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Rua da Carioca com Praça Tiradentes, todas as lojas fecharam as portas Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Rua da Carioca com Praça Tiradentes, todas as lojas fecharam as portas Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
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_________________________________________________Opinião: Mauricio Stycer - Editorial e omissão: como a TV reagiu ao ataque de Bolsonaro à vacinação

William Bonner e Renata Vasconcellos leem editorial no JN cobrando Bolsonaro "por todas as consequências daquilo que faz e diz" Imagem: Reprodução

Conteúdo exclusivo para assinantes

Mauricio Stycer

Colunista do UOL

06/01/2022 21h54

Como tem ocorrido com frequência nestes últimos anos, as principais emissoras de TV aberta no país reagiram de forma muito diferente a um gesto agressivo do presidente Jair Bolsonaro.

A nova crítica de Bolsonaro à vacinação infantil ("você tem conhecimento de uma criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de covid? Eu não tenho") e o ataque à Anvisa ("virou outro poder, é dona da verdade") mereceram um editorial da Globo, críticas da Band, notícia no SBT e silêncio na Record.

Record TV promove dança das cadeiras no comando do jornalismo

Além de um vasto noticiário a respeito, com críticas ao gesto do presidente, o "Jornal Nacional" reproduziu um longo e contundente editorial da Globo (veja abaixo), cobrando a responsabilidade do mandatário: "O presidente Jair Bolsonaro é responsável pelo que diz, pelo que faz. Espera-se que venha também a ser responsável por todas as consequências daquilo que faz e diz".

Eduardo Oinegue, âncora do "Jornal da Band", citou os questionamentos de Bolsonaro à vacinação e à Anvisa e disse: "Além da Anvisa, que tem demonstrado um comportamento irretocável desde o início da pandemia, outras agências estrangeiras, respeitadas pela seriedade do trabalho, também recomendam a vacinação de crianças, entre elas a europeia e a americana"

O "SBT Brasil registrou: "O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a vacinação de crianças com idade de 5 a 11 anos contra a covid. A vacinação para esta faixa etária foi aprovada pela Anvisa em dezembro". E exibiu um curto trecho da fala presidencial.

Já o "Jornal da Record" apresentou um farto noticiário sobre a vacinação infantil, apenas com depoimentos e dados que reafirmam a necessidade desse procedimento. O telejornal não mencionou, porém, a fala de Bolsonaro. É a forma que a Record encontrou para se manifestar a favor da vida, mas sem criticar o presidente.


_________________________________________________Mergulhador encontra corpo com pedras na cintura no fundo de canal na Barra da Tijuca

Cadáver de Felipe de Jesus Gomes, de 28 anos, foi levado para o Instituto Médico-Legal (IML), onde peritos constataram que ele foi vítima de afogamento
O Canal da Barra da Tijuca, onde o corpo de Felipe de Jesus Gomes foi localizado por um mergulhador Foto: Reprodução
O Canal da Barra da Tijuca, onde o corpo de Felipe de Jesus Gomes foi localizado por um mergulhador Foto: Reprodução

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RIO - Policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca) investigam as circunstâncias da morte de um homem de 28 anos, cujo corpo foi encontrado no fundo do canal do bairro, próximo ao entroncamento das lagoas e do Quebra-Mar da praia e embaixo da Ponte da Joatinga. O cadáver de Felipe de Jesus Gomes foi localizado por um mergulhador, na tarde de 29 de dezembro, e estava com pedras amarradas na cintura. Policiais militares do 31º BPM, que passavam pelo local, foram acionados e chamaram uma equipe do Corpo de Bombeiros, que conseguiu tirar a vítima da água e leva-la para o Instituto Médico-Legal (IML) onde peritos constataram a morte asfixia mecânica provocada pelo afogamento.

De acordo com o delegado Leandro Gontijo, titular da 16ª DP, o corpo não tinha sinais aparentes de violência, mas um inquérito foi aberto para apurar o caso. Como Felipe estava sem documentos, ele só pôde ser identificado por meio de um exame de perícia necropapiloscópica, que analisou as impressões digitais do rapaz.

Felipe de Jesus Gomes, que foi encontrado morto na Barra da Tijuca Foto: Reprodução
Felipe de Jesus Gomes, que foi encontrado morto na Barra da Tijuca Foto: Reprodução

Em vídeos publicados nas redes sociais, o mergulhador mostrou o momento em que encontrou o corpo, por volta de 14h do dia 29. “Você vem dar uma mergulhada no Rio de Janeiro, matar um peixe, mas você vai e acha um cabra morto” e “Rio de Janeiro não é brinquedo não. Vou lá ver se acho algum guarda, algum bombeiro, alguma fita”, diz o homem. Em outras imagens, aparece o momento em que o corpo é resgatado por cordas.

_________________________________________________Brasileiro rouba identidade e trabalha como comissário por 23 anos nos EUA

Imagem: United Airlines Do UOL, em São Paulo 04/01/2022 16h13

Um brasileiro roubou a identidade de uma criança americana falecida e conseguiu enganar as autoridades para que lhe emitissem um passaporte de forma adulterada, noticiou ontem (3) o site Business Insider. Com o documento, ele foi comissário de bordo da United Airlines por 23 anos, sem seguir regras de imigração dos aeroportos, dizem os promotores.

Em uma denúncia apresentada na Justiça dos EUA, investigadores acusaram Ricardo Cesar Guedes de roubo de identidade de William Ericson Ladd, um americano que nasceu em 1974 e morreu em 1979, em um acidente de carro, um mês antes de completar 5 anos. Guedes teria encurtado o nome para Eric Ladd e usado a identidade roubada para trabalhar ilegalmente no país.

Policial é chamada para ocorrência e descobre que vítima era seu filho

Os investigadores alegam que Guedes nasceu em São Paulo em 1972, mas assumiu a identidade de Ladd em 1998, quando se candidatou com sucesso a um passaporte americano usando o nome do falecido. Desde então, Guedes renovou o passaporte seis vezes. Em dezembro de 2020, o Departamento de Estado se deparou com "vários indicadores de fraude".

Uma investigação criminal foi iniciada e os agentes puderam rastrear a identidade de Guedes até o Brasil pelas impressões digitais que ele apresentou para seus documentos na década de 1990.

Documentos judiciais afirmam que autoridades americanas compararam essas impressões digitais com as que Guedes apresentou para verificação de seus antecedentes para trabalhar na United e confirmou que elas eram iguais.

O brasileiro foi acusado de fornecer declaração falsa em pedido de passaporte, falsamente se passar por um cidadão americano e entrar na área restrita do aeroporto sob falsos pretextos, afirma a denúncia.

A última acusação foi feita porque os privilégios de Guedes como comissário de bordo dos EUA permitiam que ele contornasse a maioria das verificações de segurança com seu status de membro de tripulação.

Agentes prenderam Guedes no aeroporto após vê-lo embarcar em um voo segurando um telefone que dizia "iPhone de Eric" na tela. Um advogado que representa Guedes não quis comentar o caso.

Em nota, a United disse que Guedes não era mais empregado da companhia aérea. "A United tem um processo de verificação completo para novos funcionários que está em conformidade com os requisitos legais federais", afirmou a companhia.


_________________________________________________23/09/2021

Eco Sapucaí, ‘elefante branco’ no Centro do Rio, consegue 1º locatário seis anos após construção | Capital - O Globo

Por Rennan Setti 23/09/2021 • 17:15

Reprodução

Maior “elefante branco” do mercado imobiliário carioca, o Eco Sapucaí começa a desencantar. Após seis anos vazio — desde a inauguração, em 2015 —, o edifício construído ao lado do Sambódromo conseguiu finalmente encontrar seu primeiro locatário, disseram fontes à coluna. 

A companhia de óleo e gás franco-americana TechnipFMC alugou 6 mil metros quadrados no edifício, segundo uma das fontes, e deve entrar no prédio dentro de alguns meses. O contrato representa um alívio, mas não resolve os problemas do empreendimento: ainda falta encontrar interessados em ocupar os 83 mil metros quadrados ainda vagos no prédio.

Imóvel “triplo A” com projeto de Oscar Niemeyer, o Eco Sapucaí ocupa terreno da antiga fábrica da Brahma e pertence ao GIC, fundo soberano de Cingapura. Nos últimos anos, tanto o governo do Estado (à época do governador Luiz Fernando Pezão) como a prefeitura do Rio (gestão Marcelo Crivella) cogitaram mudar a máquina pública para lá, mas os planos não avançaram. 

O imóvel tem 19 andares, 34 elevadores e 1065 vagas de garagem.

_________________________________________________CRISE

O Peixe Urbano, um ano depois do afogamento

Por Rennan Setti 03/01/2022 • 12:00

O ano terminou, e o Peixe Urbano, que fechou as portas de uma hora pra outra em janeiro, não pagou um centavo a ninguém até agora.

Deve mais de R$ 50 milhões a 280 empregados e uma multidão de clientes e estabelecimentos comerciais.

_________________________________________________'Eu achei que iria morrer', diz rapaz negro agredido dentro do próprio carro por moradores de seu prédio, no Maranhão

3 de janeiro de 2022, 09:30

247 - Os roxos e cortes no rosto e no pescoço não foram as únicas marcas que ficaram em Gabriel da Silva Nascimento, de 23 anos, que foi agredido dentro do próprio carro, em frente de casa, em Açailândia, no Maranhão. Ele também acabou se mudando do imóvel, três dias depois do crime, porque ele pertence à família da mulher que o agrediu junto com um homem. A reportagem é do Fantástico, reproduzida no portal G1. 

Os autores das agressões são o empresário Jhonnatan Silva Barbosa e a dentista Ana Paula Vidal, que também moram no prédio. Eles mandam o jovem sair do veículo e começam as agressões, que foram registradas em vídeo. Gabriel é derrubado, sofre chutes, pisões, tapas e Ana Paula põe os joelhos na sua barriga, enquanto Jhonnatan pisa em seu pescoço. A sessão de espancamento só param quando um vizinho avisa que a vítima é moradora do prédio e dono do carro de onde foi retirado.

Jhonnatan Silva Barbosa, o agressor, já foi condenado pela Justiça por ter atropelado e matado um senhor de 54 anos, em 2013. Ele foi condenado a 2 anos e 8 meses de prisão, que foram convertidos em serviços comunitários e multa de um terço de um salário mínimo. O Fantástico encontrou Jhonnatan, mas a pessoa que se identificou como tio dele informou que o sobrinho não daria entrevista. Em nota, Ana Paula Vidal, também agressora, pediu desculpas e disse que não teve uma atitude racista.

Para o advogado de Gabriel, o racismo é evidente: "Foi um caso de racismo. Muitas vezes se busca, para a caracterização de um episódio claro de racismo, a verbalização, a utilização de palavras que denotem o preconceito racial, mas isso não é o padrão brasileiro, baseado em racismo estrutural", defende o advogado Marlon Reis.

Gabriel havia comprado o carro há 2 meses. Ele se mudou do prédio que morava porque ele pertence à família de Ana Paula. Com medo, ele teve acompanhamento da polícia para retirar seus pertences de lá.

Foi aqui que eu achei que iria morrer. É no momento que ele sobe em cima de mim, junto com ela, com os joelhos... Ali é sufocante, porque ela manda ele me imobilizar, pisando no meu pescoço. Eu me senti sem ar.


_________________________________________________Violência obstétrica atinge cerca de 45% das mulheres na rede pública brasileira; vítimas perdem bebês e ficam com lesões


Na rede particular, índice é de 30%, segundo estudo da Fiocruz. Assunto repercutiu nas últimas semanas, depois que a influenciadora Shantal Verdelho acusou o ginecologista Renato Kalil de maus-tratos durante seu parto

Raquel Afonso só foi para a sala de cirurgia depois de três horas com pontadas lancinantes no útero Foto: Eduardo Valente / Agência O GLOBO

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SÃO PAULO — Em agosto do último ano, a confeiteira Raquel Afonso, de 39 anos, chegou a uma maternidade pública de Florianópolis com 41 semanas de uma gravidez sem sobressaltos. Ela foi internada e levada para o “sorinho” — na verdade, ocitocina sintética na veia para acelerar o parto, que pode causar complicações graves — e seu companheiro não pôde acompanhá-la, direito assegurado por lei. Pouco depois, a bolsa rompeu dando início a dores lancinantes que foram ignoradas e só terminariam, três horas depois, numa cesárea de emergência no centro cirúrgico. O sofrimento que a marcaria para toda a vida viria logo em seguida: Melissa, a bebê saudável de 3.660Kg que carregava, nasceu morta.

Raquel tem o nome da filha tatuado em um dos braços.

— Quando o útero rompe, precisa tirar o bebê muito rápido. Se eles tivessem me olhado, me dado atenção, minha filha poderia estar nos meus braços — lamenta Raquel. — Depois de tudo que passei, meu marido ouviu do médico que, como não era meu primeiro filho, eu não iria sofrer tanto.

O termo violência obstétrica ganhou notoriedade nas últimas semanas, depois que a influenciadora Shantal Verdelho acusou o ginecologista Renato Kalil de maus-tratos durante seu parto em uma maternidade particular na capital paulista. Na rede pública, as gestantes estão ainda mais suscetíveis, de acordo com a mais ampla pesquisa já feita sobre o tema. O levantamento Nascer no Brasil, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de 2012, mostra que 30% das mulheres atendidas em hospitais privados sofrem violência obstétrica, enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) a taxa é de 45%. Em casos extremos, como o de Raquel, as violações podem resultar até em morte da mãe ou do bebê.

— Não se trata de disputar quem sofre mais, mas as mulheres mais vulneráveis à violência obstétrica são as pobres, pretas, pardas, periféricas, LGBTs. Nossa sociedade e os serviços públicos de saúde são elitistas, classistas e racistas — afirma a médica Melânia Amorim, professora de ginecologia e obstetrícia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Violência obstétrica é toda ação feita sem o consentimento da mulher, que desrespeite sua autonomia e cause sofrimento físico ou emocional. Pode ocorrer no pré-natal, parto, pós-parto e abortamento. Inclui a adoção de procedimentos sem evidências científicas de benefícios — como episiotomia de rotina, tricotomia e manobra de Kristeller —, além de práticas como obrigar o jejum durante o parto, proibir a paciente de se movimentar, de estar acompanhada e até xingá-la. Abrange ainda a negligência no atendimento, a discriminação racial e o abuso sexual. Frases comuns ao repertório dos abusadores são: “na hora de fazer, você não gritou” ou “você vai acabar matando seu bebê”.

