____________________* TERRA ARRASADA * Documentário - O NEOLIBERALISMO e a TERRA ARRASADA: a ARGENTINA como ESPELHO do BRASIL - Jair de Souza
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_________________________________________________TERRA ARRASADA * Documentário O neoliberalismo e a TERRA ARRASADA: a ARGENTINA como ESPELHO do BRASIL - Jair de Souza _________________________________________________CHILE, laboratório de EXPERIÊNCIAS POLÍTICAS da América Latina _________________________________________________Candidato de EXTREMA DIREITA assume LIDERANÇA de PESQUISAS para presidente do CHILE _________________________________________________HUNGRIA mostra como DESTRONAR um AUTOCRATA * Oposição do país fez a LIÇÃO de casa para ENFRENTAR Orbán _________________________________________________'Guerra dos formatos': as mídias musicais que 'faliram' e você nem percebeu _________________________________________________
_________________________________________________BRIGADEIRO de CASCA de BANANA
Veja mais em https://www.uol.com.br/nossa/cozinha/receitas/2021/10/27/brigadeiro-de-casca-de-banana.htm?cmpid=copiaecola
_________________________________________________Com vacinação em queda histórica, programa está sem comando há 4 meses
Rafael Neves Do UOL, em Brasília 05/11/2021 04h00
Criado há quase meio século para expandir o acesso à vacinação no Brasil, o PNI (Programa Nacional de Imunizações), do Ministério da Saúde, está há praticamente quatro meses sem chefia. O vácuo de comando no órgão, que não tem um titular desde o dia 7 de julho, ocorre não apenas durante a pandemia de covid-19, mas em um momento de queda das coberturas vacinais no país ao nível da década de 1980.
Especialistas ouvidos pelo UOL consideram que a demora em nomear um novo coordenador mostra falta de preocupação do governo e que é urgente resolver o problema.
Queda em taxas de vacinação deve 'ressuscitar' doenças erradicadas do país
As taxas de vacinação de doenças como meningite, hepatite B e paralisia infantil, que estavam próximas de 100% até 2015, caíram para menos de 80% no ano passado. Para os infectologistas, o risco de ressurgimento de doenças é real.
"Eu não tenho muita dúvida de que essa demora na nomeação atrapalha, porque você vê que isso não é prioridade para as autoridades. Se fosse prioridade, a pessoa sairia do cargo num dia e já se começaria a buscar novos nomes. A gente não vê isso", afirma Rosana Richtmann, coordenadora do Comitê de Imunizações da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).
Com a saída dela, o cargo foi ocupado provisoriamente por uma assessora técnica. Só depois de três meses, no dia 6 de outubro, um novo coordenador foi nomeado: era o pediatra Ricardo Queiroz Gurgel, professor da UFS (Universidade Federal de Sergipe).
Gurgel, porém, jamais tomou posse. Após semanas de espera sem um contato do ministério, ele foi por conta própria a Brasília e descobriu que não assumiria mais a função.
"Cheguei ao ministério e fiquei esperando a chegada do secretário [de vigilância e saúde, Arnaldo Correia de Medeiros]. Mas disseram que ele estava afastado, por motivo de saúde, e veio um substituto. E essa pessoa que o substituiu me comunicou que não ia ter posse. Mas não disse o motivo", contou Gurgel.
Para aparecer no DOU (Diário Oficial da União) como novo coordenador do PNI, Gurgel precisou ser cedido ao ministério pela UFS. Como a nomeação não foi revogada, o pediatra também não conseguiu reassumir seu posto na universidade até o momento. O UOL perguntou ao ministério a razão do recuo, mas a pasta se recusou a esclarecer.
"O corpo técnico do PNI é muito bom. São pessoas dedicadas, que trabalham há muitos anos, e o nosso programa é consolidado e conceituado. Mas essa insegurança, por todo esse tempo sem comando, deve atrapalhar, sem dúvida", diz Gurgel.
"Qualquer programa de saúde, em qualquer país no mundo, fica difícil de ser seguido sem coordenação e orientações centralizadas. É urgente, já passou da hora de a gente ter um coordenador", cobra o infectologista Renato Kfouri, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).
Além de não esclarecer os motivos do rompimento com Gurgel, o ministério também não informou quando pretende nomear um novo titular. Em nota enviada ao UOL, a pasta informou apenas que uma servidora de carreira, Greice Ikeda, tem atuado como coordenadora substituta.
A adesão à campanha, porém, ficou abaixo do esperado, e a mobilização acabou estendida até o final de novembro. Para os especialistas, a necessidade de prorrogação dos trabalhos é fruto de um dos principais fatores que, segundo eles, têm prejudicado a cobertura vacinal no país: a falta de comunicação.
"A comunicação com a população é muito ruim. Nós acabamos de ter uma campanha de multivacinação e ninguém soube disso. Esta comunicação, que tem ocorrido com tudo o que envolve a covid, eu não vejo nem de perto um esforço semelhante sobre os riscos das outras doenças", afirma Rosana Richtmann, que representa a SBI na câmara técnica de imunização do ministério.
Os infectologistas destacam, contudo, outros fatores que podem ajudar a explicar os números. Houve queda na cobertura vacinal dos nove imunizantes que exigem pelo menos uma dose em crianças de até um ano (veja infográfico abaixo).
Um dos principais motivos da baixa, segundo os especialistas, é um possível descuido da população diante de doenças que eram temidas décadas atrás, mas que foram praticamente erradicadas.
"A situação é diferente do passado, quando as pessoas conviviam com essas doenças e viviam com medo de o filho morrer de doenças gravíssimas. Mas o sucesso das vacinas inibiu essa cautela e provocou um relaxamento na busca pela vacinação", explica Renato Kfouri, da SBIm.
"De certa forma, as vacinas são vítimas de seu próprio sucesso", diz Richtmann. Para a infectologista, a erradicação de algumas doenças fez com que elas ficassem abstratas para a população. "Como é que uma mãe ou um pai vai ter a percepção de que seu filho está sob o risco de uma doença chamada difteria, por exemplo? Eu nunca vi um caso de difteria, por que eu vou vacinar meu filho?"
PERIGO
Os infectologistas alertam que o Brasil precisa agir rápido para reverter o quadro de cobertura vacinal. Caso contrário, outras doenças poderão seguir o rumo do sarampo, que registrou surtos nos últimos anos e levou o Brasil a perder, em 2019, o certificado de território livre do vírus.
"O sarampo foi o primeiro a dar as caras porque é o mais transmissível. Então, quando você vê um cenário de baixa cobertura de todas as vacinas, a primeira doença que aparece é o sarampo, que se transmite muito mais fácil", explica Kfouri. "Mas aí tem difteria, pólio, coqueluche, meningite. São todas doenças também factíveis de aumento de casos em função da baixa cobertura."
"Só espero que a gente não precise ter uma catástrofe, como um surto de meningite, que é uma doença extremamente grave. Torço para que não precise chegar a esse ponto para que a população volte a confiar na imunização e veja que é importante", conclui Richtmann.
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Cantora MARÍLIA MENDONÇA morre aos 26 anos em acidente de avião em MG
Lucas Pasin, Rodolfo Vicentini e Ed Wanderley De Splash, em São Paulo 05/11/2021 16h30 Atualizada em 05/11/2021 17h55
A cantora Marília Mendonça morreu hoje em um acidente de avião na zona rural de Piedade de Caratinga (309 km a leste de Belo Horizonte, em Minas Gerais). A informação foi confirmada a Splash pelo Corpo de Bombeiros. A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou mais duas mortes no acidente.
"O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais informa que nesta sexta (5) ocorreu a queda de uma aeronave de pequeno porte, modelo Beech Aircraft, na zona rural de Piedade de Caratinga. O CBMMG confirma que a aeronave transportava a cantora Marília Mendonça e que ela está entre as vítimas fatais", diz a nota dos Bombeiros.
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"Com imenso pesar, confirmamos a morte da cantora Marília Mendonça. O avião decolou de Goiânia com destino a Caratinga/MG, onde Marília teria uma apresentação esta noite. De momento, são estas as informações que temos", confirmou também a assessoria.
O resgate dos outros tripulantes está em andamento, informaram os Bombeiros à reportagem. O restante da banda dela fez o trajeto de ônibus. Ela saiu de Goiânia (GO) e se apresentaria hoje à noite em Caratinga (MG).
À Splash, o atendimento da PEC Aviação, empresa que faz transporte regular de passageiros por táxi aéreo, confirmou ser dona da aeronave. No entanto, ainda não há posicionamento oficial da empresa quanto ao acidente, que será investigado.
Fabricado em 1984, o modelo C90A da BeechAircraft tem capacidade para seis passageiros e estava em situação regular, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Bombeiros realizam resgate
Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Caratinga e do Samu participam do resgate das vítimas do acidente.
De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o acidente ocorreu num curso d'água próximo da BR 474, a cerca de 11 km do centro da cidade. No local da queda há a ocorrência de correnteza, por isso, o veículo foi estabilizado antes do início do resgate.
Segundo a corporação, na estrutura "não há chamas nem há risco de submersão da aeronave", mas o local ficou marcado por forte odor de combustível.
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Atriz pornô Victoria Paris morre aos 60 anos
Morre famosa atriz pornô aos 60 anos Imagem: Reprodução
Colaboração para o UOL, em São Paulo
16/08/2021 10h00
Atualizada em 16/08/2021 10h09
A lenda do cinema adulto Victoria Paris morreu aos 60 anos, depois uma longa batalha contra o câncer. A notícia foi dada pelo tabloide britânico The Sun ontem. Victoria era um dos maiores nomes da indústria e começou sua carreira em 1988, e tem mais de 100 produções no currículo, como 'Beauty & The Beast II' e 'The Seduction of Mary'.
Morre famosa atriz pornô aos 60 anos Imagem: Reprodução
A atriz entrou no hall da fama pornográfico, em 1997, pelo site especializado no ramo, AVN. Além disso, ela também ganhou o AVN Awards como atriz revelação em 1990, além de vários outros ao longo de sua carreira.
O cineasta pornô Axel Braun, concedeu uma entrevista ao The Sun lamentando a morte da amiga. Eles trabalharam juntos no longa "Fantasy Nights". "O papel principal foi feito para ela, pois tinha uma aura de inocência que combinava com a história que queria retratar. Quando nos conhecemos, ela contou que não fumava, bebia ou usava drogas, algo raro para a época. Minha experiência com ela, me mostrou que era única", completou o diretor.
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Ricardo Feltrin - IPTV fez pirataria mais que triplicar no Brasil, diz Claro
Colunista do UOL
21/10/2021 14h49
Se uma empresa não inova ela fica para trás e morre. Se inova, pode ser devorada por oportunistas e ladrões de conteúdo.
Essa é "arapuca" em que a Claro e outras grandes operadoras do mundo se meteram desde a introdução da IPTV (Internet Protocol Television).
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É por esse sistema que boa parte das operadoras de TV e de streaming transmitem seus conteúdos mundo afora. E os piratas e surrupiadores de conteúdo alheio não estão desatentos às chances de lucro. Se já havia roubo de conteúdo analógico, o mundo digital só piorou as coisas.
Em reunião em que comentou seus resultados ontem, no México, a Claro revelou uma queda de 16% em seu lucro em relação ao ano passado. A receita caiu 2,6%. A fuga de assinantes continua.
A única coisa que cresceu foi a pirataria.
A empresa estima que, desde que lançou a IPTV no Brasil, a pirataria de conteúdo mais que triplicou, na comparação com dois anos atrás.
Enquanto a pirataria fatura alto, as assinaturas "oficiais" despencam no Brasil: em, doze meses a queda de receita foi de 12,5.
Pior: não há nenhuma fórmula à vista que vislumbre solucionar isso.
Apesar das forças-tarefa formadas por PF, PRF, Ministério Público e Receita Federal no combate ao contrabando e venda de aparelhos (boxes) que permitem a pirataria, aparentemente o mercado pirata está vencendo a batalha e vendendo muito mais aparelhos do que as autoridades consigam confiscar.
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Ricardo Feltrin - Pesquisa: Consumo de rádio cresce e chega a 80% dos brasileiros
Colunista do UOL
23/09/2021 10h17
No início do século passado, com o surgimento do cinema, acreditava-se que o rádio deixaria de ter relevância. Em meados do século passado, com o surgimento da TV, fizeram a mesma profecia.
No fim do século passado, com o nascimento da internet, as "cassandras espectrais" voltaram a profetizar a morte desse veículo. Afinal, quem se interessaria por rádio quando você pode ter notícias e conteúdos falados, escritos ou vídeos na web?
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Já são, portanto, mais de um século de "profecias" tortas e nada indica que algum dia elas vão acertar.
É o que mostra a mais recente pesquisa da Kantar Ibope sobre o consumo de rádio pelos brasileiros, chamada de "Inside Radio 2021".
Segundo o estudo, pelo menos 80% dos brasileiros, nas 13 maiores regiões metropolitanas do país, ouvem ao menos um minutinho de rádio todos os dias: seja dentro de casa, seja nos carros indo ao trabalho, seja em casa ou no trabalho, por meio de streaming.
O índice cresce 2 pontos percentuais em relação a 2020.
Espantoso
É um número espantoso para um veículo de comunicação "destinado a morrer",segundo os "videntes" da mídia brasileira e mundial.
Aliás, segundo a pesquisa, em média, cada pessoa passa, em média, 4 horas e 26 minutos ouvindo rádio (ou consumindo seu conteúdo) diariamente.
Na Região Sul do país, o maior consumo: 85% das pessoas declaram ouvir rádio; no Nordeste, 81%; Centro-Oeste e Sudeste, 80%.
Segundo a pesquisa, 52% do público são mulheres e 48% homens. A
A classe C é a maior consumidora: 43% do total, seguidas de perto pelas classes A e B (40%).
Em relação à idade, os públicos que se destacam são as pessoas acima de 60 anos (21%), de 30 a 39 anos (20%) e de 40 a 49 anos (19%).
A maioria continua usando rádios comuns (em casa, no trabalho ou nos carros), mas o consumo pelo celular aumentou em relação a 2020: passou de 23% para 25% este ano. E
Em casa (71%), no carro (24%), durante trajetos (8%) e no trabalho (2%) são os locais citados para o consumo do meio.
Nada menos que 10% disse ter ouvido rádio pela internet nos últimos 30 dias. Esse público passou por dia, em média, 2 horas e 44 minutos conectados ao rádio.
Podcasts
Os podcasts também têm conquistado mais espaço: 31% dos ouvintes com acesso à internet ouviram podcasts nos últimos três meses, um aumento de 32% em relação a 2020.
De acordo com a pesquisa, os comerciais que surgem entre os programas e as músicas são o formato que mais capta a atenção dos ouvintes (50%); seguidos por promoções durante a programação das emissoras de rádio (28%).
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Ricardo Feltrin - Pioneira da TV paga no país, GloboNews completa 25 anos
A jornalista Andrea Sadi, da Globo News Imagem: Reprodução
Colunista do UOL
14/10/2021 00h09
A GloboNews completa 25 anos amanha (15). A emissora e seus dirigentes não tem do que reclamar.
Só nos úllimos anos —graças a pandemia de coronavírus, infelizmente—, a GNews saltou da sétima posição habitual no ibope para brigar pelo primeiro lugar no país. —derrotando inclusive os canais infantis.
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No balanço deste ano, conforme esta coluna publicou na semana passada, o canal noticiosos do Grupo Globo está em segundo lugar, só atrás do Viva
Aliás, dos 10 canais pagos mais vistos, nada menos que cinco são da Globo.
Na média nacional comparada com outros canais congêneres pagos, a GloboNews tem 257% a mais que a CNN Brasil, segunda colocada.
Na média em São Paulo, essa média cai, mas ainda é muito relevante: 159%
A GloboNews faz parte de um grupo de Comunicação, que gera uma integração do jornalismo entre as várias plataformas da Globo - que inclui TV aberta (TV Globo), TV por assinatura (GloboNews) e digital (G1 e Globoplay).
A história da GloboNews se mistura com a própria história da TV paga no Brasil: ela foi um dos canais pioneiros a estrear nessa mídia no Brasil.
No total são mais de 2.000 profissionais ligados à atividade jornalística no Brasil e no mundo e, com a rede de afiliadas, somam mais de 2.500 profissionais nos conectando a todos os lugares do planeta.
Odiada por petistas e por bolsonaristas, a emissora dá prioridade à análise muito mais que a CNN —que optou pela dedicação à hardnews. Quem ganha é o telespectador que pode escolher que tipo de cobertura prefere assistir.
