundo a direção da Globo, parcerias e novos planos têm sido “efetivos para o aumento do preço médio dos valores de venda do Globoplay”. Acordos como o realizado com Deezer, Apple TV+ e Amazon também trazem novas receitas desses parceiros para a Globo.
Em junho, por exemplo, a Globo anunciou um surpreendente acordo do seu canal Premiere com o Amazon Prime, um concorrente direto do Globoplay. Com a parceria, o Premiere deixou de ser vendido exclusivamente no on-line pelo Globoplay e no Premiere Play, também passando a ficar disponível na plataforma de streaming da Amazon.
TV aberta e cabo em queda
Enquanto cresce no streaming, os resultados no cabo e na TV aberta decepcionam. No primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, o share da TV Globo das 7 da manhã à meia-noite caiu de 34% para 33%; mas no horário das 18h até meia-noite, a queda foi de 39% para 33%, justamente a faixa com os maiores valores de publicidade, com atrações como o Jornal Nacional e novelas. Em junho, o colunista Ricardo Feltrin revelou que a audiência da Globo caiu 15% sem o BBB.
A Globo afirma que o aumento do faturamento do Globoplay e os novos pacotes ajudaram a compensar a queda da base de assinantes na TV a cabo e em canais dedicados como o Premiere e o Combate.
Rumo ao primeiro bilhão
Se levarmos em conta o crescimento de receita de 68% em relação ao mesmo período de 2020 (e que isso representa R$ 113 milhões adicionais de faturamento), a estimativa é que a receita do Globoplay no segundo trimestre de 2020 estivesse em torno de 167 milhões. Ou seja, entre abril e junho deste ano, o Globoplay deve ter faturado cerca de R$ 280 milhões (R$ 113 milhões mais R$ 167 milhões). A Globo não divulga o número de assinantes nem a receita do Globoplay.
Mantido o ritmo de crescimento e receita próxima a R$ 280 milhões por trimestre, o Globoplay pode faturar pela primeira vez R$ 1 bilhão em um único ano. O problema é que no segundo semestre houve um aumento da concorrência com a estreia de outras plataformas de streaming e a emissora deixou de contar com o Big Brother para impulsionar suas vendas, o que deve reduzir o crescimento de assinantes e aumentar os cancelamentos.
Questionada sobre os dados de receita anual do Globoplay e o valor recebido dos parceiros, a Globo informou por meio de sua área de comunicação que “as informações públicas estão disponíveis no relatório. Quaisquer outras que envolvam acordos comerciais são internas e estratégicas para o negócio”.
Faturamento cresce, mas custos também
À medida que o faturamento do Globoplay aumenta, a conta também sobe. Os custos de vendas, publicidade e serviços aumentaram 83% (R$ 1,175 bilhões) no segundo trimestre de 2021 em comparação a 2020. Desse valor, R$ 975 milhões são de aumentos de custos de transmissão e direitos de exibição. O futebol e a aquisição de séries e filmes para o catálogo do Globoplay foram os principais responsáveis pelo aumento de 83% dos custos em relação ao ano anterior. A necessidade de aumentar o catálogo e os crescentes custos do conteúdo ajudam a explicar a ida do Telecine para dentro do Globoplay.
Vale notar que o pacote de futebol, apesar do alto custo para a Globo, teria trazido R$ 2,1 bilhões para a emissora com a venda de sete cotas de R$ 300 milhões na temporada de 2021.
O relatório aponta ainda uma despesa adicional de tecnologia da ordem de R$ 148 milhões na empresa, mas não informa se o investimento está relacionado ao Globoplay. O custo possivelmente esteja ligado à melhoria do sistema de meios de pagamentos usado nas plataformas digitais da Globo, um investimento de valor semelhante estava programado para 2021, apurou a coluna.
Um executivo que já trabalhou na emissora afirma que a empresa tem um grande desafio pela frente. “A Globo apostou tudo no digital, agora não pode voltar atrás. O problema é que o streaming é um negócio cada vez mais competitivo e de margem cada vez pior. A Globo é muito boa de conteúdo, o Big Brother prova isso. Mas será difícil seguir investindo no streaming, que é muito caro, sem descuidar das demais áreas. Será mais difícil ainda fazer o streaming dar o mesmo lucro que a TV dava”.
Em agosto, Jorge Nóbrega declarou ao jornal Valor Econômico que a primeira fase de reorganização do grupo Globo havia sido concluída. Disse ainda que “a tarefa de virar uma ‘mediatech’ exige tornar mais eficientes as operações tradicionais para manter uma boa gestão de caixa e apoiar novos produtos digitais, como o Globoplay, que têm alto crescimento, mas ainda requerem investimento pesado”. Nóbrega deixará a Globo em fevereiro de 2022, e Paulo Marinho, neto de Roberto Marinho, assumirá o comando.
Segundo Manuel Belmar, diretor-geral de Finanças da Globo, o segundo trimestre de 2021 apontou uma recuperação de receitas, mesmo em meio à pandemia, o que demonstra a capacidade de superar desafios e implementar com sucesso o processo de transformação, para que a empresa se torne cada vez mais forte e apta a retomar o ritmo de negócios e aproveitar as oportunidades que vão surgindo. “Temos uma estratégia de negócios clara, sólida situação econômico-financeira, competência, qualidade, comprometimento e dedicação de todos os colaboradores. Mesmo diante de bons resultados, sabemos que a pandemia deve nos acompanhar por mais um tempo, o que deve demandar ainda paciência e cuidados especiais para a retomada do ritmo normal de produções. Enquanto isso, continuaremos mantendo o foco na saúde e segurança dos colaboradores com total prioridade”, disse o executivo.
Segundo relatório financeiro da Globo divulgado a investidores, o faturamento do Globoplay cresceu 68% no segundo trimestre de 2021. O número é uma boa notícia para a Globo, que no primeiro semestre teve um prejuízo de R$ 144 milhões. Mas os números também mostram que as despesas do crescimento da plataforma de streaming têm aumentado rapidamente.
A Globo afirma que os usuários do Globoplay assistiram a mais de 193 milhões de horas de conteúdo nos meses de abril, maio e junho. No período, a plataforma trouxe uma receita adicional de R$ 113 milhões em comparação ao mesmo período do ano passado. Já a base de assinantes aumentou 42% em relação ao segundo semestre de 2020. O Big Brother foi a principal razão para o crescimento do número de assinantes.
Com relação ao faturamento ter crescido mais que o aumento do número de assinantes, a Globo explica que as recentes parcerias do Globoplay com concorrentes como Deezer, Apple TV+ e Amazon Prime ajudaram a melhorar o faturamento. Segundo a direção da Globo, parcerias e novos planos têm sido “efetivos para o aumento do preço médio dos valores de venda do Globoplay”. Acordos como o realizado com Deezer, Apple TV+ e Amazon também trazem novas receitas desses parceiros para a Globo.
Em junho, por exemplo, a Globo anunciou um surpreendente acordo do seu canal Premiere com o Amazon Prime, um concorrente direto do Globoplay. Com a parceria, o Premiere deixou de ser vendido exclusivamente no on-line pelo Globoplay e no Premiere Play, também passando a ficar disponível na plataforma de streaming da Amazon.
TV aberta e cabo em queda
Enquanto cresce no streaming, os resultados no cabo e na TV aberta decepcionam. No primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado, o share da TV Globo das 7 da manhã à meia-noite caiu de 34% para 33%; mas no horário das 18h até meia-noite, a queda foi de 39% para 33%, justamente a faixa com os maiores valores de publicidade, com atrações como o Jornal Nacional e novelas. Em junho, o colunista Ricardo Feltrin revelou que a audiência da Globo caiu 15% sem o BBB.
A Globo afirma que o aumento do faturamento do Globoplay e os novos pacotes ajudaram a compensar a queda da base de assinantes na TV a cabo e em canais dedicados como o Premiere e o Combate.
Rumo ao primeiro bilhão
Se levarmos em conta o crescimento de receita de 68% em relação ao mesmo período de 2020 (e que isso representa R$ 113 milhões adicionais de faturamento), a estimativa é que a receita do Globoplay no segundo trimestre de 2020 estivesse em torno de 167 milhões. Ou seja, entre abril e junho deste ano, o Globoplay deve ter faturado cerca de R$ 280 milhões (R$ 113 milhões mais R$ 167 milhões). A Globo não divulga o número de assinantes nem a receita do Globoplay.
Mantido o ritmo de crescimento e receita próxima a R$ 280 milhões por trimestre, o Globoplay pode faturar pela primeira vez R$ 1 bilhão em um único ano. O problema é que no segundo semestre houve um aumento da concorrência com a estreia de outras plataformas de streaming e a emissora deixou de contar com o Big Brother para impulsionar suas vendas, o que deve reduzir o crescimento de assinantes e aumentar os cancelamentos.
Questionada sobre os dados de receita anual do Globoplay e o valor recebido dos parceiros, a Globo informou por meio de sua área de comunicação que “as informações públicas estão disponíveis no relatório. Quaisquer outras que envolvam acordos comerciais são internas e estratégicas para o negócio”.
Faturamento cresce, mas custos também
À medida que o faturamento do Globoplay aumenta, a conta também sobe. Os custos de vendas, publicidade e serviços aumentaram 83% (R$ 1,175 bilhões) no segundo trimestre de 2021 em comparação a 2020. Desse valor, R$ 975 milhões são de aumentos de custos de transmissão e direitos de exibição. O futebol e a aquisição de séries e filmes para o catálogo do Globoplay foram os principais responsáveis pelo aumento de 83% dos custos em relação ao ano anterior. A necessidade de aumentar o catálogo e os crescentes custos do conteúdo ajudam a explicar a ida do Telecine para dentro do Globoplay.
Vale notar que o pacote de futebol, apesar do alto custo para a Globo, teria trazido R$ 2,1 bilhões para a emissora com a venda de sete cotas de R$ 300 milhões na temporada de 2021.
O relatório aponta ainda uma despesa adicional de tecnologia da ordem de R$ 148 milhões na empresa, mas não informa se o investimento está relacionado ao Globoplay. O custo possivelmente esteja ligado à melhoria do sistema de meios de pagamentos usado nas plataformas digitais da Globo, um investimento de valor semelhante estava programado para 2021, apurou a coluna.
Um executivo que já trabalhou na emissora afirma que a empresa tem um grande desafio pela frente. “A Globo apostou tudo no digital, agora não pode voltar atrás. O problema é que o streaming é um negócio cada vez mais competitivo e de margem cada vez pior. A Globo é muito boa de conteúdo, o Big Brother prova isso. Mas será difícil seguir investindo no streaming, que é muito caro, sem descuidar das demais áreas. Será mais difícil ainda fazer o streaming dar o mesmo lucro que a TV dava”.
Em agosto, Jorge Nóbrega declarou ao jornal Valor Econômico que a primeira fase de reorganização do grupo Globo havia sido concluída. Disse ainda que “a tarefa de virar uma ‘mediatech’ exige tornar mais eficientes as operações tradicionais para manter uma boa gestão de caixa e apoiar novos produtos digitais, como o Globoplay, que têm alto crescimento, mas ainda requerem investimento pesado”. Nóbrega deixará a Globo em fevereiro de 2022, e Paulo Marinho, neto de Roberto Marinho, assumirá o comando.
Segundo Manuel Belmar, diretor-geral de Finanças da Globo, o segundo trimestre de 2021 apontou uma recuperação de receitas, mesmo em meio à pandemia, o que demonstra a capacidade de superar desafios e implementar com sucesso o processo de transformação, para que a empresa se torne cada vez mais forte e apta a retomar o ritmo de negócios e aproveitar as oportunidades que vão surgindo. “Temos uma estratégia de negócios clara, sólida situação econômico-financeira, competência, qualidade, comprometimento e dedicação de todos os colaboradores. Mesmo diante de bons resultados, sabemos que a pandemia deve nos acompanhar por mais um tempo, o que deve demandar ainda paciência e cuidados especiais para a retomada do ritmo normal de produções. Enquanto isso, continuaremos mantendo o foco na saúde e segurança dos colaboradores com total prioridade”, disse o executivo.
________________________________________////////////NÃO é INCOMPETÊNCIA, é SABOTAGEM Leonardo Sakamoto - Relatório da CPI vai apontar que Jair não foi incompetente, mas homicida.
Colunista do UOL 16/10/2021 11h3
Às vésperas da apresentação e votação do relatório da CPI da Covid, que pode pedir o indiciamento de Jair Bolsonaro pelos crimes de homicídio por omissão, epidemia com resultado morte, infração de medidas sanitárias, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime, falsificação de documento particular, charlatanismo, prevaricação, crimes contra a humanidade, crimes de responsabilidade e genocídio de indígenas, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) tentou terceirizar responsabilidades - seguindo a tradição da família.
"Algum governante já lidou com pandemia no Brasil?
Querem cobrar do presidente Bolsonaro uma postura de respostas como se tivéssemos em tempos normais.
Não é fácil tomar decisões.
Então quando aparecia alguma coisa que dava esperança pra população o presidente Bolsonaro acreditava naquilo e buscava celeridade", afirmou.
Por exemplo, enfiou goela abaixo da população remédios sem eficácia para a covid-19 com o objetivo de empurrar o Brasil de volta às ruas.
Temia que as necessárias quarentenas, que salvaram vidas mesmo com a sabotagem presidencial, poderiam impactar a economia e, portanto, sua reeleição.
Mesmo hoje, passado mais de um ano do consenso científico de que hidroxicloroquina e ivermectina não funcionam para a doença, Bolsonaro segue repetindo esse charlatanismo até na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Mesmo que a comissão não impute a Bolsonaro todos os crimes elencados pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL), ainda assim terá reunido evidências de que ele deliberadamente sabotou o combate à pandemia sabendo dos riscos para os brasileiros.
Se um cone, uma cadeira, um chihuahua ou um biscoito estivessem no lugar de Bolsonaro comandando a República, muito menos mortes teriam ocorrido na pandemia porque eles não fariam nada, mas também não atrapalhariam o país.
O biscoito não conseguiria articular governadores e prefeitos visando a um plano nacional de quarentenas e lockdowns para salvar vidas. Mas Bolsonaro também não fez isso, pelo contrário, bombardeou qualquer tentativa nesse sentido.
E o biscoito não atuaria para sabotar o combate à covid-19.
Não seria garoto-propaganda de remédios sem eficácia, não tentaria furar o isolamento social, não falaria mal de vacinas e do uso de máscaras, não teria ordenado o então ministro (sic) da Saúde Eduardo Pazuello a interromper a compra de vacinas em outubro do ano passado, não propagaria fake news sobre a doença.
Não teríamos 600 mil mortos se um biscoito inútil fosse presidente.
Mas infelizmente, o presidente não foi o biscoito, mas Bolsonaro.
Em 8 julho de 2020, Bolsonaro sancionou a lei aprovada pelo Congresso que reconhecia indígenas, quilombolas e outros povos tradicionais como grupos de extrema vulnerabilidade durante a pandemia e que ações deviam ser tomadas para protege-los.
Porém, vetou trechos como a obrigação de distribuir materiais de higiene e limpeza para uso nas aldeias, além de garantir alimentos e água potável.
Também foi contra a oferta de leitos hospitalares e de terapia intensiva a essas comunidades.
O Congresso derrubou o veto no mês seguinte, mas o governo não implementou um plano decente de atendimento a esses grupos, mesmo com decisões do Supremo Tribunal Federal que cobraram a efetividade de ações.
Bolsonaro agiu consistentemente contra a saúde dos povos indígenas.
Agora, acha um absurdo que a CPI queira responsabilizá-lo por isso.
Se Jair não tivesse feito nada e deixado as decisões para o Congresso e os técnicos, como teria feito o biscoito, pois é um biscoito, 400 mil menos mortes teriam ocorrido, de acordo com o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas.
Mas ele atuou contra a vida. E, agora, precisa responder por isso.
Isso não é vingança, não é a mesma coisa que o justiciamento cometido pelos milicianos no Rio de Janeiro que são defendidos por ele.
Isso é Justiça, dentro das "quatro linhas da Constituição", como gosta tanto de repetir.
Agora, a Procuradoria-Geral da República tem uma excelente oportunidade para provar que não é o mordomo presidencial e levar a questão ao Supremo Tribunal Federal.
Hora de mostrar que não somos uma República de Bananas, nem de biscoitos. Ou de bolachas.
________________________________________////////////
Balaio do Kotscho - Com medo do relatório da CPI, Bolsonaro chora e se faz de vítima do mundo


Ricardo Kotscho
Colunista do UOL
16/10/2021 17h16
Acusado no relatório final da CPI da Covid, que será votado na próxima quarta-feira, de ter praticado 11 crimes durante a pandemia, Bolsonaro agora está com medo de tudo e quer fazer papel de vitima.
Nunca um presidente da República foi acusado de tantos e tão graves crimes ao mesmo tempo (ver a relação mais abaixo) no exercício do mandato.
Podem reparar: sempre que a situação aperta para o lado dele, o capitão valentão corre para os quartéis ou os templos.
Esta semana, como o seu prestígio com os militares anda em baixa, depois do fuzuê golpista de 7 de setembro, Bolsonaro recorreu mais uma vez aos pastores amigos.
Num encontro organizado pela igreja evangélica Comunidade das Nações, em Brasília, o presidente pediu piedade:
"Quantas vezes eu choro no banheiro em casa. Minha esposa nunca viu. Ela acha que eu sou o machão dos machões. Em parte, acho que ela tem razão até..."
A revelação patética não combina com sua imagem combativa nos palanques, de onde nunca desceu, desde que foi eleito, atirando para todos os lados, agora em busca da reeleição.
"Cada vez mais, nós sabemos o que devemos fazer. Para onde devemos direcionar nossas forças.(...) A gente não pode o tempo todo ser tolhido, impedido, por qualquer coisa, de prosseguir na nossa missão", desabafou o pobre presidente, em seu novo figurino de perseguido pelo mundo, insinuando que os outros poderes não o deixam governar.
Se sabe, por que não faz nada para tirar o Brasil desse buraco?
Na sexta-feira, depois de ser apontado pelo senador Renan Calheiros como principal responsável pela tragédia dos mais de 600 mil mortos na pandemia, Bolsonaro voltou ao "cercadinho" dos devotos no Alvorada e foi ao ataque:
"O Renan me chama de homicida, um bandido daquele. Bandido é elogio para ele. O Renan está achando que não vou dormir porque está me chamando de homicida, está de sacanagem".
Mais do que homicida, o presidente foi qualificado também como genocida de populações indígenas, a quem negou água potável, comida e tratamento correto contra a Covid, apenas enviando caminhões de cloroquina, o remédio que não cura, mas pode matar.
Eis a relação de crimes em que é acusado no relatório da CPI:
* infração de medida sanitária preventiva
* epidemia
* charlatanismo
* incitação ao crime
* falsificação de documento particular
* emprego irregular de verbas públicas
* prevaricação
* genocídio de indígenas
* crimes de responsabilidade ( violação de direito social e incompatibilidade com dignidade, honra e decoro do cargo)
* homicídio comissivo, quando é cometido por omissão.
Esse poderia ser o prontuário criminal do maior "serial killer" do século 21, sem falar na destruição das florestas, do meio ambiente, da educação, da ciência e da cultura. Do nosso futuro, enfim. Seria essa a sua " missão"?
Além disso, o relatório prevê o envio de denúncia de "crime contra a humanidade" ao Tribunal Penal Internacional. É mais provável ele ser condenado lá do que aqui.
Se Bolsonaro já sofria de problemas de insônia crônica antes desse relatório, agora poderá passar o restante de suas noites no Alvorada chorando no banheiro, se é que é verdade o que ele falou. Não posso imaginar Bolsonaro chorando, depois de dizer "e daÍ, eu não sou coveiro?", diante das milhares de mortes que iam se acumulando no país desde março do ano passado _ e que poderiam ter sido evitadas. .
No máximo, o capitão poderá se preocupar com o destino dos seus filhos, também citados no relatório da CPI, junto com dezenas de ministros, ex-ministros, empresários amigos e ex-funcionários da alta administração federal.
O pior é que Bolsonaro não pode nem sair do Brasil. Qual outro país civilizado o receberia? Quem o convidaria? Para receber um único chefe de Estado estrangeiro esse ano, ele teve que mandar um avião da FAB buscá-lo na África.
Único chefe de Estado do G-20 ainda não vacinado, o presidente está em dúvida se participará da próxima reunião sobre o clima, programado para Glasgow, na Escócia, no final do ano. Melhor mesmo não ir. Maior vilão do aquecimento global, com as crescentes queimadas na Amazônia, o que ele faria lá, o que teria a contribuir?
Vida que segue.
________________________________________////////////
Última vítima de naufrágio no MS está em "difícil acesso", dizem bombeiros
Wanderley Preite Sobrinho e Lucas Borges Teixeira
Do UOL, em São Paulo
16/10/2021 12h03
Atualizada em 16/10/2021 19h51
O Corpo de Bombeiros de Corumbá (MS), a 415 km de Campo Grande, segue tentando resgatar a sétima vítima do naufrágio de um barco-hotel no rio Paraguai na tarde de ontem (15). Em vídeo, o comandante do resgate explica que ela está "num local de difícil acesso pelos mergulhadores".
Esta é a última pessoa que segue desaparecida do naufrágio. No total, seis corpos foram localizados, quatro hoje e dois ontem.

