9 __________ GUERRA RÚSSIA x UCRÂNIA

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_________________________________________________Jurista Pedro Dallari CONTESTA ESQUERDA que apoia PUTIN: “A TOLERÂNCIA com a BARBÁRIE vai DEMANDAR muita AUTOCRÍTICA” _________________________________________________COMO a ESQUERDA MUNDIAL vê a GUERRA entre RÚSSIA e UCRÂNIA? _________________________________________________


Explosão em Kharkiv — Foto: Reprodução/Globonews
1 de 1 Explosão em Kharkiv — Foto: Reprodução/Globonews



24/02/2022 - 08:21
Fumaça preta sobe de um aeroporto militar em Chuguyev, perto de Kharkiv, na Ucrânia Foto: ARIS MESSINIS / AFP
Fumaça preta sobe de um aeroporto militar em Chuguyev, perto de Kharkiv, na Ucrânia
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[ A explicação é que os russos estão espumando ódio pela boca, estão andando e cagando e mentem descaradamente ]

O estranho massacre de Bucha - Gilberto Maringoni

Por Gilberto Maringoni 5 de abril de 2022, 17:11


São muito esquisitas as cenas do suposto massacre russo em Bucha, nos arredores de Kiev. Parece algo montado para escandalizar o mundo. 

QUE EXÉRCITO INVASOR, cioso por limpar sua imagem internacional, deixaria vestígios tão evidentes de sadismo e barbárie? O que ganharia com tal cenário? Por que os assassinatos seriam cometidos na retirada e não na entrada das tropas, quando resistências teriam de ser quebradas? Por que os corpos estão no meio das ruas, quase numa exposição para ser fotografada e filmada?

Isso para não falar da alegação russa de que suas tropas saíram da cidade dia 30, quarta. Os cadáveres apareceram apenas no domingo, vários ainda sem rigor mortis ou vestígios de decomposição. Não há sinais, nas imagens, dos mortos terem sido devorados por animais famintos, apesar de largados a céu aberto por quatro dias.

UM CENÁRIO DESSES, legado pelo exército invasor seria factível apenas se as forças de Moscou fossem comandadas por limítrofes, alienados ou imbecis. Até as milícias cariocas escondem cadáveres e limpam as cenas de seus crimes.

Agora, o mais estranho é a recusa dos EUA, Inglaterra e França a fazer uma investigação séria sobre a tragédia. O que vale é a imagem acrítica em todas as redes e emissoras.

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Rússia FORTALECEU OTAN ao trazer EUA de volta à Europa, diz porta-voz alemão de assuntos exteriores

Nils Schmid questiona credibilidade da China como mediadora do conflito e acredita que Putin 'PERDEU a SOCIEDADE UCRANIANA' 

Schmid admite a possibilidade de VITÓRIA MILITAR da Rússia, mas acredita que Putin “perdeu a sociedade ucraniana” e, portanto, “perdeu a Ucrânia do ponto de vista estratégico”.
Nils Schmid: 'Essa guerra é uma catástrofe para a Ucrânia e também para a Rússia' Foto: MAZEN MAHDI / AFP
Nils Schmid: 'Essa GUERRA é uma CATÁSTROFE para a UCRÂNIA e também para a RÚSSIA' Foto: MAZEN MAHDI / AFP

Após dar um giro de 180 graus em sua política externa e se unir aos países que passaram a fornecer armas à Ucrânia, a Alemanha prevê uma GUERRA LONGA e MUITOS ANOS de TENSÃO e DISPUTAS entre Vladimir Putin e o Ocidente




Essa é a avaliação do porta-voz para assuntos exteriores da bancada parlamentar do governista Partido Social-Democrata (SPD), Nils Schmid, que, em entrevista ao GLOBO, questionou a credibilidade da China como eventual mediadora e celebrou o voto do Brasil pela condenação da Rússia nas Nações Unidas. 

Perguntado sobre recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro, o deputado alemão afirmou que “não se pode ser neutro quando um país é atacado por seu vizinho”. Schmid admite a possibilidade de vitória militar da Rússia, mas acredita que Putin “perdeu a sociedade ucraniana” e, portanto, “perdeu a Ucrânia do ponto de vista estratégico”.

Há possibilidade de a Otan entrar no conflito?

Vejo a possibilidade de envolvimento da Otan ainda muito distante. Isso já foi dito muito claramente pelo presidente [Joe] Biden, pelo nosso chanceler [Olaf] Scholz, desde o começo. Enquanto territórios da Otan não forem atacados, a Otan não vai se envolver. Mas é claro que muitos estados da Otan, individualmente, apoiam o direito da Ucrânia de se defender e continuarão enviando armas ao país.

Esta é a primeira vez, desde a Segunda Guerra, que a Alemanha decide enviar armas a outro país. Como o senhor analisa esse giro de 180 graus na política externa e militar do país?

Todos ficamos chocados com a brutal agressão de Putin contra a Ucrânia: essa é uma guerra de agressão no meio da Europa. Pela primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial, uma grande potência, a Rússia, atacou um país vizinho. Isso não é como a guerra nos Balcãs. Essa é uma guerra de alta intensidade, convencional, da Rússia contra a Ucrânia. Como a diplomacia não conseguiu impedir o ataque, na Alemanha tivemos de mudar o curso e nos adaptar a essa nova situação. Durante 70 anos, não quisemos interferir em guerras, resistimos a enviar armas em diferentes conflitos, mas neste caso não se trata apenas da Ucrânia: trata-se da segurança europeia.

Quais são os temores da Alemanha neste momento? A dependência do gás russo é uma das grandes preocupações?

Não vejo grandes problemas para a Alemanha nesse sentido hoje. Decidimos impor duras sanções econômicas contra a Rússia, mas foram calibradas de forma a que os custos sejam muito mais elevados para a Rússia do que para as economias europeias. Quando se trata de gás e petróleo, as importações da Rússia não podem ser substituídas de um dia para o outro, mas temos de acelerar a diversificação. Como depende dessas receitas de exportação, não acho que a Rússia esteja pensando em suspender suas exportações para países europeus. Somos cautelosos, porque não podemos abrir mão dessas importações no curto prazo, mas nos próximos anos a Alemanha vai tentar reduzir sua dependência em matéria de petróleo e gás da Rússia.

Como o senhor avalia o papel da China nos esforços diplomáticos para tentar um acordo?

