Doente, Felipe Neto relata dificuldade em voltar ao Brasil
Influenciador digital MILIONÁRIO lamentou o ATENDIMENTO MÉDICO na Europa...!
Doente, Felipe Neto relata dificuldade em voltar ao Brasil - Foto: Reprodução
Nesta sexta-feira (8), Felipe Neto usou as redes sociais para relatar a dificuldade de consultar com um médico na Europa. O influenciador digital, que está com sintomas de Covid-19 e Influenza, tenta um voo para voltar ao Brasil, depois de ter feito teste para o novo Coronavírus que acusou negativo. Porém, Neto procura uma rota privada, já que uma amiga dele foi diagnosticada para a doença.
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"Estou tentando um voo privado para voltar ao Brasil. A situação aqui na França é uma lástima. Os hospitais privados são ruins, os públicos você fica horas e horas pra fazer uma consulta simples. Os remédios disponíveis são péssimos, até dipirona é proibida aqui! Quero muito minha casa. Eu e Bruno continuamos dando negativo para a Covid. A Sam continua dando positivo, mas agora está quase sem sintomas, só com tosse", disse.
"Estamos com a suspeita de que eu peguei Influenza. Não Covid. Mas nesse país, com esse sistema de saúde, vai ser impossível descobrir. A única forma de voltarmos para o Brasil é com voo privado, jamais deixaria a Sam aqui. Estou tentando um. Valorizem o Brasil. Já precisa de médico nos Estados Unidos e agora em Paris. E vi de perto a desgraça de precisar de atendimento em Londres. Repito: Valorize no Brasil."
Felipe Neto
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Reportagem: Chico Alves - Após atentados, defensora dos direitos trans vai sair do Brasil
Fernanda Falcão, militante pelos direitos das pessoas trans Imagem: DivulgaçãoChico Alves
Colunista do UOL
10/03/2022 04h00
Vítimas da transfobia e da falta de políticas públicas que as proteja, as mulheres transgêneras brasileiras vão perder uma de suas grandes aliadas dentro de poucos dias. A pernambucana Fernanda Falcão, 30 anos, mulher travesti que é criadora e coordenadora da Rede Nacional de Mulheres Travestis, Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV/Aids (RNTTHT), vai viajar para a Espanha. Não decola por opção, mas para preservar a própria segurança.
."Com esse governo, as pessoas agora têm coragem de falar que têm ódio de algumas coisas, antes existia um certo pudor", desabafou Fernanda à coluna.
Senador diz que mudança do governo sobre preço de combustível é eleitoreira
As agressões de cunho transfóbico se tornaram mais frequentes e mais violentas. Fernanda sentiu isso na pele.
Em junho do ano passado, depois de integrar uma equipe que tentou socorrer vítimas de maus tratos em um prostíbulo da cidade de Abreu e Lima, na região metropolitana do Recife, ela sofreu represálias. Á noite, quando estava em casa, ouviu chutes na porta e gritos do lado de fora. Eram homens com armas na mão, dizendo que iam matá-la. Fernanda gritou, chamou a atenção dos vizinhos e os estranhos fugiram.
Cinco meses depois, um novo atentado. "Tentaram me colocar dentro de um carro, arrancaram meu cabelo com a mão. Tive que pular em um rio para escapar", recorda Fernanda. Pior: pediu ajuda da polícia para escapar e o socorro lhe foi negado. Além disso, teve a casa metralhada.
Chegou facilmente à conclusão de que para continuar viva teria que sair do país. Fez um crowdfunding para cobrir as despesas e está de malas prontas.
"É muito difícil sair daqui e perder essas pessoas que são referenciais para mim", diz. Ela se refere às companheiras da RNTTHT , que criou em 2016, e às mulheres trans que são atendidas pelo projeto.
Ela espera poder voltar. "Estamos falando de nossas dificuldades e desafios, mas quem vivencia uma vida de luta também tem suas conquistas. Sempre há esperança".
A seguir, trechos da entrevista com Fernanda Falcão:
Trabalho social
Criamos em 2106 a Rede Nacional de Mulheres Travestis, Transexuais e Homens Trans Vivendo e Convivendo com HIV/Aids. Percebi que isso estava me fazendo feliz, me faz suprir coisas que são essenciais, me faz querer permanecer viva. Começamos a fazer trabalho dentro do sistema prisional, com a readequação de vínculos familiares, a questão da prevenção do HIV/Aids, a prevenção da tortura.
Além disso, contribuí com o governo estadual como funcionária pública, com políticas sociais dentro das unidades prisionais e secretarias de Justiça e Saúde, sempre articulando as meninas para que pudessem ter espaço de fala.
Ameaças constantes
As ameaças acontecem desde sempre. Quando íamos para a pista, os motoristas queriam passar por cima. Fomos agredidas em redes sociais, quando alguma das pessoas que atendemos aparecia em alguma reportagem já estigmatizava por ter Aids. Jogam pedras. É algo costumeiro.
É a primeira vez que falo de uma agressão que acontece comigo. Porque considero que tive muitos privilégios e minha população está pedindo tão pouco. Várias outras morreram para que eu tivesse oportunidade de estar aqui. Pode ser que essa seja minha vez.
Guerra cotidiana
A gente está vivendo uma guerra aqui mesmo. Não tem explosão, bombardeio, mas é uma guerra silenciosa. E não é de agora que se extermina a população de travestis e transexuais, não é de agora que a gente é vítima de HIV, expulsão de casa, da escola. É desde sempre.
Os meios de comunicação nos tratavam como palhaças, só pra rir. Hoje estamos sendo mostradas com seriedade, hoje se dá valor à vida, mas não quero que dê valor somente à minha vida não, quero que se dê valor a todas as outras. Várias militantes estão passando pela mesma coisa.
Trabalho social como referência
Tudo isso que eu construí, algo que é meu, que eu dou muita importância, porque é o que me faz permanecer viva. Essas ameaças vão me tirar uma coisa que é a minha base, que é estar nos espaços onde eu me sinto acolhida. Mas a última vez que fizeram atentado contra mim arrancaram meu cabelo com a mão, tentaram me colocar dentro de um carro, tive que pular no rio para escapar. Metralharam a minha casa.
As violências pioraram nos últimos tempos, principalmente nos últimos dois anos. Antes as pessoas tinham vergonha de falar do seu ódio. Hoje, as pessoas falam com muita tranquilidade do seu ódio, é algo muito característico. A gente vê pelas mortes das meninas e meninos, estupros que acontecem dentro de casa, como se fosse um corretivo.
A gente vê claramente que é algo que vem depois dessa nova gestão federal. O nosso Brasil está sendo gerido por pessoas que destilam e autorizam o ódio de forma permanente. Isso é algo que vai demorar a ser mudado. A política de Aids, que levou 30 anos para ser construída, foi destruída em uma canetada. Estamos vulneráveis.
Ameaças permanentes
Não existe mais garantia de vida. É difícil uma travesti sair na rua, de dia, pode ser agredida a qualquer momento. Imagine uma pessoa que junta a isso uma fala política? Que dialoga com outras pessoas que se acham donas da concepção do saber.
A instituição continua, a instituição não é Fernanda. Inúmeras pessoas foram formadas enquanto a gente fez esse trabalho de formiguinha. Temos pessoas que são multiplicadoras.
Apesar de tudo, esperança
Sempre tem esperança. Estamos falando de nossas dificuldades e desafios, mas quem vivencia uma vida de luta também tem suas conquistas. Não é o suficiente, mas a política pública para as pessoas trans é embrionária, um diálogo que precisamos continuar por muito tempo.
O preconceito está dentro da nossa cultura e acaba vitimando muitas pessoas. Mas as saídas estão sendo construídas todos os dias, permanecer viva é a primeira delas. As pessoas têm que usar da sua hetero-cyz-normatividade para ajudar os diferentes.
Sonhos e trabalho social
Não realizei meu sonho, que é ser aquela mulher padrão que cuida de uma família. Se eu não consegui realizar isso, eu vejo realizado esse sonho em muitas outras meninas. Pode ser que eu viva essa experiência junto com essas pessoas. Por isso, é muito difícil sair daqui e perder essas pessoas que são referenciais para mim.
Para fazer esse trabalho, a pessoa vira uma espécie de mira. Já levei tiro, já tive minha casa metralhada, porque as pessoas não gostam de referenciar direitos para quem está na marginalidade, na base da pirâmide.
_________________________________________________Biden escolhe juíza negra para servir na Suprema Corte dos EUA
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247, com Reuters - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, selecionou a juíza federal Ketanji Brown Jackson para se tornar a primeira mulher negra a servir na Suprema Corte dos Estados Unidos, disse a Casa Branca nesta sexta-feira (25 de fevereiro), preparando o terreno para uma batalha de confirmação no Senado.
Biden escolheu Jackson, 51, para o cargo vitalício no principal órgão judicial do país para suceder o juiz liberal Stephen Breyer, que, aos 83 anos, é o membro mais velho do tribunal.
Das 115 pessoas que já serviram na Suprema Corte, apenas duas eram negras e ambas eram homens.
"O presidente Biden buscou um candidato com credenciais excepcionais, caráter incontestável e dedicação inabalável ao Estado de Direito", disse a Casa Branca em comunicado.
Jackson, se confirmada pelo Senado, se tornaria a sexta mulher a servir no tribunal, que atualmente tem três juízas.
_________________________________________________Silvio Almeida: 'As pessoas descobriram que o RACISMO NÃO é uma PATOLOGIA. É o que ORGANIZA a VIDA delas'
Autor de 'Racismo Estrutural' afirma que a pandemia do novo coronavírus pode fazer o racismo tomar novas formas de modo a manter desigualdades
Silvio de Almeida: advogado, doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito, professor e presidente do Instituto Luiz Gama Foto: Divulgação
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Os acontecimentos das últimas semanas nos EUA deixaram muita gente estarrecida - inclusive no Brasil. Um homem negro sufocado até a morte por um policial branco, protestos diários contra a violência policial, a resposta truculenta do presidente Donald Trump, a indignação crescente nas redes sociais. Será que finalmente as pessoas brancas entenderam a gravidade do racismo e o quanto ele pauta a política, a economia e as relações sociais? O que é preciso ser feito para desmontar a estrutura cruel e violenta que nega a uma parte da população, não apenas as condições materiais de vida, mas a possibilidade de sonhar?
Silvio Luiz de Almeida é um dos intelectuais brasileiros que têm articulado respostas para essas e tantas outras perguntas. Aos 43 anos, é advogado, doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP, professor na FGV-SP e na Universidade Presbiteriana Mackenzie. É presidente do Instituto Luiz Gama, associação civil que reúne juristas, acadêmicos e militantes dos movimentos sociais que trabalham em defesa das classes populares, e autor de "Racismo estrutural", volume da coleção "Feminismos Plurais", coordenada pela filósofa Djamila Ribeiro. Almeida concedeu essa entrevista por telefone dos EUA, onde é professor convidado da Universidade Duke. Ele alerta que a pandemia pode fazer o racismo criar novas formas de modo a manter as desigualdades e estruturas de dominação. E diz que sonha com um mundo emancipado: "É um mundo liberado de todas as forças que limitam as capacidades humanas. Um mundo em que não se esmaga as nossas possibilidades de ser, um mundo que não tem teto."
Gostaria de começar com uma provocação. Diante do que temos visto na última semana, as pessoas brancas, inclusive no Brasil, finalmente descobriram que o racismo existe e que ele mata?
Um dos efeitos do racismo, e por isso ele funciona tão bem como uma forma de organizar a sociedade, é que ele é naturalizado. O racismo tem a capacidade de estar presente e se incorporar ao cotidiano das nossas vidas, está oculto. Ele é normal, faz parte da ordem. Todo dia um homem negro é morto, essa violência é cotidiana. Mas, agora, estamos em um momento de tensão, em meio a uma crise, um ato de brutalidade foi filmado, os ânimos estão inflamados. Quando o mundo está em desordem, a ordem pode nos chocar. Não há mais fumaça escondendo, o racismo aparece e se coloca em confronto aparente com as nossas convicções morais. As pessoas se perguntam: "Como eu não pude ver isso?". Elas descobriram que o racismo não é um desajuste, não é uma patologia. É o que organiza a vida delas de todos os pontos de vista.
A pergunta que muitos têm se feito é por que a morte de George Floyd provocou tanta comoção entre brancos no Brasil, mas a morte de negros brasileiros não causa. Em fevereiro de 2019, Pedro Gonzaga, um negro de 19 anos, foi sufocado pelo segurança de um supermercado no Rio.
Essa não é uma resposta simples. Embora a questão racial tenha origem no processo de formação do Brasil e dos EUA, cada país tem um processo diferente de racialização, de organização do trabalho e de distribuição da riqueza. A construção da unidade nacional nos EUA se dá com a segregação racial. Houve a criação de um arcabouço jurídico para possibilitar a segregação, e isso originou uma dinâmica de luta. No Brasil, a estratégia de unidade é o apagamento das diferentes raças. Não se reconhece os condicionantes do racismo na estrutura da sociedade, as pessoas acham que o racismo não acontece no Brasil. Então, o movimento negro brasileiro tem que demonstrar que existe racismo. Além disso, do ponto de vista cultural, o Brasil tem sua orientação voltada para os EUA. O que acontece lá é parâmetro para as pessoas se orientarem, inclusive do ponto de vista emocional. Nesse contexto, não há a compreensão da dimensão da violência racista e da subalternidade brasileiros.
O Cornel West [filósofo e ativista afro-americano] disse que estamos no meio de uma tempestade perfeita. Pandemia, crise econômica, Trump, violência policial, e a alternativa oferecida é a repressão. As pessoas estão desesperançadas, cansadas, saturadas dessa falta de horizonte. Nem do ponto de vista cultural oferecemos um espaço para o sonho. Não há espaço para uma vida no meio desse horror. As pessoas têm que escolher entre morrer doentes, de tiro ou de fome. Por isso, saem às ruas em meio à pandemia. Sartre falava que a nossa única condenação é a liberdade.
Em sua obra cultural, Freud fala sobre o "ideal do eu", diz que a saúde psíquica precisa de um projeto de futuro. Levando em conta as nossas desigualdades, agora aprofundadas pela pandemia, o Brasil está tirando o sonho de seus jovens?
A sociedade contemporânea construiu formas muito sofisticadas de dominação. A economia e a política estão ligadas à questão do desejo. A construção de um projeto parte da construção de um ideal de eu, mas há um ocultamento das condições materiais, da segurança para se projetar esse ideal. Os governantes apostam no apagamento do desejo. Antes de governos autoritários e fascistas ascenderem ao poder, o mundo já estava em processo avançado de decomposição. Eles são o resultado dessa falta de horizonte. O desejo se manifesta em pulsão de morte. Uma necropolítica só é possível se houver na sociedade um desejo de morte. Esses líderes são os catalisadores do ódio da sociedade. É preciso uma dinâmica social e política que possa estabelecer nossas formas de vida.
A dimensão criativa da pulsão de morte?
Sim, essa dimensão está nos protestos. As pessoas estão dizendo: "Não estou nem aí se vou morrer de Covid-19. Eu quero algo novo." É um momento aberto da História, não dá para fazer previsões. Precisamos entender o que nos trouxe até aqui, esse processo de abandono das pessoas, inclusive do ponto de vista material.
Os negros são a maioria da população brasileira, 56%, e também são os mais vulneráveis sob diversos aspectos. Um país que tira a possibilidade de um projeto de futuro da maior parte de sua população está investindo em um projeto suicida, não é?
A primeira questão é se é possível um projeto nacional racista. É, e foi isso o que os projetos nacionais fizeram até agora, não só no Brasil. Aqui, existiu um pacto moral de todos contra os escravos. No século XIX, o racismo científico como ponto de vista teórico criou a ideia de que havia diferenças de raça, que isso era cultural. Era preciso criar estruturas para conter essa desordem. Nos anos 30, o projeto de modernização afirmou que a miscigenação é a nossa vantagem e criou a ideia de democracia racial. O Brasil é historicamente um país racista, mas hoje ocorre algo ainda mais grave. É a primeira vez na História em que ele incorpora de maneira ativa o discurso da supremacia branca. Sempre houve o discurso da superioridade branca, quanto mais branco for, mas superior você é. Mas, agora, temos um governo com vínculos com a supremacia branca. Pessoas que acham que são brancas, mas que, se saírem do Brasil, não são. É um projeto assassino e suicidário. Mata as possibilidades de futuro. Eu me pego pensando em quantos rapazes negros melhores do que eu poderiam estar contribuindo com o Brasil.
A pandemia pode intensificar o racismo no Brasil?
Primeiro é preciso deixar claro que o racismo é um fenômeno mundial. Não diria que ele pode se intensificar, mas que pode tomar novas formas para estabelecer outras maneiras de dominação. A primeira crise do capitalismo gerou o colonialismo, a segunda gerou o nazi-fascismo, a terceira, que foi a crise do estado de bem-estar social, gerou o racismo que vemos hoje, incorporado ao neoliberalismo. Poderá acontecer desde uma reorganização das restrições econômicas até das formas de lidar com o outro, como a criação de políticas preventivas contra doenças futuras e a proibição da circulação de estrangeiros, que é a xenofobia como vemos na Europa. O racismo contra asiáticos, que temos visto contra os chineses por causa da pandemia, não começa hoje. Agora, há uma disputa de hegemonia entre EUA e China, mas, na decisão que institucionalizou a segregação racial nos EUA, o resultado foi 7 a 1 a favor da segregação. O juiz que votou contra, o único, afirmou que as instituições deveriam ser daltônicas. E ele completou: "Os negros são como nós. Eles não são como os chineses".
É preciso pegar a questão estrutural. O mundo se organiza sempre contra certos grupos sociais; a dinâmica do racismo é de exclusão. Ele é uma tecnologia para que o ódio seja articulado.
É o que Edward Said [intelectual palestino] descreve em "Orientalismo", a construção da identidade de um grupo é espelhada na construção da identidade inferiorizada do outro?
É o Said, mas se você pegar autores como Frantz Fanon [psiquiatra e filósofo marxista] e Aimé Césaire [poeta, ensaísta e um dos criadores do conceito de negritude], eles questionam a centralidade cultural da Europa. É uma construção política que tem base na Modernidade: a ideia de que é necessário expandir as conquistas civilizatórias dos brancos europeus para outros povos. Essa ideia foi naturalizada, está na cabeça das pessoas.
A partir dessa ideia, e levando em conta a brutalidade da repressão - o Brasil tem um presidente que é declaradamente racista e o presidente da Fundação Palmares chamou uma mãe de santo de "filha da puta macumbeira" -, é possível afirmar que o Estado brasileiro construiu o negro como seu inimigo?
Michel Foucault [filósofo francês] escreveu que a dinâmica do Estado Moderno, que nasce no século XIX, é a criação de um inimigo, do radicalmente outro. O Achille Mbembe [filósofo camaronês] diz que a raça é uma criação muito sofisticada. A veiculação entre negro, África e escravidão é naturalizada. É tão natural que o sujeito acha que pode pisar em um homem negro. Ele fez isso com a mesma tranquilidade no rosto que podemos ver nas fotografias antigas de linchadores que enforcavam negros em árvores. É eliminada qualquer possibilidade de empatia.
Empatia é uma palavra que tem sido muito repetida em diversos contextos...
É legal que as pessoas usem a palavra, é um sinal de que elas estão pensando. Mas a palavra precisa se tornar uma determinação histórica e política. Quem tem empatia pelos negros não pode ser contra o SUS, não pode ser a favor da militarização da polícia, não pode ser a favor da austeridade. A empatia tem que se converter em solidariedade política. A ausência de solidariedade para os negros é mortal, para os brancos é viver uma meia humanidade. É preciso apoiar iniciativas de solidariedade para além daquilo que o Estado oferece; são ações práticas para desmontar as estruturas do mundo que nos separam.
Eu me pergunto se o fato de que há pessoas brancas nos protestos americanos é o que faz brancos brasileiros criarem empatia agora.
É mais uma empatia com os brancos de lá do que com os negros. Boa parte disso, e a gente está falando do inconsciente, é porque existe a ideia de que eles estão fazendo alguma coisa. Mas é bom que não se generalize. Isso é uma análise de um sentimento que tomou parte das pessoas, mas existem pessoas brancas que são aliadas fundamentais na luta contra o racismo.
É muito comum que o racismo brasileiro seja descrito como um resquício da escravidão. Mas houve um projeto de modernização construído em cima da ideia de democracia racial.
A escravidão faz parte da História. Mas o racismo que observamos hoje não é só um resquício dela. A escravidão conviveu com o capitalismo industrial, o café brasileiro servindo ao europeu. Mas o racismo que vemos hoje é parte do projeto de modernização da sociedade pós-escravidão. Houve uma reorganização para reproduzir as desigualdades, e o racismo faz parte. Os baixos salários são um novo parâmetro com base racial.
Enquanto sistema político, como acabar com o racismo?
Ele não é uma questão individual. É preciso haver as condições estruturais para que as práticas discriminatórias sejam tidas como naturais. Portanto, temos que mudar as estruturas sociais que tornam possível a existência da raça. É necessário uma reorganização das decisões políticas. Do ponto de vista econômico, para que os grupos racializados não sejam empurrados para a margem.
A gente precisa reorganizar o desejo das pessoas. Louis Althusser [filósofo argelino] disse que a ideologia não é só uma forma de consciência. É a forja dos afetos. Precisamos de uma nova economia dos afetos. Arte, literatura, cinema, teatro, enfim, precisamos de uma cultura que se oponha ao racismo, que coloque em seu centro produções em que a nossa humanidade caiba.
Nesse sentido, a produção de intelectuais negros é fundamental.
O movimento negro brasileiro teve como estratégia central a inserção de pessoas negras no ensino superior. Isso se deu porque as universidades sempre foram um espaço de unção das classe dominantes, incluindo, curiosamente, as universidade públicas. Intelectuais negros são fundamentais para entender o Brasil. Luiz Gama, Abdias Nascimento, Milton Santos, Lélia González, entre outros, são grandes pensadores. O que acontece hoje é que a juventude negra resolveu tomar assento e falar de si. Há uma demanda reprimida de se fazer ouvir, de falar que o racismo é uma questão central para se entender os rumos da sociedade contemporânea. Não é possível falar das questões econômicas sem falar de racismo. Mas a democracia liberal tem dificuldade com a questão da igualdade.
Fala-se constantemente em reformar a polícia, inclusive no Brasil. A cidade de Ferguson, palco de protestos nos EUA em 2014, tenta fazê-lo. Mas a reforma deve ser só da polícia ou do sistema de Justiça?
De todo o sistema de Justiça. O procurador de Minnesota chegou a dizer que é muito duro condenar a polícia. Depois de tudo isso, pode ser que o policial que matou George Floyd não seja condenado. O sistema de Justiça absorve o ajoelhamento. As polícias matam muito porque existe conivência do sistema de Justiça. A reforma deve ser da sociedade.
É simbólico que um homem negro morra sufocado em meio à pandemia de Covid-19, uma doença que mata dificultando a respiração. O nosso modo de vida está sufocando?
Estamos sufocando. Por isso as pessoas saem de casa para protestar. A forma como George Floyd morreu é devastadora. Ele morreu pedindo ao Estado opressor para respirar. E chamou pela mãe no meio disso. Um homem que precisava que o Estado oferecesse mais do que violência. Fez pessoas sentirem vergonha por terem permitido que isso acontecesse. Fez pessoas pensarem que poderia ter sido com elas. Perdemos o direito de respirar.
O senhor já disse que "a luta contra o racismo é a luta por um mundo emancipado". Que mundo é esse?
É um mundo em que as pessoas não tenham que escolher entre comer e ter que se entregar a um trabalho indigno, em que as mulheres não tenham que se submeter às violências, em que não se naturalize a violência de Estado; um mundo em que as pessoas tenham saúde, em que elas possam se educar, possam ser mais do que são, possam sonhar. É um mundo liberado de todas as forças que limitam as capacidades humanas. Um mundo em que não se esmaga as nossas possibilidades de ser, um mundo que não tem teto.
O senhor é otimista?
Prefiro ser um analista. Estão abertas as possibilidades de fazer um mundo melhor. Estamos em uma esquina da História em que não sabemos o que vamos encontrar quando virarmos a rua. Mas eu sou resultado de pessoas que tiveram esperança. Enquanto eu estiver aqui, enquanto houver pessoas aliadas e a luta política, eu vou pavimentar caminhos para quem vem depois de mim.
_________________________________________________Homem morto por vizinho em São Gonçalo implorou para que militar não atirasse contra ele no chão, diz viúva
Vídeo, porém, contrariaria a versão dela; imagens mostrariam o sargento abrindo fogo de dentro do carro
Newsletters Flavio Trindade 03/02/2022
Durval Teófilo Filho, morto 'por engano' por sargento da Marinha em São Gonçalo Foto: Reprodução
RIO — Morto a tiros por vizinho, um sargento da Marinha, o repositor Durval Teófilo Filho teria pedido para que o militar não atirasse contra ele na noite de quarta-feira, em São Gonçalo, de acordo com a viúva, Luziane Teófilo. Em conversa com o GLOBO, ela disse que o marido chegava em casa após um dia de trabalho, quando foi confundido com um ladrão e alvejado por Aurélio Alves Bezerra, que parava com o carro na porta do condomínio onde moravam. De acordo com a viúva, o atirador saiu do carro apontando a arma para Durval, que tirou a máscara de proteção e se identificou como morador, mas mesmo assim, teria sido vítima de mais dois disparos.
— Ele atirou depois dele se identificar e ele não deu chance de defesa. Meu marido sempre andava com a mochila dele na frente porque tinha medo de assalto, então quando ele chegou ontem foi pegar a chave do portão na mochila e atiraram nele. Eu vi imagens das câmeras do condomínio e ouvi relatos de vizinhos que falaram que ele estava no chão e se identificou como morador. Ele pediu para parar e foi alvejado mesmo assim — contou a viúva de Durval.
No entanto, em imagens do caso, obtidas pelo GLOBO, é possível ver o clarão de três disparos de dentro do carro do Sargento Aurélio no momento em que Durval se aproxima da entrada do condomínio. Atingido, ela cai no chão e se arrasta gesticulando. Nesse momento, o Sargento Aurélio sai do carro, aponta a arma e vai em direção vítima. Ele se aproxima e parece falar algo com Durval e retorna ao carro.
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As imagens do caso, obtidas pelo EXTRA, mostram o momento em que Durval chega à porta do condomínio e recebe o primeiro tiro, no abdômen. Em seguida ele se afasta, mas cai no chão e se arrasta. Há mais disparos. O sargento Aurélio, então, sai do carro e vai em direção vítima, que é vista gesticulando.
De acordo com Luziane, ao chegar no Hospital Antônio Pedro, os médicos confirmaram a ela que o segundo disparo, dado em Durval quando ele estava no chão pedindo para o atirador parar, acertou uma das coxas e foi fatal para ele, pois rompeu uma artéria.
— Os médicos me disseram que só pelo primeiro tiro no abdômen dava para terem salvado ele, mas o segundo foi fatal, pois atingiu uma artéria na coxa. Se ele (Aurélio) não tivesse atirado após meu marido se identificar como morador, ele estaria vivo — afirmou.
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Apesar de serem vizinhos, Luziane disse que tanto ela como Durval não conheciam bem Aurélio, pois o sargento trabalhava muito tempo embarcado e era visto poucas vezes pelo condomínio. Após o crime, a família do militar deixou o local e a casa estava trancada e vazia na manhã desta quinta-feira.
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Após o crime, ele socorreu Durval e o levou ao Hospital Estadual Alberto Torres, também em São Gonçalo, mas segundo a esposa, o homem já chegou à unidade de saúde sem vida. Em depoimento a policiais militares que atenderam a ocorrência, o sargento afirmou que retornava de viagem à noite e que, ao chegar em casa, na Rua Capitão Juvenal Figueiredo, avistou um homem se aproximando do seu carro muito rapidamente. Aurélio não o reconheceu, pegou a sua arma e disparou contra a vítima. Ao sair do carro, ele viu que o homem não estava armado e teria informado ser morador do condomínio.
_________________________________________________Evangelho x bolsonarismo - Pastor Henrique Vieira
André Mendonça foi nomeado ministro do STF por ser "TERRIVELMENTE evangélico". Trata-se, portanto, de um PROJETO de PODER que busca se APROPRIAR das INSTITUIÇÕES para IMPOR ao conjunto da sociedade uma DETERMINADA FORMA de ver o mundo.
É um projeto VIOLENTO, INCAPAZ de RESPEITAR as DIFERENÇAS e a DIVERSIDADE do povo.
Trata-se da CONTINUAÇÃO e da ATUALIZAÇÃO do espírito das CRUZADAS, da COLONIZAÇÃO, da ESCRAVIDÃO, das FOGUEIRAS da INQUISIÇÃO, da CHICOTADA e da TORTURA.
Peço aos leitores e às leitoras que NÃO SUBESTIMEM o potencial de MORTE desse PROJETO que HOJE governa o Brasil.
Jesus viveu sob a ÉTICA do AMOR, o bolsonarismo se ALIMENTA do ÓDIO.
Jesus tinha COMPAIXÃO diante do SOFRIMENTO humano, o bolsonarismo ZOMBA do LUTO das pessoas.
Jesus foi TORTURADO, o bolsonarismo exalta TORTURADORES. Jesus CUIDOU das pessoas, o bolsonarismo DESTRÓI famílias. O bolsonarismo MATARIA JESUS hoje.
O ano de 2021 confirma uma TENDÊNCIA: existe um PROJETO de FANATISMO religioso representado por Bolsonaro. Se este projeto VENCE, a DEMOCRACIA MORRE, levando um monte de gente junto.
_________________________________________________Evangelho x bolsonarismo - Pastor Henrique Vieira
Pastor Henrique Vieira (texto) Yuri Lueskas (ilustrações)
André Mendonça foi nomeado ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), com a justificativa de ser "terrivelmente evangélico".
Em primeiro lugar, cabe afirmar que este argumento expressa total desrespeito à democracia, ao Estado laico, à pluralidade religiosa e ao direito à não crença.
Trata-se, portanto, de um PROJETO de PODER que busca se APROPRIAR das INSTITUIÇÕES para IMPOR ao conjunto da sociedade uma DETERMINADA FORMA de ver o mundo.
É um projeto VIOLENTO, INCAPAZ de RESPEITAR as DIFERENÇAS e a DIVERSIDADE do povo. TODAS as vezes na história em que se usou a RELIGIÃO como forma de IMPOSIÇÃO o resultado foi a produção de PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO, INTOLERÂNCIA, SOFRIMENTO e MORTE.
NÃO é exagero NEM espetacularização, o PROJETO BOLSONARISTA de FANATISMO religioso é capaz de MATAR.
Trata-se da CONTINUAÇÃO e da ATUALIZAÇÃO do espírito das CRUZADAS, da COLONIZAÇÃO, da ESCRAVIDÃO, das FOGUEIRAS da INQUISIÇÃO, da CHICOTADA e da TORTURA.
Peço aos leitores e às leitoras que NÃO SUBESTIMEM o potencial de MORTE desse PROJETO que HOJE governa o Brasil.
Em segundo lugar, peço licença para fazer uma consideração teológica e pastoral. Preciso dizer que o bolsonarismo é absolutamente IRRECONCILIÁVEL e INCOMPATÍVEL com os ensinamentos do Evangelho.
Jesus viveu sob a ÉTICA do AMOR, o bolsonarismo se ALIMENTA do ÓDIO.
Jesus tinha COMPAIXÃO diante do SOFRIMENTO humano, o bolsonarismo ZOMBA do LUTO das pessoas.
Jesus cultivou a PAZ, renunciou à VINGANÇA e ensinou o PERDÃO; o bolsonarismo estimula a GUERRA, o JUSTIÇAMENTO com as próprias mãos e o uso de ARMAS e VIOLÊNCIA.
Jesus andou ao lado das pessoas AMALDIÇOADAS socialmente, QUEBRANDO preconceitos; o bolsonarismo se alimenta do ÓDIO contra MULHERES, NEGROS, QUILOMBOLAS, LGBTQIA+, INDÍGENAS e diversos grupos historicamente MASSACRADOS.
Jesus DEFENDEU a causa dos POBRES e DENUNCIOU o acúmulo de RIQUEZAS, o bolsonarismo conduz a economia MASSACRANDO o povo, ampliando a DESIGUALDADE e causando mais SOFRIMENTO aos pobres.
Jesus foi TORTURADO, o bolsonarismo exalta TORTURADORES. Jesus CUIDOU das pessoas, o bolsonarismo DESTRÓI famílias. O bolsonarismo MATARIA JESUS hoje.
Cabe ainda apontar que o campo evangélico é diverso, plural, majoritariamente popular, feminino e negro. Não se trata de um bloco coeso, monolítico e uniforme.
Muitas igrejas servem como espaço de acolhimento, socorro, consolo e empoderamento de pessoas desprezadas em nossa sociedade.
Peço aos leitores e leitoras: não generalizem os evangélicos! Toda generalização tende ao reducionismo, ao preconceito e não consegue dar conta da complexidade da realidade.
O ano de 2021 confirma uma TENDÊNCIA: existe um PROJETO de FANATISMO religioso representado por Bolsonaro. Se este projeto VENCE, a DEMOCRACIA MORRE, levando um monte de gente junto.
Para 2022, precisamos: IDENTIFICAR e DENUNCIAR este fanatismo; defender a DEMOCRACIA e o respeito à DIVERSIDADE e estabelecer um diálogo sincero com a experiência evangélica popular, para além de um calendário eleitoral.
Não é tarefa apenas para um ano eleitoral, mas para um momento histórico.
Não me refiro a um diálogo eleitoreiro e utilitário, mas defendo uma articulação importante com parcela expressiva da classe trabalhadora no Brasil. Trata-se de gente que luta para sobreviver numa sociedade DESIGUAL, RACISTA e ELITISTA.
Precisamos priorizar o combate à fome, a superação da dramática DESIGUALDADE SOCIAL em nosso país, o ENFRENTAMENTO ao RACISMO ESTRUTURAL que todos os dias MATA o povo NEGRO.
Também se faz necessária uma mudança no nosso modelo de desenvolvimento, pois a emergência climática é uma realidade.
Para um projeto de justiça social, democracia e liberdade para o Brasil é necessário e urgente um diálogo profundo com o campo evangélico.
Por fim cabe a nós, cristãos e cristãs, com humildade e coragem, afirmar que a PRINCIPAL MARCA de quem caminha com Jesus NÃO É sinal de arma que mata, mas gesto de ABRAÇO que CUIDA e que SALVA!
Pastor Henrique Vieira é teólogo, ator, professor e historiador. Tem se dedicado ao combate ao fundamentalismo religioso no Brasil. Pastoreia a Igreja Batista do Caminho, comunidade itinerante que realiza suas celebrações em Niterói e Rio de Janeiro. É também membro do Conselho Deliberativo do Instituto Vladimir Herzog.
Este é um capítulo da série
Cartas para 2022
Convidados escrevem sobre como momentos-chave de 2021 impactam no que vai acontecer no ano que vem
_________________________________________________Opinião: Ronilso Pacheco - Damares e o ministério desumano diante da morte de um jovem africano
7.mai.2020 - A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, em coletiva sobre a crise do coronavírus Imagem: Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo
Ronilso Pacheco 02/02/2022 04h00
Até o início da noite de ontem, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, liderado pela pastora e advogada Damares Alves não emitiu um único comunicado sobre o assassinato do jovem congolês Moise Kabamgabe, na Barra da Tijuca, no Rio. O silêncio de Damares e sua pasta é tão chocante, neste caso, que dificilmente poderia ser entendido de outra maneira se não uma indiferença, a falta de importância com uma "causa" que está distante de seus interesses.
