_______________________________* É no RIO DE JANEIRO onde BOLSONARO tem sua MAIOR APROVAÇÃO. _________________________________* É onde o LULA está PRATICAMENTE EMPATADO com o BOLSONARO nas intenções de voto. _________________________________*

_________________________________________________No RIO DE JANEIRO é onde BOLSONARO tem sua MAIOR_APROVAÇÃO.

É onde o LULA está PRATICAMENTE_EMPATADO com o BOLSONARO nas intenções de voto.  _________________________________________________JOE BIDEN está sem rumo ______________________ Pelo andar da carruagem, republicanos podem retomar controle do CONGRESSO no ano que vem, RESSUCITANDO o TRUMPISMO. ___________ KAMALA HARRIS com seu imenso sorriso, desapareceu. _________________________________________________Cristina TARDÁGUILA (fundadora da AGÊNCIA LUPA) * NIVELANDO POR BAIXO: Discursos contraditórios aproximam Moro, Bolsonaro e PT _________________________________________________Passagens mais caras, destinos nacionais em alta, maior busca por lugares no exterior: como anda a retomada do turismo. _________________________________________________SEIS funcionários SOMEM, e restaurante japonês de ATIBAIA faz apelo na web



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_________________________________________________Delgatti, Assange e o direito da sociedade saber o que os poderosos tramam - Joaquim de Carvalho

Por Joaquim de Carvalho

Assange com a filha na Embaixada em Londres; Delgatti com a filha em Araraquara
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A decisão da Justiça da Inglaterra de extraditar Julian Assange para os EUA é uma violência não apenas contra ele, mas também contra o direito da sociedade de ser informada sobre assuntos de interesse público, que autoridades de Estado querem manter em segredo.

Graças a Assange, o mundo soube que as forças armadas dos Estados Unidos haviam matado cidadãos inocentes no Iraque e no Afeganistão, e também conseguiu fazer cessar torturas de prisioneiros.

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Os vazamentos realizados pelo site que criou, o WikiLeaks, também foram importantes para que os brasileiros soubessem que Sergio Moro colaborou com agentes norte-americanos, ao participar de evento realizado pelo Departamento de Estado e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em solo brasileiro.

Relatórios da Embaixada dos EUA a seus superiores em Washington deram conta de que no evento de que Moro participou, em 2008, foi sugerida a criação de força-tarefa para investigar lavagem de dinheiro.

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O pretexto era o combate ao terrorismo, mas se sabe que a força-tarefa criada em Curitiba em 2014 seria decisiva para desestabilizar o governo democrático de Dilma Rousseff e abrir caminho para a ascensão da extrema direita no País, que chegou ao poder com Bolsonaro.

Assange se tornou ativista político importante depois de se declarar culpado em um processo em que era acusado de hackear informações de uma instituição da Austrália, em meados da década de 90.

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Ele nunca escondeu a defesa que fez da atividade hacker, embora seus fãs mais ardorosos — que muitas vezes mais atrapalham do que ajudam — rejeitem esse fato de sua biografia.

Sem hackeamento, seria muito difícil conhecer a verdade, nos EUA como no Brasil, que deve ao hacker Walter Delgatti Neto o conhecimento sobre a natureza política da Lava Jato.

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Quando se aprofunda o olhar sobre Assange, impossível não enxergar semelhanças com o hacker brasileiro, a começar pela tragédia pessoal que viveram, crescidos em famílias desconjuntadas.

Os dois também enfrentaram acusações por crime sexual, embora as evidências, tanto num caso como em outro, sejam de relação consensual com suas acusadoras.

Na Inglaterra, Assange ocupou o noticiário quando revelou que teve filhas com uma advogada, da qual se tornou noivo, enquanto vivia asilado na Embaixada do Equador em Londres.

No Brasil, revelei que Delgatti havia se tornado pai, ao reconhecer como filha uma criança que foi fruto de seu relacionamento com Isabel, uma jovem que mora em Ribeirão Preto.

Mas os veículos de imprensa, mesmo os que se dizem de esquerda, ignoraram a notícia — embora, positivamente, agitem as bandeiras de Assange e seus atos de natureza privada que têm repercussão pública. Complexo de vira-lata?

Depois da notícia publicada no 247, Delgatti teve o primeiro encontro com a filha, que se chama Helena, tem quase três anos de idade e já demonstra inteligência bem acima da média.

Publico o nome e a foto dela, com autorização de Delgatti e também da mãe, Isabel. Delgatti não pode deixar Araraquara por decisão judicial. Nem para visitar a filha em Ribeirão Preto, onde ela mora.

Depois do artigo do 247, Isabel levou a filha para ver Delgatti, em Araraquara, onde ele vive com a avó. Delgatti e Helena tiveram um fim de semana típico de pai e filha.

"Comprei presentes para ela, brinquedos, fraldas, tudo. Ela está feliz da vida”, contou a um amigo com quem converso. Delgatti deu presentes à filha embora sejam públicas as informações sobre sua dificuldade financeira.

Delgatti também tem mudado sua atuação, depois de dizer a esse amigo que deixou a atividade hacker para trás.

Mas ele conhece os labirintos da internet e garante que gostaria de usá-lo, "de maneira lícita", para combater a extrema direita no Brasil.

Pelos relatos que recebe, com prints, percebeu que Sergio Moro está usando robôs, em sua pré-campanha a presidente, a mesma estratégia que Bolsonaro utilizou para chegar ao Palácio do Planalto.

Delgatti também tem auxiliado um escritório de advocacia, com os conhecimentos que tem de direito, pois cursou até o terceiro ano. Só não voltou a estudar ainda porque não pode acessar a internet, por decisão judicial, e fica impedido do receber ensino à distância.

O processo em que Delgatti é acusado por invasão de celular e organização criminosa tramita na 10a. Vara da Justiça Federal em Brasília.

Recentemente, Delgatti teve êxito em uma medida judicial de cuja elaboração participou em causa própria.

Ele ajudou a escrever a peça processual que levou o juiz a concordar com a retirada de sua tornozeleira eletrônica, que estava com defeito havia muitos meses.

Se atender à denúncia do Ministério Público contra Delgatti, o juiz poderá condená-lo a uma pena superior a 200 anos de prisão.

Absolutamente desproporcional, e injusta se se considerar que o hacker brasileiro contribuiu decisivamente para expor os abusos da Lava Jato.

Para o criminalista Fernando Fernandes, nem crime houve, já que Delgatti acessou arquivos hospedados nas nuvens, por falha da segurança do Telegram.

O criminalista também comparou a ação de Delgatti à de uma pessoa que invade um domicílio e constata que ali é praticada tortura.

Ele obtém as provas desses abusos e revela à sociedade. Um cidadão desses pode ser punido? Para o criminalista Fernandes, não.

Delgatti e Assange descobriram graves violações e tornaram a descoberta pública. Apenas aqueles que defendem a continuidade da violência praticada pelo Estado pode querer a punição de ambos.

Não há diferença entre o caso do ativista e ex-hacker australiano, e o hacker brasileiro. Ambos devem ser defendidos por aqueles que amam a verdadeira democracia.


_________________________________________________Presidente do BNDES comprou mansão de R$ 4 milhões em bairro de Flávio Bolsonaro

Gustavo Henrique Moreira Montezano e Jair Bolsonaro
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247 - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, concluiu, em 2 de setembro de 2020, a compra de uma residência localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília, pelo valor de R$ 4,1 milhões, segundo o Correio Braziliense.

A aquisição, destaca a reportagem do CB, ocorreu cinco meses antes de Flávio Bolsonaro (PL) comprar outra mansão, de R$ 6 milhões, na mesma região, no Setor de Mansões Dom Bosco, a cerca de 8km da casa de Montezano.

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Segundo certidão de ônus e certidão de matrícula, cerca de um mês antes de o imóvel ser registrado no nome de Montezano, a casa e reconstruída com quase o dobro do tamanho, 600,5m². O Lago Sul, onde ela está localizada, é um dos endereços mais caros do Distrito Federal, com o metro quadrado no bairro custando cerca de R$ 13 mil.

Montezano é do Rio de Janeiro, onde está a sede do BNDES. No entanto, ele preferiu se instalar em Brasília. A reportagem lembra que antes de se transferir para a capital federal, ele morou no mesmo condomínio da família Bolsonaro no Rio de Janeiro, onde tornou-se amigo de Flávio e Eduardo Bolsonaro. Segundo a assessoria do BNDES, em nota enviada ao CB, Montezano já morava em Brasília antes da compra do imóvel.

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"O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, esclarece que já reside em Brasília com sua família desde antes de assumir a presidência do banco. Também reforça que a sua agenda de trabalho é pública, divulgada no portal da instituição e descreve a sua rotina de atuação dividida entre os escritórios do banco em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo", respondeu a assessoria.

No entanto, segundo a reportagem, o único imóvel registrado no nome de Montezano no Distrito Federal é a mansão no Lago Sul, que foi adquirida sem nenhuma condição — como financiamento com instituições financeiras (bancos ou corretoras) —, o que indica que Montezano pode ter comprado a casa à vista.

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Enquanto presidente do BNDES, Montezano recebe salário mensal de R$ 82,7 mil, o que lhe proporciona uma renda anual de cerca de R$ 1 milhão. Antes de ingressar no governo Bolsonaro, ele foi sócio-diretor do BTG, banco com patrimônio avaliado em R$ 35 bilhões.

Ele é filho de Roberto Montezano, que trabalhou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, por muitos anos.

_________________________________________________Confira 5 alimentos falsificados que você come sem saber

Quando pensamos em pirataria a primeira coisa que vem à cabeça são produtos relacionados a tecnologia e vestuário. Curiosamente, não são apenas estes produtos alvo dos falsificadores. 

De fato, dentro da culinária, há uma série de alimentos que apontam ser o que não são, conforme você verá na lista a seguir. Embora não seja uma regra, existem muitas falsificações alimentares como estes exemplos em diversos países. 

1 – Ervilhas enlatadas

Grande parte das ervilhas enlatadas que compramos nos mercados são na verdade uma mistura de soja, corantes e um conservante chamado metabissulfito de sódio que, de acordo com a revista Exame, pode causar reações alérgicas, problemas de pele, irritação gástrica e rinite severa em pessoas sensíveis ao composto.

Por conta desses riscos, o consumo de alimentos com metabissulfito de sódio não é recomendado para crianças. Essas falsificações são mais comuns na China.

2 – Canela

canela-do-ceilão normalmente é o objetivo de alguém que vai ao mercado em busca da especiaria.

No entanto, muitas vezes a pessoa acaba levando para casa uma planta chamada Cássia, que apesar da aparência e cheiro semelhante, é uma espécie completamente diferente.

Para referência, se na embalagem estiver indicando Cinnamomum verum, isso significa que a canela é a verdadeira. Por outro lado, se você ler Cinnamomum aromaticum, estará adquirindo a Cássia e não a verdadeira canela.

3 – Vieira

Já ouviu falar em um molusco bivalve chamado vieira? Ele é vendido no mercado a preços exorbitantes.

Como é uma espécie pouco conhecida, quem compra sem saber qual é a verdadeira, pode acabar levando para casa pedaços de peixe, arraia, cavalo-marinho e até mesmo tubarão, dependo da região do mundo onde está sendo comercializada.

Sugere-se que até mesmo cogumelos congelados já foram vendidos disfarçados como vieiras em alguns restaurantes, especialmente asiáticos que usam bastante frutos do mar. 

4 – Caviar

Se você nunca comeu e apenas ouviu falar (como diz a música de Zeca Pagodinho), saiba que muito consumidor de classe média já comeu gelatina (ou uma substância de algas chamada alginato) acreditando ser caviar.

Na Europa, por exemplo, estima-se que até 1/3 de todo o caviar consumido seja falsificado, feito de uma mistura de gelatina, caldo de peixe, óleo vegetal e corante.

5 – Cereja
Foto: Reprodução / Shutterstock

Nesta altura da vida você já deve saber que a cereja do bolo não é verdadeiramente cereja. Na verdade, porque a cereja verdadeira é muito mais cara, alguns fabricantes resolveram fazer uma versão mais barata, a base de chuchu, uma vez que ele absorve e incorpora muito fácil o sabor dos temperos.

Sendo assim, a cereja do bolo que você tanto briga para comer é feita de chuchu, xarope, açúcar e corante e o sabor não tem nada a ver com a fruta original.

Na verdade, o sabor vem dos aromas adicionados na embalagem e não da fruta em si. Obviamente que existem fabricantes que vendem a verdadeira cereja, mas são poucas as originais!

Fonte: ADME Fotos: Reprodução / ADME

Pela Web

_________________________________________________Delphine LaLaurie: a socialite mais terrível que já existiu escondia segredos macabros em sua mansão

Delphine LaLaurie era uma das figuras mais proeminentes da alta sociedade de Nova Orleans (EUA), até que um incêndio revelou uma trama sombria de tortura e assassinato

Delphine LaLaurie era linda e rica, e sua mansão era o centro da vida social em Nova Orleans, nos EUA, na década de 1830. Mas poucos imaginavam que por trás dessa fachada se escondia uma pessoa capaz de cometer as torturas mais hediondas e os assassinatos mais cruéis.

Dentro de sua casa, Delphine maltratou seus servos a tal ponto que um de seus escravos, que estava acorrentado sem poder se mover, preferiu colocar fogo na propriedade com eles dentro, ao invés de continuar vivendo aquela tortura. Quando os bombeiros chegaram ao prédio, encontraram dezenas de pessoas algemadas, penduradas pelo pescoço e mutiladas.

Embora a escravidão fosse legal nos Estados Unidos até 1865, após a Guerra Civil, ferir escravos não era permitido. A revelação de tanto horror e do que realmente acontecia entre aquelas quatro paredes gerou uma onda de indignação na cidade e Delphine teve que fugir para não ser linchada.

A mansão testemunhou torturas, e hoje é uma lembrança dos maus-tratos e maldade para com os escravos. Além disso, por alguns anos, a propriedade pertenceu a um ator de Hollywood, que se estabeleceu ali com o objetivo de escrever um romance de terror.

Boa posição social e três casamentos

Delphine Macarty, seu nome de solteira, nasceu em 1775 e sua ancestralidade a ligava a nobres espanhóis e franceses, de acordo com o St. Louis Post-Dispatch. A mulher é descrita em várias crônicas como bela, de boa posição social, sendo considerada rica.

Em 1800, ela se casou com Ramón López y Angullo de Candelaria, um oficial militar espanhol de alta patente da Louisiana, com quem teve uma filha. O homem foi promovido a cônsul-geral da Espanha na Louisiana, mas morreu meses depois em Havana, Cuba. Após sua morte, Delphine voltou aos Estados Unidos e assumiu a plantação de cana-de-açúcar que havia herdado. Lá, a mulher tinha dezenas de escravos.

Imagem ilustrativa de como seria um dos cômodos da mansão onde os escravos eram ferozmente torturados por meses.

Em 1808, Delphine casou-se novamente com Jean Blanque, que vinha de uma família de banqueiros e com quem teve mais duas filhas. Oito anos depois, o homem morreu e ela conseguiu aumentar ainda mais seu patrimônio, graças à herança. Isso fez com que ganhasse mais notoriedade na alta classe de Nova Orleans.

Em 1825, Delphine casou-se pela terceira vez com Nicholas Louis Lalaurie, que era membro da Academia de Ciências de Paris. Foi em 1832, quando Delphine se mudou com o marido para uma mansão neoclássica no cruzamento das atuais ruas Royal e Governor Nicholls. A propriedade testemunharia as cenas mais aterrorizantes e arrepiantes já imaginadas.

Na casa, Delphine organizava festas suntuosas e era o centro social local. Mas logo depois, começaram a surgir rumores de que Delphine e seu marido maltratavam os escravos que trabalhavam para eles. De acordo com a Universidade de Nova Orleans, a primeira vez que ela foi investigada por crueldade para com seus escravos foi em 1828 e, embora não haja registros judiciais que justifiquem esta investigação, foi encontrada documentação indicando apenas que ela pagava por serviços legais e vendeu vários escravos após a investigação.

Os rumores continuavam crescendo e relatos de que Delphine torturava seus escravos eram cada vez mais frequentes. Ainda, segundo o jornal El País, alguns vizinhos viram cair do telhado da casa uma menina de 12 anos que era perseguida por ela com um chicote. Até que finalmente, em 10 de abril de 1834, tudo veio à tona, graças a um incêndio.

A cena da crueldade

Conforme descrito pela mídia da época, como no jornal The Liberator, que retomou o que foi publicado, as equipes de resgate pediram as chaves de cada espaço quando chegaram, mas Delphine e seu marido não quiseram revelar seus segredos obscuros e eles negaram o pedido, em meio a insultos.

A mansão foi incendiada em 1834 de forma proposital por um dos escravos torturados.

Como a situação do fogo era terrível, os bombeiros não tiveram escolha a não ser forçar e arrombar as portas que davam para os quartos. Em todas as salas em que entraram, as equipes de resgate começaram a notar “cenas de crueldade” e ficavam chocadas. Em uma das salas, encontraram cerca de 7 escravos mutilados, pendurados pelo pescoço, com os membros aparentemente esticados e rasgados de uma ponta à outra.

Quando as autoridades chegaram à cozinha, encontraram “uma mulher negra acorrentada coberta de hematomas e feridas de vários espancamentos”, de acordo com uma reportagem do The New Orleans Bee, que foi reproduzida em vários jornais da época. Ao descobrir tal cena de crueldade, as autoridades ordenaram que LaLaurie abrisse todas as portas da mansão.

Em outra sala, eles encontraram um homem de 60 anos acorrentado pelos tornozelos e pulsos ao chão. Sua cabeça parecia ter sido esmagada até quebrar completamente e “havia vermes se alimentando de seu cérebro”, de acordo com os relatos. Além disso, no andar térreo, eles descobriram mais dois escravos acorrentados e em situação deplorável e assustadora.

Nos andares superiores e no sótão, havia mais 4 pessoas, também acorrentadas e tão debilitadas que não conseguiam andar. Eles tinham hematomas e feridas por todo o corpo. Um dos jovens escravos passou a dizer que tinha sido acorrentado por 5 meses, durante os quais lhe deram apenas “um punhado de comida” e todas as manhãs ele recebia “o tratamento mais cruel possível”.

A mansão de Delphine Lalaurie era considerada tão grande que necessitava de dúzias de escravos para mantê-la.

Em outro artigo jornalístico da época, os bombeiros explicaram que um dos escravos teve seus dentes arrancados para fazê-lo parecer “menos demoníaco”.

Todos os escravos ficaram confinados nessa situação durante meses, talvez anos, até serem resgatados quase por “acaso”. O incêndio começou provocado por um deles, que não suportava mais as sessões de tortura e tinha o objetivo de morrer queimado ou tentar se libertar quando o fogo chamasse a atenção.

Revolta popular

A indignação pública cresceu à medida que as experiências dolorosas às quais Lalaurie havia submetido os escravos se tornaram conhecidas. Assim que os moradores souberam das atrocidades bárbaras e inacreditáveis cometidas por Madame Lalaurie contra seus escravos, explodiram em fúria. Um motim estourou rapidamente que durou quase dois dias. Até as autoridades tiveram que intervir para colocar ordem na cidade.

O incêndio destruiu parte do prédio e o que sobrou foi destruído pela multidão. As paredes que ainda ficaram de pé estavam repletas de slogans e grafites nos quais o povo expressava sua indignação e exigia punição para a Madame Lalaurie.

O incêndio e o motim causaram perdas inestimáveis ao imóvel. As pessoas entravaram na mansão e, zangadas, jogavam pianos e armários do sótão na rua, para destruir tudo o que tivesse a ver com Madame Lalaurie. O interesse popular pelos escravos que conseguiram ser libertos foi tanto que cerca de 4.000 pessoas visitaram os escravos que fugiram do inferno e estavam em processo de recuperação.

Após um tempo, as autoridades foram investigar o jardim da mansão, onde encontraram inúmeros cadáveres, entre eles corpos de crianças.

Após o escândalo, Delphine e seu marido fugiram para o Lago Pontchartrain e, eventualmente, se mudaram para Paris, onde tentaram não deixar vestígios. No entanto, sabe-se que foi na capital francesa que a mulher morreu, e acredita-se que seu corpo tenha sido devolvido a Nova Orleans e enterrado no cemitério de St. Louis.

O que aconteceu com a mansão?
Visão da mansão nos dias atuais após ter sido comprada pelo ator Nicolas Cage.

Entre 1837 e 1838 a casa foi reconstruída e assumiu o aspecto que tem hoje. Continuou a funcionar como residência privada e mais tarde foi também utilizada como escola e como edifício de apartamentos. A crueldade de Delphine LaLaurie atravessou o tempo e foi parar até em seriados, como no American Horror StoryEstima-se que ela tenha matado, pelo menos, 100 escravos, e tinha prazer em deixar crianças e idosos mutilados

Em 2007, o ator Nicolas Cage adquiriu a propriedade e anos depois confessou ao jornal britânico Daily Mail que este era um dos seus maiores segredos. “Comprei pensando que seria um bom lugar para escrever um grande romance de terror americano, mas não fui muito longe com o romance”, admitiu.

Fonte(s): La Nacion Imagens: Reprodução / La Nacion

_________________________________________________George Stinney: a trágica história do condenado à morte injustamente aos 14 anos e inocentado 70 anos depois

Ele foi executado na cadeira elétrica aos 14 anos nos Estados Unidos após ser condenado por um duplo crime em um julgamento repleto de irregularidades.

George Stinney, de 14 anos, foi a pessoa mais jovem a ser executada na história dos Estados Unidos. Ele foi condenado à cadeira elétrica após um julgamento que não durou mais de um dia e que, injustamente, o responsabilizou por dois assassinatos.

O menino morreu em 10 de junho de 1944 e apenas 70 anos depois as autoridades do judiciário norte-americano admitiram que seus direitos foram violados.

Acusação de homicídio

Betty June Binnicker, 11 anos, e Mary Emma Thames, 7 anos, foram encontradas mortas na ferrovia de Alcolu, na Carolina do Sul, em março de 1944.

Betty June Binnicker (à esquerda) e Mary Emma Thames (à direita).

“Há uma fratura craniana perfurada sob cada um dos crânios”, disse o relatório médico, citado à época na CNN, onde também ficou constatado que as menores também apresentavam “uma massa de ossos esmagados”.

As meninas passeavam de bicicleta por uma região da cidade onde, segundo a mídia internacional, moravam negros. Isso foi suficiente para a polícia responsabilizar George Stinney pelos assassinatos já que, supostamente, ele teria sido o último a ser visto pela última vez nas redondezas antes do crime.

Ele foi preso e ficou dezenas de horas na delegacia sem poder falar com nenhum parente. Segundo os policiais, o menino de 14 anos teria confessado o crime, sendo isso suficiente para iniciar o julgamento.

George foi levado ao tribunal apesar de não existir nenhum documento oficial por escrito que confirmasse sua suposta confissão. Além disso, fontes disseram que seu companheiro de cela, Wilford Hunter, ouviu de George que ele era inocente e não havia cometido os crimes.  

As digitais de George Stinney quando foi detido.

Confusão em tempo “recorde”

O júri era formado apenas por brancos, segundo a agência de notícias AFP. O seu advogado público também era branco e não agiu para defender George: não convocou testemunhas suficientes e não refutou as acusações.

A audiência não durou mais de 1 dia e todo o júri decidiu condenar a criança à cadeira elétrica, em meio a vozes da cidade pedindo a suspensão da pena.

No entanto, e além dos jurados, o governador do estado, Olin Johnston, apoiou a punição: “Não creio que alguém que foi considerado culpado de homicídio deva ser exonerado”, disse ele à época.

Os presentes no momento da execução indicaram que a cadeira da criança era muito grande. Sua altura de apenas 1,5 metro e seu pelo de 43 kg não permitiram que seu corpo ficasse completamente preso ao dispositivo da cadeira elétrica.

Para lidar com isso, de acordo com o jornal Daily Mail, os policiais uniformizados colocaram livros grossos na cadeira elétrica para torná-la alta o suficiente. Assim, o menino conseguiu alcançar os eletrodos. Ele morreu em 10 de junho de 1944.

A família recebeu várias ameaças e teve que deixar a cidade. “Meus pais temiam muito por nossa segurança. Lembro que meu pai ficou chateado porque não tinha permissão para falar ou vê-lo antes do julgamento”, disse Charles Stinney, irmão de George ao jornal local The State.

Uma convicção injusta

A família Stinney, mais tarde, iniciou uma briga judicial para limpar o nome do menino e provar que ele havia sido condenado por engano. “Não havia afro-americanos naquele tribunal. Foi um júri de 12 homens brancos”, disse o advogado Matt Burgess, que presidiu a ação que somente em 2014 obteve resultados.

A juíza Carmen Tevis Mullen proferiu sua decisão e sustentou que o julgamento, ocorrido há 70 anos, teve graves erros processuais: “Não me lembro de um caso em que houvesse tantos indícios de violações de direitos constitucionais e tantas injustiças”, disse.

Cadeira elétrica usada para a execução da pena.

A juíza Mullen garantiu que a polícia agiu “de maneira imprópria, em desacordo com os códigos e procedimentos criminais”. Ela também criticou o defensor público de George porque “ele fez pouco ou nada para defendê-lo”. A magistrada destacou que a sentença era incorreta e injusta.

Katherine Stinney, irmã de George, comemorou a decisão. “Como eles podem pensar que uma criança tão pequena poderia cometer um crime assim? Eu gostaria que eles encontrassem os verdadeiros assassinos”, disse ela que tinha 80 anos em 2014, em uma conversa com o jornal local The Manning Times.

O caso do menino voltou a ser tema de debate agora no início de 2021, quando as autoridades da Carolina do Sul acrescentaram um novo método para a execução de criminosos: o fuzilamento.

Atualmente, o túmulo de George Stinney.

Embora os opositores do fuzilamento citassem a barbárie que o menino de apenas 14 anos havia sido submetido há mais de 75 anos, os legisladores aprovaram o projeto e o governador o sancionou. Na imagem de capa, à direita, está a cena do filme Carolina Skeletons, de 1991, retratando o caso. 

Oficialmente, agora a Carolina do Sul tem três métodos para cumprir as sentenças de morte: cadeira elétrica, injeção letal ou tiros

Fonte(s): La Nacion  / El Tiempo Imagens: Divulgação

_________________________________________________Décadas de avanços científicos resolvem caso perturbador de assassinato e necrofilia

Um caso particularmente terrível, originado em Kent, Inglaterra, na década de 1980, veio à tona recentemente graças aos avanços no perfil de DNA — e acabou sendo muito pior do que se pensava.

O eletricista hospitalar David Fuller, de 67 anos, não foi condenado ainda pelos assassinatos que cometeu e, agora, está provado que ele também foi responsável pela agressão sexual de pelo menos 100 cadáveres de mulheres e crianças em dois necrotérios em hospitais onde trabalhava.

Fuller só foi pego após comparação de seu DNA com o material genético de um parente que foi mantido em um banco de dados. No entanto, o caminho para a descoberta foi longo; a história de como esses assassinatos foram resolvidos só foi possível após 30 anos de avanços científicos.

Quando os dois assassinatos vieram à tona, em 1987, o perfil de DNA era muito primitivo para ajudar a polícia a encontrar o assassino. Na verdade, os investigadores da época não puderam nem mesmo afirmar definitivamente que os assassinatos foram cometidos pela mesma pessoa.

As vítimas, Wendy Knell e Caroline Pierce, viviam na mesma cidade, mas tinham pouco mais em comum. Suas mortes também pareciam diferentes: Knell foi assassinada primeiro. Ela foi encontrada em sua cama, espancada e estrangulada, na manhã de 24 de junho — de acordo com a polícia local, ela havia sido estuprada durante ou após sua morte.

Pierce foi morta cerca de 5 meses depois. Seu corpo foi encontrado embaixo da água em um dique à beira da estrada, a mais de 64 quilômetros de onde ela morava — ela havia sido sequestrada de sua casa três semanas antes.

Mas, ela também havia sido abusada sexualmente, espancada e estrangulada. A polícia suspeitou que os dois assassinatos estavam ligados, mas não puderam provar. Os investigadores coletaram pistas forenses de ambas as cenas, mas, 8 antes da criação do Banco de Dados Nacional de DNA do Reino Unido, e sem nenhum suspeito óbvio sob custódia, eles não puderam localizar o assassino.

Em 1999, a perícia de DNA já havia evoluído. A polícia local revisou o caso e foi capaz, pela primeira vez, de construir um perfil de DNA completo do assassino de Knell a partir das evidências deixadas em seus lençóis — mas a busca no banco de dados de DNA não revelou nenhuma correspondência.

Demorou mais 20 anos para vincular Pierce ao caso. Uma amostra parcial de DNA pôde finalmente ser extraída do sêmen encontrado em suas meias — a única peça de roupa com que ela foi encontrada — apesar das três semanas que seu corpo passou debaixo d’água. O DNA correspondia às amostras encontradas também na casa de Knell.

Em 2019, uma técnica forense revolucionária foi desenvolvida: o DNA familiar. Em vez de ter que verificar as evidências de DNA no Banco de Dados Nacional na esperança de que o próprio assassino tivesse entrado no sistema, o DNA familiar permitiu que os investigadores identificassem pessoas que eram seus parentes.

“O DNA familiar foi absolutamente crucial”, disse Noel McHugh, que aconselhou os investigadores de Kent e agora trabalha para a Agência Nacional do Crime do Reino Unido, em entrevista à BBC. “Isso permitiu que os investigadores reduzissem os perfis de 6,5 milhões no banco de dados nacional de DNA para um número viável que acabaria por identificar o assassino”.

De 6,5 milhões de pessoas, a polícia agora tinha uma lista de apenas 90, e começaram a eliminar os suspeitos, um por um. Eles viajaram todo o Reino Unido para coletar amostrar voluntárias de DNA de suspeitos. Então, o exame de DNA mostrou compatibilidade com o irmão de Fuller, o eletricista assassino.

A partir daí, as evidências começaram a se encaixar: Fuller tinha a idade que se imaginava ter o assassino, estava na mesma área do ocorrido e na mesma hora aproximada. A polícia conseguiu encontrar um diário onde ele descrevia suas visitas aos locais de trabalho das mulheres, armando seu plano macabro.

