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_________________________________________________https://www.uol.com.br/ecoa/reportagens-especiais/causadores-paul-watson/#cover 

*****____________________________________________ÔMICRON: como evitar o USO ERRADO da MÁSCARA 'CERTA'

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2022/01/31/omicron-como-evitar-o-uso-errado-da-mascara-certa.htm *****____________________________________________

SAIBA por quanto tempo é RECOMENDADO usar a MESMA MÁSCARA e como CONSERVÁ-LA *****____________________________________________

2022-01-19: Pandemia NÃO ESTÁ NEM PERTO do FIM, adverte OMS (Tedros Adhanom) ________________________________________________2022-02-07: PANDEMIA: AFROUXAR restrições, mesmo em áreas com POUCOS CASOS, pode causar 2 MILHÕES de mortes em UM ANO ________________________________________________O que muda na prática SE COVID VIRAR ENDEMIA? ________________________________________________

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Distribuição de casos leves e graves e óbitos por mês de início dos sintomas Foto: Editoria de Arte
Distribuição de casos leves e graves e óbitos por mês de início dos sintomas Foto: Editoria de Arte

__________________________________________________PERDA de QI - Uma nova rotina. Estudos científicos mostraram ALTERAÇÕES no CÉREBRO em exames de imagem de pacientes que tiveram covid

Estudos científicos mostraram alterações no cérebro em exames de imagem de pacientes que tiveram covid - Getty Images - Getty Images

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_________________________________________________'Parece que perdi pontos de QI', diz neurologista que pesquisa e sofre com covid longa

Estudos científicos mostraram alterações no cérebro em exames de imagem de pacientes que tiveram covid - Getty Images - Getty Images
Estudos científicos mostraram alterações no cérebro em exames de imagem de pacientes que tiveram covid Imagem: Getty Images
Por ser neurologista, Clarissa Yasuda diz que percebe "diferenças muito sutis" em suas funções cognitivas depois de ter tido covid-19 - Arquivo pessoal
Por ser neurologista, Clarissa Yasuda diz que percebe 'diferenças muito sutis' em suas funções cognitivas depois de ter tido covid-19
Por ser neurologista, Clarissa Yasuda diz que percebe 'diferenças muito sutis' em suas funções cognitivas depois de ter tido covid-19 Imagem: Arquivo pessoal

Mariana Alvim @marianaalvim Da BBC News Brasil em São Paulo
13/02/2022 10h41

Enquanto se prepara para recrutar dezenas de pessoas para uma pesquisa científica sobre a covid longa nos próximos meses, a neurologista Clarissa Yasuda divide estes compromissos profissionais com uma rotina própria para lidar ela mesma com as consequências da doença, que teve em agosto de 2020, em seu cérebro.

"Não voltei ao normal, não voltei ao meu pré-covid do ponto de vista cognitivo, envolvendo atenção, agilidade, flexibilidade… Depois de um ano e meio, acho que recuperei de 30% a 40% do que perdi. Mas não recuperei 100%, não sou a mesma pessoa. Pareci que perdi alguns pontos de QI [quociente de inteligência]", diz a neurologista de 46 anos, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

"É uma doença muito ingrata. Depois de um ano e meio, com muito esforço, muita disciplina, combinando um monte de coisa, eu melhorei um pouco. Tenho uma angústia de que não vou recuperar totalmente (as habilidades cognitivas), mas já estou me conformando com essa possibilidade."

Yasuda reconhece que seu trabalho a permite "notar diferenças muito sutis" em suas habilidades e funções cognitivas. "Estou vendo os dois lados", resume a neurologista, referindo-se à sua experiência profissional e pessoal no enfrentamento da covid longa.

As "disfunções cognitivas" são umas das manifestações da covid longa segundo definição da OMS (Organização Mundial da Saúde) para a "pós-covid", outro nome dado a este conjunto de consequências da covid-19 — que podem incluir ainda fadiga e falta de ar, entre outros.

Ainda de acordo com a definição da OMS, estes sintomas normalmente aparecem em três meses desde o início da covid-19 e duram pelo menos mais dois meses.

"Os sintomas podem surgir de novo, após a recuperação inicial da fase aguda, ou persistir desde a doença inicial (covid-19). Eles também podem flutuar ou serem recorrentes ao longo do tempo", diz a OMS.

Pesquisadores em todo o mundo têm se dedicado a entender especificamente como e por que a covid-19 pode deixar consequências no sistema nervoso, mesmo em pessoas plenamente saudáveis antes da doença e que tiveram casos leves.

Estudos, inclusive alguns dos quais Yasuda participou como coautora, têm demonstrado esse impacto neurológico através de relatos de pacientes, exames de imagem, testes cognitivos e autópsias (leia mais abaixo).

Uma nova rotina

Estudos científicos mostraram alterações no cérebro em exames de imagem de pacientes que tiveram covid - Getty Images - Getty Images
Estudos científicos mostraram alterações no cérebro em exames de imagem de pacientes que tiveram covid Imagem: Getty Images
Estudos científicos mostraram alterações no cérebro em exames de imagem de pacientes que tiveram covid Imagem: Getty Images

Yasuda conta que, quando teve covid-19 em 2020, a doença foi leve, sem sintomas respiratórios, mas com desidratação e problemas gastrointestinais.

Os incômodos vieram mesmo depois, passando a ter em sua rotina sonolência diurna, fadiga, dificuldades na memória e em realizar o mesmo volume de tarefas que estava acostumada a fazer anteriormente.

Diante desses novos desafios, a neurologista diz que vem buscando respeitar seus limites e fazer adaptações, como dormir de 1h a 1h30 a mais do que fazia antes da covid-19, já que tem se sentido muito mais cansada.

Quando sabe que precisará fazer uma atividade com demanda intelectual muito alta, como trabalhar com estatísticas, Yasuda se prepara para isso —garantindo que chegará descansada e com bastante tempo para realizar a tarefa.

A médica também diz "acreditar que a atividade física ajuda o cérebro", então, intensificou a rotina de exercícios. Atualmente, ela pratica pilates, musculação e natação, além de correr de vez em quando.

A natação, que ela pratica desde "sempre", agora é feita em uma parte do treino com um snorkel. A médica avisa que esta é uma experimentação que está fazendo individualmente e que ainda carece de mais estudos científicos, mas parte da hipótese que a hipóxia (diminuição do oxigênio) pode melhorar a atividade do hipocampo, uma parte do cérebro fundamental para a memória, entre outras funções.

Yasuda também tem trocado informações e ideias com um amigo psiquiatra que está igualmente sofrendo as alterações cognitivas da covid longa, além de impor a si mesma alguns desafios e metas para o dia.

Por algumas semanas, ela usou o aplicativo Lumosity, que tem jogos de memória e matemática e também um livro de desafios de lógica comprado nos Estados Unidos.

Ainda assim a neurologista se sente frustrada com sua situação atual. "Antes, eu conseguia resolver várias coisas ao mesmo tempo. Agora, eu tenho que acabar uma tarefa para começar outra", lamenta.

"Tenho perdido muita coisa, projetos que eu queria acabar de escrever e que não consigo."

O que dizem os estudos

No final de janeiro, dois neurologistas publicaram na revista científica Science uma revisão do que se sabe sobre os efeitos da covid-19 no sistema nervoso.

Avindra Nath, do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames dos Estados Unidos, e Serena Spudich, da Escola de Medicina de Yale, apontaram como exemplos de sintomas da covid longa no cérebro os problemas de concentração, dor de cabeça, distúrbios sensoriais (como perda do olfato e paladar), depressão e "até psicose".

Os autores afirmaram ainda ser "incerto" o quanto estes problemas podem perdurar ao longo dos anos.

O artigo cita alguns estudos que fizeram exames do chamado líquido cefalorraquidiano (LCR) e encontraram evidências de que o cérebro é afetado pelo novo coronavírus mais por uma resposta exacerbada do corpo, na inflamação e produção de anticorpos, do que pelo ataque direto do vírus ao órgão.

Análises de ressonâncias magnéticas também mostraram que algumas pessoas com covid-19 tiveram rompimentos em pequenos vasos que irrigam o cérebro de sangue, enquanto tomografias mostraram uma redução da atividade metabólica em pacientes com covid longa.

Em dezembro de 2021, Clarissa Yasuda e colegas da Unicamp publicaram um artigo em pré-print (ou seja, ainda sem a revisão de outros cientistas) com a análise da situação de 87 pacientes atendidos em Campinas (SP) que tiveram covid-19 leve.

Dois meses depois da infecção, os sintomas mais relatados pelos pacientes foram fadiga (43,7% dos entrevistados), dor de cabeça (40%) e dificuldades na memória (33%).

Na avaliação neuropsicológica, feita por meio de testes e questionários, os pesquisadores detectaram sintomas de depressão em 18% dos participantes e de ansiedade em 29%.

Analisando ressonâncias magnéticas, os pesquisadores encontraram ainda alterações no cérebro (mais especificamente na chamada anisotropia fracionada, que tem a ver com o deslocamento de moléculas de água nos tratos de substância branca) associadas a problemas de atenção e na flexibilidade cognitiva.

Estes são apenas resultados iniciais das investigações de Yasuda e sua equipe sobre o impacto da covid longa no sistema nervoso —eles já avaliaram mais de 500 pessoas, têm parcerias com grupos de pesquisa da Europa e estimam que seus estudos sobre o assunto se estenderão pelos próximos cinco anos.

A neurologista teve recentemente um projeto aprovado para testar protocolos de reabilitação, mas aguarda a confirmação de um financiamento do governo federal. O recrutamento de voluntários deve começar em breve.

A preocupação que Yasuda já tinha sobre o impacto da covid longa na força de trabalho e na demanda por assistência e reabilitação aumentou por causa da ômicron, uma variante altamente transmissível e que vem causando novos recordes de infecção na pandemia em todo o mundo.

"Espero que esse quadro leve da ômicron não tenha nenhum envolvimento tardio de manifestação neurológica, porque se tiver, o número (de pessoas impactadas) vai ser muito grande."

_________________________________________________SP tem ao menos 1,4 milhão de casos de covid a mais do que diz gestão Doria

É alta a defasagem de casos e óbtios por covid-19 quando comparados os dados de cidades com o do governo estado de São Paulo Imagem: iStock

Wanderley Preite Sobrinho Do UOL, em São Paulo 12/02/2022 04h00

Os maiores municípios do estado de São Paulo registraram ao menos 1,4 milhão de casos a mais de covid-19 do que os números oficiais divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde desde o início da pandemia.

Essa defasagem, que começou em 2021, se intensificou neste ano, segundo informações de 89 municípios nos 22 DRS (Departamentos Regionais de Saúde) monitorados pela Info Tracker, plataforma de dados das universidades estaduais USP e Unesp que colheu as informações a pedido do UOL.

SP começa a aplicar 4ª dose da vacina contra covid em abril, diz Gabbardo

Essas 89 cidades somam 34 milhões de habitantes, ou 74% da população do estado, estimada em 46 milhões pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Enquanto esses municípios contabilizaram 4,7 milhões de casos de covid desde o início da pandemia, o governo estadual divulgou 3,3 milhões de casos nessas mesmas cidades até o dia 4 de fevereiro, uma diferença de 43%.

As informações do governo estadual estiveram corretas até meados do ano passado, quando foi identificada defasagem de 5,4% dos casos.

Desde o começo do ano, essa diferença cresceu ainda mais. Os municípios apontaram 693.667 casos entre 1º de janeiro e 4 de fevereiro, contra 156.493 relatados pelo estado, uma defasagem de 343%.

Também há diferença na divulgação de óbitos nessas 89 cidades: foram 124 mil mortes desde o início da pandemia, segundo os municípios, contra 121 mil informados pelo governo estadual —diferença de 3%.

Em 2022, já são 3.240 mortos, dizem as cidades, contra 2.991 óbitos divulgados pelo governo, 8,3% menos.

Procurada, a Secretaria Estadual de Saúde atribui a diferença à duplicidade de casos e afirma em nota que a comparação de "somente alguns municípios" serviria para "alarmar subnotificação dos dados".

A reportagem, no entanto, restringe sua comparação apenas às 89 cidades. O total de casos informado por elas (4.791.904), no entanto, também supera as notificações divulgadas pelo governo para todos os 645 municípios do estado: 4.782.249 casos até o dia 4 de fevereiro.

"A Secretaria de Estado da Saúde informa que os dados divulgados pela pasta estadual são os notificados e inseridos em sistema oficial pelos 645 municípios. O estado faz apenas a extração para a consolidação do informativo", diz o governo, que alega seguir as diretrizes do Guia de Vigilância do Ministério da Saúde, que define o regramento para a classificação e inserção de dados para todos os municípios do país.

Segundo a pasta, as vigilâncias municipais já foram notificadas "para que insiram a totalidade de dados nos sistemas federais e encerrem os casos de acordo com os documentos oficiais".

"O Governo do Estado de São Paulo tem como premissa fundamental a transparência em todas as suas ações, inclusive com relação às estatísticas e medidas de enfrentamento à covid-19", diz a pasta.

Diferença de 770 mil casos na capital

A maior defasagem foi identificada na capital paulista, mas em outros grandes municípios o problema é parecido:

Capital - Diferença de 770 mil casos, ou 76%
Araraquara - Diferença de 83 mil casos, ou 69%
Franca - Diferença de 21 mil casos, ou 55%
Ribeirão Preto - Diferença de 59 mil casos, ou 50%

Notificações duplicadas?

O governo atribui a inconsistência nos dados à duplicidade de notificações. A assessora de Saúde Pública da secretaria, Olivia Ferreira Pereira de Paula, disse ao UOL que o governo paulista extrai as notificações diariamente de dois sistemas federais antes de iniciar "um processo de higienização dos dados, que retira as duplicidades".

Ela diz que o governo analisa coincidências de notificações como, por exemplo, um mesmo caso registrado no mesmo dia e horário em duas cidades vizinhas. "As informações são as mesmas. Como houve registro duplicado, a gente faz a higienização", afirma.

SAO PAULO SP BRASIL08.08.2020 CORONAVIRUSCom  flexibilização das restrições impostas durante a  quarentena ,as pessoas tentam retomar a rotina  com o ?novo normal? ditando as regras ,que nem sempre são seguidas. Movimentação intensa na feira da rua Mourato Coelho , Vila MadalenaAlém da tradicional aglomeração  ,alguns feirantes e consumidores usam a máscara de forma erradaFoto Reinaldo Canato / UOL - Reinaldo Canato/UOL - Reinaldo Canato/UOL
Notificação de casos de covid-19 está defasada no estado de São Paulo Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e professor de infectologia, o médico Alexandre Naime critica a demora na consolidação dos dados pelo governo.

"Não é factível que a totalidade dessa diferença seja por inconsistência na base de dados primários", afirma. "Não dá para explicar essa imensa diferença somente porque os dados são duplicados ou digitados errados."

Pesquisadora da Info Tracker, a matemática Marilaine Colnago concorda que a diferença de 1,4 milhão de casos não pode ser atribuída apenas à duplicidade de casos.

"Concordo com o médico. A diferença passou de 500 mil novos casos só em 2022", afirma. "Além disso, a discrepância era mínima para a maioria das cidades antes de setembro de 2021."

"Não sabemos ao certo o motivo, mas achamos que se trata de uma defasagem de casos não detectados pelo algoritmo do governo estadual", diz a matemática, que é pós-doutoranda na USP.

É uma inconsistência gravíssima. Pode haver demora na auditoria dos dados, mas é inconcebível essa demora diante de uma emergência de saúde pública."
Alexandre Naime, professor e infectologista

Para o infectologista, a defasagem afeta tanto as políticas públicas contra a pandemia quanto a percepção da população em relação a ela.

"Se o gestor estadual não tem uma ideia real do que está acontecendo, ele não tem condição de estabelecer políticas públicas de prevenção, como restringir a circulação de pessoas", diz. "Se não tem esses dados totalizados, a população não consegue ver a gravidade do problema."

_________________________________________________Estado do Rio registra 140 mortes por Covid em 24 horas, maior número em quatro meses

No dia 9 de outubro de 2021 foram contabilizados 141 óbitos. No mapa de risco, o estado recuou à bandeira amarela, de baixo risco
Fila drive-thru para fazer teste particular de Covid no pátio do Shopping Dowtown, na Barra da Tijuca Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo
Fila drive-thru para fazer teste particular de Covid no pátio do Shopping Dowtown, na Barra da Tijuca Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo

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RIO — Nesta sexta-feira, o estado do Rio de Janeiro registrou 140 mortes por Covid-19. O número é o mais alto desde o dia 9 de outubro de 2021, quando foram contabilizados 141 óbitos. Os dados estão no painel da Secretaria de Estado de Saúde do Rio. Nas últimas 24 horas, também foram somados às estatísticas 11.470 novos casos - o total passa de 1,9 milhão. A soma de mortes no estado chegou a 70.668. A taxa de letalidade da Covid-19 no Rio está em 3,71%. Enquanto isso, a taxa de ocupação de Unidades de Terapia Intensiva voltadas para a doença no estado é de 53,2%. Já a dos leitos de enfermaria é de 38%.

De acordo com a 68ª edição do Mapa de Risco da Covid-19, divulgado nesta sexta-feira, o estado do Rio voltou para a bandeira amarela, classificação de baixo risco para a doença. A análise da Secretaria de Saúde faz a comparação da quinta semana epidemiológica deste ano, 30 de janeiro a 05 de fevereiro, com a terceira, 16 a 22 de janeiro. A região Noroeste continua em bandeira vermelha, de risco alto.

Por outro lado, o mapa desta semana apresenta uma melhora nas regiões Metropolitana I, que saiu da bandeira laranja, que representa risco moderado, para bandeira amarela e Serrana, que estava em bandeira vermelha e agora aparece em bandeira laranja. As regiões Metropolitana II, Baixada Litorânea e Baía da Ilha Grande permaneceram com bandeira amarela. As regiões Médio Paraíba, Centro Sul e Norte continuam em bandeira laranja.

Apesar do número de mortes no mesmo patamar de quarto meses atrás, o secretário de Saúde do estado, Alexandre Chieppe, afirmou em nota que esta edição do mapa de risco consolida ainda mais a queda dos indicadores da Covid-19

— Mostra que a Ômicron já atingiu o pico e agora está em queda sustentável na maior parte das regiões do estado. Nas regiões Norte e Noroeste, ainda estamos com o alerta ligado e, para isso, abrimos dois centros de testagem, um na UPA Campos e outro no Centro Poliesportivo de Itaperuna – afirma.

No período analisado no mapa, as internações tiveram uma redução de 71,34%, saindo de 1.267 para 363 entre as semanas analisadas. Já os óbitos caíram 30,21%, saindo de 321 para 224. Os indicadores apontaram que, no período de 1º a 8 de fevereiro, a taxa de positividade para SARS-CoV-2 em testes RT-PCR realizados em unidades de saúde de todo o estado foi de 50%.

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_________________________________________________Hong Kong bate recorde de casos de Covid, e moradores se desesperam em meio às medidas mais restritivas da pandemia

Das 17 mil infecções desde o início da pandemia, 4 mil ocorreram nas últimas duas semanas; população corre para supermecados para estocar alimentos, temendo escassez

O Globo e agências internacionais

09/02/2022 - 12:21 / Atualizado em 09/02/2022 - 12:27
Pessoas em Hong Kong compram vegetais para estocá-los após vários estabelecimentos ficarem sem alguns alimentos em meio a um recorde de casos de Covid e mais medidas restritivas Foto: Peter Parks / AFP
Pessoas em Hong Kong compram vegetais para estocá-los após vários estabelecimentos ficarem sem alguns alimentos em meio a um recorde de casos de Covid e mais medidas restritivas Foto: Peter Parks / AFP

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HONG KONG — O recorde diário de casos de Covid em Hong Kong quase dobrou, chegando a 1.161 nesta quarta-feira, segundo autoridades. Apesar do número ser muito maior do que em outras grandes cidades no mundo, o surto representa um desafio para o território semiautônomo, que tenta combater o vírus com uma política de "Covid zero", similar à adotada pela China.

Apenas durante as duas últimas semanas, com o avanço da variante Ômicron, Hong Kong registrou quase 4 mil casos, elevando o total desde o início da pandemia para mais de 17 mil. O recorde anterior de infecções fora registrado na segunda-feira — 614.

Em meio ao surto, autoridades responderam ao surto na terça-feira com as medidas mais duras desde o início da pandemia, que estão cobrando um preço social e econômico cada vez maior para os 7,5 milhões de habitantes da cidade. Reuniões com mais de duas pessoas foram banidas, autoridades decidiram que igrejas e salões de beleza serão incluídos na lista de estabelecimentos que devem fechar — o que já inclui outros, como escolas e academias — e um certificado de vacinação — que deve entrar em vigor em 24 de fevereiro — será adotado para quem quiser entrar em restaurantes, mercados, shoppings e outros locais.

A população reagiu com pânico nesta quarta a esses anúncios, correndo para os supermercados para estocar alimentos, temendo sua escassez.

— Parece que o governo não está nem um pouco preparado, e nós, cidadãos comuns, temos que nos preocupar apenas com a gente mesmo — desabafou uma mulher, identificada apenas pelo sobrenome Siu, de 42 anos, que foi uma das pessoas que madrugaram no mercado para comprar produtos frescos, que a cidade importa em maior parte da China continental.

Esta semana, um caminhoneiro transfronteiriço foi diagnosticado com Covid, causando uma interrupção temporária no abastecimento. Desde então, a oferta de vegetais registrou queda de um terço, e os preços dispararam nos supermercados. Muitos já estão com as prateleiras praticamente vazias.

O desespero também chegou aos salões de beleza, com pessoas correndo para os salões antes deles fecharem. Cinco estabelecimentos locais consultados no centro de Hong Kong estavam com a agenda cheia.

— Dizem que o fechamento é temporário, mas quem sabe quando vai reabrir? Parece que estamos de volta ao início da pandemia. É muito desanimador — disse um homem de sobrenome Cheung, enquanto esperava pelo corte de cabelo.

Carrie Lam, a chefe do Executivo de Hong Kong, disse que a cidade não conseguiu viver com o vírus — estratégia adotada atualmente por grande parte do mundo —, porque mais de 50% dos idosos não foram vacinados.

Segundo o Our World in Data, da Universidade de Oxford, 64% da população de Hong Kong está totalmente imunizada. No entanto, muitos idosos hesitam em tomar a vacina. Autoridades disseram nesta quarta-feira que dois pacientes na faixa dos 70 anos morreram de Covid.

Cerca de 200 mil residentes e visitantes em Discovery Bay, uma área onde muitos expatriados moram, foram obrigados a serem testados depois que o governo disse ter detectado o coronavírus em amostras de esgoto. Normalmente, milhares de moradores são obrigados diariamente a realizarem o teste se estiveram em uma área onde as infecções são detectadas.

Nas redes sociais, muitos cidadãos manifestaram sua irritação diante das medidas restritivas.

"Vocês tentaram e falharam. Quando vocês vão parar de manter os cidadãos desta cidade como reféns?", escreveu um morador em uma publicação que viralizou na internet.

_________________________________________________Covid-19: Saiba por quanto tempo é recomendado usar a mesma máscara e como conservá-la

Chegada da Ômicron reforçou a importância de proteger as vias respiratórias com tecnologias de maior filtragem para conter a transmissão, mas reutilização requer cuidados de armazenamento e manuseio
Tara Parker-Pope, do New York Times
09/02/2022 - 03:30 / Atualizado em 09/02/2022 - 09:00
Quanto tempo é recomendado usar máscara Foto: Editoria de Arte
Quanto tempo é recomendado usar máscara Foto: Editoria de Arte

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Antes de mais nada, é preciso saber: onde você normalmente guarda suas máscaras respiratórias?

A) Em vários sacos de papel pardo marcados com os dias da semana, alinhados no parapeito da janela.

B) Pendurada em ganchos perto da porta.

C) Enfiada em um saco plástico na minha bolsa ou mochila.

D) Às vezes encontro uma enfiada no bolso da calça ou no chão do carro.

Se você respondeu “D”, não fique envergonhado. Convivo com o caos das máscaras na minha casa também. As máscaras estão por toda parte — em ganchos e maçanetas, em gavetas, enfiadas em bolsos de casacos e mochilas e, sim, confesso que já peguei uma máscara no chão do meu carro. (Por favor, não faça isso. Um estudo da Clorox descobriu que o lugar com mais germes em seu carro é o tapete do lado do motorista. O porta-copos do banco da frente não estava muito atrás.)

Agora que as autoridades de saúde pública estão recomendando que todos usemos máscaras respiratórias de alto desempenho — como PFF2, N95 e KN95 — o cuidado com as máscaras é mais importante do que nunca. Ao contrário das máscaras de pano, você não pode jogar uma máscara de alto desempenho na máquina de lavar na lavanderia. Sem falar que elas custam mais caro — R$ 79 ou mais um conjunto de 10 – por isso é importante saber como reutilizá-las.

Infelizmente, há muito pouca orientação oficial sobre como cuidar e reutilizar uma máscara de alto desempenho. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA disseram que os profissionais de saúde, que lidam com a escassez de máscaras, podem reutilizá-las até cinco vezes. Mas as pessoas da área médica trabalham em condições únicas e geralmente usam máscara durante todo o turno de trabalho. Já uma pessoa comum, na maioria das vezes, utiliza a máscara por períodos curtos, então provavelmente pode reutilizá-la muito mais vezes, disse Linsey Marr, professora de engenharia civil e ambiental do Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech) e especialista em transmissão viral.

“A orientação existente sobre os cuidados com a máscara é para profissionais de saúde e outros trabalhadores que atuam em condições sanitárias perigosas”, disse Marr em um e-mail. “Para o público em geral, as condições [normalmente sem contato próximo com pacientes infectados durante a maior parte do dia] e as expectativas [uma pessoa tentando reduzir seu risco de infecção durante sua rotina] são muito diferentes, e eu não acho que devemos aplicar a mesma orientação aos dois grupos.”

Regra das 40 horas

Ainda assim, o guia do CDC pode fornecer uma orientação útil para nos ajudar a tomar decisões sobre por quanto tempo usar uma máscara. Com base na regra de cinco dias para os profissionais de saúde, e supondo que eles usem a máscara o tempo todo em um turno de oito horas, isso sugere cerca de 40 horas de uso por máscara, disse Anne Miller, diretora executiva do Project N95, uma organização sem fins lucrativos que examina e vende máscaras de alto desempenho. Muitos de nós usamos uma máscara por períodos de 15 a 30 minutos quando pegamos uma criança na escola ou fazemos algumas tarefas, o que significa que uma máscara pode durar semanas. Realisticamente, porém, se você estiver colocando e tirando uma máscara com frequência, sua máscara provavelmente ficará suja ou as tiras arrebentarão antes de atingir a marca de 40 horas.

Nunca tente limpar sua máscara de alto desempenho. Embora possa parecer tecido sintético, as máscaras de estilo médico são feitas de camadas de filtros de alta tecnologia que foram carregados eletrostaticamente para atrair e prender melhor as partículas. Lavar uma máscara ou tentar higienizá-la com álcool, água oxigenada ou mesmo luz ultravioleta irá degradá-la e torná-la menos eficaz.

Basta deixar sua máscara respirar em um gancho, em um saco de papel ou malha ou em uma prateleira higienizada. A melhor maneira de manter sua máscara limpa é lavar as mãos antes de tocá-la, segurar a máscara pelas alças e mantê-la em local limpo e seco quando não estiver usando. Mantenha algumas máscaras à mão e alterne seu uso para que cada máscara tenha tempo suficiente para arejar entre os usos.

Aqui vão algumas dicas da Dra. Marr sobre como cuidar de uma máscara respiratória para maximizar seu uso.

Como podemos garantir que nossas máscaras continuem filtrando partículas?

Essa capacidade pode ser comprometida se qualquer parte da máscara for fisicamente danificada de forma a criar vazamentos. Isso pode ser um rasgo, um buraco, um vinco — que significa que ela não vedará mais no rosto — ou tiras relaxadas — que te impedirão de puxar a máscara para perto do rosto.

Uma máscara pode ficar saturada com partículas?

As pessoas podem estar preocupadas com a “sobrecarga” da máscara com partículas, de modo que o material do filtro não funciona mais, mas os respiradores são projetados para lidar com uma grande quantidade de partículas e ainda manter sua capacidade de filtragem.

Aaron Collins, um cientista que testa máscaras em um laboratório caseiro e avalia sua capacidade de filtrar aerossóis, aponta que uma N95 é projetada para lidar com 200 miligramas de partículas, o que seria equivalente a usá-la sem parar por 200 dias em um ar muito poluído, como em Xangai. Mas as tiras ou o clipe nasal quebrarão e a máscara perderá sua forma ou ficará visivelmente suja antes que isso aconteça.

Se eu for exposto a uma pessoa infectada, minha máscara será contaminada?

É possível que o vírus esteja na superfície da máscara e você possa tocá-lo e transferi-lo para os olhos, nariz ou boca. Para minimizar esse risco, você deve manusear a máscara pelas bordas e alças e evitar tocar na área na frente do nariz e da boca. Com o tempo — várias horas — o vírus morrerá, então provavelmente não precisamos nos preocupar em acumular mais de um dia de vírus infecciosos no material.

Quanto tempo as partículas virais realmente sobrevivem em uma máscara?

Estamos estudando essa questão usando uma maneira mais realista de colocar vírus aerossolizado em uma N95, e o vírus decai para níveis quase indetectáveis em 30 minutos.

O que você acha da regra de “40 horas de uso”?

Quarenta horas de uso total, seja em cinco períodos de oito horas ou vários períodos mais curtos, deve ser bom. As tiras podem ficar relaxadas ou arrebentar, a máscara pode perder sua forma ou ficar visivelmente suja antes das 40 horas, caso em que você deve substituí-la. Eu tenho uma N95 que usei para duas viagens de avião de ida e volta totalizando mais de 25 horas, para ir à igreja e às compras algumas vezes, para participar de uma competição de ginástica, e finalmente está ficando suja o suficiente — principalmente de esfregar contra meu rosto — e perdendo sua forma, de modo que estou planejando jogá-la fora.

Devo arejar as máscaras, colocar em sacos de papel, com o dia da semana e alterná-las? A maioria joga em uma bolsa, ou pendura em ganchos. Isso importa?

Eu não acho que isso seja necessário. Eu gosto da ideia de arejá-la. Eu deixo a minha sobre algum móvel ou pendurada em um gancho. Se for transportá-la na mochila ou na bolsa, guardo-a em um saco plástico para protegê-la de danos.

Para arrejarPara carregarE se a sua máscara for lavada? Pode usar máscara na chuva?

Considere-a arruinada se foi lavada ou ficou encharcada.

 

_________________________________________________O que muda na prática se covid virar endemia?

André Biernath - @andre_biernath - Da BBC News Brasil em São Paulo
08/02/2022 08h24

Alguns países europeus anunciaram que mudarão a forma como eles lidam com a doença provocada pelo coronavírus, com praticamente nenhuma das restrições adotadas nos últimos dois anos. Entenda o que muda na prática e se medidas do tipo fazem sentido no contexto atual.

Ao longo das últimas semanas, países como Reino Unido, França, Espanha e Dinamarca decidiram que a covid-19 não será mais encarada com uma pandemia e começará a ser tratada como uma endemia em seus territórios.

Com isso, a doença provocada pelo coronavírus deixará de ser vista como uma emergência de saúde e muitas das restrições, uso de máscaras, proibição de aglomerações e exigência do passaporte vacinal, cairão por terra.

Embora anúncios do tipo fossem esperados, eles causaram muita confusão: em alguns casos, a endemia foi interpretada como o fim da covid, quando, na verdade, estamos muito longe disso (e é bem possível que essa doença nunca desapareça).

Mas, afinal, o que uma endemia significa na prática? Os países europeus acertaram na decisão? E será que o Brasil também vai chegar nessa mesma etapa logo mais?

Uma palavra, múltiplas interpretações

Para começo de conversa, vale esclarecer que uma endemia não é necessariamente uma boa notícia.

Ela apenas significa que há uma quantidade esperada de casos e mortes relacionadas a uma determinada doença, de acordo com um local e uma época do ano específicas. E esses números nem aumentam, nem diminuem.

A infecção pelo herpes simples, que provoca feridas na boca e na região genital, é uma endemia. Estima-se que pelo menos dois terços da população mundial com mais de 50 anos já tiveram contato com esse vírus. Apesar de incômodo, esse quadro não está relacionado a grandes complicações ou risco de óbito.

Por outro lado, outras doenças bem mais sérias e mortais, como tuberculose, aids e malária, também são endêmicas. Só na malária, estima-se que cerca de 240 milhões de casos e 640 mil mortes aconteçam todos os anos, segundo as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A questão, portanto, tem a ver com a estabilidade nas estatísticas relacionadas com aquela enfermidade. Quando esses números fogem do controle, a situação evolui para uma epidemia (se o problema for localizado numa região) ou para uma pandemia (caso a crise se alastre por vários continentes).

Num evento do Fórum Econômico Mundial realizado no final de janeiro, representantes de várias instituições discutiram todos esses conceitos e debateram quando a covid-19 poderia ser realmente classificada como uma endemia.

Na visão do imunologista Anthony Fauci, líder da resposta à pandemia dos Estados Unidos, endemia significa "uma presença não disruptiva sem a possibilidade de eliminação [de uma doença]".

De acordo com a avaliação do especialista, o coronavírus não será extinto e passará, aos poucos, a afetar os seres humanos de forma similar a outros agentes causadores do resfriado comum.

Na mesma ocasião, o médico Mike Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, também bateu nessa tecla. "Nós provavelmente nunca vamos eliminar esse vírus. Depois da pandemia, ele se tornará parte de nosso ecossistema. Mas é possível acabar com a emergência de saúde pública."

Ele também reforçou que endemia não é sinônimo de coisa boa. "Ela só significa que a doença ficará entre nós para sempre. O que precisamos é diminuir a incidência, aumentando o número de pessoas vacinadas, para que ninguém mais precise morrer [de covid]", completou.

A hora e a vez da covid?

De um lado, os cientistas se mostram reticentes em já encarar a covid-19 como uma endemia, pela falta de parâmetros e de uma estabilidade nas notificações por um período mais prolongado.

"Isso ainda não foi bem estabelecido. Quais são os números de casos, hospitalizações e mortes pela doença aceitáveis, ou esperados, todos os anos?", questiona a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo.

Por outro, é inegável que o avanço da vacinação e os recordes de novas infecções impulsionadas pela ômicron nos últimos dois meses garantiram um alto nível de proteção, especialmente contra as formas mais graves da doença.

Até o momento, 53% da população mundial já recebeu ao menos duas doses da vacina. E as projeções publicadas no periódico The Lancet pelo Instituto de Métricas em Saúde da Universidade de Washington, nos EUA, indicam que, dado o alto grau de transmissibilidade da nova variante, metade das pessoas do planeta terão sido infectadas, entre novembro de 2021 e março de 2022.

"É muita gente com imunidade", avalia o infectologista Julio Croda, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

Esse aprimoramento das defesas do organismo garante uma proteção contra as complicações da covid, relacionadas à hospitalização e morte, ao menos por alguns meses.

"Graças à imunidade obtida pela vacinação e, em menor grau, pelo alto número de infecções, a doença se tornou menos letal", diz Croda, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

A covid chegou a ter uma taxa de letalidade de 1 a 2%. Atualmente, esse número está em 0,25%, segundo alguns registros nacionais e internacionais.

Croda explica que essa taxa de 0,25% ainda é o dobro do que ocorre na gripe (que fica em 0,1%). Mesmo assim, houve uma diminuição de praticamente dez vezes na mortalidade por covid que era observada há poucos meses.

E isso, mais uma vez, tem a ver com a imunidade adquirida ao longo desse tempo.

Os vírus e nosso sistema de defesa fazem um verdadeiro cabo de guerra. Quando surge uma doença infecciosa nova, a corda pende com mais frequência para o patógeno, já que nossas células imunes não fazem a menor ideia de como combater a ameaça.

Com o passar do tempo— e a disponibilidade de vacinas seguras e efetivas— o jogo começa a virar, e o sistema imunológico "aprende" a lidar com o inimigo. Nessa situação, mesmo que o agente infeccioso consiga invadir o organismo, suas consequências tendem a ser menos preocupantes.

É justamente isso que parece estar acontecendo com a covid: dois anos e poucos meses depois dos primeiros casos, o número de indivíduos com algum nível de proteção é suficientemente alto para que não ocorra mais um aumento na demanda por leitos no mesmo patamar das outras ondas, em que o sistema de saúde chegou a entrar em colapso.

Resumindo, pelo observado até agora, a covid ainda não pode ser comparada com a gripe e está longe de ser um resfriado comum, mas parece caminhar para chegar mais próximo disso algum dia no futuro.

O que muda na prática?

Os países europeus que já classificam a covid-19 como uma endemia em seus territórios acabaram (ou acabarão em breve) com a maioria das restrições que marcaram os últimos 24 meses.

De forma geral, não haverá mais necessidade de uso de máscaras em locais fechados, não será preciso mostrar o comprovante de vacinação e as aglomerações estarão completamente liberadas.

Num discurso recente no Parlamento do Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson disse que, "conforme a covid se tornar endêmica, nós precisaremos substituir as requisições da lei pela orientação, de modo que as pessoas infectadas com o vírus sejam cuidadosas umas com as outras".

Maciel entende que alguns cuidados devem permanecer mesmo assim, ainda que a situação fique menos grave.

"O vírus vai continuar circulando. Mesmo que as medidas não sejam mais obrigatórias, é importante que todos tomem alguns cuidados quando necessário", orienta.

A epidemiologista avalia que é preciso empoderar e ensinar as pessoas, para que elas avaliem o risco de cada situação e tomem as medidas para proteger a si e a todos ao redor.

Um sujeito com sintomas de gripe ou covid, por exemplo, deve trabalhar de casa, se possível, para não colocar em risco os demais colegas. E, caso tenha que sair, ele pode usar máscara para, assim, evitar a transmissão do vírus para os contatos próximos.

"É a mesma coisa que acontece com a infecção pelo HIV. Ter uma relação sexual sem preservativo te coloca numa situação de risco, mesmo que essa doença seja considerada hoje uma endemia", compara.

Que fique claro: o alívio nas políticas restritivas não significa que elas foram inúteis ou não deveriam ter sido adotadas no passado. É consenso entre os especialistas que todas essas medidas salvaram muitas vidas num momento em que não existiam outros meios para barrar a infecção e suas complicações.

Hoje em dia, possuímos ferramentas testadas e aprovadas ? vacinas e remédios ? para lidar com a covid e torná-la menos ameaçadora para a grande maioria da população.

E, claro, caso surja uma nova variante agressiva e com capacidade de escapar da imunidade, será preciso instaurar novamente muitos desses cuidados preventivos que começam a ser abandonados em certas partes do mundo.

Além das questões relacionadas à prevenção, outra mudança significativa da endemia envolve a vigilância: a forma como os casos são detectados e notificados é bem diferente.

Durante os últimos dois anos, muitos países fizeram uma busca ativa de infectados, mesmo aqueles que nem apresentavam sintomas típicos da covid. Foram montadas tendas de testagem em diversos locais e kits de diagnóstico eram distribuídos gratuitamente (ou vendidos por um preço baixo) para os cidadãos ? no Brasil, foram poucas as cidades ou os Estados que lançaram uma política nesses moldes.

Aqueles indivíduos que testavam positivo eram então monitorados e orientados a ficar em quarentena. Na sequência, as pessoas com quem eles tiveram contato próximo nos dias anteriores eram comunicadas a também buscar os exames.

Durante uma pandemia ou uma epidemia, essa estratégia permite cortar as cadeias de transmissão do vírus na comunidade e evita que a situação cresça e gere uma bola de neve, que desemboca em um aumento massivo de hospitalizações e mortes.

Com a endemia, todo esse amplo programa de testagem, isolamento e rastreamento de contatos deixa de fazer sentido.

"Passa-se então para um modelo de vigilância sentinela, em que não é necessário testar todo mundo que apresenta sintomas de infecção respiratória", explica Croda.

"Um sistema que concentre os testes nos hospitais ou nos ambulatórios de atenção primária é custo-efetivo e ajuda a identificar padrões no número de casos."

"Se a vigilância notar um novo crescimento em determinada região, é possível intervir cedo, antecipando campanhas de vacinação ou disponibilizando mais testes para aquele local", completa o especialista.