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Ricardo Feltrin - Opinião: TV JP News nasce previsível no conteúdo e cheia de problemas
Colunista do UOL
28/10/2021 04h05
Após anos de expectativas e agruras no meio do caminho nasceu ontem "oficialmente" a TV Jovem Pan News.
Estreou apenas nas operadoras da TV paga e na parabólica (já podia ser acessada antes pelo aplicativo Panflix).
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O grande revés é que a emissora deveria ter estreado também em sinal aberto, na antiga frequência da MTV (atual canal Loading).
Do ponto de vista de conteúdo, não há muito o que comentar.
A JP News é sabidamente um veículo governista e abriga alguns dos personagens mais pitorescos (e até risíveis) do jornalismo e entretenimento nacional.
Para o telespectador comum, é como se existisse uma rinha interna para ver quem é o comentarista que mais defende e bajula Jair Bolsonaro.
Mesmo os ditos jornalistas "discordantes", enfiados no meio da conversa para tentar "rebater" o "chapa-branquismo" que jorra da tela, têm pouca ou nenhuma segurança no que falam. Pisam em ovos, literalmente.
Até mesmo a picuinha do dia da estreia —a saída abrupta de Bolsonaro de uma entrevista ao "Pânico" após uma pergunta sobre a "rachadinha" familiar— soou farsesca.
Semana que vem ou no mais tardar na outra, o irritadiço presidente já deve estar lá de volta para outra entrevista "exclusiva". Ali ele sabe que está em casa e cercado de apoiadores.
Problemas de imagem
Tirando o conteúdo para lá de previsível, a TV JP tem outros problemas estruturais que precisarão ser resolvidos —a menos que estejam querendo reinventar a roda das comunicações de massa (ou de massinha, nesse caso).
A TV está com imagem escura; a iluminação de estúdio é difusa, acinzentada e alguns cenários têm reflexos amadores de vidros poluindo a "tela".
Em um determinado momento, nesta quarta (27), repórteres e produtores que apareciam (sic) ao fundo na redação-cenário se assemelhavam a vultos ou seres inorgânicos dos contos sombrios de xamanismo.
É um erro técnico ou óbvia má escolha na intensidade das duas iluminações: a anterior e a posterior. Se fosse no cinema poderíamos dizer que a "fotografia" do filme estava ruim.
Em outro quadro, os comentaristas convidados pareciam estar meio degrau abaixo que os âncoras, o que tornou tudo mais esquisito visualmente.
Ah, e falando neles —os âncoras—, o enquadramento também está infeliz: alguns parecem deslocados no cenário, quase desajeitados. É um problema de quem "olha" pela câmera, mas chega ao telespectador.
Graficamente, a TV JP também tem um déficit de personalidade: a vinheta "ao vivo" é repetitiva, confusa, pouco informativa, poluída visualmente e certamente deverá sofrer mudanças (ocorreu o mesmo com a CNN Brasil, a propósito).
Outro problema muito mais estrutural pode ser visto nas fotos de divulgação do canal, divulgadas à imprensa:
pelo jeito, para a "nova" emissora, só existem jornalistas "brancos caucasianos" no mundo.
Sim, não é fácil
Importante lembrar humildemente que não é fácil montar uma TV, e que a quantidade de variantes técnicas, de luz e de enquadramento —sem falar nas pessoas— são uma dor de cabeça praticamente eterna. Mas, quem se propõe a fazê-lo, sabe dos riscos.
Enfim, para um veículo que se gaba de estar cobrindo as "hard news" desde 1942, e que há tempos se preparava para lançar sua própria TV, foi uma estreia consideravelmente decepcionante.
Curiosamente, por outro lado, foi 100% previsível.
_________________________________________________Ricardo Feltrin - Opinião: Série sobre alienígenas mistura ciência com idiotice
Você sabia que sob a ilha de Malta, no Mar Mediterrâneo, está um dos mais inacreditáveis conjuntos de cavernas escavadas pelo próprio ser humano, e que ninguém sabe quem fez?
Você já ouviu falar dos cátaros, grupo massacrado pela Inquisição no Sul da França no início do século 13, porque considerava o Deus do Velho Testamento o Mal, e o do Novo Testamento, o Bem?
Criada pelos antigos astronautas? GloboNews completa 25 anos
Sabia que embaixo da pirâmide do Sol, em Teotihuacan, no México, descobriram uma espécie de "rio" artificial de mercúrio líquido, além de outras câmaras dedicadas aos filossilicatos (usados em produtos que geram calor)?
Pois bem, mesmo se você for fanático por química, cavernas ou a América pré-colombiana, provavelmente só soube das três novidades acima —100% verdadeiras— caso tenha assistido a algum episódio de "Alienígenas do Passado".
13ª Temporada chegou
Maior sucesso do canal History (canal da TV paga), a série acaba de estrear sua 13ª temporada no Brasil e é liderada por um escritor suíço de cabelos espetados, chamado Giorgio Tsoukalos.
chamado Giorgio Tsoukalos
chamado Giorgio Tsoukalos.
Além dos três acima, este colunista poderia continuar listando mais uma centena de fatos verdadeiros, curiosos e totalmente desconhecidos de 99% da humanidade, que só quem assiste ao programa ficou sabendo.
O problema é que todos esses temas precisam SEMPRE ter sido obra e graça de algum ET verdinho, cinzento e "zoiudo" que veio visitar a Terra no passado longínquo.
Eles chamam a esses ETs de "os antigos astronautas". O programa é fundamentado nos livros de Erich von Däniken
Aí é que está o cerne desta crítica televisiva:
Por um lado, "Alienígenas do Passado" é uma das atrações mais interessantes e cheias de novas informações e cultura (arqueológica, físico-química, histórica etc.) que o assinante da TV paga (ou do streaming) vai achar;
Por outro lado, o programa é construído sobre uma narrativa (ô, palavrinha insuportável) tão farsesca, manipuladora e, não raro, ridícula, que não pode ser levado a sério jamais.
É paradoxal que um conteúdo de TV consiga ser ao mesmo tempo tão curioso e tão patético. Trata-se de um caso único, acredito.
Embora ainda tenha milhões de fãs pelo mundo, seu formato já está há anos desgastado e tão oco quanto a cabeça de seus produtores.
Sua fórmula se tornou insuportavelmente repetitiva e é chocante que toda informação relevante seja destruída logo em seguida por uma tese —absurda— de que, seja lá o que está sendo tratado, tem por trás o dedo longo e viscoso do ET de Varginha ou da Área 51
Eu acredito em ETs, gente!
Vejam bem, leitores e leitoras queridos: eu, o autor desta coluna, não só acredito em seres alienígenas como tenho (pessoalmente, claro) 100% de CERTEZA de que eles existem, e de que existe vida (orgânica e inorgânica) no mundo e no resto do Universo. É parte de minha fé, minha crença e, por que não dizer, minha experiência de vida religiosa.
O problema é que nem mesmo um crédulo como eu aceita transformar qualquer item do Universo num fio insano que PRECISA estar o tempo todo ligado na tomada de um disco voador.
"Alienígenas do Passado" distorce todas as informações —inclusive as cientificamente comprovadas e as mais incríveis— porque precisa fazer proselitismo religioso. E também porque não consegue mais sair da arapuca da fórmula que criou (e que infelizmente se espalha como praga nas TVs).
Mentem como pastores ou políticos
O programa não é nem um pouco diferente da atitude de um pregador ou pastor que altera e mutila cada linha da Bíblia para que ela se adapte às suas asneiras;
Não difere em nada de um político ou juiz que "desconstrói" os Códigos Penais, Civis ou a própria Constituição para que possa decretar uma decisão ou lei absurdas;
Não tem a menor diferença de um jornalista que vai cobrir um fato real nas ruas e, em vez de entrevistar as pessoas, começa a inventar personagens e teorias conspiratórias para "embasar" sua doença mental.
É um programa que transforma tudo que poderia ser interessante e útil numa chacota radioativa.
Por que precisamos dormir? Por causa dos antigos astronautas;
Por que os bebês choram? Obra e graça dos antigos astronautas, claro.
Por que os países entram em guerra? Essa é uma decisão dos antigos astronautas.
Por que o ser humano peida? Mutação genética introduzida pelos antigos astronautas.
O programa abre mão do ineditismo de suas próprias descobertas ou da relevância de suas questões para tentar manipular os telespectadores.
"Alienígenas do Passado" pode até chegar à 30ª temporada, o que eu não duvido. O problema é que, mesmo assim, jamais chegará a lugar algum.
Em tempo: o colunista GARANTE que escreveu este texto dominical e meio azedo de sua própria lavra aqui no UOL, e que não foi enviado do futuro ou passado pelos antigos astronautas.
Programa: "Alienígenas do Passado"
Onde: canal e streaming History
Quando: Pfuuu, quase todos os dias, em horários variados
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Ricardo Feltrin - Exclusivo: Ibope da TV Jovem Pan News já encosta na CNN Brasil
Colunista do UOL
02/11/2021 04h05
No último sábado, em pleno horário nobre (21h45), a CNN Brasil estreava o programa "À Prioli", comandado pela advogada, professora e "influencer" Gabriela Prioli. A convidada da estreia: Anitta, grande amiga da apresentadora.
Dos 10 canais mais vistos da TV paga, 5 são do Grupo Globo
Nesse momento a Jovem Pan News já tinha ultrapassado a veterana Bandnews "de lavada" e era o terceiro canal de notícias mais assistido da TV paga.
Mais: encostava na vice-líder noticiosa CNN Brasil (11.388 telespectadores/min, 1 ano e 7 meses de vida nacional), embora ainda estivesse bem longe de uma GloboNews —que tem 25 anos de idade (99.258 telespectadores/minutos no país).
Sábado à noite é um horário especial para todas as emissoras, do ponto de vista simbólico: em tese é um momento em que toda a família está reunida em casa, diante de algum aparelho de TV.
Isso porque a antiga MTV tem sinal aberto, e não fechado. Nesse caso a emissora provavelmente já teria passado a também aberta Record News e estaria brigando para ser um dos 10 canais abertos mais vistos do país.
Os dados acima não incluem audiência na internet (YouTube) ou outros "devices" (apps, celulares, laptops etc.).
_________________________________________________Ricardo Feltrin - Assista: A "explosão" da plataforma Only Fans no Brasil
Colunista do UOL 03/11/2021 06h03
No programa desta semana no canal do UOL no YouTube o colunista Ricardo Feltrin fala sobre o "boom" da plataforma Only Fans, que oferece conteúdo pago. O "setor" mais forte do serviço são os conteúdos eróticos.
Streaming Discovery+ estreia no Brasil na próxima terça
Com a pandemia, a crise e as demissões que ela causou, muitas brasileiras e brasileiros estão se cadastrando no OF para tentar uma nova carreira como fornecedores de conteúdo pago. Segundo a coluna apurou, cerca de 500 brasileiros por dia estão tentando esse novo rumo profissional.
Tem de tudo
Não há só conteúdo erótico Só que, como Arícia, muitas brasileiras desconhecidas (e brasileiros) estão se cadastrando para oferecer conteúdo adulto. O OF tem de tudo: de receitas a músicos; de poetas a professores de ioga e meditação.
Só que o erotismo é o que fala mais alto.
Para virar seguidor de Arícia, por exemplo, é preciso desembolsar US$ 14 mensais. Anitta, por exemplo, cobra bem menos: US$ 4,99. Há Geyse Arruda, Mirella etc., entre as brasileiras do OF —que fica com cerca de 20% do valor das assinaturas como "comissão".
Boom na economia
A questão é que o Only Fans está mexendo (positivamente) não só com seu próprio bolso, mas em outros setores.
Depois de um ano na "seca" por causa da pandemia, muitas produtoras independentes de vídeo voltaram a ficar com a agenda cheia de clientes, porque as novas candidatas e candidatos a celebridades do OF não aceitam mais fazer vídeos simplórios e caseiros.
Não, as pessoas querem apresentar um conteúdo profissional, e ensaios com produção, maquiagem, lingerie, coadjuvantes etc.
Por causa disso muitas produtoras já não têm mais vagas para 2021, o que é espantoso.
O OF também está afetando produtoras pornôs profissionais, como a Sexy Hot, a Brasileirinhas e a canadense Brazzers, entre outras.
Segundo o CEO da Brasileirinhas, Clayton Nunes, nunca tantas garotas consultaram a empresa porque querem se tornar atrizes pornôs.
_________________________________________________Ricardo Feltrin - Exclusivo: Globo e SBT têm pior ibope mensal de todos os tempos
Colunista do UOL 04/11/2021 04h14
No ibope, outubro foi o pior mês da história para duas das maiores emissoras comerciais do país: Globo e SBT.
Ambas fecharam o mês passado com a pior média de audiência mensal de suas respectivas histórias, segundo dados consolidados da Kantar Ibope, obtidos com exclusividade pela coluna.
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Ainda líder isolada —e com grande folga sobre a concorrência—, a Globo terminou o mês passado com 10,8 pontos e 30,7% de "share" no mercado nacional, chamado de PNT (Painel Nacional de Televisão).
Esse é o resultado da medição nas 24 horas do dia e são estudadas as 15 maiores regiões metropolitanas do país.
Reforçando a respeito da liderança da Globo: significa que cerca de 3 em cada 10 TVs ligadas no país continuam sintonizadas na TV da família Marinho 24 horas por dia (os tais 30,7% de "share", ou participação no universo de TVs ligadas).
Mas a queda de "share" global chegou a 25% em apenas 19 meses.
Atrás da Globo veio a Record, que fechou com 4,6 pontos e 12,9% de share. Um crescimento de 5% em relação a setembro, que certamente foi causado por "A Fazenda", "Top Chef", além da novela "Gênesis" —que virou uma dor de cabeça para a Globo em praças como Salvador e Goiânia.
SBT vai bem... mal
Em terceiro lugar já longínquo ficou o SBT e sua programação cheia de improvisos, reprises e mudanças de planos repentinas: marcou 3,4 pontos e 9,7% de share —o pior resultado de seus 40 anos de existência.
Nunca tão poucos aparelhos de TV no Brasil sintonizaram a TV de Silvio Santos.
Em quarto lugar entre as TVs comerciais veio a Band, com 1,0 ponto e 2,8% de "share" nacional, o que, convenhamos, é bem pouco para uma emissora com tanta tradição e que fará 55 anos em 2022.
Em último, a RedeTV com 0,4 ponto de ibope (o que é considerado tecnicamente "traço", por estar abaixo de meio ponto) e 1,0% de "share".
Por quê? Por quê?
Por que essa queda está ocorrendo na TV aberta —e, em especial, na Globo?
Já falamos sobre isso aqui várias vezes.
A explosão do streaming está afetando não só as TVs abertas do ponto de vista de conteúdo (os streamings têm muito mais acervo), mas alterando o comportamento, o hábito do telespectador.
Se antigamente a família se reunia todas as noites na TV para assistir novela, hoje esse "núcleo" familiar se fragmentou, com cada um assistindo o que quer em seu celular ou quarto.
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Eduardo Moreira ironiza 'torcida' do mercado financeiro pela aprovação da PEC do Calote
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247 - O economista Eduardo Moreira usou as redes sociais para ironizar “a torcida” do mercado financeiro pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 23/21, batizada de PEC dos Precatórios, que limita o valor de despesas anuais com precatórios e abre espaço para que o governo remaneje R$ 91 bilhões em 2022, ano eleitoral.
“Eu vivi para ver o “mercado” torcendo (e reagindo positivamente) por um calote da dívida pública…”, postou o economista no Twitter. A PEC dos Precatórios foi aprovada na madrugada desta quinta-feira (4), em primeiro turno, pela Câmara dos Deputados.
Confira a postagem de Eduardo Moreira sobre o assunto.
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Urgente: Ciro suspende sua candidatura presidencial após votos do PDT pela PEC da reeleição de Bolsonaro
247 – Ciro Gomes divulgou pouco depois de 8h desta quinta-feira (4) uma sequência de tuítes nos quais comunica a suspensão de sua candidatura presidencial em reação à votação da bancada do PDT na Câmara pela aprovação da PEC dos Precatórios, na noite desta quarta: "Há momentos em que a vida nos traz surpresas fortemente negativas e nos coloca graves desafios. É o que sinto, neste momento, ao deparar-me com a decisão de parte substantiva da bancada do PDT de apoiar a famigerada PEC dos Precatórios. A mim só me resta um caminho : deixar a minha pré-candidatura em suspenso até que a bancada do meu partido reavalie sua posição. Temos um instrumento definitivo nas mãos, que é a votação em segundo turno, para reverter a decisão e voltarmos ao rumo certo. Não podemos compactuar com a farsa e os erros bolsonaristas. Justiça social e defesa dos mais pobres não podem ser confundidas com corrupção, clientelismo grosseiro, erros administrativos graves, desvios de verbas, calotes, quebra de contratos e com abalos ao arcabouço constitucional".
