______________________________* Moisés na Montanha * ______________________________* ALERTA-VERMELHO-ALERTA-VERMELHO: OMS batiza NOVA variante de CORONAVÍRUS de OMICRON



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29 de dezembro de 2021

_________________________________________________Miguel Nicolelis ALERTA: Brasil é um dos países MAIS VULNERÁVEIS à variante ômicron

_________________________________________________Estados Unidos registram mais de 1 MILHÃO de casos de Covid-19 EM UM DIA pela primeira vez Mais de 100 mil pessoas estão INTERNADAS com a doença

04/01/2022

_________________________________________________PREFEITURA do Rio informa que ÔMICRON já tem TRANSMISSÃO COMUNITÁRIA na CIDADE 

03/01/2022

_________________________________________________Ômicron: Rio vive uma EXPLOSÃO de CASOS de Covid e tem aumento de 6.778% em 20 dias

Em uma semana, do Natal para o réveillon, a alta foi de 360%

06/01/2022

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_________________________________________________"Não basta vacinar. Precisamos parar de aglomerar e temos de usar máscara o tempo todo", declara Miguel Nicolelis

Miguel Nicolelis

247 - Em entrevista à TV 247, o cientista Miguel Nicolelis explicou detalhes sobre a nova variante ômicron, que tem se espalhado com rapidez, e falou sobre a importância da vacinação.

Segundo Nicolelis, a taxa de transmissão da ômicron é “DEVASTADORA ”. 

“As vacinas foram um grande sucesso porque reduzem casos e reduzem a gravidade", disse. 

“Mas não basta vacinar. Precisamos parar de aglomerar e usar máscara o tempo todo", completa. 

No Brasil, até a última quinta-feira (6), O Brasil havia registrado 22.351.104 casos de Covid-19.

Em 24 horas, secretarias de saúde confirmaram 27.267 novos diagnósticos positivos da doença. 

O total de infectados com a variante ômicron chegou a 265 na quinta-feira. 

Até a quarta-feira (5), esse número estava em 170.

"A terceira onda da Covid-19 já começou no Brasil", disse Nicolelis. 

“É uma terceira onda bem mais complexa. Nós vamos ter influenza, ômicron e delta”. 

Nicolelis ainda comentou sobre a pandemia em meio ao governo Bolsonaro. 

“A falta de uma estratégia de comunicação, de combate, de uma coordenação central, todas as medidas que foram tomadas com atraso contribuíram para a catástrofe sanitária que o Brasil enfrenta”, afirmou Nicolelis.

“Nós não temos liderança nenhuma”. 

_________________________________________________Cientistas projetam EXPLOSÃO de CASOS de Covid no Brasil: 1 MILHÃO de infectados POR_DIA nas próximas DUAS SEMANAS 

8 de janeiro de 2022, 06:31

247 - Em duas semanas, o Brasil pode chegar a um milhão de pessoas infectadas por dia com Covid. 

A projeção, feita pela Universidade de Washington (EUA), considera que os casos são muito superiores aos dados oficiais e devem mais do que dobrar em 15 dias, destaca a Folha de S.Paulo em reportagem publicada neste sábado (8).

Devido ao apagão de números sobre a doença, não se sabe o tamanho da onda de contaminações impulsionada pela variante ômicron atualmente.

Isso porque os sistemas de notificação do Ministério da Saúde estão instáveis há um mês, após ataques hackers, e não há uma política ampla de testagem.

A universidade estima que 468 mil pessoas tenham sido infectadas no Brasil apenas nesta sexta (7), incluindo aquelas que não fizeram exames. 

A quantidade é quase nove vezes superior aos testes positivos registrados pelos estados nas últimas 24 horas (53.419, segundo o consórcio de veículos de imprensa).

Seguindo a projeção, o país deve chegar a 1 milhão de infectados no dia 23 de janeiro e a um pico de 1,3 milhão em meados de fevereiro. 

A estimativa é dez vezes maior do que o número registrado no auge da doença no Brasil, em março do ano passado, quando foram quase 100 mil casos positivos por dia.

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Covid-19: Brasil registra 45.717 novos casos nas últimas 24 horas, mostra consórcio de imprensa

Média móvel de contaminações aumentou 477%; índice de mortes segue em queda
Arena Carioca 2, no Parque Olímpico da Barra, no Rio, foi usada pela Secretaria Municipal de Saúde para vacinação e teste de Covid Foto: Domingos Peixoto / Domingos Peixoto
Arena Carioca 2, no Parque Olímpico da Barra, no Rio, foi usada pela Secretaria Municipal de Saúde para vacinação e teste de Covid Foto: Domingos Peixoto / Domingos Peixoto

O Brasil registrou, nesta quinta, 171 mortes por Covid-19, elevando para 619.730 o total de vidas perdidas no país para o coronavírus. A média móvel foi de 101 óbitos, 10% menor que o cálculo de duas semanas atrás, o que demonstra tendência de queda.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Nas últimas 24 horas, 45.717 novos casos foram notificados pelas secretarias de saúde, totalizando 22.395.322 infectados pelo Sars-CoV-2. A média móvel foi de 17.100 diagnósticos positivos, 477% maior que o cálculo de 14 dias atrás, o que demonstra tendência de alta.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Vacinação

Quatorze unidades federativas do Brasil atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 nesta quinta. Em todo o país, 161.560.434 pessoas receberam a primeira dose de um imunizante, o equivalente a 75,74% da população brasileira. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 143.955.901 pessoas, ou 67,48% da população nacional. Já 28.482.658 pessoas receberam uma dose de reforço.

Nas últimas 24h foram registradas a aplicação de um total de 773.452 doses de vacinas contra a Covid-19. Foram 60.303 primeiras doses, 143.841 segundas doses, 1.758 doses únicas, e 567.550 doses de reforço.

_________________________________________________Em editorial lido por Bonner e Renata Vasconcellos, Globo escracha Bolsonaro e negacionismo (vídeo)

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247 - Em editorial, nesta quinta-feira, 6, o principal programa da TV Globo, o Jornal Nacional, realizou fortes críticas a Jair Bolsonaro pelos ataques que faz às vacinas contra a Covid-19 e à imunização de crianças no Brasil. Os âncoras William Bonner e Renata Vasconcellos destacaram os absurdos cometidos pelo presidente brasileiro.

“As declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre as mortes de crianças por Covid afrontam a verdade e desrespeitam o luto de milhares de brasileiros, parentes e amigos das mais de 300 vítimas de cinco a onze anos”, disse Bonner. 

“O presidente também desrespeita todos os técnicos da Agência Nacional da Vigilância Sanitária ao questionar qual seria o interesse da Anvisa com a autorização da vacinação de crianças”, continua. Segundo o jornalista, “o interesse da Anvisa está expresso na lei que a criou: coordenar o sistema nacional de vigilância sanitária em defesa da saúde da população”.

Ele ainda lembrou que Bolsonaro ameaçou divulgar nomes de integrantes da Anvisa que aprovaram a vacinação infantil, atacando a independência do órgão garantida por lei. Já Renata Vasconcellos destacou que Bolsonaro desrespeita a Constituição, que ele “jurou respeitar”, pois “a saúde é direito de todos os cidadãos e dever do Estado”.

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Renata ainda afirmou que “o governo Bolsonaro retardou a decisão sobre vacinas para crianças desde o dia 16 de dezembro até ontem, data limite imposta pelo Supremo Tribunal Federal. Convocou uma consulta pública estapafúrdia, porque remédios não podem ser aprovados pelo público leigo, mas por cientistas”. 

“Em razão dessa demora, as famílias têm que aguardar ainda ao menos sete dias até a chegada das primeiras doses pediátricas. Como se não bastasse, hoje ele insistiu em atacar as vacinas”, argumentou.

“O presidente Jair Bolsonaro é responsável pelo que diz, pelo que faz. Espera-se que também seja responsável pelas consequências”, concluiu Bonner. Confira:

Reação na internet

Na internet, diversos internautas e jornalistas comentaram o editorial do Jornal Nacional, destacando que foi duro com o negacionismo e a atitude criminosa de Bolsonaro em relação à vacinação infantil.

Ataques à vacinação durante live

Nesta quinta, a transmissão ao vivo semanal de Bolsonaro foi iniciada antes da hora e foi possível ver o presidente ser orientado a atacar a vacinação infantil. Durante a live, Bolsonaro voltou a atacar a vacinação de crianças, falando em efeitos adversos causados pela gripe, e disse que ela não será obrigatória.

_________________________________________________Afastamento de pessoas por covid-19 vai interromper serviços, diz Gabbardo

28.abr.2021 - Gabbardo: 'Muitos serviços terão que ser suspensos porque não teremos pessoas para desenvolver atividades' Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Do UOL, em São Paulo 06/01/2022 13h33

O coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, João Gabbardo, disse hoje, em entrevista à CNN, ser "preocupante" o número de pessoas contaminadas com a covid-19 e que, portanto, precisam se afastar do trabalho. Para ele, há risco de interrupção de serviços em razão disso.

Gabbardo explicou que os hospitais já enfrentam problemas para montar suas escalas de plantão porque os profissionais estão sendo contaminados e precisam se afastar de suas funções. Pessoas com síndromes gripais devem ficar isoladas para não transmitir os vírus para outras.

Médicos solicitam no CFM abertura de processo ético contra Queiroga

Essa nova forma da transmissão da doença, tão elevada, ela vai nos colocar um desafio importante: muitos serviços terão que ser suspensos porque não teremos pessoas para desenvolver atividades. Estou falando isso em relação a transporte coletivo, transporte aéreo, unidades de saúde, as pessoas estão ficando contaminadas e o afastamento delas leva a uma dificuldade muito grande João Gabbardo

O avanço da variante ômicron pelo mundo, altamente transmissível, tem provocado o cancelamento de milhares de voos em todo o mundo. A Azul, por exemplo, informou que registrou um aumento no número de dispensas médicas entre seus funcionários em razão de casos de gripe e de covid-19, o que levou a companhia a reprogramar parte de seus voos em janeiro.

Gabbardo explicou ainda que, embora tenham crescido, o número de casos de hospitalização não é preocupante. "Diferente das outras ondas, desta vez os casos geralmente são encaminhados ao hospital e as pessoas voltam para casa."

O estado de São Paulo teve um aumento de 30% em novas internações por covid-19 nos hospitais públicos e privados na última semana. O número de novos hospitalizados com a doença subiu de 425 para 552 na primeira semana do ano, impulsionado pela ômicron e pelas festas de fim de ano.

Segundo ele, como a transmissibilidade é muito rápida, ou seja, quase todas as pessoas ficam doentes simultaneamente, a expectativa — baseada na experiência de outros países — é de que o pico tenha pouca duração. Ele ressaltou a importância da vacinação.

"Imagina se essa variante, com essa capacidade de transmissão, tivesse aparecido quando a população não estivesse vacinada, o horror que seria. Quando a gente diz que os casos são leves, são leves porque população está vacinada. Se não tivesse provavelmente teríamos surto com internações e casos graves e óbitos elevadíssimos."

O Brasil alcançou ontem a marca de 143,8 milhões de pessoas com vacinação completa contra a covid-19, conforme boletim divulgado pelo consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte. No total, 143.810.302 brasileiros já tomaram a segunda dose ou a dose única de imunizante, o correspondente a 67,42% da população nacional.

_________________________________________________Reportagem: Lucia Helena - Por que tomar vacina da gripe se ela não protege contra esse vírus H3N2?

Imagem: iStockLúcia Helena

Colunista do UOL

06/01/2022 04h00

Tem gente dizendo que nem vale a pena sair de casa para sentir a picada da agulha, porque a vacina da gripe encontrada por aí não contempla o tipinho exato do vírus influenza H3N2 que, ao lado do Sars-CoV-2 da covid-19, fez a festa nas aglomerações da virada do ano.

Dá para medir a encrenca pelo tamanho das filas nos pronto-atendimentos. Ainda mais diante delas, para quem até agora escapou dessa gripe fora de época e que não tomou a vacina em 2021, a recomendação dos médicos é uma só: correr atrás do atraso.

Infecção dupla por gripe e covid é preocupante, mas não é novidade; entenda

"Inclusive, é a mesma coisa que falamos para quem já ficou gripado. Afinal, existe mais de um tipo de influenza e não dá para saber qual vírus você teve no passado", orienta o pediatra Renato Kfouri, que é presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria e membro da diretoria da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações)

De fato, tomar a vacina é se proteger contra, no mínimo, três formas do influenza presentes nos imunizantes. A H3N2 é, sim, uma delas. Mas está certo: não se trata do H3N2 da vez, a variante darwin. "Por isso, só podemos esperar uma proteção parcial", reconhece Renato Kfouri. Parcial é bem melhor do que nada.

O que está na vacina

Vamos lá: existem vírus influenza tipo A e tipo B. Na prática, com maior ou menor intensidade conforme uma série de fatores, ambos têm potencial para nos derrubar com uma gripe dos infernos. Se uns indivíduos caem de cama em casa ao serem infectados, outros vão precisar de um leito hospitalar. E, sim, tudo pode se complicar demais, colocando a vida em perigo.

Tanto o influenza A quanto o B, por sua vez, possuem linhagens diferentes. A vacina que está sendo aplicada na rede pública é trivalente. Ela nos defende contra três delas em uma só agulhada. No caso, contra a já manjada H1N1 e contra a H3N2, que são do tipo A. Já a terceira linhagem no imunizante dos postos de saúde é a de um influenza B.

Se você for à rede privada, porém, encontrará a vacina quadrivalente que, como o nome indica, protege contra quatro linhagens —a quarta também é de um influenza B.

No entanto, em matéria de H3N2, trivalente ou quadrivalente dão na mesma nesta altura do campeonato. Elas podem deixar a desejar em matéria de prevenir a infecção. "Mais provável que evitem quadros graves. E —ponto fundamental— podem diminuir a probabilidade de você transmitir o influenza para alguém mais suscetível a adoecer pra valer", explica Kfouri.


_________________________________________________Ronilso: Bolsonaro faz ideologia de morte em fala pirracenta sobre vacina

06/01/2022 18h53

O teólogo Ronilso Pacheco, colunista do UOL, disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro (PL) prega uma ideologia da morte.

"Ele tem o dom de fazer a gente nadar em círculos, discutir coisas que já deveriam ser superadas. Ele continua com sua ideologia da morte, se pauta por referências da morte."

Bolsonaro voltou a criticar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pelo aval à vacinação infantil contra o coronavírus e, em tom alarmista e sem fundamentação científica, colocou em dúvida a eficácia do imunizante da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos. O governante também disse desconhecer que alguém nessa faixa etária tenha morrido em decorrência da covid-19 no país.

Bolsonaro diz que não houve déficit de empregos em 2020, mas saldo foi negativo

"Ele fala de uma maneira pirracenta. É uma forma de reafirmar o que ele tem dito, forma de dizer que ele não volta atrás, que está correto em suas convicções. É um discurso improdutivo", completou Ronilso, durante a entrevista ao UOL News.

Dados do Sivep-Gripe, base de dados do SUS (Sistema Único de Saúde), porém, mostram que ao menos 301 crianças e adolescentes de 5 a 11 anos morreram no país em razão da doença desde março de 2020. No total, foram 6.163 casos registrados de infecção.

Pré-candidatura de Moro

O colunista do UOL também questionou a legitimidade da chamada "terceira via", que tem Sergio Moro (Podemos), ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, como um dos pré-candidatos representantes.

"NÃO tem bolsonarista arrependido, tem bolsonarista FRUSTRADO em como Bolsonaro age.

Isso mostra o quão confusa tem sido a construção dessa terceira via, que NÃO demonstra uma RUPTURA do PROJETO de país que cabem pessoas que viam RAZOABILIDADE do projeto de país de BOLSONARO", avaliou o teólogo.

Moro desembarcou hoje na Paraíba, onde inicia um périplo pelos estados brasileiros com o objetivo de articular palanques e buscar aliados para a sua campanha neste ano. 

O ex-juiz terá no seu entorno um grupo de parlamentares que se elegeu para Câmara dos Deputados e Senado em 2018 na onda bolsonarista, mas romperam ou se afastaram de Bolsonaro ao longo da atual legislatura.

_________________________________________________Contrariando Bolsonaro, Exército exige de militares vacina e máscaras

6 de janeiro de 2022, 19:07

247 - O Comando do Exército contrariou Jair Bolsonaro. Os militares foram instruídos a se vacinar (para quem retornar ao trabalho presencial), praticar o distanciamento social e usar máscaras de proteção, além de não espalhar informações falsas sobre a pandemia da Covid-19, ao contrário do que prega o chefe de governo. 

As diretrizes são assinadas pelo comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. O objetivo é o retorno pleno de todas as atividades administrativas e operacionais. 

Segundo a TV Globo, são 52 pontos. Entre eles, o Exército determina que:

os militares e os servidores civis que retornarem de viagem internacional, a serviço ou privada, ainda que não apresentem sintomas relacionados à Covid-1 deverão realizar o teste molecular (RT-PCR) até 72 horas antes do embarque.

Para as ações de campo, como as de forças-tarefas humanitárias, e nas operações de faixas de fronteira:

estabelece que é preciso continuar adotando medidas de prevenção à contaminação pelo coronavírus;
recomenda o distanciamento social, o uso de máscaras e a higienização das mãos.

O documento reforça que pode haver o retorno às atividades presenciais:

desde que respeitado o período de 15 dias após imunização contra a Covid-19. Os casos omissos sobre cobertura vacinal deverão ser submetidos à apreciação do DGP (Departamento Geral do Pessoal), para adoção de procedimentos específicos;

_________________________________________________Ômicron: especialistas não recomendam máscaras de pano ou cirúrgicas; entenda

PFF2 oferece maior proteção, pode ser usada algumas vezes e pode ser achada, além de farmácias, em lojas de material de construção
Passageiros usam máscaras cirúrgicas e de pano para andar em metrô de Londres. Foto: TOLGA AKMEN / AFP
Passageiros usam máscaras cirúrgicas e de pano para andar em metrô de Londres. Foto: TOLGA AKMEN / AFP

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SÃO PAULO — Em meio a muitas incertezas, os cientistas afirmam com segurança que a variante Ômicron é mais transmissível. Diante da explosão de casos de Covid-19 que ocorreu nos últimos dias, máscaras cirúrgicas e de pano, embora as mais comuns, não são suficientes para garantir proteção.

Vitor Mori, pesquisador na Universidade de Vermont e membro do Observatório COVID-19BR, explica que o vírus SARS-CoV-2 segue um mesmo padrão: se transmite da mesma forma e tem o mesmo tamanho. Mas há variáveis que ainda não foram totalmente dimensionadas: se as pessoas infectadas carregam mais vírus, se a localização da carga viral (nas vias superiores) facilita o caminho, ou se a quantidade de vírus necessária para infecção é menor. 

— Com esse vírus mais transmissível, as medidas de proteção têm que acompanhar o risco. Então faz sentido usar uma máscara melhor — explica Mori. 

Segundo ele, a máscara mais segura é a PFF2, de preferência com a tira na cabeça, mas a que prende atrás da orelha também é boa opção. Em terceiro lugar, a KN95, que é uma equivalente à PFF2, mas sem os mesmos certificados. 

Caso nenhuma dessas esteja acessível, a recomendação é usar a cirúrgica com uma de pano por cima, nessa ordem porque a cirúrgica vai filtrar e a de pano terá o papel de ajustá-la melhor. Como última opção,  a cirúrgica, bem ajustada, ou a de pano, com, no mínimo, duas camadas.

— Mas essas duas opções representam risco grande em espaços fechados com muita gente — alerta o pesquisador. — É preciso desmistificar a PFF2. Ela não é mais difícil de achar, basta procurar além da farmácia, como lojas de material de construção ou EPI. E como pode ser reutilizada várias vezes, não é tão cara.

De qualquer forma, é importante levar sempre em conta dois pontos centrais: ajuste e filtração. Não adianta ser PFF2 se o ar sair pelas laterais. Ou a de pano bem ajustada, mas com tecido de tricô. Além disso, é importante considerar o conforto, para que a máscara seja corretamente utilizada, pelo tempo necessário.  

_________________________________________________Covid: Goiás registra primeira morte por Ômicron no Brasil

Óbito ocorreu em Aparecida de Goiânia; vítima era um homem de 68 anos, com comorbidades e três doses da vacina

Primeira imagem da Ômicron, da Universidade de Hong Kong Foto: Divulgação
Primeira imagem da Ômicron, da Universidade de Hong Kong Foto: Divulgação

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SÃO PAULO — Um óbito pela Covid-19 causado pela variante Ômicron foi registrado em Goiás nesta quinta-feira. Segundo informações da Secretaria Municipal da Saúde de Aparecida de Goiânia, no interior do estado e onde o óbito foi confirmado, esse é o primeiro registro de morte pela variante no Brasil.

A vítima era um homem de 68 anos, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica e hipertensão arterial. Ele estava internado em unidade hospitalar e já havia recebido três doses da vacina.

Especialistas ouvidos pelo GLOBO afirmaram que, atualmente, o que se vê é que a Ômicron tende a causar casos mais leves em pessoas totalmente vacinadas. No entanto, naquelas com imunossupressão ou comorbidade grave, como era o caso o paciente, há aumento do risco de complicações.

Segundo informações da pasta, o paciente era contactante de um caso confirmado como infecção pela variante. A confirmação do primeiro óbito ocorre exatamente dez dias após a declaração de transmissão comunitária na cidade.

Aparecida de Goiânia tem um Programa Municipal de Sequenciamento Genômico que faz a análise de amostras positivas de RT-PCR coletadas no município para mapear a informação genética e identificar as variantes em circulação do novo coronavírus. Até o momento, 2.386 sequenciamentos já foram realizados na cidade, que já confirmou 55 casos de Ômicron. A prevalência da variante alcançou a casa dos 93,5%.

"Na semana epidemiológica 48 de 2021, a prevalência da variante delta era 100%. Já na semana 52, última do ano, alcançamos 93,5%. Esse dado confirma a rapidez da disseminação da Ômicron, identificada pela primeira vez na África do Sul. Mas, ainda é muito recente para que possamos analisar dados como letalidade e taxas de agravamento", disse Alessandro Magalhães, secretário de Saúde do município, em comunicado.

_________________________________________________Surto de Covid: Globo tem quase 40 jornalistas infectados e entra em estado de alerta

6 de janeiro de 2022, 12:28

247 - Com surto de casos de Covid-19 provocado pela variante ômicron, a Globo tem quase 40 jornalistas afastados pela doença e entrou novamente em estado de alerta com a pandemia. Nesta quarta-feira (5), Christiane Pelajo recebeu diagnóstico positivo para a doença e foi substituída por Marcelo Cosme no Edição das 16h. A reportagem é do portal Notícias da TV.

A reportagem teve acesso a um email enviado por Ali Kamel, diretor de Jornalismo da emissora, à Redação da Globo nesta quarta. No comunicado, o executivo pede cuidado aos funcionários, explica os protocolos de segurança a serem mantidos e seguidos, além de definir regras para afastar jornalistas que apresentem risco à saúde da equipe.

A reportagem apurou também que já são 17 profissionais afastados da Redação da Globo no Rio de Janeiro e 20 da equipe de jornalismo de São Paulo. A emissora estaria sofrendo um grande desfalque, já que muitos funcionários também tiraram ou vão tirar férias neste mês.

Tanto no Rio como em São Paulo, as escalas de trabalho dos próximos finais de semana estão tendo que ser ajustadas para cobrir todos os buracos nas equipes.

"Como todos nós sabemos e estamos noticiando, a variante ômicron chegou com força. É então imprescindível que redobremos nossos cuidados, na nossa vida profissional, mas também na nossa vida pessoal. Precisamos usar máscara o tempo todo no ambiente de trabalho, higienizar mãos e equipamentos e evitar aglomerações", orienta ele.

_________________________________________________Ômicron: Rio vive uma EXPLOSÃO de CASOS de Covid e tem aumento de 6.778% em 20 dias

Em uma semana, do Natal para o réveillon, a alta foi de 360%

Parque Olímpico recebeu centenas de pessoas para fazer teste da Covid Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

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RIO — A cidade do Rio vive nesses primeiros dias do ano uma explosão de casos de Covid-19. Desde segunda-feira, o cenário é de longas filas de pessoas com sintomas da doença diante postos de saúde, farmácias e laboratórios. O aumento da procura por testes após as festas coincide com a chegada da variante Ômicron ao município. E, apesar do apagão no banco de dados do Ministério da Saúde, os números oficiais já começam a mostrar um crescimento vertiginoso de casos de coronavírus. O painel da prefeitura do Rio mostra que, no dia 12 de dezembro, apenas 18 pessoas tiveram o diagnóstico da doença. No dia 25, o número de infectados pulou para 269 e, em 1º de janeiro, saltou para 1.238. Em uma semana, do Natal para o réveillon, a alta foi de 360%. Se considerar o período de 20 dias, a escalada foi de 6.778%.

A capital não tinha tantas pessoas confirmadas com a doença em um único dia desde 30 de agosto, quando ainda enfrentava a onda da doença provocada pela variante Delta. Esse número de 1.238, que se refere ao total de pacientes que relataram ter começado a sentir os sintomas da infecção no dia 1º, deve subir já que novos casos atendidos nos próximos dias ainda podem ser inseridos no sistema.

Números represados

Outra estatística divulgada pelo painel da prefeitura mostra o número de registros de casos diários. Na segunda e na terça-feira, foram 6.307 notificações, mas a Secretaria municipal de Saúde ressalta que o número foi afetado pelo represamento provocado pelo ataque hacker ao sistema do Ministério da Saúde em 10 de dezembro.

O avanço da doença se reflete na taxa de positividade dos testes para diagnosticar a Covid-19, que subiu de 13% na semana passada para 41% nos primeiros dias do ano. Esse é um dos indicadores que apontam que a curva de contágio deve subir ainda mais. O dado inclui testes realizados nas redes pública e privada. Somente em unidades da prefeitura, a positividade foi de 17% ontem. O grande volume de pessoas que estão fazendo os exames tem atrasado a inclusão dos resultados nos sistemas.

Desde a primeira semana de 2021, quando o Rio enfrentava a segunda onda do coronavírus, a cidade não tinha um percentual de casos positivos tão alto como agora. Desde então, a cidade não tinha ultrapassado a barreira dos 40%. Naquela época, no entanto, o número de internados girava em torno de mil, sendo 500 em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs).

Corridas aos postos

As filas desta quarta-feira no Parque Olímpico, na Barra, onde há um posto de vacinação e testagem, são o retrato desse recrudescimento da doença. Morador do Cachambi, o motorista de aplicativos Julio Friques, de 47 anos, começou a ter sintomas de resfriado na segunda-feira. Nesta quarta-feira, ele e a mulher foram em busca do exame: os dois estão com Covid-19.

— Passei o réveillon com a família, mas sou motorista de aplicativo e posso ter sido infectado no trabalho. Chegamos ao posto por volta das 12h30, e tive o primeiro atendimento duas horas depois, mas foram quase quatro horas até ser liberado. Tomei as duas doses e iria tomar a terceira agora — conta.

Em 2021, o Rio viveu três ondas da doença na cidade, que coincidiram com a chegada de variantes do coronavírus. Especialistas avaliam que, com a entrada da Ômicron na cidade, a tendência é que o processo se repita.

Diego Xavier, epidemiologista e pesquisador do Monitora Covid-19, da Fiocruz, observa que as experiências de outros países com cobertura vacinal parecida com as daqui mostram que o número de casos deve subir. Segundo ele, é preocupante o fato de ter tantas pessoas viajando nas férias de janeiro:

— Tudo está indicando que teremos um “susto”, mas temos uma atenuante que é a vacina. O lado bom é que não temos acompanhado um aumento de óbitos e casos graves, o que acontecia em outras ondas da doença, e isso só pode ser efeito da imunização.

Em todo o estado, 312 casos já tiveram resultados de triagem positivos para a Ômicron e são alvo de análise genética por laboratórios, como o da Fiocruz. Se esses casos forem confirmados, a Ômicron já terá se tornado a cepa predominante no Rio.

— Estamos vendo perto da gente o aumento de casos. Vínhamos com 17 semanas de redução e, de repente, a gente começa a ter um aumento muito rápido. É claro o indicativo de uma nova variante. Felizmente, não tem gerado casos graves, óbitos e internações — disse o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, em transmissão on-line anteontem.

Gulnar Azevedo, professora de epidemiologia da Uerj e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), destaca que o bloqueio vacinal tem se mostrado efetivo contra a variante até o momento:

— Não estamos conseguindo testar suficientemente para identificar o quanto a Ômicron é a responsável pelos casos. Mas há grande chance de ser. Importante lembrar, no entanto, que o aumento dos casos, independentemente de qual variante, tem a ver com as festas de fim de ano. O relaxamento no uso de máscaras e as aglomerações, mesmo que entre famílias, aumentarão, sem dúvida, a circulação do vírus.

Com o avanço na vacinação, os casos de Covid-19 na cidade vinham em queda desde o fim de agosto. Em dezembro, apesar da epidemia de gripe, o Rio teve os menores índices de novos casos e óbitos por coronavírus desde o início da pandemia, em março de 2020. Foram esses indicadores que embasaram a decisão dos comitês científicos da prefeitura do Rio e do governo estadual para liberar queimas de fogos em Copacabana e outros pontos da cidade.




_________________________________________________Prontos-socorros lotam com a explosão de novos casos de covid-19 no Brasil

6 de janeiro de 2022, 05:45

247 – Os prontos-socorros estão lotados e há cada vez mais pacientes com síndromes respiratórias agudas graves, causadas sobretudo pela expansão da variante ômicron. Essa explosão de casos foi causada pelas festas de fim de ano, aglomerações e pelo relaxamento das medidas sanitárias. "O hospital HCor, de SP, registrou na terça-feira (4) o maior volume de atendimentos no pronto-socorro de sua história. De 388 pacientes que buscaram ajuda, 252 tinham quadro de síndrome gripal. O hospital diz que os atendimentos não param de crescer, dia após dia. Na quarta-feira anterior (29), o número de pacientes foi de 153", informa a jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna. "O perfil epidemiológico dos casos se inverteu: se em 22 de dezembro o vírus influenza H3N2 era responsável por cerca de 40% do atendimento, enquanto a Covid-19 se mantinha abaixo dos 10%, nos últimos dois dias o índice de infectados pelo coronavírus chegou a 43%", acrescenta.

"O quadro alarmante se repete em outros hospitais privados da capital paulista — assim como a predominância do coronavírus sobre o vírus influenza. 

Os casos confirmados de Covid-19 no Hospital Israelita Albert Einstein saltaram de 1.665, entre 19 e 25 de dezembro, para 2.697 até 1º de janeiro. 

Já os diagnósticos de gripe caíram de 2.781 para 1.450. 

No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o volume diário de pacientes com sintomas respiratórios no pronto atendimento QUADRUPLICOU, quando comparadas a primeira e a última semana de dezembro", escreve ainda a jornalista.

_________________________________________________ATRASO para vacinar CRIANÇAS é 'NEGAÇÃO INACREDITÁVEL da CIÊNCIA diante de aumento de casos de covid, diz médico da Fiocruz - BBC News Brasil


Vinícius LemosDa BBC News Brasil em São Paulo

5 janeiro 2022, 17:26 -03

No início de dezembro passado, os atendimentos a casos de covid-19 eram raros ou, em certos dias, inexistentes na rotina do pediatra e infectologista Márcio Nehab.

O que poderia ser um indicativo de melhora da pandemia, hoje é visto por ele como a fase que antecedeu um período de "subida assustadora de casos".

"De duas semanas pra cá, a situação piorou muito. Ontem (segunda-feira), por exemplo, foi o dia em que mais fiz pedidos de covid-19 desde o início da pandemia. Tem sido assim nos últimos dias. Nunca fiz tantos pedidos de exames na vida", comenta Nehab, que é do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/FioCruz).

O pediatra, que trabalha em hospitais da rede pública e privada do Rio de Janeiro, atende crianças de diferentes idades. Em casos suspeitos de covid-19, ele solicita exames para os pacientes e seus familiares. E nas últimas semanas, Nehab tem notado uma particularidade: praticamente todos os membros da família testam positivo para a doença.

"Nas variantes anteriores, a taxa de transmissão entre os familiares já era alta, mas na ômicron tem sido maior ainda. É uma variante muito mais transmissível", diz o especialista à BBC News Brasil.

Ele conta que fez cerca de 20 pedidos de exames de covid-19, incluindo as crianças e seus familiares, na última segunda-feira (03/01), enquanto nos períodos anteriores nunca havia solicitado mais de 15, nem mesmo no auge da pandemia em março de 2021. Esse aumento de registros da doença, conta Nehab, também tem sido notado por seus colegas de profissão.

Em meio ao atual cenário, Nehab classifica como "completa negação da ciência" a conduta do governo federal em relação à vacinação das crianças contra a covid-19.

Apesar de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter autorizado a aplicação da vacina da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos em 16 de dezembro, o governo federal decidiu fazer uma consulta pública sobre o tema e encerrou as discussões sobre o tema somente nesta quarta-feira (05/01), ao divulgar detalhes sobre a imunização para esse grupo.