Obviamente, o Ministério dos Direitos Humanos não tem condições de emitir nota ou levar Damares a se pronunciar oficialmente sobre todas as violações de direitos humanos que acontecem no país. Seria impossível. Mas há casos que, sem qualquer esforço de compreensão, reúnem todas as dimensões possíveis de violações. Elas são atravessadas por uma força de representação e mensagem que faz com que ela praticamente exija uma declaração. Qualquer chefe ou ministro de estado sabe disso, ou deveria saber.
Um homem negro, jovem, um trabalhador em condições precárias, imigrante africano, que chegou ao Brasil fugindo de uma situação de guerra e fome. Este jovem africano foi assassinado, espancado até a morte, a pauladas, em público, com mãos e pernas amarradas para não ter a chance de se defender, no seu local de trabalho, após ter exigido o seu salário atrasado.
Essa barbaridade foi capaz de reunir racismo, xenofobia, aporofobia, exploração de trabalho, má remuneração, condições precárias, covardia e crueldade. É vergonhoso que Damares Alves tenha escolhido ficar em silêncio, mesmo ciente da responsabilidade da sua pasta. É vergonhoso e inaceitável.
Damares tem uma presença diária nas redes sociais. Sua equipe é eficiente em postagens que registram tudo que ela tem a dizer e faz. Todos os seus feitos são prontamente registrados no Twitter. Ela é capaz de interromper a viagem para fazer vídeo mostrando drogas apreendidas pela Polícia Rodoviária Federal em fronteira. Damares chega em minutos em qualquer lugar desse país para impedir um aborto.
Não há explicação plausível para que ela não se prontificasse a ligar para a família de Moise. Um imigrante foi espancado até a morte na nossa casa. É dever dela e de sua pasta fazer isso em nome do país. É diplomacia, além de humano.
No Instagram, mesmo sem tempo para postar absolutamente nada que significasse solidariedade à família do jovem Moise, Damares conseguiu encontrar tempo para postar um vídeo de gosto duvidoso, performando uma apresentadora de programa infantil, afirmando que uma característica do governo do PT, que ela chama de comunista (!!) "desprincesava as meninas".
Exato, "desprincesava". E o seu governo agora estava "princesando" novamente. O vídeo termina com a frase "Bolsonaro, o lobo-mau dos comunistas. Michelle, o terror das bruxas". É inaceitável. Um jovem africano foi assassinado a pauladas. Damares está brincando?
Essa desumanidade só mostra os verdadeiros interesses de Damares, seu Ministério e sua gente. Não há empatia, não há sensibilidade, não sequer compromisso bíblico. Qualquer evangélico sabe, no mínimo, que o estrangeiro, ao lado do pobre, da viúva e do órfão, são categorias caras de representação de cuidado e vulnerabilidade na Bíblia. O caso de Moise é emblemático e está "escrito" em muitas passagens bíblicas, de muitas formas.
Mas Damares quer manter o que ela acredita que lhe garante os votos necessários para o Senado. Vai continuar com essa pirotecnia de combate à aborto, pedofilia, combater "erotização infantil", etc. Esse "pacote", que ela transforma em show nas redes sociais, onde mostra as coisas mais corriqueiras, como entregar vans para Conselhos Tutelares, como se fossem demonstração de trabalho duro.
Por fim, no início da noite de ontem, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos emitiu uma nota. E acho que isso era o que faltava. Quando a titular da pasta não tem a coragem de mostrar o seu rosto para falar em solidariedade e luto como mãe, como pastora evangélica, como advogada, ela já deu o seu recado. É um retumbante "não ligo", "não me interessa".
A nota é pequena, fria, burocrática, sem empatia. É nítido que foi feita forçadamente, para não dizer que não falou nada diante das cobranças. O Ministério dos Direitos Humanos simplesmente não existe.
Justiça para Moise.
_________________________________________________Os judeus de esquerda, a luta contra o antissemitismo e o Estado de Israel - Jair de Souza
Por Jair de Souza 2 de fevereiro de 2022, 10:34
Ao ver o grande número de artigos publicados recentemente abordando a questão do antissemitismo, até mesmo na mídia considerada progressista, um leitor menos atento poderia concluir que a perseguição aos judeus, ou ao judaísmo, está em um crescendo em nosso país.
Creio que isto não corresponde para nada às evidências existentes! No Brasil, o antissemitismo nunca chegou a ter nenhuma expressão significativa e, me atrevo a dizer, jamais virá a tê-la.
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A bem da verdade, na atualidade, o antissemitismo (em sua versão que o equipara ao antijudaísmo) não representa mais um fenômeno de grande dimensão nem mesmo em sua região de origem, ou seja, na Europa.
Já não estão presentes na maioria dos países europeus as condições que possibilitaram o surgimento dos sentimentos antissemitas que deram à luz o nazismo e sua fobia contra os judeus. Naquele momento da história, havia um número relevante de pessoas de origem judaica vivendo na Europa. Em sua grande maioria, era gente que vivia do trabalho assalariado. Muitos deles haviam aderido a ideais de luta e emancipação da classe trabalhadora contra a exploração capitalista. Não por acaso, boa parte dos líderes populares e trabalhistas europeus do início do século passado tinha ascendência judaica.
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Em razão dos recorrentes embates em que se travavam as lutas de classe daquele período, o que os ideólogos do grande capital trataram de fazer para defender seus interesses é o que sempre tratam de fazer quando assim consideram oportuno: encontrar um bode expiatório contra o qual direcionar toda a ira e a frustração que a espoliação capitalista estava causando ao conjunto da população. Em outras palavras, a tentativa de sedimentar a ideia de que todas as desgraças sofridas pelo conjunto da nação eram devidas, única e exclusivamente, àquele grupo de pessoas que o grande capital tinha selecionado para desempenhar o papel de inimigo comum.
Logicamente, as campanhas de disseminação de ódio contra os judeus só poderiam prosperar se eles constituíssem uma comunidade numericamente expressiva por ali. Se não contassem com um número de certa proporção, seria impossível trabalhar e moldar a mente da maioria dos cidadãos para que viessem a sentir que, ali ao lado deles, estavam presentes os judeus e que, por isso, os problemas e aflições pelos quais passavam estavam relacionados com os mesmos. Na Europa atual, isto já não ocorre com os judeus.
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Entretanto, ainda que os riscos de um ressurgimento da perseguição aos judeus não sejam iminentes, nunca podemos compactuar com a prática da discriminação com base em preconceitos raciais ou religiosos. O chamado holocausto judaico foi mais uma demonstração de que não há limites para as atrocidades que o grande capital está disposto a praticar para garantir a continuidade de seus lucros através da exploração máxima da força de trabalho humana. Embora a bola da vez não pareça estar dirigida aos judeus, há outros povos e etnias que podem vir a sofrer desgraças semelhantes àquelas provocadas pelo grande capital em sua fase nazifascista.
Na verdade, a busca pelo bode expiatório nunca deixou de fazer parte das preocupações dos donos do capital. Longe de cessar, ela ganhou até mais ênfase. Só que agora já não são os judeus os visados para tal função. Na Europa, as principais vítimas da discriminação racial e cultural do momento, com os consequentes atos de perseguição, são os enormes contingentes de imigrantes oriundos das nações arrasadas pelo colonialismo e pelo neocolonialismo pelo mundo afora.
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Os odiados do presente, os vilões da atualidade, os que devem ser combatidos, expulsos ou eliminados, são as massas de trabalhadores muçulmanos, os imigrantes negros que fugiram da África devido à fome, os latino-americanos que saíram de suas terras em razão da falta de perspectivas e de esperança para uma vida digna. Estes “novos judeus” não têm quase nenhuma associação direta com os antigos "inimigos mortais" da extrema direita nazifascista europeia da primeira parte do século passado, mas servem muito bem para assumirem o posto de bodes expiatórios do momento.
Aqui no Brasil, porém, a discriminação contra os judeus nunca atingiu nenhuma relevância significativa. No século passado, o antissemitismo só chegou a contagiar um número relativamente reduzido de integrantes de nossas classes média e alta. Muito mais em função do viralatismo umbilical que os une a seus congêneres europeus do que por motivações endógenas. Para a amplíssima maioria de nosso povo, a questão da aversão aos judeus nunca esteve presente. Provavelmente, isto se deve a que nunca tivemos grandes massas de gente de origem judaica entre nossa população.
E se entre nós o antissemitismo nunca tinha alcançado destaque que merecesse uma consideração mais séria, neste momento é que seu peso não se faz sentir mesmo! Em razão do trabalho de divulgação dos meios de comunicação corporativos, por aqui, tem predominado o entendimento de que judeus e Estado de Israel estão indissoluvelmente ligados. E, neste sentido, é bom que deixemos claro que nem mesmo os nazistas tupiniquins de hoje enxergam nos judeus seus inimigos viscerais.
Para muitos desses nazifascistas verde-amarelos, o Estado de Israel representa atualmente o modelo a seguir no tocante à maneira de aniquilar a resistência dos grupos marginalizados da sociedade. O Estado de Israel é visto por eles como o protótipo da estrutura que se deveria armar para enfrentar e derrotar qualquer tentativa de rebelião por parte daqueles que só têm o direito de existir para servir como objeto da mais brutal exploração e espoliação.
Em vista disto, no Brasil de hoje em dia, o Estado de Israel, seu exército e sua maneira de lidar com os palestinos se tornaram símbolos de admiração para grande parte dos expoentes de nossa extrema direita de características nazifascistas. Podemos constatar isto entre os donos das maiores igrejas neopentecostais, em muitos líderes de quadrilhas de traficantes de drogas e em boa parte dos bolsonaristas ideológicos. Quem não se recorda daquele assessor de Bolsonaro que, ao ser flagrado enviando senhas de cunho neonazista durante uma interpelação no Congresso, foi logo buscando ressaltar sua inocência quanto a não estar comprometido como o antissemitismo com uma declaração de sua vinculação com o judaísmo. Claro que também entre a chamada elite do dinheiro o prestígio do Estado de Israel não fica atrás.
E que dizer de certos personagens que se apresentam como judeus de esquerda que costumam ser os que mais levantam a questão do antissemitismo em suas argumentações? Bem, o que eu pessoalmente posso adiantar é que sinto isto como uma tragédia da incompreensão. Supondo, é claro, que essas pessoas estão agindo de boa fé, e que se preocupam de verdade por encontrar saídas humanistas e dignas para todos os que têm a ver com o problema.
Primeiramente, devo admitir que encontro dificuldades para entender o que significa ser judeu sem ser seguidor da religião judaica. Parece que, para muitos, o judaísmo adquiriu caráter racial. Todos os judeus seriam parte de uma mesma e única raça, independentemente da religião, da cor da pele, da cultura, da língua falada, etc.
Bem, nosso Benedict Anderson já nos explicou que toda nação é sempre uma comunidade imaginada, por isso, ainda que eu não compreenda com clareza a questão, não vejo como negativa a identificação de certas pessoas com algumas tradições históricas que elas associam ao judaísmo.
Porém, o que não estou disposto a aceitar é que existam aqueles que se apresentem como “judeus de esquerda” e que, embora não sigam a religião judaica, demonstrem sentir-se moralmente comprometidos com a defesa do Estado de Israel da forma como ele foi criado.
Essas pessoas estão engajadas na defesa não de um estado de tipo abstrato, mas de um Estado Judeu de Israel. Sim, um estado de e para os judeus, que é assim como está estruturado o Estado de Israel desde sua formação pelos colonos europeus que para lá foram ocupar a terra e expulsar os palestinos que já habitavam a região há milênios. É importante recordar que muitos desses colonizadores tinham acabado de ser vítimas de severas perseguições e matanças na Alemanha e em vários outros países da Europa, não pelos povos da Palestina.
Todo democrata humanista, mesmo quando se considere um judeu, pode e deve fazer ao Estado de Israel várias críticas que não têm absolutamente nada a ver com a questão de preconceito antissemita. Defender a existência do Estado de Israel como ele foi constituído e vem sendo mantido até hoje é defender um Estado racista, discriminador dos povos que não pertencem a “etnia” judaica, seja lá o que isso for.
Portanto, qualquer um que queira se chamar judeu de esquerda pode continuar a fazê-lo. Mas, se o objetivo for contribuir com a paz, com a justiça social, com o humanismo e com a defesa dos direitos de todos, é preciso estar na linha de frente pela exigência de que o Estado de Israel deixe de ser um estado judeu e passe a ser um ESTADO DE TODOS OS SEUS CIDADÃOS, independentemente de sua origem étnica ou religião. Quanto a isto, felizmente, não nos faltam exemplos de grandeza, até mesmo dentro do próprio Estado de Israel. São vários os nomes que podem ser citados como exemplos de solidariedade e dignidade provenientes de pessoas que se consideram parte da comunidade judaica.
Eles estão entre aqueles que não concordam com disposições do tipo das que permitem que qualquer um que se considere de origem judaica possa imigrar a qualquer momento para Israel e passar a ter todos os direitos de um cidadão pleno, enquanto que os descendentes dos palestinos que foram expulsos de suas terras pelos colonos ocupantes não podem retornar.
Qualquer um que deseje o bem para a humanidade deveria aspirar a que naquela terra onde hoje está instalado o Estado de Israel e os parcos territórios onde os palestinos restantes foram amontoados, que ali seja edificado um Estado para todos os seus habitantes, sem nenhuma discriminação baseada em origem racial ou religiosa.
Estarei sendo muito antissemita ao pedir isto?
*Economista formado pela UFRJ; mestre em linguística também pela UFRJ
_________________________________________________'Vivi para contar': ‘Mataram meu filho aqui como matam em meu país’
Ivana Lay, mãe do congolês Moise Kabamgabe, que morreu espancado em quiosque na Barra, fala que o filho foi vítima da mesma violência que o fez fugir do Congo Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Mãe do jovem congolês espancado em quiosque na Barra, onde trabalhava, quer justiça e pede ajuda
Ivana Lay em depoimento a Rafael Nascimento de Souza
01/02/2022 - 03:30 / Atualizado em 01/02/2022 - 11:44
Ivana Lay, mãe do congolês Moise Kabamgabe, que morreu espancado em quiosque na Barra, fala que o filho foi vítima da mesma violência que o fez fugir do Congo Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
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RIO — Morávamos em uma região da República Democrática do Congo onde fica a guerra. Uma guerra tribal civil entre os hema e os lendu. Somos Hema. Tudo começou quando meus filhos mais velhos estavam pequenininhos. Essa guerra étnica tinha disputas toda semana. Não sei como começou. Essas duas tribos, até hoje, são problemáticas. Nessa guerra, eles mataram a minha mãe, meus parentes, toda a minha família. Continuam até hoje, e todo dia tem mortes. Ela ainda dura no Congo. O pai dele e muitos parentes desapareceram por conta dessa disputa. Na minha cabeça, eu tinha que fugir para o Brasil para ficar calma. Viemos para cá em 2014. Meus filhos começaram a estudar. Eles chegaram aqui pequenos. O Moïse (Mugenyi Kabagambe) chegou aqui com 11 anos, em 15 de fevereiro de 2011. Ele veio primeiro. Nesses anos todos, o meu filho virou um brasileiro. Tudo dele era do Brasil. Ele sabia como trabalhar no Brasil, fez muitos amigos.
A gente chegou aqui e os brasileiros sempre foram pessoas boas. Mas, hoje, não sei mais. Moïse trabalhou nessa barraca antes da pandemia e durante a pandemia. Conhecia todos lá do local. Eles conheciam o meu filho e tiraram a vida dele. Se houve algum problema, eles não poderiam matá-lo. Moïse conhecia tudo na praia. Quando queriam alguma coisa, eles chamavam: “Angolano, angolano”.
Naquele dia, o Moïse saiu de casa para trabalhar e disse que pegaria o dinheiro. No domingo, ele havia dito para um amigo que pegaria o dinheiro que ele fez em dois dias, para comprar algumas coisas para beber com os amigos dele. Eu acho que seriam cervejas, algo do tipo. Acho que ele foi reclamar, e bateram nele. Cinco pessoas bateram nele.
Ajuda no aluguel
Na segunda-feira (dia 24), ela foi cedo para o quiosque com um amigo dele que também trabalha lá. Moïse vinha reclamando com esse amigo da situação. Dizia que eles estavam fazendo sacanagem com ele.
Ele era trabalhador e muito honesto. Ganhava pouco, mas era dele. No final, chegava com parte do dinheiro e me dava para ajudar a pagar o aluguel. E reclamava, dizendo que ganhava menos que os colegas.
Às 7h da terça-feira, o meu filho me ligou e disse: “Oi, mãe, o Moïse?”. Depois, outra chamada perguntando se ele tinha chegado. E eu disse que não. Eu perguntei o que tinha acontecido, e eles disseram que era para eu ter calma. O meu outro filho chora. Em nenhum momento, eu tinha pensado que o meu filho estava morto. Pensava num acidente ou algo parecido. Às 11h, um africano me ligou e disse que o Moïse havia falecido e estava no IML (Instituto Médico-Legal, no Centro do Rio).
Que vergonha! Meu filho que amava o Brasil. Por que eles mataram o meu filho? Moïse tinha todos os amigos brasileiros. Aí vêm os brasileiros e matam o meu filho.
Olha a foto do meu filho, meu bebezinho. Era um menino bom. Era um menino bom. Era um menino bom. Eles quebraram o meu filho. Bateram nas costas, no rosto. Ó, meu Deus. Ele não merecia isso. Eles pegaram uma linha (uma corda), colocaram o meu filho no chão, o puxaram com uma corda. Por quê? Por que ele era pretinho? Negro? Eles mataram o meu filho porque ele era negro, porque era africano.
A gente vem para cá achando que todo mundo vai viver junto. Que é todo mundo igual, mas não. Eu só quero justiça. E peço: por favor, me ajudem. Eu não tenho nada. Não tenho parente nenhum aqui. Eu não sei o que vai acontecer. Não sei aonde vamos parar.
‘Dor terrível’
Queremos processá-los para que isso não aconteça com outra pessoa. Eles não tinham o direito de fazer isso com o meu filho. Espero que esse caso não caia no esquecimento, como tudo cai. Quando meu povo, no Congo, soube, eles fizeram um protesto. Eles gritaram contra isso. A todo tempo recebo mensagens de lá. A todo instante, revivo essa dor terrível que foi a partida do meu filho. Se eu saio lá fora, eu vejo o Moïse. Tudo no Brasil me lembra dele. Ele estava novinho. Havia acabado de fazer 24 anos. Ele só queria viver como todo mundo.
Não podem matar as pessoas assim. Eles quebraram as costas do meu filho, quebraram o pescoço. Eu fugi do Congo para que eles não nos matassem. No entanto, eles mataram o meu filho aqui como matam em meu país. Mataram o meu filho a socos, pontapés. Mataram ele como um bicho.
Eu vi na televisão que, aqui no Brasil, se um cachorro morrer, há várias manifestações. Então, eu quero que todo mundo me ajude com justiça. Eu não sei mais como será a minha vida. Por favor, me ajudem.
*Em depoimento a Rafael Nascimento de Souza
_________________________________________________Suprema Redundância da Suprema Infâmia - Camila Ribeiro
Por Camila Ribeiro 22 de janeiro de 2022, 15:38
Segunda-feira, dia 24 de janeiro de 2022, será decidido se Julian Assange poderá apelar da decisão tomada em favor de sua extradição, decisão essa que foi publicada em 10 dezembro de 2021, dia Internacional dos Direitos Humanos.
Os 2 juízes responsáveis por decidir pela extradição em dezembro serão os mesmos a decidir na próxima segunda se Assange poderá apelar da decisão tomada por eles.
Um desses juízes já tinha sido denunciado como parcial e suspeito, vários meses antes do julgamento, devido às suas relações de amizade de 40 anos com um ex-ministro inglês que foi responsável diretamente pelas negociações com o governo equatoriano para a entrega de Assange numa bandeja para a justiça inglesa em 2019.
O mesmo ministro responsável pela entrega qualificou Assange de “verme”.
A então primeira ministra inglesa Theresa May congratulou a entrega de Assange em pleno parlamento. O parlamento em peso urrou de alegria.
Também já tinha sido denunciado em 2021 planos da CIA para sequestrar/assassinar Assange quando ele estava asilado na embaixada do Equador. O plano não foi posto em prática porque as relações entre Austrália (país natal de Assange e capacho dos Estados Unidos) e os EUA (país de assassinos) e Reino Unido (país capacho onde ocorreria o sequestro/assassinato) ficariam abaladas. O fato de que Assange é um jornalista premiado e que estava asilado numa embaixada (de país sul-americano) não era o problema.
Outra revelação feita em 2021 foi a de que a testemunha de acusação contra Assange era nada menos que um hacker condenado confesso em múltiplos crimes de fraude, estelionato e crimes sexuais contra menores de idade na Islândia. Essa testemunha tinha escapado da Islândia com ajuda da CIA para testemunhar que Assange teria pedido a ele para hackear computadores do governo islandês. Essa testemunha em 2021 confirmou toda a farsa para um jornal islandês.
A Islândia, país pequeno mas soberano, o primeiro país a receber o WikiLeaks e criar leis que dão proteção larga a denunciantes, anos antes, colocou para correr agentes do FBI que tinham ido lá numa operação que tinha o intuito de criar uma história que condenasse Assange e expulsasse o WikiLeaks da Islândia. A Islândia já tinha avisado muitos anos atrás que a testemunha de acusação contra Assange não passava de psicopata pago pela CIA.
A imprensa inglesa e mundial responsável por desmascarar a farsa que é esse processo de extradição é a imprensa independente. Só, somente só.
Essa mesma imprensa independente, juntamente com uma massa de cidadãos conscientes no mundo todo espalhados, conseguiu até o momento atrasar a entrega de Assange pelo Reino Unido para os EUA. Do contrário, se não houvesse uma campanha popular crescente, embora silenciada e sufocada nas mídias corporativas, Assange já teria sido entregue para a morte física em 2021, ou mesmo antes.
Por outro lado, Assange também já teria pelo menos recebido o direito de liberdade condicional em 2019, ou mesmo jamais teria tido a necessidade de se asilar numa embaixada minúscula cercada por agentes americanos e britânicos por 7 anos
Nada em código de lei nenhum dá direito a um país entregar um jornalista que denunciou crimes de guerra e contra a humanidade ao país que praticou esses crimes para que esse país puna esse jornalista por ele ter revelado esses crimes. Só a força bruta, o teatro farsesco de judiciário corrupto e o silêncio das mídias corporativas.
A consequência imediata da perseguição que se arrasta por mais de uma década já ocorre: todos os jornalistas investigativos no mundo estão apavorados, muitos já fugiram do Reino Unido. A consequência seguinte da extradição de Assange é a internacionalização do alcance dos EUA através de tribunais de fancaria e burlando acordos internacionais de proteção a liberdade de imprensa, é a própria criminalização da imprensa. Isso significa que o Reino Unido estará entregando aos EUA o direito de ser o censor do mundo inteiro, um juiz mais que parcial, suspeito. Uma espécie de Tribunal Inquisitorial do século 21.
Só o silêncio do público mundial mantém Julian Assange numa masmorra. Quem se importar com a liberdade de imprensa e todos os direitos que por ela são garantidos que reaja agora. Faça o Reino Unido saber que a entrega de Julian Assange é repudiada e é humilhante para este país, por meio de suas embaixadas e seus consulados.
Se Assange morrer preso no Reino Unido ou nos Estados Unidos, a consequência será de que somente um país minúsculo como a Islândia é realmente soberano e onde pessoas inocentes podem recorrer à justiça.
Tudo o mais é farsa, hipocrisia e infâmia.
_________________________________________________Os escravistas de ontem e de hoje
Por Flávio Aguiar 18 de janeiro de 2022, 15:25
No apagar das luzes de 2021 a Ivana Jinkings, da Boitempo editorial, me convidou para escrever o prefácio de um dos livros de Astrojildo Pereira, Interpretações, publicado em 1944. Neste ano a Segunda Guerra Mundial e o Estado Novo brasileiro marchavam para o seu fim, com a já previsível derrota do Eixo e a deposição de Getúlio Vargas, orquestrada mais pela direita do que pelo centro ou pela esquerda. E Astrojildo já fora alijado da direção do Partido Comunista, então ainda chamado de “do Brasil”, e do próprio Partidão.
O livro se divide em três partes. Na primeira, o autor aborda alguns de seus temas literários favoritos, entre eles, a obra de Machado de Assis. Na segunda, discute cenários de nossa história social, política, cultural e econômica, particularmente o período do Segundo Reinado. Na terceira, analisa aspectos do perfil de Adolf Hitler e dos nazistas, e encerra com um lobo comentário sobre os deveres dos intelectuais no pós-guerra e pós-Estado Novo que se avizinham, com promessas de democratização.
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Não vou repetir o prefácio aqui. Pretendo me ater a um aspecto que me chamou muito a atenção, a partir de um ensaio que consta da segunda parte, “Rui Barbosa e a escravidão”. Nele, Astrojildo parte do parecer escrito pelo então deputado Rui Barbosa sobre o chamado “Projeto 48 A” do gabinete chefiado pelo primeiro ministro Manuel Pinto de Sousa Dantas, para fazer uma minuciosa recensão do debate parlamentar a respeito do fim ou manutenção da escravidão.
O projeto, apresentado ao Parlamento em meados de 1884, previa uma abolição gradual da escravidão até 31 de dezembro de 1889. Era assinado pelo filho do senador Dantas. Mas na verdade, diz Astrojildo, que o redigira fora o próprio Rui Barbosa. Este, para integrar o governo, terminou por perder o cargo de deputado; mas isto não o impediu de redigir o parecer de mais de 200 páginas sobre o projeto que ele mesmo redigira.
A reação dos escravistas ao projeto foi brutal e imediata. Os conservadores se uniram contra a proposta; os liberais se dividiram, o que custou o cargo a Sousa Dantas, deposto por um voto de desconfiança algumas semanas depois de apresentado o projeto. Um dos vetores da ira conservadora era o fato de que o projeto previa a libertação dos escravos sem indenização a seus proprietários.
Os debates que se seguiram, na tribuna e na imprensa, foram candentes e acalorados. E o que ressalta aos olhos do leitor de hoje é sua extraordinária atualidade, neste começo do século XXI.
Vê-se o suceder de palavras e de argumentos que, mutatis mutandis, se repetem hoje ad nauseam, particularmente depois do golpe de 2016 contra Dilma Rousseff e a ascensão, em 2018, do atual usurpador do Palácio do Planalto, que me recuso a chamar de presidente.
Lá estão, nas palavras dos próprios debatedores, a esgrima da “esperança” dos abolicionistas contra o “ódio” dos escravistas. Os abolicionistas insistem na tese de que seu propósito é “civilizatório” e que a sucessão de leis que foram limitando a escravidão trouxe inúmeros benefícios à economia do país. Mas os escravistas argumentam sempre que o propósito de terminar com a escravidão “atenta contra o direito à propriedade”, que vai levar o país ao “caos” econômico, social e político, ao “estremecer da ordem pública”, à expoliação das “classes abastadas e ordeiras”. Não falta também quem assegure que a abolição é um projeto “comunista” (sic!) e que visa fazer aportar no Brasil a “nau pirata da Internacional” (sic! sic! sic!).
Também vemos na defesa do projeto do gabinete Sousa Dantas, que era bastante cauteloso em seu procedimento, a disposição de “nem retroceder, nem parar, nem precipitar”, o que nos lembra, embora com outras intenções, aquele argumento da “distensão lenta, segura e gradual”…
Também não falta, quando afinal aprovada e assinada a Lei Áurea em 1888, o sentimento de frustração por parte dos abolicionistas, que Rui Barbosa sintetizou chamando-a de uma “ironia atroz”. Motivo: os abolicionistas defendiam que, feita a abolição, ela seria o prelúdio de uma reforma agrária, com distribuição de terras e ajuda estatal aos ex-escravos, para fixá-los na terra e também para “por fim ao latifúndio”. Nada isto aconteceu, e a República então nascente se afirmou sobre uma massa de deserdados e sobre um cercado de instituições caducas e retrógradas – que, em grande parte, permanecem até hoje e lutam por ampliar seu alcance político e econômico.
Um elemento não desprezível do ensaio de Astrojildo é o de demonstrar como o debate abolicionista foi central na política do Segundo Reinado, sublinhando o denodo com que seus próceres se bateram pela causa. O que ajuda também a relativizar os argumentos dos que veem na abolição e da campanha que a ela levou apenas uma farsa inócua.
_________________________________________________Alvo de um abaixo-assinado de seus próprios jornalistas, Folha defende a publicação de artigo considerado racista
20 de janeiro de 2022, 05:08
247 – O jornal Folha de S. Paulo, que foi alvo de um abaixo-assinado de seus próprios jornalistas acusando a publicação de abrir espaço para o racismo, defendeu seu suposto direito de publicar texto considerado racista.
"Os 208 remetentes (192 identificados, 16 anônimos) afirmam que 'buscar audiência às expensas da população negra é incompatível com estar a serviço da democracia'", aponta o jornal, em reportagem sobre o caso publicada nesta quinta-feira. Em seguida, o jornal se defende. "Além do treinamento exclusivo para negros, que está com inscrições abertas para a sua segunda edição, a Folha criou o cargo de editor de Diversidade, aumentou o número de colunistas negros e levou em conta a questão identitária na formação do novo Conselho Editorial", aponta o texto.
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"A Direção da Folha reconhece o abaixo-assinado como um instrumento legítimo de manifestação, mas afirma que o conteúdo vai contra a pluralidade e a defesa intransigente da liberdade de expressão, pilares do Projeto Folha", aponta ainda o jornal. "Será organizado um seminário interno para discutir pluralismo e a questão racial", pontua a Folha.
_________________________________________________Ator francês GASPARD ULLIEL morre aos 37 anos em ACIDENTE de ESQUI nos ALPES
19 de janeiro de 2022, 15:16
Reuters - O ator francês Gaspard Ulliel, conhecido por aparecer em anúncios de perfumes da marca Chanel e retratar o estilista Yves Saint Laurent em uma cinebiografia de 2014, morreu aos 37 anos após um acidente de esqui nos Alpes, noticiou a imprensa francesa nesta quarta-feira.
Ulliel foi o rosto da fragrância masculina Bleu de Chanel. Ele ganhou o prêmio francês César de cinema de melhor ator por seu papel em "É Apenas o Fim do Mundo", filme de 2017 do diretor Xavier Dolan.
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"O cinema francês perde um talento enorme, cheio de charme e energia", publicou no Twitter o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire.
_________________________________________________Antonio Risério: Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo
Sob discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por organizações supremacistas
Antonio Risério
Poeta, romancista e antropólogo, autor de "A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros", "Sobre o Relativismo Pós-Moderno e a Fantasia Fascista da Esquerda Identitária" e "As Sinhás Pretas da Bahia"
[RESUMO] Ataques de negros contra asiáticos, brancos e judeus invalidam a tese de que não existe racismo negro em razão da opressão a que estão submetidos. Sob a capa do discurso antirracista, esquerda e movimento negro reproduzem projeto supremacista, tornando o neorracismo identitário mais norma que exceção.
Todo o mundo sabe que existe racismo branco antipreto. Quanto ao racismo preto antibranco, quase ninguém quer saber. Porém, quem quer que observe a cena racial do mundo vê que o racismo negro é um fato.
A universidade e a mídia norte-americanas insistem no discurso da inexistência de qualquer tipo de "black racism". Casos desse racismo se sucedem, mas a ordem-unida ideológica manda fingir que nada aconteceu.
Ilustração - PogoLand
O dogma reza que, como pretos são oprimidos, não dispõem de poder econômico ou político para institucionalizar sua hostilidade antibranca. É uma tolice. Ninguém precisa ter poder para ser racista, e pretos já contam, sim, com instrumentos de poder para institucionalizar o seu racismo.
A história ensina: quem hoje figura na posição de oprimido pode ter sido opressor no passado e voltar a ser no futuro. Muçulmanos escravizaram e mataram multidões de pretos durante séculos de tráfico negreiro na África.
No entanto, a visão atualmente dominante, marcada por ignorância e fraudes históricas, quando não pode negar o racismo negro, argumenta que o racismo branco do passado desculpa o racismo preto do presente. Mas o racismo é inaceitável em qualquer circunstância. A universidade e a elite midiática, porém, negaceiam.
Em "Coloring the News", William McGowan lembra uma série de ataques racistas de pretos contra brancos no metrô de Washington. Em um deles, um grupo de adolescentes negros gritava: "Vamos matar todos os brancos!". O Washington Post, contudo, não tratou o conflito como conduta racial criminosa e sim como "confronto de duas culturas".
McGowan sublinha que a recusa em reconhecer a realidade do racismo antibranco é particularmente evidente na cobertura midiática de crimes de pretos contra brancos.
De nada adianta a motivação racial ser ostensiva, como no caso de ataques a idosos brancos no Brooklyn, quando um membro da gangue preta declarou: "Fizemos um acordo entre nós de não roubar mulheres pretas. Só pegaríamos mulheres brancas. Foi um pacto que todos fizemos. Só gente branca".
O "detalhe" não foi mencionado nas reportagens do jornal The New York Times, e a postura foi a mesma quando três adolescentes brancos foram atacados por uma gangue de jovens pretos no Michigan. Os rapazes pretos curraram a moça branca e fuzilaram um jovem branco.
O New York Times não indigitou o caráter racial do crime e o relegou a uma materiazinha de um só dia. Se os papéis fossem invertidos, uma gangue de jovens brancos currando uma mocinha preta e assassinando um jovem negro, o assunto seria explorando amplamente —e em mais de uma reportagem. Lá, como aqui, o "double standard" midiático é um fato.
Merece destaque o racismo preto antijudaico, que não é de hoje. Em Crown Heights, no verão de 1991, os pretos promoveram um formidável quebra-quebra que se estendeu por quatro dias, durante o qual gritavam "Heil Hitler" em frente a casas de judeus.
Mas a elite midiática, do New York Times à ABC, contornou sistematicamente o racismo, destacando que séculos de opressão explicavam tudo.
Vemos o racismo negro também contra asiáticos. Na história racial de Nova York, negros aparecem tanto como vítimas quanto como agressores criminosos. Judeus e asiáticos, ao contrário, quase que só se dão mal.
Em um boicote preto a um armazém do Brooklyn, cujos proprietários eram coreanos, os pretos foram inquestionavelmente racistas. Diziam aos moradores do bairro que não comprassem coisas de "pessoas que não se parecem com nós" e chamavam os coreanos de "macacos amarelos".
Curiosamente, por mais de três meses, a grande mídia não deu a menor atenção ao boicote. Um jornalista do New York Post denunciou: "Se fosse boicote da Ku Klux Klan a um armazém de um negro, logo se tornaria assunto nacional. Por que as regras são outras quando as vítimas são coreanas?".
Não são poucos, de resto, os comerciantes coreanos que perderam a vida em enfrentamentos com "consumidores" negros. Há casos de militantes pretos extorquindo amarelos. Extorsão e violência racistas, é claro.
Sob a capa do discurso antirracista, o racismo negro se manifesta por meio de organizações poderosas como a Nação do Islã, supremacista negra, antissemita e homofóbica.
Discípula, de resto, de Marcus Garvey —admirador de Hitler (seu antissemitismo chegou a levá-lo a procurar uma parceria desconcertante com a Ku Klux Klan) e de Mussolini—, que virou guru de Bob Marley e do reggae jamaicano, fiéis do culto ao ditador Hailé Selassié, o Rás Tafari, suposto herdeiro do Rei Salomão e da Rainha de Sabá.
A propósito, a Frente Negra Brasileira, na década de 1930, não só fez o elogio aberto de Hitler, inclusive tratando Zumbi como um "Führer de ébano", como apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas, versão tristetropical do fascismo italiano —e o próprio Abdias do Nascimento, guru de nossos atuais movimentos negros, foi militante integralista.
O líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, sempre exibiu também um franco e ostensivo racismo antijudaico. Hoje, o Black Lives Matter pede a morte dos judeus em manifestações públicas.
