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FORA da indústria 4.0
“Vamos virar uma grande fazenda”: Brasil vive acelerada desindustrialização ///////////////////////////////////////////////////////////////////
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_________________________________________________A incerteza provocada | Míriam Leitão - O Globo
Ação de Bolsonaro CONTRA a ELEIÇÃO é MAIS_GRAVE do que POLARIZAÇÃO
_________________________________________________Jovem Pan News NAUFRAGA em audiência e CAI 8 posições em ranking
Emissora de extrema-direita PIOROU seu desempenho em dezembro
_________________________________________________Delegacia de Homicídios investiga morte de americano dentro de cobertura alugada em Ipanema
_________________________________________________Nostradamus: profecias para 2022 preveem guerras, terremotos, robôs e morte de ditador
_________________________________________________Letícia Sabatella lembra parto prematuro na época da morte de Daniella Perez e se revolta com assassino: ‘Cara de pau’
_________________________________________________Neonazismo no Brasil: relembre 12 casos que chocaram o país em 2021

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RIO — No Brasil, segundo o artigo 20 da Lei 7.716, é crime fabricar, comercializar e distribuir símbolos para divulgação do nazismo. Mesmo assim, casos de apologia ao regime e a figuras como o ditator alemão Adolf Hitler vêm se disseminando em vários estados do país, que já conta com cerca de 530 células neonazistas, segundo estimativas. Um crescimento de quase 60% em dois anos.
O número de inquéritos abertos pela Polícia Federal para investigar casos de apologia ao nazismo cresceram consideravelmente nos últimos anos. Dados obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que, depois de já registrar alta significativa, passando de 20, em 2018, para 69 registros em 2019, as apurações contabilizadas pela PF somaram 110 no ano passado, o que representa um crescimento de 59% e uma média de um inquérito aberto a cada três dias.
Relembre alguns casos que chocaram o Brasil e fizeram de 2021 um ano marcado pela escalada do neonazismo:
Mensagens antissemitas de doutorando da UFRGS
O doutorando Álvaro Körbes Hauschild, de 29 anos, investigado por racismo, assediou e enviou mensagens antissemitas para a namorada de um judeu, de 17 anos, nas redes sociais. Hauschild publicava, no Facebook e em seu site, textos nos quais, nega o Holocausto e defende a eugenia, além de imagens hoje em dia associadas ao neonazismo e à supremacia branca.
Homem preso por pedofilia tinha acervo nazista no Rio
No dia 5 de outubro, o delegado Luiz Mauricio Armond, titular da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes), iniciou as investigações de um homem preso por suspeita de pedofilia, fazer parte de uma célula neonazista em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio. Na casa, havia pelo menos 12 fardas nazistas originais, nove armas, entre pistolas, revólveres e fuzis, bandeiras nazistas, um quadro de Adolf Hitler, um documento da SS com a foto de Doyle, o acusado, vestido com uma farda da SS e a "patente" de obergruppenführer (o equivalente, na SS, ao posto de general).

Loja vende busto de Hitler e placa com símbolo nazista
Uma loja no Mercado de Pulgas, em Nova Trento (SC), denunciado à Polícia Civil e ao Ministério Público de Santa Catarina pela venda de artefatos nazistas. A legislação brasileira estabelece ser crime “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”.

Músico agredido por grupo suspeito de ser neonazista em SP
O músico Dennis Sinned, de 38 anos, finalizava os preparativos para se apresentar em um bar na zona oeste de São Paulo quando foi atacado por um grupo de dez a 12 homens. O caso levantou suspeitas de uma ofensiva neonazista e virou alvo de investigação da polícia. O episódio ocorreu no Dia da Consciência Negra, gerando uma série de publicações em redes sociais atribuindo os ataques a um grupo neonazista.

Capacete nazista no RS
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpriu, em 13 de setembro, mandados de busca e apreensão contra um homem de 21 anos que viralizou nas redes sociais por publicar um vídeo exibindo um capacete nazista, dizendo que sairia assim na rua e produziria mais conteúdo com ele para a internet. O suspeito declarou, em depoimento, que não é nazista, como também não fez apologia ao nazismo, apenas fez o vídeo de “zoeira”.

