O PROJETO de PODER dos MILITARES para as ELEIÇÕES_2022 e ALÉM _____________________________________________________________________*

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_________________________________________________O PROJETO de PODER dos MILITARES para as ELEIÇÕES 2022 e ALÉM - Marcus Atalla _________________________________________________Os MILITARES usam o mesmo TRUQUE_DISRUPTIVO e os brasileiros CAEM NOVAMENTE - Marcus Atalla _________________________________________________Leia ÍNTEGRA da ENTREVISTA de LULA para SITES INDEPENDENTES 

22 de janeiro de 2022, 14:07

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22 de janeiro de 2022, 14:07

Site do Lula - Leia a íntegra da entrevista que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu na última quarta-feira (19), em São Paulo, para sites independentes. 

Participaram do encontro os sites Blog da Cidadania, Brasil 247, DCM (Diário do Centro do Mundo), Jornal GGN, Jornalistas Livres, Revista Fórum, RBA (Rede Brasil Atual) e Tutaméia. 

A íntegra da entrevista:

Mediador:Bom dia a todos, estamos começando aqui a coletiva do presidente com sites da mídia independente. Todos estamos aqui com distanciamento e vacinados. A gente vai começar a entrevista com uma abertura do presidente, depois a gente vai encaminhar para as perguntas. Presidente.

Luiz Inácio Lula da Silva: Bem, companheiros e companheiras, eu não quero considerar isso aqui uma entrevista tradicional. Eu quero considerar isso aqui uma conversa muito verdadeira entre as pessoas mais significativas da chamada imprensa alternativa nesse país, as pessoas que têm lutado para restabelecer o processo de democracia nesse país, as pessoas que têm denunciado constantemente o descalabro do que está acontecendo no Brasil. Então, eu acho que vocês devem considerar isso aqui uma conversa em que vocês terão que ser os mais francos possíveis nas perguntas. Não existe veto, não existe censura, não tem pergunta ruim, o que pode ter é resposta não satisfatória, mas isso faz parte das conversas que se tem. 

Eu queria começar dizendo para vocês que depois de toda a nossa participação no processo de reconstrução democrática desse país durante os anos 70, os anos 80, depois das Diretas, depois da Constituinte, depois da eleição do primeiro presidente, depois do Golpe Militar, eu não imaginava que a gente tivesse um retrocesso político na questão da democracia, na questão dos direitos humanos, na questão dos direitos dos trabalhadores, na questão dos valores de uma sociedade como a gente está tendo agora. Não imaginava. 

Eu não conseguia imaginar que fosse possível um país que foi capaz de realizar a Campanha das Diretas, um país que foi capaz de se tornar protagonista internacional, que em 2008 e 2009 alcançou um patamar de sexta ou sétima economia mundial, um país que passou a ser respeitado e, pela primeira vez, o Brasil não só participou da construção do G20, como foi convidado a participar do G8, junto com a China, com a Índia e com a África do Sul, eu não imaginava que a gente pudesse retroceder tanto. 

Hoje o Brasil é tratado como se fosse pária na política internacional, ninguém quer vir aqui, ninguém tem prazer em receber o presidente do Brasil, porque ele não fala em democracia, não representa a democracia. Ele representa fake news, representa uma coisa que a gente não estava habituado a ver na história política do mundo e que começou muito fortemente com o Trump, nos Estados Unidos, contando 11 mentiras por dia. 

O Bolsonaro, segundo a imprensa, tem contado em média sete mentiras por dia. Um presidente que não tem preocupação de falar com a imprensa, tudo que ele fala é dentro de quatro paredes, transmitido pelas suas redes para ele falar o que ele quiser sem ser questionado. Um presidente que montou um governo que não tem nenhuma preocupação em responder às ansiedades do povo brasileiro, as ansiedades da sociedade brasileira com emprego, com saúde, com estudo, com cultura. Ou seja, um presidente que não respeita os valores elementares da democracia, não respeita negro, não respeita sindicalista, não respeita os pequenos produtores rurais, não respeita a preservação ambiental, não respeita relação internacional, não respeita as 620 mil vítimas do Covid-19. Você não vê um gesto dele de carinho com as pessoas que sofreram com Covid. Um presidente que tem que ser responsabilizado em algum momento da história, pelo menos pela metade das pessoas que morreram, mortes que poderiam ter sido evitadas, se o Brasil tivesse agido de forma civilizada. Se o presidente tivesse agido de forma minimamente democrática e humanista, se tivesse ouvido a ciência, se tivesse ouvido a medicina, se tivesse ouvido os governadores, se tivesse ouvido os secretários de saúde, se tivesse ouvido a Organização Mundial da Saúde, certamente, a gente não teria o desastre que nós tivemos com a pandemia no nosso país. 

Obviamente, que todos nós sabemos que não é um governo que vai conseguir acabar com a pandemia, o papel do governo é organizar a sociedade com aquilo que ela tem de especialidade, com aquilo que ela tem de acúmulo de conhecimento científico, para que ela possa minimizar o sofrimento causado por uma pandemia, que é mundial. E ele fez questão de destratar tudo aquilo que era possível ser feito, inclusive na escolha dos seus ministros da Saúde. Eu nunca vi gente para tratar a doença, para tratar do sofrimento dos outros, para tratar inclusive com crianças, eu nunca vi gente com tanto descalabro, com tanta falta de humanismo, com tanta falta de afeto, como a gente viu nesses últimos dias. Ou seja, você falar de fazer uma consulta para saber se vai dar vacina para as crianças é uma coisa tão absurda, num país que é um país que se tornou respeitado no mundo pela cultura de vacinação que nós aplicamos nesse país, abolindo várias doenças que agora começam a voltar. 

Então, esse é um momento muito delicado, além do desemprego, além da queda do salário, além do desrespeito às instituições. E depois, uma coisa grave, um presidente que foi eleito dizendo que era preciso abolir a velha política. Eu não conheço na história da República Brasileira, desde Marechal Deodoro da Fonseca, um presidente tão submisso ao Congresso Nacional como está o Bolsonaro hoje. Mas não é submisso a um Congresso Nacional democrático, a um Congresso Nacional que pensa um Brasil desenvolvido, que pensa um Brasil estudado, que pensa um Brasil evoluído, não, é submisso àquilo que tem de mais atrasado na política brasileira, a ponto de subordinar o orçamento, que deve ser dirigido pelo Governo Federal, a um senador eleito por um partido político da base do governo. Isso nunca tinha acontecido no Brasil. 

Eu poderia pegar o Nassif (Luís Nassif, jornalista) aqui, como o mais experiente de todos nós aqui na cobertura da política, para dizer que eu nunca tinha visto no regime presidencialista deputados e senadores terem mais influência nas decisões dos investimentos do Estado do que o Governo Federal. Então, é um descalabro. É um país que está sem governo, é um país que não tem orientação para absolutamente nada, não cuidou do ENEM, não cuidou do SISU, não cuidou do ProUni, não cuidou do REUNI, não cuidou do FIES, não cuidou do crescimento econômico, não cuidou da indústria, não cuidou do comércio, não cuidou das exportações, ou seja, você não sabe para que existe governo. É o primeiro momento na história desse país que você não sabe para  que existe governo. 

Ele não discute nenhum assunto relevante para a sociedade brasileira, a não ser discutir os processos de tentar evitar julgamento e investigação da sua própria família, para tentar evitar o julgamento do resultado da CPI, porque é muito grave o que aconteceu nesse país. Ou seja, então, diante dessa situação que eu estou aqui me colocando à disposição de vocês. Eu tenho dito, embora muitos de vocês não acreditem, que eu ainda não estou candidato a presidente porque eu vou ter que esperar um tempo para tomar essa decisão. Mas, veja, não existe possibilidade de nós não fazermos o sacrifício que for necessário fazer, e o esforço que for necessário fazer, para a gente recuperar a democracia do Brasil. É preciso que a gente recupere a democracia para colocar a desigualdade na ordem do dia como prioridade de um governo, e não colocar como prioridade o teto de gastos. Para a gente colocar uma discussão do compromisso com a evolução social da sociedade brasileira e deixar no segundo plano o compromisso fiscalista do governo, que tudo faz para garantir dinheiro para pagar ao sistema financeiro, e não faz nada para garantir o pagamento da dívida social, que é histórica no nosso país. 

Então, é preciso juntar nesse país as pessoas que querem conversar sobre o Brasil. O Brasil é um país que precisa efetivamente se dar conta de que é plenamente possível melhorar a vida desse povo, é plenamente possível esse povo estudar, é plenamente possível esse povo trabalhar, é plenamente possível esse povo tomar café, almoçar e jantar todo dia. É plenamente possível a gente voltar a fazer o povo acreditar no seu churrasquinho, na sua cervejinha, na sua costelinha, costelinha de porco, costela de gado, quem não comer como a Gleisi (Gleisi Hoffmann, presidente do PT), quem não comer carne, quem for vegetariano, que coma uma bela salada, que coma um bife de soja, mas que, pelo amor de Deus, a gente tem que devolver ao povo brasileiro o prazer das coisas mais elementares que a gente nunca deveria ter perdido. E nós perdemos tudo. 

Então, eu acho que o sistema financeiro vai ter que aprender, quando sentar para conversar com o presidente, a não ficar discutindo apenas os seus interesses. Nós precisamos discutir quem é que está preocupado com os milhões de brasileiros que estão dormindo na rua de forma vergonhosa, coisa que nós tínhamos abolido no nosso governo. A gente vai ter que discutir porque que a massa salarial tem caído tanto nesse país, diminuindo o poder aquisitivo, e por que 74% das famílias estão endividadas. É importante que a gente comece a fazer perguntas para aqueles que sempre fizeram perguntas para a gente. Porque eu já fui candidato muitas vezes, já perdi muitas eleições e já ganhei algumas, e toda vez que a gente vai num debate as pessoas se inscrevem para fazer perguntas: e a dívida fiscal, e a dívida pública interna, e a dívida pública externa, e a taxa de juro? Ou seja, ninguém pergunta como é que está vivendo o povo brasileiro, ninguém pergunta como é que está vivendo o desempregado, ninguém pergunta como é que estão vivendo os milhões e milhões de brasileiros que precisam ter o direito de morar, que está assegurado na Constituição. 

Então, eu quero dizer para vocês que o dia que eu tomar a decisão, só tem sentido eu tomar a decisão, e eu tenho falado para a Gleisi Hoffmann, se eu tiver um compromisso de fé, um compromisso de fé. Eu não posso querer ser presidente da República para resolver o problema do sistema financeiro, para resolver o problema dos empresários, para resolver o problema daqueles que ficaram mais ricos na pandemia. Só tem uma razão de eu ser candidato a presidente da República, é para tentar provar que esse povo pode voltar a ser feliz, que esse povo pode voltar a sonhar com uma escola técnica, que esse povo pode voltar a sonhar com universidade, que esse povo pode sonhar, sabe, de viajar, de ir passear, de ter acesso a coisas interessantes, que esse povo possa olhar um país que não faça desmatamento. Mas não só cuidar do meio ambiente falando da Amazônia, cuidar do meio ambiente falando da qualidade de vida das pessoas da periferia, no esgoto a céu aberto, nas praias poluídas, nas condições de vida que as pessoas vivem na periferia desse país, vivendo em lugares efetivamente desumanizados. 

Então, é essa discussão que nós temos que fazer para a gente definir que país nós vamos querer. E é plenamente possível, e eu acredito nisso, já fizemos isso. Eu sempre cito uma frase que alguns gostam, outros não gostam, mas que a solução para o país não é muito difícil. A gente tem, para solucionar o problema do país, primeiro, colocar o pobre no orçamento e, segundo, colocar o rico no imposto de renda. São duas soluções que podem resolver o problema desse país. E a outra coisa que nós vamos fazer nesse país é fazer com que a sociedade participe das decisões importantes desse país. Vocês estão lembrados que, quando eu fui presidente, nós fizemos 74 Conferências Nacionais. Conferências para discutir tudo, inclusive a conferência para discutir a questão da regulação dos meios de comunicação. Nada foi feito da cabeça do presidente ou do ministro da Comunicação, ou de um ministro, tudo era discutido, de LGBT a questão do sindicato, a questão da estrutura sindical.

Então, é plenamente possível a gente reconstruir uma convivência pacífica na diversidade. Ninguém quer ser unanimidade, ninguém quer ser o dono da verdade, porque não tem mágica para governar esse país. Esse país precisa de seriedade, esse país precisa de alguém que converse com o povo, que acredite no povo e que permita que o povo possa ser sujeito da história nas decisões importantes que nós queremos fazer. A gente não precisa ler o Manifesto Comunista, a gente nem precisa ler o Livro Verde do Kadafi, a gente só tem que ler a Constituição Brasileira para saber que tudo que a gente quer está estabelecido na Constituição. 

Então, eu quero que vocês saibam que nós vamos fazer valer aquilo que nós já provamos, aquilo que nós já conquistamos, para que o povo brasileiro volte a ter orgulho de ser brasileiro de verdade, a ter orgulho de gostar da bandeira brasileira. Não como se ele fosse a bandeira de um partido político, porque eu tenho orgulho de dizer para vocês, eu tenho um partido que tem uma bandeira e eu tenho orgulho da bandeira vermelha do PT e da estrela do PT. Isso não diminui o orgulho que eu tenho pela bandeira brasileira, pelos valores da minha pátria, pelo valor da minha nação. O que eu não posso é roubar de 213 milhões de brasileiros o símbolo que é de todos para tentar transformar num símbolo de um partido. Quem tiver partido que crie juízo, faça a música do seu partido, faça uma bandeira do seu partido, faça o manifesto do seu partido, faça um programa do seu partido e diga por que que eles criaram um partido. Eu sei por que eu criei o PT, tenho noção, eles que façam o mesmo. E aí sim a gente vai construir um país democrático com, muita divergência, porque a democracia, como eu digo sempre, não é um pacto de silêncio, a democracia é efetivamente uma sociedade em evolução, em movimento, questionando e brigando, lutando, reivindicando para que ela possa sempre aperfeiçoar a democracia e melhorar a sua condição de vida. Dito isso, eu agora me coloco à disposição de vocês para que vocês exercitem a democracia, questionando o quanto vocês quiserem. Obrigado.

Laura Capriglione – Jornalistas Livres: Bom dia, presidente Lula! Eu não poderia abrir essa rodada de perguntas sem pegar a grande interrogação desse momento. Eu sei que o senhor acabou de dizer que nem sabe se será candidato, o Alckmin (Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo) nem sabemos se será candidato. Mas eu queria perguntar para o senhor, se o senhor, discutindo assim em cima da experiência vivida: o senhor imagina uma chapa do PT para derrotar o Bolsonaro, porque é isso que se trata, a gente tem que derrotar o Bolsonaro como primeira missão. Mas o senhor imagina uma chapa para derrotar o Bolsonaro que o PT lidere e que tenha como vice um cara que fez o massacre do Pinheirinho, um cara que perseguiu professores, o cara que bombardeou os secundaristas, o cara que é o principal responsável pelas chacinas que ocorreram na periferia de São Paulo em 2006. Então, eu queria perguntar para o senhor se, em tese, já que não estamos discutindo nomes, se em tese, o senhor admite uma composição como essa no governo. Eu não estou falando como aliança, aliança a gente faz com todo mundo para derrotar o Bolsonaro, mas, no governo, como vice-presidente.

Luiz Inácio Lula da Silva: Laura, eu sinto que você construiu uma quantidade de defeitos para poder falar do Alckmin. Deixa eu te dizer uma coisa, eu não sei se vocês perceberam que só não tem falado do assunto o Alckmin e eu. Você vê todo mundo falar todo santo dia, você vê todo mundo dar palpite, mas você não vê uma fala minha, uma fala do Alckmin. Por uma razão simples, o Alckmin saiu do PSDB e não se definiu para que partido ele vai. Ele é um homem que não tem partido hoje, e eu não defini a minha candidatura. Então, não pode ter nem candidato nem vice, é o óbvio. Eu queria dizer isso para ficar claro. 

A segunda coisa é o seguinte, eu não sou candidato para ser protagonista, eu sou candidato para ganhar as eleições, e sou candidato para ganhar as eleições no momento em que o Brasil está infinitamente pior do que estava em 2003, quando eu tomei posse, economicamente, politicamente, socialmente, o Congresso está muito, mas muito, muito, muito pior do que o Congresso que eu tomei posse em 2003. 

Ganhar as eleições é mais fácil do que governar, e governar significa que você tem que adquirir possibilidade muito grande de conversar com as pessoas. Por isso é que nós precisamos fazer alianças, por isso é que nós precisamos construir parceria. Eu estive com o governador Alckmin durante quatro anos na presidência, que eu fui, porque o outro período foi o Serra, e a minha relação com o Alckmin, eu não tenho nenhuma divergência da minha relação com o Alckmin e nem com o Serra. Tive uma conversa com os dois extraordinária, sabe, na relação entre os entes federados. 

Nós temos divergências? Temos, por isso, pertencemos a partidos diferentes. Temos visão de mundo diferente? Temos, mas isso não impede que, se for necessário, que você construa a possibilidade das divergências serem colocadas num canto e você colocar as convergências no outro canto para você poder governar. Eu não terei nenhum problema se tiver que fazer uma chapa com o Alckmin para ganhar as eleições e para governar esse país. Só não posso dizer para você que vou fazer porque o Alckmin tem que definir para que partido ele vai. Nós vamos ter que saber se o partido que ele vai está disposto a fazer aliança com o PT, porque nem as nossas alianças mais certas estão fechadas. 

Quem lê a imprensa vê todo dia, parece que está tudo certo entre PT e PSB e daqui a pouco parece que está tudo, sabe, destruído, e daqui a pouco você vê com o PSOL a mesma coisa, e daqui a pouco você vê com o PSD, do Kassab. Então, nós precisamos ter tranquilidade porque o tempo vai se encarregar e o tempo está chegando. Nós temos que definir a questão das federações, nós temos que definir a questão das alianças políticas, e aí quando a gente fizer aliança o partido pode reivindicar vice, pode reivindicar outro cargo. 

Eu só quero te dizer que da minha parte não existe nenhum, nenhum  problema de eu fazer aliança com o Alckmin e ter o Alckmin de vice. Não tenho nenhum problema. Nós vamos construir um programa de interesse da sociedade brasileira, todo mundo sabe o que eu quero para esse país. Não abro mão de que a prioridade é o povo brasileiro, a prioridade é o povo trabalhador, a prioridade é a classe média baixa, a prioridade é o povo que está ,desempregado, aquele chamado descamisado que o Collor falava isso em 1989, essa gente é que tem que ser a nossa prioridade, e eu espero que o Alckmin esteja junto, sendo vice, não sendo vice, sabe, porque me parece que ele se definiu de fazer oposição definitiva não apenas ao Bolsonaro, mas também ao dorismo aqui em São Paulo. 

É importante lembrar que o PSDB, do Dória, não é o PSDB social democrata do Mário Covas, do Fernando Henrique Cardoso, do José Serra, criado no período da Constituinte, no tempo do Franco Montoro. Então, querida Laura, fique tranquila, que na hora que tiver que acontecer, eu terei imenso prazer de marcar uma outra coletiva, se for o Alckmin, trazer o Alckmin aqui, como eu levava o José Alencar junto comigo para mostrar: está aqui a parceria para ganhar as eleições. É preciso ele querer, é preciso saber que partido que ele vai entrar, e é preciso saber a definição do meu partido, se vai querer também que eu seja candidato, porque tudo pode acontecer no PT.

Luis Nassif – Jornal GGN: O presidente tem um teste que a gente fazia com automóveis, mas vale para Supremo, vale para Procuradoria, que é a instituição em situação normal sob voo e sob estresse. Nós já tivemos a experiência do que foi o Supremo sobre estresse, a Procuradoria Geral da República sob estresse. Quando a gente fala no vice-presidente, com todas, o Alckmin tem um conjunto de virtudes aí, é um sujeito de boa índole, mas vamos supor o estresse. O estresse é o seguinte, por alguma razão aí, porque ninguém é invencível ou é eterno, o presidente sai, o senhor deixa a presidência por alguma razão. Ou seja, tem a situação normal que é o Lula indo até o final do governo, o Alckmin seria um vice-presidente tão legal quanto o José Alencar. E uma outra situação, que pode vir a ocorrer, do Lula ter que sair no meio de um governo. O projeto Lula nos transformaria num projeto Fernando Henrique Cardoso? O pessoal que votou nesse projeto Lula… porque a cabeça do Alckmin, um dos pontos de divergência é a questão do mercado, é a questão do modelo Fernando Henrique Cardoso. A vice-presidência não devia ser algum umbilicalmente ligado ao pensamento do presidente?

Luiz Inácio Lula da Silva: Olha, o problema é que quando a gente pensa política às vezes a gente pensa no que a pessoa foi, e a gente tem medo de pensar no que a pessoa vai ser. O ser humano ele é mutante, ele vai se transformando, uns se transformam para pior. Eu vejo muitos comentaristas na televisão brasileira que eram extremistas de esquerda, sabe, há vinte anos atrás e hoje são direitistas, e fazem o julgamento

Luiz Inácio Lula da Silva: Olha, o problema é que quando a gente pensa política às vezes a gente pensa no que a pessoa foi, e a gente tem medo de pensar no que a pessoa vai ser. O ser humano ele é mutante, ele vai se transformando, uns se transformam para pior. Eu vejo muitos comentaristas na televisão brasileira que eram extremistas de esquerda, sabe, há vinte anos atrás e hoje são direitistas, e fazem o julgamento dos outros todo dia. E eu vejo pessoas como Teotônio Vilela, que no Golpe de 64 utilizava metralhadora para atirar em comunistas nas praças de Maceió, e depois virou o símbolo da democracia e dos direitos humanos nesse país. Eu, o que eu posso dizer para você? Quando você é candidato você não, você não sabe o que vai te acontecer. O que eu sei que vai acontecer é com esse país, nós vamos ganhar as eleições com um programa. Esse programa será aprovado pelas forças políticas que vão compor a minha aliança política. 

Quando tomei posse em 2003, a primeira coisa que eu disse foi o seguinte: no nosso governo não tem política de ministros, não é o ministro que decide fazer uma ponte, um viaduto, e muito menos política de deputado, com emenda. No nosso governo a política será definida pelo governo, tudo será de todos. E vai ser assim. Então, veja, como eu acho que não vai me acontecer nada porque eu tenho um compromisso, e acho que Deus vai me ajudar a viver 120 anos, porque já nasceu o cara que vai viver 120 anos e eu fico pensando que pode ser eu… Então, eu não tenho, eu não penso no pior, eu penso no melhor. Eu penso que eu vou ser eleito presidente se eu for candidato, penso que nós vamos governar esse país, e penso que nós vamos recuperar a alma desse país para o povo brasileiro, o orgulho de ser brasileiro. E obviamente que o vice estará, como esteve o José Alencar. 

O José Alencar eu vou contar para vocês uma pequena história, para ninguém ter dúvida. Eu fui convidado para ir numa festa de 50 anos de vida empresarial do José Alencar. O José Dirceu foi convidado, telefonaram para o José Dirceu pedindo para ele me convidar. E eu disse textualmente: eu não tenho porquê ir em Minas Gerais na festa de um burguesão como o José Alencar. Eu sabia que ele era um grande empresário, eu falei: `o que eu vou fazer lá?´ Não quis ir. Mas aí me convenceram a ir. Cheguei lá tinha uns vinte senadores, tinha uns dez governadores de estado, e eu estou lá com o nariz torcido: ´o que eu estou fazendo aqui?´ E fala senador e fala… E daqui a pouco vai falar o José Alencar. E o José Alencar começa a contar a vida dele. Quando ele terminou de falar, eu falei para o José Dirceu: `encontrei o meu vice´. Eu não conhecia o José Alencar, encontrei o meu vice. O José Alencar estava disputando uma vaga, me parece que na presidência do Senado ou dentro do PMDB, ele só teve o voto dele, só teve o voto dele. Eu fui conversar com o José Alencar no dia que ele só teve voto dele. Cheguei lá, conversando com o José Alencar e falei: companheiro, é o seguinte, olha, eu vim aqui para te convidar para ser meu vice, tem condição, você ter que sair do PMDB… Porque o PMDB está apoiando outro candidato, eu queria você. Fomos discutir a entrada dele no PL, acertamos a entrada dele no PL, e eu duvido que alguém tenha a sorte de ter o vice que eu tive como o José Alencar. 

Eu espero, eu espero que, se as forças políticas que me apoiam decidirem se o Alckmin é vice, que ele esteja ouvindo o que eu estou falando, porque ele tem que provar que ele vai ter que ser igual ou melhor que o José Alencar. E aí eu estarei muito tranquilo porque o vice tem que ajudar a governar esse país. Tem que ajudar a governar esse país de qualquer jeito, porque esse país não tem mais espaço para brincadeira, não tem mais espaço para aventura. E eu vou me cuidar. Vou me cuidar pedindo para a mãe natureza olhar pelo Lulinha aqui, que eu preciso, eu vou casar com a Janja, como é que eu posso casar e ter um problema? Eu tenho que casar e viver pelo menos uns vinte anos.

Luis Nassif: Mas tem um negócio chamado escritório do crime, milícias, essas coisas.

Luiz Inácio Lula da Silva: Não, eu não trabalho com essa preocupação, mesmo sabendo que ela possa existir. Eu, sinceramente, acho que esse país não tem essa cultura, sabe, a cultura nossa é da mentira, como foi feito com o Getúlio Vargas, como foi feito com o Juscelino Kubitschek, como foi feito com o João Goulart, como a vida inteira foi feita com o Brizola, como foi feito com o Miguel Arraes, como tentaram fazer comigo. Eu tive sorte, a ajuda de vocês, ajuda dos blogueiros desse país, eu tive sorte do povo brasileiro, sabe, que me ajudaram a provar a farsa que foi montada contra mim, em vida, outros não tiveram. Juscelino até hoje paga por um apartamento que nunca foi dele no Rio de Janeiro. E eu, graças a Deus, consegui desmontar, sabe, o canalha que foi o Moro no julgamento dos meus processos, do Dalagnol, a mentira, o fake news, o PowerPoint da quadrilha, tudo isso eu consegui provar, que quadrilha eram eles. 

Então, eu acho que nós temos que estar tranquilos. Eu tenho muito juízo, muito juízo, eu sei da responsabilidade, você sabe, Nassif, que eu sou um cara que eu gosto de conversar com as pessoas, eu gosto de ouvir as pessoas, eu não tomo decisão com 39 graus de febre, ninguém acha que eu tenho que tomar a decisão agora. Eu vou pensar, eu vou conversar, eu vou ouvir e vou decidir. É assim que eu quero governar esse país, ouvir mais o povo brasileiro. Eu não vou, se for candidato, Gleisi, é importante você estar sabendo, eu não quero ser um candidato do PT. O PT é o meu partido, mas eu quero ser candidato de um movimento que esteja disposto a resgatar a decência do povo brasileiro, a dignidade do nosso povo e o direito dele ser feliz e viver dignamente. É esse movimento que vai restabelecer a democracia, é esse o movimento que vai dar um golpe no Bolsonaro. É um golpe na urna, não é um golpe militar, é um golpe na urna. E esse negócio de ele ficar bravo, dizer se não sabe se vai entregar, que não sabe se vai aceitar, que vai ter capitólio. Não, ele calminho, calminho, pode até sair pela porta dos fundos, como o Figueiredo. Mas quem ganhar vai tomar posse e vai presidir esse país. E é isso que eu tenho certeza. E, por isso, eu me preparo. Levanto todo dia seis horas da manhã, faço seis quilômetros todo dia, faço muita musculação, faço muita perna, para poder aguentar a marimba nesse país, e para aguentar a Janjinha também. É isso.

Rodolfo Lucena – Tutaméia: Bom dia, presidente! A minha pergunta: os Estados Unidos apoiaram o Golpe de 64, os Estados Unidos apoiaram o golpe contra a presidenta Dilma, os Estados Unidos apoiaram todo o processo da Lava Jato para tirar o senhor do processo eleitoral em 2018. Como o senhor avalia que os Estados Unidos, e aí eu falo desde o Estado Profundo, CIA, órgãos de segurança, o trumpismo e a Casa Branca mesmo… ontem mesmo a gente conversou com o Frei Beto e ele alertava: a Casa Branca não dorme. Então, eu queria saber como o senhor avalia que os Estados Unidos vão se comportar frente a um processo eleitoral em que, ao julgar por hoje, as chances são de que saia do Planalto o presidente que foi mais submisso, mais subserviente aos Estados Unidos na história do Brasil, e entre um presidente que, como disse o seu biógrafo Fernando Morais, saiu da prisão muito mais anti-imperialista? 

Luiz Inácio Lula da Silva: Veja, eu acho que o Frei Beto cometeu um equívoco. Se ele estiver assistindo, eu queria alertar Beto, que a Casa Branca dorme, quem não dorme é o Pentágono e a CIA. Os presidentes dormem e, de tanto dormir, às vezes acontecem coisas que eles não gostariam que acontecesse. Agora, eu tenho clareza do papel histórico dos Estados Unidos, tenho muito, muito, muito, sabe, compreensão. Agora, eu acho que muitas coisas que acontecem no Brasil dependem menos da ingerência dos Estados Unidos e dependem mais do complexo de vira-lata da elite brasileira. É ela que permite, é ela que muitas vezes chama esses golpes que você citou para dentro do Brasil. Porque é assim historicamente, é assim historicamente. 

Quando se dizia, sabe, que os Estados Unidos tinha participação no Golpe de 64, todo mundo que dizia isso era chamado de conspirador: você acredita em conspiração, você acredita nisso. Aí vem a informação, o telefonema do embaixador americano recebendo ordem do presidente Kennedy para fazer o que tinha que fazer aqui no Brasil. Então, nós temos fita, nós temos vídeo de procurador americano festejando a minha prisão. Nós temos dados e informações do procurador da Suíça, sabe, fazendo toda a canalhice que fez. Eu lembro que eu fui conversar com o embaixador da Suíça e eu falei para ele, sabe, vocês sabem que vocês estiveram envolvidos no meu processo. Ele falou: não, mas ele já foi afastado, ele já foi afastado. Mas significa que tiveram. 

Deixa eu te dizer uma coisa, Rodolfo, eu aprendi desde muito pequeno que quando a gente não se respeita, ninguém respeita a gente. Eu tive uma relação muito, muito, muito séria com o presidente Bush. Vocês já sabem dessa história, dia 10 de dezembro de 2002, eu já eleito presidente da República, fui aos Estados Unidos conversar com o Bush. Primeiro eu fui à Argentina, depois eu fui ao Chile, que eu queria mostrar o meu compromisso com a integração sul-americana. E, quando eu cheguei lá, o Bush passou 40 minutos me convidando para a guerra do Iraque, inclusive dizendo que se o Brasil participasse da guerra o Brasil poderia participar da reconstrução do Iraque. É engraçado, você faz uma guerra para destruir, já pensando que as suas empreiteiras vão reconstruir o país. E eu disse para o Bush a coisa mais simples do mundo: `eu não conheço Saddam Hussein, o Iraque fica a quase 14 mil quilômetros do meu país, ele nunca me fez nada, o meu inimigo é a fome, não é o Saddam Hussein. E eu vou então fazer uma guerra contra a fome do meu país´, e acabou. E nunca perdi a relação de amizade com o Bush, e ele tratou o Brasil muito dignamente. Tratou tão dignamente que nós fomos visitar uma refinaria, e chegamos num posto de gasolina ele estava com o quepe da BR na cabeça, e apareceu um carro da GM para ele tirar foto, ele falou: eu não posso tirar foto perto de produto. E ele estava com o chapéu da BR, eu nem avisei para ele tirar o chapéu da BR porque era importante ele fazer propaganda da nossa BR. 

