______________________________* VOTO de FREIXO contra a PEC 5 é a SEGUNDA PRISÃO ILEGAL de LULA - Ricardo Bruno ______________________________*
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__________________________________________________________________________________________________ Com Doria ou Leite, PSDB será ENGOLIDO pelas SOBRAS do BOLSONARISMO _________________________________________________ Voto de Freixo contra a PEC 5 é a segunda prisão ilegal de Lula - Ricardo Bruno _________________________________________________ "ESQUERDA LAVAJATISTA é a esquerda que a DIREITA e a GLOBO gostam", diz Marcia Tiburi _________________________________________________ DIABETES, DEPRESSÃO, asma: conheça o EXERCÍCIO IDEAL para tratar doenças _________________________________________________ Sérgio Camargo se autodenomina como “Black Ustra” e diz: “vou torturar sim” _________________________________________________TALIBÃ DECAPITA jogadora de vôlei e divulga imagens na web _________________________________________________Pandemia: "Fizemos a coisa CERTA desde o PRIMEIRO momento", diz Bolsonaro _________________________________________________A divisão entre os oprimidos e a amizade fatal entre Malcolm X e Muhammad Ali _________________________________________________Céu de Brasília prenuncia destino infeliz para relatório da CPI da Covid
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O próprio Daniel Silveira da Faria Lima | Carlos Andreazza - O Globo
Por Carlos Andreazza
Está completo o processo de radicalização de Paulo Guedes. Encontrou ali, no catalisador de ressentimentos do bolsonarismo, as condições para o pleno exercício de sua natureza. A dinâmica dessa relação é perversa. O ministro seria alvo, segundo ele próprio, da política. Seria a política, esse ente difuso, a lhe interditar o trabalho; a operar por matá-lo.
Mas o que será essa política, que criminaliza, senão o próprio Bolsonaro, que venera? Guedes dissimula — também para si — a identidade de seu senhor. Não é bonito o lugar em que se coloca. É consciente que o faz, contudo. Há confiança no trato; a satisfação segundo a qual, ao aperto do couro, seguir-se-á o relaxamento. A retomada do ar. Prova de prestígio. Um “ele me deixa respirar, afinal”. O humilhador que se junta ao humilhado para ouvi-lo explicar — dando-se nota oito — por que rasteja; e que ri ante a perdição do envergado.
É o presidente quem age para subjugar o ministro; que, no entanto, sente-se protegido pelo estrangulador; que, depois de lhe impingir mais um afogamento, leva-o a ver passarinhos.
Guedes, humilhado, é grato ao humilhador; porque a humilhação não lhe terá custado o cargo, assento caro ao ressentido que enfim tem a vez que o establishment lhe negava. Gratidão que expressa na forma adesista de radicalização.
A leitura da radicalização do ministro é bom ensejo para analisar a tal moderação de Bolsonaro. Ele não baixou o tom. Apenas fez girar a roleta dos inimigos. Voltou a atacar vacinas; que, não sendo ministros do Supremo, não podem reagir. A moderação por falta de respostas. Serviu-lhe. Precisava de alguma descompressão para que se conformasse o sistema que imporá ao Orçamento de 2022 todas as cláusulas do contrato que firma a sociedade do governo militar com Arthur Lira.
Bolsonaro ora evita confrontos de modo a que se assentem os arranjos que, para muito além do novo Bolsa Família, garantirão bilhões — aberta a capota do teto conversível de gastos — à engorda dos militares, ao bolsa caminhoneiro, ao fundo eleitoral e, sobretudo, às emendas do relator, onde se abriga o exercício do orçamento secreto. A isso se presta Guedes. Não a ajudar os pobres. Mas a manipular a urgência da miséria para abrir fundos destinados a bancar as campanhas de seu dominador e associados.
E por que precisaria o presidente radicalizar neste momento decisivo para seu futuro, se pode terceirizar a função a seu ministro da Economia?
O apoiador fundamental de Bolsonaro é essencialmente antiliberal. Despreza o que Guedes representa. Um sujeito que, condicionado pela mentalidade autocrática, considera reformas do Estado, equilíbrio fiscal etc. conjunto avesso ao controle populista do poder. Para esse tipo, ver o capitão submeter o símbolo liberal brasileiro é o gozo.
Bolsonaro, enquanto — sob formulação de Guedes — azeita a máquina com que competirá em 22, entrega prazer aos seus com Guedes catando liberalismos para justificar a forma submissa como flexibiliza limites outrora ditos intransponíveis.
Há muito escrevo sobre o processo — acelerado pela imposição da pandemia — de troca de pele de Bolsonaro, pelo caminho ficando as capas com que se revestiu o estelionato eleitoral de 2018. A carcaça do combate à corrupção já caíra. E a instrumentalização bolsonarista da peste — paraíso para a forja artificial de inimigos — já expusera a impossibilidade de um projeto reformista liberal, mesmo que houvesse competência, prosperar sobre um chão de instabilidades promovidas pelo próprio presidente.
Guedes era a fachada, o agente que camuflava, pelo tal compromisso reformista, o que seria — independentemente de qualquer privatização — adesão ao bolsonarismo pelos danieis-silveiras da Faria Lima. Isso mudou. Guedes não apenas nos informa que sabia — e aceitou — ser essa fachada; mas que a fachada agora caiu. E que foi derrubada por ele mesmo — o próprio Daniel Silveira da Faria Lima.
Não há uma ala política contra a qual lutaria no governo. A ala política é Bolsonaro — e a ela serve, bem entregue, Guedes; talvez, aí sim, temeroso de que, mesmo assim, perca a cadeira. Foi o ministro quem falou nas opções para viabilizar a farra orçamentária dos joões-romas: ou a licença para gastar fora do teto, ou a forma puxadinho para recalcular a altura do pé-direito fiscal.
Nada exprime melhor a radicalização de Guedes do que a mentira que tenta armar uma oposição entre responsabilidades fiscal e social; como se o Auxílio Brasil, ampliando a base de beneficiados e pagando mais, não pudesse caber sob o teto. Poderia.
Fez-se uma escolha, entretanto. Para poder pedalar com os precatórios. A de matar o Bolsa Família, programa de sucesso, de natureza permanente, e implantar um projeto sem estudos, de caráter provisório, a viger somente no ano eleitoral; que já contratou, em nome da reeleição do mito, a inflação que comerá o que a sensibilidade social de Bolsonaro oferece aos pobres, aqueles para quem dólar a cinco reais seria bom — né, Guedes?
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Ao menos 16 tubarões foram vistos em Balneário Camboriú desde agosto; veja vídeo
Aparecimento dos animais no local possui relação com as mudanças feitas na orla. Especialista explica que não há motivo para preocupação, pois as espécies avistadas não costumam atacar e são comuns.
Por Caroline Borges e Patrícia Silveira, g1 SC e NSC TV

Tubarão aparece em praia de Balneário Camboriú (SC)
Desde agosto, quando a draga passou a operar na megaobra de alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú, no Litoral Norte, 16 tubarões de porte médio foram avistados no mar da região (veja vídeo acima).
A contagem é feita pela curadoria do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que fica em Balneário Piçarras, na mesma região.
Na semana passada, três surfistas que praticavam o esporte relataram ter encontrado um tubarão na praia. Em setembro, um outro tubarão, com cerca de dois metros de comprimento, foi avistado nadando junto ao molhe da Barra Sul, onde ocorreu parte da obra.
Para o biólogo André Rodrigues Neto, o aparecimento dos animais no local possui relação com as mudanças feitas na orla.
LEIA MAIS:
No entanto, não há motivo para preocupação, pois as espécies avistadas não costumam atacar e são comuns. Desde a década de 1960 há registro dos animais na região (veja nas fotos abaixo).
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Tubarão foi visto em área central de Balneário Camboriú (SC) — Foto: Redes Sociais/Reprodução
Veja o que atrai os tubarões
Além disso, o maior avistamento dessas espécies já era esperado pela prefeitura. Segundo o especialista em vida marinha, pequenos peixes começaram a se alimentar dos crustáceos que estão agregados aos sedimentos e areia remexidos pela obra. Isso, por consequência, atraiu animais maiores, já que houve uma ampliação na oferta de alimentos.
"Os tubarões têm um senso olfativo e sensorial muito aguçado. Então, qualquer movimentação, que a gente chama de frenesia alimentar, acaba atraindo esses animais para cá", explica Neto.
Além disso, a segundo a secretária de Meio Ambiente, Maria Heloísa Lenzi, o aumento do registro ocorre porque moradores e visitantes estão mais atentos ao que ocorre na região.
Desde março deste ano, quando as obras de alargamento começaram, a pasta monitora o comportamento dos animais no mar da região.
"A obra está atraindo muitos olhares, o que aumenta a chance de avistarem de animais. Nós entendemos que isso tudo é muito positivo, porque estamos vendo que a enseada de Balneário Camboriú possui uma grande biodiversidade", disse.
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Vivendo no Retiro dos Artistas, Paulo César Pereio festeja 81 anos com os filhos que teve com Cissa Guimarães

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Paulo César Pereio festejou seus 81 anos com os filhos João Velho e Thomaz - do relacionamento com a apresentadora do "É de casa" Cissa Guimarães -, e os dois netinhos, num restaurante no Rio.
O ator vive desde o início de 2020 no Retiro dos Artistas, localizado na Zona Oeste do Rio. Antes, ele vivia sozinho em seu apartamento na capital paulista. Por conta da idade avançada, decidiu deixar a vida solitária de lado e veio para o Rio, onde moram os três filhos.
Pereio foi casado três vezes. Primeiro, com a atriz Neila Tavares, mãe de Lara; depois, com Cissa Guimarães, com quem teve dois filhos - Tomás e João (que também é ator).Finalmente, de seu casamento com Suzana César de Andrade, que não é do meio artístico, nasceu Gabriel.
Em entrevista ao EXTRA no início do ano passado, Pereio falou da vida no retiro e negou que tivesse passando por dificuldade financeira.
"Estou aqui desde o começo da pandemia, dessa crise do coronavírus.
Achei que vir para cá seria uma maneira de me salvar.
Vim para sobreviver.
Eu moro em São Paulo, tenho meu apartamento lá. Não teve outro jeito.
Mas estou bem de saúde. Nunca na minha vida trabalhei por dinheiro. Trabalhei bastante e nunca fiquei nem estou na penúria.
O fato de eu estar aqui pode dar a ideia de que o cara está retirado, mas não estou. Ando aqui com uma tranquilidade absoluta, o que eu não poderia fazer na rua.
Aqui tenho comida, sou bem cuidado e estou protegido", disse.
________________________________________////////////Mion fica na Globo. Ivete também. Entenda - Patrícia Kogut, O Globo
Patrícia Kogut

Mudança de planos. Marcos Mion, que passaria o comando do “Caldeirão” para Ivete Sangalo em janeiro, ficará no posto. O apresentador foi muito bem avaliado pela direção. O programa teve sucesso de audiência e comercial. Mas ele manterá seu compromisso com o Multishow e já está gravando o reality "O túnel do amor", em Alphaville. Serão 20 episódios. Os trabalhos terminarão em novembro. Depois disso, Mion continuará aparecendo no canal eventualmente, em grandes eventos, como o Lollapalooza e o Rock in Rio.
Já a Ivete Sangalo caberá comandar a segunda temporada do "The masked singer Brasil". O programa terminou nesta terça-feira (19) vitorioso e é uma das grandes apostas da Globo para janeiro. Ela também ficará com o "Música boa ao vivo", no Multishow. Ambos estão felizes. Nos bastidores o clima é de comemoração.
________________________________________////////////'Perdi o controle', revela ao GLOBO o ex-servidor que deu prejuízo de R$ 30 milhões em esquema de apostas que envolveu juízes

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RIO — Na onda das pirâmides financeiras que vêm causando prejuízos a investidores no Rio, inclusive com o uso de criptomoedas, nem o Judiciário escapou. Depois da prisão do “Faraó dos bitcoins”, em Cabo Frio, na Região dos Lagos, surge um novo personagem que jogou todas as suas fichas num esquema de apostas que envolveu servidores de comarcas do Sul Fluminense. Após duas investigações, Felipe Tobler Lemgruber foi demitido em 25 de agosto pela corregedoria-geral do Tribunal de Justiça “a bem do serviço público” e foi denunciado por estelionato pelo Ministério Público no último dia 4.
Como “trader esportivo” — uma espécie de consultor de apostas, função que começou a praticar com amigos há quatro anos —, Lemgruber criou uma carteira de clientes que incluía juízes, servidores do Judiciário e moradores de Barra do Piraí e Volta Redonda. Apesar de ser bem relacionado na região, tudo que se ouve dele por lá é o silêncio, quando se pergunta sobre o advogado.
A sindicância da corregedoria da Justiça diz que a ação de Lemgruber, que era servidor do Judiciário, sugere a prática de pirâmide financeira. O prejuízo causado por ele é estimado em R$ 30 milhões. Entre magistrados e serventuários, a perda foi de R$ 3 milhões. Um deles chegou a deixar de receber R$ 490 mil, de acordo com investigação interna. Como corre em segredo de Justiça, os nomes das vítimas não serão citados. Seus depoimentos, no entanto, foram anexados às investigações, que agora estão nas mãos de uma juíza, para a sentença.
Salário de R$ 12,5 mil
Lemgruber, de 35 anos, foi por 15 anos analista judicial e secretário de magistrados. Recebia R$ 12,5 mil por mês. Acabou se tornando especialista em trading de tênis — um jogo de apostas permitido por lei, que ainda carece de regulamentação. O operador funciona como um agente financeiro que precisa conhecer o esporte, como explica o próprio acusado:
— A aposta no ramo esportivo está tomando o lugar da Bolsa de Valores. Para mim, é o futuro da nossa economia. Fazemos apostas com base em cálculos, não nas incertezas do país. Optei pelo tênis, porque pratico o esporte e porque o cálculo é mais exato, porque permite leitura corporal mais precisa, o que garante mais exatidão.
O negócio, no entanto, começou a dar prejuízos ou a não entregar o lucro esperado pela clientela, que entregava nas mãos dele vultosas quantias. De acordo com depoimentos de parte dos 17 apostadores lesados pelo trader apenas no Tribunal de Justiça do Rio, ele usava sua influência entre os juízes para atrair mais clientes. Uma das depoentes contou que, em informação confirmada ao GLOBO por Lemgruber, o lucro do dinheiro apostado chegou a ser entregue em espécie no gabinete de servidores e juízes, durante o expediente forense. A primeira denúncia contra ele foi feita em 20 de abril deste ano.
O caso corre em segredo de Justiça, mas o acusado deu entrevista ao GLOBO.
— Perdi o controle. O bolo (de clientes) começou a crescer demais. Os ganhos caíram. Errei muito. E reconheço que eu tinha dependência no jogo. Isso deixa a gente cego.
A "cegueira" do ex-servidor se deu quando a plataforma que regula as apostas limitou o valor do resgate que ele poderia fazer em caso de ganho. Os sites de apostas, segundo a lei vigente, só podem ser hospedados no exterior. O sistema aqui funcionava assim: Lemgruber recebia o depósito do cliente em sua conta e fazia as apostas em partidas de tênis. O valor variava de acordo com o perfil do apostador.
O acusado disse que, até o ano passado, o negócio prosperou e conta ter visto muitos clientes "trocarem de carro" e "médicos pararem de dar plantão". Agora, à espera da sentença, sustenta que não ganhou nada com as apostas. Aceitou falar com O GLOBO, mas não permitiu ser fotografado. Também disse que enviaria documentos ao jornal detalhando a participação de quem se apresenta como vítima do esquema, o que não aconteceu.
Problemas desde 2020
O que se descobriu nas investigações do Tribunal de Justiça e do MP, a partir de queixas de lesados, é que o castelo de cartas começou a ruir no fim de 2020. Em uma mensagem de WhatsApp, do dia 9 de outubro do ano passado, Lemgruber avisa a seu grupo de apostadores que deixará os negócios. Em uma das respostas, um investidor, desesperado, reage incrédulo: "Felipe, tá falando sério? Faz isso não. O que houve? Não me abandona, não. Você sabe que confio 100% em você. Nunca questionei nada".
O ex-servidor sustenta que, a despeito de estar sendo cobrado para entregar lucros aos apostadores, fez o correto: devolveu o valor investido.
— Não vou pagar os lucros. Não tenho como. Tive que sair da cidade, porque comecei a receber ameaças — disse ele ao GLOBO.
Na conclusão da sindicância, que se transformou no processo administrativo e, em seguida, na demissão do então servidor, a corregedoria afirma que Lemgruber "se valeu da amizade de algumas vítimas, da condição de servidor público do TJ e do cargo de secretário de juiz para a captação de recursos financeiros". Ele dizia que usava o dinheiro para apostar em sites internacionais de trading esportivo. Em troca, prometia alta rentabilidade, mas acabou causando "extenso prejuízo financeiro a vítimas, praticando grave infração administrativa, em nítido comprometimento da dignidade da função pública".
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Eduardo Cunha volta a reinar em Brasília | Lauro Jardim - O Globo
Por Lauro Jardim

Eduardo Cunha está neste momento tomando café da manhã com dois interlocutores no B Hotel, em Brasília.
É cumprimentado a cada minuto por antigos amigos.
O Brasil volta, assim, aos poucos ao “velho normal”.
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O choro de Giovanna e a gargalhada de Flávio | Ruth de Aquino - O Globo
Por Ruth de Aquino

Nós, brasileiros, não somos debochados com a morte e a dor. Somos solidários, sentimentais, abraçamos até desconhecidos. Não sei quem vamos eleger em 2022. Mas somos como o intérprete de libras que se emocionou na CPI com a fala trêmula de Giovanna, de 19 anos, órfã de mãe e pai, vítimas da Covid. O intérprete foi substituído porque não conseguiu continuar. Levou a mão à boca, prestes a chorar.
Mal sabia ele que esse gesto seria o mais compreensível no país inteiro. Nos identificamos com ele. O intérprete nos traduziu. É impossível continuar a viver normalmente, amar, trabalhar, dormir, enquanto tivermos no poder uma família que debocha do sofrimento alheio, do luto. Uma família que dá gargalhadas com viés de escárnio, nos acusando de maricas e mimimi.
“Você conhece aquela gargalhada dele? Hahahaha”, imitou Flávio Bolsonaro, num riso tosco. “Porque não tem o que fazer diferente disso”, disse o 01. Respondia à pergunta de como o pai recebeu o relatório da CPI da Covid que o acusa de nove crimes graves. Riem como hienas. Imitam falta de ar. São deficientes de compaixão. Fazem pouco de centenas de milhares de famílias que perderam parentes próximos.
Giovanna Gomes Mendes da Silva perdeu a mãe e o pai por complicações da Covid em um intervalo de 14 dias. Conseguiu a guarda da irmã de 11 anos. A mãe passou uma noite, durante a internação, com máscara furada de oxigênio. “A gente não teve nem tempo de sofrer pela minha mãe, pois não podia ficar chorando na frente do meu pai”, disse a jovem, tentando não cair no choro. “Perdemos as pessoas que mais amávamos”. Na CPI, os parentes de vítimas lamentaram “cada deboche, cada sorriso, cada ironia” do presidente.
Jair está sem partido. Vamos ajudar Jair. Temos várias novas siglas possíveis. PCCH, o partido dos Crimes Contra a Humanidade (meu favorito). PNB, o partido Negacionista Brasileiro. PSVC, o partido dos Sem-Vergonha na Cara. PMRH, o partido dos Misóginos, Racistas e Homofóbicos. PVA, o partido da Violência Armada. PTP, o partido da Terra Plana. Aceitamos sugestões. Cartas para a redação.
Pode ser também o KKK, o partido da risada atroz ou da Ku Klux Klan. Só não pode chamar de genocida, não é mesmo? Afinal, genocida é um homicida visando exterminar uma etnia. E o Jair foi além, visou todas as etnias, sem distinção, levando à morte boa parte dos 600 mil. Se fosse parar em Nuremberg, faria como os nazistas. Em vez de pedido de desculpas, a galhofa, o cinismo: “Fizemos a coisa certa desde o primeiro momento, não temos culpa de absolutamente nada”.
Jair não será derrotado pela política de extrema-direita, o desprezo por mulheres, negros, gays e índios, a idolatria do fuzil e da tortura. Não perderá a reeleição para a inflação, a miséria, a fome, o desemprego, o preço dos alimentos, da luz, do combustível, o desmatamento da Amazônia, ou até a gestão criminosa na pandemia e a demora em vacinar ou garantir oxigênio para salvar vidas.
Jair não perderá para Lula, para Ciro, Mandetta, Moro ou qualquer candidato que se invente na última hora. Diz-se que o mundo vota com o bolso, é a economia, estúpido. Mas acho que o Brasil vai votar com o coração. Jair perderá para ele mesmo, para a sua persona desagradável. Eleitores pensarão: é certo eleger quem debocha da morte? Deus castiga, viu, Pacheco e Lira? Aras nem digo.
Meu Brasil é o do intérprete de libras que não conseguiu segurar a emoção em público. Ele tem coração, é gente como a gente. O partido dele não é KKK. E o seu?
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Senadores do G7 vão ajudar a reunir votos para instaurar CPI da rachadinha, que mira Bolsonaro | Bela Megale - O Globo
Por Bela Megale

Membros do G7, grupo majoritário da CPI da Covid, vão ajudar o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) a angariar votos para instaurar a CPI da rachadinha. Vieira apresentou em julho um requerimento para que o Senado investigue a suposta apropriação indevida de salários de servidores que trabalharam no gabinete do presidente Bolsonaro no período em que ele foi deputado federal, de 2001 a 2018.
Integrantes da cúpula da CPI combinaram de se reunirem na próxima semana para acertar uma articulação sobre o tema.
Para que a CPI seja instalada, o pedido precisa receber as assinaturas de, ao menos, 27 senadores, o que representa um terço dos 81 integrantes da Casa.
O requerimento de Vieira faz referência a reportagem do site "UOL", que revelou um áudio da ex-cunhada de Bolsonaro, Andrea Siqueira Valle. Na gravação, ela afirma que seu irmão foi demitido do gabinete de Bolsonaro porque não devolvia a porcentagem de seu salário que foi acordada. Na época, a irmã deles, Ana Cristina Valle, então casada com Bolsonaro, era a responsável por organizar o esquema da rachadinha, segundo apontam as investigações.
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Cai toda a equipe de Paulo Guedes

247 - O secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jefferson Bittencourt, pediram demissão de seus cargos no Ministério da Economia.
Deixaram ainda o governo a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo.
A equipe pediu demissão em peso após a proposta do governo de furar o teto de gastos para viabilizar o Auxílio Brasil, programa anunciado pelo governo Bolsonaro para substituir o Bolsa Família e o Auxílio Emergencial.
A debandada acontece num contexto de fragilização de Guedes, em que o ministro foi flagrado na lista dos Pandora Papers como proprietário de uma conta secreta em paraíso fiscal e está prestes a ser chamado para depor na Câmara, onde sua convocação já foi aprovada.
‘Licença para gastar’
Nesta quarta-feira (20), Guedes pediu “licença para gastar” temporária quando falou do Auxílio Brasil. Em nome de viabilizar o pagamento do benefício, propôs ou rever a regra do teto ou criar uma exceção para o caso específico.
"Estamos passando de 14 milhões para 17 milhões de famílias e ao mesmo tempo indo para R$ 400. Nenhuma família vai receber menos que os R$ 400", afirmou Guedes durante evento promovido pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). "É um enorme esforço fiscal, e o que nós temos discutido aqui é como é que nós podemos fazer isso dentro de toda a estrutura fiscal que nós temos hoje", destacou.
Segundo Guedes, existem duas alternativas para realizar o pagamento do novo benefício: a reversão do teto de gastos, acabando com o descasamento existente entre as correções do teto e das despesas obrigatórias; e a criação de exceção para pagar o auxílio.
"Estávamos estudando se faríamos uma sincronização de despesas, que são salários que seguem um índice e o teto de gastos que segue outro índice, estávamos estudando se faríamos uma sincronização dessas despesas, isso seria uma antecipação da revisão do teto de gastos, que está par 2026, ou se ao contrário, mantém, mas por outro lado pede um 'waiver', uma licença para gastar com essa camada temporária de proteção", disse Guedes cinicamente.
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Reportagem: Thiago Goncalves - CSI sideral: como descobriram que um buraco negro 'matou' uma galáxia