Polícia fecha fábrica de artigos nazistas em SC
Quadros com a imagem de Adolf Hitler, canecas com o símbolo nazista, peças decorativas de uma águia acima da suástica e o capacete que compunha o uniforme da Polícia de Estado da Alemanha. Toda essa variedade de produtos com temática do nazismo foi encontrada pela Polícia Civil de Santa Catarina no município de Timbó, em setembro. No estoque da loja haveria inclusive bustos de Hitler à venda. A Polícia Civil já instaurou inquérito policial, pois ficaram caracterizados os crimes de preconceito de raça ou de cor.
Promotora do DF publica propaganda nazista nas redes
A promotora Marya Olímpia Ribeiro Pacheco publicou sete postagens com imagens de cartazes nazistas e mensagens de apoio a Adolf Hitler. As publicações foram feitas na página pessoal da servidora pública do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e divulgadas pelo site Congresso em Foco.
Em nota, a promotora afirmou que suas postagens "jamais promoveram qualquer elogio ao nazismo". Ela alegou ter colocado propaganda nazista ao lado de cartazes comunistas "para demonstrar como essas duas ditaduras abomináveis são semelhantes, não apenas na supressão dos direitos individuais, mas na própria forma de se apresentar utilizando-se dos mesmos apelos propagandísticos".
"Uma postagem como essa jamais poderia ensejar a interpretação de que se trata de apologia a nazismo, ignorando-se a paralela imagem comunista que também se faz presente", acrescentou a promotora.
Estudante se intitula 'nazista alemão reencarnado'
No dia 14 de novembro, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de um aluno que se intitula "nazista alemão reencarnado". Nas redes sociais, o jovem enaltecia e divulgava vídeos e imagens dos massacres que aconteceram em escolas nas cidades de Suzano (SP), em 2019, e Columbine (EUA), em 1999.
Bolo decorado com a imagem de Hitler
Uma estudante de 24 anos do curso de História da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) postou nas redes sociais fotos comemorando seu aniversário com um retrato de Adolf Hitler. Além da instituição ter encaminhado o caso às autoridades policiais, a deputada Juliana Brizola (PDT-RS) entrou com uma denúncia no Ministério Público do Rio Grande do Sul contra "apologia nazista" que teria sido praticada pela estudante.

Argelino vira réu por apologia ao nazismo no Brasil
Em uma operação da Polícia Federal, que desarticulou um esquema de exploração de migrantes para viagens ilegais aos Estados Unidos, um cidadão argelino que vive no Brasil se tornou réu por apologia ao nazismo devido a publicações no Facebook nas quais enaltecia símbolos e personalidades do regime ditatorial alemão. Abdessalem Martani, de 48 anos, usava nome falso na rede social, mas foi descoberto a partir do número de telefone vinculado à conta, registrado em São Paulo.
Mulher alvo de ofensas em grupo autointitulado nazista
Carol Inácio, de 26 anos, jovem engajada em causas como o feminismo negro e o empoderamento da mulher, em Colatina (ES), foi inserida em um grupo de WhatsApp formado por homens racistas e que se afirmavam como nazistas. Chamado de Realities - Red Pill Opressor, o grupo tinha na descrição um resumo do que seus membros pensam: "Somos homens, brancos, hetero normais, devido a isso te oprimimos, né? Portanto, assuma seu lugar de inferioridade total", dizia a apresentação.
Pintura semelhante a suástica em parque no RS
No dia 14 de outubro, moradores de Porto Alegre se revoltaram com uma pintura no parque da cidade que se assemelhava a suástica, um dos principais elementos da simbologia nazista. Assim que o caso ganhou repercussão, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) de Porto Alegre solicitou a elaboração de um laudo emergencial para verificar se o piso do parque tinha vinculações com a simbologia nazista.
Dois pareceres foram finalizados em dezembro. Ambos concluíram que a pintura no piso de uma área no Parque da Redenção não tem qualquer vinculação com a simbologia nazista.

_________________________________________________Após estragos na Bahia, Inmet alerta para temporais no Sudeste
_________________________________________________Vidente que previu o 11 de setembro e a morte da princesa Diana diz que haverá uma nova pandemia em 2022

