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https://oglobo.globo.com/economia/saque-do-fgts-governo-deve-anunciar-hoje-liberacao-de-1-mil-veja-como-consultar-seu-saldo-1-25436372
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https://oglobo.globo.com/economia/macroeconomia/pispasep-sera-pago-tambem-mais-16-milhao-saiba-como-consultar-se-voce-um-deles-25435587
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https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2022/03/07/mundo-ultrapassa-6-milhoes-de-mortes-por-covid-19.htm
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Imagem meramente ilustrativa; especialistas apontam que a maior parte das vítimas é formada por idosos, vulneráveis e não imunizados - iStock
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_________________________________________________Mapa da contaminação: Produtos químicos e radioativos foram encontrados em testes feitos com água da torneira em 763 cidades _________________________________________________

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_________________________________________________Reportagem: Lucia Helena - O que podemos fazer com as pistas que o Sars-CoV-2 deixa no cérebro?

Lúcia Helena Colunista do UOL 10/03/2022 14h39

Nos últimos dias, saíram estudos mostrando o que pode acontecer com o cérebro após a passagem do Sars-CoV-2. Não é preciso raciocinar muito para apostar que ainda surgirão vários outros trabalhos nessa linha.

Afinal, todos estão espertos. Só em janeiro deste ano, 89 milhões de pessoas ao redor do mundo testaram positivo para covid-19. E já é esperado que uma parte delas passe a reclamar de lapsos de memória, dificuldade para nomear as coisas, sensação de que os pensamentos emergem em câmera lenta e sem a mesma clareza de antes. Sim, esse coronavírus parece nos dar um nó na cabeça.

Cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, publicaram esta semana na revista Nature um artigo no qual, tentando explicar esses quadros, comparam imagens de ressonância magnética do cérebro de 401 pessoas antes e depois que tiveram um quadro leve de covid-19. Em resumo, eles notaram que determinadas estruturas cerebrais simplesmente encolheram após a infecção.

Em outro trabalho, este da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, que saiu na Alzheimer's & Dementia, os pesquisadores fizeram a autópsia de dez indivíduos que se queixavam de problemas de memória na covid longa e que, por azar, morreram de outra causa qualquer. No cérebro deles, encontraram lesões parecidas com aquelas que surgem nas fases iniciais do Alzheimer.

Tudo isso é assustador à primeira vista, mas não dá para a gente já sair esquentando a cabeça. Até porque não é assim que ela, a cabeça, funciona. Entendi isso ao ter uma ótima conversa com o neurologista e neuroimunologista Diogo Haddad Santos, coordenador do Núcleo de Memória do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

No final do primeiro ano da pandemia, em 2020, o médico participou de uma grande discussão no Oswaldo Cruz sobre o impacto da covid-19 na memória. Na época, sabia-se uma coisa ou outra e a conclusão otimista foi de que, dali a um ou dois anos — ou seja, agora—, a gente entenderia muito mais sobre a ação do Sars-CoV-2 no sistema nervoso central.

"Queríamos saber o quanto a cognição era afetada, se todas as pessoas infectadas corriam o mesmo risco de perdas cognitivas e, principalmente, se daria para evitá-las", diz o neurologista. "Mas, para ser honesto, nesse campo pouca coisa mudou de lá para cá."

O vírus ser encontrado no cérebro não foi exatamente uma surpresa

Quando, lá atrás, os cientistas flagraram o Sars-CoV-2 no sistema nervoso central, houve um estardalhaço. De boca aberta —uau!—, recebemos a notícia de que, de alguma maneira, ele passava de boa pela barreira hemotoencefálica que cerca o cérebro.

Poderia descrevê-la como uma estrutura que, entre outras características capazes de oferecer proteção, é formada por vasos capilares cujo endotélio, seu revestimento interno, não deixa muita brecha entre uma célula e outra justamente para evitar a passagem de substâncias ou de agentes causadores de doença que, por acaso, circulem pelo sangue.

O fato é que, entre os que entendiam de infecções ou de cérebro, não houve uma grande surpresa. "Outros coronavírus, que vieram antes do da covid-19, atravessavam essa barreira. Não tinha por que o Sars-CoV-2 ser diferente", lembra Diogo Haddad.

Para ele, as pessoas prestaram mais atenção desta vez por ser uma pandemia, com um enorme número de casos que, amanhã ou depois, podem apresentar problemas de cognição. "Mas essa possibilidade, em si, não é uma novidade", reforça.

Aliás, a ameaça nem sequer é exclusividade dos coronavírus. Quem atua na área da neurologia cognitiva sabe bem que, por exemplo, depois de uma pneumonia qualquer a pessoa pode sentir um baque nas funções executivas. E a cabeça é até capaz de piorar se essa criatura decide voltar ao trabalho em seguida e a mil por hora.

Em alguns casos, o retorno à rotina precisa ser lento

Claro que há diferença se a atividade profissional inclui tarefas mais simples ou se exige um bocado de atenção, planejamento, criatividade, tomada de decisões, capacidade de cálculo, habilidade para fazer apresentações, gerenciar crises, negociar... —enfim, se solicita mais da cognição.

"Até porque a pessoa só sente que tem um problema cognitivo quando ele começa a afetar o dia a dia, atrapalhando o desempenho profissional ou seus relacionamentos", nota o neurologista.

Assim, um professor de física pode ter o mesmíssimo comprometimento neurológico de um trabalhador braçal e acabar sentindo mais os lapsos de memória. Nem sempre, porém, é só questão de maior percepção. Pode ser também por forçar na fase de retomada da rotina.

Segundo Diogo Haddad, quando alguém tem uma infecção como a covid-19 e, passada a fase aguda, resolve retomar depressa a agenda agitada, a cabeça pode até piorar. "Ao contrário do que muitos pensam, o cérebro não é inatingível", explica. "O Sars-CoV-2 tem claramente um neurotropismo, isto é, uma facilidade para se multiplicar nos neurônios. E, depois desse ataque, eles precisam de um tempo para se reorganizarem."

Ele compara a situação com a de um corredor que, após a convalescência, decide voltar aos treinos: "Ele não sai do leito para uma maratona. Primeiro, correrá 1 quilômetro, depois 2 quilômetros e assim por diante". Nem conseguiria correr mais do que isso no começo. E, se insistisse, talvez passasse mal.

"No entanto, ninguém tem essa noção quando é o cérebro", observa Haddad. "Como os músculos ou o sistema cardiovascular, ele também precisa se readaptar." Portanto, desacelerar pode ser recomendável.

Quanto tempo isso leva? Adivinhe a resposta! "Depende", diz o doutor. "É muito individual, conforme a idade, a reserva cognitiva, se é alguém que faz exercício físico, se dorme bem e como se alimenta", conta. "E, claro, devemos considerar as atividades do cotidiano." Reuniões pesadas ou aulas difíceis podem corresponder à maratona da comparação.

Pense nisso: reabilitação cognitiva

Ao contrário do que alguns recomendam — esperar alguns meses antes de buscar ajuda na covid longa — , Diogo Haddad acha que, se você a todo instante precisa reler uma página de livro ou se anda se esquecendo de detalhes do que acertou com colegas, por exemplo, essa percepção de algo diferente com a memória não deveria ser negligenciada. "Mas, infelizmente, a tendência de todos é minimizar e atribuir sinais assim à correria", observa.

Em sua opinião , isso deveria ser comentado com um profissional de saúde — "de preferência, um neurologista, um psiquiatra, um geriatra ou um psicólogo, embora até mesmo um clínico geral possa avaliar se é caso de buscar uma ajuda especial", referindo-se à reabilitação cognitiva. Já ouviu falar? Ela é algo muito mais complexo do que mandar o sujeito resolver uma charada. O que será prescrito vai depender de uma avaliação cuidadosa.

"Não há um exame de imagem ou de sangue capaz de diagnosticar problemas de memória", explica o médico. "Mas, pela avaliação cognitiva, posso intuir que a área afetada no cérebro está bem ao lado, vamos supor, de outra que tem a ver com habilidades motoras. Portanto, para a reabilitação cognitiva desse paciente, será muito mais efetivo eu indicar exercício físico do que palavras-cruzadas."

E é neste ponto que está um grande valor de mapear os estragos feitos pelo Sars-CoV-2. Se o neurologista conhecer as áreas do cérebro que costumam ser afetadas por ele, será mais fácil planejar o que precisa ser feito para a função cognitiva voltar ou, até antes disso, prevenir sua derrocada.

Mas sem pânico em relação aos resultados dos estudos disponíveis até o momento: "O de Oxford não checou se todas as pessoas com estruturas cerebrais encolhidas apresentavam problemas de memória na covid longa", aponta o médico. Em matéria de cognição, as alterações nas imagens nem sempre se traduzem em problemas.

"No cérebro, tudo funciona na base de redes neurais", ensina Haddad. Ou seja, caminhos formados por neurônios que se comunicam entre si e que podem se desviar de inúmeras alterações.

Por que a dificuldade na linguagem?

A maioria das pessoas que relacionam dificuldades de memória à covid-19 relata que sofre para encontrar as palavras corretas e, não raro, chega a trocá-las. Será que áreas cerebrais associadas à linguagem seriam as favoritas do coronavírus? Por que ele impactaria menos outras habilidades?

"Há apenas hipóteses", conta o professor Diogo Haddad. "Uma delas é a de que o cérebro é inteligente. Ele sabe que usamos a linguagem o tempo inteiro. Então, é como se, ao ser invadido pelo vírus, ele de alguma maneira o encaminhasse para a região onde o prejuízo seria menor a longo prazo, porque há mais redes neurais ali e, portanto, maior a chance de os neurônios criarem caminhos alternativos depois."

A única certeza é que o cérebro tem uma plasticidade incrível. Tanto que ninguém pode garantir se, passado um tempo, as áreas que apareceram encolhidas no estudo britânico já não teriam voltado ao que eram, especialmente nos pacientes jovens. É uma questão de a gente confiar mais da nossa cabeça e lembrar que ela também pode ser ajudada.

_________________________________________________Revisão da vida toda pode demorar anos para ser decidida no STF, dizem advogados

Caso deve ter novo julgamento; há pressão para manter voto do ministro Marco Aurélio

São Paulo

A decisão final do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a revisão da vida toda do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) pode demorar anos para sair, após pedido de destaque feito pelo ministro Nunes Marques, que levará o caso ao plenário físico, segundo advogados previdenciários ouvidos pela Folha.

Com isso, os aposentados que pediram a correção na Justiça, na tentativa de reverter mudança aplicada na reforma de 1999, há 22 anos, seguem sem uma resposta definitiva sobre o caso e podem ter que esperar mais algumas décadas. Os 4.295 processos que estão parados no Judiciário, aguardando resposta do STF, continuam sem solução.

Aposentados vão à Justiça para pedir a inclusão de todos os salários no cálculo do benefício - Gabriel Cabral/Folhapress

A revisão da vida toda é uma ação judicial na qual os segurados pedem que todas as suas contribuições ao INSS, incluindo as realizadas antes da criação do real, em 1994, sejam consideradas no cálculo da média salarial para aumentar a renda previdenciária.

Na época, a regra criada pela nova lei prejudicou segurados que já contribuíam com a Previdência, tornando melhor a situação de quem ia começar a contribuir e se aposentar a partir da publicação da lei 9.876, de novembro de 1999.

No julgamento iniciado no plenário virtual do STF em 25 de fevereiro, o placar estava favorável aos aposentados, com seis ministros a favor da revisão e cinco contrários. Todos os 11 ministros haviam votado. No entanto, por se tratar de plenário virtual, até 23h59 do dia 8 de março, poderia haver pedido de destaque.

Foi o que fez o ministro Nunes Marques por volta das 23h30, faltando 30 minutos para o final. Esse tipo de solicitação em um prazo tão curto antes do encerramento da decisão foi considerado uma manobra pró-governo. Segundo o Supremo, agora, "o processo vai ser julgado no plenário presencial, conforme prevê o regimento interno do STF" e ainda não há data prevista para que isso ocorra.