Ainda nesse contexto endêmico, a ciência ainda não sabe ao certo como será o futuro da vacinação contra a covid. Será que todos deverão tomar uma quarta dose? Ou haverá a necessidade de reforços anuais, a exemplo do que ocorre com a gripe?

"É possível que precisemos de vacinas adaptadas de acordo com o surgimento de novas variantes, para proteger principalmente os grupos mais vulneráveis, como idosos, pacientes imunossuprimidos e crianças", antevê Croda.

É cedo para decretar uma endemia?

As decisões tomadas por alguns países europeus geraram algumas controvérsias no meio acadêmico.

Num artigo publicado na revista especializada Nature, o pesquisador Aris Katzourakis, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, criticou o que ele considera um "otimismo preguiçoso".

"Como virologista evolutivo, fico frustrado quando gestores públicos invocam a palavra 'endemia' como uma desculpa para fazer pouco, ou não fazer nada. Existem mais coisas que podem ser feitas do que aprender a conviver com rotavírus, hepatite C ou sarampo endêmicos", escreveu.

Katzourakis também diz que é um erro pensar que a evolução dos vírus sempre os tornam mais "bonzinhos".

"Lembre-se que as variantes alfa e delta são mais virulentas que a versão original detectada em Wuhan, na China. E a segunda onda da pandemia de gripe espanhola em 1918 foi muito mais mortal que a primeira", argumenta.

"Pensar que a endemia é leve e inevitável não é apenas errado, mas perigoso: deixa a humanidade à mercê de muitos anos da doença, incluindo ondas imprevisíveis e novos surtos. É mais produtivo considerar o quão ruim as coisas podem ficar se continuarmos a dar ao vírus oportunidades de nos enganar. E daí então podemos fazer mais para garantir que isso não aconteça", finaliza.

Para Croda, só o tempo dirá se a decisão dos países europeus foi certa ou errada. "Isso depende muito de fatores que não controlamos. Nesse meio tempo, pode surgir uma nova variante extremamente contagiosa, com escape imunológico e maior risco de hospitalização e óbito", especula.

"É justamente para evitar que isso aconteça que precisamos ofertar vacinas para todos, especialmente para aqueles que ainda não tomaram nenhuma dose. Essa deveria ser a prioridade número um do mundo inteiro", acrescenta.

Maciel concorda. "Quando a transmissão está muito alta, tudo pode acontecer, inclusive o surgimento de novas variantes.", alerta.

"E o Brasil, além de seguir com a vacinação, precisa ampliar o acesso aos tratamentos contra a covid, como os anticorpos monoclonais e os antivirais, que já são usados em outros países", complementa.

Onde o Brasil se encaixa nesse debate?

Por ora, ainda é muito cedo para falar de endemia no nosso país, explicam os especialistas. Estamos na crista da onda da ômicron, com recordes no número de casos e um aumento expressivo nas hospitalizações e nas mortes por covid durante os últimos dias.

O Instituto de Métricas em Saúde da Universidade de Washington, nos EUA, projeta que o Brasil deve atingir o pico de óbitos relacionados a essa nova variante no meio de fevereiro. A partir daí, os números devem cair novamente e se estabilizar durante o mês de março.

Portanto, estamos alguns passos atrás do que é observado em outras partes do mundo, onde os números já estão se estabilizando.

Para garantir uma situação mais tranquila por aqui, também é preciso ampliar a cobertura vacinal com a terceira dose. No momento, 23% dos brasileiros tomaram o reforço, número muito aquém do ideal. Vários estudos já mostraram que essa aplicação do imunizante é essencial para proteger contra a ômicron e seus efeitos mais graves no organismo.

Croda entende que, com o passar do tempo, vários países devem seguir os passos dos europeus e começarão a encarar a covid sob uma nova ótica.

"E a América do Sul pode até ter uma vantagem nisso, já que é o continente com a maior cobertura vacinal contra a covid do mundo", compara.

"Assim que a onda da ômicron passar, podemos ficar numa condição muito melhor para diminuir as restrições", diz.

Para entender como os gestores públicos enxergam essa discussão e se já há algum planejamento para que o país entre nessa fase de transição, a BBC News Brasil entrou em contato com o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) e com o Ministério da Saúde.

Por meio de uma nota de esclarecimentos, o Conass declarou que "o avanço da vacinação no Brasil, que hoje já alcança mais de 75% do público-alvo vacinado com as duas doses, é o primeiro passo para que o país caminhe para superar a pandemia da covid-19, porém, a introdução da variante ômicron mostrou a complexidade do enfrentamento do vírus e sua alta capacidade de mutações."

"A rápida transmissão desta variante criou uma nova pressão na rede assistencial e o aumento de óbitos. Não é possível considerar de caráter endêmico uma doença que traz esse peso na assistência e que tenha essa alta morbimortalidade. Superar a pandemia não quer dizer que não teremos mais casos e óbitos pela covid-19, mas não temos parâmetros ainda para saber o quanto de casos e óbitos serão considerados esperados e, dessa forma, tratados como endêmicos", continua o texto.

"As atenções e os esforços atuais devem estar voltados para garantir a ampliação e manutenção dos leitos clínicos e UTI covid, além da intensificação das campanhas de incentivo para que todos os brasileiros completem o esquema vacinal, incluindo a dose de reforço. Ainda não é o momento para baixar a guarda e decretar o controle da pandemia no Brasil", conclui o Conass.

O Ministério da Saúde não enviou resposta até a publicação desta reportagem.






_________________________________________________Covid-19: afrouxar restrições, mesmo em áreas com poucos casos, pode causar 2 milhões de mortes em um ano

Pesquisadores chineses afirmam que a chave para controlar o vírus é desenvolver vacinas que são melhores na prevenção de infecções

David Stanway, da Reuters 07/02/2022

XANGAI — Restaurar a mobilidade normal da população em regiões com "Covid-zero", como a China, causará cerca de 2 milhões de mortes em um ano e a chave para controlar o vírus é desenvolver vacinas que são melhores na prevenção de infecções, disseram pesquisadores chineses.

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As restrições "zero-Covid" da China estão sob crescente inspeção nas últimas semanas, pois o país sedia os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, e usa restrições abrangentes para tentar impedir a propagação da variante Ômicron, mais infecciosa.

Cientistas chineses e especialistas em saúde pública reiteraram a necessidade de manter os controles rigorosos, dizendo que os riscos de transmissão eram muito altos e que a infecção em massa colocaria uma pressão intolerável no sistema de saúde.

Os pesquisadores usaram estudos do Chile e da Grã-Bretanha para calcular a "eficácia inicial" das vacinas atuais - CoronaVac no caso do Chile e as injeções da Pfizer e Oxford/AstraZeneca na Grã-Bretanha.

Eficácia de 30% contra infecções

Eles estimaram que a eficácia inicial contra a doença sintomática das vacinas foi de 68,3%. Eles estimaram que a eficácia inicial das vacinas existentes contra morte era de 86%.

A estimativa de eficácia contra a infecção - que é de 30% - é baseada em dados britânicos e a eficácia contra doenças sintomáticas e mortes foi baseada em dados extraídos de um estudo sobre o CoronaVac da Sinovac no Chile

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Mas mesmo com uma taxa global de vacinação de 95%, se a mobilidade da população fosse restaurada aos níveis de 2019, os pesquisadores estimaram que todas as regiões Covid-zero teriam mais de 234 milhões de infecções em um ano, incluindo 64 milhões de casos sintomáticos e 2 milhões de mortes.

"A raça humana deve continuar a desenvolver vacinas e explorar novas maneiras de melhorar a proteção vacinal contra a infecção, a fim de eliminar a Covid-19 em nível global”, disse a equipe de cientistas chineses em um artigo, publicado na sexta-feira no boletim semanal de Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China (CCDC).

Para reduzir a incidência da Covid-19 aos níveis da gripe após restaurar a mobilidade normal, a eficácia das vacinas contra a infecção precisa ser aumentada para 40% e a eficácia contra a doença sintomática precisa ser aumentada para 90%, disseram eles.

Eles disseram que era mais importante que as novas vacinas fossem eficazes contra a infecção do que contra a doença sintomática ou a morte.

"A chave para controlar a Covid-19 está no desenvolvimento e uso generalizado de vacinas que são mais eficazes na prevenção da infecção", disse a equipe.

A Ômicron não mata sozinha:países encaram erros e acertos

A China é a única grande economia que segue uma política de zero Covid, apesar dos avisos de que isso pode prejudicar o crescimento. Outros, como Cingapura, Austrália e Nova Zelândia, abandonaram a estratégia em favor do que os formuladores de políticas chamam de "aprender a viver com a Covid".

— Em todo o mundo, exceto na China e na Austrália Ocidental, todos os outros seguiram em frente — disse Jaya Dantas, professora de saúde internacional da Curtin School of Population Health em Perth, Austrália, que descreveu o estudo chinês como "muito pessimista".

— Este é basicamente um documento interno: é muito focado no cenário da China e eles podem querer apoiar o que o governo está apoiando, que é uma política de zero Covid.

Covid-19:Vinho pode ter ação protetora contra doença, mas cerveja tem efeito contrário, mostra estudo

A China vem dobrando sua mensagem de Covid-zero e continua isolando cidades inteiras. Os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim estão sendo realizados em uma bolha de "circuito fechado" que alguns atletas classificaram como excessiva.

— Antes, pensávamos que a Covid-19 poderia ser basicamente contid por meio de vacinas, mas agora parece que não há um método simples para controlá-l, exceto com medidas abrangentes — disse o epidemiologista-chefe do CCDC, Wu Zunyou, ao Global Times, administrado pelo Partido Comunista, no domingo.


_________________________________________________Drauzio Varella diz que Marcelo Queiroga "envergonha a medicina"


247 - O médico Drauzio Varella criticou duramente o governo Bolsonaro e a sua política negacionista em relação às vacinas contra a Covid-19 e defendeu a criação de uma legislação para punir quem divulga fake news.

“A realidade é que temos um presidente da República que é contra as vacinas. O que ele entende de medicina? Nada, é um ignorante total. Temos um ministro da Saúde que foi colocado lá para obedecer o presidente da República. No caso do ministro, a situação é mais grave porque ele é médico e tem o peso que a profissão lhe dá”, afirmou Drauzio, durante entrevista à Globonews.

E acrescenta: “Ele [Marcelo Queiroga] é um médico que não está lá como médico, aliás ele envergonha a medicina. Está lá para obedecer às ordens do presidente da República”.

Drauzio destacou que o negacionismo foi impulsionado por razões políticas. 

“Quando você imaginou que ia existir uma onda de notícias falsas querendo convencer as pessoas a não tomar vacinas por razões políticas e não por razões científicas? A revolta da vacina no início do século, mas eram movimentos que surgiram na população. Agora não. eles vem de cima. Vem do presidente da República, vem do ministro da Saúde e de uma série de políticos”, frisou.

Para o médico, é preciso estabelecer uma legislação que puna esses crimes. “Insisto que são crimes porque não há outra palavra para caracterizar esse tipo de ação”.

Ele lembrou que em todo o mundo já foram aplicadas mais de 10 bilhões de doses da vacina contra a covid. “Vocês viram alguém que morreu depois que tomou a vacina? Alguém que teve um problema sério de saúde? Zero. É tudo falso o que aparece por aí”, aponta.

_________________________________________________OMS: Europa vive 'trégua' com covid-19 que pode levar ao fim da pandemia

26.fev.2020 - Hans Kluge, diretor para a Europa da OMS Imagem: Alberto Pizzoli/AFP

Da AFP 03/02/2022 08h03 Atualizada em 03/02/2022 11h56

Dois anos depois da explosão da pandemia de covid-19, a Europa pode entrar em breve "em um longo período de tranquilidade", graças aos elevados percentuais de população vacinada, ao fato de a variante ômicron do coronavírus ter menos capacidade de causar doença grave e ao fim do inverno, afirmou hoje a OMS (Organização Mundial da Saúde).

"Este contexto, que até agora não vivemos nesta pandemia, nos dá a possibilidade de um longo período de tranquilidade", afirmou o diretor para a Europa da OMS, Hans Kluge.

OMS diz ver aumento de mortes por covid-19 em várias regiões do mundo

"Uma 'trégua' que poderia trazer uma paz duradoura", completou.

Mas esta situação vai perdurar apenas se a imunidade for preservada, ou seja, caso continuem as campanhas de vacinação e se o surgimento de novas variantes for monitorado, destacou Kluge, antes de pedir aos governos que protejam especialmente a população mais vulnerável.

A região Europa da OMS inclui 53 países, alguns deles na Ásia central. Em todos, os contágios de covid-19 dispararam devido à variante ômicron.

Na semana passada, a região registrou quase 12 milhões de novos casos, de acordo com os números da OMS, o número mais elevado desde o início da pandemia há dois anos.

Vários países europeus, como Dinamarca, França e Reino Unido, reduziram as restrições.

_________________________________________________Há dois anos, campanhas de desinformação atacam vacinas anticovid-190

Em Paris 31/01/2022 08h34

PAs campanhas de vacinação em massa contra a covid-19 alimentam um fluxo incessante de desinformação na Internet e nas redes sociais, boatos que exageram, ou inventam, efeitos colaterais dos imunizantes até transformarem o remédio em algo pior que a doença.

- Distorção dos dados sobre efeitos colaterais -Desde o início das campanhas de vacinação, a farmacovigilância (ramo científico encarregado de detectar os efeitos colaterais dos medicamentos) tem servido de ferramenta para alarmar a opinião pública.

Fumar pode ser ainda pior para a saúde de quem já teve covid-19?

Na maioria dos países, quando uma pessoa ou profissionais de saúde detectam efeitos desconhecidos após uma vacinação, podem informá-los às autoridades, e estes registros costumam ser públicos.

Corresponde às autoridades sanitárias determinar se são efeitos colaterais.

Nestes registros, também são incluídos os óbitos. Uma pessoa vacinada ter morrido não significa, contudo, em absoluto, que tenha sido por causa do fármaco.

Os efeitos indesejáveis das vacinas anticovid-19, como miocardites, pericardites, ou tromboses, têm sido muito raros com base em bilhões de doses aplicadas no mundo todo.

E, apesar disso, as redes sociais têm divulgado uma grande quantidade de mensagens sobre os "milhares de mortos" supostamente causados pelas vacinas. Em geral, capturas de tela com dados destes registros públicos acompanham as mensagens, na tentativa de fazê-las parecer confiáveis.

Segue-se, com frequência, o mesmo método: falsificar os dados de farmacovigilância para assustar o leitor, como fez recentemente a deputada francesa Martine Wonner. Ela citou dados do sistema americano VAERS, que reflete indícios de efeitos suspeitos de estarem vinculados com as vacinas.

Estes dados não revelam, porém, qualquer vínculo de causa e efeito: podem "conter informações incompletas, inexatas, fortuitas, ou inverificáveis", adverte o próprio VAERS em sua página online.

No começo de novembro, em países como Taiwan e Austrália, foi detectado um grande fluxo de informação nas redes sobre mais falecimentos causados pelas vacinas do que pelo coronavírus.

- Especulações sem fundamento científico -A teoria, segundo a qual as vacinas fragilizam ou mesmo destroem o sistema imunológico, é um clássico antivacina, reciclado agora com a pandemia.

No começo de janeiro, algumas publicações afirmaram, sem apresentar qualquer argumento científico como embasamento, que "pessoas totalmente vacinadas desenvolvem aids". Esta hipótese tem sido refutada à exaustão pela comunidade científica: as vacinas servem, ao contrário, para reforçar o sistema imunológico.

Outro rumor recorrente nas redes sociais é que a vacinação causa esterilidade. A AFP dedicou vários artigos de checagem a respeito deste tópico, desmentindo esta teoria.

Outro falso perigo: o fármaco causaria mal de Alzheimer. Esta também é outra especulação sem fundamento, escrita por um militante antivacinas.

Quando se começou a falar do método de RNA mensageiro, circulou a teoria de que este tipo de vacina modificaria o genoma humano. O fato: o RNA mensageiro da vacina não chega ao núcleo da célula, onde se encontra o nosso DNA, desmontando esta tese, também sem fundamento.

- Muitos vacinados entre os infectados? -As estatísticas sobre vacinados, infectados e hospitalizados são distorcidas com frequência, ou retiradas de contexto, para afirmar que as vacinas são inúteis.

Muitas pessoas alegam, por exemplo, com base em números oficiais, que há, na França, mais infectados vacinados que não vacinados em números absolutos.

Isto não demonstra, contudo, que as vacinas são inúteis.

Independentemente das estatísticas, é necessário levar em consideração que, na França, mais de 75% da população está imunizada, um índice ainda maior entre certas faixas etárias.

Ao mesmo tempo, como se sabe desde o lançamento das vacinas, elas não previnem totalmente a infecção, nem a transmissão do vírus.

É, portanto, matematicamente inevitável que a proporção de vacinados seja muito elevada entre os infectados.

Em um exemplo teórico, se 100% de uma população está vacinada, 100% dos infectados, ou mesmo hospitalizados (ainda que sejam poucos), também estarão vacinados.

Isto não representa uma informação boa, ou ruim, sobre a vacina. Trata-se de um cálculo bem conhecido pelos estatísticos, conhecido como "paradoxo de Simpson". Desta maneira, é necessário raciocinar em termos de grupos populacionais iguais, e não em números absolutos.

Assim, observa-se que os casos positivos, as hospitalizações e as mortes são "claramente mais importantes para as pessoas não vacinadas do que para as vacinadas em uma população comparável", explica a unidade de estatística do Ministério francês da Saúde.

A chegada da variante ômicron, muito contagiosa, também alimentou as interpretações equivocadas das estatísticas.

O fato de que, entre as pessoas que testam positivo para covid-19, as vacinadas são majoritariamente infectadas com a variante ômicron, levou alguns a concluírem que as vacinas aumentam o risco de contágio.

Na realidade, se a ômicron predomina entre os vacinados, é porque as vacinas são menos eficazes contra a ômicron do que contra a delta. Assim, quando uma pessoa vacinada é infectada neste momento, é principalmente pela ômicron.

Já os infectados não vacinados são apenas afetados não apenas pela ômicron, mas também - muito mais do que os vacinados - pela delta.

E os não vacinados não estão protegidos contra as formas graves da doença, se forem contaminados. 

_________________________________________________Ômicron: como evitar o uso errado da máscara 'certa'

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https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2022/01/31/omicron-como-evitar-o-uso-errado-da-mascara-certa.htm
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Paula Adamo Idoeta - Da BBC News Brasil em São Paulo 31/01/2022

Vedação e ajuste ruins, que permitam entrada de ar não filtrado no rosto, podem comprometer a eficácia das máscaras, mesmo as de alta capacidade de filtragem.

À esta altura da pandemia, e em pleno avanço de uma variante bastante transmissível do coronavírus, muito já foi falado sobre a capacidade de boas máscaras de filtrar mais as partículas de ar e, dessa forma, aumentar a nossa proteção contra a covid-19.

Mas um aspecto que nem sempre ganha a atenção necessária é a vedação das máscaras - ou seja, o ajuste correto dela ao rosto, que permita que você só inspire ar que tenha sido filtrado pela máscara.

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E, da mesma forma, que garanta que o ar que você vai expelir também passe por um filtro eficaz, protegendo as pessoas ao redor.

Na prática, máscaras que deixem pequenos espaços abertos no rosto - acima do nariz ou nas laterais, em particular - não estão filtrando todo o ar que você respira.

"Vedação das máscaras é um ponto crítico que não é tão levado em conta. Não adianta o filtro da máscara ser bom se o ar não estiver passando por esse filtro", explica à BBC News Brasil o físico Vitor Mori, integrante do Observatório Covid-19 BR e defensor do uso de boas máscaras como uma estratégia importante na contenção do coronavírus.

"Precisamos de máscaras melhores não porque o vírus ficou mais infeccioso, mas sim porque o risco de nos expormos a pessoas infectadas cresceu", afirma ele.

A máscara PFF2 (ou N95) é considerada a melhor para se proteger contra o coronavírus, por sua altíssima capacidade de filtragem das partículas de ar.

Além disso, seu elástico vai atrás da cabeça, o que aumenta sua aderência ao rosto.

"A máscara coleta praticamente todas as partículas que chegam até o filtro. Então a limitação na proteção está no vazamento", prossegue Mori.

Ou seja, se ela estiver bem vedada, oferecerá uma alta proteção. Mas, se não estiver bem vedada, sua capacidade de filtragem não estará sendo plenamente utilizada.

E essa boa filtragem é particularmente importante quando frequentamos lugares fechados, com muita gente ou com baixa circulação de ar - por exemplo escritórios, transporte público ou supermercados -, onde podem se acumular partículas de aerossol potencialmente contaminadas com o coronavírus.

"A utilidade das máscaras é reduzir nosso risco de exposição ao vírus", explica à BBC News Brasil a pesquisadora Eugenia O'Kelly, do Centro de Design em Engenharia da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e da força-tarefa de engenharia de proteção respiratória contra a covid-19 da faculdade britânica.

Quanto melhor for a barreira oferecida pela máscara, menor é a chance de inalarmos quantidades prejudiciais de partículas virais, ela agrega.

Quanto melhor for a barreira oferecida pela máscara, menor é a chance de inalarmos quantidades prejudiciais de partículas virais, ela agrega.

Estudos científicos sobre vedação de máscaras

A vedação de máscaras é um dos principais temas recentes de estudo de O'Kelly.

Para avaliar a capacidade das pessoas em ajustar bem as máscaras ao rosto, ela e seus colegas mediram o ar de dentro de uma máscara em uso (o ar entre a máscara e o rosto) e o compararam ao ar do ambiente. Em tese, se a máscara está "agindo", o ar de dentro deve estar bem mais limpo do que o ar do ambiente.

Só que esse não foi o caso para o ar de dentro das máscaras que estavam mal ajustadas, nem mesmo para as N95, que são as equivalentes à PFF2 e, portanto, têm a melhor capacidade de filtragem.

"Para que essas máscaras sejam altamente protetoras, elas devem se adequar corretamente ao (rosto do) usuário, mas é comum que isso não aconteça", escreveu O'Kelly.

A preocupação é ainda maior com as máscaras do tipo KN95, que, com seus elásticos que se prendem na orelha (e não atrás da cabeça), não necessariamente se fixam bem em torno do rosto.

E, nos casos em que a KN95 não estava bem vedada, sua capacidade de proteção se igualou a de máscaras que têm, em tese, pior qualidade, como as de tecido ou cirúrgicas, segundo os estudos de O'Kelly.

Outro estudo, este feito com máscaras cirúrgicas e de tecido e conduzido por pesquisadores do Departamento de Química de Partículas do Instituto Max Planck, na Alemanha, apontou que até mesmo pequenos vazamentos podem "deteriorar fortemente" a eficiência de filtragem de uma máscara.

"O estudo mostrou que um vazamento correspondente a 1% da área de superfície da máscara levou a uma redução de 50% na capacidade de coletar partículas de 2.5 microns nas condições em que o estudo foi feito", explica Vitor Mori.

Isso quer dizer que aqueles espaços entre o nariz e a máscara, por exemplo, podem comprometer fortemente a eficiência dessa camada protetora.

Como saber, então, se a minha máscara está bem vedada?

Antes de mais nada, é bom reforçar a importância de usarmos boas máscaras, como as PFF2, sobretudo nos lugares fechados ou de baixa circulação do ar.

É que, nesses lugares, é mais fácil que se acumulem partículas de aerossol potencialmente carregando o coronavírus, as quais ficam suspensas no ar e podem tirar proveito de brechas na vedação das máscaras.

"A transmissão por aerossol é a mais difícil de se prevenir", explica Eugenia O'Kelly.

Sendo assim, uma máscara de alta filtragem que esteja bem ajustada ao rosto é uma barreira importante à entrada do vírus por nossas vias respiratórias.

Em alguns casos, é fácil perceber quando uma máscara está deixando passar ar não filtrado - quando há brechas na região do nariz ou nas laterais do rosto.

Mas alguns vazamentos podem não ser tão perceptíveis.

Vitor Mori sugere colocar um pequeno espelho perto do rosto - nas laterais, por cima do nariz, no queixo - enquanto estamos usando a máscara. Se o espelho embaçar enquanto estivermos inspirando e expirando, é sinal de que o ar está escapando pelas laterais ou por cima do rosto sem estar sendo filtrado.

O'Kelly sugere que, para melhorar a eficácia dessa técnica, você fale e faça expressões faciais enquanto checa se o espelho está embaçando. Isso simula um uso mais real da máscara, que não necessariamente fica paralisada em nosso rosto porque este se movimenta.

(Vale ressaltar que o ar filtrado também vai sair - através do tecido da máscara -, o que pode embaçar um pouco os óculos de quem os usa. Isso não é um problema.)

De modo geral, máscaras que acompanhem a sua respiração - ou seja, que inflam e desinflam conforme você respira - também estão, em tese, mais bem vedadas. "Não é uma garantia de que não haja vazamentos, mas é um bom indicador", explica O'Kelly. Essa técnica só é útil para máscaras que não sejam feitas de tecido extremamente rígido, como é o caso de algumas PFF2.

Mori faz também um alerta para homens que usam barba: o pelo facial atrapalha a boa vedação da máscara. "O ideal é que a máscara esteja em contato com a pele", diz o físico.

O'Kelly, por sua vez, adaptou, para uso caseiro, um método usado em hospitais para verificar a vedação de máscaras.

Esse método adaptado consiste em diluir um pouco do adoçante sacarina sódica (substância escolhida por ter sabor) em água destilada ou purificada. Essa diluição deve ser colocada em um nebulizante ou um difusor aromático, para liberar a substância no ar ao redor do usuário da máscara.

Se o usuário conseguir sentir o sabor da sacarina mesmo enquanto estiver vestindo a máscara, é sinal de que o protetor facial não está filtrando corretamente e, portanto, a máscara não está bem vedada.

Aumentando a proteção das cirúrgicas e KN95

Segundo os estudos de Eugenia O'Kelly, é possível também melhorar a eficácia de máscaras cirúrgicas ou do tipo KN95, embora seja bom destacar que elas não alcançam a filtragem de uma PFF2.

Isso pode ter serventia em ambientes de menor risco, como parques ou áreas bem ventiladas.

Primeiro, é importante que essas máscaras sejam certificadas (para evitar falsificações de baixa qualidade).

Em máscaras cirúrgicas ou KN95, foi possível melhorar a vedação colando fitas do tipo esparadrapo ou micropore nos vácuos entre rosto e máscara, segundo os estudos de O'Kelly.

Não há, segundo os estudos de O'Kelly, uma dica única de vedação que funcione para todos os tipos de máscara cirúrgica ou KN95 - é preciso ver como cada máscara se adapta a cada tipo de rosto. Em alguns casos, para rostos mais finos, nós rentes à lateral das alças ajudam a aumentar a vedação, por exemplo.

As máscaras de pano, porém, estão muito distantes de oferecer uma alta proteção, segundo a pesquisadora de Cambridge.

Nos testes feitos por O'Kelly, nem mesmo as melhores máscaras de pano chegaram perto da capacidade de proteção oferecida pelas piores (ou menos vedadas) máscaras PFF2/N95. "As máscaras de tecido são capazes de bloquear apenas as partículas maiores", explica O'Kelly. "O fato de haver tanta transmissão neste momento indica que muito dela ocorre pelas partículas menores."

Uma máscara de tecido que se ajuste bem ao rosto pode ajudar, porém, a melhorar a eficácia de uma máscara cirúrgica, se for colocada por cima dela para melhorar sua vedação.

Com tudo isso, é bom reforçar a conclusão de que as máscaras do tipo PFF2 ainda são nossa melhor barreira individual contra partículas de ar potencialmente contaminadas pelo coronavírus.

"A gente deveria ter, desde o começo, falado da (importância da) PFF2. Falhou-se muito ao falar da máscara de pano, que deveria ter sido apenas um plano B para a época em que não tinha muita oferta de máscaras melhores. Daí uma solução que era para ter sido temporária (de popularizar o uso de máscaras de pano) acabou virando definitiva", critica Vitor Mori.

_________________________________________________Covid: Pico das internações em SP deve acontecer em 3 semanas, diz Gabbardo

O coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus estima aumentar para até 6 mil o número de leitos Imagem: Divulgação/Governo Estadual

Colaboração para o UOL 28/01/2022 10h33

O pico das internações por covid-19 no estado de São Paulo deve acontecer em três semanas. A estimativa é do coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus estadual, João Gabbardo.

"Ainda vamos piorar por duas semanas, aumentar o número de casos, e o pico deve ocorrer em 3 semanas. Em meados de fevereiro, começamos a reduzir a ocupação de leitos, para em março a situação estar mais tranquila", disse à CNN Brasil hoje.

Mesmo com muitos casos, Suécia decide não recomendar vacinas para crianças

Gabbardo argumenta que as internações têm aumentado significativamente por causa de complicações relacionadas a outros quadros clínicos, além da covid-19.

"Como quase 40% da população apresenta teste positivo mesmo sem sintomas, a pessoa chega ao hospital e vai ter teste positivo para covid, e tem que ser deslocada para leito de covid, e precisa de isolamento. Além dos pacientes com sintomas de covid, a grande maioria, talvez metade do total, interna porque tem outras situações clínicas e apresentam teste positivo para covid."

Falta de profissionais

Durante a entrevista, o coordenador do Centro de Contingência ainda admitiu que não há como o estado retomar o número de leitos registrado no auge da pandemia, que chegou a alcançar 15 mil unidades, por causa da falta de profissionais. Afirmou, contudo, que não deve haver necessidade.

"Temos 1/3 dos leitos que tínhamos no pior momento da pandemia. Se olharmos a ocupação de leitos, está em 72% no estado. Essa ocupação com o número de hoje, se tivéssemos os leitos que já tivemos, representaria 25%, 1/4 da capacidade. Estamos trabalhando com a expectativa de aumentar a quantidade de pessoas internadas para entre 5 a 6 mil pacientes."

Ontem, o governo de São Paulo anunciou a abertura de mais 700 leitos exclusivos para a covid-19 nos próximos dez dias. De acordo com o governador João Doria (PSDB), a atenção inicial será voltada em especial aos leitos de baixa complexidade. Serão 266 novos leitos de UTI e 434 de enfermaria em hospitais da rede pública de todas as regiões do estado.

Gabbardo também informou que o estado vai passar a vacinar as crianças sem distinção de faixa etária por dia:

"Nosso plano inicial era vacinar em três semanas 100% dessas crianças; é possível até reduzir um pouco o prazo. Isso é importante para que a gente possa voltar às aulas com mais segurança."

De acordo com o mais recente boletim de vacinação, divulgado pela Secretaria estadual da Saúde, 1.083.159 crianças foram vacinadas contra covid-19 em São Paulo com a primeira dose.

_________________________________________________Brasil registra maior média móvel de óbitos desde setembro de 2021

Nas últimas 24 horas, 695 mortes por Covid-19. A média móvel foi de 523 óbitos, 243% maior que duas semanas atrás. É a maior média móvel de óbitos já registrada desde setembro de 2021.

Puxados pela Ômicron, números de mortes e casos continuam a crescer. Apenas 13 estados divulgaram dados de vacinação

O Brasil registrou neste sábado 207.316 casos de Covid-19 nas últimas 24 horas. Com isso, o país totaliza 25.247.477  infectados pelo coronavírus desde o começo da pandemia. A média móvel foi de 183.896 diagnósticos positivos, 166% maior que o cálculo de 14 dias atrás, o que demonstra tendência de alta.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Nas últimas 24 horas, o país registrou 695 mortes por Covid-19, elevando para 626.643 o total de vidas perdidas no país para o coronavírus. A média móvel foi de 523 óbitos, 243% maior que o cálculo de duas semanas atrás, o que demonstra tendência de alta. É a maior média móvel de óbitos já registrada desde setembro de 2021.

A "média móvel de 7 dias" faz uma média entre o número do dia e dos seis anteriores. Ela é comparada com média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Vacinação

Ao todo, 13 unidades federativas do Brasil atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 neste sábado. Em todo o país, 164.642.461 pessoas receberam a primeira dose de um imunizante, o equivalente a 76,64% da população brasileira. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 149.657.395 pessoas, ou 69,66% da população nacional. Já 44.367.595 pessoas receberam uma dose de reforço.

Nas últimas 24h foram registradas a aplicação de um total de 752.875  doses de vacinas contra a Covid-19. Foram 232.576 primeiras doses, 116.634  segundas doses, 1.212 doses únicas e 402.453 de reforço.

Até o momento, ao menos 1.338.481 crianças de 5 a 11 anos já receberam a primeira dose contra a Covid-19. Esse valor representa 6,53% da população.


_________________________________________________Ciência é maltratada por populistas e antipopulistas

A ciência não pode ser arrogante

Por Pablo Ortellado 29/01/2022 • 00:02

A ciência virou cavalo de batalha nas guerras culturais. De conhecimento metódico baseado no método experimental e na falseabilidade, se converteu em conjunto de verdades estabelecidas utilizadas para desqualificar as posições dos adversários no embate com o populismo de direita. Essa distorção da ciência não é apenas conceitualmente errada, também é ruim para ampliar a confiança nas instituições científicas e sua aplicação nas políticas públicas.

É surpreendente a maneira como a ciência vem sendo apresentada no debate público. Em nenhum outro lugar se vê isso tão claramente como na discussão sobre a Covid-19 — doença nova e ainda pouco conhecida, e vamos enfrentando-a à medida que aprendemos sobre ela. Por isso, quase tudo sobre a Covid-19 é incerto, as recomendações sobre o que fazer são provisórias e precisam ser continuamente revisadas.

Mas como essas recomendações estão sendo questionadas pelo populismo, a reação antipopulista tem sido apresentá-las como se fossem mais certas e mais definitivas do que são, suprimindo as nuances e abafando o contraditório, o que não é bom para a política nem para a ciência.

Vimos isso no debate sobre como prevenir a disseminação da doença. A oposição não foi capaz de discutir com calma e nuance as políticas adotadas porque foi levada a fazer o contraponto ao bolsonarismo, que negava a gravidade. Se aqueles que negam as evidências estão propondo esse debate, então todas as suas posições estão erradas de antemão e precisam ser descartadas como irracionais e anticientíficas. Por isso, entre outras coisas, não fomos capazes de discutir com cuidado e ponderação o fechamento das escolas e não conseguimos revisar os protocolos de prevenção.

O debate sobre as escolas não precisava apenas levar em conta o risco de infecção que a ciência indicava; precisava considerar os efeitos da suspensão das aulas na evasão escolar, no desemprego e na desigualdade, que a ciência também indicava. Nossa incapacidade de ponderar as duas coisas para se contrapor ao populismo prejudicou — e muito — os estudantes.

Os protocolos de prevenção que eram muitas vezes atacados pelos bolsonaristas também não puderam ser revistos com calma, e o resultado é que até hoje tiramos a temperatura e passamos álcool gel nas mãos antes de entrar num shopping, e nos hotéis precisamos colocar luvas para usar o bufê. Com mais tranquilidade no debate, poderíamos ter abandonado as medidas que foram se mostrando menos eficazes e nos concentrado nas mais importantes, como a ventilação dos ambientes e a distribuição de boas máscaras.

O mais grave, porém, não é que o debate polarizado nos tenha impedido de enxergar e explorar as nuances, mas que o tenhamos feito em nome da “ciência”. Em nome da ciência criamos verdades definitivas imaginárias e desqualificamos as preocupações de uma parcela da população, aumentando o problema que deveríamos enfrentar.

O bolsonarismo está se aproveitando de uma crise de legitimidade das instituições e fomentando e organizando a desconfiança popular nas instituições que produzem a ciência. Nossa resposta não pode ser a ampliação do problema, arrotando autoridade científica contra os adversários, transformando a ciência numa instância validadora de verdades categóricas.

Se um argumento que parece absurdo é apresentado no debate público, é preciso respondê-lo, e nunca dizer que a questão é ridícula e já foi estabelecida pela ciência. Para enfrentar a desconfiança populista nas instituições, é preciso discutir cada argumento com paciência democrática e nunca cessar o trabalho de convencimento respeitoso.

_________________________________________________CANADÁ: JUSTIN TRUDEAU vai para ESCONDERIJO em meio a PROTESTOS de CAMINHONEIROS 

Justin Trudeau, primeiro ministro canadense - Dave Chan / AFP
Justin Trudeau, primeiro ministro canadense Imagem: Dave Chan / AFP

Do UOL, no Rio 29/01/2022 14h43

Em meio a uma onda de protestos contra a obrigatoriedade vacinal para caminhoneiros que fazem viagens transnacionais, o primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau e sua família deixaram a casa onde vivem em Ottawa para um destino não revelado, aponta reportagem da rede de TV CBC.

Segundo a reportagem, a medida foi tomada por preocupações quanto a segurança do líder máximo do país, já que milhares de caminhoneiros estão chegando à capital canadense.

Fim de ano e portas abertas: como a ômicron tomou o país em tempo recorde

De acordo com a nova regra do país, caminhoneiros canadenses não vacinados terão que fazer uma quarentena ao voltar ao país após fazerem fretes transnacionais. Cerca de 90% dos caminhoneiros transfronteiriços do Canadá e 77% da população do país estão totalmente imunizados.

O gabinete do primeiro-ministro disse que não informará a localização de Trudeau por razões de segurança.

Trudeau classificou o crescente movimento contrário à barreira sanitária para caminhoneiros não vacinados como contrário à saúde pública e aos valores canadenses de gentileza.

"A pequena minoria dos que estão a caminho de Ottawa expressam opiniões inaceitáveis. Seguir a ciência e se esforçar para proteger cada um é a melhor maneira de continuar a garantir nossas liberdades, nossos direitos, nossos valores como país", disse Trudeau.

O chamado "Comboio da Liberdade", vindo do leste e do oeste, começou como uma manifestação contra a obrigatoriedade da vacina para caminhoneiros que cruzam as fronteiras do país, mas se transformou em uma manifestação contra as medidas do governo a favor da vacina, consideradas exageradas por parte da população contrária à imunização.

"Não se trata apenas das vacinas. Trata-se de interromper completamente as obrigatoriedades de saúde pública", disse Daniel Bazinet, proprietário da Valley Flatbed & Transportation em Nova Escócia, na costa atlântica. Bazinet não é vacinado, mas opera internamente e, portanto, não é afetado pelo mandato transfronteiriço.

O Serviço de Proteção Parlamentar estimou que mais de 10 mil pessoas podem participar dos protestos neste fim de semana. Já a Polícia de Ottawa recebeu reforços das regiões de Toronto, London, York e Durham, além da Polícia Provincial de Ontário. Alguns dos organizadores dos eventos pediram aos participantes que evitem a violência.

"Não podemos atingir nossos objetivos se houver ameaças ou atos de violência", disse BJ Dicher à CBC. "Este movimento é um protesto pacífico e não toleramos nenhum ato de violência."

*Com informações da Reuters

_________________________________________________Covid-19: pelo segundo dia consecutivo, estado tem mais de 200 pessoas em fila de espera por leito

Foram registrados mais de 30 mil casos da doença em 24 horas. Aumento é de 43% em relação ao dia anterior
Centro municipal de atendimento e testagem para Covid-19 e síndrome gripal no Leblon Foto: Vanessa Ataliba/Zimel Press / Agência O Globo
Centro municipal de atendimento e testagem para Covid-19 e síndrome gripal no Leblon Foto: Vanessa Ataliba/Zimel Press / Agência O Globo

RIO — O estado do Rio teve 30.092 novos casos de Covid-19 e 25 óbitos em 24 horas. Um aumento de 43% em relação ao número de casos confirmados no dia anterior. Há  201 doentes aguardando na fila por uma vaga de enfermaria ou UTI.

Na capital, foram quase 20 mil casos confirmados em 24 horas. Ao todo, 19.821 testaram positivo para a doença e são 78 casos graves com necessidade de internação. A cidade tem 925 pessoas internadas e 73 aguardando por um leito. O número de internações é maior do que o registrado nesta sexta-feira, quando havia 903 pessoas em hospitais. O número já havia ultrapassado o total registrado no pico da variante Delta, quando o município chegou a 850 internações.

A capital também registrou três óbitos em 24 horas. Como especialistas já destacaram, apesar do alto número de confirmados, a variante Ômicron tem casos mais leves do que a variante Delta.

