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FORA da indústria 4.0

“Vamos virar uma grande fazenda”: Brasil vive acelerada desindustrialização ///////////////////////////////////////////////////////////////////

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_________________________________________________A incerteza provocada | Míriam Leitão - O Globo

Ação de Bolsonaro CONTRA a ELEIÇÃO é MAIS_GRAVE do que POLARIZAÇÃO 


Vacina contra a Covid-19 sendo aplicada em Santa Catarina | Divulgação

Todos os anos são imprevisíveis à sua maneira, mas este ano é imprevisível de todas as maneiras. A pandemia ainda não terminou, a nova onda de contaminação pela ômicron suspendeu a temporada de cruzeiros pelo litoral brasileiro e está ameaçando a realização do carnaval. Se o carnaval para os foliões é festa, para a economia é aumento do nível de atividade. Tudo isso aumenta a incerteza sobre a retomada do setor de serviços. Ano eleitoral sempre é o momento em que os governos aumentam os gastos, mas, neste caso, os gestores públicos estão vivendo um surto extemporâneo de ilusão monetária, a inflação elevou a arrecadação e eles acham que está sobrando dinheiro e começam a gastar por conta.

Virou clichê dizer que essa eleição será polarizada. Na verdade, polarizadas são todas as eleições, principalmente o segundo turno. O que realmente preocupa é que, pela primeira vez, desde a redemocratização, o país está entrando em um ano eleitoral com um presidente antidemocrático no poder. Bolsonaro está claramente em desvantagem nas pesquisas de intenção de votos, mas tem a máquina pública nas mãos, tem ministros subservientes que aceitam fazer qualquer papel que ele exija, e teve apoio de chefes das Forças Armadas nos seus arremedos autoritários, como aquele patético desfile de tropas na Esplanada antes da votação do voto impresso. A dúvida que permanece sobre nossas cabeças é a respeito de quais artimanhas o presidente pretende usar para minar o processo democrático.

Esta é uma eleição diferente de outras, porque o vencedor parece estar consolidado muito tempo antes das eleições. O ex-presidente Lula está num patamar tão alto e tão firme que seu favoritismo dá a impressão de que essa não é uma eleição incerta. E incerteza é da natureza de qualquer processo político democrático. Será um erro o país achar que está tudo decidido porque a maior imprevisibilidade é institucional. O país não pode esquecer as reiteradas ameaças que o presidente Bolsonaro fez às instituições democráticas, ao processo eleitoral, ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso, aos governadores. Bolsonaro é um presidente que governa de costas para a Constituição e contra a população à qual deveria servir. Será respeitoso aos ritos eleitorais? Sairá pela porta do Planalto, depois de civilizadamente entregar a faixa presidencial ao vencedor? A incerteza não é dada pela polarização política, mas pela dúvida sobre quantas agressões o chefe do executivo fará contra o processo de escolha dos eleitores.

As projeções econômicas do PIB continuam cada vez menores. Ontem, o Boletim Focus divulgou uma nova redução na mediana das previsões dos bancos e consultorias. O crescimento caiu de 0,42%, para 0,36%. A imprevisibilidade aqui é que a cada semana esse número cai um pouco. No fim de agosto, a mediana era de 2%. Em quatro meses, o mercado saiu dessa previsão e foi para a aposta de estagnação da economia.

A inflação é a única previsão relativamente otimista da economia em 2022. Os economistas projetam queda do índice à metade. Ela que está hoje em 10% iria para 5%. Sinceramente é uma aposta difícil de sustentar. Há pressões inflacionárias por correções de preços nesse começo de ano. Setores tentarão repassar a inflação do ano passado, como as escolas, ou os mais impactados pelo aumento do salário mínimo. A energia tem reajustes contratados pela má administração da crise hídrica do ano passado. O dólar continuará volátil ,contaminando preços como os combustíveis. O Banco Central atuará para a queda da inflação, mas até que ponto poderá elevar taxa de juros numa economia tão fria?

Será um ano difícil, isso é certo. Com um quadro geral de incertezas na política, na economia, na área social e na relação entre as instituições. Esse final de ano foi um exemplo das nossas aflições. O Nordeste afetado por uma tragédia climática, e o presidente exibindo ostensivamente sua farra nas praias do Sul, o ministro da Saúde atacando a saúde das crianças com manobras protelatórias da vacina e o ministro da Educação querendo suprimir o passaporte de vacinas nas universidades. O ano começa com o presidente novamente internado para tratar de uma obstrução intestinal e sua administração, como sempre, à deriva. Parte da incerteza é da natureza dos eventos, parte será provocada pelo próprio governo.


_________________________________________________Jovem Pan News NAUFRAGA em audiência e CAI 8 posições em ranking

Emissora de extrema-direita PIOROU seu desempenho em dezembro

4 de janeiro de 2022, 06:38 h

Revista Fórum - O canal de notícias de extrema-direita Jovem Pan News teve uma piora na sua média de audiência entre os meses de novembro e dezembro e caiu 8 posições no ranking geral da TV paga.

Segundo dados da Kantar Ibope no Painel Nacional de Televisão (PNT), a Jovem Pan News registrou média de 0,03 ponto de audiência, ou 0,09% de share. Isso a coloca como a 53ª no ranking da TV Paga de dezembro.

Em novembro, a emissora tinha ficado na 45ª posição. A queda de oito posições aconteceu no terceiro mês da Jovem Pan como emissora de TV.


_________________________________________________Delegacia de Homicídios investiga morte de americano dentro de cobertura alugada em Ipanema

Corpo de Simonson James, de 47 anos, foi encontrado na cama em um imóvel na Rua Barão de Jaguaribe, na tarde de 31 de dezembro

Fachada do prédio em Ipanema Foto: Reprodução / Google Street View

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RIO — Policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) abriram um inquérito para investigar a morte do americano Simonson James, de 47 anos, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. O corpo do estrangeiro foi encontrado pela irmã do proprietário de uma cobertura na Rua Barão de Jaguaribe, na tarde da última sexta-feira, dia 31, alugado por ele para passar as festas de fim de ano. O laudo de necropsia, feito por peritos do Instituto Médico-Legal (IML) e que esclarecerá a causa do óbito, ainda não foi concluído.

De acordo com o registro de ocorrência, policiais militares do 23º BPM (Leblon), acionados pelos proprietários do apartamento, encontraram o cadáver na cama, aparentemente sem sinais de violência nem de uso de drogas. A vítima alugou o espaço no dia 29, por meio de uma plataforma online, e desde o início da hospedagem, não dava notícias. Nenhum objeto de valor da vítima foi levado.

Segundo o responsável pela locação, imagens de câmeras de segurança do imóvel mostram que americano chegou ao local por volta de 22h30 do dia 29. Ele teria subido as escadas, perdendo o equilíbrio, em direção ao quarto é chegado a gemer de dor. Uma médica da Samu, que também foi chamada, acredita que James possa ter sofrido um infarto.

_________________________________________________Nostradamus: profecias para 2022 preveem guerras, terremotos, robôs e morte de ditador

Confira lista com as sete principais antevisões do astrólogo francês para o próximo ano

O Globo e agências internacionais

30/12/2021 - 06:30 / Atualizado em 30/12/2021 - 06:44

Nostradamus ficou conhecido por seu livro Les Prophéties, uma coleção de 942 quadras poéticas, supostamente prevendo eventos futuros Foto: ROBERT PRATTA / REUTERS/Robert Pratta

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RIO - Nostradamus foi um astrólogo francês que nasceu no início do século XVI. Apesar de ter trabalhado como médico, seu reconhecimento veio através da sua suposta capacidade de prever o futuro. Ao todo, ele escreveu 6.338 profecias nas quais inclusive sugere quando, onde e como o mundo vai acabar.

Do Grande Incêndio de Londres à ascensão de Adolf Hitler ao poder e os horrores da Segunda Guerra Mundial, da Revolução Francesa até a criação da bomba atômica, as previsões de Nostradamus foram majoritariamente precisas.

Segundo alguns crentes de suas profecias, Nostradamus também teria previsto o início da pandemia de coronavírus em 2020.

O astrólogo francês morreu em 2 de julho de 1566, mas suas previsões continuam a surpreender aqueles que seguem seu trabalho. Nostradamus também fez previsões para 2022. Abaixo seguem as sete principais:

Morte de Kim Jon-Un

Segundo os intérpretes das profecias, Nostradamus pode ter previsto a morte do ditador norte-coreano Kim-Jong Un.

Na 14ª quadra do Centúria IV, ele escreveu: "A morte repentina do primeiro personagem / Trará uma mudança e pode colocar outro personagem no reino".

Os crentes de Nostradamus especularam que o líder é Kim-Jong Un em meio a sua perda de peso e rumores recorrentes sobre sua saúde.

O déspota norte-coreano não era visto há algum tempo, desde uma enorme exposição de mísseis em outubro, sua ausência mais longa em sete anos. Ele reapareceu novamente em 15 de novembro, o que alimentou ainda mais as especulações prolongadas sobre sua saúde.

Terremoto desastroso

Acredita-se que a terceira quadra do Centúria III de Nostradamus previu um grande terremoto no Japão em 2022. O profeta escreveu: "Em direção à extrema secura / Nas profundezas da Ásia, eles dirão terremoto".

No dia 7 de outubro, um terremoto estimado em uma magnitude de 5,9 em seu epicentro sacudiu a região da grande Kanto. Embora os danos tenham sido mínimos, foi o maior tremor a atingir a capital do Japão desde o terremoto que devastou a região de Tohoku em 11 de março de 2011.

Guerra na Europa

De acordo com algumas interpretações das profecias para o próximo ano, uma delas diz respeito diretamente a Paris. A capital francesa estaria sendo sitiada, sugerindo uma guerra na Europa.

A seção referente a isso diz: “Em toda a volta da grande cidade / Haverá soldados alojados nos campos e nas cidades”.

Este ano já teriam ocorrido caos nas ruas da capital francesa este ano em meio a tumultos devido às restrições de Covid.

Vale ressaltar que Paris foi atacada em 2015 por terroristas do ISIS que mataram 130 pessoas. Foi o ataque mais mortal à França desde a 2ª Guerra Mundial.

Crise de Migração

Em uma de suas profecias, Nostradamus escreveu: "De sangue e fome maior calamidade. Sete vezes apreste à praia marinha / Monech de fome, lugar levado, cativeiro".

A interpretação desta passagem significaria de que guerras e conflitos armados no mundo serão um amplificador da fome, aumentando os fluxos migratórios.