Thiago Signorini Gonçalves
21/10/2021 04h00
A Astronomia às vezes é quase como um episódio da série CSI. Estamos investigando um evento que já aconteceu, e buscamos evidências científicas irrefutáveis para apontar o culpado.
Dessa vez, o assassino é um buraco negro supermassivo, que "matou" a sua galáxia hospedeira, impedindo que ela formasse novas estrelas no futuro. É o resultado de um trabalho liderado por Marisa Brienza, da Universidade de Bolonha, na Itália, e publicado recentemente na revista Nature Astronomy.
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Um dos efeitos mais estudados da presença de buracos negros no centro de galáxias é a injeção de energia no gás ao seu redor. Pode parecer contraintuitivo, mas esses buracos negros emitem grandes quantidades de radiação e produzem jatos eletromagnéticos que aceleram o material ao seu redor a velocidades próximas da luz.
E como são "supermassivos", ou seja, possuem massas de até bilhões de vezes a massa do Sol, a quantidade de energia pode ser realmente enorme. É a gravidade extrema nessas regiões ao redor do buraco negro que permitem a formação destes jatos.
Essas emissões podem ter um impacto importante na evolução da galáxia onde o buraco negro se encontra. Isso porque um dos principais fatores na capacidade de formar estrelas é a existência de gás hidrogênio frio e compactado. A partir dessas nuvens, vemos a criação de berçários estelares.
Mas o buraco negro, nessa fase violenta, pode expulsar e espalhar o gás da galáxia. Ao mesmo tempo, essa emissão pode manter o gás aquecido durante muito tempo, impedindo que os berçários voltem a se formar. É o assassinato da galáxia hospedeira.
O grande problema é que o buraco negro é um assassino eficiente. Em apenas algumas dezenas de milhões de anos, o equivalente a poucos minutos em escalas astronômicas, ele emite essa radiação e é capaz de dizimar a galáxia. O que dificulta o trabalho dos detetives, ou seja, os cientistas que querem investigar a cena do crime.
O trabalho de Brienza e seus colaboradores é fundamental para entendermos melhor como o processo acontece. Embora invisível aos nossos olhos, o gás ejetado e aquecido ainda está por ali. É o DNA do buraco negro deixado na cena do crime, e precisamos dos instrumentos apropriados para detectá-lo.
Nesse caso, ela precisou de um radiotelescópio especial para observar o gás. Observando as ondas de rádio com frequências muito baixas, cerca entre 50 e 150 MHz (muito parecidas com as frequências de rádio FM), ela conseguiu encontrar as evidências escondidas.
O trabalho agora abre portas para investigar mais "cenas de crime" similares. Afinal, a nova metodologia nos permite ver como o buraco negro agia emitindo energia há centenas de milhares de anos, examinando em detalhes como essa monstruosa emissão de energia funciona.
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Seguidores do Terça Livre no Telegram planejam assassinato de Alexandre de Moraes, que mandou prender Allan dos Santos

247 - Seguidores do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, que teve sua prisão preventiva decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), defenderam o assassinato do ministro Alexandre de Moraes, autor da decisão, e do ministro Luís Roberto Barroso.
A denúncia foi feita nas redes sociais pelo youtuber Thiago dos Reis, do canal Plantão Brasil. Segundo Reis, a ameaça ocorreu em conversa no grupo do Terça Livre no Telegram.
"Bora fazer uma vakinha pra contratar um maluco pra matar o Alexandre de o Barroso", sugere uma pessoa identificada como Breno Henrique.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. O magistrado ordenou que o Ministério da Justiça inicie imediatamente o processo de extradição.
O blogueiro, dono do canal Terça Livre no YouTube, está nos Estados Unidos. Ele deixou o Brasil e teria entrado em território norte-americano com visto de turista, que estava vencido desde fevereiro.
Allan, um dos aliados mais próximos da família Bolsonaro, é investigado no Supremo em dois inquéritos: o que apura a divulgação de fake news e ataques a integrantes da Corte; e o que identificou a atuação de uma milícia digital que trabalha contra a democracia e as instituições no país.
O ministro ordenou que a Polícia Federal inclua o mandado de prisão na lista da Interpol, para garantir que Santos seja capturado e retorne ao Brasil. Também foi acionada a Embaixada dos Estados Unidos.
O relator determinou ainda que sejam bloqueadas todas as contas de redes sociais vinculadas a Santos e suas contas bancárias. Também ficam proibidos os repasses de dinheiro das plataformas para os canais e contas, a chamada monetização.
Em outra decisão, Alexandre autorizou as quebras do sigilo sobre as transações financeiras e dos dados de mensagens e e-mails desde janeiro de 2020. Ficam vedadas ainda remessas de dinheiro dele para o exterior e repasses de verba pública.
Segundo Alexandre, as informações trazidas pela PF revelam indícios da prática de organização criminosa, calúnia, difamação, injúria, incitação ao crime, discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional e ainda lavagem de capitais.
Representações
Em agosto, a PF pediu a quebra do sigilo bancário e telemático. A Procuradoria-Geral da República apoiou a medida. Já em setembro, houve o pedido de decretação da preventiva, desta vez com manifestação contrária da PGR.
Segundo as conclusões da PF, Allan "produz e difunde conteúdos para atacar integrantes de instituições públicas, desacreditar o processo eleitoral brasileiro, reforçar o discurso de polarização, gerar animosidade dentro da própria sociedade brasileira, promovendo o descrédito dos poderes da república, além de outros crimes".
De acordo com a representação policial, o blogueiro é um dos principais articuladores e interlocutores do grupo criminoso. Dentre suas funções estariam a criação de grupos de discussão, o agendamento de reuniões, a instigação de agentes públicos a agir contra a lei e a difusão de teorias conspiratórias para desacreditar pessoas e instituições.
O órgão ainda destacou a atuação incisiva do blogueiro na "articulação com agentes públicos e políticos nacionais e estrangeiros, sempre utilizando a aparência de cobertura jornalística para validar seu discurso".
Além disso, Santos ocultaria valores decorrentes da atividade criminosa, recebidos por meio dos serviços de doação das plataformas das redes sociais.
Para a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, "o acesso aos registros e dados cadastrais dos responsáveis pela realização de doações ao canal Terça Livre durante a realização de lives no YouTube emerge como relevante providência no intuito de desvelar as particularidades da situação investigada e a extensão da autoria delitiva, dado que uma das suspeitas que ensejou a instauração do inquérito é precisamente o uso desse mecanismo para disfarçar a origem e a destinação eventualmente ilícitas dos recursos que alimentam a produção e a divulgação de notícias falsas e/ou atentatórias às instituições do Estado brasileiro".
Alexandre em ação
A decisão que decretou a preventiva foi proferida no último dia 5. O ministro considerou que as medidas cautelares impostas anteriormente teriam sido inúteis. Também haveria prova da existência de crime, indício suficiente de autoria, reiteração das condutas e perigo ocasionado pelo estado de liberdade de Allan. Assim, a prisão seria a única maneira de garantir a ordem pública.
"O poder de alcance de suas manifestações tem contribuído, de forma inequívoca, para a animosidade entre os poderes da República e para o ambiente de polarização política que se verifica no Brasil, com verdadeiro incentivo para que as pessoas pratiquem crimes em razão das narrativas divulgadas", ressaltou o relator.
No dia seguinte, Alexandre garantiu a quebra de sigilo bancário e telemático. Ele considerou que estariam presentes os requisitos necessários para a medida excepcional: "Verificada a absoluta pertinência das medidas pleiteadas para elucidação dos fatos investigados, bem como a presença dos requisitos legais necessários ao seu deferimento, não havendo outros meios de obtenção dos dados necessários, é caso de deferimentos dos requerimentos".
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Leilane Neubarth sobre sexualidade: "Nunca imaginei que me apaixonaria por uma mulher"
Jornalista da Globo News afirmou estar feliz no relacionamento com Gaia Maria

Leilane Neubarth, de 62 anos de idade, falou sobre sua sexualidade e as mudanças na vida amorosa ao longo da vida. A jornalista da Globo News afirmou que nunca se imaginou apaixonada por outra mulher.
"Não, nunca imaginei que me apaixonaria por uma mulher. Algumas pessoas me falavam: 'Ah, então você sempre foi gay e foi infeliz porque era casada com um homem'. Não! Eu era feliz com minha vida sexual, amorosa, matrimonial. Só que aí eu me separei e, de repente, as coisas começaram a acontecer e surgiu essa outra emoção, outro sentimento, uma outra atração que eu nunca tinha pensado", explicou Leilane para a Veja. "Se me perguntam: 'Você nunca teve tesão em mulher?'. Não, não tinha. Acho que foi algo que surgiu num momento em que eu estava priorizando a delicadeza amorosa e a harmonia. Então, de lá pra cá, eu venho tendo relações homossexuais."
Ela foi casada por duas vezes e teve dois filhos. Leilane também falou sobre a namorada, Gaia Maria, com quem está junta há cerca de um ano. "Muito, muito feliz. Mas se você me perguntar 'vai ser assim a vida inteira?', não sei. Eu parei de fazer planos, porque o plano que não se concretiza nos frustra. Sem planos, sem frustrações (risos). Hoje tenho uma namorada, estamos juntas há pouco mais de um ano."
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Realmente dá para "estocar vento"; veja como o RN vai fazer isso
Melissa Cruz Cossetti Colaboração para o Tilt, do Rio de Janeiro 21/10/2021 04h00
O governo do Rio Grande do Norte fechou há poucas semanas uma parceria com a empresa EV Brasil para o desenvolvimento de um projeto de "armazenamento verde gravitacional de energia" em larga escala e de longa duração. O nome é complexo, mas, basicamente, tem a ver com "estocar vento". Pois é. Se você se lembrou da famosa expressão usada pela ex-presidente Dilma Rousseff em uma entrevista coletiva na ONU, em 2015, é por aí mesmo.
O governo do RN assinou um memorando de entendimento (MoU) com a EV Brasil, e a proposta é encontrar meios de fazer a energia eólica ser armazenada em uma espécie de estoque, sem uso imediato. Este instrumento jurídico estabelece interesses e objetivos mútuos das partes em contrato e é um primeiro passo bastante promissor e pioneiro na América Latina.
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"Estamos falando de estocar energia gerada a partir do vento com o objetivo de ter energia disponível para os momentos do dia em que não houver vento. O mesmo vale para a geração solar: estocar para os momentos em que não houver sol", explicou João Fernandes, diretor executivo da EV Brasil, representante brasileira da empresa suíça Energy Vault.
Estocar vento: como funciona?
Grosso modo, essa tecnologia de armazenamento de energia eólica que deve ser usada no RN instalada blocos de concreto no parque eólico.
Esses blocos de concreto ficam empilhados em torres de até 120 metros de altura para armazenar um outro tipo de energia, que um objeto adquire ao ser elevado: a potencial gravitacional.
Trata-se de uma enorme estrutura que funciona como um complexo ioiô. Quando for preciso consumir a energia guardada ali, basta baixar os blocos com um cabo de aço acoplado a um gerador. Esse movimento transformar a energia eólica armazenada no sistemas em energia elétrica.
Falando assim, pode ser difícil visualizar, mas uma simulação 3D e vídeos de uma torre já construída em Arbedo-Castione, na Suíça, ajudam a entender melhor o processo. Confira abaixo:
"Se soltarmos um objeto de uma grande altura e ele cair em cima de um carro, vai amassá-lo, porque a energia potencial gravitacional que objeto tinha lá em cima se converteu em energia cinética ao cair", explica Fernandes. "Na nossa tecnologia, a energia elétrica alimenta um motor que eleva um bloco bem pesado e transforma em energia potencial gravitacional."
A empresa diz que é uma geração de larga escala e verde, porque não gera resíduos químicos que precisam ser tratados e dispostos adequadamente. O motor das estruturas eleva e empilha blocos de concreto de 35 toneladas cada, que ficam guardando a energia no sistema pelo tempo que for necessário.
Para que estocar vento?
As energias renováveis eólica e solar são intermitentes —isto é, nem sempre estão disponíveis. Usá-las 24 horas por dia requer o desenvolvimento de soluções de armazenamento que sejam confiáveis, mas também flexíveis.
A Energy Vault propõe uma solução que promete ser durável e sustentável, com eficiência de ciclo energético de 80 a 85% (ou seja, só 15% da energia poderia se perder no processo).
A estrutura tem vida útil superior a 35 anos, não causa danos ao ambiente e tem potencial de gerar de 400 MW (megawatt) a 600 MW até 2024, segundo o que prevê o memorando para o Rio Grande do Norte.
Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte, lembrou, na ocasião do anúncio, que o estado lidera o ranking nacional de produção de energia eólica, por isso a escolha por esse sistema.
Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Rio Grande do Norte tem 194 parques de energia renovável em operação, 47 em construção e 79 contratados. Somados os projetos, são 9,6 GW de potência no total.
A região no Nordeste brasileiro também possui o maior potencial para instalação de usinas eólicas offshore, isto é, parques de captação de energia pelo vento que fiquem em alto mar, longe da terra firme, onde o vento não encontra obstáculo. O potencial para geração de energia em plantas eólicas no mar é de 110 a 140 GW.
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Cenapop · Hariany Almeida assume romance com ex-ator mirim de Avenida Brasil: "Intenso"
Hariany Almeida assume romance com ex-ator mirim de Avenida Brasil: "Intenso"
Hariany Almeida revelou namoro com José Victor Pires

Redação Publicado em 21/10/2021, às 09h26
Hariany Almeida, 24 anos, assumiu romance com o ex-ator mirim de Avenida Brasil, José Victor Pires, 22 anos, em entrevista ao podcast Pod delas.
Flagrada junto com José Victor em uma praia de Alagoas recentemente, Hariany contou: "Estou namorando. Estou assumindo aqui mesmo porque o povo não sabia de verdade. Foi tudo muito rápido e bem intenso."
A gente se conheceu pelo Instagram e marcou de viajar junto. No começo da viagem, decidimos que iríamos ficar de boa, sem compromisso. Se um quisesse ficar com outra pessoa, tudo bem. Mas passaram dois dias e ele me pediu em namoro e eu aceitei.
"Estamos juntos há dois meses e paguei a língua porque não queria namorar ninguém agora, estava em outro momento, querendo me dedicar ao trabalho. Mas essas coisas a gente não planeja muito", explicou a ex-BBB.
O ator estreou na Globo quando tinha 10 anos, em Ti Ti Ti, trabalhando em outras novelas como Avenida Brasil e em Boogie Oogie, no qual ganhou destaque. Sua última aparição como ator foi no seriado Os Detetives do Prédio Azul.
O relacionamento anterior de Hariany foi com DJ Netto, que conheceu durante sua passagem pelo reality show "A Fazenda", também em 2019.
Sonho com Leifert
Hariany ainda revelou uma história engraçada de quando ainda estava no "BBB 19" (Globo): ela sonhou com o apresentador, Tiago Leifert -- e dava um beijo nele.
"Teve uma vez que eu dormi e acordei contando de um sonho que tive na maior inocência para as pessoas que estavam na cozinha 'gente, eu sonhei que tava pegando o Tiago Leifert, que ele me deu um beijo", recordou.
Fui contando a história toda, as meninas me perguntaram se ele beijava bem no sonho e eu falei que beijava bem sim… No outro dia começou o programa ao vivo e a primeira coisa que o Tiago falou foi 'boa noite, Hariany' eu queria enfiar minha cabeça dentro de um buraco e me enterrar de tanta vergonha.
Por fim, Hariany revelou que ficou temerosa com a reação de Daiana Garbin, esposa do apresentador, que deixou o posto de comandante do reality show neste ano. "Quando acabou o programa a mulher dele mesmo chegou em mim e falou que achou muito engraçado", recordou.
________________________________________////////////SAÍDA PELA DIREITA: Relatório da CPI da Covid oferece um 'quem é quem' do bolsonarismo digital - Saída pela direita

Foram 27 com indiciamento pedido por Renan, uma conta que inclui políticos, diplomatas, empresários, jornalistas e agitadores de redes sociais.
“A disseminação das fake news na pandemia contou com uma rede organizada, com capacidade de alcance e influência política”, afirma o relatório, que ainda será votado pela comissão e poderá receber emendas.
A maioria é acusada de espalhar fake news e, por falta de opção jurídica mais específica, foi enquadrada no artigo 286 do Código Penal, que trata de incitação ao crime.
É o caso, por exemplo, de Allan dos Santos, chamado de “personagem central na disseminação de fake news em acordo com o Palácio do Planalto”. O relatório reproduz declarações, vídeos e tuítes de sua autoria negando a gravidade da pandemia, inclusive uma célebre dancinha em que ele diz que “corona é o caralho”.
Outras pérolas afirmam que o lockdown seria um plano diabólico da China e que a OMS (Organização Mundial da Saúde) seria genocida pela posição contrária ao uso de cloroquina contra o vírus.
Também recebe destaque o jornalista Oswaldo Eustáquio, que se autoexilou no México. Durante a fase mais aguda da pandemia, fez lives defendendo o chamado tratamento precoce.
Numa delas, conversa com o virologista Paolo Zanotto, também com pedido de indiciamento pela CPI, e que é um expoente do chamado “gabinete paralelo” que assessorou o presidente Jair Bolsonaro.
Outros médicos citados são Nise Yamaguchi e Luciano Dias Azevedo, também membros dessa estrutura de aconselhamento informal ao governo, que contornou os canais oficiais do Ministério da Saúde.
Já o empresário Leandro Ruschel, que vive na Flórida (EUA), é citado no relatório, entre outros pontos, por sua campanha contra a China, lugar de origem do vírus.
Em postagens, ele também subestimou o número de mortes pela Covid-19, que chama de “vírus chinês”. Além disso, espalha a tese de que o vírus foi criado em um laboratório (versão que, a bem da verdade, começou a ser levada a sério também pelo presidente americano, Joe Biden).
Bernardo Kuster, editor do jornal Brasil Sem Medo, ligado ao filósofo Olavo de Carvalho, é mencionado por sua campanha questionando a eficácia e a segurança das vacinas, mesmo depois dos estudos científicos que chancelaram a confiabilidade do imunizante.
Expoentes do bolsonarismo também citados são o jornalista Paulo Eneas, o comentarista Rodrigo Constantino e o youtuber Paulo Lisboa, entre outros.
Todos, de alguma forma, espalharam a receita de desprezo à gravidade da doença, tentativa de minar a credibilidade das vacinas, defesa da cloroquina e campanha contra medidas para mitigar as possibilidade de contágio, como isolamento social e uso de máscaras.
Estranhamente, Renan dá tratamento diferenciado a estas figuras: parte é apenas citada no relatório, e parte tem o indiciamento pedido. Não fica muito claro qual critério ele adotou, dado que a mensagem que todos espalham é basicamente a mesma.
Em redes sociais, a reação dos implicados por Renan variou do silêncio à postura desafiadora.
Um dos mais enfáticos no ataque ao relatório foi Ruschel, numa série de tuítes em que questionou as conclusões da CPI.
“Me acusam de ‘incitação ao crime’ por posts de Twitter que não trazem fake news, um conceito vago que passou a significar tudo aquilo que o seu oponente político defende, tampouco incitação a cometer qualquer crime! É um ataque frontal à liberdade de expressão”, escreveu.
Já Kuster optou pelo deboche, dizendo estar orgulhoso de ter o indiciamento pedido por uma CPI relatada por Renan.
Outro mencionado, o empresário Luciano Hang, que deu um dos depoimentos mais caóticos da CPI, desta vez foi surpreendentemente sóbrio, comportamento bem diferente de sua personalidade espalhafatosa. Chegou a se dizer honrado por ter de alguma forma participado da comissão.
O fato de terem sido citados no relatório pode trazer mais complicações jurídicas a pessoas que já estão na mira do Supremo Tribunal Federal sob acusação de espalhar fake news e patrocinar atos contrários à democracia.
Para parte deles, a menção pela CPI será usada como uma espécie de medalha, a ser exibida na próxima eleição. Muitos dos alvos de Renan, afinal, não escondem ter projeto político para o ano que vem.
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Opinião: Marcelle Carvalho - 'Verdades Secretas 2': muita expectativa e um primeiro capítulo bem raso

Marcelle Carvalho
Colunista do UOL
21/10/2021 05h39
É uma pena que o Globoplay só tenha liberado o primeiro capítulo de "Verdades Secretas 2" para todo mundo. Porque, sinceramente, a estreia deixou a desejar. Tudo bem que queiram guardar o melhor para quem tem o streaming. Mas o aperitivo deveria ter sido um pouco maior, já que, no geral, o que foi apresentado no primeiro episódio não me faria sair correndo para ter acesso total à plataforma.
E, olha que sou da turma entusiasta da trama. Estava com uma expectativa alta, crente que ficaria sem ar ao final do capítulo. Mas não foi o que aconteceu. O que vi foi um início raso, com furos e um encerramento com um gancho fraco.
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Esperava mais. A sensação é que houve uma preocupação tão grande com a estética - realmente incrível - que o conteúdo ficou em segundo plano. Em compensação as atuações foram impecáveis. Principalmente as de Ágatha Moreira e Camila Queiroz.
Intérpretes de Giovanna e Angel, eternas rivais, as atrizes deram um show. A implicância da adolescência cresceu e virou ódio mortal na fase adulta. Essa transformação no sentimento mostrou o quanto as artistas amadureceram como atrizes no intervalo de seis anos entre "Verdades Secretas" e sua continuação. É bonito ver como elas mergulharam fundo no jogo cênico, deixando a respiração da gente suspensa a cada encontro. Isso promete muito barulho e dos bons!
Não é segredo para ninguém que a nova obra de Walcyr Carrasco é carregada de cenas de sexo. Das mais variadas. Ingrediente que deixa o público em polvorosa, não é mesmo? Mas logo a primeira, na minha visão, soou bastante gratuita. Claro que a transa de Giovanna e Cristiano (Rômulo Estrela) esquentou a tela e deve ter deixado muita gente sem ar. Porém, a cena me pareceu jogada, só pra chocar ou chamar atenção. E, cá pra nós, a dancinha do detetive... achei que ele estava tendo uma síncope ao se contorcer todo, no afã de acompanhar Giovanna em um bailado tresloucado. Um pouco constrangedor.
Mas o incômodo maior ficou por conta da investigação na lancha de Alex (Rodrigo Lombardi). Cristiano levou uma perita ao local, ela borrifou na embarcação um produto que reage ao mínimo vestígio de sangue e constatou que 'houve um crime aqui'. Além disso, o detetive apenas virou a cabeça e voilà! Encontrou um projétil dando sopa por ali. Gente, o empresário morreu há seis anos e essa lancha nunca passou por uma perícia? Espero que a situação seja explicada em algum momento, porque essa ficou difícil.
Quero deixar claro que acredito no potencial da trama. A frustração foi apenas por ter sentido que o episódio inicial ficou aquém das expectativas - diferentemente do capítulo de estreia de "Verdades Secretas", com começo, meio e fim de pura tensão. Sei que muita coisa boa vem por aí, não só na história de Angel como nas de outros personagens que estão chegando nesta continuação. E, vamos combinar, minha gente: uma noveleira raiz não desiste tão fácil de um folhetim. Portanto, sigamos!
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Opinião: Milly Lacombe - Milly Lacombe: Por que a favela incomoda tanto?