Os deputados do PDT traíram um acordo feito com a oposição e votarem com Bolsonaro. Dois 21 deputados pedetistas, 15 votaram a favor da PEC, que foi aprovada por apenas cinco votos. As bancadas do PT, PSOL e PC do B votaram integralmente contra a PEC.
Veja a sequência postada por Ciro Gomes na qual ele anuncia a suspensão da candidatura:
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Fora de controle | Merval Pereira - O Globo
Por Merval Pereira
Além dos dados econômicos, há aspectos político-jurídicos que mostram o absurdo representado por essa emenda constitucional que pretende autorizar o governo a dar um calote em parte dos precatórios já autorizados pela Justiça. Os dados mostram que o governo não precisaria furar o teto de gastos se, em vez de ter cedido às pressões políticas para a reeleição de Bolsonaro, realocasse despesas com, por exemplo, uma reforma administrativa para enxugar um pouco a máquina pública e obter a verba necessária a instituir o Auxílio Brasil.
As “emendas do relator” e os fundos eleitorais milionários são despesas de que os políticos, especialmente os do Centrão, também não abrem mão, criando uma falsa situação de calamidade financeira para fazer com que a sociedade engula decisões desnecessárias. Furar o teto de gastos, um compromisso assumido na Constituição no governo Michel Temer, que coincidia com um compromisso de campanha do ministro da Economia, Paulo Guedes, transformou-se numa “necessidade” inventada.
O mais grave tem a ver com a parte jurídica: colocar na Constituição precedentes como só pagar por ano um percentual dos precatórios que forem expedidos contra a União, autarquias, empresas públicas. Além disso, os juízes ficam impedidos de expedir precatórios depois de transitado em julgado o processo, além desse limite de percentual de gasto por ano.
Descumprir sentença judicial transitada em julgado, a mais sagrada de todas, deveria ser uma decisão grave, não banalizada por interesses eleitoreiros. O que a PEC dos Precatórios, já conhecida como a PEC do Calote, propõe é que, transitada em julgado uma decisão judicial, o governo tenha permissão não apenas “para gastar”, como pediu o ministro Paulo Guedes, mas para não cumpri-la, até que surja na fila a vez do precatório a pagar.
Além de tudo, a PEC viola a independência do Judiciário, a separação dos Poderes. Mais grave: o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em 2010 que uma emenda constitucional de 2001 era inconstitucional exatamente porque parcelava os precatórios. Por isso é que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) está afirmando que essa proposta é inconstitucional. Não há a desculpa de que a decisão do STF de 2010 tenha vindo apenas nove anos depois de a emenda ter sido aprovada em 2001. Esse não é um argumento; o errado foi o Supremo ter demorado quase dez anos para decretar a inconstitucionalidade da medida. Embutida nesse comentário está a aceitação de que se aprove uma inconstitucionalidade para que ela seja anulada dez anos depois, com uma dívida acumulada de R$ 1 trilhão, segundo especialistas.
É uma afronta ao Estado de Direito, até mais grave porque o precatório transitado em julgado tem a chancela do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou do STF. Não há calamidade financeira, pois o governo está tendo uma recuperação surpreendente da arrecadação, de acordo com a Receita Federal. Os números fiscais do governo central (governo federal, BC e INSS) também apresentaram uma melhora significativa, de acordo com o economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida.
Nos primeiros nove meses de 2020, o déficit primário do governo central havia sido de R$ 677 bilhões (-12,4% do PIB) em decorrência das despesas extras para lidar com a pandemia e perda de arrecadação. No mesmo período deste ano, esse déficit foi reduzido para R$ 82,4 bilhões (-1,3% do PIB), uma melhora de quase R$ 600 bilhões, que deve se manter no fechamento do ano.
Há ainda um detalhe nada sutil na emenda, que deixa clara a vontade de poder gastar mais, e não de ajudar os mais necessitados. Antes corrigido pela inflação registrada em 12 meses até junho do ano anterior ao exercício, o teto de gastos passará a ser atualizado com base no valor realizado até junho do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) relativo ao ano de encaminhamento do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) mais o valor estimado até dezembro deste mesmo ano. Critério com retroatividade ao ano de 2021. O rombo no teto fica contabilmente menor, mas a realidade é outra.
Aprovada na Câmara, a PEC do Calote encontrará resistência no Senado — e chegará ao Supremo Tribunal Federal.
_________________________________________________BRIGADEIRO de CASCA de BANANA
Veja mais em https://www.uol.com.br/nossa/cozinha/receitas/2021/10/27/brigadeiro-de-casca-de-banana.htm?cmpid=copiaecola
_________________________________________________Chef do Morro da Babilônia, no Rio, ensina 3 docinhos com casca de banana
Regina Tchelly, fundadora do projeto Favela Orgânica, ensina bolo, brigadeiro e pé de moleque Imagem: Marcio Amaro/UOL
Gabrielli Menezes De Nossa 27/10/2021 04h00
Regina Tchelly
QUEM É
A paraibana que mora no Rio há 20 anos percebeu, como doméstica, como era comum o desperdício na cidade. A fim de mudar esse cenário, ela aprendeu sozinha a usar os alimentos na íntegra e criou o bem-sucedido Favela Orgânica.
É transformando partes improváveis dos alimentos em pratos saborosos que Regina Tchelly, de 40 anos, tornou-se referência no combate à fome e ao desperdício. Há 10 anos, a chef paraibana moradora do Morro da Babilônia, no Rio, faz história à frente do projeto Favela Orgânica.
Com Nossa, ela compartilhou três receitas práticas, baratas e nutritivas: o bolo cremoso, o brigadeiro e o pé de moleque. Todos os docinhos usam como base a casca da banana. Ficou surpreso?
Três vezes bolo
Bolo de abóbora com coco fica pronto rapidinho e espalha perfume pela casa
Casca de banana no pé de moleque Imagem: Regina Tchelly
Segundo Regina, o seu trabalho não se trata de reaproveitar e sim de aproveitar integralmente. Afinal, a casca da banana também é alimento, apesar de ser tratada como um lixo por uma questão de hábito.
"As políticas públicas e as grandes indústrias promovem uma cultura oposta ao aproveitamento porque querem que as pessoas só comprem e comprem".
Para uma banana chegar na nossa casa é preciso dois anos entre a plantação e a colheita. Precisamos valorizar cada ingrediente".
Clique nas imagens abaixo e confira as receitas completas:
Mais vida no Morro da Babilônia
Natural de Serraria, no interior da Paraíba, Regina se mudou para a cidade maravilhosa em 2001 para trabalhar como doméstica. A quantidade de alimentos sendo desperdiçados chamou a sua atenção por todos os lugares, das feiras livres a sua própria comunidade, o Morro da Babilônia, no Leme.
Na Paraíba, a cultura é usar o máximo que a gente puder".
Regina começou projeto com 140 reais em 2011 Imagem: Marcio Amaro / UOL
Autodidata, ela começou a recuperar com os feirantes o que iria para o lixo e a inventar receitas em casa. "Sempre quis ser uma cozinheira famosa, daquelas que se preocupam com o ciclo todo da comida".
Dito e feito. A oportunidade para mostrar os pratos preparados com talos, sementes e cascas e realizar um trabalho comunitário aconteceu em 2011, quando a Agência de Redes para a Juventude foi à favela angariar jovens e adultos que gostariam de desenvolver projetos de impacto positivo.
"Fui selecionada e desenvolvi o Favela Orgânica para democratizar a comida de verdade, ensinando da plantação à compostagem". A banca avaliadora, porém, não escolheu Regina como a campeã.
Recebi o meu melhor "não". Perdi o prêmio de 10 mil reais, mas comecei o projeto dentro da minha própria casa com 140 reais de uma vaquinha".
Regina: com o Favela Orgãnica, morro no Rio tem hortas e nutricionista Imagem: Marcio Amaro/UOL
Ao promover o conhecimento simples e útil sobre alimentação, Regina conquistou prêmios nacionais e apresentou programas na TV. Entre seus feitos estão a criação de hortas em canteiros, a disponibilização do serviço de nutricionista e o livro de receitas ao ar livre pintado nos muros da Babilônia.
Na pandemia, ela lançou o "cesta básica educativa", com 33 receitas escritas e 30 vídeos com dicas para multiplicar os alimentos que estão dentro da cesta. "Faço porque eu amo e porque estamos no mundo para colaborar com o planeta e as pessoas".
É um crime o Brasil, que exporta alimento, voltar ou ter estado um dia no mapa da fome. A comida está mal distribuída".
Regina com o bolo de café e banana com casca Imagem: Regina Tchelly
Para quem quiser fazer parte dessa revolução em prol do acesso à alimentação saudável, ela dá a dica:
"Comece colocando as sementes do tomate num vasinho de planta. Vá aguando e deixe exposto ao sol. Em dois ou três meses você comerá o seu tomate. E assim terá se conectado com o ciclo do alimento".
Outra opção saborosa é voltar lá no topo da matéria e tirar print das receitas para fazer na próxima vez que comer banana.
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BRIGADEIRO de CASCA de BANANA
Veja mais em https://www.uol.com.br/nossa/cozinha/receitas/2021/10/27/brigadeiro-de-casca-de-banana.htm?cmpid=copiaecola
Brigadeiro de casca de banana... - Veja mais em https://www.uol.com.br/nossa/cozinha/receitas/2021/10/27/brigadeiro-de-casca-de-banana.htm?cmpid=copiaecola
Pegue as bananas já picadas com casca e bata no liquidificador até virar uma massa homogênea de brigadeiro. Transfira para um recipiente e adicione uma colher de sopa de cacau. Misture tudo e adicione a segunda aos poucos. Depois, faça as bolinhas com auxílio de uma colher e as mãos. Para finalizar, passe as bolinhas no cacau. A aparência fica igual a de um brigadeiro trufado.
_________________________________________________Bolo pudim de café com casca de banana ... - Veja mais em https://www.uol.com.br/nossa/cozinha/receitas/2021/10/27/bolo-pudim-de-cafe-com-casca-de-banana.htm?cmpid=copiaecola
Imagem: Regina Tchelly
Ingredientes
3 bananas com casca picadas
2 xícara(s) de chá e 1/2 de café coado frio (pode usar aquele que sobrou na garrafa térmica)
1 colher(es) de sopa e 1/2 de óleo
2 xícara(s) de chá de farinha de trigo
3 colher(es) de sopa de açúcar
Conversor de medidas
Modo de preparo
Bata todos os ingredientes no liquidificador até que fique bem uniforme. Se a textura da massa estiver muito grossa, acrescente mais café pronto até ficar em um ponto bom. Unte uma forma com óleo e farinha de trigo. Coloque a massa na forma untada, preaqueça o forno e asse o bolo por 30-35 minutos
_________________________________________________Pé de moleque de casca de banana ... - Veja mais em https://www.uol.com.br/nossa/cozinha/receitas/2021/10/27/pe-de-moleque-de-casca-de-banana.htm?cmpid=copiaecola
Imagem: Regina Tchelly
Imagem: Regina Tchelly
Fácil
Ingredientes
5 cascas de banana
100 grama(s) de amendoim sem sal e sem pele
3 colher(es) de sopa de açúcar branco, demerara, mascavo ou orgânico
Conversor de medidas
Modo de preparo
Corte as cascas de banana em pedaços bem pequenos. Leve ao fogo com duas colheres de açúcar. Mexa bem e deixe cozinhar até pegar consistência. Adicione o amendoim e mistura. Quando estiver desgrudando da panela, coloque mais uma colher de açúcar, misture e transfira para um prato. Depois de esfriar um pouquinho, corte em pedaços.
Ex-cantores do The Voice contam como é a vida após reality da Globo
Gshow/Reprodução
A Globo iniciou nova temporada do The Voice Brasil no dia 26 de outubro. Todos os anos, artistas de diversas regiões do país se arriscam no reality musical em busca de reconhecimento nacional e sucesso no competitivo mercado fonográfico brasileiro. Mas o que acontece quando o público elege o vencedor e as câmeras são desligadas? O Metrópoles apurou e descobriu que nem todos guardam apenas boas memórias do programa.
É o caso de Samantha Ayara, campeã da sexta temporada, em 2017. A cantora revelou não ter recebido o apoio que esperava para seguir o sonho. “O gerenciamento de carreira não aconteceu. Eu tive a gravação do EP pela gravadora Universal, mas eu não tive quem me orientasse”, conta. Na época com apenas 19 anos, a artista nunca tinha cantado profissionalmente até subir no palco da emissora carioca e a falta de experiência e direcionamento fez com que ela perdesse as oportunidades pós-The Voice.
Samantha Ayara não sabe se voltará a tentar carreira musicalInstagram/Reprodução
Samantha Ayara participou da quinta edição, em 2016, mas não virou nenhuma cadeiraGshow/Reprodução
Ela voltou ao reality em 2017, e, com Michel Teló como técnico, venceu o programaGshow/Reprodução
Léo fez muitos shows por todo o país, graças a visibilidade conquistada no The VoiceInstagram/Reprodução
Durante a pandemia da Covid-19, o Léo Pain fez lives e se dedicou à seleção do novo repertórioInstagram/Reprodução
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O gaúcho Léo Pain já tinha uma trajetória musical de 17 anos, quando participou do The Voice Brasil, em 2018. Enquanto superava os desafios das audições às cegas, batalhas e votação popular — até se tornar o campeão da temporada—, o artista conquistou seu principal objetivo ao se inscrever para o show de talentos: romper as fronteiras do Rio Grande do Sul e levar sua voz para outras partes do Brasil.
Além do prêmio em dinheiro, Pain ganhou um EP e um contrato de três anos com a Universal Music. Umas das canções do álbum, Perdido e Apaixonado, gravada em parceria com o técnico Michel Teló, ultrapassou 2 milhões de views no YouTube e rodou as rádios do país em 2019.
“Minha carreira é um antes e depois do The Voice. Eu só tenho coisa boa para falar da Globo. Assim que eu saí de lá, nos primeiros 90 dias eu cheguei a fazer 73 shows. Em relação à gravadora, também foi uma experiência muito legal. Não ficou na promessa, eles realmente investiram na divulgação”, reconhece o cantor, que acaba de assinar o destrato com a empresa e que, a partir de agora, conduzirá a vida profissional de forma independente.
Como todos os profissionais do ramo do entretenimento, Léo Pain sangrou com a chegada da pandemia da Covid-19 em 2020. O músico teve que paralisar projetos, com excessão de algumas lives, e aproveitou o período de isolamento social para selecionar repertório novo. “Pretendo gravar um EP com seis músicas, lançar elas nos streamings no início do próximo ano. A nossa luta é vencer um leão por dia. Deus vai me recompensar como me recompensou em 2018”, considera.
Do time do Michel Teló, Renato Vianna venceu o The Voice Brasil em 2015Globo/Reprodução
Em entrevista ao Metrópoles, ele revelou ter tentado desistir após as Audições às CegasInstagram/Reprodução
Mas ele continuou e contou com os fãs que já o acompanhavam desde sua primeira aparição na TV aberta, no Programa Raul GilInstagram/Reprodução
Renato Vianna segue se apresentando, todos os domingos, no Bar das Patroas, em São PauloInstagram/Reprodução
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Renato Vianna já havia participado do Jovens Talentos, do Programa Raul Gil, em 2010, e gravado dois CDs, Para Sempre (2011) e Estrangeiro (2013), quando resolveu tentar a sorte em mais um reality show musical. Também do time de Michel Teló, o cantor venceu a quarta temporada do The Voice Brasil, transmitida pela Globo em 2015.
Mesmo já sendo conhecido, o artista avalia que a competição global o alavancou para sonhos ainda maiores. “Foi uma experiência totalmente diferente. Desde então minha vida só tem melhorado, só coisas boas têm acontecido”. Com a vitória, ele ganhou R$ 500 mil e um contrato de três anos com a Universal Music que resultou em dois álbuns, Sua Arte (2016) e um acústico, em 2018.
“Eu não me arrependo jamais de ter participado do The Voice, inclusive saudades”, brinca Renato, que garante aceitar o convite caso a emissora carioca decida fazer uma temporada do The Voice Brasil apenas com os vencedores de cada edição. “Eu já imaginei muito isso, você não tem noção. Eu iria certeza absoluta”. salienta.
O músico também aproveitou o hiato nos shows, imposto pelas regras de distanciamento, para pensar no repertório inédito de um álbum que deve chegar às plataformas de streaming no primeiro semestre de 2022. Depois de viralizar com o cover pop rock de João de Barro, Renato vem focando a carreira no sertanejo.