_________________________________________________Brasil registra mais de 202 mil casos de Covid-19 e média móvel volta a bater recorde

Número chegou a 140 mil em meio à expansão da variante Ômicron; nas últimas 24 horas foram registradas 332 mortes

Postos de saúde do DF começaram a vacinar crianças a partir de sete anos contra a Covid-19 Foto: Agência Brasil / Agência O Globo

O Brasil registrou, neste sábado, 202.466 casos de Covid-19, segundo as notificações das secretarias de saúde, e a média móvel voltou a bater recorde: 140.698.

Foram notificadas 332 mortes, elevando para 622.979 o total de vidas perdidas para o coronavírus ao longo da pandemia. 

A média móvel ficou em 282 óbitos. Em dois estados, Acre e Roraima, não foram registradas mortes.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. 

A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de INCONSISTÊNCIAS nos DADOS apresentados pelo Ministério da Saúde.

A "média móvel de 7 dias" se dá pela média entre o número do dia e dos seis imediatamente anteriores. Ela é comparada com a média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados "abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Ao todo, 19 unidades federativas atualizaram seus dados sobre vacinação. Em todo o país, 162.885.004 pessoas receberam a primeira dose de um imunizante, o equivalente a 75,82% da população brasileira. 

A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 148.292.373 pessoas, ou 69,03% da população nacional. Já 39.750.423 pessoas receberam uma dose de reforço.

Nas últimas 24h foram aplicadas 938.577 doses de vacinas contra a Covid-19. Foram 131.116 primeiras doses,  2.173 doses únicas e 837.231 doses de reforço. Por conta de uma correção nos dados de Santa Catarina, o número de aplicações de segunda dose ficou negativo, -31.943.

_________________________________________________Infecções pela covid-19 disparam e mortes também registram alta no Brasil

A explosão de casos diários, que já passam de 200 mil, eleva as internações

Gonçalo Junior Em São Paulo 21/01/2022 07h35

A pressão no sistema de saúde do país, causada pela disseminação da variante ômicron, está nas filas dos postos de saúde, na falta de medicamentos antigripais nas farmácias, na escassez de testes para detecção de covid-19 nos laboratórios privados e, em janeiro, após longo represamento de dados, nos levantamentos do Ministério de Saúde. A explosão de casos diários, que já passam de 200 mil, eleva as internações. A média móvel de mortes aumentou 121% em duas semanas.

Especialistas alertam que a chegada e a evolução da ômicron, ao longo de dezembro, não foram registradas pelo Ministério da Saúde. Alguns usam a expressão "voo cego" para ilustrar a situação dos gestores públicos e dos hospitais privados. Quando os sistemas da pasta sofreram um ataque hacker, em 10 de dezembro, o número de casos, hospitalizações e mortes por covid-19 estava no nível mais baixo do ano. Isso foi antes das celebrações de fim de ano, do surto de gripe em várias cidades e do avanço da ômicron.

Covid: Brasil tem 168 mil novos testes positivos conhecidos em 24 h

Em janeiro, o ministério informou que quatro de suas plataformas haviam sido restabelecidas ainda em dezembro e a instabilidade não teria interferido na vigilância de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave. Isso é o oposto do que dizem os pesquisadores. "Tivemos um apagão epidemiológico importante. Esses números estabilizados, segundo o Governo Federal, envolvem os dados retrospectivos? Para chegarmos à média móvel recorde de 100 mil deve ter havido uma variação importante em janeiro", opina Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP.

O especialista se refere à média móvel de 100 mil diagnósticos diários registrada na quarta-feira. Foi a primeira vez que esse número foi atingido desde o início da pandemia. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +487%, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde.

Mesmo sem os dados oficiais, o avanço da doença é flagrante. Com o surto de gripe misturado ao crescimento de casos de covid-19, pessoas com sintomas gripais lotam as unidades de saúde neste início de ano. Com isso, as vendas de medicamentos antigripais nas farmácias dispararam.

A recuperação dos dados do Ministério de Saúde não resolveu o problema da subnotificação de casos, na opinião de Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Para o especialista, a questão é recorrente. "Desde outubro, o e-Sus não reportou adequadamente os testes de antígeno. Ainda não sabemos o real impacto da ômicron. Os números ainda são subestimados. A maioria dos resultados é da rede privada."

Outro entrave é a falta de testes de detecção de covid-19. Em várias partes do Brasil, gestores públicos e laboratórios privados têm dificuldades para conseguir mais exames.

O número de casos neste início do ano impressiona na comparação com os períodos anteriores. Apenas nos primeiros 19 dias do ano, o número de casos de covid (1.135.488) equivale a 30% do total de casos confirmados ao longo de todo o segundo semestre de 2021 (3.726.209).

Impacto nas mortes

A curva de mortes começou a subir recentemente por conta do tempo entre o contágio, hospitalização, óbito, confirmação da causa e, finalmente, o registro. Em 31 de dezembro, a média móvel registrava 97 óbitos diários. No dia 19, essa mesma métrica registrava 215 óbitos diários — aumento de 121% em pouco mais de duas semanas.

Dessa forma, a média móvel de vítimas atingiu agora um patamar acima do que estava às vésperas do ataque hacker, quando a média indicava 183 mortos pela doença a cada dia. Desde o dia 3 de dezembro de 2021, o país não ultrapassava as 200 mortes diárias.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

_________________________________________________TEM que ter PENA-CAPITAL, não é possível...! PAREDÃO JÁ!!!

Após quase DOIS ANOS de PANDEMIA, Ministério da Saúde diz que CLOROQUINA é EFICAZ e VACINAS, NÃO 

22 de janeiro de 2022, 16:26

247 - O Ministério da Saúde divulgou nessa sexta-feira (21) uma nota técnica com uma lista de justificativas para vetar um parecer que rejeita o uso do chamado kit Covid, que considera medicamentos como a hidroxicloroquina - rejeitada mundialmente por estudos científicos para tratar a doença.

Em um trecho do documento, a pasta comandada por Marcelo Queiroga afirma que há efetividade e segurança no uso da substância no tratamento contra a Covid-19.

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Em contrapartida, no mesmo trecho, a nota pontua que não existe efetividade e segurança no uso de vacinas contra a Covid-19. O Ministério da Saúde aponta que não há demonstração de efetividade da vacina "em estudos controlados e randomizados" nem de segurança "em estudos experimentais e observacionais adequados".

No entanto, dados do próprio Ministério da Saúde apontam que o número de mortes, casos e hospitalizações por Covid teve queda drástica após o início da campanha de vacinação no Brasil.

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A manifestação antivacina foi feita em uma tabela dentro do documento assinado pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Helio Angotti, uma liderança da ala negacionista do governo.

A diretora da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) Meiruze de Freitas reagiu à nota e afirmou à Folha que "todas as vacinas autorizadas no Brasil passaram pelos requisitos técnicos mais elevados no campo dos estudos clínicos randomizados (fase I, II e III) e da regulação sanitária".

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"Não é esperado e admissível que a ciência, tecnologia e inovação no Brasil estejam na contramão do mundo", afirmou a diretora. "É preciso que todos estejam unidos na mesma direção, ou seja, salvar vidas", completou.

Médicos e médicas cearenses do Coletivo Rebento manifestaram repúdio e alertam a sociedade quanto à insistência do governo federal em impor, como política pública, o uso de medicamentos sem eficácia contra a Covid-19.

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"Mesmo com quase dois anos de pandemia e com inúmeras pesquisas que já demonstraram a total ineficácia e os riscos de uso de hidroxicloroquina para pacientes portadores de Covid-19 ou como falsa "medida profilática', o Governo Federal insiste no tema", diz trecho do comunicado. 

Indiferente à explosão de casos de Covid-19 e de Influenza no País, além da projeções de instituições renomadas que já avaliam risco de retornarmos, em fevereiro, a um patamar diário de 800 a 1.200 óbitos por Covid-19, coma altíssima transmissibilidade da variante Ômicron, o governo voltou a incluir o uso da hidroxicloroquina na "Fundamentação e Decisão Acerca das Diretrizes Terapêuticas para o Tratamento Farmacológico da Covid-19", por meio da Nota Técnica Nº 2/2022, da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, do Ministério da Saúde - SCTIE/MS, ressaltam ainda.

_________________________________________________Sem vacina, atriz Elizangela está em estado grave no CTI com sequelas da Covid

Atriz, de 67 anos, que foi chamada de 'rebelde' por sua assessoria, não tomou nenhuma dose da vacina. Médicos dizem que ela quase teve que ser intubada.
Atriz Elizangela, de 67 anos, foi internada em estado grave com sequelas da Covid Foto: Divulgação
Atriz Elizangela, de 67 anos, foi internada em estado grave com sequelas da Covid Foto: Divulgação

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A atriz Elizangela, de 67 anos, foi internada na quinta-feira (20), em Guapimirim, na Baixada Fluminense, em estado grave com sequelas respiratórias da Covid. Segundo a prefeitura, ela chegou passando muito mal ao Hospital Municipal José Rabello de Mello e quase teve que ser intubada.

Segundo a assessoria da artista, Elizangela é "bem rebelde" e radicalmente contra a vacinação  como deixa claro em suas redes sociais. Ela não tomou nenhuma dose do imunizante contra a doença.

Nesta sexta-feira (21), Elizangela estava estabilizada no CTI (Centro de Terapia Intensiva). Os testes recentes apontaram que a atriz não tem mais o vírus da Covid.

A Prefeitura de Guapimirim disse que a atriz já tinha ido ao hospital na semana passada após se sentir mal. Na ocasião, ela foi atendida, medicada e teve alta.

Na quinta-feira, Elizangela retornou à unidade em estado mais grave. Ela foi encaminhada à sala vermelha, onde os médicos conseguiram estabilizá-la.

Elizangela Foto: Roberto Moreyra
Elizangela Foto: Roberto Moreyra

Elizangela estreou na TV como criança, no programa "Clube do Guri", na extinta TV Tupi, em 1965. Logo depois passou ao programa infantil "Clube do Capitão Furacão", na TV Globo. Ela já participou de mais de 30 novelas. A última foi "A dona do pedaço", em 2019.

_________________________________________________Por que a Ômicron está DESCARTANDO a ESPERANÇA de atingirmos a IMUNIDADE de REBANHO 


Para especialistas, o fato de a variante infectar vacinados e causar reinfecção indica que coronavírus continuará encontrando maneiras de romper nossas defesas

Pessoas atravessam uma rua de São Paulo. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

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CHICAGO — A variante Ômicron, que está se espalhando muito mais rápido do que as versões anteriores do coronavírus, provavelmente não ajudará os países a alcançar a chamada imunidade de rebanho contra a Covid-19, na qual um número suficiente de pessoas se torna imune ao vírus. Assim, ele não pode mais se espalhar, dizem os principais especialistas em doenças.

Desde os primeiros dias da pandemia, as autoridades de saúde pública expressaram esperança de que fosse possível alcançar a imunidade de rebanho contra a Covid-19, desde que uma porcentagem alta o suficiente da população fosse vacinada ou infectada com o vírus.

Essas esperanças diminuíram à medida que o coronavírus se transformou em novas variantes em rápida sucessão no ano passado, permitindo reinfectar pessoas que foram vacinadas ou que haviam contraído Covid-19 anteriormente.

Algumas autoridades de saúde reviveram a possibilidade de imunidade de rebanho desde que a Ômicron surgiu no final do ano passado.

O fato de a variante se espalhar tão rapidamente e causar doenças mais leves pode em breve expor pessoas suficientes, de maneira menos prejudicial, ao vírus Sars-CoV-2 e fornecer essa proteção, argumentam.

Especialistas em doenças observam, no entanto, que a transmissibilidade da Ômicron é auxiliada pelo fato de que essa variante é ainda melhor do que seus antecessores em infectar pessoas que foram vacinadas ou tiveram uma infecção anterior. Isso aumenta a evidência de que o coronavírus continuará encontrando maneiras de romper nossas defesas imunológicas, disseram eles.

— Atingir um limite teórico além do qual a transmissão cessará provavelmente não é realista, dada a experiência que tivemos na pandemia — disse à Reuters o Dr. Olivier le Pollain, epidemiologista da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Isso não quer dizer que a imunidade prévia não oferece nenhum benefício. Em vez de imunidade de rebanho, muitos especialistas entrevistados pela Reuters disseram que há evidências crescentes de que vacinas e infecções anteriores ajudariam a aumentar a imunidade da população contra a Covid-19, o que torna a doença menos grave para aqueles que são infectados ou reinfectados.

— Enquanto a imunidade da população se mantiver com esta variante e variantes futuras, teremos sorte e a doença será controlável — disse o Dr. David Heymann, professor de epidemiologia de doenças infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Não é como o sarampo

As vacinas atuais da Covid-19 foram projetadas principalmente para prevenir doenças graves e morte, em vez de infecção. Mas os resultados de ensaios clínicos no final de 2020, mostrando que duas das vacinas tinham mais de 90% de eficácia contra a doença, inicialmente despertou a esperança de que o vírus pudesse ser amplamente contido pela vacinação generalizada, semelhante à maneira como o sarampo foi contido pela inoculação.

Com o Sars-CoV-2, dois fatores minaram esse quadro, disse Marc Lipsitch, epidemiologista de Harvard T.H. Escola Chan de Saúde Pública:

— A primeira é que a imunidade, especialmente à infecção, que é o tipo importante de imunidade, diminui rapidamente, pelo menos com as vacinas que temos agora — disse ele.

A segunda é que o vírus pode sofrer mutações rapidamente de uma forma que lhe permite iludir a proteção da vacinação ou infecção anterior — mesmo quando a imunidade não diminuiu.

— Isso muda o jogo quando as pessoas vacinadas ainda podem espalhar vírus e infectar outras pessoas — disse o Dr. David Wohl, especialista em doenças infecciosas da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

Ele alertou contra a suposição de que a infecção pela Ômicron aumentaria a proteção, especialmente contra a próxima variante que pudesse surgir. "Só porque você teve Omicron, talvez isso o proteja de pegar Omicron novamente, talvez", disse Wohl.

Vacinas em desenvolvimento que fornecem imunidade contra futuras variantes ou mesmo vários tipos de coronavírus podem mudar isso, disse Pasi Penttinen, o principal especialista em gripe do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, mas levará tempo.

Ainda assim, a esperança de imunidade de rebanho como um bilhete de volta à vida normal é difícil de abalar.

— Estas coisas estavam na mídia: "Vamos alcançar a imunidade do rebanho quando 60% da população for vacinada". Isso não aconteceu. Então, para 80%. Mais uma vez, não aconteceu — disse François Balloux, professor de biologia de sistemas computacionais da University College London, à Reuters.

— Por mais horrível que pareça, acho que temos que nos preparar para o fato de que a grande maioria, essencialmente todo mundo, será exposta ao Sars-CoV-2 — disse ele.

Especialistas em saúde global esperam que o coronavírus se torne endêmico, circulando persistentemente na população e causando surtos esporádicos. O surgimento da Omicron, no entanto, levantou questões sobre exatamente quando isso pode acontecer.

— Chegaremos lá — disse le Pollain, da OMS. — Mas não estamos lá no momento.

_________________________________________________Opinião: Chico Alves - Barra Torres usa a palavra certa para definir atos de Bolsonaro: crime

O presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres - Eduardo Militão/UOL
O presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres Imagem: Eduardo Militão/UOL
Colunista do UOL 20/01/2022 15h39

Ao falar na reunião que aprovou hoje o uso da vacina CoronaVac em crianças a partir de seis anos, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o almirante Antonio Barra Torres, criticou a campanha de desinformação contra o imunizante. Não citou nomes, mas classificou corretamente a gravidade desse tipo de procedimento.

"É criminoso buscar difundir mentiras através das novidades mentirosas, do inglês fake news", criticou Barra Torres.

Eleição de 2022 será mais suja que a de 2018 se autoridades não agirem já

Exatamente: crime é o que cometem Jair Bolsonaro e seus apoiadores na insistente mobilização para desestimular a população brasileira a se imunizar contra a covid-19. O diretor da Anvisa não precisa nomear o chefe dessa quadrilha. Todos sabem que o principal incentivador da desinformação é o presidente da República.

O fato de Bolsonaro não estar respondendo por esse crime contra a saúde pública deve ser creditado não só a seus marionetes, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mas também a um transe geral da sociedade brasileira.

Uma parte da população parece ter perdido de vista a gravidade das irresponsabilidades praticadas por Bolsonaro, outros apenas torcem para que ele saia logo do poder para que alguma normalidade institucional seja restabelecida.

Enquanto isso, os absurdos se sucedem.

O presidente continua a falar em imunidade de rebanho; atemoriza pais de crianças citando efeitos colaterais das vacinas, que são residuais; comemora o fato de a imunização não ser obrigatória. Seu ministro da Saúde segue o mesmo padrão e uma das deputadas de sua tropa de choque, Carla Zambelli (PSL-SP), chegou ao absurdo de pedir a suspensão da vacinação de meninos e meninas.

Na reunião de hoje, Barra Torres e técnicos da Anvisa repisaram várias verdades. A vacina não é experimental, o imunizante é seguro e a pandemia não acabou.

"Em meio a um cenário que aponta claramente para o avanço da variante ômicron, ainda há pessoas dizendo que pandemia está acabando, que a chegada da variante sinaliza o fim da pandemia", disse diretor da Anvisa. "Os números não mostram isso".

Essa ofensiva de desinformação é criminosa, como assinalou o almirante.

A constatação não resolve problema algum, não intimida o presidente mentiroso e seus asseclas.

Mas chamar o crime pelo termo correto ao menos restabelece alguma normalidade ao devaneio geral que vivemos atualmente.

_________________________________________________Ômicron: qual a melhor MÁSCARA para proteger contra covid, segundo autoridades americanas

20/01/2022 14h01

Confira as respostas para algumas perguntas sobre o uso de máscaras, que seguem sendo ferramentas importantes contra a nova variante.

Com a disseminação da variante ômicron do coronavírus, considerada mais contagiante do que as anteriores, autoridades de saúde no mundo estão atualizando suas recomendações sobre o uso de máscaras como forma de conter o contágio.

As autoridades americanas alertaram na semana passada que as pessoas devem procurar usar máscaras com o maior grau de proteção que estiverem ao seu alcance. No Brasil, o ministério da Saúde ainda não atualizou suas diretrizes sobre uso de máscaras desde que foi detectada a ômicron.

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Confira abaixo as respostas para algumas perguntas sobre o uso de máscaras.

Ainda é preciso usar máscaras?

Sim. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), "o uso de máscaras é uma ferramenta crítica de saúde pública para prevenir a propagação da covid-19".

"Qualquer máscara é melhor do que nenhuma máscara", avisa o centro. No entanto, diversos especialistas apontam que máscaras de tecido oferecem pouca proteção, e devem ser evitadas como forma de proteção contra a ômicron.

O CDC recomenda que se use a máscara com o maior nível de proteção possível. Também é preciso que ela tenha uma boa adesão ao rosto e que possa ser usada de forma consistente.

Qual é a melhor máscara para se proteger contra a ômicron?

O CDC ressalta que qualquer que seja a máscara usada pelas pessoas, o mais importante de tudo é que a máscara se encaixe bem no rosto da pessoa, cobrindo toda a boca e nariz, com nenhum buraco por onde o ar possa entrar ao lado.

As máscaras servem de filtro para as impedir a passagem de partículas, portanto todo o ar que é inalado e exalado pela pessoa precisa ser filtrado pela máscara. Máscaras mal encaixadas permitem que o ar passe sem filtros, expondo mais facilmente a pessoa ao vírus ou permitindo que ela espalhe o vírus com maior facilidade, caso ela esteja contaminada.

Máscaras conhecidas como respiradores (como as máscaras do tipo N95) são as que mais oferecem proteção. As autoridades americanas afirmam que as máscaras que melhor filtram partículas estão listadas aqui.

As máscaras que mais protegem, como as N95, ou PFF2, como são conhecidas no Brasil, são especialmente recomendadas para diversas situações, como:

As máscaras que mais protegem, como as N95, ou PFF2, como são conhecidas no Brasil, são especialmente recomendadas para diversas situações, como:

quem precisa cuidar de alguém que está com covid-19;quem tem risco de contrair uma doença grave;quem interage com muitas pessoas em seu trabalho (como motoristas de ônibus, por exemplo);quem usa transporte público e avião com frequência, especialmente por longos períodos e com lotação máxima;quando o distanciamento físico não é possível;quem não estiver vacinado.

Em seguida, as máscaras cirúrgicas descartáveis bem ajustadas e respiradores como as KN95 (uma variação da N95) são as que mais oferecem proteção. Mas o governo americano alerta que muitas máscaras KN95 de diversos fabricantes diferentes não passaram pelos testes técnicos, por isso recomenda-se que só se use máscaras que possuem certificação.

As máscaras que oferecem menor proteção são as de tecido.

Como encaixar bem a máscara?

Usar uma máscara bem ajustada é a principal recomendação das autoridades americanas para a proteção contra o coronavírus.

As melhores máscaras são as que possuem algum tipo de arame de metal na parte superior, onde a máscara encosta no nariz. Esse arame é usado para fechar a passagem de ar, e também para fixar com maior firmeza a máscara sobre o rosto.

Outra dica é usar um suporte (veja imagem abaixo) para máscaras junto com a máscara, no caso de máscaras que deixam muitos buracos para passagem do ar, como o caso das cirúrgicas. Isso é especialmente recomendado para pessoas com barba, já que a barba dificulta o uso de máscaras por abrir espaços para a passagem do ar.

No caso das máscaras cirúrgicas, sugere-se fazer nós no elástico, como forma de diminuir os espaços que permitem a passagem do ar.

Máscaras de tecido funcionam contra a ômicron?

Elas não são as mais recomendadas, pois não filtram o ar para partículas pequenas. Mas as autoridades afirmam que qualquer tipo de máscara é melhor do que nenhuma máscara.

Uma dica das autoridades é usar máscaras descartáveis (como as cirúrgicas) embaixo das máscaras de tecido, como forma de reforçar a proteção.

Como usar as máscaras cirúrgicas?

A principal recomendação é a mesma feita para os outros tipos de máscaras: certificar-se que o encaixe não permita a passagem de ar.

O que dizem as autoridades brasileiras sobre o uso de máscaras contra a ômicron?

O Ministério da Saúde ainda não atualizou as diretrizes de proteção contra covid que estão no seu site desde que foi detectada a variante ômicron. A última atualização do site foi realizada no dia 14 de outubro de 2021.

Como forma de prevenção contra o coronavírus em geral, o governo brasileiro recomenda "fortemente" o uso de máscaras pela população em geral.

O governo brasileiro diz:

- O uso de máscara facial, incluindo as de tecido, é fortemente recomendado para toda a população em ambientes coletivos, em especial no transporte público e em eventos e reuniões, como forma de proteção individual, reduzindo o risco potencial de exposição do vírus especialmente de indivíduos assintomáticos.

- As máscaras não devem ser usadas por crianças menores de 2 anos ou pessoas que tenham dificuldade para respirar, estejam inconscientes, incapacitadas ou que tenham dificuldade de remover a máscara sem ajuda.

- Recomenda-se lavar as mãos antes de colocar a máscara, colocando-a sobre o nariz e a boca, prendendo-a sob o queixo.

- A pessoa deve ajustar a máscara confortavelmente pelas laterais do rosto, e certificar-se que consegue respirar normalmente. As máscaras não devem ser colocadas em volta do pescoço ou na testa, e ao tocá-la, deve-se lavar as mãos com água e sabão ou álcool em gel 70% para desinfecção.

- Para pessoas sintomáticas recomenda-se o uso de máscaras cirúrgicas como controle da fonte.

_________________________________________________12 mitos e verdades sobre a covid-19

Mariana Varella Colunista do VivaBem 19/01/2022 04h00

A pandemia de covid-19 já dura dois anos, mas ainda há muita desinformação a respeito da doença.

Para esclarecer as dúvidas, a OMS (Organização Mundial da Saúde) elaborou uma lista com os principais mitos e verdades sobre a infecção. Veja os principais.

1 - É possível contrair covid-19 pela água ou enquanto estiver nadando

MITO O vírus não passa pela água. No entanto, como o vírus é transmitido pelo ar, se houver uma pessoa infectada pelo vírus muito próxima, é possível contrair o vírus. Assim, evite nadar em locais onde não for possível manter distância de ao menos 1 metro. Quando estiver fora da água e não der para manter distância das outras pessoas, use máscara.

2 - A probabilidade de o vírus se disseminar pelos sapatos é muito baixa

VERDADE O risco de o vírus se espalhar pelos sapatos e infectar as pessoas é muito baixo. Como medida de precaução, principalmente em ambientes onde houver crianças pequenas que brincam ou engatinham no chão, considere tirar os sapatos antes de entrar em casa, assim você evita o contato com a sujeira da rua.

3 - Mosquitos podem transmitir covid-19

MITO O ar é a principal via de transmissão do Sars-CoV-2, vírus que causa a covid-19, e não há nenhuma evidência de que mosquitos possam passar a doença.

4 - É possível contrair o vírus da covid-19 de alimentos ou embalagens

MITO A covid-19 é uma doença respiratória, e não há evidência de que o vírus possa ser transmitido por alimentos ou embalagens.

5 - Lavar o nariz com solução salina não protege contra a covid-19

VERDADE Não há evidências de que usar soro fisiológico ou qualquer solução salina ajude a prevenir a covid-19 ou outra infecção respiratória.

6 - Vacinas contra pneumonia podem ajudar a prevenir a covid-19

MITO Vacinas que previnem pneumonia, como a pneumocócica e contra Haemophillus influenza tipo B, não protegem contra o Sars-CoV-2.

Para evitar quadros graves e óbitos causados pela covid-19, é necessário tomar as vacinas específicas para prevenir a doença.

7 - Máscaras causam aumento do nível de CO2

MITO Embora o uso prolongado de máscaras possa ser desagradável para algumas pessoas, elas não causam intoxicação por CO2 ou redução no nível de oxigênio. As máscaras devem ser bem ajustadas ao rosto para oferecerem boa proteção contra o vírus.

Apesar de a OMS não recomendar o uso de um tipo específico de máscara, especialistas indicam as máscaras PFF2 para maior proteção.

8 - Clima muito quente ou muito frio ajuda a matar o vírus

MITO O vírus pode se disseminar em ambientes frios, quentes, úmidos ou secos, e países com climas diversos registraram altas taxas de infecção.

9 - Estudos clínicos mostram que a hidroxicloroquina não é indicada para tratar a covid-19

VERDADE A hidroxicloroquina e a cloroquina são drogas usadas no tratamento de doenças como malária, lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide e foram estudadas para o tratamento da covid-19. Os dados dos estudos mostraram que as drogas não reduziram as taxas de morte entre pacientes internados nem trouxeram benefício clínico para pacientes com quadros moderados de covid.

10 - A dexametasona é recomenda para todos os pacientes com covid-19.

MITO A dexametasona, um corticoesteroide indicado para o tratamento de algumas condições de saúde por seu efeito anti-inflamatório e imunossupressor, deve ser utilizada apenas quando houver indicação médica e não é recomendada para pacientes com sintomas leves. A droga tem benefício para pacientes internados em UTIs, em uso de ventiladores pulmonares.

11 - Antibióticos não devem ser usados para prevenir ou tratar a covid-19

VERDADE A covid-19 é causada por um vírus. Antibióticos devem ser utilizados para tratar infecções causadas por bactérias, portanto não são indicados para a doença.

No entanto, algumas pessoas hospitalizadas por covid-19 podem necessitar de antibióticos caso tenham uma infecção bacteriana associada à covid-19.

12 - Vitaminas e suplementos minerais não servem para tratar covid-19

VERDADE Micronutrientes, como zinco e vitaminas D e C, são necessários para o bom funcionamento do sistema imunológico, mas não há nenhuma indicação para utilizá-los no tratamento da covid-19.

Sua reposição deve ser feita com indicação médica e apenas em casos em que há carência desses micronutrientes.

Por fim, para evitar a covid-19 e suas complicações, vacine-se com todas as doses recomendadas das vacinas utilizadas para prevenir a doença, use máscara bem ajustada ao rosto (dê preferência às PFF2), evite aglomerações, mantenha os ambientes bem ventilados e lave as mãos.


_________________________________________________A linha turva entre proteção e protecionismo na China da 'Covid zero' | Marcelo Ninio - O Globo

Mulher faz teste de swab para Covid-19 em Pequim
Mulher faz teste de swab para Covid-19 em Pequim | NOEL CELIS/AFP
O aparecimento da variante Ômicron em Pequim era esperado, apesar do alerta máximo para as Olimpíadas de Inverno que começam dia 4. A surpresa foi como a Ômicron (supostamente) chegou: pelo correio.

Segundo as autoridades de saúde da capital chinesa, o primeiro caso da nova variante na cidade foi possivelmente causado por um vírus que viajou num envelope enviado do Canadá no dia 7, e passou por Estados Unidos e Hong Kong antes de chegar a Pequim no dia 11. Correios entraram na linha de defesa contra a pandemia, escolas voltaram ao ensino à distância e a população foi alertada a usar luvas e máscara ao manusear pacotes do exterior.

A versão foi amplamente divulgada no país, aumentando o temor de que “casos importados” são um dos grandes perigos de propagação da Covid-19 na China. De certa forma, é apenas uma variante mais agressiva do mesmo discurso mantido pelas autoridades chinesas desde o início da pandemia. Só que antes o foco era o risco de contaminação por produtos alimentícios importados, e agora se estendeu também a cartas do exterior. A tese de que o vírus pode ser transmitido por alimentos ou pacotes não tem evidências científica segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mas continua bem viva na China.

Ela levou a medidas extremas de controle sanitário dos alimentos que chegam ao país, e em muitos casos a bloqueios por suspeita de contaminação. Em 2020 houve diversas suspensões na importação de produtos do Brasil, como carnes e frutos do mar, após as autoridades chinesas alegarem que foram detectados traços de coronavírus em embalagens. Como efeito colateral, a suspeita com os alimentos brasileiros dificultou no ano passado a liberação das vendas de carne bovina do país para o mercado chinês. Embora o motivo da suspensão tenha sido a ocorrência de dois casos do mal da vaca louca e não a Covid, a imagem negativa do Brasil no combate à pandemia tornou mais rígidas as exigências dos chineses, que só reabriram seu mercado em dezembro após mais de três meses de árduas negociações.

Para fontes do mercado, mesmo admitindo que a estratégia de contenção da pandemia na China seja ditada por preocupações sanitárias, há sinais de que esteja em sintonia com interesses do mercado doméstico, como o controle de preços, deixando turva a linha entre proteção e protecionismo. Em 2020 o Brasil uniu-se ao Canadá num protesto na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as medidas extremas de controle sanitário da China a alimentos importados, que na prática seriam uma espécie de restrição comercial. Mas a paralisia da OMC tornou o organismo incapaz de avançar normas e resolver conflitos.

Enquanto isso, as exigências chinesas aumentaram o custo para os exportadores sem que jamais fosse comprovada claramente a presença de um vírus ativo nos produtos importados. Há vários exemplos. Os bloqueios tornaram especialmente caótica a situação nas fronteiras da China com o Vietnã, a Tailândia e Mianmar. No fim do ano passado, as importações de pitaia do Vietnã foram suspensas após a descoberta de três casos positivos de Covid, deixando mais de cinco mil caminhões empacados na fronteira.

Centenas de carregamentos de bananas, mangas, jacas e outras frutas de vários países vizinhos estragaram na espera e acabaram no lixo. O excesso de rigor gerou protestos nos países atingidos e questionamentos também na China. Embora as restrições tenham ajudado os produtores locais, que se beneficiaram da menor competição e do aumento de preços, há quem tema retaliações contra produtos chineses e limites excessivos num país que, afinal, depende das exportações de alimentos para satisfazer a demanda doméstica.

Apesar das restrições, a sedução exercida pelo maior mercado importador de alimentos do mundo supera a disposição dos exportadores em protestar contra normas cada vez mais rígidas, mesmo quando elas cheiram a restrição comercial. O importante é não perder o negócio.

O rigor das normas chinesas de importação não é uma simples barreira protecionista, pondera o influente blog Dim Sums, especializado no setor agrícola da China, ainda que elas tenham esse efeito. O maior impacto é “catapultar" a posição do país como um agente determinante para ditar as regras do comércio internacional, afirma o blog: “Depois de anos sendo atormentada a obedecer os padrões de segurança alimentar do Japão, dos EUA e da Europa, a China tem um pretexto para exigir que os exportadores cumpram intermináveis requerimentos para inspeções, certificações e registros”.

Com a confirmação do primeiro caso da variante Ômicron em Pequim, as restrições ganharam contornos de boicote. Autoridades municipais de saúde recomendaram à população que evite comprar produtos importados como forma de combater a propagação do vírus. Quase simultaneamente, o apelo doméstico chocou-se com a retórica que o país direciona para o exterior. No mesmo dia, o presidente Xi Jinping disse num discurso para o Fórum Econômico Mundial que "protecionismo e unilateralismo não protegem ninguém”.

A duas semanas do início da Olimpíada de Inverno e do Ano Novo Chinês, é compreensível que o governo esteja empenhado em endurecer as medidas para que o esforço de dois anos na contenção da pandemia não seja perdido. Até que se prove o contrário, as ações tomadas, principalmente a testagem em massa, o rastreamento e o confinamento de populações em áreas de risco, têm se mostrado eficientes para frear surtos recentes, apesar de seu custo e da ameaça de propagação do Ômicron.

Na terça, a Comissão Nacional de Saúde registrou 87 novos casos no país, um número alto para as ambições da estratégia nacional de "Covid-zero", porém irrisório na comparação com surtos em outros países. Alheio ao ceticismo internacional, o governo sustenta que a estratégia não será alterada, e que o número ainda relativamente baixo de casos da doença justifica a decisão. Mas usar o medo do que vem do exterior como arma contra a Covid, justamente na véspera do desembarque de milhares de atletas estrangeiros, não parece ser a melhor receita para projetar no mundo uma imagem positiva do país, uma das metas de Pequim ao sediar os Jogos Olímpicos pela segunda vez. Além disso, contraria o discurso permanente do governo em defesa do livre comércio e suas críticas à xenofobia.

_________________________________________________Júlia Rocha - Para conhecer Felipe Durante: será que ninguém morre de covid na China?

O engenheiro Felipe Durante conta o dia a dia da vida na China nas redes sociais - Arquivo pessoal
O engenheiro Felipe Durante conta o dia a dia da vida na China nas redes sociais Imagem: Arquivo pessoal
Júlia Rocha 18/01/2022 16h28

A iniciativa para esta conversa partiu de mim e do meu grande desejo de conhecer um pouco mais da realidade da China hoje. Sou uma entre tantas outras médicas brasileiras que vivenciou o completo caos no enfrentamento à pandemia da covid-19. Foi angustiante contemplar a falta de comando centralizado para a definição das políticas públicas que protegeriam o país dessa onda mortífera que nos assolou e segue nos rondando dois anos depois. Assim, entender como foi possível que a China parasse de registrar mortes por covid-19 era algo importante.

A entrevista de hoje é com o engenheiro paulistano Felipe Durante. Felipe mora na Ásia há cinco anos. Há dois anos e meio, está na China, onde viveu todo o período da pandemia da covid-19. Felipe usa o Twitter e o Youtube para divulgar o cotidiano chinês e dedica uma parte considerável da sua energia nessas redes sociais para contrapor notícias falsas ou equivocadas sobre o país.

Júlia Rocha - "A China não é santa." Ouvi você dizendo esta frase recentemente em uma live em que você foi convidado para falar de uma China que pra nós é distante em todos os sentidos. Acho que esta fala é um bom começo para nos trazer para a realidade. O que ainda te surpreende, tanto de forma negativa quanto de forma positiva, na China?

Felipe Durante - O que mais me incomoda é a censura. E não falo da censura do governo em relação às redes sociais. Há uma camada a mais nisso que é a questão dos dados. A gente sabe que, de um modo geral, as maiores redes sociais do mundo não se importam muito que grupos nazistas de extrema direita estejam se organizando através de suas plataformas. Eu nem entro nesse mérito especificamente. Eu falo da censura aos filmes, aos produtos culturais.

Há filmes cuja estreia não tem sequer data prevista por aqui. E há um motivo. Sabemos que há um motivo para a censura, mas não sabemos qual é esse motivo. E o cidadão comum fica privado disso. Não me incomoda não ver o filme em si. Me incomoda não poder vê-lo.

Isso impacta na forma como as pessoas comuns pensam. Veja que interessante. Quando há demanda por profissionais em áreas criativas e de resolução de problemas, como design de produtos, por exemplo, muitas empresas chinesas preferem contratar profissionais estrangeiros. Talvez porque nós tivemos acesso a uma produção cultural mais diversa de forma mais livre a vida toda e isso nos facilite a pensar fora da caixa e encontrar soluções mais sofisticadas.

O que me surpreende de forma positiva é que é muito conveniente morar na China. Recentemente, precisei resgatar a minha carteira que estava guardada em uma mala para poder viajar para os Estados Unidos. Aqui eu não tenho carteira. Faço absolutamente tudo através de alguns aplicativos no celular. Desde pagar todas as minhas contas (aluguel, inclusive) a comprar em qualquer loja, reservar um hotel, comprar passagens de trem, de avião, pedir táxi, transferir dinheiro para outra pessoa. Tudo. Não se usa dinheiro. Não há caixas eletrônicos, porque ninguém tira dinheiro.

Uma facilidade muito boa é que você consegue ir a qualquer lugar do país de forma muito simples através dos trens-bala. Há um trem-bala para qualquer canto da China. E você anda por qualquer lugar sem sentir medo. Há uma sensação de segurança muito forte. Não se vê polícia na rua, mas eu me sinto muito seguro. Uma mulher pode andar sozinha na rua de madrugada que a chance de acontecer qualquer coisa é muito pequena. Há crimes? Sim. Há estupros, assassinatos, mas é muito menos. É muito seguro, mesmo. E como eu disse, não há polícia na rua. Não é seguro porque as pessoas sentem medo do governo. No Vietnã, eu não senti medo/ na Tailândia, eu não senti medo. Me parece que há na Ásia um senso de pertencimento social muito grande.

Seja pela distância geográfica, seja pela distância cultural e política, ou ainda pelas restrições de acesso à informação entre a Ásia e o ocidente, muito do que nos chega sobre os acontecimentos na China são informações bastante questionáveis e que não resistem às checagens. Como você percebe a produção jornalística ocidental em relação à Ásia, especialmente nos países de regime comunista?

Acredito que notícias fofas a respeito da China, coisas boas, fatos corriqueiros não vão chegar ao Brasil. É muito longe. Muito! Uma notícia trivial sobre a China não gera cliques no Brasil ou em qualquer outro país que está tão distante. Para uma notícia chegar aí, necessariamente é uma notícia que vai impactar. O caminho de volta também é o mesmo. O chinês comum não sabe que a inflação do Brasil está em 10%. Isso não chega aqui. Não faz diferença para eles.

Normalmente chega quando o governo para de importar carne, ou quando o Bolsonaro faz algum comentário em relação à China. Precisa ser algo maior. E aí, é claro que no meio dessa guerra fria da informação que os Estados Unidos vem impondo, o foco das notícias sobre a China obviamente será de coisas negativas e vai seguir sendo assim por um bom tempo, afinal eles precisam desse inimigo. Eles são um país que estão constantemente em guerra. Eles precisam disso. E essa guerra de informações não vai parar tão cedo.

A política de "zero covid" que a China faz hoje é pintada de forma negativa porque está prejudicando empresas na Europa e nos Estados Unidos, o que é um absurdo. É justamente essa política em relação à covid na China que faz o mundo continuar funcionando. Se a China estivesse vivendo nas condições do Brasil e dos Estados Unidos, teríamos a fábrica do mundo parada. Eles conseguem construir uma imagem negativa de uma política que salva vidas.

Um exemplo disso é que o mundo todo questionou os números de mortos pela covid aqui na China. As pessoas não acham possível que um país de 1,3 bilhão de habitantes tenha perdido menos de 5.000 vidas para a doença. Mas estas mesmas pessoas não questionam os números nos Estados Unidos. Mesmo tendo havido uma admissão por parte da Casa Branca de manipulação de dados durante o governo Trump. Cientistas de dados na Flórida estavam sendo constrangidos pela polícia em suas casas ao divulgarem dados que contestavam a veracidade dos dados oficiais. Com isso ninguém se importou. Ninguém foi atrás para checar se os dados americanos estavam corretos e se, de fato, morreram 800 mil pessoas ou se foram mais. Mas quando as notícias se referem à China, elas sempre serão questionadas, porque é a China, país comunista.

