_________________________* Aldo Rebelo-PT-Dilma X Direita-PSOL _________________________*

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_________________________________________________Aldo Rebelo-PT-Dilma X Direita-PSOL ______________________* Então houve essa UNIÃO SINISTRA, SÓRDIDA entre esses interesses. ______________________* Esse pessoal é que depois se transformou ali em Lava Jato. ______________________* Esse LAVAJATISMO continua no PSOL até HOJE. _________________________________________________CPI do HACKER do SUS já | Pedro Doria _________________________________________________O centro morreu, viva o centro * _________________________________________________O que Bolsonaro ganha com o caos? | Vera Magalhães - O Globo

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_________________________________________________O que Bolsonaro ganha com o caos? | Vera Magalhães - O Globo

Bolsonaro passeia de jet ski na praia com a filha

Há dois dias, no nosso quadro diário na CBN, Rodrigo Bocardi me pergunta: o que Jair Bolsonaro ganha com o caos que promove na vacinação, ou ao sair de férias pela segunda semana consecutiva enquanto a Bahia se afoga em chuvas?

A pergunta diz respeito à lógica eleitoral mais básica, estratégica mesmo. Pesquisas, conversas com aliados, uma passada rápida nas redes sociais, qualquer termômetro poderia mostrar ao capitão que a balbúrdia que ele fomenta em seu próprio governo, dia após dia, ano a ano, só acaba por minar suas próprias chances eleitorais. Pelo menos um substrato positivo em tanto retrocesso, diga-se.

O Brasil tem adesão histórica à vacinação, que se confirmou na pandemia de Covid-19. Os ataques nonsense perpetrados pelo presidente às vacinas não levaram a que as pessoas deixassem de se vacinar.

Só a vacinação, como diz até seu ministro da Economia, Paulo Guedes, permitirá que se inicie alguma tentativa de recuperação econômica — ademais profundamente comprometida pelas outras barbeiragens feitas pelo governo, como a implosão da responsabilidade fiscal.

Ainda assim, a verborragia de Bolsonaro contra a vacina segue a todo vapor, agora impedindo a imunização de crianças, chegando ao absurdo de usar a própria filha de 11 anos em seu discurso negacionista, negando a ela com orgulho a oportunidade de ser protegida contra o vírus.

De novo: o que ele ganha com isso? A resposta é: nada. Mas parece ser da sua natureza, algo que nenhum cálculo eleitoral é capaz de conter.

Como não se emenda e não se toca, Bolsonaro chegará a 2022 como essa bomba-relógio que, a despeito de todo o legado, tentará de tudo para se reeleger. Espera fidelizar os pouco mais de 20% que, as pesquisas mostram, seguem fiéis a ele — a ponto de impulsionar uma hashtag chamando de “orgulho do Brasil” alguém cuja obra, apenas no período entre Natal e Ano-Novo, se resume a andar de jet ski enquanto milhares de cidadãos por ele governados não têm casa para onde voltar.

Para sair dos já convertidos e chegar a um patamar que lhe garanta a passagem ao segundo turno, salve-se quem puder. Por isso não adianta Paulo Guedes mandar mensagens ao chefe e aos colegas clamando por algum freio de gastos num momento em que a pressão por reajustes de servidores tende a chegar ao nível máximo. Bolsonaro já deixou claro, entre uma folga e outra, que, por ele, concederia aumento a todas as categorias do funcionalismo. Então, o ministro que se prepare, porque a comporta vai de fato estourar.

Não há surpresa no comportamento do presidente, embora ele sempre esteja subindo um degrau em termos de atitudes incompatíveis com o cargo. Daí por que aqueles que, como a senadora Simone Tebet, dizem que jamais seria possível imaginar governo tão ruim devem fazer uma reflexão à luz da História desse personagem que o Brasil achou por bem eleger em 2018.

Em sua extensa carreira como deputado, depois de uma curta e indigna passagem como militar, Bolsonaro nunca fez questão de esconder o que era: um representante dos interesses corporativistas e do reacionarismo mais explícito, avesso às questões de gestão pública, a não ser aquelas ligadas aos grupos de interesse que ele representa (fabricantes de armas, latifundiários, garimpeiros, madeireiros).

O interesse público nunca foi pauta do parlamentar Bolsonaro, que envidou todos os esforços apenas em suas eleições, nas dos filhos e até na da mulher. Construiu vasto patrimônio à custa desses mandatos.

Eleito afrontando a lógica, a ciência, o decoro do cargo e o bom senso, Bolsonaro deve achar que se reelegerá assim — e segue. Se ganhará algo com isso, cabe ao eleitor responder no ano que vem.

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ALIADO do BOLSOBOSTA, Gusttavo Lima ouve coro de "FORA BOLSONARO" em show no Rio

Gusttavo Lima ouve coro de "Fora, Bolsonaro" em show no Rio

Apoiador de Jair Bolsonaro (PL), Gusttavo Lima foi surpreendido por um coro pedindo a saída do presidente durante show realizado na noite do último domingo (26) no Rio de Janeiro.

Após oferecer um “brinde aos cachaceiros da Barra da Tijuca”o cantor ficou constrangido com um coro de “Fora, Bolsonaro”.

Gusttavo Lima, então, disfarçou e pediu para continuarem a tocar a música, após dar um suspiro ao microfone.

Em agosto deste ano, o cantor foi um dos sertanejos que assinaram um violão dado de presente pelo deputado federal Glaustin da Fokus a Bolsonaro durante viagem do presidente a Goiás.

Gusttavo Lima já foi defendido por Bolsonaro, que considerou que o cantor foi atacado “injusta e covardemente” após aparecer bêbado e fazendo propaganda de bebida alcoólica em live durante a pandemia.

“Parabéns, Bolsonaro. Você tirou 10. Levando água para milhões de pessoas que dependem da transposição do Rio São Francisco. Começar é fácil, terminar é difícil”, disse o sertanejo

_________________________________________________Hildegard Angel ironiza MIOPIA POLÍTICA de Simone Tebet

INCRÍVEL a miopia política de Simone Tebet. FUJAM dela.

Presidenciável do MDB, Simone Tebet diz que "NINGUÉM IMAGINAVA" que Bolsonaro SERIA o PIOR presidente da história

Ninguém quem, PEDRO BÓ?

27 de dezembro de 2021, 10:18 h

Hildegard Angel e Simone Tebet (Foto: Ederson Casartelli | Pedro França/Agência Senado)

247 - A jornalista Hildegard Angel usou suas redes sociais nesta segunda-feira (27) para ironizar uma declaração da senadora Simone Tebet, presidenciável do MDB.

De acordo com Tebet, "ninguém imaginava" que Bolsonaro seria o pior presidente da história. 

“Ela disse: ‘ninguém pensava que Bolsonaro poderia namorar com o autoritarismo, ameaçar as instituições democráticas, pregar o ódio contra as minorias e fazer gestão tão ruim’. Ninguém quem, Pedro Bó?”, ironizou a jornalista. 

Saiba mais 

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) demonstrou falta de capacidade para ser presidente da República, em entrevista ao jornal português Diário de Notícias. "Ninguém imaginava que Bolsonaro seria o pior presidente da história", disse ela. Como Bolsonaro exaltava torturadores e nunca fez nada de último nas quase três décadas em que esteve no Congresso Nacional, a declaração apenas comprova a falta de discernimento da senadora.

"Ninguém podia imaginar uma gestão tão ruim, nem que o presidente Bolsonaro pudesse entrar para a história como o pior presidente da história do Brasil. Ninguém imaginava que ele poderia namorar com o autoritarismo ou ameaçar as instituições democráticas e tentar mudar todo o pensamento de uma geração com o discurso de ódio contra as minorias", disse ainda. 

Ao ser questionada sobre seu voto em 2018, no exaltador de torturadores ou no professor universitário Fernando Haddad, ela desconversou. "Eu não costumo declarar voto, então não vou dizer em quem votei, nem em quem votaria no ano que vem se eu não for para a segunda volta. Acho que o voto é secreto, acredito que é uma escolha pessoal e como pré-candidata eu creio que tenho condições de estar na segunda volta contra um dos dois candidatos que hoje se apresenta nas pesquisas como majoritário", afirmou.


_________________________________________________Excluída do jantar que celebrou Lulalckmin, Dilma é problema para Lula | Malu Gaspar - O Globo

Por Mariana Carneiro 21/12/2021 • 04:30

Dilma e Lula | Pedro Kirilos / Agência O Globo

Entre tantas presenças ilustres no jantar de domingo para de Luiz Inácio Lula da Silva, uma ausência passou (quase) despercebida: a de Dilma Rousseff. 

A ex-presidente não só não estava no jantar em que Lula e Alckmin se encontraram publicamente pela primeira vez, como tampouco foi convidada para o evento. 

A amigos que a questionaram a respeito da ausência no evento, Dilma confirmou ter sido excluída, e confessou ter ficado surpresa com a falta de convite. 

Para esses interlocutores, a ex-presidente afirmou ter entendido que se tornou um problema político para Lula.  

Procurada pela equipe da coluna, a assessoria de Dilma afirmou apenas que ela estava em Porto Alegre no final de semana e tem evitado viajar por causa da pandemia de Covid-19. 

Isso porque, no jantar promovido pelo grupo de advogados Prerrogativas, estavam apoiadores do impeachment - como os presidentes do MDB e do PSD, Baleia Rossi e Gilberto Kassab, além do próprio Alckmin e da ex-prefeita Marta Suplicy, que ficou sentada na mesma mesa com Lula. 

Ao comentar o jantar, Dilma afirmou que sua presença no lançamento informal da aliança Lulalckmin avivaria - no PT e na opinião pública -  a lembrança de que os potenciais aliados de Lula em 2022 trabalharam ativamente na destituição do PT da presidência, em 2016.

A equipe da coluna questionou o organizador do evento, Marco Aurélio Carvalho, sobre a razão de Dilma não ter sido convidada. 

O coordenador o grupo Prerrogativas afirmou que  “jamais deixaria de convidá-la”, e disse ter pedido ao deputado federal Rui Falcão para fazê-lo. 

O deputado, porém, disse que nunca recebeu tal missão. 

Questionado novamente, Carvalho disse que José Eduardo Cardozo, ex-ministro de Dilma, também ficou responsável pelo convite. Procurado, Cardozo não atendeu as nossas ligações.

Ao longo do dia de ontem, políticos petistas que estiveram no evento tentaram minimizar a ausência de Dilma, argumentando que a ex-presidente estava em Porto Alegre e, portanto, distante do núcleo paulista da campanha de Lula. 

Mas o governador do Piauí, Wellington Dias, e o da Bahia, Rui Costa, estavam lá, apesar de geograficamente mais distantes.

Mas houve quem, apesar de convidado, decidisse não comparecer. 

Entre eles estão outros defensores do impeachment, como o senador Rodrigo Pacheco (PSD), que em 2016 era deputado federal pelo MDB de Minas Gerais e votou sim, e a senadora Simone Tebet (MDB).

Pré-candidatos à presidência da República, eles foram convidados pessoalmente por Carvalho, mas alegaram problemas de agenda.

Foram representados por Kassab e Baleia, que ficaram em uma mesa separada da de Lula, dedicada a presidentes de partidos. 

A designação de lugares foi definida pelo próprio Carvalho, que colocou Alckmin e Lula lado a lado.

Além dos dois protagonistas, dividiram a conversa Márcio França (PSB) e Fernando Haddad (PT), os maiores interessados na fusão. 

Kassab teria uma vaga nesta mesa, mas chegou tarde e perdeu o lugar para a esposa de Haddad, Ana Estela.

Atualização às 12h51: José Eduardo Cardozo entrou em contato com a equipe da coluna para dizer que houve um ruído de comunicação nos preparativos para o jantar e que o fato de Dilma não ter sido convidada é de responsabilidade exclusiva dele.

_________________________________________________A ausência de Dilma no jantar… por que Dilma foi barrada?


Os possíveis motivos que levaram à ausência de Dilma nos levam a pensar sobre os estereótipos machistas que naturalizam a “inadequação” das mulheres na política

23 de dezembro de 2021, 17:29 h

Lula posa para fotos com seus advogados em jantar do Grupo Prerrogativas (Foto: Ricardo Stuckert)

Foi com certo entusiasmo que parcela da mídia e setores do campo progressista receberam os registros do jantar promovido pelo Grupo Prerrogativas em 19/12 que reuniu diversos políticos, entre eles, Lula (PT) e Geraldo Alckmin (ex-PSDB). Também chamou positivamente a atenção a presença das mulheres negras que representavam o movimento Coalizão Negra por Direitos. Está na hora de mais mulheres negras ocuparem espaços de poder e cargos eletivos, todos quantos quiserem disputar. Vê-las nesse cenário foi um importante gesto político e simbolicamente muito relevante. Mas nesse artigo gostaria de destacar a ausência feminina que saltou aos olhos: da ex-presidenta Dilma Rousseff.

No blog de Malu Gaspar (Globo on line, de 21/12/21) a autora Mariana Carneiro chama a atenção para o fato de que fontes em off próximas a Dilma informaram que ela efetivamente não foi convidada, bem como,  também teria estranhado sua exclusão. Ao tolherem Dilma de participar desse momento político, é como se promovessem contra ela um novo impedimento político; uma espécie de proscrição política. Por que ela não foi convidada? Por que precisa ser escondida, se não cometeu crime algum? Como é possível que seu partido ou os organizadores do evento tenham “esquecido” de convidar a única mulher eleita presidenta desse país, com uma ativa e histórica participação na política brasileira e no campo progressista?

É como se o impeachment injusto e covarde se repetisse. Creio que poucos ainda têm dúvidas a respeito da violência política praticada por aqueles homens brancos que a derrubaram clamando seus votos "em nome de Deus e da família" para abrir o caminho do poder a golpistas e neofascistas.

Dilma foi impedida de concluir seu segundo mandato por um impeachment farsesco. Tamanha foi a farsa que sequer seus direitos políticos ela perdeu.

Muitos estudos já documentaram a violência política de gênero que foi perpetrada contra ela naquele e em outros episódios de sua trajetória política. Dilma foi vítima de um brutal ataque misógino e machista contra sua imagem e reputação. Ela não é a única mulher a sofrer tais violências, infelizmente. Por ter atingido o cargo máximo de poder no Brasil, Dilma Rousseff é uma agente política relevante. E uma referência importante na luta das mulheres pelo direito de atuar de forma autônoma na política.

Mesmo que muitos não concordem com seu pensamento, ela não poderia ser simplesmente retirada desse cenário. Em sendo, seu “banimento” reforça toda a carga misógina que responsabiliza ela (somente ela) pela crise política que se abateu sobre o PT, culminando com o golpe de 2016 para derrubá-la. Sabemos hoje com razoável nível de minúcias sobre as tramas arquitetadas contra ela pelas elites econômicas, estamentos políticos, judiciais em linha com generais e conspiradores que a traíram, mesmo tendo sido designados por ela para cargos de comando. Hoje esses relatos vêm ocupando cada vez mais espaços públicos de denúncia.

Os possíveis motivos que levaram à ausência de Dilma nesse evento político nos levam a pensar sobre os estereótipos machistas que naturalizam a “inadequação” das mulheres na esfera política.

Não é à toa que mesmo após 24 anos da Lei de Cotas de Gênero para vagas no legislativo (Lei 9.504/1997) tenhamos somente 15% de parlamentares mulheres na Câmara dos Deputados.Por isso, a exclusão de Dilma desse jantar é também um ato misógino, uma vez que, simbolicamente, significa uma segunda e ilegítima condenação dela. E carrega o símbolo da exclusão de mulheres que ousam desafiar a política tradicional. Enquanto Dilma foi distanciada desse cenário político, alguns de seus algozes estavam presentes e se fizeram visíveis em diversas fotos e selfies.

Aceita-se o algoz e culpabiliza-se a vítima: algo muito comum em justificativas para livrar o agressor em casos de violência racial e de gênero.

É evidente que não se pretende aqui impugnar a presença no convescote daqueles senhores que votaram a favor da fraude que foi o seu impeachment. Afinal, foi uma prerrogativa dos anfitriões - o Grupo Prerrô. Independente do juízo que se tenha sobre a presença dos algozes da Dilma no jantar, a ausência dela, contudo, é muito mais indigesta. 

Por que Dilma não poderia estar no jantar? Quem conhece os meandros da organização de tal evento sabe que a versão pueril “falha de comunicação” não cola. 

A ausência da Dilma mostra que temos ainda um longo percurso para enfrentar a misoginia, o machismo, o racismo e a homofobia estruturais na esfera pública e no ambiente da atividade política. 

É preciso refletir sobre esse episódio para efetivamente colocar no primeiro plano o problema da desigualdade de gênero e raça que são estruturais no sistema político brasileiro. 

A ausência dela decerto foi decidida por pensantes pragmáticos e ultrarrealistas. É sinônimo não só de desrespeito e violência política, mas de culpabilização, apagamento e silenciamento. Não por acaso, novamente é uma mulher. 

_________________________________________________BOLSONARO sabe que se APROXIMA do PONTO de RUPTURA 


Por Moisés Mendes 25 de dezembro de 2021, 21:16
Por Moisés Mendes, para o Jornalistas pela Democracia

Todos sabiam, inclusive os que não queriam saber, que aquele 7 de Setembro na Avenida Paulista seria o penhasco à espera de Bolsonaro. O sujeito se jogou, enganado pela histeria da massa de verde-amarelo que o puxava para baixo, e deu no que deu.

Michel Temer o salvou pelos cabelos e o aconselhou a escrever a cartinha a Alexandre de Moraes. Chegavam ao fim os blefes de golpe que por muito tempo atiçaram civis e militares.

O ano termina assim, com Bolsonaro sendo o mesmo Bolsonaro, mas não sendo nada parecido com o que prometia ser até aquele 7 de Setembro.

