__________ PLUTOCRACIA

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_________________________________________________PLUTOCRACIA: Banqueiro do BTG mostra Brasil capturado pelo rentismo - Jeferson Miola  

_________________________________________________PLUTOCRACIA: "Áudio de André Esteves mostrou a BURGUESIA BRASILEIRA em NU_FRONTAL"  

_________________________________________________PLUTOCRACIA: O áudio de ANDRÉ ESTEVES e o impressionante relato do banqueiro que compra amizades nos poderes da república 

_________________________________________________PLUTOCRACIA: Áudio de André Esteves revolta porque revela a força do poder não eleito, maior do que a do poder eleito

_________________________________________________PLUTOCRACIA: André Esteves diz estar inconformado com a repercussão de seu áudio, em que ele fala como dono do Brasil e de Bolsonaro _________________________________________________Morre CRISTIANA LÔBO, jornalista e comentarista da Globonews, aos 64 anos _________________________________________________Se o deputado estadual FERNANDO FRANCISCHINI (PSL-PR) foi CASSADO pelo TSE por FAKE NEWS em 2018 sobre as urnas eletrônicas e atacando o sistema eleitoral, ENTÃO o presidente Jair BOLSONARO TAMBÉM deveria ter sido PUNIDO. 

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Natuza Nery chora ao comentar morte de Cristiana Lôbo: 'Não me respondeu'

Natuza Nery chorou ao comentar a morte da jornalista Cristiana Lôbo - Reprodução/GloboNews
Natuza Nery chorou ao comentar a morte da jornalista Cristiana Lôbo Imagem: Reprodução/GloboNews

De Splash, em São Paulo 11/11/2021 12h40 Atualizada em 11/11/2021 12h40

Natuza Nery chorou ao comentar a morte de Cristiana Lôbo, que morreu hoje, aos 64 anos, vítima de um mieloma múltiplo. Ao entrar ao vivo no "Conexão Globo News" para falar sobre a amiga, Natuza se emocionou.

"Poxa, tô vendo a imagem dela aí. Acho que essa vai ser a minha última imagem do lado dela. eu vou pedir desculpa, tá sendo muito difícil essa notícia", disse a jornalista com a voz embargada.

Ela era uma diva do jornalismo politico. Ninguém é tão importante no jornalismo político na TV quanto a Cris Lôbo. A gente costuma dizer que a Cris chegou quando tudo ainda 'era mato' e ela quem foi deixando tudo pronto para gente chegar. Natuza Nery

Natuza revelou que sua primeira experiência na televisão foi à convite de Cristiana Lôbo. "Eu era uma jornalista foca (iniciante) e a gente brincava que a gente queria ser para sempre foca, porque o foca tem gana, quer dar furo, quer antecipar movimentos e a Cris tinha isso", contou.

Quando eu comecei no jornalismo, uma das primeiras vezes que eu vi a Cris Lôbo, eu nem acreditava [...]e ela viu que eu tava super insegura. Tinha um café, acho que com o senador Tasso Jereissati, que gostava muito da Cris, e ela olhou pra mim e disse 'vamos entrar?' e eu disse 'ele nem me conhece' e ela respondeu 'mas ele me conhece, e você vai entrar comigo'.

"Então ela estendeu a mão para todos nós", continuou Natuza. "Todos os jornalistas de política da GloboNews, que passaram por Brasília, passaram pela mão dela. A gente fica muito órfão com a partida da Cris. E pra mim é um pouco inaceitável, não consigo compreender essa partida dela", continuou a jornalista, novamente se emocionado.

Achei estranho, porque a última mensagem que mandei para ela, ela não respondeu. E fiquei preocupada. A sensação que eu tenho é que a gente perde um pedaço de nós na GloboNews e no jornalismo político.

Natuza contou que a amiga continuou trabalhando após perder o cabelo durante o tratamento contra o câncer: "Ela colocou uma peruca e continuou trabalhando, apurando como se não tivesse enfrentando o momento mais difícil da vida dela".

"Eu já to com muita saudade dela... Quando eu tava para entrar [ao vivo], eu tava chorando muito, e eu pensei 'não posso entrar com essa cara, porque se a Cris tivesse aqui ela ia dizer 'enxuga as lágrimas, passa uma base nessa cara, arruma o cabelo e entra''. Porque ela era assim, impecável", declarou a jornalista.

Então eu acho que esse é um dos momentos mais difíceis, e a gente já passou por momentos muito difíceis, a gente perdeu o Xexéo, a gente passou por mortes nas nossas famílias por causa da pandemia, então não será fácil. Natuza Nery

_________________________________________________Leilane se emociona ao vivo; Miriam elogia Cristiana Lôbo: 'Grande colega'

Leilane Neubarth se emocionou ao dar a notícia da morte de Cristiana Lôbo - Reprodução/TV Globo
Leilane Neubarth se emocionou ao dar a notícia da morte de Cristiana Lôbo Imagem: Reprodução/TV Globo

De Splash, em São Paulo

11/11/2021 10h29

Atualizada em 11/11/2021 11h41

A notícia da morte da jornalista Cristiana Lôbo, 64, foi anunciada ao vivo na GloboNews, emissora que ela trabalhava, por Leilane Neubarth. Emocionada, a colega de profissão e amiga de Cristiana fez uma homenagem.

A âncora disse que a jornalista de política foi sua companhia no trabalho durante 10 anos e com ela aprendeu sobre a profissão e sobre a vida.

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Eu queria em nome de toda a equipe da Globonews prestar solidariedade, mandar um abraço para o Murilo, marido da Cris, para a Barbara e pro Gustavo, filhos da Cris, e pro Antônio e pro Miguel. Fomos avós na mesma época. Quero agradecer a Cris. Trabalhamos diariamente durante 10 anos, aprendi demais como ser humano e como jornalista.

Leilane Neubarth

Miriam Leitão, que deu o destaque econômico ao vivo antes da morte ser noticiada, voltou ao "Conexão GloboNews" para falar de Cristiana. Miriam fez questão de mandar condolências para a família da jornalista.

Sempre foi boa entrevistando, levantando bastidores. Como colega, mostrou uma força. Nosso sentimento é muito forte até para falar. Queria passar aos familiares da Cris, nosso abraço e nosso carinho enorme. Foi uma grande jornalista e uma grande colega.

Miriam Leitão

Miriam Leitão - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Miriam Leitão presta homenagem para jornalista Cristiana Lôbo Imagem: Reprodução/TV Globo

Andreia Sadi também se emocionou e destacou que foi Cristiana uma das pioneiras na cobertura dos bastidores do Congresso Nacional.

A jornalista ainda relatou a última conversa que teve com a colega, há quase 10 dias, sobre família e carreira jornalística.

Minha última conversa com ela há cerca de 10 dias. Desde a gravidez ela me escrevia uma vez por semana para saber como eu estava. Ela sempre foi uma lenda para a gente que chega a Brasília para ser jornalista de política. Sempre foi uma referência para mim. Quando ela chegou era tudo mato, ela foi abrindo porta para nós jornalistas mulheres na política. Há 10 dias ela tinha mandado dois 'bodyzinhos' com ipês-amarelos de Brasília para os meninos. Sempre disse a ela que as coisas que amava era o céu, o Congresso e os ipês. Ela disse que eles estavam lindos, grandes, falei da insegurança da conciliação.

Andreia Sadi

José Roberto Burnier também falou da importância de Cristiana Lôbo ao vivo. Ele disse que a colega era quem o tranquilizava e passava informações do tratamento.

A causa da morte foi um tipo de câncer chamado mieloma múltiplo, que a jornalista vinha tratando há alguns anos.

Já lutei com essa doença, experiência difícil e exige muito da gente. Falava muito com ela no tratamento e ela sempre otimista, que ia vencer, e ela me tranquilizando. Ela me tranquilizava.

José Roberto Burnier

Burnier - Reprodução/Globoplay - Reprodução/Globoplay
Burnier disse que Cristiana Lôbo era otimista enquanto passava por tratamento Imagem: Reprodução/Globoplay

_________________________________________________Morre Cristiana Lôbo, jornalista e comentarista da Globonews, aos 64 anos

Autoridades, fãs e amigos lamentam. Analista de política trabalhou por 13 anos no GLOBO. Ela deu entrada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, no último fim de semana para tratar uma pneumonia
A jornalista Cristiana Lôbo Foto: Miguel Sa / Infoglobo
A jornalista Cristiana Lôbo Foto: Miguel Sa / Infoglobo

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RIO — Jornalista e comentarista política da Globonews e do site g1, Cristiana Lôbo morreu em São Paulo nesta quinta-feira, aos 64 anos, em decorrência de um mieloma múltiplo, que vinha sendo tratado há alguns anos. Uma das maiores analistas de política do Brasil, a jornalista trabalhou no GLOBO por 13 anos. 

Cristiana Lôbo deu entrada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, no último fim de semana, para tratar uma pneumonia. A informação foi confirmada pela Globonews e dada pela colega de emissora e amiga, Leilane Neubarth.

Natural de goiânia, Cris Lôbo atuou no jornalismo por mais de 30 anos. Começou a carreira cobrindo a política do estado de Goiás, até se mudar para Brasília.

Contratada pelo GLOBO, foi setorista do Ministério da Saúde — época em que viu ser criada a carteira de vacinação. Acompanhou de perto também as decisões do Ministério da Educação.

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Ainda no GLOBO, trabalhou na coluna Panorama Político. Depois de 13 anos no jornal, assumiu a coluna política do jornal o "Estado de S. Paulo".

Lôbo se dedicou ao jornalismo por mais de 30 anos Foto: Divulgação
Lôbo se dedicou ao jornalismo por mais de 30 anos Foto: Divulgação

A estreia na televisão foi na GloboNews, em março de 1997. Naquele mês, passou a integrar o time de comentaristas do Jornal das Dez — analisando os principais fatos da política e os bastidores do poder. E marcou presença nos telejornais da casa.

Comandou também o programa Fatos e Versões e a coluna os Bastidores da Política, no G1.

Personalidades repercutem

Nas redes sociais, amigos, políticos e admiradores do trabalho da jornalista  lamentaram a morte.

"Que notícia triste. Super jornalista. Atenta, séria e competente. Meus sentimentos a seus familiares e colegas de profissão. Vai fazer falta!", escreveu Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, emitiu uma nota de pesar sobre o falecimento da colunista e afirmou que "o jornalismo e a política estão de luto". "Cristiana era substancial na cobertura do Congresso Nacional, tinha acesso aos principais acontecimentos e fatos, fruto do seu trabalho realizado com muito profissionalismo em defesa da democracia e da liberdade de expressão", disse o senador.

Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, também comentou sobre a morte da jornalista, em sua conta no Twitter: "Você é uma profissional que todos nós gostávamos de conversar. Que ouvia, ouvia e ouvia. Mas falava, falava e falava. Analisava tudo em um único café. Antecedia os fatos, antecedia as crises. Via a notícia antes mesmo dela existir".

Outros políticos, como João Doria, Ciro Gomes, Marcelo Freixo, Renan Calheiros e Janaina Paschoal, e muitos outros, também utilizaram suas redes sociais para lamentar o falecimento de Cris Lôbo, assim como colegas de profissão da colunista:

“Gostava das intrigas do Congresso. Aprendeu cedo a entender o que era notícia, o que era boato; o que era manipulação, o que era informação. Nunca perdeu visão irônica da atividade política, embora entendesse que o Congresso, com seus defeitos e qualidade, moldava nosso futuro, escreveu o jornalista Merval Pereira.

"Cristiana Lôbo era, é, uma grande figura do nosso jornalismo. Doce, mas incisiva, forte e muito elegante. Objetiva e consistente.Leve sem nunca perder a consistência. Uma democrata, uma grande mulher. Toda a solidariedade à família e aos muitos amigos. Viva Cristiana Lobo!", disse o jornalista Marcelo Lins.

O jornalista Gerson Camarotti, que trabalhava com Cris Lôbo na Globonews, também comentou sobre o falecimento da colunista em sua rede social: "Um divisor de águas. Formou uma geração de jornalistas. Quanta tristeza. Perdi uma amiga generosa. Fica uma saudade infinita".

O repórter André Trigueiro afirmou estar “consternado pela perda dessa grande jornalista e amiga! Que Deus a abençoe e proteja, e console sua linda família!".

"Cristiana Lobo era de uma generosidade imensa. Em 2008, encontrei por acaso com ela na rua e comentei da minha vontade de migrar do rádio para a TV. Duas horas depois, ela me ligou: “tem uma vaga na Globo News, falei de você lá”. Deu certo. Obrigado por tanto, Cris. Vá em paz", relembrou o repórter Paulo Mario.

Em nota, Paulo Guedes, ministro da Economia, ressaltou a excelência do trabalho da jornalista em levar informação e análise para a sociedade brasileira, e afirmou que Cris Lôbo “deixa uma grande contribuição para o jornalismo brasileiro”. “Além de gostar dela, eu apreciava o seu trabalho. Sua isenção, inteligência e perspicácia foram exemplos de bom jornalismo”, disse Guedes.

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto também lamentou, em nota, a morte da colunista: “Profissional respeitada e de longa trajetória na imprensa brasileira, Cristiana Lôbo inspirou gerações ao informar seus leitores e telespectadores com seriedade e competência sobre a política e a economia do País”.

Mieloma

O mieloma múltiplo é o câncer de um tipo de células da medula óssea chamadas de plasmócitos, responsáveis pela produção de anticorpos que combatem vírus e bactérias.

No mieloma múltiplo, os plasmócitos são anormais e se multiplicam rapidamente, comprometendo a produção das outras células do sangue. 

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'Bolsonarismo não vai sumir mesmo que perca em 2022', diz publicitário Renato Pereira em entrevista

Após delação em que citou caixa dois em campanhas de Cabral e Paes, marqueteiro atua em pré-campanha de Marcelo Freixo (PSB) ao governo do Rio e aposta em polarização
Camila Zarur, Bernardo Mello e Thiago Prado
08/11/2021 - 03:30
Renato Pereira, marqueteiro que atua em pré-campanha de Marcelo Freixo (PSB) ao governo, em entrevista ao GLOBO Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Renato Pereira, marqueteiro que atua em pré-campanha de Marcelo Freixo (PSB) ao governo, em entrevista ao GLOBO Foto: Ana Branco / Agência O Globo

RIO - Preparando sua volta às campanhas eleitorais do Brasil após cinco anos, o publicitário Renato Pereira enxerga o Rio como um dos poucos casos em que a disputa estadual de 2022 reproduzirá uma polarização nacional entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT). Em entrevista ao GLOBO, ele projetou que o bolsonarismo seguirá em cena, mesmo que derrotado nas urnas.

Pereira, que atua na pré-campanha do deputado Marcelo Freixo (PSB) ao governo para 2022, é o criador do “pato da Fiesp”, símbolo de atos pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), e trabalhou em eleições dos ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão e do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes, entre 2010 e 2016. Esses trabalhos pregressos foram incluídos em sua delação premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018, na qual Pereira, que era sócio da agência Prole, revelou casos de caixa dois, direcionamento de licitações e pagamento de propina.

Hoje, Pereira classifica seu retorno como uma “segunda chance”para trabalhar “do jeito correto” e diz não ver constrangimentos para Freixo, que busca alianças com nomes como Paes e o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), atingidos por sua delação. Ele avalia ainda que Freixo, ex-filiado ao PSOL, passa por uma “transição de agenda” para a disputa do governo. Leia, a seguir, a entrevista completa:

Por que voltar às campanhas depois de uma delação premiada em que admite ter recebido via caixa dois em eleições passadas?

É o que eu realmente gosto de fazer e porque preciso para viver. Ter uma segunda chance de voltar a trabalhar no que eu fazia antes dos episódios ligados à Lava-Jato é uma oportunidade de demonstrar que dá para fazer esse trabalho de estratégia de comunicação de um jeito correto.

Qual a garantia de que crimes não serão cometidos de novo?

Para um profissional que estava fazendo campanha política no Brasil cinco anos atrás, ou se seguia as regras daquele jogo — que era trabalhar com caixa dois —, ou não fazia campanha. Havia um delírio na mobilização de recursos. Todas as eleições, desde a redemocratização, aconteceram dessa forma. Era uma hipocrisia generalizada. Poderia não ter feito, ninguém me obrigou a trabalhar nessa área. Desta vez, só vou jogar legalmente e ponto final.

Há espaço para uma terceira via ou a eleição será polarizada entre Bolsonaro e Lula?

A polarização que temos hoje, não só no Brasil, ocorre por uma cisão entre o topo e a base. Entre uma elite que classifico como superqualificada e uma parte relevante da sociedade que não teve acesso à essa mesma formação, que também conta com um fragmento da elite que, de alguma forma, sente-se rejeitado por seus pares. Se essa hipótese for verdadeira, mesmo que Bolsonaro perca a eleição, dificilmente o bolsonarismo vai desaparecer, assim como o trumpismo não desapareceu. O bolsonarismo é essencialmente um movimento contra a meritocracia e contra a elite superqualificada, que tem acesso às melhores escolas, ao conhecimento especializado e às melhores ocupações.

E qual o tamanho desse sentimento no ano que vem?

Será que esse movimento vai ser desmobilizado e vai desaparecer? Não creio. É mais provável que a gente tenha, ano que vem, um bolsonarismo ainda muito presente. E, do outro campo, temos um líder como Lula, que consegue dialogar com setores importantes da sociedade e ter trânsito por recortes diferentes de um tecido social cada vez mais esgarçado. Não vejo nos candidatos hoje que se apresentam como terceira via essa mesma capacidade. João Doria e Eduardo Leite são dessa elite superqualificada que citei. Ciro Gomes também, e além disso tem muita dificuldade de falar com um público não convertido. Sérgio Moro para avançar precisa avançar nos “Bolsonaro Light” e nos “Lula Light”. Não bastam os “nem-nem” e, como ele criou contraste muito forte com os dois campos, fica difícil. E Rodrigo Pacheco não tem projeção suficiente para arrancar num período curto.

A eleição de 2018 foi de intensa renovação. O efeito da Lava-Jato já passou?

Não passou. Acho que a perspectiva de que a corrupção é um problema central no Brasil está viva. Ela certamente não é tão forte quanto há quatro anos, mas ainda existe. Se a Lava-Jato perdeu tração, o mesmo não aconteceu com o lava-jatismo, com a perspectiva de que esse é um tema central. A corrupção vai estar presente em várias campanhas.

Os R$ 400 do Auxílio Brasil vão funcionar como um ativo eleitoral?

Seguramente é um ativo eleitoral. O auxílio emergencial foi uma demonstração disso. Tem uma diferença de contexto, porque o tempo passou. Assim que a pandemia apareceu, as pesquisas qualitativas mostravam que os eleitores do Bolsonaro podiam estar decepcionados, mas pensavam que os problemas eram normais, porque não ocorria uma pandemia há cem anos. Só que agora já se passou um ano e meio. E depois de tudo isso, com pandemia sob controle, a economia piorou, não há sinal de melhora ou de entrega. O Auxílio Brasil tem um poder eleitoral evidente, mas provavelmente menor do que o auxílio de R$ 600 há um ano.

O senhor está à frente da pré-campanha do Marcelo Freixo ao governo do Rio. Ele tem buscado ampliar o eleitorado, mas será confrontado com temas identificados com a esquerda, como a descriminalização da maconha, legalização do aborto... Como equilibrar tudo isso?

Acho que o movimento que fez agora de mudança de partido tem um pouco a ver com isso, de ampliar essa capacidade de articulação. E não creio que esses sejam os temas fundamentais na eleição do Rio de Janeiro. Temos questões muito mais importantes do que essa, então acho que a diferença entre um líder parlamentar importante, representante de causas e bandeiras, e um candidato a cargo majoritário de um estado como o Rio, passa exatamente por uma transição de agenda. E essa agenda nova acho que é o ponto fundamental da candidatura dele. O grande caminho da campanha é trazê-lo para o centro popular. Falar a língua que todo mundo fala, o que ele é capaz de fazer.

Uma agenda importante no Rio é segurança pública, e muitos adversários do Freixo gostam de dizer que ele defende bandido. Como responder?

A vacina para isso é a verdade. Os direitos humanos de modo algum têm a ver com defender bandido, mas sim com a defesa de quem é abusado pela violência. A ordem que ele defende — não tenho a menor dúvida de que defende a ordem — é a ordem da lei. E não a ordem do crime.

Teme que o PT abandone a candidatura do Freixo?

De jeito nenhum. A polarização nacional não se reflete em praticamente nenhuma eleição estadual no Brasil em 2022, com a exceção do Rio, porque aqui, dos estados do Sudeste, é onde Bolsonaro tem sua maior aprovação. E é onde o Lula está praticamente empatado com o Bolsonaro nas intenções de voto. Nas pesquisas, quem aprova Bolsonaro, aprova Cláudio Castroe quem tem uma imagem positiva de Lula, ou diz que vai votar em Lula, desaprova Cláudio Castro e tende a votar em Freixo. A polarização está dada no Rio.

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MeToo respinga no alto escalão do poder na China | Marcelo Ninio - O Globo

Por Marcelo Ninio

Tenista Peng Shuai durante partida pelo Aberto da Austrália, em 2019

A acusação ficou apenas alguns minutos no ar antes de ser derrubada pela censura. Mas foi o bastante para virar um dos assuntos mais procurados na internet chinesa, apesar do rígido controle oficial. Num longo post publicado em seu perfil no Weibo (espécie de Twitter chinês), a estrela do tênis Peng Shuai acusa o ex-vice-primeiro-ministro Zhang Gaoli de coagi-la a ir para a cama com ele, numa relação que aparentemente tornou-se duradoura e que teve sérias consequências emocionais para a esportista.

"Eu não deveria ter vindo ao mundo, mas não tenho coragem de morrer", escreveu.

O caso foi logo abafado na internet chinesa e não apareceu na imprensa do país. Ao longo desta quarta, mensagens enviadas ao perfil de Peng passaram a ser bloqueadas com os alertas costumeiros da censura chinesa de que violavam "leis e regulamentos". O mesmo ocorria a quem tentava publicar textos ou fotos com os nomes dos envolvidos. Como sempre, surgiram truques para driblar a censura. No Weibo, os termos #tênis e #melão ("gua", que soa como a "fofoca" em chinês) entraram nos tópicos mais circulados. A rapidez com que a censura entrou em ação revela como o tema do abuso sexual é sensível na China, mais ainda por ser um episódio que pela primeira vez atinge um membro do alto escalão do poder.

Ativistas do movimento feminista, habituadas a sofrer perseguição ao tentar denunciar casos semelhantes, elogiaram a coragem da tenista, torcendo para que a importância do acusado ajude a revelar um pouco mais da rotina de pressão sofrida pelas mulheres nas mãos de homens poderosos. O movimento #MeToo penetrou no discurso público da China em 2018, após uma série de acusações de assédio sexual em universidades e organizações sem fins lucrativos. Mas aquele primeiro ímpeto, inicialmente encorajado pelas autoridades, foi sufocado pela censura e por ataques online às ativistas.

No post em que acusa Zhang Gaoli, a tenista Peng Shuai diz que não tem provas dos abusos sofridos, mas que se sentia na obrigação de contar sua história, "mesmo se for só eu, como um ovo batendo numa pedra, ou uma traça indo em direção ao fogo como quem corteja a autodestruição, eu contarei a verdade sobre você". Ainda que confusa, a mensagem convenceu muita gente sobre a sinceridade da tenista, disse Lü Pin, fundadora do portal Vozes Femininas, o maior veículo de defesa das mulheres no país, hoje censurado:

— Todos sabem que deve ser verdade. Por muito tempo eles foram podres e degenerados, explorando mulheres, escondidos na escuridão. Por isso é que falar alto é tão importante.

Apesar da pressão oficial, outros casos de assédio sexual continuaram tendo repercussão e consequências na China. Em agosto, o astro pop chinês-canadense Kris Wu foi preso em Pequim após ser acusado de estupro, no episódio mais ruidoso do movimento #MeToo até agora. No mesmo mês, dois funcionários do gigante do comércio eletrônico Alibaba foram detidos por suspeita de assédio sexual de uma colega. Os casos deram esperança aos apoiadores do movimento #MeToo na China. A denúncia da tenista Peng Shuai acrescenta uma nova dimensão ao movimento, por respingar em alguém que pertenceu à cúpula do Partido Comunista da China (PCC).

Peng Shuai é uma das atletas mais bem sucedidas do país, primeira tenista chinesa a chegar ao primeiro lugar do ranking em 2014, após vencer o torneio de Wimbledon em duplas. Zhang Gaoli, hoje com 75 anos, galgou posições no PCC até ocupar entre 2013 e 2018 uma das sete cadeiras do Comitê Permanente do Politburo, o topo do partido. Segundo Peng, após Zhang se aposentar eles retomaram um relacionamento que haviam mantido anos antes, e que ela afirma de forma um tanto confusa nunca ter sido com seu consentimento. Em seu relato, a tenista se penitencia pelo relacionamento com Zhang, "muito complicado e confuso", e diz que é "uma má garota".

Para a ativista Lü Pin, o testemunho um tanto caótico da tenista não invalida sua acusação, pelo contrário. É comum vítimas de abusos sexuais se culparem pelo que passaram, diz ela. A "imperfeição" do relato lhe dá mais credibilidade, afirma Lü Pin.

— Há muitas pessoas racionais e que parecem perfeitas, mas que não têm a coragem de Peng Shuai. Todas têm medo, todas sabem que pagarão um preço enorme por falar e ficarão sozinhas. Por isso o que ela fez é tão extraordinário.

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Stalkers usam internet para aterrorizar e dominar mulheres

Agora incluída no Código Penal, perseguição virtual tem efeitos concretos para vítimas

"Aceitaria sair comigo?"

Não, obrigada.

"Gauchinha de merda."

Não é não? "Kkkkkkkk." Não para stalkers virtuais.

Carolina Cascaes, 33, queria muito trabalhar como atendente num camarote do Carnaval paulistano de 2018. Era promotora de eventos, modelo gaúcha, recém-chegada à cidade. Tinha filha, marido. Explicou tudo isso para Junior, autor do convite acima. Em vão.

Era dele o WhatsApp no anúncio da seleção. Carol mandou sua foto, uma praxe no ofício, e de cara ele tentou emplacar um encontro. "Fui tentando me desvencilhar elegantemente sem perder a vaga. Até que começou a ficar muito pesado, começou com algumas grosserias."

A conversa está lá, registrada sobre o desenho de um unicórnio fazendo cocô de arco-íris, a tela de fundo que ela usa no aplicativo. Junior primeiro diz que o parceiro de Carol não precisa saber se os dois saírem, depois pede: "Manda uma foto pra mim, de biquíni ou lingerie, confia em mim".

Quando a modelo responde que não vai se submeter àquilo só para conseguir emprego, ele fica agressivo: "Vai se achando filha. Do seu pacote já comi muitas kkkk". Conta vantagem sobre ganhar R$ 100 mil por mês, "até mais, nunca contei, só sei o que entrego à Receita Federal". Promete pôr o nome dela na lista maldita para 450 empresas cadastradas.

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A modelo Carolina Cascaes, 33, vítima de um perseguidor obsessivo que conheceu pela internet - Jardiel Carvalho - 23.5.2019/Folhapress
Carol lamenta que o papo tenha tomado aquele rumo só porque ela "não quis transar" por um trabalho. Decide alertar colegas. "Achei que fosse golpe só pra ver menina bonita, printei tudo e postei no grupo de modelos que a gente tinha, para avisar que era vaga fake. Eu não imaginava o que viria."

As cenas do próximo capítulo ilustram um tipo de crime só recentemente reconhecido pelo Estado brasileiro: a perseguição, popularizada pela expressão em inglês, stalking.

Gênero: feminino

Série discute, em oito 

Gênero: feminino

Série discute, em oito minidocumentários e reportagens especiais, diferentes aspectos da violência contra a mulher no Brasil

  • Ep. 4 - Renata, 39

    Publicação em 22/11

Uma lei sancionada em março estipulou até três anos de prisão a quem "perseguir, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade".

O texto criou um tipo penal que não existia quando os caminhos virtuais de Carol e Junior se cruzaram, três anos atrás. Quando a legislação deixa claro que o acossamento pode acontecer "por qualquer meio", físico ou digital, "já reflete os tempos em que a gente vive", diz a antropóloga Beatriz Accioly Lins.

A internet facilitou e muito o trabalho dos stalkers, afinal. Autora de "Caiu na Net: Nudes e Exposição de Mulheres na Internet", Lins conta que acompanhou mulheres em situações que não se enquadravam nos tipos penais mais usados, como lesão corporal.

Daí que elas chegavam a um órgão público e "relatavam histórias em que eram o tempo inteiro perseguidas, não tinham paz, mas não havia ofensa, ameaça", afirma a antropóloga. "Então ficavam no limbo jurídico."

Depois que Carol expôs nas redes o assédio que sofreu, Junior deixou de lado o "kkkkk" e partiu para o ataque. "Naquela noite ele me ligou 150 vezes, algumas de números desconhecidos. Ele ameaçou meu marido, minha filha. Aí começaram as ameaças de morte, perseguição. Sempre virtualmente."

Carol conta que o assediador postou telefone e foto dela numa "página do Facebook de putaria", na qual "meninas se candidatavam para prostituição".

Não foi só sua saúde mental que foi para o espaço. As intimidações a levaram a fechar seu perfil profissional no Instagram, vitrine para potenciais contratantes. Segundo a modelo, Junior também se passou por policial. "Disse que ia dar um tiro na minha cara. Foram meses e meses de inferno."

Carol nunca tinha visto esse stalker na vida. Samia Lisboa, 45, era casada com o dela.

A união se prolongou por duas décadas, mesmo depois de ele a agredir "a ponto de quebrar os dentes". Na época, estava grávida pela segunda vez.

"Foi por causa de R$ 11." Tinha ido fazer um ultrassom. Bateu fome. Com o cartão do marido, comprou algo para comer. "Ele achou aquilo absurdo: ‘Por que não veio comer em casa?’."