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Placar pode mudar e advogados tentam manter vantagem

Com o início de um novo julgamento, especialistas apontam que poderá haver mudança no placar. O motivo é que um dos votos favoráveis era do relator do caso, ministro Marco Aurélio, que se aposentou em 2021. Para tentar manter a vantagem dos aposentados, o Ieprev (Instituto de Estudos Previdenciários) levou uma questão de ordem ao Supremo nesta quarta-feira (9).

"No nosso pedido de questão de ordem a gente solicita que não seja acatado o destaque. Nós entendemos que esse pedido poderia ter sido feito muito antes, que isso é uma manobra processualmente indevida. E cabe sim ao presidente determinar se vai acatar o pedido de destaque e, portanto, determinar o reinício do julgamento e aí não sabemos o prazo, em quanto tempo o julgamento vai transcorrer", diz Roberto de Carvalho Santos, presidente do Ieprev.

Gisele Kravchychyn, diretora de atuação judicial do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário) e conselheira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Santa Catarina, é uma das autoras do processo que chegou ao Supremo e diz que, mesmo sem saber quando haverá julgamento no plenário físico, já trabalha para defender a tese.

"Agora, o julgamento reinicia, todos os ministros votam novamente. Isso permite que gente tente realmente, no debate presencial com a sustentação oral, conversar com eles para que eles alterem seu entendimento e quem sabe convencer mais algum deles a votar a favor da tese."

Julgamento no STF da revisão da vida toda deve recomeçar do zeroRevisão começou a ser julgada no ano passado e é limitada

O julgamento da revisão da vida toda começou em junho do ano passado e foi interrompido após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. Na época, o placar estava empatado em 5 a 5. No dia 25 de fevereiro deste ano, a votação recomeçou. Logo nas primeiras horas, Moraes publicou seu voto e foi possível saber sua decisão.

Assim como Marco Aurélio, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski, o ministro também foi favorável à revisão. "O segurado que implementou as condições para o benefício previdenciário após a vigência da lei 9.876, de 26/11/1999, e antes da vigência das novas regras constitucionais, introduzidas pela EC em 103/2019, que tornou a regra transitória definitiva, tem o direito de optar pela regra definitiva, acaso esta lhe seja mais favorável", disse em seu voto.

Foram contrários à tese, julgada pelo tema 1.102, os ministros Nunes Marques, que abriu a divergência com base no relatório do governo dizendo que os gastos federais com a correção seriam de R$ 46 bilhões em dez anos. Ele foi seguido por Dias Toffoli, Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Luiz Fux.

A ação, no entanto, é limitada. Têm direito à revisão da vida toda os segurados que ingressaram na Previdência antes de novembro de 1999, se aposentaram depois dessa data e cujo benefício tem menos de dez anos. É preciso, ainda, ter se aposentado antes da reforma da Previdência de 2019. Os atrasados pagos são dos últimos cinco anos ao pedido.

Entenda a manobra na revisão da vida toda do INSS

_________________________________________________Anvisa alerta sobre risco de desabastecimento de remédio de gripe em meio à explosão de casos

A demanda pelo medicamento explodiu desde o fim do ano passado, com uma epidemia de gripe causada pelo vírus influenza H3N2. 

Outubro fechou com uma média de casos de síndrome respiratória aguda grave por influenza de 2,7 por dia. 

Em novembro, passou para 14,6. 

E dezembro registrou 264,58 casos diários, na média, segundo dados da Rede Análise/Serripilheira, formado por um grupo de pesquisadores voluntários que fazem divulgação científica com base em informações oficiais.


Agência notificou Ministério da Saúde sobre possível falta do medicamento, conhecido por um dos nomes comerciais tamiflu; pasta diz que pediu antecipação de entregas para evitar escassez
Vacinação contra a gripe em drive thru montado no Rio em março de 2020 Foto: Fábio Motta 23-03-2020 / Agência O Globo
Vacinação contra a gripe em drive thru montado no Rio em março de 2020 Foto: Fábio Motta 23-03-2020 / Agência O Globo

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BRASÍLIA — Em meio ao aumento do número de casos de influenza no Brasil desde dezembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) detectou risco de desabastecimento de medicamentos à base de fosfato de oseltamivir, indicados para o tratamento da gripe em adultos e crianças. 

O alerta foi transmitido ao Ministério da Saúde e à Secretaria do Consumidor na terça-feira da semana passada. A droga é conhecida como tamiflu, um dos nomes comerciais.

A demanda pelo medicamento explodiu desde o fim do ano passado, com uma epidemia de gripe causada pelo vírus influenza H3N2. 

Outubro fechou com uma média de casos de síndrome respiratória aguda grave por influenza de 2,7 por dia. 

Em novembro, passou para 14,6. 

E dezembro registrou 264,58 casos diários, na média, segundo dados da Rede Análise/Serripilheira, formado por um grupo de pesquisadores voluntários que fazem divulgação científica com base em informações oficiais.

O Ministério da Saúde distribuiu 8,8 milhões de unidades de oseltamivir somente em dezembro, ante 9,5 milhões repassados de janeiro a novembro aos estados e municípios.

Ao menos 3 milhões de unidades do medicamento já foram distribuídos este ano pela pasta. 

Os dados foram informados pelo próprio Ministério da Saúde na última reunião tripartite da Saúde, ocorrida na quinta-feira da semana passada.

A pasta destacou ainda, na ocasião, que pediu uma antecipação das entregas programadas para o exercício de 2022 e 2023 à Fiocruz. O laboratório estatal é uma das quatro empresas com registro dos medicamentos à base de fosfato de oseltamivir no Brasil. É dele que o governo federal adquire o produto.

Em nota ao GLOBO, o Ministério da Saúde afirmou que vem "mantendo o abastecimento do medicamento regular em todo o país", mas destacou que, "em função do aumento de casos de influenza, a Pasta solicitou à Fiocruz antecipação na entrega, com o objetivo de manter o abastecimento da rede do Sistema Único de Saúde (SUS)".

Roche notifica desabastecimento

Uma das fornecedoras do remédio ao mercado brasileiro, a Roche já fez uma notificação de desabastecimento temporário junto à Anvisa no início de fevereiro para sinalizar o risco da falta do tamiflu em todas as suas apresentações (cápsula de 30 mg, 45 mg e 75 mg). O motivo, segundo o laboratório, é o "intenso e inesperado aumento de demanda".

Em nota, a empresa afirmou que "tem se dedicado com máxima urgência, junto aos seus parceiros, para garantir que o medicamento esteja disponível aos pacientes na quantidade necessária, de forma equânime em todo o país". 

"A empresa reforça ainda que esta se trata de uma situação pontual e que não há descontinuação de importação ou redução na quantidade importada do produto", diz no comunicado.

A Roche não é fornecedora do Ministério da Saúde. Mas a notificação feita de desabastecimento temporário de tamiflu aumento o sinal de alerta no governo. 

Desde o dia 22 de dezembro, a Anvisa monitora os fornecedores para que não falte estoques do remédio no país e repassa os dados ao Ministério da Saúde.

"Em 25/02/2022, a Anvisa comunicou o Ministério da Saúde e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) sobre o possível risco de desabastecimento de medicamentos à base de fosfato de oseltamivir, devido ao aumento da demanda", diz nota da Anvisa enviada ao GLOBO.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde dos estados (Conass) informou que houve impactos nos envios dos medicamentos no início do ano, mas que foi informado pelo Ministério da Saúde que a demanda atípica tem sido contornada com aquisições que somam 22,1 milhões de unidades de fosfato de oseltamivir para 2022.

Além de estar disponível no SUS, o remédio também é vendido em farmácias, sem necessidade de receita médica. A facilidade na compra do medicamento traz preocupações sobre um possível uso não racional. Não é recomendado também se fazer estoque do produto em casa.

A sazonalidade para influenza, em geral, ocorre no mês do inverno no Brasil. Este ano, parece ter se antecipado. A localização geográfica, com 21 estados e o Distrito Federal situados em zona de clima tropical, é um dos fatores considerados para o comportamento da doença nas análises do Ministério da Saúde.

_________________________________________________Já em vigor, decreto que desobriga o uso de máscaras em locais fechados não é unanimidade na ruas

Medida da prefeitura do Rio começou a valer nesta segunda, após reunião do Comitê Científico
 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

RIO – Em edição extra do Diário Oficial, o prefeito Eduardo Paes decretou nesta segunda-feira, dia 7, que não é mais obrigatório o uso de máscaras faciais  de proteção contra a Covid-19  para a permanência em ambientes fechados. Nas ruas, muitos cariocas não sabem que a medida já está valendo e, até para quem está ciente, não há um consenso sobre a obrigatoriedade do uso. As medidas já estão valendo desde a publicação da medida, em edição especial do DO no início da tarde de segunda-feira.


Segundo o decreto, a máscara deixa de ser exigida em “estabelecimentos industriais, comerciais e de prestação de serviços, bem como os órgãos públicos municipais e os demais locais, ambientes e veículos de uso público restrito ou privado”. Mas seja em escolas, shoppings ou supermercados, não é possível encontrar uma uniformidade nas opiniões sobre a nova decisão.
 

Na saída da Escola Municipal Anne Frank, ao lado do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, isso fica evidente. 
Descendo as escadas que dão acesso à rua Pinheiro Machado, as mães Fabiane e Francisca representam o contraste de opiniões.
 

Sem obrigatoriedade:uso de máscaras será recomendado a passageiros por empresas de ônibus
— Eu não me sinto segura em mandar minha filha sem máscara (para as aulas). Ela toma a segunda dose da vacina no dia 28 deste mês, mas ela só vai deixar de usar a máscara após esse bendito carnaval (adiado para abril) — disse Francisca Santos, mãe de Maiara, que está no 2° ano do Ensino Fundamental.

Apesar de não ser mais uma exigência, o pediatra Daniel Becker, integrante do Comitê Científico de Enfrentamento à Covid da Prefeitura, recomenda que crianças sem as duas doses da vacina permaneçam com o uso da proteção facial. 

E é seguindo essa lógica que Fabiane Ramos pretende levar a filha, Marina, também do 2°ano, à unidade em Laranjeiras a partir de amanhã, sem utilizar a máscara.

— A minha filha tomou a primeira e a segunda dose e eu me sinto segura de mandar ela sem máscara para a escola, pois também medem a temperatura e usam álcool em gel — disse Fabiane, que ainda critica o não-uso do acessório durante o lazer. — Sabe o porquê de eu ser a favor de tirar as máscaras na escola? Porque, em relação à educação, todo mundo começa a colocar problema e quando você vai ao parquinho ou à praia e está todo mundo sem.
 


Na entrada de um shopping também na Zona Sul, mas já na Praia de Botafogo, uma aluna de outro colégio comemorou a decisão municipal de liberar o a peça de proteção.

— Se estiver liberado, é claro que vou deixar de usar, porque tenho rinite, toda hora fico espirrando na máscara e é horrível, além do calor, que incomoda muito — disse alegre Maria Eduarda, de 16 anos, estudante da unidade do Humaitá do Colégio Pedro II.

Acompanhando a filha, Silvana Souza explica que soube na rua sobre a liberação do uso das máscaras e, por isso, optou por não usá-la dentro do shopping. Mas nem por isso, segundo ela, a pandemia a mantém tranquila.

Nas escolas:  Veja a orientação de especialista após o fim da obrigatoriedade

— Eu me sinto desconfortável usando a máscara, mas fico preocupada com essas ondas de doenças — relata Silvana, que era acompanhada pelos filhos Maria Eduarda e Carlos Eduardo.

Assim como outros relatos na cidade, Matheus Fonseca conta que em ambientes abertos já abriu mão da máscara — seguindo decreto municipal de outubro de 2021. Na tarde desta segunda-feira, entrava no shopping a caminho do cinema e, ao saber do decreto, optou por ainda utilizar sua máscara, por receio dos estabelecimentos não terem adotado ainda a nova medida.

— Como o decreto é recente, para não gerar estresse, eu ainda utilizarei (a máscara) hoje porque as pessoas demoram a se adaptar ao que é novo — observa Matheus, morador de Curicica, que admite que logo logo irá aderir à nova medida municipal. — Com certeza vou ficar sem, pela comodidade, me sinto muito melhor sem a máscara.