Também foram encontradas fotos onde Fuller usava sapatos com o mesmo tipo de solado. Mas não foi só isso que encontraram.

Cerca de 4 milhões de imagens de abuso sexual — “uma biblioteca de depravação sexual inimaginável”, disse o promotor Duncan Atkinson QC — foram encontradas em 5 terabytes de espaço em disco rígido, 1.300 vídeos e CDs, 34.000 fotografias, e centenas de discos rígidos com outros materiais. Alguns foram baixados da internet; outros foram filmados pelo próprio Fuller.

Nas imagens, algo estarrecedor: ele estava em necrotérios onde trabalhava, praticando abusos. É um caso que nenhum tribunal britânico viu antes. Pelo menos 100 corpos de mulheres e crianças (o cadáver mais velho com 100 anos e o mais novo com apenas 9 anos), foram abusadas sexualmente por Fuller.

Os investigadores conseguiram identificar a maioria dos corpos graças a mais avanços forenses: eles escolheram os nomes escritos nas pulseiras dos corpos que foram capturados pela câmera de Fuller e os cruzaram com os registros mortuários das datas coletadas do vídeo. Muitos dos nomes foram gravados pelo próprio Fuller em uma data posterior. “Ele não queria deixá-las em paz”, disse a promotora Libby Clark à BBC.

Ao que tudo indica, após os abusos, ele pesquisava na internet, inclusive no Facebook, para saber como eram as vítimas quanto estavam vivas, por isso ele gravava seus nomes.

O caso levou a polícia a fazer um esforço para localizar e informar as famílias das pessoas que Fuller abusou. Isso fez com que o NHS (o SUS da Grã-Bretanha) revisasse os protocolos mortuários para impedir abusos sexuais.

Fonte(s): IFLScience Imagens: Reprodução / Cavan-Images / Shutterstock.com

_________________________________________________Muito além do “vamos passear”: cães compreendem uma média de 89 palavras - Gizmodo Brasil

Os cientistas chegaram ao resultado após aplicar nos pets um teste normalmente utilizado para avaliar o vocabulário de bebês. Veja mais

Carolina Fioratti
Imagem: Pixabay/Reprodução

Se você já achava seu cão esperto por entender as palavras “passear”, “brincar” e “petisco”, fique sabendo que ele é capaz de muito mais.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Dalhousie, no Canadá, mostrou que os cães compreendem uma média de 89 palavras ou frases. O artigo completo foi publicado na Applied Animal Behaviour Science

Para chegar a esta conclusão, os cientistas desenvolveram uma pesquisa online com 172 palavras e frases que os tutores deveriam falar aos seus cachorros. Os voluntários poderiam adicionar palavras e frases extras. Então, cada um dos 165 participantes teria que registrar em uma escala de zero a cinco a reação do animal. 

O zero deveria ser usado quando o animal não respondesse ao estímulo, enquanto o cinco significava que o pet reconheceu a palavra e reagiu a ela — mesmo quando dita em locais diferentes, por outras pessoas ou em tons distintos. Testes do tipo costumam ser aplicados por pais para avaliar o vocabulário de bebês humanos. 

Em média, os cães foram capazes de identificar cerca de 89 palavras e frases. Estudos científicos feitos no passado indicam que, em média, outros animais considerados mais eruditos chegam a casa dos 200. A rigor, cães podem ter um vocabulário comparado ao de bebês de dois anos.

Quase metade das palavras reconhecidas eram comandos, como “sentar” e “ficar”. Há algumas favoritas: as palavras e frases “sente”, “vamos”, “bom garoto/garota”, “deite”, “fique”, “espere”, “não”, “sim” e “solte isso” foram reconhecidas por 90% dos cachorros. O próprio nome do animal também entra nessa lista.

Pelo tamanho da amostra, não dá para cravar se as raças influenciaram no teste. Mas os cientistas observaram que o papel desempenhado pelos cães fazia com que alguns se saíssem melhores do que outros. Por exemplo, cães policiais conheciam mais palavras do que animais domésticos. 

Limitações

Antes de os pais de pet acharem que seus bichinhos são gênios por natureza, é bom entender que o estudo traz algumas limitações.

Primeiro, tem o fato de os testes terem sido aplicados pelos próprios tutores, que podem superestimar a capacidade de seus pets. Mas os pesquisadores escolheram seguir dessa forma pois, em aplicações com humanos, já havia sido mostrado que os pais têm maior capacidade de interpretar os filhos. O mesmo serviria para os animais. 

Fora isso, existe a possibilidade do cachorro não necessariamente reconhecer a palavra, mas sim incorporar gestos dos tutores ou outras informações inseridas no contexto, como a presença de uma coleira. De toda forma, a equipe acredita que o teste desenvolvido por eles poderá ajudar a prever precocemente o potencial de cães para atribuí-los a profissões caninas. 

_________________________________________________André Gonçalves tem novo pedido de prisão por não pagar pensão da filha mais velha: 'Vou encerrar a minha carreira'

Ator se diz ‘devastado’ com as ações movidas pelas filhas na Justiça do Rio, SP e SC; total da dívida beira meio milhão de reais, mas ele afirma que só consegue pagar R$ 1 mil para cada um dos três filhos
O ator André Gonçalves durante entrevista na casa onde mora com a mulher Danielle Winits Foto: Maurício Val/Divulgação
O ator André Gonçalves durante entrevista na casa onde mora com a mulher Danielle Winits Foto: Maurício Val/Divulgação

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Uma semana após ter a prisão domiciliar decretada pela Justiça de Santa Catarina por não pagar a pensão alimentícia da filha Valentina, de 18 anos, fruto do relacionamento com a jornalista e atriz Cynthia Benini, o ator André Gonçalves se tornou alvo de um novo pedido de prisão pelo mesmo motivo, só que dessa vez tendo a sua filha mais velha como autora da ação. Manuela, de 23 anos, assumiu o processo que a mãe dela, a atriz Tereza Seiblitz, movia contra o ex na Justiça do Rio por alimentos atrasados.  O processo tramita na 4ª Vara de Família da capital e espera a decisão do juiz.

Assista a trechos da entrevista com ator André Gonçalves:

 

Manuela, que cobra uma pensão mensal de R$ 6 mil, não aceitou o pagamento atrasado do acordo de R$ 20 mil oferecido por Gonçalves no último mês de outubro e agora também pede a reclusão do pai por uma dívida de R$ 109 mil.

O ator criticou a rigidez da lei que prevê prisão para quem não tem condições de pagar pensão alimentícia no Brasil e falou da mágoa que sente por não ter mais um bom relacionamento com as filhas – ele está bloqueado dos contatos com elas nas redes sociais.

—  Elas viraram as costas para mim por dinheiro, não quero dizer nenhum nome ruim dos meus filhos, mas eu acho que é inominável a situação que eu estou passando sem precisar passar. A saída não é a prisão. Eu sei o pai que eu sou, que eu quero ser. Não sou bandido. Não há nada que me desabone na esfera federal, estadual ou municipal.

Procurada, a advogada Juliana Lima dos Santos que conduz a ação de Manuela Seiblitz na 4ª Vara de Família não quis comentar as afirmações de Gonçalves alegando que o processo está sob segredo de Justiça. Já a advogada de Cynthia Benini, Stella Marys Silva Pereira de Carvalho, disse que estava numa reunião e não retornou ao contato da reportagem.

Ao contrário do que foi divulgado nos últimos dias, a decisão de prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica já proferida pela Justiça de Santa Catarina se deu, segundo o ator, por uma dívida de R$ 13,5 mil cobrada em novo processo aberto por Valentina, referente a três meses de atraso na pensão de R$ 4,5 mil a que teria direito. Além desta, há uma outra ação movida por Cynthia em São Paulo que cobra mais R$ 350 mil por falta de pagamentos anteriores à filha do ex-casal, mas que ainda está em negociação – o ator acaba de ter uma moto scooter avaliada em R$ 11 mil empenhorada pela Justiça.  O filho Pedro, de 20 anos, do casamento com atriz Myrian Rios, é o único que tem uma boa relação com o pai. Ele recebe R$ 1 mil mensais de pensão.

Apavorado pela iminente visita do oficial de Justiça que irá notificá-lo da prisão e levar a tornozeleira eletrônica que será obrigado a usar por no mínimo 60 dias, André recebeu O GLOBO na casa onde mora com sua atual mulher, a também atriz Danielle Winits, no bairro do Joá, na última quinta-feira, e chorou 12 vezes em 2 horas de entrevista. Para o ator, a prisão pedida pelas próprias filhas é “devastadora demais” para prosseguir com sua carreira.

—  Então eu decidi parar, vou parar e encerrar a carreira.  Eu não sei o que vai acontecer, sabe? Eu não vou suportar ser preso. Encerrando eu dou um novo passo na minha vida. Eu posso construir uma nova história. Não aguento mais tanta pressão por dinheiro. Eu venho com isso há cinco anos. Achando que todo dia vai ter um oficial de Justiça na minha porta, me acordando às 5h da manhã, de sobressalto. Há cinco anos eu vivo isso —  afirma aos prantos.

Confira alguns trechos da entrevista:

Prisão por não pagar pensão

É cruel essa lei (pensão alimentícia) determinar a prisão em cárcere privado porque ela não resolve. Eu não tenho R$ 350 mil e nem R$ 110 mil. Eu vou preso. Então eu acho desproporcional porque como sou um trabalhador autônomo não posso pagar R$ 6 mil para um e R$ 4,5 mil para outro. Me sinto no paredão de fuzilamento. Não sou uma pessoa má. Nunca fui com eles. Um filho fazer isso com um pai. O meu advogado (Sylvio Guerra) sabe o tamanho do meu desespero, do meu sofrimento, porque principalmente se trata de pessoas que eu tenho afeto, que eu tenho amor, que eu convivo há 20 anos, então nos últimos cinco anos que eu me sinto um foragido, achando que a qualquer momento eu serei preso, sem o direito de defesa. A gente entrou na Justiça, tentou a revisão, tentou acordo com as mães, e não foi aceito.

Que fossem R$ 2 milhões...se você negocia com outras pessoas, com a escola quando você atrasa, ou com alguém que você tem uma dívida, por que não faz com o teu pai? Eu ajudei a botar no mundo. E eles vão entender quando estiverem mais velhos que não sou eu que devo para eles.

Relação com os filhos

Eu me sinto péssimo em pensar que eu possa parar atrás das grades, cerceado de liberdade, por causa de filho. O que me dói é que vem lá no processo "pedido de prisão" e quem assina é o filho. Eles já são maiores de idade. E eu não falo isso por vitimização, mas é porque essa é a realidade que eu vivo há muito tempo. Vai ser preso, não vai ser preso. Só me resta ter esperança e fé, pois não há mal que dure para sempre.

Eu acho que isso deveria ser resolvido em família...eu acredito que para mim eu fui o melhor pai que eu tentei ser. Eles estão me botando como vilão, os meus filhos, eu não me sinto assim, eu me sinto injustiçado, cruelmente injustiçado, me sinto como um cidadão desassistido, não sou herdeiro, não tenho salário e nem contrato fixo com ninguém, então eles me transformaram no vilão da vida deles. O Malvado Favorito deles por dinheiro. Eles levam uma vida de rico e querem que eu sustente essa vida de rico, mas isso é impossível.

Guarda compartilhada

Não tenho nenhuma guarda compartilhada porque eu sempre achei que fosse morrer muito cedo. Eu naturalmente dei a primeira guarda para a mãe da Manuela, na separação da Cynthia eu fiz esse acordo, não queria ser um empecilho. O que é melhor?  Você quer a guarda para você? Tudo bem, eu só quero ver, poder visitar...

Com o Pedro é diferente. Ele tem uma alma muita boa, é  muito especial. Em janeiro ele vem pra cá. Eu tinha essa boa relação com a Valentina até duas semanas atrás...ela voltou do Canadá, questões pessoais, nunca negou afeto, nunca deixei de abraçá-los.

Eu mandava mensagem todos os dias para os meus filhos até recentemente...eu estou sempre querendo vê-los, peço pra abrir a câmera, nunca neguei afeto, eu sou um cara afetuoso, os meus amigos sabem da minha relação com os meus filhos e o que os meus filhos significam pra mim, eu sempre quis e ainda pretendo ser um bom pai. Sabendo ainda que eu corro o risco de ser encarcerado, eu penso assim, tomara que eu morra para encontrar a minha liberdade.

Empréstimo negado

Eu tentei um empréstimo no banco, mas eu não pude porque a Receita Federal acabou me multando em R$ 5 mil por um erro na declaração e isso atrapalhou meu empréstimo. Tentamos um empréstimo de R$ 450 mil no banco para que eu ficasse devendo ao banco, que não pediria a minha prisão, mas esbarrou nessa questão da Receita.

Novos trabalhos

Para você ter uma ideia a única fonte de renda nos últimos cinco , seis anos foi basicamente a série que eu fiz no Impuros, fiz a primeira temporada, o papel cresceu , fiz a segunda e fiz a terceira. Depois fiz uma participação no filme do Edir Macedo,  fiz uma novela na Record (Jesus) durante um ano. E vamos lançar um documentário e vão pensar que sou rico, mas eu recebi R$ 300 para filmar uma semana.

Nas últimas duas semanas essa notícia da prisão virou um assunto internacional...até em Portugal já estavam divulgando. E amigos que tenho lá me fizeram convite para protagonizar dois longas, para protagonizar a Paixão de Cristo em Natal no ano que vem, mas eu não sei o que dizer, não sei se eu posso, não sei se vou estar solto em março, que é quando pretendo filmar e voltar ao teatro, minha grande paixão. Mas se isso acontecer será minha despedida. Esse processo está fazendo eu encerrar a minha carreira. Não é por nenhum outro motivo, digamos assim,  acabou sua carreira porque você não vai ter mais trabalho, não. Eu posso gerar o meu trabalho, eu aprendi isso cedo, eu trabalho há 33 anos. Eu não tenho mais condições humanas de construir um personagem....

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Último dia do Maksoud Plaza: da glória à despedida dos últimos hóspedes

Maksoud Plaza, ícone de São Paulo, que fechou as portas  - Reprodução/Facebook
Maksoud Plaza, ícone de São Paulo, que fechou as portas Imagem: Reprodução/Facebook

Sibele Oliveira

Colaboração para Nossa

08/12/2021 11h20

Assim que chegaram ao Maksoud Plaza, Marina Gryczynski, 26, e Eduardo Gomes, 34, foram barrados pelos seguranças. Aquilo não fazia o menor sentido. Quando eles saíram de manhã, estava tudo normal.

A empresária tinha feito o check-in no dia 02 de dezembro, quinta-feira passada. Veio a São Paulo fazer um MBA em Hotelaria de Luxo e era o quarto dia em que estava hospedada. O namorado chegou depois, no sábado. Como a última aula dela foi no domingo, aproveitaram a segunda-feira para curtir a cidade e acabaram esticando o passeio.

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Maksoud luta contra ruína, e herdeiro paga contas com empresa de fachada

Enquanto se dirigiam ao hotel, tentavam resolver se deveriam tomar um banho primeiro ou jantar antes de subir para o quarto. Ao se aproximar do estabelecimento, por volta das seis e meia da tarde, notaram uma movimentação estranha na portaria. Seguranças falando no rádio e o ambiente completamente vazio. Ninguém entrava nem saía.

Marina Gryczynski, uma das últimas hóspedes do Maksoud Plaza, conversa com um dos funcionários do hotel - Eduardo Gomes  - Eduardo Gomes
Marina Gryczynski, uma das últimas hóspedes do Maksoud Plaza, conversa com um dos funcionários do hotel Imagem: Eduardo Gomes

"Nossa! O que está acontecendo?", perguntou Marina. Não entendiam por que estavam sendo impedidos de avançar se aquela era a última das cinco diárias a que tinham direito.

Confusa, ela checou o celular e viu várias ligações perdidas. Não tinha ouvido as chamadas porque o aparelho estava dentro da bolsa. Os funcionários alegaram que uma carta avisando do ocorrido havia sido deixada no quarto. Mas como, se não encontraram carta nenhuma!

Por fim, disseram que se tratava de uma ordem judicial e que o hotel precisava ser esvaziado. Encerrada a discussão, o casal entendeu o que estava acontecendo.

Descobrimos que o hotel estava fechando quando voltamos para dormir. Isso pegou a gente de calça curta", lembra o arquiteto.

Eduardo Gomes e Marina Gryczynski tiveram tempo para uma selfie com um dos funcionários do Maksoud Plaza, fechado nesta terça - Eduardo Gomes  - Eduardo Gomes
Eduardo Gomes e Marina Gryczynski tiveram tempo para uma selfie com um dos funcionários do Maksoud Plaza, fechado nesta terça Imagem: Eduardo Gomes

Era mesmo difícil de acreditar. O primeiro hotel cinco estrelas da capital paulista estava fechando as portas e Marina e Eduardo eram os últimos hóspedes. Os demais tinham feito o checkout mais cedo.

O lugar que foi palco de uma apresentação do Frank Sinatra, que recebeu artistas mundialmente famosos, príncipes e a primeira-ministra Margaret Thatcher, estava encerrando as atividades com eles.

É verdade que, por conta de dívidas, o Maksoud Plaza estava num processo de recuperação judicial desde o ano passado. Mas o fechamento abrupto deixou até mesmo o staff sem reação.

Ainda digerindo a nova realidade, um empregado com 16 anos de casa contou a Eduardo que desde o início da pandemia 150 funcionários foram demitidos. O futuro dos outros 150, disse, era um grande ponto de interrogação.

Deu para ver que ele estava bastante abalado. Final de ano, o cara não vai mais ter o emprego dele... Estava todo mundo muito preocupado".

Funcionários do Maksoud Plaza se reúnem no último dia de funcionamento do hotel - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Funcionários do Maksoud Plaza se reúnem no último dia de funcionamento do hotel Imagem: Reprodução/Facebook

Assim como Marina e Eduardo, eles ficaram sabendo do fechamento do hotel em cima da hora, numa reunião-surpresa.

O apagar das luzes

Quando Marina e Eduardo foram autorizados a entrar, encontraram no balcão da recepção dois atendentes não muito preparados para explicar o que parecia não ter explicação. Precisaram chamar a diretora de operações, que conduziu a situação com mais desenvoltura. Inclusive contatando um hotel vizinho para que eles passassem a noite, já que a viagem de volta para Teixeira Soares, no interior do Paraná, onde moram, estava marcada para a manhã seguinte.

O Hotel Maksoud Plaza, na região da av Paulista, fechará suas portas após 42 anos de funcionamento. Na foto, fachada do hotel com gradil de segurança para impedir entrada - Keiny Andrade/Folhapress - Keiny Andrade/Folhapress
O Hotel Maksoud Plaza, na região da av Paulista, fechará suas portas após 42 anos de funcionamento. Na foto, fachada do hotel com gradil de segurança para impedir entrada Imagem: Keiny Andrade/Folhapress

Informada de que não poderia subir ao quarto nem para pegar as malas, Marina ficou em choque. Aliás, a bagagem já havia sido tirada do dormitório por dois seguranças e duas camareiras, e colocadas no lobby do hotel, mais especificamente no guarda-volumes.

"Nunca tinha visto uma situação assim. Lógico que isso gerou bastante estresse. Mas depois vi toda a preocupação de mostrar para a gente que foi tudo documentado e filmado", relata a empresária, que aos poucos foi se acalmando. Apesar de tudo, os dois hóspedes foram bem tratados pelos funcionários.

Olhando em volta, o Maksoud Plaza era um gigante abandonado, onde além do casal havia apenas os seguranças, um mensageiro, um porteiro, os dois recepcionistas e a diretora de operações. Nem parecia o mesmo lugar da véspera.

Frank Sinatra foi uma das muitas celebridades a se hospedar no Maksoud Plaza - Divulgação / hotel Maksoud Plaza - Divulgação / hotel Maksoud Plaza
Frank Sinatra foi uma das muitas celebridades a se hospedar no Maksoud Plaza Imagem: Divulgação / hotel Maksoud Plaza

"Era um barato estar lá dentro. O piano de cauda no saguão do hotel, o paisagismo, as plantas impecáveis... Apesar de ser muito antigo, dava para sentir aquele glamour dos anos dourados do hotel, o ambiente bacana. Domingo assisti a corrida de Fórmula 1 no lobby e conversei com o pessoal do bar. Estava tudo correndo bem. Não tinha a sensação de encerrar o hotel", recorda Eduardo.

Marina, que vem de uma família que atua no ramo da hotelaria, tinha o sonho de conhecer o icônico hotel que guarda 42 anos de uma bonita e importante história. Pôde realizá-lo pela primeira e última vez. Mesmo sem processar direito o que tinha acontecido, ela e o namorado resolveram aproveitar os últimos minutos daquele momento inesquecível e fecharam a estada com chave de ouro.

Espaço Sideral, uma das vistas mais clássicas do Maksoud Plaza - Divulgação / hotel Maksoud Plaza  - Divulgação / hotel Maksoud Plaza
Espaço Sideral, uma das vistas mais clássicas do Maksoud Plaza Imagem: Divulgação / hotel Maksoud Plaza

O relógio marcava sete horas da noite quando o carro de transporte por aplicativo chegou. Com a placa identificada, os seguranças tiraram a contenção e o motorista entrou para pegar os passageiros na frente do hotel.

Sabe aquela frase: O último a sair apaga a luz? Nós saímos e já foram fechando tudo", descreve o arquiteto.

Olharam para trás uma última vez, com a consciência de que agora também fazem parte da história do Maksoud Plaza.

Construção do Maksoud Plaza na reta final, há 42 anos - Divulgação / hotel Maksoud Plaza - Divulgação / hotel Maksoud Plaza
Construção do Maksoud Plaza na reta final, há 42 anos Imagem: Divulgação / hotel Maksoud Plaza

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Personalidade do ano? A enquete vencida por Bolsonaro e a tradicional escolha da revista 'Time' | Blog do Acervo - O Globo

Jair Bolsonaro: Presidente brasileiro venceu uma enquete on-line da 'Time'

O que Adolf Hitler, Mahatma Ghandi, Elizabeth II, o Papa Francisco e Donald Trump têm em comum? Todos eles, entre muitos outros, foram eleitos pelos editores da revista "Time" a "Personalidade do Ano", ao longo de quase um século. E o que o líder venezuelano Hugo Chavez, a banda coreana BTS e, agora, o presidente Jair Bolsonaro têm em comum? Todos ficaram em primeiro lugar na enquete on-line, aberta ao público geral, para a escolha da "Personalidade do ano", que ocorre desde 1998.

São duas eleições com formatos distintos promovidas pela mesma publicação americana todos os anos. O resultado de uma não influencia na outra. 

A tradicional escolha de "Personalidade do ano" pelos editores da revista começou em 1927, chamada de "Homem do ano". Reza a lenda que, em dezembro daquele ano, a cúpula da publicação estava sem assunto para a capa da semana e, então, decidiu exaltar o aviador Charles Lindbergh, que se tornara a primeira pessoa a cruzar o Oceano Atlântico num voo solo. Foi também uma forma de corrigir o "erro" de não ter estampado o piloto na capa da revista após sua proeza, em maio.

Charles Lindbergh: Aviador foi o primeiro 'Homem do ano' escolhido pela revista

Segundo as informações sobre a eleição no site da "Time", o título de "Personalidade do ano" entregue pelos editores nem sempre é uma honraria. Grandes vilões da História e algumas figuras no mínimo controversas já foram escolhidos ao longo das décadas, devido ao impacto que causaram no mundo. Entre eles, o líder nazista Adolf Hitler, em 1938, o soviético Joseph Stalin (1939 e 1942) e o aiatolá Khomeini (1979), que tomou o poder no Irã após a Revolução Islâmica. Além disso, todos os presidentes americanos desde 1927 foram eleitos pelo menos uma vez. 

Em outros casos, porém, as pessoas apontadas pelos editores são personagens que a História, hoje, enxerga como heróis. O líder da independência indiana Mahatma Ghandi, escolhido pela revista em 1930, é um exemplo. O imperador etíope Halie Selassie (1935), também. Na mesma lista poderiam entrar o primeiro-ministro iraniano deposto Mohammad Mossadegh (1951), os "cientistas americanos" (1960), os astronautas da missão Apollo 8 (1968), os "pacificadores" (1993) e a jovem ambientalista sueca Greta Thunberg (2019). Em 1999, o físico alemão Albert Einstein foi considerado a "Personalidade do Século".

Hitler foi eleito pelos editores da 'Time' a 'Personalidade do Ano' em 1938

_________________________________________________Mercado financeiro reduz a estimativa de PIB para 2022 pela 9ª vez consecutiva e aumenta a da inflação pela 20ª vez

Infomoney - Na esteira de dados econômicos abaixo do esperado, o mercado financeiro revisou, pela oitava semana para baixo, suas projeções para o desempenho da economia brasileira este ano. 

Agora, a expectativa é de crescimento de 4,71% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ante projeção anterior de 4,78%. Para 2022, as estimativas também sofreram piora, pela nona vez consecutiva, de 0,58% para expansão de 0,51%. 

Os dados constam no relatório Focus e foram divulgados na manhã desta segunda-feira (6) pelo Banco Central. 

Na semana passada, os dados do PIB referentes ao terceiro trimestre e da produção industrial em outubro frustraram expectativas, levando casas a revisarem para baixo suas projeções para o desempenho da economia brasileira neste e no próximo ano. 

No terceiro trimestre, o PIB do Brasil registrou contração de 0,1% na comparação com o segundo trimestre deste ano e alta de 4% na base anual. O indicador veio pouco abaixo do esperado. A expectativa de economistas consultados pelo consenso Refinitiv era de estagnação em relação ao segundo trimestre. Na comparação anual, contudo, o resultado veio abaixo da alta de 4,2% esperada. 

Mais inflação

No Focus, as estimativas para a inflação também sofreram piora. Segundo economistas consultados pelo BC, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ter alta de 10,18% este ano e de 5,02% em 2022. 

Na semana passada, as projeções eram de IPCA de 10,15% e 5,00%, respectivamente. Os dados vêm sendo revisados para cima constantemente e já chegam a 35 semanas de alta no caso das estimativas para 2021, e a 20 semanas nas de 2022. 

Juros maiores em 2023

Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, se reúne para decidir o rumo da taxa básica de juros. 

A expectativa, segundo o Focus, é de alta de 1,5 ponto percentual da Selic, para 9,25% ao ano, sem mudanças em relação ao levantamento anterior. Já para 2022, as expectativas são de Selic a 11,25% ao ano, também sem alterações. 

Entretanto, para 2023, o mercado elevou sua aposta para 8% ao ano. 

Por fim, no câmbio, as estimativas tiveram alta de R$ 5,50 para R$ 5,56, em 2021, e de R$ 5,50 para R$ 5,55, em dezembro de 2022.

_________________________________________________Opinião: Terra à vista! - Beleza e destruição de Arecibo: a cidade do telescópio arruinado em 2020

Radiotelescópio no observatório de Arecibo, em Porto Rico - Getty Images/iStockphoto
Radiotelescópio no observatório de Arecibo, em Porto Rico Imagem: Getty Images/iStockphoto
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18º, 20'N, 66º, 44'O
Observatório de Arecibo
Esperanza, Arecibo, Porto Rico

Um ano atrás, o mundo assistiu estupefato à destruição do telescópio de Arecibo, em Porto Rico. Mas um desastre assim não vem de uma hora para outra.

Por que esta ilha no Pacífico causou alvoroço na internet

Em agosto de 2020, um cabo da formidável estrutura suspensa se rompeu. Em novembro, outro. Estava mais que evidente que seu estado de conservação era uma lástima, então em 19 de novembro a Fundação Nacional da Ciência (NSF, na sigla em inglês) anunciou que o telescópio seria desativado e desmontado.

Não deu tempo. Doze dias depois, em 1º de dezembro, vários cabos arrebentaram e o telescópio foi destruído. Um espetáculo triste e impressionante. Nenhuma imagem dizia com tanta veemência "acaba logo, 2020!".

Arecido, a cidade

Cueva Ventana, em Arecibo, Porto Rico - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Cueva Ventana, em Arecibo, Porto Rico Imagem: Getty Images/iStockphoto

Arecibo tem um longo histórico de destruição. Seu nome é uma referência ao cacique Arasibo, chefe da aldeia de Abacoa quando os conquistadores espanhóis chegaram, em 1556. Sessenta anos mais tarde, fundaram a cidade, uma das mais antigas da ilha.

Praia de Arecibo, em Porto Rico - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Praia de Arecibo, em Porto Rico Imagem: Getty Images/iStockphoto

Em 1702, os espanhóis escorraçaram uma tentativa de invasão britânica. Mas a sorte que Arecibo teve com guerras não se repetiu quando ela enfrentou a fúria da natureza.

A primeira igreja da cidade, erguida em meados do século 16, foi para o chão em um terremoto em 1787, considerado o mais forte a atingir Porto Rico. Arecibo resolveu erguer em seu lugar uma catedral, que só foi concluída em 1846. Quatro dias após sua dedicação (o rito de inauguração do templo), um outro terremoto causou sérios danos ao edifício. O restauro durou 36 anos.

Farol de Arecibo, em Porto Rico - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Farol de Arecibo, em Porto Rico Imagem: Getty Images/iStockphoto

Então, em 1918, um violento terremoto, seguido de tsunami, pegou com força a costa norte da ilha. Sobrou para a catedral, de novo. O teto abobadado da nave precisou ser substituído por uma estrutura plana de concreto.

Hoje, a segunda maior catedral de Porto Rico "surge majestosa e imponentemente no meio da cidade e pode ser vista a longas distâncias no vale", segundo Thomas S. Marvel e María Luisa Moreno no livro "Architecture of Parish Churches in Puerto Rico" ("Arquitetura de igrejas paroquiais em Porto Rico", sem edição no Brasil).

Igreja de Aricebo, em Porto Rico - Getty Images - Getty Images
Igreja de Aricebo, em Porto Rico Imagem: Getty Images

Em 2017, veio o furacão Maria, o mais mortal e um dos mais devastadores do século (mais de 3 mil mortos e US$ 91 bilhões de prejuízo). Em Arecibo, a tormenta atacou por todos os lados, da costa à montanha. Destruiu dois hospitais, deixou 3 mil desabrigados.