Bolsonaro desafia a Anvisa, ataca o almirante que a comanda, afronta os técnicos da agência, condena a vacina para crianças (apostando sempre, se algo der errado, no “eu avisei”) e volta a investir contra os governadores, mas sem que nada signifique um passo adiante e uma ameaça de ruptura. Tudo é circular e mais do mesmo.

O blefe do golpe era o ensaio de algo que poderia arrebentar tudo, sem conserto, e que outra coisa substituiria o ambiente institucional que temos hoje. Que coisa? O blefe era a coisa, como meio e como fim.

Desde a cartinha não há mais clima para blefe. Há um esforço para avisar, em várias frentes, que a aposta agora é a formação de uma base bélica. Com policiais, milicianos profissionais e amadores e os cidadãos de bem que tiverem espingardas, fuzis e algum trabuco em casa.

Bolsonaro já não sabe se poderá esculhambar com a eleição, tem quase certeza de que não pode contar com os militares, daqui a pouco não contará mais com o centrão, mas imagina que poderá dispor do apoio de uma estrutura paramilitar.

Tem quem acredite nisso, que Bolsonaro oferece mimos às polícias certo de que terá sua base armada, quando for preciso. Mas quando? Depois que perder a eleição?

Será que Bolsonaro acredita mesmo que contará com gente armada para defendê-lo, se levar 7 a 1 de Lula e não tiver como convencer que foi logrado pelas urnas eletrônicas, pela apuração ou por uma conspiração do TSE com o general Fernando Azevedo e Silva?

Bolsonaro até pode acreditar. Mas é dureza ler alertas de todo tipo, inclusive de analistas de esquerda, sobre a ameaça do bolsonarismo armado, que poderia transformar o país num faroeste em 2022, antes ou depois de Lula ser aclamado presidente.

A estratégia de Bolsonaro é básica e precária. Manter as bases eleitorais da arrancada de 2018, fidelizar e alargar o sentimento de extremismo e chegar ao segundo turno para o que der e vier.

Na cabeça do genocida, podem se repetir contra Lula os mesmos desatinos e os mesmos desfechos da eleição contra Haddad.

Se não der certo, e as pesquisas anunciam até agora que não tem como dar, alguma coisa deve acontecer. A apuração seria empastelada por fake news em massa, e as milícias que ele pensa formar até lá entrariam em ação.

Se um homem com um par de guampas liderou a invasão ao Capitólio, alguém com um par de orelhas do Mickey ou do Olavo de Carvalho poderia invadir o Congresso e, quem sabe, até o Supremo.

O mais provável é que não tenhamos nada parecido e que Bolsonaro vá se desmanchando, enquanto caminhamos em direção à campanha pra valer.

Quando chegar ao ponto sem retorno, Bolsonaro ficará arriado no meio da estrada como o Chevette rebaixado da extrema direita, com radiador amarrado com arame, pneus carecas, portas batendo e a descarga largando fumaça.

O ponto de ruptura de Bolsonaro pode ser este, o que o encaminhará finalmente para um brete, de onde não mais poderá voltar, porque não haverá a chance de uma segunda cartinha.

O que alguns enxergam como o ponto de ruptura para o país, com a radicalização dos gestos sem controle de Bolsonaro, seria na verdade o ponto de ruptura para ele mesmo e para o fascismo.

Se seguir em frente, Bolsonaro chegará ao ponto de não-retorno. É o seu dilema hoje. Calcular até onde pode ir e onde poderá parar ou fazer a volta, se é que haverá a opção de voltar.

Nesse contexto de incertezas, a construção de uma base armada imaginária apresenta-se como o novo blefe de Bolsonaro.

Um blefe que ele carregará até onde der, para depois abandonar pelo caminho, como já fez com muitos parceiros que juraram de joelhos a honra da lealdade.

_________________________________________________O centro morreu, viva o centro

O centro com poder eleitoral encolheu por falta de apelo e discurso, mas continuou governando com Lula, Dilma e Bolsonaro

O centro democrático brasileiro não ganha uma eleição no Brasil desde Fernando Henrique Cardoso. Mesmo assim, o centro que elegeu FHC era híbrido. O PSDB, ainda fresco, tinha epidermicamente uma camada de tinta rosa que lhe dava um ar social-democrata. Quem puxou para o centro aquela chapa que venceu duas eleições no primeiro turno foi o PFL, filhote do PDS e da Arena da ditadura. Depois, tivemos dois presidentes eleitos e reeleitos pela esquerda e um eleito pela direita. O centro com poder eleitoral encolheu por falta de apelo e discurso, mas continuou governando com Lula, Dilma e Bolsonaro.

Na verdade, desde a instalação da República, quem governa o Brasil é o centro. Nos governos do PT, as alianças com PP e PL, e depois com o MDB, transformaram o que deveria ser um governo de orientação socialista. Lula (mais) e Dilma fizeram as alianças necessárias para governar e implementar o que podiam da sua pauta original. Mas para isso foram obrigados a ceder, e não apenas ministérios, diretorias de estatais e cargos superiores da administração pública. O PT foi de esquerda nas questões sociais e liberal na economia. Além, claro, de permitir avanços sobre os cofres públicos.

O PT governou com o Centrão desde o dia 1º de janeiro de 2003. Dando mesadas com dinheiro público e atendendo outras demandas dos líderes dos partidos aliados, mesmo as não republicanas. Quando tentou se afastar do centro, com Dilma, caiu por falta de apoio no Congresso. A sessão de cassação da ex-presidente serviu como aula da política que se pratica no Brasil. Os deputados que apoiaram com todo o empenho e todas as benesses os dois mandatos de Lula e o primeiro da própria Dilma votaram pela sua cassação com discursos libertários. No dia seguinte, alinharam-se confortavelmente no governo Temer.

Com Bolsonaro, o centro foi se imiscuindo no governo até dominá-lo. Do leão de extrema-direita eleito em 2018 restou apenas um gato magro que bebe leite na mão do Centrão e tenta rugir para seu público radical. O presidente, que imaginou conseguir governar sem respaldo político, apenas com o aval dos eleitores, poderia e deveria ter sido cassado pelos inúmeros crimes que cometeu ao longo dos seus três anos de mandato. Não foi, por falta de coragem de um presidente da Câmara e por interesse político de outro. Com Arthur Lira, Bolsonaro foi enquadrado. Afastou seus ministros mais abusados e nomeou a turma do Centrão.

Claro que o centro no poder não significa sucesso do governo. Apesar de estar sitiado pelo Centrão, Bolsonaro é rejeitado, seu governo é considerado ruim ou muito ruim pela maioria, e todas as pesquisas mostram que se a eleição fosse hoje perderia talvez já no primeiro turno. Mas, por ser democrático, o centro afasta os governantes dos extremos. Foi assim com Lula e Dilma, tem sido assim com Bolsonaro. E não digam que o Centrão não é democrático. É, sim. Ele pode não ser honesto, mas democrático ele é. Não por ideologia, e sim por interesse. Com a democracia, eles dividem o poder e dele se beneficiam; sem ela, viram satélites em torno de tecnocratas nomeados por ditadores.

De acordo com apuração dos repórteres Marianna Holanda, Julia Chaib e Mateus Vargas, o Centrão impôs uma mudança de discurso do presidente contra o sistema eleitoral e as urnas eletrônicas e o fez suspender seus ataques antidemocráticos contra as instituições. Foi sua condição para embarcar no poder. Será assim com Lula, se ele efetivamente ganhar a eleição do ano que vem. Não que Lula tenha um discurso radical, nada se compara à retórica golpista de Bolsonaro. Mas o PT já tentou censurar a imprensa, inventando um certo controle externo da atividade jornalística que, obviamente, seria feito por um comitê de notáveis amigos do partido. É bom não se esquecer disso. E quem não se lembra de José Dirceu afirmar que o objetivo do partido é “tomar o poder, o que é diferente de ganhar eleição”?

Por ser forte no Congresso, mesmo sendo fraco em eleições majoritárias, o centro segue politicamente protagonista. Formado por parlamentares de diversos partidos, de alguns novatos até o veterano MDB, ele é a âncora que transfigura partidos ideológicos depois de assumirem o poder, impedindo que exerçam amplamente suas pautas originárias. E é o centro também que não permite desvios totalitários de qualquer tom. O centro morreu, viva o centro.

No mais, boas festas para todos.

Lula X Dilma

Por vezes, as pessoas mais próximas de Lula até se constrangem diante do tom empregado pelo ex-presidente quando se refere à sua sucessora, Dilma Rousseff. Lula não esconde dos íntimos a má vontade que tem com Dilma. Por vezes, usa até palavrões para designar a “companheira”.

O golpista voltou

José Dirceu anda com uma desenvoltura de fazer gosto nos arredores da pré-campanha de Lula. Alguns dos líderes partidários já relatam o incômodo que ele causa. Mas todos são muito cuidadosos ao tratar do assunto, já que o PT, cheio de dedos (sem piada, por favor), tem problema em responsabilizar quadros históricos por malfeitos políticos. Entendem que atacar Dirceu enfraquece o projeto do terceiro mandato de Lula, e vão aguentando.

Os democratas

Há dois tipos de políticos obrando no Brasil por estes dias. Os democratas e os outros. Os democratas, que são maioria, podem ser de esquerda, de centro ou de direita e são capazes de sacrificar até mesmo projetos políticos pessoais ou partidários para defender a democracia. Os outros também podem estar em qualquer canto do espectro político, mas são sabotadores da estabilidade, querem ocupar todos os espaços e não mudam de camisa para dar um golpe contra a democracia. Os democratas podem salvar o Brasil de bolsonaros e dirceus. Por isso, e talvez só por isso, faça sentido a aliança de Alckmin com Lula.

Esquerda

A onda de esquerda que neste ano culminou com a eleição de Gabriel Boric, no Chile, parece ser mais um freio na tendência de direita que começou há alguns anos na Europa e por aqui mesmo na América Latina, e ganhou força depois da eleição da Donald Trump, nos Estados Unidos. No ano que vem tem mais.

Nosso Rio

Vem aí um prêmio para iniciativas positivas e criativas que favoreçam o Rio. Trata-se de uma ideia do think tank cRio ESPM e vai conceder três prêmios: para estudos e pesquisas realizadas no Rio entre 2017 e 2021; para empreendimentos criativos, que contemplem produtos e modelos de negócios inovadores; e para projetos inovadores na cultura da saúde. As inscrições estarão abertas até o dia 25 de fevereiro.

Fernanda e Chico

O vereador Chico Alencar publicou no Youtube uma singela homenagem ao Natal. Texto de sua autoria, com narração dele e de Fernanda Montenegro, o vídeo pode ser visto em https://youtu.be/3liF5DJ9Djg.

Orçamento antieleitoral

Imagino que estejam enganados os que pensam que Jair Bolsonaro vai se dar bem eleitoralmente em razão do orçamento bisonho que aprovou para o ano que vem. Há pouco dinheiro para investimentos em obras de infraestrutura que melhoram o país e geram emprego e renda. Há algum dinheiro para recomprar um apoio que ele já tem, que é a verba para aumentar salários de policiais. Há muito dinheiro para deputados e senadores do Centrão distribuírem em seus currais, mas estes estão prontos para deixar a base de Bolsonaro ainda no primeiro semestre do ano que vem. Há dinheiro nunca antes visto para campanhas partidárias. Não há dinheiro para melhorar a vida dos pobres de maneira estrutural, apenas as bolsas, importantes, mas paliativas.

Base de Bolso

A base sólida do presidente para a eleição de 2022 cabe num dos bolsos do seu paletó. É formada sobretudo por policiais, fardados ou não, militares das três Forças e milicianos. Bolsonaro tem ainda o apoio de uma parcela dos empresários paulistas, como se viu na sua visita à Fiesp na semana passada, e da parte mais atrasada do agronegócio. Não dá 20% do eleitorado. E quando este índice cair para baixo desse patamar nas pesquisas, vai começar a debandada.

Olavetes fora

Bolsonaro, quem diria, está prestes a perder o apoio de três valorosos mosqueteiros, os ex-ministros mais sórdidos que teve, Abraham Weintraub, Ernesto Araújo e Ricardo Salles. Eles participaram da entrevista de Olavo de Carvalho em que este atacou o presidente no YouTube. Os “olavetes” ouviram contritos a bronca do guru e ficaram calados.

Vacina em crianças

Se você achava que ainda faltava alguma coisa para o inacreditável Jair Bolsonaro fazer, acho que agora se convenceu de que não falta mais nada.

CPI da Covid

E o relatório da CPI? Alguém o viu por aí? Parece que foi visto pela última vez na Procuradoria-Geral da República.

EXEMPLO CASEIRO

O governador do Acre, Gladson Cameli, alvo de buscas da PF por corrupção e lavagem de dinheiro, tem pedigree. Seu tio, Orleir Cameli, ex-governador do estado de 1995 a 1999, respondeu a acusações por corrupção, narcotráfico e trabalho escravo. O tio de Gladson também ficou conhecido por ter sete CPFs. Está claro que escola familiar de bandidagem não ocorre apenas no plano federal.

_________________________________________________Moro comete ato falho revelador em entrevista e diz que sentença contra Lula foi "combinada"

23 de dezembro de 2021, 10:20

247 - O ex-juiz Sergio Moro, condenado por parcialidade nos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cometeu um ato falho durante uma entrevista ao programa Segunda Chamada, do canal MyNews, no YouTube, em que acabou por revelar que a sentença condenatória imposta a ele contra o petista foi algo “combinado”. 

“Ele [Lula] não foi condenado por mim. Foi condenado pelo tribunal em Porto Alegre, foi combinado…”, disse o pré-candidato à Presidência pelo Podemos. Logo em seguida ele tentou se corrigir: “… foi condenado pelo tribunal em Brasília, pelo STJ [Superior Tribunal de Justiça]”, emendou. 

Sergio Moro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no primeiro semestre por causa da sua atuação parcial nos processos contra o ex-presidente Lula no âmbito da Lava Jato. O ex-juiz foi alvo de várias denúncias pelo The Intercept Brasil, que divulgou trocas de mensagens dele com outros procuradores que comprovaram que ele ajudava procuradores do Ministério Público Federal no Paraná na elaboração de denúncias.

Confira o momento em que Sergio Moro comete o ato falho. 


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Merval tenta convencer Alckmin a desistir de ser vice de Lula

Merval Pereira, Lula e Alckmin

247 – O colunista Merval Pereira, do Globo, que fez campanha pelo golpe de estado de 2016, contra a ex-presidente Dilma Rousseff, e pela prisão política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2018, não esconde seu incômodo com uma eventual chapa Lula-Alckmin, que, segundo o marqueteiro Renato Pereira, vencerá a disputa presidencial em primeiro turno.

Diante da coluna, há uma reflexão a se fazer. Se Merval, o mais antipetista dos jornalistas brasileiros é contra a aliança, talvez ela seja mesmo capaz de garantir a vitória em primeiro turno, como diz Renato Pereira.

_________________________________________________ELEIÇÕES 2022 - Sem gosto - Merval Pereira

23/12/2021 • 04:31

A estratégia do ex-presidente Lula de chamar o ex-tucano Geraldo Alckmin para seu vice aparentemente é boa para dar a sensação ao eleitorado de centro-direita de que seu eventual terceiro governo não será radical. Mas qual é a garantia de que Alckmin representará o grupo político que o apoiava? Qual será o papel dele num governo petista?

A aparência, porém, é diferente da realidade. Sempre houve composições partidárias heterodoxas na recente política brasileira, mas sempre a composição tinha o objetivo de melhorar a governança do eleito, fossem eles os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso ou Lula, pois ambos fizeram composições com consequências claras. Até mesmo Tancredo Neves foi buscar na dissidência da Arena seu vice, a fim de poder governar.

O então presidente da Arena, José Sarney, rebelou-se contra o governo militar do general João Figueiredo e levou consigo para a Frente Liberal um grupo de políticos de peso que deu a vitória a Tancredo no Colégio Eleitoral. Sarney acabou presidente da República com a morte de Tancredo. Com o Plano Real, Fernando Henrique poderia ter vencido a eleição sem o apoio do PFL, mas, para governar, foi buscar no maior partido de direita na ocasião seu vice, Marco Maciel.

Com a união de PSDB com o PFL, considerada um escândalo à época, formou-se um governo de coalizão que deu ao Plano Real um apoio parlamentar que não haveria se o PSDB não tivesse a visão de futuro que possibilitou a sustentação às medidas necessárias para sua implementação e consolidação. Mesmo Lula, quando, em 2003, chamou o empresário José Alencar para compor sua chapa, pensava mais longe, no apoio do PL a seu governo.

Ali começaram os acordos políticos que vieram desaguar no mensalão, pois o PL, então presidido pelo mesmo Valdemar Costa Neto que hoje é apoiador “incondicional” do presidente Bolsonaro, negociou com o futuro ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, um financiamento para aderir à chapa de Lula. 

 Da mesma maneira, a candidata do PT à sucessão de Lula, a ex-presidente Dilma Rousseff, entregou-se ao MDB de Michel Temer para poder governar e acabou derrotada pelo próprio vice no impeachment que o levou à Presidência da República.

Em todos esses casos, a Vice-Presidência foi dada a um político que levava consigo um partido importante que daria governabilidade ao eleito. Até mesmo Bolsonaro, levando o general Hamilton Mourão para a Vice-Presidência, tinha um objetivo claro: garantir o apoio militar a seu governo. Não era um partido político, mas o “partido militar” que Mourão representava.

No caso de Geraldo Alckmin, não há partido político nem outra instituição qualquer que ele represente. Não haverá uma debandada de tucanos para o novo partido de Alckmin, mesmo porque ele ainda não sabe para onde irá. A adesão ao PSB é um factoide sem nenhuma consistência, pois não há outro político menos ligado aos socialistas do que Alckmin, que, mesmo na social-democracia tucana, estava à direita do partido.