Felipe, uma coisa que me intriga muito são esses dados sobre a covid. É tão inacreditável para uma médica brasileira que esse nível de controle sobre uma doença tão transmissível e tão potencialmente grave como a covid-19 tenha sido possível que me pego a pensar que algo de muito especial deve ter sido feito aí. Se não, a conta não fecha. Acompanho você no Twitter e assisto a todos os seus vídeos no seu canal no Youtube. Quando vi o seu relato contando sua jornada para retornar à China depois de uma viagem de trabalho nos Estados Unidos, comecei a pensar que se o controle foi daquele jeito, então esses números realmente podem ser reais. Afinal, o que determinou esse sucesso acachapante da China diante dessa pandemia?

Vou te trazer dois exemplos que ilustram bem a forma como a China está enfrentando a pandemia. Acharam quatro ou cinco casos em Xangai na semana passada, em uma casa de chá. Todo mundo que teve contato com aquelas pessoas está em quarentena hoje. São mais de 300 pessoas. Eles rastreiam o segundo e, às vezes, até o terceiro nível de contato. Nesse episódio, foram mais de 50 mil pessoas testadas em 48 horas.

Os condomínios onde essas quatro ou cinco pessoas infectadas moram foram colocados inteiros em quarentena, e quem está lá não pode sair. Eles têm todo o apoio do governo em relação a questões financeiras, de alimentação, etc, mas não podem sair.

No final de 2021, uma pessoa que foi à Disney de Xangai testou positivo. Por conta desse único caso, a Disney fechou durante o dia para testar todas as pessoas que estavam lá dentro. Ficaram até de madrugada testando. Quem trabalha na Disney passou pelo mesmo processo. Um funcionário da mesma empresa em que trabalho esteve no mesmo trem que esta pessoa do caso identificado. na Disney — isso se sabe a partir dos dados de localização fornecidos por aplicativos usados para o controle da covid-19. Esse funcionário entrou em quarentena de 14 dias. Não dá para saber sequer se ele esteve no mesmo vagão da pessoa infectada, mas, por precaução, a informação de que estavam no mesmo trem já gerou esse movimento de isolá-lo. E a minha empresa autorizou todas as pessoas que tiveram contato com ele a trabalharem de casa por 14 dias.

É assim que a China age hoje quando identifica um caso novo. É uma reação que pode ser vista como exagerada, mas eles sabem que numa cidade como Xangai, que tem 26 milhões de habitantes, se eles não fizerem assim, há uma chance imensa de tudo sair do controle.

É preciso somar a essa análise a dificuldade de entrar no país. A China fechou as fronteiras em março de 2020. Já são quase dois anos. Eu mostrei recentemente em um vídeo no meu canal como o processo para entrar no país atualmente é muito complicado. Quem tem visto de turista não entra, quem tem visto de negócios não entra. Você precisa ter o visto de trabalho ou o visto de residência, que é o meu caso. Isso já reduz muito o número de pessoas que podem entrar. Ao redor do mundo, muitos consulados não estão sequer emitindo vistos. Definitivamente não é um processo simples.

Além disso, mais de 90% da população já está vacinada. Isso faz com que a chance de morrer alguém caia ainda mais. Acontecem casos como o de Xian, cidade que está em lockdown há quase 1 mês. Não é um lockdown no mesmo nível do que foi o de Wuhan. É um fechamento parcial, bem menos restritivo, mas que teve o objetivo de conter o espalhamento da ômicron que ocorreu muito rapidamente.

Com esse nível de controle, muito poucas pessoas adoecem gravemente e eles conseguem atender de forma muito eficiente quem precisa de hospitalização, por exemplo.

Resumindo: é dificílimo entrar na China. Para quem entra, o controle é muito rigoroso. Se ocorre um caso, a reação é imediata e contundente. A vacinação já avançou até para crianças de 3 anos. Com poucas pessoas adoecendo gravemente, fica fácil tratar quem precisa de forma muito qualificada. É por tudo isso que quase ninguém morre de covid-19 na China hoje em dia.

Felipe, obrigada por esses esclarecimentos. É importantíssimo que tenhamos essas oportunidades de conhecer a China a partir de outros olhares. Fique à vontade para deixar uma mensagem final para quem nos acompanhou até aqui.

Eu diria para que as pessoas criem o hábito de checar as informações sobre a China que circulam pelo ocidente. É preciso pesquisar. Há muita fonte de informação pela internet e a própria Wikipédia pode ser um bom ponto de partida. Os artigos têm muitas fontes que servem como uma boa base inicial.

E eu sigo no Youtube publicando meus vídeos e tentando também trazer essas informações com o olhar de quem mora aqui há muitos anos. Agradeço a quem nos acompanhou até aqui. Quanto mais a gente falar da China e da Ásia no Brasil, melhor. São dois pontos geograficamente muito distantes e poder trazer notícias desse cotidiano real é valioso.

_________________________________________________Reino Unido bate recorde de mortes em um dia por Covid desde fevereiro de 2021

Apesar de alto, o número ficou bem abaixo do visto durante o pico de óbitos, em janeiro de 2021, quando o país chegou a ter uma média móvel diária de mais de 1.200 mortes.

País registra 438 óbitos no momento em que o premier Boris Johnson cogita reduzir as medidas implementadas para controlar a disseminação da Ômicron

Trabalhadores da saúde carregam maca do lado de fora do Hospital Real de Londres Foto: TOBY MELVILLE / REUTERS / 7-1-2022

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LONDRES — O Reino Unido registrou o maior número de mortes por Covid-19 em quase um ano nesta terça-feira. O país atingiu a marca no momento em que o governo do primeiro-ministro Boris Johnson considera relaxar as medidas introduzidas para reduzir a propagação da variante Ômicron.

Foram 438 novas mortes por Covid hoje, marcando o maior número de óbitos em um dia desde 24 de fevereiro de 2021.

A média móvel diária de mortes no Reino Unido vem crescendo desde o fim de dezembro, subindo de 73 naquela época para 264 na segunda-feira, segundo dados do Our World in Data, da Universidade de Oxford. Apesar de alto, o número ficou bem abaixo do visto durante o pico de óbitos, em janeiro de 2021, quando o país chegou a ter uma média móvel diária de mais de 1.200 mortes.

À época, o país estava no início de sua última quarentena nacional, decretada em 31 de dezembro de 2020, e por causa do confinamento teve logo em seguida uma queda vertiginosa da média móvel de mortes, chegando a uma taxa diária de menos de 30 óbitos em meados de abril, quando foi iniciado o plano de flexibilização do lockdown.

Na segunda-feira, a média móvel aparentemente sugeria uma estabilização no número de mortes, já que desde quinta-feira passada a taxa ficou um pouco acima de 260 por dia.

Antes do recorde desta terça-feira, o ministro da Saúde, Sajid Javid, havia dito ao Parlamento que estava otimista de que as medidas introduzidas para reduzir a disseminação da Ômicron serão reduzidas na próxima semana, uma vez que os casos e as hospitalizações provocados pela variante parecem ter atingido o pico.

Segundo a mídia britânica, o governo está considerando eliminar gradualmente as restrições pandêmicas restantes na Inglaterra, incluindo o trabalho remoto e o uso de passaporte da vacina.

Apesar de as infecções terem atingido recordes nas últimas semanas, a velocidade na aplicação de doses de reforço e os efeitos menos graves da Ômicron em vacinados fizeram com que as internações e as mortes não aumentassem tão acentuadamente em comparação com surtos anteriores. Atualmente, 70% da população britânica estão totalmente imunizados, enquanto 53% já tomaram a dose de reforço.

Diferentemente do que ocorre com a taxa de mortes, a média móvel de casos no Reino Unido durante toda a pandemia atingiu seu pico no atual surto, chegando a 182.890 contaminações em 5 de janeiro — em janeiro de 2021, durante outro surto, a maior média de infecções foi de 59.688.

No entanto, a média de casos no país vem caindo rapidamente na última semana, chegando a 98.684 nesta segunda.

No mundo, a pandemia vive seu pico de casos, mas não o de mortes. A média móvel de óbitos em nível global vem aumentando nos últimos dias, e na segunda-feira foi de 7.066. A taxa é semelhante à registrada em dezembro e cerca de metade da registrada em janeiro de 2021, quando chegou ao seu pico global: 14.704 por dia.  


_________________________________________________Queda de casos em outros países indica que pico de Ômicron pode acontecer em duas a três semanas 

Onda epidemiológica em países como África do Sul, Reino Unido, Canadá e Austrália indica entre quatro e seis semanas de aumento vertiginoso de infecções

Pessoas caminham por São Paulo de máscaras: pico da onda provocada pela ômicron deve ocorrer em algumas semanas Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

SÃO PAULO —  A variante Ômicron tem se mostrado não uma nova onda da Covid, mas um verdadeiro tsunami, provocando uma explosão de casos. Da experiência desses lugares vem sendo possível prever o tempo de duração da crise: entre quatro e seis semanas de aumento vertiginoso no número de infecções até atingir o pico, seguido por, da mesma forma, queda acentuada. Caso o Brasil siga esse padrão, estaríamos a duas ou três semanas do pico e, assim, entrando logo em queda. 

A África do Sul, onde a variante foi identificada no final de novembro, é o primeiro exemplo. Após atingir o auge em 17 de dezembro, com 23 mil casos, atualmente tem número menor de casos do que nos primeiros dias daquele mês, com 4.636. 

O Reino Unido já consolidou a mesma curva, embora ainda mantenha um número bem alto de infecções já que a onda chegou depois. De maneira mais recente, Canadá, Austrália e cidades populosas dos Estados Unidos, como Nova York, também já observam o número de casos despencar.

Para o infectologista, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, o padrão na curva dos outros países é claro: subida por cerca de cinco semanas e, depois, queda. No Brasil, isso deve se repetir: 

— Vamos observar essa curva aqui e o estado onde isso será visto precocemente é São Paulo, que teve os primeiros casos. No entanto, como teve réveillon e férias, houve uma sincronização entre as regiões. É um tsunami que vem e vai muito rapidamente. Se considerarmos a semana entre Natal e Ano Novo como início da curva epidemiológica, teremos o pico no começo de fevereiro para depois começar a queda. Isso, claro, se a nossa curva epidêmica se comportar de forma semelhante.   

Segundo Croda, o platô observado em outras ondas não se repete porque a taxa de transmissão é quatro vezes maior do que o vírus original e não há medidas restritivas dessa vez. Depois, quando o vírus não encontra pessoas suscetíveis, ou porque estão muito bem protegidas pela vacinação ou porque já foram infectadas, ocorre a queda é acentuada. 

A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Ethel Maciel, que tem pós-doutorado em epidemiologia pela Universidade Johns Hopkins, considera a Ômicron “mais explosiva” do que as outras cepas do SARS-CoV-2, por isso a curva é tão aguda. Mas alerta para a falta de dados para o Brasil poder ter mais clareza sobre seu momento na pandemia:  

— O problema no Brasil é o de sempre: não temos testes, e com o apagão de dados temos menos noção ainda do que está acontecendo. É difícil cravar com precisão acertada — afirma.  

Outros fatores especificamente regionais podem interferir. Os médicos temem um repique no fim das férias e volta às aulas ou, ainda, provocado pelo Carnaval. Por isso, é importante que haja forte investimento na dose de reforço para toda a população  e aceleração na vacinação das crianças. 

O infectologista Filipe da Veiga explica que há formas de garantir uma queda mais acentuada no número de casos.  

—Vejo que alguns países caem mais rápido que outros. O ‘Vaccines-plus’ é uma sequência de orientações dadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no fim de 2021, que se somam à vacina: autotestes, isolamento por sete dias e uso de máscaras melhores, que não de pano, para reforçar a barreira. Os países que adotam testagem maciça e autoisolamento, em duas semanas têm 30% de queda de casos — afirma Veiga.  

Para o médico, embora tudo indique que essa onda vai ser mais breve, não dá para relaxar: 

— Acho que alguns estados podem enfrentar colapso no sistema de saúde. As vacinas ditam como vão ser mortes e internações, mas é o comportamento humano que dita a transmissão.  

A OMS também evita comemorar antes da hora. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou ontem que ainda há muito pela frente. 

— Esta pandemia está longe de terminar, e dado o incrível crescimento da Ômicron em todo o mundo, é provável que surjam novas variantes — disse Adhanom em entrevista coletiva em Genebra, na Suíça. — Em alguns países, os casos de Covid parecem ter atingido o pico, dando esperança de que o pior desta última onda já passou, mas nenhum está fora de perigo ainda. 

O exemplo de outras nações traz além de esperança, informações úteis. Para Julio Croda, é fundamental usar o exemplo das curvas epidemiológicas para que o poder público brasileiro se organize: 

— A mensagem é que a gente tem que aprender com outros países e planejar melhor. Não é surpresa o que vai acontecer em poucas semanas, por isso precisamos investir em leitos de enfermaria e testes para a população.  

_________________________________________________Médicos preveem colapso do sistema municipal de saúde de São Paulo

Fábio Vieira/Metrópoles

São Paulo – Médicos da rede municipal de São Paulo preveem que o sistema de saúde está prestes a colapsar, devido à falta de profissionais somada a uma quantidade crescente de pacientes com o avanço dos casos de Covid-19.

“Quando não tem estrutura, são os médicos que são agredidos na ponta. Nossas demandas foram feitas para que tenham medidas e não aconteça o colapso que vemos se delinear”, afirmou ao Metrópoles o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Victor Dourado.

O sindicato negocia melhores condições de trabalho e atendimento à população com a prefeitura. Sem acordo, a categoria havia decidido por uma paralisação no atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) nesta quarta-feira (19/1). No entanto, a pedido da prefeitura, a Justiça concedeu liminar na terça-feira (18/1) que proibiu a greve.

A paralisação, segundo o sindicato, foi a única medida cogitada para prevenir o esgotamento do sistema público de saúde.

Entre as causas de um possível colapso, citadas pelos sindicalistas, estão a falta de reposição de médicos que deixam de trabalhar nos postos de saúde ou que estão afastados justamente por terem contraído o coronavírus ou apresentarem sintomas. O número reflete a alta de casos na cidade. A prefeitura estima que a cidade pode estar em seu pior momento de propagação do vírus.

Dourado diz que, no dia 13 de janeiro, 3.190 médicos da rede municipal estavam afastados por razões ligadas à Covid.

Déficit de médicos

Ele também se queixa da falta de transparência nos dados da prefeitura, o que impede de diagnosticar o verdadeiro déficit de médicos na rede pública. Dourado estima que, só pela falta de reposições de profissionais que saíram no ano passado, faltem 900 médicos para dar conta da atual demanda.

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Esse cálculo do sindicato leva em consideração a demanda existente de mais dois médicos prestarem serviço nas 469 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que são a porta de entrada da rede de atenção à saúde.

Para tentar aliviar a reivindicação dos médicos, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou a contratação de 700 profissionais de saúde. O sindicato, porém, afirma que, desse contingente, só 140 profissionais seriam médicos.

“Esse anúncio de 140 contratações não é plano de contingência nem para a quantidade de profissionais afastados pela doença”, criticou o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo.

Na segunda-feira (17/1), após reunião com o sindicato, a Secretaria Municipal de Saúde prometeu, entre outros, regularizar o pagamento das horas extras acumuladas até o fim do ano passado. Informou ainda que pagará horas extras e plantões extras na folha de pagamento do respectivo mês, inclusive para os demais servidores da rede.

_________________________________________________No Rio, 90% dos internados com Covid-19 não se vacinaram

"As internações se APROXIMARAM de ZERO em novembro, mas voltaram a SUBIR agora em alguns hospitais. MAS isso ainda NÃO tem IMPACTO sobre o VOLUME TOTAL de leitos da unidade. 

A evolução dos casos causados por essa cepa tende a ser muito mais benigna. Muitas vezes não requer nem o uso de antibióticos. Ela também não afeta os pulmões como as outras variantes.


Hospital de campanha em Santo André (SP) em meio à pandemia de coronavírus 
07/04/2021
REUTERS/Amanda Perobelli
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247 - Em hospitais da rede privada do Rio de Janeiro, 90% dos internados com Covid-19 não se vacinaram, informa o diretor da Associação de Hospitais do Estado do Rio (Aherj), Graccho Alvim. As informações são do jornal O Globo.

Segundo Alvim, o número de internados cresceu nas últimas semanas por causa da nova onda de casos, motivada principalmente pela variante ômicron, mais infecciosa. A situação, contudo, ainda está controlada. Quatro estados, porém, estão com ocupação de leitos de UTI acima de 80%.

"As internações se aproximaram de zero em novembro, mas voltaram a subir agora em alguns hospitais. Mas isso ainda não tem impacto sobre o volume total de leitos da unidade. 

Ainda há uma estabilidade grande nas internações. Se houver necessidade, temos capacidade de abrir muito mais leitos. Mas a demanda atual não chega perto do que já vimos em outras ondas", afirma Alvim.

De acordo com a Aherj, os casos de Covid-19 causados pela ômicron costumam ser mais leves, ainda que os cuidados continuem sendo necessários. "

De acordo com a Aherj, os casos de Covid-19 causados pela ômicron costumam ser mais leves, ainda que os cuidados continuem sendo necessários. "A evolução dos casos causados por essa cepa tende a ser muito mais benigna. Muitas vezes não requer nem o uso de antibióticos. Ela também não afeta os pulmões como as outras variantes", diz Alvim.

_________________________________________________Pandemia não está nem perto do fim, adverte OMS

19 de janeiro de 2022, 06:50

247 - A pandemia de Covid-19 não está nem perto do fim, afirmou o chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), TEDROS ADHANOM GHEBREYESUS, em alerta a líderes mundiais.

Tedros Adhanom refutou a ideia de que a variante ômicron cause somente casos mais leves da Covid-19 e que, por isso, não deve despertar tanta preocupação. 

"A narrativa de que ela é uma doença leve é enganosa. Não se engane, a ômicron está causando HOSPITALIZAÇÕES e MORTES, e mesmo os casos menos graves estão enchendo as unidades de saúde".

Em entrevista coletiva, ele disse que a ômicron levou a 18 MILHÕES de NOVAS INFECÇÕES em todo o MUNDO na SEMANA PASSADA.

"Com o incrível crescimento global da ômicron, NOVAS VARIANTES provavelmente surgirão, e é por isso que o rastreamento e a avaliação permanecem críticos", advertiu.

O chefe da OMS ainda reforçou a importância da vacinação para evitar casos graves e mortes causadas pela ômicron. 

"Continuo particularmente preocupado com muitos países que têm baixas taxas de vacinação, pois as pessoas correm muito mais risco de doenças graves e morte se não forem vacinadas".

_________________________________________________Governo Bolsonaro indicou aos estados que deixaria vacinas de crianças na metade do caminho

Saúde tentou mudar o trajeto da entrega das doses e admite que houve desencontro

Brasília

O Ministério da Saúde tentou mudar de última hora o padrão no processo de entrega de vacinas contra Covid-19 aos estados e indicou que a pasta deixaria doses pediátricas na metade do caminho. O comando provocou confusão em algumas cidades.

Em nota, a pasta admitiu à Folha que, na confusão, superintendências do ministério foram mobilizadas para o transporte e isso "acarretou um desencontro".

As vacinas para crianças estão sendo entregues por uma empresa recém-contratada e com pouca experiência na logística de imunizantes. Houve relatos de doses que chegaram com atraso ou em condições inadequadas de armazenamento e transporte.

Doses de vacinas pediátricas da Pfizer chegam a Santa Catarina em caixa de papelão com gelo - Arquivo pessoal

Gestores do ministério avisaram estados que caberia às secretarias de Saúde prosseguir com a logística das doses até as redes de frios locais. A Folha confirmou a informação com representantes de três estados.

O aviso dado pela pasta contraria a prática adotada até então: a empresa que habitualmente transporta as vacinas tem a atribuição de concluir o deslocamento das doses dos aeroportos aos centros de armazenamento nas capitais, até pela necessidade de tratamento especial dos imunizantes.

Questionado pela reportagem, o Ministério da Saúde afirmou, em nota, porém, que algumas superintendências da pasta nos estados e secretarias estaduais de Saúde acabaram se mobilizando para fazer o transporte das doses dos aeroportos aos depósitos.

"A pasta ressalta que a orientação para as entregas dos imunizantes é a de praxe: a empresa contratada faz o transporte", disse o ministério.

Diante do aviso repassado por representante do ministério, logo no começo da distribuição das doses, autoridades locais de saúde, no entanto, fizeram contato imediato com a nova empresa contratada, a IBL (Intermodal Brasil Logística).

O temor dessas autoridades era que as vacinas pudessem se perder em razão da interrupção da cadeia de transporte.

O apelo surtiu efeito em pelo menos dois casos e os imunizantes foram transportados até as redes de frios de centrais de armazenamento.

"As vacinas chegam em Viracopos [aeroporto em Campinas] e são encaminhadas até o centro de distribuição em Guarulhos [aeroporto em São Paulo]. Lá são armazenadas e inicia-se o processo de preparação da carga para que a IBL envie às secretarias, até cada secretaria de Saúde", afirmou a IBL, em nota.

A empresa que até o momento entrega as demais vacinas contra a Covid-19, a VTCLog, é obrigada pelo Ministério da Saúde a entregar as doses dos imunizantes diretamente nos locais apontados pelas secretarias de Saúde de cada estado.

Reportagem publicada pela Folha no domingo (16) mostrou que a nova empresa contratada pela gestão do ministro Marcelo Queiroga (Saúde), com dispensa de licitação, não teve experiências de transporte de vacinas no serviço público.

A IBL ganhou dois contratos no fim de dezembro, no valor de R$ 62,2 milhões, para armazenar e distribuir a vacina da Pfizer destinada à imunização de crianças e adolescentes. Os contratos foram assinados pelo general Ridauto Lúcio Fernandes, diretor do DLOG (Departamento de Logística em Saúde) da pasta.

Além da dispensa de licitação, condições especiais foram estabelecidas na contratação: o prazo dos contratos poderá ser estendido de um para cinco anos, apesar do caráter de urgência, e a IBL ganhou 60 dias para que fizesse ajustes necessários à execução dos serviços, prazo que a empresa disse não ter sido necessário.

O início da distribuição das doses pediátricas foi marcado por problemas em várias regiões do país durante o fim de semana, quando foi iniciada a imunização de crianças.

Doses foram recebidas nos estados em condições inadequadas de armazenagem. Voos atrasaram, o que retardou o início da imunização. Em alguns aeroportos, não havia equipes da IBL para recepcionar e direcionar as vacinas aos destinos finais.

Um dos problemas de ausência de equipes da empresa no aeroporto, como a Folha mostrou, ocorreu em João Pessoa.

O secretário estadual de Saúde da Paraíba, Geraldo Antônio de Medeiros, relatou que a própria companhia aérea não estava ciente da mudança de diretriz na operação e por isso não queria liberar as doses para os agentes estaduais. Exigia a presença de representantes da empresa.

Apenas depois de vários telefonemas do secretário, que alertou para o risco de as vacinas serem perdidas, a empresa enviou veículos e transportou a carga até a unidade do governo local.

Nesta segunda-feira (17), Medeiros voltou a confirmar que as demais vacinas para a Covid-19 —que seguem sendo distribuídas, por outra empresa— adotam um sistema operacional diferente. A VTCLog, responsável pelo transporte e acondicionamento, entrega diretamente no local indicado pela secretaria.

Em Goiás, as autoridades locais foram avisadas que o transporte dos primeiros lotes da vacina para crianças só seria feito até o aeroporto.

A rede de frios do governo local fica a alguns quilômetros do aeroporto. Um pedido de transporte foi feito à empresa, o que surtiu efeito: a logística foi efetivada até a central de armazenamento.

O transporte das primeiras doses à capital goiana sofreu atrasos sucessivos, com quatro remarcações de horários. O avião acabou pousando em Brasília, e foi necessário transportar as doses por terra, uma distância de 220 quilômetros.

Antes de fazer o transporte de vacinas para crianças, a IBL prestou um único serviço relacionado à pandemia, conforme o Painel de Compras Covid-19 da União: coleta, separação e entrega de 100 mil máscaras para os hospitais universitários federais, dentro de um contrato de R$ 16 mil com a EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

Os contratos para as vacinas envolvem 16,6 milhões de frascos, que devem ser armazenados e transportados numa temperatura entre -90ºC e -60ºC.

A empresa relatou uma única experiência de transporte de vacina, com um laboratório privado, entre 2015 e 2018.

Sobre os imunizantes, a IBL afirmou que a carga recebida em Guarulhos é armazenada em ultrafreezers, dispostos em câmaras frias, quando começa a preparação para a distribuição até os estados.

"As vacinas são acomodadas em caixas isotérmicas, certificadas e validadas para até 72 horas com gelo seco", disse, em nota. "A IBL Logística atende rigorosamente o que está determinado em contrato. As demais prerrogativas são exclusivas do Ministério da saúde", afirmou.

A empresa disse ainda que é uma das maiores do ramo de logística do país e que foi qualificada por técnicos do ministério no processo de dispensa de licitação. As entregas das vacinas são feitas "em prazo recorde, antes até do limite exigido na maioria das praças".

O ministério disse que não houve prejuízo a nenhuma vacina pediátrica entregue aos estados e ao Distrito Federal. "A pasta prestou toda assistência aos entes federados no processo de envio das doses, realizado em tempo recorde para que a imunização infantil tivesse início. A empresa IBL compareceu em todas as capitais para o recebimento da carga."

A pasta afirmou ainda que houve um "processo seletivo" para a escolha da IBL, com "concorrência" entre diversas empresas do mercado.

_________________________________________________Opinião: Maria Carolina Trevisan - Queiroga assume bolsonarismo radical ao mentir sobre óbitos e vacinas


O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga Imagem: Reprodução/Instagram

Maria Carolina Trevisan Colunista do UOL 18/01/2022 08h07

Acabou o tempo de encenação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Com a declaração leviana, maldosa e mentirosa de que há 4.000 óbitos relacionados à vacina contra a covid-19, bem no momento de explosão de casos no Brasil e no mundo, o ministro deixa claro que sua presença na pasta da Saúde tem pouco a ver com a gestão adequada da pandemia. Queiroga está lá para realizar os desejos negacionistas de seu chefe, o presidente Jair Bolsonaro, e satisfazer uma minoria de brasileiros que arrisca a própria vida e a dos outros ao negar a vacina.

Questionado pela Folha, Queiroga primeiro reafirmou os dados e falou em 3.935 óbitos. Mas o próprio ministério que ele gerencia tem compiladas 11 mortes (dados de outubro) relacionadas a reações da vacina em um país com 147 milhões de pessoas com esquema vacinal completo até esta segunda (17).

Projetar Moro como candidato forte à Presidência é, ainda, forçar a barra

O Brasil quer se vacinar e quer suas crianças imunizadas. O Datafolha mostrou que 79% dos brasileiros apoiam a vacinação infantil, 58% acham que o presidente Bolsonaro atrapalha a vacinação das crianças e 81% querem o passaporte da vacina. Tem crianças internadas em estado grave por causa da covid e da falta de uma vacina, como relatou o governo do Rio de Janeiro. Enquanto isso, o presidente Bolsonaro parece focar em aumentar o número de infectados e mortos pela covid-19. O Brasil poderia estar liderando um movimento mundial de prevenção, ser exemplo de imunização, com prestação de contas diárias por parte do presidente e do ministro à população. Seria esse o trabalho do governo.

A atitude da população brasileira de aderir à vacinação em massa a despeito do chefe da nação e do ministro da Saúde é caso único no mundo. É muito triste um país que tenha que passar por uma pandemia com líderes que expõem brasileiros ao vírus.

Mas esse cenário mostra que há esperança de reconstrução quando finalmente esse governo terminar: as estruturas construídas estão firmes, como é o caso do Plano Nacional de Imunização, do Sistema Único de Saúde, do Bolsa Família, dos Centros de Referência de Assistência Social, que Bolsonaro e seus ministros tentaram destruir e não conseguiram.

Com essas ações, Bolsonaro e Queiroga trabalham ao contrário das expectativas dos eleitores e se afastam cada vez mais da reeleição. A vacinação infantil sendo boicotada é sensível demais e pega duramente no peito de quem tem filhos, sobrinhos, afilhados, netos. O país inteiro assistiu e sentiu, nesta segunda, o alívio que é proteger uma criança com comorbidade ou deficiência de um vírus que pode ser letal, depois de os pequenos ficarem dois anos confinados pela ambiente arriscado. É cruel não turbinar a campanha de vacinação infantil. As urnas vão cobrar.


_________________________________________________Explosão de covid-19 no Brasil: veja os setores que podem ser mais afetados

Variante ômicron tem causado recorde de contaminados no Brasil, o que afeta também a Bolsa Imagem: iStock

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Vinícius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/01/2022 04h00

Esta é a versão online para a edição desta terça-feira (18/1) da newsletter UOL Economia Investimentos. Para assinar esse e outros boletins e recebê-los diretamente no seu email, cadastre-se aqui.

A chegada da variante ômicron do coronavírus no início deste ano fez com que o número de novos casos da doença batesse recorde e voltasse a superlotar hospitais no Brasil. Com a alta dos infectados, medidas de restrições à circulação de pessoas voltaram a ser praticadas pelo poder público, o que faz com que alguns setores da Bolsa de Valores já sejam impactados.

O UOL ouviu especialistas para entender quais setores podem ser os mais afetados por essa nova onda de covid-19 no país. Veja abaixo as análises, que apontam que a nova cepa já tem causado impactos em empresas que dependem da reabertura econômica.

De acordo com Jennie Li, estrategista de ações da XP Investimentos, mesmo que as restrições sejam mais maleáveis para esta nova variante, o mercado reage de forma negativa —o que resulta em abalos no universo dos investimentos.

"Mesmo que a gente não veja muitas restrições fortes, o mercado acaba reagindo de uma forma negativa e vai buscar empresas mais defensivas. Então temos visto [isso] bastante ao longo dos últimos meses: toda vez que há uma notícia mais negativa em relação à covid, há uma rotação dos investimentos", afirma.

Assim como os demais entrevistados, Jennie diz que os setores mais dependentes da reabertura da economia e ligados à circulação de pessoas tendem a ser os mais afetados. São eles: de varejo, principalmente o físico; o de shoppings; o de entretenimento; o de turismo; e o de aviação.

Aviação

Afetada desde o início da pandemia, a aviação continua a ser uma categoria fortemente impactada pelo coronavírus e suas variantes.

Segundo Fabrício Gonçalvez, CEO da gestora Box Asset, "se há cancelamento de voos, as empresas não recebem, não faturam, e isso vai ter como consequência seus números, produzindo menos caixa".

Receitas de empresas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) tendem a diminuir, o que, para Gonçalves, torna as ações menos atrativas ao olhar dos investidores.

Por isso, o investidor que já possui ações dessas companhias necessita esperar para entender melhor qual será o impacto dessas novas restrições aos papéis das empresas. O mesmo vale para quem pretende comprá-los.

"Para quem já tem as ações, vale estudar sobre os fundamentos da empresa para ver se vale a pena repensar seus investimentos em uma ótica de longo prazo. [Vale observar se é] um movimento temporário, que não abalou os fundamentos de lucratividade e saúde financeira da empresa", disse.

Eventos

Para o CEO da gestora Box Asset, o setor de eventos atravessa a pior crise em 20 anos e pode até mesmo entrar em colapso caso as restrições permaneçam por muito tempo.

"A maioria dos estados já estão com medidas restritivas para eventos, então é um setor bastante afetado como uma nova onda de covid. Há uma redução no número de pessoas que frequentam esses eventos, muito por conta das restrições que os governos adotam", afirmou.

Uma das poucas empresas do setor listadas na B3 é a Time For Fun (SHOW3), que acumula queda de quase 9% só neste ano. Segundo Gonçalvez, as ações da companhia indicam uma tendência de baixa e, por isso, o investidor que não mira o longo prazo deve pensar se faz sentido apostar nesses papéis.

Turismo é um dos setores da Bolsa de Valores mais afetados desde o início da pandemia de coronavírus Imagem: Getty ImagesTurismo

Outro setor afetado pela pandemia e também pela chegada da variante ômicron é o de turismo. Para Virginia Prestes, sócia do escritório The Hill Capital e professora de finanças da FAAP, a categoria já acumula baixas na Bolsa neste ano.

É o caso da CVC (CVCB3), que tem apresentado queda de cerca de 10% em 2022 --mas que possui potencial de recuperação, de acordo com Virginia.

[Para] os investidores que já têm ações desses setores, a recomendação geral é manter. Os lucros das companhias vieram bons, crescendo em relação a 2019, antes do covid. Para quem pretende comprar [ações de turismo], para quem tem visão de longo prazo, é um bom momento --já que a Bolsa está barata e, portanto, podemos escolher boas empresas com boas histórias de gestão.Virginia Prestes, sócia do The Hill Capital

Shoppings

O setor de shoppings, que passou por grandes restrições em 2020, também pode ser novamente afetado, segundo os especialistas consultados pelo UOL. Para Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, o risco é de que as restrições de circulação sejam mais intensas do que o esperado.

"Existe o risco de voltarem restrições mais duras se os casos de ômicron fugirem do normal. Já estamos vivendo algo diferente, então é um setor sujeito a este evento", disse.

Por isso, Galdi afirma que os papéis mais afetados dependem das localizações dos shoppings e das restrições regionais.

Apesar disso, ele diz que a expectativa é que a categoria performe de maneira positiva no ano, abrindo espaço para compra, como é o caso da Multiplan (MULT3), que já sobe 5% em 2022.

De acordo com Galdi, "os resultados do 4T21 serão fortes, vide a prévia da Multiplan [que atingiu R$ 5,6 bilhões em vendas, número recorde na história da companhia".

Varejo

O setor de varejo é bem diversificado. Dessa forma, os impactos da nova cepa na atividade das empresas é distinto, com companhias que se adaptaram às vendas virtuais com melhores resultados do que aquelas que se restringem ao varejo físico.

Segundo os especialistas, ações de empresas como Via (VIIA3), que tem caído cerca de 20% neste ano, devem ser mais afetadas.

"Empresas como a Via tendem a ver sua receita diminuir mediante a desaceleração do consumo das famílias, com o contexto de incertezas ocasionado por uma nova onda de covid", disse Sidney Lima analista da casa de análises Top Gain.

Portanto, para ele os acionistas da companhia precisam entender a composição da carteira para decidirem se devem vender os papéis ou não.

No entanto, Virginia Prestes diz que a queda do varejo abre oportunidades de compra em papéis de empresas que sejam resilientes à pandemia, como Arezzo (ARZZ3), por exemplo.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.


_________________________________________________Explosão de covid-19 no Brasil: veja os setores que podem ser mais afetados

Variante ômicron tem causado recorde de contaminados no Brasil, o que afeta também a Bolsa

Variante ômicron tem causado recorde de contaminados no Brasil, o que afeta também a Bolsa - iStock
Variante ômicron tem causado recorde de contaminados no Brasil, o que afeta também a Bolsa Imagem: iStock
Vinícius Pereira Colaboração para o UOL 18/01/2022

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A chegada da variante ômicron do coronavírus no início deste ano fez com que o número de novos casos da doença batesse recorde e voltasse a superlotar hospitais no Brasil. Com a alta dos infectados, medidas de restrições à circulação de pessoas voltaram a ser praticadas pelo poder público, o que faz com que alguns setores da Bolsa de Valores já sejam impactados.

O UOL ouviu especialistas para entender quais setores podem ser os mais afetados por essa nova onda de covid-19 no país. Veja abaixo as análises, que apontam que a nova cepa já tem causado impactos em empresas que dependem da reabertura econômica.

De acordo com Jennie Li, estrategista de ações da XP Investimentos, mesmo que as restrições sejam mais maleáveis para esta nova variante, o mercado reage de forma negativa —o que resulta em abalos no universo dos investimentos.

"Mesmo que a gente não veja muitas restrições fortes, o mercado acaba reagindo de uma forma negativa e vai buscar empresas mais defensivas. Então temos visto [isso] bastante ao longo dos últimos meses: toda vez que há uma notícia mais negativa em relação à covid, há uma rotação dos investimentos", afirma.

Assim como os demais entrevistados, Jennie diz que os setores mais dependentes da reabertura da economia e ligados à circulação de pessoas tendem a ser os mais afetados. São eles: de varejo, principalmente o físico; o de shoppings; o de entretenimento; o de turismo; e o de aviação.

Aviação

Afetada desde o início da pandemia, a aviação continua a ser uma categoria fortemente impactada pelo coronavírus e suas variantes.

Segundo Fabrício Gonçalvez, CEO da gestora Box Asset, "se há cancelamento de voos, as empresas não recebem, não faturam, e isso vai ter como consequência seus números, produzindo menos caixa".

Receitas de empresas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) tendem a diminuir, o que, para Gonçalves, torna as ações menos atrativas ao olhar dos investidores.

Por isso, o investidor que já possui ações dessas companhias necessita esperar para entender melhor qual será o impacto dessas novas restrições aos papéis das empresas. O mesmo vale para quem pretende comprá-los.

"Para quem já tem as ações, vale estudar sobre os fundamentos da empresa para ver se vale a pena repensar seus investimentos em uma ótica de longo prazo. [Vale observar se é] um movimento temporário, que não abalou os fundamentos de lucratividade e saúde financeira da empresa", disse.

Eventos

Para o CEO da gestora Box Asset, o setor de eventos atravessa a pior crise em 20 anos e pode até mesmo entrar em colapso caso as restrições permaneçam por muito tempo.

"A maioria dos estados já estão com medidas restritivas para eventos, então é um setor bastante afetado como uma nova onda de covid. Há uma redução no número de pessoas que frequentam esses eventos, muito por conta das restrições que os governos adotam", afirmou.

Uma das poucas empresas do setor listadas na B3 é a Time For Fun (SHOW3), que acumula queda de quase 9% só neste ano. Segundo Gonçalvez, as ações da companhia indicam uma tendência de baixa e, por isso, o investidor que não mira o longo prazo deve pensar se faz sentido apostar nesses papéis.

Turismo é um dos setores da Bolsa de Valores mais afetados desde o início da pandemia de coronavírus Imagem: Getty ImagesTurismo

Outro setor afetado pela pandemia e também pela chegada da variante ômicron é o de turismo. Para Virginia Prestes, sócia do escritório The Hill Capital e professora de finanças da FAAP, a categoria já acumula baixas na Bolsa neste ano.

É o caso da CVC (CVCB3), que tem apresentado queda de cerca de 10% em 2022 --mas que possui potencial de recuperação, de acordo com Virginia.

[Para] os investidores que já têm ações desses setores, a recomendação geral é manter. Os lucros das companhias vieram bons, crescendo em relação a 2019, antes do covid. Para quem pretende comprar [ações de turismo], para quem tem visão de longo prazo, é um bom momento --já que a Bolsa está barata e, portanto, podemos escolher boas empresas com boas histórias de gestão.Virginia Prestes, sócia do The Hill Capital

Shoppings

O setor de shoppings, que passou por grandes restrições em 2020, também pode ser novamente afetado, segundo os especialistas consultados pelo UOL. Para Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, o risco é de que as restrições de circulação sejam mais intensas do que o esperado.

"Existe o risco de voltarem restrições mais duras se os casos de ômicron fugirem do normal. Já estamos vivendo algo diferente, então é um setor sujeito a este evento", disse.

Por isso, Galdi afirma que os papéis mais afetados dependem das localizações dos shoppings e das restrições regionais.

Apesar disso, ele diz que a expectativa é que a categoria performe de maneira positiva no ano, abrindo espaço para compra, como é o caso da Multiplan (MULT3), que já sobe 5% em 2022.

De acordo com Galdi, "os resultados do 4T21 serão fortes, vide a prévia da Multiplan [que atingiu R$ 5,6 bilhões em vendas, número recorde na história da companhia".

Varejo

O setor de varejo é bem diversificado. Dessa forma, os impactos da nova cepa na atividade das empresas é distinto, com companhias que se adaptaram às vendas virtuais com melhores resultados do que aquelas que se restringem ao varejo físico.

Segundo os especialistas, ações de empresas como Via (VIIA3), que tem caído cerca de 20% neste ano, devem ser mais afetadas.