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Morta em 1996, a vidente cega búlgara Vangelia Gushterova, conhecida como ‘Baba Vanga’ ou ‘Nostradamus dos Balcãs’, deixou uma série de previsões para os anos seguintes. Para 2022, a mulher prevê o surgimento de uma outra pandemia. Dessa vez, a descoberta do novo vírus mortal ocorrerá na Sibéria, conforme os escritos deixados por ela.
O próximo ano, segundo Baba Vanga, também será marcado por uma grave crise hídrica com escassez de água potável em várias cidades do mundo. A vidente previu ainda que a poluição dos rios vai aumentar e uma tsunami vai devastar a Ásia e a Austrália.
Baba Vanga prevê ainda uma invasão alienígena em 2022. Segundo a vidente, um asteroide enviado por extraterrestres em 2017 vai atacar o planeta Terra no próximo ano.
A búlgara tornou-se conhecida por ter supostamente acertado previsões de eventos marcantes da história recente, como os ataques de 11 de setembro às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, o acidente nuclear em Chernobyl, a morte da princesa Diana, o tsunami de 2004 na Ásia e a saída do Reino Unido da União Europeia.
Para 2021, Baba Vanga previu uma atividade sísmica e vulcânica significativa, além de inundações e tempestades. De acordo com a mídia internacional, a vidente tem cerca de 85% de precisão em suas previsões.
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Conjunção de fenômenos naturais
A anômala ZCAS da Bahia foi gerada pela conjunção de dois grandes fenômenos climáticos. O primeiro é a La Niña, ativa desde outubro. Provocada pelo esfriamento da água do Pacífico Sul, a La Niña é um fenômeno planetário, que no Brasil costuma trazer mais chuvas para o Norte e o Nordeste. O outro fenômeno é a elevação da temperatura da água do Atlântico Sul logo abaixo da linha do equador. Isso contribuiu para que as chuvas “estacionassem” mais o norte do que o normal.
Como a umidade permanece mais ou menos a mesma, mais chuva no Norte significa menos no Sul. Não à toa, São Paulo e os estados do Sul têm amargado com a seca. Em São Paulo, a média de precipitação de dezembro está em 90 mm, menos da metade dos 200 mm da média histórica para o mês, um dos mais chuvosos do ano.
Seluchi alerta que a Bacia do Paraná está com chuvas muito abaixo da média. Em São Paulo o risco de falta d’água será elevado em 2022. O Sistema Cantareira está com 25% de seu volume e não chove significativamente há meses.
— Será muito difícil para o estado atravessar a estação seca de 2022 com esse volume tão baixo. São Paulo está gastando todos os seus créditos para 2022 agora e ficando sem ter de onde tirar no ano que vem — diz Seluchi.
Para o verão, a previsão é que a Bacia do São Francisco, o Semiárido, o Tocantins e a Amazônia tenham chuvas acima da média histórica. Já a Bacia do Paraná e o Sul, terão abaixo da média.
E uma região que engloba todo o Sudeste e parte do Centro-Oeste é uma zona de transição e de incerteza. Tanto pode chover mais ou menos, e esse volume deve variar ao longo do verão.
Seluchi acrescenta que as chuvas na Bahia chamam a atenção dos especialistas não apenas pela intensidade, mas pelo tamanho da região afetada, boa parte dela sem histórico de desastres.
As tempestades devastaram cidades da Zona da Mata do sul baiano até Jussiape, na montanhosa Chapada Diamantina, onde uma barragem se rompeu.
Mesmo em cidades que já sofreram antes com chuvas no passado, como Ilhéus e Porto Seguro, choveu em dois dias o que chove em um mês. O volume de precipitação deste dezembro é o dobro da média histórica, de 150 mm.
Seluchi diz que o impacto da segunda ZCAS foi pior do que a que atingiu a Bahia no início de dezembro porque encontrou uma região já castigada e com a infraestrutura comprometida pela primeira.
A primeira ZCAS em termos de volume de chuva foi até mais intensa tanto na Bahia quanto no norte de Minas Gerais, com registros superiores a 500 mm em quatro dias.
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Retrospectiva de 2021 em frases

O anos de 2021 foi mais um de extremos. Defensores da ciência celebrando o controle da pandemia com o avanço da vacinação, enquanto algumas vozes insistem no negacionismo e obscurantismo. De um lado a inclusão social promovendo diversidade, de outro uma visão elitista do acesso ao saber acadêmico. E, num contexto de crise sanitária e econômica, ataques cada vez mais frequentes à democracia desafiam os guardiões de instituições como a justiça, a imprensa e o sistema político. É o que mostram as frases mais marcantes do ano selecionadas pelo GLOBO. Confira:
“Eu sou do Centrão, eu nasci de lá”
Jair Bolsonaro, após indicar o senador Ciro Nogueira (PP-PI) para assumir a Casa Civil
“Eu comparo isso a uma ressurreição: estou de volta ao jogo, quero jogar, quero ganhar”
Lula, em declaração sobre seu retorno à política em 2022

“Nunca prometi que o Brasil ia continuar crescendo em V”
Paulo Guedes, comentando quadro de recessão técnica da economia brasileira
“Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha”
Jair Bolsonaro, em discurso em ato no dia 7 de setembro

“Minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento”
Jair Bolsonaro, em “declaração à nação” em 9 de setembro, redigida com a ajuda do ex-presidente Michel Temer
“Sempre que fui chamado para ajudar o país, busquei o diálogo e coloquei as instituições acima dos homens”
Michel Temer, após ajudar Bolsonaro com carta para “pacificar” relação com o Supremo Tribunal Federal
“Nossa Independência garantiu nossa liberdade e somente se fortalece com absoluto respeito à democracia”
Alexandre de Moraes, em publicação feita no dia dos atos do 7 de setembro
“O processo ainda está começando. É hora de grandeza política. É hora de união”
Geraldo Alckmin, sobre chapa em 2022, em primeiro encontro público com Lula
“Tenho de tomar dois Lexotan na veia para não levar o presidente a tomar uma atitude mais drástica”
Augusto Heleno, criticando o STF em palestra na Abin que teve áudio vazado
“Bolsonaro transformou o Brasil num Estado policial que se oculta sob falsa capa de legalidade”
Ciro Gomes, após ser alvo de operação da PF por suposto esquema de corrupção
“A universidade, na verdade, deveria ser para poucos”
Milton Ribeiro, defendendo maior ênfase em ensino técnico
Por que a Angela Merkel pode ficar dezesseis anos no poder e Daniel e Ortega não?”
Lula, relativizando o ditador da Nicarágua em entrevista na Europa
“Sou um governador gay, não um gay governador, tanto quanto Obama não foi um negro presidente, foi um presidente negro”
Eduardo Leite, falando pela primeira vez sobre sua sexualidade
“Eles têm algumas opções de como você chegou até aqui: de quem é filha, esposa, e se não for nenhuma dessas, você dormiu com alguém”
Isa Penna, deputada estadual, vítima de assédio, sobre machismo na política
“Tive a sensação de que ele esperou eu aceitar, conversar com ele sobre isso, para ele ir tranquilo. A gente ficou do lado dele, abraçou ele e falou para ele descansar”
Tomás Covas, sobre a morte do pai, o ex-prefeito de São Paulo Bruno Covas
“Devo, não nego, pagarei assim que puder”
Paulo Guedes, dizendo não ter caixa para pagar precatórios de 2022
“É a vitória da vacina, da democracia, que sirva de lição para quem flerta com a morte”
João Doria, em evento da primeira injeção contra Covid-19 no Brasil
“Chega de frescura, de mimimi, vão ficar chorando até quando?
Jair Bolsonaro, em março, sobre a pandemia de Covid-19
“A nossa dor não é mimimi, nós não somos palhaços”
Márcio Antônio Silva, taxista que perdeu o filho para o coronavírus em depoimento à CPI da Covid
“A ciência vencerá o vírus. A prudência vencerá a perturbação. E a racionalidade vencerá o obscurantismo”
Luiz Fux, presidente do STF, em discurso no Supremo proferido ao lado do presidente Bolsonaro

