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2022-02-16: Lula de 14 pontos para 9 de vantagem em apenas UM MÊS. NÃO dá pra CONFIAR nesse POVINHO de MERDA, NÃO. NUNCA mais.

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Em pleno 2022. Especialistas explicam por que o 'ACHISMO' está RIVALIZANDO tanto com a CIÊNCIA e o SABER _________________________________________________

https://oglobo.globo.com/cultura/o-canibal-vegetariano-25390982 _________________________________________________


https://www.brasil247.com/blog/stf-anula-a-farsa?amp

STF, anule a farsa! [□]

A condenação de Lula foi por um 'ATO de OFÍCIO INDETERMINADO'

__________________________________________________________________________________________________SILVIO ALMEIDA aponta como Moro DESTRUIU o sistema de JUSTIÇA, a ECONOMIA e tentou destruir a POLÍTICA _________________________________________________

https://www.google.com.br/amp/s/blogs.oglobo.globo.com/sonar-a-escuta-das-redes/post/amp/debate-sobre-nazismo-leva-nomes-de-tabata-e-kim-aos-assuntos-mais-comentados-nas-redes-entenda.html
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https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2022/03/14/tales-faria-uol-news-canal-uol-caso-marielle-franco.htm
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Sessão do Supremo Tribunal Federal em 2015 e Roberto Barroso
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Vídeo em que PEDRO BIAL elogia OLAVO_DE_CARVALHO volta a circular: “BRILHANTE_PENSADOR” _________________________________________________

Em obra EXEMPLAR, a GRITANTE ATUALIDADE de TOUSSAINT LOUVERTURE (1740-1803) _________________________________________________

HADASSA GOMES, estudante de 19 anos CARA_A_CARA com o BOLSOBOSTA: "Atrás desse personagem MACHÃO existe um COVARDE". "O senhor é uma FARSA" _________________________________________________

"SE a TERCEIRA via NÃO emplacar, a BURGUESIA vai de BOLSONARO DE NOVO", diz RUI COSTA PIMENTA, presidente do PCO _________________________________________________

Breno Altman: afirmação de Barroso é a CONFISSÃO de que o STF PREVARICOU ao endossar o GOLPE _________________________________________________

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Entre a máfia dos pastores, a fé dos hipócritas e o apoio dos bolsonaros à tortura e à morte - Toninho Kalunga


Por Toninho Kalunga 5 de abril de 2022, 10:01

Duas coisas são absolutamente incompreensíveis e incompatíveis em uma pessoa que se autodenomina cristã: A primeira é defender qualquer ação que tenha relação com o ódio. A segunda é apoiar politicamente ou religiosamente o fascismo político, o racismo estrutural e a ditadura como forma de governo.

O que cristãos têm a ver com a política? Em meu ponto de vista, tudo!! Cristãos não podem ficar indiferentes à atual situação do Brasil e dos seus filhos mais pobres. Um cristão não pode fingir que não vê as mazelas patrocinadas por este governo. Quem se reconhece enquanto cristão, tem que ter na sua prática o reflexo de sua fé!

Jesus Cristo, em sua vida pública, segundo o Evangelho, esteve ao lado dos marginalizados e contra as práticas espúrias dos religiosos que agiam em conluio com o Estado para tirar dos mais pobres e acumular riquezas aos mais ricos. Ao ser perguntado sobre qual sua postura com relação ao que era próprio do estado, Jesus disse que deveria ser dado a César o que era de Cezar, e a Deus o que era de Deus. Ou seja, não havia apoio por parte de Deus, ao que é próprio de Cesar.

Como pode um cristão defender a tortura praticada pelo estado policial, tendo sido o Deus Cristão uma vítima deste mesmo tipo de estado, que usou seus policiais de então para espancá-lo, chicoteá-lo e bater os pregos em suas mãos, braços e pés numa cruz? Não consegue imaginar o que é uma sessão de tortura, vá na Bíblia e nos quatro Evangelhos leia sobre os episódios da prisão, julgamento de Jesus Cristo: Lá está narrado como foi a noite e o dia de Jesus em uma sessão de torturas que começou na noite anterior, e foi até a morte e morte de cruz:  açoites, socos, pontapés, torturas com espinhos enfiados no crânio e finalmente crucifixação. Não sabe onde encontrar? Então clique nestes links abaixo:   

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https://bit.ly/3x66Knm (Evangelho de São Mateus Cap 26)
https://bit.ly/36WbjFR (Evangelho de São Mateus Cap 27) 

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https://bit.ly/37kkcsV (Evangelho de São Marcos Cap 14)
https://bit.ly/3NMFsYU (Evangelho de São Marcos Cap 15)

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https://bit.ly/3j7SjHc (Evangelho de São Lucas Cap 19, vers.45)
https://bit.ly/36NFrU9 (Evangelho de São Lucas Cap 20)
https://bit.ly/3J8zBK6 (Evangelho de São Lucas Cap 21)
https://bit.ly/3JaUDaX (Evangelho de São Lucas Cap 22)
https://bit.ly/36NFAqF (Evangelho de São Lucas Cap 23) 

https://bit.ly/35KJYWQ (Evangelho de São João Cap 18)
https://bit.ly/3DDsWXb (Evangelho de São João Cap 19)

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Alguns líderes religiosos da época de Jesus em Jerusalém e de hoje, no Brasil, tiveram e têm a mesma relação com o estado e com os poderosos. Fingem não ver a vida de cão que o povo passa, o abandono, a fome, a miséria e o desprezo. Justificam que Jesus disse que sempre haverá pobres entre nós: “Os pobres sempre tendes convosco e podeis fazer-lhes o bem quando quiserdes. Mas a mim não tereis sempre” (Mc14,7). Como sempre fazem os hipócritas, utilizam meias palavras para justificar a própria sordidez. Quando usam essa justificativa, nunca usam a frase completa, onde Jesus completa “e podeis fazer-lhes o bem quando quiseres. Mas eu não vou estar sempre com voces”. 

Diante destes escritos sagrados, como é que uma pessoa que se diga seguidora de Jesus Cristo possa se fazer de cega mesmo enxergando, de surda ouvindo e de muda falando? Como alguém pode dizer que apoia quem defende torturadores? Como é que alguém apóia um governante que tem entre seus assessores, homens que usando o nome de Deus, pedem ouro e dinheiro em depósito em suas contas para liberar um dinheiro que é público? Qual nome estes homens que se dizem de Deus, dão para isso? 

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Como é que homens que se dizem de Deus, utilizam da Palavra de Deus e imprimem em BÍBLIAS seus nomes, suas fotos e de seus familiares NA PALAVRA DE DEUS? Não contentes em corromper a Igreja, não felizes em corromper o sistema político cuja missão era combater a corrupção, já que dizem ser a razão pela qual ajudaram a eleger e apoiar este governo e acabam por corromper até Bíblias Sagradas?  

É isso que acontece com essas pessoas que continuam apoiando esse governo. A corrupção que aqui se retrata é apenas uma ponta deste imenso Iceberg. Há algo pior sendo corrompido. A mente, a missão e a verdade que dizem defender! Todos sabem o que este governo significou para a vida dos brasileiros diante desta pandemia! 660.000 mil mortos e nenhuma única palavra de aconchego por parte do presidente da república para os familiares que perderam seus entes queridos. 

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Feche os olhos e diga o nome de pessoas que você conheceu ou amou e que de forma direta ou indireta participou de sua vida e que morreu por acreditar na cloroquina e neste governo antivacina! E ainda fingem que isso não tem responsabilidade direta em razão da omissão deste governo? E aí, a pergunta que não vai ser calada é… que fé é essa?? Fé em um Deus Vivo que venceu a morte ou em um mito que promove a morte?

Olhem a tentativa frustrada de vender vacinas, em outro esquema envolvendo pastores! Será se o povo Evangélico quer mesmo para si esta desgraça? Não esta na hora de dizer o que de fato se sente, se vê, se ouve e se fala com relação a este governo, dizer que este governo não representa os anseios reais do povo evangélico? Do povo católico?  Penso que é até legítimo alguém acreditar e defender politicamente qualquer pessoa, até mesmo Bolsonaro! Sim. Isso pode ser feito. O que não pode é fazê-lo em nome de Jesus!

Não façam mais isso!

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Arthur do Val foi abatido pelas armas que usou no MBL | Opinião - O Globo

Por Pedro Doria 11/03/2022 • 00:01

Mais que afundar a carreira política do deputado estadual paulista Arthur do Val (sem partido), o impacto das mensagens em áudio que ele gravou e foram vazadas traz lições importantes. Algumas são lições bastante antigas, bastava ter lido qualquer guia derivado de Maquiavel que se proponha à autoajuda do político iniciante. Mas outras não são tão triviais. Tratam dos limites do tipo de ação política digital usado pelo MBL, pelo bolsonarismo e mesmo pelo que alguns chamam de neobolchevismo digital. Arthur foi abatido pelas armas que sempre usou. Mais: por causa das armas que sempre usou.

É bom antes definir que arsenal é esse. É tratar política de forma histérica. Tudo é escândalo, e nunca há possibilidade do diálogo. O objetivo é manter o giro do conteúdo das redes sociais, um conteúdo que mobilize, deixe os seguidores sempre alertas. Como o escândalo de anteontem é sempre esquecido, é preciso se manter no ataque. É uma política movida a altas doses de dopamina. O neurotransmissor surgiu no processo evolutivo para nos deixar em estado de alerta quando há risco de vida, também regula o prazer, por isso mesmo é aquele jorro fugaz. A dopamina ativa aquilo que o viciado sente. Explode, aí passa rápido.

Quando toda a sua comunicação política exige estar constantemente incitando os centros de alerta e prazer do eleitorado, voltando-o contra os adversários, a estratégia é de guerra permanente. É só ataque e nenhum diálogo. Afinal, o diálogo exige temperança. É incompatível com quem dedica seu tempo a mobilizar uma massa acéfala a bombardear com toda a agressividade, via redes sociais, políticos da oposição. Esses ataques incessantes doem. Por isso não são esquecidos.

Na esquerda, o discurso é que o Movimento Brasil Livre (MBL), que tem em Arthur um de seus líderes, sempre foi assim. Mas isso é apenas parcialmente verdade. Tendo contribuído para tornar histérica a política brasileira e, no rastro, apoiado a eleição de Jair Bolsonaro, os parlamentares do MBL tentaram mudar a forma de ação. Fizeram um mea-culpa público, reconhecendo sua contribuição para piorar o ambiente do debate. Assinaram com a esquerda o principal pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro (PL). E trabalharam para fazer uma grande mobilização nacional respondendo às manifestações golpistas promovidas pelo bolsonarismo em 7 de setembro.

O ato do MBL foi um fracasso. Um dos motivos é que boa parte da esquerda decidiu que sua rivalidade com o movimento era mais importante que reunir toda a oposição pelo objetivo comum do impeachment. Afinal, a política movida a dopamina não é privilégio da direita. Além disso, ora, os ataques que tiram sangue virtual são lembrados no mundo real. Mas há outra razão. Ao tentar mudar seu método de ação e se afastar do bolsonarismo, o MBL descobriu que não conseguia mais mobilizar sequer a própria militância. Porque o MBL não formou pessoas que refletem sobre o Brasil, conjuntos de líderes futuros dedicados à arte bem mais complexa da construção de consensos. Formou, isto sim, tropas de assalto viciadas no jorro da dopamina.

Pois, aí, o MBL voltou a ser o que era. E, voltando a ser o que era, encontrou conforto e reencontrou parte de seu público. Mas quem só ataca não faz aliados, e a política é a arte de brigar sem nunca romper. Quem rompe quando está por cima é esquecido quando cai. E todo mundo cai uma hora. A política feita por dopamina pode congelar um país por alguns anos. Pode mobilizar uma minoria. Mas não tem como durar no arco do tempo.

Em algum túmulo, John Locke se revira. Afinal, dele nasceu o liberalismo justamente para que tivesse voz quem oligarcas viam como “fáceis por ser pobres”.

Por Pedro Doria


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BRASIL CAI para 13ª economia global

Era a SEXTA antes do golpe de 2016

Segundo o levantamento da Austin Rating, que compara o PIB dos países em valores correntes, em dólares, o BRASIL foi ULTRAPASSADO em 2021 pela AUSTRÁLIA. 

Em 2020, a economia brasileira já tinha sido superada pelo CANADÁ, COREIA e RÚSSIA, o que tirou o país da lista das 10 maiores economias do mundo.

Bolsonaro e Paulo Guedes

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 4,6% em 2021, segundo divulgou nesta sexta-feira (4) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 8,7 trilhões no ano passado.



247 - O Brasil caiu de 12º para 13º no ranking das maiores economias do mundo, segundo levantamento elaborado pela agência de classificação de risco Austin Rating. 

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 4,6% em 2021, segundo divulgou nesta sexta-feira (4) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 8,7 trilhões no ano passado.

Segundo o levantamento da Austin Rating, que compara o PIB dos países em valores correntes, em dólares, o Brasil foi ultrapassado em 2021 pela Austrália. 

Em 2020, a economia brasileira já tinha sido superada pelo Canadá, Coreia e Rússia, o que tirou o país da lista das 10 maiores economias do mundo.

O Brasil já ocupou em 2011 a posição de sexta maior economia do planeta, segundo o levantamento da consultoria britânica Centro de Pesquisa Econômica e Negócios (CEBR, sigla em inglês). No mesmo ano, o ranking da Austin Rating colocava o Brasil como sétima maior economia. Em 2016, ano em que a então presidenta Dilma Rousseff foi retirada do poder sem comprovação de crime de responsabilidade, o Brasil respondia pela nona maior economia do planeta.

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, será difícil para o Brasil voltar a figurar entre as dez maiores economias do mundo. “O Brasil muito provavelmente não vai perder posição em 2022 porque está bem distante da Espanha, que é a 14ª colocada. O problema é que a gente deve se distanciar muito da Austrália. Para voltar a fazer parte das 10 maiores economias, o Brasil vai precisar remar muito. São quase US$ 200 bilhões de diferença para o país poder ultrapassar a Coreia, que é a 10º colocada e vem registrando crescimento constante nos últimos anos, em torno de 4%, e com pouca desvalorização da moeda. Vai ser difícil o Brasil voltar a figurar tão cedo entre as 10 maiores", avaliou Agostini, segundo o G1. 

_________________________________________________A trajetória do ex-petista que virou líder do partido de Bolsonaro na Câmara

Como boa parte de seus colegas de Centrão, Altineu Côrtes já esteve entre os adversários do governo e nem sempre vota como quer o Planalto
Agenda. Altineu discursa em plenário: posições contrárias a projetos prioritários do governo, caso do voto impresso Foto: Cleia Viana / Câmara dos Deputados / 07-10-2021
Agenda. Altineu discursa em plenário: posições contrárias a projetos prioritários do governo, caso do voto impresso Foto: Cleia Viana / Câmara dos Deputados / 07-10-2021

BRASÍLIA — A trajetória política do novo líder do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, o deputado Altineu Côrtes (RJ), sintetiza bem a caminhada de grande parte dos seus colegas do Centrão. Embora hoje se declarem alinhados com o titular do Palácio do Planalto, muitos deles engrossavam as fileiras de alguns dos adversários do atual governo. No caso de Côrtes, o parlamentar não só esteve ao lado dos que agora são considerados inimigos, como já foi um deles. E, num passado nada distante, abriu fogo contra um aliado de primeira hora do presidente da República, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.

Desde que Bolsonaro assumiu, Côrtes nem sempre seguiu a cartilha do chefe do Executivo. Num dos episódios mais emblemáticos de descompasso, ele se posicionou de forma contrária a projetos caros ao presidente, como o que propunha a instituição do voto impresso no país, que acabou sendo derrubado pela Câmara. Ele também é a favor da legalização dos jogos no Brasil, como bingos, cassinos e jogo do bicho. O tema foi aprovado pela Casa, e Bolsonaro já adiantou que vetará a proposta, caso ela seja chancelada pelo Senado.

Quando questionado em plenário sobre seu grau de fidelidade, Altineu Côrtes afirma que segue a orientação do partido.

— (Bolsonaro) não estava errado (no caso do voto impresso). Minha posição seguiu a orientação do partido. Eu sigo a orientação do PL. Quase 100% dos deputados foram juntos. Só achamos que não tínhamos como implantar o sistema para essa eleição, que isso poderia não dar certo — argumentou.

Nos bastidores, recentemente, ele também evitou abraçar um projeto de Bolsonaro para o Rio, domicílio eleitoral de ambos. No mês passado, o presidente havia deixado claro a aliados que gostaria de levar para o PL o deputado Daniel Silveira — que chegou a ser preso após ameaçar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — para concorrer ao Senado. A ideia não foi bem recebida pela sigla, e Silveira optou por filiar-se ao PTB.

Campanha pelo PT

Passado. Em 2008, Altineu concorreu em São Gonçalo com imagem de Lula Foto: Reprodução / 22/08/2008
Passado. Em 2008, Altineu concorreu em São Gonçalo com imagem de Lula Foto: Reprodução / 22/08/2008

Nesse caso, entretanto, Côrtes admite que seu plano era diferente do apresentado pelo correligionário

— O Romário (senador) é o candidato do PL. E nós não tivemos nenhuma conversa com ele (Silveira) aqui no estado — alega o líder do PL.

Hoje, o líder do PL e o presidente da República dividem o mesmo quadrado partidário. Nem sempre foi assim. Em outros tempos, o deputado fluminense já foi filiado ao PT e brigou para ter sua imagem vinculada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o principal adversário de Bolsonaro na briga pela reeleição.

Em 2008, aos 39 anos, Côrtes disputou a prefeitura de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, pelo partido de Lula. Era uma missão difícil, pois enfrentava a máquina do município, comandada por Aparecida Panisset (PDT). Favorita, ela irritou o adversário ao usar a imagem do então presidente na propaganda eleitoral.

Para conquistar a reeleição, Panisset tentava surfar na aprovação popular de quase 80% de Lula àquela altura. O ato gerou uma reação contundente. A campanha dele foi à Justiça Eleitoral e conseguiu barrar o uso da imagem. O argumento era o de que Lula integrava o partido da coligação adversária. Côrtes venceu na Justiça e perdeu nas urnas, vendo Panisset ser reeleita. 

Sobre o passado petista, o deputado argumenta que “nunca foi ligado ao PT”, embora tenha sido candidato pelo partido. Afirma que, à época, a legenda de esquerda foi a única solução encontrada para disputar a prefeitura. Côrtes diz que tomou tal caminho, segundo ele, após ter sido traído pelo então governador do estado, Sérgio Cabral, que lhe negou a candidatura pelo MDB.

— Na realidade, eu não tive o apoio (do Lula). Foi a Aparecida, que tinha apoio do (ex-senador petista) Lindbergh. Já sou deputado pelo PL há três mandatos. Disputei eleição pelo PT, mas não tive apoio do Lula — diz o novo aliado de Bolsonaro.

Em 2019, quando o PL ainda não integrava a base do governo na Câmara, Côrtes entrou em confronto direto com o então ministro da Educação, Abraham Weintraub. O titular da pasta gravou um vídeo em que responsabilizava os parlamentares da bancada do Rio pelo corte de verbas da reconstrução do Museu Nacional, destruído por um incêndio meses antes.

A resposta de Côrtes veio em plenário.

— Bolsonaro foi deputado nesta Casa por muitos anos. O mínimo que os deputados têm que ser aqui, e eu não cito sigla partidária, é respeitados pelos ministros — cobrou, antes de partir para o ataque: — O ministro gravou um novo vídeo, achincalhando a bancada do Rio de Janeiro(...) O ministro faz um vídeo, uma tremenda palhaçada. Ele tem mais o que fazer, porque a educação está com muito problema.

Conquistas no Rio

Deixando o passado para trás, na opinião dos bolsonaristas, o que importará é atuação do novo líder no ano eleitoral. Recém-filiado ao PL, o deputado Bibo Nunes (RS), por exemplo, diz que a legenda terá como norte o apoio a Bolsonaro.

— O passado, eu não sei. Muitos já tiveram relação com o PT. Mas o importante é que o PL está comprometido com o presidente Bolsonaro — argumentou.

Longe de Brasília, como presidente do diretório do Rio, Altineu Côrtes tenta organizar as alianças e locais. Com o enfraquecimento do MDB no estado, PL e PSD têm aproveitado para ocupar espaços relevantes nas máquinas dos municípios.

— Temos 31 prefeitos, praticamente um terço do Estado do Rio. E isso antes de o presidente Bolsonaro chegar ao PL — comemora.

_________________________________________________Opinião: Tales Faria - Municiados pelo ódio, conservadores radicais tocam fogo no mundo

Nas manifestações bolsonaristas, havia até faixas em inglês pedindo golpe militar com Bolsonaro no poder Imagem: Mathilde Missioneiro/FolhapressTales Faria

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL 02/03/2022 17h51

Em sua manifestação na Assembleia Geral Extraordinária da ONU que se realizou nesta terça-feira, 1 de março, e na quarta-feira, os representantes da Rússia e da Ucrânia acusaram o governo adversário de atitudes neonazistas.

Ambos têm razão. São dois governos conservadores que em alguns momentos assumem posição ultraconservadora e que, por razões geopolíticas, conseguiram confundir a direita e a esquerda mundiais em torno do conflito em que se meteram.

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No Brasil, militantes de esquerda do PCO (Partido da Causa Operária) e de direita, do Movimento Brasil Livre, chegaram a entrar em confronto ao realizar atos públicos simultâneos nesta a terça-feira, em frente ao Consulado da Rússia no Rio de Janeiro. O PCO, em defesa da invasão determinada pelo russo Vladimir Putin sobre a Ucrânia, e o MBL, contra a invasão.

Em sentido oposto ao PCO, mas na esquerda, líderes do PSB (Partido Socialista Brasileiro) já se manifestaram contra a invasão promovida por Putin.

Na direita, em posição contrária ao MBL, o bolsonarista Fabrício Queiroz correu às redes sociais para gravar um vídeo em que aponta o governo da Ucrânia como esquerdista (veja só!) e defender a aproximação entre Bolsonaro e o presidente russo no conflito.

Toda essa confusão nasceu do discurso de ódio — que é quando as pessoas perdem a razão e lançam mão de qualquer argumento ou gesto violento para derrotar o adversário.

O mesmo discurso violento que levou a então ultrabolsonarista Sara Winter a defender a "ucranização" do Brasil, quando dizia ser treinada naquele país para organizar o "300 pelo Brasil", uma milícia armada que ameaçou ministros do STF e tentou insuflar um autogolpe de Bolsonaro.

Foi com um discurso assim, violento, que Donald Trump, promoveu a invasão do Capitólio por seus aliados e que os ultraconservadores conseguiram se fortalecer na França, na Inglaterra e no resto do mundo. A eleição de Bolsonaro por aqui tem a ver com essa onda conservadora internacional.

É com um discurso assim, ora violento, ora simplesmente conservador, que Putin mandou seus canhões para atropelar ucranianos e que o também conservador presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, promoveu milícias neonazistas em seu país.

É o discurso do ódio dos conservadores que tem tocado fogo no mundo. Putin, Zelensky, Trump, Bolsonaro & Cia, junto com outros conservadores -como Emmanuel Macron ou Boris Johnson- são os protagonistas dessa confusão. O próprio Joe Biden pode ser classificado, dentro do partido Democrata dos EUA, como um representante da ala conservadora.

Setores da esquerda enfiam o pé na jaca quando colocam o russo Vladimir Putin, ou até o chinês Xi Jinping, fora desse grupo. Ninguém aí é progressista. São todos conservadores. Uns mais, outros menos.

Essa guerra pode entrar para a história como um marco da hegemonia conservadora no mundo, neste momento.

_________________________________________________Com mais de 530 células, concentradas no Sul e Sudeste, Brasil é o país onde extremismo de direita mais avança

Monitoramento da Doutora em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp) Adriana Dias, aponta que São Paulo é o estado com maior presença desses grupos, chegando a um total de 137, dos quais 51 estão na capital
Bandeira do Brasil em preto e branco com símbolos da suástica Foto: Mateus Valadares / Reprodução
Bandeira do Brasil em preto e branco com símbolos da suástica Foto: Mateus Valadares / Reprodução

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RIO - Quando figuras como Bruno Aiub, o Monark, defendem aberta e publicamente o nazismo — no caso específico do YouTuber, a criação de um partido nazista no Brasil —, elas falam para um público que vem se expandindo de forma expressiva nos últimos anos. Dados da ONG Anti-Defamation League (ADL) mostram que hoje o Brasil é o país no mundo onde mais cresce o número de grupos de extrema direita, concentrados, de acordo com monitoramento da Doutora em Antropologia pela Universidade de Campinas (Unicamp) Adriana Dias, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os últimos dados em mãos da pesquisadora que há mais de 20 anos estuda o fenômeno, passados com exclusividade para O GLOBO, confirmam que São Paulo é o estado com maior presença de grupos, chegando a um total de 137, dos quais 51 estão na capital. Também foram encontradas células de extrema direita em Piracicaba, Campinas, Ribeirão Preto e São Carlos.

Em todo o país, já são mais de 530 células extremistas que, em relatório feito nos primeiros meses deste ano, Adriana dividiu em categorias, de acordo com suas ideologias, como Hitlerista/Nazista, Negação do Holocausto, Ultranacionalista Branco, Radical Catolicismo, Fascismo, Supremacista, Criatividade Brasil, Masculinismo Supremacia Misógina e Neo-Paganismo racista. Em 2019, a especialista detectou 334 células.

No Rio de Janeiro, foram encontrados 36 grupos, 15 deles na capital. Entre os bairros cariocas com maior presença de células de extrema-direita estão Méier, Tijuca e Copacabana. Em Niterói, os pesquisadores identificaram outras duas agrupações. Uma delas se apresenta como Cali, e foi responsável pelo ataque à produtora do grupo de humor Porta dos Fundos, em 2019.

— Desde 2018, o Brasil se transformou no país com maior crescimento de grupos de extrema direita. Este fenômeno tem a ver com a eleição de Jair Bolsonaro que, num nível subterrâneo, está vinculado a estas ideologias. Hoje, estima-se que 15% dos brasileiros são de extrema direita — afirma Michel Gherman, membro do Observatório da Extrema Direita (formado por acadêmicos de mais de dez universidades brasileiras e de outros países), professor de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Instituto Brasil-Israel.

Gherman afirma que a eleição de Bolsonaro criou no Brasil uma “Disneylândia do neonazismo”, pois os que o defendem “passaram a se sentir mais à vontade”.

Segundo o professor, apesar de muitos grupos já existirem antes de 2018, o que se observava era “algo periférico”, sem a legitimidade de agora. A opinião é compartilhada por Karl Schuster, professor das Universidades de Pernambuco e Vigo, na Espanha:

— Estas mais de 530 células ganharam autorização para aparecer. A pergunta fundamental não é se estes grupos são ou não fascistas, e sim por que eles trazem para si aspectos do fascismo histórico. O que eles ganham se aproximando desses discursos?

Schuster é especialista em História Contemporânea e acaba de lançar, junto a Francisco Carlos Teixeira, o livro “Passageiros da tempestade: fascistas e negacionistas no tempo presente”.

— Estes grupos seguem o princípio da alteridade, de negar o outro. Muitos negam o Holocausto, outros dizem que o Holocausto foi o único erro do fascismo histórico. Querem ressignificar o sentimento de culpa — diz Schuster.

O fascismo, diz o especialista, atrai nas redes um público cada vez maior. O importante, reflete, é tentar entender por que tantas pessoas se aproximam desse discurso, e por que estes grupos estão crescendo. O professor, que também monitora o avanço da extrema direita, diz que, além de grupos, há os chamados lobos solitários, como em Pernambuco. Ele observa a necessidade de saber se tais lobos estão em contato com redes dentro e fora do Brasil.

O professor de História Contemporânea da UFJF, Odilon Caldeira, autor do livro “O fascismo em camisas verdes”, também encontrou grupos de extrema direita no Ceará, a maioria em Fortaleza. Ele afirma que “a extrema direita veio pra ficar no Brasil” e que ela busca permanentemente referências internacionais, articulações e incorporar agendas da extrema direita global:

— Nossa extrema direita tem várias facetas, vertentes, origens e tradições históricas. Um setor busca se articular em torno de Bolsonaro, mas outros vão além. Incorporam a quarta teoria política russa, assim como expressões da Ucrânia, Estados Unidos e do centro da Europa. Mesmo se Bolsonaro não se reeleger, a extrema direita permanecerá — frisa.

Como no resto do mundo, os grupos atuantes no Brasil debatem em redes sociais nas quais se sentem mais protegidos, principalmente Telegram e VK (Vkontakte), com sede em São Petersburgo, na Rússia, que acaba de ser comprada (ou seja, nacionalizada) pelo governo de Vladimir Putin. A VK, também chamada de Facebook russo, foi fundada em 2006 pelo atual proprietário da Telegram, Pavel Durov, e tem cerca de 47 milhões de usuários russos, de acordo com dados da empresa. Putin usou uma das principais fontes de renda do Estado russo, a estatal de gás Gazprom, para adquirir uma companhia, que sempre esteve na mira de seu governo.

Em ambas as redes, não existe controle sobre a publicação de conteúdo e os usuários podem declarar livremente, sem medo a qualquer tipo de punição ou bloqueio de conta, o que pensam sobre qualquer coisa. Como explica Karina Stange Caladrin, pesquisadora do Instituto Brasil/Israel e coordenadora de Juventude da Fundação B-nai B-rith, organização internacional de defesa dos direitos humanos, “o Brasil é parte de uma onda internacional de proliferação de grupos de extrema direita, muito forte na Rússia, Hungria, Ucrânia, Polônia e EUA”.

— Existem grupos antigos, e outros mais recentes. Todos têm crescido muito. Influenciadores como Monark e políticos como o deputado Kim Kataguiri têm um público grande, principalmente jovens, que se relacionam numa bolha — comentou a pesquisadora, que alerta para o grau de desinformação de muitos dos seguidores deste tipo de personalidades:

— Muitos têm um total desconhecimento sobre o que foi o nazismo, o que são neonazismo e comunismo. Um dos perigos é que nazismo, partindo dessa desinformação, passou a ser passível de defesa.

Existem, também, grupos mais organizados, intelectualizados e adoutrinados. No Rio, pesquisadores apontam relações entre grupos de extrema direita e milícias. A facilitação do acesso a armas desde que Bolsonaro assumiu a Presidência preocupa quem acompanha de perto os movimentos da extrema direita brasileira. Todos estes grupos são contrários a qualquer tipo de nova regulamentação para voltar a restringir o acesso a armas e munições.

Em São Paulo, lembra Gherman, a extrema direita começou a crescer e se fortalecer na década de 80, como reação ao movimento sindical.

— Houve, por exemplo, uma rejeição aos nordestinos, vistos como pessoas que tiravam espaço e empregos dos paulistanos “originais”. O anti-nordestinismo é fundamental para entender as origens mais recentes da extrema direita paulista — diz o pesquisador do observatório.

A eleição de Bolsonaro, conclui Gherman, foi possível, em grande medida, “porque no Sul e no Sudeste foram desinterditados o neonazismo e a extrema direita. Já o Nordeste protege o resto do Brasil, pois é onde a extrema direita tem dificuldade de penetrar. O melhor termômetro disso é a derrota de Bolsonaro na região, em 2018. O Nordeste tem uma história de resistência e, nos últimos anos, foi, majoritariamente, antifascista”.

_________________________________________________PoderData: Lula tem 40% contra 31% de Bolsonaro no 1º turno

Vantagem do petista contra o atual presidente diminui 5 pontos em 1 mês. Moro tem 9%; Ciro, 4%

Foto prismada entre Lula e BolsonaroCopyright
Sérgio Lima/Poder360
Lula e Bolsonaro seriam os candidatos que iriam para o 2º turno, se as eleições fossem hoje
16.fev.2022 (quarta-feira) - 12h36

A distância entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida eleitoral de 2022 recuou 5 pontos percentuais em 1 mês, segundo pesquisa PoderData realizada de 13 a 15 de fevereiro de 2022. Hoje, Lula lidera com 40% das intenções de voto. Bolsonaro tem 31% –distância de 9 pontos.

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Há 1 mês, o petista marcava 42% contra 28% do atual ocupante do Planalto.

O 3º colocado é o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro (Podemos), que marca 9%. Em seguida está Ciro Gomes (PDT), com 4% das intenções de voto.

João Doria (PSDB) tem 3%. Empata tecnicamente com André Janones (2%), Alessandro Vieira (1%), e Rodrigo Pacheco (1%). Simone Tebet e Luiz Felipe D’Ávila não pontuaram.

Moro oscilou 2 pontos para cima em 15 dias –ou seja, dentro da margem de erro. Ciro Gomes variou 3 p.p. para baixo. 

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 13 a 15 de fevereiro de 2022, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 3.000 entrevistas em 243 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança de 95%. Registro no TSE é BR-06942/2022.

Para chegar a 3.000 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.

PODERDATA

O conteúdo do PoderData pode ser lido nas redes sociais, onde são compartilhados os infográficos e as notícias. Siga os perfis da divisão de pesquisas do Poder360 no Twitter, no Facebook, no Instagram e no LinkedIn.

PODERDATACAST

Poder360 e o PoderData publicam de 15 em 15 dias o PoderDataCast, voltado exclusivamente ao debate de pesquisas eleitorais e de opinião pública. O último episódio, ainda com dados da rodada passada, contou com a participação do economista e diretor do FGV Social Marcelo Neri.

Assista (16min31s):

METODOLOGIA

A pesquisa PoderData foi realizada de 13 a 15 de fevereiro de 2022. Foram entrevistadas 3.000 pessoas com 16 anos de idade ou mais em 243 municípios nas 27 unidades da Federação. Foi aplicada uma ponderação paramétrica para compensar desproporcionalidades nas variáveis de sexo, idade, grau de instrução, região e renda. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. As entrevistas foram realizadas por telefone (para linhas fixas e de celulares), por meio do sistema URA (Unidade de Resposta Audível), em que o entrevistado ouve perguntas gravadas e responde por meio do teclado do aparelho. O intervalo de confiança do estudo é de 95%.

Para facilitar a leitura, os resultados da pesquisa foram arredondados. Devido a esse processo é possível que o somatório de algum dos resultados para algumas questões seja diferente de 100. Diferenças entre as frequências totais e os percentuais em tabelas de cruzamento de variáveis podem acontecer devido a ocorrências de não resposta. Este estudo foi realizado com recursos próprios do PoderData, empresa de pesquisas que faz parte do grupo de mídia Poder360 Jornalismo. 

A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-06942/2022.

_________________________________________________A condenação de Lula foi por um 'ATO de OFÍCIO INDETERMINADO'

Assessoria de Lula acusa Folha por espalhar fake news bolsonarista contra ex-presidente

22 de fevereiro de 2022, 09:28

247 - A assessoria do ex-presidente Lula (PT) divulgou nota nesta terça-feira (22) rebatendo acusações falsas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em artigo publicado na Folha de S. Paulo contra o petista.

"O senador Flávio Bolsonaro não expressa opinião mas sim divulga mentiras e fala de coisas que nunca aconteceram, com acusações sem base nenhuma contra o ex-presidente Lula", diz a equipe de Lula, que ainda manifesta preocupação com a atuação da Folha. "Divulgar um artigo desses levanta preocupações com a seriedade e a ética com que o jornal irá cobrir as eleições deste ano".

"Não faltaram provas de que Lula saqueou o Brasil", escreve Flávio Bolsonaro. A assessoria do petista, então, trata de desmontar as acusações feitas pelo senador, lembrando que Lula foi condenado sem provas e posteriormente absolvido. O texto ainda destaca que Lula havia sido condenado por um juiz que, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), era incompetente para julgá-lo e parcial, ou seja, "um juiz que o perseguia politicamente".

A equipe de Lula finaliza o texto manifestando novamente preocupação com a atuação do jornal ao longo da campanha eleitoral de 2022. "A publicação de um artigo com mentiras contra Lula, ainda mais em ano eleitoral, prejudica o debate público e politico no Brasil. Lamentamos que o senador Flávio Bolsonaro seja um mentiroso e que a Folha de S. Paulo promova suas mentiras".

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Leia a nota na íntegra:

"O diário paulistano Folha de S. Paulo decidiu fazer parte, ter uma rachadinha própria, na divulgação de fake news pela família Bolsonaro, ao publicar artigo nas suas versões online e imprensa, no qual o senador Flávio Bolsonaro não expressa opinião mas sim divulga mentiras e fala de coisas que nunca aconteceram, com acusações sem base nenhuma contra o ex-presidente Lula. Divulgar um artigo desses levanta sérias preocupações com a seriedade e a ética com que o jornal irá cobrir as eleições deste ano.

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Não há nos processos contra Lula nenhuma prova de que ele tenha tomado qualquer decisão ilegal ou em troca de benefícios pessoais, como MENTIU o senador. Ao contrário, há nos processos provas e provas da inocência do ex-presidente e de que ele nunca foi dono dos imóveis nos processos.

Os processos contra o ex-presidente tanto NÃO possuem provas contra ele que a condenação de Lula foi por um 'ATO de OFÍCIO INDETERMINADO', ou seja, não conseguiu apontar nenhuma ação de Lula que tenha sido irregular. 

Lula foi absolvido de acusações sobre a Petrobras pela Justiça, em decisão da 12º Vara Federal de Brasília (saiba mais: 23 vitórias: caso a caso, a justiça reconhece a inocencia de Lula )

A delação de Antonio Palocci não apresentou provas e foi rejeitada até pelo Ministério Público da Lava Jato. 