O aumento de casos de covid-19

A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens

Assim como tem ocorrido em diferentes regiões do mundo, o Brasil sofre com o avanço da ômicron. Pelo que tem sido observado em outros países, a variante causa quadros mais leves ou até assintomáticos, porém é mais transmissível.

No Brasil, as cenas de filas à espera de atendimento médico por suspeita de covid-19 voltaram a ser comuns. A busca por exames para a doença tem sido cada vez maior nos últimos dias e os resultados positivos aumentaram. Há também mais internações quando comparado aos últimos meses de 2021, conforme relatos de profissionais de saúde.

Em meio ao atual cenário, o país vive dificuldades para dimensionar a real situação da pandemia. Com testes insuficientes e com dificuldades de divulgação de dados em muitos municípios, especialistas têm afirmado que não é possível quantificar a real situação da pandemia no Brasil nos últimos dias.

É possível avaliar parte do cenário por meio dos dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). A média móvel de casos (que analisa os números dos últimos sete dias) passou a crescer há cerca de duas semanas. Em 22 de dezembro, por exemplo, estava em 3,1 mil casos. Já na terça-feira (04/04) saltou para 9,8 mil.

Para Nehab, não há dúvidas de que o país volta a enfrentar um período preocupante. "Agora, dias depois do Réveillon, acredito que os casos vão explodir, uma coisa impressionante, assim como ocorre em outros países", diz. "Em 15 dias, poderemos ter um aumento significativo e muito assustador de casos", declara. E essa subida de casos inclui também o público infantil, ressalta o pediatra.

Médico afirma que infecções devem aumentar ainda mais após festas de fim de ano

O impasse sobre o uso da Pfizer destinada às crianças, comenta o especialista, torna a situação mais preocupante porque a vacinação desse grupo é classificada como medida estratégica para combater a pandemia.

"A gente vai começar essa vacinação atrasado, em uma negação inacreditável da ciência. No mundo inteiro, todas as agências reguladoras de saúde recomendam a vacinação para crianças. Absolutamente o mundo inteiro é a favor disso, mas aqui a gente se afastou da ciência", declara o médico.

"É difícil refutar a ciência com meia dúzia de opinião contrária, que acaba levando pânico e medo. A gente nunca teve uma consulta pública para vacina de nada, sempre foram respeitadas as etapas obrigatórias de segurança. Mas agora pessoas de má-fé decidiram propagar mentiras", acrescenta o especialista.

Segundo dados da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19, o Brasil registrou 301 óbitos de crianças pela doença no período de março de 2020, início da pandemia, ao começo de dezembro de 2021. Conforme esses dados, 2.978 crianças receberam diagnóstico de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por covid-19 e foram registradas 156 mortes em 2020. Já no ano passado, até 6 de dezembro, foram registradas 3.185 novas infecções e 145 mortes.

A vacinação desse grupo, apontam especialistas, ajuda a evitar que as crianças adoeçam gravemente, mesmo que contraiam a doença. Também protege adultos e crianças mais novas que convivem com elas.

Em novembro, a vacina destinada às crianças começou a ser aplicada nos Estados Unidos. Posteriormente, também passou a ser usada no Canadá, Israel e na União Europeia.

No Brasil, o tema se tornou imbróglio, mesmo com a aprovação da Anvisa. O Ministério da Saúde fez uma consulta pública sobre o tema e chegou a um resultado contrário ao que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o presidente Jair Bolsonaro defendiam: a maioria das pessoas se manifestou contra a exigência de prescrição médica para a imunização das crianças.

Nesta quarta-feira, um dia após revelar os resultados da consulta pública, o Ministério da Saúde divulgou detalhes sobre a campanha de vacinação de crianças. Segundo a pasta, será necessária a presença dos pais ou autorização por escrito, não precisará de apresentação de receita médica e a vacina não será obrigatória.

De acordo com as regras divulgadas pela pasta, o intervalo entre as duas doses para as crianças será de oito semanas. A aplicação será feita em ordem decrescente de idade (das mais velhas para as mais novas) e serão priorizadas aquelas com comorbidade ou deficiência permanente.

A previsão é de que cheguem cerca de 20 milhões de doses ao país até o fim do primeiro trimestre, sendo cerca de 3,7 milhões delas entregues até o fim de janeiro.

O Ministério da Saúde estima que sejam imunizadas cerca de 20 milhões de crianças no país. A previsão é de que a vacinação comece até o dia 15 deste mês.

Durante a coletiva de imprensa nesta quarta, o ministro Marcelo Queiroga defendeu a necessidade da consulta pública sobre a vacina. Ele ainda disse que não há demora na vacinação das crianças. "O Brasil está absolutamente dentro do prazo", afirmou.

Desde a autorização da Anvisa, em dezembro, autoridades de diversas regiões do país passaram a criticar a conduta do Ministério da Saúde em relação ao tema e afirmaram, mesmo sem aprovação do governo federal, que iriam vacinar as crianças de seus Estados.

Para Márcio Nehab, agora é fundamental que as pessoas cobrem urgência das autoridades em relação ao tema. "Essas vacinas precisam chegar para ontem, antes do circo pegar fogo. Já vamos começar atrasados, assim como foi com os adultos. Isso é uma briga política e não científica".

'Precisamos ver a situação daqui a 15 dias'

Vacinação de crianças é medida fundamental no enfrentamento à pandemia, apontam especialistas

Além da vacinação das crianças, Nehab destaca que também é fundamental aplicar a dose de reforço em adultos e adolescentes. Ele ressalta que ainda não se sabe o impacto da ômicron no Brasil ou o papel que as vacinas aplicadas no país terão no combate à nova variante. Porém, o infectologista frisa que a imunização é a principal forma de prevenir efeitos graves.

Segundo Nehab, somente daqui a algumas semanas será possível analisar o atual cenário da pandemia, por meio dos números de mortes e internações pela covid-19. Ainda que seja uma variante que tem causado um quadro mais brando, o médico frisa que a rápida propagação da ômicron também pode sobrecarregar leitos e aumentar os números de óbitos.

"Mesmo que seja menos grave, ela infecta mais pessoas e isso pode aumentar também as chances de algumas delas desenvolverem casos graves", avalia o médico.

Ele diz que só atendeu casos leves nas últimas semanas, mas comenta que alguns colegas de profissão já internaram adultos e crianças no atual período. "Precisamos ver a situação daqui a 15 dias. Com tanta aglomeração nas últimas semanas e muitas pessoas sem o uso de máscaras, a chance de isso dar problema é 100%", declara.

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Luana Piovani e Rodrigo Santoro namoraram entre 1997 e 2000 - Reprodução/Instagram
Luana Piovani e Rodrigo Santoro namoraram entre 1997 e 2000

_________________________________________________Gamma, Delta e Ômicron: Entenda o ATUAL CENÁRIO da Covid-19 no Rio

Número de casos da doença DISPAROU nos ÚLTIMOS DIAS e coincide com a chegada de uma NOVA VARIANTE na CIDADE 

Vacina da Pfizer contra a Covid-19 Foto: Clodagh Kilcoyn / Reuters
Vacina da Pfizer contra a Covid-19 Foto: Clodagh Kilcoyn / Reuters

RIO — Desde o réveillon, a cidade do Rio convive um grande aumento no número de casos de Covid-19 que já refletem no atendimento em unidades de saúde da capital. 

O aumento da procura por testes após as festas de fim de ano coincide com a chegada da variante Ômicron no município. 

Até o momento foram apenas três casos da cepa foram confirmados no Rio, mas as autoridades de saúde já trabalham com o cenário que a variante já circula na capital. 

Os números da Covid-19 mostram que o Rio viveu TRÊS ONDAS da doença em 2021, 

que coincidiram com a ENTRADA e AUMENTO da circulação de variantes do coronavírus. 

Especialistas avaliam que com a entrada da nova cepa na cidade, a tendência é que o processo se repita.

Em todo o estado, 312 casos já tiveram resultados de triagem “positivos” para a variante Ômicron e são alvo de análise genética pelos laboratórios, como a Fiocruz. 

Se esses casos forem confirmados, a variante Ômicron já terá se tornado a PREDOMINANTE no estado do Rio.

O aumento, no entanto, ainda NÃO reflete nas taxas de internação de casos graves tanto na rede pública quanto privada. 

Nesta terça-feira, pro exemplo, haviam 24 pessoas internadas por Covid na rede pública cidade e outras quatro aguardando a transferência por um leito.

— Estamos vendo perto da gente o aumento de casos. Vinhamos de uma REDUÇÃO de casos por 17 semanas e, DE REPENTE, a gente começa a ter um aumento de novos casos.

E isso é claro o indicativo de uma nova variante. 

E toda vez que temos uma nova variante chegando, significa que teremos mais casos. 

É por isso que ela foi classificada como uma variante de preocupação pela Organização Mundial de Saúde.

Felizmente ela não tem gerado casos graves, óbitos e internação — disse o secretário municipal de Saúde Daniel Soranz em transmissão on-line com o prefeito Eduardo Paes.

A evolução das variantes do Rio Foto: Editoria Arte
A evolução das variantes do Rio Foto: Editoria Arte

Gulnar Azevedo, professora de epidemiologia da Uerj e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), destaca que o BLOQUEIO VACINAL tem se mostrado EFETIVO CONTRA a variante ATÉ O MOMENTO:

— Não estamos conseguindo testar suficientemente para identificar o quanto a variante Ômicron é a responsável  dos casos. 

Mas há grande chance de ser sim. Importante, no entanto lembrando que aumento dos casos, independente de qual variante, tem a ver com as festas de final de ano.

O relaxamento no uso de máscaras, as aglomerações MESMO QUE ENTRE FAMÍLIAS aumentará sem dúvida a circulação do vírus — diz.

Média móvel de casos confirmados de Covid-19 na cidade do Rio Foto: Editoria Arte
Média móvel de casos confirmados de Covid-19 na cidade do Rio Foto: Editoria Arte

Virada de 20/21 em meio a uma onda

No fim de 2020, enquanto o país discutia o planejamento para a vacinação da Covid-19, o Rio enfrentava um aumento de casos graves, óbitos e casos de coronavírus. 

A onda de casos se estendeu para os primeiros dias de 2021 e coincide com o estabelecimento da variante P2, identifica primeiramente no próprio estado do Rio.  

Por causa do aumento no número de casos, a festa de réveillon de 2020 para 2021 foi cancelada pela prefeitura. 

O Rio chegou a ter mais de 1,7 mil casos confirmados para o dia primeiro de janeiro e 92 mortes.

A variante Gamma

Em março, a cidade enfrentou a segunda onda da doença no ano, que seria uma das mais graves. 

Os casos foram provocados majoritariamente pela variante Gamma, identificada primeiramente em Manaus. 

Pela primeira vez na pandemia o número de pedidos de internação para terapia intensiva superava os de enfermaria. 

O aumento abrupto levou a um outro problema nos hospitais: a escassez de medicamentos do “kit intibuação”.

O alto número de pessoas agravando pela Covid-19 nesta época se perdurou por mais tempo, ao contrário da onda anterior. Com o avanço da vacinação para adultos, os números foram reduzindo, mas ainda em um patamar alto. No pico desta onda, o Rio chegou a ter 165 óbitos em um único dia — quase sete por hora.

A variante Delta

Os casos da doença haviam se estabilizado em números ainda altos, quando a variante Delta começou a circular no Rio.

Em julho, os casos começaram a voltar a subir, embora desta vez não a curva de óbitos não tenha acompanhado tão vertiginosamente. 

A explicação, segundo especialistas, foi o avanço da vacinação, que já começara a contemplar adultos mais jovens.

Desde então, com o avanço da imunização para todos os maiores de 12 anos, os casos de Covid-19 na cidade vinham em queda vertiginosa desde o final de agosto

Em dezembro, apesar da epidemia de gripe, o Rio teve os menores índices de novos casos e óbitos por coronavírus desde o início da pandemia, em março de 2020. 

Foram esses um dos indicadores apontados pelos Comitês Científicos do da prefeitura do Rio e do governo do Estado que embasaram a decisão de retirara obrigatoriedade do uso de máscara ao ar livre e, posteriormente, permitir a realização de queima de fogos em Copacabana e outros pontos da cidade.

A chegada da Ômicron

A vigilância genoômica, que acompanha a evolução das variantes no Rio ainda investiga em todo o estado 312 casos suspeitos de serem Ômicron, embora até o momento tenha confirmado apenas três. 

A chegada da variante ocorre no mesmo momento que há problemas nas plataformas de notificação do Ministério da Saúde, o que pode atrapalhar a vigilância.

Neste início de ano, no entanto, os casos de Covid-19 no Rio voltaram a subir. 

Dados do painel da prefeitura do Rio mostram que, até o momento, 21 pessoas diagnosticadas com coronavírus disseram ter começado a sentir sintomas no dia 14 de dezembro. 

Já em 28 de dezembro, duas semanas depois, a quantidade salta para 553.

Os dados mais recentes podem ser ainda maiores, já que esse é o número de pessoas que até essa segunda-feira já foram inseridas no sistema após procurarem uma unidade de saúde da capital e que relataram ter começado a sentir os sintomas da doença no dia 28.

O Rio não confirmava tantos de Covid-19 casos pelo início dos sintomas desde o dia 20 de setembro, quando 697 pessoas disseram ter começado a perceber os sinais da doença.

Desde então os casos entraram em queda até atingir um patamar baixo de estabilidade.

A média móvel dos casos confirmados pelo início dos sintomas mostra a reversão desta tendência de estabilidade baixa

Em 20 de setembro, a média era de 558 pessoas e atingiu no dia 16 de dezembro o menor patamar: 16 casos. Mas desde então a curva apenas sobe, atingindo 435 casos no dia 02 de janeiro.

Somente nesta segunda-feira na cidade do Rio, a taxa de positividade para testes de Covid-19 foi de 13%. 

Ou seja, a cada 100 pessoas com sintomas da doença, 13 tiveram o diagnóstico confirmados. 

Na rede privada, a taxa de positividade já aumentou para cerca de 30%. 

Este são dos dados que indicam que o número de casos por data de início de sintomas deve aumentar nos próximos dias.

Até meados de dezembro, a taxa de positividade não ultrapassou 1%. 

Nesta segunda, com o apelo das autoridades de saúde pela dose de reforço, a procura por vacinas no Rio aumenta em quase 40%.

_________________________________________________Covid, 2 anos depois: 5 coisas que descobrimos desde o início da pandemia


Pessoas usando máscaras de proteção rezam em praça de Tóquio no primeiro dia do ano Imagem: 1º.jan.2022 - Kim Kyung-Hoon/Reuters

Peter Ball 04/01/2022 15h12

Já se passaram dois anos desde que um novo coronavírus foi descoberto após um surto na China.

O país anunciou a descoberta do Sars-Cov-2, causador da covid-19, em 31 de dezembro de 2019 e, desde então, o mundo mudou em uma velocidade estonteante. A pandemia que se seguiu mudou desde a forma como trabalhamos até os tratamentos médicos disponíveis para nós.

Veja cinco coisas que aprendemos desde o início da pandemia.

Antes da pandemia, o desenvolvimento da vacinas demorava pelo menos 4 anos Imagem: REUTERS/Siphiwe Sibeko1. As vacinas de mRNA funcionam e podem ser feitas com rapidez

Assim que a covid-19 atingiu o status de pandemia, começou uma corrida entre pesquisadores para fazer uma vacina que pudesse proteger a população.

Algumas empresas farmacêuticas decidiram apostar em um tipo relativamente novo de tecnologia, que ainda não havia sido aplicada em uma vacina aprovada para uso humano - o mRNA.

A aposta deu certo. Usando mRNA, não só a Pfizer/BioNTech (e depois a Moderna) conseguiu desenvolver uma vacina para covid-19 mais rápido do que qualquer outra empresa como também abriu a porta para uma série de novos tratamentos usando tecnologia semelhante.

O processo funciona pegando um pequeno pedaço de código genético, chamado mRNA, e revestindo-o de gordura. Esse material pode então ser absorvido pelas células, que o usam como um conjunto de instruções para produzir novo material.

Nas vacinas contra o coronavírus, o mRNA instrui nossas células a criar uma pequena parte do vírus da covid. O sistema imunológico do corpo então aprende a reconhecer o vírus e fica pronto para atacá-lo se seu corpo foi infectado.

Mas o mRNA tem potencial para ser usado de muitas outras maneiras. Além de poder ser usado para criar novas vacinas para doenças como HIV, gripe e zika, ele pode ser usado para treinar o sistema imunológico do corpo para atacar as células cancerígenas, para criar as proteínas que faltam nas células de pessoas com fibrose cística ou para ensinar o sistema de defesa do corpo em pessoas com esclerose múltipla a parar de atacar o sistema nervoso.

A pesquisa sobre tratamentos de mRNA vem acontecendo há décadas, mas as vacinas contra a covid-19 são a primeira vez 

A pesquisa sobre tratamentos de mRNA vem acontecendo há décadas, mas as vacinas contra a covid-19 são a primeira vez em que foi comprovado que a tecnologia funciona na prática. Esse sucesso pode impulsionar pesquisas com potencial de mudar a vida de milhões de pessoas.

A pandemia afetou os mais pobres com mais força Imagem: Helio Filho/Secom ES2. A covid-19 se espalha pelo ar com muito mais facilidade do que pensávamos inicialmente

Cerca de quatro meses após o início da pandemia, a Organização Mundial da Saúde ainda não aconselhava as pessoas a usarem máscaras. "Não recomendamos o uso de máscaras, a menos que você esteja doente", disse Maria Van Kerkhove, líder técnica do combate à covid-19 na organização.

Mas as evidências científicas que surgiram desde então mudaram essa visão. Hoje, assim como durante a maior parte da pandemia, a OMS afirma que as pessoas devem "tornar o uso de máscara uma parte normal de estar perto de outras pessoas".

Pesquisadores descobriram que o vírus da covid-19 é transmitido não apenas por grandes gotas de saliva ou muco que ficam no ar por um curto período depois que alguém tosse ou espirra.

O vírus também pode se espalhar por meio de aerossóis - partículas muito menores que podem permanecer no ar por muito mais tempo.

Hoje sabemos que a transmissão de covid-19 se dá principalmente por via aérea. A transmissão de Sars-CoV-2 após tocar em superfícies é agora considerada relativamente mínima.

"Em março [de 2020], as pessoas me perguntavam quanto tempo elas precisavam passar limpando as compras. Todo mundo estava hipervigilante e hiperparanóico", diz Paula Cannon, professora de Microbiologia e Imunologia Molecular da Escola de Medicina da Universidade do Sul da Califórnia.

"Desde então, aprendemos que o vírus transportado pelo ar em espaços internos mal ventilados é a causa provável da maioria das transmissões e a razão pela qual bares e ambientes fechados são tão arriscados", explica.

O vírus é emitido por pessoas sem máscara enquanto falam, cantam ou simplesmente respiram e permanece no ar se o ambiente não for ventilado.

Lavar as mãos e limpar as superfícies ainda são bons hábitos, mas agora há muito mais ênfase no uso da máscara e na ventilação.

O trabalho de casa se tornou muito mais comum Imagem: Chris Montgomery/Unsplash3. O trabalho de casa veio para ficar

Milhões de pessoas em todo o mundo começaram a trabalhar em casa em vez de ir aos escritórios e outros locais de trabalho durante a pandemia.

A pandemia mostrou que esse tipo de trabalho não reduz a produtividade e fez muitas empresas abandonarem a resistência que tinham em adotá-lo.

O Twitter anunciou em maio de 2020 que seus funcionários poderiam trabalhar de casa em tempo integral mesmo após o fim da pandemia, desde que sua função lhes permita fazer esse trabalho.

"Os últimos meses provaram que podemos fazer esse trabalho", disse a empresa.

O Facebook fez um anúncio semelhante no início do ano, mas não são apenas os gigantes da tecnologia que pretendem fazer a mudança.

Uma pesquisa realizada com 1.200 empresas pela Enterprise Technology Research mostrou que a porcentagem de trabalhadores em todo o mundo que estão trabalhando permanentemente em casa deve dobrar em 2021.

Em uma pesquisa global com mais de 200 mil pessoas em 190 países, a Boston Consulting descobriu que 89% das pessoas esperavam poder trabalhar em casa pelo menos algumas vezes na semana após o fim da pandemia. É um aumento considerável em relação ao índice antes da pandemia: apenas 31% das pessoas tinham esse desejo.

Mas para muitas pessoas, geralmente com empregos menos seguros e com menor remuneração, as oportunidades de trabalho flexível podem ser mais limitadas. Isso poderia aumentar ainda mais as desigualdades na sociedade.

Hoje sabemos que a transmissão do vírus se dá principalmente pela via aérea Imagem: Getty Images4. A pandemia atingiu mais as pessoas em situação de vulnerabilidade social

A pandemia de covid-19 nos lembrou que uma crise pode piorar a enorme desigualdade social que já existe no mundo.

No Reino Unido, um estudo realizado por pesquisadores do UK Biobank descobriu que na parte mais pobre do país 11,4% das pessoas contraíram covid, enquanto nas áreas mais privilegiadas a taxa foi mais baixa (7,8%).

A equipe também descobriu que pessoas de minorias étnicas foram afetadas de forma desproporcional, algo que também aconteceu nos Estados Unidos.

Em Nova York, dados de 2020 mostraram que hispânicos e negros foram 34% e 28% das mortes de covid, respectivamente, embora componham 29% e 22% da população.

Uma pesquisa na Califórnia mostrou que pacientes negros não-hispânicos tinham 2,7 vezes mais chances de hospitalização, em comparação com pacientes brancos não-hispânicos.

Em muitos países não existem dados precisos sobre os efeitos da covid, mas globalmente uma das maiores disparidades está nas taxas de vacinação. Em países de renda alta e média, cerca de 70% das pessoas estão totalmente vacinadas, de acordo com os dados do Our World in Data. Isso cai para apenas 4% nos países de baixa renda. Mesmo em países de renda média baixa, a taxa ainda é de apenas 32%.

À medida que as autoridades médicas distribuem doses de reforço e que a variante omicron se espalha pelo mundo, as consequências da lenta implantação de vacinas em países menos desenvolvidos podem se tornar ainda mais mortais.

A pandemia matou milhões antes do desenvolvimento das vacinas Imagem: Reprodução5. Não temos certeza de como, ou se, a pandemia de covid-19 vai terminar

Em muitas doenças, como a varíola, é possível atingir a imunidade de rebanho da população através da vacinação massiva da população - ou seja, o número de pessoas imunizadas é tão alto que o vírus não consegue circular.

Para outras doenças, como a gripe, isso é mais difícil de alcançar devido a constantes mutações dos vírus ou a diminuição da resposta do sistema imunológico com o tempo.

No caso da covid-19, o desenvolvimento da pandemia mostra cada vez mais que podemos estar diante do segundo caso. A diminuição da resposta do sistema imunológico com o tempo, inclusive, é o motivo pelo qual muitos países (incluindo o Brasil) estão implementando programas de reforço das vacinas.

De acordo com Shabir A Madhi, professor da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, a resposta imunológica após a infecção ou vacinação contra covid-19 dura aproximadamente de seis a nove meses.

Embora as vacinas sejam eficazes na proteção contra consequências mais graves da covid, mesmo as melhores não parecem impedir as pessoas de transmitir o vírus a outras pessoas.

"Com as vacinas que temos, mesmo que reduzam a transmissão, o conceito de imunidade de rebanho não faz sentido", diz Salvador Peiró, do instituto de pesquisa FISABIO em Valência, na Espanha.

E o Sars-CoV-2 tem sofrido rápidas mutações que geram novas variantes - algumas mais transmissíveis e podem ser mais resistentes ao efeito das vacinas.

As variantes também mostram que teremos que "conviver" com o vírus conforme ele evolui, atualizando vacinas regularmente para adaptá-las. Nesse cenário, os países com alto índice de vacinação voltarão a ter uma vida mais ou menos dentro da normalidade, sabendo que embora algumas pessoas devam ficar doentes, os sistemas de saúde não ficarão sobrecarregados.

Enquanto isso, um pequeno número de territórios com baixos níveis de covid, como a Nova Zelândia e Hong Kong, enfrentam um dilema. Sem nenhum sinal de que a covid foi erradicada em todo o mundo, eles terão que continuar com quarentena estrita e restrições de viagem ou enfrentar o dia em que vão relaxar as medidas de permitir a entrada de mais covid.

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Covid: Brasil corre risco de nova onda silenciosa com variante ômicron e testes escassos?

Os profissionais que acompanham as estatísticas da pandemia no país dizem que estão 'no escuro' e temem aumento de casos e hospitalizações nos primeiros meses de 2022.

Por André Biernath, BBC

03/01/2022 14h28 Atualizado há um dia

1 de 2 Profissional de saúde faz teste de swab nasal para Covid-19 em um homem em Gaza, Palestina, no dia 27 de dezembro de 2021 — Foto: Mahmud Hams / AFP

Profissional de saúde faz teste de swab nasal para Covid-19 em um homem em Gaza, Palestina, no dia 27 de dezembro de 2021 — Foto: Mahmud Hams / AFP

O físico Wesley Cota, pesquisador da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, montou um dos sites mais completos para o monitoramento da pandemia de covid-19 no Brasil.

A página, que traz informações sobre casos, hospitalizações, mortes, testagem e vacinação detalhados pelas cidades do país, serve de referência até para o Our World In Data, portal criado na Universidade de Oxford, no Reino Unido, que reúne estatísticas globais sobre a crise sanitária.

O especialista se mostra apreensivo com a atual situação do país. "A gente está no escuro. Vemos os profissionais de saúde relatando aumento de casos de infecções respiratórias, mas não temos a menor ideia se é gripe ou covid", aponta.

"Também não sabemos se esses casos têm a ver com a variante ômicron e o quanto ela está disseminada por aqui."

Cota não é o único a levantar essa preocupação: ao longo das últimas semanas, diversos especialistas que acompanham a situação da covid-19 no Brasil fizeram uma série de críticas a respeito da disponibilidade de dados capazes de refletir o que realmente está acontecendo por aqui.

O temor deles é que, a exemplo do que ocorre agora em várias partes do mundo, como Reino Unido, França e Estados Unidos, a ômicron esteja se espalhando de forma silenciosa e acelerada pelo país, impulsionada pela maior capacidade de transmissão dessa variante e pelas aglomerações e festas de final e de início de ano.

A principal dificuldade para ver esse aumento claramente, dizem eles, é o fato de que o Brasil nunca teve uma política pública de testagem, isolamento de casos positivos e rastreamento de contatos.

Procura por testes de Covid e gripe no Rio crescem; diagnósticos positivos aumentam 6 vezes

Oportunidade desperdiçada

Desde março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) bate na tecla de que testar, isolar e rastrear são atitudes primordiais para lidar com a covid-19.

Num discurso realizado em 16 de março daquele ano, o biólogo etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da entidade, classificou essas três ações como "a espinha dorsal da resposta à pandemia".

"A forma mais eficaz de prevenir infecções e salvar vidas é quebrar as cadeias de transmissão. Para fazer isso, é preciso testar e isolar", declarou.

"Você não pode combater um incêndio com os olhos vendados. E não podemos parar esta pandemia se não soubermos quem está infectado."

"Temos uma mensagem muito simples para todos os países: teste, teste e teste", orientou Ghebreyesus.

A recomendação foi seguida à risca pelos países mais bem-sucedidos no controle do vírus: Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul e partes da Europa são alguns exemplos de locais que conseguiram lançar um programa de testagem para detectar o aumento de casos positivos e agir rapidamente, antes que a situação saísse do controle.

A bióloga e divulgadora científica Tabata Bohlen, que morou em dois países europeus nos últimos meses, relata como é fácil ter acesso aos exames por lá.

"Na Alemanha, até o final de setembro, era possível realizar testes gratuitamente em cabines espalhadas na cidade. Eles eram feitos por profissionais e nós recebíamos uma mensagem de texto com o resultado", conta.

"Além disso, você encontra testes para comprar em supermercados e farmácias, com preços que vão de 1 a 5 euros [6 a 30 reais]."

Esses autotestes, que são comprados por um valor baixo e podem ser feitos em casa, sequer estão disponíveis ou regulamentados no Brasil.

"Na Áustria, pelo que vi até agora na cidade de Viena, as pessoas conseguiam retirar sete testes por semana para fazer em casa nas farmácias por semana e o valor era descontado do plano de saúde. Em alguns casos, era necessário enviar um vídeo do momento da testagem, para garantir que a coleta foi feita de forma apropriada."

"Também há centros de testagem caso você não queira fazer por conta própria", completa.

Tes de Covid-19 — Foto: GEA/Divulgação

Na contramão desses lugares, o nosso país nunca teve uma política de testagem da covid bem definida, de acordo com especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.

"Se tem um quesito que o Brasil realmente falhou e continua a falhar nesta pandemia é na testagem. Nunca houve uma disponibilidade de exames ou uma mensagem clara de quando, como e quem deve ser testado", analisa Lorena Guadalupe Barberia, professora do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de São Paulo e integrante do Observatório Covid-19 BR.

"E não basta disponibilizar os kits de exames: o governo deveria ter um programa amplo e coerente. Era preciso deixar claro o que fazer se o resultado fosse positivo, como se isolar adequadamente, além de avisar as pessoas com quem você teve contato nos últimos dias para que elas também fossem testadas", complementa.

O enfermeiro e epidemiologista Laio Magno, professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), entende que o país tinha tudo para ser um exemplo mundial na testagem da covid, mas perdeu essa oportunidade.

"Poderíamos ter aproveitado nossa imensa rede de atenção básica de saúde. Nós temos equipes de saúde da família, médicos, enfermeiros, agentes comunitários e outros profissionais que estão espalhados por todo o país e fazem esse elo do Sistema Único de Saúde com as comunidades", avalia o especialista, que também integra a Comissão de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Imagina se essa rede inteira pudesse fazer teste rápido de covid e tivesse integrada à vigilância epidemiológica? Quase nenhum país do mundo tem uma estrutura dessas."

"A nossa atenção primária é exemplo e está diretamente relacionada com a diminuição da mortalidade infantil, além de já ter experiência na testagem de outras doenças, como infecção por HIV, sífilis e hepatites B e C", conclui.

Laboratórios tentam determinar incidência da variante ômicron no Brasil

Onda silenciosa?

Sem essa informação dos diagnósticos, fica difícil entender como o vírus está se espalhando e se há alguma região que apresenta aumento nos casos de covid.

Vale lembrar aqui que essa doença costuma demorar alguns dias para apresentar sintomas, e só uma parcela dos infectados vai desenvolver sinais mais graves, que exigem uma avaliação médica e eventualmente até uma internação.

Ou seja: sem testes, os indivíduos com sintomas leves (ou sem incômodo algum) não sabem que estão com o coronavírus e muitas vezes seguem a vida normalmente, passando o patógeno adiante.

É justamente isso que cria as cadeias de transmissão viral na comunidade. Após algum tempo, isso pode desembocar em aumento das hospitalizações, escassez de insumos, leitos e profissionais e até o colapso do sistema de saúde.

Agora, quando esse repique é observado com antecedência, logo em sua origem, é possível reforçar as ações preventivas nessa região específica, como o uso de máscaras e distanciamento social, para controlar o problema no local e evitar que ele se espalhe para outros lugares.

Saber dessas estatísticas, aliás, é ainda mais estratégico num momento em que temos uma nova variante com alto potencial de transmissão, como a ômicron, que está por trás de recordes de casos registrados nos últimos dias em várias partes do mundo.

"Estamos vivendo uma onda silenciosa de infecções de ômicron e nem notamos isso, porque não temos uma política de testagem adequada", observa o epidemiologista Pedro Hallal, professor da Universidade Federal de Pelotas.

Embora essa "onda silenciosa" ainda não apareça nas estatísticas oficiais, ela já começa a despontar em alguns levantamentos feitos por grupos privados.

A Dasa, que conta com mais de 900 unidades laboratoriais no país, divulgou que houve um aumento importante na taxa de positividade dos testes de covid-19 nas últimas semanas.

Em 4 de dezembro, 1,3% dos exames realizados traziam resultado positivo. Já no dia 26/12, essa porcentagem subiu para 11,4%.

Já a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) revelou que essa taxa de positividade dos testes realizados em cerca de 3 mil estabelecimentos saltou de 5% no início de dezembro para 20% após o Natal.



_________________________________________________Prefeitura do Rio informa que ômicron já tem transmissão comunitária na cidade
Reprodução
Imagem: Reprodução

03/01/2022 18h17

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) informou hoje (3) que a variante Ômicron do novo coronavírus tem transmissão comunitária na capital fluminense. Isso significa que já não é mais possível rastrear a origem dos casos e associá-la a viajantes, indicando que o vírus já circula entre a população local.

Apesar disso, o município confirmou apenas dois casos de infecção causados pela variante, detectado após sequenciamento genômico realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mais 180 suspeitas de infecção pela Ômicron estão em investigação.

Testes rápidos de covid ainda fazem sentido para a ômicron?