Fim de semana terá chuva forte e rajadas de vento de até 100 km/h no Brasil
"A principal dificuldade que nós estamos tendo é o acesso a essa última vítima. Ela está num local de difícil acesso dos mergulhadores. Estamos traçando algumas estratégias para poder alcançar e resgatar essa, que é a sétima vítima", declarou o capitão Rodrigo Alves Bueno, responsável pelo resgate.
"A informação obtida através de um sobrevivente é de que, entre os náufragos, sete pessoas ficaram submersas", diz nota divulgada pelos bombeiros à tarde. "Até o presente momento, seis pessoas foram encontradas em óbito, sendo dois na data de ontem e quatro na corrente manhã."
Das seis vítimas, cinco moravam na cidade goiana de Rio Verde, quatro da mesma família. A prefeitura declarou luto, enquanto a Câmara Municipal prestou condolências.
Em nota, a Marinha confirmou que "das 21 pessoas que estavam na embarcação, 14 foram resgatadas". As buscas continuam.
Vento forte atingiu embarcação

Segundo os bombeiros, toda a região de Corumbá foi atingida por rajadas de ventos fortes por volta das 14 horas de ontem, "ocasionando diversas ocorrências".
"No rio Paraguai, na região do Tagiloma, uma embarcação de turistas chamada 'Carcará', com total de 21 pessoas embarcadas, foi atingida violentamente por esses fortes ventos, vindo a naufragar", dizem os bombeiros.
O barco de esporte e recreio naufragou a cerca de cinco quilômetros do Porto Geral de Corumbá, em um trecho do rio Paraguai atingido por ventos de 45 km/h.
Assim que a informação do naufrágio chegou aos bombeiros, foram montadas equipes de resgate com militares da unidade e da operação Hefesto, montada originalmente para combate aos incêndios florestais na região do Pantanal, em Corumbá.
A equipe formada por 16 militares, incluindo quatro mergulhadores, conta com uma viatura de salvamento, duas embarcações, uma unidade de resgate, além de equipamentos para mergulho. Por volta das 17h, o corpo da primeira vítima foi encontrado.
No estado, ventos chegaram a 90 km/h
Ontem, o estado de Mato Grosso do Sul foi atingido por temporais com trovoadas e fortes ventos, que ultrapassaram os 90 km/h. A chegada de uma frente fria ao estado causou um temporal de areia que "transformou" o dia em noite em várias cidades do estado.
Em vídeos postados por moradores, o céu apareceu tomado por um tom escuro de marrom. Vindos da Patagônia, a chuva e os fortes ventos, que chegaram a 94,5 km/h, derrubaram a temperatura de 33 para 18 °C em Campo Grande. Na região do aeroporto da cidade, a visibilidade foi reduzida para 800 metros por causa da poeira.
De acordo com o Climatempo, a frequência do fenômeno deve aumentar nos próximos anos. Isso porque as tempestades de areia estão sendo estimuladas pelos períodos de estiagem cada vez mais intensos no Sudeste e Centro-Oeste.
O site de meteorologia atribui a força das tempestades de 2021 a uma sequência ruim de períodos chuvosos, com anos seguidos de precipitação abaixo da média, que deixaram o solo muito seco. Consequentemente, a terra que está "solta" é facilmente levantada pelos fortes ventos.
De acordo com o governo de Mato Grosso do Sul, há risco de tempestades acompanhadas de raios e rajadas de vento de até 90 Km/h neste sábado, na maior parte do estado —exceto na região oeste.
________________________________________////////////Irmão 'gêmeo' da Terra, planeta Vênus não teve condições de abrigar água
Em Paris
15/10/2021 16h21
O planeta Vênus, "gêmeo" da Terra, nunca abrigou água devido a suas condições de temperatura e pressão, o que reduz a possibilidade de que em algum momento tenha havido vida nele, revela um estudo baseado em modelos climáticos precisos.
"Provavelmente subestimamos os requisitos necessários para que haja água em planetas como a Terra ou Vênus, e até mesmo em exoplanetas", explicou à AFP o astrofísico e climatologista Martin Turbet, do Observatório Astronômico da Universidade de Genebra.
Sabemos hoje, por meio de explorações e sondas, que, por exemplo, Marte já foi coberto por grandes extensões de água.
Porém, a superfície de Vênus, escondida sob espessas nuvens de microgotículas de ácido sulfúrico, ainda permanece um mistério.
A significativa pressão atmosférica, mais de 90 vezes a da Terra, e uma temperatura infernal de 470 ºC, tornam quase impossível o envio de sondas à superfície do planeta.
No entanto, um estudo questionou em 2016 se Vênus já havia sido habitável em algum momento, partindo da hipótese de que sua espessa camada de nuvens poderia ter protegido a água da superfície.
Os resultados, publicados esta semana na Nature e assinados por Martin Turbet, em conjunto com astrofísicos de laboratórios franceses, lançam dúvidas sobre este cenário.
Efeito estufa
"Antes de saber se poderia haver água de forma estável na superfície de Vênus, é preciso saber como teria se formado", disse Martin Turbet.
Para isso, é preciso analisar como, há bilhões de anos, um planeta "muito jovem e muito quente", com água na "forma de vapor na atmosfera", teria se tornado um planeta onde, ao esfriar, poderiam ter se formado volumes de água por condensação.
A equipe de Turbet usou um modelo climático preciso, que leva em consideração a formação de nuvens e a circulação atmosférica. As conclusões são categóricas.
O sol aqueceu o vapor d'água na atmosfera de Vênus a uma temperatura muito alta para permitir a formação de nuvens por condensação.
Essas nuvens protegeriam a parte ensolarada do planeta, permitindo que a atmosfera esfriasse o suficiente para causar a condensação do vapor para formar água na superfície.
Além disso, as massas de ar aquecidas pelo sol em sua parte exposta, deslocaram-se para a face sombreada do planeta, onde formaram nuvens muito altas que causaram um efeito estufa, o que impediu o resfriamento da atmosfera.
Insolação
E por que a Terra, um planeta rochoso do mesmo tamanho de Vênus, não sofreu o mesmo destino?
"Quando o sol era jovem, há quatro bilhões de anos, tinha um volume 25-30% menor do que o atual", explicou Turbet.
O calor que nosso planeta recebia não era tão alto a ponto de impedir a condensação de vapor e a formação de água. Vênus, que está muito mais perto do sol, sofreu uma insolação cerca de duas vezes maior que a da Terra.
O estudo deixa uma "pequena surpresa", como detalhou Turbet: com a atual insolação da Terra, "se todos os mares evaporassem, a situação ficaria estável".
Em outras palavras, viveríamos entre oceanos de vapor d'água e a condensação seria improvável. Se o sol estivesse um pouco mais quente há vários bilhões de anos, não haveria corpos d'água em nosso planeta e, certamente, não existiria vida.
O modelo climático desenvolvido para Vênus servirá para estudar exoplanetas pertencentes a outros sistemas solares. Enquanto isso, é pouco provável encontrar formas de vida em Vênus.
No ano passado, outro estudo mencionou a detecção nas nuvens de Vênus de um gás que pode estar relacionado à vida. Naquele momento, pensava-se que a evaporação de águas superficiais neste planeta poderia ter levado formas de vida para as nuvens.
Vários estudos publicados desde então refutaram essas observações. Por fim, em junho, uma nova publicação afirmou que era impossível a vida nessas nuvens, devido à falta de água.
________________________________________////////////Sexo casual vira homicídio com corpo escondido em parede de salão de festas
Felipe Pereira Do TAB, em São Vicente (SP) 16/10/2021 04h01
Investigação é um exercício intelectual, mas há casos que também exigem força bruta. O agente Walter Mota precisou golpear a parede a picaretadas para o reboco ceder e os tijolos racharem.
O pequeno buraco revelou um monte de areia, que deslizava em direção aos pés do policial civil. O cheiro repugnante era mau presságio. "Ainda não tinha corpo, mas tinha cheiro."
Sugeria que as buscas por Joice Maria da Glória Rodrigues, 25, acabariam da pior forma possível. Quando o buraco atingiu o tamanho de um prato, havia escorrido tanta areia que o espaço aberto permitiu ao investigador distinguir a cabeça e o braço de uma pessoa.
Mota interrompeu os trabalhos logo na sequência. Com receio de danificar a integridade do corpo, deixou a picareta de lado. Coube aos bombeiros terminar o serviço. O desaparecimento de uma mulher em São Vicente, no litoral paulista, ganhava, assim, contornos sombrios: assassinato seguido de ocultação de cadáver dentro de uma parede.
O crime virou assunto nos jornais e programas de TV estilo "espreme que sai sangue". Vários elementos serviam de matéria-prima para o sensacionalismo. Joice foi encontrada nua, com a camiseta preta usada no estrangulamento enroscada no pescoço. Um saco com calcinhas foi achado no segundo andar da obra. Um dos assassinos dormiu na obra onde o corpo de Joice foi ocultado.
Um elemento que passou despercebido é que o crime aconteceu na obra de um espaço para eventos. Caso a polícia não descobrisse o corpo, debutantes e casais fariam a festa sobre um cadáver.

Joice conhecia um dos assassinos
O homicídio que alimentou manchetes sensacionalistas aconteceu em 27 de setembro, última segunda-feira daquele mês. Joice saiu de casa para visitar o avô. No caminho, parou na obra na rua Senador Lúcio Bittencourt para falar com Edmilson Veríssimo dos Santos, 56. Ela deixou avisado que voltaria no começo da noite. O recado era uma senha.
Os dois moravam no mesmo bairro e mantinham relações sexuais esporádicas havia seis anos. A informação foi revelada por Edmilson e confirmada pela ex-mulher dele durante seus depoimentos, declarou o delegado do caso, Thiago Nemi Bonametti, da 3ª Delegacia de Homicídio do Deic (Delegacia Estadual de Investigações Criminais) de Santos.
Ele acrescentou que Joice cumpriu o combinado e retornou por volta das 19h. Levou refrigerante para o vizinho, que repartiu com três pedreiros que trabalhavam na construção da piscina do espaço de festas. O delegado contou que, em determinado momento, Edmilson perguntou se os demais demorariam para ir embora.
Chefe dos pedreiros da piscina, Jonathas Soares, 36, notou que alguma coisa estava para acontecer. Ele saiu de carro por volta das 20h, deixou os dois ajudantes em casa e retornou à obra, flagrando o casal fazendo sexo em um sofá colocado no fundo do salão do primeiro andar.
No depoimento, Edmilson declarou que Jonathas "pediu para participar". Como sentiu que Joice gostou da ideia, subiu para o mezanino para que ela e Jonathas tivessem privacidade.

Morte e ocultação de cadáver
Não houve desavença até as 21h03, hora em que Joice ligou para o marido, dizendo que estava voltando e pedindo que ele a esperasse no ponto de ônibus habitual. Mas algo aconteceu na sequência. De acordo com Edmilson, houve uma briga e a mulher gritava "aí não, aí não".
Ao descer as escadas, viu Joice deitada de bruços e Jonathas sobre ela reclamando: "Esta p... não quer fazer o que eu quero". Edmilson afirmou ter visto um revólver no canto do sofá e o começo do estrangulamento. Diante da ordem para que ajudasse, auxiliou na execução da vizinha.
O delegado declarou que Edmilson relatou ter recebido ordens para se livrar do corpo. "Se vira, cara", teria dito Jonathas. Como naquele dia o vizinho da vítima tinha feito o encanamento do banheiro, que ficava embaixo da escada, reabriu a parede e depositou o corpo de Joice. A areia foi colocada para abafar o cheiro.
Na sequência, Jonathas dirigiu até sua casa. Edmilson saiu para comprar cigarro e voltou para a obra. Ele recebia uns trocos a mais para dormir no local e evitar que ferramentas fossem furtadas. Dormiu a cerca de 10 metros da parede onde o corpo estava escondido. Passou a noite no mesmo sofá em que ajudou a matar Joice.

Polícia desconfiou
O marido de Joice esperou no ponto como combinado. Como ela não apareceu, refez o caminho até a casa do avô. Sem sucesso. A mulher nunca havia desaparecido e a história estava tão mal contada que, ao longo da semana, o Deic, elite da Polícia Civil, foi acionada. Na sexta-feira, dia 1º de outubro, os agentes foram até o último lugar em que Joice foi vista.
Chefe da equipe de investigação, Fernando Coelho desconfiou que ocorrera um assassinato na obra. Nenhum morador daquela rua viu Joice saindo do local, por isso a suspeita. Os policiais analisaram o solo em busca de buracos recém-cavados e não acharam nada. Mas a desconfiança permaneceu. Imagens de câmeras nas proximidades não mostravam Joice deixando a obra.
Os investigadores voltaram ao local na segunda-feira, 4 de outubro. Mais uma vez conversaram com o proprietário do espaço de festas, perguntando por alterações não programadas no solo ou na obra. A prensa surtiu efeito às 8 horas da manhã seguinte.
Nesse horário, o dono do terreno procurou a delegacia de São Vicente para avisar que notou diferença na parede do banheiro embaixo da escada. Acrescentou ter feito um furo com uma picareta e viu areia num local que devia estar vazio. O investigador Walter Mota foi avisado e voou do prédio do Deic para a obra.
O buraco que o proprietário tinha feito era pequeno como um punho fechado. O policial civil tratou de continuar o que estava começado. Com medo de Edmilson fugir, o delegado Bonametti foi à casa do pedreiro. Ele confessou. Antes mesmo de o corpo ser removido, o assassino contou que matara por estrangulamento, usando uma camiseta preta.
Sobre o pacote com calcinhas pretas, verdes e vermelhas, encontradas no segundo andar, Edmilson negou que fossem de Joice. Alegou que gostava de transar usando lingerie. Afirmação duvidosa, mas que se mostrou verdadeira. O marido da mulher não reconheceu as peças.
A última revelação dava conta de que Jonathas era coautor do crime. O delegado determinou que dez policiais civis ficassem de campana na obra até o suspeito aparecer, o que aconteceu por volta das 17h. Os dois estão presos preventivamente e foram indiciados por ocultação de cadáver e feminicídio qualitativo com meio cruel.
Durante os depoimentos, Edmilson confessou ter matado e colocado Joice dentro da parede. Jonathas nega qualquer envolvimento com o crime. O inquérito foi entregue à 1ª Vara Criminal de São Vicente na última quinta-feira (14) e nenhum deles constituiu advogado junto ao Deic ou em delegacias de São Vicente, todas visitadas pelo TAB.
________________________________________///////////400 padres e 10 bispos ACUSAM BOLSONARO de PROFANAR Santuário de Aparecida - Extra Classe

Bolsonaro, segundo os religiosos, “profana a fé no Deus da vida fazendo uso dela para meros fins politiqueiros e vilipendia o Evangelho de Jesus de Nazaré
Mais de 400 padres e 10 bispos católicos emitiram manifesto que acusa o presidente Jair Bolsonaro de ter profanado o Santuário de Nossa Senhora Aparecida no último dia 12, dia da padroeira do Brasil. Na ocasião, o presidente da República foi recepcionado pelos fieis com vaias e alguns aplausos.
O documento encaminhado na quinta-feira, 14, ao Arcebispo de Aparecida do Norte, Dom Orlando Brandes, e ao reitor do Santuário, o padre redentorista Carlos Eduardo Catalfo é subscrito por integrantes dos coletivos Padres da Caminhada e Padres Contra o Fascismo. Os religiosos se indignaram pela participação ativa do presidente da República na liturgia.
No texto intitulado “O que é de César a César, e o que é de Deus a Deus” (Mt 22,21) – A visita de Jair Bolsonaro ao Santuário Nacional de Aparecida, os signatários repudiam o fato de Bolsonaro ter feito a leitura do Livro de Ester e da Consagração à Nossa Senhora Aparecida em uma das celebrações que comemoravam o dia de Nossa Senhora Aparecida no santuário, no dia 12.
Fins politiqueiros

Padre Geraldino Rodrigues Proença, membro dos Padres na Caminhada
Bolsonaro, segundo os religiosos, “profana a fé no Deus da vida fazendo uso dela para meros fins politiqueiros e vilipendia o Evangelho de Jesus de Nazaré que veio para que todos ‘tenham vida e a tenham em abundância’ (Jo 10,10)”, destacaram. Salientaram ainda que “não pela primeira vez”.
O texto ainda afirma que o presidente “não tem nada de católico, nem de cristão, nem sequer de humano. É um facínora!”.
“Ele usa e abusa da fé como palanque político; tenta reverter suas seguidas derrotas políticas apelando à religião. Não, Jair Bolsonaro não é religioso. Ele perverte o ensinamento evangélico porque quer dar a Deus o que é do perverso César (Mt 22,21). Jair Bolsonaro não é de Deus!”, sentencia a nota.
Segundo o padre Geraldino Rodrigues Proença, membro dos Padres na Caminhada, enquanto Ester pede vida e quer o bem-estar do seu povo, tudo o que Bolsonaro tem defendido e feito em seu governo aponta para a morte. De acordo com Proença, o santuário “deu um tiro no pé e está, agora, em silêncio. Foi usado para o marketing de Bolsonaro que quer posar bem com todas religiões cristãs”.
Esperança x indignação
Se de um lado, as palavras de Dom Orlando proferidas horas antes da chegada de Bolsonaro em uma das missas no santuário “reacendem a esperança”, os sacerdotes afirmam que as atitudes do presidente no santuário “acendem a indignação”.
O manifesto questiona como alguém como Bolsonaro pode consagrar “o povo brasileiro à Mãe Aparecida”. Lista o que chama de descaso do presidente com a pandemia, as suas ações contra os povos originários, afrodescendentes, mulheres e LGBTQIA+. Os elogios de Bolsonaro à ditadura militar e aos torturadores também não foram esquecidos.
Em sua reflexão, Dom Orlando fez críticas à corrupção e clama por uma república sem mentira e sem fake news. Em uma referência à política de Bolsonaro, o Arcebispo ainda sentenciou: “Para ser pátria amada, não pode ser pátria armada”.
Hipocrisia
Outra contradição apontada pelo documento enviado à Aparecida é o fato de Bolsonaro ter recebido a Eucaristia apesar de ter renegado seu batismo na Igreja Católica ao se batizar no Rio Jordão pelo pastor Everaldo, preso pela Polícia Federal por desvios de recursos no Rio de Janeiro. “Ou bem assume um credo ou outro e não fique usando-os para seus mesquinhos fins”.
Religiosos ouvidos pelo Extra Classe, apesar de dizerem não querer focar “na questão moral”, apontam que o documento foi certeiro ao questionar como Bolsonaro pode “bradar pelos princípios cristãos da chamada ‘família tradicional’, uma vez que em sua vida pessoal não dá provas de que acredita verdadeiramente neles. Recordam que, em 2018 ,setores conservadores ficaram histéricos com o fato do então candidato Fernando Haddad ter comungado em uma Igreja Católica Romana, apesar de ser Católico Ortodoxo. Mesmo com o Cisma entre Romanos e Ortodoxos, ao contrário das denominações evangélicas, as duas denominações teologicamente observam o princípio que diz que seus bispos, patriarcas e o Papa são sucessores dos apóstolos de Cristo.
Leia aqui a íntegra do manifesto
“O que é de César a César, e o que é de Deus a Deus” (Mt 22,21)
A visita de Jair Bolsonaro ao Santuário Nacional de Aparecida
Somamos nossa indignação à de muitas e muitos que professam a fé católica. A causa dessa indignação é a leitura e a oração de consagração a Nossa Senhora Aparecida feitas pelo Sr. Jair Messias Bolsonaro, em uma missa vespertina no Santuário Nacional.
Horas antes ouvimos as palavras de Dom Orlando Brandes, Arcebispo Metropolitano de Aparecida: “Para ser pátria amada, não pode ser pátria armada (…). Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção e pátria amada com fraternidade.” Sua reflexão enche de esperança quem a ouve, sobretudo em um Brasil que ainda chora a morte de mais de seiscentos mil filhas e filhos por causa da má gestão de uma cruel pandemia; em um Brasil que sente a dor da fome, sobretudo das crianças cujo dia deveríamos estar comemorando; em um Brasil que sofre por ver milhões de famílias novamente empurradas para abaixo da linha da pobreza e obrigadas a sobreviver com uma sopa rala de ossos ou de carcaça de peixe; em um Brasil que vê suas matas arderem e seus povos originários serem encurralados em pequenos espaços de terra.
Sim, as palavras de Dom Orlando Brandes reacendem a esperança! Contudo, o que aconteceu no Santuário Nacional momentos depois acende a indignação!
O Sr. Jair Bolsonaro, ainda Presidente da República, fez uma visita ao Santuário Nacional, participou da missa, leu a leitura do livro de Ester – um escândalo, porque o que menos ele demonstra querer é o bem de seu povo (Est 7,3) – e rezou em nome desse povo a consagração a Nossa Senhora Aparecida. Dizíamos um escândalo, mas, por tudo o que aconteceu, é melhor usar a palavra “profanação”.
Sim, o Sr. Jair Bolsonaro profana a fé no Deus da vida fazendo uso dela para meros fins politiqueiros e vilipendia o Evangelho de Jesus de Nazaré que veio para que todos “tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). E não pela primeira vez, basta relembrar sua ida a uma missa em Brasília durante a qual recebeu a Eucaristia.
Como alguém que se deixa batizar nas águas do Rio Jordão por um pastor evangélico – líder de um partido político e que foi preso em uma operação anticorrupção – ainda se diz “católico”? Ou bem assume um credo ou outro e não fique usando-os para seus mesquinhos fins. Como alguém pode bradar pelos princípios cristãos da “família tradicional”, uma vez que em sua vida pessoal não dá provas de que acredita verdadeiramente neles, como quando ainda era parlamentar e mantinha uma residência oficial na capital federal “para comer gente”? Como alguém consagra o povo brasileiro à Mãe Aparecida tendo manifestado inúmeras vezes descaso por esse mesmo povo, especialmente pelos povos originários, pelos afrodescendentes, pelas mulheres, pelas e pelos LGBTQIA+? Como alguém reza a consagração a Nossa Senhora Aparecida dizendo que poucos morreram durante a ditadura militar, elogiando o torturador Coronel Brilhante Ustra e pregando o uso de armas pela população? Como alguém recorre à proteção da Padroeira do Brasil quando desprotegeu a população toda negando a gravidade da violenta pandemia?
Jair Bolsonaro, que gosta tanto de ostentar seu segundo nome, não tem nada de católico, nem de cristão, nem sequer de humano. É um facínora! Ele usa e abusa da fé como palanque político; tenta reverter suas seguidas derrotas políticas apelando à religião. Não, Jair Bolsonaro não é religioso. Ele perverte o ensinamento evangélico porque quer dar a Deus o que é do perverso César (Mt 22,21). Jair Bolsonaro não é de Deus!
Indignamo-nos com sua participação na missa em Aparecida, com sua profanação do sagrado no templo e fora dele, porque quem despreza a vida profana o sagrado. Indignamo-nos com o apoio que autoridades eclesiásticas católicas ainda expressam a esse homem maldoso que não possui o menor respeito pela fé e por aquelas e aqueles que a professam. Indignamo-nos com seu profano gesto de dar a César o que é de Deus.
Padres da Caminhada & Padres Contra o Fascismo.
________________________________________////////////
A gramática da inclusão - Extra Classe

Com a ideia de um português inclusivo para pessoas com orientação sexual não binária (masculino e feminino), que não se sentem contempladas pelo uso, principalmente, do masculino genérico, a chamada linguagem neutra aos poucos começa a aparecer fora de grupos sociais restritos. Quem nunca viu uma arroba (@) ou um xis (X) que agora dão lugar a letras como es para buscar a chamada “neutralidade de gênero” em algum texto ou saudação por aí?
Se “todes” usado no Museu da Língua Portuguesa reinaugurado em 12 de julho passado, em São Paulo, causou polêmica, – o secretário nacional de Cultura, Mário Frias, ameaçou “tomar medidas” para impedir o que chamou de “vandalização” da língua –, não é menor o barulho entre linguistas e até mesmo militantes das causas que envolvem transexuais, travestis, não binários ou intersexo.
Uma coisa é certa: o consenso está longe, mas a discussão posta. No debate, para uns a dita linguagem neutra é considerada um movimento social, parte da evolução da língua. Outros a encaram como um possível modismo.
Sírio Possenti, professor titular do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entende que não é possível ignorar as formas discriminatórias marcadas na língua: “A língua não funciona no vácuo”, diz.