Mas depois eu tive uma boa, uma boa relação com o Obama. Eu acho que o Obama, ele não foi, não foi tão cortês com o Brasil como foi o Bush na relação comigo. A invasão da Líbia foi decidida e ele estava no Brasil, quando ele recebeu o telefonema para falar com o Sarkozy, com o primeiro-ministro da Inglaterra. Aquela espionagem que ele fez no Brasil, ele teve a sensatez de pedir desculpa para a Angela Merkel, mas não pediu desculpa para a Dilma, sabe. 

Então, o que, como é que eu vou tratar os Estados Unidos? Primeiro eu trato os Estados Unidos com respeito que eu acho que eles merecem, agora, eu quero que eles me tratem com o respeito que o Brasil merece. Eles têm que compreender que o Brasil é o país mais importante da América Latina, é o país maior do ponto de vista da população, é o país maior economicamente, e o Brasil tem interesse em crescer junto com todos os países da América Latina e da América do Sul. E o Brasil pode ser um grande protagonista da América do Sul. O Brasil pode ser um parceiro, porque o Brasil não pode querer crescer sozinho, nós temos que crescer levando junto conosco os nossos parceiros: Argentina, o Chile, Uruguai, Paraguai, o Peru, Equador, Bolívia, sabe, a Colômbia, sabe, os países do Caribe, ou seja, o Brasil tem potencial para isso. 

O que os Estados Unidos precisam aprender é que o Brasil não é serviçal deles, o Brasil é um país soberano, que define a sua política externa, e da mesma forma que o Brasil respeita a política externa dos Estados Unidos nós queremos que eles respeitem a política externa do Brasil. É só isso. É só isso. Nós não somos quintal de ninguém. Isso vale para os Estados Unidos, vale para a China, vale para a Rússia, vale para a Índia, e vale para a Guiné-Bissau, sabe? Respeito é bom, a gente gosta de dar, e a gente gosta de receber. É isso que eu posso falar para os Estados Unidos. A gente não vai aceitar, como eu não aceitei, interferência daquilo. Os Estados Unidos não queriam que eu fosse ao Irã, o Obama não queria que eu fosse ao Irã. A Hilary Clinton ligou para o Emir, do Catar, para que o Emir me convencesse a não ir para o Irã. O Obama ligou para o Medvedev, eu estava em Moscou, quando o Medvedev me falou: olha, o Obama ligou pedindo para mim interferir para que você não vá. Eu falei: eu vou. Ele não quer que eu vá porque ele não acredita que a gente vai conseguir um acordo, e eu acredito. Nós fomos lá, depois de dois dias conseguimos o acordo melhor do que o que eles fizeram depois de nós, bem melhor. Mas a imprensa brasileira, com o complexo de vira-lata, não queria que o Brasil fizesse o acordo porque também para os vira-latas desse país o Brasil não tem que se meter, o Brasil não tem tamanho. 

Eu lembro que eu fui conversar com um embaixador importante do Brasil, e eu fui reclamar porque tiraram o Bustani. O Bustani era embaixador do Brasil e era o diretor da agência que cuidava de armas químicas. E o Bustani dizia que não tinha armas químicas no Iraque. O Clinton pediu para o Fernando Henrique Cardoso tirar o Bustani, e o Fernando Henrique Cardoso tirou o Bustani. Aí escolheram aquele japonês que dizia que o Iraque tinha armas químicas. Ou seja, eu fui dizer para o embaixador porque o Brasil tirou. Ele falou: ah, porque o Brasil não põe dinheiro, só quem põe dinheiro são os americanos, então eles têm que mandar mesmo. Com essa visão, a gente não vai a lugar nenhum. 

Então, é preciso a gente saber se respeitar. Eu reconheço o valor dos Estados Unidos, a importância dos americanos, a importância da China, a importância da Rússia, a importância da Índia, mas reconheço a importância de uma ilha pequena no Caribe, todos têm o direito de ser soberanos, e cada um age de acordo com a sua força. E o Brasil tem muita força, basta ter coragem de utilizá-la. Agora, se o Brasil tiver um presidente que fica batendo continência para a bandeira americana, ou rastejando-se de quatro aos pés de um presidente como o Trump, o Brasil não vai a lugar nenhum.

Mauro Lopes – Brasil 247: Presidente, uma brevíssima consideração: Logo depois do golpe contra a presidenta Dilma, em 2016, os poderosos desse país e as famílias decretaram que todo esse grupo de mídia independente que está aqui estava liquidado. Pouco depois, quando o senhor entrou na cadeia, em abril de 2018, esses mesmos poderosos e sua mídia disseram: Lula está morto politicamente. Hoje eu cheguei aqui, entrei e falei e com o Stuckert: Stuckert, que lugar presidencial esse, bonito, chique, elegante, a gente está aqui, essa mídia independente, e o senhor. Eles perderam. Eles perderam. Eles, o povo brasileiro está aqui, a mídia independente está aqui e o senhor está aqui. Então, eu quero dizer que para mim é um momento de grande emoção e considero um encontro histórico na abertura do ano das eleições desse país. 

Isso posto, queria lhe propor mudar um pouco a agenda da conversa. Eu vou fazer alguns pressupostos e uma pergunta bem concreta. São eles: primeiro, as pessoas negras e as mulheres são as duas grandes maiorias do país, tanto as pessoas negras quanto as mulheres são mais do que 50% do país. Essas mesmas pessoas, segundo as pesquisas de opinião, se o senhor for candidato, deverão garantir a sua vitória. Não há nenhum outro grupo no país, mulheres, negros, e os mais pobres, no qual a proporção de votos, de intenção de voto que o senhor tem, seja maior. É disparado maior. Então deverão garantir a sua vitória, se o senhor for candidato. Os movimentos negros e feministas, mais o movimento indígena e o LGBTQI+ são um polo dinâmico da luta política social e cultural do país, com presença que atravessa inclusive o movimento sindical, Movimento dos Sem Terra e todos os movimentos sociais do país. O PT tem a luta contra o racismo e contra o sexismo e o patriarcalismo como centrais em seu o programa, e na discussão de suas lideranças mais expressivas, como o senhor, Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad e tantos outros. Em que pese tudo isso, os governos do PT deixaram muito a desejar em relação à presença das mulheres e das pessoas negras nos seus governos, tanto nos governos, nos dois governos Lula, como nos governos Dilma. Nos seus dois governos, presidentes, houve 99 pessoas que passaram pelo ministério, apenas 10 eram mulheres, dessas apenas 3 eram mulheres negras. Apenas 7 homens negros, 82 eram homens brancos, 81% dos seus ministros e ministras. As pessoas negras e as mulheres foram objeto efetivo dos programas de seu governo, mas foram pouco protagonistas na liderança do processo. Nesse momento nós temos uma enxurrada de mulheres e homens negros que foram formados pelas políticas de cotas dos governos do PT, mestres e doutores, e a gente tem ao mesmo tempo uma tendência na esquerda mais contemporânea que acontece, por exemplo, na Alemanha, Olaf Scholz, o senhor deverá ter como parceiro na arena internacional, assumiu o governo alemão com a promessa e cumpriu a promessa de paridade de gênero, lá são 8 ministros homens, 8 ministros mulheres. Boric, aqui no Chile, já se comprometeu a um governo paritário com mulheres. Na Bolívia as mulheres ocupam 56% do Senado. O México aprovou uma lei que garante paridade de gênero em todas as esferas de poder, Executivo, Legislativo e Judiciário. 

O senhor está pronto a se alinhar com essa tendência e assumir um governo, se o senhor for candidato e vencer as eleições, com o compromisso de paridade de gênero e raça? A minha pergunta é, eu não estou perguntando uma adesão a ideia, é uma pergunta concreta: o senhor terá paridade total de gênero e raça no seu governo, ou pode assumir conosco aqui um compromisso pelo menos de percentuais mínimos de presença de pessoas negras e mulheres no seu ministério?

Luiz Inácio Lula da Silva: Mauro, primeiro obrigado pela pergunta. Eu acho que essa é uma das razões que eu dizia em 2018 que gostaria de voltar à presidência da República, porque era preciso a gente fazer coisas que a gente não tinha feito. Veja, eu acho que, quando eu ganhei as eleições de 2003, é preciso que a gente veja o momento histórico para a gente não menosprezar as coisas grandes que foram feitas. Não pense que foi fácil criar o Ministério da Igualdade Racial, não é uma coisa simples num país que foi o último a abolir a escravidão, o último a fazer a independência, o último a garantir o direito de voto das mulheres, o último a ter uma universidade. Ou seja, nós somos um país que tem um acúmulo de retrocesso e de atraso nos avanços sociais, e nós pagamos um preço por isso. Graças a Deus, eu faço parte de um partido político que tudo no partido político é paritário hoje, tudo no PT, tudo, sabe. 

É importante você lembrar que avanços importantes, inclusive a candidatura de mulheres hoje, ela é paritária, a candidatura de mulher tem, inclusive, aporte de verbas, sabe, necessária para a gente alavancar o atraso a que a gente foi submetido. Eu acho que nós caminhamos para ver, em algum momento da história desse país, uma maioria de mulheres mandando. Porque quando você fala que só teve isso de negro e de mulher você esquece de falar que foi no nosso governo que pela primeira vez uma mulher virou presidenta da República desse país e não uma mulher qualquer, uma mulher que aos 20 anos de idade tinha sido presa, condenada, torturada, sabe, e dada como morta para a política. E ela virou presidente da República. Então, isso foi um gesto revolucionário muito grande. E também no governo da Dilma não teve a quantidade de mulheres que a gente poderia ter. O que eu posso te dizer? Eu não posso numa entrevista coletiva falar cota ou falar números, mas eu posso te dizer que hoje os partidos políticos sabem, trabalham com a ideia de que as mulheres terão que ter uma participação muito mais forte dentro do partido, nas bancadas dos partidos e dentro dos governos, como, sobretudo, o povo, o movimento negro, como a questão dos indígenas. 

A sociedade está caminhando e o PT é um dos partidos que puxa essa discussão internamente, para que a gente possa fazer um governo efetivamente, que respeite a densidade da sociedade brasileira tal como ela é. As mulheres são tão ou mais qualificadas do que os homens em muitas coisas. Aliás, eu acho que algumas coisas as mulheres têm muito mais coragem do que os homens para fazer, sabe, e eu acho que primeiro nós temos que ganhar as eleições. Você está lembrado que tem gente que quer que eu já indique quem é o meu guru econômico, tem gente que quer que eu indique o meu vice, tem gente que quer que eu indique quem vai ser o meu ministro da Justiça, tudo isso vai acontecer no tempo certo. 

Eu aprendi em 85, com a campanha do Fernando Henrique Cardoso, que a gente não senta na cadeira antes do tempo que dá azar. Eu não ganhei nada ainda, e essa força que vai ser o meu governo, ela vai ser demonstrada na campanha. Porque na campanha nós vamos querer uma participação bastante paritária, senão em alguns casos até majoritariamente, pessoas que não participavam muito da vida política desse país. Porque nós vamos montar muitos comitês, nós vamos fazer muitos grupos para criar um programa, e eu vou reeditar as Conferências Nacionais para elaboração das políticas públicas e vou remontar, sabe, o chamado, Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, muito mais paritário agora, muito mais representativo da sociedade brasileira, sabe. Então, você continue escrevendo que você vai ter muita surpresa com o que vai acontecer nesse país, até porque eu volto, se disputar as eleições, com uma consciência de que um governo, o presidente da República não pode tudo, sabe. 

Eu dizia que quando me perguntavam qual era o grande feito meu no meu governo eu dizia: o grande feito meu não foi uma obra, foi o povo ter descoberto que ele fazia parte do governo, foi a inclusão do povo nas decisões. E agora eu acho que nós precisamos transformar o povo, sabe, em sujeito da história. Esse país não é meu, esse país não é teu, esse país é nosso. Então, é esse nosso que envolve negros, índios, desempregados, empregados, gente que mora na periferia, o povo na rua, o catador de material reciclável, é esse povo, sabe, que tem que ajudar a dizer que país nós queremos ser. Não é apenas a Avenida Faria Lima, não é apenas a Bolsa de Valores. Eles também serão ouvidos, mas eles têm que aprender que tem outros setores importantes para decidir que tipo de Brasil nós vamos querer. Essa é uma das razões pelas quais eu posso ser candidato, que eu quero provar que é possível exercer a democracia na sua plenitude, respeitando a totalidade da sociedade brasileira. 

Só dizer para vocês o seguinte, eu acho que nós ainda não vencemos. Nós, você, disse na sua pergunta que eles pensavam que a gente estava morto e estamos nós aqui. Não, nós ainda não vencemos, porque o vencer que você pensa e o vencer que eu acho que você pensa, é um vencer que além de ganhar uma eleição nós temos que aprimorar as instituições nesse país. As instituições nesse país ainda elas são compostas pela, eu diria, pela que plutocracia que fez a proclamação da República, ainda do tempo do Império, quem são os desembargadores, quem são os juízes, quem são procuradores, quem são… sabe, essa gente da casta do aparelho de Estado é gente muito sofisticada, ainda não tem ninguém do ProUni, ainda não tem ninguém das cotas, sabe. E quando essa gente estiver participando das instituições, a gente pode ter certeza de que a democracia está se consolidando de forma definitiva no Brasil. 

Paulo Donizete – Rede Brasil Atual: Bom dia a todos, bom dia presidente! Eu queria destacar que eu falo também em nome do coletivo que tem a TVT, a Rádio Brasil Atual, e a parceria do Brasil de Fato. Presidente, acho que nunca antes na história desse país ficou tão evidente o papel da ciência, diante da tragédia que tem sido o combate à pandemia. Então, acho que nunca se deu tanta importância ao valor que tem a ciência para a construção de uma humanidade mais civilizada. Essa mesma ciência, presidente, ela também tem afirmado ao longo dos anos que o nosso modo de produção industrial de bens de consumo ele está sendo letal para o planeta, o aquecimento global, o mau uso dos recursos naturais, a emissão de gases de efeito estufa, o uso da tecnologia como forma de ampliação do lucro, ao invés de melhorar as condições de trabalho e de vida de quem produz. Então, é uma infinidade de mudanças que seriam necessárias para que o nosso modo de produção e o nosso modo de consumo fosse revigorado. 

Então, levando em conta que o senhor também ainda não confirmou a sua candidatura, mas estamos aqui falando também com um possível candidato e um possível presidente, eu gostaria de saber se o senhor e o campo progressista que o acompanha, estão se preparando para apresentar para o mundo, para liderar ou para participar de maneira protagonista na construção de um novo modelo de produção industrial, principalmente. Hoje em dia, por exemplo, quem consegue comprar um carro elétrico é 1%, 99% não consegue nem sonhar com isso. Então, eu pergunto, até porque em termos de política industrial, e todos os economistas desenvolvimentistas falam que é preciso uma política industrial nacional forte para o país se desenvolver, já que vamos começar do zero, já que ela está destruída, há muitos anos ela vem sendo destruída, em parte também por esse sistema de financeirização da economia, eu gostaria de saber se o senhor está preocupado em se preparar, em preparar o país para já que vai reconstruir, reconstruir a partir de um novo modelo mais humano e mais sustentável.

Luiz Inácio Lula da Silva: Paulo, eu tenho a seguinte consciência, o Brasil precisa pensar em recuperar a sua capacidade industrial. A indústria já representou no Brasil 30% do PIB, e hoje a indústria representa de 10% a 11% do PIB, ou seja, significa que a nossa indústria desapareceu. E ela desapareceu porque as pessoas quiseram que ela desaparecesse, ou seja, tanto as multinacionais começaram afundando as nossas empresas de autopeças, quanto os nossos grandes empresários, a gente tinha empresário nacionalista, pessoa de envergadura, que era respeitada. Eu lembro sempre uma pessoa que não gostava de mim, o Antônio Ermírio de Moraes, mas eu nunca deixei de reconhecê-lo como um grande empresário brasileiro, um cara como uma visão nacionalista, com uma visão de soberania da indústria nacional. Os Villares, os Mindlin, os Bardella, ou seja, eram um conjunto de empresários que pensava o Brasil, não deixavam de ser atrasados na relação com os trabalhadores. Eu lembro que o Antônio Ermírio de Moraes, nós fomos fazer uma greve na fábrica química dele lá em São Miguel Paulista, e nós fomos pedir Comissão de Fábrica, que nós tínhamos conseguido já na Volkswagen, e ele disse: na minha fábrica ninguém vai mandar. E nós fomos e ele não aceitou fazer a Comissão de Fábrica. Mas embora eu tenha essa discordância com a visão do mundo, do trabalho dele, da relação com o sindicato, eles tinham uma noção nacional, sabe, e isso acabou. 

Isso, quando eu vejo os empresários brasileiros é o velho da Havan, sabe, o que é uma tristeza para o nosso país, ainda vendendo produto chinês, não é nem produto brasileiro. Então, eu acho que nós temos que pensar, em que nicho de indústria a gente vai apostar para que esse país possa voltar a ser industrializado. Porque, nós perdemos a era da indústria automobilística, nós somos o único país que está entre as dez economias maiores do mundo que não tem uma indústria automobilística. Nós poderíamos ter tido, mas não quisemos ter, ou não deixaram que a gente tivesse. Como não queriam deixar, em 53, que a gente tivesse petróleo, porque era melhor, diziam na época, importar dos Estados Unidos. É só pegar o editorial do Jornal O Estadão da época. Você pensa que o Estado é conservador agora que ele está pequenininho? Não, ele era conservador na época já, em 53. 

Então, nós temos que pensar, nós estamos discutindo isso dentro da Fundação Professor Abramo, nós temos o NAPP, o Núcleo para discutir política industrial, nós temos que definir que nicho de política industrial a gente vai querer, que tipo de indústria a gente quer fazer crescer. Nós temos plataforma, sabe, de algumas coisas que nós precisamos crescer. O Brasil é um país que era o terceiro produtor de avião do mundo, a terceira indústria de aviação do mundo era brasileira, a Embraer, que embora a aviônica fosse importada dos Estados Unidos, mas a gente tinha uma participação no mercado respeitável. O Brasil pode voltar, apesar da Embraer já ter voltado, porque a Boeing devolveu, mas o Brasil pode escolher algumas coisas, sobretudo agora que nós estamos praticamente na América Latina e na Europa quase que começando do zero.

Porque nessa nova indústria da inteligência artificial, nessa famosa indústria digital, nessa famosa indústria de dados, que todo mundo fala e ninguém sabe o que é ainda, a China e os Estados Unidos detém 90% desse mercado. A Europa e a América Latina tem 10% só. Como é que a gente vai entrar nisso? Você veja a confusão que deu só pelo fato de eu ter dito: está na hora do movimento sindical começar a ficar atento às mudanças trabalhistas que estão acontecendo na Espanha. Você viu que houve uma gritaria. É por isso que nós fomos o último país a abolir a escravidão, sabe. E ainda quando se aboliu a escravidão, os donos dos escravos queriam que o Estado pagasse indenização. Então, essas pessoas não se dão conta que não há democracia sólida se a sociedade não estiver bem estruturada do ponto de vista organizacional. Isso acontece na indústria que paga um salário, sabe, mais importante, que tem mais valor agregado. 

Bem, eu te confesso que o único desafio que cabe a mim nesse instante, que sou um leigo em muitas das coisas ,é envolver as universidades, envolver os empresários e o Estado para que a gente discuta o que fazer. Eu, no tempo que eu era presidente, nós criamos no BNDES vários núcleos para discutir inovação industrial. Essas coisas estão dando muito pouco, porque os empresários brasileiros não investem em inovação, não investem em pesquisa, quem investia em pesquisa era a Petrobras. Era Petrobras, era o Estado que investia, porque eles não investem. Então, nós precisamos, primeiro, fazer uma grande discussão com a sociedade brasileira, o que nós entendemos por uma nova política industrial, qual é o mercado que a gente pode entrar, o que a gente pode estruturar. E aí eu tenho consciência que se a gente pegar, sabe, os cientistas brasileiros, pegar as nossas universidades, pegar os nossos empresários, os mais jovens e mais modernos, e pegar o agente que tem o governo, a gente pode apresentar. 

Eu lembro que no governo da Dilma, Aloizio Mercadante era ministro da Ciência e Tecnologia, eu lembro que foi apresentado uma plataforma de dez tipos de indústria que a gente poderia começar a desenvolver no Brasil. E nós temos que fazer isso tendo consciência que ninguém vai nos ajudar, é nós, é a nossa inteligência e os nossos interesses soberanos, para a gente discutir claramente como é que a gente pode criar um novo mundo. Uma coisa que está certa, Paulo, o seguinte: todo mundo fala que o mundo tem que mudar, mas todo mundo continua fazendo a mesma coisa. Todo mundo fala que tem que mudar, mas quando você pega a imprensa você lê que tem pouca gente que ficou duas vezes, três vezes, até dez vezes mais rico na pandemia, e os pobres do mundo inteiro continuam sem ter acesso a vacina, sabe. A gente nem recebe informações de como está a pandemia na maioria dos países africanos. 

Então, eu acho que nós temos que construir um outro mundo. Por isso eu queria lhe dizer uma coisa que eu defendi no Congresso em Genebra, no Parlamento Europeu: nós precisamos rediscutir uma nova governança mundial. A gente não vai resolver a questão ambiental, se a gente deixar por conta do Estado Nacional. Porque quando você aprova coisa numa conferência para discutir meio ambiente, essa coisa volta para dentro dos estados para eles aprovarem, e normalmente os Congressos não aprovam. Você sabe que eu era presidente, em 2008, a União Europeia tinha decidido que em 2020 todos os carros europeus teriam no mínimo 10% de etanol ou de biodiesel. O que aconteceu? Nada. Nada, não introduziram. Portugal queria 20%, o Japão queria ter 3% de biodiesel e de etanol na sua gasolina, não fizeram nada. 

É preciso que a gente tenha uma governança, que a gente tenha uma ONU rejuvenescida, renovada, mais representativa da geopolítica atual, com determinados poderes que algumas coisas, sobretudo, na questão ambiental e na questão da paz, tem que ter uma decisão coletiva e não uma decisão unilateral. É preciso acabar com o poder de veto na ONU, é preciso acabar com o poder dos Estados Unidos não respeitar nenhuma decisão. Ou seja, a mesma ONU que em 48 construiu o estado de Israel, não tem coragem de construir o estado palestino. Então, é preciso ter uma nova governança. Por que o Brasil não está no Conselho da ONU? Por que a Argentina não está? Por que o México não está? Por que a Índia não está? Por que a Alemanha não está? Por que o Japão não está? Por que o Egito não está? Por que a Nigéria não está? Por que a África do Sul não está? Ora, a Segunda Guerra Mundial já faz muito tempo, ou seja, de 45 até 2020, já são 75 anos, sabe, é preciso que a gente, tem coisa que a gente tem que mudar para a gente pensar um novo mundo. 

Que tipo de indústria a gente vai querer desenvolver, como a gente vai cuidar do meio ambiente, como a gente vai cuidar das nossas riquezas minerais, da nossa água, da nossa floresta, sabe, isso tem que ser uma discussão que envolva além das nossas fronteiras, que envolva o mundo. Para que cada um cumpra com a sua função. E hoje não dá, hoje o que eu vejo são os países ricos dizerem que os pobres tem que fazer um fundo, que eles tem dinheiro para financiar um fundo, sabe. O pobre quer se desenvolver. Ninguém quer que a Amazônia seja transformada num santuário da humanidade, as pessoas que moram na Amazônia querem ter acesso a bens materiais, querem produzir. É possível utilizar a riqueza da biodiversidade da Amazônia para desenvolver a Amazônia? É. Então, nós temos que investir em pesquisa. 

Nós temos que fazer parcerias como nós fizemos no meu governo com aquele fundo da Alemanha e com a Noruega. É possível fazer, é possível a gente utilizar riqueza daquele ecossistema para a gente ganhar dinheiro para desenvolver o Brasil. Agora, é preciso ter um governo que queira fazer isso, e é preciso envolver a sociedade. A gente tem que pensar nisso e pensar como melhorar a vida do povo na cidade. Porque tem muita gente que fala de meio ambientes pensando apenas na floresta amazônica, e é preciso pensar no esgoto a céu aberto na periferia de São Paulo, nos dejetos a céu aberto, é preciso pensar nas condições de moradia, sabe, tudo isso nós temos que pensar. Esse é o novo Brasil que eu acho que a gente pode construir. 

E é por isso, Paulo, que eu quero dizer para você que se depender da minha vontade nunca a sociedade brasileira foi tão convidada a participar das decisões como será convidado agora. Porque eu tenho 76 anos de idade, se eu ganhar as eleições, vou estar com 77, e eu preciso dar a esse povo a oportunidade dele dizer o que ele quer desse país. Ele não pode receber da mão dos burocratas desse país o Brasil que ele quer, ele tem que construir. E eu peço forças a Deus para poder ter forças para juntar essa gente e dizer que país nós queremos, que agricultura nós queremos. 

As pessoas tem que aprender que você pode criar gado, que você pode plantar soja, que você pode plantar milho, sem degradar o meio ambiente. É possível você utilizar a quantidade de pesticida que você utiliza. Para isso a ciência evolui. Agora, o que nós estamos é refém das grandes empresas que produzem esses venenos. Então, nós temos que lutar contra isso. Você veja o que nós perdemos depois que teve o golpe da Dilma. Você lembra a quantidade de veneno que foi autorizado a jogar na agricultura brasileira depois que houve o golpe da Dilma, sabe. Então, restabelecer isso, meu caro, significa a gente inclusive fazer um chamamento aos empresários que têm consciência, de que eles não vão progredir muito de vender os seus produtos no exterior se eles não tiverem preocupados com a questão ambiental. Essa tese de que vamos abrir a cerca para o gado passar não será predominante no meu governo. Não será predominante. 

E nós vamos ter que envolver a ciência para provar que a gente pode, como a Embrapa provou durante muito tempo, que a gente pode ter uma agricultura mais sadia, uma indústria mais limpa, menos poluente do que nós tivemos até agora. Não é o desafio de um presidente, é o desafio de uma sociedade, sabe. Esse é um debate que a gente tem que envolver a sociedade para ela participar, para ela saber o que ela quer. A gente pensa que as pessoas não sabem das coisas, não é? Esses dias eu fui num evento de catadores de materiais recicláveis em Brasília. Chego lá, me deparo com uma senhora de 37 anos, 7 filhos, 7 filhos. Quando me falaram, a doutora, a dona fulana de tal tem 7 filhos, ela é catadora há 14 anos, eu falei coitadinha. Coitadinha uma ova! Ela está terminando o curso de Direito. 

Então, eu fico perguntando, um país que é capaz de produzir uma catadora de papel que tem 7 filhos aos 37 anos e está se formando em Direito para defender o seu povo, nós vamos ter medo do quê? Nós temos que incentivar mais gente, sabe, mais gente, a ter consciência, como essas pessoas estão tendo consciência. Então, eu sou um cara que quero ouvir a sociedade naquilo que eu vou discutir bastante. Nós não faremos um governo de especialistas, sabe aquele governo, outro especialista, outro especialista, e o povo nunca é especialista de nada. Então, nós queremos ouvir os especialistas em sobrevivência, em condições adversas, que é o povo brasileiro. É isso que vai acontecer no Brasil.

José Cássio – DCM (Diário do Centro do Mundo): Bom dia, presidente.  Bom dia, amigos Presidente, o senhor falou aqui em complexo de vira-latas, depois falou em, na nossa cultura de servidão aos Estados Unidos. O senhor viveu o período da ditadura, o senhor foi vítima dela, contou que o Figueiredo saiu pela porta dos fundos. E agora o que a gente vê é um governo de conotação militar dentro de um ambiente democrático, não é? É um governo eleito, mas que faz a sua gestão sustentada pelo ideal do militarismo, por militares. E o que a gente vê dessa turma que está aí no comando do país é gente como Pazuello, que aprontou o que aprontou lá em Manaus, nós temos o Braga Neto, que dispensa apresentações, o general Heleno, num avião presidencial sob o comando dele foi encontrado cocaína nesse avião, no exterior, temos até um militar, um ministro, Luiz Eduardo Ramos, que foi chamado de Maria Fofoca por um ministro do governo Bolsonaro, Ricardo Salles, para dar um nível da turma que comanda o país aí, do ponto de vista militar. Então, a gente descobre, presidente, que esse pessoal, além de golpista, são entreguistas, e são, para usar um português bem correto, um bando de pangaré. A pergunta que eu quero fazer para o senhor é a seguinte: as Forças Armadas no Brasil são um caso perdido ou tem solução, presidente?

Luiz Inácio Lula da Silva: Olha, nós não podemos julgar as Forças Armadas pelas pessoas que estão no governo Bolsonaro. Eu tive o prazer de conviver com as Forças Armadas durante oito anos. Eu, sinceramente, tive uma relação de recuperação das Forças Armadas Brasileira, sabe, a palavra correta é essa. Eles podem colocar lá nos livros deles que o governo do Lula foi o governo de recuperação das Forças Armadas Brasileiras, dando a ela o mínimo de dignidade para que ela pudesse cumprir aquilo que está garantido na Constituição. As Forças Armadas defender a soberania desse país, defender o povo brasileiro contra interesses externos. Foi assim que a gente recuperou, pagando salário mínimo para os recrutas que não recebiam salário mínimo, foi assim que nós fizemos, dando o direito deles almoçar. Porque, quando eu cheguei na presidência, os recrutas eram liberados às 11 horas da manhã porque não tinha dinheiro para pagar o almoço para os recrutas. Nós garantimos que eles tinham que ficar o dia inteiro e almoçar. Nós criamos o Soldado Cidadão, para dar aos recrutas no ano que ele estava no Exército uma profissão, e depois tentar no mercado de trabalho sobreviver. 

Foi assim que nós recuperamos a engenharia do Exército Brasileiro para ajudar a fazer obras em lugares, Norte e tudo, ou seja, e nós transformamos o Batalhão de Engenharia das Forças Armadas numa empresa poderosa, para poder nos ajudar, inclusive a balizar preço na construção civil. 