O telescópio, apesar de ficar em uma área elevada, teve pouco estrago. "Tivemos pequenos danos somente. Foi muita sorte", disse à época o diretor do observatório ao "El Nuevo Día", o maior jornal de Porto Rico.

Apesar de mínimos, os danos causados pelo Maria cobriram de nuvens o futuro do radiotelescópio. O combalido orçamento do observatório não tinha condições de bancar os consertos e melhorias necessários. Um consórcio surgiu em 2018 para dar respiro às finanças, mas não foi o suficiente. Dois anos depois, cataploft.

O observatório de Arecibo, em Porto Rico - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
O observatório de Arecibo, em Porto Rico Imagem: Getty Images/iStockphoto

Um marco da ciência

Inaugurado em 1963, ele era um ícone da engenharia da corrida espacial. Um refletor esférico de 305 metros construído sobre um sumidouro natural em meio à selva, com receptor e transmissores suspensos por cabos 150 metros acima da estrutura, o que constituía o maior telescópio de abertura única do planeta ao longo de décadas, até a inauguração de um maior, na China.

Visualmente impressionante, foi cenário de filmes e séries. O mais especial foi o clímax de "007 Contra Goldeneye" (1995), um bom filme que ficou melhor com o tempo por ter inspirado um dos melhores jogos de videogame da história.

O telescópio não era só um rostinho bonito. Serviu em pesquisas de radioastronomia e em programas de busca por inteligência extraterrestre.

Abel Mendes, diretor do laboratório de habitabilidade planetária da Universidade de Porto Rico, em Arecibo, lembrou à revista digital "Motherboard" alguns dos momentos mais gloriosos do observatório:

"Tínhamos os melhores instrumentos do mundo. Conseguimos os primeiros mapas da superfície de Vênus e a taxa de translação de Mercúrio [59 dias quando até os anos 1960 se achava que eram 88]. Mas isso era esperado, pois tínhamos a capacidade. Aí, muito depois, em 1992, descobrimos os primeiros exoplanetas, o que não foi planejado e foi uma grande conquista. Depois testamos a Teoria Geral da Relatividade, e recebemos o Prêmio Nobel pela primeira detecção indireta de ondas gravitacionais. [em 1993]"

E agora?

O governo de Porto Rico e a comunidade científica anunciaram planos de construção de um novo e muito mais moderno telescópio em Arecibo. Caso ele não saia do papel, a cidade precisará se acostumar ao fato de que, agora, sua maior estrutura é muito mais controversa e, ao menos do ponto de vista científico, uma inutilidade (pois é um monumento).

Em 1991, o escultor georgiano Zurab Tsereteli fez uma obra de 109 metros de altura celebrando os feitos de Cristóvão Colombo chamada "Nascimento do Novo Mundo". Ela é mais de duas vezes mais alta que a estátua de Santa Rita de Cássia, no Rio Grande do Norte, a mais alta do Brasil.

Tsereteli a ofereceu a algumas cidades dos Estados Unidos, como Miami e Nova York e só ouviu "não".

O monumento acabou em Cataño, em Porto Rico, mas não foi posto de pé por causa dos custos astronômicos para desalojar famílias no terreno escolhido e fazer a base. Isso sem contar os potenciais riscos para o tráfego aéreo e a polêmica de se celebrar um personagem como Colombo, hoje cada mais controverso do que em anos passados. Mais uma vez ela ficou de lado, enferrujando.

Tsereteli tentou outras cidades, até conseguir uma casa para sua obra em Arecibo, que pretendia fazer dela a maior atração de um parque temático dedicado à chamada era dos descobrimentos, o que provocou diversos protestos na região. O Maria arrasou boa parte das obras e atrasou o projeto, mas o colosso segue de pé.

_________________________________________________Mensageiro Sideral: Astrônomos acham elo perdido que explica estrelas 'impossíveis'

Existência de nova classe de objetos era prevista pela astrofísica há 50 anos

Um grupo de astrônomos nos EUA encontrou uma nova classe de estrelas, prevista há cinco décadas, mas até então jamais observada. O achado se encaixa como uma espécie de "elo perdido" e ajuda a explicar como algumas anãs brancas (cadáveres de estrelas que um dia foram semelhantes ao Sol) pareciam ser mais velhas que o próprio Universo. Alerta de spoiler: não são.

Sabemos que todas as estrelas nascem, vivem e morrem, mas mesmo as que são mais fugazes o fazem em tempos que em muito excedem a vida humana. Estamos falando de milhões, bilhões ou até trilhões de anos. Para contornar isso, os astrônomos estudam as diversas fases de vida desses astros ao encontrar objetos semelhantes com idades diferentes.

Como o nosso Sol, 97% de todas as estrelas (todas menos as realmente grandonas) têm por destino final se tornarem anãs brancas. É o que resta do caroço interno da estrela, ultracompactado pela gravidade depois que a capacidade do astro de gerar energia se esgota. Claro, quanto menor a estrela, menor será a anã branca que ela deixará para trás quando morrer. Mas, de maneira contraintuitiva, quanto menor a estrela, mais tempo ela leva para bater as botas.

Ilustração de uma estrela anã branca sugando matéria de outra
Concepção artística do "elo perdido" descoberto pelos astrônomos: um novo tipo de astro binário, em que uma anã branca rouba matéria de uma vizinha, deixando-a ainda menor. - M.Weiss/CfA-Harvard & Smithsonian

Eis o problema: há tempos, os astrônomos observam algumas anãs brancas que são extremamente pequenas. Seu porte sugere uma estrela progenitora tão modesta que mesmo o tempo total de existência do Universo (13,8 bilhões de anos) teria sido insuficiente para que ela completasse seu ciclo de vida. Um grande mistério.

A hipótese levantada há 50 anos pelos cientistas para explicar como esses astros existem foi a de que eles fariam parte de sistemas binários, em que uma estrela companheira próxima roubaria, por gravidade, parte da massa da menor, tornando-a "impossivelmente" modesta. Para confirmar a ideia, faltava observar esse processo em andamento. Agora não falta mais.

Partindo dos catálogos produzidos pelo satélite europeu Gaia e pela Instalação de Transientes Zwicky, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), com mais de 1 bilhão de estrelas, o grupo de Kareem El-Badry, do Centro para Astrofísica Harvard & Smithsonian e da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, encontrou 51 objetos promissores. Desses, 21 foram estudados mais a fundo, no Observatório Lick, na Califórnia, e se mostraram ser o procurado "elo perdido": um par de anãs brancas em que a maior está em pleno ato de roubar massa da menor (13 delas) ou acabou de concluir o processo de canibalização (8).

O resultado, publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, põe fim a um grande mistério e demonstra lindamente o poder preditivo da astrofísica. Mas, por via das dúvidas, El-Badry pretende ainda investigar os outros 30 objetos que vieram da leva inicial. Vai que surge algo diferente, capaz de dar origem a outro enigma? Em ciência, tão divertido quanto buscar respostas é encontrar novas perguntas.

Esta coluna é publicada às segundas-feiras, na Folha Corrida.

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O país que se prepara para desaparecer com mudanças climáticas

"Vivemos em faixas de terra muito estreitas e em algumas áreas você pode ver o mar aberto de um lado e uma lagoa do outro", descreveu Kofe - Getty Images
"Vivemos em faixas de terra muito estreitas e em algumas áreas você pode ver o mar aberto de um lado e uma lagoa do outro", descreveu Kofe Imagem: Getty Images

Alejandra Martins

05/12/2021 16h35

Pense por um momento na sua casa, nas suas raízes, no lugar que você mais ama no mundo - e como seria difícil imaginar que este lugar poderia desaparecer do planeta.

Para os habitantes de dezenas de Estados insulares, esse é um medo real.

O aumento do nível do mar devido às mudanças climáticas já está causando perda de áreas e escassez de água potável nessas ilhas.

Nesta reportagem da BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC), entenda a situação de uma pequena nação do Oceano Pacífico, Tuvalu, que tem instado os países mais poluentes a reduzir drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa.

Esta nação também está se preparando legalmente para o pior cenário: a submersão total de seu território.

O Ministro da Justiça, Comunicações e Relações Exteriores de Tuvalu, Simon Kofe, enviou uma mensagem dramática à COP26, a recente cúpula sobre mudança climática em Glasgow, na Escócia.

"Estamos afundando, mas a mesma coisa está acontecendo com todos", afirmou.

Com água na altura dos joelhos em um local que anos atrás era terreno seco, Kofe deixou claro que o drama que Tuvalu enfrenta hoje é apenas um prenúncio dos severos impactos das mudanças climáticas que afetarão cada vez mais - ainda que de maneiras diferentes - muitos outros países do mundo.

Nível do mar, uma ameaça existencial

Tuvalu tem nove pequenas ilhas e fica a aproximadamente 4.000 km da Austrália e do Havaí. Seus vizinhos mais próximos são Kiribati, Samoa e Fiji.

"É uma nação insular de baixa altitude. O ponto mais alto acima do nível do mar é de 4 metros", disse o ministro Kofe à BBC Mundo.

Todo o país tem 26 quilômetros quadrados, onde vivem cerca de 12.000 pessoas.

Como Kiribati e as Maldivas, entre outros locais, Tuvalu é um país feito de atóis e, portanto, é especialmente vulnerável ao aquecimento global.

Os territórios dessas nações situam-se sobre recifes de coral em forma de anel, completos ou parciais, que circundam uma lagoa central.

"Vivemos em faixas de terra muito estreitas e em algumas áreas você pode ver o mar aberto de um lado e uma lagoa do outro", disse Kofe.

"O que temos experimentado ao longo dos anos é que, com o aumento do nível do mar, vemos a erosão de partes da ilha."

Tuvalu também tem enfrentado ciclones mais fortes e períodos de seca, acrescentou o ministro. E a temperatura mais alta do oceano tornou os recifes de coral branqueados. Eles são vitais para a proteção costeira e a reprodução dos peixes.

Mas há outro problema ainda mais urgente: a entrada das águas do oceano.

O mar e seu impacto na água potável

A água marinha está se infiltrando no subsolo em certas áreas e isso afeta os aquíferos, explicou Kofe.

"A água potável normalmente é obtida da chuva, mas em algumas ilhas também eram cavados poços para acessar as águas subterrâneas. Hoje isso não é possível devido à intrusão da água do mar, então dependemos basicamente apenas da água da chuva".

A penetração de água salgada também inutilizou terras agrícolas. O governo taiwanês está atualmente financiando e gerenciando um projeto piloto para produzir alimentos em condições controladas em Tuvalu.

"A salinidade da areia dificulta muito o cultivo de nossos alimentos e estamos cada vez mais dependentes de produtos importados", disse Kofe.

"O projeto do governo taiwanês teve que importar o solo e os fertilizantes."

"Embora a maioria dos sistemas de cultivo possa tolerar eventos muito ocasionais de inundação de água do mar - digamos, um a cada 10 anos - e os jardins possam ser replantados, se as inundações se tornarem muito frequentes ou a intrusão da água do mar atingir novas áreas, elas serão perdidas permanentemente."

É o que Arthur Webb, pesquisador da Universidade de Wollongong, na Austrália, e do Programa Ambiental da ONU, que trabalha para o Projeto de Adaptação Costeira de Tuvalu, disse à BBC Mundo.

"Por exemplo, a chamada árvore de fruta-pão, Artocarpus altilis, é uma cultura importante e uma única árvore pode produzir uma grande colheita durante décadas. Mas são altamente intolerantes ao sal e uma única incursão da água do mar pode matar esta árvore, causando problemas de segurança alimentar de forma permanente."

A luta dos países insulares

Estados insulares como Tuvalu vêm convocando ações climáticas globais concretas há mais de 30 anos.

Em 1990, as nações insulares do Pacífico formaram uma aliança diplomática com outras do Caribe, como Antígua e Barbuda, e do Oceano Índico, como as Maldivas. O objetivo era criar uma frente comum nas negociações sobre mudanças climáticas.

A Aliança de Pequenos Países Insulares, Aosis na sigla em inglês, hoje tem 39 membros e tornou visível o grave impacto do aquecimento global nos países em desenvolvimento.

A insistência da Aosis foi crucial, por exemplo, para uma referência no Acordo de Paris em 2015 à importância de lidar com os chamados "perdas e danos", compensação por danos climáticos irreversíveis aos quais não é possível adaptar-se. Na COP26, porém, foi bloqueada uma proposta que previa criar um fundo monetário para compensar "perdas e danos".

Em mensagem à COP26, o atual presidente da Aosis, o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, lembrou que "a contribuição das pequenas ilhas em desenvolvimento para as emissões globais de CO2 é inferior a 1%".

"Nossos países são os menos responsáveis acrescentou Browne. "Mas pagamos o preço mais alto."

Esse preço tornou-se cada vez mais evidente devido a vários estudos científicos.

O que os cientistas dizem

O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, IPCC na sigla em Inglês, apontou em seu relatório de 9 de agosto deste ano que a taxa anual de aumento do nível do mar em nível global triplicou entre 1901 e 2018, e atualmente está em 3,7 mm por ano.

No entanto, "a situação é pior na região das ilhas do Pacífico", disse Morgan Wairiu, especialista em mudanças climáticas, coordenador e principal autor do capítulo sobre pequenas ilhas do relatório do IPCC, à BBC Mundo.

"No Pacífico Sul, o aumento médio regional do nível do mar foi de 5 a 11 mm por ano no período de 1900 a 2018."

Embora não haja dados específicos para Tuvalu, "o aumento global do nível do mar já é uma perspectiva horrenda para Tuvalu", disse Webb à BBC Mundo.

"Essas são massas de terra extremamente baixas, nas quais áreas significativas de terra utilizável já estão submersas durante as marés normais. Cada milímetro de elevação do nível do mar aumenta a extensão potencial e a profundidade das inundações marinhas."

Projeta-se que mesmo uma elevação do mar de um metro irá impactar a biodiversidade terrestre de ilhas e áreas costeiras baixas, tanto diretamente (devido à perda de habitat pela submersão) quanto indiretamente (devido à intrusão de água salina, salinização de manguezais costeiros e erosão do solo).

O IPCC prevê em seu relatório um aumento médio global do nível do mar de pouco mais de um metro até 2100 em um cenário de altas emissões, mas também alerta:

"Um aumento de cerca de 2 metros em 2100 e 5 metros em 2150 em um cenário de muito altas emissões de gases de efeito estufa não pode ser descartado devido à profunda incerteza dos processos do manto de gelo", uma referência ao derretimento do gelo na Groenlândia e na Antártica.

Wairiu observou que o estresse hídrico nas pequenas ilhas do Pacífico seria 25% menor com um aquecimento de 1,5°C, em comparação com um aumento de temperatura de 2°C.

O especialista resumiu o principal risco para as pequenas ilhas do Pacífico da seguinte forma:

"O acúmulo e a amplificação do risco por meio de efeitos em cascata sobre os ecossistemas e os serviços que eles fornecem provavelmente reduzirão a habitabilidade de algumas pequenas ilhas."

Um estudo de 2018 feito por cientistas nos Estados Unidos e na Holanda, entre outros, observou que "a maioria das nações com atóis estarão inabitáveis em meados deste século".

A razão é que "a elevação do nível do mar agravará as inundações das ondas do mar".

Situação legal sem precedentes

Diante das mudanças climáticas e da falta de ações drásticas em todo o mundo, Tuvalu busca outros caminhos para o futuro.

"O pior cenário é, obviamente, que sejamos forçados a nos mudar e nossas ilhas ficarem completamente submersas no oceano", disse Kofe à BBC Mundo.

"E de acordo com o direito internacional, neste momento um país só pode ter uma zona marítima se tiver um território terrestre de onde traçá-la".

"As normas internacionais neste momento não favorecem países como nós se desaparecermos, porque é uma área totalmente nova do direito internacional, nunca vimos um país desaparecer devido às mudanças climáticas".

Tuvalu está atualmente explorando os caminhos legais para a aceitação internacional de que mesmo que o país desapareça, continuará a ser reconhecido como um Estado e terá acesso aos recursos de sua zona marítima, de acordo com Kofe.

"Existem muitas abordagens que estamos examinando e uma delas é reinterpretar algumas das leis internacionais existentes a favor da proposição de que as zonas marítimas são permanentes e que nosso Estado também é permanente... Queremos que mais países reconheçam isso."

"E a nível nacional, na nossa política externa, se um país deseja estabelecer relações diplomáticas com Tuvalu, uma das condições que estabelecemos é que reconheça que o nosso Estado é permanente e que as nossas reivindicações sobre as nossas zonas marítimas também o são."

Ao contrário de Kiribati, Tuvalu não comprou terras em Fiji, embora Kofe tenha notado que este país "fez um anúncio público de que ofereceria terras a Tuvalu se ficarmos submersos no futuro".

O ministro prefere não focar em uma possível realocação.

"Não identificamos os países para os quais gostaríamos de nos mudar, porque também estamos cientes de que a realocação pode ser usada como uma desculpa por alguns dos países maiores, que podem dizer: 'Damos a eles terras para se mudarem e continuamos com nossas emissões dos gases de efeito estufa'".

"A realocação é o último recurso para nós."

Batalha legal por compensação

Tuvalu também está procurando alcançar algo que os países em desenvolvimento pedem e os países ricos se recusam a conceder: compensação por "perdas e danos" causados

Junto com o governo de Antígua e Barbuda, Tuvalu acaba de registrar uma nova comissão nas Nações Unidas.

"Uma das ideias por trás da criação desta comissão é que por meio dela temos acesso ao Tribunal Internacional do Direito do Mar e podemos pedir-lhe uma opinião consultiva sobre perdas e danos", disse Kofe.

O Tribunal Internacional do Direito do Mar, com sede em Hamburgo, na Alemanha, tem a atribuição de resolver disputas relacionadas à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982.

Os países da União Europeia e 167 outras nações ratificaram esta convenção. E embora os Estados Unidos não sejam um deles, alguns dos países que mais emitem gases de efeito estufa, como China e Índia, ratificaram o acordo.

A nova comissão de Tuvalu e Antígua e Barbuda pedirá aos juízes do tribunal uma opinião consultiva sobre se eles podem reivindicar compensação de países que aqueceram o oceano por meio de suas emissões, disse Payam Akhavan, advogado que representa as duas nações.

Se a opinião do tribunal for favorável, os países insulares podem entrar com ações de indenização no mesmo tribunal ou em outros tribunais internacionais ou nacionais, acrescentou.

No caso da nação caribenha de Antígua e Barbuda, a maior ameaça não é o aumento do nível do mar, mas eventos climáticos extremos cada vez mais intensos e frequentes.

O furacão Irma devastou a ilha de Barbuda em 2017, a segunda maior do arquipélago, e foi necessário deslocar temporariamente toda a população local, cerca de 1.600 pessoas, para a ilha principal, Antígua.

Barbuda foi "arrastada" pelo furacão Irma, e Tuvalu "vai literalmente desaparecer", disse Akhavan. "Como uma nação inteira é compensada pela perda de seu território?"

Para o advogado, as duas nações insulares "estão cansadas de palavras vazias e compromissos vagos e agora querem usar o direito internacional para repensar toda a questão das mudanças climáticas".

Em 2009, os países ricos prometeram dar às nações em desenvolvimento US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para ajudar na transição para economias de baixo carbono e na adaptação às mudanças climáticas. No entanto, durante a COP26, tanto o governo britânico quanto o enviado dos EUA, John Kerry, disseram que a meta provavelmente será cumprida apenas em 2023.

'É devastador'

Em sua mensagem final para a COP26, a ministra do Meio Ambiente das Maldivas, Aminath Shauna, destacou que a diferença entre "um aumento na temperatura global de 1,5 grau e 2 graus, para nós, é uma sentença de morte".

Mesmo após a COP26, um estudo estimou que o planeta está a caminho de um aquecimento catastrófico de pelo menos 2,4 graus até o final do século.

Para o povo de Tuvalu, a probabilidade de acabar como refugiado do clima aumenta a cada ano de inação global.

"É devastador para qualquer pessoa ter a ideia de que sua casa pode ser arrasada nos próximos anos, de que seus filhos e netos podem não ter um lugar para morar", disse Simon Kofe.

"É triste, e se você falar com muita gente em Tuvalu, eles têm laços muito fortes com a terra, a cultura e a história que temos aqui nessas ilhas. É muito difícil até mesmo pensar em deixar Tuvalu no futuro."

Como se sente pessoalmente Kofe, um ministro de 37 anos com a enorme responsabilidade de lutar pela sobrevivência de seu país, embora isso não dependa muito de Tuvalu, mas do que fazem os países com as maiores emissões?

"Reconheço que é uma tarefa muito difícil que temos como líderes em países como Tuvalu. Mas meu foco sempre foi não investir muito da minha mente em coisas que não posso controlar", disse Kofe à BBC Mundo.

"Continuaremos a defender e exortar outros países a mudar o curso e reduzir suas emissões. Mas também temos que ser proativos em nível nacional. Essa é parte da razão pela qual estamos nos preparando para o pior cenário possível. Portanto, temos duas abordagens, uma é continuar a ação a nível internacional e, por outro lado, fazer a nossa parte a nível nacional. Acho que isso é tudo que você pode fazer. Não tenho certeza se posso fazer mais nada do que isso."

_________________________________________________Edir Macedo perde processo contra donos de sebo por placa na porta

Justiça negou pedido de indenização de R$ 25 mil feito por líder religioso por aviso na porta da loja que dizia: 'se você não acha que obras de Edir Macedo envergonham a humanidade, entre!'

São Paulo | BBC News Brasil

O líder da Igreja Universal, Edir Macedo, perdeu uma ação que tinha proposto contra donos de um sebo no interior do Rio de Janeiro por causa de uma placa com uma piada que tinha sido colocada na porta.

Na vitrine de seu sebo Gregas e Troianas, em uma discreta rua em Resende (RJ), o casal Luciano Gonçalves e Mariângela Ribeiro havia colocado um banner com a intenção de "ser algo divertido".

"Se você é racista, machista, homofóbico, se não acha que as 'obras' de Bolsonaro, Malafaia e Edir Macedo envergonham a humanidade... Entre! Esta é uma casa de inteligência e cultura. Nós podemos ajudar você", dizia o cartaz.

BBC - Advogados de Edir Macedo pediram que placa fosse retirada e pedem indenização de R$ 25 mil por danos morais
Advogados de Edir Macedo pediram que placa fosse retirada e pedem indenização de R$ 25 mil por danos morais - Reprodução

Ao ter conhecimento do banner, Edir Macedo —dono de um dos maiores grupos de comunicação e líder de uma das maiores igrejas evangélicas do Brasil— entrou com um processo por danos morais contra os donos do comércio local com o argumento de que a placa era "intolerância religiosa".

Luciano Gonçalves diz que em nenhum momento citou religião no banner e que as "obras" citadas se referiam à atuação de Edir Macedo em geral. Além disso, segundo o comerciante, não havia discriminação porque as pessoas não eram proibidas de entrar —eram na verdade convidadas a frequentar o local e ter acesso a diferentes pontos de vista.

"Era uma crítica à obra, não fazia nenhuma ofensa pessoal, não citava religião", diz Luciano, que vende em seu sebo diversos livros religiosos, incluindo de líderes evangélicos.

No processo, Edir Macedo pedia uma indenização de R$ 25 mil e a colocação de uma placa "de retratação" com a mesma visibilidade da original —ambos os pedidos foram negados pela Justiça.

Segundo a juíza do caso, se Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Edir Macedo "notoriamente veiculam em suas exposições para a mídia o que pensam e sentem sobre os temas relacionados no banner", outras pessoas também precisam ter o direito de se manifestar.

BBC - Luciano Gonçalves e Mariângela Ribeiro ganharam o processo em primeira instância
Luciano Gonçalves e Mariângela Ribeiro ganharam o processo em primeira instância - Arquivo Pessoal

"O fato de livremente poderem manifestar seu pensamento, suas ideias e crenças permite que os demais membros da sociedade também as manifestem, na mesma proporção que o fazem", diz a juíza Silvia Regina Portes Criscuolo na sentença, de outubro deste ano.

Além disso, entende a magistrada, "a proteção à intimidade de pessoas públicas deve ser relativizada em razão da ponderação de interesses, pois o interesse público, em determinadas situações, deve preponderar". Ela lembra que este é também o entendimento de tribunais superiores sobre o assunto e que a liberdade de expressão é um valor protegido pela Constituição.

Macedo ainda pode recorrer da decisão. A BBC News Brasil procurou sua assessoria, mas não recebeu uma resposta até a publicação desta reportagem.

"Eu estava muito tranquilo (antes da decisão de primeira instância), porque não há base legal nenhuma para o pedido (do pastor)", argumenta Luciano.

"Na realidade o que mais me deixou feliz foi poder avisar a população, nossos amigos e clientes que acompanharam o processo, que torceram pela gente. Está todo mundo feliz, todo mundo comemorando", afirma Luciano.

Se a decisão for mantida ou se Macedo não recorrer, o bispo terá que pagar os custos do processo.

"Felizmente não gastamos nada, tivemos vários advogados se oferecendo para nos defender pro-bono (sem custos)", conta Luciano.

BBC - 'Minha crítica é à obra dele, uma opinião que eu tenho todo o direito de ter. Não estou xingando a pessoa dele nem falando mal da religião', diz Luciano Gonçalves
'Minha crítica é à obra dele, uma opinião que eu tenho todo o direito de ter. Não estou xingando a pessoa dele nem falando mal da religião', diz Luciano Gonçalves - Arquivo Pessoal

Placa viralizou durante as eleições

Colocado em 2017, o banner ficou um longo tempo na frente do sebo, e uma foto dele começou a circular na internet. Até que, nas eleições de 2018, quando Bolsonaro venceu a corrida à Presidência, a foto viralizou e foi compartilhada milhares de vezes.

E acabou chegando até Edir Macedo —ou, pelo menos, a seus advogados, que mandaram uma notificação extrajudicial pedindo para que Mariângela retirasse o banner.

O casal resolveu acatar o pedido e retirou a faixa da frente da loja, mesmo acreditando que afixar aquele banner era algo que estava dentro do seu direito à liberdade de expressão.

"Eu nunca tinha tido nenhum tipo de conflito na Justiça. Então, eu fiquei bastante assustada com a notificação, mesmo sendo extrajudicial (ou seja, sendo apenas um 'pedido', sem envolvimento da Justiça)", contou Mariângela à BBC News Brasil em 2019.

A retirada do banner, no entanto, não aplacou o incômodo do bispo, que entrou com uma ação de danos morais contra Mariângela - quem, juridicamente, é a dona do espaço.

Questionada sobre o caso em 2019, a assessoria de imprensa de Edir Macedo afirmou que um estabelecimento que comercializa livros "supõe-se que seja administrado por pessoas esclarecidas, que sabem que não há mais espaço no Brasil para o preconceito e o ódio religioso".

"Trata-se de algo que não pode ser tolerado pela sociedade, nem por parte de grandes redes de lojas, tampouco em comerciantes locais", afirmou a assessoria em nota.

Para os advogados do casal, Apolo Luis Hager e Renata Gonçalves Santos, não houve nenhum tipo de dano moral causado a Macedo pela placa, que apenas continha uma "opinião dos proprietários sobre a obra de Edir Macedo".

"Não vejo nada nos autos que ampare a pretensão (de Macedo), valendo observar que se trata de um mero cartaz afixado na entrada de uma pequena livraria da cidade de Resende, no interior do Estado do Rio de Janeiro, de abrangência restrita e de conteúdo não ofensivo, mas de mera propaganda e convite à uma literatura com visão diversa das dos personagens citados", afirmou a juíza na decisão favorável ao casal, em outubro de 2021.

Ela diz também que, mesmo se considerasse que o casal expressou uma opinião sobre Macedo e não apenas sobre sua obra, "na ponderação entre a liberdade de expressão e o direito à imagem, prevalece a liberdade da ré", diz a sentença.

"É patente que a imagem fixada no ideário popular é que o autor (da ação) defende posições polêmicas quanto aos temas mencionados no banner, de modo que, ao emitir suas ideias, há de respeitar o espaço para que outros manifestem-se sobre tais ideias", afirma a juíza.

Além disso, diz ela na sentença, "a ré se expressou nos limites do admissível, sem atingir a honra ou imagem do autor".

Ataques

Luciano e Mariângela se declaram "de esquerda e feministas", decoraram a loja com uma foto da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), assassinada em 2018, e criaram uma seção de livros sobre os "anos de resistência à covarde ditadura de 64".

Luciano diz que a loja já havia sido atacada anteriormente por causa da posição política do casal. "Um professor de artes marciais, discípulo do [presidente Jair] Bolsonaro, entrou aqui derrubando prateleira, me ameaçando", contou à BBC em 2019.

Agora, depois de ganhar a ação em primeira instância, Luciano diz que o sebo continua "firme e forte", apesar das dificuldades da pandemia.

"Não somos um empreendimento comercial que visa lucro, então só preciso conseguir me manter", afirma ele. "O sebo está maior, com mais acervo, e mais organizado."

_________________________________________________Senado aprova PEC dos Precatórios que eleva teto de gastos e viabiliza Auxílio Brasil de R$ 400

Texto foi aprovado por 64 votos a 13; versão do governo foi desidratada durante negociações
Geralda Doca e Julia Lindner
02/12/2021 - 13:54 / Atualizado em 02/12/2021 - 15:32
Plenário do Senado Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado
Plenário do Senado Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado

BRASÍLIA — O Senado aprovou nesta quinta-feira, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, decisões finais da Justiça contra a União, por 64 votos a 13. A PEC abre caminho para o pagamento do Auxílio Brasil de R$ 400 e libera espaço no Orçamento para gastos extras de R$ 106 bilhões.

Como foi modificado, o texto deve voltar à Câmara. Deputados e senadores também estudam a possibilidade de promulgar separadamente apenas os pontos consensuais entre as duas Casas.

Para conseguir aprovar a PEC nesta quinta, o relator Fernando Bezerra (MDB-PE), que também é líder do governo, fez uma série de concessões até instantes antes da deliberação. Ele acatou várias emendas, principalmente do MDB, PSD e PSDB.