Sírio Possenti, professor titular do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp)
É a mesma visão de outros importantes filólogos procurados por Extra Classe, mas alguns optaram em não aprofundar o tema e não participar da reportagem e nem mesmo autorizaram a publicação das justificativas de suas negativas. Medo de cancelamentos?
Mais corajoso, Carlos Alberto Faraco, pelo menos, explica suas razões. “Eu estou evitando entrar nessa polêmica. Já me envolvi em muitas polêmicas linguísticas e resolvi não participar desta. Se publico, será inevitável o bate-boca”, afirma o ex-reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e autor de um dos mais usados manuais de linguística, o Linguística Histórica. Uma Introdução ao Estudo da História das Línguas (Parábola).
Outro renomado linguista pede para omitir seu nome e é categórico: “Iiiiixi! Ninguém quer mexer com isso. É modismo que não cola”.
Será que é só modismo?

Laerte: “O modismo, quando está em vigor, pode não ser um modismo. Ele pode ser um processo de transformação”
A cartunista Laerte Coutinho não crava um prognóstico. “Se é um modismo, isso a gente só vai saber daqui a muito tempo (risos). O modismo a gente só fica sabendo a distância. Aquilo foi um modismo”, brinca.
Escolhida no último dia 23 de setembro para receber o troféu Juca Pato, concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE) ao Intelectual do ano, Laerte, que se apresenta como uma pessoa transgênero, uma mulher trans, completa: “O modismo, quando está em vigor, pode não ser um modismo. Ele pode ser um processo de transformação”.
Já para Richard Miskolci, a “principal crítica é sobre a noção de cisgeneridade e a moda de se autodefinir como não binário”.
PHD em Sociologia, professor titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Miskolci é um dos precursores em pesquisas relacionadas à Teoria Queer no meio acadêmico brasileiro.
Em seu último livro, Batalhas Morais: política identitária na esfera pública técnico-midiatizada (Autêntica), o professor fala que existe em campo um conceito que “denota desconhecimento ou interesse em refutar as teorias sobre gênero em favor de políticas identitárias que são, ao mesmo tempo, anti-intelectuais e autoritárias”.
Um vocabulário para entender seu lugar no mundo
Para Miskolci, propostas de linguagem neutra podem, sim, ser vistas como expressão de demandas de igualdade. “Ter um vocabulário para compreender seu local no mundo é fundamental para que grupos historicamente subordinados possam demandar reconhecimento, mas tal vocabulário – compreendido aqui de forma sociológica e educacional – não necessariamente exige reformar a língua”, analisa.

Richard Miskolci
O professor fustiga: “Há línguas sem gênero, como o húngaro, o que não significa que ela é neutra, tampouco que não exista desigualdade de gênero na Hungria”. (Nota do Editor: leia entrevista complementar sobre este tema)
“Às vezes apoio, às vezes me cansa”
Movimentação que se iniciou globalmente por volta de 2012, no Brasil, a ideia de se buscar uma forma de não caracterizar o gênero no vocabulário já contempla diversas propostas. Se hoje ile e elu figuram como as mais fortes tendências para a nova composição de um pronome neutro, o uso da arroba (@) ou do xis (X) praticamente são consideradas ultrapassadas por dificultar a leitura e a vocalização.
Laerte Coutinho diz que “a arroba (@), o asterisco (*), essas coisas todas, o xis (X), são evidentemente recursos gráficos. No começo, ainda ninguém tinha tentado elaborar uma versão falada para essa questão dos novos pronomes”.
A cartunista tem uma resposta bem-humorada quando indagada sobre seu posicionamento a respeito da linguagem não binária: “Bom, a minha opinião é fluída, como os gêneros. Às vezes apoio, às vezes me cansa”.
Lentidão, discussão necessária e futuro incerto
Para a criadora dos Piratas do Tietê, entre outros personagens icônicos, “mudar a linguagem dessa forma que está se propondo, que é uma mudança no cotidiano, é uma coisa custosa. É uma coisa que demora. Uma coisa lenta”.
Sírio Possenti acha que é ainda impossível prever se essa nova forma de comunicação poderá ser incorporada à norma culta e às gramáticas no futuro e até mesmo o impacto que isso pode ter na educação.
É por isso os momentos de cansaço de Laerte Coutinho. Ela ainda acentua que “as novas disposições em relação às questões de gênero são maiores do que isso. Está havendo algum descompasso e uma certa área de tensão nessa parte dos pronomes”.
Para Laerte, as novas ideias quanto a gênero são completamente justificadas. “As pessoas que estão transitando ou que estão abordando novas possibilidades de gênero não querem ser só mulher ou homem. Querem abrir um leque de possibilidades. É muito interessante. Eu acho importante que isso aconteça”, registra.
Importante não superficializar o debate

Atena Beauvoir Roveda: filósofa, escritora e poetisa
Atena Beauvoir Roveda, filósofa, escritora e poetisa trans, segue a mesma linha de pensamento. Salienta que a linguagem neutra não apaga a linguagem masculina ou feminina. “A gente encontra em outras línguas gêneros que não são masculinos ou femininos, como o grego clássico, onde criança não é definido como masculino ou feminino e, sim, um gênero neutro”, assinala.
Atena considera que as regras “podem se adequar às realidades porque elas são construídas por nós, seres humanos” e defende um amplo diálogo.
“Se hoje nós negarmos a discussão de qualquer tema de um determinado tipo de público, amanhã a gente vai estar negando outro tema de discussão e assim vai”, reflete. “Eu mesma não uso a linguagem neutra, até porque estou adequada na linguagem feminina – sou a Atena, sou a escritora, sou a mulher, sou a gaúcha, sou a brizolista –, mas eu não quero retirar o direito das pessoas que querem buscar a linguagem neutra para si de terem os seus direitos preservados”.
A mudança de tratamento é uma decorrência disso no entendimento de Laerte. “A gente vai ter que chegar a esse ponto em algum momento. Agora é isso. Tem uma área de tensão aí. Tem gente que fica nervosa”, diz.
Atena frisa que o importante no processo é também não superficializar a discussão. “Não negar e integrar todas as opiniões, divergentes ou convergentes sobre o tema. Acho importantíssimo nós abrirmos o espaço democrático sem nenhum tipo de imaturidade da nossa parte.”
Segundo a filósofa, o diálogo produtivo não se dará “de maneira inautêntica, levando na má-fé o assunto. A gente tem que propor uma boa-fé para discutir qualquer tema”.
Laerte também entende que não se deve evitar a polêmica. “A princípio, eu acho correto, estou de acordo com a necessidade de uma proposta de uma mudança em relação aos tratamentos. É um sinal de respeito. É tratar as pessoas como elas gostam de ser tratadas. Eu não gostaria de ser tratada no masculino. Pessoas que não se enquadram nem como masculino, nem como feminino também têm direito a propor uma forma de tratamento”, defende ao lembrar que “se a língua demora para mudar, ao mesmo tempo as pessoas têm o direito de serem tratadas ou tratades com respeito. Isso não é um absurdo”.
Apesar disso, Laerte diz que tem bem claro que esse respeito passa por “uma prática mais ou menos complicada”: a de usar um novo sistema de flexão de gênero. “A língua portuguesa tem disso. Tudo é generificado. Cadeira é feminino, enfim”, resigna-se.
Sobre como tratar isso, ela recorda que nos Estados Unidos se usa o pronome no plural, They. “Para mim, é mais estranho. Prefiro um pronome novo”, conclui.
Diferenças entre linguagem inclusiva e linguagem neutra

André Fischer, autor do Manual ampliado de linguagem inclusiva e outras obras voltadas às comunidades LGBTQI+
O jornalista André Fischer, criador do portal MixBrasil, é autor de uma série de livros voltados à comunidade LGBTQI+, entre eles o Manual ampliado de linguagem inclusiva (Matrix).
Conforme ele, torna-se importante fazer a diferença do que é a dita linguagem neutra do que é uma linguagem inclusiva. Se, de um lado, existe o esforço na busca de um gênero neutro para mitigar o que os ativistas chamam de machismo do idioma, a linguagem inclusiva já faz uma diminuição de marcadores de gênero, com a vantagem de usar as palavras que já estão na gramática usada hoje no Brasil.
“A linguagem inclusiva busca não só essa questão de marcadores de gênero, mas também erradicar vocabulários racistas, capacitistas, etaristas, LGBTfóbicos. Eu, particularmente, acho que, em uma linguagem mais inclusiva, se tenta buscar o máximo de palavras que já são comuns para dois gêneros. Não tem que reforçar o feminino e ainda se criar um terceiro gênero. Basta substituir ou em uma saudação dar ‘bem-vindos e bem-vindas’, por exemplo”, exemplifica Fischer.
Para ele, ao falar em linguagem inclusiva, “se está pensando em algo maior que não é só essa questão de gênero, mas, também, em substituir um vocabulário que é preconceituoso”.
André não nega a importância das discussões sobre uma possível linguagem neutra. Compreende, no entanto, que é uma movimentação social que “não vai se concretizar nas cartilhas, nas gramáticas antes de 40, 50 anos, mesmo se for iniciado agora”.
Para o jornalista, em primeiro lugar, é necessário haver um consenso sobre qual seria esse gênero neutro. “A gente tem quatro sistemas propostos e, pelo menos, dois têm sido usados em meios distintos.”Registra o “pronome” ile que se vê muito no LinkedIn, usado mais no meio empresarial, e, nas escolas, “com a galera mais nova, o elu”.
Fischer lembra que, ao se fazer uma saudação “sejam bem-vindes” ou se referir a “todes”, para ser simpático, não é o gênero neutro. “O gênero neutro é você criar um terceiro gênero, que vai ter pronomes, que vai ter artigos. Você tem que ter o minhe, tue ou inho, minho. Aí depende do pronome que você usar.”
Ele, para exemplificar, faz uma frase que considera engraçada: “Ile está na casa des avôes dile (ele está na casa dos avós dele). Porque para avô e avó, também tem que criar um avô neutro. Daí tem uma série de palavras. Tem que ter avôe. Avô, avó, avôe”, discorre ao apontar a inexistência de consensos.
“Tem gente que se sente incomodada com o uso de um ou outro pronome. Então, é uma questão que é muito complicada. Se a gente fala de linguagem inclusiva, já é outra coisa.”
Ao finalizar, sugere ainda ainda como ficaria a frase ‘eu falei com a mãe dele’, ao se usar o ile e o elu: “Eu falei com a mãe dile. Eu falei com a mãe delu”.
________________________________________////////////
Opinião: Tesouro Direto para aposentadoria? Quanto investir para ter R$ 3.000/mês

Sílvio Crespo
15/10/2021 04h00
Algum tempo atrás, o Tesouro Direto era apresentado por educadores financeiros como a grande solução para aposentadoria. Em 2008, por exemplo, quem investisse R$ 1 milhão em títulos públicos manteria uma renda média de R$ 6.000 a R$ 7.000 por mês somente com os juros.
Ou seja, no vencimento do título, após gastar os juros por mais de 30 anos, o investidor receberia de volta o seu milhão, com desconto do Imposto de Renda, mas também com correção monetária.
E hoje, ainda vale a pena? Veja abaixo as simulações para quem busca uma renda vitalícia de R$ 3.000, R$ 5.000 e R$ 10 mil por mês, em média, com Tesouro Direto.
Renda de R$ 3.000 por mês
Atualmente, para receber uma renda vitalícia de R$ 3.000 por mês com o Tesouro Direto, é preciso ter R$ 850.093 no título "Tesouro IPCA+ 2055 Com Juros Semestrais".
Esse tipo de investimento não paga juros mensalmente, e sim semestralmente. Portanto, o que eu chamei de "renda de R$ 3.000 por mês" é, na verdade, a média mensal de uma renda de R$ 18 mil por semestre.
Para acumular esse valor nos próximos dez anos, seria necessário aplicar, todo mês, R$ 5.702.
Em um período maior, de 20 anos, você chegaria à quantia desejada investindo R$ 2.257 por mês.
Se você puder esperar 30 anos, o valor mensal a ser investido será de R$ 1.174.
Em todos esses casos, e nos próximos a serem citados nesta coluna, estou considerando que o investidor, além de fazer esses aportes mensais, também reaplique, no mesmo papel, os juros que receberá semestralmente.
Também em todas as simulações eu já descontei o Imposto de Renda.
Renda de R$ 5.000 por mês
Hoje, quem deseja uma renda vitalícia média de R$ 5.000 por mês no Tesouro, precisa ter R$ 1.416.822 aplicados no mesmo título.
Para chegar a esse valor em dez anos, é necessário investir nada menos do que R$ 9.503 por mês no título.
Em 20 anos, o investimento mensal seria de R$ 3.762, e em 30 anos, de R$ 1.957.
Renda de R$ 10 mil por mês
Para receber R$ 10 mil em média por mês, de modo vitalício, é preciso ter atualmente R$ 2.833.645 naquele título público.
Chegar a esse valor exige aportar todo mês R$ 19.007 ao longo de dez anos, ou R$ 7.524 em 20 anos, ou ainda R$ 3.915 em 30 anos.
Funciona para você?
Acredito que para a maior parte das pessoas o Tesouro Direto deixou de ser uma opção viável para a aposentadoria.
A boa notícia é que os investimentos em renda variável estão cada vez mais acessíveis.
E isso é uma notícia boa para a economia como um todo. Quanto mais as pessoas precisarem investir no setor produtivo para terem renda, melhor para a geração de empregos e para o país.
Eu, há muito tempo, deixei de investir em Tesouro Direto com foco em aposentadoria. Meu foco atualmente é em fundos imobiliários e ações.
Se quiser saber mais sobre como eu invisto, ou se quiser tirar alguma dúvida, envie um e-mail para uoleconomiafinancas@uol.com.br. Sua pergunta pode se tornar tema desta coluna no futuro!
Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.
________________________________________////////////
Reinaldo Azevedo - Lobbies lavajatista e evangélico se unem por Mendonça. E Lewandowski acerta
Colunista do UOL
11/10/2021 23h15
Não deixa de ser interessante ver os setores lavajatistas da imprensa a pressionar pela sabatina — e, claro!, aprovação — de André Mendonça para a vaga aberta no Supremo. Tem-se, assim, uma aliança circunstancial entre o lavajatismo, em cujo altar Mendonça já se ajoelhou, e o pastor Silas Malafaia e aliados, que não se intimidam em reivindicar a competência para definir quem pode e quem não pode falar como evangélico. Os absurdos vão se acumulando. Nunca se viu nada assim. Por partes.
SUPREMO
Nesta segunda, o ministro Ricardo Lewandowski tomou uma decisão importante. Negou a concessão de liminar em mandado de segurança, impetrado por dois senadores, que buscava impor a Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, a marcação da sabatina de Mendonça. Na verdade, Lewandowski foi além: ele nem mesmo "conheceu DA ação" -- como se diz em juridiquês, em que o verbo "conhecer" é transitivo indireto. Isso significa que o ministro está a dizer que se trata de um instrumento inválido para obter o efeito pretendido pelos impetrantes: os senadores Jorge Kajuru (Podemos-GO) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Groucho-marxismo: Guedes e Neto não deixam grana em país em que são governo
Em argumentação impecável, o ministro evidencia que falta legitimidade à dupla para apelar ao Mandado de Segurança já que não se trata de proteger direito líquido e certo dos próprios impetrantes, conforme exigência da Constituição (Inciso LXIX do Art. 5º) e da Lei 12.016.
Em exposição relativamente longa, dada a natureza da decisão, Lewandowski demonstra ainda que inexiste instrumento Constitucional para impor ao presidente da CCJ a realização da sabatina. Do contrário, o Judiciário estaria se imiscuindo em assunto próprio ao Legislativo, a chamada questão "interna corporis".
ESCLARECIMENTO
Cabe aqui um esclarecimento sobre uma burrice -- uma entre as infinitas -- que vai nas redes sociais: se o STF pode determinar a abertura de uma CPI, por que não pode impor a realização da sabatina? Resposta simples: a primeira questão está disciplinada no Parágrafo 3º do Artigo 58 da Carta; a segunda não está.
Vale dizer: "As comissões parlamentares de inquérito (...) serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo (...)". Satisfeitas tais condições, a Constituição impõe a sua instalação. Mas nada há sobre a data de sabatinas. Nesse caso, a decisão é exclusiva do Poder Legislativo.
DE VOLTA À QUESTÃO POLÍTICA
A pressão sobre Alcolumbre para marcar a data é grande e une, como já afirmei aqui, setores ligados ao lavajatismo e algumas vozes estridentes que reivindicam o monopólio da voz evangélica. Trato desse ponto em post específico. Fixo-me um pouco em Alcolumbre.
Ao senador se tenta imputar prática similar à chantagem. O próprio Bolsonaro chegou a sugerir isso em suas intervenções. O presidente da CCJ teria reinvindicações não satisfeitas e só por isso estaria "segurando" a sabatina.
Bem, dizer o quê? Não foi por falta de ceder a, digamos, "pressões orçamentárias" que Bolsonaro fez inimigos, não é mesmo? Só continua na Presidência da República porque, de maneira inédita, o chamado "Orçamento Secreto" garante o que resta de governabilidade. Se alguém procura algo parecido com "chantagem", é bom começar a busca por aí.
Se Alcolumbre tivesse mesmo a pauta de exigências fechada, acho que já teria levado o supostamente pretendido.
APARELHAMENTO
Não havendo, como não há, imposição possível para a realização da sabatina, entendo que a demora é parte legítima do jogo político. Alguns dizem conhecer as motivações secretas de Alcolumbre, embora não as discriminem. A mim me basta, para defender que a sabatina fique para 2023, o que disse Bolsonaro no último dia 6. Em reunião com parlamentares ruralistas, o presidente disse a seguinte maravilha:
"Quem se eleger presidente no ano que vem, no primeiro semestre de 23 indica mais dois [ministros] para o Supremo. Se for alinhado conosco, 10. Ficam quatro garantidos lá dentro. Além de outros que já votam... não é que votam com a gente, votam com as pautas que têm que ser votadas do nosso lado. Então, vamos ter tranquilidade por parte do Judiciário. Isso é primordial".
Bolsonaro vê o Supremo como uma espécie de puxadinho dos interesses que defende. Não pensa em nomear pessoas que, tendo experiência da área jurídica, lá cheguem para tomar decisões segundo as normais legais.
Sim, é fato, também o Supremo está sujeito às injunções políticas, e quem senta em uma de suas cadeiras não cai do céu. Mas despudor assim nunca se viu. Imaginem se, nos anos petistas, Lula falasse a um grupo de sindicalistas sobre "ministros garantidos"...
"E não os houve, Reinaldo?"
Respondo assim: no dia 4 de abril de 2018, o STF negou habeas corpus preventivo ao ex-presidente por 6 votos a 5, o que levou Sergio Moro a decretar a sua prisão menos de 24 horas depois. Dos seis votos que permitiram a prisão de Lula, cinco eram de indicados pelo PT: Carmen Lúcia, Rosa Weber, Luiz Fux, Edson Fachin e Roberto Barroso. Dos cinco ministros favoráveis ao habeas corpus, três haviam sido indicados por presidentes não petistas: Celso de Mello, Marco Aurélio e Gilmar Mendes.
Todos sabem que eu concordo com os cinco ministros que foram vencidos e que era favorável à concessão do habeas corpus porque entendo que, em caso de condenação, a Constituição só autoriza a execução da pena depois do trânsito em julgado. Logo, tivesse sido essa a decisão, não se teria dado por aparelhamento, mas por aplicação do texto constitucional. Aconteceu o contrário. E o não aparelhamento ficou demonstrado pelo avesso.
Bolsonaro não quer ministros do Supremo, mas extensões da sua vontade. Tanto é assim que, segundo as suas palavras, Mendonça já se comprometeu a orar no tribunal uma vez por semana e também a almoçar com o chefe — no caso, ele próprio.
Quem tiver a prova provada das motivações secretas de Alcolumbre que as exponha. A mim me basta que a indicação de um nome para o Supremo, nessas condições, não prospere.
QUESTÃO CENTRAL
E há uma questão central para este colunista: a democracia! Bolsonaro parou de vomitar discurso golpista no dia 9 de setembro, quando assinou a carta de rendição. Arredondando, um mês apenas! Ainda não fez mea-culpa digno do nome. Mas vá lá: começo a contar a indicação de Mendonça a partir desse dia. Pensar que se pudesse votar a indicação do presidente para o tribunal, eventualmente aprovando-a, quando este ameaçava o Supremo era coisa de gente indecente. Alcolumbre fez muito bem em ignorar solenemente a questão. Protegeu a democracia.
Sobre a "Denominação de Origem Controlada" para saber se o sujeito é ou não "terrivelmente evangélico" e quem, afinal, concede a "DOC" ao candidato ao STF, escrevo outro post.
________________________________________////////////
Reinaldo Azevedo - Quem confere a Malafaia e Sóstenes o papel de "sommeliers" de evangélicos?
Jair Bolsonaro disse lá atrás que indicaria alguém "terrivelmente evangélico" para o Supremo.
A expressão evidencia os tempos estúpidos que vivemos. Não há como, fora do iê-iê-iê ("eu sou terrível/ é bom parar..."), a palavra "terrível" ter sentido positivo. O "terrivelmente evangélico", assim como o "terrivelmente budista" ou "terrivelmente católico", seria apenas um sectário e intolerante, inapto para o Supremo.