Milly Lacombe
Colunista do UOL
21/10/2021 14h19
"Por que a imagem da favela reverberando pelo Twitter a partir da Europa incomoda tanto e a existência da favela em si não?", questiona a antropóloga Paola Lins de Oliveira sobre o post feito pelo Ajax a respeito do brasileiro Antony.
Ela tem razão. Quando o Ajax posta uma imagem associando Antony à favela e a grita começa nas redes sociais, precisamos parar e nos perguntar quem exatamente está berrando, e pelo que se berra. Se a gritaria visa desassociar Antony da favela chamando a atenção para as maravilhas do CT do clube onde ele se formou talvez exista aí alguma coisa errada.
Claro que as favelas brasileiras são um dos mais marcantes registros de como não houve reparo ao horror dos quase 400 anos de escravidão, e aqui cabe passear um pouco por nossa história.
As favelas foram formadas quando a população liberta e abandonada a sua recém-declarada "liberdade", sem que houvesse um planejamento sobre como inserir dignamente os negros e as negras na sociedade, passaram a ser um residual da assinatura da Lei Áurea. "Já os libertamos, agora não nos venham querer que encontremos o que fazer com eles" era o recado. Excluídos por leis que mesmo depois da abolição os mantinham na marginalidade, reuniam-se em cortiços e, depois, no que ficou conhecido como favelas. Recorro às palavras de João Pedro Claret, em texto escrito para o portal Voz das Comunidades:
"A abolição da escravidão em 1888, a vinda de imigrantes italianos e japoneses logo após esta data e o crescimento da indústria em São Paulo e Rio, principalmente durante a primeira e a segunda guerra mundial, foram fatores que contribuíram para a origem e crescimento das favelas no Brasil. Tudo começa quando a Inglaterra pressiona o Brasil para que dê fim à escravidão, visto que a mão de obra brasileira assalariada significaria maior exportação de produtos ingleses para o Brasil, o que traria lucro à Inglaterra. Contudo, o fim da escravidão coincide com uma onda imigratória de - principalmente - italianos e japoneses para São Paulo, e portugueses para o Rio, sem contar que começavam a aparecer os primeiros indícios de indústria. Logo, os latifundiários aproveitaram a mão de obra estrangeira especializada na lavoura e, ao invés, de empregarem os ex-escravos, agora libertos, empregaram os italianos e os japoneses. Este fenômeno contribuiu ainda mais para a marginalização do negro na sociedade, e com o desenvolvimento da indústria no Brasil, São Paulo e Rio tiveram crescimento demográfico acelerado. Ao chegarem nessas capitais, os ex-escravos se depararam com as fábricas, e como nunca haviam tido a experiências de trabalho que os italianos e japoneses tiveram em seus países industrializados, foram substituídos nas fábricas também. Ou seja, o negro não teve lugar tanto no campo quanto na cidade, e então foi no morro onde se instalou? E nossa dívida histórica aumentou".
Passados mais de 100 anos da abolição, pouca coisa mudou no que diz respeito à exclusão, ao descaso, à marginalidade. Favelas não deveriam existir, mas elas existem e nelas existe vida, existe amor, existe criatividade, existe arte, existe todo tipo de manifestação humana, das melhores às piores, assim como em qualquer condomínio, casa ou comunidade.
Favelas não deveriam existir, claro. A miséria não é aceitável nem negociável. Romantizar a pobreza não faz justiça a quem dela vem e não aponta caminhos possíveis, mas aqui precisamos parar e refletir. "O que não deveria existir é a favela como sinônimo de precariedade", pondera Lins de Oliveira. "Mas as relações de sociabilidade construídas na favela são motivo de orgulho para quem mora nela. O que precisamos entender é quem exatamente se sentiu ofendido pela postagem do Ajax: quem associa favela a uma coisa vergonhosa ou quem nela mora? Fazer essa diferenciação é fundamental".
De qualquer forma, Lins de Oliveira acredita que, feita a ponderação, pode-se dizer que o Ajax foi leviano "ao transformar a memória afetiva de uma pessoa em identidade genérica de favelado". Eis aí, me parece agora evidente, o erro do clube europeu.
Mas o que exatamente incomoda quando alguém se diz incomodado com a imagem de uma favela? A imagem da favela em si ou a precariedade e a injustiça social que fizeram ela nascer? Depois de conversar com Lins de Oliveira, fiquei com a impressão de que essa é a reflexão mais necessária diante da postagem do Ajax.
Há alegria nas favelas entre outras coisas porque, como ensina o professor Luiz Antonio Simas, a festa é um ato de resistência política. Mas nosso pensamento, tão condicionado a exotizar os que alcançam destaque "mesmo nascendo na favela", não deveria ir por esses caminhos e sim pelos caminhos do "imagina do que seríamos capazes se pudéssemos oferecer uma infância digna a todos os brasileiros periféricos, que vivem dentro e fora da favela.
Quantos artistas mais existiriam? Quantos Mano Browns? Quantos Romários? Quantos Adrianos? Quantas Linns da Quebrada? Quantos advogados preocupados com as causas sociais, médicos que não negariam anestesiar mulheres negras nos partos, urbanistas interessados em construir cidades para todos os tipos de corpos e de vidas. Esse incômodo deveria ser o maior de todos os incômodos.
O que Antony vê jogando no campo do clube ao levantar a cabeça e olhar para as pessoas no estádio é exatamente o que veem seus companheiros de time. O que Antony sente é diferente, assim como é diferente o que sentimos cada um de nós diante de uma mesma situação porque nossas bases de formação são distintas e é a partir delas que damos significado às coisas.
Mas, sim, há desconforto com a postagem do Ajax, ainda que não necessariamente o desconforto que deu origem à grita. Para mim, o post pode ser perverso porque o recado implícito é: "se você se esforçar pode chegar lá". As pessoas mais esforçadas que eu conheço jamais "chegarão lá", e as mais preguiçosas já nasceram lá.
Por tudo isso, a pergunta que fica é: quem se incomodou com a postagem do Ajax?
Se fomos apenas nós, uma classe média que pouco ou nada sabe sobre a vida e as relações que existem numa favela e que se apressa em tirar simbolicamente Antony da favela e associá-lo à sofisticação de um CT com tecnologia de ponta, temos aí um preconceito sim, e ele não é do Ajax, mas muito nosso - e com ele teremos que lidar.
Se o incômodo veio de moradores das favelas, aí teremos uma problematização que vale ser absorvida e sobre a qual devemos pensar.
É preciso entender que poucas coisas que nós, brancos, fazemos e dizemos escapam do racismo porque o racismo é uma das maiores forças que nos construiu, que nos organizou, que nos formou. Ele está ligado, ainda que de forma sutil, ao que causa nossa ação e ao que causa nosso julgamento. Nem todo branco é racista, mas todos nós nos beneficiamos dessa estrutura de alguma forma e é por isso que é bastante improvável que, mesmo sem ter consciência disso, acabemos por reproduzi-lo. É fundamental andar pela vida atento e forte, como diz a música.
A postagem é oportunista ao usar os afetos de Antony para ganhar biscoito. Pegar a primeira imagem que o Google oferece é, para dizer o mínimo, leviano.
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Opinião: Olga Curado - CPI termina e Bolsonaro conta com o esquecimento da tragédia da Covid-19


19/10/2021 17h13
Atualizada em 19/10/2021 17h14
A esgrima verbal do governo federal para não reconhecer crimes que serão apontados contra o capitão no manejo da pandemia é uma tentativa primária de esconder os milhares de mortos da pandemia.
Contam com o esquecimento, com as dores acostumadas e com um pagamento mensal aos miseráveis, num plano macaqueado de política social em que o Guedes não acredita. É esse agora o mantra de um governo que se veste de sheik e faz foto de carnaval, gastando em moeda forte, longe da pobreza que avilta. E ainda se riem.
Quando o líder do governo no Senado, em entrevista ao UOL, tenta descaracterizar a tipificação penal dos malfeitos que atrasaram a imunização do povo; quando em consequência, como é cristalino afirmar, morreu muito mais gente do que um trabalho responsável de governo evitaria. Há culpa. Inegável.
A intencionalidade em promover a maior tragédia humanitária da história do país é um debate que tem no seu argumento central a ignorância deliberada de contradizer a ciência e de promover engodos.
O discurso da imbecilidade proposital, escorada em falsos doutores, levou milhares de pessoas à obediência a um receituário assassino. Essas mesmas pessoas fizeram tudo o que seu o mestre mandou, imbuídas pelo respeito à autoridade sanitária, omissa e incompetente - sim, o Pazuello (aspone com remuneração paga pelos cofres públicos) e a "pazuellada" do seu atual sucessor, o Queiroga. De quem é a culpa? Dos ignorantes crédulos ou dos crentes deliberados? Sim, há culpa pelos mais de 600 mil mortos.
O fato é que o Brasil é campeão mundial de covas abertas, de sepultamentos sem velório, de mortes sem despedidas. Vítimas que não existiriam se houvesse a vacina chegado a tempo. Perdemos tantos queridos e queridas!
Houve mortes por falta de oxigênio para atender os doentes, em Manaus, e absoluta incapacidade de lidar com a situação - seja ela fruto de um benevolente reconhecimento da incompetência, ou, o que é mais evidente, por uma crença na imunidade de rebanho pela contaminação.
Na sessão final da CPI, a emoção com caras aos números, agora com lágrimas dos sobreviventes, e histórias de famílias separadas pelo descaso com a vida. Sim, há culpa.
Se Renan Calheiros, envolvido com os seus interesses paroquiais, está colocando na longa fila de indiciados uns tantos indivíduos, que segundo uns outros poderiam ficar de fora, a crise é de ego.
A CPI tem seres humanos que também disputam holofotes e sobrevivência política. Porém, se há quase uma centena de apontados em crimes variados, para que o Ministério Público faça o seu dever e as polícias cumpram a sua tarefa de investigar e a Justiça de responsabilizar, há que se reconhecer que há muito mais responsáveis pela tragédia do que aqueles que estão na lista de Renan.
Não se matam tantos assim - são mais de 600 mil - se não houver uma conivência sistêmica, uma inércia deliberada em vários níveis.
Somos todos uma parte dessa tragédia. Quando mantivemos o grito calado na goela, quando fechamos os olhos e rimos do capitão, tratando-o apenas como um idiota - e os seus filhos como tolos. Quando esperamos pacientemente que as autoridades fizessem o seu apelo; quando aceitamos que as explicações que não vinham bastavam. Quando o Congresso se curvou em vassalagem e aí permanece, aceitamos.
O que poderia ter sido feito?
As possibilidades, passado o tempo, são um exercício retórico.
A realidade define o que é possível, a cada momento.
E, nesse momento, quando a CPI conclui o seu trabalho, temos todos a obrigação de não cair na armadilha do vocabulário estudado de quem cria o discurso, a retórica de política de interesses, de olho em orçamentos obscuros, em vantagens pessoais para seguir no mando de um rebanho letárgico.
Temos a obrigação de não nos envergonhar do que poderíamos fazer agora.
O momento é de acordar o país com o berro, em coro de todos os choros que foram calados. De resto, o mundo já está diante de nós, estarrecido.
Que os mortos, os sequelados, os sobreviventes não se calem. Que não nos calemos.
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Opinião: Olga Curado - Saído das revistas de quadrinhos, o Coringa inspira o governo Bolsonaro
21/10/2021 09h31 Atualizada em 21/10/2021 09h31
A resposta ao relatório da CPI da Pandemia, pelo filho do capitão, com assento no Senado Federal, foi uma gargalhada, imitando o próprio pai. É uma referência inconsciente ao personagem com o qual ambos - pai e filho - se identificam: o Coringa.
O vilão que desafia a paz e a ordem na fictícia cidade de Gotham City, onde Batman e Robin correm para impedir seus crimes, tem a marca do riso frouxo nas cenas em que há uma tragédia, onde pessoas estão em sofrimento. É o desdém pela dor que o anima, é o seu combustível, num alheamento quase patológico - e no caso do personagem vivido mais recentemente pelo magistral Joaquim Phoenix.
Para senador Vieira, crime de epidemia com resultado morte é central na CPI
Numa visita rápida ao conhecimento disponível online, aprende-se que um dos nomes do Coringa é "Príncipe Palhaço do Crime" ou "Bobo da Corte do Genocídio".
O Coringa não deixa barato, tenta reverter os seus revezes usando todos os artifícios que o poder circunstancial lhe confere. No caso do novo Coringa da cena nacional, o esforço é a tentativa patética de descaracterizar o relatório final da CPI da Pandemia. Uma grande dedicação dos negacionistas empoleirados no governo federal, para negar a tipificação de crimes praticados por próceres do governo e pelo próprio capitão no manejo da pandemia no país.
O Coringa, no baralho, é também a carta do vale tudo. Ocupa qualquer posição, de qualquer carta, em qualquer jogo. Porém, a regra que se faz entre os jogadores é se vale ou não o coringa no jogo.
De um lado a ironia para com a dor; de outro, o personagem que se transveste de qualquer poder para ocupar o lugar que não lhe pertence naturalmente. É o mimetismo de um camaleão para seguir na disputa. E é assim.
O silêncio, mais ou menos, do capitão depois da missiva de seu antecessor na cadeira, o Temer, inspirado pela experiência de bastidores e de cochichos, muito mais efetivos para seduzir e amalgamar relacionamentos estratégicos do que os gritos no cercadinho do capitão. Aprendeu sob pressão o capitão, que também faz mesuras para um STF (Supremo Tribunal Federal) - que ameaçou com todas as letras, invocando o patriotismo no Dia da Independência, no último 7 de Setembro - criando uma bucólica cerimônia de anúncio de mais um Tribunal em Minas Gerais, para desafogar trabalho de juízes. Uma no cravo, com tantas desferidas na ferradura.
No corredor do Congresso, um Coringa gargalha, desafiando todas as sepulturas dos mais de 600 mil mortos e o calvário dos sequelados. Não distante de lá, na Praça dos Três Poderes, um outro Coringa se curva às mesuras ensinadas pelos escaldados sobreviventes dos ardis político partidários e se deixa conduzir suavemente, de olho nas promessas feitas pelo Lira.
Mas o "Bobo da Corte do Genocídio" das revistas em quadrinhos e da telona não age sozinho. Embora seja o protagonista das cenas mais escabrosas e aterrorizantes, atua muitas vezes em conluio, por afinidade de propósito de estilo, com um grupo de vocacionados que também atemorizam Gotham City. Tem como companheiros o Pinguim, o Duas-Caras, a Liga da Injustiça e a Gangue da Injustiça.
Antes de ser consagrado no cinema, as aventuras e desventuras de Gotham City apareciam semanalmente nas telas em preto e branco das televisões de décadas passadas. Hoje, ao vivo e em cores, salta da história de ficção de todas as telas e confirma: a vida imita a arte.
________________________________________////////////Balaio do Kotscho - Crime continuado: Bolsonaro faz inauguração fake e volta a atacar vacinas

Ricardo Kotscho 21/10/2021 15h16
No dia seguinte à divulgação do relatório final da CPI da Covid, em que é acusado de praticar crimes em série contra a população durante a pandemia, Bolsonaro continua o mesmo: produz fake news para suas redes sociais, voltando a atacar as vacinas e a defender a cloroquina: "Não tomei a vacina e quem quiser seguir o meu exemplo, que siga", disse em mais um giro pelo Nordeste.
Pela segunda vez este ano, o presidente levou sua comitiva da campanha eleitoral para a pequena Sertânia, no agreste pernambucano, desta vez para "inaugurar" um sistema de abastecimento de água que um dia, não se sabe quando, deve beneficiar 2 milhões de pessoas em 68 cidades da região.
A douta assessoria palaciana só esqueceu de avisar o capitão de um pequeno detalhe: a rede ainda não tem água para oferecer porque, para entrar em funcionamento, depende da conclusão das obras da Adutora do Agreste, que não foram entregues a tempo.
Em abril, o próprio Bolsonaro tinha vetado o envio de R$ 161 milhões para a conclusão das obras, segundo o governador de Pernambuco, Paulo Câmara.
Seria mais ou menos como inaugurar uma usina hidrelétrica sem água no reservatório para mover as turbinas.
Antes da inauguração da inauguração fake em Pernambuco, o presidente sub-judice foi até São José das Piranhas, na Paraíba, onde entregou outra obra hídrica do projeto Jornada das Águas, e subiu no palanque para repetir o mesmo discurso de sempre: atacar o relator da CPI da Covid, Renan Calheiros, e os governadores, por preferirem oferecer vacinas em lugar da cloroquina, que ele continua recomendando.
"Eu também fui acometido pela covid, tomei hidroxicloroquina. No dia seguinte, estava bom. Ainda continua em interrogação o tratamento", disse o presidente, que ainda não se vacinou. Temos governadores e prefeitos exigindo passaporte vacinal. O nosso ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mesmo vacinado com a segunda dose, contraiu a covid. É uma grande interrogação a covid-19".
Sobre as acusações que lhe foram feitas na véspera pela CPI da Covid, o capitão se limitou a falar do relator Renan Calheiros.
"Não chamem o Renan de vagabundo, não. Vagabundo é elogio para ele. Não há maracutaia lá por Brasília que não tenha o nome do Renan envolvido".
Tudo agora é uma interrogação para Bolsonaro, que continua em sua campanha contra a ciência, plantando dúvidas e incertezas sobre a vacina na população, um dos nove crimes de que é acusado, além de disseminar fake news.
Trata-se de um caso típico do que os juristas classificam de "crime continuado", quando o investigado segue praticando os mesmos delitos de que é acusado.
Na semana em que Brasília e o mercado estão de pernas para o ar com o anúncio do novo Bolsa Família, que bem poderia ser chamado de Bolsa Voto, Bolsonaro continua subindo e descendo de aviões e helicópteros, em viagens pelo país, para recuperar a popularidade perdida.
Enquanto o mago Paulo Guedes pede "licença para gastar" e quer dar um chapéu no venerado teto de gastos, o presidente segue em sua campanha antecipada pela reeleição, oferecendo um auxílio de R$ 400 a famílias carentes até a eleição, sem querer saber de onde virá o dinheiro. Se a Bolsa cai e o dólar sobe, fazendo disparar a inflação, não é problema dele.
É a chamada tempestade perfeita: a pandemia ainda não acabou, porque o governo demorou a comprar vacinas, e a economia virou um pandemônio, mas nada faz Bolsonaro mudar de ideia.
Vida que segue.
________________________________________////////////Bolsonaro desdenha de vacina e enaltece 'kit Covid' um dia após CPI lhe atribuir 9 crimes na pandemia
"Presidente" põe em xeque eficácia de imunizantes e critica medidas como comprovante de vacinação
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender nesta quinta-feira (21) o uso de medicamentos ineficazes contra a Covid e desdenhou da eficácia das vacinas para o enfrentamento da doença que já matou mais de 600 mil pessoas no país.
"Eu também fui acometido [pela Covid], tomei hidroxicloroquina, no dia seguinte estava bom. Será que é porque é barato? Ainda continua em interrogação o tratamento", disse Bolsonaro durante evento de inauguração de trecho da Transposição do Rio São Francisco, em São José de Piranhas, na Paraíba.
As falas do presidente ocorreram um dia após a leitura do relatório da CPI da Covid no Senado, elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). O documento será votado na próxima semana pela comissão.
O parecer do relator aponta Bolsonaro como um dos principais responsáveis pelo agravamento da crise sanitária e sugere que o presidente seja responsabilizado e investigado por nove crimes na pandemia, entre eles um contra a humanidade.
Bolsonaro desde o início da disseminação do novo coronavírus tem falado e agido em confronto com as medidas de proteção, em especial a política de isolamento da população. O presidente, por exemplo, já usou as palavras histeria e fantasia para classificar a reação da população e da mídia à doença.
Além dos discursos, Bolsonaro assinou decretos para driblar decisões estaduais e municipais, manteve contato com pessoas na rua e vetou o uso obrigatório de máscaras em escolas, igrejas e presídios —medida que acabou derrubada pelo Congresso. Até hoje ele não se vacinou contra a Covid.
No discurso desta quinta-feira, além de defender o 'kit Covid' e atacar Renan, Bolsonaro pôs em xeque a eficácia das vacinas contra a Covid e criticou medidas de estados e municípios que têm exigido comprovante de vacinação para entrada em espaços públicos e privados nas flexibilizações da pandemia.
"Temos governadores e prefeitos exigindo passaporte vacinal. O nosso ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, mesmo vacinado com a segunda dose, contraiu a Covid. Outras pessoas da minha comitiva que estavam vacinadas com a segunda dose contraíram o vírus. É uma grande interrogação a Covid-19", disse.