A opção pelo PSD era a mais lógica, mas o chefão do partido, Gilberto Kassab, tem mais senso de oportunidade política do que Alckmin. Ofereceu-lhe a disputa pelo governo de São Paulo, mas avisou que não o apoiará para a Vice-Presidência de Lula. Do jeito que as coisas vão, Alckmin corre o risco de perder a vez na disputa pelo governo de São Paulo, em que era o favorito, e de ficar sem a Vice-Presidência na chapa do PT.

São Paulo é um estado antipetista, e dificilmente Alckmin conseguirá fazer com que seus potenciais eleitores o apoiem na chapa de Lula. Mesmo que desista dessa aventura, já não tem mais a segurança de que disputará o governo do estado na condição de favorito, pois os demais candidatos já estão armando seus palanques, e dificilmente os eleitores antipetistas esquecerão a adesão extemporânea de Alckmim à campanha de Lula.

O abraço apertado que o ex-tucano deu em Lula no jantar do grupo de advogados que se revelaram militantes do ex-presidente, e não defensores do “devido processo legal”, é um triste retrato da submissão do ex-candidato do PSDB à Presidência da República àquele que já chamou de ladrão. Parece ser o metaverso do discurso do advogado Mariz de Oliveira, defensor de vários acusados na Operação Lava-Jato, que, a certa altura do jantar do grupo Prerrogativas, disparou: “O crime já aconteceu, de que adianta punir?”.

_________________________________________________O Brasil colocou seu futuro no prego | Vera Magalhães - O Globo

22/12/2021 • 00:04

A discussão do Orçamento de 2022 é a coroação de toda a deterioração do processo de definição de políticas públicas e planejamento de longo prazo que o Brasil vem sofrendo nos últimos anos.

A pandemia apenas agravou essa distorção absurda, que cada vez mais parece difícil de reverter, de prioridades diante das emergências do país.

O que os congressistas, em alinhamento com o governo Bolsonaro, trataram de consumar neste restinho de ano foi a confissão de que, diante de um barco à deriva, a ordem é salvar tudo o que for possível para a própria sobrevivência da classe política e deixar para ver se há algo a salvar ou reconstruir depois das eleições.

Aparentemente são fatos desconexos a demora proposital em começar a vacinar crianças contra a Covid-19 e a destinação de bilhões de recursos públicos a propósitos tão paroquiais quanto fundo eleitoral e emendas do orçamento secreto — mas não são.

Ambos os movimentos têm como origem um governo que abriu mão deliberadamente de salvar o futuro, colocou-o no prego das faturas eleitoreiras para tentar se salvar de uma derrota até aqui mais provável.

Como tubarões que sentem cheiro e gosto de sangue na água, deputados e senadores só aceleraram o rumo ditado pelo Palácio do Planalto na hora de escolher as batalhas a lutar e os escaninhos onde colocar os bilhões.

As crianças e as vacinas ficaram lá no fim da fila, com todas as outras obrigações que o Brasil tem para com um amanhã minimamente igualitário, sustentável e humano.

Diante da percepção de que a PEC do Orçamento abriu uma clareira maior que as da Amazônia na responsabilidade fiscal, tratou-se de lotear esses bilhões conseguidos de forma anômala nas premências daqueles que têm um encontro marcado no ano que vem com um eleitor mais pobre, menos saudável, com menos horizonte educacional e menor perspectiva de ascensão profissional e salarial.

A perversão de empenhar tudo na bacia das almas eleitoreira é que, de novo e sempre, se sacrifica o futuro que deveria ser construído por meio de políticas públicas que financiassem grandes projetos de superação da crise e alinhamento do país à nova economia e à necessidade de, outra vez mais, superar a fome e a miséria.

Nada menos que R$ 5 bilhões serão gastos para custear a campanha eleitoral. Sim, a democracia precisa ser financiada de forma lícita, sob pena de o dinheiro do crime organizado se embrenhar para dar vantagens econômicas a seus postulantes em detrimento de outros.

Porém a derrama de dinheiro público na ordem de 144% a mais do que foi gasto em 2020 não garante que esse dinheiro do “caixa 3” não correrá solto. E, além disso, está na hora de o Judiciário, que tem revisitado tantas de suas decisões nos últimos anos, avaliar se considerar o financiamento privado das campanhas inconstitucional (!) foi a melhor resposta que poderia ter dado à corrupção. Não teria sido mais racional construir um sistema eficaz de fiscalização da lisura das doações, em vez de simplesmente interditá-las e espetar mais essa conta na Viúva?

Da mesma forma, os mais de R$ 16 bilhões que serão pulverizados com o cartãozinho do deputado e senador lá na sua base seriam mais bem empregados se consolidados em políticas verticais, amplas, definidas por meio de projetos. Ainda que cada um pudesse “carimbar” sua participação para colocá-las em pé. Isso seria a boa política.

Por fim, o reajuste casuístico e enviesado ideologicamente a policiais federais desencadeará um efeito cascata de cobrança de outros agentes de segurança tão líquido e certo que sobra a percepção de que o objetivo foi justamente esse: criar mais um fator de instabilidade institucional num já tumultuado 2022.

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Míriam Leitão: As PIORES EXPECTATIVAS se CONFIRMARAM no texto do ORÇAMENTO 

Governo e Congresso têm uma NOÇÃO de PRIORIDADES EQUIVOCADA | Míriam Leitão

22/12/2021 • 10:46

As piores expectativas se confirmaram no texto de Orçamento. O Congresso e o governo concederam a si mesmos e aos seus interesses e prioridades na escolha dos gastos. O assunto do Orçamento é difícil, mas é a forma de o país decidir coletivamente para onde vão os recursos coletivos. É o dinheiro de todos nós que está lá no Orçamento.

Quando dão um aumento somente para a Polícia Federal, faz uma escolha de interesse do presidente da República, que quer agradar a um grupo específico de servidores.  

Quando os políticos concedem a si mesmos R$ 5 bilhões para a campanha política eles estão legislando em causa própria. Depois da pandemia, os partidos receberem três vezes mais do que 2018 para as suas campanhas não faz sentido nenhum. Fora que é uma fração do que vão receber, pois ganham também pelo fundo partidário. Só de emendas parlamentares em geral são R$ 37 bilhões. Algumas são aplicação transparente e equânime, as individuais, de bancada e de comissão. Mas as emendas do relator são  um absurdo. Deveriam ter sido eliminadas. Tudo o que o Supremo fez foi diminuir um pouco o absurdo .  

O governo tem uma noção de prioridades muito equivocada. Há uma lista grande de urgências maiores do que partidos e policiais. Precisamos investir na ciência, por exemplo, porque foi através dela que a humanidade conseguiu proteger a vida neste período de pandemia. 


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Xiomara Castro é declarada oficialmente presidente eleita de Honduras

21 de dezembro de 2021, 14:18

247 - O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) de Honduras declarou oficialmente a esquerdista Xiomara Castro como presidente eleita das eleições realizadas em 28 de novembro. Castro faz parte da ala política nacionalista hondurenha e é casada com  Manuel Zelaya, que presidiu o país de 2006 até 2009, quando sofreu um golpe de Estado apoiado pelos Estados Unidos.

“O plenário de conselheiros do Conselho Nacional Eleitoral declara eleita presidente (...) de Honduras por um período de quatro anos, que começa em 27 de janeiro de 2022 e termina em 27 de janeiro de 2026, a cidadã Iris Xiomara Castro Sarmiento", anunciou no rádio e na televisão o presidente da CNE, Kelvin Aguirre.

A eleição da esquerda nacionalista rompeu com o regime político estabelecido pelo golpe de 2009 — precursor dos outros golpes que ocorreram na América Latina, como Brasil (2016) e Paraguai (2012) — derrotando um setor da direita que impôs uma didatura disfarçada apoiada nos militares.

A vitória de Castro, do partido esquerdista Libertad y Refundación (Libre) que alcançou 1.716.793 votos válidos e que é a primeira mulher eleita presidente em Honduras, foi resultado de uma intensa mobilização popular no país contra o governo de Juan Orlando Hernández, no poder desde 2014 — e reeleito em 2017 após uma votação considerada fraudulenta pela oposição e pelos observadores internacionais. JOH realizou políticas neoliberais que colocaram o país numa considerável crise política.

Castro acumulou 51,12% dos votos contra 36,93% dos votos do principal adversário, o direitista Nasry Asfura, candidato do Partido Nacional (PN), de JOH. Participaram das eleições 3.580.527 cidadãos, cerca de 68,58% do eleitorado.

A transição entre os governos aponta ser tranquila, por enquanto. Dois dias após as eleições, Asfura visitou Castro em sua casa, reconhecendo sua derrota e parabenizando-a pela vitória. A presidente eleita também foi parabenizada pela vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, assim como pela subsecretária de Estado para Segurança Civil, Democracia e Direitos Humanos dos Estados Unidos, Urza Zeya, que ofereceu apoio de Washington à futura presidente.


_________________________________________________ELEIÇÕES 2021 NO CHILE

Chile vai às urnas: esquerda e extrema direita se enfrentam no 2º turno presidencial

O Chile vai às urnas neste domingo (19/12) no segundo turno das eleições presidenciais que colocam dois candidatos representantes de setores políticos diametralmente opostos. O clima político do país sugere uma disputa voto a voto entre o esquerdista Gabriel Boric, candidato da coalizão Aprovo Dignidade (Frente Ampla e Partido Comunista), e José Antonio Kast, do Partido Republicano, de extrema direita.

O primeiro turno, ocorrido em 19 de novembro, foi vencido por Kast, que obteve 27,9%, contra 25,8% de Boric. Desde o retorno da democracia ao Chile – em 1990, após o fim da ditadura de Augusto Pinochet –, quem ganhou o primeiro turno das eleições presidenciais também o fez no segundo turno.

Entretanto, segundo as últimas pesquisas publicadas antes da votação deste domingo, Boric poderia realizar essa inédita reviravolta eleitoral. Inclusive, o candidato de esquerda aparece liderando quase todas as sondagens, apesar de alcançar diferentes vantagens.

A consultora Black&White foi a que mostrou a menor diferença entre os presidenciáveis, dentro da margem de erro: 51% para Boric e 49% para Kast. O instituto que indicou a maior vantagem foi Pulso Ciudadano: 42% para Boric contra 28% para Kast, uma diferença de 14%. A pesquisa que chegou mais perto do resultado no primeiro turno foi o da consultora Cosa Nostra, cuja última pesquisa de segundo turno apontou 46% para Boric contra 40% para Kast.

Todas essas pesquisas foram publicadas no dia 5 de dezembro, pois a lei eleitoral chilena proíbe publicar novas pesquisas nos 14 últimos dias de campanha. Portanto, essas últimas medições não observam as mudanças ocorridas no cenário eleitoral nesta reta final, incluindo os dois únicos debates realizados neste segundo turno, nos dias 10 e 13 de dezembro.

Outros fatos importantes ocorreram na reta final da campanha após a publicação das pesquisas. A acusação de um suposto assédio sexual cometido por Boric, difundida por partidários de José Antonio Kast, e as declarações da vítima desse suposto caso, que reclamou que a extrema direita utilizou seu caso eleitoralmente sem o seu consentimento, tomaram conta dos noticiários nas últimas semanas.

Os apoios internacionais também marcaram os últimos dias da campanha. Kast recebeu, por exemplo, o apoio do escritor peruano Mario Vargas Llosa. Já Boric foi apoiado pela ex-presidente e Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, e por dezenas de importantes figuras internacionais, como o ativista e ex-candidato presidencial brasileiro Guilherme Boulos, os músicos Roger Waters e Residente, o ator Danny Glover, os economistas Thomas Piketty e Joseph Stiglitz, o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, o ex-premiê da Espanha, José Luis Zapatero, e a atual prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

Reprodução
Cenário está equilibrado entre Gabriel Boric, candidato da esquerda, e José Antonio Kast, representante da extrema direita

Quem é Gabriel Boric?

Nascido na província de Magallanes, na região mais ao sul do país, Gabriel Boric tenta se tornar o presidente mais jovem do Chile: caso seja eleito, assumiria o poder em março com 36 anos, cinco a menos que Manuel Bulnes, que tinha 41 quando chegou à Presidência, em 1841.

Boric se tornou figura pública nacional durante as grandes marchas do movimento estudantil, entre os anos 2011 e 2013. Foi presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile no ano de 2012 e um dos líderes daquela onda de protestos que pedia o fim das dívidas estudantis e a gratuidade nas instituições de ensino, desde o ensino fundamental até o superior.

Em 2013, disputou as eleições como candidato independente e foi eleito deputado pela primeira vez, junto com outros líderes estudantis, como Camila Vallejo, Giorgio Jackson e Karol Cariola.

Durante seu primeiro mandato, ajudou a fundar a Frente Ampla, junto com Jackson, reunindo vários pequenos partidos ligados a ex-líderes estudantis.

Em 2021, a Frente Ampla fez uma aliança com o Partido Comunista – de Vallejo e Cariola – e surgiu assim a coalizão Aprovo Dignidade, a qual ele passou a encabeçar após vencer as eleições prévias em julho passado, ao superar o comunista Daniel Jadue, prefeito da comuna de Recoleta, uma das mais populosas da região metropolitana de Santiago.

Quem é José Antonio Kast?

José Antonio Kast nasceu em Santiago do Chile e tem 55 anos. Seu pai, Michael Kast, foi um oficial do exército nazista e militante do partido de Adolf Hitler, que fugiu do seu país natal após a derrota do Terceiro Reich na Segunda Guerra Mundial.

Atualmente representa o Partido Republicano, criado por ele em 2018 após sua saída da UDI (União Democrata Independente), o partido criado nos anos 1980 pelos principais colaboradores civis do pinochetismo, mas ao qual ele renunciou por considerar que estavam se afastando demais do ideário da direita.

Suas ligações com o regime de Augusto Pinochet (1973-1990) também começaram em família: José Antonio é o mais jovem de dez irmãos, sendo que um dos mais velhos, Miguel Kast, foi um dos famosos "Chicago Boys", economistas formados na Universidade de Chicago e encarregados de implementar o neoliberalismo no Chile com o apoio da repressão militar durante a ditadura. Miguel encabeçou dois ministérios durante os anos de Pinochet: o da Planificação, entre 1978 e 1980, e o do Trabalho, entre 1980 e 1982.

Mas Pinochet não é a única inspiração de José Antonio Kast. Em todas as entrevistas e debates, o candidato cita como seu modelo de governo na América Latina o do brasileiro Jair Bolsonaro. "Bolsonaro é um presidente que fez coisas importantes no Brasil em termos de combate à delinquência e de combate à corrupção e essas coisas eu quero reproduzir no Chile em meu governo", explicou Kast em um debate.


_________________________________________________Quem é GABRIEL BORIC, o ex-líder estudantil que foi eleito presidente do Chile

Jovem liderança promete levar ao poder uma esquerda moderna e moderar posições em busca de grandes acordos, mas inexperiência, radicalidade de aliados e conjuntura chilena apresentam desafio para governo.

O candidato a presidente do Gabriel Boric em seu comício de encerramento de campanha, com a bandeira mapuche ao fundo Foto: RODRIGO GARRIDO / REUTERS
O candidato a presidente do Gabriel Boric em seu comício de encerramento de campanha, com a bandeira mapuche ao fundo Foto: RODRIGO GARRIDO / REUTERS
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Se a eleição no Chile acontecesse um ano antes, Gabriel Boric não poderia concorrer. Assim como no Brasil, para presidir o país é necessário ter no mínimo 35 anos, e ele, que nasceu em 1986, só passou do sarrafo etário no dia 11 de fevereiro deste ano, 10 meses antes de ser eleito presidente neste domingo.

Até poucos meses atrás, muitos entendiam que Boric era o grande favorito para se tornar o novo ocupante do Palácio de La Moneda. Sua imagem se harmonizava com uma narrativa que se tornara comum entre estudiosos e políticos no Chile: a de que, desde as grandes manifestações de outubro de 2019, o país vivia uma, ainda que conturbada, imparável onda progressista e libertária, e a direita encontrava-se e desarticulada e frágil, incapaz de oferecer real concorrência.

Jovem, preocupado com causas feministas e ambientais, oriundo do movimento estudantil, fã de rock e torcedor fanático do time de futebol da Universidade Católica: em vasta medida, o deputado barbudo e de camisas xadrez pode ser considerado um primo mais velho dos jovens manifestantes chamados “outubristas”, em seu frescor, idealismo e contradições.

Foi a súbita ascensão de José Antonio Kast, com a possibilidade de um candidato de direita mais radical do que qualquer outro desde a redemocratização vencer as eleições, que aproximou claramente Boric, em imagem e conteúdo, de um político tradicional.

Candidato da esquerda e ex-líder estudantil superou previsão das pesquisas.

Se, até o final do primeiro turno, Boric usava o vocativo “companheiras e companheiros” em seus discursos, no segundo turno passou a dizer “chilenas e chilenos”. Se antes das eleições em geral trajava camisas de botão dobradas nos cotovelos, com uma tatuagem no antebraço à mostra, agora raramente é visto sem paletó. Se na maioria dos seus discursos no início da campanha enfatizava a necessidade de “transformações estruturais profundas”, na primeira vez em que se manifestou após o primeiro turno, quando ficou em segundo lugar, prometeu promover “as mudanças que o Chile precisa”.

Já havia diferenças importantes entre Boric e setores radicais da esquerda, que há muito o acusavam de ser parte do sistema. Em julho, quando, em um claro aceno a setores mais extremos, visitou presos das manifestações de 2019 — considerados pela militância mais ferrenha “presos políticos” —, recebeu um tapa de um dos detidos, em uma cena gravada em vídeo.

O reposicionamento foi tamanho, todavia, que o agora presidente eleito se manifestou abertamente contra a agitação permanente. Perguntado num debate sobre a situação da Praça Itália, onde semanalmente grupos de encapuzados continuam a se manifestar e, ocasionalmente, promover tumulto e depredações, respondeu:

— A lei tem que ser cumprida e não pode haver desordens permanentes às sextas-feiras.