Após abusos, depressão

Professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a pesquisadora Tatiana Henriques investiga as consequências da violência obstétrica para as mulheres e seus bebês. Ela integra a equipe que vai coletar novos dados para a pesquisa Nascer no Brasil. Segundo Tatiana, as vítimas sofrem mais com depressão pós-parto, deixam de procurar o serviço de saúde depois que o filho nasce e têm mais dificuldade para amamentar.

— Ainda não há evidências científicas de que o bebê nasce com o Apgar (índice de vitalidade do recém-nascido) mais baixo, vai mais para UTI ou a óbito. Mas, quando pensamos que uma das dimensões da violência obstétrica é a negligência, então não é nenhum absurdo fazer essa associação — observa Tatiana.

O parto é um ato fisiológico que requer intervenção médica somente em casos específicos. Mas a realidade é outra, sobretudo no Brasil, que é o segundo país do mundo em número de cesarianas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2018, 55,7% do total de nascimentos foram cirúrgicos, atrás apenas da República Dominicana, com 58,1%. Embora salvem vidas quando necessárias, as cesáreas também têm riscos. A recomendação do órgão é que não excedam 15% do total de partos, de modo a reduzir os índices de mortalidade da mãe e do bebê. No setor privado, a proporção de cesáreas chega a 88% dos nascimentos; no público, a 46%.

A dona de casa Michele Fernandes, de 36 anos, sonhava com um parto mais natural possível, mas foi o extremo oposto. Durante as 16 horas de trabalho de parto da primeira filha, em 2007, em Belo Horizonte, sofreu o pacote completo da violência obstétrica. À sua revelia, administraram ocitocina, deram analgesia, fizeram a manobra de Kristeller e episiotomia. Das enfermeiras e médicos, ela ouviu que “na hora de fazer, não pediu ajuda” e que “estava com frescura e fazendo corpo mole”. Proibida de comer e de andar, Michele teve depressão pós-parto e tomou remédio por três anos, até engravidar de novo. Só entendeu tudo que tinha acontecido com ela dez anos depois.

— O que mais me traumatizou foi a enfermeira subindo em mim. Doía demais. A sensação era de que ela estava com muito ódio e descontou na minha barriga — conta Michele. — Só recentemente percebi que não tive um parto. É como se tivessem roubado um momento único meu.

Humilhação e abandono

Uma face menos exposta da violência obstétrica, mas não menos grave, é a de mulheres que sofreram aborto. Grávida de 22 semanas e com a bolsa rompida, a vigilante Paula Vasconcelos, de 25 anos, deu entrada num hospital público de São Paulo em outubro passado. Na recepção, esperou 40 minutos para ser chamada enquanto ouvia conversa alta e risadas vindas da sala onde seria atendida. Quando chegou à sala de cirurgia, já não havia tempo para analgesia, e Matheus nasceu com 500 gramas. Paula permaneceu mais de três horas na mesma maca suja de sangue, onde se urinou duas vezes, sem assistência. Soube da morte do filho quando uma médica entrou e perguntou, com o verbo no passado, como ele “iria” se chamar.

—Não foram minimamente humanos — lembra.

Faltam estatísticas no Brasil. A procuradora Bruna Menezes, do Ministério Público Federal, coordenou um comitê pioneiro de enfrentamento à violência obstétrica no Amazonas e afirma que quase a totalidade de cerca de 150 casos investigados em sete anos foi arquivada pelo Conselho Regional de Medicina, sem análises aprofundadas e com base na palavra do profissional de saúde. Na Justiça, houve algumas condenações que somaram mais de R$ 1 milhão em indenizações contra o Estado.

Em nota, o CRM do Amazonas rechaçou as acusações e afirmou que todas as denúncias seguem o rito determinado pelo Código de Processo Ético-Profissional.

Depois de perder a filha, ter o útero retirado e quase morrer, Raquel só quer Justiça. O caso ainda é investigado pelo Ministério Público:

— Do mesmo jeito que vou carregar isso para o resto da vida, quero que eles saibam que foram os responsáveis pelo que aconteceu com a minha filha. Essa é a punição que desejo.

Principais práticas condenadas na hora do partoEpisiotomia

Corte no períneo, grupo de músculos entre o ânus e a vagina que sustenta os órgãos pélvicos, feito sob o argumento de que facilita a saída do bebê. Pode levar a lacerações graves e à disfunção do assoalho pélvico.

Ocitocina sintética

Conhecida como “sorinho”, é administrada para acelerar o trabalho de parto, mas pode gerar complicações, como alterar batimentos cardíacos do bebê, hemorragia e ruptura do útero.

Manobra de Kristeller

O profissional de saúde pressiona o útero da gestante com as mãos para forçar a saída do bebê. Pode levar à ruptura uterina, fratura de costelas, dano ao esfíncter anal e traumatismo craniano no feto.

Litotomia

Conhecida como posição ginecológica, a mulher fica deitada e com as pernas flexionadas — forma como a maioria das mulheres têm parto vaginal no Brasil, embora contraindicada. Posições mais verticais, com a mãe ajoelhada, sentada ou de cócoras, são mais eficazes.

Tricotomia

Depilação da vulva e do períneo, com o objetivo de higienizar a região e facilitar a sutura. Não é recomendada pela OMS e pode aumentar risco de infecções.


_________________________________________________Receita Federal no plano de demolição | Míriam Leitão - O Globo

Por Míriam Leitão 26/12/2021 • 04:30

O clima na Receita Federal era, na véspera do Natal, de “indignação coletiva”, na definição de uma fonte. “Essa é a maior crise da história”, completou. Mas o que acontece lá não é fato isolado. O governo Bolsonaro tem feito um ataque sistemático ao Estado usando um arsenal conhecido. Corta cabeças de lideranças com alguma autonomia, aparelha e, depois, seca recursos. Assim ele fez com Ibama, ICMbio, IPHAN, Funai, Fundação Palmares, Ministério da Educação, Ministério da Saúde.

Na Receita, o governo cortou dinheiro da manutenção da máquina para ter recursos para aumentar salários da Polícia Federal. Ela mesma, a PF, enfrentou um vistoso caso de intervenção do presidente para retirar sua autonomia e colocá-la a serviço da sua família, como o próprio presidente confessou com palavras chulas naquela famosa reunião ministerial.

Na Receita, centenas de auditores entregaram seus cargos de direção, o que deixa setores e unidades do órgão acéfalos. Além disso, 44 integrantes do CARF, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pediram exoneração. A Receita permanece ainda sem corregedor. E isso é importante para entender a crise. O antigo secretário José Tostes Neto escolheu um candidato para a corregedoria, que foi aprovado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas foi vetado pela Casa Civil. Já é humilhante ter que enviar à Casa Civil o nome de alguém do segundo escalão do Ministério. Subserviente como é, Paulo Guedes aceitou. Pior. Demitiu o secretário com uma frase esclarecedora: “O presidente quer o seu cargo”.

Nunca se explicou a demissão de José Tostes. O Ministério fez circular a informação de que ele seria adido na OCDE. Era mentira. O cargo é exclusivo de pessoal da ativa, Tostes é aposentado.

Tostes não é conhecido do público, tem horror a entrevistas, e afundou-se no silêncio. Mas um detalhe dessa demissão é curioso: o governo tem comemorado o aumento da arrecadação em 2021. Mesmo assim demitiu o secretário? Durante seu período no cargo, Tostes Neto teve três reuniões com o senador Flávio Bolsonaro ou seus advogados. Numa delas, o ex-secretário chegou até a ir à casa do senador. Tostes Neto admitiu que foi lá para “discutir a situação fiscal de pessoas físicas e jurídicas relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro”. Um espanto essa entrega a domicílio qualquer que seja. Mas o governo queria mais do que isso. E Tostes Neto teria negado.

O senador Flávio Bolsonaro mandou carta para mim, através da assessoria, negando que tenha qualquer ingerência na Receita e garante que nunca interferiu. Segundo ele, dizer que houve interferência — como eu disse e sustento — é “desrespeitoso com a maioria dos servidores da Receita”. Ora, ora, quem desrespeita a Receita não é uma jornalista e sim o cotidiano desse governo que tem como objetivo capturar os órgãos de Estado para que eles funcionem em torno dos objetivos escusos da família do presidente e dos seus amigos.

Bolsonaro é criminoso confesso em muitos casos de obstrução do trabalho dos servidores. Fez isso no IPHAN e, como ele mesmo informou, para atender ao interesse empresarial de um amigo dele, Luciano Hang. Isso é crime. Beneficiar interesses privados, usando um órgão público cuja existência ele admitiu desconhecer. Recado ao presidente: O “PH” da sigla IPHAN significa patrimônio histórico, Bolsonaro, mas certamente isso escapa ao seu entendimento raso e tosco do que seja o Estado brasileiro. Seu trabalho tem sido de demolição do Estado.

No caso da Receita, há o projeto de um bônus já aprovado e depois barrado. Mas a gota d’água foi a decisão do ministro Paulo Guedes de indicar verbas da Receita, que permitem o funcionamento do órgão, para os cortes que garantirão os quase R$ 2 bi que vão elevar o salário da Polícia Federal. Isso foi atear fogo à gasolina. O ministro fez isso e saiu de férias.

O aumento na PF é a forma de comprar lealdade dos agentes e delegados depois de o órgão ter sofrido a mais violenta intervenção. O presidente mesmo admitiu que faria isso, em meio a palavrões com os quais informou aos seus ministros que queria proteger a família e os amigos. Os órgãos ambientais, de proteção dos indígenas e de defesa da igualdade racial vivem a infâmia diária desde o começo do governo. Tudo é parte do mesmo projeto de destruição e ocupação da máquina. Da terra arrasada, o Brasil precisará se reerguer.

_________________________________________________Em últimos áudios, grávida achada morta sem o bebê no ventre em Deodoro dizia se sentir ameaçada; ouça


Em busca de proteção, jovem iria comprar imagem de Nossa Senhora do Bom Parto

Thaysa estava grávida de oito meses quando foi assassinada Foto: Reprodução

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RIO - Áudios enviados por Thaysa Campos dos Santos, de 23 anos, dias antes de ser morta, aos oito meses de gravidez, em Deodoro, na Zona Oeste do Rio, revelam que a gestante se sentia ameaçada e estava com medo de que algo acontecesse com ela e a criança. O corpo da manicure foi localizado em 10 de setembro de 2020, sete dias após seu desaparecimento, mas o bebê não estava no ventre da vítima, o que foi confirmado no exame feito no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio.

Em diálogos registrados nas redes sociais, aos quais o GLOBO teve acesso com exclusividade, Thaysa revela ainda uma tentativa feita por sua mãe, a psicopedagoga Jaqueline Campos, para que a jovem deixasse a casa que dividia com uma amiga e passasse a morar em outro endereço, junto com uma irmã. A intenção de Jaqueline seria deixar a filha mais segura na companhia de alguém da família.

As mensagens foram enviadas por Thaysa para parentes cerca de uma semana antes do crime. Numa delas, a jovem deixa claro que temia que algo acontecesse antes ou durante o parto, previsto para a partir de 20 de outubro de 2020. Numa conversa com uma parente, ela diz ter ido à igreja e ouvido uma revelação sobre coisas ruins que poderiam partir de outras pessoas.

'Minha neta não pôde ver a luz da vida':  Mãe de grávida encontrada morta pela por justiça

Em seguida, pergunta sobre a santa protetora das parturientes e fala que vai pedir uma imagem para ter proteção divina. “Deixa eu perguntar, a senhora conhece a Nossa Senhora do Bom Parto? Porque minha colega falou que era para mim (sic) comprar uma Nossa Senhora do Bom Parto”, diz Thaysa num dos áudios.

Em outra mensagem, a manicure conta que a mãe veio de Brasília e planeja um encontro para deixar uma casa, que estava fechada até então, para ela e a irmã Raysa, de 26 anos, morarem: “Tia, a minha mãe, ela chegou, entendeu? Aí, a Raysa falou que ela (a mãe) tem uma proposta pra gente. Tia, vou ter que ver, né? Vou lá amanhã, porque a Raysa falou para mim (sic) ir lá amanhã pra conversar com ela (a mãe)”. O encontro aconteceu no dia 28 de agosto, mas a jovem acabou não se mudando e permaneceu morando com uma amiga, em Deodoro. Foi de lá que Thaysa saiu na noite de 3 de setembro para pegar uma bolsa de gestante na casa de uma conhecida e desapareceu. Uma semana depois, seu corpo foi encontrado em uma valeta às margens da linha férrea.

Veja fotos de Thaysa Campos dos Santos, grávida que foi morta no ano passado

Para Jaqueline Campos, se Thaysa tivesse concordado em se mudar, o destino dela poderia ter sido outro. A psicopedagoga conta que, durante o encontro com as duas filhas, a mais velha, Raysa, teve um pressentimento ruim:

— Não sei se a gente muda o destino das pessoas, se a gente tem essa opção. Mas a gente ia tentar. Talvez se ela tivesse voltado para casa, muita coisa poderia ter sido evitada. Inclusive, se eu soubesse de algo, eu a botaria num avião e a traria para Brasília para ficar comigo. Não a queria na casa de estranhos. Ela morava com uma amiga que era conhecida. Eu não queria isso. Thaysa tinha família. Lembro que no dia 28 de agosto, quando fiz a reunião, Raysa agarrou a irmã pela cintura e falou assim: “Quero minha irmã perto de mim. O meu coração está muito apertado”. E começou a chorar. Raysa já estava com um pressentimento.

'Acho que ela era ameaçada o tempo todo'

Em um dos últimos áudios enviados pela gestante, ela convida uma tia para o seu chá de bebê, que estava previsto para ocorrer no dia 6 de setembro. Lembranças com o nome Ysabella, escolhido por Thaysa para batizar a filha que esperava, já haviam inclusive sido confeccionadas. “Tia, não esqueça o chá de bebê. É dia 6 de setembro (de 2020). O convite está na tia Jamile”, avisou a jovem na mensagem.