Covid-19:  escolas do município do Rio terão Dia D de vacinação, diz secretário Educação

Acompanhando Matheus, Alaice Macedo não tem certeza sobre deixar de usar o acessório de proteção.

— Eu já não tenho andado de máscara nos ambientes abertos. Nos fechados, eu só usava porque era lei, só que não sei se vou deixar de usar agora porque já estou acostumada — conta rindo Alaice.

Ainda em Botafogo, mas em um supermercado na rua Voluntários da Pátria, foi difícil encontrar clientes no interior da loja sem o uso de máscaras. Na entrada, funcionárias mediam a temperatura de quem chegasse e passavam álcool em suas mãos.

Já na parte externa, à espera de fretes, táxis ou carros de aplicativos, a situação não era a mesma. Sem máscara, Sônia Pina afirma que não é a favor da liberação do uso das máscaras em alguns ambientes fechados.

— Depende do lugar. Na minha academia de ginástica, onde faço pilates, eu não vou usar máscara. Já aqui no mercado, eu vou seguir usando porque eu não sei quem está vacinado ou não — conta Sônia, que esperava um carro para buscá-la com seu carrinho de compras.

Flexibilização nas cidades:  Saiba o que municípios da Região Metropolitana do Rio dizem sobre a liberação do uso de máscaras em locais fechados

Poucos metros à frente, na mesma situação, estava Maria Rafaela. Enquanto o carro do aplicativo não chegava, contou que que ainda usa máscara no trabalho, ao contrário dos clientes.
— O certo seria não acabar o uso, mas eu trabalho numa casa de shows e uso máscara, só que nem todo mundo usa. Por isso a gente tem que acreditar, não nas autoridades, mas que a situação está melhorando — explica Maria.


Na entrada dos bancos, nem todos se sentiam seguros para entrar sem máscaras. Maria Moraes, ao saber do decreto do prefeito nesta segunda-feira, logo expressou um "mas eu não vou ficar sem máscara!".

— O único lugar que tiro é para comer ou, no máximo, em um lugar aberto. Na rua e até na academia, apesar de cansar muito, não me sinto segura de ficar sem máscara.

*Estagiário sob a supervisão de Leila Youssef Rio_07/03/2022

_________________________________________________MÉDIA de MORTES por covid no Brasil se mantém ALTA devido a IDOSOS e não_vacinados

2019-01: 1.337 óbitos AVC _____________________ 2022-01: 10.326 óbitos AVC 

2019-01: 5.968 óbitos cardiovasculares ________ 2022-01: 14.703 óbitos cardiovasculares _________________________________________________


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_________________________________________________Máscaras versus irrelevâncias | Receita de Médico - O Globo

Pessoas se aglomeram no Centro do Rio na última quarta-feira (16)

Com tanto assunto relevante e desafios que regem nosso cotidiano, completados dois anos de pandemia entre nós, e sobretudo diante da brutalidade dos dias de guerra atuais, observamos mais do que com curiosidade, um interesse público verdadeiro em conhecer a evolução da doença e seus prognósticos, os resultados dos últimos estudos epidemiológicos, a expectativa de liberação dos novos medicamentos orais e o que será nosso amanhã.

E em meio a tudo isso ficamos ouvindo perplexos irrelevâncias e arbitrariedades como “decretar o fim da pandemia e dar a ela um status de endemia”, como se fosse um título honorífico, ou usar máscaras ou não, e ser essa atitude de responsabilidade individual. Depois de termos sobrevivido à insistência deplorável de “tratamentos precoces” com fármacos que se provaram ineficazes, como cloroquina, ivermectina e outras aventuras terapêuticas, soma-se agora, poluindo as redes sociais, sandices do tipo tratamento de “modulação epigenética” para preparo imunológico contra a Covid-19, que configuram um real desserviço à nossa população, já tão contaminada por angústias e dúvidas.

Temos a clara consciência de que as medidas ditas não farmacológicas, particularmente o uso de máscaras em ambientes fechados, permanecem recomendadas, mesmo com boas taxa de vacinação alcançada e o impacto que observamos. Está demonstrado que o contágio da doença, independentemente da cepa circulante, é ambiental, por aerossol, e portanto, a proteção individual e coletiva é, a meu juízo, tempestiva e ainda prevalece como medida sanitária. Vale lembrar hábitos culturais saudáveis e muito civilizados, de há muito adotados pelos orientais, de utilizar máscaras quando apresentam qualquer sintoma de resfriado, ou para viajar em aviões.

Atingida a marca mais que simbólica, tristíssima, de 650 mil mortes no Brasil, estamos certos de que ainda vamos lidar nos próximos meses com novos casos, novos clusters de casos e hospitalizações, e infelizmente mortes, sem mencionar a covid longa e todo o seu corolário de sintomas e sequelas a exigir serviços de qualidade para reabilitação de milhares de pessoas, e por fim o número de vulneráveis que ainda estão expostos.

Estudo recente publicado pela prestigiosa revista Nature Medicine analisou dados retrospectivos de 154 mil veteranos nos Estados Unidos com o objetivo de responder quais seriam as consequências cardiovasculares a longo prazo da Covid-19. Encontraram que um ano após a cura da fase aguda da doença, os pacientes aumentam o risco de problemas cardiovasculares, incluindo arritmias, inflamação crônica do músculo cardíaco, tromboses, enfarto do miocárdio, e insuficiência cardíaca. O preocupante é que esses sintomas foram observados mesmo no grupo de pacientes que não haviam sido hospitalizados, sendo assim casos menos severos clinicamente.

Porque algumas vacinas para a Covid-19 foram associadas a um raro risco de miocardite ou pericardite e para eliminar qualquer contribuição putativa de exposição à vacina nesses achados, o estudo procedeu a análises separadas. Uma com pacientes no momento em que receberam a primeira dose de qualquer vacina e outra com uma coorte de vacinados em qualquer tempo, ambas comparadas com grupo controle. Os resultados corroboram o que outros, de menor porte já o haviam feito, que a Covid-19 está associada ao risco maior de miocardite ou pericardite, de modo independente da vacinação. Uma recomendação clinicamente justificável gerada seria controlar com avaliação cardiovascular toda pessoa que passe pela doença, sobretudo os mais idosos.

A prioridade deste momento é acelerar a vacinação de nossa população pediátrica, com as duas doses recomendadas e resgatar o grande contingente de adultos que ainda não receberam a terceira dose, além de manter o controle de exigência do passaporte vacinal. 

_________________________________________________Mapa da contaminação: Produtos químicos e radioativos foram encontrados em testes feitos com água da torneira em 763 cidades

Ana Aranha e Hélen Freitas
Da Repórter Brasil e da Agência Pública
Pixabay

Todos nós bebemos pequenas doses diárias de substâncias químicas e radioativas. São agrotóxicos e outros resíduos da indústria que se misturam aos rios e represas.

Alguns especialistas defendem que não há risco se elas estiverem dentro do limite regulamentado. Outros argumentam que as doses aceitas no Brasil são permissivas, pois são bem mais altas do que as da União Europeia.

Sobre um ponto não há dúvida: essas substâncias são prejudiciais à saúde quando estão acima do limite brasileiro. O consumo diário aumenta o risco de câncer, mutações genéticas, problemas hormonais, nos rins, fígado e no sistema nervoso --a depender do produto.

Dados inéditos levantados pela Repórter Brasil mostram que são esses os riscos oferecidos pela água que saiu da torneira de 763 cidades entre 2018 e 2020.

Substâncias químicas e radioativas foram encontradas acima do limite em um de cada quatro municípios que fizeram os testes. Entre eles, estão São Paulo (13 testes acima do limite), Florianópolis (26) e Guarulhos (11).

Mapa da Água

Clique neste link interativo para saber quais substâncias químicas e radioativas foram encontradas na água da sua cidade entre 2018 e 2019: http://mapadaagua.reporterbrasil.org.br/

Sabesp/Divulgação

As informações podem ser consultadas por cidade no Mapa da Água, que destaca quais substâncias extrapolaram o limite e explica seus riscos. Os dados são resultados de testes feitos por empresas ou órgãos de abastecimento e enviados ao Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), do Ministério da Saúde.

Os testes são feitos após o tratamento e a maioria dessas substâncias não pode ser removida por filtros ou fervendo a água.

Se há substância acima do valor máximo permitido, podemos dizer que a água está contaminada."

Fábio Kummrow, professor de toxicologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)

Pixabay

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"Uma outra forma de dizer é que essa água não está própria para consumo, como quando um alimento passa da data de validade."

Contaminada ou imprópria, Kummrow confirma que existe risco para quem bebe a água, e ele varia de acordo com a substância e com o número de vezes que ela foi consumida ao longo do tempo. O risco é maior para quem bebeu diversas vezes ao longo de anos.

É o caso de quem mora em São Paulo, Florianópolis, Guarulhos e outras 79 cidades onde a mesma substância foi encontrada acima do limite nos três anos analisados (2018, 2019 e 2020).

Com impacto silencioso, esses produtos têm dinâmica diferente das contaminações por bactérias, que provocam dor de barriga, diarreia e até surtos de cólera. Os sintomas das substâncias químicas e radioativas podem levar anos, mas, quando aparecem, são na forma de doenças graves.

Estudos que associam esses produtos ao câncer, mutações genéticas e diversos outros problemas de saúde são carimbados pelos mais respeitados órgãos de saúde, como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e as agências regulatórias da União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Austrália.

O Mapa da Água destaca o risco para a saúde e as atividades econômicas em que cada substância é utilizada. O nitrato, por exemplo, terceira que mais vezes excedeu o limite, é usado na fabricação de fertilizantes, conservantes de alimentos, explosivos e medicamentos. Ele é classificado como "provavelmente cancerígeno" pela OMS.

Sabesp/Divulgação

Empresas escondem os dados

Os testes são financiados com dinheiro público e de quem paga a conta d'água, mas os resultados estão trancados a sete chaves. As companhias de abastecimento deveriam informar à população sempre que uma substância aparece acima do limite, como determina a portaria sobre a potabilidade da água. Mas isso não acontece.

A Sabesp, responsável pela distribuição de água em mais de 370 municípios paulistas, incluindo a capital, divulga apenas o que chama de "parâmetros básicos", como cor, turbidez e coliformes fecais. Nem mesmo pesquisando no site é possível acessar as substâncias químicas acima do limite. O mesmo problema foi encontrado na Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

Nos Estados Unidos e União Europeia, qualquer um pode consultar testes de todas as substâncias presentes na água. E, em muitos desses países, as empresas monitoram um número maior de substâncias e alertam os consumidores em caso de problemas.

"Se contaminantes microbiológicos são encontrados, por exemplo, uma determinação para ferver a água é enviada aos consumidores por email, SMS, rádio etc.", afirma Dorte Skræm, da Danva, organização que representa serviços de água na Dinamarca.

Segundo ele, a transparência é total. "Houve um caso [de contaminação] há alguns anos que envolveu 500 mil habitantes, a mídia cobriu e foi usada para informar os consumidores."

Avisos assim deveriam ter ocorrido nos 763 municípios que identificaram testes acima do limite. "O quadro revelado por esses dados é grave", afirma Leo Heller, pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e relator especial do Direito Humano à Água da ONU entre 2014 e 2020. "Eles mostram omissões e falhas dos órgãos e serviços que fazem parte de uma importante cadeia de responsabilidades."

cadeia de responsabilidades."

Contaminação contínua em São Paulo

Quase todos os estados que testaram a água acharam problemas. São Paulo foi o que mais encontrou, com 1.298 resultados acima do limite, mas também foi o que mais testou. Foram 831 mil testes, 45% de todos os realizados no país. A capital paulista traz um retrato preocupante: três substâncias acima do limite, uma delas nos três anos analisados.

A contaminação contínua, cenário de maior risco, ocorreu em 82 cidades do Brasil. As substâncias acima do limite estavam em três sistemas importantes que abastecem a cidade.