"Ela poderia ter morrido na minha barriga", diz sobre a filha de 15 anos, que acabou de sair para uma academia perto da casa onde elas moram em Moema (zona sul de São Paulo).

Os anos foram passando, o marido enriqueceu, e refeições em restaurantes chiques viraram um "cala-boca" após ele se descontrolar, junto com viagens e carros importados (ela gosta de Mercedes).

Estava bem-servida no cardápio de violências contra a mulher: psicológica, patrimonialfísica. "Vamos dizer que, de humilhação, degustei de todas. Fui chamada de lixo, de porcaria", relata. "E ele gostava muito do meu pescoço, gostava de enforcar."

Samia desculpava sempre. "Quando perdoei, perdoei por amor." Mas as oscilações de humor do parceiro não pararam. "As formas de falar que eu deveria morrer começaram a aumentar. Até um copo de vinho, se ele oferecesse, eu já ficava assim: o que que tem dentro?"

O dia do "basta" chegou. Ela narra como se arrastou até uma porta de correr para se livrar do marido, que tentou estrangulá-la após uma discussão no escritório dele.

Com ajuda do Justiceiras, rede de proteção a mulheres agredidas, Samia fez boletim de ocorrência e conseguiu uma medida protetiva. Fisicamente, o agora ex-marido não pode chegar perto. Veio então o cerco virtual.

A coisa começou a ficar estranha de dois anos para cá, após o término. Ele nunca teve redes sociais, mas pedia que funcionários fizessem perfis para segui-la, segundo sua ex.

De repente, muitas contas masculinas passaram a abordá-la. Esses homens conheciam seus gostos. Ela mostra sua página no Facebook —quase mil solicitações de amizade pendentes.

Samia recebe a toda hora mensagens como "confesso que não pude me conter com tamanha beleza". Até pornografias no WhatsApp. "Eram pessoas me chamando de ‘meu amor’, aí mandavam vídeo pornográfico." Seu número de telefone também foi parar numa rede social de relacionamento.

Ela sabe que a internet é um manancial de doidos e golpes. Mas o "timing" daquilo tudo, somado com o que ela ouviu de pessoas que conhecem o ex, lhe dão a certeza de que ele tem um dedo nisso.

Samia também desconfia que ele tenha implantado dispositivos clandestinos de monitoramento. "Eu falava coisas dentro do carro e da casa que ele vinha questionar. E eu: 'Ué, como ele está sabendo?'."

Para Samia, o pai de seus filhos espalha ratoeiras virtuais tanto para vigiá-la quanto para jogar na sua cara que ela é saidinha demais com outros caras. "Há a necessidade de provar que eu era uma traidora, uma pessoa de má índole, uma vagabunda. Mas quando o homem prova que a mulher é vagabunda, prova que ele é outra coisa, né? Fica ruim pro lado dele."

Muito do cyberstalking tem a ver com ameaçar expor intimidades da mulher, como um nude enviado por ela ou o vídeo de uma relação sexual gravada sem seu conhecimento. Casos como o de Samia, contudo, escancaram como a perseguição ataca em várias frentes, sempre com um denominador comum.

"A tecnologia é mais um meio que o homem usa para silenciar a mulher, ter alguma forma de continuar mantendo domínio sobre ela", afirma Juliana Cunha, diretora da Safernet, ONG que acolhe denúncias de crimes online.

Como qualquer outra violência contra a mulher, "tem muito a ver com reafirmar o poder que ele tem contra a mulher, levá-la a ter medo de você". Em suma: "Fazer de tudo para fazer da vida dela um inferno".

Cris Camargo, 49, que o diga. Seu pecado foi desenhar sobre um machismo típico em feiras de quadrinhos.

A tirinha mostrava um rapaz parando para conferir o trabalho de um quadrinista, passando batido pelos próximos dois stands, de mulheres, e voltando a se interessar pelo seguinte, outro homem. A legenda: "Ser artista mulher é ter sua mesa ignorada por machistas nos eventos".

Quadrinista sofre ofensas virtuais após tirinha que denunciava machismo

  • Facebook

Quando a autora da HQ "Ser Artista Mulher É…" decidiu reproduzir o que acontecia com ela e colegas, os haters não perdoaram. Uma "feminazi chata pra caralho" como ela só não era reconhecida por "ser fraca e copiar os traços do Mauricio de Sousa", disse um.

"Ninguém tem culpa que a arte dela é uma merda que só atrai militante feminista", veio outro. "Bater uns bolos talvez resolva a doença mental que ela tem."

E como esquecer deste aqui? "Nesses eventos só tem virjão. Ter uma ppk te coloca em vantagem a qualquer desenhista homem do local. Se ainda assim não fez sucesso, é porque desenha mal pra caramba mesmo."

"Os caras vão me atacar pra provar que não existe preconceito", afirma Cris. "Chega a ser hilário."

Se ficasse só na artilharia rasteira das redes, vá lá. Mas não. A desenhista chegou a receber o que interpretou como ameaça velada de morte. "O cara dizendo que eu não devia mexer com esses assuntos, de criticar ações masculinas, porque eu poderia me arrepender, as pessoas sabiam onde me encontrar."

Boa parte da violência de gênero que Cris sofre nas redes é crime de perseguição, diz sua advogada, Raphaella Reis, da DeFEMde (Rede Feminista de Juristas). O problema é que nem sempre a Justiça entende assim.

Quando um perfil forjou fake news sobre ela, que a Folha não reproduzirá para não dar corda a elas, Cris resolveu processar. O Judiciário paulista entendeu, em duas instâncias, que não caberia nenhum tipo de reparação.

Um trecho da sentença: "Ora, se ela estivesse de fato tão incomodada com as agressões verbais e, por conseguinte, com a sua reputação e com a repercussão que as acusações contra ela pudessem causar em sua vida, não teria se dado ao trabalho de responder às ofensas".

A certa altura, um dos juízes do colegiado interrompeu a advogada. "Eu falando, ele rindo. Disse que o Judiciário não era pra frescura de internet", afirma Reis.

"É importante frisar que 76% das vítimas de feminicídio foram perseguidas, pois o homem autor de violência, ao perceber que não consegue controlar a vida de uma mulher, prefere matar", diz a advogada Sueli Amoedo, do Justiceiras.

O dado é do americano Stalking Resource Center, que inclui atitudes persecutórias presenciais e online.

Samia já teve medo de morrer. Com ordem judicial que impede o ex de chegar perto, a perseguição digital virou uma nova arma de silenciamento.

Ela não se cala. Mostra no celular os perfis que inundam suas redes para importuná-la, muitos deles fake. "Esses canalhas deveriam virar alimento de sucuri."

DENUNCIE

Vítimas ou testemunhas podem denunciar eventos de violência contra a mulher pelo Ligue 180 (basta teclar 180 de qualquer telefone fixo ou celular). O serviço está disponível 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados.

A ligação é gratuita.

Sobre o especial Gênero: Feminino

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Reinaldo Azevedo - Lira: No meio do caminho havia uma Rosa. Havia uma Rosa no meio do caminho

Colunista do UOL

08/11/2021 06h52

A Mesa da Câmara será notificada hoje pelo STF, em três ações de que a ministra Rosa Weber é relatora, a explicar em 24 horas os detalhes da tramitação da PEC dos Precatórios, que resultou na aprovação do texto em primeira votação, na madrugada de quinta-feira, por 312 votos a 144. A Casa não é obrigada a se manifestar. Trata-se de três mandados de segurança, impetrados, respectivamente, pela direção do PDT, por um grupo suprapartidário de deputados e por Rodrigo Maia (sem partido), ex-presidente da Câmara.

Nos três casos, os peticionários reivindicam a concessão de uma liminar que suspenda a tramitação da PEC dos Precatórios e que torne sem efeito o ato que permitiu a votação de deputados que não estavam na Câmara. Logo, o que se pede é a anulação daquela votação.

1: VOTO REMOTO
Ato da Mesa permitiu que deputados que não estavam no plenário votassem remotamente. Afirmam, por exemplo, os deputados da petição conjunta:
"(...) Com o exclusivo escopo de assegurar a aprovação da matéria ontem [quarta-feira] pelo plenário, foi baixado o Ato da Mesa n° 212, de 03 de novembro de 2021, que permitiu a votação remota de parlamentares em missão oficial para a COP26, em Glasgow, na Escócia. De forma casuística e em patente desvio de finalidade, foi editado ato para garantir o quórum necessário à aprovação da emenda aglutinativa".

Onze deputados que estavam na missão em Glasgow votaram. A PEC, reitere-se, foi aprovada com 312 votos, apenas quatro a mais do que o mínimo necessário: 308.

2: TEXTO FANTASMA
A emenda aglutinativa que foi votada, alegam os autores das ações, não aglutinava nada porque ela não surgiu de emendas que tenham sido debatidas na Casa. Maia, por exemplo, chama o texto aprovado de "fantasma". Diz ele:
"O que é uma emenda aglutinativa para aqueles que não conhecem? A palavra já diz, você está juntando duas partes. O que o regimento permite? Que você junte partes do texto original junto com as emendas oferecidas. Como não há emenda oferecida, você não tem como aglutinar nada, você não tem como juntar nada na matéria. Você não pode ter uma emenda aglutinativa de temas que não existem, ou no relatório do relator para ser votado ou na emenda constitucional. O que ele fez? Apresentaram uma emenda aglutinativa com textos que não existem na PEC e de emendas que não foram apresentadas. Então, eu digo que é uma emenda fantasma que a Câmara votou".

Vem barulho por aí. Já volto à questão da votação.

SUSPENSÃO DO ORÇAMENTO SECRETO
É evidente que os ministros do Supremo não gostam da ideia de interferir de forma tão incisiva em decisões tomadas no âmbito de outro Poder. O potencial para a confusão é gigantesco.

Rosa já havia determinado na sexta, por meio de liminar, a suspensão de pagamento das chamadas "emendas do relator", atendendo a pedidos do PSOL, Cidadania e PSB, no âmbito de Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamenta. A ministra determinou ainda que sejam divulgados todos os dados relativos ao pagamento de emendas de 2020 e 2021.

A decisão é "ad referendum" do pleno, em votação virtual, que vai se dar, por determinação de Luiz Fux, presidente do STF, entre terça e quarta. Qualquer ministro da Corte pode pedir que a questão seja decidida em sessão física.

É pouco provável que o Supremo vá entrar no mérito da existência das "emendas do relator", que surgiram em 2019 — Lei 13.957), que mudou a 13.898 — no processo de elaboração do Orçamento de 2020. As emendas passaram a ser, então, individuais, de bancadas estaduais, de comissões permanentes (Câmara, Senado ou Congresso) e do relator.

O problema não está na modalidade, mas no sigilo, que tem de acabar. O Orçamento não pode ser secreto. Lembra a ministra Rosa que assim deve ser "em conformidade com os princípios da publicidade e transparência previstos nos arts. 37, caput, e 163-A da Constituição Federal, com o art. 3º da Lei 12.527/2011 e art. 48 da Lei Complementar 101/2000".

Entendo que, se o Supremo resolvesse suprimir as "emendas do relator" — e, note-se, isso não está sendo pedido —, haveria, aí sim, uma interferência indevida em outro Poder. Mas, no caso, o que se pede é o que o distinto público saiba qual é a destinação de recursos que são... públicos! E, parece-me, não haverá divergência nesse caso no tribunal.

VOLTEMOS À QUESTÃO DA VOTAÇÃO
Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, marcou para esta terça a segunda votação da PEC dos Precatórios. Parece difícil que aconteça. Para começo de conversa, alguns deputados da oposição -- PDT (15) e PSB (10) -- que disseram "sim" ao texto podem recuar. Isso significa que o governo tem de conquistar a adesão de deputados da base que votam contra a emenda na primeira rodada ou que se ausentaram.

A Mesa não é obrigada a apresentar as explicações pedidas por Rosa, mas é pouco provável que nada diga à ministra. Como as 24 horas passam a ser contadas a partir desta segunda, a magistrada tende a decidir na terça se concede ou não liminar aos mandados de segurança.

Os pedidos para a suspensão da tramitação da PEC sustentam que a votação encaminhada por Lira feriu os Artigos 186 e 187 do Regimento Interno da Câmara, que tratam do processo de votação de matéria que é constitucionalmente regulada, a exemplo da aprovação das PECs.

ABACAXI
O Supremo está com um abacaxi e tanto para descascar. Parece-me certo que o tribunal vá meter um freio de arrumação nas tais "emendas do relator". Da forma como está, dinheiro público pode ser empregado de modo discricionário. A prática viola fundamento constitucional de maneira inequívoca.

Quanto à suspensão da tramitação... Ainda que a ministra Rosa Weber conceda a liminar, ela será examinada pelo conjunto dos ministros. O Regimento Interno foi ignorado? Parece que sim. O Parágrafo 3º do Artigo 118, por exemplo, define uma emenda aglutinativa:
"§ 3º Emenda aglutinativa é a que resulta da fusão de outras emendas, ou destas com o texto, por transação tendente à aproximação dos respectivos objetos".

O texto votado, com efeito, foi uma invenção de última hora. Quanto à autorização para que deputados em missão pudessem votar, vejo controvérsia pela frente. Se estão representando a Câmara, entende-se que o fazem como deputados. Em princípio, não parece ser uma aberração que votem. O problema é essa autorização ter sido pela Mesa da Câmara depois do início do jogo...

Mas há uma questão: todos os que votaram remotamente realmente estavam, àquela hora, em missão oficial? Não por acaso, Rodrigo Maia pede no mandado de segurança:
"após, determinar a notificação da autoridade coatora para que apresente informações, nos termos do art. 7º, inciso I, da Lei nº 12.016/2009, e que, nos termos do art. 6º, §1° da Lei n° 12.016/2009, traga aos autos a listagem completa dos parlamentares licenciados e/ou no exercício de missão diplomática em 3 de novembro de 2021, e da informação de quais deles votaram pela aprovação da emenda aglutinativa substitutiva (EMA) n° 1, oriunda da PEC 21, de 2021, em 3 de novembro de 2021".

Ainda faltam, vamos dizer, "três turnos" para que se complete o processo de aprovação da PEC — na hipótese, claro!, de que não seja alvejada em um deles. O tribunal sabe o peso de uma interferência nessa natureza, que é coisa distinta de determinar a transparência nos gastos com emendas, um mandamento constitucional inequívoco e incontroverso.

Na linha da autocontenção do Poder, já escrevi aqui, o tribunal pode optar pela não intervenção antes da conclusão do processo legislativo, sem prejuízo de que a Corte seja acionada mais tarde, a depender do resultado. Seria um jeito de driblar o confronto em dias já tumultuados.

Já virá barulho o suficiente por aí com a divulgação, que me parece inevitável, dos detalhes das emendas do relator. E assim tem de ser. A aberração tem de acabar.

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Opinião: Mauricio Stycer - Coluna na Folha: "Verdades Secretas 2" é um "pornô com história"

Rômulo Estrela, Camila Queiroz e Agatha Moreira, protagonistas de "Verdades Secretas 2" - Reprodução / Internet
Rômulo Estrela, Camila Queiroz e Agatha Moreira, protagonistas de "Verdades Secretas 2" Imagem: Reprodução / Internet
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Mauricio Stycer Colunista do UOL 04/11/2021 10h59

"Verdades Secretas 2" é um bom caso de estudo sobre o estágio atual da criação na área de teledramaturgia. Por que a Globo, geralmente ciosa da qualidade de suas novelas, resolveu levar ao ar uma produção tão apelativa, mal escrita e mal dirigida? Porque foi concebida como uma isca destinada a alargar a base de assinantes e o número de horas consumidas na plataforma de streaming da empresa. Os espectadores que ajudaram a trama original a registrar ótimos números de audiência na TV aberta agora terão que pagar para ver a segunda parte.
(...)
A Netflix está sempre falando em produzir novelas em seus dois maiores mercados latino-americanos (Brasil e México). Há uma semana, a HBO Max anunciou a contratação de Silvio de Abreu para atuar como consultor e orientador no projeto de dramaturgia que a plataforma pretende lançar ano que vem nestes mesmos mercados. Já imaginou? Variações de torno de "Verdades Secretas 2" em todas as plataformas? Eu acredito.

_________________________________________________Advogado de Marília Mendonça foi quem reconheceu o corpo: 'Fiquei em choque com tudo. Sou pai, só pensava nas minhas filhas'

Entre os destroços, Mauricio Carvalho encontrou celulares da cantora ainda recebendo mensagens, passaporte, sandália e um diário: 'Foi triste e impactante pegar as roupas'
Mauricio Carvalho, advogado de Marília Mendonça Foto: reprodução
Mauricio Carvalho, advogado de Marília Mendonça Foto: reprodução

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Foi Mauricio Carvalho quem reconheceu os corpos de Marília Mendonça e dos demais passageiros do avião bimotor que caiu na sexta-feira (5), na região de Piedade de Caratinga (MG), matando a artista de 26 anos e outros quatro tripulantes. Além da cantora e compositora, estavam na aeronave o tio e assessor dela, Abiceli Silveira Dias Filho, o produtor Henrique Ribeiro, o piloto Geraldo Martins de Medeiros e o co-piloto Tarciso Pessoa Viana.

Advogado de direitos autorais da Workshow, empresa que agenciava a artista, chegou à cidade horas depois do acidente e foi direto para o IML realizar o reconhecimento dos corpos e liberá-los. Na manhã de sábado (6), dia seguinte da tragédia, ele esteve no local onde o avião caiu para recolher alguns pertences das vítimas, que a pollícia ainda não tinha conseguido resgatar.

— Havia o medo de a cachoeira levar o avião, que estava em um lugar muito instável, impossibilitando o recolhimento de todos os objetos. Quando chegamos lá, encontramos passaportes, documentos, celulares ainda recebendo mensagens, iPads, a sandália dela, roupas.... Foi muito triste e impactante olhar aquilo tudo, as roupas. Colocamos dentro do nosso avião e trouxemos conosco. O resto está sendo catalogado pela polícia para ser entregue às famílias — conta Mauricio. — Achamos algo que, aparentemente, é um diário que pode conter músicas inéditas, além de outras coisas. Mas ele estava muito molhado e ficamos com medo de estragar. Preferimos acondicionar de maneira correta, esperar secar até verificar do que se trata.

Mauricio havia passado toda a manhã da última sexta-feira (5) em reunião na empresa. De lá, seguiu para a academia e só depois que acabou de malhar checou o celular, já repleto de mensagens com rumores do acidente.

— Liguei para o escritório e ninguém sabia de nada, as informações estavam totalmente desencontradas, não havia nada sólido. Comecei a receber mensagens de pilotos de avião, porque minha família tem aeronave, e a gente conhece o meio. Pedi para acionar um jato, que já ficou na pista esperando, falei com o empresário e ficamos de prontidão — lembra. — Só foi o tempo de passar no meu apartamento para pegar minhas coisas e partir. Pousamos na cidade mais próxima e percorremos 150 quilômetros até o local do acidente. Fui chorando daqui até lá. Me emocionei muito, sou pai, lembrava do Léo (filho de Marília), imaginava: "E se fosse minhas filhas?". Fiquei em choque, era tudo muito inacreditável.

Mauricio fez o primeiro contrato de agenciamento da carreira de Marília. Foi em 2015, com a Workshow.

— Quando a conheci, era uma menina simples, humilde e pintosa. Ao mesmo tempo, muito inteligente. Sabia tudo de direito autoral. Uma das maiores compositoras do Brasil, ela tinha muito conhecimento sobre isso. Tivemos audiências juntos em um processo que discutia direitos autorais. A vi explicar ao juiz, de maneira surpreendente e por longos oito minutos, como tudo funcionava. Sempre foi muito focada. A acompanhei nos contratos e negociações com gravadoras e ela sempre sabia o que queria. Tivemos uma relação muito legal. Marília sempre foi abençoada, uma artista maravilhosa — diz Mauricio, que também conhecia o produtor e o tio de Marília. — Henrique era um excelente profissional, um rapaz extremamente bem educado. E o tio da Maríllia, muito gente boa.

Agora, segundo o advogado, a tristeza tomou conta do escritório, que também atende artistas como Henrique e Juliano, Maiara e Maraísa, Hugo e Guilherme, Tierry, entre outros:

— Muitos cancelaram os shows. Somos uma família, quando acontece com um, acontece com todos. Vamos ter que juntar os caos para seguir adiante.

O que fazer com o legado da artista, praticamente uma usina de composições, deverá ser um assunto estudado delicadamene pela família:

— É muito cedo para raciocinar. Ela tem muita coisa lançada, além de grande cantora e intérprete, é uma compositora de obra vasta, tem músicas gravadas por alguns dos principais artistas do Brasil. Deixa um vasto material. Agora, os familiares terão que entender de que modo tratar a obra dela. E terão toda a assessoria.

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Maria Homem: Que época louca é essa em que pessoas pegam carona na morte para se autopromover?

'Alguém morre e a gente viraliza

"Marília morreu. Arruma uma foto com ela e posta já. Vai bombar."
"Você viu o Paulo Gustavo? Gentee. Acha aquele vídeo com ele, dispara em todas as redes."
"Não temos foto com ela? Tudo bem, vai no genérico, uma homenagem, RIP, tipo isso."
"Alguém morre e a gente viraliza."

Poderíamos dizer que nascimento, casamento e morte sempre foram os três grandes rituais da vida humana. Eles sintetizam cruamente nossa estreita missão: nascer, reproduzir, morrer. Receber a vida, unir-se com alguém para transmiti-la, sair da vida. E partilhamos essas experiências, densas, com os outros humanos.

Dessa forma, nos contam escavações de ruínas antigas, elas se tornam eventos sociais. Às vezes mais discretos, às vezes mais apoteóticos, dependendo do dinheiro e da carência que cada um carrega. Queremos partilhar com o outro a alegria de uma esperança ou a dor da perda, e assim construir uma memória coletiva.

Homem com camisa bordô segura uma rosa vermelha; na camisa há a estampa de uma caveira
Fã durante velório da cantora Marilia Mendonça November 6, 2021 - 6.nov.2021 - Ueslei Marcelino/Reuters

O que nossos tempos modernos nos contam é que, mais urgente que isso, precisamos aproveitar a oportunidade e inflar nosso ego midiático. Quanto mais conhecido o outro, melhor a oportunidade —claro, esse o jogo geral das redes da fama. O negócio é pegar carona na morte para se autopromover. Espetacularização da vida e agora da morte.

O detalhe é que a morte dói. Ela é tristeza e desolação, quase sempre. Seja alguém velho, com uma vida bem vivida e que soube deixar algo para lembrar. Seja uma criança, a dor de ceifar já na fonte. Seja uma pessoa jovem, no estouro da potência.

No fundo, a morte é algo que não conseguimos engolir a seco. Precisamos de metáforas —anjos, estrelas, águas, sementes, árvores— e de narrativas —os céus, os infernos, os castigos, os ciclos, os fluxos. É só você observar as redes sociais agora para visualizar o que estou falando.

[ x ]

Uma outra estratégia de defesa diante da morte é partir para um mecanismo avaliativo: professores e fiscais em ação. Fulano era assim e assado. Ou deveria ser assim e assado. Curioso, até mais jovem ou enrugado, mais magro ou mais gordo a gente acha relevante nessa hora. O que o morto fez vale muito ou vale pouco. É relevante ou é lixo. Seu nome morrerá ou permanecerá.

Está na moda ser "crítico", na era curiosamente hipernarcísica e superegoica que é a nossa. Curiosamente é modo de dizer, essas são as duas faces (da mesma moeda) que dialetizam. Me esforço sem parar pra construir um eu fetichizado porque tem um superego juiz me comparando com os Ideais de Eu à disposição no mercado.

Então me pergunto: que época louca é a nossa em que precisamos trabalhar para inflar o ego ou brincar de superego crítico diante da angústia da morte? Talvez isso tenha um preço. Para onde está indo o sofrimento que escondemos debaixo das pilhas de Egos Infladinhos a se exibir diante do olhar dos outros? Ou dos Superegos SuperCríticos que ficam dando nota pra todas as coisas que se apresentam? Depois dessa catarse, no escuro da solidão de cada um, não deve ser fácil.

Uma vez fui para o Atacama e tive a sorte de fazer uma observação do céu, a olho nu e com telescópios, e sem a luz da lua para ofuscar. Foi uma das coisas mais impactantes que já vivi. Sendo um deserto, é uma janela cósmica, límpida e seca, para se observar o que tem além de nosso planeta. Ficam lá os mais potentes telescópios do mundo, e tão complexos que captam a luz visível e o invisível, as diferentes radiações do vasto espectro.

O caso é que esses dias o projeto Alma descobriu água em uma galáxia a uma distância de 12,8 bilhões de anos-luz. Isso quer dizer que havia água lá há muito tempo, quase no início deste universo —o tempo necessário para viajar durante quase 13 bilhões de anos pegando carona na luz. Enquanto isso, diante do enigma da vida e da morte, patéticos humanos buscam enfeitar seus egos e exercitar seus superegos vorazes.

_________________________________________________Erasmo Viana diz que gays atentam ao pudor e sujam o Parque Ibirapuera, em SP

Após a repercussão negativa, o ex-namorado de Pugliesi será denunciado por homofobia

Na manhã deste dia 2 de novembro, o participante de “A Fazenda 13”, Erasmo Viana, fez comentários polêmicos sobre os gays que fazem sexo no parque Ibirapuera, local público em São Paulo, dando como “solução” levar uma arma de paintball e atirar nos casais. As informações são de O Povo.

A conversa ocorreu com o peão Gui Araújo, que contava sobre o parque Ibirapuera ficar aberto até tarde da noite em dezembro por conta do natal. Nesse contexto que Erasmo Viana disse que treinava a noite por lá, reclamando que o ambiente é um “motel a céu aberto”.

“O problema do ‘Ibira’ a noite é que vira um motel. Os gays que vão”, disse Viana, acrescentando que o local fica sujo pela manhã. “Quem treina lá, como eu que corro todo dia de manhã, você vê os papéis melados de b0st4 no chão, camisinha pra c4r4lh0, quando você corre dentro do mato, a noite os caras vão transar lá, encostam nas árvores, ficam transando. No outro dia, quem vai correr pega toda a rebarba”, disse.

“Um dia vou pegar uma arma de paintball e vou lá com os caras [amigos de Erasmo], sair a noite soltando o pau”, conclui.

O ativista Agripino Magalhães enviou um comunicado à coluna do Leo Dias dizendo que fez um queixa-crime contra Viana por “ofender e incitar ódio contra a População LGBTI+. Qualquer pessoa que se sinta incomodada com a orientação sexual do outro deve responder na justiça”.

Vale dizer que esse não é a primeira polêmica relacionada a homofobia em “A Fazenda 13”. Em setembro, as confinadas Dayane Mello e Aline Pinheiro trocaram um selinho na madrugada e o beijo delas foi cortado da edição do programa que foi ao ar pela TV Record, visto apenas por aqueles que assinam o serviço de streaming “PlayPlus”, pertencente ao Edir Macedo.

Vale dizer que Dayane Mello é abertamente bissexual e já participou do Big Brother da Itália, vivendo um romance lésbico no confinamento no país europeu.

Erasmo Viana diz que gays atentam ao pudor e sujam o Parque Ibirapuera, em SP
Reprodução
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Cresce o número de brasileiros que "saem do armário" após os 50 anos

A cada ano cresce o número de brasileiros e brasileiras, acima dos 50 anos de idade, que “saem do armário”. Uma reportagem publicada pela revista VEJA, consultou 10 especialistas em envelhecimento na comunidade LGBTQIA+ (sexólogos, antropólogos, sociólogos, psiquiatras e geriatras) e eles foram unânimes em confirmar que a turma que já passou dos 50 está mais aberta a revelar sua orientação sexual.

“O tabu da sexualidade na terceira idade diminuiu e isso estimulou as pessoas dessa faixa etária a se assumir, o que era muito mais difícil há dez anos”, diz Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Faculdade de Medicina da USP. Esse estímulo, de acordo com a reportagem, muitas vezes vem do mundo das celebridades, onde casais homossexuais vem a público falar sobre suas relações.

Carmos Dalla Vecchia e João Emanuel Carneiro estão juntos há 16 anos (Foto: Reprodução)

A revelação mais recente partiu do ator Carmo Dalla Vecchia, 50 anos, durante uma apresentação do “Super Dança dos Famosos”, do extinto “Domingão” com Fausto Silva. Em rede nacional, Carmo falou sobre sua relação de 16 anos com o autor de novelas João Emanuel Carneiro, 51. Os dois têm um filho, Pedro, de 2 anos. “Nunca escondi o fato de ser gay para as pessoas próximas. Agora me dei conta de que tinha a chance de tocar o coração de mais gente e que isso era uma responsabilidade. Também quero ser um exemplo de coragem para meu filho”, disse o ator em entrevista à VEJA

O ator Marco Nanini, 73 anos, também contou estar casado há mais de 30 anos com o produtor Fernando Libonati, com quem formalizou a união estável há dois anos. Já Lulu Santos, 68 anos, após um casamento de décadas com a jornalista Scarlet Moon, apresentou o baiano Clebson Teixeira como seu namorado em 2018 – os dois casaram no ano seguinte. O humorista Luiz Fernando Guimarães, 71 anos, também oficializou em 2019 a relação de mais de 20 anos com o empresário Adriano Medeiros, com quem acaba de adotar dois filhos, Dante, 10, e Olívia, 9.

Revelar a homossexualidade para pessoas próximas, nem sempre é algo fácil. Mas o que era um tabu, hoje é retratado na ficção e incentiva pessoas a conversarem sobre o tema com suas famílias. A enfermeira aposentada Ângela Fontes, de 69 anos, após se inspirar no casal vivido por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg na novela “Babilônia”, resolveu contar para a família conservadora que é lésbica. Desde então, Ângela deixou de esconder seu relacionamento com Willman Rocha, 74. As duas se casaram no civil e no religioso no início de outubro. “Assumir foi como tirar uma tonelada das costas”, afirma a aposentada.

