______________________* Estouro de teto, inflação e juros em alta, recessão: o 2022 do Brasil

 Fim do home office no BNDES  foi parar na Justiça

_________________________________________________Samsung lucra mais de US$ 10 bi no 3º tri e supera previsão de analistas em meio à escassez de chips

_________________________________________________Estouro de teto, inflação e juros em alta, recessão: o 2022 do Brasil _________________________________________________Mutação aumenta casos de gripe aviária em humanos na China e preocupa especialista _________________________________________________Vaivém das Commodities: Para indústria, varejo mostra ganância e não reduz preço da carne, apesar do recuo do valor do boi _________________________________________________É MUITO CEDO para considerar que Bolsonaro já era em 2022 _________________________________________________NEOLIBERALISMO supõe ERRADICAR a miséria ELIMINANDO o miserável _________________________________________________O PASTOR que NÃO RESSUSCITOU e a FÉ_IDIOTIZADA numa ÓPERA NEOPENTECOSTAL BUFA - Ricardo Nêggo Tom _________________________________________________Relembre os grandes VILÕES das novelas de GILBERTO BRAGA * Autor ficou célebre por criar personagens que o público amava odiar _________________________________________________Enem: 40 ERROS de PORTUGUÊS para NÃO cometer mais _________________________________________________"Já faturei R$ 15 milhões" * GIL do VIGOR sobre conquistas após BBB 21: "Já faturei R$ 15 milhões" _________________________________________________Mega-Sena acumula e vai a R$ 75 milhões no próximo sorteio; veja números ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • Sonia Braga em cena da novela "Dancin' Days", escrita por Gilberto Braga em 1978

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_________________________________________________Mega-Sena acumula e vai a R$ 75 milhões no próximo sorteio; veja números

Mega-Sena 2425: o sorteio aconteceu no Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo - Rodrigo Gavini/Folhapress
Mega-Sena 2425: o sorteio aconteceu no Terminal Rodoviário Tietê, em São Paulo Imagem: Rodrigo Gavini/Folhapress

Do UOL, em São Paulo 03/11/2021 20h03 Atualizada em 03/11/2021 21h53

A Caixa realizou hoje (3), em São Paulo, o sorteio do concurso 2425 da Mega-Sena. Os números sorteados foram 10-31-38-46-49-54. Segundo banco, ninguém cravou todas as dezenas para levar o prêmio de R$ 65.075.031,99, e por isso o valor para a próxima edição subiu e vai ser de R$ 75 milhões.

O sorteio teve ainda 75 apostas vencedoras na faixa da quina. Cada uma delas vai embolsar a quantia de R$ 57.727,72.

Outras 5.048 apostas foram contempladas com R$ 1.225,26, valor para quem acertou a quadra.

Quando será o próximo sorteio da Mega-Sena?

O concurso 2426 está marcado para o próximo sábado (6), em São Paulo, em evento que será realizado a partir das 20h (horário de Brasília) com transmissão ao vivo pela internet, no canal oficial do banco no YouTube, e com possibilidade de exibição simultânea pela RedeTV! (o calendário oficial de loterias não informa mais com antecedência qual sorteio será exibido em TV aberta, sendo sempre um por dia).

_________________________________________________Samsung lucra mais de US$ 10 bi no 3º tri e supera previsão de analistas em meio à escassez de chips

Gigante sul-coreana esta ampliando seus ganhos com o aumento do preço de eletrônicos e principalmente de itens que fabrica, como microprocessadores
Consumidor segura o Samsung Galaxy Z Fold 3, um dos smartphones de alto valor que estão turbinando lucros da sul-coreana Foto: SeongJoon Cho / Bloomberg
Consumidor segura o Samsung Galaxy Z Fold 3, um dos smartphones de alto valor que estão turbinando lucros da sul-coreana Foto: SeongJoon Cho / Bloomberg

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SEUL — O balanço do terceiro trimestre da Samsung superou as expectativas de analistas com um lucro de US$ 10,3 bilhões no período.

O resultado ocorre em meio à escassez de semicondutores, que pressiona os preços de chips de memória e de sistema de computadores e celulares produzidos pela gigante sul-coreana de tecnologia.

O valor de mercado da empresa subiu para US$ 12,06 trilhões, bem acima dos US$ 11,54 trilhões de projeções compiladas pela Bloomberg.

A Samsung divulgou uma prévia do balanço trimestral no começo do mês, que já previa crescimento de 25% no lucro operacional.

A maior fabricante de chips de memória e smartphones do mundo se beneficiou de forte demanda reprimida conforme aumentava a retomada das atividades diante de arrefecimento da pandemia, com aumento no preço de semicondutores.

Apesar disso, o preço de chips de memória deve começar a estabilizar no último trimestre, conforme consumidores ficam menos ansiosos para fazer novos pedidos após fazer estoque de itens.

— O crescimento da exportação de chips de memória pode continuar rapidamente, mas preços podem continuar a diminuir. O valor da exportação de chips de memória cresceu 29% em setembro, em relação a 2020, para US$ 3,78 bilhões, o maior lucro desde novembro de 2018. No entanto, preços de grandes contratos podem cair em breve — diz Masahiro Wakasugi, analista da Bloomberg Intelligence.

O envio de smartphones e preço médio de vendas subiram, em comparação com o primeiro trimestre, puxados pelo lançamento da nova geração Z, um dos modelos dobráveis da Samsung.

Galaxy Z Fold 3 e Flip 3 possivelmente venderam 2,8 milhões de unidades no terceiro trimestre, e a quantidade deve chegar a 3,6 milhões no último trimestre, segundo a Meritz Securities afirmou em nota.

_________________________________________________Jetson ONE: um kart voador que promete muita diversão | Beto Largman - O Globo

Por Beto Largman

Jetson ONE

Para os aficionados na adrenalina proporcionada pelos veículos aéreos elétricos, a startup sueca Jetson Aero criou uma pequena maravilha: um pequeno kart voador construído em alumínio e fibra de carbono, oito rotores e capaz de chegar a 100 km/h. O Jetson ONE já pode ser encomendado pela módica quantia de 92 mil dólares (cerca de R$ 520 mil) e, segundo a empresa, um brasileiro de Campinas figura entre os cinco primeiros felizardos que receberão o bólido em 2022.

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O Jetson ONE foi concebido como um veículo de lazer: para controlar a direção há um joystick e uma alavanca funciona como acelerador. Três computadores garantem que o Jetson ONE voe sem problemas, mesmo com a perda de um dos motores – e fique pairando no mesmo lugar, caso o piloto solte os controles. Sensores desviam o veículo de obstáculos não percebidos pelo piloto e há um paraquedas balístico para emergências.

Jetson ONE

A Jetson Aero está vendendo o ONE como kits para serem construídos em casa, 50% montados. O uso do veículo é recreacional e a permissão e local para seu uso vai variar dependendo da legislação de cada país. Enquanto a moto voadora Speeder  não ficar pronta, o Jetson ONE é, sem dúvida, o veículo aéreo mais divertido a chegar ao mercado.

Dica do Uncrate

Jetson ONE
Jetson ONE | Divulgação Jetson Aero

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Até quando Lira e Aras vão blindar o presidente ? | Míriam Leitão - O Globo

Jair Bolsonaro em live
A boa notícia é que esta semana não haverá live semanal do presidente no Facebook. Ele está suspenso por uma semana. Mas isso é pouco para a quantidade de mentiras e para os efeitos negativos que estas fake news reiteradas causam ao longo do tempo. Ele foi apenas colocado de castigo.
A presidência tem imunidades. É a proteção do cargo. Não pode virar impunidade para cometer crimes reiterados, como tem acontecido no país. E são mentiras e mentiras sobre saúde, que tiram vidas de brasileiros ainda mais nesta situação de pandemia. 

_________________________________________________Bicicletário do governo a toda: pedaladas energética e ambiental, além da fiscal | Míriam Leitão - O Globo

A crise de energia vai bater as porta dos brasileiros. Julho e Agosto foram os piores meses da série histórica de monitoramento do setor elétrico, afirma o Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.
O bicicletário do governo não para de aumentar. E não fica só nas contas públicas - as chamadas pedaladas fiscais - todas as contas vão sendo manipuladas. Agora, a pedido do governo, o BNDES começa a se organizar um pool de bancos que vai fornecer um empréstimo de R$ 15 bilhões para as concessionárias, que vão pagar só depois do fim do mandato de Bolsonaro. 
É uma pedalada na energia, e assim aconteceu o tarifaço em 2014, ano eleitoral. Não houve aumento na conta naquele ano e em 2015 veio um reajuste muito forte, com impacto na inflação.
As empresas estão gastando mais na compra da energia porque o sistema está usando mais as termelétricas, que são mais caras e mais sujas. O governo deveria ter preparado outras fontes. Por exemplo, essa semana mesmo fez um leilão emergencial de energia ( veja nota aqui) e rejeitou as propostas de biomassa e solar. Aceitou apenas a de gás. Apostou na fóssil, com um detalhe que ela é cinco vezes mais cara.  
Ou seja, as concessionárias vão pegar o empréstimo e quem vai pagar somos nós, consumidores, na conta de luz. 
Outra pedalada vem da área climática. O Brasil chegou na reunião da ONU afirmando que tinha ampliado suas emissões. Mas não foi isso e todo mundo entendeu.  Foi mudado o inventário de emissões de 2005, ano definido como base de cálculo. O relatório da ONU mostrou claramente que a mudança de posição brasileira, ao invés de cortar, aumenta a possibilidade de emissões de gases poluentes em 307 milhões de toneladas de CO2 por ano em 2030. E mais, a pedalada energética é para pagar energia fóssil que aumenta a emissão. Ou seja, são pedaladas de bicicletas gêmeas.

_________________________________________________A PEC que fura o teto finge ser para os pobres, mas é para aumento de gastos dos parlamentares | Míriam Leitão - O Globo

O espelho d'água em frente ao Congresso
A negociação da proposta que estoura o teto de gastos terminou em impasse na terça-feira. O governo ficou inseguro com o quórum por não ser presencial. O fato é que há muita discussão, inclusive na oposição. A dúvida é porque a mudança do teto foi apresentada como sendo a forma de aumentar o valor de benefício para os mais pobres. Mas, na verdade, o objetivo não é esse. O governo está incluindo mudanças para elevar o fundo eleitoral para 5 bi e garantir as emendas do relator, que darão dinheiro tanto para senadores como para deputados da base governista.

E tem um detalhe curioso: quanto maior for a inflação do ano, melhor para quem quer aumentar os gastos do governo. É que o teto de gastos será calculado agora com base na inflação de Janeiro a Dezembro. Como ela está subindo neste fim de ano, o valor total de gastos a mais está crescendo. 

Uma parte do gasto extra será feita com base na postergação de dívidas do governo que transitaram em julgado, os chamados precatórios. Será formada, dessa forma, uma dívida paralela, que virará uma bola de neve.
O ato do governo de não pagar uma dívida para gastar mais tem um nome conhecido: pedalada. O governo está pedalando com a ajuda do Congresso.

_________________________________________________Melhora no emprego veio com queda na renda mostrando que mercado de trabalho continua em crise | Míriam Leitão - O Globo

Na imagem, fila do emprego faz a curva
A queda da taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto é uma boa notícia, até porque caiu mais do que o previsto, mas não é suficiente. Ainda são 13,7 milhões de brasileiros em busca de uma vaga.
O que a PNAD do IBGE mostra que cresceu principalmente o emprego informal. Atualmente, correspondem a 41% da população ocupada. Na média, são trabalhadores que ganham menos, sem recolhimento para o INSS. Além de mostrar a precarização do emprego.
A previsão mediana das consultorias e instituições financeiras  era de uma taxa de desemprego de 13,5% no trimestre terminado em agosto. O intervalo das estimativas era de 13,2% a 14%. O segundo semestre sempre tem uma redução no índice de desemprego, vão se criando vagas temporárias de final de ano e há uma oscilação natural.
A criação de empregos é até natural depois da queda do ano passado e em decorrência do crescimento de 5% do PIB deste ano. Não é uma retomada da economia. Para o ano que vem, os analistas estão projetando uma estagnação da economia. Tanto que a projeção é que o número de desempregados para o final de 2022 será maior do que este ano. 
A queda na renda real reflete também o forte aumento da inflação nos últimos meses. 

_________________________________________________Estouro de teto, inflação e juros em alta, recessão: o 2022 do Brasil

Crise na economia e acusação na CPI | Míriam Leitão - O Globo

Por Míriam Leitão

O presidente da República, Jair bolsonaro

O procurador-geral da República, Augusto Aras, começou a conversa num estilo “Rolando Lero”, na definição de um senador. O presidente da CPI, senador Omar Aziz, encurtou a conversa e disse: “procurador, o deputado Ricardo Barros está dizendo por aí que o senhor vai arquivar esse relatório em 30 dias. A gente espera que isso não seja premonição.” O dia começou nessa cena “constrangendo Aras”, continuou com a Câmara às voltas com a PEC que fura o teto de gastos e terminou com uma grande alta da taxa de juros. A Selic foi para 7,75%, com aumento de 1,5%.

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O grupo dos parlamentares que liderou a mais competente CPI dos últimos tempos decidiu que vai entregar a cada autoridade responsável a cópia do documento. Começou, claro, por Aras. Os senadores e as senadoras trabalharam para não ligar o forno de pizza. Por isso, a CPI produziu durante os seus trabalhos inúmeros efeitos que ajudaram a salvar vidas. É difícil imaginar o que teria sido do Brasil sem a CPI e sem o STF reforçar a autoridade de os governadores adotarem medidas protetivas. Mesmo assim há um duro caminho à frente, segundo fontes do Ministério Público.

— O mais promissor está nos crimes contra a saúde. Crime de agravamento de epidemia com resultado de morte pode ser o mais forte, mas é preciso mostrar o nexo causal. Não adianta ser óbvio, o MP tem que provar. Precisamos de provas e não de convicções —disse um procurador, lembrando uma frase que ficou famosa na Lava-Jato.

Um dos fatos que parece fácil provar é prevaricação na compra de vacinas, explicou o procurador. Mas, nesse caso, a prescrição ocorre rapidamente. E qual será a estratégia de Aras? Segundo fontes do MP, a tendência de Aras é ganhar tempo para nada decidir:

— Ganhar tempo é vital para ele na disputa da cadeira do STF.

Outro procurador avaliou que há provas de todos os crimes, ainda que seja incerto o caminho na PGR:

— Poder ele pode (arquivar o relatório) porque é titular exclusivo da ação penal contra o presidente da República. Por outro lado, eu li o relatório e acho que as provas são abundantes.

Os senadores da CPI dizem que vão marcar em cima, e no Supremo já há sinais de irritação com o método do PGR de não decidir.

A economia do governo Bolsonaro atravessou ontem um marco. Passou a ter uma taxa de juros mais alta do que a que recebeu. Quando o governo começou, a taxa estava em 6,5% e com o terreno preparado para continuar caindo. Ontem foi para 7,75%. E já prometeu mais 1,5 ponto na próxima reunião, isso significa que terminará o ano em 9,25%.

Era necessário o Banco Central apertar o passo. A inflação passou de 10% no acumulado de 12 meses, pelo IPCA, diante de uma meta que é 3,75%. Nesse contexto, o governo promove uma mudança constitucional casuística para ampliar gastos. E, como já disse aqui, nunca foi pelos pobres. A pobreza está sendo usada como biombo. O governo quer ter espaço para gastos eleitoreiros e para compra de apoio no Congresso que o blinde de um processo de impeachment.

A PEC dos precatórios é um completo absurdo. Mesmo assim recebeu elogios do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que prometeu levá-la diretamente ao plenário quando estiver aprovada na Câmara.

Técnicos do Câmara dizem que o espaço a ser aberto com a manobra da mudança do teto de gastos e o adiamento do pagamento dos precatórios pode ser maior do que os R$ 83 bilhões. Isso porque o governo vai ter vantagem com a inflação. Quanto mais ela subir, maior será o valor no teto de gastos com a transferência da data de reajuste. Em vez de 12 meses até junho, será de 12 meses de janeiro a dezembro. A inflação está acelerando e isso ampliará o teto. Claro que os benefícios também serão corrigidos por esse valor, mas o correto, se o objetivo fosse a sincronização, era passar também as despesas para serem corrigidas com o índice de julho a junho.

O governo está fazendo uma sucessão de pedaladas nesta PEC. O crime fiscal usado como acusação contra a ex-presidente Dilma agora é incluído na Constituição. A economia, contudo, reage com elevação da inflação, que provoca a alta de juros. Nesse cenário, o país caminha para a recessão no ano que vem. Com estouro de teto, inflação, juros altos, recessão, chegaremos ao último ano de mandato de um presidente acusado pela CPI de ter cometido nove crimes.

_________________________________________________É muito cedo para considerar que Bolsonaro já era em 2022

Disputa de partidos por filiação de Bolsonaro mostra que presidente ainda terá força em 2022

Por Malu Gaspar

O presidente da Câmara, Arthur Lira, e o presidente Jair Bolsonaro, após reunião no Palácio do Planalto

Todas as pesquisas de opinião disponíveis no Brasil mostram que, se as eleições presidenciais fossem hoje, teríamos um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. As projeções indicam ainda que o petista ganharia do presidente por larga margem. Nos últimos meses, os índices de popularidade de Bolsonaro têm derretido.

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Esses fatores estão orientando a estratégia da esquerda, que, assim como parte da opinião pública, calcula seus movimentos para 2022 baseando-se na presunção de que Bolsonaro já era. Parando para analisar com mais calma os fatos dos últimos dias, porém, a coisa muda de figura.

A CPI da Covid aprovou na terça-feira seu relatório pedindo o indiciamento de Bolsonaro por nove crimes, mas encontrará na Procuradoria-Geral da República uma barreira sólida — Augusto Aras, que já está bolando formas de postergar qualquer iniciativa a respeito.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, deu sinais de que não pretende fazer avançar nenhum eventual pedido de impeachment decorrente da CPI.

Tudo indica que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) arquivará o pedido de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão por disparo em massa de mensagens na campanha eleitoral de 2018.

No STF, o ministro Kassio Nunes Marques, nomeado por Bolsonaro, acaba de reconduzir ao cargo o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Domingos Brazão, ex-deputado estadual investigado na CPI das Milícias e afastado por suspeita de corrupção. 

Isso depois de uma semana em que Paulo Guedes perdeu quatro auxiliares-chave, numa debandada contra a mudança de regras que permitirá ao governo extrapolar o teto de gastos. A saída fez o dólar registrar sua maior alta desde abril e a Bolsa, a maior queda em um ano.

Para completar, na noite de domingo vazou um áudio em que o controlador do BTG, André Esteves, se gabava de dar conselhos a Arthur Lira sobre como lidar com a crise na economia e contava, na maior naturalidade, sua troca de ideias com o presidente do Banco Central sobre o patamar ideal para a taxa de juros.

Em qualquer país sério, o episódio teria causado um furdunço. No Brasil, foi o contrário. O dólar e a Bolsa estabilizaram, no que observadores mais irônicos interpretaram como reação favorável do mercado ao constatar quem de fato está no comando. 

Com tudo isso acontecendo, os líderes dos principais partidos do Centrão, PL e PP, estão disputando a tapas a filiação de Jair Bolsonaro e sua trupe em suas legendas.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, divulgou um vídeo anunciando ter convidado Bolsonaro e seus filhos “e fiéis seguidores da causa brasileira”, esperando que o presidente da República anunciasse a filiação no dia seguinte, mas o PP de Lira e Ciro Nogueira atravessou a negociação.

Os dois prometeram a Bolsonaro mais espaço para seus candidatos e ouviram dele que tinham voltado ao primeiro posto na fila de suas preferências.