A turma discursa contra o "genocídio" palestino, "organiza manifestações onde podemos ouvir ‘matem os judeus’, é próxima do líder da Nação do Islã, Louis Farrakhan, que fez o elogio de Hitler, e tem como cofundadora da sua seção em Toronto, Canadá, Yusra Khogali, que praticamente chegou a pedir o assassinato de brancos".
O racismo antijudaico de pretos pobres dos guetos pode contar com alguma pequena motivação cotidiana, mas o que pesa mesmo é o antissemitismo generalizado nas lideranças da esquerda multicultural-identitária.
Tudo bem criticar o governo de Israel. Os próprios israelenses costumam fazê-lo, vivendo em um regime democrático, ave raríssima no Oriente Médio. Outra coisa é pregar o desaparecimento de Israel, como querem o Irã e alguns movimentos de esquerda. Aqui, o antissemitismo. O ódio multicultural-identitário a Israel parece não ter limites.
Tomo Yusra Khogali —jovem mulata sudanesa que não diz uma palavra sobre as atrocidades de negros contra negros em seu país natal, vivendo antes no Canadá, onde se compraz em xingar a opressão branca— como um caso exacerbado disso tudo.
Ela não só confessou que tem ímpetos de assassinar todos os brancos. Expôs também uma fantasia "acadêmica" que bem pode ser classificada como a primeira imbecilidade produzida por um "neorracismo científico".
Vejam a preciosidade pseudobiológica de madame Khogali: os brancos não passam de um defeito genético dos pretos. "A branquitude não é humana. De fato, a pele branca é sub-humana". Porque a brancura é um defeito genético recessivo. "Isto é fato", afirma solenemente.
Diz que as pessoas brancas possuem uma "alta concentração de inibidores de enzima que suprimem a produção de melanina" e que a melanina é indispensável a uma estrutura óssea sólida, à inteligência, à visão etc.
Enfim, apareceu a mulata racista para inverter o "racismo científico" branco do século 19 —e dizer que os brancos, sim, é que são uma raça inferior. Mas Yusra é apenas um exemplo, entre muitos, e ela teve a quem puxar.
O fato é que não dá para sustentar o clichê de que não existe racismo negro porque a "comunidade negra" não tem poder para exercê-lo institucionalmente. Mesmo que a tese fosse correta, o que está longe de ser o caso, existem já meios para o exercício do racismo negro.
Engana-se, mesmo com relação ao Brasil, quem não quer ver racismo, separatismo e mesmo projeto supremacista em movimentos negros. O retorno à loucura supremacista aparece, agora, como discurso de esquerda.
Se quiserem manter a complacência, podem falar disso como de realidades apenas embrionárias, mas a verdade é bem outra. Militantes pretos, como pastores evangélicos, querem o poder.
Não devemos fazer vistas grossas ao racismo negro, ao mesmo tempo que esquadrinhamos o racismo branco com microscópios implacáveis. O mesmo microscópio deve enquadrar todo e qualquer racismo, venha de onde vier.
Como em um texto do escritor negro LeRoi Jones: "Nossos irmãos estão se movimentando por toda parte, esmagando as frágeis faces brancas. Nós temos que fazer o nosso próprio mundo, cara, e não podemos fazê-lo a menos que o homem branco esteja morto".
Resta, então, a pergunta fundamental. O neorracismo identitário é exceção ou norma? Infelizmente, penso que é norma. Decorre de premissas fundamentais da própria perspectiva identitária, quando passamos da política da busca da igualdade para a política da afirmação da diferença.
Ao afirmar uma identidade, não podemos deixar de distinguir, dividir, separar. Não existe identitarismo que não traga em si algum grau e alguma espécie de fundamentalismo.
Nesse fundamentalismo, se o que conta é a afirmação de um essencialismo racial, reagindo ressentido a estigmatizações passadas, dificilmente os sinais supremacistas não serão invertidos. As implicações disso me parecem óbvias.
_________________________________________________Petrônio Domingues: 'Racismo reverso' de Risério busca deslegitimar luta por igualdade racial
Em sua cruzada neyofreyriana, autor recorre a ideia sem fundamento para equilibrar narrativa anti-identitária
Petrônio Domingues
Doutor em história pela USP e professor da UFS (Universidade Federal de Sergipe), é autor de “Protagonismo Negro em São Paulo” e “Diásporas Imaginadas” (em coautoria com Kim Butler)
[RESUMO] Racismo, estrutura social que confere privilégios e desvantagens com base na ideia de raça, não se confunde com atos isolados de preconceito ou discriminação. Antonio Risério incorre nesse equívoco conceitual básico ao defender a existência de "racismo preto antibranco" em artigo, que evidencia seu incômodo frente aos avanços dos direitos e da cidadania da população negra.
O antropólogo branco baiano Antonio Risério publicou um artigo na Folha ("Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo") que causou polêmica. Em síntese, ele preconiza a tese de que existe um "racismo preto antibranco".
Infelizmente, Risério incorre em problemas conceituais básicos: preconceito, discriminação e racismo são termos relacionais, mas não sinônimos.
O preconceito racial envolve o julgamento ou a internalização de imagens que as pessoas alimentam a respeito umas das outras, com base em atributos raciais. Implica tecer juízos de valor apriorísticos, como considerar negros violentos e inconfiáveis, judeus avarentos ou orientais "naturalmente" preparados para as ciências exatas.
Discriminação racial, por sua vez, é a atribuição de tratamento diferenciado e desigual a pessoas ou grupos em razão das suas origens, pertenças ou aparências raciais. Isso ocorre, por exemplo, quando países proíbem a entrada de negros, judeus, muçulmanos ou pessoas de origem árabe, quando lojas se recusam a atender pessoas de determinado grupo e mesmo quando bares, restaurantes e hotéis conferem tratamento diferenciado aos clientes conforme sua aparência e origem racial.
Se o preconceito opera no plano do pensamento, por meio de ideias estereotipadas, a discriminação caracteriza-se pela ação —excluir, preterir, marginalizar.
Já o racismo, como assevera Silvio Almeida, é definido por seu caráter sistêmico. Consiste "em um processo em que condições de subalternidade e de privilégio que se distribuem entre grupos raciais se reproduzem nos âmbitos da política, da economia e das relações cotidianas".
O racismo é estrutural e, a rigor, se difere do preconceito racial e da discriminação racial. É importante ressaltar isso porque todos os casos de "racismo preto antibranco" elencados por Risério em seu artigo não passam de preconceito ou discriminação raciais.
Porém, o racismo não se restringe a comportamentos preconceituosos ou atos discriminatórios de indivíduos ou grupos. Antes, diz respeito a uma estrutura social (relações políticas, econômicas, jurídicas, institucionais e até familiares) fundada em uma dinâmica que confere desvantagens e privilégios com base na ideia de raça.
Nesse sentido, é até possível classificar os "pretos", citados por Risério, de preconceituosos e responsáveis por atitudes discriminatórias, mas não de racistas. Afinal, o sistema social (instituições públicas e privadas, agências e relações de poder, cultura, padrões estéticos normativos, práticas sociais cotidianas etc.) não está estruturado em seu benefício ou privilégio.
São as pessoas brancas que, de deliberadamente ou não, se beneficiam das condições gestadas por uma sociedade que se organiza se baseando em normas e padrões prejudiciais à população negra.
O racismo faz parte de um processo sistêmico de discriminação que influencia a organização da sociedade. Não se resume, portanto, a atos isolados ou episódicos de um indivíduo ou de um grupo. Consiste, dessa forma, em um processo estrutural de poder dos grupos que exercem o domínio sobre o ordenamento político, cultural e econômico da sociedade.
A manutenção desse poder, contudo, depende da capacidade de o grupo dominante legitimar seus interesses, impondo a toda sociedade regras, padrões de conduta e modos de racionalidade que tornem "normal" e "natural" o seu domínio. Conforme assinalava Clóvis Moura, o racismo tem "um conteúdo de dominação, não apenas étnico, mas também ideológico e político".
Dessa perspectiva, é desprovido de fundamento a ideia de racismo reverso. Seria uma espécie de "racismo ao contrário", ou seja, um racismo do grupo subalternizado dirigido ao grupo dominante. Trata-se de uma ideia equivocada porque membros dos grupos subalternizados podem até ser preconceituosos ou praticar discriminação, porém não podem impor desvantagens sociais a membros de grupos dominantes.
Pessoas brancas não perdem vagas de emprego pelo fato de serem brancas e não são "suspeitas" de atos criminosos por sua condição racial, tampouco têm sua inteligência ou sua capacidade profissional questionadas devido à cor da pele.
Como questiona Lilia Schwarcz, "existiu e existe discriminação aos orientais, aos muçulmanos, aos judeus, aos ciganos, aos armênios. Mas aos brancos? Como categoria? Como pode haver racismo reverso e supremacismo negro se não existe racismo estrutural e institucional sofrido pelos brancos?".
O próprio sentido semântico do termo racismo reverso é curioso, pois o vocábulo "reverso" pressupõe uma inversão, algo fora do lugar. Seria algo "normal" ou "natural" o racismo contra "minorias" —negros, latinos, judeus, árabes, ciganos etc. Para além desses grupos, o racismo seria atípico, reverso.
Lélia Gonzalez chegou a ironizar o sentido semântico do termo: "Esse orgulho de ser negro, de pertencer a uma cultura tão rica, pode parecer ‘racismo às avessas’, se se considerar que o ‘racismo às direitas’ [ou seja, legítimo] pode existir".
Se a ideia de racismo reverso não tem fundamento, serve para deslegitimar as demandas por igualdade racial. É este, a meu ver, o cerne do artigo de Risério que, desde o seu livro "A Utopia Brasileira e os Movimentos Negros" (2007), embarcou numa cruzada neofreyriana, de narrativa anti-identitária refratária aos avanços democráticos no campo dos direitos e da cidadania da população negra.
Entretanto, tal retórica não é novidade na história do Brasil. Desde o movimento abolicionista, os indivíduos e grupos que esposam a causa da população negra são acusados de promover um discurso e plataformas racistas.
A Frente Negra Brasileira (1931-1937) —Risério comete o erro factual de afirmar que a organização apoiou o Estado Novo de Getúlio Vargas— lutou arduamente em prol da integração da "gente negra" à comunidade nacional e obteve algumas conquistas importantes no campo dos direitos civis. Isso não a impediu de ser acoimada de fomentar o "racismo às avessas".
O mesmo ocorreu com a UHC (União dos Homens de Cor), a mais notável organização afro-brasileira durante a Quarta República (1945-1964), e com o MNU (Movimento Negro Unificado, fundado em 1978), entidade que, ainda na ditadura, preconizou uma nova narrativa de afirmação identitária, calcada na celebração das raízes africanas, na revalorização da história e cultura negras e na denúncia do mito da democracia racial.
A partir da década de 1990 e, sobretudo, no início do dos anos 2000, os movimentos negros, em aliança com setores da sociedade civil brasileira (intelectuais, sindicatos, ONGs, estudantes etc.), encamparam a defesa de ações afirmativas, em especial programas de cotas raciais.
Como fruto dessa ampla mobilização, o Estado brasileiro implementou pela primeira vez políticas públicas em benefício —e não em prejuízo— da população negra, o que representou um marco na história da nação, pois refletiu o reconhecimento pelo governo da existência do racismo contra negros no Brasil e o fim do conceito da democracia racial.
Risério não só acompanhou a mobilização racial e o debate público a respeito das ações afirmativas como cerrou fileiras na tropa de choque antagônica às cotas raciais, valendo-se, entre outros argumentos, daquele que afirma que as cotas podem açular o "racismo às avessas".
Assim, é plausível supor que a tese de Risério, transformando a "exceção" em "norma", e suas diatribes contra a afirmação identitária da população negra sejam cortina de fumaça, que escamoteia e, a um só tempo, atualiza seu incômodo frente aos avanços democráticos no campo dos direitos e da cidadania da população negra.
Em 1948, Jean-Paul Sartre prefaciou uma antologia que contava com poemas de Aimé Césaire e Léopold Senghor, dois dos principais expoentes da negritude, nome cunhado naquele contexto para se referir ao movimento de (re)valorização de uma identidade negra. Para Sartre, a passagem do estado de alienação racial para o estado da consciência, de uma "alma negra", teria um sentido progressista e emancipatório.
À medida que os negros positivavam seus valores identitários (antítese), colocavam em xeque a "supremacia do branco" (tese), processo dialético cuja síntese viria a ser, como objetivo último, "a realização do humano em uma sociedade sem raças".
Na visão de Sartre, o movimento de afirmação identitária configurava um "racismo antirracista", um meio transitório particularista, reativo e revolucionário, para se chegar a um fim maior, de caráter universal, em que seriam abolidas as "diferenças de raça".
Parece-me que, enquanto não alcançarmos esse estágio civilizatório vislumbrado por Sartre —de uma sociedade pós-racial ou, antes, alicerçada na igualdade racial—, a afirmação identitária da população negra se faz necessária, assim como políticas públicas em favor desse segmento populacional.
Para finalizar, uma arguta reflexão de Frantz Fanon em seu livro "Pele Negra, Máscaras Brancas": "A desgraça do homem de cor é ter sido escravizado. A desgraça e a inumanidade do branco são ter morto o ser humano algures. São, hoje ainda, o fato de organizar racionalmente esta desumanização. Mas eu, o homem de cor, na medida em que se me torna impossível existir absolutamente, não tenho o direito de me acantonar num mundo de reparações retroactivas. Eu, homem de cor, só quero uma coisa: que jamais o instrumento domine o homem. Ou seja, de mim por um outro. Que me seja permitido descobrir e querer o bem ao homem, onde quer que ele se encontre. O negro não existe. Tal como o branco não existe".
_________________________________________________Jornalistas da Folha de S. Paulo se REBELAM contra direção do jornal. "RACISMO é FATO CONCRETO", fazem ADVERTÊNCIA aos CHEFES
A Folha NÃO costuma publicar conteúdos que relativizam o HOLOCAUSTO, nem dá voz a apologistas da DITADURA, TERRAPLANISTAS e representantes do movimento ANTIVACINA.
Por que, então, a PRÁTICA seria OUTRA quando o tema é o RACISMO no BRASIL?”
19 de janeiro de 2022, 12:43
247 – “Nós, jornalistas da Folha aqui subscritos, vimos por meio desta carta expressar nossa preocupação com a publicação recorrente de conteúdos racistas nas páginas do jornal”, diz texto de “Carta Aberta e Jornalistas da Folha à Direção do Jornal”. No final do texto, que é um protesto contundente contra a publicação de artigo do intelectual Antônio Risério em que ele fala de “racismo reverso”, seguem-se assinaturas de 186 profissionais da publicação controlada pela família Frias de Oliveira (também controladora do portal Uol).
“O episódio a motivar esta carta foi a publicação de artigo de opinião intitulado ‘Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo’ (Ilustrada Ilustríssima, 16/1), em que Antonio Risério identifica supostos excessos das lutas identitárias, que estariam levando a racismo reverso”, escrevem os jornalistas no texto da carta.
“O racismo é um fato concreto da realidade brasileira, e a Folha contribui para a sua manutenção ao dar espaço e credibilidade a discursos que minimizam sua importância. Dessa forma, vai na contramão de esforços importantes para enfrentar o racismo institucional dentro do próprio jornal, como o programa de treinamento exclusivo para negros”, dizem ainda.
Os jornalistas, no abaixo-assinado, deixam claro reconhecerem ser o pluralismo de opinião uma das bases do projeto editorial da Folha. Mas, advertem: “ o jornalismo deve defender, como a verdade e o respeito à dignidade humana. A Folha não costuma publicar conteúdos que relativizam o Holocausto, nem dá voz a apologistas da ditadura, terraplanistas e representantes do movimento antivacina. Por que, então, a prática seria outra quando o tema é o racismo no Brasil?”
_________________________________________________PerifaConnection: Requentando a velha falácia dos negros equivocados
Artigo publicado por Antonio Risério ataca "supremacistas" de movimentos antirracistas, dentre os quais ele inclui intelectuais ativistas de excelência
Jaqueline Gomes de Jesus
Psicóloga com pós-doutorado em ciências sociais e história, é professora do IFRJ e da UFRRJ. Autora, entre outras publicações, do livro “Transfeminismo: Teorias e Práticas”.
"O sistema competitivo inerente ao modelo de capitalismo dependente, ao tempo que remanipula os símbolos escravistas contra o negro, procura apagar a sua memória histórica a fim de que ele fique como homem flutuante, ahistórico" (Clóvis Moura, 1983).
Pode a subalterna falar?
Desde a publicação, em 2007, da sua coleção de ensaios "A utopia brasileira...", Antonio Risério endossou publicamente este espantalho teórico criado por pensadores brasileiros contrários à efetivação de políticas afirmativas para a população negra: o de que os movimentos negros fomentariam ódio racial e ao promoverem essas políticas que, no entendimento do grupo do qual ele participa, derivariam de categorias que foram equivocadamente importadas da experiência norte-americana.
A chamada ideologia "racialista" não à toa rima com o termo "globalista", enquanto narrativas conservadoras em resposta aos avanços de grupos historicamente discriminados em todo o mundo.
Maria Silvia, na 16ª Marcha da Consciência Negra em frente ao Masp, na avenida Paulista - Danilo Verpa/Folhapress
Entendo que essa linha de pensamento compõe um panorama político mais complexo, e velho do que parece.
O artigo publicado por Antonio Risério na Folha, em que ataca "supremacistas" de movimentos antirracistas, dentre os quais ele inclui intelectuais ativistas da excelência, que praticariam racismo contra brancos, judeus e asiáticos, corroborando com autores que frequentaram as páginas do mesmo jornal, dentre os quais Olavo de Carvalho, em especial quando este afirmou: "Alguém tem de dizer aos negros a verdade" (consta da edição de 2018 do seu livro "O imbecil coletivo").
E Demétrio Magnoli, com posicionamentos de décadas contra as ações afirmativas, caracterizando comissões de heteroidentificação como "tribunais raciais" que praticam o que ele e outros críticos chamaram pejorativamente de "psicologia racial" (conforme o seu livro "Uma gota de sangue...", de 2009), ou em artigos recentes, em que corrobora com negacionismo histórico que tenta desvincular o sistema econômico escravocrata do regime de subalternização e racialização que fundamentou o racismo estrutural que enfrentamos.
Há um embate prático em curso, que não se restringe a ideias, envolvendo recursos materiais, o qual não pode se enquadrado na lógica direita esquerda, dado que ambas as tendências abrigam defensores de falácias como a do "racismo reverso", e aplicam rótulos a movimentos diversos de inclusão, tais como o de "identitaristas", endossado por dirigentes de partidos que responsabilizam segmentos da sociedade civil organizada de mulheres, negros e LGBTQIA+ pelo avanço do fundamentalismo político-religioso.
Pior ainda, desqualificam a nossa produção intelectual dentro e fora de suas próprias afiliações, quando não nos equiparam àqueles que fomentaram o racismo científico em séculos passados.
Mais que atualização, o fato de ignorarem solenemente, por exemplo, o que se produziu na literatura especializada, desde os Anos 1990 do século 20, sobre gestão das relações étnico-raciais, de gênero e sexuais, sugere que um pouco de honestidade intelectual em reconhecer que não se interessam em dialogar faria bem a esses pensadores, seus agentes de comunicação e representantes no campo da política.
Enfim, o problema não é se podemos ou não falar, conforme a citação que fiz do ensaio de Gayatri Spivak no princípio do artigo. Parafraseando Lélia Gonzalez, o lixo já fala, e numa boa. A questão é que não somos ouvidas, tampouco lidas. Costumamos ser traduzidas (ou traídas, pensando aqui no antigo aforismo italiano traduttore, traditore) parcialmente, ou de maneira enviesada mesmo, em geral por aqueles que percebem seus privilégios, simbólicos ou materiais, ameaçados por nossos posicionamentos críticos, que certamente não são perfeitos, mas também não se reduzem às caricaturas que tentam vender.
Não se engane: nada disso é gratuito, tudo tem propósito, ainda mais em ano eleitoral.
_________________________________________________Opinião - Karla Monteiro: Abdias Nascimento levou Brizola a levantar bandeira da questão racial
Pioneiro da luta antirracista no Brasil estava convencido que era impossível combater desigualdade ignorando racismo
Em fins de 1978, quando a anistia já ocupava o debate político, Leonel Brizola e Abdias Nascimento se encontraram no icônico hotel Roosevelt, em Nova York. Expulso do Uruguai, após 13 anos de exílio no país, o temido gaúcho havia encontrado abrigo nos Estados Unidos de Jimmy Carter e, irrequieto, já preparava sua volta ao Brasil e a reorganização do velho PTB.
A conversa fora longa, adentrando a madrugada. O próprio Brizola passou o café e se sentou com caderno e caneta na mão. Fundador do Teatro Experimental do Negro, pioneiro na luta antirracista, Abdias, "o real negro", segundo o zombeteiro Nelson Rodrigues, convenceu Brizola de que não havia caminho possível para o combate à desigualdade social ignorando o racismo. A luta identitária, que, como agora, dividia a esquerda, não era um capricho.
Abdias do NascimentoFacebookWhatsappTwitterMessengerLinkedinE-mailCopiar link
"Diferente dos soberbos intelectuais, Brizola prestou atenção, sem julgar, sem questionar, sem interromper. E, ao fim, compreendera de maneira orgânica o que o Abdias estava tentando lhe dizer", contou-me Elisa Larkin, uma norte-americana de Buffalo, mulher de Abdias e autora de dois livros que relatam o que aconteceria a partir daí, da parceria inaugurada: "Abdias Nascimento, a Luta na Política" e "Abdias Nascimento: Grandes Vultos que Honraram o Senado".
Também recomendaria "Memórias do Exílio", em que Abdias, entre outros autores, repassa a própria trajetória a limpo. Com espanto eu li o artigo de Antônio Risério nesta Folha, em que ele levianamente fala da passagem de Abdias pelo integralismo, sem contextualizar, sem colocar os fatos em perspectiva.
Muita gente boa seguiu Plínio Salgado, como Vinícius de Moraes. Antes da Segunda Guerra começar, as coisas não estavam tão nítidas.
"Refletindo hoje, agora, é fácil dizer que o caminho certo era o da esquerda. Mas aí é que é", comentou Abdias no artigo. "As lutas nacionalistas e anti-imperialistas, a oposição ao capitalismo e à burguesia, foram os temas que me atraíram para as fileiras integralistas. [...] Logo que percebi, concretamente, o racismo dentro do integralismo, me desliguei definitivamente desse movimento político."
O revolucionário
No próximo sábado, 22 de janeiro, Leonel de Moura Brizola completaria cem anos. Nasceu num ano pródigo: 1922. Enquanto os modernistas sacudiam tudo com a Semana de Arte Moderna, os gaúchos se coçavam para pelear na anunciada Revolução de 1923. Seu pai, José Brizola, um maragato, morreria numa tocaia armada pelos chimangos. Mas isto é uma outra história, das muitas histórias espetaculares que compõem a biografia do engenheiro, como era chamado.
Em fevereiro de 1962, por sinal, o Washington Post publicou uma reportagem que ecoou na tradicional rua da Praia, em Porto Alegre, dando a medida da imagem que o governador do Rio Grande do Sul passava para o mundo: "Mais perigoso do que Fidel Castro", conforme o título.
Leonel Brizola tem nome inscrito em Livro dos Heróis da Pátria
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Naquele ano, Brizola, ocupando o Palácio Piratini desde 1959, vinha de uma sucessão de ousadias: encampação de multinacionais, desapropriação de terras para reforma agrária, um audacioso projeto de educação, além da insuperável Campanha da Legalidade, a primeira e única vez que um golpe militar fora derrotado na América Latina.
"Quanto mais eles vinham com a faca, mais eu entrava com o peito", ele costumava dizer, ao explicar sua controversa atuação nos tumultuosos tempos que antecederam o golpe de 1964.
"Não tinha nenhum general negro nesta ditadura"
A aproximação com Abdias Nascimento o levou a incorporar a questão racial como bandeira. Já na famosa Carta de Lisboa, de 1979, resultado do encontro ocorrido em Portugal para marcar a reorganização do PTB, depois PDT, graças ao golpe engendrado pelo general Golbery para surrupiar de Brizola a sigla, está incluso o parágrafo firmando o compromisso do partido com a causa da representação negra na política.
Nas eleições de 1982, quando Brizola se elegeu governador do Rio de Janeiro, Abdias Nascimento concorreu a deputado federal, ficando de suplente. Para abrir uma vaga na Câmara, Brizola, então, puxou deputados para o seu secretariado.
Ao mesmo tempo, entregou três importantes secretarias a negros. O coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira assumiu a Justiça. Edialeda Salgado do Nascimento, a Secretaria de Promoção Social. E Carlos Alberto de Oliveira, o Caó, autor da futura Lei Caó, a secretaria de Trabalho e Habitação.
"O Abdias assumiu como único deputado negro da Câmara dos Deputados, numa manobra do Brizola. Cinco anos depois, na Constituinte, havia quatro", lembrou Elisa. "O novo governo do Rio tomou posse no dia 15 de março. O primeiríssimo ato do Brizola foi instituir no calendário do estado a celebração do dia 21 de março, em homenagem ao grande levante na África do Sul."
De vez em quando, é verdade, Brizola também escorregava na casca de banana do racismo estrutural, que, pasmem, até hoje tem gente que insiste em abjetamente negar. Numa roda de conversa do PDT, começou o inflamado discurso falando sobre "a noite negra da ditadura". Sentado ao seu lado, Abdias pulou da cadeira: "Negra, não, Brizola. Não tinha nenhum general negro nesta ditadura".
As vozes NEGRAS e INDÍGENAS na ENCRUZILHADA_CIVILIZACIONAL
Por Roberto Malvezzi 18 de janeiro de 2022, 13:41
Há uma explosão de vozes negras e indígenas – masculinas e femininas – no mundo contemporâneo, o que constitui um fenômeno inovador. Uma das sugestões do Papa Francisco no Sínodo para a Amazônia é que tivéssemos a capacidade de ouvir a fala dos povos originários e tradicionais. Ele chega a afirmar no “Querida Amazônia” que, muitas vezes, a extinção de uma tradição cultural dessas, é tão ou mais prejudicial à humanidade que a extinção de uma espécie animal ou vegetal.
No ano passado passei a ler muito da literatura de autores indígenas,
ainda não encontrei textos ou livros de autoras indígenas. Claro,
acompanho com cuidado falas como a de Txai Suruí na ONU, ou das jovens mulheres indígenas que estão em diversos campos da sociedade no sentido de defender os interesses de seus povos. Às vezes tenho o
privilégio de ouvir diretamente mulheres como a cacique Lucélia
Pankará, de Itacuruba, Pernambuco. Sinto que grande parte das
esquerdas têm imensas dificuldades de assimilar esses pensamentos e
estilos de vida. São outras matrizes civilizacionais e elas não se
encaixam nos nossos esquemas mentais ocidentais já consolidados.
Ler e ouvir pessoas como Ailton Krenak, Davi Kopenawa, tantos outros e
outras, é entrar em outra leitura de mundo. Com eles e elas saímos da
entediante lógica ocidental, com seu raciocínio frio e distante do
resto da humanidade, principalmente os intelectuais orgânicos ao
capital. Essa é a riqueza na qual mergulhamos. Melhor ainda, só
confirmam que a questão desses povos não é só do passado, mas também do presente e para o futuro. “Aqueles que vivem nas bordas do
planeta”, na expressão fantástica de Ailton Krenak, têm muito a dizer
para a humanidade dominante nesse momento crucial da história humana na face da Terra.
Esse ano comecei lendo livros da literatura negra. O livro inicial foi
“Lugar de fala”, de Djamila Ribeiro. Ali estão citados vários autores,
principalmente autoras, que abrem um campo imenso para entender essas vozes negras, femininas, a partir de seu standpoint. Não sou muito de anglicismos, mas gostei da expressão. Ou, como diz Leonardo Boff,
“cada ponto de vista é a vista de um ponto”. Então, elas falam de seu
lugar na sociedade e na história. Como eu costumo dizer a respeito de
mim mesmo, “nós brancos nunca saberemos o que é ser pele negra ou
indígena nesse país chamado Brasil”. E vejo a repercussão dessas
reflexões até mesmo nas Pastorais Socioambientais, quando as mulheres
que fazem essas pastorais questionam os homens e seus companheiros
pela reprodução machista e discriminatória no âmbito da Igreja e das
próprias pastorais.
A humanidade consciente está buscando dois caminhos: os privilegiados
querem manter seus lugares e, mesmo sabendo que estamos indo ao
abismo, preferem seguir em linha reta, como ovelhas na direção do
despenhadeiro. Eles julgam que suas riquezas e poderio militar os
salvarão de um colapso global. Há outros, também conscientes, que ao
menos tentam “adiar o fim do mundo”. É nesse campo que estão tantos
pensadores e pensadoras do mundo indígena e negro.
Sou um homem branco que casou com uma mulher negra. Tivemos duas
filhas e dois filhos multicores. Com ela aprendi muito sobre as
sutilezas do racismo. Ela perdeu a vida para o Covid. Mas, eu quero
continuar ouvindo o que esses e essas pensadoras têm a nos dizer para
que “o céu não caia sobre nossas cabeças” e sobre a cabeça das
gerações futuras.
_________________________________________________Jamie Auld, atriz que interpretou Madonna, morre aos 26 anos
Jovem participou do filme ‘Madonna and the Breakfast Club’
Jamie Auld em ‘Madonna and the Breakfast Club’ Foto: Instagram/Reprodução
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Faleceu aos 26 anos a atriz Jamie Auld, que interpretou a cantora Madonna no documentário “Madonna and the Breakfast Club”, lançado em 2019. A causa da morte não foi revelada. Natural de Pasadena, na Califórnia, Auld foi descoberta pelo diretor Guy Guido enquanto trabalhava numa loja em donuts, em Nova York. Ele ficou impressionando com a semelhança da jovem com a cantora pop.
“A nossos amigos e fãs, estamos com o coração partido em informar que nossa querida, bela e amada Jamie Auld nos deixou. Ela sempre será nosso anjo e viverá eternamente em nossos corações”, destacou comunicado na página oficial do filme no Instagram.
“Madonna and the Breakfast Club” foi lançado com exclusividade pela Cinemark no Brasil, em 2019, e não está disponível em serviços de streaming no país. O filme utiliza-se de imagens de arquivo e reencenação para retratar o início da trajetória de Madonna, especialmente o período em que foi vocalista do grupo Breakfast Club, no final dos anos 1970.
_________________________________________________FALSA POLÊMICA do RACISMO REVERSO volta com novo formato
Depois de ouvir insulto racista, produtor americano nocauteia alemão em hotel do Rio Imagem: Reprodução de vídeoChico Alves
Chico Alves Colunista do UOL 16/01/2022 14h10
No debate público sobre assuntos importantes é preciso saber separar os polêmicos dos polemistas. A primeira categoria é formada pelos corajosos, que defendem com sinceridade os seus argumentos mesmo contra o senso comum, contra a corrente. Os segundos são aqueles que criam marola onde não existe, justamente para fingir que estão indo contra a corrente.
Nesse momento em que reinam as fake news, polemistas ficam ainda mais à vontade para embaralhar citações acadêmicas e colocá-las a serviço das conclusões que já formaram de antemão. Se suas teorias não se aplicam à realidade brasileira, vão buscar os acontecimentos de qualquer outro canto do planeta para servir-lhes de exemplo. Uma gambiarra aqui, outra ali, e vão em frente.
Há algum tempo, os criadores de controvérsias escolheram como alvo as propostas identitárias. Obviamente, nenhuma ideia deve ser blindada de contestação, desde que isso seja feito com honestidade e respeito. E é verdade que a discussão sobre identitarismo é travada muitas vezes de forma sumária, truculenta, simplista - nada que não possa ser resolvido pelo próprio debate. Na maior parte das vezes, a discussão é travada em alto nível.
Os polemistas, no entanto, são como Chacrinha: não vieram para explicar, mas para confundir. Com esse objetivo, criam até rótulos para realidades inexistentes.
O mais novo exemplo é o "neorracismo identitário". Um nome empolado para a cascata do racismo reverso.
Segundo seu criador, estamos sob a ameaça do "supremacismo negro"
A preguiça em rebater esse tipo de argumentação arquitetada para colocar seu autor no centro de uma falsa polêmica é logo vencida quando se imagina o mal que pode produzir se for popularizada.
Rapidamente, talvez seja útil fazer alguns lembretes aos incautos. Aí vão exemplos de supremacia negra hoje no Brasil:
- Segundo o IBGE, entre os 10% mais pobres do Brasil, 75% são negros.
- Pela mesma fonte, negros também têm supremacia nos empregos informais - 47%, contra 34% dos brancos.
- População preta e parda é maioria também entre os que não têm acesso a esgoto: 42,8% contra 26,5%.
- O supremacismo negro, que já era grande na população carcerária, cresceu 15%. Em 2005, 58,4% dos presos do país eram pretos ou pardos; em 2019 esse percentual subiu para 66,7%.
- O teórico pode se valer também de outra estatística: segundo a ONG Justiça Global, entre as crianças mortas como consequência de ações policiais nas favelas cariocas, 75% são negras.
Seria possível continuar com uma extensa lista de itens para exemplificar a supremacia negra nessas circunstâncias trágicas em que os brancos sempre estiveram a salvo.
Agora, quando a muito custo a sociedade se move para alcançar algumas poucas vitórias (como a maioria de alunos negros nas universidades públicas), surgem animadores de salão para dar argumentos aos reacionários.
Uma das grandes preocupações do tal teórico é o ódio disseminado contra os brancos. Como se a parcela da população oprimida e violentada por tantos séculos precisasse de alguma propaganda para isso.
Na verdade, o movimento negro brasileiro é até pacífico demais.
Branco que sou, uso meu lugar de fala para opinar que reações como a do produtor americano H. L. Thompson, que nocauteou um turista alemão em hotel de luxo do Rio depois de ser atacado com insultos racistas, nada mais são do que legítima defesa.
Mas o polemista pode ficar tranquilo. No Brasil, os racistas e aqueles que colaboram para manter a opressão à população negra ainda sofrem muito pouco as consequências de seus atos.
_________________________________________________Opinião: Opiniões Universa - Aos negros do BBB: admiro coragem de entrar na máquina de moer gente preta
Karol Conká, no BBB21: por que a mulher negra não é perdoada? Imagem: Reprodução / Internet
Mayana Hellen Nunes da Silva Colaboração para o UOL 14/01/2022 04h00
É chegada a hora do reality show de maior sucesso da televisão e da internet do país: o "Big Brother Brasil", que estreia na próxima segunda-feira (17). A essa altura, após 21 edições, mesmo que você considere o "BBB" um programa medíocre ou até um retrato da realidade brasileira, é preciso admitir que mobiliza paixões, debates, e claro, memes, GIFs, mutirões, hashtags e os temidos haters.
Particularmente, vejo o "BBB" como uma máquina de moer gente preta. Apesar das campeãs Gleici Damasceno, do "BBB 18", e Thelma Assis, do "BBB 20", de modo geral, para os participantes negros do programa, essa tem sido uma experiência marcada pelo racismo. Dentro e fora da casa. As duas, aliás, também sentiram na pele essa violência, muitas vezes sendo subestimadas pelos seus companheiros de confinamento, até se consagrarem campeãs.
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A edição de 2021 deixou isso ainda mais evidente. A rapper Karol Conká e a psicóloga Lumena Aleluia foram duas das participantes mais odiadas do programa, eliminadas com 99,17% e 61,31%, respectivamente, em paredões triplos. No caso de Conká, restaurantes, lanchonetes e lojas ofereciam desconto para clientes que acertassem o percentual de eliminação da rapper.