A enfermeira Ângela Fontes (à esq.) vive com Wilman Rocha há 26 anos (Foto: Reprodução)

Já o estilista mineiro Ronaldo Fraga, 54 anos, passou toda a vida adulta casado com uma mulher — até se apaixonar por um homem. Após o divorcio, conversou com seus dois filhos sobre sua orientação sexual. “Esconder não seria justo com eles, comigo e com meu namorado. Me considero bissexual, e decidi viver essa experiência porque entendo que a vida é curta, mas pode ser larga”, diz Fraga, que há três anos namora o apicultor Hoslany Fernandes.

Os brasileiros e brasileiras que começaram a revelar suas orientações sexuais acima dos 50 anos, eram jovens quando o movimento LGBTQIA+ começou a se organizar no mundo e no Brasil. A partir de 1990, quando Organização Mundial da Saúde (OMS) removeu homossexualidade da lista de doenças, a comunidade começou a conquistar seus direitos ao longo doas anos, como o casamento e a adoção. “Mais de meio século depois, o patriarcado que colocou a masculinidade em posição de poder é cada vez mais questionado”, diz a psicanalista Regina Navarro Lins.

O estilista Ronaldo Fraga (à esq.) hoje vive com Hoslany Fernandes, 37 (Foto: Reprodução)

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_________________________________________________Novos capítulos de “Verdades Secretas 2” tem cenas de sexo gay quase explícito

Além de se envolver com Betty (Deborah Evelyn), o personagem de Bruno Montaleone também protagoniza cenas de sexo com Giotto (Johnny Massaro) nos novos capítulos

Na última quarta-feira (3), 10 novos capítulos de “Verdades Secretas 2” foram liberados no Globoplay

A novela está cumprindo o que prometeu nos teasers divulgados antes de sua estreia e que causaram na internet. 

As novas imagens trazem cenas com muito sexo, pegação e de violência.

Na segunda parte dos capítulos disponibilizados, ocorre a estreia de Bruno Montaleone na novela – ele interpreta o modelo Matheus

O personagem é um golpista, que se prostitui e tenta arrancar dinheiro de suas vítimas de diversa maneiras.

Personagens de Bruno Montaleone e Johnny Massaro em “Verdades Secretas 2” (Foto: Reprodução)

Na trama, o garoto de programa encanta Betty (Deborah Evelyn), que é casada com Lorenzo (Celso Frateschi) e acaba se apaixonando por Matheus depois de contratá-lo para serviços sexuais. 

Eles protagonizam cenas quentes, com direito a gemidos e diferentes posições sexuais, que são suficientes para a novela ser classificada como um “pornô leve”.

Matheus também acaba se envolvendo com Giotto (Johnny Massaro), enteado de Betty. 

As cenas de sexo entre os dois são quase explícitas: uma no quarto, com Giotto de frente para um janela de vidro e Matheus por trás, e outra no carro com os jovens transando de modo intensa.

“Se não fosse o meu pai, era bem capaz de largar tudo e te assumir. Tem muita coisa em jogo, gatinho. Só não quero te perder”, diz o personagem de Johnny Massaro em um cenas após o sexo. Nos próximos capítulos, Matheus ainda fará sexo com a irmã da Giotto, Irina (Julia Stockler), e o seu pai Lorenzo.

(Foto: Reprodução)

O beijo grego

Uma das cenas mais aguardadas é a cena de beijo grego entre os personagens de Johnny Massaro e Bruno Montaleone. 

Na internet surgiram muitos questionamentos de como a cena foi gravada. 

Em entrevista à coluna  de Patrícia Kogut, do jornal O Globo,  o ator contou como a sequência foi feita.

“Essa cena não é um beijo grego de fato. 

Meu personagem estava simplesmente beijando a bunda do Mateus. 

Tem um momento de beijo grego, mas não é aquele. 

Tem uma maneira técnica de gravar. 

Tem mais a ver com onde a câmera está do que como a gente está fazendo. 

Não teria sentido mesmo fazer. Com a posição da câmera e o enquadramento, dá a entender. Essa é a brincadeira.”, explicou Johnny.

(Foto: Reprodução)

“Verdades Secretas 2” contará com 50 capítulos, com lançamentos feitos em blocos de  10 episódios a cada 15 dias. Na Globoplay, as próximas estreias acontecerão em 17 de novembro e, depois, em 1º e 15 de dezembro.

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“Minha insegurança era por conta da minha sexualidade”, diz ator Bruno Gadiol

No ar em “As Five”, da Rede Globo, o ator disse se ver na história do personagem Guto, interpretado por ele, que conta ser gay na série

Em “As Five”, Bruno Gadiol interpreta o personagem Guto, que conta para Bebe (Daphne Bozaski) que é gay. Após falar sobre sua sexualidade, os dois terminam o relacionamento. Ao olhar para o conflito que envolve o seu personagem, o ator ressaltou em entrevista ao GShow que se viu na história do rapaz.

(Foto: Reprodução/ Instagram)

“Eu acho que eu e o Guto, desde a época da Malhação, a gente tem uma história muito parecida. Ali tinha uns rumores sobre a sexualidade dele, o que fazia ele ser inseguro. E eu vivi muito isso na minha vida também. Muito da minha insegurança era por conta da minha sexualidade”, conta o artista.

“Quando eu vi essa semelhança com o personagem eu pensei: ‘Esse cara sou eu’. Temos coisas ali em comum. O nível de maturidade que ele se encontra agora também pode se dizer que se assemelha ao ponto que eu cheguei de querer contar para as pessoas e falar sobre a minha sexualidade, para não ter que esconder, e não prender mais algo dentro de mim. A gente tem isso em comum”, ressalta o ator.

Guto (Bruno Gadiol) e Benê (Daphne Bozaski) em “As Five” (Foto: Globo/Fábio Rocha)

Sobre Bruno Gadiol

Bruno Gadiol tem 23 anos e é natural de São Paulo (SP). Ator e cantor, ele ficou conhecido em 2013, após vencer um talent show no programa “TV Xuxa”, que formou o grupo Kidx. Já em 2016, ele foi um dos semifinalistas da quinta temporada do The Voice Brasil, pelo time de Michel Teló.

A estreia como ator veio no ano seguinte, 2017, quando interpretou Guto em “Malhação: Viva a Diferença”. Atualmente ele está no ar com o mesmo personagem em “As Five”, exibida nas noites da Globo. A série é um spin-off de “Malhação”.

No dia 12 de junho de 2018, Gadiol lançou um clipe intitulado “Seu Costume” em parceria com cantor Gabriel Nandes. Na ocasião ele aproveitou a história do dia e a data (dia dos namorados) para declarar publicamente sua homossexualidade.


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NONATO, jogador do Fluminense, critica homofobia: “falta ENTENDIMENTO e sobra IGNORÂNCIA ”

Nonato, volante do Fluminense, usou seu perfil no Instagram para se posicionar contra a homofobia e o racismo

Diante da demissão do jogador Mauricio Souza do Minas Tênis Clube e as discussões acerca da LGBTfobia no esporte, alguns atletas se manifestaram nas redes sociais sobre o caso. 

Enquanto Fred, capitão do Fluminense, apoiou Souza, outro jogador do mesmo time, Nonato, repudiou a atitude. Em seu perfil no Instagram, o volante  do tricolor carioca publicou um texto onde apoia a luta contra a homofobia e faz um paralelo com o racismo.

(Foto: Reprodução)

“Me assusta como a sociedade gosta de atacar o seu próximo pelo simples fato de ser diferente. Sobre os acontecimentos mais recentes na mídia sobre homofobia, vou fazer um paralelo com outro tipo de preconceito: o racismo. Há 80 anos, era “só uma opinião” popular que um negro era incapaz de ser um chefe de estado. Assim como foi ‘só liberdade de expressão’ grande parte da sociedade julgar e desaprovar veementemente a entrada de princesas pretas da disney no mercado, pela simples quebra de padrão com o que era considerado normal na época”, escreveu o jogador”, escreveu Nonato, que tem 23 anos.

A partir do momento que o que sai da sua boca (ou mais comumente nas suas redes sociais) fere toda uma comunidade, ela já DEIXA DE SER UMA OPINIÃO. (…) Toda luta gera um desconforto devido a quebra de paradigmas. É natural que muita gente se incomode, afinal, o novo e o diferente causam certo estranhamento no começo, mas eu tenho convicção de qual é o lado certo disso tudo e que o tempo vai provar”, completou.

O apoio de Fred ao jogador vôlei, acusado por declarações de teor homofóbico, gerou mal estar, já que vai contramão da imagem que o Fluminense tenta passar. O time tem se destacado por causas de apoio ao movimento LGBTQI+ como o #TimeDeTodos. O clube carioca também já entrou em campo com números nas cores do arco-íris em apoio à causa LGBTQIA+.

Luta de uma família

Defender causas sociais, sobretudo LGBTQIAP+, nunca foi problema para Nonato . O jovem aprendeu o respeito à diversidade dentro de casa e após uma situação familiar. Um dos primos do volante do fluminense  é homossexual e teve dificuldades para assumir publicamente.

De acordo com matéria publicada pelo jornal O Globo, o enfrentamento ao preconceito tinha como escudo a mãe de Nonato, Dona Gerceley, que deu o apoio necessário em uma época onde falar sobre homossexualidade era um tabu. Já o pai, Walter, educou o futuro jogador sobre o tema usando o ditado: as pessoas que mais sofrem são as que mais precisam de atenção.

Já a irmã do atleta, Tuty Nonato,  é outra influência. Ela trabalha como atriz e dubladora, e desde cedo conviveu com pessoas LGBTQIAP+. Tuty se tornou quase uma tutora do volante. A namorada de Nonato, Bianca Kichel, também é engajada com a causa. Antes de se posicionar ou comentar algo, é ela quem orienta o volante e serve de apoio para estudar antes de falar.

_____________________________________________________ Enquanto isso, FRED, capitão do Fluminense, apoiou a HOMOFOBIA do Maurício Souza 

Frederico Chaves Guedes, mais conhecido como Fred (Teófilo Otoni3 de outubro de 1983), é um futebolista brasileiro que atua como centroavante. Atualmente joga pelo Fluminense.

Fred
Fred
Fred após a final da Copa das Confederações de 2013.
Informações pessoais
Nome completoFrederico Chaves Guedes
Data de nasc.3 de outubro de 1983 (38 anos)
Local de nasc.Teófilo Otoni (MG), Brasil
Nacionalidadebrasileiro
Altura1,85 m
destro
ApelidoFredDon Fredon

_________________________________________________"Espero não ter causado danos à causa", diz Paulo Betti sobre personagem em "Império"

Nesta semana, chega ao fim a reprise da novela “Império”, na Rede Globo. A trama de Aguinaldo Silva foi ao ar, originalmente, entre 2014 e 2015. Entre os inúmeros personagens marcantes que repercutiram na internet, havia o jornalista Téo Pereira, interpretado por Paulo Betti.

Com a reprise prestes a terminar, o ator resolveu ir no seu perfil do Instagram, nesta quinta-feira (04) e comentar sobre personagem. Paulo recebeu diversas críticas pela interpretação “espalhafatosa” do blogueiro, que é gay, e decidiu defender suas escolhas na rede social.

“Fiz a bicha louca que eu seria se fosse gay. Espero não ter causado danos à causa”, escreveu o ator na publicaçãoPaulo ainda lembrou que o papel na novela de 2014 trouxe uma carga emocional extra para ele, pois seria inicialmente de seu amigo José Wilker, que morreu naquele ano. 

(Foto: Reprodução)

Para a construção de Téo Pereira, o ator disse ter buscado referências pessoais e profissionais. “Eu já havia feito um gay num curta de Paulo Halm, ‘A vida real não tem retake’. Não trabalhei com preparador de elenco nessa novela”, revela. “Usei as referências de minha observação da vida real e imitei o genial desempenho do meu amigo Sérgio Mamberti no filme ‘O Bandido da Luz Vermelha’. Imitei os gestos faciais de minha irmã Teresa, amada e saudosa, assim juntei muito afeto a composição”, pontuou o ator.

De acordo com o ator, a equipe técnica da novela apoiou suas escolhas na época das gravações e “diretores, técnicos, câmeras, contra regras, maquiadoras, continuístas (…) se divertiam, davam idéias e me incentivavam”

Depois que a novela foi ao ar, Paulo disse que recebeu outra importante aprovação, a de seu sobrinho. “Fui aprovado por meu sobrinho João, em Votorantim. Ele é gay e aos 13 anos matava porcos pra ajudar meu irmão que tinha dó dos bichos. Fiz o que pude e já estou com saudades do Téo Pereira”, contou.

A novela “Império”, reprisada na faixa das 21h, será substituída a partir da próxima segunda-feira (8) pela inédita “Um Lugar ao Sol”, escrita por Lícia Manzo.

(Foto: Reprodução/ Instagram)

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Venha cá, mas nem tanto: por que tem paixão que vira enjoo rapidamente? Ouça

Em Meu Inconsciente Coletivo, Tati Bernardi fala com psicanalista sobre querer e não querer ao mesmo tempo

São Paulo

Por que algumas pessoas vão da paixão fulminante ao enjoo em três meses? 

E por que elas podem nos parecer interessantes? 

É disso que trata o episódio desta sexta-feira (5) de Meu Inconsciente Coletivo. No podcast, que está em sua terceira temporada, a escritora e colunista da Folha Tati Bernardi se deita no divã com os melhores psicanalistas, psicólogos e psiquiatras do país para contar tudo o que há de mais inconfessável perturbando sua mente.

Neste episódio, Tati conversa com a psicanalista Ana Suy, que é professora da PUC-PR e autora do livro "Amor, desejo e psicanálise".

"A pessoa que se apaixona dá notícias para o outro de que ele é apaixonante. 

O outro se apaixona por esta possibilidade também. A paixão é essencialmente narcísica e, por isso, quando ela se depara com alguma diferença, passado algum tempo, tem dificuldades de se sustentar", diz a psicanalista.

Ouça o episódio:

Participam ainda da terceira temporada do podcast a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins; o ensaísta Chico Bosco; o psicoterapeuta de crianças, adolescentes e famílias Ivan Capelatto; o psicanalista Rodrigo Alencar; o jornalista, psicanalista e escritor Robson Viturino; o psicólogo e filósofo Antônio Neves e a psicóloga, terapeuta sexual e de casais Ana Canosa.

O podcast está nos principais agregadores e tem novos episódios todas as sextas, às 8h. A edição de som é de Natália Silva.

As duas primeiras temporadas do Meu Inconsciente Coletivo também estão disponíveis nos aplicativos. Os episódios tratam de temas como solidão na maternidade, fetiches, ciúme e ghosting.

A capa do podcast Meu Inconsciente Coletivo tem um divã ao centro e o nome do programa abaixo
No podcast Meu Inconsciente Coletivo a escritora Tati Bernardi conversa com grandes psicanalistas - Editoria de Arte

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Folha de S.Paulo apanha na internet após texto sobre Marília Mendonça: 'patriarcado não descansa nem com a mulher morta'

Texto do jornal afirmou que a cantora Marília Mendonça, vítima de uma acidente aéreo, "era gordinha e brigava com a balança". Também disse que ela "nunca foi uma excelente cantora". Internautas reagiram. "Bando de arrombado", afirmou uma delas. Confira mais reações

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Oito motivos para ver ‘Marighella’ | Opinião - O Globo

Por Flávia Oliveira

Há um rol de motivos para brasileiras e brasileiros assistirem a “Marighella”, a produção cinematográfica mais esperada e perseguida dos últimos tempos. O longa-metragem, estrelado por Seu Jorge, dirigido por Wagner Moura, estreou ontem nos cinemas Brasil afora. Tive a chance de estar na pré-estreia carioca, na semana passada. Em tópicos, as razões que me fazem recomendar a obra:

1) Brasileiras e brasileiros devem assistir a “Marighella” porque é ato de resistência. Na antipolítica cultural do governo Jair Bolsonaro, artistas e produtores de cinema são atacados ao limite da asfixia. O lançamento de “Marighella” foi adiado em dois anos e meio, por censura travestida de burocracia.

2) Brasileiras e brasileiros devem assistir a “Marighella” para reencontrar a História, porque há empenho oficial em recontá-la atenuando o legado nefasto da ditadura militar. O filme retrata o ambiente de censura à imprensa e escancara a brutalidade do regime com cenas cruas — às vezes, insuportáveis — de tortura e execuções. A barbárie foi anistiada, mas está documentada. “Marighella” tampouco esconde a radicalização e a violência dos opositores, empenhados em enfrentar, enfraquecer, derrubar o regime via luta armada, mesmo sem apoio popular. Em tempos de escalada autoritária, de ameaça à democracia tão duramente reconquistada, é preciso lembrar o passado, para não repeti-lo.

3) Brasileiras e brasileiros devem assistir a “Marighella” para testemunhar a estreia de Wagner Moura na direção. O grande ator conduziu uma produção segura, a serviço do elenco. Escolheu um homem preto para encarnar o personagem principal, mestiço; fez o avesso do embranquecimento que grassa na produção cultural brasileira. Batizou personagens com o nome real dos atores, caso de Humberto Carrão, Henrique Vieira e Bella Camero, como a explicitar o compromisso de cada indivíduo com a produção. Atos políticos. A impressão é de confinamento, de segredo, tanto na ação do regime quanto dos opositores. É obra impregnada da atmosfera de tensão daqueles dias.

4) Brasileiras e brasileiros devem assistir a “Marighella” para ver Seu Jorge brilhar como protagonista. O cantor e compositor se assenta na carreira de ator ao encarnar um Carlos Marighella idealista e violento, radical e engraçado, amedrontado e amoroso, pretensioso e ingênuo, ambicioso e isolado. Humano, portanto. Luiz Carlos Vasconcelos também se destaca como Almir, o Branco, companheiro leal do início ao fim.

5) Brasileiras e brasileiros devem assistir a “Marighella”, porque a ditadura pavimentou muito do modelo de segurança pública e de abordagens policiais, ora debatidos no Brasil. Na saída do filme, encontrei Mônica Cunha, coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, fundadora do Movimento Moleque (de mães de vítimas da violência), cujo filho Rafael foi assassinado aos 20 anos, em 2006. Ela chorava por enxergar no longa a linha do tempo que veio dar no arbítrio, ainda hoje, característico da relação do Estado com jovens negros de favelas e periferias. A narrativa de “Marighella” guarda a gênese do Capitão Nascimento, personagem eternizado pelo ator Wagner Moura num par de filmes de José Padilha.

6) Brasileiras e brasileiros devem assistir a “Marighella” para reviver a beleza de cantar com paixão o Hino Nacional, sequestrado por autodeclarados patriotas que preferem autoritarismo à democracia, radicalismo ao diálogo, intolerância à inclusão. E para ouvir versos de Gonzaguinha: “Memória de um tempo onde lutar / Por seu direito / É um defeito que mata”. São cenas comoventes do filme.

7) Brasileiras e brasileiros devem assistir a “Marighella” em reconhecimento ao trabalho do jornalista Mário Magalhães, que dedicou quase uma década a apurar e escrever a biografia do líder da Aliança Libertadora Nacional (ALN), até então condenado à invisibilidade. O filme é um corte nos cinco últimos anos de vida do guerrilheiro, ex-deputado, pai, marido, filho de Oxóssi, morto desarmado em 1969, em São Paulo, por agentes do Dops. O roteiro partiu do livro de Magalhães, Prêmio Jabuti de melhor biografia em 2013.

8) Brasileiras e brasileiros devem assistir a “Marighella” para reencontrar as salas de cinema, após o hiato imposto pelas medidas de enfrentamento à Covid-19. O setor foi dos mais prejudicados pelas restrições às atividades econômicas: primeiro a parar, último a retornar à normalidade. Diante do cenário atual da pandemia (queda de casos, internações e óbitos) e do avanço da vacinação, Vitor Mori, pós-doutorando em engenharia biomédica e membro do Observatório Covid-19 Brasil, afirmou em série de posts no Twitter: “Mesmo sendo local fechado, as pessoas se mantêm em silêncio a maior parte do tempo, e há boa aderência ao uso de máscara”. No Rio, são obrigatórios apresentação do certificado de vacinação e uso de máscara nos cinemas, medidas de segurança sanitária. Negacionistas fora.

Flávia Oliveira - assinatura

Por Flávia Oliveira

_________________________________________________Leonardo Sakamoto - Agressão a jornalistas mostra ao mundo a República Miliciana de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro - Getty Images
Colunista do UOL 01/11/2021 09h27

A agressão física a jornalistas que relatam a viagem de Jair Bolsonaro a Roma (um turismo inútil e caríssimo pago com dinheiro público enquanto o povão passa fome) é coerente. O presidente estava reforçando no exterior a imagem do principal produto da República Miliciana do Brasil: a violência.

Agentes de segurança a serviço de Bolsonaro covardemente agrediram Jamil Chade (UOL), Ana Estela de Sousa Pinto (Folha), Leonardo Monteiro (TV Globo), Lucas Ferraz (O Globo) e Matheus Magenta (BBC), neste domingo (31), por tentarem fazer seu trabalho, cobrindo a passagem do brasileiro pela capital italiana. Passagem é termo certo, pois sua ida ao G20 só serviu para demonstrar como o Brasil se tornou tóxico sob sua gestão.

Depois de mostrar o dedo médio em Nova York, Queiroga solta língua em Roma

Violência naturalizada a ponto de Bolsonaro não ter vergonha de dizer a Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), que ele é o "único chefe de Estado no mundo investigado, acusado de genocida". E ainda achar graça.

A situação, legitimada pela hostilidade de Jair contra profissionais de imprensa, pode chocar no exterior, mas é tristemente comum no Brasil. Cansado de atacar jornalistas por aqui, o bolsonarismo exporta esse tipo de violência, talvez interessado em vender o método para algum autocrata iniciante. Método que inclui a defesa vazia da liberdade de expressão, enquanto a esmaga na base da porrada, do empurrão, da chave de braço, da misoginia violenta.

Apesar de provocar engulhos no naco civilizado da sociedade, as imagens de agressões a jornalistas são um deleite para o bolsonarismo-raiz - aquele 11% da população que justifica os atos tresloucados do presidente, defendendo a violência como meio para a sua perpetuação no poder. Em grupos bolsonaristas em redes sociais e aplicativos de mensagens, na madrugada desta segunda (1), as notícias de agressões eram festejadas e ironizadas, chamadas de mimimi e de vitimismo.

Cenas como a deste domingo, do bolsonarismo atacando jornalistas, se tornaram recorrentes na República Miliciana do Brasil - onde pessoas acertam suas divergências na base do justiçamento e do linchamento, após decidirem quem tem direitos e quem tem só deveres. E onde grupos de seguidores do presidente atuam para silenciar e punir, nas redes e fora delas, aqueles que fiscalizam seu líder e denunciam as irregularidades que ele comete.

A situação lembra, por exemplo, o 3 de maio do ano passado, em frente ao Palácio do Planalto, quando uma turba de fãs de chutou e esmurrou o fotógrafo Dida Sampaio e atacou o motorista Marcos Pereira, ambos do jornal O Estado de S. Paulo. Outros profissionais de imprensa também foram empurrados e xingados. Enquanto isso, da rampa da sede do governo, o ocupante da Presidência sorria e acenava para a multidão. A turba pedia o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. Celebrava-se, a propósito, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Bolsonaro é o responsável pela violência contra jornalistas cometida em seu nome. Não é necessário que ele demande uma ação - apesar de não duvidar que ordens nesse sentido tenham sido passadas a seus seguranças.

No Brasil, seu comportamento e seus discursos, acusando a imprensa de mentir quando a narração dos fatos lhe desagrada, alimentam as milícias que agem para defendê-lo, tornando a vida de outros um inferno. Para muitos de seus seguidores, um ataque à imprensa em nome de Bolsonaro é uma missão civilizatória, quase divina.

O Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, elaborado pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), aponta que 2020 foi o pior ano para a nossa profissão desde que a entidade começou o levantamento no início da década de 1990. Foram 428 ataques, um aumento de quase 106% em relação ao ano anterior. Desse total, Jair Bolsonaro respondeu sozinho por 175 registros - ou seja 41%.

É claro, como já disse aqui mais de uma vez, que há outros políticos, da esquerda à direita, que também agem de forma intolerante com a imprensa, cujas militâncias já chegaram às vias de fato contra jornalistas. Esses casos também merecem repúdio. Mas o que temos agora é um presidente que usa o ódio à imprensa como instrumento estrutural de política com o uso de tecnologia de comunicação em massa.

Portanto, seria leviano comparar o que acontece hoje com os Camisas Negras do fascismo italiano, que atacavam jornalistas que desagradavam seus líderes. Até porque, a Itália da primeira metade do século 20 não contava com nossa tecnologia de comunicação, que garante que ações de justiçamento sejam promovidas de forma imediata e massiva.

Com a gasolina a mais de R$ 8, o botijão de gás chegando a R$ 140, gente remexendo caminhões de lixo e depósitos de ossos em busca de saciar a fome, 13,7 milhões de desempregados, 608 mil mortos por covid e riscos de apagão elétrico, Bolsonaro está fragilizado. Ele e sua equipe econômica são incapazes de apresentar um projeto para o Brasil, tentando empurrar projetos toscos e tortos para ver se cola. E quando fragilizado, ele ataca.

Se o terreno estava ruim para a imprensa, principalmente as jornalistas mulheres, que ele elegeu como alvos preferenciais (o machismo bolsonarista ao encontrar com o autoritarismo bolsonarismo, cria um ambiente violento, ainda mais porque vem delas as principais reportagens que mostram ao Brasil quem de fato o presidente é), a situação deve piorar.

Cabe à sociedade decidir se quer uma imprensa livre, mesmo que discorde dela, e sair em sua defesa. Ou está satisfeita com a proposta colocada à mesa por Bolsonaro: substituir a pluralidade por uma "Verdade" ditada por ele em lives nas redes sociais, lives em que ele ensina que vacina contra a covid-19 causa Aids.

Uma verdade rasa que esconde um desprezo pela vida e um profundo vazio de políticas para o Brasil e que serve como cortina de fumaça para encobrir os casos de corrupção de sua família. Uma verdade fabricada, que agride quando questionada e que não aceita o contraditório.

E cabe à parcela dos veículos de imprensa que se ajoelhou perante o presidente decidir, diante de ataques a profissionais, se querem defender o jornalismo livre ou preferem atuar como esfregões para passar pano para o fascismo.

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Cinco milhões de mortes por covid, marca simbólica que ainda provoca muitas perguntas

Em Paris

01/11/2021 07h03

A pandemia de covid-19 está perto de superar a barreira de cinco milhões de mortes oficialmente registradas pela doença (um dado, sem dúvida, subestimado). Por trás do número simbólico persistem muitas perguntas sobre o futuro da pandemia.

Quantos mortos?

O número real de mortos por covid-19 em todo o mundo é certamente superior a 5 milhões de pessoas, uma contagem estabelecida a partir dos balanços oficiais diários de cada país. Quando se toma como referência o excesso de mortalidade relacionado com a covid, o balanço poderia ser duas ou três vezes maior, adverte a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Brasil fecha mês com menor número de mortes pela covid desde abril de 2020

A partir deste método, a revista The Economist calcula o número de falecidos em 17 milhões de pessoas.

"Este balanço me parece mais confiável", declarou à AFP Arnaud Fontanet, epidemiologista francês.

Independente do cálculo, o número de mortes é inferior a outras pandemias como a chamada gripe "espanhola" (1918-1919), que provocou entre 50 e 100 milhões de óbitos; ou os 36 milhões provocados pela aids nos últimos 40 anos.

Porém, o coronavírus "provocou muitas mortes em pouco tempo", recorda o virologista francês Jean-Claude Manuguerra.

"E sem a adoção de medidas como restrições de deslocamentos e a vacinação, o resultado teria sido muito mais dramático", segundo Fontanet.

Atingimos o teto?

Como explica Arnaud Fontanet, o surgimento de um novo vírus acontece em duas fases.

Uma "fase explosiva epidêmica" no primeiro momento. O vírus penetra com força em um grupo de população que nunca esteve em contato com ele. Depois acontece a fase de "conformação a um grupo", quando há imunidade da população: acontece então a circulação endêmica.

No caso do coronavírus, "pela primeira vez na história das pandemias, aconteceu um esforço mundial para acelerar esta transição", afirma Fontanet.

Uma aceleração favorecida pelas vacinas: "permitiu que a população alcance a imunidade de forma artificial, ante um vírus que não conhecíamos. Em 18 meses conseguimos o que demoraria de três a cinco anos, com um número muito maior de mortos".

Por isto, o futuro do vírus depende do nível de vacinação dos países e da eficácia das vacinas, prevê Fontanet: "Estamos a poucos meses de um colchão para nos apoiarmos, mas é difícil saber se será grosso o suficiente".

"O vírus vai continuar circulando. O que se busca agora não é sua eliminação, e sim uma proteção contra as formas mais graves", completa.

"O objetivo é que a covid-19 não te leve ao hospital ou ao cemitério", resume Jean-Claude Manuguerra.

Qual o futuro para cada país?

Os especialistas esperam que a realidade da pandemia mude: de forma geral nos países desenvolvidos (com altos índices de vacinação) as ondas epidêmicas serão menos importantes e regulares, enquanto os países com menos vacinados registrarão aumentos rápidos dos casos.

"Nos países desenvolvidos, acredito que teremos epidemias sazonais de coronavírus, talvez mais importantes que as da gripe (ao menos durante os primeiros anos), até que se normalize", prevê Arnaud Fontanet, para quem a imunidade global é construída por camadas: a camada da vacinação se soma à camada das infecções naturais.

Países como China ou Índia têm uma grande capacidade de vacinação e poderiam se aproximar desta perspectiva.