Na Folha: No mundo da Dreadnoughts, inexiste menina pobre sem absorvente
Que esse absurdo tenha sido dito e, de algum modo, assimilado, indica o rebaixamento a que estamos expostos. E notem: quer-se esse evangélico sectário para integrar a mais alta corte do país. Os indivíduos que lá chegam podem ter lado, religião, ideologia.. Quando põem a toga, viram ministros. E as paixões têm de ficar do lado de fora da corte.
O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e uma espécie de verbo armado do bolsonarismo entre os evangélicos, está furioso com as dificuldades encontradas por André Mendonça, ex-titular da Advocacia Geral da União e do Ministério da Justiça.
Num vídeo divulgado nesta segunda, atacou o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil), que estaria empenhado em buscar um nome alternativo a Mendonça — mas evangélico, claro! — para desfazer o impasse. Fala-se em Alexandre Cordeiro de Macedo, que é presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A exemplo do ex-ministro da Justiça, é presbiteriano.
Para Malafaia e sua turma, não serve.
Com o tom exaltado de sempre, o pastor faz um estranho discurso, que nem coerência interna tem. Diz que os ministros políticos — além de Nogueira, cita Flávia Arruda (Secretaria de Governo) e Fábio Faria (Comunicações) — "são obrigados a trabalharem (sic) pela indicação do presidente [Mendonça]."
E continua:
"Isso é uma vergonha, minha gente! Onde é que nós vamos parar? Que história é essa? Não somos nós, pastores, que indicamos. Eu já disse aqui. Se o presidente quer nomear alguém terrivelmente católico, ele vai perguntar a deputados e senadores? Ele vai perguntar à imprensa? Ou vai perguntar aos bispos? Essa é que é a questão, minha gente! Não é pastor que está indicando André Mendonça. É uma vergonha! É um preconceito! E uma tremenda de uma safadeza contra André Mendonça. A indicação de ministro do STF é política. Vou repetir aqui: os ministros Ciro Nogueira, Fabio Farias (sic) e Flávia Arruda, que são políticos e ministros do palácio, são obrigados a defenderem (sic) a indicação do presidente Bolsonaro, são obrigados a trabalharem em favor de André Mendonça. Não querem? Cai (sic) fora daí. Não podem estar aí nesse lugar. E eu vou terminar dizendo: Deus abençoe o Brasil! Deus abençoe você! E nos livre dessa gente má!"
ENTÃO VAMOS VER
Também eu pergunto: "Onde vamos parar?"
Há um erro de premissa no seu discurso inflamado. Presidentes não têm de nomear nem pessoas "terrivelmente evangélicas" nem pessoas "terrivelmente católicas". Isso simplesmente não pode ser um critério. Ora, se pastores não indicam, por que a zanga?
Afirma ele: se Bolsonaro quisesse indicar alguém "terrivelmente católico", iria pedir uma indicação "aos bispos" [da Igreja Católica]. Pois é... Se cometesse o primeiro erro, é provável que cometesse também o segundo. Mas aqui há um particular.
A Igreja Católica é una, Malafaia! Está submetida a uma hierarquia. E eu posso apostar: se o presidente pedisse uma indicação ao papa Francisco, garanto que o Sumo Sacerdote se calaria.
Diga-me cá: quem lhe deu a autoridade para chancelar quem é e quem não é "terrivelmente evangélico"? Você representa uma corrente da Assembleia de Deus, certo? Quem lhe confere a licença para determinar que o presbiteriano André Mendonça é, sim, "terrivelmente evangélico", mas não o também presbiteriano Cordeiro de Macedo? Você detém o monopólio do carimbo, como no caso de certos vinhos, para definir a "Denominação de Origem Controlada" de evangélicos? Virou "sommelier" da crença alheia? Acho que não!
O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), da mesma corrente, explicita o que seu líder, mesmo aos brados, tenta esconder:
"Quem tem autoridade moral para dizer ao presidente se ele [o candidato ao Supremo] realmente é evangélico ou não somos nós. Estão achando que vão enganar quem? Vocês não são evangélicos".
A petulância, como se nota, vai bem além de se atrever a indicar o ministro do Supremo. O grupo, que representa a corrente de uma corrente, reivindica o poder de chancela: caberia a seus membros (Malafaia, Sóstenes e aliados) dizer quem é e quem não é evangélico. Nem na unificada Igreja Católica, o papa, com a dita "infalibilidade", arroga para si mesmo o papel de definir quem é e quem não é católico.
E, como se nota na fala transcrita, o religioso vai além. Ele também resolve tomar o lugar de Bolsonaro, decidindo quem pode e quem não pode ser ministro do governo.
Bem, então vai um conselho ao presidente: siga a orientação do inflamado pastor e demita Ciro Nogueira, Flávia Arruda e Fabio Faria. Vai que Arthur Lira, presidente da Câmara, tenha um golpe de lucidez e coloque para tramitar um pedido de impeachment, aí o senhor chama o grande pensador, mais o Sóstenes, para segurar a barra.
De tudo o que se diz no vídeo, só uma coisa faz sentido: "Não somos nós, pastores, que indicamos".
Não deveriam ser ao menos.
A propósito: esses valentes teriam de nos explicar por que Mendonça é "terrivelmente evangélico", e Cordeiro de Macedo — que desconheço — não é.
Conheço, sim, o Mendonça do Ministério da Justiça e na AGU. Confundiu crime com liberdade de expressão e liberdade de expressão com crime. Nem acho que estivesse sendo "terrivelmente evangélico". Estava sendo terrivelmente autoritário e obscurantista.
Não serviria para o Supremo ainda que fosse católico, budista, ateu, umbandista ou acreditasse no ET Bilu.
________________________________________////////////
Opinião: Bolsonaro ultrapassa a própria idiotia e anuncia falta de comida em 2022


Reinaldo Azevedo
Colunista do UOL
08/10/2021 06h37
Imaginem se, deixem-me ver, Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato de oposição ao governo, viesse a público para anunciar que vai faltar fertilizante no ano que vem em razão da crise energética da China e que isso vai gerar desabastecimento de alimentos no Brasil... Ah, não seria só o presidente da República a estrilar. Os teóricos da "polarização" que pululam na imprensa — logo será preciso alugar um ginásio para fazer uma convenção — iriam tonitruar: "Vejam aí! Não basta termos um incompetente no poder! O seu antípoda é um catastrofista. Precisamos vencer os populismos de direita e de esquerda"!
Pois acreditem! Quem resolveu botar fogo no parquinho, com a irresponsabilidade e a ligeireza de sempre, foi o próprio... Jair Bolsonaro!
Groucho-marxismo: Guedes e Neto não deixam grana em país em que são governo
Durante cerimônia do Palácio do Planalto, afirmou, com aquela sintaxe muito característica de quem é incapaz de redigir um parágrafo que faça sentido:
"Eu vou avisar um ano antes, fertilizantes! Por questão de crise energética, a China começa a produzir menos fertilizantes. Já aumentou de preço. Vai aumentar mais e vai faltar. A cada cinco pratos de comida no mundo, um sai do Brasil. Vamos ter problemas de abastecimento ano que vem".
É estupendo! Sim, a China enfrenta escassez de energia; há um declínio na produção de fertilizantes, e o preço está em alta. Mas quem é esse governante que se jacta de tocar o terror discursivo "um ano antes" em vez, então, de anunciar providências? Prestem atenção à dicção. Bolsonaro está a nos dizer pelo silêncio: "Não venham me culpar depois. Não tenho nada com isso".
Desabastecimento? E o que já existe na despensa e na mesa de parte considerável dos brasileiros — de maneira especialmente dolorosa entre os 19 milhões que hoje passam fome no país. Nos supermercados, pode-se comprar de tudo. Mas é preciso ter muito dinheiro. A inflação de alimentos é escandalosa, e os pobres estão comendo a cada dia menos — e pior. Não obstante, o Brasil bateu recordes de safra em 2019 e 2020. No caso, a China comprou boa parte da produção.
Esse arremedo de governo que aí está não pensou uma miserável política pública para levar comida mais barata à mesa dos pobres. Bolsonaro se indigna com o preço da gasolina e do diesel, mas não dá bola para o da carne, o do arroz, o do feijão...
E ele continuou com o seu terror antecipatório:
"Como deve faltar fertilizante, por falta de oferta no mercado, ele [o produtor rural] vai plantar menos. Se vai plantar menos, vai colher menos. Menos oferta, a procura igual ou um pouquinho maior, [tem] aumento de preço. Isso é para o mundo todo".
Algum dos seus amigos do agrorreacionarismo resolveu ser o seu Professor Raimundo do desabastecimento, e ele repetiu, diligente, a lição aprendida, como se fosse um qualquer, a quem não competisse, ao menos, tentar uma resposta. Não fazer nada e apenas assistir aos acontecimentos! Essa também foi a sua escolha no enfrentamento à covid-19, lembram-se? No dia 27 de março do ano passado, em conversa com José Luiz Datena, afirmou:
"O brasileiro quer trabalhar. Esse negócio de confinamento aí tem que acabar. Temos que voltar às nossas rotinas. Deixem os pais, os velhinhos, os avós em casa e vamos trabalhar. Algumas mortes terão, mas acontece, paciência".
Contavam-se, então, 3.477 infectados, com 93 mortos. Nesta sexta, o país ultrapassará a marca dos 600 mil cadáveres: 599.865 ontem, com 21532.210 de infectados notificados. E todos conhecemos os empecilhos criados pelo próprio governo para a compra de vacinas, revelados pela CPI, e a constante sabotagem aos métodos de prevenção.
"Algumas mortes acontecem. Paciência!"
"Algumas pessoas passam fome. Paciência!"
"Alguns incêndios ocorrem. Paciência!"
"Algumas pessoas ficam desempregadas. Paciência!"
"Haverá desabastecimento no ano que vem. Paciência!"
Bolsonaro é o fatalista trágico da própria ignorância. Ainda que esse cenário de desabastecimento fosse fatal — e não é, ainda que as dificuldades existam —, a um governante compete, então, tomar medidas de caráter preventivo e, no momento adequado, conversar com a população.
Mas Bolsonaro prefere, como se vê, incentivar as pessoas que dispõem de recursos a fazer um estoque de alimentos.
Sou um tanto injusto quando afirmo que Bolsonaro nada fez. Ele tomou, sim, uma providência. Deixemos que ele mesmo conte:
"Pedi agora a uma pessoa nossa que trabalha nos Estados Unidos, no Itamaraty, [para] ir nos mercados -- bem como alguns embaixadores da Europa também -- [para] mostrar o que está acontecendo. Lá [no exterior], não é apenas inflação, está havendo desabastecimento".
Bolsonaro transformou os embaixadores brasileiros em apontadores de preço nos, como diriam Paulo Coelho e Raul Seixas, "pegue-pagues do mundo".
Bolsonaro ultrapassou, desta feita, os limites da própria idiotia. Nada que ele não possa fazer de novo amanhã.
________________________________________////////////
Reinaldo Azevedo - Nossa Senhora de máscara: um reaça místico no templo da razão em Aparecida
Colunista do UOL
12/10/2021 23h08
É claro que os eventos são, por si, saborosos. Até colaboram com a crônica política, que nem precisa se esforçar para tirar leite de pedra no feriadão, não é mesmo? O contraste já vem pronto para quem apela a alguma ciência e a um pouco de história: enquanto a Igreja Católica prega o apreço pela ciência, a política vai a Aparecida levando misticismo primitivo.
Não que isso seja novo na Igreja Católica, convenham. Fez das suas, claro!, mas teve e tem os seus doutores. Santo Tomás de Aquino concentra mais lógica e racionalismo do que parte considerável dos tratados sobre ciência. A "Suma Teológica" não prova a existência de Deus, mas evidencia como o pensamento pode ser engenhoso quando se tenta provar... a existência de Deus.

Bolsonaro ultrapassa a própria idiotia e anuncia falta de comida em 2022!!!
Observem como o colunista tergiversa, né? "Meu Jesus Cristinho" (apud Manuel Bandeira)! Terei de falar de Jair Messias Bolsonaro — que poderia, ao menos, não ter o "Messias" no nome para dificultar a tarefa de fazer gracejo amargo com os falsos profetas. Mas vamos lá.
O cara foi a Aparecida. Quer um evangélico "terrível" — e, sim, ele conseguiu um! — no Supremo, mas foi tentar ganhar as franjas dos devotos de Nossa Senhora. Antes da sua chegada, na principal cerimônia do dia, a das 9h, o arcebispo Dom Orlando Brandes mandou a real.
A santinha consola. Mas não cura Covid-19. Não impede a contaminação por vírus. A Igreja Católica convive com a ciência há muito tempo já. Tem a maior rede de universidades do mundo. Nos seus laboratórios, Deus está na ciência, como estava na "carne seca bem apimentada" da Branca Dias de "O Santo Inquérito", de Dias Gomes. Deus é onipotente para as causas possíveis, como disse Santo Tomás, aquele que vale por um tratado sobre a racionalidade.
Milagres por hora, por minuto, só mesmo nas igrejas mais novas do que o uísque que eu bebo. É coisa de embusteiros e charlatões. O paraplégico que foi escolhido pela fé — não adianta tentar escolhê-la — encontrará conforto. Mas não vai andar.
Deus não é uma caixa de supermercado: "Pague e leve". Não é como os "pegue-pagues do mundo" da "Guita", de Paulo Coelho, que tem mandado bem, e Raul Seixas. Deus pode mudar o seu entendimento do mundo. Mas o mundo muda por aquilo que podemos fazer para mudá-lo. Volto a Dom Orlando Brandes:
"Para ser pátria amada, seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira".
O pateta a que chamam "Mito", e também isso se ouviu em Aparecida, em meio a vaias, ainda não havia chegado. O arcebispo também disse: "Pátria amada não pode ser pátria armada". O lema do governo Bolsonaro, como se sabe, é "Pátria Amada Brasil". O religioso nem precisou apelar às sutilezas de Santo Agostinho ou às lições morais de São Basílio Magno.
Conforme contabilidade do Instituto Sou da Paz, como lembrou o Estadão, o ogro do misticismo de extrema direita promoveu 31 alterações nas normas relativas a porte de armas. A posse de armamento explodiu: 67% de aumento só no primeiro semestre de 2021. Os registros cresceram mais do que 100% em São Paulo e em outros oito Estados.
Os homicídios estavam em queda. Voltaram a crescer em 2020 (4,8%), ano em que se contaram 186.071 novos registros de aquisição de armas de fogo — crescimento de 97,1% em relação a 2019. Naquele ano, elas responderam por 72,15% dos homicídios dolosos; em 2020, por 78% dos 50.033 casos.
Somos a pátria mundial da carnificina armada, superando países que experimentam guerra civil, guerrilha ou terrorismo. E daí? Aquele que foi homenagear a Santa em Aparecida considera que arma é liberdade e que, de certo modo, é superior ao feijão. Faz sentido: Jesus não tem estômago na inflação do "crescimento em V" de Paulo Guedes, aquele que sabe como alimentar os mendigos: com a sobra dos restaurantes. Nota à margem: Sergio Moro, o pré-candidato de alguns entusiasmados da imprensa, condescendeu com a legislação homicida.
O arcebispo disse mais:
"Mãe Aparecida, muito obrigado porque na pandemia a senhora foi consoladora, conselheira, mestra, companheira e guia do povo brasileiro que hoje te agradece de coração porque vacina sim, ciência sim e Nossa Senhora Aparecida junto salvando o povo brasileiro".
Em Aparecida, Bolsonaro usou a máscara, uma das "agressões", segundo ele, à liberdade individual. São poucos os "terrivelmente católicos" que aceitam a folia do vírus para fazer as vontades do "Mito". A propósito: seu ministro da Saúde, o tal Marcelo Queiroga, a considera uma proteção volitiva. Ele a comparou à camisinha. Ignorou como se transmite o HIV e como se propaga o SARS-CoV-2. Na maioria dos casos, parceiros podem se negar a manter relações sexuais com quem não se protege. Não é o caso com os delinquentes que se negam a usar máscaras. Eles querem nos impor o conúbio virótico. É uma espécie de estupro moral. Faz sentido para o presidente que já considerou que a violação sexual é uma distinção, um "merecimento", um mérito mesmo.
A taxa de transmissão de Covid-19 no país é a menor desde abril do ano passado, segundo aponta o Imperial College. Contou-se nesta terça um total de 601.442 mortos. A queda, por óbvio, se deve à vacinação, contra a qual Jair Bolsonaro, na prática, ainda luta. A imunização chegou tarde e de modo desordenado. Mas a estrutura do SUS, que era um dos marcados para morrer nesse governo, a fez avançar.
O total de mortos vale por 12 anos de vítimas de homicídio — considero a média de 50 mil assassinados por ano. Um país que mata de vírus e bala.
Mas ele foi lá emporcalhar a fé. Não fosse Santo Tomás a conter o meu fervor místico, e pediria que Deus desse um jeito no cara.
Mas isso, leitoras e leitores, é mesmo com o voto. Escolham a vida. Contra as balas e o vírus.
E que a santinha proteja a fé dos que têm fé na ciência e na razão.
________________________________________////////////
Reinaldo Azevedo - Bolsonaro chora, desafia Espinosa, entristece o país e faz promessa absurda
Colunista do UOL 15/10/2021 06h20
Não duvido de que Jair Bolsonaro seja um homem torturado por seus fantasmas. E o maior deles ganha corpo todos os dias — e fantasmagoria não é, mas realidade: sua atribuição é governar o Brasil. E ele não tem a mais remota noção do que fazer. Toma decisões sobre temas que desconhece de modo absoluto. E por isso ele diz chorar em segredo quando teria motivos episódicos até para rir. Deve mesmo se trancar no banheiro em desespero.
Nesta quinta, o presidente participou de um culto evangélico da igreja Comunidade das Nações. E afirmou o seguinte:
"Cada vez mais, nós sabemos o que devemos fazer. Para onde devemos direcionar as nossas forças. Quantas vezes eu choro no banheiro em casa! Minha esposa [Michelle Bolsonaro] nunca viu. Ela acha que eu sou o machão dos machões. Em parte acho que ela tem razão até".