Foi assim que nós recuperamos uma parte da Marinha, fazia anos, anos, que a gente não fazia um investimento em Iperó, no enriquecimento de urânio, nós fomos lá e garantimos que ia ter dinheiro todo ano para que a gente continuasse se aprimorando. Foi assim que nós compramos um navio para substituir aquela vergonha do Barão de Tefé, que eu fui visitar na Antártica, não cabia, sabe, nem o pesquisador lá dentro. Eu fiquei com vergonha de ver o tamanho, de ver a pequenez de um navio que eu admirava quando eu via a televisão falar: o Barão de Tefé não sei das quantas. Eu achava que era uma coisa grande. Resolvemos comprar navio. 

Foi assim que nós recuperamos a Força Aérea Brasileira que não tinha avião para nada. E essas Forças Armadas cumpriu um papel importante durante todo o meu governo e acho que durante o governo da Dilma. Eu, eu não posso balizar as Forças Armadas pelos que estão no governo. Eu não sei se é essa gente que está no governo hoje eram aqueles tenentes que estavam quando se recusaram, sabe, quando o Geisel despediu o Frota, eu não sei se eles faziam parte dessa turma, sabe, mas essa gente não representa as Forças Armadas. Eu estou convencido, estou convencido, por isso que eu não me preocupo muito quando eu tenho falado das Forças Armadas, ou seja, que você tem um grupo de aproveitadores hoje. 

O Pazuello jamais poderia ser general com a formação que ele tem, com a grosseria que ele tem, com a ignorância que ele tem. Não pode um homem daquele chegar a general. Dizer que ele pensou em ir na CPI de farda porque ele seria mais respeitado… As Forças Armadas precisam compreender que não é a farda que mostra o caráter, é a formação deles, é os interesses de defender a soberania nacional. 

Eu trabalho com a certeza absoluta de que as Forças Armadas não é isso, as Forças Armadas têm gente preocupada com o Brasil, tem gente preocupada com o desenvolvimento do Brasil, tem gente preocupada com a soberania brasileira, tem gente preocupada com a independência do Brasil. E é essa Forças Armadas que nós queremos que prevaleça no Brasil. Nós precisamos ter uma Forças Armadas altamente preparada, armada, porque a gente precisa deles, quando a gente menos precisa, mas quando precisar, eles têm que estar prontos. O que não dá é para ter uma Forças Armadas falida. 

Então, eu trabalho com a ideia, sabe, de que esses oito mil militares que estão trabalhando no governo, na burocracia, eles certamente irão se afastar, ainda durante o processo eleitoral, eles vão percebendo que eles têm que pedir a conta. Porque eu acho que o Brasil tem que ser governado pela sociedade civil, os militares têm uma função constitucional que eles têm que cumprir, e eles cumprem bem quando eles cumprem a função deles, e, portanto, eu vou estabelecer uma relação, sabe, como sempre mantive essa relação. É importante lembrar que, quando eu ganhar as eleições, eu serei o chefe supremo das Forças Armadas, e, portanto, sabe, nós iremos discutir o papel das Forças Armadas, que é um papel mais nobre do que esse que está acontecendo agora. 

Eu não vejo problema nas Forças Armadas, o que eu vejo é falta de orientação. E que como quem governa o Brasil não orienta nada, quem governa o Brasil, não conhece de economia, não conhece de absolutamente nada, então, ele não tem orientação, não tem orientação para as Forças Armadas, não tem orientação para o Itamaraty, não tem orientação para a política externa, não tem nada. E ela, bem orientada, as Forças Armadas podem prestar grandes serviços a esse país, sabendo que eles são iguais a nós, que eles não são soberanos, que eles não são mais importantes, não são mais inteligentes do que você, mais do que o Nassif, mais do que eu, eles são iguais, apenas tem uma função definida na Constituição. É isso que eu quero que eles compreendam.

Ivan Longo – Revista Fórum: Bom dia, presidente! O senhor já afirmou aqui que ainda não tem candidatura confirmada, que não definiu o vice e que vai fazer isso no momento certo, etc. Mas eu queria voltar um pouquinho na discussão sobre o Alckmin, que está muito à tona aí, mas levantando um outro aspecto. Há uma certa resistência em certos setores da esquerda, e mesmo dentro do PT, com relação à possibilidade de se firmar essa aliança com o Alckmin, ou mesmo que não seja ele, que seja alguém com o perfil dele, um perfil mais à direita do senhor. E o grande temor aí desses setores da esquerda, ou mesmo dentro do PT, é que essa, para firmar esse acordo com uma pessoa mais à direita do senhor se abriria mão de pontos fundamentais aí de programas historicamente defendidos pelo PT, questões programáticas como, por exemplo, soberania da Petrobras, revisão do teto de gastos, ou mesmo revisão da reforma trabalhista, enfim. Eu gostaria de saber do senhor como o senhor recebe essas críticas que são feitas até dentro do PT a essa possibilidade de uma possível aliança com o Alckmin, ou com alguém mais à direita do senhor. E se o senhor avançar nessas conversas com o Alckmin, ou se chegar a um acordo com alguém mais à direita do senhor, se para esse acordo isso envolveria negociar pautas como essa que eu citei, questões programáticas defendidas pelo PT.

Luiz Inácio Lula da Silva: Olha, deixa eu lhe dizer uma coisa assim com muita clareza, porque eu não quero responder só para você, eu quero tentar falar agora com o povo que vai nos ouvir, que vai nos assistir. Veja, eu não estou procurando uma aliança ideológica. Eu não estou procurando uma aliança apenas para ganhar as eleições, eu estou procurando construir um conjunto de alianças com forças políticas para me ajudarem a fazer a transformação que nós precisamos fazer no Brasil, inclusive se a gente quiser aprovar uma reforma tributária. Eu até não gosto de utilizar a palavra reforma tributária porque eu já a utilizei dezenas de vezes e a gente não consegue fazer. Não sei se o Nassif se lembra, mas em 2007 eu mandei para o Congresso Nacional uma proposta de reforma tributária que teve o apoio dos 27 governadores de estados, o governador era o Serra em São Paulo, que teve o apoio de todos os líderes partidários, que teve o apoio das 27 Federações de Indústrias do Brasil, que teve o apoio de todas as centrais sindicais e quando chegou no Congresso ela não andou. Porque tem sempre aquele, como o Jânio Quadros chamava? O inimigo, tem uma força oculta que não deixa a política tributária andar. Então, eu estou convencido que é assim, a gente vai precisar, sabe, mudar muita coisa nesse país. 

A relação com o Congresso Nacional não pode ser uma relação promíscua, ela tem que ser uma relação civilizada como acontece em vários países do mundo, sabe? Nós temos que mostrar o que é preciso para reconstruir esse país, se você não pode fazer uma reforma tributária complexa, você pode fazer mudanças de pontos na reforma tributária, sabe. Por exemplo, vamos definir que quem vive de dividendos pague imposto de renda. Vamos definir que quem ganha até cinco salários mínimos não pague imposto de renda. Nós temos que definir algumas coisas para dar mais sustentabilidade aos de baixo e para dar mais compromisso com o Brasil com os de cima. 

Isso dito assim parece difícil, mas eu acho que se a gente sentar para conversar e a gente construir uma força política, eu tenho conversado muito com o PSD, do Kassab. Tenho conversado com o Kassab, ou seja, nada é impossível de que a gente possa construir alguma coisa juntos. É bem possível. É bem possível que a gente possa construir. O Paulinho da Força Sindical, com o Solidariedade, nós estamos construindo, sabe? Nós precisamos construir uma força política capaz de dar sustentação às mudanças que nós precisamos fazer. O movimento sindical brasileiro ele não quer uma reforma da estrutura sindical para voltar a ser o que era. Nada. Eles querem construir uma coisa nova, e uma coisa nova, a Espanha está dando um exemplo, é a participação do estado, dos empresários e dos trabalhadores. É isso. É a sociedade encontrando soluções para os seus problemas. 

E isso eu tenho certeza, eu tenho certeza que qualquer pessoa que vier a ser vice vai contribuir para que a gente faça isso. Vocês se esquecem que o José Alencar era um empresário que tinha uma empresa com 17 mil trabalhadores, que ele tinha sido presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais, que ele tinha sido vice-presidente da CNI. E o José Alencar tinha uma visão social altamente moderna, altamente contributiva. E é isso que um vice vai ter que ter num governo. Eu não vou escolher um vice para o vice ser contra: ah, eu quero um vice que seja contra. Não, ninguém faz isso, nem você, nem eu e nem ninguém. Eu quero um vice, sabe, que compreenda que nós precisamos construir uma nova possibilidade para construir um Brasil novo que o Paulo Donizete disse que é possível construir. 

Eu tenho certeza, sabe, que o vice vai cumprir esse papel. Então, eu sinceramente, eu acho que nós temos que ter algumas preocupações antes. Ou seja, as pessoas que são contra, que falam contra, eu só digo para elas o seguinte: falem enquanto a gente tem o direito de falar, porque já teve momentos nesse país que a gente não podia falar. Então, como eu acho que a democracia é uma sociedade em movimento, em busca de novas conquistas, aproveite e fale enquanto eu for o candidato a presidente, que vou dar o direito de vocês falarem, de ajudar a escolher, de criticarem, e depois ajudarem a governar. Eu vejo o mundo, eu vejo um mundo mais colorido, sabe, bem mais colorido, eu não vejo… 

Dificuldade eu tinha era em 2003. Você não tem noção do que era 2003. Em dezembro, eu não tinha presidente do Banco Central ainda, não tinha nem noção de quem ia ser, sabe. E eu em 2002, eu não sabia como escolher os comandantes das Forças Armadas, eu não conhecia ninguém, não conhecia nem sargento, nem cabo, nem tenente, ou seja, como é que eu vou escolher os três comandantes? Eu não tinha a menor noção. Mas escolhi, e deu certo. Agora não, agora eu estou mais sabido, agora eu já sei como é que funcionam as coisas, agora eu já conheço muita gente, sabe. As pessoas colocam obstáculos no tal do Banco Central Independente. Esse Banco Central tem que ter compromisso é com o Brasil, não é comigo. Ah, ele vai ter meta de inflação…Vamos colocar meta de emprego, meta de crescimento econômico também. Vamos comprometer com alguma coisa positiva. E quem é que tem que chamar o cara para conversar? Sou eu. Pode ficar certo, eu não conheço, mas a hora que eu ganhar: vem cá, vamos conversar um pouquinho aqui meu, vamos discutir o Brasil. Numa boa. 

Eu vejo contrariedade, mas não vejo obstáculos. As pessoas vão perceber, o que vocês precisariam perguntar de vez em quando é o seguinte: qual é o medo que as pessoas têm do PT? Essa é uma pergunta que eu acho que vocês poderiam ajudar o Brasil fazendo para as pessoas que têm medo do PT. Ah, o PT vai ter problema fiscal. Então vamos retratar um pouco a história. 2003, inflação 12%, desemprego 12%, 30 bilhões de dívida externa, o Malan, coitado, todo ano viajava para Washington para ver se conseguia um acordozinho para pegar dinheiro para fechar o caixa, o Brasil não tinha dinheiro para pagar as suas importações. O Brasil está quebrado, era o que os economistas falavam para mim. O Brasil está quebrado, o Lula não vai poder governar, coitado do Lula. E eu falava: porra, vocês são meus amigos, querem que eu governe e fala que está quebrado? Então é melhor dizer para mim não ser candidato. O que aconteceu nesse país? O que aconteceu nesse país, que era, que estava quebrado? 

O que aconteceu nesse país é que nós fomos o único país do G20 que fizemos superávit primário durante todos os nossos mandatos. O que aconteceu nesse país é que nós pagamos a dívida do FMI, emprestamos 15 bilhões para o FMI, e fizemos uma reserva de 370 bilhões de dólares. O que aconteceu neste país é que a gente tinha uma dívida pública interna de 60%, caiu para 35%, é isso que aconteceu nesse país. Os banqueiros ganharam dinheiro, os empresários ganharam dinheiro, os trabalhadores também ganharam dinheiro. Geramos 22 milhões de empregos, sabe. 

Se você pegar uma tabela curta, o que aconteceu nesse país é que durante os governos do PT, 80% dos acordos dos trabalhadores feitos neste país eram com aumento real acima da inflação. 80%. Veja quantos trabalhadores tiveram aumento real acima da inflação agora. Eu vou dar um dado aqui, em 2021 apenas 15.8% dos reajustes ficaram acima do INPC, 36% tiveram valores iguais, e 48% foram abaixo. Por isso é que a massa salarial está caindo, porque esses ignorantes acham que a sociedade vai ficar evoluída se o povo estiver passando fome, se o povo estiver desempregado, se o povo ganhar pouco. É essa sociedade que eles querem, pouco para muitos, e muito para poucos. Essa sociedade não dá certo. 

Então, é por isso que as pessoas precisam aprender uma lição de vida, esse país só será soberano, democrático e respeitado, quando todo mundo tiver acesso, sabe, aos bens que ele ajuda a produzir. Quando todo mundo puder estudar, puder comer, tiver acesso à cultura. Aliás, eles têm tanto medo de cultura, acabaram com o Ministério. Pois eu vou criar, vou fazer uma Conferência de Cultura e vou criar um Comitê de Cultura, não vai ser mais só um ministro de Cultura não, é um Comitê de Cultura para a gente dizer para eles que a cultura vai ajudar a construir esse país mais democrático. Então, quem tiver medo de cultura se prepare porque a cultura vai funcionar mais forte no próximo governo. É isso.

Eduardo Guimarães – Blog da Cidadania: Boa tarde senhoras e senhores! Boa tarde, presidente Lula! Primeiramente, eu gostaria que nós nos congratulássemos pela mudança de cenário em que nos encontramos. Da última vez que estivemos juntos presencialmente, presidente, em 2019, foi dois dias antes do senhor ser libertado e o cenário era diametralmente oposto. Hoje, na situação que nos encontramos, eu acho que vale alguma comemoração porque hoje nós temos esperança. 

Presidente, nós somos oito entrevistadores, já tivemos três perguntas sobre o Geraldo Alckmin. Para empatar eu gostaria, para ficar meio a meio, eu gostaria de fazer a quarta. Presidente, é o seguinte, o cenário atual com o Jair Bolsonaro é o seguinte, o sujeito ele dia sim, dia não, ele ameaça de um golpe de estado, ameaça fechar a Globo, ameaça prender todo mundo. Ele no seu discurso de posse disse que ia expulsar do Brasil quem não concordasse com ele. Quando a gente está tentando vacinar criança, ele faz campanha contra vacina, o sujeito diz que não vai aceitar o resultado das eleições, o sujeito fica tentando aliciar policiais, aliciar militares, nós temos um presidente da República que é repudiado pelo planeta, e se tiver alguém em outro planeta deve repudiar também, eu suponho, não é, vida fora da terra, devem conhecer: olha, tem um Bolsonaro lá na Terra. Presidente, a situação é muito grave, e como o senhor bem disse, nós não ganhamos nada, ou melhor, o senhor não ganhou nada ainda, mas o Brasil, quando eu falo nós eu falo o Brasil, não ganhou nada ainda, a possibilidade de se ver livre do Jair Bolsonaro. O que acontece? Parece que há grupos bem intencionados, mas que acham que já houve alguma vitória. Por que Geraldo Alckmin? Penso eu, porque uma aliança com um vice mais à direita, porque, que tem uma origem na direita. Porque a esquerda já está com a gente, a gente sabe que o eleitorado brasileiro é tripartite, ele tem aqueles que não são nem de direita nem de esquerda, muito pelo contrário, tem aqueles que são de esquerda, e tem aqueles que são de direita, e que eu digo que o direitista no Brasil, no povo, costuma ser de extrema-direita. O que acontece? É preciso, como o senhor disse, ter uma aliança para governar, não só para ganhar a eleição, porque depois vai ter que fazer reformas, vai ter que fazer tudo aquilo, desfazer tudo aquilo que foi feito, e para isso vai ter que ter apoio no Congresso. Essa questão do Alckmin para mim não está bem solucionada porque as perguntas elas refletem um clima, que eu acho que a única coisa negativa que está acontecendo na sua pré-campanha é essa questão do Alckmin. Porque veja bem, está tudo dando certo, pelo menos até aqui, mas de repente, veja, hoje eu fiquei sabendo que querem uma CPI contra o Alckmin. Não é brincadeira. Eles querem uma CPI contra o Alckmin. O abaixo-assinado já tem 1300 e não sei quantos, daqui a pouco tem manifestação na rua. Ao mesmo tempo em que os filhos do Bolsonaro, alguns órgãos de imprensa como a Veja, por exemplo, Estadão, ficam tentando torpedear, os filhos do Bolsonaro, gozado que eu vi resgatarem coisas que o Alckmin dizia quando era seu opositor nas campanhas, os filhos do Bolsonaro, o Moro, o Ciro, todo mundo postando, e setores do seu partido postando também. Ou seja, a esquerda do seu partido. Então, quer dizer, é uma situação muito difícil e que me preocupa muito porque em 2013, em junho de 2013, dia 01 de junho de 2013 a ex-presidente Dilma Rousseff, ela tinha 65% de aprovação, 15 dias depois ela tinha 29. A partir dali tudo foi indo para o buraco, e o próprio Bolsonaro, agora há pouco, há pouco tempo saiu um documentário da Brasil Paralelo, em que o Bolsonaro dizia que ele nasceu em 2013. Mas 2013 só começou pelo campo esquerdo, não é, começou pelo campo esquerdo, aí estenderam o tapete vermelho para a direita, e a direita veio e chutou para gol, botaram a bola na marca do pênalti. No ano seguinte, não vai ter Copa.

Bom, a minha pergunta para o ex-presidente é a seguinte: presidente, não está na hora de fazer um acordo com a esquerda para que a gente ganhe as eleições primeiro, e entender que o senhor precisa governar o país, não é só vencer a eleição, tem que vencer e tem que ter maioria para governar. Senão acontece o que aconteceu com a presidente Dilma, não é.

Luiz Inácio Lula da Silva: Mas me diga com qual esquerda que eu devo fazer acordo? Porque o PT é o maior partido de esquerda da América Latina. O PSB se diz de esquerda, nós estamos trabalhando junto, o PSOL nós estamos trabalhando junto. Qual é a esquerda que você vislumbra, que está fora disso e descontente para mim poder conversar?

Eduardo Guimarães – Blog da Cidadania: Está dentro do PT.

Luiz Inácio Lula da Silva: Mas o PT não é o problema, o PT é um partido político, o PT as pessoas têm o prazer e o direito de ir e vir, até que o PT decida. E quando o PT decidir, não tem esquerda e não tem direita, tem uma posição partidária. É isso que vai acontecer. É isso. Para mim todo mundo vai aparecer rindo, ninguém vai aparecer chorando.

Eduardo Guimarães – Blog da Cidadania: O senhor acha que não vai atrapalhar?Antes assim, não é. 

Luiz Inácio Lula da Silva: O que nós estamos disputando nesse país é tão sério, é tão sério, que eu vou dizer para você uma coisa que eu disse para o encontro do Lugo com os partidos de esquerda quando o Lugo ainda era presidente. Eu fui na Ciudad del Este conversar com o Lugo e com aquele grupo de oposição que estava ligado ao Lugo. E eu lembro de uma menina sentada na frente do Lugo, uma menina, jovem, bastante desaforada, falando com o dedo em riste na frente do Lugo: porque companheiro Lugo, porque não se mudou nada, porque não se mudou nada, porque… Sabe, é o seguinte, é como se não tivesse acontecido nada, sabe assim, ela esculhambou, porque ela: caro, está caro, o feijão está caro, porque o arroz está caro. Assim, eu fiquei até com pena do Lugo. Aí eu falei assim para menina: companheira, se permite um estranho dar um conselho, mudou tanto as coisas no Paraguai que antes você não conseguia chegar a três quilômetros perto de um presidente, agora você está sentada na frente do presidente e desbancando o presidente. Houve mudança, sabe. E as pessoas acham que não muda. 

Eu lembro que eu fui no Congresso do PCdoB, eu era presidente e eu estava num Congresso lá na Academia de Tênis, você conheceu a Academia de Tênis em Brasília, aquele ginásio. E uma companheira do PCdoB pegou um discurso: porque companheiro Lula, porque não muda nada, porque não mudou nada. Eu falei: companheira, como não mudou? Você viveu na clandestinidade até outro dia, agora vocês tem Agência Nacional de Petróleo, vocês tem um Ministério, tem a Presidência da Câmara, e está fazendo um Congresso na Academia de Tênis, isso não mudou? Lógico que mudou, sabe. Essas coisas é que nós precisamos compreender, o que nós estamos enfrentando. 

E eu queria te dizer, Eduardo, que o Brasil de 2023 será um Brasil muito, muito, muito mais destruído do que o Brasil de 2003. Vai precisar de muito mais conversa, de muito mais paciência, de muito mais habilidade para você reconstruir esse país. Porque se fosse fácil reconstruir no grito, já estava resolvido. Eu vou chamar o povo para a rua e vamos fazer. Você sabe que nada acontece. Não acontece. O que você precisa é ter inteligência política de você construir as pessoas que podem querer remar junto com você, para fazer a travessia oceânica, que não é pequena, tentando evitar que morra a quantidade de gente que morria no tempo dos navios negreiros, sabe, tentar fazer a travessia sem perder ninguém, e fazendo com que esse país volte a sonhar. A construção de um país novo, com ideias novas, em que a questão ambiental esteja na frente, que a questão do emprego esteja na frente, de que, sabe, a capacidade distributiva desse país esteja na frente, um país que coloca desigualdade, nós temos que ficar indignados. Uma coisa que eu fico indignado é a gente perder a capacidade de se indignar. Esse país não está tendo vacinação para criança, esse país não está tendo material para fazer teste, esse país não está tendo máscara. Tem gente utilizando máscara de pano, que não protege nada, essa daqui protege, mas quantos podem utilizar uma dessa que está custando 4 ou 5 reais? Tem gente utilizando máscara de pano achando que está protegendo. 

Ora, esse país que não tem testagem para a sua população, que as prefeituras não têm dinheiro para testagem, tem um presidente da República que gasta 600 mil reais num avião para trazer um médico da Bahamas para dizer que ele não sabe comer camarão. E a gente não fica indignado, a gente passa desapercebido. Se o problema do Bolsonaro é não saber comer camarão, eu poderia ensiná-lo. Ele tem que tirar a casca e precisa mastigar pelo menos 16 vezes, como disse o médico, mas não precisava trazer um médico da Bahamas, faz uma consulta por telemedicina, que eles falam tanto para nós da telemedicina, vai resolver. Por que não resolveu da Bahamas aqui no Brasil? O Bolsonaro lá na telinha da televisão: cara, aprenda a comer camarão, precisa tirar aquela coisa que tem na cabeça, que é só casca, aquilo machuca, machuca na entrada e na saída, sabe, precisa tirar a casca e comer, parte em pedacinho pequeno e mastiga. Precisava pagar 600 mil reais num avião? E a gente não fica indignado. E crianças não tem testagem aí nas prefeituras, que não tem dinheiro. 

E é importante lembrar que a ômicron, embora ela parece que mata menos do que as outras, o dado concreto é que ela é mais contagiosa do que as outras, e um dado concreto é que ela é mais agressiva para quem não tomou a vacina. E aí é que as nossas crianças correm o risco. Como é que vão voltar para a escola, como é que vai voltar à normalidade na escola, se a gente não está fazendo a testagem, se a gente não protege, sabe? E isso a gente não fica mais indignado. E o presidente contando sete mentiras por dia. 

Eu vejo de vez em quando o presidente falar: porque três anos sem corrupção. Três anos sem investigação e sem apuração, porque ele não aguenta uma investigação. Ah, se fosse o governo do PT, qualquer pessoa denunciada vai apurar. O que nós queremos é que seja apurado e investigado. Agora não, ele não apura nada, ele não apura nada. Então, fica difícil a gente não se indignar com essas coisas. Então, veja, nós precisamos, não vai ser fácil a reconstrução do país, Eduardo, não vai ser fácil. Eu estou te dizendo uma coisa, eu sou o único que, se for candidato e ganhar as eleições, eu não posso chegar lá e falar: olha companheiros, sabe, eu pensei que ia fazer isso, porém, entretanto…Eu não tenho que utilizar a palavra nem porém nem entretanto, se eu entrar, é para fazer as coisas diferentes nesse país. 

É isso que o povo tem a expectativa, sabe, o povo quer mudança de verdade, o povo está com esperança, o povo sabe o que é viver bem. Ninguém se acostuma com coisa ruim, você não vê ninguém sonhar, ninguém ter aspiração de morar numa favela, ninguém tem aspiração de morar numa palafita, ninguém tem aspiração de ficar sem comer, aspiração das pessoas é evoluir. 

As pessoas não são peão de fábrica porque escolheram, é porque não tem profissão, se tivesse, eles não seriam peão de fábrica. As pessoas estão catando material reciclável porque não tiveram chance de estudar para ser outra coisa. Então, o que nós temos é que atender essa aspiração da sociedade, uma aspiração de uma sociedade evoluída, para dormir, dormir razoavelmente bem. Você acha que alguém tem aspiração de dormir num quartinho de 2×2 aonde ali se cozinha, ali se faz as suas necessidades fisiológicas, ali se faz sexo com 10, 12 pessoas dormindo no mesmo quarto? Eduardo, eu morei num quarto e cozinha com 13 pessoas. 

Tenho consciência do que esse povo está passando. Então, eu não posso, eu não posso mentir, eu não posso ganhar aos 76 anos e falar: gente, olha, eu ganhei, mas não dá para fazer as coisas, desculpa, eu tenho que atender o mercado, eu preciso atender a Faria Lima, eu preciso ter responsabilidade fiscal, eu preciso manter teto de gasto. E o teto de comida? E o teto de emprego? E o teto de salário? E o teto de saúde, quem é que vai devolver para esse povo? Então, meu caro, é esse cidadão que acaba de ficar emocionado que quer ser presidente. E se for, é para mudar, não é para continuar a mesmice. 

E por isso, companheiros, é o seguinte:  eu sei o que vocês fizeram quando eu estava preso. Eu hoje assisto menos vocês do que eu assistia quando eu estava na cadeia, eu passava o dia vendo vocês, sabe. Todo mundo. Eu cansei de ver muitos de vocês, eu sei a força que vocês deram, eu sei a força. De um lado a Globo, a Veja, o SBT, a Record, a Bandeirantes, a Folha, o Estadão, o Globo, colocando a cara desse santo de barro chamado Moro como se fosse herói nacional. E vocês, os blogueiros sujos, como eles chamavam vocês, defendendo a mim e defendendo a minha causa, e a vigília lá no Paraná. 

Então, é esse país que nós temos que mudar. E a verdade é essa: para mudar, você tem que ter um compromisso. Eu quero que todo mundo saiba, eu não quero mentir para ninguém, só tem sentido eu voltar a ser presidente desse país se eu tiver um compromisso de que as pessoas vão viver dignamente nesse país. Meu compromisso é garantir que as pessoas tenham um prato de feijão e arroz no almoço com bife acebolado, com ovo no almoço e na janta, que tenha um café com pão com manteiga, que as pessoas consigam ter uma casinha digna. Mas, se não for para fazer isso, então  Lulinha, é melhor, pede a conta e vai embora, deixa a Gleisi livre para indicar um outro. 

É para fazer esse país que eu preciso construir uma relação política mais ampla do que o PT, e não mais à esquerda, mas a um centro e, se for o caso, até com setores, sabe, de centro-direita, é isso que… é isso. 

Eu já passei por lá, Eduardo, eu sei a diferença entre falar e fazer. Eu sei o que é você querer que o deputado aprove uma coisa e você vai pedir para ele e ele fala: por que eu tenho que votar, eu não sou do seu partido, eu não concordo com você? Sabe? Não basta eu querer, eu preciso convencer, sabe. E às vezes você tem que ceder, não fazer o que o Bolsonaro está fazendo, que se colocou de joelho diante do Congresso Nacional. 

Essa vergonha desse Orçamento Secreto, em que os deputados estão governando ao invés do governo, os prefeitos não procuram mais governador, procura deputado. É esse o país que nós queremos? Não. Então, tem gente, sabe, tem gente. Eu ainda quero conversar com mais gente, eu quero conversar, sabe, independentemente das pessoas serem de direita ideologicamente, eu quero saber humanamente como que essa pessoa pensa. Porque tem gente que é conservadora, do ponto de vista ideológico, mas tem uma visão humana mais digna. Então, essa gente toda precisa estar junto para a gente recuperar esse país. Não vai ser uma tarefa fácil. Uma coisa que eu tenho, que é uma relação internacional muito boa, graças a Deus. Nós construímos no nosso governo uma relação forte, muito forte, muito respeitosa, e isso eu acho que é uma coisa que vai poder nos ajudar a poder dar um salto de qualidade. 

Gente, olha, eu falei para caramba, eu tenho disposição de ficar aqui mais duas horas, eu não tenho problema nenhum. Eu vou tentar agora ser mais curto nas minhas respostas, porque eu estava com vontade de falar, vejo o microfone aqui, ninguém para me interromper, então eu falei demais. Agora eu vou ser mais curto. Eu não sei como é que vai ser agora, você…

Mediador: A gente tem duas horas já de coletiva, eu acho difícil a gente conseguir fazer uma outra rodada inteira. Eu acho que a gente pode ter duas perguntas aqui e encerrar. Tem três pessoas aqui, a Laura, o Rodolfo e o Mauro, e a gente encerra. 

Laura Capriglione – Jornalistas Livres: Presidente, eu vou fazer bem rapidinho, Presidente, a gente sabe que os negros estão sofrendo um genocídio brutal, os indígenas estão com as terras invadidas e invadidas pelo garimpo, e invadidas pela agricultura, pelo agronegócio. Presidente, eu vejo, na entrevista que o senhor deu para o Mano Brown e para o Podpah, o compromisso do PT com a questão da luta contra o racismo. Eu queria perguntar para o senhor o seguinte: dá para contar com, num futuro governo, uma política de tolerância zero do seu governo, espero que seja do seu governo, uma política de tolerância zero com o genocídio negro e com as invasões de terras indígenas e quilombolas por esses agentes aí do agronegócio e da mineração?

Luiz Inácio Lula da Silva: Olha, bem curto e não grosso, bem curto e rápido. Eu acho que dá para contar com a ideia de que nós vamos fazer o que for possível e o impossível para que a gente, definitivamente, evite o genocídio do povo negro na periferia desse país, e do povo pobre como um todo. E a questão indígena está muito ligada à questão ambiental, ou seja, nós precisamos efetivamente ter a coragem de dizer que os índios não são intrusos, nós é que somos os intrusos, e que nós precisamos garantir para eles o direito de viver dignamente, sabe. Isso nós vamos ter que fazer. Já fizemos uma vez e vamos fazer, porque é importante a gente lembrar como era o nosso tratamento quando a gente foi governo na questão indígena. E, certamente, a gente precisa ter consciência que, para garantir essas coisas que você pediu, nós precisamos mudar o papel do Estado. Porque quando a gente fala em violência, Laura, a gente pensa na polícia, sabe, e aí não tem solução. Porque mais violência, mais polícia, mais violência. 

