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Paulo Pimenta, Jair Bolsonaro e Antonio Barra Torres


_________________________________________________“O ano de 2022 é o MAIS IMPORTANTE da nossas VIDAS. Precisamos ganhar a PRESIDÊNCIA e o GOVERNO do Rio para NÃO cairmos numa situação extremamente DRAMÁTICA. _________________________________________________RESPOSTA de Barra Torres a Bolsonaro "é a MAIOR HUMILHAÇÃO de um presidente da República na HISTÓRIA" _________________________________________________Lúcia Guimarães: Minha única expectativa para 2022 é sair do lugar * _________________________________________________Começa o jogo: PT quer DEVOLVER DIREITOS aos TRABALHADORES e a PLUTOCRACIA REAGE _________________________________________________

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_________________________________________________Balaio do Kotscho - Diante do avanço da ômicron no país, Bolsonaro AMEAÇA com CAOS e REBELIÃO 

O presidente Jair Bolsonaro em entrevista exclusiva à rádio Jovem Pan: a cada dia, um novo capítulo Imagem: Reprodução/Youtube

 Kotscho Colunista do UOL 11/01/2022 16h11

Na longa entrevista chapa-branca gravada semana passada e colocada no ar em capítulos, desde segunda-feira, pela Jovem Pan, agora promovida a emissora oficial, o presidente Jair Bolsonaro volta a ameaçar o país com caos e rebelião, no momento em que governadores e prefeitos começam a adotar novas medidas de circulação para conter o avanço da variante ômicron, que já representa 92,6% dos testes positivos no país, segundo pesquisa do ITpS (Instituto Todos pela Saúde), em parceria com os laboratórios Dasa e DB Molecular, divulgada no último dia 6.

"O Brasil não resiste a um novo lockdown, será o caos, será aqui uma rebelião, explosão de ações onde grupos vão defender o direito à sobrevivência deles. Não teremos Forças Armadas suficientes para a Garantia da Lei e da Ordem", disse o presidente.

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Por que ex-BBBs insistem em lançar livros (quase sempre ruins)?

É tudo delírio. Nunca houve lockdown no país, e ninguém está falando nisso, mas as autoridades estaduais e municipais agem bem em tomar providências para impedir o avanço da nova cepa, que volta a superlotar pronto socorros e hospitais, já que o governo federal mais uma vez se omite, como acontece desde o início da pandemia há quase dois anos.

Na mesma entrevista, em que voltou a colocar em dúvida a honestidade da Anvisa _"cria dificuldades para vender facilidades" _, após a dura reação do contra-almirante Barra Torres, Bolsonaro também falou sobre os riscos que a democracia no país corre de cair numa ditadura:

"A nova ditadura não é de uma hora pra outra. Vem aos poucos. Vai tirando pedaços da sua liberdade aqui e acolá. E quando você vê, está até a cintura na areia movediça, não tem como sair mais. O Brasil ainda corre esse risco. Não está descartado".

Como de costume, o capitão-presidente não cita fatos nem nomes de quem nos ameaça, e quando fala em liberdade defende a liberdade que todos têm de morrer de covid, por não se vacinarem.

Bolsonaro não acredita em pesquisas nem nas estatísticas sobre o avanço da ômicron, que nas últimas 24 horas voltou a bater recorde. De acordo com o Our World in Data, projeto da Universidade de Oxford, foram registrados 3,28 milhões de casos na segunda-feira. E as maiores vítimas são os não-vacinados, responsáveis pelo maior número de internações e de óbitos.

Desde novembro do ano passado, quando foi anunciada pela Organização Mundial da Saúde, a nova variante está classificada como de "preocupação", pelo alto grau de transmissibilidade e letalidade entre não-vacinados.

Mas só nesta terça-feira, ao chegar à sede do Ministério da Saúde, o doutor Marcelo Queiroga admitiu pela primeira vez a gravidade da situação, quando vários levantamentos já haviam demonstrado a predominância da cepa no Brasil.

"A nossa expectativa é que não haja um impacto em hospitalizações e em óbitos", disse aos jornalistas. Quem lhe garante isso? Os números provam exatamente o contrário, como informa o Jornal Nacional todas as noites.

_________________________________________________Doria tenta polarizar com Lula e sai em defesa da reforma trabalhista de Temer

11 de janeiro de 2022, 21:21

247 - Impelida pelas discussões do PT sobre a revisão da reforma trabalhista de 2017, a equipe econômica do presidenciável João Doria, liderada por Henrique Meirelles, arquiteto original do projeto sob o governo Temer, lançou, nesta terça-feira (11), documento que busca agradar o mercado. 

Com a desmoralização de Paulo Guedes e o alvoroço gerado pela imprensa corporativa acerca das propostas de Lula, Doria quer capitalizar no nicho da Faria Lima. Além de Meirelles, assinam o texto as economistas Ana Carla Abrão, Zeina Latiff e Vanessa Rahal Canado. 

São seis propostas: rever os procedimentos do Orçamento, executado através de emendas parlamentares, "que são pouco comprometidas com a qualidade do gasto público", segundo o texto. 

Propõe também rever o abono salarial e o seguro-defeso, fazer uma reforma administrativa, eliminar sobreposições entre FGTS e seguro-desemprego, reduzir precatórios e auditar benefícios previdenciários.

O texto elogia a reforma trabalhista de 2017, mas propõe "correções": reduzir custos trabalhistas, proteger empregados de aplicativos, fomentar formação profissional, fazer uma reforma sindical, revisar o sistema de benefícios que estimulam a rotatividade de mão de obra, proteção da renda dos informais e "aprimoramento da atuação do Sistema S".

Na semana passada, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, assim como o próprio Lula, citaram a "contrarreforma trabalhista" do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, como um caminho a ser seguido por um eventual governo Lula.

O ex-presidente se reuniu com lideranças espanholas para se aprofundar sobre o tema. A ideia é, posteriormente, realizar um seminário público, depois do amadurecimento de estudos econômicos que estão sendo realizados. (Com informações da Folha de S.Paulo). 

_________________________________________________Brasil tem terceira maior inflação do G-20 em 2021

11 de janeiro de 2022

247 - Levantamento realizado pela plataforma Trading Economics, que analisa os dados históricos e as projeções de quase 200 países, mostrou que, no acumulado de 12 meses, a inflação brasileira é a 3ª pior entre as nações do G-20.

Países como Austrália, Canadá, China e Coreia do Sul adotaram MEDIDAS MUITO MAIS RESTRITIVAS ao longo da PANDEMIA para CORTAR a DISSEMINAÇÃO da Covid-19 e têm uma inflação acumulada inferior à do Brasil, porque as ações sanitárias NÃO SÃO O ÚNICO fator a justificar a flutuação dos preços.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial terminou o ano de 2021 em 10,06%, maior taxa desde 2015. Situação pior no G-20 vivem apenas a Argentina, que até novembro acumulava em 12 meses uma inflação de 52,1%, e a Turquia, cujo índice é de 36,08%, já atualizado em dezembro.

Países como Austrália, Canadá, China e Coreia do Sul adotaram medidas muito mais restritivas ao longo da pandemia para cortar a disseminação da Covid-19 e têm uma inflação acumulada inferior à do Brasil, porque as ações sanitárias não são o único fator a justificar a flutuação dos preços.

Diversos países do G-20 ainda não divulgaram os índices de inflação atualizados em dezembro. Nenhum deles, no entanto, “ultrapassará” o Brasil no ranking, dada a diferença no acumulado em 12 meses.

_________________________________________________Opinião - Latinoamérica21: Gabriel Boric e as possibilidades de renovação das esquerdas latino-americanas

É uma tradição: no Chile se joga mais uma vez o futuro das esquerdas no continente

Professor de ciência política na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), tem pós-doutorado no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Santiago (Chile)

A contundente vitória de Gabriel Boric no segundo turno da eleição presidencial chilena de 19 de dezembro de 2021 manteve o país no caminho de mudança aberto pelo estallido social de outubro de 2019. Garantiu um caminho relativamente tranquilo para a conclusão dos trabalhos da Convenção Constituinte em andamento, e para a futura aprovação em referendo da nova constituição. Acima de tudo, confirmou a transição da revolta popular para a via institucional, traduzindo e ao mesmo tempo "domesticando" as fortes demandas emanadas das ruas.

Um governo refundador

De todo modo, para além desta "domesticação" institucional do processo transformador, Boric se apresenta como um futuro presidente com uma agenda de reformismo forte, adequada ao processo refundador inaugurado pelo estallido social. O desastre que representaria uma vitória de José Antonio Kast foi sepultado (quem sabe junto com o fantasma do ditador Augusto Pinochet), dando lugar a um governo que se projeta como de transição entre a democracia limitada instaurada pela transição pactuada (que se esgotou em 2019) e o novo regime que virá.

Gabriel Boric venceu o segundo turno da eleição presidencial chilena de 19 de dezembro de 2021 - AFP

É evidente que a agenda de reformismo forte do novo governo será parcialmente bloqueada pela crise econômico-financeira a ser provocada pela sabotagem do mercado financeiro e das elites chilenas, bem como pela ausência de uma maioria parlamentar sólida. Ainda assim, a vitória de Boric reforça a tendência latino-americana de retomada de governos de esquerda e centro-esquerda, desidratando as versões regionais de governos neoliberais autoritários – uma tendência global que aqui se traduz principalmente em Jair Bolsonaro.

O retorno do progressismo: de volta para o passado

Porém, o governo Boric provavelmente se diferenciará de outras experiências regionais, que podem ser consideradas uma retomada do "ciclo progressista" em versão rebaixada. Governos como os de López Obrador no México, Alberto Fernández na Argentina, e o provável retorno de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil apontam para tentativas de retomada de projetos já esgotados. Esgotados porque chegaram ao limite de suas propostas de mudanças sem ruptura, e porque em boa parte perderam sua capacidade mobilizadora. Outros governos, como os de Nicolás Maduro na Venezuela e Daniel Ortega na Nicarágua - o primeiro sobrevivente do "ciclo progressista" original em sua versão refundadora, o segundo de etapa rupturista anterior -, se apresentam como degenerações de si mesmos, hoje abertamente autoritários.

Tudo isso ocorre numa conjuntura internacional muitíssimo pior, num contexto de crise das democracias e de ofensiva conservadora. Tomando o exemplo brasileiro: a esperança que abertamente nutrimos por um retorno do lulismo no Brasil não se traduz em expectativas de transformações estruturais, mas simplesmente de bloqueio do autoritarismo, ignorância, violência e desmonte social levados a cabo pelo governo de extrema-direita. Trata-se então de expectativas consideravelmente rebaixadas em relação aos primeiros governos de Lula (que já não eram tão altas). Se antes se podia esperar ao menos reformas e pesados investimentos sociais, agora teremos que lutar para que ocorram eleições, que elas sejam limpas, que Lula tome posse, consiga governar e concluir seu mandato.

Não é muito. Ao que parece, uma tentativa de reinstaurar a Nova República num quadro em que ela já não existe mais. Alguma sensação de normalidade em meio a um processo para nada normal, de crise orgânica sem fim.

O Chile é diferente

Já de Boric se deve esperar muito mais. Seu governo deverá se portar ativamente como o começo de uma nova era, consolidada pelo sepultamento da Constituição pinochetista de 1980. Ainda que tenha que realizar algumas práticas assemelhadas às da Concertação de Partidos pela Democracia (a encarnação limitada da era progressista no país) para garantir governabilidade, vai governar em diálogo com os movimentos sociais, com as minorias, com a juventude. Deverá estabelecer um gabinete feminino e plural, reconhecer as lutas dos indígenas mapuche no sul do país, tratar humanamente da questão dos imigrantes irregulares, buscar memória e justiça para os crimes da ditadura militar e da repressão ao estallido social.

Quem é Gabriel Boric, futuro presidente do Chile

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Não há da parte do projeto vitorioso nada que se assemelhe a "socialismo", "comunismo" e outros fantasmas agitados por Kast. No entanto, há um projeto inclusivo forte, com ampliação de direitos para as minorias oprimidas e expansão do acesso à saúde, educação e previdência. Um projeto, portanto, marcadamente à esquerda – bem mais que a versão mais esquerdista dos governos conservacionistas, o segundo de Michelle Bachelet. Mas acima de tudo, trata-se da tradução institucional de uma revolta popular, que complementa o processo constituinte refundador e apoia a posterior regulamentação e institucionalização das profundas mudanças que serão inscritas na nova Carta.

Mais ainda (o que nem sempre é considerado), trata-se de uma nova geração que emerge: sai a geração de 1968, dos jovens quadros do governo de Salvador Allende e já não tão jovens da transição pactuada. Entram os meninos e meninas da revolução dos pinguins de 2006 e da revolta estudantil de 2011 e 2012.

Regionalmente, o governo de Boric também pode se apresentar como uma novidade – em meio a retomadas rebaixadas em contextos deteriorados de projetos de duas décadas atrás. Poderia vir a ser aquela síntese tão necessária e difícil entre institucionalidade e mobilizações populares. Também entre políticas de redução da pobreza e da desigualdade (tradicionais das esquerdas) com questões ecológicas, de direitos reprodutivos, indígenas e demais minorias. Finalmente, de potencialização da democracia sem cair em degenerações autoritárias. É uma tradição: no Chile se joga mais uma vez o futuro das esquerdas latino-americanas.​

_________________________________________________Entendendo Bolsonaro - Bolsonaro é o EXEMPLO_MÁXIMO de quem NÃO consegue APRENDER 

6.jan.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL), durante sua live semanal - Reprodução/Facebook
6.jan.2022 - O presidente Jair Bolsonaro (PL), durante sua live semanal Imagem: Reprodução/Facebook

* Cesar Calejon

Segundo Paulo Freire, patrono da educação brasileira e um dos pensadores mais notáveis de toda a pedagogia mundial, aprender é "o processo constante de criação do conhecimento e de busca da transformação-reinvenção da realidade pela ação-reflexão humana".

Ou seja, para aprender é preciso promover transformações — internas e de ordem psíquica, bem como externas que afetam a própria composição da realidade — e ser capaz de tolerar a frustração de ser contrariado para repensar o uso das escolhas que foram feitas anteriormente. Nesse sentido, Bolsonaro é o representante absoluto das pessoas que simplesmente não conseguem aprender.

Ao longo das últimas semanas, o presidente brasileiro estimulou aglomerações durante as suas férias, incentivou ataques contra as instituições nacionais (Anvisa e o sistema eleitoral, por exemplo) e seguiu desacreditando a ciência, dessa vez por meio do desincentivo à vacinação das crianças brasileiras.

Assumindo essas posturas, sobretudo no que diz respeito ao combate à pandemia, Bolsonaro não alterou um milímetro sequer as suas posições desde que assumiu a presidência da República, apesar de ter desidratado de forma veemente: foi eleito em outubro de 2019 com 57.797.847 votos (55,13%) do total válido e hoje aparece, segundo recente pesquisa do PoderData, com apenas 24% de "bom/ótimo" e 57% de "ruim/péssimo", na avaliação dos entrevistados — o que, em ampla medida, explica o sucesso da adesão à vacinação no Brasil.

Mesmo quando comparado com os outros líderes direitistas do mundo, tais como Trump, Duterte ou Boris Johnson, Bolsonaro apresenta um nível ímpar no que diz respeito à estupidez e à incapacidade de aprender com base na própria experiência.

Trump perdeu a eleição em 2020 e mudou de ideia: hoje reivindica para si os benefícios da vacinação nos Estados Unidos. Duterte, apesar de ser um líder autocrático doentio e extremamente violento, quer usar a sua truculência para mandar prender quem negar a imunização. Johnson também voltou atrás. Após adoecer de covid-19, repensou as próprias decisões, tolerou a frustração das críticas que recebeu e se posicionou a favor da vacina. Todas essas figuras políticas estão hoje vacinadas.

Bolsonaro, presidindo um país que atinge a marca de 620 mil mortos pela covid-19, segue negando a vacina e propagando todos os tipos de absurdos. O presidente, que tem, notoriamente, problemas gástricos, não aprendeu sequer a mastigar: "eu não como, eu engulo", disse ele, tentando justificar a internação da semana passada.

Por mais surreal que seja a forma como Bolsonaro se conduz publicamente, todos temos amigos, parentes ou conhecidos que agem da mesma maneira. São pessoas arrogantes, incultas e limítrofes. Combinação que produz um efeito perigosíssimo: para muito além de apresentarem dúvidas com relação a questões básicas, elas têm certeza de que sabem e estão convencidas daquilo que dominam e, portanto, não precisam aprender ou mudar.

Do "terraplanismo" às "urnas eletrônicas fraudadas", da "vacina que dá AIDS" à cloroquina, dos "objetivos da Anvisa" com a vacinação infantil aos planos comunistas para dominar o Brasil. Vale absolutamente tudo, contanto que a narrativa sirva para promover a guerra cultural, criar o caos e impedir o processo legítimo de aprendizagem e esclarecimento da população.

Exatamente por esse motivo, Bolsonaro não pode, tal como deseja o diretor-geral Antonio Barra Torres, se retratar com a Avisa, ou repensar as suas falas sobre a pandemia e rever alguma dimensão da sua atuação política. Para chegar ao segundo turno das eleições presidenciais, ele precisa seguir radicalizando a sua base, mantendo-se fiel ao que fez e disse até aqui, e tentando cooptar as forças políticas (centrão, que já está comprado, mas pode abandoná-lo dependendo do nível do desgaste) e forças policiais para resolver a contenda na força, o que, em última análise, gera uma situação paradoxal típica às pessoas que se negam a aprender e a evoluir.

Radicalizar a sua base implica, necessariamente, duas consequências: diminuí-la para um número cada vez menor e mais alucinado de cidadãos que endossam a conduta promovida pelo genocídio bolsonarista e ampliar ainda mais a ojeriza que sente a imensa maioria da população.

No que diz respeito às forças policiais, as promessas de Bolsonaro também seguem essa mesma lógica: os efetivos deverão pressionar os governadores estaduais por meio de greves e outras medidas restritivas, o que poderá gerar um caos completo na área da segurança pública poucos meses antes da eleição presidencial. Somada às crises econômica, política e sanitária que acometem o Brasil atualmente, o caos completo em mais essa área seria o prego na tampa do caixão bolsonarista.

Incapaz de aprender para se adaptar, nesse ritmo o bolsonarismo segue rumo ao desfecho que foi conferido a todos os líderes e movimentos sociopolíticos dessa natureza que o precederam: a derrota vexaminosa e a lata de lixo da história. Felizmente, a maior parte da população brasileira é, sim, capaz de aprender para evitar que um governo semelhante jamais se produza novamente no país.

* Cesar Calejon é jornalista, com especialização em Relações Internacionais pela FGV e mestrando em Mudança Social e Participação Política pela USP (EACH). É escritor, autor dos livros A Ascensão do Bolsonarismo no Brasil do Século XXI (Kotter) e Tempestade Perfeita: o bolsonarismo e a sindemia covid-19 no Brasil (Contracorrente).

_________________________________________________MARIO Furley SCHMIDT 

escritor brasileiro

Mário Furley Schmidt (Niterói, 1959- Niterói, 9 de janeiro de 2022) foi um professor, escritor e enxadrista brasileiro.  O Ministério da Educação comprou livros de sua autoria para distribuição em escolas públicas. A obra também foi objeto de uma polêmica com o jornalista Ali Kamel que a denunciou como voltada a propaganda ideológica.

Factos rápidos Mário Furley Schmidt ...

Biografia

Primogênito de dois filhos, filho de João Schmidt, um engenheiro alemão, e Elzita Furley Schmidt, uma professora francesa, viveu os primeiros anos no bairro de São Francisco, Niterói no estado do Rio de Janeiro. Concluiu o ensino médio no Colégio Salesiano Santa Rosa onde seu irmão Carlos Henrique concluiria um ano depois. Em 1977 ingressou na Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde foi colega de alguns dos integrantes da Turma do Casseta & Planeta, como Marcelo Madureira, Beto Silva e Helio de la Peña. Não concluiu o curso. Em 1984, também na UFRJ, ingressou no curso de Filosofia, onde foi aprovado em 1º lugar. Mais uma vez abandonou as aulas, três anos depois, sem se formar. Foi professor de cursos pré-vestibulares em Niterói, tendo lecionado durante muito tempo no ensino Fundamental e Médio na rede de Colégios Itapuca, em Niterói/RJ e Laplace, em São Gonçalo.

Morte

Schmidt morreu no dia 9 de janeiro de 2022, aos 63 anos.

REPARAÇÃO HISTÓRICA

“Mario Schmidt foi o autor mais amado e idolatrado, a palavra é esta mesmo i-do-la-tra-do”, escreveu Arnaldo Saraiva em comunicado obtido pelo GGN.

“Foi também o mais odiado, perseguido e injustiçado pela extrema-direita, capitaneada pela Rede Globo e seus ‘jornalistas’ liderados pelo Ali Kamel, também conhecido por seus colegas como Pangaré que não sabe escrever”, disparou.

Segundo Saraiva, “o Pangaré publicou no moderado jornal O Globo e repercutida à exaustão por um grupo de jornalistas puxa-saco (Miriam Leitão, Sardemberg, Arnaldo Jabor e outros), que não leram uma linha sequer da obra e saíram falando pelos cotovelos e repercutindo a matéria asquerosa e destruindo a reputação do autor ‘comunista’ Mario Schmidt, da Nova História Critica. Um verdadeiro massacre, desumano, falso e criminoso.”

“Criaram um verdadeiro escândalo com uma matéria falsa. Naquela época a Rede Globo ainda tinha uma certa credibilidade. Só não foi pior porque um jornalista sério, Luis Nassif, e a revista Carta Capital, saíram em defesa da verdade”, lembrou Saraiva.

CONTRA A MARÉ

“Luis Nassif foi o único que leu o livro e, diante de tantos absurdos, advertiu a mídia tradicional (Folha, Estadão, etc) a não embarcar e repercutir aquela estupidez, como tinham embarcado e repercutido, na mesma época, no falso escândalo da Escola de Base, de tão triste memória.”

Saraiva lembrou que a fake news da grande mídia fez com que pais e mães pressionassem escolas para retirar o livro de circulação; professores que defendiam a obra foram ameaçados de demissão. “(…) com toda aquela falsa e mentirosa campanha da rede Globo, o resultado foi que, no ano seguinte a obra virou pó, literalmente pó.”

O FIM DE SCHMIDT

O que fez Mario Schmidt diante de tantas injustiças? “(…) com toda a sua grandeza, enclausurou-se em sua casa, onde ele tem, com certeza, a maior biblioteca particular do Brasil, com cerca de 50.000 volumes, e passou a estudar, em média, 18 horas por dia.”

“Mario Schmidt foi, sem dúvida nenhuma, o maior sucesso editorial didático de todos os tempos. Foi o autor que revolucionou a linguagem, o visual e o discurso crítico do livro didático”, pontuou Saraiva.

“Sou neto e filho de livreiros e editores, estou nesta atividade desde a década de 50. Publiquei incontáveis livros didáticos e incontáveis sucessos. Mas, nenhum, repito, nenhum deles fez tanto sucesso como o do Mario Schmidt”, finalizou.