Nossa Senhora de máscara: um reaça místico no templo da razão em Aparecida
Não seria um Bolsonaro autêntico, claro!, se não exaltasse suas supostas qualidades viris até quando se mostra um tantinho vulnerável, o que não é estranho à sua trajetória. Já fez isso outras vezes. Líderes de corte messiânico buscam, esporadicamente, demonstrar um lado frágil para despertar a solidariedade alheia.
Ele tentou explicar as lágrimas que diz verter:
"O que me faz agir dessa maneira? Eu não sou mais um deputado. Se ele [um deputado] errar um voto, pode não influenciar em nada. Um voto em 513. Mas uma decisão minha mal tomada, muita gente sofre. Mexe na Bolsa, no dólar, no preço do combustível".
O presidente demorou para perceber que seus atos e palavras mexem com os preços. Entre as razões que explicam o dólar na estratosfera, com todas as suas consequências deletérias, está a sua espantosa irresponsabilidade. E, acreditem, não foi diferente nesta quinta, em pleno culto. Já volto ao ponto. Quero me fixar um pouco no choro — e na ausência de riso.
MOTIVOS PARA RIR
Bolsonaro governa um país em que mais de 600 mil pessoas morreram de covid-19. Parte dessas mortes, todos sabemos, transitaram no orbital que vai da incompetência do governo às decisões dolosas, uma vez que autoridades sabiam que estavam recomendando -- e distribuindo -- remédios comprovadamente ineficazes, além de sabotar os esforços em favor da vacinação e das medidas protetivas. Tudo isso é conhecido.
Ainda assim, a despeito desses desastres, o país já conta com mais de 100 milhões de indivíduos com vacinação completa. Passam de 150 milhões os que receberam a primeira dose, e contaminações e mortes estão em declínio.
O presidente da República — e é possível que qualquer outro em seu lugar o fizesse — poderia tentar chamar para si esses números vistosos, ainda que fosse uma apropriação indébita porque a vacinação, na prática, lhe foi imposta. Mesmo assim, ele poderia comemorar, ao menos, a retração da pandemia em solo nativo porque isso, afinal, salva vidas.
Mas ele faz o contrário. Declara que não vai se vacinar, põe a eficácia dos imunizantes em dúvida, reafirma seu compromisso com drogas comprovadamente ineficazes e ataca todas as medidas sanitárias que foram e ainda são tomadas para evitar a contaminação.
Bolsonaro parece incapaz de sentir, genuinamente, o que Espinosa chama em "Ética" de "afetos de alegria", ainda que "afetos de tristeza" sejam, às vezes, necessários, diz o filósofo, para conter os excessos — havendo, pois, tristezas que podem ser boas e alegrias que podem ser más. Mas convenham: isso sabemos todos pela experiência.
Penso, no entanto, na "alegria" da forma como a definiu Espinosa: aquilo que aumenta a nossa potência de agir, o que também precisa ser disciplinado, sendo a tristeza o que diminui essa potência. Bolsonaro não é apenas um homem quase sempre furioso e em guerra com o mundo — incluindo qualquer forma de saber. Por que chora no banheiro ao pensar, segundo diz, nas suas graves responsabilidades? Porque o mundo como é, na sua complexidade, revela a sua impotência. E, como resta evidente, ele se nega a aprender — inclusive com a experiência.
AS CHUVAS E A TARIFA
Prestem atenção a duas frases de Bolsonaro, que traduzem o exato contrário da experiência que ele vive: "Cada vez mais, nós sabemos o que devemos fazer. Para onde devemos direcionar as nossas forças." Não é preciso ser muito bidu para perceber que assume um tom milenarista, missionário, embora o profeta se negue a anunciar o mundo revelado. É preciso acreditar nele.
Antes de falar no culto, já havia reclamado numa entrevista de rádio: "Aumentou o preço da gasolina? Culpa de Bolsonaro! Aumentou o preço do gás? Culpa de Bolsonaro!" E aí especulou se não seria o caso de privatizar a Petrobras. Não que ele tenha um projeto para isso. Não que seu governo tenha feito essa escolha. Não que que isso seja um plano. No seu mundo sem alegrias — exceção feita às reiterações de suas ideias estreitas —, fala em privatizações como forma de excluir-se da culpa e da responsabilidade. É pura expressão de irracionalidade. E a razão é o maior dos "sentimentos de alegria".
Aos fiéis, Bolsonaro resolveu falar sobre a tarifa de energia e as chuvas. Disse:
"Meu bom Deus nos ajudou agora com chuva. Estávamos na iminência de um colapso. Não podíamos transmitir pânico à sociedade. Dói a gente autorizar o ministro Bento [Albuquerque], das Minas e Energia: 'Decreta bandeira vermelha'. Dói no coração! Sabemos das dificuldades da energia elétrica. Vou pedir para ele -- pedir não, determinar -- que ele volte para a bandeira normal no mês que vem".
Pela ordem! Vige no país a "Bandeira de Escassez Hídrica", que é mais cara do que a vermelha, anunciada há meros dois meses. As chuvas de agora, um tantinho acima das expectativas, estão muito longe de tirar o país do quadro, como diz o nome, de "escassez". Não há especialista na área que descarte o risco de racionamento ou mesmo de apagões.
Mudar a bandeira não decorre da vontade do presidente. Para tanto, criou-se a Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg). Ela tem competência para tomar medidas excepcionais, orientando-se por estudos da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). É pouco provável que a Câmara faça o que ele quer. Se o fizer, a crise se agrava. Lá nas alturas daquele mundo complexo que o presidente não alcança — o que o entristece e diminui a sua potência de agir —, há os investimentos com vistas ao futuro. Mas como investir se falta o mais básico de todos os insumos: energia? O que o presidente da República tem a oferecer? Conversa mole e promessas irrealizáveis.
CONCLUO
Não duvido, não, de que Bolsonaro chore. Deve até acontecer com frequência. Certamente é um sofrimento adicional que não consiga reduzir o Brasil ao tamanho de seus afetos de tristeza. Que isso passe! Afinal, entre as suas heranças, há milhares de cadáveres. E os que choraram seus mortos sabiam o motivo de sua dor.
________________________________________////////////
Opinião - Reinaldo Azevedo: Os 'cassadores' de democracia estão de novo assanhados
André Mendonça, nova Lei da Improbidade e PEC sobre CNMP mostram que há gente que não aprende nada e esquece tudo
Excitemos a fúria dos algozes. Três questões que têm inflamado parte do colunismo e da imprensa me dão a certeza de que é preciso adaptar à cor local frase famosa de Talleyrand sobre os Bourbons, quando voltaram ao poder na França, durante a chamada “Restauração”.
Refiro-me, no nosso caso, à resistência de Davi Alcolumbre em marcar a sabatina de André Mendonça, às mudanças feitas na antes destrambelhada Lei da Improbidade Administrativa e à PEC que muda a composição do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
“Não aprenderam nada; não esqueceram nada”, disse Talleyrand. Vale dizer: todos os graves eventos vividos pela Europa, em particular a França, em 25 anos não haviam ensinado nada aos bacanas que voltavam ao poder. E continuavam a hostilizar os suspeitos de sempre.
Por aqui, sobre certos nichos da imprensa, pode-se dizer algo ainda pior:
não aprenderam nada e esqueceram tudo.
A terra devastada sobre a qual perambulamos, herança maldita de um trabalho contínuo de destruição dos espaços institucionais de resolução de conflitos — aquela tal “política” —, ainda parece pouco.
Vejo, por exemplo, alguns obstinados do colunismo a fazer um verdadeiro trabalho de assessoria de imprensa para Sergio Moro.
Eis que a figura de Dom Sebastião ressurge das brumas.
Não desapareceu em batalha heroica. Deixou a toga para servir a Jair Bolsonaro, com quem se desentendeu, e foi ganhar a vida nos EUA, de onde ameaça voltar para educar os nativos.
Sim, o lava-jatismo tenta se reerguer. E aí vale tudo.
Vale, inclusive, ignorar a biografia de André Mendonça porque, afinal, o “terrivelmente evangélico” fez, vamos dizer, um acerto de agenda com a valorosa República de Curitiba.
As contínuas agressões do então ministro da Justiça à liberdade de expressão, buscando criminalizá-la, e a frequência com que tratou crimes como liberdade de expressão se anulam diante do compromisso com o “combate à corrupção”, que se tornou, no Brasil, a prostituta do Estado de Direito — com a devida vênia às prostitutas.
No dia 7 de julho, Bolsonaro chegou a dizer que tem uma espécie de testemunho gravado de Mendonça, em reunião com a cúpula do governo, em que, segundo se entende, o candidato ao Supremo fez juras de fidelidade não ao dever de Justiça, mas ao poder de turno.
E daí? Mendonça foi adotado pelo “Milenarismo Lava-jatista”, e seus atos de lesa democracia estão perdoados.
E, claro!, o suspeito passou a ser Davi Alcolumbre, que resiste a marcar a data da sabatina, dentro do que lhe garante, note-se, o ordenamento legal.
A tardia — e correta — mudança na Lei da Improbidade é tratada, por esses mesmos nichos, como leniência com a corrupção porque, ora vejam!, passa a exigir que se evidencie o dolo para que um agente público seja considerado, então, ímprobo.
Santo Deus! Recorram ao Houaiss. Voltem, se preciso, ao latim.
O sinônimo de ímprobo é “desonesto”.
É razoável que o erro meramente culposo não se distinga do ato doloso?
Aí clamam vozes das trevas, que nos deram Bolsonaro como herança:
“Ah, se tiver de provar o dolo, não se pune ninguém”.
É como dizer: “Já que não conseguimos atingir os nossos alvos com ações penais, vamos apelar às cíveis, em que é possível condenar sem provas”.
O novo texto também estabelece um prazo para as ações.
É o certo. Algumas se arrastam por 20 anos.
Não é mais senso de justiça, mas apego a reféns.
Leis sancionadas por presidentes acuados resultam em desastres:
a da improbidade traz a assinatura de Collor; a da delação (organizações criminosas), a de Dilma.
E chegamos à PEC que muda a composição do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
É mentira que a proposta, desde a origem — e já passou por alterações —, afete a independência do MP, à diferença do que dizem os sindicalistas do setor.
Tal juízo de valor, no entanto, compõe hoje o lead de reportagens que deveriam ser apenas informativas. Sem direito nem a outro lado.
Os caçadores de corruptos, convertidos em “cassadores” de democracia e direitos fundamentais, não aprendem nada.
E esquecem tudo.
Que comecem os xingamentos!
________________________________________////////////
Presidente do PDT defende ataques de Ciro a Lula e Dilma: "dá ibope e manchete de jornal"

247 - O presidente do PDT, Carlos Lupi, saiu nesta quinta-feira (14) em defesa dos ataques de Ciro Gomes contra os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.
Em entrevista ao UOL, Lupi avaliou que as agressões de Ciro contra Lula e Dilma se justificam, pois, dessa forma, o pedetista ganha destaque na imprensa. "Dá divulgação, ibope e manchete de jornal a crítica ao Lula, e não ao Bolsonaro", disse Carlos Lupi.
O presidente defendeu os ataques de Ciro, que chegou a disseminar uma fake news de que Lula teria agido a favor do golpe de 2016. "Penso que ninguém controla o instinto humano. Isso é a quentura do processo político eleitoral, que em todas as eleições acontece", afirmou.
"O Ciro representa com muita competência, lealdade, experiência — e com uma diferença que temos do PT, que foi um governo que agregou todas as forças mais antigas, mais conservadoras da sociedade e deu no que deu", disse também Carlos Lupi.
________________________________________////////////
Mais de 60 congressistas dos EUA manifestam a Biden "profunda preocupação" com ameaças golpistas de Bolsonaro

247 - Mais de 60 deputados democratas do Congresso dos Estados Unidos enviaram, de acordo com a BBC Brasil, uma carta ao presidente do país, Joe Biden, nesta quinta-feira (14), na qual manifestam “profunda preocupação com a busca do presidente Jair Bolsonaro por políticas no Brasil que ameaçam o regime democrático, os direitos humanos, a saúde pública e o meio ambiente”.
Os congressistas pedem, portanto, que Biden tire do Brasil o status de aliado preferencial extra-Otan, concedido pelo ex-presidente Donald Trump em 2019. Tal status possibilita ao Brasil a obtenção de equipamentos militares americanos de segunda mão por preços mais baixos.
Além disso, os deputados também querem que os EUA retirem seu apoio à elevação do Brasil à condição de "grande aliado da Otan", que teria sido negociado na viagem do conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, a Brasília no começo de agosto.
O apoio dos estadunidenses seria uma troca, em uma negociação que prevê por parte do governo Bolsonaro políticas contrárias à China, como a interdição da participação da Huawei no leilão do 5G.
"O histórico deplorável de Bolsonaro no cargo exige uma revisão urgente das relações EUA-Brasil, com foco na identificação de ajustes potenciais no relacionamento que poderiam fornecer uma alavanca para incentivar um comportamento menos prejudicial”, diz trecho da carta. "Essa revisão deve incluir a cooperação bilateral no combate às drogas e ao terrorismo e, mais notavelmente, a oferta feita ao Brasil para se tornar um parceiro global da Otaon. Em 2019, o Brasil foi designado aliado preferencial extra-Otan. Bolsonaro usou essa designação para seu benefício político, citando-a como uma grande conquista e um selo de aprovação do governo dos Estados Unidos".
________________________________________////////////
Unesco denuncia 200 mortes com experiência bolsonarista da proxalutamida no Amazonas como "das mais graves da história"

247 - A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) considerou a denúncia de 200 mortes de voluntários de pesquisa clínica com a proxalutamida feita no Amazonas uma das infrações éticas mais graves da história da América Latina. A declaração foi divulgada nesse sábado (9) por meio da Rede Latino-americana e Caribenha de Bioética (Redbioética-Unesco). A informação foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo.
A Unesco deu seu posicionamento, após a Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) fazer uma denúncia à Procuradoria-Geral da República no mês passado. A entidade é responsável por regular a participação de seres humanos em pesquisas científicas no Brasil.
Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu o uso da substância no combate ao coronavírus, mas o remédio não teve eficácia comprovada contra a Covid-19. O uso da substância em pesquisas científicas também foi vetado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no começo do mês passado.
De acordo com o comunicado da rede de bioética da Unesco, a denúncia da Conep incluiu graves violações dos padrões éticos de pesquisa com a proxalutamida. "É ética e legalmente repreensível, conforme consta do ofício da Conep, que os pesquisadores ocultem e alterem indevidamente informações sobre os centros de pesquisa, participantes, número de voluntários e critérios de inclusão, pacientes falecidos, entre outros", disse.
"Qualquer alteração em um protocolo de pesquisa deve ser aprovada pelo sistema de ética em pesquisa local", afirmou.
________________________________________////////////
Novo Nobel de Economia mostrou que aumentar salário mínimo não significa aumento do desemprego

Por Daniel Giovanaz, do Brasil de Fato - O economista canadense David Card, um dos três laureados com o Prêmio Nobel de Economia nesta segunda-feira (11), demonstrou por meio de estudos empíricos que aumentar o salário mínimo não provoca, necessariamente, um crescimento do desemprego.
Card nasceu em 1956 em Guelph, no Canadá, e é professor de economia na Universidade da Califórnia, nos EUA.
Uma de suas principais obras, Myth and Measurement: The New Economics of the Minimun Wage [em português, "Mito e medição: a nova economia do salário mínimo"], assinada junto ao economista Alan Krueger, Card realiza uma investigação detalhada dos efeitos do reajuste do salário mínimo sobre o desemprego e a pobreza.O vencedor do Nobel concentrou seus estudos entre jovens e trabalhadores com menor qualificação. No caso de trabalhadores de redes fast-foods, por exemplo, ele demonstrou que o efeito sobre a geração de empregos pode ser o contrário do que uma visão convencional poderia prever: o número de empregados aumentou, porque jovens que antes não saíam de casa para procurar trabalho foram atraídos pela melhora geral nos salários.
As conclusões de Card e Krueger remetem ao Brasil da última década, em que políticas de valorização do salário mínimo coincidiram com anos de redução dos níveis de pobreza e desemprego. Após o golpe de 2016, quando essa política foi rompida, o desemprego disparou, mostrando que a relação imediata de causa e efeito entre as duas variáveis é muito menos intuitiva do que imaginavam os autores do texto da reforma trabalhista de 2017, por exemplo.
Além de Card, que recebeu o prêmio por suas contribuições empíricas para a economia do trabalho, foram laureados nesta segunda-feira o estadunidense Joshua D. Angrist e o holandês Guido W. Imbens, por suas contribuições metodológicas para a análise das relações causais.
“Os estudos de Card sobre questões centrais para a sociedade e as contribuições metodológicas de Angrist e Imbens mostraram que experimentos naturais são uma rica fonte de conhecimento”, disse Peter Fredriksson, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas da Academia Sueca.
________________________________________////////////
Renato Russo: pesquisadores e amigos comentam legado do cantor nos 25 anos de sua morte

Receba notícias em tempo real no app.
Duas décadas e meia se passaram desde aquele triste 11 de outubro em que o Brasil perdeu Renato Russo para a Aids. Hoje, é possível até apostar que o ícone do rock nacional estaria criando uma nova letra para "Que país é esse?", roteirizando uma nova "Faroeste caboclo" ou versando sobre sua sexualidade, como "Meninos e meninas". Provavelmente, não diria que somos tão jovens, nem lamentaria um tempo perdido.
Desde a despedida do artista, fãs e estudiosos revisitam sua obra e debatem o legado deixado pelo cantor. É o caso da brasiliense e doutora em Literatura Brasileira Julliany Mucury, que está lançando o livro "Renato, o Russo", em que mostra as diferenças entre o Renato Manfredini Jr. e o artista que todos conhecem.
— (A divisão entre os dois "Renatos") começa no "The 42nd Street Band", livro que ele escreve com 15, 16 anos, em que narra uma banda imaginária. Desenha toda a trajetória dela, músicas, shows e coisas que o vocalista Eric Russell ia escrever. Ele já tinha essa projeção, sabia o que queria. De fato, ele vestia uma persona para estar na frente da imprensa ou nos palcos — avalia a autora. — Partir aos 36 anos no auge deixa aquela coisa de que não deu tempo de pisar na bola. Tudo que ele fez até ali é muito valoroso. Quando ele escreve "A tempestade", que é um álbum de despedida, tem uma sequência de letras tão dolorosa e profunda. É como se ele registrasse o início, o meio e o fim da vida.
Companheiro de Legião Urbana, o baterista Marcelo Bonfá também destaca essa capacidade que Renato tinha de absorver o mundo e colocá-lo no seu estilo, traduzindo temas universais:
— As letras dele são quase como um oráculo. São releituras de grandes ensinamentos, do que a humanidade foi aprendendo ao longo da história que ele coloca da forma dele como ser humano, com a sua personalidade. Daqui vou pensando nele e mandando vibrações. Mas acredito que ele não esteja precisando, tenho certeza de que ele está em um lugar foda.
No lugar em que está, Renato também deve estar se sentindo mais confortável, já que, durante sua história terrena, ele não se encaixava em algumas convenções. Muitas vezes, foi polêmico. E seu alter ego artístico, certamente, pesou na construção dessa personalidade. Julliany aponta que, no fundo, Renato sabia que sua obra e seus planos eram maiores do que ele.
— Renato criou uma magia em torno dele mesmo. Isso é algo pensado, uma estratégia de sobrevivência. — pontua a autora. — O Renato Manfredini Jr. dependeu muito tempo de remédios, que, junto ao álcool, fazia essa bomba. Além da maconha e da cocaína depois. Para ele dar conta dos seus planos, recorreu a vários subterfúgios. O Dado (Villa-Lobos, guitarrista da banda) descreve o Renato assim na sua autobiografia, como alguém que não interagia com a banda nos hotéis, que gostava de ser recluso. Ele sempre foi o sábio, o ancião da galera, a figura à frente do tempo. Era difícil para ele.
Cantor tinha lado 'messiânico'
Mas, mesmo com uma grande obra em mente, Bonfá lembra que o amigo não deixou seu ego inflar, como acontece com muitos artistas.
— Se não tiver um autocontrole do que é a vida real, é muito fácil o cara se perder nessa e se deixar ser levado — observa o músico.
Em meio aos planos que tinha, Renato também trazia um lado que a autora chama de "messiânico", uma forma de agregar sua comunidade de fãs e quase transformar sua Legião em religião.
— Penso sempre que nada em que o Renato se colocou foi por acaso. Não à toa ele recorreu muito à Bíblia, como em "Daniel na cova dos leões" e "Monte Castelo", com a carta de Paulo aos Coríntios na letra. Ele realmente acreditava que poderia influenciar a vida das pessoas — avalia Julliany.
De fato, Renato influenciou. E segue influenciando, mesmo após 25 anos da sua morte. Com o legado, os fãs continuam aprendendo.
— Ele sempre falava sobre acreditar nos seus sonhos. Se os pensamentos têm esse dom tão transformador, devemos fazer na direção da coletividade. Acreditar era só o início do que o Renato estava querendo dizer — conclui Bonfá.
Polêmica na Justiça
Nos últimos tempos, a Legião Urbana se viu em meio a um embate judicial. Filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini queria impedir que os outros integrantes, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, usassem o nome da banda em shows. Em junho deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu ganho de causa para os músicos, que agora estão livres para usar o nome do grupo de que fizeram parte. No entanto, por enquanto ainda não há previsão de novas apresentações.
— Saímos meio machucadinhos disso tudo. Estavam me jogando contra o Renato e ele contra todo mundo. A gente teve que rebater coisas muito óbvias. Tivemos que nos debruçar em momentos que só eu, Dado e Renato estávamos presentes. Estamos dando um tempo e curtindo uma coisa que foi uma luta — explica Bonfá, que também reconhece que, uma hora, essa ferida vai sarar.
A briga certamente foi um episódio triste da história da banda tão emblemática na música brasileira. Autora de “Renato, o Russo”, Julliany Mucury ressalta a importância dos dois artistas na história de Renato e da banda.
— Sinto uma profunda tristeza com tudo isso. Primeiro pela mensagem que Renato queria deixar para o mundo de que o mais importante eram a família e os amigos. Eles três eram tão orgânicos, tinham muito respeito um pelo outro. O Renato não era fácil de lidar, era temperamental. Temos que pensar que quem segurou as pontas foram o Dado e o Bonfá. O Fê Lemos (baterista do Capital Inicial e da Aborto Elétrico, banda que ele teve com Renato) deu uma baquetada no Renato, e eles não quiseram mais saber um do outro — lembra a pesquisadora, que ressalta: — De mais de uma centena de músicas, só achei 29 de autoria só do Renato. Quando eles voltam com quem quer que seja como vocal, é muito forte. É como se o Renato reencarnasse. A Legião não é Renato Russo apenas. E ele era tão apaixonado pelo Giuliano, foi uma descoberta de paternidade linda. Acho que pode ter havido uma má orientação dele talvez.
Cantor em vida
Adolescência fértil
Uma das canções mais emblemáticas de Renato Russo, "Faroeste caboclo" foi escrita quando ele tinha apenas 19 anos. A longa letra chegou a virar filme de mesmo nome, em 2013, com Fabrício Boliveira como protagonista.
Acesso privilegiado
Na Brasília dos anos 80, Renato convivia com filhos de diplomatas, jovens que moraram em diferentes partes do mundo e tinham LPs raros, destaca Julliany Mucury.
Novos pulsos
Renato tentou suicídio e colocou isso nos versos de "Índios" ("Eu quis um perigo e até sangrei sozinho, entenda"). Depois, teve os movimentos comprometidos para tocar no palco.
________________________________________////////////
Renato Russo: Os últimos meses de vida e suas doações para o combate à fome no Brasil | Blog do Acervo - O Globo

Renato Russo vinha tomando o então novo coquetel de drogas para pacientes com Aids, mas, como não estava surtindo efeito e provocava reações no corpo difíceis de tolerar, o compositor do Legião Urbana decidiu suspender a medicação. Era como se tivesse aceitado a morte. Nas últimas semanas de vida, recluso em seu apartamento na Rua Nascimento Silva, em Ipanema, no Rio, o poeta do Rock recebera uma romaria de amigos próximos, enquanto sua saúde se deteriorava. Foi uma espécie de despedida das pessoas mais queridas.
Autor de hinos da música nacional, Renato Russo falava abertamente sobre sua vida. Militava pela causa gay em uma época de muito mais preconceito que hoje, quando se falava em "homossexualismo" como uma doença e se dizia "opção sexual" como se identidade fosse apenas questão de escolha. O cantor também era direto ao abordar sua depressão e o vício em drogas e álcool. Mas preferiu não falar publicamente da doença que viria a causar sua morte, no dia 11 de outubro de 1996, há exatos 25 anos, semanas após lançar "A tempestade", sétimo disco do Legião.

Para a maioria das pessoas, a notícia caiu como uma triste surpresa. No dia seguinte, O GLOBO publicou um caderno especial no qual uma reportagem relatava as visitas de amigos e familiares naquelas últimas semanas. O pai, Renato Manfredini, deixara Brasília um mês antes para ficar ao lado do filho. A atriz Denise Bandeira, a cantora Cris Braun, o produtor musical Luiz Fernando Borges, o cantor e compositor Alvin L., o guitarrista da Legião Dado Villa-Lobos e o fotógrafo Flávio Colker estiveram na residência do cantor para conversar com ele.
Russo também vinha retomando seu contato com a velha turma de Brasília, onde ele crescera e começara a despontar na cena musical. A morte era o tema mais presente nas conversas. Cerca de 40 dias antes de partir, o cantor recebeu o jornalista Geraldo Vieira e a artista plástica Mila Petrillo. "Ele disse que precisava mergulhar em si mesmo o máximo que pudesse, 'antes que a morte bata à minha porta'". Demonstrava total consciência. Temia não ter tempo para mais canções.