Mensagens obtidas pela Operação Spoofing mostram que Palocci aceitou combinar depoimentos contra o ex-presidente com procuradores.

O ex-presidente Lula nunca foi condenado no Supremo Tribunal Federal. A Folha permitiu que um artigo saísse no jornal com uma mentira dessas da família Bolsonaro, emprestando a marca do jornal para isso.

Os processos contra Lula foram anulados pela suspeição e parcialidade do juiz, ou seja, porque Lula não teve um julgamento justo, e sim uma perseguição, que não encontrou contra ele nenhuma prova, e não por 'vaidade' de Moro. 

Houve dois julgamentos baseados em fatos, no Supremo Tribunal Federal, que anularam os processos contra Lula por dois motivos: 

INCOMPETÊNCIA, ou seja, Lula JAMAIS deveria ter sido julgado em Curitiba por Moro, e PARCIALIDADE, ou seja, Lula NÃO teve um julgamento por um juiz imparcial, e sim por um juiz que o perseguia politicamente.

A publicação de um artigo com mentiras contra Lula, ainda mais em ano eleitoral, prejudica o debate público e politico no Brasil. Lamentamos que o senador Flávio Bolsonaro seja um mentiroso e que a Folha de S. Paulo promova suas mentiras.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Lula".




_________________________________________________Cláudio Couto: Malafaia pressupõe que, se ele é pastor, os evangélicos são gado

18 de fevereiro de 2022, 14:39
Cláudio Couto e Silas Malafaia

247 - Professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Cláudio Couto afirmou à TV 247 que “os evangélicos estão divididos” para a eleição presidencial de 2022 e criticou a postura do empresário e pastor Silas Malafaia, que disse na última semana que o ex-presidente Lula (PT), o ex-juiz parcial Sergio Moro (Podemos) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) “vão quebrar a cara”, garantindo que os religiosos votarão em Bolsonaro.

“Os evangélicos estão divididos. Ele [Bolsonaro] tem vantagem entre os evangélicos, mas não tem o monopólio. Então não dá para dizer que é garantida essa votação dos evangélicos para ele [Bolsonaro]”, explicou Couto. 

“O Malafaia expressa um desejo. Ele deseja que haja uma vitória do Bolsonaro entre os evangélicos. Ele passou a entender que como é ‘pastor’, os evangélicos todos são ‘gado’. Então o que ele diz os outros têm que fazer, ele conduz todo mundo para onde ele quer. Como se não houvesse divisões, como se ele falasse em nome de todo mundo, como se os fiéis não tivessem ideias próprias, como se não pudessem ter posições políticas divergentes”, completou.

_________________________________________________O DESCARAMENTO CONTÍNUO da Turma "ESCLARECIDA" da GLOBO:

O que fazer com os 30 quilos de cocaína ________ Por Carlos Alberto SARDENBERG 

19/02/2022 • 00:00

Em 9 de julho de 2019, quando tomava corpo o desmonte da Lava-Jato e de todo o sistema de combate à corrupção, o professor de Direito Constitucional Joaquim Falcão deu uma aula sobre esse tema aqui no GLOBO. Começou contando uma história que ouvira de um ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal.

A seguinte: “O Supremo julgava um traficante de drogas. Preso com 30 ou mais quilos de cocaína. Não lembro bem. Uma enormidade. Na apreensão, ou durante o processo, uma autoridade teria cometido ato duvidoso diante da lei. A defesa argumentou ofensa ao princípio de devido processo legal. Donde, in dubio pro reo. O debate no Supremo caminhava rotineiramente para a soltura e absolvição do traficante preso. Quando, surpresa, um ministro perguntou a seus colegas: E a cocaína? O que fazemos com os mais de 30 quilos apreendidos?”.

Claro que já perceberam aonde queremos chegar. À pergunta que os tribunais terão de responder em breve: o que faremos com o dinheiro da corrupção capturado em processos que vêm sendo anulados?

Esse dinheiro é tão concreto quanto os quilos de cocaína. Em dezembro passado, a Petrobras informou que chegara ao final de 2021 com R$ 6,17 bilhões recuperados em acordos de leniência, repatriações e delações. Dinheiro da corrupção apanhada pelos dois principais ramos da Lava-Jato, a de Curitiba e a do Rio.

Há outros processos de recuperação em andamento. A Petrobras informou que atua como coautora em 31 ações de improbidade administrativa e 85 ações penais vinculadas às diversas fases da Lava-Jato. Periga perder todas.

A Lava-Jato de Curitiba já foi desmantelada. Os garantistas, réus e advogados do grupo Prerrogativas — aquele que promoveu o jantar para Lula e Alckmin —, se preparam agora para desmontar os processos do juiz Marcelo Bretas, da Lava-Jato do Rio. A tática é a mesma: não provar a inocência dos clientes, mas anular os processos com base no que o professor Falcão chama de doença do processualismo.

Diz ele: “Longe viver sem o devido processo legal e o pleno direito de defesa. Ao contrário. Mas seu inchaço não nos leva à saúde da democracia. Quem transforma o saudável direito processual em patológico processualismo?”.

Um amigo advogado conta uma história que deve ser inventada, mas é boa assim mesmo. Diz que um empresário apanhado na Lava-Jato foi a um conhecido escritório de advocacia e disse que queria limpar seu nome, mesmo perdendo todo seu dinheiro. O advogado teria respondido: “Veio no escritório errado; aqui a gente salva o dinheiro, mesmo deixando o nome na lama”.

O PT não quer apenas Lula livre. Quer limpar o nome do candidato e do partido. Acaba de lançar uma história em quadrinhos para, explica o redator, facilitar o entendimento “de quem não aguenta mais ler textão”. Ou seja, deixem os processos de lado e fiquem com a seguinte narrativa, muito simples: não houve corrupção, Lula é inocente, culpado é o Moro.

O quadrinho admite que não houve sentença declarando Lula inocente, mas argumenta que a extinção dos processos é prova de inocência.

Não é, mesmo porque as provas da corrupção —e o dinheiro — não desaparecem simplesmente porque algum juiz considerou o processo irregular. Trata-se, sem tirar nem pôr, do mesmo caso da cocaína. Os tribunais que estão liberando geral vão fazer o que com os bilhões capturados? A Petrobras terá de devolver os R$ 6,17 bilhões?

Seria a consequência lógica. Se não houve um grande esquema de corrupção montado nos governos do PT e associados, se os processos foram extintos, então o dinheiro teria de ser devolvido a seus “donos”. E já tem ex-réus cogitando disso.

Para o PT, entretanto, isso não é o essencial. A questão está nas eleições. Sendo Moro candidato, é claro que colocará o tema no debate — e ele sabe muita coisa, tem muito documento e provas à disposição.

Por isso o PT ataca tanto o ex-juiz. E por isso publica seus quadrinhos. Para ludibriar os eleitores.

_________________________________________________PGR perde arquivamento de investigação contra Bolsonaro caso Covaxin

Vacina Covaxin e o procurador-geral da República, Augusto Aras
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Agência Brasil - O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito que apura a conduta do presidente Jair Bolsonaro no caso da negociação para compra da vacina Covaxin, que seria utilizada na imunização contra a covid-19. O parecer foi protocolado na noite desta sexta-feira (18). No entendimento de Aras, a conduta atribuída a Bolsonaro no caso não configura crime.

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A investigação contra Bolsonaro foi aberta em julho do ano passado, com autorização da ministra Rosa Weber, do STF. A medida atendeu ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi motivada por notícia-crime protocolada no STF pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Jorge Kajuru (Podemos-GO) e Fabiano Contarato (Rede-ES). 

Os parlamentares pediram a apuração do crime de prevaricação. A iniciativa dos senadores foi tomada após o depoimento de Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia. Ele afirmou ter sofrido pressão incomum de seus superiores para finalizar a tramitação da compra da Covaxin, além de ter conhecimento de supostas irregularidades no processo.

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O servidor é irmão do deputado Luís Miranda (DEM-DF), a quem disse ter relatado o caso. À CPI, o parlamentar disse ter levado o relato do irmão até o presidente Jair Bolsonaro, em março de 2021, mas que nenhuma providência teria sido tomada. 

Em junho do ano passado, o Ministério da Saúde suspendeu o contrato de compra da vacina indiana, por orientação da Controladoria-Geral da União (CGU), dias depois dos depoimentos dos irmãos Miranda. Na ocasião, o presidente da República declarou que a suspensão foi feita devido aos controles governamentais. 

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Em sua manifestação ao STF, o PGR afirmou que Bolsonaro não tinha o dever funcional de tomar nenhuma providência após ter sido comunicado de eventuais irregularidades, uma vez que essa atribuição não estava prevista nas competências do cargo definidas pela Constituição Federal.

"Levando-se em consideração que o comportamento atribuído ao Presidente não está inserido no âmbito das suas atribuições, as quais estão expressamente consagradas no texto constitucional, não há que se falar em ato de ofício violado, razão pela qual revela-se ausente o elemento normativo do tipo", escreveu Augusto Aras.

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Além disso, o procurador-geral destacou que, mesmo sem ter sido acionado pelo presidente da República, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União fiscalizaram a execução do contrato de compra da vacina pelo Ministério da Saúde. "O arquivamento deste inquérito é, portanto, medida que se impõe", concluiu Aras.]

_________________________________________________Reinaldo Azevedo - PF reage a ataque de Moro, diz que ele mente e quer prova. Ele nunca tem!

Colunista do UOL 16/02/2022 06h55

Sergio Moro, pré-candidato do Podemos à Presidência da República, acostumou-se a disparar acusações por aí na certeza de que, também na guerra política, tudo vale. Assim construiu, note-se, a sua carreira de juiz, empurrando o país para o abismo em que estamos. Mas pode acontecer de cutucar, com sua vara curtíssima, não exatamente pessoas, mas uma instituição. E aí pode vir, como veio, o contra-ataque.

Na segunda, ele concedeu uma entrevista a uma emissora de rádio e desferiu, como de hábito, duros ataques à Polícia Federal, um de seus sacos de pancada. Acontece que a PF reagiu. Tornou pública, nesta terça, uma nota em que chama o ex-ministro de mentiroso, que é o atributo de quem mente. Reproduzo a nota em azul, com comentários em preto.

Papo golpista: Bolsonaro ataca TSE, exige 2º turno e comete crime eleitoral

Moro mente quando diz que 'hoje não tem ninguém no Brasil sendo investigado e preso por grande corrupção'. A Polícia Federal efetuou mais de mil prisões, apenas por crimes de corrupção, nos últimos três anos.
Neste mesmo período, a PF realizou 1.728 operações contra esse tipo de crime. Somente em 2020, foram deflagradas 654 ações -- maior índice dos últimos quatro anos.

O que diz o candidato, com a consequente resposta da PF, é bem mais grave do que parece. As ações policiais, como se nota, estão aí -- e tais números dizem respeito apenas à investigação de crimes de corrupção. Ocorre que Moro quer "os presos por grande corrupção". Este senhor não consegue imaginar uma outra forma de governo que não se imponha pelo terror.

Bolsonaro pode ter percebido com razoável celeridade que Moro via o Ministério da Justiça e Segurança Pública como um aparelho de sua ambição pessoal. Deixado à sua vontade, o então ministro continuaria a comandar uma máquina de prisões exemplares, impondo-se como o condestável da República, até que chegasse o momento de colocar o próprio presidente contra a parede. Sigamos com a nota da PF.

Moro também faz ilações ao afirmar que 'esse é o resultado de quantos superintendentes eles afastaram e que estavam fazendo o trabalho deles'.
O ex-ministro não aponta qual fato ou crime tenha conhecimento e que a PF estaria se omitindo a investigar. Tampouco qual inquérito policial em andamento tenha sido alvo de ingerência política ou da administração.
Vale ressaltar que a Polícia Federal vai muito além da repressão aos crimes de corrupção. Em 2021, bateu recorde de operações. No total, foram quase dez mil ações, aumento de 34% em relação ao ano anterior.

Ora, é claro que Moro não aponta fato ou crime de que tenha conhecimento. Conserva, como político, os hábitos que diligentemente cultivou quando magistrado: o ataque genérico, sem prova, destinado a inflamar a opinião dos desinformados.

Qualquer um que tenha tido, por exemplo, a curiosidade de ler a sentença em que condenou Lula, no famoso caso do triplex, viu como age um elemento nefasto para o estado de direito, tão perigoso como o relapso: o "juiz de condenação". A denúncia da Lava Jato era imprestável porque os elementos probatórios não foram apresentados. E o ex-presidente foi condenado mesmo assim porque, atenção!, tinha sido presidente da República. Insisto: leiam a sentença.

Usa a mesma tática com a PF: "Ah, superintendentes foram trocados..." Isso, por si, evidencia algum malfeito? De resto, o trabalho da PF é acompanhado pelo Ministério Público e pela própria Justiça.

Todos conhecem o que penso sobre o governo Bolsonaro: é um desastre civilizatório. E o presidente só não foi impichado porque permitiu que facções do Congresso raptassem o Orçamento. Acabei perdendo as contas, na ponta do lápis, dos crimes de responsabilidade que cometeu: são mais de 30.

Entendo, no entanto, que a Polícia Federal tem se comportado dentro das regras do jogo, evitando o estardalhaço e trabalhando nos marcos do devido processo legal. Há dias, a delegada Denisse Ribeiro, que presidente os inquéritos das "fake news" e das milícias digitais, entregou ao ministro Alexandre de Moraes o relatório parcial sobre a segunda apuração — entrou em licença-maternidade. Pode-se apostar que Bolsonaro não gostou do que leu. Segue a PF,

O ex-juiz confunde, de forma deliberada, as funções da PF. O papel da corporação não é produzir espetáculos. O dever da Polícia é conduzir investigações, desconectadas de interesses político-partidários.

Moro desconhece a Polícia Federal e negou conhecê-la quando teve a chance. Enquanto Ministro da Justiça não participou dos principais debates que envolviam assuntos de interesse da PF e de seus servidores.

Com o intuito de preservar a imagem de umas das mais respeitadas e confiáveis instituições brasileiras, a Polícia Federal repudia a afirmação feita pelo pré-candidato Moro de que a corporação não tem autonomia.

Por fim, a PF - instituição de Estado - mantém-se firme no combate ao crime organizado, à corrupção e não deve ser usada como trampolim para projetos eleitorais.

A Polícia Federal

Observo que a nota não vem assinada por Paulo Maiurino, diretor-geral, mas pela "Polícia Federal", o que dá peso institucional à resposta. Se Moro sabe, além da fofoca, de casos que deixaram de ser investigados ou de situações que vão além do chororô de ressentidos ou de aspirantes políticos, que ele, então, diga com clareza.

Sim, um dos aspectos que me agrada na atual gestão da PF é justamente a eliminação do espetáculo. Maiurino proibiu delegados de dar entrevistas depois de operações em que simples investigados eram condenados em praça pública, sem chance de defesa. Aliás, considero tal prática — comum também entre membros do Ministério Público — um exemplo arreganhado de abuso de autoridade.

A candidatura de Moro ficou muito aquém do que esperavam seus entusiastas, e a convergência do centro e da centro-direita para o seu nome não aconteceu. Contam-se entre os motivos a sua óbvia inexperiência e, sobretudo, suas generalidades e platitudes. Setores reacionários do empresariado e dos mercados que veem um Bolsonaro inviável chegaram a depositar suas esperanças no ex-juiz. Durou pouco.

Moro entende que sua única chance de chegar ao segundo turno é tomando fatia considerável do eleitorado do atual presidente. Para tanto, não tem nenhum pudor de, por exemplo, desfilar por aí ao lado do senador negacionista Eduardo Girão (Podemos-CE). Na segunda, lá estava o parlamentar morista a comandar audiência no Congresso com propagadores de "fake news" sobre as vacinas.

O ataque à Polícia Federal busca dizer a parcela do bolsonarismo: "O verdadeiro Bolsonaro sou eu". Nesse particular, convenham, ele está certo.

ENCERRO

E não nos esquecemos jamais daquela que Moro pretendia que fosse a sua grande obra à frente do Ministério da Justiça e da Segurança Púbica: o "pacote anticrime". Ele abrigava, nada menos, que "excludente de ilicitude", que é um burocratês jurídico para justificar a morte de pretos e pobres.

Sob o seu nariz, Bolsonaro armou o país até os dentes com sucessivas decisões flexibilizando o porte de armas. Moro nunca viu razão para deixar o Ministério. Só caiu fora quando percebeu que não poderia, ele sim, fazer da Polícia Federal o que lhe desse na telha.

Está politicamente obrigado a responder à nota.

_________________________________________________Reinaldo Azevedo - Pergunta e resposta provam, além de quaisquer dúvidas, aberração de Aras

Colunista do UOL

18/02/2022 16h45

O procurador-geral da República, Augusto Aras, está fazendo um mal imenso aos que defendem o devido processo legal e, potencialmente ao menos, põe a democracia em risco. Ficou conhecido como crítico da Lava Jato — e qualquer defensor do ordenamento jurídico o é —, condição essa que, infelizmente, vem se misturando com suas decisões omissas, lenientes, permissivas, absurdas mesmo, quando o objeto da causa é o presidente Jair Bolsonaro.

O pedido de arquivamento do inquérito que investiga a quebra de sigilo na apuração da invasão do sistema do TSE por hackers é moralmente escandaloso, além de manifestamente ilegal — porque, afinal, contrário ao que dispõe a lei. Sua tese é esdrúxula: não tendo havido a decretação de sigilo por um juiz, diz ele, então sigiloso não é.

Papo golpista: Bolsonaro ataca TSE, exige 2º turno e comete crime eleitoral

Aras assumiu sem reservas a tese da defesa de Bolsonaro. Ocorre que, a estar certo o procurador-geral, não há mais sigilo em inquérito nenhum, e investigações que estão ainda em curso, como era o caso, podem ser levadas à praça pública e submetidas a toda sorte de proselitismo.

O mais impressionante é que a delegada Denisse Ribeiro já havia enfrentado essa questão e afirmado com acerto:
"O inquérito policial, ao contrário do processo judicial, possui como regra o sigilo, conforme doutrina majoritária, posicionamento dos tribunais (inclusive súmula 14 do STF) e diante do Artigo 20 do Código de Processo Penal".

Cumpre, então, lembrar o que diz o Artigo 20 do Código de Processo Penal:
"Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade."

É claro o bastante para ser inquestionável. Tal Artigo dispõe de um parágrafo único que petrifica, além de qualquer especulação, o espírito da lei quanto ao sigilo do inquérito:
"Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que Ihe forem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes, salvo no caso de existir condenação anterior."

Assim, uma investigação que está em curso não pode se prestar a qualquer tipo de instrumentalização, nem mesmo sob a alegação de que se busca evitar um dano potencial em benefício de quem solicita o atestado de antecedentes.

A decisão é uma aberração.

AINDA MAIS GRAVE
As coisas não param por aí. Bolsonaro não manifestou mero interesse em saber o que estava em apuração -- reitere-se: investigação em curso, não concluída. Emprestou à coisa um conteúdo que não tinha. Mentiu abertamente sobre o propósito do inquérito e lhe atribuiu um caráter conclusivo que absolutamente não tinha.

Se alguma ilação se podia fazer a partir do estágio em que se encontrava a apuração, ela apontava para o exato oposto das afirmações que fez: não havia qualquer sinal de manipulação do resultado das urnas.

Quebrou, pois, o sigilo do inquérito, mentiu sobre o seu resultado e pôs essas ações — a lei não hesita em chamá-las de "criminosas" — a serviço de um outro crime: acusar o sistema eleitoral de fraudulento, o que atenta, aí sim, contra o regime democrático.

O mais espantoso é que o próprio delegado que conduzia o inquérito — INCONCLUSO, REITERE-SE — afirmou em depoimento que não havia nenhuma evidência de manipulação de votos.

HIPÓTESE, PERGUNTA E RESPOSTA
Se alguém quer saber se o procurador-geral acerta ou erra em sua decisão, cumpre, então, que, por hipótese, passemos a considerar normal e legal o que se deu: qualquer um, segundo o que lhe dá na telha, acessa inquéritos em curso, passa adiante dados que podem prejudicar a investigação e ainda mente sobre o seu conteúdo.

Doutor Aras, isso pode ou não?

Só uma resposta é possível: "Não!"

Mas o presidente pode?

A Alexandre de Moraes, o relator, não resta alternativa a não ser mandar arquivar porque, afinal, o titular da ação penal diz não ver nada de errado no procedimento. Isso não impede que nova investigação seja aberta se os autos indicarem evidências de crimes outros não contemplados na decisão do procurador-geral, a exemplo do que se deu com o inquérito dos atos antidemocráticos.

Aberto a pedido do próprio Aras, ele mesmo pediu o arquivamento, a despeito de evidências de atuação criminosa das milícias digitais, em associação com o tal "Gabinete do Ódio", que atua dentro do Palácio. Moraes teve de mandar arquivar. E determinou a investigação das tais milícias.

_________________________________________________SILVIO ALMEIDA aponta como Moro DESTRUIU o sistema de JUSTIÇA, a ECONOMIA e tentou destruir a POLÍTICA 

18 de fevereiro de 2022, 06:30

247 – O jurista Silvio Almeida publica artigo nesta sexta-feira, na Folha de S. Paulo, em que detalha a destruição produzida no Brasil pelo ex-juiz suspeito Sergio Moro, que quebrou as construtoras brasileiras, desempregou 4,4 milhões de trabalhadores e depois ficou milionário. "Foi Sergio Moro que, juntamente com os vingadores da Lava Jato, introduziu uma das grandes inovações tecnológicas da política do nosso tempo, o chamado lawfare. Mas o que é lawfare? Uma boa resposta pode ser encontrada no livro 'Lawfare: uma introdução', de autoria dos advogados e professores Cristiano Zanin Martins, Valeska Teixeira Zanin Matos e Rafael Valim", escreve Almeida. "No texto aprende-se que o termo lawfare é um neologismo que resulta da junção dos termos law (direito) e warfare (guerra ou estado de guerra). Isso indica que a palavra se refere à utilização do direito ou, melhor, das instituições e das técnicas jurídicas, como armas de guerra."

"Nos próximos anos o Brasil terá que repensar seu sistema a fim de impedir e responsabilizar os assediadores judiciais e aqueles que, diante da função que ocupam nas instituições jurídicas, participam ou são coniventes com a devastação do país. Lawfare não é apenas a destruição do direito. É a destruição da política", pontua Silvio Almeida.

_________________________________________________Punido pelo Youtube, Monark diz que liberdade de expressão morreu

Monark

247 - O youtuber Bruno Aiub, conhecido como Monark, ex-membro do Flow Podcast, usou suas redes nesta sexta-feira (18) para dizer que é vítima de "perseguição política".

"Estou sofrendo perseguição politica (SIC) do @YouTubeBrasil eles me proibiram de criar um novo canal para poder continuar minha vida, pessoas poderosas querem me destruir. 

Liberdade de expressão morreu", disse ele, ao compartilhar a resposta dos administradores do Youtube negando a monetização de seu canal.

A reposta do Youtube, como mostra a imagem acima, ressalta que o posicionamento recentemente de Monark fere as regras da plataforma. 

Relembre o caso:

O apresentador Bruno Aiub, conhecido como Monark, lamentou o “linchamento” do qual vem sendo alvo nos últimos dias, após ter feito a defesa de uma legislação que permita a existência de um partido nazista durante um debate no Flow Podcast. 

Ele acabou afastado do programa e vendeu sua sociedade para o segundo âncora, Igor Coelho.

“Eu posso ter errado na forma como eu me expressei, mas o que estão fazendo comigo é um linchamento desumano. 

Reitero que um nunca apoiei a ideologia nazista e que a considero repugnante. 

A ideia defendida é que eu prefiro que o inimigo se revele do que fique nas sombras”, postou Monark no Twitter na tarde desta quinta-feira (10).

Segundo o Ministério Público (MP) de São Paulo, Monark e os responsáveis pelo Flow Podcast podem pagar indenizações e até ser presos caso sejam condenados pela Justiça por apologia do nazismo e discriminação contra judeus durante o programa ao vivo realizado na última segunda-feira (7).

_________________________________________________Sakamoto: Tentativa de golpe de Bolsonaro vai derramar sangue no Brasil

Colaboração para o UOL, em Maceió 17/02/2022 13h26

O jornalista e colunista do UOL Leonardo Sakamoto disse que o ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, foi "otimista" ao afirmar que as tentativas golpistas do presidente Jair Bolsonaro (PL) já foram sepultadas e avaliou que, caso perca as eleições, o atual chefe do Executivo pode, sim, se rebelar contra o Estado, em uma investida golpista que deixará mortos e derramará sangue no Brasil.

Durante o UOL News, Sakamoto ponderou que o discurso de Barroso ao passar a presidência do TSE para Edson Fachin teve um pouco de "marketing político" a fim de dar a impressão de que as coisas voltaram a normalidade. No entanto, o colunista ressalta que as instituições democráticas seguem sob perigo, "e por isso mesmo a gente precisa seguir vigilante".

Parecer da Câmara municia defesa de deputado e Bolsonaro em inquérito da PF

"A democracia segue em risco. Não é porque hoje um golpe de estado perpetrado pelo presidente da República parece que não se consumaria, que não existiria uma tentativa de golpe de estado", afirmou o colunista, que lembrou as "micaretas golpistas" que foram às ruas em 7 de setembro do ano passado, impulsionadas por Bolsonaro, que em discurso golpista na Avenida Paulista, em São Paulo, fez ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal) e aos seus ministros, com destaque para Alexandre de Moraes.

No UOL News, Sakamoto destacou que Jair Bolsonaro, em uma eventual derrota nas urnas em outubro, não aceitará de bom grado e, assim como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, insuflará seus apoiadores a tentar um golpe de estado, que pode deixar um número de mortes maior que o contabilizado na invasão ao Capitólio, quando cinco pessoas morreram durante os ataques feitos por simpatizantes da extrema-direita.

"O risco de tentativa de golpe, caso Bolsonaro perca as eleições, está aí. As pessoas falam que não vai dar em nada e pode ser que não dê... O mais provável é que ele e seus seguidores não consigam, em caso de derrota, consumar um golpe. Só que uma tentativa de golpe já vai derramar sangue para caramba no Brasil. E esse é o ponto que a gente não pode perder de vista: Uma tentativa de golpe, mesmo frustrada no Brasil, vai ter muito mais morte do que a invasão ao Capitólio por golpistas trumpistas. 

No Brasil vai ser um derramamento de sangue por uma série de razões: 

Você tem grupos dentro da polícia militar que são bolsonaristas ferrenhos e que não obedeceriam uma tropa no caso de uma subelevação, 
você tem milicianos que são pró-presidente, gente armada pelo Bolsonaro nos últimos três anos. 

Portanto, no final das contas, acho que o Barroso foi um tanto quanto otimista, a democracia no Brasil segue em risco, e por isso mesmo a gente precisa seguir vigilante", declarou Leonardo Sakamoto.

Veja mais análises e as notícias do dia no UOL News:

Barroso diz que tentativa golpista de Bolsonaro foi sepultada

Ontem, em entrevista à GloboNews, Luís Roberto Barroso afirmou que qualquer tentativa de ruptura institucional por parte do presidente Jair Bolsonaro já foi "sepultada" no ano passado, mais precisamente nos atos golpistas do 7 de setembro.

Questionado sobre a possibilidade de Bolsonaro tentar dar um golpe caso saia perdedor do pleito presidencial deste ano, ele avaliou que "maus perdedores" existem em todos os lugares, e que "não há remédio na farmacologia jurídica" para essas pessoas. 

Porém, no que diz respeito a um possível golpe, o ministro não vê essa possibilidade, haja vista que "as instituições brasileiras são sólidas".

sakamoto:


_________________________________________________'Além de estar prevaricando, Aras vai à televisão mentir para os brasileiros', acusa Randolfe Rodrigues

16 de fevereiro de 2022, 12:14

247 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (16), fez duras críticas ao procurador-geral da República, Augusto Aras, por sua "inércia" em relação à tomada de providências contra autoridades, incluindo Jair Bolsonaro (PL), com base nas acusações feitas pela CPI da Covid em seu relatório final.

Também na CNN Brasil, Aras afirmou que o relatório da comissão é 'desconexo' e apresenta falta de provas. Segundo o PGR, esta seria a justificativa para a demora da apresentação de denúncia por parte da instituição ao Supremo Tribunal Federal (STF) em relação a autoridades com foro privilegiado. "Doutor Aras, não faça isso não. Um homem da sua idade, fica feio para o senhor vir à televisão faltar com a verdade. Desde que o senhor começou a andar com Jair Bolsonaro o senhor deu para esse mau costume. Além de estar atrasando, prevaricando no seu ofício, o senhor vem na televisão faltar com a verdade para com os brasileiros", atacou Randolfe.

O parlamentar destacou que, com base no mesmo relatório, instâncias inferiores do Ministério Público já apresentaram denúncias e instauraram diligências contra acusados pela CPI que não têm foro privilegiado. "Nós fizemos a entrega e um dia depois a Procuradoria da República no Distrito Federal protocolou uma ação civil pública pedindo uma indenização às vítimas da pandemia em R$ 60 bilhões por parte da União, e já instaurou inquéritos, como o da Conitec. Distribuiu os inquéritos e as responsabilidades entre os procuradores. Os procuradores da primeira instância não foram atrás da CPI pedir novas provas, novo material. Já fizeram diligências".

"O que queremos do doutor Aras é que ele faça o serviço dele. Nós já fizemos e os colegas dele da primeira instância estão fazendo. Então gostaríamos que ele começasse a cumprir. Se coubesse a nós, à CPI, oferecer denúncia, nós já teríamos feito", completou.


_________________________________________________2022-02-16: Lula de 14 ponos para 9 pontos de vantagem em apenas um mês. NÃO dá pra CONFIAR nesse povinho de merda, NÃO. NUNCA mais.

_________________________________________________2022-02-16: Lula de 14 ponos para 9 pontos de vantagem em apenas um mês. NÃO dá pra CONFIAR nesse povinho de merda, NÃO. NUNCA mais.

Se o BOLSOBOSTA ganhar de VIRADA vai ser SURPRESA pra alguém?

PoderData: Lula mantém-se em 40%, Bolsonaro recupera-se levemente e vantagem no 1º turno cai 5 pontos em um mês

 

247 - Pesquisa PoderData divulgada nesta quarta-feira (16) mostra que diminui a vantagem do ex-presidente Lula (PT) em relação a seus adversários no primeiro e no eventual segundo turno da eleição presidencial. Apesar disso, o petista segue líder das intenções de voto, superando também todos os outros pré-candidatos no segundo turno.

Lula tem 40% das intenções de voto no primeiro turno contra 31% de Jair Bolsonaro (PL), 9% do ex-juiz parcial Sergio Moro (Podemos) e 4% de Ciro Gomes (PDT). No levantamento anterior, realizado entre 31 de janeiro e 1 de fevereiro, Lula tinha 41% e Bolsonaro 30%.

Há um mês, no levantamento feito entre 16 e 18 de janeiro, a distância entre o petista e Bolsonaro era de 14 pontos percentuais. Agora, a distância é de nove pontos, o que representa uma queda de cinco pontos.

A pesquisa ouviu três mil pessoas por telefone entre os dias 13 e 15 de fevereiro. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O código da pesquisa no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-06942/2022.

_________________________________________________PF divulga nota oficial para rebater declarações de Moro e dizer que ex-ministro 'mente'

Ex-ministro da Justiça criticou a corporação por diminuir o ritmo nas prisões por crimes de corrupção. Corporação rebateu dizendo que efetuou mais de mil detenções nos últimos três anos

O pré-candidato à Presidência Sergio Moro em entrevista à Rádio Jovem Pan Foto: Reprodução

BRASÍLIA - A direção da Polícia Federal emitiu nesta terça-feira uma nota oficial para rebater acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos. Em entrevista à Rádio Jovem Pan, Moro criticou a atual gestão da corporação, dizendo que "hoje não tem ninguém no Brasil sendo investigado e preso por grande corrupção". Em nota assinada como "a Polícia Federal", o órgão acusou Moro de "mentir" e se defendeu, afirmando que efetuou "mais de mil prisões apenas por crimes de corrupção nos últimos três anos".

A tom da nota é pouco usual, uma vez que órgãos públicos não costumam se envolver no ringue da política eleitoral e responder a pré-candidatos, especialmente a Polícia Federal, que atualmente está investigando a suspeita de interferência política na corporação por parte do presidente Jair Bolsonaro.

Em abril de 2020, Moro deixou o comando do ministério da Justiça, ao qual está vinculada a Polícia Federal, alegando que Bolsonaro pressionava pela substituição do delegado-geral da corporação e exigia acesso a relatórios sigilosos. A PF instaurou um inquérito para apurar as denúncias.

No texto, a PF ainda afirmou que o ex-juiz da Operação Lava-Jato "faz ilações" ao citar trocas feitas nas superintendências pelo atual delegado-geral, Paulo Maiurino, como exemplo de supostas retaliações pelo governo. Maiurino foi nomeado ao cargo pelo atual ministro da Justiça, Anderson Torres, que entrou no lugar de André Mendonça, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal, que, por sua vez, substituiu Sergio Moro.

"O ex-ministro não aponta qual fato ou crime tenha conhecimento e que a PF estaria se omitindo a investigar. Tampouco qual inquérito policial em andamento tenha sido alvo de ingerência política ou da administração", diz a nota da corporação, que ressaltou que as operações tocadas pelo órgão "vão muito além da repressão aos crimes de corrupção".

Em seu perfil no Twitter, Moro reagiu ao texto da direção da corporação com a seguinte publicação: "Eu respeito muito a PF, os delegados, agentes, escrivães, peritos, papiloscopistas e servidores. Este momento vai passar. Vocês vão voltar a ser valorizados".

No ano passado, a direção da PF fez pelo menos oito trocas em postos chaves da corporação, uma média de uma por mês desde a posse do diretor-geral da PF, em abril. Internamente, alguns delegados substituídos se disseram surpresos com a exonerações e classificaram as movimentações como "estranhas". Na ocasião, a PF negou todas as suspeitas de demissão por motivações políticas e disse tratar-se de "medidas naturais" quando há substituição do comando da instituição.

Em entrevista ao Globo no início do mês, o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF, Luís Flávio Zampronha, afirmou que as críticas vinham de "colegas insatisfeitos com a perda do cargo de chefia", que "utilizam investigações sensíveis para tentar se manter no posto".

Um levantamento feito pela agência de dados "Fiquem Sabendo", com base em informações da Lei de Acesso à Informação (LAI), revelou que houve uma queda de 44% no número de prisões por corrupção feitas pela PF em 2021 em comparação com 2020. As informações são da Coordenação de Repressão à Corrupção, setor da PF cuida da maior parte das investigações sobre esse tipo de crime.

A direção da Polícia Federal, por outro lado, passou a divulgar que manteve o mesmo número de operações contra esquemas de corrupção nos últimos anos, entre 500 a 600 por ano. Segundo a corporação, a redução na quantidade de prisões seria consequência de uma mudança no entendimento dos tribunais de Justiça, a quem cabe decretar ou não as detenções, e não ao órgão de investigação. 

_________________________________________________Lira dá recado de que Congresso já abandonou Bolsonaro: "Tchau, querido!"

Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, e o presidente da República, Jair Bolsonaro Imagem: Adriano Machado/ReutersTales Faria

Chefe da Sucursal de Brasília do UOL

15/02/2022 16h01

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é o principal aliado do presidente Jair Bolsonaro no Congresso? É o que se dizia, mas a verdade é que Lira já abandonou Bolsonaro.

Simples assim: desde que o presidente da República empacou nas pesquisas eleitorais, o chefão do centrão na Câmara decidiu jogar o seu próprio jogo. Bolsonaro, se quiser, que venha atrás.

E Lira ainda manda recados pelos jornais.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, disse que já passou do tempo de Bolsonaro tomar vacina contra a Covid; que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem que se submeter hierarquicamente ao ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (que, por sinal é do mesmo partido, o PP, de Arthur Lira); e que a reforma tributária só será votada depois das eleições, ou seja, quando quando o Congresso souber quem será o próximo mandatário do Palácio do Planalto.

Bolsonaro é página virada.

Tanto que, ao elencar os projetos prioritários para votação na Câmara, Lira citou a PEC para acabar com os terrenos de Marinha, a legalização dos jogos de azar e o projeto para criminalizar a propagação de "fake news". São pautas de interesse dos partidos do centrão. Não estão entre as prioridades os temas caros ao bolsonarismo, como as pautas de costumes.

A equipe econômica é tratada por Arthur Lira como, digamos assim, um grupo de consultores.

Os auxiliares do ministro Paulo Guedes fazem as contas e cabe a Arthur Lira e os seus seguidores na Câmara decidirem o que vale e o que não vale dessas contas.

Hoje não vale nada o velho Posto Ipiranga -que antes e no início do governo Bolsonaro anunciou como sendo a maior autoridade de sua administração.

Arthur Lira só tem um problema com que se preocupar: o Senado e o presidente da Casa vizinha, Rodrigo Pacheco (MG), cujo partido arrasta a asa para o ex-presidente Lula, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais.

Pacheco é pré-candidato a presidente da República, mas tem tudo para acabar candidato à reeleição para o comando da Casa com o apoio de Lula e do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Na Câmara, se Lula for reeleito, Lira terá que fazer das tripas coração para ganhar o apoio dos partidos de esquerda e do tal centro democrático (PSD, PSDB, DEM, Cidadania e PSL), que estará mais interessado numa aliança com o governante de plantão.

Muito difícil. Mas ele começa a largar o barco que ameaça afundar. Quem sabe não recebe uma boia do futuro governo?


