9 __________ GUERRA RÚSSIA x UCRÂNIA
_________________________________________________Jurista Pedro Dallari CONTESTA ESQUERDA que apoia PUTIN: “A TOLERÂNCIA com a BARBÁRIE vai DEMANDAR muita AUTOCRÍTICA” _________________________________________________COMO a ESQUERDA MUNDIAL vê a GUERRA entre RÚSSIA e UCRÂNIA? _________________________________________________

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[ A explicação é que os russos estão espumando ódio pela boca, estão andando e cagando e mentem descaradamente ]
O estranho massacre de Bucha - Gilberto Maringoni
Por Gilberto Maringoni 5 de abril de 2022, 17:11

São muito esquisitas as cenas do suposto massacre russo em Bucha, nos arredores de Kiev. Parece algo montado para escandalizar o mundo.
QUE EXÉRCITO INVASOR, cioso por limpar sua imagem internacional, deixaria vestígios tão evidentes de sadismo e barbárie? O que ganharia com tal cenário? Por que os assassinatos seriam cometidos na retirada e não na entrada das tropas, quando resistências teriam de ser quebradas? Por que os corpos estão no meio das ruas, quase numa exposição para ser fotografada e filmada?
Isso para não falar da alegação russa de que suas tropas saíram da cidade dia 30, quarta. Os cadáveres apareceram apenas no domingo, vários ainda sem rigor mortis ou vestígios de decomposição. Não há sinais, nas imagens, dos mortos terem sido devorados por animais famintos, apesar de largados a céu aberto por quatro dias.
UM CENÁRIO DESSES, legado pelo exército invasor seria factível apenas se as forças de Moscou fossem comandadas por limítrofes, alienados ou imbecis. Até as milícias cariocas escondem cadáveres e limpam as cenas de seus crimes.
Agora, o mais estranho é a recusa dos EUA, Inglaterra e França a fazer uma investigação séria sobre a tragédia. O que vale é a imagem acrítica em todas as redes e emissoras.
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Rússia FORTALECEU OTAN ao trazer EUA de volta à Europa, diz porta-voz alemão de assuntos exteriores

Após dar um giro de 180 graus em sua política externa e se unir aos países que passaram a fornecer armas à Ucrânia, a Alemanha prevê uma GUERRA LONGA e MUITOS ANOS de TENSÃO e DISPUTAS entre Vladimir Putin e o Ocidente.
Essa é a avaliação do porta-voz para assuntos exteriores da bancada parlamentar do governista Partido Social-Democrata (SPD), Nils Schmid, que, em entrevista ao GLOBO, questionou a credibilidade da China como eventual mediadora e celebrou o voto do Brasil pela condenação da Rússia nas Nações Unidas.
Perguntado sobre recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro, o deputado alemão afirmou que “não se pode ser neutro quando um país é atacado por seu vizinho”. Schmid admite a possibilidade de vitória militar da Rússia, mas acredita que Putin “perdeu a sociedade ucraniana” e, portanto, “perdeu a Ucrânia do ponto de vista estratégico”.
Há possibilidade de a Otan entrar no conflito?
Vejo a possibilidade de envolvimento da Otan ainda muito distante. Isso já foi dito muito claramente pelo presidente [Joe] Biden, pelo nosso chanceler [Olaf] Scholz, desde o começo. Enquanto territórios da Otan não forem atacados, a Otan não vai se envolver. Mas é claro que muitos estados da Otan, individualmente, apoiam o direito da Ucrânia de se defender e continuarão enviando armas ao país.
Esta é a primeira vez, desde a Segunda Guerra, que a Alemanha decide enviar armas a outro país. Como o senhor analisa esse giro de 180 graus na política externa e militar do país?
Todos ficamos chocados com a brutal agressão de Putin contra a Ucrânia: essa é uma guerra de agressão no meio da Europa. Pela primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, uma grande potência, a Rússia, atacou um país vizinho. Isso não é como a guerra nos Balcãs. Essa é uma guerra de alta intensidade, convencional, da Rússia contra a Ucrânia. Como a diplomacia não conseguiu impedir o ataque, na Alemanha tivemos de mudar o curso e nos adaptar a essa nova situação. Durante 70 anos, não quisemos interferir em guerras, resistimos a enviar armas em diferentes conflitos, mas neste caso não se trata apenas da Ucrânia: trata-se da segurança europeia.
Quais são os temores da Alemanha neste momento? A dependência do gás russo é uma das grandes preocupações?
Não vejo grandes problemas para a Alemanha nesse sentido hoje. Decidimos impor duras sanções econômicas contra a Rússia, mas foram calibradas de forma a que os custos sejam muito mais elevados para a Rússia do que para as economias europeias. Quando se trata de gás e petróleo, as importações da Rússia não podem ser substituídas de um dia para o outro, mas temos de acelerar a diversificação. Como depende dessas receitas de exportação, não acho que a Rússia esteja pensando em suspender suas exportações para países europeus. Somos cautelosos, porque não podemos abrir mão dessas importações no curto prazo, mas nos próximos anos a Alemanha vai tentar reduzir sua dependência em matéria de petróleo e gás da Rússia.
Como o senhor avalia o papel da China nos esforços diplomáticos para tentar um acordo?
Não vejo a China como um mediador com credibilidade nesse conflito. Ela não tem tradição como mediador em conflitos desse tipo, acho difícil acreditar que termine com a guerra. Não vejo Putin acabando com esse conflito logo, porque ele quer controlar toda a Ucrânia. Mas temos de tentar evitar mais sofrimento, por isso os esforços diplomáticos são tão importantes. Temos de buscar um acordo, mas levar em consideração que ele deve ser aceito também pela Ucrânia. A capitulação não levará a um cessar-fogo. Dependerá do que ucranianos e russos podem aceitar como compromissos. Temos, também, de enviar mensagens a Putin sobre o custo alto para a Rússia dessa guerra, e continuar enviando ajuda à Ucrânia. Infelizmente, o que vejo é uma guerra ainda prolongada. E, mesmo após o final dessa terrível guerra, o conflito com a Rússia vai continuar enquanto Putin estiver no poder e governando de maneira autoritária. Temos de nos preparar para um longo conflito, porque a Rússia considera o Ocidente um adversário. Isso pode implicar agressões militares, ciberataques, como tivemos na Europa nos últimos anos. Temos de entender que não se trata apenas da Ucrânia: é um longo jogo de Putin contra nós.
O senhor não é otimista?
Como disse, não podemos nos render. A combinação de resistência militar, pressões econômicas e esforços diplomáticos poderia levar a um cessar-fogo.
Na ONU, o Brasil votou a favor de uma condenação da Rússia, mas questionou o envio de armas à Ucrânia e as sanções. Qual é sua opinião sobre a posição brasileira na guerra?
Foi muito importante que o Brasil se unisse à grande maioria de países da comunidade internacional nas Nações Unidas na condenação à guerra da Rússia contra a Ucrânia. Precisamos do Brasil como um firme defensor das regras internacionais. Não deveriam criticar a ajuda aos ucranianos para defesa, porque isso também é parte da Carta das Nações Unidas. É preciso adotar medidas contra essa guerra brutal e prevenir que a Rússia continue avançando. As sanções impostas à Rússia são a consequência lógica da condenação à violação por parte da Rússia de regras internacionais.
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil deve ser neutro no conflito...
Não se pode ser neutro quando um país é atacado por seu vizinho. Se o Brasil tivesse sido atacado por um vizinho, não gostaria que outros ficassem neutros.
Como o senhor avalia o papel dos Estados Unidos na ofensiva contra a Rússia?
Os Estados Unidos não são o único líder nessa ofensiva. Estamos satisfeitos pela presença dos EUA na Europa, seu engajamento em nome da segurança europeia, mas essa não foi uma livre escolha para Biden.
Foi uma necessidade para os EUA, e os americanos deixaram os esforços diplomáticos nas mãos dos europeus. Os laços transatlânticos foram fortalecidos não porque Biden queria, mas porque surgiu a necessidade de defender a segurança europeia das agressões da Rússia.
As tropas russas estão quase em Kiev. O que se pode esperar para os próximos dias e semanas?
Mesmo se a Rússia vencer a guerra, ela já perdeu a Ucrânia do ponto de vista estratégico. Depois da anexação da Crimeia, e depois dessa guerra, a Rússia se distanciou dos ucranianos pelas mortes que causou. Putin já perdeu a sociedade ucraniana. Levará anos para recompor o vínculo e a confiança, e isso é muito triste porque são países vizinhos. Essa guerra é uma catástrofe para a Ucrânia e também para a Rússia.
_________________________________________________'Rendam-se ou todos morrerão': as impressões de repórter após ataque a Kiev