Não vejo a China como um mediador com credibilidade nesse conflito. Ela não tem tradição como mediador em conflitos desse tipo, acho difícil acreditar que termine com a guerra. Não vejo Putin acabando com esse conflito logo, porque ele quer controlar toda a Ucrânia. Mas temos de tentar evitar mais sofrimento, por isso os esforços diplomáticos são tão importantes. Temos de buscar um acordo, mas levar em consideração que ele deve ser aceito também pela Ucrânia. A capitulação não levará a um cessar-fogo. Dependerá do que ucranianos e russos podem aceitar como compromissos. Temos, também, de enviar mensagens a Putin sobre o custo alto para a Rússia dessa guerra, e continuar enviando ajuda à Ucrânia. Infelizmente, o que vejo é uma guerra ainda prolongada. E, mesmo após o final dessa terrível guerra, o conflito com a Rússia vai continuar enquanto Putin estiver no poder e governando de maneira autoritária. Temos de nos preparar para um longo conflito, porque a Rússia considera o Ocidente um adversário. Isso pode implicar agressões militares, ciberataques, como tivemos na Europa nos últimos anos. Temos de entender que não se trata apenas da Ucrânia: é um longo jogo de Putin contra nós.

O senhor não é otimista?

Como disse, não podemos nos render. A combinação de resistência militar, pressões econômicas e esforços diplomáticos poderia levar a um cessar-fogo.

Na ONU, o Brasil votou a favor de uma condenação da Rússia, mas questionou o envio de armas à Ucrânia e as sanções. Qual é sua opinião sobre a posição brasileira na guerra?

Foi muito importante que o Brasil se unisse à grande maioria de países da comunidade internacional nas Nações Unidas na condenação à guerra da Rússia contra a Ucrânia. Precisamos do Brasil como um firme defensor das regras internacionais. Não deveriam criticar a ajuda aos ucranianos para defesa, porque isso também é parte da Carta das Nações Unidas. É preciso adotar medidas contra essa guerra brutal e prevenir que a Rússia continue avançando. As sanções impostas à Rússia são a consequência lógica da condenação à violação por parte da Rússia de regras internacionais.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil deve ser neutro no conflito...

Não se pode ser neutro quando um país é atacado por seu vizinho. Se o Brasil tivesse sido atacado por um vizinho, não gostaria que outros ficassem neutros.

Como o senhor avalia o papel dos Estados Unidos na ofensiva contra a Rússia? 

Os Estados Unidos não são o único líder nessa ofensiva. Estamos satisfeitos pela presença dos EUA na Europa, seu engajamento em nome da segurança europeia, mas essa não foi uma livre escolha para Biden

Foi uma necessidade para os EUA, e os americanos deixaram os esforços diplomáticos nas mãos dos europeus. Os laços transatlânticos foram fortalecidos não porque Biden queria, mas porque surgiu a necessidade de defender a segurança europeia das agressões da Rússia.

As tropas russas estão quase em Kiev. O que se pode esperar para os próximos dias e semanas?

Mesmo se a Rússia vencer a guerra, ela já perdeu a Ucrânia do ponto de vista estratégico. Depois da anexação da Crimeia, e depois dessa guerra, a Rússia se distanciou dos ucranianos pelas mortes que causou. Putin já perdeu a sociedade ucraniana. Levará anos para recompor o vínculo e a confiança, e isso é muito triste porque são países vizinhos. Essa guerra é uma catástrofe para a Ucrânia e também para a Rússia.

_________________________________________________'Rendam-se ou todos morrerão': as impressões de repórter após ataque a Kiev

André Liohn Colaboração para o UOL e para a Folha, em Kiev (Ucrânia)
15/03/2022 10h08 Atualizada em 15/03/2022 15h08

As explosões do início desta manhã em Kiev, capital da Ucrânia, aleatórias em seus alvos, mas precisas no tempo e na mensagem, destruindo ainda mais as vidas daqueles que vivem aqui, provam que é sim o medo que está mantendo aqueles que ficaram na cidade escondidos dentro de suas casas.

Exatamente às 5h de hoje (0h no horário de Brasília), três grandes explosões consecutivas sacudiram a cidade. A sequência de estrondos chegou a disparar os alarmes de carros nos estacionamentos e nas ruas a pelo menos 13 km de distância de onde aconteceram.

Ucrânia pede ajuda a líderes europeus contra Rússia: 'Todos somos alvos'

Em seguida, o prefeito da cidade, Vitali Klitschko, por meio de suas mídias sociais, pediu que a população se esconda em abrigos antibombas todas as vezes que as sirenes da cidade tocarem: "Amigos! Caros Kyivans! O inimigo continua a atacar Kiev. No início da manhã, projéteis atingiram vários prédios residenciais, dois arranha-céus no distrito de Sviatoshynskyi, um em Podilskyi. E em uma casa particular. A entrada de uma das estações de metrô foi danificada pela onda de choque. Há vítimas em prédios residenciais, a informação está sendo esclarecida. Equipes de resgate e médicos estão trabalhando no terreno. Siga para os abrigos durante cada alarme".

Desde então, tanto as sirenes da cidade como o aplicativo de celulares que emite um alerta copiando o som das sirenes já soaram 23 vezes até o início da tarde, horário ucraniano.

Uma enorme cratera de pelo menos 5 metros de diâmetro e 3 de profundidade, produzindo vapor que saia do solo encharcado, foi aberta pelo impacto que atingiu o jardim em frente de um prédio dentro de um conjunto residencial na região oeste de Kiev que fica localizada entre a área central da capital e as cidades de Bucha e Irpin, onde os exércitos russo e ucraniano intensificaram suas batalhas, principalmente com o uso de artilharia pesada e poderosos mísseis terra-terra.

A fachada de frente para onde o míssil caiu ficou completamente destruída e bombeiros usavam caminhões com escadas mecânicas para chegar aos andares superiores, todos em chamas.

Do outro lado, muitos civis, principalmente idosos e idosas, eram resgatados pelos bombeiros que acessavam as janelas dos apartamentos com os cestos de resgate em seus caminhões. O corpo carbonizado de uma pessoa não identificada foi encontrado ao lado de um parque para crianças a poucos metros de distância do prédio e levado pelos paramédicos para o mortuário da cidade.

Durante o resgate, o comandante do corpo de bombeiros e da operação, Andrey Kovalenko, afirmou que a possibilidade de encontrar mais vítimas assim que os bombeiros pudessem ter acesso ao prédio e aos apartamentos completamente destruídos pela explosão era quase certa.