Segundo os especialistas, quando o profeta se refere às praias, ele está prevendo sete vezes mais migrantes chegarão às praias da Europa do que o normal.

A imigração continua a ser um grande debate político no Reino Unido e na Europa, especialmente após a morte de 27 pessoas no Canal da Mancha.

Quedas da União Europeia

Um dos pontos que vem chamando atenção para as profecias de Nostradamus, seria a previsão da queda da União Europeia, que tem sido atormentada por problemas desde que o Reino Unido votou Brexit em 2016.

Segundo a profecia: “Os templos sagrados são de primeiro estilo romano / Rejeitarão as fundações dos goffes”.

Os intérpretes apontam para o Tratado de Roma, ratificado em 1957, essencialmente fundador da União. De acordo com Nostradamus, o Brexit foi apenas o começo, e toda a União Europeia estava fadada ao colapso em 2022.

Já foi sugerido que a Polônia poderia ser o primeiro país a seguir o Reino Unido para fora do bloco, após uma disputa entre Varsóvia e Bruxelas.

Asteroide

Em 2021, uma previsão especialmente proeminente era que algum tipo de asteroide atingiria à Terra. "O fogo, vejo que cairá do céu", escreveu o astrólogo. Até a véspera do fim do ano nenhum asteróide de grande impacto caiu no planeta.

Robôs

Entre as previsões de Nostradamus para 2021 também há referências à inteligência artificial.

Ele escreveu: “A Lua em plena noite sobre a alta montanha / O novo sábio com um cérebro solitário a vê: por seus discípulos convidados a ser imortais, olhos para o sul. Mãos no peito, corpos no fogo.”

À medida que a inteligência artificial moderna se torna mais avançada a cada ano, esse aviso sobre os discípulos imortais assume um significado real.

_________________________________________________Letícia Sabatella lembra parto prematuro na época da morte de Daniella Perez e se revolta com assassino: ‘Cara de pau’

Intérprete da Imperatriz Teresa Cristina, da novela 'Nos tempos do Imperador', diz que rebateu comentário de Guilherme de Pádua no Instagram: 'Não deixamos barato, nem eu e nem meus seguidores'

Atriz lembrou circunstâncias do nascimento da filha: 'Cheguei a encontrar Gazola no hospital , onde Clara e eu ficamos internadas'. Foto: Vinicius Mochizuki

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A postagem da autora de novelas Gloria Perez lembrando os 29 anos do assassinato de sua filha, Daniella Perez, neste 28 de dezembro gerou comoção na internet, principalmente junto à classe artística. Entre os famosos que se manifestaram em apoio à escritora, o comentário de Letícia Sabatella chama atenção. A atriz contou que Guilherme de Pádua, condenado junto com sua então mulher, Paula Thomaz, pela morte da colega de elenco na novela “De corpo e alma” (1992) se manifestou em sua rede social.

“O assassino veio fazer um comentário no meu Instagram! Cara de pau. Não deixamos barato, nem eu e nem meus seguidores”, contou a intérprete da Imperatriz Teresa Cristina, da novela “Nos tempos do Imperador”, da Globo.

Em meados de novembro, assim que veio à tona a notícia de que a HBO Max está preparando uma série sobre o assassinato de Daniella Perez, Guilherme de Pádua deletou o perfil que tinha no Instagram com 40 mil seguidores e criou um privado. Atualmente, ele atua como pastor de uma igreja evangélica em Belo Horizonte, Minas Gerais. Em 1997, o ex-ator foi condenado a 19 anos e seis meses de prisão pelo assassinato de Daniella, a tesouradas. Mas foi colocado em liberdade condicional em 1999, depois de cumprir seis anos, nove meses e 20 dias da sentença, um terço do total da pena (ele já estava preso desde 1993).

Letícia ainda lembrou que na época do assassinato ela estava grávida de sua única filha, Clara, do relacionamento com o também ator Ângelo Antônio. Uma semana depois, no dia 4 de janeiro de 1993, ela deu à luz a menina, prematuramente:

“Sinto demais esta lembrança. Dia 28 de dezembro. A notícia que eu tentei nem escutar, estava grávida. As imagens que não saíam dos meus pensamentos. A tristeza. E eu quase perdi minha filha também. Nasceu de 5 meses”.

Na ocasião, Letícia diz que encontrou no hospital o ator Raul Gazolla, então marido da vítima:

“Cheguei a encontrar Gazola no hospital , onde Clara e eu ficamos internadas. As enfermeiras disseram que ele estava na emergência e fui dar um abraço nele, pela Dani”.

A atriz finalizou o comentário prestando condolências a Gloria Perez:

“Sinto muito, mestra! Sua força é admirável! Todo o Amor”. 


_________________________________________________Neonazismo no Brasil: relembre 12 casos que chocaram o país em 2021

Suásticas, bustos de Hitler, indumentárias do regime alemão foram apreendidas pelas polícias ao longo do ano; declarações antissemitas e supremacistas brancas também foram registradas
Coleção nazista é encontrada em casa de suspeito de pedofilia Foto: Paolla Serra / Paolla Serra
Coleção nazista é encontrada em casa de suspeito de pedofilia Foto: Paolla Serra / Paolla Serra

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RIO — No Brasil, segundo o artigo 20 da Lei 7.716, é crime fabricar, comercializar e distribuir símbolos para divulgação do nazismo. Mesmo assim, casos de apologia ao regime e a figuras como o ditator alemão Adolf Hitler vêm se disseminando em vários estados do país, que já conta com cerca de 530 células neonazistas, segundo estimativas. Um crescimento de quase 60% em dois anos.

O número de inquéritos abertos pela Polícia Federal para investigar casos de apologia ao nazismo cresceram consideravelmente nos últimos anos. Dados obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que, depois de já registrar alta significativa, passando de 20, em 2018, para 69 registros em 2019, as apurações contabilizadas pela PF somaram 110 no ano passado, o que representa um crescimento de 59% e uma média de um inquérito aberto a cada três dias.

Relembre alguns casos que chocaram o Brasil e fizeram de 2021 um ano marcado pela escalada do neonazismo:

Mensagens antissemitas de doutorando da UFRGS

O doutorando Álvaro Körbes Hauschild, de 29 anos, investigado por racismo, assediou e enviou mensagens antissemitas para a namorada de um judeu, de 17 anos, nas redes sociais. Hauschild publicava, no Facebook e em seu site, textos nos quais, nega o Holocausto e defende a eugenia, além de imagens hoje em dia associadas ao neonazismo e à supremacia branca.

Homem preso por pedofilia tinha acervo nazista no Rio

No dia 5 de outubro, o delegado Luiz Mauricio Armond, titular da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes), iniciou as investigações de um homem preso por suspeita de pedofilia, fazer parte de uma célula neonazista em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio. Na casa, havia pelo menos 12 fardas nazistas originais, nove armas, entre pistolas, revólveres e fuzis, bandeiras nazistas, um quadro de Adolf Hitler, um documento da SS com a foto de Doyle, o acusado,  vestido com uma farda da SS e a "patente" de obergruppenführer (o equivalente, na SS, ao posto de general).

Polícia apreende acervo nazista em casa de suspeito de abusar de menores Foto: Paolla Serra / Agência O Globo
Polícia apreende acervo nazista em casa de suspeito de abusar de menores Foto: Paolla Serra / Agência O Globo

Loja vende busto de Hitler e placa com símbolo nazista

Uma loja no Mercado de Pulgas, em Nova Trento (SC), denunciado à Polícia Civil e ao Ministério Público de Santa Catarina pela venda de artefatos nazistas. A legislação brasileira estabelece ser crime “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”.

Busto de Adolf Hitler comercializado em loja de Nova Trento (SC) Foto: Reprodução
Busto de Adolf Hitler comercializado em loja de Nova Trento (SC) Foto: Reprodução

Músico agredido por grupo suspeito de ser neonazista em SP

O músico Dennis Sinned, de 38 anos, finalizava os preparativos para se apresentar em um bar na zona oeste de São Paulo quando foi atacado por um grupo de dez a 12 homens. O caso levantou suspeitas de uma ofensiva neonazista e virou alvo de investigação da polícia. O episódio ocorreu no Dia da Consciência Negra, gerando uma série de publicações em redes sociais atribuindo os ataques a um grupo neonazista.

Dennis Sinned, de 38 anos, teve hematomas após ser agredido por grupo de dez pessoas Foto: Reprodução
Dennis Sinned, de 38 anos, teve hematomas após ser agredido por grupo de dez pessoas Foto: Reprodução

Capacete nazista no RS

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpriu, em 13 de setembro, mandados de busca e apreensão contra um homem de 21 anos que viralizou nas redes sociais por publicar um vídeo exibindo um capacete nazista, dizendo que sairia assim na rua e produziria mais conteúdo com ele para a internet. O suspeito declarou, em depoimento, que não é nazista, como também não fez apologia ao nazismo, apenas fez o vídeo de “zoeira”.

Homem exibiu capacete e fez saudação nazista em vídeo Foto: Reprodução
Homem exibiu capacete e fez saudação nazista em vídeo Foto: Reprodução

Polícia fecha fábrica de artigos nazistas em SC

Quadros com a imagem de Adolf Hitler, canecas com o símbolo nazista, peças decorativas de uma águia acima da suástica e o capacete que compunha o uniforme da Polícia de Estado da Alemanha. Toda essa variedade de produtos com temática do nazismo foi encontrada pela Polícia Civil de Santa Catarina no município de Timbó, em setembro. No estoque da loja haveria inclusive bustos de Hitler à venda. A Polícia Civil já instaurou inquérito policial, pois ficaram caracterizados os crimes de preconceito de raça ou de cor.

Promotora do DF publica propaganda nazista nas redes

A promotora Marya Olímpia Ribeiro Pacheco publicou sete postagens com imagens de cartazes nazistas e mensagens de apoio a Adolf Hitler. As publicações foram feitas na página pessoal da servidora pública do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e divulgadas pelo site Congresso em Foco.

Em nota, a promotora afirmou que suas postagens "jamais promoveram qualquer elogio ao nazismo". Ela alegou ter colocado propaganda nazista ao lado de cartazes comunistas "para demonstrar como essas duas ditaduras abomináveis são semelhantes, não apenas na supressão dos direitos individuais, mas na própria forma de se apresentar utilizando-se dos mesmos apelos propagandísticos".

"Uma postagem como essa jamais poderia ensejar a interpretação de que se trata de apologia a nazismo, ignorando-se a paralela imagem comunista que também se faz presente", acrescentou a promotora.