Em outros casos, como os da Nova Zelândia e Austrália, que adotaram uma campanha de erradicação do vírus (conhecida como "zero covid-19"), os países foram obrigados a mudar de planos e iniciar a "corrida da vacinação", diante da variante delta mais contagiosa, destaca Fontanet.

E é ainda mais difícil fazer previsões para regiões que têm capacidade de vacinação incerta, como a África intertropical.

O aumento de casos no leste da Europa confirma que a reduzida taxa de vacinação expõe os países a "graves epidemias, com fortes consequências a nível hospitalar", prossegue Fontanet.

Por sua vez, o aumento atual de casos na Europa Ocidental, apesar dos elevados níveis de vacinação, mostra a necessidade de prudência.

"Precisamos evitar uma percepção eurocentrista: em uma pandemia é necessário levar em consideração todo o planeta. No momento não parou", alerta Jean-Claude Manuguerra.

Novas variantes?

O principal medo é o surgimento de novas variantes, resistentes à vacinação.

A delta, atualmente a variante mais prevalente, superou a alfa sem permitir o avanço das variantes mu ou lambda.

Mas os especialistas preveem que, além do surgimento de variantes diferentes, a evolução da delta pode resultar em variantes mais resistentes às vacinas.

"Delta, a mais difundida, é a que, estatisticamente, tem maior probabilidade de provocar uma variante de uma variante", explica Jean-Claude Manuguerra.

Por este motivo, as autoridades britânicas monitoram a subvariante da delta chamada AY4.2. No momento, no entanto, não há elementos para afirmar que esta variante deixe as vacinas menos eficazes.

"É importante continuar fazendo uma vigilância genômica" (a localização genética das diferentes versões do vírus), afirma Jean-Claude Manuguerra. Isto permite "encontrar variantes com antecedência suficiente e saber se estas são mais perigosas, mais transmissíveis e se a imunidade continua funcionando", conclui.

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Tadeu Schmidt quebra protocolo da Globo e faz discurso furioso contra Bolsonaro

Tadeu Schmidt
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247 - A Globo divulgou um editorial firme contra Jair Bolsonaro (sem partido), após as agressões aos jornalistas ocorridas em Roma, Itália. No Fantástico, logo depois de uma reportagem sobre o assunto, Tadeu Schmidt leu o comunicado e mostrou toda a sua irritação com a atitude do político. A informação é do portal RD1.

O noticiário mostrou na reportagem os casos de jornalistas agredidos por seguranças presentes na embaixada brasileira em Roma, durante a passagem de Bolsonaro pela cidade. Ao vivo, o apresentador saiu em defesa da liberdade da imprensa e condenou a atitude da comissão de Bolsonaro.

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“A TV Globo condena de forma veemente a agressão ao correspondente Leonardo Monteiro e aos outros colegas em Roma e exige uma apuração completa de responsabilidades. Quem contratou os seguranças? Quem deu a orientação para afastar jornalistas com uso da força? Os responsáveis serão punidos?”, questionou o jornalista.Tadeu Schmidt ainda leu: “A TV Globo está buscando informações sobre os procedimentos necessários para solicitar uma investigação às autoridades italianas”.

No texto, a Globo responsabilizou os discursos de Bolsonaro e afirmou que a postura do presidente da República pode gerar consequências maiores em coberturas jornalísticas.

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Financial Times: "Bolsonaro se mostrou incapaz de administrar a economia e a pandemia, e o Brasil está pagando caro"

Jair Bolsonaro
Financial Times: "Bolsonaro se mostrou incapaz de administrar a economia e a pandemia, e o Brasil está pagando caro"

1 de novembro de 2021, 11:49

247 - Um dos principais jornais econômicos do mundo, o Financial Times publicou nesta segunda-feira (1) um editorial dedicado à crise política de Jair Bolsonaro.

O texto destaca a atuação da CPI da Covid, que "recomendou que os promotores o acusassem de nove crimes, incluindo crimes contra a humanidade, por lidar mal com a pandemia. 

Bolsonaro considerou a investigação do Congresso sobre coronavírus uma 'piada', mas o dano à sua reputação já foi feito. 

Seis meses de depoimentos sobre o manejo inadequado da pandemia por parte do governo, grande parte dela transmitida ao vivo, reduziram seu índice de aprovação".

O veículo também citou os mais de 100 pedidos de impeachment protocolados contra o chefe do governo federal na Câmara dos Deputados, mas pontuou que é pequena a chance de um processo de afastamento ser iniciado, já que Bolsonaro tem como aliados o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e o procurador-geral da República, Augusto Aras. 

"O homem responsável por decidir se vai acusar Bolsonaro pelo manejo incorreto da pandemia é o procurador-geral Augusto Aras, nomeado pelo presidente. 

Outro aliado, o presidente da câmara baixa Arthur Lira, está convenientemente atendendo a todos os pedidos de impeachment."

"A ameaça mais potente às esperanças de reeleição de Bolsonaro", porém, diz o texto, "pode vir a ser econômica, ao invés de legal. 

Os mercados brasileiros despencaram na semana passada com o temor de que seus planos de distribuir novos subsídios mensais de US$ 70 aos eleitores mais pobres".

"Ao entrar no último ano de seu mandato, Bolsonaro se mostrou incapaz de administrar a economia ou a pandemia, e a maior nação da América Latina está pagando um preço alto", finaliza o editorial.

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SP encerra restrições contra covid nesta 2ª e libera festa e ida a estádio

SP mantém a exigência do uso de máscara e do comprovante de vacinas  - Andre Porto/UOL
SP mantém a exigência do uso de máscara e do comprovante de vacinas Imagem: Andre Porto/UOL

Do UOL, em São Paulo 01/11/2021 04h00 Atualizada em 01/11/2021 10h29

Após quase 600 dias, o estado de São Paulo encerra nesta segunda-feira (1) as últimas restrições de público e eventos impostas durante a pandemia de covid-19. A decisão ocorre depois de o estado realizar a vacinação de cerca de 86% de sua população adulta e faz parte do plano de flexibilização das atividades econômicas no estado.

A partir de agora, portanto, todos os estabelecimentos do estado poderão funcionar sem limites de lotação ou horário de funcionamento e festas com pista de dança, torcidas em estádios, shows com público em pé também estão autorizados. Mas, em contrapartida, o uso de máscara facial segue obrigatório, assim como a exigência do "passaporte vacinal" em eventos com mais de 500 pessoas.

Atualmente, São Paulo é considerado o estado mais avançado na campanha de vacinação contra a covid-19.

Segundo levantamento feito pelo consórcio de imprensa, do qual o UOL faz parte, 86,9% das pessoas acima de 18 anos já estão com a vacinação completa (duas doses ou dose única). O índice é de 67,61% para a população geral.

O avanço da vacinação também tem diminuído o número de mortes, casos e internações. Neste domingo, 31, segundo o governo de São Paulo, 3.245 pessoas estavam internadas com covid-19, somando 1.591 em UTI e 1.654 em enfermaria. O balanço representa queda superior a 90% nas hospitalizações quando comparado aos números recordes do pico da segunda onda da pandemia.

Em um ano e oito meses, São Paulo registrou 4.406.077 casos de covid — destes, 4.232.414 se recuperaram — em todo o estado, com 152.002 mortes em decorrência da doença.

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As 5 cidades mais seguras do mundo pós-pandemia

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Lindsey Galloway

BBC Travel

31/10/2021 21h43

Atualizada em 31/10/2021 22h06

Nada na memória moderna mudou a vida nas cidades tanto quanto a pandemia de covid-19. Do fechamento de escritórios nos centros ao uso obrigatório de máscaras e restrições impostas a restaurantes, as medidas de prevenção ao coronavírus transformaram a paisagem das cidades em todo o mundo, provavelmente numa perspectiva de longo prazo.

Quando a gripe espanhola eclodiu, no início de 1900, apenas 14% dos humanos viviam em cidades, mas hoje esse percentual subiu para 57%, de acordo com estimativas da Divisão de População da Organização das Nações Unidas (ONU).

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Como resultado, as cidades tiveram que se tornar ainda mais vigilantes em termos de proteção sanitária e segurança de uma maneira geral para preservar melhor seus habitantes.

Para esclarecer que mudanças levaram a mais segurança, a Economist Intelligence Unit lançou recentemente o Índice de Cidades Seguras de 2021, que classifica 60 cidades com base em 76 indicadores de segurança nas áreas de infraestrutura, vida digital, segurança pessoal, fatores ambientais e, claro, saúde — com critérios como capacidade de resposta à pandemia e mortalidade por covid-19 incluídos neste ano.

Todas as cidades classificadas no topo da lista — incluindo Copenhague, Toronto, Singapura, Sydney e Tóquio — apresentam elementos que ilustram como a segurança em geral se correlaciona com um forte senso de coesão social, inclusão total da população e confiança da sociedade.

Conversamos com moradores destas cidades para ver como as mudanças provocadas pela pandemia tornaram suas cidades mais seguras, inclusivas e resilientes; e o que os turistas ainda precisam saber para se manterem seguros quando finalmente puderem visitá-las.

Copenhague

Copenhague

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Parques e espaços abertos de Copenhague influenciaram na forma como a população lidou com a pandemia Imagem: Getty Images

Encabeçando a lista, a capital da Dinamarca se classificou particularmente bem devido ao novo pilar de segurança ambiental do índice, que mede sustentabilidade (incluindo incentivos à energia renovável), qualidade do ar, gestão de resíduos e cobertura florestal urbana.

Este último teve um impacto absoluto em como a cidade e seus moradores foram capazes de lidar com as restrições da pandemia, completamente suspensas em setembro de 2021.

"Os parques e áreas verdes, assim como as vias navegáveis, foram extremamente populares durante a pandemia. Os moradores de Copenhague estavam passeando, comprando comida para viagem e aproveitando os muitos espaços para respirar da cidade", afirmou o morador Asbjørn Overgaard, CEO da organização sem fins lucrativos Copenhagen Capacity.

A cidade também continua a fornecer "guias-corona" para orientar as pessoas, além de oferecer uma ampla sinalização e marcações claras para criar espaço entre os grupos ao ar livre.

O espírito comunitário do país, melhor resumido na palavra dinamarquesa samfundssind, também permite que os cidadãos trabalhem juntos e confiem uns nos outros — incluindo as autoridades do governo — para criar condições de vida mais seguras.

O Índice de Cidades Seguras encontrou uma alta correlação entre o controle da corrupção e cidades mais seguras, então não é surpresa que a classificação da Dinamarca como um dos países menos corruptos do mundo tenha permitido que seus cidadãos confiassem em suas instituições e uns nos outros durante a pandemia.

Copenhagen também implementou um amplo programa de testes de covid, que permanece gratuito para todos, incluindo turistas.

Os dados coletados permitem o monitoramento detalhado dos surtos; além disso, a cidade implementará testes de água de esgoto para detectar surtos precocemente.

Toronto

Toronto

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Toronto está bem classificada na lista devido a sua cultura inclusiva e segurança ambiental Imagem: Getty Images

A maior cidade do Canadá aparece logo a seguir, em segundo lugar, no índice de segurança geral, com alta pontuação em infraestrutura e segurança ambiental.

Os moradores atribuem isso a uma cultura inclusiva que valoriza a comunicação segmentada entre as comunidades, especialmente quando se trata de conscientização e aplicação de vacinas.

Farida Talaat, moradora de Toronto, destaca como a cidade iniciou uma série de programas de vacinação específicos para cada comunidade como forma de ajudar a tornar a cidade mais segura.

Por exemplo, o plano de vacinação Homebound Sprint funcionou para concluir a aplicação da primeira dose em moradores que não podiam deixar suas casas; e a Força-Tarefa de Cientistas Negros para Equidade de Vacinas foi estabelecida no início da campanha de vacinação para garantir uma abordagem mais igualitária para a imunização.

Os moradores também se sentem seguros por causa do longo histórico de multiculturalismo da cidade.

"Em Toronto, é normal nascer fora do Canadá. Descobri que diferentes grupos étnicos e culturais interagem entre si e não vivem em silos", disse Filipe Vernaza, que vive na cidade desde 1998.

"Um grupo típico de pessoas provavelmente inclui pessoas de diferentes etnias, orientações sexuais e religiões. Toronto é uma cidade extremamente aberta, onde você pode se sentir seguro sendo quem você é."

Singapura

Singapura

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Singapura está usando software de rastreamento de aglomerações e apps de celular para check-in Imagem: Getty Images

Classificada em segundo lugar em segurança digital, segurança sanitária e segurança de infraestrutura, Singapura se valeu desses pontos fortes para agir rapidamente durante os primeiros dias da pandemia, implementando logo o monitoramento digital e rastreamento de contato.

O país também possui uma das taxas de vacinação mais altas do mundo (atualmente em 80%), mas ainda requer um monitoramento e rastreamento de contatos rigoroso diante de novas variantes.

"Antes que possam entrar nos prédios ou instalações, todos os moradores precisam escanear seu TraceTogether Token ou usar o aplicativo SafeEntry para check-ins", afirmou Sam Lee, morador de Singapura, que administra um blog de viagens homônimo.

"Isso permite que as autoridades rastreiem rapidamente indivíduos que possam ter se misturado ou interagido com pessoas infectadas, e assim uma ordem de quarentena possa ser cumprida para conter ou quebrar a cadeia de transmissão do vírus."

Os turistas também precisam instalar o TraceTogether ou alugar um celular que venha com ele instalado antes de entrar no país.

Trabalhar de casa se tornou padrão na maioria das empresas para reduzir as interações, o que Lee observa que resultou em transportes públicos menos lotados.

As atrações turísticas e os shoppings têm entradas limitadas, e os "Embaixadores de Distanciamento Seguro" monitoram as aglomerações para garantir que a população cumpra as ordens de saúde pública; os indivíduos que violam as regras enfrentam multas pesadas.

A população também pode monitorar aglomerações em shoppings, correios e supermercados com a recém-lançada ferramenta Space Out.

Sydney

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Taxa de mortalidade per capita por covid-19 na Austrália é uma das mais baixas do mundo Imagem: Getty Images

A maior cidade da Austrália ficou em quinto lugar geral no índice — e entre as 10 primeiras em segurança sanitária.

A Austrália foi um dos primeiros países a fechar completamente suas fronteiras durante a pandemia e manteve lockdowns rígidos diante do aumento de casos — com um efeito positivo.

A taxa de mortalidade per capita por covid na Austrália continua a ser uma das mais baixas do mundo.

Com 70% da população vacinada em Nova Gales do Sul, muitas restrições devem ser suspensas — e as fronteiras internacionais estão previstas para serem abertas em novembro.

Além de se sentirem protegidos da pandemia, os moradores de Sydney há muito tempo sentem uma forte sensação de segurança pessoal nas ruas.

"Eu realmente nunca me senti tão segura em um país como morando em Sydney", disse Chloe Scorgie, fundadora do site de viagens australiano Passport Down Under, que se mudou para Sydney em 2018.

"Viajei por Sydney sozinha sendo uma turista mulher e nunca me senti em perigo."

A cidade também ficou em primeiro lugar em segurança digital, o que inclui a política de privacidade da cidade, proteção a ameaças de segurança cibernética e um planejamento urbano inteligente em geral.

Sydney lidera esse esforço em parte com seu plano estratégico de Smart City, que apresenta algumas das inovações recomendadas para cidades mais conectadas e seguras.

Por exemplo, o plano descreve como sensores inteligentes podem ser colocados em lixeiras, postes de luz e bancos para coletar informações sobre seu uso em geral, fluxos de transporte e atividade de pedestres.

Da mesma forma, a iluminação inteligente e as redes de câmeras de monitoramento CCTV podem melhorar a segurança após o anoitecer e a economia noturna.

Algumas destas ideias já estão sendo colocadas em prática no sul de Sydney na forma dos centros ChillOUT: espaços ao ar livre em que os moradores podem se encontrar sob iluminação inteligente, se conectar ao Wi-Fi e ligar aparelhos eletrônicos, com dados de uso enviados aos líderes municipais para que possam entender melhor como seus cidadãos interagem com a infraestrutura da cidade — e se adaptar a isso.

Tóquio

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Tóquio ficou em quinto lugar no ranking geral e no topo do índice de segurança sanitária Imagem: Getty Images

A capital do Japão ficou em quinto lugar no ranking geral e no topo do índice de segurança sanitária, que mede fatores como assistência médica universal, capacidade de resposta à pandemia, expectativa de vida, saúde mental e mortalidade por covid-19.

Embora os casos da doença tenham aumentado durante as Olimpíadas, as taxas caíram drasticamente, à medida que a vacinação já atingiu quase 60% da população.

À luz das notícias positivas, o Japão anunciou o fim do estado de emergência nacional e o levantamento gradual das restrições a partir do fim de setembro.

Em vez disso, o país pretende encorajar o uso do passaporte de vacina para admissão em centros médicos e grandes eventos, e até mesmo incentivar as empresas a oferecerem descontos ou cupons aos portadores de passaporte.

Tóquio também se classificou entre as cinco primeiras cidades do ranking por sua segurança de infraestrutura, que inclui segurança de transporte, respeito em relação a pedestres e redes de transporte.

Como uma cidade que pode ser percorrida a pé conectada por trem, Tóquio foi construída para encorajar caminhadas e o engajamento da comunidade — o que, por sua vez, levou a uma participação mais forte dos cidadãos na segurança, na forma de prevenção e vigilância de crimes nos bairros, e um senso compartilhado de responsabilidade pela prevenção da criminalidade.

"Dos vários centros de achados e perdidos nas estações de trem aos quase desnecessários cadeados de bicicletas, há um imenso respeito pelo bem-estar dos outros", disse Sena Chang, moradora de Tóquio e fundadora da revista The Global Youth Review.

Ela se lembra da vez em que perdeu uma sacola de compras no centro da cidade, e a encontrou no mesmo lugar em que havia deixado, junto a um bilhete gentil.

"Uma cultura de séculos de coletivismo e um grande respeito mútuo tornam Tóquio a cidade mais segura em que já morei", afirmou.


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Ser desleixado e não cuidar de si tem a ver só com baixa autoestima?

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Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

01/11/2021 04h00

Vivemos em uma sociedade em que os padrões de beleza e a moda mudam conforme os anos passam. Nesse sentido, é preciso tomar cuidado antes de tachar alguém como "desleixado". O que para alguém nascido nos anos 1940 pode ser considerado reprovável, para as gerações mais recentes talvez não seja, e vice-versa. Mas existe um limite entre o que é gosto —e gosto não se discute, já dizia o ditado popular— e o que podemos chamar de "autonegligência", um comportamento que prejudica a saúde, o bem-estar e as relações.

Isso acontece quando o indivíduo deixa de cuidar de si mesmo, derrapando nos cuidados com a higiene e alimentação, por exemplo, chegando a cheirar mal e até ficar desnutrido. Some-se a isso outras atitudes como não seguir tratamentos médicos, afastar outras pessoas do convívio, não conseguir nem manter um emprego e não sentir prazer na própria casa, e temos uma situação preocupante.

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Diante de uma pessoa nesse estado de descuido, é comum ouvirmos que isso resultado de falta de amor próprio e uma autoestima baixa. Só que, diferente do que muita gente pensa, isso não acontece em todas as situações. De acordo com Henrique Bottura, psiquiatra, diretor clínico do Instituto de Psiquiatria Paulista e colaborador do ambulatório de impulsividade do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo), a baixa autoestima pode, de fato, levar à falta de cuidados pessoais, já que envolve sentimos como insegurança, incapacidade, não pertencimento, aceitação de abusos e maus-tratos alheios, ansiedade e medo de ser julgado.

No entanto, nem sempre esse é o caso. "Muitas vezes, pessoas com baixa autoestima, ao contrário, investem demais na aparência para agradar, serem aceitas, contornar, em vão, o sofrimento que sentem", diz o especialista. "Por isso, não dá para generalizar e dizer que existe uma relação direta entre pouco ou muito cuidado e baixa autoestima sempre. Geralmente, não se limita a apenas esse motivo", acrescenta o psiquiatra.

Um bom exemplo disso é há idosos que têm, de fato, um problema com autoestima, mas também são diagnosticados com alguma doença neurológica, como o Alzheimer, por exemplo.

A falta de autocuidado, aliás, pode estar ligada a alguns quadros patológicos, como demências (caso do Alzheimer), transtornos de personalidade antissocial, esquiva, depressão grave, pânico, traumas e dependência química, entre outros.

Mas também pode ser resultado de uma criação em uma família que pouco incentivou o asseamento para consigo e com o ambiente onde vive, deixando de lado o cuidado com a higiene e organização do espaço. Há, ainda, uma terceira possibilidade: a pessoa estar vivendo um momento de vida desafiador, com muitos estudos, trabalho, filhos pequenos, mudança física ou até cuidando de um parente doente.

Nesses casos, a situação não se encaixa em um quadro de doença, mas não deixa de ser preocupante —afinal, quem não cuida de si mesmo externamente provavelmente também está deixando de lado emoções importantes que deveriam ser ditas e trabalhadas em algum espaço.

Falta de cuidado não é só com a aparência

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A primeira impressão é sempre a que fica —e, quando encontramos alguém com aparência de descuido, nossa reação costuma ser focar apenas na aparência exterior, aquela imagem com a qual o outro se apresenta para o mundo e inclui o aspecto do lugar onde vive ou trabalha.

Mas a falta de cuidado pessoal vai além dessa superfície. Quem não cuida de si estende isso para instâncias bem mais profundas. Se os dentes estão sujos, os cabelos ensebados, as roupas encardidas e rasgadas, o emocional e o psicológico podem estar bem piores e sem ninguém para notá-los.

E, muitas vezes, esse "desleixo psicológico" acaba gerando um efeito rebote na aparência, que passa a receber um excesso de cuidado. "[Isso acontece] por desconfiança do que possa evidenciar em si ou despertar nos outros, como amor, valorização de suas ideias, qualidades, emoções. E isso afeta a motivação de ir atrás dos próprios objetivos, aceitar o novo, lutar, cuidar da essência, da espiritualidade e dos relacionamentos", explica Luiz Scocca, psiquiatra pelo HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo) e membro da APA (Associação Americana de Psiquiatria).

Numa mente assim, tudo de ruim espreita, porque ela se permite. As crenças são limitantes e se baseiam no conceito de que ela não é capaz, pode fracassar ou não é merecedora de coisas boas como ocupar um bom cargo profissional, frequentar bons lugares, usar boas roupas e sair com pessoas realmente interessantes e íntegras.

Como não está acostumada a receber, ou não lida bem com isso, esse indivíduo também acha mais fácil não retribuir, se inibindo cada vez mais e ficando isolado. No fim, acaba reagindo mal diante de pessoas bem resolvidas, da mesma forma quando questionado por seu modo de ser e agir.

Como ajudar?

Para saber se a falta de zelo pessoal pode ser algo mais sério, é necessário um olhar atento e muito diálogo. Os pais de adolescentes, por exemplo, devem participar mais do dia a dia de seus filhos e tentar "pescar" nas conversas se eles estão em busca da aprovação de alguém —que pode ser, inclusive, de alguém da família— ou de um grupo, mesmo quando não se sentem confortáveis em cumprir determinados requisitos. Já os idosos, sendo ou não autônomos, não devem ficar sozinhos e precisam de acompanhamento constante.

Em todos os casos, são indícios preocupantes mudanças repentinas de humor e comportamento, sobretudo se a pessoa era vaidosa e deixou de ser; perdas de memória e de peso; isolamento social; delírios; falta de higiene; alimentos estragados na geladeira; contas vencidas; falta de compromisso e de respeito às regras e limites.

Além da existência desses sintomas, vale também observar a intensidade com que acontecem. "Se for algo contínuo, indica a necessidade de cuidados psicológicos", alerta Leide Batista, psicóloga pela Faculdade Castro Alves e do HC (Hospital da Cidade), em Salvador. Ela diz, no entanto, que o desmazelo esporádico é aceitável, já que nem sempre acordamos bem ou estamos vivendo a melhor fase das nossas vidas. "Faz parte da vulnerabilidade humana", acredita.

Se o problema pedir uma intervenção, familiares e amigos devem encaminhar a pessoa para uma consulta com especialistas. O tratamento geralmente é feito com sessões de psicoterapia que podem eventualmente estarem associadas a medicamentos. É possível também existir a necessidade de tratar comorbidades associadas, pensando em melhorar e evoluir a saúde mental e a autoestima.

Nesse percurso, serão trabalhadas mais profundamente autoaceitação e compreensão de si próprio. É um assunto a se levar a sério, pois quanto mais tempo sem ajuda, maiores poderão ser as distorções de autocuidado.

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Opinião: Dante Senra - Não, você não tem direito a não se vacinar!

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Dante Senra

Colunista do UOL

31/10/2021 04h00

Assumir posições bem definidas no Brasil sempre foi um problema. Em tempos de redes sociais e polarização parece uma loucura.

Poucas vezes o fiz com essa convicção e embora o ônus possa ser grande, nada se comparará ao benefício se pelo menos uma pessoa for convencida e aceitar se vacinar contra o coronavírus ao ler esta coluna.

Colunistas do UOL

Depois de mostrar o dedo médio em Nova York, Queiroga solta língua em Roma

A humanidade deve sua longevidade em grande parte às vacinas, bem como ao tratamento da água e esgoto, acesso a alimentos e ao surgimento dos antibióticos. Estes 4 fatores seguramente fizeram com que a expectativa de vida do brasileiro em 30 anos saísse de 50 para quase 80 anos.

Difícil entender então o porquê da desconfiança nas vacinas.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada ano as vacinas salvam 3 milhões de pessoas —dado que ainda não leva em conta a pandemia de covid-19.

Temos um Programa Nacional de Imunizações, criado em 1973 que é referência mundial, orgulho do país ao distribuir vacinas gratuitas para toda população e foi responsável por mudar o perfil epidemiológico das doenças. Distribui gratuitamente 45 imunobiológicos para a população. Nunca houve essa questão.

A vacinação diminui não somente os casos da doença, mas também a circulação do vírus na comunidade e a gravidade dos casos contaminados. E é assim com o coronavírus.

Todas as vacinas disponíveis no Brasil passam pela avaliação do mesmo órgão regulador, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e também é assim com as vacinas para o coronavírus.

Em uma época em que os vírus andam de avião, conseguimos reduzir a mortalidade para 10% da pandemia da gripe espanhola. Lógico que os recursos de saneamento (apesar de parcos em nosso país) e de avanços no tratamento nas terapias intensivas tiveram papel relevante no resultado, mas indiscutivelmente devemos à vacinação algum respiro que estamos conseguindo ter neste momento.

Ainda durante a pandemia, tivemos a sorte de poder contar com vacinas em tempo recorde, sendo atribuídas a elas, com razão, a única forma de sairmos desta situação.

Curiosamente, a velocidade que a ciência as produziu

Curiosamente, a velocidade que a ciência as produziu é usada como argumento para alimentar incertezas.
A desinformação é uma das mais sérias ameaças à saúde pública e é ainda mais prejudicial quando alimenta dúvidas sobre a vacina contra a covid-19, afirmou nesta semana a diretora da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), Carissa F. Etienne.

Infelizmente não houve campanha oficial com informação o suficiente que estimulasse a vacinação ou pudesse desfazer fake news.

Segundo publicação recente do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças - agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos), o risco de hospitalização em caso de contágio por coronavírus é 12 vezes maior na população não vacinada. Não há argumentos razoáveis que sustentem a recusa da vacina.

Relatos muitos raros de efeitos colaterais inesperados de algumas vacinas contra a covid-19 não devem fazer as pessoas hesitarem em se imunizar, como afirma Carrissa Etiene.

O risco de trombose por exemplo, com a vacina da AstraZeneca, é de apenas 0,0004%. Enquanto isso, o risco com o uso de anticoncepcional varia de 0,05% a 0,12%. Mas o mesmo risco ao ser contaminado pela covid-19 é de 16,5%. Os dados são da Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH).

É meu direito não tomar vacina?

Ainda que em um primeiro momento dependa de uma decisão individual submeter-se ou não à vacina, a imunização é considerada uma estratégia de saúde pública uma vez que nenhum direito individual pode sobrepor ao direito coletivo, sobretudo em um momento de pandemia.

Apesar do direito à liberdade estar previsto na Constituição, pode o Estado determinar que o interesse coletivo prevaleça sobre o individual sob a premissa de que a vacinação funciona como barreira contra a disseminação da doença e seja de interesse e direito da comunidade a vacinação de todos.

Assim como outros comportamentos individuais, como dirigir em velocidade não compatível ou sob uso de álcool e não uso de máscaras durante a pandemia são caracterizados como práticas nocivas à coletividade, a escolha de não se vacinar pode ser caracterizada como abuso do direito individual, uma vez que a imunização da sociedade só ocorrerá se feita em larga escala. Até porque não existe vacina que garanta 100% de efetividade.

Assim, é direito do idoso, do indivíduo com comorbidades com quem você convive, e até do condômino que entra no elevador com você, que você se vacine.

Apesar de pouco conhecido, para as outras viroses, a vacinação obrigatória já está estabelecida no Estatuto da Criança e do Adolescente (aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas até 21 anos de idade), que prevê (parágrafo 1º do artigo 14) sanções aos pais que não completarem o calendário de vacinação. Estas variam de pagamento de 3 a 20 salários mínimos até seu extremo, que é a perda de guarda da criança, após uma ação judicial apurando responsabilidades.

Se deixar de vacinar os filhos mais uma vez, outra multa poderá ser aplicada no valor do dobro da primeira. A portaria nº 597, de 08 de abril de 2004 do Ministério da Saúde, estabelece que o calendário de vacinação incompleto prevê várias outras sanções como não se matricular em creches e instituições de ensino, efetuar o alistamento militar ou não receber benefícios sociais do governo.

Outras situações de obrigatoriedade para a vacinação (Portaria nº 1.986/2001 do Ministério da Saúde) aplicam-se a trabalhadores das áreas portuárias, aeroportuárias, de terminais e passagens de fronteiras.