“É um passo para um homem e um salto para os evangélicos”
André Mendonça, comemorando sua aprovação para o STF
“Se tivesse um candidato competitivo de centro contra os dois (Lula e Bolsonaro), eu provavelmente ficaria no setor privado”
Sergio Moro, justificando sua entrada na corrida eleitoral
“Pois é, estou sem. Onde compra isso?”
Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, ao ser abordado sem máscara em shopping de Manaus

“Vou fazer uma pausa para pensar o que realmente me interessa, pois nos últimos 16 anos tive pouco tempo para isso”
Angela Merkel, explicando seus planos para a aposentadoria após quatro mandatos como chanceler
“Preciso cuidar da saúde mental”
Simone Biles, ginasta norte-americana, que desistiu de disputar provas em que era favorita ao ouro na Olimpíada de Tóquio
“Artista não é ladrão. A acusação de ‘mamar na Lei Rouanet’ me dá ódio. Em ‘Marighella’, não ganhei um tostão”
Wagner Moura, sobre ataques de bolsonaristas à classe artística
“Nós não vamos falar grosso na investigação e miar no relatório”
Renan Calheiros, sobre os pedidos de indiciamento do presidente Jair Bolsonaro na CPI da Covid
“Nunca existiu uma interferência política tão extrema na saúde pública ao ponto de certas autoridades negarem a importância das vacinas, negarem a própria pandemia”
Dimas Covas, diretor do Butantan sobre a atuação do governo Bolsonaro

“É como se estivéssemos discutindo de que borda da terra plana vamos pular”
Luana Araújo, infectologista, sobre uso de cloroquina para tratar Covid-19
“Reconhecemos também que onde existe muita floresta, também existe muita pobreza”
Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente em discurso na COP 26 que foi rechaçado por ambientalistas
“Vamos deixar claro que os Estados Unidos estão de volta e que as democracias do mundo estão unidas para enfrentar os desafios mais difíceis”
Joe Biden, na Europa, em sua primeira viagem internacional como presidente

“Estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas. Vamos parar com o roubo (das eleições)”
Donald Trump, em discurso a apoiadores em Washington, pouco antes da invasão do Capitólio
“O metaverso é o próximo capítulo da internet”
Mark Zuckerberg, sobre a nova tecnologia que promete materializar o ambiente digital
“Os cara é grande, mas nós é ruim. Aqui é Brasil”
Bruno Fratus, em discurso de superação após conquistar a medalha de bronze nos 50m livre da natação
“Eu encaro (a Copa de 2022) como a minha última porque não sei se terei mais condições, de cabeça, de aguentar mais futebol”
Neymar, desabafando sobre as pressões da vida de atleta

“Ah é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”
Maurício Souza, jogador de vôlei, em comentário homofóbico sobre Super-Homem bissexual
“Um dia, minha tia tentou cortar o meu pinto fora”
Cauã Reymond, sobre seu conturbado histórico familiar e o episódio com a tia que sofria de esquizofrenia
“Sou um cara de muitos sonhos aos 80 anos”
Roberto Carlos, o “Rei”, planejando uma série de projetos pós-pandemia
“Achava que terapia de negão era o candomblé”
Seu Jorge, sobre começar a fazer terapia aos 50 anos

“Era para a gente estar nos Jetsons e estamos voltando para os Flintstones”
Rita Lee, sobre o atual estado das coisas no Brasil
“Quando me descobri sapatão foi uma farra dentro de mim”
Bruna Linzmeyer, que teve sua sexualidade desvalorizada por anos pela própria teraupeuta
“Ontem foi comemorado o Dia da Consciência Negra. Quando teremos o Dia da Consciência Branca?”
Regina Duarte, atriz e ex-secretária de Cultura, sobre a data para lembrar a luta dos negros contra a escravidão

“Nós não queremos mais blá blá blá"
Greta Thunberg, criticando discursos de líderes mundiais na COP-26 e pedindo ações concretas para o meio ambiente
“Há 6 anos (Tony Hawk) compartilhou meu vídeo vestida de fadinha. Hoje me filmou nas Olimpíadas, estou vivendo um sonho”
Rayssa Leal, skatista de 13 anos, após conquistar medalhas em Tóquio sob as bençãos do ídolo