Do lado de fora, uma senhora baixa, nervosa, chorando alto, lutava para se desvencilhar dos braços de um homem que sem sucesso procurava impedi-la de se aproximar das equipes que trabalhavam. Aos prantos, ora dialogando, ora agredindo os jornalistas que a seguiam, a senhora tentava convencer os membros do corpo de bombeiros ainda ocupados com as chamas a salvarem membros de sua família levantando seus braços curtos em direção o alto do prédio, apontando o canto direito da face mais destruída onde praticamente todas as janelas estavam tomadas por fogo e fumaça preta.

Uma menina, em pé sobre pedaços dos vidros que se quebraram das janelas do prédio ao lado daquele atingido, também não conseguia conter o choro. Sem ninguém que a consolasse, cobria sua boca com a mão, e olhava ininterruptamente para as chamas que consumiam o prédio acompanhando os grandes pedaços de metal que perigosamente se soltavam dos escombros e caiam do alto quase atingindo as equipes que trabalhavam no chão.

Veja o relato do correspondente André Liohn e mais notícias do dia no UOL News com Fabíola Cidral:

Contrastando com o calor emitido pelo fogo, perceptível mesmo para quem assistia a tudo em pé do lado fora do cordão de impedimento erguido pela polícia, gotas e a umidade da água usada para apagar o incêndio se congelavam nos ramos das tantas árvores desfolhadas ao redor do prédio. Os galhos dificultavam o movimento dos guindastes usados para socorrer as pessoas presas dentro de seus apartamentos nos andares mais altos e uma equipe do corpo de bombeiros precisou cortar as árvores para que os guindastes pudessem chegar até o chão com os moradores evidentemente aterrorizados.

Uma senhora, sem conseguir caminhar, ainda vestida com seu roupão laranja e chinelos de veludo, foi carregada como uma boneca por um homem que a levou até uma ambulância onde foi socorrida e consolada pelos paramédicos que estavam presentes no local.

Com os ataques de hoje, nos últimos dois dias, a região central de Kiev sofreu pelo menos cinco grandes ataques que tiraram a vida de pelo menos 15 pessoas, feriu e desabrigou outras dezenas e destruiu dois grandes prédios residenciais. Estes ataques seguem o mesmo padrão; aparentam ser aleatórios e com alto poder de destruição e atingindo apenas áreas civis sem importância militar ou estratégica para o avanço das tropas russas em direção ao centro da cidade.

Não foi um feriado prolongado que tirou a população da cidade, e tampouco é por causa do frio que aqueles que estão aqui escondem-se em suas casas.

A guerra está cada vez mais dentro da capital ucraniana. Além da precisão do horário dos ataques, parece que a mensagem que Putin tenta passar ao governo ucraniano também é bastante clara e precisa: "Rendam-se, ou todos vocês morrerão".
Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte/UOL - Arte/UOL

_________________________________________________Biden alerta Rússia: "se tocarem no território da Otan, reagiremos e será a 3ª Guerra Mundial"

Joe Biden

247 - Em evento do Partido Democrata na Filadélfia (Estados Unidos), nesta sexta-feira, 11, o presidente norte-americano Joe Biden voltou a condenar a operação militar russa na Ucrânia e alertou os russos, em um pronunciamento transmitido ao vivo pela televisão.

“Quero ser claro: defenderemos cada centímetro do território da Otan, mas não vamos travar uma guerra contra a Rússia na Ucrânia. Um confronto direto entre a Otan e a Rússia é a 3ª Guerra Mundial. É algo que devemos nos esforçar para evitar”, afirmou. “Não queremos a Terceira Guerra Mundial. Se tocarem nos países da Otan, vamos responder”, frisou.

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Biden nesta sexta decretou novas sanções econômicas contra a Rússia, impedindo os moradores dos EUA de comprarem vodka, caviar e pedras preciosas, como diamantes russos.

_________________________________________________Imperialismo persegue barbaramente o povo russo - Henrique Vital Brazil Simonard

Por Henrique Vital Brazil Simonard 8 de março de 2022, 19:32

Para retaliar o governo Putin, os países imperialistas da Europa e os EUA começaram uma guerra contra o povo russo e sua cultura. Uma campanha covarde para pressionar Putin e enfraquecer seu apoio entre os russos. Sem se preocupar com o estrago à cultura que estão promovendo, estudantes russos estão sendo expulsos de universidades e artistas estão sendo demitidos ou impedidos de se apresentar.

Sobre os estudantes, a alta comissária para os Direitos Humanos na Federação da Rússia, Tatiana Moskalkova, discutiu com o Ministro da Educação da Rússia, Valery Falkov, medidas de proteção.

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“O ministério está tomando medidas para proteger os direitos dos estudantes expulsos de universidades da França, República Tcheca, Bélgica e outros países europeus devido à situação na Ucrânia”, disse Tatiana.

Ainda sobre as universidades europeias, a Universidade Bicocca, localizada em Milão, na Itália, cancelou um curso livre e gratuito sobre a obra do escritor russo Fiódor Dostoiévski. 

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Dostoiévski não foi o único no mundo das artes, ao contrário do autor, que morreu em 1881, diversos artistas russos vivos estão sendo demitidos e perseguidos. O maestro Valery Gergiev foi demitido da Filarmônica de Munique por “falhar em denunciar Putin” ou “se distanciar do seu amigo próximo Vladimir Putin”. Não só a filarmônica, mas também o Scala de Milão, o Festspielhaus Baden-Baden, maior sala de ópera da Alemanha, e a Elbphilharmonie de Hamburgo cortaram relações com o músico. Outras salas de espetáculos e concertos através da Europa estão cancelando festivais que contariam com a participação de Gergiev.

Outro russo afetado foi o jovem prodígio de 20 anos, Alexander Malofeev, que teve sua apresentação pela Vancouver Recital Society no Canadá cancelada. Anna Netrebko, considerada por muitos uma das, ou a, maior soprano atuando, foi demitida do teatro Metropolitan de Nova Iorque após ter se apresentado quase 200 vezes na casa. Anna foi intimidada pelo teatro diversas vezes para denunciar Putin, mas negou-se e, por isso, foi demitida. Peter Gelb, gerente do Met disse cinicamente que era uma grande perda e ressaltou que foi umas das maiores cantoras que passou pelo Metropolitan.

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Esses artistas citados já haviam adquirido fama e reconhecimento, mas vários jovens talentos serão negados para provar seu valor, pois os concursos de piano europeus, como o de Dublin, na Irlanda, fecharam suas portas para os concorrentes russos. 