No caso de crianças por exemplo, sobretudo as mais fragilizadas por comorbidades, não as vacinar por qualquer que seja o motivo, como crenças pessoais, crenças religiosas, preconceito sobre o país de origem da vacina, colocando-as em situação de vulnerabilidade, pode ser visto como ato de negligência e irresponsabilidade dos pais.

A ponto de que se uma criança morrer por uma doença por falta da vacinação, os pais ou responsáveis podem ser penalizados, nos termos do Código Penal, por homicídio culposo.

Lembremos que o Estado também pode ser responsabilizado se não garantir o acesso da população às vacinas obrigatórias.

Ainda no extremo do radicalismo estão os antivacinas convictos que acreditam e propagam que as vacinas são prejudiciais a saúde e podem interferir no DNA das pessoas. Segundo publicação da prestigiada revista Nature deste ano, este grupo tem 58 milhões de seguidores nas redes sociais.

Paradoxalmente

Paradoxalmente, outro fraco argumento para a recusa em receber vacina neste momento, (como está ocorrendo nos EUA) é que com os números de mortes e contágios reduzindo, alguns tenham a distorcida sensação de que a pandemia está sob controle a ponto de acreditarem que não precisam mais se vacinar. Mais uma vez as vacinas são vítimas de seu próprio sucesso.

Os não vacinados terão vida normal?

Reações da sociedade e de governos no Brasil e no mundo começam a tomar forma no sentido de desencorajar a recusa da vacina.

"O objetivo é criar um ambiente difícil para aqueles que não querem se vacinar", afirmou recentemente Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

Já vigora em muitas cidades a exigência de um documento (físico ou digital) que comprove a aplicação das doses do imunizante para entrar em lugares de convivência com outras pessoas.

Possivelmente terão dificuldade de ter acesso a uma cirurgia eletiva, dificuldade no acesso ao programa de transferência de renda, acesso a companhias aéreas e a outros países.

Medidas como demissões, redução de salários e corte de benefícios a quem optar por não ser vacinado, num cenário em que o imunizante esteja à disposição de todos, estão sendo estudadas.

Radicalismo demais? De quem opta por não se imunizar ou da sociedade?

Segundo Fernando Pessoa, é inútil querer apressar o passo do outro, a não ser que ele deseje isso.
Persistência é uma qualidade. Teimosia, não. Depois de 5 milhões de mortes no mundo, não há argumentos que justifiquem a recusa da vacina para o coronavírus.

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G20: Isolado, Bolsonaro tem agenda esvaziada e é ironizado pela imprensa italiana

Jair Bolsonaro é um dos únicos líderes do G20 que não tem reuniões previstas com outros presidentes - Guglielmo Mangiapane/Reuters
Jair Bolsonaro é um dos únicos líderes do G20 que não tem reuniões previstas com outros presidentes Imagem: Guglielmo Mangiapane/Reuters

Matheus Magenta Enviado da BBC News Brasil a Roma 30/10/2021 16h35

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, é um dos únicos líderes do G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) que não tem reuniões previstas com outros mandatários, à exceção do presidente italiano Sergio Mattarella, anfitrião do evento que, pelo protocolo, se encontra com todos os líderes presentes em Roma.

Segundo o Itamaraty, a agenda do presidente brasileiro seria atualizada ao longo da visita à Itália, e reuniões estavam sendo negociadas com outros países, mas nada foi fechado até o momento. O encontro do G20 ocorre neste fim de semana (30 e 31), e em seguida muitos deles seguem para a Cúpula do Clima em Glasgow, na Escócia (COP26).

Líderes do G20 aprovam imposto global sobre lucros das multinacionais

Sob forte pressão internacional por causa do aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia, Bolsonaro decidiu não ir à COP26, o que gerou críticas de outros países e de organizações ambientais. Segundo o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, o mandatário brasileiro evitará a reunião do clima porque iriam jogar "pedras" nele.

A política ambiental de Bolsonaro colaborou muito para o isolamento dele em foros internacionais como o G20, e a ausência na COP26 acentua isso.

Em geral, reuniões bilaterais entre líderes em eventos como o G20 e a Assembleia Geral das Nações Unidas servem como um dos indicadores da importância do país no cenário global. Historicamente, o Brasil costumava ser requisitado por seu papel de articulador em negociações e debates globais envolvendo países em desenvolvimento.

Oliver Stuenkel, cientista político e professor de Relações Internacionais na Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que o Brasil está muito isolado, e a reputação de Bolsonaro no exterior já está consolidada, então, suas declarações dificilmente vão mudar a posição de outros governos ou gerar manchetes como antes.

"Além disso, como a eleição está chegando, ninguém quer apostar ou vê muito valor em restabelecer algum diálogo ou alguma parceria estratégica. E, mesmo com líderes bem conectados, isso costuma acontecer quando falta um ano de mandato."

Para Stuenkel, "o melhor que o Brasil poderia fazer não seria reverter o estrago, mas simplesmente aparecer pouco, e há uma boa chance de o Brasil sair do G20 não despercebido, mas sem gerar manchetes fora do país".

Sinais de isolamento

O presidente argentino, Alberto Fernández, por exemplo, tem encontro bilateral marcado com o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

Já o presidente da Indonésia, Joko Widodo, se encontrou em reuniões privadas com o colega francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison. No encontro com o presidente da França, Widodo discutiu investimentos no setor de defesa indonésio e metas para reduzir desmatamento e emissões de gases do efeito estufa, entre outros assuntos.

Há outros sinais do isolamento do líder brasileiro durante o evento.

Uma reportagem do jornal italiano La Repubblica ressaltou que a edição da cúpula de líderes do G20 deste ano foi marcada pela volta dos apertos de mãos, praticamente banidos durante a pandemia de covid-19. "Mas nem para todo mundo", ressalva a publicação.

"[O premiê italiano] Mario Draghi deu a mão a muitos dos primeiros-ministros que chegaram nesta manhã à Nuvola, onde ocorrem os trabalhos destes dois dias. Mas não para o presidente Bolsonaro, que disse que será a última pessoa no Brasil a se vacinar — afinal, ele acredita que as vacinas causam Aids: algo dito por ele em um vídeo que as redes sociais nos deram a graça de censurar."

Draghi teve reuniões com diversos líderes mundiais, entre eles Joe Biden (EUA) e Narendra Modi (Índia).

'Petrobras é um problema'

Na antessala da primeira reunião de líderes do G20, Bolsonaro só havia trocado palavras com os garçons, até que os assessores o levaram para cumprimentar o colega turco, Recep Erdogan.

Em conversa informal com o presidente da Turquia, Bolsonaro disse que a economia do Brasil está voltando forte, mas a "mídia como sempre atacando" — o Brasil é o único país do G20 com estimativas de recessão em 2022, mas a avaliação não é um consenso entre instituições financeiras.

Em resposta, o mandatário da Turquia mencionou que o Brasil tem grandes recursos petrolíferos e a Petrobras. Bolsonaro rebate: "Petrobras é um problema. Mas estamos quebrando monopólios, com uma reação muito grande. Há pouco tempo era uma empresa de partido político. Mudamos isso".

Erdogan perguntou, por fim, sobre a eleição brasileira e, ao ouvir que ela ocorrerá em 11 meses, disse a Bolsonaro que ele ainda tem bastante coisa para fazer.

"Eu também tenho um apoio popular muito grande. Temos uma boa equipe de ministros. Não aceitei indicação de ninguém. Fui eu que botei todo mundo. Prestigiei as Forças Armadas. Um terço dos ministros [é de] militares profissionais. Não é fácil. Fazer as coisas certas é mais difícil", responde o presidente brasileiro.

Após a reunião do G20, na manhã deste sábado (30), Bolsonaro se encontrou com o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Mathias Cormann, na embaixada brasileira em Roma.

O Brasil tenta ingressar na organização, conhecida como clube dos países ricos, mas a candidatura sofre resistência de países europeus por causa das políticas ambientais.

"Nós queremos a ascensão à OCDE, e ele é simpático à nossa posição. É difícil, né? Mas pelo que tudo indica, em vez de um país, a ideia é de seis países adentrarem simultaneamente. Então, isso facilita se essa tese for avante", disse Bolsonaro em frente à embaixada brasileira em Roma na tarde deste sábado, após a reunião do G20.

Segundo o presidente brasileiro, nesse formato, ingressariam três países do continente americano e três do continente europeu.

Vaias e xingamentos

No segundo dia de visita a Roma, Bolsonaro foi xingado e vaiado nas redondezas da embaixada brasileira, onde está hospedado. O mandatário brasileiro foi chamado de "genocida" e "incompetente" quando voltava de um passeio na região do Vaticano.

"Como você vai explicar a incompetência de seu governo?", gritou um dos manifestantes. Outra repetia palavras de ordem como "Fora, Bolsonaro" e "Genocida".

À medida que as vaias e os xingamentos foram se intensificando, apoiadores de Bolsonaro se aproximaram gritando "Mito, mito!", e o presidente, visivelmente irritado, deixou de tirar fotos com apoiadores e apressou o passo para chegar à embaixada, onde jornalistas não têm acesso.

Agentes de segurança brasileiros e italianos impediram repórteres de se aproximarem do presidente, empurrando e segurando os profissionais de imprensa.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também foi vaiado em frente à embaixada brasileira.

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A Constituição não milita | Opinião - O Globo

Por Demétrio Magnoli

O juiz Alexandre de Moraes, do STF, emitiu ordem de prisão contra Allan dos Santos, um pistoleiro virtual a serviço do marketing de ódio do bolsonarismo. Foi além, mandando bloquear todos os canais do atirador de aluguel nas redes sociais. As justificativas oferecidas pelo magistrado para a censura irrestrita emanam de uma releitura intolerável da Constituição.

As medidas determinadas pelo juiz inscrevem-se no inquérito das fake news, deflagrado em março de 2019. Mais de 30 meses depois, a investigação prossegue inconclusa, produzindo apenas resultados fragmentários. Tudo indica que o STF a utiliza como ferramenta de contenção política de Bolsonaro: uma tentativa de cercear o bombardeio do governo à democracia. Muitos aplaudem a iniciativa, simulando ignorar que a função judicial é aplicar as leis, não usá-las para gerar efeitos no tabuleiro político. No percurso, celebram uma reinterpretação constitucional que atenta contra a liberdade de expressão.

Gilmar Mendes ensaiou afirmar, mais de uma vez, que temos uma “democracia militante” — um contrato político em que é vedada a opinião antidemocrática. Nada mais falso. A Alemanha é uma “democracia militante”, pois sua Constituição foi desenhada sob a inspiração do “nunca mais”, ou seja, como ferramenta para impedir o retorno do nazismo. O trauma singular do passado legitima o veto a partidos extremistas e a certos discursos que, mesmo sem estimular diretamente a violência, reciclam o exterminismo nazista.

O Brasil não é a Alemanha. Experimentamos ditaduras nefastas, mas nada parecido com o regime de Hitler. Por aqui, os únicos limites à liberdade de expressão são a conclamação direta à violência (contra indivíduos, grupos ou instituições) e os crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação). O remédio legal para os segundos é o processo judicial. Censura e prisão preventiva podem ser cabíveis para a primeira. Contudo a ordem genérica de censura de Alexandre de Moraes fundamenta-se na doutrina equivocada da “democracia militante”.

Nossa Constituição não permite criminalizar a opinião política antidemocrática. Idiotas saudosos do regime militar têm o direito de escrever que a nação precisa retornar aos tempos da ditadura. Comunistas incuráveis podem, legalmente, sustentar ideias imbecis como a substituição do Congresso por um conselho supremo de tipo soviético. Allan dos Santos é insignificante: um respingo casual do córrego poluído do bolsonarismo. A censura ditada pelo STF, pelo contrário, cria um precedente perigoso.

Anos atrás, sob o governo Lula, um enxame de blogueiros chapa-branca patrocinados pelo Minha Casa Minha Vida e por empresas estatais exigiam, com a regularidade de um relógio cuco, o “controle social da mídia” (a censura dos críticos do lulopetismo). Os blogueiros de aluguel também derramavam-se em elogios a regimes autoritários “do bem”, como a Cuba castrista e a Venezuela chavista. Felizmente, o STF jamais tentou calar as opiniões políticas antidemocráticas deles (e, infelizmente, o Ministério Público nunca denunciou o desvio de recursos públicos para financiar propaganda político-partidária). O precedente estabelecido por Alexandre de Moraes poderia, no futuro, funcionar como instrumento de repressão contra qualquer um, à direita ou à esquerda. Sempre em nome do bem.

Censura judicial não deve ser confundida com restrições ao discurso definidas pelas redes sociais. O Facebook, plataforma preferencial de ditaduras engajadas em massacres e limpezas étnicas, suspendeu a conta de Donald Trump. O Google derrubou do YouTube a live criminosa na qual Bolsonaro associava vacinas anti-Covid à Aids. São decisões, certas ou erradas, de empresas privadas — e, ainda, episódios que deveriam provocar um debate sério sobre o controle oligopolista das redes sociais. A ordem de Alexandre de Moraes é outra coisa: censura estatal inconstitucional.

Allan dos Santos decretaria a censura universal se pudesse. O STF não tem o direito de adotar os critérios dele para puni-lo. Nossa Constituição não milita.

Demétrio Magnoli - assinatura

Por Demétrio Magnoli

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Crise climática 'já está destruindo o mundo', diz Biden a líderes na COP-26

Em discurso de abertura, Boris Johnson comparou desafio climático à saga dos filmes 007: 'a tragédia é que a máquina do apocalipse é real'
Primeiro-ministro do Reio Unido, Boris Johnson, durante de discurso de abertura da COP-26 em Glasgow, na Escócia Foto: PAUL ELLIS / AFP
Primeiro-ministro do Reio Unido, Boris Johnson, durante de discurso de abertura da COP-26 em Glasgow, na Escócia Foto: PAUL ELLIS / AFP

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RIO — As discussões oficiais na COP-26, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, começaram nesta segunda-feira em Glasgow, na Escócia, com o primeiro dia da Cúpula dos Líderes Globais. As nações chegam pressionadas para aumentarem seus compromissos de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, considerado imperativo para conter o aumento da temperatura global e evitar um cataclismo. 

Um dos protagonistas é o presidente Joe Biden, que chega à COP-26 tentando dar aos EUA um protagonismo inédito no debate climático após um histórico de promessas ambientais descumpridas e insuficientes desde antes dos quatro anos de Donald Trump à frente da Casa Branca. Segundo ele, os EUA vão mostrar "que não só estão de volta à mesa, mas pretendem liderar por exemplo, afirmando que "este nem sempre foi o caso".

— A mudança climática já está destruindo o mundo — disse o líder dos EUA, o maior poluidor histórico e o segundo maior da atualidade, atrás apenas da China. — Estamos em um ponto de inflexão da História (...). Nenhum de nós pode escapar o pior que ainda estar por vir se não conseguirmos fazer frente a este momento.

Sem apresentar nenhuma nova meta, ele disse que os EUA aumentaram sua contribuição para o financiamento da adaptação dos países em desenvolvimento às mudanças climáticas: sua promessa é destinar US$ 3 bilhões ao ano para a finalidade, quantia incluída nos US$ 11,4 bilhões anuais previamente prometidos para o financiamento climático até 2024.

A quantia, contudo, fica além das demandas de ativistas para que metade do financiamento climático vá para a adaptação aos impactos do aquecimento global — um dos pontos mais espinhosos da conferência. O custeio da promessa, por sua vez, também depende do Congresso americano, onde seus correligionários barram a aprovação do plano que custerará a transição verde dos EUA até o fim da década.

O pacote socioclimático do presidente já deve seu valor cortado pela metade, apesar dos US$ 555 bilhões em créditos tributários para incentivar os americanos a adotarem veículos elétricos e diminuírem o uso do gás natural e do carvão terem sido mantidos. Ainda assim, ainda não está claro se terá os votos necessários. Em seu discurso em Glasgow, Biden lançou uma estratégia a longo prazo para zerar suas emissões até 2050, baseada na transição rápida para veículos elétricos e a construção de prédios sustentáveis.

O anfitrião do evento, o premier britânico Boris Johnson, comparou os desafios diante pelos líderes globais com os enfrentados pelo personagem escocês James Bond, da saga 007. De acordo com o primeiro-ministro, "a tragédia é que este não é um filme, e a máquina apocalítica é real":

— Estamos a um minuto da meia-noite e precisamos agir mais. Se não fizermos nada hoje, será muito tarde para os nossos filhos fazerem algo no futuro — disse o líder britânico. — Todas as promessas serão um blá blá blá, a ira e impaciência do mundo serão incontestáveis — completou o premier, em referência à declaração da ativista Greta Thunberg sobre o excesso de retórica e falta de ação política.

Quase 120 chefes de Estado e de governo deverão falar nos próximos dois dias, tanto presencialmente quanto por videoconferência. O presidente chinês, Xi Jinping, é uma das ausências mais sentidas em Glasgow, mas ele participará da cúpula desta segunda por vídeo.

Maior comprometimento

Apesar de estar na Europa desde sexta-feira e ter participado do encontro do G-20 que terminou ontem em Roma, o presidente Jair Bolsonaro não vai à conferência e não consta na lista de oradores da cúpula dos presidentes e primeiro-ministros. O chefe da missão brasileira, que têm a presença de 12 governadores, é o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que nesta segunda anunciou uma nova meta de redução das emissões brasileiras, que passará de 43% para 50% até 2030.

Os debates do alto escalão levarão dois dias, mas os negociadores continuarão em Glasgow até o dia 12 em busca de um acordo para fazer frente ao aquecimento global. As dicussões começam um dia após ao G-20 não conseguir chegar a um consenso sobre neutralizar suas emissões de carbono até o meio do século. O grupo é, sozinho, responsável por cerca de 80% dos gases poluentes lançados na atmosfera.

A neutralidade das emissões até 2050 é considerada essencial para evitar um aumento da temperatura global acima de 1,5oC até 2100 com relação aos níveis pré-industriais, essencial para evitar um cataclismo. No ritmo atual, o mundo está no caminho para um aumento da temperatura global de 2,7oC, e os impactos das mudanças climáticas já são sentidas.

— Nosso planeta está mudando diante dos nossos olhos, da profundeza dos oceanos ao pico das montanhas, das geleiras que derretem aos eventos climáticos extremos — disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, que falou pouco depois de Boris. — É hora de dizer basta. Basta de brutalizar a biodiversidade. Basta de nos matarmos com carbono. Basta de tratar a natureza como um vaso sanitário.

Compromisso de países emergentes

A COP acontece todos os anos, mas a edição deste ano é a primeira em que os países devem revisar pela primeira vez as metas voluntárias de redução das emissões  assumidas no Acordo de Paris, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). O tratado vinculante de 2015 prevê que as promessas sejam revisadas e ampliadas a cada cinco anos, mas a conferência de 2020 foi adiada devido à pandemia. 

— Os anúncios climáticos recentes podem dar a impressão de que estamos no caminho para reverter as coisas. Isso é uma ilusão — disse o secretário-geral. — Não devemos ter ilusões: se os compromissos não forem suficientes ao fim desta COP, os países devem revisitar seus planos nacionais climáticos e políticas não a cada cinco anos. Mas anualmente.

Segundo Guterres, é necessário mais ambição para reduzir as emissões em 45% até 2030 e os países desenvolvidos devem assumir a dianteira "perante o princípio de responsabilidades comuns, mas diferentes". Vários países aumentaram seus comprometimentos, mas a lacuna para os 1,5oC ainda é grande.

Guterres cobrou maior compromisso não só dos países ricos, mas também dos emergentes: apesar de terem se comprometido a zerar suas emissões até 2050, não tem planos concretos para fazê-los, contando com milagres tecnológicos, como a Rússia, a Arábia Saudita e o Brasil.

Além das autoridades, o evento desta segunda-feira contou também com a participação do príncipe Charles, herdeiro do trono britânico — a rainha Elizabeth deveria ter participado, mas está de repouso por recomendação médica após uma internação no mês passado. Entre os ativistas que falaram no evento esteve Txai Surui, do povo Paiter Suruí, que pediu atenção especial para a situação dos povos indígenas:

— Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática — afirmou ela, pedindo para que a "poluição das palavras vazias chegue ao fim e denunciando o assassinato de Ari Uru-Eu-Wau-Wau em abril de 2020, que trabalhava denunciando extrações ilegais de madeira em Roraima. — Precisamos de um caminho diferente. Não é 2030, não é 2050. É agora.

_________________________________________________'Nesta década será decidido o futuro da humanidade', diz climatologista Carlos Nobre sobre desafios da COP-26

Climatologista, um dos principais especialistas em Amazônia, analisa posição dos principais poluidores e avisa: 'se não cortar desmatamento, Brasil não chega a nada'
Climatologista Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) Foto: Arte O Globo / Edilson Dantas/Agência O Globo/17-10-18
Climatologista Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP) Foto: Arte O Globo / Edilson Dantas/Agência O Globo/17-10-18

Veterano de cúpulas climáticas e um dos maiores especialistas do mundo sobre a Amazônia e o seu impacto no planeta, o climatologista Carlos Nobre diz que a COP-26, que começou ontem em Glasgow, na Escócia, tem como desafio conseguir de governantes o compromisso com metas duríssimas, mas necessárias.

Copresidente do Painel Científico para a Amazônia e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), Nobre afirma que a Humanidade tem à frente a década mais desafiadora de sua História.

O que podemos esperar da COP-26?

É uma pergunta de US$ 100 milhões. O momento me lembra o da COP-15, em Copenhague, para a qual havia uma imensa expectativa. Porém, só fomos alcançar os resultados esperados na COP-21, em Paris. E isso aconteceu porque houve um trabalho prévio do governo da França.

Que trabalho?

Uma intensa negociação prévia com os países. Os líderes, como o presidente americano Barack Obama, chegaram com muita coisa já negociada, prontos para o Acordo de Paris.

E agora?

Pelo que se viu até agora, o governo do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, não fez o mesmo trabalho. Tampouco o presidente da COP-26, Alok Sharma, parece estar tendo muito sucesso. No Brasil, ele não foi recebido pelo presidente Jair Bolsonaro em agosto, por exemplo.

Por que é tão urgente chegar a um acordo substancial de redução de metas nesta COP?

Porque estamos atrasados. A ciência aponta os riscos há décadas e o último relatório do IPCC é a continuidade disso. Não falamos mais do que pode acontecer, mas do que já ocorre e do que precisamos fazer para tentar impedir que se agrave. E friso que passar de 1,5° C de elevação de temperatura será terrível. Para evitar que isso aconteça, teríamos que reduzir as emissões em 50% até o fim desta década.

Qual a chance de a COP-26 chegar a um acordo neste sentido?

Parece distante com o que temos na mesa neste momento. Este ano, as emissões de CO2 devem superar as de 2019, ainda que a atividade econômica não tenha se recuperado plenamente e enfrentemos a pandemia. Os números do Brasil de 2021 ainda não saíram, mas devem superar 2020, ano em que o Brasil foi um dos poucos países que registrou aumento de emissões, devido ao desmatamento da Amazônia. Este ano, o desmatamento continua a crescer e o governo ligou as térmicas.

O que isso significa?

Que o Brasil está mais distante de cumprir metas do que outros países. Tudo leva a crer que não haverá redução significativa nos dados que devem sair em novembro. O orçamento do Ibama continua baixo. As emissões brasileiras vêm sobretudo do desmatamento. Se o país não reduzir o desmatamento, não importa se legal ou ilegal, não chegará a nada, a meta alguma. O Brasil não tem nada positivo nas mãos em Glasgow, já é superpressionado e isso não vai melhorar.

E os Estados Unidos?

Os EUA aumentaram suas emissões no governo de Donald Trump. O presidente Joe Biden chegou politicamente comprometido a cortar emissões. Só que, para levar adiante seus planos, precisa da aprovação do Congresso e não há garantia de que ela virá. Além disso, os EUA, diferentemente da União Europeia, não têm um marco temporal para encerrar a produção de carros movidos a combustíveis fósseis. Destaco que 98% dos carros do planeta são movidos a combustíveis fósseis. A rápida transição para zerar emissões é o maior desafio do mundo.

E a China?

Sem a adesão da China será impossível ficar em 1,5° C de aumento da temperatura global, os chineses teriam que antecipar suas metas. Se o presidente chinês, Xi Jinping, não for mesmo a Glasgow, nenhum acordo da COP-26 será satisfatório, será muito ruim para a conferência. Embora a China queira assumir a liderança ambiental, é difícil que isso ocorra sem um comprometimento maior. Ela é, por exemplo, a maior fabricante de carros elétricos do mundo. Mas, por outro lado, continua a construir térmicas a carvão. A única boa notícia é que os chineses anunciaram que não construirão mais essas térmicas fora de seu país.

Por que frear a elevação da temperatura em 1,5° C é tão importante?

Essa meta tem que ser perseguida porque faz uma diferença brutal. Fala-se em 2° C como meta possível, e 0,5° C pode parecer pouca coisa. Não é. Um relatório do IPCC de 2018 mostrou que esse 0,5° C é suficiente para eliminar 95% dos recifes corais, com impacto no equilíbrio dos oceanos e nas nossas vidas, mesmo para quem não se importa com corais. Isso é só um exemplo. Esse 0,5° C vai impactar em ocorrência de extremos climáticos. Em todo o sistema terrestre. Por isso, esta década é a mais desafiadora da História da Humanidade. Decidimos nela nosso futuro.

Que acordo poderá sair da COP-26?

Talvez a grande expectativa para esta COP seja um acordo para reduzir entre 40% a 50% as emissões até o fim da década. Mas sabemos que as emissões vão crescer até 2023, provavelmente até 2025. Com muito otimismo, poderemos ter um decréscimo a partir de 2026 e, com isso, reduzir as emissões em 50% em relação a 2015. Reduzir 50% em cinco anos é um desafio monstruoso. Prometer reduções até 2050 é fácil, mas está longe de bastar. Será preciso um comprometimento dos líderes que não sabemos se estarão dispostos a dar.

Por quê?

É muito mais simples se comprometer com metas distantes. Muitos dos governantes atuais estarão ou esperam estar no poder no período em que metas até 2030 terão que ser cumpridas. Biden, por exemplo, poderá ficar no poder até 2028.

Se os países apenas cumprirem as metas tal como estão agora, o quanto o planeta vai esquentar?

Pelo menos 2,7° C. E isso significará mais extremos climáticos, mais fome, miséria e sofrimento.

O senhor tem trabalhado com o projeto da Amazônia 4.0 de desenvolvimento associado à exploração sustentável da biodiversidade. O quão rentável pode ser a exploração sustentável da floresta?

Muito rentável. Vou dar um exemplo. Um hectare de sistema agroflorestal rende uma média de US$ 1.000 por ano. Isso representa um rendimento dez vezes maior do que o do gado e cinco vezes superior ao da soja.

E como está o Amazônia 4.0?

Apesar da pandemia, temos conseguido avançar. Conseguimos recursos para o primeiro laboratório que será levado a quatro comunidades no Pará. Ele está em construção em São José dos Campos e será usado para produtos de cacau e cupuaçu, com alta agregação de valor.

Fazer uma moratória a jato para o desmatamento e a degradação em toda a Amazônia. Hoje, 17% dela foram desmatados e outros 17% degradados. É preciso zerar o desmatamento, não importa se legal ou ilegal, até porque o Congresso brasileiro tem legalizado as ilegalidades. A palavra legal passou a não significar mais nada por isso. Como 60% da Amazônia estão no Brasil, ele deveria liderar. Mas para isso é preciso de uma política mais enérgica para a região.

_________________________________________________A destruição do Bolsa Família é o Estado mínimo para os pobres - Milton Alves

Por Milton Alves

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Por Milton Alves

O governo neoliberal e autoritário do presidente Bolsonaro extinguiu o programa Bolsa Família, uma medida que afeta a existência imediata de 13,9 milhões de famílias, que integram a base mais vulnerável da sociedade.

Após 18 anos de uma política de transferência de renda bem sucedida, com inegáveis resultados no combate à pobreza extrema — e que foi uma porta de saída para milhões de brasileiros, garantindo as condições mínimas para a permanência na escola, o acesso ao consumo de algumas proteínas, o ciclo completo do calendário vacinal para as crianças e a redução da mortalidade infantil.

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A decisão criminosa do governo da extrema direita acontece na fase mais aguda da crise econômica, social e sanitária em curso no país, com mais de 600 mil mortos pela Covid, com mais de 20 milhões de brasileiros padecendo de fome, 14 milhões de desempregados, 6 milhões de desalentados e milhões de trabalhadores precarizados e explorados de maneira brutal na informalidade — sem perspectivas de emprego formalizado e de uma mínima rede de proteção social.

A destruição do Bolsa Família coincide com o fim do auxílio emergencial, que atualmente atende 39 milhões de pessoas. Ou seja, o governo Bolsonaro promove um violento e duplo ataque ao povo mais pobre: elimina a transferência de renda do Bolsa Família e termina também com auxílio emergencial instituído pelo Congresso Nacional no início da pandemia.

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No lugar do Bolsa Família, o governo bolsonarista promete a criação de um vago, improvisado e datado Auxílio Brasil, que deve alcançar cerca de 17 milhões de pessoas, uma parcela menor do número de brasileiros pauperizados pelo garrote do teto de gastos — a intocável vaca sagrada do credo neoliberal.

A destruição do Bolsa Família revela a natureza perversa da política econômica neoliberal executada pelo governo Bolsonaro, que prioriza o arrocho fiscal contra os pobres e o contra investimentos sociais, operando a concentração dos recursos do orçamento do estado nacional a favor do rentismo e facilitando aquisição e a captura das empresas públicas e estatais pelos grupos econômicos monopolistas estrangeiros e nacionais.

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A medida provisória do chamado Auxílio Brasil, que ainda será submetida ao Congresso, dominado pela maioria do Centrão pró-Bolsonaro, enfrenta a incerteza quanto aos seus mecanismos de financiamento, o que implica no engendro do adiamento do pagamento de precatórios. Uma “pedalada bolsonarista” aceita pelos defensores do rigor fiscal.

