______________________________* ALERTA VERMELHO: Bolsonaro nomeará 75 DESEMBARGADORES, na maior CANETADA da HISTÓRIA recente. Volume gera TEMOR de APARELHAMENTO ________________________________* [ _ ] [ _ ] [ _ ] [ _ ] [ _ ] * LÚCIA GUIMARÃES ________________________________*

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_________________________________________________As ESQUERDAS precisam ENTERRAR a "DEMOCRACIA BURGUESA" - Marco Mondaini _________________________________________________Marco Antonio Villa - Lula continua o mesmo da época do mensalão _________________________________________________

ALERTA VERMELHO: 

Bolsonaro nomeará 75 desembargadores, na maior CANETADA da HISTÓRIA recente.

Volume gera TEMOR de APARELHAMENTO 

_________________________________________________ALERTA VERMELHO:

Rodrigo Pacheco diz que revogação da PEC da Bengala não avançará 'em hipótese alguma' no Congresso _________________________________________________Opinião: Entendendo Bolsonaro - Ao apoiar ditaduras "do lado certo", esquerda fortalece Bolsonaro _________________________________________________

[ _ ] [ _ ] [ _ ] [ _ ] [ _ ] * LÚCIA GUIMARÃES * _________________________________________________"É assustadora a possibilidade de vitória da EXTREMA DIREITA no CHILE", diz Celso Amorim _________________________________________________


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José de Abreu: 'Vou carregar o episódio do cuspe para o resto da vida'

José de Abreu cuspiu em casal durante jantar em São Paulo, em 2016 - Reprodução
José de Abreu cuspiu em casal durante jantar em São Paulo, em 2016 Imagem: Reprodução

Lucas Pasin De Splash, no Rio 26/11/2021 04h00

No ar em "Um Lugar ao Sol" (Globo) no papel do empresário Santiago, José de Abreu, 75 anos, já se despediu das gravações da novela e está de olho em próximos projetos, entre eles a entrada na política. O ator pretende se candidatar ao cargo de deputado federal, mas antes passará um tempo morando em Portugal, segundo ele, "para ter paz, já que não o respeitam nas ruas do Brasil".

Em conversa com Splash durante o lançamento de sua autobiografia, José de Abreu explica que se acostumou a morar em outros países e, por ter posicionamentos políticos muito declarados — ele é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e faz críticas nas redes sociais ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) — enfrenta "malucos que o querem atacar".

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"Podemos dizer que 80% das pessoas me respeitam nas ruas. E esse respeito tem melhorado, mas não é agradável pagar para ver, né? Existem pessoas que não me respeitam e querem de fato me atacar", ressalta.

Vou carregar o episódio do cuspe no restaurante para o resto da minha vida. Isso aconteceu há seis anos e todo dia alguém vem falar sobre. Onde já se viu? Não há a menor possibilidade de entender o que aquele casal fez.

José de Abreu continua: "Estava em um restaurante onde o dono e o chefe de cozinha eram meus conhecidos. A pessoa chega e fala que eu sou ladrão, como se meu dinheiro fosse da Lei Rouanet, que eu não tivesse 50 anos de carreira para ter dinheiro e pagar um jantar em um restaurante japonês".

Questionado se não teme novos ataques quando oficializar a campanha política, o artista diz que não há como as "coisas se agravarem mais":

Já batemos no fundo do poço do ódio. Agora eu só espero poder reerguer o país. Vou doar quatro anos da minha vida para o Brasil, será apenas um mandato. Não vou virar 'político profissional'.

José de Abreu é noivo da maquiadora Carol Junger  -  ROBERTO FILHO / BRAZIL NEWS -  ROBERTO FILHO / BRAZIL NEWS
José de Abreu é noivo da maquiadora Carol Junger Imagem: ROBERTO FILHO / BRAZIL NEWS

Casos de amor fora do livro:

No livro "Abreugrafia", lançado em dois volumes, José de Abreu cita alguns casos amorosos, entre eles o que chama de "uma noite de amor com Vera Fischer". O ator conta que não perguntou para a atriz se ela se incomodaria em ter a intimidade exposta no livro, e justifica:

Esse lance com a Vera Fischer já tinha saído num jornal antes, por isso não vi problema. Além disso, não tenho o telefone dela. Mas eu liguei para outras mulheres e perguntei. Quando me falaram que não podia, eu tirei do livro. Tirei histórias com outras famosas, por exemplo.

José de Abreu falou sobre perdas nas redes sociais - Reprodução/Instagram @josedeabreu - Reprodução/Instagram @josedeabreu
José de Abreu falou sobre perdas nas redes sociais Imagem: Reprodução/Instagram @josedeabreu

'Estranho gravar na pandemia'

José de Abreu avaliou ainda a experiência de gravar "Um Lugar ao Sol" durante a pandemia de covid-19. O ator foi direto ao dizer que não gostou da experiência:

É bem ruim gravar na pandemia. Você não vê a reação da equipe. Todos de preto, de máscara, iguais. Não vê expressão. Ensaiamos de máscara, com acrílico e algumas vezes até fizemos cena com a máscara quando a câmera estava em outra pessoa. Achei estranho demais.

O ator, que por 40 anos foi contratado fixo da Globo, e encerrou a exclusividade com a emissora em 2020, entrega uma possível novidade: "Recebi o convite de uma plataforma de streaming. Vou ter uma reunião com eles. Acho que em breve estarei em um novo projeto também."

_________________________________________________Extrema direita agride músico antifascista em bar na zona oeste de São Paulo


Ponte - O final de semana em São Paulo foi marcado por episódios protagonizados por supremacistas de ultra direita. Um homem foi agredido por um grupo de pelo menos 10 homens na frente de um bar no bairro de Pinheiros, zona oeste da cidade. Na região central, foi relatada a presença de neonazistas de fora do Brasil que estariam no país fazendo integração com células locais.

No sábado (20/11), o músico Dennis Sinned, de 38 anos, iria se apresentar no Bomber Pub. Antes do show, ele estava junto com um amigo em frente ao estabelecimento quando cerca de dez pessoas foram em direção à dupla e os atacaram com socos, pontapés e garrafadas. “Levei chutes na cabeça e no tórax. Ouvi eles dizendo pra chutar na cabeça. Meu amigo recebeu garrafadas, mas conseguiu entrar rapidamente dentro do bar. Eu fiquei na calçada apanhando”, lembra Dennis.

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O músico, que teve seu telefone celular quebrado e vários ferimentos pelo corpo, relatou o ocorrido nas redes sociais. Ele revela que prestou queixa no 14º DP (Pinheiros), mas tem medo de dar mais detalhes sobre o episódio. “Ainda estou resolvendo essa parte das medidas legais e estou um pouco assustado. Recebi ameaças”, conta.

Vítima dos ataques, Dennis acredita que o ataque tenha sido premeditado, já que o evento era público, sua banda é abertamente antifascista e dias antes o local do show tinha sido pixado como suásticas. “Infelizmente tem crescido essa onda neonazista no país. O discurso e a ideologia do presidente dão força pra esse tipo de ataque. Estamos vivendo um momento muito triste na nossa história. Regredimos muito”, lamenta o músico. 

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Após a publicação deste texto, um dos responsáveis pelo Bomber Pub pediu a alteração do título da reportagem onde o estabelecimento foi identificado como um bar antifascista. Antes disso, três frequentadores haviam identificado o espaço como antifascista, incluindo Dennis. Segundo foi informada a reportagem, no local funcionam vários estúdios de música e com um público diverso, não sendo restrito a punks e antifascistas.

Durante a apuração desta matéria o Bomber Pub foi procurado e informou: “No momento estamos tomando as medidas para preservar as pessoas agredidas e relatar às autoridades policiais. Por enquanto preferimos não nos manifestar a respeito”. Procurada, a Secretaria de Segurança Pública que o caso está sendo investigado pelo 14º DP (Pinheiros).

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O crescimento da onda neonazista no Brasil é comprovado em números. Segundo dados da ONG Safernet, em 2019 foram contabilizadas 1.071 denúncias anônimas de neonazismo na internet brasileira, envolvendo 544 páginas. Um ano depois, esse número subiu para  9.004 denúncias anônimas e 3.884 páginas, destas, 1.659 foram removidas.

Combatidos na Alemanha, motoqueiros supremacista estão no Brasil

O Gremium Motorcycle Club é um grupo surgido na Alemanha no início dos anos 1970 e desde 1988 está proibido de manter atividades pelo pelo ministério do interior de Baden-Württemberg sob acusação, dentre outras coisas, de tráfico humano, narcotráfico e prostituição ilegal. O grupo é caracterizado por usar as cores preta e branca, os termos “black seven” e o número “7667”, coletes com o nome do país em que seus integrantes fazem parte, a imagem de um punho subindo por entre as nuvens, além da cruz de ferro, conhecido símbolo nazista.

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Uma célula desse grupo existe no Brasil. Mais especificamente na Vila Matilde, bairro da zona leste de São Paulo, o grupo denominado GP/MC São Paulo Brasil costuma se encontrar em um estúdio de tatuagem e em uma barbearia, como mostram as fotos que o grupo publica em suas redes sociais. Cerca de 15 integrantes estrangeiros do Gremium estão em São Paulo hospedados em um hotel na Rua Augusta, depois de terem passado pela Colômbia e pelo México.

“Eu fiquei assustada com a quantidade de células que esse grupo tem espalhado pelo mundo e quantidade de pessoas que participam desses grupos. Eles têm membros desde a Tailândia até o Brasil”, explica a jornalista Letícia Oliveira, que monitora grupos supremacistas e neonazistas no Brasil.

Outros grupos de motociclistas estariam fazendo a recepção e segurança desses estrangeiros em São Paulo. Há relatos de que o grupo teria tentado agredir pessoas na região da Praça Roosevelt, local próximo do hotel onde estão hospedados. Dennis afirma que os seus agressores não eram estrangeiros, pois escutou pessoas falarem em português enquanto batiam nele. “Tinham uns homens armados esperando no carro que não entraram na briga”, relembra.

Especificamente, esse tipo de grupo não se apega tanto ao discurso de raça pura como havia no nazismo pregado por Adolph Hitler durante a primeira metade do século XX, mas a pauta do supremacismo, por isso tem maior adesão em países periféricos fora da Europa.