_________________________________________________Obituário: Mario Schmidt, autor massacrado por perseguição ideológica da mídia tradicional, não conheceu reparação à honra

Schmidt, autor dos livros didáticos mais lidos no Brasil, foi acusado de fazer propaganda comunista. Vítima de fake news, partiu sem reparação

www.brasil247.com -
(Foto: Divulgação)

Jornal GGN - Morreu neste domingo (9) o autor de livros didáticos Mario Schmidt, responsável por uma das obras mais compradas pelo Ministério da Educação – “Nova História Crítica – e vítima de um massacre midiático encabeçado por Ali Kamel, da Globo, em sua cruzada ideológica contra a esquerda. O óbito foi comunicado neste domingo por Arnaldo Saraiva, editor de livros didáticos e fundador das editoras Saraiva e Nova Geração.

Em meados de 2007, durante o governo Lula, Kamel divulgou no jornal O Globo um artigo chamado “O que ensinam às nossas crianças”, com trechos do livro de Schmidt sobre a revolução Russa, Cubana, a antiga União Soviética, capitalismo, a revolução cultura chinesa, entre outros tópicos. Reproduzido em vários outros jornais, o texto acusava Schmidt de fazer propaganda ideológica do comunismo.

“Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Senão for, algo precisa ser feito, pelo ministério, pelo congresso, por alguém”, apelou Kamel.

O Estadão chegou a fazer um levantamento indicando que ao menos 20 milhões de alunos tiveram contato com o “livro polêmico” ao longo de uma década. Em nota, a editora Nova Geração explicou que os livros didáticos eram adquiridos pelo MEC, mas escolhidos apenas pelos professores das escolas públicas, “sem interferência alguma de funcionários do Ministério”. Kamel também omitiu em seu artigo a informação de que o livro fazia críticas ao marxismo e fora adquirido pela primeira vez durante o governo FHC.

Editorial no jornal O Tempo chamou a obra de “lavagem cerebral”. Na revista Veja, o blogueiro Reinaldo Azevedo embarcou na onda e acusou o autor de “delinquência intelectual, picaretagem teórica, vulgaridade, mistificação, propaganda ideológica de quinta categoria. Tudo pago com o nosso dinheiro”.

Além de atacar o conteúdo do livros, a grande mídia passou a questionar a formação de Schmit. Época escreveu que ele não conseguia comprovar ao MEC que tinha “curso superior em História ou em qualquer outra área” e, por isso, seus livros deixariam de ser comprados pelo governo, a partir de 2008, com uma mudança na lei.

REPARAÇÃO HISTÓRICA

“Mario Schmidt foi o autor mais amado e idolatrado, a palavra é esta mesmo i-do-la-tra-do”, escreveu Arnaldo Saraiva em comunicado obtido pelo GGN.

“Foi também o mais odiado, perseguido e injustiçado pela extrema-direita, capitaneada pela Rede Globo e seus ‘jornalistas’ liderados pelo Ali Kamel, também conhecido por seus colegas como Pangaré que não sabe escrever”, disparou.

Segundo Saraiva, “o Pangaré publicou no moderado jornal O Globo e repercutida à exaustão por um grupo de jornalistas puxa-saco (Miriam Leitão, Sardemberg, Arnaldo Jabor e outros), que não leram uma linha sequer da obra e saíram falando pelos cotovelos e repercutindo a matéria asquerosa e destruindo a reputação do autor ‘comunista’ Mario Schmidt, da Nova História Critica. Um verdadeiro massacre, desumano, falso e criminoso.”

“Criaram um verdadeiro escândalo com uma matéria falsa. Naquela época a Rede Globo ainda tinha uma certa credibilidade. Só não foi pior porque um jornalista sério, Luis Nassif, e a revista Carta Capital, saíram em defesa da verdade”, lembrou Saraiva.

CONTRA A MARÉ

“Luis Nassif foi o único que leu o livro e, diante de tantos absurdos, advertiu a mídia tradicional (Folha, Estadão, etc) a não embarcar e repercutir aquela estupidez, como tinham embarcado e repercutido, na mesma época, no falso escândalo da Escola de Base, de tão triste memória.”

Saraiva lembrou que a fake news da grande mídia fez com que pais e mães pressionassem escolas para retirar o livro de circulação; professores que defendiam a obra foram ameaçados de demissão. “(…) com toda aquela falsa e mentirosa campanha da rede Globo, o resultado foi que, no ano seguinte a obra virou pó, literalmente pó.”

O FIM DE SCHMIDT

O que fez Mario Schmidt diante de tantas injustiças? “(…) com toda a sua grandeza, enclausurou-se em sua casa, onde ele tem, com certeza, a maior biblioteca particular do Brasil, com cerca de 50.000 volumes, e passou a estudar, em média, 18 horas por dia.”

“Mario Schmidt foi, sem dúvida nenhuma, o maior sucesso editorial didático de todos os tempos. Foi o autor que revolucionou a linguagem, o visual e o discurso crítico do livro didático”, pontuou Saraiva.

“Sou neto e filho de livreiros e editores, estou nesta atividade desde a década de 50. Publiquei incontáveis livros didáticos e incontáveis sucessos. Mas, nenhum, repito, nenhum deles fez tanto sucesso como o do Mario Schmidt”, finalizou.

_________________________________________________Humorista Batoré morre aos 61 anos em São Paulo

Comediante era apoiador de Jair Bolsonaro e chegou a defender o fechamento do Congresso e do STF

www.brasil247.com -
(Foto: Reprodução)

Metrópoles com 247 - O ator e humorista Ivanildo Gomes Nogueira, mais conhecido como Batoré, de 61 anos, morreu nesta segunda-feira (10/1), em São Paulo, após uma luta contra um câncer.

Ele morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pirituba, Zona Norte da capital. “As informações médicas foram repassadas à família e a Secretaria Municipal de Saúde lamenta o ocorrido”, diz a nota da prefeitura.

Natural de Serra Talhada, em Pernambuco, Ivanildo se mudou para São Paulo ainda criança. Ele integrou o elenco da Praça é Nossa, do SBT, como Batoré. Em 2016, foi contratado pela Globo para a novela Velho Chico, onde fez o papel do delegado Queiroz.

Batoré era apoiador de Jair Bolsonaro. Em agosto do ano passado, ele apareceu em vídeo nas redes sociais defendendo um golpe de estado, com o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. “Vocês deveriam ter consciência de que esse país não é de vocês. Se nós mudamos a presidência, é porque a gente viu que tinham muitos bandidos e que precisava de um militar. Mas, depois de tudo isso, nós temos a consciência de que militar não faltava só na cadeira do presidente, falta no STF, na Câmara dos Deputados e no Senado. O desejo de todos os brasileiros é que o presidente feche as portas dessas três casas, porque não tem trazido benefício nenhum para o nosso país”, disse Batoré na ocasião.

_________________________________________________Neto de Golbery apoia Moro e defende que Lula seja impedido de tomar posse "da forma que for"

10 de janeiro de 2022, 11:38
Golbery do Couto e Silva Neto, Sergio Moro e Lula

247 - Formado em Relações Internacionais e estrategista da Escola Superior de Guerra (ESG), Golbery do Couto e Silva Neto é apoiador da candidatura do ex-juiz Sergio Moro (Podemos), declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos processos contra o ex-presidente Lula (PT) na Lava Jato, para a Presidência da República, relata o jornalista Ricardo Noblat, do Metrópoles.

Ele é neto de Golbery do Couto e Silva, criador do Serviço Nacional de Informações (SNI), responsável pela espionagem partidos políticos, organizações sociais e mesmo de atividades internas do estado nacional. 

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“É um livro (de Moro) que deve ser lido por todos. É muito bem escrito. Sergio Moro é acadêmico, tem mestrado e doutorado. Ele sabe colocar as ideias claramente. De longe, é o candidato melhor preparado intelectualmente”, disse.

Além de elogiar Moro, Golbery defende que Lula, caso vença a eleição, seja impedido de tomar posse "da forma que for". "Não gosto do PT. Sou um homem de direita. Muito menos quero ver o Lula de novo eleito no Brasil. Tanto é que já falei aqui em vídeos que se ele for novamente eleito, isso aí é uma coisa bizarra. E aí, sim, acho que ele deveria ser impedido, da forma que for, de tomar posse. Mas o Lula é um político extremamente hábil”, afirmou Golbery Neto em vídeo em 6 de agosto de 2021.

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Golbery Neto já foi candidato a deputado estadual do Rio de Janeiro pelo Democratas, em 2014, mas obteve apenas 102 votos. 


_________________________________________________Miriam Leitão diz que Dilma deu resposta "brilhante" a Altman sobre por que Venezuela evitou golpe de estado


9 de janeiro de 2022, 20:38

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247 – A jornalista Miriam Leitão, que foi peça importante na construção do golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, ao sustentar a tese das "pedaladas fiscais" como crime de responsabilidade, talvez tenha começado, neste domingo, a fazer um acerto de contas com a História. Miriam divulgou um vídeo que tem circulado nas redes sociais, de uma entrevista de Dilma ao jornalista Breno Altman, editor do Opera Mundi e comentarista da TV 247, sobre por que a Venezuela tem conseguido resistir às constantes tentativas de golpes de estado.

Ao ser questionado por Breno sobre a falta de aposta de seu governo na "mobilização social" como vacina contra o golpe, como teria sido feito na Venezuela, Dilma respondeu que o fator decisivo foi a aliança do chavismo com os militares. Curiosamente, Miriam Leitão concordou e disse que a resposta de Dilma a Altman foi "brilhante". Confira:

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No Brasil, os militares não foram propriamente os detonadores do golpe de estado contra a ex-presidente Dilma. O processo teve início com o inconformismo do PSDB após sua quarta derrota eleitoral, em 2014. A tese das "pedaladas fiscais" serviu como pretexto para um golpe de estado que teve como finalidade central a transferência da renda do pré-sal do povo brasileiro para os acionistas privados (sobretudo internacionais) da Petrobrás. Por isso mesmo, uma das primeiras medidas do governo usurpador de Michel Temer foi a mudança no marco regulatório do petróleo e na política de preços da Petrobrás – o que explica, em boa medida, o empobrecimento dos brasileiros e a disparada da inflação.

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Ao dizer que Dilma foi brilhante, Miriam Leitão de certa forma reconhece que a ex-presidente caiu por não ter se aliado aos militares – e não pela farsa das pedaladas fiscais. Hoje, os generais brasileiros comandam a Petrobrás e defendem a tese de que o Brasil deve manter uma política de preços que empobrece os brasileiros e transfere renda e dividendos para os acionistas privados da estatal.


_________________________________________________Leonardo Sakamoto - Barra Torres HUMILHA Bolsonaro e REDUZ AINDA MAIS o tamanho de Queiroga

Colunista do UOL 09/01/2022 08h04

Um dos efeitos colaterais da nota pública divulgada pelo presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, pedindo coragem para que Jair Bolsonaro prove as acusações que fez contra ele e o órgão que dirige ou se retrate publicamente, é reduzir ainda mais a estatura diminuta do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

"Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, senhor presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar", escreveu Barra Torres.

"Agora, se o senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate", acrescentou. Bolsonaro e aliados transformaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária em alvo porque a agência tem guiado decisões através da ciência, como o aval técnico à vacina da Pfizer (aquela que Jair disse que transformava pessoas em jacarés) para crianças.

Em sua cruzada contra a proteção das crianças, Bolsonaro insinuou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária tem interesses escusos por trás da liberação do imunizante e diz não saber a pressa para aprovar produtos que salvariam crianças. A resposta está nos dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe: do começo da pandemia até 6 de dezembro, foram registrados 301 mortes entre 5 e 11 anos por covid-19.

O texto do contra-almirante é uma chulapada elegante em um Bolsonaro que, ironicamente, vive de lacração. Não seria surpresa caso o gabinete do ódio que opera dentro do Palácio do Planalto esteja preparando alguma fake para que a nota pública não fique sem resposta junto ao bolsonarismo-raiz. Afinal, o presidente precisa manter a aura de "mito" para sua base de apoiadores.

Apesar da manutenção de a estabilidade no serviço público ser fundamental para que funcionários possam peitar ordens ilegais e estapafúrdias de políticos, proteção que muita gente adoraria ver removida em uma Reforma Administrativa, a diferença entre eles vai além da garantia de mandato de Barra Torres - que não pode ser demitido até 21 de dezembro de 2024.

Há diretores de autarquias federais que, por proximidade de pensamento ou planejamento de seu futuro político, não peitam presidentes. Pelo contrário, preferem bajulá-los em detrimento ao interesse público. O que não tem sido o caso de Barra Torres e da Anvisa, que colocam a saúde coletiva acima dos interesses eleitorais e ideológicos de Bolsonaro.

E estabilidade do cargo nenhuma evitará o fato que, por conta da coragem de publicar a nota, ele e sua família já estão sendo alvos da máquina do ódio bolsonarista.

Já Marcelo Queiroga não foi reduzido à condição análoga à de escravo, crime previsto no artigo 149 do Código Penal. Ele não é um trabalhador que foi enganado, assediado, ameaçado ou agredido para endossar o comportamento criminoso do presidente, tampouco para ajudar em sua sabotagem ao combate à pandemia - o epidemiologista Pedro Hallal fala em 500 mil mortes evitáveis. Queiroga se ofereceu conscientemente para o serviço, mesmo tendo condições para dizer não.

Luiz Henrique Mandetta, por exemplo, bateu de frente com o negacionismo de Bolsonaro ainda como ministro da Saúde e deixou o cargo. Nelson Teich não quis endossar a política de entupir os brasileiros de cloroquina e também vazou. Queiroga, por outro lado, aceitou se tornar cúmplice não só do morticínio de adultos, mas também o de crianças ao fazer de tudo ao seu alcance para atrasar a vacina a pessoas de 5 a 11 anos.

Mostrou-se, dessa forma, um homem pequeno, que tem medo de perder o máximo de poder que conquistará na vida, sonhando, talvez, em um apoio presidencial para disputar um cargo de deputado, senador e quiçá governador na Paraíba.

Tanto Barra Torres quanto Queiroga são médicos. O primeiro será lembrado pela história como um homem justo.

Já o segundo como alguém que cuspiu em cima do juramento de Hipócrates, ao deliberadamente esquecer que prometeu não causar dano ou mal, e ao ser cobrado disso em um protesto em Nova York, em setembro do ano passado, mostrou o dedo do meio aos manifestantes. Um homem que, ao ser convidado a escolher onde ficaria eternizado na História, preferiu a lata do lixo.


_________________________________________________Balaio do Kotscho - BASTA! Dois militares colocam LIMITES nos DELÍRIOS e AGRESSÕES de Bolsonaro

Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, pede retratação de Bolsonaro - Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Diretor-Presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, pede retratação de Bolsonaro Imagem: Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Ricardo Kotscho Colunista do UOL 09/01/2022 13h42

De volta ao serviço esta semana, sem ter muito o que fazer, o capitão-presidente Jair Bolsonaro conseguiu arrumar uma encrenca de bom tamanho com dois oficiais- generais, que não cederam às suas ofensivas autoritárias e irresponsáveis, e o enquadraram como nenhuma autoridade civil já havia feito.

O motivo é o mesmo de sempre: a campanha alucinada do governo contra a vacinação dos brasileiros, civis e militares, e agora também das nossas crianças.

Bolsonaro queria humilhar o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e o contra-almirante Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa. E tomou um contravapor pela proa que o fez recuar e silenciar.

Primeiro, negou que tivesse exigido uma "nota de esclarecimento" sobre as diretrizes estabelecidas pelo Exército para orientar o retorno dos militares ao trabalho presencial, o que tinha levado o ministro da Defesa, general Braga Netto, a convocar uma reunião de emergência com os comandantes das três Forças para evitar uma nova crise militar.

"Não tem exigência nenhuma. Não tem mudança. Pode esclarecer. Hoje tomei café com o comandante do Exército. Se ele quiser esclarecer, tudo bem, se ele não quiser, tá resolvido, não tenho que dar satisfação para ninguém de um ato como isso daí. É uma questão de interpretação", desconversou o presidente no sábado.

Na diretriz de número 23 das 52 estabelecidas por Oliveira, o texto do Ministério do Exército orientou o retorno às atividades presenciais dos militares e dos servidores, "desde que respeitado o período de 15 dias após imunização contra Covid-19".

Como é contra a vacinação em geral, Bolsonaro mandou Braga Netto reclamar com o comandante do Exército e se criou um mal-estar entre os militares. Mas, desta vez, Oliveira não recuou, como tinha acontecido com a grave infração disciplinar do general da ativa Eduardo Pazuello, naquele episódio em que subiu no palanque do presidente após uma motociata no Rio de Janeiro

No caso da Anvisa, o embate foi bem mais grave: na noite de sábado, o contra-almirante Barra Torres exigiu uma retratação do presidente da República sobre as declarações que fez na sua live semanal e em entrevistas à imprensa, colocando sob suspeita a decisão dos técnicos da instituição de autorizar o início da imunização infantil com a vacina da Pfizer.

"Se o senhor dispõe de informações que levantem oi menor indício de corrupção sobre esse brasileiro, não perca tempo nem prevarique, senhor presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa (...) Agora, se o senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate".

Num duro texto de 300 palavras, o presidente da Anvisa reagiu aos ataques que o presidente tinha feito contra os técnicos da instituição ao perguntar: "Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse daquelas pessoas taradas por vacina?". Em entrevista à rádio Nordeste, de Pernambuco, Bolsonaro duvidou que alguma criança tenha morrido de Covid, mas dados do próprio Ministério da Saúde mostram que foram registradas 301 mortes de crianças entre 5 e 11 anos, desde o início da pandemia.

"Vou morrer sem conhecer riqueza, senhor presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso à frente da Anvisa", escreveu Barra Torres na carta.

Até o meio-dia deste domingo, o presidente Bolsonaro não havia respondido à carta, muito menos feito qualquer retratação.

Quem se manifestou em defesa da nota de Barra Torres foi o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), que publicou no Twitter: " Esse documento integra a história do Brasil por dois motivos: trata-se de um oficial general reagindo às múltiplas agressões daquele que deveria honrar as Forças Armadas, e não o faz. E é o registro de um tempo em que a coação e a mentira são métodos de governo".

Em tempo: o mandato de Barra Torres na Anvisa vai até 2024, e ele é indemissível.

Vida que recomeça.

_________________________________________________Um resumo do mundo moderno

6 de janeiro de 2022, 18:29 Por Raimundo Rodrigues Pereira


1 - As indulgências, o papel moeda e Inglaterra como fábrica do mundo

Dinheiro e finanças são criações antigas. As indulgências foram criadas no começo do século XVI. Eram, como poderíamos chamar hoje, títulos imobiliários de longo prazo: os ricos os compravam dando ouro para os cofres da igreja de Roma; de posse deles em vida, conseguiriam, depois da morte, abrigo provisório num purgatório - um estágio intermediário, criado pelos papas de Roma entre o céu e o inferno - onde “purgariam” suas culpas até ficarem limpos para entrar no reino do céu. A denúncia de tal armação não tardou e teve ampla repercussão no mundo medieval. Em outubro de 1517, o monge Martinho Lutero, pregou na porta da Igreja de Todos os Santos, em Wittenberg, na Alemanha, 95 teses nas quais denunciava a corrupção e os excessos da cúpula romana, tendo como alvo central o conluio do papado com os ricos.

Mas o grande abalo político da ordem antiga não veio do campo das ideias religiosas a respeito do além, mas da produção material terrestre. O mundo medieval era o do trabalho dos camponeses, servos dos donos da terra, e dos artesãos, donos de instrumentos de trabalho realizado em suas próprias casas. O aparecimento da indústria, com o uso de máquinas como as movidas a vapor, criou as duas classes sociais modernas: a burguesia - os donos dos novos locais e equipamentos de produção; e o proletariado, aqueles que tinham para oferecer ao novo sistema apenas sua força de trabalho e em troca recebiam um pagamento em dinheiro, um salário.

O dinheiro já teve várias formas. Os ingleses foram os primeiros a transformar sua moeda, a libra esterlina, então metálica, em papel moeda oficial distribuído através de bancos privados e garantido por estoques de barras de ouro mantidas pelo governo em um banco estatal central. Essa transformação facilitou enormemente os negócios. Os patrões obtinham dinheiro na venda de seus produtos ou emprestado de bancos. Os trabalhadores gastavam o salário com alimentação, vestuário, aluguéis e outras necessidades, assim fomentando novos negócios.

De início, a exploração dos trabalhadores foi brutal: os patrões passaram a assalariar não só homens adultos, mas também mulheres e crianças, pagando salários mínimos para jornadas de até 18 horas diárias. E como esse novo regime de produção criou muita riqueza, em poucas décadas se espalhou pelos quatro cantos do planeta. A Inglaterra tornou-se “a fábrica do mundo” e a libra, a primeira moeda internacional.

A exploração do assalariado.
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A exploração do assalariado
O modo capitalista de produção teve ampla repercussão política na França com a revolução que mobilizou todas as classes e camadas sociais, especialmente a burguesia, interessada no fim dos privilégios da nobreza, e principal responsável pelo grande movimento iluminista que pôs por terra a velha ordem medieval.

Numa série anterior, destacamos os pensadores liberais e os limites de suas doutrinas para explicar a criação da riqueza no mundo moderno. Nesta, vamos apresentar a teoria da criação da riqueza com o trabalho assalariado, seu aparecimento e sua evolução, começando pelos dois principais criadores dessa doutrina: os alemães de nascimento, Karl Marx e Friedrich Engels. 

Friederich Engels e Karl Marx, os fundadores do socialismo científico2 - 
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Friederich Engels e Karl Marx, os fundadores do socialismo científico
Da Comuna de Paris aos Sovietes de Moscou

Karl Marx e Friedrich Engels, dois alemães, viviam em Londres junto a uma comunidade de trabalhadores também emigrados e que faziam parte de uma clandestina Liga dos Comunistas, para a qual escreveram o Manifest der Kommunistchen Partei, o Manifesto do Partido Comunista, finalmente divulgado em inglês em 1848. O manifesto faz uma análise das formas de opressão social durante os séculos. Não deixa de citar o papel revolucionário da burguesia, “na codificação dos princípios últimos e na concepção de mundo do vasto movimento progressista e libertador que pôs por terra o mundo feudal”, como disse outro marxista, o húngaro Georg Lukács. 

Mas apresenta a burguesia moderna como a nova classe opressora, da qual os trabalhadores só poderiam se livrar pela organização e a revolução. Com essa inspiração, os operários parisienses estabeleceram na cidade, a partir de 18 de março de 1871, o governo revolucionário da Comuna de Paris, que decretou a igualdade entre os sexos, reduziu o limite da jornada de trabalho para 10 horas, proibiu o trabalho noturno, fuzilou uma centena de contrarrevolucionários e durou apenas 40 dias. Foi esmagada pelo exército francês.
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Representação da Comuna de Paris
A revolta proletária ressurge com mais força cerca de meio século depois, com a revolução comunista na Rússia de 1917. O país tinha 75% da população de camponeses, uma burguesia e uma classe operária em formação e vivia sob um regime político monárquico que parecia eterno - com governos da dinastia dos Romanov que se sucediam no poder há 300 anos. Em 1905 os socialistas criaram em Moscou núcleos de poder paralelos ao oficial, os sovietes, eleitos por organizações de operários, camponeses e soldados e cujas ações acabaram forçando o governo a concessões, entre as quais a abertura do país para o retorno dos exilados políticos. O principal deles, Vladimir Ilitch Ulianov, mais conhecido como Lênin, iria comandar a Revolução de 1917 com a consigna de derrubar o regime monárquico e entregar “todo o poder aos sovietes”.