_________________________________________________Morre o jornalista e cineasta Arnaldo Jabor

Arnaldo Jabor

247 - Morreu aos 81 anos na madrugada desta terça-feira (15) o jornalista e cineasta Arnaldo Jabor, que fez parte da geração do cinema novo e dirigiu sucessos como "Eu Te Amo", de 1981. A informação é da Folha de S. Paulo.

Ele estava internado desde 17 de dezembro no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após sofrer um acidente vascular cerebral. Segundo a família, a causa da morte foram complicações do AVC.

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Jabor ganhou notoriedade por seus comentários nos telejornais da TV Globo a partir dos anos 1990. Além disso, foi colunista da Folha de S. Paulo, Zero Hora e O Globo. Também atuou como comentarista na CBN.

Ao longo dos anos, Jabor se tornou um dos arautos da direita brasileira e foi um dos próceres do antipetismo, baseado no ódio contra o partido.

_________________________________________________O MITO da IMPARCIALIDADE | Merval Pereira

A questão da imparcialidade na justiça brasileira, discutida desde que o ex-juiz Sérgio Moro foi considerado “suspeito” no processo que condenou o ex-presidente Lula no caso do triplex do Guarujá, ganha novos ares com um trabalho da jurista Bárbara  Gomes Lupetti Baptista em número recente da revista Insight Inteligência, baseado em uma pesquisa empírica que realizou no âmbito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro há dez anos, que ela comparou com a decisão do Supremo Tribunal Federal.

Ela não se refere ao caso recente de perseguição a Moro por parte do Tribunal de Constas da União (TCU), mas demonstra que a proximidade do Ministério Público com a magistratura é corriqueira no sistema judiciário brasileiro. Nesse caso atual, essa relação está explicitada na relação do Subprocurador do Ministério Público de Contas Lucas Furtado com o ministro do TCU Bruno Dantas.

Também o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que comandou o julgamento da Segunda Turma que considerou Moro “suspeito”, não está citado, mas é exemplo de juiz que julga segundo critérios próprios de Justiça, colocando seus pontos de vista acima dos regulamentos, como acusa Moro de ter feito. A mudança de voto da ministra Carmem Lucia, determinante para a condenação de Moro, também é referida no trabalho como exemplo da fluidez do conceito de “imparcialidade”.

A jurista ressalta que a maior parte dos casos da Operação Lava Jato no STF foi decidida por maioria, sem consenso, e mais de dois anos após os fatos, demonstrando que “condená-lo à pecha de “parcial”, também explicita a lógica pendular e seletiva desse sistema”. Segundo a jurista, “o contraste dos dados (antigos) e os fatos (novos) permitiu pensar não apenas sobre a fluidez da categoria “imparcialidade”, como também nos paradoxos de nossa cultura jurídica que, entre dogmas e práticas, ilustram que os interlocutores, ao mesmo tempo em que expressam a sua descrença na imparcialidade, (…) por outro lado também reverberam a necessidade de sustenta-la enquanto crença”.

A jurista conversou na pesquisa, para sua tese de doutoramento, com cerca de 80 magistrados, e diz que ouviu diversas vezes frases como “você sabe que imparcialidade é uma coisa que não existe, né ?”, assim como a explicação de que “as pessoas têm que acreditar que ali tem um juiz imparcial”. Essa dicotomia mostra que “mais que existir de fato, a imparcialidade se constitui como crença. E guarda uma ambiguidade: de um lado, manter vivo o seu discurso serve para ocultar sua eventual inexistência, e de outro, produz efeitos para os destinatários do sistema de Justiça”. Se o Judiciário assume que o juiz não consegue ser imparcial, o sistema vai falir. Acaba o sistema.

A jurista Bárbara Gomes Lupetti Baptista diz em diversos momentos que não pretende minimizar a revelação da intimidade e cumplicidade da relação entre o Ministério Público e a magistratura no caso dos processos conduzidos pelo ex-juiz Sérgio Moro, e sua consequência, como a prisão do ex-presidente Lula às vésperas da eleição, mas não o condena nem absolve. Apenas confirma que sua pesquisa empírica demonstra que “ explicitar (ou tratar) como absurda, incomum, inédita ou extraordinária a conduta do juiz que conduziu o processo da Operação Lava Jato é, de um lado, desconsiderar a realidade processual brasileira, e de outro manter viva a crença em um conceito de imparcialidade sem correspondência com a realidade”.

Uma frase que diz ter ouvido muito foi “a minha verdade é a minha justiça”. Outra: “Você não pode julgar com o coração. A sua referência é a lei. Mas só que você tem um coração. O que faz com ele?”. Nessa linha, diz a jurista Bárbara Gomes Lupetti Baptista, a postura de Sérgio Moro, “comprometida por suas convicções pessoais e senso particularizado de justiça no tratamento e na condução da Operação Lava Jato, apontando, inclusive sua relação pessoal com o Ministério Público, não é inédita, nem extraordinária; é recorrente no sistema de justiça”. Segundo ela, muitos juizes brasileiros cuidam de processos, avaliam provas, decidem casos e interpretam fatos e leis a partir de sensos particulares de justiça. “Moro e a Operação Lava Jato são, portanto, a mais pura explicitação da Justiça brasileira”.

_________________________________________________Reinaldo Azevedo contesta Merval Pereira e diz que defender Moro é moralmente indefensável

247 – O jornalista Reinaldo Azevedo reagiu à tentativa do colunista Merval Pereira, do Globo, de tentar reabilitar o ex-juiz suspeito Sergio Moro, que ficou milionário depois de quebrar as construtoras nacionais e desempregar 4,4 milhões de brasileiros, ao dizer que Moro é parcial, mas praticamente todos os juízes o são. 

Segundo Reinaldo, o argumento de Merval é moralmente indefensável. Confira:

_________________________________________________"Merval Pereira achincalha todos os juízes brasileiros", diz Wadih Damous

Wadih defende a prisão preventiva de Moro

247 – O ex-deputado Wadih Damous, que presidiu a OAB-RJ, ficou indignado com o argumento usado pelo colunista Merval Pereira para defender o ex-juiz suspeito Sergio Moro, que ficou milionário depois de quebrar as principais construtoras nacionais e desempregar 4,4 milhões de trabalhadores brasileiros. Confira e saiba mais:

Colunista do jornal O Globo e porta-voz da família Marinho, Merval Pereira publicou um artigo neste domingo, 13, defendendo o ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro, considerado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Citando uma jurista, Bárbara Gomes Lupetti Baptista, Merval destaca que atuação ilegal de Moro para prender opositores, como o ex-presidente Lula (PT), é uma coisa comum na Justiça brasileira. O colunista tenta apresentar que Moro não fez nada de errado.

O jurista Lênio Streck afirmou, nas redes sociais, que Merval, “para justificar um péssimo juiz como Moro”,  “arrasta a justiça toda para a lama”.

_________________________________________________Merval arrasta toda a Justiça para a lama ao tentar defender Moro e a tese de que juiz pode ser parcial

Merval Pereira e Sergio Moro

247 - Colunista do jornal O Globo e porta-voz da família Marinho, Merval Pereira publicou um artigo neste domingo, 13, defendendo o ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro, considerado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Citando uma jurista, Bárbara Gomes Lupetti Baptista, Merval destaca que atuação ilegal de Moro para prender opositores, como o ex-presidente Lula (PT), é uma coisa comum na Justiça brasileira. O colunista tenta apresentar que Moro não fez nada de errado.

O jurista Lênio Streck afirmou, nas redes sociais, que Merval, “para justificar um péssimo juiz como Moro”,  “arrasta a justiça toda para a lama”.

_________________________________________________Jean Wyllys sobre Kataguiri: "esperava ter a liberdade para seguir caluniando como sempre o fez"

247 - O Movimento Brasil Livre (MBL) anunciou que processará jornalistas e veículos de imprensa que noticiaram a fala do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) sobre o nazismo durante entrevista ao Flow Podcast em que o apresentador Monark disse ser favorável a um partido nazista com autorização legal e Kim endossou dizendo que a Alemanha errou ao criminalizar o nazismo.

O ex-deputado Jean Wyllys (PT) comentou a informações em suas páginas nas redes sociais.

"Ele esperava ter a liberdade para seguir caluniando como sempre o fez (aliás, o fato de caluniar lhe deu o mandato). O que esse analfabeto político picareta, mentiroso e simpatizante do nazismo não esperava era que sua fachada desabasse ante a verdade que ele quer esconder", escreveu.

_________________________________________________“O Brasil tem um nazismo estrutural”, diz Gustavo Conde

11 de fevereiro de 2022, 14:12

247 - O linguista Gustavo Conde, em participação na TV 247, comentou as declarações pró-nazismo do ex-apresentador do Flow Podcast Monark, que contou com o apoio do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP).

Para Conde, “parece que o Brasil também tem um nazismo estrutural”. 

Na visão do linguista, é a impunidade que permite que o nazismo encontre abrigo e cresça no Brasil. 

Essa coisa das pessoas defenderem o nazismo aqui e acolá e não serem punidas, isso vai continuar gerando novas experiências nas redes sociais, ou fora delas”.

_________________________________________________Monark NADA SOFREU enquanto ATACAVA os NEGROS SISTEMATICAMENTE, alerta advogada Sheila de Carvalho

11 de fevereiro de 2022, 14:12
Sheila de Carvalho, Monark
SHEILA DE CARVALHO, uma das pessoas negras mais influentes do mundo, reconhecida pela ONU

247 - As declarações do ex-apresentador do Flow Podcast Monark em defesa de um partido nazista no Brasil causaram grande agitação no país, mas antes deste episódio ele já tinha feito declarações - tão chocantes quanto - sobre racismo, mas que não tiveram a mesma atenção. 

Foi isto que alertou, em entrevista à TV 247, a advogada Sheila de Carvalho, uma das lideranças do Grupo Prerrogativas e da Coalizão Negra por Direitos e coordenadora de direitos humanos no Instituto Ethos e da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP. 

Ela foi eleita pela ONU (Organização das Nações Unidas) uma das pessoas negras mais influentes do mundo em 2020.

“Monark foi racista em uma série de situações, dá para fazer uma lista de situações no Flow, a ponto de ele dizer que ‘racismo é só uma opinião, racismo não é crime’. Em várias situações ele defendeu a escravidão, em várias situações a klu-klux-klan. E quando ele fez essas alegações absolutamente nada aconteceu. Nenhum patrocinador saiu, nenhuma pessoa de direita ou esquerda pediu para tirar do ar o podcast que tinha feito e ele não teve nenhuma consequência. Eu fico muito feliz que agora, passando todo limite da civilidade, que ele tenha sofrido algum tipo de consequência por um ato tão abominável”, disse Sheila de Carvalho. 

Ela destacou que não se pode tolerar o racismo na mesma medida em que não se tolera o nazismo. “A questão é que não podemos tolerar a violência contra grupos étnicos que estão na base da sociedade, que é o caso dos negros, porque ela não nos diz respeito. Foi isso que as pessoas fizeram; enquanto era só uma questão de racismo contra negros, pouca consequência ou nenhuma consequência teve, exceto pessoas negras comentando e protestando. Quando ele mexeu com um grupo que não está na base da pirâmide social brasileira que as coisas começaram a acontecer”.

Segundo a advogada, o nazismo não é um movimento exclusivamente contra os judeus, ao contrário do senso comum: “O nazismo é um projeto de extermínio e  engloba uma série de violências contra a existência do próximo e não apenas contra os judeus: também contra negros, LGBTQI+, ciganos, pessoas com deficiência, diferentes etnias e povos. Aqui no Brasil a gente não trata o nazismo assim, como um projeto mais amplo que a violência contra os judeus. É um projeto de extermínio contra todos os diferentes”.

_________________________________________________Quem é Monark, que saiu do 'Flow Podcast' por fazer apologia ao nazismo

Bruno Aiub, mais conhecido como Monark, apresentador do "Flow Podcast" - Reprodução/ YouTube
Bruno Aiub, mais conhecido como Monark, apresentador do 'Flow Podcast' Imagem: Reprodução/ YouTube

De Splash, em São Paulo 09/02/2022 07h15 Atualizada em 09/02/2022 12h33

Bruno Aiub, de 31 anos, mais conhecido como Monark, foi desligado ontem do "Flow Podcast". No episódio de segunda-feira (7), ele defendeu a existência de um partido nazista reconhecido por lei, enquanto entrevistava os deputados federais Kim Kataguiri (Podemos) e Tabata Amaral (PSB).

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O que é o Flow Podcast, que teve apologia ao nazismo com Monark

Não foi a primeira vez que o "Flow Podcast", um dos programas de entrevistas mais vistos do Brasil com mais de 3,6 milhões de inscritos no YouTube, e transmissões ao vivo também pela Twitch e Facebook, foi palco de declarações controversas do youtuber. Mas afinal, como Monark ficou conhecido na internet e conseguiu o alcance que possui?

A carreira de Bruno Aiub foi feita na internet com envios de vídeos que ensinavam a jogar Minecraft no YouTube em outubro de 2010. A princípio, a ideia era ajudar os amigos, baseado em seus conhecimentos sobre o jogo e também na inspiração de youtubers estrangeiros.

"Sempre fiz por diversão mesmo, não tinha qualquer perspectiva de ganhar dinheiro com isso na época. Em um ano tinha 4 mil pessoas inscritas no meu canal. Hoje são 2,3 milhões", contou ele ao jornal O Globo, em entrevista no final de 2013.

Bruno é filho de uma psicóloga e de um analista de sistemas. Ele disse na entrevista que sempre recebeu incentivo da família, inclusive quando falou sobre não querer fazer faculdade e que sairia de casa, em São Paulo, para morar em Curitiba.

Já em 2012, ele se tornou um dos principais youtubers sobre o jogo no Brasil, chegando a receber da plataforma entre R$ 15 mil e R$ 30 mil, além de cobrar cachês para participação em eventos. Seu nome foi alavancado e nove anos depois ele soma mais de 5 milhões seguidores que o acompanham, sendo 3,3 milhões de inscritos no YouTube e 1,2 milhão apenas no Twitter.

No LinkedIn ele se define como "um dos maiores influenciadores gamers da internet, [com] mais de meio bilhão de views no YouTube", além de se declarar um "excelente apresentador, trabalhei com as maiores marcas do planeta, como: Coca-Cola, Intel, TIM, Kanui e muitas outras".

foto 1 - Reprodução/ Twitter - Reprodução/ Twitter
Monark coleciona declarações polêmicas e controversas no podcast e em suas redes sociais Imagem: Reprodução/ Twitter

Entrevistas

Desde 2018, Monark comanda o "Flow Podcast" ao lado de Igor Coelho, conhecido como Igor 3K. Após dois anos, o programa conseguiu pagar seus custos com patrocínios e monetizações. Em 2021, o projeto chegou a ser reconhecido e indicado ao MTV Miaw Awards na categoria "Podcast Nosso de Cada Dia", vencido pelo "PodPah".

O podcast já recebeu figuras que vão de Sergio Moro e Deltan Dallagnol até Eduardo Suplicy e Guilherme Boulos. Quando o entrevistado foi Fernando Haddad, Monark admitiu que votou em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno ao invés do candidato do PT.

Além de declarações preconceituosas no Podcast Flow, Monark usa ainda o Twitter para expor sua opinião. Uma delas teve consequência direta no podcast, em outubro de 2021.

Ao perguntar se ter uma "opinião racista era crime", Monark viralizou e chegou a ser respondido por outras figuras na internet, como o advogado criminalista e colunista do UOL Augusto de Arruda BotelhoO iFood, que patrocinava o podcast, encerrou a parceria para não ter sua marca vinculada a Monark.

Na mesma época, ele comparou a homofobia a "escolher um tipo de refrigerante". O caso ocorreu em entrevista com Antonio Tebet, um dos criadores do Porta dos Fundos, que rebateu a fala do apresentador.

Também em 2021, Monark foi um dos assuntos mais comentados do Twitter após participação da apresentadora da CNN Brasil Gabriela Prioli como convidada no podcast. Diante da insistência do youtuber em apresentar dados sem embasamento, Prioli disse que o argumento dele era "raso".

Em 2020, o nome do youtuber voltou a ficar entre os assuntos mais comentados após entrevista com a deputada federal Joice Hasselmann (PSL). Ele foi criticado após falar sobre o Nordeste, em que afirmava que a região, formada por nove estados, tinha economia "voltada no carguismo público", sem falar dados e considerar especificidades dos estados.

Mais recentemente, ele coleciona duas polêmicas, desta vez relacionada à pandemia. Ele já chegou a questionar sobre o abandono do uso de máscaras de países europeus, novamente sem citá-los nem apresentar dados sobre as situações epidemiológicas desses locais; e também afirmou que "todo mundo deveria tomar vacina, mas ninguém deveria ser obrigado".

_________________________________________________'Opinião racista é crime?': o que Monark já falou de controverso

Colaboração para Splash, em São Paulo 08/02/2022 16h06

Ontem, em entrevista com os deputados federais Kim Kataguiri (Podemos) e Tabata Amaral (PSB) no podcast Flow, o apresentador sugeriu a criação de um partido nazista no país sob alegação de que todos poderiam ter voz uma vez que, na sua opinião, "direita e esquerda ter espaço".

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"A esquerda radical tem muito mais espaço que a direita radical, na minha opinião. As duas tinham que ter espaço, na minha opinião [...] Eu acho que o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido pela lei", disse Monark.

O podcaster logo foi rebatido por Tabata, que afirmou que o nazismo coloca a população judaica em risco. "Liberdade de expressão termina onde a sua expressão coloca em risco coloca a vida do outro. O nazismo é contra a população judaica e isso coloca uma população inteira em risco", disse a parlamentar.

Hoje, após os patrocinadores do podcast "Flow" repudiarem a opinião polêmica, o podcaster usou suas redes sociais para fazer um pedido de desculpas por ser insensível com a comunidade judaica e 'defender uma ideia de jeito burro'.

"Eu errei, a verdade é essa. Eu tava muito bêbado e fui defender uma ideia que acontece em outros lugares do mundo, nos Estados Unidos, por exemplo, mas eu fui defender essa ideia de um jeito muito burro, eu estava bêbado, eu falei de uma forma muito insensível com a comunidade judaica. Peço perdão pela minha insensibilidade", disse ele.

Importante destacar que no Brasil é considerado crime fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas e objetos de divulgação do nazismo, conforme o artigo 1º da Lei 7.716/89. Caso seja caracterizado o ato de divulgar ou comercializar materiais com ideologia nazista, a pena pode variar entre um a três anos de prisão e multa.

Homofobia x gostar de refrigerante

Em outubro do ano passado, Monark recebeu o humorista Antonio Tabet para uma entrevista no "Flow" e durante a conversa chegou a comparar a homofobia com gostar de refringente.

No diálogo, Tabet trouxe uma discussão sobre os casos de crime contra homossexuais. "Um cara que fala assim: 'eu acho que gay tem que apanhar na Avenida Paulista", afirmou ele. Monark, então, o interrompeu para expôr sua opinião:

E o cara que fala: 'eu amo refrigerante, nossa, com açúcar então. Amo pra carlh*, quero beber refrigerante e acho que todo mundo tinha que beber refrigerante.Monark

Minutos após o debate avançar sem ambos chegarem em um denominador comum, o podcaster, que também indagou se seria crime questionar a eficácia da vacina, declarou que entendia a colocação do convidado.

Antonio Tabet, por sua vez, rebateu deixando claro que o apresentador não tinha conhecimento do que estava falando por não estar na pele das vítimas de crime de homofobia. "Não sei se você me entende. Não é crime beber refrigerante", declarou.

Opinião racista é crime?

Também em outubro de 2021, Monark usou seu perfil no Twitter para questionar se ter uma opinião racista seria crime. A grande repercussão da polêmica, inclusive, fez o iFood encerrar a parceria com o "Flow Podcast".

Com a repercussão negativa do questionamento, ele tentou se defender, afirmando que as pessoas queriam "criminalizar o pensamento".

Novamente, após inúmeras críticas por suas publicações, Monark voltou ao Twitter e disse que "muita gente" teria interpretado erroneamente sua defesa à liberdade de expressão com defesa a opiniões "hediondas" como racismo ou homofobia.

Demissão

Diante da grande repercussão negativa da declaração de Monark e a perda de patrocinadores, a Estúdios Flow, responsável pelo Flow Podcast, anunciou hoje a demissão do sócio e apresentador Bruno Aiub, o Monark, que defendeu a existência de um partido nazista reconhecido por lei no Brasil em um episódio do projeto.

Ao longo da nossa história, tratamos de temas sensíveis buscando promover conversas abertas sobre assuntos relevantes para a nossa sociedade, sem preconceitos ou ideias preconcebidas, pelo que acreditamos e defendemos. Reforçamos nosso comprometimento com a Democracia e Direitos Humanos, portanto, o episódio 545 foi retirado do ar. Comunicamos também a decisão que a partir de agora, o youtuber Bruno Aiub, o Monark, está desligado do Estúdios Flow.disse a produtora.

A Estúdios Flow ainda se desculpou com a comunidade judaica e disse que vai superar essa situação "contribuindo para uma sociedade mais justa" e com liberdade de expressão "amparada por preceitos legais".

_________________________________________________Acordo com FMI sela o racha de Fernández e Cristina Kirchner na Argentina

Principal objetivo do presidente, conclusão de negociação com o Fundo é boicotada por aliados de sua vice, que já traçam estrategista kirchnerista para a eleição de 2023

Manifestante contra a exploração de petróleo na costa e o acordo com o FMI em frente à Casa Rosada; apesar de protestos, Alberto Fernández está convencido de que maioria apoia o acordo Foto: Mariana Nedelcu / Reuters 4-2-2022

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BUENOS AIRES — Quando foi eleito presidente, no final de 2019, Alberto Fernández pretendia, em palavras de um ministro de seu Gabinete, liderar um governo “peronista à la uruguaia”, ou seja, inspirado na esquerdista Frente Ampla, coalizão na qual convivem, num ambiente de disciplina e civilidade, diferentes partidos. O plano claramente fracassou. Hoje, o chefe de Estado argentino enfrenta boicotes internos permanentes por parte de quem muitos ainda consideram a sócia majoritária da conturbada coalizão governista, a vice-presidente Cristina Kirchner.

O principal objetivo de Fernández atualmente é selar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sem o qual, asseguram fontes da Casa Rosada, a Argentina corre o risco de implodir, mais uma vez. Já chegou-se a um princípio de entendimento, mas o custo político para o governo foi alto. Enquanto Fernández anunciava ao país um acordo que, segundo ele, “prevê sustentar a recuperação econômica já iniciada”, o deputado Máximo Kirchner, filho de Cristina, renunciava ao comando da bancada governista na Câmara por divergências com as negociações.

Planos de reinvenção

Dias mais tarde, outro deputado kirchnerista, o veterano Leopoldo Moreau, alertou que a tropa liderada pela vice no Congresso vai “chamar a atenção para os perigos e riscos do acordo”, quando o texto tiver de ser aprovado no Parlamento. Moreau, para muitos uma espécie de porta-voz, de Cristina Kirchner, foi ainda mais longe e afirmou que o governo argentino deveria ter denunciado o FMI no Tribunal Penal Internacional (TPI) pela concessão de um empréstimo de US$ 44 bilhões ao governo do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019), para, supostamente, facilitar sua reeleição.

Em conversas informais, colaboradores de Fernández se referem aos kirchneristas como “irresponsáveis” e “suicidas”. O plano de Fernández, revelou uma das fontes consultadas, é tentar isolar Cristina e, aos poucos, recuperar o apoio perdido nos primeiros dois anos de mandato e de pandemia. Alguns sonham até mesmo com uma candidatura à reeleição em 2023, sem a tutela da vice, fundamental no pleito de 2019.

Por outro lado, Cristina, explicam fontes da Casa Rosada que conhecem bem o pensamento e os movimentos da ex-presidente, está obcecada em preservar seu capital político, mesmo que isso signifique ter se tornado a principal opositora de seu próprio governo.

— Hoje, o distanciamento entre Cristina e Alberto vive seu pior momento. Eu diria que o relacionamento se quebrou — afirmou ao GLOBO Carlos Fara, vice-presidente da Associação Internacional de Consultores Políticos.

Se fosse um casamento, Fernández e Cristina estariam na fase de deterioração final, na qual marido e mulher deixam de se falar e cada um faz planos para se reinventar, após um divórcio que já sabem que será inevitável. A vice considera que o governo perdeu as eleições legislativas de 2021 porque a equipe econômica conteve a liberação de recursos para gastos sociais, e garante que o acordo com o FMI vai terminar de enterrar qualquer possibilidade de preservar o poder nas presidenciais de 2023

Cristina já atua como líder opositora, pulando fora da canoa que considera furada e na qual Fernández tenta, ainda, encontrar uma saída que tire a Argentina do atoleiro em que o país está metido.

Entre calote e tarifas

Nos próximos dias 21 e 22 de março, o governo deveria, de acordo com o cronograma original do entendimento fechado com o governo Macri em 2018, pagar cerca de US$ 3 bilhões em vencimentos ao FMI. O Banco Central não tem liquidez, ou seja, as possibilidades de saldar ambas as parcelas são nulas. Sem um novo acordo, ao qual o kirchnerismo se opõe publicamente, a Argentina daria o calote no Fundo e ficaria ainda mais isolada dos mercados internacionais, não apenas o governo, mas também empresas do setor privado.

Se com o acordo não será fácil — implicará eliminação de subsídios e aumento de tarifas públicas, entre outras medidas — sem o acordo ministros da equipe econômica consideram que o país se tornaria inviável. Alguns desses ministros afirmam que “a sociedade argentina quer o acordo”, e que “o kirchnerismo está tentando manter uma bandeira da esquerda, quando o país foi claramente para o centro, com riscos de acentuar esse movimento para a direita”.

— O kirchnerismo acha que com o acordo vai perder as eleições de 2023. Não entende as consequências de um calote ao FMI, o impacto na inflação, dólar, crédito para o setor privado. Seria um cenário de colapso generalizado — aponta Ignácio Labaqui, analista político e professor da Universidade Católica Argentina (UCA).

Ele lembrou que, em 2019, muitos se referiam ao acordo político e eleitoral entre Cristina e Fernández como uma “bomba-relógio”, e lamentou que hoje “tenhamos de reconhecer que tinham razão”.

— Este é um governo disfuncional. A única coisa que poderia manter todos os peronistas unidos seria a expectativa de preservar o poder — enfatizou Labaqui.

Na visão do analista, “Cristina e Alberto só não anunciam uma separação porque ambos perderiam muito mais do que ficando juntos”.

As divergências entre o kirchnerismo e as variadas facções peronistas que convivem no governo são inúmeras. Para alguns ministros, a Venezuela, por exemplo, é uma ditadura. Já o embaixador argentino na Organização de Estados Americanos (OEA), Carlos Raimundi, costuma evitar questionamentos ao governo de Nicolás Maduro e, também, ao de Daniel Ortega, da Nicarágua.

A próxima jogada

Cristina aparece pouco, e entre alguns peronistas já se percebe certa expectativa pela perda de poder real da vice. O boicote às negociações com o FMI mostrou, para algumas das fontes consultadas, que Alberto Fernández assumiu o comando, correndo sozinho os riscos de fracassar. Cristina, enfatizaram, já está mergulhada em outra jogada política, que busca garantir sua sobrevivência além das eleições de 2023.

Este ano, a Argentina poderia crescer em torno de 4%. No exterior, a imagem de Fernández é positiva. Para alguns governos, apesar dos permanentes tropeços, a Argentina é hoje um dos poucos aliados confiáveis na região. Os problemas do presidente estão em casa, onde dorme com o inimigo.

_________________________________________________O canibal vegetariano

Após se filiarem a partido de extrema-direita de Portugal, vários imigrantes brasileiros teriam sido vítimas de atitudes xenófobas

Após se terem filiado ao Chega, o partido de extrema-direita que nas últimas eleições conquistou 12 lugares no parlamento português, vários imigrantes brasileiros teriam sido vítimas de atitudes racistas e xenófobas por parte dos seus próprios companheiros.

O caso mais conhecido é o da ex-dirigente do Chega na cidade de Braga, Cibelli Pinheiro de Almeida, perseguida por nomes importantes do partido, que se recusaram a aceitar uma brasileira entre eles. Antes dela, também o responsável pelo Chega na cidade da Maia, Marcus Santos, teria sido alvo de ataques racistas.

A vitória de Donald Trump em 2016, e a de Jair Bolsonaro dois anos depois, deu forte impulso à extrema-direita em Portugal. Muitos dos imigrantes brasileiros que correram a filiar-se ao Chega quando da sua constituição, em abril de 2019, eram fervorosos bolsonaristas. No Brasil, é provável que alguns deles defendessem propostas xenófobas e racistas. Ironicamente, estão agora sendo atropelados pela sua própria ideologia.

O que aconteceu aos dissidentes brasileiros do Chega vem acontecendo há décadas a muitos portugueses racistas que, viajando ou radicando-se em países do norte da Europa, descobrem com surpresa não serem tão brancos, nem tão europeus, quanto pensavam.

Não tenho ilusões: mesmo tendo passado pela experiência de viver na pele o ódio racista, os brasileiros do Chega dificilmente se transformarão em vigorosos combatentes pelo multiculturalismo e pela diversidade. O mais provável é que gritem contra a xenofobia em Portugal, mas, de regresso ao Brasil, fechem os olhos à perseguição aos congoleses e a outros imigrantes pobres. As raposas não passam a comer capim apenas porque foram perseguidas por leões.

O episódio serve para ilustrar uma das principais contradições dos movimentos ultranacionalistas, racistas e xenófobos: a dificuldade em estabelecer parcerias internacionais. Uma Internacional Nacionalista é possível, embora improvável, pois seria pela sua própria natureza um oxímoro irônico — como um canibal vegetariano. Steve Bannon, o despenteado guru de Donald Trump, perdeu muito tempo e muito dinheiro (dos outros) a tentar criar uma Internacional Nacionalista e, como se diz em Angola, “desconseguiu”.

A prometida visita de Jair Bolsonaro à Rússia, que deverá ocorrer na próxima semana, é outro episódio revelador deste paradoxo. Desesperado para furar o isolamento que ele próprio criou, Bolsonaro vai a Moscou abraçar um antigo agente da KGB. É o chamado abraço dos afogados. Graças a tal gesto, o Brasil ficará ainda mais isolado e Vladimir Putin ainda mais desmoralizado. Na matemática da vida e das relações políticas há somas que são subtrações.

A ascensão do Chega não pode deixar de ser vista como um sintoma claro de que a democracia portuguesa adoeceu. Convém analisar as causas dessa degradação e encontrar o tratamento adequado. Contudo, não há ainda motivos para pânico. O mais provável é que o partido de André Ventura entre em guerra civil e impluda muito antes das próximas eleições. Até lá, espero que o parlamento português consiga manter aqueles 12 deputados em severo isolamento profilático.

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O canibal vegetariano

As raposas não passam a comer capim apenas porque foram perseguidas por leões.

Após se terem filiado ao Chega, o partido de extrema-direita que nas últimas eleições conquistou 12 lugares no parlamento português, vários imigrantes brasileiros teriam sido vítimas de atitudes racistas e xenófobas por parte dos seus próprios companheiros.

O que aconteceu aos dissidentes brasileiros do Chega vem acontecendo há décadas a muitos portugueses racistas que, viajando ou radicando-se em países do norte da Europa, descobrem com surpresa não serem tão brancos, nem tão europeus, quanto pensavam.

Não tenho ilusões: mesmo tendo passado pela experiência de viver na pele o ódio racista, os brasileiros do Chega dificilmente se transformarão em vigorosos combatentes pelo multiculturalismo e pela diversidade. 

O mais provável é que gritem contra a xenofobia em Portugal, mas, de regresso ao Brasil, fechem os olhos à perseguição aos congoleses e a outros imigrantes pobres. As raposas não passam a comer capim apenas porque foram perseguidas por leões.

A ascensão do Chega não pode deixar de ser vista como um sintoma claro de que a democracia portuguesa adoeceu. Convém analisar as causas dessa degradação e encontrar o tratamento adequado. 

Contudo, não há ainda motivos para pânico. O mais provável é que o partido de André Ventura entre em guerra civil e impluda muito antes das próximas eleições. 

Até lá, espero que o parlamento português consiga manter aqueles 12 deputados em severo isolamento profilático.


_________________________________________________Caso Monark: especialistas explicam por que o 'achismo' está rivalizando com a ciência e o saber

Declaração sobre nazismo no Flow Podcast gera debate sobre crise da expertise
Em pleno 2022, ainda estão em debate temas como
nazismo, eficácia de vacinas, formato da Terra... Especialistas explicam por que o 'achismo' está rivalizando tanto com a ciência e o saber Foto: Arte
Em pleno 2022, ainda estão em debate temas como nazismo, eficácia de vacinas, formato da Terra... Especialistas explicam por que o 'achismo' está rivalizando tanto com a ciência e o saber Foto: Arte

RIO —  O programa Flow Podcast entrou no centro da controvérsia esta semana depois que seu apresentador, Bruno Aiub, o Monark, defendeu que um partido nazista possa reconhecido por lei. Muitos se perguntam sobre o contexto que tornou possível este tipo de comentário em uma produção de ampla audiência, que já vinha provocando polêmicas. O mesmo acontece nos EUA com Joe Rogan Experience, cujo formato serviu de modelo para o seu equivalente brasileiro. Como protesto a Joe Rogan, o músico Neil Young e outros artistas retiraram suas músicas do Spotify, plataforma de streaming que abriga o podcast.

Ambos são figuras sem background científico ou acadêmico, e que mesmo assim se viam na autoridade para comentar sobre todos os assuntos possíveis. Aqui e lá, também foram cobrados por receberem figuras que promoviam preconceito e negacionismo em sua bancada, dando voz a teorias da conspiração e à anticiência. Em sua defesa, Monark sempre diz que quer conversar com todo mundo — até mesmo com Hitler, como afirmou em 2020.

Mas é possível “conversar” com todo mundo? O argumento é rechaçado por especialistas, que veem na lógica o reflexo de uma certa crise da expertise. Se, de um lado, a democratização dos meios de comunicação tornou o debate público mais aberto, do outro derrubou a ideia de que é preciso algum tipo específico de qualificação e preparação para participar da conversa.

— Alguém que não tem nenhuma autoridade e acúmulo de conhecimento, mas que, por uma razão qualquer ocupa na topografia das redes sociais um lugar privilegiado, passa a ser tratado como se tivesse credencial — diz Dawisson Belém Lopes, professor de Política Internacional e Comparada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). — As pessoas começaram a ocupar espaços que antes lhes eram vedados.

Para Lopes, é como se houvesse uma tábula rasa na esfera pública, igualando todo mundo.

— Isso pode trazer à superfície potencialidades antes escondidas, mas também pode corroer a autoridade institucional, os consensos mínimos. Me parece que é algo novo e que estamos tendo que aprender a lidar na prática com os seus efeitos — explica.

Antigamente, a harmonia social era sustentada por alguns acordos como “vacina é bom”, “nazismo é ruim”, “a Terra é redonda” etc. Agora, eles teriam sido derrubados pela “erosão do modelo de conhecimento”, acredita Eugênio Bucci, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). De acordo com o autor de “A superindústria do imaginário” (Autêntica), o método científico foi “jogado fora” e se encontra desacreditado.

— A ciência é reduzida a uma questão de opinião — diz ele. — Uma pessoa pode muito bem dizer que, na sua opinião, a Terra é plana. O senso comum não diferencia mais o que é um juízo de valor e o que é um juízo de fato. Isso tem conexão com o crescimento de discursos autoritários, autocráticos e populistas e com o declínio da representatividade da democracia. Assistimos à irrupção de um irracionalismo feroz, que autoriza uma pessoa reconhecidamente ignorante e prepotente a dizer que é existência de um partido nazista é democrática.

Uma questão de parâmetros e limites

Em sua defesa de um partido nazista, Monark argumentou que “as pessoas têm direito de serem idiotas”. Para Bucci, esse tipo de opinião transforma a idiotia em “um critério de ordenamento da sociedade”.

— É um critério autoritário que cassa o direito de quem quer ser diferente do idiota — diz. — Assim como Bolsonaro quer liberdade de expressão para acabar com ela. Uma pessoa tem direito a ser idiota, mas não a defender um regime que vai aniquilar pessoas inteligentes. Uma pessoa pode se perguntar publicamente por que o nazismo não pode se organizar em um partido. Mas uma democracia não tem como abrigar e fomentar a instauração de forças nazistas.

Outro argumento recorrente de Monark é que seu programa não passava de uma “conversa de bar”, e por isso seria inofensivo. Mas a própria ideia de “amadorismo” gera confusão em uma internet que diluiu a esfera do que é público e privado, individual e coletivo, acredita Issaaf Karhawi, professora do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação, da USP .

— Não há problema nenhum de um podcast simular uma conversa de bar, há muitos formatos para se investir — diz Karhawi, autora do livro “De blogueira a influenciadora”. — Mas não se pode acreditar que a produção de conteúdo das redes sociais seja vista como amadora, já que ela passou por um longo processo de profissionalização no processo dos streamers. Além do mais, o discurso de amadorismo não pode isentar os produtores de questões éticas. Não se pode dar espaço a um debate que sai do debate qualificado e entra no limite do que é criminoso. Quando se ocupam espaços de distinção nas redes sociais, postos de muita visibilidade, é preciso cuidar do que se fala. O que se diz tem impacto na opinião pública.

Esta semana, Karhawi publicou no Twitter um fio muito compartilhado no qual discorria sobre as consequências da crise da expertise. Para ela, amadores e profissionais passam a disputar os mesmos espaços midiáticos e de visibilidade. Entre as reações ao seu comentário, houve quem a acusou de “elitismo”.