O problema é que a violência ela é originária, na minha opinião, da ausência do Estado no cumprimento das suas obrigações com a comunidade. Se o Estado não está lá gerando emprego, se o Estado não está lá cuidando de água, cuidando de educação, cuidados de saúde, cuidando de lazer, cuidando de cultura e o Estado só aparece lá com a polícia de vez em quando, aí não tem solução. Então, é preciso que a gente discuta o papel do Estado no cumprimento das suas funções sociais com a sociedade brasileira. Essa, na minha opinião, é a grande solução que a gente vai ter para acabar com a violência tal como nós conhecemos hoje.

Rodolfo Lucena – Tutaméia: Presidente, as políticas do Governo Bolsonaro levaram à morte de centenas de milhares de brasileiros na pandemia, levaram milhões ao desemprego e à fome. O senhor tem falado bastante de desenvolver políticas para reverter essa situação. Mas o Governo Bolsonaro também vem destruindo a economia brasileira, vendendo as riquezas, entregando as grandes empresas estatais. O senhor considera possível recolocar o Brasil na trilha do desenvolvimento sem recuperar as empresas estatais, sem devolver a Petrobras que está sendo fatiada, está sendo entregue para estrangeiros, sem devolver a Petrobras para o povo brasileiro para ser usada como instrumento de política energética?

Luiz Inácio Lula da Silva: Olha,eu já disse uma vez que é importante que as pessoas sérias nesse país ou no mundo, que estejam preocupadas com a construção de um novo mundo, ao tentarem comprar empresas públicas brasileiras privatizadas, levem em conta que a gente vai mudar de governo e que a gente vai rediscutir esse assunto. Porque eu sou daqueles que defendo um Estado forte, um Estado forte não significa um Estado autoritário porque eu não quero um Estado autoritário, eu quero um Estado forte, aquele Estado que seja capaz de induzir o desenvolvimento do país, um Estado que tenha força de cobrar impostos daqueles que ganham mais para fazer investimento e desenvolvimento industrial. 

Todo mundo sabe que quando teve a crise mais aguda, eu era favorável a expandir a base monetária para que a gente pudesse ter um projeto de desenvolvimento nesse país. O que a gente não pode é continuar mais um século dizendo que a gente não pode crescer, que a gente não pode se desenvolver porque o país não cresce. O país só vai crescer se o Estado quiser que cresça. Não é que o Estado pode tudo, o Estado pode ser o indutor, o Estado pode convencer empresários, o Estado pode ter linha de crédito de longo prazo para fazer obra de infraestrutura. O BNDES tem que voltar a funcionar para o desenvolvimento, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, sabe, é para isso que serve o Estado. 

Então, eu quero que as pessoas saibam que esse ser humano que vos fala defende um Estado que tenha força para ser indutor de políticas públicas na área social e políticas públicas na área do desenvolvimento. Eu sei o que foi bom para esse país a criação do PAC, eu sei o que foi bom para esse país a gente construir, no mesmo período, é importante a gente lembrar, em 2008, a gente tinha no mesmo período, em 2010, as três maiores hidrelétricas do mundo sendo construídas aqui no Brasil, além dos estádios para a Copa do Mundo e das Olimpíadas. Eu sei a quantidade de linhas de transmissão que foram feitas, a quantidade de quilômetros de torres que foram colocadas, a quantidade de estradas, tudo isso estava planejado desde fevereiro de 2007.

Esse país não tem planejamento. Se eu perguntar para você: Rodolfo, me diga uma obra que o Bolsonaro está fazendo, você não lembra. Eu, quando dou entrevista para rádio nas cidades, nos estados, eu pergunto: você sabe alguma obra do Governo Bolsonaro? Ninguém sabe porque não tem. Ele agora fala do eixo ferroviário, que é um projeto que está no papel para os estados fazerem. Então, deixa eu lhe falar uma coisa: a Petrobras, ela tem que ser tratada, não como uma empresa de petróleo, a Petrobras é uma empresa que ela foi durante muito tempo a empresa gestora e indutora do desenvolvimento desse país. A Petrobras gerava oportunidade para milhares de pequenas empresas. Quando nós aprovamos o tal do componente nacional na indústria naval e nas nossas plataformas e nas nossas sondas, tiveram 65 mil empresas participando. Agora, quando o governo diz que as empresas estrangeiras vão poder participar, sabe, no processo de venda para o Brasil, garantindo que as compras governamentais comprem produtos estrangeiros, você está matando a indústria brasileira. 

Então tudo isso, Rodolfo, nós vamos repensar, e vamos repensar discutindo com a sociedade, porque a sociedade tem que entender, porque esse discurso fácil de que o Estado é corrupto, iniciativa privada é honesta, nós vamos desmistificar isso, de que tudo do Estado não presta, tudo da iniciativa privada é bom, de que é preciso criar muitas agências. O que que foi a criação das agências? Foi a entrega do Estado para a iniciativa privada. É isso. Então, nós vamos ter que pensar, conversar com a sociedade, sabe, nós vamos ter que rediscutir o Brasil, nós vamos completar 200 anos de independência. Então, nós vamos ter que discutir que Brasil a gente quer, já que nós somos independentes, vamos então discutir que Brasil que a gente quer a partir do olhar do povo brasileiro. 

Eu estou muito entusiasmado com essa possibilidade. Você sabe quando a gente chega numa certa idade, que a gente já foi presidente, que a gente… eu me sinto um homem realizado e acho que eu sou muito grato porque acho que Deus me deu além daquilo que eu poderia merecer. Então, tudo que eu tenho que fazer daqui para frente tem que ser despojado da minha visão pessoal, eu preciso ouvir a sociedade brasileira para dizer o que a gente tem que fazer para o país. Não é ouvir só um lado, é ouvir o Brasil. E isso eu vou fazer, querido, eu vou fazer, para a Petrobras, para a Eletrobrás, para o Banco do Brasil, para o BNDES, para o BNB, sabe. Porque o Brasil precisa desse suporte, dessas instituições públicas. Se não fosse essas instituições públicas, a gente não tinha sobrevivido à crise de 2008. Foi graças ao BNDES ter coragem de colocar 500 bilhões para financiar obras de infraestrutura, que eu disse que a crise aqui seria uma marolinha e foi. Então, pode ficar certo que eu sou daqueles caras que sonham grande, porque se você não sonha grande você acorda pequeno. Eu sonho grande para acordar grande, para fazer coisa grande nesse país. E espero que você me ajude nisso.

Mauro Lopes – Brasil 247: Presidente, até o final do ano, a lógica pré-eleitoral, vamos dizer assim, vinha operando com a ideia das federações, e isso levaria, por exemplo, a um candidato ao governo, aos governos estaduais ou um candidato a cada governo estadual desta federação. Parece que na virada do ano, de lá para cá, houve alguma mudança nessa lógica, há uma dificuldade evidente para conformar as federações, e o PT, além da candidatura do Haddad, que está consolidada aqui para o governo do estado de São Paulo, lançou o senador Humberto Costa lá em Pernambuco, o senador Fabiano Contarato lá no Espírito Santo. Como vai ser isso, vai ter candidatos dos diversos partidos, não vai, como é que vai ser essa lógica?

Luiz Inácio Lula da Silva: Não, não, Mauro. Mauro, você tem que levar em conta que o mês de dezembro e o mês de janeiro é o mês de férias, e por conta de não ter muita gente dando entrevista aparece muita futrica, aparecem muitos pensadores anônimos. Veja, primeiro o PT mantém a sua afinidade com o PSB íntegra. O PSB tem o direito de lançar candidato em Pernambuco porque é o estado em que a direção mais forte do PSB é lá. O que está acontecendo? O candidato natural do PSB não quer ser candidato, que é o Geraldo Júlio, e o Paulo Câmara, que deve ser, na minha opinião, coordenador da sucessão, precisa discutir. O que eu estou dizendo é que dessa vez o PT tem duas pessoas com potencial de força para ser candidato, tem o Humberto Costa, que está no meio mandato para o Senado, e tem a Marília Arraes, porque além do cargo de governador tem o cargo de vice e tem o cargo de senador. Então, o que eu quero é que as pessoas conversem, porque embora o PSB seja um partido que tenha direito lá em Pernambuco de indicar, não pode tratar o PT de forma pequena. Sabe, apenas isso que está em jogo, e o Humberto Costa é muito fiel  com a relação com o PSB. Se o PSB definir a candidatura, o Humberto Costa está fora. 

Nós não temos candidatura no Espírito Santo. Quando o companheiro Contarato quis entrar no PT para ser candidato foi dito para ele que a gente estava fazendo conversas com o PSB e que ele poderia, seria muito prazeroso ele entrar no PT, mas não para ser candidato, porque senão a gente estaria traindo. Então, ele entrou no PT. Se ele vai ser ou não candidato depende da nossa relação com o PSB. Se a gente tiver reunido com o PSB direitinho, não será candidato, sabe. 

Nós defendemos a candidatura do Freixo no Rio de Janeiro, nós defendemos a candidatura do Flávio Dino. Agora, o companheiro Flávio Dino tem um candidato dele, que é o vice, que é do PSDB. Ele sabe que é difícil a gente apoiar o PSDB. Nós temos uma candidatura do Weverton. Então, eles vão ter que se acertar lá para facilitar a nossa vida. Aqui em São Paulo é a mesma coisa, você tem um ótimo candidato. O PSB diz que tem o Márcio França, sabe, em algum momento se faz uma avaliação para ver quem tem mais chance. Se for o Márcio França, vamos discutir com o Márcio França. Mas eu acho, com toda a modéstia, que o PT nunca teve tão próximo de ganhar o governo do estado como está agora, sabe. E você sabe que não seria pouca coisa isso. 

Nós temos o Rio Grande do Sul, em que o PSB tem um candidato e o PT tem outro, a gente pode, na dúvida, fazer uma aferição, fazer uma pesquisa, saber quem tem mais possibilidade, e indicar. O PT não está fechado com as suas candidaturas, o PT tem interesse de que o PSB tem direitos e que o PT também tem direitos. Então, precisa apenas a gente afinar a viola. A Gleisi está conversando, ela vai conversar com o presidente do PSB, e na hora que ela achar que é interessante… 

Eu ia conversar com o Kassab essa semana, mas o Kassab parece que está com Covid.

Mauro Lopes – Brasil 247: Está. Está no hospital.

Luiz Inácio Lula da Silva: Eu quero conversar com o Kassab porque eu tenho uma boa relação com o Kassab, tenho uma boa relação com muita gente do Kassab, sabe, e vou conversar. Você sabe que em política a conversa é boa, e nós temos que conversar com muita gente. Se for necessário nós vamos conversar com o PSD do Kassab em Minas Gerais, vamos conversar com o PSD em outros estados. Se tem uma coisa que eu gosto de fazer é conversar. E você sabe que de uma boa conversa sempre sai uma boa coisa, sabe. Por quê? Porque eu estou fazendo isso, Mauro? Porque eu acho que a situação do Brasil hoje, se comparada a 2003, está muito pior. Está muito pior na questão social, na questão do emprego, na questão da educação, na questão da ciência e tecnologia, na questão do ENEM. Ou seja, o país piorou, o país foi, é como aquele jogo de palito, você soltou, abandonou, caiu um para cada lado, ou seja, você não tem uma orientação, você não tem orientação para as Forças Armadas, orientação para o Itamaraty, uma orientação para a indústria. Ou seja, este presidente não se reúne com ninguém, não discute com ninguém. E me parece que ele não faz questão de discutir porque ele diz: eu não entendo nada. Já que eu não entendo nada eu vou contar. E aí ele conta sete mentiras por dia. E você sabe que sete é conta de mentiroso, então é oito já, sabe, então é oito. Então, é esse país que nós vamos ter que remontar, querido. Remontar. 

E é possível Mauro, é possível a gente fazer isso numa perspectiva de reconstruir uma coisa que o povo brasileiro tem demais que é o afeto, que é, sabe, uma coisa fraterna, uma coisa solidária. Ninguém precisa ficar brigando com ninguém, ninguém precisa ficar brigando, ninguém precisa ter medo porque o Lula não é de perseguir ninguém. Eu não vou fazer com eles o que eles fizeram comigo, porque o meu compromisso é fazer para o povo, não é fazer nada contra os outros. Eu quero fazer as coisas para o povo. Se ao terminar o mandato, eu sendo candidato e ganhando as eleições o povo tiver trabalhando mais, ganhando mais, comendo mais, e estudando mais, o que eu quero? Morrer e ocupar o meu espaço no céu, eu tenho direito. É isso. E a Janjinha que se cuide. 

Mauro Lopes – Brasil 247: Obrigado, presidente.

Luiz Inácio Lula da Silva: É assim que eu quero levar esse país, gente, esse país precisa de muito, muito, muito, muito, muita solidariedade, muito amor, muito carinho, muita alegria, sabe, e é isso que nós vamos construir. Por isso companheiros, eu quero mais uma vez agradecer a vocês, eu não tive oportunidade de agradecer a vocês, mas vocês não tem noção, Nassif, como vocês foram importantes para mim quando eu estava preso. Eu recebia o pendrive de vocês, eu nunca vi tanto vocês como eu vi na cadeia. Nunca vi, sabe. Eu andava uma hora e meia vendo vocês, depois eu deitava vendo vocês, depois eu ia dormir vendo vocês, depois eu tomava café vendo vocês, nunca conversei tanto com vocês como eu conversava lá. E aquilo me animava muito, muito, muito, muito, muito. 

E além daquela vigília, que foi uma, para quem não acredita em Deus, pode começar a acreditar porque não existe antecedente na história da humanidade de uma vigília daquela. Não existe antecedente na humanidade de uma vigília daquela, com aquelas milhares de pessoas passando frio, calor, sendo provocadas, passando necessidade. E eu herdei daquilo, além da Janja, herdei daquilo uma cachorrinha chamada Resistência, que foi criada lá dentro da vigília, que está comigo, que de vez em quando dorme comigo, sabe. Então, sabe, eu não tenho, eu só tenho que agradecer a Deus. Vou fazer uma campanha leve, uma campanha simpática, não vou fazer jogo rasteiro, não vou ficar respondendo mentiras do Bolsonaro, não vou dar importância para o boneco de barro chamado Moro, sabe, eu não vou dar… eu vou tentar fazer uma campanha conversando com o povo brasileiro. Quem quiser mentir, quem quiser ofender, pode fazer, a minha campanha será no mais alto nível, como foram as outras que eu fiz. Porque se você fizer uma campanha em baixo nível, você vai governar em baixo nível. Então, de coração, muito obrigado a vocês, muito obrigado por tudo o que vocês representam para mim. É muito mais do que vocês possam imaginar, tá? Um abraço, queridos.

Mediador: Obrigado. Encerramos agora a coletiva. Agradeço a todo mundo que está assistindo, a vocês pela presença. Muito obrigado.

_________________________________________________Após DOIS ANOS de matérias contra mim, Globo dedicou 18 SEGUNDOS para noticiar minha INOCÊNCIA, diz ex-ministra ERENICE GUERRA 


247 - A ex-ministra Erenice Guerra, que atuou no governo Dilma Rousseff, explicou a sequência de fatos que levou a seu pedido de demissão do governo em 2010. Ela foi inocentada das acusações infundadas perpetradas pela imprensa corporativa à época.

Em setembro daquele ano, com base em depoimento de Fábio Baracat, empresário do setor de transportes, a Veja acusou Israel Guerra, filho de Erenice, de participar de tráfico de influência em que ele teria cobrado propina para facilitar negócios com o governo. O próprio Baracat, entretanto, publicou nota de esclarecimento desmentindo as acusações da revista que depois apoiou o golpe contra Dilma e as perseguições contra o ex-presidente Lula, fato comprovado pelo STF e a Vaza Jato. 

Enquanto isso, a Globo dizia que a permanência de Erenice Guerra no governo era insustentável. 

As acusações envolveram toda a família dela, que foi investigada e “nunca encontraram 10 reais que não houvesse justificativa jurídica. Nunca”, conforme o relato da ex-ministra.

Na disputa eleitoral de 2008, conta Erenice, “pela nossa proximidade, que já vinha desde 2002, isso se transformou num instrumento, numa forma de destruir a Dilma. Era evidente que ela ia ganhar aquela eleição”. 

“A forma de atingir Dilma encontrada naquele momento foi, na minha opinião, atingindo a mim. Eu seria o elo fraco de uma corrente, e o objetivo era fazer ela perder a eleição. Tanto que teve segundo turno, que não era para ter, mas acabou tendo, dado o escândalo, e a exploração da mídia em cima de denúncias absolutamente vazias, sem prova nenhuma. Depois, quando o denunciante foi depor na polícia ele ainda voltou atrás e disse que não foi bem isso, não era bem assim que eu disse. Mas foi o que disse pra Veja”, relatou.

“A imprensa explorou isso durante anos. Até hoje a imprensa solta notinha se referindo à ‘aquela’ Erenice Guerra que fazia algum malfeito, o que nunca foi comprovado”, prosseguiu. “Não tem prova, mas tem convicção. Sabe? Igual foi feito com o Lula”.

A procuradora no MPDF que recebeu o processo afirmou: “ela despachou para o juiz dizendo que não tem como pedir indiciamento em absolutamente nada, porque não existe nenhuma consistência em tudo que foi apresentado e levantado, e pediu o arquivamento do inquérito, que foi arquivado”. 

“E aí a Globo, que tinha passado dois anos falando todos os dias que eu era uma pessoa que praticava malfeito no governo, se deu o trabalho de, em 18 segundos, dizer que o inquérito que apurava eventuais irregularidades contra a ministra Erenice Guerra foi arquivado conforme  solicitação do MP e determinação do juiz. 18 segundos. Niguém nunca disse sorry”, completou.

_________________________________________________Com VIÉS totalmente BURGUÊS da PLUTOCRACIA, até eu.

ASTRÓLOGA falou para mais de 40 CEOs de GRANDES EMPRESAS nacionais. E eles ANOTARAM todas as PREVISÕES 

Estava ESCRITO nas ESTRELAS 

Em se tratando de 2022, é bom não facilitar e ir coletando todas as dicas disponíveis no mercado

A escritora e astróloga Marcia Mattos publica desde o ano 2000 o mais famoso anuário da astrologia brasileira, o Livro da Lua. Seus acertos são incontáveis e os erros quase todos justificáveis. Por isso, ela é ouvida por muita gente importante no Brasil. 

Claro que Marcia não fala sobre seus clientes, mas sabe-se que em anos bicudos como este, seus principais ouvintes são empresários e políticos abismados com o mar de incerteza que divisam no horizonte. 

Nesta semana, Marcia falou para um grupo de mais de 40 CEOs de grandes empresas nacionais reunidos pela Vistage Worldwide, uma organização especializada em “mentoria para executivos”. 

A palestra foi levada a sério pelos CEOs, que anotaram todas as suas previsões. Afinal, em se tratando de 2022, é bom não facilitar e ir coletando todas as dicas disponíveis no mercado.

Marcia não confirma a palestra, mas executivos presentes ao evento contam que ouviram dela a leitura dos mapas astrais do mundo e do Brasil. Já no primeiro minuto da palestra escutaram o que já sabiam, e os mapas confirmam, o mundo vai mal, mas o Brasil vai ainda pior. Segundo a astróloga, o país passa por “tensões planetárias particulares”. O fundo do poço, claro, foi em 2020, quando explodiu a pandemia de coronavírus. Para os que acham que é óbvio falar sobre o leite derramado, vale lembrar o que o mais famoso e importante astrólogo francês, Andre Barbeau, previu em 1987. Analisando astros e estrelas, Barbeau avisou que 2020 seria o pior ano do século XXI e que uma pandemia se espalharia pelo mundo matando milhões de pessoas.

Em 2021 se estabeleceu um platô na curva astral do planeta, que se apresenta visualmente como se fosse um gráfico da Bolsa. Depois da queda exponencial do ano anterior, houve certa estabilidade.

A boa notícia é que está chegando ao fim a fase dos extremos, da polarização, dos antagonismos desmedidos. Fase que não deu nenhuma chance ao centro, onde todos se sentiam obrigados a tomar uma posição contra ou a favor de alguma coisa. O esvaziamento do centro, segundo Marcia Mattos, ocorreu no mundo inteiro e, pela consulta dos mapas astrais, deve ser lido de maneira filosófica, mas também pode ser entendido politicamente. Ela explicou que o caminho do meio que se lê nos mapas é um conceito budista milenar, onde um indivíduo ou uma comunidade encontra total equilíbrio e controle sobre seus impulsos e comportamentos diários. Esta fase volta em 2023, disse Marcia aos atentos CEOs.

Ao longo do ano em curso, as tensões polarizadas seguem até outubro, que no Brasil é justamente o mês das eleições. Haverá momentos extremados pelo menos até agosto deste ano. O ano astral, disse Marcia ao seu público de executivos, será de “destronamentos”. A tendência apontada pelos astros é que países que realizarem eleições este ano, como o Brasil, mudem seus governantes. Este “destronamento” é interpretado pela astróloga como uma evocação da mitologia grega, em que o filho mata o pai rei e assume a sua dinastia. No caso concreto dos tempos modernos, significa o fim de uma era. “Em outubro, no Brasil, vai haver uma virada de jogo, uma mudança radical, a interrupção de uma direção”.

Você pode não acreditar em nada disso, tudo bem, mas tem um pouco mais. Segundo a astróloga, de 2023 a 2030 as curvas astrais subirão ininterruptamente, sobrevindo um período de forte “produção de bem estar”. Ainda assim, alguns problemas gerados na pior fase não serão resolvidos nesta época de bonança. No Brasil, por exemplo, a casa dois do mapa, que rege a economia, mostra o descontrole das finanças públicas, a derrama de dinheiro sem critério e sem acompanhamento de aplicação. A regência de Netuno indica que o dinheiro público se “dissolve” ao longo desta fase.

Pela leitura de Marcia, o pior é que “vai ficar por isso mesmo”. A mudança de direção inequívoca apontada pelos astros para 2023 não será acompanhada por cobranças e punições por erros e crimes cometidos nos anos anteriores. Márcia não pode dizer se a mudança será o “destronamento” de Bolsonaro por Lula, como indicam as pesquisas, porque Lula não tem mapa astral. A verdadeira data de seu nascimento é desconhecida, são quatro e nenhuma delas é confiável. Mas pelo que se viu, deve ser Lula mesmo. Ao final, ele vai se aliar ao Centrão para governar passando uma borracha nos desembolsos orçamentários escandalosos.

PT x Freixo

A possibilidade existe, mas é tão ridícula que parece ficção. As articulações do PT, que no plano nacional podem até mesmo resultar numa aliança de Lula com Alckmin, são obtusas, antiquadas e muitas vezes vexaminosas nos estados. No Rio, por exemplo, o PT pode ajudar a eleger o governador Cláudio Castro, um político quase bolsonarista. Ao negar apoio ao deputado Marcelo Freixo (PSB), favorito em todas as pesquisas, e acenar com a possibilidade de disputar com candidatura própria, com André Ceciliano, o partido de Lula aposta no azar, divide a esquerda e fortalece o candidato da direita. Até o prefeito Eduardo Paes (PSD), que em janeiro do ano passado disse a Bolsonaro que “seria um parceiro seu no Rio”, já avisou que pode apoiar Ceciliano. O PT não pode se queixar da companhia. Paes é um sujeito bacana, agradável, bom papo e festeiro.

Queiroz

Se contribuir para a reeleição de Castro, o PT indiretamente estará também contribuindo para fortalecer a candidatura do famoso Fabrício Queiroz, pré-candidato para a Câmara Federal. Que tal o PT apoiando a milícia? Com os convescotes petistas nos estados, o partido de Lula vai apoiar uma penca de candidatos do Centrão, sobretudo no Nordeste, onde faz aliança até com o diabo. Não estranhe, portanto, se por estas combinações que apenas a política brasileira é capaz de produzir, o PT acabar subindo no mesmo palanque de renomados golpistas e negacionistas Brasil adentro.

Discurso correto

Ao invés de ficar marolando à direita, sem firmeza e sem respaldo da base, Lula deveria admitir e angariar o apoio dessa turma dando um deadline. Mais ou menos assim: “Até o final de março aceito todo mundo no meu barco, depois desse prazo quem permanecer apoiando Bolsonaro não embarca no meu governo”. Esse seria um Lula que os eleitores petistas aplaudiriam, embora preferissem que ele dissesse que jamais aceitaria ao seu lado qualquer um que apoiou ou fez parte do governo do capitão.

Contra o jogo

Para agradar a bancada evangélica, Bolsonaro anunciou com pompa e circunstância que enquanto for presidente não legaliza o jogo de azar no Brasil. Foi com a mesma solenidade que um dia disse que faria de Angra do Rei uma Cancún brasileira. A original é um dos maiores resorts de cassinos do México.

O rebelde

Alguém tem dúvida de que Ciro Gomes seria um bom presidente? O Brasil que já perdeu com Serra deve perder também com Ciro.

Cala a boca, Queiroga

Há alguns limites no jornalismo que não estão sendo seguidos nestes dias. Um deles, é o de não dar voz a quem só defende o mal coletivo, a destruição comunitária. Estes devem ser acompanhados e fiscalizados, até mesmo ouvidos, mas não publicados. A menos que seja como denúncia categórica. É o caso do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. De que vale publicar, sem criticar, declaração do insano de que “mais vale perder a vida do que a liberdade”, defendendo que quem não quiser tomar a vacina está exercendo sua liberdade? Vale nada, apenas serve como palanque para os negacionistas, de quem ele espera arrancar votos em outubro com a nossa colaboração.

Hay prensa

Não importa a nacionalidade ou a cor da bandeira, basta estar no governo e não gostar da crítica para atacar quem descobre seus malfeitos e os denuncia. Foi assim durante as gestões petistas, quando o ex-jornalista Franklin Martins sonhou com o controle externo da mídia, por censura, claro. Vem sendo assim, com intensidade muito maior no governo de Bolsonaro, que ataca jornalistas dia sim, outro também. E acontece agora o mesmo com o aloprado Boris Johnson, primeiro ministro britânico que ameaça cortar as contribuições do Estado para a BBC por não suportar suas críticas. Desnecessário mencionar Rússia, China, Turquia, Hungria, Venezuela, Nicarágua ou Cuba. O velho ditado “hay gobierno, soy contra”, hoje poderia ser lido “hay prensa, soy contra”.

Terra arrasada

Enganaram-se redondamente os que acreditavam que a saída de Ernesto Araújo da chefia das Relações Exteriores daria ao Itamaraty novos ares e ambiente de reconstrução. O clima na chancelaria brasileira segue sendo de desolação. Mesmo não havendo mais o discurso disruptivo de Araújo (não porque o sucessor Carlos Alberto França seja mais articulado e menos atrasado, mas porque este não importa e nem é ouvido, para a sorte dos brasileiros), o Itamaraty continua parecendo uma terra sem dono. O mais bonito e glamoroso prédio da Esplanada dos Ministérios, hoje parece uma caverna abandonada. Nem na ditadura sentia-se um ar tão pesado quanto agora.

Frei Chico vive

Este jornalista cometeu um colunicído na semana passada. Deu por morto o Frei Chico, um dos irmãos de Lula. Frei Chico segue vivo e com saúde. Quem morreu, pobre, foi Vavá, um dos mais chegados ao ex-presidente, de quem aliás, Lula não foi autorizado pela Justiça a se despedir por estar preso. Peço desculpas ao Frei Chico e seus familiares pelo erro grosseiro.

_________________________________________________Ciro Gomes e parte do PDT iniciam campanha na velha forma: mentiras, agressões à imprensa e covardia que emula bolsonarismo

21 de janeiro de 2022, 23:11

Luís Costa Pinto, do 247 – Enquanto o evento de lançamento da candidatura de Ciro Gomes à Presidência da República esteve sob controle do núcleo de marketing do PDT, tudo parecia correr bem na sede nacional da legenda. Num discurso centrado na “rebeldia” e na “esperança”, com a assinatura intelectual do jornalista e publicitário João Santana e lido em teleprompter pelo candidato, houve promessa de pôr fim ao teto de gastos e a voltar a controlar os preços da Petrobras; houve também ataque ao ex-juiz Sérgio Moro, acusado de parcialidade em sentenças exaradas contra o ex-presidente Lula – “não consegue transformar farsa em heroísmo”, disse Ciro do ex-ministro de Bolsonaro. E houve também mentiras descaradas. A maior delas, quando o candidato pedetista se autoproclamou, mais de uma vez, um dos responsáveis pelo Plano Real. Colocado no Ministério da Fazenda quando o Plano Real já havia sido elaborado e estava em execução, obrigado a renunciar ao Governo do Ceará para assumir o posto que estava entregue ao embaixador Rubens Ricupero em razão do vazamento de um diálogo privado do então ministro da Fazenda com o jornalista Carlos Monforte, da TV Globo, Ciro Gomes tinha um "controller" na secretaria-executiva do ministério. Clóvis Carvalho, que exercia o mesmo posto desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso, ficou no cargo para não deixar o agora presidenciável pedetista fazer besteiras muito grandes.

Na entrevista, o descontrole total e os métodos bolsonaristas do PDT

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O descontrole dos pedetistas presentes à sede partidária no Setor de Autarquias Federais Sul de Brasília, e do candidato a presidente da sigla, revelou-se quando terminou o roteiro rascunhado por Santana e seguido pelo candidato. Um púlpito recepcionou os microfones da imprensa e suas canoplas. Ciro responderia a uma entrevista coletiva. Parecia estar leve e satisfeito com o lançamento de seu nome para a quarta eleição presidencial que disputará. Foi 3º em 1998, 4º em 2002, 3º em 2018. Cumprimentou alguns jornalistas com um olhar sorridente por trás da máscara e trocou um aperto de mão com um deles: comigo.

Conheço Ciro desde 1990. Como chefe da sucursal de Veja no Recife, que tinha por responsabilidade cobrir vários estados do Nordeste, entre eles o Ceará, testemunhei a conversão do então prefeito de Fortaleza em governador do estado sob as bênçãos de Tasso Jereissati. Construímos uma sólida relação entre fonte e repórter. Em 2002, atendendo a um convite de Jereissati, saí das redações dos veículos tradicionais e iniciei uma trajetória como analista e consultor de comunicação respondendo pela coordenação de imprensa da campanha presidencial do próprio Ciro, que disputou o pleito pelo PPS (hoje Cidadania).

A segunda pergunta da entrevista coletiva coube ao Brasil 247 e à TV 247. Foi formulada no sentido de querer saber do candidato se a “rebeldia” dele seria exercida em 2022, “caso ocorra 2º turno”, da mesma forma que ele a exerceu em 2018, quando deixou de fazer uma aliança com outros partidos e personalidades de esquerda e viajou para Paris. No segundo turno de 2018, Ciro Gomes se ausentou do Brasil e se omitiu da luta política do mundo democrático contra a ascensão de Bolsonaro e do bolsonarismo. Ao escutar a questão, o pedetista parecia ter reencarnado o personagem pérfido e sem norte de 2002, quando, em dois momentos, pôs a perder uma campanha que podia ter sido bem-sucedida. Num deles, agrediu um ouvinte negro de uma rádio em Salvador. No outro, agrediu a então esposa, a atriz Patrícia Pillar, dizendo (numa tentativa de fazer piada mal formulada, misógina, soez) que o papel dela era central na disputa porque dormia com ele.