A resistência aos bolcheviques, como assim foram chamados os revolucionários, foi enorme. A guerra civil que acabou por consolidá-los no poder foi de março de 1918 até o começo de 1920 e deixou 12 milhões de mortos. Marxistas ortodoxos russos esperavam outro tipo de transição para o poder, como estaria previsto nos textos de Marx: o estágio inicial de desenvolvimento da economia russa deveria estar a cargo da burguesia. Na doutrina que se impôs, o marxismo-leninismo, os papéis do Estado e do partido tornaram-se centrais. De início, todos os principais meios de produção foram nacionalizados, as maiores propriedades rurais foram coletivizadas e o Estado passou a ter o direito de requisitar os estoques agrícolas.

Essa política de choque foi substituída um ano depois por uma NEP (sigla em inglês) – Nova Política Econômica, que retirou do controle estatal todas as empresas com menos de 20 operários e de setores considerados não estratégicos, instituiu prêmios para aumento da produtividade e, no exterior, contratou técnicos e procurou atrair capitais.

Lenin e Trotski durante a Revolução Russa de 1917 discursando para as massas
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Lenin e Trotski durante a Revolução Russa de 1917 discursando para as massas
A política dos bolcheviques teve outro grande determinante, além da economia: a guerra. A Rússia dos Romanov fazia parte, desde 1907, da chamada Tríplice Entente, composta com a Inglaterra e a França; e era adversária, na Europa, da Tríplice Aliança, mais antiga, de 1882, articulada entre a Alemanha, Áustria e Itália. E, de 1914 a 1918, essas duas coligações se chocam na Primeira Guerra Mundial, considerada até então o maior morticínio na história da humanidade, com aproximadamente 10 milhões de soldados e outros 10 milhões de civis mortos. 

A participação dos bolcheviques nos movimentos dessa guerra tem duas etapas: a primeira, até sua vitória na revolução em outubro de 1917; e, a outra, depois de instalados no poder. Na primeira, ocorre o episódio do apoio dos alemães ao retorno à Rússia de cerca de duas dúzias de exilados bolcheviques, entre os quais Lênin, numa viagem de uma semana que os levou da Suíça até Petrogrado, o centro da revolução. O objetivo óbvio dos alemães, da Tríplice Aliança, era ganhar a grande guerra em curso, enfraquecendo o governo russo, da Tríplice Entente.

O objetivo óbvio dos bolcheviques era, evidentemente, consolidar sua revolução. Eles negociam, então, um acordo de paz com os alemães para se retirar da guerra e cuidar de seus problemas internos. O acordo é assinado em Brest Litovsk, que fica na atual Bielorússia, a 3 de março de 1918, entre os bolcheviques e os representantes da Tríplice Aliança – formada então pelo Império Alemão, o Império Otomano, a Áustria-Hungria e Bulgária. Para conseguir um acordo, os bolcheviques fazem várias concessões territoriais. Mas os alemães acabam derrotados na guerra mais ampla. Eles lutavam em duas frentes. Na oriental, seus aliados - Áustria-Hungria, Bulgária e Império Otomano - se renderam. Na ocidental, são derrotados pela força conjunta dos exércitos francês e inglês e obrigados a assinar, em junho de 1919, em Paris, o humilhante Tratado de Versalhes, que lhes impõe a culpa pelo conflito, estabelece pesadas multas e reparações a serem pagas aos vencedores e anula todos os seus direitos coloniais. E, assim, as concessões territoriais dos bolcheviques a eles acabam sendo desfeitas.

3 - A doutrina racial ariana que visou judeus e comunistas
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Adolph Hitler
Os bolcheviques iriam ser, junto com os judeus, os alvos principais do regime novo que surgiria na Alemanha em decorrência das duas grandes crises da época: a econômica, iniciada em 1929, marcada pela depressão geral dos negócios e o desemprego em massa; e a política, com o surgimento do nazismo. Este nasce dos escombros da República de Weimar, governada por um partido social democrata, após a derrota do Império Alemão na guerra. O comando nazista vem de um Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães e seu líder é um cidadão chamado Adolf Hitler.

Os nazistas chegam ao poder pelo voto. Nas eleições de 1922 para o Reichstag, o equivalente à nossa Câmara dos Deputados, eram o menor partido, com 12 eleitos. Na de 1930, elegeram 107. E em 1932 tornaram-se o maior partido, com 200 deputados. Na condição de representante do maior partido da assembleia, em 30 de janeiro de 1933 Hitler é convidado pelo presidente do Reich, o equivalente ao nosso presidente da República, Paul von Hindenburg, para ser o Chanceler, uma espécie de primeiro-ministro, e formar um novo governo. 

Menos de um mês depois, a 27 de fevereiro, um acontecimento espetacular, o incêndio do Reichstag, iria lhe dar o pretexto para transformar a democracia alemã então vigente num regime de partido único do qual ele seria o chefe supremo, o Fuhrer. Há um certo consenso entre os historiadores de que o incêndio foi provocado por um jovem comunista holandês, Marinus von Lubbe, como um protesto contra os nazistas. Há inclusive um memorial em Berlim em sua homenagem por essa postura. Ele foi preso, julgado, condenado à morte e guilhotinado no início de 1934. 
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Incêndio do Reichstag em 1933
Hitler percebe a oportunidade para ir além dessa punição. O Reichstag tinha sido dissolvido no dia 1 de fevereiro e havia eleições marcadas para sua nova composição no dia 5 de março. Hitler discursa no dia seguinte ao incêndio. E define o projeto de fazer uma limpeza moral da nação e seu alvo principal a partir de então: um suposto casamento de interesses entre os judeus e os comunistas.

Diz que o incêndio do Reichstag foi “uma tentativa frustrada de uma ação maior” dos comunistas. Ordena a prisão dos 81 deputados comunistas e de muitos outros funcionários do partido. Diz que a nação está dividida “em grupos com opiniões inconciliáveis provocadas sistematicamente pelas doutrinas falsas do marxismo” em relação a “termos como Estado, sociedade, religião, moral e economia”. 

E anuncia que:

“o governo do Reich procederá a um inteiro expurgo moral do corpo da nação. Todo sistema educacional, o teatro, o cinema, a literatura, a imprensa e o rádio — tudo será empregado como um meio para este fim e dessa forma avaliado. Todos estes elementos devem servir para a manutenção dos valores eternos presentes no caráter essencial de nosso povo. A arte sempre ficará sendo a expressão e o reflexo dos anseios e da realidade de uma época. A atitude do alheamento, de neutralidade e internacionalismo, está desaparecendo rapidamente. O heroísmo avança apaixonadamente e no futuro moldará e norteará o destino político. A tarefa da arte é ser a expressão desse espírito determinante da época. Sangue e raça serão mais uma vez a fonte da intuição artística.”

Por que essa referência tão destacada ao papel do “sangue” e da “raça”?

Hitler partia de uma deturpação da teoria da evolução de Darwin. Dizia que todos os povos teriam traços transmitidos sem alteração, qualidades herdadas de sua raça, para a geração seguinte. Ninguém poderia superar essas qualidades, não apenas as da aparência e estrutura físicas, mas também em relação às formas de pensamento, à inteligência, aos gostos, à valorização da cultura. Manter a pureza da raça seria importante pois com o passar do tempo a mistura das raças levaria ao abastardamento e à degeneração.

Para Hitler, os alemães fariam parte de um grupo superior, ariano; mas era preciso que vencessem inimigos internos e externos. Os internos vinham de casamentros interraciais, entre alemães arianos e membros de raças inferiores como judeus, ciganos, africanos e eslavos.
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Prisioneiros no campo de concentração de Auschwitz
Nessa competição, a raça judaica teria desenvolvido o comunismo soviético para mobilizar os eslavos fazendo-os acreditar que o instrumento artificial da luta de classes superava o instinto natural da luta racial. Para sobreviver, dizia Hitler, a Alemanha precisava romper as limitações que lhe tinham sido impostas pelo Tratado de Versalhes e conquistar espaços dos países eslavos ao leste para poder concretizar seu destino biológico de raça superior. Os judeus representariam um inimigo prioritário. Sua genética inferior teria gerado os sistemas de exploração do capitalismo e do comunismo. Eles fariam proclamações — de direitos iguais para todos e paz internacional — para minar a consciência racial de raças superiores, como a alemã, para possibilitar a diluição do sangue superior com os casamentos inter raciais. A democracia parlamentar, com seu foco em direitos individuais e as organizações internacionais, dedicadas à solução de conflitos, seriam usadas pelos judeus para levar adiante seu impulso biológico para controle do poder mundial.

Se a Alemanha não agisse decisivamente contra eles, dizia Hitler, as multidões de eslavos e asiáticos sub-humanos e não civilizados que os judeus poderiam mobilizar, acabariam por exterminar a raça ariana. Para Hitler, os judeus eram a única "raça" capaz de organizar as raças inferiores através da doutrina bolchevista-comunista. Essa doutrina seria uma ideologia "da raça judaica", ou seja, seria biologicamente determinada. Para eliminar essa doutrina, seria necessário eliminar as pessoas que por natureza eram seus criadores e mantenedores. E é isso que seu governo vai tentar fazer quando, poucos anos depois, na Segunda Guerra Mundial, tendo ocupado diversos países da Europa, constrói campos de trabalhos forçados e extermínio nos quais morreram mais de 10 milhões de pessoas, na maioria judeus.
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Winston Churchill, Franklin D. Roosevelt e Josef Stalin, aliados contra Hitler, na Conferência de Ialta
4 - Da Grande Guerra à Guerra Fria

A Grande Guerra termina em 1945. Primeiro, com a ocupação da Alemanha a partir do leste, pela URSS; e, logo a seguir, a partir do oeste, pelas forças aliadas dos EUA, França e Inglaterra. Pouco depois, pela rendição do Japão após os norte-americanos terem explodido as duas bombas nucleares sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. A guerra fora devastadora. Estima-se o número de mortos em 73 milhões de pessoas. Os dois grandes países comunistas tiveram as maiores perdas: entre os chineses e os soviéticos teriam sido mortas 40 milhões de pessoas. A Polônia foi pesadamente atingida: 6 milhões de mortos. Os países agressores, também: Alemanha e Japão, em torno de 10 milhões de mortos cada. Perdas relativamente menores foram as dos Estados Unidos e da Inglaterra, com cerca de meio milhão de mortos e da França, com cerca de 600 mil.

A guerra termina na Ásia com dois episódios marcantes. Um, já citado, é a rendição do Japão após a morte de cerca de meio milhão de japoneses na explosão das bombas nucleares norte-americanas sobre Hiroshima e Nagasaki. Outro é a vitória na China, dos comunistas liderados por Mao Tsetung, depois da guerra civil contra as forças da direita lideradas por Chiang Kai Chek e apoiadas pelos norte-americanos: os derrotados são internados na ilha de Taiwan, sob proteção norte-americana; e, em Pequim, Mao Zedong proclama a República Popular da China em 1949. Esses episódios abrem uma nova fase do confronto entre as forças da direita e da esquerda em disputa pela liderança global nos diversos campos, ideológico, político e militar.
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Mao Zedong liderando a Grande Marcha
No campo militar, depois da Grande Guerra, a novidade foi a Guerra Fria, a corrida das superpotências por armas nucleares que acabaram sendo tão poderosas que não poderiam ser usadas. Os comunistas saem atrás, em 1949: quatro anos depois da bomba dos norte-americanos em Hiroshima, a URSS explode, para efeito demonstração, sua primeira bomba atômica. Três anos depois, em 1952, os norte-americanos se põem novamente à frente, com a explosão, também para efeito demonstração, de uma bomba H, de hidrogênio, 50 vezes mais poderosa. E no ano seguinte os soviéticos os igualam, com sua bomba H. Hoje, um balanço do poderio nuclear dos dois países é dado pelos cálculos de uma sigla de nome apropriado, “Loucura”. Em inglês, a MAD, de Mutual Assured Destruction, a capacidade de cada um dos dois lados destruir completamente o outro uma vez começada, por qualquer um deles, uma guerra nuclear. Por contas recentes, os norte-americanos teriam 5.113 ogivas nucleares prontas para disparo a qualquer instante que julgarem necessário; e a antiga URSS, 3281 (hoje, com o desmantelamento da União Soviética, esse arsenal estaria distribuído entre quatro nações – Rússia, Ucrânia, Bielorússia e Cazaquistão).
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Bomba atômica jogada em Hiroshima pelos EUA em 1945
Se poderia dizer que a paridade nuclear teria igualado os dois campos em disputa. É um engano. O governo norte-americano, formado a partir da vitória contra os ingleses na guerra de independência de 1776, não só criou a nova moeda internacional, o dólar, como, a partir de seu poder econômico e militar, de 1788 até 2021, realizou 340 intervenções militares no exterior, desde as maiores e mais antigas como a anexação do Texas, território que foi parte do México até 1845, à criação, no final da Segunda Guerra de bases militares enormes  para ocupação da Alemanha e do Japão em 1945, onde estão até hoje. E todas, mesmo as menores, também de conteúdo político claro como o deslocamento da frota norte-americana do Atlântico na direção do Brasil na operação Brother Sam em sinal de apoio ao golpe de 1964 que depôs o presidente trabalhista João Goulart (Jango) e instalou em Brasília uma ditadura militar que, com algumas concessões menores, governou por 20 anos. 

Mas a intervenção norte-americana mais típica desse período é a da Indochina, a região que compreende o Vietnã, o Laos e o Camboja 

Mas a intervenção norte-americana mais típica desse período é a da Indochina, a região que compreende o Vietnã, o Laos e o Camboja onde suas forças se instalaram para substituir as tropas coloniais antigas, as dos franceses que foram derrotadas pelos insurgentes comunistas liderados por Ho Chi Minh em Dien Bien Phu, em 1954. Os norte-americanos entram na parada com a Conferência de Genebra daquele ano, na qual propõem dividir o Vietnã em duas partes, uma ao norte, governada pelos comunistas, e outra ao sul, com seu apoio, com eleições gerais dois anos depois, para escolha de um presidente que governaria as duas partes. O resultado prático dessa proposta foi uma guerra que durou até 1975. Em 1964, alegando que uma embarcação sua tinha sido atacada pelos comunistas no golfo entre o Norte e o Sul, os norte-americanos entraram pesadamente na guerra que afinal perderam depois de terem tido 58 mil baixas e participado da morte de mais de um milhão de adversários vietnamitas.
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Grupo de guerrilheiros do Viet Cong na Guerra do Vietnã
A Rússia tem outra história. A URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas foi criada no governo de Lênin em 1922 e era formada por seis países: Rússia, Ucrânia, Bielorússia, Armênia, Azerbaijão e Geórgia. Em 1941, quatro anos antes do final da II Guerra, tinha 15 países  — além dos já citados, Letônia, Lituânia, Estônia, Moldávia, Turcomenistão, Azerbaijão, Cazaquistão, Tajiquistão, Quirguistão e Uzbequistão. Foi dissolvida meio século depois, em 1991, com esse mesmo número de estados integrantes. Mas, logo após o fim da guerra teve de encarar o problema da expansão militar norte-americana nas suas vizinhanças na Europa, com a criação da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte.  

Pode-se resumir a Guerra Fria da seguinte forma: os norte-americanos espalham bases e equipamentos militares pelo mundo, para combater o chamado “perigo comunista”. E os comunistas criam partidos, também mundo afora, com vistas a difundir as ideias da revolução anticapitalista. Esta guerra continua fria, graças a uma espécie de empate em um de seus principais aspectos: os dois lados têm meios suficientes para destruir um ao outro do ponto de vista militar. E, para saber quem ganha do ponto de vista ideológico e político, depende de quem avalia. Para o autor destas linhas, as democracias de base socialista têm ganho terreno no mundo do pós-guerra. 

*Nota: dizer, por exemplo, como faz o autor dessas linhas, que a China é uma democracia de base socialista exige maiores explicações, para muita gente. Mas isso é tema para outra série.

_________________________________________________Um TSUNAMI se aproxima da costa BRASILEIRA 

Por Hildegard Angel 6 de janeiro de 2022, 18:56
Por Hildegard Angel, do Jornalistas pela Democracia

Leiam as três imagens


Esse é o quadro real, meus queridos. 

Tudo acontece de forma tão veloz, tão avassaladora, e a máquina de fumaça das fake news nos distrai e confunde de tal forma, que não nos apercebemos do tsunami que se forma e já engole o Brasil, nossas vidas, os projetos e sonhos de futuro. 

Distrai-se o povo crédulo com o discurso da "independência para não se vacinar", enquanto nos inoculam o vírus da escravidão, da vassalagem, da falta de alternativas para nossa juventude, que em breve estará migrando como os miseráveis do Norte da África, naqueles barcos frágeis, superlotados de fugitivos da fome, da miséria, da violência, que são repudiados quando chegam enfim à costa dos países desenvolvidos.

O quadro que percebo para nosso amanhã é o mais tenebroso: as FFAA batendo continência sabuja para um ditadorzinho de plantação de bananas, com sua família corrupta se exibindo em carrões, jatinhos, iates e viagens internacionais, como os Trujilo dos antigos tempos.

Uma família anacrônica, uma corrupção-ostentação fora de época, um deslumbramento de novos-ricos incultos, que mal conseguem articular uma frase. É o bolsonarismo "Ofélia", produzindo emergentes às toneladas, por segundo.

E não me refiro apenas ao beócio do momento no Planalto. Caso emplaquem o juiz-ladrão será a mesma coisa. Pois isso (vou repetir) é um PRO-JE-TO de destruição de uma nação linda, rica, com militares submissos aos estrangeiros - dóceis com eles, ferozes conosco.

Vemos os bilionários se multiplicarem, como ilhas, cercados de fome e de dor por todos os lados,  isentos de impostos, com os bancos públicos de fomento a seu serviço exclusivo. 

Enquanto os soldadinhos de chumbo fecham os olhos em sua obediência trágica (para nós) e regiamente paga (para eles).

Esse meu discurso, que sai assim vomitado, é uma chamada à consciência de todos os brasileiros, para que eu não tenha depois que escutar "eu não sabia", "eu não imaginava".

Vamos nos manter aqui entrincheirados, enquanto nos deixam, esgrimindo com as palavras, alvejando com a realidade nua e crua.

Escutem, reflitam, participem. Não vamos sucumbir passivamente, como o gado que vai para o corte.

_________________________________________________Gleisi enquadra jornal Estado de S. Paulo: "pensa que só o patrões têm direitos e os trabalhadores, não"


9 de janeiro de 2022, 14:26

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247 - A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), usou o Twitter neste domingo (9) para rebater o mais recente editorial do jornal Estado de S. Paulo que confirma que o veículo está a serviço da chamada "elite do atraso".

O texto, intitulado "O PT não sabe o que é cidadania", defende a reforma trabalhista implantada após o golpe de Estado de 2016, que reduziu a renda dos brasileiros, não gerou empregos e precarizou ainda mais as relações de trabalho.


Gleisi afirmou que o jornal não entende de democracia e apontou uma "mentalidade escravagista" no texto. Ela ainda lembrou que a reforma trabalhista aprofundou ainda mais a desigualdade social entre os brasileiros. "O 'Estadão' não sabe o que é democracia. Pensa que só os patrões têm direitos e os trabalhadores, não. Que só os ricos podem ter cidadania. Mentalidade escravagista no editorial de hoje. A reforma do Temer, que toda a mídia apoiou, tirou dos trabalhadores até o direito de ir à Justiça. Rasgou conquistas históricas. Fragilizou os sindicatos e implantou a lei do mais forte. Reforma que não criou empregos, só mais lucros e injustiça. É esta selvageria que queremos rever, como está ocorrendo na Espanha. Esse debate está deixando claro que tipo de democracia a mídia e as elites brasileiras defendem: aquela em que elas mandam e o povo sofre".



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_________________________________________________Bolsonaro diz que não tem mais diálogo com presidente da Anvisa, que defende vacinação infantil

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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que o diálogo foi fechado com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que é "impossível" falar com o diretor-presidente da instituição, Antonio Barra Torres, após questionar novamente decisão do órgão regulador de autorizar a vacinação de crianças contra a Covid-19.

Em sua última live do ano, Bolsonaro disse que decidiu não vacinar a sua filha e levantou suspeitas sobre os riscos da imunização pediátrica contra o coronavírus.

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"Não quero falar mais da Anvisa aqui, porque ela fechou o diálogo, é impossível falar com o presidente da Anvisa agora. Vamos debater isso, está mexendo com a vida das pessoas. Minha esposa se vacinou. Nossa filha, e nós entendemos que ela não tem nada a ganhar com a vacina”, afirmou ele.

Bolsonaro já foi próximo do diretor-presidente da Anvisa -- ambos são militares --, mas se afastaram após desentendimentos sobre vacinação contra Covid.

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Procurada, a Anvisa informou, por meio da assessoria de imprensa, que o diretor-presidente não deixaria de atender chamado ou contato do presidente da República.

O presidente afirmou que a vacinação das crianças deveria ser facultativa, mas ressalvou que o Ministério da Saúde tem autonomia para decidir e defendeu que as pessoas acompanhem a audiência pública que ocorrerá na pasta em 4 de janeiro que vai debater o assunto. No dia seguinte, o ministério deverá anunciar sua decisão.

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A cúpula da Anvisa tornou-se alvo de ameaças mais intensas depois que Bolsonaro passou a questionar publicamente a decisão do órgão de autorizar a vacina da Pfizer para crianças de 5 a 11 anos. A instituição tinha sido alvo inicialmente de ataques desde outubro de pessoas contrárias a esse tipo de vacinação. O caso está sob investigação da Polícia Federal e sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF).

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que o diálogo foi fechado com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que é "impossível" falar com o diretor-presidente da instituição, Antonio Barra Torres, após questionar novamente decisão do órgão regulador de autorizar a vacinação de crianças contra a Covid-19.




_________________________________________________Ao sabotar vacinação de crianças, Bolsonaro incentiva crimes contra a Anvisa, diz chefe da agência

Presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres

247 - O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, afirmou que a sabotagem de Jair Bolsonaro contra a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 estimula o negacionismo e representa ameaças à vida de funcionários da agência reguladora.

"Não tenho dúvida que as duas falas contribuíram sobremaneira para o número aproximado de 170 ameaças de morte, agressão física, violência de todo tipo contra servidores e seus familiares que a Anvisa tem recebido", disse Barra Torres em entrevista à Folha de S. Paulo.