Questões como segurança pública, crime, imigração descontrolada e crescimento econômico foram o principal foco de sua campanha no segundo turno, para alcançar um eleitorado preocupado com essas questões.

Ao mesmo tempo, ele manteve o essencial de sua agenda. Além de promessas importantes sobre os direitos das mulheres, as minorias LGBT+ e a descentralização administrativa, seu programa se concentra em quatro reformas: garantia de acesso universal à saúde, pensões decentes sem o sistema atual administrado por empresas privadas, um sistema educacional público gratuito e de qualidade e a priorização do meio ambiente. 

A dúvida entre muitos chilenos é se, sem experiência de governo nem maioria no Parlamento, frente a uma situação econômica difícil, com alto desemprego e inflação, com um país que ainda não saiu da crise política e frente a uma nova oposição extremista, ele terá como pôr essas medidas em prática ao governar.

— Boric não é radicalizado, mas participa de uma aliança com setores mais radicais — disse ao GLOBO Carlos Meléndez, pesquisador do Centro de Estudos de Conflito e Coesão Social (COES).

Fim do mundo

A trajetória de Boric começa bem perto do fim do mundo, em Punta Arenas, extremo Sul do continente, de frente para o Estreito de Magalhães. Ali, filho de uma família de classe média alta e aluno da exclusiva British School, aos 13 anos ele se envolveu com o movimento estudantil, vindo a se tornar um dos responsáveis pela refundação da Federação de Estudantes Secundaristas de Punta Arenas.

Essa experiência o habilitou a, anos depois, exercer um papel de liderança no movimento estudantil universitário, quando já fazia Direito na Universidade do Chile, em Santiago. Primeiro integrou um coletivo chamado Esquerda Autônoma, que misturava postulados do socialismo libertário, do autonomismo e do feminismo. Em 2009, presidente do Centro Estudantil de Direito, liderou um movimento de ocupação da reitoria.

Durante as mobilizações estudantis de 2011, Boric se tornou conhecido nacionalmente. Os protestos e greves daquele ano, os maiores até então desde o retorno à democracia em 1990, pediam mais verbas para a edução pública e atraíram apoio da população acima de 70%. Boric foi um dos principais porta-vozes da Confederação de Estudantes do Chile, o principal órgão estudantil do país, sendo eleito, no fim do ano, presidente do diretório estudantil da Universidade do Chile. 

O pulo para a carreira de deputado federal veio em 2013. Sua candidatura, a mais votada de Magalhães e da Antártica chilena, deu-se fora dos grandes partidos, e foi destacada no jornal patagônico El Pingüino como “a do jovem que rompeu o sistema partidário”. Em seu primeiro mandato, sua iniciativa mais notória foi um projeto de lei para diminuir em 40% o salário dos congressistas. A remuneração era então de 8,5 milhões de pesos chilenos (R$ 56 mil, em valores não atualizados), equivalente a mais de 40 vezes o salário mínimo. A proposta foi barrada no Congresso.

Em 2016, deixou a Esquerda Autônoma, alegando diferenças com a direção do movimento. Participou naquele ano da criação da Frente Ampla, que agrupa movimentos e partidos de esquerda. O aglomerado de partidos — que inclui o Convergência Social, sigla de Boric, fundada por ele em 2018 —  tem um perfil jovem e abertamente de esquerda, buscando uma estrutura descentralizada. A Frente Ampla integra, ao lado do Partido Comunista do Chile, mais à esquerda, a coalizão Aprovo Dignidade, pela qual Boric concorreu à Presidência.

Durante os protestos de outubro de 2019, em seu segundo mandato, Boric foi visto discutindo com membros das Forças Armadas nos arredores da Praça Itália. O deputado é considerado um dos principais responsáveis pela costura entre todos os partidos chilenos — exceto o Partido Comunista, que se absteve — do pacto que levou à convocação de um plebiscito sobre a mudança da Constituição.

Em busca dos grandes acordos

É com esse perfil de articulador de grandes acordos em prol de causas sociais, das minorias e dos direitos humanos que agora ele promete governar. Não foge de pautas polêmicas, como a defesa da legalização do aborto, mas sempre insiste que seu interesse é em "propor soluções". À diferença de muitos líderes de esquerda no continente, ele reiteradamente condena violações de direitos humanos em outros países, como Venezuela e Cuba.

No segundo turno, Boric adicionou à sua equipe vários respeitados economistas e tecnocratas próximos à antiga Concertação, a coalizão de centro-esquerda que governou o Chile na maior parte do período desde a redemocratização. No passado, ele criticou duramente o grupo, mas isso não o impediu de receber o apoio eleitoral de virtualmente todas as mais importantes lideranças da centro-esquerda chilena, como  os ex-presidentes Ricardo Lagos e Michelle Bachelet.

Esses endossos, contudo, vieram com retribuições. Uma delas foi uma carta pública enviada à Democracia Cristã, tradicional partido de centro-esquerda, pouco antes do anúncio oficial do apoio da sigla à sua candidatura.

No texto, Boric fez uma autocrítica: “Hoje eu sei que a arrogância geracional é má conselheira, que não há virtude per se na juventude e na novidade. Um projeto político deve ser julgado por suas convicções, princípios e ações”, escreveu. “[Sei] que para realizar grandes transformações são necessários grandes acordos, que corrijam as injustiças do presente sem negar os avanços do passado. Precisamos uns dos outros para superar a crise de legitimidade e construir um país em que ninguém seja deixado de lado”.

_________________________________________________Qual o caminho do PSOL?

Por Aldo Fornazieri 20 de dezembro de 2021, 07:16

No último artigo (Lula, Alckmin e o cenário de 2022), procurou-se argumentar acerca da legitimidade da formação da chapa entre o ex-presidente e o ex-governador. Legitimidade assentada nas determinações da conjuntura que definem a necessidade imperiosa de derrotar tanto Bolsonaro, quanto Moro; na constituição de um bloco de força capaz de garantir o provável governo Lula; na constatação de que não existe um impeditivo de ordem política ou moral para a formação da aliança e no fato de que os interesses que o PT representa são condizentes com uma coalizão com setores de centro.

O PSOL, contudo, não é uma corrente do PT. Tem uma visão programática e estratégica deferente do partido de Lula. Pode-se dizer que integram o mesmo campo, mas o PT numa posição de centro-esquerda e o PSOL numa posição de esquerda, embora não de extrema-esquerda. 

O PSOL vem adotando, até agora, um caminho próprio de construção e afirmação, consoante com seu programa e com sua estratégia. A atual conjuntura, no entanto, coloca uma grande dificuldade para o partido definir, sem embaraços, o seu caminho. É como se a conjuntura política constrangesse a tomada de decisões dos pessolistas. 

As principais dificuldades são de duas ordens: 1) como se disse, existe uma necessidade imperiosa de derrotar Bolsonaro e, num segundo plano, Sério Moro, por tudo o que eles representam; 2) em decorrência do ponto um e da forma singular pela qual Lula está entrando nesta disputa (pós prisão e pós anulação dos processos) faz com que ele ocupe de forma avassaladora quase todo o campo eleitoral da esquerda. 

O ponto um coloca o peso da responsabilidade e da necessidade de o PSOL engajar-se positivamente num processo político-eleitoral para derrotar as expressões de extrema-direita e fascistas que vêm causando um grande mal ao país e ao povo. Embora o ufanismo já tome conta dos petistas, a prudência recomenda mais cautela, pois as eleições serão difíceis. Assim, se o PSOL se colocar à margem de um movimento efetivamente capaz de derrotar a extrema-direita poderá pagar um preço alto do isolamento e a pecha de não participar de forma efetiva na luta pela derrota da extrema-direita.

Quanto ao ponto dois, o fato de Lula ocupar o espaço político-eleitora da esquerda e para além dela, dificulta e tira oxigênio de uma candidatura do PSOL à presidência da República. Correria o risco de cair na insignificância. 

Diante dessas dificuldades, qual o caminho mais razoável para o PSOL? Em primeiro lugar, a história, a visão programática e a concepção estratégica do partido não permitem que integre uma coalizão da centro-esquerda com o centro. Considerando as questões apresentadas acima, a saída mais sensata que se apresenta para o partido consiste em apoiar Lula de forma independente, sem integrar formalmente a coalizão, nem da campanha e nem do governo. 

Se adotar esse caminho, o PSOL resolve vários problemas: participa de forma efetiva do esforço de derrotar e extrema-direita, mantém sua autonomia programática e não perde sua independência decisória. Um partido que queira percorrer um caminho próprio de disputa de poder deve manter sempre sua autonomia decisória e sua autonomia para organizar e constituir força política ativa. Tal partido não pode colocar-se em posições subalternas. 

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Cabe ao PSOL, se quiser manter esta perspectiva própria, não integrar com cargos um provável governo Lula. Poderá apoiar, com independência, todas as medidas do governo que signifiquem mais democracia, mais igualdade, mais justiça, mais liberdade, mais direitos e mais responsabilidade com o meio ambiente e com a salvação das condições de vida no planeta. 

Num governo Lula, o PSOL pode e deve coordenar, no Congresso e fora dele, um bloco de proposição e de pressão por políticas progressistas, democratizadoras e transformadoras e por reformas progressivas que removam os mecanismos que impedem a igualdade e a justiça. Mas para que possa exercer com força e eficiência essa função, o partido precisa de uma estratégia eleitoral que fortaleça suas bancadas na Câmara e no Senado. Deve refletir, por exemplo, se terá mais ganhos lançando Guilherme Boulos ao governo do Estado ou à Câmara dos Deputados.

Mais do que as ações no Congresso, as lutas por direitos e por democracia poderão avançar e alcançar conquistas se elas forem fruto da organização e da mobilização dos movimentos sociais e populares.

Este capítulo precisa ser escrito de forma diversa daquele capítulo que foi escrito durante os governos anteriores do PT. O saldo organizativo e mobilizador dos movimentos populares naquele período não foi condizente com as necessidades de avanços nas lutas por conquistas de direitos. 

A vitória de Gabriel Boric nas eleições presidenciais do Chile, a sua história e os caminhos que ele percorreu na construção da Frente Ampla, certamente, devem inspirar o PSOL. Mas é preciso notar que na base da vitória de Boric estão poderosas e, pode-se dizer, vitoriosas mobilizações populares. As primeiras dessas mobilizações foram as grandes manifestações estudantis de 2011 e 2012. Aquelas manifestações, ao contrário do que ocorreu em 2013 no Brasil, foram vitoriosas. 

A candidatura e a vitória de Boric também é fruto das mobilizações e manifestações de 2019 que levaram à Constituinte e ao fim da Constituição autoritária da ditadura Pinochet. No Brasil não tivemos processos similares. Aqui, houve derrotas. Lideranças do PSOL não projetaram reputação e força suficientes para protagonizarem uma candidatura presidencial respaldada em lutas vitoriosas. Mas, guardadas as diferenças, o PSOL pode adotar a experiência e os caminhos da nova esquerda chilena como referencial de aprendizado e exemplo.  


_________________________________________________Em nota oficial, Anvisa confronta Bolsonaro e afirma repelir e repudiar ameaças

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247 - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta sexta-feira (17) nota de repúdio contra a ameaça feita aos diretores e técnicos da instituição por Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (16).

Após a Anvisa aprovar a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra Covid-19, Bolsonaro, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, afirmou que havia pedido os nomes dos responsáveis pela autorização. 

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Recentemente, diretores e técnicos da Anvisa foram alvos de ameaças de morte, justamente pela possibilidade - à época - de ser aprovada a imunização do público infantil.

A agência afirmou que "repudia e repele com veemência qualquer ameaça, explicita ou velada que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias e o sustento de nossas vidas e famílias: o nosso trabalho, que é proteger a saúde do cidadão".

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O texto é assinado pelo diretor-presidente, Antonio Barra Torres, e outros quatro diretores. 

Leia:

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"Em relação às declarações do Sr. Presidente da República durante “Live” em mídia social no dia 16 de dezembro de 2021 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária comunica: 

A Anvisa, órgão do Estado Brasileiro, vem a público informar que seu ambiente de trabalho é isento de pressões internas e avesso a pressões externas.  

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O serviço público aqui realizado, no que se refere à análise vacinal, é pautado na ciência e oferece ao Ministério da Saúde, o Gestor do Plano Nacional de Imunização - PNI, opções seguras, eficazes e de qualidade. 

Em outubro do corrente ano, após sofrer ameaças de morte e de toda a sorte de atos criminosos, por parte de agentes antivacina, no escopo da vacinação para crianças, esta Agência Nacional se encontra no foco e no alvo do ativismo político violento. 

A Anvisa é líder de transparência em atos administrativos e todas as suas resoluções estão direta ou indiretamente atreladas ao nome de todos os nossos servidores, de um modo ou de outro. 

A Anvisa está sempre pronta a atender demandas por informações, mas repudia e repele com veemência qualquer ameaça, explicita ou velada que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias e o sustento de nossas vidas e famílias: o nosso trabalho, que é proteger a saúde do cidadão. 

Antonio Barra Torres, Diretor-Presidente 

Meiruze Sousa Freitas, Diretora  

Cristiane Rose Jourdan Gomes, Diretora  

Romison Rodrigues Mota, Diretor  

Alex Machado Campos, Diretor".

_________________________________________________FEDERAÇÃO PARTIDÁRIA de CENTRO_ESQUERDA é golpe final em Bolsonaro e no bolsonarismo

Por Luís Costa Pinto

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O Brasil desistiu de Jair Bolsonaro antes de o presidente inepto e perverso ter desistido da tentativa de reeleição. É isso o que nos dizem, de forma consolidada e sólida como um viaduto, as pesquisas de avaliação de governo e de intenção de voto divulgadas esta semana. 

Um último levantamento, o PoderData, deve ser divulgado ainda na próxima semana. Nada indica que será diferente. 

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Com 60% de rejeição (64% entre os brasileiros com renda inferior a cinco salários mínimos) e preferido por escassos 33% dos eleitores evangélicos, quando o ex-presidente Lula o supera até nesse subgrupo, com 39% de preferência, o atual ocupante do Palácio do Planalto está em situação vexatória até mesmo para seu prontuário de crimes de responsabilidade. 

Agora, o Brasil tem um encontro marcado com o bolsonarismo, e precisa superá-lo, encarcerá-lo e enterrá-lo num ataúde selado a chumbo - como se faz com lixo tóxico. 

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O bolsonarismo é a linha de ação política assentada no ódio, na divisão do País e no desmonte das políticas públicas que conferiam organicidade à luta já longa de uma Nação fadada a se digladiar incansavelmente contra sua realidade para reduzir o fosso abissal das desigualdades sociais. 

Só a reconciliação dos brasileiros com uma agenda social, política e econômica focada na reindustrialização, assentada em estratégias de sustentabilidade e de preservação ambiental, além de tecer um compromisso inescapável com a distribuição de renda e o resgate da força do Estado como regulador e mediador de conflitos, nos trará essa vitória.

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Não há saída fora da política. Logo, os atores políticos estão construindo saídas desse labirinto trágico com as ferramentas possíveis no arsenal institucional brasileiro. E a mais nova dessas saídas, forjada como uma geringonça que talvez nos conduza à porta de saída, é o instituto das federações partidárias. 

PT, PSB e PCdoB dedicam-se há meses à tessitura de uma malha que os acolha e aos seus projetos em conjunto. O PV, anteontem, procurou as lideranças desse bloco de centro-esquerda e revelou interesse em integrá-lo. Dentro da Rede Sustentabilidade existe uma ala disposta a arquivar desentendimentos e fazer o mesmo. Por fim, em razão das boas, legítimas e pertinentes jogadas políticas da semana, o PDT começou a ensaiar uma adesão a essa Federação rascunhada com o propósito de tornar viável desde a largada um eventual terceiro mandato de Lula. Desnecessário sublinhar que a presença do ex-governador Geraldo Alckmin numa chapa presidencial com o petista é peça fundamental nessa construção sofisticada.

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Não há tempo a perder, há um Brasil por resgatar do fundo do poço. 

A reconciliação é desde já a pauta prioritária de uma Nação que rejeita com engulhos de repulsa os blefes e os arreganhos de Bolsonaro e do bolsonarismo, obsoletos e putrefatos, porém, ainda resilientes na estrutura de instituições que não os suportam mais.

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CHILE - MUITO PIOR do que o BRASIL:

Kast e Boric estão EMPATADOS às vésperas de 2º turno da eleição no Chile, diz pesquisa

Cada candidato tem 50% dos votos válidos

JOSÉ ANTÔNIO KAST, do Partido Republicano, e GABRIEL BORIC, da Convergência Social

www.brasil247.com - Candidatos José Antonio Kast, do Partido Republicano, e Gabriel Boric, da Convergência Social, de esquerda
Candidatos José Antonio Kast, do Partido Republicano, e Gabriel Boric, da Convergência Social, de esquerda (Foto: Reuters)
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SANTIAGO (Reuters) - O candidato presidencial chileno de extrema-direita José Antonio Kast e o esquerdista Gabriel Boric estão empatados entre eleitores prováveis, às vésperas do polarizado segundo turno da eleição do país no próximo domingo, segundo uma pesquisa vista pela Reuters nesta quinta-feira.

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Kast, que levou uma maioria parcial no primeiro turno em 21 de novembro, tem 48,5% das intenções de votos, à frente de Boric, com 48,4%, segundo uma pesquisa com 2.218 potenciais eleitores conduzida pela consultoria AtlasIntel.

Quando votos não válidos são retirados da conta, cada candidato fica com 50% dos votos.

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Pouco mais de 15 milhões de chilenos podem votar nas eleições de domingo. No primeiro turno, Kast, um parlamentar conservador, teve 27,9% dos votos, e Boric, 25,8%.

As primeiras pesquisas de opinião após o primeiro turno favoreceram o político de esquerda e ex-líder de movimento estudantil Boric em vários pontos, mas essa vantagem foi reduzida nos últimos dias.