Lira, Nogueira e Costa Neto não são neófitos na política, nem consta que se movam por paixões ideológicas. Quem abrigar Bolsonaro em seu partido terá de ir até a urna com ele. Portanto, se estão cortejando Bolsonaro com tamanha sofreguidão, é porque entendem que, mesmo com os péssimos prognósticos na economia e o cenário desanimador das pesquisas, estar colado ao presidente da República ainda vale mais que abandoná-lo e pular de canoa no meio da corrida eleitoral.

Para esses caciques, o jogo é usar as verbas e o apelo eleitoral que Bolsonaro ainda tem para engordar suas bancadas no Congresso no pleito de 2022 e ingressar com mais força no novo governo em 2023, qualquer que seja ele.

Isso mostra que as pesquisas estão erradas? Não necessariamente.

Mas sugere que é muito cedo para considerar que Bolsonaro já era. O presidente ainda é forte na disputa. E se tornará um adversário ainda mais difícil de bater se souber usar a seu favor os R$ 5 bilhões previstos para o fundo eleitoral, mais os quase R$17 bilhões ainda disponíveis no orçamento secreto.

No fundo, a disputa para filiar o presidente é uma demonstração de que, para o Centrão, ele pode representar um risco à democracia, uma tragédia para a saúde pública e uma temeridade para a economia.

Mas, enquanto esses caciques e suas necessidades estiverem bem contemplados, a sobrevivência política de Bolsonaro está assegurada. Por aí se calcula quanto custará mantê-lo vivo até o final de 2022. Será uma conta que todos vamos pagar.

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De exemplo para o mundo à derrota em casa: como Costa deixou a crise chegar em Portugal | Portugal Giro - O Globo

Por Gian Amato

António Costa durante a votação no Parlamento de Portugal que vetou o orçamento

António Costa. Político habilidoso, inventor da Geringonça, a coalizão das esquerdas em Portugal, um exemplo de resistência à extrema direita na Europa, que ele mesmo implodiu em 2019. Governante experiente, liderou aliados sem descartar ajuda pontual de rivais durante seis anos, período no qual o país experimentou estabilidade pós-crise econômica e virou um eldorado para os brasileiros. Era para ser o primeiro-ministro a mais tempo no poder sem passar por grandes crises. Até hoje, quando viu seu Orçamento de Estado (OE) para 2022 ser rejeitado no Parlamento com os votos dos ex-parceiros.

Mas o que aconteceu com António Costa? O líder do Partido Socialista (PS), de centro-esquerda, confiou demais no personagem astuto que ele mesmo criou em 2015 ao chegar ao poder sem ganhar eleições e governar graças à Geringonça. E também no bom momento do país, de crescimento do PIB e vacinação avançada. Foi surpreendido duas vezes no intervalo de um mês, algo raro para alguém com a sua trajetória. 

Primeiro: fez campanha para a prefeitura de Lisboa com o trunfo dos € 16,6 bilhões da União Europeia (UE) para recuperar a economia no futuro pós-pandemia. A estratégia falhou e Costa viu seu candidato perder a capital após 14 anos. Foi exatamente há um mês, no último dia 27 de setembro. E justo para a principal sigla de oposição, o Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita, que havia sofrido derrota retumbante nas últimas eleições à Assembleia da República. Deu nova vida a quem já não parecia ser ameaça. 

Segundo: não percebeu o perigo se aproximando enquanto negociava durante meses as propostas sugeridas para o Orçamento pelos antigos aliados, Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Português (PCP). Quis repetir a lealdade da Geringonça sem acordo por escrito, descartado por ele no segundo mandado a partir de 2019, porque pensou que este era o OE mais à esquerda de todos e seria aprovado facilmente. Ainda mais com tantos bilhões da Europa para executar em cenário de crescimento da economia. Avaliou errado, porque a esquerda quer mais.

— Foi assim que fizemos a Geringonça, um contrato para quatro anos, um acordo escrito, que o primeiro-ministro dispensou. A Geringonça foi morta pela obsessão pela maioria absoluta do PS — atacou Catarina Martins, líder do BE, ao justificar o voto contra.

Logo depois de entregar o Orçamento ao Parlamento, um ainda confiante Costa ficou perplexo ao ouvir os líderes do BE e do PCP declararem voto contra em matéria dada como garantida. O discurso passou a ser a impossibilidade da execução adequada da ajuda da UE.

A cartada do resgate econômico, que havia fracassado em Lisboa, não daria certo nacionalmente, como explica Francisco Pereira Coutinho, professor associado e subdiretor da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa. 

— Acho estranho não existir margem que permita a execução do plano de recuperação. É uma arma de retórica política. Há países que nem executaram o plano, Portugal foi o primeiro — disse Coutinho.

Portugal começou o ano na presidência rotativa do Conselho Europeu. Costa passou a ser figura de destaque na UE. Recebeu líderes, ajudou a traçar o maior plano de recuperação financeira já visto no continente, negociar compra de vacinas contra a Covid-19 e a desenhar a política externa do bloco. 

Ao mesmo tempo, Portugal iniciou uma das mais eficientes campanhas de vacinação contra a Covid-19 do planeta. Com a pandemia controlada, retomada do emprego e crescimento da economia do país, Costa voltava a ser exemplo para o mundo, mas não conseguia arrumar sua base política.

Era tarde quando tentou convencer os deputados a aprovarem o Orçamento. Pôs o PS como única solução de governo possível sem envolver a extrema direita, o que poderia ser outro erro de estratégia na campanha para as novas eleições antecipadas, se o presidente Marcelo Rebelo de Sousa assim decidir.

— As pessoas perderam a vergonha de se assumirem simpatizantes deste partido de extrema direita (Chega). O que acontecia depois do 25 de Abril, da memória do (ditador) Salazar, acabou há mais de cinquenta anos. A retórica do fascismo não tem reflexo nas novas gerações — avaliou Coutinho.

Na próxima semana, o PSD terá eleições internas e escolherá o adversário de Costa. Eurodeputado, Paulo Rangel enfrenta o deputado e atual líder Rui Rio, que voltou à tona com a eleição de Carlos Moedas em Lisboa. Rangel se encontrou com Rebelo. Pediu tempo antes das possíveis eleições antecipadas para não atrapalhar O PSD. Recentemente, o partido abriu a porta ao Chega para uma coligação no governo autônomo da Ilha da Madeira, mas voltou atrás. Porém, chegaram a acordo nos Açores.

Mesmo que vença as eleições antecipadas, ninguém aposta hoje que Costa teria capacidade de reunir os ex-aliados e inventar nova solução criativa. Aos partidos mais radicais da esquerda, restará a culpa pelo veto ao OE, se isso abrir caminho para uma possível volta da direita ao poder. Certo é que a impossibilidade de ressuscitar a Geringonça deixa o primeiro-ministro com o sentimento de “enorme frustração”, como o próprio atestou hoje:

— Um voto contra da esquerda é derrota pessoal.

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Pânico na extrema direita: Bolsonaro não aguenta um debate nem mesmo na Jovem Pan - Leonardo Attuch

Por Leonardo Attuch

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A estreia da Jovem Pan na TV por assinatura, com sua Panflix, serviu para demonstrar um fato incontestável: Jair Bolsonaro terá que fugir de qualquer debate, caso queira se reeleger em 2022. Ficou claro que nem quando joga em casa ele consegue suportar a pressão. 

Para quem não viu, a confusão ocorreu quando o comediante André Marinho, filho do empresário Paulo Marinho, que é suplente de Flávio Bolsonaro no Senado, o questionou sobre o tema das rachadinhas, esquema de corrupção utilizado pelo clã presidencial para desviar parte dos salários dos servidores públicos.

A pergunta revoltou o comentarista bolsonarista Adrilles Jorge e constrangeu o apresentador Emílio Surita. Em meio à confusão, Bolsonaro se levantou e abandonou a entrevista. Diante do vexame, o jornalista William de Lucca colocou uma questão relevante:

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De fato, Jair Bolsonaro não tem estrutura para falar fora do cercadinho. Não tem controle emocional e, mais importante do que isso, não possui argumentos para responder ao fiasco monumental de seu desgoverno, marcado por fome, miséria, inflação e destruição da própria identidade brasileira.

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Para a Jovem Pan, a polêmica talvez renda alguns cliques, mas não creio que esta fosse a expectativa de seus donos ao lançar uma operação destinada a ser o veículo oficial da extrema direita no Brasil. É possível até que o canal receba pressões de Brasília para afastar André Marinho, uma vez que seu pai, além de suplente de Flávio Bolsonaro, é também um dos grandes articuladores da candidatura presidencial de João Doria, do PSDB.

_________________________________________________Gilberto Braga e decorador Edgar Moura Brasil estavam juntos há 48 anos

Os dois chegaram a oficializar a união em 2014
Edgar Moura Brasil e Gilberto Braga, em 2004 Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo
Edgar Moura Brasil e Gilberto Braga, em 2004 Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

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"A verdadeira avant-garde do relacionamento homoafetivo no Brasil", definição usada usada pelo amigo e jornalista Bruno Chateaubriand sobre a união de Gilberto Braga e o decorador Edgar Moura Brasil, mostra bem a importância do casal para a sociedade do país. Os dois estavam juntos há 48 anos - casados desde 2014. Gilberto morreu na noite da última terça-feira, aos 75 anos, por causa de uma infecção generalizada.

A festa do casamento reuniu cerca de 50 convidados, como Gloria Pires, Fernanda Montenegro, Dennis Carvalho, Deborah Evelyn e Silvio de Abreu. Bruno Chateaubriand, que participou da cerimônia, diz que o noivos "entraram ao som de 'Faz parte do meu show', de Cazuza".

"Na época Gilberto brincou: 'Temos que casar porque Edgar está grávido', disse rindo para os amigos", escreveu, na homenagem que fez ao casal no Instagram.

Madrinha de casamento dos dois, Deborah Evelyn também fez uma homenagem com uma foto do dia da festa:

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"Que tristeza, que tristeza, que tristeza, meu Deus!!!! Gilberto tão querido, com quem eu ficava horas conversando sobre filmes, música, livros, viagens (ele fazia as melhores malas de viagem que eu já vi), de quem eu adorava ouvir as histórias, com quem eu trabalhei tantas vezes, de quem ganhei personagens tão maravilhosos, de quem eu fui madrinha de casamento".


_________________________________________________Curta documental usa realidade virtual para reconstituir a experiência da inauguração do Cine Metro Passeio em 1936

Com a intenção de resgatar uma das salas mais icônicas da cidade, desativada em 1997, o diretor Eduardo Calvet reconstrói em minuciosos 9 minutos a sessão de estreia do cinema
'Cine Metro: Experiência Imersiva' Foto: Divulgação
'Cine Metro: Experiência Imersiva' Foto: Divulgação

A ideia é poder viajar no tempo e entrar num cinema de rua dos anos 1930.

Um hall de entrada pomposo no estilo D. João V, com tapetes e lustres, uma bombonière, cadeiras estofadas, características que, na época, eram o símbolo do que havia de mais luxuoso.

A era dos “palácios cinematográficos” foi marcada pela inauguração do Cine Metro Passeio, no Centro do Rio de Janeiro em 1936.

Com a intenção de resgatar uma das salas mais icônicas da cidade, desativada em 1997, o diretor Eduardo Calvet produziu um documentário em realidade virtual no qual reconstrói em minuciosos 9 minutos a sessão de estreia do cinema. “Cine Metro: Experiência imersiva”, ele explica, é o primeiro filme documental do mundo sobre cinemas antigos produzido neste formato.

— Nos anos 1930, o cinema era um dos eventos culturais mais fortes, e o Cine Metro chega com um novo padrão. Foi o segundo do Rio de Janeiro a ter ar-condicionado. Ele vem como um impacto na sociedade. Desde os boatos da construção até a inauguração, a mídia fez uma cobertura muito forte, e até por isso quis restaurar esse e não outro. Para se ter noção, as pessoas iam passar a virada do ano lá: em 1937, 1938 e 1939 houve sessões de fim de ano — diz Eduardo Calvet.

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Gerente da cinemateca do MAM, Hernani Heffner afirma que ir a uma sala de cinema entre os anos 1920 e 1950 era tão importante quanto ter um celular hoje — um acesso a notícias e entretenimento. Além, disso, dependendo do cinema, era um sinal de status:

— Ir ao Cinema era um lazer cotidiano, quase diário, e ao mesmo tempo um sinal de distinção, quase como ir à Ópera no século XIX. Os chamados palácios cinematográficos criaram essa aura de grande espetáculo, de espaço de luxo, de algo único.

A quantidade de cinemas de rua na cidade diminuiu consideravelmente, Na década de 1960, eram 198; e, em 2014, restavam 16. Também por isso, Eduardo Calvet reforça a importância do registro e a pesquisa para recriar esses espaços. Calvet usou trechos de jornais e revistas da época, além de fotos e relatos orais.

— A pesquisa levou mais ou menos um ano e meio, para conseguirmos não só fotos, mas todas as informações relevantes sobre os primeiros anos do Cine Metro e, depois, sobre os anos de fechamento — conta o diretor.

Desde abril, o filme participou de mostras em Portugal, Suíça, Alemanha, Inglaterra e Colômbia. Este mês, participará do BIAF, festival internacional de animação na Coreia do Sul, e de festivais na Rússia, na Hungria e em Porto Rico, fechando a agenda do ano numa volta à na Inglaterra, em novembro, no Aesthetica Short Film Festival 2021. No Brasil, a produção estará em breve disponível ao público, diz o diretor, em plataformas digitais como o YouTube e o Facebook.

Ambiente em 360°

A proposta de uma produção em realidade virtual é que o espectador “entre” no filme. Ele pode mover a cabeça e olhar para qualquer lado, ficando imerso 360° no ambiente. Além da visão, o áudio também acompanha os movimentos do observador. Para ter essa experiência, são necessários óculos de realidade virtual ou, numa opção menos imersiva, apenas um celular com um headphone.

— Existem diversos estudos que mostram que a realidade virtual faz com que o observador tenha uma forte sensação de presença em relação à experiência, porque o cérebro registra como se ele tivesse estado naquele lugar — diz Calvet.

O diretor diz que o filme, uma produção da Ideograph, não recebeu verbas de financiamento e avalia que o cenário de incentivo à animação no Brasil e, especialmente, no Rio de Janeiro praticamente parou desde 2016:

— Foi feito na paixão e como desenvolvimento de um projeto de mestrado. Entre 2008 e 2016, a Ancine tinha diversos programas de incentivo à animação brasileira e o gênero evoluiu muito durante esse tempo. A gente pode até falar que a indicação de “O menino e o mundo” para o Oscar [a animação brasileira concorreu em 2016 na categoria] foi feita em cima desses incentivos do governo.

_________________________________________________Após aprovação de relatório, Bolsonaro chama CPI da Covid de 'palhaçada'

Presidente criticou grupo majoritário da comissão e questionou o que eles fizeram durante pandemia
O presidente Jair Bolsonaro, durante entrevista Foto: Reprodução/Youtube
O presidente Jair Bolsonaro, durante entrevista Foto: Reprodução/Youtube

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BRASÍLIA — Um dia após a aprovação do relatório final da CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro chamou a comissão de "palhaçada". O relatório pede o indidicamento de Bolsonaro, outras 77 pessoas e duas empresas.

— Antes de falar em Ministério Público, quem tem um pouco de juízo sabe que foi uma palhaçada lá. CPI do Renan. Talvez para se vingar, porque quem decidiu a eleição do Alcolumbre, em 2019, foi quando meu filho abriu o voto dele — disse Bolsonaro, em entrevista à Jovem Pan News.

O presidente criticou o chamado G7, grupo majoritário da CPI, e questionou o que esses parlamentares fizeram durante a pandemia.

— O que essa CPI fez de vantajoso para o Brasil? O que os senadores do G7, além do Renan, do Omar e do Randolfe, tem mais quatro lá, o que eles fizeram em 2020? Já que sabiam de tudo, porque não procuraram o presidente, procuraram o Ministério da Saúde? Ficaram em casa, de férias

_________________________________________________JOSHUA CAVALLO, 21 anos, jogador profissional da Austrália REVELA que é GAY: 'Sei que há outros vivendo no silêncio. Quero ajudar a mudar isso'

Joshua Cavallo, que atua como meio-campo no Adelaide United e tem 21 anos, fez o comunicado em sua rede social
Jogador profissional da Austrália, Josh Cavallo revela que é gay Foto: Reprodução/Instagram
Jogador profissional da Austrália, Josh Cavallo revela que é gay Foto: Reprodução/Instagram

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CAMBERRA — Joshua Cavallo, jogador do Adelaide United, da Austrália, revelou nesta terça-feira que é gay. Numa rede social, afirmou que estava pronto para compartilhar algo tão pessoal e ressaltou que pretendia apenas "jogar futebol e ser tratado com igualdade".

"Não foi fácil chegar a esse momento, mas não poderia estar mais feliz com a minha decisão de me assumir. Eu estive lutando contra minha sexualidade por pelo menos seis anos e estou orgulhoso por não precisar mais fazer isso", escreveu em comunicado o meio-campo que tem também nacionalidade italiana.

O atleta conta que teve medo de assumir a homossexualidade porque pensava que não seria possível fazê-lo e continuar a carreira no futebol.

"No futebol, você tem apenas uma pequena janela para atingir o sucesso, e revelar isso poderia ter um impacto negativo numa carreira. Como um jogador gay, sei que há outros vivendo no silêncio. Quero ajudar a mudar isso para mostrar que todos são bem-vindos no futebol e têm o direito de mostrarem quem são de verdade", ressaltou.

Joshua disse ainda que acha surpreendente que não há jogadores de futebol em atuação que sejam gays, não apenas na Austrália, mas em todo mundo. Por fim, agradeceu aos que o apoiaram, incluindo Adelaide United, que também publicou um vídeo com a revelação do jogador em seus perfis oficiais.

"Aqueles que já sabiam disso, me ofereceram amor e apoio em todas as etapas dessa jornada. Eu sou muito grato por isso. Para minha família e amigos: Obrigada. (...) Para minha família do Adelaide United, obrigada por me ofereceram máximo respeito e aceitação. Me sinto extremamente grato!", finalizou.

Colegas parabenizam

Jogadores famosos exaltaram a atitude de Josh, entre eles Gerad Piqué e Atoine Griezmann.

"Não tenho o prazer de te conhecer pessoalmente mas gostaria de agradecê-lo pelo passo que está dando. O mundo do futebol está atrasado e você está nos ajudando a avançar", disse o zagueiro do Barcelona.

"Orgulhoso de vocêm Josh Cavallo", ressaltou o atacante francês.

Outros clubes também manifestaram apoio ao atleta, como Juventus, Arsenal, Barcelona e Liverpool.

_________________________________________________O PASTOR que NÃO RESSUSCITOU e a FÉ_IDIOTIZADA numa ÓPERA NEOPENTECOSTAL BUFA - Ricardo Nêggo Tom

Por Ricardo Nêggo Tom

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Há um debate em torno de uma suposta arrogância por parte da esquerda, por ela não dialogar com os evangélicos brasileiros e ainda considerá-los “ignorantes”. Obviamente, provocar essa reflexão é tão válido quanto tentar entender a fé idiotizada de boa parte do rebanho de ovelhas neopentecostais, que se submetem à vara santa e ao cabresto ungido de pastores que, quando não são reconhecidamente charlatães e exímios picaretas, são lunáticos, esquizofrênicos e viajantes na maionese ungida.