“Eu costumo falar que eu gosto de música. Se um dia bater na minha cabeça que eu vou cantar funk, eu vou cantar. Eu não tenho aquela coisa de que eu preciso tocar um mesmo ritmo para sempre. Mas hoje eu estou mais no sertanejo, aprendi a amar demais, e é uma música que tem muitas influências”, avalia o ex-The Voice, que sonha em fazer parcerias com nomes como Bruno & Marrone e Gusttavo Lima. Atuamente, ele faz shows, todos os domingos, no Bar das Patroas, em São Paulo.
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Justiça torna presidente do Flamengo réu por gestão fraudulenta
atualizado 03/11/2021 22:14
O juiz Frederico Botelho de Barros Viana, da 10ª Vara Federal de Brasília, tornou o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, e outras quatro pessoas rés pelo crime de gestão fraudulenta.
Barros Viana aceitou a denúncia do Ministério Público Federal, que afirma que os cinco atuaram em uma operação financeira que teria causado prejuízos de R$ 100 milhões a fundos de pensão de funcionários de estatais.
Tornaram-se réus, além de Landin, Demian Fiocca, Geoffrey David Cleaver, Gustavo Henrique Lins Peixoto e Nelson José Gutti Guimarães.
A denúncia derivou de uma investigação que fez parte da antiga Operação Greenfield, da Procuradoria da República no Distrito Federal, que apurou prejuízos milionários aos fundos de pensão.
Na época dos fatos, entre 2011 e 2016, Landim atuava na Mare Investimentos, que foi uma das responsáveis por gerir o FIP
“O MPF traz longa e descritiva denúncia. Em síntese, aduz que os acusados praticaram atos de gestão fraudulenta de instituição financeira equiparada ao aplicar os recursos do FIP Brasil Petróleo 1 na empresa americana DEEPFLEX INC. O referido ato violaria o regulamento do fundo, as normas da Comissão de Valores Mobiliários e os deveres de diligência devidos pelos gestores de capital de terceiros”, escreveu o juiz.
conteudo patrocinado
O juiz abriu prazo de 10 dias para os denunciados apresentarem resposta à acusação, e alegar tudo o que interessar às respectivas defesas, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas.
_________________________________________________Céline Dion 'não consegue mais sair da cama e nem andar', diz família
A cantora preocupou os fãs após cancelar os shows que faria em Las Vegas, a partir de 5 de novembro
3 de novembro de 2021, 19:35 h
Após adiar shows em Las Vegas por problemas de saúde, Céline Dion não estaria mais conseguindo sair da cama. A informação foi dada por um familiar à revista Here.
“Ela não consegue mais se levantar da cama, nem se mover, nem andar. Ela sofre de dores nas pernas e pés que a paralisam. Ela está muito fraca e perdeu muito peso”, disse a fonte, que não foi identificada.
Céline Dion é uma cantora e empresária canadense Reprodução/Facebook
Céline Dion está com problemas de saúdeDave Simpson/WireImage
Céline Dion assustou seus fãs ao aparecer magra demais em evento em ParisReprodução/Instagram
Céline Dion
Céline DionReprodução/ Instagram
Céline Dion
Céline DionEthan Miller/Getty Images
Céline Dion é uma cantora e empresária canadense Reprodução/Facebook
Céline Dion está com problemas de saúdeDave Simpson/WireImage
_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: Vacina obrigatória não é um ataque à liberdade de escolha
Opção pessoal é válida, desde que não prejudique outras pessoas
O surto da variante delta da Covid-19 parece estar recuando. Essa é uma boa notícia, e não só porque menos pessoas estão morrendo. O medo da infecção foi um dos motivos pelos quais a recuperação econômica atingiu um bolsão de ar no terceiro trimestre. Retomar a vida normal será um enorme alívio.
Mas a direita dos Estados Unidos está, na verdade, tentando manter a pandemia em curso. Falamos muito sobre desinformação nas redes sociais, parte da qual —surpresa!— parece ser o produto de desinformação russa.
No entanto, o papel dos conservadores de direita certamente foi muito mais importante. A rede de TV Fox News apresenta mensagens antivacina quase todos os dias. Governadores republicanos tentaram proibir a obrigatoriedade de vacinação não só pelos governos municipais e distritos escolares, mas também por empresas privadas. Vários secretários de justiça republicanos moveram processos para deter as ordens federais de vacinação.
A razão dada para toda essa atividade é que se trata de proteger a liberdade. Na realidade, embora haja vários motivos para a resistência à vacina, a política é um motor importante da agitação. Uma campanha de vacinação bem sucedida poderia significar um governo Biden de sucesso, e a direita está determinada a evitar isso, não importa quantas mortes evitáveis resultem da sabotagem à vacina. Vale notar que a Fox tem uma política de vacinação muito rígida para seus funcionários.
No entanto, a tese contra a vacinação obrigatória, por mais hipócrita que seja, precisa ser respondida por seus méritos. Eu, pelo menos, raramente tenho visto a tese sobre o direito de recusar a vacinação totalmente explicada, embora dificilmente se pudesse encontrar melhor exemplo do que a vacinação contra Covid-19 se alguém quisesse descrever uma situação hipotética em que os argumentos pela liberdade de opção não se aplicam. E acho que vale a pena explicar exatamente por quê.
Primeiro, a opção pessoal é válida, desde que não prejudique outras pessoas. Eu posso criticar a qualidade da sua manutenção doméstica, mas o problema é seu; por outro lado, a liberdade não inclui o direito de jogar lixo na rua.
E ficar sem vacina durante uma pandemia realmente prejudica outras pessoas, e é por isso que as escolas, em particular, exigem a vacinação contra muitas doenças há várias gerações. As pessoas não vacinadas têm propensão muito maior a contrair o coronavírus, e portanto potencialmente infectar outras, do que as que foram vacinadas; também há certa evidência de que quando indivíduos vacinados são infectados eles têm menor propensão a infectar outros do que os não vacinados.
Incidentalmente, o fato de haver infecções "invasoras" em algumas pessoas que já foram vacinadas na verdade reforça a tese da obrigatoriedade, porque significa que mesmo as que já receberam o imunizante enfrentam certo risco daquelas que se recusam a tomá-lo.
E o dano causado aos outros ao recusar a vacina vai além de um risco maior de contrair a doença. Os não vacinados são muito mais propensos a precisar de internação hospitalar que os vacinados, o que significa que sobrecarregam o sistema de saúde. Eles também impõem custos financeiros ao público em geral, porque diante da prevalência de seguros de saúde públicos e privados suas contas hospitalares acabam sendo amplamente pagas pela população como um todo.
A vacinação, portanto, deve ser considerada um dever público, e não uma opção pessoal. Mas haveria um forte argumento a favor da promoção pública de vacinas mesmo que quiséssemos ignorar o dano que os não vacinados impõem aos outros e olhar apenas o aspecto da escolha pessoal. Pois essa não é uma área em que se pode confiar que as pessoas façam boas escolhas.
A medicina, caso você não tenha percebido, é um assunto complexo e difícil. Em consequência, é uma área onde é má ideia deixar as pessoas totalmente à vontade. O clamor por tratamentos não comprovados como hidroxicloroquina ou ivermectina nos lembra por que precisamos que os médicos sejam licenciados e os medicamentos aprovados, em vez de deixar que o público decida quem é qualificado e qual medicação é segura e eficaz.
Por isso você deve se perguntar por que alguém consideraria uma boa ideia quando o secretário de saúde da Flórida aconselhou as pessoas a não dar muita importância aos conselhos médicos sobre vacinas e em vez disso confiarem em sua "intuição e sensibilidade".
Finalmente, a área mais polêmica em toda essa discussão envolve a exigência de vacina e máscara nas escolas. E nessa área os adversários da obrigatoriedade não estão tomando decisões para si mesmos, e sim para seus filhos, que têm direitos próprios e não são simplesmente propriedade dos pais.
Hoje, a lei e a tradição nos Estados Unidos dão aos pais grande margem de decisão, especialmente quando estão envolvidas crenças religiosas, mas não o poder absoluto sobre a vida de seus filhos. Os adultos não podem escolher não dar a seus filhos a educação básica; não podem recusar tratamento médico para salvar suas vidas. É por isso que temos há muito tempo obrigatoriedade de vacinação para várias doenças infantis. E a mesma lógica se aplica à Covid-19.
Mais uma vez, não sei quantas pessoas realmente acreditam que a exigência de vacina é um ataque à liberdade. Mas em todo caso é importante compreender que a liberdade não é motivo para impedir um potencial milagre médico.
Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves
_________________________________________________Reinaldo Azevedo - O pária não decepcionou os seus na Itália. Alguém esperava algo diferente?
Colunista do UOL 03/11/2021 06h45
A passagem de Jair Bolsonaro pela Itália e o tratamento que lhe dispensaram os chefes de Estado do G20 evidenciam que o ex-chanceler Ernesto Araújo foi bem-sucedido. O Brasil e seu presidente são tratados mundo afora como párias. Resta, claro!, a importância econômica do país, mas isso, como é óbvio, espelha o presente, tem um peso no passado e nada diz sobre o futuro. O vexame foi além da antevisão mais pessimista. E o "Mito" se poupou de outras humilhações cabulando a COP26, em Glasgow, na Escócia. O Brasil, é verdade, acabou referendando o acordo internacional de redução de metano sob pressão dos EUA, mas isso não quer dizer grande coisa.
De relevante mesmo na COP 26, no que respeita ao país, tivemos o pedido de demissão do engenheiro e advogado Oswaldo dos Santos Lucon, coordenador-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima. Ele explicou a razão sem subterfúgio: "Havia uma interlocução aquém do que se espera para uma instituição [o Fórum] que busca criar um diálogo entre governo e sociedade (...). Chegou um momento em que parte da sociedade também não buscou mais o governo". Vale dizer: as empresas e entidades da sociedade civil que foram a Glasgow representando o Brasil não dialogavam com a representação oficial.
O governo, que é a expressão jurídica e política do Estado, não conversa com a sociedade. Frequentemente, porta-se como seu inimigo. Cabe a pergunta: não é assim em quase todos os setores? Jair Bolsonaro nunca esteve preparado para comandar o país. Comporta-se como líder de facção, de milícia.
É visível o seu desconforto nesses fóruns multilaterais. Sente-se intimidado, acuado, exibindo ar quase humilhado. Aqui e ali se diz que o fato de não falar inglês está na raiz das dificuldades. Bobagem! Nesse particular, não se distingue de Lula. E, como se sabe, a diferença é brutal. O petista se tornou uma estrela mundial em eventos dessa natureza. E nem é preciso entrar no mérito do que dizia. Fato inegável: saía daqui com uma mensagem.
E que se note: é mentira que o ex-presidente tivesse um comportamento sabujo nesses encontros. Se Bolsonaro arrosta os grandes na questão ambiental — MAS COM UMA PAUTA OBVIAMENTE REACIONÁRIA —, Lula cobrava dos riscos mais compromisso no enfrentamento da miséria e no combate à fome no mundo. O que estou dizendo, minhas caras, meus caros, é que o presidente do Brasil não precisa ser servil para ser ouvido. Mais de uma vez discordei de afirmações feitas pelo petista em encontros internacionais, mas uma coisa é certa: irrelevante ou vexaminoso nunca foi.
FABRICANDO A AGENDA NEGATIVA Era de se esperar que os líderes mundiais mantivessem distância prudente de Bolsonaro. As coisas que disse e fez ao longo de quase três anos de governo explicam esse comportamento. Destaque-se que o presidente brasileiro restou como o último negacionista da pandemia. Bolsonaro poderia chegar ao G20 e anunciar: "Meu país é hoje um dos mais avançados na imunização plena". Em vez disso, prefere a reputação de quem se nega a tomar a vacina e defende o tratamento da Covid-19 com drogas comprovadamente ineficazes.
Incompreensível que faça essa escolha? Não para seus fanáticos. A resistência à vacina é hoje um dos pilares da "Internacional da Extrema Direita" — isso que chamo "Al Qaeda Eletrônica do Neofascismo". Líderes com o seu perfil sentem certo orgulho de desafiar a ciência, o bom senso e o que consideram "falso consenso progressista", supostamente de esquerda. Esse discurso que conjura as forças do atraso mobiliza milhões mundo afora. E assim é também no Brasil. É o que esperam dele seus fanáticos. E, não se enganem, também é a sua crença.
Não venham dizer que Bolsonaro foi surpreendido pelos tumultos de rua, que resultaram na agressão a jornalistas brasileiros. Ele, na prática, os fabricou. Ao homenagear os pracinhas mortos que lutaram contra o regime nazifascista, convidou Matteo Salvini — não por acaso, um neofascista. Bolsonaro está plenamente convencido de que a agenda que condena o Brasil ao atraso é a única que pode levar à salvação — também à sua...
Nota: a foto que vocês veem no alto foi distribuída ao mundo pela agência AFP. Mas a origem é gabinete de Salvini. Tudo faz sentido. Líderes respeitáveis mantiveram distância de Bolsonaro. Um neofascista, admirador confesso de Mussolini — contra quem lutaram nossos pracinhas, e muitos morreram — faz questão de evidenciar proximidade. Eis a Internacional da Extrema Direita. É a Al Qaeda Eletrônica do Neofascismo em ação.
Como sabem os que me acompanham aqui e em outras plataformas, nunca pensei que o presidente brasileiro pudesse ser outra coisa. Nem me decepciona nem me surpreende. Mas entendo que muitos pudessem avaliar que a sua bufonaria saberia, em momentos importantes, preservar os interesses nacionais. A viagem à Itália prova, sem chance para leitura alternativa, que ele pode condenar o país a um atraso sem remissão.
PEC DOS PRECATÓRIOS No front interno, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, tenta votar logo mais a PEC dos precatório, que abre um espaço fiscal R$ 91,6 bilhões para elevar o Bolsa Família a R$ 400, pagar o auxílio-caminhoneiro e ainda empregar um tanto em emendas parlamentares.
O "mercado nervosinho", como diz o presidente, já botou preço nesse estouro do teto. Caso a emenda venha a ser derrotada, o governo terá de pensar no que o paraquedista que nos governa chama de "Plano B": a provável prorrogação do Auxílio Emergencial. E vai crescer a desconfiança.
E assim se vai empurrando a coisa com a barriga, na esperança de que o flagelo chegue ao fim.
_________________________________________________Opinião - Vinicius Torres Freire: Bolsonaro isolado na festa dos poderosos é símbolo da RUÍNA_SELVAGEM do Brasil
Presidente faz do país um lugar tão REPULSIVO QUANTO seu COMPORTAMENTO
E daí? Para os interesses do país, tamanho vexame faz diferença? Pouca. Por vezes, a proximidade entre governantes pode ajudar a desembaraçar um aspecto de uma crise grande ou facilitar um início de negociação. No mais, interesses econômicos e projetos nacionais de domínio, paz ou guerra (mesmo por outros meios) determinam o grosso de relações internacionais, tendo como pano de fundo a inércia de história, geografia, cultura ou religião.
Aquelas situações constrangedoras, porém, são sintomáticas. Para começar, lideranças que não sejam amigas de selvagerias não querem aparecer em bons termos com Bolsonaro. É um risco político, ainda que pequeno, além de desagradável. Isso que está na cadeira de presidente do Brasil é um projeto de tirano, um líder da destruição ambiental e um inimigo da diversidade humana.
O presidente Jair Bolsonaro e o senador italiano Matteo Salvini durante homenagem aos pracinhas brasileiros em Pistoia, na Itália - Gabinete de Matteo Salvini via AFP
Apesar de não serem propriamente intelectuais, Angela Merkel, Emmanuel Macron ou até Boris Johnson fazem parte das elites educacionais de seus países; outros foram bem formados e têm longas carreiras na lida com assuntos de Estado ou na liderança de movimentos importantes da sociedade. Bolsonaro não tem outras inteligências, sabedorias ou formação; não sabe e não quer saber (não querer saber é a definição de ignorância).
Criou problemas com os principais parceiros do Brasil: China, França e União Europeia, os EUA de Joe Biden, o Mercosul. Não tem aliados afora autocratas, neofascistas ou chefetes da internacional da extrema direita. O caráter humana e democraticamente repulsivo do "networking" bolsonarista diminui o Brasil.
Elio Gaspari: A diplomacia miliciana de Bolsonaro
Mais do que promover a destruição ambiental e ser um propagandista da intolerância, da ignorância e da violência física, Bolsonaro é um inimigo da diplomacia. Não há pragmatismo no que faz, a não ser do ponto de vista da destruição.