O mundo da música ficou mais pobre graças à perseguição hipócrita do imperialismo. A Rússia é conhecida por produzir vários músicos de alto nível, afastá-los e puni-los é atacar a cultura mundial. Assim como retaliar contra a literatura russa é flagelar um enorme patrimônio da humanidade.

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Trata-se de uma enorme barbaridade a perseguição contra o povo russo. O imperialismo cerca a Rússia, desrespeita as próprias regras internacionais que ele mesmo estabeleceu, usa-se dos ucranianos como escudo, e depois persegue os russos como os nazistas perseguiram os judeus e os comunistas. Estudantes e artistas estão sendo forçados a atacar Putin, e caso recusem são tratados como párias internacionais.

Esse método de perseguição pariu os linchamentos modernos de ‘internet’ promovidos pelos grupos identitários. O capitalismo entrou em uma etapa de censura e perseguição à cultura e à arte. É comum em épocas de crise. O capitalismo está em um estágio avançado de putrefação, e a burguesia imperialista colocou seu jugo na sociedade. Qualquer um que ouse enfrentar, fisicamente, ou apenas no mundo das ideais com o imperialismo é esmagado. Isso alimentou a turba da pequena burguesia histérica que pede sangue toda vez que um artista ou uma figura pública é acusada de cometer, ou comete, um ato imoral, ou aparentemente imoral, segundo os costumes podres desta sociedade falida.

Precisamos denunciar a perseguição aos russos, e também defender a liberdade de expressão.

_________________________________________________Veja quem é a família morta em Irpin após ataque de morteiros russos

'Perdoem-me, não os protegi', escreve homem que perdeu mulher e filhos; imagem dos corpos numa rua próxima a Kiev foi vista em todo o mundo

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São Paulo

A foto de uma família morta após um ataque de morteiros russos próximo a Irpin, nos arredores de Kiev, explicitou o horror do conflito para os civis do país e estampou capas de jornal ao redor do mundo.

O pai, Serguei ​Perebinis, publicou no Facebook uma homenagem à família. No momento do ataque, ele não estava com a mulher, Tatiana Perebinis, e os filhos, que eram acompanhados por um amigo.

Soldados ucranianos tentam ajudar família de Serguei Perebinis em Irpin; o homem que acompanhava sua esposa e filhos era um amigo da família
Soldados ucranianos tentam ajudar família de Serguei Perebinis em Irpin; o homem que acompanhava sua esposa e filhos era um amigo da família - Lynsey Addario - 6.mar.22/Reuters

"Levaram todos eles. Tania [apelido de Tatiana] não resistiu. Por que isso está acontecendo comigo? E agora? Eu estou a caminho, vivo. Preciso ver vocês uma última vez. Perdoem-me, eu não os protegi", escreveu na mensagem, publicada junto de fotos antigas de Tatiana, 43, Nikita, 18, e Alise, 9.

A empresa de tecnologia e marketing em que Tatiana trabalhava, a SE Ranking, também publicou uma homenagem. "Estamos devastados em dizer que nossa querida colega e amiga Tatiana Perebinis, chefe de contas da SE Ranking, foi morta com suas crianças por morteiros russos", diz o comunicado.

"A família dela se tornou vítima de ataques a civis não provocados. Nossos corações estão partidos."

Tatiana Perebinis, 43, morta em ataque russo a civis em Irpin
Tatiana Perebinis, 43, morta em ataque russo a civis em Irpin - Reprodução Facebook

Em grupos no Facebook, Serguei também falou sobre seus cachorros, que acompanhavam a família e pareciam estar vivos em vídeos divulgados nas redes sociais.

Alise Perebinis, 9, morta em ataque russo a civis em Irpin, próximo a Kiev
Alise Perebinis, 9, morta em ataque russo a civis em Irpin, próximo a Kiev - Reprodução Facebook

"Amigos, minhas crianças morreram hoje em Romanovka, perto de Irpin. Ao lado dos seus corpos, estavam duas caixas de transporte de cachorro e, a julgar pelos vídeos, eles parecem estar vivos. Alguém pode tê-los salvado. Se alguém tiver visto ou souber de mais informações, escreva", disse.

"Eu vou lutar por todos os membros da minha família. Espero um milagre."

Guerra na Ucrânia

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Depois das mensagens, o mais velho dos dois animais foi encontrado em uma clínica, com uma das patas amputadas. Em publicação posterior, no entanto, Serguei contou que ele não resistiu aos ferimentos e morreu. "Eu tinha esperanças de que ao menos alguém fosse sobreviver", escreveu. Até agora, não foram divulgadas informações sobre o outro cachorro.

Na semana passada, ele tinha publicado fotos da destruição causada pela invasão russa em Irpin, local que chamou de "nova casa". "Ocupantes russos destroem a cidade usando aeronaves. Destroem casas, pessoas estão morrendo. Quantos civis ainda precisam morrer para você acordar?", escreveu Serguei.

Nikita Perebinis, 18, morto em ataque russo em Irpin, próximo a Kiev
Nikita Perebinis, 18, morto em ataque russo em Irpin, próximo a Kiev - Facebook Reprodução

Serguei afirma que nasceu em Donetsk e saiu de lá em 2014. O ano marcou o começo da guerra civil entre o governo e rebeldes separatistas na região, que fica a leste da Ucrânia e faz fronteira com a Rússia.

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Ex-Kid Abelha, Leoni critica presidente da Ucrânia: "fascista irresponsável"

"A História não é filme de super-herói", disse o músico

www.brasil247.com - Músico Leoni e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky
Músico Leoni e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (Foto: Divulgação | REUTERS)
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247 - O cantor Leoni, ex-integrante do grupo Kid Abelha, classificou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como "fascista irresponsável" e afirmou ser "inacreditável" que queiram transformar o mandatário ucraniano em uma espécie de "herói".

"É inacreditável a campanha da mídia nacional para transformar o Zelensky, um fascista irresponsável, em herói. O presidente usa o povo como escudo humano, mas é descrito pelos Guga Chacras da vida como líder democrático e corajoso. A História não é filme de super-herói", escreveu o artista no Twitter. 

A Rússia pretende barrar a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderada pelos Estados Unidos, que tentam ampliar a influência em algumas regiões da Europa. 

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Países ocidentais têm aplicado sanções à Rússia, governada por Vladimir Putin. A mais recente foi a proibição da importação do petróleo russo, conforme anunciou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.  