Quinze meses depois do crime, a psicopedagoga Jaqueline Campos ainda sofre com a angústia de não saber quem matou sua filha e onde está a criança que a jovem esperava. Para a psicopedagoga, não há dúvida que sua Thaysa vinha sendo ameaçada por alguém:

— Acho que ela era ameaçada o tempo todo. Pelos áudios, dá para notar que Thaysa estava com receio e amedrontada. Ela dizia ter ouvido coisas, como que a criança que ela esperava não nasceria. Ela tinha medo e por isso pediu para comprarmos uma Nossa Senhora do Bom Parto, achava que algo aconteceria antes ou durante o parto. Na minha opinião, minha filha foi vítima de uma emboscada.

Apesar dos 15 meses sem saber quem matou Thaysa nem onde está a criança que a jovem esperava, Jaqueline afirma ainda acreditar que a Polícia Civil vai descobrir tudo que aconteceu:

— A gente tem que se apegar a Deus. É muita demora, e eu fico muito angustiada sem saber quem matou minha filha e onde está minha neta. Temos que ter fé e esperança de que a polícia descubra o que aconteceu.

Análise do celular da vítima é feita com programa israelense

A polícia conseguiu imagens de uma câmera de segurança que mostram um homem arrastando Thaysa para as proximidades do local onde ela foi encontrada morta. O telefone celular que a vítima levava foi roubado. Dias depois, o aparelho foi recuperado numa feira de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e devolvido por agentes da Delegacia de Descoberta do Paradeiro (DDPA), então responsável pela investigação, para a família da manicure.

Em agosto, policiais da Delegacia de Homicídios da Capital, que assumiram o caso em maio, pediram o celular de volta e o encaminharam para ser analisado no Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), com auxílio de um software israelense, capaz de recuperar mensagens ou imagens apagadas em qualquer dispositivo eletrônico. O objetivo é resgatar mensagens que tenham sido apagadas no telefone e tentar saber se Thaysa foi atraída para algum tipo de armadilha ou se ela vinha recebendo ameaças de morte. O programa de computador comprado e recebido pela Polícia Civil no último dia 31 de março também foi usado nas investigações da morte do menino Henry Borel, de 4 anos.

O GLOBO teve acesso às últimas postagens feitas pela manicure numa rede social. No dia 31 de agosto de 2020, Thaysa postou uma foto onde aparece sorrindo e exibindo a barriga de oito meses de gestação. Antes, no dia 13 de julho, a manicure havia feito outra postagem fazendo com os dedos de uma das mãos o número três. O gesto era uma referência ao terceiro filho que iria nascer. A criança era fruto de um relacionamento de Thaysa com um homem casado. A gestante já era mãe de um casal de filhos, fruto de um relacionamento anterior.

Ao comentar a foto, uma amiga escreveu uma mensagem de duas linhas dizendo que ela deveria ter cuidado com os sinais que fazia e que isso poderia custar a vida da manicure. O texto, no entanto, não explica a causa do alerta.


_________________________________________________Cinegrafista de São Paulo morre em assalto em Paraty

Dois menores foram detidos após serem reconhecidos pela companheira da vítima; terceiro envolvido foi encontrado morto em área de mata

O cinegrafista Vitor da Silva Lins foi morto na madrugada de quinta-feira Foto: Reprodução / Facebook

O cinegrafista Vitor da Silva Lins foi morto na madrugada de quinta-feira Foto: Reprodução / Facebook

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RIO — Um cinegrafista foi morto a tiros, na madrugada desta quinta-feira, durante um assalto em Paraty, na Costa Verde do Rio. Vitor da Silva Lins, de 31 anos, morava em São Paulo e tinha acabado de chegar à cidade com a namorada para passar o Natal. Segundo a polícia, Vitor se recusou a entregar sua mochila e foi alvejado.

O crime ocorreu por volta das 5h20. O casal estava caminhando para a pousada onde ficaria hospedado, no bairro do Pontal. Quando passavam pela ponte, foram abordados por três assaltantes. Vitor não deixou que levassem sua mochila e foi baleado. Os bandidos fugiram, mas foram apreendidos horas depois. Um terceiro envolvido foi encontrado morto. O cinegrafista morreu no local.

Cinegrafista foi morto após reagir a assalto em Paraty Foto: Divulgação
Cinegrafista foi morto após reagir a assalto em Paraty Foto: Divulgação
Dois menores foram reconhecidos pela namorada da vítima e confessaram a autoria do crime. Um deles efetuou os disparos com um revólver calibre 38. A dupla foi localizada na Ilha das Cobras, região dominada pelo tráfico, durante operação conjunta da Polícia Civil e Polícia Militar com a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública de Paraty. Testemunhas e imagens de câmeras levaram a polícia aos menores.

O terceiro envolvido no crime foi encontrado morto numa área de mata, conhecida como Olaria. Segundo a polícia, o homem, conhecido como Jajá, foi executado pelo tráfico de drogas. O caso foi registrado como latrocínio na 167ª DP (Paraty).

Vitor atuava profissionalmente na Fundação Padre Anchieta, contratada pela Câmara Municipal de São Paulo e responsável pela TV Câmara. Em nota, a Rede Câmara lamentou o falecimento do profissional. O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Milton Leite (DEM), enviou também uma mensagem de conforto à família.

_________________________________________________Grupo do 1% mais rico acumula metade da riqueza do Brasil,aponta relatório

24 de dezembro de 2021, 11:02

Caroline Oliveira, Brasil de Fato - O de cima subiu e o de baixo desceu. Durante a pandemia do novo coronavírus a desigualdade aumentou em todo o mundo. No Brasil, 10% da parcela mais rica da sociedade detinha 58,6% da renda nacional em 2019. Hoje, concentra 59%.  

Por outro lado, os 10% mais pobres dos brasileiros tinham 10,1% da riqueza. Em 2021, 10%. Os dados, que são do relatório The World Inequality Report 2022, divulgado na primeira semana de dezembro, ainda mostram que 1% dos mais ricos dos brasileiros são donos de metade da riqueza nacional, enquanto a metade mais pobre detém menos de 1% da riqueza. 

Segundo o documento, o Brasil é o segundo país mais desigual da América Latina, atrás apenas do Chile. No grupo das 20 maiores economias do mundo, o G-20, o Brasil também fica em segundo lugar, atrás da África do Sul. No ranking mundial, o país está em 11º, atrás de Chile, África do Sul, República Central Africana, Moçambique, Namíbia, Zâmbia, Guiné Bissau, Botsuana, Zimbábue, Iêmen. 

Inflação, desemprego e taxa de juros 

Para o próximo ano, as expectativas são de aprofundamento das desigualdades, principalmente no Brasil. Segundo David Deccache, diretor do Instituto de Finanças Funcionais para o Desenvolvimento, doutorando em Economia pela Universidade de Brasília (UnB) e assessor na Câmara dos Deputados, a combinação entre altas de desemprego, inflação, taxas de juros e implementação de políticas neoliberais cria a tempestade perfeita para o agigantamento das distâncias entre as classes sociais. 

“A gente tem uma tendência de alta muito forte na taxa de juros, a taxa Selic. A previsão do mercado para próximo ano é de uma taxa Selic de 11,5%, ou seja, os mais ricos que conseguem ter rendimentos atrelados à Selic vão ganhar muito dinheiro, ao passo que os trabalhadores que vivem de salário estarão uma situação muito ruim, com esse desemprego elevado, salários baixos e inflação alta”, afirma Deccache. 

O pesquisador explica que a taxa de juros elevada, além de favorecer os mais ricos, que vivem de juros, prejudica a geração de empregos. Isso porque gera estímulo para investimento no mercado financeiro, em detrimento de investimentos na economia real, como a indústria.  

“Você gera um desestímulo ainda maior para investimentos na economia real, fora que não há nenhum tipo de políticas econômicas voltadas ao crescimento econômico. Então essa tendência aponta para um aprofundamento das desigualdades: melhora as condições dos que estão protegidos por uma taxa de juros elevadíssima, e piora brutalmente a situação dos pobres, que já está muito ruim.” 

Soma-se a isso a inflação. Em novembro deste ano, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), principal medidor da inflação no país, acumulou uma alta de 10,74% contando os 12 meses anteriores. É o maior registro desde novembro de 2003, quando a inflação bateu 11,02%.  

A alta foi puxada, principalmente, pelo aumento nos preços dos combustíveis, uma vez que no Brasil o principal meio logístico para a distribuição de alimentos são as rodovias. Nos últimos meses, a gasolina acumulou uma alta de 50,78%; o etanol, de 69,40%; e o diesel, de 49,56%.  

Concretamente, em um ano, o “prato feito” subiu praticamente o triplo da inflação, segundo um levantamento feito por Matheus Peçanha, pesquisador e economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE): 22,57% no acumulado de 12 meses diante de 8,75% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no mesmo período.

Nesta conta, entre os que tiveram uma alta no preço, estão arroz (37,5%), tomate (37,24%), carne bovina (32,69%), frango inteiro (22,73%), feijão preto (18,46%), ovos (13,5%) e alface (9,74%).   

O desemprego também bateu recorde. Entre janeiro e junho, foram 14,7% da população economicamente ativa sem ocupação. Foi o maior índice registrado desde 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Nesse cenário, as expectativas de crescimento são baixas. “O PIB está sendo registrado, semana após semana, para baixo desse ano. Já é a décima revisão para baixo do PIB nesse ano. Para o PIB do ano que vem, o mercado aposta em uma estagnação ou um crescimento muito pequeno, de 0,5%, ou seja, não tem possibilidade de uma retomada do emprego no país”, afirma Deccache. 

O "índice de miséria" no Brasil atingiu 23,47 pontos em maio, dado mais recente, no maior valor desde o início da série histórica, em março de 2012. O recorde negativo foi puxado por aceleração da inflação, aumento do desemprego e do custo de vida e queda da renda. 

Políticas neoliberais 

Deccache explica que o aprofundamento das desigualdades sociais não é uma tendência atual. Com as políticas neoliberais implementadas pelo mundo a partir de meados da década de 1980, como a baixa tributação dos mais ricos, a redução dos gastos sociais com bens e serviços públicos, houve um “desmonte do estado de bem-estar social”. 

No Brasil, já havia uma crise econômica “profunda” desde 2015, quando se observa a “construção de um projeto econômico de mercantilização generalizada de todas as esferas públicas e de manutenção de altos níveis de desemprego e informalidade no mercado de trabalho. Isso tudo empobrece a classe trabalhadora de forma cruel”, afirma. 

“A gente já vinha numa perspectiva de piora mesmo antes do Bolsonaro, quando se torna muito acelerada. A gente chega na pandemia com o conjunto da sociedade muito vulnerável, com baixa proteção social. Soma-se a isso um presidente negacionista. E aí se tem tempestade perfeita.” 

_________________________________________________Escultura em homenagem a vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial é removida de Hong Kong

Instalado em universidade, 'Pilar da vergonha' mostrava corpos empilhados representando manifestantes pró-democracia mortos por autoridades chinesas em 1989
O Globo e agências internacionais
23/12/2021 - 08:15 / Atualizado em 23/12/2021 - 08:59
Hong Kong remove escultura em homenagem a vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial Foto: PETER PARKS / AFP
Hong Kong remove escultura em homenagem a vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial Foto: PETER PARKS / AFP

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HONG KONG — Uma escultura que homenageava as vítimas do massacre da Praça Tiananmen (Praça da Paz Celestial) foi removida do campus da Universidade de Hong Kong (HKU) nesta quarta-feira. A obra de oito metros de altura, batizada de "Pilar da vergonha", retrata pelo menos 50 corpos empilhados, representando as centenas de manifestantes pró-democracia mortos pelas autoridades chinesas em 1989.

A universidade já havia ordenado a remoção da estátua em outubro. Nesta quinta, em comunicado, informou que "a decisão de remover a estátua antiga foi baseada em aconselhamento jurídico externo e avaliação de risco para o melhor interesse da universidade".

Durante a noite, funcionários da universidade cercaram a área comtapumes e  lonas de plástico, enquanto uma equipe foi responsável por remover a estátua. Seguranças não permitiram a aproximação de jornalistas e tentaram impedi-los de filmar.

'Pilar da vergonha' mostrava corpos empilhados representando manifestantes pró-democracia mortos pelas autoridades chinesas em 1989 Foto: TYRONE SIU / REUTERS
'Pilar da vergonha' mostrava corpos empilhados representando manifestantes pró-democracia mortos pelas autoridades chinesas em 1989 Foto: TYRONE SIU / REUTERS

'Se destruírem, irei processá-los'

O dinamarquês Jens Galschiot, autor da obra, disse à AFP que é "estranho e chocante" que a universidade tenha removido o monumento, que continua sendo sua propriedade privada.

— Esta é uma escultura muito cara. Portanto, se eles a destruírem, é claro que irei processá-los. Não é justo — ressaltou.

Galschiot disse que se ofereceu para pegar a estátua de volta. Com a ajuda de advogados, tentou diferentes maneiras de entrar em contato com a universidade, sem sucesso. Segundo ele, funcionários da HKU nunca o contataram ou alertaram sobre a ação realizada nesta semana.

— Fizemos tudo o que pudemos para dizer à HKU que gostaríamos muito de pegar a escultura e trazê-la para a Dinamarca — lamentou.

Leis e censuras da China

Ex-colônia britânica, Hong Kong é um território autônomo no sudeste da China que possui um sistema político diferente de Pequim, sob o princípio "um país, dois sistemas". No entanto, leis e censuras vindas da China continental vêm se tornando constantes na região.

A cidade era um dos únicos lugares no país onde manifestações públicas sobre a ocorrência na Praça da Paz Celestial eram toleradas. Por mais de três décadas, a vigília anual para homenagear as vítimas atraiu dezenas de milhares de pessoas no dia 4 de junho. Grupos também protestavam pela democracia e o fim do regime de partido único na China no evento.

O encontro foi proibido em 2021. Um ano antes, as autoridades também alegaram que a vigília não seria permitida devido à pandemia do coronavírus. A justificativa foi a mesma deste ano, apesar de a cidade não registrar casos de transmissão local por 30 dias. Alguns moradores disseram que ainda planejavam visitar o Parque Victoria para prestar homenagens aos que morreram, mas o local também foi isolado por policiais.