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Em uma pesquisa anterior da AtlasIntel, que entrevistou 2.692 prováveis eleitores no começo de dezembro, Boric liderava com 41% contra 38,7% de Kast, ou por 51,5% contra 48,5% de Kast considerando apenas votos válidos.

_________________________________________________CPI do hacker do SUS já | Opinião - O Globo

Por Pedro Doria 17/12/2021 • 00:01

É muito mais sério do que parece à primeira vista o ataque hacker ao Ministério da Saúde. É sério de muitas formas distintas. Uma: quem deveria dar ordens não entende sequer o básico do sistema para saber que ordens dar. Outra: porque o ministério não tem qualquer contrato técnico que garanta a segurança digital. Uma terceira: quem pretende investigar é talvez a mais incompetente agência de inteligência do hemisfério, a Abin. O governo está dando um espetáculo de amadorismo crasso.

Incompetente? Claro. Alguém consegue imaginar o diretor da CIA falando coisas sérias para sua equipe, e um agente vazar para a imprensa a gravação? Ou no alto-comando do Mossad? Do MI6? Nem na Argentina acontece. Mas foi o que aconteceu com o general Augusto Heleno nesta semana. Muitos sugerem que o vazamento da gravação de sua fala aos agentes, publicada pelo jornalista Guilherme Amado, do Metrópoles, foi proposital. Não importa. O diretor da Abin fala a seus agentes, é gravado dizendo que sente vontade de sugerir ao presidente dar um golpe de Estado por não gostar do que decide a Corte constitucional, e o áudio é publicado no dia seguinte.

Fosse um governo sério, o general teria sido demitido pelo que falou e pela incompetência crassa. Gere uma agência de inteligência incapaz de manter seus segredos.

Até esta quinta-feira, o Ministério da Saúde ainda não compreendera como foi realizado o ataque que pôs abaixo o ConecteSUS e, com ele, as informações sobre a vacinação de todos os brasileiros. O ambiente em que o sistema opera teve de ser reconstruído do zero pelos técnicos. Foi. Mal o novo ambiente foi colocado no ar e, novamente, foi posto abaixo. Os hackers ainda estavam lá dentro. Ninguém sabe dizer com precisão se os dados foram roubados.

O Estado brasileiro não é incompetente em segurança digital. No ano passado, o Banco Central pôs no ar o sistema Pix de transferências de dinheiro plenamente ciente de que, se fosse fácil de violar por hackers, o prejuízo seria imenso. Mas o Pix se baseia num código sólido que é exemplo internacional.

Não é só. Apesar de a lenda urbana sugerir o contrário, ninguém jamais comprou na Rua Santa Ifigênia, em São Paulo, CDs com os dados do Imposto de Renda dos brasileiros. Declaramos o Imposto de Renda anualmente faz mais de 30 anos em meio digital. Os vazamentos pontuais que ocorreram nunca vieram de hackers — mas de gente de dentro da Receita.

E há, claro, a competência no processo eleitoral. O TSE foi pesadamente atacado na última eleição. Vazaram dados de servidores, o app de título de eleitor digital caiu — mas o coração do sistema, aquele que registra o voto, esse em momento algum foi ameaçado.

São, os três, exemplos muito distintos que vêm de pedaços diferentes do Estado. Mostram que, quando tem gente séria trabalhando, o Estado brasileiro é perfeitamente capaz de entregar um produto com grande qualidade.

O que só leva a uma conclusão: dentro do Ministério da Saúde, no comando político do sistema, não tem gente séria. Isso não exime ninguém da responsabilidade pelo que está ocorrendo. Eles estão violando a Lei Geral de Proteção de Dados. Os dados pessoais relacionados à saúde estão entre os mais delicados e os mais protegidos. O governo é o responsável por manter a segurança dessas informações e por garantir ao cidadão acesso a elas.

Nenhum parlamentar percebeu ainda o nível de gravidade do ataque. É preciso abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito para deixar claro o que houve. Estamos na era digital e no meio de uma pandemia. Esse nível de inépcia governamental não pode ser tolerado.

_________________________________________________Bolsonaro NEM com vacina

Tanto IPEC (ex-IBOPE) quanto Datafolha trouxeram o petista com proporção de votos muito superior à soma dos adversários. 

O par de pesquisas de intenção de voto na sequência da confirmação de candidaturas (supostamente) robustas da terceira via — entre as quais o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (Podemos) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ganhador das prévias tucanas — mostrou um eleitorado disposto a dar a Luiz Inácio Lula da Silva uma inédita vitória no primeiro turno. 

Tanto IPEC (ex-IBOPE) quanto Datafolha trouxeram o petista com proporção de votos muito superior à soma dos adversários. 

Chama a atenção a pontuação alta do ex-presidente na consulta espontânea, em que o eleitor informa o escolhido sem ser apresentado à lista de nomes. No levantamento do Ipec, Lula é preferido de 40% do eleitorado, o dobro do atual ocupante do Planalto.

O governo de Jair Bolsonaro é ruim, e os brasileiros escancaram nas pesquisas o que o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, teimam em ignorar.

O fracasso econômico explica muito da impopularidade do presidente (55% de avaliação ruim ou péssima). 

São 13,5 milhões de desempregados, 7,8 milhões com oferta de trabalho insuficiente, 5,1 milhões de desalentados, quatro em dez brasileiros na informalidade. 

O rendimento habitual dos ocupados despencou 11% em um ano. 

A inflação voltou ao patamar de dois dígitos, a gasolina subiu 50% em 12 meses, os juros só fazem subir, a comida está pela hora da morte. 

Metade da população enfrenta algum nível de insegurança alimentar, 19 milhões passam fome.

Jair Bolsonaro conseguiu DESTRUIR uma política social BEM-SUCEDIDA, o Bolsa Família, em troca de um programa de transferência de renda instável, limitado e mal explicado. 

Só a pulsão eleitoreira explica a decisão aleatória de pagar R$ 400 a, no máximo, 17 milhões de famílias em ano eleitoral, em vez de R$ 350 a 20 milhões ou R$ 300 a 30 milhões.

Na cidade do Rio de Janeiro, a Secretaria de Assistência Social estima que 107 mil famílias em situação de extrema vulnerabilidade estão desassistidas — e sem previsão de acessar o benefício. 

O governo torrou uma década de orçamento original do Bolsa Família num par de anos, sem melhora perceptível no bem-estar da população. Responsabilidade fiscal também é gastar bem.

Era previsível que o agravamento das crises econômica e social desidratasse a popularidade do presidente da República. 

Nas quatro pesquisas Ipec, de fevereiro a dezembro, a aversão a Bolsonaro só fez crescer. A aprovação caiu de 28% para 19%; a reprovação saltou de 39% para 55%.

O negacionista do Planalto nem sequer conseguiu colher frutos do aumento da cobertura vacinal no enfrentamento à pandemia. 

Três em quatro brasileiros tomaram a primeira dose; 65% já estão completamente imunizados.

A redução no número de casos e óbitos por Covid-19, no país que já perdeu 616 mil vidas para a doença, não melhorou a imagem do presidente.

A pátria vacinada sabe que, por ele, estaria exposta ao vírus e à própria sorte. 

Nos quase dois anos de pandemia, o mandatário só fez pregar contra máscaras, criticar o distanciamento social, promover tratamento ineficaz, desqualificar imunizantes, agir contra o passaporte vacinal, culpar outros Poderes. Impôs ao Brasil um interminável março de 2020.

Em meio à escalada da variante Ômicron, que preocupa cientistas e governos mundo afora, os brasileiros precisaram do Supremo Tribunal Federal para impedir o acesso de estrangeiros não vacinados ao país e, assim, aplicar na saúde pública o princípio da precaução, como definiu o ministro Luís Roberto Barroso. 

Bolsonaro condenou o passaporte vacinal na assembleia da ONU e, sem poder comprovar a imunização, entrou no STF para a posse do ministro André Mendonça mostrando resultado de um teste PCR.

A rejeição a Bolsonaro chegou a níveis crivellescos. 

No ano passado, quando tentava se reeleger, 57% dos eleitores cariocas diziam que não votariam de jeito nenhum no então prefeito. 

Com a preferência entre os evangélicos, Marcelo Crivella chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Eduardo Paes. 

No atual retrato da corrida eleitoral, Bolsonaro perderá no primeiro turno para o adversário petista. 

Lula, nas últimas semanas, somou pontos com o eleitorado após bem-sucedida viagem às principais democracias europeias, Alemanha e França à frente; aproximação com o ex-tucano Geraldo Alckmin, provável candidato a vice pelo PSB; e diálogos com a juventude (via entrevista ao podcast Podpah), a faixa etária mais afetada pelas crises no emprego e na educação.

Doria, pioneiro na estratégia de imunização dos brasileiros contra a Covid-19, não decolou após tirar da disputa Eduardo Leite, governador gaúcho. 

Sergio Moro, atracado à agenda conservadora que o ex-chefe defendeu em 2018, até aqui não convenceu. 

Nem no Ipec nem no Datafolha alcançou um décimo do eleitorado, percentual que, na largada, poderia ameaçar Bolsonaro e aglutinar apoio de outros pré-candidatos. 

Na foto pré-Natal, a disputa parece resolvida a favor de Lula, se o cenário não se alterar, e a democracia prevalecer.

Por Flávia Oliveira

______________________________________________Negacionista, Bolsonaro se enfurece ao saber de liberação de vacina para crianças


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247 - Jair Bolsonaro, que desde o início da pandemia tem se mostrado contrário à vacinação contra a Covid-19, ficou transtornado ao saber que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia anunciado a aprovação do uso da vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos. 

Segundo o jornalista Josias de Souza, colunista do UOL, em ambiente fechado , Bolsonaro declarou que, se pudesse atrasar o relógio, não teria indicado Antonio Barra Torres para comandar a Anvisa. 

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"A perspectiva de aprovação da versão infantil da vacina da Pfizer levou-o a se referir a Barra Torres com expressões de calão rasteiro. Os palavrões pronunciados em privado soaram como um prenúncio das barbaridades que Bolsonaro dirá sob refletores sobre a vacinação de crianças", diz Josias. 

Bolsonaro já havia atacado a Anvisa em público, ao chamar de "coleira" o passaporte vacinal que a agência recomendou que fosse exigido dos viajantes que chegam ao Brasil. 

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Leia também reportagem da Agência Brasil sobre o assunto: 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da vacina produzida pelo consórcio Pfizer-BioNTech, a Comirnaty, contra a covid-19 em crianças com idade de 5 a 11 anos.

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A aprovação foi anunciada hoje (16), em transmissão ao vivo da Anvisa, no Youtube, após avaliação técnica da agência, sobre o pedido apresentado em novembro, indicando o uso da vacina para este público. A resolução com a autorização da Anvisa será publicada ainda hoje (16) no Diário Oficial da União, em edição especial, segundo gerente geral de Medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes.Gustavo Mendes.

“Com base na totalidade das evidências científicas disponíveis, a vacina Pfizer-BioNTech, quando administrada no esquema de duas doses em crianças de 5 a 11 anos de idade, pode ser eficaz na prevenção de doenças graves, potencialmente fatais ou condições que podem ser causadas pelo SARS-CoV-2”, disse Mendes.

O gerente lembrou que as análises contaram com a participação de diversos especialistas tanto da Anvisa como de outras entidades. “Verificamos segurança e tolerabilidade, em uma primeira fase. Nela foram aplicadas doses diferentes. Com base no resultado, chegamos à conclusão de que deveriam ser aplicadas 10 microgramas, quantidade inferior à aplicada em adultos”, disse.

Ele acrescentou que, na comparação entre crianças de 5 a 11 com pessoas de 16 a 25 anos [considerando as doses correspondentes a cada grupo], foi identificada a presença de anticorpos nas crianças.

“Observamos desempenho satisfatório da vacina também contra a variante Delta”, ressaltou. “E não há relato de nenhum evento adverso sério, de preocupação ou relato relacionado a casos muito graves ou mortalidade por conta da vacinação. Esse perfil de segurança é muito importante”, completou.

De acordo com a gerente geral de Monitoramento, Suzie Marie Gomes, as doses de vacinas para crianças é de um terço em relação à dose e à formulação aprovada anteriormente. Além disso a formulação pediátrica é diferente. Ou seja, não se pode fazer diluição da dose de adulto para a dose de criança.

Suzie Marie acrescenta que as crianças que completarem 12 anos entre a primeira e a segunda dose devem manter a dose pediátrica. A vacina da Pfizer-BioNTech já havia sido autorizada para aplicação em adolescentes com idade a partir de 12 anos.

Por fim, a gerente de Monitoramento ressalta que não há estudos sobre coadministração com outras vacinas e que, portanto, o uso de diferentes vacina não é indicado.

Segundo a Anvisa, a dose da vacina para crianças será diferente daquela utilizada para pessoas a partir de 12 anos. Os frascos também terão cores distintas para evitar erros na aplicação.

_________________________________________________Com diferença de dois dias, pesquisas Ipec e CNT indicam vitória de Lula no primeiro turno

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

247 - Duas das principais pesquisas de intenções de voto do país, do  Instituto de Pesquisas e Comunicação (Ipec) e da Confederação Nacional de Transportes (CNT)  divulgadas nesta terça-feira (14) e quinta-feira (16), respectivamente, apontam o favoritismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.

Com diferença de apenas dois dias, as pesquisas Ipec e CNT indicam, inclusive, vitória de Lula no primeiro turno. 

No 1º cenário do Ipec, Lula teria 48% dos votos, Bolsonaro 21%, Moro, 6%, Ciro Gomes, 5%, João Doria, 2%, e André Janones, 2%. No 2º cenário, o ex-presidente Lula teria 49%, Bolsonaro 22%, Moro 8%, Ciro 5% e Doria, 3%. Com esses percentuais, 49% e 48%, o petista venceria em primeiro turno com o cálculo sendo restrito apenas aos votos válidos. Ele teria, então, 56,3% dos votos, mais do que Fernando Henrique Cardoso obteve nas duas eleições em que venceu no 1º turno, em 1994 e 1998. 

Já a pesquisa CNT, divulgada nesta quinta, mostra que Lula subiu de 41,3%, em julho, para 42,8%, agora em dezembro, o que dá 50,5% dos votos válidos.

_________________________________________________Lula tem 48% e vence no primeiro turno, mostra pesquisa Datafolha

Lula, Bolsonaro, Moro e Ciro

247 - A nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (16), mostra o ex-presidente Lula com margem folgada sobre Jair Bolsonaro, que ocupa a segunda posição. 

No cenário A, Lula tem 48%, ante 22% de Bolsonaro, 9% do ex-juiz parcial Sergio Moro, 7% do ex-governador Ciro Gomes e 4% do governador de São Paulo, João Doria. Votarão em nulo, branco ou ninguém, 8%. 2% não souberam responder.

Na hipótese B, Lula tem 47%; Bolsonaro, 21%; Moro, 7%; e Ciro, 7%. 

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16 de dezembro com 3.666 pessoas com mais de 16 anos, presencialmente em 191 cidades do país. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

_________________________________________________A dúvida sobre André Mendonça permanece e nada tem a ver com preconceito religioso | Míriam Leitão

Por Míriam Leitão 16/12/2021 • 12:03

André Mendonça, confirmado ministro do STF
A grande questão em torno do mandato do ministro André Mendonça é de que maneira ele vai exercê-lo. 

Se olhando para a Constituição ou para o proselitismo religioso que ocupou o governo Bolsonaro. 

Eu nada tenho contra os evangélicos, nem poderia porque meu pai era um pastor presbiteriano também. 

Mas o que meu pai defendia era a separação entre igreja e Estado, aprendi isso em casa. 

Aliás, este é um dos pilares da Reforma Protestante de 1517.

André Mendonça lembrou isso na sabatina, mas logo em seguida, seus atos desmentiram tudo o que ele defendeu na frente dos parlamentares. 

Disse que sua eleição era 'um salto para os evangélicos'. 

Depois, fez um tour de agradecimentos em igrejas.

Por isso, a dúvida sobre ele. 

Se, como ministro do STF, vai respeitar a Constituição, ou se vai misturar e fazer o pagamento deste apoio dos pastores e do próprio presidente. 

Pela frente, o  Supremo vai votar assuntos importantes como desarmamento e o marco temporal, que são de interesse de Bolsonaro.

_________________________________________________Não é de LEXOTAN na veia que Bolsonaro precisa para sair do corner

Por Malu Gaspar
Jair Bolsonaro e Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, conversam durante evento no Palácio do Planalto

Já nem se pode mais dizer que seja um roteiro surpreendente: Jair Bolsonaro alimenta a retórica de força e estoicismo, faz a linha herói da pátria, mas, quando a situação aperta, o que se vê é esperneio e ameaça. O último petardo saiu da boca do general Augusto Heleno, numa formatura da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin.

— Eu tenho tomado dois Lexotans na veia por dia para não levar o presidente a tomar uma atitude mais drástica em relação às atitudes que são tomadas por esse STF que está aí — disse o chefe do Gabinete de Segurança Institucional num áudio divulgado pelo repórter Guilherme Amado, do site Metrópoles.

O general provavelmente estava se referindo à última polêmica entre o Planalto e a Suprema Corte, em torno da exigência de certificado de vacinação para a entrada de visitantes estrangeiros no Brasil. O presidente é contra a exigência, diz que é uma “coleira”, mas o plenário do Supremo já confirmou que é para fazer. Bolsonaro pode, portanto, continuar reclamando, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal (PF) terão de colocar em prática o passaporte vacinal.

Esse, aliás, não é o maior problema de Bolsonaro no momento. Nos últimos dias, ele foi convocado a depor no inquérito da PF que apura a divulgação de uma investigação sigilosa da própria PF sobre a segurança das urnas eletrônicas. A apuração não chegava a lugar nenhum, mas o presidente espalhou cópias em suas redes sociais, dizendo que o papelório provaria que houve invasão dos sistemas internos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante um ataque hacker em 2018.