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Para Barra Torres, há sensação de "desamparo" na agência, que ainda aguarda resposta da Polícia Federal sobre o pedido de proteção aos funcionários.  "É uma sensação preocupante por não haver a proteção policial até o presente momento, preocupante por identificar o cenário potencialmente perigoso [variante ômicron] e preocupante por não ver o foco no enfrentamento de um cenário provavelmente adverso para o ano de 2022", afirmou. 



_________________________________________________Presidente da Anvisa cobra explicação do governo por demora em vacinar crianças e fala em número “macabro” de mortes

Antonio Barra Torres
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247 - O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, cobrou explicações do Ministério da Saúde pela demora em iniciar a vacinação infantil contra a Covid-19 e falou em um número “macabro” de mortes na faixa etária de 5 a 11 anos. 

A autorização da vacinação de crianças já foi autorizada pela agência há uma semana, mas o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, abriu consulta pública para decidir sobre o tema. Mais tarde, Queiroga também minimizou o número de mortes de crianças na pandemia para justificar que o dado “não demanda decisões urgentes”.

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Já para Barra Torres, a pasta deve dizer por que escolhe atrasar a campanha enquanto o país registra "estatística macabra" de mortes nessa faixa etária.

"Nós temos 301 crianças mortas na faixa de 5 a 11 anos desde que a covid-19 começou até o início de dezembro. Nestes 21 meses, numa matemática simples, nós temos um pouquinho mais de 14 mortes de crianças ao mês, praticamente uma a cada dois dias. Então acho que essa informação à sociedade se faz necessária", disse em entrevista ao jornal O Globo.


_________________________________________________Diretor-geral da ANVISA, contra-almirante Antônio BARRA TORRES REBATE Bolsonaro sobre vacinação infantil e COBRA RETRATAÇÃO do governo

9 de janeiro de 2022, 06:24
Antônio Barra Torres

247 – O diretor-geral da Anvisa, contra-almirante Antonio Barra Torres, divulgou nesta noite uma dura nota contra as insinuações feitas por Jair Bolsonaro, que questionou qual seria o interesse dos diretores da agência em liberar a vacinação infantil no Brasil. Leia a íntegra:

Nota – Gabinete do Diretor Presidente da Anvisa, Sr. Antonio Barra Torres

Em relação ao recente questionamento do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, quanto à vacinação de crianças de 05 a 11 anos, no qual pergunta "Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?", o Diretor Presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, responde:

Senhor Presidente, como Oficial General da Marinha do Brasil, servi ao meu país por 32 anos. Pautei minha vida pessoal em austeridade e honra. Honra à minha família que, com dificuldades de todo o tipo, permitiram que eu tivesse acesso à melhor educação possível, para o único filho de uma auxiliar de enfermagem e um ferroviário.

Como médico, Senhor Presidente, procurei manter a razão à frente do sentimento. Mas sofri a cada perda, lamentei cada fracasso, e fiz questão de ser eu mesmo, o portador das piores notícias, quando a morte tomou de mim um paciente.

Como cristão, Senhor Presidente, busquei cumprir os mandamentos, mesmo tendo eu abraçado a carreira das armas. Nunca levantei falso testemunho.

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Vou morrer sem conhecer riqueza Senhor Presidente. Mas vou morrer digno. Nunca me apropriei do que não fosse meu e nem pretendo fazer isso, à frente da Anvisa. Prezo muito os valores morais que meus pais praticaram e que pelo exemplo deles eu pude somar ao meu caráter.

Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar.

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Agora, se o Senhor não possui tais informações ou indícios, exerça a grandeza que o seu cargo demanda e, pelo Deus que o senhor tanto cita, se retrate.

Estamos combatendo o mesmo inimigo e ainda há muita guerra pela frente. 

Rever uma fala ou um ato errado não diminuirá o senhor em nada. Muito pelo contrário.

Antonio Barra Torres 

Diretor Presidente - Anvisa 

Contra-Almirante RM1 Médico 

Marinha do Brasil



_________________________________________________RESPOSTA de Barra Torres a Bolsonaro "é a MAIOR HUMILHAÇÃO de um presidente da República na HISTÓRIA"

9 de janeiro de 2022, 12:36
Paulo Pimenta, Jair Bolsonaro e Antonio Barra Torres

247 - O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou pelo Twitter neste domingo (9) que a nota redigida pelo diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antonio Barra Torres, em resposta a Jair Bolsonaro (PL) representa a maior humilhação de um presidente em toda a história brasileira.

Barra Torres rebateu insinuações feitas por Bolsonaro: "qual o interesse da Anvisa por trás disso aí?". O diretor-presidente da agência negou ter qualquer interesse obscuro na imunização de crianças e cobrou uma retratação por parte do chefe do governo federal.

Para Pimenta, em outras palavras, Barra Torres chamou Bolsonaro de corrupto, entre outros. "Essa nota do Barra Torres é a maior humilhação sofrida por um presidente da República, no exercício do cargo, na história política do Brasil. O comandante em chefe das Forças Armadas, Capitão Cloroquina, foi chamado de corrupto, ladrão, covarde, sem caráter, falso cristão, etc".


_________________________________________________Kakay: "Bia Kicis é a pior expressão do bolsonarismo"

8 de janeiro de 2022, 06:31

247 - O advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, defende que a Câmara deveria abrir um processo ético contra a deputada bolsonarista Bia Kicis para demonstrar insatisfação contra um "ato covarde, criminoso e fascista", informa a Rede Brasil Atual. Na opinião de Kakay, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a deputada confia na imunidade. Desse modo, “brinca com o Direito, com as pessoas, humilha o parlamento”. “Com esse tipo de atitude ela representa o que ela é: uma desqualificada. A expressão maior do que nós temos de pior no bolsonarismo.”

O PT anunciou nesta sexta-feira (7) que vai acionar no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados a deputada Bia Kicis (PSL-DF). A parlamentar é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Câmara dos Deputados. Ela já admitiu que divulgou em um grupo antivacina, pelo WhatsApp, dados pessoais de três médicos favoráveis à vacinação infantil. Um dos médicos afirmou que eles começaram a receber ameaças e ataques. O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), por sua vez, entrou com representação na Procuradoria-Geral da República pedindo abertura de inquérito contra Bia Kicis.

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A atitude da deputada bolsonarista teve o claro objetivo de intimidar os profissionais, avalia o líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG). “O PT decidiu entrar no Conselho de Ética contra a deputada, pois sua postura criminosa pôs em risco a segurança de médicos”, tuitou o parlamentar.

Os três médicos participaram de audiência pública promovida no Ministério da Saúde para debater a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não participou da audiência, justificando que tanto ela como as sociedades médicas e científicas já deram a avaliação unânime de que as vacinas aprovadas para uso são seguras e eficazes.

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Embora a atitude de Bia Kicis incentive agressão aos médicos, a expectativa de punição é mínima, avalia o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. “Claro que ameaça. Mas essa é a regra de Bolsonaro. Uma das características dele é atacar a medicina, a ciência. Nisso não há nenhuma novidade”, diz. 


_________________________________________________"O PT está com a faca e o queijo na mão e ninguém quer se aliar. Não é estranho?", questiona Rui Costa Pimenta

Rui Costa Pimenta
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247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, em entrevista à TV 247, declarou que “há uma operação em marcha para o PT não ser eleito", o que é evidenciado pelo fiasco nas tentativas de formação de alianças eleitorais e da federação partidária.

No caso do PSB, a ala de direita do partido faz exigências inaceitáveis, como a desistência da disputa pelo governo de São Paulo. A estratégia, segundo ele, é apresentar demandas absurdas para “fracassar a negociação”. “Se eu vou negociar e o cidadão vem com um negócio desses eu nem converso mais”, disse.

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“Isso está com cara de fiasco. O que acontece com o PSB é muito importante para entender a questão eleitoral. Uma parte do partido quer a aliança com o PT e a outra não quer. Eles se reuniram, e os caciques que são ligados aos governadores no PSB fizeram a seguinte manobra: se o PT aceitar determinadas exigências nossas, fazemos o acordo, e apresentaram exigências que não podem ser aceitadas”, disse. 

“O interessante é que o PT está com a faca e o queijo na mão, mas ninguém quer se aliar com o PT. Não é uma coisa muito estranha? O PSol está aí se aliando com o PDT, o outro está procurando uma frente das esquerdas, e ninguém chega junto com o PT. Não é estranho para um partido que já está com a eleição ganha? Deveria atrair mais político que mel perto de um formigueiro. Como é possível?”, prosseguiu. 

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Nem mesmo partidos fisiológicos demonstram interesse. Portanto, ele conclui, “existe uma operação muito grande em marcha para o PT não ser eleito”. 

_________________________________________________Ministros do STJ rebelam-se com decisão de presidente do Tribunal que favoreceu ex-mulher de Wassef

8 de janeiro de 2022, 08:13
Humberto Martins, presidente do STJ

247 - O presidente do STJ, Humberto Martins, decidiu durante o plantão de fim de ano conceder habeas corpus a Maria Cristina Bonner, ex-mulher do advogado do clã Bolsonaro, Frederick Wassef.

Ministros que discordam da decisão do presidente Humberto Martins opinam que ele usou um fundamento absurdo, além de o caso não ter a urgência que justificasse ser julgado no recesso.

A empresária Cristina Bonner, detentora de diversos contratos de venda de tecnologia para o governo federal, teve ações de investigação por corrupção trancadas por decisão monocrática do ministro Humberto Martins. Bonner foi casada com Frederik Wassef, advogado e amigo pessoal de Bolsonaro. Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete parlamentar de Bolsonaro e do filho dele, Flávio, é investigado por comandar as rachadinhas nos gabinetes do clã. Wassef chegou a ser sócio de Cristina Bonner nas empresas de tecnologia dela, agora beneficiadas pela decisão de Martins que revolta os demais ministros do STJ.

O jornalista Lauro Jardim informa no Globo que este é um dos assuntos que durante a semana movimentaram as conversas dos ministros do STJ.


_________________________________________________Flavia Boggio: Janaína Paschoal pensa que vacinas são tão ineficazes quanto fio dental

A deputada joga para torcida usando a CABEÇA do BRASILEIRO como BOLA.

Deputada usa redes sociais para criar teorias conspiratórias desmioladas como seu discurso de impeachment

Segundo a deputada, "vivemos um momento tão intrigante, que pessoas vacinadas, com todas as doses, pegam Covid e recomendam a vacinação. Parece piada! Ninguém acha, no mínimo, curioso?".

Janaina Paschoal na Assembleia Legislativa do Estado São Paulo em julho de 2021 - Carol Jacob/Alesp

Em seguida, ela justificou a obstrução intestinal do presidente Jair Bolsonaro como sendo decorrência de "olho gordo". O fato de achar que vacinas não são eficazes, mas mau olhado, sim, deixa suspeitas de que a deputada sofre também de obstrução — no caso dela, cerebral.

Janaína já havia defendido a liberdade do cidadão de se vacinar, mas tentou proibir exigência de vacinação em empresas. Para ela, liberdade é só para quem lhe interessa.

A deputada também insinuou que, já que empresas obrigam seus funcionários a se vacinarem, também deveriam exigir passaporte de vacina para "pegação" no Carnaval.

Está claro que ela está interessada em angariar votos da direita negacionista na sua tentativa de eleição ao Senado. Para isso, aproveita as redes sociais para criar teorias conspiratórias tão desmioladas quanto seu discurso de impeachment. 

A deputada joga para torcida usando a cabeça do brasileiro como bola.

Mas voltemos à afirmação de que pessoas vacinadas pegam Covid. Antes de fazer seu post, a deputada poderia dar um Google e conferir que a imunização não impede de contrair o vírus, mas evita a gravidade e morte pela doença.

Ilustração publicada em 5 de janeiro - Galvão Bertazzi

Seguindo o raciocínio da deputada, seria estranho pessoas que usam cinto de segurança e se machucam em acidente de carro recomendem, vejam só, o uso de cinto de segurança.

Ou indivíduos que escovam os dentes, usam fio dental, fazem enxágue e, mesmo assim, têm cárie, não abram mão da higiene bucal. Ou cidadãos que têm pés e pegam bicho do pé insistam em andar descalços ou, até mesmo, ter pés.

Para a aspirante a senadora, pessoas que estudam direito, fazem doutorado e falam bobagem, como ela, não deveriam nem fazer faculdade. Mas, nesse caso, ela teria razão.


_________________________________________________Começa o jogo: PT quer DEVOLVER DIREITOS aos TRABALHADORES e a PLUTOCRACIA REAGE

Por Leonardo Attuch 5 de janeiro de 2022, 06:33

A possível aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin criou a falsa percepção de que um provável governo Lula 3 seria um período de conciliação e confraternização nacional, em que o bode do fascismo seria retirado da sala, mantendo-se todas as políticas neoliberais implantadas após o golpe de estado de 2016 e que fracassaram de maneira incontestável.

Bastou um elogio de Lula à revogação pelo governo espanhol de uma reforma trabalhista também fracassada por lá para que a plutocracia brasileira começasse a se movimentar. Lula disse apenas que os brasileiros devem olhar para a Espanha, sinalizando que é possível travar uma discussão madura sobre políticas públicas que não trouxeram os resultados prometidos:

A presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), não apenas celebrou a iniciativa espanhola, como também a decisão do governo de Alberto Fernández, na Argentina, de reverter privatizações igualmente fracassadas:

Logo em seguida, a plutocracia escalou um de seus principais porta-vozes, o deputado Rodrigo Maia (sem partido-RJ), para atacar o Partido dos Trabalhadores. Maia, não custa lembrar, cuidou de praticamente toda a agenda legislativa implantada após o golpe de estado, aprovando medidas que tornaram o Brasil e os brasileiros mais pobres. Basta citar a emenda do teto de gastos, a entrega do pré-sal e a retirada de direitos previdenciários e trabalhistas.

Paralelamente, há uma certa histeria no mundo financeiro em razão do fato de Lula ter escolhido o ex-ministro Guido Mantega para escrever um artigo com seu diagnóstico sobre a crise econômica brasileira. Pouco importa se a média de crescimento da economia nacional durante a era Mantega, de 4,5% ao ano, foi a maior da história recente, tendo vindo acompanhada de controle inflacionário, acumulação de reservas internacionais e até mesmo pagamento de toda a dívida brasileira ao Fundo Monetário Internacional. Para a Faria Lima, Mantega é o lobo mau.

O que os neoliberais não explicam é por que, mais de cinco anos após o golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a chamada "confiança" ainda não voltou. Alguns deles dirão, cinicamente, que faltaram reformas mais profundas. Outros, mais sensatos, reconhecerão que a agenda de Michel Temer e Rodrigo Maia encolheu o mercado brasileiro justamente por ter tornado os consumidores brasileiros mais escassos e mais pobres. 

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Em outubro do ano passado, a Folha de S. Paulo publicou um balanço sobre a reforma trabalhista defendida por Rodrigo Maia. "Quase quatro anos —e uma pandemia— depois de a reforma trabalhista do governo Michel Temer entrar em vigor, o 'boom' de empregos prometido não se concretizou. Na época, o governo chegou a falar em dois milhões de vagas em dois anos, e seis milhões em dez anos. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o desemprego hoje está maior. No trimestre terminado em julho de 2021, a taxa de desocupação ficou em 13,7%. Esse número é quase dois pontos percentuais a mais que os 11,8% registrados no último trimestre de 2017. No período, o total de desempregados subiu de 12,3 milhões para 14,1 milhões", escreveu o jornalista Isaac Oliveira.

Não há, portanto, qualquer sustentação factual para os argumentos daqueles que defendem a agenda regressiva implantada após o golpe de 2016. Mas a reação da plutocracia indica que a volta de Lula não será um passeio no parque e que neoliberais circunstancialmente rompidos com o bode fascista poderão se aliar novamente à extrema-direita, caso não haja mesmo uma terceira via.

_________________________________________________Elite do funcionalismo está em pé de guerra com o governo por culpa do presidente | Míriam Leitão - O Globo

Agora o presidente se mobilizou para que haja o reajuste da Polícia Federal, que não resolve o grande problema da corporação, que é a intervenção em determinados  assuntos de forma grosseira. Trocando delegados e fazendo perseguição a quem investiga assuntos que envolvam o presidente e seus familiares. 

O cala-boca veio através do aumento de salário. Mas provocou a reação de outras áreas, até porque Bolsonaro havia falado antes em reajuste para todo o funcionalismo. Houve entrega de cargos em comissão da Receita Federal, e o movimento se espalhou para o Banco Central. A elite do funcionalismo está em pé de guerra porque o presidente fez uma escolha e detonou um processo de contágio. 

O presidente está em ano eleitoral e não demonstrou nenhuma aderência à pauta de controle de gastos públicos. Para os preferidos, não há lei. Então, o presidente vai acabar tendo que ceder, dando pelo menos algum tipo de ajuste. As categorias mais fortes e organizadas vão conseguir se importar, as mais fracas não terão vez. 


_________________________________________________Investigadores DESCOBREM NOVO GRUPO de EXTREMA DIREITA que tentou burlar eleições em favor de Donald Trump

Com advogados e militares veteranos, a 1ª Emenda Pretoriana tentava minar a confiança do eleitor e anular os votos que levaram Biden à Casa Branca
Alan Feuer, do New York Times
05/01/2022 - 06:00
Invasão do Capitólio: investigações continuam, um ano depois da confusão provocada por manifestantes pró-Trump Foto: SHANNON STAPLETON / REUTERS/6-1-2021
Invasão do Capitólio: investigações continuam, um ano depois da confusão provocada por manifestantes pró-Trump Foto: SHANNON STAPLETON / REUTERS/6-1-2021

NOVA YORK — Dias depois que uma multidão pró-Trump invadiu o Capitólio, em 6 de janeiro do ano passado, policiais federais perseguiram dois grupos extremistas de alto quilate: os nacionalistas de extrema direita Proud Boys e a milícia Oath Keepers. Membros de ambas as organizações foram rapidamente presos sob acusação de conspirar para interferir na certificação da contagem dos votos na eleição à Presidência de 2020. Agora os investigadores do Congresso estão examinando o papel de outro grupo paramilitar de direita envolvido em um esforço menos visível publicamente, mas ainda significativo, para manter o ex-presidente Donald Trump no poder: a 1ª Emenda Pretoriana.

Conhecido como 1AP (da sigla em inglês), o grupo passou grande parte do período pós-eleitoral trabalhando nas sombras com advogados, ativistas, executivos e veteranos militares pró-Trump para minar a confiança do público na eleição e aumentar as esperanças de Trump de permanecer na Casa Branca.

Por conta própria, eles ajudaram a canalizar dados sobre supostas fraudes eleitorais para advogados que tentava anular a contagem de votos. Protegeram celebridades como Michael Flynn, ex-conselheiro de segurança nacional de Trump, nos comícios "Stop the Steal", onde enormes multidões se reuniram para exigir que Trump permanecesse no cargo. E apoiaram uma proposta explosiva para persuadir o presidente a declarar emergência e apreender as urnas eletrônicas do país em uma tentativa de permanecer no poder.

Violência iminente

Nenhum dos principais agentes do 1AP foi preso devido ao motim do Capitólio, e ainda não está claro quanta influência eles exerceram ou quão seriamente os investigadores criminais estão focados neles. Ainda assim, o grupo tinha homens no lado de fora do prédio em 6 de janeiro e outros no Willard Hotel, perto de alguns dos principais aliados de Trump. E nos dias que antecederam o ataque, a conta do 1AP no Twitter postou mensagens sugerindo que o grupo sabia que a violência era iminente.

“Pode haver alguns jovens capitães da Guarda Nacional enfrentando escolhas muito, muito difíceis nas próximas 48 horas”, dizia uma mensagem postada pelo grupo em 4 de janeiro.

Mês passado, citando algumas dessas preocupações, a comissão da Câmara que investiga o ataque ao Capitólio emitiu uma intimação para Robert Patrick Lewis, o líder do 1AP. No mesmo dia, enviou pedidos semelhantes a Enrique Tarrio, o presidente dos Proud Boys, e a Stewart Rhodes, o fundador dos Oath Keepers.

Investigadores do Congresso obtiveram várias gravações de áudio de membros do 1AP e estão tentando determinar como estes se encaixam na investigação mais ampla. Lewis não respondeu a vários pedidos de comentários, mas nos últimos meses contou partes de sua história em vídeos e podcasts online.

Composto em grande parte por veteranos das Forças Especiais e ex-oficiais de inteligência, o 1AP foi fundado em setembro de 2020 para proteger os apoiadores de Trump do assédio em comícios e para salvaguardar os direitos de liberdade de expressão de "grupos subversivos marxistas tirânicos", como Lewis escreveu em um tópico de tuítes anunciando a criação do grupo.

Em um vídeo anexado ao tópico, ele disse que seria “um erro tático” discutir quantos membros o 1AP tinha. Observou apenas que seriam muito mais do que os 12 de uma unidade operacional padrão das Forças Especiais.

Ordem global

À medida que a eleição presidencial se aproximava, Lewis foi além da proteção pessoal e começou a dar entrevistas, classificando-se como um especialista em segurança, para veículos de notícias de direita, incluindo aqueles ligados à teoria da conspiração QAnon. Entre suas alegações — até agora não comprovadas — estava a de que “analistas profissionais” que trabalhavam para o 1AP haviam se infiltrado em “fóruns criptografados” visitados por membros do coletivo de esquerda conhecido como antifa e descobriram planos para um ataque nacional.

— Nossa inteligência mostra que não importa quem ganhe a eleição, eles estão planejando uma grande “ofensiva antifa Tet” com o objetivo de destruir a ordem global — disse ele à Fox News dois dias antes do dia da eleição.

Assim que os votos foram lançados, Lewis voltou sua atenção para a proteção de luminares pró-Trump em comícios em Washington, onde multidões de pessoas compareceram em apoio à mentira de que a eleição havia sido fraudada.

Um de seus clientes foi Ali Alexander, um proeminente organizador de “Stop the Steal”, que foi um orador destacado na chamada Million MAGA March em 14 de novembro de 2020.

Na mesma época, o 1AP se envolveu em outro projeto relacionado à contestação da eleição. Os membros do grupo, como Lewis disse em seu vídeo em dezembro, começaram a vasculhar a internet em busca de “OSINT” — ou inteligência de código aberto — sobre alegações de fraude eleitoral. Toda evidência que encontraram, disse, foi enviada para Sidney Powell, um advogado de Dallas que entrou com quatro processos federais no fim de 2020 contestando os resultados da votação presidencial.

Os processos, que resultaram somente na imposição de sanções por um juiz federal a Powell, descreveram, sem qualquer evidência, uma conspiração de poderes internacionais para hackear as urnas de votação dos EUA e desviar a contagem de Trump.

Em meados de dezembro de 2020, a 1AP conseguiu um emprego protegendo um dos ex-clientes de Powell, Flynn, em um segundo grande comício pró-Trump em Washington. A manifestação foi montada, dizem as licenças públicas, por Cindy Chafian, uma organizadora do grupo pró-Trump Women for America First, que organizou caravanas de partidários do presidente em manifestação por todo o país após a eleição.