“Luís Costa Pinto”, começou Ciro em sua resposta. “Corria o Ano da Graça de 1985, e todos os democratas do Brasil entenderam que era necessário, para precipitar o fim da ditadura, irmos ao Colégio Eleitoral e eleger Tancredo Neves”, prosseguiu. E seria uma resposta extensa, com agressões ao ex-presidente Lula, do PT, a quem Ciro serviu como ministro da Integração Nacional. “O Lula se rebelou e expulsou a Bete Mendes e o Airton Soares do partido dele porque pelo gosto do Lula o Paulo Maluf teria ganhado a eleição no Colégio Eleitoral, o Brasil teria ido para o brejo mais brevemente e ele, com o projeto eterno de poder deles, teria precipitado a sua presença nacional”, disse.

Em seguida, prosseguiu: “a TV 247 não vai publicar. Mas, corre uma sequência, nós derrubamos o Collor” (mentira. Nota do Autor: Fernando Collor de Mello foi impedido de seguir governando por decisão do Congresso Nacional a partir das revelações de uma Comissão Parlamentar de Inquérito iniciada em razão de uma série de reportagens das revistas Veja e, depois, Istoé). Continua Ciro: “... e a óbvia consequência de Collor derrubado era o Itamar Franco. O Lula foi para a oposição e propôs o impeachment do Itamar Franco” (mentira. Nota do Autor. Lula nunca propôs o impeachment de Itamar. Ele não quis que o PT desse apoio formal ao governo. Contudo, participou inclusive de conversas preliminares da formação do Governo de Franco, aceitou o nome de José Serra como ministro da Fazenda – vetado por Orestes Quércia, presidente do PMDB – e pediu a manutenção de Adib Jatene no Ministério da Saúde, o que não foi aceito por Itamar). Segue Ciro: “...e ficou contra o Plano Real. Eu ajudei o Itamar Franco e ajudei o Real a acontecer (mentira: quando o hoje pedetista entrou no ministério da Fazenda, o Real já era moeda corrente havia três meses. Ele tentou seguir ministro da Fazenda com Fernando Henrique Cardoso e não realizou o sonho porque não tinha a confiança da equipe de economistas que elaborou o Plano Real). Prosseguiu Ferreira Gomes, sendo o Ferreira Gomes grandiloquente que o Ceará nunca deixou de conhecer: “Veio a eleição de 1989, e o único candidato que perdia para o Collor era o Luiz Inácio. O Covas ganhava, o Brizola ganhava… o Lula então se impôs” (mentira: Lula disputou o 1º turno da eleição e teve mais votos que os adversários, passando a ter o direito democrático de disputar o segundo turno. O mesmo direito que Ciro Gomes queria ter tido em 2018, disputou a eleição, e teve menos da metade dos votos do petista Fernando Haddad no 1º turno). Tem mais, nas palavras de Ciro Gomes: “... Lula se impôs e entregou o País ao Collor. E nós todos ajudamos o Lula! Depois, você sabe disso, eu ajudei o Lula em todas as eleições dele” (mentira: em 1994 ele estava no Ministério da Fazenda ajudando Fernando Henrique, que venceu em 1º turno. Em 1998, pleito também encerrado em apenas um turno, Ciro disputou contra Lula e contra FHC). Segue o tortuoso raciocínio de Ciro: “Mas, eu faço uma pergunta humilde: será que existiria o Bolsonaro se não fosse a contradição econômica, social e moral do Lula? É uma pergunta para a inteligência do povo brasileiro. Porque 70% do povo brasileiro votou no Bolsonaro em São Paulo, no Rio e em Minas Gerais. O mesmo povo que tinha dado a vitória a Dilma contra Aécio em Minas. Será que o povo brasileiro de São Paulo, do Rio, de Minas virou tudo fascista? Não, Luís, foi Lula. Então, veja, eu não posso ficar de novo sustentando a irresponsabilidade do Lula. A vida inteira eu avisei. A vida inteira! Nas eleições que você fala, 2018, recupere, por favor, em nome do jornalismo brasileiro, que tem um papel crítico muito importante para nossa Democracia… recuperem: todas as pesquisas demonstravam que eu ganhava de Bolsonaro no 2º turno. Todas as pesquisas demonstravam” (meia verdade: esse cenário só se configurou a partir do final de setembro, depois do episódio de Juiz de Fora).  Ciro Gomes ainda tinha o que falar, até partir para cima do Brasil 247 e da TV 247: “O que o Lula fez? Impõe uma candidatura mentirosa. O que todo mundo sabia? O Lula era inelegível! O Lula mentiu que era candidato, trava a disputa, e lança candidato depois não um petista vitorioso como Camilo (Santana, governador do Ceará), Jaques Wagner, não! Lançou o cara que tinha perdido um aninho antes (mentira: dois anos antes), com 16%, perdendo para nulo e branco, na Prefeitura de São Paulo. Na reeleição… será possível? Até quando nós vamos aguentar isso? Eu não sou obrigado, como cidadão… luto como posso, não tenho vida privada… luto para ajudar o Brasil. Agora, capricho de lulo-petismo, nunca mais”. Foi então que Ciro Gomes, ao cabo de um tortuoso raciocínio no qual deixou claro não apoiará Lula e que se rebelará contra uma união de siglas e personalidades de esquerda e de centro-esquerda em eventual 2º turno contra Bolsonaro, este ano também. A partir daí, assestou as baterias contra a mídia alternativa profissional. “A TV 247, Lula (referindo-se ao jornalista que o havia desequilibrado), desculpe, não é um veículo de imprensa. É um panfleto do Lula. Pago com dinheiro sujo”. Fora do eixo democrático, mas, dentro de seu padrão de comportamento, Ciro Gomes percebeu na hora o tamanho da mentira pérfida e da falsa acusação que fez. Virou de lado e impediu que o microfone fosse dado ao 247 para réplica. O Brasil 247 e a TV 247 são os maiores veículos da mídia independente. Leia, aqui, o posicionamento de nossa redação sobre os ataques do pedetista.

Ao sinal do chefe, milícia de meganhas do PDT tenta intimidar jornalista do 247

Tão logo Ciro proferiu a coleção de aleivosias caluniosas e mentirosas contra o Brasil 247 e a TV 247, um homem trajando calça jeans e camisa branca, cerca de 1,83 metro, postou-se por trás do jornalista que havia perturbando o candidato do PDT com uma pergunta. 

De forma insidiosa, o militante pedetista passou a filmar o profissional e o que ele escrevia no aplicativo de mensagens do celular, aproximando-se e dizendo: “vai embora. Cumpriu seu papel. Sai”. 

Ouviu de volta, também ao ouvido, de forma firme: “vá à merda”. 

O repórter virou-se para o candidato, que tentava seguir a coletiva, contudo, ouviu outra determinação para deixar o espaço do PDT. 

Ao que reagi: “você não me conhece, vá à merda”. 

Em nome da minha própria segurança pessoal, estabeleci contato visual com Ciro Gomes e com seu assessor. 

Ambos perceberam do que se tratava e mandaram, com gestos, que o “miliciano pedetista’ se afastasse.

Funcionou por meros 15 segundos. 

Dois outros “meganhas” da militância pedetista, um deles de vermelho, o outro de branco, postaram-se por trás do jornalista da TV 247 e do Brasil 247. 

Um à direita, outro à esquerda. Ambos sopraram-me ao ouvido uma determinação: “vaza. Cumpriu seu papel. Era isso o que você queria”. 

Receberam cotoveladas destinadas a demarcar o espaço entre eles e eu e procurei novo contato visual com o candidato. Não foi possível. 

Levantei os braços e virei para o senador Cid Gomes e para o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio: 

“Cid, Roberto, tirem os meganhas de vocês daqui”. 

Cid Gomes chegou junto de mim, perguntou o que se passava. Expliquei. 

Ele afastou os dois meliantes da cena do crime contra a imprensa, que já estavam cometendo, e pediu-me: 

“meganha, não. Um deles é meu assessor no Senado, professor universitário”, apelou. 

“Professor e meganha. É assim, usando métodos de Bolsonaro contra a imprensa, que vocês vão combater o bolsonarismo?”, ouviu de volta. 

Àquela altura a entrevista tinha sido encerrada brevemente. 

Virei de costas e me retirei do galpão onde deveria ter ocorrido o lançamento festivo da candidatura presidencial de Ciro Gomes. 

O “meganha” de vermelho seguiu-me até ao jardim da sede do PDT, onde tentou estabelecer uma briga física. 

Ao perceber que haveria reação e que não tinha a solidariedade de ninguém em volta dele, desistiu.

_________________________________________________Opinião: Entendendo Bolsonaro - Na corrida eleitoral, Lula deveria parar de olhar pelo retrovisor

8.dez.2021 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em discurso Imagem: Carla Carniel/Reuters

* Cesar Calejon

Há uma frase clichê que serve, perfeitamente, para explicar o atual momento da política brasileira e a corrida à Presidência da República, na qual nos encontramos na reta final: "um leão nunca perde o sono pensando na opinião das ovelhas".

Líder isolado nas pesquisas que aferem as intenções de voto para as eleições de outubro, com chances reais de ser eleito ainda em primeiro turno, o ex-presidente Lula deveria parar de olhar pelo retrovisor.

Atualmente, Lula é a força política mais densa de toda a América Latina e uma das principais lideranças da arena internacional. Ao citar pessoas infinitamente menores, como Alckmin ou Moro, seja para tentar compor uma chapa ou para atacar o que entende ser um desafeto, o petista acaba por dar relevância a figuras que estão praticamente anuladas no cenário político nacional.

Veja, por exemplo, qual foi a resposta do presidente estadunidense, Joe Biden, ao ser questionado se o seu antecessor Donald Trump lhe oferecia algum risco: "I don't think about the former president" [Eu não penso no antigo presidente], disse. Sem sequer citar o nome, ele simplesmente ressalta a irrelevância do seu desafeto.

Geraldo Alckmin obteve 4,76% dos votos válidos em 2018 e, no entanto, Lula fala e age como se dependesse do direitista para ser eleito. Moro jamais alcançou sequer a marca dos dois dígitos nas intenções de voto. Lula segue rivalizando-o como se fosse um adversário à altura.

Com o país devastado em todos os sentidos pela sequência trágica de lavajatismo e bolsonarismo que o acometeu ao longo dos últimos seis anos, o ex-presidente, que ocupa a pole position na disputa pelo próximo pleito presidencial, aproveitaria melhor os seus recursos ao se focar, única e exclusivamente, no projeto que pretende colocar em prática a partir de 2023.

Com uma sindemia estabelecida no território nacional, ou seja, múltiplas crises (política, econômica e sanitária) interagindo simultaneamente, os brasileiros estão exaustos com tanto sofrimento e não querem mais saber de intrigas e conflitos, mas de como e quando sairão desse imenso túnel obscuro no qual ingressamos a partir de 2016.

Nesse sentido, o retrovisor é apenas um pequeno espelho retangular que deve ser consultado, exclusivamente, quando outros competidores se aproximam de forma a contestar a liderança, o que, pelos menos até a presente data, não é o caso. Cabe, portanto, direcionar o olhar para o futuro, sobretudo o que nos espera após a provável bandeirada da vitória de outubro.

* Cesar Calejon é jornalista, com especialização em Relações Internacionais pela FGV e mestrando em Mudança Social e Participação Política pela USP (EACH). É escritor, autor dos livros A Ascensão do Bolsonarismo no Brasil do Século XXI (Kotter) e Tempestade Perfeita: o bolsonarismo e a sindemia covid-19 no Brasil (Contracorrente).

_________________________________________________A sórdida alienação da “merdocracia” brasileira - Disparada

Última atualização:31/01/2021 ·5 minutos de leitura

Por estarem com a vida ganha em termos econômicos, com suas famílias saudáveis,  alimentadas e bem vestidas, fruindo prazeres diversos em suas viagens rotineiras ao exterior, políticos do Congresso Nacional, agentes judiciários, integrantes do atual governo e grande parte dos empresários e banqueiros de mesquinha ideologia escravagista não estão nem aí para o fundo do poço a que chegou o Brasil. Não estão nem aí para o resto da população e, uma vez alienados em todo o seu percurso de vida, perseveram na manutenção da alienação do país.

Como bem resumiu em três palavras o juiz Jerônimo Azambuja Franco Neto, da Justiça Trabalhista de São Paulo, é a “merdocracia neoliberal fascista”. Numa das faces desse triste e escabroso poliedro que se tornou o Brasil, de um lado estão os reincidentes em mandatos eletivos para fins privatistas. Reincidentes porque não há palavra melhor para adjetivar os que são eleitos na base da má fé explorando a crença religiosa de pessoas humildes e a ignorância dos eleitores, com a transformação do mandato parlamentar em balcão de negócios mafiosos.

São os que tratam a destruição dos pilares da previdência pública e a privatização de tudo como grandes supostos negócios para o país sem uma perspectiva coletiva. Na verdade, negócios privados, que, bem sabemos, o quanto devem render de promessas pecuniárias e outras, agora, ou lá na frente, para os ditos especialistas e articuladores de conchavos nos bastidores que não vêm a público.

De outro, um governo composto de gente ignorante e deslumbrada que desconhece história e possui sentimento de solidariedade zero – menos ainda noção alguma tem de coletividade e, portanto, de um projeto nacional. É de se imaginar e perguntar como certas autoridades conseguiram diploma de curso superior.

Não que diploma acadêmico possa melhorar as pessoas. Para alguns, o título até piora o caráter. Mas, os exemplos que se veem pelas notícias nos meios de comunicação e redes sociais têm sido pródigos para nos fazer indagar como é possível a boçalidade se manifestar de maneira tão desembaraçada, sem qualquer pudor, na boca de gente que se apresenta como qualificada em cargos de autoridades.

É um pessoal que ignora toda uma trajetória da humanidade em suas diferentes sociedades. Desconhece as histórias, no plural, de conflitos e contradições diversas – as formações dos povos em busca de soluções para os problemas através da política, da ciência e das guerras.

Sem falar na falta de noção sobre o desenvolvimento do ser humano a partir do afastamento de sua barreira natural e biológica – a superação do seu “rame-rame” de subsistência, com gozo e fruição nas representações pelas artes e pelas diferentes e imponderáveis manifestações da livre expressão e criatividade dos indivíduos.

No caso de muitos agentes não eleitos e concursados dos órgãos judiciários e administrativos, tanto a origem de classe social como a formação acadêmica e, posteriormente, seus salários e benesses pagas pelo contribuinte conformam suas mentes dentro de uma ideologia de meritocracia duvidosa mais do que juspositivista.

Grande parte é completamente alienada, sem compreender os nexos de sua atividade com os demais complexos dos fenômenos da economia, da política e da cultura. Acreditam que são agentes de um Estado supostamente isento, autônomo e representativo de toda a sociedade.

Nesse segmento há aqueles mais arrojados que assumem a crença de que vieram ao mundo com uma missão civilizatória. Julgam-se acima dos demais setores da sociedade, atropelando princípios e mecanismos básicos do que os povos vêm tentando construir nos últimos dois séculos em termos de concertação política através do Estado.

Sem ser eleitos se acham representantes. Motor propulsor das revoluções burguesas, o binômio liberdade-igualdade da democracia se tornou um pedregulho no caminho neoliberal fascista dessa gente.

De repente, assumiram de forma extremada o incômodo filosófico de Rousseau sobre a impossibilidade da delegação de sua própria soberania, no caso da ideia de representação. E, assim, acreditam que sua racionalidade jurídica é a única forma possível para civilizar os seres humanos e dar jeito na sociedade. Têm horror à ideia de democracia e da livre criatividade dos indivíduos.

Ficamos sem saber quem é pior nessa geleia alienada do salve-se quem puder. Espécie de máquina com engrenagens erráticas e necessárias para a reprodução social. Na parte do poliedro que diz respeito às contradições entre relações de produção, circulação de mercadorias, salários, leis trabalhistas, empresários e banqueiros se comportam, em seus cálculos, como abutres que olham o mundo e os seres humanos de maneira apenas monetária. Abutres, sem querer ofender os animais que agem por sua própria natureza.

Não se trata de uma engrenagem natural e inexorável, sem dúvida. Há conspiração, sim! Ou melhor, conluio. Isso, ainda que cada um aja defendendo seus interesses particulares na corrida do salve-se quem puder e do adiamento das crises inevitáveis. Isso, mesmo nos chamados pesos e contra-pesos da tripartição aristotélica e montesquiana de poderes.

Ver também

György Lucáks mostra como objetivação e alienação fazem parte de uma contradição inevitável da ontologia do ser social. Diferentemente da maioria da população brasileira, não tenho, por enquanto, problemas de precarização econômica, já na quadra sexagenária da vida. Sei também de minhas limitações em termos de propostas para resolver os graves problemas do país. Tenho, nesse momento, essas palavras.

Mas uma coisa é certa: lugar de fala é uma ova! Falo por mim e por todos os que sentem esse fedor horrível da gosma em que está sendo transformado o país. Por todos os que tiveram a vida despedaçada na condição de desempregados, aposentados, trabalhadores uberizados, pesquisadores desiludidos, professores, funcionários públicos sem perspectivas, médicos e professores mal remunerados, mendigos, pessoas sem teto e sem terras e tantos outros.

Concordando com Marcos Risério, meu lugar de fala é o Brasil. Posso falar pelos outros, sim, mesmo que esses outros nem imaginem as diferenças de condições econômicas que nos separam. Posso falar por uma ideia, uma perspectiva, um devaneio, um desassossego por utopias. É isto que a alienação nos tenta impedir: acreditar numa ideia, acreditar que nós fazemos nossa história, ainda que não em circunstâncias que escolhemos, como disse Marx.

De todas as espécies animais somente o ser humano pode pensar em alternativas de futuros. Entre todas as espécies de seres vivos, animais e plantas, nunca qualquer um se revelou mais cruel do que o ser humano. Se tivermos que falar de ética em qualquer arena da vida, temos que por no centro da reflexão a questão da crueldade humana.

Os que promovem a alienação dos outros tomaram de assalto o Brasil e ofenderiam alcateias e aves de rapina se assim fossem qualificados. Acham-se donos de uma terra ocupada. Como quem diz: chegamos primeiro! Conseguimos pelo voto! Para combater essa gente, sem uma ideia viva estamos mortos desde sempre. Fazer o que se acha impossível é mais do que possível e necessário. E para dissipar a gosma da alienação, nada mais luminoso do que essa frase de Goethe: “O homem deve perseverar na crença de que o incompreensível é compreensível; caso contrário, ele não pesquisaria.”.

_________________________________________________VAZA-JATO: A questão "VEJA" e outras histórias - Disparada

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vaza jato questão veja e outras histórias


Na manhã desta sexta-feira (5) a revista VEJA publicou a primeira grande reportagem de sua parceria com o Intercept, revelando as gravações de conversas escusas entre o juiz Sérgio Moro e membros da força tarefa da Lava-jato. Nesta reportagem, VEJA e Intercept confirmaram o que já se via nas últimas semanas. Moro e o MP atuaram conjuntamente para prejudicar a defesa dos envolvidos na Lava Jato.

A revista VEJA, publicação que ajudou a criar o mito do Juiz Moro, se rendeu aos fatos da parcialidade do juiz de Curitiba, que galgou o cargo de ministro da justiça às custas do Estado Democrático de Direito.

Falência

A Revista Veja é o principal produto da empresa Abril Comunicações, originalmente da família Civita. A Abril, antes somente editora, foi um dos projetos editoriais mais bem sucedidos do Brasil. Até o final dos anos 90.

Num surto megalomaníaco, resolveu apostar tudo no programação de TV fechada, cabeando o Brasil inteiro com fibra ótica. O investimento foi tanto que todos os funcionários “emprestaram” dinheiro a empresa, tendo seus salários “retidos” por alguns meses. Um sistema de capitalização digno do clã Civita.

A internet veio e os lucros da TV fechada no Brasil diminuíram cada vez mais. A Abril persistiu no erro e acabou tornando-se extremamente obtusa frente a tecnologia que mataria anos depois.

A editora demorou anos para se adaptar ao mundo digital. Depois dos altos custos com a TV a cabo, perdeu a capacidade de investimento. O resultado foi catastrófico: uma queda de vendas de mais de 70% e a perda de relevância no debate público nacional. O fechamento de revistas tradicionais como “Superinteressante” já davam sinais claros do que viria a seguir. O império colapsava.

Em 2015 a empresa é obrigada a deixar metade de seu tradicional prédio na Marginal Pinheiros. O bunker dos Civita agora seria dividida com seguradoras e corretores de imóveis.

Em 2018 a empresa entra em recuperação judicial e no mesmo ano é comprada pelo advogado Fábio Carvalho. Fábio, de quem falaremos melhor em breve, assumiu as dívidas da empresa paulista (R$1,6 bilhões) e pagou à família Civita a quantia de 100 mil reais. O preço de um apartamento “sala e cozinha” no interior.

O novo chefe

Fábio Carvalho é conhecido por assumir empresas falidas e reergue-las-las com renegociações, demissões e empréstimos gentis de seus amigos banqueiros. É um empresário bem sucedido e bem relacionado.
Para a compra da Abril, Fábio contou com a ajuda de seu amigo de longa data, André Esteves, outrora preso injustamente pelas mãos do juiz Moro. Esteves comprou os títulos podres da Abril e emprestou 70 milhões para que a empresa tivesse capital de giro. Quem tem amigo não morre pagão.

A repercussão

Antigos membros do corpo editorial da revista tremeram com a chegada da dupla Carvalho/Esteves. Durante as negociações de venda, trataram de plantar notícias nos veículos de seus ex-colegas, os Antagonistas Diogo Mainardi e Mário Sabino.

“O Antagonista” e sua revista “Crusoé” são a dissidência da antiga VEJA dos anos 2000. O antipetismo vulgar e o jornalismo irresponsável são marcas dos veículos, que atuam em sociedade com a consultoria “Empíricus”, mais conhecida como a “empresa da Betina”.

Ver também

Sabino, ex- redator chefe de VEJA, era conhecido por sua arrogância e por seus episódios cômicos. Na ocasião do lançamento de seu romance, mandou um sobordinado da sessão de literatura fazer uma resenha elogiosa. O resultado foi uma comparação com Machado de Assis e outros nomes que passam longe do parco talento literário de Sabino.

Os “Antagonistas” fizeram uma campanha aberta contra a compra da VEJA acusando inclusive a revista de se tornar “petista” após a aquisição de Carvalho.

A reestruturação

Carvalho, ao assumir o controle da empresa, fez questão de retirar de postos chave os que eram mais leais aos Civita. Colocou o carreirista Maurício x, antigo colunista do Painel, na chefia executiva e dois redatores-chefe com opiniões opostas. Os redatores,Fábio Altman e Policarpo Júnior, se diferem em quase tudo. Altman é filho de militantes comunistas e irmão de Breno Altman, porta voz petista. Policarpo já foi indiciado por ligação com Carlinhos Cachoeira e é notório antipetista, tendo sido processado inúmeras vezes pela claque do Partido dos Trabalhadores.

Em breve esta coluna abordará as decisões políticas que levaram a VEJA ao colapso e os bastidores da reportagem da capa desta semana, sobre os vazamentos da Lava Jato.




_________________________________________________Brasil, o homem doente da América do Sul: Por que Lula não pode nos salvar de Bolsonaro - Disparada

Redação Disparada·11/11/2021··7 minutos de leitura

Por Maria Eva Angelim – A expressão “o homem doente da Europa” já foi usada mais de uma vez por analistas políticos. Seu criador foi o Czar Nicolau I, no século XIX, que se referia ao Império Otomano, Estado decadente que veio a se esfacelar com o final da 1ª Guerra Mundial.

Outro uso bastante emblemático da expressão foi em relação à Alemanha do período da República de Weimar. Naquele momento o país, que era uma das maiores potências europeias, estava absolutamente imerso em conflitos políticos cada vez mais radicais, e em uma crise econômica sem precedentes originada na crise de 1929.

O Estado alemão, embora parlamentarista, estava com o Congresso totalmente dividido e era de fato governado pelo seu presidente. Paul Hindenburg, um veterano de guerra e figura política conhecida, foi chamado aos 84 anos e com saúde já delicada para disputar as eleições presidenciais do seu país.

Hindenburg era na época visto como o “único candidato capaz de impedir a ascensão de Hitler”. Os partidos democráticos da Alemanha se uniram em torno de sua candidatura e Hindenburg de fato venceu a eleição com 53,0% dos votos contra 36,7% de Hitler, uma vitória folgada. Os democratas, do centro à esquerda, respiraram aliviados.

Para responder à crise, Hindenburg indicou como ministro da Fazenda o economista Heinrich Brüning. Brüning, um liberal, queria evitar a todo custo a hiperinflação que a Alemanha viveu entre 1921-23, e acreditava que qualquer tentativa de renegociar os pagamentos da dívida externa seriam repudiadas pelos credores internacionais.

Nesse contexto, o governo começou um plano de deflação (ajuste fiscal) draconiano. Entre outras medidas, cortaram investimentos públicos, suspenderam todos os novos pagamentos de seguro desemprego, reduziram drasticamente benefícios para doentes, inválidos e pensionistas, cortaram em 20% os salários, aluguéis e remunerações.

O resultado líquido, como se sabe, foi que no período 1929 e 1933 o desemprego alemão aumentou de 8% para 30% da população, e a produção industrial caiu em 42%. Bancos internacionais suspenderam empréstimos para a Alemanha e a situação ficou insustentável.

Instalou-se um período de colapso econômico e social que permitiu a ascensão de Hitler como chanceler em 1933, apenas um ano depois de sua derrota eleitoral. Em 1934 Hindenburg faleceu e, sem novas eleições, Hitler acumulou o cargo de presidente sendo denominado então führer (líder) da Alemanha.

O que o caso do homem doente da Europa alemão nos conta? Em primeiro lugar, que a disputa eleitoral é diferente da disputa política. Embora Hindenburg tivesse vencido com vantagem as eleições de 1932, o nazismo como força política e social nunca perdeu força.

A força do partido nazista não era o resultado eleitoral de seus líderes, mas sua capilaridade social, a articulação com patrocinadores no meio empresarial, a penetração nos aparatos de Estado alemão, e sua força ideológica nas classes médias e trabalhadoras. Uma derrota eleitoral não destrói uma força política organizada.

Em segundo lugar, o caso alemão nos mostra que por trás da disputa ideológica, havia algo concreto que alimentava permanentemente o Partido Nazista, a crise econômica. A Alemanha estava imersa em problemas econômicos estruturais: uma dívida externa avassaladora e a ausência de colônias como outras potências ocidentais.

A elite política alemã, incluindo o SPD, de centro-esquerda, não via alternativa fora de uma concepção econômica liberal, como a aplicada por Hindenburg. Sua perspectiva era a de “remediar” os males provocados pelo modelo econômico adotado.

A incapacidade das elites políticas de produzirem reformas profundas era o alimento do qual o Partido Nazista se alimentava e crescia. Ele era o combustível invisível por trás do crescente radicalismo da sociedade alemã, e de sua disposição de abandonar tudo pela perspectiva de uma mudança radical, viesse ela do Partido Comunista ou do Nazista.

É importante observar as muitas similaridades entre o período do Entre-Guerras e o período que estamos vivendo. Há uma mudança geopolítica importante em curso, com uma disputa crescente entre as velhas potências (Inglaterra e França na época – EUA e União Européia hoje) e as novas (EUA, Alemanha, Itália e URSS na época – a China hoje).

Também houve, e há agora, um conservadorismo e uma incapacidade das elites políticas do establishment em elaborar um modelo que transforme profundamente as bases de seu sistema econômico. Como isso não ocorre, as forças políticas radicais vão surgindo e se fortalecendo nos diversos cantos do mundo.

Nos EUA, mesmo depois de sua derrota eleitoral contra Biden, do establishment, o trumpismo continua uma força política fortíssima. Na França, depois da eleição do social-liberal Macron, Marine Le Pen só ganhou expressão política. Na Itália, a crise política se aprofunda sem perspectiva de fim, e movimentos neofascistas se fortalecem.

Na América Latina a situação é similar. Javier Milei caminha a passos largos na Argentina diante do imobilismo do governo peronista. No Chile, a extrema direita de José Kast já é a segunda colocada nas pesquisas para as eleições presidenciais. Para além de qualquer perspectiva eleitoral, esses movimentos fortalecem suas presenças na sociedade.

No Brasil, Bolsonaro continua firme como líder de massas, insufla amplos setores sociais contra as instituições, com penetração em policiais e outras forças de segurança, um exército de influenciadores digitais que alimentam sua máquina de comunicação, e financiamento garantido por empresários simpáticos à sua plataforma política.

O que Lula e o PT pretendem fazer diante disso tudo? Qual é a solução do PT para os problemas estruturais que vive o Brasil, o homem doente da América do Sul? Como vamos interromper o alimento básico das forças da extrema direita, que é a falência do modelo econômico? A esquerda brasileira está apostando todas as fichas na eleição de Lula?

O mais grave é que no último governo Dilma vimos como o PT lidou com a crise econômica da época. Dilma fez sua nova matriz econômica, que conseguiu ao mesmo tempo fracassar na sua missão de promover crescimento e reindustrialização do país, destruir seu equilíbrio fiscal, gerar inflação, e perder apoio no meio político e empresarial.

Depois disso, orientada principalmente por Lula, Dilma indicou um liberal para o Ministério da Fazenda. A percepção de Lula, que era também a de empresários e a da mídia da época, era a de que Dilma era muito heterodoxa. Lula queria Meirelles, seu ex-presidente do BC. Dilma, teimosa, queria “se impor” diante do padrinho. Chegou a sondar Luiz Trabuco, do Bradesco, e Paulo Guedes (sim, ele mesmo), mas terminou com Joaquim Levy.

A política de Levy não retomou o crescimento e fez Dilma perder o resto de base social que possuía, levando ao impeachment. Ironicamente, Michel Temer, que assumiu após o impedimento, foi quem seguiu a ideia de Lula e colocou Meirelles no Ministério da Fazenda. 

Ver também

Após uma série de políticas formuladas durante o governo Dilma e implementadas por Temer, como o teto de gastos, a reforma trabalhista e a reforma da previdência, a população viveu um enorme sacrifício social. O crescimento econômico oriundo da “volta da confiança”, prometido pelos liberais, nunca veio.

No ambiente de caos político e social, a população revoltada elegeu Bolsonaro, que com Paulo Guedes na Fazenda redobrou a aposta no modelo anterior. Embora tenha sido amado pelo mercado nos primeiros anos, por entregar as “reformas” e pelo discurso liberal, mais uma vez o sonhado crescimento econômico nunca veio.