“O Brasil tem uma tradição de fascismo. O maior movimento fascista fora do continente europeu foi o integralismo brasileiro. O projeto de Bolsonaro é supremacista e eles vêm isso com bons olhos. Mesmo não sendo, essas pessoas que entram nesses grupos consideram que fazem parte de uma elite branca”, explica Letícia Oliveira.

Oliveira.

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_________________________________________________Eliane Cantanhêde diz que "tudo conspira" a favor do ex-juiz suspeito Sérgio Moro

Eliane Cantanhêde e Sérgio Moro
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26 de novembro de 2021, 07:01

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247 – Há uma conspiração a favor do ex-juiz suspeito Sérgio Moro, declarado parcial pela suprema corte brasileira por corromper o sistema de justiça? A coluna desta sexta-feira da jornalista Eliane Cantanhêde pode alimentar esta tese. "O lançamento de Sérgio Moro pelo Podemos chacoalhou o tabuleiro de 2022, já se reflete nas pesquisas e confirma que a eleição não será uma mera guerra entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula. A sociedade e a movimentação política estão mostrando que o céu é o limite para uma terceira via", escreve a jornalista.

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"Tudo vem favorecendo Moro: a filiação desta quinta-feira, 25, do general da reserva Santos Cruz ao Podemos é uma isca para o eleitorado de Bolsonaro, particularmente os militares; a desistência de Luiz Henrique Mandetta é uma questão de tempo e abre as portas do União Brasil (DEM e PSL) para Moro; a bagunça das prévias do PSDB enfraquece, e muito, o partido mais natural para ocupar a terceira via. Bastou Moro se desvencilhar da consultoria internacional, tirar a gravata, passar a falar como político e até sorrir, que tudo parece conspirar a favor dele", aponta.


_________________________________________________Enquanto Bolsa AFUNDA no governo Bolsonaro, SUBIU 500% na Era Lula

Em DÓLAR, conforme a cotação do período, a SUBIDA do Ibovespa foi ainda MAIOR: 1.187%.

Bovespa e Lula

247 - O FRACASSO da política econômica do governo Jair Bolsonaro, capitaneada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, fez com que o principal índice da Bolsa de Valores do Brasil tivesse o pior desempenho entre as principais bolsas do mundo, com uma queda de 12,2% neste ano até a quarta-feira (24), ao contrário do registrado durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando a Bolsa de Valores de São Paulo egistrou uma alta de mais de 500%. 

Em 2021, o Ibovespa abriu com 119.017 pontos e na quarta-feira desta semana registrava 104.514 pontos. No final de 2002, pouco antes de Lula assumir o poder, a bolsa marcava 11.268 pontos e chegou ao início de 2012 com uma pontuação seis vezes maior, com alta de 497,12%, até alcançar os 67.284 pontos. Em dólar, conforme a cotação do período,a subida do Ibovespa foi ainda maior: 1.187%.

A queda no Ibovespa ao longo deste ano é atribuída à incerteza da condução da política fiscal do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao descontrole da inflação, desemprego elevado e à aproximação das eleições presidenciais de 2022 . 

Atualmente, o indicador ainda está em nível similar ao de fevereiro de 2020, mês que antecedeu a pandemia de Covid-19.

_________________________________________________A maior piada dos últimos 2000 anos

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A queda no Ibovespa é atribuída à incerteza da condução da política fiscal, comandada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes

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O FIASCO da ALIANÇA entre o MERCADO FINANCEIRO e Bolsonaro: Ibovespa é o índice com PIOR DESEMPENHO no MUNDO em 2021

247 - Ao contrário do alardeado pelo governo, essa aliança fez com que o  principal índice da Bolsa de Valores do Brasil ocupasse o topo do ranking mundial entre os  PIORES DESEMPENHOS do mercado acionário em 2021. De acordo com o Poder360, o Ibovespa recuou 12,2% neste ano até a quarta-feira (24) e é a ÚNICA que apresentou DESEMPENHO NEGATIVO entre os países emergentes. 





No ano, a Bolsa de Valores paulista abriu com 119.017 pontos e na quarta-feira desta semana registrava 104.514 pontos. Logo atrás do Brasil está a China, cujo índice A50 registrou queda de 11,6%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve uma retração de 8,4% ao longo do ano. 

Segundo a reportagem, atualmente, "o Ibovespa ainda está em nível similar ao de fevereiro de 2020, mês anterior da pandemia de Covid-19”.

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_________________________________________________Opinião - Ruy Castro: O empazuellamento do Brasil

Há um processo de profunda pazuellização das instituições para garantir a impunidade de Bolsonaro

Eduardo Pazuello, lembra-se? Ex-general do Exército na ativa e ex-ministro porcino da Saúde. Aquele que foi sem nunca ter sido. Já passou à história do Brasil. O futuro falará dele como símbolo da redução do Estado a um rebanho de invertebrados a mando de Jair Bolsonaro. Sua imortal frase "Um manda, outro obedece", dita para 200 milhões de brasileiros, não ficará apenas como expressão de uma pusilanimidade bovina, mas porque pode ter contribuído para a devastação de vidas pela Covid, já que avalizava a quebra de um contrato de compra de vacinas, ordenada por quem o tangia.

Mas é injusto concentrar o empazuellamento em Pazuello. Afinal, ele nunca foi o único pazuello do pedaço, e talvez nem o primeiro. Está em curso um processo de pazuellização em todas as instituições nacionais, com ênfase nas que garantem a imunidade de Bolsonaro e cáfila.

O futuro ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, por exemplo, cuja sabatina no Senado está agora por dias, será mais um pazuello no STF. Irá somar-se a Kássio Nunes Marques, que Bolsonaro classificou como "10% dele [Bolsonaro] no Supremo", e a outros que às vezes se juntam a Kássio em pazuellagens pontuais. Uma delas, a que trava o julgamento das rachadinhas de Flávio Bolsonaro e permite ao STJ empazuellar-se de braçada, dando a Flávio sucessivas vitórias. O empazuellamento final será a extinção desse caso.

E a CPI da Covid temia que, depois de meses levantando os crimes contra a vida praticados pelo governo durante a epidemia, tivesse seu relatório posto para dormir pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. Pois não há mais o que temer. O relatório já ronca no berço esplêndido da empazuellada PGR.

Mas o grande empazuellamento, não por acaso, é o do Exército. Não importa quão cheios de vento, seus generais foram reduzidos a pazuellos por Bolsonaro, e isso também entrará para a história.

Este é Eduardo Pazuello

_________________________________________________Opinião - Maria Hermínia Tavares: O que as urnas vêm dizendo, não só no Chile

Voto castigo é uma das características das recentes eleições na região

Nesta semana, analistas chamaram a atenção para os resultados das eleições chilenas de domingo passado. Afinal, elas expuseram a quebra do padrão de disputa entre duas coalizões centristas, que prevalecia desde a volta da democracia em 1990 e tornava o jogo todo bastante previsível.

Na segunda-feira (22), nesta Folha, enquanto Marcus Melo destrinchava as mudanças nas regras eleitorais que fizeram desmoronar o clássico padrão de competição centrípeta, Mathias Alencastro enfatizava a mudança geracional, com a ascensão de lideranças progressistas reveladas nas mobilizações sociais da última década.

Mas os números do domingo, resultantes das alterações nas regras da competição e da inevitável troca de guarda entre gerações, traduziram sobretudo enorme rechaço ao sistema político anterior. A mesma rejeição que levou multidões às ruas no chamado "estallido"(estouro) de 2019 e nas eleições para a Convenção Constituinte em que prevaleceram as listas dos independentes.

Eleições no Chile

Agora, candidatos das forças de centro-esquerda como de centro-direita, que emplacaram todos os presidentes e maiorias parlamentares nas últimas três décadas, tiveram menos votos que o terceiro colocado, Franco Parisi. Residente nos Estados Unidos, ele nem sequer se deu o trabalho de fazer campanha no seu país.

Segundo a cientista política Claudia Heiss, da Universidade do Chile, ao votar em Parisi os eleitores puniram as forças políticas tradicionais. O "voto castigo" é também uma das características dos recentes processos eleitorais na região, como destacou Daniel Zovatto, diretor para a América e o Caribe da International Idea, organização sueca que monitora a democracia e as votações pelo mundo afora.

Segundo ele, desde 2019 os governantes têm sido derrotados em praticamente todas as disputas realizadas na área para diferentes cargos, contrariando uma tendência que no passado —e em pencas de países— costumava dar vantagem aos incumbentes. A vitória de candidatos com discursos antissistema; a fragmentação dos sistemas de partidos ou a sua instabilidade —em razão do escasso tempo de vida das organizações partidárias, substituídas sem cessar por novos agrupamentos— e governos desprovidos de sólida maioria parlamentar completam o quadro de turbulência política que sacode a região.

Como tantas outras, as eleições chilenas resultam de uma história particular, mas, ao mesmo tempo, escancaram a comum dificuldade de ancorar democracias estáveis em terreno minado por baixo crescimento econômico, corrupção, muita pobreza e seculares distâncias sociais.

_________________________________________________Opinião - Flavia Boggio: Comentaristas da Jovem Pan News são uma Liga da Justiça das trevas

Linha conservadora deixa claro que o canal deveria se chamar TV Velho Hétero, pois não tem nada de jovem, nem de pan

Com problemas técnicos, gritaria nos debates e "tiozões do zap" disfarçados de comentaristas, a nova emissora de TV da Jovem Pan, a JP News, mostrou que continua fiel ao padrão de qualidade que mostra no rádio.

A linha editorial, alinhada aos conservadores, também confirmou que de jovem a emissora não tem nada. Nem de pan. Deveria se chamar TV Velho Hétero.

Ilustração representando um homem com aspecto de zombie, saindo de dentro de uma televisão e vomitando em cima dos espectadores, que se encontram numa sala de estar
Ilustração publicada em 24 de novembro de 2021 - Galvão Bertazzi

A cada anúncio de novo contratado, o novo canal prova que não existem baixas expectativas que não possam piorar. Tirando alguns nomes que deveriam receber um extra por insalubridade, o casting de comentaristas é um dream team das trevas. Um "We Are the World", mas com pessoas que querem o mal dos outros. Se dessem carta branca para a DC fazer uma Liga da Justiça só com vilões, a Liga da Injustiça, os roteiristas não seriam tão criativos como a JP News.