O caso de um pastor da cidade de Goiatuba, município de Goiás, que morreu, mas havia pedido ainda em vida que não fosse enterrado, pois ressuscitaria no terceiro dia após a sua morte, como Deus lhe havia prometido, evidencia o quão dificultoso é dialogar, política e racionalmente, com os neopentecostais evangélicos. Mais absurda do que a profecia do líder religioso, foi a presença de dezenas de fiéis em seu velório tentando impedir o sepultamento e pedindo para que o caixão fosse aberto, na fé de que a tal “promessa de Deus” se cumprisse. As vezes penso que estamos vivendo um apocalipse a conta gotas, retratado através de uma ópera neopentec ostal bufa.

Foi esse tipo de cristão neopentecostal que acreditou na possibilidade de ressurreição do pastor, que votou em Bolsonaro dizendo que ele era um novo messias. Um homem enviado por Deus para defender a família tradicional brasileira, acabar com a corrupção e resgatar os valores morais da sociedade. O puro suco da ignorância religiosa e da fé idiotizada sob as pregações de falsos profetas, aproveitadores da inocência e da estupidez humana. Rumo a um abismo profético e existencial, esses fiéis seguem dando glórias aos lobos vorazes que vestidos em pele de cordeiro os convencem de que eles estão a caminho do céu.

Se os roteiristas da facada em Bolsonaro tivessem tido mais um pouquinho de criatividade, teriam planejado a sua ressurreição três dias após o suposto atentado, após uma “oração de poder” feita por algum dos líderes neopentecostais que o bajulam. O problema seria definir quem seria o “ungido” responsável por ressuscitar o mito. Malafaia? Edir Macedo? Marco Feliciano? R.R. Soares? Qualquer um dos escolhidos representaria fielmente a manifestação da vigarice e da picaretagem que permeia e pontua a “unção” e a ação desses seres nefastos e oportunistas que oferecem aos mais incautos um deus dinheirista, violento, desonesto, prec onceituoso e fanfarrão.

A lavagem cerebral e a alienação promovida por tais líderes, são responsáveis por tornar milagre, aquilo que é apenas tosco e trash. Se Deus castigasse mesmo as pessoas que brincam com o seu nome, não haveria mais neopentecostais evangélicos na face da terra. Mas há quem jure que ele se ira mesmo é com esquetes de grupos de humor e com enredos de escolas de samba. Ele teria mandado até a Covid 19 para punir a humanidade, depois de ter sido exposto no desfile da Mangueira em 2019. Apoiar a um genocida, miliciano, corrupto e coautor de mais de 600 mil mortes no país, tudo bem. É a sua vontade.

É triste constatar que o medievalismo da religiosidade cristã foi reinventado e Deus foi novamente sequestrado por um grupo de fundamentalistas sem fundamento e sem racionalidade. Me desculpem a sinceridade, mas se a esquerda quiser mesmo dialogar com essas pessoas falando uma linguagem que elas entendam, terá que prometer a indicação de Jesus Cristo para uma vaga no STF no próximo governo Lula e instituir o antigo testamento como a nova constituição da república. E se Jesus Cristo não corresponder às expectativas, “a gente tira” e pede intervenção alienígena e a volta da ditadura dos dinossauros.

Que Deus ressuscite o cérebro dessa gente.

_________________________________________________Enem: 40 erros de Português para não cometer mais

Palavras parecidas, conjugações e regências verbais: veja alguns dos deslizes mais comuns em nossa língua e aprenda
Tirar dúvidas sobre Português é uma maneira de aprimorar a língua. Foto: FaustFoto/Freepik
Tirar dúvidas sobre Português é uma maneira de aprimorar a língua. Foto: FaustFoto/Freepik

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RIO — Muitas pessoas sentem dificuldade com Português. A língua é bem complexa e tem várias regras que muitas vezes são difíceis de serem entendidas e colocadas em prática no dia a dia. Além disso, há também as exceções, o que torna tudo ainda mais complicado.

No entanto, aprimorar o Português não é algo impossível de ser feito — nem precisa ser visto como chato.

Reunimos aqui 40 erros comuns no dia a dia para você não cometê-los mais. Participaram da elaboração deste material: Andréa de Luca, orientadora educacional do Mopi e formada em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela UFRJ; Antônio Abreu, professor de Português do colégio e curso ZeroHum; Tássio Leonardo, professor de Língua Portuguesa e Literaturas e coordenador pedagógico das unidades Barra e Recreio do Colégio e Curso AZ; Hugo Ornellas, professor de Português do Colégio e Curso AZ; Victor Delmas, professor de Português do Colégio e Curso AZ.

40 erros comuns

1 - Ah x Há x a

"Ah" é uma interjeição que indica admiração, espanto, ironia, desejo, entre outros significados.

Ex: Ah, que bom falar com você de novo!

"Há" vem do verbo HAVER, tem o sentido de existir e indica tempo passado.

Ex: Há quanto tempo não nos vemos!

Obs: Tem sido muito comum, na escrita das redes sociais, o uso incorreto de "há, tá" no sentido de "entendi". O correto seria "ah, tá".

"A" é preposição e pode ser usada para distância (temporal ou espacial)

Ex: Chego daqui a cinco minutos.

O restaurante fica a 500 metros.

2 - Sob x Sobre

“Sob” é uma preposição e indica posição abaixo.

Ex: Achei o copo sob a mesa. (embaixo da mesa)

“Sobre” também é uma preposição e indica “acima de” ou “em cima de”.

Ex: Por favor, coloque o vaso de flores sobre a mesa.

3 - Meio x Meia

"Meio" é a expressão empregada no sentido de "um pouco".

Ex: Ela estava meio triste ontem, não achou?

"Meia" pode ter o significado de peça de roupa (meia que se coloca no pé) ou numeral.

Ex: Sou friorenta e gosto de usar meias para dormir.

Ex: O encontro está marcado para meio-dia e meia. (metade da hora)

4 - Vir x Vim

Usamos "vim" quando a frase se refere ao passado.

Ex: Eu vim aqui ano passado.

Usamos "vir" quando a frase não estiver no passado.

Ex: Sabe me dizer se ele vai vir hoje?

Obs: "vir" ainda pode ser usado no sentido de ver!

Ex: Quando você vir a professora, diga que estou finalizando o trabalho. (Certo)

Quando você ver a professora, diga que estou finalizando o trabalho. (Errado)

5 - Houve x Houveram

O verbo "haver", no sentido de existir, é conjugado somente na terceira pessoa do singular, ou seja, houve.

Ex: Houve diversas reclamações sobre o novo funcionário.

Obs: Empregamos "houveram" com sentido de ter, não com o sentido de existir.

Ex: Eles houveram (tiveram) de ir à reunião em pleno domingo.

6 - Regência dos verbos Chegar e Ir

Estes verbos são regidos pela preposição “a”.

Ex: O militar chegou cedo no Batalhão. (Errado)

O militar chegou cedo ao Batalhão. (Certo)

O militar foi no Batalhão. (Errado)

O militar foi ao Batalhão. (Certo)

O militar foi à formatura ontem. (Certo)

7 - Ir a x Ir para

O verbo “ir” também admite a preposição “para” como regência, desde que transmita uma noção de maior permanência.

Ex: Estou certo de que vou para Roma morar com meus avós. (Certo)

Estou certo de que vou a Roma morar com meus avós. (Errado)

8 - Regência do verbo Pagar

Quando o complemento do verbo for uma pessoa, deve-se empregar a preposição “a”. Se o complemento não se referir a uma pessoa, não se emprega preposição.

Ex: As empreiteiras não pagaram os pedreiros ontem. (Errado)

As empreiteiras não pagaram aos pedreiros ontem. (Certo)

Os alunos pagaram ao curso. (Errado)

Os alunos pagaram o curso. (Certo)

9 - Regência do verbo Querer

Se o verbo aparecer no sentido de desejar, usa-se sem preposição. No sentido de estimar, ter afeto, com a preposição “a”.

Ex: O aluno quer ao seu diploma. (Errado)

O aluno quer o seu diploma. (Certo)

Quero muito os meus amigos. (Errado)

Quero muito aos meus amigos. (Certo)

10 - Regência dos verbos Lembrar e Esquecer

Quando se apresentam nas formas pronominais — aqueles que são conjugados juntamente com um pronome oblíquo átono (me, te, se, nos, vos, se) —, os verbos "esquecer" e "lembrar" são transitivos indiretos, pedindo a preposição "de".

Ex: A professora lembrou de que não haveria prova. (Errado)

A professora se lembrou de que haveria prova. (Certo)

Esqueci completamente do nome da sua esposa. (Errado)

Esqueci-me completamente do nome da sua esposa. (Certo)

11 - Regência dos verbos Obedecer e Desobedecer

Estes verbos exigem a preposição “a”.

Ex: Ele sempre obedece os sinais de trânsito. (Errado)

Ele sempre obedece aos sinais de trânsito. (Certo)

O soldado desobedeceu o tenente. (Errado)

O soldado desobedeceu ao tenente. (Certo)

12 - Regência do verbo Preferir

Este verbo pede como regência a preposição "a" antes do objeto menos estimado. Não é correto o uso de "do que".

Ex: Prefiro consumir todo o meu salário no restaurante do que gastá-lo na farmácia. (Errado)

Prefiro consumir todo o meu salário no restaurante a gastá-lo na farmácia. (Certo)

13 - Maquia (certo) x Maqueia (errado)

A conjugação correta  no presente do indicativo do verbo maquiar é “maquia”, não “maqueia”.

Ex: Ela se maquia com frequência.

14 - Esparecer (errado) x Espairecer (correto)

A palavra “esparecer” está errada. A forma correta é “espairecer”.

Ex: Vou viajar para espairecer.

15 - Namorar com alguém (errado) x Namorar alguém (certo)

O verbo “namorar” é transitivo direto, logo não pede preposição. Por isso, do ponto de vista da gramática normativa, a pergunta “Quer namorar comigo?” está errada, por exemplo.

Ex: Namore alguém que goste de você.

Quer me namorar?

16 - Dedetizar (certo) x detetizar (errado)

O verbo dedetizar é formado a partir da sigla DDT do pesticida Dicloro Difenil Tricloretano (inseticida) mais o sufixo verbal -izar: ddt + -izar. Assim, dedetizar deverá ser escrito com d nas duas primeiras sílabas.

Ex: A empresa dedetizou o apartamento todo.

17 - Resignação x Resiliência

Resignação significa estar prostrado, passivo, entregue.

Ex: Aceitou o fim da relação resignado.

Resiliência significa resistência, resistir, ter capacidade de voltar ao estado original.

Ex: Diante do mal, precisamos de resiliência.

18 - Tácito x Taciturno

Tácito significa pacato, silencioso, introspectivo.

Ex: No momento da despedida, ela ficou tácita.

Taciturno significa triste, melancólico cabisbaixo.

Ex: Terminou, taciturno, o namoro.

19 - Extático x Estático

Extático significa fora de si, transcendente.

Ex: Após o FLA  x FLU, os tricolores ficaram extáticos com a vitória.

Estático significa imóvel, fixo, parado.

Ex: Após o susto, a menina ficou estática.

20 - Extrato x Estrato

Extrato significa retirar de; para fora, extrair.

Ex: Não queira ver o extrato bancário dos professores!

Estrato significa camadas, níveis.

Ex: Percebemos uma estratificação social quando se analisam as classes sociais.

21 - Zeugma x Elipse

Elipse: omissão de um termo na frase.

Ex: Passei pelas Américas hoje. (Avenida das Américas)

Zeugma: omissão de um termo já mencionado anteriormente; recurso de coesão.

Ex: Guimarães Rosa escreveu "Primeiras Estórias"; Machado de Assis, "Pai contra mãe". (O verbo “escreveu” foi omitido)

22 - Discriminar x Descriminar

Discriminar significa fazer diferença, distinguir.

Ex: Não houve a correta discriminação do que deveria ser feito.

Ex: João foi discriminado por ser pobre.

Descriminar significa retirar a culpa, o erro, o crime; inocentar.

Ex: A justiça descriminalizou o réu.

23 - Bastante x Bastantes

Bastante no sentido de “suficiente” poderá ser flexionado.

Ex: Não levei roupas bastantes (suficientes).

Bastante no sentido de grande quantidade poderá ser flexionado

Ex: Tenho bastantes livros. (Tenho 300 livros).

Bastante no sentido de “intensamente” será invariável

Ex: Elas saíram bastante chateadas. (Elas saíram intensamente chateadas)

24 - Deferir x Diferir

Deferir significa aceitar, aprovar.

Ex: Sua inscrição foi deferida.

Diferir significa diferenciar, distinguir.

Ex: Precisamos diferir esses nomes.

25 - Acerca de x Há cerca de x (A) cerca de

“Acerca de” é locução prepositiva e significa “sobre”, “quanto a”, “a respeito de”.

Ex: Falamos acerca de Língua Portuguesa.

“Há cerca de” traz o verbo haver e indica tempo transcorrido. Significa “faz aproximadamente”.

Ex: Falamos acerca de Língua Portuguesa há cerca de um mês (ou seja, falamos de Língua Portuguesa faz aproximadamente um mês)

“(A) cerca de” é uma expressão que, sem o fazer “haver”, significa apenas “aproximadamente”, “mais ou menos”.

Ex: “Cerca de cem alunos estavam em sala.

A prova será feita a cerca de dois quilômetros daqui.

26 - Alerta (certo) x Alertas (errado)

Como advérbio de modo, é invariável e significa atentamente, vigilantemente.

Ex: Estejam alerta!

Como interjeição, é também invariável e significa "atenção!".

Ex: Amigos, alerta!

27 - O plural de caráter é...

O plural de caráter é caracteres. Mau-caráter faz plural em maus-caracteres.

Ex: Pai e filho são maus-caracteres.

28 - Cassar x Caçar

Cassar é anular, revogar, privar (de direitos políticos, de mandatos, de licenças).

Ex: O deputado teve seu mandato cassado.

Caçar é perseguir (geralmente animais silvestres) para aprisionar, matar.

Ex: Eles saíram para caçar javalis.

29 - Cujo/cuja/cujos/cujas 

Cujo é pronome relativo que concorda em gênero e número com o termo consequente, embora se refira a um substantivo antecedente. Não se deve utilizar artigo depois de cujo.

Ex: Eis o lugar cujo clima é agradabilíssimo. (Certo)

Eis o lugar cujo o clima é agradabilíssimo”. (Errado)

Ali é a praia cujas águas são tranquilas (Certo)

Ali é a praia cujas as águas são tranquilas (Errado)

30 - Flagrante x fragrante

A palavra flagrante, que pode ser um substantivo ou um adjetivo, que significa evidente, inflamado, ardente. A locução adverbial "em flagrante" quer dizer na própria ocasião em que se praticou o ato.

Ex: O ladrão foi pego em flagrante.

O adjetivo fragrante significa perfumado, aromático. É parente de fragrância. 

Ex: Nem toda rosa é fragrante quando acaba de desabrochar.

31 - Até O x Até AO

Com as palavras precedidas do artigo O, é facultativo o emprego da preposição.

Ex: Vou até o Rio de Janeiro. / Vou até ao Rio de Janeiro.

32 - Sofás cinza?

Os substantivos de cor (cinza, laranja, goiaba, gelo, vinho, abóbora...), quando funcionam como adjetivos, ficam invariáveis.

Ex: camisas rosa; calças vinho; canetas laranja.

33 - Subsídio x Rubrica x Inexorável

É muito comum ouvir as seguintes pronúncias: “subzídio”, “rúbrica” e “ineksorável”. Essas pronúncias, no entanto, não são adequadas. Na gramática, esse tipo de desvio se chama erro de prosódia e/ou ortoepia.

Em subsídio, o “s” é pronunciado como “c” em cidade;

Em rubrica, a sílaba tônica é “bri”;

Em inexorável, o “x” é pronunciado como “z” em zebra”.

34 - Por causa que (Errado)

Deve-se evitar a expressão “por causa que”, cruzamento sintático da locução “por causa de” com a conjunção causal “porque”. Usa-se uma ou outra. É legítimo dizer: “Não foi à aula por causa da chuva” ou “Não foi à aula porque choveu”, mas deve-se evitar: “Não foi à aula por causa que choveu”.

35 - Perca x Perda

“Perca” é verbo, enquanto “perda” é substantivo.

Ex: Não perca a promoção de hoje!

A perda do jogador gerou um mal-estar.

36 - "E nem"

Quando a conjunção "nem" é aditiva e equivale a "e não", não se deve utilizar a sequência " e + nem".

Ex: Ele não voltou nem avisou quando o fará. (Certo)

Ele não voltou e nem avisou quando o fará. (Errado)

37 - Ao meu ver x A meu ver

Na Língua Portuguesa, o artigo é facultativo antes do pronome possessivo. Por isso, ambas as formas estão corretas.

38 - A maioria de x A maior parte de

Estas expressões, quando seguidas de substantivo ou pronome no plural, tanto podem construir-se com o verbo no singular ou no plural.

Ex: A maioria dos alunos compareceu àquela aula.

A maioria dos alunos compareceram àquela aula.

39 - À partir de (errado) x A partir de (certo)

Na LínguaPportuguesa, nunca ocorre crase antes de verbo. Assim, a forma correta é “A partir de”.

Ex: A partir de hoje o expediente começa às 9h.

40 - Gratuito ou "gratuíto"?

Este adjetivo tem apenas três sílabas: GRA-TUI-TO. Pronuncia-se, portanto, a sílaba "tui" como tônica e não apenas o "i". O "u" e o "i" fazem um ditongo. 

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Aras tem mais poder do que ministros do STF juntos, diz criminalista Kakay

Colaboração para o UOL, no Rio 27/10/2021 09h08

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse no UOL News desta manhã que o procurador-geral da República, Augusto Aras, tem atualmente mais poder do que todos os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) juntos - com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, a Corte tem hoje 10 membros. A alusão de Kakay foi feita pela importância que Aras tem diante do relatório final da CPI da Covid.

Aprovado na noite de ontem, o relatório feito pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) pede o indiciamento, dentre outros, do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por nove crimes. Como chefe do Executivo federal, Bolsonaro só pode ter uma ação aberta contra ele a pedido da Procuradoria-Geral da República e autorização do STF.

Fake news e remédios ineficazes: Bolsonaro na CPI é assunto internacional

"Neste momento, ele (Aras) tem mais poder do que os ministros do Supremo juntos. Se os ministros do Supremo se reunirem hoje à tarde e quiserem abrir uma ação penal contra o Bolsonaro, eles não podem, tem que ter uma denúncia", afirmou Kakay.

O advogado afirma que a partir do momento em que receber o relatório da CPI, Aras terá 30 dias para se manifestar. Ele acredita que o procurador-geral da República não irá desprezar o documento.

A CPI do Senado paralisou o país. Durante seis meses o Brasil ficou acompanhando. Já advoguei em várias CPIs e nunca vi nada parecido, e com muita competência, técnica e apoio popular. É o Brasil inteiro que está esperando uma soluçãoKakay

Ação penal subsidiária

Kakay afirma que caso Aras decida arquivar o relatório, os senadores poderão abrir uma ação penal subsidiária contra Bolsonaro diretamente no STF. O advogado diz que não tem como "obrigar o procurador-geral da República a concordar com o relatório".

"Isso é importantíssimo (a ação penal). Porque se não, não teremos efetividade da CPI, o que poderia causar uma frustração muito grande", afirma o advogado.

O criminalista ainda diz que Aras pode sofrer um processo de impeachment caso não dê prosseguimento ao documento produzido no Senado. Ele faz uma ressalva sobre a força que o procurador-geral tem na casa.

A questão do impeachment vai ter pressão forte porque é o próprio Congresso, um documento do Congresso Nacional, da Câmara alta. Não é pouca coisa. É muito significativoKakay

'Serial killer'

Sobre os crimes imputados a Bolsonaro no relatório da CPI, o advogado diz que o presidente efetivamente cometeu vários deles. Por isso, ele também fala da importância do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), numa possível abertura de impeachment contra o chefe do Executivo nacional.