Então coordenador no Rio da campanha Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, Maurício Andrade contou ao jornal que Renato Russo se tornara um grande doador de recursos. De acordo com ele, o cantor destinara à ONG cerca de R$ 180 mil, o que, em valores atuais, representa mais de R$ 800 mil. Segundo Andrade, a quantia fazia dele o maior doador particular de verba para a Ação da Cidadania, fundada em 1993.
Renato vinha se engajando em ações da campanha criada por Herbert de Souza, o Betinho. Em 1994, por exemplo, ele participou da Semana da Arte contra a Miséria, na livraria Alpharrábio, declamando o poema "Favelário nacional", do poeta Carlos Drummond de Andrade.
Os amigos que o encontraram pouco antes de sua partida disseram que o artista se entregara à depressão que o assombrara ao longo da vida. Nos últimos meses, o cantor, trancado em casa, foi acompanhado de perto por enfermeiros e um psicólogo, além do pai. Estava empolgado com o último disco do Legião, mas se mostrava muito debilitado fisicamente. Renato Manfredni Junior morreu em casa, às 01h15 da madrugada, devido a uma série de complicações geradas pela Aids, como pneumonia, septicemia e infecção urinária. Seu corpo foi cremado, e as cinzas foram jogadas no Sítio Roberto Burle Maz, em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio.

________________________________________////////////
1º guitarrista da Legião fugiu de shopping com Renato Russo: 'Uma loucura'

Weslley Neto
De Splash, em São Paulo
11/10/2021 04h00
Kadu Lambach não é um dos nomes mais lembrados quando o assunto é a Legião Urbana, mas faz parte da história do grupo musical que fez sucesso em todo o Brasil. Ele foi o primeiro guitarrista da banda liderada por Renato Russo, que morreu há exatos 25 anos.
Conhecido como Eduardo Paraná na época, ele integrou a primeira formação do grupo em 1982 com Marcelo Bonfá e Paulo Guimarães, o Paulista. Dado Villa-Lobos assumiu a guitarra da Legião Urbana somente em 1983, após a saída de Paulo e Kadu.
Relacionadas

'Caso de psiquiatra', diz Dado Villa-Lobos sobre filho de Renato Russo
Renato Russo era uma pessoa com dois lados. Um deles era muito intelectual e outro extremamente festeiro. O Renato era sistemático em relação a composições e ensaios, pensava muito em marketing já naquela época. Todo ensaio era gravado e o material era muito bem organizado. Mas também era um cara muito extrovertido nas festas com a nossa turma, terminava a noite completamente molhado de tanto dançar.Kadu Lambach, em conversa com Splash
A Legião Urbana partiu para o Rio de Janeiro, onde lançou o seu primeiro disco em 1985. Kadu continuou em Brasília, mas manteve contato com Renato e o encontrava nas visitas do músico. Ele lembrou um sufoco vivido durante um passeio pela capital federal.
Fomos a um shopping juntos em 1986. Ele queria me dar um disco de presente. Conversávamos no caminho e ele dizia que não podia sair de casa no Rio de Janeiro. Renato gostava de andar nas ruas e comprar presentes para as pessoas. Foi uma loucura quando chegamos ao local, as lojas precisaram ser fechadas. Todos queriam falar com Renato Russo. Precisamos sair escondidos pelos fundos do shopping, mas conseguimos pegar o disco do saxofonista Branford Marsalis.Kadu Lambach
Kadu lembra dos "conselhos musicais" dados por Renato Russo. Ele planejava realizar projetos que contavam com a participação do amigo, mas a descoberta do artista sobre o HIV em 1990 adiou os planos. A última conversa ocorreu em 1995, um ano antes da morte do vocalista da Legião Urbana.
Na época em que formamos a banda, os primeiros ensaios foram realizados na minha casa. Antes de tocarmos, ele ficava escondido para ver as aulas da minha mãe, que era professora. Ele tinha um grande conhecimento sobre a vida de artistas e compositores. Minha mãe achava ele esquisito, mas ficava impressionada com o conhecimento.Kadu Lambach

O uso do nome Legião Urbana
Kadu Lambach também comentou sobre o processo envolvendo o uso do nome da banda. Para ele, o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) acertou ao permitir que Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá se apresentem usando o nome da Legião Urbana sem um pedido de autorização formal ao filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini.
Achei justo o que aconteceu no processo. O Dado e o Bonfá tinham o direito de usar o nome da banda sem pedir a autorização. Foi algo que nós construímos. Eu também trabalho para fortalecer o nome da Legião Urbana.Kadu Lambach
O nome pertence à empresa Legião Urbana Produções Artísticas, organização gerida por Giuliano Manfredini, que pediu exclusividade no uso. A sentença não decidiu pela mudança de dono da marca, mas permitiu que os músicos se apresentassem como Legião Urbana.
Kadu afirma que Giuliano sempre foi muito "discreto" e nunca comentou sobre o assunto durante os encontros. O guitarrista foi contratado pela Legião Urbana Produções Artísticas para homenagens pontuais feitas ao vocalista Renato Russo.
Em contato com Splash em junho, o advogado de defesa da empresa Legião Urbana Produções Artísticas, Guilherme Coelho, garantiu que entraria com um recurso contra a decisão do STJ.
Hoje, o primeiro guitarrista da Legião Urbana lança o livro "Música Urbana: o início de uma legião. A origem com Eduardo Paraná". Na obra, Kadu Lambach falar sobre os primeiros momentos da banda. "Fiquei dois anos com a turma e foi um grande início para a minha trajetória como guitarrista", afirmou.

As mais lidas agora
________________________________________////////////DEM e PSD ressuscitam rivalidades para 2022

Receba notícias em tempo real no app.
RIO — A busca pelo papel de “fiel da balança” do próximo governo e uma antiga rivalidade entre cúpulas partidárias têm empurrado DEM e PSD para caminhos opostos nos estados em 2022. Em locais como Rio, São Paulo, Minas e Goiás, as duas siglas ensaiam confrontos na formação de palanques e na disputa pela filiação de candidatos. Como ativo, o DEM aposta no fundo eleitoral turbinado pela fusão com o PSL, que vai resultar na criação de um novo partido, o União Brasil.
O PSD surgiu em 2011 como uma dissidência do DEM liderada pelo então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Após perder a queda de braço pelo comando do DEM para a ala integrada por ACM Neto, e capitaneada pelo deputado Rodrigo Maia, Kassab fundou o PSD em meio a trocas de farpas públicas.
DEM e PSD foram os partidos que mais cresceram nas eleições de 2020, diluindo a força municipal de MDB e PSDB, e figuram entre as maiores bancadas da Câmara, no patamar de siglas como PP e PL, alinhados ao governo Jair Bolsonaro, e do PT, que lançará o ex-presidente Lula para o Palácio do Planalto.
Por tudo isso, integrantes das cúpulas dos dois partidos dizem reservadamente que um busca dar “trombadas” no outro nos estados, numa disputa para ver quem larga em vantagem não só na corrida por governos, mas também para aumentar seu peso no Congresso. Em Rio, Minas e São Paulo, a disputa também envolve a chance de comandar um palanque nacional de terceira via.
Grifes em disputa
Em São Paulo, Kassab e Neto concorrem para filiar o ex-governador Geraldo Alckmin, de saída do PSDB, e lançá-lo ao governo. Alckmin já foi a eventos com Kassab, mas a aposta de Neto e aliados é que o fundo eleitoral do novo União Brasil, atraia o ex-governador, apesar de divisões internas: o DEM paulista é próximo ao vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), enquanto o PSL local aposta no lavajatismo.
— Para nós, é possível caminhar tanto com Alckmin, quanto com o Rodrigo (Garcia). A questão estadual vai depender também do desenho nacional. O PSL havia filiado o (apresentador de TV, José Luiz) Datena, e tem uma ala que gosta do nome do Sergio Moro — enumerou o deputado Junior Bozzella (PSL-SP).
Em Minas, onde o PSD deve lançar o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ao governo, outro nome no radar é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), citado por Kassab como seu candidato ao Planalto. Após oficializar a fusão com o PSL, ACM Neto fez um apelo para que Pacheco permaneça na sigla, e também sugeriu lançá-lo à Presidência.
Para convencer Pacheco, a cúpula do DEM argumenta nos bastidores que Kassab desejaria fragmentar a terceira via para facilitar uma aliança futura com Lula. Já lideranças do PSD citam a presença de nomes de DEM e PSL no primeiro escalão do governo Bolsonaro e lembram que, em diversos estados, candidatos do União Brasil devem fazer campanha para a reeleição do presidente. Caso Pacheco vá para o PSD, lideranças do União Brasil miram a filiação do governador Romeu Zema (Novo), adversário de Kalil.
No Rio, um convite de Kassab tirou o prefeito Eduardo Paes do DEM em maio. Desde então, Paes articula uma candidatura de oposição ao governador Cláudio Castro (PL), que tem DEM e PSL em sua base. Recentemente, Castro ensaiou uma aliança sugerindo indicar aliados do prefeito, como o deputado federal Pedro Paulo (DEM) ou o secretário de Saúde Daniel Soranz, para o posto de vice, mas a cúpula do DEM rechaçou a aproximação com Paes e o PSD.
O prefeito de Belford Roxo, Waguinho (PSL), se colocou como possível vice de Castro, em troca de assegurar o apoio do União Brasil. O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que disputa com Waguinho o comando do partido no Rio, também se afastou de Paes por defender um palanque com Bolsonaro.
— Eu não acredito em terceira via. Vejo que a tendência nossa é liberar apoios nos estados — diz Sóstenes.
A fusão com o PSL deve garantir mais recursos de campanha para pré-candidatos do DEM a governos estaduais, como ACM Neto (BA), e Ronaldo Caiado (GO). Neto deve rivalizar com o petista Jaques Wagner, cuja chapa incluirá Otto Alencar (PSD) como candidato ao Senado.
Já Caiado acena abrir espaço ao MDB e ao próprio PSL em sua chapa. Este movimento levou o PSD, do senador Vanderlan Cardoso, aliado do governador, a ensaiar um bloco de oposição e aproximar-se de Gustavo Mendanha, prefeito de Aparecida de Goiânia e possível adversário de Caiado.
Em estados do Norte e Nordeste, pré-candidatos das duas siglas já se colocam em palanques opostos. Na Paraíba, por exemplo, DEM e PSL querem o deputado Efraim Filho ao Senado na chapa do governador João Azevêdo (Cidadania), e o PSD tem Romero Rodrigues, ex-prefeito de Campina Grande, como nome ao Executivo.
________________________________________////////////
Enchente na China afeta 1,7 milhão de moradores e causa mortes; veja imagens

Receba notícias em tempo real no app.
SHANXI, China — Mais de 1,75 milhão de pessoas foram afetadas por uma enchente na província de Shanxi, no Norte da China, na última semana. Chuvas torrenciais levaram ao desabamento de casas e provocaram deslizamentos de terra em mais de 70 distritos e cidades. Informações ainda preliminares relatam a morte de três pessoas e o desaparecimento de outras 11 que estavam em um ônibus levado pela enxurrada.
Estima-se que mais de 120 mil pessoas precisaram sair de suas casas e foram levadas para abrigos. Ao todo, 17 mil edificações desabaram, conforme autoridades ouvidas pela agência de notícias estatal Xinhua. Cerca de 190 mil hectares de plantações também foram destruídos.
De acordo com a imprensa estatal, as chuvas ameaçam as relíquias culturais milenares da região, com muitos prédios antigos já afetados. Um dos muros da Cidade Antiga de Pingyao, um patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), parcialmente desabou.
A cidade, datada do século XIV, é cercada por um muro e tem construções que preservam a arquitetura das dinastias Ming e Qing (1368-1911). De acordo com as autoridades locais, ao menos 300 prédios residenciais na região foram danificados.
Segundo a imprensa local, a Comissão Nacional de Redução de Desastres da China e o Ministério de Gestão de Emergências ativaram conjuntamente uma resposta de nível 4 para o local no sábado. Equipes de limpeza, resgate e ajuda humanitária foram para a região. A China tem um sistema de resposta de emergências e inundação de quatro níveis, sendo o nível 1 o mais severo.
As enxurradas em Shanxi vêm cerca de três meses após as fortes chuvas que deixaram mais de 300 mortos e cerca de 50 desaparecidos, principalmente na província de Henan. Foi o maior acidente natural no país desde um deslizamento de terra em Zhouqu, na província de Gansu, que deixou 1.800 mortos e desaparecidos em 2010.
Na ocasião, em quatro dias caiu o equivalente a quase um ano inteiro de chuva em Zhengzhou, algo nunca visto em seis décadas de estudos meteorológicos e que aumenta a inquietude em relação ao impacto das mudanças climáticas. Estima-se que os danos cheguem a 1,22 bilhão de yuans (R$ 979 milhões).
A capital de Shanxi, Taiyyan, viu uma precipitação média de 185,6 milímetros na semana passada, mais de sete vezes a mais que a média histórica de 25 milímetros vista entre 1981 e 2010. A extensão dos danos ainda não é totalmente conhecida, mas autoridades temem que sejam mais graves que os temporais de julho em Henan.
De acordo com a imprensa local da província, uma importante produtora de carvão, as equipe de resgate usam megafones para pedir que as pessoas carreguem as crianças acima de suas cabeças e priorizem a ajuda a pessoas idosas.
As atividades foram suspensas em pelo menos 60 minas de carvão e 372 minas de outros minerais, além de ao menos 14 fábricas de químicos. Teme-se que a paralisação nas minas seja mais um obstáculo para o fornecimento de energia no país, que tem visto apagões e limita o uso de eletricidade em portos e indústrias.
________________________________________////////////
PUBLICIDADE: Design, conforto e sofisticação em um dos bairros mais descolados do mundo

Receba notícias em tempo real no app.
Charmoso, divertido, sofisticado, cool, badalado. Muitas podem ser as maneiras de se referir a Botafogo, um dos bairros da Zona Sul carioca que contemplam projetos residenciais de alto padrão sem abrir mão de um cardápio variado de serviços. Foi pensando nesse cenário que a RJZ Cyrela decidiu apostar as fichas em mais um projeto imobiliário no coração do bairro: o Easy Botafogo.
Localizado na Rua Professor Álvaro Rodrigues e com acesso também pela Rua General Polidoro, o Easy atende a todos os gostos e arranjos familiares.O residencial fica a dois minutos a pé do metrô, bem próximo à Praia de Botafogo e a pontos turísticos como o Pão de Açúcar.
Para quem deseja se locomover a pé, opções de lazer também não faltam. A região é embalada por culinárias renomadas como a do Tutto Nhoque e a da padaria artesanal Slow Bakery. Bem pertinho do condomínio, há restaurantes conceituados como Miam Miam, Lasai e Le Cordon Bleu — Signatures.
Em matéria de serviços, a região não deixa a desejar com supermercados, hortifrúti, farmácias e a Livraria da Travessa. Escolas como a conceituada Eleva e o tradicional Colégio Santo Inácio também estão presentes nas proximidades. Para quem respira cultura, opções não faltam: cinemas e shoppings, museus e centros culturais. Para quem quer aproveitar a noite, barzinhos no entorno da Rua Nelson Mandela trazem boas escolhas.

PLANTAS GENEROSAS
O terreno de 4.100m2 contempla dois edifícios, com 76 unidades cada, com metragens e plantas generosas, que vão de 95m2 a 257m2. As unidades do tipo garden oferecem apar tamentos de três suítes e dois quartos, com varanda com previsão de kit de bancada e churrasqueira elétrica, e os apartamentos,com opções parecidas. No topo, destacam -se oito coberturas, quatro por edifício, que contam com três suítes, hall íntimo, copa,lavabo, kit piscina e churrasqueira a carvão, entre outros diferenciais. Na área de lazer haverá piscinas, churrasqueira, coworking, salão de festas, brinquedoteca, academia, entre muitos outros espaços.
Diante do franco crescimento dos empreendimentos de alto padrão no Rio de Janeiro, um dos principais destaques do Easy é o design que o permeia desde a fachada e o lobby exuberante até os espaços de convívio. O projeto de decoração das áreas comuns é assinado pelo Studio RO+CA, que se debruçou sobre as tendências internacionais de design urbano e uniu duas premissas dos projetos RJZ Cyrela: a sofisticação e a atenção ao detalhe. Em tempos de pandemia e com a popularização do home office, o diretor de Incorporação da RJZ Cyrela, Carlos Bandeira de Melo, explica que a incorporadora tem o conforto como um pilar básico do empreendimento.
— A RJZ Cyrela decidiu olhar com mais carinho para esse novo modo de morar, e o Easy não ficou de fora, trazendo espaço de coworking com 50m2, e oferecendo o espaço de lounge externo e Wi-Fi em todas as áreas comuns sociais. Os apartamentos também estão adequados a essa nova realidade: ponto de TV e tomada nas varandas, pois já é comum a sua transformação em um espaço híbrido de diversão e trabalho. Além de infraestrutura para que o morador adquira sistema de voz, dados e imagens através de telefonia, TV ou internet.

FACILIDADES NA ROTINA
Diferenciais como copa, espaço para geladeira e freezer, lavabos em algumas unidades e infraestrutura para instalação de ar-condicionado tipo Split e/ou multisplit nas salas, suítes e quartos e ponto de televisão nas varandas também poderão ser vistos no projeto. Além disso, haverá Personal Concierge, Central de Encomendas, Fast Market e Central de Facilidades, soluções para um dia a dia mais dinâmico e confortável.
Em um contexto em que o conceito de ESG ganha relevância no Brasil, práticas ambientais e sociais chamam atenção em novos empreendimentos.Diante disso, o Easy Botafogo conta com sistema de coleta seletiva de lixo, aproveitamento de águas pluviais, medidores individuais de água por unidade, tomadas para recarga de carros e bicicletas elétricas, bicicletário, entre outros.
Carlos Bandeira explica que os juros mais baixos e o dólar mais alto motivam a busca por novas oportunidades de investimento. Segundo ele, a compra de imóveis se mantém como uma opção segura e altamente rentável.
— Quem compra imóvel agora ainda consegue um valor pré-crise, que é um ótimo negócio. Entregamos no Easy Botafogo um produto sofisticado e inovador que conversa com o desenvolvimento latente do bairro de Botafogo. A expectativa é de uma contínua valorização dos imóveis da região nos próximos anos — conclui.
________________________________________////////////
Santa Cruz e Freixo buscam apoio de Lula no Rio

Em sua ida a Brasília na semana que passou, o ex-presidente Lula abriu a agenda para os dois nomes que desejam se apresentar em 2022 como os principais opositores no Rio ao governador Claudio Castro, aliado do presidente Jair Bolsonaro: o deputado federal Marcelo Freixo, do PSB, e o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, prestes a ingressar no PSD.
Foi a primeira vez que Santa Cruz falou claramente para Lula que quer ser candidato a governador do Rio — hipótese ainda levada pouco a sério na política fluminense. Até então, apenas o prefeito do Rio Eduardo Paes dizia em entrevistas que o presidente da OAB poderia ser lançado com seu apoio ao Palácio Guanabara. Em uma conversa de mais de uma hora, Santa Cruz expôs a Lula análises sobre o governo Castro e disse que sua candidatura tem mais chances de emplacar no Rio pela capacidade de despertar baixa rejeição.
Tratou-se de um recado para a candidatura de Freixo, que mais uma vez ouviu de Lula que terá o seu apoio no Rio. Embora tenha bom desempenho em pesquisas recentes, o ex-psolista ainda gera dúvidas no PT sobre a capacidade de vencer uma eleição majoritária no estado. Freixo corre contra o tempo junto ao marqueteiro Renato Pereira para poder aparecer mais palatável a um eleitorado que não esteve ao seu lado em eleições para prefeito do Rio em 2012 e 2016 devido a posicionamentos em temas ligados a costumes e segurança pública.
Em sua defesa neste momento, o deputado do PSB costuma dizer que é fácil ter baixa rejeição quando a taxa de conhecimento de um candidato é pequena — justamente a situação atual do presidente da OAB.
O fato é: hoje, Santa Cruz deseja Freixo fora do jogo eleitoral contra Castro e vice-versa. A despeito do apoio de Paes, o presidente da OAB sabe que fica difícil ser competitivo sem Lula em seu palanque. Freixo, por outro lado, vislumbra um cenário ideal em que o centro não tenha candidato no Rio para que triunfem os seus gestos rumo a um perfil de centro-esquerda moderado. Por ora, ambos subestimam a outra candidatura cogitada no campo que vai do centro até a esquerda: o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, do PDT, preso pela operação Lava-Jato em 2018, tem trabalhado para reverter a imagem da conjuntura de três anos atrás. Para isso, prepara o lançamento de um livro até o fim do ano sobre as acusações que sofreu.
Sem pressa, Lula assiste aos movimentos na torcida para que todos esses palanques estejam a seu dispor no estado berço do bolsonarismo caso, de fato, eles existam. Já chegou aos seus ouvidos até a defesa de um bloco “CastroLula”, uma aliança informal com o governador do Rio aos moldes do “Aezão” de 2014, que uniu o então PMDB fluminense a Aécio Neves mesmo com a existência da aliança nacional do partido com Dilma Rousseff. O deputado federal Altineu Cortes, manda-chuva do PL do Rio, partido de Castro, defende a tese para que Paes e seu grupo sejam atraídos para o projeto da reeleição.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano, principal interlocutor de Lula no PT do Rio hoje, também trabalha para que Castro inicie seu afastamento de Bolsonaro. Já até sugeriu ao governador o tema para iniciar o movimento: protestar contra o modelo de privatização do aeroporto Santos Dumont proposto pelo ministro Tarcísio Freitas que pode acarretar em prejuízos para o aeroporto Galeão.
Castro não se afasta de Bolsonaro por dois motivos: as pesquisas mostram que o seu eleitor hoje está atrelado ao do presidente; e paira no estado a especulação de que a direita poderá lançar um novo nome ao governo, especialmente depois da fusão entre DEM e PSL. O nome surpresa sempre lembrado para balançar o jogo eleitoral fluminense é o do vice-presidente Hamilton Mourão, do PRTB. Além de deputados federais e estaduais do Rio, quem o visitou recentemente para tratar do tema foi o ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Mesmo com o gesto da igreja Universal do Reino de Deus, Mourão segue negando que vá se candidatar ao Palácio Guanabara. Disse a Crivella que quer poder “ir à padaria em paz” no Rio depois de 2023.
________________________________________////////////
Prêmio Nobel de Economia 2021 vai para David Card, Joshua Angrist e Guido Imbens