— Disseram que eu queria impor quem pode e quem não pode falar — conta. — Mas não é esse ponto. O ponto é que, como sociedade, temos uma responsabilidade de reconhecer quais são os parâmetros para a manutenção de uma discussão pública sadia, que tenha como principal objetivo gerar mudança cívica e de bem-estar social.

(Colaborou Ruan de Sousa Gabriel)


_________________________________________________Após MONARK e KATAGUIRI defenderem um partido NAZISTA no BRASIL, TABATA Amaral tira essa foto SORRINDO, linda, leve e solta...!

Se tivesse vergonha na cara ela tinha mais é que ter mandado os dois práputakíuspáriu e "sartado" FORA, como fez a MÁRCIA TIBURI 

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Tabata Amaral pede desculpas por foto com Monark após declarações nazistas

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247 - A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) pediu desculpas por tirar uma foto ao final da participação no Flow Podcast. A parlamentar era uma das convidadas durante o episódio em que Bruno Aiub, conhecido como Monark, ex-apresentador do programa, se colocou a favor da criação de um partido nazista e disse ser aceitável que alguém seja “anti-judeu”. A reportagem é do portal Yahoo.

Durante uma live do Instituto Brasil-Israel, Tabata foi questionada sobre a foto. “Foi um erro. Eu me levantei, era quase 1h, estava muito cansada. O que a gente sempre faz é tirar uma foto e agradecer o convite, independente de ter sido bacana. Quando, no dia seguinte, eu percebi que tinha sido um erro, a gente retirou e pediu desculpas”, disse.

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Ao mesmo tempo, Tabata Amaral alegou que os ataques contra ela nas redes sociais foram desproporcionais. Ela avalia que a foto foi mais questionada que a postura de outros homens presentes, que não se contrapuseram aos argumentos de Monark.

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Tabata avaliou que se posicionou de forma enfática contra as falas de Monark durante o debate. A parlamentar foi a única a discordar do apresentador. Ao mesmo tempo, Tabata Amaral foi criticada por não ter se retirado da mesa e também por ter tirado uma foto com o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), o outro convidado, além de Igor e Monark, os apresentadores.

_________________________________________________Altman: posição de Monark é inaceitável, mas criminalizá-lo ataca a liberdade de expressão

Judeu, o jornalista diz que, se tivesse sido convidado, não teria assinado manifesto dos Judeus pela Democracia que pede a detenção do youtuber Monark

www.brasil247.com - Youtuber Monark e o Jornalista Breno Altman
Youtuber Monark e o Jornalista Breno Altman (Foto: Reprodução | Felipe L. Gonçalves/Brasil247)
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247 - O jornalista Breno Altman criticou a iniciativa do coletivo Judeus pela Democracia, que recorreu ao Judiciário pedindo a prisão do youtuber Monark, após o agora ex-apresentador do Flow Podcast defender o reconhecimento legal de um partido nazista no Brasil.

"Se convidado, não teria minha assinatura o manifesto dos Judeus pela Democracia, pedindo detenção e investigação contra Monark. Sua posição é inaceitável, pedindo legalização do nazismo. Mas sem ter defendido a ideologia nazista, criminalizá-lo ataca a liberdade de expressão", disse o jornalista no Twitter. 

O youtuber disse na segunda-feira (7) que o nazismo deveria ser compreendido como "liberdade de expressão". "Nazista tinha que ter um partido nazista reconhecido pela lei", afirmou o youtuber.

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A PGR abriu apuração contra o youtuber, demitido do Flow Podcast depois de manifestar o seu posicionamento. 

Alegações do grupo Judeus pela Democracia

Em sua justificativa ao Judiciário, o movimento pediu a detenção de Monark "por apresentar e incentivar comportamentos de violência e de ódio incompatíveis com a pluralidade de um Estado Democrático de Direito, além de colocar a vida de minorias em risco". O teor dos argumentos foi publicado pela coluna de Mônica Bergamo

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"Entendemos que a vida de judeus e outras populações perseguidas pelo nazismo, como negros, LGBTQIA+, Romani e dissidentes políticos, encontram-se hoje mais vulneráveis e ameaçadas no Brasil, após as falas de Monark", disse o movimento.

_________________________________________________MARCIA TIBURI: caso de KIM KATAGUIRI é MAIS_GRAVE que o de MONARK 

Filósofa e escritora defende que o parlamentar seja CASSADO pelo CONSELHO de ÉTICA da CÂMARA dos DEPUTADOS 

www.brasil247.com - Marcia Tiburi, Kim Kataguiri e Monark
Marcia Tiburi, Kim Kataguiri e Monark (Foto: Montagem 247 a partir de fotos públicas)

247 – A escritora e filósofa Marcia Tiburi analisou, em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, o caso do comunicador Monark, afastado do Flow Podcast, e dos parlamentares Kim Kataguiri (DEM-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP), que participaram de uma entrevista em que se discutiu se partidos nazistas devem ser legalizados ou não – o que foi defendido tanto por Monark como por Kim e rechaçado por Tabata.

"O caso de Kim Kataguiri é mais grave do que o de Monark. Ele é deputado e não pode romper com o decoro parlamentar", diz Marcia Tiburi, que defende sua cassação. Monark, na sua avaliação, é um desinformado que agiu com a "prepotência típica dos fascistas". Kim Kataguiri, ao contrário, desde o início deste processo de disseminação de discurso de ódio no Brasil atuou como um agitador fascista. "Todos os lançamentos dos meus livros foram invadidos pelo MBL", lembra ela, que partiu para o exílio, após uma série de agressões e perseguições. Quatro anos atrás, Marcia Tiburi levantou-se da mesa de uma rádio gaúcha, ao constatar que Kataguiri também participaria da entrevista. Na entrevista abaixo, ela relembra o episódio e discorre conceitualmente sobre o fenômeno do nazifascismo brasileiro. Confira a íntegra:



_________________________________________________Ex-deputado é condenado por visitas irregulares ao pai, Sérgio Cabral

Marco Antônio Cabral perdeu a função de deputado, por usar indevidamente a prerrogativa parlamentar ao visitar o pai

www.brasil247.com -
(Foto: Divulgação/PMDB)
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Agência Brasil - O ex-deputado federal Marco Antônio Cabral foi condenado em segunda instância da Justiça Federal por improbidade administrativa por ter feito visitas irregulares ao pai, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, quando estava preso no presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó.

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A decisão confirmou a sentença de primeiro grau do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). O filho de Sergio Cabral foi condenado às seguintes penas: perda da função pública; proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos; além de multa correspondente a dez vezes o valor da remuneração percebida pelo agente, revertida em favor do Fundo de Defesa de Direitos Difusos, previsto no Art. 13 da Lei nº 7.347/85.

De acordo com a denúncia, o ex-deputado utilizou indevidamente a prerrogativa parlamentar para a realização de visitas extraordinárias de cunho privado ao pai, Sergio Cabral, em desacordo com resolução da Secretaria de Administração Penitenciária.

_________________________________________________PT pede cassação do mandato de Kim Kataguiri por apologia ao nazismo

Deputados Kim Kataguiri, Gleisi Hoffmann e Reginaldoi Lopes
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247 - O PT formalizou nesta quarta-feira (9), no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o pedido de cassação do deputado federal Kim kataguiri (SP), após o parlamentar defender que o nazismo não deve ser criminalizado no Brasil, na última segunda-feira (7), durante participação no Flow Podcast. o documento foi assinado pela presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), e pelo deputado Reginaldo Lopes (MG), líder do partido na Casa. 

De acordo com a representação, "trata-se de escancarada apologia ao nazismo, que não encontra qualquer fundamento ou respaldo no direito de livre manifestação e expressão, na medida em que na ponderação de colisões entre direitos fundamentais, que não ostentam a condição de absolutos, a defesa da vida e da dignidade humana deve prevalecer sobre essas compreensões de ódio que ainda teimam em florescer em nossa sociedade".

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"A sociedade brasileira e a comunidade internacional ficaram perplexas e revoltadas, quando em determinado momento do programa, o Apresentador defendeu abertamente, de forma criminosa, a legalização de um partido nazista no Brasil", disse.

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"Ora, defender a doutrina nazista, que prega o ódio, a intolerância e o extermínio de parcela consideravam de seres humanos, numa abominável perspectiva de supremacia, não apenas atenta contra os princípios e valores albergados na Constituição da República Federativa do Brasil e em diversos tratados internacionais de Direitos Humanos a que o Estado brasileiro aderiu e internalizou, como ofende e menoscaba a memória das milhares de vítimas dessa compreensão soez de sociedade ou de política, que jamais deveria ser considerada como plausível por um Deputado Federal, quanto mais por ele defendida". 

Entenda o caso

O deputado manifestou o seu posicionamento ao concordar com o apresentador Monark, que defendeu permissão na legislação brasileira para a existência de um partido nazista.

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Após o episódio, Monark foi demitido do Flow Podcast, que também perdeu patrocínios por causa do posicionamento do youtuber. 

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) determinou nessa terça-feira (8) a apuração de suposta apologia ao nazismo cometido por Kim.

_________________________________________________Justiça livra do crime de terrorismo homem que atacou sede do Porta dos Fundos e extradição é suspensa | Lauro Jardim - O Globo

Por João Paulo Saconi 09/02/2022 • 09:00

Eduardo Fauzi



Preso em uma penitenciária em Moscou, na Rússia, o empresário Eduardo Fauzi, um dos homens que atacou a sede do Porta dos Fundos em dezembro de 2019, deixou de ser réu por terrorismo na Justiça Federal, por decisão da 2ª Turma Especializada do TRF-2 (Rio de Janeiro e Espírito Santo) proferida na semana passada. O colegiado concedeu parcialmente um habeas corpus pedido pela defesa de Fauzi e o caso irá para a Justiça estadual.

Por causa da mudança na tramitação do processo, a PF suspendeu o envio de agentes ao território russo para trabalharem na extradição do acusado, encontrado pela Interpol em setembro de 2020. A Justiça russa havia autorizado a transferência de Fauzi para o Brasil no início de janeiro. Agora, a Coordenação Geral de Cooperação Internacional da PF só retomará o procedimento se um novo pedido de extradição for julgado na Rússia.

Na contramão do relator,  o desembargador William Douglas, os magistrados Marcello Granado e Flávio Lucas entenderam que Fauzi não incorreu em condutas descritas na chamada Lei Antiterrorismo, sancionada por Dilma Rousseff em 2016. A Justiça Federal, então, perdeu a competência para analisar o tema.

A primeira instância havia mandado prender Fauzi por ter jogado dois coquetéis molotov contra o prédio do “Porta” em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele e outros quatro homens realizaram o ato em nome de um grupo integralista (movimento conservador, de extrema-direita e com traços católicos) após a produtora de vídeos lançar uma esquete de humor com sátiras religiosas — Jesus foi retratado como um homem gay na ocasião.

As acusações restantes contra Fauzi incluem o crime de incêndio, com pena de até seis anos, e serão analisadas por um novo magistrado do Tribunal de Justiça do Rio. A ordem de prisão preventiva também poderá ser reconsiderada contra quem assumir o caso.

A defesa de Fauzi, representada pelos advogados Diego Rossi e Bruno Ribeiro, quer discutir a soltura dele no STJ. A previsão é que, caso seja liberado, o empresário possa retornar ao Brasil — ele tem mulher e filho na Rússia. Aqui, Fauzi reúne um grupo de apoiadores nas redes sociais desde o ataque à produtora de vídeos. Ele não descarta seguir carreira política.

_________________________________________________Caso Monark expõe limites da nova comunicação | Opinião - O Globo

Por Editorial 09/02/2022 • 00:00

Bruno Aiub, o Monark

Foram deploráveis, abjetas e devem ser repudiadas com a máxima veemência as declarações feitas na última segunda-feira por Bruno Aiub, alcunhado Monark, que o levaram a ser demitido do podcast que ele próprio fundara. Num episódio em que recebeu os deputados Tabata Amaral (PSB) e Kim Kataguiri (Podemos), Aiub defendeu a legalização de um partido nazista no Brasil e o direito de quem for “antijudeu” a manifestar suas opiniões (apenas Tabata o contestou com a energia necessária). Pior ainda foi ter alegado que estava “bêbado”, num mal-ajambrado pedido de desculpas emitido depois que os patrocinadores começaram a abandoná-lo.

Não foi a primeira vez que Aiub proferiu uma barbaridade do tipo. Em mensagem no ano passado, ele questionava se a expressão de ideias racistas deveria ser crime. Aiub pode achar o que quiser a respeito. A democracia brasileira já tomou sua decisão por meio das várias leis e sentenças judiciais que consideram crime o racismo, o antissemitismo, a homofobia e outros discursos de ódio.

Não pode haver espaço no Brasil ou em qualquer país decente para a defesa de um regime que implantou o extermínio em escala industrial. Não se trata de “debate” ou “discussão” entre vários pontos de vista que devem ser protegidos. Nas palavras certeiras de uma mensagem da embaixada da Alemanha sobre o episódio: “Defender o nazismo não é liberdade de expressão. Quem defende o nazismo desrespeita a memória das vítimas e dos sobreviventes desse regime e ignora os horrores causados por ele”.

O caso de Aiub guarda semelhanças com o do podcaster americano Joe Rogan, também conhecido pelo clima “informal” e “sem compromisso” com que abre espaço em seu programa a “vozes alternativas”, como militantes contra a vacinação, extremistas de direita ou defensores de ideias que não cabem em nenhum ambiente civilizado.

As expressões racistas que volta e meia Rogan soltava não impediram que se tornasse a principal atração do Spotify — serviço com que fechou contrato de exclusividade. Só quando cantores como Neil Young e Joni Mitchell reagiram retirando suas músicas, irrompeu uma onda de boicote. O Spotify então apagou os episódios que considerava mais sensíveis, mas decidiu manter o contrato com Rogan.

Rogan e Aiub são espécimes típicos da nova fauna de youtubers, influencers, podcasters e outros seres que habitam os pântanos digitais. Não espanta que atraiam audiências volumosas com um estilo que mistura ignorância e apelação. Espantosas são a quantidade de patrocinadores que associam suas marcas a esse tipo de produto e a presença frequente de políticos como Kim, Tabata ou Sergio Moro, interessados nos números vistosos de seguidores, visualizações e outras “métricas”.

Na diatribe libertária em defesa dos nazistas, Aiub questionou se “as pessoas não têm o direito de ser idiotas”. Foi um argumento ridículo, pois nazismo é crime bárbaro e hediondo, não idiotice. Mas a frase define bem quem acredita nesse estilo de comunicação produzida por amadores sem nenhum conhecimento a respeito do que falam, princípios editoriais frágeis e compromissos éticos volúveis. Que tanta gente séria do universo político ou do mundo de negócios aceite tomar parte nisso dá uma boa medida da profundidade do buraco em que estamos metidos.

_________________________________________________Adrilles Jorge é demitido após fazer gesto associado a saudação nazista no ar em debate sobre declarações antissemitas de Monark

Ex-BBB nega que tenha tido a intenção de reproduzir o aceno na Jovem Pan: 'Um tchau irônico, galhofeiro'; emissora diz que opiniões devem respeitar os limites da lei
Gesto ao fim do debate causou reação instantânea nas redes sociais Foto: Jovem Pan / Reprodução
Gesto ao fim do debate causou reação instantânea nas redes sociais Foto: Jovem Pan / Reprodução

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RIO — O comentarista Adrilles Jorge, da Jovem Pan, chamou atenção nesta terça-feira (8), após ter reproduzido um gesto com a mão direita imediatamente associado por espectadores à saudação nazista "Sieg Heil", ao fim de um debate sobre as declarações dadas pelo ex-apresentador do Flow Podcast, Bruno Aiub, conhecido como Monark, de 31 anos, que defendeu, na segunda-feira (7), a liberação para a criação de um partido nazista no Brasil. Ele foi demitido pela emissora e negou que tenha tido a intenção de reproduzir o aceno.

"Fui demitido da Jovem Pan . Por dar um tchau deturpado por canceladores. Infelizmente a pressão de uma turba canceladora e sua sanha de sangue surtiram efeito . Agradeço à Jovem Pan pela oportunidade e a todos os amigos que lá conquistei e que em mim confiam e apoiam", defendeu-se o comentarista em sua rede social. Ao fim do programa, no entanto, é possível ouvir o jornalista William Travassos reagindo ao gesto: "Surreal, Adrilles". O comentarista, então, sorri, como se tivesse acabado de fazer uma piada.

Adrilles justificou que, durante todo o tempo em que comentou o caso de Monark, se posicionou contra o nazismo, mas pediu desculpas à comunidade judaica que se sentiu ofendida. Segundo ele, seu tchau foi irônico e de forma "galhofeira".

— Eu não fiz rigorosamente nada. Sou anti-nazista por natureza. Por outro lado, posso até pedir desculpas pelo calor do momento a pesoas que eventualmente tenham se enganado em relação ao meu gesto, particularmente à comunidade judaica. Eu jamais faria, nunca, de forma alguma, um gesto ignominioso a título de gracejo ou qualquer outra coisa. Até porque, reitero, nos 30 minutos que precederam a minha despedida, o meu tchau meio irônico, de uma forma meio galhofeira, não houve qualquer outra coisa, senão a condenação absoluta, total e irrestrita desse movimento pavoroso que é o nazismo, que não cabe nenhum tipo de brincadeira, aceno ou gracejo — disse em gravação publicada.

Nesta quarta-feira (9), após a demissão do ex-BBB, a Jovem Pan emitiu um comunicado, onde, sem citar o nome de Adrilles, afirma que dá limites aos seus comentaristas, porém respeitando os limites da lei, e que não endossa qualquer manifestação que leve a discurso de ódio.

"O Grupo Jovem Pan repudia qualquer manifestação em defesa do nazismo e suas ideias. Somos veementemente contra a perseguição a qualquer grupo por questões étnicas, religiosas, raciais ou sexuais. No exercício diário de informar e esclarecer a nossa audiência, prezamos pelo livre debate de ideias, mas não endossamos qualquer tipo de manifestação que leve ao discurso de ódio e que remeta a um episódio da nossa história que deve ser lembrado como símbolo de um erro da humanidade, que não deve jamais ser repetido. Nossos comentaristas têm independência para emitir opiniões respeitando os limites da lei, opiniões essas que não refletem posições do Grupo Jovem Pan".

_________________________________________________Mainardi fala em "golpe contra Moro" e Tacla Duran o chama de canalha

5 de fevereiro de 2022, 10:27

Diogo Mainardi e Tacla Duran

247 - Sócio do site O Antagonista, o jornalista Diogo Mainardi publicou artigo nesta sexta-feira (4) no qual fala em um suposto "golpe" contra o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos processos contra o ex-presidente Lula (PT) na Lava Jato.

No texto, Mainardi trata da acusação da presidente do Podemos, deputada federal Renata Abreu (SP), contra ministros do STF, que estariam ameaçando a candidatura de Moro.

Pelo Twitter, o advogado Rodrigo Tacla Duran reagiu ao trecho do artigo de Mainardi, apoiador de Moro, que fala em "verdadeiro perigo para a democracia representado por aqueles que, em nome da própria democracia, fraudam flagrantemente as urnas, eliminando um adversário da corrida eleitoral".

"Mainardi, você não pensava assim em 2018 ou é canalha e safado mesmo?", provocou.

'Eliminar um adversário da corrida eleitoral', como citou Mainardi, foi exatamente o que Moro fez na última campanha presidencial.

O ex-juiz prendeu Lula, favorito nas pesquisas, e abriu caminho para a chegada de Jair Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto. Encerrada a eleição, Moro abandonou a magistratura e assumiu o Ministério da Justiça no governo bolsonarista.

_________________________________________________Opinião: Entendendo Bolsonaro - Batalha pelo STF é o último refúgio da guerra cultural bolsonarista

17.dez.21 - Ministro André Mendonça no encerramento do ano do Judiciário, no STF Imagem: Rosinei Coutinho/STF

* Rafael Burgos

"Mais importante que eleição são as duas vagas para o STF em 2023", disse Jair Bolsonaro em conversa com apoiadores nesta sexta (4). A declaração do presidente exprime, de forma cristalina, os caminhos de sua estratégia eleitoral para 2022.

Situado num limbo político entre o deserto de políticas públicas que é o seu governo e o natural desgaste da pauta comportamental após o choque pandêmico, Bolsonaro apela a uma alternativa, visando as eleições deste ano, que consiste em reeditar a sua guerra cultural, mas sob nova forma, com uma "capa" institucional.

A elaboração incessante de inimigos e a captura do discurso político por pautas comportamentais são o que distinguem, em essência, o bolsonarismo dos demais atores políticos relevantes no Brasil. Isso significa que, tal qual 2018, a sua campanha em 2022 deverá trabalhar com afetos como o medo, buscando atiçar no imaginário popular a preocupação com questões de ordem moral. Isso é o que podemos extrair da fala do presidente junto aos seus apoiadores nesta sexta.

Ao sinalizar que uma eventual maioria conservadora no Supremo Tribunal Federal (STF) seria mais importante para o país do que, propriamente, a presença de um conservador na Presidência, Bolsonaro dribla o retumbante fracasso de sua "pauta de costumes" no Congresso, elevando a Corte à condição de novíssimo palco da "batalha espiritual" a ser resgatada pela sua campanha.

Além de ser uma tentativa de importar para o Brasil uma tradição norte-americana — já que, por aqui, ao contrário dos Estados Unidos, a indicação para a Suprema Corte não é, historicamente, um tema de relevância eleitoral —, tal estratégia exprime a influência olavista que persiste sobre o bolsonarismo, mesmo sem a presença em vida do seu guru.

Segundo Olavo de Carvalho, mais importante do que ter um presidente conservador é garantir a plena difusão de ideias conservadoras pelas instituições culturais do país. É nesse sentido que podemos vislumbrar a declaração do presidente como uma tentativa, um tanto desesperada, de resgatar um antagonismo entre o "bem e o mal", entre a "família e o comunismo", por meio de um debate que é propriamente institucional — a indicação de ministros do STF.

"É isso mesmo, presidente, a luta vai ser lá [no STF]", exclamou uma apoiadora após a fala de Bolsonaro. Essa manobra retórica reflete um padrão propriamente bolsonarista, o de terceirizar disputas a fim de preservar o seu capital político, já que, com o Supremo no olho do furacão, a sua desastrosa gestão da pandemia ou a tragédia econômica produzida pelo seu governo podem ficar em segundo plano.

Do ponto de vista do discurso, com essa estratégia, o presidente realiza, também, outra inversão, caríssima ao bolsonarismo e aos políticos populistas, que consiste em se apresentar como o lado "mais fraco" da disputa. Desse modo, sai de cena o Bolsonaro aliado do Centrão, o homem que, em quatro anos, conseguiu aparelhar instituições de Estado poderosíssimas, e entra o enfraquecido conservador, o aliado de apenas dois ministros do Supremo, um presidente sem poder que, por isso, precisaria de mais quatro anos para "reverter" o atual estado de coisas.

_________________________________________________"Críticas de Eduardo Paes a Lula dividem o Rio aonde não se pode dividir", diz Freixo. "Sou candidato de união"

5 de fevereiro de 2022, 19:29

247 –  Depois do presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), e do presidente do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores no Rio, João Maurício, que publicaram notas contra o prefeito Eduardo Paes em razão das críticas dele ao ex-presidente Lula, o deputado Marcelo Freixo (PSB), candidato a governador que terá o apoio dos petistas (e, provavelmente, a companhia de Ceciliano em sua chapa, disputando o Senado), foi duro ao rebater o prefeito carioca.

“Meu diálogo com o Lula é o melhor possível. Ele é quem vai nos garantir a democracia no Brasil, e vai ajudar a reerguer o Rio. Tenho muito orgulho de ter o apoio dele”, disse Freixo à reportagem do jornal O Globo no fim da tarde do sábado. “Eu fiquei surpreso com a cegueira sobre a situação do Rio e do Brasil. Não adianta a gente falar que quer derrotar o Bolsonaro no Brasil e não enfrentá-lo devidamente no Rio de Janeiro, onde eles estão no governo, são do mesmo partido. Acho que dessa forma, o prefeito divide o Rio onde ele não deveria dividir. A minha candidatura tem esse espírito de união. Eu resolvi ser candidato exatamente por esse movimento de mudança que precisamos. Daí, todos os diálogos que estou fazendo e insistindo que são importantes. Nesse sentido, Lula é fundamental para o Rio”.

Também atacado por Paes, na entrevista concedida ao jornal Valor Econômico e será publicada na próxima segunda-feira, Freixo repudiou afirmações do prefeito. "Sempre defendi a boa polícia. Foi com a ajuda dessa boa polícia que eu fiz a CPI das Milícias e a CPI do Tráfico de Armas e Munições, que contribuíram muito para a segurança pública do Rio. Eu nunca saí por aí defendendo milícia. Como deputado federal, em todos os anos, encaminhei emendas destinadas à polícia, o que reforça meu compromisso”, disse Freixo ao jornal carioca.

Além de ter iniciado esse tiroteio contra o ex-presidente e candidato do PT à Presidência em 2022, Eduardo Paes articulou uma palestra de Ciro Gomes (PDT), candidato adversário de Lula que tem feito duras críticas ao petista, de quem foi ministro. Paes e Ciro almoçaram juntos neste domingo, na Residência Oficial da Gávea Pequena.

_________________________________________________Dilma comenta fala de Barroso: "lamento que tenha DEMORADO SEIS ANOS para ADMITIR o GOLPE"

5 de fevereiro de 2022, 19:45

247 – A ex-presidente Dilma Rousseff concedeu a quarta entrevista da série sobre seu governo ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247, em que falou sobre o setor elétrico, explicou o porquê do custo tão alto da energia que vem sendo cobrada dos brasileiros e também comentou a fala do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, em que ele admitiu que ela não foi afastada por "pedaladas fiscais", mas porque teria perdido sustentação política no Congresso Nacional. 

Ou seja: na prática, Barroso admitiu que Dilma foi vítima de um golpe de estado.

"Lamento que ele tenha demorado seis anos", disse a ex-presidente, que, em seu governo, fez com que o Brasil alcançasse o pleno emprego, com uma taxa de desocupação de apenas 4,4%, a menor da história do Brasil, no fim de 2014. 

Depois de sua reeleição, no entanto, Dilma foi vítima da sabotagem do Congresso, liderada pelo ex-deputado Eduardo Cunha, da Lava Jato, comandada pelo ex-juiz Sergio Moro, que quebrou construtoras brasileiras e destruiu 4,4 milhões de empregos, segundo o Dieese, e de todo o movimento golpista que paralisou a economia, levando à sua queda. 

Logo em seguida, o usurpador Michel Temer aplicou a "ponte para o futuro", que vem sendo mantida por Jair Bolsonaro, que retirou direitos trabalhistas, empobreceu o Brasil e fez com que milhões de brasileiros voltassem a passar fome.

"Não se faz um impeachment sem crime de responsabilidade impunemente", diz Dilma, na entrevista, que aponta um processo de total corrosão institucional no Brasil, em que o próprio Barroso aponta os crimes cometidos por Jair Bolsonaro, assim como os de Michel Temer, sem que nada tenha ocorrido a nenhum dos dois. 

"O impeachment foi desmoralizado no Brasil". Confira, abaixo, a íntegra da sua entrevista (neste domingo, será publicada reportagem sobre o setor elétrico):

_________________________________________________Mario Vitor Santos: Barroso promove a normalização do golpe

4 de fevereiro de 2022, 20:25

247 - O jornalista Mario Vitor Santos, em entrevista à TV 247, comentou as declarações do presidente do TSE e ministro do STF, Luís Roberto Barroso, que, em artigo, afirmou que a ex-presidenta Dilma Rousseff foi derrubada por falta de “sustentação política”, e não por um suposto crime de responsabilidade.

Como o Brasil não é um regime parlamentarista, ocorreu, portanto, um golpe parlamentar -- ilegalidade que, na época, deveria ter sido contida pelo STF, mas a Corte preferiu lavar as mãos.

O papel de um ministro do STF, apontou o jornalista, é cumprir estritamente a Constituição, e não avaliar a ocasião política.

Ao escrever justamente sobre isso, Barroso tenta “institucionalizar” o golpe, avalia Mario Vitor Santos. 

“De que forma se pode aferir que uma presidente perdeu apoio parlamentar?”, questionou Mario Vitor Santos. 

Se for pela votação de, por exemplo, mais de dois terços do Congresso Nacional, “isso não está previsto na lei. 

O que prevê a lei é que essa votação se dá em cima da constatação, da apuração e verificação de um crime de responsabilidade cometido pela presidente da República. 

Não basta perder apoio político, por maiorias ocasionais dentro do Congresso Nacional”.

Barroso pode também estar se referindo à falta de apoio dos meios corporativos, ponderou Mario Vitor Santos. 

“É perder o apoio da mídia? Do empresariado? É isso?”, questiona. 

“Portanto, a quem o ministro está se referindo quando diz que Dilma perdeu sustentação política?

É uma espécie de institucionalização do golpe a posteriori. 

Por que o ministro está vindo a público para falar isso? Deve ser algum tipo de explicação que ele procura dar à sociedade e a si mesmo a respeito de algo inexplicável, que foi o golpe cometido contra a presidenta Dilma Rousseff, no sentido de beneficiar os interesses estrangeiros no Brasil e de destruir a indústria nacional. Foi isso que aconteceu”, disse.

_________________________________________________Breno Altman: afirmação de Barroso é a CONFISSÃO de que o STF PREVARICOU ao endossar o golpe

Sessão do Supremo Tribunal Federal em 2015 e Roberto Barroso
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247 - O jornalista Breno Altman apontou o fato mais grave da afirmação do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, de que a ex-presidenta Dilma Rousseff não foi derrubada pelas tais “pedaladas fiscais”, a prevaricação da suprema corte. “A questão central da afirmação do ministro Barroso, ao afirmar que o impeachment de Dilma Rousseff foi por “falta de apoio político”, não está na constatação em si, mas na confissão de prevaricação do STF frente ao descumprimento da lei, endossando um golpe de Estado”, escreveu Altman no Twitter nesta terça-feira (4).

O trecho do artigo de Barroso que causou furor no cenário político e midiático foi este, publicado na  revista do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), a ser lançada no próximo dia 10: "A justificativa formal foram as denominadas pedaladas fiscais - violação de normas orçamentárias -  embora o motivo real tenha sido a perda de sustentação política".

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Não é outro o motivo que as lideranças políticas e sociais do país comprometidas com a democracia protestaram e denunciaram: “é golpe”.

O que o ministro Barroso fez agora é confirmar que a queda de Dilma Rousseff tratou-se mesmo de um golpe de Estado.

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O jornalista, Ricardo Kotscho, resumiu com precisão a dimensão da confissão do ministro do STF: “Vivêssemos num regime parlamentarista, em que a perda de apoio político leva à queda do gabinete, perfeito. Só que aqui ainda estamos no regime presidencialista, e a perda de sustentação política não está prevista na Constituição para justificar um impeachment”.Outra jornalista, Mônica Bergamo, que trouxe à luz o texto do ministro do STF, lembrou em sua coluna nesta  lembra ainda que Barroso já havia expressado esse raciocínio em julho de 2021, durante um simpósio em que afirmou: "Creio que não deve haver dúvida razoável de que ela [Dilma] não foi afastada por crimes de responsabilidade ou corrupção, mas, sim, foi afastada por perda de sustentação política. Até porque afastá-la por corrupção depois do que se seguiu seria uma ironia da história".

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O assunto causou furor, a hashtag #foigolpe virou um dos assuntos mais comentados do Twitter nesta quinta-feira (3), acabou na boca de comentaristas da Globo e no programa Encontros, de Fátima Bernardes. Veja o vídeo logo abaixo.

Depois do golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, o Brasil retrocedeu em todos os indicadores econômicos e sociais, trabalhadores perderam direitos, a renda do pré-sal foi transferida da sociedade para acionistas privados (sobretudo internacionais) da Petrobrás e o Brasil passou a ser um país pária na cena internacional, porque poucos líderes quiseram se aproximar de um usurpador, como Michel Temer, ou de uma figura tosca como Jair Bolsonaro.

_________________________________________________Bolsonaro, o eterno impune, agora se enrascou - Tereza Cruvinel

Por Tereza Cruvinel 2 de fevereiro de 2022, 22:20

Nessa altura do campeonato de destruição nacional que Bolsonaro disputa contra o Brasil, não é provável e nem mesmo urgente que nos livremos dele pelo afastamento do cargo, como punição a seus crimes - sejam comuns ou de responsabilidade. As eleições vêm aí e o povo é o juiz supremo. Mas é certo que ele nunca havia se encalacrado com a Justiça como agora.

Se vai dar em nada novamente, não dá para saber.  Bolsonaro escapou mais uma vez anteontem, quando a PF concluiu que ele não prevaricou, embora tenha ouvido uma denúncia de possível corrupção e não tenha agido como manda a lei. Mas hoje as coisas se complicaram como nunca para ele na arena criminal.

A PF concluiu que, mesmo não tendo prestado depoimento, ele, juntamente com um deputado e um auxiliar, cometeu crime ao vazar dados sigilosos de um inquérito do TSE. Bolsonaro e o deputado Filipe Barros (PSL), por terem foro especial no STF, não foram indiciados porque isso depende de autorização do Supremo. Já o terceiro participante, o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ajudante de ordens da Presidência,foi. O deputado entra na história por ter sido quem requereu o acesso ao processo, uma prerrogativa de parlamentares, e o repassou a Bolsonaro.

O presidente e o deputado, entretanto, ainda podem ser alvo de uma denúncia ao STF para que sejam processados. Isso vai depender do ministro Alexandre de Morais e principalmente do procurador-geral Augusto Aras.

Quando ocorre uma denúncia contra o presidente por crime comum, o Supremo pede uma licença à Câmara para processá-lo. E o presidente é imediatamente afastado do cargo até o final do julgamento. A votação exige o apoio de 2/3 dos votos, ou 342. Isso significa que se 171 negarem a licença, o presidente escapa, como aconteceu duas vezes com Temer.

O inquérito foi conduzido por uma delegada das mais respeitadas da PF, Denisse Ribeiro, que considerou inócua, para sua conclusão, a falta de Bolsonaro ao depoimento marcado para sexta-feira passada.

Ontem o ministro Luis Roberto Barroso, presidente do TSE, adicionou informações sobre a gravidade do crime cometido quando, ao atacar o sistema de votação eletrônica numa live do ano passado, Bolsonaro divulgou elementos de um inquérito do TSE sobre uma tentativa infrutífera de ataque cibernético em 2018. Não satisfeito, e insistindo em dizer que isso era prova da vulnerabilidade da urna, no dia seguinte ele postou em redes sociais o link de acesso ao processo no TSE. Barroso informou que o vazamento do link colocou em risco a segurança do sistema do TSE, facilitando o acesso de criminosos da Internet. O tribunal teve que tomar providências tecnológicas para restaurar a segurança.

O que acontece agora? Alexandre de Moraes foi rápido no gatilho. Recebido o processo, já marcou prazo de 15 para o procurador-geral da República, Augusto Aras, dizer se concorda ou não com a conclusão de que houve crime. Aras, servil a Bolsonaro, tem engavetado, com investigações preliminares que nunca terminam, as queixas-crime contra o presidente. Mas nos últimos dias ele tomou decisões que são pontos fora da curva. Anteontem, seu vice Humberto Jacques denunciou o ministro da Educação, Milton Ribeiro, por crime de homofobia. E ficamos sabendo que, ainda no ano passado, quando a AGU pediu o arquivamento do inquérito sobre o vazamento que envolve o TSE, ele deu parecer favorável à continuidade do inquérito cuja conclusão foi divulgada hoje. Vamos ver o que fará agora. Se concordar que houve crime, estará assinando uma denúncia.

Disse a delegada em seu relatório: "Todos, portanto, revelaram fatos que tiveram conhecimento em razão do cargo e que deveriam permanecer em segredo até à conclusão das investigações, causando danos à administração pela vulnerabilização da confiança da sociedade no sistema eleitoral brasileiro e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tudo com a adesão voluntária e consciente do próprio mandatário da nação."

Agora, todos dizem não terem sido informados de que o inquérito era sigiloso: a AGU, que defende Bolsonaro, o deputado, o ajudante de ordens e mesmo o delegado que forneceu o acesso ao deputado. A capa não teria etiqueta de sigiloso, mas algumas peças do processo, sim, estavam identificadas como tal. Bolsonaro divulgou o link com acesso a todo o processo, e um irmão do ajudante de ordens Mauro Cid o disponibilizou num servidor baseado nos Estados Unidos, permitindo livre acesso pela Internet. Para a delegada, não importa se foram avisados ou não: o sigilo é inerente aos inquéritos para garantir o êxito das investigações.

Uma coisa é certa: pela primeira vez a PF imputa crime a Bolsonaro, apontando um crime que é claro como água.  E isso acontece quando Aras dá alguns sinais de independência e membros do Centrão já começam a se desgarrar do governo, diante do favoritismo eleitoral de Lula na disputa presidencial.

Não estou dizendo que vamos ter Bolsonaro processado, e talvez afastado,  mas que as chances nunca foram grandes como agora.

_________________________________________________O compromisso com o erro

Lula parece ter ouvido JK

Há poucas semanas, quando Guido Mantega foi escalado pelo PT para escrever um artigo para a Folha de S.Paulo propondo um programa econômico, a turma do papelório assustou-se. Haveria o risco de retomar o caminho da ruína? Passaram-se 26 dias, e o próprio Mantega mostrou que dentro do lençol não havia fantasma: “Não pretendo voltar. A economia tem ciclos; você fica com a parte boa, mas se a economia não funciona, a culpa é do ministro. Fiquei no governo por 12 anos seguidos. Já dei a minha parte”.