“Sempre foi caso fechado mesmo: eu sou fluido”
Caetano Veloso, refletindo sobre masculinidade e o lugar do sexo em sua vida, aos 79 anos
_________________________________________________Silvio Santos busca comprador para o SBT e pede R$ 1 bilhão pela emissora
_________________________________________________Por que a primeira fazenda de polvos do mundo está gerando polêmica
_________________________________________________Unidade militar SECRETA dos EUA mirava no Estado Islâmico, mas ACERTAVA em CIVIS

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NOVA YORK — Uma unidade ultrassecreta de ataque americana lançou dezenas de milhares de bombas e mísseis contra o Estado Islâmico na Síria. No entanto, no processo de martelar um inimigo cruel, a força sombria matou civis repetidamente, de acordo com antigos e atuais oficiais militares e de inteligência. A unidade, chamada Talon Anvil, trabalhou em três turnos ininterruptos entre 2014 e 2019, identificando alvos para o formidável poder aéreo dos EUA: comboios, carros-bomba, centros de comando e esquadrões de caças inimigos.
Mas pessoas que trabalharam com a célula de ataque dizem que, na pressa de destruir os inimigos, ela contornou as regras impostas para proteger os não-combatentes e alarmou seus parceiros militares e da CIA ao matar pessoas que não tinham papel no conflito: fazendeiros tentando trabalhar, crianças nas ruas, famílias fugindo dos combates e moradores abrigados em prédios.
Talon Anvil era um grupo pequeno — às vezes menos de 20 pessoas operando em salas anônimas cheias de telas planas — mas desempenhou um papel descomunal nas 112 mil bombas e mísseis lançados contra o Estado Islâmico, em parte porque abraçou uma interpretação livre dos regras militares.
— Eles eram implacavelmente eficientes e bons em seus trabalhos — disse um ex-oficial de inteligência da Força Aérea que trabalhou em centenas de missões da Talon Anvil de 2016 a 2018. — Mas eles também fizeram muitos ataques ruins.
Ritmo feroz
Os militares classificaram a guerra aérea contra o Estado Islâmico como a mais precisa e humanda da história militar, e disseram que as regras estritas e a supervisão dos principais líderes mantiveram as mortes de civis no mínimo, apesar do ritmo feroz dos bombardeios.
Na realidade, quatro atuais e ex-oficiais militares dizem, a maioria dos ataques não foi ordenada por líderes de topo, mas por comandos da Força Delta do Exército dos EUA de patente relativamente baixa em Talon Anvil.
O jornal New York Times relatou mês passado que um bombardeio de Operações Especiais em 2019 matou dezenas de mulheres e crianças, e que as consequências foram ocultadas do público e dos principais líderes militares. Em novembro, o secretário de Defesa, Lloyd Austin, ordenou uma investigação de alto nível sobre o ataque, que fora conduzido por Talon Anvil.
Mas as pessoas que viram a força-tarefa operar em primeira mão dizem que o ataque de 2019 foi parte de uma série de ataques imprudentes que começou anos antes.
Quando apresentados às descobertas do jornal, vários atuais e ex-oficiais de Operações Especiais negaram qualquer padrão generalizado de ataques aéreos imprudentes pela célula de ataque e desrespeito pela limitação de vítimas civis. O capitão Bill Urban, porta-voz do Comando Central dos militares, que supervisiona as operações na Síria, não quis comentar o assunto.
Alarme
Com o aumento dos ataques ruins, disseram os quatro oficiais militares, os parceiros do Talon Anvil soaram o alarme. Os pilotos da Síria às vezes se recusavam a lançar bombas porque o Talon Anvil queria atingir alvos questionáveis em áreas densamente povoadas. Oficiais graduados da CIA reclamaram com líderes de Operações Especiais sobre o padrão perturbador dos ataques. Equipes da Força Aérea realizando trabalho de inteligência discutiram com o Talon Anvil. E mesmo dentro do Talon Anvil, alguns membros às vezes se recusavam a participar de ataques visando pessoas que não pareciam estar na luta.
Os quatro oficiais trabalharam em diferentes partes do esforço de guerra, mas todos interagiram diretamente com o Talon Anvil em centenas de ataques e logo se preocuparam com sua forma de operar. Eles relataram o que estavam vendo aos superiores imediatos e ao comando que supervisionava a guerra aérea, mas dizem que foram ignorados.
Todos os anos em que a célula de ataque operou, a taxa de vítimas civis na Síria aumentou significativamente, de acordo com Larry Lewis, um ex-conselheiro do Pentágono e do Departamento de Estado que foi um dos autores de um relatório do Departamento de Defesa de 2018 sobre danos a civis. Lewis, que leu os dados confidenciais de vítimas civis do Pentágono para a Síria, disse que a taxa é dez vezes maior que a de operações semelhantes que ele rastreou no Afeganistão.
— A taxa foi muito mais alta do que eu esperava de uma unidade dos EUA — disse Lewis. — O fato de ela ter aumentado de forma dramática e constante ao longo dos anos me chocou.
Inexistência
Lewis disse que os comandantes permitiram a tática ao deixar de enfatizar a importância de reduzir as baixas civis, e que o general Stephen Townsend, que comandou a ofensiva contra o grupo Estado Islâmico em 2016 e 2017, desprezou os relatos generalizados da mídia de notícias e de organizações de direitos humanos descrevendo o pedágio de montagem.
Em uma entrevista por telefone, Townsend, que agora chefia o Comando dos militares na África, negou veementemente que não levasse as baixas civis a sério.
Oficialmente, o Talon Anvil nunca existiu. A célula de ataque era comandada por uma unidade de Operações Especiais chamada Força-Tarefa 9, que supervisionava a ofensiva terrestre na Síria. A força-tarefa tinha uma segunda célula de ataque que trabalhou com a CIA para caçar líderes de grupos importantes do Estado Islâmico e foi responsável por uma fração dos ataques.
Ambas as células foram criadas em 2014, quando o Estado Islâmico invadiu grandes partes do Iraque e da Síria. No início da ofensiva liderada pelos americanos, apenas generais de alto escalão de fora da Delta podiam aprovar ataques. As táticas mudaram no fim de 2016, quando Townsend assumiu o comando e transferiu a autoridade para aprovar ataques para o nível de comandantes no local.
Pressão
Os operadores do Delta estavam sob enorme pressão para proteger as tropas terrestres aliadas e levar a ofensiva adiante, disse o ex-membro da força-tarefa, e se sentiram prejudicados pelas salvaguardas. Portanto, no início de 2017, eles encontraram uma maneira de atacar mais rapidamente: autodefesa. A maioria das restrições da chamada Operação Inherent Resolve se aplicavam apenas a ataques ofensivos, então Talon Anvil começou a alegar que quase todos os ataques eram em autodefesa.
O Talon Anvil às vezes entrou em confronto com as equipes de inteligência da Força Aérea baseadas nos EUA que ajudaram a analisar a torrente de imagens de drones. Os operadores da Delta pressionariam os analistas a dizer que viram provas, como armas, que poderiam justificar legalmente um ataque, mesmo quando não havia qualquer uma, disse o ex-oficial de inteligência da Força Aérea. Se um analista não visse o que a Delta queria, a Delta pediria outro.
Todas as imagens dos ataques são armazenadas pelos militares. Em uma aparente tentativa de conter as críticas e minar as investigações em potencial, o Talon Anvil começou a direcionar as câmeras dos drones para longe dos alvos pouco antes de um ataque, impedindo a coleta de evidências de vídeo, disse o ex-oficial de inteligência da Força Aérea e um ex-membro da força-tarefa.
_________________________________________________Reús, Dr. Jairinho e Monique Medeiros, CHORAM ao ouvir PAI de Dr. Jairinho [deputado estadual Jairo Souza Santos (Solidariedade), conhecido como Coronel Jairo]: 'Pedi a Deus que Henry voltasse'