Dado ainda por cima que a ruína econômica não tem prazo para acabar, o Brasil se torna entre irrelevante e infeccioso, a não ser que sirva de elemento menor das estratégias dos Estados Unidos, por exemplo. O Brasil de Bolsonaro pode ser marionete da política americana contra a China. Caso Biden colocasse um cabresto no terror ambiental do bolsonarismo, faria um ponto mundial.
Bolsonaro ficou isolado não apenas porque é repugnante ou incapaz de cumprir um roteiro escrito por diplomatas (tentar umas conversas redigidas por assessores, por exemplo). Fica em um canto principalmente porque o Brasil desce a ladeira, agora de modo acelerado pelo bolsonarismo. Quanto mais durar, mais essa estupidez terá consequências.
Se inconfiável, o Brasil pode deixar de ser fornecedor preferencial de matérias-primas de países como a China. Caso a "transição verde" avance, o que resta de indústria brasileira pode se tornar obsoleta (carros elétricos já estão no comércio; os biocombustíveis perderam a vez). A produção de commodities ambientalmente incorretas é um problema evidente para o futuro próximo (petróleo, para começar, mas também boi etc.: "carnes" e outras comidas "de laboratório"). Transformar floresta e cerrado em gases de estufa já é um problema crítico.
Um país longínquo, ignorante, meio pobre e incivilizado em quase tudo (violento, desigual e de pouca escola e ciência) será mais marginal. O isolamento vexaminoso de Bolsonaro na festa dos poderosos é a metáfora da nossa irrelevância selvagem crescente.
_________________________________________________Opinião - Hélio Schwartsman: Hungria mostra como destronar um autocrata
Oposição do país fez a lição de casa para enfrentar Orbán
A oposição húngara poderá até perder a eleição do ano que vem para o grupo do premiê Viktor Orbán, mas, se isso ocorrer, não terá sido por falta de coordenação e desprendimento. A coalizão de seis partidos que se opõem a Orbán é um saco de gatos. Inclui desde conservadores religiosos até a centro-esquerda, passando pelos liberais. Mas eles estão fazendo tudo certo para tentar destronar o premiê, no poder desde 2010. Orbán é provavelmente o caso mais bem-sucedido de dirigente que se valeu da democracia para minar as instituições do país e converter-se num autocrata.
Os entendimentos entre os oposicionistas começaram em dezembro passado, quando concordaram em lançar um candidato único. Agora, após a realização de prévias, anunciaram o nome do católico conservador Péter Márki-Zay. Antes mesmo dessa votação, um líder progressista bem cotado para a disputa desistiu da candidatura em favor de Márki-Zay por entender que um conservador tem mais chances de triunfar.
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Eleitora faz selfie com o candidato a primeiro-ministro da Hungria Peter Marki-Zay - Bernadett Szabo/Reuters
A missão dos oposicionistas é difícil. Entre as muitas medidas democraticidas de Orbán está o redesenho dos distritos eleitorais de modo a beneficiar a si próprio. No pleito de 2014, seu grupo logrou controlar 2/3 do Parlamento tendo obtido apenas 42% dos votos. Para contrapor-se a essa muralha, a coalizão concordou em lançar candidato único em cada um dos 106 distritos e lista comum para as 93 cadeiras do sistema proporcional. Isso significa que uma legião de políticos dos seis partidos não poderá concorrer.
Não é todo dia que isso acontece, mas também não é nunca. Em Israel, uma improvável coalizão entre esquerda, direita, extrema direita e árabes se formou para expulsar Netanyahu do cargo de premiê. Conseguiram.
Enquanto isso, no Brasil, a oposição a Bolsonaro não consegue se entender nem sobre o dia de fazer manifestações. Quem quer ver Bolsonaro fora deve contar mais com a inflação que com a oposição.
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Esvaziada, Marcha para Jesus homenageia vítimas da Covid
Shows de bandas gospel reuniram evangélicos no Sambódromo do Anhembi nesta terça-feira
São Paulo
Esvaziada por causa dos protocolos sanitários, a Marcha para Jesus reuniu evangélicos no Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo, nesta terça-feira (2).
Para acessar a área dos shows de bandas gospel era preciso apresentar o comprovante de vacinação completa. Além disso, crianças e pessoas que tomaram apenas a primeira dose podiam mostrar um teste negativo recente de Covid-19 para entrar no local.
As medidas sanitárias geraram críticas nas redes sociais. A maioria das pessoas reclamou que queria ir ao evento, mas desisitiu porque não tinha com quem deixar as crianças ainda não vacinadas.
Parte da família da auxiliar de atendimento Fulvia Nascimento, 31, ficou em casa devido às restrições impostas pela organização. "Minha filha e meus sobrinhos são crianças, não estão vacinados e não puderam vir", disse, ao lado do marido.
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Há dois anos impedida de realizar a tradicional caminhada do centro à zona norte de São Paulo por causa da pandemia, a marcha planeja voltar para as ruas em 15 de abril do ano que vem.
No palco, o apóstolo Hernandes rebateu críticas em relação à escolha do Sambódromo para receber a Marcha para Jesus.
Entre um show e outro, foram feitas pregações em homenagem às vítimas de Covid, e testemunhos de pessoas que perderam familiares e amigos para a doença.
Foram pedidas também doações de cesta básica via QR code. "Cada cesta básica custa R$ 55. Você pode doar uma ou duas. Estamos vivendo um momento difícil em que as pessoas não têm o que comer", disse o apóstolo Estevam Hernandes no palco.
Além dele, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) também discursou ao público no fim da tarde ao lado da mulher, Regina Carnovale, filhos e genros. Segundo Hernandes, a realização da Marcha para Jesus precisou do empenho do poder municipal para ser realizada ainda no contexto da pandemia.
"São Paulo é a capital que mais vacinou no mundo, e isso possibilitou estarmos retomando as atividades", disse o prefeito.
A Marcha para Jesus foi um dos primeiros grandes eventos organizados pela administração municipal no pós-pandemia. A organização teve que obter aval da Vigilância Sanitária e assinatura de termo de compromisso para garantir o protocolo sanitário, como a exigência de vacinação e uso de máscaras e álcool em gel.
Policiais militares e agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) faziam ronda entre os espectadores dos shows e alertavam as pessoas que estavam sem máscara a colocá-la.
Para a dona de casa Suellen Andrade, 25, a presença na Marcha para Jesus é o primeiro grande evento que participa desde o começo da pandemia. "Nem acredito que estou na frente de um palco novamente", disse.
O prefeito fez questão de agradecer no palco a presença do casal Hernandes no casamento de seu filho Ricardinho e a nora Amanda, nesta segunda-feira (1). Em seguida, o apóstolo Estevam fez uma oração em agradecimento à lei sancionada pelo prefeito na pandemia que caracterizou as igrejas no município como atividade essencial —o que permitiu que elas continuassem abertas na pandemia.
A decisão salvou a organização da marcha de um possível constrangimento. Como Bolsonaro não se vacinou contra a Covid, ele teria que ser barrado e não poderia entrar.
_________________________________________________Caso Cleo Smith: menina é encontrada com vida após 18 dias desaparecida na Austrália
Criança de 4 anos era procurada desde 16 de outubro, nas proximidades da cidade de Carnarvon
Cleo Smith desapareceu enquanto acampava com a família na Austrália Foto: Reprodução/WA Police Force
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CARNARVON — A polícia australiana informou nesta terça-feira que Cleo Smith, de 4 anos, foi encontrada viva e passa bem. A menina estava desaparecida desde 16 de outubro, nas proximidades da cidade de Carnarvon, na Austrália Ocidental.
A menina foi localizada em uma casa em Carnarvon, por volta de 1h da madrugada, no horário local. A polícia informou que os agentes precisaram invadir a residência, que estava trancada. A garota estava em um dos quartos. Um homem foi preso.
— Tenho o privilégio de anunciar que, nas primeiras horas desta manhã, a força policial da Austrália Ocidental resgatou Cleo Smith — disse o subcomissário Col Blanch, ao The Guardian. — Cleo está viva e bem.
De acordo com Blanch, um dos agentes pegou a vítima no colo e perguntou o nome dela. A criança respondeu imediatamente: "Meu nome é Cleo". A menina já está com os pais.
A menina tinha sido vista pela última vez quando acordou a mãe, Ellie, e pediu por água. As duas voltaram a dormir em seguida. Pela manhã, porém, a pequena não estava mais na tenda armada no acampamento Blowholes. Em entrevista ao canal 9 News, Ellie contou que a barraca da família estava praticamente toda aberta.
— Cleo estava em um colchão, e nosso bebezinho (a irmã mais nova da menina) estava em um berço bem ao lado dela. Nós tínhamos uma divisória. Então estávamos (a mãe e namorado, Jake Gliddon) em um colchão inflável também. (De manhã) fui para o outro espaço, o zíper estava aberto e Cleo tinha sumido... a barraca estava completamente aberta, faltava apenas 30 centímetros para abrir totalmente — contou a mãe.
Durante as buscas, uma recompensa de 1 milhão de dólares australianos (mais de R$ 4 milhões na cotação atual) foi oferecida por informações que pudessem levar ao paradeiro da criança ou à prisão e condenação de envolvidos no desaparecimento.
_________________________________________________Blogueiros bolsonaristas fizeram ação coordenada nas redes para atacar opositores do governo, diz CPI
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247 - Blogueiros alinhados com a extrema direita e ao governo utilizaram grupos de Whatsapp para realizar ataques coordenados contra opositores e adversários políticos de Jair Bolsonaro. A estratégia consta de documentos obtidos pela CPI da Covid, de acordo com o jornal O Globo. Os ataques foram dirigidos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-governador João Doria (PSDB) e à deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-aliada do governo que denunciou o uso de robôs à CPI das Fake News.
Dentre os blogueiros citados como envolvidos no esquema coordenado de ataques e divulgação de fake news está o youtuber bolsonarista Bernardo Küster. “Recebi ordens do GDO para levantar forte a tag #DoriaPiorQueLula. Bora lá no Twitter”, postou ele em um grupo, segundo a reportagem. O termo “GDO”, seria uma referência ao chamado “Gabinete do Ódio”, grupo que atua na divulgação de fake news nas redes sociais e que seria formado por auxiliares de Bolsonaro com cargos no Palácio do Planalto.
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Um outro diálogo em poder da CPI revela que o um assessor parlamentar da deputada bolsonarista Caroline de Toni (PSL-SC), “tinha acesso a documentos sigilosos da CPI das Fake News” e que estava com receio de divulgar uma informação sobre a “Pepa”, termo depreciativo utilizado contra Joice Hasselmann.
“Falei com o adv (advogado) do gabinete do Edu, e ele disse que vai tentar outro caminho (...) Se isso vier a público agora, a Joice vai solicitar ao pessoal lá quem acessou (o sistema). Vai foder o cara lá e a mim tbm, que contei”, disse o assessor a Küster. A CPI avalia que o nome “Edu” pode ser uma referência ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Em outra mensagem, o assessor diz que vai atuar para tentar impedir a convocação de blogueiro que havia sido solicitada pelo colegiado.
_________________________________________________Ex-policial negro ERIC ADAMS é eleito PREFEITO de NOVA YORK
O prefeito eleito da cidade de Nova York, Eric Adams, gesticula para os apoiadores durante sua festa da noite da vitória da eleição de 2021 Imagem: Angela Weiss/AFP
Da AFP, em Nova York (EUA)
02/11/2021 22h43
Atualizada em 03/11/2021 06h51
O democrata Eric Adams, um ex-capitão da polícia nova-iorquina, que fez da luta contra o racismo uma máxima de sua vida, se tornou nesta terça-feira (2) o novo prefeito de Nova York e o segundo negro a governar a maior cidade dos Estados Unidos.
Com 78% dos votos apurados, Adams, de 61 anos, liderava com 66,5%, contra 28,8% do republicano Curtis Sliwa.
Ex-policial lidera as primárias democratas para prefeitura de Nova York
Em Manhattan ele obteve 81% dos votos, no Bronx 76%, além de 71% no Brooklyn e 59% em Queens, enquanto em Staten Island registrava 27% contra 68% do pitoresco republicano, de 67 anos, fundador dos 'Guardian Angels', um grupo de voluntários que tem o objetivo de patrulhar as ruas ao lado da polícia.
"Esta noite eu realizei meu sonho e de todo o coração vou remover as barreiras que estão impedindo vocês de realizar os seus", disse um emocionado Adams, depois de acenar para simpatizantes em um hotel do Brooklyn onde celebrou a vitória.
Adams, prometeu que trabalhará para reduzir as desigualdades no templo do capitalismo e ajustar uma economia muito afetada pela pandemia de covid-19, que provocou 34 mil mortes na cidade.
E foi especialmente aplaudido quando disse que lutará contra a insegurança e a criminalidade, preocupação central de uma parte do eleitorado, que confia nele por sua longa experiência de 22 anos na polícia.
Adams, que é vegano, é o segundo afrodescendente a chegar à prefeitura de Nova York depois de David Dinkins (1990-93).
Ele assumirá o cargo em 1º de janeiro, como sucessor do impopular Bill de Blasio.
Revanche
Emocionado após votar no bairro do Brooklyn, onde nasceu no seio de uma família pobre, Adams disse na terça-feira que esta eleição é uma espécie de revanche para aquele "rapazinho" que flertou com a delinquência e a exclusão social, assim como para os nova-iorquinos de famílias populares.
"Espero que seja totalmente diferente do atual (Bill de Blasio) e que a polícia faça seu trabalho, pois há delinquência demais" nas ruas, disse à AFP Iris Carreño, uma dominicana de 60 anos, para quem a situação piorou após a pandemia de covid-19.
"Esfaqueiam as pessoas por nada", afirmou.
Sua compatriota Maria, de 50 anos, diz que "a gente tem medo de sair para ir ao armazém ou ao supermercado e pelos filhos, que alguma coisa possa acontecer com eles".
"Se Eric não resolver o que prometeu, esta é a última vez que voto em um democrata", disse à AFP o também dominicano Gabriel Taveras, de 69 anos, muito decepcionado com o prefeito Bill de Blasio.
Ao contrário de Blasio, cuja mensagem populista o levou à vitória em 2013, Adams, um centrista, venceu as primárias do partido com forte apoio dos eleitores da classe média, da comunidade negra e do movimento operário e conta com o apoio dos ricos, aos quais cortejou para que tenham um papel importante na recuperação econômica da cidade.
Também se apresenta como um líder determinado, defensor das classes médias e populares, e símbolo da luta contra a discriminação racial.
Da prefeitura, Adams chefiará a maior força policial dos Estados Unidos, a NYPD, com 36.000 funcionários, cuja reforma prometeu aprofundar.
Ele vai administrar um orçamento de 98,7 bilhões de dólares para o exercício 2021-2022, o maior de um município nos Estados Unidos.
A prefeitura de Nova York é considerada o cargo mais difícil do país, depois da Presidência.
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Lula lidera com folga, aponta pesquisa Ipespe, contratada pela XP
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247 - Pesquisa XP/Ipespe, feita de 25 a 28 de outubro e divulgada nesta quarta-feira (3), aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as intenções de voto, com 42% do eleitorado. Jair Bolsonaro fica em segundo lugar, com 28%. Os dados foram publicados pelo jornal Valor Econômico.
Na sequência aparecem o ex-ministro Ciro Gomes, do PDT (11%), o governador de São Paulo, João Doria, do PSDB (4%), o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (3%), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), 2%.
No cenário que inclui o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também do PSDB, Lula alcança 41%, seguido por Bolsonaro (25%) e por Ciro (9%). Depois aparecem Sérgio Moro (8%), e, com 3% cada, estão Mandetta, o apresentador José Luiz Datena e Eduardo Leite. Pacheco atinge 2% e a senadora Simone Tebet, do MDB, 1%.
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Segundo turno
Na simulação de segundo turno, Lula vence todos os candidatos. Contra Bolsonaro, o petista ganha por 50 a 32%.
Contra Moro, Lula vence por 52% a 34%. Na disputa com Ciro, o ex-presidente atinge 49%, ante 29% do pedetista.
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Em disputa contra Doria, Lula receberia 51% e o tucano, 27%. Com Eduardo Leite, o resultado seria de 50% a 28%.
O levantamento foi feito com 1.000 entrevistados com 16 anos ou mais, em todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou menos e o intervalo de confiança é de 95,5%.
_________________________________________________Estadão detona Moro e a empulhação lavajatista - Jeferson Miola
Por Jeferson Miola
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Ao chegar ao Brasil para iniciar os movimentos para a eleição de 2022, Sérgio Moro foi recepcionado com dois editoriais ácidos do Estadão, jornal de visão extremista que já foi desbragadamente entusiasta e defensor da Lava Jato.