Nesse "Big Brother" do negacionismo, a lista de convocados contempla nomes como Caio Coppolla. Por não ter emplacado um hit quando era um roqueiro indie, o ex-músico resolveu descontar nos brasileiros pensamentos como "morrem mais americanos engasgados por ano do que de Covid". Por causa dele, seus colegas de CNN pulavam fora do programa "Grande Debate" como se fosse um prédio em chamas.

Imagens do jornalista Caio Coppolla

Alexandre Garcia usou o argumento empoeirado do "direito de ir e vir" para criticar o isolamento na pandemia. Disse que jovens não precisam ser vacinados e defendeu o tratamento precoce, declaração que levou à sua demissão na CNN, o que, como ele mesmo provou, precisa de um certo esforço.

O comentarista José Carlos Bernardi, na semana passada, sugeriu, como plano para tirar o Brasil da crise, "matar um monte de judeus e se apropriar do poder econômico deles". Foi exonerado do seu cargo na Assembleia Legislativa de São Paulo, mas continua com seu quadro de "opinião".

Nenhuma surpresa para uma emissora de TV que contratou, também como comentarista, Ricardo Salles. Investigado por favorecer madeireiras, o ex-ministro do Meio Ambiente foi responsável por alguns dos maiores desastres ecológicos da história, além do desmonte da fiscalização ambiental. Talvez a nova Jovem Pan News queira fazer o que Salles não fez pelo meio ambiente e mostrar como se recicla lixo.

_________________________________________________Opinião: Entendendo Bolsonaro - Ao apoiar ditaduras "do lado certo", esquerda fortalece Bolsonaro

8 out. 2021 - Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) em entrevista coletiva em Brasília - Ueslei Marcelino/Reuters
8 out. 2021 - Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) em entrevista coletiva em Brasília Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

* Raphael Tsavkko Garcia

Cada vez mais, a denúncia do autoritarismo bolsonarista perde sentido e força. Não porque não seja um fator preocupante e uma ameaça à democracia brasileira, mas tão somente porque seu principal adversário, o ex-presidente Lula, não é exatamente um exemplo de defesa coerente da democracia e dos direitos humanos.

Como a "bolsomina" Bia Kicis poderia ajudar Lula a indicar cinco para o STF

Como sustentar uma oposição vigorosa à barbárie bolsonarista sem dar voz à hipocrisia? Ao arrepio da ciência política, Lula voltou à carga, comparando Daniel Ortega, ditador da Nicarágua, com a premier alemã Angela Merkel: "Por que a Merkel pode ficar 16 anos no poder e Ortega não?" perguntou.

Como denunciar visitas de Bolsonaro a países ditatoriais ou a simpatia nem um pouco disfarçada do presidente por ditaduras quando, após eleições forjadas na Nicarágua — em que opositores foram presos e observadores internacionais impedidos de participar —, o Partido dos Trabalhadores oficialmente elogia o "processo eleitoral" e saúda o vencedor, o protótipo de ditador Daniel Ortega?

Os direitos humanos estão longe de serem a principal pauta do eleitor brasileiro, mas, quando fala-se em impeachment e em processos contra Bolsonaro por crimes contra a humanidade e genocídio, é difícil — para não dizer impossível — se esquecer de que o PT, seu principal antagonista, também não tem nos direitos humanos uma bandeira. Ao menos não além do discurso.

Essas pautas só são importantes quando linhas são cruzadas pelos adversários? Como acusar Bolsonaro de genocídio ou crimes contra a humanidade — e, de fato, Bolsonaro cometeu tais crimes — pela forma como lidou com a pandemia quando se aplaude Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, que defendia "remédios alternativos" como forma de vencer a covid-19?

Como é possível condenar Bolsonaro por discursos antidemocráticos quando lideranças e figuras destacadas do PT defendem aberta repressão contra manifestantes pró-democracia em Cuba?

Se os conflitos de Bolsonaro com a China simbolizam, definitivamente, o seu amadorismo em política externa, ao mesmo tempo, os elogios da ex-presidente Dilma à China, nas palavras dela, uma "luz contra a decadência ocidental", são igualmente condenáveis.

Sob a desculpa de "autodeterminação dos povos", de "soberania", de "anti-imperialismo", vemos defesas escancaradas de ditaduras sanguinárias. Até mesmo os ativistas pró-democracia de Hong Kong foram acusados de "fascismo", tendo em vista o imperativo infantil de um alinhamento automático com a China.

Por mais que, repito, direitos humanos não sejam exatamente a pauta mais importante para o eleitor brasileiro, o discurso hipócrita é notado e sentido. Não precisamos ir ao exterior para coletar exemplos de como, no poder, a esquerda flertou com abusos de direitos humanos. Belo Monte, ataques a indígenas e ocupação militar de favelas são alguns deles.

Sim, é verdade que Bolsonaro segue tendo uma ficha corrida (bem) mais problemática, mas isso não desculpa os malfeitos anteriores, apenas reforça a necessidade de uma oposição para a qual os direitos humanos estejam além da retórica.

Nada disso significa, reafirmo, que Bolsonaro não seja, no cômputo geral, o pior dos mundos. Mas o fato é que a frouxidão e a hipocrisia da esquerda — em particular dos petistas — acaba fortalecendo o presidente no diálogo junto a eleitores ou potenciais eleitores.

Bolsonaro em momento algum esconde seu desprezo pelos direitos humanos, seu autoritarismo, suas fantasias golpistas. Ele pode ser acusado de muitas coisas, mas, à diferença do PT, não de hipocrisia no campo dos valores. Mesmo após três anos no poder (e após décadas na Câmara dos Deputados), Bolsonaro segue se posicionando como outsider, "contra a política tradicional", e a persistência desse discurso se deve, em parte, às contradições da oposição.

Acima de tudo, o fato dos dois principais líderes políticos do Brasil atual defenderem, abertamente, ditaduras e regimes autoritários diz muito sobre a política brasileira e a incapacidade da direita e da esquerda para se reinventar e, efetivamente, defender valores sociais, cidadania e direitos humanos sem meias palavras ou vírgulas.

* Raphael Tsavkko Garcia é jornalista e doutor em direitos humanos pela Universidade de Deusto. Contribuiu para veículos como Foreign Policy, Undark, The Washington Post, Deutsche Welle, entre outros.

_________________________________________________Rodrigo Pacheco diz que revogação da PEC da Bengala não avançará 'em hipótese alguma' no Congresso

CCJ da Câmara aprovou a antecipação da aposentadoria de ministros do Supremo Tribunal Federal de 75 para 70 anos
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco Foto: Agência O Globo
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco Foto: Agência O Globo

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BRASÍLIA — O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou não acreditar que a proposta de revogação da PEC da Bengala avance no Congresso. Para ele, o projeto não passará  ''em hipótese alguma”. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara  aprovou na terça-feira a proposta que antecipa a aposentadoria de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), chamada de "PEC da Vingança".

— Eu não acredito em hipótese alguma que possa acontecer a evolução disso nem na Câmara dos Deputados. Eu acho que foi uma aprovação na CCJ, acho que o presidente Arthur Lira não deve levar a discussão ao plenário e, ainda que houvesse, eu não vejo ambiente algum para essa discussão nesse momento em relação a se acabar com a chamada “PEC da Bengala”, da elevação da idade de 75 anos para a redução para 70. Então não vejo essa perspectiva, acho que isso não vai acontecer — disse Pacheco em entrevista à GloboNews.

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Por outro lado, o presidente do Senado reconheceu a possibilidade de ser analisada a Proposta de Emenda à Constituição que aumenta a idade máxima para nomeação para o  Supremo Tribunal Federal de 65 para 70 anos. O texto, do deputado federal Cacá Leão (PP-BA), também foi aprovado ontem pela CCJ da Câmara.

— Essa até vejo alguma possibilidade política, de alguma conveniência jurídica em razão do aumento da expectativa de vida. Então, essa é uma discussão possível, essas atualizações que possam fazer que haja compatibilidade do ordenamento jurídico com o aumento da expectativa de vida, como aconteceu quando da reforma da previdência. É uma discussão possível, obviamente que eu não posso falar em nome de todo Senado Federal, então é um debate muito longo para se ter na Câmara e no Senado — afirmou o presidente.

Promulgada em 2015, a PEC da Bengala fixou em 75 anos a idade  para aposentadoria compulsória dos ministros do STF. Na época, a idade era de 70 anos. Caso o texto aprovado pela CCJ avance, a idade de 70 anos voltaria a valer.

Por 35 votos favoráveis contra 24, a revogação da PEC da Bengala foi aprovada com apoio de bolsonaristas e partidos do Centrão na CCJ. Durante a reunião, parlamentares da oposição acusaram o governo de apoiar o texto com a intenção de indicar mais dois nomes ao STF. Deputados alegaram também que a votação seria uma espécie de “vingança” diante da suspensão dos pagamentos das chamadas "emendas de relator", determinada pela Corte.

_________________________________________________Depois de perder o Banco Imobiliário, Estrela tem nova derrota, agora contra Mattel, dona da Barbie | Capital - O Globo

Por Mariana Barbosa 22/11/2021 • 12:07

Que tal Barbie para presidente?

A fabricante Estrela sofreu mais uma derrota na Justiça contra um fabricante americano de brinquedos que já foi seu parceiro comercial: a Mattel.

A 9ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo negou um recurso da fabricante brasileira em uma ação de indenização movida contra a Mattel, por conta do rompimento de uma parceria de 30 anos para produção, comercialização e licenciamento de brinquedos. 

A parceria com a Mattel durou até os anos 90, com os produtos com as marcas da fabricante americana chegando a representar quase 20% do catálogo da Estrela.

Após o rompimento da parceria, a fabricante brasileira entrou na Justiça  demandando lucros cessantes e danos morais, alegando perda de investimentos em marketing e técnicas de produção, prática de “dumping”, venda de produtos por preço abaixo do mercado e a não concretização de um contrato de joint venture.