Estudante se intitula 'nazista alemão reencarnado'

No dia 14 de novembro, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de um aluno que se intitula "nazista alemão reencarnado".  Nas redes sociais, o jovem enaltecia e divulgava vídeos e imagens dos massacres que aconteceram em escolas nas cidades de Suzano (SP), em 2019, e Columbine (EUA), em 1999.

Bolo decorado com a imagem de Hitler

Uma estudante de 24 anos do curso de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) postou nas redes sociais fotos comemorando seu aniversário com um retrato de Adolf Hitler. Além da  instituição ter encaminhado o caso às autoridades policiais, a deputada Juliana Brizola (PDT-RS) entrou com uma denúncia no Ministério Público do Rio Grande do Sul contra "apologia nazista" que teria sido praticada pela estudante.

Estudante da UFPel comemorou aniversário com bolo com imagem de Adolf Hitler Foto: Reprodução
Estudante da UFPel comemorou aniversário com bolo com imagem de Adolf Hitler Foto: Reprodução

Argelino vira réu por apologia ao nazismo no Brasil

Em uma operação da Polícia Federal, que desarticulou um esquema de exploração de migrantes para viagens ilegais aos Estados Unidos, um cidadão argelino que vive no Brasil se tornou réu por apologia ao nazismo devido a publicações no Facebook nas quais enaltecia símbolos e personalidades do regime ditatorial alemão. Abdessalem Martani, de 48 anos, usava nome falso na rede social, mas foi descoberto a partir do número de telefone vinculado à conta, registrado em São Paulo.

Mulher alvo de ofensas em grupo autointitulado nazista

Carol Inácio, de 26 anos, jovem engajada em causas como o feminismo negro e o empoderamento da mulher, em Colatina (ES), foi inserida em um grupo de WhatsApp formado por homens racistas e que se afirmavam como nazistas. Chamado de Realities - Red Pill Opressor, o grupo tinha na descrição um resumo do que seus membros pensam: "Somos homens, brancos, hetero normais, devido a isso te oprimimos, né? Portanto, assuma seu lugar de inferioridade total", dizia a apresentação.

Pintura semelhante a suástica em parque no RS

No dia 14 de outubro, moradores de Porto Alegre se revoltaram com uma pintura no parque da cidade que se assemelhava a suástica, um dos principais elementos da simbologia nazista. Assim que o caso ganhou repercussão, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) de Porto Alegre solicitou a elaboração de um laudo emergencial para verificar se o piso do parque tinha vinculações com a simbologia nazista.

Dois pareceres foram finalizados em dezembro. Ambos concluíram que a pintura no piso de uma área no Parque da Redenção não tem qualquer vinculação com a simbologia nazista.

Piso de área de parque em Porto Alegre é semelhante a uma suástica Foto: Reprodução
Piso de área de parque em Porto Alegre é semelhante a uma suástica Foto: Reprodução

_________________________________________________Após estragos na Bahia, Inmet alerta para temporais no Sudeste

27.dez.2021 - Pessoas caminham na água em uma rua perto de uma placa de 'Pare' de trânsito durante enchentes causadas por fortes chuvas em Itajuípe, na Bahia Imagem: Amanda Perobelli/Reuters

Igor Mello e José Dacau Do UOL, em São Paulo 28/12/2021 18h02

Depois de causar estragos no sul da Bahia, uma chuva forte deve chegar à região Sudeste entre hoje (28) e 4 de janeiro. Outros estados da região central do país também devem ser atingidos. O alerta é do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), vinculado ao Ministério da Agricultura.

Segundo o instituto, uma ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) —fenômeno que cria um corredor de umidade entre as regiões Norte e Sudeste— deve provocar chuvas fortes e até mesmo risco de tempestades, como a que atingiu a Bahia nesta semana, no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

BA: Bombeiros alertam para enchentes em 4 cidades após abertura de barragem

O Inmet emitiu um alerta meteorológico hoje (28), mais cedo, para a ocorrência de temporais entre hoje e amanhã (29) em boa parte do território do Rio de Janeiro, na Zona da Mata mineira e em algumas áreas de São Paulo. São previstas chuvas concentradas entre 30 mm a 60 mm por hora, além de uma marca de até 100 mm por dia. Cada milímetro corresponde a um litro de chuva acumulado em um espaço de um metro quadrado.

Além disso, ventos intensos, entre 60 km/h e 100 km/h, também podem ocorrer. O comunicado ainda menciona a chance de queda de granizo.

Até 4 de janeiro, os totais de chuva deverão chegar a 200 mm na região Sudeste. As chuvas serão mais intensas no centro e sul de Minas Gerais, norte de São Paulo e Vale do Paraíba e região serrana no Rio de Janeiro.

Já a previsão do site Climatempo afirma que a ZCAS deve vigorar por um período menor, entre 31 de dezembro e 2 de janeiro. A empresa ressalta riscos em especial para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

No caso carioca, deve haver acúmulo de chuva em áreas de encostas, aumentando o risco de deslizamentos de terra.

Na capital mineira, além das tempestades também previstas pelo Inmet, o Climatempo destaca o risco de chuvas mais intensas entre 30 e 31 de dezembro.

Menos chuva na Bahia

De acordo com o Inmet, a previsão entre os dias 28 de dezembro e 4 de janeiro, é que os maiores acumulados de chuva deverão se concentrar na parte central do Brasil, principalmente em Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso e o Distrito Federal.

No Nordeste, o indicativo é para a diminuição das chuvas no centro e sul da Bahia. O acumulado deve variar entre 80 e 150 mm no oeste da Bahia, Maranhão (exceto no norte) e no oeste do Piauí.

A previsão do Inmet também indica uma diminuição neste começo de ano do volume das chuvas no sul da Bahia. A média esperada para essa região no mês de janeiro fica entre 100 mm e 140 mm. A redução estaria entre 10 mm e 50 mm.

Mas segundo o meteorologista do Inmet, Flaviano Fernandes mesmo com a previsão de queda no volume das chuvas no sul do estado há a possibilidade de novos problemas. "Isso porque vai depender de como essa chuva vai ser distribuída ao longo do mês e a sua concentração em uma determinada área", disse Fernandes.

O meteorologista ainda alertou que dois fatores podem contribuir para que a situação que aconteceu neste mês venha a se repetir em janeiro. "A região do sul da Bahia, devido às fortes chuvas, está com o solo encharcado e o nível dos rios elevado. Mesmo com uma chuva abaixo do previsto podemos ter novamente o mesmo episódio", concluiu Fernandes.

Segundo o Inmet, também haverá uma diminuição das chuvas na região central da Bahia. E uma previsão de aumento de chuvas na região oeste do estado que pode variar entre 80 mm e 150 mm

Na região Norte, as chuvas devem se concentrar no Pará e Rondônia —o volume deve ficar entre 80 mm e 100 mm—, mas pode chegar a 200 mm em áreas pontuais, principalmente em Tocantins.

Em áreas pontuais de Goiás e no Distrito Federal, o nível das chuvas pode ultrapassar 200 mm. Em Mato Grosso e no norte de Mato Grosso do Sul, a chuva deverá variar entre 70 mm e 150 mm.




_________________________________________________Vidente que previu o 11 de setembro e a morte da princesa Diana diz que haverá uma nova pandemia em 2022

Vidente Baba Vanga prevê nova pandemia para 2022. Foto: Reprodução de vídeo Foto: Agência O Globo
Vidente Baba Vanga prevê nova pandemia para 2022. Foto: Reprodução de vídeo Foto: Agência O Globo

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Morta em 1996, a vidente cega búlgara Vangelia Gushterova, conhecida como ‘Baba Vanga’ ou ‘Nostradamus dos Balcãs’, deixou uma série de previsões para os anos seguintes. Para 2022, a mulher prevê o surgimento de uma outra pandemia. Dessa vez, a descoberta do novo vírus mortal ocorrerá na Sibéria, conforme os escritos deixados por ela.

O próximo ano, segundo Baba Vanga, também será marcado por uma grave crise hídrica com escassez de água potável em várias cidades do mundo. A vidente previu ainda que a poluição dos rios vai aumentar e uma tsunami vai devastar a Ásia e a Austrália.

Baba Vanga prevê ainda uma invasão alienígena em 2022. Segundo a vidente, um asteroide enviado por extraterrestres em 2017 vai atacar o planeta Terra no próximo ano.

A búlgara tornou-se conhecida por ter supostamente acertado previsões de eventos marcantes da história recente, como os ataques de 11 de setembro às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, o acidente nuclear em Chernobyl, a morte da princesa Diana, o tsunami de 2004 na Ásia e a saída do Reino Unido da União Europeia.

Para 2021, Baba Vanga previu uma atividade sísmica e vulcânica significativa, além de inundações e tempestades. De acordo com a mídia internacional, a vidente tem cerca de 85% de precisão em suas previsões.

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Saiba por que choveu tanto na Bahia nos últimos dias

Conjunção de fenômenos ambientais raros foi a causa; umidade que contribuiu para desastres segue agora para o Sudeste

Forte chuva causou alagamentos e rompimento de barragem na região de Itambé (BA) Foto: Reprodução/Redes sociais

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Uma conjunção de fenômenos raros fez o céu desabar sobre uma vasta região da Bahia nos últimos dias. A chuva começa a perder força no estado nordestino, mas o canal de umidade se desloca para o sul. A umidade pode atingir os estados do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de Minas Gerais a partir de quinta-feira, afirma o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Seluchi destaca que é impossível saber ainda se a chuva não passará de chuvisco ou se tornará um aguaceiro, como o que assolou a Bahia. A tragédia baiana foi deflagrada por um fenômeno chamado Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), colossal canal de umidade trazida do mar que “estaciona” sobre determinadas áreas, causando chuva intensa e inundação por dias.

As ZCAS são fenômenos climáticos típicos do verão, mas não na Bahia, diz Seluchi.

— A ZCAS se espalhou pela Bahia, o que é totalmente fora do normal, e despejou aguaceiros numa região cerca de 1.000 quilômetros ao norte da que costuma ocorrer (o Sudeste). E esse fenômeno, que por si só já seria raro, aconteceu duas vezes no mesmo mês — destaca o cientista do Cemaden, instituição que alertou com antecedência de cinco dias sobre o risco de tragédia na Bahia e cuja ação coordenada com a Defesa Civil e prefeituras baianas permitiu a retirada de muita gente de áreas de risco, evitando que o número de mortos fosse ainda maior.

— Predição e previsão salvam vidas. Houve uma ação conjunta que permitiu evacuar boa parte da população em risco. Infelizmente, é impossível deter as inundações, mas é possível evitar mortes — frisa Seluchi.