_________________________________________________Promotores holandeses pedem prisão perpétua para envolvidos na queda do voo MH17, em 2014

Acusados se recusaram a viajar para julgamento na Holanda; segundo acusação, estrutura usada para abater avião pertencia à 53ª Brigada de Mísseis Antiaéreos da Rússia
O Globo e da Reuters
22/12/2021 - 13:01
Advogados assistem à inspeção dos juízes nos destroços do MH17 em Reijen, na Holanda Foto: PIROSCHKA VAN DE WOUW / REUTERS
Advogados assistem à inspeção dos juízes nos destroços do MH17 em Reijen, na Holanda Foto: PIROSCHKA VAN DE WOUW / REUTERS

AMSTERDÃ — Promotores holandeses pediram, nesta quarta-feira, penas de prisão perpétua para três russos e um ucraniano acusados de assassinato pela queda, em 2014, do voo de passageiros MH17, da Malaysia Airlines, que matou 298 pessoas no Leste da Ucrânia O pedido principal foi feito pela promotora Manon Ridderbeks contra os homens identificados como Igor Girkin, Sergey Dubinsky, Oleg Pulatov e Leonid Kharchenko.

A acusação dos promotores afirma que todos os réus — que estão em liberdade e se recusaram a viajar para o julgamento na Holanda — ajudaram a fornecer um sistema de mísseis que os separatistas apoiados pela Rússia usaram para disparar um foguete contra a aeronave. O ataque matou todas as pessoas a bordo, a maioria delas cidadãos holandeses. O governo da Holanda culpou a Rússia, mas as autoridades de Moscou negaram envolvimento.

Após anos de coleta de provas, uma equipe internacional de investigadores concluiu, em maio de 2018, que a estrutura usada para abater o avião, que estava indo de Amsterdã para Kuala Lumpur, capital da Malásia, pertencia à 53ª Brigada de Mísseis Antiaéreos da Rússia.

Com base em imagens de satélite, publicações nas redes sociais e chamadas telefônicas interceptadas, os promotores afirmaram que os quatro homens trabalharam juntos para entregar um sistema de mísseis Buk — fabricados na Rússia, guiados pela terra e com alcance de 22 mil metros — ao Leste da Ucrânia para reforçar os separatistas.

— Ao abater o MH17 com um míssel, os réus usaram de violência devastadora. Eles planejaram esta violência com antecedência e a organizaram em estreita cooperação — disse o promotor Thijs Berger.

Nas gravações apresentadas ao tribunal no início desta semana, os homens identificados pela acusação como os suspeitos puderam ser ouvidos falando sobre a transferência de "nosso Buk" para um campo de onde o voo MH17 foi atacado. Eles celebraram o sucesso de "nossos homens" quando abateram o que acreditavam ser um avião militar ucraniano que, na verdade, era o MH17.

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Integrante da comissão de carnaval da Beija-Flor é assassinado na Baixada Fluminense

Escola decretou luto de três dias. Léo Mídia foi encontrado morto com golpes de faca, dentro de casa, em Nilópolis

Léo Mídia foi encontrado morto em Nilópolis Foto: Reprodução

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RIO — Integrante da comissão de carnaval da Beija-Flor, o carnavalesco Hugo Leonardo Ribeiro de Oliveira, mais conhecido como  Léo Mídia, foi encontrado morto, nesta quarta-feira, dentro de casa, na Rua Doutor Manoel Reis, em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Informações iniciais dão conta de que a vítima foi assassinada com golpes de faca.

Léo participou da preparação de um evento de Natal na quadra da escola, nesta terça-feira, e recebeu inclusive o pagamento do décimo terceiro. Na manhã desta quarta-feira, ele era aguardado pelos colegas da agremiação para a distribuição de mais de 2 mil cestas básicas. Como não compareceu, integrantes da Beija-Flor foram até a sua residência e confirmaram notícias que davam conta de que ele estaria morto.

Neguinho da Baija-Flor lamentou a morte do amigo nas redes sociais Foto: Reprodução

Léo Mídia estava na Beija-Flor há mais de 16 anos. A escola decretou luto oficial por três dias. Neguinho da Beija-Flor lamentou a morte do amigo nas redes sociais. " Infelizmente uma triste notícia.... Nosso querido Léo Mídia acaba de nos deixar precocemente. Um excelente profissional e amigo. Descanse em paz", escreveu Neguinho em trecho de um texto postado.

Além de ser integrante da comissão de carnaval da Beija-Flor, Léo Mídia também era carnavalesco da Escola de Samba Leão de Nova iguaçu, que desfila no grupo B, na Intendente Magalhães. Bira Leão, presidente de honra da escola classificou a morte de Léo Mídia como uma perda irreparável.

— Ele era o atual responsável pelo carnaval da escola. A morte dele é uma perda irreparável. Era um profissional muito dedicado, uma pessoa que cuidava da comunidade, que fazia tudo para ajudar. Esta era a segunda passagem dele por aqui. Foi campeão com a escola em 2010, e há oito meses estava conosco novamente — disse.

Segundo a Polícia Civil, a Delegacia de Homicpídios da Baixada Flumiense vai investigar o assassinato.


_________________________________________________Saltador olímpico gay Ian Matos morre aos 32 anos

Ian Matos, atleta dos saltos ornamentais do Brasil, morreu nesta terça-feira após uma parada cardiorrespiratória Imagem: Reprodução/InstagramDemétrio Vecchioli

21/12/2021 16h41

Morreu nesta terça-feira, aos 32 anos, o saltador olímpico Ian Matos. Ele estava internado no Rio de Janeiro desde o mês passado para tratar uma infecção e, nas últimas horas, sofreu uma parada cardiorrespiratória. A informação foi confirmada pela família do atleta.

Ele havia sido hospitalizado no Memorial São Bento inicialmente com um quadro de infecção na garganta. A bactéria, porém, desceu para o esôfago e, depois, para o pulmão. Nos últimos dias, seu estado de saúde se agravou.

Ian nasceu em Muaná, no interior do Pará, e cresceu em Belém (PA), onde morou até os 17 anos e conheceu os saltos ornamentais. Quando passou no vestibular para Pedagogia na UNB, mudou-se para Brasília, cidade que é um dos principais centros da modalidade do país.

Ele, aliás, foi o primeiro brasileiro homem a se classificar para uma Olimpíada sendo assumidamente homossexual - a quebra de tabu aconteceu na edição da Rio-2016. Ele tentou vaga em Tóquio-2020, como contou o UOL em maio.

Atleta de provas de trampolim de 3 metros, foi a três edições dos Jogos Pan-Americanos (2011, 2015 e 2019), a dois Mundiais (2015 e 2019) e a uma Copa do Mundo (em 2016) - além de ter participado justamente da Olimpíada há cinco anos.

Nos últimos dias, amigos de Ian elaboraram uma vaquinha que visava permitir que a mãe e a irmã dele, que moram no Pará, viajassem ao Rio para visitá-lo.

A meta inicial era arrecadar R$ 10 mil, mas este valor chegou a mais de R$ 17 mil em poucos dias e permitiu o deslocamento.

CBDA se manifesta

A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) emitiu uma nota da tarde de hoje lamentando a morte de Ian. Leia o comunicado:

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos informa, com profundo pesar, o falecimento do atleta olímpico Ian Matos. O saltador estava internado desde o início de novembro, no Rio de Janeiro, quando teve uma infecção na garganta. Ian faleceu aos 32 anos.

Paraense de Muaná, Ian despontou na modalidade ainda bem jovem quando se destacou no Campeonato Pan-Americano Junior de 2003 e no Campeonato Mundial Junior de 2004. Com o objetivo de desenvolver seu potencial, mudou-se para Brasília. Já na capital federal, o atleta garantiu classificação para os Jogos Sul-Americanos de 2010.

Ele continuou sua trajetória de sucesso garantindo classificação para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara 2011, Toronto 2015 e Lima 2019, além de integrar a seleção brasileira em Campeonatos Mundiais de Esportes Aquáticos, Copas do Mundo, Campeonatos Sul-Americanos e nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

A CBDA se solidariza à família e aos amigos do atleta e agradece pela amizade, companheirismo e dedicação à modalidade.


_________________________________________________Paixão nacional: os 70 anos das novelas na televisão brasileira

Nesta noite de terça-feira (21) está fazendo exatamente 70 anos que a primeira telenovela foi ao ar no nosso país. São sete décadas inteiras em que os brasileiros se emocionaram, se divertiram, se envolveram e se reconheceram em histórias contadas por brasileiros.

Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Salvador: para onde foi todo mundo? Na noite de 20 de outubro de 2012, uma paixão nacional mostrava toda a sua intensidade. A trama de "Avenida Brasil" chegava ao último capítulo. Em casa, nos bares, restaurantes, de olho nos telões e nos celulares.

Na tela, as emoções da ficção refletem a realidade das famílias. No sofá, as cenas vistas mudam comportamentos.

“Eu lembro mais de estar assistindo novela com meus avós paternos. Foi muito especial. Tinha uma coisa muito gostosa. Um era o momento que a família ficava reunida. Outra, eu acho que era o momento que a novela, além de entreter, ela gera reflexão, ela te convida a pensar sobre os assuntos”, diz Cauã Reymond, ator.

Assim as novelas e o Brasil constroem uma longa história de amor, que começou em dezembro de 1951, quando a TV Tupi transmitiu o primeiro capítulo de "Sua vida me pertence". Passava só duas vezes por semana e era tudo ao vivo. Uma adaptação da radionovela. E o ator Lima Duarte já estava lá.

1 de 4 Lima Duarte em cena de "Sua vida me pertence" — Foto: Reprodução

Lima Duarte em cena de "Sua vida me pertence" — Foto: Reprodução

“A gente ficava sentado e falava o que tínhamos falado no rádio. E assim foi para o ar a primeira novela. Fixa as câmeras. Hoje, aperta um botão e vai o close. Lá empurrava a câmera e vinha fazendo o foco. E essa novela, ‘Sua vida me pertence’, o que teve de curioso foi tudo foi primeiro. Eu fui o primeiro bandido, primeira mocinha, e teve o primeiro beijo”, conta Lima Duarte.

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A primeira produção gravada e diária só foi exibida 12 anos depois pela TV Excelsior, com Glória Menezes e Tarcísio Meira.

Na Globo, a estreia foi logo na inauguração do canal, em 26 de abril de 1965. Reginaldo Faria e Leila Diniz faziam o par romântico de "Ilusões Perdidas".

Cena de Ilusões Perdidas — Foto: Reprodução

As novelas se aproximaram ainda mais do público com a chegada de Janete Clair. A autora trouxe cenários cariocas, tramas ágeis e linguagem coloquial.

O Brasil parou na frente da TV para ver a vitória da nossa seleção na final da Copa de 1970. Mas, no dia seguinte, uma novela conseguiu superar esta audiência. O fenômeno “Irmãos Coragem” prendeu a atenção do público ao longo de 328 capítulos. Os vizinhos disputavam um lugar no sofá das casas que tinham um aparelho de TV. A história fisgou o público masculino. Um dos personagens era jogador de futebol, camisa 10 do Flamengo. A novela teve cenas gravadas durante um jogo de verdade, no Maracanã. Futebol e novela: dobradinha que dá certo até hoje.

As novelas exploram a riqueza cultural do Brasil. Personagens já mostraram as tradições de todas as regiões.

É por isso que a novela tem um papel importante na criação da identidade nacional, da forma como nos diferenciamos de outros países.

“As novelas, elas são realmente uma praça, um ponto de encontro onde os brasileiros conversam entre si. Essa percepção de que apesar de vivermos em locais tão distantes geograficamente e tão distantes culturalmente, somos uma família e moramos na mesma casa”, afirma Glória Perez, autora de novelas.

Um espelho que reflete nossa sociedade do jeito que ela já foi. Um caminho para refletir o que se quer daqui para a frente.

Cena da personagem Camila em 'Amor de Mãe' — Foto: Reprodução

“Foi a cena que mais recebi mensagens do público, das pessoas de casa no meu celular. De uma Camila que é Camila, que é Fabrícia, que é Fernanda, que é Jessica, que são várias. A Camila é a personificação de uma mudança que a gente quer ver no país, de uma mulher negra que entende que educação é de fato o que transforma um país”, destaca Jessica Ellen, atriz.

Da luta dos mais humildes ao luxo dos milionários. As tramas estão conectadas à realidade e às mazelas nacionais desde o “Bem-Amado”. Quando vimos na TV brasileira pela primeira vez a cores um político sem escrúpulos como Odorico Paraguaçu.

As críticas foram proibidas em “Roque Santeiro”. Esta versão com Betty Faria como a Viúva Porcina já tinha 36 capítulos gravados quando foi vetada pela censura da ditadura militar em 1975. Nunca foi ao ar. Dez anos depois, veio uma nova versão.

Cena da versão de 'Roque Santeiro' censurada pela ditadura — Foto: Reprodução

Histórias feitas de coragem e ousadia. Trinta e dois anos antes do beijo de Félix e Niko em “Amor à Vida”, Inácio, interpretado por Denis Carvalho, sofreu com o preconceito na novela “Brilhante” e na vida real também. A censura não permitiu o uso da palavra homossexual. Mas a trama de Gilberto Braga não deixou de mostrar o que os gays enfrentavam em muitas famílias.

Esse e outros dramas que acontecem dentro das casas foram expostos em rede nacional.

Como o assédio do padrasto sofrido pela personagem Elisa na novela “Totalmente Demais”.

“É importante poder falar para um público mais amplo sobre assédio, até para informar, se defender, essa repercussão pode fazer com que famílias entendam o que está acontecendo dentro daquele ambiente, dentro da própria casa. Porque é isso que acontece com a Elisa, ela tem uma mãe que sabe o que está acontecendo, mas finge que não vê, quer fingir que não vê”, destaca Rosane Svartman, autora de novelas.

A hora da novela também é aquela pausa gostosa para rir, sonhar e ser feliz. E as músicas que marcaram cenas viraram a trilha sonora de grandes momentos das nossas vidas. A conexão é imediata porque tudo é feito junto com quem mais interessa.

“É uma espécie de troca com o espectador, que é o nosso cumplice na história. No dia seguinte, alguém que trabalha em casa, o porteiro de onde moro, alguém que reage e fala: ‘aquela cena de ontem, que foi aquilo, seu Tony?’ Isso para mim é uma interação, a melhor que existe”, comenta Tony Ramos, ator.

O público precisa se surpreender, e a novela também pode ser uma espécie de bola de cristal, prevendo o futuro.