A Estrela alegou ainda ter sido prejudicada por ter retirado a Susi do mercado para não atrapalhar as vendas da Barbie. Mas o Tribunal não se convenceu e considerou a demanda das bonecas "descabida”. 

A decisão é mais um revés para a empresa de Carlos Tilkian que, no início do mês, perdeu uma disputa de 15 anos contra a Hasbro e foi obrigada pela Justiça a retirar de catálogo 18 títulos de jogos, incluindo clássicos como Banco Imobiliário, Jogo da Vida e Detetive, cujos direitos autorais pertencem à fabricante americana.

Procurada, a empresa afirmou que não comenta ações em andamento.

No processo contra a Mattel, a Estrela também questionou o valor atribuído a um estoque de brinquedos repassados à Mattel a título de pagamento de uma dívida — o que o Tribunal também considerou descabido. A Estrela chegou a dever US$ 7,4 milhões à Mattel pelo não pagamento de royalties. Após a confissão da dívida, a Mattel topou receber o montante em mercadorias e depois resolveu rescindir o contrato.

No entendimento do Tribunal, a crise da Estrela não decorre dos termos do contrato comercial ou de seu rompimento, mas, como alegado pela própria Estrela, das dificuldades enfrentadas a partir da abertura do mercado à importação na década de 1990.

Porém, o argumento da abertura comercial não explica a crise da empresa: o setor de brinquedos nacional é um dos mais protegidos e se beneficia até hoje de medidas de proteção comercial adotadas desde os anos 90, exibindo uma das maiores tarifas de importação do mundo para o setor. O resultado de décadas de proteção, como se vê nas lojas, é uma indústria nacional com pouca inovação e preços mais caros para o consumidor.

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_________________________________________________MAS QUE DIABOS DE NÚMEROS SÃO ESSES?!? Lula lidera corrida rumo ao Planalto com mais de 5 pontos (¿•?) sobre Bolsonaro, diz pesquisa

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247 com Fórum - O Instituto Paraná Pesquisas divulgou nesta segunda-feira (22) um levantamento que aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está com mais de cinco pontos percentuais à frente de Jair Bolsonaro na disputa presidencial do próximo ano. Nos quatro principais cenários estimulados, Lula tem a preferência entre 34,9% e 35,8% dos eleitores. Já a preferência por Bolsonaro varia entre 29,2% e 30,1%.

No levantamento anterior do instituto, divulgado em junho, Bolsonaro tinha 36,9% das intenções de votos contra 34,6% de Lula – a margem de erro é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro (Podemos) aparece em terceiro nos três cenários, com índice que varia entre 10,7% e 11,2%.

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Ciro Gomes (PDT), que disputava a terceira colocação com José Luiz Datena (PSL) – que não aparece na atual pesquisa -, agora está consolidado na quarta posição, com índice que varia de 6,1% a 6,6% nos quatro cenários.

Brigando para serem efetivados na disputa como candidatos do PSDB – após as prévias fracassadas deste domingo (21) -, os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) surgem na sequência quando são colocados seus nomes. O paulista marca 3,1% e o gaúcho 1,6%.

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A pesquisa aponta, ainda, que 57% dos brasileiros reprovam a administração de Jair Bolsonaro ante 38% que aprovam.

Lula vence segundo turno contra Bolsonaro e Moro

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Em simulação de segundo turno, Lula tem 42,5% das intenções de voto contra 35,6% de Bolsonaro. Brancos, nulos ou nenhum somam 18,1%.

Contra Sergio Moro, a vitória é ainda mais folgada. Lula marca 40,7% contra 29,8% do ex-juiz. Nenhum, branco ou nulo sobem para 26,1%.

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O levantamento dos dados foi feito com 2.020 eleitores com 16 anos ou mais em 26 Estados e Distrito Federal em 164 municípios brasileiros entre os dias 16 e 19 de novembro de 2021. O grau de confiança é de 95%.

_________________________________________________"É assustadora a possibilidade de vitória da extrema direita no Chile", diz Celso Amorim

Celso Amorim e José Antonio Kast
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247 - O embaixador e ex-ministro Celso Amorim, em entrevista à TV 247 nesta segunda-feira (22), classificou como "assustadora" a possibilidade de eleição do ultradireitista José Antonio Kast a presidente do Chile.

Para ele, é momento de todos os democratas do planeta se unirem para combater o que pode vir a ser mais uma onda de ascensão da extrema direita ao poder, e não só no Chile. "É assustador, é assustador. Há três ou quatro meses, ninguém previa que isso ia acontecer. Eu continuo achando que ele vai ser derrotado no segundo turno. Penso que os democratas todos irão se unir. Mas é preciso ter clareza e visão de como se constrói essa aliança. Ela não ocorre gratuitamente também". 

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Para Celso Amorim, o mundo atualmente se divide entre democratas e fascistas. "É preciso entender: a principal contradição no mundo hoje é entre os que, digamos, têm uma visão democrática e os que têm uma visão fascista. Esse é o dilema do Chile hoje, esse é o dilema que terá que ser discutido na eleição brasileira e é o que vai aparecer na eleição da França, é o que tem ocorrido na Itália e em vários outros países".

"Estamos vivendo em um mundo que é assim: democratas, uni-vos", concluiu.

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Juiz dos EUA impede que New York Times publique materiais do Projeto Veritas, de extrema direita

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Reuters - Um juiz de Nova York impediu na quinta-feira de forma temporária que o New York Times publique alguns materiais relativos ao grupo ativista conservador Projeto Veritas, uma medida rara que o jornal disse violar décadas de proteções da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

A ordem do juiz Charles Wood, da Suprema Corte do condado de Westchester, cobre memorandos redigidos por um advogado do Projeto Veritas e obtidos pelo NYT.

Wood agendou uma audiência para a próxima terça-feira para analisar uma proibição mais longa de publicação e se o jornal deveria retirar referências a informações privilegiadas entre advogado e cliente de um artigo de 11 de novembro sobre as práticas jornalísticas do Projeto Veritas.

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"Este veredicto é inconstitucional e estabelece um precedente perigoso", disse Dean Baquet, editor-executivo do NYT, em um comunicado por email. "Quando um tribunal silencia o jornalismo, falha com seus cidadãos e mina seu direito de se informar", acrescentou.

"A Suprema Corte deixou isto claro no caso dos Pentagon Papers, um veredicto histórico contra restrições prévias que impedem a publicação de jornalismo digno de notícias. Este princípio se aplica claramente aqui. Estamos buscando uma revisão imediata desta decisão", afirmou.

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Advogados do Projeto Veritas pediram que Wood interviesse depois que "referências a, descrições de, e citações literais" de memorandos de seu advogado Benjamin Barr foram publicadas no NYT.

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Veja delira e compara rejeição de 39% de Lula com 61% de Moro e 67% de Bolsonaro

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Sergio Moro e a capa de Veja
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247 - A revista Veja publicou uma reportagem comparando os índices de rejeição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos do ex-juiz parcial Sergio Moro e de Jair Bolsonaro. Numa leitura delirante da pesquisa Genial/Quaest, feita entre os dias 3 e 6 de novembro, a revista tratou os 39% de rejeição de Lula como se fossem similares aos 61% de Moro e 67% de Bolsonaro.

Veja escondeu que a pesquisa indica claramente tendência de vitória de Lula já no primeiro turno. O petista atingiu 48% da intenção de votos, contra 21% de Bolsonaro, e alcançou 56% levando em conta somente os votos válidos

Depois de Moro e Bolsonaro, os dois mais rejeitados, o governador de São Paulo, João Doria, teve 58% de rejeição, seguido pelo ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 53%. Em seguida veio Lula, com 39%. Segundo a pesquisa, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), foi rejeitado por 36%, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), por 29%, e o empresário Felipe d'Avila (20%).

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Segundo os números, a reprovação ao governo Jair Bolsonaro aumentou de 45% para 56%, entre julho e novembro deste ano. Para 69% dos entrevistados, ele não merece ser reeleito. 

O levantamento foi feito presencialmente com 2.063 pessoas em 123 municípios nos 26 estados e no Distrito Federal. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

_________________________________________________Miriam Leitão reconhece favoritismo de Lula e a crescente inviabilização das demais candidaturas, de Bolsonaro a Moro

Miriam Leitão, Lula, Bolsonaro, Moro, Doria, Leite e Pacheco
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247 - Inimiga ferrenha dos governos do PT, a jornalista Miriam Leitão, uma porta-voz informal da família Marinho para os temas econômicos e pessoa de confiança do mercado financeiro, reconheceu em artigo neste domingo (14): Lula é o grande favorito para 2022 e todas as demais candidaturas, de Bolsonaro a Moro, passando pelo PSDB e Pacheco, estão em crise. “A intenção de voto em Lula na espontânea saiu de 22% para 29% em um mês. E na estimulada ele tem 46%. Ainda é apenas um retrato, mas é bem favorável ao ex-presidente”, admitiu a contragosto.

No artigo, publicado em O Globo, ela agitou a surrada bandeira do anticomunismo para atacar o PT, usando o episódio da nota de apoio à eleição de Daniel Ortega, desautorizada pela presidente do partido, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Mas, depois da ferroada obrigatória, Leitão se dobra à realidade do pleito de 2022: “O aumento da fome é a maior preocupação social. O novo programa do governo vai cortar pelo menos 20 milhões de famílias que atualmente recebem o auxílio emergencial. Lula tem forte recall positivo quando o assunto é combate à pobreza”.

No texto, a jornalista pontua o que todas as pesquisas têm indicado, que a crise da economia e seus reflexos sociais são o centro da eleição e joga a pergunta no colo da extrema-direita: “A questão é: a economia virá em socorro de Bolsonaro?”

Ela mesma respode: “As projeções dos economistas dizem que não. O Itaú prevê que o primeiro trimestre terá 1,2% de alta em relação ao primeiro trimestre de 2021. No segundo, a mesma comparação contra igual trimestre do ano anterior será de 0,3% positivo. No terceiro, auge da campanha, será negativo, -1,1%. E no quarto, -2,5%. Vários bancos e consultorias marcam o mesmo movimento: o ano começa com algum crescimento e depois despenca e vai para o negativo. E dentro da economia a maior preocupação do eleitor é com o crescimento”.