A crise decorrente da pandemia colocou a pá de cal em qualquer possibilidade de melhora do cenário econômico. Atônitas, a imprensa e a esquerda viram um fenômeno curioso: enquanto o bolsonarismo perdeu o apoio na maioria da população, é possível ver a adesão de setores aos apelos cada vez mais radicais do presidente.

De forma totalmente isolada da realidade, o PT, sua militância e seus apoiadores ficam presos ao debate das chamadas questões identitárias e simplesmente não apresentam, nem mesmo discutem, um programa econômico para o país que ao mesmo tempo transforme seus fundamentos e seja aceito pela sociedade e agentes do mercado.

Por outro lado, o histórico de Lula, tanto em seu governo quanto depois dele, como conselheiro de Dilma, é de que o ex-presidente vai negociar com o establishment. Isso o levará a adotar o mesmo liberalismo aplicado já há 6 anos ininterruptos, com meia dúzia de programas sociais para aliviar a vida dos mais desvalidos. 

Para quem duvida, basta observar os compromissos já firmados por Lula: transformar a Caixa, Furnas e a Eletrobrás em empresas de economia mista, e sua condenação de impostos sobre grandes fortunas. Não vai dar certo.

Os EUA se salvaram da onda fascista porque elegeram o presidente Roosevelt, criador do New Deal. Para implementar o New Deal, Roosevelt brigou com o seu partido, com a Suprema Corte dos EUA, com o consenso acadêmico e empresarial do seu país, e aplicou um plano ousado, que depois criou um novo consenso de 30 anos em seu país.

Fica a dúvida: o Lula está mais para Roosevelt ou para Hindenburg? Para o presidente arrojado das reformas profundas, ou para o presidente velho e cansado que vai desesperadamente, e inutilmente, tentar impedir a queda do establishment mantendo a mesma política econômica e levando à ascensão da extrema direita em seu país?

Se a resposta for a segunda, então Lula não será a salvação, mas a derrocada final do nosso país. O homem doente da América do Sul precisa de cura. O bolsonarismo não é a doença, é o sintoma de algo mais grave e profundo. Se a verdadeira doença não for curada, ela nos empurrará em direção ao imprevisível.

Por Maria Eva Angelim

_________________________________________________Lula rompe barreira contra ele do poder midiático conservador ao priorizar mídia independente - César Fonseca

Por César Fonseca 19 de janeiro de 2022, 21:48

A mídia conservadora está, agora, bebendo “água suja” da mídia independente; como atua preconceituosamente em relação a Lula, vendo-o, apenas, do ponto de vista ideológico e não como o produtor nato de notícias políticas, ficou, de certa forma, sem acesso ao que gosta, ou seja, de ter a primazia da informação; o que faz a vida do Globo, do Estadão, da Folha, do Correio Braziliense etc? 

A satisfação do furo jornalístico, é claro; mas como essa mídia burguesa reserva a Lula o desprezo e a maledicência, com os quais tratam os interesses dos socialmente excluídos, esquece que ele, na campanha eleitoral que se inicia, está no comando dos fatos por ser o alvo preferencial do eleitorado, já que bomba nas pesquisas.

O que deveria fazer para praticar verdadeiro jornalismo?

Buscar Lula como produto exclusivo para satisfazer os seus leitores, como tem feito a MÍDIA INTERNACIONAL; 

Lula, no exterior, é sensação, é santo que faz milagre fora de casa, não porque seja isso ou aquilo, mas porque sua presença e sua fala conquistou espaço obrigatório para ser revelado; 

aqui dentro cuidam de esconder o cara; não o tratam como prioridade, como fato, mas como se fosse o anti-fato; jamais dão uma manchete com ele, salvo para tentar destruí-lo, para não dar repercussão ao nome dele que é mercadoria que o consumidor quer comprar; 

como a justiça jogou por terra as acusações falsas contra ele produzidas pela Lava Jato, buscam não noticiá-lo, como se isso fosse solução para apagá-lo; o eleitorado é mais inteligente que a mídia conservadora, que, nesse particular, revela-se burra.

Esconderam-no inutilmente

Jamais se viu, enquanto esteve preso (580 dias!!!), algum jornalista desses grandes jornais falar com ele, perscrutar o seu futuro, as suas razões, os seus argumentos; não se viu nenhum veículo desses que se julgam respeitáveis ao extremo dar cartaz ao maior líder político nacional, junto com Getúlio Vargas; 

ao contrário, tentam tratar ambos como se fosse defuntos; não cheiraram a notícia; o mesmo aconteceu com Getúlio, odiado pelo Globo, pelo Estadão, pelo Correio da Manhã, os ban-ban-bans da época (anos 1950/60), empenhados em fazer com Gegê o mesmo que fazem, atualmente, com Lula, ou seja, procurar mantê-lo no ostracismo; 

precisou que um repórter craque, como Samuel Wainer, fora do circuito do poder midiático dominante, fosse a São Borja, Rio Grande do Sul, nos momentos anteriores à eleição presidencial de 1950, para conversar com o ex-presidente, a fim de tirar dele a frase famosa que balançou o Brasil: “eu voltarei!”; a partir daí tudo mudou.

Mutatis mutandis, hoje, nesta quarta feira, precisou que a mídia independente se reunisse com Lula para tirar dele a confirmação importante: 

Alckmin é o vice predileto para ele vencer a resistência conservadora para governar o Brasil, sendo eleito; 

só não será se não quiser; como tem dito que quer aos amigos e correligionários, o fato político mais importante foi parido pela “mídia suja”, assim chamada pela mídia cheirosa, subordinada ao mercado financeiro, contrário à candidatura Lula; não tendo outra saída, a grande mídia está sendo obrigada a beber a água de segunda mão, expelida pelos jornalistas da mídia independente, que não só extraíram de Lula essa notícia quentíssima, importantíssima, mas, também, a que jamais gostaria de não publicar, isto é, que o ex-presidente não ficará refém da Faria Lima para tocar sua política econômica. 

Sem medo de ser feliz

Extrovertido, sem medo de ser feliz, dono da sua performance, disse mais: 

que, se eleito, chama o presidente do Banco Central independente para dizer que vai discutir, sim, o assunto proibido pelo poder neoliberal que deu o golpe em 2016, o teto de gastos sociais, mas, igualmente, exigirá teto para despesas financeiras, teto para o emprego, para os investimentos produtivos, o escambau etc; 

por que garantir verbas ilimitadas para a banca e deixar a sociedade padecendo na escassez da oferta de serviços públicos em plena pandemia, deixando a população mais pobre, inclusive, sem máscara contra os vírus que se multiplicam? 

Lula colocou, praticamente, às escâncaras sua futura atuação, eleito presidente pelo voto popular; caiu, portanto, uma barreira de silêncio sobre o assunto; 

pior para a grande mídia foi ela não dar essa informação; ao contrário, foi bebê-la nas águas da mídia alternativa, considerada imprópria, suja pelo Estadão, pela Folha, pelo Globo e que tais, associados à sua visão ideológica conservadora, golpista, reacionária elitizada etc.

GloboNews, cadê você?

Ora, por que uma GloboNews, com todo o seu aparato capaz de dar velocidade à informação, tipo essa que Lula deu, hoje, em grande estilo, ainda, não chamou o ex-presidente para uma entrevista?

Lula se negaria? Claro que não! 

Mas é aquele tal negócio: na mídia reacionária, Globo à frente, como diz o grande fotógrafo Orlando Brito, no Facebook, o que menos se vê é a informação, mas propaganda de si mesmos que os informantes jornalistas promovem, num espetáculo de autopromoção, algo sacal; 

pura babação de ovo entre os profissionais como se fossem eles a notícia e não os divulgadores dela.

Como não oferecem o que é, realmente, substantivo, ou seja, uma fala clara, explícita, esclarecedora de Lula sobre o que é essencial à sociedade nesse momento em que se inicia a campanha eleitoral que decidirá o futuro do Brasil, acabam sendo ultrapassados; 

extrovertidamente, Lula deu o seu recado; sem chão, lá se foram os sites da mídia conservadora correrem atrás do poder midiático independente que cresce na preferência popular como antídoto à mentira midiática dependente do capital da Faria Lima.

O poder midiático enganador auto-promocional passa a ter acesso de segunda mão, porque a sua orientação ideológica não cuida de priorizar a notícia mas a versão dela que eles mesmo fabricam para enganar eleitores e eleitoras; 

Lula rompeu a barreira e, por isso, é o fato novo que os reacionários têm que divulgar dar para não perderem o público.

_________________________________________________Lula na entrevista: será um governo de pacificação, voltado aos pobres; paridade de gênero e raça ainda em disputa - Mauro Lopes

Por Mauro Lopes 19 de janeiro de 2022, 20:35

Tive a alegria de ser escalado para representar o Brasil 247 na entrevista histórica de Lula à mídia independente na manhã-começo de tarde desta quarta (19) num hotel da zona sul de São Paulo -você pode assistir à íntegra dela abaixo. 

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Histórica sim, pois foi o encontro de dois protagonistas da sociedade brasileiras que haviam sido condenados pelos poderosos e suas mídias a serem riscados do mapa e da história do país. Em 2016,o consórcio dos poderosos e das mídias conservadoras que deu o golpe contra a presidenta Dilma Roussef decretou a morte da mídia independente. Em 7 de abril de 2018, quando Lula foi conduzido a Curitiba como preso político, o mesmo consórcio anunciou sua morte política. 

Pois nesta quarta, numa entrevista com um cenário verdadeiramente presidencial, Lula abriu o ano político de 2022 que deverá conduzi-lo à Presidência num encontro com a mídia independente que derrotou toda a mídia dos ricos reacionários do país. 

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Não farei um relato detalhado da entrevista a seguir. Você pode assisti-la ou ler vários pontos de destaque  na série de reportagens do Brasil 247 sobre o evento - pode ler também a coluna da super competente Helena Chagas, “Lula aliancista enquadra PT, acena a militares e acalma o centro”.

 O que destaco da entrevista e de seus bastidores:

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Participação paritária de mulheres e pessoas negras no governo

Minha primeira pergunta foi sobre paridade de gênero e raça em seu futuro governo. Apresentei um breve contexto: 1) as mulheres e as pessoas negras são as duas mais amplas maiorias do país; 2) as pesquisas indicam que elas dedicarão a Lula o maior números de votos nas eleições, em números absolutos e percentuais; 3) os movimentos negro e feminista (e mais o indígena e o LGBTI+) são o polo mais dinâmico da luta política, social e cultura, no Brasil, com presença que atravessas todas as organizações, movimentos, entidades, sindicatos; 4) o PT tem compromisso histórico com a luta feminista e antirracista.

O governos do PT deixaram muito a desejar quanto à presença de pessoas negras e mulheres como ministras e ministros, no primeiro escalão das quatro gestões do partido, apesar de todas as políticas positivas adotadas -tais segmentos foram mais objeto das políticas do que protagonistas nas administrações.

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Das 99 pessoas que ocuparam cargos de ministras e ministros do governo Lula, apenas 10 eram mulheres e, delas, só três negras. Somente sete eram homens negros. Homens brancos: 82 (81%). No governo da presidenta Dilma, foram 122 ministras e ministros e a proporção não se alterou. 

Agora, enquanto Lula pode estar às portas de seu governo, o cenário da esquerda global é bem diferente do início do século: na Alemanha, o governo social-democrata de Olaf Scholz tem 8 ministras e 8 ministros; Gabriel Boric já anunciou paridade de gênero no futuro governo chileno; o México aprovou lei que garante paridade de gênero no Executivo, Legislativo e Judiciário nos três níveis de governo; os exemplos se multiplicam.

Perguntei então se ele poderia assumir compromisso público com a paridade de gênero e raça em seu futuro governo. Lula disse que aumentará a participação de mulheres, pessoas negras e indígenas em seu terceiro governo, se eleito, mas não assumiu compromisso com a paridade ou mesmo com percentuais mínimos de presença.

Bem, o assunto foi colocado à mesa. Agora, há que dialogar de maneira assertiva com o PT e Lula, porque o Brasil está atrasado no relógio da história em relação a este tema crucial.

Um governo de pacificação e foco nos pobres

Lula anunciou na entrevista que não fará um governo de guerra e que o país precisa pacificar-se depois de anos de dentes cerrados e ódio. Mas isso não significa pasmaceira ou consolidação da distribuição de renda mais injusta do planeta: os pobres serão prioridade. “Os pobres estarão no orçamento e os ricos no Imposto de Renda”, repetiu Lula, no que parece ser já um bordão eleitoral. Ele anunciou que as conferências nacionais voltarão a ser um elemento estruturante dos programas e políticas de governo e afirmou que haverá uma série de processos que garantirão protagonismo aos pobres.

Lula não é ingênuo e sabe que seu governo não estará imune às tensões ou que a luta de classes será suspensa. Mas ele pretende usar seu engenho e arte 

 Alckmin, Haddad, alianças

Lula praticamente fechou questão: Alckmin será o vice, exceto por algum acidente político grave. Ao final da entrevista, ele me confidenciou que a presença do ex-governador na chapa não é fundamental para a vitória presidencial, “mas será decisiva para ganharmos em São Paulo (com Haddad)”. As pessoas não devem subestimar a importância disso: São Paulo: o PIB do Estado é mais de 60% maior que o PIB da Argentina e nada menos que a terceira maior economia da América Latina. Ter o presidente da República e o governador de São Paulo aliados e alinhados é de uma potência sem tamanho. Lula disse mais: “podemos ter São Paulo, Rio e Minas com governadores aliados, o que nos dará condições sem precedentes para negociar com o Congresso”.

Debates eleitorais

Durante o almoço, depois da entrevista, Lula acenou que poderá não comparecer aos debates eleitorais se eles forem realizados nos moldes tradicionais: “o modelo de debates não funciona”. Ele disse que a dinâmica de 1 minuto de pergunta, dois de resposta, depois outro tanto de réplica e tréplica não permite debate algum. 

“Debate não é uma questão de princípio para a mídia conservadora. Quando Fernando Henrique deixou de comparecer a todos os debates em 1998, “a mídia silenciou, porque tinha um pacto para elegê-lo a todo custo”. “Mas -acrescentou- quando deixei de ir em 2006, fizeram escândalo e deixaram uma cadeira vazia”.

Lula indicou que simpatiza com a ideia de dialogar com bancadas de jornalistas em entrevistas individuais. Como líder inconteste da corrida eleitoral, ele não quer se desgastar com candidatos desesperados e agressivos como Bolsonaro, Moro, Ciro e Doria. 

Apenas uma mulher e nenhuma pessoa negra na entrevista Lula

Uma observação que me parece relevante e merece reflexão pela mídia independente: dos oitos jornalistas, havia apenas uma mulher, Laura Capriglione, dos Jornalistas Livres, e nenhuma pessoa negra. 

Perguntei a Lula sobre paridade de gênero e raça no seu governo: e na mídia independente? Ele poderia ter nos devolvido a pergunta, seria aceitável, razoável. O fato é que a mídia independente também é espaço de hegemonia de homens brancos: a presença de mulheres e pessoas negras está crescendo, mas ainda é muito pequena e está longe da paridade. A equipe editorial do Brasil 247, como você pode conferir na área Quem Somos do site, é composta por 24 pessoas: 18 homens (apenas um negro) e 6 mulheres (duas negras). Há um caminho longo à frente.

_________________________________________________Lula além do PT

Por Tereza Cruvinel

"O PT é o meu partido mas eu quero ser candidato de um movimento pela restauração da democracia neste país". E este movimento, disse Lula na entrevista às mídias independentes, é que garantirá a reconstrução do país, a redução da pobreza e da desigualdade, a retomada do crescimento econômico e tudo o mais que é necessário para virarmos a página infeliz do governo Bolsonaro.

A meu ver, este foi um dos recados mais importantes do ex-presidente na entrevista retransmitida pela TV 247 e outros veículos digitais do campo progressista.

O lulismo sempre foi maior que o PT e mais ainda terá que ser nessa eleição absolutamente singular e determinante do futuro. A estruturação deste movimento, que eu chamaria de salvação nacional, passa pelas alianças mais amplas, passa pela escolha de um vice de centro ou centro-direita, passa pela aglutinação de forças que vão além do PT. Passa pelo diálogo com toda a sociedade, inclusive com o mercado, disse ele, mas levando em conta, primordialmente, aqueles que estão sobrevivendo em dificílimas condições — os trabalhadores, os pobres, os desempregados e os que enfrentam a pandemia sob a indiferença e o descaso do governo. Aliás, um dos mais momentos em que ele mais se exaltou foi ao falar das agruras sanitárias e da pobreza que grassa tanto quanto a variante ômicron.

Embora não tenha sido assim explícito, Lula sinalizou que este movimento que o levará à Presidência deve passar também pela devolução das Forças Armadas ao seu papel constitucional, valorizando-as como instituições do Estado, para lá destes fardados que foram para o governo Bolsonaro em troca de umas boquinhas. Lembrou ter tido com eles uma relação pacífica e disse ter certeza de que existem nas Forças Armadas muitos oficiais preocupados com a soberania e o interesse nacional.

E assim, juntando diferentes pontos da entrevista, vimos Lula acenar em todas estas direções.

Deixou claro que está disposto a ter Alckmin como vice, e que uma vez batido o martelo os rebeldes do PT acatarão a decisão, como (quase) sempre fizeram. Deixou claro que vai conversar também com Gilberto Kassab, do PSD, avançando em busca de apoios mais conservadores ainda para garantir a ampliação do movimento "volta Lula" e a futura governabilidade.

Disse não acreditar que Bolsonaro tentará um golpe contra o resultado da eleição. Que pode até sair pelos fundos do Palácio, como fez Figueiredo, o último ditador, mas que quem ganhar vai tomar posse e vai governar. Aleluia.

E, também por tudo o que disse e não disse, viu-se que, embora alegando que ainda não é candidato, tem pronto o roteiro de campanha e as linhas fundamentais do que fará no governo para tirar o país do atoleiro em que chafurda em todas as áreas: na economia, na questão sanitária, na questão ambiental, no retrocesso industrial, na política externa e tudo o mais.

Bolsonaro tem todas as razões para estar nervoso, escalando Ciro Nogueira como porta-voz do terrorismo eleitoral, que esbarra num fato elementar: Lula já foi testado no governo, tem legado e o povo tem memória.

_________________________________________________Lula voltou a ser visto como aquilo que de fato é: a representação do centro democrático no Brasil

Por Leonardo Attuch 20 de janeiro de 2022, 06:16

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá vir a ser, em 2022, o candidato do MST, dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários, dos agricultores familiares, do agronegócio comprometido com a sustentabilidade, dos militares nacionalistas e até mesmo da Faria Lima. Foi o que ficou claro após sua primeira entrevista coletiva de 2022, concedida aos veículos da mídia independente, aquela que se financia por meio de seus leitores e da publicidade programática, decorrente da audiência de seus sites. Entre estes veículos, o próprio 247.

Na prática, Lula voltou a ser percebido pela sociedade brasileira como aquilo que sempre foi: a representação real de um centro democrático, que é capaz de coordenar os interesses de todos os setores da sociedade, em busca do bem comum. Foi exatamente esta habilidade que fez de seus governos os mais bem-sucedidos da história do Brasil, quando o Brasil chegou perto de beliscar o posto de quinta maior economia do mundo. A guerra judicial empreendida contra o Partido dos Trabalhadores, conduzida pelo ex-juiz suspeito Sérgio Moro a serviço de inconfessáveis interesses internacionais e também locais, fez com que o Brasil despencasse para a décima-terceira posição.

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Não por acaso, o dia seguinte à entrevista de Lula trouxe duas notícias aparentemente contraditórias: o apoio do MST à chapa Lula-Alckmin e o reconhecimento da Faria Lima de que a queda do dólar e da curva de juros se deve à fala sensata do ex-presidente na sua entrevista coletiva. Lula é exatamente a peça capaz de representar um governo de conciliação de classes e concertação nacional, em busca de um desenvolvimento inclusivo e para todos – e não apenas para os grupos mais fortes e violentos da sociedade brasileira.

Outro ponto positivo foi o reconhecimento pela imprensa corporativa, aquela que depende do grande capital, em relação ao papel desempenhado pelos jornalistas profissionais da mídia independente. Além disso, a entrevista de Lula, preparada por Ricardo Stuckert e conduzida por José Chrispiniano, foi também um exemplo de profissionalismo por parte dos seus organizadores. E engana-se quem imaginava que ali haveria uma "imprensa amiga" ou controlada pelo ex-presidente. Lula foi confrontado com perguntas difíceis, sobre temas delicados, como a aliança com Geraldo Alckmin, a retomada da industrialização, a questão militar e, como fez Mauro Lopes, do 247, a necessidade de uma maior representação de negros, mulheres e povos indígenas em seu eventual terceiro governo.

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Em todas as questões, Lula se saiu bem, sem ficar em cima do muro. Deixou claras suas posições e destacou que hoje enxerga o que há de melhor nos indivíduos e nas instituições. Por isso mesmo, caso seja eleito, Lula estará pronto para conduzir uma das mais belas experiências políticas da história da humanidade: a reconstrução de uma das mais importantes e admiradas nações do mundo, que foi colocada à beira do abismo por uma guerra híbrida após a descoberta do pré-sal e pela irracionalidade de setores de sua própria classe dominante. Nesta disputa, só há duas opções: a construção da civilização brasileira ou a barbárie e a desintegração nacional. Lula representa a primeira.


_________________________________________________Lula aliancista enquadra PT, acena a militares e acalma o centro - Helena Chagas

Por Helena Chagas 19 de janeiro de 2022 Jornalistas pela Democracia 

O principal recado do ex-presidente Lula na entrevista aos sites independentes foi o de que está pronto para ter o ex-governador Geraldo Alckmin como vice em sua chapa, numa aliança não só para vencer a eleição, mas para governar. 

Nos últimos dias, adversários do petista e a própria mídia vinham levantando a cada hora maiores dificuldades para essa aliança, dando grande ênfase aos problemas do PT na negociação com o PSB e à reação interna ao ex-tucano - o que só mostra a importância estratégica do movimento de aproximação com o ex-governador para Lula.

Mas o recado serviu também ao público interno, os petistas que estão vindo a público detonar o entendimento, patrocinando até um abaixo assinado da militância contra Alckmin.

Sem confrontar líderes da estatura dos ex-presidentes da legenda Rui Falcão e José Genoíno, seus amigos que vem liderando esse movimento, Lula fez o que sempre faz nas divergências do PT: 

deixa todo mundo gritar, mas avisou que, uma vez tomada a decisão pelo partido, ela será seguida.

"O PT não é problema. É um partido político. As pessoas têm o prazer e o direito de divergir, até o PT decidir. 

E aí todo mundo cumpre. E vão aparecer rindo, e não chorando", disse Lula, que, a seu modo, acabou por enquadrar o partido.

O ex-presidente esgrimiu em seguida o principal argumento para justificar a ampliação das alianças: 

resgatar o país desmantelado por Jair Bolsonaro, restituindo ao povo a democracia e e lhe devolvendo condições de vida que perdeu.

"O que estamos disputando no Brasil é tão sério...", disse ele. 

Em outros momentos da entrevista, afirmou que não será candidato do PT, mas de todas as forças que tiverem esse objetivo.

Outros recados importantes foram dados ao longo de mais de duas horas de entrevista. 

Lula acenou ao birrento PSB com a desistência das candidaturas de Humberto Costa, em Pernambuco, e de Fabiano Contarato, no Espírito Santo, se for celebrada a federação com os socialistas. 

Mas riscou o chão: da candidatura Haddad, em São Paulo, o PT não vai recuar.

Faz parte do recado aos navegantes políticos o anúncio de Lula de que vai conversar de novo nos próximos dias com Gilberto Kassab, encontro adiado apenas pela Covid do presidente do PSD. 

Se haverá novidade ou não, como uma reversão da decisão do PSD de lançar candidato presidencial, ninguém sabe. Mas só a conversa já deixa os outros aliados curiosos, talvez mais propensos a apressar seus próprios entendimentos.

Lula mandou mensagens a públicos variados, inclusive militares, a quem fez um gesto de paz. 

Defendeu Forcas Armadas bem equipadas e valorizadas para cumprir sua missão constitucional, enfatizando não considerar os militares que estão no atual governo como representativos da instituição.

Ao mercado financeiro, deu o duro recado de que não vai de forma alguma governar para eles e para as demais elites.

Mas no que interessa de verdade para esses setores, a sinalização foi positiva. 

Mesmo rejeitando o fiscalismo, repetiu os bons números da economia em seu governo, deixando claro que a responsabilidade fiscal está embutida em sua forma de governar, embora longe de ser prioridade. 

Sua defesa das alianças, "até com a centro-direita", foi destacada nos primeiros informativos enviados ao mercado.

_________________________________________________Mídia corporativa se rende ao jornalismo profissional dos sites independentes

Lula
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247 – Os veículos da mídia corporativa, aquela que depende do grande capital para produzir seu jornalismo, pela primeira vez demonstraram respeito pelo jornalismo profissional produzido pelos sites da mídia independente, aquela que é financiada pelo apoio de seus leitores e pela publicidade programática (a que vem de plataformas de tecnologia, em razão de sua audiência), ao cobrir a entrevista de ontem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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A Folha cobriu o evento, que classificou como "encontro com jornalistas", sem nenhum comentário pejorativo, e citou os veículos. "Participaram do encontro, que teve transmissão pelas redes sociais, jornalistas dos sites Brasil 247, Revista Fórum, DCM, Jornal GGN, Blog da Cidadania, Tutaméia, Jornalistas Livres e Rede Brasil Atual", apontou o jornal, em sua reportagem. O Globo também falou apenas que as falas do ex-presidente ocorreram numa coletiva de imprensa, sem depreciar os veículos que participaram, como fazia no passado. O único detalhe negativo foi o comentário de Bernardo Mello Franco, na CBN, como destaca Luís Costa Pinto, diretor editorial do 247:

_________________________________________________Valor Econômico atribui queda do dólar e dos juros à entrevista de Lula à mídia independente

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247 – A entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos veículos de comunicação da mídia independente, como o Brasil 247, foi recebida com entusiasmo pelo chamado "mercado", trazendo como efeitos diretos a queda do dólar e das taxas de juros no Brasil. Tal fenômeno foi reconhecido pelo jornal Valor Econômico, maior publicação dedicada à economia, finanças e negócios do País. 

"Embora Lula não tenha feito nenhum aceno ao mercado financeiro em relação ao seu programa econômico, seus comentários, em combinação com uma recuperação parcial do apetite ao risco no exterior, influenciaram os mercados. A moeda americana foi negociada abaixo dos R$ 5,50 pela primeira vez em dois meses. A queda de juros intensificou-se ao fim da manhã e ao longo da tarde e as taxas foram as mínimas do dia. O Ibovespa, que já operava em alta, renovou suas máximas intradiárias, passando a saltar 1,79% aos 108.571 pontos", escreveu o jornalista André Guilherme Vieira.

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“Isso pode ser visto como um sinal moderado de Lula e, portanto, positivo para os ativos”, aponta um profissional do mercado. Durante as falas do ex-presidente, o dólar foi às mínimas do dia e chegou à casa de R$ 5,46.

_________________________________________________Barroso vai discutir uso do Telegram, que pode ser banido do Brasil durante as eleições

As AUTORIDADES brasileiras NÃO conseguem CONTATO com o Telegram para tratar do assunto de disseminação de FAKE NEWS.

19 de janeiro de 2022, 16:44

247 - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luiz Roberto Barroso, vai se reunir com os demais presidentes da Corte para discutir ações sobre o uso do Telegram, aplicativo de mensagens (como o WhatsApp) russo, durante as eleições deste ano.

Segundo reportagem do Congresso em Foco, há receio de que a ferramenta se torne uma espécie de “terra sem lei” para a proliferação de “milícias digitais”. Por isso, existe a possibilidade de banir o aplicativo no Brasil.

As AUTORIDADES brasileiras NÃO conseguem CONTATO com o Telegram para tratar do assunto de disseminação de FAKE NEWS.

“O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, entende que nenhum ator relevante no processo eleitoral de 2022 pode operar no Brasil sem REPRESENTAÇÃO JURÍDICA ADEQUADA, responsável pelo CUMPRIMENTO da LEGISLAÇÃO nacional e das DECISÕES judiciais”, respondeu o TSE ao ser questionado sobre a possibilidade de proibir o Telegram no Brasil.

O Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal (STF) também tentaram contato com a plataforma em mais de uma ocasião ao longo de 2021, mas não conseguiram.

_________________________________________________'Nós defendemos a candidatura de Freixo no Rio e de Flávio Dino no Maranhão', diz Lula sobre relação com PSB

19 de janeiro de 2022, 17:08

247 - O ex-presidente Lula comentou sobre a relação do PT com o PSB nesta quarta-feira (18), durante entrevista coletiva ao Brasil 247 e outros veículos da mídia independente. 

Em meio às discussões sobre a formação de uma federação partidária com o PSB, com reivindicações dos socialistas para que o PT desista de candidaturas próprias em vários estados, Lula falou sobre as articulações em Pernambuco, onde o PT tem os nomes de Humberto Costa e Marília Arraes como possibilidades de disputar o governo estadual, e do Espírito Santo, onde o partido não deverá lançar candidatura própria e deverá apoiar o PSB. 

Em seguida, Lula mencionou que, no Rio de Janeiro, apoiará a candidatura do deputado Marcelo Freixo (PSB) a governador do estado, e no Maranhão, apoiará a candidatura de Flávio Dino (PSB) para o Senado. 

"Nós defendemos a candidatura do Freixo no Rio de Janeiro. Nós defendemos a candidatura do Flávio Dino [ao Senado]. Agora o companheiro Flávio Dino tem um candidato, que é o vice dele [Carlos Brandão], que é do PSDB. Ele sabe que é difícil a gente apoiar o PSDB. nós temos lá a candidatura do Weverton [do PDT]. Então eles vão ter que se acertar lá para facilitar as nossas vidas", afirmou Lula. 


_________________________________________________"PT nunca esteve tão próximo de ganhar o governo de SP como agora. E não é pouca coisa", diz Lula sobre candidatura de Haddad

19 de janeiro de 2022, 13:17

247 - O ex-presidente Lula (PT), durante entrevista coletiva à mídia independente nesta quarta-feira (19) em um hotel de São Paulo, comentou sobre as eleições estaduais, dentre elas a do governo paulista, quando questionado pelo editor do Brasil 247 e da TV 247 Mauro Lopes.

Lula afirmou que conversas ainda estão acontecendo e que não se pode descartar, por exemplo, um apoio do PT ao ex-governador Márcio França (PSB). Tudo vai depender de quem tiver mais chance, de acordo com o petista. O ex-presidente, no entanto, se mostrou muito otimista com a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (PT) em São Paulo, que é mesmo a favorita, segundo pesquisas. "Que em algum momento se faça uma avaliação para ver quem é que tem mais chance. Se for o Márcio França, vamos discutir com o Márcio França. Mas eu acho, com toda a modéstia, que o PT nunca esteve tão próximo de ganhar o governo do estado como está agora. E você sabe que não seria pouca coisa isso".