Segundo especialistas em saúde, o principal objetivo das vacinas é evitar as mortes por Covid após a vacinação completa, ou seja, aqui no Brasil duas doses de Coronavac, AstraZeneca ou Pfizer ou a dose única da Janssen.
Os imunizantes ainda reduzem as chances de contaminação pela doença e também de mortes provocadas pela Covid.
Desde o surgimento das vacinas, Bolsonaro tem feito críticas aos imunizantes. Nesta quinta, na Paraíba, ele reafirmou que não foi vacinado.
"Ofertamos a todos do Brasil a oportunidade de todos se vacinarem. Isso não quer dizer que a vacina seja obrigatória. Jamais defenderemos isso. Eu não tomei a vacina, quem quiser seguir meu exemplo que siga, quem não quiser que não siga, isso é liberdade."
"Dizem que quem se contaminou tem mais anticorpos do que quem se contaminou por que tomar vacina? Se eu quiser tomar lá na frente, eu tomo. Mas meu governo ofereceu vacina para toda a população, espero que ele seja eficiente", acrescentou.
No discurso de improviso, Bolsonaro atacou Renan pelo relatório e aproveitou o discurso para acenar ao senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, que tem evitado pautar desde agosto a sabatina de André Mendonça, indicado por Bolsonaro para o STF (Supremo Tribunal Federal).
"Por que sou atacado 24 horas por dia? Onde eu errei? Relatório da CPI comandada por Renan Calheiros. Não chamem Renan de vagabundo, isso é elogio para ele. Não há maracutaia lá em Brasília que não esteja o nome do Renan envolvido."
"Esteve na [Presidência do] Senado por dois anos o senador Davi Alcolumbre. E quem disputou a eleição com ele em 2019, Renan Calheiros. Imagine que desgraça estaria o Brasil dado ao que ele ia exigir para aprovar qualquer coisa naquela Casa, porque ele é o dono da pauta."
Em 2019, Davi Alcolumbre venceu Renan Calheiros na eleição para a presidência do Senado em uma vitória para Bolsonaro na ocasião. A candidatura do senador do Amapá era patrocinada pelo então ministro da Casa Civil de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, hoje ministro do Trabalho.
"Com Davi Alcolumbre, não tive problemas no Senado. Quase tudo que precisamos aprovamos lá, agradeço ao Davi por esses dois anos que ele esteve à frente do Senado. Se não estaria lá, Renan Calheiros, que, apesar de ser nordestino, nunca fez nada pelo Nordeste, nem pelo seu estado Alagoas", afirmou Bolsonaro na Paraíba.
"Temos na maioria dos senadores pessoas de bem, mas não adianta ter boa tropa se o comandante não corresponde", disse Bolsonaro.
O aceno de Bolsonaro a Alcolumbre ocorre em meio a um impasse para a sabatina de André Mendonça. Nos bastidores, o senador tem sinalizado preferência pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, para o STF em detrimento a Mendonça.
Alcolumbre tem usado a prerrogativa de presidente da CCJ para não pautar a sabatina, primeiro passo da tramitação da nomeação de indicados para o STF.
As outras etapas são as votações na comissão e no plenário do Senado. Para ser confirmado como ministro do Supremo, o indicado precisa ter aval de maioria simples dos senadores, ou seja, 41 votos.
Bolsonaro participou da inauguração da obra do trecho final do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, em São José de Piranhas.
O trecho inaugurado tem oito quilômetros de extensão e liga os reservatórios Caiçara, em São José de Piranhas, ao Engenheiro Ávidos, em Cajazeiras, também no sertão da Paraíba. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, o investimento na obra foi de R$ 49,7 milhões.
Bolsonaro estava acompanhado dos ministros Braga Netto (Defesa), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral), Gilson Machado (Turismo), Onyx Lorenzoni (Trabalho) e Marcelo Queiroga (Saúde), que é paraibano, além do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado, e de deputados federais e estaduais aliados.
A transposição do Rio São Franscisco, considerada uma importante obra hídrica do Nordeste, foi iniciada no governo Lula (PT) e teve trechos inaugurados ao longo das gestões de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) e agora por Bolsonaro.
Desde o início de outubro, Bolsonaro tem cumprido agendas no interior de estados do Nordeste acompanhado pelo ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, para inaugurar obras hídricas. O périplo foi batizado de Jornada das Águas" pelo Palácio do Planalto.
A estratégia do presidente é uma tentativa de se contrapor ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, provável adversário de Bolsonaro nas eleições de 2022, em uma região que é reduto político do petista.
________________________________________////////////Opinião: Thaís Oyama - Céu de Brasília prenuncia destino infeliz para relatório da CPI da Covid


Thaís Oyama
Colunista do UOL
21/10/2021 12h29
Atualizada em 21/10/2021 14h11
O primeiro jato de água fria sobre o relatório da CPI da Covid veio do ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso.
Na manhã de ontem, poucas horas antes de o senador Renan Calheiros começar a leitura do texto, cujo conteúdo já era conhecido, Barroso deu entrevista ao UOL News afirmando que os pedidos de indiciamento feitos pelas CPIs "têm mais uma conotação política do que jurídica".
Auxílio de 400 reais é hoje única chance para Bolsonaro escapar das cordas
Para que não houvesse dúvidas sobre o que estava querendo dizer, o ministro foi didático: "Colocar ou não um rol de crimes num relatório é uma decisão política, mas a implicação jurídica é bem reduzida porque não interfere no juízo que o Ministério Público fará dos fatos que foram apurados".
Luís Roberto Barroso estava se referindo à parte do relatório que toca Jair Bolsonaro, cujo destino jurídico permanecerá nas mãos de Augusto Aras enquanto um for presidente e o outro Procurador-Geral da República.
Em outras palavras: Barroso estava lembrando que entre a expectativa e a realidade há um abismo — e que os pedidos de indiciamento de Bolsonaro podem, do ponto de vista jurídico, dar em nada.
De forma menos técnica, o destino que pode ter essa parte do relatório da CPI foi sinalizado também na cerimônia realizada ontem no Palácio do Planalto para a sanção da lei que cria o Tribunal Regional Federal da 6ª Região.
No preciso dia em que a comissão, tida como a mais importante já realizada no país, fazia a leitura formal do relatório que acusava o presidente da República de crime contra a humanidade, sorriram e trocaram amabilidades com ele o presidente do STF e o presidente do Congresso.
Luiz Fux e Rodrigo Pacheco optaram por dar o ar de suas graças no Palácio do Planalto como quem não percebe o simbolismo da coincidência de datas — simbolismo ainda mais momentoso no caso de Fux, que em agosto, no meio da crise institucional entre Bolsonaro e o STF, anunciou no plenário da Corte o cancelamento de um encontro entre os chefes do Executivo, Legislativo e Judiciário com o argumento de que "o pressuposto do diálogo entre os Poderes é o respeito mútuo entre as instituições e seus integrantes".
Como a recusa de um encontro tem o mesmo peso que a aceitação de outro, só que com sinal invertido, o que Fux sinalizou com a sua presença no Planalto foi que está restabelecido o respeito mútuo entre os integrantes do Executivo e do Judiciário.
Postado diante do chefe do Executivo horas antes acusado de nove crimes, o presidente do STF ouviu dele que se sentia feliz em "estar entre amigos". "Hoje, uma parcela considerável desses amigos são do Poder Judiciário. Vocês, sim, para nós, representam em grande parte a nossa democracia, a nossa cidadania e a nossa liberdade", disse Bolsonaro.
Em Brasília, forma é conteúdo.
E o conteúdo do que se viu e ouviu ontem na capital prenuncia um destino pouco auspicioso para o relatório da CPI da Covid.
________________________________________////////////A divisão entre os oprimidos e a amizade fatal entre Malcolm X e Muhammad Ali
Ou: como os oprimidos se voltam contra outros oprimidos sob as bênçãos (e incitação) do opressor

CYNARA MENEZES
Uma amiga querida me falara recentemente dos alertas de Frantz Fanon em Os Condenados da Terra (1961) para o fato de a violência do colono acabar descambando em disputas sangrentas entre os próprios colonizados: oprimidos contra oprimidos sob as bênçãos (e incitação) do opressor. “Enquanto o colono ou o policial podem a qualquer momento espancar o colonizado, insultá-lo, fazê-lo ajoelhar-se, vê-se o colonizado sacar a faca ao menor gesto hostil ou agressivo de outro colonizado”, lamenta Fanon. “Esta agressividade sedimentada nos músculos vai o colonizado manifestá-la primeiramente contra os seus. É o período em que os negros brigam entre si.”
Estas frases me vêm imediatamente à memória após assistir ao documentário Irmãos de Sangue: Malcolm X e Muhammad Ali, em cartaz no Netflix. Eu fiquei curiosa por saber mais do encontro destes dois gigantes da luta dos negros norte-americanos pela liberdade e por direitos. Confesso que desconhecia essa proximidade e tampouco tinha detalhes sobre a história do assassinato de Malcolm X. Portanto, foi um choque para mim descobrir como sua morte está diretamente conectada à amizade rompida com Ali…
Malcolm e o boxeador então chamado de Cassius Clay teriam se visto pela primeira vez antes de um encontro do grupo de negros muçulmanos Nation Of Islam, em 1962. Malcolm X tinha 37 anos; Clay, prestes a revelar sua conversão ao islamismo e assumir uma nova identidade como Muhammad Ali, tinha 20. Logo se estabeleceu uma relação mentor-pupilo entre os dois. Em fevereiro de 1964, um ano antes de ser morto, Malcolm X chegou a levar a família para visitar o centro de treinamento de Ali em Miami.
Naquela noite, os dois amigos, mais o cantor Sam Cooke e o jogador Jim Brown, iriam festejar com sorvete a vitória de Cassius Clay sobre Sonny Liston na primeira luta pelo campeonato mundial de pesos pesados –esta história foi ficcionalizada no filme Uma Noite em Miami, de Regina King, no ano passado. Dois dias depois deste encontro, Clay anunciaria ao país que se tornara muçulmano (na verdade, segundo seu pai, o lutador havia se convertido ao grupo desde os 18). É então que a história dos dois amigos, “brothers” de sangue, começa a bifurcar.
Havia, desde o princípio, um terceiro elemento entre os dois: o líder espiritual da Nação do Islã, Elijah Muhammad, de quem, por sua vez, Malcolm X havia sido pupilo. Foi Elijah quem rebatizou Cassius Clay como Muhammad Ali, nome que o pugilista usaria de 1964 até a morte, em 2016. “Cassius Clay é um nome de escravo. Eu não escolhi e não quero. Eu sou Muhammad Ali, um nome livre –significa ‘amado por Deus’ e é como eu quero que as pessoas me chamem”, disse.
Enquanto Ali estava mais e mais seduzido pelo “profeta”, um mês depois da luta em Miami, Malcolm não só rompeu com Elijah Muhammad como deu uma razão forte para isso: o líder muçulmano teria tido oito filhos com seis adolescentes que trabalhavam como suas secretárias pessoais. Até hoje pesa sobre o grupo a acusação de ter mandado matá-lo por conta disso. Ou seja, não foram agentes do governo dos EUA, mas os próprios negros que assassinaram Malcolm X.
Em 1992, quando lançou a cinebiografia Malcolm X, com Denzel Washington no papel-título, Spike Lee foi atacado e ameaçado por lideranças negras por associar o crime à Nação do Islã. “É fácil culpar a CIA e o FBI”, rebateu Lee então. “Eu não vou dizer que eles não estiveram envolvidos. No mínimo, deixaram isso acontecer.” Mas, disse o diretor, todo mundo sabe que cinco membros do grupo foram responsáveis pelo assassinato. Três inclusive foram presos e um deles, Thomas Hagan, assumiu ter dado os disparos.
Em sua autobiografia, Muhammad Ali disse que romper com Malcolm X foi um grande erro. “Dar as costas a Malcolm foi um dos erros dos quais mais me arrependo na vida. Queria ter podido dizer que sentia muito, que ele estava certo sobre tantas coisas…”
O documentário da Netflix corrobora esta tese, que o próprio Muhammad não fazia questão de negar. A reação de Ali à morte do ex-amigo foi fria, para dizer o mínimo. Dois meses antes do crime, o atual líder do NOI, Louis Farrakhan, escrevera que Malcolm X era um traidor e como tal “deveria ser morto”.
A viúva do ativista negro, Betty Shabazz, morreu acreditando que Farrakhan foi diretamente responsável pelo assassinato do marido. “Claro que sim. Ninguém manteve em segredo. Era uma medalha de honra. Todo mundo falava sobre isso”, afirmou ela. Farrakhan nunca negou peremptoriamente ter tido alguma participação e, em um discurso de 1993, dá a entender que esteve mesmo envolvido. “Malcolm traiu você ou a nós? E se lidamos com ele como uma nação lida com um traidor, isso é da sua conta?”, afirmou.
Em 2000, Farrakhan se disse arrependido pelo papel que teve. “Posso ter sido cúmplice pelas palavras que falei”, afirmou à filha de Malcolm X, Atallah Shabazz, durante uma entrevista ao programa 60 minutos, da rede CBS. “Eu reconheço isso e lamento que qualquer palavra que eu tenha dito tenha causado a perda de uma vida humana.”
Antes disso, porém, outras tragédias já tinham acontecido na família de Malcolm X. A segunda filha do ativista negro, Qubilah Shabazz, que presenciara o momento do crime, foi presa em 1995 sob a acusação de ter mandado matar Farrakhan. O líder religioso e a viúva de Malcolm, Betty, apertaram as mãos diante das câmeras para inocentar Qubilah, as acusações criminais foram retiradas e ela foi enviada a tratamento psiquiátrico. Mas, enquanto estava internada, seu filho de 12 anos, Malcolm, abrigado pela avó, ateou fogo na casa onde moravam, levando Betty à morte, aos 63 anos. Após enfrentar mais problemas com a polícia ao longo da curta vida, o neto de Malcolm X morreria espancado no México, aos 28 anos, em 2013.
Quanto a Muhammad Ali, ele só deixou a Nação do Islã em 1975, após a morte de Elijah Muhammad. Em sua autobiografia, The Soul of a Butterfly (2004), escrito em parceria com a filha Hana Yasmeen, ele disse que romper com Malcolm X foi um grande erro. “Dar as costas a Malcolm foi um dos erros dos quais mais me arrependo na vida. Eu queria ter podido dizer a Malcolm que sentia muito, que ele estava certo sobre tantas coisas… Mas ele foi assassinado antes que eu pudesse fazer isso.”
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Blog do Rovai: Bolsonaro não vai dar golpe, não sofre impeachment, não renuncia e não será reeleito
Ele não tem tempo de recuperar o seu governo e qualquer cavalo de pau que busque a 1 ano das eleições pode ter resultado pior. Demitir, por exemplo, Paulo Guedes seria uma loucura

Há muita especulação sobre este final de mandato de Bolsonaro, mas a realidade é o que a conjuntura permite responder a partir da correlação de forças no Congresso, nas redes, nas ruas e nas pesquisas.
E com base neles pode-se afirmar que:
- Não se conseguiu criar um movimento de rua capaz de encurralar Bolsonaro e forçar setores da política e do estabilishment que o apoiam a abandonar definitivamente o seu barco.
- Bolsonaro foi muito competente do ponto de vista pragmático para montar uma base de apoio consistente no Congresso a partir da distribuição de caminhões de recursos em emendas parlamentares.
- Bolsonaro ainda tem uma expressiva ação de redes e mantém seu núcleo duro ativo em defesa das suas ideias (por mais absurdas que sejam) e do seu mandato.
- Bolsonaro não tem um partido político, mas tem uma família política que pode manter seu legado mesmo que seja derrotado, por isso ele não vai renunciar. O destino de Bolsonaro se vier a perder pra Lula e vier a ser processado por seus crimes pode ser o de Fujimori. Por muito tempo ainda vai ter um Bolsonaro por aí atormentando nossas vidas.
Mesmo com tudo isso, Bolsonaro é hoje um jacaré banguela. Todas as pesquisas mostram que ele não se reelege e tem chances próximas de zero de fazer isso acontecer. Ele não tem tempo de recuperar o seu governo e qualquer cavalo de pau que busque a 1 ano das eleições pode ter resultado pior. Demitir, por exemplo, Paulo Guedes seria uma loucura. É quase impossível que ele venha a fazer isso. Se o fizer, pode ficar ainda mais fragilizado.
Resumo da ópera: Bolsonaro fica até 31 de dezembro de 2022, deve disputar o segundo turno eleitoral, vai perder, mas vai lutar como um monstro do pântano para que isso não aconteça e vai sair do governo como um Trump.
Temos que estar preparados para derrotá-lo. E se possível pela maior margem possível. Não será tão fácil como alguns imaginam, mas é o que se tem para hoje num cenário realista.
________________________________________////////////Fala, Rovai – Ciro pirou?
Assista ao Fala, Rovai desta quinta-feira que aborda as agressões de Ciro Gomes a Lula e Dilma. E descubra se Ciro pirou.

Todos os dias, às 15h, tem Fala, Rovai no Youtube. É um video curto. De aproximadamente 10 min, onde comento algum assunto do dia. Neste que postei ontem tratei dos ataques do candidato do PDT, Ciro Gomes, à ex-presidente Dilma e ao ex-presidente Lula. Ciro foi tão longe nas grosserias, que pessoas que o apoiam, como a vereadora trans de BH, Duda Salabert, o músico Tico Santa Cruz e ex-senador Cristovam Buarque, o criticaram.
O que Ciro quer com isso? É um jogo de marketing para ocupar espaço e tentar se construir como a alternativa de terceira via ou se tornou apenas um jogo de ódio, onde o fígado comanda suas decisões e não mais o cérebro? O que João Santana tem a ver com isso?
É isso que respondo neste vídeo-análise.
Bom proveito.
________________________________________////////////Além de suástica nazista, sessão da Câmara de Porto Alegre tem ataque racista contra vereadoras: "Lixo! Empregadas"

Na mesma sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre (RS) em que manifestante antivacina exibiu um cartaz com uma suástica nazista, vereadoras negras foram alvo de um ataque racista.
Ensandecida, uma manifestante chamou as vereadoras Bruna Rodrigues (PCdoB), Daiana Santos (PCdoB) e Laura Sito (PT) de “lixo” e “empregadas”.
“Infelizmente, ouvimos hoje aqui na Câmara o que estamos acostumadas a ouvir desde muito tempo. Ser chamada de ‘empregada’, de ‘lixo’ é mais uma manifestação de um racismo que tenta desqualificar a todo momento a nossa chegada na Câmara! Não passarão!”, escreveu Bruna Rodrigues, em suas redes sociais, ao divulgar o vídeo que mostra os ataques verbais.
Assista.
À Fórum, Bruna Rodrigues afirmou que “uma das formas pelas quais o racismo se manifesta é questionando os espaços que ocupamos”.
“Quando mulheres negras, como eu, escutam que somos ‘empregadas’ de pessoas com o perfil dessa mulher que me insultou hoje: branca, ‘de bem’, de família, essa frase na verdade questiona a nossa capacidade de estar nestes espaços. É por isso que ter ouvido hoje que sou ‘empregada’ e que sou um lixo de alguém me indignou. Eu tenho muito orgulho de já ter sido empregada doméstica, tenho muito orgulho de ser filha de gari. E tenho mais orgulho ainda de estar aqui representando estas mulheres, estas trabalhadoras!”, declarou.
“Isso não é motivo de vergonha para mim e para nenhuma trabalhadora desse ramo. Vergonha é ver que a Câmara ainda é um espaço onde o racismo, o machismo e o ódio ao nosso povo se perpetua. Por isso nos revoltamos: contra esse racismo que se manifesta nos questionando, se manifesta dizendo que não devíamos estar aqui. Pois bem: a gente chegou na Câmara pra ficar!”, afirmou ainda.
Daiana Santos, por sua vez, também denunciou o caso nas redes sociais: “RACISMO na Câmara Municipal de Porto Alegre. Além de utilizarem símbolos nazistas, os negacionistas que invadiram o plenário hoje de forma violenta, praticaram crime de racismo contra mim e as vereadoras Bruna Rodrigues e Laura Sito, afirmando que somo EMPREGADAS delas! É CRIME!”.
Extremistas exibem suástica
Um grupo de extremistas, vestindo roupas verde e amarelo e camisetas das lojas Havan, do bolsonarista Luciano Hang, invadiram a sessão da Câmara Municipal de Porto Alegre (RS), nesta quarta-feira (20), para protestar contra o chamado passaporte da vacina.
Os vereadores votariam a derrubada ou manutenção do veto do prefeito Sebastião Melo (MDB) sobre a medida que exige comprovante de vacina contra a Covid-19 para acessar determinados estabelecimentos e eventos.
À Fórum, o vereador Leonel Radde (PT) contou que o grupo composto por cerca de 40 pessoas entrou no plenário da Câmara e uma das manifestantes exibiu um cartaz que continha uma suástica nazista, que depois foi repassado a um homem. Ostentar este tipo de símbolo no Brasil é crime.
A exibição do símbolo extremista gerou indignação entre os vereadores, que pediram a expulsão do grupo antivacina. Neste momento parte dos manifestantes começaram a agredir parlamentares com socos e instaurou-se uma confusão generalizada. Um dos vereadores, segundo a jornalista Kelly Matos, chegou a ser mordido.
“Isso gerou indignação (o cartaz com suástica). E aí começou, para tirar o cartaz. Eles vieram agredir os vereadores, não tinha segurança, foi essa a situação”, relatou Radde à Fórum.
Pelas redes sociais, o vereador do PT pediu a identificação e a prisão de quem levantou o cartaz com suástica. “A situação é grave! A pessoa segurando o cartaz com a suástica precisa ser identificada e presa. Absurdo! Antivacs fazendo apologia ao nazismo na Câmara Municipal de Porto Alegre”, escreveu.
Os manifestantes que exibiram a suástica foram expulsos pelos próprios vereadores e a sessão foi retomada. Confira vídeos da confusão aqui.
________________________________________////////////Pandemia: "Fizemos a coisa CERTA desde o PRIMEIRO momento", diz Bolsonaro
O presidente reagiu ao relatório final da CPI e afirmou que a Comissão não produziu nada além de “ódio e rancor”

Dando prosseguimento ao negacionismo que marcou o seu governo desde o início da pandemia, em março de 2020, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou, durante evento na cidade de Russas (CE) que fez tudo certo desde o surgimento do coronavírus.
“Sabemos que não temos culpa de absolutamente nada. Sabemos que fizemos a coisa certa desde o primeiro momento. No momento em que ninguém sabia como tratar aquela doença (Covid), eu tive a coragem de me apresentar para uma possível solução calcada na autonomia do médico brasileiro”, disse o presidente em referência ao tratamento com base na cloroquina.
Porém, o presidente mente ao fazer tal declaração, pois, em abril de 2020, após os primeiros resultados das pesquisas sobre a cloroquina, ficou comprovado que tal medicação era ineficaz contra a Covid e que, em alguns casos, poderia (como levou) pacientes a terem hepatite medicamentosa e à morte.
Ainda assim, no mesmo evento, Bolsonaro voltou a defender o que ele chama de “autonomia médica”. “O médico deve orientar e receitar cada um de vocês, se não tem remédio específico”.
Além disso, o presidente defendeu o Conselho Federal de Medicina (CFM), que respaldou os tratamentos ineficazes contra a Covid. “Segundo o Conselho Federal de Medicina, [o médico] tem a liberdade e o dever de buscar uma alternativa com o paciente e seus familiares”, justificou Bolsonaro.
A CPI da Covid, novamente, foi alvo de ataques do presidente. “A CPI não está fazendo algo de produtivo para o Brasil. Tomaram tempo do nosso ministro da Saúde, de servidores, pessoas humildes e de empresários. Nada produziram, além do ódio e rancor entre alguns de nós”, criticou.
Crimes contra a humanidade
A fala do presidente Bolsonaro em evento no Ceará é a primeira reação contra o relatório final da CPI que o acusou de, entre os vários crimes, crimes contra a humanidade, neste caso, o indiciamento se deu especificamente sobre três casos: o caso de Manaus (AM), onde a população foi feita de cobaia para testar a cloroquina e a “imunização de rebanho”; o caso Prevent Senior; e também o crime contra os povos indígenas.
Momentos antes da leitura do relatório final da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, explicou a retirada do indiciamento por “genocídio” e a inclusão de mais um crime contra a humanidade.
“Nós pacificamos entendimento. Sobretudo com relação a permuta do indiciamento por genocídio contra indígenas, que foi substituído por mais um tipo de indiciamento de crimes contra a humanidade e pela retirada do crime de genocídio em função da sua qualificação e de termos aceitos argumentos técnicos do senador Alessandro Vieira”, revelou.
Questionado sobre a retirada da tipificação por crime de genocídio contra o presidente Bolsonaro, Calheiros afirmou que o tipo de crime foi trocado por mais um indiciamento por Crime contra a humanidade.
“O genocídio não foi retirado, ele foi trocado por mais um indiciamento de crime contra a humanidade. Ele (Bolsonaro) será indiciado por crime contra a humanidade na questão da Prevent Senior, Manaus e agora, também, dos povos indígenas. O que foi retirado foi o crime de homicídio e aproveitei a oportunidade para agravar ainda mais esse crime, qualificá-lo ainda mais, por que estende a sua pena para 30 anos”, explicou.
O relatório final da CPI da Covid pode ser conferido aqui.
________________________________________////////////Talibã decapita jogadora de vôlei e divulga imagens na web
Mahjabin Hakimi era uma das principais jogadoras do time de Cabul e foi executada ao tentar fugir do Afeganistão