_________________________________________________Biden alerta Rússia: "se tocarem no território da Otan, reagiremos e será a 3ª Guerra Mundial"

247 - Em evento do Partido Democrata na Filadélfia (Estados Unidos), nesta sexta-feira, 11, o presidente norte-americano Joe Biden voltou a condenar a operação militar russa na Ucrânia e alertou os russos, em um pronunciamento transmitido ao vivo pela televisão.
“Quero ser claro: defenderemos cada centímetro do território da Otan, mas não vamos travar uma guerra contra a Rússia na Ucrânia. Um confronto direto entre a Otan e a Rússia é a 3ª Guerra Mundial. É algo que devemos nos esforçar para evitar”, afirmou. “Não queremos a Terceira Guerra Mundial. Se tocarem nos países da Otan, vamos responder”, frisou.
Biden nesta sexta decretou novas sanções econômicas contra a Rússia, impedindo os moradores dos EUA de comprarem vodka, caviar e pedras preciosas, como diamantes russos.
_________________________________________________Imperialismo persegue barbaramente o povo russo - Henrique Vital Brazil Simonard
_________________________________________________Veja quem é a família morta em Irpin após ataque de morteiros russos
'Perdoem-me, não os protegi', escreve homem que perdeu mulher e filhos; imagem dos corpos numa rua próxima a Kiev foi vista em todo o mundo
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A foto de uma família morta após um ataque de morteiros russos próximo a Irpin, nos arredores de Kiev, explicitou o horror do conflito para os civis do país e estampou capas de jornal ao redor do mundo.
O pai, Serguei Perebinis, publicou no Facebook uma homenagem à família. No momento do ataque, ele não estava com a mulher, Tatiana Perebinis, e os filhos, que eram acompanhados por um amigo.

"Levaram todos eles. Tania [apelido de Tatiana] não resistiu. Por que isso está acontecendo comigo? E agora? Eu estou a caminho, vivo. Preciso ver vocês uma última vez. Perdoem-me, eu não os protegi", escreveu na mensagem, publicada junto de fotos antigas de Tatiana, 43, Nikita, 18, e Alise, 9.
A empresa de tecnologia e marketing em que Tatiana trabalhava, a SE Ranking, também publicou uma homenagem. "Estamos devastados em dizer que nossa querida colega e amiga Tatiana Perebinis, chefe de contas da SE Ranking, foi morta com suas crianças por morteiros russos", diz o comunicado.
"A família dela se tornou vítima de ataques a civis não provocados. Nossos corações estão partidos."

Em grupos no Facebook, Serguei também falou sobre seus cachorros, que acompanhavam a família e pareciam estar vivos em vídeos divulgados nas redes sociais.

"Amigos, minhas crianças morreram hoje em Romanovka, perto de Irpin. Ao lado dos seus corpos, estavam duas caixas de transporte de cachorro e, a julgar pelos vídeos, eles parecem estar vivos. Alguém pode tê-los salvado. Se alguém tiver visto ou souber de mais informações, escreva", disse.
"Eu vou lutar por todos os membros da minha família. Espero um milagre."
Guerra na Ucrânia
O boletim diário para você entender o que acontece na guerra entre Rússia e Ucrânia
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Depois das mensagens, o mais velho dos dois animais foi encontrado em uma clínica, com uma das patas amputadas. Em publicação posterior, no entanto, Serguei contou que ele não resistiu aos ferimentos e morreu. "Eu tinha esperanças de que ao menos alguém fosse sobreviver", escreveu. Até agora, não foram divulgadas informações sobre o outro cachorro.
Na semana passada, ele tinha publicado fotos da destruição causada pela invasão russa em Irpin, local que chamou de "nova casa". "Ocupantes russos destroem a cidade usando aeronaves. Destroem casas, pessoas estão morrendo. Quantos civis ainda precisam morrer para você acordar?", escreveu Serguei.