Receba notícias em tempo real no app.
RIO — O prêmio Nobel de Economia de 2021 foi para o canadense David Card, o americano Joshua D. Angrist e o holandês Guido W. Imbens, informou na manhã desta segunda-feira a Academia Real de Ciências da Suécia. Eles ganharam a premiação por suas pesquisas sobre mercado de trabalho e por inovações na metodologia das relações causais, ambas feitos a partir de experimentos naturais. Ou seja, a partir de situações da vida real.
Segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, os estudos dos três pesquisadores mostram como experimentos naturais ajudam a resolver importantes questões para a sociedade. E que mudanças de políticas públicas podem resultar em situações que, sob a ótica da ciência, são tão válidos como estudos clínicos para avaliar a eficiência de medicamentos.
"Trata-se de tentar obter mais conexões científicas e análises baseadas em evidências na economia", disse Card, que inicialmente pensou que seus amigos estavam brincando quando recebeu o telefonema da Suécia, ao site de Berkeley. "A maioria dos economistas antiquados é muito teórica, mas hoje em dia, uma grande fração da economia é realmente muito complicada."
O prêmio é de 10 milhões de coroas suecas, o equivalente a R$ 6,32 milhões. Metade do valor vai para Card, da Universidade da Califórnia. Card foi coautor de estudos com Alan Krueger, que morreu em 2019. Ele analisou os efeitos do salário mínimo no mercado de trabalho, na educação e na imigração.
Card desafiou a ideia comum de que salários mínimos mais altos levam a menos oferta de emprego, ao testar o efeito de mudanças na remuneração mínima entre trabalhadores nas redes de fast-food em Nova Jersey e Pennsylvania, estados vizinhos. A pesquisa mostrou, por exemplo, que a oferta de emprego não foi afetada pelo aumento do salário mínimo em Nova Jersey.
Já no trabalho sobre o impacto da imigração sobre o mercado de trabalho, Card realizou um experimento natural que envolveu a migração de 125 mil cubanos para os Estados Unidos, em abril de 1980. Muitos deles se estabeleceram em Miami, o que resultou em um aumento da força de trabalho na cidade em cerca de 7%.
Apesar do enorme aumento na oferta de trabalho, o pesquisador não encontrou efeitos negativos para os residentes de Miami com baixos níveis de educação. Os salários não diminuíram e o desemprego não aumentou em relação às outras cidades.
"Nós sabemos, agora, que a renda das pessoas que nasceram num país pode se beneficiar de novos imigrantes", disse a Academia Real de Ciências da Suécia.
Segundo a instituição, o estudo também mostrou que a canalização de recursos para as escolas é mais importante para o futuro das crianças do que se pensava anteriormente.
"Sua abordagem se estendeu para outras áreas e revolucionou a pesquisa empírica", disse o júri do Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel.
Efeitos sobre a educação
Dados coletados de experimentos naturais são de difícil interpretação. Por exemplo, estender em um ano a educação obrigatória para um grupo e não para outro não vai afetar todos no grupo da mesma forma. Então, como avaliar os efeitos de um ano extra na escola?
Em meados dos anos 1990, Joshua Angrist e Guido Imbens solucionaram questionamentos como esse desenvolvendo uma metodologia que estabelece relações de causa e efeito a partir de observação de situações da vida real.
Eles mostraram que é possível identificar um efeito claro de uma intervenção no comportamento das pessoas, como por exemplo o subsídio que possa encorajar pessoas a irem para o trabalho de bicicleta, mesmo se os pesquisadores não puderem controlar quem participa do experimento e mesmo que o impacto varie entre indivíduos.
Eles ganharam a segunda metade do prêmio. Joshua Angrist é professor no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e Guido Imbens, em Stanford.
"Fiquei absolutamente emocionado ao ouvir a notícia", disse Imbens em uma teleconferência com jornalistas em Estocolmo, acrescentando que estava animado para compartilhar o prêmio com os dois amigos.
Paul Samuelson (1970; EUA)

O primeiro americano a receber a láurea é considerado por muitos o mais influente economista do século XX. Um dos fundadores do neo-keynesianismo, foi conselheiro de John Kennedy e Lyndon Johnson.
Friedrich von Hayek (1974; Áustria)

Foi quem mais influenciou defensores do livre mercado, de Ronald Reagan a Milton Friedman. Mas sua obra mais famosa é um livro político, “Caminho da Servidão”, que ajudou a sedimentar a aversão ao comunismo no Ocidente.
Milton Friedman (1976; EUA)

Para o pai do monetarismo, "se colocassem o governo federal para administrar o Saara, em cinco anos faltaria areia". Consolidou a Universidade de Chicago como um polo do liberalismo e do Estado mínimo. Levou fama pela frase “Não existe almoço grátis”, na verdade, uma expressão corrente entre economistas.
John Nash (1994; EUA)

Um dos maiores estudiosos da Teoria dos Jogos, que analisa as decisões humanas de acordo com os incentivos. Era matemático, não economista. Sua luta com a esquizofrenia virou o filme “Uma mente brilhante”, estrelado por Russell Crowe.
Robert Lucas, Jr. (1995; EUA)

Uma das estrelas da Escola de Chicago, reconhecido por seus estudos sobre expectativas racionais. Em 1989, ao se divorciar, acordou com sua ex-mulher que ela levaria metade do valor do Prêmio Nobel se ele o recebesse nos sete anos seguintes. O prêmio chegou 21 dias antes de o acordo expirar.
Amartya Sen (1998; Índia)

Um dos criadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), premiado por seus estudos sobre bem-estar social. Sen precisou superar problemas sérios na vida pessoal: um câncer na boca ainda quando estudante e a morte da segunda mulher, também de câncer.
Joseph Stiglitz (2001; EUA)

Ex-presidente do Banco Mundial e consultor de Obama e Clinton, Stiglitz é considerado tão brilhante quanto polêmico. Foi premiado por seus trabalhos sobre como a informação tem influência na economia. É conhecido pelas críticas à condução econômica de EUA e Europa durante a crise de 2008 e por suas denúncias sobre desigualdade.
Paul Krugman (2008; EUA)

Estudioso de comércio e finanças internacionais, tornou-se o economista mais popular do mundo por meio da coluna que mantém há quase 15 anos no “New York Times”. É hoje um dos mais proeminentes intelectuais da esquerda americana.
Elinor Ostrom (2009; EUA)

A primeira mulher a receber o Nobel de Economia não era economista, mas cientista política. Foi premiada por seus estudos sobre como cidadãos podem se organizar de maneira eficiente para gerenciar recursos públicos, o que contraria a ideia de que o Estado precisa intermediar essa relação.
Robert Shiller (2013; EUA)

O professor de Yale, que dividiu o prêmio com outros dois economistas, foi laureado por seu trabalho em finanças comportamentais, sobre a influência da psicologia nas decisões econômicas. Antecipou o estouro da bolha imobiliária nos EUA. Dá nome a um índice de preços de imóveis, o S&P/Case-Shiller.
Jean Tirole (2014; França)

Economista e professor da Universidade de Toulose, na França, Jean Tirole, conquistou o Nobel por seu trabalho sobre análise do poder e regulação de mercado.
Angus Deaton (2015; Reino Unido)

O economista britânico recebeu o Nobel por "sua análise do consumo, pobreza e bem-estar", que ajudou governos a melhorar suas políticas por meio de ferramentas como pesquisas residenciais e alterações tributárias.
Bengt Holmström (2016; Finlândia)

Ao lado do britânico Oliver Hart, o finlandês Holmström levou o prêmio por suas contribuições para a teoria dos contratos, que têm múltiplas aplicações em diversos contextos da vida real.
Richard Thaler (2017; EUA)

O americano recebeu o Prêmio Nobel de Economia por ter desenvolvido a teoria da contabilidade mental, explicando como as pessoas simplificam a tomada de decisões financeiras.
William D. Nordhaus e Paul Romer (2018; EUA)

Os dois americanos (na foto, Nordhaus) levaram o prêmio ao projetarem métodos para o crescimento sustentável a longo prazo na economia global e o bem-estar da população mundial.
________________________________________////////////'Anjos tronchos', de Caetano, é a mais perfeita tradução dos dias que estamos vivendo
Why not?
Ouvi Caetano Veloso cantando a caleidoscópica “Anjos tronchos”, na primeira quinzena de setembro.
“Uns anjos tronchos do Vale do Silício / Desses que vivem no escuro em plena luz / Disseram: vai ser virtuoso no vício / Das telas dos azuis mais do que azuis / Agora a minha história é um denso algoritmo / Que vende venda a vendedores reais / Neurônios meus ganharam novo outro ritmo / E mais e mais e mais e mais e mais / Primavera Árabe / E logo o horror / Querer que o mundo acabe-se / Sombras do amor / Palhaços líderes brotaram macabros / No império e nos seus vastos quintais / Ao que revêm impérios já milenares / Munidos de controles totais / Anjos já mi ou bi ou trilionários / Comandam só seus mi, bi, trilhões / E nós, quando não somos otários / Ouvimos Schoenberg, Webern, Cage, canções / Ah, morena bela / Estás aqui / Sem pele, tela a tela / Estamos aí / Um post vil poderá matar / Que é que pode ser salvação? / Que nuvem, se nem espaço há / Nem tempo, nem sim nem não / Sim: nem não / Mas há poemas como jamais / Ou como algum poeta sonhou / Nos tempos em que havia tempos atrás / E eu vou, por que não? / Eu vou, por que não? / Eu vou / Uns anjos tronchos do Vale do Silício / Tocaram fundo o minimíssimo grão / E enquanto nós nos perguntamos do início / Miss Eilish faz tudo no quarto com o irmão.”
Ouvindo Caetano cantar “Anjos tronchos”, em 2021, tive a mesma sensação de quando o ouvi cantar “Baby”, em 1968.
“Você precisa saber da piscina / Da margarina, da Carolina, da gasolina / Você precisa saber de mim / Baby, baby, eu sei que é assim / Baby, baby, eu sei que é assim / Você precisa tomar um sorvete na lanchonete / Andar com a gente, me ver de perto / Ouvir aquela canção do Roberto / Baby, baby, há quanto tempo /Baby, baby, há quanto tempo / Você precisa aprender inglês / Precisa aprender o que eu sei / E o que eu não sei mais / E o que eu não sei mais / Não sei, comigo vai tudo azul / Contigo vai tudo em paz / Vivemos na melhor cidade / Da América do Sul, da América do Sul / Você precisa, você precisa / Você precisa / Não sei, leia na minha camisa / Baby, baby, I love you / Baby, baby, I love you / Baby, baby, I love You.”
Depois da primeira audição de “Anjos tronchos” e da lembrança da gravação de “Baby”, assisti ao ministro da Saúde do Brasil mostrando seu obsceno dedo médio para manifestantes contrários à presença da comitiva de políticos brasileiros em Nova York. Curiosamente, no dia seguinte em que cometeu o tal gesto, esse ministro foi diagnosticado com Covid-19.
Na mesma hora, relembrei Caetano cantando “É proibido proibir”, canção composta há 53 anos, que continua contemporânea, nessa sociedade que acredita na ideia de jerico de que o ódio provoca mais engajamento que o amor.
Lembrei-me de “É proibido proibir”, como podia ter lembrado de “Gente”, “Odara”, “Podres poderes” ou “Fora da ordem”.
Falando em “ïnternetês” claro: “Anjos tronchos” é uma canção que mistura Jeff Bezos com Carlos Drummond de Andrade, os horrores da revolução digital com suas maravilhas, bestas mitificadas com jovens criativos trancados nos seus quartos.
Não acho que vá estourar na Vila da Penha, mas não tenho dúvida de que é a mais perfeita tradução dos dias que estamos vivendo, escrita por um artista brasileiro que jamais deixou de se perguntar por que não.

Por Washington Olivetto
________________________________________////////////
Com vocês, a cota evangélica | Opinião - O Globo
Caso André Mendonça se torne ministro do STF, por causa da pressão dos pastores evangélicos, a boiada, enfim, terá passado — ao vivo e em cores.
Será a consagração da ideia de cotas forjada sob a guerra identitária. A esquerda inventou, a direita copiou. Parece estranho, mas é como a política hoje enxerga a sociedade, a partir de nichos, setores, clivagens e grupos organizados.
Com vocês, as cotas religiosas.
Porque, afinal, como dizem os pastores, representam 30% dos brasileiros. Pois é.
O conceito de um país formado por cidadãos com direitos iguais, respeitados em suas liberdades individuais, como falavam pensadores como Stuart Mill e Tocqueville, diante da declarada guerra santa no Bozoquistão, é uma doce canção. Com muita fé, o que se avizinha é uma reedição dos tempos de Constantino, no século IV, quando os arcaicos cristãos destruíam estátuas desnudas, apagavam obras de filósofos pagãos ou derrubavam templos de deuses greco-romanos. Além de perseguir e exterminar o que chamavam de hereges, como aconteceu com a matemática Hipátia, cuja pele foi arrancada pelos fanáticos da época (outros ultrajes em “The Darkening Age”, de Catherine Nixey).
Exagero? Passa longe a empatia religiosa quando se fala das religiões afro-brasileiras. São contundentes os relatos de ataques a terreiros em várias cidades, em sinal de evidente intolerância. O direito das minorias, ou o princípio do Estado laico, é violentado pelo Bozo quando promete — e cumpre — indicar alguém “terrivelmente evangélico” para o STF. Ou ao revelar que pediu a André Mendonça, caso aprovado no Senado, que abra sempre as sessões da Corte com uma oração.
Trump, ao escolher os ministros da Suprema Corte, dizia cumprir a promessa de indicar perfis conservadores. Jamais se ateve ao primado religioso como preâmbulo. Podia ser um batista ou um católico apostólico romano, tanto faz, desde que fiel a princípios tradicionalistas.
Quais sejam: mandar no corpo do outro, na vontade e na consciência alheias em nome de uma pretensa superioridade moral (outras invasões em “Ascensão e queda de Adão e Eva”, de Stephen Greenblatt).
Tais ditaduras pareciam superadas, ao menos aliviadas, dentro da imensidão das metrópoles contemporâneas, com o esvaziamento de ameaças como o fogo dos infernos, o medo dos trovões e a excomunhão diante do avanço da ciência. Os grandes centros urbanos sugeriam ser recantos paradisíacos inacessíveis ao olhar repressor da autoridade religiosa.
Era um engano?
Desde a Segunda Guerra Mundial, quando se montou uma aliança para derrotar os diversos tipos de retrocesso, a humanidade caminhou célere com a chegada das novas tecnologias. Diversas conquistas, como vacinas contra doenças destruidoras, enquanto prolongavam a vida, ao mesmo tempo ajudavam a desmontar as teologias ancoradas em equivocados pressupostos.
Como pega mal queimar hereges nas fogueiras, a saída foi retornar de fato à política. Deixar a prosaica evangelização, hoje vista como ingênua, para ganhar poder e submeter a sociedade às leis do Estado.
Em nome de Deus, alianças com populistas de extrema direita, arrivistas de variados quilates, quase sempre sátiros. Do tipo Trump.
Um livro como “A quarta revolução”, de John Micklethwait e Adrian Wooldridge, conta como os lobbies (não importa o credo, mesmo sendo incréus) ajudaram a dividir a sociedade, em busca de suas exclusivas vantagens, e vergaram o Estado. Grupos organizados, aos poucos, colocaram nas costas de todos o peso de suas regalias — ou reivindicações. Aí entram os sindicatos de trabalhadores e os subsídios/isenções a setores específicos — como as multinacionais fabricantes de refrigerantes e automóveis. Comparecem os militares com aposentadorias especiais e as pensões para suas filhas solteironas. Rezam junto os quadros do funcionalismo público — com destaque fervoroso para o Judiciário.
O avanço dos grupos organizados, escrevem os autores, se deu a partir de estratégias e visões defendidas pelos movimentos de esquerda. Quando o Estado aparece como o pai de todos — ao menos daqueles capazes de gritar mais alto.
Depois de os movimentos identitários de esquerda forjarem as diversas reivindicações, justas ou não — na representação política, nos cargos do funcionalismo público, nas vagas das universidades etc. —, a turma de Malafaia avança no butim ao criar a cota evangélica. Às favas os desorganizados.
Quem não rezar, não mama.
________________________________________////////////
Homem morre abandonado durante 'ménage' e família entra na Justiça | Ancelmo - O Globo
Por Ana Cláudia Guimarães

Uma viúva e seus quatro filhos entraram com uma ação de responsabilidade civil, na 7ª Vara Cível do Rio, por ato ilícito com danos morais e materiais contra um motel, localizando no bairro de Jardim América, na Zona Norte do Rio, pela morte do chefe da família no estabelecimento.
O falecido, ao utilizar as dependências da suíte master do motel (acompanhado de outras duas pessoas) teve um mal-estar e não foi socorrido, sendo abandonado agonizando no local. Pelo ocorrido, que ocorreu em 2020, a família pede uma indenização no valor de total de R$ 555 mil em virtude da omissão de socorro.
________________________________________////////////
Juiz concede liminar para desocupação do Complexo Lagoon, na Lagoa | Ancelmo - O Globo
Por Ancelmo Gois

Atendendo à ação interposta pela Procuradoria Geral do Estado, o juiz Luiz Otavio Barion Heckmaier, da 10ª Vara da Fazenda Pública, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, concedeu liminar para a reintegração de posse do Complexo Lagoon, na Lagoa Rodrigo de Freitas.
O juiz determinou o prazo de 90 dias para que a atual concessionaria desocupe o local. O Estado pretende fazer uma licitação para a exploração do Lagoon.
________________________________________////////////
Em desafio a governo ultraconservador, poloneses vão às ruas defender permanência na União Europeia

Receba notícias em tempo real no app.
VARSÓVIA — Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas de mais de 100 cidades na Polônia neste domingo em defesa da permanência do país na União Europeia (UE), após a instância máxima do Judiciário polonês determinar que sua legislação se sobrepõe à comunitária. A decisão deixa Varsóvia à beira da ruptura legal com o bloco, que há anos demonstra preocupação com a erosão democrática no país.
"A Polônia faz parte da UE" e "Vamos continuar", gritava a multidão em Varsóvia, onde entre 80 mil e 100 mil manifestantes se reuniram, disse ao jornal Gazeta Wyborcza um porta-voz do governo local. As autoridades negam que haja planos para um Polexit — referência ao Brexit, o conturbado divórcio britânico de Bruxelas —, mas parte da população teme que esse não seja o caso.
— Queremos uma Polônia independente, europeia, democrática e que respeita a lei e a Justiça. Esses princípios são hoje esmagados por aqueles no poder, desprovidos de consciência e moral — disse Donald Tusk, líder do principal partido de oposição ao governista Lei & Justiça (PiS), a Plataforma Cívica, afirmando que o momento atual é o mais importante para o país desde o colapso soivético.
Tusk, que convocou o protesto deste domingo, é ex-presidente do Conselho Europeu, órgão composto pelas lideranças dos 27 Estados-membros do bloco que define as orientações e prioridades políticas gerais da UE. Segundo ele, o protesto tinha por fim deixar claro para o PiS que a Polônia é pró-Europa: cerca de 80% dos poloneses afirmam ser favoráveis à permanência no bloco, de acordo com pesquisas recentes.
A oposição é particularmente forte nas áreas urbanas e progressistas, porém enfrenta problemas para penetrar nas áreas rurais, mais conservadoras, onde o PiS se sai melhor. Havia temores de confrontos de contramanifestantes neste domingo, mas a polícia impediu o contato.
— Estou aqui porque me importo com a Polônia. Sou polonesa e europeia, e quero continuar sendo — disse ao El País Karolina Skora, manifestante de 25 que trabalha com relações internacionais.
Tribunal Constitucional
O impasse mais recente entre Varsóvia e Bruxelas diz respeito à decisão anunciada na quinta-feira pelo Tribunal Constitucional do país, composto por juízes nomeados pelo PiS, de que a legislação nacional se sobrepõe à do bloco. Adiado quatro vezes desde julho, o veredicto equivale a uma declaração de guerra contra um dos pilares de integração do bloco: o primado do direito comunitário sobre o direito nacional.
Em resposta, o comissário de Justiça da UE, Didier Reynders, disse esperar que o Tribunal de Justiça Europeu aplique uma multa diária à Polônia por desconhecer suas decisões. Varsóvia, por sua vez, acusam os europeus de interferirem com sua soberania.
Alguns críticos dizem que as ações podem ter como objetivo pressionar Bruxelas a aceitar o Plano de Recuperação Nacional de Varsóvia. A iniciativa visa ajudar as economias da UE a amortecerem os impactos da Covid-19, mas a liberação dos recursos está vinculada à adequação ao Estado de direito da UE e a seus padrões de democracia.
O aval para o plano de recuperação polonês foi bloqueado pela UE em julho — a expectativa do PiS é que o país receba 24 bilhões de euros em subsídios, além de outros 12 bilhões de euros em empréstimos. O mesmo foi feito com a proposta húngara, outro país de quem a UE cobra há décadas um maior compromisso com o Estado de direito.
Anos de impasses
Os embates entre Bruxelas e Varsóvia se intensificaram em 2015, com a chegada do PiS ao poder, encabeçado pelo todo-poderoso Jaroslaw Kaczynski, líder de fato do país. Com a maioria no Parlamento, implementou reformas para aumentar a influência política na Justiça, com amplas reformas que aumentariam a supervisão de juízes, introduzindo a possível suspensão de sua imunidade para expô-los a processos criminais e corte de salários.
Há ainda, por exemplo, disputas acirradas sobre os direitos da população LGBTQIAP+ e a liberdade de imprensa. Os protestos deste domingo, por exemplo, foram retratados pela mídia estatal como manifestações contrárias à Constituição.
Segundo Wotel Sova, um economista de 55 anos que participava das manifestações, as políticas do PiS “estão levando à Polônia rumo a uma autocracia”. A opinião é compartilhada por outros países europeus, que criticaram a decisão do Tribunal Constitucional.
— Queremos demonstrar que o que o governo diz e faz não é o que a gente quer. Queremos permanecer na União Europeia e temos medo que o Polexit já esteja acontecendo — disse o ativista pró-democracia e vice-presidente do Comitê de Defesa da Democracia, organização que fez parte da organização dos atos.
Os imbróglios com a UE renderam à Polônia processos no Tribunal de Justiça da União Europeia, inclusive para revogar seu direito a voto no bloco. Para isso, no entanto, é necessário que haja apoio unânime dos 27 Estados-membros. A Hungria, outra nação cujos retrocessos democráticos causam dores de cabeça à Bruxelas, contudo, impede que isto aconteça.
________________________________________////////////
São Paulo é eleita a melhor cidade do mundo para paqueras, diz revista britânica

Receba notícias em tempo real no app.
A cidade de São Paulo pode ser um bom destino para solteiros em busca de novas conexões: segundo uma pesquisa realizada pela revista britânica Time Out, a metrópole foi eleita a melhor cidade do mundo para paqueras.
A revista, que também realiza levantamentos sobre temas como "as melhores cidades do mundo" e "bairros mais descolados", decidiu levar em conta quais os melhores locais para "conexões".
Participaram do levantamento 27 mil pessoas de diversas cidades pelo mundo e 55% dos habitantes locais disseram que São Paulo era "boa para ficar com as pessoas".
Segundo a revista, isso significa que a cidade brasileira é o melhor lugar para o "match" em aplicativos de paquera acontecer "muito bem". O percentual foi o mais alto registrado, acima de Xangai, na China (49%) e Istambul, na Turquia (46%).
A revista ainda faz uma recomendação para "melhorar as chances" em São Paulo: "Ignore o lado financeiro da cidade e concentre-se na diversão: coma em uma das centenas de pizzarias ou vá até a praça Roosevelt para um coquetel suave".
São Paulo também está no ranking de melhores cidades do mundo em 2021, divulgado em setembro pela revista. É a única brasileira, no 31º lugar da lista. São Francisco, nos Estados Unidos, ficou na primeira posição.
________________________________________////////////
Retorno da noite de São Paulo, abalada pela pandemia, é marcado por 'consumo de vingança' e incertezas

Receba notícias em tempo real no app.
SÃO PAULO - A vida noturna influencia os traços culturais e as transformações urbanas de São Paulo desde o último século. Uma balada que começa com os cafés da Avenida São João e suas ‘big bands’ de jazz na década de 1920, passa pela febre do rock’n’roll nas lanchonetes e sorveterias da Rua Augusta nos anos 1950 e pela boemia do italiano Bixiga, com seus teatros e o eclético Madame Satã nos 1980. Abalada pela pandemia, com o fechamento de ícones da cidade, a boemia começa a engatinhar novamente rumo à próxima dose de chope. Mas a ressaca será forte.
Cerca de metade dos bares e restaurantes ainda operava no prejuízo em agosto, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Algumas regiões registram aumento no fluxo, com uma tímida reabertura liderada pelos mais jovens. Mas, para os empresários, o público mais velho (e com mais dinheiro) ainda receia sair.