Na casa do morismo, a Globo, Leitão reconhece que a candidatura de Moro é quase inviável: “O ex-juiz Sergio Moro apareceu em terceira posição na pesquisa da Genial/Quaest com 8%. Ele irá adiante? A corrupção perdeu espaço na lista de preocupações de brasileiros. Agora só 9% apontam a corrupção como sendo o principal problema. A economia está em primeiro para 48%”. 

Ela anota que no tatibitate lannçamento de sua candidatura, “Moro tentou fazer um discurso para além do tema que o tornou conhecido. Não foi muito convincente”. Ela pontuou mais de uma vez a fragilidade de Moro, enquanto seu colega Merval Pereira tem gasto o teclado e a voz anunciando a “fortaleza” do ex-juiz: “Moro terá que ir além da sua bolha, mas parece inconsistente quando fala de economia ou da questão social. Sua rejeição só não é maior do que a de Bolsonaro”.

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Leitão também registra as fragilidades tucanas e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG): “O PSDB ainda discute suas prévias, mas nem João Dória nem Eduardo Leite têm pontuação importante. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, não é conhecido, mas também não demonstra força neste grid de largada. (...) O PSDB perdeu um pouco mais de identidade nessa semana em que tantos tucanos votaram a favor da PEC do calote e do fura-teto.”

_________________________________________________Bolsonaro pode aparelhar Judiciário com nomeação de 75 desembargadores

11 de novembro de 2021, 05:00

247 - Jair Bolsonaro vai dar a maior canetada da história recente do Judiciário brasileiro. No próximo ano, ele nomeará 75 desembargadores nos seis tribunais regionais federais do país.Isto será possível devido ao aumento de quase 50% das vagas em cinco tribunais aprovado pela Câmara no dia 8 de novembro. 

Serão 57 novos cargos, segundo informa a jornalista Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S.Paulo. Além disso, será criada uma nova corte, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em Minas Gerais, que terá 18 novos juízes.

De um total de 139 desembargadores federais, portanto, o Brasil passará a ter 214. A lei que cria os novos cargos já está na mesa de Bolsonaro para ser sancionada. A nomeação de um número tão grande de magistrados em tribunais estratégicos preocupa setores do meio jurídico, que já temem o aparelhamento das cortes pelo bolsonarismo.

Para citar apenas um exemplo de enorme impacto político, o ex-presidente Lula foi julgado e preso por determinação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que confirmou sentença do ex-juiz Sergio Moro contra ele, ressalta a jornalista.


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Maria Hermínia Tavares: Demolidora Planalto

Maria Hermínia Tavares

Dois exemplos do perverso empenho do presidente em desmanchar tudo o que estava em ordem

O governo Bolsonaro mais parece uma empresa de demolição, que ou detona de um só golpe políticas estabelecidas, ou provoca a sua lenta erosão. O resultado é a degradação da gestão pública, dos conhecimentos e instrumentos nela acumulados em décadas.

Eis dois exemplos recentes do perverso empenho do presidente e de seu pessoal em desmanchar tudo o que estava em ordem quando puseram os pés em Brasília.

O programa Bolsa Família —elogiado no exterior— foi abatido pela medida provisória que criou o Auxílio Brasil, mal concebido, carente de foco, bem assim da clareza quanto à duração e às formas de articular um desconjuntado rol de nove benefícios acoplados ao arrimo básico das famílias. Tampouco se sabe ao certo como será financiado de forma duradoura. Em suma, extinguiu-se um programa com começo, meios e fins para pôr no lugar uma geringonça gestada por autoridades que desdenham o que nem sequer conhecem: a rica bagagem do país em matéria de iniciativas de combate à pobreza.

Pesquisa mostra como Bolsa Família contribui para redução da mortalidade infantil em dez anos

Como se fosse pouco, 33 técnicos acabam de se demitir de seus cargos no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), responsável pelas diversas provas de aptidão realizadas no território, a começar do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Ao sair, acusaram a direção do órgão de sangrá-lo. É de lembrar que a montagem, no Ministério da Educação, de um complexo sistema para avaliar os vários níveis de proficiência é outro aspecto da bem-sucedida política pública erguida aos poucos, graças à experiência acumulada nos governos do PSDB e do PT. Neste caso, o desmanche foi gradual, fruto amargo da liquidação de competências; do desprezo por critérios técnicos; e da perseguição a funcionários que os defendiam.

Nos dois casos, a destruição resulta da arrogante ignorância dos formuladores; da incompetência irremediável dos detentores de posições de mando; e da inescrupulosa promoção de interesses da curriola que cerca os ministros às ordens de um presidente que gosta do cargo mas não da responsabilidade de ter um projeto para o país.

No livro "As Políticas da Política", os pesquisadores Marta Arretche, Eduardo Marques e Carlos Aurélio Pimenta de Faria sustentam que os avanços importantes na proteção social sempre foram cumulativos. Os autores descrevem um processo em que camadas de legislação e de programas foram se sobrepondo umas às outras, graças tanto ao aprendizado quanto à emulação entre tucanos e petistas, que inovaram sem destruir o que se fizera antes.

O oposto, enfim, da ruína que Bolsonaro promove.

_________________________________________________Mônica Bergamo: Bolsonaro nomeará 75 desembargadores, na maior canetada da história recente

Nova lei aumentou número de magistrados, escolhidos pelo presidente a partir de listas tríplices enviadas pelo Judiciário; volume gera temor de aparelhamento

presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vai dar a maior canetada da história recente do Judiciário brasileiro. No próximo ano, ele nomeará 75 desembargadores nos seis tribunais regionais federais do país.

TREM DO BOLSONARO 

A avalanche bolsonarista nas cortes será possível graças ao aumento de quase 50% das vagas em cinco tribunais aprovado pela Câmara no dia 8 de novembro (serão 57 novos cargos). E também à criação de uma nova corte, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em Minas Gerais, aprovada anteriormente, em outubro. O TRF-6 terá 18 novos juízes.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) - Alan Santos/PR

TREM 2 

De um total de 139 desembargadores federais, portanto, o Brasil passará a ter 214. A lei que cria os novos cargos já está na mesa de Bolsonaro para ser sancionada.

TREM 3 

A nomeação de um número tão grande de magistrados em tribunais estratégicos preocupa setores do meio jurídico, que já temem o aparelhamento da cúpula do Judiciário pelo bolsonarismo. Acima dos TRFs estão apenas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

FolhaJus+

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Carregando...

MEMÓRIA 

Para citar apenas um exemplo de enorme impacto político, o ex-presidente Lula foi julgado e preso por determinação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que confirmou sentença do ex-juiz Sergio Moro contra ele. Toda a Operação Lava Jato, em todos os estados, passou pelos TRFs.

TODO PODER

Os tribunais regionais federais julgam também crimes tributários e ambientais.

Petistas comemoram suspeição de Moro

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Brigitte Bardot é condenada na França por insultos racistas

Defensora da causa animal, atriz ofendeu habitantes da ilha Reunião

Brigitte Bardot
Brigitte Bardot - Eric Feferberg/AFP
São Paulo
AFP

estrela de cinema Brigitte Bardot, 87, foi condenada nesta quinta-feira (4) na França por insultos racistas, após chamar os habitantes da ilha francesa de Reunião, no Oceano Índico, de nativos que "preservaram seus genes selvagens".

Um tribunal de Saint-Denis impôs uma multa de 20.000 euros (cerca de R$ 128 mil à ex-atriz, além de 4.000 euros (cerca de R$ 25 mil) à sua assessora de imprensa por cumplicidade.

Bardot, conhecida por sua defesa da causa animal, enviou uma carta em 2019 ao então delegado do governo nesta ilha, denunciando a "barbárie dos habitantes de Reunião com os animais".

"Os nativos mantiveram seus genes selvagens", escreveu a protagonista de 'E Deus criou a mulher', que comparou Reunião com "a ilha do diabo", cuja "população degenerada" ainda está "imbuída" de "tradições bárbaras".

Suas declarações provocaram uma onda de indignação. A então ministra das Relações Exteriores, Annick Girardin, escreveu-lhe uma carta aberta para dizer que "o racismo não é uma opinião, é um crime".

Um deputado de esquerda, grupos antirracistas e de defesa dos direitos humanos criticaram Bardot, muito próxima da extrema-direita e que no passado já foi condenada por ódio racial.

Embora tenha se desculpado com os habitantes de Reunião, ela justificou suas palavras pelo "destino trágico" dos animais da ilha, um "absurdo", para Axel Vardin, um dos advogados dos demandantes.

"Fala de reminiscências de canibalismo. Na verdade, é uma reminiscência de um pensamento colonialista", disse Vardin durante o julgamento. Suas palavras são "dolorosas", acrescentou.

Para a advogada de defesa, Catherine Moissonier, defender animais "é a vida de Brigitte Bardot". A angústia dos animais "é uma realidade em Reunião", acrescentou a advogada.

Bardot, cansada do desgaste da fama e da perseguição aos paparazzi, decidiu em 1973, aos 38 anos, encerrar sua carreira e se dedicar, desde então, a sua segunda paixão: a causa animal.

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Donald Trump diz que Alec Baldwin atirou propositalmente contra cineasta

Ex-presidente dos EUA se referiu ao ator como 'cara doente'

Donald Trump comenta acidente envolvendo Alec Baldwin
Donald Trump comenta acidente envolvendo Alec Baldwin - Reuters

NEWSLETTER F5

São Paulo

O ex-presidente norte-americano, Donald Trump, 75, disse que o ator Alec Baldwin, 63, pode ter atirado propositalmente Halyana Hutchins (1979-2021). O ator estava no set do filme de faroeste "Rust", no Novo México, quando recebeu uma arma de apoio que, segundo a polícia, matou a cineasta e feriu o escritor e diretor Joel Souza, 48.

"Na minha opinião, ele teve algo a ver com isso. Como você pega uma arma, esteja ela carregada ou não, aponta para alguém que nem mesmo está no filme e puxa o gatilho, e agora ela está morta", disse ao programa de rádio de Christ Stigall, nesta quinta-feira (4).