"Empresas como a Via tendem a ver sua receita diminuir mediante a desaceleração do consumo das famílias, com o contexto de incertezas ocasionado por uma nova onda de covid", disse Sidney Lima analista da casa de análises Top Gain.

Portanto, para ele os acionistas da companhia precisam entender a composição da carteira para decidirem se devem vender os papéis ou não.

No entanto, Virginia Prestes diz que a queda do varejo abre oportunidades de compra em papéis de empresas que sejam resilientes à pandemia, como Arezzo (ARZZ3), por exemplo.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

_________________________________________________'A pandemia vai ser cada vez mais leve', diz presidente da Pfizer no Brasil

Marta Díez afirma que os movimentos antivacina preocupam, mas elogia a adesão brasileira aos imunizantes

Marta Díez, presidente da Pfizer no Brasil Foto: CBELLI/Pfizer/Divulgação
Marta Díez, presidente da Pfizer no Brasil Foto: CBELLI/Pfizer/Divulgação
BRASÍLIA — Após inúmeras omissões do governo brasileiro em responder à proposta da Pfizer para venda de vacinas, a Comirnaty, aprovada pela Anvisa em fevereiro de 2021, menos de um mês após a autorização da CoronaVac e da vacina de Oxford, é hoje o segundo imunizante mais utilizado no país. Ao GLOBO, a presidente da empresa no Brasil, Marta Díez, afirma que os movimentos antivacina preocupam, mas elogia a adesão brasileira aos imunizantes. Para ela, é importante garantir o acesso às vacinas a países de baixa e média renda para que haja uma saída global da pandemia.

Díez evita comentar qual seria o cenário hoje se o país tivesse comprado doses antes, e cita que outras questões além da vacinação tiveram impacto importante na contenção da pandemia, como medidas de restrição e isolamento social. A executiva diz ainda que a empresa deve pedir nas próximas semanas o registro na Anvisa para seu medicamento Paxlovid, pílula antiviral com quase 90% de eficácia contra a Covid-19. Para ela, " vamos aprender a viver" com a Covid-19.

Há muitas linhas a respeito da duração da pandemia e de qual o papel da Ômicron nesse cenário. Qual sua perspectiva em relação ao fim da pandemia?

Em março de 2020, todo mundo dizia que a pandemia ia durar dois meses, que seria muito curta. É difícil dar uma data. Acho que não será uma data, será uma fase. A pandemia vai ser cada vez mais leve,  a doença vai estar lá e vamos aprender a viver com ela. Há um ano, em fevereiro e março do ano passado, foi um momento muito difícil da pandemia, quando não tínhamos vacina. A grande diferença é a vacinação sem dúvida alguma. A vacinação contra doenças infecciosas é uma ferramenta importantíssima de saúde pública, em particular, no caso da pandemia de Covid-19. É a primeira vez que temos uma pandemia dessas dimensões. Então, podemos observar hoje versus um ano atrás, as taxas de mortalidade e casos graves são muito menores em todos os países, inclusive no Brasil, que tem uma vacinação elevada. Esse declínio (de casos graves e mortes) é resultado de uma vacinação muito bem sucedida aqui no Brasil. Vemos em diferentes países: os casos de populações vacinadas versus populações não vacinadas são muito diferentes. Acho que temos uma situação diferente, muito mais positiva, mesmo agora com a chegada da variante Ômicron. Como companhia estamos muito honrados de ter sido um ator importante nessa vacinação.

A desigualdade vacinal entre os países adia o fim da pandemia. Há caminho possível para atenuar isso?

Como companhia entregamos aproximadamente 3 bilhões de vacinas em todo o mundo, e cerca de um bilhão e meio foi entregue a países de baixa e média renda. Temos essa política. Todos os países têm que poder acessar vacinas para podermos sair da pandemia de forma global. Temos uma política de preço diferenciado para que o preço não seja tão alto que países não possam ter acesso às vacinas. Países de baixa renda têm um preço muito mais baixo para garantir que essas vacinas possam chegar. Mas, infelizmente, alguns países têm dificuldades logísticas importante. Nem todos têm um sistema de saúde como tem o Brasil. Então não é sempre tão fácil.  O Brasil tem essa sorte de ter um sistema universal tão forte. Isso complica um pouco a saída dessa pandemia por todos os países na mesma velocidade.

A Pfizer anunciou que terá uma vacina contra Ômicron em março. Quando ela estará disponível no Brasil?

A Ômicron foi detectada em novembro de 2021 e a companhia, como fez com todas as variantes do coronavírus, fez estudos para ver se a imunidade da vacina atual era suficiente ou não para essa variante. Com a variante Ômicron, os laboratórios provam que três doses da vacina da Pfizer são suficientes para neutralizá-la. Nesse sentido, a população tem que ficar tranquila porque essas três doses protegem. A companhia continua estudando a necessidade de atualizar a vacina ou não. Vamos ver como isso se desenvolve.  É importante ter esse contínuo monitoramento das variantes e o desenvolvimento de vacinas, e ver se realmente uma vacina é necessária. O contrato que temos com o governo brasileiro inclui essas possíveis vacinas, seja para Ômicron, seja para outras variantes. (O tempo para que chegue a cada país) vai depender muito se o governo solicitar ou não a vacina. Talvez a situação pandêmica de cada país seja diferente. Se alguns governos veem que a população está vacinada de forma rigorosa com a terceira dose, talvez avaliem que não seja necessário adquirir esse imunizante.

O Brasil deve receber 4,3 milhões de doses pediátricas em janeiro. Há possibilidade de que esse montante aumente ainda neste mês?

Temos um acordo de 20 milhões de doses no primeiro trimestre. Estamos tentando trazer mais. Vamos ver se conseguimos, mas ainda estamos tentando internamente. Muitos países começaram agora a vacinação de crianças e vamos ver se teremos a capacidade (de antecipar) ou não mais doses. Temos uma reserva de pelo menos 20 milhões adicionais para o segundo semestre, mas o governo tem que confirmar se quer essas doses ou não.

Quando a Pfizer pretende solicitar autorização à Anvisa para vacinação de crianças de 6 meses a 4 anos?

Os estudos estão em andamento nesse momento. Esperamos ter notícia nas próximas semanas ou meses e depois seguir o mesmo caminho que seguiram as outras aprovações, assumindo que esses dados sejam positivos. Os dados são iniciais.  A vacina para crianças é a mesma, mas em uma dose muito menor. A dose para crianças acima de seis meses a quatro anos é 10 vezes inferior que para o adulto. Temos que provar se essa dose é suficiente para essas crianças desenvolverem uma resposta imunitária e se essa resposta é segura.

A vacinação de crianças tem sido um grande alvo do presidente Jair Bolsonaro, que questiona sua segurança e eficácia. Como a Pfizer vê esses ataques à vacina? Isso prejudica o combate à pandemia?

A vacinação é um ato voluntário. As pessoas se vacinam se quiserem. E para as crianças são os pais que aprovam a vacinação. É uma decisão pessoal . Para as pessoas que não têm educação médica, ou querem mais informação, podem perguntar ao pediatra de suas crianças para tomar uma decisão informada.

Há um forte movimento antivacina a nível mundial. É algo que preocupa? Isso pode impactar a saúde das pessoas?

Impacta e preocupa, não só como empresa, mas como sociedade. As pessoas que trabalham na saúde pública e na infectologia claramente estão preocupadas com esse fenômeno, que é mundial, não é brasileiro. No Brasil ele é limitado em comparação com outros países. É mais próprio de países desenvolvidos, um paradoxo.  Talvez porque os países desenvolvidos perderam o medo das doenças infecciosas, porque justamente em consequência das vacinas anteriores já não há tanta exposição a essas enfermidades. Para mim, é difícil entender esse fenômeno, sou uma grande crente das vacinas, da ciência e dos dados.

O Brasil acumula mais de 620 mil mortos pela doença. Se tivéssemos comprado vacinas antes, qual seria o cenário hoje?

É uma resposta multifatorial. As vacinas claramente foram parte da melhora da pandemia, mas também tem outros fatores como se é inverno ou verão em cada país, diferentes medidas contra pandemia, como lockdown. A sociedade deve tirar suas próprias conclusões, mas temos que olhar a situação que temos hoje. Mesmo com a Ômicron a situação é muito melhor do que ano passado. Sou mais otimista do que no ano passado mesmo com um número grande de casos. A Ômicron é uma variante muito contagiosa, mas graças à vacinação temos uma situação pandêmica melhor. Gosto de olhar para o futuro. O que temos que fazer é continuar oferecendo vacina à população, não só as duas primeiras doses, mas a de reforço. E conseguir olhar para frente. As minhas filhas têm 8 e 11 anos e me perguntam todos os dias quando serão vacinadas.

Atualmente os medicamentos disponíveis para combater a doença têm alto custo. Quais a inovações nessa área? Há desenvolvimento de alguma plataforma acessível a sistemas de saúde de países como o Brasil?

A ferramenta mais importante de combate a uma pandemia é a vacinação. Isso é muito claro. Mas estamos também desenvolvendo e prontos a fazer a submissão de um antiviral. A segunda forma de lutar contra a pandemia. Estamos com muita expectativa porque já tivemos a aprovação do FDA (agência regulatória americana)para o Paxlovid em dezembro do ano passado. E caso seja aprovado aqui será uma ferramenta a mais para o Brasil lutar contra essa pandemia. O estudo mostra que para pacientes de alto risco o medicamento tem 90% de eficácia,  para quem já tem sintomas de covid evitar a forma grave da doença e o óbito. Estamos de perto de poder submeter o dossiê para Anvisa, nas próximas semanas. Para nós é um grande orgulho prover não só uma vacina, mas um antiviral e, finalmente, sair dessa pandemia que está carregando muito os sistemas públicos de saúde e a economia.


_________________________________________________VACINAÇÃO INFANTIL

Apesar de Bolsonaro, CIÊNCIA está vencendo OBSCURANTISMO 

58% considera que o presidente mais atrapalha do que ajuda a imunização. 

"Apenas" 25% pensam o contrário !!!

Mas, e os 17% pensam o que ?!? TOTAL 42%

Por Bernardo Mello Franco 17/01/2022 • 16:57

Presidente Jair Bolsonaro e o personagem Zé Gotinha, em cerimônia no Palácio do Planalto | Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

A ciência está vencendo o obscurantismo. De acordo com o Datafolha, 79% dos brasileiros apoiam a vacinação das crianças contra a Covid.

A pesquisa mostra que a campanha de desinformação liderada por Jair Bolsonaro não está surtindo o efeito desejado.

Segundo o Datafolha, a maioria (58%) considera que o presidente mais atrapalha do que ajuda a imunização. Apenas 25% pensam o contrário.

Em sua cruzada antivacinas, o governo chegou a tirar de circulação o Zé Gotinha, mascote das campanhas de vacinação infantil.

No ano passado, o deputado Eduardo Bolsonaro divulgou uma imagem do personagem armado com um fuzil.

Apesar do negacionismo federal, o Zé Gotinha está vencendo o Capitão Corona de goleada. 

_________________________________________________Casos de Síndrome Respiratória Grave sobem 135% em todo país

Dados são do boletim InfoGripe, da Fiocruz

15 de janeiro de 2022, 15:34 h

Sede da Fiocruz (Foto: Raquel Portugal / Fiocruz)

Agência Brasil – O boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado hoje (15), mostra que houve um aumento de 135% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) das últimas três semanas de novembro em relação às três últimas semanas. Passou de 5,6 mil casos para 13 mil. 

"A velocidade com que a covid-19 se espalha entre a população cresceu semanalmente de 4% para 30%", disse o pesquisador Marcelo Gomes, responsável pelo InfoGripe.

Os dados apontam um crescimento em todas as faixas etárias a partir de 10 anos de idade, desde o final de novembro e início de dezembro até o momento atual. Os números de laboratório indicam que esse aumento foi consequência tanto da epidemia de gripe quanto pela retomada do crescimento de casos de covid-19.

Das 27 unidades federativas, 25 apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a SE 1 (período de 2 a 8 de janeiro de 2022). O estado do Rio de Janeiro, embora mostre estabilidade na tendência de longo prazo, tem indícios de crescimento na de curto prazo. Apenas Roraima mostra sinal de estabilidade nas tendências de longo e curto prazo.

Com exceção de Roraima e do Rio de Janeiro, todos os estados têm sinal de crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) na tendência de longo prazo, sendo que todos esses estão com o indicador em nível forte (probabilidade > 95%): Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Destes, apenas Amazonas e Rondônia apresentam sinal de estabilidade na tendência de curto prazo. Todos os demais apresentam sinal de crescimento, sendo este sinal moderado (probabilidade > 75%) no Amapá, Pará e Piauí e forte em todos os demais. No Rio de Janeiro observa-se sinal forte de crescimento na tendência de curto prazo, embora a tendência de longo prazo esteja em situação de estabilidade.

Exames laboratoriais

Em todas as faixas etárias verifica-se aumento significativo de casos associados ao vírus Influenza A (gripe) ao final de novembro e ao longo do mês de dezembro, tendo inclusive superado os registros de covid-19 em algumas dessas semanas. No entanto, os dados relativos ao final de dezembro e à primeira semana de janeiro apontam para a retomada do cenário de predomínio da covid-19.

Na população infantil, na qual os vírus sincicial respiratório (VSR) e Influenza A ainda prevalecem, também verifica-se tendência de aumento nos casos positivos para a covid-19. O pesquisador Marcelo Gomes observa que o cenário de aumento de casos graves de Influenza e de covid-19, anteriores às festas de final de ano, sugerem que tais eventos podem ter representado risco significativo para a população, especialmente em eventos com muitas pessoas.

Segundo Marcelo Gomes, “esse fato torna fundamental a retomada de ações de conscientização da população e minimização de risco para mitigar o impacto ao longo do início do ano de 2022. Tais dados também deixam claro a importância do cancelamento de grandes eventos de Réveillon por parte das autoridades de diversas localidades, ainda que os dados de notificação estivessem apresentando problemas na sua divulgação”.

Os dados laboratoriais por unidades da federação seguem um quadro muito similar em praticamente todos os estados, "sendo claro o início da epidemia de Influenza A no Rio de Janeiro e rapidamente se espalhando para o restante do país", comenta Gomes. Quanto à retomada do crescimento de SRAG associados à covid-19, o boletim mostra uma reversão clara a partir da segunda quinzena de dezembro em diversos estados, embora em alguns estados do Norte e Nordeste a covid-19 tenha mantido alta positividade ao longo de todo o final do ano: Amapá, Maranhão e Pará apresentam tendência de crescimento nesses casos desde os meses de outubro ou novembro. 

O pesquisador Marcelo Gomes alertou para o fato de que “sempre há atraso entre a identificação de casos, o resultado laboratorial e a inserção do resultado no [Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe] Sivep-Gripe. Com isso, a população viral associada a casos recentes pode sofrer alterações significativas em atualizações seguintes”.

_________________________________________________Os cientistas pedem que o governo americano olhe para ALÉM da variante ÔMICRON, RECONHECENDO que ela NÃO deve MARCAR o FIM da PANDEMIA.

As iniciativas do presidente americano focam em ELIMINAR o vírus, ENQUANTO deveriam se CONCENTRAR em VIVER com ele de maneira SEGURA. _________________________________________________

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_______________________________________________________Estamos no início do fim da pandemia?

Especialistas dizem que é possível (mas não certo), frente a algumas novas medidas, como vacinas atualizadas e vigilância epidemiológica   

Pessoas no centro de testagem de Covid-19 montado no CIEP Nação Rubro Negra, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. Foto: Vanessa Ataliba/Zimel Press / Agência O Globo

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SÃO PAULO — A explosão de casos provocados pela Ômicron não vem sendo acompanhada por um expressivo aumento no número de mortes. A partir disso, começa-se a especular que a nova variante indicaria o fim da pandemia da Covid-19. Especialistas ouvidos pelo GLOBO consideram que, sim, isso é possível. Mas não é certo.    

— O sentido da vida é passar os genes para frente. Com o vírus não é diferente. Um vírus que mata demais alerta os hospedeiros e começa a ter um insucesso evolutivo. A vantagem evolutiva é daquele que se transmite muito, causando o mínimo de doença possível. Matar, então, nem pensar. O bem-sucedido não causa doença nunca. Então, a tendência é que um dia, em décadas, ele vire um resfriado — explica o virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica, que sequencia e analisa o genoma do coronavírus em todo o Brasil.  

No entanto, Spilki pede cautela com essa hipótese:    

— Não vamos voltar a 2020, mas novas variantes vão acontecer, não se para a evolução, e, na perspectiva mais otimista, essa mutação viria mais atenuada. Mas é biologia, não uma ciência exata, por isso o ideal é tentar mitigar esse processo por meio da vacinação. Talvez estejamos indo para um caminho de atenuação. Não dá para dizer que nenhuma variante vai ser mais grave. A pandemia começou a acabar quando a vacinação engrenou, mas a vitória é nossa e não é porque ele ficou atenuado.    

De acordo com o virologista, para que, de fato, esse caminho em direção ao fim da pandemia se concretize é necessário que as vacinas passem por uma atualização. Seria muito difícil, a curto prazo, conseguir imunizantes que bloqueiem totalmente a infecção, mas ele defende o desenvolvimento de vacinas mais próximas das mutações que vêm sendo observadas com o intuito de bloquear a multiplicação do vírus na pessoa, fazendo com que transmita menos.    

Outro aspecto em discussão é o efeito de tanta gente infectada, reforçando a imunização natural, na pandemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que, nas próximas semanas, metade da população europeia deve ser infectada pela Ômicron. Para Ludhmila Hajjar, intensivista e professora de cardiologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, e médica da Rede D'Or, a conjunção de fatores é protetora e corrobora a ideia de que a pandemia possa caminhar para o fim.   

— Temos pela primeira vez a junção de dois fatores: uma variante altamente prevalente infectando muita gente imunizada. Isso faz com que um número alto de pessoas se infecte com a forma branda da doença, o que é bom para a imunização. Não podemos, no entanto, baixar a guarda com a vacinação.  

A pneumologista, professora e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo escreveu a coluna “Seria a Ômicron o começo do fim da pandemia?” no GLOBO em 4 de janeiro. Na ocasião, a médica disse que “pelo registro histórico, sabemos que ‘uma epidemia pode durar em média dois anos’, nos reportando à memória de outras ao longo dos séculos”. Ela continua:  

“Mas será mesmo a Ômicron tão mais contagiosa do que a Delta, mais patogênica? Ou esse padrão genético tão diferente significaria o estiolamento da pandemia e o começo do fim? Sim, essa hipótese guardaria uma boa plausibilidade biológica, com a prudente distância desta e de uma verdade absoluta. Tudo até o momento nos demonstra que as vacinas dão conta, pelo menos, de atenuar a severidade dos casos, visto que não se observa aumento substantivo de hospitalizações graves. E, assim, o Sars-CoV-2 vai desenhando sua endemicidade e passa a fazer parte do diagnóstico diferencial de doenças virais respiratórias rotineiramente.”

Novas variantes  

O surgimento de novas variantes ainda é o maior empecilho para que, realmente, seja possível ver o fim do túnel. O geneticista e diretor do Laboratório Genetika, de Curitiba, Salmo Raskin, explica que elas certamente surgirão. A questão é como serão:     

— A Ômicron está infectando quem está vacinado, mas eles praticamente não têm doença grave. Mas e a próxima variante? Será que o coronavírus não vai evoluir para ser tão infectante quanto a Ômicron e tão letal quanto a Delta? Não há evidências para cravar que essa variante é o fim da pandemia. 

Raskin reforça a importância da vigilância epidemiológica molecular, fundamental para acompanhar a evolução do SARS-CoV-2. Do começo da pandemia para cá, esse tipo de serviço também avançou no Brasil. No entanto, o país segue com a falta de transparência.     

Para o infectologista, professor de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, o cenário é otimista, mas ele explica o que pode acontecer caso uma nova variante escape à proteção clínica das vacinas.     

— Se a vacina parar de funcionar para hospitalização e óbito vai ser necessário adaptação nos imunizantes, o que leva tempo, e a onda epidêmica seria bastante importante. Se isso acontecer, não saímos do período pandêmico, vamos entrar em ondas de variantes que precisam de vacinas adaptadas — pondera. — Mas não é isso que tem se mostrado por enquanto. O cenário é otimista, indicando que com o tempo e imunidade, natural ou por vacina, cada vez vamos estar mais protegidos contra novas variantes, mas é impossível prever o futuro com exatidão. 









_______________________________________________________Em aceleração inédita, casos de covid no Brasil já superam pico da 1ª onda

Paciente faz coleta para teste de covid-19 em Manaus - Rodrigo Santos/Secretaria de Saúde do Amazonas
Paciente faz coleta para teste de covid-19 em Manaus Imagem: Rodrigo Santos/Secretaria de Saúde do Amazonas

Carlos Madeiro Colaboração para o UOL, em Maceió 13/01/2022 12h54

Com uma aceleração inédita durante a pandemia, o número de casos de covid-19 explodiu esta semana no país, o que fez a média móvel de sete dias superar o pico da primeira onda registrada em 2020. A projeção é que, nos próximos dias, o número de casos supere o recorde da segunda onda.

Segundo o painel de dados do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), ontem o país registrou 87.471 novos casos, fazendo a média móvel alcançar 52.271.

Conass avisa Saúde que não vacinados deixam Brasil vulnerável com a ômicron

O crescimento de casos este ano impressiona. Dez dias antes, em 3 de janeiro, foram 11.850 novos casos registrados —alta de 737%, algo inédito para um mesmo período durante toda a pandemia.

Curva apresentada de alta de casos é inédita na pandemia - Conass - Conass
Curva apresentada de alta de casos é inédita na pandemia Imagem: Conass

O recorde da média na primeira onda foi batido em 29 de julho de 2020, com 46.536 casos. Já na segunda onda, o recorde da média foi em 24 de junho de 2021, com 77.265 casos.

A alta agora é atribuída à chegada e circulação da variante ômicron, somado às festas natalinas e de Réveillon. A curva de aceleração de casos é a mesma vista em outros países que também são desafiados pela transmissão da nova cepa. A previsão é que metade da Europa seja infectada nas próximas semanas.

Os números, porém, devem ser muito maiores já que ainda há resquícios dos problemas que gerou um apagão de dados do Ministério da Saúde e por conta da subnotificação de casos devido à quantidade de casos leves, falta de testes e de pessoas que não buscam serviços de saúde para testagem. Some-se a isso a ausência de um programa massivo de testagem em âmbito nacional.

"Este é, sem dúvida, o momento de maior número de casos no Brasil", diz o cientista Miguel Nicolelis, que alerta para o que seria uma falsa premissa de que a ômicron —por gerar casos mais leves e pela alta taxa de vacinação no país— não deve causar problemas, como lotação em hospitais.

Em nível populacional não tem nada de leve! Não interessa se os sintomas são leves da maioria das pessoas porque, quando você multiplica um número gigantesco por um número pequeno dá um número gigantesco ainda. Muita gente infectada, logo, muita gente vai precisar de internação"Miguel Nicolelis, cientista

O diretor da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou no sábado passado que a ômicron não deve ser descrita como branda, já que o número recorde de pessoas infectadas vem lotando sistemas de saúde em todo mundo.

"A ômicron está entre os vírus mais infecciosos já conhecidos pelo homem, pau a pau com e até ganhando do vírus do sarampo", diz Flávio Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.

Atendimento em uma das tendas montadas pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio - Jorge Hely/Enquadrar/Estadão Conteúdo - Jorge Hely/Enquadrar/Estadão Conteúdo
Atendimento em uma das tendas montadas pela Secretaria Estadual de Saúde do Rio Imagem: Jorge Hely/Enquadrar/Estadão Conteúdo

Explosão de casos

Em alguns estados, o número de casos já é recorde, como no Espírito Santo. Em Pernambuco, a ocupação de leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) para casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) está em 85%, mesmo com a abertura de mais de 200 vagas nas últimas semanas.

No Amazonas, onde as ondas de covid passadas causaram colapso hospitalar, o número de casos explodiu esta semana após apresentarem meses de números sob controle. Ontem, foram 1.659 casos notificados, uma incrível alta de em comparação ao dia 3, quando foram registrados 88 casos.

Outros dados apontam que a pandemia no Brasil também apresenta dados além do notificado oficialmente.

No Rio de Janeiro, a positividade de testes feitos de covid-19 chegou a 50%, com o dobro de casos de dezembro em apenas sete dias do ano.

Como não há boletins epidemiológicos de covid-19 publicados este ano ainda pelo Ministério da Saúde, não é possível saber o atual percentual de positividade dos testes em laboratórios públicos no país.

Um outro exemplo da explosão de casos é o número de buscas no Google por "teste de covid", que nos últimos dias bateu recorde no Brasil.

Busca por "teste covid" é a maior da pandemia no Google - Reprodução/Google - Reprodução/Google
Busca por "teste covid" é a maior da pandemia no Google Imagem: Reprodução/Google

O número de pessoas que reportaram sintomas de covid também atingiu, em muitos estados, o seu recorde, segundo dados do projeto da Rede Análise Covid-19, em parceria com o Facebook e Universidade de Maryland (EUA).

"Temos indícios que mostram que o apagão pode estar não nos deixando ver um incêndio forte. Eu acredito que podemos estar no pior momento [de casos], mas também podemos não estar. Não temos como comprovar isso", diz Isaac Schrarstzhaupt, analista de dados e coordenador na Rede Análise Covid-19.

Outro número que chama atenção é a projeção do IHME (Institute for Health Metrics and Evaluation), da Universidade de Washington. Ele aponta que o Brasil teria hoje uma subnotificação de casos que chegaria a até seis vezes do total, o que faria o país ter ao menos 450 mil casos no dia.

No painel de análise de projeções, o pico de casos ocorrerá no início de fevereiro, superando 2 milhões de casos por dia no Brasil. "Agora imagina se tivermos isso com um serviço de saúde já baleado?", questiona Miguel Nicolelis.

Universidade de Washington diz que país deve ter pico no início de fevereiro  - IHME/Reprodução - IHME/Reprodução
Universidade de Washington diz que país deve ter pico no início de fevereiro Imagem: IHME/Reprodução

Ele questiona o porquê de as autoridades no país não estarem tomando medidas mais rígidas para garantir o distanciamento social.

"Primeiro falaram que não era para olhar o número de casos, que o que importava era o de hospitalização. Aí depois veio o aumento de hospitalizações, falaram que deveríamos olhar somente para o de leitos de UTI, e que agora também está disparando também."

Somente no estado de São Paulo, o número de pessoas internadas em UTI cresceu 40% em apenas oito dias: no dia 3 de janeiro, havia 1.141 pacientes; na segunda-feira (10), eram 1.597 pacientes. O número de entradas diárias de pacientes cresceu ainda mais: 91%.

Estamos tendo recorde de casos nos EUA, foram 1,4 milhão de casos do domingo para a segunda. O Reino Unido estava em 5 mil pessoas internadas e agora está em 20 mil; e as mortes estão na ordem de 300, eram de 10 a 12. Ou seja, as pessoas aqui não olham os casos e dados do mundo. A minha sensação é essa"Miguel Nicolelis, cientista






_________________________________________________Positividade chega a 50%

O efeito da imunização se reflete em outras faixas etárias. No grupo de 12 a 59 anos que está com a vacinação atrasada, a taxa de mortes por Covid-19 é de 0,53 caso por cem mil habitantes; entre aqueles com a vacinação em dia, o índice é de zero. 

Em relação às internações, a diferença é ainda mais acentuada. Idosos com a imunização incompleta ou sem dose alguma registram 24 vezes mais hospitalizações por Covid-19 do que os com a vacinação em dia, ou seja, com a dose de reforço. O primeiro grupo tem uma taxa de 204,88 internações por cem mil habitantes; o outro, de apenas 8,60 casos a cada cem mil pessoas. A vacina tem o mesmo impacto positivo nas outras faixas etárias.

Mas a avalanche de casos de Covid-19 deixa autoridades em alerta. Postos de saúde estão lotados desde o início do ano de pessoas em busca de exames para diagnosticar a doença, enquanto laboratórios privados já sofrem com a falta de insumos para testes. Nesta quarta-feira, a taxa de positividade para Covid na cidade do Rio chegou a 50%. Para dar conta da demanda, a prefeitura está contratando servidores que vão atuar nas unidades de testagem em troca de diárias de cem reais. Além disso, novos leitos estão sendo abertos na capital: ontem havia 233 internados e 40 doentes na fila de espera.

A Ômicron, que desencadeou a quinta onda da doença no Rio, já desbancou a Delta em número de casos, e de longe. No último sábado, a média móvel pela data de início de sintomas bateu 4.611 novas infecções. E o número ainda pode ser atualizado nos próximos dias. Ainda assim, já é mais que o dobro do registrado no pico da onda provocada pela Delta, em agosto, quando a média móvel chegou a 1.983 casos.

Mas, quando analisadas as internações e as mortes por Covid, a situação é inversa. No pico da Delta, quando os adultos estavam apenas com a primeira dose da vacina, a cidade tinha mais de 500 doentes internados em UTIs e 250 em enfermaria, o triplo do que temos hoje. Já a média móvel de óbitos era de 70, enquanto agora há quatro confirmados desde o início de janeiro.

_________________________________________________Idosos não vacinados morrem 15 vezes mais por Covid-19 no Rio do que idosos com imunização em dia

Dados de efetividade da imunização compilados pela prefeitura apontam que, atualmente, apenas 0,1% das infecções causadas pela doença é grave
Rodrigo de Souza e Felipe Grinberg
13/01/2022 - 09:47 / Atualizado em 13/01/2022 - 10:22
Enfermeira aplica reforço em idosa no Palácio do Catete. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo
Enfermeira aplica reforço em idosa no Palácio do Catete. Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

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RIO — Dados de efetividade da vacina contra a Covid-19 compilados pela prefeitura do Rio apontam que, na cidade, mortes pela doença ocorrem 15 vezes mais entre os idosos não imunizados do que entre aqueles com o esquema completo. Entre as pessoas de 12 a 59 anos com dose de reforço, a incidência de mortes pela doença a cada cem mil habitantes foi de zero nos últimos 50 dias. Para a Secretaria municipal de Saúde (SMS), os números indicam a proteção “altíssima” conferida pela vacinação, em especial pela dose de reforço. As informações se referem ao período de 1º de dezembro a 10 de janeiro. Mas a escalada da doença continua: nesta quarta-feira, a capital registrou 11.043 casos, o maior desde o início da pandemia.

Os números constam do novo boletim epidemiológico da Secretaria municipal de Saúde, apresentado ontem na reunião do Comitê Científico de Enfrentamento à Covid-19 (CEEC). Com base nos dados, o grupo de especialistas que assessora a prefeitura destacou, na ata oficial do encontro, que “os pacientes internados têm status vacinal inversamente proporcional à proteção plena”. Atualmente, apenas 0,1% das infecções causadas pela Covid-19 é grave, “o que demonstra claramente que as vacinas funcionam na prevenção de casos graves e óbitos”, pontuam os cientistas.

Distribuição de casos leves e graves e óbitos por mês de início dos sintomas

Distribuição de casos leves e graves e óbitos por mês de início dos sintomas Foto: Editoria de Arte
Distribuição de casos leves e graves e óbitos por mês de início dos sintomas Foto: Editoria de Arte

Segundo o documento, a taxa de óbitos por coronavírus entre idosos com o esquema primário (duas doses) da vacina mais o reforço é de 1,31 caso por cem mil habitantes. Já entre os não vacinados ou com o esquema incompleto nesta faixa etária, a incidência sobe para 19,51 mortos por cem mil habitantes. Aqueles que tomaram as duas doses mas ainda não receberam o reforço ficam no meio do caminho, com 5,57.

— O reforço confere uma proteção altíssima — avalia o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz. — Ele é fundamental para evitar internações e óbitos pela variante Ômicron. O desafio agora está em vacinar 722 mil cariocas que já completaram quatro meses da segunda dose e estão aptos a tomar a terceira. 

Taxa de óbitos por Covid segundo status vacinal

Taxa de óbitos por Covid segundo status vacina Foto: Editoria de Arte
Taxa de óbitos por Covid segundo status vacina Foto: Editoria de Arte

Positividade chega a 50%

O efeito da imunização se reflete em outras faixas etárias. No grupo de 12 a 59 anos que está com a vacinação atrasada, a taxa de mortes por Covid-19 é de 0,53 caso por cem mil habitantes; entre aqueles com a vacinação em dia, o índice é de zero. 

Em relação às internações, a diferença é ainda mais acentuada. Idosos com a imunização incompleta ou sem dose alguma registram 24 vezes mais hospitalizações por Covid-19 do que os com a vacinação em dia, ou seja, com a dose de reforço. O primeiro grupo tem uma taxa de 204,88 internações por cem mil habitantes; o outro, de apenas 8,60 casos a cada cem mil pessoas. A vacina tem o mesmo impacto positivo nas outras faixas etárias.

Mas a avalanche de casos de Covid-19 deixa autoridades em alerta. Postos de saúde estão lotados desde o início do ano de pessoas em busca de exames para diagnosticar a doença, enquanto laboratórios privados já sofrem com a falta de insumos para testes. Nesta quarta-feira, a taxa de positividade para Covid na cidade do Rio chegou a 50%. Para dar conta da demanda, a prefeitura está contratando servidores que vão atuar nas unidades de testagem em troca de diárias de cem reais. Além disso, novos leitos estão sendo abertos na capital: ontem havia 233 internados e 40 doentes na fila de espera.

A Ômicron, que desencadeou a quinta onda da doença no Rio, já desbancou a Delta em número de casos, e de longe. No último sábado, a média móvel pela data de início de sintomas bateu 4.611 novas infecções. E o número ainda pode ser atualizado nos próximos dias. Ainda assim, já é mais que o dobro do registrado no pico da onda provocada pela Delta, em agosto, quando a média móvel chegou a 1.983 casos.

Mas, quando analisadas as internações e as mortes por Covid, a situação é inversa. No pico da Delta, quando os adultos estavam apenas com a primeira dose da vacina, a cidade tinha mais de 500 doentes internados em UTIs e 250 em enfermaria, o triplo do que temos hoje. Já a média móvel de óbitos era de 70, enquanto agora há quatro confirmados desde o início de janeiro.

_________________________________________________Candida auris: Anvisa confirma terceiro caso de 'superfungo' no país

O Candida auris é um fungo que cresce como levedura Imagem: SCIENCE PHOTO LIBRARY

O Candida auris é um fungo que cresce como levedura - SCIENCE PHOTO LIBRARY
O Candida auris é um fungo que cresce como levedura Imagem: SCIENCE PHOTO LIBRARY
Do UOL, em São Paulo 12/01/2022 15h24

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) confirmou hoje o terceiro surto de Candida auris em um hospital da rede pública no Recife. A espécie foi detectada na urina de um paciente.

Conhecido como "superfungo", ele resiste a medicamentos e, de acordo com a agência, é considerado uma ameaça séria à saúde pública. A infecção por C. auris pode ser fatal, principalmente para pacientes imunodeprimidos ou com comorbidades. Os dois primeiros casos foram confirmados em Salvador em 2020.

Covid-19 criou condições para emergência de 'superfungo' no Brasil; entenda

A agência alertou ainda que há outro caso suspeito em investigação laboratorial, em um paciente do mesmo hospital.

De acordo com a Anvisa, desde a identificação da suspeita, uma força-tarefa nacional, composta por diversos órgãos, foi acionada para monitorar e controlar o surto. A instituição pediu que os laboratórios de microbiologia intensifiquem a vigilância e, diante de um caso suspeito ou confirmado, notifiquem o serviço de saúde e acionem um dos Lacens (Laboratório Central de Saúde Pública).

Covid-19 pode ter criado condições para 'superfungo'

Um estudo publicado no ano passado sugere que o caos hospitalar criado pela pandemia da covid-19 pode ter criado as condições ideais para a proliferação da Candida auris.

Arnaldo Colombo, coordenador o Laboratório Especial de Micologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e líder da pesquisa, explica que os fungos do gênero Candida (com exceção da C. auris) fazem parte da microbiota intestinal humana e só costumam causar problemas quando há um desequilíbrio no organismo. O mais comum é o surgimento de infecções superficiais na mucosa da vagina (candidíase) ou da boca (sapinho), geralmente associadas à espécie C. albicans.

Em alguns casos, porém, o fungo invade a corrente sanguínea e desencadeia um quadro de infecção sistêmica - conhecido como candidemia - semelhante ao da sepse bacteriana. A invasão da corrente sanguínea e a resposta exagerada do sistema imune ao patógeno podem causar lesões em diversos órgãos e até mesmo levar à morte. As evidências científicas apontam que, quando a candidemia ocorre em pacientes infectados pela C. auris, até 60% não sobrevivem.

"Essa espécie rapidamente se torna resistente a múltiplos fármacos, sendo pouco sensível a produtos desinfetantes utilizados em centros médicos. Dessa forma, consegue persistir no ambiente hospitalar, onde coloniza profissionais de saúde e, posteriormente, pacientes críticos que necessitam de internação prolongada, a exemplo dos portadores de formas graves da covid-19", diz Colombo.

Diversos fatores tornam os pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 alvos ideais para a C. auris, entre eles a internação prolongada, o uso de sondas vesicais e cateteres para acesso venoso central (uma porta de entrada para a corrente sanguínea), corticoides (que suprimem a resposta imune) e antibióticos (que desequilibram a microbiota intestinal).

*Com informações da Agência Fapesp

_________________________________________________Testes de Covid estão em falta em todo o País. Associação de laboratórios sugere parar testagem de assintomáticos

12 de janeiro de 2022, 17:38

247 - Em meio à explosão de contágio pela variante ômicron, do coronavírus, e do apagão de dados pelo Ministério da Saúde, o Brasil também sofrerá com a escassez de testes para o diagnóstico da Covid-19. 

A iminente falta de insumos para realização de testes RT-PCR – que identificam o material genético do vírus – e de testes de antígeno – que detectam proteínas ligadas ao coronavírus, levou a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) a recomendar que laboratórios privados interrompam a testagem de pacientes com poucos sintomas ou assintomáticos.

Em nota, a Abramed sugere que sejam priorizados "os pacientes que tenham maior gravidade de sintomas, pacientes hospitalizados e cirúrgicos, pessoas no grupo de risco, trabalhadores assistenciais da área da saúde, e colaboradores de serviços essenciais".

Segundo o jornal O Globo, os exames realizados pela rede privada de saúde entre os dias 3 e 8 de janeiro de 2022 ultrapassam em 98% o número de exames realizados em comparação com a semana do natal, entre 20 e 26 de dezembro.

A recomendação da associação é de que os laboratórios priorizem a testagem em pacientes graves, trabalhadores da saúde e outros profissionais essenciais. "Não é possível mensurar nesse momento até quando poderemos atender, mas há um risco real de desabastecimento", disse na nota o presidente do Conselho da Abramed, Wilson Shcolnik.

Wajngarten ataca Anvisa 

A falta de insumos para a testagem levou o ex-secretário de Comunicação de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten, a atacar a Agência Nacional de Vigilância Sanitátia (Anvisa), responsável pela liberação dos insumos. 

De acordo com Wajngarten, laboratórios e hospitais estão “reclamando de uma ‘operação padrão’ na liberação de insumos para testes de Covid e Influenza por parte do órgão responsável pela liberação dos mesmos”.

_________________________________________________UTIs Covid de 4 capitais estão em alerta crítico de ocupação

12 de janeiro de 2022

Metrópoles - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou nota técnica na noite desta quarta-feira (12/1) com alerta para o índice de ocupações de unidades de terapia intensiva (UTI) no Sistema Único de Saúde (SUS) para Covid no Brasil. Segundo dados do Observatório Covid-19 Fiocruz um terço das Unidades Federativas e 10 capitais encontram-se nas zonas de alerta intermediário e crítico.

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Segundo a análise, entre as capitais, 

Fortaleza, 88% de ocupação; 
Recife tem 80%;
Belo Horizonte, 84%; 
Goiânia, 94%. 
Todas estão hoje na zona de alerta crítico. 

Macapá (60%), 
Maceió (68%), 
Salvador (68%), 
Brasília (74%), 
Porto Velho (76%) e 
Vitória (77%) 
estão na zona de alerta intermediário.