A jogadora de vôlei Mahjabin Hakimi foi executada pelo Talibã. De acordo com o jornal The Persian Independent, a atleta foi decapitada pelo grupo fundamentalista que controla o Afeganistão desde julho.
Além disso, o The Persian Independent afirmou que Hakimi foi executada pelos jihadistas no começo de outubro e que o caso não foi divulgado antes por “questões de segurança”.
A atleta era uma das principais jogadora da equipe municipal de Cabul. A confirmação de que as imagens que circulam pelas redes seriam do corpo de Hakimi foi dada pelo portal britânico “Daily Mail”.
O jornal The Persian Independent afirma que Hakimi foi executada pelo fato de ter praticado esportes sem estar vestindo o hijab e também pelo fato de ter origem Hazara, povo da Mongólia que é perseguido pelo Talibã.
Porém, o técnico de Hakimi, Suraya Afzali, apresenta outra versão. Ele declarou que ela foi capturada ao tentar fugir do Afeganistão após o Talibã retomar o poder.
“Todas as jogadoras do time de vôlei e o resto das atletas femininas estão em uma situação péssima e estão desesperadas e vivem com medo”, declarou o técnico ao Mirror.
Na reportagem o The Mirror destaca o fato de que as informações sobre Hakimi estão “desencontradas” e há mais de uma versão sobre as circunstâncias que envolvem a sua decapitação pelo Talibã.
“O Talibã está caçando e executando as pessoas LGBT”
Vivendo na Turquia, Artemis Akbari se juntou com outras pessoas LGBT do Afeganistão e do Irã e hoje fazem militância a partir da Radio Ranginkaman, ferramenta que utilizam para fazer contato com as pessoas LGBT afegãs e iranianas, bem como ajudá-las com dinheiro e a deixar os seus respectivos países.
Quando perguntamos sobre as declarações de líderes do Talibã sore terem mudado e que atualmente “respeitam os direitos humanos”, Artemis foi enfático e afirmou que eles estão mentindo. “Recentemente, um jurista do Talibã deu uma entrevista para um emissora alemã e nessa entrevista ele declarou que existem duas punições para os relacionamentos homossexuais: apedrejamento até a morte ou derrubar um muro em cima da pessoa”, declarou o ativista afegão.
A entrevista com Artemis Akbari pode ser conferida na íntegra aqui.
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Exclusivo: “O Talibã está caçando e executando as pessoas LGBT”, denuncia ativista gay afegão
Em entrevista à Fórum, Artemis Akbari afirma que os membros do Talibã mentem à comunidade Internacional quando dizem que mudaram e que “respeitam os direitos humanos”

Em agosto deste ano, após a saída do exército dos EUA do Afeganistão, o Talibã, em um prazo de quinze dias retomou o poder total no Afeganistão quando, no dia de 16 agosto ocupou o salão presidencial de Cabul, capital afegã.
Inspirados por uma interpretação radical da Sharia, o Talibã se move por uma ideologia teocrática que exclui mulheres da vida social e pune com a morte as pessoas LGBT.
Todavia, os olhares da imprensa, nacional e internacional, se focaram nos jornalistas estrangeiros que estavam no Afeganistão e com o futuro das mulheres, visto que o país voltaria a viver sob um regime teocrático e misógino.
Mas, nada foi dito sobre o futuro da comunidade LGBT sob o domínio de um governo Talibã.
Motivados pela ausência dessa questão, iniciamos uma pesquisa e, entre agosto e setembro fizemos contato com Artemis Akbari, afegão e gay que hoje vive na condição de refugiado na Turquia.
A história de Artemis pode ser contada na perspectiva fronteiriça e de fuga dos regimes islâmicos que, historicamente perseguem e punem com a morte as pessoas LGBT: nascido no Irã e fruto de uma família que fugiu do Afeganistão em 1986, por conta da primeira guerra promovida pelo Talibã, anos mais tarde, Artemis teve, também, que sair do território iraniano, pois, assim como no Afeganistão, a homossexualidade é um crime e um pecado nefando
Vivendo na Turquia, Artemis Akbari se juntou com outras pessoas LGBT do Afeganistão e do Irã e hoje fazem militância a partir da Radio Ranginkaman, ferramenta que utilizam para fazer contato com as pessoas LGBT afegãs e iranianas, bem como ajudá-las com dinheiro e a deixar os seus respectivos países.
Quando perguntamos sobre as declarações de líderes do Talibã sore terem mudado e que atualmente “respeitam os direitos humanos”, Artemis foi enfático e afirmou que eles estão mentindo. “Recentemente, um jurista do Talibã deu uma entrevista para um emissora alemã e nessa entrevista ele declarou que existem duas punições para os relacionamentos homossexuais: apedrejamento até a morte ou derrubar um muro em cima da pessoa”, declarou o ativista afegão.
Fórum – Gostaria que você falasse um pouco sobre você e o trabalho que está fazendo
Artemis Akbari – Meu nome é Artemis Akbari, eu tenho 24 anos e sou um homem gay. Eu nasci no Irã, os meus pais, há 25 anos, fugiram do Afeganistão por causa da guerra com o Talibã e foram para o Irã, onde eu nasci.
Nós éramos refugiados lá, mas a sociedade do Irã e do Afeganistão são as mesmas: ambas são religiosas, ambas são homofóbicas e ambas acreditam no Islã.
No Islã a homossexualidade é um pecado e a punição por lei é a morte.
EU passei por muitas violências por conta da minha orientação sexual, no Irã eles tentaram mudar a minha a orientação sexual, eles tentaram me curar até eu me decidir sair do Irã para viver uma vida livre de violência por causa da minha sexualidade.
Eu vim para a Turquia e aqui eu cadastrei como refugiado e vivo aqui há 4 anos. Na Turquia há muitas comunidades LGBT do Afeganistão e do Irã e eles também vivem como refugiados e eu olhei para eles e vi que tínhamos muitas coisas em comum. Eles também sofreram muita violência, abuso e assédio por causa da orientação sexual.
Diante disso pensei comigo e decidi fazer alguma coisa pela comunidade LGBT afegã e comecei a fazer o meu trabalho na rádio Andrew Cum que é voltada para afegãos e iranianos da comunidade LGBT.
Na rádio nós produzimos conteúdo para a comunidade LGBT dentro do Afeganistão e através da rádio a gente tenta dar voz para a comunidade LGBT afegã. Então, nós apresentamos à sociedade afegã a comunidade LGBT. E eu também estabeleci uma organização LGBT para ajudar e auxiliar as pessoas LGBT dentro do Afeganistão, nós também ajudamos as pessoas LGBT que se refugiam na Turquia, pois há muitos deles que não sabem falar turco, não tem dinheiro, não tem abrigo, não temo onde dormir e nós, através do nosso trabalho, tentamos ajudá-los.
Atualmente nós damos suporte para 35 membros da comunidade LGBT que vivem dentro do Afeganistão, nós providenciamos apoio financeiros para eles que ainda estão dentro do Afeganistão, pois, por causa da guerra recente muitos dos meus amigos no Afeganistão perderam as suas casas, estão morando nas ruas e nós estamos fazendo o nosso melhor para ajudá-los.
Fórum – Qual é a situação das pessoas LGBT no Afeganistão hoje?
Artemis Akbari – Em nossa rádio nós recebemos muitas mensagens da comunidade LGBT que vive no Afeganistão. A maioria das pessoas diz que estão com medo, que não sabem o que vai acontecer com eles no futuro.
Eu tenho muitos amigos transgêneros no Afeganistão e eles não estão saindo de casa porque tem medo do Talibã. Eu tenho uma amiga lésbica que vive no Afeganistão que casou com o seu amigo gay porque o Talibã força as meninas jovens a casar com homens mais velhos e com seus soldados. Diante disso, eles se casaram para se protegerem do Talibã.
Mas, a maioria dos meus amigos estão com medo. Por exemplo, eu tenho um amigo gay que vive na província de Konduz e perdeu a sua casa por causa da guerra e fugiu para Cabul onde vive nas ruas. Ele não tem nenhum abrigo. Nós tentamos ajudá-lo, demos um pouco de dinheiro, mas, mesmo assim ele está em perigo.
A maioria dos meus amigos tentou fugir do Afeganistão, foram para o Aeroporto, tentaram atravessar a fronteira para a Turquia, mas a polícia turca da fronteira prendeu todos eles.
Hoje as pessoas LGBT no Afeganistão não possuem perspectiva para o futuro, pois, se o Talibã descobre que eles são gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais, eles serão executados pelos soldados do Talibã.
Como se sabe, entre os anos de 1996 e 2001 (primeiro governo Talibã) muitos membros da comunidade LGBT foram executados pelo Talibã. Em 1998, na província de Herat eles mataram dois jovens por conta do relacionamento homossexual entre eles. Essa é a punição para as relações entre pessoas do mesmo sexo no regime Talibã.

Fórum – Alguns líderes do Taleban disseram que respeitarão os direitos humanos, podemos acreditar neles?
Artemis Akbari – Recentemente, um jurista do Talibã deu uma entrevista para um emissora alemã e nessa entrevista ele declarou que existem duas punições para os relacionamentos homossexuais: apedrejamento até a morte ou derrubar um muro em cima da pessoa.
Por conta de discursos como esses, a gente pode perceber que eles não mudaram, pois, a ideologia deles continua sendo baseada no Islã… a comunidade LGBT do Afeganistão está, mais do que nunca, em perigo.
Há outra coisa que eu gostaria de falar para você: nos anos recentes o Talibã tem sido muito ativo nas redes sociais. Hoje eles possuem múltiplas contas no Facebook e no Twitter, e eles usam as redes para caçar, achar pessoas da comunidade LGBT para executar.
Por exemplo, há duas semanas eu recebi uma mensagem horrível de um homem gay afegão que vive em Cabul, ele nos relatou que a sua casa foi invadida por soldados do Talibã, pois, um soldado do Talibã fingiu que era gay nas redes sociais. Através do Facebook, esse soldado do Talibã ficou conversando com ele por três semanas fingindo ser gays. Após três semanas de conversas, eles marcaram um encontro. Quando ele chegou no encontro tinha um soldado do Talibã e um amigo dele, e esses dois soldados os estupraram, bateram nele e ainda zombaram “vocês deveriam vir transar com a gente toda hora”.
Isso é horrível, é doloroso.
Enquanto o Talibã tenta mostrar uma cara positiva para o mundo inteiro, dizendo que eles não têm problema nenhum com direitos humanos e com direitos de mulheres, nós que fazemos parte da comunidade LGBT sabemos melhor: eles estão mentindo, estão tentando enganar o mundo.
Fórum – Como as agências internacionais atuam em relação às mulheres e LGBT? Houve algum apoio?
Artemis Akbari – O que eu acho sobre a comunidade internacional em relação à comunidade LGBT? A comunidade internacional está sempre falando sobre tudo: direitos de mulher, estão preocupados com os jornalistas no Afeganistão, tudo, exceto a comunidade LGBT, eles estão debatendo.
Eles dizem estar preocupados com os jornalistas no Afeganistão, mas abandonaram a comunidade LGBT, eles não dão apoio… a comunidade internacional não faz nada pela comunidade LGBT. Existem algumas entidades dentro dos EUA que tentam ajudar as LGBT dentro do Afeganistão, porém, eles ajudam menos que dez pessoas. Eu conversei com uma entidade estadunidense e eles pediram para eu apresentar os meus amigos da comunidade LGBT para eles, eu apresentei mais 100 pessoas membras da comunidade LGBT afegã que querem fugir do Afeganistão e eles ajudaram apenas 15 pessoas. Isso é muito ruim, outros países não fizeram absolutamente nada.
Por exemplo, alguns membros da comunidade LGBT se refugiaram na Turquia e as autoridades da imigração turca se negam a registrá-los como refugiados. Então eles estão lá sem nenhuma documentaçã0, eles não têm visto e estão vivendo aqui (Turquia) ilegalmente. Então, se a polícia turca pegá-los, eles serão deportados para o Afeganistão. Isso é muito cruel, que as autoridades da imigração neguem registrá-los e documentá-los.
Fórum – As pessoas LGBT no Afeganistão estão entregues à sua própria sorte?
Artemis Akbari – As pessoas LGBT no Afeganistão não têm nenhum apoio internacional e eu realmente estou preocupado com o futuro deles, porque aquele juiz da Talibã afirmou: a punição para a homossexualidade é a morte.
Eu já recebi mais de 800 mensagens e comentários na minha página do Instagram de insultos e xingamentos por causa do meu ativismo. Mensagens que apoiam a ideologia do Talibã, eu recebi centenas de mensagens que são ameaças.
E o Twitter, o Instagram e o Facebook não baniram as contas deles. Isso não acontece apenas comigo, muitos dos meus amigos também receberam mensagens parecidas de soldados do Talibã ou de apoiadores.
Por causa disso, a maioria dos meus amigos deletaram as suas contas nas redes sociais, pois eles têm medo do Talibã.
Eu recebi uma mensagem de voz de um homem gay que mora em Cabul dizendo que três dos seus amigos gays foram presos pelo Talibã e ele não sabe se eles estão vivos ou mortos.
Isso é apenas o começo desse tipo de ocorrência, no futuro nós teremos mais casos como esses acontecendo. O passado vai se repetir no futuro, e quando digo história me refiro aos anos de 1986 e 2001, período em que muitos membros da comunidade LGBT foram assassinados pelo Talibã.
Tradução: Ítalo Piva
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"Esquerda lavajatista é a esquerda que a direita e a Globo gostam", diz Marcia Tiburi

247 - A filósofa Marcia Tiburi criticou o voto de parlamentares da oposição contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que ampliaria a composição do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) de 14 para 17 integrantes, sendo cinco indicados ou eleitos pelo Poder Legislativo (atualmente são dois).
"A esquerda lavajatista é a esquerda que a direita e a Globo (et caterva) gostam. Todos ajudam Bolsonaro, Moro e tipos bizarros como esses. Triste de ver até pessoas inteligentes votando contra a PEC 5", escreveu ela no Twitter.
A PEC seria uma forma de conter abusos do Judiciário, principalmente, após as revelações da Vaza Jato a partir de junho de 2019, quando o site Intercept Brasil começou a divulgar diálogos comprovando as irregularidades da Operação Lava Jato.
Outro detalhe é que, segundo o livro da jornalista do Intercept Letícia Duarte sobre a Vaza Jato, a Lava Jato blindou a Globo ao não investigar a relação da emissora com o escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, usado para lavagem de dinheiro. Em troca, a família Marinho fez cobertura favorável à operação.
Sérgio Moro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por causa de parcialidade contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agia como se fosse um assistente de acusação, o que feria a equidistância entre quem julga e quem acusa. Em uma das mensagens, trocadas em 16 de fevereiro de 2016, Moro pergunta se os procuradores têm uma "denúncia sólida o suficiente" contra o petista.
Uma conversa de 28 de abril de 2016 mostra que o então juiz orientou os procuradores a tornar mais robusta uma peça. No diálogo, Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa em Curitiba, avisa à procuradora Laura Tessler que Moro o havia alertado sobre a falta de uma informação na denúncia de um réu — Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobrás.
Confira alguns nomes de parlamentares que votaram contra a proposta:
Alessandro Molon (PSB-RJ),
André Figueiredo (PDT-CE),
Áurea Carolina (PSOL-MG),
Bira do Pindaré (PSB-MA),
Camilo Capiberibe (PSB-AP),
Cássio Andrade (PSB-PA),
Dagoberto Nogueira (PDT-MS),
David Miranda (PSOL-RJ)
Denis Bezerra (PSB-CE)
Eduardo Bismarck (PDT-CE)
Elias Vaz (PSB-GO)
Emidinho Madeira (PSB-MG)
Fábio Henrique (PDT-SE)
Felipe Rigoni (PSB-ES)
FernandaMelchionna (PSOL-RS)
Flávia Morais (PDT-GO)
Gervásio Maia (PSB-PB)
Glauber Braga (PSOL-RJ)
Gustavo Fruet (PDT-PR)
Heitor Schuch (PSB-RS)
Jefferson Campos (PSB-SP)
Júlio Delgado (PSB-MG)
Luiza Erundina (PSOL-SP)
Marcelo Freixo (PSB-RJ)
Mauro Nazif (PSB-RO)
Paulo Ramos (PDT-RJ)
Pompeo de Mattos (PDT-RS)
Robério Monteiro (PDT-CE)
Rodrigo Agostinho (PSB-SP)
Rodrigo Coelho (PSB-SC)
Rosana Valle (PSB-SP)
Silvia Cristina (PDT-RO)
SubtenenteGonzaga (PDT-MG)
Túlio Gadêlha (PDT-PE)
Vivi Reis (PSOL-PA)
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Sérgio Camargo se autodenomina como “Black Ustra” e diz: “vou torturar sim”

247 - Afastado da gestão da Fundação Palmares, por decisão da Justiça do Trabalho desde 11 de outubro, o presidente Sérgio Carmargo debochou da medida e se intitulou como “Black Ustra”, numa referência ao torturador coronel Carlos Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi e um dos principais artífices do processo de tortura a opositores conduzido durante o período da ditadura militar.
Sérgio foi afastado após acusações de promover assédio moral, perseguição ideológica e discriminação. Além disso, ele não tem respeitado a decisão que proíbe qualquer postagem de conteúdo intimidatório ou vexatório contra servidores e ex-servidores e representantes da Justiça nas redes sociais.
Nesta quinta (21), ele usou a sua página nas redes sociais para se autodenominar como “Black Ustra”, mas depois deletou a mensagem.
“Vou torturar sim, já que não posso nomear. Black Ustra”, escreveu ele, se referindo à decisão que o proíbe de nomear, transferir, demitir, afastar ou contratar servidores públicos da Palmares, incluindo comissionados, civis, militares ou cedidos à instituição.
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Editorial do El País espanhol diz que o tempo deu razão a Lula

247 - Editorial do El País espanhol desta quinta-feira (21) afirma que "o tempo provou que Lula estava certo". O texto relata que Lula tinha razão quando se dizia inocente e vítima de uma perseguição judicial por meio da Lava Jato, capitaneada pelo ex-juiz Sergio Moro, declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e pelo ex-chefe da força-tarefa Deltan Dallagnol.
"O tempo está provando que Lula estava certo em dois aspectos: ele sempre proclamou sua inocência e sua confiança na Justiça brasileira. E sempre se considerou vítima de perseguição judicial no âmbito da operação Lava Jato. Especificamente, Lula denunciou ser prisioneiro do juiz Moro, cuja atuação parcial foi demonstrada por seus pares", diz o jornal.
O veículo ainda destaca o favoritismo de Lula para a eleição presidencial de 2022, mas diz que o petista precisará "girar bem" para conseguir o apoio necessário para transformar seu favoritismo em votos. "O líder do PT lidera as urnas com facilidade", diz o editorial, "mas é improvável que os votos da esquerda sozinhos" consigam derrotar Jair Bolsonaro. "Muitos brasileiros se arrependeram de ter votado no militar aposentado, mas isso não significa vontade de apoiar o Partido dos Trabalhadores dentro de um ano, embora o ódio a Lula e seu partido perca força à medida que avança o antibolsonarismo. Lula, que ao longo de sua carreira tem se mostrado um bom estrategista, terá que girar bem para construir uma coalizão que dilua a rejeição que ainda desperta e reúna forças para transformar a presidência do populista de extrema direita Jair Bolsonaro em um pesadelo passageiro".
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Voto de Freixo contra a PEC 5 é a segunda prisão ilegal de Lula - Ricardo Bruno
Por Ricardo Bruno

O deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ) está devendo aos seus futuros eleitores uma explicação sobre o voto que deu ontem, no plenário da Câmara, contra a PEC n° 5. Pela maneira como agiu, aliando-se com seu voto a procuradores desonestos e a juízes facciosos e partidarizados, o que Freixo fez, moralmente, foi absolver a Lava Jato de todas as barbaridades que comprovadamente cometeu, e oferecer proteção a todos os abusos que têm sido cometidos pelo ministério público, que está isento de qualquer questionamento pela sociedade civil.
A PEC ampliava o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) com o objetivo de reduzir o excessivo de corporativismo da instituição que, embora tenha o dever de coibir abusos cometidos por procuradores, exerce esta função com má vontade e apenas excepcionalmente.
Muitos procuradores, sobretudo muitos procuradores da República, atuam com absoluta impunidade, não se sentem na obrigação de prestar contas à sociedade, e conquistaram superpoderes que os eximem de zelar pelo amplo direito de defesa e o contraditório em suas investigações.
Foi graças ao privilégio de não precisar prestar contas de suas ações à sociedade que o MP sustentou, em conluio com o então juiz Sérgio Moro, em Curitiba, e Marcelo Bretas, no Rio, investigações carregadas de ilegalidades e abusos processuais, em desrespeito ao direito de defesa dos acusados e em aliança espúria com a mídia, que apoiava os excessos e fazia uso de vazamentos ilegais para atuar como instância condenatória prévia.
Um dos resultados mais notórios e escandalosos da impunidade do ministério público é a condenação sem provas e a prisão ilegal de Luiz Inácio Lula da Silva por 580 dias, só hoje reparada, graças à atuação da imprensa independente, com as denúncias da Vaza Jato, e do Supremo Tribunal Federal, que declarou o juiz Sérgio Moro suspeito e anulou todas as suas sentenças.
Ao ceder seu voto a Deltan Dallagnol e aos demais procuradores da Lava Jato, cuja atuação criminosa foi demonstrada nas reportagens do Intercept e outros veículos de imprensa, e também aos procuradores da Lava Jato no Rio, que têm sido protegidos pelo CNMP, Marcelo Freixo, do ponto de vista moral, condena novamente Lula à prisão ilegal que já roubou quase dois anos de sua vida, o impediu de ser candidato à presidência e, por causa disso, abriu caminho à ascensão do neofacismo ao poder, jogando o Brasil na crise que vive hoje.
Marcelo Freixo deu carta branca ao poder intocável de um ministério público politizado, que muitas vezes é a principal sustentação do lawfare – perseguição judicial e destruição de reputações – praticado no Brasil e em vários países, quase sempre contra políticos e líderes progressistas e de esquerda.
Freixo espera que o PT apoie a sua candidatura ao governo do Rio no ano que vem, e pelo menos até ontem era dado como provável que uma parte do partido defenderia esta aliança. Agora, o pré-candidato do PSB precisa explicar ao PT por que tomou atitude tão insólita. Ao PT e, se tiver condições, ao próprio Lula.
Além de Freixo, vários deputados que se proclamam de esquerda, inclusive do Rio, votaram a favor da impunidade dos procuradores, vale dizer, a favor de seus eventuais abusos, como os cometidos pela Lava Jato e outras operações midiáticas sem sustentação em provas e sem respeito ao amplo direito de defesa.
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Retirada de genocídio no relatório da CPI provoca embate na esquerda | Lauro Jardim - O Globo
Por Amanda Almeida