O segundo caso confirmado foi em uma brasileira de 23 anos que mora em Nova York e chegou ao Brasil em 17 de dezembro. No mesmo dia de sua chegada, ela procurou uma unidade particular de saúde com quadro de amigdalite, e, após teste RT-PCR, foi confirmada a covid-19. A jovem já se recuperou dos sintomas e o laudo que confirmou a variante Ômicron ficou pronto hoje. De acordo com a SMS, ela havia sido imunizada com as duas doses da vacina da farmacêutica Moderna, tendo recebido a última há mais de seis meses, sem a aplicação de uma dose de reforço posterior.

A prefeitura considera que a transmissão comunitária da variante Ômicron já está se refletindo em um aumento de notificações da doença na cidade. A taxa de positividade dos testes de covid-19, que já havia subido de 0,7% para 5,5% na semana passada, chegou hoje a 9,6%. A taxa indica quantos testes realizados de fato indicam a presença do coronavírus.

O município pede que cariocas que passaram réveillon fora da cidade e que estão com sintomas gripais devem procurar atendimento para testagem em uma das 230 unidades de atenção primária de saúde pela cidade, ou nos centros de atendimento a pacientes com síndrome gripal, localizados na Vila Olímpica do Alemão, no Parque Olímpico da Barra, na Vila Olímpica de Honório Gurgel, na Policlínica Manoel Guilherme da Silveira Filho (Bangu), na Unidade Ambulatorial Almir Dulton (Campo Grande), e na Policlínica Rodolpho Rocco (Del Castilho).

_________________________________________________Estados Unidos registram mais de 1 MILHÃO de casos de Covid-19 EM UM DIA pela primeira vez

Mais de 100 mil pessoas estão INTERNADAS com a doença

O Globo e agências internacionais
04/01/2022 - 06:03 / Atualizado em 04/01/2022 - 09:59
Homem faz teste de swab para a Covid-19 em Manhattan Foto: JEENAH MOON / REUTERS
Homem faz teste de swab para a Covid-19 em Manhattan Foto: JEENAH MOON / REUTERS

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WASHINGTON — Os Estados Unidos registraram na segunda-feira mais de um milhão de casos de Covid-19 pela primeira vez desde o início da pandemia, conforme dados da plataforma de monitoramento da Universidade Johns Hopkins. O total de 1.083.948 é quase o dobro do recorde anterior de cerca de 590 mil casos, estabelecido há apenas quatro dias, em meio à disseminação da variante Ômicron, mais contagiosa.  

Segundo as autoridades de saúde, atualmente há 103 mil pessoas internadas devido à doença no país, o maior número em quatro meses. As hospitalizações ocorrem principalmente entre os não vacinados, diante dos obstáculos que o governo enfrenta para alavancar uma campanha de imunização há meses estagnada: apenas 62% dos americanos receberam as duas doses iniciais anti-Covid, segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC).

De acordo com os dados mais recentes do CDC, até novembro, as taxas de internações eram oito vezes maiores para adultos não imunizados e cerca de dez vezes maiores para crianças com idades entre 12 e 17 anos que não tomaram as doses contra o coronavírus.  

O número de pessoas infectadas pode ser ainda maior no país, onde os testes caseiros, cujos resultados não são enviados para as autoridades, tornam-se cada vez mais populares. Ainda assim, é possível que os dados da primeira segunda-feira útil de 2022 tenham sido inflados pelo acúmulo de notificações atrasadas das festas de fim de ano.

As mortes, por sua vez, não crescem na mesma proporção dos casos, em mais um indício de que a Ômicron causa quadro menos graves que cepas anteriores: os EUA registraram na segunda 1.688 vidas perdidas para a Covid, levando a média móvel para 1.236. Há um ano, quando o país registrava a média móvel de ao redor de 250 mil casos diários — média que hoje ultrapassa 486 mil —, chegaram a morrer 3,4 mil americanos por dia.

Nesta terça-feira, o presidente Joe Biden e a vice Kamala Harris planejam se reunir com a equipe de enfrentamento ao coronavírus da Casa Branca para discutir um novo plano de ação no país.

Retorno para as aulas

O cenário com mais infecções mudou os planos de distritos escolares que programavam o retono dos alunos para as aulas nesta segunda-feira, após as festas de fim de ano. Em alguns estados, as aulas vão começar de forma remota, outros vão exigir dos estudantes comprovante de vacinação e até teste com resultado negativo para a Covid-19.

O epicentro inicial da Ômicron nos EUA foi centralizado no Nordeste, com os novos casos crescendo 800% em Washington e 600% na cidade de Nova York na última semana de 2021. Ambas são regiões com vacinação além da média nacional e não veem as mortes crescerem na mesma proporção.

A variante agora ganha impulso no Sul americano, onde as taxas de inoculação abaixo da média e a resistência a restrições sanitárias levantam uma incógnita sobre como a Ômicron se comportará. Geórgia, Louisiana, Mississippi e Alabama viram seus casos crescerem mais de 450% nas últimas duas semanas. Em nenhum deles, o percentual de pessoas totalmente inoculadas ultrapassa 51%.

Na Flórida, onde 63% da população recebeu duas doses, os casos cresceram 511% em uma quinzena. A média móvel de novos casos no estado é de aproximadamente 43 mil, quase o dobro dos 23 mil registrados durante o surto causado pela Delta no meio de 2021, cenário similar ao da Louisiana.

Em todos esses estados, que também registram comparativamente baixa procura às doses de reforço, teme-se um agravamento da crise conforme os surtos chegarem a zonas ruais, menos vacinadas e com acesso mais difícil a hospitais.

_________________________________________________Seria a Ômicron o começo do fim da pandemia? | A hora da Ciência - O Globo

Por Margareth Dalcolmo 04/01/2022 • 04:30 
Ômicron

No artigo anterior considerei as possibilidades do que poderíamos, neste início do terceiro ano pandêmico, vaticinar para os próximos meses. Pelo registro histórico, sabemos que “uma epidemia pode durar em média dois anos”, nos reportando à memória de outras ao longo dos séculos. Enquanto sonhamos com o dia em que a Organização Mundial da Saúde vai decretar o fim do “período de exceção” causado pela Covid-19, habitam nosso imaginário temores e dúvidas, e pelo menos três hipóteses se desenham em nossa racionalidade, da mais otimista à mais sombria: a Covid-19, a exemplo de outras viroses respiratórias, irá desaparecendo progressivamente? O Sars-CoV-2 permanecerá endêmico, como o vírus da gripe, mantendo uma sazonalidade anual? Ou, o pesadelo maior, continuará produzindo mutações e variantes a escapar de todo o controle e das vacinas?

O momento é positivo, sem dúvida, a despeito da nova cepa ou de eventuais novas variantes, com o impacto das vacinas. O último estudo publicado pelo CDC (Centro de Controle de Doenças americano) analisa um imenso banco de dados nacional, que recebe notificações tanto de profissionais da saúde quanto de usuários, e classifica efeitos adversos de vacinas em leves e severos, hospitalizações e mortes, entre novembro e dezembro de 2021. Entre 4.249 relatos de crianças entre 5 a 11 anos que receberam a vacina Pfizer, 98% dos efeitos registrados foram leves e, entre os mais sérios, erros de doses administradas, e miocardite com 11 casos sem óbito, em 8 milhões de doses aplicadas.

Conclui esta análise, além de ratificar a vacinação como a melhor arma para prevenir a Covid-19, uma forte recomendação da vacina Pfizer/BioNTech como segura e muito eficaz para essa faixa etária.

Após um período de relativa calmaria propiciado pelas vacinas, sobretudo no Brasil, onde não vingaram os discursos negacionistas e antivacina, e sim a histórica adesão e confiança aos programas de imunização, somos apanhados por essa nova variante tão diversa da cepa original, pelas dezenas de mutações em sua estrutura, que os virologistas já a definem quase como se fora um novo patógeno.

Mas será mesmo a Ômicron tão mais contagiosa do que a Delta, mais patogênica? Ou esse padrão genético tão diferente significaria o estiolamento da pandemia e o começo do fim? Sim, essa hipótese guardaria uma boa plausibilidade biológica, com a prudente distância desta e de uma verdade absoluta. Tudo até o momento nos demonstra que as vacinas dão conta, pelo menos, de atenuar a severidade dos casos, visto que não se observa aumento substantivo de hospitalizações graves. E, assim, o Sars-CoV-2 vai desenhando sua endemicidade e passa a fazer parte do diagnóstico diferencial de doenças virais respiratórias rotineiramente.

Nos Estados Unidos, já vemos com atenção o anúncio do laboratório Moderna, a trabalhar na elaboração de uma nova vacina, visando cobrir as mutações observadas na nova cepa viral. Serão necessários, naturalmente, estudos populacionais de efetividade e segurança da nova formulação. Vemos também, com a nova cepa já dominante há semanas, quadruplicarem os casos, sobretudo entre crianças e profissionais da saúde, levando a desfalques nas equipes de saúde. Esse cenário, aguardamos, com realismo, deve ocorrer no Brasil nessas próximas semanas após as festas de fim de ano. A amostra já nos foi dada nos últimos dois dias, com pessoas que viajaram para lugares como Alter do Chão, no Pará, ou litoral do Ceará, e não podem voltar em avião por estarem sintomáticos e testarem positivos.

Que debate decisivo ainda será necessário para ganhar a consciência crítica de nossa gente, quanto à necessidade de comportamentos pessoais e coletivos protetores? Marguerite Yourcenar, a grande escritora, nos ensina que “o verdadeiro lugar do nascimento é aquele em que, pela primeira vez, se lança um olhar inteligente sobre si mesmo”. Podemos nos inspirar neste começo de ano, com sensibilidade e inteligência.


_________________________________________________'Não trocavam nem o lençol e já colocavam outros passageiros na cabine', lembra passageira que denunciou despreparo com surto de Covid em navio

Viviane Cardoso ficou três dias confinada com filha, teve de 'fugir' para ir embora no último desembarque e diz que doença deve ter se espalhado a partir de tripulanets: 'Viemos de Funchal já com vários contaminados', teria dito funcionária

SANTOS - Enquanto parte dos passageiros do Splendida, navio da MSC Cruzeiros que seguia  pelo litoral brasileiro, com saída de Santos e promessa de Réveillon em Copacabana, no Rio, se divertia e se aglomerava na piscina, bares e cassino a bordo, um cenário de caos se desenrolava silenciosamente, dias a fio, em outros setores da embarcação, onde estavam passageiros isolados pelo surto de Covid-19 que ali ocorria.

O relato, que inclui  homens com trajes de roupa "de astronauta" circulando apressadamente pelos corredores, passageiros sendo jogados em cabines não higienizadas e recém-liberadas por outros isolados, autofalantes e telefone desligados, e funcionários que não divulgavam protocolos claros nem informações, é da secretária aposentada Viviane Cardoso, de 59 anos, cujas imagens registradas do descaso da MSC Turismo com os serviços prestados a passageiros circularam nas redes sociais nos últimos dias.

Já de volta à casa de sua família, em Santos, Viviane conta que conseguiu passar a virada do ano fora da cabiine aos 45 minutos do segundo tempo: mesmo com resultados de testes negativos para o coronavírus, ela e filha somente conseguiram sair do navio, e "por conta própria", no início da noite do dia 31 de dezembro:

— Por muito pouco não passei a virada ali, naquela cabine pequena, com minha filha. Saímos às 18h45, no último desembarque de passageiros antes do navio voltar a sair. Às 19h15, ouvimos o pi-pi do navio, indo embora. E saímos por conta própria, porque depois de muitas tentativas de ir embora e desinformação, simplesmente pegamos um elevador, descemos e saímos. Sem 'homens da Nasa' nos acompanhando, sem checkout, sem apresentação de documentos — conta a aposentada, que lembra da cara de susto dos tripulantes quando ela dizia, já perto do elevador, que estavam "isoladas", chegaram ali sozinhas e queriam sair. — Eles diziam 'minha senhora, ninguém mais vai voltar para buscar vocês, aquele  lá é o último ônibus levando os passageiros confinados para a saída'. E nos entregaram um papel sem vergonha, apenas, para ir embora, preencher e mandar por email de volta, para a MSC — conta Viviane.

Neste domingo, a Anvisa informou que irá apurar se houve descumprimento de protocolos sanitários no caso da MSC Splendida e de outros cruzeiros nestes últimos dias. A agência ainda lembrou que as atividades dos cruzeiros podem ser suspensos, diante do cenário e disse que intensificou as investigações epidemiológicas e sanitárias para controlar a transmissão de Covid-19 a partir das embarcações.

'Ficamos abandonados'

Viviane Caroso viajou com a filha Vitória, de 16 anos, em uma cabine. Em outra, estavam o filho, de 30, e a nora, de 29. Gastaram, pelo pacote da viagem de 7 dias em cruzeiro, que incluía acomodações e alimentação, cerca de 35 mil reais.  Entraram no navio no dia 26 e, já a partir da manhã do dia 28, ficaram em isolamento, pois a nora havia "testado positivo para o vírus" (inicialmente tratado como coronavírus mas que depois a família veio a descobrir, com testes mais precisos, que era de gripe). Pelo contato, toda a família ficou isolada, mantendo a comunicação apenas por telefone (pela "contaminação", o filho e a nora foram para o outro lado do navio).

— Ficamos abandonados. Soube que voltamos pra Santos pela geolocalização do celular, não porque nos avisaram da mudança de rota antes. E ninguém me dava nenhuma informação sobre meu filho, o que eu sabia era por telefone, dele dentro da cabine, também sem informações de fora. Nenhum médico ia à cabine deles, e teoricamente minha nora estava contaminada.  Em determinado momento, os autofaalantes foram desligados na cabine e fomos mal atendidos pelos tripulantes no telefone, com grosseria. Para ter notícias, eu tinha que ir para o corredor e ouvir o autofalante. Uma tripulante disse que nós não precisávamos nos preocupar com as mensagens, que "não eram pra gente". Só sabíamos das notícias pela TV, isso quando ligavam, e com informações distorcidas, pois tentavam esconder a realidade. Devia ter, pelos nossos cálculos, cerca de 150 pessoas isoladas naquele navio — lembra.

Surto teria começado pela tripulação

A suspeita da passageira, a partir de relatos de dentro do navio, é de que o surto teria partido da própria tripulação. Segundo ela, uma tripulante que pediu para não ser identificada teria lhe confidenciado que o navio veio de outro cruzeiro da semana anterior e iniciou a viagem em Santos já com vários tripulantes contaminados a bordo.

— Ela me disse 'Viemos de Funchal já com vários contaminados'. Tomaram tanta precaução com os passageiros, que tiveram de apresentar testes negativos para Covid, e nenhum com os tripulantes... Eles só começaram a ser testados a partir do dia 28, quando apareceram os casos entre passageiros. Aí o número de casos confirmados saltou, mas as informações não circulavam, eram abafadas. Lá em cima, outros passageiros aglomeravam e se divertiam sem saber de nada. A rotatividade foi muito grande. Quem saiu e agora está dizendo que tudo estava maravilhoso lá não sabia do surto que estava acontecendo. As reclamações vêm dos confinados - afirma Viviane.

A aposentada também detalha o desleixo com as refeições oferecidas - pouca e sem regularidade, falta de higienização das cabines, onde nem roupa de cama e nem toalhas eram trocadas e o lixo se acumulava.

— Se estou confinada, quero pelo menos ter o conforto que eu teria se estivesse circulando pelo navio. Mas nem água traziam. Se a gente reclamasse, aí eram cinco horas sem receber nada — lembra.

Postagem de Viviane nas redes sociais Foto: Reprodução

Considerando a higienização protocolar necessária para ambientes com suspeita de contaminação, o problema era ainda mais grave:

— Três rapazes estavam isolados em uma cabine ao lado e saíram um dia depois de entrarem ali, pois testaram positivo no quarto e foram para o outro setor do navio. Aí entrou uma camareira e limpou mal e porcamente a varanda, arrumou a cama e tirou a toalha. Mais nada. Não trocaram nem o lençol e já colocaram outros passageiros imediatamente na cabine — diz.

Viviane Cardoso diz que sua irmã, que é advogada, prepara agora um processo para levar adiante na justiça, contra a MSC Cruzeiros. Desde que saiu do navio, no dia 31, a empresa não fez mais contato.

Em resposta ao GLOBO, a MSC Cruzeiros não informou o número exato de passageiros e tripulantes com casos confirmados de Covid-19 até o momento, mas se pronunciou sobre a situação do Splendida: "Como parte da nossa rotina de monitoramento de saúde, que inclui testagens frequentes e diárias de 10% de todos os hóspedes e tripulantes do navio, ação que integra nosso protocolo de saúde e segurança, líder do setor, identificamos um número limitado de casos de COVID-19 entre os hóspedes e tripulantes do MSC Splendida.

Conforme definido pelo protocolo, isolamos imediatamente estas pessoas e seus contatos próximos em uma seção dedicada e separada do navio, longe de todos os outros passageiros e em cabines com varanda, seguindo as medidas previstas para este tipo de situação." A empresa informa, ainda, que realizou uma escala técnica em Santos no dia 30 de dezembro, providenciando o desembarque "em segurança" de todos os casos confirmados e seus contatos próximos, com transporte dedicado e exclusivo. A empresa informa, ainda, que ofereceu aos hóspedes "as opções de uma carta de crédito no valor do cruzeiro original, que pode ser resgatada em qualquer cruzeiro futuro até o dia 31 de dezembro de 2022, ou o reembolso total dos valores pagos pelo cruzeiro, além do reembolso dos pacotes pré-pagos (bebidas, excursões, etc.), proporcionalmente aos dias não utilizados".

_________________________________________________Impulsionados pela Ômicron, casos de Covid no mundo dobram em uma semana

Apesar do recorde de diagnósticos, mortes globais estão em seu menor patamar desde outubro de 2020, endossando sinais preliminares de que as infecções causadas pela nova cepa são mais leves

O número de pessoas diagnosticadas com Covid-19 nos últimos sete dias foi quase duas vezes o registrado no pico anterior, impulsionado pela disseminação da variante Ômicron pelo planeta. Na América do Sul, onde os impactos da cepa começam a ser sentidos, os diagnósticos mais que dobraram. As mortes, por sua vez, continuam em queda, mais um indício de que a pandemia adentra uma fase menos letal.

A Ômicron, mais contagiosa, foi responsável pela maioria dos 10,1 milhões de casos contabilizados entre 26 de dezembro e 2 de janeiro. O recorde semanal anterior, registrado no fim de abril do ano passado, era de 5,7 milhões.

O surto global levou ao cancelamento de dezenas de milhares de voos no fim de ano, escritórios fechados e distúrbios nas cadeias de produção. Recorde de casos são vistos nos Estados Unidos — que sozinhos registram uma média recorde de 404 mil diagnósticos diários —, na França e na Austrália, dois anos após o novo coronavírus ser detectado e no primeiro aniversário das campanhas de vacinação.

Os países desenvolvidos e parte do mundo emergente realizam mais testes hoje do que em qualquer outro momento da pandemia, mais ainda assim a subnotificação não pode ser descartada. Muitos hospitais e centros de testagem funcionam em esquema de plantão na semana entre o Natal e o Ano Novo, atrasando a notificação dos casos. Várias nações não dão conta da demanda de exames, e há um aumento da procura por testes caseiros, cuja notificação às autoridades não é obrigatória.

As mortes semanais, por sua vez, caíram de 45,2 mil para 43,2 mil nos últimos sete dias. Especialistas alertam que ainda é cedo para tirar conclusões precipitadas sobre a letalidade da cepa, porém as vidas perdidas diariamente para a Covid-19 estão no seu menor patamar desde outubro de 2020.

O novo momento da pandemia também é diferente devido à vacinação avançada: os inoculantes protegem contra casos graves, e a injeção de reforço neutraliza o escape vacinal das duas doses originais.

América Latina

A África do Sul, primeiro país a detectar a Ômicron, parece já ter passado do pico da sua quarta onda sem que as mortes crescessem em proporção similar: a média de vidas perdidas diariamente chegou a 66 no dia 26 de dezembro, uma fração das 419 registradas em julho de 2021. No continente africano como um todo, os casos continuam baixos.

No Reino Unido, notificam-se em média 192 mil casos por dia, mais que o triplo do pico de 59 mil infecções vistas no início do ano passado. O país vê hoje 142 mortes por dia, uma fração dos 1,2 mil que registrava há quase um ano.

Nos EUA, apesar dos 400 mil casos diários, as mortes continuam na casa de 1,3 mil. A média de óbitos chegou a ultrapassar 3,4 mil em janeiro de 2020, quando se registrava cerca de 250 mil novas infecções por dia.

São sinais positivos para a América do Sul, que viu os casos aumentarem 176%: há sete dias, o subcontinente registrava 157 mil diagnósticos semanais, número que no domingo chegou a 434,5 mil. Isso apesar dos problemas do sistema informacional do Brasil, onde provavelmente há significativa subnotificação.

O Brasil registrou no domingo uma média móvel de 98 mortes diárias por Covid, 26% a menos do que há duas semanas. Os casos, por sua vez, cresceram 118% na mesma quinzena, chegando a uma média móvel de 7.628, segundo o consórcio dos veículos de imprensa.

Quem move o aumento de casos na região é, em grande parte, a Argentina, que vê em média 33,5 mil casos diários — há um mês, o número era inferior a 1,9 mil. As mortes continuam estáveis, inferiores a 25 por dia e uma fração das 788 vidas perdidas diariamente no início de outubro de 2020.

Na Bolívia, eram diagnosticados quase 1,7 mil casos diários em 26 de dezembro, número que no domingo se aproximava de 5 mil. No Uruguai, os casos passaram de 417 para 1,1 mil no mesmo intervalo de tempo.

Aumento global

A América do Norte viu os casos semanais crescerem 105% entre 26 de dezembro e 2 de janeiro, com mais de 3,15 milhões de diagnósticos nos últimos sete dias. Além dos EUA, as infecções também aumentam significativamente no Canadá, onde foram registradas mais de 233 mil infecções na última semana — em fases anteriores da pandemia, a estatística não havia em nenhum momento ultrapassado 62 mil.

Já a Europa, o atual epicentro da pandemia, teve mais de 5,36 milhões de casos na última semana, mais que o dobro dos 2,06 milhões registrados na semana anterior a 8 de novembro de 2020, a pior dos surtos anteriores. Vários países voltaram a acirrar suas restrições sanitárias e impuseram limites às festas de fim ano, enquanto impulsionam a aplicação das doses de reforço.

Na Oceania, os casos também crescem exponencialmente: entre 26 de dezembro e 2 de janeiro, os diagnósticos semanais passaram de 56,6 mil para 184 mil. Na Ásia, por sua vez, a Ômicron ainda permanece sob relativo controle, mas há sinais de que a transmissão comunitária também é veloz.

No domingo, Tóquio registrou seu maior número de casos diários de Covid desde outubro. A China fechou 2021 com o maior número de diagnósticos semanais desde o início de 2020, devido ao surto em Xian — não está claro, contudo, qual cepa está por trás do aumento dos casos no pólo tecnológico de 13 milhões de habitantes.

_________________________________________________Sanitarista critica autorização de cruzeiros na pandemia: 'Fora de questão'

Zanetta classificou os cruzeiros como 'armadilhas', uma vez que a maior parte deles é completamente fechada Imagem: Alonso Reyes/Unsplash

Do UOL, em São Paulo 01/01/2022 15h45

Para o médico sanitarista e professor de Saúde Pública e Epidemiologia do Centro Universitário São Camilo, Sérgio Zanetta, a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de recomendar a suspensão da temporada de navios de cruzeiro foi acertada e, ainda mais, tardia.

"A Anvisa toma uma decisão que já deveria ter sido prevista. Crônica de uma doença anunciada", disse em entrevista à CNN Brasil na tarde de hoje. O especialista acredita que a circulação de navios de passageiros no atual momento sequer deveria ter sido autorizada.

Covid: Brasil fecha o ano com impacto de apagão e média de 97 mortes

O problema é alguém autorizar a temporada de cruzeiros com o quadro epidemiológico que temos. Isso é totalmente fora de questão.Sérgio Zanetta, sanitarista e professor de Saúde Pública e Epidemiologia

Ele destacou que as vacinas contra a covid-19 são essenciais para prevenir casos graves da doença, mas como não evitam completamente a transmissão do vírus, outros cuidados ainda devem ser mantidos.

"Enquanto houver transmissão sustentada da covid, esse tipo de evento não é recomendável", afirmou. "Realizar eventos em ambientes abertos ainda tem algum sentido, em ambientes confinados, como num navio, isso é totalmente fora de propósito", completou.

Zanetta classificou os cruzeiros como "armadilhas", uma vez que a maior parte deles é completamente fechada, com uso de refrigeração, que recircula o ar. Ele explicou que nesse cenário, a probabilidade de disseminação da infecção é muito maior do que em ambientes abertos.

"É o que se poderia prever como uma situação já anunciada pelas circunstâncias. Mesmo que eu solicite comprovantes de vacinação e faça exames prévios, há algumas falhas possíveis", falou.

_________________________________________________Anvisa interrompe atividades de cruzeiro atracado em Salvador após surto de Covid-19 a bordo

Costa Diadema só poderá realizar atividades essenciais até seu destino no Porto de Santos

Cruzeiro Costa Diadema só poderá fazer atividades essenciais Foto: Rildo de Jesus/TV Bahia/G1

BRASÍLIA— A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interrompeu nesta sexta-feira as atividades do cruzeiro Costa Diadema após um surto de Covid-19 na embarcação. O navio está atracado no Porto de Salvador e a agência pediu autorização às autoridades sanitárias da cidade para que passageiros infectados possam desembarcar e cumprir quarentena em hotéis disponibilizados pela empresa. Além disso,  moradores da cidade poderão deixar o navio.

De acordo com a Anvisa, a maioria dos passageiros infectados está assintomática e alguns apresentam sintomas leves. Com a medida tomada pela agência, o cruzeiro só tem permissão para realizar atividades essenciais até seu destino final, no Porto de Santos, onde os demais passageiros deverão desembarcar.

"A medida foi adotada após a investigação epidemiológica conduzida pela Agência e por técnicos das Secretarias de Saúde do Estado da Bahia e do Município de Salvador, que concluiu pela declaração de transmissão comunitária de Covid-19, nível 4, a bordo da embarcação", diz nota da Anvisa.

A agência determinou ainda que todos os tripulantes devem ser testados no desembarque em Santos e devem ser monitorados pela vigilância sanitária dos locais de destino. Há 3.836 pessoas embarcadas, sendo 1.320 tripulantes e 2.516 passageiros. Os casos da Covid-19 foram detectados após protocolo de testagem estabelecido pela Anvisa.

"Diante do ocorrido, até que se tenha uma melhor avaliação do cenário epidemiológico e dos protocolos sanitários, novas operações dessa embarcação não serão autorizadas pela Anvisa, ficando impedida a sua saída do Porto de Santos/SP até nova manifestação da Agência", afirma o comunicado.

Além do Costa Diadema, a Anvisa monitora o navio MSC Splendida, que está atracado no Porto de Santos, após relatos de casos confirmados de Covid-19 a bordo.

_________________________________________________Com dados instáveis sobre covid, Brasil não sabe se ômicron avança no país

20.dez.2021 - Pedestres usando máscara na avenida Paulista, em São Paulo Imagem: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Amanda Rossi e Leonardo Martins Do UOL 31/12/2021

A ciência já indicou em estudos recentes que a variante ômicron da covid-19 deve ser mais transmissível — ou seja, infecta outras pessoas com mais facilidade — do que outras cepas. Nos últimos dias, em meio às festas de final de ano, a variante provocou um salto de novos casos nos EUA e no Reino Unido.

Mas, aqui no Brasil, não é possível saber se a variante tem causado salto de infecções e nem se pode desenhar um cenário confiável do comportamento do vírus no país. Com sistemas fora do ar e dados desatualizados, o mapeamento da doença que matou mais de 600 mil pessoas no Brasil está defasado.

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A instabilidade nos sistemas do Ministério da Saúde não é um problema novo e ainda não foi corrigido apropriadamente. Em setembro, o UOL noticiou essa subnotificação enquanto a pasta do governo federal alegava alterações no sistema para "melhor atender ações de vigilância".

O Sivep-Gripe, sistema que registra casos graves e mortes por covid-19, segue apresentando instabilidades e impossibilita que se acesse dados atualizados até hoje — no site de monitoramento de dados da covid do governo do estado de São Paulo, há uma nota explicando que não houve atualização de casos e óbitos entre 11 e 29 de dezembro por problemas no sistema federal.

Os registros de novos casos, feitos por profissionais de saúde no sistema E-Sus Notifica, já vinham sofrendo instabilidade decorrentes de atualizações. A situação piorou no último dia 10, quando os sistemas do Ministério da Saúde foram atacados por hackers. A pasta diz ter normalizado as plataformas, mas estados seguem relatando problemas na contagem dos dados.

O UOL perguntou ao Ministério da Saúde qual o número de testes feitos em dezembro; o número total de testes feitos, não só PCR; e informações atualizadas sobre o plano nacional de testagem lançado em setembro. O órgão respondeu que "na última semana foram restabelecidas as plataformas e-SUS Notifica, SI-PNI e Conecte SUS, possibilitando a inclusão de dados por estados e municípios. Os dados lançados após o dia 10 de dezembro ainda não constam nas plataformas. Entretanto, todas as informações podem ser registradas pelos gestores locais e, assim que a integração de dados for restabelecida, os registros poderão ser acessados pelos usuários."

Brasil fica para trás em testagem

Para saber se as contaminações estão sob controle ou não, é preciso testar a população. A medida é considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como um mecanismo fundamental de combate à pandemia de covid, combinada com a vacinação.

No entanto, há mais de um mês o Brasil não sabe ao certo quantos testes estão sendo feitos no país em meio às flexibilizações das proteções e das festas de final de ano.

Os dados públicos do Ministério da Saúde apresentam defasagens e divergências. Os últimos dados disponíveis na plataforma do Ministério da Saúde são do dia 11 de novembro, e mostram 213.313 testes PCR feitos em novembro até o dia 11 daquele mês. Já o último boletim epidemiológico, divulgado no dia 15 de dezembro, informa a realização de 710 mil testes PCR no país no mês passado.

Mesmo com dados inconsistentes, é possível observar que o número de testes vem despencando desde o auge da pandemia de covid. Em março deste ano, foram 2,4 milhões de PCRs, mas os números vêm caindo mês a mês, segundo o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.

Os números são baixos se comparados a outros países. Dados da plataforma Worldometers, coletados pelo Infotracker, plataforma de monitoramento da covid-19 da USP (Universidade de São Paulo) e Unesp (Universidade Estadual Paulista), apontam que o Brasil está na 128º colocação no índice de testagem por milhão de habitante (296.892 testes por milhão). Em primeiro lugar está a Dinamarca, com 18 milhões de testes por milhão de habitantes.

"No Brasil, não estamos vendo o aumento de casos [decorrente da ômicron] porque o país não testa. Simplesmente, essa é a realidade", diz o epidemiologista Pedro Hallal, professor da Ufpel (Universidade Federal de Pelotas). Hallal coordenou o Epicovid-19, o maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil, realizado justamente pela aplicação de testes de covid.

Em termos de testes, estamos muito atrás de outros países. É como se o poder público não tivesse mais interesse em testar, porque grande parte da população está vacinada. Isso não faz sentido, vai na contramão de países que estão encarando a pandemia de forma séria. O Reino Unido, por exemplo, tem uma cobertura vacinal boa e, ao mesmo tempo, uma política muito forte de testagem."Wallace Casaca, professor da Unesp e coordenador do InfoTracker

Casaca lembra que pessoas vacinadas ainda podem transmitir a covid e que, sem testes, "não é possível detectar o vírus, isolar o paciente e impedir a continuidade da transmissão."

"O teste é uma medida básica de combate à pandemia. Não pode cair em desuso com a vacinação. O que me causa pânico é que, com baixa testagem, o país fica no escuro", afirma.

Apesar da escassez de informações, alguns estudos já indicam um avanço da variante pelo país. Um levantamento divulgado pelo Instituto Todos pela Saúde analisou 30.483 testes de covid-19 feitos em 396 cidades de 16 estados entre o dia 1º e 25 de dezembro. Destes, 640 amostras foram positivas e 203 (31,7%) eram casos prováveis da variante ômicron. Estes casos foram identificados em 47 cidades de oito estados brasileiros.

Dificuldades para testar

Políticas de testagem adotadas em outros países evidenciam a ausência de uma estratégia de monitoramento liderada por autoridades no Brasil.

No Reino Unido, por exemplo, para fazer um teste, basta fazer o agendamento em um site do governo. Se a pessoa não tem sintomas de covid, recebe gratuitamente em sua residência testes rápidos. Também é possível retirar os testes, sem custo, em postos de distribuição. Já se a pessoa tem sintomas, a recomendação é marcar o teste PCR, que detecta melhor a covid, também gratuitamente e com agendamento online.

A procura por testes no fim do ano no Reino Unido foi tão grande que alguns locais registraram falta do insumo. "Apesar da demanda sem precedentes, nós continuamos a disponibilizar milhões de testes rápidos todos os dias", disse um porta-voz da agência de saúde britânica para o jornal The Guardian.

Só entre 22 e 23 de dezembro, foram feitos 3,23 milhões de testes para covid no Reino Unido. O governo britânico divulga estes dados diariamente.