O áudio vazado de uma palestra do banqueiro André Esteves para investidores e funcionários do BTG Pactual, divulgado com exclusividade pelo portal de notícias Brasil 247 no fim de semana passado, apresenta de forma cristalina o modo de pensar e agir das classes dominantes do país.

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A fala do banqueiro, oscilando entre momentos de realismo e desejo, defendeu a pertinência e o acerto da agenda neoliberal selvagem aplicada pelo governo Bolsonaro, de privatização do aparelho estatal e de desmonte dos programas sociais, o que atinge em cheio as condições de vida da população trabalhadora.

Uma saída democrática e pela esquerda da atual crise brasileira demanda uma vigorosa agenda antineoliberal, de reconstrução nacional, de reversão das privatizações, de inclusão social – como a adoção de uma renda básica universal e permanente para os setores mais vulneráveis da população – e enquadrar o orçamento e os bancos estatais sob a ótica dos interesses da maioria do povo, rompendo com as amarras fiscais que garantem a imposição do estado mínimo para o andar de baixo.

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Com o fim do Bolsa Família pelo menos 22 milhões de pessoas ficarão sem ajuda do governo

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247 - O fim do auxílio deixa dois tipos de órfãos: quem não está inscrito no CadÚnico por não se encaixar nos requisitos do Bolsa Família e quem teria direito a receber renda mínima, mas está na “fila” do cadastro ou nem conseguiu pedir o cadastramento.

O governo limitou o acesso do Auxílio Brasil aos inscritos no CadÚnico, que já tinha uma fila de 1,2 milhão de pessoas. A União manteve por mais 120 dias a partir de outubro a suspensão de adição de novos cadastrados. Fora do banco de dados federal, milhares de brasileiros podem não ser contemplados pelo Auxílio Brasil.

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Reportagem do Globo publicada nesta segunda-feira (1º/11) mostra o drama de algumas dessas famílias.

O Ministério da Cidadania deu informações vagas sobre a resposta do governo à crise social. Disse apenas que o programa Auxílio Brasil vai entrar em vigor em novembro.  

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“Banco Central brasileiro foi capturado pelo sistema financeiro privado”, diz Paulo Nogueira Batista Júnior

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247 - O economista Paulo Nogueira Batista Júnior afirmou, em entrevista à TV 247, que o Banco Central brasileiro, apesar de manter a independência em relação ao governo, não foi capaz de escapar da influência do sistema financeiro. Ele comentou sobre o caso André Esteves, dono do BTG Pactual, que foi consultado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a taxa de juros.

A independência do Banco Central não significa autonomia plena, uma vez que interesses financeiros privados podem facilmente “capturar” a instituição. “O Banco Central brasileiro nunca foi formalmente autônomo, mas nos anos recentes, depois do Plano Real, ele tem tido uma autonomia operacional grande em relação ao governo. Mas é aí que vem o pulo do gato. Em relação ao governo, mas não em relação a interesses financeiros privados infelizmente”, disse ainda o economista, que foi diretor-executivo no FMI.

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Ele caracterizou a relação entre o BC e interesses privados como de “promiscuidade”. “O caso do Brasil não é único, mas é um caso muito claro de captura do regulador pelos regulados, de captura do Banco Central pelo sistema bancário privado. Essa conversa [de Campos Neto com Esteves] é reveladora desse imbricamento, para não dizer promiscuidade, entre interesses financeiros privados e o Banco Central, que deveria ser público”, completou.

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Alexandre Garcia e Caio Coppolla são contratados pela Jovem Pan News

Os comentaristas Alexandre Garcia e Caio Copolla foram contratados pela Jovem Pan - Reprodução: Instagram
Os comentaristas Alexandre Garcia e Caio Copolla foram contratados pela Jovem Pan Imagem: Reprodução: Instagram

Colaboração para Splash

01/11/2021 07h42

Atualizada em 01/11/2021 10h34

O empresário Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, conhecido como Tutinha, anunciou a contratação dos comentaristas Alexandre Garcia e Caio Coppolla para integrar o time de funcionários da Jovem Pan News, emissora que estreou recentemente na TV fechada.

Em seu perfil no Instagram, o CEO do grupo Jovem Pan confirmou as novidades, classificadas por ele como "presentes para os ouvintes e telespectadores" da emissora.

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Segundo a Jovem Pan, Caio comandará um novo programa, intitulado "Boletim Copolla", com estreia prevista este mês. A atração, que será exibida no horário nobre, irá ao ar na TV, na rádio e também no aplicativo Panflix, além de haver transmissão no canal do YouTube do comentarista. Em relação a Alexandre Garcia, ainda não há informações sobre estreia e de qual programa ele participará.

Alexandre Garcia e Caio Coppolla faziam parte do time de comentaristas da CNN Brasil e se notabilizaram pela defesa ferrenha do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e por atacar as medidas sanitárias adotadas durante a pandemia de coronavírus no Brasil.

Já Caio Coppolla deixou a CNN Brasil na semana passada, após o fim do contrato. Em comunicado à imprensa, a empresa afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo por ambas as partes.

No Instagram, Coppolla celebrou o retorno à Jovem Pan, classificada por ele como uma empresa "ao mesmo tempo tradicional e disruptiva".

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Máximas e manias de Gilberto Braga

Brincava que só trabalhava porque era preciso, afirmava que o melhor de viajar era voltar para casa e dizia o que pensava sem ser solicitado, conta irmã do autor
Rosa Maria Araujo, especial para O GLOBO
01/11/2021 - 03:30
Gilberto Braga em seu escritório, 2001 Foto: Ana Branco / O Globo
Gilberto Braga em seu escritório, 2001 Foto: Ana Branco / O Globo

Neste primeiro de novembro, Dia de Todos os Santos, faz um ano que comemoramos, num grupo muito pequeno, o último aniversário do Gilberto, na nova casa de Angra dos Reis. Tudo planejado por meu cunhado, Edgar Moura Brasil, que produziu e decorou um lugar de sonhos. Tudo lindo, confortável, aconchegante.

Gilberto seguiu sua rotina preferida. Tomava café no quarto, assistia a dois ou três filmes por dia, descia para almoçar e jantar conosco, deliciando-se com a comida e as sobremesas. Bebia Coca-Cola ou no máximo uma cerveja. Conversávamos, ríamos e depois do jantar cantávamos em volta da mesa. Alguma música americana, mas principalmente brasileira, com destaque para marchinhas, samba e samba-canção. Tinha boa voz e era extremamente afinado.

O renomado autor de novelas, por vezes considerado um gênio da teledramaturgia, era um carioca apaixonado por sua cidade e por seu país.

Com todo o seu cosmopolitismo, sua cultura, seu francês impecável, sua intimidade com Paris, Nova York e Londres, dizia que o melhor de viajar era voltar para casa no Arpoador.

Sua personalidade marcante, desenhada já na infância, mostrava que era uma pessoa cheia de máximas, como o Marquês de Maricá, e manias, como cantou Dolores Duran em “Dentre as manias que eu tenho”.

Minha tentativa neste texto é provocar o que Artur Xexéo chamava de uma fita-banana, que possa ser completada pelos que conheceram Gilberto de perto. Certamente muitos o fariam bem melhor do que eu…

Dentre afirmações que lhe pareciam incontestáveis, tem as que diziam que: as crianças do cinema americano já nascem bons atores e atrizes; os brasileiros inteligentes parecem ser de esquerda; já os franceses são mais de direita. Estética é fundamental: a beleza das pessoas, da arte, dos ambientes. Dizia que o bom gosto podia não ser bege ou cinza mas que quem inventou as cores rosa-choque e verde limão não gostava de ver a mulher bem vestida, além do que mulher de mais de trinta anos não podia usar decote, ficava horrorosa.

Afirmava que as mulheres são mais interessantes que os homens. Era só testar. Em cada dez casais, elas ganham em oito. Prezava a arte de conversar, como dizia Molière, e dizia que inteligência a gente percebe em uma hora de papo.

O que contava nas relações pessoais era o afeto e a empatia, não os laços consanguíneos.

Certamente era um gourmet, que achava que chocolate não é doce. Doce era suspiro, ambrosia, doce de leite, caramelo do Fauchon. E só comia carne mal passada.

Comentava: “Só posso escrever sobre o universo que conheço. Pensei em fazer uma história com um jogador de futebol, mas não sei o que eles conversam no vestiário, como sei do que falam os empregados na cozinha, os granfinos nos salões.”

Brincava que só trabalhava porque era preciso e adorava o poema de Ascenso Ferreira:

“Hora de comer, comer!

Hora de dormir, dormir!

Hora de vadiar, vadiar!

Hora de trabalhar?

Pernas pro ar, que ninguém é de ferro!”

Gilberto não era um filósofo, mas um homem cheio de certezas e opiniões fortes, como deixou transparecer nas suas novelas e minisséries, sem maniqueísmo. Não teve engajamento político, nem se interessava muito pelo tema, mas condenou todos os preconceitos, o racismo, a homofobia, a discriminação de gênero ou de classe social.

Era uma pessoa metódica, o que garantia a disciplina que sua profissão demandava. Cada novela exigia pelo menos um ano de trabalho duro, sem folga. Antes de começar a fazer a sinopse, gostava de se isolar, muitas vezes num hotel, para pensar no tema que seria debatido e sustentava a história que ia contar. Foi assim que escolheu abordar a questão da vingança, da competição, da ambição desmedida, e da pergunta que não quer calar: vale a pena ser honesto no Brasil?

Tinha por hábito dar opinião, mesmo quando nada lhe era perguntado. Era dessas pessoas, dizia o que pensava “na tampa”, muitas vezes constrangendo o interlocutor. Gostava do que se chama em francês “épater le bourgeois”, chocar o ouvinte.

Ia sempre ao teatro procurar bons atores e atrizes, muitas vezes em peças que não lhe interessavam. Quando lhe perguntavam o que achou, era capaz de dizer que não gostou nada mas que era possível que fizesse sucesso, apesar de ele achar chatíssima. Mas se gostasse da peça ou da atuação de alguém, desdobrava-se em elogios e convites.

O autor de novelas Gilberto Braga, em 1981 Foto: Adir Mera / Agência O Globo
O autor de novelas Gilberto Braga, em 1981 Foto: Adir Mera / Agência O Globo

Adorava seu período de férias, intercalado entre viagens internacionais e ficar em casa arrumando a videoteca, o escritório, fazendo álbum de fotografia, lista de tudo que era possível, dando jantares, indo à praia, almoçando na cozinha com os empregados, chamados de “funcionários”. Sempre se fez amigo de quem trabalhava na casa ou participava da produção de suas novelas. Tinha mania de dar gorjetas altas em todos os lugares que frequentava. Era o ídolo de manobreiros, garagistas e garçons.

Gostava muito de dar presentes de aniversário e escolhia todos com cuidado. Tinha uma estante só para isso. Na prateleira de baixo ficavam os daquele mês. Fui sempre privilegiada com roupas e bolsas lindas, apesar de ser do mesmo mês de dois dos seus amores, Malu Mader e Dennis Carvalho.

As viagens eram absolutamente planejadas, com uma agenda marcada por reservas de restaurantes, encontro com amigos, compra de ingressos para o teatro, musicais e shows. A mala era preparada cirurgicamente depois de fazer uma lista de roupas que chamava de rol, como se faz o rol para a lavanderia. Encomendava livros e filmes que os aguardavam na chegada. Gostava muito de biografias, principalmente de gente do cinema e do teatro, autores, diretores, atores.

Em Paris, no dia da chegada e da saída, ele e Edgar iam sempre ao mesmo restaurante, o Entrécôte, comer o melhor bife com fritas do mundo, como dizia.

Gilberto tinha o perfil de um professor. Era didático e gostava de ensinar, fosse cinema, mostrando um filme que a pessoa não conhecia, até regras de etiqueta. Cultivava o passado. Tinha excelente memória de fatos da infância na Tijuca, da juventude em Copacabana. Sabia o nome de todos os seus professores do primário e do colégio Pedro II.

De certa forma, como irmã mais nova, fui sua aluna. Tomara que tenha aprendido bem as lições de música, cinema, teatro, moda, etiqueta, ética e principalmente de amor à vida.

Rosa Maria Araújo é historiadora e irmã de Gilberto Braga

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Júri militar dos EUA pede que terrorista receba clemência e critica tortura: 'fonte de vergonha'

Majid Khan, que se declarou culpado e virou informante do governo americano, foi espancado nu e 'alimentado' pelo ânus
Majid Khan, preso de Guantánamo que relatou publicamente tortura sofrida por agentes da CIA Foto: Center for Constitutional Rights
Majid Khan, preso de Guantánamo que relatou publicamente tortura sofrida por agentes da CIA Foto: Center for Constitutional Rights

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GUANTÁNAMO, Cuba — Sete militares de alta patente dos Estados Unidos que condenaram um terrorista a 26 anos de prisão após ouvirem descrições gráficas de como ele foi torturado pela CIA escreveram uma carta pedindo que o homem receba clemência. De acordo com os funcionários da Marinha e do Exército, o tratamento a que Majid Khan foi submetido é uma "mancha na fibra moral" e "fonte de vergonha" para os EUA. 

O repúdio à tortura de Khan, um jovem paquistanês que cresceu nos arredores de Baltimore, no estado de Maryland, antes de virar mensageiro da al-Qaeda, veio na forma de um documento de duas páginas redigido à mão pelo presidente do júri, um capitão da Marinha. Ele foi assinado por sete dos oito membros do painel, usando seus números de identificação.

Os militares foram levados a Guantánamo na semana passada para ouvir as evidências e decidir sobre a duração da pena de Khan, que deveria ser de 25 a 40 anos. As deliberações começaram após o homem passar mais de duas horas descrevendo em detalhes a violência a que foi submetido enquanto estave nas redes de prisão da CIA no exterior.

“Khan foi submetido a abuso físico e psicológico bem além das técnicas de interrogatório aprimoradas, que ficam mais próximas da tortura realizada pelos regimes mais abusivos da História moderna”, diz a carta, a qual o New York Times teve acesso, endereçada ao funcionário do Pentágono responsável pelos tribunais de guerra, o coronel Jeffrey Wood.

O homem relatou afogamentos, alimentações forçadas e outros abusos físicos e sexuais que sofreu durante seu período de detenção entre 2003 e 2006 nas prisões no exterior. Descreveu momentos humilhantes de nudez com apenas um capuz na cabeça, enquanto seus braços estavam acorrentados de maneira que o impossibilitavam de dormir. Também foi intencionalmente quase afogado em banheiras com água gelada.

'Mancha na fibra moral'

O caso de Khan ganhou destaque após o lançamento de um estudo de 2014 da Comissão de Inteligência do Senado que dizia que, depois que ele se recusou a comer, seus captores “injetaram” um purê de seu almoço pelo seu ânus. A CIA chamou isso de realimentação retal. Khan chamou de estupro.

Os integrantes do júri militar também responderam ao relato de Khan de que, após ser preso no Paquistão em março de 2003, disse aos agentes de segurança tudo que sabia. Ainda assim, “quanto mais eu cooperava, mas eu era torturado”, o que lhe fez elaborar mentiras para tentar satisfazer quem o interrogava.

“Este abuso não teve valor prático em termos de Inteligência ou qualquer outro benefício tangível para os interesses americanos”, disse a carta. “Pelo contrário, é uma mancha na fibra moral dos Estados Unidos; o tratamento do senhor Khan pelas mãos do pessoal americano deveria ser uma fonte de vergonha para o governo.”

A agência não quis comentar as alegações de Khan, que não foram contestadas pelos promotores. A CIA disse apenas que o programa de detenção e interrogação em sua rede de prisões no exterior acabou em 2009.

Khan não teve acesso a advogados ou a Cruz Vermelha — organização que, pelas Convenções de Genebra, marco dos direitos humanos internacionais, visita os prisioneiros de guerra — até ser transferido para Guantánamo em setembro de 2006. Ele se declarou culpado de terrorsimo em 2012, incluindo ter entregado US$ 50 mil da al-Qaeda a um grupo aliado no Sudeste Asiático, o Jemaah Islamiyah.

O dinheiro foi usado para financiar o ataque contra um hotel em Jacarta cinco meses após sua prisão. Onze pessoas morreram.

'Repreensão extraordinária'

Seu tempo de sentença começou a contar a partir do momento em que admitiu sua culpa, em 2012 — portanto, sua pena de 26 anos chegaria ao fim em 2038. Ele, contudo, tinha um acordo com o governo americano sobre o qual o júri não tinha conhecimento: por colaborar com procuradores federais e militares em outros processos, sua sentença poderia ser liberado já em fevereiro de 2022. O limite máximo é 2025.

O pedido de clemência, ou seja, para que fique isento de cumprir o resto de sua pena, foi acompanhado de uma crítica à estrutura legal que permitiu com que o homem ficasse preso sem qualquer acusação por nove anos e sem acesso a advogados por quatro anos. Foi, disseram os militares, “um desrespeito completo aos conceitos fundacionais da Constituição americana” e “uma afronta aos valores americanos e conceitos de Justiça”.

O advogado civil Ian Moss, militar reformado que compõe a equipe de defesa de Khan, disse que a carta é uma “repreensão extraordinária” por parte do júri. Segundo ele, dada a patente dos militares que compuseram o painel "é evidente que suas carreiras foram impactadas de forma direta e, provavelmente, pessoal pelas últimas duas décadas de guerra".

Em nenhum momento, no entanto, os militares indicaram que o tratamento conferido a Khan foi ilegal. Afirmaram, contudo, que ele se declarou culpado, assumiu responsabilidade por suas ações e “expressou remorso pelo impacto às vítimas e suas famílias. A clemência, portanto, é recomendada”.

O presidente do júri, um capitão da Marinha, disse no tribunal que o grupo decidiu acatar um pedido do advogado militar de Khan, Michael Lyness, para que considerassem redigir uma carta pedindo clemência. Esta foi a primeira vez que um pedido deste tipo foi feita por um júri convocado para definir a pena de um preso em Guantánamo.

O júri também demonstrou empatia com a história de Khan, que se radicalizou após a morte da sua mãe, quando tinha 21 anos, chamando-o de “um alvo vulnerável” para ser recrutado por grupos terroristas. Os militares também tiveram acesso a nove cartas em apoio do homem escrita por seu pai e seus irmãos, cidadãos americanos que moram nos EUA, e por sua mulher e filha, que vivem no Paquistão.

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Acusados sob a Lei de Segurança Nacional, três ativistas pró-democracia de Hong Kong se declaram inocentes

Além do magnata da mídia Jimmy Lai, a advogada Chow Hang-tung e a jornalista Gwyneth Ho enfrentarão julgamento por participação em vigília na data do Massacre da Praça da Paz Celestial
Jimmy Lai sendo preso pela polícia em 2020 sob a Lei de Segurança Nacional Foto: VERNON YUEN / AFP
Jimmy Lai sendo preso pela polícia em 2020 sob a Lei de Segurança Nacional Foto: VERNON YUEN / AFP

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HONG KONG — Três participantes do movimento pró-democracia de Hong Kong, incluindo o magnata da mídia Jimmy Lai, se declararam inocentes, nesta segunda-feira, das acusações de terem participado de uma vigília proibida no ano passado, em memória dos mortos na repressão aos protestos na Praça da Paz Celestial, em Pequim, em junho de 1989.

Além de Lai, a advogada Chow Hang-tung e a veterena jornalista Gwyneth Ho enfrentarão julgamentos ligados à manifestação de 2020, sob acusações baseadas na Lei de Segurança Nacional, imposta pelo governo chinês ao território semiautônomo em junho de 2020.

Os outros cerca de 20 ativistas e líderes políticos pró-democracia, acusados das mesmas infrações, declararam ser culpados de incitação e participação em uma reunião ilegal.

— Entendo cada palavra, mas não entendo como isso constitui um crime — disse Chow ao tribunal. — O luto não é crime, eu me declaro inocente — completou a advogada.

Por mais de três décadas, dezenas de milhares de pessoas se reuniam anualmente no Parque Vitória, de Hong Kong, todo 4 de junho para participar das vigílias e acender velas em memória da repressão do Exército chinês contra os estudantes pró-democracia que se manifestavam na Praça da Paz Celestial.

Centenas de pessoas foram mortas e outras tantas ficaram feridas, mas nunca se soube com certeza o número real de vítimas.

Estes atos públicos, nos quais eram entoados frases em favor da democracia na China, se tornaram um dos símbolos das liberdades políticas desfrutadas pelo território semiautônomo e ex-colônia britânica. No entanto, as duas últimas vigílias, em 2020 e 2021, foram proibidas pelas autoridades de Hong Kong, que citavam a pandemia da Covid-19 e ameaças à segurança.

_________________________________________________Josias de Souza - Bolsonaro virou símbolo da estupidez inimputável

Colunista do UOL

01/11/2021 03h53

"Presidente, por que o senhor não foi de manhã no encontro do G20?". A pergunta do repórter Leonardo Monteiro, da TV Globo, fazia sentido, pois Bolsonaro passeava pelo centro histórico de Roma como um turista incidental depois de negligenciar a abertura dos trabalhos do último dia do encontro dos líderes das maiores economias do mundo. Esnobara também a foto de encerramento, que reunira os chefes de Estado na Fontana di Trevi, um dos cartões postais da capital italiana.

Espremido, Bolsonaro comportou-se como se não devesse nada a ninguém. Muito menos explicações. "É a Globo? Você não tem vergonha na cara?" O repórter insistiu: "Oi, presidente, por que o senhor não foi de manhã nos eventos do G20?" Bolsonaro não se deu por achado: "Vocês não têm vergonha na cara, rapaz." Um dos agentes que faziam a segurança do capitão empurrou o repórter, desferindo-lhe um soco no estômago.

Reforçada por agentes cedidos pelo estado italiano, a equipe de guarda-costas de Bolsonaro acionou os músculos contra os jornalistas. Distribuíram-se empurrões. Jamil Chade, do UOL, que filmava as agressões, foi agarrado pelo braço. Tomaram-lhe o celular. Cobrou a identificação do agressor. Foi ignorado. Minutos depois, o segurança jogou o aparelho no asfalto, com a câmera voltada para o céu.

O prenúncio de encrenca surgira mais cedo, quando a repórter Ana Estela de Sousa Pinto, da Folha, fora empurrada defronte da embaixada brasileira, quando Bolsonaro ainda se encontrava dentro do prédio. Agrediram-se também repórteres da BBC Brasil e de O Globo.

Quando seguranças percebem que a autoridade patrocina hostilidades, passam a crer que fazem parte de uma milícia onipotente. A insensatez de Bolsonaro é um estímulo à violência. Com sua retórica encrespada, o presidente empurra os agentes para a delinquência. A cumplicidade criada entre protegido e protetores explica a conversão do esquema de segurança em anarquia.

A truculência de Roma emoldura um problema maior: o apagão mental das autoridades que deveriam impor limites a Bolsonaro no Brasil. A Procuradoria-Geral da República o enxerga como inviolável e imune. O Legislativo e o Judiciário o tratam como intocável e impune.

Há um mês, Bolsonaro já expusera o Brasil a vexame ao exibir seu arcaísmo num discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU. A ida do capitão ao encontro do G20 revelou-se mais uma inutilidade a serviço da desmoralização do país.

As viagens internacionais do presidente não servem senão para reforçar a sensação de que a imagem do Brasil no estrangeiro tornou-se um borrão. Uma mancha na qual se misturam o desastre sanitário, os arroubos antidemocráticos, a estagnação econômica e a destruição ambiental.

Bolsonaro realizou o pesadelo que frequentava os sonhos do antichanceler Ernesto Araújo —aquele sujeito que, antes de ser expurgado do comando do Itamaraty, difundiu a tese segundo a qual se a atuação do governo bolsonarista faz do Brasil "um pária internacional, então que sejamos esse pária."

O brasileiro paga as viagens do presidente para que ele seja pária no estrangeiro. Só Bolsonaro não paga por nada. Todos os seus defeitos estão perdoados. Seus crimes foram preventivamente prescritos. É como se vigorasse um entendimento tácito de que ser Bolsonaro já é castigo suficiente para qualquer um. O problema é que o personagem se esforça para demonstrar que não é qualquer um.

Bolsonaro deixou de ser qualquer um quanto transformou a Presidência na única repartição pública privatizada durante sua gestão. O presidente transformou-se num símbolo de todos os privilégios que o déficit público pode pagar. Governa como um símbolo do patrimonialismo.

Graças à inércia das instituições nacionais, o símbolo não precisa responder pelo que simboliza. Livre de todos os incômodos, Bolsonaro entrou para a galeria dos seres inimputáveis, ao lado dos menores de idade e dos índios isolados. O Brasil é presidido pelo símbolo da estupidez inimputável.

_________________________________________________"O Brasil é presidido pelo símbolo da estupidez inimputável”, diz Josias de Souza

Bolsonaro e Josias de Souza

247 - O jornalista Josias de Souza afirma, em sua coluna no UOL, que a agressão feitas pelos seguranças de Jair Bolsonaro contra repórteres que cobriam a reunião de cúpula do G20, realizada em Roma, mostra que “o Brasil é presidido pelo símbolo da estupidez inimputável”. 

“Quando seguranças percebem que a autoridade patrocina hostilidades, passam a crer que fazem parte de uma milícia onipotente. 

A insensatez de Bolsonaro é um estímulo à violência.

Com sua retórica encrespada, o presidente empurra os agentes para a delinquência. 

A cumplicidade criada entre protegido e protetores explica a conversão do esquema de segurança em anarquia”, avalia Josias.

Para ele, “a truculência de Roma emoldura um problema maior: 

o apagão mental das autoridades que deveriam impor limites a Bolsonaro no Brasil. 

A Procuradoria-Geral da República o enxerga como inviolável e imune. 

O Legislativo e o Judiciário o tratam como intocável e impune”. 

“Há um mês, Bolsonaro já expusera o Brasil a vexame ao exibir seu arcaísmo num discurso na abertura da Assembleia Geral da ONU. 

A ida do capitão ao encontro do G20 revelou-se mais uma inutilidade a serviço da desmoralização do país”, completa.

“O brasileiro paga as viagens do presidente para que ele seja pária no estrangeiro. 

Só Bolsonaro não paga por nada. 

Todos os seus defeitos estão perdoados. 

Seus crimes foram preventivamente prescritos. 

É como se vigorasse um entendimento tácito de que ser Bolsonaro já é castigo suficiente para qualquer um.

O problema é que o personagem se esforça para demonstrar que não é qualquer um”, afirma ele no texto.

“Graças à inércia das instituições nacionais, o símbolo não precisa responder pelo que simboliza. 

Livre de todos os incômodos, Bolsonaro entrou para a galeria dos seres inimputáveis, ao lado dos menores de idade e dos índios isolados. 

O Brasil é presidido pelo símbolo da estupidez inimputável”, finaliza o colunista.

_________________________________________________Bolsonaro precisa mentir sobre Auxílio Brasil para justificar o fim do Bolsa Família, diz Celso Rocha de Barros

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 247 - “O Bolsa Família foi pago pela última vez na sexta-feira. Será substituído pelo Auxílio Brasil, uma mistura de nove programas. Na pior das hipóteses, pode ficar sem fonte de renda e causar uma crise social sem precedentes. Na melhor das hipóteses, será o Bolsa Família com os aumentos que já deveriam ter sido dados e uma ampliação de cobertura (porque aumentou o número de pobres)”, afirma o sociólogo Celso Rocha de Barros na Folha de S. Paulo. 

Para ele, o Auxílio Brasil idealizado pelo governo Jair Bolsonaro “também traz uma série de programas pendurados que não devem ter grande efeito prático. Os programas de incentivo para estudantes que se destaquem em competições científicas ou esportivas devem chegar a pouca gente. O auxílio inclusão rural dará um dinheiro para agricultores pobres que doem comida (quanta comida eles têm para doar?). O auxílio-creche é uma modificação do programa Brasil Carinhoso de Dilma Rousseff. O auxílio de inclusão urbana pagará um acréscimo a beneficiários do Auxílio Brasil que conseguirem emprego formal, algo que, conforme todos os estudos, eles já fazem sempre que podem”. 

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“Algum desses complementos são bons, outros são ruins, alguns já existem, mas o sentido político de incluí-los no substituto do Bolsa Família, é claro: depois de uma vida inteira xingando o Bolsa Família, Bolsonaro precisa mentir para a classe média bolsonarista que seu programa é diferente porque desencoraja vagabundagem de pobre. No mundo real, os pobres não são vagabundos, os bolsonaristas são, mas eles acham que é o contrário”, afirma o sociólogo. 

Ainda segundo ele, “todos os riscos do Auxílio-Brasil seriam evitados, e todas suas potencialidades seriam possíveis de serem realizadas, sem acabar com o Bolsa Família. Mas Bolsonaro precisa mentir para os pobres que é Lula, e precisa mentir para seus apoiadores que não é isso que gostaria de ser”.

_________________________________________________Número de mortos por Covid-19 ultrapassa 5 milhões

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247 - Mais de 5 milhões de pessoas já morreram de Covid-19 em todo o mundo desde o início da pandemia. A marca foi atingida nesta segunda-feira (1º), 117 dias depois do registro de 4 milhões de vítimas, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

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Na última semana, os óbitos voltaram a subir 5% globalmente, segundo o mais recente relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). As piores situações são na Europa, que teve 14% mais mortes do que na semana anterior, e na Ásia, com um aumento de 13% no mesmo período, informa o G1.

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_________________________________________________PGR NÃO investiga e arquiva caso de compra de imóveis de Eduardo Bolsonaro

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247 - A Procuradoria-Geral da República, comandada por Augusto Aras, determinou o arquivamento da apuração preliminar, aberta em dezembro do ano passado, para apurar o uso de R$ 150 mil em dinheiro vivo feito pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) utilizado na compra de dois apartamentos comprados localizados na Zona Sul Rio de Janeiro entre 2011 e 2016. O procedimento, de acordo com reportagem de Juliana Dal Piva, no UOL, foi arquivado sem que nenhuma documentação referente ao caso tenha sido solicitada. 