Na mira da PF também estão o filho Zero Quatro, Jair Renan Bolsonaro, intimado a prestar depoimento no inquérito que apura a suspeita de recebimento de propina para intermediar interesses de empresários no governo. Isso porque, em outubro do ano passado, o Zero Quatro ganhou de presente um carro elétrico de R$ 90 mil de uma firma de mineração. No mês seguinte, levou o generoso empresário a um encontro com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, numa agenda marcada pela Secretaria Especial da Presidência da República.

Tudo isso num momento em que a Polícia Federal está rachada, em clima de guerra interna. A cúpula vem se digladiando com grupos de delegados que se queixam de interferências políticas em inquéritos e até mesmo em trabalhos burocráticos — como a expedição de um mandado de extradição contra o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.

E, pelo que sugere o vazamento do áudio de Heleno, os insurgentes não estão só na PF. Até na Abin houve quem considerasse que valia a pena vazar as falas do chefe do GSI para um jornalista, mesmo sabendo que efeitos teria (ou talvez até por isso).
Como o trabalho do general é justamente avaliar e prever cenários para informar o presidente dos riscos envolvidos em suas ações, é razoável concluir que ele também bancou o risco de as declarações virem à tona. Até porque, na mesma ocasião, Heleno também disse estar muito preocupado com a possibilidade de um atentado ao presidente da República em 2022 — o que modificaria “totalmente a História do Brasil”.

Na falta de antídoto melhor para situações difíceis, o ministro da Segurança Institucional recorre a um velho truque bolsonarista e cria teorias conspiratórias, fomentando o temor de que o presidente tome uma “atitude mais drástica”.

Seria mais conveniente o próprio Heleno recorrer à memória do que se passou da última vez que Bolsonaro ensaiou um golpe, no dia 7 de setembro. Não precisa muito esforço: o presidente incitou a população a ir às ruas para “enquadrar o STF”, chamou um ministro da Corte de canalha em cima do palanque, disse que não cumpriria mais suas decisões e afirmou que a paciência do povo havia se esgotado, mas em poucos dias foi obrigado a recuar e assinou até uma carta se retratando.

Desde então, Bolsonaro teve de se conformar com o avanço do STF sobre várias questões de interesse do governo, enfrentar dificuldades com o Congresso para conseguir recursos para o Auxílio Brasil, ver seus índices de popularidade cair e assistir ao crescimento de seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, nas pesquisas eleitorais. É isso, mais do que qualquer trama assassina, o que de fato preocupa o general Heleno.

O governo está no corner e precisa reagir. Mas, para isso, o general precisa encontrar uma nova solução. Fazer ameaças golpistas já não funcionou e nada indica que funcionará. Tomar Lexotan na veia também não é muito recomendável. O remédio dá sono e torna os reflexos lentos.

_________________________________________________Não a Bolsonaro | Merval Pereira - O Globo

A palestra do general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), em que ele diz que tem de se medicar com Lexotan na veia para impedir que o presidente Bolsonaro tome uma atitude radical em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), é mais um desses absurdos que estão se tornando comuns no Brasil de hoje. Em qualquer país normal do mundo, com regras democráticas em vigor, seria um escândalo capaz de provocar a demissão do ministro ou o impedimento do presidente.

Quando diz, na mesma palestra, que o presidente Bolsonaro pode vir a sofrer um atentado fatal na campanha à reeleição, Heleno está criando um clima de suspeição que só favorece os que querem tumultuar a campanha. Por que Lula não pode sofrer também um atentado, diante da insensatez dos seguidores do bolsonarismo? O fato é que o presidente busca, até agora inutilmente, fazer uma ligação entre o atentado que sofreu na campanha passada e a atuação de partidos de esquerda, e essa advertência de Heleno é mais um ingrediente irresponsável nessa narrativa.

A cada pesquisa divulgada, uma coisa parece certa: há hoje um consenso no Brasil de que é preciso tirar Bolsonaro do governo. Depois se escolhe em quem votar. Se houver uma terceira via capaz de disputar o segundo turno, será fortalecida durante a campanha, e muita gente que hoje está com o ex-presidente Lula mudará de voto.

O movimento “nem Bolsonaro, nem Lula” parece mais fraco que o “não Bolsonaro”. Só que a terceira via não sai do lugar. Parecia que o ex-juiz Sergio Moro tinha se descolado dos outros, atingindo dois dígitos em algumas pesquisas, mas, se ficar tecnicamente empatado com Ciro Gomes, como mostrou a pesquisa do Ipec (ex-Ibope), e a soma dos demais mal chegar perto de Bolsonaro, a escolha natural para quem é contra ele acabará sendo Lula.

A votação registrada para Lula na pesquisa do Ipec, que dá a ele a possibilidade de vencer no primeiro turno, tem uma explicação. Parte dela está no pessoal que votou da mesma maneira em 2018 — naquela vez era antipetista e agora é antibolsonarista. Bolsonaro fez um governo tão desastroso que muita gente acha hoje melhor o PT, partido mais estruturado, organizado, que pode recolocar o país diante do mundo, com posições corretas no meio ambiente, por exemplo.

Apesar da ideologia, do temor de que a ala radical de esquerda predomine em alguns momentos, e apesar da corrupção, que já foi constatada, até condenada. Todos esses obstáculos existem também no governo bolsonarista, com o sinal trocado. Hoje, porém, parece ser mais urgente a questão da fome e do desemprego que o combate à corrupção, como aconteceu em 2018.

Com essas idas e vindas, o Brasil é um país que está em busca de um caminho, mas volta sempre para o anterior, e o futuro é sempre pior do que o presente. Essa polarização, se continuar assim, é um absurdo. Em 2018, houve uma conjunção de fatores — não era exatamente Bolsonaro quem todo mundo estava procurando. Era um candidato contra o PT e contra a desorganização partidária, contra a maneira como o Congresso negociava. Acabou dando no mesmo, até sendo pior, porque Bolsonaro é uma tragédia. Não que as emendas de relator sejam mais graves que o mensalão, como Lula diz. São maneiras distintas de comprar o apoio do Congresso, o que distorce a democracia.

O país está regredindo em todos os pontos, mesmo naqueles em que sempre foi pioneiro. Ainda tem muita coisa para acontecer, muita água para rolar, mas está ficando com cara de que sucederá o mesmo que em 2018. Todos os outros concorrentes ficando com 4%, 5%, e ninguém conseguindo chegar ao segundo turno. E Bolsonaro claramente em tendência de queda, se desmilinguindo.

Esse esvaziamento, no entanto, não está favorecendo ninguém da terceira via, apenas Sergio Moro parece estar ganhando terreno, mas, de acordo com o Ipec, nada que demonstre consistência. Temos de ver a pesquisa do Datafolha para confirmar o quadro do Ipec, ou se Moro aparece com dois dígitos, ou se algum dos outros candidatos se mostra capaz de reação. Se aparecer algum, pode seguir em frente; senão, a tendência é Lula ganhar no primeiro turno.

_________________________________________________Moro tenta esconder suas ilegalidades atacando Lula, diz Paulo Pimenta (vídeo)

15 de dezembro de 2021, 18:34

15 de dezembro de 2021, 17:14
Deputado Paulo Pimenta e ministro Sergio Moro.

247 - O deputado Paulo Pimenta (PT) rebateu o ex-juiz parcial Sergio Moro (Podemos), que atacou o ex-presidente Lula (PT) acusando-o, sem provas, de desviar verbas da Petrobras. Mais cedo, Lula denunciou Moro e a Lava Jato pelo desmonte da estatal em um conluio com os Estados Unidos.

Pimenta disse, em vídeo publicado nas redes sociais, que as acusações de Moro contra o ex-presidente Lula são para “justificar as ilegalidades” que ele cometeu à frente da Lava Jato. O deputado ainda denunciou que a Lava Jato “teve um papel decisivo” no “processo de desmonte da indústria nacional”.

Ele também acusou Moro de, através das acusações contra Lula, tentar “esconder do povo brasileiro o interesse dos Estados Unidos, especialmente as grandes petroleiras, o trabalho contra o interesse do país” que a Lava Jato produziu.

“Se você é tão corajoso assim, Sergio Moro, por que não participa de um debate com o presidente Lula?”, questionou.

“Você sempre foi blindado pela mídia. Aliás, eu sou jornalista e eu nunca vi você dar uma entrevista. Eu vi você ser bajulado nas grandes reportagens da mídia nacional, espaços generosos que são negados a outros pré-candidatos”, argumentou.

“Moro você é uma pessoa que foi desmascarada. O povo brasileiro sabe que você é um mentiroso e um covarde. E tem mais: não vai manter sua candidatura, com 2% de intenções de votos, até março, você vai retirar, ou vai tentar ser vice de alguém ou vai ser candidato a deputado, senador, porque não tem coragem de manter a candidatura”, concluiu.

_________________________________________________Moro é chefe de quadrilha', diz Lula sobre o ex-juiz suspeito


247 - O ex-presidente Lula (PT) afirmou, em entrevista à Rádio Clube de Blumenau, nesta quarta-feira, 15, que o ex-juiz parcial da Lava Jato, Sergio Moro (Podemos), e o ex-coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, são “chefes de quadrilha” que deram prejuízos econômicos ao Brasil.

Ele ainda destacou que saiu da cadeia “muito mais preparado e com muito mais consciência sobre o que tinha acontecido no Brasil”. 

“Tenho consciência de que o Moro era chefe de uma quadrilha. Tenho consciência de que a Força Tarefa de Curitiba era uma quadrilha coordenada por Dallagnol. Isso já está provado”, disse.

Lula denunciou novamente que a Lava Jato tinha um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para impedir o desenvolvimento do setor de engenharia e de petróleo e gás no país.

“O objetivo, além de me tirar das eleições de 2018 como aconteceu, era também o de desmontar toda a estrutura da Petrobras, que era a empresa que mais fazia investimentos do Brasil. 

Tentaram acabar com a indústria de óleo e gás. 
Tentaram acabar com a regulamentação envolvendo o petróleo para o povo brasileiro e acabaram com a indústria de engenharia do país”, afirmou. 

“Esse processo que me levou à prisão gerou 4 milhões e 400.000 desempregos no Brasil.
Esse processo que me levou à prisão efetivamente gerou um prejuízo de investimentos de 272 bilhões de reais e fez com que os estados deixassem de arrecadar 58 bilhões de reais. 
Tudo isso já está provado e denunciado”, argumentou o petista. 

_________________________________________________Cúpula da PF veta entrevista sobre operação contra Ciro e critica método 'lavajatista'


15 de dezembro de 2021, 17:02

247 - A operação da Polícia Federal desta quarta-feira (15) que teve como alvos o presidenciável Ciro Gomes (PDT-CE) e seu irmão, o ex-governador e senador Cid Gomes (PDT-CE), causou desconforto entre os membros do alto escalão da corporação. De acordo com a coluna da jornalista Bela Megale, de O Globo, os delegados da PF criticaram a cronologia da ação e avaliam que o caso poderá trazer desgaste à imagem da PF. 

“Esse modelo ‘lava-jatista’ de fazer um barulho enorme, desgastar a imagem da pessoa para depois ver se acha alguma prova tem prejudicado a imagem da PF”, disse um delegado da PF que não quis ser identificado. Um dos pontos destacados pelos integrantes da cúpula da corporação, de acordo com a reportagem, é o fato de que “as buscas e apreensões em endereços dos investigados só aconteceram quatro anos depois do processo ser instaurado, o que torna muito difícil que provas relevantes sejam colhidas. O caso foi aberto em 2017”.

A cúpula da PF vetou pedido para realização de entrevista à imprensa que seria realizada no Ceará sobre a operação, de acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo. Segundo o jornal, a direção da PF diz temer que haja o uso político da ação com base na interpretação de que a investigação foi direcionada.

"Internamente, delegados afirmam que se trata de um inquérito de 2017, aberto com base em acordos de colaboração fechados pela Procuradoria-Geral da República, que há ainda 'herança' da Lava Jato, no sentido de exageros nas medidas", afirma o jornal.

Os delegados avaliam, ainda, que a operação contra os irmãos Gomes “fará barulho, mas não será efetiva” e reforça a mensagem de que a PF vem sendo aparelhada e utilizada politicamente pelo Planalto contra adversários e opositores de Jair Bolsonaro. 

_________________________________________________Polícia faz buscas na Câmara Legislativa do DF e em escritórios de Paulo Octávio

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247 - A Polícia Civil do Distrito Federal realizou nesta quarta-feira (15) o segundo dia consecutivo de buscas e apreensões na Câmara Legislativa. O alvo, dessa vez, é o deputado distrital Reginaldo Sardinha (Avante). Segundo o portal Metrópoles, endereços ligados ao empresário Paulo Octávio, empreiteiro e incorporador imobiliário que controla o PSD em Brasília, também estão entre os 25 mandados expedidos para os policiais com aprovação do Ministério Público.

Na terça-feira (14), o alvo das buscas e apreensões foi o distrital Daniel Donizet (PL), ligado à ministra Flávia Arruda (Articulação Política). A suspeita era a prática de rachadinhas salariais no gabinete de Donizet. Nesta quarta-feira, verifica-se a existência de um esquema de desvios e superfaturamentos de contratos da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.

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A sede da Secretaria no Governo do DF também está entre os alvos. Os policiais e procuradores suspeitam que prédios de Paulo Octávio são alugados pelo poder público num esquema de privilégio e com valores acima do mercado.

_________________________________________________Polícia faz buscas na Câmara Legislativa do DF e em escritórios de Paulo Octávio

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247 - A Polícia Civil do Distrito Federal realizou nesta quarta-feira (15) o segundo dia consecutivo de buscas e apreensões na Câmara Legislativa. O alvo, dessa vez, é o deputado distrital Reginaldo Sardinha (Avante). Segundo o portal Metrópoles, endereços ligados ao empresário Paulo Octávio, empreiteiro e incorporador imobiliário que controla o PSD em Brasília, também estão entre os 25 mandados expedidos para os policiais com aprovação do Ministério Público.

Na terça-feira (14), o alvo das buscas e apreensões foi o distrital Daniel Donizet (PL), ligado à ministra Flávia Arruda (Articulação Política). A suspeita era a prática de rachadinhas salariais no gabinete de Donizet. Nesta quarta-feira, verifica-se a existência de um esquema de desvios e superfaturamentos de contratos da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.

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A sede da Secretaria no Governo do DF também está entre os alvos. Os policiais e procuradores suspeitam que prédios de Paulo Octávio são alugados pelo poder público num esquema de privilégio e com valores acima do mercado.

_________________________________________________Biografia de Lula é citada pelo The Guardian em lista de "livros para entender o mundo"

Biografia escrita por John D. French, historiador da Universidade da Carolina do Sul/Foto: divulgação/University of South Carolina
Lula no Podepah Podcast (Foto: Ricardo Stuckert)
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O jornal britânico The Guardian divulgou nesta quinta-feira (15) uma lista de “livros para entender o mundo”, cujas obras foram indicadas pelos jornalistas da publicação.

Entre as indicações há uma biografia sobre o ex-presidente Lula, mas não, não é a escrita por Fernando Morais – Lula: biografia Vol 1 (Cia. das Letras), mas sim de uma que foi escrita por um historiador dos EUA.

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Intitulado “Lula e sua política de astúcia” (Lula and His Politics of Cunning, em inglês), e de autoria do historiador John D. French, historiador da Universidade da Carolina do Norte.

Biografia escrita por John D. French, historiador da Universidade da Carolina do Sul/Foto: divulgação/University of South Carolina

A indicação foi feita pelo jornalista Tom Philips, que cobre a América Latina para o The Guardian.

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Em sua descrição sobre o livro, Philips afirma que À primeira vista, Lula e sua política de astúcia parece ser um livro sobre o passado do Brasil: a história de um líder sindical perspicaz que se tornou “o presidente mais popular da história do Brasil e talvez do mundo”.

Para o jornalista Tom Philips, France constrói um relato “magistral sobre a jornada de Luiz Inácio Lula da Silva da pobreza rural à presidência do Brasil – e sua subsequente queda – está impregnado de presente e futuro”.

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O provável confronto entre Lula e Bolsonaro nas eleições de 2022 também é destacado pelo jornalista do Guardian.

“O confronto iminente entre o esquerdista Lula e seu arquirrival de extrema direita, Jair Bolsonaro – eleito em 2018 depois que Lula foi preso por um juiz que passou a trabalhar para Bolsonaro – paira sobre a biografia de French. O desprezo do autor pelo atual presidente – a quem ele chama de “troll fascista de extrema direita” – também é claro”, diz Philips.

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Por fim, o jornalista afirma que Lula se prepara para o confronto de sua vida.

“Mas a estrela do show é a coragem e a sagacidade de um político que uma vez se comparou a uma jararaca chamada jararaca. Com base nas palavras de admiração de francês, Lula, a víbora da cova, está se preparando para a luta da sua vida”, finaliza.

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_________________________________________________Lula presta solidariedade a Ciro e Cid Gomes, alvos de da PF nesta quarta-feira: "inexplicável"

Ciro Gomes e o ex-presidente Lula

247 - Em entrevista à Rádio Blumenau nesta quarta-feira (15), o ex-presidente Lula (PT) prestou solidariedade ao candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, e ao senador Cid Gomes (PDT-CE), que foram alvos de operação da Polícia Federal.

"Queria prestar minha solidariedade ao Ciro Gomes e ao irmão dele, o Cid, e meu repúdio ao comportamento da Polícia Federal, que foi quem determinou a invasão da casa do candidato a presidente, Ciro Gomes, e do seu irmão, senador da República", afirmou o petista.

Lula reclamou do procedimento adotado pela PF que, segundo ele, poderia convocar os investigados a prestarem depoimentos antes de invadir a casa das pessoas. "É inexplicável que as pessoas que poderiam ser intimadas para prestar um depoimento, dar uma explicação, tenham suas casas invadidas, sem levar em conta que um é candidato a presidente e o outro senador e que são pessoas que têm uma vida idônea, provada e comprovada".