Daniele Dutra e Lola Ferreira
Colaboração para o UOL e do UOL, no Rio
14/12/2021 14h23
A mãe de Henry Borel, Monique Medeiros, e o ex-vereador Dr. Jairinho, ambos acusados da morte da criança de quatro anos, choraram hoje durante o depoimento à Justiça do pai de Jairinho, o deputado estadual Jairo Souza Santos (Solidariedade), conhecido como Coronel Jairo.
No Tribunal, Coronel Jairo diz que chegou ao hospital Barra D'Or em 8 de março —a criança deu entrada no hospital sem vida, segundo laudo policial— e orou de joelhos por Henry, pedindo a Deus para que a criança voltasse. Monique chorou ao ouvir o relato do ex-sogro.
Pai de Henry acompanha audiência fora do Tribunal: 'Fico triste'
"Orei por Henry de joelhos, segurando a mão dele em direção ao coração. Fiquei entre 30 e 40 minutos pedindo a Deus para que ele voltasse, até que uma pessoa foi até a sala e disse que não tinha mais jeito", disse Coronel Jairo.
"Monique estava em estado de choque, cumprimentei, dei um abraço, mas não tem muito o que falar, os filhos são a razão da nossa vida, esse cara aí é a razão da minha vida", disse Coronel Jairo olhando para Jairinho, que chorou ao ouvir o pai.
O pai do réu criticou o laudo da Polícia Civil e disse que o corpo da criança não tinha lesões.
"Esse inquérito tem coisas inexplicáveis. As médicas não constataram nada na hora, elas colocaram causa mortis como indefinido. Não havia nenhuma equimose, não tinha qualquer lesão. Da cintura pra cima não havia nada, posso afirmar."
Jairinho voltou a chorar copiosamente enquanto pai narrava o "carinho" dele pelos filhos e sobrinhos. "Jairinho é um doce, não mata nenhuma mosca. É apaixonado pelo sobrinho, o Teo, pela filha, que é a razão da vida dele", disse o pai dele.
Segundo Coronel Jairo, não havia clima de briga ou desafeto entre Monique e Jairinho. Sobre a relação do casal, o deputado disse Monique se referia a Jairinho como um "príncipe".
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FORA da indústria 4.0
“Vamos virar uma grande fazenda”: Brasil vive acelerada desindustrialização