De acordo com a reportagem, o arquivamento do caso foi solicitado pelo promotor Bruno Fernandes da Silva Freitas, que foi cedido pelo MP do Pará para atuar como membro auxiliar no gabinete da PGR. Segundo ele, existe uma "ausência de lastro mínimo probatório que dê ensejo à atribuição da Procuradoria-Geral, haja vista que a notícia de jornal não é sequer indício de crime praticado, mas apenas uma narrativa de profissional de jornalismo". O caso foi denunciado em setembro por meio de uma reportagem da própria Juliana Dal Piva com base em documentos públicos registrados em cartório pelo parlamentar.

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O promotor errou, ainda, ao afirmar que o caso trataria de “suposta conduta em período anterior ao exercício de mandato de deputado federal da República, e sem vinculação ao cargo mencionado". “Ele não verificou que um dos pagamentos, o de R$ 100 mil em espécie, ocorreu em 2016, quando Eduardo Bolsonaro estava no seu primeiro mandato”, destaca a reportagem.

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Jamil Chade denuncia na delegacia agressão da comitiva de Bolsonaro em Roma

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247 - Após o registro de agressões por parte de agentes brasileiros e italianos que faziam a  segurança de Jair Bolsonaro em Roma, durante o encontro do G-20, o jornalista Jamil Chade, uma das vítimas, foi à delegacia registrar formalmente uma denúncia.

"Denúncia feita agora, em Roma, pela agressão que sofremos em plena cobertura presidencial. Em 21 anos como correspondente foram 70 países e vários presidentes. Mas violência em cúpula foi a primeira vez. Silêncio revelador por parte do Itamaraty e Presidência. Não vencerão. Nunca", escreveu Jamil Chade no Twitter

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Os agentes de segurança agrediram repórteres e tomaram o celular de Jamil Chade, arremessando o aparelho para o alto, e seguraram as mochilas dos profissionais para tentar impedir que eles registrassem o passeio de Bolsonaro por uma das principais ruas do centro histórico da capital italiana.

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Xico Sá cobra da mídia comercial que comece a chamar Bolsonaro de fascista, após agressão a jornalistas

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Estadão repete editorial da "escolha muito difícil" e faz campanha por terceira via

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247 – O jornal Estado de S. Paulo, que, em 2018, fez o editorial sobre "uma escolha muito difícil", para lavar as mãos diante da escolha entre o professor Fernando Haddad e o extremista Jair Bolsonaro, repete a dose nesta segunda-feira, com o editorial que ataca Lula e Bolsonaro – e defende a terceira via.

"Após quatro mandatos de um governo populista à esquerda e um mandato de sua contraparte populista à direita, os altos índices de rejeição aos dois candidatos que lideram as pesquisas para a eleição de 2022 revelam que boa parte da sociedade a vê como uma oportunidade de renovação da política", escreve o jornal.

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"A reeleição de Jair Bolsonaro significaria a manutenção de uma crassa incompetência administrativa e da maior ameaça à democracia brasileira desde 1964. O retorno do lulopetismo significaria reeditar uma agenda que negligenciou as condições para o desenvolvimento sustentável, alimentou o corporativismo e o clientelismo, disseminou ainda mais a corrupção endêmica, precipitou o País na maior recessão de sua história e, por último, mas não menos importante, inflamou o sectarismo que alçou Bolsonaro ao poder", aponta o veículo.

"A esperança pode vencer o medo. Mas, para isso, os candidatos que se apresentarem como seus portadores precisarão propor uma agenda modernizante. Não, porém, costurada nos recessos das cúpulas partidárias, e sim com as lideranças da sociedade civil. As articulações políticas que resgataram a democracia do País nas 'Diretas Já' e superaram as grandes crises da Nova República com os impeachments de Fernando Collor e Dilma Rousseff foram erguidas sobre uma mobilização cívica. Só com essa mobilização será possível evitar que o lulopetismo e o bolsonarismo perpetuem a crise que eles fabricaram e colocar o País nos trilhos do desenvolvimento", aponta o editorialista.

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Globo destaca mentira de Bolsonaro sobre meio ambiente, mas omite fake news contra Lula

Bolsonaro na Itália e Lula
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247 – O jornal O Globo, que promoveu a campanha pela prisão política do ex-presidente Lula, o que permitiu a ascensão do fascismo bolsonarista, destaca, nesta segunda-feira, a mentira contada por Jair Bolsonaro sobre a política ambiental no Brasil, mas omite fake news muito mais grave, sobre uma inexistente ligação de Lula com o tráfico de drogas

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"Em entrevista ao canal de TV italiano TG 24 News, neste domingo, o presidente Jair Bolsonaro deu várias declarações imprecisas e fora de contexto sobre a política ambiental do Brasil", aponta a reportagem do Globo, sem mencionar que as mentiras sobre Lula, que já inundam as redes sociais bolsonaristas, foram contadas na mesma entrevista.

_________________________________________________Morre o pianista Nelson Freire, aos 77 anos

Músico era considerado um dos grandes do século XX
Nelson Freire Foto: Divulgação
Nelson Freire Foto: Divulgação

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Morreu na madrugada desta segunda-feira o pianista Nelson Freire, aos 77 anos, no Rio de Janeiro. Segundo a empresária do músico, ele estava em casa, na Joatinga.

Nascido em Boa Esperança, Minas Gerais, em 1944, Nelson era considerado um dos maiores pianistas do século XX. Descrito como '"tímido", de "caráter discreto", começou a dedilhar no piano aos 3 anos de idade, ao observar a irmã. Por isso, seus pais se mudaram para o Rio quando ele tinha 5, em busca de professoras para o jovem prodígio, que começou a estudar com Nise Obino e Lúcia Branco.

Aos 14, tocando Chopin e Beethoven com maestria, ganhou uma bolsa do governo JK  para estudar em Viena, na Áustria, após participar de um concurso internacional.

A partir daí, Freire fez carreira na Europa, conquistando, aos 19, o primeiro lugar no Concurso Internacional Vianna da Motta, em Lisboa. Cinco anos depois, estreou com a Orquestra Filarmônica de Nova York. Chegou a ganhar da revista "Time" o título de  “um dos maiores pianistas desta ou de qualquer outra geração”. Trabalhou em todas as grandes cidades da Europa e Estados Unidos, com os maiores regentes do século XX.

— Ainda tenho muito a conquistar. Progredir. Se um artista achar que conquistou tudo, parou — disse ele, em entrevista ao GLOBO, em 2014.

Nelson gravou diversos álbuns, sendo o último, "Encores", lançado em outubro de 2019 pela Decca.  Só por essa gravadora, são 22 álbuns, desde 1983.,com gravações de Chopin, Schumann, Brahms e Beethoven.

— Não ouço nem durante nem depois meus discos. Ja tem uns cinco anos isso, foi acontecendo aos poucos. Porque se ouço, fico querendo mudar — disse o pianista ao GLOBO em 2001.

Em 2003, o pianista foi tema de um documentário feito pelo cineasta João Moreira Salles. "Nelson Freire" venceu o prêmio de melhor documentário do Grande Cinema Brasil daquele ano e contou com a participação da pianista argentina Martha Argerich, de quem ele era muito amigo desde a década de 1960. Em 2016, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Há dois anos, Nelson Freire sofreu uma queda no calçadão da Barra da Tijuca e fraturou o úmero do braço direito. Ele foi operado, mas não voltou a tocar depois do acidente.

Admiradores, amigos e colegas do pianista lamentaram a sua morte. Diretor da Sala Cecilia Meireles, João Guilherme Ripper disse: "Perdemos nosso grande pianista, um artista generoso e genial! Jamais esquecerei um recital no Teatro Châtelet em Paris, em que Nelson tocou um programa dedicado a Chopin. Ovacionado, retornou nove vezes ao palco para tocar de bis toda 'A prole do bebê', de Villa-Lobos. Com Nelson, desaparece mais um pedaço daquele Brasil que encantou o mundo."

Matéria em atualização

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Para evitar o pior

Por Carlos Alberto Sardenberg 30/10/2021 • 00:01

Se o deputado estadual FERNANDO FRANCISCHINI (PSL-PR) foi CASSADO pelo Tribunal Superior Eleitoral por ter feito live em 2018 divulgando FAKE NEWS sobre as urnas eletrônicas e atacando o sistema eleitoral, ENTÃO o presidente Jair BOLSONARO TAMBÉM deveria ter sido PUNIDO. 

Não apenas o presidente atacou as urnas e o sistema quando ainda candidato, como continuou com esses ataques depois de eleito.

Considerando ainda o evidente disparo ilegal de fake news durante o processo eleitoral —que “todo mundo viu”, como disse o ministro do STF Alexandre de Moraes —, então a chapa Bolsonaro-Mourão deveria ter sido cassada duas vezes. E há mais tempo.

Mas não foi — e justamente pela lentidão da Justiça, que criou uma ameaça de grave instabilidade política.

Como Bolsonaro e Mourão já ultrapassaram dois anos de mandato, a substituição se daria assim, caso fossem cassados. O primeiro na linha de sucessão é o presidente da Câmara, Arthur Lira, que assumiria interinamente para convocar eleições em 30 dias. Atenção: eleição indireta, no Congresso Nacional.

Como Lira está enrolado em processos no STF, provavelmente não poderia assumir. A vaga então passaria para o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, com a mesma função de chamar eleições indiretas em 30 dias.

Se Pacheco não pudesse assumir por alguma razão, o cargo, interino de novo, iria para o presidente do STF, Luiz Fux, também para chamar eleições indiretas.

Já pensaram a confusão? Já imaginaram as barganhas congressuais para escolher presidente e vice? A festa do Centrão?

O ambiente político e econômico já está comprometido pela desastrada gestão Bolsonaro e pela cumplicidade com o Centrão. Acrescentando uma esquisita sucessão no quadro, o dólar iria a quanto?

Quando se começa a ler os votos dos ministros do TSE, a percepção imediata é óbvia: vão cassar a chapa. Mas, nos parágrafos finais, sempre aparece uma justificativa, uma desculpa mesmo, para dizer que falta uma prova direta.

Merval Pereira lembrou outro dia o espetacular comentário do inesquecível Jorge Moreno sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer, por abuso de poder econômico: absolvida por excesso de provas.

Acrescentou Merval: Bolsonaro e Mourão se livraram por excesso de indícios.

Assim, ficamos com um cadáver exposto em praça pública para servir de exemplo, o deputado cassado, e as advertências do TSE : daqui para frente, será tudo diferente. Cassação e cadeia, disse Alexandre de Moraes.

Tudo considerado, não é a melhor maneira para entrar no ano eleitoral — sim, estamos a 12 meses das eleições nacionais.

Na economia, teremos essa improvável combinação: juros altos, dólar caro e inflação subindo. Pelos manuais, se os juros estão elevados e subindo, o dólar deveria estar em queda. Investidores estrangeiros voltariam a uma velha prática — trazer dólares, que rendem muitos reais, e aplicá-los em títulos públicos, que rendem juros reais entre os maiores do mundo.

Com mais entrada de dólares, o valor da moeda americana deveria cair. Não cai pelo mau conjunto da obra de Bolsonaro-Guedes.

Por outro lado, se o Banco Central está em processo de elevação dos juros, a inflação deveria estar apontando para baixo. E não está. De novo, é a desconfiança gerada por uma política econômica que pretende tornar constitucional o crime de furar o teto e, pois, de irresponsabilidade fiscal.

O capital eleitoral de Bolsonaro está sendo consumido. E o de Lula? Ele se livrou das condenações nos altos escalões da Judiciário, mas o eleitorado, numa campanha, numa disputa, acreditará na sua inocência? Ou vai para a linha do rouba mas faz?

Há, portanto, espaço para a terceira via — um centro meio à esquerda, meio à direita —, mas com duas condições. A primeira: dois bons nomes na chapa presidencial, uma boa combinação de presidente e vice. A segunda condição é a construção de um discurso que anime e convença o eleitorado.

Não é fácil, mas o país merece escapar dessa desastrosa polarização Bolsonaro-Lula.

Por Carlos Alberto Sardenberg


_________________________________________________G20: Isolado, Bolsonaro tem agenda esvaziada e é ironizado pela imprensa italiana


Jair Bolsonaro é um dos únicos líderes do G20 que não tem reuniões previstas com outros presidentes Imagem: Guglielmo Mangiapane/Reuters

Matheus Magenta Enviado da BBC News Brasil a Roma 30/10/2021 16h35

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, é um dos únicos líderes do G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) que não tem reuniões previstas com outros mandatários, à exceção do presidente italiano Sergio Mattarella, anfitrião do evento que, pelo protocolo, se encontra com todos os líderes presentes em Roma.

Segundo o Itamaraty, a agenda do presidente brasileiro seria atualizada ao longo da visita à Itália, e reuniões estavam sendo negociadas com outros países, mas nada foi fechado até o momento. O encontro do G20 ocorre neste fim de semana (30 e 31), e em seguida muitos deles seguem para a Cúpula do Clima em Glasgow, na Escócia (COP26).

Líderes do G20 aprovam imposto global sobre lucros das multinacionais

Sob forte pressão internacional por causa do aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia, Bolsonaro decidiu não ir à COP26, o que gerou críticas de outros países e de organizações ambientais. Segundo o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, o mandatário brasileiro evitará a reunião do clima porque iriam jogar "pedras" nele.

A política ambiental de Bolsonaro colaborou muito para o isolamento dele em foros internacionais como o G20, e a ausência na COP26 acentua isso.

Em geral, reuniões bilaterais entre líderes em eventos como o G20 e a Assembleia Geral das Nações Unidas servem como um dos indicadores da importância do país no cenário global. Historicamente, o Brasil costumava ser requisitado por seu papel de articulador em negociações e debates globais envolvendo países em desenvolvimento.

Oliver Stuenkel, cientista político e professor de Relações Internacionais na Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que o Brasil está muito isolado, e a reputação de Bolsonaro no exterior já está consolidada, então, suas declarações dificilmente vão mudar a posição de outros governos ou gerar manchetes como antes.

"Além disso, como a eleição está chegando, ninguém quer apostar ou vê muito valor em restabelecer algum diálogo ou alguma parceria estratégica. E, mesmo com líderes bem conectados, isso costuma acontecer quando falta um ano de mandato."

Para Stuenkel, "o melhor que o Brasil poderia fazer não seria reverter o estrago, mas simplesmente aparecer pouco, e há uma boa chance de o Brasil sair do G20 não despercebido, mas sem gerar manchetes fora do país".

Sinais de isolamento

O presidente argentino, Alberto Fernández, por exemplo, tem encontro bilateral marcado com o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

Já o presidente da Indonésia, Joko Widodo, se encontrou em reuniões privadas com o colega francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison. No encontro com o presidente da França, Widodo discutiu investimentos no setor de defesa indonésio e metas para reduzir desmatamento e emissões de gases do efeito estufa, entre outros assuntos.

Há outros sinais do isolamento do líder brasileiro durante o evento.

Uma reportagem do jornal italiano La Repubblica ressaltou que a edição da cúpula de líderes do G20 deste ano foi marcada pela volta dos apertos de mãos, praticamente banidos durante a pandemia de covid-19. "Mas nem para todo mundo", ressalva a publicação.

"(O presidente italiano) Mario Draghi deu a mão a muitos dos primeiros-ministros que chegaram nesta manhã à Nuvola, onde ocorrem os trabalhos destes dois dias. Mas não para o presidente Bolsonaro, que disse que será a última pessoa no Brasil a se vacinar — afinal, ele acredita que as vacinas causam Aids: algo dito por ele em um vídeo que as redes sociais nos deram a graça de censurar."

Draghi teve reuniões com diversos líderes mundiais, entre eles Joe Biden (EUA) e Narendra Modi (Índia).

'Petrobras é um problema'

Na antessala da primeira reunião de líderes do G20, Bolsonaro só havia trocado palavras com os garçons, até que os assessores o levaram para cumprimentar o colega turco, Recep Erdogan.

Em conversa informal com o presidente da Turquia, Bolsonaro disse que a economia do Brasil está voltando forte, mas a "mídia como sempre atacando" — o Brasil é o único país do G20 com estimativas de recessão em 2022, mas a avaliação não é um consenso entre instituições financeiras.

Em resposta, o mandatário da Turquia mencionou que o Brasil tem grandes recursos petrolíferos e a Petrobras. Bolsonaro rebate: "Petrobras é um problema. Mas estamos quebrando monopólios, com uma reação muito grande. Há pouco tempo era uma empresa de partido político. Mudamos isso".

Erdogan perguntou, por fim, sobre a eleição brasileira e, ao ouvir que ela ocorrerá em 11 meses, disse a Bolsonaro que ele ainda tem bastante coisa para fazer.

"Eu também tenho um apoio popular muito grande. Temos uma boa equipe de ministros. Não aceitei indicação de ninguém. Fui eu que botei todo mundo. Prestigiei as Forças Armadas. Um terço dos ministros [é de] militares profissionais. Não é fácil. Fazer as coisas certas é mais difícil", responde o presidente brasileiro.

Após a reunião do G20, na manhã deste sábado (30), Bolsonaro se encontrou com o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Mathias Cormann, na embaixada brasileira em Roma.

O Brasil tenta ingressar na organização, conhecida como clube dos países ricos, mas a candidatura sofre resistência de países europeus por causa das políticas ambientais.

"Nós queremos a ascensão à OCDE, e ele é simpático à nossa posição. É difícil, né? Mas pelo que tudo indica, em vez de um país, a ideia é de seis países adentrarem simultaneamente. Então, isso facilita se essa tese for avante", disse Bolsonaro em frente à embaixada brasileira em Roma na tarde deste sábado, após a reunião do G20.

Segundo o presidente brasileiro, nesse formato, ingressariam três países do continente americano e três do continente europeu.

Vaias e xingamentos

No segundo dia de visita a Roma, Bolsonaro foi xingado e vaiado nas redondezas da embaixada brasileira, onde está hospedado. O mandatário brasileiro foi chamado de "genocida" e "incompetente" quando voltava de um passeio na região do Vaticano.

"Como você vai explicar a incompetência de seu governo?", gritou um dos manifestantes. Outra repetia palavras de ordem como "Fora, Bolsonaro" e "Genocida".

À medida que as vaias e os xingamentos foram se intensificando, apoiadores de Bolsonaro se aproximaram gritando "Mito, mito!", e o presidente, visivelmente irritado, deixou de tirar fotos com apoiadores e apressou o passo para chegar à embaixada, onde jornalistas não têm acesso.

Agentes de segurança brasileiros e italianos impediram repórteres de se aproximarem do presidente, empurrando e segurando os profissionais de imprensa.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também foi vaiado em frente à embaixada brasileira.

_________________________________________________Áries segue o baile e Libra topa um 'remember': como age o ex de cada signo

Como age o ex de cada signo - Prostock-Studio/ iStock
Como age o ex de cada signo Imagem: Prostock-Studio/ iStock

Claudia Dias Colaboração para Universa 07/10/2021 04h00

Em muitos relacionamentos, chegar ao fim é inevitável. E o término pode ocorrer pelos mais diferentes motivos. A convivência saudável entre o ex-casal é o mais esperado e adequado, mas nem sempre a realidade condiz com a expectativa.

O comportamento de um ou outro muda bastante, o que pode ser influenciado pelos astros. É o que conta Luana Sudré, da equipe do Astrocentro, que revela as particularidades de cada representante do zodíaco. De quebra, conta o que é esperado de todos eles, após o rompimento.

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O que esperar do relacionamento com o ex

Áries

Quando Áries termina um relacionamento, segue o baile sem pensar duas vezes, independentemente se foi ele quem pôs o ponto final na convivência ou não. "Se o outro não estar aqui, melhor ir" é o pensamento ariano. Também não é do tipo de virar "coleguinha" do ex-par, porque tende a sumir e não voltar mais (para frustração de quem ainda tinha alguma esperança). Com essa turma, não se deve esperar conversa, tampouco amizade.

Touro

Sendo o signo da teimosia, uma das características bem fortes do taurino é a dificuldade de aceitar mudanças, opiniões contrárias e até conselhos. Logo, tende a se tornar aquele ex que não aceita o fim e não vai embora, rodeando o antigo par. Já que essa turma precisa de uma explicação plausível para seguir a vida, vai insistir para voltar tanto quanto puder.

Gêmeos

Este signo é regido por Mercúrio, planeta da comunicação e da criatividade. Então, o ex do signo aceita tudo de boas e continua a vida —até porque não se permite estar 100% ligado a um relacionamento. Com Gêmeos, aquela velha história de "não deixar o outro ser responsável pela sua felicidade" é muito real. Também ama mudanças e, em sua visão, todo término é um recomeço. Ter o geminiano na lista de casos antigos significa certeza de sempre poder conversar com ele —mas nada de amizade intensa, ok?

Câncer

O canceriano é sentimental e sensível, o que faz com se torne o ex que fica muito triste pelo rompimento. Entre os nascidos sob este signo, há quem demonstre mais tristeza do que outros, mas é certo que vai deixar claro o sentimento, em algum momento. No entanto, com ele também é 8 ou 80: pode fingir que nunca conheceu a pessoa ou agir como se nada tivesse rolado. Outra característica de Câncer é a tendência de retomar a relação, porque sempre se conecta aos relacionamentos passados.

Leão

O ex de Leão é do tipo que pode estar sem chão por dentro, mas se mostra sempre de cabeça em pé —há quem diga, inclusive, que o brilho leonino aumenta depois de um término. Se quem terminar a relação for o outro, pode-se esquecer a possibilidade de uma "volta" ou até um "remember", porque o nativo é do tipo que vira a página e não quer mais nada de sentimento. A relação entre ambos tende a ser cordial, mas sem amizade.

Virgem

O nativo de Virgem racionaliza o término. Independentemente do motivo que fez a relação chegar ao fim, reflete sobre o ocorrido, recorrendo à razão antes da emoção. Isso faz com que não sofra nem se arrependa. O virginiano pode até ser amigo do ex, desde que o término tenha sido tranquilo. Se foi conturbado, se afasta para sempre.

Libra

Quem é de Libra gosta de flertar, paquerar e sempre manter as relações íntimas quentes. Por isso, é muito provável que role um "remember" sem compromisso com o libriano. A convivência futura tende a ser de amizade com benefícios, ou seja, um ex-casal que fica junto de vez em quando.

Escorpião

O ex de Escorpião pode se tornar uma dor de cabeça, dependendo do decanato em que ele nasceu. Isso porque, mesmo se o relacionamento tiver sido bom, na hora do rompimento, as coisas podem ficar diferentes. O escorpiano é uma pessoa intensa e profunda, que pode bloquear e mesmo fingir que não conhece o parceiro antigo. E não há qualquer chance de nova relação, pois some no mapa.

Sagitário

Pode-se dizer que o sagitariano é o ex mais bem resolvido do zodíaco, pois provavelmente vai manter amizade, querer o bem, estar presente e entender o porquê do fim. Sagitário compreende que, se aquela pessoa foi tão importante em algum momento da vida, não há motivos para sentimentos ruins, mesmo se atitudes negativas tenham rolado no passado.

Capricórnio

O capricorniano é bastante prático, mas isso não significa que não tem sentimentos. O que acontece é que ele não se permite deixar o coração falar mais alto e atrapalhar seu dia a dia. Assim, foca no trabalho e segue seu rumo, evitando conversas desnecessárias, forçando cada um a ficar no seu canto.

Aquário

O nativo de Aquário é bem frio. Apesar de lamentar o fim, não vai "morrer" por causa disso. A forma de agir aquariana sempre foi se colocando em primeiro lugar, estando em relacionamentos ou não. Dependendo da situação, pode querer manter contato e até age como se nada nunca tivesse terminado. Se houver reclamação da outra parte, diz que só está puxando papo, sem interesse algum.

Peixes

O pisciano tende a ser avoado, está sempre sonhando e planejando o futuro. Quando o relacionamento acaba, todos os planos também acabam junto. Isso faz com que se torne o ex que sempre cogita volta. Quem é deste signo fica apegado à família e vai continuar por perto.

_________________________________________________Abandonar carreira para adotar irmãos foi melhor decisão da minha vida'

Sarah McDermott

BBC Stories

28/10/2021 10h06

Quando sua família estava em crise por causa do alcoolismo, Jemma Bere tomou uma decisão em uma fração de segundo que mudou o curso de sua vida: adotar os próprios irmãos.

Quando sua família enfrentava uma crise envolvendo alcoolismo e o futuro de duas crianças, a britânica Jemma Bere tomou uma decisão em uma fração de segundo que mudou o curso de sua vida: decidiu adotar seus dois meio-irmãos.

Em uma idade em que a maioria das pessoas está preocupada com relacionamentos e carreiras, a única questão importante para ela eram seus irmãos Alex e Billie.

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A infância de Jemma foi tudo menos convencional.

"Lembro-me de passar muito tempo em sacos de dormir olhando as estrelas", diz.

Montada em uma Land Rover azul e branco, a família viajou pela maior parte da Europa e outros continentes, passando por países como a Malásia ou a Tailândia.

"Minha mãe era definitivamente um espírito livre", diz Jemma. "Ela achou que seria uma experiência fantástica para mim ser educada na estrada, conhecendo novas pessoas."

Quando ela tinha 10 anos, Jemma falava vários idiomas. Um ano depois, a família morava em um frágil veleiro na costa mediterrânea da Turquia.

Quando o relacionamento de sua mãe com seu parceiro acabou, Jemma e Calvin, de quatro anos, voltaram com ela para Powys, no País de Gales, no Reino Unido.

"Acho que minha mãe gostou da ideia de ter uma cabana idílica com muitas crianças e cachorros, e rosas na porta", diz Jemma. E ela e minha avó eram muito próximas, então voltamos para Brecon."

Casamento da mãe e alcoolismo do padrasto

Quando Jemma estava no colégio, sua mãe, Jane, encontrou um novo parceiro, um pedreiro que todos conheciam como Shakey. O novo casal teve um menino e uma menina, Alex e Billie, 14 e 15 anos mais novos que Jemma.

"Shakey era muito carismático e acho que eles se amavam genuinamente", diz Jemma. "Mas meu padrasto bebia muito".

Shakey gostava de beber meio litro de cerveja depois do trabalho, mas, às vezes, bebia bem mais que isso.

Um dia, estava ficando tarde da noite e Jane estava preocupada. Jane tentou ligar para ele, mas não havia sinal ou ele simplesmente não atendia. Então ela entrou no carro e procurou por ele, deixando Jemma encarregada dos três irmãos.

"E eu não sabia quando ela voltaria", lembra Jemma.

Quando Jane começou a beber muito também, tudo começou a desmoronar.

"Eu voltava da escola e as tarefas domésticas, como limpar a cozinha depois do café da manhã, não estavam mais sendo feitas por ninguém em casa", diz ela.

Logo depois, em 2001, Jane e Shakey decidiram se mudar para a Andaluzia, no sul da Espanha.

Eles tiveram algumas dificuldades financeiras devido ao problema com a bebida de Shakey. Havia muito trabalho para os pedreiros na Espanha.

"Acho que foi como um novo começo", diz Jemma. "Pelo que percebi, os primeiros meses foram realmente positivos."

Jemma ficou no País de Gales com a avó, acreditando que poderia se mudar para a Espanha após as provas da escola, enquanto seu irmão mais novo, Calvin, foi morar com o pai.

Poucos meses depois, chegaram notícias devastadoras: sua mãe Jane sofrera um acidente de carro.

Jemma tentou ligar para Shakey para obter mais detalhes

Jemma tentou ligar para Shakey para obter mais detalhes, mas não obteve resposta do padrasto. Desesperada, ela fez bom uso de seu espanhol e começou a ligar para todos os hospitais do sul da Espanha para encontrar a mãe.

Quando finalmente conseguiu falar com Shakey, ele estava em um estado terrível. Eles estavam atravessando uma rua tranquila a pé quando Jane foi atropelada por um caminhão em alta velocidade. Ela morreu horas depois: tinha apenas 40 anos.

"Eu me senti completamente perdida", diz Jemma. "Como se eu estivesse no mar sem âncora nem bússola, sem nada."

Faculdade e irmãos na Espanha

Após o funeral de Jane em Brecon, Shakey voltou para a Espanha com Alex e Billie.

"Isso surpreendeu muita gente", diz Jemma, "mas acho que parte dele estava fazendo isso porque minha mãe foi feliz lá."

Jemma ainda estava pensando em se juntar a eles na Espanha, mas, como tinha ido bem nas provas da escola, ela agora tinha outras opções também.

"Decidi ir para a faculdade, em parte porque acho que era isso que minha mãe desejava", diz ela.

A cada férias, Jemma procurava o voo mais barato para a Espanha, o que dava a seus amigos da faculdade a impressão de que ela estava levando um estilo de vida festeiro. "Não era bem assim", diz.

Shakey e as crianças viviam em uma comunidade pequena e unida: todos o conheciam porque ele bebia o tempo todo nos bares da cidade. Quando Jemma o visitou, era óbvio que ele não estava lidando bem com a situação.

Ele trabalhava em obras e gastava tudo o que ganhava no bar. Às vezes ficava dias desaparecido depois de sair para comprar cigarros.

Embora estivesse se tornando cada vez mais dependente do álcool, Shakey não estava disposto a procurar ajuda.

"Tínhamos discussões frequentes sobre o seu alcoolismo quando eu fui lá. Ele não aceitou que tivesse um problema, estava completamente em estado de negação", diz Jemma.

"Acho que ele realmente pensou que estava fazendo o melhor que podia em circunstâncias realmente difíceis. Mas ele estava passando mais tempo no bar do que com as crianças."

Durante o período escolar, enquanto Jemma estava na faculdade, Marisa, uma babá que Shakey contratou para ajudá-lo com os filhos, manteve a situação sob controle.

"Ela conseguiu que eles fossem para uma escola em espanhol", diz Jemma. "E foi absolutamente maravilhoso, ela os adorava."