Parceiras de jogo e amigas fora do confinamento, ao longo de 2021 ambas percorreram inúmeros programas de televisão, deram entrevistas, participaram de um documentário sobre a trajetória de Karol no reality e, inúmeras vezes, pediram desculpas pelos seus "erros".
Ainda assim, o perdão para uma mulher negra vem com mais dificuldade (quando vem), e ambas seguem buscando reconstruir suas imagens diante do público.
Não podemos esquecer também o caso da jornalista Nayara de Deus, do "BBB 18", que em sua eliminação ouviu do ex-apresentador Tiago Leifert que "representatividade não leva a nada". Leifert criticava a postura ativa de Nayara ao abordar a questão racial dentro da casa, deslegitimando a trajetória da participante e ignorando que para muitos de nós, negros, a luta contra o racismo é a luta pela nossa própria sobrevivência. Não há nada mais valioso do que a vida.
O mesmo apresentador elogiou Paula Sperling pela "audácia de ser imperfeita". O que Leifert define como a "imperfeição" da campeã do "BBB 19", a Polícia Civil do Rio de Janeiro qualificou como crime de injúria por preconceito relacionado à intolerância religiosa.
Paula desferiu ofensas à orixá Oxum, cultuada pelas religiões de matriz afro-brasileira, além de outras frases racistas ao longo do programa. Ainda assim, saiu com o prêmio de R$ 1,5 milhão, e a denúncia foi arquivada pelo Ministério Público.
Há também o caso de Ronan Oliveira, que se deparou com uma esponja de lavar louça em formato de um homem negro com o cabelo crespo, no "BBB 16". Ronan, também um homem negro, prontamente vetou que os outros membros da casa usassem o objeto com essa finalidade.
Babu Santana, participante lembrado até hoje, foi tratado como "monstro" pelas brancas "fadas sensatas" (ou seria fadas senzalas?) durante grande parte do jogo do BBB 20, sendo o recordista de paredões de todas as edições: foram dez berlindas ao todo.
Para Rodolffo ("BBB 21"), que comparou o cabelo crespo do também participante João Pedrosa à uma peruca desleixada de uma fantasia do Castigo Monstro, e que demonstrou traços de homofobia ao se incomodar com as danças, gritos e o bom humor de Gil do Vigor, o perdão do público veio com bem mais facilidade.
Rodolffo, homem branco de 33 anos, como todo o acesso à informação, alegou desconhecimento sobre o racismo e disse estar em "evolução". Foi o suficiente para que público relevasse a atitude. O cantor sertanejo, junto com seu companheiro de dupla, Israel, foram agraciados com o prêmio de melhor música de 2021 no "Melhores do Ano" do "Domingão do Huck".
De novo: por que o perdão vem fácil para alguns, enquanto outros seguem precisando se justificar?
Muitos dirão que todos os episódios de racismo vivido por participantes negros dentro do programa são apenas "mimimi". Eu prefiro nomeá-los como expressões do racismo estrutural, ideia que tem sido bastante citada nos últimos anos, principalmente a partir dos debates do professor, filósofo e jurista Silvio de Almeida.
Almeida diz que o racismo é sempre estrutural, ou seja, está em tudo e tem origem em um processo histórico e social que produziu formas sistemáticas de discriminação de pessoas negras no Brasil. O racismo se manifesta nas relações interpessoais, nas dinâmicas institucionais, no cotidiano, no 'BBB'.
Por isso, dentro da lógica racista a qual todos nós estamos imersos, não causa comoção a dor que pessoas negras vivenciam em seus corpos. Quando ousamos falar desta violência, somos taxados como chatos, "mimizentos", "raivosos".
O "BBB 22" vem aí, e não é preciso ter o dom de prever o futuro para saber que os brothers e sisters dessa edição cometerão equívocos ao longo do jogo, mas é provável que o peso de suas ações seja maior para os participantes negros. Sabemos também que novos episódios de racismo acontecerão, provocando debates acalorados nas redes sociais. Alguns seguirão fechando os olhos para o óbvio, outros seguirão colocando o dedo nesta ferida chamada racismo, que está bem longe de ser cicatrizada.
Aos participantes negros desta edição, minha admiração pela coragem de entrarem na máquina de moer gente preta.
_________________________________________________O cérebro é um mosaico de sexos | A hora da Ciência - O Globo
Por Roberto Lent 14/01/2022 • 04:31
'Cada pessoa tem uma composição diferente de características regionais masculinas e femininas', afirma Lent | Pixabay
Remonta a tempos imemoriais a ideia de que só há dois sexos na espécie humana. Essa ideia surgiu da comparação com os animais e da constatação de que os órgãos sexuais são binários: masculino e feminino. De fato, do ponto de vista anatômico e funcional, são pouco significativas as variações dos pirulitos e pererecas, que ocorrem em apenas 0,2% dos casos. Outra coisa é como cada um os utiliza, e aí tudo muda de figura porque entra em cena o cérebro. Será que existe um cérebro masculino e um cérebro feminino, a determinar o comportamento sexual das pessoas de modo binário, acompanhando a dualidade dos órgãos genitais?
Essa pergunta é motivo de investigação da neurociência, e resultou em uma concepção nova proposta pela pesquisadora israelense Daphna Joel. Em artigo de revisão recentemente publicado, ela descreve a busca por dimorfismos sexuais em várias regiões do cérebro, como preditores do caráter masculino ou feminino de uma determinada estrutura e sua função. Critica a pressuposição dos pesquisadores de que haveria um cérebro masculino e um cérebro feminino, baseada na observação de que ocorre diferenciação sexual já no período fetal, fase em que o cromossomo Y masculino promove a secreção de testosterona, que marcaria então definitivamente a pessoa como homem. Sem o cromossomo Y, como é o caso das mulheres, esse caminho na diferenciação sexual tomaria o rumo feminino. Só que não funciona assim, diz Joel. Primeiro porque há outros fatores que modulam a diferenciação sexual do cérebro: outros hormônios ligados ao sexo, bem como genes característicos de uma ou outra direção do desenvolvimento. Além disso, o ambiente psicossocial influi nesse percurso, modulando o desenvolvimento biológico e gerando uma mistura de características em cada pessoa.
A concepção binária radical foi então modificada para a ideia de um contínuo entre os sexos: uma extensa gama de formas intermediárias entre um polo masculino e outro feminino. Por esse ponto de vista, algumas pessoas seriam extremamente masculinas, outras extremamente femininas, e a maioria ocuparia as várias posições intermediárias. Essa hipótese do contínuo sexual passou a ser adotada por muitos pesquisadores, mas é também criticada pela pesquisadora israelense, com base em evidências que ela e seus colaboradores colheram usando técnicas de neuroimagem em humanos, e técnicas microscópicas em modelos animais.
Em um dos trabalhos, estudaram 116 regiões nos cérebros de 169 mulheres e 112 homens. Embora para cada região estudada houvesse um certo grau de dimorfismo no volume das áreas e em suas conexões, a faixa de sobreposição e a diversidade eram grandes. Isso significava que cada pessoa tinha um perfil próprio. Daí surgiu a concepção das diferenças de sexo “em mosaico”. Cada pessoa investigada tinha um padrão diferente na distribuição de características que variam com o sexo. Levando em conta todas as regiões estudadas, não era possível atribuir a cada pessoa o sexo feminino ou o sexo masculino. Cada uma tinha uma composição diferente de características regionais masculinas e femininas. Quer dizer: eu posso ter um padrão masculino em certa região do cérebro que comanda meu modo de caminhar, um padrão intermediário na região que controla meu tom de voz, e um padrão feminino na região que controla minha empatia. Sou um mosaico. Além disso, cada uma dessas regiões se desenvolveu sob influência das condições psicossociais de minha vida.
A definição sexual de homem ou mulher, portanto, não depende só de seus órgãos genitais, mas principalmente de seu cérebro, que determina seu comportamento, sua cognição e suas emoções. E este não é binário, mas um mosaico de milhares de características que se combinam de modo diferente para cada um. Parece estranho, mas de acordo com essa análise que vem se estabelecendo na neurociência, não há homens nem mulheres, há pessoas.
_________________________________________________Documentário sobre Leila Diniz chega ao streaming: 'Nunca mais tive uma amiga como ela', diz diretora
Leila Diniz em 1967: Ana Maria Magalhães, cinco anos mais nova, ouvia conselhos da amiga, com quem ia à praia e farreava na noite do Rio
Filmado em 1982, "Já que ninguém me tira pra dançar", dirigido por Ana Maria Magalhães, traz depoimentos de Domingos de Oliveira, Marieta Severo e Betty Faria sobre a atriz, que morreu em um desastre aéreo aos 27 anos
Leila Diniz em 1967: Ana Maria Magalhães, cinco anos mais nova, ouvia conselhos da amiga, com quem ia à praia e farreava na noite do Rio
Em 2015, a atriz e cineasta Ana Maria Magalhães levou um choque ao ouvir do restaurador Fabio Fraccarolli que seu filme estava morrendo. Ele não se referia aos clássicos do cinema brasileiro em que ela atuara nos anos 1970, como “Quando o carnaval chegar”, de Cacá Diegues, ou “Como era gostoso o meu francês”, de Nelson Pereira dos Santos, mas a “Já que ninguém me tira pra dançar”, documentário que ela dirigira, em 1982, sobre Leila Diniz, atriz que morreu em um desastre aéreo em 1972, aos 27 anos. O filme fora gravado em fitas U_Matic, que não resistem bem à passagem do tempo. Se não fosse restaurado rapidamente, o material poderia se perder.
Ao ouvir o diagnóstico de Fraccarolli, Ana Maria começou a se mexer. Enfiou-se em arquivos em busca das capas de revistas estampadas por Leila nos anos 1960 e 1970 e firmou uma parceria com o Itaú Cultural, que pagou pela remasterização do filme. “Já que ninguém me tira pra dançar” volta ao cartaz neste sábado (15) e domingo (16) na plataforma de streaming Itaú Cultural Play. Em 25 de março, aniversário de 77 anos de Leila, o documentário retorna à plataforma integrando uma mostra de filmes em que ela atuou.
— Gosto de que o filme vá direto para o streaming. Sou aquariana e gosto do novo. Combina com a Leila também — diz Ana Maria, que também dirigiu os documentários “Mangueira do amanhã” e “Mangueira em dois tempos” sobre a escola de samba, e atuou em novelas como “Gabriela” (1975) e “Saramandaia” (1976), na TV Globo.
“Já que ninguém me tira pra dançar” foi encomendado pelo Centro Cultural Candido Mendes, que depois voltou atrás, por falta de recursos. Ana Maria decidiu terminar o filme por conta própria. Entrevistou parentes, amigos e colegas de Leila, como sua irmã mais velha, a socióloga Baby (Eli Diniz, oficialmente), seu ex-marido, o cineasta Domingos Oliveira, e os atores Paulo José, Marieta Severo e Betty Faria. A versão original de “Já que ninguém me tira pra dançar” foi montada pelos cineastas Fernando Meirelles e Marcelo Machado, à época à frente da produtora independente Olhar Eletrônico, e chegou a ser exibido em uma mostra em 1982. Já a nova versão, vista nos festivais do Rio e de Brasília e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2021, foi completamente reeditada por Ana Maria, que incluiu uma nova trilha sonora e o depoimento do primeiro namorado de Leila, Luiz Eduardo Prado de Oliveira, psicanalista que vive em Paris.
O documentário passa em revista a vida de Leila, da infância ao relacionamento com Domingos, com quem filmou “Todas as mulheres do mundo”, do episódio na Ilha de Paquetá, onde, grávida de seis meses, foi fotografada de biquíni para a lendária capa do “Pasquim”. Em 1969, em entrevista ao jornal, Leila falou de sexo e soltou vários palavrões. Após a publicação, teve dificuldades para arrumar trabalho e foi obrigada pelos militares a assinar um termo de responsabilidade se comprometendo a não usar vocabulário chulo em público. No ano seguinte, a ditadura baixou o Decreto Leila Diniz, endurecendo a censura à imprensa. O documentário conta ainda com cenas ficcionais em que Leila é interpretada pelas atrizes Louise Cardoso, Lídia Brondi e Lígia Diniz (sua outra irmã).
Ana Maria conheceu Leila em meados dos anos 1960, na praia, recém-separada de Domingos. Brincaram na areia, mergulharam no mar juntas e ficaram amigas. Estreitaram os laços em 1969, durante as filmagens de “Azyllo muito louco”, de Nelson Pereira dos Santos, em Paraty. As duas dividiram um quarto, e Leila, cinco anos mais velha, dava bons conselhos sobre namoro. No documentário, Marieta Severo recorda Leila como uma pessoa afetuosa ao extremo, que falava em comprar um casarão para morar junto com todos os amigos. Betty Faria, que sentia ciúmes de Leila, confessa ter aprendido com ela que duas mulheres atrizes e bonitas podiam ser amigas. Leila arrumou um emprego para Betty quando ela se viu em dificuldades para sustentar a filha recém-nascida após sua companhia de teatro ter sido fechada por problemas com a censura.
— Nunca mais tive uma amiga como a Leila — diz Ana Maria. — Ela me ensinou que mulher não precisa baixar a cabeça para homem para se divertir. Lembro de quando ela vinha de São Paulo: nós íamos à praia cedinho, depois à sauna e almoçávamos no Antonio’s. Uma vez o Tom Jobim viu nossa mesa com lagosta e vinho branco e disse: “Não tenho saúde pra isso, não!” (risos). Era uma felicidade!
Comédia inacabada
Em “Já que ninguém me chama pra dançar”, Leila e Ana Maria aparecem, claro, dançando freneticamente ao som de “Urucubaca”, dos Fevers, na sala do apartamento de Leila, no Leblon. A cena faria parte de “As bandidas”, comédia musical de Gustavo Dahl (1938-2011) nunca concluída. O título do documentário, porém, nada tem a ver com essa cena. Nem com a imitação que o ator e diretor Paulo César Saraceni faz de Leila dançando.
— Quando íamos a um bar e tomávamos muito chope, Leila dizia: “Já que ninguém me chama pra dançar, vou dar uma mijadinha” — conta Ana Maria, sem segurar a gargalhada.
_________________________________________________MUNIZ SODRÉ sofreu com uma Covid GRAVE, completa 80 anos fazendo CARATÊ e defende a sabedoria do CANDOMBLÉ para combater o ódio
Um dos maiores pensadores da comunicação do país, ele diz que redes, que são empresas, devem virar instituição: ‘Mas não sei como isso vai se dar. Se soubesse, reivindicaria o cargo de CEO do Google’
O professor Muniz Sodre, um dos maiores pensadores da comunicação do país, autor de livros como "A sociedade incivil" e "Pensar nagô", entre outros Foto: Ana Branco / Agência O Globo
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Poucas horas antes de conversar com o GLOBO, na última segunda-feira (10), Muniz Sodré treinou caratê. Aos 80 anos, que completa nesta quarta (12), Muniz, um dos maiores pensadores da comunicação do país, não descuida da saúde. A boa forma física ajudou a salvá-lo da Covid-19. Entre maio e junho de 2020, ele atravessou 40 dias internado. Foi intubado duas vezes e passou pelo CTI. Recuperou-se e já está “trivacinado”.
Autor de uma vasta obra que vai do ensaio à ficção — com destaque para títulos como “Monopólio da fala”, “Pensar nagô” e as aventuras do detetive Timóteo Sete, entre outros —, Muniz também está em ótima forma intelectual. No ano passado, lançou “Sociedade incivil: mídia, iliberalismo e finanças”, no qual afirma que os algoritmos, em aliança com elites predatórias, dilapidaram as instituições democráticas e vitimaram verdade factual, discernimento crítico, respeito às diferenças e solidariedade. Professor emérito da UFRJ que se define como “um nego moderno”, Muniz diz que os terreiros de candomblé, instituições populares que resistem à incivilidade, podem ensinar a negociar as diferenças.
Como é fazer 80 anos depois de enfrentar uma infecção grave por coronavírus em 2020?
Fazer 80 anos é celebrar a senectude. Minha vida é uma travessia amorosa compartilhada com minha mulher, minhas filhas e meus netos. Sou baiano do candomblé nagô, do terreiro Axé Apô Afonjá, em Salvador. Aprendi a ser resiliente, que é aceitar o real como ele é para transformá-lo. O real que me cerca é catastrófico. Percebi que desconhecia a parcela do povo brasileiro que elegeu o atual governo. É uma parcela protofascista, etnocida, que sofre pra burro, mas pactua com os detentores de privilégios. É um choque muito grande. O Brasil se revelou para mim ainda mais brutal do que na ditadura militar. Depois do golpe de 1964, eu sentia que um elefante tinha sentado na minha cabeça. Agora, a opressão militarista vem com coisa pior, que é rebaixamento moral, ético e político da vida nacional. É escandaloso. Talvez devesse voltar a fazer psicanálise, porque esse choque tem me abalado.
No livro recente “A sociedade incivil”, o senhor aborda a degeneração das instituições democráticas. O Brasil foi fundado na violência. Já tivemos sociedade civil aqui?
Curiosamente, tivemos um esboço de sociedade civil quando a violência era maior. No Império, quatro quintos da população brasileira eram escravizados, mas pretos e pardos ascendiam socialmente. Parte da elite era negra e mulata. Francisco Jê Acaiaba de Montezuma, um negão baiano, foi diplomata na Inglaterra. Ninguém sabe disso, mas está no Google! Depois da abolição, o racismo constituiu uma forma escravista, vigente até hoje na sociedade brasileira, que passou a impedir que isso acontecesse. Depois da ditadura militar, a sociedade civil ainda tinha alguma força. As forças políticas se recompuseram e fizeram a Constituição de 1988, que é de extrema importância.
Quando começou a degradação das instituições?
Os partidos se desintegram e hoje só representam o interesse de famílias. Giram ao redor de si próprios e das verbas do fundo eleitoral. Isso está acontecendo no mundo todo. Nos anos 1920, Carl Schmidt, teórico político alemão, já dizia que a democracia parlamentar estava condenada ao centro e à corrupção. O centro que temos hoje no Brasil começou com Fernando Henrique Cardoso, que quebrou a espinha dorsal do movimento sindical ao derrotar a greve dos petroleiros, em 1995. E, como que por irradiação, as demais instituições se abalaram. Mas FHC ainda fez um governo cível. Já a extrema-direita brasileira é suicida. É um capitalismo de destruição, de aniquilamento dos recursos naturais e humanos. É predação de valores e de gente.
Alguma instituição brasileira ainda resiste?
As instituições populares, como o carnaval, que eu defendo que não aconteça este ano, e os terreiros, são fortalezas. A direção do carnaval tem bicheiro e matador? Tem, mas é uma instituição popular forte independentemente do Estado. Assim como a congada e o maracatu. Os cultos afro são instituições litúrgicas e populares fortíssimas, de onde não sai nenhum maluco fundamentalista. E popular não é o contrário de erudito, porque eu estou há 40 anos no candomblé e ainda sou neófito. É a religião mais pós-moderna que existe. No meu terreiro, na Bahia, tem até padre e rabino. O candomblé é uma instituição do povo, uma vacina.
E a imprensa, resiste?
Há dez anos, eu era cético em relação ao futuro da imprensa, achava que estava acabado. O impresso entrou em crise, mas o jornalismo talvez esteja mais forte do que nunca, alimentado pela crise. Talvez os próprios jornalistas não percebam isso, porque é muito difícil trabalhar em redação. A sociedade incivil se organiza para destruir o jornalismo por meio das redes, que não são instituição, são empresas. Embora eu acredite que as redes vão se institucionalizar, porque ou é isso ou o suicídio da sociedade. Mas não sei como essa institucionalização vai se dar. Se soubesse, reivindicaria o cargo de CEO do Google (risos).
Em que medida suas pesquisas sobre comunicação, pelas quais é reconhecido na academia, e seu interesse pelas culturas afro-brasileiras convergem?
Isso vem da minha condição de negro de terreiro. Os nagôs eram grandes negociadores. Negociar não é só comércio, é negociar as diferenças. Zé Limeira, cantador nordestino, um dos maiores versejadores do cordel, disse o seguinte: “Eu sou um nego moderno / Foi não foi, estou pensando...” São versos de gênio! Eu sou um nego moderno. Sou múltiplo de nascimento. Minha avó paterna era nagô. A materna, cigana. Meu avô materno, indígena tupinambá. Eu não acredito em fechamento disciplinar. A comunicação é ponte, é uma disciplina que apaga fronteiras e negocia diferenças.
A negociação das diferenças pode ajudar a combater o “ódio como forma social” a que o senhor se refere em “A sociedade incivil”?
Temos que começar pelo reconhecimento da diversidade. O Brasil é heterogêneo: indígena, sertanejo, ribeirinho, suburbano. Mas não é só reconhecimento intelectual, é aproximação. Só isso combate os discursos de ódio que passaram a reger a sociedade. O ódio é aprendido. Assim como o amor. O único sujeito que nasce amando é o cachorro. Nós aprendemos a amar.
O senhor continua lutando capoeira e caratê?
Capoeira já não jogo há muito tempo, mas caratê eu treino duas vezes por semana on-line. Treinei hoje! Cheguei a voltar a treinar presencialmente, mas aí vieram a Ômicron e a influenza... Também faço musculação. Já sou coroa, tenho que manter a forma. Os médicos acham que recuperei bem da Covid porque tenho boa forma física.
2021 _____ Phyllis ______________________________ 2021 _____ Mr. Grant ___________________________ 2021 _____ Murray _____________________________ 2021 _____ Sue Ann Nivens _____________________
Bess e Gordy continuam luta.
Atriz e comediante americana BETTY WHITE (Sue Ann Nivens) morre aos 99 anos
Betty White faria 100 anos em janeiro. Foto: GUS RUELAS / REUTERS
Artista participou de mais de 100 programas de TV, com destaque para a série 'Supergatas', pela qual foi premiada com o Emmy de melhor atriz em 1986
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A humorista Betty White morreu ontem, menos de três semanas antes de seu centésimo aniversário. Com mais de 80 anos de carreira, a atriz americana ficou famosa pelos papéis nas séries “Super gatas” e “The Mary Tyler Moore Show”.
A notícia foi divulgada pela revista “People”, que trazia Betty na capa de sua edição de janeiro. “Meu aniversário de 100 anos, não posso acreditar que está chegando”, escreveu a atriz nas redes sociais na última terça-feira, comentando a matéria da “People”.
Betty White teve uma das carreiras mais longevas da televisão americana, onde iniciou em 1939. Foram mais de 100 programas televisivos, com destaque para a série “Supergatas”, pela qual ganhou o Emmy em 1986 — foram 5 Emmys no total.
Nascida em Oak Park, Illinois, em 17 de janeiro de 1922, White era filha única de um casal formado por uma dona de casa e um executivo do setor de iluminação. Chegou a se interessar pela profissão de guarda florestal quando jovem, mas acabou se tornando atriz, inspirada por nomes como Jeanette MacDonald e Nelson Eddy. No cinema, chegou a participar de mais de 20 filmes, como atriz ou como dubladora. Também publicou seis livros, quase todos com histórias pessoais.
Em uma indústria de entretenimento voltada para jovens, na qual mulheres de 40 anos muitas vezes já estavam em fim de carreira, White era exceção. Ela foi uma estrela aos 60 anos e um fenômeno da cultura pop aos 80 e 90. Jogando com sua simpatia, White ainda estrelava em uma sitcom de TV, "Hot in Cleveland", aos 92 anos, até a série ser cancelada no final de 2014.
Ela dizia que sua longevidade era resultado de boa saúde, boa sorte e amor ao trabalho: "É incrível que eu ainda esteja neste negócio e que você ainda esteja me tolerando", disse em uma aparição na cerimônia do Emmy Awards 2018, quando foi homenageada por sua longa carreira.
White não tinha medo de zombar de si mesma e lançar piadas sobre sua vida sexual ou comentários sarcásticos que ninguém esperaria de uma senhora idosa de cabelos brancos e sorriso doce. Freqüentemente, ela era questionada se, após uma carreira tão longa, havia algo que ela ainda queria fazer e a resposta padrão era: "Robert Redford".
Betty Marion White nasceu em 17 de janeiro de 1922, em Oak Park, Illinois, e sua família mudou-se para Los Angeles durante a Grande Depressão, onde ela estudou na Beverly Hills High School.
White começou sua carreira no entretenimento no rádio no final dos anos 1930 e em 1939 fez sua estréia na TV cantando em um canal experimental em Los Angeles. Depois de servir no American Women's Voluntary Service, que ajudou o esforço dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi uma presença regular no "Hollywood on Television", um programa diário de variedades ao vivo de cinco horas, em 1949. Já nos anos 1950, ela se tornou uma mulher pioneira na televisão ao fundar uma produtora e atuando como co-criadora, produtora e estrela da sitcom "Life With Elizabeth".
Durante a década de 1960 e início dos anos 70, White foi vista regularmente na televisão, apresentando a cobertura anual do Tournament of Rose Parade e aparecendo em programas de jogos como "Match Game" e "Password". Ela se casou com o anfitrião de "Password", Allen Ludden, seu terceiro e último marido, em 1963.
Mas o sucesso mesmo veio com "The Mary Tyler Moore Show", no qual interpretava a apresentadora de um programa de televisão caseiro, a sarcástica e vigorosa Sue Ann Nivens. White ganhou o Emmys de melhor atriz coadjuvante pelo papel em 1975 e 1976.
Ela ganhou outro Emmy em 1986 por "Super Gatas", uma sitcom sobre quatro mulheres mais velhas que moravam juntas em Miami. White também foi indicada ao Emmy seis outras vezes por sua interpretação da viúva Rose Nylund. O programa, que foi exibido de 1985 a 1992 e foi uma das séries mais bem cotadas de seu tempo. "Super Gatas" teve uma sequência de menos sucesso, a depois ela encadeou pequenos papéis em filmes, participações em programas de entrevistas e participações especiais na TV.
Em 2009, estava se tornando onipresente na TV americana, com aparições mais frequentes e um papel em "A proposta", filme de Sandra Bullock. Foi até mesmo estrela de um comercial de chocolate no concorrido intervalo do Super Bowl, a final do futebol americano.
Uma jovem fã iniciou uma campanha no Facebook para que White apresentasse o "Saturday Night Live" e ela acabou aparecendo em todos os esquetes do programa e ganhando mais um Emmy por isso.
A Associated Press a elegeu como artista do ano em 2010 e uma pesquisa Reuters / Ipsos de 2011 descobriu que White, então com 89 anos, era a celebridade mais popular e confiável na América, com um índice de favorabilidade de 86%.
Com seu comportamento espirituoso e atrevido apresentou "Betty White's Off their Rockers", um programa de câmeras escondidas no qual atores idosos pregavam peças em pessoas mais jovens.
"Quem poderia sonhar que eu não só estaria saudável, mas ainda sendo convidada para trabalhar?", disse numa entrevista a Oprah Winfrey, em 2015. "É um privilégio... ainda ter trabalhos para fazer é um grande privilégio."
White, que não tinha filhos, trabalhava pela causa animal. Certa vez, ela recusou um papel no filme "As Good as It Gets" por causa de uma cena em que um cachorro era jogado em uma lata de lixo.
_________________________________________________Morre Sidney Poitier, 1º negro a receber o Oscar, em 1963, por "Uma Voz Nas Sombras"
Eugene Torchon-Newry, diretor-geral interino do Ministério das Relações Exteriores do país, confirmou a morte do ator
247 com Reuters - Sidney Poitier, que rompeu as barreiras raciais como o primeiro negro a ganhar o Oscar de melhor ator por seu papel em "Uma Voz nas Sombras" e inspirou toda uma geração durante o movimento pelos direitos civis, morreu aos 94 anos, informou uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores das Bahamas nesta sexta-feira.
Eugene Torchon-Newry, diretor-geral interino do Ministério das Relações Exteriores do país, confirmou a morte do astro.
Poitier criou um legado cinematográfico notável em um único ano com três filmes em 1967, numa época em que a segregação racial prevalecia em grande parte dos Estados Unidos.
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Em "Adivinhe Quem Vem para Jantar" ele interpretou um homem negro com uma noiva branca e "No Calor da Noite" ele era Virgil Tibbs, um policial negro enfrentando o racismo durante uma investigação de assassinato. Ele também interpretou um professor em uma escola rígida de Londres naquele ano em "Ao Mestre com Carinho".
Poitier ganhou seu Oscar de melhor ator por "Uma Voz nas Sombras" em 1963, interpretando um faz-tudo que ajuda freiras alemãs a construir uma capela no deserto. Cinco anos antes, Poitier havia sido o primeiro negro indicado ao Oscar de melhor ator por seu papel em "Acorrentados".
Seu personagem Tibbs de "No Calor da Noite" foi imortalizado em duas sequências --"Noite sem Fim", em 1970, e "A Organização", em 1971-- e se tornou base para a série de televisão homônima, estrelada por Carroll O'Connor e Howard Rollins.
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Poitier nasceu em Miami em 20 de fevereiro de 1927 e foi criado em uma fazenda de tomate nas Bahamas, tendo apenas um ano de escolaridade formal. Ele lutou contra a pobreza, o analfabetismo e o preconceito para se tornar um dos primeiros atores negros a ser conhecido e aceito em papéis importantes pelo grande público.
Como diretor, Poitier trabalhou com seu amigo Harry Belafonte e Bill Cosby em "Aconteceu num Sábado", de 1974, e Richard Pryor e Gene Wilder em "Loucos de Dar Nó", de 1980.
Artistas de diversas gerações e excutivos da indústria cinematográfica usaram as redes saociais para lamentar a morte do ator. Veja alguma das manifestações.
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Whoopi Goldberg, atriz
"Se você quisesse o céu, eu escreveria no céu em letras que chegariam a trezentos metros de altura. Para o senhor com amor. Sir Sidney Poitier R.I.P. Ele nos mostrou como alcançar as estrelas. Minhas condolências à família dele e a todos nós também".
Jeffrey Wright, ator
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"Sidney Poitier. Que ator marcante. Único. Que homem lindo, gracioso, caloroso e genuinamente real. RIP, Sir. Com amor."
Tyler Perry, ator
"Por volta dessa época, no ano passado, Cicely Tyson estava lançando seu livro e promovendo-o. Eu não tinha ideia de que ela faleceria logo em seguida. Agora, acordo nesta manhã com um telefonema de que Sidney Poitier faleceu... tudo que posso dizer é que meu coração se partiu em outro lugar. A graça e a classe que este homem demonstrou ao longo de toda a sua vida, o exemplo que me deu, não só como negro mas como ser humano, nunca será esquecido. Não há homem neste negócio que tenha sido mais uma estrela guia para mim do que Sidney Poitier. Nunca vou me esquecer de convidar ele e Cicely para voar para a África do Sul comigo. Sendo egoísta, eu queria mantê-los cativos pelas horas de viagem enquanto eu literalmente me sentava a seus pés e ouvia sua sabedoria e experiências. Foi uma mudança de vida. Tudo o que posso dizer é obrigado por sua vida, obrigado por seu exemplo e obrigado por seu presente incrível. Mas, acima de tudo, obrigado por estar disposto a compartilhar VOCÊ para nos tornar melhores".
George Takei, ator
"Sidney Poitier, o primeiro negro a ganhar um Oscar, morreu aos 94 anos. A estrela de 'Adivinhe quem vem para o jantar' e 'Lírios do Campo', pelo qual ganhou Melhor Ator, foi um pioneiro que o fará ter a morte lamentada por tantos por quem ele abriu as portas de Hollywood".
Colman Domingo, ator
"Até que eu possa elogiá-lo apropriadamente mais tarde. Coração partido. Eu existo por causa dele. Ele abriu o caminho para atores como eu. Sou eternamente grato".
Piers Morgan, apresentador
"RIP Sidney Poitier, 94. Quando ele respondeu a um anúncio de atores, como um jovem analfabeto, o dono do teatro zombou: ‘Vai ser um lavador de pratos’. Sidney já era lavador de pratos. Ferido pela zombaria, ele jurou provar que estava errado. Ele se tornou o primeiro negro a ganhar o Oscar de Melhor Ator. .
Robert Iger, executivo
"Sidney Poitier, antigo membro do conselho da Disney, foi o homem mais digno que já conheci. Imponente, gentil, apaixonado, ousado... totalmente especial".
_________________________________________________Homem acusado de furto pela Zara pede indenização milionária
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247 - Luís Fernandes Júnior, homem negro acusado e constrangido por seguranças do Shopping da Bahia, em Salvador, por ter furtado uma mochila na Zara, vai pedir uma indenização de R$ 1 milhão em processo movido contra a loja e o centro de compras, segundo informações do G1.
O advogado da vítima, Thiago Thobias, aguarda o retorno do judiciário na semana que vem para protocolar a ação. Segundo Thobias, o valor precisa ser suficiente para "abalar economicamente uma empresa do porte da Zara", e assim evitar outros crimes de racismo.
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“Eu sei que nada pagará e apagará essa humilhação, mas espero que essa seja uma medida que faça com que eles repensem, e que ajude para que não aconteça mais com outras pessoas", avaliou Luís Fernandes Júnior.
Relembre o caso
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Fernandes Júnior, de 28 anos, que é natural de Guiné Bissau e mora há sete anos na Bahia, comprou uma mochila na loja Zara no último dia 28 no valor de R$329.
Fernandes conta que precisou sair da loja para fazer um saque e, ao retornar ao caixa pagou pelo produto, pegou a nota fiscal e foi ao banheiro antes de voltar na loja porque havia esquecido o troco. Neste momento foi abordado pelo segurança no banheiro.
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De início, eu não liguei porque não tinha ideia de que seria comigo aquilo. Aí ele chegou perto de mim e falou: 'eu quero que você devolva agora a mochila que você roubou na loja da Zara'. Eu respondi que tinha comprado a mochila e ainda falei que tinha o comprovante, mas ele não quis ouvir e insistiu para que eu devolvesse", relembra
_________________________________________________'Eu poderia ser mais um número', diz homem negro espancado na porta de casa no Maranhão
O recepcionista Gabriel Nascimento, que foi sufocado no pescoço, cita os casos de João Alberto e George Floyd, e pede justiça
Gabriel, empurrado, chutado e imobilizado pelo joelho do agressor Jhonattan, enquanto a dentista Ana Paula Vidal incentivava a agressão: 'Eu achei que iria morrer' Foto: Reprodução
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BRASÍLIA —No último dia 18 de dezembro, o jovem Gabriel da Silva Nascimento, de 23 anos, foi agredido e sufocado no pescoço por um casal enquanto tentava entrar no seu carro, estacionado em frente ao edifício onde mora — em Açailândia, no Maranhão, cidade de 113 mil habitantes a 567 km de São Luís. Negro, o recepcionista de uma agência da Caixa Econômica atribui a violência a uma atitude racista por parte dos agressores, o casal Jhonnatan Silva Barbosa e Ana Paula Vidal.
Em entrevista por telefone ao GLOBO, Gabriel contou que mudou de endereço por temer retaliações, mas diz que resolveu denunciar para que o seu caso não fosse "mais um número". O jovem cita os episódios envolvendo João Alberto Silveira, em Porto Alegre, e George Floyd, nos Estados Unidos, quando ambos os homens negros foram asfixiados e acabaram morrendo.
— A gente vê isso diariamente, pessoas sendo agredidas por serem negras. Eu poderia ter deixado isso em branco, poderia não ter denunciado. No Brasil são vários números. Eu quis tomar uma atitude para que o aconteceu comigo não aconteça com mais ninguém —, afirmou.
Diante do episódio e da repercussão que o caso ganhou, o recepcionista, que tem o ensino médio completo e sonhava em cursar administração, ganhou um novo sonho: pretende estudar Direito para quem sabe, atuar em situações semelhantes à sua, dando voz a quem é injustiçado e julgado pela cor da pele.
A seguir, trechos da entrevista com Gabriel da Silva Nascimento:
A Polícia Civil está cuidando do caso e disse que pretende concluir o inquérito até o próximo dia 18. O que você espera que aconteça?