As concessões feitas pelo senador garantiu os apiios necessários para consolidar a ampla maioria de votos a favor do texto. O apoio nas bancadas do MDB, PSD, PSDB e até do PT foi majoritário e decisivo para a vitória.

Entre os partidos, os votos contrários à PEC ficaram concentrados no Podemos e no PDT.

Veja 5 efeitos do afrouxamento de regras fiscais como o teto de gastos

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Aumenta a desconfiança dos investidores. Na foto, o ministro da Economia, Paulo Guedes. A Lei de 2017 manteve a expansão das despesas públicas limitada à inflação. Com sete anos de déficit público, mexer nessa âncora gera desconfiança no mercado. Investidores tendem a evitar alocar recursos em papéis e projetos no país com maior percepção de risco Foto: Washington Costa / Ministério da Economia
Aumenta a desconfiança dos investidores. Na foto, o ministro da Economia, Paulo Guedes. A Lei de 2017 manteve a expansão das despesas públicas limitada à inflação. Com sete anos de déficit público, mexer nessa âncora gera desconfiança no mercado. Investidores tendem a evitar alocar recursos em papéis e projetos no país com maior percepção de risco Foto: Washington Costa / Ministério da Economia
Real se desvaloriza perante o dólar: Com a incerteza sobre se o governo vai conseguir equilibrar as contas, investidores estrangeiros evitam o Brasil ou tiram seus investimentos daqui. Aumenta a demanda por dólar em busca de proteção, impulsionando cotação Foto: Arquivo
Real se desvaloriza perante o dólar: Com a incerteza sobre se o governo vai conseguir equilibrar as contas, investidores estrangeiros evitam o Brasil ou tiram seus investimentos daqui. Aumenta a demanda por dólar em busca de proteção, impulsionando cotação Foto: Arquivo
Inflação sobe: Com mais gastos públicos, aumenta a circulação de dinheiro na economia, um dos fatores que incentivam a inflação. Além disso, a alta do dólar bate direto na inflação ao tornar mais caros produtos importados ou com preços negociados no exterior, como alimentos e combustíveis Foto: Luiza Moraes/Agência O Globo
Inflação sobe: Com mais gastos públicos, aumenta a circulação de dinheiro na economia, um dos fatores que incentivam a inflação. Além disso, a alta do dólar bate direto na inflação ao tornar mais caros produtos importados ou com preços negociados no exterior, como alimentos e combustíveis Foto: Luiza Moraes/Agência O Globo
Juros sobem: Com a inflação subindo, o Banco Central é obrigado a elevar ainda mais a taxa básica de juros, que atualmente está em 6,25%. Isso deixa o crédito mais caro para as famílias — do rotativo do cartão de crédito ao financiamento da casa própria — e para as empresas Foto: Daniel Marenco/ Agência O Globo
Juros sobem: Com a inflação subindo, o Banco Central é obrigado a elevar ainda mais a taxa básica de juros, que atualmente está em 6,25%. Isso deixa o crédito mais caro para as famílias — do rotativo do cartão de crédito ao financiamento da casa própria — e para as empresas Foto: Daniel Marenco/ Agência O Globo
Economia gera menos empregos: Com a inflação corroendo renda e crédito mais caro, o consumo cai e as empresas investem menos em novos projetos para abrir mais vagas Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Economia gera menos empregos: Com a inflação corroendo renda e crédito mais caro, o consumo cai e as empresas investem menos em novos projetos para abrir mais vagas Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

No total, Bezerra apresentou seis versões do parecer até chegar a um entendimento com parlamentares de diferentes correntes políticas, inclusive da oposição. O PT, por exemplo, votou favorável à matéria, enquanto outras legendas mais resistentes, como Podemos e Cidadania, optaram por liberar a bancada.

Ao final da votação, Bezerra fez questão de registrar o "esforço coletivo de todos os senadores". Segundo ele, foi uma "vitória coletiva".

Proposta desidratada

Apesar da desidratação da proposta, a versão final do relatório mantém a espinha dorsal da PEC, que adia o pagamento de precatórios e revisa o cálculo do teto de gastos.

A principal alteração apresentada hoje por Bezerra reduz o prazo de vigência do limite no Orçamento destinado ao pagamento dessas despesas. Isso significa que o teto de gastos, que restringe o crescimento das despesas à inflação e é a principal âncora fiscal do país, terá que ser rediscutido novamente em 2026 — o que a equipe econômica queria evitar.

"Em vez de vigorar por todo o tempo do Novo Regime Fiscal, ou seja, até 2036, o sublimite para precatórios irá até 2026, dando tempo suficiente para o Poder Executivo melhor acompanhar o processo de apuração e formação dos precatórios e seus riscos fiscais, mas sem criar um passivo de ainda mais difícil execução orçamentária", afirma o relator, na nova versão.

O líder do governo também atendeu ao pleito para garantir a vinculação de todo o espaço fiscal criado pela proposta para fins sociais, como a ampliação de programas sociais de combate à pobreza e à extrema pobreza, saúde, previdência e assistência social.

"Todo o esforço feito pelo Congresso Nacional na busca de recursos estará vinculado às finalidades sociais mais urgentes nesse momento de crise", diz Bezerra.

Outra modificação feita pelo relator exclui da PEC as medidas relacionadas à securitização de dívidas tributárias.

"A medida, apesar de meritória, não encontrou consenso no Senado Federal, não havendo prejuízo deixar essa discussão para outro momento", justificou Bezerra.

Cedendo a pressões

Na tramitação da matéria na Constituição e Justiça (CCJ), o governo já havia cedido à pressão dos paralmentares e retirou do teto de gastos os precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento Fundametal e de Valorização do Magistério (Fundef). Os recursos devidos a estados e municípios serão pagos em três parcelas anuais.

O espaço aberto com essa medida será destinado ao pagamento de precatórios de natureza alimentícia (salários de servidores). Eles terão prioridade de recebimento, depois das Requisições de Pequeno Valor (RPV) de até R$ 66 mil, idosos, pessoas com deficiência e doenças graves.

_________________________________________________Seis funcionários somem, e restaurante japonês de Atibaia faz apelo na web

Seis jovens que trabalham em um restaurante em Atibaia estão desaparecidos - Reprodução/Facebook
Seis jovens que trabalham em um restaurante em Atibaia estão desaparecidos Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

29/11/2021 09h55

Atualizada em 29/11/2021 11h05

Seis jovens com idade entre 17 e 25 anos que trabalham em um restaurante japonês em Atibaia, no interior de São Paulo, estão desaparecidos. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que ainda não tem explicações para o sumiço.

Segundo o restaurante Sushi Alvinópolis, Deivid, Ismael, Wesley, Josenildo, Leonardo e José foram vistos pela última vez na quinta-feira (25).

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"Esses são nossos 6 funcionários, que saíram na quinta e não retornaram mais até o momento. A última vez que foram vistos, segundo informações, foi no alojamento onde se preparavam pra sair para uma festa", diz a mensagem postada pelo restaurante nas redes sociais.

"Reiteramos que estamos empenhados nas buscas por informações e pedimos ajuda de toda Atibaia para nos dar qualquer informação", completou o estabelecimento.

De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), o caso é investigado pelo 2º DP de Atibaia por meio de Procedimento de Investigação de Desaparecimento (PID). Familiares, testemunhas e o proprietário do restaurante onde as vítimas trabalham foram ouvidos.

Segundo informações do "Bom Dia São Paulo", da TV Globo, os jovens são do Nordeste e vieram a São Paulo para trabalhar. Todos moravam juntos em um alojamento do próprio restaurante. A polícia segue realizando diligências para localizá-los.

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Leonardo Sakamoto - Polícia quer justificar chacina usando ficha de mortos, dizem analistas

Colunista do UOL 23/11/2021 15h48

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou a lista de identificação dos mortos na chacina do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, acompanhada da ficha criminal das vítimas que tinham passagem pela polícia. Especialistas ouvidos pela coluna afirmam que isso serve para tentar legitimar a letalidade da operação da PM, que terminou com oito civis mortos até agora.

Para elas, a divulgação da ficha ajuda na construção de uma narrativa de que há pessoas que merecem morrer por terem registro na polícia.

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"Citar as anotações criminais das vítimas da intervenção policial no Salgueiro soa como forma de legitimar a operação da Polícia Militar, como se este fato em si desse ao policial o direito de atirar", afirma Samira Bueno, diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A opinião é compartilhada por Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil. "Essa tentativa da polícia de justificar a chacina é ultrajante. Isso é desrespeito aos parâmetros mínimos do devido processo legal e dos direitos humanos", diz.

Ambas afirmam que o Brasil não tem pena de morte e que cabe aos agentes de segurança públicos fazer cumprir o que está no ordenamento jurídico, com a Polícia Militar detendo suspeitos e a Polícia Civil investigando as responsabilidades. Ou seja, garantir aos criminosos o rigor da lei e não a arbitrariedade policial.

Além disso, os agentes do Bope envolvidos na ação não sabiam das fichas criminais dos envolvidos antes de puxar o gatilho. E, se tiveram tempo para checar, isso é indício de execução.

O Complexo do Salgueiro foi palco da operação policial após o assassinato de um sargento da PM por criminosos. Os corpos foram retirados por moradores de um manguezal, nesta segunda (22), e, segundo eles, apresentam marcas de tortura. Em entrevista ao UOL News, a defensora pública Maria Júlia Miranda afirmou que a ação se caracteriza como uma "operação vingança".

'Polícia agiu errado e continua agindo ao arrepio da lei'

A Chacina do Salgueiro acontece seis meses depois da Chacina do Jacarezinho. Logo após 27 civis e um agente serem mortos em uma ação violenta do poder público, no dia 6 de maio, o delegado do Departamento Geral de Polícia Especializada do Rio disse em coletiva à imprensa: "Não tem nenhum suspeito aqui. A gente tem criminoso, homicida e traficante".

Cinco meses depois, o Ministério Público discordou, apresentando denúncia contra policiais por execução e manipulação da cena do crime. Por exemplo, Omar Pereira da Silva estava rendido, ferido e encurralado em um quarto de criança e foi executado sumariamente. Depois, os policiais manipularam a cena do crime, removendo o corpo sem perícia, plantando uma granada e apresentando armas que não pertenciam à vítima, para justificar a sua morte, segundo o MP-RJ.

Uma colega jornalista que cobre sistematicamente violência policial destaca que as forças de segurança pública no Rio costumam divulgar a ficha criminal dos envolvidos quando interessa à corporação. E narra a dificuldade de conseguir a informação quando a polícia se nega a fornecer o dado.

"Não é a primeira vez que fazem isso, nem será a última, da mesma forma que, infelizmente, esta não é a primeira chacina e também não será a última", avalia Jurema Werneck. "A polícia agiu errado e continua agindo ao arrepio da lei."

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Leonardo Sakamoto - Bolsonaro queria o Brasil como era 50 anos atrás. Com a fome, conseguiu

Colunista do UOL

29/11/2021 06h59

"O pão de cada dia quem me dá é o lixo. Todo dia, meus filhos e eu vamos para o lixo para comer. Quando o caminhão chega, a gente tem que ser muito ligeira para pegar."

A declaração é de uma mulher que disputava restos de alimentos em um caminhão de lixo em Fortaleza - cena que viralizou pelas redes, tornando-se representativa deste momento do país.

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Não foi a única. Em outro caso, um caminhão que transportava restos de carne e ossos era disputado por famílias no Rio de Janeiro. O motorista afirmou ao jornal Extra que, antes, as pessoas buscavam os ossos para os cachorros, mas hoje pedem para si.

Na mesma época em que essas imagens provocavam indignação, no início de outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) soltava a previsão de que o Brasil deve ter uma safra recorde de grãos no período 2021/2022, com 288,61 milhões de toneladas - um aumento de 14,2% em relação ao ciclo anterior.

A economia brasileira, uma plataforma de exportação de commodities, é pensada para abastecer o mundo, mas não a nossa própria despensa. Vale lembrar isso, quando tentarem te convencer que o problema não é a desigualdade social, mas apenas a pobreza.

De acordo com pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, 19,1 milhões passaram fome em um universo de 116,8 milhões que não tiveram acesso pleno e permanente à comida no final de 2020. Os famintos eram 9% da população, a maior taxa desde 2004.

Os números, claro, já estão desatualizados e a fome cresceu por conta da política adotada pelo presidente Jair Bolsonaro na pandemia - apesar de seus seguidores mais fiéis culparem as medidas que salvaram vidas da covid-19 pelo caos.

Caso ele não tivesse sabotado as medidas de isolamento social, nem combatido o uso de máscaras, muito menos promovido remédios inúteis para a covid-19, como a cloroquina, a pandemia teria sido mais curta e a economia voltado ao normal antes, com menos mortos e menos fome. O Brasil registrou mais de 614 mil óbitos pela doença até agora.

Para piorar, no momento em que a crise apertou, Bolsonaro suspendeu o auxílio emergencial que estava sendo pago a pobres sem emprego no começo deste ano durante 96 dias. E só o retomou após grande pressão social, com valores insuficientes para comprar 25% da cesta básica de alimentos em grandes cidades do país.

Enquanto isso, o dólar disparava frente à moeda brasileira devido à instabilidade criada pelo próprio presidente, que ameaçava um golpe de Estado, e pela falta de projeto de seu governo para a economia.

O dólar mais alto impactou no preço do petróleo e, portanto, do gás de cozinha e dos combustíveis e, por conseguinte, na inflação no preço dos alimentos.

Durante a campanha eleitoral, em outubro de 2018, Jair Bolsonaro afirmou, em entrevista à Rádio Jornal, de Barretos, que o objetivo de seu governo era fazer "o Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos atrás". Em termos da fome, ele conseguiu. É novembro de 2021, mas parece a luta contra a carestia do início dos anos 1970, escondida pela ditadura militar.

Em muitos lugares, tudo isso geraria uma convulsão social. No Brasil, contudo, o sistema é desenhado para a contenção.

Após ter sido presa por furtar dois pacotes de macarrão instantâneo, dois refrigerantes e um suco em pó, no dia 29 de setembro, em um supermercado de São Paulo, uma mulher teve seu pedido de liberdade negado duas vezes pela Justiça. Mãe de cinco filhos, desempregada, morando com a família na rua, ela disse que roubou por fome.

Mas como não era o primeiro crime que havia cometido, os juízes não queriam soltá-la. Foi necessária uma comoção nacional e uma decisão de uma alta corte para que fosse liberada. Seu roubo havia custado R$ 21,69. Parte do Brasil convive bem com a fome dos outros, desde que ela não faça barulho.

Em tempo: Nessas horas, lembro-me de uma citação atribuída ao já falecido Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, que lutou contra a ditadura e esteve sempre ao lado dos mais pobres: "Se falo dos famintos, todos me chamam de cristão, mas se falo das causas da fome, me chamam de comunista". Daqui até as eleições de outubro do ano que vem, vamos ouvir bastante os fãs do presidente chamarem de comunista quem denuncia as causas da fome.

_________________________________________________Renato Gaúcho, W1•4•DO BOLSONARISTA, saboreia o próprio VENENO. Técnico que NÃO conquistou um título SEQUER para o Flamengo, pode ser afastado ainda hoje (28)

Grêmio anuncia Renato Gaúcho como treinador
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247 - Depois de perder para o Palmeiras, na Copa Libertadores da América, no sábado (27), o técnico do Flamengo, Renato Gaúcho, está sendo chamado de “sem-título” por sua desastrosa passagem pelo time rubro negro carioca sem conquistar um título sequer. 

Com um currículo de derrotas que incluem Copa do Brasil, Brasileiro e agora Libertadores, Renato Gaúcho deve dar adeus ao time ainda neste domingo (28), segundo apurou o site Terra.

Gaúcho saboreia o próprio veneno. Em declaração anterior sobre a atuação do técnico português Jorge Jesus, que fez uma boa campanha com o Flamengo em 2019, Renato Gaúcho disse que “isso era obrigação para um time que investe 200 milhões no futebol”. 

Enquanto o clube amarga a derrota de sábado e decide quem irá substituir Gaúcho, Maurício Souza deve ser o interino nas rodadas finais do Brasileiro.

_________________________________________________Chile: BORIC aparece na frente de KAST, candidato da extrema direita, em pesquisa de segundo turno

247 - Após a realização do primeiro turno da eleição presidencial chilena, no qual os mais votados foram o candidato do Aprovar Dignidade, Gabriel Boric, e o candidato do Partido Republicano, José Antonio Kast, da extrema direita, a Pesquisa Pulso Ciudadano divulgou neste domingo (28) o primeiro levantamento sobre o segundo turno, que será realizado em 19 de dezembro.

Boric aparece com 40,4% das intenções de voto enquanto Kast aparece com 24,5%.

Dos entrevistados, 15,6% afirmaram não saber em quem irão votar, 12,8% disseram que não votarão e 6,9% que votarão nulo.

_________________________________________________Professor pergunta se aluna levaria lubrificante a estupro e gera revolta

Luciana Cavalcante Colaboração para Universa, em Belém 26/11/2021 16h09

Um professor do curso de medicina do Unifamaz (Centro Universitário Metropolitano da Amazônia) está sendo investigado pela conduta com uma aluna, após ser filmado durante uma aula ironizado se ela levaria lubrificante a uma hipotética cena de estupro ou se seria "no seco". O caso gerou protesto contra a cultura do estupro na frente da faculdade, hoje, em Belém. Na tarde de hoje, a faculdade particular anunciou a demissão do docente.

Segundo testemunhas, o vídeo foi gravado no dia 17 de novembro, durante uma aula prática de procedimentos cirúrgicos, na turma do quinto semestre do curso de medicina. A aluna registrou ocorrência policial contra o docente por importunação sexual. O professor da universidade particular também faz parte do corpo docente da UFPA (Universidade Federal do Pará).

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A declaração é feita no momento em que a aluna estava se preparando para fazer a simulação de um procedimento de intubação. O professor repreende a aluna, que não estaria lubrificando o tubo corretamente:

Tá lubrificado esse produto? (...) Eu acho que não está coisa nenhuma. Quando a senhora for ser estuprada, quero ver se a senhora vai levar o tubinho de KY ou se vai ser no seco mesmo.

Uma das alunas que estava na sala e presenciou o fato contou a Universa que a vítima ficou sem ação no momento e que o comentário deixou a turma, cuja maioria era formada de mulheres, constrangida.

"Ao invés de corrigi-la, ele fez esse comentário e todas ficamos assustadas. Quando acabou, ela foi chorar no banheiro e fomos acudi-la", disse a aluna, que preferiu não se identificar, por medo de represálias.

A jovem informou ainda que a vítima procurou a direção da universidade no mesmo dia para pedir providências, mas que nada foi feito na ocasião.

Uma semana depois, ele passou por ela e fez sinal com a cabeça em tom ameaçador. Ainda deu aula na nossa turma de novo e a universidade não fez nada.

Ainda segundo a estudante, no mesmo dia em que o professor voltou a ministrar aula na turma, a vítima voltou à coordenação, desta vez com advogados, para cobrar providências. "Foi aí que eles soltaram só uma nota de esclarecimento". Sem solução, ela registrou ocorrência na polícia por importunação sexual.

Alunos da universidade contaram a Universa que professor continuava a dar aula nas turmas de medicina até ontem e que hoje teria faltado ao trabalho. No meio da tarde, a reitoria do Unifamaz anunciou a demissão do professor.

Protestos

Universitários de cursos de medicina de Belém protestaram hoje na porta do Unifamaz, pedindo a expulsão do professor. Nas faixas e cartazes, os estudantes reforçavam o repúdio a casos como esse e à cultura do estupro. Com gritos de "Não é Normal", "Unifamaz não passa o pano" e "Educação sim, estupro não", os alunos exigiram providências da universidade..

protesto - Luciana Cavalcante/UOL - Luciana Cavalcante/UOL
Um protesto foi realizado contra o médico que citou estupro em aula de medicina, em Belém Imagem: Luciana Cavalcante/UOL

Até então o caso estava sendo mantido em sigilo, mas ontem quando o vídeo vazou e a gente teve proporção do que tinha sido o ato, não conseguimos não nos mobilizar porque temos formação para não aceitar esse tipo de abuso. Não podemos aceitar isso dentro do nosso ambiente de ensinoVerena Bezerra, universitária

A Comissão de Mulheres da OAB/Pará foi acionada pelo grupo de estudantes e está acompanhando o caso. "Estamos à disposição para eventuais cobranças, porque esse não é um caso isolado, para que as instituições de ensino comecem a fazer ações de conscientização e combate à cultura do estupro, à importunação sexual, ao assédio sexual, mas sobretudo criem espaços que garantam a proteção da dignidade sexual, psicológica, moral de mulheres estudantes", disse Natasha Vasconcellos, presidente da comissão.

Faculdades se pronunciam

A Unifamaz divulgou em suas redes sociais uma nota de esclarecimento, em que afirma que logo que tomou conhecimento do ocorrido adotou "todas as providências cabíveis e procedimentos administrativos para apurar os fatos, por meio do Comitê de Ética Disciplinar".

A nota diz ainda que a instituição "repudia veemente qualquer prática inadequada na relação acadêmica professor-aluno".

A Famed (Faculdade de Medicina da UFPA) também emitiu nota se solidarizando com a aluna e informando que acompanha o caso, ocorrido em outra instituição de ensino superior. A Famed declarou que "repudia toda e qualquer forma de violência, e que a posição da instituição é pautada pelo respeito, ética e promoção da diversidade e cultura de paz".

Em um comunicado em suas redes sociais, a Universidade Federal do Pará, disse que tomou conhecimento de ato de assédio praticado por docente do Curso de Medicina, por ocasião de atividade realizada em outra instituição de ensino superior, e solicitou à Procuradoria-Geral a análise das providências cabíveis no âmbito da UFPA. A Universidade também se posicionou repudiando veementemente a conduta do docente e se solidarizou com as alunas atingidas.

A Polícia Civil do Pará confirmou que o caso de importunação sexual foi registrado e que segue sob investigação da Divisão Especializada no Atendimento à Mulher.

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_________________________________________________'Em 39 anos de Globo, nunca vi exigências como as de Camila Queiroz', diz diretor

Ricardo Waddington afirma que atriz queria até aprovar campanha publicitária

Camila Queiroz como Angel em "Verdades Secretas 2" - Estevam Avellar/Globo

NEWSLETTER F5

"Para estender seu contrato por apenas sete diárias a mais, Camila Queiroz fez um conjunto de exigências que não existe no mundo da produção audiovisual", afirma Ricardo Waddington, diretor de entretenimento da Globo. "Ela queria alterar o desfecho da Angel (personagem de "Verdades Secretas 2"). O Tony Ramos não pode fazer isto, a Fernanda Montenegro não pode fazer isto".

  1. Em comum acordo, Globo e José Hamilton Ribeiro encerram contrato

​Waddington entrou para a emissora em 1982, como assistente de direção. Não demorou para se tornar diretor geral, assinando novelas como "Vale Tudo" e "Por Amor". Depois se tornou diretor de núcleo, responsável por títulos como "Cordel Encantado", "Avenida Brasil" e "Amor & Sexo". Com a recente reformulação interna da Globo, foi promovido a diretor de entretenimento, comandando os Estúdios Globo (antigo Projac).

Na nova função, Waddington também supervisiona a contratação de todos os talentos artísticos, o que inclui atores, diretores, roteiristas e apresentadores. Desde o final de 2020, é ele quem capitaneia a mudança na maneira como a Globo se relaciona com esses talentos, substituindo muitos contratos a longo prazo por acordos por obra certa.

A pandemia complicou esse processo, porque gravações foram suspensas enquanto muitos contratos estavam valendo, e depois retomadas quando estes já haviam expirado.

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Entre os vários pepinos que brotaram ao longo desse período está o de "Verdades Secretas 2", a primeira novela brasileira produzida originalmente para o streaming. A trama de Walcyr Carrasco sofreu atrasos na produção, e os contratos de alguns atores precisaram ser prorrogados para mais sete dias de gravações (diárias, na linguagem do meio televisivo).

Com as supostas exigências de Camila Queiroz, a Globo decidiu tirá-la da produção e divulgou a notícia com um comunicado duro à imprensa, falando que a atriz fez "demandas contratuais inaceitáveis" para assinatura da extensão do contrato. Segundo a emissora, "as cenas serão adaptadas para que seja mantida a essência da trama".

A atriz se manifestou apenas pelas redes sociais até o momento, e afirmou ainda não está pronta para falar sobre tudo o que aconteceu. "Foi tudo muito dolorido", disse. "Muita mentira vai sair, muita mentira já está saindo. Só peço para que vocês não acreditem, porque isso não é verdade. Em breve, sei lá, algum dia, espero me sentir mais forte para vir aqui falar com vocês."

Em entrevista por videoconferência, pergunto a Waddington se a ida de Camila Queiroz para a Netflix, onde gravou o reality "Casamento às Cegas", azedou a relação da atriz com a Globo, como ela mesma vem alardeando.

"Independentemente do que aconteceu na relação contratual de Camila conosco, o que motivou sua saída da emissora foram as exigências que ela fez para cumprir uma extensão de apenas sete diárias", responde ele. "Todo o resto do elenco concordou em fazer. Não teve uma única pessoa que dissesse ‘ah, não, não vou fazer sete diárias’".

"Isso não existe", prossegue Waddington. "Nós somos profissionais. Protegemos com a nossa vida o que a gente faz. 'O show não pode parar' não é uma figura de linguagem. É a lei do que nós fazemos. O cara vai lá com febre, doente, a mãe morreu, mas ele sobe no palco e entrega o que tem que entregar".

Além de alterar o final previsto por Carrasco para Angel e exigir um compromisso formal de que estaria numa eventual terceira temporada, Camila também quis o poder de aprovar a campanha de lançamento de "Verdades Secretas 3", afirma o diretor.

"A campanha publicitária não é de responsabilidade dos Estúdios Globo", afirma Waddington. "Nem eu tenho como garantir nada para ela. A campanha obedece a uma lógica de marketing, e temos especialistas que estabelecem essa lógica. Eu tenho 39 anos de Globo, 39 anos que eu trabalho com elencos, e nunca havia visto nada parecido".

Apesar desse imbróglio de enorme repercussão na mídia, Ricardo Waddington ressalta que a Globo continua em busca de "um modelo de relacionamento mais flexível, mais saudável, mais rico em experiência, que poderia nos dar um viés mais criativo".

Ele ainda lembra que, apesar da recente contratação de ex-estrelas da emissora por plataformas de streaming, cerca de 3.200 pessoas trabalham nos Estúdios Globo, e que nomes como Lima Duarte, Taís Araújo e Luciano Huck renovaram há pouco tempo seus contratos a longo prazo.

"Não existe nenhuma empresa que acredite mais no conteúdo nacional do que a Globo", conclui ele. "Somos a casa do artista brasileiro".

_________________________________________________Mega-Sena: quais são os números que mais saem? Vale apostar?

Mega-Sena: saiba os números mais sorteados e se faz sentido apostar neles - Fernanda Luz/AGIF
Mega-Sena: saiba os números mais sorteados e se faz sentido apostar neles Imagem: Fernanda Luz/AGIF

Simone Machado

Colaboração para o UOL, em São José do Rio Preto (SP)

27/11/2021 04h00

Acertar as seis dezenas da Mega-Sena e ganhar um prêmio milionário, com certeza, é o sonho de grande parte dos brasileiros, mas conseguir essa façanha não é tarefa simples. A probabilidade de uma aposta única, de seis dezenas, ser a vencedora é de uma em mais de 50 milhões de combinações. Mas esperança é o que não falta aos apostadores, que tentam até apostar nos números que mais saem.

Na hora de escolher as dezenas, vale de tudo: apostar nas que surgiram em sonho, fazer combinações de datas importantes, fazer jogos aleatórios, repetir sempre a mesma aposta e, claro, ficar de olho nas mais sorteadas.

Quais são as dezenas mais sorteadas na Quina? Vale a pena apostar nelas?

E para quem acredita que o raio pode cair várias vezes no mesmo lugar, o UOL dá uma ajudinha.

Segundo sites especializados em loterias, as bolinhas que mais saíram desde a criação da Mega-Sena, em 1996, foram a do número 10 e do 53 - ambas já apareceram 277 vezes. Outras quatro dezenas que são muito sorteadas são: 05, 42, 04, 33 e 37. Elas já foram sorteadas ao menos 262 vezes.

Dezenas mais sorteadas em concursos regulares da Mega-Sena até agora:

  • 10
  • 53
  • 05
  • 42
  • 04
  • 33
  • 37

Já quando o assunto é Mega da Virada, o concurso mais aguardado e que neste ano pode pagar o prêmio especial estimado em R$ 350 milhões, o número 10 é o que mais apareceu nos sorteios. A dezena já saiu quatro vezes desde o início do concurso especial, em 2009. Em segundo lugar, há um empate entre três dezenas: 03, 05 e 36. Cada uma foi sorteada em três concursos.

Depois disso, há alguns números que também aparecem com frequência nos sorteios especiais: 02, 11, 18, 20, 33, 34, 37, 38, 40, 51, 53, 56 e 58.

Dezenas mais sorteadas da Mega da Virada:

  • 10
  • 03
  • 05
  • 36
  • 02
  • 11
  • 18
  • 20
  • 33
  • 34
  • 37
  • 38
  • 40
  • 51
  • 53
  • 56
  • 58

Apostar nesses números aumentam as chances?

Apesar de muitas pessoas buscarem padrões e acreditarem em superstições, o matemático Gilcione Nonato Costa, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), explica que todos os 60 números disponíveis no jogo têm exatamente a mesma probabilidade de serem sorteados.

"Os sorteios são aleatórios e acontecem de forma independente, então não faz nenhuma diferença em escolher entre as dezenas mais ou menos sorteadas, porque qualquer combinação de seis números possui a mesma probabilidade de sair, não tem como um número ter mais chances do que outro", explica.

Para o professor Benilton de Sá Carvalho, chefe do Departamento de Estatística da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), não há nenhuma explicação teórica para que alguns números saíam mais vezes do que outros, sendo assim, não há justificativa para que haja mais chances de ganhar apostando neles.

"Os sorteios não têm relação entre si e a questão de apostar nas dezenas que mais saíram é apenas uma superstição. Um jogo com números que apareceram mais ou menos vezes tem a mesma probabilidade de ganhar. O fato de um número ter aparecido mais vezes não aumenta as chances do apostador", diz.