No Guarapiranga, por exemplo, que chega a 4,8 milhões de paulistanos, os trihalometanos excederam o limite diversas vezes ao longo dos três anos. Os trihalometanos foram o grupo com mais testes fora do padrão em todo o Brasil. Classificado como possivelmente cancerígeno pela OMS, podem causar problemas nos rins e fígado.

Esses elementos são usados em agrotóxicos, solventes, anestésicos e extintores de incêndio. Sua principal origem na água, porém, vem do processo de tratamento.

Sabesp/Divulgação

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Tratamento que contamina

Ironicamente, as maiores responsáveis pelos problemas com a água no Brasil são substâncias geradas pelo próprio tratamento. Quando o cloro interage com elementos como algas, esgoto ou agrotóxicos, nascem os chamados "subprodutos da desinfecção". Eles estão acima do limite em 493 cidades, 21% das que testaram.

"Evidente que é importante tratar a água para remover microrganismos, mas não é aceitável eliminar riscos biológicos e gerar riscos químicos", afirma Heller, da Fiocruz.

Além dos órgãos públicos que deveriam fazer o monitoramento, cabe também à indústria e ao agronegócio controlar o despejo de substâncias tóxicas no ambiente. "Mas quem está no centro [empresas e órgãos de abastecimento] é quem deveria garantir a qualidade."

Alguém fiscaliza?

A falta de transparência é tamanha que nem sempre os fiscais têm acesso aos dados. Em quase metade dos municípios (48%), as companhias de abastecimento não informaram resultados ao Sisagua. Isso é grave, já que é pelo Sisagua que as secretarias municipais ou estaduais de saúde monitoram a água. Há problemas até nas cidades que mais testam, como São Paulo.

Outro lado

A Sabesp alega que os resultados acima do limite são casos pontuais e que eles não indicam problemas no padrão da água. A empresa informa que faz sua avaliação por uma média móvel, mas não divulga esses dados.

Questionada, a Sabesp se negou a enviar os resultados ou os critérios de cálculo da média. Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde admite que também não teve acesso a esses dados (leia respostas na íntegra).

A Prefeitura de Guarulhos negou que existam substâncias acima do permitido, mesmo diante dos dados do Sisagua (leia resposta). Já Florianópolis afirmou estar trabalhando para resolver o problema (leia resposta completa). Leia também o que a Casan e a Cagece responderam sobre o caso.

Em alguns casos, fica evidente que a fiscalização não existe. Em Unaí (MG), o mais grave alerta deveria ter soado. Além de ser a cidade que mais teve testes acima do limite (72), havia uma substância radioativa fora do padrão nos três anos: o rádio-228, classificado como cancerígeno e usado em radiografias e outros instrumentos de radiação.

Procurada, a prefeitura admitiu que não havia notado o problema e, depois, afirmou se tratar de erro de digitação.

Imani/Unsplash

Imani/Unsplash

Radioatividade e agrotóxicos

As substâncias radioativas aparecem acima do limite em 22 municípios brasileiros, a maioria em Minas Gerais. Elas podem estar na água devido a resíduos da indústria, mas também de forma natural, devido à presença do urânio e outros minérios.

Deveria haver uma preocupação dobrada nesses casos, pois elas intoxicam por ingestão e inalação, afirma Viviane Amaral, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. No entanto, elas são as menos testadas, apenas 2% do total de testes feitos entre 2018 e 2020.

Nos casos em que é preciso tirá-las da água, Amaral argumenta que a solução mais viável é mudar a fonte de abastecimento, devido ao alto custo do tratamento. É o mesmo caso de diversos agrotóxicos, já que não há tratamento acessível para todos.

Há 50 cidades com pesticidas acima do limite. Esses casos também deveriam acender o alerta máximo devido a sua periculosidade: 21 dos pesticidas monitorados na água do Brasil são tão perigosos à saúde que foram proibidos na União Europeia. Cinco são "substâncias eternas", tão resistentes que nunca se degradam.

Apesar do problema, especialistas pedem cuidado para evitar pânico. "Pegar água no poço do vizinho ou comprar água que você não sabe a procedência pode ser pior", afirma Paulo Barrocas, pesquisador da Fiocruz.

A água de garrafa traz ainda o problema do plástico, que também pode liberar substâncias perigosas. O ideal é evitar a contaminação dos cursos d'água. "No caso dos agrotóxicos, por exemplo, precisamos de rigor na liberação de novos produtos, assim como discutir a proibição da pulverização aérea [por avião]", afirma Fábio Kummrow, da Unifesp.

Agrotóxicos já foram encontrados em poços profundos, lençóis freáticos e até mesmo na água da chuva. Neste ponto, especialistas falam em coro: não há como se blindar do problema da água no Brasil, ele já afeta ou vai afetar a todos, a única solução passa por políticas públicas.

Essa matéria faz parte do especial Mapa da Água, da Repórter Brasil: http://mapadaagua.reporterbrasil.org.br/.

Publicado em 7 de março de 2022.

_________________________________________________Por que devemos continuar usando máscara mesmo após a 3ª dose de vacina?

Ainda não está na hora de tirar a máscara: saiba por que é preciso manter a proteção facial após tomar a vacina - iStock
Ainda não está na hora de tirar a máscara: saiba por que é preciso manter a proteção facial após tomar a vacina Imagem: iStock

Daniel Navas

Colaboração para VivaBem

02/03/2022 04h00

Atualizada em 02/03/2022 10h28

Com seus altos e baixos e após um início conturbado, a vacinação no Brasil contra a covid-19 ganhou força e o país tem se tornado referência na adesão da população a essa medida tão importante contra a doença.

Enquanto ainda se discute a necessidade de uma quarta dose, muitas pessoas estão completando a carteirinha com a terceira aplicação da vacina. Porém, alguns cuidados devem ser mantidos para não baixar a guarda diante das infecções. Usar máscara é um dos mais eficazes.

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Tomar a vacina oferece uma série de benefícios, especialmente para evitar casos graves, internações e mortes, mas não impede que o novo coronavírus seja transmitido.

Para que serve a máscara após a vacina?

A máscara cria uma barreira física que dificulta a transmissão do vírus. A mais recomendada é a do tipo PFF-2 (peça facial filtrante), pois apresenta um nível de filtragem maior do que as cirúrgicas ou de pano. Ela fica bem firme no rosto, impedindo a saída e a entrada de micropartículas pelas laterais. Se for bem ajustada, é confortável, sem dificuldade na respiração.

Um estudo feito pelo Instituto Max Planck, na Alemanha, apontou que, ao utilizar a PFF-2 de forma correta, a proteção contra a covid-19 chega a quase 100%.

Também conhecida como N95 nos Estados Unidos ou FFP2 na Europa, esse tipo de máscara não é lavável, mas pode ser reutilizado algumas vezes. Para isso, você vai fazer um rodízio entre algumas unidades. Uma sugestão é montar um kit com uma máscara por dia da semana.

Após o uso, basta deixar a peça descansando em local arejado, sem contato direto com o sol, por um período de três a sete dias, antes de usá-la novamente. Isso pode ser feito enquanto a vedação ao rosto estiver boa, assim como a qualidade dos elásticos e dos materiais que compõem a PFF-2.

Sugerimos a seguir alguns modelos:

Kit com 10 máscaras PFF-2 - Super Safety

Preço: R$ 29,85*

respirador máscara pff2 válvula covid coronavírus proteção - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Com eficiência mínima de 94% de proteção, este respirador é dobrável e tem na composição multicamadas não tóxicas e hipoalergênicas. O produto possui clipe nasal interno, que deve ser ajustado de acordo com o formato do rosto para impedir a passagem do ar pela parte de cima da máscara. Tem elásticos ao redor da cabeça e do pescoço.

Kit com 10 máscaras Aura 9320+BR - PFF-2 - 3M

Preço: de R$ 98,99 por R$ 75,51* (desconto de 24%)

máscara facial 3m aura covid coronavírus - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O modelo da 3M é indicado como um dos mais confortáveis, por conta de seu formato e de uma faixa de espuma na parte interna, na altura do nariz, que facilita o ajuste. Vem com elásticos não ajustáveis atrás da cabeça e do pescoço. No kit, os produtos são embalados e lacrados individualmente.

Kit com 10 máscaras 9820 - PFF-2 - 3M

Preço: de R$ 41,51 por R$ 34,29* (desconto de 17%)

Máscaras 3M 9820 N95/PFF2 S/Válvula - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Modelo recomendado para rostos menores, a máscara tem elásticos fixos na altura da cabeça e do pescoço e clipe nasal metálico interno. Tem formato dobrável, facilitando na hora de guardar. O kit vem com dez unidades embaladas e lacradas individualmente. Assim como qualquer modelo PFF-2, não deve ser lavado nem higienizado com produtos químicos.

Kit com 10 máscaras 9920 H - PFF2 - 3M

Preço: de R$ 69,00 por R$ 58,99* (15% de desconto)

Máscara PFF2 da 3M - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Com certificado do Inmetro e da Anvisa, esse modelo de máscara é indicado para quem tem rosto grande ou mais largo, por ter formato bem amplo. O kit vem com dez unidades embaladas e lacradas individualmente. O produto tem clipe metálico ajustável na altura do nariz e tiras fixas de elástico na cabeça e no pescoço.

Kit com 20 máscaras PFF-2 - GVS

Preço: R$ 99,99*

Máscara PFF-2 GVS com elásticos ajustáveis - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O grande diferencial deste modelo em relação aos anteriores é que os elásticos não são fixos, mas ajustáveis. Isso pode colaborar para deixar o ajuste mais adequado conforme o tipo de rosto de quem está usando e ampliar o conforto. Possui clipe nasal interno em espuma, ajudando na fixação da parte de cima.

Uma dica: costuma fazer compras online? Assinar o Amazon Prime pode ser uma boa alternativa. Com primeiro mês de teste gratuito e depois por apenas R$ 9,90, você tem entrega grátis e rápida para diversas compras em qualquer lugar do Brasil.

* Os preços e a lista foram checados no dia 25 de fevereiro de 2022 para atualizar esta matéria. Pode ser que eles variem com o tempo.

_________________________________________________Proporção de MORTES por covid entre IDOSOS volta a CRESCER e indica NECESSIDADE da 4ª dose

A necessidade do segundo reforço já vinha sendo estudada, mas a disseminação da ômicron no início do ano deixou mais clara a vulnerabilidade de idosos - Caio Rocha/Framephoto/Estadão Conteúdo
A necessidade do segundo reforço já vinha sendo estudada, mas a disseminação da ômicron no início do ano deixou mais clara a vulnerabilidade de idosos Imagem: Caio Rocha/Framephoto/Estadão Conteúdo

Roberta Jansen 02/03/2022 16h13

Os idosos voltaram a se destacar entre as principais vítimas da covid-19 mais de dois anos após o início da pandemia, indicando que uma quarta dose de imunizante pode ser fundamental para proteger essa faixa etária. A necessidade do segundo reforço já vinha sendo estudada, mas a rápida disseminação da Ômicron no início deste ano deixou ainda mais clara a vulnerabilidade daqueles que concluíram o esquema vacinal há mais de quatro meses e são particularmente frágeis. Mato Grosso do Sul, por exemplo, já começou a aplicar a 4ª injeção nos mais velhos e São Paulo prevê iniciar essa nova fase da campanha em abril.

Levantamentos feitos em dois dos maiores hospitais de referência para o tratamento da covid-19 no País (Emílio Ribas, em São Paulo, e Ronaldo Gazolla, no Rio) revelaram que no início de fevereiro, de 70% a 90% dos mortos pela doença eram pessoas não vacinadas ou com o esquema de vacinação incompleto. No fim de fevereiro, porém, esse porcentual caiu para aproximadamente 50%, revelando nova mudança no perfil das vítimas. Na outra metade, a maioria são idosos que tomaram a terceira dose em novembro.

"Nas primeiras três semanas da disseminação da Ômicron, (praticamente) 100% dos mortos eram não vacinados, com o esquema vacinal incompleto ou imunossuprimidos (transplantados, pacientes de câncer, entre outros)", afirma o infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu. "Agora, esse grupo representa 50% dos mortos, os outros 50% são idosos já com as três doses; a diferença é que eles tomaram essa 3ª dose há mais de três meses e a imunidade deles começou a cair." Botucatu, no interior paulista, também já iniciou a aplicação da 4ª injeção entre os mais velhos.