Essa manifestação — em 12 de dezembro de 2020 — ajudou a solidificar o relacionamento do 1AP com Flynn e Chafian. E também deixou o grupo em contato com os Oath Keepers, que se juntaram à sua equipe de proteção, de acordo com uma entrevista na televisão que o líder da milícia, Rhodes, deu naquele dia.

Na entrevista, Rhodes descreveu como os dois grupos trabalharam juntos no rali. Ele então instou Trump a “travar guerra” contra “traidores” em casa, impondo a lei marcial.

Em 5 de janeiro, Lewis fez um discurso em um evento organizado por Chafian na Freedom Plaza em Washington, dizendo à multidão que eles não deveriam ser "intimidados" pelo "inimigo nos portões". Outro organizador de eventos naquele dia, Dustin Stockton, disse que viu Lewis e Chafian com outros membros do 1AP em uma sala no Willard Hotel, não muito longe da "sala de guerra" onde alguns dos principais aliados de Trump estavam reunidos.

No dia do ataque ao Capitólio, pelo menos um dos tenentes de Lewis, Geoffrey Flohr, ex-policial de Michigan, estava do lado de fora do prédio, caminhando pelo terreno e falando em seu celular pouco antes do início do motim, de acordo com vídeos públicos. Chafian e seu marido, Scott Chafian, também estavam na turba do lado de fora do prédio.

Outro membro do 1AP postou no Twitter naquela tarde, alegando que estava em uma "posição de vigilância" no condado de Arlington, Virgínia, onde os promotores dizem que os Oath Keepers colocaram em um hotel uma "força de reação rápida" armada que estava preparada para se mudar para Washington se necessário.

Quanto a Lewis, ele disse ao The Daily Beast no ano passado que estava no Willard novamente em 6 de janeiro, longe do caos no Capitol.

“Hoje é o dia em que as verdadeiras batalhas começam”, escreveu ele no Twitter assim que o Capitólio foi violado.

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Curtindo as férias adoidado: Bolsonaro e a tragédia na Bahia | Bernardo Mello Franco - O Globo

Por Bernardo Mello Franco

Jair Bolsonaro passeia de jet ski com sua filha Laura pela praia de Itaguaçú, em SC


Há momentos que são capazes de resumir um mandato presidencial. 

O Brasil assistiu a um deles nos últimos dias de 2021. 

A Bahia registrou as piores enchentes em mais de três décadas. 

Enquanto o estado submergia, Jair Bolsonaro foi curtir férias no litoral catarinense.

A catástrofe deixou 26 mortos, 518 feridos e 93 mil desabrigados. 

Derrubou pontes, interditou rodovias, destruiu estoques de vacinas e medicamentos. 

Na semana passada, o presidente foi questionado sobre a longa estadia na praia. “Espero não ter que retornar antes”, respondeu.

Bolsonaro se esbaldou. 

Dançou funk, passeou de jet ski, visitou um parque de diversões. Antes do Natal, já havia passado seis dias no Guarujá. Fez um bate-volta em Brasília e retornou ao ócio remunerado em São Francisco do Sul.

No dia 31, o presidente convocou cadeia de rádio e TV para um pronunciamento à nação. 

Em seis minutos e meio de falatório, só dedicou duas frases aos “nossos irmãos da Bahia”.

Visitar locais de grandes tragédias é obrigação básica de qualquer governante. 

A presença da autoridade não devolve vidas perdidas, mas indica que os sobreviventes não estão sozinhos. 

É uma demonstração de respeito e empatia — duas mercadorias em falta no Planalto.

Bolsonaro não se limitou a esnobar a calamidade. 

Ainda mandou rejeitar a ajuda humanitária oferecida pela Argentina. 

O chanceler Carlos França obedeceu calado, em mais um episódio de rebaixamento do Itamaraty.

A recusa teve um componente claro de revanchismo. 

O capitão se considera inimigo do presidente Alberto Fernández e vê a Bahia como reduto eleitoral do PT. 

Ele escolheu descansar em Santa Catarina, onde recebeu a maior votação proporcional em 2018.

O desprezo pelo sofrimento alheio é um traço conhecido da personalidade presidencial. 

Bolsonaro se projetou na política ao debochar das vítimas da ditadura. 

Na pandemia, estendeu o desdém aos órfãos da Covid. 

“Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”, provocou, quando o país já contava 260 mil mortos.

Mesmo cobrado por aliados, ele se negou a abrir mão de algumas horas de lazer para se solidarizar com os baianos. 

Só interrompeu as férias quando sentiu dores no próprio abdome.

_________________________________________________Sem teatro, o FBI já pegou 700

A Polícia Federal americana pescou os lambaris, falta o peixe gordo

Amanhã completa-se um ano da insurreição trumpista que pretendia melar o resultado da eleição de Joe Biden. Cinco dias depois da invasão do Capitólio, Steven M. D’Antuono, chefe do escritório de Washington do Federal Bureau of Investigation (FBI), avisou: “Nossos agentes vão bater na tua porta”. Até agora, bateram numas mil portas e prenderam ou indiciaram 724 pessoas de 45 estados americanos. Abriram 170 investigações e partiram da análise de 100 mil peças de comunicação digital. Sem lavajatismo, quase todo dia havia alguém sendo interrogado. O sujeito dizia que esteve no Capitólio por dez minutos, e o FBI mostrava, com vídeos, que ele esteve lá das 14h45 até por volta das 15h05, com um amigo que agarrou um policial e empurrou uma porta. Outro achou que passara despercebido, e o FBI bateu à sua porta em outubro, mostrando-lhe que esteve no Capitólio por pelo menos 17 minutos. Outros, que posaram ao lado de estátuas ou quadros, foram logo achados. Um discreto desordeiro que passou despercebido articulou um ataque a uma prisão. Seu cúmplice era um agente disfarçado.

Os agentes procuraram agulhas no palheiro, mas nunca dispuseram de tantos meios para achá-las. Exibicionistas incriminaram-se nas redes sociais. Além disso, o FBI rastreou os celulares que estavam ligados no Capitólio e na vizinhança durante as horas dos distúrbios. A isso somaram-se as câmeras dos policiais e pistas oferecidas por centenas de pessoas.

Sempre sem lavajatismo, em junho os condenados eram cem. Alguns tomaram penas leves, com liberdade condicional; outros, que vandalizaram o prédio ou agrediram policiais, tomaram até cinco anos de cadeia. Boa parte da turma que arrombou janelas foi alcançada. Um deles, apanhado em julho, estava com a mulher e dois filhos. Entre os atletas que escalaram as paredes do prédio havia um fuzileiro naval da reserva. Também havia sido fuzileiro o primeiro a entrar à força na Rotunda do Capitólio, às 14h25. O rapaz de 19 anos que se filmou botando os pés sobre a mesa da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, foi alcançado em abril. O palhaço que circulou com roupa de bicho e chifres na cabeça foi alcançado três dias depois e tomou até 41 meses de prisão. Queria notoriedade, tornou-se exemplo.

Havia de tudo naquela multidão: jovens, velhos, famílias, veteranos, pastores, policiais (alguns pastores policiais), professores e malucos fantasiados, todos movidos pela realidade paralela instigada pelo presidente Donald Trump.

Eram todos lambaris e, no primeiro aniversário da insurreição, peixe gordo se protege, tentando blindar a documentação da Casa Branca relacionada com o episódio. Sabe-se que o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani foi um dos instigadores, muitas vezes tendo tomado algumas a mais. Sabe-se também que Ivanka, filha de Trump, tentou chamá-lo à razão, mas ele passou horas diante dos aparelhos de televisão. Seus advogados pediram à Suprema Corte que preservasse o sigilo das movimentações na Presidência.

Deve-se esperar que a Corte se pronuncie, pois o caso é constitucionalmente intrigante. O ex-presidente quer manter o sigilo que Joe Biden, seu rival na campanha, dispensou. O FBI brilhou, mas, nos limites de sua investigação, só pegou lambaris.


_________________________________________________Opinião: Akin Abaz - bell hooks nos ajudou a construir uma outra visão sobre nós mesmos

bell hooks morreu em 15 de dezembro aos 69 anos -  Karjean Levine / Getty Images
bell hooks morreu em 15 de dezembro aos 69 anos Imagem: Karjean Levine / Getty Images
Akin Abaz Colunista do UOL 04/01/2022 04h00

É um fato que em 2021, não só em razão da pandemia, que estamos perdendo várias figuras importantes não só no Brasil como em todo mundo. Figuras essas com destaque em diversas áreas como as artes visuais, música, política, jornalismo, esportes e tantas outras.

A ativista e escritora bell hooks foi mais uma grande perda. Ela que era autora, professora e crítica publicou mais de 40 livros e diferentes artigos acadêmicos, traduzidos para mais de 15 idiomas.

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Falar dela é falar de toda a contribuição que ela deu e de todo o legado que ela deixou.

Acho que não só para mim, mas para toda a população negra, a bell (pode-se dizer que sou íntimo dela por acompanhar o seu trabalho rs) é um símbolo de nós para nós mesmos.

Enquanto mulher negra, e no auge da sua grandeza, ela entendia que o conhecimento obtido e todos os pensamentos e afirmações que ela criou, principalmente sobre raça e feminismo, tinham que ser partilhado com mulheres e homens negros de todo o mundo.

Através de seus livros ela fazia com que construíssemos uma outra visão sobre nós mesmos, de onde viemos, das nossas raízes, dos nossos ancestrais.

Sempre pautando a importância do amor, e de como é importante, difícil e crucial a construção do amor-próprio quando se nasce negro, de como o ato de se amar é uma ação, e de como isso nos fortalece e nos direciona ao nosso lugar no mundo.

Como ela mesma disse:

No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover contra a dominação, contra a opressão. No momento em que escolhemos amar, começamos a nos mover em direção à liberdade, a agir de formas que libertam a nós e aos outros."




Quem já leu dois ou mais de seus livros percebe o quanto a escritora sempre foi plural. Ela abordava temas como feminismo, racismo, cultura, política, papéis de gênero, amor e espiritualidade. Sempre com maestria.

A verdade é que bell hooks será eterna. Sua contribuição para a população negra, para a nossa liberdade, para a emancipação e feminismo das mulheres negras, para a luta antirracista e para a cultura e sociedade ao todo é de um valor inestimável.

Meu desejo para você, leitor, que não sabe quem ela é ou nunca ouviu falar do seu nome é: leia mulheres negras, leia bell hooks. 

É impossível não terminar uma de suas obras minimamente transformado com o seu olhar.

* Colaborou Gabriela Bispo, jornalista, planner e redatora da InfoPreta

_________________________________________________Joel Pinheiro da Fonseca: Que Lula é esse?

Neste momento, todas as pesquisas indicam que Lula é o franco favorito nas eleições. O que é mais difícil de se responder é a indagação seguinte: qual Lula?

Com a prioridade máxima (e correta) de tirar Bolsonaro, muitos eleitores moderados têm dado vazão ampla aos seus sonhos do que significaria a volta de Lula. A ideia de que o Lula em quem votarão é o moderado do primeiro mandato, o democrata pragmático que prima pela responsabilidade fiscal, que quer distribuir renda sem comprometer a ordem macroeconômica e o crescimento de longo prazo.

O amigo dos pobres mas também do mercado, o líder otimista que projeta um Brasil melhor ao mundo e que, longe da luta de classes, quer que todos ganhem e está disposto a ser mais uma vez assessorado por economistas "neoliberais".

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do Natal dos Catadores, no Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região - Bruno Santos - 22.dez.2021/Folhapress

O próprio Lula faz questão de acenar nessa direção quando, por exemplo, se aproxima de Geraldo Alckmin e discute tê-lo por vice, e garante a empresários que as portas de seu governo estarão abertas a eles. Ele também mantém uma distância enorme de Dilma; parece até que vivem em realidades paralelas.

Quando, todavia, Guido Mantega é escolhido para escrever em nome de seu projeto de governo na Folha, é um Lula muito diferente que se apresenta. Quando se cerca de Gleisi Hoffmann e Aloizio Mercadante em seu núcleo de campanha, idem.

O apoio a ditaduras e proto-ditaduras de esquerda no continente também casa mal com o "Lula paz e amor". E não apenas por ser uma falha humanitária, um lapso na defesa universal dos direitos humanos.

Ele indica um risco mais concreto: se a degradação e o aparelhamento institucionais de líderes populistas de esquerda acabou com a democracia e com a economia em vizinhos nossos, o que não garante que o líder brasileiro que elogia e se alinha a esses regimes não tentará fazer o mesmo por aqui?

Objeta-se, e com verdade, que Lula jamais deu passos nessa direção, mesmo no ápice de seu poder. O problema é que, pelo que ele tem falado, é justo disso que ele se arrepende, pois foi o que possibilitou a queda do PT e sua prisão. A liberdade de imprensa, antes vista como intocável, é hoje rejeitada; o controle social da mídia é prioridade.

No tema da corrupção, o discurso de Lula não faz rodeios: a Lava Jato foi coordenada pelo Departamento de Justiça americano para sucatear a Petrobras.

Tenha a opinião que for sobre os métodos utilizados pela Lava-Jato e os méritos de Sergio Moro como juiz e depois como político, restam ainda os fatos revelados pela operação: o petrolão aconteceu, assim como o mensalão. Se isso é negado e os mesmos que os capitanearam voltarem ao poder, por que não ocorreriam de novo? Até a facada de Bolsonaro ele já colocou em dúvida.

Enquanto Lula conseguir manter a plausibilidade para os dois lados do espectro, melhor para ele: mantém a ala esquerda engajada sem perder o apoio dos moderados. É o Lula de Schrodinger, radical e moderado ao mesmo tempo, a depender do observador.

No experimento mental clássico ("o gato de Schrodinger"), o estado do gato (vivo ou morto) só é determinado pelo ato do observador ao abrir a caixa. Com Lula, só saberemos quando e se ele vestir a faixa. E aí finalmente o Brasil saberá em qual Lula votou. Queremos pagar para ver?

_________________________________________________É ultra-deprimente que o site 257 se preste a defender a "democracia" chinesa e o regime xiita-iraniano.

Mas tem que ser muito do CANALHA pra defender estados autoritários e terroristas:

Glória eterna (putaquiopariu!!!) à memória do major-general Qaseem Suleimani (LEJEUNE_MIRHAN) 

3 janeiro 2022

Nesta segunda-feira, dia 3 de janeiro de 2022, completa-se dois anos do brutal assassinato do saudoso major-general Qasem Suleimani, da República Islâmica do Irã. Agradeço muito receber este convite especial para prestar uma justa homenagem à sua eterna memória.  

Qasem Suleimani era comandante da Força Quds (1), do Exército de Defesa da Revolução Islâmica do Irã. Seu assassinato se deu a mando pessoal do ex-presidente Donald Trump, em uma absoluta operação de ódio e vingança contra um líder muçulmano, internacionalista e lutador anti-imperialista. Restam grandes memórias e lembranças sobre sua ação, que deixo aqui registrado.

Apresento neste pequeno ensaio algumas reflexões, tanto sobre o major-general, que foi promovido em 2011 à essa maior patente militar. Regra geral, em qualquer país do mundo, as maiores patentes acima de general quatro estrelas são de tenente-general e major-general. Suleimani, seguramente, se não fosse assassinado, seria o candidato das forças revolucionárias islâmicas nas eleições de 2021.

O candidato vencedor nessas eleições foi o Dr. Ebrahim Raisi, que tomou posse no dia 6 de agosto de 2021, após eleições históricas, com vários candidatos, com baixo nível de abstenção. Ele venceu já no primeiro turno, com mais de 60% dos votos válidos. O vencedor teve não só a preferência da maioria do povo iraniano, como do establishment, que dirige o país desde fevereiro de 1979, quando ocorreu a revolução islâmica (2).

Eu me lembro que na época, quando eu era um jovem estudante universitário de apenas 22 anos, nós fundamos na PUC de Campinas um Comitê de Solidariedade à Revolução Iraniana. Éramos jovens comunistas e internacionalistas e apoiamos abertamente a queda do regime fascista pró Estados Unidos, que era o Xá Reza Pahlevi (3).  

Naquele momento, Suleimani era um jovem de 21 anos que iniciava sua carreira militar. Ele nasceu em 11 de março de 1957, e em 1979 ele já estava lutando contra o imperialismo. Eu, aqui no Brasil, sendo apenas três meses mais velho, lutava contra a ditadura militar. Suleimani nasceu na época do chamado Irã imperial, na região da Carmânia, uma província do país. 

A Força Quds

A Força Quds – que no Irã eles chamam de Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica, é uma espécie de força internacional de revolucionários anti-imperialistas, que são chamados a atuar em quaisquer lugares do mundo quando convocados por governos patrióticos que lutam contra o imperialismo e contra o sionismo.

É evidente que os Estados Unidos, a União Europeia e todos os países imperialistas, não gostam de revolucionários que lutam contra eles, e os chamam de terroristas. Não! Eles são jovens como eu fui. Mas, nós comunistas, que no passado já atuamos no mundo inteiro, hoje não temos esta compreensão e a dedicação que esses jovens revolucionários da Força Qudstêm.

Portanto, eu me solidarizo com esta juventude que, muitas vezes, larga tudo, pais, família, carreira e vai morrer na luta por um ideal. Por certo, é um ideal revolucionário e anti-imperialista mas, ao mesmo tempo, não é um ideal separado de uma concepção islâmica de mundo que defende a igualdade, a justiça, e a liberdade.  

Eles são muçulmanos de linha xiita, e nessa condição não há diferença com a corrente majoritária do Islã, a sunita, pois eles oram no mesmo livro, o Alcorão. Diferente das bíblias cristã com suas várias versões, o seu livro sagrado é único.  

No caso dos xiitaseles defendem a volta do Imam oculto, que é o Imam Mahdi, o 12º. Diz-se que ele não morreu, mas que apenas desapareceu. Eles falam na volta desse Imam que governaria o mundo junto com Jesus Cristo. São jovens que têm essa convicção religiosa, progressista, igualitária (4).

Há autores que dizem que o Islã é uma religião socialista. Um dos principais, é o filósofo Roger Garaudy (1913-2012), que foi do Partido Comunista Francês por 60 anos, tendo se convertido ao Islã em 1982, com quase 70 anos (5).

Assim, o general começou sua carreira militar como comandante do movimento revolucionário que derrotou a agressão que o Iraque impôs ao Irã durante oito anos, de 1980 a 1988. Ele já tinha um papel destacado nessa época (6).

A partir de 2011, o major-general Suleimani teve também papel destacado na resistência e na derrota dos terroristas que atacaram a Síria. Apesar de derrotados, esses terroristas – a soldo da Arábia Saudita – ainda mantêm algum foco de resistência nos 10 últimos anos. Então, até a sua morte, em 2020, por quase nove anos, ele foi solidário à luta anti-imperialista e antiterrorista da Síria, tendo comandado a resistência guerrilheira que atuou ao lado do Exército Árabe Sírio.

Eu encerro esta parte dizendo uma coisa que poucos sabem. O funeral do General Suleimani, em 4 de janeiro, foi um dos maiores enterros do mundo já registrados. O Irã é um país de quase 90 milhões de habitantes. Segundo algumas estatísticas, fala-se em milhões de pessoas nas ruas de Bagdá.  

Eu fiz alguns cálculos baseados em dados de satélites do google e nas imagens aéreas de todas as maiores cidades do país. O que vimos foi um “mar” de seres humanos nas ruas. Supondo que velhos e crianças não tivessem saído às ruas, a minha estimativa, de tudo o que já estudei, aquele foi o maior evento com comparecimento às ruas em um evento específico, seja ele religioso, seja político, seja de um funeral. A minha estimativa é de que cerca de 30 milhões de iranianos foram às ruas, o que dá a força e a dimensão de sua popularidade.

O Irã atual

O Irã, desde 6 de agosto de 2021 é presidido pelo Dr. Ebrahim Raisi, um homem da hierarquia religiosa, mas que vai administrar de forma civil o Irã. O país tem duas estruturas administrativas, uma civil e uma religiosa. No caso do líder Ali Khamenei, ele é o chefe da religião Islâmica no país e considerado seu líder espiritual.  

Ele é eleito – e não nomeado como é comum pensarmos – por um Conselho de Sábios composto de 88 membros que, por sua vez, são eleitos pelo voto direto do povo. É uma eleição dificílima e muito mais concorrida que a de deputado ao parlamento (7).  

Essa é a democracia islâmica, que nós temos que respeitar, porque não existe um modelo único de democracia. É a democracia que eles construíram. Eles têm a sua Constituição, tem as suas leis, tem o poder judiciário civil e o religioso.

O Irã joga hoje um papel muito importante no mundo. A imprensa, durante as eleições de agosto passado, chamava o Dr. Ebrahim Raisi de ultraconservador. Por certo ele é um “ultra”, mas não conservador, mas um ultra-antiimperialista.  

Dizem que no Irã não tem liberdade. Tem sim muita liberdade. A única que por lá é proibida é a de defender os EUA e o sionismo, considerados como os maiores inimigos da humanidade. Fora disso, o cidadão tem liberdade para tudo: religiosa, de imprensa, as mulheres têm papel destacado no país.

E, nesse sentido, o Irã lidera o chamado Eixo da Resistência,no Oriente Médio. O Oriente Médio é composto pelos países árabes, com Israel no meio, que é um Estado plantado ali para representar os EUA. Nesse Oriente Médio expandido eu incluo o Irã e a Turquia, que tem sido um país pendular, hora está de um lado, hora de outro.  

Mas, o Irã lidera a resistência anti-imperialista e antissionista. Além dele temos como membro desse Eixo da Resistência o Iraque, Síria, Líbano, que querem tirar da órbita da resistência, mas não conseguirão. O Eixo conta ainda com o Hezbolláh, que é um Partido muito forte no Líbano, tendo Ministérios, Parlamentares, redes de hospitais.

É preciso dizer que o Irã socorreu agora, em setembro, o Líbano, no meio dessa crise, mandou o equivalente a 72 milhões de litros de gasolina para o país funcionar. Mandou para os seus irmãos do Hezbolláh que distribuiu para todos os postos (8).

Mas, não é só isso. O Irã é solidário, de mais de um ano para cá, com a revolução bolivariana na Venezuela e, no mês de abri de 2021, ele mandou 10 milhões de litros de gasolina em cinco petroleiros, rompendo o bloqueio naval feito pelos Estados Unidos no Mar do Caribe, pela 4ª Frota da Marinha Estadunidense e entregaram mais do que isso. Criaram na Venezuela uma rede de supermercados para ajudar a Venezuela que vive hoje sob o bloqueio dos EUA (9).

Hoje não há bloqueio que consiga fazer com que o Irã se ajoelhe e se dobre aos EUA, assim como também não o farão a Rússia e a China. A política de sanções e bloqueios nunca funcionou, apenas servindo para impor sofrimentos aos povos dos países bloqueados. Está aí Cuba para provar, que comemorou 63 anos da sua gloriosa revolução em 1º de janeiro de 2022, enfrentando um embargo que em fevereiro próximo completará 60 anos, sem conseguir dobrar a vontade do povo cubano, com a qual a revolução islâmica é solidária.