Brasil perde 28.000 indústrias em seis anos
A Pesquisa Industrial Anual (PIA) 2019, divulgados neste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra em números o tamanho do estrago: de 2013 a 2019, o país perdeu 28.700 empresas e 1,4 milhão de postos de trabalho. Em 2019, o país tinha 306.300 indústrias, um encolhimento de 8,5% em relação ao seu auge seis anos antes. Essas empresas empregavam antes da crise sanitária 7,6 milhões de pessoas, uma redução de 15,6% sobre 2013. O salários do setor, geralmente mais elevados do que em outros segmentos, também sofreram perdas. Na indústria extrativa, a remuneração saiu de uma média de 5,9 salários mínimos (s.m.), em 2013, para 4,6 s.m., em 2019. Nas indústrias de transformação a redução foi de 3,3 s.m. para 3,1 s.m.
A situação do setor se complicou ainda mais com a crise sanitária. “A pandemia da covid-19 foi a pá de cal na indústria brasileira, que já vem perdendo espaço desde 2005, com o boom de commodities e valorização do câmbio”, explica o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília. O primeiro segmento afetado pelo processo de desindustrialização foi o de bens intermediários, ou seja, aquelas que produzem insumos para a própria indústria. Oreiro afirma que de 2005 a 2015, os elos da cadeia industrial brasileira começaram a sumir. Foi um período de substituição de compra de matéria-prima da cadeia brasileira por produtos importados. A partir de 2014, o que começou a desaparecer são as indústrias de bens finais, como as fábricas de automóveis.
Fora da Indústria 4.0
O Brasil vive um fenômeno diferente do que aconteceu em países desenvolvidos que tiveram a chamada desindustrialização positiva, fruto do amadurecimento de suas economias. Esse fenômeno foi marcado pelo abandono de atividades que já não interessavam ao plano de desenvolvimento, como a indústria extrativa ―terceirizada aos países pobres―, para focar em alta tecnologia. Trata-se de uma tendência que tem como base a utilização de novas tecnologias, como robótica, inteligência artificial, internet das coisas.
Augusto explica que o reposicionamento da economia pelo Governo Bolsonaro segue o caminho contrário. O caso da indústria naval é um exemplo. Foram anos de investimento para formar mão de obra especializada e ter um desenvolvimento tecnológico capazes de permitir a construção de plataformas de alta profundidade. “Hoje temos o esvaziamento desses estaleiros, teoricamente, com a Petrobras em busca de melhores preços no mercado internacional. A alternativa que se discute é trazer para o país a indústria de desmontagem de navios, mais comum em países como Bangladesh e Índia. É uma indústria suja, que polui e mata trabalhadores”, explica o diretor do Dieese.
A expectativa é que novas ferramentas trazidas pela chamada Quarta Revolução industrial ―ou Indústria 4.0―, tornem as atividades industriais mais produtivas, mas também mais sustentáveis, uma nova demanda dos consumidores. Estados Unidos, Europa, Japão e China vem investindo nessas mudanças nos últimos dez anos. “Quem não se adaptar, está fora do comércio internacional, fora do investimento produtivo”, afirma Oreiro. “As fábricas estão indo embora do Brasil porque o país não está mudando. Vivemos um período de transformação no paradigma tecnológico: em alguns anos só teremos transportes elétricos, por exemplo”, analisa o economista.
No entanto, o Brasil, que já foi líder em produção de automóveis menos poluentes, não soube aproveitar essa vantagem competitiva. “Temos zero política para transformar o parque automotivo brasileiro num transporte sustentável. O Governo segue uma agenda ultrapassada e não consegue visualizar a nova revolução industrial que está acontecendo no mundo”, diz Oreiro.
Reconstrução das cadeias produtivas
Segundo Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a pandemia trouxe de volta à esfera internacional a questão da reconstrução das cadeiras produtivas com o objetivo de evitar a interrupção na oferta de insumos estratégicos, como aconteceu com produtos da área médica na primeira fase da crise sanitária. “Esses temas entraram na agenda de política de desenvolvimento dos países. China, União Europeia e EUA estão alocando recursos para incentivar indústrias consideradas estratégicas”, afirma.
Cagnin defende que este também deve ser o caminho para o Brasil. O problema é que o país ainda tem questões antigas para resolver paralelamente aos novos desafios. “Temos problemas seculares, saneamento é deplorável, o restante do mundo resolveu essa questão no século XIX. Imposto de valor adicionado foi tema dos anos 80 no resto do mundo. Não temos mais espaço para fazer remendos, precisamos de reformas profundas que mudem o ambiente empresarial da água para o vinho”, defende.
Segundo o economista do Iedi, mesmo em relação à política industrial houve muito equívoco no que foi feito no passado. “O que o Brasil vem fazendo desde os anos 90 é uma política industrial compensatória, que não resolve os problemas. A estrutura tributária completamente disfuncional que temos hoje não será resolvida com política industrial”, alerta. De acordo com ele, muito do que passou como política industrial eram apenas subsídios. “Política industrial mira as tendências de desenvolvimento do que temos que apostar, não é para cobrir buracos e suprir deficiências cuja origem está em outra esfera, como na tributação”, afirma.