Eu vivi uma situação que foi muito constrangedora para mim. Você passar por uma situação dessas de ser agredido no meio da rua, de ser humilhado. Eu gostaria que eles fossem punidos, que a Justiça faça valer a lei sobre os dois. Eu poderia ser mais um número, porque outros casos em que houve a falta de ar, como aconteceu comigo, resultaram em morte. Foi o caso do João Alberto e do George Floyd, essas pessoas acabaram morrendo.
Por que você acha que foi alvo dessa violência?
Os dois fizeram um julgamento sem me deixar tentar explicar, sem me ouvir. A avaliação, o julgamento deles, foi feito pela minha cor, pelo meu jeito, pelo meu físico, e começaram a me agredir. As pessoas não podem ser discriminadas pela cor da pele, da vestimenta, da aparência. A lei é clara, todos nós somos iguais. Temos direitos e deveres. Direito de sermos respeitados e dever de respeitar.
Você acredita que sua atitude de denunciar e expor o que aconteceu terá resultado?
A gente vê isso diariamente, pessoas sendo agredidas por serem negras. Eu poderia ter deixado isso em branco, poderia não ter denunciado. No Brasil são vários números. Eu quis tomar uma atitude para que o aconteceu comigo não aconteça com mais ninguém. Inúmeros casos que acontecem no Brasil são casos de violência e a gente não pode se calar. Para que as pessoas despertem, tomem consciência de que não podem ser racistas.
Você foi vítima de uma série de agressões, chutes, pontapés, e até de uma tentativa de asfixia. No seu depoimento, porém, você disse temer retaliações. Por que?
Não foi e não tem sido fácil para mim. Apesar de que quem me constrangeu foi o outro lado, mas do meu lado também a gente fica um pouco apreensivo pela situação. Eu nunca passei por nenhuma situação como essa na minha vida, mas fico temeroso de sair, tenho esse medo, fico receoso.
Mas você chegou a receber alguma ameaça?
Não. Mas tenho medo, a família de um deles é influente na região. Eu não sou um rapaz de briga, não sou de ir a determinados lugares. A gente é criado com princípios, mas a gente fica com medo. Embora eu esteja certo, eu que fui agredido, mas eu fico com medo.
O episódio ocorreu no último dia 18 de dezembro. De lá para cá, como tem sido a sua rotina?
No dia da agressão eu saí da minha casa e desde então eu não voltei mais, só para pegar minhas coisas. Agora estou na casa de uma pessoa conhecida.
Você está traumatizado?
É uma situação delicada. Além das palavras, da discriminação, do racismo, fui agredido fisicamente. É uma coisa que, além de deixar marcas fisicamente, deixa marcas psicologicamente. é como se fosse um acidente, que de repente vem a pontada da lembrança, é algo que a gente não esquece. Sei que se fosse uma pessoa branca ali, vivendo a mesma situação, talvez a forma da abordagem seria até diferente.
Você já tinha passado por uma situação semelhante anteriormente?
O racismo, a gente observa que ele não precisa só ser dito, mas as atitudes demonstram. Não são só as palavras, são as atitudes. Mas essa foi a primeira vez que eu fui agredido por ser negro. Eu nunca tinha passado por uma situação como essa, em que foi feito um julgamento pelos agressores e que eu fui violentado dessa maneira.
Como tem sido a repercussão do caso na sua cidade?
A cidade inteira tem manifestado solidariedade ao que passei. Houve até uma passeata organizada por movimentos e pelo Centro de Direitos Humanos. Em geral, me sinto acolhido, acho que as pessoas também ficaram chocadas. Agora, quero me empenhar para estudar Direito e entrar nessa luta.
_________________________________________________Opinião: Akin Abaz - bell hooks nos ajudou a construir uma outra visão sobre nós mesmos
bell hooks morreu em 15 de dezembro aos 69 anos Imagem: Karjean Levine / Getty Images
Akin Abaz Colunista do UOL 04/01/2022 04h00
É um fato que em 2021, não só em razão da pandemia, que estamos perdendo várias figuras importantes não só no Brasil como em todo mundo. Figuras essas com destaque em diversas áreas como as artes visuais, música, política, jornalismo, esportes e tantas outras.
A ativista e escritora bell hooks foi mais uma grande perda. Ela que era autora, professora e crítica publicou mais de 40 livros e diferentes artigos acadêmicos, traduzidos para mais de 15 idiomas.
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Falar dela é falar de toda a contribuição que ela deu e de todo o legado que ela deixou.
Acho que não só para mim, mas para toda a população negra, a bell (pode-se dizer que sou íntimo dela por acompanhar o seu trabalho rs) é um símbolo de nós para nós mesmos.
Enquanto mulher negra, e no auge da sua grandeza, ela entendia que o conhecimento obtido e todos os pensamentos e afirmações que ela criou, principalmente sobre raça e feminismo, tinham que ser partilhado com mulheres e homens negros de todo o mundo.
Através de seus livros ela fazia com que construíssemos uma outra visão sobre nós mesmos, de onde viemos, das nossas raízes, dos nossos ancestrais.
Sempre pautando a importância do amor, e de como é importante, difícil e crucial a construção do amor-próprio quando se nasce negro, de como o ato de se amar é uma ação, e de como isso nos fortalece e nos direciona ao nosso lugar no mundo.
Como ela mesma disse:
No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover em direção à liberdade, a agir de formas que libertam a nós e aos outros."
Quem já leu dois ou mais de seus livros percebe o quanto a escritora sempre foi plural. Ela abordava temas como feminismo, racismo, cultura, política, papéis de gênero, amor e espiritualidade. Sempre com maestria.
A verdade é que bell hooks será eterna. Sua contribuição para a população negra, para a nossa liberdade, para a emancipação e feminismo das mulheres negras, para a luta antirracista e para a cultura e sociedade ao todo é de um valor inestimável.
Meu desejo para você, leitor, que não sabe quem ela é ou nunca ouviu falar do seu nome é: leia mulheres negras, leia bell hooks.
É impossível não terminar uma de suas obras minimamente transformado com o seu olhar.
* Colaborou Gabriela Bispo, jornalista, planner e redatora da InfoPreta
_________________________________________________Racismo: acusado de roubo na Zara, homem negro é retirado de banheiro para ‘devolver’ mochila que comprou
31 de dezembro de 2021
247 - Um homem negro, identificado como Luís Fernandes Júnior, foi retirado do banheiro do Shopping da Bahia após ser acusado de roubar uma mochila que havia comprado na loja Zara. Natural de Guiné-Bissau, Luís mora na Bahia há sete anos. Em entrevista , o homem afirmou que esteve na loja em busca de uma mochila nova, que viu pela internet. “Fui na loja da Zara procurar a mochila que eu queria, porque a minha estava velha. Conversei com o atendente, que foi muito cordial, e conseguimos encontrar a mochila por meio do código do produto, no aplicativo. Eu então deixei a mochila no caixa e saí da loja para sacar o dinheiro. Depois retornei para pagar pela mochila e saí com minha compra, com o comprovante de pagamento”, contou. A reportagem é do portal Época.
“Eu já tinha passado pelo segurança duas vezes, ele inclusive me indicou onde ficava o caixa eletrônico que eu saquei o dinheiro da compra. Tem como eles puxarem as câmeras do shopping para verem a minha circulação”, reforçou Luís.
Após pagar pelo produto, o homem deixou o troco no caixa porque estava com pressa para sair do shopping. Ele foi ao banheiro, que fica próximo à saída de acesso à estação do metrô da rodoviária. “Quando o rapaz [do caixa] ia me dar o troco, que era R$ 1, eu pedi só a nota fiscal porque estava com pressa. Ia perder o carro para casa e o prejuízo seria maior do que R$ 1. Eu então entrei no banheiro que fica perto da saída do metrô. Quando estava de pé, urinando, o segurança entrou e começou a gritar comigo”, disse.
“Ele ficou atrás de mim. De início, eu não liguei porque não tinha ideia de que seria comigo aquilo. Aí ele chegou perto de mim e falou: ‘eu quero que você devolva agora a mochila que você roubou na loja da Zara’. Eu respondi que tinha comprado a mochila e ainda falei que tinha o comprovante, mas ele não quis ouvir e insistiu para que eu devolvesse”, revelou Júnior.
Depois de perseguir a vítima, o segurança tomou a mochila da mão de Luís e saiu pelo corredor. “Eu fiquei muito nervoso e saí discutindo pelo corredor atrás dele. Quando chegamos de volta na loja, procurei o rapaz que me atendeu e perguntei a ele de quem era a mochila. O atendente respondeu que era minha, que eu havia comprado. Aí ele ficou sem jeito”, lembrou.
“Mesmo assim, ele ficou com a minha mochila na mão e saiu andando com ela. Eu estava bastante nervoso e chamei ele de racista. Questionei: ‘Só por que eu sou negro, não tenho o direito de comprar o que eu quiser?'”, relatou Luís.
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O atendente da Zara explicou a situação e mostrou o comprovante de pagamento da mochila, mas o segurança se recusou a devolver a mochila para Luís. “Eu puxei a mochila da mão dele e ele me ignorou, saiu andando. Eu fui atrás dele, revoltado, e pedi: ‘Quero saber quem é o seu responsável para entender o motivo desse tipo de abordagem'”, disse a vítima.
_________________________________________________Michel Alcoforado - A polêmica com Ícaro Silva revela os silêncios do B de Brasil do 'BBB'
Michel Alcoforado Colunista do TAB 28/12/2021 04h01
Lucas Selfie (ex-Pânico, ex-A Fazenda, ex- Raíssa Barbosa) cresceu com a lógica da internet e se inventou como famoso, ostentando um pau de selfie pelas ruas de São Paulo numa programa de grande audiência aos domingos. Resiste até hoje como celebridade porque entende como poucos os desejos do público, os meandros do entretenimento nacional e como um episódio sem graça na televisão pode reverberar por anos na internet.
Nos últimos dias, Lucas ganhou mais um atributo: a clarividência dos gurus. Assim que viu a polêmica com o ator Ícaro Silva nas redes sociais, cravou sem nenhuma dúvida: é marketing!
Aos ocupados, eu explico.
Ícaro Silva (ex-oficina de atores da Globo, ex-Malhação, ex-Dança dos Famosos) é um jovem ator negro com uma longa carreira em novelas, nas passarelas de moda e com presença frequente na pastelaria do audiovisual brasileiro. Fora da televisão, fez papéis importantes no teatro e no cinema, além de fazer posts-cabeça nas redes sociais sobre questões sociais, os estereótipos de gênero, racismo.
Perto da estreia de mais uma edição do "Big Brother Brasil", sites de notícia especializados em televisão insistem em colocá-lo como uma das apostas famosas da próxima edição, por conta do sucesso vertiginoso do artista no quadro "Dança dos Artistas" do Domingão da Faustão / Domingão do Huck.
Depois de insistir que tudo não passava de um boato, Ícaro perdeu as estribeiras com um hater e pediu para para que os fãs respeitassem sua história, sua repulsa a dividir banheiro e a participar de "entretimento medíocre". Jamais participaria do "Big Boster Brasil".
Foi uma hecatombe nas redes sociais. Talvez, desde a eleição de Jair Bolsonaro com seus robôs tresloucados, não se via algo parecido. De uma hora para outra, coxinhas e mortadelas, lulistas e bolsonaristas, foram incentivados a refletir: eram contra ou a favor do simples tuíte? Tinha Ícaro o direito de criticar o reality de maior sucesso da história da televisão brasileira? Podia ele, uma ator contratado pela TV Globo, falar mal do programa capaz de fazer dos pobres, novos milionários, transformar uma gente desconhecia em VIP da noite para o dia?
Tiago Leifert, ex-apresentador do programa, fez fortuna na televisão e se aposentou para cuidar de assuntos pessoais. Deixou o sossego da aposentadoria para defender o reality e desqualificou a crítica do ator, dizendo que Ícaro é arrogante e que havia feito um comentário sem sentido. Leifert assegurou: é este mesmo "entretenimento medíocre" que paga o salário de ator global de Ícaro (o famoso "Sou eu que pago seu salário", expressão aparentada do bom e velho "você sabe com quem está falando?").
A resposta de Leifert viralizou, fez da polêmica um acontecimento e gerou uma série de curtidas e comentários, todos de pessoas brancas. Fiquei tenso com a polêmica.
Lucas Selfie me tranquilizou. Segundo a celebridade, estávamos diante de um evento rotineiro na redes sociais, comum nas apresentações dos gurus digitais. Segundo ele, ir de encontro ao senso comum na internet é uma ótima estratégia de se ter engajamento e abre portas para que influenciadores conquistem destaque, vinculem suas marcas a determinado território de marca e produzam conteúdo sobre o tema.
Ufa! Respirei aliviado. Tá tudo combinado, pensei.
Afinal, ou a treta se tratava de mais um daqueles grandes acordos nacionais (os com Supremo e com tudo, ao estilo de Romero Jucá), como defendeu Lucas Selfie, ou é só mais um caso de racismo estrutural mesmo.
Explico a minha dúvida.
Desde que nós, negros, por conta das políticas de inclusão, das batalhas cotidianas e da invenção de outras arenas de exposição (como as redes sociais), deixamos os bastidores para assumir espaços de protagonismo, comentários como de Tiago Leifert e sua trupe são rotina.
É como se, diante da impossibilidade de nos excluírem, de nos inviabilizarem e nos calarem, a elite econômica, cultural e política desse país até nos deixa entrar em espaços antes proibidos, mas desde que saibamos nos comportar como eles imaginam que deve ser.
O ataque de haters a Ícaro Silva, a surpresa de Tiago e a mobilização da internet revelam a dificuldade do Brasil tradicional de lidar com as novas agências dos negros. Com o tique e o hábito dos colonizadores, muitos ainda acreditam que depois de invadirmos alguns espaços (antes abertos só aos brancos), nos comportaríamos seguindo suas regras, seus acordos e no ritmo imposto por eles, o que nos colocaria mais uma vez do lado mais fraco da corda, em mais uma relação de submissão.
A falta de traquejo do brasileiro com o vocabulário da igualdade — fruto de mais de três séculos de escravidão — mostra novas nuances. Reforça que, quando o carma da raça entra em jogo, pau que dá em Chico continua a não dar em Francisco.
O "Big Brother Brasil" nunca foi unanimidade, nem dentro nem fora da TV Globo. São notórias as críticas do poderoso José Bonifácio, o Boni (ex-chefão da emissora), e de Fausto Silva ao programa desde o dia ZERO. No entanto, ninguém (nem Leifert, nem sua trupe) jamais se atreveu a criticá-los. Foram tratados na medida e encarados com a relevância apropriada, ou seja, eram vistos como comentário de boteco sobre as banalidades cotidianas.
O barulho causado pelo tuíte de Ícaro fala mais sobre os críticos do que sobre o ator. Do mesmo jeito que o alarde de sua mensagem causa menos pelo trocadilho Brother/Boster e mais pelo que revela do "B" de Brasil. Ter permissão para chegar à casa-grande, não aceitar ficar na cozinha e ainda se sentir no direito de criticar a decoração da sala de estar foi demais, pensaram alguns.
É bom que se acostumem. É só o começo.
_________________________________________________Desmond Tutu, arcebispo da África do Sul e vencedor do Nobel da Paz, morre aos 90 anos
Religioso atuou na luta contra apartheid, defendendo sanções internacionais contra o regime de segregação racial e direitos iguais para todos
O Globo e agências internacionais 26/12/2021 - 06:23 / Atualizado em 26/12/2021 - 10:16
Desmond Tutu, arcebispo da África do Sul e vencedor do Nobel da Paz, morre aos 90 anos Foto: JENNIFER BRUCE / AFP
CIDADE DO CABO — Morreu neste domingo, aos 90 anos, o arcebispo Desmond Tutu, da Igreja Anglicana na África do Sul, um dos mais importantes ativistas da luta contra o apartheid, que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 1984.
Diagnosticado com câncer de próstata no final da década de 1990, o religioso foi hospitalizado várias vezes nos últimos anos para tratar de infecções associadas à doença.
“O falecimento do arcebispo emérito Desmond Tutu é outro capítulo de luto na despedida da nossa nação a uma geração de notáveis sul-africanos que nos deixou como legado uma África do Sul libertada”, disse o presidente Cyril Ramaphosa em comunicado.
Ramaphosa descreveu Tutu como "um homem de uma inteligência extraordinária, íntegro e invencível contra as forças do apartheid", mas que foi "também terno e vulnerável na sua compaixão por aqueles que sofreram a opressão, a injustiça e a violência".
Desmond Mpilo Tutu foi arcebispo da Igreja anglicana na África do Sul e vencedor do Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o apartheid no país. Na foto, abraça o amigo Nelson Mandela ícone da luta contra a segregação sul-africana (17-05-2003) Foto: AFP
A Fundação Nelson Mandela ressaltou em comunicado que as contribuições do ativista "para a luta contra a injustiça, local e globalmente, estão no mesmo nível da profundidade de seu pensamento sobre a construção de futuros libertadores para as sociedades humanas. Ele era um ser humano extraordinário".
Sacerdote ativista
Nascido na pequena cidade de Klerksdorp, a oeste de Johannesburgo, em outubro de 1931, Desmond Mpilo Tutu era filho de uma empregada doméstica e um professor. Seguindo os passos do pai, formou-se profissional de educação, mas desistiu da carreira por não concordar com a qualidade de ensino inferior oferecida para crianças negras pelo regime racista sul-africano.
Tutu viveu por um período no Reino Unido, onde, segundo ele mesmo dizia, pedia informações desnecessariamente apenas para ser chamado de "Senhor" por policiais brancos. Ele se casou em 1955 com Nomalizo Leah Shenxane, com quem teve quatro filhos.
Ordenado aos 30 anos, usou sua posição para defender sanções internacionais contra o apartheid e, mais tarde, para fazer lobby por direitos iguais para todos. Sua paróquia de St. George, na Cidade do Cabo, tornou-se um centro da luta contra o apartheid e ele passou a ser figura constante à frente de passeatas e campanhas, percorrendo o mundo para defender maior pressão internacional sobre o regime racista. Sua luta baseada na resistência não violenta ao regime, que lhe valeu o apelido de "bússola moral da nação", provocou a ira do governo sul-africano de minoria branca. Tutu foi nomeado arcebispo em 1986, tornando-se o primeiro negro no posto na Cidade do Cabo. Sua posição como líder religioso impediu que fosse preso, ao contrario de boa parte dos lideres da luta contra o apartheid.
Após a libertação de Nelson Mandela da prisão, onde passou 27 anos, foi o religioso quem conduziu o ativista a uma varanda na prefeitura da Cidade do Cabo, onde ele proferiu seu primeiro discurso público. O arcebispo comparou a votação nas primeiras eleições democráticas sul-africanas, em 1994, ao sentimento de "apaixonar-se". Com a eleição de Mandela para a Presidência, Tutu — que criou o termo "Nação Arco-Íris" para a África do Sul pós-apartheid — presidiu a Comissão da Verdade e da Reconciliação (CVR), criada com a esperança de virar a página do ódio racial e curar as feridas do país.
Tutu retirou-se da vida pública em outubro de 2010, mas nunca deixou de manifestar-se pelas causas em que acreditava. Ainda em atividade, acusou o Ocidente de manter-se em silêncio e de tornar-se cúmplice no sofrimento dos palestinos. Já aposentado, em 2013, declarou seu apoio aos direitos LGBT+, afirmando que jamais iria "adorar um Deus que fosse homofóbico".
Sua morte gerou manifestaçoes de pesar também fora da África do Sul. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, expressou "profunda tristeza" e elogiou a "liderança intelectual" do lider religioso .
"Foi uma figura-chave na luta contra o apartheid e na luta para criar uma nova África do Sul. E será lembrado por sua liderança espiritual e bom humor irreprimível", escreveu Boris no Twitter.
As homenagens também vieram do grupo de personalidades conhecido como "The Elders", uma organização criada em 2007 por Mandela e da qual Tutu foi o primeiro presidente.
Em um comunicado, a instituição criada para reunir figuras públicas proeminentes — que tem entre seus membros o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon e o ex-presidente americano Jimmy Carter, entre outros — e discutir problemas mundiais elogiou Tutu como uma "inspiração".
"The Elders perderam um amigo querido, com um sorriso contagioso e senso de humor travesso que encantaram a todos. O mundo perdeu uma inspiração, mas suas realizações nunca serão esquecidas".
Desmond Tutu faleceu tranquilamente às 7h (2h de Brasília), de acordo com várias pessoas próximas à família entrevistadas pela AFP.
_________________________________________________Briga entre ÍCARO SILVA e LEIFERT mostra como racismo é tema mal resolvido no BBB
Aline Ramos Colunista do UOL 24/12/2021 11h56
Ser uma pessoa negra e estar no Big Brother Brasil é estar sujeita a ataques racistas de todos os tipos, dentro ou fora do programa.
Ícaro Silva nem entrou no BBB, e pelo visto não vai mesmo participar.
Ainda assim, já experimentou um pouquinho do que acontece com negros que participam do maior reality show do país.
Racismo em tudo
Ao criticar o BBB e deixar claro o seu desprezo pelo formato, o ator virou para-raio de racistas. Muita gente não engoliu a resposta dele a Tiago Leifert por "apelar para a militância", como alguns dizem. Há uma percepção de que pessoas como Ícaro, ou seja, negras, veem racismo em tudo.
O BBB 22 nem começou e Ícaro Silva já é o primeiro cancelado
Mas aí te pergunto: como não ver racismo em tudo se ele realmente está em tudo?
Como não ver racismo na resposta de Leifert, que num dia EXALTA uma das PARTICIPANTES que mais fez COMENTÁRIOS RACISTAS no programa
e no outro está tentando HUMILHAR um ATOR NEGRO com o papo de "pagamos o seu salário"?
Se uma crítica boba ao BBB incomoda mais que uma sequência absurda de comentários racistas dentro do programa,
é sinal de que o racismo não só está em TUDO, como é CELEBRADO.
Tema mal resolvido
A resposta de Leifert a Ícaro também evidencia como tanto o PROGRAMA quanto o PÚBLICO lidam muito MAL com os casos de racismo na casa mais vigiada do Brasil.
No BBB 21, o apresentador fez uma intervenção positiva para falar dos comentários de Rodolffo sobre o cabelo de João Luiz.
Ainda assim, o professor foi alvo de muitos comentários racistas nas redes sociais e ofendido por reagir a algo que o machucou.
Veja bem, João foi tratado como uma espécie de vilão por ter denunciado uma atitude racista.
Antes disso, a edição 19 teve como vencedora PAULA VON SPERLING, que fez inúmeros comentários RACISTAS e cheios de INTOLERÂNCIA com religiões de matriz afro durante o programa.
Hoje ela é lembrada por Leifert como uma participante importante na história do programa.
No BBB 18, Leifert usou o discurso de eliminação de Nayara de Deus para dizer que representatividade não importa.
A jornalista tinha falado algumas vezes sobre racismo dentro da casa e a importância de termos mais pessoas negras como referência na TV.
Na edição 16, Ronan criticou o programa por conta de uma esponja com o formato de cabelo black power colocada na cozinha. Fora da casa, recebeu ataques racistas pela atitude.
Necessidade de amadurecimento
A lista de casos de racismo é longa, mesmo tendo negros como minoria no BBB. A situação só mudou na última edição, que teve um recorde de participantes não-brancos.
O que parece ser só mais uma treta entre famosos também pode ser um ponto de virada interessante.
Ícaro jogou a merda no ventilador, e ela está se espalhando até agora. Muitos artistas e famosos têm se posicionado. E isso é essencial, ajuda o BBB a amadurecer um pouco mais, mesmo que a duras penas.
A briga entre Ícaro e Leifert veio para mostrar novamente como racismo é tema mal resolvido no Big Brother. E no Brasil.
O que será que nos espera na próxima edição?
_________________________________________________BOAS FESTAS: ouça o hino do Natal brasileiro que nasceu da SOLIDÃO de ASSIS VALENTE
Rede Brasil Atual - O baiano José de Assis Valente tinha 24 anos em 1932, já vivia há quatro no Rio de Janeiro e estava sozinho e deprimido na noite de 24 de dezembro, véspera do Natal. Viu uma folhinha de calendário na parede, em um quarto de pensão em Niterói, pegou papel e lápis, começou a escrever.
Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou
Feliz a rezar…
Naquela noite solitária, estava nascendo uma das mais conhecidas canções populares do Brasil, que alguns consideram o “hino” do Natal. Segundo o biógrafo Gonçalo Junior (autor de Quem samba tem alegria, publicado em 2014), que descreveu a cena acima, foi a primeira “letra triste” escrita por Assis Valente. Boas Festas seria gravada no ano seguinte por Carlos Galhardo. Nos anos 1970, ganhou versão dos Novos Baianos.
O mesmo grupo interpretou outro sucesso do compositor, mais um hino, desta vez, à irreverência: Brasil Pandeiro, de 1941. Assis compôs pensando na musa Carmen Miranda, que não a gravou, para decepção do autor. O registro original é dos Anjos do Inferno. Quem também gravou Assis foi Maria Bethânia (Camisa Listrada).
Mas Carmen gravou outras obras, como a original E o mundo não se acabou, sátira ao sempre anunciado fim do planeta. Assis também tinha um agudo lado cronista, como mostram, por exemplo, Recenseamento e Para onde irá o Brasil, que ganhou orquestração de Pixinguinha em gravação de 1933 (e chegou a provocar sua prisão, porque alguém viu subversão na obra). Mestre Pixinguinha gravou Cai, cai, balão, mais uma canção assinada por Assis.
Vida incerta
Intérpretes como Orlando Silva, Nara Leão (Fez bobagem) e Ademilde Fonseca, entre outros, também registraram ao microfone composições de Assis Valente, um dos grandes criadores brasileiros, que ganhou a vida fazendo próteses.
Vida que, no caso de Assis Valente, sempre oscilou delicadamente entre alegria e tristeza. Até que ele decidiu pôr fim a tudo, no final da tarde de 11 de março de 1958, uma terça chuvosa no Rio, em um parquinho onde hoje se situa o largo da Glória, na zona sul carioca. Endividado e entristecido, avisou a várias pessoas que aquele era o último dia.
Assista vídeo produzido pelo canal Quintal da Saudade:
_________________________________________________Zanin: protelar vacinação de crianças é repulsivo e inconstitucional
24 de dezembro de 2021, 08:14
247 - O advogado do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins, usou o Twitter para afirmar que a protelação da aplicação de vacinas contra a Covid-9 em crianças, como vem sendo feito pelo governo Jair Bolsonaro, é um ato “repulsivo” e "inconstitucional". “Protelar a vacinação das crianças é algo repulsivo e inconstitucional (CF, art. 196)”, escreveu Zanin na rede social.
O artigo 196 da Constituição destaca que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.
Nos últimos dias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do imunizante produzido pela Pfizer em crianças com idades de 5 a 11 anos. Logo após aprovação, Jair Bolsonaro se posicionou contra a vacinação desta faixa etária e ameaçou divulgar o nome dos servidores do corpo técnico da Anvisa.
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que é preciso cautela quanto ao assunto e abriu uma consulta pública para debater o assunto. Ele também disse que, caso a vacinação seja aprovada pela pasta, as crianças somente poderão ser imunizadas mediante prescrição médica.
_________________________________________________MALAFAIA vai às redes para defender tese NEGACIONISTA contra vacinação de crianças
24 de dezembro de 2021, 17:00
247 - O empresário pastor Silas Malafaia entrou em campo nas redes sociais contra a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos de idade, em apoio a medida do governo Jair Bolsonaro.
Apontado como um dos principais conselheiros de Bolsonaro, Malafaia fez pelo menos 15 publicações seguidas nas últimas 24 horas em um de seus perfis na redes sociais criticando a aprovação da imunização infantil pela Anvisa. A informação é da Carta Capital.
Seguindo a linha negacionista do Bolsonaro, Malafaia diz que ‘vacinar crianças seria um absurdo’ e insinua que há riscos para gerações futuras após a aplicação do imunizante da Pfizer. Nenhuma das afirmações do pastor tem sustentação no meio científico.
Para ele, a medida aprovada pela Anvisa de liberar a imunização de crianças atenderia a um interesse financeiro dos laboratórios. A medida, no entanto, é tida por especialistas ao redor do mundo como uma forma de conter o avanço da nova variante ômicron da Covid-19.
_________________________________________________Com baixo protagonismo, ISOLAMENTO de KAMALA HARRIS chama a atenção nos EUA
A senadora democrata Kamala Harris, em Washington Imagem: Yuri Gripas/Reuters
Fernanda Magnotta Colunista do UOL 23/12/2021 07h29
Há cerca de um mês, um material exclusivo publicado pela CNN, nos Estados Unidos, revelou os bastidores da relação entre Kamala Harris, vice-presidente do país, e as demais lideranças do governo norte-americano.
Entrevistas com quase 40 pessoas, entre eles assessores de Harris, funcionários do governo, staff, doadores e conselheiros externos do Partido Democrata sugerem um cenário em que Harris sente-se isolada e frustrada. Segundo o material, no governo ela não encontrou um espaço consistente de ação e, fora dele, sofre críticas de sua própria base aliada.
Desde que assumiu o cargo, Harris divide-se entre reuniões com Biden e legisladores, na organização de mesas-redondas com representantes de grupos de interesse e realizando algumas viagens.
O jornal Los Angeles Times criou um rastreador que mapeia o que há na agenda de Harris, facilitando o acompanhamento dos eventos públicos da vice-presidente. A análise desses dados é interessante e expõe concretamente indícios das dificuldades enfrentadas por ela.
Em primeiro lugar, fica claro que Harris, hoje, tem menos tempo com Biden do que outrora. Em segundo lugar, temas antes prioritários, agora perderam espaço, como é o caso da pandemia de covid-19 e a agenda de migração. Por fim, torna evidente que o carro-chefe de Harris é, de fato, trabalhar para expandir o direito de voto nos Estados Unidos, o que não será fácil. Até o momento, os democratas no Senado já apresentaram diversas versões de projetos de lei sobre o tema, mas enfrentam vocal oposição republicana.
Além de ter aparecido menos em público, alguns episódios desse ano reforçaram a leitura de um relativo isolamento de Harris. Isso aconteceu, por exemplo, durante o processo de convencimento empreendido pela Casa Branca junto ao Congresso dos Estados Unidos em busca de apoio para a aprovação do projeto de infraestrutura, no qual Harris teve papel secundário.
Também se manifestou no baixo envolvimento da vice-presidente durante o plano de ação para retirada norte-americana do Afeganistão, e na decisão de Biden em envolvê-la na agenda migratória do Triângulo Norte da América Central (incluindo Guatemala, Honduras e El Salvador), mas sem oferecer papel relevante no que tange à fronteira sul dos Estados Unidos com o México.
A "crise de Harris" também passou a ser noticiada, na imprensa norte-americana, na medida em que ela tem enfrentado problemas de pessoal, incluindo desconfiança e alta rotatividade, tendo perdido, nos últimos meses, assessores sênior e pessoas centrais de seu gabinete.
Há pelo menos 3 hipóteses centrais que poderiam ser aventadas para explicar a percepção de um subaproveitamento de Harris.
A primeira delas tem a ver com a própria dinâmica da política dos Estados Unidos, em que é comum aos vice-presidentes não ocuparem o centro dos holofotes. Nesse sentido, Harris seria apenas normal, talvez julgada por um padrão particularmente injusto, já que ao assumir a vice-presidência como primeira mulher e primeira afro-americana a ocupar o cargo, ela teria criado expectativas superestimadas de um papel proeminente irreal.
A segunda hipótese envolve um misto de desconhecimento, por parte do grande público, sobre sua agenda de trabalho, como também dificuldades, por parte de Harris, de operar a máquina de governo em Washington. Os dados deixam claro que ela recebe muito menos atenção da mídia quando está sozinha, ao mesmo tempo em que, embora seja uma liderança consolidada na Califórnia, para os padrões da capital, ela é relativamente inexperiente. Harris está em Washington apenas há poucos anos e visitou a Casa Branca somente uma vez antes de tomar posse como vice-presidente. Nessa chave entram também barreiras enraizadas no sistema político do país, como o racismo e o machismo estruturais, que tem sido constantes e que afetam o dia a dia de seu "fazer político".
A terceira hipótese, por fim, tem a ver com o futuro do partido democrata e a renovação de lideranças dentro dele. Há quem considere Harris uma ameaça para outros líderes que aspiram posições de destaque. Não está claro se o próprio presidente Biden terá ou não condições de concorrer a reeleição em 2024 e como se comportará diante do desafio de fazer um sucessor. Essas incertezas e as ansiedades relacionadas à gestão de capital político estariam criando instabilidades no dia a dia da gestão, o que contaminaria a produtividade, o engajamento e a comunicação dentro da Casa Branca.
Vale a pena acompanhar.
_________________________________________________Kakay, o criminalista de beca e sunga | Lauro Jardim - O Globo
Por Lauro Jardim 22/12/2021 • 15:17
Kakay, o criminalista de toga e sunga | Reprodução
Um dos criminalistas mais conhecidos do Brasil, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, dois anos atrás apareceu num traje incomum no STF — de bermudas e camiseta. Causou, então, certo furor ao desfilar tão informalmente em corredores tão sisudos, onde se exige terno e gravata.
Agora, circula desde a manhã de hoje em vários grupos de WhatsApp do meio jurídico outra foto de Kakay mais à vontade ainda: com uma taça de vinho nas mãos, de beca, sunga e com as pernas de fora.
Kakay, dono de uma carteira de clientes para lá de poderosos, explica:
— É uma foto antiga, tirada na minha casa durante a pandemia, do isolamento, no dia de um julgamento. Na ocasião, mandei pro meu escritório. Mas hoje não mandei pra ninguém.
E faz troça:
— Se vierem me perguntar eu vou dizer que depois que o Lula apareceu com aquelas coxas à mostra e é candidato a presidente da República, eles estão querendo me convidar pra ser candidato ao Senado aqui por Brasília. Tô na área.
_________________________________________________Bilionário abandona igreja mormon e doa R$ 3,4 milhões a grupo LGBTQ+
Jeff Green repreendeu a instituição religiosa sobre os direitos LGBTQ+ e prometeu doar 90% da sua fortuna
Jeff T Green é CEO da theTradeDesk e se comprometeu a doar 90% de sua fortuna estimada em US$ 5 bilhões (R$ 28 bilhões) Foto: Reprodução/Twitter
ESTADOS UNIDOS — Um bilionário da tecnologia de publicidade renunciou ao seu título de membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e repreendeu a instituição sobre questões sociais e direitos LGBTQ+ em uma carta.
Jeff T Green se comprometeu a doar 90% de sua fortuna estimada em US$ 5 bilhões (R$ 28 bilhões), começando com uma doação de US$ 600 mil o equivalente a R$ 3,4 milhões, ao grupo de direitos LGBTQ Equality Utah.
Green disse, nesta segunda-feira, em uma carta de demissão de 900 palavras ao presidente da igreja, Russel Nelson, que ele não tinha sido ativo na fé mórmon por mais de uma década, mas queria oficializar sua saída e remover seu nome dos registros de membros.
— Embora a maioria dos membros sejam boas pessoas tentando fazer o que é certo, acredito que a igreja está ativamente e atualmente causando danos ao mundo— escreveu ele. — Eu acredito que a Igreja Mórmon tem impedido o progresso global nos direitos das mulheres, direitos civis e igualdade racial, e direitos LGBTQ + — acrescentou.
Junto dele, mais onze familiares e um amigo renunciaram suas participações religiosas.