Esta revolução islâmica tem o apoio, inclusive, da China e da Rússia. Tanto que o país, em 17 de setembro, foi admitido como membro pleno da Organização de Cooperação de Xangai-OCX, que em 2021 completou 20 anos de fundação (10). A maior organização de cooperação militar com 12 milhões de soldados na ativa e seis milhões na reserva. A OCX luta contra o separatismo, o extremismo e o terrorismo, coisas que os EUA apoiam. Esta é a marca da política externa estadunidense.

Eu concluo fazendo uma saudação à memória do General Suleimani que, no momento de seu assassinato, não estava em missão militar, estava em missão diplomática, com o passaporte diplomático no bolso, levando uma mensagem do Irã ao primeiro-ministro do Iraque, que por sua vez, foi intermediário de uma carta do rei da Arábia Saudita.  

A resposta tratava sobre a consulta de como o irã reagiria a um pedido de reatamento das relações diplomáticas se fosse feito pela Arábia Saudita. Nós não sabemos o conteúdo da carta, isto não foi revelado. Mas, eu não tenho dúvidas de que ele estava em missão de paz, levando a proposta de paz, dizendo que aceitaria de bom grado, não só da Arábia Saudita, como de todo e qualquer país do mundo que queira ter boas relações com a República Islâmica do irã. Trump quando decidiu dar a ordem para que ele fosse assassinado, matou o mensageiro da paz.

Neste momento, o Irã trabalha para a retomada do Acordo Nuclear abandonado por Donald Trump, que os EUA tentam barrar, mas não vão conseguir. A única opção que restará a John Biden, que mudou pouco a politica externa deixada pelo fascista Trump, restará a opção de voltar ao acordo, sem nenhuma pré-condição e, suspender todas as sanções.

Lembrar a memória do major-general Qasem Suleimani é nós também analisarmos o papel destacado que o Irã cumpre hoje na luta contra o imperialismo em todo o mundo.

Vida longa à Revolução Islâmica, patriótica, democrática e, verdadeiramente revolucionária e glória eterna à memória do general Qaseem Suleimani.

 * Sociólogo, professor universitário (aposentado) de Sociologia e Ciência Política, escritor e autor de 18 livros (duas reedições ampliadas), é também pesquisador e ensaísta. Atualmente exerce a função de analista internacional, sendo comentarista da TV dos Trabalhadores, da TV 247, da DCM TVentre outros canais, todos por streaming no YouTube. Publica artigos e ensaios nos portais Vermelho, Grabois, Brasil 247, DCM, Outro lado da notícia, Vozes Livres, Oriente Mídia, Vai Alie no Jornal Tornado, de Portugal.

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Notas  

1) A Força Quds aqui mencionada é um braço internacionalista dos Guardiães da Revolução Islâmica no Irá e responde diretamente ao líder espiritual Ali Khamenei. Maiores informações podem ser obtidas neste link <https://bit.ly/3qFtOVa>;

2) Maiores informações sobre a Revolução Islâmica do Irã podem ser lidas neste link <https://bit.ly/3pOrf3I>;

3) O Xá Mohammad Reza Pahlavi sucedeu ao seu pai no trono do Império do Irã em 1941. Neste link <https://bit.ly/3pPzj4s> pode-se ler mais informações sobre sua trajetória de vida;

4) Por certo o conceito do 12º Imam que voltará, não é consenso no Islã. Os sunitas não creem nela dessa forma, pois não se registra no Alcorão, de forma literal, a sua vinda. Mas é aceito em várias correntes xiitas, sufis e mesmo sunitas. Mais informações sobre sua vida pode ser lida no site Arresala, de orientação xiita em SP neste endereço <https://bit.ly/3HuQVsd>;

5) Roger Garaudy foi membro da guerrilha comunista da resistência durante a ocupação nazista da França. Tem dois importantes livros sobre o Islã publicado no Brasil e em especial Promessas do Islã, é onde ele menciona a religião como sendo socialista. Mais informações sobre Garaudy podem ser lidas neste link <https://bit.ly/3ESJ4mu>. O livro no Brasil foi editado pela Editora Nova Fronteira, em 1989, tendo 191 páginas e só pode ser encontrado em sebos.  

6) Essa foi uma das guerras mais fratricida da história, quando o Iraque fez o jogo dos EUA. Do lado iraquiano estima-se que tenham morrido até 400 mil pessoas e do lado iraniano, o governo estima uma perda de 180 mil soldados e até 600 mil civis mortos. O custo total da guerra para os dois lados ultrapassou a um trilhão de dólares. Mais informações podem ser lidas neste link <https://bit.ly/3nM7gSv>;

7) Eu escrevi em julho de 2021 um longo ensaio sobre a temática do Irã e sua democracia que pode ser lido neste link <https://bit.ly/3pMXYXa>;

8) Essa foi uma notícia que surpreendeu o mundo, pois o Irã, em plena vigência de sanções e embargos imperialistas consegue socorrer um país irmão enviando-lhes combustível. Mais detalhes aqui na Agência Sputnik <https://bit.ly/3mSDHgZ>;

9) Matéria especial sobre esse tema pode ser lido neste link <https://bit.ly/3JyQr65> escrito pelo jornalista Igor Gielow da Folha de SP;

10) Houve uma grande repercussão na mídia corporativa mundial essa adesão, como pode-se ler nesta reportagem do UOL <https://bit.ly/3FT4gu6>.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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"2022 vai ser uma verdadeira guerra", prevê Boulos

Guilherme Boulos

O ano eleitoral de 2022 será desafiador. As forças de oposição NÃO devem confundir ESPERANÇA com ILUSÃO. "Vai ser uma verdadeira GUERRA", 

O jogo NÃO  está ganho. "A MÁQUINA do ÓDIO e das FAKE NEWS que venceu em 2018 vai se JUNTAR à MÁQUINA PÚBLICA, TURBINADA pelo ORÇAMENTO SECRETO, com apoio de OLIGARQUIAS LOCAIS do centrão"

A esquerda precisará travar uma disputa social, e não apenas eleitoral, para superar Bolsonaro. "Em 2022 precisaremos, além de votos, ganhar mentes e corações para derrotar o projeto bolsonarista. Será preciso iniciar a disputa social para reconstruir um país em ruínas", escreveu. 

_________________________________________________"2022 vai ser uma verdadeira guerra", prevê Boulos

Guilherme Boulos

247 - Para Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e ex-candidato à prefeitura de São Paulo, o ano eleitoral de 2022 será desafiador. Em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, ele afirmou que as forças de oposição não devem confundir esperança com ilusão. "Vai ser uma verdadeira guerra", escreveu. 

Para Boulos, o jogo não está ganho. "A máquina do ódio e das fake news que venceu em 2018 vai se juntar à máquina pública, turbinada pelo orçamento secreto, com apoio de oligarquias locais do centrão", prevê. 

Boulos afirma que a esquerda precisará travar uma disputa social, e não apenas eleitoral, para superar Bolsonaro. "Em 2022 precisaremos, além de votos, ganhar mentes e corações para derrotar o projeto bolsonarista. Será preciso iniciar a disputa social para reconstruir um país em ruínas", escreveu. 

_________________________________________________Carlos Bolsonaro e aliados pressionam STF para punir críticas a Bolsonaro após internação

Carlos Bolsonaro
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247 - Marco Feliciano (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) cobraram ação do STF para punir críticas a Jair Bolsonaro após internação nesta segunda-feira. Feliciano citou como ameaça um post em que o ator Zé de Abreu diz desejar que Bolsonaro exploda.

Ao compartilhar no Twitter a postagem do ator, Carlos Bolsonaro marcou a página do STF.  O ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten também comentou as críticas a Bolsonaro. Ele afirmou que "qualquer incentivo/ameaça à vida" do presidente "deveria ser considerada promoção da instabilidade institucional e da ordem democrática".

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Os bolsonaristas classificaram nas redes como "ódio do bem" postagens como a do ator e de outras páginas em que pessoas desejam a morte do presidente ou questionam a internação após passar mal durante as férias em Santa Catarina, informa a Folha de S.Paulo

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Não existe risco-Lula, aponta Eurasia Group, maior consultoria de riscos de mundo

Ian Bremmer, Lula e Bolsonaro
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247 – A consultoria Eurasia Group, que divulgou um relatório sobre os grandes riscos globais previstos para 2022, dedicou um capítulo ao Brasil, que ajuda a desfazer mitos que circulam sobre um possível risco-Lula. Segundo a empresa comandada por Ian Bremmer, uma vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não representa risco algum para a economia e para os chamados "mercados". Ele também destaca que a escolha do ex-governador Geraldo Alckmin como vice é um claro sinal de moderação, indicando que não haveria rupturas.

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O relatório também afirma que a democracia brasileira estaria consolidada e que, embora Jair Bolsonaro possa tentar tumultuar o processo eleitoral, os militares não embarcariam com ele em uma aventura autoritária. É uma visão que contrasta, por exemplo, com a coluna desta terça-feira da jornalista Miriam Leitão, que diz que a grande incerteza que há no Brasil diz respeito a que tipo de armação Jair Bolsonaro fará para tentar se manter no poder. Leia, abaixo, o relatório da Eurasia Group:

_________________________________________________Miriam Leitão volta a ALERTAR: Bolsonaro vai ARMAR CONTRA o PROCESSO ELEITORAL e CONTRA a VITÓRIA de LULA 


247 – A jornalista Miriam Leitão, do Globo, voltou a alertar para o risco de que Jair Bolsonaro atente contra o processo eleitoral de 2022, assim como fez no último domingo. "Virou clichê dizer que essa eleição será polarizada. Na verdade, polarizadas são todas as eleições, principalmente o segundo turno. O que realmente preocupa é que, pela primeira vez, desde a redemocratização, o país está entrando em um ano eleitoral com um presidente antidemocrático no poder. Bolsonaro está claramente em desvantagem nas pesquisas de intenção de votos, mas tem a máquina pública nas mãos, tem ministros subservientes que aceitam fazer qualquer papel que ele exija, e teve apoio de chefes das Forças Armadas nos seus arremedos autoritários, como aquele patético desfile de tropas na Esplanada antes da votação do voto impresso. A dúvida que permanece sobre nossas cabeças é a respeito de quais artimanhas o presidente pretende usar para minar o processo democrático", escreve ela, em sua coluna desta terça-feira.

"Esta é uma eleição diferente de outras, porque o vencedor parece estar consolidado muito tempo antes das eleições. O ex-presidente Lula está num patamar tão alto e tão firme que seu favoritismo dá a impressão de que essa não é uma eleição incerta. E incerteza é da natureza de qualquer processo político democrático. Será um erro o país achar que está tudo decidido porque a maior imprevisibilidade é institucional. O país não pode esquecer as reiteradas ameaças que o presidente Bolsonaro fez às instituições democráticas, ao processo eleitoral, ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso, aos governadores. Bolsonaro é um presidente que governa de costas para a Constituição e contra a população à qual deveria servir. Será respeitoso aos ritos eleitorais? Sairá pela porta do Planalto, depois de civilizadamente entregar a faixa presidencial ao vencedor? A incerteza não é dada pela polarização política, mas pela dúvida sobre quantas agressões o chefe do executivo fará contra o processo de escolha dos eleitores", prossegue.

_________________________________________________Chico Alves - Exterminar falsa simetria entre Lula e Bolsonaro é boa meta para 2022

Chico Alves Colunista do UOL 03/01/2022 09h26

Ninguém é obrigado a gostar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aqueles identificados com a direita e a centro-direita não gostam dele por ser esquerdista. Alguns da esquerda o criticam por considerá-lo conciliador demais.

Muitos não engolem o petista por causa dos desvios ocorridos na Petrobras, outros citam o Mensalão. Na mão inversa, há os que não se conformam com os lucros dos bancos durante os governos do PT ou tem quem considere insuficiente a participação dos movimentos sociais durante os mandatos.

A covardia do presidente contra servidores que defendem a saúde do povo

Há muitos motivos justos para malhar Lula, assim como para elogiá-lo. A democracia é assim.

Quem não o apoia certamente encontrará argumentos bons o bastante para não precisar recorrer ao indecente recurso da falsa simetria entre o líder do PT e Jair Bolsonaro. Esses dois personagens, que estão à frente das pesquisas de intenção de voto para a próxima eleição presidencial, nada têm de semelhante. São completamente opostos.

Por qualquer aspecto que se queira analisar, Lula é a antítese do atual presidente. Nas duas vezes que ocupou o Palácio do Planalto, o petista incentivou a ciência, investiu em Educação, lutou contra a devastação ambiental, manteve o Brasil no topo da diplomacia mundial, priorizou a saúde pública, apenas para citar alguns tópicos. Bolsonaro faz o contrário de tudo isso.

No campo institucional, o ex-presidente manteve a autonomia da Polícia Federal e respeitou o Poder Judiciário, a ponto de não resistir à ordem de prisão emitida pelo juiz Sergio Moro, depois anulada pelo Supremo Tribunal Federal. O atual presidente aparelhou a PF e começa a aparelhar o STF para garantir a própria impunidade.

Se analisarmos características pessoais, as diferenças também saltam aos olhos. Lula sempre mostrou compaixão pelo sofrimento dos brasileiros, voltou seu governo para os mais pobres — programas como Bolsa Família e a distribuição de cisternas contra a seca do Nordeste foram elogiados internacionalmente.

Já Bolsonaro é marcado pela falta de empatia, distúrbio que faz questão de exibir publicamente, como nas lamentáveis declarações minimizando a pandemia de coronavírus ou no sorridente passeio de jet ski em Santa Catarina, enquanto milhares de baianos perdiam tudo nas enchentes da semana passada.

Não é possível que os adversários de Lula na corrida eleitoral não consigam elaborar argumentação menos desonesta para tentar subir na preferência do eleitorado que compará-lo a Bolsonaro.

Também uma boa parte da imprensa já deveria ter aprendido a criticar o petista sem tentar torná-lo semelhante ao pior presidente que o país já teve. Essa falsa simetria, estampada em jornais, sites e telejornais antes da última eleição, foi preponderante para que o país chegasse ao estado caótico em que se encontra.

O ano que começa agora é decisivo para a democracia brasileira. Todos aqueles que realmente se preocupam com o destino do país, gostem ou não do PT, precisam fazer autocrítica.

É do jogo político tentar uma terceira, quarta ou quinta via. Nada está decidido e, quem sabe, um azarão pode aparecer na reta final da campanha.

Mas, sob o risco de agravarmos ainda mais os descaminhos em que o Brasil se meteu, é preciso entrar em 2022 reconhecendo algo óbvio: entre Lula e Bolsonaro a escolha não é muito difícil.



_________________________________________________Get back’, o enigma do retorno

Por Fernando Gabeira 03/01/2022

Neste fim de ano, vi o documentário sobre os Beatles. Não me trouxe lembranças apenas dos intensos anos 60. A música que dá título ao documentário, “Get back”, teve muita importância há pouco mais de 40 anos, quando voltei do exílio. Eu a cantarolava, enquanto ajuntava algumas coisas e viajei para o Brasil.

Foi um momento decisivo. Às vezes, penso o que seria de mim se não voltasse. Viveria em Estocolmo, passaria as férias no sul de Portugal, nas Ilhas Gregas? Conheci gente que não voltou de seu exílio. No meu caso, seria uma escolha fatal.

Quando desembarquei, tinha uma máquina de escrever portátil vermelha, a Olivetti Lettera 22. Os funcionários da alfândega a olharam como se fosse um artefato tributável. A revolução digital ainda era uma névoa no horizonte.

Fervilhavam ideias ecológicas na cabeça, mas as mudanças climáticas e os eventos extremos não eram prioridade. Chamaria de poesia se um amigo baiano, como na semana passada, me dissesse que os peixes na pista de pouso pararam o trânsito no Aeroporto de Ilhéus.

Depois de quase meio século, nossa experiência democrática desembocou na ascensão de Bolsonaro. É um nó na garganta, mas não a ponto de desesperar. A democracia americana, mais sólida, acabou desembocando também na eleição de Trump.

Acontece. Alguns acham que a ascensão de Bolsonaro foi produto de um golpe, envolvendo os americanos, mercado financeiro, Faria Lima e o escambau.

Não quero polemizar. Acho que foi uma escolha popular equivocada, resultante dos erros na democratização. Minha interpretação no mínimo contém mais esperança: se tudo aconteceu como fruto dos nossos erros, é possível corrigi-los e evitar uma recaída. Americanos, mercado financeiro e Faria Lima são variáveis que não podemos modificar com facilidade.

A derrota torna atraente a teoria da conspiração. Até o Iluminismo foi interpretado como um complô, assim como a Revolução Francesa, a Independência Americana. Maçons, cavaleiros templários, diferentes vilões desfilaram pela História.

Bolsonaro impactou a luta contra a pandemia com seu negacionismo, muitas pessoas poderiam ter sido salvas. Estimulou a destruição da Amazônia, fez vista grossa para as queimadas que carbonizaram milhões de animais no Pantanal.

Foi um preço alto. A reconstrução não só do país, mas de seu projeto democrático, não será fácil. O Congresso se protege contra a renovação, garantindo uma grana alta para a reeleição de quem está lá. A campanha presidencial, pelo menos até o momento, passa ao largo de grandes temas como as mudanças climáticas e a revolução digital.

Mas o país não se resume a lacunas ou dados negativos. Trabalhadores na saúde, médicos e cientistas lutaram bravamente contra a pandemia. Comunidades indígenas se organizaram, alçaram sua voz; mesmo sufocada, a cultura seguiu produzindo. E houve solidariedade popular nos grandes desastres.

Bolsonaro está se isolando, mas não esteve nunca completamente só. Muitos se surpreenderam com o apoio popular que obteve em 2018 e logo depois da vitória. Poucos como eu se lembram da campanha do governo militar chamada “Brasil, ame-o ou deixe-o”. A base conservadora sempre esteve aí, mas ela se dispersa quando a economia vai mal.

O Brasil precisa resgatar o processo democrático inaugurado pelas Diretas Já. Não se trata de uma volta de gente que partiu ao lugar a que pertenceu, como na canção dos Beatles. Mas de uma volta do lugar a seu próprio eixo.

Não enumerei aqui todos os obstáculos. Sei que pareço otimista ao dizer que é possível, apesar de tudo, pensar em reconstrução, evitando os descaminhos que nos trouxeram ao governo da extrema direita.

Quarenta anos depois, é preciso tentar de novo. Li uma frase de Mark Twain que talvez possa combater a ideia que temos da História como repetição: “Um gato que se senta num fogão quente nunca mais se sentará num fogão quente. Mas tampouco se sentará num fogão frio”.

Feliz Ano-Novo!


_________________________________________________Nassif cobra autocrítica de Gabeira por apoiar o golpe e colaborar com a ascensão do bolsonarismo

3 de janeiro de 2022, 11:25

247 - O jornalista Luis Nassif, editor do Jornal GGN, criticou duramente o artigo do jornalista Fernando Gabeira no jornal O Globo desta segunda-feira (3) que, segundo ele, “pretende explicar as causas da ascensão de Bolsonaro, sem a menor autocrítica sobre seu papel na ascensão do bolsonarismo”.

“Gabeira foi um dos vitoriosos na campanha do impeachment. Para reforçar seu argumento, recorre à malandragem dos falsos paralelismos. Até o Iluminismo foi interpretado como um complô, assim como a Revolução Francesa e a Independência Americana. Maçons, cavaleiros templários, diferentes vilões desfilaram pela História”, ressalta Nassif. 

“Para questionar a ‘teoria conspiratória”’, Gabeira deveria encontrar uma explicação para episódios conhecidos, invocados pelos adeptos da conspiração, em vez dessa generalização de “nossos erros”. Deveria proceder a uma autocrítica sincera: o jornalismo de ódio que gerou a Lava Jato e criminalizou a política;  o golpe do impeachment, que destruiu o precário equilíbrio institucional da Constituinte; a subordinação clara da Lava Jato ao Departamento de Justiça dos EUA. Que tal uma boa explicação para a manchete do seu jornal; a imposição da Ponte para o Futuro no golpe. Seria conveniente Gabeira encontrar uma explicação para a manchete abaixo. Poderia também, apresentar uma boa explicação para a ida de seu correligionário Aloysio Nunes aos Estados Unidos, para conversas com “autoridades governamentais” assim que se consumou o golpe do impeachment.Que autoridades? Que conversas foram essas?”, questiona o editor do GGN.

“O golpe e a demonização da política foram fatores essenciais para a ascensão de Bolsonaro”, observa Nassif que também cobra que Gabeira explique “seu papel na polarização e no discurso de ódio que alimentaram o bolsonarismo. Ou na imprudência de se colocar na linha de frente para estimular as massas, crente de que, dali para frente, elas continuariam obedientes aos golpistas.Ou explicar as esperanças que tinha em Bolsonaro. E se teria algo a ver com os negócios da privatização, com o fim da Petrobras e outras bandeiras tão caras aos EUA”.

_________________________________________________Editorial do Estadão que compara Lula a Bolsonaro é TÍPICO de veículo que trata leitores como IMBECIS

Por Joaquim de Carvalho 1 de janeiro de 2022, 19:27

Porta-voz de 1% da sociedade brasileira que é dona de 50% da riqueza nacional, o Estadão volta a expressar a estrutura argumentativa de 2018 que ajudou a eleger Jair Bolsonaro, que foi comparar este a Fernando Haddad, no editorial "Uma escolha muito difícil". 

Desta vez, compara Lula a Bolsonaro na política de enfrentamento da pobreza. Um disparate. Só um exemplo: nos governos Lula e Dilma, o aumento real do salário mínimo foi de 59%. No governo Bolsonaro, o aumento real foi de 0 (zero) %". 

É claro: não houve aumento sob Bolsonaro, mas a frase que uso é para reforçar a gritante diferença entre os dois modelos de gestão. O salário mínimo atual não é suficiente para comprar duas cestas básicas. 

Quem acredita no Estadão é um tipo de gado. Muitas vezes, tem diploma de curso superior, mas vive no pasto da deficiência cognitiva e, portanto, na incapacidade de notar o que se passa à sua volta. 

A velha imprensa, assim como foi a Lava jato, é inimiga do Brasil. 

No século XXI, o logo do jornal pode ser interpretado de uma forma diferente de sua mensagem original, do final do século XIX, quando o veículo surgiu como porta-voz dos grandes cafeicultores. Mostra um entregador de exemplares, com um berrante para avisar aos potenciais leitores. 

No logo original, tinha um cachorrinho que latia para o cavalo. Numa reforma gráfica mais ou menos recente, o cão desapareceu, mas segue o cavaleiro. 

Numa leitura mais adequada a seus propósitos editorias, não se poderia mais falar em entregador, mas em um vaqueiro chamando o gado antipetista.

_________________________________________________Estadão reedita "escolha muito difícil", traça falsa simetria entre Lula e Bolsonaro e é detonado nas redes

1 de janeiro de 2022, 18:28

247 - Quase quatro anos depois do editorial que disse se tratar de uma "escolha muito difícil" optar entre Jair Bolsonaro (PL) - à época no PSL - e o professor, ex-ministro e ex-prefeito Fernando Haddad (PT) para ocupar a Presidência da República, o Estado de S. Paulo, em novo editorial, volta a mentir.