O presidente russo anunciou a preparação de medidas econômicas em retaliação ao Ocidente

_________________________________________________Reinaldo Azevedo - Biden em delírio e Europa acéfala deixam mundo à mercê de Putin e Zelensky

Colunista do UOL 09/03/2022 08h02

É impressionante, mas é verdade. O tamanho do desastre econômico (para ficar só no econômico...), em escala mundial, depende da veneta de dois lunáticos. Um deles, Vladimir Putin, acha que pode romper as regras do jogo e invadir um país soberano para impor as suas vontades. Sim, é verdade: ele não inova. Se precisasse aprender alguma coisa com o inimigo, a Otan poderia lhe dizer como se faz.

É bem verdade que a aliança militar não costuma ocupar territórios. Prefere os bombardeios aéreos. Quem estiver embaixo que se dane. O "mundo livre" tem suas demandas em cadáveres. É um tipo de liberdade que pode custar muito caro aos outros. Neste exato momento, esse tal "mundo livre", por intermédio da Arábia Saudita, está alvejando criancinhas no Iêmen. Para indignação de quase ninguém. Joe Biden? Ora, está puxando o saco de Mohammed Bin Salman, o assassino e criminoso de guerra que, de fato, governa a Arábia Saudita. Como os EUA querem tirar do mercado o petróleo da Rússia, o segundo maior exportador, então precisam pedir socorro ao primeiro. É preciso distinguir os infanticidas amigos dos infanticidas inimigos. Não é de hoje que Washington faz essas escolhas.

O É DA COISA: Até agora, EUA e União Europeia só atuaram em favor da guerra

A suposição de que Putin imaginou a tempestade econômica que desabaria sobre sua cabeça é puro exercício de imaginação. Tudo indica que não. No caso da guerra propriamente, é possível que tenha antevisto a resistência. A mobilização era gigantesca desde sempre. Não me parece que contasse com a ação concertada de Estados Unidos e Europa, com a adesão espontânea de países e corporações mundo afora, para estrangular o seu caixa e transformar o povo russo em marginal econômico. A aliança que se formou contra ele é de tal sorte que avança também para a estupidez. Uma universidade pensou em suspender um seminário sobre Dostoievski. O maestro russo Pavel Sorokin foi dispensado das apresentações que faria na Royal Opera House de Londres. Iria reger "O Lago dos Cisnes", de Tchaikovski. O artista foi tratado como agente de Putin.

O presidente russo diz que vai anunciar a sua resposta ao boicote liderado por Biden. O democrata está no poder há pouco mais de um ano e é o protagonista de uma das piores crises — em muitos aspectos, a pior — depois do fim da Segunda Guerra. "Não, Reinaldo, ele só está reagindo! Quem criou o bafafá foi Putin". Pois é. Imaginar que se tem à frente da ainda maior potência do mundo um senhor que só sabe ser reativo e que exerce o poderio de sua máquina de guerra e das dimensões imperiais de sua economia só para impor retaliações a um inimigo de estimação... Bem, isso dá conta do buraco em que estamos. A suposição de que Putin vá recuar com o rabo entre as pernas corresponde a alimentar a crise.

Biden arrastou uma Europa muda e acéfala para a sua aventura retaliatória. A economia que mais tem a perder, e isso poderá ser visto em breve, é a Alemanha, hoje sob o comando de Olaf Scholz, que tem sido mais um espectador da crise, embora seu povo possa ser o mais prejudicado do continente. Emmanuel Macron até deu uns sinais iniciais de que poderia ser um interlocutor qualificado, mas ainda não decidiu se seu papel é conceder entrevistas dizendo alguns desaforos sobre Putin ou convencer seus pares europeus e os Estados Unidos de que as demandas russas sobre segurança devem ao menos ser ouvidas

Engolfada pela onda "Destruam Putin", a imprensa ocidental vive dias de delírio, com exceções aqui e ali. A Rússia já ocupa 25% do território ucraniano; há quase dois milhões de refugiados, que vão se multiplicando — e os ataques, até agora, foram, como é evidente, pontuais e com aviso prévio, daí que a ONU reconheça pouco mais de 500 mortos civis. Se a coisa degenera, muitos milhares vão morrer. Ainda assim, um leitor desavisado ficaria com a impressão de que os russos estão levando uma sova.

Os critérios, mesmo os mais comezinhos, de uma sociedade civilizada, são mandados às favas porque, afinal, é preciso odiar Putin — que é mesmo um biltre. Mas o que se fará disso? Volodymyr Zelensky, o outro lunático dessa história, houve por bem transformar todos os homens do país em soldados — vale dizer: "reféns". Se há quase dois milhões de refugiados e se os homens entre 18 e 60 anos estão proibidos de deixar o país, então o número de famílias desfeitas, sabe-se lá por quanto tempo, também está por aí. É uma aberração e um atentado civilizatório. Mas o homem é aplaudido de pé no Parlamento britânico como se fosse Churchill.

Esperar respostas racionais daqueles que estariam em condições de oferecê-las tem sido perda de tempo. Não parece que virão. A menos que os EUA estejam arquitetando a queda de Putin na Rússia — não parece crível —, fica difícil saber em que mundo estão apostando. Olhem aqui: qualquer que se seja o pretexto, é no mínimo irresponsável que Biden jogue o mundo, ainda não de todo livre da pandemia, nessa encruzilhada. "Então Putin pode invadir qualquer país?" Não pode. Tem de ser punido. De toda sorte, a pergunta embute a premissa errada de que sua intenção é refazer o império soviético e reconstruir zona de influência da antiga União Soviética.

Então não tem jeito. Se alguma esperança há, vejam vocês, ela vem mesmo é dos lunáticos Putin e Zelensky. O bufão ucraniano — o sequestrador de todos os homens do país — andou dizendo que até pode considerar algumas exigências de Putin. Afirma estar decepcionado com a Otan. Ele esperava que a aliança fosse decretar a zona de exclusão aérea e lhe fornecer caças — não basta as milhares de toneladas de armamento que já recebeu. Vejam que coisa: é o próprio presidente da Ucrânia a confessar por que pretende entrar na Otan. Aos parlamentares do Reino Unido, no entanto, ele resolveu endurecer de novo a retórica e disse que a Rússia deveria ser considerada um estado terrorista. Foi aplaudido de pé.

No momento, os lunáticos têm o comando dos idiotas.