A Associated Press pediu uma resposta terça-feira, mas nos a igreja não respondeu. Nos últimos anos a instituição religiosa mostrou uma disposição de se envolver nos direitos LGBTQ+ que é incomum para uma fé conservadora. Ele mantém sua oposição doutrinária ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à intimidade, mas não se opôs à proibição de 2019 da chamada terapia de conversão (conhecida no Brasil como 'cura gay' no estado de Utah e, em novembro, seu líder, Dallin H Oaks, pediu o reconhecimento dos direitos religiosos e LGBTQ+.
No entanto, a igreja assumiu posições ao longo dos anos que foram dolorosas para a comunidade LGBTQ+. Green, por sua vez, disse que a maioria dos membros "são boas pessoas tentando fazer o que é certo", mas ele também se preocupa com a transparência da fé em torno de sua história e finanças.
Na carta, Green acusa a igreja de tirar vantagens de membros mais pobres.
— Eu acho que a igreja explorou seus membros e sua necessidade de esperança para construir templos, construir shoppings e fazendas de gado, financiar fundos de investimento e possuir títulos lastreados em hipotecas, ao invés de aliviar o sofrimento humano dentro ou fora do igreja — disse, exigindo que a igreja usasse o dinheiro guardado para ajudar o mundo e seus membros. — Esse dinheiro vem de pessoas, geralmente pobres, que acreditam de todo o coração que representa a vontade de Jesus. Eles dão, esperando as bênçãos do céu — acrescentou o bilionário.
Green, 44, que mora no sul da Califórnia, é o CEO e presidente da Trade Desk, uma empresa de tecnologia de publicidade que ele fundou em 2009.
Ele também expressou preocupação com a carteira de investimentos de US$ 100 bilhões (R$ 565 bilhões) mantida pela igreja. O assunto foi objeto de uma denúncia na Receita Federal do país, em 2019, por um ex-funcionário que disse que a igreja a havia construído de forma inadequada usando doações de membros que deveriam ir para causas beneficentes.
Os líderes têm defendido como a igreja usa e investe as doações dos membros, dizendo que a maioria é usada para necessidades operacionais e humanitárias, mas uma parte é protegida para construir uma reserva para o futuro. A congregação gasta anualmente cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,65 bilhões) em ajuda humanitária e de bem-estar, disseram os líderes.
A igreja também foi criticada por suas posições sociais conservadoras. As mulheres não detêm o sacerdócio na fé, e os homens negros não podiam se tornar padres até a década de 1970.
Kathleen Flake, professora de estudos mórmons da Universidade da Virgínia em Charlottesville, disse que esse tipo de saída formal da igreja se assemelha a uma renúncia à cidadania. Para voltar para a igreja, a pessoa que decidiu se afastar teria que ser batizada novamente.
— Renunciar é um ato político; é uma forma de fazer uma declaração política, não apenas uma declaração religiosa — disse a estudiosa.
Segundo ela, que era improvável que a igreja, que tem mais de 16 milhões de membros, respondesse.
— Acho que eles se importam, mas não acho que fiquem surpresos com tais declarações públicas — disse Flake. — Eles simplesmente têm muita experiência com isso para pensar que vão escapar desse tipo de engajamento público com seus padrões morais — completou.
_________________________________________________James Franco admite relações sexuais com alunas três anos após acusações de assédio
Em julho, o ator fechou acordo judicial de US$ 2,2 milhões após ser processado por estudantes da escola de atuação dele, Studio 4
O Globo e agências internacionais
23/12/2021 - 06:37 / Atualizado em 23/12/2021 - 07:16
O ator e diretor James Franco, posou com o adesivo do movimento Time's Up no Globo de Ouro e gerou reação de atriizes que disseram ter sido abusadas por ele Foto: Frazer Harrison / AFP
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NOVA YORK — Três anos após ser acusado de assédio sexual, o ator James Franco admitiu que teve relações sexuais com alunas de sua extinta escola de atuação, a Studio 4, em Nova York, nos Estados Unidos. Durante entrevista no podcast The Jess Cagle, divulgada nesta quarta-feira, ele disse que enquanto foi professor, "dormia com as alunas, e isso era errado".
O artista disse ainda que "está se recuperando do vício em sexo desde 2016" e que "vem trabalhando muito e mudando quem era" após as acusações.
— Suponho que, na época, meu pensamento era: 'Se é consensual, OK — disse.
O caso teve início em 2018, logo após Franco vencer o Globo de Ouro. Na cerimônia, usou um adesivo do movimento Time's Up, que apoia vítimas de assédio sexual, o que gerou revolta em mulheres que se identificaram como vítimas dele. Dias depois, Franco afirmou a que as acusações 'não estavam corretas'.
A atriz Sarah Tither-Kaplan foi uma das primeiras a se pronunciar sobre, quando contou no Twitter que Franco a fez se despir totalmente em dois de seus filmes. Na ocasião, o ator teria argumentado que a nudez não era exploração porque a colega havia assinado um contrato. Violet Paley também contou na mesma rede social que Franco expôs o pênis e empurrou a cabeça dela em direção ao órgão. Os dois estariam juntos em uma viagem de carro.
Uma ação coletiva foi movida na Justiça de Los Angeles em 2019, alegando que o artista abusava das vítimas se aproveitando de sua posição e oferecendo oportunidades de papéis em seus filmes. No processo, as alunas se disseram vítimas de uma fraude, por pagarem pela escola de teatro enquanto eram objetificadas e intimidadas. Em julho deste ano, ator fechou acordo judicial de US$ 2,2 milhões (R$ 12,44 na cotação atual) com as vítimas.
_________________________________________________115 romances de esquerda que todo mundo deveria ler
Obras de ficção e fantasia retratam grandes dilemas e lutas sociais; confira lista completa e assista ao vídeo na íntegra
17 de dezembro de 2021, 21:02 h
Opera Mundi - Claro que não existe um gênero literário com o recorte “romances de esquerda”. Em várias escolas e estilos, porém, podemos encontrar, na literatura, obras que retratam os grandes dilemas e lutas sociais de nosso tempo.
Um número expressivo de autores e autoras dedicou sua arte e talento para dar vida a livros que expressassem as causas populares.
Não estou falando de biografias ou ensaios, importante destacar, mas de ficção e fantasia, da imaginação a serviço da rebeldia.
Resolvi listar, assim, quinze romances dessa tradição. Claro que será uma relação polêmica, cada leitor certamente tem suas próprias preferências. Creio, no entanto, que essas sugestões podem ser um ponto de partida para quem quiser conhecer melhor a prosa de barricada.
Critérios
Antes de mais nada, irei explicar meus critérios.
O primeiro deles é que os autores tenham alcance universal, à sua época ou depois. Ou seja, que tenham sido ou sejam referências tanto em seus países, quanto no resto do mundo. Isso pode ser mensurado, por exemplo, no número de traduções e na vendagem de seus livros.
O segundo critério era o de buscar não só representatividade literária (gênero e raça), mas também origem regional. Não se trata de uma tarefa simples: a literatura é atividade erudita, produto de conhecimentos historicamente monopolizados por colonizadores brancos, e a própria ficção de esquerda frequentemente brota de descendentes dessas elites, com raras exceções.
O terceiro critério foi respeitar uma certa linha histórica, a partir do século 19, quando efetivamente as lutas sociais foram incorporadas à literatura.
O quarto critério foi a exclusão de autores vivos, cuja obra ainda não está encerrada, embora possamos identificar que a saga da literatura de esquerda siga viva e pulsante.
Por fim, quero salientar que adotei uma ordem cronológica, sem juízo de preferência ou qualidade, entre os quinze romances que estou sugerindo.
Abaixo, a lista completa dos quinze romances de esquerda. Clique nos títulos para ler os resumos:
1. Norte e Sul, de Elizabeth Gaskell
A autora, nascida na Grã-Bretanha em 1810, para muitos é a matriarca da literatura social. Por isso, iniciamos nossa lista com uma de suas obras. Norte e Sul, publicado em 1854, se passa em uma cidade industrial fictícia, no norte da Inglaterra, possivelmente inspirada em Manchester, e tem como personagem central uma jovem mulher, Margaret Hale. Ela testemunha o cenário brutal da Revolução Industrial, com os crescentes conflitos entre trabalhadores e empresários. Aos poucos, a protagonista se aproxima do movimento operário e estabelece uma relação de conflito aberto com John Thornton, dono de uma tecelagem, que lhe devota um amor doentio.
2. Os Miseráveis, de Victor Hugo
Publicado em 1862, é um dos livros mais vendidos da história, com inúmeras adaptações, até para quadrinhos. Conta a história de um condenado, Jean Valjean, da restauração monárquica, após a derrota de Napoleão na Batalha de Waterloo, até os anos subsequentes à Revolução de 1830, quando a burguesia liberal – com o apoio das massas populares – coloca fim ao novo ciclo de absolutismo real. Entre 1815 e 1832, Valjean era implacavelmente perseguido pelo inspetor Javert. Ascende ao trono, então, Luís Filipe I, da dinastia dos Orleans, em substituição aos Bourbons, que tinham governado de 1815 a 1830. Em junho de 1832, quando chega ao final a saga d’Os Miseráveis, ocorre uma revolta republicana em Paris, que uniria representantes da pequena-burguesia e massas trabalhadoras contra a coroa, em uma insurreição brutalmente reprimida. Esse é o pano de fundo desse incrível romance histórico, uma alegoria do permanente conflito entre o Estado repressor, alinhado às castas superiores, e os pobres da cidade e do campo. Certamente um dos maiores clássicos do chamado romantismo francês.
3. Germinal, de Emile Zola
Lançado em 1885, provavelmente é o mais famoso livro do célebre escritor francês, da escola naturalista, que passou dois meses trabalhando como mineiro na extração de carvão. Viveu com os mineiros, comeu e bebeu nas mesmas tavernas para se familiarizar. Sentiu na carne o trabalho sacrificado que era necessário para escavar o carvão, além da promiscuidade das moradias, o baixo salário e a fome. Acompanhou de perto uma grande greve da categoria. Sua obra conta a história de Etienne, um jovem que vagava na miséria pelo interior francês, até encontrar ocupação na mina de Montsou, uma das mais importantes do país. Aos poucos, o personagem adquire consciência da exploração, se aproxima das ideias socialistas e se transforma em líder grevista, comandando uma revolta de mineiros que enfrentaria as forças de segurança do Estado.
4. A Selva, de Upton Sinclair
O autor é um celebrado jornalista e escritor norte-americano, representante dos chamados “Muckrackers” (caçadores ou arrastadores de lixo), termo utilizado pelo presidente Theodore Roosevelt para identificar quem se empenhava em denunciar as chagas do capitalismo. O romance, escrito em 1906, retrata as brutais condições às quais estavam submetidos os trabalhadores de Chicago, especialmente os imigrantes, nos frigoríficos daquela cidade. O livro teve tal impacto que provocou um movimento por reformas nesse ramo econômico, incluindo a Lei de Inspeção de Carne. Sinclair diria sobre a reação à sua obra: “mirei no coração do público e, por acidente, acertei-o no estômago”.
5. A Mãe, de Máximo Gorki
Escrito em 1907, foi inspirado em acontecimentos reais: a manifestação de jovens trabalhadores no 1º de maio de 1902, violentamente reprimidos pela polícia czarista. Os principais personagens são o jovem Piotr e sua mãe, Anna. O enredo central trata da evolução política e da transformação dessa mulher, a mãe à qual se refere o título, por muitos anos oprimida pelas relações do patriarcado, rumo à participação engajada na luta revolucionária, já em sua idade madura. Máximo Gorki, nascido Aleksei Maksimovitch Piechkóv, integrante do naturalismo russo, é considerado um dos pais da literatura soviética.
6. Assim Foi Temperado o Aço, de Nikolay Ostrovsky
Muitos críticos consideram que esse seria o livro seminal do chamado realismo socialista, impulsionado após o triunfo da Revolução de Outubro, de 1917, na antiga Rússia. A obra, publicada em 1932, relata a vida do protagonista Pavel, da época em que os bolcheviques tomaram o poder até o final da década de 1920. O personagem é castigado pelos acontecimentos históricos, da guerra civil às dificuldades da construção do socialismo, em um retrato das esperanças e dos sacrifícios dos trabalhadores no período pós-revolucionário. Escapa várias vezes da morte, mas sua saúde fica debilitada. Aposentado, converte-se ao trabalho intelectual e jornalístico, embora não tivesse sequer completado o ensino fundamental.
7. Terra e sangue, de Mikhail Sholokhov
O livro, de 1932, relata o processo inicial de coletivização da terra na União Soviética, apontando suas contradições: pequenos proprietários, como Andreiev e Davidov, por exemplo, personagens do livro, doam seus lotes para o Estado e se integram às forças bolcheviques contra latifundiários e camponeses ricos, que resistiam à reforma agrária decidida pelo governo Stálin no final dos anos 20 do século passado. Embora a simpatia do autor pela coletivização seja nítida, a obra expõe as contradições e as dores desse processo decisivo na consolidação do primeiro Estado socialista.
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8. Capitães da Areia, de Jorge Amado
Poderiam ser incluídas várias obras do escritor brasileiro, como o engajado Subterrâneos da Liberdade, a trilogia que narra a resistência ao Estado Novo. Mas Capitães da Areia, publicado em 1937, talvez seja seu livro mais emblemático. Conta as peripécias de adolescentes marginalizados em Salvador, organizados em um grupo cujo nome deu origem ao título. Sob o comando de Pedro Bala, filho de um grevista assassinado, vários personagens das camadas populares se integram à cena, enquanto o personagem central, cada vez mais fascinado pelas histórias do pai sindicalista, transita à militância revolucionária, substituindo a marginalidade pela luta social.
9. As Vinhas da Ira, de John Steinbeck
Trata-se da mais afamada obra do escritor norte-americano, publicada em 1939. O livro conta a história dos Joads, uma família de meeiros pobres, durante a Grande Depressão, entre 1929 e 1934, expulsos da propriedade que ocupavam no Oklahoma. Junto com muitas outras famílias, os Joads migrariam para a Califórnia, em um relato épico que vai desnudando o chamado “sonho americano” e demonstrando o pesadelo no qual o capitalismo, no pré-guerra, havia transformado a vida das classes trabalhadoras dos Estados Unidos.
10. Por Quem os Sinos Dobram, de Ernest Hemingway
Considerado pela crítica uma das melhores obras do escritor norte-americano, esse romance foi publicado em 1940. Narra a história de Robert Jordan, um jovem estadunidense integrado ao Batalhão Lincoln das Brigadas Internacionais, que lutavam ao lado dos republicanos contra os nacionalistas de Francisco Franco na Guerra Civil Espanhola (1936-1939). O romance traz comentários desfavoráveis a práticas de ambos lados, rompendo com uma certa divisão moral entre o bem e o mal, sobressaindo uma narrativa complexa sobre a condição humana, especialmente a partir desse professor de espanhol, Jordan, que se torna especialista em explosivos e recebe uma importante missão militar. O próprio Hemingway, aliás, foi voluntário nessa guerra, combatendo pelos republicanos.
11. Os Donos do Orvalho, de Jacques Roumain
O autor, nascido no Haiti, foi um dos principais intelectuais de seu país e fundador do Partido Comunista. O livro, publicado em 1944, conta a história de Manuel, que retorna ao Haiti depois de quinze anos trabalhando nos canaviais de Cuba, de onde regressa com um forte compromisso revolucionário, dedicando-se, em seu retorno, a promover a união e a rebelião dos camponeses haitianos.
Estão muito presentes referências às matrizes africanas da cultura haitiana, ao ponto de alguns críticos considerarem essa obra uma precursora do que seria o realismo mágico.
12. Sol sobre o Rio Sangkan, de Ding Ling
Militante comunista e integrante da Liga de Escritores de Esquerda, essa autora chinesa foi marcante para a literatura de seu país, ainda que tenha sido perseguida durante a Revolução Cultural, nos anos 60, e posteriormente reabilitada na década seguinte. O livro que escolhi foi publicado em 1948. Relata a vida e a luta dos camponeses durante a implementação da reforma agrária. Mistura personagens dos mais distintos grupos sociais – dirigentes comunistas, camponeses pobres, intelectuais, latifundiários – com muita complexidade e riqueza de caracterização, para extrair dessas vivências pessoais um painel de época.
13. Os Mortos Permanecem Jovens, de Anna Seghers
Talvez seja a principal obra da renomada autora alemã. De origem judaica e militante comunista, fugiu para o México durante a 2º Guerra e retornou para viver na Alemanha Oriental. Publicado em 1949, o livro é um fenomenal retrato histórico da Alemanha destroçada pela I Guerra Mundial até o terror do nazismo, da traição social-democrata que sufocou a revolução alemã de 1919 à barbárie hitlerista.
Desde as primeiras páginas, quando relata o assassinato de um jovem comunista por militares, forma-se uma narrativa repleta de personagens complexos, de ambos lados da trincheira, entre os quais oficiais ou suboficiais formados pela antiga política imperial envenenados pelo anticomunismo. Para quem quiser entender a ascensão do nazismo a partir da literatura, certamente essa obra é imprescindível.
14. Espártaco, de Howard Fast
Lançado em 1951, o livro conta a história da revolta de escravos liderada pelo personagem-título em 71 a.C. A obra retrata, além da lendária rebelião, as condições materiais e morais da escravização no Império Romano. Embora possa ser criticado, à luz do presente, por certos preconceitos – por exemplo, a forma pela qual trata a homossexualidade, ao contrário de como era abordado no próprio período histórico do livro -, é inegável que Fast escreveu um dos principais romances históricos do século 20, com uma incrível riqueza de detalhes, dilemas e emoções.
15. Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez
Uma das obras latino-americanas de maior repercussão mundial, foi publicada em 1967. Narra a história da fictícia cidade de Macondo, a partir da ascensão e queda de seus fundadores, a família Buendía. Um clássico do realismo mágico, dramatiza a história da Colômbia através de dois grandes eventos: a Guerra dos Mil Dias (1899-1902), que levaria à separação do Panamá, com apoio dos Estados Unidos, e o massacre dos trabalhadores bananeiros em Ciénaga (1928). São seis os personagens centrais, mas um caleidoscópio de outras figuras vai se formando para compor um dos livros primordiais da história da literatura.
_________________________________________________Angela Davis recomendou: quem é Lélia Gonzalez, ícone do feminismo no país
A escritora Lélia Gonzalez, uma das principais intelectuais do feminismo negro no Brasil Imagem: Divulgação
Nathália Geraldo De Universa 01/02/2021 04h00 Atualizada em 03/02/2021 14h17
Em 2019, a filósofa e ativista negra Angela Davis veio ao Brasil para uma visita bastante aguardada. Em um dos eventos, sua fala deixou parte dos ouvintes com uma pulga atrás da orelha: ela disse que nós, brasileiros, deveríamos ler mais a pensadora feminista Lélia Gonzalez, uma das intelectuais mais importantes no debate sobre a condição da mulher negra no Brasil. Lélia faria hoje, se estivesse viva, 86 anos.
Nascida em Belo Horizonte, Lélia deixou um legado de discussões sobre raça e gênero. Acumulou formações, em antropologia, história e filosofia, dialogou com a psicanálise e ainda assumiu pautas como a militância negra, o feminismo, o marxismo, o ativismo pela democracia e o anti-imperialismo. Também participou da política institucional, se candidatando a cargos públicos no Rio de Janeiro, e se articulou com coletivos e grupos progressistas dos anos 1970 no Brasil, sem deixar de se interessar pelas transformações políticas e sociais no mundo à época.
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Mesmo para parte do movimento feminista, ela pode ser uma autora desconhecida ou com legado difícil de achar. No entanto, é inegável a influência do pensamento, do senso de análise e até mesmo da linguagem em pensadoras negras contemporâneas, como a arquiteta e escritora Joice Berth, e a escritora, mestra e doutoranda em gênero Carla Akotirene.
No final de 2020, a editora Zahar lançou um livro que reúne textos de Lélia produzidos entre 1979 e 1994, ano da morte da intelectual, vítima de um infarto. A pesquisadora Flavia Rios, do núcleo de Raça, Gênero e Justiça Racial do Cebrap e professora da Universidade Federal Fluminense, organizou a produção literária ao lado da doutora em sociologia e professora da USP, Marcia Lima. Para Flavia, Lélia é sinônimo de "ecletismo intelectual".
"Ela foi uma grande ativista, uma personagem relevante para a democracia brasileira, esteve na base dos partidos de oposição, lutava contra a ditadura e, depois, se candidatou a cargos públicos, lutou pelos negros. Ela transitava por muitos ambientes", diz Flavia.
A intenção é de que o novo livro seja um impulso para que mais pessoas tenham contato com o pensamento de Lélia, que conseguia simplificar em sua fala os temas complexos da sociedade. Aos poucos, vamos assimilando o puxão de orelha de Angela Davis e absorvendo as ideias feministas de Lélia.
Eu sinto que estou sendo escolhida para representar o
Eu sinto que estou sendo escolhida para representar o feminismo negro. Mas por que aqui no Brasil vocês precisam buscar essa referência nos Estados Unidos? Acho que aprendi mais com Lélia Gonzalez do que vocês aprenderão comigo. Angela Davis
O que a fez ícone para feministas e antirracistas
Lélia Gonzalez é uma referência para pelo menos duas vertentes de movimentos sociais: o feminismo, que inspira ações de igualdade de gênero na sociedade, e o antirracismo, uma luta histórica de pessoas negras e que, a cada dia, mobiliza mais pessoas brancas também.
Para Joice Berth, feminista negra, há um lapso grande entre o alcance midiático da militante e o de Angela Davis, por exemplo. "O feminismo negro tem trabalhado sobre Lélia. Em todos os espaços de que eu participei, não se deixa de falar dela, porque, como Jurema Werneck diz, nossos passos vêm de longe", analisa.
"Acontece que pessoas fora do círculo de militância nem sempre buscam conhecê-la, que faz parte de uma geração de mulheres, brancas e negras, como Amelinha Teles, Nilza Iraci, que fizeram muito pelo feminismo, mas ainda estão na invisibilidade", diz Joice. Para ela, Lélia toca em feridas que o Brasil, ainda hoje, não quer mexer. "Para nós, é uma produção muito mais cortante que a de Angela Davis."
Para Joice Berth, Lélia faz parte de uma geração de feministas que não ganhou visibilidade Imagem: Divulgação
Produção de Lélia é enxuta, mas influente
Mas, é difícil mesmo achar o que Lélia escreveu sobre racismo, sexismo, mulher negra e as identidades raciais do país? Em parte, sim. Enquanto Angela Davis tem vários livros escritos e traduzidos no Brasil, Lélia tem uma "produção mais enxuta, que exigiria do mercado editorial uma postura que não se tem, de pesquisa e resgate", avalia Joice. Lacuna suprida parcialmente pelo livro da Zahar.
Joice analisa, no entanto, que essa invisibilidade é uma marca para o intelectual negro brasileiro fruto do próprio racismo. "Ainda encontramos dificuldade para colocarmos nosso pensamento na sociedade, nos fazermos respeitar."
Joice Berth espera que com o novo livro de textos organizados de Lélia, a militante seja acessada por mais pessoas Imagem: Mariana Pekin / UOL
Carla Akotirene comenta que Lélia Gonzalez era "conteúdo complementar" nas pesquisas propostas pela Academia Imagem: Reprodução/Instagram
Além da procura por conta própria de textos publicados na imprensa dos anos 70 e 80, discursos em encontros dos movimentos feministas e negros e sua produção acadêmica, outro referencial para quem quer se aprofundar nos temas abordados por ela é o livro "Lélia Gonzalez", de 2010, que Flavia Rios escreveu com o antropólogo Alex Ratts, pela Selo Negro Edições.
"Qualquer livraria que você vá, no entanto, há um livro de Angela Davis. A difusão do pensamento é maior. Isso porque elas tinham se conhecido nos anos 80 e Lélia tinha ideias que se assemelhavam as dela. Ou seja, uma intelectual que tinha o mesmo calibre, mas totalmente apagada", comenta Flavia.
A escritora Carla Akotirene foi se aproximando aos poucos do pensamento da militante, que antecipou o conceito de interseccionalidade em seus escritos. "Em 2004, passei por um curso de formação antirracista com intelectuais negros, como Luiza Bairros. Quando fui fazer o mestrado e o doutorado na Universidade Federal da Bahia, entre 2010 e 2012, é que tive acesso ao pensamento dela", diz. "Mas tendiam a valorizar as intelectuais europeias e dos Estados Unidos. Mas, na nossa cultura ioruba, Lélia era uma mulher de Oxum, que se comporta como água e se infiltra nos espaços, eu também me comportei como Lélia."
O que Lélia deixa como legado intelectual
Marcia Lima, uma das organizadora do livro, destaca a importância da intelectual para o feminismo Imagem: Divulgação/Wanezza SoaresFlavia Rios, que também organizou o livro, afirma que Lélia tem "ecletismo intelectual" Imagem: Arquivo pessoal
Para a professora Marcia Lima, entra na conta de Lélia o esforço para construir uma agenda feminista brasileira nos anos 70. Isso se dá principalmente pelo fato de a intelectual ter atuado tanto no movimento negro — ela foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado, o MNU, em 1978 — como em organizações de mulheres.
"Lélia colocou questões desafiadoras para a construção do feminismo no Brasil, particularmente em virtude da sua produção e reflexão sobre o papel e o lugar da mulher negra na sociedade brasileira. O seu texto 'Racismo e sexismo na cultura brasileira' (1984) é texto essencial, pois trata justamente da construção desses processos estruturais na nossa sociedade e como eles configuraram o papel da mulher negra nela", analisa.
O texto à que Marcia se refere talvez seja a sua publicação mais famosa, justamente por ter usado uma linguagem irônica para criticar o sistema de dominação em que negros são discriminados e questionar o "lugar de lata de lixo" em que a sociedade racista insiste em colocá-los.
Na introdução do texto, em que explica que há uma tentativa de "domesticar-se" o negro ou olhar para a população negra como infantil e sem capacidade de ter fala própria, Lélia diz: "Neste trabalho assumimos nossa própria fala. Ou seja, o lixo vai falar, e numa boa".
Para as autoras, a militante também inaugurou uma forma de pensar feminista ao expor e criticar a representação estereotipada de mulheres negras, que as reduzem, basicamente, aos papéis de "mãe preta", "trabalhadora doméstica" e "mulata tipo exportação".
Anticapitalista, anti-imperialista, antirracista
Influenciada não só por autores europeus ou americanos, mas também por pensadores da África e da América Latina, Lélia também deixou um legado de conhecimento sobre identidades brasileiras. Faz parte dessa proposta seu conceito de "amefricanidade" para explicar nosso povo, sem desconsiderar a contribuição dos negros da diáspora e dos povos originários das Américas, como os indígenas.
"A marca desse conceito é que ele transcende os limites geográficos e passa a incorporar todo um processo histórico de intensa dinâmica cultural (adaptação, resistência, reinterpretação e criação de novas formas), que é afrocentrada", afirma Marcia.
O pensamento e a ação política de Lélia têm contribuições imensuráveis não só para a construção dessa agenda no final dos anos 1970, mas para as gerações subsequentes do feminismo negro brasileiro e latino-americano.Marcia Lima
Isso mostra que Lélia não era só uma feminista negra. Era anticapitalista, anti-imperialista, antirracista e se importava em entender e analisar as múltiplas opressões reproduzidas na sociedade brasileira ao longo dos séculos.
Revisitá-la, ou conhecê-la, aponta Flavia Rios, é um caminho para que debates mais atuais sobre racismo, machismo e outras formas de opressão que atingem homens e mulheres negros sejam enriquecidos por um pensamento que inspira a ação, inclusive pela trajetória pessoal de Lélia.
Lélia atuou em muitas frentes de luta a partir dos anos 1970 no Brasil; seu pensamento até hoje contribui para debates sobre racismo e sexismo Imagem: Cezar Louceiro / Reprodução
_________________________________________________Pensadoras negras exaltam relevância de bell hooks: 'Ativismo olho no olho'
A escritora e teórica feminista bell hooks, nos anos 1980 Imagem: Anthony Barboza/Getty Images
Nathália Geraldo
De Universa
16/12/2021 04h00
Para a escritora e teórica feminista estadunidense bell hooks, que morreu aos 69 anos nesta quarta-feira (15), temas comuns à vida das pessoas em sociedade, sobretudo, das mulheres negras, como raça, espiritualidade, relações afetivas e amor, eram fundamentais para a possibilidade de se falar de uma "ética amorosa" no mundo.
Professora e ativista, bell hooks escreveu mais de 30 livros de modo a organizar pensamentos a partir de sua perspectiva, uma mulher negra intelectual nascida no estado de Kentucky, em 1952, sem deixar de abraçar a luta contra as opressões atuais. A causa da morte foi uma "longa doença" que a acometeu —os familiares não revelaram detalhes.
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A escritora tinha um viés de pensamento coletivo muito claro: tanto que seu pseudônimo é escrito em letras minúsculas por uma decisão dela, para que a assinatura não se sobrepusesse ao conteúdo que ela produziu.
O legado da escritora
Pensadoras brasileiras defendem que bellhooks era um exemplo de ativismo "olho no olho", apesar da atuação preponderante no ambiente acadêmico. "Ela não vira uma intelectual organizada para o sistema, mas constrói pontes inclusive para questionar o que produzimos enquanto negros e negras na sociedade", comenta a coordenadora da ONG Criola, Lúcia Xavier.
"O ativismo dela impacta em nossas formações porque ela repensou modelos para a mulher negra, para as relações afetivas, para as de trabalho. Sem contar que não admitia um feminismo que não fosse contra o racismo."
Lúcia e as ativistas Jurema Werneck, da Anistia Internacional e também da Criola, e Joice Berth, arquiteta e escritora, falam a seguir sobre o que bell hooks as ensinou (e ainda pode nos ensinar).
Para mim, bell hooks deixou, entre tantas, uma forte mensagem sobre afeto, em seu livro "Tudo sobre o amor —novas perspectivas" (editora Elefante):
Começar por sempre pensar no amor como uma ação, em vez de um sentimento, é uma forma de fazer com que qualquer um que usa a palavra dessa maneira automaticamente assuma responsabilidade e comprometimento.
'Ela tem uma dimensão na luta política'
Lúcia Xavier, assistente social e coordenadora da ONG Criola Imagem: Theo Marques/UOL
"Para jovens negras, acho que o maior impacto da escritora é quando ela fala do amor como parte do processo de cura da violência do racismo. Não só para elas, mas para outras pessoas negras, lideranças. Vejo homens recuperando essa ideia.
A dimensão de bell hooks está também na luta política. Ela era alguém que estava na Academia e atuava politicamente. O fato de usar o pseudônimo em letra minúscula traduz essa experiência política, que também se estende contra o racismo, o machismo, a LGBTfobia.
Ela é uma ativista completa, por ter deixado uma perspectiva ao feminismo, ao feminismo negro, de olhar a arte, a ciência e a própria política a partir disso. Sem contar que tem a relação, como professora, com os estudos do educador Paulo Freire, em que faz uma discussão sobre a consciência e sobre o aprendizado."
Lúcia Xavier, coordenadora da ONG Criola
'Havia um encontro marcado entre bell hooks e nós'
Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional, teve contato com os livros de bell hooks em inglês, em um primeiro momento Imagem: Reprodução
"Ela tem duas marcas. A primeira é sua inteireza radical, com a qual escolheu um lado e buscou todos os meios para atendê-lo. E, por ser profundamente influenciada por Paulo Freire, entendeu que o ativismo deveria ser feito 'olho no olho' com as pessoas.
A outra é a de se abrir na direção das pessoas com o que ela falava de amor (o que foi criticado na época e elogiado depois). Ela dizia sobre temas importantes sempre confrontando as questões com o racismo patriarcal. Também tem a importância de ter compartilhado ferramentas para isso e acho que seu impacto sobre nós, as leitoras, mulheres negras, vem agora, quando as editoras passam a publicá-la no Brasil.
Tive que ler bell hooks em inglês, ela tem mais de 40 livros e algumas obras chegam finalmente a nós porque as editoras despertaram para a importância dela. De qualquer forma, parece que havia um 'encontro marcado' entre ela e nós. Era preciso que ela chegasse."
Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional e cofundadora da ONG Criola
'bell hooks conseguiu ser abrangente ao falar de questões raciais e de gênero'
"bell hooks conseguiu ser abrangente ao falar de questões raciais e de gênero sem se desconectar do momento. Também tinha coragem de confrontar o racismo e o machismo dentro dos grupos em que estamos e que sofrem essas opressões, porque falava sobre como reproduzíamos isso.
Há uma tradição das feministas negras dos EUA de não deixar a questão do machismo, principalmente ligado a homens negros, sem a devida crítica. No Brasil, Lélia Gonzalez fazia isso.
E como dizia o geógrafo Milton Santos, o intelectual tem de provocar o desconforto e ter compromisso com a consciência social. Então, ao ler bellhooks entendemos que não há avanço em nenhuma luta se não houver um comprometimento e um exercício no dia a dia."
Joice Berth, arquiteta e escritora
_________________________________________________Bolsonaro vai ao posto médico do Planalto pela terceira vez em menos de 15 dias
Ele permaneceu no local por cerca de uma hora e os motivos de sua ida ao posto de saúde não foram informados pelo Planalto
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
247 - Jair Bolsonaro deu entrada no posto médico localizado no Palácio do Planalto na manhã desta sexta-feira (17) e permaneceu no local por cerca de uma hora. Esta foi a terceira menos em 12 dias que ele compareceu ao posto de saúde. Os motivos, porém, não foram informados pelo Planalto.
Bolsonaro já havia ido ao local no dia 6 de dezembro e permaneceu na unidade de saúde por cerca de duas horas. Na última quarta-feira (15) ele também foi ao mesmo local e permaneceu em atendimento por cerca de 40 minutos.
Em julho deste ano, Bolsonaro ficou internado por um período de cinco dias no hospital Vila Nova Star, em São Paulo, em função de um quadro de obstrução intestinal e dores no abdome.
Na ocasião, foi informado (por quem?) que o problema era decorrente de complicações ligadas à facada que ele sofreu em 2018 durante um ato de campanha em Minas Gerais.
Um documentário da TV 247, intitulado "Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil", feito pelo jornalista Joaquim de Carvalho, porém, levanta dúvidas sobre o ataque ao destacar que o inquérito da Polícia Federal não seguiu a linha do auto atentado, apesar de existirem evidências nesse sentido.
_________________________________________________JUAN PAIVA, que vive RAVI, diz que 'foi desesperador' ser pai aos 16 anos
JUAN PAIVA, de 'UM LUGAR AO SOL': sucesso como Ravi NÃO deslumbra o ator, cria da comunidade do VIDIGAL, Zona Sul do Rio
Marcelle Carvalho Colunista do UOL 17/12/2021
Quando Juan Paiva apareceu pela primeira vez em "Um Lugar ao Sol", desembarcando do ônibus que o levou ao encontro do amigo, Christian (Cauã Reymond), ele nem imaginava que ali começaria o burburinho sobre sua performance como Ravi. Salta aos olhos a construção nos detalhes desse jovem doce, de coração gigante, capaz de se encalacrar todo para segurar o maior segredo do melhor amigo. E a humildade com que o ator lida com o sucesso na novela, que chegou rápido e o pegou de surpresa.
Não esperava que fosse logo de cara. Na verdade, a gente nunca sabe como o público vai encarar, então, faço o trabalho primeiro para mim. Eu tenho que gostar para que outras pessoas possam gostar também. Essa repercussão positiva é consequência da minha dedicação e esforço. Fico aliviado por ter esse resultado", comemora Paiva, de 23 anos.