Como ocorre em todos os concursos especiais, o prêmio da Mega da Virada não acumula. Caso ninguém acerte os seis números, o prêmio será dividido entre os apostadores que acertarem cinco dezenas, e assim por diante.

_________________________________________________Martin Wolf: Dançando na borda do desastre climático

Apesar dos sinais de esperança, o ceticismo se justifica totalmente quando se trata dos anúncios da COP26

Como podemos avaliar os resultados da COP26, em Glasgow? Seria razoável concluir que foi ao mesmo tempo uma vitória e um desastre —vitória porque foram dados alguns passos notáveis à frente, e desastre porque eles ficaram muito aquém do que é necessário. Continua muito duvidoso se nosso mundo dividido pode reunir a vontade para encarar esse desafio no tempo que resta antes que os danos se tornem incontroláveis.

O Climate Action Tracker [rastreador da ação climática] ofereceu um resumo útil de onde nos situamos: com as atuais políticas e ações, o mundo deverá ter um aumento médio de temperatura de 2,7 graus centígrados acima dos níveis pré-industriais; somente com as metas para 2030, isso cairia para 2,4 graus; a implementação completa de todas as metas apresentadas e obrigatórias entregaria 2,1 graus; e, finalmente, a implementação de todas as metas anunciadas produziria 1,8 grau. Portanto, se o mundo entregasse tudo o que indica hoje estaríamos perto do aumento máximo recomendado, de 1,5 grau C.

O ceticismo é totalmente justificado. Segundo o Climate Action Tracker, só a União Europeia, o Reino Unido, o Chile e a Costa Rica projetaram adequadamente metas de zero líquido. Melhoras anunciadas em contribuições nacionalmente determinadas (CNDs) desde setembro de 2020 reduzirão o deficit das reduções de emissões de gases do efeito estufa necessárias até 2030 em apenas 15% a 17%. Mais da metade dessa redução em CNDs vem dos EUA, cujas futuras políticas são, no mínimo, incertas. Novas iniciativas setoriais reduzirão a escassez das reduções de emissões de gases do efeito estufa até 2030 em 24% a 25%. As reduções anunciadas em emissões de metano e desflorestamento seriam especialmente significativas, caso efetivadas. Mas a redução do desflorestamento é duvidosa. Em todo caso, o deficit é grande.

Faixa da COP26
Faixa da COP26 em Glasgow, na Escócia - Daniel Leal-Olivas/AFP

No entanto, a imagem não é totalmente desoladora. Os compromissos de zero líquido hoje cobrem 80% das emissões totais. O teto de 1,5 grau também é um consenso claro. Outro bom sinal é uma declaração conjunta entre os Estados Unidos e a China, já que nada pode ser alcançado sem esses dois países. A declaração final também inclui um compromisso de "acelerar as iniciativas em direção à redução gradual da energia a carvão e de subsídios ineficientes ao combustível fóssil". Isso é muito pouco. Mas é um início em acordos climáticos.

Se o mundo quiser fazer as reduções recomendadas em emissões até 2030, porém, muito mais precisa acontecer. Uma possibilidade são novos compromissos na próxima COP, que será no Egito em 2022. Essa será a primeira de uma série de reuniões anuais de alto nível em que os países serão solicitados a melhorar suas promessas.

Outra possibilidade é um setor privado mais ativo. Sobre isso, a principal notícia é a Aliança Financeira de Glasgow para Zero Líquido (GFANZ na sigla em inglês). Segundo Mark Carney, ex-presidente do Banco da Inglaterra, seu objetivo é "construir um sistema financeiro em que cada decisão tomada leve em conta a mudança climática".

O GFANZ consiste nas principais administradoras de fundos e bancos, com ativos totais administrados de US$ 130 trilhões. Em princípio, a alocação desses recursos em direção aos objetivos de zero líquido fariam uma enorme diferença. Mas, comenta Carney, US$ 100 trilhões são "a quantia mínima necessária de finanças externas para a iniciativa de energia sustentável nas próximas três décadas". Isso é desanimador.

Desnecessário dizer que embora seja possível evitar que as empresas façam coisas rentáveis é impossível obrigá-las a fazer coisas que consideram insuficientemente lucrativas, depois de ajustadas pelo risco. Se elas tiverem de investir na escala necessária, é preciso haver precificação do carbono, eliminação de subsídios a combustíveis fósseis, proibições a motores a combustão interna e declarações financeiras obrigatórias relacionadas ao clima. Mas também deve haver uma forma de conseguir vastas quantidades de investimento privado na transição climática em países emergentes e em desenvolvimento, fora a China.

A GFANZ pede a criação de "plataformas nacionais" que poderiam reunir e alinhar "partes interessadas —incluindo governos, empresas, ONGs, organizações da sociedade civil, doadores e outros agentes de desenvolvimento, nacionais e internacionais-- a concordar com e coordenar as prioridades". Uma grande e controversa questão será o compartilhamento de riscos. O setor público não deveria assumir todos os riscos e o setor privado todas as recompensas da transição energética.

Aumento da temperatura global já causa mais eventos extremos

Grande atenção é dedicada ao fracasso dos países desenvolvidos em entregar os prometidos US$ 100 bilhões por ano em finanças aos países emergentes e em desenvolvimento. Isso é simbolicamente importante. Mas, como comentam Amar Bhattacharya e Nicholas Stern, da London School of Economics, é troco miúdo: "Ao todo, os mercados emergentes e países em desenvolvimento além da China precisarão investir aproximadamente mais US$ 800 bilhões por ano até 2025 e cerca de US$ 2 trilhões por ano até 2030" em mitigação e adaptação climática e restauração do capital natural. Cerca da metade disso deve vir do exterior, principalmente de fontes privadas.

Mas o setor oficial também deve fazer mais. Nesse contexto, é uma verdadeira pena que não se esteja aproveitando mais a recente emissão de direitos de saque especiais. Da alocação total de US$ 650 bilhões, cerca de 60% irão para países de alta renda que não precisam deles, e apenas 3% para países de baixa renda. Destes, planeja-se emprestar US$ 100 bilhões de países de alta renda para os em desenvolvimento. Isso deveria ser muito mais, para ajudar a enfrentar o legado da Covid e a mudança climática.

Em suma, se compararmos a discussão global hoje com a de uma década atrás, percorremos um longo caminho. Mas se compararmos com onde precisávamos estar ainda há um caminho assustadoramente longo a seguir. É cedo demais para abandonar a esperança. Mas ser complacente seria absurdo. Precisamos agir com força, credibilidade e rapidez e, finalmente, devemos concordar em fazer isso juntos. A tarefa é grande e a hora, tardia. Não podemos mais esperar sentados.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

_________________________________________________Opinião - Mirian Goldenberg: Como deletar pessoas tóxicas que sugam o nosso tempo e saúde

Vampiros podem estar por toda parte: amigos, parentes, colegas de trabalho e vizinhos

Recentemente, dei uma entrevista para o querido Paulo Lima, da Trip FM. Adorei a chamada do podcast no Spotify: "Mirian Goldenberg, a caçadora de vampiros".

"Os vampiros estão por toda parte: entre amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos. Você tem um vampiro na sua vida? Aquela pessoa tóxica que está sempre reclamando, criticando, sugando sua saúde, tempo e alegria e não dá nada em troca? Como podemos deletar os vampiros das nossas vidas? E quando somos o nosso próprio vampiro?"

Para dar um exemplo de como podemos ser o vampiro de nós mesmos, lembrei de uma história que aconteceu comigo em 2018 e que me atormenta até hoje.

Sombra esquálida e com garras próxima a uma sombra de escada
Sombra de vampiro durante cena do filme "Nosferatu", do cineasta alemão F.W. Murnau - Divulgação

Estava no "Encontro com Fátima Bernardes" falando sobre as expectativas excessivas que alimentamos em nossos relacionamentos amorosos. Uma moça da plateia reclamou que o marido, que no início era um príncipe encantado, virou um sapo.

No meio da minha resposta, soltei: "Muitas mulheres ainda sonham com o princeso encantado".

Na hora não percebi, mas morri de vergonha quando revi o programa.

Meu vampiro interno é especialista em me torturar com o "se": "Se eu não tivesse falado princeso, teria sido tudo perfeito". "Se eu soubesse que ela iria me perguntar aquilo, teria respondido melhor". "Se eu tivesse prestado mais atenção, nunca teria dito princeso em público".

Para vocês entenderem a situação constrangedora, preciso explicar porque falei "princeso" no programa.

Meu marido me chama de "pincezinha", assim mesmo: sem r e com z. Todos os dias ele me manda mensagens por WhatsApp: "Mozinho que eu amo. Muito bonitinha o meu amor. Tiamumuitudimuitudimuitu. Pincezinha mais linda do universo".

Eu respondo com: "Pincezo mais lindo do mundo. Eu te amo. Você é o amor da minha vida"

Voltando ao programa da Fátima, na hora saiu: "princeso encantado".

Quando revi o programa, comecei a me torturar: "Mirian, você é uma professora universitária, pesquisadora, escritora... Como fala princeso para milhões de pessoas, ao vivo e a cores?"

Minha vontade era voltar ao programa e me desculpar: "Eu queria dizer príncipe encantado", mas isso também soaria bobo e infantil, ainda mais na minha idade.

Mas a verdade é que, apesar de ser professora, pesquisadora, escritora e tudo mais, sou também "a pincezinha mais linda do universo do meu pincezo mais lindo do mundo". E daí?

Comecei então a exercitar o que ensinei no meu TEDx "A Invenção de uma Bela Velhice" e no meu livro "Liberdade, Felicidade e Foda-se!".

"Mirian, como você poderia adivinhar que um apelido carinhoso que você repete há tantos anos iria ser escutado por milhões de pessoas? É impossível controlar a opinião e o julgamento dos outros, que devem estar achando que você é uma velha ridícula. Não dá para acertar 100% das vezes, por mais que você queira ser perfeita. De tudo o que você falou, você errou uma única palavra. Por que ficar se torturando tanto com 1% e não ficar feliz com 99% que você falou direitinho?"

Aprendi que o melhor remédio para não sofrer tanto com o meu vampiro interno é rir de mim mesma e ligar o botão do foda-se!

"Foda-se, Mirian! Você errou, qual é o problema? Você está se autoflagelando, se massacrando, se sentindo uma bosta porque disse uma única palavra errada. Muita gente não deve nem ter percebido, nem mesmo a Fátima. E, se ela percebeu, já deve ter esquecido, porque ela também não acerta 100% das vezes e deve estar preocupada com os próprios vampiros. Não tem como não errar, Mirian. Pare de se cobrar, se culpar, se comparar e se criticar tanto".

Quais são os antídotos para combater os quatro "Cs" que mais me vampirizam: culpa, cobrança, crítica e comparação?

Repito como um mantra: "Foda-se, Mirian, você errou. E daí? É impossível acertar 100% das vezes. Você não tem uma bola de cristal para antecipar seus erros". E, o mais importante, todos os dias não esqueço de dar risadas de mim mesma e de dizer para o meu "pincezo mais lindo do mundo": "Eu te amo. Você é o amor da minha vida".

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Marília Mendonça: Vídeo mostra reação de casal ao presenciar queda de avião

Pietra Carvalho Do UOL, em São Paulo 10/11/2021 10h26

Atualizada em 10/11/2021 21h28

Um casal presenciou ao vivo a queda do avião que levava a cantora Marília Mendonça e mais quatro pessoas em uma queda d'água em Piedade de Caratinga (MG). A dentista Rossana Bartot, que mora ao lado do local do acidente há 10 anos, contou que estava saindo de casa com o marido quando os dois ouviram o barulho do bimotor, como se alguém estivesse "batendo em uma lata".

As câmeras de segurança da residência registraram a reação do casal, que acompanhou a queda passo a passo - mas não capturaram o avião. Apesar disso, as imagens foram entregues ao Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), que investiga as causas da queda e também visitou os moradores para colher seus depoimentos.

Imagem mostra cabo enrolado em hélice de avião de Marília Mendonça

"No vídeo não dá pra ver o avião, mas deu pra eles [investigadores] verem pra qual lado a gente estava olhando, pra terem certeza que o avião estava passando pelo lado que a gente tinha falado. O vídeo me mostra fechando a porta e naquele momento eu já ouvi um barulho muito forte, como se fosse um helicóptero e um avião juntos, e era como se estivessem batendo em uma lata", detalhou Rossana ao UOL.

Segundo ela, o avião seguia uma trajetória reta quando fez uma curva e caiu sobre a queda d'água. A moradora contou com a ajuda de psicólogos do Cenipa, parte da Força Aérea Brasileira, para conseguir se recuperar do susto.

Foi tudo muito rápido. Ele passou sobre as árvores, eu parei para olhar pro céu. Ele fez uma curva, balançou bastante, com uma asa pra cima e outra pra baixo, e caiu. Foi tudo muito triste, uma coisa terrível, eu fiquei muito desorientada, fiquei com medo dele explodir. Entrei no carro correndo, como se fosse me proteger, mas foi uma coisa horrível. Eu fiquei dois dias sem dormir, foi só quando eu conversei com o pessoal do Cenipa, que tem uma psicóloga, que fui acalmando meu coração.

O acidente aconteceu na tarde de sexta-feira (5). O avião havia partido de Goiânia (GO) e seguia para Caratinga (MG), cidade em que a cantora faria um show para 8.000 pessoas. Além de Marília, também morreram o produtor Henrique Ribeiro; o tio da artista, Abicieli Silveira Dias Filho; o piloto Geraldo Martins de Medeiros e o copiloto Tarciso Pessoa Viana.

Pilotos haviam relatado a existência de uma antena e uma torre de energia sem iluminação próximas ao aeródromo de Caratinga. Segundo a Cemig, porém, os equipamentos estão fora da zona de proteção do aeródromo, ou seja, não são irregulares, informação que está sendo averiguada pela polícia.

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#SilêncioEstratégico: um forte antídoto para Venturinis e Sikêras Jr.

Fernanda Venturini em sua casa - Marcos Michael/Folhapress
Fernanda Venturini em sua casa Imagem: Marcos Michael/Folhapress
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Cristina Tardáguila

Colunista do UOL

29/06/2021 11h25

Eu não sigo a Fernanda Venturini nas redes sociais. Mas, na segunda-feira (28), fui bombardeada pelo vídeo negacionista que a ex-jogadora de vôlei gravou no posto de saúde onde recebeu a vacina contra a covid-19. Também não sigo (na verdade, nem sabia quem era) Sikêra Jr. Mesmo assim vi dezenas de vídeos do apresentador da RedeTV! cuspindo odiosos ataques contra a população LGBTQIA+. Em ambos os casos, vi o horror em segunda mão, por meio daqueles que sigo no Twitter.

Desde o início deste ano, venho defendendo publicamente a expansão do silêncio estratégico. Já falei sobre isso dezenas de vezes nas redes sociais e em eventos jornalísticos. Mas é hora de ser mais enfática e explicar melhor como ele funciona.

Quem curte o 'estilo Luana Araújo' de combate às 'fake news'?

Em linhas gerais, é vital que cada usuário de Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp, Telegram ou qualquer rede social saiba que, ao criticar um conteúdo, pode estar, na verdade, oxigenando o assunto, ou seja, amplificando uma mensagem que deveria ser ignorada. E há muitos exemplos recentes disso. Tenho inclusive feito uma coleção pessoal para ilustrar esse assunto.

Em abril, a hashtag #eutomoinvermectina (com um "N" indevido grafado depois do "I") entrou nos trending topics do Twitter com o apoio de milhares de pessoas que, em realidade (e seguindo o que diz a ciência) se declaravam contrárias à adoção desse remédio como forma de cura ou prevenção da covid-19. Mas, ao criticar o erro ortográfico, elas reutilizaram a hashtag e o efeito de crítica, de certa forma, se perdeu. A ivermectina acabou virando a pauta do dia e foi até mesmo assunto de reportagens.

Em maio, os brasileiros não conseguiram silenciar estrategicamente diante de dois vídeos que considero toscos e absurdos. O primeiro foi o do ex-deputado Roberto Jefferson armado até os dentes, classificando o estado como "totalitário" e "satanista". O segundo foi o da deputada Alê Silva (PSL-MG), sem máscara, dançando com assessores no Salão Verde da Câmara.

Nos dois casos, as críticas impulsionaram o ódio virtual e a desinformação.

Passa da hora de o Brasil entender o silêncio estratégico e, de forma coordenada, evitar que devaneios negacionistas, postagens anti-vacina e discursos homofóbicos saiam dos esgotos da internet e virem pauta nacional.

Daí a importância do guia que o Internetlab e o Redes Cordiais publicaram no dia 17. Além de falar sobre diversos outros assuntos, o texto faz um resumo claro:

"A decisão sobre não postar, publicizar ou noticiar um conteúdo é tão importante quanto a decisão de falar sobre o assunto na internet. Isto porque a escolha de publicizar ou não um fato ou material sobre determinado assunto (seja um texto, um vídeo, um áudio ou uma imagem) pode ter como consequência a amplificação ou silenciamento de vozes, táticas, narrativas e ideias na rede".

Não estou sugerindo que se deixe de expor contrariedades ou mesmo que se cale diante de absurdos. Não. Sugiro apenas que sejamos táticos ao tomar essas atitudes. Por isso, eis algumas dicas fáceis:

  1. Jamais compartilhe o material na íntegra. Não dê RT no tuíte original, por exemplo. Seus amigos e seguidores não precisam ver a mentira ou o horror que você viu em sua totalidade. Um resumo basta.

  2. Faça um print da tela e ponha um "X" em cima da foto ou do frame de vídeo. Deixe visualmente claro que aquele conteúdo é falso, enganoso ou promove ódio. Há casos de imagens falsas aparecendo como referência para informações verdadeiras no Google Imagens, por exemplo. A marcação ajuda a evitar qualquer confusão.

  3. Nunca marque a conta que desinforma ou promove ódio. O @ ficaria ainda mais famoso se você informasse seus amigos e seguidores sobre a existência dele. Deixe o doido e o negacionista no escuro, falando sozinho.

  4. Tente não citar nomes. Fale, por exemplo, da "ex-jogadora de vôlei", do "ex-deputado", do "apresentador de TV". Não alimente a fama de ninguém que nega a ciência e/ou ataca grupos minoritários. Lembre-se de que estamos perto de eleições.

  5. As mesmas técnicas usadas nas redes sociais abertas servem para os apps de mensagem, como WhatsApp e Telegram. Não oxigene falsidades nem ódio por lá também.

  6. Repasse essas instruções simples para todo mundo ao seu redor. Quem sabe um dia #silencioestratégico não estará nos trending topics?

_________________________________________________NIVELANDO POR BAIXO: Discursos contraditórios aproximam Moro, Bolsonaro e PT

Sergio Moro discursa ao oficializar sua filiação ao Podemos em cerimônia em Brasília - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Sergio Moro discursa ao oficializar sua filiação ao Podemos em cerimônia em Brasília Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
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Cristina Tardáguila Colunista do UOL 11/11/2021 10h17

Não é à toa que os fact-checkers monitoraram de perto o discurso dos poderosos. É assim que conseguem identificar com prontidão as mentiras mais descaradas e as 'certezas mutantes' que abalam o país. E, nos últimos dias, os brasileiros assistiram a pelo menos três momentos de puro oportunismo político - de flagrantes "viradas de casaca". Todos eles relacionados à campanha de 2022.

Com o cinismo na ponta da língua, o ex-juiz Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro, e o Partido dos Trabalhadores subiram no palco e deram um show. A nós, eleitores, sobrou o desafio de navegar tanta cara-de-pau, imaginando que outras verdades imutáveis no passado estão sendo - digamos - "atualizadas" em favor da campanha do ano que vem.

Decisão do TCU revela a moralidade dos fidalgos da República de Sergio Moro

É preciso paciência.

"Chega de corrupção. Chega de mensalão. Chega de petrolão e de rachadinha. Chega de orçamento secreto", disse Moro, na quarta-feira, ao celebrar, agarrado num microfone, sua filiação ao Podemos.

A festa para o ex-magistrado era grande, e os correligionários filmaram-no compulsivamente, certos de que Moro disputará o Palácio do Planalto no ano que vem.

Entre 2016 e 2018, no entanto, o cenário era outro. O então juiz se dizia completamente avesso à política nacional. Segundo levantamento feito pela Agência Lupa quando Moro virou Ministro da Justiça de Bolsonaro, ele já tinha afirmado essa posição publicamente pelo menos sete vezes.

Após festa desta quarta-feira, a Folha atualizou o levantamento dos checadores e encontrou exemplos ainda mais recentes de Moro rechaçando a política. Em junho deste ano, por exemplo, ao ser questionado sobre se sonhava ser presidente, ele foi taxativo: "Não existe nada disso".

Mas aqui estamos. Só aguardando o anúncio oficial de sua candidatura. O slogan, ao que tudo indica, vai ter uma lista de "chegas" e de "bastas", exatamente como enunciado no evento do Podemos.

Moro não é, porém, a única metamorfose ambulante.

Em busca de um partido para disputar a reeleição, o presidente Jair Bolsonaro também foi flagrado se desdizendo nos últimos dias. Se na segunda-feira ele estava "99% fechado" com o PL de Valdemar Costa Neto para se filiar à sigla, em 2018 o nome do mensaleiro causava-lhe arrepios. Nos tempos em que Bolsonaro se posicionava como um homem que lutaria contra todo e qualquer tipo de corrupção, Costa Neto não era nem mesmo considerado um possível interlocutor - e vídeos da época mostram isso.

"O Valdemar Costa Neto, já foi condenado no mensalão, está citado, citado não, está bastante avançada a citação dele no tocante à Lava-Jato. Eu converso com o Magno Malta (do PL) (...) Temos muita coisa em comum e minha negociação (sobre uma possível chapa presidencial composta com o PL) é com ele. Não haverá da minha parte qualquer negociação com presidente de partido, seja quem for, visando cargos no futuro. Isso não existe", disse Bolsonaro há três anos.

Mas o atual presidente da República telefonou para Costa Neto para acertar sua entrada na sigla, e o PL informou que a filiação dele ao partido está agendada para o dia 22 de novembro.

O eleitor antenado só enxerga oportunismo.

E, como contradições não são exclusividade da extrema direita ou do centro, vale destacar o caso PT-Nicarágua. O vaivém é tão cínico como risível.

Na segunda-feira, quem visitava o site da sigla encontrava um texto curto, assinado pelo secretário de Relações Internacionais do PT, Romenio Pereira, saudando às eleições nicaraguenses.

Na nota, o PT classificava o pleito ocorrido no último domingo como "uma grande manifestação popular e democrática" e afirmava que a reeleição de Daniel Ortega e Rosario Murillo confirmavam "o apoio da população a um projeto político que tem como principal objetivo a construção de um país socialmente justo e igualitário".

A eleição da Nicarágua teve 81% de abstenção e só se deu depois da prisão de sete candidatos. De democrática e popular, não teve nada.

Assim, 48 horas depois da nota de Pereira, o PT resolveu se desdizer - mas só o fez em parte. Na quarta-feira, a sigla publicou uma segunda nota, amplificando um tuíte em que a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, dizia que a declaração anteriormente divulgada sobre as eleições na Nicarágua não havia sido submetida à direção partidária.

Gleisi ficou no meio do caminho. Não criticou nem denunciou a farsa eleitoral vista na América Central. Disse que a prioridade da legenda "é debater o Brasil com o povo brasileiro".

Aos olhos daqueles que se dedicam a observar de perto esse tipo de vaivém, ficou estranho o fato de a nota original de Pereira não ter sofrido qualquer alteração. Nem mesmo um link para o texto de Gleisi foi inserido.

Resultado: hoje em dia, as duas URLs circulam por redes sociais e aplicativos de mensagem alimentando aquilo que o Brasil tem de pior: narrativas contraditórias, opostas e paradoxais.


Cristina Tardáguila é diretora sênior de programas do ICFJ e fundadora da Agência Lupa


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Governo reduz de mil para 15 normas trabalhistas e flexibiliza vale-alimentação

Segundo secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Previdência, Bruno Dalcolmo, mudança possibilitará uso dos cartões em mais restaurantes
Geralda Doca, Daniel Gullino e Fernanda Trisotto
10/11/2021 - 20:40 / Atualizado em 11/11/2021 - 08:11
Governo reduz normas trabalhistas, com mudança em vale-alimentação e relógio de ponto Foto: Arquivo
Governo reduz normas trabalhistas, com mudança em vale-alimentação e relógio de ponto Foto: Arquivo

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BRASÍLIA - O governo federal anunciou nesta quarta-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto, uma simplificação das normas trabalhistas. De acordo com o Executivo, mais de 1.000 decretos, portarias e instruções normativas trabalhistas foram reunidos em apenas 15 normas. Um decreto consolidando as alterações será publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial da União.

Uma das mudanças mais efetivas na vida do trabalhador será a flexibilização do uso do vale-alimentação.

O texto final das alterações ainda não foi publicado pelo governo. Mas, de acordo com  o secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Previdência, Bruno Dalcolmo, a mudança no vale-alimentação possibilitará que os trabalhadores utilizem seus cartões em um número maior de restaurantes:

— O vale é sempre uma decisão da empresa com o trabalhador. Então nada disso interfere. Mas alguns dispositivos serão alterados ao longo do tempo. Há um período de adaptação de 18 meses e, ao longo desse período, as empresas vão se adaptar a uma maior concorrência e uma necessidade de ofertar maiores opções de restaurantes para os trabalhadores —  disse.

Segundo técnicos do governo, a flexibilização do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), no qual se insere o vale-alimentação, vai facilitar a vida dos empregados que terão mais liberdade para usar o cartão alimentação.

Eles poderão usar o cartão em qualquer estabelecimento que receba esse meio de pagamento e não apenas nos credenciados pela respectiva bandeira. Também será possível fazer a portabilidade do crédito entre as diversas bandeiras.

Na prática, o decreto tem por objetivo abrir o mercado das empresas de tíquete alimentação, considerado concentrado e verticalizado. Segundo integrantes do governo, o segmento é dominado por apenas quatro grandes empresas e elas respondem por todo o processo, desde a assinatura do acordo.

Cobrança de taxas

Costumam cobrar uma variedade de taxas, de fidelização, uso de sistema, maquininhas, uma das principais queixas de pequenos estabelecimentos.  Com as mudanças, empresas de cartão como Mastercard, Visa e IFood  poderão fazer o credenciamento de estabelecimentos.

As empresas vinculadas ao PAT continuarão com os incentivos fiscais, mas terão que executar um programa nutricional para seus empregados. Serão fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho, explicou um técnico do governo.

O PAT determina que as empresas forneçam alimentação ao funcionário, via refeitório, restaurante interno ou com vales. Estes vales são fiscalizados e os funcionários, por exemplo, não podem usar estes recursos para pagar produtos em geral ou bebidas alcoólicas.

A entidade que representa as empresas que processam o vale-alimentação criticaram a decisão. Para Jessica Srour, diretora-presidente da Associação das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), que representa 14 empresas do setor, o conceito de auxílio-alimentação, que foi criado durante a reforma trabalhista, ficou de fora do novo marco regulatório e preocupa o setor.

Segundo ela, a falta de regulamentação sobre esse auxílio cria uma distorção fiscal.

— Como ele não está regulamentado, a pessoa pode pagar qualquer coisa com esse auxílio-alimentação, o que desvirtuou de vez o benefício. Somos a favor da modernidade, mas o governo dá isenção fiscal justamente para promover a alimentação do trabalhador – afirma ela, que teme o uso destes recursos para a compras de produtos diversos, prejudicando a alimentação do trabalhador

Obrigatoriedade do relógio de ponto

Outra medida do pacote diz respeito à obrigatoriedade do relógio de ponto nas empresas. Elas poderão optar por novas tecnologias, como reconhecimento facial, digital, celular, softwares especializados. Novos meios que deem segurança aos trabalhadores e empregadores serão aceitos. A mudança é opcional.

Segundo o Ministério do Trabalho e Previdência, as normas modificadas tratavam de assuntos como carteira de trabalho, aprendizagem profissional, gratificação natalina, programa de alimentação do trabalhador, registro eletrônico de ponto e registro sindical e profissional.

— Ao analisar todos esses mil atos, nós eliminamos tudo que era obsoleto, burocrático, desnecessário, exigências que não estavam previstas em lei. Eles foram simplificados, desburocratizados e, melhor ainda, eles foram todos modernizados — afirmou Dalcolmo.

De acordo com o ministério, essa foi a primeira vez que a legislação trabalhista infralegal — que não precisa de aprovação do Congresso — foi completamente revisada.

O decreto assinado também cria o Programa Permanente de Simplificação e Desburocratização Trabalhista, que fará com que as normas trabalhistas sejam revisadas a cada dois anos. 

Presente na cerimônia, o presidente Jair Bolsonaro elogiou a desburocratização:

— Esse trabalho, desenvolvido pelo ministério do Onyx (Lorenzoni), junto com seus assessores, é muito bem-vindo. Dá continuidade aquilo que começamos a fazer em 2019, apontando para um Brasil melhor para o futuro.

_________________________________________________Jovem branco que matou duas pessoas em protesto antirracista nos EUA tem crise de choro no julgamento

Kyle Rittenhouse tinha 17 anos quando atirou contra os manifestantes do movimento Black Lives Matter, na cidade de Kenosha
Kyle Rittenhouse tem crise de choro durante julgamento nos EUA Foto: POOL / REUTERS
Kyle Rittenhouse tem crise de choro durante julgamento nos EUA Foto: POOL / REUTERS

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KENOSHA, EUA — Acusado de matar dois manifestantes durante um protesto antirracista, Kyle Rittenhouse teve uma crise de choro enquanto prestava depoimento em seu julgamento, na cidade de Kenosha, no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. O julgamento está sendo considerado uma espécie de referendo sobre raça e sistema legal nos Estados Unidos.

Rittenhouse começou a chorar quando descrevia o que aconteceu na noite do crime. Ele alegou ter sido encurralado por uma das vítimas. A sessão precisou ser suspensa até que o acusado pudesse se recompor.

Quando o depoimento foi retomado, o acusado disse ter ouvido pessoas gritando "pegue-o". Ele também alegou não ter feito nada de errado, mas apenas se defendido. O jovem é apontado como o autor dos disparos que atingiram três manifestantes. Dois deles morreram: Joseph Rosenbaum, de 27 anos, e Anthony Huber, de 26.