Nesse retorno gradual, há uma mudança de hábito nos fregueses de bares tradicionais: a saideira está descendo mais cedo. Os clientes que ficam até o bar fechar têm desaparecido das mesas e calçadas.
— A boemia clássica vem desaparecendo de São Paulo já há um certo tempo, muita gente se afastou. Os mais velhos ainda estão reticentes de sair às ruas e esse público só fica nos bares até 23h30, no máximo — afirma o presidente da Abrasel-SP, Percival Maricato. — Há ainda as regiões de badalação, mas os proprietários de bares tradicionais preferem uma clientela fiel, que tem previsibilidade maior — completa.
O fenômeno ocorre até no bairro que se tornou um dos ícones da noite, a Vila Madalena. A vocação festeira das ladeiras da Zona Oeste começou no final dos anos 1960. O estopim teria sido a invasão do Exército à moradia estudantil da USP, em dezembro de 1968, quatro dias após a edição do AI-5. Expulsos da Cidade Universitária, no Butantã, os estudantes tiveram de buscar abrigo nas casas do vizinho bairro operário, iniciando partir daí a trajetória do pedaço em abrigar discussões intelectuais.
A fama da região levou a uma mudança de perfil e, antes mesmo da pandemia, botequins cabeçudos começaram a ser substituídos por baladas mais juvenis, afugentando pontos mais antigos. É o caso do bar São Cristóvão, cujas paredes são recheadas de flâmulas, escudos, camisas e fotografias alusivas a futebol. O local mudou de endereço em dezembro, durante o relaxamento de restrições entre a primeira e a segunda onda da pandemia: deixou a agitada Rua Aspicuelta, onde estava havia 20 anos, e se transferiu algumas esquinas acima, para a mais tranquila Rua Purpurina.
— Apesar da pandemia, o meu movimento praticamente dobrou em relação ao que era antes, só por causa da mudança. Ainda assim, fecho à meia-noite, não há mais fregueses que querem ficar até mais tarde — diz o proprietário, Leonardo Silva Prado. — O valor médio gasto por cada um subiu, em parte porque se gasta mais quando faz tempo que não sai.
O novo perfil de público também foi percebido no restaurante Le Casserole, com 67 anos de tradição no centro de São Paulo.
— A impressão é de que as pessoas adquiriram o hábito de sair e voltar mais cedo para casa. Nos últimos tempos, a casa estava esvaziando antes da meia-noite — conta Léo Henry, gestor do estabelecimento.
'Indulgências'
Apesar de projetar que a receita só voltará aos níveis pré-pandêmicos em um ano, o restaurante foi outro a notar aumento na média das contas dos fregueses. Para os empresários, a reabertura do pode levar ao chamado “consumo de vingança”, em que o cliente gasta mais do que o costume, logo após um período de privação.
— As pessoas estão gastando um pouco mais com pequenas indulgências, como o vinho, a sobremesa, como se estivessem querendo aproveitar o fato de estarem vivas — diz Henry.
A perspectiva, no entanto, é de que essa farra não vai durar muito tempo.
— A inflação está alta, muita gente perdeu renda e está desempregada, haverá um freio puxado no consumo. Neste primeiro momento, as pessoas querem se ver e os bares se beneficiam disso, mas o movimento a partir do começo do ano que vem depende de recuperação econômica — afirma Maricato.
Para o historiador Douglas Nascimento, do Instituto São Paulo Antiga, a capital paulista sempre foi uma cidade boêmia.
— Havia lugares nos anos 1940 que fechavam às 2h. Era menos usual por dificuldades de transporte e a repressão ao que era considerado vadiagem, mas existia. A impressão de que a boemia é mais recente não é exatamente verdadeira — analisa. — Com a pandemia, muitas coisas que foram criadas devem ficar, como delivery até de drinques, mas quando a vacinação estiver completa, provavelmente teremos um aumento da atividade noturna.
A nova onda de bares e restaurantes poderá ser em regiões onde eles ainda não são característicos, a depender do retrospecto da noite paulistana lembrada pelo historiador:
— São Paulo tem pontos e regiões movimentadas que se movem com alguma frequência, ao contrário de cidades como Buenos Aires. Para as classes C e D, os movimentos são para o Leste e o extremo Sul. Para A e B, para Oeste. Os bares importantes e os restaurantes elegantes ficavam no eixo da avenida São João no início do século 20. Nos anos 1950, a Rua Augusta, até então residencial, tornou-se polo comercial. No final dos anos 1980 e no início dos anos 1990, Pinheiros e Vila Madalena ganham importância pela proximidade com a Faria Lima, que ganhava relevância econômica.
As restrições da pandemia levaram ao fechamento de cerca de 30% dos bares e restaurantes, inclusive ontos tradicionais como o Filial, Genésio e Bebo Sim . Mas há procura por novos pontos comerciais e marcas por investidores. O movimento está mais fraco em bairros que dependiam de escritórios, como a Faria Lima, e mais forte onde há mais vida noturna, como a região da rua Augusta.
________________________________________////////////
Cidade mais rica do país, São Paulo tem 66 mil pessoas sem teto, aponta ONG

A fila começa às 11h no alto da rua José Bonifácio, perto da Sé. Uma hora e meia depois, dá a volta pela São Bento e termina na frente da prefeitura de São Paulo. São mais de 700 pessoas em busca de marmitas. O Brasil que sobe a ladeira da rua batizada com o nome do Patriarca da Independência é preto, pardo, branco, doente, grávido, velho, novo, de todos os gêneros. E faminto.
Cálculo do Movimento Estadual da População em Situação de Rua (MEPSR-SP) dá conta de que já são mais de 66 mil pessoas sem teto na cidade mais rica do país, quase três vezes mais do que o total do censo oficial, de dois anos atrás. É a população de uma cidade como Andradina, no interior de São Paulo, Três Pontas, em Minas, ou Paracambi, no Rio.
— A Covid passa, mas a fome não. Uma refeição agora não sai por menos de R$ 15. O novo normal, para a gente, pode ser um novo desastre — diz Lafaiete Oliveira, 50 anos, gerente de obras desempregado.
A população que está nas ruas de São Paulo teme que o ruim fique pior. E que o bem-vindo enfraquecimento da pandemia sepulte programas emergenciais, sem a implementação de políticas públicas permanentes para combater a fome.
A maior parte da água, arroz, feijão, verdura e frango que fizeram o almoço de quarta-feira no posto do MEPSR vem da Rede Cozinha Cidadã, programa criado pelo município em abril de 2020.
— Mas como não há distribuição de comida de noite, guardo um pouco para a janta— conta Maria, 26, que omite o sobrenome, pois “lá não sabem que vivo na praça”.
“Lá” é Guarulhos, onde trabalhava em uma padaria fechada no começo da pandemia. Oito meses depois, migrou para as ruas. Além de não ter dinheiro para o aluguel, faltava também para comprar gás e cozinhar.
Ajuda emergencial
Os números fornecidos pela prefeitura dimensionam a tragédia: o Rede Cozinha Cidadã já distribuiu, em um ano e meio, 222 mil litros de água e 3,9 milhões de refeições, um investimento de R$ 40 milhões para os que estão na rua. São 10 mil quentinhas produzidas diariamente em parceria com restaurantes credenciados, que recebem R$ 10 por refeição fornecida. Combate-se a insegurança alimentar ajudando estabelecimentos em risco de colapso após a diminuição de clientes.
Porém, o programa é emergencial. Os contratos terminariam em 25 de setembro e o presidente do MEPSR, Robson Mendonça, acorrentou-se à sede da prefeitura para pressionar por uma prorrogação. A Defensoria Pública e o Ministério Público estaduais pediram esclarecimentos na Justiça, e a prefeitura informou a intenção de direcionar os beneficiados para o programa estadual Bom Prato. Que, de acordo com as ONGs, não teria como atender a demanda. Após negociar com vereadores, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) prometeu manter o projeto até dezembro.
Na quinta-feira, houve novo protesto. Questionada pelo GLOBO, a prefeitura informou em nota que, desde março de 2020, distribuiu 5,1 milhões de cestas básicas para famílias em extrema vulnerabilidade no Programa Cidade Solidária, do qual faz parte o Cozinha Cidadã, que “está em transição”. E sua extensão Comunidades, voltada para a periferia, distribuiu outras 2,3 milhões de refeições.
—Observamos novos rostos famintos diariamente e complementamos o Cozinha Cidadã com 450 quentinhas/dia, com doações. Há muito mais gente nas ruas, nas praças, embaixo de viadutos. Precisamos garantir ações permanentes — diz Mendonça.
Um dos nós para a elaboração de políticas para a população em situação de rua é justamente a dificuldade em quantificá-la. Como o Censo Demográfico realizado pelo IBGE é domiciliar, parcela dos cidadãos mais vulneráveis não entra no perfil social do país. Em junho de 2020, o Ipea fez uma estimativa nacional com base em registros assistenciais, indicando que essa população passou de 92.515 pessoas, em setembro de 2012, para 221.869, em março de 2020. Um aumento de 140%.
Por lei, São Paulo faz a cada quatro anos um raio-x das pessoas sem moradia. Em 2019, a empresa contratada (a mesma deste ano) cravou 24.344 pessoas. Dessas, 11.693 acolhidas em abrigos. ONGs da área disputaram métodos e números, apontando um universo de 33 mil pessoas.
Por conta da pandemia, antecipou-se o Censo que, informa a prefeitura, “já está em andamento”. O MEPSR aponta hoje 66.280 moradores de rua em São Paulo. O que também equivale ao total de moradores de Pinheiros, na Zona Oeste, uma das áreas mais nobres da capital. O cálculo considera os atendimentos feitos para documentação e marmitas.
Pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole da USP, Juliana Reimberg diz que políticas públicas permanentes devem focar uma população em situação de rua que mudou de perfil nos últimos anos:
— Ela aumenta exponencialmente nas ruas de São Paulo pela crise econômica. Eles já morrem de frio, agora também irão morrer de fome?
A nutricionista Fernanda Sabatini, também da USP, lembra que, com a insegurança alimentar em alta desde 2017, o estado tem a obrigação de garantir as refeições das pessoas em situação de rua:
— A fome não define essas pessoas, ela define o país e nossas prioridades políticas e sociais.
________________________________________////////////
No telhado de vidro de São Paulo, a foto é solitária e tem fila virtual

Receba notícias em tempo real no app.
SÃO PAULO - Com 1,94m, Edimilson Matias de Moura, o “Bill”, ganhou uma função além da de recepcionar e orientar turistas que chegam ao Sampa Sky, no 42º andar do Mirante do Vale, no Centro de São Paulo. “Bill” se tornou o fotógrafo favorito de quem procura o melhor ângulo para transmitir a sensação de vertigem do mirante com chão de vidro a 150 metros do chão.
Além de ser capaz de posicionar o celular a uma altura que nenhum outro funcionário consegue, “Bill” segura a mão dos turistas que precisam respirar fundo para vencer o medo de altura.
O engajamento tem dado certo. Há dois meses, imagens da paisagem a partir do mirante circulam no Instagram e no TikTok de quem passa por São Paulo. Do andar inteiro que o espaço ocupa e dos dois deques revestidos de vidro reforçado e que se projetam para fora do prédio, se vêem o Vale do Anhangabaú, edifícios que fazem parte da história da capital, como o Altino Arantes e o Martinelli, e o horizonte de uma cidade pouco habituada ao panorama.
— É um desafio olhar para baixo, ver um monte de carro e imaginar que vou cair. Estou com as mãos suadas até agora — disse a professora de inglês Priscila Nino.
Inspirado no Skydeck de Chicago, o Sampa Sky foi inaugurado em 8 de agosto e teve filas já nas primeiras semanas. A aposentada Eliana Valverde Briant esperou três horas até sua vez, na semana seguinte à abertura.
Eliana recomenda paciência. Mas com as reclamações, a permanência foi limitada a 90 segundos, depois que ficou claro que os visitantes preferiam aproveitar o deque sozinhos.
— É diferente de Chicago, onde as pessoas tiram foto com outros do lado. Fizemos uma coisa exclusiva, é o que o brasileiro demanda — diz Alexandre Martinelli, sócio do empreendimento.
Fila virtual
A fila se transferiu para o universo digital. Os últimos ingressos disponíveis no site, até 30 de novembro, se esgotaram ontem.
— O público reclama com toda a razão. Mas é um ponto novo, não é temporário — ressalva Martinelli .
O espaço deve ganhar ainda este ano televisores indicando 50 locais históricos que podem ser avistados e atrações “instagramáveis” para o período natalino.
O deque também atrai pelo romantismo. O casal Jéssica Nepomuceno e Jeziel Cardoso escolheu o Sampa Sky para comemorar o primeiro ano de namoro. Com o andar vazio na manhã da quarta-feira, não tiveram pressa para tirar fotos.
Acompanhando a amiga, que tem medo de altura, a professora de educação física Luma Piva arriscou um palpite sobre o sucesso do Sampa Sky:
— Acho que a gente não tem o costume de ver São Paulo de cima, melhor ainda num dia ensolarado assim. A gente só vê os prédios por baixo. Foi isso que atraiu as pessoas.
________________________________________////////////
Roubo de veículos dispara no estado, e o valor dos seguros seguirá a mesma tendência, diz sindicato de seguradoras do Rio

Receba notícias em tempo real no app.
RIO A motorista de aplicativo Márcia teve seu carro roubado à mão armada na porta de casa, no Méier, quando saía para trabalhar numa manhã de junho deste ano. Naquele mês, os roubos de veículo já apresentavam tendência de alta no Estado do Rio. Na comparação entre agosto de 2020 e o mesmo mês deste ano, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam aumento de 17,8%. Embora Márcia tenha recuperado seu carro dois meses depois do crime, esse desfecho tem sido cada vez menos comum em território fluminense, onde foi registrada uma redução expressiva (de 13%) na recuperação de veículos furtados e roubados. Em consequência disso, o Sindicato das Seguradoras RJ/ES (Sindseg) já prevê que o preço dos seguros aumentará.
A tendência de alta de roubos deu os primeiros sinais em abril: foram 259, 14% a mais do que no mesmo mês do ano anterior. Em maio, foram 426 casos (aumento de 26%) e, em agosto, dispararam de 1.791 em 2020 para 2.110 em 2021.
Já o número de veículos recuperados não seguiu o mesmo ritmo. De janeiro a agosto de 2019, mais de 19 mil veículos foram devolvidos aos donos. Em 2020, esse número caiu para pouco mais de 11 mil. E, no mesmo período de 2021, seguiu em queda: 9.500, 13% a menos que no ano passado.
— Esse dois fatores (alta de roubos e queda de recuperação de veículos) implicarão em alguns ajustes de preços dos seguros, que ainda estão sendo estudados — disse o presidente do Sindseg, Antonio Carlos Costa.

O delegado Marcio da Cunha Braga, da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), diz que o aumento no número de roubos já era esperado, considerando que 2020 corresponde a meses mais críticos da pandemia de Covid-19, época com menor circulação de pessoas:
— A gente já esperava uma correção natural, e ocorreu até abaixo do que esperávamos. Mas é bom ressaltar que, comparando 2021 com 2019, sem pandemia, a diminuição chegou a mais de 30% (de janeiro a julho).
Regiões com mais roubos
Em agosto, na lista das mais de 160 Circunscrições Integradas de Segurança Pública (Cisps) do estado, que correspondem às áreas de delegacias, as cinco regiões que mais tiveram aumento em comparação com o mesmo mês do ano anterior são atendidas pelas 26ª DP (Todos os Santos), 15ª DP (Gávea), 123ª DP (Macaé), 73ª DP (Neves) e 40ª DP (Honório Gurgel).

O contador Thiago Dias, de 34 anos, teve o carro roubado no viaduto de Rocha Miranda, na Zona Norte, em abril. A área corresponde à região atendida pela 40ª DP, que saltou de 17 para 54 roubos na comparação entre agosto de 2020 e deste ano. O veículo foi recuperado, mas tão deteriorado que ele precisou trocar. Consultor master de uma empresa do ramo de proteção veicular, ele diz que a demanda aumentou nos últimos meses:
— Tenho 30 consultores que rodam pelo Rio apresentando o nosso serviço, seja para motocicleta, carro ou van. Sentimos um aumento considerável na procura para todos os automóveis.
Mais casos às terças e à noite
Segundo os números de roubos de veículo no primeiro semestre deste ano, há tendência de aumento de casos no meio da semana (terça e quarta-feira) e queda no fim de semana. Os roubos ocorridos no domingo nos primeiros 6 meses de 2021 foram, em média, 30% dos de terça-feira, pico das ocorrências. E metade dos roubos no primeiro semestre foram à noite. Os horários críticos foram 20h (489 casos), 21h (471) e 22h (446). A madrugada é quando há menos ocorrências do crime.
Já em relação à recuperação de veículos, das 5 Cisps com maior queda em agosto de 2021, 4 são na Baixada: a 65ª DP (Magé); a 52ª DP (N. Iguaçu); e 66ª DP (Piabetá). As áreas só perdem para a 33ª DP (Realengo) e a 31ª DP (Ricardo de Albuquerque). A Baixada como um todo teve 6% menos veículos recuperados. Má notícia para o genro de Ligia Barbosa, de 61 anos, que mora em São João de Meriti e teve sua moto levada em julho, a menos de 100m da 64ª DP:
— Ele tinha acabado de comprar, estava pagando ainda.
Perto de comunidades
O aumento dos preços de seguro de veículos deve afetar mais os moradores da Região Metropolitana do Rio, onde os índices de criminalidade são mais altos.
— É onde concentra a maior frequência de roubo e furto de veículos, certamente por conta da maior dificuldade de combatermos a violência decorrente do crime organizado — observa o presidente do Sindseg, Antônio Carlos Costa.
Wamberto de Andrade, de 35 anos, trabalha como segurança na Rua Souza Aguiar, no Méier. Morador e trabalhador da região, ele conta que as comunidades que cercam o bairro impactam na frequência de casos relatados pelos moradores:
— Há menos de um mês, um morador me contou que foi assaltado aqui na rua mesmo, na saída de casa. Aqui é conhecido como uma das ruas com maior índice de roubo do bairro. É perto de comunidade, como o Complexo do Lins, por exemplo. Então, não tem como não estar refém desse tipo de situação.
Procurada para comentar os índices de roubo e de recuperação de veículos, a Polícia Civil respondeu que as operações em comunidades para recuperar carros roubados estão mais restritas devido a ADPF 635, liminar concedida pelo ministro do STF Edson Fachin que restringe a atuação da polícia nas comunidades. Já a Polícia Militar afirma que 2020 apresentou um cenário único na história recente por conta da pandemia da Covid-19, com queda significativa dos índices de roubo e furto de veículos. Mas ressalta que “a PM vem empregando esforços e reavaliando, sempre que necessário, as medidas para manter resultados satisfatórios”. Sobre a diminuição no índice de recuperação, a PM ressalta a queda no número de roubos, em comparação com dados de janeiro a julho de 2020, que impactam também na diminuição de veículos recuperados.




Comentários
Postar um comentário