"O Bolsonaro é um serial killer em termo de crime de responsabilidade, ele cometeu vários... o Bolsonaro é um homem mau, ele goza da vida e despreza a saúde e as pessoas", afirma o criminalista.

Kakay diz que Lira sozinho não pode ter mais poder do que demais parlamentares para não dar prosseguimento a um pedido impeachment de Bolsonaro.

Não se pode admitir numa República que um presidente da Câmara seja maior do que a força, o poder e a vontade de todos os senadores que participaram representando o Brasil naquela comissãoKakay

_________________________________________________"Já faturei R$ 15 milhões" * Gil do Vigor sobre conquistas após BBB 21: "Já faturei R$ 15 milhões"

Gil do Vigor fez diversos contratos publicitários e ganhou dez vez mais que o prêmio do reality

Economista está morando nos Estados Unidos atualmente, onde faz seu doutorado - Reprodução / Instagram @gildovigor
Economista está morando nos Estados Unidos atualmente, onde faz seu doutorado - Reprodução / Instagram @gildovigor

Redação Publicado em 27/10/2021, às 10h56

Gil do Vigor falou sobre suas conquistas após sair do BBB 21 e contou sobre quanto já faturou, em entrevista à Forbes, desde que realizou diversos contratos publicitários.

Mesmo não vencendo o programa, o economista garantiu: "Já faturei R$ 15 milhões". Ele fechou contratos com empresas como a Santander, que foi o mais rentável, já que teria recebido R$ 2 milhões para aparecer em suas campanhas. 

Gil chegou a ser contratado por mais de vinte marcas, como iFood, Vigor e Bis/Lacta, além de estrelar em um quadro no programa Mais Você, em que falava sobre finanças. Recentemente, o ex-BBB fez uma aparição durante a estreia do filme da Marvel, Eternals, ao aceitar o convite da Disney. "É uma honra ter convites como esse. Recebi convite também para participar do BrazilFoundation. Não vou poder agora por causa das provas, mas (eles) já deixaram claro que no próximo ano estou convidado novamente."

"É uma honra ser convidado para conhecer a Bolsa de Valores de Nova York. Estou vivendo de fato um conto de fadas", garantiu. Atualmente, Gil está morando nos Estados Unidos, onde está fazendo seu PhD na Universidade da Califórnia. 

Nas redes sociais, ele costuma mostrar sua rotina de estudos, como quando contou sobre os exercícios do curso que precisava fazer e comparou sua lição de casa com prova do líder. Nos stories publicados em seu Instagram, o ex-BBB disse que precisava fazer exercícios de econometria e macroeconomia.

_________________________________________________Renan dal Zotto comenta caso de Maurício Souza, afastado do Minas: 'tudo que não queremos no nosso esporte'

Técnico da seleção brasileira disse estar triste com a situação e com a polêmica em torno do caso; central foi afastado por post de teor homofóbico
O técnico Renan dal Zotto ao lado de Maurício (camisa 13), em jogo da seleção brasileira Foto: Divulgação
O técnico Renan dal Zotto ao lado de Maurício (camisa 13), em jogo da seleção brasileira Foto: Divulgação

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Renan dal Zotto, técnico da seleção brasileira, disse estar triste com o caso envolvendo Maurício Souza e com a polêmica em torno do caso. O treinador garantiu que, em sua equipe, nunca houve atrito entre os atletas e que todos se respeitam. O central foi afastado por tempo indeterminado do time de vôlei do Minas, além de ter recebido multa por fazer comentários de teor homofóbico, o que gerou forte reação de torcedores e atletas, entre eles, o ponteiro do Douglas.

— Quero deixar bem claro que nunca aconteceu nada parecido com isso na seleção. Vou me inteirar melhor do que está acontecendo porque não sou assíduo das redes sociais e não estava acompanhando no detalhe. Mas digo que isso que está acontecendo agora é tudo o que não queremos no nosso esporte — disse ao GLOBO.

Dal Zotto, que treinou Douglas e Maurício nos Jogos de Tóquio, não quis falar sobre futuras convocações e se o episódio pode influenciar a próxima lista. Isso porque “tem uma temporada inteira de clubes pela frente”, “ninguém tem vaga garantida” e porque não se sabe ainda “se o Maurício jogará a Superliga”.

— Ele vai jogar em algum momento? Não sabemos. Então, como posso falar em convocação? Não sei o que vai acontecer e por isso não posso falar sobre isso agora. Eu lamento tudo isso mas entendo que a decisão do Minas pertence ao Minas. Assim como a posição do Maurício pertence a ele e somente a ele. E a posição do Douglas é do Douglas. Sempre houve total respeito no nosso grupo e é isso que vamos manter.

Resultado de pressão

As medidas, anunciadas pelo clube nesta terça-feira, são resultado de forte cobrança da torcida. No dia 12, o central criticou a história em quadrinhos do novo Super-Homem, na qual há um beijo entre o personagem e outro homem. Nos últimos dias, torcedores do Minas passaram a invadir as redes sociais dos patrocinadores para pedir posicionamento em relação ao central. O movimento surtiu efeito. Ontem, a montadora de automóveis Fiat e produtora de aço Gerdau publicaram notas nas quais pediam “medidas cabíveis”.

“O presidente do Minas Tênis Clube, Ricardo Vieira Santiago, se reuniu com o atleta Maurício Souza esta tarde e lhe informou sobre o seu afastamento por tempo indeterminado. O atleta também recebeu uma multa e foi orientado a fazer uma retratação pública imediata”, informou o clube. “O Minas reforça que não aceita e não aceitará manifestações intolerantes de qualquer forma e que intensificará campanhas internas em prol da diversidade, respeito e união, por serem causas importantes e alinhadas com os valores institucionais”.

_________________________________________________Morre, aos 75 anos, o autor Gilberto Braga | Ancelmo - O Globo

Por Ancelmo Gois

Gilberto Braga

Morreu na noite de hoje, aos 75 anos, o grande autor brasileiro Gilberto Braga. O carioca estava internado no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro. Braga faria aniversário na segunda-feira, dia 1º de novembro.

Ele passou a enfrentar, nos últimos dias, uma infecção sistêmica a partir de perfuração de esófago, sem conseguir resistir as complicações. Gilberto era casado com o decorador Edgar Moura Brasil.

Braga começou a carreira em 1972, e se tornou um dos principais novelistas da TV Globo após escrever novelas como: "Dancin’ Days” (1978), “Vale tudo” (1988), "Celebridade" (2003) e "Paraíso Tropical" (2008). Por esta última, aliás, o escritor foi agraciado com o prêmio Emmy de melhor novela.

São seus personagens marcantes da dramaturgia brasileira, casos de Odete Roitman, vivida por Beatriz Segall em "Vale tudo", e Júlia, encarnada por Sônia Braga em  "Dancin’ Days”.

Também são suas novelas como "Anos dourados" (1984), "Escrava Isaura" (1976) e "Babilônia", em 2015, sua última contribuição como autor.

_________________________________________________A SAÚDE andava CINZENTA para GILBERTO_BRAGA, roubando-lhe até o prazer simples da praia na frente de casa

O autor que falou de amor gay, abordou o racismo e outros crimes e injustiças muito antes de estarem, ufa, na ordem do dia, morreu nesta terça-feira
Gilberto Braga Foto: Alex Carvalho / Divulgação
Gilberto Braga Foto: Alex Carvalho / Divulgação

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Gilberto era Tumscitz na identidade (ele jamais usaria o paulista “RG”) e nas críticas de teatro que escrevia aqui no GLOBO décadas atrás, mas era Braga para o mundo. Não praticante, levava na alma os alvirrubros Salgueiro e América FC, heranças da infância tijucana. Lembrava nos mínimos detalhes as histórias e personagens da época da Campos Sales, assim como as da Copacabana dos anos 1960, a Aliança Francesa, as sessões de cinema sem fim — que o acompanharam em VHS, laserdisc, DVD, streaming a vida toda.

Da mesma forma que as cenas e diálogos dos diretores e dramaturgos favoritos — dos outros também; ele conhecia todos —, Gilberto lia as pessoas, a ponto de fazer-lhes, sem cerimônia, revelações sobre suas próprias vidas:

— Não, não aconteceu assim, não. Foi de outro jeito.

E ele sabia contar as histórias. Falou de amor gay, abordou o racismo e outros crimes e injustiças muito antes de estarem, ufa, na ordem do dia. O olhar distraído de Constância Eugênia Correia Lima Amorim Barreto podia insinuar alienação, mas a observação era precisa.

— Ótimo você ter conseguido esse estágio — me disse ele no começo de minhas vivências em redações, nos anos 1990. — Mas não deixe de escrever sobre música, nem que seja no “Diário de Pindamonhangaba”.

A prestimosa publicação, se é que existe, ainda não me pautou, mas sigo o conselho até hoje, passados trinta anos.

Assim como a frente fria que assola a primavera carioca há semanas, a saúde andava cinzenta para Gilberto, roubando-lhe até o prazer simples da praia na frente de casa. Carioca internacional, o dono do mundo foi embora com o sol.

* Bernardo Araujo é jornalista e filho da Rosa María, irmã do Gilberto Braga

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Gilberto Braga viveu história de amor com decorador por quase 50 anos

Gilberto Braga e Edgar Moura Brasil  - Reprodução/Instagram
Gilberto Braga e Edgar Moura Brasil Imagem: Reprodução/Instagram

De Splash, em São Paulo

27/10/2021 09h45

O autor Gilberto Braga, que morreu ontem aos 75 anos em decorrência de uma infecção sistêmica, viveu sua própria história de amor durante quase 50 anos.

Ele e o decorador Edgard Moura Brasil oficializaram a união em 2014, depois de 41 anos de relacionamento.

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Na época, durante uma celebração no apartamento que dividiam no Arpoador, Zona Sul do Rio de Janeiro, os dois assinaram um contrato de união estável.

A festa, apesar de íntima, contou com a presença de celebridades como Fernanda Montenegro, Gloria Pires, Deborah Evelyn, Dennis Carvalho e outros nomes.

Gilberto e Edgard disseram o tão aguardado "sim" ao som de Cazuza — a mãe do cantor, inclusive, também estava entre os convidados.

A última foto das redes sociais do decorador ao lado do autor foi publicada em outubro de 2016, durante uma viagem a Nova York.

Gilberto Braga nasceu no bairro Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro, no dia 1º de novembro de 1945. Formado em letras pela PUC-RJ, trabalhou como crítico de teatro e cinema do jornal O Globo antes de estrear como autor na emissora carioca.

O autor escreveu mais de 20 novelas. Suas tramas ficaram famosas por quase sempre apresentarem um assassinato misterioso nos últimos capítulos. Entre seus maiores sucessos estão "Dancin' Days" (1978), "Corpo a Corpo" (1984), "Anos Dourados" (1986), "Vale Tudo" (1988), "Dono do Mundo" (1991) e "Celebridade" (2003). Em 2008, ele venceu o Emmy Internacional de Melhor Telenovela com "Paraíso Tropical".

Relembre as obras marcantes do autor Gilberto Braga

"Corrida do Ouro", em 1974, foi a primeira experiência de Gilberto Braga em telenovelas, quando dividiu a autoria com Lauro César Muniz e Janete Clair - Divulgação
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"Corrida do Ouro", em 1974, foi a primeira experiência de Gilberto Braga em telenovelas, quando dividiu a autoria com Lauro César Muniz e Janete Clair

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Em 1975, Gilberto Braga assumiu a autoria da novela "Bravo!", escrita inicialmente por Janete Clair. A autora afastou-se da trama para trabalhar na elaboração de "Pecado Capital", novela que substituiu "Roque Santeiro", censurada no dia de estreia. - Divulgação
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Em 1975, Gilberto Braga assumiu a autoria da novela "Bravo!", escrita inicialmente por Janete Clair. A autora afastou-se da trama para trabalhar na elaboração de "Pecado Capital", novela que substituiu "Roque Santeiro", censurada no dia de estreia.

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Em 1975, Gilberto Braga trabalhou na adaptação do romance "Helena", de Machado de Assis. A história se passa no Rio de Janeiro, em 1859. - Divulgação
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Em 1975, Gilberto Braga trabalhou na adaptação do romance "Helena", de Machado de Assis. A história se passa no Rio de Janeiro, em 1859.

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Em "Senhora", exibida em 1975, Gilberto Braga fez uma adaptação do romance homônimo, de José de Alencar. - Divulgação
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Em "Senhora", exibida em 1975, Gilberto Braga fez uma adaptação do romance homônimo, de José de Alencar.

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Em 1976, Gilberto Braga escreveu seu primeiro grande sucesso: "Escrava Isaura". - Divulgação

Em 1976, Gilberto Braga escreveu seu primeiro grande sucesso: "Escrava Isaura".

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"Dona Xepa", de 1977, foi inspirada na peça teatral homônima de Pedro Bloch. Protagonizada por Yara Cortes, a trama trazia a história de uma feirante que é abandonada pelo marido e cria sozinha dois filhos - Divulgação
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"Dona Xepa", de 1977, foi inspirada na peça teatral homônima de Pedro Bloch. Protagonizada por Yara Cortes, a trama trazia a história de uma feirante que é abandonada pelo marido e cria sozinha dois filhos

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De 1978, "Dancin' Days" foi escrita a partir do esboço "A Prisioneira", da colaboradora Janete Clair. Estrelada por Sônia Braga, a novela alcançou um grande sucesso e marcou a estreia de Gilberto no horário nobre como autor titular. - Divulgação
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De 1978, "Dancin' Days" foi escrita a partir do esboço "A Prisioneira", da colaboradora Janete Clair. Estrelada por Sônia Braga, a novela alcançou um grande sucesso e marcou a estreia de Gilberto no horário nobre como autor titular.

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Em "Água Viva", de 1980, Gilberto Braga contou com a parceria de Manoel Carlos. A trama girava em torno de Maria Helena (Isabela Garcia), uma pequena órfã que atingiu a idade de ser transferida para outro orfanato. - Divulgação
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Em "Água Viva", de 1980, Gilberto Braga contou com a parceria de Manoel Carlos. A trama girava em torno de Maria Helena (Isabela Garcia), uma pequena órfã que atingiu a idade de ser transferida para outro orfanato.

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Em "Brilhante", de 1981, Gilberto Braga contou com a colaboração de Leonor Bassères e Euclydes Marinho. O comércio de joias e de pedras preciosas e o mistério sobre uma jazida de esmeraldas no Pantanal eram o fio condutor da história. - Divulgação
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Em "Brilhante", de 1981, Gilberto Braga contou com a colaboração de Leonor Bassères e Euclydes Marinho. O comércio de joias e de pedras preciosas e o mistério sobre uma jazida de esmeraldas no Pantanal eram o fio condutor da história.

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Em 1983, Gilberto Braga escreveu a novela "Louco Amor", com a colaboração de Leonor Bassères. Na trama, a jovem e rica Patrícia (Bruna Lombardi) é apaixonada por Luís Carlos (Fábio Júnior), filho de Isolda (Nicette Bruno), a empregada doméstica da família Dumont. - Divulgação
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Em 1983, Gilberto Braga escreveu a novela "Louco Amor", com a colaboração de Leonor Bassères. Na trama, a jovem e rica Patrícia (Bruna Lombardi) é apaixonada por Luís Carlos (Fábio Júnior), filho de Isolda (Nicette Bruno), a empregada doméstica da família Dumont.

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Em 1984, a novela "Corpo a Corpo" foi escrita por Gilberto Braga com a colaboração de Leonor Bassères. A trama retratou a história de Teresa (Glória Menezes), que era apaixonada por Osmar (Antônio Fagundes), um homem bem mais novo que preferiu se casar com Eloá (Débora Duarte). - Divulgação
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Em 1984, a novela "Corpo a Corpo" foi escrita por Gilberto Braga com a colaboração de Leonor Bassères. A trama retratou a história de Teresa (Glória Menezes), que era apaixonada por Osmar (Antônio Fagundes), um homem bem mais novo que preferiu se casar com Eloá (Débora Duarte).

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De 1986, "Anos Dourados", foi a primeira minissérie escrita por Gilberto Braga e se tornou um dos trabalhos mais elogiados e bem-sucedidos do autor. A trama marcou o retorno às produções ambientadas nos anos 1950 - Divulgação
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De 1986, "Anos Dourados", foi a primeira minissérie escrita por Gilberto Braga e se tornou um dos trabalhos mais elogiados e bem-sucedidos do autor. A trama marcou o retorno às produções ambientadas nos anos 1950

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"Vale Tudo", de 1988, foi escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères e dirigida por Dennis Carvalho e Ricardo Waddington. - Divulgação
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"Vale Tudo", de 1988, foi escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères e dirigida por Dennis Carvalho e Ricardo Waddington.

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De 1988, "O Primo Basílio" foi uma minissérie escrita por Gilberto Braga e Leonor Bassères, tendo por base a obra de Eça de Queiroz. A história se passa na Lisboa do século XIX. - Divulgação
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De 1988, "O Primo Basílio" foi uma minissérie escrita por Gilberto Braga e Leonor Bassères, tendo por base a obra de Eça de Queiroz. A história se passa na Lisboa do século XIX.

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"O Dono do Mundo", de 1991, focava na vida do antiético cirurgião plástico Felipe Barreto (Antônio Fagundes), casado por interesse com Stella (Glória Pires), filha de um rico empresário - Divulgação
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"O Dono do Mundo", de 1991, focava na vida do antiético cirurgião plástico Felipe Barreto (Antônio Fagundes), casado por interesse com Stella (Glória Pires), filha de um rico empresário

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Gilberto Braga foi o supervisor de texto de "Lua Cheia de Amor", novela de 1991 escrita por Ana Maria Moretszohn, Ricardo Linhares e Maria Carmem Barbosa. - Divulgação
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Gilberto Braga foi o supervisor de texto de "Lua Cheia de Amor", novela de 1991 escrita por Ana Maria Moretszohn, Ricardo Linhares e Maria Carmem Barbosa.

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Em 1992, Gilberto Braga escreveu a minissérie "Anos Rebeldes", inspirada nos livros: "1968 - O Ano que Não Terminou", de Zuenir Ventura, e "Os Carbonários", de Alfredo Sirkis. - Divulgação
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Em 1992, Gilberto Braga escreveu a minissérie "Anos Rebeldes", inspirada nos livros: "1968 - O Ano que Não Terminou", de Zuenir Ventura, e "Os Carbonários", de Alfredo Sirkis.

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"Pátria Minha", de 1994, foi escrita por Gilberto Braga e Alcides Nogueira e dirigida por Dennis Carvalho. - Divulgação
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"Pátria Minha", de 1994, foi escrita por Gilberto Braga e Alcides Nogueira e dirigida por Dennis Carvalho.

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De 1998, a minissérie "Labirinto" foi escrita por Gilberto Braga, Paola Refinette, Leonor Bassères e Sérgio Marques. A trama começava com o assassinato de um milionário durante uma festa de Réveillon em sua cobertura em Copacabana - Divulgação
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De 1998, a minissérie "Labirinto" foi escrita por Gilberto Braga, Paola Refinette, Leonor Bassères e Sérgio Marques. A trama começava com o assassinato de um milionário durante uma festa de Réveillon em sua cobertura em Copacabana

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De 1999, "Força de um Desejo" foi escrita por Gilberto Braga e Alcides Nogueira. A trama se passa no século XIX, no Vale do Paraíba, Rio de Janeiro. - Divulgação
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De 1999, "Força de um Desejo" foi escrita por Gilberto Braga e Alcides Nogueira. A trama se passa no século XIX, no Vale do Paraíba, Rio de Janeiro.