Serguei afirma que nasceu em Donetsk e saiu de lá em 2014. O ano marcou o começo da guerra civil entre o governo e rebeldes separatistas na região, que fica a leste da Ucrânia e faz fronteira com a Rússia.
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Ex-Kid Abelha, Leoni critica presidente da Ucrânia: "fascista irresponsável"
"A História não é filme de super-herói", disse o músico

247 - O cantor Leoni, ex-integrante do grupo Kid Abelha, classificou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como "fascista irresponsável" e afirmou ser "inacreditável" que queiram transformar o mandatário ucraniano em uma espécie de "herói".
"É inacreditável a campanha da mídia nacional para transformar o Zelensky, um fascista irresponsável, em herói. O presidente usa o povo como escudo humano, mas é descrito pelos Guga Chacras da vida como líder democrático e corajoso. A História não é filme de super-herói", escreveu o artista no Twitter.
A Rússia pretende barrar a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderada pelos Estados Unidos, que tentam ampliar a influência em algumas regiões da Europa.
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Países ocidentais têm aplicado sanções à Rússia, governada por Vladimir Putin. A mais recente foi a proibição da importação do petróleo russo, conforme anunciou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.
O presidente russo anunciou a preparação de medidas econômicas em retaliação ao Ocidente.
_________________________________________________Reinaldo Azevedo - Biden em delírio e Europa acéfala deixam mundo à mercê de Putin e Zelensky
_________________________________________________A Rússia é culpada, sem adversativas | Opinião - O Globo
_________________________________________________Reação do Ocidente à invasão tem sido a melhor possível
_________________________________________________Ganhar perdendo
_________________________________________________As derrotas de Vladimir Putin | Míriam Leitão - O Globo
_________________________________________________Os PRINCÍPIOS EDITORIAIS que NORTEIAM a cobertura do Brasil 247 e da TV 247 na guerra da Ucrânia
_________________________________________________Quem são os oligarcas russos e por que alguns se envolveram na guerra na Ucrânia - BBC News Brasil