Em pleno dia de finados [2/11], o editorial “A perigosa permanência do lavajatismo” defende o sepultamento definitivo da Lava Jato, cadáver putrefato que só sobrevive por oportunismo no imaginário de fanáticos antipetistas – no MP, no judiciário, na PF, no partido dos generais e congêneres de direita e extrema-direita.
“O fim da Lava Jato não é nenhum problema […], era passada a hora de a famosa operação acabar”, reconhece o Estadão, alertando que “A Lava Jato chegou ao fim, mas – eis ponto que merece ser destacado – continua existindo o que se pode chamar de espírito lavajatista. Segue viva uma específica mentalidade que vai muito além do princípio republicano”.
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Para o jornal, “essa visão pretende justificar uma conclusão inteiramente antirrepublicana: a de que, para combater a corrupção, seria permitido e autorizado utilizar todos os meios disponíveis, também os ilegais”. De acordo com tal espírito lavajatista, “para combater ilegalidades, seria possível cometer novas ilegalidades”.
Numa crítica à reação ultra corporativa de procuradores e suas entidades contra a PEC nº 5/2021 que aperfeiçoa o controle público sobre atos ilegais de integrantes do Ministério Público, o editorial critica que esta casta burocrática “defende uma autonomia irrestrita do Ministério Público, a impedir qualquer controle sobre eventuais ilegalidades de procuradores”.
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Na contramão do apoio incondicional que consignou à Lava Jato durante a caçada criminosa a Lula e ao PT, agora o Estadão transparece um espasmo de compromisso com a legalidade e a democracia: “Outra coisa, que causa muitos danos e injustiças – pois autoriza o uso arbitrário e abusivo do poder estatal –, é pretender que, em razão do juízo da gravidade sobre a corrupção, agentes da lei possam atuar impunemente fora da lei. Ninguém, nem mesmo o Ministério Público, está acima da lei”, constata o jornal, com atraso de mais de 7 anos.
No editorial desta 4ª feira [3/11] o jornal afirma que “é um grave equívoco transformar as eleições presidenciais em disputa de quem grita mais alto contra a corrupção”.
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Embora não cite Sérgio Moro, fica evidente que é para ele que a mensagem se destina – não só pela retórica monotemática de falso combate à corrupção, como também pela visão tosca que este personagem provinciano e torpe tem sobre a vida, o país e o mundo.
“A campanha eleitoral precisa ser um espaço efetivo de diálogo e debate sobre as propostas de governo dos candidatos”, afirma o Estadão.
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“Além de despistar o eleitor das reais questões que ele terá de escolher com seu voto na urna”, a retórica hipócrita de falso combate à corrupção “contribui para que candidatos desprovidos de um mínimo programa de governo [caso do Moro] – que não deveriam ter nenhuma relevância no cenário eleitoral – apareçam aos olhos do público como nomes viáveis politicamente”, afirma.
O editorial também questiona “por que será que os candidatos populistas falam tão pouco de políticas públicas de saúde, educação e economia, por exemplo, e falam tanto de combate à corrupção e de moralidade e bons costumes?”. E conclui: “Infelizmente, a velha tática diversionista tem funcionado, como mostram as eleições de 2018”.
A opinião do Estadão, revelada em dois editoriais consecutivos, não pode ser tomada como sinal de súbita conversão deste jornal oligárquico, racista e autoritário à democracia e à civilização.
É preciso manter viva a memória sobre o engajamento pleno deste órgão de imprensa na escalada do Estado de Exceção que culminou na destruição do país pela Lava Jato, na derrubada da presidente Dilma, no processo farsesco da prisão do Lula e no ascenso fascista-militar com Bolsonaro e o partido dos generais.
É razoável supor-se que a manifestação do Estadão possa ter apenas uma motivação eleitoral pragmática, pois é crescente o entendimento de que a hipócrita retórica Moro-lavajatista – e de generais como Santos Cruz, Villas Bôas e quejandos – já não terá a mesma eficácia para enganar o povo outra vez na eleição de 2022.
Continua, portanto, a saga das oligarquias em busca de algum anti-Lula de estimação. Na falta de alguém viável para o papel, em 2022 o Estadão não hesitará em fazer outra vez “uma escolha muito difícil” a favor da aberração humana que atende pela alcunha de Jair.
_________________________________________________Lucro acima de tudo - Alexandre Aragão de Albuquerque
Por Alexandre Aragão de Albuquerque
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Após a tentativa frustrada de mobilização popular nos comícios de Brasília e São Paulo, no dia 07 de setembro, nos quais ameaçava com o açodamento político, ao atacar pela enésima vez o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando abertamente que não mais iria cumprir as decisões emanadas do ministro Alexandre de Moraes, dois dias depois, Bolsonaro, derrotado, enviou às pressas um avião da frota presidencial para buscar ajuda do golpista Michel Temer, no sentido de apagar mais um dos seus ensaios fracassados de ditador. A reunião que durou cerca de quatro horas no Palácio do Planalto, envolveu inclusive uma ligação telefônica ao referido ministro do STF. Dela resultou uma carta, redigida por Temer, e assinada por Bolsonaro, na qual ele admite se enquadrar, comportando-se segundo os ditames das forças econômicas e políticas que lhe dão sustentação. Não se sabe até agora qual foi a contrapartida de Alexandre de Moraes para a celebração de tal acordo.
Nos itens 7 e 8 da Carta, ele afirma: “Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição”. Portanto, eis a ordem do Mercado Financeiro e do Centrão expressa pelas mãos de Temer: ele tem de cumprir o script, sem maiores ambições aventureiras ditatoriais. Afinal, o golpe de 2016 é resultado de uma ampla articulação militar-político-jurídico-econômica e não de uma única força hegemônica.
Bem assinalou o áudio do banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Pactual, tornado público na última semana de outubro, ao destacar que Bolsonaro será o favorito do Mercado Financeiro às eleições presidenciais de 2022, se e somente se “permanecer calado”. A fala de Esteves torna-se mais um documento a desnudar a natureza fascista das finanças no Brasil, para as quais o que lhes importa é o Lucro, mesmo se para isso sejam necessários a fome de milhões de famílias, o desemprego em massa e o genocídio de mais de 600 mil brasileiros, resultantes da política bolsonarista. Como disse o cineasta Wagner Moura, “terrorismo são as mais de 600 mil mortes pelo descaso criminoso do governo Bolsonaro militarizado no enfrentamento da Covid-19”. É esse o governo preferido pelo Capital especulativo financeiro brasileiro.
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Nessa esteira segue a atual política da Petrobrás. Hoje não se vê as mobilizações contra o aumento de preço daquela estatal, capitaneadas por MBL, Vem pra Rua, Nas Ruas e outros aparelhos de agitação social da direita contra o governo Dilma Rousseff, com ampla e orquestrada cobertura da Mídia Corporativa Oligopolista. Em abril de 2016 (época do aceite do impeachment) o litro da gasolina custava em torno de R$3,70 (três reais e setenta centavos) para um salário mínimo no valor de R$880,00 (oitocentos e oitenta reais). Esse preço do combustível foi objeto de ampla mobilização de rua liderada por aqueles aparelhos. Hoje o preço do litro da gasolina está custando no momento R$7,00 (sete reais), para um salário mínimo de R$1.100,00 (um mil e cem reais). Mas não se vê ninguém na rua a reclamar. Enquanto o salário mínimo foi ajustado, neste período, em apenas 25%, o preço do litro da gasolina aumentou 89,2%, até agora. Nos próximos dias está previsto um novo aumento dos preços dos combustíveis da Petrobrás. E Bolsonaro continua calado ou desviando o foco para culpar os governadores dos estados que não são os formuladores da política de preços da Petrobrás.
Portanto, o silêncio de Bolsonaro, da Rede Globo, do MBL com seus correlatos comprovam que os objetivos das mobilizações de rua em 2015 e 2016 não estavam lutando para a diminuição do preço da gasolina; pelo contrário, visavam à sua liberação. Objetivavam a transferência de renda do bolso dos consumidores para os cofres da estatal. É esta acumulação violenta que está a viabilizar a remessa neste ano de 2021 de R$ 63,4 bilhões (sessenta e três bilhões e quatrocentos milhões de reais) para os caixas-fortes dos acionistas milionários em detrimento do empobrecimento da população.O lema da Petrobrás bolsonarista é “Lucro acima de tudo. Acionistas acima de todos. O povo que se dane”.
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E como não consegue permanecer calado, Bolsonaro foi neste final de semana a Roma participar da Cúpula do G-20 para conversar com os garçons, na antessala da recepção do evento.
_________________________________________________'Guerra dos formatos': as mídias musicais que 'faliram' e você nem percebeu
Cartucho 8-track Imagem: Reprodução/YouTube
Conteúdo exclusivo para assinantes
Leonardo Rodrigues
Colunista do UOL
18/10/2021 04h00
Se você é um ser humano normal e já ouviu música em LPs, fitas K7, CDs ou nos streamings, é porque todas essas mídias saíram vitoriosas em um embate duro, silencioso e que mudou totalmente nossos hábitos e nossas vidas. Você já ouviu falar na "guerra dos formatos"?
Ao longo das décadas, muitas empresas tentaram despontar nesse segmento desenvolvendo suportes "perfeitos", que prometiam aliar o melhor da qualidade e comodidade. Mas muitos desses projetos se mostraram obsoletos e foram descontinuados, e talvez você nem se lembre que existiram.
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Clube do vinil: você pagaria R$ 1.000 por LPs escolhidos por outra pessoa?
Veja abaixo cinco exemplos.
a lista não inclui o LaserDisc, por ser um formato de vídeo, não exatamente de áudio.
1. Cartucho de 8 pistas (Stereo 8, também conhecido como 8-track)
Imagem: Reprodução
O que era?
Era uma fita magnética parecida com a do console Atari que rivalizou com o K7 entre seu lançamento, em 1964, e o início da década de 1980. Recentemente ressuscitada pelo músico Mark Ronson, foi popular nos EUA —no Brasil era mais usada em rádios—, onde a indústria automotiva abraçou o formato instalando tocadores de fábrica em seus carros.
Por que não vingou?
Porque possuía limitações técnicas. Apesar de possuir qualidade de som similar à do K7, os cartuchos não permitiam rebobinar a fita, que vinha dividida em quatro "programas" selecionáveis com duas faixas cada um (daí o nome 8-track). E esses programas tinham duração fixa.
Por causa disso, ficava difícil ajustar o conteúdo de um LP de dois lados em quatros programas. Os lançamentos eram constantemente editados, com músicas cortadas e ordens alteradas. Algumas faixas eram até excluídas. Aos poucos, consumidores migraram para o K7, mais portátil.
2. Digital Audio Tape
Imagem: Divulgação
O que era?
Foi um formato digital também baseado em fita, desenvolvido pela Sony nos anos 1980 e que prometia qualidade sonora superior e maior capacidade de armazenamento. Uma evolução das fitas K7 para os padrões de exigência da época.
Por que não vingou?
As DAT sofreram boicote por parte da indústria fonográfica americana, que atuou para impedir que LPs fossem gravados e pirateados com qualidade "perfeita" nesse novo tipo de fita. O lobby resultou em uma lei que onerou com royalties artísticos os preços das DATs e seus aparelhos reprodutores.
Diante do alto custo de produção e da instantânea aceitação dos CDs no mundo, o formato logo se tornou obsoleto e desapareceu. Passou a ser empregado quase exclusivamente em estúdios e gravações profissionais.
3. MiniDisc
Imagem: Divulgação
O que era?
Um disco ótico de armazenamento de dados lançado pela Sony em 1992 e que mais parecia um "disquete". O marketing pregava o melhor dos mundos: alta qualidade sonora do CD, com mídia ainda mais portátil e protegida, aliada à possibilidade de gravação do K7.
Por que não vingou?
Porque, quando chegou ao mercado, os CDs já estavam em alta, e por causa disso as gravadoras não viam necessidade em investir em MDs pré-gravados, já que dificilmente os consumidores trocariam seus recém-adquiridos compact discs. Reprodutores ainda tinham curta vida útil.
O timing também prejudicou. Poucos anos depois, no final dos anos 1990, a chegada do formato MP3 e a popularização de gravadores de CDs em computadores levantaram a pá de cal para os MiniDiscs, que até conseguiram ser relativamente populares no Japão e Europa.
4. Super Audio CD (SACD)
Imagem: Divulgação
O que era
Nada mais do que um CD de qualidade "infinita", com taxa de amostragem sonora 64 vezes maior. O projeto foi desenvolvido pela Sony e Philips, criadoras do CD, e lançado com pompa e circunstância em 1999.
Por que não vingou?
Porque a qualidade de áudio superior não fazia diferença para os ouvidos da maioria das pessoas, que vinham cada vez mais preferindo escutar música digitalmente em computadores e dispositivos portáteis, como o futuro iPod.
Desconfiadas, empresas não se interessaram em desenvolver reprodutores. E havia ainda outro sério problema: o SACD não apareceu sozinho. E isso nos leva ao quinto e derradeiro formato desta lista de arqueologia tecnológica.
5. DVD-Audio
Imagem: Divulgação
O que era
Outro CD "anabolizado". Chegou em 2000 justamente para concorrer com SACD. O desenvolvimento foi encabeçado pela DVD Forum, organização liderada pela japonesa Toshiba, que se recusou a pagar royalties a Sony e Phillips e decidiu lançar um projeto próprio.
Por que não vingou?
Porque era ainda mais problemático. O disco não podia ser reproduzido em CD-players comuns, nem com qualidade inferior, e cobrava ainda mais que o SACD pelo uso da patente. Resultado: gravadoras se dividiram e rapidamente pulverizaram a tecnologia.
A maior parte dos consumidores não viu quase nenhum deles nas lojas, e tanto o DVD-Audio quanto o SACD se tornaram alvo apenas de audiófilos e desbravadores tecnológicos dispostos a bancar a alta definição. Em 2007, já eram considerados comercialmente extintos.
Lembrou-se de mais algum formato 'falido'? Quer compartilhar alguma história? Então escreva no campo de comentários ou envie uma mensagem no meu Instagram (@hrleo) ou Twitter (@hrleo_).
E até a próxima datilografada!
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Reportagem: Leonardo Rodrigues - Que fim tiveram os LaserDiscs e por que não conseguimos nos esquecer deles
LaserDisc Imagem: Reprodução/Ebay
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Leonardo Rodrigues
Colunista do UOL
03/11/2021 04h00
Quando publiquei há duas semanas sobre a "guerra dos formatos", houve quem reclamasse da ausência do LaserDisc no texto, cujo enfoque estava apenas em mídias musicais, não de vídeo.
Mas, considerando que o formato ficou conhecido por aqui principalmente por seus títulos de shows, os pedidos não deixam de fazer sentido. Portanto, hoje é dia de datilografar sobre os discões platinados.
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Imagem: Reprodução
Você já teve um LaserDisc?
O LD foi um formato histórico: o primeiro de vídeo doméstico a utilizar um disco óptico para armazenamento de dados. Pense nele como um precursor do DVD e blu-ray, cuja tecnologia serviu de base também para o CD, que, pasmem, apareceu 4 anos depois.
Desenvolvidos pela MCA, em parceria com Phillips e Pioneer, esses modernos objetos, que pareciam ter saído da ficção científica, chegaram ao mundo em 1978, comercializados como MCA DiscoVision, ou simplesmente "DiscoVision".
Eles nada mais eram que um disco de 12 polegadas —tamanho de um LP— com duas faces que, embora não totalmente digitais, forneciam vídeo e áudio com qualidade superior à TV da época e às recém-criadas fitas caseiras.
O primeiro, lançado no dia 15 de dezembro de 78, foi esta versão de "Tubarão", de Steven Spielberg, que chega a valer uma salgada bolada
Apesar de recebidos com entusiasmo por japoneses e entusiastas digitais, os LaserDiscs não conseguiram vingar no mercado. Em seu auge, alcançaram apenas 2% dos lares americanos e menos ainda dos europeus.
Imagem: Reprodução
Mas por que não deu certo?
"Por que os aparelhos e discos eram caros demais para o consumidor médio", você deve estar pensando. Correto. Eles não eram baratos. Mas esse é só o sintoma do insucesso. Não o motivo dele.
Como quase tudo envolvendo a "guerra dos formatos", que sepultou mídias e tecnologias ao longo das décadas, o LaserDisc padeceu por seu timing ruim. Curiosamente, ele chegou tarde e cedo demais. E ao mesmo tempo.
Por que tarde?