“Demorou para convencer as pessoas de que aquilo não era uma ficção científica. Era um drama absolutamente novo, porque as novas tecnologias trazem também conflitos que não existiam antes, possibilidades de dramas que as gerações anteriores não viveram”, relata Glória Perez.

E quando a humanidade se viu ameaçada pela Covid-19, a produção de novelas chegou a ser interrompida. Mas as gravações foram retomadas com todos os cuidados, enfrentando desafios para levar emoção e diversão para quem estava em casa.

Contar estas histórias é tarefa que envolve cerca de 300 pessoas de várias profissões. Desde o roteiro dos primeiros capítulos até o fim das gravações, as equipes trabalham durante um ano ou até por mais tempo. As nossas novelas são o principal produto de exportação da televisão brasileira. E a TV Globo é a maior vencedora da categoria melhor novela do Prêmio Emmy, o Oscar da TV, com oito premiações.

“O nosso papel é cada vez mais estarmos com todas as cores, todos os sotaques, todas as temperaturas do nosso Brasil. A novela é necessariamente deve ser um lugar onde nossos brasileiros se encontram. Se encontram representados, como figuras, e se encontram também como tema, como assunto. Eu acho que a televisão aberta traz uma experiência coletiva, onde todo mundo assiste ao mesmo tempo a mesma história, e acho que os streamings vão ter que criar uma nova experiência, uma nova maneira de consumir essa novela. Agora, novela é novela. Então acho que não é exatamente a narrativa da novela que vai mudar. Mas muito mais a experiência que o público tem ao consumir essas histórias”, Ricardo Waddington, diretor dos Estúdios Globo.

São novos caminhos que podem levar os personagens das nossas histórias para novos lugares do planeta. As novelas da TV Globo já foram vistas em 160 territórios, traduzidas em 70 idiomas.

“Toda vez que viajo, eu ainda sou Jorginho, dependendo do lugar onde eu vou”, conta Cauã.

“Quando você toca o humano você se identifica, sempre. Não importa de que cultura você venha, que tipo de roupa você veste, que tipo de pensamento você tem. Há um ponto em comum em todos nós, somos humanos”, afirma Glória Perez.

_________________________________________________Jovem é amarrado com corda no pescoço e arrastado por estrada de terra em fazenda de Alto Paraíso de Goiás; vídeoImagens chocantes mostram quando, mesmo caído ao chão, ele é puxado por um outro homem. 

Pai da vítima pede por Justiça: 'Revoltante'; polícia Civil investiga o caso.


Por Millena Barbosa e Michel Gomes, g1 Goiás

21/12/2021 18h54  Atualizado há 3 horas


Um jovem de 18 anos teve o pescoço amarrado por uma corda e foi arrastado por uma estrada de terra durante uma cavalgada em uma fazenda de Alto Paraíso de Goiás, no nordeste de Goiás. As imagens chocantes mostram quando, mesmo caído ao chão, ele é puxado por um outro homem (veja vídeo acima). A Polícia Civil investiga o caso.

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O caso aconteceu na madrugada do último domingo (19). Nas imagens é possível ver que o garoto tenta segurar a corda, mas continua sendo puxado e arrastado pela lama. Outras pessoas que estão no local não fazem nada para impedir, somente riem da situação.

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Em nota divulgada nas redes sociais, a HC Festas e Eventos, responsável por realizar a cavalgada, informou que as agressões contra o jovem aconteceram após o encerramento do evento e que a festa “contou com 10 seguranças da equipe afim de evitar e/ou conter brigas e tornar o evento um local seguro”.

Depois das agressões, o adolescente foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado para o hospital do município com vários ferimentos no corpo. Ele já recebeu alta e se recupera em casa.

Jovem é amarrado com corda no pescoço e arrastado por estrada de terra em fazenda de Alto Paraíso de Goiás — Foto: Reprodução

Ao g1, a delegada Bárbara Buttini informou que a vítima compareceu à delegacia no dia seguinte, bastante abalada com a situação. De acordo com a investigadora, um inquérito já foi aberto para investigar o caso e as pessoas envolvidas nas agressões já foram identificadas.

O proprietário da fazenda onde aconteceu o acidente é o prefeito do município, Marcos Rinco (DEM). Em um vídeo divulgado nas redes sociais o administrador lamentou sobre o ocorrido e disse que, apesar de ser dono do local, nada tem a ver com o que aconteceu.

“Infelizmente aconteceram lá essas cenas, mas os cuidados todos foram tomados anteriormente, durante o evento teve a presença constante de segurança privada, teve a presença esporádica da Polícia Militar, e constante de ambulâncias aqui do hospital para qualquer eventualidade”, disse.

Família quer Justiça

O pai do garoto, que preferiu não se identificar, disse que a situação abalou bastante a família. Ele conta que o filho, além dos ferimentos, está traumatizado e não consegue parar de chorar. A família afirma que o jovem nunca havia ido a uma festa antes e não tinha inimizades.

"O público batia palma. Depois de arrastar ele, o jogaram em uma vala. A gente é humilde, mas somos seres humanos. Ele tem pai, tem família, tem gente por ele. É revoltante ver o que aconteceu com o meu filho", afirmou.

O advogado e primo da vítima denuncia ainda que, depois de ser levado pelo Samu até o hospital, a unidade de saúde negou atendimento para o jovem, já que ele estava sem documento pessoal. O parente afirma que o garoto teve que andar 2 km até a casa que mora, onde o encontrou amigos que o ajudaram.

"Os amigos que o encontraram na rua desmaiando e vomitando. Pegaram ele, deram banho e o levaram para o hospital de novo. Só assim ele foi atendido (...) Foi um sistema de saúde falho, que viu ele naquela situação e simplesmente não fez nada", afirmou.


Em relação a denúncia feita pela família sobre falta de atendimento, a Prefeitura de Alto Paraíso de Goiás, informou que o jovem deu entrada na unidade médica sozinho e saiu contra a orientação dos médicos. O comunicado diz ainda que ele retornou posteriormente, mas acompanhado (leia nota na íntegra abaixo).

Nota da Prefeitura de Alto Paraíso de Goiás

A prefeitura de Alto Paraíso de Goiás, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e Saneamento vem a público esclarecer o confronto de informações quanto ao atendimento do jovem envolvido no incidente de agressão em evento no último sábado 18 de dezembro.

O paciente chegou ao Hospital Municipal Gumercindo Barbosa através do Serviço de Saúde Móvel (SAMU), onde foi atendido e medicado, sem que houvesse exigência de apresentação de documento de identificação, o rapaz também não possuía acompanhante. O mesmo evadiu da unidade de saúde, contra a orientação da equipe médica ao qual o atendeu.

O jovem retornou a unidade trazido por acompanhante e foi novamente atendido e medicado, recebendo alta no dia consecutivo. O prontuário de atendimento do paciente consta os dois atendimentos durante o plantão, e pode ser solicitado pelo próprio ou familiares no Hospital Municipal.

A direção do Hospital esclarece que não há negativa de atendimento a nenhum cidadão pela ausência de documentação pessoal.

Secretaria Municipal de Saúde e Saneamento de Alto Paraísos de GoiásVeja outras notícias da região no g1 Goiás.


_________________________________________________LANGUISHING: o que é essa sensação de APATIA que cresceu durante PANDEMIA?

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Ana Luísa Vieira Colaboração para o VivaBem 10/06/2021 04h00

Ansiedade pela incerteza em relação ao futuro, depressão pela perda de amigos e familiares queridos, preocupação pelos planos adiados, esgotamento diante das notícias sobre o avanço de uma doença pouco conhecida. Muitos dos efeitos da pandemia sobre a nossa saúde mental são facilmente identificáveis. Um deles, entretanto, parece permanecer no escuro —talvez pela ausência de emoções claras para qualificá-lo. O "languishing", termo cunhado pelo sociólogo Corey Keyes e descrito pelo psicólogo organizacional Adam Grant no jornal The New York Times, é um estado emocional que, em sua essência, se define pelo vazio.

Quando falamos em saúde mental, abordamos sensações situadas entre dois extremos: o bem-estar —de quem se sente bem, feliz, satisfeito e completo com a própria vida — e a depressão —dos que experimentam mal-estar, infelicidade e ansiedade de forma contínua. "O 'languishing' não está nem de um lado e nem do outro. Fica no meio do caminho. Ainda assim, não é neutro e está longe de ser positivo. É quase que um limbo emocional", comenta Thaís Gameiro, doutora em neurociência pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e sócia-fundadora da Nêmesis, empresa de consultoria corporativa em neurociência organizacional.

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Em geral, os especialistas em saúde mental apontam que este sentimento de apatia já era conhecido antes da pandemia, mas costumava ser encarado de forma individual. "Cada um tinha seus motivos para ser acometido por este vazio. Com a chegada do coronavírus, houve um impacto para toda a humanidade. Houve um estímulo comum para que várias pessoas do mundo começassem a se queixar deste mesmo processo", diz Gameiro.

A especialista aponta que, no caso do "languishing" —assim como aconteceu em relação a outros efeitos emocionais deste período que vivemos —, o grupo mais atingido é o das mulheres. Muitas seguem trabalhando fora de casa ao mesmo tempo em que precisam acompanhar o desenvolvimento escolar dos filhos e ainda dar conta dos afazeres domésticos. "Por mais estruturadas que sejam algumas famílias, a divisão de tarefas na nossa sociedade não é justa". Segundo ela, os jovens também têm sofrido grande impacto porque perderam muito da interação social a que estão acostumados, e quando ela existe, é bastante restrita.

sofá; tedio; cansaço; zapear - iStock - iStock
Na pandemia, muita gente não tem conseguido ter ânimo para fazer as coisas Imagem: iStock

É importante nomear o que se está sentindo

No Brasil, o "languishing" tem sido traduzido como "definhamento", que, por sua vez, tem seu significado associado a termos como "debilitação progressiva", "extenuação", "enfraquecimento paulatino" e "abatimento". Para Marina Pinheiro, professora da pós-graduação em psicologia cognitiva da UFPE (Universidade Federal do Pernambuco), são todos efeitos relacionados às dúvidas sobre o que ainda está por vir quando o assunto é a pandemia.

Somos movidos pelo tempo e essas incertezas trazidas pela covid-19 fazem com que a gente perca uma bússola importante na nossa caminhada. O ineditismo do que vivemos no presente se soma a essa nebulosidade do futuro. Perdemos algo que nos estabiliza".

Pinheiro ainda ressalta que "batizar" o fenômeno é o primeiro passo rumo a uma abordagem efetiva do problema: "Cada época precisou dar um nome ao que se sentia. Neste momento em que a gente atravessa uma grande ruptura —na economia e nas relações sociais —, o 'languishing' vem para que possamos transcender o plano individual e compartilhar o nosso sentimento. Nomear o que se sente nos dá a possibilidade de transformar as coisas".

Problemas relacionados à saúde mental estão por vir

A grande preocupação atualmente é que o "languishing" aponte para uma explosão, nas próximas décadas, de doenças mentais como a depressão —que já é uma das maiores causas de incapacitação no mundo. "Eu penso que os efeitos para a saúde mental vão aparecer como uma 'quarta onda' da pandemia", observa Carla Guth, psicóloga especialista em família e construcionismo pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

"Neste período de isolamento, somos obrigados a ficar frente a frente com nossos medos, desejos, coisas que não conseguimos realizar? Quem já sofria de ansiedade e não conseguiu seguir algum fluxo neste momento de restrições, vai entrar nesta apatia —e depois as consequências vêm com mais força, na forma de uma depressão ou uma síndrome do pânico, por exemplo", avalia ela.

Thaís Gameiro, da consultoria Nêmesis, diz que essa sensação pode ser um mal silencioso que se transforma gradativamente em algo mais grave. Ela também lembra dos prejuízos que, neste caso, se estenderiam ao mercado de trabalho: "Transtornos mentais de qualquer natureza têm custos muito altos: as pessoas ficam afastadas do trabalho por muito tempo; quando voltam, podem ter recaídas. O retorno nunca é fácil".

De acordo com Gameiro, já temos previsões de que não haverá especialistas suficientes para tratar de todas as pessoas com a saúde mental debilitada num futuro próximo. Por isso todos os cuidados têm de ser tomados desde já. Empresas e organizações precisam dar espaço para que o assunto entre em pauta porque a questão está longe de ser meramente pessoal.

Na rotina profissional, alguém que sofre com o "languishing" pode ficar desmotivado e, aos poucos, perder a produtividade. O psicólogo Adam Grant lembra, em seu ensaio no jornal The New York Times, que este tipo de perda não compromete simples e unicamente o desempenho do indivíduo em seu trabalho: as consequências se desdobram para o campo pessoal, já que um fator importante para a nossa alegria (independentemente da ocasião ou do espaço) é a sensação de progresso.

desanimo; procrastinação - iStock - iStock
Quando não se tem nenhuma certeza sobre o futuro, as expectativas precisam ser revistas Imagem: iStock

Como driblar essa apatia

No plano individual, não existe fórmula pronta para evitar o "languishing" —e nenhum outro transtorno mental. Pequenas atitudes, entretanto, podem fazer a diferença na hora de driblar essa sensação de vazio e apatia:

Esteja presente

Por mais clichê que soe o conselho, tentar viver o momento presente deve ser uma prioridade neste sentido. "Estar presente significa ter um objetivo, por menor que seja, e se dedicar inteiramente a ele", indica a psicóloga Carla Guth.

O objetivo pode ser ler um livro, preparar um prato que você gosta, cuidar do jardim, ou queimar as energias no seu treino preferido. "Concluir pequenos objetivos em meio a uma rotina caótica faz com que a pessoa saia deste estado de apatia, porque ela vai ter uma sensação de realização", detalha Guth.

Permita-se ficar encantado

Marina Pinheiro, professora da pós-graduação em psicologia cognitiva da UFPE, recomenda o exercício de "não se render à lógica da anestesia". De que forma? Assistindo àquele filme que você quer há tanto tempo, ouvindo suas músicas preferidas, apreciando um espetáculo de dança mesmo que seja pela tela do computador ou observando com calma uma obra de arte que o enterneça.

"Acho que a pandemia nos colocou em uma dimensão de sobrevivência e é importante cultivarmos nossa capacidade de encantamento. É essencial que a gente se envolva com a arte e outras práticas que nos lancem para fora dessa clausura da sobrevivência, de estar entre a vida e a morte", diz.