O pessoal do papelório gosta de sustos, e Lula gosta de administrar temores alheios.

Depois de ter surpreendido a plateia da cena política apontando a possibilidade de escolher o tucano Geraldo Alckmin para seu vice, Lula mostra que absorveu o ensinamento de Juscelino Kubitschek: “Não tenho compromisso com o erro”. Tê-lo desprezado foi um dos pilares da derrocada petista na eleição de 2018.

JK não tinha compromisso com o erro porque estava de bem com a vida e sabia o que fazer no governo. Tudo o que o Brasil precisa neste ano eleitoral é de candidatos que não tenham compromisso com o erro. Se Lula seguir essa escrita, será dura a vida de Bolsonaro, pois enquanto Mantega mostrou que sairá da cena, e Lula fecha alianças com governadores do MDB, o capitão fez piada com fantasmas: “Se o cara voltar, José Dirceu vai para a Casa Civil, Dilma para o Ministério da Defesa?”.

Esse tipo de campanha não leva a lugar algum. Seria como ouvir Lula dizendo que Bolsonaro, reeleito, reconduzirá Abraham Weintraub ao Ministério da Educação e Ernesto Araújo ao Itamaraty.

A eleição de outubro não precisa ser transformada num acerto de contas. Mesmo para quem sonha com essa hipótese, de Lula partem sinais de que evitará esse embate. Afinal, ele já se definiu como uma “metamorfose ambulante”.

No mundo das touradas, todo o esforço do matador busca confundir o animal de tal forma que acaba aceitando a demarcação do combate pelo adversário. Pode-se ir de um lugar a outro na arena, mas é sempre o toureiro quem escolhe o espaço. Quem segue o conselho de JK não briga onde o adversário quer, mas onde prefere.

Por exemplo: e a intervenção do governo, em 2012, nos preços da energia? É Mantega quem responde: “Não funcionou.(...) Na verdade, acho que cometemos um erro lá”.

Bolsonaro teve mais de dois anos para se livrar da cloroquina e abraçar a vacina, mas preferiu teimar na superstição. Restam-lhe oito meses para abandonar causas perdidas. Até porque, mesmo com dois ministros desastrosos (Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga), chegará a eleição podendo dizer que durante seu governo vacinaram-se todos aqueles que quiseram vacinar-se. Podendo falar de vacinas e da extensão de seu programa de socorro aos mais necessitados durante a pandemia, o capitão prefere combater a guerra de 2018.

Enquanto Lula está na arena com a lógica do matador, Bolsonaro entra com a fúria do touro. Estima-se que desde 1700 tenham morrido na Espanha 40 mil touros, contra 52 toureiros, entre os quais o grande Manolete. Pouca gente se lembra de Islero, o animal que o chifrou.

Escolher o papel de touro é mau negócio.

_________________________________________________Advogados de Lula: Moro mente ao dizer que o ex-presidente não foi inocentado

2 de fevereiro de 2022, 10:11

247 - Os advogados do ex-presidente Lula (PT), Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins, em artigo publicado na Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (2), enquadram o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), declarado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) parcial nos processos contra o petista na Lava Jato.

A defesa lista - e rebate - uma série de afirmações de Moro contra Lula, como a de que o petista não foi "inocentado". "É uma afirmação que desrespeita a Constituição, que considera todos inocentes a menos que haja condenação transitada e julgada. Não existindo acusação válida, Lula é inocente, não cabendo a Moro ou a terceiros 'inocentá-lo'".

Os advogados também refutam a tese de que as condenações de Lula foram anuladas apenas "por questões meramente processuais". "Não é verdade. A incompetência da 13º Vara Federal de Curitiba é questão processual, para qual Moro foi alertado pela defesa desde sua primeira manifestação, em 2016. Mas a declaração de suspeição de Moro significa que os processos não foram justos e que houve violação de um elemento estruturante da própria Justiça".

Sobre a "campanha" de Moro para que Lula "abra suas contas" e revele valores recebidos por palestras, a defesa lembra que a própria Lava Jato fez uma devassa nas finanças do ex-presidente e não constatou irregularidades. "Em 2016, Moro, ostensivamente e de forma ilegal, quebrou o sigilo de Lula e seus familiares, além de ordenar busca e apreensão em suas residências. Esse material foi analisado pela Lava Jato, operação do Ministério Público que Moro, confirmando a parcialidade, gosta de dizer que 'comandou'. Depois de mais de quatro anos de análise, a Polícia Federal concluiu que as palestras aconteceram, foram legais e não tiveram irregularidades. Moro sabe disso e finge não saber. Ou está com amnésia".

A Lava Jato e a atuação de Moro "revelam não apenas conluio de juiz e promotores para um julgamento parcial e farsesco, com ciência de que não tinham materialidade ou provas para uma denúncia, como uma aliança do juiz e acusação contra a defesa do réu na mídia, na seleção de procuradores nas audiências e nas estratégias do julgamento", concluem.


_________________________________________________À espera do inesperado

Por Merval Pereira 01/02/2022 • 04:30

Tudo parece se encaminhar para uma vitória do ex-presidente Lula na eleição presidencial de outubro, a não ser que o inesperado faça uma surpresa, como cantava Johnny Alf. Nem tão inesperada assim seria uma desistência de Bolsonaro, prevendo a derrota certa e sem chance de tornar-se, como Trump nos Estados Unidos de Biden, a liderança contra o PT sem foro privilegiado que o proteja. Eleito senador, Bolsonaro poderia liderar a oposição. Derrotado, pode ir para a cadeia. Sua saída do páreo mudaria a cena eleitoral.

Lula está fazendo tudo certo, inclusive contendo sua turma mais radical que, inebriada pelo clima de já ganhou, começou a anunciar medidas que não combinam com o que Lula anuncia que está planejando. Pretende, segundo diz, fazer um governo mais amplo que o PT, assim como ele é maior que o partido que criou.

Os petistas da velha guarda, como José Dirceu, Dilma Rousseff, Guido Mantega, Gleisi Hoffmann, José Genoino e Franklin Martins, andaram discorrendo sobre planos polêmicos como interferir no currículo das escolas militares, alteração nos critérios de promoção de oficiais superiores, controle social da mídia, retorno da política econômica criativa, mudança da reforma trabalhista, fim do teto de gastos, e assim por diante.

Claramente, a esquerda está se precipitando, dando como certa vitória, e, Lula já entendeu, está assustando a classe média. Ele, que lançou a proposta de mudar a reforma trabalhista e que escolheu Guido Mantega para escrever um texto sobre proposta econômica de um eventual terceiro governo, deu uma freada de arrumação e desdisse o que dissera. Mandou parar a movimentação por uma CPI contra Sergio Moro, disse que faria apenas adaptações à reforma trabalhista e, sobretudo, vem bancando Geraldo Alckmin como vice ideal de uma chapa para governar, não para ganhar, que para isso parece não necessitar de ajuda, com os adversários que tem.

Pela primeira vez em muito tempo, discute-se um programa comum a diversas forças que poderão compor o eventual governo petista. O difícil é acreditar que tudo isso seja verdade, embora, a seu favor, Lula tenha o precedente do primeiro governo, quando surpreendeu a todos com o convite a Henrique Meirelles para presidir o Banco Central, e a continuidade do programa econômico tucano. O fato é que é mais fácil acreditar num governo Lula equilibrado ao centro do que numa mudança de Bolsonaro.

O ex-presidente quer fazer mais do que um bom governo, dizem interlocutores, quer sair como um estadista, qualificação que perdeu devido aos escândalos de corrupção que dominaram seus governos. Não adianta querer dizer que foi absolvido das acusações que o levaram para a cadeia, porque não foi. Arquivar processos por perigo de prescrição não inocenta ninguém. E a campanha presidencial se encarregará de trazer de volta todas as situações em que petistas e partidos do Centrão se envolveram, tanto no mensalão quanto no petrolão.

Como não é possível fazer uma autocrítica, pois ela seria admissão de culpa, esse rabo preso continuará a atrapalhar a tentativa de reescrever a história. Ninguém, entre os adoradores de Lula, pode admitir que as empreiteiras, e não apenas a Odebrecht, mas sobretudo ela, quebraram porque se meteram em grossos trambiques, inclusive internacionais. A Justiça de vários países condenou a empreiteira brasileira pelos delitos, governantes e líderes latino-americanos caíram devido ao mesmo esquema, comandado pelo PT na região, mas tudo isso é esquecido.

O governo de Bolsonaro é tão desastroso e pernicioso ao país que se torna palatável qualquer candidato que possa derrotá-lo. Se a terceira via não conseguir se organizar, como tudo indica, Bolsonaro irá para o segundo turno perder para Lula. Mesmo porque, não há candidato na oposição que empolgue o eleitorado. Assim como Bolsonaro levou os votos dos antipetistas em 2018 porque nenhum outro candidato conseguiu se mostrar mais eficaz na tarefa de derrotar o PT, agora Lula pode levar os votos dos que não querem Bolsonaro de jeito nenhum. A não ser que Bolsonaro saia do páreo.

_________________________________________________Lula diz que Bolsonaro "é uma PRAGA", NÃO governa e NUNCA deveria ter sido eleito

1 de fevereiro de 2022, 10:20

247 - O ex-presidente Lula (PT), em entrevista nesta terça-feira (1) à Super Rádio Tupi, afirmou que Jair Bolsonaro (PL) é "uma praga" que jamais deveria ter sido eleita presidente da República.

Para o petista, seu adversário na corrida eleitoral não governa e está totalmente entregue ao Centrão.

Lula lidera todas as pesquisas eleitorais e Bolsonaro ocupa o segundo lugar, mas com uma distância muito grande para o petista.

"Queria que vocês me dissessem o que ele fez de bom", provocou Lula. 

"Ele inventou o Queiroz, ele tem três filhos que mentem tanto quanto ele na internet todo santo dia, ele conta oito mentiras por dia. 

Em todas as entrevistas de rádio que eu faço eu pergunto para o jornalista que está me entrevistando se ele lembra alguma obra que o Bolsonaro fez.

Ninguém lembra porque o Bolsonaro não governa o Brasil.

Ele não tem uma proposta para a educação, para a saúde, para a tecnologia e mais ainda, na questão da saúde ele é o presidente que menos cuidou da saúde e inclusive ignora quase 630 mil mortes, disse que morrer criança é coisa insignificante, morrer velhinhos é coisa insignificante". 

"É um homem que não tem sentimento, não tem coração. 

Ele não tem feito nada a não ser ser refém do Congresso Nacional.

Hoje quem governa o Brasil são os deputados através do orçamento secreto.

O Bolsonaro é um acontecimento que jamais deveria ter acontecido no Brasil", completou.

"O povo está de saco cheio do Bolsonaro", disse o ex-presidente, e "quer alguém que dê um pouco de confiança e um pouco de esperança. É isso que o povo está querendo para 2022, realizar sonhos.

O governo Bolsonaro é um pesadelo".

_________________________________________________O genro, o bispo e o Rei James | Opinião - O Globo

Numa noite perdida no tempo, em plena ditadura, estava numa casa de reggae com Júlio Barroso, ainda antes de ele criar o seminal grupo Gang 90 & As Absurdettes, quando a polícia entrou jogando cadeiras para o alto.

Era comum naquele período os camburões levarem para a delegacia, por puro sadismo, os artistas e sua plateia. Perda de tempo total, porque entre aquele povo, embora todos de oposição aos milicos, não havia qualquer tipo mais perigoso à ordem do regime. Nosso recurso era o deboche.

Em fila, naquela noite, os policiais faziam perguntas aos frequentadores da casa. Ao chegar a vez de Júlio Barroso, o policial, que deveria ter uns 30 anos, perguntou do nada:

— Você é comunista?

— Não, sou jornalista.

A gargalhada estourou na casa de reggae do baixo Pompeia, e a batida policial foi desmoralizada, porque logo se ouviram gritos de autoconfissões:

— Não sou comunista! Sou dentista.

— E eu sou balconista!

A ditadura caiu pela incompetência dos militares, abandonados pela parte civil da sociedade (os Luciano Hang da época), e por se transformarem num ridículo diário. A ironia mata. Incendeia. Difícil não associar  Sergio Moro à alcunha de “conje”. Ou se esquecer da pergunta matadora do ator Paulo Cesar Pereio a Leonel Brizola:

— Essa história do PTB com o PDT dá para explicar ou é como marca de batom na cueca?

O último ditador militar, general Figueiredo, saiu pelas portas do fundo do governo, mas antes vira sua autoridade crispada. Acossado por carestia e inflação (parece-lhe algo familiar?), e ainda por um mau humor recorrente (Bozo, Damares, Heleno), Figueiredo não suportou as palavras de ordem gritadas pelos estudantes numa manifestação contra seu governo. Para espanto até de seus companheiros de farda, se envolveu numa briga de rua, em pleno calor de Florianópolis. Foi salvo pela segurança atônita. Estava claro ali que a ditadura chegara ao fim.

Ele já havia dado a pista do destino de seu governo ao vituperar sua antológica declaração de princípios. Assim como o atual Bozo não está nem aí para a morte dos brasileiros caídos pela Covid-19, Figueiredo deixou claro:

— O cheirinho dos cavalos é melhor (do que o do povo).

À época, o apoio à ditadura minguara entre a população, e os milicos só se mantinham no poder por causa das armas e de algumas malandragens eleitorais. As pesquisas recentes indicam uma faixa de 23% de suporte ao atual canhestro governo. É normal. No final do regime militar, mesmo nos seus estertores, ainda existiam setores emprestando o ombro (em troca de favores). Onde há governo, qualquer um, sempre haverá um sabujo à disposição. Até que chegue a nova administração para também ganhar sua simpatia.

Colocando-se como atores políticos de qualidade, alguns pastores evangélicos, apoiados na isenção de impostos de suas igrejas (ao contrário dos artistas que pagam na fonte suas taxas), aterrorizam seus acólitos desavisados com o fogo do inferno para vender suas teses.

Sempre me fascinou a desonestidade intelectual dessa turma. Agora descobri o bispo Renato Cardoso, conhecido por ser o genro de Edir Macedo, da Igreja Universal. É uma espécie de Gepeto pentecostal.

Ao contrário da humildade exalada por Malafaia, que sabe onde cortar o cabelo, Cardoso vestiu a batina de teórico. Como fez no século passado J.E.Hoover, chefe do FBI, que enxergava comunistas até no Pato Donald, com a intenção de ganhar poder, o bispo Cardoso, sempre um genro, em suas intervenções procura deturpar a Bíblia e colocar palavras na boca do pobre Cristo. Ouvi-lo ou lê-lo é brincar de achar o jogo dos sete erros.

Como qualquer stalinista ou fascista, Cardoso parte de uma premissa errada. No caso dele, o preceito de que um cristão não pode votar em candidatos de esquerda. Em seu programa “Entrelinhas”, como ainda em textos no site da Igreja Universal, ele reitera cinco pontos para demonstrar que até os santos (Olavo?) concordam com seus prolegômenos.

Fico imaginando meu amigo Júlio Barroso lendo patranhas tais. Segundo Cardoso, citando a sua Bíblia, “o coração do sábio está à sua direita, mas o coração do tolo está à sua esquerda”. Por conta disso, sugere o bispo, Jesus Cristo foi o primeiro militante anticomunista da História.

Não é bem assim.

Na tradução do Rei James, de 1611, vista como belíssima (inclusive porque melhora a má redação de muitos escribas da Bíblia, lembrando que Jesus provavelmente era iletrado), para o mesmo trecho, está:

“O coração do sábio se inclina para o bem e o direito, mas o coração do insensato, para o mal e o injusto”.

Do mesmo Eclesiastes, versão Rei James: “No início, as palavras da sua boca são tolice e no final são loucura maligna”.

Não ria, eles sabem o que fazem.

Por Miguel De Almeida

_________________________________________________Governo apaga vídeo do 'BOLSONARO PORCO' após PÉSSIMA repercussão nas redes sociais


247 – As imagens de Jair Bolsonaro comendo frango com a mão e jogando farofa no chão, divulgadas pelo governo federal para tentar transmitir a imagem de um "homem do povo", pegaram tão mal, levando até a hashtag "BolsonaroPorco" ao topo do twitter, que acabaram sendo apagadas, após a péssima repercussão nas redes sociais. O plano era tentar reduzir o impacto de que o governo Bolsonaro gasta mais de R$ 30 milhões por ano com o cartão corporativo da presidência da República. Confira algumas repercussões sobre a farofada fracassada de Bolsonaro













_________________________________________________"Esquerda NÃO está preparada para ENFRENTAR a SEITA OLAVISTA", diz Maurício Noblat Waissmann

28 de janeiro de 2022, 20:56

247 - Maurício Noblat Waissmann, ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Maurício Noblat Waissman, revelou, em entrevista à TV 247, os bastidores do olavismo, e fez alguns alertas à esquerda. Segundo ele, esse grupo político está perdendo poder de “mostrar-se” verdadeiramente representativo dos valores que defende. 

“A esquerda não está entendendo. Perdeu o soft power, que ela sempre teve”, disse Waissman. “Ela tinha uma capacidade de mostrar-se como social, que é o que ela representa dentro do espectro político, ou seja, políticas sociais ativas, enquanto a direita seria sobre políticas tradicionais e manutenção do status quo”, reflete. 

Ele apontou um caminho, como a criação de alguma organização de educação virtual, para reverter as conotações negativas que boa parte da população ainda associa com o espectro da esquerda. “As pessoas que exerciam o soft power na América Latina ou já morreram ou estão muito envelhecidas. O desafio é realmente cultural, trazendo a academia, professores universitários de qualidade, que poderiam começar a pôr a cara no mundo digital na forma de uma grande organização”. Culturalmente, a esquerda, de repente, se tornou caricata, e, ao se tornar aquela figura do militante caricato, acaba abrindo espaço para todo o resto”, disse. 


_________________________________________________"SE a TERCEIRA via NÃO emplacar, a BURGUESIA vai de BOLSONARO DE NOVO", diz RUI COSTA PIMENTA, presidente do PCO

28 de janeiro de 2022, 21:58

Rui Costa Pimenta

247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, em entrevista à TV 247, criticou o editorial do jornal O Estado de S.Paulo, em que ataca o ex-presidente Lula e sinaliza que pode fechar com as elites em uma articulação da burguesia.

“O Estado de S.Paulo é como uma circular de orientação da burguesia”, ironizou Pimenta. 

Ele lembrou do áudio, obtido pelo 247, em que o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, não descartou apoio a uma candidatura pela reeleição de Jair Bolsonaro. 

“Se a terceira via não emplacar, é o Bolsonaro. Entre as críticas ao Lula e as críticas ao Bolsonaro, as contra o primeiro são piores. Ainda mais agora, porque parece que o Bolsonaro meio que entrou na linha, não escutamos falarem dele quase. Quer dizer, o pessoal procurou o Bolsonaro e disse que pode reciclá-lo”, analisou.

_________________________________________________Entendendo Bolsonaro - Olavo deixa, antes de tudo, um LEGADO TRÁGICO, diz BENJAMIN_TEITELBAUM 

Autor da obra Guerra pela Eternidade, Benjamin Teitelbaum estuda de perto as tendências tradicionalistas que inspiraram figuras como Olavo de Carvalho e Steve Bannon - Patrick Campbell
Autor da obra Guerra pela Eternidade, Benjamin Teitelbaum estuda de perto as tendências tradicionalistas que inspiraram figuras como Olavo de Carvalho e Steve Bannon Imagem: Patrick Campbell
Entendendo Bolsonaro Colunista do UOL 29/01/2022 09h52

[RESUMO] Estudioso do tradicionalismo, corrente ideológica que influenciou figuras como Olavo de Carvalho e Steve Bannon, Benjamin Teitelbaum, autor da obra Guerra pela Eternidade, destaca a trajetória pouco usual do guru da família Bolsonaro. Para ele, antes de ser lembrada como destrutiva, a figura de Olavo deve ser compreendida em sua dimensão trágica.

* Benjamin Teitelbaum

Se ouvimos o nome do falecido Olavo de Carvalho, imagino que, no Brasil, a maioria das pessoas pensaria, imediatamente, em sua ligação com o bolsonarismo. Já outros podem se lembrar do Olavo influenciador digital, com sua retórica inflamada e grosseira. Talvez alguns recordem, ainda, de seus interesses excêntricos pela astrologia, alquimia, esoterismo ou até o islamismo.

No meu livro Guerra pela Eternidade, eu argumento que todas essas facetas aparentemente aleatórias de sua identidade estão, na verdade, conectadas entre si. Quando falamos de Olavo de Carvalho, sua admiração por Jair Bolsonaro tal qual seu fascínio pelo ocultismo foram, todos, parte de uma rejeição multifacetada de tudo o que, no mundo moderno, costumamos chamar de progresso.

Essa foi uma tese que desenvolvi com base, em parte, nas entrevistas que tive a oportunidade de fazer com Olavo e, também, a partir de visitas e observações dele em sua casa, bem como em encontros que ele manteve com o ex-assessor de Donald Trump Steve Bannon. Como Olavo não gostou do que escrevi a seu respeito, entre 2020 e 2021, ele acabou gastando uma quantidade surpreendente de energia nas mídias sociais atacando a mim e ao livro. Sou um dos muitos, embora talvez um dos últimos, a ter sido alvo de suas polêmicas.

Mas, ainda assim, ao ponderar o seu legado enquanto pessoa pública, me vejo pensando não apenas na sua faceta ofensiva ou destrutiva, mas também trágica — trágica no sentido de que vejo um potencial desperdiçado. Deixe-me explicar: imagine se alguém comentasse com você, sem maiores detalhes, a respeito de um intelectual renegado, uma figura que, em grande medida, foi um autodidata e com referências ideológicas ecléticas que iam desde teólogos cristãos a ocultistas do século XX.

Imagine, ainda, que, em sua trajetória, essa figura esteve comprometida, ostensivamente, em fiscalizar quem estava no poder; alguém que, ao longo de sua vida, foi ridicularizado pela mídia e academia, mas que, no entanto, sobreviveu graças a uma escrita afiada e a uma comunidade de seguidores implacável.

Essa pessoa teria, ainda, fundado sua própria escola de pensamento e contornado a crítica jornalística ao expandir seus próprios veículos de mídia. Imagine, por fim, que essa figura alcançou proeminência política no final de sua vida, não como político ou empresário, mas identificando-se como filósofo.

Se eu tivesse ouvido falar de alguém assim, teria ficado curioso e instigado. Tenho um gosto particular por outsiders ou, digamos, por personagens que não se encaixam num roteiro tradicional. Gosto de pessoas cujas origens e interesses são tão estranhas que são quase ininteligíveis para a maioria. Suponho que seja uma afinidade estética da minha parte. Eu acho que pessoas assim são interessantes.

Mas eu também as valorizo porque pessoas assim têm uma tendência de enxergar coisas que outros não enxergam. Já rejeitadas por intelectuais e pelos chamados gatekeepers — responsáveis pelo "controle de qualidade" do debate público —, essas pessoas têm pouco a ganhar aderindo a consensos. Elas não apenas analisam o mundo através de uma lente incomum, mas podem ser honestas ao descreverem o que estão vendo.

Para mim, os detalhes de suas opiniões políticas costumam ser secundários. O que mais valorizo nelas é a sua atitude. E me pego aplaudindo quando, contra tudo e contra todos, elas conseguem forjar uma plataforma para si mesmas. Quando fazem isso, elas parecem estar excepcionalmente bem posicionadas para falar a verdade. Com a exceção de Olavo de Carvalho, já que, no seu caso, nada disso aconteceu.

Sim, ele criticou a farra das elites e denunciou a corrupção. Mas discordo de seus seguidores se eles acham que esse é o seu legado distintivo como figura pública. Deixando de lado sua vida privada como pai e marido, me parece que a assinatura deixada em público por Olavo está na maneira como ele usou da sua popularidade excepcional para fins que eram, lamentavelmente, privados, e não revolucionários: ego e poder.

Sejam quais fossem os alvos do momento, Olavo os achincalhou, intimidou e ameaçou. Ele diminuiu pessoas com a mesma frequência com que desafiou os de cima. Ele ridicularizou e esculachou tanto quanto criticou. Ele se enriqueceu. Tudo isso enquanto irradiava desinformação em uma escala que poucos fora do Brasil poderiam estimar.

De fato, para quem não conheceu de perto a figura, a inabilidade para compreendê-la é reveladora. Aqui nos Estados Unidos, Olavo tem recebido muito mais cobertura após a sua morte do que em vida, mas todos os obituários sofrem para capturar a natureza tão peculiar de sua personalidade e influência.

Não há por aqui uma figura comparável a Olavo. Ao buscarem uma referência, muitos têm o associado a apresentadores de rádio barulhentos da mídia conservadora, a intelectuais iconoclastas que combatem o identitarismo e, claro, também a poderosos assessores de presidentes americanos — como foi o caso de Steve Bannon. Traçar essas comparações é definir Olavo como jornalista, autor ou agente político.

No entanto, quando reflito sobre Olavo e seu papel como um intelectual público de oposição, sou levado a compará-lo a um americano chamado Andrew Breitbart — homônimo do veículo de comunicação de direita Breitbart.

Como no caso de Olavo, os posicionamentos políticos de Breitbart nunca estiveram alinhados com os meus, mas, ainda assim, eu era capaz de ver um propósito em sua agenda contra as elites políticas e culturais. Tal como aconteceu com Olavo, no entanto, essa agenda sucumbiu a outra, de autorreferência, vulgaridade e desprezo por pessoas que pensavam e viviam de forma diferente.

Essa foi a contribuição de Breitbart para o discurso político e, embora possamos — e muitos o farão — comentar sobre os danos tangíveis causados por essas figuras, eu fico, também, atiçado por um certo vazio misterioso que eles deixam para trás.

Para finalizar, deixo uma passagem de um dos obituários de Andrew Breitbart que bem poderiam descrever Olavo: "O que será lembrada é a entusiasmada coleção de pixels que ele deixa para trás, aquelas imagens de um homem corpulento com cabelos grisalhos e uma boca rosnenta, dizendo palavras de baixo calão a alguém".

* Benjamin Teitelbaum é professor associado de Etnomusicologia na Universidade do Colorado em Boulder, autor de Guerra pela Eternidade.

 


_________________________________________________Spotify nunca fará nada sobre Joe Rogan

O podcaster mais popular do serviço de streaming, com 11 milhões de ouvintes por episódio, aparentemente está acima das regras da empresa

Tom McKay

O famoso apresentador Joe Rogan vive de “fazer perguntas”. Mas muitas delas são perguntas equivocadas – especialmente quando se trata da pandemia do novo coronavírus. Ele desencorajou os jovens a serem vacinados, promoveu teorias de que o tratamento comprovadamente ineficaz com ivermectina não é adotado por questões comerciais, e convidou artistas conhecidos a vomitar críticas e informações erradas sobre vacinas.

Como Rogan tem centenas de milhões de downloads mensais no Joe Rogan Experience, isso o torna o maior podcast a ser, no mínimo simpático ao movimento anti-vacina. E seu distribuidor, o Spotify, obviamente está disposto a fazer vista grossa para proteger seu contrato exclusivo de US$ 100 milhões com ele, mesmo que isso signifique deixá-lo promover teorias da conspiração loucas, como fez no mês passado.

No episódio #1757 do JRE, Joe Rogan convidou um virologista chamado Dr. Robert Malone para informar aos ouvintes que as respostas da saúde pública ao coronavírus, particularmente a vacinação em massa, estavam ligadas a algo chamado “psicose de formação em massa”.

A credibilidade de Malone se baseia em sua alegação de ter inventado as vacinas MRNA. Se isso é verdade ou não — a revista The Atlantic informou que ele é um dos muitos cientistas que publicaram trabalhos importantes sobre MRNA — mais recentemente, suas credenciais parecem ter servido ao propósito mais prático de impulsionar seu status de querido na mídia de direita e no movimento anti-vacina.

Malone afirma não ser cético em relação às vacinas, mas questiona a segurança e a eficácia das vacinas de MRNA existentes no mercado. Muitas de suas alegações foram classificadas como falsas por verificadores de fatos e muitos outros cientistas sugeriram que ele não está batendo muito bem das ideias.

A psicose de formação de massa, segundo Malone, é exatamente o que aconteceu na Alemanha antes da ascensão do Terceiro Reich do Partido Nazista, durante o qual o público “literalmente fica hipnotizado e pode ser levado a qualquer lugar”. Malone continuou dizendo a Rogan que é por isso que pessoas confiam e estão obedecendo a reações exageradas e totalitárias supostamente extremas, como pressão social para serem vacinadas.

Na realidade, a psicose de formação de massa não é uma ideia científica legítima e, segundo especialistas em áreas como psicologia de multidões e psicologia social, não tem credibilidade. De acordo com a AP, o psicólogo social da Universidade de Sussex, John Drury, e o professor de psicologia da Universidade de Binghamton, Steven Jay Lynn, descreveram a teoria como baseada em conceitos sem crédito em torno do comportamento de manada e do poder da hipnose. Aliás, os anti-vacina furiosos com as medidas de saúde pública querem renomear o ato de estar errado como “conhecimento proibido” — e rotular qualquer um que discorde como uma ovelhinha doente. Essa é a principal razão pela qual o episódio de Malone se tornou viral.

Isso foi demais até para o YouTube, que retirou do ar um clipe da entrevista de Malone sob sua política de desinformação sobre a Covid-19. Por sua vez, o Spotify não fez nada. A Rolling Stone informou na quarta-feira que cerca de 270 cientistas, profissionais médicos e educadores liderados pela epidemiologista de doenças infecciosas do Hospital Infantil de Boston Jessica Malaty Rivera, assinaram uma carta aberta ao Spotify denunciando Rogan por apresentar Malone e espalhar outras alegações falsas sobre Covid e vacinas. Eles não estão exigindo que o Spotify abandone Rogan ou exclua o episódio, mas simplesmente crie uma política definida sobre desinformação. Confira a carta.

Em 31 de dezembro de 2021, o Joe Rogan Experience (JRE), um podcast exclusivo do Spotify, colocou no ar um episódio altamente controverso com o convidado Dr. Robert Malone (#1757). O episódio foi criticado por promover teorias da conspiração infundadas e o JRE tem um histórico preocupante de transmissão de desinformação, principalmente em relação à pandemia da Covid-19. Ao permitir a propagação de afirmações falsas e prejudiciais, o Spotify está permitindo que seu conteúdo prejudique a confiança do público na pesquisa científica e semeie dúvidas na credibilidade da orientação baseada em dados oferecida por profissionais médicos.

… Com uma estimativa de 11 milhões de ouvintes por episódio, JRE é o maior podcast do mundo e tem uma influência tremenda. Embora o Spotify tenha a responsabilidade de mitigar a disseminação de desinformação em sua plataforma, a empresa atualmente não possui política de desinformação.

A carta observa que a idade média dos ouvintes de Rogan é de 24 anos, e que as pessoas entre 12 e 34 anos que não recebem a vacina têm 12 vezes mais chances de serem hospitalizadas do que as vacinadas. Os signatários observam que são eles que serão “incumbidos de reparar a compreensão prejudicada do público sobre ciência e medicina” e suportar o “peso árduo de uma pandemia que levou nossos sistemas médicos ao limite”. A carta conclui que permitir que Rogan espalhe bobagens enganosas não é apenas uma questão científica ou médica, mas uma “questão sociológica de proporções devastadoras”.

“Essas são ideias marginais não apoiadas pela ciência, e tê-las em uma plataforma enorme faz parecer que há dois lados nessa questão”, disse a epidemiologista da Escola de Saúde Pública da Universidade de Illinois, Katine Wallace, à Rolling Stone. “E realmente não existem. A evidência esmagadora é que a vacina funciona e é segura”.

Atualmente, o Spotify não parece ter uma política de desinformação sólida em sua política de regras – ao contrário de muitas outras grandes plataformas, que pelo menos têm no papel, mesmo que sejam pouco aplicadas.

O pedido para introduzir tal política e manter Rogan no futuro é inteligente, mesmo porque o Spotify supostamente negligenciou a trazer mais de 42 episódios quando assinou um acordo com Rogan em 2020. De acordo com a Variety, esses episódios continham entrevistas com figuras de extrema-direita como o racista Milo Yiannopoulos, fundador do grupo de luta de rua Proud Boys, e Gavin McInnes, acusado de negador do Holocausto. Entram nessa lista também Charles C. Johnson, o antifeminista Carl “Sargon of Akkad” Benjamin, e Owen Benjamin, um comediante conhecido principalmente pelo antissemitismo. A decisão de jogar esses episódios no buraco da memória não parece ter estabelecido nenhum precedente para avançar.

Rogan disse mais tarde que não trazer os episódios, algo que foi motivo de considerável raiva de seus fãs, era parte do contrato de US $ 100 milhões: “Houve alguns episódios que eles não queriam em sua plataforma, e eu fiquei tipo ‘ok , Eu não me importo”. Mas ele insistiu que não haveria nenhuma interferência corporativa a partir desse ponto: “Muitas pessoas estão tipo, ‘eles estão dizendo a Joe Rogan o que ele pode e o que não pode fazer’. Eles não estão – eles não estão.”

Novamente, estima-se que Rogan tenha 11 milhões de ouvintes por episódio. Para colocar isso em efeito de comparação, Tucker Carlson é o rei das notícias a cabo no horário nobre, com cerca de 3 milhões de espectadores por episódio. É seguro dizer que o Spotify fazendo qualquer coisa sobre o episódio de Malone arriscaria irritar um de seus maiores investimentos. O Spotify provavelmente também não quer se arriscar a irritar uma horda de fãs que usam sua plataforma muitas vezes por semana, muito menos a inevitável tempestade de conservadores ansiosos para torná-lo seu mais recente garoto-propaganda da censura.

Do jeito que está, o Spotify disse esporadicamente aos meios de comunicação no ano passado que remove o conteúdo anti-vacina porque proíbe “conteúdo na plataforma que promova conteúdo perigoso falso, enganoso ou enganoso sobre o Covid-19 que pode causar danos offline e/ou representar uma ameaça direta à saúde pública”. Então, claramente, existe algum tipo de política, pelo menos na medida em que eles podem apresentá-la de forma arbitrária. O Spotify simplesmente não é claro sobre as especificidades dessa regra ou como eles a aplicam. A única coisa que está clara é que Rogan é aparentemente imune a isso.

O Spotify não respondeu ao pedido de comentário do Gizmodo US. Tampouco respondeu à CNBC, ao Hill, ao Washington Post, ao Deadline, ao Fortune ou ao New York Daily News, entre outras publicações. Por que eles fariam isso? Eles não dão a mínima. Vá em frente e prove que estamos errados.

“Considerando que seu papel na sociedade é disseminar conteúdo, há uma responsabilidade em uma emergência global de saúde pública de não agravar o problema”, disse Rivera, organizador da carta, à Rolling Stone. “Temos uma campanha midiática acontecendo que está prolongando a pandemia e está fazendo com que as pessoas façam más escolhas e morram. Estas são doenças evitáveis ​​pelas quais pessoas como Joe Rogan e Dr. Robert Malone são diretamente responsáveis”.

_________________________________________________RIO DE JANEIRO: VERGONHA DO BRASIL

E o Rio, como vota para presidente, governador e senador?

Pesquisa da GPP mostra a intenção de votos dos eleitores no estado para presidente, governador e senador

Uma pesquisa da GPP não registrada na Justiça Eleitoral mostra como evoluiu a intenção de votos no Rio de agosto do ano passado até este mês. Realizada entre os dias 21 e 24, dispõe sobre as eleições para presidente, governador e senador. Como em todas as pesquisas nacionais, Lula bate Bolsonaro nos dois turnos, mas por margem menos elástica no Rio. O instituto não apresentou ao eleitor outras opções de nomes além dos dois protagonistas, oferecendo duas alternativas: “Nem Bolsonaro e nem Lula” e “Não sabe”. A alternativa “nem e nem” teve quatro pontos percentuais a menos do que Lula e seis pontos a mais do que Bolsonaro.

Pela pesquisa, Lula tinha pouco mais de quatro pontos de vantagem sobre Bolsonaro em agosto do ano passado e empatava tecnicamente com os eleitores “nem e nem”. Em outubro, a distância entre os dois candidatos subiu para nove pontos e manteve-se nesse patamar agora em janeiro. A pequena vantagem de Lula no Rio reflete a força do seu adversário no estado. Mas, se comparado ao resultado de 2018, percebe-se uma grande reviravolta. No segundo turno, de acordo com a pesquisa da GPP, Lula ganharia a eleição com 14 pontos de vantagem. Em 2018, Bolsonaro obteve 67,9% dos votos contra 32,05% dados a Fernando Haddad. Sua queda em três anos é astronômica.

Outros resultados da pesquisa merecem uma análise que ajuda mais a entender o eleitor fluminense do que avaliar as chances dos candidatos. No campo religioso, Lula ganha de Bolsonaro entre os católicos e os que declaram não ter religião. Em ambos os casos, o petista soma quase 20 pontos de vantagem. Já entre os evangélicos do Rio, Bolsonaro lidera com folga de dez pontos percentuais. Mesmo assim, no resultado combinado, os eleitores “nem e nem” e os que não sabem em quem vão votar somam quase cinco pontos a mais do que o total de Lula, que supera Bolsonaro em quase dez pontos percentuais.