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Fuzil AR-15 para 'se proteger'

Rittenhouse tinha 17 anos na época dos homicídios e estava armado com um fuzil AR-15 na noite do crime, ocorrido na noite de 25 de agosto do ano passado. Na ocasião, Rittenhouse se juntou à uma milícia armada em Kenosha. O grupo do acusado partiu para o confronto contra manifestantes do movimento Black Lives Matter.

— A pessoa que me atacou primeiro ameaçou me matar — disse Rittenhouse sobre Joseph Rosenbaum, a primeira pessoa em quem ele atirou. — Eu trouxe a arma para me proteger, mas não achei que teria que usar a arma para me defender — acrescentou.

Os promotores argumentam que Rittenhouse se inseriu propositalmente na situação e teve a intenção de matar todos os alvos de seus disparos com arma de fogo na noite do crime. Os acusadores também alegaram que Rittenhouse foi a única pessoa a atirar em alguém naquela noite, quando havia milhares de manifestantes nas ruas.

A defesa de Rittenhouse, por sua vez, alegou "exagero do promotor" e pediu a anulação do julgamento por um suposto preconceito de quem acusa. O juiz Bruce Schroeder não se pronunciou a respeito do pedido dos advogados, mas deixou o pedido sob consulta.

O julgamento de Rittenhouse teve polêmica antes mesmo de ser iniciado. Um juiz americano determinou que os dois manifestantes mortos não podem ser chamados de "vítimas" pelos promotores. O magistrado sugeriu que a promotoria utilize termos como "testemunhas reclamantes" ou "falecidos".

_________________________________________________Fã, médico fala do choque ao reconhecer Marília Mendonça em acidente de avião: 'Era quase impossível estarem vivos'

Diretor técnico do Samu, Kleyton Carvalho, contou que foi um dos atendimentos mais complicado que já realizou
Marília Mendonça Foto: Agência O Globo
Marília Mendonça Foto: Agência O Globo

Primeiro médico a chegar ao local do acidente de avião que vitimou a cantora Marília Mendonça e mais quatro pessoas, Kleyton Carvalho percebeu que seria difícil encontrar alguém com vida.

"Pela situação que eu me deparei dentro da aeronave, era quase impossível as vítimas estarem vivas. A aeronave estava bastante danificada, bastante quebrada, tinha pertences, malas sobre as vítimas. O local é de muito difícil acesso, uma coisa que chamava bastante atenção também era a quantidade de combustível. Além disso, durante a operação, não sabíamos se a aeronave ia cair ou não sobre a cachoeira, né? É um dos atendimentos, se não for o atendimento mais complicado, que realizei até hoje", disse o diretor técnico do Samu em entrevista a Bandnews.

O profissional de saúde disse que encontrou primeiro o produtor Henrique Bahia caído ao chão e Marília próxima à poltrona, com vários objetos pessoas das vítimas espalhados pelo chão. As mortes foram atestadas ainda dentro da aeronave, mas foi uma decisão da equipe fazer de tudo para a informação não vazar, para que os familiares fossem notificados primeiro.

"Nossa esperança era encontrá-los com vida. Prontamente, verifiquei os sinais vitais de todos. Provavelmente, a causa da morte realmente foi politraumatismo. E não se sabe como foi e o que causou. Só a perícia e a investigação vão poder nos detalhar", frisou.

O médico disse que passou por um choque ao perceber que o avião era da cantora Marília Mendonça.

"Quando eu entrei na aeronave, é muito difícil, muito complicado. Não só por serem pessoas conhecidas, mas são vidas, né? Ceifadas pelo acidente. E eu sou um fã incondicional também da Marília. Quando percebi que o avião era dela, isso foi para nós um grande choque".

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Ministros Rosa Weber, Cármen Lúcia e Barroso votam por suspensão do orçamento secreto

Ministra Cármen Lúcia durante sessão extraordinária. (12/03/2020)
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247 - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso votaram na madrugada desta terça-feira (9) contra a execução do chamado orçamento secreto e querem a sua suspensão. Os relatos dos magistrados foram publicados nesta terça-feira (9) em reportagem do jornal O Globo

Jair Bolsonaro montou um "orçamento secreto" no final do ano passado no valor de R$ 3 bilhões em emendas para reforçar o apoio da base bolsonarista no Congresso. Neste ano, de 2021, ele acelerou a liberação de dinheiro a deputados na véspera da votação da PEC dos Precatórios, ocorrida na madrugada da última quinta-feira (4). 

Em seu voto, Cármen Lúcia criticou a forma como as emendas são usadas e endossou a liminar. "A utilização de emendas orçamentárias como forma de cooptação de apoio político pelo Poder Executivo, além de afrontar o princípio da igualdade, na medida em que privilegia certos congressistas em detrimento de outros, põe em risco o sistema democrático mesmo".

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"Esse comportamento compromete a representação legítima, escorreita e digna, desvirtua os processos e os fins da escolha democrática dos eleitos, afasta do público o interesse buscado e cega ao olhar escrutinador do povo o gasto dos recursos que deveriam ser dirigidos ao atendimento das carências e aspirações legítimas da nação", argumentou a ministra.

Em sessão virtual do plenário da Corte, Rosa Weber, relatora de ação sobre o assunto, destacou a falta de transparência das emendas de relator, instrumento criado pelos parlamentares com o objetivo de enviar dinheiro às bases eleitorais.

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O caso foi apresentado ao Supremo a partir de representações dos partidos Cidadania, PSB e Psol.

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Josias de Souza - Reação à decisão de Rosa indica que imoralidade é maior do que se imaginava

Colunista do UOL

08/11/2021 09h21

Orçamento paralelo e emenda secreta são dois eufemismos recentes para um flagelo antigo: assalto de dinheiro público. Numa República convencional, há um único orçamento e as emendas são transparentes. Ao analisar nesta terça-feira a liminar em que a ministra Rosa Weber mandou suspender a execução do orçamento alternativo e deu 30 dias para que as emendas sigilosas sejam expostas na vitrine, o plenário do Supremo Tribunal Federal não julgará apenas a compra de apoio legislativo pelo governo Bolsonaro. No limite, os ministros emitirão um juízo sobre o tipo de democracia que o Brasil deseja ser.

Já se sabia que havia delinquência na distribuição de verbas do orçamento no escurinho de Brasília. A inquietação que tomou conta da cúpula do Congresso e dos operadores do Planalto durante o final de semana reforçou a sensação de que a imoralidade é maior do que se poderia supor.

Valentina Bandeira e Felipe Abib: golpistas de 'Quanto Mais Vida, Melhor!'

Voltou a circular na Praça dos Três Poderes a expressão "crise institucional". Os adeptos da política secreta ainda não notaram. Mas quando eles ficam fora de si, o pessoal logo percebe os vícios que eles trazem por dentro.

Na briga entre os políticos com códigos de barras e Rosa Weber é fácil perceber quem tem razão. A banda monetária do Congresso briga pela institucionalização da bandalheira.

A ministra do Supremo sustenta que "causa perplexidade" o fato de que bilhões do orçamento da União estão sendo oferecidos a parlamentares que usam "recursos públicos" para satisfazer "interesses pessoais". Tudo isso longe dos refletores.

Se o plenário do Supremo derrubar a liminar de Rosa Weber, desmoraliza-se a Corte. Se a liminar da ministra for avalizada pela maioria dos seus colegas, como parece mais provável, desmorona o pilar de sustentação do governo no Congresso.

Seriam soterrados, além do esquema legislativo de Bolsonaro, a estrutura de poder do presidente da Câmara, Arthur Lira, que distribui verbas públicas aos deputados como se fosse dinheiro grátis.

Depois do mensalão e do petrolão, o mínimo que se espera dos ministros do Supremo é que já tenham percebido que, no orçamento federal, o dinheiro sai pelo ladrão porque os ladrões continuam entrando no orçamento. Sem transparência a invasão fica mais fácil.

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Opinião - Nabil Bonduki: Parque Augusta está lindo, mas por que só o centro merece?

Padre Ticão, já falecido, levantava a importância de parques e áreas públicas na periferia

Viva o Parque Augusta.

Visto isoladamente é uma grande conquista pelo direito à cidade e um exemplo de como se pode melhorar o ambiente urbano. A criação de áreas verdes públicas em regiões adensadas, onde há mistura de habitação com comércio, serviços e lazer é uma necessidade em São Paulo e um modelo a ser repetido.

O parque é resultado de vinte anos de mobilização da sociedade e de aperfeiçoamento da legislação urbanística. É um dos parques previstos no Plano Diretor Estratégico (em 2002 e 2014) e sua implantação utilizou os instrumentos por ele criados, como a transferência do direito de construir. Representa um ganho para o centro expandido, particularmente para a Subprefeitura da Sé, onde vivem cerca de 430 mil paulistanos.

Mas, nesse momento de celebração, não posso deixar dar a voz ao Padre Ticão, que infelizmente já não está mais entre nós (faleceu em janeiro), reproduzindo um diálogo que tivemos em 2014.

Pessoas sentadas em parque, próximo a uma bicicleta apoiada em pedra
Movimentação no primeiro dia de funcionamento do Parque Augusta - Adriano Vizoni/Folhapress

Após eu defender a importância do Parque Augusta, ele disse: "se o prefeito gastar cem milhões [valor que as incorporadoras Cirela e Setim pagaram pela área em 2013] para fazer esse parque, eu vou organizar o povo da Zona Leste para uma grande manifestação na porta da prefeitura. Para a periferia, o discurso é que faltam recursos para o mínimo. Dinheiro que sobra no centro."

Durante quase quarenta anos, Ticão lutou por direitos sociais em um trabalho de base em sua igreja São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo. Depois de um forte envolvimento com a luta pela moradia, ampliou sua pauta por direitos. Ele dizia: "Não precisamos só de moradia. Precisamos de saúde, educação, centros culturais, parques, espaço público. Tudo isso que vocês têm no centro, nós precisamos na periferia."

É evidente que, do ponto de vista da redução das desigualdades urbanas, ele estava certo. Cerca de 93% dos 168 novos parques previstos no Plano Diretor de 2014 estão nos distritos de maior vulnerabilidade, onde deveria ser prioritária a implantação de parques e outros projetos de qualificação urbana.

Dezenas de glebas destinadas a parques na periferia aguardam desapropriação ou obras de implantação, como os parques dos Búfalos (Cidade Ademar), da Fazenda da Juta (Sapopemba), da Brasilândia (Freguesia-Brasilândia) e da Luta dos Queijadas (Perus), entre muitos outros.

Um dos objetivos do PDE (Plano Diretor Estratégico) é reduzir as desigualdades da cidade e isso só será alcançado priorizando os investimentos públicos nas áreas de maior vulnerabilidade. Mas a prefeitura continua reproduzindo a lógica tradicional de concentração dos investimentos nas áreas mais privilegiadas, como mostrou o discutível investimento de R$110 milhões no Vale do Anhangabaú.

Isso não significa que o Parque Augusta não deveria ser implantado. Ele se tornou um símbolo da luta por mais parques na cidade. Abrir áreas públicas verdes no meio da selva de concreto é fundamental para o equilíbrio urbano, ainda mais em uma área com tanto valor histórico e ambiental.

Mas implantado isoladamente, sem de um plano de criação de novos parques que contemple todas as regiões, ele reforça a desigualdade.

É urgente a prefeitura elaborar, de forma participativa, o Plano Municipal de Áreas Verdes, proposto no PDE há sete anos e não implementado, para estabelecer a prioridade dos investimentos públicos em novos parques, considerando o custo-benefício e um melhor equilíbrio entre as regiões da cidade.

Nesse sentido, é necessário analisar o custo real de implantação do Parque Augusta, o mecanismo de transferência do terreno para a prefeitura e se não havia alternativas melhores e menos onerosas.

Quando as incorporadoras propuseram "doar" o terreno de 24 mil metros quadrados para o município, elas receberam não os cem milhões de reais que gastaram em 2013 e que escandalizavam o Padre Ticão (R$ 163 milhões, em valores atualizados), mas R$239 milhões em potencial construtivo (em valores atualizados).

Para incorporadoras, potencial construtivo é o mesmo que dinheiro. Ao invés de pagarem a outorga onerosa devida ao Fundurb, as empresas utilizam as certidões de potencial construtivo transferido do terreno do Parque Augusta para aprovarem seus empreendimentos.

Esse valor (R$239 milhões), que deixa de entrar no Fundurb, seria utilizado em intervenções que, prioritariamente, se a lei fosse cumprida, deveriam reduzir a desigualdade socioterritorial da cidade.

A doação de terrenos para parques, em troca da transferência de potencial construtivo é um instrumento previsto no Plano Diretor que pode ou não ser interessante para o município, a depender do cálculo da contrapartida, que depende de fatores como o valor do terreno no cadastro municipal.

Cabe à prefeitura e aos órgãos de controle avaliarem, em cada caso, se a contrapartida é interessante para o poder público, ou se é melhor utilizar outro instrumento para obter a área, como a desapropriação.

No caso do Parque Augusta, a transferência do potencial construtivo foi prejudicial ao erário público e altamente vantajosa para os proprietários do terreno. Eles se livraram de uma área que tinha inúmeras restrições urbanísticas, ambientais e arqueológicas, recebendo um valor 46% superior ao que pagaram, descontada a inflação.

A área tinha mata nativa, era tombada e gravada como Zona Especial de Interesse Ambiental (Zepam), com coeficiente de aproveitamento de 0,1, estava destinada a parque por duas leis municipais e tinha um forte movimento social, cultural e urbano que se opunha a qualquer empreendimento imobiliário, com o apoio de uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público, da mídia e de muita gente famosa.

Na verdade, a propriedade tinha se tornado um verdadeiro "mico". Os incorporadores tentavam aprovar um projeto baseados em um "direito de protocolo" antigo, com escassas chances do empreendimento vingar.

Nessas condições, eles receberam um presentão da municipalidade e com muita satisfação aplicaram onze milhões para implantar o belo, mas pequeno, parque de 2,4 hectares que a cidade recebeu, a peso de ouro (R$ 10 mil o metro quadrado).

Com os quase R$ 240 milhões que São Paulo investiu, seria possível obter terrenos e implantar dezenas de parques previstos. Por exemplo, a desapropriação dos 35 mil metros quadrados do Parque da Fonte, no Morro do Querosene (Butantã), custou cerca de cinco milhões, 2% do que se gastou no Parque Augusta.

Como morador do centro expandido, estou feliz com o novo parque, que vou frequentar com satisfação, embora sempre me lembrando dessa conversa com o Ticão.

Mas como um gestor preocupado com uma boa utilização dos recursos públicos e com a redução das desigualdades urbanas fica uma interrogação: não podíamos ter encontrado uma solução melhor?



_________________________________________________Opinião - Ricardo Melo: Que tal falarmos do NARIZ do Luciano HUCK?

Com morte de Marília Mendonça, PSEUDO_TELEJORNALISMO brasileiro desce ao ESGOTO 

Confesso que não conhecia, salvo referências indiretas, o trabalho de Marília Mendonça. Gosto de música, meus rádios ficam ligados o dia inteiro, mas o gênero sertanejo nunca foi dos meus preferidos. Não sou hipócrita.

Penitencio-me como jornalista por não me aprofundar em um fenômeno musical internacional. Não para falar bem ou criticar, mas por desconhecer a dimensão da cantora/compositora e tentar entender os motivos de seu sucesso.

Marília Mendonça em show em 2019
Marília Mendonça em show em 2019 - Divulgação

Então passei o fim de semana ouvindo alguém que eu desconhecia de fato. Assisti a inúmeros especiais dedicados a alguém que tão jovem foi vítima de tamanha tragédia.

Descobri quanto tempo perdi dedicado à política, bandidos engravatados e candidatos a tanto –embora estes sejam, infelizmente e por dever de ofício, minha matéria-prima.

Marília trouxe à tona em suas composições e canções um universo escondido por trás de um machismo insuportável, herdeiro do escravismo e patriarcalismo que até hoje sobrevivem no Brasil.

Veja só: quem melhor interpretava os sentimentos das mulheres, segundo celebravam (e celebram) "especialistas de ocasião", até então era um homem. Chico Buarque de Hollanda.

[ x ]

Mas nada se compara à cobertura canhestra que telejornais e colunistas de segunda, terceira ou quarta.

Luciano Huck superou-se a si mesmo na própria insignificância no programa deste domingo. "Ela estava tão magrinha", referindo-se ao shape de Marília. Como se isto fosse o importante na carreira vitoriosa que ela trilhou desde a adolescência.

Sou de uma geração em que as "formas" nos foram impingidas como exemplos de beleza e sucesso.

Felizmente os tempos querem mudar e estão mudando. O empoderamento feminino vem se impondo. Não era sem tempo.

Em séculos passados, o homem gordo e barrigudo era sinal de sucesso. Depois, as modelos anoréxicas viraram exemplo de triunfo. Hoje, pensávamos que o caráter, afeto e o companheirismo tinham superado tudo isto.

Nada disso. Temos Lucianos Hucks espalhados e alimentados por um retrocesso sem precedentes. Gente como JMB (dito Bolsonaro) gabou-se de ter um apartamento em Brasília para "comer gente".

Imaginem a situação: "apesar do nariz avantajado, perfil discutível, de ser herdeiro de milionários e mal manejar o português, Luciano Huck nos deixou".

O que falariam nossos "especialistas"?

Angélica que se cuide com a balança.

_________________________________________________Joe Biden está sem rumo _ Pelo andar da carruagem, republicanos podem retomar controle do Congresso no ano que vem.

Pelo andar da carruagem, republicanos podem retomar controle do Congresso no ano que vem. Falta de rumo dos democratas pode ser ilustrada pelo caso paroquial, mas também significativo, do blogueiro Allan dos Santos

O presidente americano Joe Biden conseguiu perder a eleição na Virgínia um ano depois de ter vencido naquele estado com uma vantagem de dez pontos. Pelo andar da carruagem, os republicanos poderão retomar o controle das duas casas do Congresso no ano que vem, ressuscitando o trumpismo. A falta de rumo dos democratas pode ser ilustrada pelo caso do blogueiro Allan dos Santos. É um episódio menor, paroquial, e também significativo.

Tendo prometido uma revisão da política de controle das fronteiras e escolhido sua vice, Kamala Harris, para cuidar da encrenca, Biden não sabe para onde ir, e Kamala, com seu imenso sorriso, simplesmente sumiu.

Entre o final do governo Trump e outubro passado, foram deportados 56.881 brasileiros que tentavam entrar nos Estados Unidos sem a documentação adequada. É o jogo jogado, não tem os papéis, volta para casa. E Allan dos Santos?

O blogueiro está nos Estados Unidos desde julho do ano passado, e no início de outubro teve sua prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Seu visto de turista expirou há tempo, e Moraes pediu que ele fosse recambiado para o Brasil.

O blogueiro, estrela do bolsonarismo eletrônico, defende-se e quer ficar por lá. Ele sustenta que é jornalista e está sendo perseguido. Há dias, ele voltou ao ar: “Eu não sei se o Alexandre vai conseguir me calar. Mas uma coisa eu tenho certeza, e essa certeza é absoluta: quando vierem me calar, estarei falando.”

A diplomacia americana pode oferecer abrigo a Allan dos Santos ou pode tratá-lo como trata os estrangeiros sem a documentação adequada. O que não tem sentido é que nada faça. Faz tempo, ela deu asilo a Leonel Brizola em poucos dias, e não faz tempo, a imigração americana embarcou mais um avião de deportados para o Brasil.

Biden está sendo comido pelos dois lados. Pela direita, porque tem uma agenda de centro. Pela esquerda, pelo mesmo motivo. Se isso fosse pouco, dorme durante reuniões chatas.

Eremildo, Bolsonaro e Moro

Eremildo é um idiota, e por isso leu três vezes o depoimento de Bolsonaro à Polícia Federal. Lá está escrito o seguinte:

“Ao indicar o delegado Alexandre Ramagem ao ex-ministro Sergio Moro, este teria concordado com o presidente desde que ocorresse após a indicação do ex-ministro da Justiça à vaga no Supremo Tribunal Federal.”

A frase telegráfica não permite dizer que Moro ofereceu uma troca. De certa forma, não permite dizer coisa alguma. Tudo ficaria mais claro se Bolsonaro pudesse reproduzir o que ouviu, contando quando a conversa ocorreu. Pelo que o depoimento registra, Eremildo acha que a história não faz sentido.

A conversa mencionada por Bolsonaro teria ocorrido em abril de 2020. O presidente queria para logo a nomeação de Ramagem para a chefia da Polícia Federal, mas a vaga do ministro Celso de Mello só viria em setembro, mais de quatro meses depois.

Sem as imprecisões que o tempo impõe à memória, Eremildo acha que merece crédito a curta troca de mensagens ocorrida naqueles dias entre a deputada Carla Zambelli e o então ministro da Justiça:

“Por favor, ministro, aceite o Ramagem e vá em setembro para o STF. Eu me comprometo a ajudar a fazer JB (Jair Bolsonaro) prometer”.

Moro respondeu: “Prezada, não estou à venda”.

Lula com Alckmin

De uma víbora do Centrão, experiente porém suspeita:

O Lula pode estar fingindo que oferece a vice ao Geraldo Alckmin, e ele finge que acredita.

Racharam Alcolumbre

O episódio das rachadinhas no gabinete do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) ajudou a passar a escolha de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal.

Até o fim deste mês, Alcolumbre liberará o nome de Mendonça para ser votado na Comissão de Constituição e Justiça, e logo depois ele irá ao plenário. Se a ajuda será suficiente para formar uma maioria, é outra história.

Jaboticabas

Um magistrado brasileiro recebia a visita de colegas americanos quando surgiu o tema dos precatórios.

Os americanos queriam saber o que era aquilo, e o juiz explicou que se tratava de dívidas reconhecidas pelo Judiciário e que não eram pagas. Por delicadeza, mudaram de assunto.

Em outra ocasião, o juiz Antonin Scalia disse que não entendia por que em Pindorama dizia-se que uma lei (da ditadura) era considerada legal, porém ilegítima. “Para mim, isso é blablablá”, disse Scalia.

Explicaram-lhe que de acordo com os Atos Institucionais, as medidas praticadas com base neles não podiam ser apreciadas pelo Judiciário.

Perplexo, Scalia abandonou o tema.

Moro e Dallagnol

Se o ex-juiz Sergio Moro e o agora ex-procurador Deltan Dallagnol disputarem cadeiras no Congresso, terão a surpresa de suas vidas. Na Câmara e no Senado, a voz de qualquer parlamentar vale o mesmo que a deles. Nenhum dos dois habituou-se a tamanho desconforto.

Se Moro disputar uma cadeira de senador, não aguenta oito anos de exercício rotineiro do mandato.

Gatilho rápido

Durante a campanha eleitoral do ano que vem, o Tribunal Superior Eleitoral pretende entrar no salão com o dedo no gatilho.

Pode-se acreditar que os suspeitos de sempre arriscam ir para a cadeia. Mais que isso: chapas e/ou candidaturas poderão ser embargadas.

Desta vez, nenhum processo rolará durante três anos.

A lira da Câmara

Arthur Lira, o presidente da Câmara, não é um personagem simpático, e suas ideias são claras como a noite, mas ele reuniu tamanho arsenal que de pouco adianta prever suas derrotas.

É melhor virar a chave: em princípio, ele ganha.

Petrobras

Bolsonaro recebeu sinais de seu mundo para que esfrie o debate em torno de uma eventual venda da Petrobras.

Quando ele quis colocar velhos amigos no governo, as cerejas desses bolos vieram da Petrobras.

A menos que ele encarregue D. Hélder Câmara e D. Eugênio Salles para desenhar uma eventual privatização da empresa, o tema fluirá para um só estuário, no qual naufragou o navio do comissariado petista.

Quando Fernando Henrique Cardoso privatizou a Vale do Rio Doce, com um caroço muito menor, o capitão defendeu seu fuzilamento.

Crivella candidato

A notícia segundo a qual o ex-prefeito Marcelo Crivella poderá disputar uma vaga no Congresso livraria o governo do constrangimento de ter que esquecer sua nomeação para a embaixada na África do Sul.

Indicado em junho, o doutor ficou travado no silêncio do governo de Pretória, que não lhe concedeu o agrément. No início de outubro, Bolsonaro ligou para o presidente Cyril Ramaphosa e pediu sua ajuda.

Até agora, nada.

Dificilmente a iniciativa do capitão partiu de uma sugestão de diplomatas profissionais. Eles sabem que o silêncio de uma chancelaria sugere a retirada do pedido de agrément, e telefonemas desse tipo só servem para agravar a questão.

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Pesquisa indica que jornais impressos estão definhando

8 de novembro de 2021, 09:36

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247 - Dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC) apontam que os jornais impressos tiveram uma queda de 13,6% no total de exemplares em setembro quando em comparação com o final de 2020. Desde 2016 a queda chega a ser superior a 50% (veja tabela ao final).

De acordo com o site Poder360, as maiores retrações foram registradas pelos jornais Folha de S.Paulo, O Globo, O Estado de S. Paulo, Super Notícia (MG), Zero Hora (RS), Valor Econômico, Correio Braziliense (DF), Estado de Minas, A Tarde (BA) e O Povo (CE). O  Super Notícia, que encabeça o ranking diário de tiragem média, foi o que mais encolheu (-19), é ligado ao jornal O Tempo. Em contrapartida, os jornais digitais avançaram 6,4%. 

Ainda conforme a reportagem, nenhuma das empresas de comunicação listadas acumulou alta na circulação impressa ao longo dos três primeiros semestres deste ano. Por outro lado, a mídia digital cresceu 6,4% em setembro frente a dezembro de 2020. A Folha de S. Paulo, segue liderando as assinaturas digitais pagas, com 302.880 assinantes, seguido pelo O Globo, com 301.779. Neste ano, o crescimento dos dois veículos foi de 8,9% e 14,5%, respectivamente. O Super Notícia registrou a maior queda entre os jornais digitais (-44,7%).

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A reportagem destaca, ainda, que no comparativo do ano passado com setembro de 2021, “o total de leitores das versões impressas e digitais dessas 10 empresas teve ligeira alta (0,3%). Em dezembro de 2020, a circulação era de 1.421.577 cópias por dia. Em setembro de 2021, a cifra foi de 1.426.253”. 

Veja a tabela com os números:
tabela jornais

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Miudezas | Opinião - O Globo

Miudezas

Por Dorrit Harazim

Nem mesmo uma arrancada tão concreta rumo a algum futuro para o país, como o ingresso do Brasil no universo 5G, consegue escapar da marca impressa por Jair Bolsonaro em tudo o que faz. Assim será enquanto durar o seu inquilinato no Palácio da Alvorada. Diante dos desdobramentos múltiplos do leilão ocorrido nesta semana, a fala presidencial na cerimônia de abertura acabou engolida pelo noticiário do substantivo fato em si. Ótimo. Mas é com miudezas de grandes momentos que se constrói, também, o retrato de um governante. Vamos então às miudezas.

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Foram menos de dez minutos de discurso no estilo definido por um ácido observador diário do presidente como “perdido de amor por si próprio”. Jair começou narrando sua visita à “Torre de PiZZa”, entrementes um clássico nos anais dos discursos da República. Por sorte, o intérprete de Libras da Presidência, Fabiano Rocha, sinalizou ao mundo que a torre mencionada era mesmo a de Pisa. Também exemplar foi o chefe do cerimonial, Marcos Henrique Sperandio, que corrigiu com zelo a posição adequada do boné amarelão 5G depositado no púlpito pelo orador. Fundamental!

O que se seguiu foi patético. Apesar de o momento ser de relevância não apenas nacional, como também mundial, Jair parecia estar a falar para seus apoiadores de cercadinho — e de certa maneira estava, pois o magma governista ali perfilado lhe faz reverência semelhante. Alinhavou de uma lufada só a “fábrica de fake news que temos no Brasil” (referia-se à imprensa, não aos filhos); pulou de pistas e futuros hotéis flutuantes nos rios amazônicos para uma de suas obsessões pessoais — “facilitar a vida de quem gosta de jet ski”. Disse já ter conversado com o comandante da Marinha sobre o tema. Por nunca ter tirado a carteira de habilitação obrigatória no país e zanzar em motoneta aquática por onde vai, reclamou da burocracia e acenou com um frondoso advir do “turismo de jet ski”. O 5G serviria para “consolidar tudo isso aí...”.

Também enveredou por reminiscências de sua iniciação na web, quando “o Flávio tinha 8 anos...” e rememorou o espanto ao assistir a uma simulação do agronegócio que mostrava “uma mulher pilotando uma daquelas máquinas grandes...!”. “Já pensou”, prosseguiu animado, “uma mulher tirando uma fina de 5 centímetros! Tem que ter um coração do tamanho do Carreiro... Não tem quem não seja apaixonado pelo Carreiro aqui”. O Carreiro da frase, presente e quieto, era o ministro do Tribunal de Contas da União, Raimundo Carreiro, recém-indicado pelo presidente para a embaixada do Brasil em Portugal. Mesmo que a referência não tivesse sido feita em discurso sobre a chegada do 5G à terra brasilis, é difícil adivinhar o nexo entre uma operadora de equipamento agrário e o coração de quem vai representar o Brasil no país com quem temos relações umbilicais.

O tom coloquial — preferido do presidente quando não usa tom degradante ou raivoso — foi aplaudido. Ao final, ainda apresentou a intenção de “fazer da Itaipu Binacional um grande local de pesca” e dobrar a produção de pescado no local. Concluiu descrevendo “como vai ser tudo isso com a entrada da internet (sic) — fantástico”.

O perturbador é acharmos normal um chefe de nação não ter qualquer pretensão nem necessidade de se comunicar com a sociedade que governa. Basta a Jair improvisar algo chinfrim a título de visão de futuro, e seus apoiadores aplaudirão. Quanto à oposição, parece atolada em indignação turbinada em velocidade 5G. Resta a grande maioria dos brasileiros. Estes buscam a vivência humana espremidos entre duas manchetes, uma acima da outra, da Folha de S.Paulo de sexta-feira. A primeira anunciava “Bradesco aumenta lucro em 34,5% no terceiro trimestre, para R$ 6,76 bilhões” (na véspera, o Itaú Unibanco apontava lucro igualmente rombudo). A segunda, uma reportagem de Ideídes Guedes, era sobre a cotação de ossos: “Açougues de Fortaleza vendem ossos de boi ‘de primeira’ e ‘de segunda’ por até R$ 25”.