Porque o LD teve de competir com dois concorrentes de peso: as fitas magnéticas Betamax e VHS, que haviam sido apresentadas pela Sony e JVC poucos anos antes. Respectivamente, em 1975 e 1976. E elas foram um golaço das empresas.
Mesmo de início mais caras que os discos digitais —US$ 19 contra US$ 17 nos EUA—, assim como seus aparelhos reprodutores —cerca de US$ 1000 contra US$ 700 em versões mais baratas—, as fitas traziam uma vantagem que se mostrou decisiva: permitiam gravar programas de TV.
De repente, qualquer um poderia programar um videocassete para capturar seu programa favorito e assisti-lo em qualquer momento. Tudo que o consumidor precisava era de uma fita virgem regravável e alguma paciência para ler o manual de instrução.
Em outras palavras: o mundo assinava a alforria —ainda que relativa— da programação televisiva. Uma revolução de hábitos comparável à recente chegada do streaming.
Porque a ideia do LaserDisc, diferentemente da das fitas, consistia em fazer as pessoas consumirem vídeos já gravados de filmes, programas e o que mais fosse possível a indústria audiovisual licenciar na época. Assim como são os DVDs modernos.
Ou seja, além de sua coleção de livros e discos, você agora teria de criar um novo acervo em casa, de vídeos. E até o início dos anos 1980, quando a maioria das fitas eram lançadas virgens, o conceito de "home video" nem sequer existia.
Hoje pode parecer estranho, sobretudo à luz do colecionismo, mas, 40 anos atrás, poucas pessoas haviam remotamente cogitado a possibilidade possuir um acervo de filmes em casa.
Por que gastar dinheiro com discos caros, que custavam mais que o dobro de um LP, se dava para assisti-los por muito menos no conforto do cinema? Ou simplesmente vê-los de graça na TV, que agora poderia ser gravada?
Lançado com poucos títulos e demanda, o LaserDisc sofreu para atrair atenção. Estúdios resistiam à ideia de licenciar longas em uma mídia física. Tudo era novo. Com tantas barreiras, o LD se viu em um beco sem saída.
A falta de praticidade do formato —precisávamos virar o disco após uma hora de exibição, como nos toca-discos—, que era menos portátil e resistente que as fitas, também contribuiu para sua derrocada.
Imagem: Reprodução
Mas por que nunca nos esquecemos dos LaserDiscs?
Porque eram milagres tecnológicos. Levavam som stereo à TVs antes de emissoras começarem a fazer isso. Sua imagem tinha um padrão inédito para aparelhos domésticos, com resolução de 425 (versão NTSC) e 440 (versão PAL) linhas horizontais, não muito inferior a do DVD, que chegou 18 anos depois. O VHS exibia metade disso.
Entre o fim da década de 1970 e o ano de 2001, quando foram descontinuados no Japão, os LaserDiscs evoluíram tecnicamente para continuar existindo. Em 1993, 13 anos antes do blu-ray, eles já haviam alcançado o patamar da alta definição.
Ainda na década de 1990, os sistemas de LDs também inovaram adotando os modernos sistemas de áudio Dolby Digital AC-3 e DTS, os mesmos usados no cinema, que os fizeram ser cobiçados por audiófilos e vocacionados para exibição de apresentações musicais.
No Brasil, no entanto, poucos viram os LaserDiscs. Nunca foram distribuídos oficialmente no Brasil. Aventureiros endinheirados precisaram esperar até os anos 1990, com a abertura às importações, para ter discos e aparelhos em mãos. Atualmente, você pode encontrá-los escondidos em prateleiras de lojas de usados e sebos menos óbvios.
Colecionadores que frequentam essas lojas, por sinal, foram os grandes responsáveis por manter viva a chama do LD por muito mais tempo do que se esperaria de uma mídia que já nasceu sem perspectiva de êxito.
Talvez por isso tanta gente ainda mantenha coleções quase intactas ou
Talvez por isso tanta gente ainda mantenha coleções quase intactas ou se lembre carinhosamente de seus curiosos bolachões prateados, mesmo depois de se desfazer do reprodutor.
Um deles, famoso admirador da mídia, é o ex-goleiro e técnico Zetti, como ele mesmo revela na entrevista abaixo.
desde que descobriu o vídeo acima, o autor deste artigo quer formar uma banda com o nome "Zetti e os LaserDiscs", mas nunca teve coragem de pedir autorização ao ídolo do são-paulino --nem de formar uma banda. Quem sabe agora...
Já perguntei antes, mas você já teve um LaserDisc? Então compartilhe a sua história, crítica ou sugestão escrevendo nos comentários ou mandando uma mensagem para mim no Instagram (@hrleo) ou Twitter (@hrleo_). Quer ler mais textos? Então clique aqui.
E até o próximo post!
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Bolsonaro é uma figura tóxica no Ocidente | Guga Chacra - O Globo
Por Guga Chacra
Jair Bolsonaro sempre se coloca como um defensor da civilização ocidental. Não apenas o presidente, como também muitos de seus seguidores, incluindo o ex-chanceler Ernesto Araújo. Ironicamente, como vimos na reunião do G-20 em Roma, que acabou neste domingo, os líderes de nações do Ocidente, como França, Canadá, EUA e Reino Unido, querem distância do líder brasileiro, visto como um pária internacional. É uma figura tóxica, com posição classificadas como extremista, mais em sintonia com países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes. Mesmo Israel, com uma nova administração, se distanciou do governante brasileiro que sempre adorava puxar o saco de Benjamin Netanyahu quando o então premier estava no poder.
Podem dizer que é exagero, mas vivo no exterior há 16 anos e nunca vi um estrangeiro com uma imagem positiva de Bolsonaro, que é conhecido. Todos o enxergam como uma pessoa repugnante, radical, anticiência, antivacina e destruidor da Amazônia. Por mais que insista e distorções e falsidades em entrevistas para a imprensa estrangeira, chegou a um patamar no qual é impossível reverter a sua péssima reputação, que ele próprio admitiu ter em conversa com Angela Merkel.
O estrago para o Brasil já está feito. Demorará anos para o país conseguir a ser visto novamente de forma positiva em outras partes do mundo, se é que vai conseguir. Destrói o Brasil como Maduro destrói a Venezuela. Somos o inverso da Coreia do Sul e da Nova Zelândia, que passaram a ser admirados internacionalmente nos últimos anos. Bolsonaro é o maior desastre da história do Brasil em política externa. Para completar, o presidente brasileiro não comparecerá à COP-26 em Glasgow, demonstrando mais uma vez a sua falta de preocupação com as mudanças climáticas, uma das maiores ameaças para a humanidade.
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Luana Génot: Não deixe passar em branco
Se você não tem a pele negra, saiba, desde já, que, vivendo ou não situação semelhante, tem igual responsabilidade em fazer com que eles não se repitam
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Em busca de um novo terninho para dar uma atualizada no guarda roupa, entro sozinha numa loja. Experimento uns três ou quatro, mas o caimento não me convence. Sou meio chata em relação a cortes e ao ajuste deles no corpo. Apesar de cliente assídua, desta vez saio com minha bolsa a tiracolo, mas de mãos vazias do estabelecimento, em busca de outras opções. Se esta jornada se parece com a sua num dia qualquer de compras, estamos na mesma página. Mas a partir daqui, se você não tem a pele negra, há muito menos chances de ter vivido algo parecido com os próximos capítulos desta história. Mas saiba, desde já, que, vivendo ou não situação semelhante, tem igual responsabilidade em fazer com que eles não se repitam.
Ao sair da loja, o alarme soa. Minhas mãos ficam suadas e trêmulas. Sei que não fiz nada de errado, mas já sentia que poderia ser alvo de uma revista indesejada. Ao meu lado, saindo da loja ao mesmo tempo que eu, duas moças brancas. O segurança veio atrás somente de mim e pediu para que eu abrisse a bolsa. Fez uma revista e me deixou sair. Perguntei por que não tinha revistado as outras moças. Ele alegou que o alarme tocou na minha hora. Virou as costas e entrou novamente na loja.
O episódio aconteceu anos atrás, mas esta humilhação não sai da memória tão facilmente. É um marco psicológico tamanho que me faz ainda temer alarmes de lojas. Além de sempre ter o cuidado ao abrir a bolsa no ângulo certo para que a câmera de segurança possa visualizar que não estou roubando nada. Mas isso não pode ser normalizado.
Na época deste episódio, eu ainda não conseguia verbalizar minha dor e nomear este tipo de racismo. Ainda não tinha tanta consciência sobre os meus direitos como tenho hoje e sei que ainda há muito a aprender. Mas também sei que, mediante a episódios como este, não há fórmula mágica da nossa reação. E que não é preciso nem ser seguido numa loja para saber que pessoas negras e indígenas no Brasil são vistas como suspeitas.
Difícil estar sempre pronto para enfrentar uma das diversas manifestações do racismo. A mais cruel é a que pode levar à morte de quem é visto com a cara de suspeito. Humilhações são infelizmente muito mais recorrentes do que as que vemos em casos midiáticos, como a da loja que usava um código para identificar “suspeitos”.
Na mesma semana, uma rede de supermercados vendia bandejas vazias de carne em regiões periféricas com predominância negra para evitar que as carnes fossem roubadas.
Sei que muitos de nós desacreditamos na punição, mas ainda assim precisamos não deixar passar em branco casos como estes. É necessário desbanalizar e denunciar todos os casos de racismo e de qualquer tipo de discriminação. Precisamos aprender a verbalizar e dar nome àquilo que passamos. E entender que, se você já viveu algo parecido, não é coisa da sua cabeça ou caso isolado. É parte do racismo estrutural. Um dos passos para romper com a estrutura é dar nome a ela.
E se você não viveu, não viu ou não sabe se o que você viveu é um caso criminalizável de racismo, ainda assim é importante entender que ele existe e que você também faz parte dessa estrutura. E, portanto, é corresponsável para a construção de uma sociedade antirracista e menos discriminatória
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Artigo: A ascensão do candidato da extrema direita José Antonio Kast no Chile
Desde os protestos de 2019, a direita recuava no Chile. Ela agora encontrou uma opção em um líder ultraconservador admirador de Pinochet e de Bolsonaro
Robert Funk, da Americas Quarterly
27/10/2021 - 06:00
O candidato à Presidência do Chile José Antonio Kast, do Partido Republicano, de extrema direita Foto: IVAN ALVARADO / REUTERS 25-10-21
SANTIAGO - Quando milhões de chilenos saíram às ruas em outubro de 2019, após um pequeno aumento nos preços do transporte público deflagrar um movimento nacional por mudanças políticas, parecia que o momento populista do Chile finalmente havia chegado.
Ao lado das demandas dos manifestantes por melhores serviços de saúde e pensões, havia sentimentos que populistas do todo o mundo reconheceriam: uma forte mensagem anti-elitismo, demandas por mudanças institucionais e uma desconfiança nos partidos políticos existentes. No entanto, parecia faltar uma coisa: um líder forte e personalista que pudesse canalizar essas inclinações populistas e colocá-las em prática.
Isso pode estar mudando agora. À medida que as eleições de 21 de novembro no Chile se aproximam, a disputa presidencial foi interrompida pela ascensão meteórica de José Antonio Kast, um ex-deputado de extrema direita antes visto como um candidato marginal, mas que agora lidera em pelo menos uma das principais pesquisas e está em segundo lugar na outras.
Muitos observadores presumiram que uma figura populista viria da esquerda chilena. No entanto, Kast pode ser descrito como o verdadeiro populista nas eleições. Boric, um parlamentar que representa uma coalizão de forças que se consideram representativas do espírito dos protestos de 2019, evitou em grande parte cair no populismo. Ele enfatiza a importância de respeitar as instituições democráticas, e, ao contrário de muitos na esquerda, é um crítico aberto dos regimes venezuelano, nicaraguense e cubano. Ele apoiou um acordo entre partidos de novembro de 2019 com o objetivo de reescrever a Constituição do Chile, algo que seus parceiros comunistas de coalizão rejeitaram.
É verdade que há um toque de populismo na fetichização do popular na campanha. E, em uma entrevista recente, o assessor econômico de Boric admitiu que uma política apoiada pelo candidato (retiradas sucessivas de fundos de pensão privados) consiste em uma política pública ruim e em uma medida econômica péssima. Ainda assim, ressaltou que “ele está fazendo algo razoável para quem está na política, que é responder ao que as pessoas querem.”
Mas Boric realmente sabe o que as pessoas querem? O candidato tatuado de 35 anos aposta que o Chile será tão progressista quanto ele e seus companheiros de coalizão. Em numerosas questões de campanha, eles usam a linguagem da jovem esquerda digital de hoje. Da política externa à educação, sua plataforma eleitoral promete ser feminista, verde, anti-racista, participativa e descentralizada.
A Convenção Constitucional se comprometeu a utilizar uma linguagem neutra em relação ao gênero e criou uma regra que proíbe a negação, o que limita severamente o escopo da discussão. Quem nega, por exemplo, que os protestos de 2019 envolveram abusos sistêmicos aos direitos humanos (uma questão em aberto) pode ser alvo de programas de reeducação (o Artigo 45 do Regulamento de Ética da Convenção afirma que “os programas serão voltados para treinamentos nas áreas infringidas, como direitos humanos, relações interculturais, igualdade de gênero, diversidade religiosa ou espiritual, ou qualquer outro que seja necessário”).
Os esforços do Chile para fazer avanços em direção a uma sociedade mais inclusiva devem ser aplaudidos, especialmente se eles evitarem cair no populismo nós-contra-eles ou em esforços autoritários para “reprogramar” os infratores. Esses esforços também não são especialmente inusitados, uma vez que o progresso econômico do Chile o aproximou das atitudes pós-materiais comuns às democracias ocidentais. Há anos, as pesquisas mostram que os chilenos são cada vez mais liberais em uma série de valores, e isso é especialmente verdadeiro entre os jovens — o tipo de eleitor que Boric espera atrair.
No entanto, embora esses valores sejam comuns entre os jovens com alto nível de escolaridade, eles enfrentam a resistência de outros setores da sociedade. O amplo acesso à educação superior é relativamente recente no Chile, então uma boa parte do grupo altamente educado no Chile tem menos de 40 anos. Mas muitos eleitores mais velhos, menos educados ou de áreas rurais veem os valores progressistas não apenas como elitistas, mas também moralmente questionáveis, refletindo as tendências de outros países que tombaram rumo ao populismo, como observaram Pippa Norris e Ronald Inglehart.
E é assim que Kast chegou à liderança das pesquisas, quatro anos depois de terminar em quarto lugar na eleição presidencial de 2017, com apenas 8% dos votos. Desde então, Kast fundou seu próprio partido, o Partido Republicano, frustrado com o que considerava ser um fracasso do partido de direita União Democrática Independente (UDI) em defender o legado da ditadura de Pinochet com entusiasmo suficiente.
Nas últimas semanas, ele suplantou o candidato da direita tradicional, Sebastián Sichel, que, com origens no Partido Democrata Cristão, esperava conquistar eleitores centristas insatisfeitos. Sichel falhou e a direita tradicional se voltou para o seu candidato e seu espaço político naturais: abraçou o conservadorismo, o corporativismo e uma defesa obstinada da Constituição de Pinochet.
Mas estamos em 2021, e este não é o pinochetismo dos seus avós. Kast critica a imigração, minimiza as demandas das comunidades indígenas do país e promete combater a “ideologia de gênero”. Sua campanha promete medidas para promover “métodos naturais” de contracepção e envolver as igrejas cristãs no combate ao álcool e às drogas. Na frente internacional, Kast, que é admirador do presidente Jair Bolsonaro, questiona o “globalismo” e vê as Nações Unidas como um instrumento de esquerda, muitas vezes culpando-a pelo problema de imigração do Chile.
Ele promete retirar o Chile do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Também planeja construir “barreiras físicas” entre o Chile e seus vizinhos do norte. Kast, então, é um bom representante da nova direita nacionalista e populista. E, embora não seja especialmente carismático, parece incorporar, muito mais do que Boric, a raiva e a frustração de uma classe média que não se sente representada nem por partidos e instituições indiferentes, nem pelo novo e progressista Chile celebrado na Convenção Constitucional.
O sucesso de Kast até agora mostra que as suposições sobre os protestos de 2019 foram, se não exatamente erradas, ao menos insuficientes. Mais do que um movimento pacífico por mudança política, os protestos sempre tiveram a ver com raiva, frustração e rejeição de partidos políticos e lideranças tradicionais. É por isso que um acordo constitucional — com o objetivo de redesenhar essas instituições — foi entendido como a única saída na época. E é por isso que a extrema direita pode estar tão perto quanto a extrema esquerda de capitalizar em cima do atual momento político.