No item que o GPP batizou de “Trabalho”, Lula perde por três pontos para Bolsonaro entre os autônomos, profissionais liberais e empresários. Lula ganha em todos os demais. Entre os trabalhadores com carteira assinada, supera o adversário por quatro pontos. Junto aos desempregados, ganha com 17 pontos de vantagem. E entre os que não trabalham (aposentados, do lar ou estudantes), Lula supera Bolsonaro por 12 pontos percentuais. No campo “Instrução”, Lula ganha com mais de 20 pontos entre os eleitores menos escolarizados, empata com Bolsonaro junto aos de ensino médio, e perde por três pontos entre os que têm curso superior.

Lula ganha amplamente entre os mais pobres. Junto aos que ganham até um salário mínimo, bate seu adversário com mais de 24 pontos de vantagem. Já entre os mais abastados, identificados como os que recebem mais de cinco salários por mês, Bolsonaro ganha do ex-presidente por doze pontos percentuais. Outro dado interessante da pesquisa revela que 37,8% dos eleitores de Bolsonaro e 36,5% dos eleitores de Lula costumam compartilhar mensagens com teor político nas redes sociais.

Para governador, a pesquisa mostra um sobe e desce nas intenções de voto de Marcelo Freixo e uma subida consistente nas do governador Cláudio Castro. Freixo subiu mais de um ponto percentual entre agosto e outubro e perdeu dois agora em janeiro. Castro subiu um ponto entre agosto e outubro e quatro de outubro para cá. A vantagem de Castro sobre Freixo, de pouco menos de dois pontos verificada nesta pesquisa, pode ter surgido em razão da vacilação do PT, que nas últimas duas semanas chegou a sugerir apoiar uma candidatura própria, com André Ceciliano. A tendência de Castro pode ser contida se Lula de fato confirmar seu apoio ao candidato do PSB.

No caso da única vaga para senador em disputa este ano, Romário lidera com margem de pouco menos de quatro pontos sobre Marcelo Crivella. Exatamente, o “bispo” ameaça roubar a cadeira do ex-jogador de futebol. O pior prefeito da história do Rio chegou a este patamar em razão do eleitor evangélico, que também empresta majoritariamente seu apoio a Bolsonaro, como já vimos. Mais abaixo, estão Lindbergh Farias, com oito pontos a menos que Romário, e Alessandro Molon, dez pontos de distância do líder nas pesquisas.

Rezando e torcendo

Nem começou e o PT já está fazendo orações e mandingas para que o governo do chileno Gabriel Boric comece bem, acertando mais do que errando. A torcida é que o presidente de esquerda eleito no Chile, que assume em março, pelo menos não faça nenhuma grande bobagem para não atrapalhar a campanha no Brasil. Lula sabe que qualquer marolinha lá vai ser usada como exemplo do que pode acontecer aqui se ele for eleito.

Vai parar

Houve um tempo em que pessoas desonestas ficavam apreensivas quando ouviam que uma maracutaia da sua lavra haveria de parar na Procuradoria-Geral da República. Hoje, regozijam-se. Quando ouvem que a coisa vai parar na PGR sabem que vai parar mesmo, estacionar, deixar de andar. Morrer. E Augusto Aras ainda se irrita com a Transparência Internacional que registrou piora do Brasil no ranking mundial da corrupção. Francamente.

No meu, não

Tem vários endereços a caça às bruxas iniciada por Paulo Guedes, que ameaçou ir à Controladoria-Geral da União para saber quem indicou quem no governo Bolsonaro, e responsabilizar cada um pelas porcarias que vem ocorrendo na administração federal. Nenhum deles aponta o Bloco P da Esplanada dos Ministérios, onde fica o gabinete de Guedes. A água já vai batendo no pescoço e o ministro quer tudo, menos ser responsabilizado pela lambança.

Ciclo completo

Tinham notas fiscais os 26 fuzis, 21 pistolas, dois revólveres, três carabinas, uma espingarda e um fuzil apreendidos no Grajaú. As armas, que iriam abastecer o tráfico e a milícia no Rio de Janeiro, cumpriram todo o processo de legalização estabelecido pelo atual governo. O bandido dono do arsenal tinha 43 certificados de registro de armas de fogo fornecidos pelo glorioso Exército brasileiro, todos com a abundante permissividade introduzida pelo bolsonarismo. Trata-se do ciclo completo que prova para que servem os decretos de armas e munições de Bolsonaro.

Falta de educação

Lula diz que ri de piada que já ouviu antes para não chatear seu interlocutor. Diz que é assim que se faz política, agregando, sendo paciente e tolerante, atendendo a pedidos de aliados, rindo de piada velha. Pode ser, até porque rir de piada velha é sinal de boa educação. Mas o que originou a fala foi Dilma. Lula disse que não iria aproveitar a ex-presidente no seu governo porque ela não sabe fazer política e porque “há gente nova no pedaço”. Chamou a companheira de velha, o que é absoluta falta de educação. E mais, trata-se de etarismo, preconceito contra idosos. E não me digam que Lula é velho e por isso não pode ter este tipo de preconceito. Basta ver o exemplo do presidente da Fundação Palmares, cujo nome não merece ser mencionado.

Café frio

O presidente do Brasil ficou cinco dias sem agenda. Você pode chamar Bolsonaro de preguiçoso, e estará certo. Mas, não é só isso. A agenda vazia também reflete a falta de interesse que as pessoas e as instituições têm por este homem. Na medida que o ano for passando, menos ainda ele terá importância.

Vide verso

Sebastião Nery iria gostar dessa, ouvida outro dia em Minas Gerais. Anos 80, numa convenção partidária em Divinópolis, cidade a pouco mais de cem quilômetros de Belo Horizonte, um mestre de cerimônia com uma lista na mão chamava um a um os oradores do dia. A certa altura, Pilinha, apelido do apresentador em razão de ser baixinho e gordinho, chamou um certo Vide Verso. Ninguém se levantou. Outra vez Pilinha exclamou “Vide Verso, venha, sua vez de falar”. Da plateia alguém soprou: “Vira a folha, Pilinha, vira a folha”, tentando alertar o locutor que certamente havia chegado ao ponto em que se informava que a lista de nomes continuava no verso. Pilinha ouviu o recado e emendou: “Ah, o Vide Verso foi embora, deixou o partido, foi para a oposição o vira folha”.

_________________________________________________Folha de S.Paulo, Estadão e o cenário atual de intolerância e ódio - Luciano Teles

Por Luciano Teles 27 de janeiro de 2022, 16:12

A Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo são jornais conhecidos nacionalmente, notadamente pelo projeto político conservador que defendem e pela intervenção social concreta em momentos específicos da história política do país, como a defesa e a participação, a título de ilustração, no golpe civil-militar de 1964. Anos depois, seguindo no seu caminho de apoio e atuação política golpista, tratou de sustentar e legitimar outro golpe, a farsa do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, em 2016, e a farsa jurídica da prisão sem provas do ex-presidente Lula, em 2018. 

Articularam-se com o (des)governo Bolsonaro. E isso se deu desde o processo eleitoral de 2018, quando então trataram de criar/inventar uma imagem de Fernando Haddad como um “poste” e/ou um “personagem político radical” a tal ponto do descalabro de dizerem que entre Bolsonaro e Haddad a escolha seria muito “difícil”. Ou seja, entre um professor universitário, e ex-prefeito de São Paulo, aberto ao diálogo, ao debate plural e a construção de consensos e um defensor da tortura e da ditadura, imagina que escolha difícil seria hein! 

Não obstante tais posições e invenções, recentemente, já no âmbito do desastre desse (des)governo que se instalou no Planalto, os dois jornalões assumiram dois papelões (só para rimar!) que só concorrem para a reprodução/manutenção dos discursos de intolerância e ódio. 

O jornal O Estado de São Paulo, em editorial datado de 23 de janeiro de 2022, passou a destilar ataques gratuitos ao ex-presidente Lula, num esforço absurdo em sustentar acusações que foram anuladas pelo Poder Judiciário. E ainda, de resto, acusou o ex-presidente de promover “verdadeira campanha difamatória contra o Judiciário”. Que absurdo! Nenhuma menção ao que efetivamente ocorreu: Lawfare. E muito menos às provas, estas sim concretas, que se tornaram públicas pela “Vaza Jato” e também pelo Walter Delgatti Neto. Não há senso de responsabilidade e nem pudor no Estadão.  

Já a Folha de São Paulo tem dado espaço em suas colunas para a publicação de artigos racistas, tal qual o artigo de Antônio Risério intitulado “Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo”, que fala acerca daquilo que não existe: o “racismo reverso”. Indignados, algo em torno de 200 jornalistas da Folha elaboraram uma carta aberta denunciando a “publicação recorrente de conteúdos racistas”. O jornal, então, respondeu aos jornalistas defendendo o artigo de Risério, dizendo que era “liberdade de expressão”! Que “liberdade de expressão” é essa que defende racismo? Será possível que a cúpula do dito jornal não sabe o que é liberdade de expressão? Ou estão agindo como o Estadão, de forma cínica, sem pudor e sem senso de responsabilidade?

As ações dos dois jornais acima expostas apenas revelam e provam que ambos também foram instrumentos no processo de erguimento do cenário de intolerância e ódio que se instalou no país ao longo dos últimos anos. Isto deve ser dito! 

E, ao que parece, querem manter a todo custo o atual cenário para continuar destruindo o país em nome de uma agenda ultraliberal que só os beneficia.  

_________________________________________________Variações entre a Filosofia e a Merda

Por Chico Teixeira 26 de janeiro de 2022, 17:14

Nunca conheci Olavo Carvalho. Cruzei com sua meteórica ascensão ao cenário político nacional algumas vezes e fui, até os últimos dias de sua vida - creio que de sucesso, para seus próprios parâmetros - alvo de comentários e videos. Logo, no ano de 1994, quando Editor da Revista Ciência Hoje, da SBPC, um dos periódicos de maior respeitabilidade na América Latina, O.C. submeteu um artigo de filosofia grega clássica. Na rotina comum, enviamos para parecer "duplo cego" de especialistas. Ambos negaram. Havia erros desde interpretações até localizações de séculos. Comunicamos ao autor, com extrato dos pareceristas. Rotina de revista científica.

Na mesma semana fomos surpreendidos com um amplo artigo do "filósofo", sem menção ao parecer negativo e suas razões, acusando a Revista de "patrulhamento" ideológico. Recurso que sempre será possível neste país.

Eu e Yone Leite, uma das maiores especialistas em linguística do mundo, dicionarista dos tapirapé do Museu Nacional, e responsáveis pelo "fluxo" da Revista tivemos que nos explicar ao conjunto da Direção da Ciência Hoje, da SBPC, das sociedades de filosofia. Buscou-se quem era O.C. 
Qual a universidade?
Títulos?
Teses?
Livros?
Nada.

Nesse meio tempo alguém "vazou" meu nome como responsável. Fui, então, alvo, ainda n'O Globo, de um artigo furibundo "contra os parasitas comunistas escondidos nas universidades".

O mantra macartista contra as universidades, explicitava o ressentimento, a formação precária e a veia egotrip patentes.

Prossegui a vida com a tranquilidade das caravanas árabes. Em 2000 publiquei, com a equipe do Laboratório do Tempo Presente/Tempo/UFRJ, o "Dicionário Crítico do Pensamento de Direita".

O. C. tornou-se aploplético. Escreveu uma página inteira, ainda em O Globo, para ora desmentir ora corrigir o "Dicionário...".

O Globo, em fase das ofensas, ofereceu espaço igual de resposta. Recusei. Na verdade utilizei duas linhas: não havia obra histórica ou filosófica do Senhor em pauta para comentários.

Coube a Emir Sader a tentativa vã de argumentar. 

No entanto, para espanto, choveram os xingamentos, emergia a filosofia da merda. E que não seria respondida.

Acho que foi isso o que mais doeu em O.C.

Embora tenha tido, e perdido, memoráveis embates de baixo calão com notáveis figuras públicas brasileira, e com isso arrastado uma parte da política brasileira para a sarjeta, O.C. nunca entrou na universidade brasileira.

Seu apreço pelo baixo corporal como geografia substituta da filosofia visava aturdir, ofender, paralisar. Trouxe para o Brasil, marcado pelo tom bacharelesco, de Ruy até Lacerda, a infâmia como fala política. 

É, e será, aquilo que o fascismo sempre praticou contra inimigos: não debata, ofenda!

_________________________________________________Chico Alves - MORTE de OLAVO de CARVALHO foi a mais COMEMORADA da HISTÓRIA do Brasil

Olavo de Carvalho - Reprodução/TV Globo
Olavo de Carvalho Imagem: Reprodução/TV Globo
Chico Alves Colunista do UOL 26/01/2022 12h39

Nunca se viu tantas manifestações de alegria e humor por causa de um falecimento. Segundo o analista de redes Pedro Barciela, em mais de meio milhão de tuites publicados ontem sobre a morte de Olavo de Carvalho, apenas 24,8% foram de grupos bolsonaristas e 71% continham alguma ironia sobre o guru da extrema-direita.

Em situações normais, mortes não são comemoradas. Mas o discurso de ódio e o incentivo ao aniquilamento do adversário, que Olavo inspirou em seus discípulos, acabou provocando uma revanche do outro lado.

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Parte dos bolsonaristas se fez de contrito para condenar as mensagens contra o astrólogo da Virgínia. Justamente a turma que costuma aplaudir quando apresentadores de programas policiais da TV fazem dancinha para comemorar as mortes ocorridas em ações policiais. Uma dessas coreografias contou até com a participação do presidente Jair Bolsonaro, que segurava uma réplica de documento em que se lia "CPF Cancelado".

O próprio Olavo exercitou ironia em momentos que deveriam ser de luto. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando morreu Alfredo Sirkis — politico, escritor e ex-guerrilheiro — e também em relação às vítimas da pandemia (duvidou que o vírus "mocoronga" matasse as pessoas).

Os discípulos olavistas acharam tudo isso normal. Agora, cobram um decoro que nunca tiveram.

Não deveria surpreender que alguém que se dedicou tantos anos a disseminar o ódio recebesse de volta a rebarba de seus sentimentos. Ele nem foi "um dos maiores pensadores da história" do país e muito menos um "gigante na luta pela liberdade", como disse Bolsonaro em seu tuite. Suas ideias eram confusas e boa parte não tinha base nos fatos, como prova a campanha antivacina. Não quis libertar, mas usar seu poder de persuasão para dominar seus discípulos.

Também o vice-presidente Hamilton Mourão divulgou fake news de que Olavo era "defensor intransigente da liberdade" e que "sustentou valores conservadores". O guru não era conservador, mas reacionário. Queria que o Brasil retrocedesse em várias áreas — objetivo alcançado no governo atual.

Figuras consideradas progressistas também lamentaram a gigantesca manifestação de regozijo que se viu nas redes sociais com a morte de Olavo, algo inédito, ainda mais em um país de tradição cristã.

Não há dúvida de que uma sociedade ideal não deveria incorporar a seus hábitos a comemoração do falecimento dos adversários. É um retrocesso civilizatório. Deve-se levar em conta, porém, que foi o grupo de extrema-direita que está no poder, sob inspiração de Olavo de Carvalho, que instaurou esse clima.

Espera-se ao menos que, experimentando o ódio que ajudaram a propagar, essa facção aprenda finalmente o que sente o país que é vítima de sua falta de empatia.

Quem sabe isso acabe por nos desviar da barbárie propagada nos últimos três anos e nos devolva ao caminho da civilização, já que alguns só aprendem quando sofrem na pele o mal que impuseram ao outro.

Infelizmente, alguns nem assim.

_________________________________________________Olavo de Carvalho sabia qual era o MÍNIMO para fazer muita gente de IDIOTA

Guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho morreu há poucas horas - Vivi-Zanatta/Folhapres
Gggggggg

O IMBECIL que estimulou a BOÇALIDADE está MORTO

Olavo de Carvalho está morto.

_________________________________________________Olavo de Carvalho sabia qual era o MÍNIMO para fazer muita gente de IDIOTA

Guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho morreu há poucas horas - Vivi-Zanatta/Folhapres

O IMBECIL que excitou os BOÇAIS está MORTO


Opinião: Página Cinco - Olavo de Carvalho sabia qual era o mínimo para fazer muita gente de idiota

Guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho morreu há poucas horas Imagem: Vivi-Zanatta/Folhapres

Olavo de Carvalho está morto.

Guru do bolsonarismo, Olavo foi um dos pilares da ascensão da extrema direita no país. Tornou-se famoso. Angariou milhares de seguidores bitolados em sua visão torpe de mundo. Era difícil de crer que ele mesmo acreditava em muitas das bobagens que pregava. Parece claro que tenha se transformado num meme humano para alcançar muita gente na internet, só é de se desconfiar do quanto se perdeu no personagem que criou para si.

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Antes disso, Olavo soube ser mais ardiloso. Escreveu para veículos como a revista Bravo! e o jornal Folha de S. Paulo. Seus livros (especialmente "O Imbecil Coletivo" e "O Mínimo que Você Precisa Saber Para Não Ser um Idiota", publicados pela Record) estiveram na linha de frente da falange de obras com o pensamento de extrema direita que invadiu nossas livrarias nas duas primeiras décadas deste século.

Olavo formou muitos seguidores que hoje pregam para milhares de pessoas pela internet. Na parte literária, há traços em comum entre esses críticos e influenciadores olavistas. Preferem o comodismo algo covarde de falar sobretudo dos clássicos, daqueles livros que têm o caminho crítico e de recepção já traçados. Mostram desprezo e fazem chacota com a literatura contemporânea, ainda que ocasionalmente elejam um escolhido para defender. Olham para o poeta Bruno Tolentino, autor de "As Horas de Katharina" e que morreu em 2007, como a maior preciosidade das últimas décadas da literatura brasileira.

Com um culto desmedido às pompas e tradições, são pessoas que têm a própria ideologia como chave primordial para encarar qualquer leitura. É irônico, pois com frequência atribuem esse traço a leitores que julgam ser "comunistas". Essa, aliás, parece ser uma característica bastante presente na extrema direita olavista: acusar os outros de praticarem exatamente aquilo que fazem ou planejam.

Quando escrevi sobre "O Imbecil Coletivo", entendi por que Olavo tinha potencial para encontrar tantos seguidores. Em textos que portavam ou pelo menos fingiam alguma erudição, mostrava uma visão de mundo racista, homofóbica, maniqueísta, elitista e autoritária. Artigos que fariam (e fizeram) bem àqueles que se orgulhavam ou se orgulham de também carregar esses traços. Para coroar, ainda se apresentava como uma possível salvação num ambiente em que a intelectualidade, com toda sua complexidade reduzida a um amontoado só, estaria completamente podre.

Muita gente comprou as ideias do guru. Acreditou que seguir Olavo era mesmo fazer parte de uma congregação de iluminados que salvariam o país, depois o mundo, de ameaças tão concretas quanto os fetos utilizados na fabricação da Pepsi.

Alguém utilizar a roupagem intelectual para pregar grandes cretinices pode ser perigoso, como a história ensina a quem quer ou pode aprender. Já foram muitas as ideias estapafúrdias e criminosas defendidas por charlatões disfarçados de pensadores respeitáveis. É só olhar para Brasília e depois para os grupos de Whatsapp em que pessoas seguem pregando idiotices que encontraremos o que Olavo de Carvalho nos legou.


_________________________________________________O mínimo que você precisa saber para morrer como um idiota

Transborde ódio, junte-se a uma legião de canalhas, invente teorias ridículas, negue a existência do vírus, rejeite a vacina e se f*de aí – Por Henrique Rodrigues

Por Henrique Rodrigues 25 jan 2022 - 16:49

O astrólogo extremista Olavo de Carvalho (Twitter/Reprodução)

Morreu Olavo de Carvalho. A notícia é essa, mas… Antes de qualquer mexerico é necessário deixar escrito com letras garrafais que se trata de um sujeito de um mau-caratismo prodigioso. Sim, prodigioso de prodígio mesmo. Aquilo que parece tão fenomenal que está além do alcance das leis naturais. Olavo era um grão bruto e não polido de mau-caratismo.

Ao notar que gozava de uma verborragia que soava como música para os ouvidos de gente da pior espécie, Olavo caprichava no repertório e lhes entregava tudo que a humanidade pode ter de pior: mentiras, ódio explosivo, violência, falsidade e toda sorte de influências malignas baseadas numa bibliografia inventada e risível. A sofisticação tosca que impunha um pretenso tom acadêmico fascinava imbecis ávidos por ouvir de alguém as mentiras mais absurdas que justificassem seus instintos e maldades congênitos.

Alguém que viveu no século XXI e dizia para uma significativa camarilha devota e idólatra que cigarro faz bem à saúde e aumenta a atividade cerebral, diminuindo o colesterol, que a Pepsi usa células de fetos abortados para adoçar seus refrigerantes, que o Brasil segue distribuindo cada vez mais kits-gay para as crianças nas escolas, que ninguém tem certeza do formato da Terra, podendo ela ser plana ou não, que os planetas não orbitam ao redor do Sol e que Albert Einstein modificou a física inteira fazendo um arranjo só para não admitir o erro do heliocentrismo, convenhamos, alguém assim é de vilania que não cabe no mundo dos pobres mortais.

Mas morreu. E morreu como um idiota.

Aliás, parafraseando e parodiando sua grandiosa obra, vazia com um pastel de feira da Era Sarney, gostaria de prestar homenagem a Olavo de Carvalho com a deferência devida. Ele morreu como um verdadeiro idiota. Aliás, conheço idiotas que não conseguiriam tal proeza.

Dito isto, saiba o mínimo que você precisa saber para morrer como um idiota:

Farsante inveterado e de rara malignidade, comece, como Olavo, dizendo que não existe uma só morte por coronavírus no mundo e que isso é parte da maior manipulação da história da humanidade.

Depois, negue a existência do vírus, afirmando que tudo não passa de um golpe da China. Na sequência, negue a ciência, sim, como já vinha fazendo antes ao proclamar os benefícios do cigarro, e diga que vacinas não têm qualquer ação porque o vírus não existe.

Contamine-se, para mostrar que sua confiança no absurdo é inabalável. Todo ilusionista (com respeito aos ilusionistas) tem que ter fé no próprio taco e jamais titubear ante ao impossível ou à incredulidade alheia.

Agora, deite e aguarde o chamado.

Morrer como idiota após passar a vida ditando regras a uma pilha de trouxas e sem-vergonhas é uma glória. Rende até apoio do presidente da República, luto oficial de um dia e as lágrimas de seus filhos, as viúvas do mestre que fazia com excelência o que eles fazem de melhor: mentir para outros idiotas.

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Imprensa internacional ridiculariza Olavo de Carvalho após sua morte

“Teórico da conspiração”, “guru”, “cruzado da extrema direita” e “negacionista do coronavírus” foram alguns dos predicados dado ao “filósofo” do clã presidencial brasileiro

Por Henrique Rodrigues 25 jan 2022 - 19:49

Olavo de Carvalho em seus vídeos (YouTube/Reprodução)

Olavo de Carvalho em seus vídeos (YouTube/Reprodução)

A repercussão na imprensa internacional da morte do guru astrólogo da família Bolsonaro, Olavo de Carvalho, que faleceu nos EUA nesta terça-feira (25) aos 74 anos, foi no mesmo tom da cobertura feita do governo extremista do presidente brasileiro: com muita ridicularização.

A agência britânica Reuters destacou a “paranoia anticomunista” de Olavo e falou um pouco sobre suas “teorias conspiratórias” que mesclam a “China, Facebook a até o magnata George Soros”. Na mesma linha, o também britânico The Guardian chamou o autointitulado filósofo de “negacionista do coronavírus” e atribuiu a ele uma espécie de mentoria em relação aos membros da família Bolsonaro.

“Provocador” e “teórico da conspiração” foram os predicados atribuídos a Olavo pela agência internacional com sede nos EUA Associated Press (AP), que recordou o histórico “marginal” do bravateiro radicado em Richmond, a quem igualmente atribuiu muita influência sobre o grupo político que chegou ao poder no Brasil.

Já a Bloomberg, também dos EUA e de propriedade do magnata e ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, chamou o ídolo dos bolsonaristas de “cruzado da extrema direita”, ao passo que o francês Libération o classificou como um “mestre espiritual” do chefe de Estado brasileiro.

Ainda na França, o Le Monde lembrou da saída às pressas do Brasil de Olavo, em novembro do ano passado, narrando a epopeia do “pensador de extrema direita”, que segundo o diário parisiense fugiu de carro para o Paraguai, comprou passagens em dinheiro vivo e voou para Miami com medo de ser preso pelas autoridades judiciais brasileiras após a série de impropérios de que proferiu do exterior durante de vários anos.


_________________________________________________HADASSA GOMES, estudante que enfrentou Bolsonaro se pronuncia: "Atrás desse personagem MACHÃO existe um COVARDE"

Bolsonaro é confrontado por estudante: "O senhor é uma FARSA"

Hadassa Gomes, estudante de 19 anos que enfrentou Jair Bolsonaro (PL) ao chamá-lo, cara a cara, de “farsa”, durante conversa do presidente com apoiadores no “cercadinho” do Palácio da Alvorada, usou seu Twitter, nesta terça-feira (25), para comentar seu ato, que gerou forte repercussão.

“Fui ao cercadinho falar o que eu acredito Fui como uma cidadã qualquer falar oq meus olhos vêem quando olho p/ o Brasil. Não sou especial por isso! Sou só mais uma que entendeu que atrás desse personagem machão, cristão e honesto, existe um COVARDE”, escreveu a jovem.

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“Pode parecer pequeno. Mas é de gotinha em gotinha que a gente forma uma tempestade que incomoda qualquer político farsante”, completou.

Confira.

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“O senhor é uma farsa”; entenda

Acostumado a ser bajulado por apoiadores no “cercadinho” do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro (PL) ficou desconcertado, na segunda-feira (24), ao ser confrontado por uma estudante de 19 anos, que foi até o local e o chamou de “farsa“.

Hadassa Gomes, que gravou o momento, fez a abordagem citando o verso bíblico “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, o preferido do presidente.

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“Presidente, posso falar um verso bíblico para o senhor? É aquele verso que o senhor diz que gosta muito, e eu também – é um dos meus favoritos. ‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’. E a verdade é Jesus, a verdade é justiça, a verdade é honestidade. E sabendo disso, dá para considerar que o senhor é uma farsa, presidente“, disparou a estudante.

Surpreso, Bolsonaro, então, perguntou se a jovem foi ao local para “falar disso”, ao que Hadassa respondeu que queria questioná-lo.

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“Sim, aquele que crê na bíblia também questiona. Presidente, mas o senhor não é o fortão? Vai fugir da pergunta, presidente?“, declarou ainda. A estudante também perguntou se “rachadores devem ir para a prisão”, em referência aos casos de corrupção, através de rachadinhas, aos quais a família Bolsonaro estaria envolvida.

Nas imagens, é possível ver que Bolsonaro se afasta para não ser confrontado e que a gravação é interrompida. A jovem foi retirada do local por seguranças do presidente. Ao site Poder360, Hadassa relatou que a equipe de Bolsonaro tentou obrigá-la a apagar a gravação.


_________________________________________________Vídeo em que Pedro Bial elogia Olavo de Carvalho volta a circular: “brilhante pensador”

Olavo de Carvalho tinha 74 anos e deixa ESPOSA, 8 FILHOS e 18 NETOS.

O apresentador afirma no vídeo que foi o PRIMEIRO a ENTREVISTAR o escritor como FILÓSOFO na TV brasileira

Por Julinho Bittencourt 25 jan 2022 - 12:49
Pedro Bial. Foto: Reprodução

Voltou a circular nas redes nesta terça-feira (25), vídeo em que o apresentador Pedro Bial se derrama em elogios ao escritor Olavo de Carvalho, morto nesta madrugada, após testar positivo para a covid-19.

“Olavo de Carvalho eu tinha conhecido oito anos antes, primeiro por seus artigos agudos e argutos dos jornais. Depois, pessoalmente, ao promover a primeira entrevista dele como filósofo na televisão, indo na maré contrária da vasta antipatia contrária às suas ideias na elite intelectual tupiniquim. Era um novo e brilhante pensador da direita brasileira”, afirmou na ocasião Pedro Bial.

Morte de Olavo de Carvalho

O perfil verificado do influenciador Olavo de Carvalho no Instagram informou na madrugada desta terça-feira (25), o falecimento do astrólogo e autoproclamado filósofo bolsonarista, oito dias após testar positivo para a covid-19.

Ele estava internado em um hospital da região de Richmond, no estado americano da Virgínia. Não foi informada a causa da morte, mas ele anunciou estar infectado com o coronavírus no último dia 16.

As aulas de seu curso online estavam suspensas por conta do seu estado de saúde.

Olavo de Carvalho tinha 74 anos e deixa esposa, oito filhos e 18 netos.

_________________________________________________GÊNESE de Olavo de Carvalho como "IDEÓLOGO" da direita se deu pelas mãos de AUGUSTO NUNES, em "ÉPOCA", das Organizações Globo - Luís Costa Pinto

Por Luís Costa Pinto 25 de janeiro de 2022, 11:40

Por Luís Costa Pinto, do 247 – Em 2000, depois de ter dado aquilo a que chamávamos de “golpe de redação” e ter assumido o comando da revista “Época”, publicação fundada pelas Organizações Globo em 1998 sob o controle e a inspiração da dupla de jornalista e publicitário José Roberto Nassar e Flávio Barros Pinto, cuja circulação foi encerrada no ano passado, o jornalista Augusto Nunes estabeleceu como meta para si substituir Evandro Carlos de Andrade como conselheiro editorial da família Marinho. Para tanto, era necessário seguir à risca as determinações emanadas das reuniões de controle editorial dos veículos do conglomerado familiar de Roberto Marinho e de seus herdeiros – os filhos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho. Era lógico, àquela altura, que o substituto natural de Evandro, caso ele se aposentasse vez ou morresse precocemente (como terminou por ocorrer, tragicamente. Evandro Carlos de Andrade foi um dos melhores e mais completos profissionais de comunicação que atuou no País na segunda metade do século 20), seria Merval Pereira. Ambicioso, Augusto Nunes queria furar a fila. Antecipo a seguir trecho do primeiro capítulo, “Desencanto. E fim” do 3º volume de Trapaça – Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro, que está no prelo e será lançado em março pela Geração Editorial. Haverá pré-venda nas redes sociais e pela Internet. O episódio narrado mostra a gênese de Olavo de Carvalho, que morreu na madrugada desta 3ª feira nos Estados Unidos, como “ideólogo” da extrema-direita brasileira. O primeiro gande espaço concedido a ele foi-lhe dado na revista Época e em substituição esdrúxula e estapafúrdia à coluna assinada pelo jornalista Franklin Martins. Àquela altura, Franklin havia saído de O Globo, onde era diretor da sucursal de Brasília, em razão de desentendimentos com o diretor de redação da publicação, Merval Pereira.Eis a íntegra do capítulo de Trapaça, volume 3:
“Desde seus primeiros dias no comando editorial de Época, Augusto Nunes tratou de mudar quase tudo na redação. Começou mexendo na sala que herdara do diretor anterior. Nassar despachava dentro de um espaço envidraçado, podendo ver e ser visto por todos os editores e repórteres. Nunes pôs venezianas microperfuradas e películas espelhadas nas vitrines de forma a ser possível enxergar o amplo salão em que ficavam as baias da equipe; mas, ninguém poderia vê-lo. Também levou para seu “aquário” de trabalho uma cadeira de balanço que herdara da avó. Mandou buscá-la em Taquaritinga, cidade onde nasceu. Dizia aquilo a quem perguntava a origem da cadeira, e a quem não perguntava também. Como tinha o hábito de só deixar a redação junto com os primeiros raios de sol, a cadeira de balanço embalaria alguns cochilos durante o expediente.

– Passarei mais tempo aqui do que em casa – alfinetou.

Não era verdade. Augusto Nunes sempre gostou da disputa pelo poder; jamais foi um amigo especial do trabalho ou da notícia – tampouco da verdade. Queria, entretanto, que fosse disseminada a impressão de sua onipresença. Era adepto da imposição da autoridade pelo terror, à guisa de virtudes.

Ao retornar do Rio, numa terça-feira à noite, chamou-me à sua sala. Fechou as venezianas enquanto eu entrava. Estava especialmente agitado, com os olhos azul-piscina particularmente vidrados em mim. Punha o dedo indicador à frente dos lábios como a pedir-me silêncio ou cumplicidade. Não entendi bem.

– Vamos demitir o Franklin – anunciou.

Franklin Martins, jornalista, ex-diretor da sucursal de O Globo em Brasília que me tirou de Veja e me levou para o jornal carioca, conservava uma coluna semanal em Época, por insistência minha, mesmo tendo sido demitido do jornal por Merval Pereira.

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– “Vamos”, quem? – perguntei. – A coluna do Franklin é a melhor da revista. Por que o demitir?

– Merval pediu. Franklin é old school.

– Discordo.

– Está decidido. E você comunica isso a ele.

– Eu? Augusto, o Franklin é meu amigo. Foi meu chefe em O Globo.

– Prepare-se: um dia você vai sentar nessa minha cadeira – disse, apontando para o próprio colo. – E se quiser ser um bom diretor-de-redação terá de separar amizade de pragmatismo.

– Prefiro que você fale com Franklin. Não saberei explicar o porquê de ele ter perdido a coluna.

– Fala você. E na edição desta semana já publicamos o novo colunista. Ligue para o Franklin amanhã.

– Quem é o novo colunista?

– Um filósofo... Olavo de Carvalho. Foi o João Roberto Marinho quem me passou o nome. Entendeu agora?

– Olavo o quê?

– Olavo de Carvalho. É um cara de ideias antagônicas às do Franklin. Escreve bem. Você vai gostar.

Sentia-me derrotado, usado, covarde. No fim da manhã seguinte telefonei para Franklin Martins e comuniquei-o do fim de sua coluna na revista. Ele me tranquilizou dizendo saber que aquela não era decisão minha.

Na quinta-feira à tarde recebi, por e-mail, a primeira coluna do até ali desconhecido Olavo de Carvalho.

Já em 2000, dezoito anos antes de se tornar o preceptor da mixórdia de ignorâncias, calhordices, ódios e violências que marcaram a escalada do bolsonarismo até a Presidência da República, o destino me fez cruzar caminhos com as ideias rastaqueras e o estilo grotesco do influenciador mais eficaz da extrema-direita brasileira.

Li com atenção e curiosidade o primeiro texto de Olavo de Carvalho que me caiu em mãos. Incrédulo, reli. Era chulo, abjeto e reacionário. Decidi apelar por uma revisão na decisão de publicar aquela porcaria que me fora enviada por e-mail. Antes de falar com Augusto Nunes, procurei convencer Ariovaldo Bonas, o lugar-tenente dele, um jornalista capixaba promovido a redator-chefe na configuração augustina da redação da revista das Organizações Globo.

– Bonas, você leu essa coluna do tal Olavo de Carvalho?

– Não. Mas gostei – respondeu-me o redator-chefe de Época, sem deixar margem a dúvidas se era, ou não, um capacho do chefe.

– É uma merda. Não vou pôr essa merda no meu espaço.

– Vai. Pense duas vezes.

– Penso dois segundos para dizer que esse amontoado de estultices não vale estar na revista.

Ele tomou a página impressa contendo o texto de minhas mãos e entrou direto na sala de Augusto Nunes. As venezianas estavam fechadas. Em dois minutos retornou até onde eu estava.

– Publique.

– Não edito essa porcaria.

– Então dê a alguém para editar. Mas, ponha na revista

Designei um assistente e disse a ele que toda semana lhe caberia a missão de cobrar, receber, ler e editar a coluna de Olavo de Carvalho. A partir dali eu nunca mais leria outro texto do “filósofo” de araque. Varei a madrugada na redação. Augusto também. Por volta das cinco horas da manhã ele me chamou para um café e anunciou:

– O Casado será editor de Economia, inclusive de Macroeconomia. Essa parte da revista sai de suas mãos.

Era uma retaliação evidente. Ele curtia a vingança.

– Por que?

– Porque eu quero. A organização da revista será melhor assim.”

*****

No link, vá direto ao trecho do programa Sua Excelência, O Fato em que José Dirceu conta como conheceu Olavo de Carvalho em 1966, na Casa do Estudante:

_________________________________________________Por que deixei de ser olavete: ex-simpatizantes narram rompimento com guru Olavo de Carvalho

Discordâncias filosóficas e retóricas com ideólogo da nova direita marcam desilusão de antigos admiradores
Jan Niklas e Victor Calcagno
29/01/2019 - 10:00 / Atualizado em 31/01/2019 - 18:11
Na casa de Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, Olavo de Carvalho comandou a prece antes do jantar Foto: Josias Teófilo / TWITTER
Na casa de Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, Olavo de Carvalho comandou a prece antes do jantar Foto: Josias Teófilo / TWITTER

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“Guru”, “um tipo de mestre”, “professor”, “ideólogo”, “intelectual”, “filósofo”, “mentor” e “espécie de guia intelectual”, mas também “charlatão”, “aliciador”, “impostor”, “aproveitador” e por vezes até “líder de seita”. Os termos utilizados para descrever o pensador conservador Olavo de Carvalho, de 71 anos, cujos seguidores já ocupam cargos de importância no governo de Jair Bolsonaro, são diversos entre os ex-alunos ou ex-simpatizantes do brasileiro natural de Campinas, desde 2005 autoexilado nos Estados Unidos. Em comum, todos eles compartilham, além de alguma admiração passada por Carvalho, seja pela “rebeldia” em desafiar paradigmas acadêmicos ou por acusar problemas da esquerda, a desilusão com o professor expressa em desavenças intelectuais, religiosas, políticas e pessoais em um momento específico — além da surpresa em ver sua autoridade potencializada nos últimos meses. Nesta semana, em que foi convidado pelo Departamento de Estado dos EUA para uma reunião a portas fechadas em Washington e aproveitou para se encontrar por três vezes com o ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon, a influência de Carvalho mostrou-se em expansão.