A primeira onda da covid-19 no Brasil ocorreu entre abril e outubro de 2020, com a entrada do Sars-CoV2 no País. A segunda onda, muito pior, foi de dezembro de 2020 a junho de 2021, com dias que superaram 3 mil óbitos e colapso do sistema público de saúde em várias cidades. O início da vacinação em janeiro do ano passado fez com que a média de idade das vítimas baixasse significativamente, uma vez que os idosos foram os primeiros a serem imunizados.

No fim de 2021, o surgimento da variante Ômicron do coronavírus, mais transmissível, favoreceu a rápida disseminação da nova cepa no Brasil a partir de janeiro deste ano, o que marcou uma terceira onda da pandemia no Brasil, segundo especialistas.

"As vacinas foram desenvolvidas para o Sars-CoV2 de antes das mutações, e apresentavam proteção alta, acima de 80% para infecções leves e acima de 90% para infecções graves e óbitos", diz a infectologista Ethel Maciel, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). "Com o surgimento das novas variantes, sobretudo da Ômicron, houve redução significativa da proteção para os casos mais leves, ainda que ela tenha se mantido acima dos 80% para casos graves e mortes."

O número de óbitos voltou a ultrapassar a marca das mil vítimas diárias em meados de fevereiro, embora não tenha aumentado na mesma proporção do número de casos, que ultrapassou 200 mil infectados por dia. Enquanto a letalidade da doença no Brasil ao longo da pandemia variou de 2% a 4%, nesta última onda ela não passou de 0,4%, o que revela o efeito da imunização.

Agora, um dos grandes desafios da imunização contra a covid-19, segundo especialistas, é a menor eficácia da vacina justamente na parcela mais velha da população. Por causa do fenômeno conhecido como imunosenescência, os maiores de 70 anos são menos protegidos pelos imunizantes do que a população em geral. E essa proteção tende a cair ainda mais depois de quatro a cinco meses da vacinação completa.

O mesmo fenômeno ocorre em indivíduos submetidos à quimioterapia para câncer, medicações imunossupressoras, portadores de imunodeficiências, pessoas vivendo com HIV, uso crônico de altas doses de corticoide.

No Espírito Santo, por exemplo, um dos poucos Estados que fez levantamento do tipo, a taxa de mortalidade dos idosos com vacinação completa (duas doses mais uma de reforço) era nada menos que 35 vezes maior do que entre não idosos com vacinação completa.

Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a população é mais velha que a brasileira, a idade média dos mortos por covid antes da Ômicron era de 68,4 anos. Depois, passou para 74,2 anos. No Brasil, a média da idade de internação pré-Ômicron era de 57,4 anos, passando a 62,5, com mais de 70% dos casos de internação acima dos 60 anos.

Para o pesquisador Raphael Guimarães, do Observatório Covid-19/Fiocruz, o pico da Ômicron já ficou para trás, com a redução dos números de novos casos e mortes nos últimos dias. Nos próximos 30 dias, o Brasil atravessa o que os pesquisadores chamam de "janela de oportunidade" para otimizar o combate ao vírus, porque a grande maioria da população estará imunizada, seja por conta da vacinação ou por infecção recente pela nova cepa

"Se conseguirmos alavancar a vacinação, vamos reunir um conjunto tão grande de pessoas imunes que é possível pensar em bloquear a circulação do vírus, diminuindo os casos e óbitos", explica Guimarães. O cenário favorável, entretanto, não permite ainda que as medidas de restrição possam ser flexibilizadas, nem autoriza eventos de aglomeração. "É hora de intensificar as medidas de restrição para que o vírus não consiga se espalhar."

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Após Brasil atingir 650 mil mortes por covid, especialistas lamentam "óbitos evitáveis"

Cemitério Parque de Manaus tem ala lotada para sepultamentos por mortes de covid - Carlos Madeiro/UOL
Cemitério Parque de Manaus tem ala lotada para sepultamentos por mortes de covid Imagem: Carlos Madeiro/UOL

Paulo Favero

Do Estadão Conteúdo

02/03/2022 21h06

O Brasil registrou 335 novas mortes pela covid-19 nesta quarta-feira, 2, e superou a barreira de 650 mil óbitos pela doença. A média semanal de vítimas, que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana, ficou em 509, em queda pelo 10º dia seguido.

"Infelizmente nós temos vários estudos que mostram que no Brasil tivemos um número excessivo de óbitos. O porcentual de mortes evitáveis é algo que vem sendo calculado entre 40% e 60% se tivéssemos tomado as decisões corretas", explica Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

O professor de Infectologia da Unesp afirma que era muito importante que tivesse tido um discurso mais coordenado entre governo federal, estadual e prefeituras em relação às medidas de circulação de pessoas, sobre o uso de máscaras e isolamento social. "Essas medidas não farmacológicas deviam ter sido coordenadas de maneira uniforme e isso não aconteceu. Isso levou à desconfiança da população em relação à efetividade dessas medidas."

"Outro ponto foi a questão dos imunizantes. Tivemos desde o começo, quando as vacinas começaram a ter resultados divulgados, uma politização desse debate que foi extremamente danosa. Muito antes de as vacinas chegarem, políticos questionaram a efetividade da vacina e gente do governo federal disse que não tinha pressa para comprar as vacinas. E isso realmente ocorreu. A vacinação começou em janeiro, e foi muito lenta, só engrenando tardiamente. E foi nesta época que tivemos a variante Gama, que foi nosso grande problema, com cerca de 400 mil óbitos concentrados", continuou.

Para Jesem Orellana, epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, pandemia e mortes são conceitos intimamente relacionados. "Especialmente quando se trata de doença nova e de fácil alastramento, como é o caso da covid-19. No entanto, o número de mortos que um país alcança é resultado das estratégias de enfrentamento e mitigação adotadas. A marca de cerca de 650 mil mortes conhecidas no Brasil é tragicamente alta (segunda maior do planeta) e, na prática, é ao menos 15% maior, devido à subnotificação", lamenta.

O especialista cita ainda os efeitos indiretos sobre a própria saúde pública como os casos de covid longa, os gastos em contexto de subfinanciamento do SUS, o agravamento de outras doenças pré-existentes (transtornos mentais, diabetes, pressão alta) ou até mesmo a redução da expectativa de vida da população.

"Não é impossível chegarmos a 700 mil ou mesmo 800 mil mortes conhecidas por covid-19, pois se continuarmos colocando a agenda econômica acima da vida, seguiremos tendo mais e mais mortes evitáveis, sem qualquer benefício econômico, tal como testemunhamos nestes dois anos de pandemia no Brasil, um duplo desastre, sanitário e econômico", avisa.

A primeira morte por covid-19 no Brasil ocorreu em 12 de março de 2020. Desde então os números de contaminados e óbitos cresceram progressivamente e já dá para dizer que o momento atual é uma terceira onda. Em 20 de junho de 2020, o País passou a barreira de 50 mil mortes e na ocasião sequer se imaginava que este número seria multiplicado por 13.

Nesta mesma época do ano passado, o País vinha em um aumento de mortes que fez passar de 300 mil óbitos em 24 de março para 500 mil em 19 de junho. Mas no final de 2021 houve uma desaceleração nas mortes, só que neste ano, com a variante Ômicron, as vítimas fatais por covid-19 voltaram a crescer, ligando o alerta nas autoridades.

Nesta quarta, o número de novas infecções notificadas foi de 29.841. No total, o Brasil tem 650.052 mortos e 28.839.306 casos da doença. Os dados diários do Brasil são do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde, em balanço divulgado às 20h. Segundo os números do governo, 26.506.005 pessoas estão recuperadas.

O Estado de São Paulo registrou 29 mortes por coronavírus nesta quarta. Outros quatro Estados superaram a barreira de 20 óbitos: Minas Gerais (51), Rio Grande do Sul (40), Bahia (39) e Pará (21). No lado oposto, Amapá, Rio Grande do Norte e Roraima não registraram nenhuma morte. O Rio de Janeiro não divulgou os dados até o horário de publicação do texto.

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde o dia 8 de junho, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

Nesta quarta, o Ministério da Saúde informou que foram registrados 23.545 novos casos e mais 297 mortes pela covid-19 nas últimas 24 horas. No total, segundo a pasta, são 28.811.165 pessoas infectadas e 649.630 óbitos. Os números são diferentes do compilado pelo consórcio de veículos de imprensa principalmente por causa do horário de coleta dos dados.

_________________________________________________OMS diz ser PREMATURO decretar fim da pandemia: 'CEDO para cantar VITÓRIA'

Adhanom lembrou que a ameaça de uma nova variante continua "real" - Reuters/Denis Balibouse
Adhanom lembrou que a ameaça de uma nova variante continua "real" Imagem: Reuters/Denis Balibouse

02/03/2022 22h04

Copenhague, 2 mar (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta quarta-feira que seria prematuro considerar terminada a pandemia de coronavírus e lembrou que o contágio continua alto em muitos países e que a vacinação global não atingiu o patamar mínimo exigido.

"É muito cedo para cantar vitória. Ainda há muitos países com baixa cobertura vacinal e alta transmissão", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva virtual.

OMS faz alerta sobre aumento de comportamento suicida na pandemia

Adhanom considerou "animadoras" a redução do contágio globalmente e as notícias de que alguns países estão acabando com as restrições, mas lembrou que a ameaça de uma nova variante continua "real" e que a única forma de acabar com a pandemia é por meio da vacinação.

Enquanto 56% da população mundial já recebeu o esquema completo, em países com menos recursos esse número é reduzido para 9%, quando a meta da OMS é chegar a 70% em todas as nações.

"Embora a ômicron seja menos grave, o número de internados e mortos é superior ao da delta, devido ao seu maior volume, à carga sanitária acumulada e porque os níveis de cobertura vacinal são insuficientes", declarou, por sua vez, a chefe do Departamento de Doenças Emergentes da OMS, Maria Van Kerkhove.

Já o assessor do diretor da OMS, Bruce Aylward, ressaltou que existe o suprimento necessário para atingir a meta de imunização, mas que seu controle está "em poucas mãos".

"A única maneira de alcançar a segurança global é com uma distribuição mais equitativa", completou.

Efeitos na saúde mental

A OMS lembrou que a covid-19 também afetou "seriamente" a saúde mental e que os maiores efeitos foram registrados nas áreas mais atingidas pelo vírus.

Segundo um estudo desta organização, o número de depressões graves aumentou 27,6% durante o primeiro ano da pandemia, enquanto o número de casos de ansiedade subiu 25,6%.

Por esse motivo, a OMS destaca a necessidade de levar em consideração a saúde mental e o apoio psicológico ao lidar com o coronavírus.

Necessidade urgente de corredor seguro na Ucrânia

O pronunciamento de Adhanom e outros funcionários da OMS também se concentrou na situação na Ucrânia e incluiu um apelo à "necessidade urgente" de estabelecer um corredor seguro para facilitar a chegada de suprimentos médicos em meio à invasão da Rússia.

A primeira remessa de equipamentos médicos, transportados de Dubai, chegará amanhã à Polônia e incluirá materiais médicos especializados que poderão atender às necessidades de cerca de 150 mil pessoas, anunciou a OMS.

Adhanom destacou que haverá mais remessas nos próximos dias e explicou que já foram retirados US$ 5,2 milhões do fundo de emergência da OMS, mas que serão necessários outros US$ 45 milhões para os próximos três meses.

"Há algum acesso a material, mas, dada a evolução do conflito, tememos um agravamento da situação", disse Jarno Habicht, diretor da OMS-Ucrânia.

Habicht lamentou a impossibilidade de distribuir os suprimentos médicos armazenados nos depósitos da OMS em Kiev, citando entre as preocupações a falta de oxigênio e medicamentos e os problemas na realização da campanha de vacinação contra a poliomielite.

A OMS também expressou preocupação com relatos de ataques a hospitais e profissionais de saúde, embora tenha ressaltando que até agora apenas um foi confirmado na semana passada.