Pratique a autocompaixão

Se não for possível concluir alguma tarefa em tempo ou simplesmente der vontade de deitar no sofá e olhar para o teto, não se desespere. "Tudo bem que às vezes você não seja produtivo. Só tente reconhecer e entender o motivo. Não vale a pena sequer evitar o desconforto que vem em seguida: a emoção negativa tem um porquê de existir e o melhor é observar com tranquilidade para pensar em estratégias para a próxima vez."

Quando não se tem nenhuma certeza sobre o futuro, as expectativas precisam ser revistas —a gente deve se livrar dessa obrigação de fazer tudo perfeito. "Muitos padrões têm de ser mudados porque se tornaram inalcançáveis —e está tudo bem. Estamos todos em luta constante", diz a psicóloga Carla Guth.

_________________________________________________Ando sem ânimo, indeciso e não realizo minhas tarefas; o que pode ser?




Daniel Navas Colaboração para o VivaBem 21/12/2021 04h00

São várias as hipóteses relacionadas a estes sintomas, como um quadro depressivo, um evento traumático pontual, luto, ou outro fator. 

Por isso é de extrema importância buscar ajuda de um especialista. Neste primeiro encontro, o psiquiatra ou psicólogo irá avaliar o histórico de sua vida e identificar se este desânimo é recorrente ou um primeiro episódio. A partir daí, indicar o melhor tratamento, que pode ser medicamentoso, ou psicoterapia, e até mesmo os dois juntos.

É bastante importante entender até que ponto essa indecisão e falta de ânimo prejudicam o seu trabalho, família, se afeta o sono, a alimentação etc. Esses pontos ajudam a entender o que pode estar por trás dessas sensações.

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No dia a dia, é possível realizar algumas tarefas que podem ajudar na melhoria do desânimo e olhar um pouco mais a positividade. A começar, que tal fazer um diário de coisas boas que acontecem no seu dia? Não precisa ser algo grande, como a compra de um imóvel ou carro, pode ser uma pessoa que sorriu para você, por exemplo. O exercício do diário é para que você olhe para as coisas pequenas e veja que a rotina tem muita coisa boa, mas que, às vezes, fica obscura, pois o foco fica no negativo.

Outra atividade que pode ajudar é deixar frases positivas, de incentivo, que você mesmo pode fazer, ou elaborar junto com os familiares. Então é só cortar o papel onde você escreveu as frases em tirinhas, dobrá-las e colocá-las em um potinho. Todos os dias, sorteie uma destas frases motivacionais para que todos tentem aplicar ou mentalizar ao longo do dia.

Além disso, trabalhe sempre com um calendário ao seu lado. Tenha uma organização do seu dia, planeje a sua semana, as atividades prioritárias e secundárias. Mas também tenha em seu cronograma os momentos de descanso e, claro, os eventos sociais. E não se esqueça de fazer algo voltado para o seu bem-estar, o que pode ser uma atividade física ou algo para o seu lazer. Tudo isso pode ajudar a eliminar ou minimizar estes sentimentos.

Entretanto, se os sintomas que você relatou perdurarem por mais de duas semanas e estiverem afetando a sua vida, o ideal é entrar em contato com um psicólogo. Afinal de contas, se você simplesmente ignorar estes sentimentos, o problema pode se tornar crônico. E quando o diagnóstico chega tardiamente, o tratamento se torna mais difícil.

Fontes: Gabriela Luxo, psicóloga, mestre e doutora em distúrbios do desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo e fundadora da Clínica Diálogo Positivo, em São Paulo; Igor Emanuel, psiquiatra da MEAC-UFC (Maternidade Escola Assis Chateaubriand da Universidade Federal do Ceará), que faz parte da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares); Waleska Jerusa de Souza Mendonça, psicóloga assistencial do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS).


_________________________________________________Facebook desativa cerca de 1500 contas que usavam a plataforma para espionagem - Gizmodo Brasil

Os criminosos espionavam cerca de 50 mil pessoas pelo Facebook, Instagram e WhatsApp.

Luana Nunes

A Meta, que controla o Facebook, anunciou na quinta-feira (16) que desativou cerca de 1.500 contas vinculadas a empresas acusadas de espionagem. Estima-se que elas podem ter invadido, ao todo, a privacidade de 50.000 pessoas — em sua maioria ativistas, jornalistas e influenciadores em mais de 100 países.

Um relatório feito pela empresa afirma que foram desativadas contas no Facebook, Instagram e WhatsApp. A maioria dessas contas eram falsas, e administradas por sete organizações.

Entre as organizações está a israelense Black Cube, que se tornou conhecida por usar espiões em nome de Harvey Weinstein, ex-diretor de Hollywood acusado de assédio sexual. A Meta disse que a empresa de espionagem criou perfis falsos para conversar com seus alvos online e coletar seus e-mails, “provavelmente para ataques de phishing [instalação de softwares maliciosos] no futuro”.

Outras empresas citadas pela Meta incluem a BellTroX, companhia indiana exposta pela Reuters e pelo projeto canadense Citizen Lab, que investiga políticas pela internet  no ano passado, uma empresa israelense chamada Bluehawk CI e uma empresa europeia chamada Cytrox, todas acusadas de atos de invasão de computadores.


“Os cibermercenários frequentemente afirmam que seus serviços visam apenas criminosos e terroristas. Mas os alvos são de fato indiscriminados e incluem jornalistas, dissidentes e críticos de regimes autoritários, famílias, membros da oposição e ativistas de direitos humanos”, diz o comunicado da empresa.

Segundo David Agranovich, diretor de segurança digital da Meta, a empresa espera que a ação “dê o pontapé inicial na ruptura do mercado de vigilância de aluguel”.

_________________________________________________Tragédias climáticas de 2021 já têm preço: 101_BI-LHÕES de dólares, aponta relatório - Gizmodo Brasil

Eventos climáticos incluem tempestades e tornados, inundações, secas, ondas de calor, incêndios florestais e clima frio. Confira os mais caros

Luana Nunes

4 dias atrás

Imagem: Reprodução

Além do coronavírus, 2021 foi um ano em que o mundo também sofreu inúmeras tragédias climáticas extremas.

Segundo o relatório da Swiss Re, empresa de resseguros global, pela terceira vez desde 1970, as perdas seguradas ultrapassaram US$ 100 bilhões!

As perdas seguradas deste ano, a maioria nos Estados Unidos, incluem inundações, tempestades e outros eventos perigosos e já têm preço: estão projetadas para chegar a US$ 101 bilhões.

Entretanto, o relatório é preliminar porque não incluiu ainda os tornados do último final de semana em alguns estados nos EUA, que causaram danos estimados em US$ 3 bilhões.

O desastre mais caro do mundo

Em 2021, o desastre mais caro do mundo foi o furacão Ida, uma tempestade de categoria 4 que abriu um caminho de devastação de Louisiana a Nova York no final de agosto e início de setembro. Causou cerca de US$ 30 bilhões a US $ 32 bilhões em danos segurados, segundo a Swiss Re.

E em segundo lugar, ficou a tempestade de inverno que cortou a energia de milhões de pessoas no Texas em fevereiro e causou US$ 15 bilhões em perdas de segurados.

Já fora dos EUA, o evento climático mais caro foi a enchente que inundou a Alemanha e a Bélgica em julho, causando US$ 13 bilhões em danos.

Não inclui terremotos e tsunamis

A lista de eventos climáticos inclui tempestades, tornados, inundações, secas, ondas de calor, incêndios florestais e clima frio, mas não terremotos e tsunamis.

“Parece normal que pelo menos um evento de perigo secundário, como uma enchente severa, tempestade de inverno ou incêndio florestal a cada ano, resulte em perdas de mais de US$ 10 bilhões”, disse Martin Bertogg, chefe de perigos catastróficos da Swiss Re.

As mais caras da história

As perdas seguradas neste ano por eventos climáticos estão entre as três  mais caras desde que a Swiss Re começou a fazer o rastreamento em 1970. A primeira maior foi em 2017, que chegou a US$ 152 bilhões, quando furacões devastaram Porto Rico, Texas, Flórida e as Ilhas Virgens dos EUA.

Já a segunda maior foi alguns anos antes, em 2005, quando US$ 141 bilhões em perdas de segurados foram causadas principalmente pelo terrível furacão Katrina.


_________________________________________________Família estranha salmão comprado em mercado Extra, e exame encontra formol

Segundo etiqueta do hipermercado, o salmão comprado para o jantar em família estava dentro do prazo de vencimento - Arquivo Pessoal
Segundo etiqueta do hipermercado, o salmão comprado para o jantar em família estava dentro do prazo de vencimento Imagem: Arquivo Pessoal

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

15/12/2021 14h57

Atualizada em 15/12/2021 17h03

A família do perito contábil Fernando Soares Salles enfrentou momentos difíceis após comprar um quilo de salmão em uma unidade do hipermercado Extra, em Santos, litoral de São Paulo. Descobriu-se, após a avaliação de uma perita farmacêutica e toxicologista, que o peixe estava em putrefação e ainda continha formaldeído, uma substância que, se ingerida, pode ser letal para os humanos.

O caso, ocorrido no dia 11 de setembro, foi encaminhado ao Ministério Público, para apuração. O perito também está movendo uma ação por danos morais e materiais contra o hipermercado.

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O cunhado de Salles, que chegou a provar um pequeno pedaço do pescado ainda cru, para se certificar da qualidade do produto, relatou que foi parar em uma UPA da cidade, no dia seguinte, vomitando muito e com cólicas. Ele foi diagnosticado com uma intoxicação alimentar.

A família do perito pagou quase R$ 90,00 pelo quilo de salmão impróprio para o consumo em hipermercado no litoral - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
A família do perito pagou quase R$ 90,00 pelo quilo de salmão impróprio para o consumo em hipermercado no litoral Imagem: Arquivo Pessoal 

"Minha filha queria fazer um jantar para o meu genro e para mim. Ela pediu meu cartão e foi com ele até o Extra", contou Salles ao UOL.

Ela viu a embalagem de salmão na gôndola e decidiu que preparar o peixe seria uma boa ideia para a janta. Mas quando ela chegou em casa e abrimos a embalagem, um cheiro muito forte tomou conta da cozinha. Eu lavei várias vezes o salmão em água corrente e meu genro resolveu experimentar um pedaço para sentir o gosto. Resolvemos não comer. No dia seguinte, ele precisou de atendimento médico.

Salles diz que a sua família sempre toma muito cuidado ao comprar alimentos. E, no caso do peixe, não foi diferente. A etiqueta do produto indicava que ele havia sido embalado no dia da compra, 11 de setembro, com validade para até o dia 13 daquele mês. "Minha filha confiou na informação dada pelo hipermercado. Mas fomos enganados de forma criminosa", acusa o períto contábil.

Ele diz que procurou a unidade do hipermercado, tentou argumentar com os funcionários mas foi "destratado" e foi informado que, no máximo, eles poderiam trocar a mercadoria por outra. Salles afirma que tentou explicar que esse era um assunto sério, mas o responsável pelo hipermercado se mostrou irredutível.

Tive que chamar a polícia. E insisti para que os policiais fizessem um boletim de ocorrência. O que eles fizeram foi crime contra a saúde pública. Depois decidi enviar o peixe para uma toxicologista e perita farmacêutica, para que ela pudesse identificar o estado de putrefação da carne. Mas o resultado foi ainda mais chocante. O peixe estava embebido em formol, uma substância conservante que pode ser letal se ingerida.

Trecho do laudo assinado pela perita Paula Carpes Victório, que atestou a putrefação da carne do salmão e a presença do formol - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Trecho do laudo assinado pela perita Paula Carpes Victório, que atestou a putrefação da carne do salmão e a presença do formol Imagem: Arquivo Pessoal

O laudo, assinado pela perita Paula Carpes Victório, atesta a existência do produto químico, geralmente utilizado, segundo ela, para mascarar a qualidade e a deterioração do produto, numa ação que ela chama de "fraude química". Ou seja, a substância confere aspecto saudável à peça, conserva por tempo prolongado, mas não evita sua deterioração.

Formol pode ser letal em qualquer quantidade

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na Portaria nº 185/1997, o uso de formaldeído para adulterar a apresentação da qualidade do produto ao consumidor é expressamente proibido. Em seu laudo, feito de forma independente a pedido da família, Paula Carpes Victório informa sobre os riscos de usar esse produto em alimentos.

"Formol ou formaldeído é uma substância química altamente tóxica para humanos por qualquer via de exposição, seja via oral, respiratória ou transcutânea. É um carcinógeno para humanos, grupo 1, desenvolvendo câncer de nasofaringe e leucemia. Quando ingerido, em condição aguda, por ser um depressor do Sistema Nervoso Central, causa alterações nas frequências cardiorrespiratórias por alta produção de dióxido de carbono após a primeira passagem hepática", diz a especialista, em um trecho do documento.

"Por conseguinte, náuseas, tonturas e desmaio podem ocorrer. Independentemente da dose ingerida e do estado clínico do indivíduo, a exposição é potencialmente fatal", continua a especialista, no laudo anexado à ação que Salles está movendo contra o hipermercado por danos morais e materiais.

"Não estou pedindo dinheiro a mais, apenas os R$ 89,57 que eu gastei com o salmão. Não é a indenização que me interessa, mas sim alertar a população sobre o que ela pode estar consumindo sem saber. E também fazer com que os estabelecimentos sejam mais responsáveis ao ofertar produtos perecíveis ao consumidor", avisa o perito.

O que era para ser um jantar em família poderia ter terminado de forma trágica. Se ingerindo apenas uma lasquinha do peixe meu genro foi parar na UPA, imagine se tivéssemos comido inteiro. Eu poderia não estar aqui mais para contar essa história. Se eu já era desconfiado com alimentos in natura vendidos em supermercados, agora então eu digo que nunca mais, nunca mais mesmo, minha família vai comprar carne, peixe ou qualquer produto perecível em supermercados.

Outro lado

UOL encaminhou questionamentos para o Grupo Pão de Açúcar, responsável pela gestão do hipermercado Extra. Por meio de nota, o grupo afirmou que "as alegações não condizem com as normas e procedimentos operacionais relativos à qualidade e segurança alimentar previstos nas suas políticas internas e recomendados pelos órgãos competentes e que irá buscar mais informações a respeito para colaborar com as apurações para elucidar os fatos".