A ZCAS está se desfazendo na Bahia, diz ele.  Mas, para o fim do ano, a previsão não é alentadora, alerta o meteorologista. Desta vez, a chuva pode trazer problemas para o Sudeste.

A umidade prossegue e o foco agora muda para os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e parte de Minas Gerais. Não se sabe ainda se haverá ou não formação de uma ZCAS, mas pancadas de chuva são certas. A recomendação de Seluchi é que autoridades e população fiquem de prontidão.

A chuva traz risco de novos desastres para algumas áreas, mas será alívio em outras.

— A chuva está vindo para o Sudeste e pode descer talvez um pouco para o Sul, o que seria bom porque essa região e parte de São Paulo sofrem com a estiagem — diz Seluchi.

A expectativa é que possa chover também nas bacias dos rios Grande e Paranaíba, cabeceiras mineiras do Rio Paraná, que estão secas. É uma região estratégica para a geração de energia elétrica, que amarga uma seca intensa.

Conjunção de fenômenos naturais

A anômala ZCAS da Bahia foi gerada pela conjunção de dois grandes fenômenos climáticos. O primeiro é a La Niña, ativa desde outubro. Provocada pelo esfriamento da água do Pacífico Sul, a La Niña é um fenômeno planetário, que no Brasil costuma trazer mais chuvas para o Norte e o Nordeste. O outro fenômeno é a elevação da temperatura da água do Atlântico Sul logo abaixo da linha do equador. Isso contribuiu para que as chuvas “estacionassem” mais o norte do que o normal.

Como a umidade permanece mais ou menos a mesma, mais chuva no Norte significa menos no Sul. Não à toa, São Paulo e os estados do Sul têm amargado com a seca. Em São Paulo, a média de precipitação de dezembro está em 90 mm, menos da metade dos 200 mm da média histórica para o mês, um dos mais chuvosos do ano.

Seluchi alerta que a Bacia do Paraná está com chuvas muito abaixo da média. Em São Paulo o risco de falta d’água será elevado em 2022. O Sistema Cantareira está com 25% de seu volume e não chove significativamente há meses.

— Será muito difícil para o estado atravessar a estação seca de 2022 com esse volume tão baixo. São Paulo está gastando todos os seus créditos para 2022 agora e ficando sem ter de onde tirar no ano que vem — diz Seluchi.

Para o verão, a previsão é que a Bacia do São Francisco, o Semiárido, o Tocantins e a Amazônia tenham chuvas acima da média histórica. Já a Bacia do Paraná e o Sul, terão abaixo da média.

E uma região que engloba todo o Sudeste e parte do Centro-Oeste é uma zona de transição e de incerteza. Tanto pode chover mais ou menos, e esse volume deve variar ao longo do verão.

Seluchi acrescenta que as chuvas na Bahia chamam a atenção dos especialistas não apenas pela intensidade, mas pelo tamanho da região afetada, boa parte dela sem histórico de desastres.

As tempestades devastaram cidades da Zona da Mata do sul baiano até Jussiape, na montanhosa Chapada Diamantina, onde uma barragem se rompeu.

Mesmo em cidades que já sofreram antes com chuvas no passado, como Ilhéus e Porto Seguro, choveu em dois dias o que chove em um mês. O volume de precipitação deste dezembro é o dobro da média histórica, de 150 mm.

Seluchi diz que o impacto da segunda ZCAS foi pior do que a que atingiu a Bahia no início de dezembro porque encontrou uma região já castigada e com a infraestrutura comprometida pela primeira.

A primeira ZCAS em termos de volume de chuva foi até mais intensa tanto na Bahia quanto no norte de Minas Gerais, com registros superiores a 500 mm em quatro dias.



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Retrospectiva de 2021 em frases

Do Retrocesso ao pioneirismo, relembre as declarações que marcaram o ano
2021 em frases: uma retrospectiva do ano que passou por meio de declarações de personalidades Foto: Editoria de Arte
2021 em frases: uma retrospectiva do ano que passou por meio de declarações de personalidades Foto: Editoria de Arte

O anos de 2021 foi mais um de extremos. Defensores da ciência celebrando o controle da pandemia com o avanço da vacinação, enquanto algumas vozes insistem no negacionismo e obscurantismo. De um lado a inclusão social promovendo diversidade, de outro uma visão elitista do acesso ao saber acadêmico. E, num contexto de crise sanitária e econômica, ataques cada vez mais frequentes à democracia desafiam os guardiões de instituições como a justiça, a imprensa e o sistema político. É o que mostram as frases mais marcantes do ano selecionadas pelo GLOBO. Confira:

“Eu sou do Centrão, eu nasci de lá”

Jair Bolsonaro, após indicar o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para assumir a Casa Civil

“Eu comparo isso a uma ressurreição: estou de volta ao jogo, quero jogar, quero ganhar”

Lula, em declaração sobre seu retorno à política em 2022

“Nunca prometi que o Brasil ia continuar crescendo em V”, disse Paulo Guedes Foto: Editoria de Arte
“Nunca prometi que o Brasil ia continuar crescendo em V”, disse Paulo Guedes Foto: Editoria de Arte

“Nunca prometi que o Brasil ia continuar crescendo em V”

Paulo Guedes, comentando quadro de recessão técnica da economia brasileira

“Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha”

Jair Bolsonaro, em discurso em ato no dia 7 de setembro

“Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha”, disse Bolsonaro Foto: Editoria de Arte
“Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha”, disse Bolsonaro Foto: Editoria de Arte

“Minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento”

Jair Bolsonaro, em “declaração à nação” em 9 de setembro, redigida com a ajuda do ex-presidente Michel Temer

“Sempre que fui chamado para ajudar o país, busquei o diálogo e coloquei as instituições acima dos homens”

Michel Temer, após ajudar Bolsonaro com carta para “pacificar” relação com o Supremo Tribunal Federal

“Nossa Independência garantiu nossa liberdade e somente se fortalece com absoluto respeito à democracia”

Alexandre de Moraes, em publicação feita no dia dos atos do 7 de setembro

“O processo ainda está começando. É hora de grandeza política. É hora de união”

Geraldo Alckmin, sobre chapa em 2022, em primeiro encontro público com Lula

“Tenho de tomar dois Lexotan na veia para não levar o presidente a tomar uma atitude mais drástica”

Augusto Heleno, criticando o STF em palestra na Abin que teve áudio vazado

“Bolsonaro transformou o Brasil num Estado policial que se oculta sob falsa capa de legalidade”

Ciro Gomes, após ser alvo de operação da PF por suposto esquema de corrupção

“A universidade, na verdade, deveria ser para poucos”

Milton Ribeiro, defendendo maior ênfase em ensino técnico

Por que a Angela Merkel pode ficar dezesseis anos no poder e Daniel e Ortega não?”

Lula, relativizando o ditador da Nicarágua em entrevista na Europa

“Sou um governador gay, não um gay governador, tanto quanto Obama não foi um negro presidente, foi um presidente negro”

Eduardo Leite, falando pela primeira vez sobre sua sexualidade

“Eles têm algumas opções de como você chegou até aqui: de quem é filha, esposa, e se não for nenhuma dessas, você dormiu com alguém”

Isa Penna, deputada estadual, vítima de assédio, sobre machismo na política

“Tive a sensação de que ele esperou eu aceitar, conversar com ele sobre isso, para ele ir tranquilo. A gente ficou do lado dele, abraçou ele e falou para ele descansar”

Tomás Covas, sobre a morte do pai, o ex-prefeito de São Paulo Bruno Covas

“Devo, não nego, pagarei assim que puder”

Paulo Guedes, dizendo não ter caixa para pagar precatórios de 2022

“É a vitória da vacina, da democracia, que sirva de lição para quem flerta com a morte”

João Doria, em evento da primeira injeção contra Covid-19 no Brasil

“Chega de frescura, de mimimi, vão ficar chorando até quando?

Jair Bolsonaro, em março, sobre a pandemia de Covid-19

“A nossa dor não é mimimi, nós não somos palhaços”

Márcio Antônio Silva, taxista que perdeu o filho para o coronavírus em depoimento à CPI da Covid

“A ciência vencerá o vírus. A prudência vencerá a perturbação. E a racionalidade vencerá o obscurantismo”

Luiz Fux, presidente do STF, em discurso no Supremo proferido ao lado do presidente Bolsonaro

“É um passo para um homem e um salto para os evangélicos”, disse André Mendonça ao ser aprovado para o STF Foto: Editoria de Arte
“É um passo para um homem e um salto para os evangélicos”, disse André Mendonça ao ser aprovado para o STF Foto: Editoria de Arte

“É um passo para um homem e um salto para os evangélicos”

André Mendonça, comemorando sua aprovação para o STF

“Se tivesse um candidato competitivo de centro contra os dois (Lula e Bolsonaro), eu provavelmente ficaria no setor privado”

Sergio Moro, justificando sua entrada na corrida eleitoral

“Pois é, estou sem. Onde compra isso?”

Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, ao ser abordado sem máscara em shopping de Manaus 

“Pois é, estou sem. Onde compra isso?”, disse Eduardo Pazuello sobre estar sem máscara Foto: Editoria de Arte
“Pois é, estou sem. Onde compra isso?”, disse Eduardo Pazuello sobre estar sem máscara Foto: Editoria de Arte

“Vou fazer uma pausa para pensar o que realmente me interessa, pois nos últimos 16 anos tive pouco tempo para isso”

Angela Merkel, explicando seus planos para a aposentadoria após quatro mandatos como chanceler

“Preciso cuidar da saúde mental”

Simone Biles, ginasta norte-americana, que desistiu de disputar provas em que era favorita ao ouro na Olimpíada de Tóquio

“Artista não é ladrão. A acusação de ‘mamar na Lei Rouanet’ me dá ódio. Em ‘Marighella’, não ganhei um tostão”

Wagner Moura, sobre ataques de bolsonaristas à classe artística

“Nós não vamos falar grosso na investigação e miar no relatório”

Renan Calheiros, sobre os pedidos de indiciamento do presidente Jair Bolsonaro na CPI da Covid

“Nunca existiu uma interferência política tão extrema na saúde pública ao ponto de certas autoridades negarem a importância das vacinas, negarem a própria pandemia”

Dimas Covas, diretor do Butantan sobre a atuação do governo Bolsonaro

“É como se estivéssemos discutindo de que borda da terra plana vamos pular”, disse a infectologista Luana Araújo Foto: Editoria de Arte
“É como se estivéssemos discutindo de que borda da terra plana vamos pular”, disse a infectologista Luana Araújo Foto: Editoria de Arte