"A neutralidade dos hospitais e funcionários deve ser respeitada e protegida. Fazer o contrário seria uma violação do direito internacional", frisou Adhanom.

_________________________________________________Reportagem: Carlos Madeiro - Covid tirou a vida de 1 em cada 17 idosos com 90 anos ou mais no país

O Brasil caminha para ter a 6ª maior população do planeta de idosos, mas NÃO criou AINDA políticas efetivas para a DIGNIDADE no CUIDADO a essas pessoas. E a palavra de ordem é cuidado, segurança, dignidade ao envelhecer. Crismedio Costa

Vista aérea de cemiterio em São Paulo com covas abertas para vítimas de covid-19 - Jose Antonio/Anadolu Agency via Getty Images
Vista aérea de cemiterio em São Paulo com covas abertas para vítimas de covid-19 Imagem: Jose Antonio/Anadolu Agency via Getty Images
Carlos Madeiro Colunista do UOL 03/03/2022 04h00

O Brasil atingiu ontem a triste (mas esperada) marca de 650 mil mortos pela covid-19. Em dois anos de pandemia no país, a doença causada pelo SARS-CoV-2 deixou uma sequela cruel especialmente entre os mais idosos.

A coluna levantou os dados do Portal da Transparência dos cartórios de registro civil. Até ontem foram registrados 43.910 óbitos de pessoas de 90 anos ou mais. O alto número se torna ainda mais assustador quando se compara com a população estimada no Brasil nessa faixa etária em 2019 (último ano antes da pandemia): segundo o IBGE eram 774.304 idosos 90+.

Máscaras de pano apresentam baixa proteção contra covid-19, mostra estudo

Em cálculo simplório, sem pretensão científica, vemos que os óbitos pela covid-19 representam 5,6% desses idosos que viviam no Brasil no antes da pandemia.

Dessas vítimas, 2,5 mil eram pessoas centenárias, segundo os dados dos cartórios. Aqui uma ressalva: não há dados atuais de pessoas com 100 anos ou mais morando no Brasil, segundo informou o IBGE à coluna. "Esse grupo etário é muito rarefeito e somente pode ser captado nos censos demográficos", disse o órgão. No Censo de 2010, a população centenária medida foi de 23.760 pessoas no país.

Somente este ano, a covid-19 já vitimou 4.600 idosos com 90 anos ou mais no país. Com o avanço da vacinação, como o UOL mostrou, os idosos com mais de 70 passaram a responder por 63% de todos os óbitos pela covid-19 no país. Isso ocorre porque esse grupo etário tem maior fragilidade, e a covid-19 pode causar problemas graves.

"O coronavírus não é mais aquele grande vilão causador da insuficiência respiratória, mas sim um agente que vai descompensar outros problemas. Isso não é só com os idosos, mas com adultos que tenham uma comorbidade, uma criança com uma doença cerebral. Essas pessoas têm uma fragilidade e estão em um ponto de equilíbrio tênue da saúde", disse o geriatra Marco Polo Dias Freitas, doutor em saúde coletiva pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e membro da Comissão de Políticas Públicas da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia),

Mortes por idade causadas pela covid-19:

Dados de cartórios - Reprodução/Arpen-Brasil - Reprodução/Arpen-Brasil
Imagem: Reprodução/Arpen-Brasil

Vice-presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), a sanitarista Bernadete Perez, afirma que era esperado que a pandemia atingisse mais essa faixa etária no Brasil, como ocorreu em todo o mundo. "A doença é mais grave na população mais idosa. Quanto mais idade, maior é o risco, maior a letalidade", conta.

Entretanto, ela afirma que o país cometeu erros e omissões que poderiam ter ajudado a salvar vidas.

Precisaríamos ter enfrentado a pandemia com rede de atenção, vigilância epidemiológica, comunicação social, estratégias de proteção social para estas pessoas mais vulnerabilizadas, especialmente as mais idosas. Idade avançada não é comorbidade, é uma condição natural que precisa ser cuidada. É nossa memória, cultura, história, o que temos de mais valor.Bernadete Perez, Abrasco

Ela diz ainda que o número de mortes nessa terceira onda não foi mais mortal por causa da vacinação. "Nosso problema é que a vacinação foi tardia, e hoje temos a necessidade da busca ativa. Isso é vinculado à atenção primária necessária para que a gente consiga cobrir 100% da população —ou perto disso— das pessoas com 90 anos e mais. É a forma de proteção mais efetiva", completa.

Movimento para proteção

Durante a pandemia, para proteger os idosos, um grupo criou o movimento nacional "Vidas Idosas Importam" —que hoje existe em todos os estados. "Ele defende a diversidade do envelhecimento —porque ninguém envelhece da mesma forma", conta o gerontólogo e fundador do movimento, Crismedio Costa.

Movimento com 12 mil voluntários para ajudar idosos em todo país - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Movimento com 12 mil voluntários para ajudar idosos em todo país Imagem: Arquivo pessoal

Ele afirma que a crise humanitária provocada pelo coronavírus ainda causa muitos danos, como o medo da morte por causa da alta letalidade da doença nessa faixa. "O pavor teve um impacto forte e negativo na vida dessas pessoas, então muitas chegaram a ficar atordoadas e levou a um isolamento por conta do medo", diz

Para ele, o preconceito é outro fator danoso. O chamado etarismo (a discriminação por idade) foi um dos fatores. "O fato dessas pessoas terem fragilidade na saúde, terem sido contaminadas com a covid-19, serem internadas e irem a óbito fez com que a sociedade os isolasse", relata.

O Brasil caminha para ter a 6ª maior população do planeta de idosos, mas não criou ainda políticas efetivas para a dignidade no cuidado a essas pessoas. E a palavra de ordem é cuidado, segurança, dignidade ao envelhecer.Crismedio Costa

_________________________________________________'Estamos caminhando para o FIM da PANDEMIA, diz JULIO CRODA 

Em entrevista ao GLOBO, o infectologista afirma que o Brasil pode ser um cenário mais favorável ainda neste SEMESTRE e ALERTA para a necessidade de AMPLIAR a QUARTA DOSE para os IDOSOS 

O infectologista Julio Croda se tornou uma das maiores referências em Covid-19 no Brasil Foto: DAVID MAJELLA / Agência O Globo
O infectologista JULIO CRODA se tornou uma das maiores referências em Covid-19 no Brasil

SÃO PAULO —O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) já era conhecido internacionalmente por sua atuação no enfrentamento à tuberculose. Quando a pandemia de coronavírus eclodiu, no início de 2020, ele estava à frente do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, durante a gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta. Desde então, se tornou uma das maiores referências no assunto no Brasil. Em entrevista ao GLOBO, Croda, que também é professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) fala sobre o fim da pandemia, estima que em breve será possível relaxar o uso de máscaras e alerta para a necessidade de ampliar a quarta dose para os idosos, em especial aqueles que tomaram três injeções da CoronaVac

Como o senhor classifica o momento atual da pandemia?

Eu diria que estamos caminhando para o fim da pandemia e vamos entrar numa fase endêmica, com períodos sazonais epidêmicos, como já acontece com a gripe e a dengue, por exemplo. Passar da pandemia para a endemia não significa que a gente não vai ter o impacto da Covid-19 em termos de hospitalização e óbito. Significa que esse impacto vai ser menor a ponto de não ser necessário medidas restritivas tão radicais e eventualmente até a liberação do uso de máscaras, que é uma medida protetiva individual. Isso se deve justamente pelo avanço da imunidade coletiva da população mundial. Estamos avançando muito mais às custas de vacinação do que da infecção. Ela foi a grande mudança de paradigma, que reduziu a letalidade da Covid-19 de um número 20 vezes maior que o da influenza para duas vezes maior, nesse momento.

O que define o fim da pandemia e o início da endemia da Covid-19?

O grande marcador é a letalidade. Ou seja, quanto a Covid mata. Esse vírus só vai matar menos se tiver alta cobertura vacinal. As pessoas que morrem, atualmente, fazem parte de três grupos: idosos muito extremos mesmo vacinados, pessoas com muita comorbidade e pessoas não vacinadas. À medida que avançamos na vacinação, a tendência é reduzir essa letalidade. Foi assim com a influenza H1N1, quando surgiu a pandemia em 2009. Partimos de uma letalidade de 6% e isso foi reduzido para 0,1%.

Esse cenário positivo pode acontecer ainda esse ano?

Com certeza. Mas isso será diferente em cada região e cada país, pois depende da cobertura vacinal, da letalidade e da dinâmica da transmissão. Diversos países começarão, de alguma forma, a diminuir as medidas restritivas, cancelando a obrigatoriedade do uso de máscaras, de manter distanciamento, de evitar aglomeração. Isso já acontece na Europa. Depois da onda de Ômicron, todos os países flexibilizaram. Muitos deixaram de exigir o uso de máscara. Se não existem medidas restritivas, se a recomendação eventualmente seja a vacinação e doses de reforços anuais, não faz sentido eles continuarem mobilizados em uma resposta pandêmica, de emergência em saúde pública. A Europa já está caminhando nesse sentido porque tem mais de 50% da população com três doses e mais de 70%,80% com duas doses. No esquema da Ômicron, três doses é o esquema básico de vacinação.

E no Brasil, quando isso vai acontecer?

Acredito que ainda nesse primeiro semestre a gente tenha uma situação mais favorável, que seja possível de alguma forma, declarar que não estamos mais em emergência de saúde pública, por exemplo. O número de hospitalizações e óbitos é que vai determinar o impacto sobre o serviço de saúde.

A quarta dose tem sido muito discutida, ele é de fato importante nesse momento?

A quarta dose é importante principalmente para os idosos e pessoas com comorbidades. Essas pessoas foram as primeiras a receber o esquema básico com duas doses e muitos receberam essa terceira dose em setembro, no máximo em outubro. Então já tem quatro meses dessa terceira dose. Como a gente sabe que existe uma queda de proteção ao longo do tempo, seria importante eles receberem um novo reforço. As vacinas foram perdendo a sua efetividade e proteção principalmente pelo surgimento de novas variantes. Elas continuam protegendo contra hospitalização e óbito, mas no idoso, essa perda é mais pronunciada. No Brasil ela se torna ainda mais importante porque a maioria desses idosos recebeu esquemas primários com a CoronaVac. Em São Paulo, alguns fizeram esquemas homólogos de CoronaVac há mais de quatro meses. Já sabemos que a CoronaVac na população idosa produz uma resposta imunológica menor e uma proteção menor.

Foi um erro o estado de São Paulo utilizar a CoronaVac como reforço para idosos?

Na época já existiam dados de resposta imunológica e efetividade mostrando que nessa população, outras vacinas eram superiores. Então baseado nos dados que já existiam no momento da decisão do estado de São Paulo, sim, foi um erro. O resto do Brasil não seguiu o estado de São Paulo. O papel da CoronaVac foi fundamental para iniciar a vacinação. Qualquer vacina é melhor do que nenhuma. Então ela salvou muitas vidas. Mas quando se tem opção, é importante escolher a melhor. A ideia de que vacinar rápido reduziria a transmissão da doença pela imunidade coletiva gerada pela vacina não se comprovou quando veio a Ômicron. Para o resto da população não há evidências de que a quarta dose seja necessária.

Alguns países já começam a discutir o relaxamento das medidas de prevenção, como a obrigatoriedade do uso de máscara. O Brasil já pode fazer isso?

A gente ainda vive o pico da Ômicron. Ainda não podemos adotar as medidas europeias. A nossa cobertura vacinal é diferente, a dinâmica da pandemia aqui é diferente, ela chegou mais tardiamente. Temos que observar nossos indicadores. O mês de fevereiro ainda vai ter muita transmissão, muita hospitalização, muito óbito. Em algum momento teremos que fazer essa discussão, mas provavelmente isso será a partir do meio de março. Quando tivermos uma situação favorável, os gestores vão começar a copiar as medidas que foram implementadas na Europa, principalmente no que diz respeito às flexibilizações. Isso deve acontecer à medida que a média móvel de óbitos, que é o último indicador a cair, chegue nos períodos pré-Ômicron.A curva de novos casos já começou a cair e a de mortes deve começar a diminuir em breve.