É num outro Brasil “de primeira” que Jair Bolsonaro outorgou-se, nesta semana, o título de Grão-Mestre da Ordem Nacional do Mérito Científico, reservada ao chefe da nação. E que o vereador carioca Carlos Bolsonaro viajou para a Itália com passaporte diplomático para acompanhar o pai à Torre de Pizza. E que o médico Ricardo Camarinha, assessor especial do presidente, está sendo acomodado no escritório de Miami da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex), a pedido do chefe.

São apenas miudezas diárias. Quando somadas às questões nacionais de vulto, porém, fica escancarado que a luta por uma sociedade mais decente deixou de ser opcional. É do compositor e maestro Leonard Bernstein, dono de uma genialidade tão singular quanto seu inarredável idealismo, uma concepção amorosa do ser humano. “Não posso prová-lo”, contou na longa entrevista a Jonathan Cott que virou livro, “mas no fundo do coração sei que toda pessoa nasce com vontade de aprender. Sem exceção. Toda criança estuda seus dedos da mão e dos pés... À medida que crescemos, aprendemos a ser cínicos, vamos gradualmente enrijecendo a arte do aprendizado, apagamos a luz da curiosidade e nos tornamos calcificados”. A menos que...

A cada um sua escolha. Ela é diária, permanente

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Marília Mendonça: Gafes de Luciano Huck marcam homenagem no 'Domingão'

Luciano Huck - Reprodução/Globoplay
Luciano Huck Imagem: Reprodução/Globoplay

De Splash, em São Paulo 07/11/2021 20h36 Atualizada em 08/11/2021 10h19

O "Domingão com Huck" de hoje foi dedicado a Marília Mendonça e reuniu artistas e fãs para celebrar a trajetória da cantora que morreu na sexta-feira (5), aos 26 anos, em um acidente aéreo. Ainda que o palco do programa tenha sido de forte emoções para os amigos da sertaneja, Luciano Huck foi protagonista de uma série de gafes.

O apresentador citou ao menos três vezes um pouso forçado que enfrentou em avião de pequeno porte em MS em 2015, errou o nome de Luísa Sonza e ainda foi criticado por comentar sobre o corpo de Marília Mendonça, Maiara e Maraisa ao citar apresentação das cantoras no programa no mês passado.

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"Eu sobrevivi"

Luciano Huck falou ao menos três vezes sobre o próprio acidente aéreo, que aconteceu em 2015 em MS ao tecer comentários sobre a queda do avião que deixou Marília Mendonça, de 26 anos, o produtor Henrique Ribeiro, o tio e assessor da cantora Abicieli Silveira Dias Filho, o piloto Geraldo Martins de Medeiros e co-piloto, Tarciso Pessoa Viana mortos.

Na ocasião do seu próprio incidente, todos os ocupantes saíram vivos. A aeronave na qual estava com a mulher, Angélica, e os filhos fez um pouso forçado após sair de Miranda, a 201 km da capital, região do Pantanal, onde Angélica gravava cenas do programa "Estrelas".

Interrupções e troca de nome do piloto

Huck ainda trouxe para o palco o especialista em aviação Lito Sousa para entrar em detalhes sobre como Marília Mendonça poderia ter morrido, citando até mesmo os impactos de um acidente aéreo nos órgãos internos de uma vítima. Além de interrompê-lo para fazer discursos longos e equivocados, a conversa se deu com todos os artistas e amigos de Marília Mendonça no palco, obrigados a ver e ouvir tudo.

Além disso, Huck errou informações básicas sobre o acidente, desde o horário da queda da aeronave até, ao falar sobre os ocupantes, esquecer o nome do piloto que estava no comando da aeronave, Geraldo Martins de Medeiros. Lito foi quem o salvou.

Comentários desinformados e inapropriados

Luciano Huck creditou ao início da carreira de Marília Mendonça uma música que foi escrita pelo irmão dela este ano. A canção "Você Não Manda em Mim" foi composta pelo cantor João Gustavo e a faixa fala sobre todos os tipos de violência doméstica. O apresentador dizia que ela a fez com "uns 15 anos".

Além disso, ao relembrar a última apresentação de Marília Mendonça no programa, ao lado de Maiara e Maraisa, no mês passado, Huck destacou que as três estavam "magrinhas".

Três semanas que eu estava com as três no palco. Na verdade, era só metade das três no palco, porque elas estavam as três magrinhas.

O comentário gerou revolta nas redes sociais.

Luísa "Souza"

Luísa - Reprodução/GloboPlay - Reprodução/GloboPlay
Luísa Sonza caiu no choro ao lado de Thierry Imagem: Reprodução/GloboPlay

Ao convidar Luísa Sonza para o palco para que ela cantasse a música "Graveto", ao lado de Tierry, Luciano Huck chamou a cantora de "Souza" e ainda brincou, afirmando que só não valeria chorar para a execução da canção.

Bom senso zero e apresentação "forçada"

Após a exibição de uma carta coletiva para o filho de Marília Mendonça, Léo, todos os artistas presentes começaram a chorar no palco. Vale destacar que muitos deles, como Luísa Sonza e Naiara Azevedo, estavam ontem em Goiânia para a despedida da cantora.

Luciano Huck, por sua vez, ignorou a comoção geral e insistiu, mais de uma vez, para que os artistas para cantarem no palco. "Tá uma choradeira aqui, vocês conseguem cantar, não?", disse ele antes da execução de "Infiel". Alguns, como Naiara Azevedo, negaram, ainda secando as lágrimas. Isso não impediu o apresentador de insistir e conduzir todos para cantarem antes que pudessem se recompor.

O comportamento, durante o que deveria ser uma homenagem, não passou batido nas redes sociais.

O acidente

Marília Mendonça morreu na sexta-feira após a queda do avião que a levava para Piedade de Caratinga (MG), a 309 km de Belo Horizonte, onde faria um show para 8.000 pessoas neste fim de semana. A queda aconteceu por volta das 15h30.

Além de Marília Mendonça, morreram o produtor Henrique Bahia, o assessor e tio da cantora, Abiceli Silveira Dias Filho, o piloto Geraldo Martins de Medeiros e o copiloto Tarciso Pessoa Viana. O avião estava a 2 km do aeroporto onde iria pousar quando caiu, em um local de difícil acesso.

A aeronave teria atingido o cabo de uma torre de distribuição de energia elétrica antes de cair em um curso d'água, segundo a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), que administra o fornecimento de eletricidade na região. O acidente é investigado pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e provocou a interrupção de acesso a energia elétrica para 33 mil pessoas.

O avião saiu de Goiânia com destino ao aeroporto de Caratinga (MG). O restante da banda fez o trajeto de ônibus e já aguardava pela cantora na cidade.

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As frases de Bolsonaro que um porta-voz demitido meticulosamente anotou | Lauro Jardim - O Globo

Por Amanda Almeida

Daniel Marenco

Demitido de forma melancólica do cargo de porta-voz da Presidência da República em 2020, sem nem direito a um encontro final com Jair Bolsonaro, o general Otávio Rêgo Barros sempre foi um homem metódico.

Nos quase dois anos em que ocupou o cargo, anotou tudo o que podia em moleskinis que sempre levava consigo. Especialmente, as audiências com o presidente, cujas falas o general registrava textualmente, sempre aspeadas, mesmo que fossem impublicáveis na função de porta-voz.

Hoje na reserva, Rêgo Barros reúne uma coleção desses caderninhos que, de acordo com amigos, podem virar um livro futuramente.

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Saiba como manter a mente saudável na volta ao trabalho presencial

Especialistas dão dicas de readaptação para quem vai deixar o home office
Durante a pandemia, Mariana Craveiro, de 28 anos, adotou o Pingado, que virou companheiro inseparável no trabalho em casa. Agora, com a retomada do trabalho presencial, os dois terão que se adaptar a uma nova rotina. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Durante a pandemia, Mariana Craveiro, de 28 anos, adotou o Pingado, que virou companheiro inseparável no trabalho em casa. Agora, com a retomada do trabalho presencial, os dois terão que se adaptar a uma nova rotina. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

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SÃO PAULO — Nos últimos meses, entre reuniões e demandas profissionais, a representante comercial Mariana Craveiro, de 28 anos, teve uma companhia inseparável no home office: o vira-lata Pingado, adotado no início da pandemia. Agora, com a proximidade de voltar ao trabalho presencial, ela se diz apreensiva com a adaptação a uma nova rotina. 

— Essa vai ser a parte mais difícil para mim na "volta à realidade”. Pingado estava acostumado à minha presença 24 horas. Para me preparar, me amparei com dicas de como manter o ambiente mais rico para ele, com distrações e petiscos, busquei adestramento, creche. Fiz de tudo, mas ainda fico preocupada — conta Mariana. 

Preparar os animais de estimação para o desgrude é um entre vários dilemas para quem teve opção de trabalhar em casa na pandemia e terá que retornar ao presencial, movimento previsto em muitas empresas nas próximas semanas. A volta implica também reaprender a encarar o trânsito e o transporte público, voltar a socializar e comer fora, conviver menos com os filhos, deixar o ambiente controlado do lar, doce lar. Mas, em tempos em que tanto se falou sobre prevenção e cuidados, há formas de tornar esse retorno menos sofrido, para o bem da saúde mental.

— Vamos precisar de tolerância, com os outros e conosco. A vida dentro de casa se acomodou de tal maneira que é como se estivéssemos desacostumados a compartilhar e negociar nossos costumes, modos de expressão, de afetos e contrariedades — explica o psicanalista Christian Dunker, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). 

A boa notícia, afirma, é que isso tende a passar com o tempo. A dica é entender e dar espaço para um tempo de transição.

Acordar mais cedo

Reaprender a ter horários estritos Foto: André Mello
Reaprender a ter horários estritos Foto: André Mello

Para muita gente, foi fácil se habituar a acordar em cima da hora do expediente. Afinal, o "local de trabalho", o computador, estava logo na mesa ao lado. Com a necessidade de sair de novo, o corpo precisará se reacostumar a horários. Por isso, o primeiro conselho é mudar o ciclo de sono. Em outras palavras, passar a dormir mais cedo.

— É uma questão de estabelecer uma rotina de novo. Para ter o horário de acordar, vai ser preciso ter o de dormir. Se a pessoa vai ter que acordar às 6h, é bom deitar às 22h. Com um sono regularizado, de mais ou menos oito horas, o resto irá se regulando aos poucos. Existe toda uma questão hormonal e física baseada nisso — diz a psiquiatra Danielle Admoni, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Guardar pijamas e ressocializar

Voltar a usar roupa de trabalho exige adaptação Foto: André Mello

Muita gente aposentou o guarda-roupa social com a jornada de trabalho em casa e adotou roupas mais informais quando a câmera do Zoom não estava ligada. Devolver o pijama ao armário pode ser balde de água fria, mas arrumar-se para sair também tem suas vantagens para a mente. 

— Além de se colocar apresentável para o outro e para si mesma, que é o mais importante, arrumar-se ajuda na construção da motivação para sair de casa — diz Danielle. 

Vale até separar a roupa do trabalho na noite anterior, afirma:

— Isso ajuda a planejar o dia seguinte. A rotina tem um potencial organizador, fisicamente e psiquicamente também. É importante encarar de maneira positiva.

A ressocialização com os colegas também vai exigir tempo e paciência, diz Danielle:

— Tem gente que diz que não vai aguentar o colega do lado tossindo, o que masca chiclete, o que canta enquanto trabalha. Mas é isso, precisamos aprender a lidar com o outro. Ninguém consegue viver sozinho. A readaptação é um esforço. E a palavra chave nesse momento é flexibilidade.  

Sair de casa

Frequentar restaurantes é um dos hábitos perdidos na pandemia Foto: André Mello
Frequentar restaurantes é um dos hábitos perdidos na pandemia Foto: André Mello

Para muitos, a casa foi praticamente um refúgio diante da incerteza e da agressividade da pandemia. Natural que seja difícil sair desse lugar de conforto. 

— Não dá para imaginar que as pessoas vão abrir a gaiola e já sair voando como passarinhos. Primeiro vão querer voar para a árvore mais próxima, sentir que podem retornar. É importante respeitar os sinais de angústia, de ansiedade e medo — diz Dunker.

Com o tempo, reforça, será possível restabelecer a relação com a casa e a rua: 

— Antes de tudo isso, tínhamos uma ideia de que o lar era legal porque é o lugar para onde a gente volta. Curtir a rua também é bom. Permitir-nos lembrar disso vai até tornar a casa mais interessante.

O medo da contaminação e até a chance de ter uma alimentação mais controlada em casa ainda podem criar resistências para retomar os almoços de trabalho fora.

— Organizar-se para levar comida de casa é algo que pode ajudar muito nessa transição — sugere Danielle.

Outra dica é encarar o horário de almoço fora como um momento de pausa e desfrute, algo que muitas vezes se perdeu na mistura do ambiente profissional com o doméstico.

Voltar a enfrentar o trânsito e o transporte público

Transporte público ficou algo que quem conseguiu ficar em home office desacostumou a usar Foto: André Mello

Para quem escapou de buzinas e engarrafamentos, não vai ter jeito: no início, a volta ao trânsito vai irritar, e a sensação de perda de tempo será inevitável. Mas, se o deslocamento for também impossível de evitar, a dica é tentar torná-lo mais leve. 

— É essencial buscar coisas prazerosas nesse trajeto. Escutar uma música, ler um livro. Usar esse tempo aparentemente perdido para fazer algo bacana para si. Vale pensar: "Ok, o trânsito é chato, o trajeto pode ser longo, mas já que estou aqui, vou tentar aproveitar da melhor maneira possível" — aconselha Danielle. 

Menos convívio com os filhos

É preciso preparar os filhos para ausências maiores dos pais, processo que pode ser gradual Foto: André Mello
É preciso preparar os filhos para ausências maiores dos pais, processo que pode ser gradual Foto: André Mello

Com escolas fechadas e sem o tempo de deslocamento ao trabalho, pais e filhos ganharam mais tempo juntos. É verdade que muitas vezes a rotina ficou caótica, mas o aumento do convívio foi benéfico para muitas famílias. Por isso, com a volta ao trabalho presencial, as mudanças não devem ser bruscas. As recomendações variam com a idade dos filhos e a situação familiar, diz o pediatra Daniel Becker, professor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ. 

No caso de crianças pequenas, o ideal é que os pais negociem com os empregadores retomar a jornada gradualmente, para acostumar as crianças aos poucos e reduzir fantasias de que os pais desapareceram. 

— Pais e mães podem alternar ficar mais horas por dia em casa no começo, por exemplo — diz. — Quem morar perto pode fazer um break para dar um pulo em casa, ou pegar mais cedo na escola, levar na pracinha, brincar ao ar livre. E, durante o expediente, valem telechamadas, esteja a criança em creche ou com cuidadores.

Para crianças mais velhas, os pais devem abrir o jogo, conversar, explicar as mudanças e até levar ao local de trabalho. 

— Sofrimento e alterações de comportamento são esperados no início. Os filhos podem ficar mais grudados, apegados, chorosos, ou até mais birrentos e agressivos. Comportamento é uma forma de comunicação. É importante acolher esse sentimento e conversar. E, no tempo que estiverem juntos, interagir e brincar bastante, principalmente ao ar livre — completa. 

Se o sofrimento apertar, é importante buscar apoio psicológico.

Animais de estimação sozinhos em casa

O processo de acostumar os animais à volta aos horários normais pode ser árduo Foto: André Mello

Pets foram "colegas de trabalho" frequentes no home office. Assim como no caso das crianças, as mudanças também devem ser graduais com eles. E, desde já, os tutores podem começar a fazer pequenos treinos com os animais em casa.

— Para ficarem sozinhos, cachorros precisam de distração e atividades. Uma dica é pelo menos uma hora ao dia deixá-los sozinhos em um cômodo diferente, com algum estímulo que os entretenha. Valem petiscos escondidos pela casa, brinquedos interativos — sugere Sabrina Vidal, gerente-geral e adestradora da Escola do Latir, na Zona Oeste de São Paulo. 

Sem estímulos e sozinhos, os cães começam a procurar o que fazer, e muitas vezes isso pode ser destruir algo em casa.

— Se o cachorro for muito ansioso, o ideal é começar com períodos reduzidos várias vezes ao dia e ir aumentando gradativamente, até que ele fique confortável. Aos poucos ele vai entender que está tudo bem ficar sozinho, que ele vai ter o que fazer — completa Sabrina. 

As creches podem ajudar no adestramento, na socialização e no gasto de energia. 

Voltar a usar banheiro compartilhado

Banheiro público: preocupações com higiene da pandemia tendem a ser maiores nesses espaços Foto: André Mello
Banheiro público: preocupações com higiene da pandemia tendem a ser maiores nesses espaços Foto: André Mello

Além da comodidade, o banheiro de casa virou local de limpeza controlada em tempos de Covid. Como voltar a compartilhar um espaço depois de tanta recomendação de higiene e distância? 

— O banheiro de casa pode estar malconservado, empoeirado, mas sentimos que é limpo porque é nosso. Não sentimos o próprio cheiro, a própria bagunça. Ao voltar a dividir o banheiro com o outro, a primeira coisa vai ser reduzir as expectativas de ordem. E se abrir ao aprendizado de como se misturar de novo — diz Dunker. 

Tentar manter esse e outros espaços coletivos em boas condições, de todo modo, ajudará a todos no estranhamento inicial de voltar ao uso compartilhado. 

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Artigo: Marília Mendonça quebrou padrões e abriu portas na música sertaneja

Jovem compositora que se impôs como cantora foi porta-voz de uma geração e agora inspira novas e novos artistas
André Piunti, especial para O GLOBO
06/11/2021 - 23:45 / Atualizado em 07/11/2021 - 00:00
Marília Mendonça Foto: Agência O Globo
Marília Mendonça Foto: Agência O Globo

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Há uma lista de mulheres importantes na quase centenária História da música sertaneja, mesmo com o desconforto que causavam em um gênero dominado por homens: Inezita Barroso, As Galvão, Nalva Aguiar, Inhana e tantas outras marcaram época. E há semelhanças importantes na história de duas delas: Roberta Miranda e Marília Mendonça.

Compositora de mão cheia nos anos 1980, Roberta era responsável por sucessos de diversas duplas masculinas. Era uma mina de ouro como autora, e por isso mesmo, não havia quase nenhuma intenção das gravadoras em transformá-la em uma cantora.

De tanto brigar, conseguiu gravar seu primeiro LP e virou uma das maiores vendedoras de discos daquela década. Marília também precisou falar grosso. Ouviu, por diversas vezes, que ainda era muito nova, mas se manteve firme com o propósito de cantar.

Tinha dois grandes defensores de sua carreira como cantora: Henrique e Juliano. Os irmãos, que faziam parte do mesmo escritório que ela, eram os maiores incentivadores de sua missão como cantora.É autora de duas canções que consagraram a dupla: “Até você voltar” e “Cuida bem dela”. São dela, também, “Calma”, de Jorge e Mateus, e “É com ela que eu estou”, de Cristiano Araújo — todas de quando sua voz ainda não era conhecida.

Pelas mãos de Wander Oliveira, na época já um dos principais empresários artísticos do Brasil, teve sua carreira anunciada com grande investimento e estrutura. O “produto Marília”, lançado em 2015, virou um fenômeno em 2016.

Porta-voz e de uma geração

Identificação e representatividade são termos que explicam bastante a ascensão meteórica da jovem, entre 2015 e 2016. Por que uma moça de 20 anos não poderia cantar seus sofrimentos, com uma garrafa na mão, para meninas iguais a ela? Por que só homens tinham esse direito? A quebra do padrão foi uma bomba no mercado de música sertaneja e abriu as portas para uma série de cantoras, que entraram e se mantiveram até hoje.

Surpreendeu, desde o início de seu sucesso, sua capacidade de transitar entre gêneros distantes do sertanejo. Ouvia Racionais no camarim, gostava de Dilsinho e da poesia de Vander Lee. Saltou a barreira do gênero ao gravar uma canção de autoria própria com Gal Gosta, a celebrada “Cuidando de Longe”. Fora de seu cercado sertanejo, cantou “Leão” em projeto recente do Xamã, e fez registros ao lado de Anitta, Péricles e Ivete Sangalo.

Na música sertaneja, gravou com Luan Santana, Chitãozinho e Xororó, Bruno e Marrone e com seus maiores ídolos, Zezé di Camargo e Luciano. Em 2017, gravou justamente com Roberta Miranda uma canção sobre empoderamento feminino: “Os tempos mudaram”.

Sua grande parceria artística surgiu quando ainda não era famosa: ao lado das gêmeas Maiara e Maraísa. 

Gravaram álbuns juntas e anunciaram, nesse último semestre, o projeto “Patroas”, que era a grande aposta delas para o ano que vem, e que trouxe músicas escritas pelas três na época do anonimato.

Juntas, as amigas compositoras e sonhadoras transformaram para sempre o estilo musical mais ouvido do país.

Marília é a perda mais dolorida que a música sertaneja já sentiu. Era sucesso, era porta-voz de uma geração e um grande exemplo para novas e novos artistas.

André Piunti é jornalista especializado em música sertaneja

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Artigo: Obra de Marília Mendonça nos desafia a ampliar a agenda do feminismo

Dona de voz potente e autora letras que falam de amor, sexo e bebedeiras a partir do eu-lírico feminino, artista deixa legado amplo, rico e complexo
Simone Pereira de Sá e Pauline Saretto*
06/11/2021 - 19:13 / Atualizado em 07/11/2021 - 09:03
Marilia Mendonça durante show em Sorocaba em 2021 Foto: Foto: André Cardoso/Arquivo / Agência O Globo
Marilia Mendonça durante show em Sorocaba em 2021 Foto: Foto: André Cardoso/Arquivo / Agência O Globo

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Olha, pode ser que o feminismo não seja do jeito que você aprendeu nos livros — parecia sussurrar Marília Mendonça nos nossos ouvidos a cada nova canção. E talvez isso explique o rio de lágrimas que corre pelo Brasil neste momento em razão de sua trágica morte na sexta-feira, aos 26 anos. Vítima fatal de um acidente de avião, Marília nos deixa no auge da fama, ostentando os números mais superlativos do business musical brasileiro. É a artista de maior sucesso do feminejo, subgênero de sertanejo universitário representado por mulheres — com milhões de visualizações nas plataformas de streaming e YouTube, mais de 43 milhões de seguidores em suas redes sociais, somando Twitter e Instagram, além da live mais vista da pandemia, com 3,31 milhões de visualizações.

Mas, nada disso importa tanto. O que talvez explique a nossa dor é que parece que a gente acaba de perder aquela amiga que tá ali do lado pro que der e vier, pronta pra tomar uma cerveja e falar da vida. Aquela amiga carismática, inteligente e autêntica, que fala o que pensa e que manda o papo reto de “Supera”, quando a gente insiste naquela relação que vai dar em nada. “tá de novo com essa pessoa, não to acreditando, vai fazer papel de trouxa outra vez, cê não aprende mesmo. (…).” Ou que relembra o porre da noite passada que a gente queria muito esquecer: “Diz que aguenta bebida, tomou duas seguidas, perna bambeou, ainda não lembrou, vou refrescar sua memória” de “Bebaça”.

Já a solidão amorosa cantada em "Graveto", eternizando na sua voz alguns dos mais sensíveis versos da MPB, compostos por Lucas Moura de Paiva, Matheus Padua e Normani Pelegrino Filho, não é só para mulheres. “Você virou saudade aqui dentro de casa, se eu te chamo pro colchão, você foge para a sala, e nem se importa mais saber o que eu sinto, poucos metros quadrados virou um labirinto (…) Não adianta pôr graveto na fogueira que não pega mais”. Tal como em muitas canções que compôs para cantores como Wesley Safadão e duplas como Henrique & Juliano e Jorge & Mateus, a precoce compositora que escrevia desde os 12 anos, cantava e compunha em muitas línguas.

Dona de uma voz potente e de letras que falam de amor, sexo, desejo e bebedeiras a partir do eu-lírico feminino, sem medo de colocar o dedo na ferida — e de encarar um monte de controvérsias (sim, ela também foi cancelada em diferentes ocasiões por comentários que fez em suas redes sociais). A obra de Marília nos desafia a ampliar a agenda do feminismo, ao trazer para a conversa temas do cotidiano da vida das mulheres reais, de carne e osso, dos muitos Brasis que nos habitam, tais como traição, infidelidade ou prostituição.

E por isso mesmo, fica tão difícil perder essa aliada, logo nesse momento. Porque Marília Mendonça nos obriga a abrir os olhos e ouvidos para as muitas formas de ser mulher no Brasil do século XXI, deixando um legado amplo, rico e complexo que, passada a dor destes dias, a gente vai conseguir avaliar melhor.

Simone Pereira de Sá é professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisadora de música brasileira. Pauline Saretto desenvolve dissertação sobre o feminejo no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF.

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A duas semanas de eleição, avanço de líder da ultradireita no Chile anima seus pares na América Latina

Adotando cartilha de Trump e Bolsonaro, José Antonio Kast aparece na frente em parte das pesquisas para o primeiro turno; favoritismo é comemorado por aliados regionais
Candidato da ultradireita à Presidência do Chile, José Antonio Kast, durante evento com apoiadores nos arredores de Santiago Foto: IVAN ALVARADO / REUTERS/25-11-21
Candidato da ultradireita à Presidência do Chile, José Antonio Kast, durante evento com apoiadores nos arredores de Santiago Foto: IVAN ALVARADO / REUTERS/25-11-21

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A notícia foi replicada vertiginosamente nas redes sociais nos últimos dias e deixou em êxtase movimentos de ultradireita na América do Sul e no mundo: José Antonio Kast apareceu como líder em parte das pesquisas para o primeiro turno das eleições presidenciais de 21 de novembro no Chile. O ex-deputado Kast, fundador em 2019 do Partido Republicano, adota elementos da cartilha já implementada por líderes como Jair Bolsonaro e Donald Trump, ambos elogiados pelo candidato chileno em entrevista ao GLOBO.

Embora existam diferenças entre os atuais expoentes dessa vertente nos países vizinhos do Brasil — sobretudo quando a pauta são direitos civis como aborto e casamento gay —, as semelhanças são mais fortes.

Na disputa no Chile, Kast superou no campo conservador Sebastián Sichel, representante da centro-direita e candidato do presidente Sebastián Piñera. Ele promete lei e ordem, fechamento de fronteiras a imigrantes e distanciamento de "organismos que são utilizados pela esquerda para fazer ativismo ideológico", entre os quais cita o Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Questionado, o candidato chileno disse se definir como "um político de senso comum", mas não negou sua admiração por Bolsonaro, pelo ex-presidente Trump e pelo partido espanhol Vox, que vem trabalhando para unificar a ultradireita na América Latina e na Península Ibérica.

— Mais do que afinidade com líderes, nossa afinidade é com políticas. De Bolsonaro, destaco sua ferrenha luta contra a delinquência, as drogas e a corrupção. De Trump, sua reforma tributária. Do Vox, sua permanente vocação para defender a Espanha e pôr fim à imigração ilegal — disse Kast, que, segundo as pesquisas, deverá disputar o segundo turno em 19 de dezembro com o candidato da esquerda, o ex-dirigente estudantil e deputado Gabriel Boric.

Fronteiras fechadas

O candidato do Partido Republicano afirma que, se eleito, vai "fechar as fronteiras para a migração legal, para terminar com a crise humanitária que temos atualmente".

— Temos um sistema que permitiu uma imigração desregulada que nos deixou com problemas, incluindo os que chegaram como migrantes ao Chile e vivem em condições desumanas — afirmou Kast.

Na Colômbia, a senadora Maria Fernanda Cabal, do Centro Democrático, partido fundado e liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), é uma das pré-candidatas às presidenciais de maio de 2022, e uma de suas bandeiras é o questionamento da imigração em massa de venezuelanos para seu país. A senadora e o candidato chileno se falam com frequência, e a notícia do favoritismo de Kast foi comemorada por Cabal e seus aliados em Bogotá.

— Aqui, 80% da criminalidade são provocados por grupos venezuelanos. Eu teria feito um campo de refugiados há muito tempo. Temos guetos de venezuelanos onde operam agentes da Inteligência chavista, cubanos, e tudo isso esteve relacionado aos protestos de 2019 e deste ano — disse Cabal ao GLOBO, referindo-se às manifestações populares contra o governo de Iván Duque, que também é do partido de Uribe, mas procura se desvincular do ex-presidente.

A senadora, amiga do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e uma das figuras de proa do Vox espanhol, defende uma "intervenção para resgatar o povo venezuelano, porque, se não for pela força, nada acontecerá. Aquilo lá não é mais um país, é um regime criminoso

A senadora Maria Fernanda Cabal, que vê os países ex-comunistas da Europa como exemplo Foto: Divulgação
A senadora Maria Fernanda Cabal, que vê os países ex-comunistas da Europa como exemplo Foto: Divulgação

Aliança com o Vox

Kast, Cabal e o candidato a deputado argentino Javier Milei, grande surpresa das primárias de setembro para as eleições legislativas do próximo domingo, dia 14, firmaram, em 2020, a chamada Carta de Madri, cujo tema central é a suposta defesa "da liberdade e da democracia na iberoesfera".

O texto, que também contou com a adesão de Eduardo Bolsonaro, diz que "uma parte da região está sequestrada por regimes totalitários de inspiração comunista, apoiados pelo narcotráfico e terceiros países. Todos eles, sob o guarda-chuva do regime cubano e iniciativas como o Foro de São Paulo e o Grupo de Puebla, se infiltram nos centros de poder para impor sua agenda ideológica".

A rejeição visceral ao comunismo de outras épocas é um dos principais denominadores comuns de lideranças e partidos de ultradireita na região. No Peru, a partir de 2017, começaram a surgir grupos como A Resistência, vinculados ao fujimorismo e à sua atual líder, a ex-candidata presidencial três vezes derrotada Keiko Fujimori. A Resistência exibe símbolos fascistas em suas marchas e reivindica os tempos em que o país era um vice-reinado espanhol.