A Vigilância Sanitária de Santos também foi questionada sobre ações de fiscalização nos estabelecimentos da cidade e respondeu, por meio de nota, que a Secretaria de Saúde não foi informada do caso. "Não há registro desta ocorrência na Vigilância Sanitária". E ressaltou que, ao notar qualquer irregularidade, o munícipe deve entrar em contato com a Vigilância Sanitária via Ouvidoria Pública (pelo telefone 162 ou no site da Prefeitura) para o registro da reclamação.


_________________________________________________FIM de uma ERA: Airbus entrega o ÚLTIMO A380, maior avião comercial do mundo, para a Emirates

Encerramento da produção marca o fim de uma corrida de 14 anos que deu à Europa um símbolo reconhecido em todo o mundo
Avião da Emirates Airlines modelo Airbus A380-800 decola do Aeroporto Internacional de Dubai. Companhia aposta no uso do maior avião comercial do mundo, que deixa de ser produzido após 14 anos Foto: Christopher Pike / REUTERS
Avião da Emirates Airlines modelo Airbus A380-800 decola do Aeroporto Internacional de Dubai. Companhia aposta no uso do maior avião comercial do mundo, que deixa de ser produzido após 14 anos Foto: Christopher Pike / REUTERS

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PARIS - A Airbus entrega o último superjumbo A380 à Emirates Airlines nesta quinta-feira, marcando o fim de 14 anos de produção de um ícone europeu reconhecido mundialmente na aviação. O evento ocorre em meio à retomada dos voos diários da Emirates para o Brasil com o A380, numa aposta da empresa na retomada do turismo internacional.

A produção do maior avião comercial do mundo - com capacidade para 500 pessoas em dois andares e regalias como chuveiros na primeira classe - terminou depois que 272 modelos foram fabricados, bem abaixo dos mais de mil previstos.

A Airbus, que reúne fabricantes de aviões na Grã-Bretanha, França, Alemanha e Espanha, encerrou o projeto em 2019 depois que as companhias aéreas optaram por modelos menores e mais enxutos.

Espera-se que a entrega seja discreta, em parte por causa das restrições da Covid-19 e também porque a Airbus está focando suas relações públicas nos benefícios ambientais de jatos menores.

Isso contrasta com o espetacular show de luzes que revelou o gigante da aviação diante dos líderes europeus em 2005.

Em voo de pré-entrega do último A380 produzido no mundo, pilotos da Airbus desenharam um “coração” como forma de despedida Foto: Reprodução
Em voo de pré-entrega do último A380 produzido no mundo, pilotos da Airbus desenharam um “coração” como forma de despedida Foto: Reprodução

No domingo, a Airbus realizou um voo de pré-entrega do último A380 fabricado, partindo de Hamburgo e permanecendo no ar por quase cinco horas.

Para marcar o momento histórico, os pilotos da Airbus desenharam um coração no céu durante o voo realizado na região norte da Alemanha.

Aposta da Emirates

A Emirates é de longe o maior comprador e ainda acredita na capacidade do superjumbo de atrair passageiros. Por isso, mesmo que nenhum outro A380 seja construído, ele continuará voando por anos.

A decisão da Emirates vai na contramão de muitas companhias aéreas, que descartaram o A380 durante a pandemia.

O presidente da Emirates, Tim Clark, se recusa a ceder aos céticos que dizem que os dias dos jatos quadrimotores e espaçosos como o A380 estão contados quando um assento de avião se torna uma mercadoria como qualquer outra.

"Não compartilho dessa opinião... E ainda acredito que há um lugar para o A380", disse Clark recentemente a repórteres.

O presidente da Emirates Airlines, Tim Clark, acredito que há espaço para o A380 no setor Foto: ABDEL HADI RAMAHI / REUTERS
O presidente da Emirates Airlines, Tim Clark, acredito que há espaço para o A380 no setor Foto: ABDEL HADI RAMAHI / REUTERS

"Tecnocratas e contadores disseram que não era adequado... Isso não ressoa em nosso público viajante. Eles adoram aquele avião", disse ele.

Impacto da crise

O fim do A380 deixou deserto um dos maiores edifícios do mundo, que abriga uma fábrica de montagem de 122.500 metros quadrados em Toulouse, na frança.

A Airbus planeja usar parte dele para fabricar alguns dos modelos "narrowbody" (aeronaves de fuselagem estreita, que oferecem apenas um corredor central) que dominam as vendas.

Mas é em Hamburgo que algumas das características mais marcantes do A380 evoluíram.

Clark relembrou como se reuniu com os desenvolvedores da Airbus no norte da Alemanha para persuadir os chefes da Airbus na França a pagar pela engenharia necessária para tornar realidade os chuveiros de bordo.

"Tive que me sentar com amigos na unidade de desenvolvimento em Hamburgo para construir os chuveiros e, em seguida, pedi à administração de Toulouse para ver como isso poderia ser feito, e eles aceitaram", disse Clark.

Essa inovação gerou manchetes, mas não se traduziu nas vendas necessárias para manter o A380 em funcionamento. O avião foi projetado na década de 1990, quando a demanda por viagens crescia e a China oferecia um potencial aparentemente ilimitado.

Quando a primeira entrega foi feita em 2007, o avião estava mais de dois anos atrasado. E, quando a Emirates comprou seu primeiro A380 um ano depois, a crise financeira emergente já estava forçando os analistas a reduzirem suas previsões para os maiores jatos.

Enquanto isso, a Boeing estava capturando pedidos para um novo 787 Dreamliner revolucionário, a ser seguido pelo Airbus A350.

"Houve uma desaceleração do apetite e do entusiasmo. Não compartilhamos dessa opinião. Colocamos essa grande aeronave (A380) para funcionar", disse Clark durante uma reunião com companhias aéreas.

"Temos o que considero uma das aeronaves mais bonitas já voadas."

_________________________________________________Ratinho sugere eliminar ‘com metralhadora’ deputada do PT; parlamentar vai acionar justiça | Sonar - A Escuta das Redes - O Globo

Lourival Ribeiro
Lourival Ribeiro | SBT Jan Niklas


O apresentador Ratinho sugeriu em um programa de rádio que a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) deveria ser "eliminada com o uso de uma metralhadora". Ele disse ainda para a parlamentar ir “lavar” e “costurar” as roupas e cuecas de seu marido. Bonavides afirmou que irá acionar o apresentador judicialmente. 

Ratinho fez os ataques a Bonavides por conta de um projeto de lei apresentado recentemente por ela que pretende tirar a expressão "marido e mulher" da celebração do casamento no Código Civil. A proposta prevê a troca dos termos por uma sentença neutra que torne as cerimônias mais igualitárias. 

"Natália, você não tem o que fazer, não? Você não tem o que fazer, minha filha? Vá lavar roupa. Costurar a calça do teu marido, a cueca dele, porque isso é uma imbecilidade... esse tipo de coisa. A gente tinha que eliminar esses loucos. Não dá para pegar uma metralhadora?", disse o apresentador no programa de rádio "Turma do Ratinho".

A parlamentar usou as redes sociais para rebater as agressões verbais do apresentador. 

 “Ratinho sugeriu que eu fosse metralhada, em programa visto por milhares de pessoas. Incitar homicídio é crime! Ele coloca a minha vida e minha integridade física em risco. Ratinho ainda disse que eu fosse lavar as cuecas de meu marido”, publicou Bonavides.

A petista afirmou ainda que irá denunciar na justiça as ofensas feitas pelo apresentador.

“Essas ameaças e ataques covardes não ficarão impunes. O apresentador utilizou uma concessão pública para cometer crime. Vamos acioná-lo judicialmente, inclusive criminalmente”, completou a deputada federal.

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As provas de que o Brasil voltou a ser o ‘país da renda fixa’ | Capital - O Globo

Investimentos

A escalada acelerada da Selic e o nervosismo da Bolsa farão com que o Brasil termine 2021 de volta ao posto de “país da renda fixa” — e os números comprovam isso.

Olhando para os fundos de investimento, os veículos de renda fixa tiveram captação líquida de R$ 287,6 bilhões no ano até agora, enquanto os fundos de ações só atraíram R$ 5,6 bilhões. Os multimercados, que foram um dos pilares de diversificação do brasileiro enquanto a Selic andava cabisbaixa, registraram captação líquida de R$ 60,7 bilhões.

Considerando-se apenas dezembro, a renda fixa está positiva em R$ 11,6 bilhões, enquanto escaparam R$ 6,4 bilhões dos multimercados e R$ 1 bilhão dos fundos de ações.

A classe média, que ficara órfã da Selic no período de juros baixos, já parece ter virado a chave. Até novembro, 93% dos investimentos dos pequenos investidores em fundos foram para a renda fixa. Os números são da Anbima.

Em paralelo, o Tesouro Direto, por meio do qual as pessoas físicas compram títulos públicos, registrou captação líquida recorde em outubro, de R$ 1,92 bilhão.

Empresas aproveitam

Pela ótica das empresas, elas estão aproveitando a demanda dos investidores pela renda fixa para captar por meio desses instrumentos. Se o IPO foi o queridinho no ano passado e no começo deste ano, as debêntures voltaram a ser a estrela.

No ano até novembro, esses títulos de dívida somaram R$ 224,7 bilhões em emissões, 44% do total. A fatia das ações, por sua vez, foi de apenas 25%.

Outros instrumentos de renda fixa também estão bombando. Os CRAs, certificados do agronegócio, captaram 84% mais este ano. Entre os CRIs, certificados imobiliários, as emissões  dobraram.

No acumulado do ano, o CDI entrega 3,9% pro investidor, enquanto a Bolsa dá um prejuízo de 9,6%.  

_________________________________________________Tereza Seiblitz faz novo desabafo sobre André Gonçalves: 'Xingou a filha de todas as formas'

Mãe de Manuela, que não recebe pensão do pai há dez anos, diz que o ator sempre foi ausente na criação da filha e que ele 'não sabe nem a idade dela'
Tereza Seiblitz e André Gonçalves: ator deve pensão alimentícia à filha, fruto de antigo relacionamento com a atriz Foto: Agência O Globo
Tereza Seiblitz e André Gonçalves: ator deve pensão alimentícia à filha, fruto de antigo relacionamento com a atriz Foto: Agência O Globo

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Mãe da filha mais velha de André Gonçalves, Tereza Seiblitz fez um novo desabafo sobre a dívida de pensão de R$ 109 mil que o ator tem com Manuela Seiblitz, de 22 anos. Em relato publicado no Instagram, a atriz contou que o ator xingou a filha "de todas as formas" quando ela assumiu, aos 18 anos, as reinvindicações pela pensão.

"André agora abre a boca para dizer que Manuela quer o mal dele e não sabe nem a idade dela. Não é 23, é 22", ressaltou Tereza. "Estou escrevendo isso por que sei que são muitas mulheres que passam por este tipo de injúrias que minha filha e eu estamos passando. Não quero mais relação nenhuma com esse sujeito".

"É triste e revoltante ver um pai expor assim os filhos", frisou Tereza. "Quando a Manuela foi registrada, com 4 meses, fomos eu, meu compadre Emilio e ele buscar a carteira de identidade dele (André) retida num bar na Gávea por causa de uma dívida", revelou a atriz.

No mesmo post, Tereza alega que André Gonçalves "nunca teve cotidiano" com a filha. "Não pegava fim de semana nem às quartas-feiras, como é comum. Na única vez em que pedi para ele ir ao pediatra comigo, quase perdi a hora porque ele não apareceu". Segundo a mãe de Manuela, André "furou vários encontros" com a filha. "Ele ligava, dizia pra mim que viria e não chegava. Ela esperando, e nada".

A atriz conta que André pagava pensão "quando queria". E acrescentou que "às vezes ele vinha com presentes vistosos". "Quando aconteciam os encontros, eram afetivos e festivos. Lá pelos 9 anos dela, ele diminuiu a pensão combinada do nada. Eu já estava sem contrato. Tentei conversar. Ele disse 'não, deixa os advogados conversarem'".

À época, Tereza recebeu como resposta um fax em que André regulava as visitas a que ele teria direito. "Voltando à pensão, fiz o que ele [André] pediu e os advogados começaram a conversar. No dia em que ele viu que teria que pagar a pensão combinada, me ligou aos berros me xingando".

"Isso foi se desenrolando, ele pagando quanto queria quando queria, até que a Manuela com 18 anos teve que estar à frente. Ele a xingou de todas as formas", conta Tereza.

Entenda o caso

No fim de novembro, André Gonçalves teve prisão domiciliar decretada pela Justiça de Santa Catarina devido às dívidas com a pensão alimentícia — avaliadas em R$ 350 mil — da filha Valentina, fruto de seu antigo relacionamento com a jornalista e atriz Cynthia Benini.

Uma semana depois de o caso vir à tona, André Gonçalves se tornou alvo de um novo pedido de prisão pelo mesmo motivo, só que dessa vez tendo a sua filha mais velha como autora da ação. Manuela, de 23 anos, assumiu o processo que a mãe dela, a atriz Tereza Seiblitz, movia contra o ex na Justiça do Rio por alimentos atrasados.  O processo tramita na 4ª Vara de Família da capital e espera a decisão do juiz.

O ator André Gonçalves durante entrevista na casa onde mora com a mulher Danielle Winits Foto: Maurício Val/Divulgação
O ator André Gonçalves durante entrevista na casa onde mora com a mulher Danielle Winits Foto: Maurício Val/Divulgação

Manuela, que cobra uma pensão mensal de R$ 6 mil, não aceitou o pagamento atrasado do acordo de R$ 20 mil oferecido por Gonçalves no último mês de outubro e agora também pede a reclusão do pai por uma dívida de R$ 109 mil.

O ator criticou a rigidez da lei que prevê prisão para quem não tem condições de pagar pensão alimentícia no Brasil e falou da mágoa que sente por não ter mais um bom relacionamento com as filhas – ele está bloqueado dos contatos com elas nas redes sociais.

—  Elas viraram as costas para mim por dinheiro, não quero dizer nenhum nome ruim dos meus filhos, mas eu acho que é inominável a situação que eu estou passando sem precisar passar — afirmou o ator, ao GLOBO. — A saída não é a prisão. Eu sei o pai que eu sou, que eu quero ser. Não sou bandido. Não há nada que me desabone na esfera federal, estadual ou municipal.