O senhor acha que o carnaval pode impactar essa tendência de alguma forma?

O que pode acontecer, a depender da cidade e do estado, é a redução da velocidade de queda do número de casos, mas não uma retomada. As ondas são bastante similares. São quatro a seis semanas de subida, seguida por quatro a seis semanas de queda, independente da cobertura vacinal porque os suscetíveis são esgotados. O que muda é a magnitude do impacto, que é o tamanho do pico, isso depende da cobertura vacinal. Mas a dinâmica da onda epidêmica vai ser a mesma. Mesmo com um evento de massa, que eventualmente esteja associado a aglomeração e transmissão, não haverá suscetíveis suficientes para uma nova onda. A não ser que surjam novas variantes, que sejam mais transmissíveis que a Ômicron e tenham um escape da resposta imune do que a Ômicron.

_________________________________________________Meningite: vacinar adolescentes é essencial para parar ciclo de transmissão

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Imagem: iStock

De VivaBem, em São Paulo

24/04/2021 11h11

Hoje (24) é lembrado o Dia Mundial da Meningite, data que tem por objetivo reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico ágil para evitar as complicações dessa grave doença.

A doença pode ser causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, fungos e vírus. Em geral, a mais grave delas é a meningite bacteriana, e dentre elas se destaca a meningite meningocócica que, em 24 horas, pode mudar o rumo da vida do paciente: a evolução rápida e a alta letalidade são algumas das características mais preocupantes da infecção causada quando a bactéria Neisseria meningitidis (ou meningococo) atinge as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.

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50% dos pais não vacinaram filhos contra a meningite; doença é perigosa

Caso os pacientes não recebam o tratamento adequado rapidamente, 50% deles morrem e até 20% dos sobreviventes podem ficar com alguma sequela, como dano cerebral, perda auditiva ou amputação de membros. Considerada uma doença endêmica grave no Brasil, a enfermidade pode ser assintomática ou provocar sintomas graves, com rápida evolução. A vacinação é a forma mais recomendada e eficaz para evitar a doença.

Na década de 70, a população brasileira enfrentou a maior epidemia de meningite de sua história. O avanço dos casos foi contido graças a imunização de 90 milhões de pessoas em tempo recorde por meio de vacinas que protegeram os cidadãos contra a doença.

Quase 50 anos depois, o cenário atual gera preocupação em especialistas. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 50% dos casos de meningite no Brasil entre 2015 e 2019 ocorreram em indivíduos maiores de 15 anos. Em 2020, de acordo com o número de casos notificados do DataSUS, esse índice chega a 55%.

Essa tendência de contágio está diretamente ligada ao perfil do público adolescente, que pode chegar a 20% dos portadores assintomáticos do meningococo e, por não manifestar sintomas, acaba infectando outras pessoas e representando uma ameaça para a proteção de populações mais vulneráveis ou que ainda não completaram o esquema vacinal, ou não fizeram a dose de reforço.

"Os hábitos dessa faixa etária, como o compartilhamento de copos e narguilés, o contato próximo entre amigos e até mesmo o beijo e a respiração, facilitam a transmissão da bactéria", explica Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria). "Por isso a vacinação na adolescência propicia a proteção não só dos indivíduos dessa idade, como também crianças mais novas e pessoas mais velhas que têm contato esses adolescentes."

Incorporada ao PNI (Programa Nacional de Imunizações) brasileiro no ano de 2020, para adolescentes de 11 a 12 anos, a vacina ACWY protege contra quatro diferentes sorogrupos de meningococo. O imunizante funciona como uma proteção estendida para evitar novos casos de meningite, complementando a vacinação contra o sorogrupo C que é administrada na primeira infância (aos 3, 5 e 12 meses).

"Estamos falando de uma inclusão que deve propiciar a diminuição significativa da circulação dessa doença grave no Brasil. Por isso é tão importante que as famílias dos adolescentes busquem pela vacina nos postos de saúde. Nós temos acesso a um dos maiores programas de imunização do mundo e precisamos fazer proveito disso mantendo a carteira de vacinação em dia", explica Sáfadi.

Os sintomas iniciais da meningite meningocócica podem incluir febre alta, irritabilidade, dor de cabeça, náusea e vômito. Na sequência, o paciente pode apresentar pequenas manchas arroxeadas na pele, rigidez na nuca e sensibilidade à luz. Se não for rapidamente tratado, o quadro pode evoluir para confusão mental, convulsão, choque, infecção generalizada, falência múltipla de órgãos e risco de morte.

Abandono vacinal durante a pandemia

Uma pesquisa realizada pela Ipsos Mori e encomendada pela farmacêutica GSK revelou que aproximadamente 50% dos pais de Brasil, Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Argentina e Austrália atrasaram ou cancelaram a vacinação de seus filhos contra meningite meningocócica durante a pandemia de covid-19.

Nos oito países que participaram da pesquisa online, realizada entre 19 de janeiro e 16 de fevereiro de 2021, os principais motivos apontados pelos pais para adiarem ou faltarem à data prevista para nova dose do imunizante foram as medidas de isolamento (63%), a preocupação de contrair covid-19 em locais públicos (33%) e a necessidade de cuidar de alguém contaminado com o novo coronavírus, como um membro da família ou eles próprios (20%).

Os resultados da pesquisa convergem com dados do PNI (Programa Nacional de Imunizações), que apontam que, em 2020, apenas 73% do público-alvo da vacina meningocócica C, ofertada gratuitamente pelo SUS, cumpriu o esquema vacinal recomendado.

"Quando retornarem às aulas e outras atividades presenciais, crianças e adolescentes, grupo sensível à contaminação e transmissão do meningococo, estarão vulneráveis aos riscos da doença por causa do abandono vacinal, que já vinha ocorrendo nos últimos anos e se tornou mais evidente em 2020. A vacinação é um serviço essencial que, mesmo em tempos de pandemia, deve ser mantido. A atualização da caderneta vacinal não só de crianças e adolescentes, como também de adultos e idosos, deve ser prioridade", reforça Jessé Alves, infectologista e gerente médico de vacinas da GSK.

Prevenção da meningite meningocócica

Criança tomando vacina - Geber86/iStock - Geber86/iStock
Imagem: Geber86/iStock

Atualmente, no Brasil, existem vacinas para a prevenção dos 5 sorogrupos ou tipos mais comuns de meningococo: A, B, C, W e Y. O de maior incidência é o C, responsável por 60% dos casos de doença meningocócica quando observamos todas as faixas etárias. Já em bebês no primeiro ano de vida e crianças menores de 10 anos no Brasil, o sorogrupo B é o principal causador da doença.

Nos postos de saúde, a vacina contra a doença causada pelo meningococo C é gratuita para bebês, com doses administradas aos 3 e 5 meses de idade, e um reforço aos 12 meses, que pode ser aplicado em crianças menores de 5 anos de idade. A vacina contra os sorogrupos A, C, W e Y é oferecida em dose única para adolescentes entre 11 e 12 anos.

Já o sorogrupo B é prevenido por vacinação disponível somente na rede particular, com doses previstas para os 3 e 5 meses de idade, e mais uma entre 12 e 15 meses. Outras formas de prevenção da meningite meningocócica incluem evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados e limpos.

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Bactéria no cérebro: como se pega tipo de meningite de Paulinha Abelha?

Paulinha Abelha, vocalista da Calcinha Preta - Eduardo Gimenez Fasano
Paulinha Abelha, vocalista da Calcinha Preta Imagem: Eduardo Gimenez Fasano

Do VivaBem*, em São Paulo

18/02/2022 13h06

Em coma, a cantora Paulinha Abelha, vocalista da banda Calcinha Preta, foi diagnosticada na noite desta quinta-feira (17) com uma bactéria no cérebro, quadro conhecido como meningite.

A assessoria da cantora já tinha informado que ela estava com insuficiência renal, que é quando os rins não conseguem realizar a função de filtrar o sangue. Durante a noite, a equipe comunicou que a cantora foi transferida do Hospital Unimed, em Aracaju, para o Hospital Primavera, na mesma cidade.

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Paulo Vieira é internado com meningite; tipo bacteriano é o mais grave

No domingo (13), Paulinha estava em turnê com a banda em São Paulo quando passou mal e foi hospitalizada assim que desembarcou na capital sergipana.

O que é meningite?

As meninges são membranas de tecido conjuntivo que envolvem o cérebro e a medula espinhal, com o objetivo de proteção. São elas, de fora para dentro:

  • Dura-máter;
  • Aracnóide;
  • Pia-máter.

Quando uma bactéria ou um vírus, por alguma razão, consegue vencer as defesas e chegar às meninges, elas se inflamam e causam as meningites.

É uma doença considerada grave, bastante contagiosa e que pode provocar até morte. O problema pode ser causado por diversos agentes, mas os provocados por vírus e bactérias são os mais comuns. Também existem tipos menos frequentes de meningite, como as causadas por fungos e parasitas, além das não infecciosas.

Como é transmitida?

Em geral, a transmissão da meningite bacteriana é de pessoa para pessoa, por meio de gotículas e secreções liberadas pelo nariz e garganta. De acordo com o CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças, nos Estados Unidos), aproximadamente uma em cada dez pessoas é portadora do meningococo no nariz ou na garganta, sem apresentar qualquer sintoma.

Tipos e causas

As meningites bacterianas e virais são as mais importantes em termos de saúde pública, por sua capacidade de causar surtos. A meningite meningocócica (causada pela bactéria Neisseria meningitidis) é a mais grave, mas outros organismos também podem estar envolvidos. Em geral, a incidência das bacterianas é mais comum no outono e no inverno e das virais, na primavera e no verão.

No caso das bactérias, as principais causadoras da meningite são a Neisseria meningitidis (meningococo), Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Haemophilus influenzae. Streptococcus do grupo B, Listeria monocytogenes, Escherichia coli e Treponema pallidum também podem causar a doença, porém com menor frequência. O bacilo de Koch, um tipo de micro-organismo um pouco diferente que causa a tuberculose também pode, em certos casos, provocar meningite.

Na suspeita da doença, deve-se procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Como tratar

No caso das meningites bacterianas, é feito com antibióticos aplicados na veia. Nesse caso, é necessária a internação hospitalar. Quanto mais rápido o tratamento começar, menor a possibilidade do quadro evoluir mal.

Tem cura?

Sim, a maioria dos casos evolui para a cura, mas é fundamental que os cuidados sejam iniciados o quanto antes, principalmente no caso da meningite bacteriana. O risco de morte por meningite meningocócica é alto —de 10% a 20%, segundo a Sbim (Sociedade Brasileira Imunizações), podendo chegar a 70% se houver infecção generalizada (meningococemia).

*Com informações de reportagem publicada em 05/03/2019.

_________________________________________________Opinião - Esper Kallás: Pornografia, sexo e HIV

Focar somente uso da camisinha é desconsiderar avanços recentes conquistados na prevenção da transmissão do vírus

Na última semana, uma longa reportagem da Folha trouxe à discussão a obrigatoriedade do uso de preservativos de barreira pela indústria pornográfica brasileira. A camisinha masculina é o mais conhecido e o mais popular deles. Três atrizes receberam diagnóstico para a infecção pelo HIV e a suspeita recaiu sobre as cenas sem o uso do preservativo.

É inegável a enormidade do alcance da indústria pornográfica. Receitas e lucros são gigantes. Embora controlada, em parte expressiva, por grandes produtoras, está também pulverizada em pequenas empresas e em produções pessoais, com conteúdo divulgado de forma amadora via internet. A penetração, sem trocadilhos, é extraordinária.

Cena do filme 'Love', filme de Gaspar Noé, exibido no Festival de Cannes de 2015 - Divulgação

Estima-se que cerca de um terço do tráfego de dados na internet seja impulsionado por conteúdo erótico ou pornográfico. Sexo é um dos assuntos prediletos no mundo e a transmissão do HIV é uma das preocupações que o tema sempre traz.