“É como se estivéssemos discutindo de que borda da terra plana vamos pular”

Luana Araújo, infectologista, sobre uso de cloroquina para tratar Covid-19

“Reconhecemos também que onde existe muita floresta, também existe muita pobreza”

Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente em discurso na COP 26 que foi rechaçado por ambientalistas

“Vamos deixar claro que os Estados Unidos estão de volta e que as democracias do mundo estão unidas para enfrentar os desafios mais difíceis”

Joe Biden, na Europa, em sua primeira viagem internacional como presidente

“Vamos deixar claro que os Estados Unidos estão de volta e que as democracias do mundo estão unidas para enfrentar os desafios mais difíceis”, disse Joe Biden Foto: Ediitoria de Arte
“Vamos deixar claro que os Estados Unidos estão de volta e que as democracias do mundo estão unidas para enfrentar os desafios mais difíceis”, disse Joe Biden Foto: Ediitoria de Arte

“Estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas. Vamos parar com o roubo (das eleições)”

Donald Trump, em discurso a apoiadores em Washington, pouco antes da invasão do Capitólio

“O metaverso é o próximo capítulo da internet”

Mark Zuckerberg, sobre a nova tecnologia que promete materializar o ambiente digital

“Os cara é grande, mas nós é ruim. Aqui é Brasil”

Bruno Fratus, em discurso de superação após conquistar a medalha de bronze nos 50m livre da natação

“Eu encaro (a Copa de 2022) como a minha última porque não sei se terei mais condições, de cabeça, de aguentar mais futebol”

Neymar, desabafando sobre as pressões da vida de atleta 

“Eu encaro (a Copa de 2022) como a minha última porque não sei se terei mais condições, de cabeça, de aguentar mais futebol”, disse Neymar Foto: Editoria de Arte
“Eu encaro (a Copa de 2022) como a minha última porque não sei se terei mais condições, de cabeça, de aguentar mais futebol”, disse Neymar Foto: Editoria de Arte

“Ah é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”

Maurício Souza, jogador de vôlei, em comentário homofóbico sobre Super-Homem bissexual

“Um dia, minha tia tentou cortar o meu pinto fora”

Cauã Reymond, sobre seu conturbado histórico familiar e o episódio com a tia que sofria de esquizofrenia

“Sou um cara de muitos sonhos aos 80 anos”

Roberto Carlos, o “Rei”, planejando uma série de projetos pós-pandemia

“Achava que terapia de negão era o candomblé”

Seu Jorge, sobre começar a fazer terapia aos 50 anos

“Era para a gente estar nos Jetsons e estamos voltando para os Flintstones”, disse Rita Lee Foto: Editoria de Arte
“Era para a gente estar nos Jetsons e estamos voltando para os Flintstones”, disse Rita Lee Foto: Editoria de Arte

“Era para a gente estar nos Jetsons e estamos voltando para os Flintstones”

Rita Lee, sobre o atual estado das coisas no Brasil

“Quando me descobri sapatão foi uma farra dentro de mim”

Bruna Linzmeyer, que teve sua sexualidade desvalorizada por anos pela própria teraupeuta

“Ontem foi comemorado o Dia da Consciência Negra. Quando teremos o Dia da Consciência Branca?”

Regina Duarte, atriz e ex-secretária de Cultura, sobre a data para lembrar a luta dos negros contra a escravidão

“Nós não queremos mais blá blá blá", disse a ativista Greta Thunberg Foto: Editoria de Arte
“Nós não queremos mais blá blá blá", disse a ativista Greta Thunberg Foto: Editoria de Arte

“Nós não queremos mais blá blá blá"

Greta Thunberg, criticando discursos de líderes mundiais na COP-26 e pedindo ações concretas para o meio ambiente

“Há 6 anos (Tony Hawk) compartilhou meu vídeo vestida de fadinha. Hoje me filmou nas Olimpíadas, estou vivendo um sonho”

Rayssa Leal, skatista de 13 anos, após conquistar medalhas em Tóquio sob as bençãos do ídolo 

“Há 6 anos (Tony Hawk) compartilhou meu vídeo vestida de fadinha. Hoje me filmou nas Olimpíadas, estou vivendo um sonho”, disse Rayssa Leal Foto: Editoria de Arte
“Há 6 anos (Tony Hawk) compartilhou meu vídeo vestida de fadinha. Hoje me filmou nas Olimpíadas, estou vivendo um sonho”, disse Rayssa Leal Foto: Editoria de Arte

“Sempre foi caso fechado mesmo: eu sou fluido” 

Caetano Veloso, refletindo sobre masculinidade e o lugar do sexo em sua vida, aos 79 anos

_________________________________________________Silvio Santos busca comprador para o SBT e pede R$ 1 bilhão pela emissora

Silvio Santos busca comprador para o SBT e pede R$ 1 bilhão pela emissora

23 de dezembro de 2021, 22:17


247 - O empresário Silvio Santos teria autorizado seus representantes a buscarem novo dono para o SBT. A informação é do site Notícias da TV, que afirma ainda que representantes do comunicador estiveram com executivos de um conglomerado de mídia do país.

No entanto, segundo fonte do site, o conglomerado não demonstrou interesse. “O Silvio quer R$ 1 bilhão para vender a TV. Mas quanto vale o SBT sem o Silvio e sem as empresas do grupo que anunciam no canal? O modelo de negócios foi montado para vender os produtos de Silvio”, disse a fointe.

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“O problema não é o preço. A dificuldade é mostrar que R$ 1 bilhão vai ser recuperado e vai virar ainda mais dinheiro no futuro”, revelou um ex-presidente de uma emissora.

_________________________________________________Por que a primeira fazenda de polvos do mundo está gerando polêmica 

Polvos têm cérebros maiores e mais complexos que qualquer invertebrado Imagem: GETTY IMAGES

Claire Marshall - Correspondente de meio ambiente e assuntos rurais da BBC

22/12/2021 07h29 Atualizada em 22/12/2021 07h34

A notícia de que a primeira fazenda comercial de polvos do mundo está mais perto de se tornar realidade na Espanha foi recebida com consternação por cientistas e conservacionistas que têm defendido que os animais não devem ser criados em cativeiro.

Especialistas argumentam que, além de inteligentes, esses invertebrados são criaturas "sencientes" - ou seja, consideradas capazes de sentir dor e emoções. Assim, como o polvo nunca chegou a ser domesticado, com as informações disponíveis hoje não seria possível garantir seu bem-estar em um criadouro.

Tragédia no Canal da Mancha: as horas finais do pior afogamento em massa de imigrantes em travessia

Em Bristol, no Reino Unido, a aquarista Stacey Tonkin trabalha diariamente com esses animais. Ela faz parte de uma equipe de cinco profissionais do aquário da cidade que se revezam para cuidar de Davy Jones, DJ, um polvo gigante do Pacífico - e diz que ele reage de maneira diferente a cada um deles.

Quando ela levanta a tampa do tanque para alimentar DJ, ele frequentemente sai de sua caverna para vê-la e coloca os braços no vidro.

Isso se estiver de bom humor. Os polvos vivem cerca de quatro anos - então, com um ano, segundo ela, DJ é o equivalente a um adolescente.

"Ele definitivamente mostra o que você esperaria de um adolescente - alguns dias está bem mal-humorado e dorme o dia inteiro. Em outros, é muito brincalhão, ativo, quer ficar dando voltas no tanque e se exibir."

Os cuidadores alimentam o polvo com mexilhões e camarões e pedaços de peixe e caranguejo. Às vezes, colocam a comida em um brinquedo de cachorro para que o animal possa brincar com seus tentáculos e praticar suas habilidades de caça.

A cor do polvo, conta Stacey, muda conforme seu humor.

"Quando está marrom-alaranjado, é mais como um tipo de sentimento ativo ou lúdico. Já com manchinhas é mais curioso e interessado. Às vezes ele está nadando em tons de laranja e marrom, vem pra perto de você e fica cheio de manchinhas, só observando. É incrível."

Para ela, o animal mostra sua inteligência através dos olhos. "Quando você olha para ele e ele olha para você, você pode sentir que há algo ali."

O Reino Unido se prepara para incluir em sua legislação uma emenda ao Projeto de Lei do Bem-Estar Animal que reconhece o polvo como animal "senciente".

A mudança vem depois que uma equipe de especialistas examinou mais

A mudança vem depois que uma equipe de especialistas examinou mais de 300 estudos científicos e concluiu que havia "fortes evidências científicas" de que esses invertebrados podiam sentir prazer, excitação e alegria, além de dor e angústia.

Os autores disseram estar "convencidos de que a criação de polvos em condição de alto bem-estar era impossível" e que o governo "poderia considerar a proibição da importação de polvos cultivados em criadouros" no futuro.

O consumo desses animais, contudo, segue numa crescente - da Ásia ao Mediterrâneo e, cada vez mais, nos Estados Unidos. Na Coreia do Sul, as criaturas às vezes são comidas vivas.

O número de polvos na natureza está diminuindo e os preços, subindo. Estima-se que 350 mil toneladas são capturadas a cada ano - mais de 10 vezes o volume de 1950.

Nesse contexto, a corrida para descobrir o segredo para se criar polvos em cativeiro se arrasta há décadas. Isso porque não é simples "domesticá-los", já que comem apenas alimentos vivos e precisam de um ambiente cuidadosamente controlado.

Empresas em países como México, Japão e Austrália já investiram nessa área, mas foi uma multinacional espanhola, a Nueva Pescanova (NP), a primeira a anunciar o início de fato do cultivo, previsto para 2022. A carne do animal começaria a ser comercializada em 2023.

A companhia desenvolveu seu método com base em uma pesquisa do Instituto Oceanográfico Espanhol que aborda os hábitos reprodutivos do polvo comum - Octopus vulgaris.

Conforme a PortSEurope, a fazenda comercial estará localizada perto do porto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, com produção prevista de de 3 mil toneladas de polvo por ano. Ainda de acordo com o portal, a iniciativa, segundo a empresa, ajudaria a reduzir a quantidade de animais selvagens retirados da natureza.

Iniciativas no México, Japão e Austrália já estudaram criar polvos em cativeiro Imagem: GETTY IMAGES

Procurada diversas vezes pela reportagem da BBC, a Nueva Pescanova não respondeu aos pedidos de detalhamento sobre as condições em que os polvos serão mantidos. Informações como tamanho dos tanques, a comida com que os animais serão alimentados e como serão abatidos não foram reveladas.

Um grupo de pesquisadores dos EUA, Austrália e Inglaterra descreveu alguns anos atrás a criação dos animais em cativeiro como "ética e ecologicamente injustificada".