A retirada da parte do relatório final da CPI da Covid que indiciava Jair Bolsonaro por genocídio indígena gerou um conflito na esquerda.
Inserida na minuta inicial de Renan Calheiros, a previsão provocou discordância entre senadores do colegiado e ameaçou colocar a peça final a pique. Ontem à noite, na casa de Tasso Jereissati, o martelo foi batido e essa parte foi sacada do texto final em busca de um acordo pela aprovação.
O entendimento era de que não havia elementos suficientes para tipificar o crime e isso poderia fragilizar o documento de encerramento da CPI. A essa visão, estavam alinhados o líder da Oposição, Randolfe Rodrigues (Rede), e os petistas Humberto Costa e Rogério Carvalho.
A medida, no entanto, levou os senadores a serem prensados pela opinião pública. E, também, pelos colegas de esquerda, como a deputada federal e líder indígena Joênia Wapichana, do mesmo partido de Randolfe, que agiu para tentar impedir a retirada do crime. Da mesma forma, Guilherme Boulos também entrou no circuito.
No PT, a artilharia veio da própria presidente do partido, Gleisi Hoffmann. Em uma postagem no Facebook, ela atacou:
"Bolsonaro cometeu sim crime de genocídio na pandemia ao defender a imunização de rebanho, remédios sem eficácia e atacar as vacinas. Não é hora da CPI se acovardar e tirar o crime do relatório final."
Minutos depois, apagou a publicação.
Assim com ela, outros parlamentares do partido usaram as redes sociais para pressionar a CPI e os colegas de partido que a integram. Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, por exemplo, escreveu: "É GENOCIDA SIM!!!! Bolsonaro usou sua caneta para vetar durante quase 1 ANO, Lei q garantia a água potável e segurança sanitária aos povos indígenas".
Os ataques criaram um forte desconforto entre os integrantes do colegiado e vão gerar muita roupa suja para lavar.
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Petrobras não atenderá toda a demanda de combustíveis em novembro; mercado teme desabastecimento

Reuters -A Petrobras confirmou que não poderá atender todos os pedidos de fornecimento de combustíveis para novembro, que teriam vindo acima de sua capacidade de produção, acendendo um alerta para distribuidoras, que apontaram para risco de desabastecimento no país.
Em comunicado na véspera, a petroleira afirmou que recebeu uma "demanda atípica" de pedidos de fornecimento de combustíveis para o próximo mês, muito acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção, e que apenas com muita antecedência conseguiria se programar para atendê-los.
A confirmação vem após a Associação das Distribuidoras de Combustíveis Brasilcom - que representa mais de 40 distribuidoras regionais de combustíveis - ter afirmado na semana passada que a petroleira teria avisado diversas associadas sobre "uma série de cortes unilaterais nos pedidos feitos para fornecimento de gasolina e óleo diesel" para novembro.
Para a associação, "as reduções promovidas pela Petrobras, em alguns casos chegando a mais de 50% do volume solicitado para compra, colocam o país em situação de potencial desabastecimento".
Isso porque, segundo a Brasilcom, as empresas não estão conseguindo comprar combustíveis no mercado externo, pois os preços do mercado internacional "estão em patamares bem superiores aos praticados no Brasil".
A Petrobras e o governo federal vêm sofrendo pressões de diversos segmentos da sociedade devido a um avanço expressivo dos preços dos combustíveis no país neste ano, que têm refletido cotações internacionais. Nesse contexto, a petroleira tem reajustado os preços em intervalos maiores nos últimos meses, evitando repassar volatilidades externas.
O Brasil não produz o volume de combustíveis necessário para abastecer o país e depende de importações. A Petrobras, nos últimos anos, vem buscando praticar preços de mercado, para garantir que as compras externas não tragam prejuízos.
PARQUE DE REFINO
A petroleira destacou, no comunicado na noite de segunda-feira, que está operando seu parque de refino com fator de utilização de 90% no acumulado de outubro, contra 79% no primeiro semestre do ano.
Em 2020, o fator de utilização das refinarias também ficou em cerca de 79%, superior ao registrado em 2019 (77%) e 2018 (76%), mesmo considerando paradas programadas nas refinarias Reduc, RPBC, Regap, Rlam, Repar e Revap, que foram postergadas de 2020 para 2021 em função da pandemia.
"Nos últimos anos, o mercado brasileiro de diesel foi abastecido tanto por sua produção, quanto por importações realizadas por distribuidoras, terceiros e pela companhia, que garantiram o atendimento integral da demanda doméstica", disse a Petrobras.
"Para o mês de novembro, a Petrobras recebeu pedidos muito acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção. Apenas com muita antecedência, a Petrobras conseguiria se programar para atender essa demanda atípica", informou.
"Na comparação com novembro de 2019, a demanda dos distribuidores por diesel aumentou 20% e a por gasolina 10%, representando mais de 100% do mercado brasileiro", destacou a petroleira.
A Petrobras frisou ainda, no entanto, que segue atendendo os contratos com as distribuidoras, de acordo com os termos, prazos vigentes e sua capacidade. Além disso, a companhia está maximizando sua produção e entregas, operando com elevada utilização de suas refinarias, afirmou.
SEGURANÇA PARA INVESTIR
O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) reiterou em nota nesta terça-feira sua defesa pelo alinhamento de preços ao mercado internacional e sinalizou que uma clareza sobre o tema é necessária para atrair o investimento de agentes econômicos para a ampliação do parque de refino brasileiro.
"O Brasil é um importador líquido de derivados, quadro que não deve se alterar na próxima década", disse o instituto, que tem em seu quadro de associados as maiores distribuidoras do país Vibra Energia (Ex-BR); Ipiranga, do grupo Ultra; e Raízen, joint venture de Shell com Cosan.
"Sem a percepção clara por parte dos agentes econômicos de que os preços variarão segundo regras de mercado, como ocorre com todas as demais commodities, não há segurança para a ampliação do parque de refino nacional", destacou.
O IBP frisou ainda que o mercado de combustíveis é mundialmente integrado "e é o alinhamento de preços ao mercado internacional, adotado no Brasil desde 2016, que garante a transparência quanto aos preços relativos e dá a sinalização correta aos agentes econômicos para que estes invistam no aumento da oferta e no aprimoramento da logística de distribuição, garantindo o abastecimento nacional".
O consumo de combustíveis, disse o IBP, tem crescido ao longo de 2021 e já alcança patamares pré-pandemia. De janeiro a agosto de 2021, 26% do volume de diesel e 8% da gasolina foram adquiridos no mercado externo, afirmou.
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Não basta só demissão, procuradores têm de ser processados e presos - Jeferson Miola
Por Jeferson Miola

O Conselho Nacional do Ministério Público [CNMP] recomendou a demissão de Diogo Castor de Mattos pela menor das ilicitudes cometidas pelo procurador lavajatista.
A instalação de outdoor elogioso à República de Curitiba, considerada pelo CNMP como violação do dever funcional e improbidade administrativa, está longe de significar o motivo mais grave para a demissão do procurador.
Pesa sobre Diogo Castor de Mattos a suspeita de conflito de interesses nos processos da Lava Jato contra Lula.
Consta que seu irmão Rodrigo Castor de Mattos atuou como advogado na delação forjada dos publicitários João Santana e Mônica Moura para incriminar Lula. Além disso, um primo dos irmãos Castor de Mattos – o subprocurador da República Maurício Gotardo Gerum –, também atuou nos processos contra Lula no TRF4.
O alto comando da autodesignada “força-tarefa” conhecia o conflito de interesses de Diogo Castor de Mattos praticamente desde o início da operação. Mas se acumpliciou e prevaricou.
Conforme noticiou o site CONJUR, ainda em maio de 2015 a delegada da PF Erika Marena manifestou a Deltan Dallagnol a preocupação de “que foi o Diogo quem estava na audiência do Youssef, e na mesma audiência o Youssef falou da Toshiba, e o advogado da Toshiba é o irmão do Diogo…” [aqui]. Entretanto, não foi providenciado seu afastamento por suspeição, como legalmente corresponderia.
A demissão do procurador é o primeiro – porém, tardio – sinal do CNMP de punição de integrantes da Lava Jato, operação que o ministro do STF Gilmar Mendes disse ser “uma organização criminosa. No fundo, um jogo de compadres”.
Esta operação, chefiada pelo ex-juiz Sérgio Moro e organizada em moldes mafiosos, corrompeu o sistema de justiça do Brasil e promoveu a maior corrupção judicial do mundo. A autoproclamada República de Curitiba criou um “ecossistema judicial” clandestino, à parte da lei e da Constituição, no qual seus integrantes tinham liberdade para cometer arbitrariedades e ilícitos e se acobertavam reciprocamente.
É chocante, neste sentido, um diálogo da procuradora Monique Cheker com seus colegas, no qual ela comenta que “Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados. Desde que eu estava no Paraná, em 2008, ele já atuava assim”. A omissão desta procuradora da República em relação à prática contumaz de violação do sistema legal pelo então juiz Sérgio Moro é muito mais grave que uma simples falta funcional.
A demissão de Diogo Castor de Mattos é importante; mas, do ponto de vista da democracia e da justiça, ainda é insuficiente face à gravidade dos atentados perpetrados contra o Estado de Direito.
O desligamento dele do serviço público não extingue a necessidade de apuração de responsabilidades na esfera criminal e, inclusive, a prisão dele e dos demais integrantes da Lava Jato que praticaram ilícitos.
É grande a lista de integrantes do MP, do judiciário e do PF que são passíveis de investigação criminal devido à participação ativa neste que é o maior esquema de corrupção judicial do mundo.
O modus operandi, os desvios funcionais e os crimes praticados estão fartamente documentados nos arquivos apreendidos pela Operação Spoofing e estão registrados nos autos de vários processos que tramitaram em Curitiba.
Deltan Dallagnol, uma espécie de capataz do chefe Sérgio Moro, coleciona uma enormidade de acusações que, entretanto, não seguem o curso devido no âmbito do CNMP. O jurista Lênio Streck denuncia que “o CNMP transferiu o julgamento dele 42 vezes. Isso que é impunidade plus”.
A demissão imediata de procuradores e procuradoras a bem do serviço público é um imperativo para o saneamento do Ministério Público e para a recuperação da imagem da instituição, inexoravelmente maculada pela atuação corrosiva destas figuras abjetas.
Não basta, contudo, só a demissão; procuradores e procuradoras ainda têm de ser processados e presos. O mesmo vale para o juiz-ladrão Sérgio Moro, como o classifica o deputado Glauber Braga/PSOL, e para delegados/as da PF, desembargadores e todos aqueles agentes públicos que corromperam o sistema de justiça do país.
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O atraso da classe dominante brasileira - Roberto Amaral
Por Roberto Amaral

“Por que o Brasil ainda não deu certo?” perguntava-se Darcy Ribeiro, político, antropólogo, ensaísta, conferencista e romancista, homem de grandes paixões, certamente o mais inquieto dos pensadores brasileiros do século passado, e, sem dúvida alguma, um dos mais profícuos e desassombrados intelectuais-militantes que já tivemos. No seu estimulante o povo brasileiro, que começou a escrever no exílio do Uruguai, aquela pergunta, a cuja busca de resposta dedica sua obra madura, é formulada noutros termos, mais avançados, quando se indaga: “Por que, mais uma vez, a classe dominante nos vencia?” (referia-se à vitória do golpe de 1964). Mas então, como se vê, a própria pergunta já trazia consigo a resposta, na indicação de nossa tragédia histórica como resultado do controle do poder por uma gente medíocre, perversa, anti-nacional, alienada e forânea. Gente muito bem representada, aliás, pelos comensais do regabofe na mansão do especulador Naji Nahas, responsável pela quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, com o qual a casa-grande com seus procuradores (empresários, jornalistas, políticos, advogados) comemorou o acordo inter-elite que, a pretexto de afastar as ameaças de golpe iminente, anunciado no dia 7 de setembro, assegurou ao capitão Bolsonaro a inviabilização do impeachment e a impunidade de seus filhos. Fora o que não se conhece. Como sempre, os acordos se amarram no andar de cima da hierarquia mandante para observação de todo o povo; desta vez o pacto foi traficado com militares, parlamentares e ministros do STF, tendo como costureiro e escrivão o inefável ex-presidente Michel Temer, advogado com vasta experiência nas Docas de Santos.
A classe dominante brasileira é uma das mais longevas do mundo, porque competente na preservação do mando político-econômico, o mesmo desde a colônia, imune como se mostra a transformações sociais, políticas e econômicas. Seu poder foi regado no escravismo e sobreviveria com a abolição e o trabalho assalariado, mediante as mais variadas formas de exploração; projeção dos interesses reinóis, sobrevive na independência, e no império transitou do domínio português para o serviço do colonialismo britânico. Hoje é agente subalterno dos EUA. O país caminha do agrarismo à industrialização no século 20, da vida rural ao urbanismo; conhece insurgências de toda ordem, e em todas elas o povo é massacrado; desfaz-se da monarquia anacrônica, a última do continente, e adota a peculiar forma republicana de governo sem povo, de democracia juncada de golpes de Estado e ditaduras. Os antagonismos se resolvem na conciliação, sob o comando da classe dominante, que não permite reformas de fato. Seu objetivo, lembrava José Honório Rodrigues, foi sempre acomodar as divergências dos grupos hegemônicos e jamais conceder benefícios ao povo, posto de lado, capado e recapado de seu papel de sujeito histórico, como escreveu Capistrano de Abreu.
O país conheceu momentos de turbulência e momentos de progresso e expansão capitalista. Há quarenta anos convive com a estagnação econômica, de par com desindustrialização e brutal concentração de renda. O poder da casa-grande, porém, mais se fortalece. O país exportador de açúcar e algodão, na colônia, enriqueceu a oligarquia paulista na república com as exportações de café a preços subsidiados pelo resto do país; hoje exporta grãos e minério in natura, além de cientistas e pesquisadores, aos quais nega emprego, após investir em sua formação. Aos trancos e barrancos, o Brasil se modernizou e hoje é uma das dez principais potências do mundo, sem haver combatido as desigualdades sociais, o que revela o projeto de sociedade que nos governa. Em 500 anos de construção histórica, nada ameaçou a classe dominante, impávida, insensível, intocada, reproduzindo o mando da velha casa-grande, na colônia e na república, o poder da terra e do capital concentrado, financeirizado, globalizado.
Em 1930 comandou uma “revolução” que não arranharia a ordem social e econômica; um de seus líderes, o governador mineiro Antonio Carlos de Andrada, proclamava: “Façamos a revolução antes que o povo a faça”. Modernizando o país a partir de uma ditadura (o “Estado novo”), o movimento de 1930 fortaleceu a ordem capitalista, e a “elite” econômica conservou o mando que não admite concessões à emergência de interesses nacionais ou populares. Talvez, nesse processo histórico, estejamos próximos de encontrar explicação para o atraso da burguesia aqui vivente (e daí o atraso do país “que não dá certo”): sendo brasileira, não é nacional, pois jamais se conciliou, seja com os interesses da nação, seja com os interesses de seu povo; não tendo sido, jamais, progressista, nunca se conflitou com a aristocracia feudal, nem conheceu a menor contradição com os interesses do imperialismo, do qual desde cedo se fez sócia menor. A contradição capital nacional versus imperialismo se resolveu numa composição de interesses.
Para essa burguesia, o povo é um incômodo e qualquer sorte de projeto nacional um anacronismo.
Essas observações me chegam com a leitura de entrevista concedida ao Estadão (16/10/2021) pelo presidente do conglomerado controlador do banco Itaú e uma série de outras empresas. O banqueiro pede mais reforma trabalhista; não está satisfeito com os direitos já surrupiados dos trabalhadores. Quer mais abertura econômica, mais privatizações, defende o aumento de juros, embora saiba que não sofremos de inflação de demanda. É calorosamente contra o impeachment de Bolsonaro. Com o mesmo entusiasmo se diz eleitor de João Doria, que considera “um grande gestor público”, injustiçado pela avaliação popular. A entrevista é longa. Nenhuma palavra lhe ocorreu, porém, sobre o desemprego, que atinge 14,7% da população ativa do país. Nada sobre a carestia que maltrata a população brasileira: a cesta básica passa de 60% do salário mínimo, e 50% da população brasileira com mais de 16 anos mora em residência cuja receita não ultrapassa um salário-mínimo. O endividamento das pessoas representa 59,9% da renda média nacional, o pior resultado desde 2005, quando o indicador começou a ser apurado. Pelo menos 110 milhões de brasileiros convivem com algum grau de insegurança alimentar (dados de 2020).
Nenhuma palavra sobre as mais de 603 mil vidas levadas pela pandemia.
Muitas palavras, porém, para defender uma alternativa a Bolsonaro que não seja Lula. O sr. Alfredo Setúbal não é um ponto fora da curva, pelo contrário: suas opiniões, sua visão de mundo e de Brasil refletem o pensamento da atrasada classe dominante brasileira.
Há algumas poucas semanas, um analista da política visitou as praças do Rio de Janeiro e São Paulo para conhecer a visão do grande empresariado sobre o quadro político brasileiro e as expectativas para 2022, delineadas a partir das pesquisas de opinião, fartamente divulgadas pela imprensa. De suas entrevistas colheu a manifesta rejeição à candidatura do ex-presidente Lula, a mesma rejeição que a grande oficialidade não cuida de disfarçar. É essa gente desapartada do país e do povo que dita o ritmo da política e economia. É com ela, portanto, que Lula terá de sentar para discutir um pacto de governabilidade, se conseguir se eleger mais uma vez. Não será fácil; Dilma não conseguiu.
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Moscou impõe novas restrições da Covid-19 em meio a recorde de mortes na Rússia

(Reuters) - O prefeito de Moscou anunciou nesta terça-feira uma restrição de quatro meses para pessoas com mais de 60 anos não vacinadas, que devem ficar em casa, e o governo russo propôs o fechamento por uma semana dos locais de trabalho, conforme a Rússia atinge mais um recorde no número de mortes diárias por Covid-19.
As medidas refletem um senso crescente de urgência por parte das autoridades, que vêm enfrentando um rápido aumento no número de casos e a relutância pública generalizada em tomar a vacina de fabricação russa Sputnik V contra o coronavírus.
Moscou, uma cidade de 12,7 milhões de habitantes, pediu às pessoas com mais de 60 anos que fiquem em casa por quatro meses a partir de 25 de outubro, a menos que estejam vacinadas ou tenham se recuperado da Covid-19, e que as empresas mantenham pelo menos 30% de seus funcionários trabalhando de forma remota.
"O número de pessoas hospitalizadas com a forma grave da doença está aumentando a cada dia", escreveu o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, em seu site.
"O mais alarmante é a situação da infecção por Covid-19 entre a geração mais velha", acrescentou, dizendo que adultos acima dos 60 anos respondem por 60% dos pacientes, quase 80% das pessoas em ventilação e 86% das mortes.
As novas regras foram anunciadas horas depois de a Rússia registrar 1.015 mortes relacionadas ao coronavírus, o maior número diário desde o início da pandemia, além de 33.740 novos casos nas últimas 24 horas.
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Ao criticar Globo, Cynara lembra que Merval e Miriam Leitão já chamaram Bolsonaro de genocida

247 - A jornalista Cynara Menezes lembrou, em artigo publicado no portal Socialista Morena, que Merval Pereira e Miriam Leitão já defenderam o uso do termo ‘genocida’ contra Bolsonaro, ao lembrar que, nesta terça-feira, 19, O Globo disse, em editorial, que é "um abuso" o relatório da CPI acusá-lo de "genocídio".
Confira o texto na íntegra:
Trégua? O jornal O Globo partiu em defesa do presidente Jair Bolsonaro em editorial publicado nesta terça-feira, 19 de outubro, intitulado: É um abuso acusar Bolsonaro de genocídio. Segundo o diário da família Marinho, mesmo reconhecendo a responsabilidade do governo federal nas “centenas de mortes” de indígenas, o termo não pode ser aplicado ao presidente no relatório da CPI da Covid-19.
“No caso dos indígenas brasileiros, parece claro que a omissão criminosa do governo durante a pandemia foi responsável por centenas de mortes, resultantes da falta de vacinas, da insistência em tratamentos ineficazes, da resistência a combater as invasões e o desmatamento que introduziram o vírus em suas comunidades”, defende o jornal, para quem o relator da CPI, Renan Calheiros, utiliza o termo por “interesse político”.
“Todos esses crimes devem obviamente ser punidos com o maior rigor possível. Mas nenhum deles foi cometido especificamente contra os indígenas. Nem está comprovado que o governo teve a ‘intenção de destruir, no todo ou em parte’ qualquer grupo étnico específico. Não se trata, portanto, de genocídio. O abuso da palavra só contribui para esvaziar seu sentido.”
Curiosamente, há menos de um mês, um dos principais colunistas do jornal, Merval Pereira, praticamente um porta-voz da família Marinho, disse exatamente o contrário. “O que era um exagero de retórica política, chamá-lo de genocida, passou a ser uma acusação baseada em fatos e apoiada por uma comissão de juristas, pois os experimentos médicos feitos sob inspiração do governo estão comprovados, como no depoimento do diretor-presidente da Prevent Senior”, opinou Merval.
Em março deste ano, outra colunista simbiótica com as organizações Globo, Miriam Leitão, também havia defendido, com ênfase, o uso do termo contra Bolsonaro, no texto A palavra que habita em nós. “Genocídio. Por que a palavra ficou tão presente na vida brasileira? Porque ela é usada quando um povo está morrendo. Nós estamos morrendo. Todas as outras palavras parecem pálidas”, escreveu Miriam.
“Prisioneiros de uma armadilha institucional e trágica, os brasileiros morrem diariamente aos milhares. Os remédios usados no tratamento extremo, a intubação, estão acabando, e o país está numa macabra contagem regressiva de quantos dias durarão os estoques. O que acontecerá se os medicamentos acabarem antes de serem repostos? Seremos intubados sem sedativos ou sufocaremos? Nós não estamos apenas morrendo. Caminhamos para morrer em maior número e de maneira mais cruel. Que nome deve ser usado? Genocídio.”
Continuou Miriam: “A palavra habita nossas mentes porque estamos vendo os fatos, temos consciência do destino. Objetivamente, é a única que temos para descrever os eventos deste tempo. Quem se ofende com ela, se fosse pessoa com sentimentos humanos, teria reagido para evitar a tragédia. (…) O presidente adotou conscientemente o caminho de nos levar para esta exposição máxima ao vírus porque desta forma se chegaria, na cabeça dele, ao fim da pandemia. O caminho está errado sob todos os pontos de vista: médico, científico, humano. Ele está nos levando para a morte. Qual é a palavra exata? Genocídio”.
Merval Pereira e Miriam Leitão também se moveram por interesses políticos ao chamarem Bolsonaro de “genocida”, como o jornal acusa Renan de fazer? Ou mudou algo nas organizações Globo em relação a Bolsonaro?
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"Eduardo Leite é burro, mentiroso ou os dois", diz Felipe Neto

247 - O youtuber Felipe Neto criticou o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), nesta terça-feira, 19, por afirmar que “era imprevisível o que viria pela frente” ao apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro. “Ou é burro, ou mentiroso. Ou os dois”, afirmou o youtuber.
Em debate nas prévias do PSDB, Leite destacou não era possível imaginar o que aconteceria quando escolheu votar em Jair Bolsonaro no segundo turno da disputa presidencial.
"Naquelas condições, naquele contexto, naquele plebiscito que é uma eleição de segundo turno, (de disputa de) um projeto político que já tinha sido desastroso para o Brasil de eliminação de empregos, de recessão econômica, e um outro que tinha muitas críticas que eu fiz no processo eleitoral, eu não aderi, eu não abracei o candidato Jair Bolsonaro. Eu não fui atrás dele pra tirar foto, eu não tentei associar minha campanha à dele. Fiz as minhas críticas, mostrei as minhas diferenças. Mesmo assim não sabíamos que viria a pandemia, em que a falta de humanidade, de sensibilidade, custariam tantas vidas como estão custando, inclusive economicamente. Aí está o erro (da escolha em Bolsonaro). Mas era imprevisível o que viria pela frente. A gente sabia o que era o passado de cada um deles", afirmou.
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Genocídio brasileiro - Marcelo Uchôa