_________________________________________________EUA - AnthonyFauci : ÔMICRON INFECTARÁ quase TODO MUNDO, mas vacinados sofrerão menos, diz especialista

Anthony Fauci é referência no acompanhamento da pandemia nos Estados Unidos - REUTERS/Jonathan Ernst
Anthony Fauci é referência no acompanhamento da pandemia nos Estados Unidos Imagem: REUTERS/Jonathan Ernst

São Paulo 12/01/2022 12h41

A variante ômicron do novo coronavírus infectará "quase todo mundo", independentemente do status de vacinação, disse o principal especialista em doenças infeccionas dos Estados Unidos, Anthony Fauci na última terça-feira, 11. Porém, pessoas vacinadas devem responder melhor às infecções. Aqueles que foram vacinados "muito provavelmente, com algumas exceções, se sairão razoavelmente bem" e evitarão hospitalização e morte, disse Fauci, falando em um evento virtual com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Fauci também disse em uma audiência no Senado no mesmo dia que os não vacinados são 20 vezes mais propensos a morrer, 17 vezes mais propensos a serem hospitalizados e dez vezes mais propensos a serem infectados do que os vacinados. "Aqueles que ainda não foram vacinados sofrerão o impacto do aspecto grave disso", disse ele, referindo-se ao aumento de casos. "E embora seja menos grave caso a caso, quando você tem quantitativamente tantas pessoas infectadas, uma fração delas vai morrer", disse ele.

Variante ômicron faz pandemia de covid-19 bater recordes na América Latina

Um funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS) previu na terça-feira que a variante Ômicron infectará mais da metade da população na região europeia nas próximas seis a oito semanas, se as tendências atuais se mantiverem.

EUA mais perto do pico

Cientistas estão vendo sinais de que a alarmante onda da Ômicron pode estar perto de atingir o pico nos Estados Unidos e logo deve começar a cair drasticamente. O mesmo parece estar sendo observado no Reino Unido. O motivo: a variante provou ser tão contagiosa que já pode estar ficando sem pessoas para infectar, apenas um mês e meio depois de ter sido detectada pela primeira vez na África do Sul.

"Vai cair tão rápido quanto subiu", disse Ali Mokdad, professor de análises de métricas de saúde da Universidade de Washington em Seattle.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que ainda há muita incerteza sobre como a próxima fase da pandemia pode se desenrolar. O platô ou refluxo nos dois países não está acontecendo em todos os lugares ao mesmo tempo ou no mesmo ritmo. E semanas ou meses de sofrimento ainda estão por vir para pacientes e hospitais sobrecarregados, mesmo que a queda aconteça.

"Ainda há muitas pessoas que serão infectadas à medida que descermos a curva", disse Lauren Ancel Meyers, diretora do Consórcio de Modelagem covid-19 da Universidade do Texas, que prevê que os casos relatados atingirão o pico dentro de uma semana.

Na verdade, ela disse, pelos cálculos complexos da universidade, o número real de novas infecções diárias nos EUA - uma estimativa que inclui pessoas que nunca foram testadas - já atingiu o pico, atingindo 6 milhões em 6 de janeiro.

Casos menos graves

Um novo estudo com quase 70.000 pacientes na Califórnia demonstra que a Ômicron causa infecções menos graves do que outras variantes, resultados que se alinham com descobertas semelhantes da África do Sul, Grã-Bretanha e Dinamarca, bem como uma série de experimentos em animais .

Em comparação com a Delta, as infecções por Ômicron tinham metade da probabilidade de enviar pessoas para o hospital. Dos mais de 52.000 pacientes identificados a partir de registros médicos eletrônicos, os pesquisadores descobriram que nem um único paciente precisou de respirador durante esse período.

Apesar da virulência menos grave da Ômicron, os hospitais dos EUA estão a beira do colapso sob um influxo de casos. Em média, mais de 730.000 pessoas testam positivo todos os dias nos Estados Unidos, quase três vezes o pico anterior no inverno passado.

À medida que os cientistas reuniram evidências de que a Ômicron é menos severa, eles lutaram para entender o porquê. Uma razão é que as pessoas infectadas com a variante têm mais defesas imunológicas do que em ondas anteriores. Em outros países, os pesquisadores descobriram que infecções anteriores com outras variantes reduzem as chances de as pessoas ficarem gravemente doentes com a Ômicron. A vacinação também oferece proteção. Estudos em animais sugerem que o Omicron infecta prontamente as células das vias aéreas superiores, mas funciona mal nos pulmões, o que poderia explicar seus efeitos mais leves.

(Com agências internacionais)

_________________________________________________Entre os internados com Covid-19 no Rio, 90% não têm o esquema vacinal completo, e cerca de 40% não tomaram dose alguma


12 de janeiro de 2022, 08:42

247 - A variante Ômicron, que se espalha como um rastilho, não explodiu nos hospitais, de acordo com os números disponíveis até agora. Um dos motivos, dizem autoridades e especialistas, é a vacinação, principal bloqueio contra a cepa. Mas a doença acaba encontrando uma brecha entre aqueles que não estão indo aos postos. De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, 90,7% dos internados na rede SUS da capital não estão com o esquema vacinal completo (incluindo o reforço), e 38% sequer tomaram a primeira dose. A reportagem é do portal Extra.

Apesar de não ser considerada uma variante agressiva, o número de hospitalizados na cidade vem crescendo dia a dia. Ontem, eram 170 internados, 31% a mais que no dia anterior. O aumento é ainda maior se comparado ao dia 24 de dezembro, quando apenas 11 leitos estavam ocupados. Enquanto isso, os casos chegam a patamares jamais registrados na pandemia: nesta terça-feira, foram 10.489 diagnósticos registrados no estado. Na capital, entraram no sistema 9.315, o maior número desde a chegada do coronavírus ao Rio.

Diego Xavier, epidemiologista e pesquisador do Monitora Covid-19 da Fiocruz, destaca que houve um descolamento da curva de internação em relação à de casos. Segundo ele, o número de óbitos e casos graves não acompanhou a explosão de infectados:


_________________________________________________Covid-19: Média móvel de casos aumenta 631% nesta terça, mostra consórcio de imprensa

Brasil registrou 73.617 novas infecções por Covid-19 nesta terça, elevando para 22.630.142 o total de diagnósticos positivos
Fila para vacinação contra Covid no Centro Municipal de Saúde do Planetário, no Rio de Janeiro Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo/04-01-2022
Fila para vacinação contra Covid no Centro Municipal de Saúde do Planetário, no Rio de Janeiro Foto: FABIANO ROCHA / Agência O Globo/04-01-2022

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O Brasil registrou, nesta terça, 139 mortes por Covid-19, elevando para 620.281 o total de vidas perdidas no país para o coronavírus. A média móvel foi de 139 óbitos, 15% maior do que o cálculo de duas semanas atrás, o que demonstra tendência de alta.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Nas últimas 24 horas, 73.617 novos casos foram notificados pelas secretarias de saúde, totalizando 22.630.142 infectados pelo Sars-CoV-2. A média móvel foi de 44.016 diagnósticos positivos, 631% maior que o cálculo de 14 dias atrás, o que demonstra tendência de alta.

A "média móvel de 7 dias" se dá pela média entre o número do dia e dos seis imediatamente anteriores. Ela é comparada com a média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados "abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Vacinação

Ao todo, 14 unidades federativas do Brasil atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 nesta terça. Em todo o país, 161.727.955 pessoas receberam a primeira dose de um imunizante, o equivalente a 75,82% da população brasileira. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 144.763.135 pessoas, ou 67,86% da população nacional. Já 30.676.931 pessoas receberam uma dose de reforço.

Nas últimas 24h foram registradas a aplicação de um total de 764.355 doses de vacinas contra a Covid-19. Foram 3.366 primeiras doses, 134.265 segundas doses, 5.667 doses únicas e 621.057 doses de reforço.

_________________________________________________Avanço da Ômicron afasta trabalhadores de canteiros de obras, plataformas de petróleo e agências bancárias

Construção civil registra até 30% de funcionários afastados por Covid-19, aponta CBIC. Petroleiros suspeitos voltam à terra para testes

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RIO — O avanço da variante Ômicron do novo coronavírus e da influenza começa a afetar setores econômicos intensivos em mão de obra, como a construção civil e o setor bancário.

Em alguns canteiros de obras já registram afastamento de até 30% dos funcionários pelas doenças, de acordo com balanço preliminar feito pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Nas estimativas do presidente da CBIC, José Carlos Martins, as empresas do setor devem contabilizar cerca de 15% dos trabalhadores contaminados. Apesar do alto número, ele destaca que ainda não há efeitos significativos para o setor:

— Neste momento, não justificaria remontar uma equipe, treinar, preparar e contratar, para logo em seguida (os funcionários afastados) retornarem. Não seria justo nem prático — explica o presidente da CBIC.

Homem passa por teste de Covid no Centro Municipal de Saúde Dom Hélder Câmara , em Botafogo, Rio de Janeiro. Aumento de casos de infecção pela variante Ômicron fez disparar a procura por testes e atendimento em postos de saúde Foto: FABIANO ROCHA / Agência O GloboPetroleiros com sintomas desembarcam para testes

Entre os petroleiros, o avanço dos casos de Covid-19 saltou de sete para 15 confirmados nas plataformas em operação na costa, entre 29 de dezembro e 5 de janeiro.

O levantamento é da Federação Única dos Petroleiros (FUP), com base nos últimos dados obtidos junto à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Acompanhamento da FUP junto a sindicatos associados até esta terça registrou 17 casos positivos de petroleiros que desembarcaram para fazer o isolamento, e 30 casos suspeitos, apenas em plataformas na Bacia de Campos, no Norte do Estado do Rio de Janeiro.

— As plataformas estão operando com redução de pessoal, e todos ali são essenciais para as atividades. Se colocamos um funcionário em isolamento, sem reposição, o trabalho como um todo fica prejudicado e pode até parar a plataforma — afirma Tadeu Porto, diretor da FUP.

Agências bancárias sem pessoal suficiente para funcionar

Agências bancárias também tiveram que ser fechadas por surtos de Covid-19 entre os bancários.

Levantamento do Sindicato dos Bancários de São Paulo, que contempla São Paulo, Osasco e outras 18 cidades da Região Metropolitana, mostra que, desde a última sexta, 150 agências foram fechadas por falta de pessoal suficiente, devido a casos confirmados entre os funcionários.

Agência do Bradesco Rocha Miranda totalmente fechada por conta da Covid-19 Foto: Agência O Globo
Agência do Bradesco Rocha Miranda totalmente fechada por conta da Covid-19 Foto: Agência O Globo
Esse também foi o caso da agência do Bradesco em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio, em que clientes foram surpreendidos com as portas fechadas, conforme registrou a reportagem do GLOBO.

Segundo o banco, as atividades foram suspensas devido a casos de Covid-19 entre funcionários. No entanto, não informou quando deve voltar a operar.

Efeito em cascata segue nos aeroportos

Entre as companhias aéreas, o últimos dias têm sido de dificuldades em parte da operação. A Latam registrou o cancelamento de 42 voos domésticos e internacionais por causa da Covid-19 na terça-feira.

Entre os dias 9 e 16 de janeiro, a companhia soma 135 cancelamentos, o que, segundo a Latam, representa 1% do total de voos programados para janeiro no Brasil.

_________________________________________________Vacinar ou não vacinar: eis a não questão | A hora da Ciência - O Globo

Por Margareth Dalcolmo

11/01/2022 • 04:30

Vacina do laboratorio Janssen utilizada nesta segunda-feira (28/06) no Museu da República no bairro do Catete no Rio de Janeiro. Dia de vacinacao de mulheres da faixa de 47 anos contra covid-19, no período da manhã e a tarde para os homens. | Adriano Ishibashi / FramePhoto / O Globo

E vamos acumulando casos de Covid-19, neste momento em franca curva de ascensão da cepa Ômicron, dominante em todo o mundo, e inclusive entre nós. Podemos antever, sem exagerar a expectativa de que cheguemos até cerca de um milhão de casos por dia no Brasil. Assim, que sentimentos habitam o nosso inconsciente coletivo? Surpresa, quando desafiamos o bem senso e nos aglomeramos em festas e celebrações de fim de ano? Frustração, porque estamos vacinados, e mesmo assim nos contaminamos? Ou nos sentindo enganados, porque a decantada imunidade de rebanho já se perdeu como possibilidade epidemiológica?Angústia de que possamos regredir no controle epidêmico? Medo de que a nova variante possa se tornar mais grave e letal? Ou a tão necessária esperança de que novas cepas possam arrefecer a morbiletalidade da pandemia e oferecer luz no fim desse longo túnel? Creio que em proporções diferentes, essa mistura de sentimentos nos contagia, mesmo que efemeramente, a exigir que usemos a racionalidade para nos nutrir com a melhor informação e confiar na ciência, não como uma abstração, mas como fonte da melhor informação.

Nessa aluvião de notícias e descobertas publicadas mereceu registro no Jornal Times do Reino Unido, o belo trabalho capitaneado pela professora Mayana Zatz, da USP, sobre os chamados “casais discordantes” tentando explicar, através de características genéticas porque um cônjuge de alguém contaminado por Covid19 não se contagia. Com isso se gera a hipótese de que essas pessoas “resistentes” possam contribuir para o arrefecimento da pandemia. Alguns genes relacionados às células imunológicas denominadas “natural killers” fazem parte do sistema imune inato e podem jogar um papel nessa proteção.

Simultaneamente outros grupos de pesquisadores no Instituto La Jolla, na California, buscam explicar esse mesmo fenômeno de “proteção individual” através de outra arma imunológica, como as células T, às quais se atribui um papel determinante na proteção contra a variante Ômicron e eventuais futuras outras. O fato é que, de par com o grande número de estudos de possibilidades terapêuticas atuais e das boas perspectivas nesse campo com os novos antivirais de uso oral e imunomoduladores, muitas linhas de investigação tentam responder sobre o a relevância da genética e o comportamento da doença no homem e suas consequências.

O Brasil ganhar autonomia na produção de vacinas com a aprovação regulatória para a produção do IFA da plataforma da AstraZeneca na Fiocruz é outro passo de extraordinária magnitude nesse momento. Com a perspectiva de entrega dos primeiros 22 milhões de doses ao Ministério da Saúde, produzidas em BioManguinhos, asseguramos capacidade para suprir o país e cooperar com outros.

Não é difícil para a opinião pública brasileira observar que a despeito do grande impacto da nova variante, e tendo alcançado uma boa taxa de imunização, o resultado constatado é o aumento exponencial de casos, porém sem repercussão de mortes ou ocupação de leitos de terapia intensiva até agora. Mesmo sabendo que pode haver pressão sobre o sistema de saúde por demanda de emergências e de internações em enfermarias, a nossa preocupação maior hoje é a paralisação de serviços pelo imenso número de infectados e afastados do trabalho ao mesmo tempo. Esse fenômeno hoje se revela de modo flagrante em países europeus e América do Norte.

Felizmente entre nós, não viceja a mobilização anti-vax, com retórica de liberdade individual irrestrita. 

Tem sido frustras por aqui as tentativas e bravatas se aproveitando das crianças, no óbvio apelo que essas despertam. 

Na França, ao contrário, se chega ao cúmulo de deputados que defendem a política de vacinação encontrarem na entrada de suas casas, bonecas vudu deformadas, e com bilhetes violentos, colocadas por grupos anti vacina. 

Mesmo que torpes e anônimos, são facilmente identificáveis, em clara ameaça às famílias contra o que esses chamam de “ditadura sanitária”. 

Inacreditável, no berço do Iluminismo.

_________________________________________________'Em UMA SEMANA os sistemas de saúde deverão entrar em COLAPSO no Brasil', diz especialista no tratamento da Covid-19

12/01/2022

Em entrevista ao GLOBO, a médica LUDMILA HAJJAR contextualiza o momento atual da pandemia, com a falta do autoteste e o impacto da doença entre os profissionais da saúde

Ludhmila Hajjar, médica intensivista. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Ludhmila Hajjar, médica intensivista. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Ludhmila Hajjar, médica intensivista. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
SÃO PAULO - Ao longo dos dois anos de pandemia, a intensivista e cardiologista Ludhmila Hajjar se tornou uma das médicas mais experientes no tratamento da doença no país. Nesse período, publicou 31 artigos científicos em revistas internacionais sobre a infecção. Conhece as diferentes realidades do sistema público e privado — é intensivista e professora de cardiologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, e médica da Rede D'Or. Atendeu mais de mil infectados em todos os estágios da doença — dos mais leves aos mais graves, entre eles nomes como Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, Dias Toffoli, ministro do STF e Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, cargo para o qual foi chamada por Jair Bolsonaro em março de 2021 e recusou.

Em entrevista ao GLOBO, Ludmilla faz um retrato contundente da atual fase da pandemia, com alta de casos no mundo todo (e poucas mortes), e contextualiza o Brasil, a falta do autoteste, o impacto da doença entre os não vacinados e nos profissionais da saúde.  

Até agora, a Ômicron tem provocado muitas infecções e poucas mortes entre os vacinados. Esse perfil pode mudar?

Dificilmente, pelo que vimos até o momento na África do Sul, o primeiro país a registrar casos dessa variante. Mas ressalto que estamos lidando com um vírus novo, altamente mutagênico, que pode ainda nos trazer surpresas. O da gripe, além de bastante conhecido, muda muito mais lentamente. Essa incerteza reforça ainda mais a importância da vacinação. 

Há uma linha cientifica que diz que podemos estar no início do fim da pandemia, pelo atual perfil das infecções. Você concorda com isso?

Sim e por um motivo principal. Temos pela primeira vez a junção de dois fatores: uma variante altamente prevalente infectando muita gente imunizada. Isso faz com que um número alto de pessoas se infecte com a forma branda da doença, o que é bom para a imunização. Não podemos, no entanto,  baixar a guarda com a vacinação. 

Como você vê no dia a dia dos hospitais as diferenças entre o paciente infectado pela Ômicron que foi vacinado e o não imunizado ou com ciclo incompleto?

Brutal. As UTIs estão atualmente só com casos de Covid entre os não vacinados. Os imunizados dificilmente passam do atendimento ambulatorial. 

Você já presenciou um paciente infectado arrependido por não ter tomado a vacina?

Como intensivista, tenho visto cada vez mais pacientes internados arrependidos de não terem sido vacinados. Eles chegam com a forma grave da doença, se arrependem, porém, já é tarde. 

Você nota alguma diferença no perfil dos infectados no sistema público e privado?

No início da pandemia sim. O paciente internado no sistema público era mais grave, tinha mais comorbidades, mais tempo de doença, e consequentemente, somado ao déficit estrutural, apresentava piores taxas de sobrevida. Atualmente, com a variante Ômicron, a doença tem apresentado comportamento semelhante em ambos os sistemas. A  variável mais expressiva em relação ao perfil da doença tem sido definitivamente o não vacinado.

A Ômicron começou a provocar baixas importantes nos profissionais de saúde, principalmente nos que estão na linha de frente. Como deverão ser os próximos dias?

Pelo ritmo que estamos vendo, em uma semana os  sistemas de saúde deverão entrar em colapso no Brasil. O número de infecções aumentará mais ainda nos ambulatórios e provavelmente faltarão mais profissionais da saúde no combate. A maioria dos médicos e enfermeiros foi imunizada com duas doses da CoronaVac e reforço da Pfizer. A CoronaVac foi importantíssima no início, frente à inexistência de outras. Mas ela não protege como as outras em relação a novas variantes. Muitos de nós seremos infectados. De uma forma mais branda em relação ao que se viu há um ano, quando não havia imunizantes no Brasil. Mesmo assim, seremos afastados. Só na minha área do Hospital das Clínicas, de São Paulo, por exemplo, temos 56 profissionais afastados. 

Na segunda-feira, a Confederação Nacional de Saúde enviou aos  ministérios do Trabalho e Emprego e da Saúde a solicitação de que os profissionais de saúde com Covid-19 assintomáticos e que tenham tomado a dose de reforço da vacina contra a Covid não sejam afastados. O que você acha disso?

Perigoso. Temos contato físico muito próximo dos pacientes, o risco de transmissão é alto ainda mais quando se trata da Ômicron, que tem uma taxa muito alta de contaminação. Reduzir o tempo de quarentena acho responsável e isso poderá ajudar para cobrir desfalques. Mas ao menos sete dias de afastamento seria prudente.

Atravessamos dois anos de pandemia sem a permissão no uso do autoteste para testagem de Covid-19. Qual a sua opinião a respeito?

O Ministério da Saúde deverá finalmente pedir a liberação desses exames à Anvisa, mas deveria ter feito isso antes. Se os testes caseiros estivessem sendo usados, muito possivelmente não estaríamos vivendo o que estamos vivendo. Eles precisam ser de boa qualidade, ter boas marcas, claro. Mas o argumento de quem é contrário à liberação, de que há risco de serem malfeitos em casa, são fracos.  As pessoas devem seguir as orientações do produto e, claro, os profissionais da saúde devem orientar sempre que for necessário. Além do que os brasileiros já fazem procedimentos delicados em casa e com sucesso, como testes para HIV e aplicação de insulina. 

Algumas cidades aboliram o uso de máscara ao ar livre. Qual a sua opinião sobre isso?

Nesse momento, com o número de infectados em ascensão, com o surgimento de novas variantes, ainda com desigualdade na aplicação das vacinas, eu sou contra abolir uso de máscaras, medida  simples, disponível e efetiva contra a Covid-19.

Os remédios aprovados recentemente nos Estados Unidos para a prevenção e os casos mais leves terão impacto nesse pico atual de casos?

Os novos antivirais como o paxlovid e o monulpiravir são eficientes para impedir a forma grave da Covid-19, e demonstraram ser eficazes inclusive contra a Ômicron. Ter as medicações disponíveis no Brasil pode ter impacto significante na redução de internações e de gravidade pela doença atual. 

Se você fosse dar um conselho para o ministro da Saúde neste momento, qual seria?

Sugiro que o ministro amplie a discussão com a comunidade científica sobre o momento epidemiológico do Brasil, reforce as campanhas de vacinação contra a Covid-19 com maior alcance e promova informações seguras e adequadas à população, amplie a disponibilidade de testes diagnósticos em todo o país, e fortaleça o sistema de vigilância com transparência e atualização na publicação de dados. Cada um desses pontos é fundamental. 

_________________________________________________PAIS que querem FILHOS VIVOS são criticados por Bolsonaro * Por Sensacionalista

IDOSO TARADO por CLOROQUINA critica a vacina em live:

Idoso tarado por cloroquina critica a vacina em live
"Era só o que faltava, os PAIS QUEREREM que seus FILHOS FIQUEM VIVOS", disse o presidente enquanto engolia um camarão SEM_MASTIGAR em sua INFAME LIVE das quintas-feiras.
Bolsonaro disse ainda que NÃO ENTENDE por que as pessoas são TARADAS por VACINA, mas NÃO explicou sua TARA por CLOROQUINA, JET SKI e LEITE_CONDENSADO.

Logo após a live, o presidente teria dito a pessoas próximas que NÃO vacinaria seus filhos. Porém o senador Flávio Bolsonaro está sendo acusado de receber UMA de cada TRÊS DOSES tomadas pelos funcionários de seu gabinete.  

_________________________________________________Jamil Chade - Com salto de 26%, mortes de covid voltam a subir nas Américas

Colunista do UOL 11/01/2022 19h32

Um levantamento publicado nesta terça-feira pela OMS (Organização Mundial da Saúde) revela que as mortes pela covid-19 voltaram a subir nas Américas na última semana. Ainda que a taxa não acompanhe a explosão no número de novas infecções, os dados revelam que não há como declarar que a variante ômicron seja apenas uma versão suave do vírus que gerou a pior pandemia em mais de cem anos.

De acordo com a OMS, o mundo registrou um novo recorde de contaminações de covid-19, com 15 milhões de novos casos em apenas sete dias, um aumento de 55% em comparação aos sete dias anteriores. Metade dos novos números vem da Europa, com 40% dos casos registrados nas Américas.

Apesar da explosão de números, as mortes aumentaram apenas de forma marginal, passando de 41 mil óbitos para 43 mil mortes na semana passada, com uma taxa global de 3% de aumento.

A situação nas Américas, porém, chama a atenção. O continente respondeu por 6 milhões de novas contaminações, um aumento de 78% em comparação aos sete dias que antecederam o levantamento. A região ainda registrou 14 mil mortes neste período, um aumento de 26%.

Os EUA lideraram essa alta, com uma expansão de 80% e 4,6 milhões de novos casos. Mas outros quatro países registraram aumentos de mais de 50%.

O segundo lugar vai para a Argentina, com um aumento de 101% nos casos e um total registrado de 461 mil novas contaminações. O Brasil, vivendo um apagão de dados, não aparece entre os primeiros colocados.

No que se refere às mortes, a taxa registrou uma alta de 26% nos EUA, com 11,1 mil óbitos. O segundo lugar é do Brasil, com 766 mortes e um aumento de 15%, contra 566 no México.

No mundo, além dos EUA, a lista dos primeiros colocados em termos de novos casos ainda inclui a França, com 1,5 milhão de casos, o Reino Unido com 1,2 milhão e a Itália, com 1 milhão. Na Índia, o aumento em uma semana foi de 524%, para um total de 638 mil contaminados.

Vacina com eficácia reduzida diante da ômicron

De acordo com a OMS, os resultados dos primeiros estudos mostram que, de fato, existem evidencias de que as vacinas têm uma eficácia reduzida diante da variante ômicron.

Mas o imunizante tem sido fundamental para evitar casos graves e um aumento ainda maior dos óbitos.

Outro problema destacado pela OMS é que se nos países com elevada taxa de vacinação a variante está sendo tratada como um problema menor, o temor é de que, numa nova fase de contágios, ela chegue aos países onde a cobertura vacinal é ainda baixa.

Hoje, segundo a OMS, 3 bilhões de pessoas pelo mundo ainda não receberam sequer uma dose dos imunizantes. A preocupação é de que, diante da ômicron, o impacto pode ser diferente dos cenários registrados na Europa e nos EUA.

_________________________________________________Covid-19: METADE da EUROPA será INFECTADA com variante ÔMICRON nas próximas semanas, diz OMS

Na Europa, o número de infecções de covid-19 mais do que dobrou em um período de duas semanas Imagem: Getty Images

11/01/2022 19h12

Hans Kluge, diretor regional da OMS, afirmou que uma onda de infecções pela variante ômicron 'está varrendo a Europa.'

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que metade da Europa será infectada com a variante ômicron do coronavírus dentro de seis a oito semanas.

Hans Kluge, diretor regional da OMS na Europa, disse que uma "onda do oeste para o leste" da ômicron estava varrendo a região, além da onda da variante delta já presente no continente.

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A projeção foi baseada nos 7 milhões de novos casos relatados em toda a Europa na primeira semana de 2022.

O número de infecções mais do que dobrou em um período de duas semanas.

"Hoje a variante ômicron representa uma nova onda do oeste para leste (da Europa), varrendo a região no auge da onda da (variante) delta que todos os países estavam gerenciando até o final de 2021", disse Kluge, em entrevista coletiva.

Ele citou dados do Institute for Health Metrics and Evaluation (Instituto de Métricas e Avaliações), com sede em Seattle, como previsão de que "mais de 50% da população da Europa será infectada pela ômicron nas próximas seis a oito semanas".

Kluge disse que os países europeus e da Ásia Central permanecem sob "intensa pressão" à medida que o vírus se espalha dos países ocidentais para os Bálcãs.

"A forma como cada país responde agora deve ser baseada em a sua situação epidemiológica, recursos disponíveis, status de vacinação e contexto socioeconômico", acrescentou.

Estudos recentes sugerem que o ômicron tem menos chance de deixar as pessoas gravemente doentes do que as variantes anteriores da covid-19. Mas essa versão do vírus é altamente contagiosa e pode infectar pessoas já totalmente vacinadas.

O número recorde de infecções - 3,2 milhões de pessoas nas últimas 24 horas - deixou os sistemas de saúde sob forte pressão.

Na segunda-feira, o Reino Unido registrou mais 142.224 casos confirmados da infecção e 77 mortes. Vários hospitais declararam "situação crítica" devido à ausências de funcionários e à lotação de pacientes de covid-19.

Em outros lugares, o número de hospitais em colapso também está aumentando. O ministro da Saúde da França, Olivier Veran, alertou na semana passada que janeiro seria difícil para os hospitais.

Ele acrescentou que os pacientes infectados pela ômicron estavam ocupando leitos "convencionais" em hospitais, enquanto outros infectados pela variante delta lotavam os departamentos de UTI.

Na Europa Oriental, a Polônia informou que 100 mil pessoas morreram do vírus no país desde o início da pandemia. A Polônia agora tem a sexta maior taxa de mortalidade do mundo, e quase 40% de sua população permanece não vacinada.

Na Rússia, a principal autoridade de saúde, Anna Popova, disse em uma reunião da agência estatal de combate ao coronavírus que, sem ações para controlar a propagação da variante, o número diário de novos casos de covid pode chegar a 100 mil.

Segundo a agência de notícias Reuters, a taxa diária de infecção havia diminuído recentemente - o pico, de 41.335 casos diários, foi registrado no início de novembro.

Popova disse que 305 casos conhecidos da variante ômicron foram detectados até agora em 13 regiões do país. A Rússia registrou pelo menos 311.281 mortes e 10,5 milhões de casos de covid-19 até o momento.

Na segunda-feira, a empresa farmacêutica Pfizer disse que pode lançar uma versão de sua vacina que oferece proteção especial contra a variante ômicron, a ser disponibilizada em março. Especialistas em saúde dizem que ainda não está claro se isso é necessário.

_________________________________________________Covid: Teremos recorde de casos diários nas próximas semanas, diz médico

Do UOL, em São Paulo 11/01/2022 13h44 Atualizada em 11/01/2022 17h59

O infectologista Renato Kfouri, que é presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), disse hoje, em entrevista ao UOL News, que o Brasil deverá ter recorde de casos diários de covid-19 nas próximas semanas em razão da variante ômicron. Apenas ontem, o mundo registrou um novo recorde de casos de covid-19 em 24 horas, com mais de 3 milhões de infecções.

"A gente nunca viu um momento da pandemia de covid com tantos casos. O mundo está batendo recordes, e já, já nós vamos bater todos os recordes de números e registros de casos diários. Nós nunca vamos ter na pandemia, um número de casos tão grande como teremos nas próximas semanas", declarou.

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Kfouri explicou que mesmo que uma porcentagem menor de pessoas seja internada em comparação ao número de casos, muita gente ainda irá morrer pelo novo coronavírus.

"A receita a gente já sabe: distância, máscara, lavagem de mãos, vacina, esquema completo, duas doses, ampliar a base de vacinados, vacinar as crianças, que são hoje as não vacinadas da nossa população."

O presidente da SBIm ainda reforçou o pedido para que os pais levem os seus filhos pequenos para serem vacinados contra o vírus e incentivou que as pessoas aptas a serem imunizadas também se encaminhem aos postos de saúde.

"Não temam, não confiem, não acreditem nessas fake news de antivacinas que não querem o bem de seus filhos. Vamos vacinar as crianças, completar o esquema vacinal de todos e reforçar aqueles que perdem a proteção. Esse parece ser o enredo melhor para enfrentar essa onda de ômicron", concluiu.

Mundo registra mais de 3 milhões de casos de covid em 24 h

Em meio à disseminação da variante ômicron, o mundo registrou um novo recorde de casos de covid-19 em 24 horas, com mais de 3 milhões de infecções. Os dados são de ontem e foram divulgados hoje pelo Our World in Data, projeto ligado à Universidade de Oxford. É o 4º recorde diário de novos infectados nos últimos 8 dias.

O número total registrado foi de 3,28 milhões. O dado foi mais uma vez impulsionado pelos Estados Unidos, que registraram 1,48 milhão de casos.

A Europa registrou 991 mil novos infectados e a Ásia, 400 mil (1,39 milhão somados). Os continentes têm 748 milhões e 4,6 bilhões de habitantes, respectivamente, contra 332 milhões dos EUA.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou que a variante não deve ser descrita como branda. Estudos sugerem que ela tem menos probabilidade de deixar as pessoas gravemente doentes do que as variantes anteriores de covid, mas o número de pessoas infectadas vem deixando os sistemas de saúde sobrecarregados, disse o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

_________________________________________________OMS: Hospitalizações têm aumentado pelo mundo com nova onda de covid

29.dez.2021 - Paciente em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) recebe atendimento médico em hospital em Saint-Denis, na França - 29.dez.2021 - Alain Jocard/AFP
29.dez.2021 - Paciente em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) recebe atendimento médico em hospital em Saint-Denis, na França Imagem: 29.dez.2021 - Alain Jocard/AFP

Gabriel Bueno da Costa

São Paulo

11/01/2022 14h22

Duas autoridades da Organização Mundial de Saúde (OMS) enfatizaram, durante evento virtual nesta terça-feira, a necessidade de manter os cuidados contra a covid-19. Líder técnica da covid-19 na OMS, Maria Van Kerkhove notou que a variante ômicron de fato tende a causar menos graves, mas rechaçou que isso não significa necessariamente que ela gere uma "doença leve". Ela lembrou que muitos dos hospitalizados pelo mundo atualmente contraíram a variante ômicron.

Destacou também, durante sessão de perguntas e respostas, o grande salto recente no número de casos da doença. Segundo ela, participar de festas com muitas pessoas, no quadro atual, "é muito perigoso".

Covid: Teremos recorde de casos diários nas próximas semanas, diz médico

Maria Van Kerkhove insistiu na necessidade de medidas como a vacinação e também o distanciamento físico, que se usem boas máscaras, multidões sejam evitadas e que os locais sejam ventilados.

Ainda recomendou que, se houve a possibilidade, manter o trabalho remoto é a melhor alternativa, neste momento.

Diretor executivo da OMS, Michael Ryan disse que "não seria razoável" apostar que a variante ômicron será a última da covid-19.

Ele destacou o salto recente dos casos e considerou que houve uma "tempestade perfeita" para isso. Além do fato de que essa cepa é mais contagiosa, houve muitos contatos entre as pessoas com as festas de fim de ano, lembrou.

_________________________________________________Ômicron: Mundo tem mais de meio milhão de novos casos diários há 22 dias

10/1/2022 - Centro de testagem gratuita para a covid-19 em Buenos Aires, na Argentina Imagem: Alejandro Pagni/AFP

Juliana Arreguy Do UOL, em São Paulo 12/01/2022 04h00

O planeta não registra menos do que 500 mil contaminações diárias pela covid desde o dia 20 de dezembro, de acordo com dados do Our World In Data. Na data em questão, foram 752 mil novos casos conhecidos, número 57% superior ao registrado um dia antes (19), quando 477 mil diagnósticos foram confirmados.

Desde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) reconheceu a variante ômicron, há 47 dias, o mundo teve um aumento de 19% nos casos conhecidos de covid-19 e vem registrando recordes diários de novos diagnósticos.

"O aumento de casos pela ômicron no mundo todo é surpreendente", comenta o médico infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas da USP. "É impressionante a capacidade e velocidade de transmissão. Em poucas semanas, ela domina um país."

O alerta sobre os riscos da ômicron veio em 26 de novembro, dois dias após a detecção do primeiro registro da variante na África do Sul. No dia do anúncio, o mundo registrou 594.437 casos. O número diminuiu, mas voltou a ficar acima do patamar de meio milhão no dia 20 de dezembro — e não baixou mais.

Em 27 de dezembro, o mundo atingiu a marca inédita de um milhão de casos confirmados num único dia. Apenas uma semana depois, já eram mais de dois milhões de casos diários da doença. Na segunda-feira (10), foram 3,28 milhões de novos casos, recorde de registros; em 14 dias, a quantidade de novos casos de covid triplicou no planeta.

Parte do crescimento mundial de casos é atrelado ao avanço do contágio nos Estados Unidos, que chegou a registrar, sozinho, mais de um milhão de casos no dia 4 de janeiro; ontem, o país bateu novo recorde de diagnósticos, com 1,35 milhão de casos. Além dos EUA, outros países como França e Itália acumulam boa parte dos índices de contágio no mundo.

Stanislau observa que, diferentemente da evolução progressiva apresentada por outras cepas, a ômicron tem o efeito de "uma enchente que toma conta de um território e atinge todo mundo ao mesmo tempo".

O diretor da OMS, Tedros Adhanom, também já se referiu à variante como um "tsunami" pela capacidade e velocidade de contágio: "Isso está e continuará colocando uma pressão imensa sobre os esgotados trabalhadores da saúde, e os sistemas de saúde estão à beira do colapso", declarou em entrevista coletiva.

Para Stanislau, a ômicron deve servir de alerta para acelerar processos de vacinação e evitar que novas variantes, ainda mais agressivas, possam surgir.

"Amanhã, se surgir uma variante com a capacidade de transmissão da ômicron e outras características que possam causar uma doença grave... Isso vai mostrar o tamanho do problema que a gente tem pela frente".

Apagão de dados coloca Brasil em risco

"O apagão do Brasil, que carece ainda de uma melhor explicação, surgiu num momento muito crítico, quando a gente tem um surto de influenza concomitante com introdução da ômicron e um aumento dos casos", explica o infectologista.

Há um mês, o Ministério da Saúde atribuiu a um ataque hacker um apagão de dados no sistema de registros relativos à pandemia. Ontem, o governo afirmou que a situação havia sido restabelecida, embora alguns sistemas ainda estejam fora do ar.

Enquanto os municípios enfrentam dificuldades para inserir dados de casos e mortes pela doença, os registros foram prejudicados e o público ficou sem acesso a dados completos da atual situação do país na pandemia.

"Sem uma noção do número, como faremos o planejamento de assistência? Esse apagão de dados compromete de maneira muito importante o nosso planejamento", observa Stanislau.

Somado ao apagão, há também a falta de testes em laboratórios e farmácias, que ficaram sobrecarregados diante do aumento da demanda advindo da alta de casos na virada do ano.

"Evidenciamos a falta de testes e a saturação da capacidade de dar resposta, tanto das farmácias como dos laboratórios privados, que até então tinham sido nossos refúgios para ter alguma informação. Perdemos a informação oficial e estamos perdendo a capacidade de testagem no pior momento da pandemia em termos de transmissibilidade e casos."




_________________________________________________Governo do México pede que população evite sair para fazer testes de covid

Locais de testagem têm registrado longas filas na Cidade do México Imagem: iStock

11/01/2022 21h25

México, 12 Jan 2022 (AFP) - O governo mexicano pediu nesta terça-feira (11) que a população evite se submeter a testes de detecção da covid-19 caso apresente sintomas e permaneça em casa a fim de evitar os contágios diante da uma escassez mundial destes dispositivos médicos.

"Ao invés de correr para o posto fazer um teste, o que se deve fazer é ficar em casa para evitar contagiar outras pessoas", disse o vice-secretário de Saúde, Hugo López-Gatell, porta-voz da estratégia governamental contra a pandemia.

Com salto de 26%, mortes de covid voltam a subir nas Américas

Ele acrescentou que se todas as pessoas com tosse ou dor de garganta correrem para fazer um teste, vão se angustiar e reduzir a disponibilidade para aquelas pessoas que, por razões médicas, têm necessidade "imprescindível" de fazer o exame.

López-Gatell disse que há uma escassez mundial de testes de detecção e que tanto o México quanto os Estados Unidos e alguns países europeus têm abordado esta problemática.

Enquanto isso, veículos da imprensa local reportaram nesta terça-feira longas filas e o desespero de centenas de pessoas tanto em hospitais públicos quanto em farmácias e postos de saúde da Cidade do México, onde se realizam estes exames.

O México, com 126 milhões de habitantes, segundo números oficiais, registrou nos últimos dias um aumento dos casos de covid-19, com um recorde de mais de 30.000 casos positivos no sábado passado.

Em meio a este repique de casos, o próprio presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, infectou-se pela segunda vez com a covid-19, embora tenha dito que se sente "muito bem" e tenha apenas um mal-estar leve.

O país registrava até esta segunda-feira 4,1 milhões de casos confirmados e 300.412 óbitos desde o começo da pandemia.


_________________________________________________OMS acha improvável que ômicron seja última variante a causar preocupação

Genebra 11/01/2022 17h50

A variante ômicron da covid-19 certamente não será a última a ser classificada como "preocupante" pela OMS (Organização Mundial da Saúde) devido a fatores como sua alta transmissibilidade, alertaram nesta terça-feira especialistas da agência.

Em seu último relatório, a equipe técnica da OMS encarregada de analisar as vacinas contra a covid-19 prevê que "a evolução do coronavírus SARS-CoV-2 deve continuar e é improvável que a ômicron seja a última variante de preocupação".