Os oligarcas russos estão novamente no centro das atenções internacionais à medida que a crise entre a Rússia, a Ucrânia, a Europa e os Estados Unidos aumenta.
Quando a Rússia invadiu na Ucrânia, países como EUA e Reino Unido reforçaram sanções contra os bancos russos e muitos indivíduos, muitas vezes descritos pela imprensa como "companheiros" de Putin.
Aqui, analisamos o que são os oligarcas, como o termo se originou e por que muitos oligarcas russos estão agora sendo alvos de sanções.
O que é um oligarca?
O proprietário do Chelsea Football Club, Roman Abramovich, é um dos oligarcas russos mais famosos do mundo
A palavra "oligarca" tem uma longa história, mas nos tempos modernos ela adquiriu um significado muito mais específico.
Um oligarca no sentido tradicional é um membro ou apoiador de uma oligarquia — um sistema político no qual um pequeno grupo de pessoas governa.
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Mas hoje em dia o termo é usado para se referir a um grupo de russos extremamente ricos que ganhou destaque após a queda da União Soviética em 1991.
A palavra "oligarquia" vem do grego "oligoi", que significa "poucos", e "arkhein", que significa "governar".
O sistema é diferente de uma monarquia (o governo de uma pessoa, "monos") ou uma democracia (o governo do povo, "demos").
O que define um oligarca?
Um oligarca pode ser membro de uma casta dominante separada do resto da sociedade por sua religião, parentesco, prestígio, status econômico e até idioma.
Essas elites tendem a governar seguindo apenas seus próprios interesses, muitas vezes usando meios duvidosos.
Quem são os oligarcas de hoje?
Hoje em dia, um oligarca é uma pessoa ultra-rica que ganhou dinheiro fazendo negócios com o Estado.
Talvez o oligarca mais conhecido no Reino Unido seja o empresário russo Roman Abramovich, proprietário do Chelsea Football Club. Com um patrimônio estimado em US$ 14,3 bilhões (R$ 73 bilhões), ele fez sua fortuna vendendo ativos após a queda da União Soviética que anteriormente pertenciam ao Estado russo.
Em 26 de fevereiro, dois dias depois do início da invasão russa à Ucrânia, Abramovich divulgou um comunicado que dizia que ele havia entregado "a administração do Chelsea FC" à fundação de caridade do clube. Mas ele continuará sendo o dono do clube.
Outro oligarca é Alexander Lebedev, ex-funcionário e banqueiro da KGB, cujo filho Evgeny é o proprietário do jornal London Evening Standard. Evgeny é cidadão britânico e membro da Câmara dos Lordes.
Outros países também têm oligarcas, mas esse termo não costuma ser usado como a mesma frequência de quando se trata da Rússia.
O ex-presidente ucraniano, Leonid Kuchma, supervisionou as privatizações e reformas econômicas libertais
O Instituto Ucraniano para o Futuro (UIF), uma organização independente com sede em Kiev, culpa a ampla influência dos oligarcas na sociedade, na indústria e na política ucranianas pela falta de desenvolvimento do país.
Em um relatório, a UIF diz que os "antigos oligarcas" do país prosperaram sob a presidência de Leonid Kuchma (1994-2005) após o colapso soviético na década de 1990. "Os oligarcas ucranianos receberam a maior parte de seus ativos por causa de um conluio com autoridades e via um processo não transparente de privatização. Desde então, o controle sobre o sistema político continua sendo um aspecto fundamental para salvar seus negócios."
Como os oligarcas ganharam dinheiro?
O diretor-executivo da UIF, Victor Andrusiv, disse em um evento no Wilson Center em Washington em 2019 que os oligarcas são "uma classe especial" de pessoas, com "uma maneira especial de fazer negócios" e que eles têm uma "maneira especial de viver e influenciar" o mundo.
"Eles não são realmente homens de negócios. São pessoas ricas, mas a forma como ficaram ricos é absolutamente diferente do que acontece em um Estado capitalista [funcional]", disse Andrusiv.
"Eles não criaram o negócio: eles sequestraram o negócio do Estado."
Por que existem tantos oligarcas russos?
Os oligarcas russos estão em evidência hoje por causa do que aconteceu após o fim da União Soviética em 1991.
No Natal de 1991, Mikhail Gorbachev renunciou à presidência soviética e entregou o poder a Boris Yeltsin, que se tornou presidente da recém-independente Rússia.
Mikhail Gorbachev renunciou em dezembro de 1991 e entregou seus poderes presidenciais a Boris Yeltsin
No comunismo não existia propriedade privada. Mas na Rússia capitalista houve privatização em larga escala — particularmente nos setores industrial, energético e financeiro.
Como resultado, muitas pessoas ficaram incrivelmente ricas durante a privatização no início dos anos 1990.
Indivíduos bem posicionados e com as conexões certas puderam adquirir fatias inteiras da indústria russa — muitas vezes lidando com matérias-primas como minérios ou petróleo e gás, que têm demanda no mundo todo.
Parte deles subornou funcionários públicos que permitiram essas privatizações — ou lhes deu empregos como diretores em suas empresas.
Os oligarcas possuíam meios de comunicação de massa, campos petrolíferos, siderúrgicas, empresas de engenharia e, muitas vezes, podiam pagar pouco imposto sobre lucros.
Eles apoiaram Yeltsin e financiaram sua campanha presidencial de 1996.
Putin e os oligarcas
Quando Putin sucedeu Yeltsin, ele começou a controlar os oligarcas.
Aqueles que seguiram alinhados politicamente com Putin tornaram-se ainda mais bem-sucedidos. Mas alguns dos oligarcas originais que se recusaram a seguir essa linha, como o banqueiro Boris Berezovsky, foram forçados a fugir do país. Mikhail Khodorkovsky, que já foi considerado o homem mais rico da Rússia, vive em Londres hoje em dia.
Quando perguntado sobre os oligarcas em 2019, Putin disse ao Financial Times: "Não temos mais oligarcas".
Mas pessoas com relações muito próximas a Putin conseguiram construir verdadeiros impérios no mundo dos negócios graças ao seu patrocínio.
Putin é fotografado após um treinamento de judô em Sochi junto aos bilionários Vasily Anisimov e Arkady Rotenberg
A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens
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Boris Rotenberg, que frequentou o mesmo clube de judô que Putin na infância, foi descrito pelo governo do Reino Unido como "um empresário russo proeminente com laços pessoais estreitos" com Putin.
Segundo a Forbes, Rotenberg tem uma fortuna de US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bilhões).
Tanto Rotenberg quanto seu irmão Arkady foram alvo de sanções do Reino Unido depois que Putin reconheceu as duas regiões separatistas de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia, como "repúblicas populares".
A Ucrânia, os EUA, a União Europeia, a Austrália e o Japão também impuseram sanções aos oligarcas russos. Após a invasão russa da Ucrânia, muitas dessas restrições provavelmente serão ainda mais rígidas.
Mas alguns oligarcas seguem sem sanções, como é o caso de Roman Abramovich, dono do Chelsea.
Após a invasão da Ucrânia, parlamentares do Reino Unido pediram que os ativos de Abramovich fossem sancionados, alegando laços estreitos do oligarca com o Kremlin — algo que o bilionário nega.
Abramovich não está sob nenhuma sanção do Reino Unido, da União Europeia ou dos EUA.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, precisou se corrigir depois de dizer erroneamente ao parlamento que Abramovich estava sendo alvo de sanções. A ministra de Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, se recusou a dizer se o governo considera sancionar o oligarca russo. Ao longo da guerra na Ucrânia, parte da imprensa britânica tem apontado laços próximos entre empresários russos e os conservadores, liderados por Johnson.
Um industrial com laços estreitos com o presidente Putin, Oleg Deripaska foi sancionado nos EUA desde abril de 2018,
O Tesouro dos EUA diz que ele foi "investigado por lavagem de dinheiro e acusado de ameaçar a vida de rivais comerciais, grampeando ilegalmente um funcionário do governo, e participando de extorsão e extorsão. Há também alegações de que Deripaska subornou um funcionário do governo, ordenou o assassinato de um empresário e tinha ligações com um grupo do crime organizado russo." Ele nega qualquer irregularidade.
_________________________________________________JEAN WYLLYS detona GUGA CHACRA: 'trata uma guerra como se fosse o roteiro de um filme ruim de Hollywood. MISÉRIA INTELECTUAL

_________________________________________________Como a esquerda mundial vê a guerra entre Rússia e Ucrânia?
_________________________________________________Jurista Pedro Dallari contesta esquerda que apoia Putin: “A tolerância com a barbárie vai demandar muita autocrítica”
Jurista e professor Pedro Dallari_________________________________________________Opinião: Entendendo Bolsonaro - Putin declara guerra ao globalismo que bolsonaristas tanto criticam