Lula também falou do cenário em Pernambuco, que pode ter o senador Humberto Costa concorrendo ao governo pelo PT. Costa, porém, estará fora da corrida caso o PSB defina um candidato, de acordo com o ex-presidente. "O PT mantém sua afinidade com o PSB íntegra. O PSB tem o direito de lançar candidato em Pernambuco porque é onde a direção do PSB tem mais força. O que está acontecendo? O candidato natural do PSB não quer ser candidato, o Geraldo Júlio. Dessa vez o PT tem duas pessoas com potencial para serem candidatos, que é são Humberto Costa e Marília Arraes. Então o que eu quero é que as pessoas conversem. Embora o PSB seja um partido que tenha o direito de indicar lá em Pernambuco, não pode tratar o PT de forma pequena. O Humberto Costa é muito fiel à relação com o PSB. Se o PSB definir a candidatura, o Humberto Costa está fora".

O ex-presidente também falou sobre a pré-candidatura do senador Fabiano Contarato (PT) ao governo do Espírito Santo, anunciada pelo próprio parlamentar. "Nós não temos candidatura no Espírito Santo. Quando o companheiro Contarato quis entrar no PT para ser candidato, foi dito para ele que a gente estava fazendo conversas com o PSB e que seria muito prazeroso ele entrar no PT, mas não para ser candidato. Se ele vai ser ou não candidato, depende da nossa relação com o PSB". No Espírito Santo, o atual governador Renato Casagrande (PSB), deve tentar a reeleição.

_________________________________________________ALCKMIN é MAU SINAL e uma 'OPÇÃO ARRISCADA', diz Boulos

“Nós vivemos, há cinco anos, um GOLPE PARLAMENTAR.

M TEMER, representa historicamente o MESMO CAMPO POLÍTICO que o G ALCKMIN,

19 de janeiro de 2022, 08:01

247 - O pré-candidato a governador de São Paulo pelo PSOL e líder do Movimento dos Trabalhadores Sem teto (MTST), Guilherme Boulos, qualificou como um “mau sinal”, além de “arriscada”, a possibilidade do ex-governador Geraldo Alckmin ser o vice em uma chapa encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eleitoralmente, você acha de verdade que um conservador do interior de São Paulo vai votar no Lula porque o Alckmin é vice? É mais fácil ele jogar tomate no Alckmin e chamar de traidor”, disse Boulos em entrevista à Carta Capital.

“Nós vivemos, há cinco anos, um GOLPE PARLAMENTAR no Brasil, numa situação em que a presidenta Dilma, do PT, tinha um vice, o Temer, do MDB, que representa historicamente o mesmo campo político que o Geraldo Alckmin, e que, num momento de instabilidade política do governo, atuou de maneira deliberada para derrubar a Dilma”, afirmou Boulos. 

“Não sabemos como vai ser o Brasil em 23 e 24. Se você tem um cenário de conflagração de um conflito de interesses forte entre o governo e o mercado financeiro e setores do Centrão, ele [Alckmin] já tem uma solução pronta no Palácio do Jaburu esperando. É uma opção, além de tudo, muito arriscada”, completou. 

Boulos também criticou a gestão de Alckmin à frente do governo de São Paulo e responsabilizou o ex-tucano por ações de despejos, como em Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), em 2012. Segundo ele, Alckmin tucano “comandou uma operação de guerra” na ocasião, que resultou em “barbárie”. Na entrevista, o pré-candidato do PSOL também destacou o aumento da letalidade policial, os atritos com as ocupações de escolas públicas e a abertura de capital da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp, na Bolsa de Valores em Nova York durante a primeira gestão Alckmin (2001-2008). 

Ainda de acordo com a reportagem, Boulos também ressaltou que “o PSOL se encaminha para trabalhar no entorno da campanha de Lula, mas deveria dedicar esforços para disputar ‘o perfil da candidatura’” e que “o debate do partido será programático”. Ele defendeu como prioridades para a campanha presidencial  a revogação da reforma trabalhista e do teto de gastos.

_________________________________________________Bolsonaro transformou DEVASTAÇÃO em PROJETO de GOVERNO 

Por Bernardo Mello Franco 19/01/2022 • 00:23

Queimada em Novo Progresso (PA), na Amazônia | Victor Moriyama/AFP/Greenpeace/23.08.2019

A Amazônia registrou o maior índice de desmatamento em dez anos. De janeiro a dezembro, a floresta perdeu 10.362 km² de mata nativa. Isso equivale a metade do território de Sergipe.

Os números foram divulgados na segunda-feira pelo Imazon. No mesmo dia, Jair Bolsonaro comemorou a redução de 80% nas multas aplicadas pelo Ibama. “Paramos de ter grandes problemas com a questão ambiental”, festejou.

O presidente transformou a devastação em política de governo. Trata a fiscalização como problema e a derrubada de árvores como solução. Sua cumplicidade com o crime ambiental é explícita. Grileiros, madeireiros e garimpeiros ilegais sabem que têm um aliado no Planalto.

A certeza da impunidade eleva a ousadia dos desmatadores. No ano passado, quase metade (47%) da destruição ocorreu em terras da União, mostram as imagens de satélite.

O estrago se estende às unidades de conservação, que deveriam ser preservadas como santuários verdes. Nelas a área devastada aumentou 140% na comparação entre 2018 e 2021. Prova de que o desmanche do Ibama se repete no ICMBio, responsável pela proteção das reservas federais.

No discurso de segunda, Bolsonaro fez elogios a Ricardo Salles, responsável por implementar sua política antiambiental. O ex-ministro deixou o governo na mira da polícia, sob suspeita de envolvimento com contrabandistas de madeira. Agora quer se eleger deputado para reaver as mordomias e o foro privilegiado.

Seu substituto, Joaquim Leite, pilota a mesma agenda com menos espalhafato. Nesta semana, o ministro publicou artigo em que defende um certo “ambientalismo de resultados”. Sem apresentar fatos ou dados, escreveu que o governo “fortaleceu o combate a incêndios e desmatamento ilegal”. Faltou explicar por que a destruição da floresta continua a aumentar.

Ambientalistas alertam que a devastação da Amazônia está mudando o regime de chuvas, o que tem causado prejuízos bilionários ao agronegócio. Mesmo assim, grande parte do setor insiste em aplaudir o capitão.

Bolsonaro já declarou que está no poder para destruir, não para construir. Na Amazônia, o projeto é seguido ao pé da letra. E pode ter consequências irreversíveis para o clima, a economia e a vida humana.

_________________________________________________Covas Neto é rancoroso, distorce realidades e se contrapõe a Alckmin e Lula - Davis Sena Filho

Por Davis Sena Filho

17 de janeiro de 2022, 15:47

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O tucano Mário Covas Neto, filho do ex-senador e ex-governador Mário Covas, que agia e atuava no campo da esquerda quando combatia a ditadura militar, assim como era um dos principais políticos da esquerda do PSDB, que aos poucos foi em direção do centro ideológico antes de morrer em março de 2001.

Para quem não sabe ou esqueceu por conveniência política ou pessoal, o ex-governador Mário Covas, o pai do que está a falar contra a candidatura a vice-presidente de Geraldo Alckmin, ao afirmar que ele ficará com a marca de "rancoroso", na verdade, pelo seu passado de lutas, talvez não concordasse com seu filho, que sempre militou à direita do espectro político e ideológico, apesar de seu pai ter uma carreira exatamente ao contrário do que o filho de Mário Covas pensa e apregoa.

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E como Mário Covas Neto sabe disso, porque ninguém está na vida para bancar o ingênuo ou inocente, ainda mais no que diz respeito à realidade dura, muitas vezes traiçoeira, surpreendente e estressante do mundo político. A verdade é que o PSDB paulista foi engolido pelo grupo do político ultraliberal, privatista, hipocritamente punitivista e radical nas relações políticas e sociais, que tem o como sua liderança principal o atual governador tucano, João Dória, cuja radicalidade à direita é muito parecida com a do fascista Jair Bolsonaro.

Dória traiu acordos pessoais, políticos e partidários dentro do PSDB e fez com que os tucanos históricos, que também traíram seus passados de lutas, saíssem do partido, bem como os que ficaram aparentemente silenciaram ou foram cuidas de suas vidas políticas e interesses pessoais, sendo que Mário Covas Neto também foi praticamente expurgado do PSDB, porque não tinha mais como permanecer na companhia do direitista extremado João Dória, um político totalmente alinhado com o que há de pior no mundo empresarial brasileiro, além de ser testa de ferro dos interesses dos banqueiros.

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Mário Covas Neto é filiado ao Podemos, que, ao que parece, não pode nada quando se trata de combater os devaneios apopléticos e ultraliberais de João Dória em todos os setores da vida pública, a prejudicar profundamente os servidores públicos e a população em geral de São Paulo, pois se João Dória vive a se bicar politicamente com o fascista Bolsonaro, torna-se necessário também destacar que o governador paulista apoia, literalmente, as políticas econômicas de exploração dos trabalhadores e de entrega irresponsável do patrimônio público, em um processo criminoso de pirataria contra o próprio País efetivado pelo ministro ultraliberal da Economia, o chicago boy Paulo Guedes, que canta loas e boas ao ditador chileno e sanguinário Augusto Pinochet, a quem ele serviu quando um economista mais jovem.

A verdade é que Mário Covas Neto faz o jogo da direita por ele ser de direita, o que é compreensível, mas aberta à censura sua afirmação de má-fé intelectual, quando considera que Geraldo Alckmin não deveria ser candidato em parceria com o Lula, simplesmente porque Mário Covas Neto é de direita e compõem com os interesses políticos e empresariais da direita, principalmente a paulista e paulistana.

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O filho de Mário Covas desconsidera a situação calamitosa e deplorável pela qual passa o Brasil e tudo o que seu povo está a enfrentar sem ter direito até a empregos, para ver se consegue pôr um pedaço de carne, arroz e feijão na mesa para seus filhos. Essa gente da burguesia sabe tudo o que acontece no Brasil, mas não se importa e quer que a bomba exploda, sempre de preferência para os mais pobres. Ponto.

Os questionamentos de Mário Covas Neto contra a candidatura Alckmin em parceria com o Lula e o PT são frágeis, superficiais, plenos de má-fé intelectual e preconceitos embutidos em sua "rancorosa" fala.

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Sim, rancorosa, pois até grifei com aspas esta palavra no parágrafo acima. Senão, vejamos: Mário Covas Neto apoia o ex-juiz parcial, injusto e suspeito, assim considerado pelo STF e por grande parte do povo brasileiro, como um magistrado "ladrão", que, inclusive, negociou com o fascista Jair Bolsonaro um cargo no Ministério da Justiça, o que aconteceu, bem como o tal ex-juiz, cujo apelido é Marreco de Maringá, assumiu sem o mínimo de vergonha na cara o cargo de ministro da Justiça, com a intenção e a "promessa" de ser em futuro breve ministro do Supremo.

Essa é a verdade, mas Moro, o juiz que segundo o Dieese extinguiu 4.4 milhões de empregos e quebrou as indústrias naval e de engenharia pesada do País, não satisfeito ainda foi trabalhar por uma empresa nos EUA que toma conta do que sobrou, ou seja, da recuperação falimentar de uma das maiores construtoras do mundo e a maior do Brasil cujo nome é Odebrecht.

Ao invés de se combater e prender quem comete corrupção, no Brasil quebraram grandes empresas de inúmeros setores e segmentos, de forma que causou enorme desemprego e ainda ferrou com a cadeia de produtiva do mercado interno, porque quando uma grande empresa vai à falência, evidentemente que milhares de pequenas e médias empresas também quebrem.

Esta é a Justiça e o Ministério Público brasileiros ocupados por juízes e procuradores acostumados a gabinetes, mas sem nenhuma noção sobre questões políticas e partidárias e total desconhecimento de economia, sendo que obviamente muitos desses servidores togados irresponsáveis e analfabetos políticos, além de perversos ideologicamente, trabalharam pela bancarrota econômica e para a crise política sem precedentes na história do País, principalmente após a redemocratização.

E aí vem o senhor Mário Covas Neto com essa ladainha de "me poupe, por favor" ou "conversa para boi dormir" ao afirmar em artigo no Poder360 que Geraldo Alckmin, além de ficar com a "marca de rancoroso", algo inacreditável pela superficialidade das palavras, ainda disse que somente Lula seria beneficiado e, com efeito, deixaria de ser visto como "radical".

Não sei se se trata de má-fé intelectual por parte do filho de Mário Covas ou se é realmente um momento ruim de idiotia, pois, francamente, trata-se de uma coalizão de um partido social democrata que é o PT com grupos mais conservadores da política brasileira, afinal no Brasil vivenciamos desde sempre o presidencialismo de coalizão, desde os tempos imemoriais da República Velha e do estadista gaúcho e trabalhista Getúlio Vargas.    

O que o Mário Covas Neto tem na cabeça? Alguém me responda, porque eu não sei! Lula radical? É isso mesmo que tal sujeito falou? Então Mário Covas Neto jamais poderia ser contratado como analista político, pois, francamente, ele quer dizer que a radicalidade de Lula seria amenizada quando até os recém-nascidos, os burros, os idiotas, os que estão em coma a 200 anos, os extraterrestres e até mesmo os radicais sabem que o Lula não é um cidadão radical.

Pelo contrário, radical foi quem deu um golpe de direita em 2016, que o Mário Covas Neto e o PSDB apoiaram, assim como o golpista-mor é tucano, que atende pela alcunha de Aécio Neves. Este sim, um radical, que levou o País a um golpe de estado de conotação bananeira e terceiro-mundista, a cara da "elite" brasileira de história escravocrata, a que Mário Covas Neto e seus pares representam, sem qualquer vergonha e constrangimento moral e de consciência, pois sempre foi o que lhes falta.

A verdade é uma só: Mário Covas Neto mente e tergiversa para o seu público, porque ninguém fora do grupo dele, mesmo os políticos de outros partidos de direita, acredita em suas palavras ladinas, distorcidas sobre as realidades e que tem por finalidade causar confusão aos eleitores e prejudicar uma possível chapa Lula/Alckmin.

Lula é um político de diálogo. Sempre o foi, mesmo quando era visto como "radical" em seus tempos de sindicato. Sempre dialogou com todas as classes sociais, grupos minoritários e com representantes de inúmeros ofícios e profissões. Recebeu todo mundo no poder e falou com todo mundo, da direita à esquerda, com ricos e pobres, com opressores e oprimidos. Lula sempre foi assim, mas o Mário Covas Neto que já é um homem de certa idade e cabelos brancos vem com essa ladainha mentirosa e provida de má-fé intelectual para simplesmente dar um pontapé na cara da verdade.

Radicais são os golpistas, o grupo de Mário Covas Neto, o desgoverno fascista e ultraliberal de Jair Bolsonaro, a Fiesp, as associações de ruralistas armados, os banqueiros, os privatistas e os políticos como Mário Covas Neto que ferram sem dó e compaixão com os trabalhadores, estudantes, donas de casa e aposentados, quando apoiam e efetivam a retirada criminosa e bárbara de direitos assegurados pelas leis que foram perversamente rasgadas ou modificadas para pior — muito pior.

Covas Neto é do Podemos. Além disso, o filho de Mário Covas está "preocupado" com a possível candidatura de Márcio França, do PSB, ao governo de São Paulo, porque ele ficaria livre da concorrência de Alckmin e Fernando Haddad, do PT. Impressionante, não é, cara pálida?! Só que Haddad poderá vir como candidato em uma chapa forte e competitiva, fator este que Mário Covas Neto não ponderou.

A verdade é que os diversos grupos de direita que deram um golpe de estado desastroso e criminoso, além de terem interditado a candidatura Lula em 2018, rasgado a Constituição e mandar a democracia e o estado de direito às favas, esse tipo de gente ainda tem a capacidade de mentir e tentar enganar como se não houvesse amanhã.

Os golpistas e usurpadores do poder e da sociedade acabaram com o Brasil como Nação em busca de seu desenvolvimento e soberania, desmoralizaram o País em âmbito mundial, bem como destruíram a economia brasileira e seu forte mercado interno, maior responsável pela demanda de empregos.

Esse é o tipo de gente que escreve na grande imprensa golpista, familiar e de mercado, bem como em sites e portais poderosos da internet, a fazer elucubrações irresponsáveis e mentirosas, que não condizem com a verdade e a realidade dos fatos. A chapa Lula/Alckmin incomoda muito a burguesia e as classes médias escravocratas, como também os "rancores" pertencem a Mário Covas Neto, ao seu grupo de aliados e ao Podemos, à direita e à extrema direita em geral. 

Radical é quem dá golpe de estado, retira direitos do povo, entrega o País, desemprega em massa e rasga a Constituição. Lula não fez e não faz isso, pois não é radical, mas tem caráter e coragem para enfrentar os radicais da direita político-partidária e do mundo empresarial. É isso aí.  




_________________________________________________Opinião: Paula Gama - Caminhão arqueado: como nova moda cria "máquinas de matar" nas estradas

O caminhão mais arqueado do Brasil é um verdadeiro ícone em grupos do Facebook, mas é capaz de decapitar pessoas em caso de acidente - Reprodução
O caminhão mais arqueado do Brasil é um verdadeiro ícone em grupos do Facebook, mas é capaz de decapitar pessoas em caso de acidente Imagem: Reprodução
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Paula Gama

Colunista do UOL

14/01/2022 10h45

Toda vez que pego a estrada, volto para casa com dezenas de perguntas e indignações. Minha última viagem foi uma semana atrás, quando percorri duas vezes (ida e volta) o trecho entre Salvador e Guanambi, no sudoeste baiano, de 670 quilômetros. Nesse trajeto, passei pelas BRs 324, 116 e 030 e pela BA 026 com vários trechos em situações deploráveis.

Mas não foi a condição da estrada o que mais me chocou, e sim o número de caminhões arqueados, ou seja, com a frente rebaixada e traseira empinada: uma verdadeira máquina de matar, mesmo em acidentes considerados simples.

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Com mais ou menos 200 km de viagem, decidi contar quantos caminhões alterados passavam pelo meu caminho: cheguei à conclusão de que a cada 10 veículos de carga, pelo menos dois estavam alterados.

É claro que os 1,3 mil quilômetros que percorri não são nada perto de todas as estradas brasileiras, por isso, decidi conversar com o Rodolfo Rizotto, fundador do SOS Estradas, para entender se o que vi refletia a realidade. "Virou febre. No Instagram de grupos de caminhoneiros é uma loucura o que eles postam de barbaridades."

Pesquisando mais a fundo, percebi que os caminhoneiros que fazem as maiores intervenções são considerados verdadeiros ícones nesses grupos, como o Edson Juhem, conhecido como Jaquirana GBN, proprietário do caminhão mais arqueado do Brasil: Scania 114G 340, que vem acoplada em uma carreta com apenas um eixo. A carreta recebeu um suporte alongado para as bolsas de ar e balanças da suspensão. A badana, ou lameiro, tem 2,25 metros de altura.

Não faltam ícones do movimentos como Cabelo Batateiro, denunciado em matéria anterior de UOL Carros e dono de caminhões super famosos que têm até apelidos carinhosos, como Joaninha. Um Scania P310 com dianteira encostada no chão e traseira elevada que chega a 1,70 m.

Os modelos que vi nas estradas talvez não cheguem a esse nível de ousadia, mas estavam claramente com a traseira bem mais alta do que a configuração de fábrica e a dianteira encostando no chão. E o pior: completamente carregados.

Segundo informações de Rodrigo Kleinubing, engenheiro especialista em acidentes de trânsito, caminhões desse tipo são verdadeiras máquinas de matar. Isso porque, alterando características originais, não é mais possível garantir os mesmos parâmetros de estabilidade e frenagem do veículo.

"A alteração mexe com dois itens que não podem ser mudados sob hipótese alguma: a suspensão e o sistema de freios. Mexer no projeto original coloca em risco a segurança do caminhoneiro e de outras pessoas que transitam pelas estradas".

Traseira da "Joaninha" tem 1,70 m de altura! - Reprodução/Youtube - Reprodução/Youtube
Traseira da "Joaninha" tem 1,70 m de altura! Imagem: Reprodução/Youtube

Rodrigo alerta que os acidentes envolvendo veículos de carga com traseira elevada podem ser muito mais graves, considerando o grande número de batidas de carros de passeio atrás de caminhões nas rodovias devido à diferença de velocidade média.

"Elevar a traseira incentiva o fenômeno de o carro entrar sob o caminhão em caso de batidas. Tínhamos esse problema sério no Brasil, que foi resolvido com a obrigação das placas retrorrefletoras e dos para-choques. Esse tipo de acidente é altamente letal porque quando um carro entra embaixo do caminhão é muito comum que os passageiros da frente sejam decapitados", alerta o especialista.

O que mais assusta nesse cenário é a cultura do "quanto pior, melhor". Alguns desses caminhoneiros, nos grupos, argumentam que essas mudanças aumentam a estabilidade, o que não faz nenhum sentido, já que o centro de gravidade do carro é completamente alterado.

Outros, menos preocupados com opiniões contrárias, acham graça quando o caminhão "foge" da estrada. Em que momento colocar a própria vida e a dos outros em perigo virou motivo de piada?

Penalidade

Apesar de não representar nada frente ao perigo em caso de acidentes, há punições para esse tipo de alteração. Suspensão irregular rende multa e retenção do veículo.

Conforme inciso VII do artigo 230 do CTB, conduzir veículo com características alteradas sem autorização constitui infração grave, com acréscimo de cinco pontos no prontuário da CNH, multa de R$ 195,23 e retenção do veículo até a sua regularização.

Quer ler mais sobre o mundo automotivo e conversar com a gente a respeito? Participe do nosso grupo no Facebook! Um lugar para discussão, informação e troca de experiências entre os amantes de carros. Você também pode acompanhar a nossa cobertura no Instagram de UOL Carros.

_________________________________________________Painel: Plano de Moro de mudar Judiciário causa perplexidade, diz coordenador do Prerrogativas


Ex-juiz e presidenciável montou um grupo de especialistas para sugerir alterações

Coordenador do grupo jurídico Prerrogativas, o advogado Marco Aurélio de Carvalho critica a proposta do pré-candidato a presidente Sergio Moro (Podemos) de fazer mudanças no Judiciário.

O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, pré-candidato a presidente da República pelo Podemos - Carl de Souza/AFP

"Causa espécie, perplexidade, espanto e risos. Justo ele, que a pretexto de combater a corrupção, corrompeu o sistema de Justiça".

O ex-ministro montou um grupo de especialistas na área jurídica, que devem formular uma proposta para seu programa de governo.

Na quarta (12), Moro encontrou-se com os professores de direito da FGV (Fundação Getulio Vargas) Luciano Benetti Timm e Joaquim Falcão e com o desembargador aposentado e professor da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Paraná, Vladimir Passos.

Falcão, que também é membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), é o coordenador da equipe.


_________________________________________________Opinião: Marco Antonio Villa - Villa: Adeus, Bolsonaro!

Colunista do UOL 14/01/2022 12h02

Jair Bolsonaro já está derrotado. Foi o pior presidente da história republicana —e, olha, tivemos cada um.... A pergunta que fica é o que fará até entregar o governo em 1º de janeiro de 2023?

Se o cenário eleitoral de outubro continuar a apresentar uma candidatura que derrete a cada mês, a tendência inicial por parte de Bolsonaro é de ampliar os ataques ao Estado democrático de Direito. Irá falar cada vez mais para cada vez menos, para o chamado bolsonarismo-raiz. Não terá efeito eleitoral, mas vai esgarçar a frágil democracia brasileira, isso em um ano marcado pela estagnação econômica e a permanência da pandemia.

Frente ao inevitável fracasso, Bolsonaro deverá perder apoio político eleitoral do "big center". Será um enfraquecimento homeopático, mas que já no segundo trimestre poderá levá-lo até a renunciar à reeleição ou —e aí seria uma benção dos céus— à Presidência da República, nesta última hipótese buscando até algum tipo de benefício legal frente aos seus diversos crimes.

Como esperado, Bolsonaro voltou a atacar o TSE e o STF. Se em anos anteriores isso poderia ser um aparente sinal de força, hoje é manifestação de fraqueza —mais até: de frouxidão e de medo. É conhecida a covardia de Bolsonaro e o genocida já percebeu que, com a nova situação política instalada em janeiro de 2023, os processos no Rio de Janeiro vão finalmente tramitar e o resultado ele já sabe: a condenação em regime fechado, a cadeia.

A ameaça de um golpe de Estado com o auxílio do "meu Exército" também não terá mais eficácia. O pronunciamento do contra-almirante Barra Torres foi um divisor de águas. Restará buscar o apoio dos seus fanáticos. Contudo, nada indica que poderá obter êxito. O canto do cisne do reacionarismo bolsonarista foi o 7 de setembro de 2021.

A certeza é que Bolsonaro vai criar muitos problemas. Teremos o processo eleitoral mais tenso desde 1989 —e com muitas surpresas. Nada está decidido, inclusive porque o jogo nem sequer começou. Basta recordar as eleições de 2014 —com a morte de Eduardo Campos e ascensão de Marina Silva— e de 2018 —o papel central do atentado de Juiz de Fora no resultado do primeiro turno.

Vamos virar esta triste página da nossa história, a mais cruel. E ouvindo o grande poeta Thiago de Mello, que, hoje, nos deixou:

Faz escuro mas eu canto,
porque a manhã vai chegar.
Vem ver comigo, companheiro,
a cor do mundo mudar.
Vale a pena não dormir para esperar
a cor do mundo mudar.
Já é madrugada,
vem o sol, quero alegria,
que é para esquecer o que eu sofria.
Quem sofre fica acordado
defendendo o coração.
Vamos juntos, multidão,
trabalhar pela alegria,
amanhã é um novo dia


_________________________________________________Governo Bolsonaro bate próprio recorde e libera uso de 550 novos agrotóxicos em 2021

Total é o maior desde 2000. Pesquisadores e quilombolas alertam que produtos afetam saúde de seres humanos e animais, solo, ar e água

www.brasil247.com -
(Foto: Reprodução)
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Rede Brasil Atual - Desde 2016, o Brasil tem sido palco de uma enxurrada de novas liberações de agrotóxicos. Naquele ano ocorreu a liberação de 277 produtos. No ano seguinte, houve um salto para 404 novos venenos. Em 2018, mais 449 registros foram realizados. Mas o governo de Jair Bolsonaro conseguiu ser ainda mais condescendente com o veneno agrícola. Em seu primeiro ano, 474 pesticidas foram liberados. Já em 2020, o número subiu para 493. Ao final do ano passado, o Ministério da Agricultura bateu novo recorde, aprovando o registro de 550 novos agrotóxicos.

Engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, do Movimento Ciência Cidadã, alerta que todos sofrem com a utilização descontrolada desses pesticidas. De acordo com o pesquisador, não importa o quão longe as pessoas estejam, as consequências do uso desses venenos se espalham e chegam em todas as regiões do país. 

“Veja os casos de deriva de agrotóxicos. O sujeito aplica o veneno na sua lavoura e a seis quilômetros de distância tem gente sendo intoxicada. Outro exemplo é que usamos no Brasil um bilhão de litros (desses produtos) por ano e tudo isso vai parar na água. (…) Os estudos realizados sobre a qualidade da água no Brasil apontam que pelo menos 25% dos municípios analisados têm até 27 tipos de venenos na água. Então, a possiblidade de se contaminar, mesmo estando longe das lavouras, é grande”, explica Leonardo Melgarejo

Veneno e morte

Quilombola do Quilombo Ribeirão Grande e Terra Seca, localizado no Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, Nilce Pontes vive de perto os impactos da expansão do uso desses produtos. Segundo ela, os bananicultores da região não estão preocupados e pulverizam no ar o veneno. O que prejudica o solo das famílias que vivem na região e ainda adoece os seres humanos e os animais, afirma.

“Como a gente sempre diz eles querem nos matar, mas a gente escolhe viver. E a forma de nos matar é através da contaminação de nossas águas, do envenenamento dos alimentos por meio da pulverização área. Para desenvolver a agricultura das grandes commodities usa-se muito o agrotóxico. E para nós, enquanto comunidade quilombola que resiste ao veneno, fica só as doenças. O nosso território todo fica comprometido”, lamenta.

Modelo do agronegócio

Melgarejo observa que os agrotóxicos, por serem substâncias que não existem na natureza, quando entram em contato com humanos e animais provocam “distorções de toda a ordem”. Levando inclusive a alterações nos sistemas corporais, prejudicando a capacidade de raciocínio e de reprodução. No caso de pessoas gestantes, também há risco de aborto espontâneo. Há ainda, conforme aponta o pesquisador, prejuízos ao meio ambiente que contribuem para o aquecimento global.

“O veneno jogado em um determinado território, mesmo que ele seja pouco frequentado por seres humanos, ele vai dificultar a sobrevivência de alguns insetos e bactérias. Dessa forma ele também prejudica a sobrevivência da rede da vida naquele ambiente. Esses insetos, bactérias e raízes que vão desaparecer, deixam de cumprir sua missão de estimular a vida naquele território. Então o uso de agrotóxicos está associado a uma homogeneização do planeta. A gente substitui áreas biodiversa por monoculturas que superaquecem o planeta”, critica.

Para Melgarejo, a única forma de reverter este quadro de abundância de pesticidas no meio ambiente com consequências nefastas para todos, é deixar de focar em uma economia de exportação de grãos. “O Brasil depende do envenenamento de seu território para gerar a renda dessas commodities que são exportadas”, contesta. “Ir contra o uso de agrotóxicos significa ir contra o domínio de grupos que não dão a mínima para os direitos humanos e para os problemas ambientais”.

_________________________________________________Moro confirma presença no Flow Podcast e internautas ironizam: “SHOW de INTELIGÊNCIA ao lado de Monark”

Ex-juiz suspeito confirmou presença no podcast e virou alvo de piadas

www.brasil247.com - Monark e Moro
Monark e Moro (Foto: Reprodução/Youtube | Reuters)
14 de janeiro de 2022, 08:59 h

247 - O ex-juiz suspeito Sergio Moro confirmou presença no Flow podcast e virou alvo de piadas nas redes sociais na manhã desta sexta-feira (14).

O “imperdível’ encontro irá ocorrer no dia 24 de janeiro. 

O  Flow podcast é apresentado por Monark, criticado recorrentemente por suas argumentações. 

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Monark já naturalizou o racismo, defendeu o direito de “não se vacinar” e o direito do uso de fogos de artifício. 

‘Eu amo cachorros, sei que eles são fortes o suficiente para aturar fogos 1 vez por ano”, disse ele. 

_________________________________________________"O inferno se repete no governo genocida. Congresso precisa reagir", diz Renan Calheiros

Senador refere-se à lotação nos postos de saúde e apagão de dados

11 de janeiro de 2022, 13:05 h

Renan Calheiros  (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

247 - O senador do Alagoas, Renan Calheiros (MDB), usou as redes sociais para se manifestar sobre o caos na saúde brasileira com o aumento vertiginoso dos casos de gripe e Covid-19. Calheiros citou as filas nos postos de saúde, apagão de dados do SUS, vôos cancelados e baixa testagem.