Em jantar, Bannon sabatinou Carvalho sobre o Brasil e seus líderes e estimulou-o a se contrapor ao “cara de Chicago”, em referência ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que obteve doutorado na univesidade americana. Num momento devidamente registrado por um dos convidados, que o definiu como símbolo da nova era, Bannon, que é católico, pediu para Olavo de Carvalho fazer uma prece antes da refeição. Olavo rezou um pai-nosso, no que foi seguido por todos. Bannon pediu que Carvalho explicasse o curso on-line que oferece. Ele não soube explicar e pediu socorro aos demais brasileiros presentes. “Passamos um bom tempo tentando, e não foi fácil. Bannon ficou impressionado com a amplitude do tema tratado”, escreveu o cineasta Josias Teófilo, que dirigiu documentário sobre o professor de filosofia. Carvalho por vezes se mostra orgulhoso do protagonismo no governo Bolsonaro, mas, por vezes, rejeita-o. “E eu sou o guru dessa porcaria? Eu não sou o guru de m... nenhuma”, reclamou antes mesmo que a nova gestão completasse um mês. A contradição, como se verá aqui, é uma de suas marcas intelectuais.

Morador da zona rural perto da cidade de Ovar, no Norte português, o luso-brasileiro Carlos Velasco não se define no passado, quando começou a frequentar o Curso On-line de Filosofia (COF, ministrado por Carvalho desde 2009), como um legítimo “olavete”, termo depreciativo usado pelos adversários para caracterizar os seguidores mais assíduos de Olavo de Carvalho. Com 42 anos, o empresário do ramo de importação e exportação relembrou o primeiro contato que teve com o professor, por meio da internet e das colunas que mantinha na imprensa durante os anos 2000, história parecida com a de grande parte dos seguidores, antigos ou atuais, acima dos 30 anos.

Olavo de Carvalho (à esq.) teve dificuldade de explicar a Steve Bannon os temas do curso de filosofia que ministra Foto: JOSIAS TEOFILO / REPRODUÇÃO
Olavo de Carvalho (à esq.) teve dificuldade de explicar a Steve Bannon os temas do curso de filosofia que ministra Foto: JOSIAS TEOFILO / REPRODUÇÃO

“Por volta de 2003, me impressionou o fato de ele ser o único que escrevia em português com capacidade sobre temas que me interessavam na época, como a centralização dos poderes e a diluição do Estado institucional. Fui acompanhando até decidir fazer o COF no fim de 2009”, disse Velasco. Apesar de ter assinado as aulas — uma por semana — até o fim de 2013, quando teve uma ruptura total com Carvalho, Velasco afirmou que seu interesse começou a decrescer após algumas sessões. Segundo ele, além do professor ser pouco pontual, as aulas, que deveriam ser de filosofia, “entravam constantemente em assuntos paralelos, que só compreenderia, dizia o Olavo, quem assinasse outros cursos especializados que ele oferecia ou acompanhasse seu trabalho por fora”. Além disso, incomodava o empresário a virulência com que Carvalho atacava simpatizantes da esquerda, “como se quisesse iniciar uma guerra civil, sem lugar para a discussão saudável”. O ponto final de discordância, no entanto, veio dos desdobramentos da guerra na Síria e da Primavera Árabe: segundo Velasco, o pensador tentava justificar os acontecimentos baseado numa espécie de “globalismo islâmico”, “como se houvesse uma agenda comum à religião no mundo inteiro”, algo que jamais o convenceu.

“Como todo aluno, questionei o professor, primeiro por e-mail, depois pelas redes sociais, mas ele se esquivava. Então comecei a escrever sobre isso publicamente, como ele ensinava que devia ser feito.” Desde 2013, Carlos mantém uma cruzada anti-Olavo de Carvalho por meio de um blog em que rebate Carvalho, o que também rendeu alguns vídeos no YouTube com o irmão, Jorge Velasco — em uma das gravações, houve uma conversa com Heloisa de Carvalho, filha e desafeto de Carvalho, que em 2017 publicou uma carta aberta contra o pai. As críticas tiveram reação: contra o empresário há pelo menos 30 postagens na página oficial do pensador no Facebook desde 2014, algumas em que Velasco é xingado de “celerado”, “satanista” ou “criminoso”, principalmente quando o assunto é o passado de Carvalho ligado ao islã.

Discordância pouco encorajada

Não são todos os ex-alunos que têm a disposição de questionar publicamente o antigo mestre, com receio de perseguições dele ou dos olavetes, catapultadas pelas redes sociais. Depois de frequentar o seminário de filosofia que Carvalho oferecia presencialmente enquanto ainda morava no Brasil, entre o fim da década de 90 e o início dos anos 2000, um aluno que prefere se identificar como Paulo resolveu se afastar das aulas silenciosamente por causa de divergências nos posicionamentos religiosos e no que classificou como “contradições” do discurso olavista. Segundo ele, foi o único que recebeu com desconfiança a súbita mudança de opinião de Carvalho quanto à invasão americana ao Iraque, passando a apoiá-la. Paulo descreveu sua relação com o professor como de “alguém próximo”, tendo lido seus principais trabalhos até então e contribuído para a difusão de seus posicionamentos, o que perdurou em diversas aulas de Carvalho. A dinâmica delas e a relação com os alunos, segundo contou, tinham uma natureza sutil de acordo tácito, no qual o guru não era questionado, ainda que os alunos, em tese, pudessem fazê-lo a qualquer momento. “Nunca vi, nas aulas, alguém discordar do Olavo sem ter o pensamento ridicularizado de algum jeito.”

“Teoricamente, você pode discordar, mas, na prática, não há clima e ninguém faz. Tudo isso é muito sutil, claro, e a dinâmica não favorecia o questionamento. Se você discorda, ele diz: ‘Mas isso é um ponto de vista idiota’. Nessa, descobri que era idiota, mas resolvi ter minha opinião”, afirmou ele. Ainda sobre as aulas, Paulo destacou a ausência de exercícios, de produção escrita ou oral, para testar os alunos, como num curso normal, além de não terem um fim definido: o COF já passa das 450 aulas, uma por semana, ao custo de R$ 60 por mês e não dá sinais de que vai parar tão cedo, o que justifica a classificação do ex-simpatizante de “não ser um curso, mas uma espécie de seita”. A falta de uma área definida das exposições, que, apesar de se rotularem como filosofia, pulam nos ramos da política, da religião, literatura, moral e ética, também o incomodou: “No começo, era realmente sobre filosofia, mas depois a aula se resumia no Olavo abrindo o jornal e falando mal do PT. Ele justificava dizendo que era preciso ‘filosofar em tempo real contra a ameaça do comunismo’”, disse Paulo, que se definiu como liberal.

O ex-aluno não esconde o motivo que o levou até o professor: a capacidade retórica de Carvalho, que o faz “vender geladeira no Polo Norte”. Como é um “ótimo escritor”, Paulo afirmou que o filósofo consegue ser um expert no mundo da linguagem, trazendo seguidores pela retórica enfática, mordaz, belicosa, que “atinge quem não tem a capacidade de julgar as referências”. Apesar das críticas, ele elenca dois bons fatores trazidos pelo guru: a divulgação e publicação de autores conservadores no país e a difusão do pensamento liberal num primeiro momento. O ex-aluno classificou Carvalho como intelectualmente fraco, apesar de conseguir influenciar muitos com argumentos virulentos: “Ele fala com o máximo de ênfase e o máximo de ambiguidade para, se errar, poder sair quanto antes”.

'Olavo não resistiu à tentação de estar certo'


A mesma crítica ao conhecimento de Carvalho fazem o mestre em filosofia Joel Pinheiro da Fonseca, que, apesar de jamais ter sido seu aluno, foi influenciado pelo professor nos anos 2000, e Francisco Razzo, escritor e doutor em filosofia que se desentendeu com o guru depois de ter negado, por ocasião de uma entrevista, que lhe devia “pedágio intelectual”.

Tendo conhecido Carvalho em 2004 como leitor das colunas e de seus livros, Fonseca chegou a publicar artigos de Carvalho em uma revista cultural que mantinha, além de cultivar interações on-line com o professor. Na época, o filósofo lhe pareceu interessante por ser alguém “fora do cânone”, tanto por sua formação, já que nunca cursou faculdade, quanto pelo conteúdo divulgado, “sem medo de argumentar, de uma forma debochada, mas muito assertiva”. A relação degringolou quando os dois se envolveram num debate sobre filosofia medieval, evidenciado em posts na internet, o que rendeu desavenças, segundo Fonseca. Ele contou que acusou Carvalho publicamente de sempre tentar diminuir seus oponentes de forma desleal e pouco respeitosa, com “xingos” — o professor então teria questionado a existência da palavra e, comprovado o erro na dedução, bloqueado Fonseca das redes sociais. O episódio é ilustrado por Fonseca para atacar a erudição de Carvalho: “Ele tem, sim, uma erudição, mas a aumenta muito além do que ela é. Por exemplo, ele não sabe grego, mas quer discutir Aristóteles com uma autoridade de quem já leu no original perfeitamente. Fora que há sempre espaço para alguma teoria da conspiração na boca dele, desde FHC com maçonaria até programação neurolinguística, entre outros”.

Razzo, que se define como um “conservador não militante” e diz ser um ex-simpatizante do professor, mas nunca olavete, acusou Carvalho de subverter ideias básicas quando se trata de conceitos filosóficos, cometendo erros que “estudantes do segundo ano de filosofia jamais fariam”. Como exemplo, cita o pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), dos maiores expoentes do idealismo alemão e frequentemente citado pelo guru em suas aulas no COF: “Para Kant, todo sujeito só conhece as interpretações dos objetos, esse é o cerne do idealismo. Olavo diz que, se Kant estivesse certo, você nem poderia ler os livros dele, uma vez que não seria possível conhecer a obra em si. Ele dizia: ‘Como pode se promover um pensamento que não é em si mesmo conhecido’? Erro básico. Kant partilha com seus leitores não a obra em si, mas as representações expressas na linguagem, enquanto um sujeito do idealismo. De tão básico, chega a ser vergonhoso que alguém afirme o contrário”, disse o escritor.

Outro problema de Carvalho, para Razzo, é o fato de defender a filosofia de forma unitária, de modo que o conhecimento também se expressasse nas práticas do indivíduo e em seus afazeres cotidianos. O escritor, por sua vez, afirma que a filosofia do ideólogo “pretende a síntese, mas não apresenta acabamento de pensamento unificado”, já que a conceituação de Carvalho passa por vários ramos de forma enfática e grandiosa, mas fragmentada. Para ele, “Olavo de Carvalho apenas não resistiu à tentação de estar sempre certo”.

A relação entre os dois azedou oficialmente depois de uma discussão no Facebook em 2014. Entrevistado por um blog, foi perguntado a Razzo sobre os pensadores que mais o influenciaram. Não citou Carvalho, apesar de então estar envolvido com a “nova direita”, o que despertou o rechaço do guru: num post, o professor escreveu que “é natural um estudante universitário só reconhecer a influência dos seus professores imediatos, sem ter em conta a atmosfera cultural criada por um antecessor”.

Esoterismo marca pensamento de guru

Razzo, Fonseca, Paulo e Velasco destacaram todos a fascinação que Carvalho exerce sobre os alunos, principalmente os mais jovens. Fonseca afirmou que a maior parte dos olavetes são pessoas à procura desesperada de certezas, ainda em processo de formação intelectual, que encontram abrigo nas vociferações do filósofo autoexilado. Já Razzo colocou o interesse na conta de uma desilusão intelectual — vindos de uma formação da qual não gostaram ou consideram atingida pelo esquerdismo, os alunos encontram em Carvalho alguém que não só sempre tem razão, como também elege um culpado para os desencantos acadêmicos passados. Paulo destacou a capacidade do guru de ter organizado intelectualmente parte da direita e “ter feito Bolsonaro possível”, já Velasco creditou o fato à capacidade de Carvalho em se apresentar como o único pensador existente num mar de lama dominado pela esquerda e pelo marxismo cultural. O professor de inglês Caio Rossi, no entanto, acredita que a principal influência no pensamento do professor, e, por consequência, no que é passado aos alunos, venha de sua ligação com o esoterismo.

Com a leitura de O imbecil coletivo, Rossi foi fisgado pelo texto de Carvalho e tornou-se um dos colaboradores do portal Mídia sem Máscara, site à direita do espectro político, fundado e mantido pelo professor em 2002. Ele afirmou que a capacidade do filósofo em citar e refletir sobre autores nunca discutidos nas universidades brasileiras era um enorme atrativo numa época sem internet. Tomou conhecimento, por esse meio, dos filósofos René Guénon e Frithjof Schuon, expoentes do perenialismo, ou tradicionalismo, linha de pensamento que defende a existência de uma verdade absoluta e transcendental comum às principais religiões do planeta. Schuon (1907-1998), explicou Rossi, aproximou-se do sufismo, ala esotérica do islã, tendo fundado uma tarica, ou confraria islâmica, da qual Carvalho fez parte e influenciou fortemente nos anos 80, antes de declarar-se católico: “Esses grupos têm a ideia de um resgate da ‘tradição’. O que eles querem construir é o retorno de uma mentalidade conservadora religiosa, porém coordenada por uma elite esotérica gnóstica. Tendo uma posição mais cristã e contrária a esse tipo de perspectiva, comecei a rejeitar”, disse Rossi.

Ex-estudante de psicologia e filosofia, Rossi afirmou que seu interesse por esses autores citados por Carvalho aconteceu porque resolveu, de fato, lê-los. A desilusão com o guru veio pela análise detalhada dessas leituras, o que lhe tomou tempo e energia: “Era muitas vezes uma interpretação pessoal do Olavo, e não raro as posições dele contrariavam as dos autores citados”. Rossi afirmou que chegou a conversar algumas vezes pessoalmente com Carvalho sobre o assunto, até que resolveu criticá-lo on-line. Como resposta, recebeu um vídeo, em que foi escrachado, além de ter sofrido ameaças, contou.

Os ex-simpatizantes de Carvalho veem de diferentes formas a relação dele com o governo Bolsonaro. Se Paulo disse “se perguntar o que quer” o guru da nova direita, Razzo afirmou que há um “projeto de poder”, mais importante que qualquer projeto de formação intelectual. Já Fonseca, que em 2015 já alertava para o crescimento da influência da “ala olavista”, agora disse que a questão é quanto o governo pode dar ouvidos a ela, principalmente via Eduardo Bolsonaro, olavete convicto. Rossi, por sua vez, expandiu os limites dessa influência: “O Olavo sabe exatamente aonde ele quer ir e, no meio do caminho, tenta se adequar à tendência. A relação dele com Bolsonaro é acidental. Já com Bannon, não, mas de outro nível: estão construindo algo”, completou. Olavo de Carvalho preferiu não conceder entrevista a respeito das críticas dos ex-simpatizantes.

_________________________________________________Arquiteto intelectual da direita radical, Olavo de Carvalho se tornou guru do governo Bolsonaro

Best-seller do conservadorismo brasileiro morreu aos 74 anos
Guilherme Caetano e Jan Niklas
25/01/2022 - 11:01 / Atualizado em 25/01/2022 - 11:21
Olavo de Carvalho em jantar na casa de Steve Bannon, ex-estrategista de Trump Foto: Reprodução Twitter Josias Teófilo
Olavo de Carvalho em jantar na casa de Steve Bannon, ex-estrategista de Trump Foto: Reprodução Twitter Josias Teófilo

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RIO e SÃO PAULO — Sobre a mesa em que Jair Bolsonaro gravou seu primeiro discurso após a vitória nas eleições de 2018 estava um livro que poderia servir de preambulo para seu governo a partir dali: "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota", de Olavo de Carvalho. O pensador, que morreu aos 74 anos, nesta quarta-feira, ganhou a alcunha de “guru bolsonarista” pela influência que passaria a exercer no mandato do capitão do Exército.

Considerado o ideólogo da nova direita, Olavo formou uma geração de conservadores no Brasil com seu seminário de filosofia online, inaugurado em 2009, e influenciou diversos membros do governo federal. Seu curso foi ministrado até este ano e somava mais de 500 aulas semanais, nas quais discorria sobre obras de filósofos como Kant, Heidegger e Aristóteles.

Flávio, Carlos e Eduardo, filhos do presidente, são admiradores declarados da obra do estridente líder intelectual dos conservadores brasileiros. Quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Flavio entregou a Olavo a medalha Tiradentes, mais alta honraria concedida pelo estado. Eduardo, que fez cursos do autointitulado filósofo, já defendeu que deputados tenham aulas sobre seu pensamento para criar um alinhamento ideológico.

Alunos e discípulos de Olavo passaram por postos de primeiro escalão do Executivo e passaram a formar a chamada “ala olavista” do governo. Entre eles estão os ex-ministros da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez e Abraham Weintraub; o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; e o ex-secretário de Cultura, Roberto Alvim.

Atualmente, nomes como o assessor especial para Assuntos Internacionais, Filipe Martins,e o secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, André Porciúncula são alguns dos principais defensores de Olavo dentro do governo.

Após a eleição do PT em 2002, o escritor decidiu se mudar para os Estados Unidos. Desde 2005, vivia em Richmond, na Virgínia, com a esposa, Roxane. Ele teve oito filhos, de diversos relacionamentos.

Sua mais velha, Heloisa de Carvalho, era rompida com o pai e crítica de suas ideias reacionárias. Sobre sua morte, ela publicou numa rede social: “Que Deus o perdoe”.

Editora rompe com escritor

Conhecido como "guru bolsonarista" e ícone do conservadorismo no Brasil, Olavo de Carvalho se tornou um autor de alta vendagem na última década. Entre 2013 e 2019, seus livros "O imbecil coletivo" (2013) e "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" (2018), ambos editados pela Record, venderam 400 mil exemplares. Porém, no ano passado, a editora decidiu não renovar seu contrato pelo "posicionamento antidemocrático" do escritor e influenciador bolsonarista. 

Crítico ferrenho da esquerda brasileira, ele arregimentou milhares de alunos em cursos na internet onde apresentava autores conservadores cujas obras seriam perseguidas pelas universidades — segundo Olavo, a academia era dominadas pelo pensamento marxista. No cânone do olavismo estão autores como Julius Evola,  Eric Voegelin e Otto Maria Carpeaux.

Eduardo Bolsonaro almoça com o ideólogo Olavo de Carvalho e o blogueiro Allan dos Santos nos EUA Foto: Reprodução/Twitter
Eduardo Bolsonaro almoça com o ideólogo Olavo de Carvalho e o blogueiro Allan dos Santos nos EUA Foto: Reprodução/Twitter

Olavo era adepto convicto de teorias da conspiração como a do "marxismo cultural", baseada numa interpretação nebulosa do pensamento de Antonio Gramsci (1891-1937) e dos autores da Escola de Frankfurt.

Segundo essa visão, propagada em suas obras e cursos, existe uma elite composta pela esquerda mundial, a mídia, artistas, universidades, cientistas, organizações não governamentais e grandes empresários, que atuam para impor o comunismo no planeta.

Ainda segundo Olavo, a mais importante tarefa do governo seria vencer a “guerra cultural”, impondo valores conservadores em núcleos da cultura nacional. Segundo esse pensamento, muito comum entre a extrema direita americana, existe uma decadência das bases da civilização cristã no ocidente que devem ser combatidos com uma “luta espiritual”. 

Astrologia e misticismo

Olavo também é autor de seis livros sobre astrologia e esoterismo. Ele foi colaborador da revista Planeta, principal órgão de divulgação de teorias da alquimia, do hermetismo, tarô, da ufologia e correntes ocultistas como o perenialismo, da qual foi adepto.

Por conta dessa produção seus detratores lhe rebaixavam à categoria de "astrólogo". Na década de 1980, integrou ainda uma ordem mística muçulmana, a Tariqa, liderada pelo alemão Frithjof Schuon (1907-1998).

Ao longo dos anos 2000, Olavo foi de forma pioneira ampliando sua pregação no mundo digital, atraindo através de fóruns na internet uma geração de jovens que passaram a se interessar por suas ideias reacionárias.

O conteúdo disseminado por Olavo também incluía ataques a instituições como a imprensa, o Congresso, o Poder Judiciário e as universidades, a que chamou por diversas vezes de "pontos de distribuição de drogas" e "locais de suruba". Defendia a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e classificava jornalistas como "os maiores inimigos do povo".

Flávio já esteve em Richmond, na Virgínia (EUA), para visitar o filósofo Olavo de Carvalho, tido como guru do governo Bolsonaro. No dia dos professores, em outubro, ele homenageou a quem chamou de 'Mestre Olavo' Foto: Reprodução
Flávio já esteve em Richmond, na Virgínia (EUA), para visitar o filósofo Olavo de Carvalho, tido como guru do governo Bolsonaro. No dia dos professores, em outubro, ele homenageou a quem chamou de 'Mestre Olavo' Foto: Reprodução

Em razão da propagação de notícias falsas, desinformação e discurso de ódio, o guru teve contas suspensas e publicações apagadas em redes sociais.

Dono de um vocabulário escatológico e presença assídua nas redes sociais, Olavo foi alvo de diversos processos na Justiça por conta de sua distribuição indiscriminada de ofensas. Entre eles estão uma ação movida pelo cantor Caetano Veloso em 2017 por ter sido chamado de pedófilo pelo guru, e cuja indenização soma R$ 2,7 milhões.

Em 2019, criou o site "Brasil Sem Medo", descrito como "o maior jornal conservador da internet brasileira", de amplo apoio ao governo Bolsonaro. Nos útlimos anos se aproximou ainda de Steve Bannon, líder de extrema direita americano e ex-estrategista político Donald Trump.

Polemista e avesso a moderação, o escritor deixou de lado no último ano a defesa incondicional do governo que ajudou a eleger e passou a fazer críticas sobre a condução do país. Em junho de 2020, questionou Bolsonaro por não defendê-lo contra o que ele chamou de "gabinete do ódio contra o Olavo" e acusou-o de prevaricação por "presenciar crimes e não fazer nada contra eles". O guru, no entanto, afirmou posteriormente que continuaria ao lado do presidente.

Além dos constantes alertas sobre o que ele considera ser uma ameaça comunista ao Ocidente, Olavo embarcou por diversas vezes em questionamentos de descobertas científicas consolidadas, como a de que a Terra é redonda. Também difundiu teorias da conspiração como a de que a Pepsi usa células de fetos abortados como adoçante em seus refrigerantes.

Antes de se destacar como um dos influenciadores do conservadorismo, Olavo trabalhou como colunista em veículos como O GLOBO, Época, Folha de S.Paulo, Planeta, Bravo!, Primeira Leitura, Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, Zero Hora e Diário do Comércio. Em 1966, aos 19 anos, foi filiado ao Partido Comunista Brasileiro, que abandonou dois anos depois.

_________________________________________________Glenn Greenwald ataca Brian Mier e o chama de “mentiroso patológico” para justificar seu apoio a Ciro

24 de janeiro de 2022, 16:03

247 - O jornalista Glenn Greenwald atacou nesta segunda-feira (24) o jornalista Brian Mier ao defender o apoio dele e do marido, o deputado federal David Miranda, ao presidenciável Ciro Gomes, do PDT. 

Pelo Twitter, Brian Mier, que é comentarista da TV 247, disse que Miranda havia trocado o PSOL, partido pelo qual foi eleito, pelo "ideologicamente incoerente PDT". "Um partido de coalizões de poder local pouco conectadas que vão da centro-direita à centro-esquerda. Ele atacou Lula e anunciou que ele e Glen vão apoiar Ciro Gomes para presidente", escreveu Mier. 

Ao ser questionado sobre este comentário, Glenn Greenwald chamou Mier de "mentiroso patológico". " Esse cara é um mentiroso patológico. David não fez nenhum anúncio sobre o meu apoio a ninguém. Por que ele iria? Além disso, a ideia de que o PTD é 'ideologicamente incoerente' quando Lula está prestes a escolher um 'golpista' pró-banco de centro-direita é simplesmente hilária. Ciro é um homem de esquerda ao longo da vida", escreveu o jornalista, que divulgou inicialmente a série Vaza Jato, sobre as ilegalidades da Lava Jato. 

Em declaração ao 247, Brian respondeu o ataque de Glenn Greenwald. "Embora tenha criticado o PDT, apoiei minhas declarações em links com fontes confiáveis. Nos 30 anos desde que me mudei para o Brasil, tenho observado o PDT em primeira mão, desde os dias em que meu pai tentou estabelecer uma parceria com a administração do PDT Jackson Lago em São Luís, Maranhão. Marchei junto com o MST contra o golpe contra Jackson Lago quando ele era governador. Imagino minha decepção quando 30% dos deputados/as do PDT votaram a favor do golpe contra Dilma Rousseff em 2016", disse. 

_________________________________________________Terceira via atende pelo nome de Lula, diz Demétrio Magnoli

24 de janeiro de 2022, 08:53

247 – "O fracasso da 'terceira via' está expresso nas sondagens de opinião pública. Segundo as análises convencionais, a explicação para o fracasso encontra-se na polarização política entre Bolsonaro e Lula, que fecharia o caminho a uma candidatura alternativa, de centro. Há bem mais que um simples equívoco no diagnóstico", escreve o colunista conservador Demétrio Magnoli, em seu artigo publicado nesta segunda-feira no Globo.

"Paradoxalmente, a 'terceira via' vai se tornando uma realidade — e atende pelo nome de Lula. O ex-presidente definiu uma estratégia de campanha baseada na ideia de ocupar o centro do tabuleiro político. A democracia unida contra o autoritarismo — eis a mensagem que o candidato procura veicular. A manobra destina-se a fechar o caminho do centro, ocupando-o", prossegue.

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"Não é novidade. Lula operou segundo a mesma estratégia em seu triunfo pioneiro, duas décadas atrás, divulgando a Carta ao Povo Brasileiro e compondo chapa com o empresário José Alencar. A inovação é o passo ousado de articular uma chapa com Alckmin, símbolo de um PSDB que não mais existe. A mensagem: meu governo conectará as políticas sociais lulistas à política econômica tucana. Reconciliação é o nome de seu jogo", aponta ainda.


_________________________________________________PSol, PSB, PDT, Podemos, PSDB vivem lutas fratricidas. Semana é decisiva: favoritismo de Lula é o eixo das discórdias

Por Luís Costa Pinto 24 de janeiro de 2022, 12:10

Por Luís Costa Pinto, do 247 – Na História desse País, só em 1994 o início de um ano em que se votará para presidente da República registrou os percentuais de intenções de voto, a dinâmica dos fatos políticos e a emergência da sociedade tão alinhados numa conjunção astral como a atual. Diferente do ocorrido há 28 anos, contudo, agora é o favorito da largada quem movimenta todas as cartas desse tarô eleitoral com o objetivo de produzir uma força cósmica destinada a confirmar tamanho favoritismo – e não a desafiá-lo.

Todas as variáveis “temperatura e pressão” que exercem força de ajuste na cena política operam naquela que se pode chamar “Casa 13”. O fenômeno está fazendo diversos satélites mudarem o eixo de suas órbitas e regularem o trânsito para fugirem da força de atração gravitacional da estrela maior desse sistema solar, ou para negociarem uma incorporação sem maiores danos, permitindo-lhes conservar intactas suas estruturas.

Negociações por São Paulo e pela Câmara

O PSol, que lida com a mais acirrada divergência interna desde que foi criado, contabiliza 56% dos filiados à sigla favoráveis a uma aliança com o PT já no primeiro turno mesmo que o ex-governador paulista Geraldo Alckmin seja o vice do ex-presidente Lula. É o que defendem Guilherme Boulos, candidato presidencial em 2018, e Juliano Correa, presidente do partido, desde que o compromisso programático dos petistas para um 3º mandato lulista tenha claros contornos de esquerda. Lula e seu entorno no PT topam o desafio e não consideram o pleito uma exigência. 

Uma aliança eleitoral inédita do PSol, ainda no primeiro turno de um pleito presidencial, tende a ser anunciada até março. Glauber Braga, maior líder dos 44% que não desejam essa união agora, admite retirar a pré-candidatura a presidente caso os petistas chancelem determinado rol de programas apresentados pelos psolistas.

Boulos quer preservar a candidatura dele ao governo de São Paulo, o que os petistas consideram um erro, mas, aceitam em derradeira cartada sobre o pano azul do tarô. Caso retire o nome do baralho a partir do qual se decidirá o Executivo paulista, o psolista concorreria a deputado federal (primeira hipótese), ou a vice-governador (improvável) ou ao Senado (também improvável), dependendo do espectro de composição com o PSB do ex-vice-governador Márcio França, que tem a primazia da pedida e com quem as conversas estão mais avançadas. 

Dos dois, França e Boulos, aquele que se acertar primeiro com o PT de Fernando Haddad, cuja candidatura é irremovível, terá o direito de organizar e liderar a união de todos em torno da disputa pela Prefeitura da capital paulista em 2024. Ambos têm interesse na carta – uma espécie de valete de ouro posto sobre a mesa.

Concorrer à Câmara dos Deputados daria a Guilherme Boulos a oportunidade de se converter em valioso puxador de votos para sua legenda. O perfil combativo e a pauta de interesses afinados com a sociedade moderna o transformarão, rapidamente, em polo de convergência e liderança no Congresso a partir de 2023. 

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Mas, França não descarta de forma absoluta também se contentar com uma disputa ao Parlamento, ao Senado ou, o que seria surpreendente para o estágio atual do jogo, à Câmara. Hábil e com grande capacidade de fazer amigos, ex-deputado, ele sabe que num eventual governo Lula e com o PSB tendo crescido a bancada no pleito proporcional, muito provavelmente caberá à sigla socialista designar o nome que disputaria pela base do futuro governo a presidência da Câmara dos Deputados no próximo ano. Retornando ao Congresso como deputado, na legenda de França só um nome tem tanto trânsito quanto o paulista: o carioca Alessandro Molon, que deve abrir mão da pré-candidatura ao Senado no Rio de Janeiro para uma composição entre o PSB de Marcelo Freixo e o PT do presidente da Alerj André Ceciliano.

PDT vive momento de tensão, apesar de Ciro Gomes negar a realidade

Lançado formalmente candidato a presidente da República na última sexta-feira, com esquálidos 3% de intenções de voto segundo a empresa PoderData, vinculada ao site Poder360, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), não sem repetir as grosserias habituais que marcam sua trajetória política, disse em entrevista coletiva que não apoiará Lula nem em eventual segundo turno. “Estou cansado de ajudar o Lula”, declarou, certamente confuso ante a intensidade do fracasso de seus índices de intenção de voto. 

A declaração foi feita antes de Ciro contar mais uma de suas proverbiais mentiras sobre a forma de manutenção do portal Brasil 247 e da TV 247. No dia seguinte, sábado, enquanto coordenava a linha de ataque à aguerrida reação que recebeu de diversos setores da política, da imprensa e dos leitores e telespectadores dos canais 247 (a reação de nosso grupo, a maior das empresas no ecossistema da mídia digital independente, pode ser lida clicando aqui), o pedetista celebrou a desfiliação do deputado David Miranda (RJ) ao Psol e o anúncio de que ele concorreria a deputado pelo PDT com o apoio de seu companheiro, o jornalista norte-americano Glenn Greenwald.

Em 2013, em parceria com o norte-americano Edward Snowden, Greenwald tornou públicos documentos que provavam a existência de um sistema de espionagem e vigilância global promovidos pelos Estados Unidos a partir da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA). As publicações se deram por meio do jornal britânico The Guardian. 

Fundador do site The Intercept e do co-irmão brasileiro The Intercept Brasil, em 2019 Glenn Greenwald foi o eixo central do vazamento de mensagens do aplicativo Telegram nos perfis usados pelo ex-juiz Sérgio Moro e pelo procurador Deltan Dallagnol, além de outros procuradores da desmoralizada “República de Curitiba”, apelido midiático da “Força Tarefa da Lava Jato”. Tornadas públicas, as mensagens levaram o Supremo Tribunal Federal a declarar o ex-juiz Moro como parcial e persecutório. 

A partir daí, as sentenças de Moro contra o ex-presidente Lula começaram a ser anuladas uma a uma, processo que culminou na devolução dos direitos políticos ao petista. Tais direitos haviam sido retirados de forma ilegítima e imoral, pelo ex-juiz, em 2018. Com a candidatura cassada, Jair Bolsonaro venceu o pleito de 2018 em 2º turno com o auxílio de Moro, que virou ministro da Justiça dele logo depois. Ciro Gomes, 3º colocado no 1º turno, há quatro anos, omitiu-se da cena eleitoral no 2º turno, recusou apoio a Fernando Haddad (PT) e refugiou-se em Paris para evitar costurar uma maior ampliação dos palanques da esquerda contra Bolsonaro.

De forma direta, grupos de apoiarores de Ciro Gomes nas redes sociais passaram a associar diretamente a imagem e a reputação de Glenn Greenwald ao candidato pedetista. Advogado e jornalista, Greenwald jamais escondeu a vaidade e as opiniões fortes. Ainda este ano, e antes da eleição, o cineasta José Padilha lançará uma obra de ficção documental sobre o papel do The Intercept e de Glenn Greenwald na Vaza Jato. O hacker Walter Delgatti Neto, que foi o responsável direto por todo o processo, colabora lateralmente com o roteiro, entretanto, não conservou boa relação com o norte-americano. O gênio centralizador de Greenwald provocará ondas de choque cósmico com o publicitário João Santana, que cuida do marketing de Ciro e é igualmente irascível e centralizador. No lugar de se fundir, esse núcleo tende a terminar a campanha fissurado.

David Miranda, companheiro de Glenn Greenwald, cujo apoio foi intensamente comemorado por Ciro como se o anúncio fosse suficiente para apagar os rastros da lambança e das grosserias dele nas redes sociais, não se elegeu diretamente deputado federal: herdou a vaga de Jean Willys, que no início de 2019 renunciou ao mandato conquistado pelo PSol do Rio no pleito do ano anterior. Miranda era o primeiro suplente. A construção da viabilidade eleitoral de Miranda é, agora, um desafio para o PDT fluminense.

Rodrigo Neves, candidato a governador do Rio pelo PDT, luta para ampliar seu palanque e sonha com o apoio formal do PT no estado. Ex-integrante das hostes petistas, Neves deixou o partido e foi para o PV para conseguir se reeleger prefeito de Niterói. Tem muitos simpatizantes na antiga sigla. Contudo, a escalada das agressões de Ciro a Lula pode tornar um apoio do PT a ele um caminho sem volta. Ou, o PT pode exigir a ruptura dele com o PDT para apoiá-lo. Trocas partidárias têm de se dar até 31 de março, para quem deseja disputar o pleito, e Rodrigo Neves não indica até aqui que pretenda trilhar esse caminho. 

No Maranhão, o candidato do PDT ao governo do estado, o senador Weverton Rocha, tomou o rumo da dissidência e assumiu que apoiará o ex-presidente Lula já no primeiro turno. Na Bahia, parte considerável do PDT estadual quer apoiar a candidatura do petista Jaques Wagner a governador e largar a aliança costurada por Ciro Gomes e por Carlos Lupi, presidente do partido, com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). “Até aqui, vamos manter o compromisso com ACM Neto”, disse Ciro na coletiva da última 6ª feira, encerrada brevemente depois da grosseria dele como 247 e por causa de ameaças explícitas de falanges pedetistas à liberdade de jornalistas fazerem perguntas. Leia aqui o relato do ocorrido.

Podemos de Moro e PSDB de Doria lutam por se manterem viáveis

Acossado pelas investigações do Tribunal de Contas da União em torno dos aspectos escandalosos de seu contrato com a empresa norte-americana Alvares&Marsal, que herdou contratos e espólios técnicos de diversas empresas que ele ajudou a quebrar e inviabilizar financeiramente, sobretudo Odebrecht e OAS, o ex-juiz Sérgio Moro passa por calor e exposições inéditas no “sistema solar” eleitoral em que Lula reina como estrela de primeira grandeza. Hoje, começam a ser coletadas assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara dos Deputados destinada a investigá-lo. Proposta pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP), a CPI ganhou apoio do próprio governo e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), comandante do Centrão.

A exposição negativa de Moro o transformou numa espécie de carta “O Enforcado” do tarô eleitoral. Com magérrimos 8% de intenção de voto (segundo o último levantamento PoderData), com dificuldades para chegar nos dois dígitos e se consolidar como alternativa real ao ex-chefe Bolsonaro, o ex-juiz pode largar a cena nacional e contentar-se em disputar uma vaga ao Senado ou a deputado pelo Podemos do Paraná. 

Ex-presidente da Câmara e idealizador original da fusão do DEM com o PSL, dando contornos ao União Brasil, legenda milionária e com maior tempo de TV do que todas as outras, Rodrigo Maia tenta costurar o apoio da sigla – à qual ainda não está filiado – a João Doria (PSDB). Antônio Rueda, vice-presidente do PSL que será o controlador do União Brasil, é simpático à ideia e trabalha por ela. Para conservar seu poder sobre a sigla, Luciano Bivar, que era o “dono” do PSL até alugá-lo para Bolsonaro em 2018, procurou a presidente do Podemos, Renata Abreu, e ensaiou uma aliança entre as siglas com Abreu de candidata a vice-presidente. É jogo de cena – Bivar quer mostrar a Rueda e a Maia que também sabe dar as cartas. 