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Em 2003, Gilberto Braga escreveu outro grande sucesso: "Celebridade". A trama tem como eixo central a rivalidade entre duas mulheres - Divulgação
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Em 2003, Gilberto Braga escreveu outro grande sucesso: "Celebridade". A trama tem como eixo central a rivalidade entre duas mulheres

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"Paraíso Tropical", de 2007, é uma trama urbana de Gilberto Braga, que conta a história das gêmeas Paula e Taís (Alessandra Negrini), duas mulheres fisicamente idênticas, mas com personalidades opostas - Divulgação
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"Paraíso Tropical", de 2007, é uma trama urbana de Gilberto Braga, que conta a história das gêmeas Paula e Taís (Alessandra Negrini), duas mulheres fisicamente idênticas, mas com personalidades opostas

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Análise: Gilberto Braga não teve igual e foi o maior autor de novelas da TV Globo

Quem não se lembra de personagens como Julia Matos, Maria de Fátima e Odete Roitman?

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Mauricio Stycer

Gilberto Braga foi possivelmente o autor de novelas mais importante da história da Globo. Mais até que sua mestra Janete Clair, a rainha do melodrama. Quem diz isso não sou eu, mas colegas seus, como Lauro Cesar Muniz, por exemplo.

Pelos temas que abordou, pela comunicação que alcançou com o público, pela forma como retratou a classe média e a elite cariocas, pela série de sucessos que emplacou, Gilberto não tem rival no lugar mais alto da dramaturgia da emissora.

  • Sonia Braga em cena da novela "Dancin' Days", escrita por Gilberto Braga em 1978

Você cita alguns títulos de trabalhos que produziu e nem precisa explicar do que tratam ou da importância que tiveram. Estão fixados na memória ou na imaginação, seja pelos tipos que imaginou, pelos diálogos que escreveu ou pelas cenas antológicas e impactantes que criou.

Quem não se lembra de personagens como Julia Matos, papel de Sonia Braga, Maria de Fátima, vivida por Glória Pires, Odete Roitman, papel de Beatriz Segall, Lurdinha, Maria Lucia e Maria Clara, as três interpretadas por Malu Mader, a cachorra Laura e Heloisa, ambas vividas por Claudia Abreu, João Alfredo, papel de Cassio Gabus Mendes, do Felipe Barreto de Antônio Fagundes?

O autor Gilberto Braga em 2015
O autor Gilberto Braga em 2015 - Leo Martins / Agência O Globo

Mais que isso, olhando rapidamente a lista abaixo, impressiona a quantidade de trabalhos seus que foram ao ar em sintonia com o tempo, algo difícil de alcançar.

"Escrava Isaura", obra de 1976, de que não gostava, "Dona Xepa", de 1977, "Dancin´Days", de 1978, "Vale Tudo", de 1988, "O Dono do Mundo", de 1991, uma de suas raras novelas incompreendidas, "Celebridade", de 2003, para não falar das minisséries "Anos Dourados", de 1986, "O Primo Basílio", de 1988 e "Anos Rebeldes", de 1992. Há traços dos últimos 40 anos de Brasil nas novelas de Gilberto. Não é pouca coisa.

Apesar da fama de escrever melhor personagens femininas (a lista é enorme), Gilberto tem também uma galeria de tipos masculinos importantes. E, apesar de ter ficado famoso como um autor que descrevia os ricos com raro talento, Gilberto nasceu e foi criado num ambiente de classe média.

Nos últimos anos, abalado por diferentes problemas de saúde, enfrentou a rejeição do público a uma novela sua, "Babilônia", de 2015, e não conseguiu emplacar mais nenhum novo trabalho na Globo. Deixa projetos e pelo menos uma novela inteiramente escrita na gaveta da emissora.

Gilberto era casado com Edgar Moura Brasil, decorador e seu companheiro por quase 50 anos. Nunca escondeu isso. Ao contrário, era um casal que aparecia em eventos públicos, era citado em colunas sociais e dava festas.

Em mais de uma novela, tentou representar personagens gays com a mesma naturalidade, mas enfrentou rejeição da censura, da Globo e do público.

É lamentável que "Babilônia" tenha produzido rejeição justamente por causa de uma cena ousada, que Gilberto nem pretendia que fosse tão ousada assim. Escreveu um selinho, mas rolou um beijão na boca, no primeiro capítulo, de duas senhoras vividas por Fernanda Montenegro e Natalia Thimberg.

É triste que esteja saindo de cena sem poder ver os trabalhos recentes que foram engavetados pela mesma emissora que hoje aposta em tantas bobagens ou histórias de mau gosto.​

Em uma de suas últimas aparições públicas, há pouco mais de uma semana, participou de uma reunião por videoconferência com mais de 200 autores e roteiristas da Globo. Foi uma recepção à nova diretora de criação, Samantha Almeida. Segundo vários relatos, Gilberto disse palavras gentis a vários dos presentes.

_________________________________________________Opinião: Marcelle Carvalho - Sem Gilberto Braga, ficamos órfãos do bom texto, dos vilões bem construídos

Marcelle Carvalho Colunista do UOL 27/10/2021 04h29

Minha mãe foi a grande incentivadora desse meu lado noveleira raiz. 

Dona Lourdes não perdia um folhetim. 

Sentava na frente da TV às 18h e só saía quando subiam os créditos da trama das 20h (sim, há alguns anos, as histórias do horário nobre eram mesmo às oito da noite).

E quando era uma novela de Gilberto Braga, ela sabia que vinha coisa boa. 

Afinal, já tinha sido fisgada pelo autor em "Escrava Isaura" (1976), primeiro sucesso dele. 

Ai de quem ousasse falar durante a exibição de sua trama. 

Sem dúvida, ela lamentaria demais a morte de Braga, aos 75 anos, na noite de ontem (26), no Rio de Janeiro.

Não só ela como todos nós que apreciamos o bom folhetim.

Perder Gilberto Braga, um dos novelistas mais importantes da teledramaturgia brasileira, é se sentir meio órfão do bom texto, dos vilões bem construídos, da ácida crítica social. 

Como é atemporal "Vale Tudo" (1988), minha gente! Qualquer época em que ela seja reprisada, a sensação é de que foi escrita no período de sua exibição. 

E o que dizer de "Dancin' Days (1978)? A história mexeu com a moda, disparou a febre das discotecas, e explodiu na audiência.

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As minisséries também fazem parte do patrimônio deixando pelo grande autor. A gente suspira até hoje com "Anos Dourados" (1986), que trazia a repressão sexual como pano de fundo de uma história de amor. E revive os anos de chumbo no Brasil com "Anos Rebeldes" (1992). Um olhar bem atento do autor para momentos distintos, porém, significativos da sociedade brasileira.

Vilania com toque de elegância

Com maestria, Braga deixou o legado dos vilões mais adorados e odiados da TV. Desenhava essa categoria com esmero, muitas vezes, eram bem melhores que os mocinhos. Sim, porque o autor gostava de ser maniqueísta. Como fazia muito bem, não deixava com que ficassem chatos ou caricatos. Ah, e uma característica era bem forte nesses personagens: a maioria era trabalhada na elegância, com muito dinheiro no bolso e preconceitos explícitos.

Lembro da minha mãe, quando falava de "Escrava Isaura", dizendo que "Leôncio (Rubens de Falco) era o cão". E ela tinha toda razão. Yolanda Pratini (Joana Fomm), em "Dancin' Days", foi capaz das piores artimanhas para prejudicar a irmã, Júlia (Sonia Braga). Então, chegam, a minhas favoritas: Odete Roitman (Beatriz Segal) e Maria de Fátima (Gloria Pires), em "Vale Tudo". Há cenas envolvendo as personagens que ficaram para a história da teledramaturgia. E ainda teve Felipe Barreto (Antonio Fagundes), o médico de "O Dono do Mundo" (1992), que seduziu a virgem Márcia (Malu Mader), em sua lua de mel, com o marido, Walter (Tadeu Aguiar), e depois a descartou. Maldade pouca é bobagem.

Braga ainda faria uma crítica social forte em "Celebridade" (2004), sobre a busca incansável pela fama. E deu a Claudia Abreu o papel da vilã Laura. Não dá para esquecer a parceria com Márcio Garcia, na pele de Marcos, em que se chamavam carinhosamente de Cachorra e Michê. Era muita maldade contra Maria Clara Diniz (Malu Mader), mas o autor conduziu tão bem os passos dos dois, que eram queridos pelo público. E depois que Laura se junta a Renato Mendes (Fábio Assunção), a dupla ficou imbatível.

Três anos depois, o novelista traz quem? Bebel e Olavo, o casal mais deliciosamente incorreto de "Paraíso Tropical" (2007). Braga foi um arquiteto e tanto na construção dos personagens de Camila Pitanga e Wagner Moura, que brincavam com o texto do autor. Não à toa, viraram os queridinhos do público na ocasião.

Sua última novela, "Babilônia" (2015), infelizmente, não brilhou tanto como as antigas. Mas nem por isso, ofuscou a trajetória de Braga. Seu nome será sempre sinônimo de qualidade. O legado dele está aí para todo mundo ver e aplaudir.

_________________________________________________Relembre os grandes vilões das novelas de Gilberto Braga

Autor ficou célebre por criar personagens que o público amava odiar
Beatriz Segall como Odete Roitman Foto: Reprodução
Beatriz Segall como Odete Roitman Foto: Reprodução

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Autor de telenovelas clássicas da TV brasileira, como "Dancin' days" (1978), "Vale tudo" (1988) e "Celebridade" (2003), Gilberto Braga morreu nesta terça-feira (26), aos 75 anos, no Rio, segundo informou o blog de Ancelmo Gois. O carioca estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana. Braga faria aniversário na segunda-feira, dia 1º de novembro. Ele passou a enfrentar, nos últimos dias, uma infecção sistêmica a partir de perfuração de esófago, sem conseguir resistir as complicações. Gilberto era casado com o decorador Edgar Moura Brasil.


Ao longo de sua carreira, toda construída na TV Globo, Gilberto Braga criou vilões inesquecíveis que entraram para a história da teledramaturgia.  Recorde abaixo personagens inesquecíveis que o Brasil amou odiar.

Leôncio Almeida (Rubens de Falco), "Escrava Isaura" (1976)

Isaura (Lucélia Santos) e Leôncio (Rubens de Falco) Foto: Reprodução
Isaura (Lucélia Santos) e Leôncio (Rubens de Falco) Foto: Reprodução


Leôncio já existia, claro, no romance que Bernardo Guimarães lançou em 1875, mas Gilberto Braga lhe deu doses extras de vilania. Apaixonado por Isaura, ao não ser correspondido ele se apodera da carta de alforria deixada pela mãe da escrava branca, e torna sua vida um inferno. Maléfico, Leôncio infligiu torturas físicas e psicológicas na pobre jovem durante 100 capítulos até ela finalmente ser salva de sua sina por Álvaro (Edwin Luisi), com quem acaba casandio.

A novela foi um sucesso mundial, sendo exibida em mais de 80 países.

Diz a lenda (popularizada por De Falco) que, durante uma visita a Portugal, uma multidão enfurecida tentou agredir o ator, tamanho era ódio que o personagem Leôncio gerava no país.

Yolanda Pratini (Joana Fomm), "Dancin' days" (1978)

Joana Fomm em Dancin' Days Foto: Reprodução
Joana Fomm em Dancin' Days Foto: Reprodução


Norma Bengell chegou a gravar algumas cenas, mas acabou sendo substituída por Joana Fomm, que brilhou no papel da socialite que criava todo tipo de obstáculo para separar sua irmã, Júlia (Sonia Braga), recém-saída da cadeia, da filha, Marisa (a jovem Gloria Pires).

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Joana Fomm já contou que, por conta das maldades da personagem, recebia insultos quase diariamente. Até de onde menos se esperava, como contou Gilberto Braga ao site Memória Globo, ao narrar a vez em que sua cozinheira desligou o telefone ao ouvir a voz da atriz. A explicação: "Sei que o senhor é que escreve aquilo tudo, não sou burra. Bati o telefone por causa da cara de nojenta que ela fez quando a Júlia entrou no camburão da polícia. A cara não foi o senhor que escreveu, era dela mesmo.’”

O tema de Yolanda na trilha sonora com ares de discoteca era a soturna "Solitude", standar de jazz cantado por Gal Gosta.

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Odete Roitman (Beatriz Segall) e Maria de Fátima (Glória Pires), "Vale Tudo" (1988)

Odete Roitman (Beatriz Segall) e Maria de Fátima (Glória Pires), "Vale Tudo" (1988) Foto: Reprodução
Odete Roitman (Beatriz Segall) e Maria de Fátima (Glória Pires), "Vale Tudo" (1988) Foto: Reprodução

Odete era uma artistocrata carioca que odiava o Brasil, os brasileiros ("É um povo preguiçoso. Isso aqui é uma mistura de raças que não deu certo. Conheço uns dois ou três que não são") e todos que se colocassem em seu caminho.

Isso incluía Maria de Fátima (Glória Pires), jovem trambiqueira que traiu até a própria mãe para ascender socialmente - casando-se com Afonso (Cássio Gabus Mendes), filho de Odete. Mas, após um estranhamento inicial, as duas acabaram criando uma aliança.

Nio final da novela, o Brasil parou para responder: "quem matou Odete Roitman?" E tinha sido Helena (Cássia Kis). Maria de Fátima estava inocente nessa — e, diferente de Odete, viveu para continuar aprontando das suas.

Em depoimento ao site Memória Globo, Beatriz Segall falou sobre Odete Roitman: "Acho que é uma personagem que vai ficar, não por minha causa, na história. Eu fui gostando muito de fazer a personagem. Eu fazia com um prazer imenso. Quanto mais maldade ela fazia, mais interessante o papel ficava."

Felipe Barreto (Antônio Fagundes), "O dono do mundo" (1991)

Malu Mader e Antônio Fagundes em "O dono do mundo" Foto: Divulgação
Malu Mader e Antônio Fagundes em "O dono do mundo" Foto: Divulgação

Felipe Barreto é um cirurgião plástico bem-sucedido e antiético que, além de corrupto, quer corromper a todos em sua volta. No dia do casamento de um funcionário seu, Walter (Tadeu Aguiar), Felipe aposta com um amigo que levará a noiva virgem, Márcia (Malu Mader) para a cama antes do próprio marido. Ele vence a aposta.

Ao flagrar a noiva nos braços de seu chefe, Walter fica desesperado, pega um carro e acaba morrendo em um acidente. Atenção: isso tudo apenas na primeira semana de novela, imagine o que não rola daí pra frente.

Laura (Cláudia Abreu), "Celebridade" (2003)

Cláudia Abreu em "Celebridade" (2003) Foto: Divulgação
Cláudia Abreu em "Celebridade" (2003) Foto: Divulgação



Laura (Cláudia Abreu) era uma vilã com justificativa: tudo o que Maria Clara Diniz (Malu Mader) conquistou devia ser de sua mãe. Ela foi a verdadeira musa da canção que tornou Maria Clara rica e famosa, enquanto Laura e sua mãe cresceram na miséria.

Movida pela vingança, Laura finge ser admiradora de Maria Clara Diniz (Malu Mader) e consegue um emprego como sua assistente. Enquanto isso, trama com o michê Marcos (Márcio Garcia) para destruí-la e tomar tudo que é dela — e consegue.

Um dos momentos marcantes na trama é a cena em que, após perder tudo, Maria Clara encontra Laura dentro de um banheiro e parte para a ignorância. É considerada uma das maiores surras da teledramaturgia brasileira - total de 28 tapas.

Olavo Novaes (Wagner Moura), "Paraíso tropical" (2007)

Wagner Moura em "Paraíso Tropical" Foto: Divulgação
Wagner Moura em "Paraíso Tropical" Foto: Divulgação

Inteligente e ambicioso, Olavo não suportava o fato de Antenor (Tony Ramos) preferir Daniel (Fabio Assunção) na sucessão do Grupo Cavalcanti, e buscava prejudicá-lo de todas as formas, sabotando-o na empresa e prejudicando seu relacionamento com Paula (Alessandra Nedrini). Olavo representava o clássico psicopata corporativo, simpático e gentil pela frente mas, pelas costas, tramando contra todos.

Mas este vilão tinha um grande, sensual e explosivo amor. Bebel (Camila Pitanga), uma prostituta de bom coração e mau julgamento que foi cúmplice de todos os seus planos até o fim.

Em entrevista ao caderno ELA, Wagner Moura ficou sabendo da grande popularidade nas redes sociais de uma cena em que Olavo abre seu coração para Bebel. Mas do jeito dele, dizendo: "Você é a cachorra mais burra daqui desse calçadão. Por que só você não viu ainda que eu amo você também". Tímido com a revelação, o ator disse que nunca chamou ninguém de "cachorra" na vida real.

Relembre as novelas de Gilberto Braga

"Corrida do ouro" (1974)

"Escrava Isaura" (1976)

"Dona Xepa" (1977)

"Dancin' Days" (1978)

"Água viva" (1980)

"Brilhante" (1981)

"Louco Amor" (1983)

"Corpo a Corpo" (1984)

"Anos Dourados" (1986)

"O Primo Basílio" (1988)

"Vale Tudo" (1988)

"O Dono do Mundo" (1991)

"Anos Rebeldes" (1992)

"Pátria Minha" (1994)

"Labirinto" (1998)

"Força de um Desejo" (1999)

"Celebridade" (2003)

"Paraíso Tropical" (2007)

"Insensato Coração" (2011)

"Babilônia" (2015)

_________________________________________________Estadia irregular de Pazuello no hotel de Trânsito do Exército irrita generais do Alto Comando | Malu Gaspar - O Globo

O general e secretário de Projetos Estratégicos do Planalto, Eduardo Pazuello, deixa o Hotel de Trânsito de Brasília no último dia 6

Por Malu Gaspar e Johanns Eller 

O general Eduardo Pazuello tem fornecido novo motivo de desconforto para os generais do comando do Exército, e desta vez não é por sua performance na CPI da Covid e nem por ter subido ao palanque de um comício a favor do presidente Jair Bolsonaro

Ex-ministro da Saúde, Pazuello hoje despacha como secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria de Assuntos Estratégicos do Palácio do Planalto. A questão que está afligindo os chefes militares agora é que o general da ativa já completou um ano e meio de estadia no Hotel de Trânsito de Oficiais do Exército, em Brasília, o que é contra o regulamento do próprio hotel.

Segundo as regras do HTO, cada oficial só pode se hospedar por no máximo 30 dias. Exceções são permitidas desde que com autorização por escrito do comandante da Região Militar ou da unidade gestora do Hotel de Trânsito, mas no caso de Pazuello essa autorização não existe.  

O Exército não se posicionou oficialmente sobre o caso, mas a equipe da coluna apurou que os generais do Alto Comando já fizeram chegar ao ex-ministro e hoje assessor especial do Palácio do Planalto que gostariam que ele deixasse o hotel. 

Há conversas inclusive entre emissários do comandante, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e do secretário de Assuntos Estratégicos, o almirante Flávio Rocha, para que Pazuello se mude para um apartamento funcional. Até agora, porém, o ex-general e ex-ministro tem se recusado a sair, alegando ter direito à hospedagem.  

O cargo comissionado hoje ocupado por Pazuello é do nível DAS (Direção de Assessoramento Superior) 102.6. Há vários precedentes de concessão de apartamentos funcionais a cargos similares no governo Jair Bolsonaro, conforme o Diário Oficial. Procurada, a Secretaria de Assuntos Estratégicos não comentou o  caso do ex-ministro da Saúde até o fechamento da reportagem. 