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Até agora, cinco evoluções do coronavírus foram categorizadas desta forma e batizadas com as letras gregas alfa (detectada pela primeira vez no Reino Unido), beta (África do Sul), gama (Brasil), delta (Índia) e ômicron (também em território sul-africano).

O relatório considera a possibilidade de que a composição das atuais vacinas contra a covid-19 seja modificada para abordar a variante ômicron.

Nesse sentido, os especialistas da OMS sugerem a necessidade de os cientistas trabalharem com o objetivo de alcançar uma vacina "mais sustentável e com visão de longo prazo, que seja eficaz contra qualquer variante futura".

As vacinas existentes, de acordo com os estudos realizados até agora, parecem perder eficácia diante da ômícron na prevenção sintomática da covid-19, embora ainda são válidas na prevenção de formas graves da doença, como indica o fato que a atual onda de infecções, com números recordes, não vem acompanhada de mais mortes.

O grupo de especialistas reitera o apelo por um maior acesso às vacinas contra a covid-19, não apenas para reduzir os casos graves da doença, mas também para frear a possibilidade de aparecimento de novas mutações.

Embora o documento não se oponha às doses de reforço, afirma que "uma estratégia de vacinação que acaba contando em doses repetidas da vacina original não é provavelmente sustentável ou apropriada".

_________________________________________________Covid, 2 anos depois: 5 coisas que descobrimos desde o início da pandemia


Peter Ball - BBC World Service 04/01/2022 15h09

Já se passaram dois anos desde que um novo coronavírus foi descoberto após um surto na China; a pandemia mudou desde a forma como trabalhamos até os tratamentos médicos disponíveis para nós.

Já se passaram dois anos desde que um novo coronavírus foi descoberto após um surto na China.

O país anunciou a descoberta do Sars-Cov-2, causador da covid-19, em 31 de dezembro de 2019 e, desde então, o mundo mudou em uma velocidade estonteante. A pandemia que se seguiu mudou desde a forma como trabalhamos até os tratamentos médicos disponíveis para nós.

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1. As vacinas de mRNA funcionam e podem ser feitas com rapidez

Assim que a covid-19 atingiu o status de pandemia, começou uma corrida entre pesquisadores para fazer uma vacina que pudesse proteger a população.

Algumas empresas farmacêuticas decidiram apostar em um tipo relativamente novo de tecnologia, que ainda não havia sido aplicada em uma vacina aprovada para uso humano - o mRNA.

A aposta deu certo. Usando mRNA, não só a Pfizer/BioNTech (e depois a Moderna) conseguiu desenvolver uma vacina para covid-19 mais rápido do que qualquer outra empresa como também abriu a porta para uma série de novos tratamentos usando tecnologia semelhante.

O processo funciona pegando um pequeno pedaço de código genético, chamado mRNA, e revestindo-o de gordura. Esse material pode então ser absorvido pelas células, que o usam como um conjunto de instruções para produzir novo material.

Nas vacinas contra o coronavírus, o mRNA instrui nossas células a criar uma pequena parte do vírus da covid. O sistema imunológico do corpo então aprende a reconhecer o vírus e fica pronto para atacá-lo se seu corpo foi infectado.

Mas o mRNA tem potencial para ser usado de muitas outras maneiras. Além de poder ser usado para criar novas vacinas para doenças como HIV, gripe e zika, ele pode ser usado para treinar o sistema imunológico do corpo para atacar as células cancerígenas, para criar as proteínas que faltam nas células de pessoas com fibrose cística ou para ensinar o sistema de defesa do corpo em pessoas com esclerose múltipla a parar de atacar o sistema nervoso.

A pesquisa sobre tratamentos de mRNA vem acontecendo há décadas, mas as vacinas contra a covid-19 são a primeira vez em que foi comprovado que a tecnologia funciona na prática. Esse sucesso pode impulsionar pesquisas com potencial de mudar a vida de milhões de pessoas.

2. A covid-19 se espalha pelo ar com muito mais facilidade do que pensávamos inicialmente

Cerca de quatro meses após o início da pandemia, a Organização Mundial da Saúde ainda não aconselhava as pessoas a usarem máscaras. "Não recomendamos o uso de máscaras, a menos que você esteja doente", disse Maria Van Kerkhove, líder técnica do combate à covid-19 na organização.

Mas as evidências científicas que surgiram desde então mudaram essa visão. Hoje, assim como durante a maior parte da pandemia, a OMS afirma que as pessoas devem "tornar o uso de máscara uma parte normal de estar perto de outras pessoas".

Pesquisadores descobriram que o vírus da covid-19 é transmitido não apenas por grandes gotas de saliva ou muco que ficam no ar por um curto período depois que alguém tosse ou espirra.

O vírus também pode se espalhar por meio de aerossóis - partículas muito menores que podem permanecer no ar por muito mais tempo.

Hoje sabemos que a transmissão de covid-19 se dá principalmente por via aérea. A transmissão de Sars-CoV-2 após tocar em superfícies é agora considerada relativamente mínima.

"Em março [de 2020], as pessoas me perguntavam quanto tempo elas precisavam passar limpando as compras. Todo mundo estava hipervigilante e hiperparanóico", diz Paula Cannon, professora de Microbiologia e Imunologia Molecular da Escola de Medicina da Universidade do Sul da Califórnia.

"Desde então, aprendemos que o vírus transportado pelo ar em espaços internos mal ventilados é a causa provável da maioria das transmissões e a razão pela qual bares e ambientes fechados são tão arriscados", explica.

O vírus é emitido por pessoas sem máscara enquanto falam, cantam ou simplesmente respiram e permanece no ar se o ambiente não for ventilado.

Lavar as mãos e limpar as superfícies ainda são bons hábitos, mas agora há muito mais ênfase no uso da máscara e na ventilação.

3. O trabalho de casa veio para ficar

Milhões de pessoas em todo o mundo começaram a trabalhar em casa em vez de ir aos escritórios e outros locais de trabalho durante a pandemia.

A pandemia mostrou que esse tipo de trabalho não reduz a produtividade e fez muitas empresas abandonarem a resistência que tinham em adotá-lo.

O Twitter anunciou em maio de 2020 que seus funcionários poderiam trabalhar de casa em tempo integral mesmo após o fim da pandemia, desde que sua função lhes permita fazer esse trabalho.

"Os últimos meses provaram que podemos fazer esse trabalho", disse a empresa.

O Facebook fez um anúncio semelhante no início do ano, mas não são apenas os gigantes da tecnologia que pretendem fazer a mudança.

Uma pesquisa realizada com 1.200 empresas pela Enterprise Technology Research mostrou que a porcentagem de trabalhadores em todo o mundo que estão trabalhando permanentemente em casa deve dobrar em 2021.

Em uma pesquisa global com mais de 200 mil pessoas em 190 países, a Boston Consulting descobriu que 89% das pessoas esperavam poder trabalhar em casa pelo menos algumas vezes na semana após o fim da pandemia. É um aumento considerável em relação ao índice antes da pandemia: apenas 31% das pessoas tinham esse desejo.

Mas para muitas pessoas, geralmente com empregos menos seguros e com menor remuneração, as oportunidades de trabalho flexível podem ser mais limitadas. Isso poderia aumentar ainda mais as desigualdades na sociedade.

4. A pandemia atingiu mais as pessoas em situação de vulnerabilidade social

A pandemia de covid-19 nos lembrou que uma crise pode piorar a enorme desigualdade social que já existe no mundo.

No Reino Unido, um estudo realizado por pesquisadores do UK Biobank descobriu que na parte mais pobre do país 11,4% das pessoas contraíram covid, enquanto nas áreas mais privilegiadas a taxa foi mais baixa (7,8%).

A equipe também descobriu que pessoas de minorias étnicas foram afetadas de forma desproporcional, algo que também aconteceu nos Estados Unidos.

Em Nova York, dados de 2020 mostraram que hispânicos e negros foram 34% e 28% das mortes de covid, respectivamente, embora componham 29% e 22% da população.

Uma pesquisa na Califórnia mostrou que pacientes negros não-hispânicos tinham 2,7 vezes mais chances de hospitalização, em comparação com pacientes brancos não-hispânicos.

Em muitos países não existem dados precisos sobre os efeitos da covid, mas globalmente uma das maiores disparidades está nas taxas de vacinação. Em países de renda alta e média, cerca de 70% das pessoas estão totalmente vacinadas, de acordo com os dados do Our World in Data. Isso cai para apenas 4% nos países de baixa renda. Mesmo em países de renda média baixa, a taxa ainda é de apenas 32%.

À medida que as autoridades médicas distribuem doses de reforço e que a variante omicron se espalha pelo mundo, as consequências da lenta implantação de vacinas em países menos desenvolvidos podem se tornar ainda mais mortais.

5. Não temos certeza de como, ou se, a pandemia de covid-19 vai terminar

Em muitas doenças, como a varíola, é possível atingir a imunidade de rebanho da população através da vacinação massiva da população - ou seja, o número de pessoas imunizadas é tão alto que o vírus não consegue circular.

Para outras doenças, como a gripe, isso é mais difícil de alcançar devido a constantes mutações dos vírus ou a diminuição da resposta do sistema imunológico com o tempo.

No caso da covid-19, o desenvolvimento da pandemia mostra cada vez mais que podemos estar diante do segundo caso. A diminuição da resposta do sistema imunológico com o tempo, inclusive, é o motivo pelo qual muitos países (incluindo o Brasil) estão implementando programas de reforço das vacinas.

De acordo com Shabir A Madhi, professor da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, a resposta imunológica após a infecção ou vacinação contra covid-19 dura aproximadamente de seis a nove meses.

Embora as vacinas sejam eficazes na proteção contra consequências mais graves da covid, mesmo as melhores não parecem impedir as pessoas de transmitir o vírus a outras pessoas.

"Com as vacinas que temos, mesmo que reduzam a transmissão, o conceito de imunidade de rebanho não faz sentido", diz Salvador Peiró, do instituto de pesquisa FISABIO em Valência, na Espanha.

E o Sars-CoV-2 tem sofrido rápidas mutações que geram novas variantes - algumas mais transmissíveis e podem ser mais resistentes ao efeito das vacinas.

As variantes também mostram que teremos que "conviver" com o vírus conforme ele evolui, atualizando vacinas regularmente para adaptá-las. Nesse cenário, os países com alto índice de vacinação voltarão a ter uma vida mais ou menos dentro da normalidade, sabendo que embora algumas pessoas devam ficar doentes, os sistemas de saúde não ficarão sobrecarregados.

Enquanto isso, um pequeno número de territórios com baixos níveis de covid, como a Nova Zelândia e Hong Kong, enfrentam um dilema. Sem nenhum sinal de que a covid foi erradicada em todo o mundo, eles terão que continuar com quarentena estrita e restrições de viagem ou enfrentar o dia em que vão relaxar as medidas de permitir a entrada de mais covid.

________________________________________________ Antígeno ou PCR? Qual teste fazer em cada suspeita de covid


Testes de antígeno e RT-PCR exigem o swab nasal e oral, que envolve inserir uma haste flexível no fundo do nariz e da boca Imagem: Getty Images

André Biernath - @andre_biernath - Da BBC News Brasil em São Paulo

06/01/2022 19h11

Cada tipo de exame usado para detectar o coronavírus tem suas vantagens e desvantagens. Entenda em que situações eles são indicados --e o que fazer a partir dos resultados.

O avanço da variante ômicron é um dos principais fatores por trás do aumento impressionante no número de novos casos de covid-19 registrados em várias partes do mundo.

No Brasil, o apagão de dados do Ministério da Saúde após um ataque hacker no início de dezembro dificulta a notificação dos casos e impede análises mais aprofundadas sobre o atual cenário da crise sanitária por aqui.

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Por que vacinados ainda podem pegar covid e isso não é falha do imunizante

Por enquanto, os relatos mais confiáveis vêm da linha de frente, onde os profissionais de saúde já lidam com o aumento na chegada de pacientes com sintomas de infecção respiratória em hospitais, pronto-socorros e laboratórios de diagnóstico nos últimos dias.

Mas o que uma pessoa que está com sintomas de covid, como febre, tosse, cansaço, perda de paladar ou olfato, dores e diarreia, pode fazer para saber se está (ou não) com a doença? Quais exames são indicados?

Confira a seguir os testes mais comuns e quais são as vantagens e desvantagens de cada um deles.

RT-PCR: alto grau de confiança, mas resultado costuma demorar

Esse teste é considerado "padrão ouro" pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na prática, isso significa que ele traz os resultados mais confiáveis e define se um indivíduo está com covid-19 ou não.

Feito a partir do swab nasal e oral —em que uma haste flexível com algodão na ponta é esfregada no fundo do nariz e da boca para coletar uma amostra do paciente —esse exame consegue detectar a presença do material genético do coronavírus.

Os laboratórios costumam orientar que a coleta aconteça entre o terceiro e o sétimo dia após o início dos sintomas.

Isso porque o RT-PCR detecta o RNA (material genético do vírus), e essa janela de tempo é o período da infecção em que há mais atividade viral e é mais provável encontrar o causador da covid-19 lá no fundo da garganta.

Porém, em alguns casos, o médico pode indicar a realização desse exame já no primeiro ou até o décimo dia de sintomas.

Apesar do alto grau de confiabilidade, essa opção também traz algumas desvantagens: ela é mais cara (chega a custar entre 200 e 400 reais na rede privada) e o laudo com o resultado pode demorar mais de um dia para ficar pronto.

"Além disso, o RT-PCR é um método que exige profissionais muito capacitados e equipamentos de alta complexidade, que não estão facilmente disponíveis em todos os laboratórios", acrescenta o médico patologista Wilson Shcolnik, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Ainda na seara dos testes moleculares, alguns laboratórios e farmácias também oferecem o PCR-Lamp. Ele também investiga a presença de RNA viral na saliva, mas seu resultado não é considerado tão preciso quanto o obtido no RT-PCR.

"O Lamp pode ser uma boa alternativa quando o RT-PCR não estiver disponível", sugere Shcolnik.

Outra opção, que se tornou mais popular recentemente com a epidemia de gripe H3N2 que atinge várias cidades brasileiras, são os chamados painéis virais.

Esses exames são capazes de analisar e diferenciar se a pessoa está infectada com o coronavírus, o influenza (causador da gripe) e o vírus sincicial respiratório (um dos causadores do resfriado), entre outros patógenos.

Antígeno: resultados menos certeiros, mas acessibilidade pesa a favor

Também conhecido como teste rápido, esse método é considerado "menos sensível" pelas agências de saúde e pelos especialistas.

Em outras palavras, isso significa que os resultados dele são um pouco menos confiáveis quando comparados ao RT-PCR.

A taxa de falsos negativos —quando o exame diz que a pessoa não está com covid, mas, na verdade, ela tem a doença— é um pouco mais alta nos testes de antígeno.

Para diminuir esse grau de incerteza, muitos locais e instituições recomendam repetir o teste de antígeno por vários dias consecutivos (às vezes, durante uma semana inteira). Assim, é possível garantir a detecção do coronavírus em algum estágio do processo infeccioso, caso ele realmente esteja no organismo daquele indivíduo.

Entre as suas vantagens, é possível destacar o preço mais baixo (varia entre 100 e 200 reais em laboratórios privados), e a rapidez no resultado —como o próprio nome popular desse método já adianta, é possível saber se o teste é positivo ou negativo em 15 a 30 minutos.

"Os testes de antígeno conseguem entregar o resultado num prazo mais curto, sem a necessidade de centralização das amostras e dos laudos. Eles podem ser bastante úteis numa situação de alta demanda", analisa a infectologista Carolina Santos Lázari, do Grupo Fleury.

"Esses exames dão um suporte importante para o diagnóstico precoce e rápido, capaz de interromper as cadeias de transmissão do vírus na comunidade", complementa a médica.

Esse exame também é feito a partir do swab nasal e oral, que coleta o material no fundo da boca e do nariz.

Diferentemente do RT-PCR, que avalia a presença do material genético, o antígeno busca a proteína N na amostra.

Lázari explica que esse "N" vem de nucleocapsídeo, uma das estruturas que compõem o coronavírus.

Aqui, mais uma vez, há uma janela ideal para fazer o teste: para uma acurácia maior no resultado, ele precisa ser realizado após três dias do início dos sintomas.

"Esse tempo de espera é desejável porque o paciente pode apresentar uma carga viral mais baixa nos primeiros dias, o que reduz a sensibilidade do teste de antígeno e pode levar a um resultado falso negativo", explica o infectologista Alberto Chebabo, da Dasa, rede de laboratórios, hospitais e outros serviços privados de saúde.

Porém, em alguns casos, o médico pode indicar a realização desse exame já no primeiro ou até o décimo dia de sintomas.

Apesar do alto grau de confiabilidade, essa opção também traz algumas desvantagens: ela é mais cara (chega a custar entre 200 e 400 reais na rede privada) e o laudo com o resultado pode demorar mais de um dia para ficar pronto.

"Além disso, o RT-PCR é um método que exige profissionais muito capacitados e equipamentos de alta complexidade, que não estão facilmente disponíveis em todos os laboratórios", acrescenta o médico patologista Wilson Shcolnik, presidente do conselho de administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Ainda na seara dos testes moleculares, alguns laboratórios e farmácias também oferecem o PCR-Lamp. Ele também investiga a presença de RNA viral na saliva, mas seu resultado não é considerado tão preciso quanto o obtido no RT-PCR.

"O Lamp pode ser uma boa alternativa quando o RT-PCR não estiver disponível", sugere Shcolnik.

Outra opção, que se tornou mais popular recentemente com a epidemia de gripe H3N2 que atinge várias cidades brasileiras, são os chamados painéis virais.

Esses exames são capazes de analisar e diferenciar se a pessoa está infectada com o coronavírus, o influenza (causador da gripe) e o vírus sincicial respiratório (um dos causadores do resfriado), entre outros patógenos.

Antígeno: resultados menos certeiros, mas acessibilidade pesa a favor

Também conhecido como teste rápido, esse método é considerado "menos sensível" pelas agências de saúde e pelos especialistas.

Em outras palavras, isso significa que os resultados dele são um pouco menos confiáveis quando comparados ao RT-PCR.

A taxa de falsos negativos —quando o exame diz que a pessoa não está com covid, mas, na verdade, ela tem a doença— é um pouco mais alta nos testes de antígeno.

Para diminuir esse grau de incerteza, muitos locais e instituições recomendam repetir o teste de antígeno por vários dias consecutivos (às vezes, durante uma semana inteira). Assim, é possível garantir a detecção do coronavírus em algum estágio do processo infeccioso, caso ele realmente esteja no organismo daquele indivíduo.

Entre as suas vantagens, é possível destacar o preço mais baixo (varia entre 100 e 200 reais em laboratórios privados), e a rapidez no resultado —como o próprio nome popular desse método já adianta, é possível saber se o teste é positivo ou negativo em 15 a 30 minutos.

"Os testes de antígeno conseguem entregar o resultado num prazo mais curto, sem a necessidade de centralização das amostras e dos laudos. Eles podem ser bastante úteis numa situação de alta demanda", analisa a infectologista Carolina Santos Lázari, do Grupo Fleury.

"Esses exames dão um suporte importante para o diagnóstico precoce e rápido, capaz de interromper as cadeias de transmissão do vírus na comunidade", complementa a médica.

Esse exame também é feito a partir do swab nasal e oral, que coleta o material no fundo da boca e do nariz.

Diferentemente do RT-PCR, que avalia a presença do material genético, o antígeno busca a proteína N na amostra.

Lázari explica que esse "N" vem de nucleocapsídeo, uma das estruturas que compõem o coronavírus.

Aqui, mais uma vez, há uma janela ideal para fazer o teste: para uma acurácia maior no resultado, ele precisa ser realizado após três dias do início dos sintomas.

"Esse tempo de espera é desejável porque o paciente pode apresentar uma carga viral mais baixa nos primeiros dias, o que reduz a sensibilidade do teste de antígeno e pode levar a um resultado falso negativo", explica o infectologista Alberto Chebabo, da Dasa, rede de laboratórios, hospitais e outros serviços privados de saúde.

"Ou seja: se o indivíduo faz um teste de antígeno logo ao sentir os primeiros sintomas e o resultado for negativo, isso não exclui totalmente a possibilidade de um diagnóstico de covid posteriormente", esclarece o médico, que também é diretor do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Quando fazer esses testes?

Basicamente, existem duas situações que pedem a realização de um exame para diagnosticar ou descartar a covid-19.

A primeira delas é quando você está com um ou mais dos sintomas típicos da doença, que podem ser conferidos na lista abaixo:

FebreTosseCansaçoPerda de paladar ou olfatoDor de gargantaDor de cabeçaDor no corpoDiarreiaIrritação na pele ou nos olhos

A segunda é quando você teve contato próximo com alguém que está com suspeita ou já recebeu o diagnóstico de covid.

"Alguns países também possuem políticas para distribuir os testes como forma de rastreamento, com o objetivo de identificar os pacientes sem sintomas e isolá-los precocemente, antes que eles transmitam o vírus adiante", acrescenta Chebabo.

O que fazer antes e depois do exame?

Se você apresenta os sintomas típicos de covid, o ideal é ficar em isolamento, mesmo antes de ter feito o teste, ou caso não consiga realizar o exame por falta de disponibilidade.

Ao evitar o contato com outras pessoas, você diminui o risco de passar o vírus adiante e criar novas cadeias de transmissão entre seus contatos próximos.

Após o exame, as recomendações sobre o que fazer vão depender muito do resultado.

Se for negativo (ou seja, você não está com covid), é possível retomar as atividades, seguindo os cuidados básicos, como usar máscaras, evitar aglomerações e tomar a vacina (caso ainda não tenha completado o esquema de duas ou três doses).

Mas lembre-se que é preciso sempre ponderar esse resultado, especialmente se você tiver feito o teste de antígeno, em que o risco de um falso negativo é mais alto.

Esse cuidado deve ser ainda maior se os sintomas sugestivos de infecções respiratórias continuarem. Além do risco de falso negativo, existe ainda a probabilidade de você estar com gripe, outra doença que está em alta em algumas regiões do Brasil e também pode ser bem grave.

Em alguns casos, pode ser necessário repetir o exame alguns dias depois, seguindo a orientação de um profissional de saúde.

Agora, se o resultado for positivo mesmo (o que significa que você está com covid), é preciso lançar mão de outras medidas que protegem sua própria saúde e a de todo mundo ao redor: além do isolamento, é importante avisar os contatos próximos, monitorar os sintomas, repousar, caprichar na hidratação e buscar um hospital se os incômodos piorarem.

Você confere mais detalhes sobre todas as orientações básicas nessa reportagem publicada pela BBC News Brasil.

E os autotestes?

Em muitos países da Europa e da América do Norte, é possível encontrar testes de antígeno que podem ser feitos em casa, pela própria pessoa que está com suspeita de covid.

Esses kits estão amplamente disponíveis em farmácias e supermercados por um preço muito acessível (em torno de 5 a 30 reais na Alemanha, por exemplo) e são até distribuídos gratuitamente para a população.

No nosso país, porém, os autotestes não estão liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

Questionada pela BBC News Brasil a respeito dos motivos de esse produto não estar disponível por aqui, a Anvisa argumentou que "outros países que adotaram a abordagem de execução de testes in vitro para covid-19 fora do ambiente laboratorial detém critérios sanitários direcionados a tais situações e estabeleceram políticas públicas na perspectiva do combate à disseminação do coronavírus".

"A avaliação dos cenários, contexto epidemiológico, fatores culturais e mesmo a capacidade de assistência devem ser considerados na implementação de medidas que visem a melhoria de resultados", continua a agência, em nota de esclarecimentos enviada por e-mail para esta reportagem.

O texto ainda lembra que a covid-19 é uma doença de notificação compulsória (obrigatória) no Brasil e que a disponibilidade dos autotestes precisaria estar vinculada a "políticas públicas com propósitos claramente definidos, associado ao atendimento e apoio clínico adequados e, conforme o caso, rastreamento de contatos para quebrar a cadeia de transmissão".

"Portanto, a ampliação de acesso, inclusive ao público leigo, deve ser estudada com critério quanto aos riscos, benefícios e possíveis efeitos", conclui a agência, que ressalta que a responsabilidade por criar políticas públicas de testagem é do Ministério da Saúde.

Disponibilidade de insumos preocupa

Embora o apagão de dados não permita saber o cenário atual da pandemia no Brasil, os relatos que chegam dos laboratórios que oferecem os testes não são nada animadores.

"Depois do ataque hacker que afetou o Ministério da Saúde no final de 2021, muitos dos sistemas de notificação de novos casos foram desligados e estamos com a transmissão de informações interrompidas desde 10 de dezembro", informa Shcolnik, da Abramed.

"Estamos com centenas de milhares de resultados de exames dessas últimas semanas que estão aguardando para serem incluídos nessas bases de dados", complementa.

O especialista também se mostra preocupado com a disponibilidade dos insumos necessários para a realização dos testes —de acordo com depoimentos publicados em redes sociais, muitos laboratórios e farmácias estão com demanda altíssima de clientes à procura dos testes e alguns desses estabelecimentos não possuem mais vagas para agendar a coleta e a análise das amostras.

"No cenário internacional, já é possível notar uma disputa pelos insumos e reagentes que possibilitam a realização dos exames, a exemplo do que vimos no começo da pandemia", relata.

"Eu acredito que os maiores grupos brasileiros desse setor ainda possuem um estoque que talvez seja suficiente para os próximos dois meses. Para depois desse prazo, a escassez já é algo que pode virar um problema", vislumbra Shcolnik.

_________________________________________________Covid: 3 dados-chave que ainda não sabemos depois de 2 anos de pandemia

Dois anos após o início da pandemia, diversas questões sobre o vírus Sars-Cov-2 permanecem sem resposta Imagem: Getty Images/BBC

Carlos Serrano (@carliserrano) - BBC News Mundo

11/01/2022 18h29

À medida em que especialistas aprendem mais sobre o coronavírus, novas perguntas surgem sobre o tema.

"Quanto mais perguntas respondemos, mais perguntas novas surgem." A frase é de Seema Lakdawala, professora de microbiologia e genética molecular da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Lakdawala refere-se à intensa corrida empreendida por cientistas como ela para decifrar o Sars-Cov-2 desde dezembro de 2019, quando o vírus começou a se espalhar.

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Pouco mais de dois anos depois, os pesquisadores conseguiram grandes avanços, que permitiram o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para combater a covid-19.

Mas a especialista indica que ainda existem dados fundamentais que permanecem desconhecidos. Resolver esses mistérios permitiria fortalecer a luta contra a pandemia.

Existem três questões fundamentais sobre o Sars-Cov-2 que ainda não têm resposta definitiva.

1. A origem exata do vírus

A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido indica no seu site que "a fonte do surto original ainda não foi determinada".

Em fevereiro de 2021, uma equipe da OMS encarregada de pesquisar as origens da covid-19 viajou à China e concluiu que o vírus provavelmente surgiu nos morcegos, mas que seria necessário realizar mais pesquisas a respeito.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que as pesquisas enfrentaram obstáculos causados pela falta de dados e transparência da China.

Uma das conclusões da investigação da OMS foi que é "extremamente improvável" que o vírus tenha chegado aos seres humanos devido a um incidente em laboratório.

Mas Adhanom ressaltou em seguida que essa conclusão era "prematura" e, em um editorial publicado em outubro pela revista Science, ele afirmou que "não se pode descartar um acidente de laboratório até que haja evidências suficientes"

Naquele mesmo mês, a OMS nomeou uma equipe de especialistas para o seu Grupo Consultivo Científico sobre a Origem de Novos Patógenos (Sago, na sigla em inglês), cuja missão é investigar se o vírus passou de animais para os seres humanos nos mercados de Wuhan ou se escapou em um acidente de laboratório.

O grupo teve sua primeira reunião em novembro de 2021. Adhanom explicou que as descobertas de grupos como o Sago podem ser úteis para desenvolver políticas destinadas a reduzir a possibilidade de que vírus de animais infectem seres humanos.

No final de outubro de 2021, as agências de inteligência dos Estados Unidos publicaram um relatório que afirma ser possível que a origem do vírus Sars-Cov-2 nunca venha a ser identificada.

O documento descarta que o vírus tenha sido criado como arma biológica e conclui que as hipóteses mais plausíveis são a transmissão dos animais para os seres humanos e uma fuga de laboratório. Mas o relatório adverte que não se chegou a nenhuma conclusão definitiva.

A China negou categoricamente a teoria de que o vírus teria escapado em um acidente de laboratório.

Em um artigo publicado em novembro de 2021 no portal da internet Stat News, o professor de microbiologia e imunologia da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, John P. Moore afirma que "talvez nunca saibamos a origem da covid-19".

Moore acrescenta que surgiram outras teorias "mais extravagantes" que podem ser descartadas e que hoje o debate se concentra na transmissão natural do vírus e na fuga de um laboratório.

2. A dose infecciosa do vírus

Dose infecciosa é a quantidade de vírus necessária para que ocorra uma infecção.

No caso do Sars-CoV-2, essa dose não é conhecida - ou seja, não está claro qual a quantidade de partículas de vírus inaladas por uma pessoa que é suficiente para o contágio.

"A dose infecciosa de Sars-CoV-2 necessária para transmitir a infecção não foi determinada", segundo indicam os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

Os CDC também afirmam que estudos em animais e pesquisas epidemiológicas demonstram que inalar o vírus pode causar a infecção, mas a contribuição da inalação do vírus ou seu contato com membranas mucosas (como os olhos) "permanece sem quantificação e dificilmente será determinada".

"A dose infecciosa de Sars-CoV-2 em seres humanos é muito difícil de ser medida sem infectar seres humanos experimentalmente", segundo declarou à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Seema Lakdawala, que é especialista em vírus respiratórios com potencial pandêmico.

Com alguns vírus como os da influenza, por exemplo, basta que a pessoa se exponha a 10 partículas de vírus para ser infectada. Já para outros vírus, como o Mers, é preciso ter milhares de partículas para causar o contágio.

No caso do Sars-CoV-2, essa quantidade é desconhecida. Lakdawala explica que o conhecimento mais próximo provém do vírus 229e, um tipo de coronavírus que causa um resfriado comum e possui dose infecciosa similar à da influenza. "Mas não está claro se o mesmo ocorre com o Sars-CoV-2", ressalta a especialista.

"No caso da variante ômicron, não está claro se ela é mais infecciosa porque são necessárias menos partículas para a infecção. Não sabemos se são necessárias 100, mil ou 10 mil partículas para o contágio", afirma ela.

Claramente, a covid-19 é muito contagiosa, mas isso tanto pode ocorrer porque são necessárias poucas partículas para a infecção (a dose infecciosa é baixa) ou porque as pessoas infectadas liberam grandes quantidades de vírus ao seu redor, segundo Lakdawala.

Atualmente, grande parte das informações sobre o potencial infeccioso de uma pessoa e as medidas de isolamento são baseadas em quanto tempo a pessoa continua liberando o vírus.

Por isso, Lakdawala explica que saber mais sobre a dose infecciosa do vírus poderia servir para avaliar melhor os riscos em espaços como escolas ou restaurantes, conforme o tempo que as pessoas passam em determinados lugares.

"Neste momento, estamos apenas sendo cautelosos e tratando de evitar a transmissão, mas saber a quantidade de vírus necessária poderia ajudar a melhorar algumas medidas", segundo ela. E conclui que, embora não se conheça a dose infecciosa, "com as vacinas, a quantidade de vírus necessária para a infecção provavelmente é mais alta".

"Com a vacina, você precisa respirar mais vírus para iniciar a infecção", segundo Lakdawala.

Atualmente, estão em desenvolvimento diversos estudos em que os voluntários são expostos a diferentes doses do vírus em ambientes controlados. Espera-se que esses estudos forneçam mais informações sobre a dose infecciosa.

3. O nível de anticorpos necessário para evitar a infecção

Atualmente, não se sabe qual quantidade de anticorpos deve ter uma pessoa para ser considerada protegida contra a covid-19.

Essa quantidade é conhecida como "correlato de proteção", pois é um indicador de que o corpo humano está protegido contra a enfermidade ou a infecção. Diversos especialistas concordam que essa quantidade de anticorpos necessária para que alguém seja considerado protegido é um dado fundamental na luta contra a covid-19.

"O correlato de proteção para as vacinas contra o Sars-Cov-2 é uma necessidade urgente", segundo Florian Krammer, professor do Departamento de Microbiologia da Escola de Medicina Icahn do Hospital Monte Sinai, em Nova York, nos Estados Unidos.

Em seu artigo publicado pela revista Science em julho de 2021, Krammer explica a importância de determinar o nível de anticorpos correspondente ao correlato de proteção, ou seja, identificar a quantidade mínima de anticorpos que oferece proteção.

Um motivo é a possibilidade de acelerar a aprovação de novas vacinas com base na leitura do nível de imunidade oferecido, sem necessidade de longos testes de fase 3, segundo ele.

Krammer explica ainda que conhecer o correlato de proteção também permitiria a vacinação mais eficiente de pessoas imunodeprimidas, por exemplo, aplicando doses de reforço quando se observar que não foi gerada quantidade suficiente de anticorpos.

O especialista também destaca que o correlato de proteção poderia ser um indicador a ser utilizado pelas autoridades sanitárias para determinar qual porcentagem da sua população está protegida.

Ele adverte que é pouco provável que se chegue a identificar um correlato que possa ser aplicado a todas as vacinas, variantes e populações - mas que, mesmo assim, seria "extremamente útil" na luta contra a covid-19.

No caso da variante ômicron, por exemplo, as vacinas geram menos anticorpos neutralizadores do vírus, segundo Lakdawala, "mas isso não significa que não estejamos protegidos", esclarece ela. "Os dados demonstram de forma consistente que as vacinas previnem os casos graves de enfermidade em comparação com os não vacinados".

A especialista acrescenta que o surgimento de novas variantes pode fazer com que os dados de dose infecciosa e correlato de proteção sejam alterados.

"Cada vez que o vírus é transmitido, ele pode sofrer mutações - e cada mutação pode alterar essas variáveis, de forma que é preciso evitar a transmissão", afirma Lakdawala.

Para isso, enquanto os pesquisadores tentam responder estas e outras questões, recomenda-se continuar a manter as medidas de "bom senso": usar máscaras, vacinar-se e manter distância das pessoas.

_________________________________________________Sintomas de covid: 6 orientações diante da suspeita da doença

André Biernath - @andre_biernath BBC News Brasil em São Paulo
05/01/2022 08h07

Festas de final e início de ano, avanço da variante ômicron pelo mundo, recordes de novos casos em vários países, ausência de uma política de testagem... Esses são alguns dos fatores que levantam suspeitas de que o Brasil possa estar vivendo uma "onda silenciosa" de novas infecções pelo coronavírus nesse início de 2022.

Para completar o cenário, os sistemas de informática do Ministério da Saúde ainda não foram 100% recuperados de um ataque hacker realizado no início de dezembro, o que impede análises mais atualizadas sobre o atual cenário da pandemia nas últimas três semanas.

Embora a média móvel de novos casos de covid-19 ainda esteja bem abaixo do que foi registrado entre março e junho de 2021, alguns locais já lidam com o aumento da chegada de pacientes com sintomas respiratórios em postos de saúde e prontos-socorros nos últimos dias.

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Mas o que fazer se você está com sintomas típicos da doença, como febre, tosse, coriza, dor no corpo, diarreia ou perda de olfato e paladar? Confira abaixo seis orientações básicas para proteger a própria saúde e a comunidade ao redor.

1. Busque o diagnóstico

O médico José David Urbaez Brito, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) do Distrito Federal, destaca a importância da testagem para detectar adequadamente a covid.

"Sempre que você apresenta sintomas de infecção respiratória, como tosse, coriza, dor de garganta, entre outros, é essencial procurar o diagnóstico correto", ressalta.

Nesse caso, o ideal é passar por um exame capaz de detectar o coronavírus (ou partes dele, como o material genético), caso dos testes de antígeno ou do RT-PCR.

Esses métodos também estão indicados caso você teve contato com alguém que está com suspeita ou recebeu o diagnóstico de covid nos últimos 14 dias.

De acordo com o site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, esses exames ainda servem para você poder viajar de avião e entrar em alguns estabelecimentos, além de serem utilizados em estudos populacionais e ajudarem no controle de infecção em locais como escolas e postos de trabalho.

Os testes de antígeno são um pouco menos precisos, mas costumam dar o resultado em 15 a 30 minutos. Já o RT-PCR é considerado padrão-ouro para a detecção da doença, porém o laudo demora alguns dias para ficar pronto, informa o CDC americano.

Se o resultado for negativo (ou seja, você não está com covid), é possível retomar as atividades, seguindo os cuidados básicos, como usar máscaras, evitar aglomerações e tomar a vacina (caso ainda não tenha completado o esquema de duas ou três doses).

Agora, se o resultado for positivo (o que significa que você está com covid), é importante obedecer as orientações básicas detalhadas abaixo.

2. Faça o isolamento

A transmissão do coronavírus acontece através de gotículas e aerossóis de saliva, que saem do nariz e da boca de alguém infectado e invadem o organismo dos indivíduos que estão num mesmo ambiente.

A melhor maneira de resguardar as outras pessoas, portanto, é evitar o contato com elas.

Se você divide a casa com familiares e amigos, é importante que todos usem máscaras de boa qualidade, especialmente quando estiver próximo deles ou no mesmo cômodo — se possível, tente ficar afastado dos demais moradores e não compartilhe o mesmo banheiro ou objetos de uso pessoal, como talheres, copos e toalhas.

Atualmente, há uma controvérsia de quanto tempo deve durar esse período de retiro entre infectados. No dia 27 de dezembro, o CDC dos EUA mudou a orientação e passou a pedir que indivíduos com covid fiquem isolados por apenas cinco dias.

Em outros países, como Reino Unido e Austrália, o período de isolamento varia entre sete a dez dias, contados a partir do resultado positivo de um exame ou do início dos sintomas.

A médica Sylvia Lemos Hinrichsen, consultora de biossegurança da SBI, entende que o momento atual exige uma certa cautela.

"Com o avanço da ômicron e o aumento de casos, me parece prudente seguir respeitando esse tempo de sete a dez dias", avalia.

Urbaez Brito concorda. "Continua em pé a recomendação de ficar em isolamento por até dez dias, desde que no nono dia você não tenha mais sintomas."

Como o próprio nome já adianta, isolamento significa não sair de casa para quase nada — a única exceção são as consultas médicas ou as visitas ao pronto-socorro, se necessário.

3. Avise seus contatos próximos

O terceiro passo da lista é ligar ou mandar uma mensagem para as pessoas com quem você interagiu durante os 14 dias anteriores ao diagnóstico positivo de covid.

Muito provavelmente, você já estava infectado antes de desenvolver os sintomas iniciais (como tosse, dor de garganta, febre, mal estar e dor no corpo). Há, portanto, um risco nada desprezível de que você tenha passado o coronavírus para esses contatos próximos.

Ao comunicá-los de que você está com covid, eles podem ficar mais atentos aos sintomas e fazer um teste — caso também estejam com a doença, eles devem fazer o isolamento, o que evita a criação de novas cadeias de transmissão na comunidade.

Caso você tenha filhos ou seja o tutor de uma criança ou um adolescente que está com covid, avise a escola (se ele estiver frequentando as aulas presenciais) para que o restante da turma, os professores e os funcionários também estejam cientes e se cuidem.

É importante também notificar a chefia e o departamento de recursos humanos da empresa onde você trabalha, principalmente se você teve contato com algum outro funcionário nos dias que antecederam o diagnóstico.

"No meio de uma pandemia, avisar os contatos próximos após testar positivo é uma atitude responsável e ética, porque permite que as pessoas se planejem e fiquem mais atentas à própria saúde", avalia Hinrichsen.

4. Monitore os sintomas

Na maioria das vezes, os incômodos iniciais da covid, como febre, tosse, cansaço, dor de garganta, desconforto e diarreia, tendem a melhorar com o tempo.

Fique de olho em todos os sintomas durante o período de isolamento e procure ajuda profissional caso eles piorem (ou surjam manifestações novas e inesperadas).

"Esse cuidado é essencial, ainda mais quando pensamos em idosos ou pacientes com comorbidades", orienta Hinrichsen.