Por Marcelo Uchôa
A CPI da Covid-19 chega ao seu final e a sociedade brasileira só tem a agradecer aos seus trabalhos. Graças a eles, brasileiras e brasileiros passaram a compreender, de maneira insofismável, que a negação do governo federal à pandemia não era apenas uma ideia calcada em má informação, tratava-se de estratégia pensada meticulosamente para lucrar, ora com a produção e a distribuição de remédios ineficazes contra a doença, ora com a administração de vacinas (algumas das quais incontroversas) adquiridas a preços superfaturados, ora com lobbies de segmentos corporativos da área médica, todas as hipóteses para contemplar um só desejo de enriquecer em rios de corrupção viabilizados morbidamente sobre a dor e o sofrimento da população.
A Comissão foi pródiga em mostrar que a empatia não é o forte dos que tocam a saúde nacional, menos ainda do presidente da República, para quem tanto faz se dezenas ou centenas de milhares de pessoas morrem em decorrência de seu mau exemplo pessoal, da sua incessante estratégia de desinformação ou das futricas políticas que alimenta contra todos que, opondo-se ao estado de absurdo, tentam levar à sério o grave desafio de salvar vidas durante o maior colapso da saúde mundial em décadas. Não por acaso será provavelmente indiciado em múltiplos crimes do Código Penal: epidemia por propagação de germes patogênicos com resultado em morte (art. 267); infração de medida sanitária preventiva destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa (art. 268); charlatanismo (art. 283); perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132); incitação ao crime (art. 286); homicídio qualificado (art. 121); homicídio por omissão (art. 121 c/c Art. 13, § 2º; 8); lesão corporal grave (art. 129); idem, por omissão; falsificação de documento público e particular (arts. 297 e 298), 11); emprego irregular de verba pública (art. 315); prevaricação (art. 319), sem falar em crimes de responsabilidade por afronta a diversos incisos do art. 85 da Constituição, os quais envolvem crimes praticados contra a probidade, a administração em geral e a ordem pública.
Somadas, as penas excederiam a 30 anos de prisão. Parece muito, mas é pouco. Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, subnotificações à parte, a pandemia no Brasil já repercutiu, até o presente momento (18/10), em 603.465 óbitos, 21.651.910 casos, o que correspondem a, aproximadamente, 14% e 10% dos números mundiais, absurdo se for considerado que o país não detém sequer 3% da população do Planeta. Pior ainda, se for lembrado que o Brasil teve condições efetivas de ser uma das primeiras nações do mundo a iniciar uma estratégia de vacinação, o que não aconteceu devido à perversidade manifesta do governo federal. Em resumo, todas as penas citadas, mais um impeachment e qualquer indenização pensada, não seriam suficientes para sancionar adequadamente a hecatombe promovida pelo presidente brasileiro, situação que também não compensaria a crueldade protagonizada por sua rede de asseclas, dentro e fora do governo.
A história passada no país precisa ser levada ao conhecimento do mundo. É no banco dos réus do Tribunal Penal Internacional que os psicopatas nacionais precisam responder por seus crimes. O morticínio brasileiro não foi obra do acaso, um joguete atroz do destino. Foi uma hipótese abominavelmente racionalizada. Foi crime contra a humanidade, foi genocídio.
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Diabetes, depressão, asma: conheça o exercício ideal para tratar doenças
Marcia Di Domenico
Colaboração para VivaBem
01/09/2021 04h00
São tantos os benefícios que a prática regular de atividade física traz à saúde e ao bem-estar, que de uns anos para cá passou a fazer parte dos protocolos de prevenção e tratamento de doenças em praticamente todas as especialidades médicas.
A recomendação do American College of Sports Medicine, entidade norte-americana referência em medicina esportiva, é de pelo menos 60 minutos de exercício moderado ou 30 minutos em alta intensidade por dia, cinco vezes por semana, de preferência distribuídos em exercícios de força, flexibilidade e mobilidade.
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Da cabeça aos pés: entenda por que o exercício é bom para o corpo todo
Entre os profissionais de saúde, o consenso é de que a melhor atividade física é aquele que a pessoa faz com prazer e, assim, consegue manter a regularidade.
Quando há doenças instaladas, porém, vale saber que alguns treinos oferecem mais benefícios do que outros, assim como é preciso ficar de olho na intensidade da prática de certas modalidades por segurança. Saiba mais a seguir.
Osteoporose: musculação, treinamento funcional, caminhada

A osteoporose se dá pela perda progressiva de massa óssea, o que torna os ossos mais frágeis e, com isso, sujeitos a fratura mesmo diante de traumas leves. Tanto homens quanto mulheres podem desenvolver a doença, já que os hormônios testosterona e estrogênio, que têm papel importante na proteção dos ossos, têm sua produção reduzida após os 50 anos.
Nas mulheres, por conta da menopausa, essa queda hormonal é mais abrupta, o que faz com que elas sejam a maioria das acometidas —no Brasil, uma em cada três mulheres nessa faixa etária têm osteoporose, de acordo com dados da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).
Treinos de fortalecimento, como funcional e musculação, são os mais adequados. A tensão muscular gerada favorece a manutenção da massa óssea, o que ajuda a prevenir o avanço da doença; e o ganho de massa muscular melhora o suporte e a proteção a ossos e articulações.
Vale incluir no treino movimentos para desenvolver reflexo e equilíbrio, diminuindo assim o risco de sofrer quedas, que podem ser fatais em pacientes com osteoporose.
Modalidades de impacto, como caminhada, corrida, basquete e vôlei também são indicadas —o impacto aumenta a fixação de cálcio nos ossos—, mas é importante avaliar o estágio da doença para realizar o exercício de forma segura, já que essas aulas oferecem risco de queda.
Depressão: atividades em grupo

Em princípio, todo e qualquer exercício é positivo para controlar a depressão, já que atividades físicas em geral estimulam a liberação de serotonina e endorfinas, hormônios ligados à sensação de prazer e bem-estar e normalmente em baixa em pacientes com a doença.
Modalidades coletivas, seja um esporte em equipe, uma aula de dança ou uma corrida em grupo, podem ser benéficas por promoverem a socialização, trabalharem o aspecto lúdico, criarem um senso de compromisso e aumentarem a motivação para frequentar as sessões.
Treinos que envolvam desafios e competição, como crossfit, corrida e triatlo, podem ajudar pelo viés da superação. Se há excesso de peso ou obesidade associada, aulas aeróbicas podem ajudar bastante no processo de emagrecimento e, com isso, no resgate da autoimagem positiva e da autoestima.
O mais importante no caso de quem tem depressão é encontrar uma ou mais atividades que deem prazer, pois assim há menos chance de cair em monotonia e fica mais fácil manter a aderência às aulas.
Asma: natação, ciclismo, corrida

A asma é a inflamação crônica das vias aéreas inferiores, o que dificulta o fluxo de ar até os pulmões e leva a falta de ar, respiração ofegante, tosse e chiado no peito.
É comum pensar na natação como o melhor exercício para quem tem a doença, mas não é o único. A modalidade é mesmo boa porque trabalha bastante o ritmo respiratório, o que ajuda a fortalecer a musculatura responsável pela respiração (diafragma) e melhorar a capacidade pulmonar.
Outras atividades aeróbicas, como pedalar e correr, oferecem o mesmo benefício. É importante respeitar os limites do corpo e buscar treinar em um nível de esforço confortável, que não leve a um cansaço extremo nem deixe a pessoa ofegante, o que pode desencadear crises. Ioga e pilates são outras boas opções, pois também trabalham a respiração.
Hipertensão: aeróbicos

Exercícios são antídoto tanto para prevenir quanto para tratar a pressão alta. Quando a doença já está instalada, é ainda mais importante que sejam feitos com orientação profissional e na intensidade adequada, normalmente moderada. Bons exemplos de exercícios aeróbicos são corrida, caminhada, pular corda, dançar e pedalar.
Treinos muito puxados podem forçar o coração a bombear o sangue com mais força ou mais rapidamente, colocando mais pressão nas artérias. O mesmo vale para exercícios que façam a pessoa prender a respiração (como movimentos com muita carga na musculação), que também devem ser evitados.
Diabetes: aeróbico + musculação

A diabetes é uma doença crônica em que o corpo não produz insulina ou não consegue utilizar adequadamente a insulina que fabrica. A função desse hormônio é levar a glicose para dentro das células para que seja utilizada como combustível para as atividades do organismo; sem insulina, o açúcar no sangue fica alto (hiperglicemia) ou acaba armazenado na forma de gordura.
A combinação de exercícios resistidos (musculação, funcional, pilates) e de cárdio (caminhar, pedalar, correr, nadar, dançar) é o ideal para controlar a diabetes, e pode até reduzir ou dispensar o uso de medicamentos, dependendo do caso e desde que com acompanhamento médico.
Enquanto a musculação estimula a produção de uma proteína que otimiza a captação de açúcar da corrente sanguínea para dentro dos músculos, os aeróbicos, que demandam energia imediata, baixam o nível de glicose de maneira rápida. Como também trabalham o sistema cardiovascular, os aeróbicos ainda ajudam a reduzir a pressão arterial e o colesterol e ajudam a emagrecer, necessidades comuns principalmente no caso de diabetes tipo 2.
Sarcopenia: musculação, pilates, funcional

Perder massa muscular é um processo natural do envelhecimento, que pode ser acelerado por hábitos nocivos como sedentarismo e alimentação ruim. Quando a perda de músculos passa a ser limitante, gerando prejuízo de força, mobilidade, equilíbrio e coordenação motora, o quadro pode ser de sarcopenia, que merece atenção de adultos a partir dos 40 anos, já que a degeneração é progressiva e os sintomas podem demorar para aparecer.
Treinos que vão levar ao ganho de força, como musculação e funcional, são os mais indicados e devem incluir os grandes grupos musculares —tronco, membros superiores e inferiores.
Também é importante praticar exercícios de flexibilidade, que vão alongar a musculatura encurtada pela falta de movimento, e de mobilidade, que vão envolver as articulações e ajudar a recuperar a coordenação, a amplitude de movimento, o controle da execução correta dos movimentos e, mais importante, a capacidade funcional.
Exercício é remédio
Essa reportagem faz parte da campanha de VivaBem Exercício É Remédio, que quer ressaltar a importância da atividade física para a saúde e dar dicas e ideias para combater o sedentarismo.
Os conteúdos abordam a importância da atividade física para prevenir e tratar doenças, os sinais que o seu corpo dá quando você não se mexe o suficiente, dicas para tornar o exercício um hábito, além de descobrir qual mais combina com você, cuidados essenciais para começar a se movimentar, inclusive na terceira idade e relatos inspiradores de pessoas que trataram questões sérias de saúde com atividade física. Mas tem muito mais. Confira todo o conteúdo da campanha aqui.
Essa é a terceira campanha de uma série de VivaBem que tem trazido conteúdos temáticos para auxiliar no combate a problemas que muitas pessoas enfrentam no dia a dia e contribuir para que você tenha mais saúde e bem-estar.
A primeira foi Supere a Depressão Pós-Parto, realizada em março; e a segunda foi Tenha Uma Boca Saudável, em junho.
Fontes: Arthur Feltrin, médico pneumologista do Hospital Vila Nova Star (SP); Ebert Barbosa, educador físico especializado em treinamento de força pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e personal trainer da Bodytech Tirol (RN); Karina Hatano, médica do check-up esportivo do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); e Páblius Staduto Braga, médico do esporte do Hospital Nove de Julho (SP).
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Opinião: Nina Lemos - Homens de 'A Fazenda' são tóxicos, mas haters miram mulheres. Por que será?


Nina Lemos
Colunista do UOL
19/10/2021 13h33
Essa edição do programa "A Fazenda" vem batendo recordes de toxicidade masculina. Já teve um homem expulso acusado de estupro (Nego do Borel) e praticamente toda semana há um cara dando declarações machistas e homofóbicas.
Entre os destaques do horror: Solange Gomes foi chamada de "velha coroca" por Rico Melquiades. Erasmo, um dos mais machistas, disse que mulher precisa "se dar o respeito". E por aí vai. É curioso, mas, mesmo com tanta toxicidade por parte dos homens, nas redes sociais, os maiores ataques são contra mulheres.
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Semana passada, a equipe de Tati Quebra Barraco alertou que a cantora vinha sofrendo ataques racistas. A crueldade é tamanha que a maior tragédia de sua vida tem sido usada contra ela. Tati perdeu um filho de 19 anos durante uma operação policial em 2016. E, sim, estão usando esse fato terrível para atacá-la. Um horror.
Enquanto Tati é vítima de racismo, Solange Gomes, de etarismo (preconceito contra a idade). Na terça-feira, Solange, de 47 anos, era chamada de velha no Twitter. "Essa Solange é uma velha chata do c*!" ou "Essa velha precisa parar de se vitimizar" eram alguns dos comentários. A família da bailarina já disse que está preocupada, já que ela vem recebendo ameaças online.
As torcidas de realities shows costumam ser muito apaixonadas e alguns participantes que não caem no gosto do público apanham bastante nas redes sociais. Mas, no caso, as três personagens mais atacadas nem são as campeãs em rejeição.
Pelo jeito, não são as atitudes delas no programa que fazem com que sejam tão atacadas, mas o racismo e o machismo mesmo. E, ao que parece, isso não é só uma impressão que nós, brasileiros, temos quando acompanhamos o desenrolar de realities.
Uma pesquisa feita na Inglaterra e divulgada essa semana pelo jornal "The Guardian" concluiu que mulheres que participam de reality shows são atacadas nas redes de forma diferente dos homens.
O estudo analisou postagens referentes aos programas "Love Island" e "Love of the First Sight" e levantou que 26% das postagens que se referiam às mulheres participantes do programa eram abusivos. No caso dos homens, o número caiu para 14%. Os pesquisadores perceberam que as postagens sobre mulheres tinham não só críticas, mas ataques violentos e ameaças. O quadro piora no caso de postagens contra mulheres negras. O ódio vem com tudo.
Eles perceberam também que muitos dos posts tratam as mulheres como instáveis mentalmente, vulneráveis emocionalmente, diabólicas, falsas e chatas. Se você der uma olhada nos comentários sobre participantes de realities em redes sociais, vai perceber que a pesquisa faz muito sentido. É comum que nos realities (e também na vida real) mulheres sejam chamadas de loucas, de chatas, e de falsas. E muitos desses comentários são feitos por mulheres, que nem percebem o preconceito que estão reproduzindo.
Enquanto isso, os homens abusivos, machistas e preconceituosos dos programas de TV costumam ficar de boa. Não estou dizendo que algum participante de um reality show (ou qualquer pessoa) mereça receber ameaças e ataques de ódio. Ninguém deveria passar por isso. Apavorante é ver que o mesmo padrão se reproduz a cada edição de algum reality: o ódio sempre sobra para as mulheres.
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Autora de 'Sex and the City' diz que série não era 'muito feminista'
De Universa
19/10/2021 12h05
Exibida entre 1998 e 2004, a série "Sex and the City" ainda é um dos programas mais lembrados e queridos da televisão americana —tanto é que, neste ano, ganhará uma sequência, com estreia prevista para dezembro na HBO Max. Um dos segredos do sucesso foi trazer, pela primeira vez para um grande público, a discussão sobre independência feminina e liberdade sexual.
Mas Candance Bushnell, a autora do livro que deu origem aos episódios estrelados pela personagem Carrie Bradshaw, não tem a mesma impressão sobre o programa. Em entrevista ao jornal "New York Post" ela disse que, ao contrário de muitos fãs atuais, não considera a série feminista, principalmente pelas incessantes tentativas de Carrie de ficar com seu namorado ioiô, Mr. Big.
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"A realidade é que encontrar um cara talvez não seja a melhor escolha econômica a longo prazo. Os homens podem ser muito perigosos para as mulheres de muitas maneiras diferentes. Nunca falamos sobre isso, mas é algo em que as mulheres precisam pensar: você consegue fazer muito menos quando tem que confiar em um homem", afirmou Bushnell ao Post. "O programa e a mensagem passada não eram muito feministas no final das contas."
"Não vejo a série da mesma da mesma forma que outras pessoas. Não analiso tudo. É um ótimo programa, é muito engraçado. Mas existem fãs que... É como se o programa realmente os guiasse", disse.
A autora vai estrear um monólogo em Nova York em novembro, que é também uma continuação de seu livro que deu origem ao seriado. Sobre a sequência de "Sex and the City" para a televisão, ela disse que "com certeza vai assistir". "Espero que continue por seis temporadas, aí eu recebo um pouco de dinheiro", brincou.
"A HBO vai ganhar com isso. Eles vão explorar o máximo que puderem. Reiniciaram 'Gossip Girl'. Se não reiniciassem 'Sex and the City', seria muito estranho."
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O que rolou de melhor e pior na TV brasileira em dois anos de pandemia?
Colaboração para o Splash, em São Paulo
19/10/2021 16h32
Ao longo de 2020 e 2021, muita coisa mudou no Brasil e no mundo e na televisão não foi diferente. O jornalismo ganhou mais relevância para trazer informação confiável e com contexto, a dramaturgia migrou para os streamings, formatos diferentes de realitys shows como o BBB fizeram um enorme sucesso dentro e fora da telinha e muito mais.
No episódio de comemoração do aniversário de dois anos do podcast Splash TV Vê desta terça-feira (19), Débora Miranda, Chico Barney, Aline Ramos e Cristina Padiglione receberam Mauricio Stycer e Flávio Ricco para relembrar o que a TV nos entregou de melhor e de pior nesses últimos dois anos.
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Jornalismo
Melhores:
- Jornal Nacional x Bolsonaro
- Chegada da CNN no Brasil
- Maju no Fantástico
Para Aline Ramos, colunista do Splash, a ida de Maju Coutinho para o Fantástico representa um novo momento para a estrutura da televisão brasileira.
Isso tem um valor muito grande tanto na estrutura da Globo como no jornalismo como um todo se a gente pensar em referências e diversidade, que ainda é algo muito difícil. Ela [Maju] faz parte deste momento marcante.
Piores:
- Record e SBT chapa branca
- Negacionistas na CNN Brasil
- Rede TV dando espaço pro Sikêra Jr
Flávio Ricco, colunista do R7 e convidado especial do Splash TV Vê desta terça-feira (19), considera que o apresentador Sikêra Junior ter ganhado espaço na televisão aberta foi um dos piores acontecimentos do período.
Sikêra Junior faz um programa hoje que já era condenado vinte anos atrás, preconceituoso e de baixarias. Ele trata com agressividade quem não pensa como ele. De tudo que existiu de ruim nesse período, ele ocupa o primeiro lugar.

Variedades
Melhores:
- Superdança dos Famosos
- Volta do Show do Milhão
- Caldeirão com Mion
- Transmissões esportivas em vários canais (Band, SBT e Record, além da Globo)
Para Chico Barney, colunista do Splash, em meio à falta de atrações inéditas na televisão, a maior novidade foi a saída de Marcos Mion da Record TV para substituir Luciano Huck na emissora concorrente.
O Caldeirão com Mion deu uma nova energia para esse tipo de programa de auditório e brincadeiras. Estávamos em um momento onde não sabíamos se esse tipo de programa continuaria a existir. Essa nova fase tem sido interessante.
Piores:
- ZigZag Arena
- Fim abrupto do Domingão do Faustão
- Se Joga
- Repercussão baixa do Masterchef
- Domingão com Huck
- Overdose de The Voice
- Globo sem novos programas de humor
- SBT em marcha lenta
A saída de Fausto Silva do comando do Domingão depois de 30 anos sem ao menos uma despedida do público ainda dói e foi uma das grandes falhas da Globo, segundo Ricco.
Tirar o Fausto daquele jeito do ar foi bem deselegante. Ele poderia pelo menos ter se despedido depois de ter prestado serviço para a emissora por 30 anos. Esse foi o pior, pelo comportamento da Globo.
Dramaturgia
Melhores:
- Primeira fase de Amor de Mãe
- Dom (Prime Video)
- Sintonia (Netflix)
- Bom dia Veronica
- Sob Pressão
- Documentários
- Novelas da Thalia no Globoplay
Cristina Padiglione, colunista da Folha/Agora, reforça a importância de séries de qualidade no universo online.
Essas produções de streaming têm muita potência. A Netflix vem fazendo séries no Brasil que fogem do padrão Globo, como a Sintonia, e isso é muito relevante.
Piores:
- Tempos do Imperador
- Segunda fase de Amor de Mãe
- Gênesis

A primeira fase de Amor de Mãe, antes da pandemia da covid-19, emocionou milhões de brasileiros com seu elenco formado por grandes nomes como Chay Suede, Regina Casé, Adriana Esteves e Taís Araújo. Mas a segunda fase, já em 2021, foi uma decepção para muitos que esperavam pelos desfechos da trama. Segundo Ricco, principalmente, por conta da pandemia.
Amor de Mãe foi uma produção prejudicada pela pandemia e que teve que acabar de qualquer jeito.
Reality shows
Melhores:
- Realities na pandemia, BBB e A Fazenda
- Ilha Record
- Casamento às cegas
Em 2020, o BBB passou por uma virada em seu formato com a entrada de participantes famosos e, principalmente, influenciadores. De acordo com Chico Barney, a mudança refletiu em outros reality shows.
A mudança mais positiva foi a ida de famosos para o BBB, que deu uma revigorada e ajudou outros programas com o mesmo formato, como A Fazenda.
Piores:
- A Fazenda como centro de reabilitação
- Saída do Mion da Fazenda
- Saída do Tiago Leifert do BBB
- A volta do No Limite
Mauricio Stycer, colunista do UOL, ressalta que as duas edições do BBB, em 2020 e 2021, foram um sucesso.
As duas edições com famosos foram muito bem-sucedidas, embora eu discorde e ache que o programa deveria voltar a ter um formato apenas com anônimos.
As mais lidas agora
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Opinião - Yascha Mounk: Espaço para o que pode ser tolerado encolheu com rapidez estarrecedora
Caso recente no MIT sugere que as coisas podem estar prestes a se agravar ainda mais
Tendo passado a maior parte da pandemia nos Estados Unidos, estou na Europa há cerca de dois meses.
E foi apenas duas semanas atrás que repentinamente me dei conta de algo. Em todo o tempo que estou aqui, ninguém expressou alguma opinião política inofensiva que divergisse levemente do consenso prevalente nos grandes jornais e nas revistas e depois acrescentou casualmente: “Claro que eu nunca diria isso em público”. É um contraste marcante com os Estados Unidos.
Quando cheguei à América, gostei muitíssimo de como o discurso político nesse país era livre e amplo.