Desta vez, entre inúmeras afirmações desonestas, o jornal afirma que Lula e Bolsonaro tratam os mais pobres da mesma maneira, apontando este fato como "um dos aspectos mais perversos" da suposta "similaridade" entre o petista e o chefe do atual governo. "Uma vez que medem tudo pelo interesse eleitoral, a vulnerabilidade social, em vez de ser enfrentada responsavelmente, é usada como oportunidade eleitoreira". Durante os governos petistas o Brasil saiu do mapa da fome e diversos programas de assistência aos pobres e vulneráveis foram criados, como o Bolsa Família, por exemplo.

"Lula e Bolsonaro têm muitas diferenças, mas possuem uma radical semelhança: os dois são parte do problema, tendo contribuído, cada um a seu modo, para a atual crise social, econômica, política, cívica e moral", diz o texto. A grave crise vivida hoje pelos brasileiros tem origem no golpe de Estado que derrubou a ex-presidente Dilma Rousseff em 2016 sem crime de responsabilidade.

A crise se intensificou com a Lava Jato, capitaneada pelo ex-procurador Deltan Dallagnol (Podemos) e pelo ex-juiz suspeito Sergio Moro (Podemos), que caçaram políticos e destruíram a economia brasileira.

Tanto o golpe quanto a Lava Jato tiveram apoio irrestrito do Estado de S. Paulo e da mídia tradicional.

Pelas redes sociais, internautas detonaram o editorial do jornal. O jurista Augusto de Arruda Botelho, por exemplo, classificou o texto como "uma desonestidade histórica sem tamanho".

_________________________________________________Uma disputa eleitoral marcada por VIOLÊNCIAS variadas, NÃO EXCLUÍDAS as MAIS EXTREMAS".

Eleição de 2022 será o MOMENTO mais DECISIVO do Brasil na ilusória República

1 de janeiro de 2022, 14:27

247 - Em artigo publicado na Folha de S. Paulo neste sábado (1), o jornalistas Janio de Freitas afirmou que a eleição presidencial deste ano, 2022, deve ser o momento "mais decisivo" da história do Brasil enquanto uma República, ainda que "ilusória", segundo ele. 

Tudo indica que as eleições serão protagonizadas pelo ex-presidente Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL). O petista é o favorito e tem chances de vencer no primeiro turno.

"O dramático é que 2022 e sua eleição propõem-se como o momento mais decisivo do Brasil na ilusória República. Não como regime político, não como sistema econômico. Como país mesmo", diz Janio de Freitas.

Para o jornalista, o período eleitoral deve ser marcado por violência. "É cada vez mais encontrada a preocupação, ou o temor, de que tenhamos uma disputa eleitoral marcada por violências variadas, não excluídas as mais extremas".

"Salve-se de 2022. E os votos de ajude a salvá-lo: é seu direito e seu dever não se permitir ser joguete das forças manipuladoras", conclui o texto.

_________________________________________________Bolsonaro é eleito 'Corrupto do Ano' por consórcio internacional

1 de janeiro de 2022, 19:17

(ANSA) - O presidente Jair Bolsonaro foi eleito "Personalidade do Ano" por seu papel na promoção do crime organizado e da corrupção pelo Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), um consórcio internacional que reúne jornalistas investigativos e centros de mídia independente.

"Eleito após o escândalo da Lava Jato como candidato anticorrupção, Bolsonaro se cercou de figuras corruptas, usou propaganda para promover sua agenda populista, minou o sistema de justiça e travou uma guerra destrutiva contra a região da Amazônia que enriqueceu alguns dos piores proprietários de terras do país", afirma o OCCRP.

Segundo o relatório, Bolsonaro venceu "por pouco" outros dois líderes populistas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder turco, Recep Tayyp Erdogan, que também causaram "grandes danos aos seus países, regiões e ao mundo".

O texto enfatiza que ambos os políticos "lucraram com a propaganda, minaram as instituições democráticas em seus países, politizaram seus sistemas de justiça, rejeitaram acordos multilaterais, recompensaram círculos internos corruptos e moveram seus países da lei e da ordem democráticas para a autocracia".

Além disso, o consórcio destaca a denúncia contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, no caso das "rachadinhas" na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), quando ele era deputado estadual.

As investigações contra o vereador Carlos Bolsonaro, outro filho do mandatário, também por um suposto esquema de repartição de salários de assessores; a verba depositada por Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama, Michele Bolsonaro; e as denúncias contra o próprio Bolsonaro também foram ressaltadas no documento.

De acordo com Drew Sullivan, editor do OCCRP e um dos nove jurados, as acusações paira sobre os familiares do líder brasileiro. "A família de Bolsonaro e seu círculo íntimo parecem estar envolvidos em uma conspiração criminosa em andamento e têm sido regularmente acusados de roubar do povo." disse Sullivan.

"Essa é a definição de livro de uma gangue do crime organizado". A publicação cita ainda que o prefeito afastado do Rio, Marcello Crivella, "amigo e aliado" do presidente, foi preso por liderar uma organização criminosa.

Amazônia - O consórcio internacional enfatizou que as ações do Bolsonaro "não afetam apenas o Brasil", porque ele "abriu grandes extensões da Amazônia para a exploração por aqueles que já haviam se beneficiado da destruição da região crítica e ameaçada".

"A destruição contínua da Amazônia está ocorrendo por causa de escolhas políticas corruptas feitas por Bolsonaro. Ele encorajou e alimentou os incêndios devastadores", afirmou o jurado Rawan Damen, diretor do Arab Reporters for Investigative Journalism.

Para ele, "Bolsonaro fez campanha com o compromisso explícito de explorar - ou seja, destruir - a Amazônia, que é vital para o meio ambiente global".

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o líder das Filipinas, Rodrigo Duterte, também já venceram a premiação.

_________________________________________________Brasil terá que ser reerguido a partir de seus escombros, diz Cristina Serra

Jornalista Cristina Serra e Jair Bolsonaro

247 - A jornalista Cristina Serra, em sua coluna publicada neste sábado (1) no jornal Folha de S.Paulo, escreve que “fui sincera quando disse aos leitores que não conseguia acreditar em um feliz ano novo, considerando o que Bolsonaro já havia feito em 2019. 

Veio 2020 e a parceria entre o vírus e o genocida. Minhas expectativas foram SUPERADAS da PIOR MANEIRA POSSÍVEL. 

Mais uma vez, fiquei devendo os votos de feliz ano novo para 2021.”.

“Será que consigo desejar um feliz 2022? 

O ano que começa será uma travessia tormentosa e duríssima. Bolsonaro sequestrou o país para sua agenda de morte, caos e desespero e se prepara para uma guerra de terra arrasada. 

O Brasil terá que ser reerguido a partir de ruína e escombros”, acrescenta. 

A jornalista defende que “por isso mesmo, a reconstrução não pode esperar 2023. 

Ela começa agora, com a urgência de garantir um caminho seguro até as urnas e a chance de resgatar a promessa de país que fomos um dia. 

É essa esperança vital que me faz desejar, com convicção, Feliz Ano-Novo em 2022 com os olhos na alvorada de 2023”.

_________________________________________________Magnoli, pró-golpe em 2016, pede que em 2022 Moro reconheça conluio ilegal dele com "procuradores-militantes"

1 de janeiro de 2022, 10:24

247 – Em coluna publicada nos jornais O Globo e Folha de S Paulo neste sábado o sociólogo Demétrio Magnoli, que foi uma das vozes mais ativas em 2016 a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e flertou abertamente com o lava-jatismo que se espraiava nas empresas de comunicação que o abrigam, deu um CAVALO-DE-PAU nas próprias opiniões ao fazer uma lista de desejos para o ano de 2022.

“Não pedirei a derrota eleitoral acachapante de Bolsonaro, para não desejar o simplesmente provável”, escreve ele. 

“Quero que, depois dela, procuradores e juízes contrariem a inclinação brasileira à conciliação entre as elites, julgando a coleção de crimes de um presidente infame.”

E ainda prossegue: “Que Moro desista de rotular Lula como corrupto, reconhecendo a anulação judicial das sentenças produzidas por seu conluio ilegal com os procuradores-militantes.

”Magnoli é um dos analistas regularmente convidados para fazer análises de conjuntura durante as reuniões semanais do board de executivos e diretores responsáveis pelas publicações e canais de TV das Organizações Globo. 

A opinião dele é detentora de peso específico na formação de “consensos” no departamento de Jornalismo da Globo.

_________________________________________________A última chance de Bolsonaro é a aposta macabra

31 de dezembro de 2021, 12:57
Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia

Não há ideologia, não há religião, não há dado concreto algum para sustentar a posição de Bolsonaro contra as vacinas. Não há nada mais desses ingredientes na sabotagem da imunização que pode salvar as crianças.

A ideologia, a religião e o negacionismo são de outro departamento das alienações, das ignorâncias e da manipulação de pessoas fragilizadas. Bolsonaro já fez uso dessas ferramentas do fundamentalismo para jogar para a sua torcida.

Bolsonaro está dobrando a aposta contra a vacina, para que possa dizer mais adiante: eu avisei. Mas a aposta agora é contra a vida das crianças.

Não busquem complexidade nas ações e na torcida de Bolsonaro para que tudo dê errado na vacinação das crianças. Procurem nessas atitudes a obsessão pela morte. 

Bolsonaro quer ser, para o mundo todo, e não só para o Brasil, o cara que alertou: se quiserem, vacinem seus filhos, mas eu estou fora.

O que ele deseja é que aconteça um desastre. Não necessariamente algo espetacular que desmoralize e desqualifique a ciência e a vacina. Podem ser fatos encadeados, desabonadores da vacinação, que ‘provem’ que está certo. Se for algo grandioso, melhor ainda para ele.

A aposta de Bolsonaro é na morte. Foi assim desde o começo. Quando João Doria decidiu produzir a CoronaVac, a saída foi agarrar-se à cloroquina como salvação, ao lado da tese da imunização de rebanho.

Bolsonaro imaginou que seria um líder mundial, se a cloroquina funcionasse. Não funcionou, mas a coisa prosperou como negócio. Eles, os filhos, os amigos, a indústria e os traficantes da pandemia passaram a propagandear e a vender cloroquina.

Quando percebeu que a cloroquina estava encalhada e que não ganharia a guerra contra Doria, Bolsonaro liberou suas facções para que negociassem a vacina. Tudo nas sombras de um Ministério da Saúde militarizado.

Sem a gritaria da CPI do Genocídio, os vendedores de vacinas, com a participação de civis e militares, segundo o relatório final da comissão, teriam ido adiante. 

Bolsonaro falava mal das vacinas em público, mas liberava as facções para que atuassem com liberdade, dentro do governo, no tráfico milionário de imunizantes superfaturados que nem existiam.

Bolsonaro fracassou com a cloroquina e com o kit Covid e fracassou na articulação das quadrilhas das vacinas que seriam vendidas e compradas pelos coronéis a serviço de Pazuello. 

Não há mais como aplicar um golpe, porque nem nos jipes ele pode confiar, e não há como tumultuar a eleição e esculhambar com a apuração. 

Não há como em enfrentar Lula sem levar uma goleada. E talvez já não exista mais nenhuma chance de escapar da cadeia.

Sabotar a vacinação de crianças é o gesto desesperado de Bolsonaro. Esqueçam as conversas criminosas e ainda impunes sobre os riscos de contágio pelo HIV.

Bolsonaro aposta agora no imponderável, em algo que, na sua cabeça doente, ainda está por acontecer. E tem muita gente com boa formação (inclusive nas esquerdas) alarmada pela suspeita de que Bolsonaro pode estar certo.

Este é o nosso começo de 2022. Desejar que o ano novo seja bom para todos é também buscar o conforto do desprendimento e do altruísmo. Desejamos que seja legal para todo mundo, sem especificar amigos e inimigos, porque assim nos apresentamos como seres elevados.

Bolsonaro sobrepõe a essa mensagem o desejo de que tudo dê errado não mais para os adultos, mas para as crianças. A última chance do criminoso é essa aposta macabra. Bolsonaro está certo de que a morte de crianças pode salvá-lo.

_________________________________________________Mario Sergio Conti elege ex-juiz suspeito Moro como "o mala do ano"

1 de janeiro de 2022, 04:45
Mario Sergio Conti: “Moro fez política o tempo todo”
247 – O jornalista Mario Sergio Conti elegeu, em sua primeira coluna de 2022, os "malas do ano de 2021", e dedicou o prêmio máximo ao ex-juiz Sergio Moro, declarado parcial e suspeito pelo Supremo Tribunal Federal, e responsável pela destruição de 4,4 milhões de empregos, segundo o Dieese.

"Sergio Moro. Como Bolsonaro é hors-concours, o título de Mala do Ano vai para o maior jurista de Maringá. 

Nunca ninguém se lançou candidato com tal estrépito e fiasco — e olha que Silvio Santos já saiu em louca cavalgada para o Planalto. 

Moro mostrou que não tem ideias, propostas, imaginação, carisma. 

Como um papagaio, repete que só ele pode matar o dragão da roubalheira e salvar o Brasil. 

Mas, RESPONSÁVEL pela FALÊNCIA da Lava Jato e pelo TRIUNFO da LAMA BOLSONARISTA, ele próprio é PROVA VIVA que o udenismo é pura ENGANAÇÃO", escreveu Conti.

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Ivete Sangalo incentiva público a mandar Bolsonaro tomar no c* após desprezo pela Bahia

A cena, que tem se repetido durante shows de vários artistas, aconteceu durante apresentação da cantora em Natal

Por Julinho Bittencourt 30 dez 2021 - 10:41

Foi o público que começou: “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*”. Mas a cantora Ivete Sangalo não resistiu e incentivou: “não ouvi”; “tá baixinho” e encerrou: “vai acabar escutando de tão alto que foi”.

A cena aconteceu na noite desta quarta-feira (29), durante show da cantora em Natal (RN).

”Meus zamuris, entendo o quão necessário é, neste momento, não estabelecer dúvidas sobre o que acredito. Esse governo que está aí não me representa nem mesmo antes da ideia dele existir”, afirmou a cantora no Instagram.

A artista ainda falou que os brasileiros ”irão resolver a situação” nas próximas eleições presidenciais, em 2022: ”Isso vamos resolver quando unirmos forças nas próximas eleições, através do poder do voto. Agora, vamos nos unir em prol do que podemos fazer nos nossos espaços, para driblar essa desorganização, que são: o uso de máscaras, higienização, vacinas e o que mais for necessário.”

Tragédia na Bahia

Em meio à tragédia provocada pelas enchentes no sul da Bahia, o governador do Estado, Rui Costa (PT), afirmou que lamenta o desprezo de Bolsonaro, que passa férias em Santa Catarina, e disse que o presidente “não demonstra nenhum sentimento em relação à dor do próximo”.

“O presidente durante toda a sua gestão demonstrava desprezo em relação à vida humana. Se você me perguntar: “O senhor esperava ele aí?”, vou dizer que não. Durante três anos, em nenhum momento, em nenhum outro desastre, na pandemia, ou em qualquer situação que significasse prestar solidariedade à vida humana ele fez qualquer gesto. É um presidente que não demonstra nenhum sentimento em relação à dor do próximo”, afirmou Costa em entrevista à Folha de S.Paulo durante atendimento à população no local da tragédia.

_________________________________________________Lúcia Guimarães: Minha única expectativa para 2022 é sair do lugar

Depois de dois anos de isolamento, que o ano novo chegue com movimentos, mas sem amnésia

Quem já não sonhou que está correndo, fugindo de uma ameaça, mas não consegue sair do lugar? É um sonho comum e é compreensível, antes de qualquer interpretação freudiana. O estágio de sono que nos permite sonhar é acompanhado de atonia, a paralisia de braços e pernas, daí a sensação de imobilidade que inunda o sonho.

Já o pesadelo que vivo acordada há dois anos é fruto de imobilidade imposta, nos Estados Unidos e no Brasil.

Mensagens indicam coisas que as pessoas queiram colocar em uma 'fogueira' em Times Square para deixar para trás na virada de 2021 para 2022 - Bryan R. Smith - 28.dez.21/AFP

A disparada de casos de Covid-19 com a variante ômicron foi provocada pela desigualdade vacinal que permitiu ao vírus desenvolver novas cepas em populações não imunizadas nos países mais pobres —uma tragédia anunciada por epidemiologistas. Aqui, o público que escolheu recusar a vacina continua incapaz de aprender com as cenas de horror nas UTIs, morrendo duas vezes mais do que as pessoas triplamente vacinadas.

Dois anos de ataques à democracia, aumento de violência racial e religiosa nos EUA nada ensinaram aos brasileiros que votaram num Trump mais depravado e pavimentaram o terreno para a morte de 620 mil pessoas. E não importa os números deixarem claro que a grande maioria quer ver o monstro do Planalto pelas costas: 47% do empresariado brasileiro prefere mais morte, fome, desemprego, genocídio indígena e massacres em favelas —qualquer coisa para não eleger seu espantalho de estimação.

O comentariado pusilânime da imprensa política nada aprendeu com seu papel, em 2018, de conferir legitimidade à candidatura de um jagunço do baixo clero que planejou plantar bombas em quartéis antes de ser defenestrado com um tapinha na mão pelo Exército. Não se envergonha de ter manufaturado um ministro competente na figura de um fantasista medíocre, pinçado do merecido desdém que despertava entre pares economistas.

Os mesmos absolutistas que selecionam o reizinho da vez fazem marketing eleitoral escancarado para um santarrão de pau oco que não sai de um dígito nas pesquisas, nunca geriu sequer uma barraca na feira livre e abusou do Judiciário para interferir na eleição de 2018.

Não aprendem nada.

O governo Bolsonaro na mídia estrangeiraFacebookWhatsappTwitterMessengerLinkedinE-mailCopiar link

Viver nesse Brasil é correr o tempo todo sem sair do lugar. Somos reféns da soberba de uma elite niilista que detesta o país e promove uma permanente queima do estoque —das florestas, dos corpos jovens perfurados por balas, dos cérebros que fugiram para o exterior.

Depois de dois anos de isolamento e sucessivos planos cancelados de reencontrar a família, minha única expectativa para 2022 é sair do lugar. Para isso é preciso remover os obstáculos de toda ordem e, acima de tudo, derrotar nas urnas o autor de crimes contra a humanidade.

Mas é importante também clamar por Justiça para os cúmplices nesta matança intencional de brasileiros (consultem a lista do Renan Calheiros); resistir aos sociopatas que acham que nos infectar numa pandemia é exercer liberdade individual; e não compactuar com a degradação da minha profissão, cujo dever é defender a democracia, não inventar candidatos sob medida para manter o Brasil atolado no que pior se tem produzido na vida pública.

O ex-juiz Sergio Moro rumo a 2022

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Sair do lugar não é seguir em frente com amnésia. Nenhum dos sonsos nos três Poderes, os que acharam normal o avanço do Partido Militar sobre a nossa democracia, os falsos arrependidos que voltam a pedir para comprar fiado no nosso balcão, nenhum deles merece perdão da dívida que contraiu com o Brasil.

_________________________________________________Bolsonaro demonstra desprezo à vida humana, diz Rui Costa, governador da Bahia

Governador critica presidente por não ir ao estado em meio a enchentes que já mataram 24

Rio de Janeiro e Salvador

Completando sete anos à frente do governo da Bahia, o governador Rui Costa (PT) diz que o enfrentamento às chuvas que assolam o estado e já causaram ao menos 24 mortes é o maior desafio de sua gestão. As enchentes destruíram estradas, inutilizaram estoques de medicamentos e vacinas e deixaram mais de 90 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.

Quatro ministros do governo federal foram enviados à região, mas Jair Bolsonaro (PL), de férias em Santa Catarina, não esteve por lá. Questionado pela Folha se aguardava a visita do presidente, Costa respondeu que não tinha essa expectativa.

"O presidente durante toda a sua gestão demonstrava desprezo em relação à vida humana (...) Ele não demonstra nenhum sentimento em relação à dor do próximo", afirmou o governador.

Em permanente trânsito na última semana para avaliar os estragos das chuvas, Costa atendeu chamada da reportagem na tarde desta quarta-feira (29), quando estava prestes a embarcar em um helicóptero de volta a Salvador. Ele estima que os recursos necessários para recuperar o estado cheguem a R$ 1,5 bilhão e espera que o governo federal possa ajudar com valores significativos.

O governador Rui Costa - Alberto Coutinho/Divulgação

Havia algo que o governo pudesse ter feito para mitigar as consequências dos temporais? Como o sr. avalia a gestão estadual nesse desastre? Nós temos uma estrutura e respondemos... Lógico que com o apoio de outros estados. Nenhum estado sozinho tem a capacidade de responder a uma demanda dessa. Aliás, essa é uma das coisas que falta ser estruturada no Brasil. Outros países do mundo têm uma estrutura regional para o enfrentamento de grandes desastres, nós não. Inclusive começamos a conversar no Consórcio do Nordeste para ter uma aeronave, por exemplo, mais sofisticada de combate a incêndios, de resgate de pessoas.

O governo federal não tem nenhuma estrutura de ajuda aos estados para desastres. Os helicópteros do Exército, da Marinha, são completamente inadequados para esse tipo de coisa. São helicópteros para a guerra, não para sobrevoar áreas urbanas. Um helicóptero daquele tamanho, quando baixa a uma altura mais reduzida, arranca as telhas, é um desastre.

O que o sr. tem achado da resposta do presidente a essa tragédia? Ele tem sido muito criticado por estar de férias em Santa Catarina e não ter visitado o estado. O sr. esperava a presença dele? O presidente durante toda a sua gestão demonstrava desprezo em relação à vida humana. Se você me perguntar: "O senhor esperava ele aí?", vou dizer que não. Durante três anos, em nenhum momento, em nenhum outro desastre, na pandemia, ou em qualquer situação que significasse prestar solidariedade à vida humana ele fez qualquer gesto. É um presidente que não demonstra nenhum sentimento em relação à dor do próximo.

O que o governo federal poderia ter feito, mas não fez? O mínimo que qualquer presidente pode fazer é dirigir uma palavra de conforto ao seu povo num momento de sofrimento. Tem uma frase que diz que quando você não pode fazer nada, pelo menos transmita uma palavra de conforto. Nem isso ele se preocupa em fazer. Só tenho que lamentar. Tenho evitado falar disso porque num momento de dor as pessoas não querem ver debate político.

Bolsonaro acena para banhistas na Praia da Enseada, em São Francisco do Sul (SC), onde deve passar o fim de ano - Reprodução

​​​Alguns ministros estiveram no estado. Como foi essa conversa? Eu fiz um apelo para que eles tenham um olhar diferenciado para esse momento que a Bahia vive. Espero que eles tenham esse olhar e tratem, se não o estado, pelo menos o povo baiano de uma forma respeitosa e digna.

O sr. já disse que R$ 80 milhões não são suficientes para recuperar as estradas federais. Os ministros deram alguma sinalização de mais recursos? Sinalização e predisposição houve, de ajudar na reconstrução das casas, de ajudar os municípios na reconstrução da infraestrutura. Estamos na expectativa de que esses anúncios, ou de que esse sinal de boa vontade, venham a acontecer.