A diária no hotel de trânsito é de R$ 85 para os oficiais-generais. Questionada pela equipe da coluna sobre a estadia de Pazuello, a assessoria do Comando do Exército enviou apenas uma nota protocolar informando as regras para hospedagem.

Fontes do Exército disseram que Pazuello tem pago a diária, que além das instalações do próprio hotel dá acesso livre ao Clube do Exército, que fica ao lado. No clube há piscina, quadras esportivas, churrasqueiras e restaurantes. 

Pazuello se mudou para o hotel de trânsito dos oficiais logo que chegou a Brasília, em abril de 2020, para ser secretário-executivo de Nelson Teich. Com exceção de um breve período que passou em Manaus, depois de deixar do Ministério da Saúde, sua casa em Brasília sempre foi o hotel dos oficiais. 

_________________________________________________Aras submete relatório da CPI à análise prévia para ganhar tempo e se blindar com Bolsonaro e Senado | Bela Megale - O Globo

Por Bela Megale

Augusto Aras

A decisão do procurador-geral da República, Augusto Aras, de só tomar qualquer atitude sobre o relatório da CPI da Covid após uma “análise prévia” por um órgão da PGR foi vista internamente como uma medida para ganhar tempo e não se indispor nem com o governo Bolsonaro e nem com senadores da comissão. Procuradores avaliam que a manobra também busca jogar a responsabilidade em outros membros do Ministério Público e reduzir qualquer desgaste em torno de Bolsonaro e do Palácio do Planalto.  

O documento, que será entregue hoje à PGR, é foco de desgaste não só para Bolsonaro e seus três filhos, Flávio, Eduardo e Carlos, todos indiciados por diversos crimes no documento, mas também para nomes do governo como o do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, do ministro da Casa Civil, Braga Netto, e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros. 

Como revelou O GLOBO, ao receber o relatório final, Aras vai encaminhá-lo para uma “análise prévia" do Gabinete Integrado Covid-19 (Giac), órgão da PGR responsável pelas políticas públicas da pandemia. É só depois dessa primeira análise que o procurador-geral decidirá se instaura investigações ou apresenta denúncias contra as autoridades com foro privilegiado que foram indiciadas.  

A análise feita por procuradores à coluna é que Aras não pode delegar a um órgão externo uma função exclusiva do procurador-geral da República, como a de analisar o relatório final da CPI. Os investigadores também apontam que não faz parte do escopo de funções do Giac avaliar esse tipo de documento. Na pandemia, o Giac foi alvo de críticas internas sob acusação de tomar poucas ações contra falhas do governo Bolsonaro na gestão da crise sanitária.  

O rito estabelecido pela Constituição Federal é que o documento final de uma CPI deve ser remetido ao MP e à PGR, no caso de autoridades com foro. Caso o órgão não cumpra seu dever de investigar, os senadores pretendem apresentar o documento diretamente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além da PGR, unidades do MPF em diferentes estados serão acionadas pela CPI para investigar pessoas sem foro privilegiado e que foram indiciadas. 

_________________________________________________Governos que ferem instituições

Os presidentes Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro colocaram em xeque balizadores fiscais como LRF e teto de gastos

Os marcos institucionais dos países visam a delimitar a ação dos indivíduos, de forma a afastar atitudes oportunistas que prejudiquem a coletividade, por exemplo, atrapalhando o crescimento sustentado.

Na economia, um exemplo é o regime de metas de inflação — um mecanismo que facilita o trabalho do Banco Central no controle inflacionário, desde que seu compromisso com o regime seja reafirmado repetidamente. Caso o BC sistematicamente descumpra as metas, a erosão de sua credibilidade demandará taxas de juros mais elevadas para conter a inflação adiante.

Outros marcos são as regras fiscais. As mais importantes são a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 2000, e a regra do teto, de 2016. A primeira estabelece, basicamente, que novas despesas não podem ser criadas sem indicação de fonte de recursos e a segunda limita o crescimento dos gastos do governo.

O fato de haver bons arranjos institucionais não significa, porém, que serão efetivos, pois isso depende da qualidade dos governantes. Muitos não exercem a necessária autocontenção e partem para buscar brechas ou criar exceções nas regras do jogo.

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Visam ao seu benefício eleitoral de curto prazo, geralmente de forma pouco transparente, o que enfraquece as instituições, trazendo prejuízos à coletividade no médio e longo prazo.

Na gestão Dilma, a LRF e o regime de metas foram severamente atacados, por conta dos abusos na área fiscal, que pressionaram a inflação. Como agravante, havia a percepção — correta ou não — de que o Executivo feria a autonomia do BC ao não permitir a necessária alta dos juros.

Diferentemente dos governos anteriores, que compreendiam que a independência do BC (mesmo que não prevista em lei) eleva a eficácia do regime de metas, contribuindo para os juros serem mais baixos ao longo do tempo. Ao final daquele governo, mesmo com a Taxa Selic em 14,25% ao ano e a economia em recessão, a inflação não cedeu. Saiu cara a aventura.

O desrespeito à LRF — as pedaladas foram apenas parte do problema — foi ruim para as contas públicas, para o trabalho do BC e para o jogo eleitoral, pois o aquecimento artificial da economia gerou vantagem indevida para a ex-presidente na campanha de 2014.

As instituições de controle ou tardaram a reagir, como o Tribunal de Contas da União, ou decidiram não tumultuar o quadro político, como o Tribunal Superior Eleitoral.

No governo Temer, veio a correção de rumos, e a inflação baixa abriu espaço para a saudável redução da meta em direção aos parâmetros mundiais. Houve avanço institucional.

A história se repete. O governo Bolsonaro promove retrocesso ao desrespeitar a regra do teto, senão formalmente, o seu espírito. Abusa-se da cláusula de escape que permite gastos em situação não esperada e, agora, pretende mudar a Constituição para flexibilizar a regra.

A razão é menos nobre do que parece, por várias razões: o Auxílio Brasil não vai além de 2022; o rombo no teto seria de R$ 98 bilhões, segundo Marcos Mendes, mais que o dobro do recurso extra necessário para o programa social, pois inclui benesses como as emendas do relator; e não há medidas compensatórias de contenção de gastos. De quebra, eleva-se o risco inflacionário e prejudica-se o mercado de trabalho, ambos penalizando os mais vulneráveis.

A ironia é que foi o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que agora patrocina o furo do teto, quem deu andamento ao projeto de autonomia do BC. Aprovada a matéria, celebrou: “Um sinal claro de que o Brasil está avançando em sua governança e previsibilidade”.

Ao final, palavras vazias, pois os gastos em excesso ferem, na prática, a independência do BC, pois reduzem sua capacidade de combater a inflação, e a almejada previsibilidade se esvai. Sabe-se lá qual será a taxa de inflação no ano que vem e em um eventual segundo mandato de Bolsonaro. O precedente aberto na PEC Emergencial se materializa agora. O que mais virá adiante?

Alguns criticam a regra do teto por não sobreviver a pressões políticas.Essa crítica não procede. Mesmo regras boas sucumbem diante de governantes irresponsáveis. Não há blindagem perfeita. A julgar pelo andar da carruagem, não se compromete apenas o teto, mas também a eficácia e a credibilidade do regime de metas. A reação do BC precisa ser enérgica para evitar o pior.

Insistimos em repetir erros do passado. Com a palavra, os órgãos de controle.


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Os méritos e as duas lacunas da CPI - Jeferson Miola

Por Jeferson Miola

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia
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Guerras se enfrentam com especialistas, sejam elas bélicas ou sanitárias. A diretriz é clara: militares nos quartéis, e médicos na saúde. Quando se inverte, a morte é certa. E foi isso que, lamentavelmente, parece ter acontecido” - Relator Renan Calheiros, na sessão inaugural da CPI, 27/4/2021

É a primeira vez que um presidente da República é indiciado por crimes contra a humanidade, por crimes de responsabilidade e por outros 8 tipos penais suficientes para condenar Bolsonaro ao enjaulamento por 30 anos – a pena máxima permitida no Brasil – nos tribunais nacionais e internacionais.

Não é trivial uma CPI pedir a responsabilização de ministros e ex-ministros de Estado, agentes públicos, deputados, senadores, governador e secretário de Estado, dirigentes partidários, médicos, militares, policiais, diplomatas e empresários por crimes variados.

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O relatório da CPI que pede o indiciamento de Bolsonaro e 79 bolsonaristas não é uma mera peça de propaganda e instrumento de luta política. Está ancorado em robustas provas documentais, factuais e testemunhais.

A prova mais potente e convincente é o morticínio programado de cerca de 400 mil brasileiros e brasileiras que, de acordo com epidemiologistas, poderiam ter suas vidas preservadas se os indiciados pela CPI não tivessem agido criminosamente – ou seja, do modo culposo e/ou doloso como agiram.

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Só pela responsabilização civil e criminal dos integrantes desta engrenagem macabra a CPI da COVID já terá valido a pena.

A função humanitária da CPI, entretanto, tem um alcance ainda maior. A Comissão conseguiu interromper a tendência crescente e a velocidade de crescimento da hecatombe humana que poderia ultrapassar a casa do milhão de vítimas humanas do desatino governamental.

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No curso da investigação, a CPI estancou o esquema corrupto de propina da infantaria do general Pazuello no Ministério da Saúde, obrigou o governo militar a trabalhar pela viabilização das vacinas e constrangeu a continuidade do funcionamento da máquina de horror inspirada nos experimentos nazistas de Auschwitz.

Em outra frente, a CPI desnudou a maquinaria que funcionava no porão do Palácio do Planalto articulando agentes do gabinete do ódio, propagadores de teses negacionistas, charlatães religiosos, dirigentes do Conselho Federal de Medicina, acadêmicos, clínicas médicas, políticos e empresários.

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Ao lado disso, porém, é preciso constatar duas lacunas essenciais da Comissão Parlamentar.

A principal delas é a não responsabilização dos comandos das Forças Armadas, em especial do Exército, que [1] teve papel central na gestão desastrosa, irresponsável e criminosa da pandemia por meio de um general da ativa designado pelo Comandante do Exército, e cujo laboratório [2] produziu industrialmente cloroquina e disseminou a distribuição desta droga comprovadamente ineficaz nas comunidades indígenas.

O saldo líquido desta guerra perdida pelo partido militar em 18 meses é maior que as baixas de 10 guerras do Paraguai, que durou 6 anos.

Ao que parece, deu certo a estratégia do partido dos generais para se safar da CPI. Como já dissemos, a CPI acertou nos alvos secundário e terciário, que são o presidente Jair Bolsonaro e o general Eduardo Pazuello, mas tangenciou o alvo principal da cadeia de responsabilidades pelo genocídio de mais de 600 mil brasileiros e brasileiras, que é o partido dos generais.

A outra lacuna diz respeito à não tipificação do crime de genocídio. Se em relação aos cerca de 400 mil “homicídios evitáveis” seria juridicamente problemático responsabilizar Bolsonaro por genocídio, em relação aos povos indígenas esta tipificação seria totalmente aplicável.

A Convenção da ONU de 1948, internalizada no ordenamento jurídico brasileiro em 1956 por meio da Lei nº 2.889, caracteriza genocídio como “a) matar membros do grupo; b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial”.

O relatório da CPI não é nenhuma garantia de punição, justiça e restauração democrática, principalmente quando se sabe que no meio do caminho da justiça e da democracia do Brasil têm pedras que atendem pelos nomes de Augusto Aras e Arthur Lira, o vassalo do banqueiro André Esteves.

O relatório da CPI, neste sentido, não encerra o ciclo de terror do país, mas abre uma etapa nova da luta democrática e de combate à ameaça fascista-militar. Os senadores e as senadoras de diferentes matizes ideológicas que na CPI se postaram ao lado da democracia, da humanidade e da ciência merecem aplausos.

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Opinião - Vera Iaconelli: Crianças desumanizadas


Neoliberalismo supõe erradicar a miséria eliminando o miserável

Na primeira vez que vi uma pessoa se pendurar em um caminhão de lixo buscando algo para comer, eu estava confortavelmente sentada no meu carro, recém-saída de um restaurante bacana no Itaim. O choque que a cena me causou é irrelevante e desprezível diante do sofrimento daquele senhor que vasculhava no escuro, enquanto os lixeiros consternados jogavam os sacos por sobre sua cabeça, sob o olhar ansioso de uma mulher e duas crianças bem pequenas.

Em nossa sociedade, essa família faz parte do grupo assimilado à vida nua como conceituou Giorgio Agamben em "Homo Sacer: O poder soberano e a vida nua". São aqueles que não têm estatuto de sujeito, cuja vida poderia ser disposta sem provocar o trabalho de luto nos demais.

Homem revira lixo em busca de comida, em São Paulo - Danilo Verpa - 14.out.2021/Folhapress

As gestações que emergem desse (não) lugar social revelam um paradoxo. Sua majestade o bebê, puro e inocente, surge onde as subjetividades não são devidamente reconhecidas. É só nesse momento que a sociedade se mobiliza, tentando extrair a pérola do limbo social que essa mesma sociedade produziu.

O bebê alojado no útero do estorvo será "salvo" por assistentes sociais, psicólogos e juízes ciosos de seu bem-estar. O consumo de drogas é uma das grandes justificativas para a perda do poder familiar entre pobres, enquanto os ricos se entopem de antidepressivos, ansiolíticos, álcool, drogas ilícitas e recreativas por não suportarem "o estresse da vida moderna". Agora, tente imaginar que droga amenizaria a dor de viver com a sua família na rua.

Sob a alegação de que não há boas condições para o desenvolvimento da criança, ela é tirada da família (geralmente da mãe). Não se cogita seriamente ofertar melhores condições para as famílias nas quais vivem, tornando ainda mais despossuídos mães e pais, de quem tudo já foi tirado.

Aí vem o paradoxo mencionado: o "salvamento" da criança se revela um circuito frequentemente fracassado –grande parte delas retorna para a miséria. A operação encobre mais uma forma de extermínio dos excluídos dentre tantas outras denunciadas. Por mais bem intencionada que seja, essa política resulta inócua ou fatal, com raras exceções.

Fica evidente o desejo obsceno de dizimar a miséria eliminando o miserável. Crença neoliberal de que, inibindo a reprodução dos pobres e promovendo a dos ricos, diminuiríamos a pobreza e aumentaríamos a riqueza. Como se não se tratasse de condições intrínsecas à estrutura social desigual e injusta, mas da simples reprodução de corpos (corpos ricos ou pobres).

maternidade é um luxo que só começa a valer a partir da classe média, casada, branca, cis e heterossexual. Fora desse espectro, toda a reprodução é tida como estorvo (proliferação de pobres e negros), psicopatológica (desqualificação da parentalidade de casais LGBTQIA+) ou inconveniente (suposta incapacidade de mães solteiras). O privilégio da parentalidade é ultrarrestrito e expõe a mentalidade tacanha que rege nossa sociedade. Quando o governo fura o teto fiscal, ao invés de cortar seus próprios gastos, para "salvar" o pobre –leia-se para salvar o mandato de Bolsonaro–, ele deixa em seu rastro a inflação que aumentará a pobreza que diz solucionar.

_________________________________________________O pastor que não ressuscitou e a fé idiotizada numa ópera neopentecostal bufa - Ricardo Nêggo Tom

Por Ricardo Nêggo Tom

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Há um debate em torno de uma suposta arrogância por parte da esquerda, por ela não dialogar com os evangélicos brasileiros e ainda considerá-los “ignorantes”. Obviamente, provocar essa reflexão é tão válido quanto tentar entender a fé idiotizada de boa parte do rebanho de ovelhas neopentecostais, que se submetem à vara santa e ao cabresto ungido de pastores que, quando não são reconhecidamente charlatães e exímios picaretas, são lunáticos, esquizofrênicos e viajantes na maionese ungida.

O caso de um pastor da cidade de Goiatuba, município de Goiás, que morreu, mas havia pedido ainda em vida que não fosse enterrado, pois ressuscitaria no terceiro dia após a sua morte, como Deus lhe havia prometido, evidencia o quão dificultoso é dialogar, política e racionalmente, com os neopentecostais evangélicos. Mais absurda do que a profecia do líder religioso, foi a presença de dezenas de fiéis em seu velório tentando impedir o sepultamento e pedindo para que o caixão fosse aberto, na fé de que a tal “promessa de Deus” se cumprisse. As vezes penso que estamos vivendo um apocalipse a conta gotas, retratado através de uma ópera neopentec ostal bufa.

Foi esse tipo de cristão neopentecostal que acreditou na possibilidade de ressurreição do pastor, que votou em Bolsonaro dizendo que ele era um novo messias. Um homem enviado por Deus para defender a família tradicional brasileira, acabar com a corrupção e resgatar os valores morais da sociedade. O puro suco da ignorância religiosa e da fé idiotizada sob as pregações de falsos profetas, aproveitadores da inocência e da estupidez humana. Rumo a um abismo profético e existencial, esses fiéis seguem dando glórias aos lobos vorazes que vestidos em pele de cordeiro os convencem de que eles estão a caminho do céu.

Se os roteiristas da facada em Bolsonaro tivessem tido mais um pouquinho de criatividade, teriam planejado a sua ressurreição três dias após o suposto atentado, após uma “oração de poder” feita por algum dos líderes neopentecostais que o bajulam. O problema seria definir quem seria o “ungido” responsável por ressuscitar o mito. Malafaia? Edir Macedo? Marco Feliciano? R.R. Soares? Qualquer um dos escolhidos representaria fielmente a manifestação da vigarice e da picaretagem que permeia e pontua a “unção” e a ação desses seres nefastos e oportunistas que oferecem aos mais incautos um deus dinheirista, violento, desonesto, prec onceituoso e fanfarrão.

A lavagem cerebral e a alienação promovida por tais líderes, são responsáveis por tornar milagre, aquilo que é apenas tosco e trash. Se Deus castigasse mesmo as pessoas que brincam com o seu nome, não haveria mais neopentecostais evangélicos na face da terra. Mas há quem jure que ele se ira mesmo é com esquetes de grupos de humor e com enredos de escolas de samba. Ele teria mandado até a Covid 19 para punir a humanidade, depois de ter sido exposto no desfile da Mangueira em 2019. Apoiar a um genocida, miliciano, corrupto e coautor de mais de 600 mil mortes no país, tudo bem. É a sua vontade.

É triste constatar que o medievalismo da religiosidade cristã foi reinventado e Deus foi novamente sequestrado por um grupo de fundamentalistas sem fundamento e sem racionalidade. Me desculpem a sinceridade, mas se a esquerda quiser mesmo dialogar com essas pessoas falando uma linguagem que elas entendam, terá que prometer a indicação de Jesus Cristo para uma vaga no STF no próximo governo Lula e instituir o antigo testamento como a nova constituição da república. E se Jesus Cristo não corresponder às expectativas, “a gente tira” e pede intervenção alienígena e a volta da ditadura dos dinossauros.

Que Deus ressuscite o cérebro dessa gente.

_________________________________________________Vaivém das Commodities: Para indústria, varejo mostra ganância e não reduz preço da carne, apesar do recuo do valor do boi

O que a cadeia precisa é amadurecer as relações, diz o consultor Luciano Vacari

interrupção da compra de carne bovina pela China coloca produtores, indústria e varejo em rota de colisão.

A disputa se acentuou depois que os chineses, responsáveis pela compra de 50% da carne bovina brasileira exportada, deixaram de adquirir essa proteína devido à ocorrência de dois casos atípicos de vaca louca.

A saída dos chineses do mercado brasileiro, há 50 dias, está provocando grandes dificuldades à cadeia produtiva. A arroba de boi gordo recuou para R$ 260 na sexta-feira (22) no estado de São Paulo. Esse valor é 19% inferior ao preço do final de junho, quando o gado atingiu R$ 322 por arroba.