Em algumas cidades brasileiras, a situação é oposta. Em São Paulo, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde informou na última terça-feira (28) que a rede pública só faz testes de covid em quem está com sintomas da doença.

Desta forma, uma pessoa sem sintomas, mesmo que tenha tido contato com alguém que recebeu diagnóstico positivo, não consegue ser testada na rede pública em São Paulo.

A política pública de testagem de São Paulo contraria até os resultados de uma pesquisa feita pela própria Prefeitura, em maio deste ano, mostrando que 56% das pessoas que tiveram covid na cidade foram assintomáticas. O dado prova a importância de testar mesmo quando não há sintomas.

"Lá no começo da pandemia, essa seria uma política errada, mas ainda havia a desculpa de que faltava teste, que não tinha dado tempo para criar política de testagem. Mas agora, com todo esse tempo de pandemia, não testar alguém que teve contato com (pessoa com resultado) positivo é inaceitável, é uma piada de mau gosto", diz o epidemiologista Pedro Hallal.

Em outros lugares do país, o acesso a testes de covid na rede pública é menos restrito que na cidade de São Paulo. Pernambuco, por exemplo, tem o projeto TestaPE, que disponibiliza testes gratuitos em locais de grande movimento de pessoas. Atualmente, há postos de testagem em um terminal de ônibus intermunicipais e interestaduais e no aeroporto internacional, ambos no Recife.

Fila de espera até para testes pagos

Com os obstáculos na rede pública, a rede privada vê um aumento na demanda por testes pagos de covid-19 no fim de ano.

Dados da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) apontam que a semana de 13 a 19 de dezembro registrou 137.618 testes, 9% a mais do que os 126.210 do período entre os dias 6 a 12 do mesmo mês. O aumento foi ainda maior, de 44%, quando comparado com a semana de 29 de novembro a 5 de dezembro.

Dos testes feitos entre 13 e 19 de dezembro, 10.982 tiveram resultado positivo para covid-19 — na semana anterior, do dia 6 ao dia 12, esse número foi de 8.278. "No entanto, se considerada a média diária de casos, o índice segue em viés de baixa", afirma a associação em nota.

A alta demanda está gerando filas de espera pelo teste de farmácia. Neste fim de ano, em algumas regiões da cidade de São Paulo, é difícil encontrar farmácias e laboratórios com disponibilidade para realizar o teste de covid no mesmo dia ou no dia seguinte.

Na terça-feira (28), a reportagem buscou datas disponíveis para fazer o teste em diferentes estabelecimentos privados e encontrou casos em que só havia vagas no sábado, 1º de janeiro. Os preços variam de R$ 78 a R$ 170.

Alta taxa de testes positivos

Outro dado preocupante do Brasil é o alto percentual de casos positivos entre os testes feitos. Isso sinaliza, justamente, que estamos testando muito pouco.

Em maio de 2020, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou que os governos só flexibilizassem as medidas de restrição de circulação de pessoas quando 5% dos testes de covid, ou menos, dessem positivo ao longo de duas semanas.

Nesse patamar, considera-se que estão sendo feitos testes em quantidade suficiente para detectar casos e, assim, isolar as pessoas doentes. Por isso, o ideal seria que os governos disponibilizassem esse tipo de estatística diariamente.

É o que ocorre nos Estados Unidos. O acompanhamento diário desse tipo de dado mostra que, até o início de dezembro, cerca de 7% dos testes de covid-19 no país estavam dando positivo. Já na reta final do ano, o percentual dobrou para 14%, acendendo um forte alerta.

Já no Brasil, a média de resultados positivos entre os testes PCR feitos na pandemia foi de 27% — a plataforma Worldometers aponta um índice ainda maior, de 34,9%.

_________________________________________________Surto global da ômicron leva 20 países a baterem recorde de Covid-19

Aumento acentuado de infecções em quatro continentes deixa sistemas de saúde sob pressão

Londres e Roma | Financial Times

A Organização Mundial de Saúde alertou para um "tsunami" iminente de infecções, já que as variantes ômicron, altamente transmissível, e delta circulam juntas.

Pelo menos cinco países —incluindo Austrália, Dinamarca e Reino Unido— experimentaram um aumento de mais que o dobro do pico de casos registrado anteriormente, de acordo com análise do Financial Times.

Placa em Londres alerta para local de testes para a Covid-19 - Tolga Akmen/AFP

A média móvel de casos em sete dias nos Estados Unidos se aproximou de 300 mil na quarta-feira (29), a maior contagem diária desde o início da pandemia, de acordo com o rastreador de dados do FT.

Os países também estão aplicando muito mais testes hoje do que nas etapas anteriores da pandemia, mas a porcentagem de testes que dão resultado positivo está aumentando de modo geral, indicando que o aumento de casos é real.

Em vários países —incluindo Inglaterra, Canadá e Dinamarca-- a positividade do teste já atingiu um nível recorde desde que começaram os testes comunitários generalizados.

Os testes de PCR e de fluxo lateral não estão atualmente disponíveis, ou são difíceis de obter, em vários países, incluindo Reino Unido e Itália.

A Austrália, que antes seguiu uma política de "Covid zero", viu um aumento nas infecções de cerca de cinco vezes e meia o pico registrado anteriormente, segundo a análise.

As evidências iniciais sugerem que a ômicron é menos grave em comparação com as variantes anteriores. Isso pode ser porque o coronavírus infectou milhões de pessoas desde seu surgimento, há dois anos, dando aos infectados certa imunidade, e por causa da vacinação. Ainda não se sabe, entretanto, se a ômicron é menos virulenta para as pessoas que não foram vacinadas ou expostas ao vírus, especialmente para as mais vulneráveis.

Especialistas em saúde pública alertaram contra a minimização do impacto da ômicron após concluir que a doença é mais branda.

"O aumento exponencial de casos em países e cidades em todo o mundo pode resultar em sistemas de saúde cada vez mais pressionados", disse Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, ao Financial Times. "Uma pequena porcentagem de um grande número de pessoas ainda pode lotar os hospitais e, além disso, aumentar tremendamente a necessidade de atendimento ambulatorial", disse ela.

O grande aumento de casos já pressionou os hospitais dos Estados Unidos, onde estados com altos índices de vacinação, incluindo Nova York e a capital Washington, também experimentam um aumento das infecções.

Veja o que já se sabe sobre a variante ômicron do coronavírus

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A governadora de Nova York, Kathy Hochul, disse na quarta que o estado está mobilizando equipes médicas adicionais e ampliando a capacidade de leitos conforme as taxas de internação aumentam, mas continuam menores em comparação com o mesmo período do ano passado.

"Estamos basicamente nos preparando para um aumento repentino em janeiro", disse ela. "Sabemos que está chegando."

Mike Ryan, diretor de emergências da OMS, disse que é provável que o vírus evolua para uma fase endêmica, mas "é muito improvável que desapareça completamente".

Desde que a cepa ômicron foi detectada pela primeira vez, no sul da África no mês passado, os países correram para conter sua disseminação, restringindo viagens ou fechando fronteiras e expandindo campanhas de reforço. A ômicron parece ser mais transmissível do que a delta e capaz de romper a imunidade causada por vacinas e infecções anteriores.

As evidências iniciais indicam que os cursos completos das vacinas existentes podem ser menos eficazes no combate à variante, embora as doses de reforço possam ajudar a restaurar parte dessa proteção. Para vacinas usadas principalmente em países mais pobres, essa proteção é ainda menor. A Johnson foi a última empresa a dizer que uma dose extra de sua vacina ajudou contra a variante, na quinta-feira.

Nos dois anos desde que foi detectado pela primeira vez, o coronavírus

Nos dois anos desde que foi detectado pela primeira vez, o coronavírus infectou mais de 284 milhões de pessoas globalmente, matando mais de 5,4 milhões, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, embora ambos os números provavelmente sejam muito subestimados.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

_________________________________________________Turistas de navios com casos de covid relatam negligência e insegurança

Pessoas sem máscaras de proteção contra a covid-19 à noite no navio Costa Diadema - Divulgação
Pessoas sem máscaras de proteção contra a covid-19 à noite no navio Costa Diadema Imagem: Divulgação

Luciana Amaral Do UOL, em Brasília 31/12/2021 04h00

Turistas de navios de cruzeiro que contabilizam dezenas de pessoas diagnosticadas com covid-19 relataram à reportagem o que classificaram como negligência e insegurança pela falta de informações.

Um deles é o pesquisador Dennis Fujita, do Laboratório de Investigação Médica do Hospital das Clínicas de São Paulo, que está com a noiva a bordo do navio Costa Diadema, da empresa Costa Cruzeiros. O navio atracou na manhã desta quinta-feira (30) no porto de Salvador, na Bahia, com 68 casos positivos de covid-19 confirmados nas últimas 24 horas, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Há 56 tripulantes e 12 passageiros infectados.

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Situação é "desesperadora"

Fujita relata um clima de insegurança sobre os novos rumos da viagem. Inicialmente, diz o pesquisador, a empresa avisou que, devido a protocolos da Anvisa, o tempo de parada em Salvador seria reduzido. No entanto, não houve liberação para desembarque na capital baiana. Das 12h até 17h30, conta Fujita, nenhum tripulante informou o que aconteceria com os passageiros.

Mais cedo, a Anvisa informou, em nota, que não autorizou a operação do navio em Salvador. Portanto, o embarque e o desembarque de viajantes estão proibidos até que seja finalizada uma investigação em andamento.

A determinação de quarentena ou até mesmo da suspensão das atividades do cruzeiro não está descartada pela agência.

Segundo Fujita, a situação dentro do navio é "desesperadora".

"Está todo mundo aqui confabulando sobre o que vai acontecer. Se vai ter quarentena, se vai voltar para o porto de Santos", afirmou. "O que mais deixa a gente preocupado é que não temos informações."

O Costa Diadema chegou do porto de Santos, em São Paulo, e teria Ilhéus, na Bahia, como o próximo destino. Agora, Fujita diz que ninguém mais sabe o que vai acontecer. Ao todo, são 3.836 pessoas no navio —1.320 tripulantes e 2.516 passageiros, segundo a Anvisa.

Na segunda (27), o Costa Diadema já havia ancorado em Santos com a confirmação de 13 casos de covid-19, sendo dez passageiros e três tripulantes.

Fujita afirmou que protocolos de distanciamento social e de uso de máscara estão sendo negligenciados por parte dos viajantes. Segundo ele, os protocolos de segurança da Anvisa são transmitidos no circuito interno de televisão e os funcionários do cruzeiro costumam usar as máscaras de proteção corretamente, mas, nas festas promovidas a bordo, a empresa não cobra o uso por parte dos passageiros.

_________________________________________________Taxa de positividade nos testes de covid aumentou fortemente no Rio, diz Eduardo Paes

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Agência Brasil – O prefeito do Rio, Eduardo Paes, disse hoje (30) que o percentual de positividade de covid-19 nos testes realizados na última semana aumentou na capital. Conforme os números que ele recebeu ontem à noite, a taxa subiu para 5,5% e antes estava em 0,77%.

De acordo com o prefeito, o importante nesta situação é verificar a evolução da curva que já vem sendo notada pela população e tem se confirmado na testagem.

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“Nós tivemos uma taxa de positividade da covid em 0,77%. A taxa subiu para 5,5% na última semana. Nós já vimos 80%, mas o importante aí não é o número, o importante é a curva que verificamos na última semana. Isso que vamos sentindo e ouvindo as pessoas no nosso entorno falar, começamos a perceber também na testagem”, afirmou, após participar da entrega da estação Golfe Olímpico, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, que é a 46ª reformada desde o início desse governo em janeiro. A estação estava fechada desde março de 2020 e tinha sido destruída por um incêndio em abril deste ano.

Para Eduardo Paes, é possível que o Rio registre um aumento dos casos da doença na cidade, mas ele acrescentou que ainda não há impacto no número de internações.

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“Parece inevitável, isso vamos monitorando, mas a gente deve ter certamente um aumento significativo dos casos de covid. Isso ainda não se manifestou em internações e problemas mais graves, mas estamos preparados para isso e mobilizados”, disse.

De acordo com o prefeito, não há mais ambiente para novas restrições, por isso ele pediu que a população fique atenta e se preserve, especialmente, das aglomerações.

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“As pessoas estão sempre me perguntando sobre o réveillon em Copacabana. Esse é o que menos me preocupa. Me preocupa muito mais, as festas que as pessoas fazem em ambiente fechado, as famílias se encontrando agora no dia 31 de dezembro. Isso, em geral, são locais de transmissão muito mais intensos. Então, quem tiver com sintoma de gripe vai testar. Se tiver com algum sintoma e não conseguiu testar, deve evitar o contato com muita gente em ambiente fechado. A pessoa deve se preservar, se cuidar e a gente vai monitorando e torcendo, para que, primeiro, as pessoas se vacinem. Aqueles que ainda não tomaram a sua dose de reforço, que o façam o mais rápido possível e, principalmente, que as pessoas entendam que essa é uma doença que está aí e a gente precisa tomar todos os cuidados", disse o prefeito.

_________________________________________________EUA batem novo recorde com quase meio milhão de casos de Covid em 24 horas

Média de sete dias também foi a maior registrada; 15 estados e territórios registraram mais infecções do que em qualquer outro período de sete dias desde o início da pandemia

O Globo e New York Times

30/12/2021 - 10:05 / Atualizado em 30/12/2021 - 12:49

Homem faz teste rápido para a Covid-19 em Washington, nos EUA: país registrou novo recorde de infecções Foto: EVA HAMBACH / AFP

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NOVA YORK — Com o segundo ano da pandemia chegando ao fim, o total de novos casos em um dia nos Estados Unidos bateu mais um recorde e chegou a 488 mil na quarta-feira, de acordo com o banco de dados do New York Times. A média de sete dias das infecções, de 301 mil, também foi um recorde, em comparação com 265 mil no dia anterior.

O aumento foi impulsionado pelo avanço da variante Ômicron, altamente contagiosa, que se tornou dominante nos Estados Unidos na semana passada. Até agora, no entanto, o aumento exponencial de casos não resultou em doenças mais graves: as hospitalizações aumentaram 11% no país e as mortes diminuíram ligeiramente nas últimas duas semanas.

Com a explosão de casos nos EUA e na Europa — onde a capacidade de testagem também é maior — o número global de infecções pelo coronavírus em um dia passou de 1,7 milhão na quarta-feira, um aumento de um terço em relação à véspera e apenas dois dias depois de romper a barreira de 1 milhão. Na média móvel de sete dias, os casos em todo o mundo chegam a 1,3 milhão, de acordo com o site Our World in Data, da Universidade de Oxford.

Nos EUA, avalia-se que o número de casos pode ser ainda maior, já que o registro de novas infecções não incluiu um grande número de trabalhadores, que estão de férias, e a testagem diminuiu sensivelmente por causa das festas de fim de ano.

Além disso, os recordes de casos também estão sendo registrados em cidades onde as taxas de vacinação são relativamente altas, como  Nova York, Washington, Seattle, São Francisco, Boston, Atlanta e Detroit. Para especialistas, há duas razões para os números elevados nas áreas urbanas: densidade populacional e mais testes.

— As cidades são centros superlotados por causa das viagens e da socialização, o que deixa as pessoas mais suscetíveis à variante altamente contagiosa —  disse Kirsten Bibbins-Domingo, médica e epidemiologista da Universidade da Califórnia. —  E os testes são mais comuns nos grandes centros urbanos precisamente porque estamos preocupados com os grandes surtos que sobrecarregam os hospitais.

O novo avanço da pandemia no país é um dos fatores que levou à queda da popularidade do presidente Joe Biden, com índices inferiores a 40% e uma desaprovação de 52%. As críticas mais recentes foram motivadas pela falta de kits de testes rápidos nas grandes redes farmacêuticas e pelas longas filas nos centros de testagem administrados pelo governo.

Restrições em outros países

O crescimento de casos em todo o mundo por causa da nova variante leva cada vez mais países aumentem as restrições às vésperas do Ano Novo. Com recordes consecutivos de casos em países europeus nesta semana, capitais como Paris, Londres, Roma, Varsóvia e Bruxelas cancelaram os espetáculos de queima de fogos.

Nesta quinta-feira, a Arábia Saudita voltou a impor medidas de distanciamento físico na Grande Mesquita de Meca, local de peregrinação de fiéis. A medida havia sido suspensa em outubro, mas o número de infecções se multiplicou desde o início de dezembro, com 744 novos casos registrados na quarta-feira.

A retomada da epidemia ocorre em outros países do Golfo e levou o Qatar a suspender os dias de folga do pessoal de saúde em hospitais públicos. Os Emirados Árabes Unidos, apesar de apresentarem uma das melhores taxas de vacinação do mundo, registraram um número de infecções diárias 30 vezes maior do que no início do mês.

Na Índia, autoridades anunciaram medidas rigorosas nesta quinta-feira para evitar reuniões em massa em festas e locais públicos antes das celebrações de Ano Novo. Todas as grandes cidades impuseram toques de recolher noturnos e restaurantes devem limitar o número de clientes.

O país registrou 13.154 novos casos de Covid-19 e 268 mortes nas últimas 24 horas, de acordo com o Ministério da Saúde. Foi o maior número de infecções diárias desde outubro.

_________________________________________________Chineses confinados por covid em Xian afirmam não ter o que comer

28 dez. 2021 - Vista de prédios com janelas iluminadas por luzes em Xian, na província de Shaanxi, China Imagem: VCG via Getty Images

Da AFP 30/12/2021 10h16

Os habitantes de Xi'an informaram à AFP nesta quinta-feira (30) que não têm alimentos, enquanto as autoridades chinesas afirmam que a oferta de comida é "suficiente" na cidade confinada devido à covid-19.

Xi'an (norte), famosa pelo exército subterrâneo do primeiro imperador da China, está confinada há uma semana, depois de registrar casos de covid-19.

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Os 13 milhões de habitantes têm direito de sair para se abastecer com comida apenas uma vez a cada três dias.

Na quarta-feira, as autoridades locais admitiram que as restrições afetavam a oferta de alimentos, mas o governo central relativizou essas dificuldades nesta quinta-feira.

"No geral, a oferta de produtos básicos em Xian é suficiente", afirmou o porta-voz do ministério do Comércio, Gao Feng, em coletiva de imprensa online.

O porta-voz acrescentou que seu ministério tomaria medidas adicionais para garantir o abastecimento de Xian em caso de necessidade.

A televisão nacional mostrou hoje imagens de funcionários em horário integral que pediam ovos, verduras e carne antes de ir de porta em porta para entregá-los aos moradores.

No entanto, alguns residentes continuam reclamando da falta de alimentos.

_________________________________________________Zé Felipe cancela shows da virada após diagnóstico de pneumonia viral

Zé Felipe foi diagnosticado com pneumonia viral - Reprodução/Instagram
Zé Felipe foi diagnosticado com pneumonia viral Imagem: Reprodução/Instagram

De Splash, em São Paulo 29/12/2021 13h37

sertanejo Zé Felipe cancelou os shows que faria na virada do ano após receber o diagnóstico de pneumonia viral. Segundo a assessoria de imprensa do cantor, além dele, outros seis membros da equipe também tiveram que ser afastados: três em decorrência do diagnóstico positivo para covid-19 e outros três que estão com a gripe H3N2.

Os shows seriam realizados amanhã em Guarapari (ES), na sexta-feira (31) em Ortigueira (PR) e no sábado (1) em Torres (RS).

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Apesar do cancelamento, a assessoria informou que o cantor "apresentou uma melhora significativa" e que está "empenhada em remarcar as datas o quanto antes".

O cantor já havia anunciado para os fãs o diagnóstico por meio das redes sociais. "Ontem quando eu comecei a passar mal a gente fez um tanto de teste e exame aqui e estou com pneumonia viral. Agora é cuidar, tomar os remédios para em breve estar bom logo e voltar [aos palcos]", contou nos Stories do Instagram.

Zé Felipe está isolado com a mulher Virgínia Fonseca. No Instagram, eles lamentaram a saudade da filha Maria Alice, de 6 meses, que está sob os cuidados dos avós.

_________________________________________________Fake news, religião e briga política derrubam vacinação contra covid em RR

12.dez.2021 - O pastor da Assembleia de Deus Pacaraima Jose Ribamar de Jesus, 53, e sua esposa Domingas do Carmo Leite de Jesus, 49, que são contra a vacina da covid - Bruno Kelly/UOL
12.dez.2021 - O pastor da Assembleia de Deus Pacaraima Jose Ribamar de Jesus, 53, e sua esposa Domingas do Carmo Leite de Jesus, 49, que são contra a vacina da covid Imagem: Bruno Kelly/UOL

Felipe Pereira

Do UOL, em Boa Vista e Pacaraima (RR)

30/12/2021 04h00

Com Roraima apresentando índices decepcionantes de imunização contra covid-19, o amontoado de gente ao redor do postinho de Amajari (RR) animou a coordenadora estadual de Vigilância em Saúde, Valdirene Oliveira. A alegria durou o tempo de uma injeção. A equipe que dividia o carro com ela explicou que as pessoas estavam sentadas na calçada para pegar o sinal de wifi.

Pfizer, CoronaVac e AstraZeneca andam menos populares que WhatsApp, Instagram e Facebook em Roraima. A consequência é a pior cobertura vacinal do Brasil. De acordo com o consórcio de veículos de imprensa, somente 55,28% da população tomou a primeira dose e 39,68%, a segunda. Mas estes dados estão desatualizados há alguns dias.

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De acordo com a Secretaria de Saúde do estado "o Vacinômetro está sem atualização, em virtude da dificuldade de acesso aos sistemas do Ministério da Saúde, desde o ataque sofrido pelo Ministério que ainda não conseguiu restabelecer por completo o sistema SI-PNI (Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações) para acesso ao banco de dados."

Ainda de acordo com a nota, o órgão estadual afirma que tem mantido contato com o Ministério Saúde e "foi informado de que o Departamento de Informática do SUS (DataSUS) continua trabalhando para o restabelecimento das plataformas. E assim que estiverem em sua total funcionalidade, os dados do Vacinômetro serão atualizados."

"Fake news" impedem vacinação, diz governo

A coordenadora da Vigilância em Saúde conta que as fake news, um dos maiores obstáculos ao programa de imunização, vêm justamente destes aplicativos. Foi pelo Facebook que Jhonny Gustavo Guedes, 46, sedimentou a crença de que a vacina engrossa o sangue, causa doenças cardíacas e até a morte.

"Hoje, meu maior problema é recusa. A população não quer se vacinar porque não acredita na vacina", diz Valdirene.

A interpretação que lideranças religiosas deram à pandemia também atrapalha a imunização. A técnica em enfermagem Yara Aragão chegou em uma casa de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, oferecendo a vacina. O pastor que visitava a família não sentiu constrangimento em comparar a equipe de saúde a enviados de Lúcifer.

"Ele falou: 'O inimigo manda emissário de casa em casa'. Ninguém tomou a vacina", conta.

Além da máquina de mentiras da internet e da pregação religiosa contrária, a campanha de imunização em Roraima enfrenta a politização da pandemia.

O trânsito de Boa Vista convive com pedidos de voto impresso e auditável em plotagens de carros que transportam seguidores de um presidente que dúvida da vacina.

No campo político estadual, a população assistiu o governador Antonio Denarium (PP) trocar o secretário da Saúde seis vezes durante a pandemia. Entre os ocupantes do cargo esteve Airton Soligo, que trabalhou como assessor do general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde que criou dificuldades para compra de vacinas.

Vacina em domicílio

vacina - Bruno Kelly/UOL - Bruno Kelly/UOL
12.dez.2021 - Agentes de saude da prefeitura de Pacaraima RR vão de casa em casa em mutirão para tentar aplicar as vacinas contra a Covid 19 Imagem: Bruno Kelly/UOL

Na distribuição da vacina, a estrada é íngreme e tão ruim que nem a caminhonete 4x4 passa. Melada de suor pelo calor da Amazônia, a equipe de saúde serpenteia a pé barracos sem reboco escondidos no meio do mato. A mulher que carrega a caixa com os imunizantes escuta apelos. "Vai devagar".

Conselho pertinente, mas dispensável. Antes dele, a agente de saúde já caminhava com o mesmo olhar zeloso que um vigilante de carro forte sai da agência bancária. Ela sabe que 30 doses de CoronaVac, 30 de AstraZeneca e 36 de Pfizer podem se perder num escorregão.

Esta tarefa custosa de se embrenhar no mato virou rotina. Por causa do baixo índice de vacinação, Roraima criou uma força-tarefa para visitar residências nos fundões de seus 15 municípios. Trabalhar nos grotões de Pacaraima significa ir muito longe para encontrar pouca gente.

Tanto empenho explica a cara de decepção da equipe quando a venezuelana Jessica Martinez, 22, recusa a primeira dose. Ela justifica que ouviu na mídia (Facebook) que a vacina mata gente. O marido, o venezuelano Jhonny Gustavo Guedes, 46, percebe o rumo da prosa e é rápido em inventar uma desculpa para fugir da conversa.

Jessica Martinez e Jhonny Gustavo Guedes - Bruno Kelly/UOL - Bruno Kelly/UOL
12.dez.2021 - Casal Jessica Martinez e Jhonny Gustavo Guedes Imagem: Bruno Kelly/UOL

Diz que vai trocar de roupa para estar à altura da visita. Os agentes de saúde respondem que não precisa roupa de missa para tomar injeção. Jhonny fala que vacinas engrossam o sangue e causam ataque do coração. O diálogo ganha contornos de grupo de WhatsApp.

Até a implantação de um chip é mencionada pelo casal. Jessica está irredutível, mas o marido cede. Enrola a manga da camiseta e toma injeção. "Me pegaram desprevenido, então eu tomei."

Ele admite que se não fossem até sua casa, jamais visitaria um postinho. Os agentes de saúde se entreolham orgulhosos.

Com o marido vacinado, o discurso de Jessica se torna mais radical, mas o tom de voz é vacilante. A agente de saúde usa aquele timbre amistoso da avó que tenta convencer o neto a tomar xarope. E funciona. Os dias de triunfo da fake news são encerrados naquela casa.

a cadeirante Maria Lourdes - Bruno Kelly/UOL - Bruno Kelly/UOL
12.dez.2021 - A cadeirante Maria Lourdes Imagem: Bruno Kelly/UOL

Mais uma vez a alegria dura pouco. Os agentes de saúde voltam para o asfalto e visitam pessoas que estão no prazo para segunda dose. Maria Lourdes Leite de Souza, 52, argumenta que a primeira dose de AstraZeneca causou dor no pescoço, enxaqueca e comprometeu os músculos. Se declarando cliente da Neosaldina, a cadeirante nega a vacina.

Fogo amigo

a técnica em enfermagem Yara Aragão e o enfermeiro José Luís Gutierrez - Bruno Kelly/UOL - Bruno Kelly/UOL
12.dez.2021 - A técnica em enfermagem Yara Aragão e o enfermeiro José Luís Gutierrez Imagem: Bruno Kelly/UOL

As equipes que partiram para diferentes pontos de Pacaraima se reencontram na UBS no meio da tarde. Chefe da equipe que vacinou o casal venezuelano, Yara Aragão recebe a segunda dose.

A matemática não fecha. Ela já deveria estar na terceira dose, mas a profissional que ganha a vida oferecendo saúde tem um passado negacionista.

"Eu não queria tomar porque pensava que a gente estava servindo de cobaia", diz.

Enfermeiro responsável pela vacinação na UBS, José Luiz Gutierrez enxovalha as fake news enquanto saca o livro com dados de vacinação. Ele lê os números de 5 de dezembro: 34 doses aplicadas, 19 recusas. Luiz vira a página. Em 4 de dezembro, foram 19 vacinados e 11 recusas.

A invasão hacker no sistema do Ministério da Saúde impede a Vigilância em Saúde de Roraima de ter os números finais da força-tarefa. Os dados preliminares são de 10.442 doses aplicadas e 4.916 recusas em todo o estado, entre 2 e 12 de dezembro.

Pregação antivacina

A missionária Do Carmo e o pastor Ribamar ao fundo - Bruno Kelly/UOL - Bruno Kelly/UOL
12.dez.2021 - A missionária Do Carmo e o pastor Ribamar ao fundo Imagem: Bruno Kelly/UOL

A missionária Domingas do Carmo de Leite Jesus, 49, está no grupo que não quer saber de vacina. Ela explica que em 2014 o marido teve uma visão na qual Deus alertou que uma pandemia abalaria o mundo. De acordo com do Carmo, quando as primeiras mortes no Brasil começaram, houve uma nova aparição.

Deus teria dito que surgiriam várias curas, mas todas seriam falsas. A proteção estava no divino e os remédios inventados pelo homem eram instrumento de uma ação do capitalismo satânico. Ele iria usar a morte para concentrar dinheiro e poder nas mãos de poucos.

O pastor Ribamar de Jesus, 53, é o homem que teve as visões. Ele afirma que não aborda a vacina em seus cultos e só trata do assunto quando procurado pelos fiéis.

Muitos frequentadores da igreja partilham o ceticismo com o programa de imunização. Cabo do Exército, Miguel Pereira, 21, sempre se esquiva da vacina. Mesmo quando ela foi ofertada no quartel onde trabalha.

A Coordenadoria Estadual de Vigilância em Saúde pretende conversar com lideranças religiosas. Muitas vezes eles são a ponta de uma rede de desinformação que acaba tendo ligações com o Palácio do Planalto.

"O presidente tem influência naqueles seguidores que brigam por causa dele, mas sozinho não faria tanto estrago. O maior problema são alguns líderes religiosos. Em local pequeno, o estrago causado por eles é maior", diz Valdirene.

Abre - Bruno Kelly/UOL - Bruno Kelly/UOL
12.dez.2021 - O pastor da Assembleia de Deus Pacaraima, Jose Ribamar de Jesus Imagem: Bruno Kelly/UOL

Politicagem na vacina

Boa Vista tem números melhores que o restante do estado: 78% da população com a primeira dose e 56% com a segunda. Nada que satisfaça a superintendente municipal de Vigilância em Saúde da cidade, Francinete Rodrigues. Ela estuda formas para chegar aos 90% de imunização.

"A gente tem conversado com empresas para quem apresentar a carteira de vacinação ganhar descontos. Apresentar a carteira completa e participar de sorteios."

Francinete também vai entrar na guerra da informação. Agentes de saúde vão de casa em casa explicar que a vacina previne a forma grave da covid-19. A iniciativa tem aval das autoridades sanitárias do Estado.

A Coordenadoria Estadual de Vigilância em Saúde apoia o planejamento de Boa Vista, mas ressalta que Roraima tem 40% do seu território inacessível por via terrestre. Este trabalho de formiguinha no corpo a corpo, que já é trabalhoso por natureza, beira o impossível nas áreas rurais, comunidades ribeirinhas e indígenas.

Mas enquanto as autoridades de saúde mostram alinhamento, os políticos trocam ofensas. Mês passado, o governador de Roraima acusou o prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (MDB), de fazer politicagem para que os hospitais ficassem lotados.

O prefeito divulgou uma nota afirmando que as críticas do governador têm motivação eleitoral. "As graves acusações, em tom político por conta da aproximação das eleições do ano que vem", diz um trecho.

Os obstáculos à vacina em Roraima vão dos gabinetes com ar-condicionado aos fundões da Amazônia. Mas os problemas foram colocados em segundo plano neste final de ano. O governo gastou esforços organizando a tradicional festa da virada no Parque Anauá, em Boa Vista.

_________________________________________________Crescem casos de Covid no Brasil e país pode ter explosão como a Europa, dizem especialistas


Infectologista e físico da USP alertam para aumento de contaminados e número de jovens que testam positivo. Há ligação com a Ômicron, que se dissemina com muita facilidade, e sobre a qual não existem dados tranquilizadores sobre letalidade

Por Henrique Rodrigues

28 dez 2021 - 21:05

Imagem ilustrativa | Foto: Governo do Distrito Federal

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O médico infectologista Marcos Caseiro e o físico e professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto Domingos Alves confirmam o crescimento no número de contaminados nos últimos dias pelo Sar-Cov-2, o coronavírus que provoca a Covid-19, e a informação pode ser o sinal de alerta para uma nova e grave onda de infectados no Brasil, a exemplo do que já vem ocorrendo em outras partes do mundo.

“Isso está acontecendo na Europa, está explodindo lá e eu tenho a impressão que isso vai acontecer isso aqui também. A gente está vendo aumentar muito em pessoas jovens, e é o que está acontecendo na Europa. Pessoas jovens, eventualmente vacinadas, o que pode sim resultar numa menor letalidade ou de casos graves nessa faixa etária, mas o que a gente precisa compreender é o que vai representar isso para as pessoas mais vulneráveis, como idosos, pessoas com comorbidades, enfim”, explicou Caseiro.

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Além das estatísticas, o médico conta que esse crescimento é perceptível no cotidiano clínico dos profissionais que lidam com a pandemia e a novidade fica por conta do perfil dos novos infectados.

“Eu acabo de confirmar dois casos, de dois jovens, vacinados, que foram a uma festa agora nesse fim de ano e que testaram positivo. Se esses dois jovens numa festa testaram positivo, todo mundo, ou muita gente que esteve por lá, também está contaminado”, contou o médico.