* Vinícius Rodrigues Vieira
A ordem internacional liberal está sepultada de vez. Ao atacar a Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin insurgiu-se contra aquilo que os bolsonaristas chamam de globalismo. Não se defende nas linhas abaixo a clara violação de Moscou ao direito internacional. Apenas se constata que o equilíbrio de poder e as regras que orientaram as relações internacionais nas últimas três décadas já repousam no passado. Além de deixar um rastro de sangue, a marcha das tropas do Kremlin pavimenta um retorno a um mundo de esferas de poder, onde vale a lei do mais forte.
"É sabido que durante 30 anos temos tentado persistente e pacientemente chegar a um acordo com os principais países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) sobre os princípios de segurança igual e indivisível na Europa", escreveu Putin numa carta lida por ele mesmo durante pronunciamento na TV na manhã de quinta (24) no horário de Moscou.
"Em resposta às nossas propostas, fomos constantemente confrontados com enganos e mentiras cínicas, ou tentativas de pressão e chantagem, enquanto a Aliança do Atlântico Norte, entretanto, apesar de todos os nossos protestos e preocupações, está em constante expansão. A máquina militar está em movimento e, repito, está se aproximando de nossas fronteiras", destacou.
À primeira vista, pode-se pensar que o presidente russo reage como um animal supostamente acuado. Há, porém, bastante racionalidade e método em sua campanha militar na Ucrânia. Muito embora movimentações de tropas russas na fronteira com o país vizinho já tivessem ocorrido no ano passado, Putin esperou um cenário mais oportuno para dar o bote. Ao longo de seu começo de mandato, o presidente americano Joe Biden deu sinais de que não tinha condições materiais e ideológicas de retomar a hegemonia de seu país em termos militares, a qual se encontra em declínio desde o pós-11 de setembro, em 2001.
Na Europa, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson enfrenta forte oposição entre seus colegas conservadores após o "partygate". Ademais, o presidente Emmanuel Macron está ocupado buscando a reeleição na França, enfrentando, inclusive, candidatos de ultradireita apoiados pelo Kremlin. Por fim, a conservadora Angela Merkel não é mais a chanceler alemã. O governo de coalizão liderado pelo social-democrata Olaf Scholz tem o pacifista Partido Verde no comando da política externa da Alemanha.
Tal conjuntura somada ao fato de Moscou ter buscado mais laços econômicos com Pequim nos últimos dez anos acabou por encorajar Putin a deixar um pretenso legado de grandeza com a restauração daquilo que muitos russos -- inclusive na oposição -- enxergam como sua esfera de influência legítima, não obstante o avanço ocidental sobre ela desde a desintegração da União Soviética (URSS).
"Após o colapso da URSS, a redivisão do mundo realmente começou, e as normas de direito internacional que se desenvolveram até então -- e as principais, básicas, foram adotadas no final da Segunda Guerra Mundial e consolidaram amplamente seus resultados -- começaram a interferir com aqueles que se declararam vencedores na Guerra Fria", disse Putin também no pronunciamento que, na prática, indicou que a guerra contra a Ucrânia tinha começado.
Após listar uma série de ações lideradas pelos Estados Unidos e aliados sem a legitimidade do Conselho de Segurança da ONU -- notadamente a invasão do Iraque em 2003 --, Putin conclui que "[e]m geral, tem-se a impressão de que praticamente em todos os lugares, em muitas regiões do mundo, onde o Ocidente vem estabelecer sua própria ordem, o resultado são feridas sangrentas, não cicatrizadas, úlceras do terrorismo internacional e do extremismo".
Em outras palavras, Putin critica na prática o que o bolsonarismo costuma rotular de globalismo -- a tentativa de impor valores que, derivados em grande parte da experiência democrático-liberal do Ocidente, seriam estranhos às características nacionais e religiosas dos povos. Falamos aqui do respeito a minorias sociológicas, da promoção dos direitos humanos, do combate à destruição ambiental e, até mesmo, da tolerância à oposição política.
Tal como Putin, o bolsonarismo enxerga críticos ao governo como traidores da pátria. A participação da sociedade civil na definição dos rumos da nação é vista como uma potencial quinta coluna que coloca o país à mercê de inimigos externos. O "ativismo político e comportamental" deve ser combatido com unhas e dentes e, para tanto, o líder não pode se furtar de contar mentiras, como uma suposta ameaça comunista no Brasil ou o genocídio de russos na Ucrânia, um dos pretextos apresentados por Putin para angariar apoio doméstico a seus desvarios.
Talvez seja por tudo isso que o presidente Jair Bolsonaro tenha dito na recente visita a Putin que o Brasil é solidário à Rússia. Anti-liberal, o mandatário russo é um modelo para o brasileiro que, felizmente, não cogita invadir países vizinhos, mas é contra a existência de normas ambientais internacionais, desdenha do multilateralismo em geral e cujos seguidores mais aguerridos veem na ONU um instrumento do marxismo cultural.
Não é burrice tampouco má-fé: a demora de Bolsonaro em condenar a declaração de guerra da Rússia contra a Ucrânia reflete seus instintos políticos mais primitivos. Para quem votou no atual presidente visando uma aproximação com a Europa, ganhou em troca uma aliança com a nata dos autocratas globais. Pensando bem, na verdade, é aquilo que o bolsonarista raiz sempre buscou: um retorno à era pré-iluminista.
Putin joga a culpa de suas ações nos americanos e seus aliados. À esquerda e à direita, cai nesse conto quem quer. O presidente russo reúne características que autoritários de ambos os espectros políticos gostariam de ter. Como quem cala consente, só posso interpretar o silêncio de Bolsonaro sobre a guerra como um sinal de que ele não se importa de estar ao lado da esquerda autoritária latino-americana no respaldo a Putin. Nicolás Maduro e Daniel Ortega saudaram a ação de Putin como um evento "anti-imperialista".
Ditadores e proto-ditadores de todas as tendências odeiam o suposto globalismo não por ele ser expressão parcial da supremacia americana do pós-Guerra Fria. Trata-se sobretudo de um caso de ódio ao empoderamento de opositores, da valorização do contraditório e aceitação não violenta de outras visões de mundo.
Na instabilidade do mundo multipolar que se afirma nesses dias obscuros, ainda haveremos de testemunhar eleitores arrependidos de defender candidatos e partidos que apostam na revanche em vez de olharem adiante. Tal como a suposta "defesa da família" se tornou bandeira de conservadores hipócritas, um pretenso sentimento anti-imperialista esconde o ódio à soberania popular.
* Vinícius Rodrigues Vieira é doutor em relações internacionais por Oxford e leciona na Faap e em cursos MBA da FGV.
_________________________________________________Por que nenhum país enviou militares para ajudar a Ucrânia contra a Rússia