_________________________________________________A Rússia é culpada, sem adversativas | Opinião - O Globo

Por Carlos Alberto Sardenberg 05/03/2022 • 00:01

Como não dá a menor atenção a questões ambientais, sociais e de sustentabilidade, o presidente Putin não percebeu a enorme mudança ocorrida nas corporações privadas ocidentais: a era da responsabilidade social. E, assim, cometeu o maior erro de cálculo de seu ataque à Ucrânia: não imaginou que as grandes multinacionais, envolvidas em negócios bilionários com o governo e empresas russas, pudessem aderir de maneira avassaladora às sanções contra o país.

Todas essas multinacionais estão perdendo muito dinheiro. A Embraer informou que não prestará mais assistência aos 30 aviões que voam na Rússia. Nem assistência técnica, nem fornecimento de peças. Logo, deixa de receber dólares por um serviço.

A BP simplesmente cancelou sua participação no capital de empresas petrolíferas russas — assimilando uma perda patrimonial de US$ 25 bilhões e perdendo acesso a importantes reservas de óleo e gás.

Por que fazem isso? Porque, no mundo corporativo contemporâneo, contam muito os valores éticos, a responsabilidade com o público e a sociedade.

Muita gente dizia que isso de ESG — environmental, social and governance — era puro marketing. Uma enganação para parecer politicamente correto. Mas o verdadeiro cancelamento que as multinacionais impuseram aos negócios com a Rússia teve efeitos devastadores. As ações das 11 maiores empresas russas listadas na Bolsa americana Dow Jones viraram pó. Uma queda de 98%!

Perderam riqueza empresas e pessoas russas, mas também empresas e pessoas do mundo ocidental.

As sanções de governos eram esperadas. Mesmo assim, foram mais fortes do que se imaginava e podem escalar com a proibição total de importação de petróleo e gás russos. A adesão tão completa das multinacionais — às vezes, mais forte que as governamentais — é a parte nova desta história.

O isolamento global imposto à Rússia é uma atitude ao mesmo tempo geopolítica e moral. É para dizer: não, a Rússia não pode invadir a Ucrânia e ponto final. A Rússia é a criminosa; a Ucrânia, a vítima. E a ordem jurídica internacional, tal como definida na Carta da ONU, também é vítima. A Rússia viola escandalosamente o princípio de integridade territorial.

São inteiramente equivocadas as análises segundo as quais a Rússia se sentiu ameaçada pelo avanço da União Europeia e da Otan na direção do Leste Europeu, dos ex-satélites soviéticos. Sei que gente bem-intencionada diz isso. Ainda assim, é um grave equívoco. E, sim, equivale a dar razão a Putin.

A Rússia não estava sob nenhuma ameaça militar. O que estava e está se desfazendo é a ideologia sustentada por Putin, segundo a qual os valores ocidentais —liberdade individual, direitos de minorias, imprensa e partidos livres e o modo ESG —estavam em colapso.

A tremenda reação do Ocidente provou o contrário. Assim, pessoal, nada de adversativas, nada de “mas, porém”.

Compreendo que muita gente não gosta de ver que o Ocidente está do lado certo desta vez. Como Lula. Ele disse no México que os presidentes “envolvidos” deveriam cessar a guerra. “Envolvidos” — eis uma expressão marota, para dizer o mínimo. A Ucrânia está envolvida na guerra ... como vítima. É o cúmulo do mau-caratismo pedir que ela, Ucrânia, cesse a guerra. E entregue tudo para o agressor?

Aliás, Bolsonaro também não condena a Rússia.

Também é equivocado — e maneira indireta de dar razão a Putin — dizer que é perigoso acuar o ditador russo. Trata-se do contrário: é perigoso para o mundo deixar que Putin execute seu imperialismo criminoso sem nenhuma oposição.

Os países do Leste Europeu que aderiram ou estão aderindo à União Europeia e à Otan o fizeram livremente. Nem precisa pensar muito para entender por quê. Você preferiria aliar-se a uma Europa democrática e rica ou a uma ditadura imperialista?

As sanções geram uma inflação mundial. Mas, como disse o presidente Zelensky, um dólar a mais no preço da gasolina não parece caro diante do crime cometido contra o povo ucraniano.

Só as sanções podem levar o povo russo a deter Putin. 

Por Carlos Alberto Sardenberg

_________________________________________________Reação do Ocidente à invasão tem sido a melhor possível

Por Guga Chacra 28/02/2022 • 13:20

Protesto contra Vladimir Putin em Colônia, na Alemanha | THILO SCHMUELGEN/REUTERS

A reação do Ocidente, liderada por Joe Biden, tem sido a melhor possível desde o início da invasão da Rússia à Ucrânia na semana passada. As sanções não são leves, como as impostas por Barack Obama após a anexação da Crimeia em 2014. Desta vez, estão à altura da agressividade de Vladimir Putin e possuem a capacidade de estrangular a economia russa. Mostrou força.

A coordenação na imposição de sanções e no discurso contra os ataques da Rússia também também é outro ponto positivo na resposta. Descartaram envio de tropas corretamente neste momento, uma vez que pode levar a uma Terceira Guerra Mundial contra uma das duas maiores potências nucleares do planeta. Mas a ajuda com armamentos, logística e inteligência vem ajudando ao menos a reduzir o avanço. O fortalecimento da OTAN no Leste é correto, assim como dar garantias de segurança para a Suécia e Finlândia.

Para completar, o Ocidente conseguiu isolar Putin internacionalmente, como vimos no Conselho de Segurança da ONU. O líder russo virou um pária. Até mesmo a China optou pela abstenção na resolução condenando o ataque da Rússia à Ucrânia, em vez de se posicionar contra Moscou. Viktor Orban, que até dias atrás se posicionava como um aliado leal a Putin, adotou sanções contra a Rússia. Apenas nações como a Venezuela, Síria e Bielorrússia mantêm postura abertamente pró-Putin.

Ao longo das últimas semanas, antes da invasão, critiquei a estratégia de Biden. Ainda avalio que, no período anterior à invasão, houve falha da administração americana. Ficou focada mais em falar da invasão iminente (estavam corretos, mas só falavam disso), em vez de tentar ao máximo impedir essa invasão, fosse para dissuadir por pressão ou por meio de mais ações diplomáticas. Putin não teve medo de Biden e da possível reação. O objetivo dos EUA era impedir uma guerra. Não conseguiram.

Não sabemos como terminará o conflito. Estamos apenas no início. Mas, até agora, no pós-invasão, o Ocidente tem dado a melhor resposta possível, ainda que seja insuficiente contra Putin.