Flerte com a fome e sonho de voltar ao mercado formal de trabalho
Filho de um ex-metalúrgico, Diego Machado Ferreira organizou sua vida profissional em torno da indústria. Fez curso técnico no Senai, graduação de gestão em produção industrial e pós-graduação em logística. Entrou na Ford em 2007, na véspera da crise financeira internacional. Achou até que perderia o emprego por conta do rebuliço na economia mundial, mas lembra que nunca mais trabalhou tanto quanto naquela época. “Foi quando o [ex-presidente] Lula baixou o IPI”, afirma, referindo-se à redução de imposto sobre produtos industrializados para automóveis e eletrodomésticos da chamada linha branca, como geladeiras e fogões. “Trabalhávamos sábado e domingo direito, entrando uma hora mais cedo e saindo uma hora mais tarde”, recorda-se.
Foram seis anos de chão de fábrica até ser transferido para a área de logística. “Não tinha uma vida luxuosa, mas conseguia ter um carro bom e um convênio médico para a família”, diz. Com o fechamento da fábrica em São Bernardo, não conseguiu se recolocar em sua área de atuação. Chegou a montar um negócio próprio, uma academia de crossfit, porém, perdeu o investimento por conta da pandemia da covid-19. Assim como diversos de seus companheiro de trabalho, luta para manter seu padrão de vida. O trabalho de entregador cumpre a função de atender necessidades imediatas. Em dias bons, chega a ganhar 200 reais de diária, valor compartilhado com a amiga Ligia Ribeiro Paiva, também ex-Ford, que ajuda nas entregas. “Digo que hoje flerto com a fome. Todo dia ela pisca para mim e diz que se eu vacilar, ela entra na minha casa”, lamenta o entregador.
Ferreira culpa a reforma trabalhista realizada no Governo Michel Temer pela situação precária em que trabalhadores terceirizados vivem atualmente. Conta que a partir de 2017, a reforma afetou até mesmo a relação dos trabalhadores com a indústria. "Antes da mudança na lei, o produto final tinha que ser feito por um funcionário da Ford. Isso mudou. Aí aparece presidente na TV para falar que a lei vai gerar milhões de empregos, mas são empregos para ganhar pouco, 1.500, 1.400 reais", afirma, lembrando que o salário de muitos profissionais da Ford ultrapassava os 5.000 reais.
Trabalhadores por conta própria, como Ferreira, são o segmento que mais cresce no país, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE. No trimestre encerrado em julho, os autônomos atingiram o patamar recorde de 25,2 milhões de pessoas, um aumento de 4,7%, com mais 1,1 milhão de pessoas, em relação ao trimestre anterior.
Ferreira diz que vai continuar na entrega de compras, que dá mais estabilidade do que trabalhar de Uber, como fazem alguns de seus amigos, mas que espera conseguir um emprego CLT no próximo ano. Nada como aquele que ele tinha na indústria, ele lamenta. "A Ford era uma mãe, eu vivia em uma bolha."
_________________________________________________Grupo francês Vivendi passa a controlar jornal El País e fecha edição brasileira

247 - O jornal espanhol El País divulgou um curto comunicado no fim da manhã desta terça-feira (14) por meio do qual anunciou o fim da edição brasileira da publicação. O El País Brasil era um jornal virtual editado em português desde 2013. Rapidamente, dado a qualidade de sua edição, das reportagens e dos colunistas, converteu-se num dos melhores sites brasileiros de informação. Só entre funcionários diretos, fora os colaboradores eventuais do serviço brasileiro do El País, foram efetuadas 17 demissões com a extinção do El País Brasil.
O fechamento da edição El País Brasil, justificada como “corte de despesas” para os funcionários brasileiros, ocorre justamente quando o grupo francês Vivendi, comandado pelo investidor Vincent Bollorré, passou a controlar o conjunto de fundos que administravam o jornal espanhol. O Vivendi já controla, na França, a RFM, a rede de TV Europa 1, a revista Paris Match, o grupo editorial Hachette e o grupo Stock & Larrousse. Na Espanha, além do El País, que passa a comandar, controla também a Alianza Editoral e a Edições Salvat.
Leia o comunicado do jornal:
"A edição em português do EL PAÍS despede-se hoje de seus leitores. Esta edição nasceu em 2013 e durante oito anos informou sobre a atualidade brasileira e mundial. Neste tempo, apesar de ter atingido grandes audiências e um número considerável de assinantes digitais, ela não alcançou sua sustentabilidade econômica, o que levou à decisão por sua descontinuidade.
O EL PAÍS, que mantém correspondentes em São Paulo, conta com a mais extensa rede de jornalistas no continente. A partir de sua redação na Cidade do México, dos escritórios de Washington, Bogotá e Buenos Aires e de seus jornalistas nas principais capitais, a edição do EL PAÍS América oferece a mais completa cobertura em espanhol da área. Um esforço que será ampliado nos próximos meses e no qual o jornal concentrará suas energias.
Queremos agradecer aos profissionais do EL PAÍS Brasil por seu grande esforço e dedicação. Como também à fidelidade de nossos leitores, que poderão acompanhar a informação sobre a região e o resto do mundo em nossa edição da América. Para este jornal, o Brasil é um eixo da informação global tanto no plano político e econômico, quanto no cultural e social".
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