Ruben Berta Do UOL, no Rio 25/02/2022 18h51
O apoio direto de países do Ocidente à Ucrânia, por meio do envio de tropas ao país na guerra contra a Rússia, é considerado improvável, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.
A Ucrânia deve se manter sozinha na linha de frente basicamente por dois motivos —o país não é um dos 30 membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e um eventual envio de militares contra uma potência nuclear como a Rússia poderia levar a um confronto de proporções incalculáveis.
Ucrânia: russos podem estar disfarçados de civis e militares ucranianos
O artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, que rege a Otan, prevê que um ataque armado contra um dos membros é considerado um ataque a todos, o que abre caminho para uma defesa coletiva.
Essa não é contudo a condição da Ucrânia. O país é considerado um parceiro da Otan, o que sinaliza que pode ingressar na aliança num momento futuro, mas não garante um apoio coletivo.
"A principal razão pela qual a Ucrânia sofre com a falta de apoio militar se deve ao fato de o país não integrar a Otan. Normalmente, os sistemas de alianças funcionam a partir da lógica de que um ataque contra um país do grupo significa um ataque contra todos os demais estados-membros, o que não é o caso da Ucrânia", afirma Leandro Gavião, doutor em História pela Uerj (Universidade do Estado do Rio) e professor da Universidade Católica de Petrópolis (RJ).
Um possível ingresso da Ucrânia na Otan é inclusive um dos panos de fundo para a invasão russa.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, vem tentando sem sucesso o compromisso de que o país vizinho não ingressará na organização. Pressionado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já sinalizou ontem sobre a possibilidade de desistência.

Também nesta sexta-feira (25), Zelensky chegou a afirmar que o país se defende sozinho contra a Rússia. E disse ainda que o "país mais poderoso do mundo olhou de longe", no que seria uma referência aos Estados Unidos.
Mais tarde, porém, o presidente ucraniano disse, por meio das redes sociais, que chegou a um novo acordo com os EUA sobre mais sanções à Rússia e uma coalizão antiguerra.
Apoio bélico
Os Estados Unidos e outros países do Ocidente têm apostado em sanções econômicas como forma de pressionar a Rússia. Houve apenas iniciativas isoladas de apoio bélico.
Na última quarta-feira (23), o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou o envio de armas para a Ucrânia. Ontem foi a vez de o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmar que fornecerá equipamentos de defesa ao país do Leste Europeu.
Também nesta sexta, o ministro da Defesa da Polônia, Mariusz Blaszczak, anunciou pelas redes sociais o envio de um comboio com munição.
O apoio militar, porém, não deve ir muito além disso, complementa o professor Leandro Gavião.
É difícil imaginar um cenário no qual as grandes potências ocidentais intervenham diretamente na guerra. Uma hipotética participação militar dos EUA, por exemplo, significaria um confronto direto entre dois Estados dotados de armamentos nucleares. As consequências de um conflito dessa magnitude seriam drásticas e provocariam uma completa redefinição da ordem mundial."Leandro Gavião, professor da Universidade Católica de Petrópolis
O fato de a Ucrânia não estar na Otan e o temor do Ocidente de um confronto de proporções globais também pesaram na decisão de Putin invadir o país vizinho, na opinião de Williams Gonçalves, professor de Relações Institucionais da Uerj.
"O Putin é um estrategista, preparado, independente de ser um autocrata, de a Rússia ser uma democracia ou não. Ele é um estadista experimentado. E o que ele fez foi pagar para ver. Ele apostou que os EUA e a Otan não ousariam um ataque que, evidentemente, em muito pouco tempo, se desdobraria numa guerra mundial."
O professor de Relações Internacionais da USP Kai Enno Lehmann diz não acreditar que haja vontade política dos países ocidentais num apoio militar à Ucrânia.
"Estariam entrando numa guerra com uma das forças armadas mais poderosas do mundo. E assumiriam um risco enorme de perda de vidas, o que não é um custo que governos ocidentais estão dispostos a assumir. Os custos financeiros, econômicos e políticos seriam muito altos, sem uma garantia de apoio da opinião pública no longo prazo. É uma guerra que não acabaria em cinco dias, em uma semana."
Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra e membro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), reforça que não vê possibilidade de solidariedade militar da Otan à Ucrânia porque isso implicaria em um confronto direto entre potências nucleares.
"Seria difícil imaginar um confronto militar direto das duas grandes superpotências, entre o bloco da Otan e a Rússia. Quando falamos de Otan, são pelo menos três potências nuclearmente armadas: França, Reino Unido e Estados Unidos."
"Existe uma máxima nas relações internacionais de que a arma nuclear é um artefato para não ser usado. É o que se chamou na Guerra Fria de destruição mútua assegurada. Então qualquer confronto direto desaguaria no pior dos cenários, numa destruição completa de ambos, no limite da própria humanidade", completa Carmona.
Na quinta (24), o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou em entrevista à imprensa que o bloco não vai enviar tropas à Ucrânia. Segundo o diplomata, militares serão enviados apenas à região leste dos territórios da Otan, mas a Rússia vai pagar um "alto preço político e econômico".
A fronteira leste dos estados-membros da Otan é formada pela Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia —todos esses países fazem fronteira com a Ucrânia.
_________________________________________________A China não está em cima do muro, está do lado da Rússia | Marcelo Ninio - O Globo
Por Marcelo Ninio 25/02/2022 • 12:48