_________________________________________________Ganhar perdendo

Por Merval Pereira 03/03/2022 • 04:31

Uma guerra que se ganha perdendo parece ser o destino da Rússia de Vladimir Putin na escalada militar contra a Ucrânia. O discurso do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, diante do Congresso americano, muito assertivo, fez uma análise geopolítica sobre a guerra interessante, que parece ser consensual: Putin está saindo enfraquecido dessa guerra, e seu desejo de menos Otan em seu entorno parece estar proporcionando o ambiente político internacional para que mais países queiram se proteger na aliança militar ocidental.

A provável derrota militar de Volodymyr Zelensky poderá se transformar numa derrota política de consequências inimagináveis para a ambição de Putin de recriar a Grande Rússia. 

Se não for morto na guerra, Zelensky, que era o alvo número um do aparato militar russo, será o líder da resistência à dominação, com grande capacidade de comunicação e uma rede de apoio político que poucos líderes têm.

Digo que Zelensky era o alvo, e não é, porque, a esta altura, um assassinato dele poderá ser o estopim de uma reação internacional com reflexos internos, que podem levar à deposição de Putin. 

Os interesses financeiros dos oligarcas que literalmente o sustentam estão fortemente abalados pelas sanções impostas pelo Ocidente.

Havia muito tempo não se viam países ocidentais reagindo em conjunto, não restando dúvida de que a Rússia pagará caro pelo ataque. 

Constatar que, além de EUA e Europa, estão juntos contra a invasão países como o Japão e a Austrália, e agora até mesmo a China vai cautelosamente mudando de posição, colocando-se como possível mediadora do conflito, mostra que o mundo não está mais disposto a aceitar invasões como a Rússia vinha fazendo na Crimeia, na Geórgia.

Os três países que votaram contra a moção da Assembleia Geral da ONU contra a invasão da Ucrânia, além da própria Rússia e de seu satélite Bielorrússia, são ditaduras: 

Coreia do Norte, Eritreia e Síria. 

Ter mais ou menos Otan em volta da Rússia significa hoje não mais uma ação opressora como quer Putin, mas uma reação a favor da democracia. 

As forças democráticas ocidentais de um lado, e um governo autocrático, dirigido por um protoditador, de outro.

A Rússia tem uma democracia formal, não real, tanto que quem está protestando nas ruas é preso violentamente. 

E Putin monta sempre manobras para ficar no poder. A Rússia é dessas democracias aparentes, como Venezuela e Nicarágua. 

Tem eleição, Suprema Corte, Congresso funcionando. É como na nossa época da ditadura militar, uma democracia formal, todas as instituições funcionando, mas o governo tinha poderes excessivos para reprimir a oposição.

É o que acontece na Ucrânia. O mundo ocidental já entendeu que está em jogo ser ou não democrático. O fortalecimento da democracia é um sinal do enfraquecimento de Putin.

A Finlândia, que nunca anunciou que gostaria de entrar na Otan, e era uma preocupação de Putin, agora já quer entrar; a Ucrânia está pedindo para entrar na União Europeia em caráter emergencial. 

A Otan, uma força que poderia ser vista como intervenção americana na Europa, passou a ser uma força de defesa da democracia no mundo, ganhou outra dimensão, e isso Putin não imaginava.

Se continuar avançando, a Rússia de Putin acabará dominando a Ucrânia, mas uma Ucrânia arrasada, falida, assim como seu algoz, uma Rússia falida, sem capacidade de se reorganizar, e uma resistência cidadã que já se demonstra heroica. 

Com guerrilhas, emboscadas, se transformará num inferno aquela região, e um inferno a dominação da Rússia sobre a Ucrânia.

Putin não imaginava que poderia acontecer uma resistência tão forte, que está adiando a vitória dele, que parece inevitável. 

Mas será daquelas derrotas, para a Ucrânia, que se transformam em vitória moral e reforçam o sentimento de pertencimento de uma população.

_________________________________________________As derrotas de Vladimir Putin | Míriam Leitão - O Globo

Por Míriam Leitão 03/03/2022 • 04:30

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se encontra com representantes da indústria russa, em meio à invasão da Ucrânia, em março de 2022 | Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS ATTENTION EDITORS

O presidente Vladimir Putin está perdendo a guerra. Não há mais bom cenário para ele. O domínio do território da Ucrânia ocorrerá unicamente pela desproporção de forças, mas ele não conquistará a Ucrânia. O PIB do país que governa vai despencar numa recessão que é ainda difícil de calcular, o dólar subiu 40%, medidas são tomadas pelo Banco Central para conter a fuga de divisas. Um rublo vale menos que um centavo de dólar. Nos últimos sete dias houve uma brutal destruição da riqueza russa. A bolsa ficou fechada, mas em Londres as empresas russas viraram pó. A ação do banco Sverbank estava cotada a US$ 15, vale agora US$ 0,02. E seu braço europeu decretou falência. Os títulos do país são classificados como lixo e não encontram comprador. Putin governa um país sitiado econômica e financeiramente.

O projeto inicial de Putin fracassou. Ele achou que seria um passeio, um desfile militar até Kiyv. E encontrou pela frente o espírito humano. A força e a capacidade de luta dos ucranianos não se explicam nos manuais militares. Essa foi a primeira derrota de Putin. O domínio final será pelo esmagamento, seus tanques andarão sobre escombros. Que vitória será essa?

Nos seus planos de guerra estava a ideia de que bastava ameaçar com “consequências jamais vistas” que o Ocidente nada mais faria além dos discursos retóricos de sempre. Essa foi sua segunda derrota. No domingo, diante das primeiras sanções, Putin fez a reunião teatral com seu ministro da Defesa ordenando colocar em prontidão as forças especiais que lidam com arsenal nuclear. Iniciou assim a sua terceira derrota, porque a partir daquele momento o Ocidente se uniu de maneira incomum e disparou a mais poderosa arma financeira já usada contra uma economia.

Ontem a governadora do Banco Central russo definiu a situação como “extrema”. A moeda está no vazio. Calcula-se que os russos já sacaram US$ 15 bilhões. As empresas exportadoras são obrigadas a entregar 80% dos dólares ao governo. Mas a dúvida é se essas divisas entrarão no país, dado que o comércio está parando. As grandes empresas e marcas estão promovendo um verdadeiro banimento do mercado russo dos seus negócios. A lista é enorme e não caberia neste espaço, mas envolvem companhias como Apple, Disney, Adidas, Shell, BP, Exxon, Equinor, Airbus, Boeing, Visa, Mastercard, Volvo, General Motors, Microsoft. Inúmeras. Por pressão dos consumidores e sob risco reputacional, as companhias preferem perder dinheiro a manter os laços com a economia russa. Laços que foram construídos em mais de 30 anos.