Para essas lideranças, os países ex-comunistas do Leste Europeu, hoje governados por expoentes da direita populista, são um exemplo a seguir, como aponta Cabal.

— São países que crescem com liberdade de mercado, felizes. Lá o comunismo é proibido. Aqui passam as décadas e continuamos falando sobre Cuba — disse a senadora colombiana, que considera que "as democracias confiam demais no sistema". — O Foro de São Paulo nos destruiu. Estas pessoas chegam e se sentem com direitos de uma monarquia absolutista.

Como a família Bolsonaro, a pré-candidata colombiana diz acreditar na falsa tese de que houve fraude nas últimas eleições presidenciais nos EUA.

Questões de gênero

As diferenças na direita latino-americana surgem quando a conversa aborda direitos civis. Cabal se diz uma pessoa conservadora, que gosta "da família, de cumprir a lei, de que as crianças estejam longe das drogas". Afirma não ser contra a comunidade LGBT+, mas não quer que "esse tipo de coisa" seja ensinado na escola.

— Cada um que faça o que quiser, mas sem incomodar os demais. Casamento gay não me interessa. Já ajudei casais gays em questões de herança, porque sou uma pessoa justa. Sobre o aborto, não promovo, porque acho que a mulher tem acesso a métodos anticoncepcionais — disse ela.

Kast se mostrou ainda mais conservador:

— Sobre o casamento, não é um atentado à liberdade defender convicções profundas para mim, o matrimônio é entre um homem e uma mulher. Sobre o aborto, nós defendemos a vida de quem está por nascer e não podemos validar que exista liberdade para matar outro — disse ele.

Na Argentina, o candidato a deputado Milei, do partido A Liberdade Avança, é partidário de que cada pessoa faça o que quiser com sua vida em matéria de sexualidade, casamento, drogas e até mesmo porte de armas. Quando foi questionado sobre aborto em entrevista recente ao GLOBO, respondeu ser "totalmente contra" porque "o assassinato nunca pode estar justificado".

Hoje, toda a expectativa desse movimento global e seus expoentes sul-americanos está depositada no Chile, onde Kast afirma que será realizada "uma das eleições mais importantes da História".

— Estarão frente a frente dois modelos de país: um modelo que valida a violência, tolera o terrorismo, expropria a propriedade privada e nos leva ao subdesenvolvimento, e outro modelo que promete recuperar a paz, a prosperidade, a ordem e o progresso — disse.

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Brasileiros vivem cada vez mais de "bico", ganhando cada vez menos

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247 – A destruição de empregos provocada pela Operação Lava Jato e a reforma trabalhista implementada pelo governo golpista de Michel Temer, e mantida por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, produziram um fenômeno previsível: os brasileiros, cada vez mais, vivem de "bicos", ganhando cada vez menos. "A precarização do trabalho por conta própria, o popular 'bico', avança a passos largos, como reflexo do desemprego elevado e do fraco desempenho da economia. Entre o segundo trimestre de 2019 e o segundo deste ano, aumentou em mais de 2 milhões o número de brasileiros, sem carteira assinada ou qualquer vínculo formal, com remuneração máxima de um salário mínimo por mês (R$ 1,1 mil). No segundo trimestre de 2019, esse contingente representava 48,2% dos trabalhadores que atuavam por conta própria. Hoje, já é mais da metade (55,6%)", aponta reportagem da jornalista Márcia de Chiara, publicada no Estado de S. Paulo.

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"Atualmente, esse grupo soma mais de 25 milhões de pessoas, ou 28,3% dos ocupados. No período analisado, 709,5 mil começaram a exercer atividade nessa condição. Também o número de brasileiros com curso superior trabalhando por conta própria cresceu no período – em 643,6 mil pessoas", informa ainda a jornalista.

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Uma vez Aécio, sempre Bozo | Opinião - O Globo

Por Miguel de Almeida

Ao final de “Casablanca”, o chefe da polícia, malandro, sempre jogando a sujeira debaixo do tapete, perpetra:

— Prendam os suspeitos de sempre.

No caso das estranhíssimas votações comandadas pelo coronel Lira, ficaria assim:

— Tragam o Aécio.

Por trás de qualquer malfeitoria, nos últimos anos, haverá a digital do deputado. Depois de se enfurnar tarde da noite no quarto de Joesley Batista, deu para estar enfileirado aos bozofrênicos. Em Minas e no Baixo Leblon, já se afirma:

— De madrugada, todos os gatos miam aecim.

Desta vez, não esteve só. Trouxe junto toda a bancada mineira do PSDB para aninhar-se no colo do coronel Lira e pavimentar a reeleição do Bozo e dos frentistas do Centrão. É de perguntar: que oposição é essa, meu filho? Como são surdos, entenderão se tratar de posição, para esclarecer: de quatro, capitão.

A votação da PEC do Calote (já inesquecível, porque feita por um liberal de Chicago, a escola econômica que matou mais do que Al Capone) evidenciou em quase todos os partidos de oposição a figura do quinta-coluna.

O PT, que vinha numa dobradinha com os bozofrênicos, abriu os olhos e votou em peso contra o calote. Mas o passado condena (esse verbo deve doer nos ouvidos menos moucos) o partido. Difícil eles se emendarem.

O termo quinta-coluna, reza a lenda, surgiu durante a Guerra Civil espanhola, em 1936. Franco atacava numa formação de quatro fileiras — e a quinta (invisível) seria daqueles que diziam apoiar a Constituição, mas, ao fim e ao cabo, estavam ao lado dos golpistas contra a República.

O caso espanhol é simbólico, porque corporifica o quinta-coluna também à esquerda. Então aliado aos trotskistas, Stálin ordenou a morte de seus companheiros de luta. Preferiu matar seguidores do banido Leon Trótski a ver a derrota de Franco. (Entre outros, a história é contada pelo ótimo George Orwell.)

Em tempo presente, é o caso de Aécio: desejoso de derrotar João Doria, faz fileira com Bozo. É uma oposição do tipo branca. Para esconder sua humilhante derrota em Minas diante de Dilma Rousseff, tratou de lançar dúvidas contra as urnas eletrônicas. Tá vendo? Bozo é aecim desde criancinha.

O quinta-coluna de hoje encontra guarida em todos os partidos de oposição. Até numa coisa esdrúxula como o Partido da Causa Operária. Aliás, o PCO é todo um quinta-coluna — saudar a volta do Talibã ao poder, para se opor aos Estados Unidos, é acreditar que o coronel Lira e o Guedes agora querem proteger os pobres ao forjar a PEC do Calote. Como Bozo, também acreditaram ser censura o bloqueio de Trump nas redes sociais.

É que as convicções, no Brasil, são tão vagas quanto as franjas de Eduardo Bananinha. Para ganhar o poder, ou mantê-lo, às favas a coerência ou a honestidade.

Dias atrás, o PT esteve alinhado aos bozofrênicos na tentativa de mudar a composição do Conselho Nacional do Ministério Público. A ideia das duas correntes, numa postura angelical, de quem foge da cadeia, sugeria o Congresso aumentar seu poder no órgão de fiscalização dos promotores.

Quá-quá-quá.

Basta fechar os olhos e imaginar os partidos indicando um sabujo como o senador Luis Carlos Heinze. Como poderia ser o afamado Ricardo Barros, agora também um veemente defensor dos pobres e descamisados.

O problema não são os políticos ou os partidos. Metade da bancada do PSDB defender o voto impresso bozonarista ou os deputados do PT, seguindo a zureta Zambelli, perfilarem na defesa da nova Lei de Improbidade Administrativa, a que dificulta a punição dos políticos, é expressão escarrada e acabada da sociedade contemporânea.

Do mesmo jeito que o Brasil não conhece o Brasil, o Brasil não gosta de se ver no espelho. A ditadura militar não ocorreu apenas por vontade dos generais. Foi um desejo (em passeatas, missas e orações) de parte expressiva da sociedade. Por que os torturadores, aqueles que também matavam, não foram punidos (com beneplácito do STF)? A censura às obras artísticas seguia na mesma linha. Preferiam o “eu te amo, meu Brasil” ao “na barriga da miséria nasci brasileiro”. Era o desejo pelo atraso autoritário tão verde e amarelo.

De outro lado, pode-se dizer que o quadro societário tem piorado com o tempo. Foram escolhas da sociedade. Sempre. Pode-se culpar a educação — antes havia o brigadeiro Eduardo Gomes, hoje há o general Augusto Heleno.

Como se pode culpar a fé nos homens — onde antes houve um Dom Paulo Evaristo Arns hoje há um Silas Malafaia. Junto da Flordelis.

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eportagem: Marcelle Carvalho - Alinne Moraes se relaciona com gêmeos e nem desconfia, em 'Um Lugar ao Sol'

Alinne Moraes como Bárbara em "Um Lugar ao Sol" - Globo/Fábio Rocha
Alinne Moraes como Bárbara em "Um Lugar ao Sol" Imagem: Globo/Fábio Rocha
Marcelle Carvalho Colunista do UOL 08/11/2021 04h00

Responda rápido: se você tem uma relação longeva com alguém, acredita que seria capaz de reconhecer o toque, o cheiro, até mesmo o jeito de falar da pessoa amada? Se sua resposta foi sim, bem que poderia ensinar a Bárbara, de "Um Lugar ao Sol", como não comprar gato por lebre. Na novela que estreia hoje (8), a primeira trama inédita da TV Globo, na faixa das 21h, desde o início da pandemia, a moça vai se envolver com os gêmeos Renato e Christian (ambos vividos por Cauã Reymond) sem saber que são de duas pessoas diferentes.

Posso sentir que o cérebro deu uma bugada agora, não? Calma, que eu explico: no início da história, Bárbara é a namorada apaixonada do inconsequente e rico Renato. Passa por poucas e boas ao lado dele, sonhando com um casamento e mantendo a esperança de que ele mude o comportamento. Um dia, como em um passe de mágica, isso acontece. Renato passa a ser mais responsável, focado no trabalho e na família que quer construir ao lado de Bárbara. O que ela não imagina é que Renato, na verdade, é Christian, gêmeo dele, que toma a identidade do irmão, após o verdadeiro ser assassinado em seu lugar.

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Para Bárbara, ele continua sendo Renato, não consegue enxergar. A realidade dela é distorcida sobre muitas coisas até sobre ela mesma. Quando há a troca, ela finalmente tem um homem que sempre sonhou a seu lado, que quer casar e ter filho. Ela sabe que tem algo estranho, mas como tudo está tão perfeito, prefere continuar desse jeito", analisa Alinne, que volta ao horário das 21h, após 12 anos (a última foi "Viver a Vida").

novela das 21h - Reprodução / Internet - Reprodução / Internet
Christian (Cauã Reymond) e Bárbara (Alinne Moraes) de Um Lugar ao Sol (Reprodução - TV Globo) Imagem: Reprodução / Internet

Talvez essa falta de percepção da realidade tenha fundamento na criação da moça. Negligenciada pelos pais, Bárbara foi praticamente criada pela irmã mais velha. E isso deixou marcas profundas na personagem, tornando-a extremamente carente.

Ela é uma personagem complexa. Pai muito ausente, mãe diagnosticada como bipolar, foi deixada de lado. Faltaram muitas coisas na vida dela, até a noção de certo e errado, sentimento, amores. Acho que Bárbara e Renato têm uma relação muito tóxica, mas o amor pelo namorado, ele ser o homem da sua vida, é a única certeza que ela tem", constata a atriz.

Bárbara tem atitudes equivocadas, prepara armadilhas para ela mesma cair. É também um pouco bipolar, herdou da mãe. Muitas coisas não são legais na personalidade dela, tem buraco grande. Acho que ela precisa da verdade, iria ajudá-la a se encontrar, não só a terapia. Quando ela acha que Renato é uma pessoa e ele não é, é uma mentira, ela vai se perdendo cada vez mais, vai questionando a própria sanidade, ficando mais frágil."

Apesar de toda a aura de 'pobre menina rica', Bárbara teria um pezinho na vilania? A atriz discorda dessa leitura.

Apesar de ela ter tintas mais pesadas, não a vejo como vilã. Ela é uma vítima de toda a estrutura e da falta de amor. Bárbara é intensa, comete muitos erros, mas acredito que as pessoas vão gostar dela. Pela intensidade do que eu vivi na pele dela, é uma grande personagem uma das melhores que já fiz", afirma Alinne.

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Coletivo de mulheres denuncia casos de agressão e estupros na Ilha Grande e se queixa de descaso da polícia

Grupo protestou neste sábado em frente ao 33º Batalhão da Polícia Militar na Vila do Abraão
Coletivo organizado para denunciar violência na Ilha Grande é formado por 60 mulheres de várias idades. Foto: Reprodução / Instagram
Coletivo organizado para denunciar violência na Ilha Grande é formado por 60 mulheres de várias idades. Foto: Reprodução / Instagram

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RIO — Era fim de tarde no domingo passado (24/10) quando Jéssica, dona de um restaurante na Ilha Grande, teve que sair em defesa de uma de suas funcionárias que estava sendo assediada por um homem no local. Depois de pedir para ele se retirar do estabelecimento, Jéssica ligou para a polícia. O homem saiu e voltou com um comparsa, que iniciou uma série de agressões no restaurante segundo testemunhas presentes: além de Jéssica, duas funcionárias, um funcionário e duas clientes teriam sido agredidas pelo rapaz. Depois de cinco ligações, enfim a Polícia Militar chegou. A atuação dos policiais, no entanto, não foi suficiente para frear o agressor. Enquanto relatava o caso, Jéssica levou um soco no nariz desferido pelo agressor na frente dos militares. Depois, as vítimas e os dois homens foram levados pela polícia, no mesmo barco, para fazer boletim de ocorrência em Angra dos Reis.

Até o momento, segundo as vítimas, o caso continua em aberto e os agressores na Ilha Grande. O episódio é um entre outros que aconteceram recentemente por lá e tem assustado os habitantes da região. Cerca de 60 mulheres de diferentes idades, todas moradoras da ilha, formaram um coletivo para protestar contra a violência crescente e para cobrar atitudes efetivas das autoridades.

— Muitos casos de violência contra a mulher estão acontecendo. Violência doméstica, estupros e violência na rua estão sendo cada vez mais recorrentes. A violência contra a mulher aqui é normalizada, e temos muitos agressores vivendo entre nós. Além disso, a segurança pública é quase inexistente — diz a argentina Antonela Frascarelli, de 32 anos, moradora da Ilha Grande desde 2013 e uma das integrantes do coletivo. — A inoperância da esfera policial é preocupante. Imagina ter que ir na delegacia depois de ser agredida no local de trabalho, depois de ter ligado várias vezes, depois de ser agredida duas vezes na cara, uma delas com o policial presente, e aí escutar que não tem como fazer um boletim de ocorrência aqui na ilha, que tem que atravessar de lancha pra Angra dos Reis na mesma embarcação que o agressor, pra depois chegar lá e saber que os criminosos vão estar soltos daqui a pouco. É muita coisa, né? 

Em janeiro, Giuliana Giglio Fontoura, de 36 anos, estava caminhando em direção à Praia Preta quando um homem saiu da escuridão e a agarrou por trás. Após entrar em confronto com o agressor, Giuliana conseguiu fugir. Ao denunciar o caso, no entanto, se surpreendeu com a ausência da polícia. Apenas bombeiros procuraram por ela, que se limitou a fazer um boletim de ocorrência on-line. O homem até hoje não foi identificado.

Em nota, a polícia Civil afirma que em julho inaugurou a ‘Projeção Ilha Grande’, ligado a 166ª (Angra dos Reis)  e da Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) de Angra naquele local.

"A unidade possibilita  o atendimento na própria ilha, evitando o deslocamento dos moradores e turistas para a delegacia da cidade. Apenas em outubro, foram realizados 12 indiciamentos por estupro e estupro de vulnerável. A DEAM-Angra, inclusive, tem se reunido constantemente com o Ministério Público e com o Judiciário a fim de debater melhorias no combate à violência contra a mulher e a delegacia está de portas abertas para receber vítimas e colaboradores a fim de proporcionar um atendimento de excelência.", diz trecho da nota.

No carnaval do ano passado, uma mulher que não deseja se identificar também foi agarrada à noite por um indivíduo que tentou estuprá-la. Enquanto ele arrancava suas roupas, batia em seu rosto com uma pedra. Um turista, ao ouvir os gritos de socorro da vítima, evitou que a violência continuasse. A mulher ficou internada por dias, teve uma mão quebrada, hemorragias internas e passou por uma cirurgia maxilofacial. Desta vez, o agressor foi preso depois de ser capturado por dois moradores da ilha. Entretanto, a vítima reclama de ter sido colocada pela polícia no mesmo barco com o indivíduo à caminho da delegacia em Angra dos Reis.

— Esses são só alguns casos. Mas tem incontáveis casos de violência doméstica, agressão e assédio na rua e no trabalho, tentativas de estupros. Muitos dos agressores são moradores da ilha. Temos que conviver com o medo e com o perigo aqui mesmo. Quem cuida da gente? Como é possível tanta inoperância por parte da polícia? Por que a gente não conta com acolhimento e suporte por parte das instituições? Por que aqui não tem um pessoal policial preparado para lidar com essas situações? — questiona Frascarelli.

Com mais de 600 seguidores em um perfil criado recentemente no Instagram (@mulheres.dailha), o coletivo de mulheres da Ilha Grande já fez dois protestos na Vila do Abraão para cobrar ação da polícia diante dos casos. O último protesto, neste sábado (30), reuniu cerca de 100 pessoas. Com velas e cartazes, o grupo se reuniu em frente ao 33º Batalhão da Polícia Militar, localizado na Vila do Abraão.

— Nosso paraiso está ficando perigoso, para quem mora aqui e para os turistas. Precisamos que esse nosso lar seja de novo um lugar tranquilo e seguro, precisamos fazer valer aquele “patrimônio da Unesco” e que não fique só numa etiqueta — finaliza Frascarelli.

Procurada pela reportagem, a polícia Militar afirmou que atua na Ilha visando coibir quaisquer crimes e que em casos de não haver uma agente feminina atuando na ocorrência uma policial é deslocada, caso foi necessário.

"A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que o 33ºBPM (Angra dos Reis) atua na Ilha Grande visando coibir quaisquer crimes, incluindo violência contra a mulher, somando-se os esforços da Patrulha Maria da Penha – Guardiões da Vida que atua em toda a região de circunscrição do batalhão. Ressaltamos que quando não há uma policial feminina atuando na ocorrência, sempre que necessário uma agente é deslocada para o local da diligência.

Informamos ainda que a "Caravana da Capacitação", projeto destinado a treinar policiais militares em geral a lidar com mais eficiência no combate à violência contra a mulher, esteve em diversos municípios. Nessa fase, serão capacitados 520 policiais militares lotados em 13 unidades do interior – 12 batalhões e a Cia Independente da Polícia Militar de Paraty. A partir do ano que vem, a “Caravana da Capacitação” percorrerá os batalhões da Região Metropolitana.", diz a nota da PM.

_________________________________________________Passagens mais caras, destinos nacionais em alta, maior busca por lugares no exterior: como anda a retomada do turismo

Voos no Brasil subiram 36%, enquanto internacionais tiveram queda de 8%, indica pesquisa do buscador Viajala
Praias de Baía Formosa (RN) são opção de destino em um dos estados mais buscados pelos brasileiros Foto: Patrick Altmann / Divulgação/Secretaria de Turismo do Rio Grande do Norte
Praias de Baía Formosa (RN) são opção de destino em um dos estados mais buscados pelos brasileiros Foto: Patrick Altmann / Divulgação/Secretaria de Turismo do Rio Grande do Norte

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19, os brasileiros dão novas mostras de que querem voltar a viajar. A pesquisa por passagens aéreas nacionais mais que dobrou entre junho e setembro em comparação com o mesmo período de 2020, e o reflexo se vê nos preços, que, por sua vez, estão 36% mais altos. Para voos internacionais, os valores tiveram uma queda discreta, de 8%, enquanto as buscas triplicaram, impulsionadas pela flexibilização da entrada de brasileiros na Europa e nos Estados Unidos.

Os dados são do estudo anual Barômetro, do buscador Viajala.com.br, que faz um diagnóstico do mercado aéreo no Brasil e na América Latina. A pesquisa analisou mais de 7 milhões de buscas de voos entre junho e setembro de 2021 e comparou os resultados com os mesmos meses de 2020, quando o Brasil vivia o primeiro pico da doença.

— As pessoas precisam sair e viver experiências, criar conexões, compartilhar culturas, e estão se dando conta disso agora, depois de tanto tempo isoladas por causa da pandemia. O turista se sente mais seguro e quer compensar esse ano em que não pôde viajar. Por isso, temos uma retomada forte, superando expectativas — afirma o CEO e cofundador do Viajala, Thomas Allier.

A procura pelos voos nacionais aumentou 164%. Além da grande demanda, a alta do preço dos combustíveis e a inflação também fizeram o custo dos bilhetes subir, aponta Allier.

Bela Vista, no Jalapão. Alecrim, o maior fervedouro da região. Foto: Barbara Lopes / Agência O Globo
Bela Vista, no Jalapão. Alecrim, o maior fervedouro da região. Foto: Barbara Lopes / Agência O Globo

Planejamento

O aumento do preço das passagens e o maior controle da Covid-19 fizeram com que os viajantes voltassem a planejar os voos nacionais com alguma antecedência, ao contrário do ano passado, quando os planos eram mais improvisados. Segundo a pesquisa, a média de tempo entre a procura pela passagem e a data do embarque nas viagens nacionais é de 26 dias, 13% a mais que em 2020.

Já nos voos internacionais, esse tempo de antecipação caiu 27%, passando para uma média de 76 dias, o que significa que os passageiros estão buscando viagens para períodos mais próximos. Para Allier, isso acontece porque, com a reabertura das fronteiras para brasileiros, os planos de viagem deixam se ser apenas projeções e se tornam mais reais, especialmente com a liberação da entrada de pessoas vacinadas com a Coronavac nos Estados Unidos.

— No ano passado, as buscas para fora do Brasil eram mais inspiracionais. As pessoas estavam procurando, mas poucas comprando de fato. O que se vê agora são turistas realmente interessados em viajar — indica o especialista. Países como Espanha, França e Portugal também começaram a receber brasilerios vacinados desde a metade do ano.

Destinos tendência para 2022

A pesquisa projeta ainda os destinos mais buscados para o cenário pós-pandemia, quando a grande maioria da população latina já estiver com o esquema vacinal completo.

Entre os destaques dentro do país estão Natal, no Rio Grande do Norte, e João Pessoa, na Paraíba, com crescimentos acima da média nacional nas buscas de voos. Partindo das capitais São Paulo e Rio de Janeiro, as buscas também aumentaram por Salvador e Fortaleza. Já Recife continua como um dos destinos mais procurados, concentrando cerca de 15% do total de buscas.

Atrações ao ar livre em praias isoladas, piscinas naturais e dunas tornam as capitais nordestinas e suas cidades vizinhas uma boa aposta. Roteiros de carro por locais pouco visitados também ajudam a fugir das aglomerações e podem render ao turista paisagens incríveis.

Turismo no litoral da Paraíba. Foto: Antonio David Diniz
Turismo no litoral da Paraíba. Foto: Antonio David Diniz

Já entre os destinos internacionais, o destaque é Montevidéu, que teve um boom na ferramenta de busca do Viajala — vale lembrar que o Uruguai anunciou que liberaria em novembro a entrada de brasileiros no país. Nossos vizinhos Argentina e Chile, que já vêm reabrindo fronteiras, também estão na rota buscada pelos brasileiros.

Com voos partindo de São Paulo e Rio de Janeiro, as pesquisas por passagens para o Porto aumentaram e a cidade portuguesa está entre um dos destinos mais buscados, junto com a campeã Lisboa. Já para os Estados Unidos, Orlando teve um aumento em buscas saindo da capital paulista, enquanto a procura por Miami cresceu em voos partindo do Rio. 

Onda de otimismo

A tendência de reativação do turismo no Brasil é indicada ainda por números do IBGE, que apontam que o mês de setembro teve uma recuperação de 75% no número de voos em comparação ao mesmo mês de 2019, antes da crise sanitária. Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) afirma que o turismo registrou crescimento pelo quinto mês consecutivo em agosto, e a menor perda mensal desde março de 2020.

Para o CEO da Viajala, a previsão é que o turismo se aproxime da recuperação total entre o segundo e o terceiro trimestre de 2022, junto com a volta das viagens internacionais, mas ainda há desafios pela frente, como a alta do dólar e dos combustíveis..

Estátua da Liberdade, em New York Foto: William Warby
Estátua da Liberdade, em New York Foto: William Warby

— Ainda temos restrições locais em alguns países, como China e Austrália. Mas acredito que, com a situação endêmica da Covid-19, a tendência de reabertura continue. Aqui no Brasil e na América Latina temos ainda a questão fincanceira, já que muitas pessoas perderam suas rendas, mas há também as famílias que deixaram de viajar no ano passado e conseguiram juntar dinheiro — analisa Allier.

Enquanto o mercado turístico dá sinais de recuperação com as viagens de lazer, o turismo de negócios, que sofreu uma queda de quase 90% durante a pandemia, ainda retorna a passos lentos. Com a maior adaptação das empresas ao modelo home office, as viagens corporativas vêm se tornando menos frequentes e novas configurações de trabalho ganham espaço, como os "nômades digitais", que preferem passar temporadas longas no destino.

Assim, as viagens curtas que antes eram compradas em cima da hora, com altos lucros para as companhias aéreas, estão dando lugar a viagens flexíveis e mais organizadas — esses "nômades" gastam menos nas passagens de última hora, mas ficam mais tempo no destino, o que representa um gasto importante, revela o CEO. Para ele, o turismo corporativo foi bruscamente afetado, mas ainda há espaço para recuperação com essas novas tendências de trabalho.

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Julian Assange está preso para que nós continuemos aprisionados na ignorância - Camila Ribeiro

Por Camila Ribeiro

Julian Assange
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Julian Assange está há 11 anos sem sair à rua, sem ver a luz do sol, sem respirar ar puro. Ele está agora quase completamente isolado, em regime de solitária, numa prisão em Londres. E agora ele luta para não ser extraditado para os EUA.

Assange praticou jornalismo no seu mais alto grau de qualidade para denunciar crimes praticados pelos maiores criminosos do mundo, para defender a dignidade humana em todos os cantos do mundo. 

O WikiLeaks revelou ao público a verdade sobre as guerras americanas no Oriente Médio. As “guerras ao terror” geraram no Oriente Médio centenas de pessoas ilegalmente presas e torturadas; milhares de pessoas mortas, a maioria delas civis; milhões de feridos, mutilados; a maior onda de migração deste século. Trilhões de dólares que deveriam ser investidos em criar bem-estar social foram transferidos para as mãos dos senhores da guerra: Lavagem de dinheiro. As “guerras ao terror” nada mais são que latrocínio para lavar dinheiro. 

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Esse foi só o começo, os vazamentos do WikiLeaks foram muito além em 15 anos de jornalismo: o site revelou ao mundo crimes financeiros em paraísos fiscais; esquadrões da morte; redes de pedofilia relacionadas com altos políticos nos EUA; crimes ambientais praticados por empresas de países ricos contra países pobres. Revelou que a CIA, a agência de espionagem americana, utiliza um arsenal tecnológico para espionar remotamente o mundo inteiro, pessoas, empresas, governos. 

WikiLeaks revelou também a existência de Redes Internacionais de Intolerância que são formadas por partidos e organizações de ultradireita agindo nos EUA, na Espanha, na América Espanhola e no Brasil. Esses grupos atuam politicamente, dão suporte financeiro e midiático à políticos ultraconservadores, e à influenciadores de mídia digital que propagam negacionismo histórico, negacionismo científico, xenofobia, racismo, misoginia, LGBTQI+ fobia. 

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WikiLeaks revelou que Sergio Moro em 2009 ensinou a vários agentes da lei brasileiros a contornar regras do Direito Brasileiro sob supervisão da embaixada americana no Brasil. 

WikiLeaks também vazou José Serra e Michel Temer: eles são citados em conversas frequentes na embaixada americana em Brasília conversando com o embaixador americano sobre a política nacional de energia, prometendo modificar a partilha do pré-sal. 

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Por fim, eu gostaria de dizer que Julian Assange não estaria preso se não tivesse ocorrido um conluio entre órgãos de estado e a mídia corporativa. A campanha de difamação contra Assange foi, e continua sendo, insidiosa, desumana e implacável. 

O mesmo desserviço da imprensa corporativa que tornou possível a prisão de Assange, tornou possível a ascensão de políticos como Bolsonaro, Trump, Boris Johnson. 

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Esse mesmo desserviço da imprensa corporativa tornou possível que por 10 anos as Forças Armadas americanas pudessem usar palavras como “afogamento simulado”, “privação sensorial”, “privação de sono”, para descrever tortura; “jejum voluntário total” para descrever “greve de fome”; “autoagressão” para descrever tentativa de suicídio. 

Nos últimos anos nós descobrimos que: 

  • Para Deltan Dallagnol, o devido processo legal é filigrana ... e não dá muita grana. 
  • Para Sérgio Moro, artigo em revista Veja é prova de crime, mas conversas no Telegram não são. 
  • Para o Estadão, entre Bolsonaro e Haddad, a escolha era muito difícil. 
  • Para o governo Bolsonaro, Covid-19 é só uma gripezinha. 
  • A Prevent Senior define assassinato qualificado de seus pacientes como: “Óbito também é alta”. 

Todas essas pessoas estão livres apesar de seus crimes serem agora domínio público. Não há garantia alguma de que veremos qualquer uma dessas pessoas presas. A imprensa corporativa tem muita participação nisso também. 

Julian Assange afirmou que: 

“Não é possível paz sem justiça, não há justiça sem conhecimento sobre a realidade.” 

 Ele também afirmou que: 

“Justiça não acontece por si mesma. Justiça é aplicada por pessoas se unindo e exercendo força, unidade e inteligência.” 

 Julian Assange merece e precisa ser libertado agora, porque, mais do que nunca, agora, o mundo precisa de liberdade de imprensa, liberdade de expressão e liberdade de informação.

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