A ambiguidade da China em relação à crise na Ucrânia ainda existe na retórica, mas na prática Pequim está tomando o lado da Rússia. A inclinação tem intrigado especialistas, especialmente levando-se em conta a tradição de cautela da diplomacia chinesa, que sempre afirmou se guiar pelos princípios da não interferência e do respeito à soberania.
Pequim poderia ter mantido uma posição de neutralidade, evitando assim uma deterioração adicional nas relações com os Estados Unidos e com a União Europeia, seus maiores parceiros comerciais, num assunto que não lhe diz respeito diretamente. Também era uma chance de mostrar-se como uma potência benigna, usando a influência que tem sobre Moscou e Kiev — talvez como nenhum outro país — para construir uma solução diplomática, algo que França e Alemanha tentaram sem sucesso.
Em vez disso, o governo chinês preferiu usar a crise como uma oportunidade para culpar o Ocidente e desafiar as regras da ordem internacional liderada pelos EUA, uma ambição que está no cerne da parceria com Moscou. Ao apoiar as reivindicações da Rússia e no mesmo fôlego defender a soberania de todos os Estados, a ambiguidade continua presente no discurso oficial, das declarações no Conselho de Segurança da ONU à ginástica retórica diária dos porta-vozes diplomáticos em Pequim. Na escolha das palavras e do tom, porém, transparece o claro viés pró-Moscou.
Em alguns momentos, é como se para Pequim a Rússia não estivesse em guerra com a Ucrânia, mas com os EUA, tamanha a ferocidade endereçada a Washington. Foram particularmente emblemáticas pelo nível de agressividade as aparições esta semana de Hua Chunying, a principal porta-voz do governo chinês, ao chamar de “imorais” as ações do governo americano e responsabilizá-lo pela guerra, no momento em que a Rússia atacava a Ucrânia em várias frentes.
Se não chega a ser um sinal verde para o ataque, a decisão de Pequim de não condenar a invasão de um país soberano — e negar-se até a chamar a invasão pelo nome — é um aval tácito, que propicia uma zona de conforto político e econômico para a Rússia. A crise está forçando a China a navegar entre objetivos contraditórios, mas no fim das contas suas ações estão servindo como um “facilitador” para a Rússia, disse em conversa virtual com correspondentes baseados em Pequim Mikko Huotari, diretor-executivo do mais importante centro de estudos sobre a China da Europa — Merics, sediado em Berlim.
— A China não está em cima do muro. Há muitos tons de cinza, mas o que vemos é uma posição bem diferente da adotada pela China em outras crises.
Não é uma mudança súbita, mas representativa da visão de mundo do presidente chinês, Xi Jinping, diz ele. No plano doméstico, ela inclui mais controle econômico e político. Na política externa, o projeto revisionista do sistema internacional manifestado na declaração do último dia 4, divulgada após o encontro de Xi com o presidente russo, Vladimir Putin. Os termos dessa declaração são o pano de fundo da invasão, afirma Huotari.
Para ele, o comportamento do governo chinês nesta crise indica que Pequim está disposto a absorver os eventuais custos do apoio à Rússia, sejam eles danos econômicos ou isolamento diplomático, em nome desse projeto revisionista. Além disso, como fica claro na declaração do dia 4, a China faz uma analogia entre suas preocupações de defesa no sudeste asiático com as alianças militares lideradas pelos EUA e as da Rússia com a Otan no leste europeu. Nesse sentido, o desafio lançado por Putin ao sistema de segurança da Europa com a invasão da Ucrânia torna-se conveniente para Pequim, como um lembrete de que há limites para a tolerância à expansão do poderio militar americano.
_________________________________________________A RUSSOFOBIA da mídia hegemônica na crise da Ucrânia - Jeferson Miola
Por Jeferson Miola

“Na guerra, a primeira vítima é a verdade” - Autoria desconhecida
A cobertura que a mídia hegemônica faz da crise na Ucrânia é alarmantemente viciada, além de claramente racista e preconceituosa.
Os meios de comunicação em todo mundo são meros repetidores dos mantras russofóbicos fabricados em Washington para instrumentalizar a guerrilha geopolítica e ideológica das “forças do bem”, a civilização ocidental, contra a “força do mal” – os russos, caucasianos e eurasiáticos.
Em geral, a mídia não só é subserviente ao “release único” escrito em Washington, como também é indigente e desonesta. Além de omitir aspectos étnicos, históricos e culturais dos povos eslavos, também mente, estigmatiza Putin e falsifica a história.
Na reprodução do noticiário e através de comentaristas vulgares, despreparados ou mal-intencionados, a mídia hegemônica segue omitindo, por exemplo, os antecedentes históricos da crise atual, que se localizam na farsesca revolução Maidan, que desembocou no golpe financiado pelos EUA para derrubar o governo pró-russo de Viktor Yanukovytch em 2014.
A mídia continua escondendo, também, que a Ucrânia descumpriu o Protocolo de Minsk, assinado por representantes reconhecidos das repúblicas independentes de Donetsk e Luhansk e o governo ucraniano com a fiança institucional da própria União Europeia [aqui e aqui].
E os meios de comunicação a serviço de Washington continuam omitindo o perfil neonazista do presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky e dos agrupamentos de ultradireita extremista que apoiam o governo.
É cada vez mais conhecida a conexão entre a ultradireita neonazista ucraniana e os grupos fascistas e neonazistas no mundo e, também, com o bolsonarismo – Sara Winter e “Os 300 do Brasil”. Mas, inclusive isso também é sonegado.
Os EUA exercem sua primazia e hegemonia informacional e comunicacional no mundo por meio do pensamento único deste jornalismo de guerra. Um jornalismo sem compromisso com a verdade factual e histórica.
Nas últimas semanas, houve a escalada desta guerra informacional para criminalizar e demonizar o presidente russo Vladimir Putin e incensar o papel dos EUA e da OTAN.
Neste jornalismo de guerra, todos os veículos hegemônicos no Brasil – absolutamente todos, é preciso sublinhar – repetiram como papagaios o viés de análise de Washington. Não ficou de fora nem mesmo um único veículo de nenhum meio de transmissão – nas rádios, TVs, redes sociais e portais da internet.
Somente os portais da mídia independente estão desde o início da crise reportando os acontecimentos desde uma perspectiva abrangente e aberta. Não fossem estes veículos contra-hegemônicos de informação e comunicação, a população brasileira seria totalmente entorpecida com o pensamento único russofóbico.
Em semanas de crise, pela primeira vez apareceu em um veículo da mídia hegemônica uma abordagem dissonante do pensamento único. Aconteceu só agora, nesta sexta-feira, 25/2. O portal UOL publicou entrevista em que o analista político estadunidense Andrew Korybko afirma que “o Brasil e a Ucrânia foram ambos vitimados pelas guerras híbridas dirigidas pelos Estados Unidos com o objetivo de fortalecer a hegemonia unipolar norte-americana”.
Da mesma maneira que a Ucrânia rapidamente deverá assinar a rendição a Moscou, a MÍDIA HEGEMÔNICA SE VERÁ OBRIGADA a se render às exigências de um jornalismo PLURAL e HONESTO, se quiser sobreviver no mundo multipolar que começa nascer.
Caso contrário, será enterrada junto com os escombros da ordem unipolar e imperial que está morrendo.
_________________________________________________A Guerra da Ucrânia fecha o ciclo histórico iniciado com a queda do muro de Berlim?
Depois do 11 de setembro o INTERVENCIONISMO AMERICANO se acentuou, com as invasões do Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, golpes na Ucrânia, Paraguai, Honduras, Brasil, fora as tentativas frustradas.
Por Arnóbio Rocha 25 de fevereiro de 2022, 17:12