O preço do quilo da carne bovina cai também no atacado. O valor atual, cotado a R$ 19 o kg, em média, está 5% abaixo do de há um mês, conforme dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Um funcionário corta charros de carne bovina em um frigorífico - Paulo Whitaker - 7.out.11/Reuters

O varejo, no entanto, segue caminho contrário. Nos últimos 30 dias, a carne bovina subiu 0,64% nos supermercados e açougues de São Paulo, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Em setembro, os preços da carne bovina haviam recuado 0,12%, mas, a partir deste mês, voltaram a subir, segundo a Fipe, que pesquisa preços na cidade de São Paulo.

Além da ausência chinesa, a pecuária sofre os efeitos do dólar. A moeda dos Estados Unidos, devido à sua valorização, trouxe mais reais para pecuaristas e exportadores nos últimos meses. Agora, porém, traz custos, provocados pela aceleração dos preços internacionais dos insumos e pela apreciação da moda dos EUA em relação ao real.

Nos cálculos do Cepea, uma arroba de boi gordo valia US$ 65 no final de junho. Agora está em US$ 46.
Bruno Lucchi, da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), diz que a preocupação não é apenas com as contas atuais do confinamento que não fecham, mas com o cenário seguinte.

Sem estímulo, o produtor vai repensar sua atividade, e os abates do início de 2022 poderão ser menores. Com isso, a arroba volta a subir e pesará mais no bolso do consumidor.

O Sindifrigo-MT (Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso), em nota da semana passada, disse que, apesar da queda dos preços do boi e da carne bovina no atacado, não há mudanças nos preços ao consumidor.

A queda dos preços da carne no varejo foi 0%, "uma distorção que mostra a ganância de um elo que não quer fazer parte de uma corrente da cadeia", diz a nota.

Para os pecuaristas, uma ação do varejo no sentido de reduzir preços e margens aumentaria a venda da proteína, ajudando a desovar o gado confinado atualmente.

Há quem, inclusive, apele para uma intervenção do governo nos preços da carne, um suicídio cometido pela Argentina, e que desarticulou a cadeia produtiva do país por longo prazo.

Luciano Vacari, da Neo Agro Consultoria, acredita, porém, que não há um único culpado nesse momento. O custo operacional subiu para todos, o consumo caiu e a história repete outras ocasiões.

Entre elas, a da Venezuela. Grande importador do produto brasileiro, o país vizinho foi abatido por uma queda nos preços do petróleo, interrompeu as compras, deixou dívidas e desestruturou a atividade dos que estavam voltados apenas para aquele mercado.

Para o consultor, todos os elos da cadeia erram. Os pecuaristas entram na operação e não se protegem do risco de preço. Quem fez proteção de seu negócio por meio de contratos de opção ou mercado futuro está garantido nessa redução de preço.

Os frigoríficos se acomodam nos mercados que mais compram e, quando há uma redução abrupta das vendas, sentem os efeitos de forma acentuada em seus negócios.

Já o varejo continua com ineficiência, desperdícios e não abre seus custos. Não adianta procurar um culpado neste momento, acrescenta Vacari. O que a cadeia precisa é amadurecer as relações.

A ausência da China mantém o mercado brasileiro apreensivo. Dados divulgados nesta segunda-feira (25) pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior) apontam que as exportações médias caíram para 4.175 toneladas por dia útil, 53% menos do que em setembro.

O preço médio recuou para US$ 5.233 (R$ 29.287, na cotação atual) por tonelada, com recuo de 10% em relação a setembro. Por ora, as exportações somam 63 mil toneladas e deverão ser inferiores a 90 mil, bem abaixo das 187 mil de carne fresca, refrigerada ou congelada exportadas no mês passado.

Procurados, o Sindifrigo e a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) não quiseram se manifestar.

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Chico Barney - Assim como os carros do Lata Velha, o Domingão também precisa de reformas

Colunista do UOL

26/10/2021 04h00

Quando foi anunciado como substituto do Faustão à frente do Domingão, Luciano Huck avisou que pretendia fazer as pessoas se divertirem, se emocionarem e se inspirarem na faixa mais nobre dos finais de semana da TV —não necessariamente nessa ordem. "Resgatar a autoestima" do brasileiro, disse em entrevista ao Pedro Bial.

É bastante coisa para um programa de duas horas e meia entre o futebol e o Fantástico. Como sabemos, a troca de guarda ocorreu de maneira corrida, fora do plano ideal —ele entraria no ar apenas em janeiro, e teve que fazê-lo antes por conta da saída abrupta do antecessor.

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O que foi ao ar nesta semana parecia um episódio perdido do Caldeirão do Huck. Além do Quem quer ser um milionário?, ainda tivemos o retorno do Lata Velha, um dos quadros mais emblemáticos do projeto anterior do apresentador.

Ou seja, a impressão que fica é que o Domingão ainda não definiu uma premissa que possa servir como norte para quando acabar o compromisso com os formatos herdados atualmente no ar, como o Show dos Famosos.

A ideia parece ser testar o que estava na gaveta e entender como funciona no novo horário. Ainda não é a versão programa de auditório do american dream, como prometia nas conversas iniciais, mas um pragmatismo sem muita imaginação.

Além disso, a abordagem leve e bem-humorada da faixa vai perdendo força, com todas as brechas possíveis sendo ocupadas pelas chamadas 'histórias inspiradoras', essas sim o grande norte de Luciano Huck nos últimos anos.

Mas ainda não tivemos nenhuma grande demonstração desse gênero nessas primeiras semanas do programa. Os personagens podem até ser interessantes, mas fica a sensação de que algo está sobrando nos longos minutos de exibição dos quadros.

Preenchem o tempo com camadas e mais camadas de narrativas paralelas que só ajudam a desidratar as histórias e deixá-las ainda mais rasas.

Não tem emoção de fato, apenas uma sucessão protocolar de gatilhos para levar a dinâmica dos quadros para frente. E isso atrapalha bastante o resultado final. O programa nunca é divertido o suficiente, nem emocionante de fato.

Com o desafio de encontrar a própria rota enquanto ainda precisa cumprir os acordos previamente estabelecidos, está evidente que o Domingão, assim como os carros do Lata Velha, carece de reformas.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

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Chico Barney - A Fazenda: Não tem pra ninguém, Rico é o grande protagonista da temporada

Colunista do UOL

26/10/2021 10h49

Imagine só o que seria de A Fazenda 13 sem a presença de Rico Melquíades. O ex-De Férias com o Ex é o principal incentivador das melhores intrigas e conchavos da temporada.

Isso não quer dizer que ele esteja certo em qualquer uma das situações nas quais se envolve —nem errado. Afinal, tanto faz: quem se importa com esse tipo de conceito quando está assistindo ao reality rural da Record?

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O importante é que Rico faz a roda girar. Irrita seus adversários de maneira brilhante, sempre insistente e obsessivo. E faz isso com graça, como se estivesse em um esquete ruim da Turma do Didi, quase nunca partindo para acusações mais pesadas.

O alvo da vez é Tati Quebra Barraco, que passou as primeiras semanas um pouco apagada. Agora ela ficou até mais interessante, pois está sendo constantemente desafiada e precisa lidar com isso de alguma forma.

Barraqueiro, desbocado, intransigente e reativo, Rico é a alma da Fazenda. Que este seja apenas o seu primeiro de muitos realities na TV aberta.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

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Opinião: Olga Curado - Bolsonaro chora escondido, mas mostra a cara para mentir; Lira passa pano

O presidente Jair Bolsonaro durante live semanal - Reprodução
O presidente Jair Bolsonaro durante live semanal Imagem: Reprodução
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26/10/2021 13h01

Atualizada em 26/10/2021 13h01

Mentira é o nome de fake news, o recurso que o capitão usa para trapacear a ciência e a democracia.

Um vexame que o capitão quer impingir ao país, como se todos nós, brasileiros e brasileiras tivéssemos a mesma cepa que ele. Mereceu desmentidos de todos os costados. Não, vacina não dá Aids; não, não há estudos sobre isso. Não há indícios. É mentira.

O obscurantismo é a meta; e o poder, o foco.

Castigado por plataformas de redes sociais, por divulgar mentiras, o capitão se aconchega em outros regaços. Cultiva a esperança de vitória com o discurso de ódio.

O endereço.

Uma foto internacional de 01, o primogênito do capitão, com a sua consorte, foi feita em Dubai. Vestido de sheik, com pompa de quem flutua sobre a lei.

Fica em Dubai a sede do Telegram. É para essa plataforma que o capitão se mudou quando o WhatsApp, Facebook e Youtube começam a fechar (ainda que timidamente) o cerco sobre as fake news.

Banido temporariamente do Youtube e apagado circunstancialmente do Facebook, porque mentiu com desfaçatez e preconceito sobre a relação entre vacina e Aids, o capitão tem acolhimento entre os seus, no aplicativo obscuro nas regras e nos processos, em que se libera geral para qualquer troca e oferecimentos - mentiras, crimes, negócios não auditáveis.

Foi para lá que se mudou Trump, depois que a opinião pública americana soube da sua conclamação à violência, na fatídica invasão do prédio do Capitólio, em 6 de janeiro deste ano. Trump está definitivamente banido do Twitter. Reside no Telegram. Onde tudo pode.

Quer armas, drogas, pornografia, pedofilia, terrorismo, tudo fica à disposição naquele endereço que desafia qualquer regulação. E está à disposição também o espaço para discursos que sustentam teorias conspiratórias, negacionismo e arregimentação de mercenários de qualquer natureza.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não achou provas para condenar a chapa vitoriosa em 2018, pelo uso abusivo da rede WhatsApp com mentiras contra o PT e em benefício do capitão, denunciadas em reportagem dez dias antes das eleições e posteriormente detalhada em livro pela autora, Patricia Campos Mello.

Faltou regulamentação.

O capitão, obsessivo na sua busca pela impunidade, tem a seu soldo discurseiras que organizam argumentos para defender o indefensável. Foi o Lira que, diante do disparate premeditado da fake news sobre vacina e Aids, lançou um "se" não for verdade o que foi falado pelo capitão... mereceria punição.

Na Grécia antiga, em tempos de Platão e Aristóteles, grassaram pseudo filósofos, os sofistas. O pensamento deles se baseava na defesa de argumentos, ainda que falsos, para defender uma ideia. "(...) Os sofistas não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade […]. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valer tanto quanto a verdade" (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2000.p. 43).

O sucesso da mentira se deve à falta de acesso ao conhecimento. E a perversidade no uso de plataformas sem lei é conhecida.

O capitão chora no banheiro. Nós, brasileiros e brasileiros, nas ruas, no descampado da incúria, diante do mundo, envergonhados.

Será que o Congresso Nacional vai precisar aprender, depois das eleições de 2022, que o Telegram deve ser regulado, e que deve ser contido o faroeste de sofistas mal-intencionados, agindo nas plataformas que se oferecem sem pudor para espalhar mentiras?

Quantas vidas mais?

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Fim do home office no BNDES foi parar na Justiça | Ancelmo - O Globo

Por Ancelmo Gois

 Fim do home office no BNDES  foi parar na Justiça
Os restaurantes nas proximidades da Rua Chile, no Centro do Rio, aguardam ansiosos a volta do trabalho presencial dos 2,7 mil empregados do BNDES. Tem muita mesa vazia, mas ninguém sabe quando será a volta dos funcionários à sede do banco estatal. E que o caso foi parar na Justiça.
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A direção do BNDES  tinha determinado a volta do trabalho presencial  em setembro, e depois adiou para outubro. Porém, a Associação dos Funcionários entrou já duas vezes na justiça alegando  que as janelas são lacradas, não abrem, e isso impede a circulação de ar. Os funcionários temem que, com a volta, o prédio vire um grande "covidão". Também cobrou a realização de testagem regular dos funcionários, que não estava prevista no plano de volta.
Resultado: um  segundo juiz reviu a decisão e suspendeu a volta, até o banco apresentar contraproposta ou atender às exigências. Aguarde os próximos capítulos.

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SBPC pede socorro e teme 'apagão científico' com fechamento de laboratórios e debandada de pesquisadores após corte de R$ 600 milhões

Além de redução no orçamento para CNPq, entidade cita R$ 2 bilhões que estariam parados no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
Pesquisadores têm sofrido com suspensão de bolsas Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo
Pesquisadores têm sofrido com suspensão de bolsas Foto: Hermes de Paula / Agência O Globo

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RIO — O corte de quase R$ 600 milhões feito pelo governo federal este mês no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com a chancela do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), gerou, nesta terça-feira (26), mais uma vez a reação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A entidade, que convocou um manifestação popular nas redes sociais, reforçou a importância da ciência no país — sobretudo no combate à pandemia da Covid-19 —, alertou para a possibilidade de o país viver um "apagão científico" com a falta de recursos e criticou as iniciativas do governo, que definiu como "manobras" contra a lei "que sugerem a intenção deliberada de prejudicar o desenvolvimento científico".

"O corte no orçamento da ciência, sancionado pelo presidente da República, foi mais um duro golpe para os pesquisadores, que observam reduções progressivas nas verbas para o setor nos últimos anos", diz a SBPC. "O corte no orçamento do CNPq inviabiliza a pesquisa no Brasil, com resultados calamitosos para nossa economia e induzindo grande número de jovens cientistas a abandonar a carreira ou ir embora do país. Quando mais precisamos da ciência, o governo federal age contra a lei, com manobras que sugerem a intenção deliberada de prejudicar o desenvolvimento científico do Brasil".

Além do corte de 87% anunciado no início do mês pelo Ministério da Economia, e que pegou até o ministro da Ciência, Marcos Pontes, de surpresa, a organização cita ainda cerca de R$ 2 billhões em recursos que estariam parados no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

"Além do corte no orçamento do CNPq, cerca de R$ 2 bilhões do FNDCT seguem pendentes de destinação, em claro descumprimento da Lei Complementar n° 177/2021. O Brasil precisa de ciência, precisa de tecnologia, precisa de inovação, precisa de educação. E é inaceitável que os recursos destinados para o setor sejam desviados para outras funções, à revelia da legislação. Brasil corre risco de ter apagão científico!", acrescenta.

A entidade aponta, também, para a possibilidade de uma debandada científica no país, com o fechamento de laboratórios e migração de cientistas para outros países.

"Corremos risco de ver laboratórios fechando. Sem ciência, o Brasil está fadado ao atraso! É urgente vencermos o obscurantismo, através da valorização da produção de conhecimento nacional. É preciso investimento contínuo nas instituições de pesquisa nacionais e na formação de mão de obra qualificada em todas as regiões do país. O conhecimento científico e a educação devem ser colocados no centro das questões nacionais como alavancas para o crescimento econômico, reindustrialização e redução da pobreza, buscando uma economia ambientalmente sustentável e solidária. A resposta, rápida e efetiva, dos sistemas nacionais de pesquisa e inovação aos desafios da pandemia de covid-19, evidenciou a importância de fortalecer a CT&I (ciência, tecnologia e inovação). A ciência pede socorro! O momento requer investimento em CT&I, cujos retornos sociais e econômicos são reconhecidos e necessários".

Por fim, a Sociedade reforçou a importância da ciência no combate à pandemia.

"Foram os pesquisadores das universidades públicas brasileiras que fizeram o mapeamento genético do coronavírus no país, produziram testes, respiradores e outros equipamentos que ajudam no combate à Covid-19. Ciência não é gasto, é investimento! A Ciência no Brasil precisa ser valorizada! Fazer Ciência é lutar pelo progresso social, econômico e tecnológico do Brasil!", afirma o manifesto, apelando para a necessidade de a população cobrar providências das autoridades do país. "Defenda a Ciência! Não há progresso sem Ciência! Sem Ciência, sem futuro!".

_________________________________________________Comunidade científica se sente afrontada por impasse da Conitec sobre uso do 'Kit Covid' | A hora da Ciência - O Globo

Por Margareth Dalcolmo

Cloroquina

Ao longo da História, querelas e profícuos debates, quer motivados por questões relevantes, quer por anódinas disputas de vaidades humanas, geraram registros seminais, e debates filosóficos infinitos. Como nas ágoras gregas e seu método de aprendizado de massa, ou conflitos tragicômicos, tendo como pano de fundo controvérsias, discussão e a eterna dualidade entre razão e paixão.

Dentre tantos exemplos relevantes historicamente citaria um: o Concílio de Nicéia, o primeiro ecumênico em 325, discutiu por meses e não se resolveu o que parece ainda irresolvível, gerando uma espécie de empate nas discussões sobre o Filioque, ou a assim denominada divindade do Espírito Santo. Se este era filho do Pai ou filho do Filho, ou o próprio Deus, como diz a Bíblia (Atos 5:3-4), enquanto as Escrituras parecem dizer que o Espírito Santo deriva do Pai e do Filho sem distinção. Essa discussão se continuou até o Concílio de Constantinopla em 381, num sínodo de 150 bispos, reiterando a divindade do Espírito Santo, e assim supostamente definindo as bases do dogma trinitário. Entretanto, não se resolveu, uma vez mais, e a questão permaneceu num infinito empate de opiniões. Os que se opõem à causa argumentam que, se o Espírito Santo descende do Pai e do Filho, isso o faria subserviente a ambos. Os que defendem a causa acreditam que essa descendência em nada prejudica a divindade do Espírito Santo porquanto derivar do Pai e do Filho lhe confere a divindade, por ser de fato Deus, com o Pai e o Filho.

Cito esse exemplo histórico, inacreditavelmente factual e que marcou por séculos a calorosa discussão no seio da Igreja Católica até o Grande Cisma de 1054 entre as igrejas do ocidente e oriente, separando a Apostólica Romana da Apostólica Ortodoxa. Ganha, assim, uma certa pacificação crer que Deus, como ser infinito por princípio, é incompreensível para nossas limitadas mentes humanas. O dogma do Filioque provavelmente nunca será esclarecido em consenso e permanecerá como uma sutil e perene controvérsia. É de se pensar no que é significante ou não para a nossa vida.

Tratando de algo contemporâneo aos nossos dias, é de nos deixar perplexos o que ocorreu recentemente numa discussão de questões técnicas sobre condutas para tratamento de casos de Covid-19 no âmbito da Conitec, órgão responsável pela aprovação de qualquer procedimento, método diagnóstico, medicamentos e vacinas a serem incorporadas ao SUS, como inovação.

Quando começamos a respirar com um certo alívio vislumbrando a real possibilidade de controlar a pandemia, alcançado um ritmo mais adequado de vacinação e uma real redução de mortes e de casos graves, reitera-se o efeito benéfico das vacinas e das medidas de proteção. Este seria, portanto, o momento da busca de consensos, da compreensão com grandeza das diferenças de opinião em prol de uma causa maior, da pacificação pelo bem comum. Sobre os mais de 600 mil mortos e do excesso de luto em todos os sentidos que marcam a sociedade brasileira, a comunidade científica sente-se afrontada por um desfecho não resolutivo de um protocolo de tratamento, cuja causa é algo claramente ultrapassado como merecedor de controvérsia, como a utilização de fármacos ineficazes e nocivos, denominados grotescamente de “Kit Covid”.

Cansados estamos, porém ainda pouco se refletiu sobre o impacto da velha máxima de uma mentira repetida à exaustão que vira verdade assimilada. No entanto, por tratar-se de fenômeno que contaminou a sociedade e até parte dos médicos, por uma lamentável manipulação política, será esse momento singular de conscientização da sociedade civil, com a imediata manifestação exigida pela consulta pública a que foi direcionada a desnecessária querela. Esperamos que dessa fusão do engajamento público e da comunidade científica, como o caminho mais democrático e sereno, se vença o reducionismo de distinguir ciência e política, e a cética encruzilhada entre o certo e errado. Tenhamos confiança de que podemos controlar a pandemia entre nós, pelos caminhos que a ciência e a verdade nos ensinaram. 