"Um indivíduo de mais de 60 anos com diarreia, por exemplo, pode sofrer uma desidratação ou desenvolver uma pneumonia pelo acúmulo de secreções nos pulmões muito rapidamente", completa a médica.

Se existir a possibilidade, a consultora da SBI sugere que as pessoas infectadas tenham em casa um oxímetro.

Esse pequeno aparelho mede a quantidade (ou a saturação) de oxigênio no sangue e pode soar o alarme antecipado de uma complicação pulmonar antes de aparecerem sintomas mais graves da covid, como a falta de ar.

"A saturação do oxigênio deve ser superior a 95%. Se a pessoa vê que esse número está em 98% e começa a cair para 97%, 96%, 95% e 94%, isso já serve de alerta para procurar um serviço de saúde", diz.

"Além de fazer a oximetria duas vezes ao dia, é necessário buscar o pronto-socorro imediatamente se o paciente com covid está com febre e dores musculares muito intensas, especialmente após o sexto ou sétimo dia de início dos sintomas", acrescenta Urbaez Brito.

"Nesses casos, é possível fazer uma intervenção com oxigênio e alguns medicamentos, como antiinflamatórios e terapias contra a trombose, que diminuem a taxa de letalidade", complementa o infectologista.

5. Repouse e capriche na hidratação
Os especialistas consultados pela BBC News Brasil também pedem muita atenção com os anúncios de tratamentos e receitas caseiras para "curar" a covid — a grande maioria dessas intervenções sequer foram avaliadas em estudos científicos e não são recomendadas pelas agências de saúde nacionais e internacionais.

Alguns remédios alçados à fama desde o início da pandemia como supostos "tratamentos precoces", caso de hidroxicloroquina, ivermectina e nitazoxanida, até chegaram a ser pesquisados, mas não mostraram efetividade alguma contra o coronavírus.

Atualmente, existem medicamentos antivirais contra a covid aprovados em alguns países, mas eles ainda não estão disponíveis no Brasil.

Diante desse cenário, a recomendação para quem testou positivo nos últimos dias e está com sintomas leves é fazer repouso e beber bastante água.

"A hidratação intensa ajuda a diluir as citocinas [moléculas inflamatórias] e eliminá-las pelos rins", ensina Urbaez Brito.

Se você está com febre, dor no corpo ou na cabeça, é possível usar algum remédio isento de prescrição para aliviar esses incômodos, desde que você não tenha nenhuma contra-indicação.

"Os mais comuns são o paracetamol ou a dipirona", exemplifica o infectologista.

Mas é primordial consultar um médico se esses sintomas persistirem ou piorarem.

6. Tome a vacina após a recuperação
Os imunizantes são indicados inclusive para quem já teve covid, pois eles são uma maneira segura e efetiva de estimular o sistema imune e aumentar o nível de anticorpos.

Mas a aplicação da vacina não deve acontecer em indivíduos que testaram positivo recentemente: a orientação do Ministério da Saúde é contar 30 dias a partir da data de início dos sintomas (ou do resultado positivo do exame) para, aí sim, receber a dose.

"Se eu estou com o coronavírus, meu sistema imune está trabalhando para me livrar daquela infecção. Com isso, ele não vai ser tão efetivo assim para produzir os anticorpos após a vacinação. Por isso é importante respeitar esse intervalo de um mês", explica Hinrichsen.

Que fique claro: aguardar esse tempo é apenas um cuidado extra para maximizar a resposta do sistema imunológico e garantir o máximo de proteção contra novos quadros de covid no futuro.

E essa recomendação vale para qualquer etapa do esquema vacinal: se chegou a data de você tomar a primeira, a segunda ou a terceira dose e está com covid, aguarde o tempo preconizado de 30 dias antes de ir ao posto de saúde.

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_________________________________________________Casos suspeitos de ômicron: teste de antígeno no nariz é o bastante?

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Imagem: iStock

10/01/2022 17h14

A variante ômicron do coronavírus tornou as pessoas mais dependentes dos testes rápidos de antígeno para descobrirem se estão com a covid-19, mas será que colocar um cotonete no nariz é o suficiente?

Por ora, a orientação depende de onde você mora.

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Alguns cientistas já disseram que pessoas podem transmitir a ômicron quando ela tiver infectado sua garganta e saliva, ainda antes de o vírus chegar ao nariz, então o cotonete nas narinas no início da infecção não irá detectá-la.

Um estudo recente pequeno nos Estados Unidos apoia essa hipótese. Testes de PCR com a saliva de 29 pessoas infectadas com a ômicron detectaram o vírus em média três dias antes do que as amostras extraídas do nariz, nos chamados testes de fluxo lateral.

Em geral, testes rápidos têm uma sensibilidade menor do que os PCR processados em laboratório, o que significa que eles produzem mais falsos negativos.

Mas se você testar positivo, você pode quase certamente ter a covid-19, tornando os testes de antígenos uma ferramenta poderosa no combate à pandemia, já que a demanda por testes PCR para a ômicron está sobrecarregando laboratórios no mundo todo.

No Brasil, atualmente, os testes de antígeno estão disponíveis apenas nas farmácias e clínicas, mas o Ministério da Saúde estuda as especificidades para avaliar a implantação deste tipo de exame, como já ocorre em outros países.

Como resultado de estudos recentes, alguns especialistas nos Estados Unidos agora aconselham que as pessoas deveriam passar o cotonete na garganta, em vez do nariz.

Todos os testes de antígeno com autorizações de uso emergencial da FDA nos EUA usam amostras nasais, e a agência expressou preocupação com os riscos de uso do cotonete na garganta em casa, dizendo que os usuários devem seguir as instruções dos fabricantes.

Em Israel, uma importante autoridade de saúde disse que as pessoas que se autotestam para covid-19 devem usar o cotonete na garganta e no nariz ao usarem testes rápidos de antígeno, mesmo que vá contra as instruções emitidas pelos fabricantes.

Alguns outros países, incluindo o Reino Unido, aprovaram testes rápidos de antígeno que usam cotonetes na garganta e no nariz, ou apenas no nariz.

Na Alemanha, o Ministério da Saúde disse estudará a confiabilidade dos testes rápidos de antígeno na detecção da variante ômicron, e publicará uma lista dos produtos mais precisos.

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_________________________________________________OMS diz que doses de reforço NÃO são SUFICIENTES para ACABAR com PANDEMIA 

Genebra 11/01/2022 17h43

Combater a pandemia de covid-19 com doses de reforço das vacinas atuais não é uma estratégia viável, alertaram nesta terça-feira (11) especialistas da OMS (Organização Mundial da Saúde), que pediram vacinas que previnam melhor a transmissão.

"É improvável que uma estratégia de vacinação baseada em reforço reiterados das primeiras vacinas seja apropriada ou viável", diz em comunicado o grupo de especialista encarregado de supervisionar as vacinas contra o coronavírus.

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Além disso, esses especialistas consideram "que vacinas contra a covid-19 de elevado impacto em termos de transmissão e prevenção da infeção, além de prevenir formas graves de doença e morte, são necessárias e devem ser desenvolvidas".

Isso limitaria o impacto da covid em termos de saúde, mas também "a necessidade de medidas sanitárias e sociais rigorosas e em grande escala", argumentam.

"Enquanto aguardamos a disponibilização de tais vacinas, e à medida que o vírus SARS-CoV-2 evolui, pode ser necessário atualizar a composição das vacinas anticovid atuais, a fim de garantir que (elas) continuem a fornecer os níveis de proteção recomendados pela OMS contra a infecção e a doença" causadas por variantes, incluindo a ômicron.

Pouco mais de seis semanas após sua identificação na África do Sul, os dados de vários países convergem em dois pontos: a ômicron —que se enquadra na categoria de variantes preocupantes da OMS— é transmitida muito mais rápido do que a variante antes dominante, a Delta, e parece causar formas menos graves da doença.

"No entanto, há necessidade de obter mais dados sobre a eficácia das vacinas, em particular no que diz respeito às internações, formas graves da doença e óbitos", observam os especialistas da OMS.

Ponto importante: não se sabe se essa gravidade aparentemente menor decorre das características intrínsecas da variante, ou se está relacionada ao fato de atingir populações já parcialmente imunizadas pela vacina ou por uma infecção anterior.

Ainda assim, a ômicron está avançando de forma acelerada em muitos países e os casos estão dobrando a cada dois ou três dias, algo inédito em variantes anteriores.

As mutações na ômicron parecem permitir que ela reduza a imunidade dos anticorpos contra o vírus. Consequência: provavelmente pode contaminar um grande número de vacinados e reinfectar pessoas previamente infectadas pelo vírus.

Especialistas da OMS pedem mudanças na composição das vacinas para garantir que protejam mais contra doenças e continuem atendendo aos critérios estabelecidos pela organização, incluindo proteção contra formas graves da covid.

Pedem, em particular, que as vacinas "se baseiem em cepas (...) próximas das variantes em circulação".

Os especialistas também consideram importante que "os fabricantes de vacinas tomem medidas de curto prazo para desenvolver e testar vacinas contra variantes dominantes e compartilhar esses dados" com a OMS.

A organização quer acabar com a pandemia este ano. Para isso, todos os países precisariam vacinar 70% de sua população até meados de 2022.

Mas esse objetivo ainda está longe de ser alcançado. Globalmente, mais de 8 bilhões de doses de vacinas anticovid foram administradas em pelo menos 219 países ou territórios, de acordo com uma contagem feita pela AFP a partir de fontes oficiais.

_________________________________________________Exames positivos para covid sobem de 8% para 40% após festas de fim de ano

Teste de covid-19 realizado em laboratório Imagem: iStock

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

11/01/2022 16h59

Atualizada em 11/01/2022 18h42

Os exames positivos para covid-19 em laboratórios privados no Brasil dispararam depois das festas de fim de ano, revela pesquisa repassada com exclusividade ao UOL pela Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), que representa 65% dos laboratórios de diagnóstico do país.

De todos os exames coletados entre 20 e 26 de dezembro de 2021, apenas 7,6% indicavam positividade para o coronavírus, índice que saltou para 40% entre os exames coletados de 3 a 8 de janeiro de 2022.

Covid: Como lidar com a ômicron diante do aumento de infecções?

A suspeita de infecção durante o período das festas praticamente dobrou a procura por exames laboratoriais, que viram os testes para covid passarem de 121 mil para 240 mil no mesmo período.

"Se o ritmo for mantido, a expectativa é que, até o final do mês, os números alcancem os registrados no final de janeiro de 2021, quando foram realizados cerca de 1,5 milhão de exames", afirma a Abramed em nota.

"A ômicron tem uma capacidade de transmissão muito maior do que tudo o que a gente viu até agora na pandemia", afirma Noaldo Lucena, pesquisador e infectologista da Fundação de Medicina Tropical de Manaus.

Especialista em doenças inflamatórias e infecciosas, Flávio Protásio Veras, professor da USP de Ribeirão Preto, lamenta a falta de testes em massa disponibilizados pelo poder público no Brasil, "que servem para encontrar os infectados e orientar isolamento".

Como nem todos podem recorrer ao exame em laboratório privado ou ao teste de farmácia, Veras orienta evitar aglomerações e reforçar o uso de máscaras, de preferência do tipo PFF2/N95, com maior poder de filtragem do ar do que as cirúrgicas ou as de pano.

"A PFF2, sem dúvida nenhuma, é melhor se comparada com a máscara de pano", diz o médico. "Essas máscaras são mais modernas" e se ajustam melhor ao rosto, evitando que o vírus chegue às vias respiratórias.

Ontem, o Ministério da Saúde afirmou que enviará à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) uma nota técnica solicitando a avaliação do autoteste para diagnóstico da covid-19.

Segundo o secretário-executivo da pasta, Rodrigo Cruz, o ministério concluiu que o exame pode ser uma "importante ferramenta de apoio" no combate ao coronavírus.

Exames de gripe também aumentam

Os exames para detecção do vírus influenza também registraram aumento expressivo antes mesmo da virada do ano, diz a associação.

"Alguns laboratórios registraram elevação superior a 1000% entre a primeira e a última semana de dezembro de 2021", com taxa de positividade que também chegou a 40%.

A boa notícia é que "apesar do alto volume de testagens, a taxa de positividade caiu em janeiro para 10% nos exames de influenza", afirma a entidade. A razão provável é que o surto de gripe está arrefecendo.

Segundo a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), surtos gripais duram de quatro a seis semanas no verão, "enquanto o coronavírus resiste bem mais".

_________________________________________________Opinião - Pedro Hallal: Como se proteger do tsunami ômicron?

Recordes de infecções diárias são quebrados em vários países, exceto no Brasil, que testa pouco e segue às escuras

A variante ômicron está causando um tsunami global. Recordes de infecções diárias foram quebrados no mundo e em vários países. Isso acontece pela combinação de três fatores:

Infelizmente, a variante ômicron consegue romper a barreira de proteção fornecida pelas vacinas e infecta também os vacinados, embora em gravidade muito menor do que as infecções dos não vacinados.

O cansaço causado pelos dois anos de pandemia diminuiu as medidas de contenção da circulação do vírus e, portanto, a ômicron circula livremente na maioria dos países.

Profissional da saúde prepara dose de vacina contra o coronavírus, na Bósnia-Herzegovina - Dado Ruvic - 16.dez.2021/Reuters

Resta saber o que devemos saber para nos proteger do tsunami ômicron.

Na coluna de hoje, tento resumir algumas das medidas que, com base no conhecimento científico acumulado ao longo desse período, podem nos ajudar a superar o tsunami ômicron.

Manter o uso de máscaras, especialmente em ambientes fechados. Antes da chegada da ômicron, eu mesmo vinha defendendo que o uso diário de máscaras poderia estar terminando. Com o aparecimento da ômicron, é importante manter as máscaras por mais um tempo.

Evitar aglomerações, especialmente as que envolvem mais de 10 pessoas. Já se tem evidência de sobra de que o contágio acontece com maior frequência em eventos maiores. Eventos pequenos, com menos de 10 pessoas, todas vacinadas, são muito mais seguros do que grandes aglomerações nesse momento.

A vacina continua sendo a nossa melhor proteção contra a pandemia. Pessoas vacinadas têm risco menor de infecção por Covid-19, risco muito menor de hospitalização por Covid-19 e risco "muito muito" menor de morte por Covid-19 em comparação com os não vacinados.

Furar bolhas. A grande maioria da população brasileira é a favor das vacinas, é a favor das máscaras e está querendo se livrar logo da pandemia. Infelizmente, ainda convivemos com alguns lunáticos contrários à vacinação e o uso de máscaras. Mudar a percepção dessas pessoas, com base no diálogo, é cansativo e difícil, mas muitas vezes funciona. Por isso, não desista do parente ou amigo que está influenciado por essas paranoias que circulam nas bolhas negacionistas. Siga tentando furar essas bolhas.

Não entrar em desespero. Em caso de contato com alguém infectado, faça o teste e peça a todos que tiveram contato com você que façam o mesmo. Enquanto aguardam o resultado do teste, fiquem em casa, para evitar infectar outras pessoas. A testagem continua sendo imprescindível no enfrentamento do vírus.

Essas dicas são dirigidas à população brasileira. A população precisa que todos nós façamos o papel de protegê-la, visto que os políticos do governo de plantão continuam disseminando notícias falsas e atrapalhando o enfrentamento da Covid-19 no Brasil.

Na semana que passou, o Ministério da Saúde anunciou, tardiamente, o início da vacinação em crianças. O mais vexatório de tudo foi a contrariedade do ministro ao anunciar que não será exigida prescrição médica para a vacina. Mais parecia aquela criança contrariada, que foi obrigada a pedir desculpas para o amiguinho.

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Na mesma semana, o presidente acusou a Anvisa de ter interesses secretos na promoção da vacinação de crianças. Recebeu uma resposta tão enfática que, certamente, ficou arrependido das bobagens que disse. Além de tudo, agora só tem dois caminhos: se desculpar ou comprovar as acusações que fez.

Por fim, os recordes de infecções diárias que são quebrados em vários países certamente também são observados no Brasil. Nunca houve tanta gente com Covid-19 ao mesmo tempo no país. No entanto, pela baixa testagem, pelo apagão de dados e pelo negacionismo, a população está impedida de saber a real dimensão do tsunami ômicron no Brasil.


_________________________________________________Com aumento de casos de covid, máscara PFF2 é a mais recomendada

Luiza Vidal Do VivaBem*, em São Paulo 07/01/2022 14h40

A nova variante ômicron aumentou rapidamente o número de infectados no mundo todo. Estudos recentes sugerem que ela tem menos probabilidade de deixar as pessoas gravemente doentes em relação a outras variantes. No entanto, não deve ser descrita como branda, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Além da vacinação, que tem diminuído principalmente o número de casos graves, as medidas de proteção contra o coronavírus são as mesmas desde o começo: isolamento social, higiene das mãos, distanciamento físico e máscaras bem ajustadas.

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Neste momento, o mais indicado é o uso da PFF2, que são máscaras com poder de filtragem maior do que as cirúrgicas ou as de pano. O significado da sigla é Peça Facial Filtrante, também considerada um EPI (Equipamento de Proteção Individual), sendo muito utilizada por profissionais da saúde.

Ela é indicada principalmente para locais com muita aglomeração ou de maior risco, como hospitais, mercados e farmácias. Mas agora, com a alta de casos de covid-19, é fundamental priorizar essas máscaras ao sair de casa.

Um detalhe importante é que, no Brasil, a sigla correta é PFF2. Nos EUA, ela é conhecida como N95. Já na Europa, ela é chamada de FFP2.

Vários locais vendem esse tipo de máscara, com lojas de construção, farmácias e alguns sites. Ao comprar, verifique se o produto tem selo do Inmetro e se é um modelo certificado (CA) —geralmente acompanhado por uma sequência de números.

No site PFF Para Todos há uma lista de todos os produtos que podem ser comprados, além dos lugares de venda em todo Brasil.

Imagem: Getty ImagesPor que a PFF2 protege mais

Ela tem uma maior capacidade de filtragem, "prendendo" as partículas contaminadas no filtro. Além disso, com dois elásticos (um na cabeça e outro na região do pescoço), a vedação é melhor, evitando vazamentos e, consequentemente, a entrada de partículas contaminadas por meio do espaço entre o nariz e os olhos.

Outro ponto é que ela não protege só você, mas todas as pessoas ao seu redor, caso você esteja infectado e sem sintomas.

Inclusive, um estudo do Instituto Max Planck, da Alemanha, mostrou que, se usada corretamente, as máscaras do tipo PFF2 oferecem quase 100% de proteção contra infecção pelo coronavírus. Sem máscara, a probabilidade de se infectar é de 90%, mesmo com distanciamento.

Devo limpar a máscara com álcool ou lavar com sabão?

Não. Assim como a máscara cirúrgica, esses produtos interferem na camada de filtragem da máscara, comprometendo a proteção. Por isso, é proibido lavar com sabão, passar pano úmido com desinfetante (ou qualquer outro produto) ou borrifar álcool.

Posso reaproveitar minha máscara PFF2?

Sim. Basta deixar a máscara "descansando" em local arejado —pode ser até no varal, mas sem sol direto— entre 3 a 7 dias após o uso. É recomendado descartar caso ela esteja rasgada ou com aspecto envelhecido.

Imagem: iStockTem sintomas de covid? Veja o que fazer:Evite encontrar outras pessoas. Faça isolamento por pelo menos 10 dias;Se precisar sair de casa, use PFF2 bem ajustada no rosto;Se possível, faça o teste de covid-19;Avise todas as pessoas que você teve contato anteriormente;Não deixe de se vacinar!Quais os sintomas da ômicron?

Os sintomas da ômicron apresentam diferenças se comparados com outras variantes. São eles:

Dor de garganta;Coriza;Dor de cabeça;Músculos doloridos, principalmente na região da lombar;Nariz entupido;Problemas estomacais;Fezes moles.

* Com informações de reportagens publicadas em 07/12/2021, 16/12/2021 e 26/12/2021.










_________________________________________________Reportagem: Lucia Helena - Covid e influenza: quem deve testar, como e quando? Como fica o isolamento?

Lúcia Helena Colunista do UOL 11/01/2022 04h00

O nariz escorreu, você espirrou, a garganta arranhou, o corpo reclamou de quebradeira e pronto! Se a temperatura subiu, então, nem se fala. Basta um desses sintomas e até quem tinha certa segurança sobre como agir em tempos de pandemia sente bater um branco total.

Com a impressão de estar cercado de gente com covid-19 por todos os lados, ninguém mais lembra direito que teste fazer, nem quando. Você também já não sabe se dá para acreditar no resultado ou se tem que testar de novo. E, cá entre nós, se decide repetir o procedimento, talvez nem encontre teste disponível tão cedo. Faz mesmo assim, só que lá adiante?

É gripe ou covid-19? Sintomas são parecidos e só teste pode diferenciá-las

Tão ruim quanto esperar demais é fazê-lo antes da hora, satisfazendo a ansiedade —é covid-19 ou não é?— e saindo iludido com um falso negativo. Costuma acontecer com os afobados.

Também é péssimo quando se trata de um negativo de verdade e a pessoa, aliviada, se acha com passe livre por ser provavelmente "só" uma gripe. Não é bem assim.

Ah, sim, nem preciso refrescar a sua memória de que a variante ômicron do Sars-CoV-2 está convivendo nas nossas ruas, praias, bares e baladas com o influenza H3N2, capaz de causar sintomas parecidos para apertar os nós na nossa cabeça. Na prática, ambas exigem algum período de isolamento. Tenha você um vírus ou o outro ou os dois.

Por falar nisso, as orientações sobre o isolamento dadas pelo Ministério da Saúde mudaram ainda ontem, dia 10. E assim brotam mais dúvidas. Afinal, são dez, sete ou cinco dias? Opa, depende. Vamos por partes, então.

"Não sinto nada e não sei se cruzei com alguém com covid-19. Mas viajei, fiquei em lugares cheios, fui a festas"

Agora está feito, respire fundo e, atenção, não saia correndo atrás de um teste, seja ele qual for —é o que, em outras palavras, recomenda o infectologista Alberto Chebabo, diretor do Hospital Clementino Fraga Filho, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e gerente de relacionamento médico da Dasa.

"Na iminência de um colapso, os testes não precisariam ser feitos para você simplesmente matar a sua curiosidade", justifica o médico. "Eles devem ser reservados àquelas pessoas com sintomas ou que sabidamente entraram em contato com quem estava infectado", diz.

Mas até dá para entender o receio. Você talvez se enquadre naquele tipo que sabe o que fez na noite de sexta-feira passada e na retrasada, a da virada: achou que podia brincar com um fogo chamado ômicron que, cerca de quatro vezes mais transmissível do que delta, deixou essa antecessora no chinelo.

"E estamos apenas no início de uma curva de elevação de casos de covid-19 no país", nota Chebabo. "A onda está subindo e a projeção é de que ela será bem maior dentro de três a quatro semanas."

Daí que, pelo sim, pelo não, quem esteve em aglomerações —como naquele aeroporto antes de chegar em um destino onde o distanciamento social parecia possível— deve redobrar o cuidado para proteger os outros durante dez dias contados a partir do seu retorno para casa.

"Isso significa levar uma rotina normal, mas caprichando ainda mais no uso da máscara", esclarece Alberto Chebabo. Faz sentido. Afinal, você nunca sabe quando irá cruzar com pessoas imunossuprimidas, como alguém transplantado ou que está em tratamento de um câncer. Elas, ainda que vacinadas, podem sucumbir ao vírus.

"Pela mesma razão, aguarde de sete a dez dias para visitar o vovô, a vovó ou qualquer indivíduo idoso", aconselha o médico.

"Não tenho sintoma, mas estive com pessoas que testaram positivo"

Na opinião do infectologista Moacyr Silva Junior, do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, "nesta altura do campeonato, devido à explosão diária de casos de covid-19, seria irracional testar todo mundo que não apresenta sintomas só porque topou com um sujeito contaminado." Para ele, a medida nessa situação continuaria aquela: usar de máscara pra valer e evitar contato com integrantes de grupos risco por dez dias.

Para Alberto Chebabo, porém, quem se encontrou com alguém que pegou o Sars-CoV-2 deveria fazer o teste da PCR, que acusa o material genético do vírus. Só que tem data certa para isso: "Você deve contar exatos cinco dias após o último contato com a pessoa que descobriu estar infectada, considerando esse encontro como o dia zero", ensina.

Ou seja, suponha que você jantou no sábado com um amigo que, hoje, terça-feira, testou positivo para covid-19. Domingo, então, foi o "dia 1"; segunda-feira, o "dia 2"... Logo, você deveria fazer o exame de PCR na quinta-feira.

O que acontece se você faz o PCR antes? Poderá dar um belo falso negativo. Apenas a partir do quinto dia é que o resultado negativo se torna confiável quando você não está sentindo nada de diferente.

"Estou com sintomas suspeitos"

No melhor dos mundos, você faria um teste de PCR conhecido por multiplex. "Ele detecta quatro vírus: o da covid-19, o influenza A, o influenza B e o sincicial, que afeta bebês e crianças pequenas", diz o doutor Chebabo. Ou seja, o PCR multiplex dá o veredito se é gripe ou se é covid-19.

O problema é que, se um PCR que flagra apenas o Sars-CoV-2 já é mais caro do que o teste rápido de antígeno, o qual pode ser feito em farmácia, o custo do multiplex é maior ainda —e nem o convênio banca. Portanto, ele se torna inacessível para muitos de nós.

"Então, concentre-se em descartar a possibilidade mais séria, que é a de estar com a covid-19", diz o infectologista. Para isso, no terceiro dia, você poderá fazer o PCR —"no caso, no terceiro dia porque há sintomas", diz o doutor Moacyr Silva, do Einstein— ou o teste de antígeno (que você faz na farmácia), que denuncia proteínas da película que envelopa o material genético do vírus.

Aprenda: não há falso positivo no teste de antígeno. Aliás, muito menos há falso positivo no teste de PCR, que segue sendo o padrão-ouro. Em ambos, o laudo positivo é covid-19 na certa —e ponto. Por isso, um resultado afirmativo no exame de antígeno não exige que você faça um PCR depois para confirmar o diagnóstico, como muita gente pensa.

Já um resultado negativo do teste de antígeno quando há sintomas sempre deixa pulgas atrás das orelhas. Aí, sim, o certo é complementar com o PCR, consolando-se por ao menos ter sido válida a tentativa de confirmar uma eventual covid-19 mais cedo com o exame de antígeno, até para avisar depressa todos os seus contatos.

Se estiver infectado, lembre-se de colocar nessa lista companhias aéreas informando o seu voo, agências de turismo se, por acaso, participou de passeios, anfitriões de festas —enfim, quem conseguirá alertar gente que você não exatamente conhece, mas com quem dividiu espaço nos últimos tempos. Seria o mais correto.

"Tenho sintomas, mas o PCR deu negativo"

Nesse caso, assuma que você pode estar com gripe, uma vez que vivenciamos uma epidemia de influenza. Mesmo sem ter feito um PCR para apontar esse vírus, por garantia fique recolhido por cinco dias ou aguarde 24 horas após o sumiço da febre sem o uso de remédios —o que pode ocorrer até antes.

"Sem isso, a transmissão da gripe irá persistir na comunidade e ela é capaz até de matar quem pertence ao mesmo grupo de risco da covid-19", adverte o doutor Moacyr Silva. "Nessa gente, o influenza também pode exigir ventilação mecânica e afetar órgãos como os rins e o coração."

"Não consigo marcar o teste"

De fato, as agendas estão lotadas. A questão é: se estiver com uma covid-19 assintomática ou com sintomas moderados, a tendência será transmiti-la por, no máximo, dez dias. Desse modo, de nada adiantará marcar o PCR para o 11º dia em diante. Embora esse exame ainda possa flagrar o que restou de vírus, cairá naquela história de não ter outra serventia a não ser matar a sua curiosidade.

"Se, por qualquer motivo, não der para testar por volta do quinto dia, então, opte pela cautela e fique isolado em casa como se tivesse um diagnóstico de covid-19", orienta Alberto Chebado. Por falar nisso...

A duração do isolamento mudou, e agora?

O infectologista da Dasa é pragmático: "Com o avanço da vacinação, o problema dessa onda de covid-19 não é mais lotar as UTIs e, sim, desestruturar todos os serviços, faltando funcionários em setores básicos como transporte, alimentação, segurança e na própria saúde".

Portanto, a duração menor do isolamento para quem que pegou o Sars-CoV-2 e que está assintomático ou com mal-estar leve funcionaria para evitar uma pane, ao passar de dez para sete dias. A transmissão realmente é acentuada no início da infecção, diminuindo bastante após alguns poucos dias —isto é, quando a pessoa é vacinada.

Um esclarecimento: o isolamento de cinco dias sugerido pelo Ministério da Saúde é apenas para quem já está sem sintomas de uma infecção respiratória, fez obrigatoriamente o teste e não está com o vírus. Leia, para quem está sem covid-19.

Já o isolamento encurtado para uma semana quando se tem a doença não quer dizer voltar à rotina três dias antes como se nada estivesse acontecendo. "O ideal seria usar máscaras N95 ou PFF2 até completar os dez dias", diz o Chebabo. "Nesse período, o acessório nunca deve ser retirado na proximidade de qualquer pessoa. Durante o almoço, é melhor você se sentar sozinho em um canto", exemplifica ele.

Para não dizer que não falei das crianças

O médico Marco Aurélio Sáfadi, presidente do departamento de infectologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatra), afirma que a meninada que apresenta sintomas deve ser testada assim que possível. "Antígeno ou PCR, o teste pode ser feito em todas as idades", informa. "E, no caso daquelas que estiveram com alguém com a doença, também recomendamos fazer um teste após cinco dias desse encontro."

Diga-se que a prescrição de isolamento e uso de máscaras —para aquelas crianças que já conseguem usá-las, claro— é a mesma que vale para os adultos. O que muda é que os pequenos ainda aguardam a vacina, tornando todo cuidado muito mais necessário para protegê-los.

_________________________________________________Em dúvida se é Covid ou Influenza? Saiba qual teste fazer - Gizmodo Brasil

RT-PCR, antígeno, painel viral... Conheça os principais testes para detecção de vírus respiratórios.

Carolina Fioratti 3 dias atrás Imagem: Jakayla Toney/Unsplash/Reprodução

O Brasil está sem dados oficiais sobre a pandemia desde o início de dezembro, quando um ataque hacker comprometeu informações do Ministério da Saúde. Por outro lado, relatos de profissionais da linha de frente — e nas redes sociais — parecem indicar um aumento considerável de casos da doença. 

Dados divulgados pela Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) indicam um aumento de 50% no número de testagens na última semana de 2021 em comparação com a anterior. O volume de resultados positivos também pulou de 22.283 para 94.540 neste intervalo de tempo. 

A alta da pandemia se mistura ainda ao surto de H3N2, um subtipo do vírus Influenza A. Confira quais são os testes mais recomendados para saber se você está com gripe ou Covid-19:

RT-PCR

O RT-PCR é considerado padrão ouro pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele é feito a partir do swab nasal e oral, em que uma haste flexível com ponta de algodão é esfregada no fundo do nariz e boca para coletar uma amostra do paciente.

A partir da detecção da presença de material genético do vírus, o teste indica se a pessoa está infectada naquele momento. Para um resultado mais certeiro, os laboratórios indicam que a testagem seja realizada entre o terceiro e sétimo dia após início dos sintomas ou contato com pessoa infectada.

Sua principal desvantagem é o preço: em alguns laboratórios da rede privada, o valor pode oscilar entre 200 e 400 reais. Além disso, o resultado demora mais de um dia para ficar disponível. 

PCR-Lamp

O PCR-Lamp busca pela presença de RNA viral na saliva. Ele tem a vantagem de poder ser realizado fora de um laboratório, além de ter preços mais acessíveis. 

Esse teste também é menos invasivo. Nele, o paciente deve cuspir dentro de um potinho, que será analisado por cientistas. O único contra é que seu resultado não é considerado tão preciso quanto aquele do RT-PCR.

Antígeno

O teste de antígeno, assim como o RT-PCR, também é feito com o uso do swab nasal e oral. A diferença é que, ao invés de buscar pelo material genético do vírus, o teste de antígeno procura a proteína N na amostra.

A recomendação é que esse teste seja feito após o terceiro dia de sintomas ou contato com pessoas infectadas. Seu resultado fica disponível em 15 minutos e seu valor é mais acessível (entre 100 e 200 reais). 

O principal ponto negativo deste teste rápido é que ele é considerado menos sensível por especialistas, ou seja, há possibilidades do resultado ser falso negativo. Por conta disso, é recomendado repetir o teste por vários dias consecutivos a fim de obter a confirmação do quadro.

Sorológico 
O teste sorológico é aquele feito a partir da análise do sangue. Ele não confirma se a pessoa está infectada naquele momento, mas sim se teve contato com o vírus e desenvolveu anticorpos para a doença.

A recomendação é que ele seja feito após o oitavo dia do início dos sintomas. Seu valor fica em torno de 90 reais.

Painel viral

Com o aumento de casos de Covid-19 junto ao surto de gripe Influenza, alguns laboratórios começaram a oferecer os chamados painéis virais. Esse teste é capaz de analisar e diferenciar se a pessoa está infectada com o coronavírus, Influenza A e B ou Vírus Sincicial Respiratório.

O exame é feito com uso de swab nasal e oral e o resultado demora mais de um dia para ficar disponível. Existem ainda diversos testes similares aos citados acima, mas focados no H3N2. Diante resultados negativos para o coronavírus, eles se tornam uma boa pedida para confirmar o quadro.

_________________________________________________Covid-19: Média móvel de casos aumenta 669%, mostra consórcio de imprensa

Brasil registrou 23.504 novos casos por Covid-19 neste domingo, elevando para 22.522.310 o total de diagnósticos positivos

Centro de Testagem de Covid-19 no Rio de Janeiro Foto: Vanessa Ataliba/Zimel Press / Agência O Globo

SÃO PAULO — O Brasil registrou, neste domingo, 50 mortes por Covid-19, elevando para 620.031 o total de vidas perdidas no país para o coronavírus. A média móvel foi de 123 óbitos, 28% maior do que o cálculo de duas semanas atrás, o que demonstra tendência de alta.

Os dados são do consórcio formado por O GLOBO, Extra, G1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo e reúne informações das secretarias estaduais de Saúde divulgadas diariamente até as 20h. A iniciativa dos veículos da mídia foi criada a partir de inconsistências nos dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Nas últimas 24 horas, 23.504 novos casos foram notificados pelas secretarias de saúde, totalizando 22.522.310 infectados pelo Sars-CoV-2. A média móvel foi de 33.146 diagnósticos positivos, 669% maior que o cálculo de 14 dias atrás, o que demonstra tendência de alta.

A "média móvel de 7 dias" se dá pela média entre o número do dia e dos seis imediatamente anteriores. Ela é comparada com a média de duas semanas atrás para indicar se há tendência de alta, estabilidade ou queda dos casos ou das mortes. O cálculo é um recurso estatístico para conseguir enxergar a tendência dos dados "abafando o ruído" causado pelos finais de semana, quando a notificação de mortes se reduz por escassez de funcionários em plantão.

Vacinação

Ao todo, nove unidades federativas do Brasil atualizaram seus dados sobre vacinação contra a Covid-19 neste domingo. Em todo o país, 161.642.302 pessoas receberam a primeira dose de um imunizante, o equivalente a 75,78% da população brasileira. A segunda dose da vacina, por sua vez, foi aplicada em 144.322.726 pessoas, ou 67,66% da população nacional. Já 29.431.769 pessoas receberam uma dose de reforço.

Nas últimas 24h foram registradas a aplicação de um total de 81.721 doses de vacinas contra a Covid-19. Foram 11.309 primeiras doses, 30.958 segundas doses, 53 doses únicas e 39.401 doses de reforço.

_________________________________________________Lucas Lucco posta foto de kit Covid com remédio sem comprovação científica para o tratamento da doença

Cantor está fazendo isolamento com a mulher e o filho, também com testes positivos, e cancelou shows. Uso de ivermectina é defendido por Bolsonaro, mas considerado ineficaz por médicos
Lucas faz fisioterapia respiratória Foto: Reprodução / O GLOBO
Lucas faz fisioterapia respiratória Foto: Reprodução / O GLOBO

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RIO - Toda a família Lucco testou positivo para Covid-19 e faz isolamento em casa. O primeiro a ter o diagnóstico foi o cantor Lucas Lucco, depois foi a vez de sua mulher, Lorena Carvalho, e do filho Luca. Por conta da doença, ele desmarcou os shows que faria nos próximos dias.

Em fotos e vídeos publicados neste domingo em suas redes sociais, o cantor e a mulher mostraram como está sendo o tratamento da família. Lorena está sem sintomas, Lucas contou que sente cansaço, mas é o filho Luca, de 10 meses, que apresenta mais sintomas, com tosse e espirros.

Numa das imagens publicadas por Lucas aparecem muitas garrafas de água mineral e a ingestão de líquidos é uma das recomendações médicas na recuperação da doença. Na plha de medicamentos, que inclui um corticóide e um anticoagulante, chama a atenção a caixa de ivermectina.

A ivermectina é um vermífugo usado para promover a eliminação de vários parasitas do corpo. O medicamento faz parte do chamado "Kit Covid", voltado ao suposto "tratamento precoce" da doença. O presidente Jair Bolsonaro costuma defender o uso desses remédios, mesmo sem comprovação de eficácia por estudos científicos.

Lucas tem 17 milhões de seguidores em seu perfil no Instagram e 4 milhões no Twitter. Ele nasceu em Minas Gerais e fez sucesso com "Pra te fazer lembrar", em 2012. O cantor tinha parcerias inéditas com Marília Mendonça.

_________________________________________________Os cientistas pedem que o governo americano olhe para ALÉM da variante ÔMICRON, reconhecendo que ela NÃO deve marcar o FIM da PANDEMIA.

As iniciativas do presidente americano focam em eliminar o vírus, ENQUANTO deveriam se CONCENTRAR em VIVER com ele de maneira SEGURA. 


Ex-assessores do presidente Joe Biden publicaram artigos propondo mudanças na estratégia dos EUA para lidar com a pandemia de Covid-19

Carolina Fioratti 2 dias atrás Imagem: Gabriella Clare Marino/Unsplash/Reprodução

Ex-assessores do presidente Joe Biden publicaram uma série artigos propondo mudanças na estratégia dos Estados Unidos para lidar com a pandemia de Covid-19. 

De acordo com os cientistas, as iniciativas do presidente americano focam em eliminar o vírus, enquanto deveriam se concentrar em viver com ele de maneira segura. 

Todos os autores haviam sido nomeados para o Conselho Consultivo da Covid-19 durante a transição de Biden em 2020. Grandes nomes da medicina americana integram a equipe, como Luciana Borio, ex-cientista-chefe interina da Food and Drug Administration (FDA), e Ezekiel Emanuel, oncologista, especialista em ética médica e professor da Universidade da Pensilvânia que aconselhou o ex-presidente Barack Obama.

Três artigos foram publicados na revista científica Journal of the American Medical Association nesta quinta-feira (6). Neles, há propostas de um novo plano para lidar com a pandemia e também estratégias detalhadas para testagem, mitigação, vacinas e tratamentos contra a Covid-19.

Os cientistas pedem que o governo americano olhe para além da variante ômicron, reconhecendo que ela não deve marcar o fim da pandemia. Além disso, reforçam que a taxa atual de HOSPITALIZAÇÕES e MORTES pela doença nos EUA seguem INACEITAVELMENTE ALTAS

Os pesquisadores pedem, por exemplo, que seja pensada uma próxima geração de vacinas que visem o combate a novas variantes. Eles também sugerem que os imunizantes sejam oferecidos em outros formatos como sprays nasais e adesivos para a pele, o que tornaria a distribuição mais simples. 

Os artigos também criticam a postura de Biden em focar apenas nas vacinas e deixar outras medidas de proteção, como o uso de máscaras, em segundo plano. Eles pedem por uma DISTRIBUIÇÃO AMPLA e GRATUITA de máscaras N95, além do acesso facilitado a KITS de testagem CONFIÁVEIS

Os pesquisadores falaram ainda sobre a importância do avanço de pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de antivirais específicos para o Sars-CoV-2. Para aumentar a cobertura vacinal, os cientistas também sugerem a obrigatoriedade do imunizante para uma série de trabalhadores e também o uso de certificados de vacinação digitais, o que dificulta a falsificação.

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