_________________________________________________EUROPA inicia BOICOTE ao agro brasileiro. CULPA recai sobre governo Bolsonaro, pró-desmatamento

A JBS, a MAIOR processadora de carne do MUNDO, utilizou carne de vacas criadas em áreas desmatadas ILEGALMENTE.

16 de dezembro de 2021, 13:04

247 - Para além das consequências climáticas, o abandono do meio ambiente por parte do governo Jair Bolsonaro vai afetar ainda mais a economina brasileira. Nesta quarta-feira (15), mercados europeus disseram que deixarão de vender parte ou todos os derivados da carne brasileira por causa de sua relação com o desmatamento da Amazônia.

O anúncio do boicote foi feito por seis redes europeias de supermercados, incluindo duas de propriedade da empresa holandesa Ahold Delhaize e uma subsidiária do Carrefour. A rede de supermercados Lidl Netherlands afirmou que já a partir do ano que vem não venderá mais carnes com origem na América do Sul.

Desde o início do governo Bolsonaro, o desmatamento da Amazônia brasileira disparou. O chefe do governo federal quer, entre outras intervenções, ampliar a atuação de agricultores e mineradoras na região.

De acordo com a Folha de S. Paulo, o boicote é uma resposta também a uma investigação da entidade Repórter Brasil, que alegou que a JBS, a maior processadora de carne do mundo, utilizou carne de vacas criadas em áreas desmatadas ilegalmente.


_________________________________________________Veja as cidades do mundo onde as temperaturas já superam os 50ºC - Gizmodo Brasil

Cancelamentos de voos, derretimento de rodovias e de linhas de energia. Tudo isso já é realidade em diversas cidades do mundo - por conta do calor

Ingrid Oliveira 1 mês atrás

O papo sobre mudanças climáticas e sobre como a humanidade está alterando a dinâmica do planeta parece algo distante, que somente as gerações futuras sentirão. Mas isso está longe de ser verdade. Algumas cidades do planeta já estão sentindo para valer os efeitos da crise do clima, com altas temperaturas, aumento do nível do mar e muitos focos de incêndio.

Junho foi um mês excepcionalmente quente para vários países do hemisfério norte. Foram pelo menos 486 mortes registradas na província canadense de Colúmbia Britânica, onde as temperaturas atingiram quase 50° C. Nos Estados Unidos, uma onda de calor entortou rodovias e derreteu linhas de energia.

O recorde de calor ocorreu em 22 de junho, quando Nuwaiseeb, no Kuwait, registrou a temperatura mais alta do mundo em 2021, com 53,2°C. No país vizinho Iraque, as temperaturas atingiram 51,6ºC em 1 de julho de 2021.

O mesmo acontece em Ahmedabad, cidade da Índia, conforme relata a BBC News. As áreas muito povoadas são afetadas por um evento conhecido como efeito de ilha de calor urbana — concentração de materiais que absorvem mais calor e possuem baixa capacidade reflexiva, como asfalto e concreto dos prédios. A pior parte: não há trégua à noite, quando pode realmente ficar mais quente.

Shakeela Bano, moradora da cidade, contou à reportagem que costuma colocar as roupas de cama de sua família no telhado de sua casa de um andar na Índia, já que, algumas noites é impossível dormir — a temperatura pode chegar a 46°C. Ela mora com  o marido, a filha e três netos em um quarto sem janelas, e a residência conta com apenas um ventilador para refrescar o ambiente.

No Brasil, as temperaturas estão ligeiramente abaixo desses exemplos. Mas não muito. Cidades do interior de Goiás, por exemplo, superaram a marca dos 43°C no último mês de setembro.

Num momento crucial para que o mundo olhe com mais cautela para mudanças climáticas, acontece a a COP26, Conferência Anual de Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU). Iniciada em 31 de outubro e com fim previsto para 12 de novembro, o evento reúne representantes de vários países com o objetivo de discutir alternativas à crise climática.

Aqui estão algumas atualizações sobre a questão do clima discutidas na COP 26, como apontou o Gizmodo EUA.

_________________________________________________Temperatura bate recorde com 38ºC na Sibéria, veja as consequências - 2021-12-16


38,0⁰C - Verkhoyansk (Siberia)
54,5⁰C - Vale da Morte (Mundial)
48,8⁰C - Sicilia (Europa)
Quase 50⁰C - Colúmbia Britânica Canada

A temperatura foi registrada na cidade siberiana de Verkhoyansk, e é mais um alerta do avanço rápido das mudanças climáticas

Carolina Fioratti

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) reconheceu a temperatura de 38 ºC registrada na Sibéria como a mais alta já marcada na região do Círculo Polar Ártico. O calorão aconteceu em 20 de junho de 2020 na cidade siberiana de Verkhoyansk, mas o recorde foi confirmado só agora. 

No último ano, a Sibéria enfrentou uma temporada de calor extremo durante o verão, com temperaturas que ficaram 10ºC acima do normal. Isso trouxe diversos pontos negativos — como incêndios florestais mais devastadores.

Além disso, o clima quente leva ao derretimento do permafrost, solo permanentemente congelado que está em quase todas as áreas do Ártico. No início de junho, 20 mil toneladas de diesel foram derramadas no norte da Sibéria quando tanques de armazenamento quebraram, provavelmente por causa do derretimento de gelo. 

O problema vira uma bola de neve: 2020 foi classificado como um dos três anos mais quentes da história global, e os efeitos das mudanças climáticas no Ártico parecem ter contribuído para isso. Hoje, a região polar está aquecendo duas vezes mais rápido do que a média mundial. 

Essa é a primeira vez que a OMM, serviço ligado à ONU, inclui um recorde de calor no Ártico em seus relatórios sobre condições climáticas extremas. Agora, a OMM está analisando outros possíveis recordes de temperatura.

No Vale da Morte, na Califórnia, os termômetros alcançaram a marca de 54,5ºC — o que pode ser o mais alto já registrado no mundo. Além disso, os pesquisadores estão estudando a marca de 48,8ºC registrada na ilha de Sicília, na Itália, que pode ser a temperatura mais quente já vista na Europa. E tudo indica que esses recordes não devem durar muito.


_________________________________________________De cracolândia a má conservação: seis motivos que podem deixar Paes envergonhado de passar pelo Centro do Rio

Eduardo Paes, que não cansa de manifestar seu orgulho pela cidade, disse que fica ' envergonhado ao passar pelo Centro'
Morador em situação de rua ao fim da Avenida Rio Branco Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Morador em situação de rua ao fim da Avenida Rio Branco Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

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RIO —  No terceiro mandato como prefeito do Rio, Eduardo Paes não cansa de manifestar seu orgulho pela cidade. “Tenho o melhor emprego do mundo”, costuma repetir, ao vivo ou nas redes. Daí o susto quando, na última segunda-feira, numa cerimônia de sua agenda, ele reconheceu: “Fico envergonhado como prefeito ao passar pelo centro da cidade daquela maneira, com barracas e acampamentos espalhados”.

No dia seguinte, O GLOBO percorreu a região. Mais do que envergonhar, a explosão da população de rua em todos os cantos entristece. São mais de duas mil pessoas sem moradia perambulando pelo bairro, esvaziado pela crise que a pandemia acentuou. Além disso, o Centro padece com comércio informal, insegurança, má conservação de praças e calçadas, patrimônio histórico abandonado, imóveis desocupados, lojas fechadas e até uma cracolândia a 250 metros do Batalhão de Choque. Esses são alguns problemas à vista de quem passa pelo bairro, alvo de programas de revitalização como o Reviver Centro, iniciativa da própria prefeitura.

Símbolo dessas mazelas, um buraco de quase dez metros de profundidade divide espaço com o monumento ao marechal Deodoro da Fonseca no gramado diante da Cinelândia. Confira, a seguir, seis motivos para se envergonhar do Centro — e soluções apontadas para resolvê-los.

O mistério do buraco ‘sem dono’ na cinelândia

No vasto gramado onde fica o monumento ao Marechal Deodoro da Fonseca, em frente à Praça Mahatma Ghandi, um buraco de cerca de três metros de largura e dois de comprimento põe em risco a vida de quem passa por perto. Sem sinalização, o ‘poço’ tem quase dez metros de profundidade e inspirou curiosa ciranda: a Fundação Rio-Águas e a concessionária Águas do Rio negam a responsabilidade pelo problema, a Secretaria de Conservação da prefeitura ficou de averiguar e a Light botou a culpa no Metrô Rio, que também negou a atribuição.

Buracos sem tampas no chão em frente ao Passeio Público Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Buracos sem tampas no chão em frente ao Passeio Público Foto: Gabriel de Paiva / Agência


Na Praça João Calvino (foto), os bueiros não têm tampas. Lá, além de lixo espalhado, grades estão enferrujadas e despedaçadas. Os desníveis nas calçadas parecem detalhes comparados aos incontáveis bueiros abertos: na Rua da Carioca, comerciantes colocaram blocos de concreto em um buraco para evitar acidentes.

A moradia em praças e sob as marquises

As praças Tiradentes e João Calvino, a Cinelândia e as avenidas Presidente Vargas e Rio Branco são alguns dos locais do Centro onde há grande concentração de pessoas sem moradia, mais uma situação agravada pela pandemia.

Moradores em situação de rua no Teatro João Caetano Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Moradores em situação de rua no Teatro João Caetano Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Marquises abrigam varais improvisados e moradores de rua na Tiradentes, diante do Teatro João Caetano (foto), e na Cinelândia, às portas do Cine Odeon. Além disso, a proximidade com as (poucas) oportunidades de trabalho atrai outro contingente de desabrigados, que ocupa imóveis abandonados e em condições insalubres.

A Secretaria de Assistência Social diz que, no ano passado, identificou cerca de 2.320 pessoas em situação de rua no bairro; e que, este ano, realizou mais de 40 mil atendimentos, o que se refletiu nos abrigos: em 2020, 24% da população de rua estava acolhida; este ano, o índice subiu para 36,5%.

Efeito pandemia: ambulantes se multiplicam

Problema antigo do Centro, o comércio informal e desordenado também se intensificou na pandemia. Quem anda pela Rua Uruguaiana (foto) e seus arredores, onde há muitas lojas fechadas, precisa desviar de produtos espalhados no chão pelos camelôs. No ano passado, Carla Louzada veio de Lima, no Peru, buscar uma oportunidade de trabalho no Rio. Ela se estabeleceu como ambulante na esquina da Uruguaiana com a Sete de Setembro.

Camelôs se aglomeram cada vez mais na Rua Uruguaiana Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Camelôs se aglomeram cada vez mais na Rua Uruguaiana Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo


— Com a pandemia, perdi o meu emprego e decidi vir ao Brasil, onde tenho alguns parentes. Não consigo muito dinheiro aqui, mas é melhor do que ficar parada — disse a técnica em telecomunicações, que hoje vende bermudas na calçada.

A Secretaria de Ordem Pública não informou se tem algum planejamento para organizar esses trabalhadores, apenas ressalta que a Guarda Municipal atua na região.

Muito cuidado com o celular e a carteira

Andar pelo Centro é uma atividade de risco. Na última terça-feira, o GLOBO constatou que pontos como o Largo São Francisco de Paula e o Passeio Público não tinham policiamento.

— Já fui assaltada na Central: um rapaz esbarrou em mim, tomou meu telefone e saiu correndo. Falei com os policiais que estavam por perto, mas não adiantou, o ladrão conseguiu fugir — disse Elizabeth Ramalho (foto), enquanto aguardava o ônibus na Presidente Vargas, sem tirar a mão do bolso onde estava seu celular.

Elizabete Ramalho não descuida do telefone no bolso Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Elizabete Ramalho não descuida do telefone no bolso Foto: Gabriel de Paiva


Há meses, uma cracolândia se instalou na esquina das ruas Frei Caneca e Moncorvo Filho, a 250 metros do Batalhão de Choque. A PM diz que um dos principais focos da corporação é a repressão aos crimes de oportunidade, como roubos e furtos de rua, e que o Centro “apresenta um contexto histórico e social peculiar, onde a vasta população de rua facilita a camuflagem de indivíduos mal-intencionados”.

Arquitetura da destruição e do apagamento

Na Praça Tiradentes, são incontáveis os casarões históricos abandonados: de um deles só restou a fachada, enquanto as janelas foram cobertas por telhas. Na Rua Ramalho Ortigão, um prédio em ruínas oferece perigo para quem passa pela região: nem as janelas sobraram. Ambos os imóveis estão sem telhado.

O casal gaúcho Victor Pinheiro e Cláudia Vuchholz Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

O casal gaúcho Victor Pinheiro e Cláudia Vuchholz Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo


Repletos de pichações, janelas quebradas e paredes manchadas, os fundos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (o IFCS, tombado pelo Inepac), no Largo São Francisco de Paula, assustaram Cláudia Vuchholz e Victor Pinheiro, casal de turistas de Porto Alegre.

— É muita sujeira, moradores de rua, deterioração do espaço público. Ao contrário do que se imagina, os Arcos da Lapa estão malcuidados e caindo aos pedaços — lamentou Vuchholz.

A UFRJ diz que abriu processo para contratação de projetos para restauração do prédio citado, ainda não iniciado “por falta de recursos”.

‘Alugam-se’: lojas não resistem à crise econômica

Impactados pela crise econômica acentuada pela pandemia, mais de mil estabelecimentos comerciais do Centro fecharam as suas portas desde o ano passado e ainda exibem placas de “aluga-se”. O problema é facilmente identificado até mesmo em locais onde o fluxo comercial sempre foi muito intenso, como a Rua Uruguaiana e a Avenida Rio Branco. Somente no trecho da Rua do Ouvidor entre essas duas vias, o GLOBO contou 13 lojas fechadas. A situação se repete ao longo de toda a Rua da Carioca (foto), do metrô até a Praça Tiradentes.

Dados da Junta Comercial do Estado do Rio (Jucerja) apontam que 1.142 empresas fecharam as portas no Centro desde o início de 2020. A entidade informou ainda que, com a retomada econômica, cerca de 30 mil empresas foram abertas na cidade este ano, mas não disse quantas no Centro.


Rua da Carioca com Praça Tiradentes, todas as lojas fecharam as portas Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Rua da Carioca com Praça Tiradentes, todas as lojas fecharam as portas Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
 Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

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