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Gêmeos de 'Quanto Mais Vida, Melhor!': 'Fizemos prova um no lugar do outro'Christian recebe Ravi no Rio: a amizade dos dois faz com que o rapaz minta para proteger o impostor Imagem: reprodução
O ator é um rapaz simples por natureza. Criado no morro do Vidigal, comunidade da Zona Sul do Rio, não faz a menor questão de deixar a comunidade, onde mora com a mulher e a filha. O sucesso parece não deslumbrar o artista, que começou aos 8 anos no grupo de Teatro Nós do Morro, e tem na bagagem duas novelas de sucesso, "Malhação, Viva a Diferença" e "Totalmente Demais", a série "As Five", quatro filmes e uma ida ao Festival de Cannes, na França - primeira viagem internacional por conta da sua atuação em "Sem seu sangue".
Eu me sinto tão bem no Vidigal. É onde eu sou cria, cresci, conheço todo mundo. Aqui tem tanta coisa boa... Não pretendo mudar não, quero ficar aqui, morar aqui, viver aqui como sempre foi. Algumas pessoas ficam curiosas, querem saber por que não me mudo. Também não entendo essa curiosidade. Aqui é um lugar tão bacana de se morar...", afirma.
As raízes de Paiva estão tão profundas no Vidigal, que ele comprou sua casa próxima a da sua mãe. O novo lar vai abrigar a sua família: filha Analice, de 7, e a mulher, Luana, com quem tem uma união estável há oito. Assim como Ravi, o ator foi pai bem cedo, aos 16 anos. E pôde emprestar essa vivência para o personagem.
É parecida a história. Emprestei um pouco da minha experiência, de cuidar de uma vida, de um bebê. Isso facilitou bastante para me aproximar dessa realidade do Ravi", diz Paiva, que não esconde ter ficado paralisado ao saber da gravidez preoce da Luana:
Foi desesperador no início, preocupante. Mas procurei viver um dia de cada vez, contando com o apoio da minha família, da minha companheira. A gente sempre se ajudou. Hoje, é uma fase bem mais gostosa, tranquila. Minha filha já está aprendendo a ler e escrever, criando sua própria independência de acordo com a idade dela, claro. Amo minha filha e minha família", diz, orgulhoso.
Luana, Analice e Juan: família construída quando o ator tinha 16 anos Imagem: reprodução/instagram
"Luana e eu conversamos muito. Às vezes, as ideias não batem, mas a gente se respeita, buscando sempre caminhar juntos, crescer juntos. A gente se conheceu na escola. Luana é uma super parceria, companheira bacana. Junto com nossa filha, formamos um bondezinho", brinca ele.
A gente vê na novela o quanto Ravi é carinhoso e preocupado com o filho, Francisco. Nada muito diferente do intérprete com sua pequena Analice.
Brinco com minha filha, me divirto com ela, mas na hora que tem que falar sério, falo também. Orientar uma vida é complicado. Mas isso me ajudou a ter maturidade e responsabilidade. Mas ela também puxa a minha orelha. Se vir algum vacilo meu, algo que a desagrada, ela fala. Por mais que tenha pouca idade, ouço o que me diz, porque criança é sincera. E tem o fato de estamos crescendo juntos. O bom é que quando ela tiver jovem, eu ainda vou estar também. Isso é bacana", constata Paiva.
Um encontro nada normal
Os atropelos da vida de Ravi estão ligados também à falta de parceria com Joy (Lara Tremouroux). Apesar de muito diferente do motorista, o ator acredita que o personagem é profundamente apaixonado pela grafiteira, que vai morrer em breve, ao cair de um viaduto quando tentar colocar sua marca em um lugar mais alto.
Ravi ama Joy realmente. Ele tem pensamento de construir uma família, erguer um castelo, justamente por não ter tido isso na vida. Quer que o filho tenha pai e mãe. Mas Joy é uma pichadora, um mulher rolezeira, é da rua, da pista. Ao contrário dele, ela não queria ter filho, foi ele que insistiu para ela ter. Ela não quer esta responsabilidade", analisa o artista.
Talvez o fato de terem começado uma relação de forma tão incomum ajude a explicar essa falta de ressonância na união do casal. Aliás, a forma como se conheceram deu o que falar: Joy invadiu o apartamento de Ravi, pela janela, quando fugia da polícia. De cara se gostaram e foram para cama. Pouco tempo depois ela apareceu grávida. Na redes sociais, o público achou um tanto estranho o jeito como se encontraram.
Não é algo normal, né? É algo diferente. Mas se a química bateu, acho que é válido", acredita o ator.
Paiva faz uma pausa. Afirma que nunca tinha parado para pensar na situação atípica. E concorda que "foi muito louca a forma como se encontraram".
Ela entrou pela janela, é algo inusitado, diferente para caramba. Mas acredito na química, na troca de energia, troca de olhar, se bateu de forma sincera...
'Nunca imaginei viver a vida de outra pessoa'
A verdade é que a vida de Ravi já estava bem enrolada antes da chegada de Joy. Com princípios bem fortes, o rapaz teve que fechar os olhos para eles a partir do momento que foi mergulhado, contra a sua vontade, na farsa de Christian. Agora, com a descoberta da mentira por Tulio e Ruth, o calvário do impostor está respingando no ex-motorista, que foi demitido, vai se mudar com a família para a comunidade, será preso mais uma vez. Eita!
Ele entrou em uma enrascada, não tem muito o que fazer. Se ele abrir a boca, perde o amigo, o pai, porque é assim que Ravi vê Christian. É o cara que ele tem de verdade, com quem conversa. Portanto, por amor ao amigo/irmão tem que guardar o segredo. O problema é que, de certa forma, isso vai fazendo com que se corrompa por causa do outro", analisa.
Uma situação desnecessária na vida dos dois, convenhamos. Paiva acredita que Christian se precipitou quando tomou a decisão de tomar o lugar do irmão, Renato.
Com tantas porradas da vida, ele queria sair desse lugar que não deram para ele, mas deram para o irmão. Mas Christian fez de uma forma errada e foi caindo numa armadilha. Acabou em um beco sem saída, um lugar difícil de sair. Sinto, às vezes, pena do Christian por ele ter feito dessa forma, desse jeito meio maluco. Ele se meteu em uma enrosco e, agora, não tem para onde fugir", constata o artista.
Pelo visto, o intérprete de Ravi não entraria numa roubada dessa, né?
Nunca imaginei viver a vida de outra pessoa. Quero viver minha, a do outro é a do outro. Quero ter o que eu mereço, o que eu busco", afirma. A única coisa que eu faria era guardar o segredo como Ravi faz, se fosse meu amigo mesmo, cara responsável por mim. Ele faz isso por amor, pela história dos dois, por todo o carinho que Christian dedicou a ele. É a família do Ravi."
E por falar em família, Paiva tem o sorriso na voz ao falar de Cauã Reymond, a quem passou a considerar um irmão mesmo.
Cauã é generoso, bacana, cara muito coração. Já admirava o artista que ele é e quando passei a conviver, admirei ainda mais a pessoa que é. Se tornou um irmão. A gente troca mensagem, liga um para o outro. Virou amigo de verdade, que quero ter sempre por perto."
_________________________________________________'Um Lugar ao Sol' e 'Maria do Bairro' mostram Globo entre o ousado e o vulgar
Emissora dá sinais de demanda por tramas mais simples ao celebrar os 70 anos da estreia da primeira novela brasileira.
O próximo 21 de dezembro marca os 70 anos da estreia de "Sua Vida me Pertence", novela de 15 capítulos escrita e dirigida por Walter Forster, protagonizada por ele e Vida Alves e exibida pela Tupi de forma espaçada até o dia 8 de fevereiro de 1952.
Adaptada do rádio, a novela se tornou —e ainda é— um dos esteios da programação da televisão aberta no país. Mais de uma dezena de canais, muitos que não existem mais, como a própria Tupi, Excelsior, Rio e Manchete, investiram no gênero.
O site Teledramaturgia, que cataloga todas as produções de novelas diárias, a partir da pioneira "2-5499 Ocupado", de 1963, contabiliza cerca de 700 produções. Segundo o pesquisador Nilson Xavier, não há registros confiáveis sobre as centenas de folhetins não diários produzidos entre 1951 e 1963. Ele estima que o total de novelas produzidas no país nestes 70 anos supere mil.
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"Beto Rockfeller", lançada pela Tupi em 1968, é consensualmente considerada a novela que "abrasileirou" o melodrama. Ainda que tenham ocorrido tentativas anteriores, é a história de Bráulio Pedroso, dirigida por Lima Duarte e Walter Avancini, que confirma o caminho percorrido até hoje: tramas contemporâneas, linguagem coloquial, interpretação natural.
O ator Luís Gustavo e o dramaturgo Plínio Marcos conversam durante as gravações de "Beto Rockfeller", telenovela da Rede Tupi - Acervo UH/Folhapress
Uma marca indelével do gênero foi abalada, em 2021, pela pandemia de coronavírus. Por questões de segurança sanitária, a Globo decidiu gravar quase inteiramente duas novelas antes de levá-las ao ar, em vez de ir produzindo na medida em que os capítulos são exibidos.
"Nos Tempos do Imperador" e "Um Lugar ao Sol" não têm o status de "obras abertas", sujeitas modificações motivadas pelas manifestações da audiência ou por pesquisas. São produções fechadas, como séries. Ainda assim, a Globo gravou diferentes finais para certos personagens das duas tramas, ficando com o poder de tomar algumas decisões de acordo com os humores do público.
Além dessa novidade, "Um Lugar ao Sol" foi produzida com apenas 107 capítulos, para exibição ao longo 18 semanas, muito menos que o habitual. As últimas 16 novelas da faixa das 21h tiveram entre 143 e 221 capítulos.
Apesar desses percalços, ou por causa deles, a história de Lícia Manzo mostra a vitalidade do gênero. A novela tem conseguido a proeza de, mesmo abraçando muitos clichês do melodrama, apresentar personagens com múltiplas camadas, discutir temas relevantes e propor ao espectador um texto de rara qualidade.
Não há, evidentemente, em "Um Lugar ao Sol", a tentativa de subverter o gênero, mas a novela está indo além do óbvio e chega a ser sofisticada com algumas provocações ao público em matéria de comportamento, moral e, também, sobre o abismo entre classes sociais que existe no país.
O longo processo de produção e o enxugamento do texto permitiram que a história fosse sendo lapidada de maneira a alcançar um ritmo alucinante, com "viradas" mirabolantes e "ganchos" diários. A qualidade do elenco, escolhido a dedo, também reforça o prazer de assistir.
Por outro lado, os números de audiência decepcionantes, até o momento, podem reforçar o ponto de vista dos que defendem a vulgarização do gênero. Será uma pena se isso ocorrer.
Um sinal de que há uma demanda forte por novelas simples é o atual investimento do Globoplay em novelas mexicanas. As antiquadas "Maria do Bairro", "Marimar", "Rubi" e "A Usurpadora", entre outras que fizeram sucesso no SBT, são recentes aquisições da moderna plataforma de streaming e tem sido promovidas com alarde na Globo.
_________________________________________________Bolsonarista Antonia Fontenelle é condenada à prisão por acusar Felipe e Lucas Neto de pedofilia
Atriz e apresentadora, aliada de Bolsonaro, teve pena convertida em multa e serviços à comunidade. É pelo menos a segunda derrota de Fontenelle em processos movidos por Felipe Neto.
A atriz e youtuber bolsonarista Antonia Fontenelle foi condenada a 1 ano de prisão por relacionar os irmãos Felipe e Lucas Neto à pedofilia. Segundo informações de Guilherme Amado no site Metrópoles nesta quinta-feira (16), a pena foi comutada e a atriz terá que prestar serviços à comunidade e pagar multa de R$ 8 mil.
Em sua defesa, a atriz disse que não pretendia ofender os dois, mas sim “provocar a discussão e a readequação dos conteúdos produzidos”.
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Segundo informações do site Metrópoles, o juiz Ricardo Coronha Pinheiro, do TJ-RJ, discordou da atriz, dizendo que “a vontade de ofender é por demais nítida no caso tratado neste feito, muito longe de expressar a vontade de provocar uma mera discussão”.
Em outubro, a bolsonarista já havia sido condenada por crime de injúria contra Felipe.
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A primeira ação, ganha pelo youtuber, foi em relação a uma publicação na qual Antonia chama Felipe de “câncer da internet” e “canalha”.
Na decisão, a juíza do caso a condenou, criminalmente, ao pagamento de uma multa no valor de cerca de R$ 63 mil reais, além das custas do processo, dinheiro que será encaminhado ao fundo penitenciário.
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Há ainda um terceiro processo, em que o Ministério Público do Rio de Janeiro pediu condenação de Antonia Fontenelle por crimes de injúria e difamação contra Felipe Neto por ter dito que o influenciador digital era sociopata e usuário de cocaína no período que comandava o Parafernalha.
Neto já apresentou cinco denúncias contra a bolsonarista por ataques virtuais. Até o momento, duas condenações já aconteceram.
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As decisões foram tomadas pelo 9º Juizado Especial Criminal, da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, no início de outubro. Segundo Felipe Neto, as multas já somam R$200 mil.
_________________________________________________Natália Bonavides sobre Ratinho: "Se não incomodasse os canalhas, estaria fazendo algo errado"
Natália Bonavides sobre Ratinho: “Se não incomodasse os canalhas, estaria fazendo algo errado”
Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, parlamentar afirmou que falas feitas pelo apresentador são a "caricatura da mensagem machista": "Objetivo é expulsar a gente dos espaços de decisão"
Por Carolina Fortes
16 dez 2021 - 12:45
Após sofrer ataques machistas e incitação à violência por parte do apresentador Ratinho, a deputada federal Natália Bonavides (PT) disse nesta quinta-feira (16), em entrevista ao Fórum Onze e Meia, que se não estivesse “incomodando certos canalhas, estaria fazendo algo errado”.
“A gente vai para cima. Por mais que eu entenda porquê isso acontece, não significa que eu naturalize. Muitas pessoas me perguntam como eu me sinto com esses ataques, que são diários. É óbvio que é ruim, mas eu também tenho a consciência de que se eu não tivesse incomodando certos canalhas, estaria fazendo alguma coisa errada”, afirmou a deputada.
Desde que assumiu o mandato, a parlamentar é vítima de ameaças diárias, muitas vindas do gabinete do ódio, por sua atuação pela defesa das minorias em espaços de poder. Os ataques proferidos por Ratinho vieram por devido a um Projeto de Lei da petista que propõe alterar os termos “marido e mulher” na celebração de casamentos civis.
A ideia é trocar a frase “vos declaro marido e mulher” por “firmado o casamento”, já que há uniões civis de pessoas homossexuais e transexuais que não se enquadram nas definições de “marido e mulher”.
Segundo ela, os ataques começaram por volta do dia 8 de dezembro, o Dia da Família Brasileira, quando parlamentares bolsonaristas publicaram uma foto dizendo que o projeto buscava destruir as famílias. “Uma fake news que nos mostra mais uma vez como atua o gabinete do ódio, que cria a notícia falsa, divulga e incentiva sua milícia digital a atacar seus opositores”, disse a parlamentar, também à Fórum.
“Caricatura da mensagem machista”, diz Natália sobre ataques
Durante os ataques, feitos em um programa na rádio Massa FM, que pertence a Ratinho, o apresentador bolsonarista mandou a deputada “lavar uma roupa”. “Natália, você não tem o que fazer? Vá lavar roupa, vai fazer algo, a lavar as caixas do seu marido, a cueca dele. Isso é uma imbecilidade. A gente tem que eliminar esses loucos. Não dá pra pegar uma metralhadora?”, disparou.
Para a parlamentar, as ofensas chegam a ser caricatas. “Essa fala, de mandar lavar a roupa, lavar a cueca do marido, é a típica caricatura da mensagem machista, patriarcal, violenta, de que o espaço público não nos pertence. De que não é para eu estar na política”, afirmou Natália.
“De que uma mulher jovem, nordestina, não tem que estar nesse espaço, tem que estar lavando a roupa de alguém. Nada indigno nos trabalhos, mas a gente sabe qual é o recado, de expulsar a gente dos espaços de decisão, dos espaços da política, e é disso que se trata a violência política de gênero, que com as mulheres de esquerda é ainda maior, porque a gente se impõe contra o que o gabinete do ódio representa”, continuou.
_________________________________________________Grupo francês Vivendi passa a controlar jornal El País e fecha edição brasileira
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247 - O jornal espanhol El País divulgou um curto comunicado no fim da manhã desta terça-feira (14) por meio do qual anunciou o fim da edição brasileira da publicação. O El País Brasil era um jornal virtual editado em português desde 2013. Rapidamente, dado a qualidade de sua edição, das reportagens e dos colunistas, converteu-se num dos melhores sites brasileiros de informação. Só entre funcionários diretos, fora os colaboradores eventuais do serviço brasileiro do El País, foram efetuadas 17 demissões com a extinção do El País Brasil.
O fechamento da edição El País Brasil, justificada como “corte de despesas” para os funcionários brasileiros, ocorre justamente quando o grupo francês Vivendi, comandado pelo investidor Vincent Bollorré, passou a controlar o conjunto de fundos que administravam o jornal espanhol. O Vivendi já controla, na França, a RFM, a rede de TV Europa 1, a revista Paris Match, o grupo editorial Hachette e o grupo Stock & Larrousse. Na Espanha, além do El País, que passa a comandar, controla também a Alianza Editoral e a Edições Salvat.
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Leia o comunicado do jornal:
"A edição em português do EL PAÍS despede-se hoje de seus leitores. Esta edição nasceu em 2013 e durante oito anos informou sobre a atualidade brasileira e mundial. Neste tempo, apesar de ter atingido grandes audiências e um número considerável de assinantes digitais, ela não alcançou sua sustentabilidade econômica, o que levou à decisão por sua descontinuidade.
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O EL PAÍS, que mantém correspondentes em São Paulo, conta com a mais extensa rede de jornalistas no continente. A partir de sua redação na Cidade do México, dos escritórios de Washington, Bogotá e Buenos Aires e de seus jornalistas nas principais capitais, a edição do EL PAÍS América oferece a mais completa cobertura em espanhol da área. Um esforço que será ampliado nos próximos meses e no qual o jornal concentrará suas energias.
Queremos agradecer aos profissionais do EL PAÍS Brasil por seu grande esforço e dedicação. Como também à fidelidade de nossos leitores, que poderão acompanhar a informação sobre a região e o resto do mundo em nossa edição da América. Para este jornal, o Brasil é um eixo da informação global tanto no plano político e econômico, quanto no cultural e social".
_________________________________________________'Mordaça': com depoimentos de nomes como Chico Buarque, Beth Carvalho e B. Negão, livro resgata histórias de censura no Brasil
Escrito por João Pimentel e Zé McGill, obra vai da ditadura aos dias atuais e tem como ponto de partida os relatos dos próprios artistas perseguidos.
Rita Lee NÃO quis se manifestar.
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A cada 50 dias um político, assessor ou gestor público foi assassinado na Baixada Fluminense, aponta pesquisa
Levantamento do Observatório de Favelas detalha elo entre o poder político e o 'poder de matar' na região
Cabo eleitoral em Magé, Renata Castro foi assassinada menos de 12 horas após denunciar à Polícia Federal ameaças de adversários políticos Foto: Reprodução
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RIO — A cabo eleitoral Renata Castro, 38 anos, foi executada com pelo menos 14 tiros na porta de casa, numa manhã de outubro de 2020 no município de Magé, na Baixada Fluminense. Renata era aliada da família Cozzolino, que permaneceu à frente da prefeitura da cidade por quase duas décadas, e foi morta 12 horas após depor na Polícia Federal e relatar ameaças sofridas por um vereador rival da família a qual trabalhava. À época, a Delegacia de Homicídos da Baixada Fluminense (DHBF), responsável pelo caso, apontou como linha de investigação principal crime político. Renata Castro está entre as 43 mortes de políticos, cabos eleitorais, assessores ou agentes políticos registradas entre 2015 e 2020 na região, e integra a pesquisa “Violência e Política na Baixada Fluminense”. O levantamento detalha o elo entre o poder político e o “poder de matar” na região.
O relatório foi desenvolvido por pesquisadores do Observatório de Favelas, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Witwatersrand (WITS), da África do Sul, com apoio da Fundação Heinrich Boll. Segundo a pesquisa, a cada 50 dias um integrante do cenário político da região foi assassinado.
Nova Iguaçu e Seropédica foram os municípios que mais registraram execuções, enquanto o ano de 2016 foi o mais violento para candidatos a vereador, suplentes do cargo, assessores, gestores públicos, vereadores, cabos eleitorais, entre outras funções do meio eleitoral.
Durante o período da pesquisa, foram registradas mortes em todos os anos: 5 assassinatos em 2015, 15 em 2016, três em 2017, quatro em 2018, nove em 2019 e sete em 2020. Segundo a pesquisa, 42 mortes foram por meio de arma de fogo. Sobre um óbito, não foram encontradas informações. O levantamento identifica a dinâmica das ocorrências: 38 assassinatos, três casos de latrocínio (roubo seguido de morte), um de sequestro e execução e um de encontro de cadáver. Os homens são maioria entre as vítimas: 39 mortos do sexo masculino e quatro, do feminino.
Para a identificação dos casos, foi feito um levantamento em jornais de grande circulação, além de análises de cada caso com pesquisas complementares e de busca informações de candidaturas no banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Atores públicos e políticos com inserção na Baixada também foram entrevistados para o estudo.
Os números foram maiores em anos próximos às eleições municipais, em 2016 e 2020. É neste tipo de pleito que são eleitos os vereadores. Os aspirantes a esse cargo público, inclusive, foram o principal alvo: 14 candidatos a vereador estão entre as 43 mortes. Outros 4 vereadores já eleitos também foram mortos, assim como suplentes do cargo (5), ex-vereadores (2) e um familiar de candidato ao cargo (1). Dentre os cabos eleitorais, importantes na articulação de votos com a população, foram registrados 3 óbitos.
Nova Iguaçu e Seropédica têm mais assassinatos
O maior número de mortes foi registrado nas cidades de Nova Iguaçu e Seropédica: 8 óbitos em cada, de 2015 a 2020. Duque de Caxias e Magé vêm em seguida, com 6 mortes; São João de Meriti (4), Nilópolis (3), Guapimirim (2), Belford Roxo (2), Queimados (2), Japeri (1) e Paracambi (1) completam a lista.
André Rodrigues, professor da UFF e coordenador geral da pesquisa, explica que o relatório não chegou a conclusões definitivas sobre as razões para a concentração de mortes nestes municípios. O pesquisador explica que há dois fatores estratégicos para que ocorram assassinatos entre integrantes do meio político:
— Em primeiro lugar, a existência de elites políticas – em alguns municípios, verdadeiras dinastias – que possuem um histórico de utilização da violência como recurso de poder. E, em segundo lugar, a existência de redes criminosas baseadas no poder armado que buscam emergir, se consolidar ou se perpetuar como elites políticas locais — conta.
Os resultados do relatório indicam, segundo o professor, que há casos em que as mortes acontecem após conflitos políticos, inclusive com registros públicos, nas redes sociais. Em outros casos, as razões envolvem disputas pelo controle de áreas das cidades ou articulação com atividades criminosas. Rachas de grupos políticos aliados, que se tornam adversários, também ocasionaram assassinatos.
— De modo geral, o estudo mostra que o poder de matar é utilizado como uma ferramenta de eliminação de adversários políticos e de controle de áreas das cidades — explica André Rodrigues.
Pré-candidatos como 'alvo'
Geraldo Cardoso Gerpe, o Geraldão, foi morto em 2016 no estacionamento da Câmara de Vereadores de Magé Foto: Reprodução / Facebook
Na lista de vereadores assassinados, está Geraldo Cardoso Gerpe, o Geraldão (à época, no PSB). O político de Magé foi morto com dois tiros em janeiro de 2016, no estacionamento da Câmara da cidade. Ele presidia uma comissão que investigava denúncias de fraudes na folha de pagamentos da prefeitura. Um dia antes do crime, ele havia submetido ao plenário da Casa um relatório parcial do que tinha sido apurado.
Segundo Rodrigues, é possível dizer que os assassinatos fazem parte da disputa política na região.
— Observamos, nos dois últimos ciclos eleitorais, que há um aumento das mortes quando as eleições se aproximam. Há, inclusive, diversos casos que foram noticiados pelos veículos de comunicação, nos quais as vítimas são identificadas como pré-candidatos, ou seja, as mortes ocorrem mesmo antes da formalização das candidaturas — afirma.
Velório do vereador de Magé Geraldo Cardoso Gerpe, o Geraldão, que foi assassinado com dois tiros no estacionamento da Câmara de Vereadores da cidade, na Baixada Fluminense: disputa política estaria por trás do crime Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo / 15/01/2016
Rodrigues explica que a pesquisa mostra uma relação entre poder político e “poder de matar”. Isso significa que, em alguns casos, grupos com poder político e econômico contratam o "poder de matar" como um instrumento. Já em outros, os assassinatos são utilizados para aquisição de poder econômico e poder político.
Outro fator identificado pelo relatório é que quanto maior o potencial eleitoral, maior o risco de morte. Segundo o pesquisador, as entrevistas realizadas mostram que uma atuação política ameaça a elite instalada incomoda mais.
— Se um candidato apresenta capacidade de se eleger e, assim, disputar votos com elites políticas instaladas com histórico de uso da violência, passa a estar sob risco. Uma pessoa que entrevistamos define com precisão este risco: “Qualquer 50 votos retirados do pessoal, você vai incomodar” — explica.
_________________________________________________A cada quatro horas, uma pessoa negra é morta em ações policiais
Levantamento da Rede de Observatórios da Segurança mostra que Rio de Janeiro é estado que mais mata negros em operações. Estudo monitora sete estados brasileiros
Operação policial no Salgueiro, em São Gonçalo Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
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RIO — O Rio de Janeiro é o estado que mais mata negros em ações policiais. Os dados são do estudo "Pele alvo: a cor da violência policial", feito pela Rede de Observatórios da Segurança, que monitora os estados Bahia, Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão. Este último, segundo o estudo, não acompanha a cor das vítimas da violência. A cada quatro horas, uma pessoa negra é morta em ações policiais, mostra o levantamento, divulgado nesta terça-feira, que utiliza dados obtidos de 2020, via Lei de Acesso à Informação.
Dos 1.092 registros de morte por agente do estado, 939 eram de pessoas pretas ou pardas, o que corresponde a 86%. No estado do RJ, 51,7% da população se declaram negros. Na capital, esse número é mais alto: 90% dos mortos em ações policiais são negros. O personal trainer Luciano Gonçalves, de 43 anos, conhece bem essa realidade. Há seis meses, ele perdeu a filha, a designer de interiores Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos, alvejada no tórax durante um confronto entre policiais militares e bandidos no Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio. Kathlen, que estava grávida de quatro meses, não entra na estatística porque foi morta por uma bala perdida e este ano. O levantamento que utiliza dados de 2020 considera as mortes decorrentes de intervenção de agentes do Estado, ou seja, em confronto.
— A gente perde para a necropolítica de segurança tendenciosa, direcionada às pessoas pretas, pobres, de comunidade. É uma falta de cuidado, covardia, maneira desproporcional de agir na comunidade. Foi o racismo estrutural que levou a minha filha. A gente tem um manual de sobrevivência na periferia, principalmente para os negros: não pode correr, mesmo se estiver atrasado; em hipótese alguma, usar guarda-chuva longo e preto; não usar roupas escuras. Tem que provar o tempo todo que você é honesto. A sigla UPP para a gente é usurpação da paz do preto de bem — desabafou Luciano. — Minha família acabou. O tiro de fuzil que ceifou a vida da minha filha ceifou de toda minha família.
A pesquisa revela ainda que o Rio de Janeiro é o estado — entre os que são monitorados pela rede — com mais mortes em ações e intervenções das polícias. Ano passado, foram 1.245, o terceiro maior registro de toda a série histórica. Em agosto de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a decisão liminar do ministro Edson Fachin, impedindo a realização de operações policiais em comunidades do Rio durante a pandemia. Segundo o levantamento, houve uma redução de 31% das mortes em comparação ao ano de 2019. Para Pablo Nunes, doutor em Ciência Política, coordenador da Rede de Observatórios da Segurança e responsável pela pesquisa, a liminar foi decisiva para que não houvesse uma quebra de recorde no número de mortes:
— Quando olhamos os dados de letalidade policial mês a mês de 2020 e projetamos uma tendência baseada nos primeiros meses em que não havia medida de distanciamento em vigor, verificamos que muito possivelmente as polícias do Rio atingiriam a marca de duas mil mortes cometidas em 2020. A liminar do ministro Edson Fachin fez cair 70% o número de mortos do mês anterior à vigência para o mês que a liminar foi expedida. Em 2021, que tem a Chacina do Jacarezinho e o caso de São Gonçalo, ainda com dados de outubro, a gente já tem basicamente o mesmo número total de mortes de 2020.
Antes da decisão do STF, uma operação policial terminou com a morte de um adolescente de 14 anos em São Gonçalo, na Região Metropolitana. João Pedro Matos Pinto foi morto dia 18 de maio do ano passado, durante uma operação das polícias Civil e Federal no Complexo do Salgueiro. Ele foi atingido por um tiro no peito dentro da casa dos tios.
Em junho deste ano, três policiais civis foram indiciados pelo assassinato do menino. Os agentes Mauro José Gonçalves e Maxwell Gomes Pereira devem responder por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar; e Fernando de Brito Meister, por tentativa de homicídio culposa, porque foi descartada a possibilidade de o agente ter atingido João Pedro, apesar de ele ter disparado na ocasião. Segundo a Polícia Civil, os policiais estão afastados do setor operacional, e se encontram em serviço no setor administrativo, na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), unidade de elite da corporação.
São Gonçalo é a segunda cidade do estado e quarta do Brasil com mais mortes decorrentes de intervenção policial. Foram 199, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Um ano e sete meses após a morte de João Pedro, o motorista particular Neilton da Costa Pinto, de 42 anos, pai do menino, diz que a dor é diária:
— A polícia não entra na Zona Sul da mesma maneira como entra na comunidade. A bala que sai da arma da polícia só acerta negros e favelados. Para mim, isso é racismo. Entraram na casa do meu irmão e da minha cunhada achando que encontrariam bandidos. Acham que quem tem casa boa com piscina na comunidade tem envolvimento com tráfico. A dor não diminui. Só esquecemos quando fechamos os olhos e dormimos, mas, quando acordamos, vem tudo à tona.
Dos 1.245 casos informados de mortos pela polícia em 2020, 153 não têm informação de cor/raça. Ou seja, 12,3%. Nunes ressalta que há, além da falta desse dado, as mortes não informadas contribuem para a defasagem de dados.
— O número de 939 pessoas negras mortas pela polícia em 2020 possivelmente está defasado e subestimado. Isso por conta de pelo menos dois motivos. O primeiro deles são esses casos em que não foi cadastrada a raça/cor da pessoa vitimada. Certamente no contingente de 153 pessoas com a raça/cor não informada, a maioria deve ser de pessoas negras, mas, a gente não pode afirmar. A outra explicação que colabora com essa são as cifras que não vão para registro. Tem uma série de mortes cometidas por policiais que ficam num limbo de mortes a serem esclarecidas — explica o pesquisador.
Imagens foram compartilhadas nas redes pelo delegado coordenador da Core
Segundo a pesquisa, "o modus operandi da polícia do Rio de Janeiro é o confronto fundamentado no racismo" com uso indiscriminado da força letal através do emprego de fuzis, helicópteros e veículos blindados por parte das forças policiais, em áreas densamente habitadas em sua maioria por pessoas negras.
— Há um estereótipo na mentalidade da sociedade como um todo de que áreas de favelas, compostas por pessoas negras, são espaços em que há violência e criminalidade. Isso não é só uma característica que percebemos na cultura policial, mas temos que entender que o policial não é o único que aperta o gatilho. Não haveria tanta letalidade policial se não houvesse omissão ou até mesmo fomento por parte dos governantes em relação a essa letalidade policial. A impunidade é um dos principais motores da letalidade policial. Se tivéssemos um Ministério Público atuante, investigando essas mortes, a gente teria outro cenário em relação à letalidade policial. O MP que não só valida, mas, de certa forma, cria ambiente propício para que policiais cada vez mais extrapolem uso de sua força em suas ações — destaca Nunes.
Entre janeiro e outubro deste ano, foram 38 chacinas, 27 provocadas por agentes do Estado com 128 mortes registradas. Ou seja, 71% das chacinas no estado do Rio são de autoria de agentes do Estado, segundo a rede.
A Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que "estes dados refletem um quadro histórico lamentável de desigualdade social, no qual os afrodescendentes têm ocupado a maior parcela da população vulnerável e, consequentemente, mais propensa a ser cooptada pelo crime organizado". A corporação negou que haja "qualquer viés racial na atuação da Polícia Militar na sua missão de combater criminosos armados" e ressaltou que a PM "foi uma das primeiras instituições públicas do país a ser comandada por um negro e hoje mais da metade de seu efetivo de praças e oficiais é composto por afrodescendentes".
Já a Polícia Civil informou que "todas as mortes em confronto ocorridas na atual gestão da Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol), independente de raça, credo ou gênero, são em decorrência de agressões de criminosos contra policiais. A reação da Polícia Civil durante operações depende da conduta do criminoso, e não de sua raça".
_________________________________________________O adolescente de 2021 julga as pessoas pelo número de seguidores
Algoritmos nos fizeram considerar ‘gente boa’ só os da nossa bolha. É um erro. Tem muita gente bacana com posição política diferente, religião diversa, opiniões opostas
Achei estranho o meu filho não aceitar o convite para assistir ao pai na Bienal do Livro: ele sabe bem que além de tímido sou um desastre falando em público e se tem uma coisa que adolescente adora é ver os pais pagando mico — desde, é claro, que estejam a uma distância segura. Quem nunca? Antes de dar o surpreendente "não", ele quis saber quem ia participar. Tati Bernardi e Christian Figueiredo, respondi. Christian? O youtuber? Sim. Ele tem milhões de seguidores! Você ninguém sabe quem é, não vão nem deixar você falar, hahahaha.
O adolescente de 2021 tem um critério claro para julgar as pessoas: o número de seguidores. Não sei se isso é uma evolução em relação ao capitalismo-ostentação do “você é o que você tem”, esse que assombrava o século passado. Popularidade ou conta bancária? A cabeça oca do teen moderno é um mistério.
Se você tem problemas de autoestima ou um ego frágil, o pior que pode acontecer é ter um adolescente em casa: é uma torrente infinita de comentários “sinceros” e opiniões “construtivas”. No caso da mesa na Bienal, ele tinha razão — o meu anonimato é notório — e ainda acrescentou outro motivo: as poucas pessoas que te conhecem são velhas — não se espante leitor, ele acha que qualquer pessoa com mais de 20 anos é velha — se tiver mais de 30 é ultrapassada também. Numa sexta à tarde, os velhos estão trabalhando, explicou. Errado não estava. Não vou perder uma tarde de videogame para te ver que nem bonecão de posto, decretou.
Bienal do Livro Foto: Divulgação
Fui sozinho para o Riocentro, conformado com a perspectiva de apenas empurrar o carro alegórico, ainda mais quando percebi que havia uma multidão aguardando o Christian. Nada mais distante do meu mundo do que um youtuber de sucesso. Ter fãs gritando o seu nome continuamente deve deixar a pessoa um tanto quanto arrogante, pensei.
Estava enganado.
Christian, o youtuber de milhões de seguidores, é muito gentil e simpático e foi de uma generosidade comovente no palco, mesmo sabendo que a plateia toda estava ali por ele. Uma surpresa. Nada de estrelismo, nenhuma arrogância.
Tenho, nos últimos tempos, na volta da vida normal, tido muitas surpresas desse tipo e sou grato a cada uma delas. A pandemia nos isolou e aprofundou fossos, deixando as bolhas ainda mais afastadas. Passamos a conhecer pessoas apenas pela sua versão digital, a das redes sociais, das lives. Os algoritmos tomaram conta da vida e nos fizeram considerar “gente boa” só os que estão na nossa bolha: os que defendem nossas posições políticas e os que concordam com as nossas opiniões sobre os assuntos da moda. É um erro. Tem muita gente bacana por aí que tem uma posição política diferente, uma religião diversa, opiniões opostas. Digo mais: tem gente que está na nossa bolha, que defende com ardor nossas causas — “as certas” — mas que ao vivo são pessoas ruins de dar dó. Só a convivência analógica mostra quem é quem.