_________________________________________________Ação contra Ciro é reestreia do lavajatismo mirando 2022, diz Gleisi

Gleisi Hoffmann e Ciro Gomes
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247 - A presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) Gleisi Hoffmann usou a sua conta no Twitter, nesta quarta-feira (15), para prestar apoio ao pré-candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, alvo, junto com o irmão, o senador Cid Gomes (PDT-CE), de uma ação da Polícia Federal deflagrada na manhã desta quarta, no Ceará.

Segundo Hoffmann, a invasão à casa do pedetistas é uma “reestreia do lavajatismo na eleição de 2022”. 

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“É dentro da lei que se defende o interesse público, não com espetáculo de mídia. Este episódio é a reestreia do lavajatismo na eleição de 22”

Para Hoffmann, mais uma evidência da manipulação da PF para fins políticos. 

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“Invasão da casa de Ciro Gomes expõe outra vez a manipulação da PF com objetivo político”. 

_________________________________________________Boulos acha ESTRANHA ação contra CIRO, que disputa terceira via com MORO, "o REI do LAWFARE"

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, líder do MTST disse que discorda de uma possível aliança entre Lula e Geraldo Alckmin e que o "casamento" não deve se concretizar

Por Carolina Fortes 15 dez 2021 - 13:08

O líder do MTST e político do PSOL, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (15) em entrevista ao Fórum Onze e Meia que a operação da Polícia Federal feita contra o candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) é um ato de “lawfare e perseguição política”, além de “esquisita” para o momento político, em que Sergio Moro (Podemos) tenta se projetar como opção da terceira via nas eleições para 2022.

“Da mesma forma que denunciamos quando isso aconteceu com o Lula, com a Dilma, durante o golpe, é importante denunciarmos também quando acontece com Ciro, independente das opções e caminhos políticos que ele resolveu tentar. É muito esquisito requentar uma investigação de 10 anos atrás nesse momento, quando o adversário político mais direto na disputa pela terceira via é justamente Sergio Moro, o rei do lawfare”, afirmou Boulos.

Nesta manhã, foi deflagrada uma operação da Polícia Federal de busca e apreensão contra Ciro e o irmão dele, o ex-governador do Ceará e senador Cid Gomes. A ação tem como objetivo desmontar um esquema de fraudes, exigências e pagamentos de propinas a agentes políticos e servidores públicos decorrentes de procedimento de licitação para obras no estádio Castelão, em Fortaleza (CE), entre os anos de 2010 e 2013.

Para Boulos, Moro não chegará longe como 3ª via

O ex-candidato à prefeitura de São Paulo citou o levantamento divulgado nesta terça-feira (14) pelo Instituto de Pesquisas e Comunicação (Ipec), que mostra que Lula venceria em primeiro turno, Jair Bolsonaro (PL), teria 25,3%Sergio Moro (Podemos), 9,2% e Ciro Gomes (PDT), 5,7%.

Para Boulos, o setor lavajatista permanece “ativo dentro do Judiciário e da Polícia Federal para poder abrir mais espaço para Moro”. Além disso, o ex-juiz conta com o apoio da grande mídia e de parte do establishment. Mesmo assim, o psolista não considera que o ex-ministro chegará muito longe.

“Se não acontecer nenhum fator imponderável, mesmo com todos os esforços que tem tido para alçar Moro ao herói nacional, querer trazer a narrativa da Lava Jato, botar o Moro até pra falar papagaiada de economia… Mesmo com esse esforço, acho que é muito difícil a viabilização da terceira via e a polarização tende a ser entre Lula e Bolsonaro”, disse Boulos.

Chapa com Lula e Alckmin

Questionado sobre uma eventual chapa com Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) como vice, Boulos afirmou que apoiará o petista independente da escolha, mas disse não considerar viável esse casamento. Ambos participarão de um jantar do Grupo Prerrogativas nesta sexta-feira (17).

“Tenho dúvidas se interessa. Alckmin perde parte do seu eleitorado de São Paulo, que é muito conservador, e que ele vai entregar de bandeja para o Rodrigo Garcia. Para o Lula, o que o Alckmin agrega? Seria só São Paulo, mas é muito duvidoso que um conservador de SP vote no Lula porque o Alckmin é vice. Se [Lula] quiser dar um gesto mais moderado poderia escolher outros nomes que agregassem mais”, analisou o psolista.

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Além disso, ele ressaltou que, se a aliança se concretizar, será um “péssimo sinal”. “Primeiro, de um ponto de vista simbólico, do que Alckmin representa para São Paulo. Ele jogou bomba em professor, fechou as escolas… Você ter um vice de centro direita, é muito arriscado, não vejo a necessidade de [Lula] correr esse risco.”

Assista ao programa na íntegra

_________________________________________________Globo (Globonews em Pauta) CENSURA cientista político que explicava a FORÇA de LULA e é DETONADA nas redes

_________________________________________________Depois de insultar Lula, Ciro agradece solidariedade do ex-presidente após ser alvo de ação da PF

Ciro Gomes e Lula

247 - O pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta quarta-feira (15), agradeceu pelo Twitter a solidariedade prestada a ele pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, no entanto, Ciro voltou a chamar Lula de "ladrão".

“Vão me insultar, vão me agredir, mas a intenção é exatamente essa, me abater para que eu seja moderado, para que eu não continue atacando aqueles ladrões assaltantes da vida pública brasileira, como é o Bolsonaro e como foi o Lula. Continuarei dizendo concretamente quem é ladrão e eu não sou”, disse Ciro em entrevista ao programa Manhã Bandeirantes.  

A declaração de Ciro foi feita poucos minutos depois do ex-presidente Lula expressar “repúdio ao comportamento da Polícia Federal, que foi quem determinou a invasão da casa do candidato a presidente, Ciro Gomes, e do seu irmão, senador da República". Lula disse, ainda, considerar como “inexplicável que as pessoas que poderiam ser intimadas para prestar um depoimento, dar uma explicação, tenham suas casas invadidas, sem levar em conta que um é candidato a presidente e o outro senador e que são pessoas que têm uma vida idônea, provada e comprovada".

Na entrevista, Ciro também disse que a ação da PF tem como objetivo minar a sua pré-candidatura à Presidência da República. “Isso é o Brasil. Tenho 40 anos de vida pública e nunca me envolvi em nenhum tipo de mal feito. Agora, [essa operação acontece] a essa altura da minha vida, quando eu me preparo para disputar a presidência do Brasil botando o dedo na ferida de todos eles. Eu denunciei a roubalheira do PT e denunciei a do Bolsonaro. O Bolsonaro é ladrão. Os filhos do Bolsonaro são ladrões. E a estrutura toda [do governo] está acobertando. E eu não quero ser acobertado. Eu quero ser investigado severamente. Eu não sou nenhum cidadão acima da lei. Todas as denúncias têm que ser apuradas, inclusive dessa delação que deu causa a essa absurda operação”, afirmou o pedetista.

A operação da PF deflagrada nesta quarta-feira apura um suposto esquema de fraudes e pagamentos de propinas a políticos e servidores públicos envolvendo a licitação para a construção do Estádio Castelão, em Fortaleza (CE), entre os anos de 2010 e 2013. Segundo os investigadores, Ciro e Cid Gomes fariam parte de uma “associação criminosa” que favoreceria empresários mediante o pagamento de propina. 

_________________________________________________Ciro e Cid Gomes são alvos de operação da PF por acusação de desvio de verbas em estádio da Copa

Cid e Ciro Gomes
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247 - A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (15) uma operação contra um suposto esquema de fraudes e pagamentos de propinas a políticos e servidores públicos envolvendo a licitação para a construção do Estádio Castelão, em Fortaleza (CE), entre os anos de 2010 e 2013. Entre os alvos da operação, está o  presidenciável Ciro Gomes (PDT) e seu irmão, o senador Cid  Gomes. 

Segundo os investigadores, Ciro e Cid Gomes fariam parte de uma “associação criminosa” que favoreceria empresários mediante o pagamento de propina. Os irmãos Gomes são citados juntamente com um outro irmão, Lúcio Ferreira Gomes, além de três outros políticos como integrantes do núcleo de “agentes públicos” da organização criminosa. 

Ao todo, 80 agentes federais estão cumprindo 14 mandados de busca e apreensão expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal, nas cidades de Fortaleza (CE), Meruoca (CE), Juazeiro do Norte (CE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e São Luís (MA).Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, associação criminosa, corrupção ativa e passiva.

De acordo com a PF,  “as investigações tiveram início no ano de 2017, sendo identificados indícios de esquema criminoso envolvendo pagamentos de propinas para que uma empresa obtivesse êxito no processo licitatório da Arena Castelão e, posteriormente, na fase de execução contratual, recebesse valores devidos pelo Governo do Estado do Ceará ao longo da execução da obra de reforma, ampliação, adequação, operação e manutenção do Estádio Castelão”.

“Apurou-se indícios de pagamentos de 11 milhões de reais em propinas diretamente em dinheiro ou disfarçadas de doações eleitorais, com emissões de notas fiscais fraudulentas por empresas fantasmas.” Os investigados poderão responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações, associação criminosa, corrupção ativa e passiva”, completa a PF. 

_________________________________________________Eleições 2022: Pesquisa Ipec aponta que Lula vence em primeiro turno

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegaria a 50% dos votos considerando a margem de erro - Ricardo Stuckert/Reprodução/Facebook/Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegaria a 50% dos votos considerando a margem de erro Imagem: Ricardo Stuckert/Reprodução/Facebook/Lula

Do UOL, em São Paulo

14/12/2021 19h43

Atualizada em 14/12/2021 22h02

Pesquisa Ipec, divulgada hoje pelo portal g1 e pela GloboNews, mostra que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ampla vantagem frente aos adversários e poderia vencer a eleição para a Presidência da República em primeiro turno. No principal cenário analisado, o ex-presidente aparece com 48% dos votos e todos os outros candidatos juntos somam 38%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

No segundo cenário analisado — com apenas 5 concorrentes ao Planalto — o petista aparece com 49% dos votos, enquanto os outros candidatos juntos novamente somam 38%.

Simone Tebet: Não me tratem diferente; sou pré-candidata à Presidência

Para vencer uma eleição em primeiro turno, o candidato precisa ter 50% mais um dos votos válidos (não contam os votos em branco ou nulo). Levando em conta essa sistemática adotada pela regra eleitoral no Brasil, Lula tem 56% dos votos válidos nos dois cenários considerados pelo Ipec.

Em ambos os cenários, somando-se intenções de votos brancos e nulos, o petista aparece com 27 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o presidente Jair Bolsonaro (PL).

É a primeira pesquisa depois da filiação do ex-ministro Sergio Moro pelo Podemos. Como o cenário é bem diferente do testado pelo instituto em setembro, pesquisa mais recente anterior à de hoje, não há base de comparação.

No primeiro cenário, com 12 candidatos, o ex-presidente tem 48% das intenções, ficando dez pontos à frente dos adversários somados.

No segundo cenário, com apenas cinco nomes, Lula tem 49% das intenções de votos, enquanto seus adversários somados tem 38%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o petista poderia chegar a 51% em números absolutos.

A pesquisa do Ipec foi feita entre 9 e 13 de dezembro e ouviu 2.002 pessoas em 144 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O Instituto Ipec foi criado por ex-executivos do Ibope Inteligência, encerrado em janeiro deste ano.

Confira os números:

Cenário 1: primeiro turno com 12 candidatos

  • Lula (PT): 48%
  • Jair Bolsonaro (PL) : 21%
  • Sergio Moro (Podemos): 6%
  • Ciro Gomes (PDT): 5%
  • André Janones (Avante): 2%
  • João Doria (PSDB): 2%
  • Cabo Daciolo (PMN-Brasil 35): 1%
  • Simone Tebet (MDB): 1%
  • Alessandro Vieira (Cidadania): 0%
  • Felipe d'Ávila (Novo): 0%
  • Leonardo Péricles (UP): 0%
  • Rodrigo Pacheco (PSD): 0%
  • Brancos / Nulos: 9%
  • Não sabem / Não responderam: 5%

Cenário 2: primeiro turno com 5 candidatos

  • Lula (PT): 49%
  • Jair Bolsonaro (PL) : 22%
  • Sergio Moro (Podemos): 8%
  • Ciro Gomes (PDT): 5%
  • João Doria (PSDB): 3%
  • Brancos / Nulos: 9%
  • Não sabem / Não responderam: 5%

Perfil do eleitor

De acordo com o Ipec, os votos para Lula são mais expressivos entre quem avalia o governo de Jair Bolsonaro como ruim ou péssimo (68%); quem mora no Nordeste (63%); quem mora nas periferias das capitais (55%); e entre católicos (54%).

Além disso, a pesquisa mostra que as intenções de voto no petista são maiores quanto menor a renda familiar mensal dos entrevistados. De forma que o índice de intenção de votos é de 32% entre aqueles cuja renda é de cinco salários mínimos, e atinge 57% entre quem tem renda familiar de até um salário mínimo. Entre os entrevistados com nível superior, Lula tem 40% dos votos, e entre os com ensino fundamental o índice é de 55%.

Já Bolsonaro é mais popular entre os que avaliam sua administração como ótimo ou boa (75%); quem mora nas regiões Norte/Centro-Oeste (29%) e Sul (27%); e entre os evangélicos (33%) —grupo no qual aparece tecnicamente empatado com Lula.

De acordo com o Ipec, a escolha pelo atual presidente aumenta quanto maior a renda familiar mensal e escolaridade dos entrevistados. Passando de 14%, entre quem tem renda de até um salário mínimo, para 30%, entre aqueles que ganham acima de cinco salários. Além disso, Bolsonaro tem 18% das intenções entre os eleitores com ensino fundamental e chega a 25% entre os mais escolarizados.

Já o ex-ministro Sergio Moro se destaca entre os eleitores residentes na região Sul (11%). O Ipec informou, ainda, que os outros candidatos mencionados têm intenções de voto distribuídas de maneira homogênea.

_________________________________________________PF intima Bolsonaro a depor sobre vazamento de inquérito sigiloso

Presidente é investigado sob suspeita de ter divulgado em live informações de apuração em andamento sobre urnas eletrônicas
Aguirre Talento e Mariana Muniz
14/12/2021 - 11:27 / Atualizado em 14/12/2021 - 12:04
O presidente Jair Bolsonaro durante live nas redes Foto: Reprodução/Youtube
O presidente Jair Bolsonaro durante live nas redes Foto: Reprodução/Youtube

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BRASÍLIA - A Polícia Federal intimou o presidente Jair Bolsonaro a prestar depoimento sobre o vazamento de um inquérito sigiloso sobre um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Por ser presidente da República, Bolsonaro tem a prerrogativa de escolher data, horário e local para o seu depoimento. Por isso, o agendamento depende de uma resposta do Palácio do Planalto à PF.

Bolsonaro é investigado por ter divulgado as informações sigilosas durante uma transmissão ao vivo feita por ele para propagar notícias falsas às urnas eletrônicas e ataques ao sistema eleitoral brasileiro, em agosto. Dentro dessa transmissão, Bolsonaro divulgou o inquérito sigiloso para tentar lançar suspeita sobre as urnas eletrônicas, embora o ataque hacker apurado pela PF não tenha afetado as urnas.

Essa investigação contra o presidente foi aberta pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após um pedido do próprio TSE, e também mira o deputado bolsonarista Filipe Barros (PSL-PR) e o delegado responsável pelo inquérito do ataque hacker, Victor Neves Feitosa Campos, que foi afastado do caso por ordem de Moraes.

O depoimento de Bolsonaro deve ser uma das últimas diligências antes de encerrar a investigação. Será a segunda vez em que o presidente terá que prestar depoimento à PF. No mês passado, ele foi ouvido em um inquérito que apura supostas interferências indevidas na PF. 

A intimação determinada pela PF prevê que esse novo depoimento também ocorra de forma presencial, como foi feito no caso anterior. Bolsonaro deve ser ouvido pela delegada Denisse Dias Ribeiro, responsável pelo caso, e que também conduz outras investigações contra bolsonaristas. Ainda não foi definida a data para a oitiva do presidente.

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O rancor de Malafaia | Lauro Jardim - O Globo

Pastor Silas Malafaia chega para depor na Polícia Federal em São Paulo

Antes de atacar publicamente Davi Alcolumbre nas redes sociais, Silas Malafaia atuou arduamente para convencê-lo a pautar a sabatina de André Mendonça na Comissão de Constituição e Justiça.  

O pastor se fiou na religião: pediu a Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência, que interviesse junto a Alcolumbre, que também é judeu, para pautar o escrutínio. Não funcionou. Alcolumbre sequer aceitou receber o ex-Secom 

Malafaia alega ter ajudado Alcolumbre a se eleger presidente do Senado em 2019, pedindo votos aos senadores pelo amapaense. Agora, magoado, diz que vai manter a ameaça a tirar votos do senador.  

_________________________________________________Não apoio Ciro como ser humano, mas defendo seu projeto econômico, diz Tico Santa Cruz

Ciro Gomes e Tico Santa Cruz
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247 - O músico Tico Santa Cruz, apoiador da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República em 2022, criticou os "modelos" neoliberais de governos anteriores, que, segundo ele, privilegiaram as elites. Para ele, a política econômica de Ciro Gomes seria um passo na direção contrária. 

Contudo, o time econômico de Ciro Gomes é liberal ferrenho. Ele incluiu em sua equipe de pré-campanha o economista liberal Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no governo Michel Temer. Também já conversou com outros economistas liberais, entre eles dois dos pais do Plano Real, Persio Arida e André Lara Resende.