"Mesmo que estivesse carregada, e isso é uma coisa estranha, talvez ele tenha carregado", continuou. "Quem colocaria uma arma, 'aqui, Alec, aqui está a sua arma', levantaria, apontaria para uma pessoa e puxaria o gatilho, e, 'Oh, cara, uma bala saiu', ela está morta. Portanto, há algo errado com ele. Ele é um cara doente", acusou o ex-presidente.

Trump criticou também o comportamento de Baldwin com a imprensa. "Eu o observei por anos. Ele se envolve em brigas com repórteres. Quer dizer, tudo o que faz, é um cara volátil. Ele é um maluco", argumentou, antes de criticar a maneira como o ator lidou com a situação.

"Se eles me entregassem uma arma, eu nunca apontaria para alguém e atiraria. Não me importo em verificar a arma. Eles entregam um revólver que você não vai apontar para ninguém", disse ele, afirmando que no lugar de Baldwin, que estava num set ao ar livre, teria apontado a arma para o ar.

Trump comentou ainda as paródias que Baldwin fazia dele no humorístico Saturday Night Live, especialmente enquanto esteve a frente da Presidência. "Ele era péssimo em me imitar e, a propósito, se achasse que era bom e não gostasse de sua política ou ndele, eu diria que era bom, mas era terrível", finalizou.

_________________________________________________Lúcia Guimarães: Republicanos normalizam violência política nos EUA

Democratas poderiam trazer de volta a discussão sobre o que constitui terrorismo

É cada vez mais difícil distinguir certos membros eleitos do Partido Republicano de defensores do terrorismo doméstico. Na segunda-feira (8), um deputado republicano do Arizona postou um vídeo alterado de uma série japonesa de anime em que ele aparece assassinando a deputada democrata nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida pelo apelido de AOC. Após matar a colega a facadas, o avatar do deputado no vídeo usa as mesmas armas para ameaçar Joe Biden.

A fama nacional de extremista acompanha Paul Gosar desde que seis de seus nove irmãos gravaram um vídeo alertando para a crescente radicalização do deputado e apoiando seu adversário na campanha de 2018. Gosar não só se reelegeu como se tornou um dos aliados favoritos de Donald Trump.

O deputado republicano pelo Estado do Arizona Paul Gosar durante audiência em comitê do Congresso dos EUA, em Washington
O deputado republicano pelo Estado do Arizona Paul Gosar durante audiência em comitê do Congresso dos EUA, em Washington - Jonathan Ernst - 12.mai.21/AFP

presidente da Câmara, Nancy Pelosi, cobrou do líder da minoria republicana uma investigação de Gosar, mas AOC, cuja rotina inclui ameaças de morte diárias, prevê que o colega deve continuar impune. Em outubro, a revista Rolling Stone revelou que Gosar, nos dias que precederam o ataque ao Capitólio, em janeiro, prometeu indulto presidencial automático para os invasores.

Ninguém espera que o republicano, cuja simpatia por grupos neonazistas é mal disfarçada, vá consumar suas fantasias homicidas. Mas antes de ser retirado do Twitter e do Instagram o vídeo de Gosar foi assistido mais de 3 milhões de vezes. AOC é um dos maiores alvos de ameaças de morte da história do Congresso americano e usa segurança particular para se locomover.

Lá fora

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A normalização da violência pelo Partido Republicano se agravou após a invasão do Capitólio. Uma das atividades mais perigosas hoje nos EUA é a de monitor de eleições. Os ocupantes do cargo são nomeados por governadores ou legislativos estaduais porque até pleitos nacionais são administrados por estados.

Desde que Trump reagiu à derrota, em novembro passado, intimidando oficiais eleitorais de estados que ele perdeu para Biden, seus apoiadores tornaram a rotina desses funcionários públicos um inferno.

A agência de notícias Reuters entrevistou vários autores de ameaças de morte e descobriu que, além de não terem sido contatados por autoridades, eles não temem ser identificados. Esperam impunidade.

Apoiadores de Trump entram em confronto com a polícia e invadem Congresso dos EUA

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Novas revelações sobre a violência no Capitólio e a ativa participação de republicanos do entorno de Trump na tentativa de golpe de Estado tornaram mais intenso o debate sobre a impunidade.

O secretário de Justiça, Merrick Garland, está sendo questionado pela inação no caso de Steve Bannon, o agitador radical denunciado pelo crime de desafiar uma intimação para depor à comissão que investiga o 6 de janeiro. Garland tem a lei ao seu lado, mas parece temeroso de ser acusado de politizar a Justiça.

Que incentivo terão outras testemunhas já intimadas pela comissão para cooperar se Bannon, já premiado com um indulto de Trump, antes de se julgado por outro crime —fraude financeira—, continuar impune?

O FBI classificou a invasão do Capitólio de "terrorismo doméstico". Depois do 11 de Setembro, a palavra terrorismo adquiriu uma força cultural frequentemente associada a sentimento anti-islâmico.

O Partido Republicano tem sabotado os esforços para investigar um dos mais graves episódios de violência política no país. Os democratas poderiam trazer de volta a discussão sobre o que constitui terror.

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Jair Bolsonaro queria a nossa morte. 

NÃO É possível passar o pano e esquecer mais de 600 mil famílias destruídas pela ação criminosa, planejada, pelo assassino que ocupa a Presidência da República.

O mínimo que se espera é justiça.

Presidente Jair Bolsonaro provoca aglomeração de seus apoiadores no "cercadinho" do Palácio da Alvorada - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Presidente Jair Bolsonaro provoca aglomeração de seus apoiadores no "cercadinho" do Palácio da Alvorada Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
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Marco Antonio Villa

Colunista do UOL

20/10/2021 09h09

Jair Bolsonaro queria nos matar. Ainda quer, mas com a intensificação da vacinação sua compulsão pela morte deve se desviar para outros meios. A pandemia tende a diminuir paulatinamente a macabra média diária de mortos. Mas Bolsonaro é insaciável. Logo vai encontrar algum móvel de luta política para recolocar como principal objetivo de sua ação criminosa o desejo mórbido de assassinar os brasileiros.

Toda a sua ação na pandemia teve como companhia o anjo da morte. Lutou com afinco para impedir a vacinação, a principal alternativa para impedir a circulação do vírus. Criou inúmeros obstáculos. Determinou ao Ministério da Saúde que não recebesse os emissários da Pfizer. Na CPI, o CEO da empresa apresentou comprovações de mais de uma dezena de tentativas para ser recebido no ministério - que tinha se transmudado: da Saúde para ministério do genocídio.

O atraso na compra e para o início da vacinação levou à morte milhares de brasileiros, para satisfação de Bolsonaro. Seu plano estava dando certo. Precisava saborear a cada dia a notícia de que estava aumentando o número de contaminados e mais ainda: estava crescendo exponencialmente o número de mortos. O Brasil poderia estar vacinando desde dezembro do ano passado - seria o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação em massa. Mas Bolsonaro não poderia admitir que vidas fossem salvas. Era contra seu plano mórbido.

Espalhou diariamente que a imunização de rebanho seria o remédio eficaz contra o vírus. Quanto mais contaminados, melhor. Usou de todo o aparato governamental para produzir e divulgar em larga escala as fake news. E nisso contou com o apoio entusiástico - comprado a peso de ouro, registre-se - dos meios de comunicação de massa, especialmente dos concessionários de rádio e televisão.

Dissertou, com o apoio dos doutores Mengeles brasileiros, que havia remédios eficazes para o tratamento da covid-19, isso quando os principais centros de pesquisa médica no mundo diziam o contrário. Existia um consenso de que no momento da pandemia não havia nenhuma alternativa a não ser as restrições de circulação, a utilização de máscara, álcool gel, entre outras medidas. Tudo isso enquanto não fosse desenvolvida as vacinas.

Mas Bolsonaro precisava da morte para viver. O sangue de milhares de brasileiros era o seu alimento diário. Atacou o uso de máscaras, fomentou aglomerações, desprezou as recomendações da OMS e espalhou mentiras sobre as vacinas. Chegou até a comemorar a morte de um participante de uma das fases experimentais da Coronavac - que não tinha qualquer ligação com a vacina, tinha se suicidado.

Contudo, para Jair Bolsonaro a batalha pela morte continuava. Fez de tudo um pouco para que brasileiros fossem para o matadouro da pandemia. Contou com a complacência bovina de boa parte da população, que, sem tradição histórica de resistência, acabou aceitando passivamente a ação criminosa do Presidente da República.

Poucos foram os atores políticos que enfrentaram a ação perversa de Bolsonaro. Se hoje temos boa parte da população vacinada e a retomada da atividade econômica, não podemos esquecer que o país tem uma dívida para com aqueles que enfrentaram o anjo da morte e adotaram as medidas necessárias que garantiram a vida de milhões de brasileiros.

Jair Bolsonaro é um homicida. Desejou a nossa morte. Fez de tudo para impor como política de Estado o extermínio de milhares de brasileiros. Riu dos que morreram. Chegou a imitar os que não conseguiam mais respirar. E o Brasil - doente pela ausência de uma ira cívica - assistiu à maior tragédia sanitária da nossa história.

O mínimo que se espera é justiça. Não é possível passar o pano e esquecer mais de 600 mil famílias destruídas pela ação criminosa, planejada, pelo assassino que ocupa a Presidência da República.

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Bolsonaro tem de ser interditado judicialmente

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) - Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) Imagem: Reprodução
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15/10/2021 11h31

Atualizada em 15/10/2021 23h04

O Brasil se acostumou com Jair Bolsonaro. Ele pode fazer o que bem desejar, por mais escatológico que pareça, que, dias depois, será esquecido. É um processo de adaptação à loucura. Como não é possível constitucionalmente se livrar dele, resta comodamente aceitar as idiotias do primeiro mandatário.

São quase 34 meses de absurdos, de medidas sem nexo, de falta de planejamento. Jair Bolsonaro age na Presidência da República como se fosse um deputado do baixo clero. Durante três décadas tratou o mandato parlamentar como um negócio - as rachadinhas representam apenas uma parte das suas atividades ilícitas - permeado por declarações estapafúrdias que afrontavam à Constituição.