Em outubro deste ano, a organização ativista Compassion in World Farming (CIWF) tentou contato com governos de vários países - incluindo a Espanha - instando-os a banir a iniciativa.

"Esses animais são incríveis. São solitários e muito espertos. Colocá-los em tanques estéreis sem estimulação cognitiva é errado", diz Elena Lara, gerente de pesquisa da CIWF. Segundo ela, qualquer pessoa que assistiu ao documentário vencedor do Oscar de 2021 - Professor Polvo (My Octopus Teacher) - entenderá a questão.

Os polvos têm cérebros grandes e complexos. Sua inteligência foi comprovada em vários experimentos científicos - em que foram, por exemplo, observados usando coco e conchas do mar para se esconder e se defender e em que mostraram que podem aprender tarefas rapidamente.

Também conseguiram escapar de aquários e roubar armadilhas colocadas por pescadores.

Os animais não têm esqueletos para protegê-los e são altamente territoriais. Portanto, poderiam ser facilmente machucados em cativeiro. Se houvesse mais de um polvo em um tanque, os especialistas dizem que eles poderiam começar a comer uns aos outros.

Se a fazenda de polvos for instalada na Espanha, aparentemente as criaturas criadas lá receberão pouca proteção sob a lei europeia. Os polvos - e outros cefalópodes invertebrados - são considerados seres sencientes, mas a legislação da UE que cobre o bem-estar dos animais de criação só se aplica aos vertebrados - criaturas que têm espinha dorsal.

Além disso, de acordo com a CIWF, não existe atualmente nenhum método cientificamente validado para seu abate humanitário.

Cultivo de animais aquáticos

- Aquicultura é o termo dado à criação de animais aquáticos para alimentação

- É o setor de produção de alimentos que mais cresce no mundo

- O mercado global de aquicultura está crescendo cerca de 5% ao ano e a projeção é que seu valor chegue a quase US$ 245 bilhões até 2027

- Cerca de 580 espécies aquáticas são cultivadas em todo o mundo

- À medida que a população humana cresce, a aquicultura global pode fornecer uma fonte vital de alimentos

- Os peixes mantidos em cativeiro tendem a ser mais agressivos e a contrair mais doenças

- A União Europeia publicou recentemente diretrizes reconhecendo a "falta de boas práticas de manejo" e "lacunas de pesquisa" no impacto da aquicultura na saúde animal e pública

Humanos e polvos tiveram um ancestral comum 560 milhões de anos atrás. Esse é um dos fatos citados pelo biólogo evolucionário Jakob Vinther, da Universidade de Bristol (Reino Unido), ao falar de suas preocupações em relação ao tema da criação em cativeiro.

"Temos um exemplo de organismo que evoluiu para ter uma inteligência extremamente comparável à nossa."

Suas habilidades de resolução de problemas, para brincadeiras e desenvolver a curiosidade são muito semelhantes às dos humanos, diz Vinther - e ainda assim são "de outro mundo".

"Isso é potencialmente como seria se fôssemos encontrar um alienígena inteligente de um planeta diferente."

A Nueva Pescanova afirma em seu site que está "firmemente comprometida com a aquicultura como um método para reduzir a pressão sobre os pesqueiros e garantir recursos sustentáveis, seguros, saudáveis ??e controlados, complementando a pesca."

Lara, da CIWF, argumenta, no entanto, que as ações da NP são puramente comerciais e o argumento ambiental da empresa não é lógico. "Isso não significa que os pescadores vão parar de pescar (polvos)."

Ela afirma que a criação de polvos pode aumentar a pressão crescente sobre os estoques de peixes selvagens.

Os polvos são carnívoros e precisam comer de duas a três vezes o seu próprio peso em alimentos para viver. Atualmente, cerca de um terço dos peixes capturados ao redor do planeta é transformado em ração para outros animais - e cerca de metade dessa quantidade vai para a aquicultura.

Assim, o polvo de criação poderia ser alimentado com produtos de peixe provenientes de unidades populacionais já superexploradas.

A ativista está preocupada com os consumidores que desejam fazer a coisa certa e podem pensar que comer polvo de criação é melhor do que polvo capturado na natureza.

"Não é nada mais ético - o animal vai sofrer a vida inteira", diz ela.

Um relatório de 2019 liderado pela professora associada de estudos ambientais da New York University, Jennifer Jacquet pontua que proibir a criação de polvos não deixaria os humanos sem comida suficiente.

Isso significará "apenas que os consumidores ricos pagarão mais por polvos selvagens cada vez mais escassos", afirma.

Todo o debate está repleto de complexidades culturais.

A agricultura industrial em terra evoluiu de forma diferente em todo o mundo. Os porcos, por exemplo, demonstraram ser inteligentes - então qual é a diferença entre um porco de criação industrial produzindo um sanduíche de bacon e um polvo de criação industrial sendo colocado no prato espanhol Pulpo a la Gallega?

Os conservacionistas argumentam que a sensibilidade de muitos animais de criação não era conhecida quando os sistemas intensivos foram configurados e os erros do passado não deveriam ser repetidos.

Como os porcos foram domesticados há muitos anos, temos conhecimento suficiente sobre suas necessidades e sabemos como melhorar suas vidas, diz Lara.

"O problema com os polvos é que eles são completamente selvagens, então não sabemos exatamente do que eles precisam, ou como podemos proporcionar uma vida melhor para eles."

Dado tudo o que sabemos sobre a inteligência dos polvos, e o fato de eles não serem essenciais para a segurança alimentar, uma criatura inteligente e complexa deveria começar a ser produzida em massa para alimentação?

"Eles são seres extremamente complexos", afirma Vinther.

"Acho que, como humanos, precisamos respeitar isso se quisermos cultivá-los ou comê-los."


_________________________________________________Unidade militar SECRETA dos EUA mirava no Estado Islâmico, mas ACERTAVA em CIVIS 

Entre 2014 e 2019, soldados americanos que desempenharam papel importante na Síria nem sempre respeitavam as regras de proteção aos não combatentes
Dave Philipps, Eric Schmitt e Mark Mazzetti, do New York Times
16/12/2021 - 06:00 / Atualizado em 16/12/2021 - 07:19
Menino sírio faz pose em cima de cápsulas de munição descartadas em Maaret Misrin, na Síria Foto: AAREF WATAD / AFP/10-03-2021
Menino sírio faz pose em cima de cápsulas de munição descartadas em Maaret Misrin, na Síria Foto: AAREF WATAD / AFP/10-03-2021

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NOVA YORK — Uma unidade ultrassecreta de ataque americana lançou dezenas de milhares de bombas e mísseis contra o Estado Islâmico na Síria. No entanto, no processo de martelar um inimigo cruel, a força sombria matou civis repetidamente, de acordo com antigos e atuais oficiais militares e de inteligência. A unidade, chamada Talon Anvil, trabalhou em três turnos ininterruptos entre 2014 e 2019, identificando alvos para o formidável poder aéreo dos EUA: comboios, carros-bomba, centros de comando e esquadrões de caças inimigos.

Mas pessoas que trabalharam com a célula de ataque dizem que, na pressa de destruir os inimigos, ela contornou as regras impostas para proteger os não-combatentes e alarmou seus parceiros militares e da CIA ao matar pessoas que não tinham papel no conflito: fazendeiros tentando trabalhar, crianças nas ruas, famílias fugindo dos combates e moradores abrigados em prédios.

Talon Anvil era um grupo pequeno — às vezes menos de 20 pessoas operando em salas anônimas cheias de telas planas — mas desempenhou um papel descomunal nas 112 mil bombas e mísseis lançados contra o Estado Islâmico, em parte porque abraçou uma interpretação livre dos regras militares.

— Eles eram implacavelmente eficientes e bons em seus trabalhos — disse um ex-oficial de inteligência da Força Aérea que trabalhou em centenas de missões da Talon Anvil de 2016 a 2018. — Mas eles também fizeram muitos ataques ruins.

Ritmo feroz

Os militares classificaram a guerra aérea contra o Estado Islâmico como a mais precisa e humanda da história militar, e disseram que as regras estritas e a supervisão dos principais líderes mantiveram as mortes de civis no mínimo, apesar do ritmo feroz dos bombardeios.

Na realidade, quatro atuais e ex-oficiais militares dizem, a maioria dos ataques não foi ordenada por líderes de topo, mas por comandos da Força Delta do Exército dos EUA de patente relativamente baixa em Talon Anvil.

O jornal New York Times relatou mês passado que um bombardeio de Operações Especiais em 2019 matou dezenas de mulheres e crianças, e que as consequências foram ocultadas do público e dos principais líderes militares. Em novembro, o secretário de Defesa, Lloyd Austin, ordenou uma investigação de alto nível sobre o ataque, que fora conduzido por Talon Anvil.

Mas as pessoas que viram a força-tarefa operar em primeira mão dizem que o ataque de 2019 foi parte de uma série de ataques imprudentes que começou anos antes.

Quando apresentados às descobertas do jornal, vários atuais e ex-oficiais de Operações Especiais negaram qualquer padrão generalizado de ataques aéreos imprudentes pela célula de ataque e desrespeito pela limitação de vítimas civis. O capitão Bill Urban, porta-voz do Comando Central dos militares, que supervisiona as operações na Síria, não quis comentar o assunto.

Alarme

Com o aumento dos ataques ruins, disseram os quatro oficiais militares, os parceiros do Talon Anvil soaram o alarme. Os pilotos da Síria às vezes se recusavam a lançar bombas porque o Talon Anvil queria atingir alvos questionáveis em áreas densamente povoadas. Oficiais graduados da CIA reclamaram com líderes de Operações Especiais sobre o padrão perturbador dos ataques. Equipes da Força Aérea realizando trabalho de inteligência discutiram com o Talon Anvil. E mesmo dentro do Talon Anvil, alguns membros às vezes se recusavam a participar de ataques visando pessoas que não pareciam estar na luta.

Os quatro oficiais trabalharam em diferentes partes do esforço de guerra, mas todos interagiram diretamente com o Talon Anvil em centenas de ataques e logo se preocuparam com sua forma de operar. Eles relataram o que estavam vendo aos superiores imediatos e ao comando que supervisionava a guerra aérea, mas dizem que foram ignorados.

Todos os anos em que a célula de ataque operou, a taxa de vítimas civis na Síria aumentou significativamente, de acordo com Larry Lewis, um ex-conselheiro do Pentágono e do Departamento de Estado que foi um dos autores de um relatório do Departamento de Defesa de 2018 sobre danos a civis. Lewis, que leu os dados confidenciais de vítimas civis do Pentágono para a Síria, disse que a taxa é dez vezes maior que a de operações semelhantes que ele rastreou no Afeganistão.