Voltei para casa com essa lição. É claro que o meu filho só queria saber de supostos vexames, se eu tinha sido cancelado por falta de popularidade ou se tinha mesmo entrado mudo e saído calado. É um adolescente, precisa ser assim. Tem coisas que você só aprende com o tempo.
***
Muito obrigado a todos os leitores que mandaram mensagens na semana passada. Obrigado mesmo.
_________________________________________________Polícia conclui que Kathlen Romeu, morta no Rio, foi baleada por um PM
Créditos: Divulgação
Créditos: Divulgação
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, via Delegacia de Homicídios da Capital, concluiu que o tiro que matou a jovem Kathlen Oliveira Romeu, de 24 anos, em junho de 2021, partiu de um policial. O inquérito ainda não determinou a identidade do agente responsável. As informações são do G1.
Segundo denúncia do Ministério Público, cinco policiais alteraram a cena do crime: o capitão da PM Jeanderson Corrêa Sodré, o 3°sargento Rafael Chaves de Oliveira e os cabos da PM Rodrigo Correia de Frias, Cláudio da Silva Scanfela e Marcos da Silva Salviano.
Ainda de acordo com o MP, os cabos Rodrigo Correia de Frias e Marcos da Silva Salviano efetuaram disparos. Um tiro atingiu Kathlen, matando-a no local.
“Integrantes do Grupamento Tático de Polícia Pacificadora (GTPP) da 3ª UPP do 3º BPM, envolveram-se nas circunstâncias da morte da vítima KATHLEN ao terem os denunciados FRIAS e SALVIANO efetuado disparos de arma de fogo, com o armamento acima descrito, a partir do chamado Beco do 14, tendo sido a vítima atingida na Rua Araújo Leitão, paralela ao referido beco”, diz a denúncia do MPRJ junto à Auditoria de Justiça Militar, assinada pelo promotor Paulo Roberto Mello Cunha.
_________________________________________________Jovem negro acusado de receptar bicicleta elétrica tem caso arquivado pela Justiça do RJ
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Brasil de Fato -Na última sexta-feira (10), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) arquivou o processo contra o instrutor de surfe Matheus Ribeiro por receptação de uma bicicleta elétrica.
O caso ganhou repercussão em junho deste ano após Ribeiro denunciar o casal branco, Mariana Spinelli e Tomás Oliveira, pelos crimes de racismo e calúnia, depois de ambos acusarem Ribeiro de furtar uma bicicleta elétrica, que, na verdade, pertencia ao instrutor de surfe, no bairro do Leblon, na zona sul do Rio.
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Em meio às apurações da denúncia de racismo, a Polícia Civil identificou que a bicicleta usada por Matheus era furtada, com base na comparação entre as chaves originais e a cópia usada pelo instrutor de surfe, "visivelmente adulterada de uma moto Honda."
"A bicicleta elétrica utilizada por Matheus Ribeiro foi apreendida por ser produto de furto e será devolvida ao seu legítimo proprietário", disse, em nota, a polícia na ocasião. Em depoimento, o instrutor de surfe disse que comprou a bicicleta em um site de classificados online, mas não possuía nota fiscal.
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Matheus pagou R$ 4.200 pela bicicleta. Segundo reportagem do UOL, ao acolher os argumentos do Ministério Público, a juíza do TJRJ Paula Fernandes Machado arquivou o processo contra Ribeiro e sua namorada, a vendedora Maria Eliza Faes, que emprestou o cartão de crédito para a compra.
O instrutor explicou que no ato da compra pediu a nota fiscal do produto, mas que nunca a recebeu. Em depoimento na delegacia, Ribeiro mostrou o comprovante de pagamento e as parcelas feitas da compra.
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De acordo com a reportagem do portal, além de ter o caso arquivado, o instrutor de surfe e a vendedora conseguiram ter a restituição do dinheiro da compra da bicicleta.
“Uma decisão antirracista no Dia dos Direitos Humanos deve ser elevada a um marco histórico e referenciada como ponto de reflexão de todos os agentes do Sistema de Justiça Criminal”, disse ao UOL o advogado do casal Bruno Sankofa.
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Relembre o caso
O instrutor de surfe negro gravou com o celular a abordagem incriminatória de furto do casal branco, Mariana Spinelli e Tomás Oliveira, em frente ao shopping do Leblon e os acusou de racismo, o que iniciou a investigação policial. Mariana teve a bicicleta elétrica furtada no mesmo bairro onde Matheus havia estacionado o seu veículo.
Na verdade, as investigações provaram que o crime foi cometido por um jovem branco chamado Igor Martins Pinheiro, 22 anos, que foi denunciado pelo Ministério Público. Ele possui 28 anotações criminais, sendo 14 por furtos a bicicletas e, quando foi preso, carregava na mochila um alicate de pressão, instrumento usado para cortar correntes
Jean Wyllys é condenado a indenizar empresário bolsonarista que chamou de ‘criminoso’
Por João Paulo Saconi
A Justiça de São Paulo condenou Jean Wyllys, nesta segunda-feira, ao pagamento de R$ 5 mil em indenização a Otávio Fakhoury, empresário bolsonarista chamado de “criminoso integrante do Gabinete do Ódio” numa publicação online feita pelo ex-deputado em agosto de 2020. O pedido de Fakohury por um montante de R$ 41,2 mil havia sido recusado em primeira instância.
Os desembargadores da 7ª Turma Cível do Colégio Recursal do TJSP decidiram, por unanimidade, que Wyllys cometeu dano moral ao imputar a Fakhoury o rótulo de “criminoso”, uma vez que ele, hoje dirigente do PTB em São Paulo, não foi condenado num caso criminal.
Fakhoury, de fato, era alvo de inquéritos no STF à época da publicação, removida em 48h pelo próprio ex-parlamentar. Ele, no entanto, não se tornou réu nos dois casos, que tratam sobre atos antidemocráticos contra instituições brasileiras e disseminações de notícias falsas a respeito delas, sobretudo o próprio Supremo.
Além da indenização, Wyllys ainda precisará se retratar publicamente no prazo de cinco dias após a intimação, sob pena de ser multado em R$ 1 mil por dia de descumprimento. A defesa do petista irá recorrer
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OPINIÃO
Indicações de Lady Gaga como melhor atriz são simples vitórias do marketing
Lady Gaga em 'Casa Gucci'Imagem: Universal
CONTEÚDO EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
Roberto Sadovski
Colunista do UOL
13/12/2021 17h52
Lady Gaga virou a chave para o "modo atriz" com força com "Casa Gucci". Deu entrevistas sobre o processo, falou de sua dedicação ao papel, pesquisou e construiu sua versão da mulher que mandou matar o marido rico.
Os frutos do esforço começam a surgir, com indicações de sua performance para concorrer ao Globo de Ouro e à premiação do Critic´s Choice. Outras virão. É um sucesso. É, também, uma vitória do marketing. Puro e simples. O motivo é igualmente simples: Lady Gaga não é isso tudo como atriz.
O que não quer dizer, obviamente, que ela não tenha espaço para aprender. Mesmo antes de Lady Gaga ser... err... Lady Gaga, ela já flertava com outras expressões artísticas. Faz sentido. Sua carreira como cantora sempre apresentou o combo do vozeirão poderoso com a performance hipnótica. Ela nunca foi uma coisa só e deixou claro desde o princípio.
O FATOR MADONNA
Precisava, claro, de tempo e oportunidade. Afinal, o histórico de cantoras pop que cruzam a ponte para as artes dramáticas é, para dizer o mínimo, errático. Para cada Barbra Streisend e Cher no mundo, temos um dose de Britney Spears (eu vi "Amigas Para Sempre" e sobrevivi), Mariah Carey (ok, "Preciosa" limpou o palato depois de "Glitter", mas parou ali) e Christina Aguilera ("Burlesque" é dose).
E nem vamos falar de Madonna, que é provavelmente a artista pop mais importante da história e, ao mesmo tempo, uma das atrizes mais desastrosas de todos os tempos. "Evita" foi o ponto fora da curva em uma carreira que ela sempre era o ponto baixo até em bons filmes como "Dick Tracy", "Uma Equipe Muito Especial" e, claro, "Procura-se Susan Desesperadamente". Depois de "Sobrou Pra Você" e "Destino Insólito", ela pediu o boné e não voltou para para a frente das câmeras.
Assim como Madonna, Lady Gaga conta com a imensa simpatia de seus pares e de um carisma absurdo. Depois de mal fazer água em "Machete Mata" e em "Sin City - A Dama Fatal", ela passou a levar o novo ofício mais a sério na quinta temporada de "American Horror Story", que foi o trampolim para "Nasce Uma Estrela" em 2018. No qual ela interpreta... Lady Gaga.
GAGA VOA ALTO
A verdade é que todo mundo ficou bastante emocionado com o filme de estreia de Bradley Cooper na direção, uma conto de fadas hollywoodiano que já ganhava sua enésima refilmagem. Muito se falou do trabalho de Gaga, mas no filme ela não faz nenhum esforço dramático, deixando sua persona pop carregar o peso, que obviamente ficou nas costas de Cooper.
Mesmo assim, Ridley Scott enxergou alguma fagulha ali e a escalou para interpretar Patrizia Reggiani em "Casa Gucci", em que ela segura o forte ao lado de Adam Driver, Al Pacino, Jemery Irons e Jared Leto.
É fácil entender como, em um filme regido pelo excesso que beira a paródia, o trabalho de Lady Gaga pudesse sobressair. Ela não trata sua personagem como parte da família do Super Mario, o encanador dos games, e empresa certa dignidade a uma personagem que, francamente, não possui nenhuma.
Mas ela não vai além do básico. É como Elvis, que sempre foi um ator medíocre mas ganhava vulto na base de sua presença cênica maior que a vida. Lady Gaga por óbvio não é Elvis, mas é uma intérprete natural que facilita nossa conexão com sua personagem durante a primeira metade do filme. Quando o texto exige mais talento dramático, porém, essa fachada despenca, e somos deixados com Lady Gaga fazendo cosplay de socialite sociopata e ambiciosa.
O PODER DO MARKETING
ROBERTO SADOVSKI
OPINIÃO
Indicações de Lady Gaga como melhor atriz são simples vitórias do marketing
13/12/2021 17h52
Lady Gaga virou a chave para o "modo atriz" com força com "Casa Gucci". Deu entrevistas sobre o processo, falou de sua dedicação ao papel, pesquisou e construiu sua versão da mulher que mandou matar o marido rico.
Os frutos do esforço começam a surgir, com indicações de sua performance para concorrer ao Globo de Ouro e à premiação do Critic´s Choice. Outras virão. É um sucesso. É, também, uma vitória do marketing. Puro e simples. O motivo é igualmente simples: Lady Gaga não é isso tudo como atriz.
O que não quer dizer, obviamente, que ela não tenha espaço para aprender. Mesmo antes de Lady Gaga ser... err... Lady Gaga, ela já flertava com outras expressões artísticas. Faz sentido. Sua carreira como cantora sempre apresentou o combo do vozeirão poderoso com a performance hipnótica. Ela nunca foi uma coisa só e deixou claro desde o princípio.
O FATOR MADONNA
Precisava, claro, de tempo e oportunidade. Afinal, o histórico de cantoras pop que cruzam a ponte para as artes dramáticas é, para dizer o mínimo, errático. Para cada Barbra Streisend e Cher no mundo, temos um dose de Britney Spears (eu vi "Amigas Para Sempre" e sobrevivi), Mariah Carey (ok, "Preciosa" limpou o palato depois de "Glitter", mas parou ali) e Christina Aguilera ("Burlesque" é dose).
E nem vamos falar de Madonna, que é provavelmente a artista pop mais importante da história e, ao mesmo tempo, uma das atrizes mais desastrosas de todos os tempos. "Evita" foi o ponto fora da curva em uma carreira que ela sempre era o ponto baixo até em bons filmes como "Dick Tracy", "Uma Equipe Muito Especial" e, claro, "Procura-se Susan Desesperadamente". Depois de "Sobrou Pra Você" e "Destino Insólito", ela pediu o boné e não voltou para para a frente das câmeras.
Assim como Madonna, Lady Gaga conta com a imensa simpatia de seus pares e de um carisma absurdo. Depois de mal fazer água em "Machete Mata" e em "Sin City - A Dama Fatal", ela passou a levar o novo ofício mais a sério na quinta temporada de "American Horror Story", que foi o trampolim para "Nasce Uma Estrela" em 2018. No qual ela interpreta... Lady Gaga.
GAGA VOA ALTO
A verdade é que todo mundo ficou bastante emocionado com o filme de estreia de Bradley Cooper na direção, uma conto de fadas hollywoodiano que já ganhava sua enésima refilmagem. Muito se falou do trabalho de Gaga, mas no filme ela não faz nenhum esforço dramático, deixando sua persona pop carregar o peso, que obviamente ficou nas costas de Cooper.
Mesmo assim, Ridley Scott enxergou alguma fagulha ali e a escalou para interpretar Patrizia Reggiani em "Casa Gucci", em que ela segura o forte ao lado de Adam Driver, Al Pacino, Jemery Irons e Jared Leto.
É fácil entender como, em um filme regido pelo excesso que beira a paródia, o trabalho de Lady Gaga pudesse sobressair. Ela não trata sua personagem como parte da família do Super Mario, o encanador dos games, e empresa certa dignidade a uma personagem que, francamente, não possui nenhuma.
Mas ela não vai além do básico. É como Elvis, que sempre foi um ator medíocre mas ganhava vulto na base de sua presença cênica maior que a vida. Lady Gaga por óbvio não é Elvis, mas é uma intérprete natural que facilita nossa conexão com sua personagem durante a primeira metade do filme. Quando o texto exige mais talento dramático, porém, essa fachada despenca, e somos deixados com Lady Gaga fazendo cosplay de socialite sociopata e ambiciosa.
O PODER DO MARKETING
A indústria do cinema, porém, é também regida por marketing. A temporada das premiações, especialmente nestes tempos em que o medo do Covid começa a esmorecer, é importante para lembrar ao público o quanto a experiência do cinema é bacana. Para isso, ancorar-se em nomes conhecidos é uma boa política.
Assim, Lady Gaga chegou à lista de indicadas ào prêmio de melhor atriz no Globo de Ouro (que não quer dizer muita coisa). E também garantiu espaço na seleção do Critic´s Choice (que já tem mais peso). Não será surprendente uma vaga no SAG Awards (o prêmio dos atores) e até no Oscar.
Mas acho que estará de bom tamanho. Para que ela tenha seu trabalho mediano premiado, Lady Gaga terá de bater atrizes (de verdade) como Olivia Colman ("A Filha Perdida"), Kristen Stewart ("Spencer"), Nicole Kidman ("Being the Ricardos") e Jessica Chastain ("Os Olhos de Tammy Faye").
Impossível? Jamais. Improvável? Com certeza. Do lado de cá, estaremos de olho. Torcendo para que Lady Gaga some umas aulinhas de interpretação à sua agenda certamente lotada.
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Globo demite veteranos Renato Machado, Francisco José e Isabela Assumpção
Celetistas, Machado e José tinham mais de 40 anos de emissora e atuavam nos últimos tempos no jornalístico Globo Repórter
Agenda do Poder - Os jornalistas Isabela Assumpção, Francisco José e Renato Machado foram demitidos pela Globo. A decisão se deve à nova política da empresa, que tem renovado seu quadro de funcionários e dispensado repórteres mais experientes.
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Celetistas, Machado e José tinham mais de 40 anos de emissora e atuavam nos últimos tempos no jornalístico Globo Repórter.
Diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel enviou e-mail para se despedir dos antigos colegas. Ele elogiou o profissionalismo de ambos e contou que os dois ainda têm trabalhos para serem exibidos, principalmente no Globo Repórter, no qual atuavam prioritariamente. Francisco José havia acabado de voltar de férias.
_________________________________________________Porque a “Noivinha do Aristides” pode ser o prego que falta no caixão da campanha de Bolsonaro - Rogério Maestri
Por Rogério Maestri 29 de novembro de 2021, 21:17
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Ofensas jogadas contra candidatos em campanhas eleitorais é mais comum do que os famosos “santinhos” dos candidatos. Desde que existiu competição entre reis, candidatos a quaisquer cargo em regimes absolutistas ou democráticos as calúnias e difamações são constantes e utilizadas como arma entre adversários do poder, logo a história que segundo alguns foi contada pelo falecido ministro da ditadura e desafeto de Bolsonaro, sobre uma possível ligação homoafetiva entre ele e seu instrutor de judô na AMAN, o sargento Aristides, poderia ser mais um elemento na biografia do atual ocupante da presidência da república sem nenhuma relevância e que cairia no esquecimento em pouco tempo, entretanto quis a história que o próprio caluniado desse força ao boato e criando uma narrativa que pode constituir um prego no caixão de sua campanha.
Vamos aos fatos e a possíveis desdobramento dos mesmos, o primeiro fato é que Bolsonaro para pousar de popular na sua campanha eleitoral em andamento, foi até a beira de uma estrada para receber cumprimentos e desaforos dos que passavam, digo cumprimentos e agrego desaforos, pois no início de uma campanha eleitoral se espera que estatisticamente dentre os passantes de uma estrada o candidato receba manifestações de admiradores extremamente leais e ao mesmo tempo outras pessoas que tem uma imagem exatamente ao inverso dos seus admiradores, logo o normal é receber vivas e congratulações como também reprimendas e palavrões. No momento em que um membro do executivo ou legislativo que esteja no exercício do cargo, mas em campanha eleitoral, ele não está como vereador ou presidente da República, é outro ser, o candidato, logo o normal é que seja tratado conforme os humores dos eleitores, pois desses que depende a sua reeleição.
Qualquer candidato a qualquer cargo tem que se portar como dizia o saudoso Leonel Brizola: “O bom candidato, em comício, dá aparte até para bêbado”, em resumo, quem sai na chuva é para se molhar, logo receber elogios e insultos em espaços públicos faz parte da vida de qualquer político. Mas Bolsonaro além de quebrar essa regra de ouro da política, cometeu um erro mais grave. Ficou ofendido e usou a prerrogativa da presidência para mandar prender uma senhora que o ofendeu com algo que lhe deve ter calado fundo, a pecha de “Noivinha do Aristides”. Geralmente uma insinuação como essa tem o sentido de insinuar que a pessoa teve uma ligação homoafetiva com alguém, no caso um fulano chamado Aristides. Se Aristides fosse um nome genérico como Mário ou outro, não haveria maiores problemas, porém a história vem de fatos mais distantes e com uma narrativa mais concreta.
Há décadas no passado, existia um sargento na AMAN chamado Aristides que foi instrutor de judô de Bolsonaro, até aí nada de mal, poderia ser uma mera coincidência, apesar de Aristides ser um nome nada usual, mas passaria despercebido por todos que escutassem. Porém ao lerem a notícia algumas pessoas com melhor memória lembraram de uma frase proferida por um ex-ministro da educação do tempo da ditadura, o Tenente Coronel Jarbas Passarinho que numa entrevista resgatada por alguém, teria supostamente pronunciado a seguinte declaração: “Aristides era o sargento em cuja cama o então tenente (Bolsonaro) ia chorar as mágoas, nas noites quentes de verão dos aquartelados”, ou seja, uma insinuação direta que Bolsonaro mantinha relações homoafetivas com o Sargento Aristides. Já aqui a narrativa ganha corpo, pois Jarbas Passarinho na época que pronunciou essas palavras era uma figura notável da época da ditadura militar que ocupara cargos importantes como governador do Estado do Pará, ministro do trabalho, da educação, da previdência social e da justiça, além de presidente do Senado Federal. Jarbas Passarinho faleceu em 5 de junho de 2016, aos 96 anos e provavelmente essas declarações foram feitas bem antes de Bolsonaro se candidatar à presidência da República lá por 2011, logo foram feitas mais por um desafeto pessoal do que por objetivo político.
Porém para desgraça de Bolsonaro as coisas não terminam por aí, a desconhecida senhora que mostrou seu descontentamento com ele tem em torno de trinta anos, ou seja, quando Bolsonaro saiu do exército em 1988 ou era um bebê ou nem tinha nascido, logo esse assunto de alcova teria lhe sido transmitido por alguém mais velho ou é uma história conhecida na AMAN, assim sendo se o processo for levado adiante ela terá que utilizar testemunhas para se defender, aumentando o círculo de confusão.
Além de tudo isso, o mais notável que depois de Bolsonaro ter perdido a popularidade ele deve ter sofrido um monte de injúrias e somente pela primeira vez que ele usa seus atributos de presidente da república para contestá-las exatamente a partir da "ofensa" de “Noivinha do Aristides”, muito sintomático.
Resumindo: Para alguém que tem um comportamento homofóbico e seus adeptos mais leais apresentam a mesma masculinidade tóxica, as revelações já ocorridas como outras que começam a despontar (como o caso com Rita Lee, onde ela também questiona a masculinidade de Bolsonaro) podem virar num torvelinho que pode afundar ainda mais a queda de popularidade dele. O futuro dirá.
_________________________________________________Bolsonaro deu ordem direta para prisão de mulher que o chamou de “noivinha do Aristides”
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247 - A ordem de abordagem que resultou na prisão arbitrária de uma mulher que protestou contra Jair Bolsonaro, no município de Resende, no Rio de Janeiro, partiu do próprio ocupante do Palácio do Planalto. De acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, a informação consta do Boletim de Ocorrência registrado pelos agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que integravam a escolta oficial.
No B.O. os policiais afirmaram que Bolsonaro estava na rodovia por volta de 9h da manhã do último domingo (29) quando a mulher, que estava no banco do passageiro de um carro, o viu acenando para os motoristas e o xingou. Os agentes também afirmaram que a abordagem do veículo foi feita "mediante determinação do próprio sr. Presidente" após a mulher ter gritado “palavras de calão direcionadas a ele, mais especificamente berrou ‘Bolsonaro filho da p..., em atitude de tamanho desrespeito." A mulher proferiu contra Bolsonaro também um insulto homofóbico, chamando-o de "noivinha de Aristides", que foi seu instrutor de judô no Exército.
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A mulher então foi enquadrada nas "devidas cominações legais”, e que os demais ocupantes do veículo foram “qualificados”. "Diante das informações obtidas, foi constatada, em princípio, ocorrência de injúria com causa de aumento de um terço na pena por ter sido cometida contra o Sr. Presidente da República", destaca o B.O.
Ela foi levada para a delegacia da Polícia Federal de Volta Redonda e liberada após prestar depoimento e se comprometer a comparecer perante à Justiça.
_________________________________________________Carta Capital nega morte de Coronel Siqueira, mas contas são apagadas
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247 - Uma das contas mais famosas das redes sociais, o Coronel Siqueira, um personagem fictício para ironizar as posições da extrema direita, saiu do ar, nesta segunda-feira, 29, após polêmica sobre a morte do suposto criador do perfil. As contas saíram do ar no Twitter e no Instagram.
Mais cedo, o Diário do Centro do Mundo informou a morte do advogado e mestre em geologia Sergio Vicente Liotte. Segundo o site, ele seria o criador da conta nas redes sociais.
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Em transmissão vivo na noite desta segunda-feira, Patrícia Liotte, viúva de Sergio Vicente Liotte, afirmou que a conta era compartilhada com outras pessoas e que ela havia sido invadida. Para a viúva, o perfil estava divulgando mentiras ao negar a informação do portal. “Ele estava internado há alguns dias e estava bem, mas o quadro teve uma piora”, disse Patrícia.
Segundo Patrícia, a conta continuou aberta após a morte do suposto criador porque “agora o Siqueira está mais democrático. Quem está postando mais é um pessoal de Porto Alegre. Eu estou com pouco tempo. Estou com minha mãe internada, caso grave”.
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Ela ainda disse que “o rosto do Siqueira era o do meu tio, comunista doente, falecido em 2018 quando essa Bozo já tinha sido eleito. Tributo a um assistente social que trabalhou por 40 anos em creches municipais de SP”.
Outro lado
No entanto, a Carta Capital, onde o Coronel era colunista, publicou artigo afirmando que o suposto criador da conta, na verdade, não morreu.
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“Em conversa com Carta Capital, a pessoa por trás do perfil diz ter sido pega de surpresa com a história. E que sequer conhecer o homem apontado como criador do personagem. ‘Não tenho a menor ideia do que aconteceu. O cara que morreu deve ter dito que era o coronel e acreditaram’”, diz o artigo.
“Ainda segundo a postagem do DCM, Liotte teria compartilhado a gestão dos perfis com outras pessoas. Daí a explicação para o volume de postagens. O Siqueira em vida nega. ‘Sou só eu, sempre fui uma pessoa só.’ E ironiza: ‘Estão tentando me convencer seriamente de que eu não sou eu’”, continua.
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“Há mais pontas soltas. Ao DCM, a viúva de Liotte disse que o rosto do personagem seria de um tio, morto em 2018. ‘O rosto do Siqueira era o do meu tio, comunista doente, falecido em 2018 quando essa Bozo já tinha sido eleito. Tributo a um assistente social que trabalhou por 40 anos em creches municipais de SP’. Não é verdade. O rosto do Coronel Siqueira foi gerado no This Person Does Not Exist, um site que, como o nome já diz, gera rostos humanos que não existem por meio de inteligência artificial”, conclui.
_________________________________________________Morre aos 41 anos Virgil Abloh, estilista da Louis Vuitton
Ele também tinha uma marca própria, a Off-White
Virgil Abloh Foto: REUTERS
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Virgil Abloh, mente criativa por trás das coleções de roupas masculinas da Louis Vuitton, morreu neste domingo em decorrência de um câncer, aos 41 anos. Em comunicado oficial, a maison francesa disse que o estilista americano lutava contra a doença há anos.
"Virgil não era apenas um designer gênio, um visionário, ele também era um homem com uma bela alma e grande sabedoria", disse o Bernard Arnault, presidente e diretor-executivo do conglomerado LVMH, do qual a marca faz parte.
Virgil Abloh Foto: Getty Images for Ketel One
O estilista estava na Vuitotn desde março de 2018 e atuava como DJ e artista visual. Sua chegada ao grupo de luxo marcou o casamento entre o streetwear e a moda high-end, misturando tênis e calças camufladas com ternos sob medida e vestidos de noite. Suas influências incluem a arte do graffiti, o hip-hop e a cultura do skate. O estilo foi abraçado pelo LVMH na tentativa de dar novo fôlego a algumas marcas e atrair clientes mais jovens.
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Em julho deste ano, o conglomerado expandiu sua função, dando-lhe um mandato para lançar novas marcas e fazer parceria com as existentes em uma variedade de setores além da moda. O LVMH também comprou uma participação de 60% na marca Off-White, a etiqueta própria de Abloh.
O estilista baseou-se em mensagens de inclusão e fluidez de gênero para expandir a popularidade da Louis Vuitton, tecendo temas de identidade racial em seus desfiles com apresentações de poesia e instalações de arte.
"Virgil Abloh era a essência da criatividade moderna", disse um post no Instagram de Alexandre Arnault, um dos filhos de Bernard Arnault e vice-presidente executivo de produto e comunicações da joalheria americana Tiffany, que o LVMH comprou este ano.
Brasileiro que ganhou R$5,6 milhões no OnlyFans fala sobre affair com Pabllo Vittar
Conhecido por suas produções eróticas, Diego Barros marcou recorde no OnlyFans ao se tornar o primeiro influencer homem da plataforma a faturar US$1 milhão, cerca de R$5,6 milhões, em apenas oito meses
O brasileiro Diego Barros, de Araçatuba (SP), vive em Londres há mais de 10 anos e, recentemente, marcou um recorde no OnlyFans. Conhecido por suas produções eróticas, Diego é o primeiro influencer homem da plataforma a faturar US$1 milhão, cerca de R$5,6 milhões, em apenas oito meses. Em entrevista à coluna Splash, do site Uol, o rapaz falou sobre essa conquista e um relacionamento no passado com Pabllo Vittar.
(Foto: Reprodução)
A assinatura do perfil do rapaz sai por cerca de R$84,00 mensais e dá acesso às fotos e vídeos íntimos de Diego. “Tinha a meta de conseguir o milhão, mas veio muito antes do que pensava. Já mato a vontade de todo mundo fazendo vídeos solo. Eu uso brinquedinhos, masturbadores. Está fazendo sucesso! Muitos amigos já falaram que existe um mistério ao me ver sozinho, um gostinho de quero mais”, disse o influencer ao Splash.
Diego foi para Londres depois de largar duas faculdades no Brasil e seguir a sugestão dos pais. Na época, o rapaz viajou com a então namorada, mas já sabia que era gay. “Eu sempre fui a ovelha negra da família. Sempre gostei de dançar, viajar, ficar dias fora. Minha família é mais tradicional, e aqui [na Inglaterra] as pessoas têm a cabeça mais aberta”, explica. Foi só na Inglaterra que ele conseguiu explorar sua sexualidade e viver as primeiras experiências ao lado de outros homens.
(Foto: Reprodução)
O sucesso começou com vídeos sensuais compartilhados no Twitter e no Instagram há cerca de cinco anos. Com a chegada da pandemia, o OnlyFans se tornou uma importante fonte de renda para ele, já que Diego trabalhava como dançarino striper. “No começo, eu só dançava nos shows. No máximo, aparecia de cueca molhada. Agora, já apareço fantasiado, passo óleo no corpo, tem ereção. Uma hora antes da apresentação, tomamos um Viagra para ajudar. Usar um anel peniano ajuda bastante também”, revela. Sobre a reação da família após descobrir sobre os vídeos que Diego comercializava, ele disse: “Meus pais são fãs número um. Eles dizem: ‘faça o que quiser, desde que não mate, não roube, não faça mal para ninguém.’ Hoje, eles percebem que dá dinheiro e que eu me sustento”.
(Foto: Reprodução)
Relação com Pabllo Vittar
Em entrevista ao Splash, Diego comentou sobre sua relação com Pabllo Vittar. O influencer teve a chance de conhecer melhor a artista antes da pandemia. Apesar de não entrar em detalhes sobre o affair, ele é só elogios sobre a cantora.
Pabllo Vittar e Diego Barros (Foto: Reprodução)
O influencer também entregou em entrevista que já se envolveu com outras celebridades, especialmente atores de Hollywood – mas a identidade ele não revela. “A Pabllo é incrível, uma pessoa ótima! Foi muito legal estar perto dela, muito gostoso. O resto, você já sabe…”, brinca Diego.
Sobre o assédio do público após assumir sua sexualidade nas redes sociais, ele pontua: “Eu gosto de pegação, mas tem lugar e momento. Se eu vejo um cara bonito na academia, não vou levar ele para o banheiro. Sou brasileiro, moro fora, gosto de homem, é como se tivesse uma etiqueta de que sou garoto de programa. Acham que brasileiro é fácil de comprar”, lamenta ao Splash.
__________________________________________________"Chocando ZERO pessoas"
Quem é Marco Calvani, namorado de Marco Pigossi
“Chocando zero pessoas”
Mesmo não sendo muito conhecido no Brasil, Marco Calvani faz muito sucesso no exterior como dramaturgo, ator e diretor de cinema
Marco Calvani (40) nasceu no dia 11 de dezembro de 1980 e é um dramaturgo, diretor, cineasta, tradutor e ator italiano. Ele é irmão mais velho do famoso ator italiano Luca Calvani. Sua estreia como dramaturgo foi em 2002 com o espetáculo “Quasi”, uma encomenda do Fórum Social Europeu.
“Strong Hands” foi sua primeira peça a ser traduzida para vários idiomas, recebendo grande aclamação popular por toda a Europa. Depois vieram várias outras, mas foi com “The City Beneath” que Calvani chegou a Nova York.
Em 2011, o diretor obteve residência na Cité Internationale des arts de Paris e foi convidado pelo Théâtre de la Ville para representar a Itália em um projeto de roteiro. No mesmo ano, conquistou o Prêmio Siae como melhor dramaturgo no Festival do Spoleto.
Como ator, Marco ganhou destaque na série de TV “Borgia”, exibida em 2011, dando vida ao personagem Oliviero Carafa. A obra já esteve disponível na Netflix e atualmente está no streaming da Amazon Prime Video.
Em 2017, ele dirigiu o curta-metragem “The View from Up Here“, uma produção franco-estadunidense baseada em uma de suas peças de teatro. No elenco havia a presença de Melissa Leo, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2011 pela atuação em “O Vencedor”.
Reprodução
Atualmente, Calvani mora nos Estados Unidos, assim como seu namorado, Marco Pigossi, e trabalha também dando aulas de redação e atuação. Calvani também é fundador e diretor artístico do “Mixò”, um centro cultural internacional com sede em Roma que reúne jovens atores e escritores.
Calvani também é membro da “Dramatists Guild of America”, importante organização para dramaturgos, compositores, escritores e letristas que trabalham no teatro norte-americano.
Mesmo sendo muito reconhecido internacionalmente, Calvani não era tão conhecido pelo público brasileiro até recentemente, quando o ator Marco Pigossi revelou que está namorando com ele em seus stories no perfil do Instagram. “Chocando zero pessoas”, disse Pigossi, ao repostar uma imagem dos dois andando de mãos dadas em uma praia.
Ricky Martin lamenta falta de papéis: 'Não sei se é porque sou gay'
O cantor Ricky Martin Imagem: RODRIGO GARRIDO
Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro
03/06/2021 17h08
O cantor e ator porto-riquenho Ricky Martin, de 49 anos, lamentou, em entrevista à revista People, a falta de oportunidades para atuar. Martin, que ficou famoso aos 12 anos como um dos membros do grupo Menudo, disse que está esperando receber ofertas para voltar à atuação.
Não sei se não estou conseguindo papéis porque sou gay. Mas, se for esse o caso, é muito triste. Vou continuar trabalhando até que a vida seja diferente. Ricky Martin
Paizão! Ricky Martin posa com o caçula: 'Faz o que quiser comigo'
Martin afirmou tem pensando muito sobre sua carreira como ator. Ele começou a atuar nos anos 1990, ao participar da série "General Hospital", na qual interpretava o barman Miguel Morez. "Aprendi muito. Mas, honestamente, foi uma loucura", disse ele sobre o papel, que durou dois anos.
O cantor afirmou que foi difícil se conectar com o elenco da série: "Eu odiava ir lá todos os dias". Porém, apesar dos maus momentos, a oportunidade o expôs a mais públicos nos Estados Unidos e, após deixar a série, Martin se formou em uma escola de atuação onde estudaram nomes como Demi Moore e Elizabeth Taylor.
O ator ainda teve duas passagens em musicais da Broadway, estrelou "Os Miseráveis" ainda nos anos 1990 e novamente em 2012, em "Evita". Ainda em 2021, Martin fez uma participação na série "Glee", quando interpretou um professor de espanhol.
Em 2018, o ator conquistou uma indicação ao Emmy por seu papel em "The Assassination of Gianni Versace", produção de Ryan Murphy, o mesmo diretor de Glee. Após a indicação, Martin esperava receber mais ofertas para papéis de prestígio — e continua esperando.
Eu amo atuar. Estou esperando por esses roteiros, por esses ótimos roteiros. Posso interpretar gay, posso interpretar hétero, posso interpretar um serial killer. Posso tocar latim, mas também posso interpretar europeu. Estou pronto. Basta dar para mim. Ricky Martin
"Eu só quero explorar qualquer coisa que tenha a ver com atuação. Eu amo teatro também", disse o ator. "Quero contar uma história. É isso que eu quero. Quero contar uma história importante e quero mudar a maneira como as pessoas veem a vida em geral de uma forma mais otimista", acrescentou.
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