*Robert Funk é professor de Ciência Política na Universidade do Chile e sócio da Andes Risk Group, empresa de consultoria política
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Em desgraça, centro-direita do Chile vê seu eleitorado minguar e abraçar candidato radical
Acusações contra o presidente Sebastián Piñera, incluindo processo de impeachment, minam cacife eleitoral de candidato à Presidência do seu campo político
Manifestantes em Santiago pedem aumento salarial para professores e renúncia de Piñera; oposição abriu processo de impeachment contra o presidente no Congresso Foto: IVAN ALVARADO / REUTERS
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A centro-direita do Chile nunca recuperou sua força desde que viu sua popularidade evaporar na rebarba de protestos sociais há dois anos, e a crise vem piorando. A menos de 40 dias das eleições presidenciais de 21 de novembro, os partidos da coalizão Chile Vamos do presidente Sebastián Piñera estão fracos e isolados, atrás de adversários à esquerda e à direita na pesquisas.
Nesta quarta-feira, deputados da oposição abriram um processo de impeachment contra Piñera. A iniciativa se segue à abertura de uma investigação do Ministério Público, na semana passada, sobre um possível crime de suborno cometido pelo presidente na compra e venda de uma mineradora, após revelações dos Pandora Papers. Se a acusação for endossada nas duas Câmaras — por maioria simples na Câmara dos Deputados e dois terços no Senado — o presidente será forçado a deixar o cargo e ficará inelegível por cinco anos.
Já a campanha do candidato governista, Sebastián Sichel, egresso da democracia cristã e hoje sem partido, enfrenta um terremoto. Na terça-feira, os canais CHV e CNN Chile apresentaram denúncias sobre supostas irregularidades no financiamento de sua campanha para deputado em 2009. Um dos envolvidos nas denúncias era Cristóbal Acevedo, seu coordenador de campanha. Diante das denúncias, Acevedo pediu desligamento do cargo ontem.
Pessimismo eleitoral
Asssim, caem ainda mais as chances de Sichel avançar ao segundo turno. Segundo a última pesquisa Criteria, da semana passada, o candidato da esquerda Gabriel Boric está em primeiro, com 26% das intenções. Em segundo está o candidato da direita radical José Antonio Kast, que tem atraído eleitores da direita tradicional, e marcou 17%. Sichel está em terceiro, com 15%. A direita democrática chilena enfrenta “uma crise muito séria”, disse ao GLOBO a cientista política Julieta Suárez Cao, da Universidade Católica do Chile:
— Estão em seu pior momento, mas sempre parece que pode piorar ainda mais — disse Suárez Cao. — Os Pandora Papers são um tiro de misericórdia na reputação de Piñera, que terminará seu mandato com essa acusação.
O processo envolve a venda da mineradora Dominga por Piñera a um de seus melhores amigos por meio de uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas em 2010, nove meses antes de começar o seu primeiro mandato. O pagamento da terceira parcela da transação esteve sujeito à não declaração da área de operações como reserva ambiental, decisão que ficou nas mãos de Piñera quando era presidente.
A despeito de méritos inegáveis na campanha de vacinação contra o coronavírus — o país foi o que vacinou mais rápido na América Latina, e atualmente cerca de 75% dos chilenos já tomaram duas doses — a popularidade de Piñera já estava no chão antes das denúncias, com cerca de 20% de aprovação e 70% de rejeição.
Em 2019, Piñera já enfrentou um processo de impeachment, barrado por sua coalizão. De lá para cá, no entanto, seu bloco tem se tornado crescentemente indisciplinado. Com isso, segundo Suárez Cao, não é impossível que o novo processo avance:
— Não há mais disciplina partidária. Vários deputados estão em campanha para a reeleição, e é possível que votem a favor da acusação. É necessário ver quais cálculos políticos serão feitos, mas [um impeachment] já não parece tão improvável — disse a cientista política.
Já a campanha de Sichel enfrenta problemas múltiplos. Segundo Stéphanie Alenda, socióloga da Universidade Andrés Bello, o candidato cometeu erros na campanha, como ter atacado o opositor Boric por não ser pai, o que não repercutiu bem. Além disso, o independente, vencedor das primárias da centro-direita, “demorou a vincular-se aos partidos políticos e criou tensões com a elite, o que fez com que se isolasse muito”.
Para Alenda, um fator de identidade da direita também pesa. Diante de uma provável vitória da esquerda nas eleições — na maioria das pesquisas, Boric tem mais de 60% dos votos no segundo turno — muitos eleitores rejeitaram alguém com um passado no centro democrata cristão. Esses eleitores apostam que, “se é para a direita perder, então que seja para um dos seus”.
— O fato de Kast ser de uma linha muito clara lhe traz certo prestígio. Fortaleceu-o também um clima de desordem, a percepção de que o Estado de direito não está operando bem — disse Alenda, destacando ser improvável a sua vitória.
Reação da direita
Diante da perda de prestígio e das acusações judiciais, o bloco reage. Ontem, Sichel disse que nunca soube da origem das contribuições, e acusou a democracia cristã de ser a responsável pela arrecadação de dinheiro. Também se disse vítima de difamação:
— Este é mais um capítulo de uma operação política destinada a me desprestigiar.
Já representantes de Piñera acusaram o processo de impeachment de golpista.
— Estamos diante de um golpe branco. É óbvio que querem modificar os resultados das eleições democráticas e não querem uma transferência de comando democrática e republicana, como apropriado, em 11 de março [de 2022] — disse o porta-voz do governo, Jaime Bellolio.
Piñera também tem buscado dar sinais para o eleitorado mais conservador. Anteontem, o presidente decretou estado de exceção por 15 dias, prorrogáveis por mais 15, em regiões no Sul do país onde há conflitos agrários ligados a terras ancestrais mapuche. Embora de fato haja conflitos violentos na região entre indígenas e fazendeiros, o momento da decisão indica uma motivação eleitoral:
— Seria ingênuo não relacionar o estado de exceção à campanha presidencial. É uma forma de responder a uma demanda forte da direita mais dura, de tentar recuperar eleitores — disse Suárez Cao.
_________________________________________________Candidato de EXTREMA DIREITA assume LIDERANÇA de PESQUISAS para presidente do CHILE
Com plataforma ultraconservadora, José Antonio Kast ultrapassou Gabriel Boric, de esquerda; primeiro turno será dia 21 de novembro
O Globo e agências internacionais
31/10/2021 - 17:58 / Atualizado em 31/10/2021 - 19:11
Candidato de extrema direita à Presidência do Chile, José Antonio Kast, durante evento de campanha nos arredores de Santiago Foto: IVAN ALVARADO / REUTERS/25-10-21
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SANTIAGO — O candidato de extrema direita José Antonio Kast se consolidou na dianteira das pesquisas para a Presidência do Chile neste domingo, a três semanas do pleito de 21 de novembro. De acordo com múltiplas sondagens recém-divulgadas, o político do Partido Republicano é agora o favorito, deixando para trás o deputado de esquerda Gabriel Boric.
Kast, que abraçou o conservadorismo e se alinha ao presidente Jair Bolsonaro, passou a liderar pela primeira vez neste domingo a pesquisa do instituto Pulso Ciudadano, crescendo quase seis pontos percentuais em duas semanas. Ele tem 22,2% das intenções de voto, contra 17,4% do jovem Boric, de 35 anos, contra quem deverá avançar para o segundo turno em 19 de dezembro.
Quem aparece em terceiro lugar é a senadora democrata cristã Yasna Provoste, com 9,5%, seguida do economista Franco Parisi, com 7,3%. Parisi ultrapassou o candidato governista de centro-direita, Sebastián Sichel, com 6,9%, cujas intenções de voto despencaram desde o início de outubro em meio a uma série de controvérsias.
A edição mais recente da pesquisa Plaza Pública Cadem, também divulgada neste domingo, mostra um cenário similar: o político da direita radical com 23%, seguido de Boric, com 20%, e Provoste, com 12%. Nesta pesquisa, Sichel aparece com 7% dos votos, um pouco à frente de Parisi, com 6%.
Sichel, que é ex-ministro de Desenvolvimento Social do presidente Sebastián Piñera, perdeu nos últimos dias o endosso de ao menos cinco parlamentares de centro-direita, que anunciaram abertamente seu apoio a Kast. É mais um sinal da perda de força do grupo, que nunca se recuperou completamente após sua popularidade evaporar na rebarba de protestos sociais há dois anos.
A crise na coalizão de Piñera, a Chile Vamos, contudo, vem piorando. Há duas semanas, deputados da oposição abriram um processo de impeachment contra o presidente após o Ministério Público anunciar que o mandatário seria alvo de uma investigação sobre possíveis crimes de suborno.
O imbróglio diz respeito à venda de uma mineradora offshore para um amigo íntimo, após revelações feitas pela série de reportagens investigativas Pandora Papers. Sichel, um egresso da democracia cristã, por sua vez, também enfrenta problemas por conta própria, como denúncias sobre supostas irregularidades no financiamento de sua campanha para deputado em 2009.
Programa conservador
Embora as pesquisas sugiram que o Kast perderia no segundo turno para Boric, a disputa se acirrou substancialmente nas últimas semanas. Os escândalos vêm impulsionado o eleitor da direita tradicional para a retórica conservadora e draconiana de Kast. Seu Partido Republicano, por exemplo, foi um dos que se opôs à substituição da Constituição legada pelo ex-ditador Augusto Pinochet (1973-1990).
O político, que terminou as eleições de 2017 em quarto lugar, com apenas 8% dos votos, promete tirar Santiago do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Diz ainda que irá fechar o Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH), uma importante entidade pública independente criada para promover e proteger os direitos humanos no país.
Como lembrou o jornalista Daniel Matamala em sua coluna publicada no jornal La Tercera neste domingo, ele também almeja reverter a lei que legalizou o aborto no Chile, fazendo com que a interrupção voluntária da gravidez seja novamente um crime, como ocorreu entre 1989 e 2017.
Promete também combater a imigração, a "ideologia de gênero" e minar os direitos da população LGBTQIAP+. Seu programa de governo, por exemplo, que crianças criadas por um casal homossexual crescem com “insegurança, angústia e terão mau desempenho escolar” — algo que as evidências científicas mostram não ser verdade.
"Promoveremos desde o Estado uma família formada por uma mãe, um pai e os filhos", diz o programa, que prevê incentivos e subsídios apenas para "casais casados", ignorando também famílias compostas por mães ou pais solo, avós, por exemplo.
_________________________________________________Chile, laboratório de experiências políticas da América Latina - Emir Sader
Por Emir Sader 31 de outubro de 2021, 22:35
Por Emir Sader
Engels chamava a França de laboratório de experiências políticas, onde os acontecimentos se dariam da forma mais radical, da Revolução de 1789, passando pela Revolução de 1848, até chegar à Comuna de Paris. O Chile é o país que acumulou experiências políticas mais expressivas na América Latina, merecendo esse título para o nosso continente.
Já no final do século XIX o Chile foi cenário do surgimento das primeiras formas de organização dos trabalhadores, pela existência das minas e das primeiras formas da classe operária. No início do século XX, na Escola Santa Maria de Iquique, no norte do Chile, se deu o primeiro grande massacre do século.
No final da segunda década do século foram fundados os Partidos Socialista e Comunista. No começo da década de 1920, Luis Emilio Recabarren – fundador do PC no Chile e na Argentina – foi candidato a presidente do país.
Na década de 1930, o Chile foi o único país da América Latina a ter um governo de Frente Popular, com ministros das duas centrais sindicais da época. Já na década de 1950, Salvador Allende foi candidato lançado pelos partidos socialista e comunista à presidência do Chile. Candidatura que voltou a concorrer por três vezes mais, antes de ser eleito o primeiro presidente socialista no Ocidente, em 1970.
O Chile protagonizou assim a única tentativa de construção do socialista pela via eleitoral, de 1970 a 1973. Como reação violenta a essa tentativa, o Chile teve a ditadura militar mais simbólica do período em todo o continente, com o general Augusto Pinochet.
Derrotado em um plebiscito convocado por ele mesmo, Pinochet não pôde voltar a se candidatar à presidência do Chile, conforme a Constituição imposta por ele mesmo, em pleno estado de sítio. Se iniciou assim, em 1990, a transição democrática, que teve no Chile características particulares.
Uma coalizão dos partidos democrata cristão e socialista protagonizou os governos pós-ditadura militar no Chile, mas mantendo a política econômica neoliberal herdada, assim como a Constituição do regime pinochetista, com algumas modificações. Foi assim uma transição que misturava a democracia liberal como sistema político, com a economia neoliberal.
O acúmulo de contradições não resolvidas só foi explodir em 2019, depois de um ciclo de várias mobilizações de massa, em grande parte protagonizadas pelos estudantes. Com grandes mobilizações por todo o país, a partir de reivindicações contra o aumento dos preços dos transportes, elas se transformaram rapidamente em mobilizações que passaram a reivindicar uma Assembleia Constituinte, que liquidasse com as heranças do período pinochetista, assim como a superação do modelo neoliberal.
A eclosão da pandemia interrompeu aquelas manifestações, não impedindo o contínuo desgaste do apoio do governo de Sebastián Pinera. Até que as manifestações foram retomadas e desembocaram na convocação de uma Assembleia Constituinte e nas eleições presidenciais de 2021.
Foi uma nova geração de líderes, que conformam a nova esquerda chilena, organizada em torno da Frente Ampla, que agrupa a uma grande quantidade de novas organizações. A nova esquerda convocou uma disputa para definir o seu candidato à presidência do Chile, com o candidato a Frente Ampla, Gabriel Boric – que tinha sido líder estudantil – triunfou sobre o candidato do Partido Comunista.
Enquanto isso a Assembleia Constituinte foi convocada, eleitos os deputados constituintes, a grande maioria dos quais provenientes de novas gerações de dirigentes. Iniciou a construção da nova institucionalidade chilena, paralelamente à eleição do novo presidente do país.
As pesquisas indicam o favoritismo de Gabriel Boric, candidato da Frente Ampla, seguido pelo candidato da extrema direita, José Antonio Kast. São seguidos pelos candidatos da Democracia Cristã, do que é apoiado pelo presidente Sebastian Pinera. Desde que o Chile terminou com o voto obrigatório, a participação eleitoral se reduziu muito, a menos da metade, com especial ausência dos votos dos jovens. Esta vez se espera uma participação maior, mas da sua porcentagem dependerá, em boa medida, o resultado eleitoral de 21 de novembro no primeiro turno e 19 de dezembro o segundo.
O Chile retoma assim seu caráter de laboratório de experiências políticas na América Latina, com uma eleição exemplar, não apenas porque protagonizada por uma nova esquerda, mas também porque tem paralelamente o desenvolvimento da Assembleia Constituinte.
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O neoliberalismo e a terra arrasada: a Argentina como espelho do Brasil - Jair de Souza
Por Jair de Souza
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Fiz a tradução ao português e a legendagem deste documentário argentino de 2019 por uma razão que me pareceu essencial: a atualidade do mesmo para ajudar-nos a entender tudo pelo que o Brasil vem passando nos últimos cinco anos.
O desenrolar da narrativa do vídeo revela os mecanismos usados pelas forças atreladas aos interesses do grande capital quando decidem eliminar da cena política aquelas pessoas ou organizações que, além de oferecerem resistência aos mesmos, demonstram ter força e capacidade de incomodar.
A forma de atuar do imperialismo na era do capitalismo neoliberal apresenta muitas características semelhantes em quase todas as partes onde os interesses do grande capital desejam se sobrepor aos das maiorias populares. Os acontecimentos recentes no Brasil, no Equador, no Peru, na Bolívia, na Argentina, etc., não deixam margem para dúvidas quanto aos laços vinculantes entre todos eles.
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Os agentes encarregados da gestão da defesa dos negócios do grande capital têm sabido fazer uso dos conhecimentos extraídos de experiências ocorridas em alguns países para estendê-las a outros. O emprego combinado de lawfare (uso persecutório do sistema judicial) com uma intensa manipulação midiática não é exclusividade de nenhum de nossos países. Parece até que existe uma cartilha de aceitação universal que eles vêm seguindo à risca.
Em meu entender, a clareza exposta neste documentário sobre a tragédia que marcou o processo que levou o neoliberalismo de Mauricio Macri ao governo da Argentina vai nos ajudar a entender melhor também o sofrimento pelo qual o povo brasileiro está passando.
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Por isso, dedicar nossa atenção sobre o que está sendo exposto e debatido no caso da Argentina vai nos ajudar a compreender melhor nossa própria situação e, com isso, encontrar formas de derrotar os eternos inimigos das maiorias populares.
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