Doria, por sua vez, está condenado a ser candidato a presidente. Venceu a prévia do PSDB, mas, desuniu seu partido como nunca antes havia ocorrido. Em 2002, Tasso Jereissati foi impedido de disputar prévias com José Serra e aceitou a decisão da cúpula partidária imposta pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Porém, traiu o PSDB apoiando e dando estrutura financeira à candidatura de Ciro Gomes pelo PPS. 

Depois de estender o tapete vermelho a Geraldo Alckmin, ex-governador tucano de São Paulo cujo empenho não economiza para torná-lo vice em sua chapa, Lula se encontrou com o ex-vice-governador paulista, ex-senador e ex-ministro de FHC e de Michel Temer Aloysio Nunes Ferreira. Já havia retomado os contatos diretos – pessoais e telefônicos – com Tasso Jereissati e com o próprio ex-presidente Fernando Henrique. 

Com Doria capaz de crescer até ultrapassar Ciro e Moro – o que é provável – contudo, sem que o ainda governador paulista revele força para se viabilizar como antagonista direto de Jair Bolsonaro e fazê-lo descer do segundo lugar nas pesquisas, os diálogos abertos e francos de Lula com a fina flor do antigo PSDB são as vésperas de um movimento de atração potente e radiante: constrói-se uma grande frente de reconstrução nacional em torno do ex-presidente, com ondas de energia que impactam todos os protagonistas e coadjuvantes da cena eleitoral. J

Já parece não haver “mercúrio retrógrado” com força para desorganizar o alinhamento planetário. Ao menos, com os fatos dados até aqui e com as cartas desse atual tarô de campanha.

_________________________________________________Psol vive o momento crucial de sua história e terá que decidir rapidamente se apoia Lula ou se lança candidato próprio


22 de janeiro de 2022, 20:09

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247 – O Psol, partido fundado em junho de 2004, quando um grupo de parlamentares de esquerda divergiu da reforma da Previdência proposta pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vive hoje o momento crucial de sua história, em que terá que decidir se apoia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou se lança candidatura própria à presidência da República.

DEPOIS de SURFAR na ONDA dos PROTESTOS de junho de 2013, que CULMINARAM com o GOLPE de ESTADO contra a ex-presidente Dilma Rousseff, e de lançar candidatos em todas as eleições presidenciais após sua criação, o Psol está prestes a decidir se apoia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 ou se aposta numa candidatura própria, com o deputado Glauber Braga (Psol-RJ). 

Uma terceira alternativa – que seria o apoio a Ciro Gomes, do PDT – claramente NÃO tem apoio interno, o que ficou claro com a saída de David Miranda, que era suplente de Jean Wyllys e assumiu o mandato quando o parlamentar decidiu se exilar após sofrer ameaças de bolsonaristas.

Miranda migrou para o PDT exatamente porque não tinha espaço no Psol para defender a adesão a Ciro, que, segundo a mais recente pesquisa PoderData, tem apenas 3% nas pesquisas.

Mais do que isso, Miranda declarou que o Psol foi criado para se opor ao PT.

É exatamente aí que reside o drama existencial do Psol. 

Decorridos mais de cinco anos do golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a "oposição ao PT" provocou resultados desastrosos, com o empobrecimento do Brasil e de sua população. 

Não por acaso, o partido perdeu várias lideranças importantes que se aliaram ao Partido dos Trabalhadores ou migraram para legendas que hoje negociam o apoio a Lula. 

Jean Wyllys deixou o Psol em maio de 2021 e se filiou ao PT, acompanhando um movimento que havia sido iniciado por Marcia Tiburi em 2018. 

Em novembro do ano passado, foi a vez de Leonel Brizola Neto. 

Dois meses antes, Douglas Belchior, líder da Coalizão Negra por Direitos, também trocou o Psol pelo PT, criticando a demora do partido em definir o apoio a Lula. 

Em junho do ano passado, o mais notório parlamentar do partido, Marcelo Freixo, trocou o Psol pelo PSB, para tentar viabilizar sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro, com apoio de Lula.

Restam hoje no Psol oito parlamentares: 

Áurea Carolina (Psol-MG), 
Fernanda Melchionna (Psol-RS), 
Glauber Braga (Psol-RJ), 
Ivan Valente (Psol-SP), 
Luiza Erundina (Psol-SP), 
Sâmia Bomfim (Psol-SP), 
Talíria Petrone (Psol-RJ) e 
Vivi Reis (Psol-PA). 

A indecisão vem corroendo o partido por dentro. Nome mais importante da legenda do ponto de vista eleitoral, Guilherme Boulos afirma que defenderá o apoio a Lula. 

Em entrevista à TV 247, Juliano Medeiros falou sobre esta possibilidade, desde que o programa tem maior clareza ideológica. Confira:

_________________________________________________Vilma Reis: "há muita DESONESTIDADE_INTELECTUAL nos ATAQUES ao MOVIMENTO NEGRO"

Em 20 anos, nós enterramos 1 milhão e 200 mil jovens negros. São 60 mil por ano. 

Isso pode ser pouco para alguém?". 

21 de janeiro de 2022, 23:18

247 - Em entrevista à TV 247, a socióloga e ativista Vilma Reis, uma das grandes lideranças do movimento negro no País, falou sobre ataques sofridos por militantes. 

“A mídia corporativa nos atacou de forma covarde na luta pelas cotas. E os ataques que sofremos tanto dessa mídia como de SETORES da ESQUERDA têm muita DESONESTIDADE INTELECTUAL ”, afirma.

Reis cita a filósofa e ativista Sueli Carneiro, afirmando que o fenômeno histórico mais longevo da nossa sociedade é a escravização do povo negro, que durou mais de 400 anos. 

Segundo ela, militantes do movimento negro sofrem preconceitos e ataques até mesmo dentro do campo progressista. 

“Atacar o movimento negro e esconder esses fatos é desonestidade intelectual. Há dirigentes políticos que vivem procurando treta com o movimento negro, que SE PAUTA pela AUTONOMIA e CONTRA as TUTELAS POLÍTICAS. Nós não daremos um passo atrás, a não ser para ganhar impulso”, afirma. 

Reis ressalta que a população negra equivale a 56,2% do país, mas, no entanto, ocupa apenas 2,3% do espaço de poder no Congresso Nacional. 

Enquanto isso, ela é massacrada nas ruas. “E pode haver quem ache isso irrelevante? 

Em 20 anos, nós enterramos 1 milhão e 200 mil jovens negros. 
São 60 mil por ano. 
Isso pode ser pouco para alguém?". 


_________________________________________________"Texto da Folha é carente de base filosófica e estudos científicos", diz advogado Júlio César Santos

21 de janeiro de 2022, 09:31

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247 - A Folha de S. Paulo publicou no último domingo (16) um artigo do antropólogo Antonio Risério com o título "Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo". A “tese” se sustenta no argumento de que negros praticam racismo contra brancos. Acusa ainda a esquerda, o movimento negro e a imprensa de reproduzir um "projeto supremacista", cujas vítimas seriam os não-negros. O advogado Júlio César Santos, professor, mestre e doutorando em Direito Político e diretor do Instituto Luiz Gama falou sobre o acontecimento na TV 247.

“Por que é interessante para os defensores do ‘racismo reverso’ que essa configuração exista? Se consegue criar a ideologia de que o racismo pode ser praticado pelos negros. Se consegue criar um corpo que combate aqueles e aquelas que lutam contra o processo ideológico da escravidão, que lutam contra a cultura dos privilégios, num momento que estamos experimentando cada vez mais como é necessário manter os privilégios de classe”, explicou Santos. 

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Segundo ele, a tese foi argumentada de forma desestruturada e sem nenhuma base. Para Santos, o texto é carente de base filosófica e estudos científicos. “Nos dias atuais não é preciso ter base de apoio para ter pessoas que seguem aquilo que faz. Basta dizer aquilo que agrada”, afirmou. 


_________________________________________________“Nova esquerda envereda cada vez mais pela direita”, diz Rui Costa Pimenta

RCP
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247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, criticou, em entrevista à TV 247, a emergência do fenômeno que ele categoriza como “nova esquerda”, quando questionado sobre a percepção em torno de sua figura como aquele que “toca em pontos que outros setores desse espectro não querem tocar”. Segundo Pimenta, esta parte do espectro “possivelmente nem seja de esquerda”.

Em referência à sua participação no Flow Podcast, de Monark e Igor 3K, Pimenta destacou o espírito amigável e franco da conversa: “as pessoas foram comigo lá e perguntaram quem foi que fez o convite? O rapaz que é uma espécie de produtor do programa falou que foi o próprio Monark. Imagino que ele quis convidar por motivos políticos, sim. Só que, curiosamente, a conversa não andou muito por aí”. 

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“Me deu a impressão que eles estavam interessados mais em coisas diferentes, ou não sei se eles ficaram interessados”, disse.

Cultura do cancelamento 

Para Pimenta, a cultura do cancelamento é, na verdade, completamente alheia à esquerda. Ele sublinha que a liberdade de expressão deve ser absoluta.

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“O que está acontecendo é que surgiu no mundo, no último período, um novo tipo de esquerda. E inclusive vamos ter que esperar para ver se esse novo tipo de esquerda é verdadeiramente uma esquerda”, disse. “Possivelmente, talvez nem seja uma esquerda, e sim uma esquerda que está evoluindo à direita, que são os identitários. Uma característica que eles têm que a esquerda nunca teve é a ideia de que você pode transformar o mundo através dos aparatos repressivo, policial, judicial e militar. Essa é uma ideia totalmente alheia à esquerda”. 

“Não sei quem elaborou essa ideia, mas dizem que ‘a liberdade de expressão não é absoluta’. É uma ideia conservadora, não é reacionária e de extrema direita. Alguns deles começaram a enveredar para um conservadorismo explícito”. 

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A direita está herdando as reivindicações democráticas, que, segundo ele, deveriam ser da esquerda:

“Por exemplo, adotando a ideia de que ‘não é possível ser tolerante com os intolerantes’. Essa é uma ideia de direita. A esquerda nunca teve essa posição. Está acontecendo algo muito problemático, que é a direita estar herdando, temporariamente, lógico, porque não vai durar, as reivindicações democráticas”. 

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Questionado sobre se Igor e Monark mostram mais espírito democrático que a "nova esquerda", Pimenta respondeu: "Sim, e genuinamente, porque, por exemplo, o Bolsonaro fala em liberdade, e eu não levo isso a sério". "Mas no caso deles eles acreditam nisso sim", disse. 

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Lenio Streck ironiza hipocrisia de Moro, que tentou tratar brasileiros como idiotas

Lenio Streck e Sergio Moro
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247 – O jurista Lenio Streck ironizou o tweet do ex-juiz Sergio Moro, em que ele tratou os brasileiros como idiotas, ao dizer que nunca trabalhou para a Odebrecht, quando todos sabem que ele está sendo investigado pelo Tribunal de Contas da União por ter sido contratado por uma empresa que lucrou com a quebra da construtora. Confira e saiba mais:

Do Conjur – Na última terça-feira (18/1), o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, garantiu ao Ministério Público de Contas, representado pelo subprocurador Lucas Furtado, "acesso integral" às informações do contrato do ex-juiz da "lava jato" e atual pré-candidato à presidência da República Sergio Moro com a consultoria Alvarez & Marsal.

Antes da decisão, aliados de Moro se revezaram em ataques ao ministro Bruno Dantas e ao subprocurador Lucas Furtado, em clara tentativa de intimidação. Os dados mostram que 75% da receita da filial brasileira da Alvarez & Marsal foram obtidos de empresas envolvidas com a "lava jato".

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Especialistas ouvidos pela ConJur entendem que há indícios para justificar uma investigação mais profunda do ex-juiz. Moro atuou na Alvarez & Marsal após deixar o Ministério da Justiça do governo Bolsonaro. A ida de Moro para a vida pública ocorreu após ele ter atuação decisiva como magistrado na eleição de 2018. Posteriormente, com as revelações da "vaza jato", ele foi declarado suspeito para julgar casos envolvendo o ex-presidente Lula. A decisão gerou uma verdadeira cascata de nulidades nos processos do ex-juiz.

No caso envolvendo o trabalho de Moro para a consultoria norte-americana, os indícios apontam a ocorrência da chamada "porta giratória", que ocorre quando um indivíduo pratica ações no serviço público que causam consequências em determinados segmentos econômicos e, depois, vai trabalhar na iniciativa privada, beneficiando-se dos efeitos que ajudou a produzir.

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Laços
Outro caso rumoroso envolvendo lavajatistas diz respeito ao padrinho político de Sergio Moro. A revista Veja informou na segunda-feira (17/1), que Álvaro Dias — que costuma se gabar de nunca ter sido investigado pela "lava jato" — foi mencionado como destinatário de propina em inquérito aberto pela autoapelidada força-tarefa. Contudo, a investigação ficou parada por três anos.

O inquérito, que foi iniciado na Justiça federal de São Paulo, abordava os operadores Adir e Samir Assad, empresas controladas por eles e o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran. O procedimento continha um e-mail supostamente enviado por Samir Assad para funcionários da Odebrecht que falava de acertos milionários de propina com parlamentares.

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Um deles era Álvaro Dias — supostamente apelidado de Alicate nas planilhas da empreiteira —, que teria pedido R$ 5 milhões para não levar adiante os requerimentos de quebra de sigilo, feitos por ele, que atingiriam as empresas de Adir Assad na CPMI do Cachoeira. À época senador pelo PSDB, Álvaro Dias integrava a comissão.

_________________________________________________Hildegard Angel diz que Globo levanta Ciro para que ele ataque Lula

247 – A jornalista Hildegard Angel explica o destaque concedido pela Globo ao lançamento da pré-candidatura de Ciro Gomes, do PDT, a despeito de seus 3% na mais recente pesquisa PoderData. Segundo ela, Ciro cumpre uma função nesta disputa eleitoral: atacar Lula. Confira:

@hilde_angel

O que me inspira a farta cobertura do JN de ontem, repetida no Jornal Hoje, do anúncio da pré-candidatura de Ciro 3%?

Inspira que para os experts da Rede Globo Moro 10% FLOPOU, PERDEU a credibilidade e NÃO gera ESPERANÇA nas URNAS. Já Ciro ainda teria SERVENTIA: DESANCAR LULA.

_________________________________________________Estadão AGRIDE LULA e mostra que elite do atraso pode fechar NOVAMENTE com BOLSONARO.

PARTE da elite do ATRASO NÃO tem PUDORES em se ALIAR NOVAMENTE ao NEOFASCISMO bolsonarista.

23 de janeiro de 2022, 05:24

247 – O jornal Estado de S. Paulo, que REPRESENTA os INTERESSES daquilo que o sociólogo Jessé Souza rotulou como "ELITE do ATRASO", partiu para o ATAQUE contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sinalizando que pode se ALIAR mais uma vez a Jair BOLSONARO.

"Considerando tudo o que o PT fez e deixou de fazer ao longo de seus 40 anos de existência – muito especialmente, no período em que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff estiveram no Palácio do Planalto –, uma nova candidatura petista à Presidência da República não deveria suscitar entusiasmo na população", escreveu o editorialista do jornal, neste domingo.

Insatisfeito com pesquisas que mostram chance de vitória de Lula em primeiro turno, o jornal diz que "as sondagens revelam um dado importantíssimo: parte do eleitorado está se esquecendo de quem é Lula". 

O editorialista também afirma que "o líder petista não tem nenhuma credencial para se apresentar como o salvador da democracia". 

A despeito da comprovação de que Lula foi preso político, o jornal TENTA sustentar ACUSAÇÕES que JÁ foram ANULADAS pelo Poder Judiciário. 

"Nos últimos anos, o líder petista dedicou-se a desmoralizar, perante o mundo, o Estado Democrático de Direito brasileiro. 

Em vez de uma defesa técnica nas várias ações penais em que se viu envolvido, Lula promoveu verdadeira campanha difamatória contra o Judiciário, sugerindo que, por trás de cada condenação, mesmo colegiada e amplamente baseada em provas, havia uma conspiração (internacional!) para prejudicá-lo", aponta ainda o editorial.

Fica claro, portanto, que parte da elite do atraso NÃO tem PUDORES em se ALIAR NOVAMENTE ao NEOFASCISMO bolsonarista.

_________________________________________________Brian Mier critica oportunismo de David Miranda

Brian Mier

247 – O jornalista Brian Mier, comentarista da TV 247, criticou o ingresso de David Miranda, no PDT, para apoiar Ciro Gomes. "O marido de Greenwald, o congressista David Miranda, trocou o PSOL pelo PDT ideologicamente incoerente – um partido de coalizões de poder local pouco conectadas que vão da centro-direita à centro-esquerda. Ele atacou Lula e anunciou que ele e Glenn vão apoiar Ciro Gomes para presidente", escreveu.

"Miranda ainda não ganhou uma eleição para o Congresso. Ele assumiu o poder como substituto de Jean Wyllys, que deixou o país após repetidas ameaças de morte de membros da coalizão de Bolsonaro filiados a milícias, depois de não obter votos suficientes para ser eleito deputado", lembrou Brian.

"Uma das primeiras coisas que aprendi sobre a política brasileira quando me mudei para cá foi que a maioria das pessoas vê os políticos que pulam de partido em partido como oportunistas. O próprio Ciro Gomes trocou de partido 5 vezes – é provavelmente uma das razões pelas quais ele está em 4%."

_________________________________________________David Miranda diz que PDT é "de esquerda" e que Psol não deve se submeter "obedientemente ao PT"

David Miranda e Glenn Greenwald debocham do Pavão Misterioso
22 de janeiro de 2022, 18:00

Carta de desfiliação de David Miranda – Inicio esta carta agradecendo ao PSOL, em especial aos companheiros do MES (Movimento Esquerda Socialista), na figura de Luciana Genro e das minhas amigas Deputadas Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim e Vivi Reis. Minha profunda gratidão pela troca nesses anos tão intensos e decisivos da vida política nacional. É um orgulho ter feito parte da nossa história comum. Semeamos para o futuro e é com essa certeza que deixo meu abraço fraterno aos militantes incansáveis dessa jornada que logo encerro para começar outra.

A minha saída do PSOL – que será efetivada em março –, não significa uma ruptura com os atuais companheiros de luta – que continuo considerando aliados -, nem um afastamento dos valores que me levaram ao partido anos atrás. Pelo contrário, em diversos sentidos representa um retorno aos valores que me motivaram a entrar para a política, e uma oportunidade de renovação e radicalização deles. 

Reconheço no PDT diversos valores históricos e atuais fundamentais para a reconstrução do Brasil, em especial os ideais trabalhistas e o legado de Leonel Brizola. Mas minha para o PDT em breve, não significa que concordo com todas as votações recentes da bancada do partido no Congresso. Nenhum partido político é perfeito, mas o PSOL, a meu ver, corre o risco neste momento de sacrificar a sua essência para se tornar um braço leal de um partido e ideologia a que foi criado para se opor.

Brizola é reconhecidamente uma das maiores, senão a maior, liderança política que o Brasil já conheceu. A revolução educacional que promoveu junto com Darcy Ribeiro é até hoje considerada o maior projeto do setor já visto no país. Seus Centros Integrados de Educação Pública (CIEP) deram oportunidade de ensino de qualidade, além de acesso à alimentação, saúde e lazer, para milhões de crianças pobres no RS e no RJ. Eu fui uma dessas crianças. Estudei no CIEP Vinícius de Moraes – na entrada da favela do Jacarezinho onde nasci – e sou fruto da emancipação que de fato somente a educação pode promover. 

Minha forma de entender e fazer política sempre foi e sempre será informada muito mais por experiências vividas do que por teorias. Cresci em uma favela, me tornei órfão aos cinco anos de idade de uma mãe que precisou fazer qualquer coisa só para sustentar os filhos e que morreu em decorrência de um câncer provocado por violência obstétrica durante o parto. Nunca conheci meu pai, dormi na rua e passei fome quando saí de casa em algumas ocasiões, apesar de ter recebido acolhimento de minha tia que havia perdido o marido. Essa é e sempre será minha principal formação política. 

Não sou uma pessoa que entrou na política como subproduto de uma máquina partidária, de uma dinastia familiar, ou com dogma rígido, nem com a intenção de ser servo sem críticas de qualquer governo. Sempre fui e ainda sou um político da militância, fazendo política em conjunto com ativistas como iguais, e com um objetivo principal: melhorar materialmente a vida de todos e principalmente daqueles como as pessoas com quem cresci e outros tantos milhões que têm histórias semelhantes à minha e de minha família: os mais marginalizados do nosso país.

Além de construir escolas em nossas comunidades, durante suas duas gestões como governador do estado Brizola ainda defendeu os direitos humanos das populações mais pobres, proibindo a polícia de dar cobertura a ações de despejo ou reintegração de posse nas favelas, bem como de realizar operações violentas e autoritárias nesses territórios. Isso, para mim, é a política e o legado da Brizola. 

É para renovar e atualizar esse legado histórico em toda sua radicalidade e promover uma síntese entre ele e as lutas atuais que somente um homem negro, favelado, LGBT pode representar, que escolhi ir para o PDT.  

Acredito que é o partido de esquerda mais bem posicionado para superar a polarização atual, pois é o único com um candidato à Presidência com um projeto para o Brasil que não depende de pactos com aqueles que sempre foram e continuam sendo inimigos do povo. Compartilho com Ciro Gomes a visão de um plano nacional de desenvolvimento socioeconômico que tenha como bases a reforma tributária e a taxação de fortunas, o acesso a ampla educação de qualidade e a geração de trabalho e renda para todos os brasileiros, sobretudo os mais pobres. 

Estas são também estratégias de Rodrigo Neves para o combate à violência na cidade do Rio, a partir do entendimento acertado de que tráfico e milícias são as consequências e não causas da crise que assola nosso estado. Assim como Brizola, Neves e eu também entendemos a violência como fruto da falta de educação e emprego, e compartilhamos o sonho de ver nosso estado voltando a ter a posição de destaque que merece no cenário nacional e todas nossas crianças estudando em período integral. 

Nos próximos meses apresentarei contribuições aos programas de governo federal e estadual para o combate à fome e à violência, defesa dos direitos humanos e da diversidade, promoção da educação e da cultura, proteção ao meio ambiente e aos animais. Essas contribuições serão construídas de forma participativa com os movimentos sociais que já me acompanham, e agora também com os diversos movimentos internos do PDT, com os quais desejo andar de mãos dadas, sem esquecer a militância espontânea que se organiza em torno de Ciro, do PND, do trabalhismo.

Entre os novos companheiros de partido espero encontrar aliados para propostas pragmáticas necessárias para promover melhorias imediatas na vida dos mais necessitados –  sem no entanto abrir mão da luta de longo prazo por mudanças sistêmicas. Quem tem fome ou quem está no meio do fogo cruzado entre polícia e crime organizado, tem pressa e a vida de todas as pessoas deve sempre ser mais importante que qualquer disputa ideológica. 

Apesar da origem humilde, eu não dependo da política para viver, e por isso posso seguir minhas convicções. Não me interessa uma atuação política pautada unicamente por dogmas, por um purismo ideológico ou um identitarismo elitista descolado da realidade material dos mais pobres. As pautas identitárias são e sempre serão centrais na minha própria identidade e atuação política, mas o seu descolamento da luta de classes, sua absorção pela lógica neoliberal  têm levado ao acirramento das diferenças entre grupos oprimidos, em vez da construção de um projeto coletivo de libertação.

O fazer político dentro de uma democracia exige o diálogo justamente com aqueles que pensam diferente, sobretudo em épocas de grandes retrocessos como a que enfrentamos agora. Mas parte da esquerda brasileira parece ter esquecido desta premissa básica e ter se tornado refém da lógica do cancelamento que predomina nos ambientes digitais, levando essa lógica para dentro da atuação política. 

Nem o fato de eu dialogar pontualmente com representantes de campos ideológicos diferentes  para avançar projetos de lei importantes para os mais necessitados que de outra forma não seriam aprovados, nem o fato de oferecer oposição ao PT e a Lula me tornam menos de esquerda. A defesa da pluralidade política, do devido processo legal e do direito de oposição sempre foram valores de esquerda.

Vale lembrar que foi meu marido, Glenn Greenwald, quem liderou a série investigativa Vaza Jato que expôs a ilegalidade e abusos do judiciário na prisão de Lula, que eventualmente culminaram em sua absolvição. Como foi o caso da reportagem de Snowden – quando fui detido e ameaçado de processo pelo governo britânico em 2013 – Glenn e eu trabalhamos juntos e nos apoiamos para essa reportagem, com nossas vidas derrubadas com constantes ameaças e pressões. Essas são as batalhas em que acreditamos.

Entretanto, dialogar com os que pensam diferente não significa deixar de assumir um posicionamento firme em defesa dos mais oprimidos, e muito menos voltar a fazer pacto com a grande burguesia e seus representantes para vencer as eleições no primeiro turno. Tampouco significa usar da fragilidade do momento atual para articular uma federalização que na prática significará a homogeneização da esquerda pela máquina petista. 

O PSOL nasceu em 2003 de uma dissidência do PT, quando quatro parlamentares petistas foram expulsos por se recusarem a seguir orientação partidária e votar a favor da reforma da previdência – projeto tradicionalmente rejeitado pelo partido e contrário aos interesses do povo. Por isso sempre defendi uma candidatura própria do PSOL à Presidência no primeiro turno, para que tivéssemos condições de apresentar um programa alternativo ao do PT, e disputar ideologicamente sua hegemonia dentro da esquerda.

Não é hora de se submeter obedientemente ao PT e aceitar covardemente que um retorno ao passado é o melhor que podemos fazer pelo Brasil neste momento. É hora de ter coragem.  E caso Lula venha a ser eleito, acredito ser ainda mais importante e necessária a articulação de uma oposição ao governo dentro do campo da esquerda. A oposição é do jogo democrático e não podemos deixá-la a cargo somente da direita sob o risco de continuarmos alimentando a mesma polarização atual. 

Com Ciro e com os novos companheiros do PDT em breve poderei construir um projeto de desenvolvimento econômico pautado pelo desenvolvimento humano, pois “desenvolvimento sem educação é criação de riquezas apenas para alguns privilegiados“, já dizia Brizola. 

A herança brizolista tem profundo significado afetivo em minha trajetória pessoal, pois tenho certeza que eu jamais teria chegado aonde cheguei e me tornado Deputado Federal, não fosse o acesso à educação que tive com a construção do Brizolão na entrada da favela. A ida para o PDT representa portanto um retorno às minhas raízes, ao meu território de origem, à minha comunidade para a partir daí mobilizar uma nova inteligência e imaginação políticas capazes de produzir um novo futuro para o Rio de Janeiro e para o Brasil. 

É com esse sentimento de renovação e construção de futuro que eu irei para o PDT.  Para renovar meu compromisso comigo mesmo e com os meus. Mas também para renovar o compromisso do partido com seu próprio legado histórico. 

Eu, homem negro, LGBT, cria do Jacarezinho, pai e marido, me considero herdeiro de Brizola. Não por carregar seu sobrenome, mas por ser o resultado direto da revolução educacional e da defesa dos direitos dos pobres e favelados que ele promoveu. Nada mais simbólico que uma criança beneficiada por sua visão de mundo no passado seja agora um dos agentes de mudança a levar esse legado para o futuro. 

Brizola vive! Ele vive em mim e em todas as crianças emancipadas por sua revolução educacional.

_________________________________________________Em obra exemplar, a gritante atualidade de Toussaint Louverture (1740-1803) - Paulo Moreira Leite

Por Paulo Moreira Leite 22 de janeiro de 2022, 06:04


Num momento em que a sucessão presidencial marca a conjuntura política de vários países da América do Sul, vale a pena encarar as 583 páginas de "O maior revolucionário das Américas: a vida épica de Toussaint Louverture", recém chegado às livrarias do país.

Nascido numa família de escravizados da colônia francesa Saint Domingue, mais tarde batizada como Haiti, Toussaint Louverture (1740-1803) foi um dos personagens principais das lutas de libertação da América Latina.  

Toussaint liderou, organizou -- e armou -- a população negra para enfrentar e derrotar a escravidão, num processo que levaria o país a proclamar sua independência, numa mudança  com poucos  paralelos na região.  

Sabemos que em boa parte dos países latino-americanos, o caminho para a autonomia nacional acabou  construído através de um pacto com os novos senhores. 

Assim, uma elite colonial de origem espanhola e/ou portuguesa afastou-se das casas imperiais de Madri e Lisboa para servir à potência global da época, o Império Britânico, que dispunha de capital e canhões para garantir uma transição sem atropelos, evitando que a separação com a antiga metrópole abrisse caminho para a ascensão de lideranças nativistas,  boa parte delas com ideias republicanas. 

Entre vários exemplos deste processo, o caso   brasileiro talvez seja o mais conhecido e mais típico. Num território onde a emergência de forças sociais mobilizadas pela ideia de independência deu origem à Confederação do Equador, em Pernambuco, ou à  Inconfidência Mineira, em Ouro Preto, uma fatia da Casa Orleans e Bragança abriu os cofres enriquecidos pelo ouro e demais riquezas da colônia para garantir uma continuidade sem conflitos maiores. 

Comprou os serviços da esquadra de Lorde Cochrane, mercenário a serviço do Império Britânico que não só garantiu uma transição em família, mas também preservou um aspecto essencial da ordem social -- o trabalho escravo e a submissão das nações indígenas --, além de evitar que a independência abrisse as portas a processos autônomos, quem sabe democratizantes.   

Em Saint Domingue, o país de Toussaint, o processo seguiu outro curso, num ambiente de mobilização popular e  luta revolucionária. 

Saint Domingue ainda era uma colonia, em 1801, quando seus cidadãos, reunidos em assembléia, decidiram abolir a escravidão "para sempre", numa decisão que chama atenção pelo calendário da região. 

A  vitória de Abraham Lincoln na Guerra de Secessão, que eliminou a escravidão nos Estados Unidos, só iria ocorrer 65 anos depois da histórica decisão de Saint Domingue. A lei Áurea que extinguiu o cativeiro no Brasil só seria assinada por Izabel 87 anos mais tarde, numa delicada negociação que impediu qualquer indenização à população negra e preservou as regras excludentes sobre a propriedade da terra.  

Com auxílio de uma potência intelectual respeitável,  Sudhir Hazareesing, acadêmico dedicado a estudar ideias políticas que marcaram a história da França e Inglaterra, "O maior revolucionário..."combina erudição e engajamento para narrar uma epopeia gigantesca, onde se aprende lições essenciais sobre as ideias políticas, frequentemente ameaçadas pelos interesses materiais das camadas com acesso ao poder e ao dinheiro.  

Assim, sob o comando de Napoleão Bonaparte,  a mesma França  que pregava Liberdade, Igualdade e  Fraternidade para seus cidadãos, mobilizou homens e armas para  organizar uma expedição de 20.000 soldados para invadir Saint Domingue na esperança de revogar a abolição. 

Apesar do esforço da Metrópole, do ponto de vista prático o efeito foi um desastre. A operação acabou estimulando a resistência da população nativa, que em janeiro de 1804 proclamaria a independência -- processo que o próprio Toussaint não tinha muita pressa em consumar.

Do ponto de vista do futuro da região, o desastre foi ainda maior. Desorganizou um sistema político em construção para dar lugar a um deserto institucional que, salvo exceções de sempre, permanece até hoje.   

Interessado em eliminar Toussaint da cena política, cuja liderança era vista como ameaça em Paris,  Napoleão cometeu um crime à luz do dia: determinou que ele  fosse capturado em Saint Domingue e deportado com a família para a França. 

Ali, num momento em que povos e países definiam seu destino em várias partes do mundo, o principal líder político do futuro Haiti   foi internado no Forte de Joux, fortaleza na fronteira com a Suíça, de onde sairia sem vida, oito meses depois -- contaminado por uma pneumonia, doença sem cura pelos conhecimentos da medicina da época, mas que podia ser provocada para eliminar personalidades indesejáveis. 

Nunca se saberá o que poderia ter acontecido caso o desfecho dessa história tivesse sido diferente. Toussaint movia-se numa realidade áspera mas possuía um raro senso de equilíbrio político.  Possuía uma clareza radical nos objetivos que pretendia alcançar, mas era ponderado nos métodos empregados para chegar onde pretendia. 

Não abria mão da abolição da escravatura, linha divisória no universo de seu tempo. Mas não tinha pressa numa independência que provocasse uma ruptura com a França -- que só iria ocorrer após sua morte -- e era capaz de enxergar uma existência de cooperação com os Estados Unidos da América, império ainda em construção no período. 

Na conclusão de "O maior revolucionário das Américas...", Sudhir Hazareesingh produz uma reflexão aprofundada em torno da herança de seu personagem. 

Recorda a presença de suas ideias no trabalho de pensadores influentes  como Edward Said, autor do clássico Cultura e Imperialismo,  do poeta Aimé Césaire, criador do conceito de negritude. Hazareensingh também lembra que Toussaint foi homenageado pelo rock de Carlos Santana e pelo  jazz de Duke Ellington, além de ter sido retratado num quadro de Jean-Michel Basquiat. 

"Toussaint é muito mais do que uma relíquia gloriosa, a ser mencionada em aniversários oficiais", escreve.  "Serve como lembrete de que as injustiças globais de hoje, dentro das sociedades e em todas as sociedades, têm profundas raízes históricas". 

Dois séculos e 20 anos depois de um homicídio programado, a herança de Toussaint Louverture permanece como uma inspiração necessária  em momentos de mudanças históricas.   

Alguma dúvida?

_________________________________________________O professor de Deus: quatro perguntas para Sergio Moro - José Eduardo Cardozo

Por José Eduardo Cardozo 22 de janeiro de 2022, 08:00

Apesar dos avanços da psicologia cognitiva, ainda hoje os nossos concursos públicos ignoram a possibilidade de se avaliar a inteligência emocional dos que desejam ocupar cargos públicos. A aprovação em provas de conhecimentos é tida como critério meritocrático suficiente para a escolha dos mais aptos a exercerem funções públicas, independentemente de saberem lidar ou não com as suas emoções.

Tenho hoje a convicção de que se os concursos públicos para a magistratura avaliassem o nível de inteligência emocional dos seus candidatos, Sergio Moro nunca teria sido juiz. Algo, porém, me tranquiliza. Mandatos eletivos não são outorgados por concursos de provas ou de provas e títulos, nem pela avaliação que os candidatos fazem de si próprios. As urnas eleitorais — embora possam ocorrer equívocos — costumam ser mais eficientes nessas avaliações. Soberbos, arrogantes e ególatras, a menos que sejam bons atores, raramente conseguem ter empatia com os eleitores.

Por isso, vendo as manifestações recentes em que assume publicamente a sua ambição política, avalio que o ex-juiz dificilmente vencerá a próxima eleição presidencial. Moro largou a toga, mas não perdeu a arrogância. E sequer revela talento para escondê-la.

Em um artigo recente, Moro resolveu ensinar jornalistas a entrevistarem o ex-presidente Lula. Como aquele que tudo sabe, afirmou que esses profissionais estariam sendo "bem generosos" com o seu oponente e que seriam despreparados por não fazerem a "lição de casa" de estudar para as suas entrevistas. Como se fosse um professor de jornalismo, sugeriu perguntas a serem feitas pelos profissionais da imprensa para aquele que prendeu e afastou da eleição presidencial, abrindo o caminho para a vitória de Jair Bolsonaro. Também não economizou autoelogios, sugerindo que — pasme-se — teria sido um exemplo de "bom juiz". Mas e quanto às suas decisões anuladas pela nossa Suprema Corte? Erradas, claro. Magistrados que desfazem as suas decisões incorrem, para ele, em crime de "lesa-divindade". Aliás, aqueles que criticam a "lava jato" pelos abusos cometidos seriam sempre defensores de "bandidos".

No Brasil, o país das vassourinhas que varrem bandalheiras e dos caçadores de Marajás, super-heróis autoritários que combatem a corrupção, atingindo adversários e poupando aliados, não são novidades. O "novo" em Moro está no fato dele ter agido assim vestindo uma toga. E hoje, com a mesma arrogância e desfaçatez de quando dizia que era um juiz imparcial e não tinha um projeto político, ao mesmo tempo em que violava garantias constitucionais, decretava prisões cautelares abusivas para obter delações premiadas e condenava réus sem provas, quer ensinar jornalistas a fazerem perguntas que já foram respondidas e provadas nos autos do processo judicial em que suas condenações foram anuladas.

Não quero ensinar a nenhum jornalista a sua profissão. Mas como cidadão gostaria de ouvir de Sergio Moro, sem tergiversações, respostas que, até hoje, não encontro em nenhum processo judicial. Pergunto então a ele:

1) as mensagens divulgadas pelo The Intercept Brasil são falsas ou verdadeiras?

2) se foi um bom e imparcial juiz por que divulgou, ilicitamente e de modo descontextualizado, um diálogo mantido entre a ex-presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, indevidamente interceptado? Se não errou ao assim decidir, por que então pediu publicamente "desculpas" ao STF?

3) uma das dez medidas contra a corrupção propostas pelos membros da "lava jato", defendia a possibilidade de utilização de provas ilícitas para condenações sancionatórias. Considerando que se essas medidas tivessem sido aprovadas, as mensagens ilicitamente obtidas por um hacker poderiam ser utilizadas para condená-lo, ainda afirmaria que os garantistas que defenderam a não aprovação dessa medida estavam apenas defendendo "bandidos"?

4) a que título e de que forma desempenhou atividades na Consultoria Alvarez & Marsal? Que valores percebeu, inclusive em decorrência da rescisão contratual? Por que não os apresenta ao TCU já que sempre disse que o melhor desinfetante é a "luz do sol"? Como justifica não existir conflito ético pelo fato de ter prestado serviços para uma empresa que percebeu elevados pagamentos de companhias investigadas pela "lava jato"?

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