Mas a mãe de Marisa adoeceu e ela teve que voltar imediatamente para a Argentina.

Decisão difícil

Algumas semanas depois, Jemma recebeu uma ligação informando que Alex e Billie haviam sido levados pelo serviço social.

"Fiquei com o coração partido, mas não muito surpresa", conta.

Jemma viajou para a Espanha imediatamente. O serviço social disse que Shakey teria de ficar sóbrio por três meses, manter um emprego por pelo mesmo período e conseguir uma casa se quisesse ter alguma chance de ter os filhos de volta.

Desde que as crianças foram levadas, ele atrasou o aluguel e perdeu a casa. Jemma o ajudou a encontrar um emprego e um lugar para morar. Mas ele não conseguiu parar de beber.

"Acho que ele sabia que era alcoólatra, mas nunca o ouvi admitir essa situação em voz alta", diz ela. "Ele não conseguia parar".

Três meses depois, as autoridades espanholas disseram a Jemma que, a menos que alguém da família pudesse cuidar de Alex e Billie, eles seriam colocados para adoção. Não havia garantia de que eles seriam mantidos juntos ou que ficassem com uma família que falasse a língua inglesa.

Havia até a possibilidade de que Jemma não pudesse mais vê-los.

"E eu me ouvi dizendo: 'Bem, então eu vou cuidar deles, mande-me os formulários.'"

Jemma desligou o telefone e logo começou a se perguntar o que tinha acabado de fazer.

"Não sei se estava tudo bem nem se eu era a pessoa certa para fazer isso. Eu estava preocupada em tirá-los de um idioma e de uma cultura que eles conheciam... Pessoas que adotam crianças podem ter muito dinheiro, eles podiam ter casas bonitas, e eu não tinha 

e eu não tinha absolutamente nada."

Para começar, a família de Jemma não conseguia acreditar em sua decisão: fazia apenas seis meses que ela tinha se formado.

"Eles estavam tão bravos com Shakey que não entenderam por que eu tive que 'jogar fora minha vida' para corrigir um problema que ele havia criado", diz. "Eles usaram essa frase, mas eu nunca vi as coisas dessa forma."

Jemma tinha apenas 23 anos e todos estavam preocupados, dizendo que "ela não sabia no que estava se metendo".

O processo de adoção formal foi longo e complexo. Ao longo dos 18 meses de processo, Jemma foi repetidamente advertida de que as chances de obter a custódia dos meio-irmãos eram mínimas.

"Disseram-me que não iria conseguir porque não tinha uma casa, ou não tinha isto ou aquilo", recorda.

Jemma se mudou para Brecon, porque sentiu que era o lugar certo para viver caso ela conseguisse a custódia, enquanto, na Espanha, Alex e Billie foram transferidos para um orfanato católico tradicional e extremamente rígido. Até hoje, ver as freiras ainda faz as crianças estremecer, diz Jemma.

Ela não contou a eles o que estava tentando fazer. "Eu não queria que eles tivessem muitas esperanças. E nessa época, eles pararam de perguntar se iam para casa ou não."

Volta para o Reino Unido

Finalmente, em uma tarde ensolarada de julho, o advogado de adoção ligou para dizer que ela poderia ir à Espanha buscar Alex e Billie.

"Realmente não consigo descrever a sensação: alívio, excitação, medo ou provavelmente tudo isso junto", diz.

Em questão de dias, Jemma organizou uma nova casa e a mobiliou com a ajuda do cartão de crédito que sua mãe lhe deu para usar "apenas em caso de emergência".

Alex e Billie ainda não tinham ideia do que estava para acontecer. "Eles ficaram absolutamente maravilhados com a notícia da adoção", disse Jemma. "Foi incrível, mas acho que eles também não acreditaram imediatamente, porque haviam se decepcionado muitas vezes."

Aos 24 anos, Jemma era responsável por dois filhos (e meio-irmãos), de oito e nove anos.

Economicamente, as coisas estavam difíceis. Jemma não podia trabalhar nem pagar uma creche. E como ela ainda não era a tutora legal de Alex e Billie, não tinha direito a programas de assistência social. Nos primeiros seis meses, os três tiveram que viver com 90 libras (cerca de R$ 690) por semana, valor bastante baixo para o custo de vida no Reino Unido.

"Foram tempos felizes", lembra Jemma, "mas também muito pobres."

Para começar, Alex e Billie sempre ficavam "grudados" um no outro.

"Um dos sinais positivos foi quando eles começaram a discutir entre si", diz Jemma. "Achei um bom sinal o fato de estarem crescendo de forma independente."

Eles haviam esquecido a maior parte do inglês que sabiam antes de ir para a Espanha, mas um curso de ensino do idioma que Jemma havia feito na faculdade de repente veio a calhar. Ela postou bilhetes pela casa, em inglês e espanhol, para ajudar as crianças a se lembrarem das palavras que haviam esquecido.

A maternidade era um trabalho muito difícil. "Há tantas coisas a fazer. Você não tem tempo de parar e pensar sobre isso", diz. E crianças podem ser difíceis.

"Houve momentos em que pensei: 'Eu queria que minha mãe estivesse aqui, porque me lembro de ter feito isso com ela e sinto muito.'"

Ponto de virada

Demorou um ano para Jemma se tornar legalmente a mãe das crianças. Isso marcou um ponto de virada para Alex e Billie, que se acostumaram tanto a mudanças que não achavam que poderiam ficar com Jemma para sempre.

Demorou o mesmo tempo para Jemma se sentir confortável para sair à noite. E estar em um relacionamento não era algo que ela sequer considerasse. "Namorar alguém não estava no meu radar por muito tempo, não até que as crianças tivessem cerca de 16 anos", diz.

Ela teve que lutar contra a culpa quando começou a trabalhar em tempo integral para a Autoridade do Parque Nacional de Brecon Beacons.

"Eles estavam cientes de como eu lutei muito para que eles estivessem aqui", diz Jemma. "Se eu estava gastando tempo trabalhando ou se estava cansada demais para lidar com o que quer que eles queriam, isso realmente me custou muito."

A certa altura, Shakey voltou da Espanha para o Reino Unido. Ele estava morando em um abrigo para sem-teto em Swansea, no País de Gales, quando Jemma o visitou em 2017.

"Ele havia perdido todo o seu brilho e malícia", conta. "Acho que ele se arrependeu muito. Mas o que digo é que o pai deles não era um homem mau, só estava muito doente."

Shakey continuou bebendo, e morreu em 2018.

Agora que Alex e Billie têm quase a mesma idade que ela tinha quando decidiu adotá-los, Jemma diz entender por que algumas pessoas achavam que ela estava cometendo um erro.

"Se Alex e Billie me dissessem que iam adotar duas crianças, eu iria ficar muito brava", diz rindo.

Mas ela tem muito orgulho deles.

"Eles passaram por tanta coisa. Eles poderiam ter seguido uma direção completamente diferente, mas são seres humanos justos e encantadores."

Ambos herdaram a paixão da mãe por ver o mundo. Depois dos exames do ensino médio, Alex viajou pela Nova Zelândia por um ano e depois trabalhou como instrutor de snowboard no Canadá, enquanto Billie estudava turismo na faculdade.

E com o tempo, Jemma começou a se sentir menos como uma mãe e mais como uma irmã.

"Eu sou uma irmã mais velha, mas com superpoderes adicionais. Acho que essa é provavelmente a melhor maneira de descrever essa relação", diz ela.

Outra mudança é que estranhos não ficam tão perplexos hoje em dia quando conhecem a família.

"Quando eles e eu éramos mais novos, as pessoas frequentemente me perguntavam quantos anos eu tinha e quantos anos as crianças tinham, e eu podia vê-los fazendo as contas de cabeça e erguendo uma sobrancelha", diz Jemma.

Aos 38 anos, Jemma agora tem uma casa só para ela e muito menos roupas para lavar. Ela está namorando há sete anos, mas diz que nunca quis ter filhos. No entanto, criar seus irmãos é algo de que ela não se arrepende.

"É a melhor decisão que já tomei", diz.

_________________________________________________PLUTOCRACIA: André Esteves (BTG Pactual) descreve em áudio como monta o “Inside Job” no Brasil - Roberto Moraes

Por Roberto Moraes

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O furo de reportagem do Portal 247 (aqui) que trouxe com a divulgação do áudio do banqueiro André Esteves em reuniões com investidores permite uma série de leituras em várias dimensões e profundidade. Link do áudio no Youtube: https://youtu.be/vwrSOb3m3sE

Uma primeira é no campo da política com as opiniões dele (setor financeiro da Faria Lima) sobre a pauta política no Brasil, sobre as eleições de 2022, sobre os candidatos e suas preferências. E ainda como este setor intervém sobre poder político, judiciário, mídia, etc. no Brasil atual.

Certamente este é o ponto do áudio que já gera e vai continuar gerando maior repercussão e produzirá ainda muitas discussões e debates. O banqueiro André Esteves fala como quem tem autoridade e muito poder e também expõe claramente a submissão que conquistou junto ao poder político, tanto o Executivo quanto o Legislativo. As pesquisas frequentes (quanti e quali) que banca – e que custa muito dinheiro - já é uma referência sobre como joga o “jogo do poder”.

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Esteves deixa claro que hoje a Faria Lima tem maior interlocução com o Centrão de Arthur Lira, do que com os tucanos, que antes atuavam, basicamente, como os intermediários entre o mundo das finanças da avenida Paulista e o poder político central em Brasília.

Porém, escolhi chamar a atenção para uma outra dimensão da fala do banqueiro André Esteves: o modus operandi do setor financeiro no Brasil atual. O dono do BTG Pactual diz que o Brasil está entrando tardiamente - 20 anos depois – no esquema global da securitização das finanças. A máquina das dívidas que ganha mais no volume de endividamento e não apenas nos juros antes mais altos.

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Esteves dá uma explicação muito clara sobre como o Brasil financeiro se insere tardiamente no que ele chama de movimento global “Financial Deep”, ou aprofundamento da financeirização. Ou seja, André fala como está sendo implantado aqui no Brasil, o conjunto de inovações financeiras através de múltiplos tipos de derivativos de forma semelhante ao que foi feito no entorno da virada de século nos EUA e centro do capitalismo. Um processo que cresce a partir de 2001 de forma completamente desregulada. O dono do Pactual deixa claro que é nessa linha que estão sendo implementadas mudanças na intermediação financeira (tardia) no Brasil.

O mais interessante deste processo é que André Esteves deixa ainda muito claro, quem são os agentes e que mudanças são essas nos processos de intermediação financeira em curso no país, com a implantação destas inovações, mais papeis, meios digitais, etc. no mercado.

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Entre outras coisas, estes agente buscam ampliar a integração do mercado de ações e fundos financeiros (Anbima), Bolsa e bancos tradicionais, etc. para que estas inovações garantam maior capacidade de lucros e acumulação para o setor financeiro brasileiro.

Esteves expõe uma autossuficiência que só parece embutida na fala de quem tem realmente poder. Na maior parte das respostas o dono do BTG não fala de projetos, mas de transformações em curso. Esteves descreve a integração de uma “cadeia’ que é muito semelhante àquela que é descrita no documentário Inside Job (2010), que descortinou as estratégias e ações sobre como o setor financeiro americano (integrado a outros mercados) produziu a crise do subprime em 2008 em todo o mundo, a partir dos EUA e de uma completa desregulação, ou mesmo farra com as inovações financeiras através de papeis e derivativos.

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O impactante filme Inside Job mostrou os mecanismos de aprofundamento do lançamento de “inovações financeiras”, controle do poder político (Deep State) e controle de instituições e poder judiciário que permitisse essa “autoregulação” do setor financeiro que a Anbima tem defendido abertamente no Brasil.  

De certa forma André Esteves descreve como pensa a “cadeia alimentar da securitização” no Brasil, de forma similar à “Securitization Food Chain” implantada nos EUA. De certa forma, aí André Estrves localiza o seu banco, o BTG Pactual onde tem o projeto de que ele possa assumir o papel de um novo BNDES, só que privado como são os bancos de investimentos americanos (Goldman Sachs, Morgan Stanley, Lehman Brothers, Meril Lynch).

Não é difícil imaginar como hoje Esteves desenha institucionalmente esta cadeia de securitização no Brasil, assim como ele vê a relação do seu e demais bancos e fundos de investimentos privados nacionais com os bancos tradicionais. De forma similar à articulação dos bancos de investimentos com os conglomerados financeiros americanos: CitiGroup e JP Morgan entre outros. E também, a relação entre as seguradoras e as agências de rating. Estas últimas que atuam no Brasil fariam o trabalho de controlar e monitorar esta cadeia de securitização brasileira para o andar de cima.

Esteves diz abertamente que o Brasil já tem “um dos mercado de capitais mais vibrantes do mundo”. Não diz, mas se sabe, que os donos dos dinheiros, se orgulham de atuarem de forma autorregulada, sem poder de fato da CVM e nem do Banco Central, cujo presidente, Campos Neto, Esteves confessa no mesmo áudio, que lhe pede opiniões e sugestões na articulação deste “Inside Job tupiniquim”, que para ele é parte da implantação da “modernização e aprofundamento das inovações financeiras na linha do Financial Deep global.

Há muito mais a ser ainda compreendido a partir deste áudio. Na prática ele pode ser visto como uma miniaula (empírica) sobre o mundo real dos farialimers e de como o setor financeiro vem controlando a política e garantindo a hegemonia deste setor em nossas vidas.


_________________________________________________PLUTOCRACIA: "Áudio de André Esteves mostrou a BURGUESIA BRASILEIRA em NU_FRONTAL", diz Rui Costa Pimenta

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247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, em entrevista à TV 247, comentou a conversa, vazada em gravação, do dono do BTG Pactual, o banqueiro André Esteves, com seus clientes. De acordo com ele, o áudio “mostrou a nossa burguesia financeira em nu frontal”, pois revelou uma série de aspectos sobre o funcionamento da sociedade.

O áudio, segundo Rui, “é muito esclarecedor” para o público amplo, pois “mostra as relações promíscuas entre o capital, que é uma entidade privada, e o Estado. O controle que o capital financeiro tem sobre o Estado”.

Na gravação vazada, Esteves fala como se ele fosse o verdadeiro chefe do Banco Central (tornado “independente” com o golpe de 2016) e dos Três Poderes da República. “Revela claramente o que é a democracia capitalista: o controle dos bancos sobre o Estado. Ele falou um monte de coisas que mostram essa relação absurda”, diz Rui.

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O presidente do PCO ainda lembrou que o banqueiro “não fala como entidade privada, ele praticamente fala como se ele fosse parte do Estado nacional”.

_________________________________________________PLUTOCRACIA: 

André Esteves diz estar inconformado com a repercussão de seu áudio, em que ele fala como dono do Brasil e de Bolsonaro

André Esteves
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247 – O jornal Valor Econômico publicou longa coluna de Maria Cristina Fernandes, editora do jornal, em que tratou o banqueiro André Esteves como "um pedagogo que não aprende". Foi uma crítica sutil ao empresário por falar demais, feita pelo jornal, que também lembrou que ele foi preso no passado por supostamente cometer os mesmos pecados. No áudio publicado pelo 247, ele se jacta de exercer forte influência sobre a Câmara dos Deputados, o Banco Central e o Supremo Tribunal Federal. Além disso, praticamente confessou que ajudou a operar o golpe de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff – golpe que colocou milhões de brasileiros na fome e na miséria, levando a jornalista Cristina Serra a dizer que seu áudio revela um Brasil refém de meia dúzia de espertalhões.

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No Valor, Maria Cristina Fernandes também relata que Esteves estaria indignado. "André Esteves está em Riad, capital da Arábia Saudita, para encontro de investidores. A interlocutores manifestou inconformidade com a repercussão da palestra, vazada pelo site 247. Disse que se limitou a dar sua opinião - aos clientes e às autoridades que o procuraram", escreve.

_________________________________________________PLUTOCRACIA: Áudio de André Esteves revolta porque revela a força do poder não eleito, maior do que a do poder eleito - Leonardo Attuch

Por Leonardo Attuch

André Esteves
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O áudio do banqueiro André Esteves, publicado em primeira mão pela TV 247, tem provocado intensa repercussão porque representa, como bem definiu meu colega Rodrigo Vianna, um striptease involuntário de um dos donos do Brasil, que é também um dos reis da Faria Lima, em São Paulo. Esteves tirou as vestes porque estava cercado por fãs e por um cordão de puxa-sacos endinheirados numa conferência interna chamada "Future Leaders", dedicada a clientes e filhos de grandes empresários. Talvez inebriado pelos aplausos, o banqueiro não teve a prudência necessária para se conter. Faltou sabedoria.

Na fala, ele revela como determina a agenda econômica do Congresso Nacional, como o Banco Central praticamente come na sua mão para definir a taxa de juros e como "educa" até o Supremo Tribunal Federal para promover mudanças institucionais importantes, como a independência do Banco Central. Sobre este tema, Esteves se jacta de que poderá manter seu poder até mesmo num eventual governo Lula, "porque teremos mais dois anos de Roberto Campos Neto". Curiosamente, o banqueiro trata a gestão de Campos Neto como um sucesso, sem levar em conta que a inflação de dois dígitos, duas vezes maior do que a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, tem empurrado milhões de brasileiros para a fome e a miséria.

O que revolta, em seu áudio, é a demonstração da força do poder não eleito, maior do que a do poder eleito. Ao falar sobre o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff, que, segundo ele, "perdeu a calculadora", o banqueiro praticamente confessa que os empresários que, como ele, se uniram para derrubá-la, agiram da mesma forma que os golpistas que solaparam a democracia em 1964, jogando o Brasil num período de trevas que durou 21 anos. Depois do golpe dos "farialimers", as trevas já duram cinco anos. Quando Dilma calculava, o Brasil deixou o mapa da fome, alcançou o menor desemprego da história e reduziu a desigualdade. Depois que meia dúzia de espertalhões sequestraram o Brasil, como definiu a jornalista Cristina Serra, o resultado de suas calculadoras foi muito lucro pessoal, mas também fome, miséria, destruição da cultura, da identidade e da imagem do Brasil.

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O que também é pedagógico no áudio de André Esteves são as gargalhadas da plateia. As risadas revelam que o Brasil tem muitos candidatos a golpistas em 2040, 2050 ou quiçá 2060. A idolatria ao banqueiro demonstra que ele é admirado justamente por se mostrar como o mais capaz de usar o dinheiro para sequestrar a democracia e a soberania popular. O mais esperto. O mais fodão. 

Como consequência da divulgação do áudio, pode ser que nada aconteça, porque o Brasil hoje é governado por Marias Antonietas e o país, aparentemente, tem um povo manso e instituições corrompidas por seus plutocratas. Pode ser até que o BTG Pactual atraia mais clientes por reinar nesta desordem. Até agora, de concreto, há apenas um pedido de convocação de Roberto Campos Neto, que, segundo o líder do Partido dos Trabalhadores, deputado Bohn Gass (PT-RS), tratava André Esteves como chefe, e não como um banqueiro regulado pelo Banco Central.

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Ocorre que a soberba nunca é boa conselheira. Por isso mesmo, a editora do Valor Econômico, Maria Cristina Fernandes, definiu André Esteves como "um pedagogo que não aprende". Foi um recado sutil, como se o poder mais antigo dissesse que os jovens poderosos devem, antes de tudo, esconder o seu poder – e jamais exibi-lo.

_________________________________________________PLUTOCRACIA: O áudio de André Esteves e o impressionante relato do banqueiro que compra amizades nos poderes da república - Joaquim de Carvalho

Por Joaquim de Carvalho

André Esteves, Arthur Lira e Roberto Campos Neto
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O que André Esteves disse no áudio vazado que o 247 publicou com exclusividade não é um ponto fora da curva quando se trata da relação de banqueiros com os poderes da república.

Esteves afirmou que recebeu telefonema do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para dizer qual seria o piso ideal da taxa de juros no país.

Também comentou que recebeu telefonema do presidente da Câmara, Arthur Lira, que queria saber o que ele pensava do pedido de demissão de quatro secretários do Ministério da Economia, na semana passada.

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"Arthur, vou dar uma palestra agora à tarde. Se quiser, dá um pulo aí”, teria respondido ele, segundo contou no áudio.

O mais grave é a influência que disse ter tido no julgamento da ação que declarava inconstitucional a lei que deu independência ao Banco Central.

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"Teve essa discussão de Banco Central independente, foi importantíssimo conversar com ministros do Supremo, explicar. Pô, o cara não é obrigado a nascer sabendo”, disse.

Só Ricardo Lewandowski e Rosa Weber votaram contra o texto aprovado pelo Congresso Nacional. Oito ministros julgaram de acordo com o que Esteves considerava correto.

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A influência decisiva dos banqueiros em temas de interesse público vem de longe, o que torna preciso o termo “plutocracia" para definir o regime político do Brasil.

O ex-deputado Pedro Corrêa, que presidiu o PP por muitos anos, contou em delação que viu o então controlador do Itaú comprar deputados para aprovação da emenda da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1997.

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"Olavo Setubal dava bilhetes a parlamentares que acabavam de votar, para que se encaminhassem a um doleiro em Brasília e recebessem propinas em dólares americanos”, disse ele aos procuradores da Lava Jato, em 2016.

A denúncia nunca foi devidamente investigada.

Na época, FHC rebateu o relato, assim como o sucessor de Olavo Setúbal, Roberto. Mas o próprio Fernando Henrique contou, em seu livro de memórias que, no dia da votação da emenda da reeleição, Olavo Setúbal estava mobilizadíssimo.

“Olavo Setúbal e outros mais estavam bastante agradados pela maneira como fui ao Itamaraty, sem maiores preocupações, disseram que era espantoso eu não estar tenso nem estar só por conta da reeleição naquele dia.”

Ao que parece, FHC não precisava passar aquele dia “só por conta da reeleição”. A julgar pelo que disse Pedro Corrêa, outros trabalhavam por ele, entre eles o banqueiro.

Ou será que, no fundo, FHC é que trabalhava para ele? Parece que esta frase faz mais sentido.

E faz mesmo quando se lê a entrevista que o CEO de um banco deu ao sociólogo Jessé Souza, para o livro “A Classe Média no Espelho”. 

"Todo mundo tem um preço. Até hoje não conheci quem não tivesse. E para todo negócio é necessário uma informação privilegiada aqui, um amigo no Banco Central ali, uma sentença comprada ali ou a influência de um ministro em Brasília acolá”, afirmou ele.

Jessé preservou o nome do banqueiro — era a condição para que a entrevista fosse realizada, parte de um estudo científico.

Graças a essa entrevista, ficamos sabendo como o banqueiro opera. As conversas com autoridades e os chamados formadores de opinião não são inocentes ou desinteressadas.

"Além da compra direta, em dinheiro vivo ou depósito no exterior, a gente tem que paparicar constantemente os caras. Uma forma eficaz são os presentes constantes, sem a expectativa imediata de contrafavores. Isso gera simpatia. Às vezes você ganha até um ‘amigo’", revelou.

O resultado é a construção de um arcabouço legal para práticas que, em outros tempos, poderiam resultar até em cadeia.

Sonegação, por exemplo, não dá cadeia no Brasil, embora o Código Tributário Nacional, de 1966, admita apenas uma hipótese para a não aplicação da pena, a de que o débito seja quitado até a abertura do processo.

Julgamentos nos tribunais superiores mudaram esse entendimento. A pena é extinta a qualquer tempo antes da prolação da sentença. Com isso, sonegar virou um bom negócio no Brasil para grandes contribuintes.

Leia o que disse o banqueiro ao sociólogo que é autor do clássico “A Elite do Atraso”:

"Nosso lucro é legal, ou seja, legalizado, já que somos intocáveis e ninguém se mete conosco. Boa parte dos juízes e ministros de tribunais superiores, como todo mundo no meio sabe, advogam por interposta pessoa, e nós somos os principais clientes de alguns e de quem paga melhor. São os bancos que pagam as eleições do Congresso quase inteiro. Aí você pode legalizar qualquer coisa, qualquer papel sujo que a gente mande ao Congresso os caras assinam. Nesse contexto, onde se pode tudo, as operações abertamente ilegais são uma parte menor dos lucros, mas obviamente existem.”

Mais do que o bolsonarismo, o Brasil precisa enfrentar e vencer a plutocracia, porque aquele é, de certa forma, filho desta.

_________________________________________________PLUTOCRACIA: Banqueiro do BTG mostra Brasil capturado pelo rentismo - Jeferson Miola

Por Jeferson Miola 25 de outubro de 2021, 20:29

André Esteves
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A palestra do banqueiro André Esteves a clientes especiais do BTG Pactual é uma peça de valor etnográfico. Revela traços constitutivos das oligarquias dominantes.

Esteves revela muito sobre a perspectiva desta classe esbulhadora que, embora represente menos de 3% da população brasileira, é quem exerce, de fato, o poder político real e quem define o prazo de validade de governos. Atuou na destituição golpista da presidente Dilma e hoje livra Bolsonaro do impeachment.

Com seu dinheiro, garante hegemonia nas instituições e nos poderes da República – além, claro, de controlar editorialmente a mídia hegemônica. Não por acaso, elogia o chamado “centrão” que, “apesar do caráter fisiológico, nos mantém republicanos” [sic].

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Esteves retrata o presidente da Câmara dos Deputados como um vassalo a seu dispor. Lira – ou simplesmente “Arthur”, como Esteves prefere – é retratado como o serviçal que, nas crises, se socorre da orientação do rentismo para definir a posição do Legislativo.

Esteves trata o ministro offshore – que é um dos fundadores do BTG Pactual – por “Paulo”, e comenta como absolutamente natural que Roberto Campos Neto, o presidente do Banco Central do Brasil, se aconselhe com ele sobre a taxa de juros que o BC deve adotar!

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Isso é tão extravagante como um juiz de futebol combinar previamente com o presidente de um time sobre o resultado do jogo que vai arbitrar. Aliás, Esteves avisou sua plateia que haverá aumento dos juros na próxima reunião do COPOM.

A mais alta Corte judicial do país também não é imune aos tentáculos e à influência do banqueiro. Esteves disse que “foi importantíssimo conversar com ministro do STF e explicar” a independência do BC.

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Pô, ministro do STF não nasce sabendo”, disse ele, para em seguida esclarecer que ensinou a integrantes da Suprema Corte que “Banco Central independente tem nos EUA, Japão e Inglaterra, mas não tem na Venezuela e na Argentina. Em qual grupo a gente precisa estar?”. E então a seleta plateia, feito hiena, caiu na gargalhada com o humor irônico.

Esteves explica o valor estratégico da “independência do BC” para o rentismo. Com “Lula eleito, vamos ter dois anos de Roberto Campos no Banco Central, o que é muito bom pro Brasil”, diz ele, certificando a natureza des-democratizadora do neoliberalismo, que transforma eleição em mero adereço de democracias formais, de fachada.

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Além de admitir que “a previdência foi uma conquista nossa, da sociedade” [sic], o dono do BTG também assumiu a paternidade da Emenda Constitucional [EC] do teto dos gastos.

Como se sabe, esta EC representou o pacto das oligarquias para oportunizar o aumento da apropriação dos fundos públicos pelo rentismo em prejuízo da maioria da população, sacrificada com cortes em áreas essenciais como SUS, educação e políticas sociais.

Para a animada plateia, Esteves disse que “o teto de gastos é uma tentativa muito criativa do Henrique Meirelles e do nosso sócio Eduardo Guardia e do próprio Mansueto para dar uma âncora fiscal para o brasil”.

A partir do golpe de 2016, estes personagens citados atuaram como “cavalos de Tróia” do capital financeiro dentro do governo federal, onde promoveram ajustes para aperfeiçoar o arcabouço institucional benéfico à rapinagem. Depois de completado o serviço, retornaram à orgia financeira no BTG Pactual, então como sócios do próprio André Esteves.

A palestra do Esteves é uma aula prática sobre a dominação capitalista; evidencia o processo de captura do Estado pelas facções hegemônicas do capital.

Em pouco mais de uma hora, Esteves não demonstra absolutamente nenhuma comoção com o morticínio – evitável – equivalente a perdas humanas de mais de 10 guerras do Paraguai, que durou 6 anos.

Ele também não esboça nenhum incômodo com o entreguismo, com a perda de soberania nacional e tampouco se preocupa com o papel central e dirigente do “partido dos generais”.

Na visão dele, que abusou do uso de expressões da língua inglesa, o Brasil é a sociedade mais parecida com os EUA, porque “feita de imigrantes”: “Somos muito mais americanos que latino-americanos”, arrematou ele, reproduzindo o apagamento histórico dos pilares da construção da identidade do Brasil: os povos originários e os povos negros traficados e escravizados.

A catástrofe humanitária, a corrupção generalizada, o desemprego, a fome, a ameaça autoritária e de escalada fascista-militar não têm lugar no vocabulário do banqueiro. Afinal, “o Brasil tem um dos mercados de capitais mais vibrantes do mundo”.

Como a saúde do mercado é um valor em si e para si e “o povo que se exploda”, Bolsonaro é digerido como uma espécie de “incômodo necessário”.

Apesar de entender que “Eduardo Leite é um produto eleitoral com maiores novidades”, Esteves aposta que “se Bolsonaro ficar calado, consegue trazer novamente tranquilidade institucional pro establishment empresarial, financeiro, da classe média urbana, formadores de opinião, e ele ganha”.

Se em relação a Bolsonaro o banqueiro não apresenta maiores objeções, ele é expansivo nos preconceitos em relação a Lula e, principalmente, ao PT, vocalizando um entendimento que funciona como uma espécie de ordem unida das oligarquias que não têm um projeto a favor do Brasil, só um plano anti-Lula.

O banqueiro do BTG Pactual mostra a realidade de um país capturado pelo rentismo e cujas Forças Armadas atuam como guarda pretoriana dos promotores do mais ambicioso processo de pilhagem jamais visto desde a invasão do território brasileiro pelos invasores europeus.

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