Se as estradas não forem recuperadas rapidamente, qual deve ser o impacto na economia estadual? É um custo indireto. O caminhoneiro vai procurando outros caminhos para poder chegar. Em geral caminhos mais longos, que gastam mais combustível, aumentando o custo do frete e reduzindo a margem para o produtor.​

Esse foi o maior desafio do seu governo? Sem dúvida. Mas graças a Deus o principal a gente conseguiu, que foi evitar a tragédia de vidas humanas perdidas. O prejuízo material, mesmo que leve mais tempo, você recupera. A vida humana não.

Cidades do sul da Bahia ficam destruídas por enchentes após temporal

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O sr. esteve em São Paulo no jantar com o ex-presidente Lula e com o ex-governador Geraldo Alckmin. Como o sr. avalia essa possível aliança? O presidente eleito terá um desafio gigantesco. São seis anos de instabilidade política, jurídica e institucional que corroeram a credibilidade do Brasil. É preciso passar a ideia de que o país vai estar unido, que vai ter uma grande concertação a favor da reconstrução do Brasil, e não há como passar essa ideia se a preocupação for apenas ganhar a eleição.

Eu acho que, desde já, nós temos que nos preocupar em ganhar a eleição, fazer esse país crescer e voltar a ser inclusivo. Isso é uma tarefa muito grande para ser tocada por um só partido. É preciso promover a união dos brasileiros que querem reconstruir nosso país. Por isso eu acho que o [ex] presidente [Lula] está correto em buscar esta aliança. Alckmin foi governador de São Paulo quatro vezes. É uma pessoa absolutamente experiente.

Não acredita que esta união vai gerar ruídos? Se formos restringir nossas alianças a quem nunca trocou críticas entre si, não teremos união de ninguém. Poucos não trocaram críticas entre si nos últimos 20 anos no Brasil. A situação do país requer responsabilidade, requer descer a vaidade de cada partido, de cada pessoa, para colocar o Brasil em primeiro lugar.

Então, eu vejo positivamente essa união. É uma excelente sinalização de que nós queremos estabilidade e uma recuperação do Brasil de longo prazo. Não estamos preocupados com projetos individuais ou partidários e sim com a reconstrução do país.

Isso passa necessariamente por uma aproximação de setores da direita? Passa também por curar as feridas abertas nos últimos anos? Mais importante do que rótulos ou estigmas, temos que discutir conteúdo. O que faremos do Brasil? Quais são os projetos que nós adotaremos?

Acho que essa aliança tem pouca base sólida com quem caminhou com o Bolsonaro na sua integralidade, quem apoiou Bolsonaro, quem esteve e está até o dia de hoje com ele. Mas podemos conversar com aqueles que têm demonstrado uma insatisfação desde o início do governo Bolsonaro. Acho que esse é o limite. Até para também não ser um negócio de mero oportunismo eleitoral. Tem que ter alguma consistência de programa.

Lula e Alckmin: das rusgas ao namoro político

Como é que o sr. vê um possível mandato caso o presidente Lula seja eleito? Será o retorno de um Estado mais indutor na economia? Ele receberá um país muito pior. Terá um Estado com menor capacidade de indução direta ao desenvolvimento, visto que a poupança interna e a capacidade fiscal do governo são muito piores hoje do que em 2003.

Considero que haverá um papel fundamental do governo, não necessariamente como executor direto, mas como indutor para o investimento privado no país. É fundamental que o Estado participe. Quem passa confiança, credibilidade e segurança institucional é o governo. Não podemos sinalizar que toda hora muda a lei para tirar o presidente, muda a Constituição para dar um calote numa dívida. A função do governo será restabelecer a confiança no país.

Qual a sua avaliação sobre o cenário que se desenha para a eleição de 2022? Acha que a eleição tende a polarizar entre Lula e Bolsonaro? Como viu a entrada de Moro e Doria no tabuleiro? Não acredito que haja espaço para crescimento de outras candidaturas. De um lado, teremos um projeto que se mostrou desastroso para o país, que aumentou o desemprego, a pobreza e diminuiu drasticamente o investimento externo. Com esse cenário, como diz a música, o povo ficou com saudade do ex.

Então, acho pouco provável que alguém consiga estabelecer um novo cenário que não seja a disputa entre Lula e Bolsonaro. Não acredito em candidaturas do estilo do Sergio Moro porque as pessoas preferem o autêntico do que o genérico. Moro nada mais é do que um genérico do Bolsonaro.

Não acredito no crescimento do Moro, em hipótese nenhuma. E acho pouco prováveis as outras alternativas, até pelo tempo de campanha e a extensão territorial do país. Você não fixa um nome apenas porque ele foi governador. É preciso que se estabeleça algum tipo de vínculo, seja nas ideias, seja pessoal.

Como o sr. viu esse movimento de aproximação do presidente com uma base mais fisiológica, caso de partidos como PP e PL? O Congresso desejava capturar o Orçamento federal. Uma parte disso é o tal do orçamento secreto, que ninguém sabe a origem e qual o destino do recurso. As cifras são astronômicas. Parte virou investimento puramente eleitoreiro, com muito ruído de problemas de ética.

Por outro lado, havia um interesse do presidente, que se viu ameaçado de um possível impeachment e denúncias em relação a seus filhos, de ter uma proteção maior do Congresso. Eu diria que juntou a fome com a vontade de comer: o desejo do Congresso de capturar o Orçamento e o dele de buscar maior proteção para ele e para família. Ele praticamente abriu mão de governar.

Essa aproximação atrapalha a sua relação com esses partidos? Parte deles compõe a sua base aliada. Não acredito. O ruído pode acontecer nas opções feitas daqui para frente. Se algum dos partidos da nossa base optar por Bolsonaro, eventualmente haverá incompatibilidade de caminhos. Acho que vai ser uma eleição muito polarizada nacionalmente.

A disputa do ano que vem terá uma influência muito maior da eleição nacional nas disputas estaduais. Eu espero que haja essa polarização porque é preciso eleger um Congresso Nacional que, de fato, ajude a construção dessa identidade, dessa unidade nacional.

Não dá para ter um Congresso que vai repetir orçamento secreto ou essa chantagem com o presidente da República. Com esse modelo que foi estabelecido do Congresso com Bolsonaro, ninguém governa o Brasil. Esse modelo está destruindo o Brasil.

O potencial adversário do PT na Bahia aposta no contrário. ACM Neto tem dito que a eleição não deve ser nacionalizada e tenta se afastar de Bolsonaro. Acha que essa estratégia funciona? Ele tenta um milagre, que é o milagre de se desassociar da figura do presidente da República. Ele fez campanha, pediu voto para Bolsonaro.

Tem vídeos e fotos dele abraçado com o presidente. O ex-chefe de gabinete dele é ministro de Bolsonaro. Até o dia de hoje, quem dá sustentação ao governo Bolsonaro são os parlamentares do DEM, que na Bahia possuem a indicação de todos os órgãos federais. Essa imagem é difícil de ele separar.

Auxiliares do presidente dizem que ele deve ganhar terreno no Nordeste com a criação do Auxílio Brasil e o aumento do valor do benefício. Acha que essa correlação tem sentido? É o que eles buscam. Algum impacto eventualmente pode ter, não vou dizer que o impacto é zero. Mas é péssimo quando você muda completamente as políticas de governo.

Durante todo esse governo, não teve um planejamento nem uma visão de longo prazo para a educação, a saúde, a infraestrutura. Simplesmente, há uma ausência de governo, uma ausência de planejamento. Tudo se transformou em medidas meramente eleitoreiras e um imenso desperdício de recursos Brasil afora.

Veja quais são os possíveis candidatos à Presidência em 2022

_________________________________________________André Santana - Férias de quê? Bolsonaro NÃO trabalha NEM quando o Brasil mais precisa

Enquanto Bolsonaro se diverte em praia catarinense, brasileiros tentam sobreviver à fúria das águas na Bahia Imagem: Dieter Gross/Ishoot/Estadão ConteúdoAndré Santana

Colunista do UOL 30/12/2021 08h09

Enquanto os brasileiros se unem em solidariedade às vítimas das enchentes do sul da Bahia, o presidente Jair Bolsonaro (PL) mantém suas férias no litoral de Santa Catarina.

Os vídeos do passeio do presidente de moto aquática parecem zombar daquelas famílias que enfrentam dias de horror provocados justamente pelo excesso de água.

A escolha pela diversão na praia é mais do que inadequada neste momento em que o Brasil vive um clima tenso com as cheias de rios que inclusive ameaçam outras cidades do Norte, Nordeste e do Sudeste.

Férias de quê?

Não se trata de um período de descanso de alguém que se dedicou ao exercício do cargo, que tem entre outras responsabilidades garantir o bem-estar e a vida plena dos cidadãos do pais. Longe disso.As férias de Bolsonaro, quando o Brasil ainda tenta enfrentar a pandemia de covid-19 e a sobreviver em meio à fome, à miséria e às tragédias naturais como as causadas pelas chuvas, só reafirmam a indiferença e a insensibilidade do presidente e o descaso com o próprio cargo que ocupa.Se o mandatário não trabalha quando o país mais precisa, faz muito sentido a hastag que domina as redes sociais, associada àquela que já marca as críticas ao governo: #BolsonaroVagabundo e #BolsonaroGenocida.

Tragédia sem precedentes

Bolsonaro já dançou funk em uma escuna na semana antes do Natal, na praia do Guarujá (SP). Agora faz manobras em um jet ski, com a filha e esposa na garupa, em São Francisco do Sul (SC).

Durante esse período, equipes de resgate formadas por agentes públicos e voluntários tentam socorrer as vítimas da força das águas, que já levou à situação de emergência em 132 municípios da Bahia.

As chuvas no sul da Bahia e norte de Minas Gerais desde o início de dezembro aumentaram o nível dos rios, invadiram cidades, destruindo estradas e pontes, derrubando residências e imóveis comerciais e arrastando tudo que encontra pela frente.

A tragédia nas cidades baianas já foi responsável por 24 mortes, além de atingir mais de 460 mil pessoas e deixar mais de 77 mil desabrigadas.

As imagens compartilhadas nas redes sociais mostram resgates angustiantes e a tristeza dos moradores com as perdas, muitas vezes dos únicos bens adquiridos ao longo da vida.

São cenas que sensibilizam todos que possuem o mínimo de empatia e preocupação com a humanidade. Mas não conseguem abalar os sentimentos do presidente do Brasil, logo aquele mais poderia agir para amenizar a dor das famílias.

Presença do presidente gerou mais tumulto

Aos apoiadores que o cercaram na praia catarinense, Bolsonaro disse que espera não ter que retornar antes do previsto (4 de janeiro), mantendo-se em lazer e diversão e indiferente às ações humanitárias que mobilizam correntes de apoio por todo o país.

Quando esteve na região atingida pelas chuvas, no dia 12 de dezembro, a presença do presidente se transformou em um ato de campanha, com passeio em carro aberto, aglomeração de políticos aliados sem nenhuma proteção contra a covid, além de discurso de crítica às ações dos governadores durante a pandemia.

Ainda teve agressão a equipes de profissionais de imprensa em atividade.

Ou seja, a presença do presidente mais atrapalhou do que ajudou na situação de emergência.

O que se espera agora é que o mandatário garanta ao menos os recursos federais necessários para o atendimento das vítimas e para a reconstrução das cidades afetadas.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), já afirmou que espera mais do que os valores até agora anunciados pelo governo federal.

Se não pode demonstrar sensibilidade em meio à tragédia, que pelo menos possa agir com a responsabilidade que o cargo exige. Mas para isso ele precisará trabalhar e a favor dos que mais precisam. Não foi o que ocorreu em outros momentos, como durante toda a pandemia.Além de fazer pouco caso com as mortes causadas pela covid, utilizando por vezes de tom de deboche diante das vidas perdidas, Bolsonaro foi um dos principais motivadores das estratégias negacionistas que agravaram a situação. Ainda neste momento, atua para impedir a vacinação de crianças, quando as autoridades de saúde recomendam a necessidade desta imunização.Também não deixou de demonstrar, por várias vezes, que preferia a diversão de um passeio de moto ou de jet ski no Lago Paranoá do que se preocupar com o expressivo aumento dos óbitos causados pelo coronavírus. Tudo registrado em vídeos amplamente difundidos, que revoltam muitos brasileiros, especialmente as famílias que perderam seus entes durante a pandemia.

Tragédia atinge os mais pobres

Como sempre ocorre, a tragédia causada pelas chuvas no sul da Bahia atinge com mais força as famílias mais pobres, que vivem em situações de risco constante em suas moradias improvisadas.

Em sua maioria, são cidadãos não alcançados pelas políticas públicas e que não possuem outra alternativa a não ser viver às margens de rios e córregos, em construções frágeis e em perigo contínuo.

No Brasil governado por Jair Bolsonaro e marcado pelo desemprego, fome, miséria e desmonte dos programas de assistência social, as águas parecem alertar para a emergência dessas vidas esquecidas.

Oferecem ao presidente uma última chance de demonstrar que se importa com as condições de existência dos brasileiros.

Mas os estragos causados pela força das correntezas, e todo barulho gerado por essa destruição, não são suficientes para comover aquele que é indiferente à vida humana.

_________________________________________________Governistas apoiam decisão de Bolsonaro de não cancelar férias para ir à BA

Luciana Amaral e Lucas Valença Do UOL, em Brasília 29/12/2021

Mesmo com a ponderação de que uma nova ida às áreas afetadas por enchentes na Bahia poderia ajudar a amenizar críticas e ser boa para a imagem de Jair Bolsonaro (PL), parlamentares governistas procurados pelo UOL defenderam a decisão do presidente de não encerrar seu período de férias em São Francisco do Sul, em Santa Catarina.

O mandatário já declarou que não pretende abandonar seu período de descanso. A previsão é que ele retorne a Brasília na semana que vem. No Sul, Bolsonaro andou de moto aquática, cumprimentou apoiadores, visitou o deputado federal Coronel Armando (PSL-SC) —logo depois diagnosticado com covid-19— e saiu para pescar. Enquanto isso, tem delegado a seus ministros a responsabilidade pelas contenções dos danos na Bahia.

Criticado, Bolsonaro mantém férias e delega a ministros visitas à Bahia

Antes, Bolsonaro havia passado alguns dias no Guarujá, litoral de São Paulo, quando dançou funk em uma lancha.

Em conversa com a reportagem, um senador ligado ao Palácio do Planalto afirmou que "seria interessante" o presidente ir à Bahia, mas ponderou dizendo que a presença dos principais ministros já tem contribuído com ações em prol da população do estado, em especial, com a liberação de recursos pela União.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), buscou ressaltar que Bolsonaro já visitou a Bahia e que as críticas são usadas politicamente visando as eleições de 2022, ainda mais que o estado é comandado por Rui Costa, do PT, partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve ser seu principal adversário à reeleição ao Planalto.

Bolsonaro foi ao estado em 12 de dezembro para sobrevoar cidades atingidas pelas fortes chuvas. Contudo, as áreas afetadas e os danos sofridos pela população aumentaram desde então.

Com 21 mortos e 358 pessoas feridas em decorrência das chuvas, a Bahia contabiliza mais de 77 mil pessoas que foram obrigadas a deixarem suas casas —34 mil delas estão desabrigadas. O último balanço da Defesa Civil, divulgado ontem, diz que 470 mil pessoas foram afetadas em 136 cidades —os municípios declararam situação de emergência, o que representa cerca de 30% do estado.

"A enchente continuou, mas ele já foi lá. Não tem justificativa para essa cobrança. Ele foi, mantém os ministros ajudando e editou Medida Provisória com R$ 200 milhões para ajudar. Não há o que se cobrar do presidente. O acidente é o mesmo. Cada vez que chover ele tiver que ir à Bahia, como vai fazer? Vai ter que ir em todos os estados?", afirmou Ricardo Barros.

O UOL procurou a Presidência da República sobre as críticas, mas sua assessoria de imprensa não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Outro líder bolsonarista do Congresso, sob reserva, admite que a forma como o presidente lida com a situação hoje pode não ser a melhor para os aliados governistas.

Em sua avaliação, Bolsonaro nem sempre capitaliza como poderia em cima das atividades do governo federal. "Quando ele aparece, geralmente, a gente fica até com medo, porque faz coisa controversa. A gente pode não concordar, mas ele é diferente."

Porém, o líder também segue as argumentações de Ricardo Barros. Ele defende as ações tomadas pelo governo federal, como o apoio dado pelas Forças Armadas e a Medida Provisória de R$ 200 milhões para a recuperação de rodovias de Bahia, Amazonas, Minas Gerais, Pará e São Paulo.

O Ministério da Defesa informou que a Marinha está transportando bombeiros e cestas básicas aos desabrigados, por exemplo. As Forças Armadas também atuam no transporte de água potável, remédios, equipes médicas, roupas e produtos de higiene, fora a desobstrução de vias interditadas pelos temporais, completou.

Hoje, o ministério disse que o Exército resgatou indígenas da aldeia Caramuru, então ilhados no município de Pau Brasil.

Um dos principais deputados federais bolsonaristas, Carlos Jordy (PSL-RJ) escreveu hoje no Twitter que "não importa o que ele [Bolsonaro] faça".

"Mesmo que esteja fazendo o certo, presidente Bolsonaro sempre será criticado pelos agentes do caos!", completou junto a um vídeo do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, com fala no mesmo sentido de que Bolsonaro é criticado por qualquer ação tomada

Bolsonaro postou hoje, nas redes sociais, vídeos de um helicóptero com mantimentos e de mais um passeio de moto aquática.

A primeira postagem, realizada no Twitter nesta manhã, foi da aeronave com ajuda. As imagens têm duração de 11 segundos e não detalham onde a gravação foi feita nem quando.

No texto, Bolsonaro também diz: "Continuamos na Bahia". E acrescenta que informações são "atualizadas constantemente". Em seguida, marcou uma série de perfis de ministérios e ministros, além das Forças Armadas, da Caixa Econômica Federal e da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

Mais tarde, pouco depois das 13h30, Bolsonaro publicou um novo vídeo, no Facebook, em que aparece pilotando uma moto aquática acompanhado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e da filha do casal, Laura.

Por se recusar a interromper o recesso para acompanhar mais de perto a situação na Bahia, Bolsonaro é criticado nas redes sociais e tem sido alvo de membros da oposição, que consideram "falta de empatia" a atitude do presidente. Além disso, políticos baianos reclamam do volume de recursos liberado pelo governo federal para o enfrentamento do desastre.

Deputado aliado ao presidenciável Ciro Gomes (PDT), Félix Mendonça Jr (PDT-BA) avalia que o presidente Bolsonaro deveria ter dado mais atenção à Bahia.

"Tudo bem, ele mandou ministros, mas, num momento desses, é bom ter o presidente da República, quem vai tomar as decisões mesmo, presente vendo o problema. Nisso ele faltou para com a Bahia", afirmou.

Vitoria Rocha, 81, segura a foto dos pais após encontrá-la nos escombros da casa onde morou por quase 40 anos que foi destruída por enchentes, em Itambé, Bahia Imagem: Amanda Perobelli/Reuters

Do mesmo jeito que governistas criticam uma suposta politização da tragédia na Bahia para críticas a Bolsonaro, Mendonça diz que o governo de Rui Costa está sendo alvejado por prefeitos de oposição à gestão estadual. Ainda assim, admite que "essa questão política atrapalha muito".

"As pessoas devem esquecer por um momento que são adversários. As eleições vão acontecer em outubro do próximo ano, não agora", afirmou.

Parlamentares baianos conversaram ontem com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), em busca de agilizar o acesso a recursos para mitigar danos causados pelas enchentes no estado.

A criação de um fundo emergencial para assistência em casos de catástrofes foi discutida, mas o entendimento atual é de que qualquer votação de proposta no Congresso Nacional só acontecerá no retorno do recesso parlamentar.

Em entrevista ao UOL News ontem, o senador Otto Alencar (PSD-BA), ex-integrante da CPI da Covid, criticou a continuidade das férias do presidente Bolsonaro e disse que o mandatário tem "fugido dos problemas" do país.

"Não é coisa para quem é presidente da República, com responsabilidade, deixar de estar presente no estado, tomando providência junto com o governador", afirmou.

_________________________________________________Freixo defende Alckmin como vice de Lula: "É completamente diferente de Temer"


Freixo defende Alckmin como vice de Lula: “É completamente diferente de Temer”

"Se não elegermos Lula e não ganharmos no Rio, situação será delicada em 2022", afirma o deputado federal, que foi para o PSB em busca de uma aliança maior com o campo progressista e democrático

Por Carolina Fortes 29 dez 2021 - 13:44

Geraldo Alckmin e Marcelo Freixo (Foto: Reprodução/Redes Sociais).

Pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSB-RJ) afirmou que “defende abertamente” que Geraldo Alckmin seja vice na chapa de Lula (PT). “Precisamos entender que 2022 não será como 2002. Temos um desafio de vencer a eleição e conseguir governar o Brasil”, disse o deputado federal em entrevista ao Fórum Onze e Meia nesta quarta-feira (29).

Segundo ele, as principais dificuldades serão “o bolsonarismo pós-Bolsonaro” e o apoio do Congresso, já que não há garantias de que os deputados e senadores eleitos ajudarão uma governança progressista, democrática e republicana.

Freixo ressaltou, ainda, que, apesar de Alckmin ser uma pessoa conservadora, ele é “íntegro, correto e completamente diferente de Michel Temer“, que articulou o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT).

“Em termos de estratégia, trazer a terceira via para dentro da primeira possibilita uma vitória mais consolidada, quem sabe no primeiro turno, o que seria ideal, na minha opinião”, disse o parlamentar.

“Alckmin é completamente diferente de Temer, não tem o mesmo perfil, longe disso. Acho que os partidos vão ter essa compreensão. Se você me perguntar a chapa que eu adoraria, poderia citar cinco, seis, que não teríamos nenhuma polêmica, mas precisamos derrotar o bolsonarismo”, continuou Freixo.

“O ano de 2022 é o mais importante da nossa vida. Se a gente não eleger Lula presidente e não ganhar o governo do Rio, teremos uma situação muito complicada. Nem o Rio nem o Brasil suportam mais quatro anos nessa situação de tamanha decadência”, afirmou.

O deputado defendeu, ainda, a aliança com o PT e ressaltou que a grande governança de Lula virá dos governadores que forem eleitos nos Estados chave, incluindo o Rio. “Eu sou um desses preocupados com o excesso de otimismo de alguns, vai ser uma eleição difícil”, pontuou.

“Nós montamos uma coordenação de pré-campanha onde o PT está desde o início na figura de seu presidente. Vemos um entusiasmo e uma mobilização muito grande da base petista, que eu tenho muito respeito. (…) Desde o início o Lula foi muito correto em dizer que quer aliança com o PSB, não tem sentido fazer aliança com candidato que está atrás na pesquisa sendo que quem está na frente permite esse diálogo”, completou Freixo.


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