— A taxa foi muito mais alta do que eu esperava de uma unidade dos EUA — disse Lewis. — O fato de ela ter aumentado de forma dramática e constante ao longo dos anos me chocou.

Inexistência

Lewis disse que os comandantes permitiram a tática ao deixar de enfatizar a importância de reduzir as baixas civis, e que o general Stephen Townsend, que comandou a ofensiva contra o grupo Estado Islâmico em 2016 e 2017, desprezou os relatos generalizados da mídia de notícias e de organizações de direitos humanos descrevendo o pedágio de montagem.

Em uma entrevista por telefone, Townsend, que agora chefia o Comando dos militares na África, negou veementemente que não levasse as baixas civis a sério.

Oficialmente, o Talon Anvil nunca existiu. A célula de ataque era comandada por uma unidade de Operações Especiais chamada Força-Tarefa 9, que supervisionava a ofensiva terrestre na Síria. A força-tarefa tinha uma segunda célula de ataque que trabalhou com a CIA para caçar líderes de grupos importantes do Estado Islâmico e foi responsável por uma fração dos ataques.

Ambas as células foram criadas em 2014, quando o Estado Islâmico invadiu grandes partes do Iraque e da Síria. No início da ofensiva liderada pelos americanos, apenas generais de alto escalão de fora da Delta podiam aprovar ataques. As táticas mudaram no fim de 2016, quando Townsend assumiu o comando e transferiu a autoridade para aprovar ataques para o nível de comandantes no local.

Pressão

Os operadores do Delta estavam sob enorme pressão para proteger as tropas terrestres aliadas e levar a ofensiva adiante, disse o ex-membro da força-tarefa, e se sentiram prejudicados pelas salvaguardas. Portanto, no início de 2017, eles encontraram uma maneira de atacar mais rapidamente: autodefesa. A maioria das restrições da chamada Operação Inherent Resolve se aplicavam apenas a ataques ofensivos, então Talon Anvil começou a alegar que quase todos os ataques eram em autodefesa.

O Talon Anvil às vezes entrou em confronto com as equipes de inteligência da Força Aérea baseadas nos EUA que ajudaram a analisar a torrente de imagens de drones. Os operadores da Delta pressionariam os analistas a dizer que viram provas, como armas, que poderiam justificar legalmente um ataque, mesmo quando não havia qualquer uma, disse o ex-oficial de inteligência da Força Aérea. Se um analista não visse o que a Delta queria, a Delta pediria outro.

Todas as imagens dos ataques são armazenadas pelos militares. Em uma aparente tentativa de conter as críticas e minar as investigações em potencial, o Talon Anvil começou a direcionar as câmeras dos drones para longe dos alvos pouco antes de um ataque, impedindo a coleta de evidências de vídeo, disse o ex-oficial de inteligência da Força Aérea e um ex-membro da força-tarefa.

_________________________________________________Reús, Dr. Jairinho e Monique Medeiros, CHORAM ao ouvir PAI de Dr. Jairinho [deputado estadual Jairo Souza Santos (Solidariedade), conhecido como Coronel Jairo]: 'Pedi a Deus que Henry voltasse'

14.dez.2021 - Dr. Jairinho e Monique Medeiros (de branco) em audiência do Caso Henry - MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
14.dez.2021 - Dr. Jairinho e Monique Medeiros (de branco) em audiência do Caso Henry Imagem: MARCOS PORTO/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Daniele Dutra e Lola Ferreira

Colaboração para o UOL e do UOL, no Rio

14/12/2021 14h23

A mãe de Henry Borel, Monique Medeiros, e o ex-vereador Dr. Jairinho, ambos acusados da morte da criança de quatro anos, choraram hoje durante o depoimento à Justiça do pai de Jairinho, o deputado estadual Jairo Souza Santos (Solidariedade), conhecido como Coronel Jairo.

No Tribunal, Coronel Jairo diz que chegou ao hospital Barra D'Or em 8 de março —a criança deu entrada no hospital sem vida, segundo laudo policial— e orou de joelhos por Henry, pedindo a Deus para que a criança voltasse. Monique chorou ao ouvir o relato do ex-sogro.

Pai de Henry acompanha audiência fora do Tribunal: 'Fico triste'

"Orei por Henry de joelhos, segurando a mão dele em direção ao coração. Fiquei entre 30 e 40 minutos pedindo a Deus para que ele voltasse, até que uma pessoa foi até a sala e disse que não tinha mais jeito", disse Coronel Jairo.

"Monique estava em estado de choque, cumprimentei, dei um abraço, mas não tem muito o que falar, os filhos são a razão da nossa vida, esse cara aí é a razão da minha vida", disse Coronel Jairo olhando para Jairinho, que chorou ao ouvir o pai.

O pai do réu criticou o laudo da Polícia Civil e disse que o corpo da criança não tinha lesões.

"Esse inquérito tem coisas inexplicáveis. As médicas não constataram nada na hora, elas colocaram causa mortis como indefinido. Não havia nenhuma equimose, não tinha qualquer lesão. Da cintura pra cima não havia nada, posso afirmar."

Jairinho voltou a chorar copiosamente enquanto pai narrava o "carinho" dele pelos filhos e sobrinhos. "Jairinho é um doce, não mata nenhuma mosca. É apaixonado pelo sobrinho, o Teo, pela filha, que é a razão da vida dele", disse o pai dele.

Segundo Coronel Jairo, não havia clima de briga ou desafeto entre Monique e Jairinho. Sobre a relação do casal, o deputado disse Monique se referia a Jairinho como um "príncipe".

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FORA da indústria 4.0

“Vamos virar uma grande fazenda”: Brasil vive acelerada desindustrialização

Diego Machado Ferreira e Ligia Ribeiro Paiva, ambos ex-metalúrgicos, trabalham hoje como entregadores terceirizados de uma transportadora que presta serviços para o Mercado Livre.
Diego Machado Ferreira e Ligia Ribeiro Paiva, ambos ex-metalúrgicos, trabalham hoje como entregadores terceirizados de uma transportadora que presta serviços para o Mercado Livre. FERNANDO CAVALCANTI

“Sou o terceirizado, do terceirizado, do terceirizado do Mercado Livre”. É assim que Diego Machado Ferreira, de 34 anos, explica sua situação trabalhista. Demitido da Ford em 2019, o ex-metalúrgico tem uma rotina semelhante à do personagem principal do filme Você não estava aqui, de Ken Loach. Sai às 6h da manhã para encarar a fila de entrega do galpão localizado no Parque São Lourenço, extremo Leste da capital paulista. Quanto mais pacote ele consegue despachar, mais ele recebe, o que significa comprometer o almoço e, com frequência, contar com uma ajudante para acelerar as entregas. A diferença entre ficção e realidade é que, ao contrário do personagem do filme, Ferreira não comprou a ideia de que ele é seu próprio patrão por ter aberto uma microempresa. “Não me sinto empreendedor.”

Ferreira faz hoje parte do grupo de trabalhadores jovens, altamente escolarizados e frustrados com as expectativas de emprego e melhoria de condições de vida, que o sociólogo Giovanni Alves chama de precariado. Essa classe social foi forjada pela promessa de ascensão social por meio da educação e do emprego. Porém, o futuro que se projetava para o país durante dos governos petistas ―com uma política industrial voltada para fortalecer e modernizar empresas nacionais― , não se concretizou. “Está em curso no Brasil um processo de desconstrução do sistema de segurança e saúde do trabalho que visa atender à demanda de um novo projeto econômico em desenvolvimento”, explica o cientista social Fausto Augusto Júnior, diretor técnico do Dieese.

O acirramento do processo de desindustrialização no país é um sintoma dessa mudança. Em setembro, a norte-americana Ford fechou a fábrica da Troller em Horizonte, região metropolitana de Fortaleza (CE), deixando 446 trabalhadores desempregados. Essa medida finalizou a saída da empresa do Brasil, anunciada no começo do ano. Com a transferência de sua produção para a Argentina, foram fechados também suas unidades em Camaçari (BA) e Taubaté (SP) com a demissão de 5.000 pessoas. E a Ford não foi a única. Nos últimos dois anos, as montadoras alemãs Mercedes Benz e Audi, as farmacêuticas Roche (Suíça) e Eli Lily (EUA) e a empresa de eletroeletrônicos japonesa Sony também anunciaram sua saída do Brasil.

“A visão de futuro do Governo Bolsonaro é a de um país produtor de comida, minério e energia”, afirma Augusto, por isso o abandono de tudo relacionado com políticas industriais, inclusive os cortes de investimentos em ciência e tecnologia. “Temos ouvido ministros falarem que o Brasil será a grande fazenda do mundo, pois será também a grande mina. Não espere nenhuma indústria de carro elétrico chegando por aqui”, lamenta.

Dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostram que o setor manufatureiro atingiu mínimas históricas na pandemia. A indústria de transformação (que enolve tecnologia para transformar matéria prima em produto final) caiu de uma participação de 11,79% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 para 11,30% do PIB em preços correntes em 2020, o menor patamar desde 1947, quando se dá início a série histórica das contas nacionais calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O auge da comparação da indústria de transformação aconteceu em 1985, quando chegou a representar 24,5% da economia do país. No terceiro trimestre deste ano, o peso do setor voltou a subir um pouco, chegando a 12,5% da geração de riquezas do país, mais como um soluço do que como retomada consistente. “A pandemia atingiu a indústria com significativa capacidade produtiva ociosa devido às perdas industriais de 2014-2016 e a crise político-institucional aguda de 2015 e 2016. Apesar da recuperação no triênio 2017-2019, o produto manufatureiro em 2019 ainda era 14% inferior ao de 2013″, informa o Iedi. O saldo de 2021 é negativo, segundo a entidade, que considera que “a segunda onda da pandemia para a indústria ainda não terminou.” Só o setor de alta tecnologia teve queda de 7,6% entre julho e dezembro.

Um fenômeno contrário aconteceu com o agricultura, que ganhou espaço mesmo no desafiador ano de 2020. O setor alcançou uma participação de 6,8% no PIB nacional em 2020 ― com uma leve alta em relação ao ano anterior, quando representou 6,5%, conforme dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A expectativa é que a peso da agricultura no PIB chegue a 7,9% neste ano e matenha uma trajetória de crescimento até 2022, quando chegará a 8,3%. “A partir de 2023, [a participação] deve cair de volta para a média da série histórica, algo próximo a 6%”, afirma Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da CNA. Estes dados ainda serão revisados a partir do ajuste feito pelo IBGE nos dados trimestrais.