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Caseiro esclarece que a vacinação é importante e que ela garante uma proteção ampla aos imunizados, mas que essas pessoas que se contaminam podem servir de transmissores para alguém que não tenha uma proteção tão abrangente contra a doença.

“O importante entendimento que deve existir é que, o que a vacina promete em parte é não desenvolver casos graves e morte. Você pode até pegar a doença, mas ela não apresentará formas graves, você não vai morrer e não será intubado. De qualquer forma, uma grande contaminação agora pode fazer a coisa ‘pegar’. Com um grau maior ou menor de sintomas, e obviamente quem se contaminar servirá como um transmissor para as pessoas mais vulneráveis”, exemplificou.

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O professor Domingos Alves, da Faculdade de Medicina da USP, e que ajudou a criar desde o início da pandemia o portal Covid-19 Brasil, diz que os números sobre o crescimento de infectados é inequívoco, não deixando margem para outra interpretação.

“Há, confirmado, um aumento de casos registrados e internações na Região Metropolitana de São Paulo. Como nós confirmamos esses dados? Pelo portal Covid-19 Brasil no qual nós monitoramos os dados dos municípios, principalmente dos municípios do Estado de São Paulo, e inclusive dados da Secretaria Estadual de Saúde. Esses dados podem ser vistos, dos aumentos de internação, por exemplo, de maneira estática, no próprio site da Secretaria Estadual de Saúde”, falou o físico.

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Letalidade é uma incógnita

Marcos Caseiro reiterou que não existem informações confiáveis ou definitivas que mostrem uma menor letalidade por parte da variante Ômicron. Para ele, o índice de pessoas vacinas e de indivíduos que tiveram a doença pode “mascarar” o real potencial de provocar a morte por parte da nova cepa.

“Certamente isso já mostra uma situação mais de reflexo da circulação mais intensa dessa cepa Ômicron, que tem uma transmissibilidade muito grande. Em hipótese alguma há alguma informação que confirme que esta variante tem uma letalidade menor. A única coisa que nós sabemos é que um vírus que se dissemina muito rapidamente. Ela foi identificada em 25 de novembro e já está em todo lado, no mundo inteiro. Ela se espalha muito mais rápido, mas o quanto ela pode ser mortal, definitivamente não temos uma informação sobre isso”, frisou.

_________________________________________________Diretor-geral da OMS diz estar preocupado com "tsunami de casos" de variantes da Covid-19

29 de dezembro de 2021, 13:09


GENEBRA (Reuters) - A circulação das variantes Delta e Ômicron do coronavírus está criando um "tsunami de casos", disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira.

Tedros repetiu seu apelo para que os países compartilhem as vacinas contra a Covid-19 de forma mais equitativa e alertou que a ênfase em doses de reforço nos países mais ricos pode deixar as nações mais pobres com falta de imunizantes.

_________________________________________________Casos de Covid-19 disparam em todo o mundo e aumentam medo de novas quarentenas

29 de dezembro de 2021


SYDNEY/ROMA (Reuters) - O número diário de casos confirmados de Covid-19 atingiu altas recordes nos Estados Unidos, em partes da Europa e na Austrália agora que a variante Ômicron se dissemina fora de controle, mantendo trabalhadores em casa e provocando temores de novas quarentenas ao redor do mundo.

Quase dois anos depois de a China relatar um foco de casos de "pneumonia viral" na cidade de Wuhan, o coronavírus, que sofre mutações frequentes, está fazendo estragos em muitas partes do mundo e obrigando governos a repensar regras de quarentena e exames.

Embora alguns estudos indiquem que a Ômicron é menos mortal do que algumas de suas antecessoras, a quantidade imensa de pessoas sendo diagnosticadas pode levar os hospitais de alguns países a ficarem sobrecarregados em breve, enquanto negócios podem ter dificuldade para continuar funcionando por causa de empregados submetidos a quarentenas.

França, Reino Unido, Itália, Espanha, Portugal, Grécia e Malta registraram um número recorde de casos novos na terça-feira.

O número médio de casos diários de Covid-19 nos EUA também atingiu uma alta recorde nos últimos sete dias, de acordo com uma contagem da Reuters. O pico anterior ocorreu em janeiro deste ano.

Na Austrália, as novas infecções diárias dispararam para quase 18.300 nesta quarta-feira, bem acima do recorde anterior de cerca de 11.300 alcançado um dia antes.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que seu país precisa "mudar de marcha" para lidar com laboratórios sobrecarregados que sofrem com longas filas de pessoas e carros em diversas áreas.

Gargalos na infraestrutura de exames também aumentam em países europeus, entre eles a Espanha, onde a procura por exames gratuitos de Covid-19 fornecidos pelo governo regional de Madri superou de longe o suprimento na terça-feira, causando filas grandes diante de farmácias.

Vários governos também estão cada vez mais preocupados com os números imensos de pessoas que são obrigadas a se isolar por terem tido contato com um portador de coronavírus.

"Não podemos aceitar que todos sejam tirados de circulação porque calhou de estarem em um lugar em particular em um momento em particular", disse Morrison aos repórteres.

Acredita-se que a Itália relaxará algumas regras de quarentena nesta quarta-feira por temer que o país trave em breve, dada a quantidade de pessoas sendo forçadas a se isolar preventivamente. Na terça-feira os casos dobraram em relação ao dia anterior e chegaram a 78.313.

_________________________________________________EUA batem recorde da pandemia, com mais de 260 mil casos de Covid por dia

Mortes também aumentaram, mas a média diária é menor do que o recorde de janeiro deste ano; infecções na Europa também contribuem para recorde mundial
O Globo e New York Times
29/12/2021 - 10:15 / Atualizado em 29/12/2021 - 13:24
Pessoas fazem fila para fazer testes grátis de coronavírus em Washington, um dos locais mais afetados do país pelo avanço da Ômicron Foto: Anna Moneymaker / AFP
Pessoas fazem fila para fazer testes grátis de coronavírus em Washington, um dos locais mais afetados do país pelo avanço da Ômicron Foto: Anna Moneymaker / AFP

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NOVA YORK — O recorde de casos diários de coronavírus foi quebrado na terça-feira nos Estados Unidos, com a convivência de duas variantes altamente contagiosas — a Delta e a Ômicron. Com o terceiro ano da pandemia se aproximando, a média móvel de novas infecções no país passou de 265 mil, de acordo com o site Our World in Data, da Universidade de Oxford. As mortes também cresceram, mas a média diária em torno de 1.500 por dia é menor que o recorde de 3.400 registrado em janeiro deste ano.

Na Europa, países como França, Espanha, Portugal, Itália, Reino Unido, Dinamarca e Grécia também registraram recordes de novos casos nesta semana, atribuídos ao avanço da Ômicron, identificada pela primeira vez na África do Sul, no final de novembro.

A situação na Europa e nos EUA levou o número de novos casos em todo o mundo a passar de 1 milhão pelo segundo dia consecutivo na terça-feira, com uma média móvel de sete dias que ultrapassou 900 mil infecções diárias. O recorde mundial anterior ocorreu em abril, com média de 826 mil novos casos diários.

— Estou muito preocupado porque a Ômicron, sendo altamente transmissível e se disseminando ao mesmo tempo em que a Delta, está levando a uma tsunami de casos —  disse o diretor da Organização Mundial da  Saúde, Tedros Adhanom. — Isso está colocando e continuará a exercer uma pressão imensa sobre os profissionais de saúde exaustos, e os sistemas de saúde estão à beira de um colapso.

Nos EUA, o recorde anterior de casos diários foi registrado em 11 de janeiro, quando a média de sete dias era de 251.232 novas infecções, durante um inverno catastrófico muito pior do que o atual, quando mais de 62% dos americanos estão totalmente vacinados. As primeiras evidências indicam que a nova variante causa sintomas mais leves do que anteriores, com doses de reforço ajudando a prevenir formas graves da da Covid-19 e mortes.

Embora as hospitalizações tenham aumentado nos EUA, com média de mais de 71 mil por dia, elas permanecem em número muito abaixo dos níveis máximos registrados no começo do ano. Mesmo assim, um aumento do número de pacientes ameaça sobrecarregar hospitais, enquanto os próprios profissionais de saúde estão cada vez sendo mais infectados.

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rápida disseminação da nova variante também aumenta a escassez de mão de obra, afetando os setores médicos, farmacêuticos e de turismo, entre outros.

Apesar do avanço da Ômicron, um número considerável de pacientes nos EUA permanece infectado com a variante Delta, que é mais mortal. Na terça, o CDC relatou que os casos de Ômicron representam uma porcentagem menor do que o esperado, de cerca de 59%. E para a semana encerrada em 18 de dezembro, a agência revisou para baixo sua estimativa de 73% de casos com a nova variante, para cerca de 23%.

Em breve, no entanto, a Ômicron dominará os EUA e isso pode ser uma boa notícia: um novo estudo realizado por cientistas sul-africanos mostrou que as pessoas que se recuperaram de uma infecção com a nova cepa podem ser capazes de evitar infecções posteriores com a Delta.

A nova cepa também está atingindo alguns estados, como Washington, Maryland e Virginia, de maneira especialmente crítica. 

— Washington é um marco do que provavelmente veremos em grande parte do resto do país —  disse ao New York Times Neil J. Sehgal, professor na Escola de Saúde Pública da Universidade de Maryland. — Uma onda gigantesca em casos de Ômicron provavelmente inundará grande parte dos EUA no próximo mês.

França mantém boates fechadas

Embora os recordes de novos casos também estejam sendo quebrados na Europa, até agora líderes de Reino Unido, França, Espanha e outros países têm resistido à imposição de restrições mais duras e apostam que a alta cobertura vacinal e a aceleração das doses reforço, junto com as restrições anteriores ainda em vigor, serão suficientes para manter a pandemia administrável.

Na França, o governo anunciou que casas noturnas vão permanecer fechadas por mais três semanas, a partir de 3 de janeiro, depois que o país registrou quase 180 mil novos casos na terça-feira, recorde que foi de novo batido nesta quarta, quando foram  registrados 208 mil casos.

Os cerca de 1.600 estabelecimentos do ramo estavam fechados desde 6 de dezembro, inicialmente por um período de quatro semanas que coincidiram com o período do Natal. O ministro do Turismo, Jean-Baptiste Lemoyne, garantiu que as empresas receberão um auxílio para compensar as perdas com o fechamento durante o período de festas.

No Parlamento, o ministro da Saúde, Olivier Véran, disse que, apesar do aumento de casos, a Ômicron ainda não teve impacto nas hospitalizações, cujo principal vetor continua sendo a Delta. Ele alertou, porém, que os efeitos da nova cepa ainda estão para ser medidos.

— Hoje, a cada segundo, dois franceses testam positivo para o coronavírus. Nunca passamos por uma situação dessas — disse Véran, que descreveu a situação como "atordoante".

Já o ministro do Interior, Gerald Darmanin, estimulou as autoridades locais a limitarem reuniões e celebrações públicas para o Ano Novo, impondo, em particular, o uso obrigatório de máscaras ao ar livre.

O Parlamento francês começa a debater nesta quarta-feira uma nova lei que exige um passaporte de vacinação para ter acesso a restaurantes, cinemas, museus e outros locais públicos, como uma forma de incentivar a população a se vacinar no país, que já tem uma das maiores taxas de imunização do mundo, de 73% da população.

O passe de vacinação substituirá o anterior passe sanitário, que também admitia testes de Covid para a entrada em locais públicos fechados e nos meios de transporte.

________________________________________________BNDES recua sobre trabalho presencial após casos de Covid-19 entre funcionários

Bndes recua sobre trabalho presencial após casos de Covid-19 entre funcionários

Luã Marinatto

O BNDES decidiu dar um passo atrás no cronograma de retomada ao trabalho presencial depois que funcionários contraíram a Covid-19. Em comunicado interno enviado  segunda passada, o Subcomitê de Contingência do órgão informa que a última semana do ano será toda com trabalho exclusivamente remoto, inclusive para quem já estava batendo ponto na sede do banco estatal, no Centro do Rio.

Além disso, os empregados que tinham retorno ao presencial previsto para a primeira segunda-feira de 2022, em 3 de janeiro, terão a medida adiada em pelo menos uma semana, até o dia 10. Nos próximos dias, nem mesmo estagiários e menores aprendizes poderão ingressar no prédio do BNDES.

Vale lembrar que, conforme revelou a coluna em outubro, a retomada do trabalho presencial no banco chegou a ir parar na Justiça. Na ocasião, a 6ª Vara do Trabalho determinou que o retorno fosse adiado até que o banco viabilizasse o término do home office mantendo o "cuidado com a saúde dos seus empregados", o que fez com que a volta à sede só começasse de fato um mês depois.

_________________________________________________A ceia de Natal trouxe muita 'Ômicron' para o Brasil | Ancelmo - O Globo

Por Ancelmo Gois 29/12/2021 • 10:39



O epidemiologista  Roberto Medronho, da UFRJ, está convencido de que este novo vírus Ômicron desembarcou intensamente no Brasil neste período natalino: "Foi trazido em parte por brasileiros que moram no exterior e que vieram passar as festas de fim de ano aqui".

Não custa lembrar que a própria chegada da Covid no Brasil, em fevereiro de 2020, se deu através de um brasileiro que tinha acabado de chegar da Itália, onde o novo coronavírus havia se espalhado.

_________________________________________________Miguel Nicolelis alerta: Brasil é um dos países mais vulneráveis à variante ômicron

Miguel Nicolelis

247 - O cientista Miguel Nicolelis elencou em suas redes sociais fatores que colocam o Brasil em posição vulnerável à variante ômicron. 

De acordo com ele, o país não oferta testagem em massa, a campanha de vacinação está despencando e o governo não oferta números confiáveis a respeito da situação real da pandemia. 

_________________________________________________Situação sanitária se deteriora em São Paulo, com hospitalizações por gripe em alta

29 de dezembro de 2021, 05:23

247 - As hospitalizações na rede pública hospitalar da cidade de São Paulo por síndrome respiratória aguda grave causada pelo vírus influenza cresceram nas últimas semanas.

O número de internações com gripe já atinge 24,5% do total das causadas por síndromes gripais na rede pública, segundo os dados do Painel Covid-19 da Secretaria Municipal de Saúde para a última semana epidemiológica (de 19 a 25 de dezembro), informa reportagem da Folha de S.Paulo.

Com a chegada de uma nova cepa do vírus influenza, uma epidemia de gripe atingiu a cidade de São Paulo, além de outras partes do Brasil. 

O número de hospitalizações por gripe aumentou mais de 500% em dez dias. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, no mês de dezembro até esta terça-feira (28), foram registrados 251.589 atendimentos a pessoas com problemas respiratórios. Desses, 115.235 eram suspeitos de Covid.

Segundo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), foi identificado um aumento na detecção de casos de síndrome respiratória aguda grave por influenza. 

_________________________________________________ÔMICRON leva MUNDO a bater RECORDE DIÁRIO de casos de Covid, mas número de mortes CONTINUA no patamar de outubro

Ocorrências da doença subiiram 49% em um mês, mas cientistas alimentam esperanças de que variante seja mais branda

Os casos mundiais da Covid-19 alcançaram um recorde diário nesta segunda-feira, surgindo como uma ameaça em meio aos festejos de fim de ano, um ano após o lançamento das vacinas e dois anos após o surgimento do vírus que muitos esperavam que fosse desaparecer.

As mais de 1,44 milhão de infecções em todo o mundo bateram o recorde anterior se for excluído um único dia de dezembro de 2020, quando a Turquia fez um ajuste em que somou 800 mil casos antes não contabilizados. Um indicador mais conservador — a média móvel de sete dias, que compensa pontos fora da curva e feriados — também está em seu ponto mais alto, devido à onda de infecções pela variante Ômicron.

Altamente modificada em relação à cepa original e ainda mais transmissível, a Ômicron está rapidamente se tornando a variante dominante globalmente, pois consegue escapas da imunidade normalmente fornecida por vacinas e infecções anteriores. A média móvel de casos na segunda-feira foi de cerca de 841 mil por dia, um salto de 49% em relação a um mês antes, quando a Ômicron foi identificado pela primeira vez na África do Sul.

Estudos sugerem que, embora a Ômicron infecte 70 vezes mais rápido do que as cepas anteriores, a doença que ela causa pode não ser tão grave, especialmente para pessoas que foram vacinadas e receberam uma dose de reforço. A facilidade de transmissão e o número crescente de casos mesmo assim podem sobrecarregar os hospitais em todo o mundo, deixando em apuros os não vacinados e qualquer pessoa que precise de outros cuidados médicos.

Os governos já estão alertando que as infecções e hospitalizações podem disparar após os feriados de Natal e Ano Novo, projetando um tom sombrio enquanto o mundo caminha para o terceiro ano da pandemia.

O lado bom é que as mortes diárias provocadas pela Covid não aumentaram significativamente. Apesar do surgimento da Ômicron, a média móvel de sete dias dos óbitos paira em cerca de 7 mil desde meados de outubro, após cair de um pico impulsionado pelo Delta.

Em termos de previsão para 2022, ainda não se sabe se o número de mortos vai seguir o de casos e aumentará nos próximos dias, ou então se a onda provocada pela Ômicron se mostrará branda à medida que mais dados do mundo real surgem.

Embora as mortes em geral ocorram semanas depois do aumento das taxas de infecção, as primeiras indicações da África do Sul e de outros locais onde a Ômicron tem circulado sugerem que isso pode não ocorrer.

Melhores ferramentas de vigilância epidemiológica podem explicar parte do aumento na contagem de casos. Mais infecções estão sendo descobertas durante esta onda de Ômicron graças ao rastreamento de contatos aprimorado e ao aumento da testagem na luta mundial contra o patógeno.

O grande número de casos registrados está aumentando a pressão sobre as autoridades de saúde pública para reavaliarem suas políticas de controle da Covid. Os EUA reduziram o tempo de isolamento recomendado para pessoas que tiveram teste positivo para Covid-19, permitindo que retornem ao trabalho mais cedo.

A medida pode ajudar a reduzir interrupções em larga escala que poderiam fechar escolas ou atrapalhar as cadeias de suprimentos.

A chegada da Ômicron alterou a caminhada rumo à volta à vida normal que marcou grande parte de 2021. A relutância em retornar às quarentenas pré-vacinas e outras restrições pode estar permitindo que o vírus se espalhe mais amplamente, embora também esteja proporcionando a algumas pessoas um período de descanso mais tradicional, junto com as famílias e amigos, depois de um triste ano de 2020, antes que as vacinas estivessem amplamente disponíveis.

_________________________________________________Pela primeira vez desde o início da pandemia, mundo registra mais de 1 MILHÃO de casos de COVID em VINTEEQUATRO horas


28 de dezembro de 2021, 14:24

247 - Pela primeira vez desde o início da pandemia, o mundo registrou em um único dia mais de 1 milhão de casos de Covid-19. A marca foi alcançada nesta segunda-feira (27), quando 1,4 milhão de testes positivos para Covid-19 foram contabilizados, de acordo com números da plataforma "Our World in Data", ligada à Universidade de Oxford.

Os dados são compilados desde janeiro de 2020. 

A segunda maior marca foi registrada também há pouco tempo, em 23 de dezembro, quando 983,3 mil casos foram constatados. Os outros grandes picos ocorreram em 7 de janeiro (892,8 mil), 22 de abril (902,6 mil), 23 de abril (904,4 mil) e 28 de abril (905,8 mil). Todos em 2021.

O surgimento da variante ômicron, mais transmissível, contribui para o aumentos dos casos. 

O país com mais casos foram os Estados Unidos, com mais de 512.553 casos, cerca de 37% do total. Em seguida vêm o Reino Unido (318.699, equivalente a 23%) e a Espanha (15%). 

Os dados, portanto, mostram que a pandemia ainda não acabou - e pode estar longe de acabar. Mesmo assim, o Brasil, governado por Jair Bolsonaro e tendo como autoridade máxima de Saúde o ministro Marcelo Queiroga, teima em agir como se a doença tivesse sido extinta.

A gestão federal trabalha para pôr fim às medidas restritivas, além de durante toda a pandemia ter ignorado os riscos da doença.

De acordo com o site do Ministério da Saúde, 618.534 pessoas já morreram no Brasil em decorrência da Covid-19. 22.246.276 casos foram registrados. Desde os recentes ataques hackers à pasta, porém, os dados têm sido alvos de desconfiança.


_________________________________________________Casos de síndrome respiratória aguda grave voltam a subir no RJ após três meses de queda

Na capital, aumento foi de 120%; secretário municipal de Saúde atribui mudança à epidemia de influenza

Atendimento a pessoas com influenza em tenda armada durante surto no Rio de Janeiro Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

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RIO — Os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) voltaram a aumentar no Rio de Janeiro após aproximadamente três meses de queda ininterrupta. Na capital, o número de confirmações semanais saltou de 287 na semana epidemiológica 46 (14 a 20 de novembro) para 633 na semana 49 (5 a 11 de dezembro), uma alta de 120%. As notificações no estado cresceram 30% no mesmo período.

Os dados são da plataforma de informações em Saúde do governo estadual, o tabnet, que segue reunindo informações do Sistema de Informações da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), apesar do sumiço dos dados públicos do Ministério da Saúde nas últimas semanas.

Para os especialistas, ainda não está claro se o aumento nos indicadores foi provocado somente pela epidemia de influenza na Região Metropolitana ou se também há a influência do próprio coronavírus, cuja nova variante, a Ômicron, tem apenas um caso identificado no estado até agora — uma ocorrência importada na capital, sem transmissão comunitária. No entanto, para o secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, o quadro se deve à influenza.

— Tivemos um aumento de casos de SRAG por causa da influenza, e felizmente a maioria desses casos já recebeu alta. Os números absolutos de internações são baixos em comparação com os picos da Covid-19 — diz.

Em todo o estado, o indicador subiu da marca de 700 em meados de novembro para 913 no início deste mês. As notificações totais do estado ainda tendem a ser especialmente subnotificadas, já que muitos municípios não têm a estrutura de que a capital dispõe para atualizar as informações com agilidade.

Esse atraso é a razão por que os números das últimas semanas ainda estão defasados. Para corrigir o problema, o pesquisador Leonardo Bastos, membro do grupo de especialistas Observatório Covid-19 BR e um dos criadores da plataforma InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), submeteu o banco de dados brutos do Sivep-Gripe, onde constam as informações de cada paciente identificado, ao método nowcasting, usado no próprio InfoGripe para detectar variações no cenário epidemiológico em tempo real.

O que ele viu pelas estimativas foi uma ascensão ainda mais acentuada: entre as semanas 43 (24 a 30 de outubro) e a 51, a atual, o número de hospitalizações por SRAG na capital saltou de aproximadamente 250 para cerca de 750, uma alta de 200%. Segundo a análise de Bastos, o aumento foi observado entre jovens adultos (15 a 29 anos) e nos idosos. O grupo de 80 anos ou mais está num patamar aproximado de 200 notificações semanais, um dado que o pesquisador considera preocupante.

— A razão do aumento deve ser influenza e Covid-19 juntos, mas provavelmente com uma proporção maior de influenza. Para confirmar isso, precisamos do dado das pesquisas laboratoriais por amostragem, que têm atraso maior ainda. Então só no ano que vem vamos ter uma ideia do que aconteceu agora em dezembro — diz Bastos.

A maioria dos casos de SRAG identificados passa por internação, que é outro indicador importante para o monitoramento epidemiológico, como mostra o levantamento de Bastos. Na capital, as internações por SRAG cresceram 112% entre as semanas epidemiológicas 46 e 49, quando o indicador saltou de 217 para 462 notificações semanais. No estado, a alta foi de 633 para 800 hospitalizações por semana no mesmo período — um aumento de 26%.

A cidade do Rio tem 11 pessoas internadas com Covid-19 e 25 com influenza. Para Soranz, isso ressalta a força da epidemia de gripe dentro do novo panorama.

— A gente tem mais casos de influenza A H3N2 do que de Covid-19 na cidade. Além disso, nesta época do ano, costumamos ter um aumento nas internações globais por diversas razões. No caso de SRAG, isso acontece por causa do aumento da circulação de pessoas e porque muitas pessoas não têm como cuidar dos idosos, que têm mais chances de desenvolver casos graves — explica o secretário.

Questionada, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que, este ano, foram registrados 362 casos de gripe (H1N1, H3N2, Tipo A sem subtipo discriminado e Influenza B) e 36 mortes pela doença. Em 2019, foram notificados 214 casos de influenza e 69 mortes. A pasta usou como parâmetro o ano de 2019 devido à "atipicidade do ano passado, quando foram notificados 47 casos e 6 mortes por influenza".

Segundo a SES, em 2021, foram notificados 14 casos e uma morte por H1N1, e 47 casos e sete mortes por H3N2. Já em 2019, foram registrados 170 casos e 63 óbitos por H1N1, e 13 casos e 2 óbitos por H3N2.

A pasta pontua ainda que "o Tabnet recebe dados brutos dos municípios, que precisam passar por revisão para eliminação de inconsistências do banco. As notificações de 2021 referentes à SRAG por influenza ainda estão em investigação e revisão, pois, na Vigilância da Influenza, os casos só são confirmados por diagnóstico laboratorial. Por esse motivo, a SES reforça que os dados oficiais sobre a doença são apenas aqueles divulgados por meio da assessoria de comunicação".

A SES não informou, contudo, os números referentes aos casos de SRAG. Além disso, nem todos os casos de influenza A H3N2, subtipo predominante nas amostras analisadas este ano por ocasião da epidemia, passam por sequenciamento genômico.

_________________________________________________Primeira-dama domina mensagem de Natal de Bolsonaro, sem citar pandemia

Bolsonaro e Michelle falaram por pouco mais de um minuto - Reprodução/YouTube
Bolsonaro e Michelle falaram por pouco mais de um minuto Imagem: Reprodução/YouTube

Do UOL, em São Paulo 24/12/2021 20h33 Atualizada em 25/12/2021 08h22

Na véspera do Dia de Natal, o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um rápido pronunciamento em rede nacional, ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ele citou "muitas dificuldades" enfrentadas pelo seu governo ao longo do ano, mas sem detalhar quais foram. Em bairros de São Paulo e do Rio de Janeiro, a transmissão foi acompanhada de panelaço.

Nem o presidente nem Michelle mencionaram nominalmente a pandemia de covid-19, muito menos a vacinação de crianças, tema que vem movimentando o governo Bolsonaro neste final de ano. Mais cedo nesta sexta-feira (24), o presidente disse que "não está havendo morte de criança" para justificar decisão emergencial a respeito da imunização infantil.

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Estamos finalizando mais um ano. Um ano de muitas dificuldades. Contudo, não nos faltaram seriedade, dedicação e espírito fraterno no planejamento e na construção de políticas públicas em prol de todas as famílias."Presidente Jair Bolsonaro

O discurso natalino do casal durou um minuto e 11 segundos. Michelle Bolsonaro falou mais que o marido —foram 41 segundos da primeira-dama e 30 segundos do presidente.

Com dignidade e respeito ao próximo, não economizamos esforços para apoiarmos a todos, em especial, os mais vulneráveis. Não nos afastamos em nenhum momento do que acreditamos e do que defendemos: Deus, pátria, família e liberdade. Agradecemos a cada brasileiro pela confiança em nosso país. Desejamos a todos que celebrem este Natal do jeito que amamos: com os nossos familiares e amigos. Temos a honra de desejar a você e a sua família um Natal abençoado e repleto de alegrias."Michelle Bolsonaro, primeira-dama

Nas redes sociais, usuários compartilharam vídeos e fotos de panelaços durante o pronunciamento:

Leia o discurso do casal na íntegra

Bolsonaro: Boa noite a todos. Sob a proteção de Deus chegamos a mais um Natal.

Michelle: Um tempo especial na vida de todos os brasileiros. Tempo de agradecer, construir e confraternizar.

Bolsonaro: Estamos finalizando mais um ano. Um ano de muitas dificuldades. Contudo, não nos faltaram seriedade, dedicação e espírito fraterno no planejamento e na construção de políticas públicas em prol de todas as famílias.

Michelle: Com dignidade e respeito ao próximo, não economizamos esforços para apoiamos a todos, em especial, os mais vulneráveis. Não nos afastamos em nenhum momento do que acreditamos e do que defendemos: Deus, Pátria, família e liberdade. Agradecemos a cada brasileiro pela confiança em nosso país. Desejamos que todos celebrem este Natal do jeito que amamos: com os nossos familiares e amigos. Temos uma honra de desejar a você e a sua família um Natal abençoado e repleto de alegrias.

Bolsonaro: Que 2022 seja um ano de esperança, conquistas e realizações. Que Deus proteja as nossas famílias. Muito obrigado.

_________________________________________________Opinião: Mauricio Stycer - Bolsonarista e anti-Globo, dono da RedeTV! discursa em defesa da fé cristã

Marcelo de Carvalho, sócio e vice-presidente da RedeTV! - Reprodução / Internet
Marcelo de Carvalho, sócio e vice-presidente da RedeTV! Imagem: Reprodução / Internet
Mauricio Stycer Colunista do UOL 07/12/2021 17h07

Desde meados de 2019, quando intensificou a sua atividade no Twitter, Marcelo de Carvalho tem dois assuntos principais: a defesa do governo Bolsonaro e o ataque à mídia, em especial a Globo.

O apoio de Carvalho ao bolsonarismo se reflete na RedeTV!. O jornalismo do canal é claramente simpático ao governo. A visão do vice-presidente da emissora coincide com a do presidente da República inclusive em relação ao combate à pandemia de coronavírus.

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Contrário aos rigores da quarentena e simpático ao chamado "tratamento precoce", Carvalho chama de "mimimi" a preocupação com a nova variante do vírus e de "coronalovers" os que manifestam intenção de reforçar as medidas de proteção ("home férias", diz).

As críticas de Carvalho à Globo antecedem a sua atividade no Twitter, mas se tornaram mais frequentes e repetitivas nos últimos dois anos. "Hoje é a emissora da lacração. Do jornalismo parcial", escreveu recentemente sobre a emissora carioca. O sócio da RedeTV!, assim como outros bolsonaristas, também implica com a forma como Folha e UOL cobrem o governo (o site da RedeTV! é parceiro do UOL).

Mais recentemente, afinado com uma ala dos apoiadores do governo, Carvalho tem feito manifestações em defesa da tradição e dos valores cristãos. Há duas semanas, comentou uma propaganda dos correios da Noruega em que o Papai Noel é retratado beijando outro homem. "E a Globo aplaudindo. É só o que faltava. Daqui a pouco vão insinuar relação dele com as renas. É o fim do mundo. Ou estou errado???"

Nesta terça-feira (07), Carvalho se debruçou sobre a revista gay alemã "Siegessäule", que trouxe na capa o ativista Riccardo Simonetti como se fosse a Virgem Maria. Italiano, radicado na Alemanha, ele é um embaixador especial da União Europeia para causas ligadas à comunidade LGBTQIAP+.

Ao justificar a imagem iconoclasta, Simonetti escreveu nas redes sociais: "Se ignoramos o fato de que Jesus não era branco, nós também podemos acreditar que Virgem Maria tinha barba. Por não?"

A imagem foi reproduzida na segunda-feira no "Il Giornale", um diário italiano conservador, que classificou o gesto de Simonetti como "o mais recente insulto à sensibilidade religiosa católica". No Brasil, Carvalho foi um dos primeiros a protestar: "Sinceramente. Vocês acham que isso é respeito à comunidade gay? Ou é uma barbaridade sem tamanho, um abuso, uma pouca vergonha?"

A visão mais conservadora de Carvalho também teve reflexo na programação artística da RedeTV!. Um dos primeiros e mais visíveis efeitos foi a cobertura de Carnaval, que já em 2019 se tornou mais "família", suprimindo os exageros que faziam a sua fama.

_________________________________________________Reportagem: Mauricio Stycer - Band chama Queiroga de "porta-voz do negacionismo" e SBT desmente Bolsonaro

Mauricio Stycer Colunista do UOL 07/12/2021 20h52

A decisão do governo brasileiro de não acatar a recomendação da Anvisa de exigência de passaporte vacinal para estrangeiros que desejem visitar o Brasil agitou os noticiários da televisão na noite desta terça-feira (07).

O presidente Jair Bolsonaro comparou a restrição a uma "coleira" e afirmou que "às vezes, é melhor perder a vida do que perder a liberdade". A frase foi reproduzida pelo ministro Marcelo Queiroga ao anunciar a decisão de permitir a entrada no país de estrangeiros não vacinados, mas impor a estes viajantes uma quarentena de cinco dias.

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O "Jornal da Band" criticou mais o ministro do que o presidente. Num breve comentário, o âncora Eduardo Oinegue chamou Queiroga de "porta-voz do negacionismo". Falando do passaporte vacinal, ele disse:

"Essa é a medida de segurança mais adequada. E a mais usada no mundo. Tomou vacina, entra. Não tomou vacina, não entra. É simples assim. Aí vem o ministro da Saúde e dá uma entrevista confusa... Pra piorar, o ministro, que deveria ser o porta-voz da ciência dentro do governo, resolveu ser o porta-voz do negacionismo para a sociedade", disse o âncora.