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CPI pede quebra de sigilo telemático de Bolsonaro

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 Maria Carolina Marcello, Reuters - A CPI da Covid no Senado aprovou nesta terça-feira o pedido de quebra de sigilo telemático do presidente Jair Bolsonaro, dias após ele divulgar em transmissão ao vivo em redes sociais notícias falsas associando as vacinas contra o coronavírus à Aids.

O requerimento aprovado nesta terça, dia em que os senadores devem votar o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), pede que os dados sigilosos do presidente desde abril de 2020 sejam encaminhados ao Procurador-Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A quebra de sigilo telemático requer que o Google, o Facebook, e o Twitter enviem informações como registros de conexão, informações de Android (IMEI) e dados cadastrais, além da cópia integral de todo conteúdo armazenado nas plataformas Facebook, Instagram, YouTube, e Twitter. Também pede que o acesso às contas do presidente seja suspenso.

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Em outra frente, o requerimento solicita à Advocacia do Senado Federal que represente ao STF e à PGR pedindo a investigação de Bolsonaro e o banimento de suas contas nas redes sociais. Segundo o documento, a ação judicial tem o objetivo de fazer com que ele se retrate em cadeia nacional, desmentindo a correlação entre a vacina contra a Covid-19 e o surgimento da Aids, sob pena de multa pessoal diária de 50 mil reais por dia e descumprimento de decisão judicial.

"Não podemos mais tolerar esse tipo de comportamento, razão por que precisamos de medidas enérgicas e imediatas para viabilizar a investigação e a responsabilização do presidente da República nos termos da Constituição por atos atentatórios às políticas públicas de enfrentamento à pandemia de Covid-19", argumentou o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento.

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"Dessa forma, entre as medidas impreteríveis, é mister a quebra de sigilo telemático das redes sociais do presidente da República, acima indigitadas, a suspensão cautelar de acesso aos respectivos perfis com vistas a se evitar a destruição de provas, e a retratação por parte do presidente da República, providências que ora requeiro", acrescentou Randolfe.

Na segunda-feira, o Facebook o YouTube tiraram do ar o vídeo da última live semanal de Bolsonaro, após o presidente afirmar na transmissão que pessoas vacinadas contra a Covid-19 "estão desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids) muito mais rápido do que o previsto".

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A live da última quinta-feira não consta mais do arquivo com todos os demais vídeos do presidente na plataforma. O Facebook informou na segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa, que suas políticas "não permitem alegações de que as vacinas de Covid-19 matam ou podem causar danos graves às pessoas".

O YouTube, da Alphabet, informou que também removeu o vídeo em questão "por violar as nossas diretrizes de desinformação médica sobre a Covid-19 ao alegar que as vacinas não reduzem o risco de contrair a doença e que causam outras doenças infecciosas".

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O YouTube acrescentou que suas diretrizes "estão de acordo com a orientação das autoridades de saúde locais e globais, e atualizamos as nossas políticas à medida que a orientação muda".

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Casal se fantasia de 'nega maluca' em festa de igreja e causa indignação em Petrópolis

Dupla pintou o rosto de preto e usou perucas de cabelo afro em evento promovido por instituição batista Atitude; fotos viralizaram nas redes sociais e suscitaram notícia-crime
Alfredo Mergulhão e Rodrigo Castro
26/10/2021 - 06:00 / Atualizado em 26/10/2021 - 07:09
Casal de blackface em festa de igreja em Petrópolis Foto: Reprodução
Casal de blackface em festa de igreja em Petrópolis Foto: Reprodução

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RIO — Um casal que se fantasiou de "nega maluca" em uma festa evangélica no último sábado causou indignação em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Com os rostos pintados com tinta preta e perucas de cabelo afro, a dupla publicou nas redes sociais fotos usando os adereços, considerados racistas por movimentos negros, durante evento promovido pela Igreja Batista Atitude.

As imagens viralizaram nesta segunda-feira e suscitaram críticas que apontam para a prática conhecida como "blackface" — ato de se fantasiar de negro para entretenimento dos brancos, o que geralmente ocorre acompanhado de estereótipos. A publicação foi apagada do perfil após a repercussão negativa. A conta também foi tornada privada.

O vereador Yuri Moura (PSOL), presidente da Comissão de Educação, Assistência Social e Defesa dos Direitos Humanos da Câmara de Petrópolis, apresentou nesta segunda-feira uma notícia-crime junto ao Ministério Público para apurar se houve crime de racismo. O parlamentar argumenta que ao se fantasiar e veicular o ato em suas redes sociais, o casal "consumou a ofensa ao tipo penal, independentemente de outro resultado naturalístico".

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"O conceito de racismo recreativo designa uma política cultural que utiliza o humor para expressar hostilidade em relação a minorias raciais. O humor racista opera como um mecanismo cultural que propaga o racismo, mas que ao mesmo tempo permite que pessoas brancas possam manter uma imagem positiva de si mesmas. Elas conseguem então propagar a ideia de que o racismo não tem relevância social. Não se pode olvidar que o humor é uma forma de discurso que expressa valores sociais presentes em uma dada sociedade", diz o documento.

Racismo Recreativo

Nas redes sociais, usuários também expuseram revolta com o caso. "Casal se veste de pessoas negras e vai em baile de fantasia em Petrópolis. Ser negro virou algo engraçado?", questionou uma moradora de Petrópolis, no Facebook. Uma outra internauta classificou a prática como "inadmissível" e afirmou que o racismo está sendo "compatcuado".

O Segmento de Culturas Afro-Brasileiras, Quilombolas e de Matrizes Africanas de Petrópolis também repudiou o ocorrido e cobrou medidas por parte das autoridades competentes.

"Importante frisar que o corpo negro não é entretenimento e muito menos uma fantasia para alegrar festas. Práticas como esta são enquadradas no Racismo Recreativo, uma forma de desumanizar a população negra, utilizando de forma depreciativa tal atitude. Solicitamos que as autoridades locais tomem as medidas cabíveis", diz o texto.

Em nota, a Igreja Batista Atitude disse que as pessoas que se fantasiaram de negros "não tinham conhecimento do que é 'blackface', portanto, fizeram suas fantasias sem a intenção de serem racistas". O comunicado também afirma que, como igreja, a agremiação religiosa não admite qualquer tipo de discriminação.

O GLOBO procurou o homem que aparece nas fotos, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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Pobreza irreversível? | Opinião - O Globo

Por Edu Lyra

Em uma década, a quantidade de favelas dobrou no Brasil. Em 2010 havia pouco mais de seis mil “aglomerados subnormais”, nos termos do IBGE; em 2019, o número pulou para mais de 13 mil. Como os dados não captam os anos da pandemia, é certo que a conta está subestimada.

A revelação é chocante, mas não surpreendeu quem lida diariamente com comunidades e acompanha de perto a explosão da pobreza. Nós, do terceiro setor, estamos alertando há tempos: nesse ritmo, a situação social atingirá o ponto de não retorno. O termo, emprestado da área ambiental, se refere ao momento em que um ecossistema sofre danos tão graves que não podem ser revertidos. O mesmo ocorre com os ecossistemas sociais. A calamidade social pode ser tão grande que nenhuma política pública seria capaz de revertê-la. Receio que estejamos perigosamente próximos desse ponto.

O crescimento das favelas é um sintoma que só aparece quando o corpo social está doente há muito tempo. Quem vai morar na favela é a família que já não consegue arcar com o aluguel de uma moradia digna ou que precisou escolher entre morar e comer. Mais da metade dos brasileiros conviveu com a insegurança alimentar no último ano. Desses, quase 20 milhões passaram pelo menos um dia sem comer nada.

Favela é produto e produtora de desigualdade social. O garoto que cresce nesse meio tem menos acesso à educação, ao esporte, ao lazer, à saúde, à cultura. Quem passa a infância na pobreza, sob o abraço sufocante do tráfico ou da milícia, terá menos chance, quando adulto, de romper o ciclo da pobreza.

Embora seja uma chaga aberta, a favela parece continuar invisível aos olhos da sociedade. É como se as pessoas dissessem: “O problema é seu, é do governo”. Pois eu digo que o problema é de todos nós, da sociedade, do governo, do morador do barraco. Se a deterioração social continuar no ritmo atual, não haverá bunker ou carro blindado que garanta a segurança dos que hoje podem se manter apartados da mais dura realidade.

Problemas estruturais não se resolvem apenas com um auxílio emergencial de R$ 400 ou R$ 600 por mês. Toda ajuda é bem-vinda em momentos de crise aguda, claro, mas, se quisermos realmente curar o país, será preciso um plano robusto de transformação social para mitigar a desigualdade. É comum as pessoas se sentirem culpadas diante da fome alheia. Mas devo dizer que culpa não enche barriga de ninguém, não paga o jantar da família que nem almoçou. Culpa desacompanhada de ação é um sentimento socialmente inútil, que não contribui para a construção de oportunidades.

Esse é um debate que diz respeito a grupos políticos de todos os matizes — e urgente. Se começássemos hoje um programa gigantesco de combate à pobreza, ainda assim estaríamos falando de um problema que nos assombraria por muitos governos antes de desaparecer. Nosso compromisso é com as próximas gerações. Não quero que as crianças cresçam num cenário de terra arrasada. Se você, leitor e leitora, sente o mesmo, comece a lutar hoje para que a pobreza brasileira não seja irreversível amanhã.

Edu Lyra-assinatura

Por Edu Lyra

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Choque negativo e cortinas de fumaça | Míriam Leitão - O Globo

Por Míriam Leitão 26/10/2021 • 04:30

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, durante o lançamento do Plano Nacional de Crescimento Verde, em Brasília.

O custo dos juros pode passar de R$ 300 bilhões, a economia entrará em recessão, a Selic deve ir a dois dígitos, a inflação cairá, mas continuará alta, o desemprego depois de leve queda neste fim de ano voltará a subir. Esse é o cenário da maioria dos economistas para 2022. O ano seria ruim e ficou pior depois que o ministro Paulo Guedes concordou em furar o teto de gastos. Nunca foi pelos pobres. Sempre foi para turbinar a campanha presidencial. É por isso também que, ontem, o governo lançou a isca para o mercado e falou em privatizar a Petrobras. A ação da petrolífera disparou, a bolsa subiu. É cortina de fumaça.

Haverá no ano que vem uma solitária notícia boa no cenário econômico, vinda do campo. É possível que a agricultura cresça e haja uma boa safra. Isso alivia também a inflação, mas não será suficiente para melhorar muito o PIB que o Itaú projetou em queda de 0,5%, e a MB Associados, em zero. Vários outros bancos e consultorias estão revisando os cenários para pior. A inflação sobe no Focus há 29 semanas. As revisões são sempre para tornar o quadro mais difícil.

Nas últimas horas, o ministro Paulo Guedes tentou reduzir o estrago irreversível feito ao país, por ele ter aceitado o inaceitável. Ministro da Economia defende o cofre. Ponto. Deixa que os outros inventem desculpas para os ataques às leis fiscais. O Ministério da Economia não pode ser parte da demagogia e do discurso eleitoreiro. Qualquer economista sabe que a desordem fiscal tem custos altos e que são pagos principalmente pelos mais pobres. A inflação sobe, os juros derrubam o PIB, o desemprego aumenta. E furar o teto não era a única forma de encontrar um valor maior para o programa de transferência social. Foi a maneira de acomodar todas as outras pressões e todos os lobbies por gastos. Os pobres foram usados como desculpa para manter irrigado o orçamento secreto, o chamado RP-9. Atrás desse nome de desinfetante estão as emendas do relator, que nada mais são do que o esquema de compra de votos no parlamento.

O ministro Paulo Guedes lançou ontem o Plano Nacional de Crescimento Verde. Seria cômico, mas é ofensivo. O governo Bolsonaro desde o início estimulou o desmatamento, a invasão de terras indígenas, a grilagem e o garimpo ilegal. E vem agora falar de economia verde, faltando dias para a COP-26? Ontem mesmo o governo fez um leilão emergencial em que a maioria da energia contratada foi de origem fóssil. O governo preferiu o gás e recusou as ofertas de biomassa e solar. Para piorar, aceitou pagar quase cinco vezes mais. Quem eles pensam que enganam?

O mercado financeiro é fácil de enganar, porque as mentiras são a matéria-prima das especulações. A promessa de privatização da Petrobras contraria toda a prática do governo Bolsonaro até agora, que nada privatizou. Mas essa possibilidade foi levantada deliberadamente para tentar fazer cortina de fumaça. E fez subir em quase 7% o valor das ações da companhia. Paulo Guedes comemorou com uma frase de fazer corar qualquer estudante de economia. Confundiu flutuação de mercado com geração de recursos orçamentários:

— Isso é uma riqueza que estava destruída. Bastou o presidente dizer “vamos estudar” e o negócio sai subindo e aparecem R$ 100 bilhões. Não dá para dar R$ 30 bilhões para os mais frágeis num momento como este? Se basta uma frase do presidente para aparecer R$ 100 bilhões e brotar do chão de repente?

O dinheiro não brotou do chão, aumento de valor das ações não pode ser lastro para gasto público. O rombo no teto não foi feito para dar dinheiro aos pobres. Isso é dito como manipulação com objetivo eleitoreiro. A frase faz uma constrangedora confusão que qualquer economista sabe que não faz sentido.

Toda a lambança da semana passada atingiu a economia e piorou muito as expectativas para o ano que vem. Mas Paulo Guedes é grato porque acha que foi salvo pelo presidente. “É sempre assim, estou morrendo afogado e ele aparece”. O ministro manteve o cargo, o projeto que ele vendeu ao país nunca foi entregue, e toda a sua falação no fim de semana e ontem foi para lançar cortinas de fumaça. Todo o peso de combater a inflação está sobre o Banco Central, que amanhã decide a nova taxa de juros. Já há apostas em alta de 1,5 ponto da Selic e em um ciclo mais longo. Se o BC for ambíguo no seu recado, a economia piora mais.

Com Alvaro Gribel (de São Paulo)

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Mutação aumenta casos de gripe aviária em humanos na China e preocupa especialistas 

Embora os números sejam menores que 2017, cepa já deixou muitas pessoas em estado grave e pelo menos seis mortos 
O Globo com agências internacionais
26/10/2021 - 09:37
Muitas cepas diferentes de gripe aviária estão presentes na China, e algumas infectam pessoas esporadicamente, geralmente que trabalham com aves. Foto: REUTERS/Stringer
Muitas cepas diferentes de gripe aviária estão presentes na China, e algumas infectam pessoas esporadicamente, geralmente que trabalham com aves. Foto: REUTERS/Stringer

Um aumento no número de pessoas na China infectadas com gripe aviária neste ano está gerando preocupação entre especialistas, que afirmam que uma cepa que circulava anteriormente parece ter mudado e ter se tornado mais infecciosa em humanos.

O país registrou 21 casos de infecções em humanos com o subtipo H5N6 do vírus em 2021, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em comparação com apenas cinco no ano passado.

Embora os números sejam bem menores que as centenas de infecções provocadas pelo H7N9 em 2017, os casos registrados neste ano deixaram muitas pessoas em estado grave e pelo menos seis mortos.

— O aumento de infecções em humanos na China neste ano é preocupante. É um vírus que causa alto grau de mortalidade — disse o professor de patologia comparada no Centro Médico da Universidade Erasmus, em Rotterdam, na Holanda, Thijs Kuiken.

A maioria das pessoas infectadas teve contato com aves, e não há casos confirmados de transmissão entre humanos, disse a OMS, que destacou o aumento dos casos em comunicado no dia 4 de outubro.

A organização afirmou ainda que mais investigações são "urgentemente" necessárias para entender o risco e o aumento da transmissão para as pessoas.

Desde então, uma mulher de 60 anos, na província de Hunan, foi hospitalizada em estado crítico com a gripe H5N6 em 13 de outubro, de acordo com um comunicado do governo de Hong Kong.

Embora casos humanos de H5N6 tenham sido relatados, nenhum surto relacionado ao subtipo foi registrado em aves domésticas na China desde fevereiro de 2020. O país é o maior produtor mundial de aves e patos, que atuam como reservatórios para os vírus da gripe.

O Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) não pôde ser contatado para comentar sobre o aumento de casos humanos de H5N6. No entanto, um estudo publicado em seu site no mês passado disse que "o aumento da diversidade genética e distribuição geográfica do H5N6 representa uma séria ameaça à indústria de aves e à saúde humana".

Os vírus da influenza aviária circulam constantemente em aves domésticas e selvagens, mas raramente infectam pessoas. No entanto, a evolução dos vírus, que tem aumentado à medida que as populações de aves crescem, é uma grande preocupação, pois eles podem se adaptar para ser transmitido facilmente entre as pessoas e causar uma pandemia.

O maior número de infecções pelo H5N6 ocorreu na província de Sichuan, no sudoeste da China, embora casos também tenham sido registrados nas vizinhas Chongqing e Guangxi, bem como nas províncias de Guangdong, Anhui e Hunan.

Pelo menos 10 casos foram causados por vírus geneticamente muito semelhantes ao H5N8, que devastou granjas avícolas em toda a Europa no inverno passado e também matou aves selvagens na China. Isso sugere que as infecções mais recentes pelo H5N6 na China podem ser de uma nova variante.

— Pode ser que essa variante seja um pouco mais infecciosa (para as pessoas), ou pode haver mais desse vírus nas aves no momento e é por isso que mais pessoas estão sendo infectadas — disse Kuiken.

Quatro dos casos registrados em Sichuan criavam aves domésticas e estiveram em contato com aves mortas, disse um relatório de setembro do CDC da China. Outro caso comprou um pato em um mercado de aves vivas uma semana antes de desenvolver os sintomas.

A China vacina as aves contra a gripe aviária, mas o imunizante usado no ano passado pode proteger apenas parcialmente contra os vírus emergentes, evitando grandes surtos, mas permitindo que o vírus continue circulando, disse o coordenador do laboratório regional do Centro de Emergência para Doenças Transfronteiriças de Animais na Organização da Comida e Agricultura, Filip Claes. O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China não respondeu a um pedido de comentário.

As fazendas de quintal no país são comuns e muitas pessoas ainda preferem comprar galinhas vivas nos mercados. A cidade de Guilin, na região de Guangxi, que teve dois casos humanos em agosto, disse no mês passado que suspendeu o comércio de aves vivas em 13 mercados urbanos e iria abolir o comércio em um ano.

Primeiros casos registrados em humanos

Em 2021, dois subtipos da gripe aviária foram identificados pela primeira vez em humanos: o H5N8 e o H10N3.  O primeiro foi detectado em uma pessoa infectada na Rússia e o segundo na China. Não se sabia que esses dois vírus eram capazes de infectar seres humanos. 

Em ambos os casos, os infectados tiveram sintomas leves, e especialistas ressaltam que a transmissão para humanos ainda é extremamente rara. O H5N8 é responsável por diversos surtos da doença em aves na Bélgica, Holanda, França, Dinamarca e também na Alemanha.

Já o H10N3 é uma cepa do vírus com baixa capacidade de causar doença em um hospedeiro e é menos severa em aves domésticas. Por isso, o risco de se espalhar em grande escala também é muito baixo, de acordo com a Comissão Nacional de Saúde da China.

Muitas cepas diferentes de gripe aviária estão presentes no país asiático e algumas infectam pessoas esporadicamente, geralmente que trabalham com aves. No entanto, não houve um número significativo de infecções humanas com a doença desde que a cepa H7N9 matou cerca de 300 pessoas entre os anos de 2016 e 2017.

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