A sensação desta quinta-feira (25) foi a mesma dos anos de 1980, em que o medo de uma guerra nuclear a qualquer momento era tão comum. Todos sabíamos a quantidade de ogivas nucleares, o tipo de bomba, os avanços científicos do lado dos EUA, pois da antiga URSS nem sempre as informações poderiam ser confirmadas. Quantas noites e dias, batia o medo de que tudo fosse acabar, de repente um erro, uma bomba e um conflito se estabeleceria e era o fim da humanidade.
Era um clima terrível, melhor era não pensar, esquecer, reduzir-nos à nossa pouca significância, seguir a vida até onde ela pudesse ser vivida.
Alguns episódios foram marcantes, a queda do Skylab, que poderia cair em qualquer ponto da terra, por semanas aquela ameaça de desastre. Depois, em 1986, além da passagem do cometa Harley, cheia de presságios, de superstições. houve a hecatombe de Chernobyl, uma usina nuclear, atômica, numa das Repúblicas da URSS, justamente na Ucrânia. O maior acidente nuclear que se tem notícias, outros poderiam ter ocorrido, mas esse foi tão explorado, mesmo sem nenhuma imagem do local.
De vez em quando tinha-se notícias de um novo teste de misseis atômicos, com capacidade de ir de Moscou para Washington, e vice-versa, até que veio a solução Reagan, o escudo contra misseis russos, a guerra nas estrelas se materializando aos nossos olhos, mas dava mais insegurança do que expectativa de dias melhores. Aparentemente o tal “escudo”, só protegeria os países do norte, quem morava abaixo do Equador, que lute.
Esses pesadelos marcaram nossas vidas, nos anos 70 e 80, nem mesmo a militância política, aliviava uma certa tensão de medo de morrer a qualquer dia, um desastre nuclear.
Na metade dos anos 80, Gorbachev, vira o mandatário soviético e com a Glasnot e a Perestroika, foi desmontando o leste, os acordos pela destruição das armas nucleares, pois, não satisfeitos com a capacidade de destruição de uma vez, cada lado, teoricamente tinham armas para 8 mil possibilidades, a indústria da guerra nunca teve limites, nem naquela época, nem mesmo no presente.
A virada seguinte, no apagar das luzes dos anos 80, foi o esfacelamento do Leste Europeu. Um a um os países foram derrubando seus governos ligados ao Kremlin, culminando com a queda do muro de Berlim, em novembro de 1989.
O medo da guerra fria, de uma guerra nuclear, parecia dissipado, mesmo com o arsenal nuclear dos dois lados, ainda presentes. A promessa de uma nova era, fim da história, um mundo globalizado e plural, não durou dois anos.
Em fevereiro de 1991, mal das pernas, Bush Pai, invadiu a primeira vez o Iraque, aproveitando do novo ambiente sem a dualidade com a URSS, em plena fragmentação.
Dali em diante, foram diversas intervenções convencionais ou por meio de guerras híbridas.
Depois do 11 de setembro se acentuou, com as invasões do Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, golpes na Ucrânia, Paraguai, Honduras, Brasil, fora as tentativas frustradas.
Todo presidente dos EUA em dificuldade eleitoral, faz uma guerra para alimentar sua máquina armamentista, o patriotismo e o dinheiro de campanha, a ostentação de poder econômico e militar, dá votos.
Em fevereiro de 2022, pode ter se iniciado uma nova era, pelo menos se fechou ciclo da queda do muro de Berlim, se fechou, a época dos EUA agindo como xerife global, invadindo, criando conflitos, derrubando governos, parece que chegou ao fim. A força da Rússia e o poderio econômico, silencioso da China apontam para outra realidade. Os músculos da Alemanha unificada e hegemônica na Europa, também afastam o continente da tutela dos EUA.
Que mundo começou ontem?
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_________________________________________________"Esta pode ser a última vez que você me vê vivo", diz Zelensky aos líderes da União Europeia

247 - O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que teme pela sua vida diante da entrada de tropas russas em Kiev. “Esta pode ser a última vez que você me vê vivo", teria dito Zelensky durante uma videoconferência com líderes da União Europeia na noite de quinta-feira (25), segundo a agência Axios.
A videochamada foi realizada antes da reunião de líderes da UNião Europeia que decidiu a imposição de novas sanções contra a Rússia. Pouco antes da ligação, Zelensky fez um discurso na televisão dizendo que ele era o alvo "número um" da Rússia e que seus familiares eram o alvo "número dois".
Ainda segundo a reportagem, a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, afirmou à agências internacionais que quando os líderes da UE se despediram de Zelensky, eles sabiam que não poderiam vê-lo novamente.
Nesta sexta-feira (25) ele apareceu, junto com outros membros do governo, em um vídeo gravado em uma rua de Kiev, capital ucraniana. No vídeo, divulgado nas redes sociais, Zelensky aparace trajando o que parece ser uma roupa de estilo militar e afirma estar defendendo a Ucrânia da ação militar russa.
_________________________________________________Veja a repercussão da invasão russa à Ucrânia
Presidente Putin anunciou invasão e comunidade internacional reagiu imediatamente.
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_________________________________________________Petróleo passa de US$ 100 pela 1ª vez desde 2014 e Bolsas globais têm queda forte, após ataque russo à Ucrânia
_________________________________________________Capacidade militar russa supera, e muito, a ucraniana, mas Kiev tem ferramentas para responder à invasão
_________________________________________________Forças russas atacam alvos em toda a Ucrânia após Putin ordenar invasão
_________________________________________________O risco russo diante da História


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