O "SBT Brasil" sublinhou que o governo "acatou em parte" as recomendações da Anvisa e que Bolsonaro usou a palavra "coleira" para se referir a algumas das restrições. O telejornal desmentiu um trecho da fala do presidente, na qual ele diz que "a Anvisa quer fechar o espaço aéreo".

"Em novembro, a Anvisa encaminhou à Casa Civil duas notas técnicas sobre o cenário epidemiológico da covid 19 e não cita o fechamento do espaço aéreo brasileiro", informou o "SBT Brasil".

Da mesma forma, o "Jornal Nacional" registrou que Bolsonaro "distorceu" uma das medidas propostas pela Agência de Vigilância Sanitária. "A Anvisa nunca sugeriu fechar o espaço aéreo. Tem sugerido medidas de contenção", disse. Assim como o "Jornal da Band", o JN registrou que o governo "não definiu como será feita ou como será fiscalizada" a quarentena de estrangeiros.

Na visão do "Jornal da Record", o mais importante foi o fato de que "o presidente Bolsonaro criticou as restrições propostas pela Anvisa para entrada de estrangeiros no país". Disse o telejornal:

"Visivelmente irritado, o presidente Jair Bolsonaro criticou duramente a recomendação da Anvisa". O JR reproduziu a fala em que Bolsonaro diz que o órgão quer fechar o espaço aéreo do país, mas não o desmentiu. O telejornal atribuiu a correção à Anvisa, que "esclareceu que as notas técnicas da agência não apontam o fechamento do espaço aéreo".

_________________________________________________Mauricio Stycer - Folha: "Enfrentando LOUCOS e MENTIROSOS" na cobertura da pandemia

O presidente Jair Bolsonaro fala com a imprensa em Guaratinguetá (SP)  - Isac Nóbrega/PR
O presidente Jair Bolsonaro fala com a imprensa em Guaratinguetá (SP) Imagem: Isac Nóbrega/PR
Mauricio Stycer Colunista do UOL 25/12/2021 07h01

"Esgrimindo com loucos e mentirosos", como bem caracterizou ainda em janeiro o apresentador do "Jornal Nacional", William Bonner, o jornalismo de televisão enfrentou um 2021 especialmente difícil, e saiu arranhado. A pandemia de coronavírus, que já causou mais de 600 mil mortes no país, colocou profissionais e canais alinhados com o governo diante de um dilema: acatar o negacionismo oficial ou salvar a vida dos seus próprios espectadores? A solução exigiu malabarismo.
(...)
Assim como a Jovem Pan, a RedeTV! abriu espaço para discussões sobre a eficácia de vacinas, dando microfone para negacionistas de diferentes matizes tratarem temas de caráter científico como questão de opinião. O caso mais notório de propagação de fake news na televisão ocorreu na CNN Brasil. Em busca de polêmica, o canal de notícias manteve no ar, por mais de um ano, o comentarista Alexandre Garcia, um defensor de tratamentos ineficazes contra a covid-19.
(...)
Esta breve retrospectiva de 2021 permite antever dias ainda mais complicados em 2022, ano de eleições presidenciais. Um exemplo do que vem pela frente foi a demora para dar tratamento jornalístico digno à viagem do ex-presidente Lula à Europa, em novembro. O assunto só entrou na pauta após protestos de espectadores nas redes sociais.

_________________________________________________Como as vacinas de RNA que nos salvaram da covid-19 podem derrotar outras doenças

Já há ensaios clínicos em curso que usam a tecnologia de RNA para tratamento de outras doenças, além da covid-19 - Getty Images / BBC News Brasil
Já há ensaios clínicos em curso que usam a tecnologia de RNA para tratamento de outras doenças, além da covid-19 Imagem: Getty Images / BBC News Brasil

Tim Smedley - BBC Future

25/12/2021 16h01

Desenvolvida nos últimos 30 anos, tecnologia pode ser central no combate a muitas enfermidades, da Aids à chicungunha.

Há apenas um ano, a pesquisadora britânica Anna Blakney trabalhava em um campo da ciência pouco conhecido do público em geral, e bastante especializado. Poucas pessoas fora do meio científico tinham ouvido falar do tipo de pesquisa que ela realizava no seu laboratório em Londres: o desenvolvimento de vacinas de RNA.

Quando Blakney começou em 2016 seu PhD na universidade Imperial College, em Londres, "muitas pessoas duvidavam que a vacina com uso de RNA pudesse funcionar", diz ela. Em 2019, uma palestra oferecida por Blakney recebeu algumas dezenas de pessoas.

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Agora, "todo o campo de (uso de tecnologia com) RNA está explodindo. É uma grande mudança na medicina", afirma a pesquisadora. Professora assistente na British Columbia University, no Canadá, Blakney agora tem mais de 250 mil seguidores na plataforma de redes sociais TikTok e mais de 3,7 milhões de "curtidas" nesta rede.

Ela diz que estava "lugar certo e na hora certa" para fazer parte de um progresso nas pesquisas em uma velocidade muito acima do normal. Devido à pandemia de coronavírus, muitas pessoas ouviram falar e receberam vacinas de RNA da Pfizer/BioNTech ou da Moderna.

Com o progresso rápido da tecnologia devido ao grande investimento feito por causa da pandemia, muitas dúvidas e hipóteses para investigação surgiram: as vacinas de RNA poderiam ajudar a curar certos tipos de câncer, HIV, doenças tropicais (como malária)? Elas poderiam ajudar a criar uma "imunidade sobre-humana"?

Sem necessidade de vírus mortais dentro de ovos de galinhas

O ácido ribonucléico mensageiro, ou RNA, é uma molécula em formato de fita que carrega o código genético do DNA para a produção de proteínas em uma célula. Diferente do DNA, que é composto por uma fita dupla de códigos (formando a famosa hélice), o RNA é composto por uma fita simples.

Sem o RNA, seu código genético não seria usado, proteínas não seriam produzidas e seu corpo não funcionaria. Em uma metáfora simples, se o DNA fosse um cartão de banco, o RNA seria o leitor do cartão.

Quando um vírus está dentro de nossas células, ele libera seu próprio RNA, enganando nossas células sequestradas para que produzam cópias do vírus, na forma de proteínas virais, que comprometem nosso sistema imunológico.

As vacinas tradicionais funcionam injetando proteínas virais inativadas chamadas antígenos, que estimulam o sistema imunológico do corpo a reconhecer o vírus quando ele tenta infectar o corpo.

A genialidade das vacinas de RNA é que não é preciso injetar os antígenos: o que essas vacinas fazem é usar a sequência genética ou "código" do antígeno traduzido em RNA, para provocar uma resposta do sistema imune.

Depois, o RNA artificial desaparece, destruído pelas defesas naturais do corpo —incluindo as enzimas que o decompõem, deixando-nos apenas com os anticorpos.

Em comparação com as vacinas tradicionais, a vacina de RNA é mais segura para produzir, mais rápida e mais barata. Não são necessários enormes laboratórios com altos níveis de biossegurança que desenvolvem vírus mortais dentro de ovos de galinha, como é o caso de muitas vacinas tradicionais.

A chegada das vacinas contra covid foi comemorada em todo mundo - Getty Images - Getty Images
A chegada das vacinas contra covid foi comemorada em todo mundo Imagem: Getty Images

Em vez disso, um único laboratório pode sequenciar as proteínas do antígeno e enviar este código por e-mail para o outro lado do planeta.

Com essa informação, um laboratório poderia produzir "um milhão de doses de mRNA em um único tubo de ensaio de 100 ml", diz Blakney.

Com a pandemia de coronavírus, vimos como esse processo acontece em tempo real.

Correndo contra a covid-19

Em 10 de janeiro de 2020, Zhang Yongzhen, professor de zoonoses no Centro para Controle e Prevenção de Doenças da China em Pequim, sequenciou o genoma do coronavírus e o publicou no dia seguinte.

A covid-19 foi declarada uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 11 de março.

Em 16 de março, a partir da sequência feita por Zhang, a primeira vacina de mRNA começou a ser testada na fase 1 de um ensaio clínico (com humanos).

Em 11 de dezembro de 2020, a agência sanitária dos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), aprovou a vacina Pfizer-BioNTech contra a covid-19. Ela se tornou não apenas a primeira vacina de mRNA aprovada para uso em humanos, mas também a primeira a ter mostrado nos ensaios clínicos uma taxa de eficácia de 95%.

Já a vacina de mRNA da Moderna contra a covid-19 foi aprovada pouco depois, em 18 de dezembro.

Antes, a vacina detentora do título de "produzida mais rapidamente na história" era contra a caxumba, que precisou de quatro anos para ser desenvolvida.

Já as vacinas da Moderna e Pfizer-BioNTech precisaram de apenas 11 meses.

A teoria por trás da vacina de mRNA tem a assinatura dos cientistas da Universidade da Pensilvânia Katalin Karikó e Drew Weissman. Eles receberam recentemente o prêmio Lasker 2021, o maior dos EUA na área da biomédica.

No entanto, ainda em 2019, acreditava-se que as vacinas convencionais de mRNA ainda demorariam pelo menos cinco anos para se tornarem realmente aplicáveis na população. A pandemia acelerou este cronograma.

Métodos de entrega: os 'heróis esquecidos'

Importante colaboradora de Weissman e Karikó, a pesquisadora Kathryn Whitehead, professora associada de engenharia química e biomédica na Universidade Carnegie Mellon, admite que "não havia muitas pessoas envolvidas no mundo das terapias de mRNA que imaginariam taxas de eficácia iniciais de 95% neste cenário de emergência."

Mas agora, as possibilidades parecem infinitas. Ou, como diz Blakney: "Bem, já funcionou para uma glicoproteína viral, então que outras vacinas podemos fazer com ela? E o que podemos fazer além disso?"

Na Universidade de Rochester, Dragony Fu, professor associado do departamento de biologia, recebeu um financiamento da US National Science Foundation (Fundação Nacional da Ciência dos EUA) para seu laboratório acelerar a pesquisa sobre proteínas de RNA.

Ele lembra que, antes da covid-19 existir, já havia pesquisas de vacinas de mRNA contra os vírus do HIV, zika, herpes, além do parasita da malária.

"A outra categoria é das doenças autoimunes", diz o pesquisador. "É intrigante porque vai além da definição estrita do que é uma vacina".

Fu acredita que o futuro pode envolver "tratamentos" de mRNA, por exemplo, para reduzir inflamações.

Yizhou Dong, professor associado de farmácia e farmacologia da Ohio State University, é especialista em pequenas bolas de gordura que envolvem o mRNA de forma a entregá-lo com segurança às células, sem que nosso corpo destrua esse material genético imediatamente.

Esses lipídios foram descritos como o "herói esquecido" desta tecnologia —se este método de entrega não tivesse sido aperfeiçoado e aprovado pelo FDA em 2018, possivelmente não haveria as cobiçadas vacinas de mRNA de 2020.

Graças ao avanço combinado da entrega por lipídios e da tecnologia de mRNA, estão em desenvolvimento os projetos Translate Bio para fibrose cística e esclerose múltipla; uma vacina de mRNA da Gritstone Oncology e Gilead Sciences para HIV; terapias para fibrose cística e doenças cardíacas da Arcturus Therapeutics; e tratamentos de doenças pulmonares graves e asma pela start-up alemã Ethris em parceria com a AstraZeneca.

Katalin Karikó (na imagem) e Drew Weissman foram pioneiros no uso da tecnologia - Getty Images - Getty Images
Katalin Karikó (na imagem) e Drew Weissman foram pioneiros no uso da tecnologia Imagem: Getty Images

Uma solução para as doenças negligenciadas?

Tratamentos para doenças tropicais também estão sendo explorados.

A Moderna está perto da fase dois (de um total de três) dos ensaios clínicos com vacinas de mRNA para zika e chicungunha. São doenças consideradas negligenciadas por afetar populações de países mais pobres, não recebendo verbas para pesquisa e outros investimentos necessários.

A velocidade de produção e o custo das vacinas de mRNA podem driblar as barreiras atuais que fazem destas doenças negligenciadas.

Mas talvez a próxima vacina de mRNA a chegar a nós seja contra um inimigo mais conhecido: a gripe. Os vírus responsáveis por ela causam entre 290 mil e 650 mil mortes anualmente em todo o mundo.

"Essas vacinas de mRNA estão em desenvolvimento há anos, e os ensaios clínicos até agora são animadores. Atualmente, existem cinco testes clínicos para influenza A, incluindo um já na fase dois", diz Whitehead.

Esses avanços novamente podem chegar no momento certo: Paul Hunter, professor da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e também consultor da OMS, diz que, em alguns países, epidemias de influenza podem causar mais mortes do que a covid-19.

Várias empresas farmacêuticas também estão investindo em vacinas de mRNA como tratamento para o câncer.

"As células cancerosas costumam ter certos marcadores em sua superfície que o resto das células no corpo não têm", explica Blakney.

"Você pode treinar o sistema imunológico para reconhecer e matar essas células, assim como você pode treinar seu sistema imunológico para reconhecer e matar um vírus. É a mesma ideia, basta descobrir quais proteínas estão na superfície das células tumorais e usá-las como uma vacina."

A ideia de terapias de mRNA individualizadas para câncer tem sido tentadora há anos, na qual propõe-se que vacinas personalizadas sejam entregues a cada paciente.

A tecnologia usada nas vacinas pode combater certos tipos de câncer - Getty Images - Getty Images
A tecnologia usada nas vacinas pode combater certos tipos de câncer Imagem: Getty Images

"Um tumor é removido, sequenciado, você observa o que está na superfície e, então, uma vacina é feita especificamente para você", exemplifica a pesquisadora.

Embora não haja ainda ensaios clínicos testando isso, há quem veja também na tecnologia do mRNA a possibilidade de driblar a resistência aos antibióticos.

"Potencialmente, você poderia imaginar a produção de uma vacina contra um antígeno bacteriano como o C. difficile ou contra alguns (patógenos) que são realmente difíceis de tratar", diz Blakney.

Também existe a possibilidade de aplicações comerciais de saúde e bem-estar.

Por exemplo, Fu sugere que a intolerância à lactose, que afeta centenas de milhões de pessoas de ascendência asiática —incluindo ele mesmo— e estimadas 68% da população mundial, pode um dia ser o alvo.

"Não tenho a proteína que me permite quebrar a lactose. No futuro, poderíamos desenvolver alguma forma de transmitir uma mensagem, o mRNA, que criará a proteína que quebra a lactose... Não é uma (demanda para algo que) ameaça à vida, mas eu imagino que seria uma indústria multibilionária. "

No Estado de Ohio, EUA, Dong testou com sucesso o controle do colesterol em ratos.

Pessoas com altos níveis da proteína PCSK9 tendem a ter colesterol alto e desenvolver doenças cardíacas precocemente.

"Percebemos que após um tratamento [em ratos], fomos capazes de reduzir o nível da proteína PCSK9 em mais de 95%. Essa é definitivamente uma direção de pesquisa muito importante", diz ele.

De acordo com o pesquisador, pelo menos uma empresa de biotecnologia está planejando um ensaio clínico usando mRNA para inibir a PCSK9.

Tudo isso levanta a questão: poderiam as terapias de mRNA nos dar uma imunidade quase sobre-humana?

Céu é o limite?

Vacinas de RNA permitiram a entrega de doses contra a covid-19 em tempo recorde - Getty Images - Getty Images
Vacinas de RNA permitiram a entrega de doses contra a covid-19 em tempo recorde Imagem: Getty Images

Fato é que as vacinas de mRNA contra a covid-19 levaram algumas pessoas a produzir níveis muito altos de anticorpos, capazes de neutralizar várias variantes do coronavírus de uma só vez.

Também existe a possibilidade futura de misturar várias vacinas de mRNA em uma única dose, o que eventualmente poderia prevenir cânceres e vírus ao mesmo tempo.

Por enquanto, porém, é mais palpável uma vacina combinada contra a covid-19 e gripes, o que vem sendo estudado tanto pela Moderna quanto pela Novavax.

No entanto, antes de ficarmos animados demais, algumas perguntas sobre as vacinas de mRNA permanecem. Uma delas é sobre a duração da imunidade gerada e a necessidade de doses de reforço, que eventualmente podem levar a um acúmulo de reações desagradáveis.

Reações anafiláticas foram observadas em aproximadamente 2 a 5 pessoas por milhão de vacinadas nos Estados Unidos, embora não haja registro de mortes. A taxa de reações foi ligeiramente maior para a vacina Pfizer-BioNTech, de 4,7 por milhão, do que para a vacina da Moderna (2,5 por milhão).

Embora a taxa geral seja baixa, ela é 11 vezes maior do que da vacina contra a gripe.

"Ainda estamos trabalhando para entender quanto tempo dura a resposta dos anticorpos, bem como a resposta celular", diz Blakney.

"Agora, há boas evidências de que você consegue com as vacinas de mRNA uma resposta das células T de memória realmente boa. Mas como esses ensaios clínicos têm apenas um ano e meio na maioria dos casos, ainda estamos tentando entender quanto dura essa imunidade."

A pesquisadora aponta que, para a maioria das pessoas, provavelmente não é desejável "tomar várias doses todos os anos que te nocauteiam por alguns três dias."

No entanto, o laboratório de Blakney na Universidade de British Columbia (UBC), no Canadá, está trabalhando em alternativa: o mRNA autorreplicativo.

Ele tem os mesmos componentes estruturais do mRNA normal, exceto que, uma vez dentro da célula, pode fazer cópias de si mesmo.

"Isso é realmente vantajoso porque permite que você use uma dose muito menor, geralmente cerca de 100 vezes menos do que o mRNA", explica Blakney.

Isso significa mais retorno sobre o investimento e menos dor no braço.

Independente dos cenários vislumbrados para a tecnologia de mRNA que realmente se concretizarão, já sabemos que esse é um nome para se ter em mente ? afinal, ela já permitiu que milhares de doses contra a covid-19 chegassem até nós em tempo recorde e provavelmente continuará trazendo grandes novidades.

_________________________________________________Casos de Covid na China atingem máxima de 21 meses após surto em Xian

15.dez.2021 - Trabalhador da saúde realize teste de covid-19 em mulher em Hangzhou, na China - AFP
15.dez.2021 - Trabalhador da saúde realize teste de covid-19 em mulher em Hangzhou, na China Imagem: AFP

26/12/2021 13h06

PEQUIM (Reuters) - A China relatou seu maior aumento diário em casos locais de Covid-19 em 21 meses, já que as infecções mais que dobraram na cidade de Xian, no noroeste, o mais recente polo de transmissão de coronavírus do país.

A cidade de 13 milhões de habitantes, que entrou em seu quarto dia de lockdown, detectou no sábado 155 casos de transmissão doméstica com sintomas confirmados, ante 75 no dia anterior, segundo dados oficiais divulgados neste domingo.

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Isso elevou a contagem diária nacional para 158, a maior desde que a China conseguiu conter um surto nacional no início de 2020.

Xian, com 485 casos sintomáticos locais relatados para o período de 9 a 25 de dezembro, impôs medidas pesadas para conter o surto, em linha com a política de Pequim de que qualquer surto deve ser contido o mais rápido possível.

A cidade conseguiu detectar rapidamente esses casos por meio de três rodadas de testes em massa, disse He Wenquan, uma autoridade de Xian, em uma coletiva de imprensa neste domingo, acrescentando que números elevados de casos podem persistir nos próximos dias.

"A fim de rastrear rapidamente os grupos de pessoas infectadas, após uma análise de especialistas, vamos intensificar as medidas de controle em áreas-chave, especialmente em locais com maior nível de risco", disse Wenquan.

O governo local também anunciou que lançaria uma campanha de desinfecção em toda a cidade a partir das 18h, horário local, pedindo aos moradores que fechem as janelas e tragam roupas ou outros itens de suas varandas.

Os residentes não podem deixar a cidade sem a aprovação dos empregadores ou das autoridades locais e várias rodadas de testes em massa foram realizadas para identificar os casos.

A cidade ainda não anunciou nenhuma infecção causada pela variante Ômicron, embora as autoridades chinesas tenham relatado diversas infecções pela nova variante entre viajantes internacionais e no sul da China.

Incluindo os casos importados, a China continental confirmou 206 novos casos em 25 de dezembro, ante 140 um dia antes.

Nenhuma nova morte foi relatada, deixando o número cumulativo de mortes em 4.636. A China continental tinha 101.077 casos confirmados em 25 de dezembro.

(Reportagem de Roxanne Liu, Stella Qiu e Ryan Woo)

_________________________________________________23 funcionários de empresa de MG se infectam com ômicron após festa em SP

Cidade de Extrema, no sul de Minas; prefeitura diz que pacientes foram isolados e passam bem - Divulgação Prefeitura de Extrema
Cidade de Extrema, no sul de Minas; prefeitura diz que pacientes foram isolados e passam bem Imagem: Divulgação Prefeitura de Extrema

Daniel Leite Colaboração para o UOL 25/12/2021 19h15

A Prefeitura de Extrema (481 km de Belo Horizonte), no sul de Minas, afirmou que 23 trabalhadores de uma mesma empresa estão infectados com a variante ômicron do coronavírus. Todos participaram de uma festa de confraternização em São Paulo e, após o evento, começaram a sentir sintomas.

Segundo o coordenador de combate do covid da cidade, o médico Enis Donizetti Silva, o grupo está sendo monitorado e as pessoas só poderão voltar ao trabalho na próxima quinta-feira. O número de doentes representa em torno da metade do corpo de funcionários da empresa, que não teve o nome e nem o ramo de atuação divulgados.

Ômicron torna-se dominante em Portugal, um dos países mais vacinados do mundo

Três dias depois do evento festivo, realizado no último dia 17, alguns dos trabalhadores, com sintomas de gripe, procuraram um laboratório de exames da cidade. No total, 4 testaram positivo para a variante.

"A partir disso, a vigilância sanitária e a epidemiológica de Extrema foram comunicadas por alguns dos funcionários e estiveram na sede da empresa", explica o médico. A firma fica no parque industrial, que reúne outras empresas do município, de 36 mil habitantes.

O local foi fechado, os trabalhadores enviados para casa e todos fizeram testes, avaliados pelo Instituto de Medicina Tropical, da USP, com o qual a prefeitura tem parceria.

Os resultados confirmaram mais 19 positivos, tendo, assim, contabilizados 23 contaminados pela variante ômicron. Todos estiveram na festa na capital paulista. "[Foram] 19 confirmados através do laboratório de São Paulo e mais 4 confirmados pelo nosso laboratório de Extrema", confirma o coordenador.

Agora, de acordo com ele, as amostras serão enviadas para a Secretaria Estadual de Saúde mineira para nova confirmação. "Juntamos todas as amostras e outras, e vamos levar para o laboratório central da Secretaria Estadual de Saúde para fazer o sequenciamento para reconfirmar a variante ômicron. A nota técnica prevê que tem de fazer o sequenciamento", explica.

O médico Enis Donizetti Silva, coordenador de combate do covid da cidade - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O médico Enis Donizetti Silva, coordenador de combate do covid da cidade Imagem: Arquivo pessoal

Enis Donizetti lembra que a variante tem maior capacidade de transmissão e diz que a prefeitura tem tomado medidas para enfrentar a situação, como criar uma unidade para avaliar casos com sintomas gripais que antes iam para o Pronto-Socorro. "Uma boa parte dos pacientes é muito transmissora na fase inicial, e a gente concentrou num lugar só", afirmou

Ele afirma ainda que a cidade aumentou o número de postos de vacinação e faz uma grande quantidade de testes, bem como trabalha com telemedicina durante o isolamento de dez dias dos infectados.

De acordo com o médico, também é feita a distribuição de máscaras cirúrgicas e N95, mais eficientes, de acordo com o especialista, que destaca também o trabalho de comunicação para conscientizar a população.

O fato de a festa dos funcionários ter sido em São Paulo não significa que a causa das infecções foi o local. "A ômicron está aí, ela entrou no Brasil, está em vários lugares", completa.

_________________________________________________Com ômicron, 4 países da Europa ultrapassam 50 mil novos casos de covid/dia

Paris, em 25 de novembro de 2021 - Getty Images
Paris, em 25 de novembro de 2021 Imagem: Getty Images

Lucas Borges Teixeira Do UOL, em São Paulo 25/12/2021 Atualizada em 25/12/2021

Quatro países da Europa já ultrapassaram a marca de 50 mil novos casos por dia neste final de ano. É a primeira vez que isso acontece em conjunto desde o início da pandemia no continente, em fevereiro de 2020.

Ontem, na véspera de Natal, Reino Unido e França ultrapassaram a marca de 100 mil casos, segundo os governos locais e a Itália ultrapassou 50 mil. Na última quinta (23), a Espanha já tinha atingido 70 mil casos, segundo o World in Data, da Universidade de Oxford,

Ômicron causa casos menos graves que outras variantes, diz novo estudo

A considerada quinta onda no continente europeu é atrelada à disseminação da variante ômicron, que também já está em transmissão comunitária no Brasil. Identificada na África do Sul em novembro, ela tem um alto poder de transmissão e se tornou dominante em parte dos países por que passou, como Reino Unido e Estados Unidos, em poucas semanas.

Neste final de ano, ela pode ser ligada à explosão de casos no continente, que, pela primeira vez, na última quinta, atingiu a marca de 702 mil novos casos em um único dia. Antes de dezembro, o recorde era de 461 mil novos casos em 20 de novembro de 2020.

Os números de ontem (24) ainda estão sendo somados - alguns países, como Espanha, ainda não divulgaram seus levantamentos - mas já chegam a 533 mil novos casos. Quatro ultrapassaram 50 mil:

  • Reino Unido: 122 mil
  • França: 104 mil
  • Espanha: 72 mil (em 23/12)
  • Itália: 54 mil

De acordo com o registro do World in Data, esta é a primeira vez que quatro países ultrapassam a marca de 50 mil concomitantemente.

Até então, a França já tinha ultrapassado essa marca em diversos dias de dois períodos, outubro de 2020 e abril de 2021, a Itália em março de 2020 e a Espanha e o Reino Unido em janeiro de 2021.

Mortes não explodiram

Apesar de o número de casos apresentar altas históricas, as mortes não voltaram a explodir no continente. Nas outras ondas, de abril de 2020 e janeiro de 2021, Espanha, França e Reino Unido chegaram a ter mais de mil mortos por dia e a Itália ultrapassou 700.

Por enquanto, a onda gerada pela ômicron ainda não apresenta o mesmo efeito. Desde meados de novembro, quando a variante foi identificada, nenhum dos países apresentou mais de 200 mortos por dia, com exceção da França em três datas.

_________________________________________________Jamil Chade - Sem vacinas, países pobres expõem fracasso da resposta global contra covid

Colunista do UOL 27/11/2021 04h00

Por meses, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou: a pandemia da covid-19 só vai ser controlada num país quando ela for controlada em todos os países. Mas quase ninguém ouviu. Ou optou por ouvir.

Menos de um ano depois de as primeiras doses da vacina serem administradas em braços de europeus, americanos e de outros países ricos, a crise sanitária volta a assustar o planeta, derruba bolsas, obriga governos ricos a suspender voos e reabre o temor sobre o vírus.

OMS teme 236 mil mortes extras até dezembro na Europa por covid-19

A nova variante ômicron, identificada no sul do continente africano, apresenta duas vezes mais mutações que a variante delta, a mais perigosa até agora.

Para a OMS, o cenário de uma nova variante ainda mais perigosa sempre esteve sobre a mesa. Mas, para a agência, isso não é era inevitável e o mundo paga um preço caro por ter fracassado em distribuir vacinas de forma justa pelo planeta.

Por meses, as entidades internacionais, governos de diferentes partes do mundo e grupos de cientistas insistiram que essa distribuição não era caridade. Mas a garantia de reduzir os riscos do surgimento de novas mutações.

Antonio Guterres, secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), chegou a alertar que a concentração de doses nas mãos de poucos países era "estúpido".

Mas os apelos não tiveram consequências. Cientistas alertavam que a única forma de frear o surgimento teria sido por meio de uma vacinação ampla de todos os países, capaz de criar uma imunidade e reduzir as transmissões. Com a queda da transmissão, o risco de mutações também cairia.

Com isso em mente, nas salas de reuniões da OMS, especialistas em saúde pública correram para montar um plano ousado, justamente para impedir que as vacinas ficassem concentradas apenas nas mãos de poucos países.

Foi então criado um fundo que, com recursos e vacinas, garantiria a distribuição de doses a todos os países e, assim, permitiria uma imunidade para o planeta. Mas a estratégia —que ganhou o nome de Covax— fracassou e o nacionalismo e o mercado venceram.

O mecanismo, que pretendia distribuir 2 bilhões de doses de vacinas até o fim de 2021, conseguiu atingir apenas 25% de sua meta. Não faltou dinheiro. Faltaram vacinas, guardadas como tesouros nas prateleiras dos países ricos. Vários deles, como no caso do Canadá, chegaram a comprar vacinas para o equivalente a seis vezes sua população.

Todos os planos criados pela OMS também fracassaram. O primeiro deles era de ter 10% da população de cada país do mundo vacinado até o fim de setembro. Mais de 50 países ficaram abaixo da meta. Para o fim de dezembro, a meta é de 40%. Mas, de novo, nada indica que o objetivo seja atingido.

Se a ciência venceu e produziu vacinas em tempo recorde, o capitalismo também. E impediu que a lógica da saúde prevalecesse sobre a do mercado. Empresas farmacêuticas resistiram aos apelos por quebra de patentes e, um ano depois de o projeto ter sido lançado por Índia e África do Sul, europeus resistem à ideia de suspender as patentes e permitir que versões genéricas sejam produzidas.

A lógica do mercado se mostrou de forma tão clara que, em meio ao debate sobre vacinas, foi descoberto que uma das poucas fábricas na África com vacinas exportava os produtos para os países europeus.

Apartheid de Vacinas

Assim, um ano depois de a vacinação começar no mundo e de certos países terem atingido mais de 70% de suas populações com doses completas, continentes inteiros continuam esperando sua vez.

No mundo, 7,8 bilhões de doses já foram distribuídas e, por dia, são 33 milhões de pessoas imunizadas. Trata-se de 102 doses para cada cem pessoas no mundo. Nos EUA, por exemplo, já foram mais de 453 milhões de doses.

Mas isso não foi suficiente para impedir uma profunda desigualdade. Hoje, quase 40 países pelo mundo continuam com uma cobertura de vacinas de menos de 10% de suas populações.

Na República Democrática do Congo, a taxa é de apenas 0,1%, contra 1% no Haiti, 1,3% no Sudão e 1,5% na Etiópia.

A Nigéria, um dos principais centros econômicos da África e com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, a taxa de vacinação é de apenas 1,7%. Em Angola, ela não chega a 10%.

Em Botsuana, 80% da população não tem qualquer previsão de receber a primeira dose. Na África do Sul, a proteção chega a apenas 24% da população e 25 milhões de doses foram distribuídas. O volume é inferior ao que o estado da Flórida distribuiu à sua população.

Na África do Sul e em outros países da região, o temor é de que novas camadas de disparidade e de distanciamento entre países ricos e pobres estejam sendo estabelecidas. Não apenas eles não receberam as vacinas como agora, diante da nova variante, estarão impedidos de viajar ou receber turistas e investimentos.

A dupla punição contra os países mais pobres já é alvo de denúncias internacionais. "Esse é o apartheid de vacinas", disse Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul.

Para a OMS, o que mais choca é que, com as mais de 6 bilhões de doses já produzidas no mundo, haveria vacina suficiente para imunizar todas as populações mais vulneráveis, reduzindo de forma importante a taxa de mortes.

"Isso não aconteceu e, agora, corremos o risco de voltar à estaca zero", lamentou Bruce Aylward, um dos principais conselheiros da OMS para vacinas.

_________________________________________________Nova York declara estado de emergência após aumento de casos de covid-19

Governadora fez um apelo para que os nova-iorquinos se vacinem - Michael M. Santiago/Getty Images North America/via AFP
Governadora fez um apelo para que os nova-iorquinos se vacinem Imagem: Michael M. Santiago/Getty Images North America/via AFP

Do UOL, em São Paulo 27/11/2021 08h41

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, emitiu uma declaração de "emergência de desastre" ontem, devido às taxas crescentes de infecções e hospitalizações pela covid-19 no estado, além da ameaça da variante ômicron, recém-descoberta na África do Sul e classificada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como "de preocupação".

Ela disse que a variante ainda não foi detectada no estado, mas que decidiu assinar uma ordem executiva para permitir que o departamento de saúde limite procedimentos não essenciais e não urgentes em hospitais e adquira suprimentos essenciais mais rapidamente. A medida entra em vigor em 3 de dezembro e será reavaliada em 15 de janeiro, segundo a Bloomberg.

Brasil fechará fronteiras a 6 países da África por causa de nova variante

"Continuamos a ver sinais de alerta de picos de covid neste inverno e, embora a nova variante ômicron ainda não tenha sido detectada no estado de Nova York, ela está chegando", escreveu a governadora em sua conta oficial no Twitter.