"O inferno se repete no governo genocida, desumano e incompetente", escreveu em sua conta no Twitter.  

Para ele, o Congresso deve agir com prontidão para frear a situação. "O problema continua e o Congresso precisa reagir imediatamente", completou. 


_________________________________________________Os vilões da inflação de 2021 não darão trégua este ano também. Saiba o motivo | Míriam Leitão - O Globo

Por Ana Carolina Diniz 11/01/2022 • 16:01

O mercado espera um processo de desinflação, com o IPCA fechando o ano em 5,03%, segundo o Boletim Focus divulgado na segunda. No entanto, os grandes vilões do IPCA de 2021 - combustíveis e energia - não querem dar descanso também neste ano. 

Nesta terça, apenas 11 dias do ano novo, já veio uma mostra do que virá.  A Petrobras anunciou seu primeiro reajuste do ano. A partir desta quarta, dia 12, o preço médio de venda da gasolina da Petrobras para as distribuidoras passará de R$ 3,09 para R$ 3,24 por litro, uma alta de 4,85%. Assim, desde janeiro de 2021, o preço da gasolina acumula alta de 77,04%. A gasolina pesa 6% no IPCA.

Este é só um aperitivo do que pode acontecer este ano, já que o preço do petróleo também promete não dar trégua. Segundo o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura,  em 2021, a média do preço do barril de petróleo no mercado internacional era de 70 dólares. Este ano, pode chegar a 90 dólares. E o câmbio, outra variável que influencia no preço, vai continuar pressionando, ainda mais por ser um ano de eleição.

Outra esperança seria o alívio da conta de luz. Para o professor Luiz Roberto Cunha, a trajetória de queda da inflação vai depender do fim da tarifa de escassez hídrica em abril. Ele calcula que a inflação deste ano fique em 6%.

Fim da tarifa de escassez poderia ser antecipado

Pires explicou que a quantidade de chuva desde outubro foi importante para evitar o racionamento em 2021. A previsão é que o mês feche com os reservatórios operando com 50% da capacidade. Em tese, com esse percentual, o governo poderia antecipar o fim da tarifa da escassez hídrica para fevereiro ou março. No entanto, o período de seca começa em abril, então seria importante aguardar para verificar se os reservatórios continuarão cheios, salienta Pires. 

Com o fim da bandeira de escassez hídrica, Cunha calcula redução de um ponto percentual na inflação. Ou seja, se o governo pôr fim à sobretarifa em fevereiro, a redução do IPCA, que seria apenas em maio, poderia ser antecipado para março. 

No entanto, mesmo com redução da tarifa, a conta de luz vai continuar perturbando a inflação, diz Pires. Isto porque a partir de maio começa a ser cobrado a contração do leilão simplificado para compra emergencial de energia de reserva, com valor total de contratação de R$ 39 bilhões. Fora a Conta Covid,  empréstimo feito em 2020 para socorrer o setor elétrico dos efeitos da pandemia. 

_________________________________________________Twitter AMPLIA ALCANCE de jornais e políticos de DIREITA, diz estudo da empresa

Foram analisados milhões de publicações no Canadá, França, Alemanha, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos

Unsplash

Empresa destaca que problema é "complexo" e fará análise adicional do conteúdo

22.out.2021 (sexta-feira) - 15h49

Relatório produzido pelo Twitter mostra que o algorítimo da rede social prioriza o impulsionamento de conteúdo publicado por políticos e jornais de direita e centro-direita. O estudo analisou milhões de tweets de 1º de abril a 15 de agosto de 2020.

Os resultados mostram que os eleitos, independente de partidos políticos, veem uma amplificação algorítmica quando comparados ao conteúdo político de ativistas sem cargo público. As publicações analisadas foram de autoridades de 7 países: Canadá, França, Alemanha, Japão, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

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Com exceção da Alemanha, todas as nações viram as publicações de contas com viés de direita receberam mais amplificação algorítmica dos que grupos de esquerda. O mesmo acontece com veículos jornalísticos. Eis a íntegra do estudo (2 MB).

“Os meios de comunicação foram categorizados com base em classificações de parcialidade da mídia de duas organizações independentes, a AllSides e a Ad Fontes Media. Excluímos Tweets que apontam para conteúdo não político, como receitas ou esportes”, diz a rede social.

Poder360 todos os dias no seu e-mail

concordo com os termos da LGPD.

Desde 2016, é possível que o usuário escolha se quer ver sua linha do tempo organizada por ordem cronológica ou por efeito de algorítimo. “Esperamos que nossas descobertas contribuam para uma discussão baseada em evidências sobre o papel que esses algoritmos desempenham na formação do consumo de conteúdo político na internet”, afirma a empresa.

Segundo o Twitter, a partir dos resultados do estudo, será preciso realizar uma análise adicional para determinar quais mudanças precisam ser feitas. “A amplificação algorítmica é problemática se houver tratamento preferencial em função de como o algoritmo é construído em relação às interações que as pessoas têm com ele”.

A pesquisa foi realizada pelos pesquisadores Ferenc Huszár (Twitter/Universidade de Cambridge), Sofia Ira Ktena (DeepMind Technologies), Conor O’Brien (Twitter), Luca Belli (Twitter), Andrew Schlaikjer (Twitter) e Moritz Hardt (UC Berkeley).

o Poder360 integra o


_________________________________________________Brasil LASCADO, FUDIDO e ARROMBADO:  Depois de TUDO só 50%?!? PUTAKÍUSPÁRIU

Genial/Quaest: 50% reprovam governo Bolsonaro e 55% dizem estar "pior do que esperava"

Jair Bolsonaro
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247 - O governo Jair Bolsonaro é reprovado por 50% dos brasileiros, aponta a primeira pesquisa de 2022 realizada pela Quaest Consultoria e Pesquisa e paga pela Genial Investimentos. Ainda conforme o levantamento, 55% dizem que o governo está em uma “situação pior que a esperada”.

O percentual dos que reprovam o governo Bolsonaro é o mesmo do registrado em dezembro do ano passado, mas é cinco pontos maior que o apontado em julho do ano passado. 

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Os que consideram a atual gestão como regular somam 25% em janeiro deste ano, contra 26% do levantamento realizado em dezembro, ficando dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Em julho de 2021, este índice era de 27%. 

Em julho passado, os que consideravam o desempenho do governo como bom somavam 26%. Este índice caiu para 21% em dezembro e oscilou um ponto no levantamento atual. 

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Também em julho do ano passado, o índice dos que consideravam que o governo estava "pior que o esperado" chegava a 48%. Outros 28% avaliam que a gestão “não está melhor nem pior”, contra 31% do levantamento anterior. Apenas 15% afirmaram que a situação “está melhor”, ante 19% da pesquisa de julho de 2021. Outros 2% não souberam ou não quiseram responder ao questionamento. 

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O levantamento foi realizado entre 6 e 9 de janeiro e ouviu 2.000 pessoas presencialmente. A pesquisa foi registrada nos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode ser encontrada pelo número de identificação: BR-00075/2022. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

_________________________________________________O projeto de poder dos militares para as eleições 2022 e além - Marcus Atalla

"Na preparação à eleição de Bolsonaro, para garantir que Temer e seu grupo perdessem apoio da elite golpista, fizeram uma intervenção militar no Rio de Janeiro"

13 de dezembro de 2021, 18:43 h

Bolsonaro e militares dos Estados Unidos (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino | Shutterstock)

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Já é claro para a maioria do público, que os militares não irão deixar o poder tão facilmente. No entanto, usa-se como referência o golpe de 64, cuja estratégia foi a tomada de poder à força, com tanques nas ruas e quarteladas. Não é esse o método utilizado novamente, os militares estão usando métodos estratégicos atuais, enquanto as análises baseiam-se em técnicas ultrapassadas, técnicas de 57 anos atrás. As forças armadas estão usando técnicas em consonância com as estratégias militares atuais, as quais os campos de batalha a serem conquistados, não são apenas territórios, mas também a mente humana.

Psy Ops - operações psicológicas pensadas para transmitir informações selecionadas ao público, para influenciar suas emoções, motivos e raciocínio objetivo.Decept Ops - operações de dissimulação, onde uma unidade militar obtém vantagem, induzindo em erro os tomadores de decisão do adversário, levando-os a ações prejudiciais a si mesmos. Oculta-se informações e intenções, ou fornece-se uma explicação alternativa plausível e falsa.Proxy War - guerra por procuração é um conflito onde dois países se utilizam de um terceiro, de forma a não lutarem diretamente entre si.Guerra de Espectro Total – o inimigo não é apenas o Estado, utiliza-se de elementos psicológicos, para afetar a capacidade cognitiva do governo e da população. Usa-se como arma comunicação em massa, audiovisual, jornais, rádios, internet etc.

Piero Leirner, antropólogo, catedrático (UFSCAR) e pesquisador no campo militar, em seu livro “O Brasil no Espectro de uma Guerra Híbrida”, foi um dos primeiros estudiosos no Brasil a demonstrar não haver mais uma separação entre política e guerra, e a participação dos militares no golpe de 2016. Porém, a preparação iniciou-se muito antes. Os militares tornaram possível, a um obscuro deputado, ser um candidato à presidência viável, culminado em sua eleição.Ainda em 2014, o alto comando militar lançou a candidatura de Jair Bolsonaro dentro da AMAN - Academia Militar das Agulhas Negras-, algo ilegal até mesmo pelas normas das forças armadas. Veja o vídeo postado pelo Coronel da Reserva Marcelo Pimentel. (entrevistado por diversas vezes pelo Brasil 247).

Os militares insuflaram as manifestações e usaram as redes sociais como arma, como ficou explícito em declarações e no livro biográfico do General Villas Bôas. 

Chegaram ao poder ainda no governo Temer, onde preparam o controle dos aparatos do Estado. Unificaram a inteligência do Estado sob seus comandos, GSI, ABIN etc.  

Leirner denunciara a criação de um Deep State Tupiniquim, nos moldes da CIA e NSA estadunidense. Uma “República da Arapongagem” em que políticos, funcionários públicos e empresários estarão sob controle através de dossiês, grampos e chantagens.

Na preparação à eleição de Bolsonaro, para garantir que Temer e seu grupo perdessem apoio da elite golpista, fizeram uma intervenção militar no Rio de Janeiro. Deste modo, pela Constituição Federal, ficou proibida continuar com as Propostas de Emenda Constitucional (PEC). O que impediu o governo Temer de continuar com as reformas. 

Também veio à tona a denúncia de Joesley (JBS), Gen. Heleno era o responsável pela segurança do Temer. Isso incluía, garantir que um presidente não fosse grampeado. Assim, aumentou-se a desestabilização, a descrença na política e o caos no país.  Nesse contexto, os Militares/Bolsonaro se apresentaram como uma volta à ordem.

Com a desmoralização do grupo Temer e o tuíte ao supremo, impedindo a candidatura do Lula (retornaremos ao tuíte mais abaixo), restou apenas Bolsonaro. Desde então, os militares se movem pelos pontos estratégicos do Estado, conforme a necessidade.  (Militares se movem pelo Estado de forma estratégica).

Sociedade e opinião pública controlada por Operações psicológicas 

Cel. Res. Pimentel e Leirner concordam que está sendo empregada técnicas militares na sociedade brasileira. Bolsonaro foi escolhido para ser o bode na sala, proxy war. Enquanto a sociedade e imprensa digladiam com ele, os militares passam incólumes. Todavia, Bolsonaro aprova leis, decretos e medidas, as quais aumentam o controle militar sobre o Estado. (para que serve Bolsonaro – Cel. Res. Pimentel).Ao mesmo tempo, os militares plantam notícias falsas, através da imprensa. Usam de Decept Ops, operações de dissimulação em que os papéis são realizados por outros, mas a instrução de execução é militar. Escondem suas participações como em uma espécie de camuflagem.

Um exemplo foi a não punição do Gen. Pazzuelo e a notícia plantada de que houve brigas entre o alto comando, ou haveria um setor militar racional e outro “olavista”.

O General Ramos, no dia 21/07, deu uma entrevista dizendo estar pasmo por ser despedido por Bolsonaro. Vários jornalistas deram risadas acreditando que Ramos havia sido humilhado.

Uma semana depois, foi realizada uma live por Bolsonaro, sobre a urna fraudável. Dias após a suposta humilhação de Ramos, soube-se que havia sido o próprio Ramos, quem organizou do evento.

Eleições 2022, Militares e o Movimento de Pinça

 Leirner, ainda no ano passado, cantou a pedra prevendo estar em preparo uma chapa Sérgio Moro-Santos Cruz.

Para ele, os militares estão usando um Movimento de Pinça, manobra militar em que o oponente é atacado pelos dois flancos simultaneamente, com o objetivo de cercá-lo. Os militares estariam com duas candidaturas à presidência; uma Sérgio Moro e Gen. Santos Cruz; e outra, Bolsonaro e, talvez, Gen. Braga Neto.

Além disso, está em preparação vários candidatos militares ou ligados a eles, a fim de concorrerem às eleições. Há pesquisas sendo realizadas de Mourão a governador (RJ), Pazzuelo e Deltan Dallagnol a deputado etc.

A estratégia militar não é tomar o poder por tanques e tropas, mas sim, como já estão operando desde o golpe, terem o poder real de forma camuflada. Por isso, Lula é um grande empecilho para eles. Porém, assim como em 2013 em diante, a imprensa brasileira está junta no processo.

A operação psicológica Lula-Alckmin e um conto identitário de Natal – “É conhecido na inteligência e propaganda militar a máxima de que a maneira mais fácil de enganar alguém não é convencê-lo de que está errado, mas convencê-lo de que está certo.” Muito além de um tuíte: a sinergia política dos militares e judiciário na conquista do Estado

Foi publicado em 02/12, pela Antropolítica (UFF), outro estudo de Piero Leirner [leia na integra aqui].

Nesse trabalho, o pesquisador demonstra haver uma sinergia entre o sistema judiciário e os militares, oposto do que se tenta mostrar, quando Bolsonaro e militares atacam o STF e a PGR, criando-se uma falsa impressão de cizânia. A pesquisa vai além, retroage no tempo, analisa a estrutura social militar e como essa sinergia entre judiciário foi construída, até chegamos no absurdo do hoje.

As Forças Armadas Brasileiras aderiram à visão “pós-modernas” como forças policialescas do Estado, voltaram-se às ameaças internas, ao invés da defesa de ameaças externas ao país. Na visão militar a segurança pública é disfuncional e há uma ausência de elites domésticas que pensem no país, no evento na Maçonaria de Brasília, Morão mostrou como militares enxergam a população brasileira e a democracia. Portanto, vendo-se como os capacitados, resolveram eles próprios tomarem o controle do Estado.

O General Villas Bôas articulou essa rotação, do inimigo externo para o interno (o povo brasileiro), através dos projetos do Proforça e Sisfron. O Sisfron também visa combater o terrorismo e organizações criminosas. Com isso, o exército ampliou o contato com parlamentares, policiais, governadores, procuradores, juízes, desembargadores, agentes do TCU, CGU. Fez ações com o Ministério da Justiça, como a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA) – a 2ª instância do TRF-4 faz parte da ENCCLA.

Concomitante com essas “aproximações sucessivas”, foram sancionadas legislações que ampararam essa sinergia com o judiciário. Lei Antiterrorismo, das Organizações Criminosas, compra do sistema Guardião à PGR; normatização das GLOs (Garantia da Lei e da Ordem) etc.

Como a guerra é em todas as áreas da sociedade, até as civis, incluso o judiciário, o lawfare é uma arma válida. Parte do judiciário aderiu à discussão de uma reinterpretação do Artigo 142 da Constituição, dando aval às Forças Armadas como “poder moderador”.

Pela ótica binária e maniqueísta militar, onde só há aliados ou inimigos e tudo é campo de batalha, com a campanha da imprensa – Gilmar Mendes declarou em plenário - que o PT seria uma “organização criminosa”, não demorou para os militares concluírem que o PT, movimentos sociais e partidos de esquerda são organizações criminosas, equiparando-os ao PCC, Hezbollah, as FARC etc. 

Para Leirner, a sinergia entre judiciário e militares é muito maior que um simples tuíte que impediu a candidatura de Lula em 2018. E que a criação de “toda essa parafernália jurídico-política teve uma motivação militar operando em segundo plano”.

_________________________________________________Os militares usam o mesmo truque disruptivo e os brasileiros caem novamente - Marcus Atalla

Por Marcus Atalla * 10 de janeiro de 2022, 21:19

Para os que ainda não estão à par de como os militares atuaram no golpe, transformaram um deputado obscuro em Presidente da República e estão usando de Psy Ops na população brasileira, vale ler o artigo anterior: O projeto de poder dos militares para as eleições 2022 e além.

O que deveria estar claro para todos, é que não haverá golpe, o golpe já aconteceu em 2016. Desde então, o objetivo tem sido estabilizar o regime golpista. Estabilização, que até o momento, não tem sido bem-sucedida.

As operações psicológicas usam da disrupção cognitiva como método de camuflar, confundir e desorientar o inimigo. A beleza na Guerra-Híbrida está em usar a imprensa (meio de comunicação de massa) como propagadora da disrupção. A imprensa pode ter consciência disso e aceitar, por ter os mesmos interesses, ou involuntariamente, plantando-se informações falsas, que a imprensa reproduz sem saber que são.

Durante todo o golpe, o partido militar simulou haver uma dissidência, uma cisão interna entre grupos na caserna. No início haveria militares racionais versus militaristas Olavistas. Agora que esse discurso se esgotou, surgem os militares golpistas versus os legalistas, que pretenderiam garantir a segurança das eleições. O fato é, que a FFAA nunca desembarcou do governo que dizem sem contrário, aliás, desde o governo Temer.  

Bolsonaro, colocado na presidência por eles próprios, é usado como o caos, o palhaço que bota fogo no circo, para a sim, os militares surgirem como os bombeiros. 

Semana passada: a criação de uma velha nova narrativa

A imprensa, principalmente, a Globo News, ficou a semana toda divulgando que o Comando das Forças armadas proibiu os militares de propagarem fake news, usarem máscara e se vacinarem. É crível que o alto comando só percebeu a importância disso, após dois anos de pandemia?

Na mesma noite, apareceu na live do Bolsonaro, um suposto erro em que um militar de alta patente (pelo número de emblemas em seu uniforme), instrui o presidente sobre o que deveria dizer. Bolsonaro pode ser estúpido em vários sentidos, mas já demostrou estar muito bem assessorado, entretanto, continua-se subestimando sua capacidade.

E aqui temos a Psy Ops, para o viés de confirmação do bolsonarismo, o generalato permanece com Bolsonaro. À esquerda, pelo viés de confirmação, vale a palavra do alto comando. Para os de pensamento crítico fica a confusão. (Será que os militares apoiam Bolsonaro?  Acho que sim, eu acho que não, claro que sim, claro que não!). Enquanto isso, vende-se a ideia de uma cisão, e a população continua paralisada.

Se há uma de verdade uma dissidência entre os militares, ela permanece quieta. Essa é a natureza dos militares, seguir ordem sem contestar, “missão dada é missão cumprida”. Você só pode confiar no soldado que está ao seu lado, ele que dará a vida para te salvar na batalha. Não importa o que aconteça.  

Se não bastasse, agora se cria a ilusão de que as instituições estariam funcionando, sendo técnicas, com uma pseudodiscussão entre o militar no comando da ANVISA e Bolsonaro. Crise militar é real ou é fabricada? 

Cria-se a narrativa que as instituições funcionariam na mão dos militares (esqueceu-se o Ministério da Saúde nas mãos do Pazuello? Ou o Uso político da ANVISA no retardo da Sputnik V e CoronaVac). Pois bem, enquanto isso, torna-se normal o Gen. Fernando Azevedo no TSE, cuidando da segurança da Urna Eletrônica (Positivo -Oriovisto-PODEMOS). Essa jogada é velha, é a mesma de 2018, quando havia uma militar no STF, que impediu o Lula de concorrer às eleições. 

A esquerda permanece caladinha, claro, ficou discutindo contra Bolsonaro a perfeição da urna eletrônica. Preferiu acreditar na Retórica do Barroso, vamos repetir: acreditar na palavra do ministro Luís Roberto Barroso, ao invés de fazer uma discussão técnica. Leia as opiniões de dois técnicos, que realizaram auditoria na urna eletrônica e apontam suas fragilidades. (Pedro Rezende UNB) e (Diego Aranha Unicamp).

O fato é, que desde 2016, os militares estão se movendo pelas instituições do Estado, de forma estratégica, posicionando-se em pontos chave em cada período. (ric 791/2020 – cargos comissionados ocupados por militares). A campanha eleitoral que, na prática começou, está sendo a mais despolitizada possível. Nesse hiato, discute-se que Bolsonaro, indivíduo. Tudo que ele fez até agora, foi porque lhe foi permitido. Enquanto o neoliberalismo, a causa real do “fascismo”, passa incólume.

________________________________________________Porta-voz de Biden 'dá aula' a repórter que questionou eficácia da vacina

Porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, rebate repórter da Fox News que questionou eficácia da vacina contra covid-19 - Drew Angerer/Getty Images via AFP
Porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, rebate repórter da Fox News que questionou eficácia da vacina contra covid-19 Imagem: Drew Angerer/Getty Images via AFP

Do UOL, em São Paulo 11/01/2022 13h52

Um vídeo da porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, "ensinando" a um repórter da Fox News a diferença dos efeitos da covid-19 entre vacinados e não vacinados viralizou nas redes sociais.

Em entrevista coletiva ontem, na Casa Branca, o repórter Peter Doocy questiona um comunicado divulgado pelo governo norte-americano, que cita uma "pandemia entre não vacinados". Ele argumenta que mesmo pessoas totalmente vacinadas, com a dose de reforço, são infectadas pelo coronavírus.

Covid: Como lidar com a ômicron diante do aumento de infecções?

"Eu entendo que a ciência diz que as vacinas previnem contra a morte [por coronavírus]. Mas eu tomei três doses e ainda peguei covid. Você tomou três doses e ainda pegou covid. Por que o presidente ainda está se referindo a isso como uma pandemia dos não vacinados?", questionou ele.

Jen Psaki rebate a fala dizendo que "o impacto para as pessoas não vacinadas é muito mais terrível do que para as vacinadas". Os Estados Unidos têm um forte movimento antivacina.

"Recebi três doses da vacina. Tive sintomas mais leves. Você tem 17 vezes mais riscos de ser hospitalizado se não for vacinado, e 20 vezes mais riscos de morrer", afirmou a porta-voz, citando dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos EUA. "Essas são estatísticas significativas e sérias."

O repórter insiste e questiona se o comunicado será alterado. "O presidente [Biden] vai atualizar sua linguagem em algum momento para refletir o fato de que pessoas com três doses da vacina estão pegando e espalhando covid?".

Neste momento, Jen Psaki repete que há uma diferença significativa entre estar vacinado e manifestar sintomas leves e não estar vacinado e ser hospitalizado ou morrer por covid-19.

Viés conservador

A rede de TV Fox News, onde trabalha Doocy, tem um viés conservador. A emissora do magnata Rupert Murdoch tradicionalmente mais alinhada a políticos republicanos.

Em março de 2021, a Fox chegou a ser processada por uma fabricante de máquinas de votação por supostamente veicular falsas alegações de que os equipamentos foram usados para fraudar as eleições presidenciais de 2020, quando o republicano Donald Trump foi derrotado por Joe Biden.

Três meses depois, a Fox News se recusou a transmitir um anúncio de 60 segundos, no qual mostra policiais relatando cenas de violência em ataque promovido por apoiadores do então presidente Donald Trump, no dia 6 de janeiro.

Coronavírus nos Estados Unidos

Nos primeiros dias de 2022, os Estados Unidos bateram o recorde de novos casos diários de covid-19 e também de hospitalizações. Ontem, o país registrou 1,35 milhão de novas infecções em 24 horas, de acordo com uma contagem da Reuters. É a maior marca em todo o mundo.

No mesmo dia, o número de pacientes hospitalizados pela covid-19 atingiu o maior patamar já registrado, tendo duplicado em duas semanas. São mais de 136.604 pessoas internadas, superando o recorde de 132.051 em janeiro do ano passado.

A nova onda de casos nos Estados Unidos está sendo influenciada pela variante ômicron, mais transmissível.

Uma vacina desenvolvida especificamente para combater a nova cepa provavelmente será necessária, afirmou o presidente-executivo da Pfizer. Segundo ele, a nova versão da vacina poderia ser lançada em março.

_________________________________________________Presidente do México diz que está bem após segunda infecção por covid-19

Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, no Palácio Nacional, na Cidade do México - Henry Romero/Reuters
Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, no Palácio Nacional, na Cidade do México Imagem: Henry Romero/Reuters

11/01/2022 16h59

México, 11 Jan 2022 (AFP) - O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse nesta terça-feira (11) que está enfrentando sua segunda infecção por covid-19 com leve desconforto e que se sente "bem", o que considera um sinal da menor periculosidade da variante ômicron.

"Estou me sentindo muito bem, felizmente não precisaremos ser hospitalizados", disse López Obrador, 68 anos, em uma mensagem de vídeo transmitida durante sua habitual conferência matinal, que na sua ausência foi conduzida pelo secretário do Interior, Adán Augusto Lopez.

Mundo registra recorde de 15 milhões de casos de covid-19 em uma semana

"Não tenhamos medo, felizmente esta é uma variante que não tem o nível, o grau de perigo que a variante delta tem e eu estou vivenciando isso", disse o presidente com voz rouca.

Para atestar seus sintomas leves, López Obrador mediu sua temperatura e nível de oxigenação.

"Estou com 36,1 (graus Celsius) e 92 (oxigenação). O que eu sinto? Ardência na garganta, rouquidão, um pouco de dor no corpo no início, mas estou me sentindo muito bem", explicou.

"Eu diria que esse vírus está de saída, não vai para os pulmões", acrescentou.

O secretário de Saúde, Jorge Alcocer, informou que o presidente deve ficar resguardado por uma semana.

Beatriz Gutiérrez, esposa de López Obrador, informou que tanto ela quanto seu filho Jesús López Gutiérrez, de 14 anos, se isolaram, embora não tenham apresentado sintomas até o momento.

"Temos certeza de que esse vírus sairá de casa em breve", acrescentou Gutiérrez em sua conta no Instagram, na qual publicou uma foto do presidente que, garantiu, "amanheceu melhor".

López Obrador foi imunizado com a vacina AstraZeneca e recebeu reforço no dia 7 de dezembro.

A primeira vez que ele contraiu a doença foi em 24 de janeiro do ano passado, quando ficou isolado por vários dias e foi substituído pela então secretária do Interior, Olga Sánchez Cordero.

Líderes da região expressaram apoio ao presidente. O presidente do Peru, Pedro Castillo, desejou através de sua conta no Twitter uma "rápida recuperação" e "força para ele, sua família e para o povo mexicano".

O presidente da Bolívia, o esquerdista Luis Alberto Arce, expressou "solidariedade" e mencionou "o trabalho que está realizando em benefício do povo mexicano e da #PatriaGrande".

Nas redes sociais, o presidente recebeu críticas por ter aparecido na segunda-feira em sua conferência matinal com sintomas e sem máscara.

O México, de 126 milhões de habitantes, registrou um aumento nas infecções por coronavírus nos últimos dias, com um número recorde de mais de 30.000 casos positivos no último sábado.

O país registrou 4,1 milhões de casos confirmados e 300.412 mortes até segunda-feira.

_________________________________________________Veja quem é o namorado do governador Eduardo Leite [02/07/2021]


Pediatra Thalis Bolzan é o namorado do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) Imagem: Reprodução / LinkedIn

Pediatra Thalis Bolzan é o namorado do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) - Reprodução / LinkedIn
Pediatra Thalis Bolzan é o namorado do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) Imagem: Reprodução / LinkedIn
Do UOL, em São Paulo 02/07/2021 17h56 

Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul, um dos pré-candidatos do partido à Presidência da República na eleição do próximo ano, declarou-se gay em entrevista à TV Globo que foi ao ar na noite de ontem. Sem citar o nome do companheiro, o gestor afirmou que namora há 11 meses um médico pediatra.

O namorado de Leite é o capixaba Thalis Bolzan, de 29 anos, que vive na capital paulista e está se especializando em endocrinologia pediátrica na USP (Universidade de São Paulo). A informação sobre o namoro entre Bolzan e Leite foi divulgada pela Gazeta do Espírito Santo e confirmada pelo UOL.

Após Leite se declarar gay, Bolsonaro ri e ironiza: 'Se achando o máximo'

"Eu nunca falei sobre um assunto que eu quero trazer pra ti no programa, que tem a ver com a minha vida privada e que não era um assunto até aqui porque se deveria debater mais o que a gente pode fazer na política, e não exatamente o que a gente é ou deixa de ser", disse o governador ao programa Conversa com Bial.

Bolzan é graduado em medicina pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, no Espírito Santo e fez residência em Pediatria pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Redes sociais em alta

De ontem para hoje, as redes sociais do governador do Rio Grande do Sul receberam grande atenção. Em menos de 24 horas, Eduardo Leite ganhou mais de 80 mil seguidores.

De acordo com informações da plataforma SocialBlade, um serviço de rastreamento de estatísticas e análises de mídias sociais, Leite ganhou 80.108 novos seguidores em seus perfis do Twitter, Facebook e Instagram nas últimas 24 horas.

A maior parte corresponde ao Instagram, onde ele conquistou mais 61.925 seguidores. No Twitter e no Facebook, foram 13.639 e 4.544, respectivamente.

Agora, o governador do Rio Grande do Sul soma cerca de 920,5 mil seguidores nas três redes sociais. A expectativa é que ele consiga ultrapassar a marca de 1 milhão de seguidores nos próximos dias.

_________________________________________________Namorado de Leite contrai covid e governador do RS cumprirá agenda online

O governador diz que ainda fará o teste PCR Imagem: Reprodução/YouTube Governo do Rio Grande do Sul

Colaboração para o UOL 11/01/2022 16h12

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), anunciou hoje que seu namorado está com covid-19. O tucano diz que ainda fará o teste para a doença, mas já cumpre isolamento e irá trabalhar à distância.

"Não tenho qualquer sintoma, mas farei o PCR agora, no início da tarde e, por precaução, as minhas agendas serão virtuais hoje", informou pelas redes sociais.

Covid e influenza: quem deve testar, como e quando? Como fica o isolamento?

Eduardo Leite está vacinado contra a covid-19 com duas doses.

Namorado do governador

Eduardo Leite namora o capixaba Thalis Bolzan, de 29 anos, que vive na capital paulista e está se especializando em endocrinologia pediátrica na USP (Universidade de São Paulo).

Bolzan é graduado em medicina pela Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, no Espírito Santo e fez residência em Pediatria pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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