Foi tratado como um político folclórico, como tantos outros que passaram pelo Parlamento. Porém, no caso dele, sua atuação transcendeu o patético. Foi além. Teve no Estado democrático de Direito seu principal inimigo. E não recebeu a devida resposta legal. Pelo contrário, era convidado para programas populares com o objetivo de apimentar as discussões e aumentar a audiência.

Mesmo sua campanha presidencial, até certo ponto, não foi levada a sério. Era, para muitos, um Enéas que, ao invés de um jaleco, vestiu uma farda na distante década de 80. Mas as aparências encobriam um perigoso elemento nocivo à ordem pública, à democracia, aos valores consubstanciados na Constituição de 1988.

No governo não passou semana sem atacar covardemente seus adversários. Mentiu, injuriou, caluniou, difamou que se antepôs às suas ações caracterizadas pela barbárie, pelo ódio às instituições. O país assistiu atônito estas manifestações. Não estava acostumado. Mais ainda, isto nunca tinha ocorrido na nossa história republicana.

Os atos de perversidade foram sendo intensificados com a chegada da pandemia. A crueldade se transformou em política de Estado. Teve a companhia de ministros, médicos, políticos, empresários, jornalistas, que referendaram bovinamente as sandices presidenciais. Viu-se, e isto devemos às apurações da CPI da Pandemia, que parte desta ação tinha como objetivo auferir altos lucros para laboratórios amigos e, no caso das vacinas, para a obtenção de propinas milionárias.

Jair Bolsonaro permanece ativamente agindo criminosamente. Os 600.000 mortos nada representam para ele. O pior não é o comportamento de psicopata. Até aí, é possível explicar - e a literatura médica é farta. A questão é o país aceitar passivamente seus desmandos, suas ações lesivas à vida de milhões de brasileiros, o desastre econômico e o caos social.

Chegamos ao ponto de aceitar comportamentos que seriam repudiados em tempos não tão distantes. O circo de horrores que assistimos diariamente passou a ser visto como se fosse uma pena a ser cumprida pelo país. E o pesadelo teria data para terminar: 1º de janeiro de 2023, com a posse do novo Presidente da República.

O comodismo da sociedade civil, dos partidos políticos, das lideranças, paralisou o país, como nunca na nossa história. Aguarda-se mansamente o processo eleitoral do próximo ano. Da mesma forma como ele não foi levado a sério nos 30 anos de vida parlamentar, agora o mesmo comportamento se repete.

Com a impossibilidade da abertura de um processo de impeachment, do desinteresse das lideranças políticas em enfrentá-lo, resta uma alternativa de sobrevivência para o Brasil: a interdição judicial de Jair Bolsonaro. É simples, basta um exame com um especialista. Após o laudo sairemos às ruas para comemorar.

_________________________________________________Marco Antonio Villa - Lula continua o mesmo da época do mensalão

14.out.2004 - Roberto Jefferson com o então presidente Lula e o ministro José Dirceu, à época, em jantar oferecido pelo petebista em Brasília  - Alan Marques /Folhapress
14.out.2004 - Roberto Jefferson com o então presidente Lula e o ministro José Dirceu, à época, em jantar oferecido pelo petebista em Brasília Imagem: Alan Marques /Folhapress
Marco Antonio Villa Colunista do UOL 11/11/2021 11h32

O Brasil contemporâneo é um país caricato. O noticiário político é tomado por fofocas, serias divergências sobre a forma de saquear o erário e uma ou outra ideia perdida em meio a barafunda de mediocridades. Personagens vão e voltam sem que no caminho possam ter dado algum tipo de contribuição à república.

Roberto Jefferson que tinha desaparecido por um bom tempo das páginas reservadas à política - estava restrito ao noticiário policial - fez uma conversão ao bolsonarismo tão sincera como foi lulista na primeira década deste século. Presumo que o Brasil não tenha esquecido que o "comunista" Lula —tão comunista que durante seu governo os bancos tiveram os maiores lucros da história e o grande capital se locupletou em negócios nem sempre republicanos— tinha Bob Jeff em alta conta, tanto que proclamou aos quatro ventos que daria um chegue em branco devidamente assinado ao presidente do PTB. E na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados defendeu entusiasticamente o então presidente Lula ("é um homem de bem"; "Daria um cheque em branco ao presidente Lula, retribuindo a confiança dele em mim"). E exigiu a demissão de José Dirceu —ministro-chefe da Casa Civil: "Se você não sair daí rápido, você vai fazer réu um homem inocente, que é o presidente Lula. Sai daí rápido." Obteve êxito no seu pleito.

Decisão do TCU revela a moralidade dos fidalgos da República de Sergio Moro

Já Valdemar da Costa Neto, o "boy" de Mogi das Cruzes, em 2002 vendeu o PL para o PT numa reunião em Brasília em um apartamento funcional de um deputado petista. Foi, para os padrões atuais, um preço módico: dez milhões de reais. A aliança, que teve José de Alencar como vice-presidente na chapa petista, estabeleceu o modus vivendi do governo Lula.

Tanto Valdemar como Jefferson foram réus na Ação Penal 470, o processo do mensalão. E foram sentenciados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O decano do STF, ministro Celso de Mello, considerou os mensaleiros como marginais do poder: "estamos tratando de macrodelinquência governamental, da utilização abusiva e criminosa do aparato governamental ou do aparato partidário por seus próprios dirigentes."

Já Ayres Britto, presidente do STF, considerou o mensalão como "um projeto de poder quadrienalmente quadruplicado. Projeto de poder de continuísmo seco, raso. Golpe, portanto".

Os dois estão de volta, mas continuam com sérios problemas na justiça. O Código Penal os persegue. De lulistas viraram bolsonaristas, sem nenhum pudor. O "boy" de Mogi, muito mais esperto que Jefferson, sempre evitou a exposição pública. Preferiu os conciliábulos de Brasília, onde Marianne é entregue à sanha dos corruptos.

O ex-presidente não foi enganado por nenhum dos dois celerados. Ao estabelecer uma aliança política, o fez conscientemente. Optou por comprar monetariamente o apoio. Poderia buscar outros apoiadores, mas, neste caso, teria de rever sua prática governamental.

Lula já está em campo à procura dos Valdemares e Jeffersons de 2022. Não faltam candidatos. O preço subiu, mas nada que não possa ser comprado com dinheiro público.

_________________________________________________Ricardo Melo: Bolsonaro e Moro são símbolos de um retrocesso sem precedentes

Destruição do país segue em ritmo acelerado, e ainda falta mais de um ano

"Vim para destruir", disse JMB (dito Bolsonaro) logo após assumir de modo fraudulento o Planalto. Talvez tenha sido a única frase mais ou menos sincera emitida pelo sujeito que há três anos faz campanha pela própria reeleição.

Tirando os poderosos de sempre, nenhum setor do país escapou da sanha anti-Brasil estampada em seu verdadeiro lema de governo.

O ato mais recente foi liquidar o Bolsa Família, responsável por tirar da miséria extrema milhões e milhões de brasileiros e elogiado no mundo inteiro por quem se interessa em preservar vidas.

Em seu lugar, oferece-se um tal Auxílio Brasil, que não tem verbas, reduz o número de brasileiros atingidos e, de prático, tem apenas data de duração: só até as eleições do ano que vem.

Sergio Moro, da Lava Jato à demissão do Ministério da Justiça

Dispensável listar extensamente o prontuário de JMB na sua trajetória de horrores. O desemprego sangra cada vez mais famílias. A inflação voltou à toda, principalmente para os mais pobres. Combustível começa a ser comprado em doses, não litros, tamanha a alta de preços.

Na educação, todos os programas vêm sendo dinamitados impiedosamente, do ensino básico ao superior, a ponto de três dezenas de funcionários da área pedirem demissão a poucos dias da realização do Enem.

O setor cultural virou um feudo do obscurantismo mais rasteiro, tendo à frente um ator secundário de um seriado juvenil da rede Globo.

O "melhor ministério da história" anunciado por JMB é uma soma de nulidades; há até um astronauta travesseiro na Ciência e Tecnologia. A Saúde está entregue a quem se dispuser a trocar Hipócrates por hipócrita. Os exemplos são vários. De muitos nem se ouve falar. Quando se ouve nunca é coisa boa.

A cereja deste bolo mofado, claro, é o superministro da economia. Saudado como "Posto Ipiranga", revelou-se rapidamente um frentista fajuto que vende gasolina batizada.

A economia está aos pedaços, a indústria desaba a cada novo indicador, salários são achatados e o sr. Paulo Guedes foge de dar esclarecimentos sobre seus negócios suspeitos no exterior.

Veja quais são os possíveis candidatos à Presidência em 2022

Combate à corrupção? JMB, estrategista de 'rachadinhas", não perde uma oportunidade para mexer peças no Judiciário a fim de safar ele e a famiglia da cadeia.

Os aviões da FAB viraram Uber gratuito para amigos do rei, da rainha Michelle e de ministros –gratuito para eles, não para o povo que paga a conta.

Cargos são abertos no exterior para médicos amigos. A "primeira filha" fura fila em escolas militares. Para encobrir delitos, fácil: baixa-se uma portaria determinando sigilos centenários.

Não bastasse tudo isso, o presidente incorruptível, que já circulou por oito partidos, filia-se a uma legenda dirigida por um ex-condenado e ex-presidiário renegado pela própria ex-mulher.

Tudo isso já serviria de ficha capaz de levar qualquer cidadão ao xadrez. Mas o maior dos crimes são as mais de 600 mil mortes provocadas por sabotagem, negociatas, negacionismo e charlatanices durante a pandemia da Covid.

Crime contra a humanidade como concluiu a CPI. Discussões semânticas à parte, é tão ou mais grave que genocídio.

Nessa situação de calamidade, ressurge das cinzas gente como Sergio Moro, braço direito de JMB na eleição de 2018.

Foi ele, junto com o supreminho tribunal federal, que impediu Lula de disputar o pleito com base num processo sem provas.

Como se os brasileiros fossem uma manada de jumentos, Moro tenta aparecer repaginado com a mesma autenticidade de um whisky paraguaio. Sua bandeira, tão previsível quanto a de todos dos que não têm nada a propor: "combate à corrupção".

Logo ele, símbolo da maior das corrupções: manipular o Judiciário de forma torpe com fins políticos, criando em torno dele uma gangue de malfeitores para montar processos sob encomenda.