Ela afirmou que a situação seria evitável se as pessoas se vacinassem e fez um apelo para que os nova-iorquinos procurem postos de saúde para serem imunizados, classificando as vacinas como "nossa maior arma nesta pandemia". Segundo dados do jornal The New York Times, 68% da população do estado está completamente imunizada contra a covid-19.

EUA impõem restrições de viagem a 8 países da África

O presidente dos EUA, Joe Bidenvai impor restrições de viagem a oito países do sul da África a partir de segunda-feira (29). O objetivo é tentar controlar o avanço da nova variante do coronavírus.

Seguindo o conselho de Anthony Fauci —principal infectologista do governo norte-americano— e dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças, a administração Biden restringirá viagens da África do Sul, Botsuana, Zimbábue, Namíbia, Lesoto, Eswatini (ex-Suazilândia), Moçambique e Maláui.

As medidas não se aplicarão a cidadãos norte-americanos e residentes permanentes legais. Como acontece com todos os viajantes internacionais, eles ainda devem testar negativo para a covid-19 antes da viagem.

_________________________________________________Bolsonaro fala em 'nova onda', mas rebate pedido para 'fechar' aeroportos

Bolsonaro rebateu a sugestão de um apoiador para "fechamento" de aeroportos do Brasil - Adriano Machado/Reuters
Bolsonaro rebateu a sugestão de um apoiador para 'fechamento" de aeroportos do Brasil Imagem: Adriano Machado/Reuters

Fábio Castanho

Do UOL, em São Paulo*

26/11/2021 10h22

No momento em que países da Europa apertam restrições para conter o salto de casos do novo coronavírus, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou hoje que "está vindo uma outra de covid". Em conversa em frente ao Palácio da Alvorada, no entanto, o chefe do Executivo rebateu a sugestão de um apoiador para 'fechamento" de aeroportos do Brasil para tentar reduzir o contágio da doença.

"Tem que aprender a conviver com o vírus", repetiu o presidente.

"Não vai vedar, rapaz. Que loucura é essa? Fechou o aeroporto, o vírus não entra? Já está aqui dentro", declarou Bolsonaro ao ser questionado, de forma genérica, sobre a possibilidade de restringir a entrada de estrangeiros no País.

O apoiador citou a quarta onda de covid-19 na Europa, mas o presidente minimizou. "Você está vendo muita [TV] Globo".

A declaração de Bolsonaro ocorre em um momento em que o Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendou — com apoio de diversos estados e municípios — um aumento nas restrições para a entrada de estrangeiros no Brasil, com o ingresso apenas de vacinados. O Governo, porém, já deu indicações que é contrário à medida. Não houve referência na conversa com apoiadores a essa proposta.

Paralelamente à questão da legislação nacional, desde ontem países têm demonstrado preocupação com a descoberta de uma nova variante do novo coronavírus. A partir desta sexta-feira, por exemplo, o Reino Unido começa a impor barreiras aéreas contra a África do Sul e mais cinco países vizinhos.

Regiões da Alemanha, além de França, Itália e Áustria, têm ampliado restrições sanitárias, e Portugal voltou a exigir máscaras em espaços fechados.

Na quinta-feira, Bolsonaro, depois de se contrapor sistematicamente a medidas sanitárias para conter a covid-19, se disse contrário à realização do carnaval em 2022. Capitais brasileiras mantêm sob dúvidas a realização da festa em 2022. Dentre as grandes cidades, só o Rio de Janeiro confirmou o carnaval no ano que vem.

Bolsonaro conversou com apoiadores antes de embarcar para Guaratinguetá, em São Paulo, onde participa no período da manhã de cerimônia de conclusão do curso de formação de sargentos da Escola de Especialistas de Aeronáutica. À tarde, segue para o Rio de Janeiro. Na capital fluminense, o presidente vai comparecer à cerimônia de formatura do 76º Aniversário da Brigada de Infantaria Paraquedista.

*Com informações da Estadão Conteúdo

_________________________________________________CDC não coleta dados de pessoas reinfectadas transmitindo covid-19

O documento citado na publicação enganosa existe, mas tem outro teor - Getty Images/BBC News
O documento citado na publicação enganosa existe, mas tem outro teor Imagem: Getty Images/BBC News

Do Projeto Comprova

26/11/2021 09h55

Atualizada em 26/11/2021 10h21

São enganosos os posts no Twitter que afirmam que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos não tem registros de pessoas não vacinadas contra a covid-19 que tenham transmitido a doença para terceiros após reinfecção.

O documento utilizado nos tuítes aqui verificados, em que o CDC responde a uma consulta sobre o assunto feita por uma advogada, é autêntico. Contudo, o órgão afirma não ter os registros porque estes dados não são coletados, o que não significa que não existam casos de pessoas não vacinadas que tenham transmitido a doença.

Não há relação entre casos de mal súbito em atletas e vacinas contra covid

Em pelo menos quatro postagens feitas no Twitter, é anexado um documento do CDC enviado a uma advogada de Nova York, após uma solicitação de informações por meio do Freedom of Information Act (FOIA), lei de acesso à informação do governo norte-americano.

No documento, ela consulta o CDC sobre a existência de "documentos que refletem qualquer caso documentado de um indivíduo que: (1) nunca recebeu uma vacina contra covid-19; (2) foi infectado com covid-19 uma vez, se recuperou e, mais tarde, ficou infectado novamente; e (3) transmitiu Sars-CoV-2 para outra pessoa quando reinfectado".

A resposta do CDC é de que não foram encontrados registros, porque os dados pedidos não são coletados devido às proteções de privacidade. Os posts no Twitter, de fato, afirmam que o CDC disse não ter registros. Contudo, os tuítes em resposta não deixam claro que a pergunta feita pela advogada foi sobre transmissão por não vacinados após reinfecção.

interpretação de boa parte das pessoas que interagiram com os posts é de que o fato de não haver registros no CDC significa que não há casos desse tipo.

Essa interpretação fica evidente nas respostas: há perfis que falam que a imunidade natural é melhor do que a da vacina, que este é um "segredo guardado a sete chaves pela indústria" e que esta é uma prova de que o "experimento" não tem dado o resultado desejado, se referindo à vacina.

No momento em que um perfil questiona a interpretação de que a falta de registros significaria a ausência de casos, é rebatido pelo autor de um dos tuítes: "Se não há a informação, porque a afirmação é feita então? Este é o ponto".

Os quatro autores dos tuítes verificados — @RafaelFontana, @DiretoDaAmerica, @Dr_Francisco_ e @profcabarros, — foram procurados, mas somente os dois últimos responderam, no sentido de reafirmar que a ausência de dados do CDC valida a tese de que reinfectados não transmitem covid-19.

Este conteúdo foi considerado enganoso pelo Comprova porque leva a uma interpretação diferente da intenção do autor, com ou sem a intenção de causar dano.

Como verificamos

O Comprova usou o Google para localizar a advogada cujo nome é citado no documento utilizado nos tuítes e, ao encontrar um contato de e-mail no site oficial do escritório onde ela trabalha, a questionou sobre a veracidade do documento utilizado na rede social.

Em seguida, entrou em contato com o CDC, a fim de saber se o documento era verdadeiro e por que razões não existem registros para casos de pessoas que não foram vacinadas e tenham transmitido covid-19.

Por fim, foram procurados os autores dos quatro tuítes verificados por meio de mensagens diretas enviadas no Twitter, Instagram e Facebook. Dois deles responderam ao contato do Comprova, os outros dois, até a publicação deste texto, não retornaram.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 24 de novembro de 2021.

Verificação

O documento é autêntico?

Sim. Ele foi enviado pelo CDC no dia 5 de novembro de 2021 à advogada Elizabeth Brehm, que trabalha no escritório Siri & Glimstad, em Nova York. O pedido de informações tinha sido feito em 2 de setembro de 2021 por meio de um formulário no site do FOIA. Os dois documentos - pergunta e resposta - foram disponibilizados em um texto escrito pelo sócio-gerente do escritório, Aaron Siri.

Quem é Elizabeth Brehm e qual o contexto da consulta?

Ela é uma das advogadas do escritório Siri & Glimstad, sediado em Nova York. De acordo com informações do site da empresa, ela tem formação em Ciências e em Direito e, antes de se juntar à equipe do Siri & Glimstad, trabalhou por nove anos em outro escritório, atuando sobretudo em ações antitruste e fraudes no sistema de saúde.

O escritório onde ela trabalha atualmente mantém uma página em

O escritório onde ela trabalha atualmente mantém uma página em seu site oficial, na qual afirma defender clientes dos 50 estados norte-americanos, "com compaixão e experiência" e "sem custos de representação", que tenham sofrido lesões decorrentes de vacinas. Eles consideram como as mais comuns bursite, tendinite, lesões no manguito rotador e capsulite adesiva - uma condição de rigidez na articulação do ombro também chamada de ombro congelado. O escritório ainda menciona a Síndrome de Guillain-Barré como uma "lesão de vacina".

Ao ser questionada sobre a veracidade do documento, que circulava em tuítes no Brasil, e sobre a consulta que teria feito ao CDC, Elizabeth Brehm respondeu ao Comprova por e-mail apenas encaminhando um link para um texto publicado pelo sócio-gerente do escritório onde ela trabalha, Aaron Siri.

No texto, em que anexa a pergunta feita pela funcionária e a resposta do CDC, Aaron afirma que seria de se imaginar que o CDC deveria ter ao menos uma prova de que um indivíduo não vacinado transmitiu a covid-19 para outras pessoas.

No mesmo post, ele confirma que o CDC respondeu que não tinha os registros solicitados por Elizabeth Brehm porque os dados não eram coletados. No decorrer da publicação, Aaron afirma que há estudos que comprovam que pessoas vacinadas transmitem a covid-19 e que é "distópico" que o CDC suspenda as restrições aos vacinados, enquanto "está ativamente destruindo os direitos de milhões de indivíduos naturalmente imunes neste país, caso eles não recebam a vacina".

Ele ainda afirma que a proteção natural pela doença é superior à da vacina. O Comprova já mostrou que era a falsa a afirmação de que o CDC tinha admitido que a proteção natural era superior à da vacina contra a covid-19 e que autoridades de saúde do Brasil seguem recomendando que todos se vacinem, já que a imunidade natural também tende a cair com o tempo.

Por que o CDC não tem registros?

O CDC alegou ao Comprova, por e-mail, que por "questões de privacidade" não mantém registros de eventuais casos de transmissão da covid-19 por pessoas que já tiveram a doença e não foram imunizadas. A agência, porém, salientou que não há razões para acreditar que pessoas que já testaram positivo não possam ser transmissoras.

Na sequência, dois estudos sobre taxas de reinfecção foram enviados (1 e 2) à reportagem pela agência norte-americana, embora não especificamente sobre o risco de transmissão por pessoas reinfectadas.

O primeiro, feito com cinco residentes de uma enfermaria especializada, mostrou que quatro deles apresentaram quadros mais severos da doença após a reinfecção, com uma morte. O segundo reuniu indícios de que a vacinação contra a covid-19 em pessoas já infectadas pelo vírus reduz a possibilidade de reinfecção.

Em janeiro deste ano, um estudo feito com profissionais de saúde do Reino Unido apontou que a resposta imune a partir de uma infecção anterior por covid-19 reduz em 83% o risco de se contrair de novo a doença. Os resultados apontados pelos pesquisadores foram publicados na plataforma MedRxiv, ainda em fase de pré-print, e sugeriam que essa proteção durava aproximadamente cinco meses.

Dos mais de 6 mil participantes no estudo, que já tinham tido a covid-19, houve reinfecção em menos de 1%. Contudo, os pesquisadores descobriram que, nos poucos casos em que isso ocorreu, os pacientes levavam altos níveis de carga viral no nariz e na garganta, mesmo sem apresentar sintomas. De acordo com a pesquisadora Susan Hopkins, investigadora principal do estudo, essas cargas virais estavam sendo associadas a um alto risco de transmissão do vírus para outras pessoas.

Quem são as pessoas que publicaram os documentos?

O Comprova entrou em contato com os quatro perfis que postaram o mesmo conteúdo verificado nesta reportagem. @RafaelFontana é jornalista, escritor e, de acordo com suas redes sociais, trabalha em uma empresa de comunicação brasileira sediada nos Estados Unidos. O segundo perfil contatado foi @profcabarros, jornalista e advogado.

Carlos respondeu à reportagem defendendo o conteúdo que foi publicado em seu tuíte: "A questão aqui é que você parte da premissa que existem estes casos, mesmo que não hajam dados" (sic). E, após o envio da resposta dada pelo CDC sobre não coletarem tais dados, o jornalista reafirmou que seu tuíte não estava distorcendo ou inventando o conteúdo publicado.

O perfil Direto da América também foi procurado. Nas redes sociais, o perfil é descrito como um portal de notícias dos Estados Unidos voltado para brasileiros de todo o mundo. O site do portal estava temporariamente desativado e o perfil no Instagram é privado. O contato foi feito por meio da página no Facebook, mas não houve retorno

Também foi contatado o médico infectologista Francisco Cardoso. Em junho deste ano, o profissional esteve presente na CPI da Covid a fim de defender o "tratamento precoce", que não possui comprovação científica contra a covid-19, por indicação do governo federal.

Além disso, Francisco também é investigado pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) por receber auxílio-doença mesmo sem estar incapaz de exercer a profissão. O contato foi realizado via e-mail disponibilizado nas redes sociais do médico.

Francisco Cardoso respondeu ao Comprova e defendeu que sua publicação no Twitter estava correta, visto que as afirmações feitas na postagem são as mesmas dadas ao Comprova pelo CDC, e que os documentos apresentados no tuíte são verdadeiros.

Por que investigamos?

Em sua quarta fase, o Comprova investiga publicações sobre o governo federal, as eleições e a pandemia que tenham viralizado nas redes sociais. A postagem aqui checada foi compartilhada no Twitter por pelo menos quatro perfis. Entre curtidas, retuítes e retuítes com comentários, foram mais de 5,8 mil interações.

Neste caso, o fato de os tuítes não refletirem o teor completo do documento levou a uma interpretação diferente daquela que foi a intenção do autor e reforçou o discurso antivacina, que tem sido base para a difusão de argumentos contrários à implementação do passaporte sanitário e ao próprio avanço da vacinação. É consenso na comunidade científica que a curva de mortos e de infectados pelo vírus cai com o avanço da cobertura vacinal, realidade que pode ser atestada no Brasil.

Outubro foi o mês com menos mortes por covid-19 no país desde abril de 2020. O esquema vacinal foi completado em mais de 60% da população brasileira, apesar da recusa do governo federal a ofertas para compra de vacinas como a Pfizer.

O Comprova já checou outros conteúdos relacionados a vacinas, como o que concluiu que o secretário de fomento à cultura desinformou ao afirmar que os imunizantes contra o coronavírus são experimentais, ou o que confirmou ser enganosa a relação entre eles e casos de mal súbito entre atletas.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

O Comprova é um projeto integrado por 33 veículos de imprensa brasileiros que descobre, investiga e explica informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens. Envie sua sugestão de verificação pelo WhatsApp no número 11 97045 4984.

_________________________________________________Nova variante do coronavírus preocupa OMS, e países fecham fronteiras

Thaís Augusto Do UOL, em São Paulo* 26/11/2021 10h59 Atualizada em 26/11/2021 11h25

A nova variante do coronavírus, encontrada na África do Sul, é motivo de preocupação entre cientistas e autoridades, que começam a bloquear as fronteiras para evitar a propagação da cepa. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a B.1.1.529 é a variante mais "significante" detectada até agora e tem alto potencial de propagação.

A variante tem uma proteína de espigão diferente daquela do coronavírus original, na qual se baseiam as vacinas contra covid-19. Isso aumenta a preocupação de que a B.1.1.529 possa "escapar" da proteção dos imunizantes. A Bélgica detectou hoje o primeiro caso da nova variante na Europa.

Covid: Anvisa recomenda restrições para voos vindos de 6 países da África

Segundo a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido, a cepa também foi identificada em Botswana e Hong Kong.

David Nabarro, enviado especial da OMS para o combate ao coronavírus, disse ser "apropriado" a preocupação sobre a nova variante. "Vou te dizer o porquê: o vírus parece ter uma capacidade maior de escapar das defesas que todos nós construímos como resultado das vacinas que recebemos desde o início deste ano", afirmou em entrevista ao site BBC.

Hoje, os especialistas da OMS se reúnem para discutir a nova variante, e definir um nome, mas a agência adiantou que demorará "várias semanas" para entender melhor o impacto da cepa e determinar sua virulência.

A variante B.1.1.529 tem um número "extremamente alto" de mutações e potencial "muito alto" de disseminação, estimou o virologista brasileiro Tulio de Oliveira, que mora na África do Sul e é diretor do KRISP, um centro especializado no estudo do coronavírus em Durban, onde foi descoberta a variante beta em 2020.

A África do Sul, que é o país mais afetado pelo vírus no continente, registrou 22 casos da variante, principalmente em jovens. Em todo o continente africano, apenas 7% dos 1,3 bilhões de habitantes estão totalmente vacinados.

Agora, a Europa se apressa para bloquear as fronteiras e impedir o avanço da variante, mas um epidemiologista da Universidade de Hon Kong disse que já pode ser tarde demais para endurecer as restrições de viagem.

Temos que admitir que muito provavelmente este vírus já está em outros lugares. Então, se fecharmos a porta agora, provavelmente será tarde demais.Ben Cowling, epidemiologista da Universidade de Hong Kong

O coronavírus provocou mais de 5,16 milhões de mortes em todo o mundo desde que foi descoberto na China no final de 2019, embora a OMS considere que os números reais podem ser muito maiores.

Europa fecha fronteira, mas Brasil resiste

Autoridades globais reagiram com alarme à nova variante do coronavírus detectada na África do Sul. União Europeia e Reino Unido anunciaram controles de fronteira mais rigorosos enquanto cientistas tentam determinar se a mutação é resistente a vacinas.


O Reino Unido pediu que os britânicos que estejam voltando da África e de locais próximos entrem em quarentena. 

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, recomendou hoje a suspensão de todos os voos para países afetados da África e citou um "freio de emergência" a ser que implementado na União Europeia. 

Segundo ela, a medida ajudará a "limitar a disseminação" da variante. França, Itália e Alemanha já anunciaram restrições para viagens. A Europa, que já superou 1,5 milhão de mortos na pandemia, vive há semanas um preocupante aumento dos casos de covid-19.

A Índia também proibirá voos da África do Sul e de países vizinhos. 

Nos Estados Unidos, o infectologista e conselheiro da Casa Branca, Anthony Fauci, disse que é necessário ter mais informação sobre a nova variante antes de determinar bloqueios. 

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou uma nota técnica, hoje, recomendando que o governo adote medidas de restrição para viajantes e voos vindos de seis países da África em razão da identificação da nova variante no continente, mas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) descartou a implantação de de barreiras sanitárias.


Hoje, em conversa com apoiadores, Bolsonaro afirmou "que está vindo uma nova onda de covid", mas rebateu a sugestão de um apoiador para o "fechamento" de aeroportos do Brasil. 

"Tem que aprender a conviver com o vírus", repetiu o presidente, que classificou a sugestão do apoiador como "loucura".


No programa UOL News, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, explicou que não é possível deter a variante, mas que dá para atrasar a sua entrada no Brasil. "Vamos tentar retardar, diminuir, fazer com que chegue em menor número". 

Em nota técnica a estados e municípios hoje, o Ministério da Saúde recomendou que se aumente a testagem e o rastreamento de contato de pessoas com contato com áreas de risco e se notifique imediatamente casos suspeitos. 


O Brasil registrou 613.697 mortes por covid-19 desde o início da pandemia, em março de 2020. Os dados foram obtidos pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de Saúde. 

Bolsas de todo o mundo caem com temor 

As Bolsas de todo o mundo registram perdas hoje diante do temor pela descoberta da nova variante do coronavírus na África do Sul. No Brasil, a Bolsa abriu estável, mas chegou a cair 3,89%, seguindo a tendência do mercado global.

Bolsas de todo o mundo caem com temor As Bolsas de todo o mundo registram perdas hoje diante do temor pela descoberta da nova variante do coronavírus na África do Sul.

No Brasil, a Bolsa abriu estável, mas chegou a cair 3,89%, seguindo a tendência do mercado global.

Na B3, as ações que mais caíram estão relacionadas ao mercado do turismo. Às 13h17, os papéis da Gol (GOLL4) caíam 13,9%, os da Azul (AZUL4), 12,85%, os da CVC (CVCB3), 12,49% e os da Embraer (EMBR3), 9,89%. 

As principais Bolsas da Europa não escaparam da tendência e iniciaram o dia com quedas expressivas. O STOXX 600, um índice que reúne informações de 17 países europeus, já abriu em queda e às 17h30 (horário local) caía 3,72%. 

Nos Estados Unidos, os índices abriram em forte queda hoje após o feriado de Ação de Graças. Os papéis de viagens, bancos e commodities liderando as perdas. 

*Com Reuters e AFP.

______________________________________________Nova variante do coronavírus preocupa OMS, e países fecham fronteiras

Via Redação | Publicado por Administrador | às 10:57:10

A nova variante do coronavírus, encontrada na África do Sul, é motivo de preocupação entre cientistas e autoridades, que começam a bloquear as fronteiras para evitar a propagação da cepa. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a B.1.1.529 é a variante mais “significante” detectada até agora e tem alto potencial de propagação.

A variante tem uma proteína de espigão diferente daquela do coronavírus original, na qual se baseiam as vacinas contra covid-19. Isso aumenta a preocupação de que a B.1.1.529 possa “escapar” da proteção dos imunizantes. A Bélgica detectou hoje o primeiro caso da nova variante na Europa.

Segundo a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido, a cepa também foi identificada em Botswana e Hong Kong.

David Nabarro, enviado especial da OMS para o combate ao coronavírus, disse ser “apropriado” a preocupação sobre a nova variante. “Vou te dizer o porquê: o vírus parece ter uma capacidade maior de escapar das defesas que todos nós construímos como resultado das vacinas que recebemos desde o início deste ano”, afirmou em entrevista ao site BBC.

Hoje, os especialistas da OMS se reúnem para discutir a nova variante, e definir um nome, mas a agência adiantou que demorará “várias semanas” para entender melhor o impacto da cepa e determinar sua virulência.

A variante B.1.1.529 tem um número “extremamente alto” de mutações e potencial “muito alto” de disseminação, estimou o virologista brasileiro Tulio de Oliveira, que mora na África do Sul e é diretor do KRISP, um centro especializado no estudo do coronavírus em Durban, onde foi descoberta a variante beta em 2020.

A África do Sul, que é o país mais afetado pelo vírus no continente, registrou 22 casos da variante, principalmente em jovens. Em todo o continente africano, apenas 7% dos 1,3 bilhões de habitantes estão totalmente vacinados.

Agora, a Europa se apressa para bloquear as fronteiras e impedir o avanço da variante, mas um epidemiologista da Universidade de Hon Kong disse que já pode ser tarde demais para endurecer as restrições de viagem.

Temos que admitir que muito provavelmente este vírus já está em outros lugares. Então, se fecharmos a porta agora, provavelmente será tarde demais.Ben Cowling, epidemiologista da Universidade de Hong Kong

O coronavírus provocou mais de 5,16 milhões de mortes em todo o mundo desde que foi descoberto na China no final de 2019, embora a OMS considere que os números reais podem ser muito maiores.

Europa fecha fronteira, mas Brasil resiste

Autoridades globais reagiram com alarme à nova variante do coronavírus detectada na África do Sul. União Europeia e Reino Unido anunciaram controles de fronteira mais rigorosos enquanto cientistas tentam determinar se a mutação é resistente a vacinas.

A Índia também proibirá voos da África do Sul e de países vizinhos. Já o Reino Unido pediu que os viajantes britânicos que estejam voltando da África e de locais próximos entrem em em quarentena.

A Europa, que já superou 1,5 milhão de mortos na pandemia, vive há semanas um preocupante aumento dos casos de covid-19.

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou uma nota técnica, hoje, recomendando que o governo adote medidas de restrição para viajantes e voos vindos de seis países da África em razão da identificação de uma nova variante do novo coronavírus no continente, mas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) resiste a levantar barreiras sanitárias.

Hoje, em conversa com apoiadores, Bolsonaro afirmou “que está vindo uma nova onda de covid”, mas rebateu a sugestão de um apoiador para o “fechamento” de aeroportos do Brasil.

“Tem que aprender a conviver com o vírus”, repetiu o presidente, que classificou a sugestão do apoiador como “loucura”.

Com a demora para a compra de vacinas e falta de coordenação nacional, o Brasil registrou 613.697 mortes por covid-19 desde o início da pandemia, em março de 2020. Os dados foram obtidos pelo consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de Saúde.

*Com Reuters e AFP



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VERIFICAÇÃO

CDC não coleta dados de pessoas reinfectadas transmitindo covid-19

É enganoso que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) emitiu documento que comprove a inexistência de casos de pessoas não vacinadas que tenham transmitido a doença depois de uma segunda infecção

  • Em pelo menos quatro postagens feitas no Twitter, é anexado um documento do CDC enviado a uma advogada de Nova York, após uma solicitação de informações por meio do Freedom of Information Act (FOIA), lei de acesso à informação do governo norte-americano. No documento, ela consulta o CDC sobre a existência de “documentos que refletem qualquer caso documentado de um indivíduo que: (1) nunca recebeu uma vacina contra covid-19; (2) foi infectado com covid-19 uma vez, se recuperou e, mais tarde, ficou infectado novamente; e (3) transmitiu Sars-CoV-2 para outra pessoa quando reinfectado”.

    A resposta do CDC é de que não foram encontrados registros, porque os dados pedidos não são coletados devido às proteções de privacidade. Os posts no Twitter, de fato, afirmam que o CDC disse não ter registros. Contudo, os tuítes em resposta não deixam claro que a pergunta feita pela advogada foi sobre transmissão por não vacinados após reinfecção.

  • interpretação de boa parte das pessoas que interagiram com os posts é de que o fato de não haver registros no CDC significa que não há casos desse tipo.

    Essa interpretação fica evidente nas respostas: há perfis que falam que a imunidade natural é melhor do que a da vacina, que este é um “segredo guardado a sete chaves pela indústria” e que esta é uma prova de que o “experimento” não tem dado o resultado desejado, se referindo à vacina.

    No momento em que um perfil questiona a interpretação de que a falta de registros significaria a ausência de casos, é rebatido pelo autor de um dos tuítes: “Se não há a informação, porque a afirmação é feita então? Este é o ponto”.

    Os quatro autores dos tuítes verificados — @RafaelFontana, @DiretoDaAmerica, @Dr_Francisco_ e @profcabarros, — foram procurados, mas somente os dois últimos responderam, no sentido de reafirmar que a ausência de dados do CDC valida a tese de que reinfectados não transmitem covid-19.

  • Este conteúdo foi considerado enganoso pelo Comprova porque leva a uma interpretação diferente da intenção do autor, com ou sem a intenção de causar dano.

    Como verificamos?


    O Comprova usou o Google para localizar a advogada cujo nome é citado no documento utilizado nos tuítes e, ao encontrar um contato de e-mail no site oficial do escritório onde ela trabalha, a questionou sobre a veracidade do documento utilizado na rede social.

    Em seguida, entrou em contato com o CDC, a fim de saber se o documento era verdadeiro e por que razões não existem registros para casos de pessoas que não foram vacinadas e tenham transmitido covid-19.

    Por fim, foram procurados os autores dos quatro tuítes verificados por meio de mensagens diretas enviadas no Twitter, Instagram e Facebook. Dois deles responderam ao contato do Comprova, os outros dois, até a publicação deste texto, não retornaram.


O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 24 de novembro de 2021.

Verificação

O documento é autêntico?


Sim. Ele foi enviado pelo CDC no dia 5 de novembro de 2021 à advogada Elizabeth Brehm, que trabalha no escritório Siri & Glimstad, em Nova York. O pedido de informações tinha sido feito em 2 de setembro de 2021 por meio de um formulário no site do FOIA. Os dois documentos – pergunta e resposta – foram disponibilizados em um texto escrito pelo sócio-gerente do escritório, Aaron Siri.

Quem é Elizabeth Brehm e qual o contexto da consulta?


Ela é uma das advogadas do escritório Siri & Glimstad, sediado em Nova York. De acordo com informações do site da empresa, ela tem formação em Ciências e em Direito e, antes de se juntar à equipe do Siri & Glimstad, trabalhou por nove anos em outro escritório, atuando sobretudo em ações antitruste e fraudes no sistema de saúde.

O escritório onde ela trabalha atualmente mantém uma página em seu site oficial, na qual afirma defender clientes dos 50 estados norte-americanos, “com compaixão e experiência” e “sem custos de representação”, que tenham sofrido lesões decorrentes de vacinas. Eles consideram como as mais comuns bursite, tendinite, lesões no manguito rotador e capsulite adesiva – uma condição de rigidez na articulação do ombro também chamada de ombro congelado. O escritório ainda menciona a Síndrome de Guillain-Barré como uma “lesão de vacina”.

Ao ser questionada sobre a veracidade do documento, que circulava em tuítes no Brasil, e sobre a consulta que teria feito ao CDC, Elizabeth Brehm respondeu ao Comprova por e-mail apenas encaminhando um link para um texto publicado pelo sócio-gerente do escritório onde ela trabalha, Aaron Siri.

No texto, em que anexa a pergunta feita pela funcionária e a resposta do CDC, Aaron afirma que seria de se imaginar que o CDC deveria ter ao menos uma prova de que um indivíduo não vacinado transmitiu a covid-19 para outras pessoas.

No mesmo post, ele confirma que o CDC respondeu que não tinha os registros solicitados por Elizabeth Brehm porque os dados não eram coletados. No decorrer da publicação, Aaron afirma que há estudos que comprovam que pessoas vacinadas transmitem a covid-19 e que é “distópico” que o CDC suspenda as restrições aos vacinados, enquanto “está ativamente destruindo os direitos de milhões de indivíduos naturalmente imunes neste país, caso eles não recebam a vacina”.

Ele ainda afirma que a proteção natural pela doença é superior à da vacina. O Comprova já mostrou que era a falsa a afirmação de que o CDC tinha admitido que a proteção natural era superior à da vacina contra a covid-19 e que autoridades de saúde do Brasil seguem recomendando que todos se vacinem, já que a imunidade natural também tende a cair com o tempo.

Por que o CDC não tem registros?


O CDC alegou ao Comprova, por e-mail, que por “questões de privacidade” não mantém registros de eventuais casos de transmissão da covid-19 por pessoas que já tiveram a doença e não foram imunizadas. A agência, porém, salientou que não há razões para acreditar que pessoas que já testaram positivo não possam ser transmissoras.

Na sequência, dois estudos sobre taxas de reinfecção foram enviados (1 e 2) à reportagem pela agência norte-americana, embora não especificamente sobre o risco de transmissão por pessoas reinfectadas.

O primeiro, feito com cinco residentes de uma enfermaria especializada, mostrou que quatro deles apresentaram quadros mais severos da doença após a reinfecção, com uma morte. O segundo reuniu indícios de que a vacinação contra a covid-19 em pessoas já infectadas pelo vírus reduz a possibilidade de reinfecção.

Em janeiro deste ano, um estudo feito com profissionais de saúde do Reino Unido apontou que a resposta imune a partir de uma infecção anterior por covid-19 reduz em 83% o risco de se contrair de novo a doença. Os resultados apontados pelos pesquisadores foram publicados na plataforma MedRxiv, ainda em fase de pré-print, e sugeriam que essa proteção durava aproximadamente cinco meses.

Dos mais de 6 mil participantes no estudo, que já tinham tido a covid-19, houve reinfecção em menos de 1%. Contudo, os pesquisadores descobriram que, nos poucos casos em que isso ocorreu, os pacientes levavam altos níveis de carga viral no nariz e na garganta, mesmo sem apresentar sintomas. De acordo com a pesquisadora Susan Hopkins, investigadora principal do estudo, essas cargas virais estavam sendo associadas a um alto risco de transmissão do vírus para outras pessoas.

Quem são as pessoas que publicaram os documentos?


O Comprova entrou em contato com os quatro perfis que postaram o mesmo conteúdo verificado nesta reportagem. @RafaelFontana é jornalista, escritor e, de acordo com suas redes sociais, trabalha em uma empresa de comunicação brasileira sediada nos Estados Unidos. O segundo perfil contatado foi @profcabarros, jornalista e advogado.

Carlos respondeu à reportagem defendendo o conteúdo que foi publicado em seu tuíte: “A questão aqui é que você parte da premissa que existem estes casos, mesmo que não hajam dados” (sic). E, após o envio da resposta dada pelo CDC sobre não coletarem tais dados, o jornalista reafirmou que seu tuíte não estava distorcendo ou inventando o conteúdo publicado.

O perfil Direto da América também foi procurado. Nas redes sociais, o perfil é descrito como um portal de notícias dos Estados Unidos voltado para brasileiros de todo o mundo. O site do portal estava temporariamente desativado e o perfil no Instagram é privado. O contato foi feito por meio da página no Facebook, mas não houve retorno.

Também foi contatado o médico infectologista Francisco Cardoso. Em junho deste ano, o profissional esteve presente na CPI da Covid a fim de defender o “tratamento precoce”, que não possui comprovação científica contra a covid-19, por indicação do governo federal.