Brasil perde 28.000 indústrias em seis anos

Pesquisa Industrial Anual (PIA) 2019, divulgados neste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra em números o tamanho do estrago: de 2013 a 2019, o país perdeu 28.700 empresas e 1,4 milhão de postos de trabalho. Em 2019, o país tinha 306.300 indústrias, um encolhimento de 8,5% em relação ao seu auge seis anos antes. Essas empresas empregavam antes da crise sanitária 7,6 milhões de pessoas, uma redução de 15,6% sobre 2013. O salários do setor, geralmente mais elevados do que em outros segmentos, também sofreram perdas. Na indústria extrativa, a remuneração saiu de uma média de 5,9 salários mínimos (s.m.), em 2013, para 4,6 s.m., em 2019. Nas indústrias de transformação a redução foi de 3,3 s.m. para 3,1 s.m.

A situação do setor se complicou ainda mais com a crise sanitária. “A pandemia da covid-19 foi a pá de cal na indústria brasileira, que já vem perdendo espaço desde 2005, com o boom de commodities e valorização do câmbio”, explica o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília. O primeiro segmento afetado pelo processo de desindustrialização foi o de bens intermediários, ou seja, aquelas que produzem insumos para a própria indústria. Oreiro afirma que de 2005 a 2015, os elos da cadeia industrial brasileira começaram a sumir. Foi um período de substituição de compra de matéria-prima da cadeia brasileira por produtos importados. A partir de 2014, o que começou a desaparecer são as indústrias de bens finais, como as fábricas de automóveis.

Fora da Indústria 4.0

O Brasil vive um fenômeno diferente do que aconteceu em países desenvolvidos que tiveram a chamada desindustrialização positiva, fruto do amadurecimento de suas economias. Esse fenômeno foi marcado pelo abandono de atividades que já não interessavam ao plano de desenvolvimento, como a indústria extrativa ―terceirizada aos países pobres―, para focar em alta tecnologia. Trata-se de uma tendência que tem como base a utilização de novas tecnologias, como robótica, inteligência artificial, internet das coisas.

Augusto explica que o reposicionamento da economia pelo Governo Bolsonaro segue o caminho contrário. O caso da indústria naval é um exemplo. Foram anos de investimento para formar mão de obra especializada e ter um desenvolvimento tecnológico capazes de permitir a construção de plataformas de alta profundidade. “Hoje temos o esvaziamento desses estaleiros, teoricamente, com a Petrobras em busca de melhores preços no mercado internacional. A alternativa que se discute é trazer para o país a indústria de desmontagem de navios, mais comum em países como Bangladesh e Índia. É uma indústria suja, que polui e mata trabalhadores”, explica o diretor do Dieese.

A expectativa é que novas ferramentas trazidas pela chamada Quarta Revolução industrial ―ou Indústria 4.0―, tornem as atividades industriais mais produtivas, mas também mais sustentáveis, uma nova demanda dos consumidores. Estados Unidos, Europa, Japão e China vem investindo nessas mudanças nos últimos dez anos. “Quem não se adaptar, está fora do comércio internacional, fora do investimento produtivo”, afirma Oreiro. “As fábricas estão indo embora do Brasil porque o país não está mudando. Vivemos um período de transformação no paradigma tecnológico: em alguns anos só teremos transportes elétricos, por exemplo”, analisa o economista.

No entanto, o Brasil, que já foi líder em produção de automóveis menos poluentes, não soube aproveitar essa vantagem competitiva. “Temos zero política para transformar o parque automotivo brasileiro num transporte sustentável. O Governo segue uma agenda ultrapassada e não consegue visualizar a nova revolução industrial que está acontecendo no mundo”, diz Oreiro.

Reconstrução das cadeias produtivas

Segundo Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a pandemia trouxe de volta à esfera internacional a questão da reconstrução das cadeiras produtivas com o objetivo de evitar a interrupção na oferta de insumos estratégicos, como aconteceu com produtos da área médica na primeira fase da crise sanitária. “Esses temas entraram na agenda de política de desenvolvimento dos países. China, União Europeia e EUA estão alocando recursos para incentivar indústrias consideradas estratégicas”, afirma.

Cagnin defende que este também deve ser o caminho para o Brasil. O problema é que o país ainda tem questões antigas para resolver paralelamente aos novos desafios. “Temos problemas seculares, saneamento é deplorável, o restante do mundo resolveu essa questão no século XIX. Imposto de valor adicionado foi tema dos anos 80 no resto do mundo. Não temos mais espaço para fazer remendos, precisamos de reformas profundas que mudem o ambiente empresarial da água para o vinho”, defende.

Segundo o economista do Iedi, mesmo em relação à política industrial houve muito equívoco no que foi feito no passado. “O que o Brasil vem fazendo desde os anos 90 é uma política industrial compensatória, que não resolve os problemas. A estrutura tributária completamente disfuncional que temos hoje não será resolvida com política industrial”, alerta. De acordo com ele, muito do que passou como política industrial eram apenas subsídios. “Política industrial mira as tendências de desenvolvimento do que temos que apostar, não é para cobrir buracos e suprir deficiências cuja origem está em outra esfera, como na tributação”, afirma.

Diego Machado Ferreira prestando serviços para o Mercado Livre.
Diego Machado Ferreira prestando serviços para o Mercado Livre. FERNANDO CAVALCANTI

Flerte com a fome e sonho de voltar ao mercado formal de trabalho

Filho de um ex-metalúrgico, Diego Machado Ferreira organizou sua vida profissional em torno da indústria. Fez curso técnico no Senai, graduação de gestão em produção industrial e pós-graduação em logística. Entrou na Ford em 2007, na véspera da crise financeira internacional. Achou até que perderia o emprego por conta do rebuliço na economia mundial, mas lembra que nunca mais trabalhou tanto quanto naquela época. “Foi quando o [ex-presidente] Lula baixou o IPI”, afirma, referindo-se à redução de imposto sobre produtos industrializados para automóveis e eletrodomésticos da chamada linha branca, como geladeiras e fogões. “Trabalhávamos sábado e domingo direito, entrando uma hora mais cedo e saindo uma hora mais tarde”, recorda-se.

Foram seis anos de chão de fábrica até ser transferido para a área de logística. “Não tinha uma vida luxuosa, mas conseguia ter um carro bom e um convênio médico para a família”, diz. Com o fechamento da fábrica em São Bernardo, não conseguiu se recolocar em sua área de atuação. Chegou a montar um negócio próprio, uma academia de crossfit, porém, perdeu o investimento por conta da pandemia da covid-19. Assim como diversos de seus companheiro de trabalho, luta para manter seu padrão de vida. O trabalho de entregador cumpre a função de atender necessidades imediatas. Em dias bons, chega a ganhar 200 reais de diária, valor compartilhado com a amiga Ligia Ribeiro Paiva, também ex-Ford, que ajuda nas entregas.  “Digo que hoje flerto com a fome. Todo dia ela pisca para mim e diz que se eu vacilar, ela entra na minha casa”, lamenta o entregador.

Ferreira culpa a reforma trabalhista realizada no Governo Michel Temer pela situação precária em que trabalhadores terceirizados vivem atualmente. Conta que a partir de 2017, a reforma afetou até mesmo a relação dos trabalhadores com a indústria. "Antes da mudança na lei, o produto final tinha que ser feito por um funcionário da Ford. Isso mudou. Aí aparece presidente na TV para falar que a lei vai gerar milhões de empregos, mas são empregos para ganhar pouco, 1.500, 1.400 reais", afirma, lembrando que o salário de muitos profissionais da Ford ultrapassava os 5.000 reais.

Trabalhadores por conta própria, como Ferreira, são o segmento que mais cresce no país, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE. No trimestre encerrado em julho, os autônomos atingiram o patamar recorde de 25,2 milhões de pessoas, um aumento de 4,7%, com mais 1,1 milhão de pessoas, em relação ao trimestre anterior. 

Ferreira diz que vai continuar na entrega de compras, que dá mais estabilidade do que trabalhar de Uber, como fazem alguns de seus amigos, mas que espera conseguir um emprego CLT no próximo ano. Nada como aquele que ele tinha na indústria, ele lamenta. "A Ford era uma mãe, eu vivia em uma bolha."


_________________________________________________Grupo francês Vivendi passa a controlar jornal El País e fecha edição brasileira


247 - O jornal espanhol El País divulgou um curto comunicado no fim da manhã desta terça-feira (14) por meio do qual anunciou o fim da edição brasileira da publicação. O El País Brasil era um jornal virtual editado em português desde 2013. Rapidamente, dado a qualidade de sua edição, das reportagens e dos colunistas, converteu-se num dos melhores sites brasileiros de informação. Só entre funcionários diretos, fora os colaboradores eventuais do serviço brasileiro do El País, foram efetuadas 17 demissões com a extinção do El País Brasil.

O fechamento da edição El País Brasil, justificada como “corte de despesas” para os funcionários brasileiros, ocorre justamente quando o grupo francês Vivendi, comandado pelo investidor Vincent Bollorré, passou a controlar o conjunto de fundos que administravam o jornal espanhol. O Vivendi já controla, na França, a RFM, a rede de TV Europa 1, a revista Paris Match, o grupo editorial Hachette e o grupo Stock & Larrousse. Na Espanha, além do El País, que passa a comandar, controla também a Alianza Editoral e a Edições Salvat.

Leia o comunicado do jornal:

"A edição em português do EL PAÍS despede-se hoje de seus leitores. Esta edição nasceu em 2013 e durante oito anos informou sobre a atualidade brasileira e mundial. Neste tempo, apesar de ter atingido grandes audiências e um número considerável de assinantes digitais, ela não alcançou sua sustentabilidade econômica, o que levou à decisão por sua descontinuidade.

O EL PAÍS, que mantém correspondentes em São Paulo, conta com a mais extensa rede de jornalistas no continente. A partir de sua redação na Cidade do México, dos escritórios de Washington, Bogotá e Buenos Aires e de seus jornalistas nas principais capitais, a edição do EL PAÍS América oferece a mais completa cobertura em espanhol da área. Um esforço que será ampliado nos próximos meses e no qual o jornal concentrará suas energias.

Queremos agradecer aos profissionais do EL PAÍS Brasil por seu grande esforço e dedicação. Como também à fidelidade de nossos leitores, que poderão acompanhar a informação sobre a região e o resto do mundo em nossa edição da América. Para este jornal, o Brasil é um eixo da informação global tanto no plano político e econômico, quanto no cultural e social".

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