Mas essa realidade mudou radicalmente nos últimos cinco anos. Ao mesmo tempo que a ascensão de Donald Trump tornou possível um presidente incitar ódio e semear desinformação, o espaço para o que pode ser tolerado nos ambientes ditos “respeitáveis” em que eu me movimento e escrevo —incluindo os campi das universidades e as páginas dos jornais americanos— encolheu com rapidez estarrecedora.
Os múltiplos casos de pessoas que perderam seu emprego ou tiveram sua reputação destruída devido a infrações pequenas ou inexistentes captam parte dessa realidade.
Mas ninguém até agora conseguiu quantificar o efeito paralisador que eles vêm tendo. O regime de autocensura tem avançado mais rapidamente do que eu julgava ser imaginável.
Um novo caso recente sugere que as coisas podem estar prestes a se agravar ainda mais.
Lá fora
Na newsletter de Mundo, semanalmente, as análises sobre os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante.
Dorian Abbot é geofísico da Universidade de Chicago. Em reconhecimento por suas pesquisas sobre mudança climática, o MIT (Massachusetts Institute of Technology) o convidou para proferir a palestra John Carlson, realizada anualmente e que tem o objetivo de “divulgar resultados novos e instigantes da ciência climática para o público geral”.
Começou então uma campanha para cancelar a palestra de Abbot. No Twitter, alguns estudantes e professores pediram que a universidade retirasse o convite feito a ele.
Dito e feito: o MIT cedeu, tornando-se mais uma instituição importante na vida americana a mostrar que o compromisso com a liberdade de expressão que ela alardeia em seu site desaparece no momento em que algumas vozes estridentes nas redes sociais pedem a cabeça de um orador.
Abbot seria alguém que nega a mudança climática? Ou será que cometeu algum crime hediondo? Não —ele apenas externou nas páginas de uma revista de alcance nacional sua opinião sobre o modo como as universidades devem selecionar seus alunos e contratar seus docentes.
Em agosto, Abbot e um colega, na revista Newsweek, criticaram a ação afirmativa e outros meios para favorecer candidatos a universidades ou empregos, com base em sua identidade étnica ou racial.
Abbot defendeu um sistema que descreveu como sendo baseado no Mérito, Imparcialidade e Igualdade (MFE, na sigla em inglês), no qual os candidatos sejam “tratados como indivíduos e avaliados por meio de um processo rigoroso e não enviesado, baseado unicamente em seu mérito e suas qualificações”.
Isso, destacou ele, também acarretaria “o fim das vantagens concedidas em razão de laços familiares ou realizações esportivas, vantagens que favorecem significativamente candidatos brancos”.
Seja ela certa ou errada, o fato é que a posição de Abbot em relação à ação afirmativa coincide com a da maioria da população americana. Segundo sondagem recente do Pew Research Center, 74% dos americanos pensam que, quando tomam decisões sobre contratação de pessoal, empresas e organizações devem “levar em conta unicamente as qualificações, mesmo que isso resulte em menos diversidade”.
Apenas 24% concordam que elas também devem “levar raça e etnia em conta, para aumentar a diversidade”. Do mesmo modo, em um referendo sobre ação afirmativa promovido em 2020, 57% dos eleitores na Califórnia —um estado muito liberal no qual, por acaso, as minorias étnicas e raciais formam a maioria da população— votaram por continuar a proibir a ação afirmativa.
Nos últimos anos, os campi americanos assistiram a muitas campanhas pelo cancelamento de aparições públicas de figuras controversas. Sou contra todas essas campanhas, independentemente de minha opinião sobre o palestrante em questão. Como colocou Nicholas Christakis sucintamente, “não existe um direito de ser convidado para discursar em uma universidade". "Mas, a partir do momento em que uma pessoa é convidada, a universidade nunca deve ceder a pressões para que se retire o convite.”
Mas existe uma diferença qualitativa importante entre muitas dessas controvérsias passadas e a decisão covarde do MIT de cancelar a palestra de Abbot. Pois não só as opiniões de Abbot são muito mais moderadas, como elas não guardam relação alguma com o tópico sobre o qual foi convidado a discursar.
O MIT não rescindiu o convite feito a Abbot por prever que ele pudesse reiterar suas posições sobre ação afirmativa. Não —ele foi desconvidado a comparecer a uma das universidades de pesquisa mais importantes do mundo porque ela não tolerou que um cientista fosse autorizado a falar de suas pesquisas não controversas depois de ter ousado externar uma opinião sobre um tema não relacionado, que, embora fosse controvertida, por acaso coincidia com a da maioria do público americano.
Esse fato torna especialmente preocupante o princípio endossado explicitamente pelo MIT. Esse princípio representa, na prática, uma restrição grave à possibilidade de americanos divergirem de um conjunto específico de ideias políticas sem correr o risco de não poderem mais levar adiante seu trabalho não político. Isso, na prática, proibiria todos os acadêmicos —e, eventualmente, talvez, profissionais de outras áreas altamente visíveis— de manifestar posições políticas polêmicas.
A decisão do MIT não é, portanto, apenas mais uma em uma longa série de controvérsias nos campi. Ela reflete um ambiente social que já é chocantemente iliberal. Cria um precedente que, se não for resistido fortemente, trará uma ameaça séria à preservação de uma sociedade livre.
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Opinião: Entendendo Bolsonaro - Relatório de Renan testará como nunca a resiliência da Constituição


* Cesar Calejon
O relatório final da CPI da Covid, a ser apresentado na próxima semana, pode até não significar a derrocada final do governo Bolsonaro, mas traz duas dimensões fundamentais à vida sociopolítica do país, considerando, sobretudo, a corrida presidencial de 2022: as conclusões da Comissão oferecem, de forma empírica e embasada por provas irrefutáveis (áudios, vídeos, documentos etc.), uma (1) radiografia fiel do que foi o bolsonarismo até esse ponto, mais precisamente durante a pandemia, e (2) um teste de resiliência para a Constituição de 88.
Ao listar ao menos onze crimes que foram cometidos por Jair Bolsonaro desde o início da crise sanitária — causar epidemia, provocando mortes; infração de medidas sanitárias; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documento particular; genocídio de indígenas; prevaricação; charlatanismo; crimes contra a humanidade; crimes de responsabilidade e homicídio por omissão —, a CPI escancara o caráter assassino do bolsonarismo e dos seus principais membros e oferece uma sólida composição material que serve como guia jurídico para que sejam imputadas as devidas responsabilidades.
Além de Jair Bolsonaro, outras quarenta pessoas que participaram ativamente dessa arquitetura da destruição deverão ser indiciadas e esse fato manda um recado fortíssimo para todas as figuras públicas que pretendem utilizar o ódio, os elitismos histórico-culturais e as notícias falsas como plataformas para ascenderem ao poder. Com todos os crimes e criminosos devidamente apontados, o papel seguinte exercido pelo relatório final da CPI será o de testar a composição do regime democrático brasileiro.
Evidentemente, o bolsonarismo aparelhou as principais instituições da República no sentido de proteger o presidente e os seus principais artífices visando garantir que essas pessoas estejam acima da lei. Contudo, no nosso Estado de Direito, nenhum cidadão, sem exceções, está jamais acima da lei e esse é o parâmetro basilar da democracia brasileira. Caso haja qualquer ruptura nessa premissa, todo o edifício democrático desaba.
Eis o grande teste que o relatório da CPI impõe à vida parlamentar e social do Brasil nesse momento: com os devidos delitos comprovados, as figuras apontadas precisam responder pelos seus atos. A população brasileira, que com frequência presencia as partes mais empobrecidas do seu arranjo social serem presas por furtar comida no desespero de matar a fome dos filhos, simplesmente não pode ficar nas mãos de uma burocracia corrupta que blinda os seus, objetivando ganhos individuais.
Caso assim aconteça, a arquitetura institucional da constitucionalidade brasileira terá se mostrado inapta a defender os interesses, direitos e deveres da sua própria população, objetivo primário e elementar da sua própria formulação, e deverá ser repensada. Além disso, nesse cenário, as acusações contra o presidente e os principais membros do bolsonarismo devem ser reforçadas junto às (seis) denúncias que já foram feitas nas cortes internacionais, conforme mencionado por diversas vezes nessa coluna.
Ao que tudo indica, até a presente data, o Estado brasileiro não tem a intenção de responsabilizar as figuras apontadas pelo relatório final da CPI. Assim, o artigo 7, inciso primeiro, letra K, do Estatuto de Roma, que deu origem ao Tribunal Penal Internacional, prevê que "atos desumanos que possam afetar gravemente a saúde e a integridade física de outras pessoas" são passíveis de julgamento pelo Tribunal.
Conforme Ricardo Pinto Franco, jurista que tem o reconhecimento para advogar na jurisdição do TPI (List of Council), explicou para essa coluna, "após grandes pandemias, acontece toda uma gama de verificações e estatísticas, que podem ser usadas para facilmente comparar as medidas que foram adotadas por diferentes países e como essas ações afetaram as suas respectivas populações. Será evidente o número de vidas que poderiam ter sido salvas e isso servirá como parâmetro para o TPI, sem dúvida".
Diversos capítulos do meu novo livro, "Tempestade Perfeita: o bolsonarismo e a sindemia covid-19 no Brasil (Contracorrente)", trazem avaliações epidemiológicas e econômicas que estabelecem tais comparações e evidenciam esses fatos, por exemplo.
Por fim, o relatório da CPI é o documento mais notório e contundente para reforçar a denúncia contra a máquina de morte do governo bolsonarista e, ainda que o documento não resulte no impeachment imediato de Bolsonaro, ele traz sérias implicações de todas as ordens para o bolsonarismo.
Atualmente, documentos, livros e estudos como os citados pelo jurista do TPI fazem Bolsonaro esquecer a postura de "machão da Internet" para chorar durante o banho, literalmente.
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Opinião: Entendendo Bolsonaro - Offshore de Guedes ilustra, fielmente, a hipocrisia bolsonarista


* Cesar Calejon
Desde a ascensão do bolsonarismo, que foi amplamente viabilizada pela falaciosa narrativa do combate à corrupção, com patos infláveis e milhões de "cidadãos de bem" trajando camisetas da CBF na Avenida Paulista, o vazamento dos dados contidos no escândalo do Pandora Papers é o fato mais elucidativo acerca do mar de hipocrisia em que está ancorada a embarcação bolsonarista, nesse caso, fielmente personificada na figura de Paulo Guedes.
Solidamente encarnado no estereótipo de homem branco, heterossexual e empresário liberal, o "Posto Ipiranga" assumiu a economia brasileira com a pompa de quem estaria gabaritado para libertar o país dos estragos causados pelas gestões anteriores. Quase três anos depois, entretanto, com a economia em frangalhos e apoiado em uma única nota, a da privatização, Guedes provou ser mais um liberal inepto e bravateiro.
Até esse ponto, nenhuma novidade e, muito provavelmente, a área de marketing da rede de postos de combustíveis já não estava mais tão feliz com a associação atribuída ao principal ministro do bolsonarismo. Contudo, tal cenário mudou radicalmente nessa semana.
Com a explosão dos arquivos revelados pelo Pandora Papers, o Brasil, bem como o restante do mundo, entendeu que o ministro da Economia de Bolsonaro, para além de ser meramente um inábil e falastrão, utilizou a sua posição privilegiada para lucrar alto no mercado internacional em detrimento da população brasileira.
Enquanto milhões de brasileiros voltaram à linha da miséria e correm atrás de ossos para não morrer de fome e toda a "classe média" paga quase R$ 7 no litro da gasolina, Guedes faturou milhões de dólares em aplicações — que são ilegais para membros do governo — via empresas offshore.
A desfaçatez de Guedes é tão escabrosa que o ministro de Jair Bolsonaro, o presidente "zero à esquerda em economia", chegou a afirmar, no dia 12 de fevereiro de 2020: "o câmbio não está nervoso, (o câmbio) mudou. Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada. Pera aí. Vai passear em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeiro do Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu, vai passear o Brasil, vai conhecer o Brasil. Está cheio de coisa bonita para ver."
Ou seja, depois de todas as bravatas afirmando que "o PT quebrou o país", Guedes e a sua turma tiveram o sangue frio de afirmar que o "dólar alto é bom para o Brasil". Sem dúvida, quando os seus investimentos estão realizados em paraísos fiscais e são alavancados pela moeda estadunidense, esse é precisamente o caso. Para esse Brasil, o método Guedes funciona maravilhosamente bem: mais dinheiro no bolso dos empresários e menos pobres pegando aviões.
Uma pesquisa simples e rápida no Google demonstra que "Dreadnought", o nome da empresa criada em 2014 por Guedes nas Ilhas Virgens Britânicas, "foi o tipo predominante de navio de guerra encouraçado no início do século XX. O primeiro navio do tipo, o HMS Dreadnought da Marinha Real Britânica, teve um impacto tão grande, quando foi lançado em 1906, que os navios de guerra semelhantes que foram construídos após ele passaram a ser chamados de dreadnoughts, enquanto os navios de guerra anteriores tornaram-se conhecidos como pré-dreadnought".
O desenho do Dreadnought trazia duas grandes inovações: um esquema de armamento de calibre único e a propulsão movida por turbinas a vapor. Como os dreadnoughts se tornaram um símbolo fundamental de poder nacional, a chegada destes novos navios de guerra renovou a corrida armamentista naval entre o Reino Unido e a Alemanha.
Enquanto a população brasileira começava a sofrer as consequências de uma das mais severas crises econômicas da história do país, o "patriota" Paulo Guedes batizava a sua empresa fantasia com um símbolo de guerra da Inglaterra pós-medieval. Dificilmente, um roteiro explicaria, de modo tão sintomático, a raiz do pensamento bolsonarista.
Chama atenção, por fim, a cobertura midiática aquém da dimensão deste escândalo. É sabido que grande parte do empresariado nacional, aliado histórico dos principais grupos de mídia do país, sustenta empresas offshore em paraísos fiscais. Essa mesma gente que se diz "de bem" e afirmou querer moralizar o país há seis anos. São todos Paulo Guedes.
* Cesar Calejon é jornalista, com especialização em Relações Internacionais pela FGV e mestrando em Mudança Social e Participação Política pela USP (EACH). É escritor, autor dos livros A Ascensão do Bolsonarismo no Brasil do Século XXI (Kotter) e Tempestade Perfeita: o bolsonarismo e a sindemia covid-19 no Brasil (Contracorrente).
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Opinião: Entendendo Bolsonaro - Com Doria ou Leite, PSDB será engolido pelas sobras do bolsonarismo


* Vinícius Rodrigues Vieira
Nesta terça (19) os governadores Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP) enfrentam-se no primeiro debate de presidenciáveis do PSDB. Também participa do encontro o pré-candidato Arthur Virgílio Neto, ex-senador pelo Amazonas e ex-prefeito de Manaus. A julgar pelas movimentações dos últimos dias, independentemente de quem vencer as prévias do partido, os tucanos entrarão em 2022 mais rachados do que nunca, prontos para mais uma derrota nas urnas e, quiçá, para sua extinção de fato.
Desde o governo Lula, o PSDB vive uma crise de identidade. Em vez de defender o legado virtuoso do Plano Real, a universalização do ensino básico e a estabilidade democrática da transição do século XX para o XXI sob o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), o partido aceitou as pechas de privatista e anti-povo. Flertou com a direita até se casar com ela — e ainda por cima com o seu pior lado, o bolsonarismo.
Doria e Leite são os noivos mais robustos desse casamento que, desde o começo da pandemia, encaminha-se para o divórcio. Tal como num enlace matrimonial, os digníssimos governadores assumiram o sobrenome do cônjuge e, agora, negam que dividiram a urna com Bolsonaro. A dobradinha BolsoDoria, por exemplo, é uma tatuagem difícil de apagar. Leite fustiga seu colega de partido com essa memória nada nobre, muito embora tenha declarado voto em Bolsonaro no segundo turno.
A composição da Câmara dos Deputados, desde 2014, sinaliza um país mais à direita no campo dos valores, fruto da expansão evangélica e do sucesso da Lava Jato em associar a corrupção à esquerda apenas. Na economia, a pandemia encarregou-se de dinamitar o que havia de liberalismo de mercado na retórica da dita nova política.
Nesse contexto, o PSDB virou franja daqueles que embarcaram com gosto no bolsonarismo, um movimento de ultradireita liderado por um capitão que deixou o Exército acusado de planejar atentados a bomba em quartéis do Rio de Janeiro. Caberá, portanto, a Doria ou Leite — os candidatos com reais chances de vitória nas prévias — conduzir o funeral do PSDB em 2022.
Doria não decola nas pesquisas, seja pelo seu passado bolsonarista, seja porque o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores conseguiram colar nele a pecha de responsável pela quebradeira de negócios na pandemia. Para a infelicidade do governador paulista, ter trazido a CoronaVac ao Brasil e, assim, forçado o governo federal a rever sua postura negacionista já é passado.
Leite seria uma novidade no cenário nacional, mas deve enfrentar dificuldades entre os mais conservadores e evangélicos por ser gay. Seria uma virada e tanto ver um país em que parte significativa do eleitorado caiu no conto da mamadeira de piroca eleger, quatro anos depois, um presidente declaradamente homossexual.
Gostaria de ver o governador gaúcho sendo criticado por sua adesão ao bolsonarismo, sua falta de clareza para a economia e ausência de visão do papel do Brasil no mundo pós-covid. Infelizmente, caso sua candidatura se confirme, mais dia menos dia sua vida pessoal será explorada e implodida por aqueles que ele apoiou em 2018.
Será lucro caso Doria ou Leite consiga a vaga de vice de um candidato apoiado pela direita ex-bolsonarista — agora representada no novo União Brasil, fusão de DEM e PSL — ou no PSD do cacique Gilberto Kassab. Ser tucano virou um fardo muito pesado há tempos. Os esqueletos se avolumaram ao longo dos anos até o partido se deparar com um vampiro capaz de sugar o que restava de seu sangue político sem qualquer temor.
Não, não estou falando de quem vocês pensam! Mais do que qualquer outro político, Bolsonaro foi o Conde Drácula do tucanato, que, de vítima, nada tem. Doria apenas ofereceu o já perfurado pescoço tucano de bandeja ao restante da direita ao romper com quadros históricos do PSDB, notadamente Geraldo Alckmin, responsável por ter levado o atual governador de São Paulo de volta à política quase 30 anos após comandar a Embratur no governo Sarney.
Alckmin, que sempre esteve à direita dentro do PSDB se comparado a quadros ainda mais históricos como FHC, Franco Montoro e Mário Covas, prepara-se para migrar para o PSD ou o União Brasil e disputar a sucessão de Doria. Em busca de um quinto mandato à frente do Palácio dos Bandeirantes, Alckmin será mais competitivo que o neotucano Rodrigo Garcia, vice-governador a ser apoiado por Doria na disputa pelo executivo estadual.
Com quase um quarto dos filiados oriundos de São Paulo, o PSDB terá sua morte anunciada no dia em que Alckmin deixar o partido e levar consigo seus correligionários. No Congresso, os tucanos viraram linha auxiliar do bolsonarismo, o que aumenta as chances de o vencedor das prévias ser rifado pelo partido.
Sem base social sólida, um partido ou movimento político não sobrevive. Até hoje, há quem considere o PSDB um "partido de quadros" — só se forem quadros na parede, cobertos pela poeira de um tempo em que defender a combinação de uma economia de mercado com uma ambiciosa agenda social ainda dava votos.
Era essa a terceira via do fim dos anos 1990, simbolizada sobretudo pelo novo trabalhismo de Tony Blair, no Reino Unido. No plano doméstico, era vendida como uma globalização econômica com uma face humana, o centro político-econômico possível no mundo pós-Guerra Fria. As contradições de uma aparente interdependência em escala planetária gerou uma massa de deserdados que encontrou amparo no populismo de direita.
No Brasil, não seria diferente. O espaço para uma alternativa de centro se fecha. Não se equipara aqui as limitações da experiência do PT ao genocídio bolsonarista. Dito isso, temos um fato político: Lula e Bolsonaro ocupam, respectivamente, os espaços da esquerda e da direita. Goste-se disso ou não, é a realidade atual. O resto é wishful thinking.
Sem qualquer trocadilho, esperar que uma eventual terceira via saia do PSDB equivale, portanto, a acreditar em família de comercial de margarina ou tirar leite de pedra.
* Vinícius Rodrigues Vieira é doutor em relações internacionais por Oxford e leciona na Faap e em cursos MBA da FGV.
________________________________________////////////Opinião - Joel Pinheiro da Fonseca: O legado da CPI da Covid
Comissão teve elementos de circo político, mas tornou públicos crimes sérios em duas frentes principais
Como toda CPI, a CPI da Covid —que discute agora seu relatório final— teve um grande elemento de circo político, servindo de palanque para opositores do governo fazerem seus discursos, marcarem posição, aparecerem para a opinião pública, ostentarem sua indignação ou compaixão para com as vítimas.
Esse espetáculo midiático não trouxe informações relevantes para a investigação. É preciso dizer que ter Renan Calheiros como relator apenas realçou esse aspecto e prejudicou a credibilidade dos trabalhos.
Há também, felizmente, o outro lado da CPI: a investigação de possíveis crimes levada adiante por senadores que fizeram a lição de casa (como Alessandro Vieira e Simone Tebet). Graças a eles, a CPI tornou públicos crimes sérios em duas frentes principais.

A primeira foi a corrupção. Foi graças à CPI que um contrato espúrio, eivado de propina, negociado por membros do Ministério da Saúde com os personagens mais suspeitos e desqualificados, foi identificado e cancelado, economizando cerca de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos.
A segunda frente de investigação foi a do negacionismo. O governo brasileiro, seguindo a assessoria de um gabinete paralelo sem transparência e sem amparo técnico, perseguiu uma política de imunidade de rebanho por contágio, negligenciando a compra de vacinas em 2020 ao mesmo tempo em que promovia uma cura fraudulenta para pacientes sintomáticos. Jamais saberemos quantas mortes adicionais essa conduta ocasionou, mas devem estar nas dezenas de milhares.
O que o presidente tem a ver com isso tudo? Nos crimes de corrupção não há, até agora, nenhum documento ou depoimento que prove ligação com ele. Já as condutas negacionistas são inequivocamente obra de Bolsonaro. E como, ao contrário da corrupção, são bastante inusitadas e até difíceis de imaginar (um presidente fazendo propaganda de remédio falso e apoiando pesquisas fraudulentas), ainda não está claro qual a melhor maneira de enquadrá-las. Charlatanismo? Crime de epidemia? Quanto menos tipificações forem escolhidas no relatório final, melhor: o tiro certeiro bem dado é mais forte do que uma dispersão de balas sem alvo.
Nos meios de oposição à esquerda, chamar Bolsonaro de genocida virou uma espécie de símbolo mobilizador. Mas ele não é uma boa descrição literal: pois é claro que, por mais perverso que seja, Bolsonaro não queria matar o povo brasileiro. O combo “imunidade de rebanho + cloroquina” foi mortal; mas se trata de uma política muito diferente da que ceifou milhões de vidas de judeus na Alemanha nazista ou de armênios no Império Otomano.
Resta a acusação mais específica —e plausível— de genocídio contra os povos indígenas, que agora é objeto de debate mas recebeu pouca atenção ao longo da CPI. Não duvido que Bolsonaro tenha as piores intenções para com os povos indígenas, mas, para afirmar que sua conduta na pandemia foi genocida, é preciso mostrar que ele os tratou de maneira diferente —e deliberadamente pior— da que tratou o resto da população.
Que indígenas, quilombolas e o restante dos brasileiros tenham sido submetidos à completa negligência, incompetência e má-fé do governo federal não há dúvidas; que houve a intenção de exterminar qualquer um deles ainda é preciso provar. Nem passapanismo, nem exagero retórico: a descrição justa dos crimes de Bolsonaro deveria guiar o relatório final.



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