Além disso, Francisco também é investigado pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) por receber auxílio-doença mesmo sem estar incapaz de exercer a profissão. O contato foi realizado via e-mail disponibilizado nas redes sociais do médico.

Francisco Cardoso respondeu ao Comprova e defendeu que sua publicação no Twitter estava correta, visto que as afirmações feitas na postagem são as mesmas dadas ao Comprova pelo CDC, e que os documentos apresentados no tuíte são verdadeiros.

Por que investigamos?


Em sua quarta fase, o Comprova investiga publicações sobre o governo federal, as eleições e a pandemia que tenham viralizado nas redes sociais. A postagem aqui checada foi compartilhada no Twitter por pelo menos quatro perfis. Entre curtidas, retuítes e retuítes com comentários, foram mais de 5,8 mil interações.

Neste caso, o fato de os tuítes não refletirem o teor completo do documento levou a uma interpretação diferente daquela que foi a intenção do autor e reforçou o discurso antivacina, que tem sido base para a difusão de argumentos contrários à implementação do passaporte sanitário e ao próprio avanço da vacinação. É consenso na comunidade científica que a curva de mortos e de infectados pelo vírus cai com o avanço da cobertura vacinal, realidade que pode ser atestada no Brasil.

Outubro foi o mês com menos mortes por covid-19 no país desde abril de 2020. O esquema vacinal foi completado em mais de 60% da população brasileira, apesar da recusa do governo federal a ofertas para compra de vacinas como a Pfizer.

O Comprova já checou outros conteúdos relacionados a vacinas, como o que concluiu que o secretário de fomento à cultura desinformou ao afirmar que os imunizantes contra o coronavírus são experimentais, ou o que confirmou ser enganosa a relação entre eles e casos de mal súbito entre atletas.

Enganoso, para o Comprova, é o conteúdo retirado do contexto original e usado em outro de modo que seu significado sofra alterações; que usa dados imprecisos ou que induz a uma interpretação diferente da intenção de seu autor; que confunde, com ou sem a intenção deliberada de causar dano.

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O escritório onde ela trabalha atualmente mantém uma página em seu site oficial, na qual afirma defender clientes dos 50 estados norte-americanos, "com compaixão e experiência" e "sem custos de representação", que tenham sofrido lesões decorrentes de vacinas. Eles consideram como as mais comuns bursite, tendinite, lesões no manguito rotador e capsulite adesiva - uma condição de rigidez na articulação do ombro também chamada de ombro congelado. O escritório ainda menciona a Síndrome de Guillain-Barré como uma "lesão de vacina".

Ao ser questionada sobre a veracidade do documento, que circulava em tuítes no Brasil, e sobre a consulta que teria feito ao CDC, Elizabeth Brehm respondeu ao Comprova por e-mail apenas encaminhando um link para um texto publicado pelo sócio-gerente do escritório onde ela trabalha, Aaron Siri.

No texto, em que anexa a pergunta feita pela funcionária e a resposta do CDC, Aaron afirma que seria de se imaginar que o CDC deveria ter ao menos uma prova de que um indivíduo não vacinado transmitiu a covid-19 para outras pessoas.

No mesmo post, ele confirma que o CDC respondeu que não tinha os registros solicitados por Elizabeth Brehm porque os dados não eram coletados. No decorrer da publicação, Aaron afirma que há estudos que comprovam que pessoas vacinadas transmitem a covid-19 e que é "distópico" que o CDC suspenda as restrições aos vacinados, enquanto "está ativamente destruindo os direitos de milhões de indivíduos naturalmente imunes neste país, caso eles não recebam a vacina".

Ele ainda afirma que a proteção natural pela doença é superior à da vacina. O Comprova já mostrou que era a falsa a afirmação de que o CDC tinha admitido que a proteção natural era superior à da vacina contra a covid-19 e que autoridades de saúde do Brasil seguem recomendando que todos se vacinem, já que a imunidade natural também tende a cair com o tempo.

Por que o CDC não tem registros?

O CDC alegou ao Comprova, por e-mail, que por "questões de privacidade" não mantém registros de eventuais casos de transmissão da covid-19 por pessoas que já tiveram a doença e não foram imunizadas. A agência, porém, salientou que não há razões para acreditar que pessoas que já testaram positivo não possam ser transmissoras.

Na sequência, dois estudos sobre taxas de reinfecção foram enviados (1 e 2) à reportagem pela agência norte-americana, embora não especificamente sobre o risco de transmissão por pessoas reinfectadas.

O primeiro, feito com cinco residentes de uma enfermaria especializada, mostrou que quatro deles apresentaram quadros mais severos da doença após a reinfecção, com uma morte. O segundo reuniu indícios de que a vacinação contra a covid-19 em pessoas já infectadas pelo vírus reduz a possibilidade de reinfecção.

Em janeiro deste ano, um estudo feito com profissionais de saúde do Reino Unido apontou que a resposta imune a partir de uma infecção anterior por covid-19 reduz em 83% o risco de se contrair de novo a doença. Os resultados apontados pelos pesquisadores foram publicados na plataforma MedRxiv, ainda em fase de pré-print, e sugeriam que essa proteção durava aproximadamente cinco meses.

Dos mais de 6 mil participantes no estudo, que já tinham tido a covid-19, houve reinfecção em menos de 1%. Contudo, os pesquisadores descobriram que, nos poucos casos em que isso ocorreu, os pacientes levavam altos níveis de carga viral no nariz e na garganta, mesmo sem apresentar sintomas. De acordo com a pesquisadora Susan Hopkins, investigadora principal do estudo, essas cargas virais estavam sendo associadas a um alto risco de transmissão do vírus para outras pessoas.

Quem são as pessoas que publicaram os documentos?

O Comprova entrou em contato com os quatro perfis que postaram o mesmo conteúdo verificado nesta reportagem. @RafaelFontana é jornalista, escritor e, de acordo com suas redes sociais, trabalha em uma empresa de comunicação brasileira sediada nos Estados Unidos. O segundo perfil contatado foi @profcabarros, jornalista e advogado.

Carlos respondeu à reportagem defendendo o conteúdo que foi publicado em seu tuíte: "A questão aqui é que você parte da premissa que existem estes casos, mesmo que não hajam dados" (sic). E, após o envio da resposta dada pelo CDC sobre não coletarem tais dados, o jornalista reafirmou que seu tuíte não estava distorcendo ou inventando o conteúdo publicado.

O perfil Direto da América também foi procurado. Nas redes sociais, o perfil é descrito como um portal de notícias dos Estados Unidos voltado para brasileiros de todo o mundo. O site do portal estava temporariamente desativado e o perfil no Instagram é privado. O contato foi feito por meio da página no Facebook, mas não houve retorno

Também foi contatado o médico infectologista Francisco Cardoso. Em junho deste ano, o profissional esteve presente na CPI da Covid a fim de defender o "tratamento precoce", que não possui comprovação científica contra a covid-19, por indicação do governo federal.

Além disso, Francisco também é investigado pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) por receber auxílio-doença mesmo sem estar incapaz de exercer a profissão. O contato foi realizado via e-mail disponibilizado nas redes sociais do médico.

______________________________________________OMS batiza nova variante de corona vírus de Omicron

26 de novembro de 2021, 16:54

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(ANSA) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como "preocupante" a variante B.1.1.529 do coronavírus, identificada na África, e decidiu chamá-la de Omicron, informou a entidade nesta sexta-feira (26).

A divulgação do nome técnico foi feita após uma reunião de urgência convocada pelo grupo de trabalho sobre a Covid-19 da OMS.

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A classificação da nova mutação como uma "variante de preocupação" (VOC, na sigla em inglês) é uma medida de alerta sobre os possíveis efeitos que a cepa pode ter sobre o curso da pandemia.

B.1.1.529 foi relatada pela primeira vez em Botsuana, no sul da África, no último dia 24 de novembro. "Esta variante tem um grande número de mutações, algumas das quais preocupantes", disse a OMS em um comunicado.

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"A evidência preliminar sugere um risco aumentado de reinfecção com esta variante, em comparação com outros VOCs", acrescentou a organização.

Atualmente, são consideradas variantes de preocupação a Alfa (B.1.1.7), do Reino Unido, a Beta (B.1.351), da África do Sul, a Delta (B.1.617.2), da Índia, a Gama (P.1), do Brasil, e a B.1.1.529, de Botsuana.

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Em publicação no Twitter, a líder técnica da OMS para temas da Covid-19, Maria van Kerkhove, pediu que sejam ampliados a vigilância epidemiológica e os sequenciamentos genéticos das amostras.

_________________________________________________Nem pensar em fazer festejo de Réveillon ou Carnaval, adverte Vecina, o fundador da Anvisa

Gonzalo Vecina
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247 - Fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o médico sanitarista Gonzalo Vecina disse, ao portal UOL nesta quinta-feira (25) que a realização das festas de Réveillon e Carnaval prejudicará o combate à pandemia de Covid-19. "Estamos longe de alcançar o fim da pandemia. Nem pensar fazer réveillon ou Carnaval. Tudo que estamos fazendo vai por água abaixo", advertiu.

Com a volta do turismo a todo o vapor neste ano, as maiores capitais do Nordeste, por exemplo, planejaram realizar novamente as tradicionais festas de Réveillon na praia, com fogos e atrações. Algumas chegaram a lançar editais para contratar empresas e artistas para a virada de ano.

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Entretanto, a alta no número de casos na Europa após a reabertura e a vacinação ainda aquém de índices confiáveis fizeram dezenas de prefeituras recuarem e deixarem em aberto a realização dos eventos, com uma tendência a permitir apenas festas particulares menores.

"Festas que você não controla quem entra, não podem ocorrer", completou o médico sanitarista. Ele cita como exemplo de eventos possíveis os jogos de futebol.

_________________________________________________Médicos estão assustados com rapidez de propagação da covid na França

Em 24 horas, a França registrou 30.454 novos casos positivos da doença, uma alta de 100% em dez dias e um patamar que não se via desde abril - Getty Images/iStockphoto
Em 24 horas, a França registrou 30.454 novos casos positivos da doença, uma alta de 100% em dez dias e um patamar que não se via desde abril Imagem: Getty Images/iStockphoto

24/11/2021 11h20

Atualizada em 24/11/2021 13h28

A quinta onda meteórica da epidemia de covid-19 na França surpreende os médicos, destaca nesta quarta-feira (24) a manchete do jornal Le Parisien. Em 24 horas, o país registrou 30.454 novos casos positivos da doença, uma alta de 100% em dez dias e um patamar que não se via desde abril.

Nas páginas do Le Parisien, os médicos Arnaud Fontanet, membro do conselho científico que assessora o governo na crise sanitária, e Gilles Pialoux, chefe do serviço de doenças infecciosas do Hospital Tenon, em Paris, consideram que o presidente Emmanuel Macron não tem outra alternativa a não ser reintroduzir restrições para frear a epidemia, antes que os hospitais fiquem novamente sobrecarregados.

UE muda posição e cogita dose de reforço contra covid para adultos

Os cientistas recomendam o retorno do uso da máscara em todos os locais fechados - depois que houve relaxamento em relação a esse cuidado básico preventivo -, a volta generalizada do trabalho em home office, para quem pode, e principalmente a extensão da terceira dose da vacina a toda a população. Até agora, a dose de reforço é oferecida apenas para pessoas com mais de 50 anos. A tendência é que outras faixas etárias sejam rapidamente incluídas na campanha.

Nessa terça-feira (23), 8.525 pessoas estavam internadas com a covid-19, sendo 1.455 em UTIs. No ritmo atual de contaminações, os médicos preveem o ingresso de mil pacientes por dia nos hospitais franceses nas próximas semanas.

A França tem 75% da população completamente vacinada, mas essa cobertura é insuficiente ante a variante Delta, muito contagiosa e predominante no país. O vírus circula principalmente entre os 6,4 milhões de adultos não vacinados e nas escolas, onde 10 milhões de crianças menores de 12 anos não fizeram parte da campanha de imunização.

Embora Israel, Estados Unidos e outros países tenham iniciado a vacinação para crianças a partir de 5 anos, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) iniciou recentemente, em outubro, a avaliação da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos.

Nesta quarta-feira, 6 mil classes do ensino primário estavam fechadas em todo o país - 50% a mais do que na semana passada. Com isso, 150 mil alunos estão sem aulas, em casa, cumprindo uma quarentena de sete dias, destaca o portal de notícias France Info. O governo, que havia prometido realizar 6 mil testes salivares de diagnóstico por semana nas crianças, faz quatro vezes menos, critica o site.

Novos medicamentos

Em Paris, a taxa de incidência da covid-19 deve ultrapassar em breve 200 casos positivos por 100 mil habitantes. Ainda existe margem até se alcançar os 54 mil casos diários registrados na segunda onda, mas o reforço das medidas preventivas é urgente devido à "brutalidade" da quinta onda, assinalam os médicos.

O jornal Le Figaro diz que o presidente Emmanuel Macron quer evitar a qualquer preço o fechamento do comércio e de empresas, às vésperas das festas de fim de ano. O diário recorda que, além da vacinação, é possível contar agora com dois novos medicamentos contra a infecção viral, desenvolvidos por laboratórios americanos, que evitam a forma grave da doença. Um dos tratamentos passará a ser prescrito na França a partir de dezembro.

_________________________________________________Com 100% de vacinados no Estado? Número de mortes por Covid VOLTA a AUMENTAR em SÃO_PAULO 

No restante do Brasil, a melhoria perdeu força

Não é um repique, não é uma onda, mas o número de mortes por Covid em São Paulo voltou a aumentar. 

Não se dá muita atenção porque se trata de um alta da casa de 60 vítimas por dia para a casa dos 70. 

No restante do Brasil, a melhoria perdeu força

O ritmo do morticínio está entre queda ligeira e quase estabilidade.

A situação paulista é pior, segundo os registros oficiais (isto é, se a subnotificação não aumentou em outros estados).

Desde fins de outubro, parou de despiorar.

Fica agora ainda mais evidente a ficção do dia de "morte zero", alardeada faz umas duas semanas

Era bobagem propagandística precipitada, um erro estatístico e uma interpretação errada dos registros administrativos.

O número de mortes em São Paulo ainda era de 300 por dia no final de julho, havia sido de 800 por dia em abril. 

Entende-se, portanto, que pouca gente preste atenção ao problema recente, ainda mais porque faz tempo há saturação com o assunto e porque a vacina dá uma sensação maior de segurança. 

Mas entende-se também o motivo de um em cada nove municípios paulistas terem cancelado também o Carnaval de rua de 2022. 

A epidemia ainda não acabou.

Vista aérea de quadra com covas abertas e holofotes para iluminar sepultamentos no Cemitério Vila Formosa, em São Paulo
Vista aérea de quadra com covas abertas e holofotes para iluminar sepultamentos no Cemitério Vila Formosa, em São Paulo - 27.abr.2021 - Mathilde Missioneiro/Folhapress

O aumento do número de mortes não é lá surpreendente.

Desde outubro, acabaram quase todas as restrições de aglomeração.

Os estádios de futebol estão cheios, embora o transporte público na região metropolitana de São Paulo ainda esteja com um movimento 30% abaixo do normal (ou, pelo menos, 30% menor do que se registrava em outubro de 2019). 

O que vai acontecer quando trens e ônibus estiverem de novo tão lotados quanto antes, "AP", Antes da Pandemia? Aliás, vão voltar a lotar ou a vida nas cidades mudou?

O Carnaval está longe, mas o primeiro Natal com vacina está logo aí. 

Até lá, a situação pode melhorar, da vacinação inclusive. A campanha tem sido um sucesso, uma demonstração da capacidade do sistema nacional de imunização e um sinal de esperança, pois os brasileiros tomam as injeções, apesar do governo monstruoso.

No entanto, apesar desse progresso, a doença resiste. 

No estado de São Paulo, 99,7% das pessoas com 12 anos ou mais tomaram a primeira dose; 87% estão completamente vacinadas; 10% tomaram a dose de reforço. 

O número diário de novas internações em UTI continua caindo. 

Estão na casa de 320 por dia. Em fins de julho, eram 1.200. Em abril, passaram de 3 mil por dia.

Europa volta a bater novos recordes de casos de Covid e amplia restrições

_________________________________________________Surto de Influenza A atinge Rio de Janeiro; saiba como prevenir a doença

Giulia Granchi Do VivaBem, em São Paulo 24/11/2021 16h46
FG Trade/Istock
Imagem: FG Trade/Istock

Giulia Granchi Do VivaBem, em São Paulo 24/11/2021 16h46

Os casos de Influenza A, um tipo de gripe, subiram na cidade do Rio de Janeiro nos últimos dias. A cobertura vacinal chegou a apenas 57% do público-alvo da campanha, e agora parte da população já sofre com os sintomas.

Em entrevista à Globo, o secretário de saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, afirmou que a cidade já apresenta um aumento dos casos, e 38% das ocorrências com sintomas respiratórios que chegam à rede municipal são causadas pela influenza A.

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Vacina contra gripe não aumenta risco de contágio ou piora a covid-19

Os quadros mais graves, disse ele, apareceram em crianças de seis meses a seis anos, gestantes e pessoas com mais de 60 anos.

Na avaliação do infectologista Álvaro Costa, que atua no HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), um fator que pode ter levado a esse quadro foi a priorização da vacina contra a covid-19. "Pela urgência do momento, muitas pessoas receberam a imunização contra o Sars-CoV-2 e deixaram outras de la. A cobertura vacinal acabou ficando ruim para algumas doenças infecciosas."

Como se proteger da Influenza A?

Vacinação

Por ser um vírus respiratório, as medidas de proteção são bastante semelhante àquelas adotadas contra a covid-19. A primeira, e bastante eficaz, é a vacinação.

"O imunizante protege contra a Influenza A e outros subtipos do vírus da gripe —sempre é incluída a proteção contra os vírus que estavam circulando no inverno anterior. Assim como é com a vacina da covid-19, ela não impede a infecção, mas protege contra a forma grave da doença", aponta Costa.

Na cidade do Rio de Janeiro, apesar de a campanha oficial ter acabado em agosto, é possível receber a vacina na rede pública enquanto durarem os estoques das doses.

Se você está com os sintomas da gripe e ainda não foi vacinado, o melhor é esperar cerca de duas semanas para receber o imunizante —que também não deve ser tomado junto com a vacina contra a covid-19. A recomendação do Ministério da Saúde, por falta de dados sobre a aplicação conjunta das duas vacinas, é fazer um intervalo de 14 dias entre a aplicação das doses diferentes.

Uso de máscara

O hábito de usar máscara, avalia o infectologista, é um legado positivo que a pandemia pode deixar. "É uma maneira de se proteger contra as doenças respiratórias em geral, essencial, principalmente, para os grupos mais vulneráveis."

A proteção deve ser usada também por quem está com os sintomas da gripe, para que evite passar a doença para outras pessoas.

Distanciamento

Manter o distanciamento de pessoas com sintomas e evitar locais fechados, com aglomeração e com pouca ventilação —recomendação que vale também pela pandemia da covid-19 não estar totalmente controlada— são boas práticas para diminuir os riscos.

Será gripe ou covid-19? Confirmação só pode ser feita com teste

gripe inicia-se em geral com febre alta, seguida de dor muscular, dor de gargantador de cabeça, coriza e tosse seca. A febre é o sintoma mais importante e dura em torno de três dias. Os sinais são extremamente similares aos causados pelo coronavírus.

"A perda de olfato e paladar pode ajudar, mas em geral, é quase indistinguível, os sintomas clínicos são muito parecidos", esclarece Álvaro Costa. Para certificar-se de que não é covid-19, é possível fazer os testes de detecção da doença.

As mais lidas agora

_________________________________________________Áustria entra em lockdown, enquanto revolta contra restrições anticovid cresce na Europa

22.nov.2021 - Pedestres passam por mesas e cadeiras empilhadas durante a pandemia da covid-19, após o governo da Áustria impor um lockdown em Salzburg, na Áustria - Lukas Barth/Reuters
22.nov.2021 - Pedestres passam por mesas e cadeiras empilhadas durante a pandemia da covid-19, após o governo da Áustria impor um lockdown em Salzburg, na Áustria Imagem: Lukas Barth/Reuters

Em Viena

22/11/2021 07h16

A Áustria entrou oficialmente em confinamento à zero hora de segunda-feira, uma medida severa que desatou protestos no país no fim de semana, bem como na Bélgica e na Holanda, onde houve manifestações contra as restrições anticovid.

Viena parecia uma cidade fantasma, onde lojas, restaurantes, mercados natalinos, salas de concerto e salões de beleza baixaram as portas. Com exceção das escolas, a capital e o restante do país amanheceram em silêncio hoje.

Novas restrições contra covid levam milhares de pessoas às ruas na Europa

Como em confinamentos anteriores, os 8,9 milhões de austríacos teoricamente estão proibidos de sair de casa, exceto para fazer compras, praticar esportes ou receber atendimento médico.

Também podem ir ao escritório e levar as crianças para a escola, mas as autoridades pediram à população para permanecer em casa.

O anúncio das medidas, feito na sexta-feira, devido a um repique dos casos de covid-19, repercutiu em outras partes da Europa, com grandes protestos na Holanda e Bélgica, entre outros países.

A Holanda viveu ontem sua terceira noite de protestos, com fogos de artifício e vandalismo nas cidades de Groningen e Leeuwarden, no norte, bem como em Enschede, no leste, e em Tilburg, no sul.

No entanto, os protestos foram menos intensos e violentos do que os que sacudiram Roterdã, na sexta-feira, e Haia, no sábado.

A polícia holandesa informou que 145 pessoas foram detidas depois de três dias de protestos.

O incômodo na Holanda surgiu pelas restrições que afetam especialmente os restaurantes, que devem fechar às 20h.

Caos

O governo holandês planejou proibir o acesso dos não vacinados a certos locais para conter a onda de contágios.

"As pessoas querem viver (...) Por isso estamos aqui", declarou à AFP Joost Eras, um dos organizadores das manifestações, que se distanciou da violência.

Na Áustria, o cenário parecia impensável semanas atrás, quando o ex-chanceler conservador Sebastian Kurz declarou o fim da pandemia diante da proliferação de vacinas.

Seu sucessor, Alexander Shallenberg, que assumiu o cargo em outubro, "não quis contradizer esta mensagem e por muito tempo manteve a ficção" de que tudo estava bem, comentou à AFP o cientista político Thomas Hofer.

Com o aumento dos contágios, que chegaram a níveis inéditos desde o início da pandemia, o governo austríaco começou a tomar medidas destinadas aos não vacinados, impedindo seu acesso a locais públicos.

A taxa de vacinação é "baixa demais", com 66% da população contra 75% na França, por exemplo, destacou o cientista político.

Além do confinamento, previsto para se estender até 13 de dezembro, a vacinação da população adulta será obrigatória em 1º de fevereiro de 2022, uma medida que poucos países do mundo adotaram.

"É um verdadeiro caos", disse Hofer, ao destacar "a ausência de uma estratégica clara do governo".

"Eu esperava que não chegássemos a isto, sobretudo agora que temos a vacina. É dramático", avaliou Andreas Schneider, economista belga de 31 anos, que trabalha em Viena.

Mobilização e distúrbios

A reação não demorou: na tarde de sábado, cerca de 40.000 pessoas foram às ruas de Viena aos gritos de "ditadura", convocadas pelo partido de extrema direita FPO.

Na cidade de Linz, ao norte, uma mobilização também reuniu milhares de manifestantes.

Em outras partes da Europa, além da Holanda, onde o número de contágios também aumenta, voltam as restrições e crescem as frustrações.

Em Bruxelas foram registrados confrontos neste domingo, quando dezenas de milhares de pessoas se reuniram para protestar contra as medidas destinadas aos não vacinados.

Também houve mobilizações contra a vacinação na Austrália, enquanto nas Antilhas francesas foram registrados protestos violentos contra a exigência do passe sanitário e a vacinação obrigatória do pessoal médico.

O departamento francês de Guadalupe, no Caribe, recebeu no domingo reforços policiais da França, depois das manifestações violentas contra a vacinação obrigatória.

Na Oceania, a Austrália anunciou que voltará a aceitar a entrada de estudantes e trabalhadores especializados do exterior a partir de dezembro, com a flexibilização de uma das restrições sanitárias mais severas do mundo.

Vinte meses depois do fechamento das fronteiras do país, algumas pessoas com vistos, além de cidadãos do Japão e da Coreia do Sul, poderão entrar no país a partir de 1º de dezembro.

A Nova Zelândia acabará em dezembro com o confinamento de três meses e meio na maior cidade do país, Auckland, ao adotar uma nova estratégia de controle do coronavírus, anunciou a primeira-ministra Jacinda Ardern.

A partir de 2 de dezembro, o país aplicará uma nova resposta à covid-19 para tentar conter a variante, mais do que tentar eliminá-la por completo.

"A dura realidade é que a delta está aqui e não vai embora", declarou a chefe de Governo.

"Nenhum país conseguiu eliminar a variante delta por completo, mas a Nova Zelândia está em melhor posição que a maioria para enfrentá-la", disse.

A resposta neozelandesa ao coronavírus foi baseada em confinamentos estritos, rastreamento rigoroso dos contatos dos infectados e fechamento da fronteira.

_________________________________________________Nova Zelândia anuncia fim de lockdown em Auckland

Motoristas em fila para serem testados em posto de exames da covid em Auckland (Nova Zelândia) - DAVID ROWLAND/AFP
Motoristas em fila para serem testados em posto de exames da covid em Auckland (Nova Zelândia) Imagem: DAVID ROWLAND/AFP

22/11/2021 11h15

Atualizada em 22/11/2021 11h48

WELLINGTON, 23 NOV (ANSA) - A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, anunciou que o lockdown em vigor há três meses e meio em Auckland será encerrado em 2 de dezembro.

Com a decisão, o país vai adotar uma nova estratégia para combater a pandemia de Covid-19, principalmente o avanço da variante Delta, que é altamente transmissível.

Diversos estabelecimentos em Auckland, entre eles bares, restaurantes e academias, poderão ser reabertos, mas os clientes precisarão provar se foram totalmente vacinados contra o novo coronavírus.

"A dura verdade é que a Delta está aqui e não vai embora. Apesar de nenhum país ter sido capaz de eliminar completamente essa variante, a Nova Zelândia está em uma posição melhor do que outros para lidar com ela", explicou Ardern a repórteres.

O novo sistema da Nova Zelândia para combater o coronavírus Sars-CoV-2 é uma espécie de "semáforo" pandêmico, que é baseado na utilização de passaportes de vacinas. Esse método colocará um fim nos bloqueios usados pela nação para eliminar os surtos de Covid-19, mas que não conseguiram extinguir a variante Delta.

A ideia deste novo método de controle é permitir que as autoridades locais consigam rastrear de maneira mais eficaz os pontos onde a doença pressiona o sistema de saúde. Ardern confirmou que Auckland entrará inicialmente sob luz vermelha, indicação que permite que apenas pessoas vacinadas tenham acesso às atividades em público.

A Nova Zelândia registra diariamente por volta de 200 novos casos de Covid-19, a maioria delas em Auckland. No momento, cerca de 85 indivíduos estão hospitalizados em virtude da doença e o país relatou apenas 40 óbitos em uma população de cinco milhões desde o início da emergência.

_________________________________________________Opinião: Gustavo Cabral - Festas, futebol, Carnaval e pandemia, a combinação fatal!

iStock
Gustavo Cabral Colunista do VivaBem 22/11/2021 04h00

Estamos vivendo o que podemos chamar de momento "mais confortável" da pandemia da covid-19. Atualmente, diferentemente de qualquer outro período dentro desses quase dois anos de tragédia humana, econômica, educacional etc., já é possível dizer que estamos mais próximos de conseguir paz em nossas vidas, com um possível controle do coronavírus.

Isso se deve a uma série de fatores, principalmente ao alto percentual de vacinação que temos aqui no Brasil e, consequentemente, a enorme queda do número de internações e mortes provocadas pela covid-19, levando a um esvaziamento de hospitais —escrevo isso com uma felicidade imensa, impossível de descrever. Mas, como cientista, não posso falar apenas com a emoção e tenho obrigação de usar a razão. Por isso, devo chamar a atenção para questões que precisamos focar nesse momento, para não darmos passos para trás e atrapalhar a luta contra a pandemia —como aconteceu em muitos países.

O problema da vez são as festas programadas por muitos governantes, que vão desde as comemorações de fim de ano ao Carnaval.

Você, caro leitor, pode perguntar: "Qual o problema das festas? Vocês, cientistas, não falaram que com aproximadamente 70% da população completamente vacinada nós voltaríamos à vida normal?"

Realmente, esse é um percentual que tanto desejamos. Por outro lado, não podemos nos esquecer do conceito básico de pandemia, que é quando uma doença atinge o nível mundial. Ou seja, quando determinado problema, como a covid-19, espalha-se por diversos países e continentes.

Dessa forma, é superimportante agir localmente, buscando a vacinação em massa em nosso país, mas nunca devemos deixar de ficar de olho no que acontece pelo mundo, pois esse vírus tem nos pregado surpresas nada agradáveis. As lideranças de verdade pensam além da "saúde pública padrão condomínio", na qual acham que a segurança é importante apenas onde moram.

Imagine o que pode acontecer em uma festa de Ano-Novo em Copacabana ou na Paulista e no Carnaval em muitos lugares do país? Um número absurdo de pessoas vindo de várias partes do mundo, se misturando, se abraçando, se beijando, compartilhando vírus e suas variantes, um para o outro, sem nenhum pudor! Jesus Amado, isso é tudo que qualquer vírus quer, disseminação descontrolada!!

Daí, surgem novas variantes (se é que já não surgiram e não descobrimos ainda), e vai que uma delas seja capaz de escapar das vacinas, mesmo que parcialmente. O prejuízo será terrível. Dessa forma, se os governantes quiserem carregar nas mãos e na alma a possibilidade de mais mortes provocadas pela covid-19, basta cravarem que teremos mais e mais eventos grandiosos como festas de Ano-Novo e Carnaval antes de controlar a pandemia!

Com diversos países e até continentes sem suporte vacinal, o cuidado para fazer festas que trazem alta taxa de pessoas vindo de várias partes do mundo para nosso país precisa ser muito maior. A coisa deve ser mais organizada. Esse tipo de evento só pode acontecer após o controle da pandemia de forma global.

Precisamos também levar em consideração que o Brasil é horrível em vigilância genômica, nossas estratégias de fazer diagnósticos em massa são medíocres. Dessa forma, baixem o facho e vão trabalhar para salvar vidas e gerar condições sociais de melhor qualidade, não fiquem querendo expor a população a maiores riscos, para voltarmos à carnificina e fechamento de escolas, comércio etc.

E o futebol e festas "locais"?

"Se o problema é reunir gente do mundo inteiro, por que não fazemos apenas festas nacionais?", alguém pode questionar. "Podemos fazer algo como o futebol, que está acontecendo com os estádios cheios e as pessoas que entram são aquelas com o passaporte vacinal."

Não é bem assim. A Austrália e outros países fizeram isso e quebraram a cara. Estão em lockdown novamente! A vacinação, vale sempre ressaltar, é para evitar que as pessoas que tenham contato com o vírus possam desenvolver a doença em estado grave e moderado. Mas a vacina não é uma bala mágica, que protege 100% das pessoas.

Na verdade, a vacina não protege, ela estimula nosso sistema imunológico a proteger o corpo. Então, dependendo da pessoa, a vacina pode variar sua capacidade de estímulo. Se uma pessoa não estiver com a imunidade em bom estado, o estímulo provocado pela vacina não será o mesmo de uma pessoa em perfeitas condições. Mas, como podemos saber se a pessoa está com o sistema imune nas melhores condições, levando em conta uma população de mais de 210 milhões de habitantes e tão desigual socialmente?

Por isso, até controlarmos a pandemia, precisamos da ajuda da sociedade para manter os cuidados. E, principalmente, das autoridades!

Como bom corintiano que sou, fui assistir (pela TV) ao jogo contra o Flamengo, na semana passada, e o que vi foi o Maracanã lotado de gente sem máscara! Só Jesus na causa! Todos gritando e os que estão infectados, mesmo que assintomáticos, expelindo o vírus no ar, que certamente aproveitou a "alegria" festa de quem estava no estádio para se instalar no corpo do maior número possível de pessoas. Que alegria e que festa, hein?! (sarcasmo)

Sim, eu sei que o transporte público no dia a dia está tão lotado quanto os estádios. Mas temos que pensar com a razão. Além de no transporte as pessoas estarem com máscara e não se abraçarem, cantarem e se beijarem, o transporte público é essencial para as pessoas irem e virem e buscarem seu sustento. Futebol, Carnaval e festas de fim de ano não são essenciais nesse momento de pandemia, por mais que tenham uma importante função social e econômica.

Precisamos pensar de forma complexa e estratégica, pois a situação exige isso. Simples assim, não temos outra opção, ou a humanidade pensa e age de forma coletiva e abre mão de certas coisas que não são prioridade, como festas e ver a um jogo no estádio, ou viveremos de forma restritiva e sob o medo contínuo por um longo período!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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