Nos últimos anos, felizmente, a prevenção do HIV ganhou outros contornos e deixou de centrar somente no uso da camisinha. Conceitos adotados com formas diversas de proteção compõem um arsenal mais eficiente do que medidas isoladas. Um paralelo é a segurança automobilística. Apesar da importância do uso do cinto de segurança, a indústria não para de investir em veículos que absorvem o choque, air bags, freios antitravamento e várias outras melhorias que diminuem ferimentos e mortes em acidentes.

Na transmissão do HIV ocorre algo parecido. O conceito de prevenção combinada ganhou força com a adição de novas armas: testagem frequente, para diagnóstico precoce de possível infecção; uso da profilaxia antes ou após o ato sexual de risco (PrEP e PEP); a supressão do vírus com o coquetel de antivirais, em pessoas que vivem com HIV, para impedir a transmissão ao parceiro sexual (TASP); a adoção de medidas para diagnosticar e tratar outras infecções sexualmente transmissíveis, que facilitam a transmissão do HIV.

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Então, por que as atrizes, e também atores, se infectaram? Faltou uma avaliação mais ampla de prevenção aos participantes das filmagens? Poderiam, ainda, ter adquirido o HIV em situações que não estavam ligadas à atuação profissional?

As várias estratégias de prevenção, muitas listadas acima, deveriam e devem ser abordadas com o devido equilíbrio, consideradas as vulnerabilidades.


Fazer acreditar que apenas a falta do uso de camisinha nas cenas foi responsável pela transmissão desconsidera os conceitos atuais de prevenção combinada.


Nem todos conseguirão adaptar-se ao uso de camisinha em todas as relações, ou ao uso continuado de remédios. Embora um método possa ser somado aos outros, a flexibilidade permite que cada um encontre a forma mais conveniente para se prevenir de forma eficaz.


Voltando às cenas de sexo dos filmes pornográficos, se a prevenção combinada tivesse sido aplicada, o uso da camisinha poderia mesmo ser opcional. Assim tem ocorrido na indústria pornográfica americana, que chegou a interromper as filmagens em 2011, depois de identificar um surto de transmissão do HIV. É importante salientar que isso se deu antes da implementação da PrEP e ao florescer do conceito de TASP.


Promover a prevenção combinada para o HIV é a forma mais efetiva de enfrentar a pandemia de HIV e Aids. Olhar para a prática do sexo sem preconceito, e com pragmatismo considerando o que há disponível, é a melhor opção.



_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: Quando 'liberdade' significa o direito de destruir

Pessoas que retrataram o Black Lives Matter como ameaça estão deliciadas com protestos antivacina no Canadá

No domingo (13), a polícia canadense finalmente dispersou os manifestantes antivacina que bloqueavam a Ponte Ambassador, entre Detroit (EUA) e Windsor (Canadá), uma rota comercial importante por onde normalmente passam mais de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) em comércio internacional diário. Outras pontes continuam fechadas, e parte de Ottawa, a capital canadense, ainda está ocupada.

A hesitação das autoridades canadenses diante dessa disrupção foi alarmante aos olhos dos americanos. Também alarmante, embora não surpreendente de fato, foi o uso do vandalismo econômico e da intimidação por grande parte da direita americana —especialmente pessoas que criticaram as manifestações em favor da justiça racial. O que estamos vendo aqui é uma lição objetiva sobre o que algumas pessoas realmente querem dizer quando falam em "lei e ordem".

Vamos falar sobre o que está acontecendo no Canadá e por que eu chamo isso de vandalismo.

Manifestantes do 'Comboio da Liberdade' bloqueiam ruas diante do Parlamento canadense, em Ottawa - Ed Jones/AFP

O "Comboio da Liberdade" foi divulgado como uma reação dos caminhoneiros irritados com a vacinação obrigatória contra a Covid-19. Na realidade, não parece haver muitos caminhoneiros entre os manifestantes na ponte (cerca de 90% dos caminhoneiros canadenses estão vacinados). Na semana passada, um repórter da agência Bloomberg viu apenas três carretas entre os veículos que bloqueavam a Ponte Ambassador, que eram na maioria caminhonetes e carros particulares; fotos tiradas no sábado também mostram muito poucos caminhões comerciais.

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O sindicato Teamsters, que representa muitos caminhoneiros dos dois lados da fronteira, denunciou o bloqueio.

Portanto, esse não é um levante da base dos caminhoneiros. É mais como um 6 de janeiro em câmera lenta, uma disrupção causada por um número relativamente pequeno de ativistas, muitos deles extremistas de direita. Em seu pico, as manifestações em Ottawa supostamente envolveram apenas cerca de 8.000 pessoas, enquanto os números em outros locais foram muito menores.

Apesar de seu pequeno número, porém, os manifestantes estão infligindo um volume notável de prejuízos econômicos. As economias dos Estados Unidos e do Canadá são estreitamente integradas. Em particular, a indústria fabril norte-americana, especialmente mas não somente a de automóveis, conta com um fluxo constante de peças entre fábricas dos dois lados da fronteira. Em consequência, a interrupção desse fluxo atrapalhou a indústria, forçando cortes na produção e até o fechamento de fábricas.

O bloqueio da Ponte Ambassador também gerou grandes custos indiretos, pois os caminhões são desviados para rotas secundárias e obrigados a esperar em longas filas em pontes alternativas.

Qualquer tentativa de definir um número para os custos econômicos do bloqueio é enganosa e especulativa. No entanto, não é difícil chegar a números como US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) ou mais por dia; combine isso com a disrupção em Ottawa, e os protestos de "caminhoneiros" já podem ter infligido prejuízos econômicos de alguns bilhões de dólares.

É um número interessante, porque é aproximadamente comparável às estimativas da indústria de seguros sobre as perdas totais associadas aos protestos do Black Lives Matter, após o assassinato de George Floyd —protestos que parecem ter envolvido mais de 15 milhões de pessoas.

Manifestantes protestam contra morte de George Floyd em Minneapolis

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Essa comparação sem dúvida surpreenderá os que obtêm suas notícias da mídia de direita, que retratou o movimento como uma orgia de saques e incêndios criminosos. Eu ainda recebo emails de pessoas que acreditam que grande parte da cidade de Nova York foi reduzida a ruínas fumegantes. Na verdade, as manifestações foram notavelmente não violentas; houve vandalismo em poucos casos, mas foi relativamente raro, e o dano foi pequeno considerando o tamanho enorme dos protestos.

Em contraste, causar danos econômicos foi e é simplesmente do que tratam os protestos no Canadá —porque bloquear fluxos de bens essenciais, ameaçando o ganha-pão de pessoas, é exatamente tão destrutivo quanto quebrar uma vitrine de loja. E ao contrário de, por exemplo, uma greve contra uma determinada empresa, esse dano coube indiscriminadamente a qualquer pessoa que tivesse o infortúnio de depender do livre comércio.

E com que finalidade? As manifestações do Black Lives Matter foram uma reação ao assassinato de pessoas inocentes pela polícia; o que está acontecendo no Canadá é, aparentemente, sobre rejeitar medidas de saúde pública destinadas a salvar vidas. 

É claro, até isso é principalmente uma desculpa: 

é na verdade uma tentativa de explorar o cansaço da pandemia para reforçar a habitual agenda da guerra cultural.

Como se poderia esperar, a direita americana está adorando isso. 

Pessoas que retrataram protestos pacíficos contra mortes praticadas pela polícia como uma ameaça existencial estão deliciadas com o espetáculo de ativistas de direita infringindo a lei e destruindo riqueza. 

A Fox News dedicou muitas horas à cobertura elogiosa dos bloqueios e ocupações.

O senador Rand Paul, que chamou os ativistas do Black Lives Matter de "turba enlouquecida", pediu protestos no estilo do Canadá para "congestionar as cidades" dos Estados Unidos, especificamente dizendo que esperava ver caminhoneiros perturbando a final do campeonato de futebol, o Super Bowl (eles não fizeram isso).

Suponho que a reabertura da Ponte Ambassador seja o início de uma repressão mais ampla a protestos destrutivos. 

Mas espero que não esqueçamos este momento — e em particular que nos lembremos dele na próxima vez que um político ou alguma figura da mídia falar em "lei e ordem".

Os acontecimentos recentes confirmaram o que muitos suspeitavam: 

a direita fica perfeitamente à vontade, na verdade entusiasmada, com atos ilegais e desordem, desde que sirvam aos fins da direita.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

_________________________________________________Média de mortes por covid no Brasil se mantém alta devido a idosos e não vacinados

Imagem meramente ilustrativa; especialistas apontam que a maior parte das vítimas é formada por idosos, vulneráveis e não imunizados - iStock
Imagem meramente ilustrativa; especialistas apontam que a maior parte das vítimas é formada por idosos, vulneráveis e não imunizados Imagem: iStock

Ítalo lo Re e Paulo Favero

15/02/2022 09h09

Mesmo com mais de 70% da população vacinada com duas doses ou aplicação única, o Brasil ainda possui uma média móvel de mortes por covid acima de 800. Especialistas apontam que a maior parte das vítimas é formada por idosos, vulneráveis e não imunizados. Nesse quadro, a alta transmissibilidade da cepa ômicron tem aumentado as internações em leitos de enfermaria e UTI em praticamente todo o País.

Em São Paulo, por exemplo, um terço dos óbitos pelo coronavírus é de pessoas que não completaram o esquema vacinal. O restante é de pacientes com alguma comorbidade grave, cujo quadro é agravado pela covid. Outro dado importante apontado por pesquisas sobre o impacto da variante ômicron é de que as duas doses das vacinas disponíveis continuam reduzindo o risco de casos graves da doença, mas há perda de uma parte da proteção. Por isso, alguns lugares já estão aplicando a quarta dose.

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O impacto da covid longa também é estudado por especialistas. Ou seja, muitos que pegaram a doença tempos atrás ainda estão sentindo o reflexo dela, podendo até levar à morte. "A covid não é independente. Há interação e a gente já sabe disso", explica Marcia Castro, professora da Escola da de Saúde Pública de Harvard, lembrando que recentemente a revista Nature Medicine publicou um artigo sobre isso.

Dois números no total de mortes de janeiro chamam a atenção. Em janeiro de 2019, por exemplo, 1.337 pessoas morreram de AVC. Já no primeiro mês deste ano foram 10.326 óbitos. Em doenças cardiovasculares, se em 2019 o número foi 5.968, em janeiro deste ano chegou a 14.703. "Tem aumento significativo de AVC, enfarte, pneumonia. Então ficam várias questões e, quando tivermos mais dados, vamos conseguir entender", continua.

"Os números indicam que pode ser efeito da covid longa, que contribui para as complicações cardíacas. Estudos mostram que, mesmo quem teve sintoma leve, tem risco maior de desenvolver essa doença", diz. Marcia lembra que são necessários outros dados para investigar melhor o tema. "Análise que terá de ser feita daqui para frente é olhar para saber se a pessoa que morreu por doença crônica teve covid em algum momento antes."

Para além do aumento nas doenças crônicas, existe também um crescimento nos casos de pneumonia e Síndrome Respiratória Aguda Grave. Marcia acredita que isso pode ser um indicador de maior circulação das pessoas em relação há um ano atrás, quando muitos lugares ainda tinham normas de restrições sociais.

Cientista de dados e coordenador da Rede Análise Covid-19, Isaac Schrarstzhaupt entende que a alta de mortes em janeiro não recebeu influência do apagão de dados que afetou o País entre dezembro e o início deste ano, uma vez que, explica, os "óbitos (registrados) nos cartórios independem da RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde)".

Ele pondera, além disso, que, apesar de o País ter passado por um maior pico de mortes no primeiro semestre do ano passado na comparação com este ano, não apenas a ocupação de leitos influi no aumento de mortes por outras causas, como ainda outros fatores. Um deles, difícil de ser mensurado, seria o excesso de consultas e exames de rotina em atraso, devido aos mais de dois anos de pandemia.

Schrarstzhaupt destaca ainda que tem muito caso subnotificado. "A gente não testa realmente. Imagina se não tivesse vacina? Teria sido um massacre", disse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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