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Para o músico, a "pessoa" Ciro Gomes não merece os mesmos elogios que a "política econômica". "Acho que o Ciro em alguns momentos se equivoca em algumas falas e decisões. Sou crítico quando isso acontece, porque não acredito realmente que político seja alguém que esteja acima do bem e do mal para não ser criticado. Há uma grande dificuldade do brasileiro de olhar para isso e não encará-los como salvadores da pátria, porque não existe salvador da pátria. Então, eu não sou personalista. Eu não estou apoiando o Ciro Gomes como o ser humano Ciro Gomes, estou apoiando o projeto que o Ciro Gomes representa", disse, ao UOL

_________________________________________________As contradições e as lacunas de Moro | Míriam Leitão - O Globo


Por Míriam Leitão

O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro durante filiação do general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz ao Podemos, em Brasília

A senadora Simone Tebet, pré-candidata do MDB à Presidência, disse que o investidor não precisa ter dúvidas sobre o posicionamento dela na economia e acrescentou: “Minha história fala por mim”. Esse é o problema com o candidato Sergio Moro, do Podemos, ele não tem história em alguns temas decisivos do país. Em outros, acumula controvérsias. No mercado financeiro já se ouve o farfalhar dos apoios incondicionais à pessoa sem conteúdo definido, como houve em 2018. O autoengano recomeçou.

O problema em torno de Sergio Moro é o quase nada que se sabe sobre suas ideias em várias áreas. Nos 16 meses que ficou no Ministério da Justiça, Moro barrou demarcações de terras indígenas, mandou o fracassado pacote anticrime para o Congresso, embutindo nele o excludente de ilicitude, apoiou indiretamente um motim de policiais no Ceará e abonou os sinais de desvios éticos no governo Bolsonaro, quando começaram a surgir.

Para contextualizar os ditos no parágrafo anterior. Havia 17 processos de demarcação de terras indígenas prontos para serem assinados pelo ministro da Justiça. Moro devolveu tudo para a Funai e nunca demonstrou ter qualquer interesse pelo tema indígena. O apoio ao excludente de ilicitude é agressão ao Direito. Ninguém que aposte no devido processo legal pode achar natural essa licença para matar que é bandeira de Jair Bolsonaro.

Na questão da corrupção, que o levou a ser conhecido no país, Moro disse que tinha “confiança pessoal” em Onyx Lorenzoni, quando se descobriu o caixa dois do então coordenador da transição do governo Bolsonaro. Em 9 de janeiro de 2019, diante do relatório do Coaf mostrando as movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ele disse que o presidente já havia esclarecido o caso do ex-assessor do filho. Até hoje o caso permanece não esclarecido.

Houve um evento assustador na sua gestão no Ministério. Greve de policial é proibida, porque é motim de pessoas armadas. E que foram armadas pela sociedade com o fim exclusivo de protegê-la. Policiais militares se amotinaram no Ceará, desafiando o governador Camilo Santana e levando medo à população. Moro enviou o coronel Aginaldo Oliveira para resolver o conflito. Lá, o coronel definiu os amotinados como corajosos e gigantes. “É muita coragem fazer o que vocês estão fazendo. Os covardes nunca tentam, os fracos ficam pelo meio do caminho.” Imagine o perigo se todas as PMs do Brasil seguissem a orientação do enviado do Ministério da Justiça ao Ceará. Moro foi padrinho do casamento de Aginaldo com a deputada Carla Zambelli e nunca o repreendeu por essa atitude temerária.

Esses são os fatos. Moro não pode ser idealizado. Ele precisa, na campanha, definir suas ideias e propostas. Ter escolhido como conselheiro um bom economista como Affonso Celso Pastore é bom, mas está longe de ser suficiente. Ele, em muitas áreas, é uma página em branco e precisa preenchê-la. Para o bem ou para o mal, os outros candidatos são pessoas com ideias conhecidas.

O ex-presidente Lula está na vida política do país há mais 40 anos e governou o Brasil por dois mandatos. Bolsonaro teve longa vida parlamentar, na qual defendeu atentados à liberdade e aos direitos humanos. Esse tétrico prontuário foi desconsiderado por muitas cabeças pensantes do país. Deu no que deu. O governador João Dória tem um histórico que não é longo, mas testado na administração da maior cidade e do maior estado do país. Ciro Gomes foi prefeito, governador e ministro. A senadora Simone Tebet foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e, no Senado, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça. Todos podem dizer “minha história fala por mim”. Moro teve curta experiência administrativa e deixou lacunas e contradições.

Há muitos temas que precisarão de respostas em 2022 e não apenas a economia. O ataque de Bolsonaro à democracia exige uma defesa intransigente do pacto democrático de 1988. As ofensas aos negros, as ameaças aos indígenas, o desprezo às mulheres, o preconceito contra a comunidade LGBTQ no governo Bolsonaro aumentaram a urgência da questão da diversidade. É mais do que um debate sobre minorias, é trincheira de defesa da civilização. Os atentados à Amazônia tornaram emergencial um amplo plano de proteção do meio ambiente. A ambiguidade não será aceitável em 2022. O país vive momento dramático e decisivo.

Com Alvaro Gribel (de São Paulo)

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_________________________________________________Miriam Leitão se descola de Moro e aponta falhas graves do ex-juiz suspeito

247 – A jornalista Miriam Leitão apontou, em sua coluna deste domingo no jornal O Globo, os principais problemas da candidatura do ex-juiz Sergio Moro, que foi declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal por atuar com parcialidade contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Segundo ela, Moro não tem ideias sobre temas centrais do País e cometeu diversos erros quando foi ministro de Jair Bolsonaro.

"No mercado financeiro já se ouve o farfalhar dos apoios incondicionais à pessoa sem conteúdo definido, como houve em 2018. 

O autoengano recomeçou", escreve Miriam. 

"O problema em torno de Sergio Moro é o quase nada que se sabe sobre suas ideias em várias áreas. 

Nos 16 meses que ficou no Ministério da Justiça, Moro barrou demarcações de terras indígenas, mandou o fracassado pacote anticrime para o Congresso, embutindo nele o excludente de ilicitude, apoiou indiretamente um motim de policiais no Ceará e abonou os sinais de desvios éticos no governo Bolsonaro, quando começaram a surgir", relembra.

Miriam chega até a questionar a hipocrisia de Moro no tema da corrupção, ao lembrar que ele disse que tinha “confiança pessoal” em Onyx Lorenzoni, quando se descobriu o caixa dois do então coordenador da transição do governo Bolsonaro.

"Em 9 de janeiro de 2019, diante do relatório do Coaf mostrando as movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ele disse que o presidente já havia esclarecido o caso do ex-assessor do filho. 

Até hoje o caso permanece não esclarecido", escreve Miriam.

A jornalista também aponta os vínculos entre Moro e correntes de extrema direita na polícia. 

"Houve um evento assustador na sua gestão no Ministério. 

Greve de policial é proibida, porque é motim de pessoas armadas. 

E que foram armadas pela sociedade com o fim exclusivo de protegê-la. 

Policiais militares se amotinaram no Ceará, desafiando o governador Camilo Santana e levando medo à população. 

Moro enviou o coronel Aginaldo Oliveira para resolver o conflito. Lá, o coronel definiu os amotinados como corajosos e gigantes", relembra.

"Moro teve curta experiência administrativa e deixou lacunas e contradições", pontua.

_________________________________________________Moro quer criar um TRIBUNAL de EXCEÇÃO Indicação EXPLÍCITA de montar em torno dele, se eleito, um ESTADO POLICIAL.  

Por Helena Chagas

Sergio Moro e Polícia Federal
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Por Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia 

Sergio Moro vinha enunciando platitudes liberais em relação à economia e agora encontrou, em Afonso Celso Pastore, um biombo para protegê-lo de questionamentos mais complexos por parte do mercado. Na área social, passou da etapa da genérica "compaixão" pela miséria à clara confirmação de que não entende patavinas do assunto ao anunciar uma "agência",  nos moldes da Anatel, Aneel e outras, para combater a pobreza. Mas o perigo maior para o país representado pela candidatura do ex-juiz está no plano institucional, traduzido na proposta de criação de uma "corte nacional anticorrupção".  

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Em entrevista ao Correio Braziliense, neste domingo, Moro disse que pretende criar um tribunal especial contra a corrupção. Numa clara confrontação ao STF, que o considerou parcial no julgamento do ex-presidente Lula, o ex-juiz resolveu desmantelar o sistema judicial brasileiro se for eleito presidente da República. Sua justificativa:  "nossos tribunais não podem ter uma resposta assim tão formal para o problema da corrupção".  

Como assim?? Será que, além de virar de ponta-cabeça a estrutura do Judiciário, Moro quer criar um tribunal que passe por cima das formalidades da lei? Dá para imaginar o que seria, na visão de Moro, uma resposta informal para o problema da corrupção. Mais ou menos aquilo que ele fez em Curitiba, multiplicado por dez quinze, ou vinte - a depender do número de integrantes dessa nova corte. 

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E que seriam eles? Segundo o ex-ministro, seu tribunal anticorrupção seria integrado pelos "melhores servidores e os melhores magistrados do Judiciário, por meio de um processo seletivo que leve em conta, com procedimentos de devida diligência, não só a integridade dessas pessoas, mas também o comprometimento com o combate à corrupção, sem aumentar custos orçamentários". É evidente que esse processo seletivo seria o que o ex-juiz e seus amigos de Curitiba quisessem, e os juízes desse tribunal escolhidos a dedo por eles. 

Seria interessante que, na próxima entrevista, alguém perguntasse a Moro se magistrados como Edson Fachin, por exemplo, teriam lugar na sua Corte. Afinal, o ministro, um lavajatista de carteirinha, foi o responsável por anular as sentenças de Lula. Ao fim e ao cabo, graças a ele o petista voltou à cédula eleitoral sem maiores procedimentos. Vai ou não vai? 

Acima de tudo, a proposta de Sergio Moro de criação desse tribunal de exceção indica uma indisfarçável vontade de mexer nas instituições e montar em torno dele, se eleito, um Estado policial.  

Foi bom, muito bom, que Moro já tenha levado a público suas intenções. 

Mais claro do que isso, impossível: a democracia, coitadinha dela!, voltará à zona de risco em caso de vitória do juiz candidato. 

E as elites brasileiras não vão poder disfarçar e sair de fininho, como fizeram no caso de Jair Bolsonaro, que ajudaram a eleger, em nome de um antipetismo e da promessa de um suposto liberalismo que nunca veio. 

Deu no que deu. 

Mas talvez seja pedir muito dos que hoje se iludem com Pastores (do mercado, e não das igrejas) e promessas que percebam onde estão se metendo. 

Só não digam que não foram avisados.

_________________________________________________"O GRANDE TRAIDOR desse país se chama Jair Messias Bolsonaro", dispara ex-aliado Santos Cruz

Santos Cruz e Bolsonaro

247 - Ex-ministro de Jair Bolsonaro, o general Santos Cruz (Podemos), afirmou nesta quinta-feira (2), em entrevista ao UOL, que o chefe do atual governo federal é um 'SEM-VERGONHA' e 'TRAIDOR'.

Questionado sobre a promessa eleitoral de Bolsonaro em 2018 de não fazer política com "toma lá, dá cá", Santos Cruz disparou:

"NÃO tem ingenuidade, tem 'sem-vergonhice'. Prometer uma coisa, e depois não fazer. Você não pode considerar um parlamentar que tinha 28 anos de Câmara como ingênuo".

Nesta semana, Bolsonaro se filiou ao PL, um dos principais partidos do Centrão, e escancarou de vez sua ligação com tal setor político.

Para Santos Cruz, BOLSONARO é RESPONSÁVEL pela DESTRUIÇÃO de muitas instituições no país: 

"o grande traidor desse país se chama Jair Messias Bolsonaro. Ele destruiu quase todas as instituições por onde teve alguma atuação mais intensa. Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Saúde...TODA instituição onde ele colocou a MÃO...".

2 de dezembro de 2021, 20:11

_________________________________________________Veja divulga pesquisa que mostra chance de vitória de Lula no primeiro turno e Moro com apenas 5%

Lula, Bolsonaro, Moro

247 - Uma pesquisa nacional finalizada nesta semana pelo Instituto FSB, encomendada pela revista Veja, mostra o ex-presidente Lula liderando com folga a corrida pela Presidência da República. Segundo a pesquisa, o petista tem 42% das intenções de voto, contra 19% de Jair Bolsonaro.

O resultado mostra que Lula tem chances de vitória no primeiro turno, considerando os votos válidos. Sergio Moro e Ciro Gomes aparecem na terceira posição, com 5% das intenções de voto. 

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O nome do instituto foi substituído na matéria da Veja para "um grande instituto nacional" após a publicação. O levantamento foi feito entre os dias 19 e 22 de novembro.

_________________________________________________Nassif detalha "a expansão repentina dos negócios da família Dallagnol"

Luis Nassif e Deltan Dallagnol
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247 - O jornalista Luis Nassif, do GGN, denunciou neste domingo (28) "a expansão repentina dos negócios da família Dallagnol", ex-chefe da força-tarefa da Lava Jato de Curitiba.

"Em setembro de 2018 – em pleno apogeu da Lava Jato – Deltan comprou um apartamento em um prédio de luxo de Curitiba, um por andar, pelo valor de R$ 1,8 milhão, pago em duas parcelas", lembrou Nassif, fazendo referência à revelação feita pelo Brasi 247. "No dia 12 de julho passado, a esposa de Dallagnol arrematou um segundo apartamento no mesmo edifício. Pagou R $2,1 milhões em um leilão judicial", destacou o jornalista. 

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Como Dallagnol bancaria os custos dos apartamentos era uma dúvida, visto que somente a taxa de condomínio dos dois imóveis ultrapassa os R$ 10 mil. Havia boatos de que o ex-integrante do Ministério Público tinha adquirido quatro franquias da Hering para sua esposa. "Os boatos podem ter nascido das atividades de sua irmã, Édelis Martinazzo Dallagnol", diz Nassif, que mostra o perfil de Édelis no LinkedIn. 

Édelis se apresenta como gestora do Hering Kids de Curitiba. "Na página da empresa, fica-se sabendo que se trata de uma 'extensão infantil da renomada Hering, voltada ao publico de 0 a 16 anos'".

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Édelis, na rede social, diz ter começado a trabalhar na empresa em julho de 2021. Um mês antes, a família Dallagnol - o pai do ex-procurador, Agenor Dallagnol, e a mãe ,Vilse Salete Martinazzo Dallagnol, - abriram cinco empresas diferentes. Na mesma época, a esposa de Deltan Dallagnol, Fernanda Mourão Ribeiro Dallagnol, também abriu uma empresa, a Delight Consultoria Gerencial e Empresarial Eirelli, com capital social de R$ 110.000,00. Além disso, ela "adquiriu em leilão da Caixa Econômica Federal um imóvel de escritório, no Edifício Vega Business Center, pelo valor de R$ 143 mil. Todos esses negócios realizados em um mesmo curto espaço de tempo", conta Nassif.

A família Dallagnol ainda tem relações com Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Uma ação do instituto contra Agenor está em processo no Tribunal Regional Federal da 1a Região e está pronto para decisão.

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Nassif lembra que "no material divulgado pela Vaza Jato, Deltan antecipava seus planos de montar novos negócios em nome de terceiros, para não despertar críticas. Ele e o colega Roberto Pozzobon montaram um grupo de WhatsApp exclusivamente para discutir os novos negócios. Nas discussões planejam uma empresa de eventos

_________________________________________________A Faria Lima está apaixonada por Moro | Lauro Jardim - O Globo

Sergio Moro desponta como candidato à presidência

O mercado financeiro anda encantado com Sergio Moro. Aliás, não é muito difícil arrebatar a Avenida Faria Lima.

Basta falar a língua dela e mostrar-se viável na disputa com Lula e Bolsonaro. E, para o amor acabar, basta despencar nas pesquisas.

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"Junho de 2013 foi sabotagem internacional contra o Brasil", diz Aldo Rebelo 

Aldo Rebelo-PT-Dilma X Direita-PSOL 

________________________________* Então houve essa UNIÃO SINISTRA, SÓRDIDA entre esses interesses. ________________________________* Esse pessoal é que depois se transformou ali em Lava Jato. ________________________________* Esse LAVAJATISMO continua no PSOL até HOJE.

Aldo Rebelo

247 - O ex-ministro Aldo Rebelo relembrou na TV 247 os protestos de junho de 2013, classificados por ele como uma “sabotagem” à época contra o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

Para ele, tudo foi armado internacionalmente, “de fora para dentro”. “Aquilo não foi uma coisa espontânea. Aquilo foi criado, orquestrado. Foi um ato de sabotagem contra o Brasil, em primeiro lugar, e contra o governo da Dilma”.

Rebelo destacou o movimento criado neste período chamado de “Não Vai ter Copa”, que tentava embarreirar o torneio que se realizaria no Brasil em 2014. Na época, ele ocupava a cadeira de ministro dos Esportes.

O ex-ministro salientou que a DIREITA e parte da ESQUERDA, notadamente o PSOL - citado por ele -, tinham INTERESSES em DERRUBAR Dilma e que, por isso, se ALIARAM para PREJUDICAR a Copa, o que seria um desastre para a gestão do momento.

“A direita achava que podia colar no governo dela [Dilma], em um acontecimento de grande visibilidade interna e externa, o fracasso na gestão. 

Então se tivesse um fracasso, por razões de atraso de obras, de segurança pública, de mobilidade, esse fracasso ganharia as manchetes do mundo e carimbaria o fracasso na gestão do governo da presidente Dilma.

E na esquerda, nesse pessoal aí que também foi para a rua quebrando tudo, era a ideia de que se o PT fracassasse, sobraria uma franja na esquerda para um novo protagonista. 

Então houve essa união sinistra, sórdida entre esses interesses. 

Esse pessoal é que depois se transformou ali em Lava Jato. 

Esse lavajatismo continua no PSOL até hoje. 

Não estou dizendo que foi todo mundo, mas foi um processo de SABOTAGEM aberto contra esses grandes eventos com esses interesses. Isso eu vi de perto”.

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_______________* Esse LAVAJATISMO continua no PSOL até HOJE.

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