Agora o sujeito fala contra "rachadinhas" (não sabia que elas existiam quando aceitou um cargo neste governo?) e numa força-tarefa contra a pobreza.

Só se for contra a "pobreza" dele e da própria turma. Que tal se ele começasse por devolver o indecente auxílio-moradia do qual se beneficiou durante tanto tempo, além de tantos outros penduricalhos que engordam o caixa da sua moçada?

Não à toa filiou-se ao "Podemos", mais conhecido como "Perdemos".

No Brasil tudo é imprevisível. Mas, a julgar por este tipo de adversários, mesmo se jogar parado Lula ganha fácil.

O ex-presidente Lula em 2021

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Gilberto Braga e a 'bronca' do Exército depois da estreia de 'Anos Rebeldes', em 1992 | Blog do Acervo - O Globo

'Anos Rebeldes'. Malu Mader, Cássio Gabus Mendes, Claudia Abreu e Pedro Cardoso

Quando estava escrevendo os episódios de "Anos rebeldes", Gilberto Braga disse que não seria tendencioso e que haveria "personagens simpáticos tanto na esquerda quanto na direita" representados na minissérie. Mas avisou que a produção não faria defesa da tortura e nem da ditadura. "Provavelmente, se alguém ainda for a favor de torturar jovens de esquerda, não vai gostar de 'Anos Rebeldes'. Mas tenho a impressão de que não há mais ninguém assim. Será que há?", questionou o autor de novelas da Globo, numa entrevista publicada pelo GLOBO em abril de 1992.

O escritor contou ao jornal que, em meados da década de 1960, quando os generais já mandavam no Brasil, ele estava na casa de seus 20 anos e dava aulas na Aliança Francesa. Em conversas com os estudantes, chamava de "coup d'etat" a deposição do presidente João Goulart, em 1964, mas não era exatamente um militante político. Passava a maior parte de seu tempo livre em salas de cinema, na companhia de diretores como George Cukor e Françoise Truffaut. Segundo ele, contudo, foi a própria sétima arte que o fez "sair da alienação", em parte graças ao filme "Missing: O Desaparecido", lançado pelo diretor Costa-Gravas em 1982. 

'Anos rebeldes'. Cássio Gabus Mendes, Malu Mader e Marcelo Serrado

A motivação para "Anos rebeldes" surgiria depois de "Anos dourados", que foi ao ar em 1986, situada no Brasil da década de 1950. Ele conta que conhecidos e amigos seus começaram a abordá-lo dizendo: "Agora você tem que escrever sobre os anos 60, os anos de chumbo". No início, Braga não levara muito a sério, mas a ideia ficou lá na cabeça, amadurecendo, até que, em 1992, o autor decidiu se dedicar a ela, com a colaboração de Sérgio Marques e escorado em livros como "1968 - O ano que não terminou" (1989), de Zuenir Ventura, e "Os carbonários" (1981), de Alfredo Sirkis.

A minissérie estreou em 14 de julho daquele ano, apenas sete anos depois do fim da ditadura militar. O roteiro gira em torno do casal formado por Maria Alice (Malu Mader) e João Alfredo (Cassio Gabus Mendes), jovens com visões ideológicas distintas que vivem um romance atribulado no contexto da luta armada e da repressão militar. Evitando o tom didático, mas resgatando realidades como o movimento estudantil, a guerrilha, a censura, a tortura, a moda e a música da época, a produção foi bem recebida pelo público. Até hoje, é uma referência de conteúdo audivisual sobre o período sombrio da história recente do Brasil. Porém, três dias depois do primeiro episódio ir ao ar, o Exército divulgou um "editorial" em resposta.

Anos Rebeldes. Cena em que personagem de Claudia Abreu é morta por militares

Intitulado "A história que não foi contada", o comunicado não citava "Anos Rebeldes", mas, de acordo com a reportagem do GLOBO sobre o texto, dois oficiais do Centro de Comunicação Social do Exército que pediram para não serem identificados afirmaram que a medida fora mesmo motivada pela exibição do seriado. O editorial dizia que "momentos da história recente que tiveram sua origem na Revolução Democrática de 1964 vêm sendo reescritos segundo uma ótica deturpada, porquanto tendenciosa". O comunicado também justificava a repressão das forças armadas, que incluiu a tortura e a morte de centenas de militantes, alegando que aqueles jovens foram manipulados pelos "arquitetos do horror".

"Não foram as forças legais que doutrinaram ingênuos sonhadores, a ponto de tranformá-los em assaltantes, sequestradores e homicidas", diz uma outra parte do texto, que terminava dizendo que aquele momento do país pedia a conciliação e apelando para que os "suaves ventos" da Lei da Anisitia "que lograram sufocar a parcela de ódio e terror", continuassem a soprar.

Anos Rebeldes. Malu Mader e Claudia Abre durante gravação em Ipanema

A reportagem do GLOBO sobre o editorial tinha comentários do último presidente da ditadura, o general João Figueiredo ("Não estou acompanhando 'Anos rebeldes' e nem sei o que é isso"), e do general Newton Cruz, ex-chefe da agência central do Serviço Nacional de Informações (SNI), um dos órgãos mais ligados à repressão durante o regime militar ("Não estou acompanhando, mas se estiver apresentando apenas a faceta dessa rebeldia dos moços, não deveria ser exibida").

Na mesma matéria, o jornal publicou a resposta de Gilberto Braga à reação do Exército: "Comprendo perfeitamente a visão do senhor ministro do Exército. É uma defesa do golpe militar de 1964 e das posições assumidas pelo Exército. Esta também é a posição de alguns personagens da minissérie, como Abelardo, Bernardo e, mais tarde, Maria Lúcia, todos muito simpáticos e vistos com ternura pelos autores, e Fábio, este bastante radical. Por outro lado, criamos tipos que acreditavam na luta armada. Não tomei partido. Tentei mostrar os dois lados para provocar discussões, pois esta me parece a função da dramaturgia. O público terá a opinião que quiser".

Gilberto Braga em imagem de fevereiro de 1991

_________________________________________________As esquerdas precisam enterrar a "democracia burguesa" - Marco Mondaini

Por Marco Mondaini 26 de outubro de 2021, 22:44


Para o jovem Marx, os direitos humanos não passariam de um produto da sociedade burguesa, na qual a conquista da liberdade do indivíduo implicaria sempre a limitação da liberdade dos outros indivíduos e não a sua realização junto a esta última.

Nesse sentido, os direitos humanos desempenhariam a função de instrumento de delimitação da individualidade dos homens livres, que, na vida real, estariam envoltos na clássica “guerra de uns contra os outros” hobbesiana. Com isso, a escravidão da sociedade burguesa ganharia a aparência da sua maior liberdade — isso, através da substituição do que antes era privilégio pelo direito.

Mesmo sem tratar diretamente da questão dos direitos humanos e apesar de não ser um texto de natureza filosófica, A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky de Vladimir Lenin ocupa um lugar central na difusão da crítica marxista aos direitos humanos iniciada por Karl Marx na Questão Judaica, de 1843-1844, quando tinha apenas 25 anos, deslocando o seu alvo principal para a democracia.Escrito no ano de 1918, com o escopo de defender a dissolução da Assembleia Nacional Constituinte pelos bolcheviques e rebater as teses enunciadas pelo líder da social democracia alemã, Karl Kautsky, em A Ditadura do Proletariado, o livro de Lenin foi um dos maiores responsáveis pela afirmação da dicotomia entre “democracia burguesa” e democracia proletária no interior das várias tradições do pensamento marxista e dos partidos comunistas em todas as partes do planeta.

Para Lenin, não haveria sentido algum em falar de democracia em geral, de democracia pura, em uma sociedade dividida em classes, podendo-se falar apenas de democracia de classe enquanto existirem classes diferentes.

Por conseguinte, seria inevitável a pergunta: democracia para que classe? Somente assim seria possível a percepção de que a democracia pura não passa de um meio para se esconder o caráter de classe da “democracia burguesa”.

Dito de outra maneira, à medida que é compreendida como um conceito jurídico e formal, a democracia se reduz a uma aparência responsável pelo encobrimento da dominação das massas pela burguesia, uma expressão ideológica da ditadura de classe burguesa.

O raciocínio desenvolvido pelo líder da Revolução Russa não deixa margem a qualquer espécie de dúvida. Em função da sua essência burguesa, a democracia contemporânea, isto é, capitalista, seria uma democracia para os ricos, sendo a igualdade formal apenas o tipo de igualdade desejado pelos capitalistas.

Assim, a conclusão a que chega Lenin sobre as instituições representativas parece óbvia. O parlamento é uma instituição burguesa, comandada por uma classe hostil, uma minoria exploradora, sendo um instrumento de opressão dos proletários, inteiramente alheio aos interesses destes últimos, diversamente do instituto revolucionário de participação criado no decorrer do processo revolucionário russo – os sovietes.

O filósofo francês Claude Lefort, quando ainda estava de pé o “socialismo realmente existente”, assinalou com precisão o ponto central do equívoco cometido por Marx em relação aos direitos humanos, numa análise que, em grande medida, pode ser estendida ao entendimento da questão democrática por Lenin.

Para Lefort, tal equívoco estaria situado na não percepção de que a descoberta dos direitos humanos e da democracia nasce da luta de classes, dos movimentos populares e operários, não sendo uma invenção da burguesia, mas das classes que contra esta última se contrapuseram no decorrer da modernidade.

Pois bem, na gravíssima conjuntura sócio-política-econômica-sanitária que atravessamos, diante do enorme desafio de derrotar o Governo Bolsonaro e o bolsonarismo, cabe as esquerdas lutarem pela defesa e afirmação progressiva da democracia, cientes de que esta tem um caráter histórico não apenas antifascista e antineoliberal, mas também anticapitalista, já que, na sua essência, ela é a força motriz da socialização dos poderes.

Assim sendo, o uso do conceito de “democracia burguesa” uma vez mais demonstra-se um equívoco teórico com graves implicações políticas para o conjunto das forças de esquerda que forjaram a democracia e os direitos humanos desde a Revolução Francesa.

Que tal enterrá-la como conceito?

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