A desvalorização do rublo levará a uma forte queda do poder de compra e o consumo responde por 50% do PIB. Empresas começam a quebrar. Haverá uma completa desorganização da cadeia produtiva. O setor de serviços também será afetado, principalmente o de softwares e alta tecnologia, o que irá diminuir a produtividade no país. Aviões russos já não podem voar para outros países, os navios não serão aceitos nos portos. Das finanças à indústria, dos serviços ao entretenimento, da agricultura ao esporte, tudo está sendo bloqueado.

A Rússia exporta perto de 8% do petróleo do mundo, e, apesar de as sanções não terem atingido o setor de energia do país, a Gazprom teve dificuldades para ir a mercado vender o produto ontem, mesmo com desconto nos preços. As comercializadoras não querem comprar e os bancos não aceitam financiar a operação.

O país de Vladimir Putin não é grande do ponto de vista econômico, mas é um gigante militar. Sua economia pode ser considerada média, e no médio prazo a Rússia tem muito a perder. Todos esses investimentos cancelados levarão a desemprego e ao empobrecimento. A Alemanha e outros países europeus tentarão encontrar outros fornecedores para o seu gás e seu petróleo. A Rússia poderá estreitar laços com a China, uma potência cada vez mais forte, mas isso a tornará mais dependente.

A população da Rússia está encolhendo. Hoje existem 2,5 milhões de russos a menos do que havia em 1993. Até o ano que ele escolheu para deixar o cargo, 2036, a população vai encolher em mais 5,2 milhões de pessoas, será de 140,6 milhões de habitantes. Essa não era a hora para mandar homens jovens correr risco de morte. Se é que existe hora boa para um governante mandar sua população matar e morrer em nome de um delírio expansionista.

(Com Alvaro Gribel, de São Paulo)

_________________________________________________Os PRINCÍPIOS EDITORIAIS que NORTEIAM a cobertura do Brasil 247 e da TV 247 na guerra da Ucrânia

2 de março de 2022, 11:45

247 – A guerra entre Rússia, Ucrânia e países da OTAN, que completa sua primeira semana nesta quarta-feira, já produziu uma das maiores crises humanitárias da história, com mais de 660 mil refugiados e colocou o mundo à beira da catástrofe nuclear. Como grupo de comunicação responsável, expressamos aqui os princípios editoriais que norteiam a cobertura de nossos dois veículos: o site de notícias Brasil 247 e a TV 247.

1 – Somos contra a guerra e defendemos o cessar-fogo imediato, assim como a busca de uma saída diplomática.

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2 – A construção de uma saída negociada para a guerra pressupõe que todas as partes sejam ouvidas em suas legítimas preocupações relativas ao tema da segurança.

3 – Defendemos um mundo multipolar, com maior equilíbrio entre os países, para que todos possam atingir plenamente seus potenciais de desenvolvimento.

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4 – Somos contra a censura e buscamos informações de todas as fontes que produzem jornalismo profissional para oferecer aos leitores e telespectadores um panorama amplo e confiável de notícias. 

5 – Rechaçamos narrativas unilaterais, bem como qualquer tipo de propaganda e desinformação midiática, como é comum em tempos de guerra.

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6 – Defendemos que o Brasil persiga uma política externa independente e neutra, que atenda aos interesses do povo brasileiro.

7 – Somos contra as sanções econômicas, que desorganizam a economia mundial e causam desabastecimento e inflação, penalizando sobretudo as populações mais vulneráveis.

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8 – O espectro de opiniões deve ser amplo, deixando claro que a opinião de cada comentarista ou colunista não se confunde com a dos veículos de comunicação.

9 – A paz deve começar dentro dos nossos próprios meios de comunicação. Aceitamos a crítica, mas fazemos um apelo aos leitores e telespectadores para que não ocorram ataques pessoais nas seções de comentários.

10 – Em cada artigo escrito, em cada vídeo, em cada transmissão ao vivo, temos a obrigação de sermos sempre transmissores da paz.


_________________________________________________Quem são os oligarcas russos e por que alguns se envolveram na guerra na Ucrânia - BBC News Brasil

O presidente russo Vladimir Putin aperta a mão do bilionário e empresário Arkady Rotenberg (direita) enquanto seu irmão, Boris Rotenberg (C) observa durante a cerimônia de premiação no GP da Rússia em Sochi em 2017
Legenda da foto, Putin em 2017 apertando as mãos de Boris e Arkady Rotenberg, que são chamados de "companheiros de Putin" pela imprensa britânica

Os oligarcas russos estão novamente no centro das atenções internacionais à medida que a crise entre a Rússia, a Ucrânia, a Europa e os Estados Unidos aumenta.

Quando a Rússia invadiu na Ucrânia, países como EUA e Reino Unido reforçaram sanções contra os bancos russos e muitos indivíduos, muitas vezes descritos pela imprensa como "companheiros" de Putin.

Aqui, analisamos o que são os oligarcas, como o termo se originou e por que muitos oligarcas russos estão agora sendo alvos de sanções.

O que é um oligarca?

O proprietário do Chelsea Football Club, Roman Abramovich, é um dos oligarcas russos mais famosos do mundo

A palavra "oligarca" tem uma longa história, mas nos tempos modernos ela adquiriu um significado muito mais específico.

Um oligarca no sentido tradicional é um membro ou apoiador de uma oligarquia — um sistema político no qual um pequeno grupo de pessoas governa.

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Mas hoje em dia o termo é usado para se referir a um grupo de russos extremamente ricos que ganhou destaque após a queda da União Soviética em 1991.

A palavra "oligarquia" vem do grego "oligoi", que significa "poucos", e "arkhein", que significa "governar".

O sistema é diferente de uma monarquia (o governo de uma pessoa, "monos") ou uma democracia (o governo do povo, "demos").

O que define um oligarca?

Um oligarca pode ser membro de uma casta dominante separada do resto da sociedade por sua religião, parentesco, prestígio, status econômico e até idioma.

Essas elites tendem a governar seguindo apenas seus próprios interesses, muitas vezes usando meios duvidosos.

Quem são os oligarcas de hoje?

Hoje em dia, um oligarca é uma pessoa ultra-rica que ganhou dinheiro fazendo negócios com o Estado.

Talvez o oligarca mais conhecido no Reino Unido seja o empresário russo Roman Abramovich, proprietário do Chelsea Football Club. Com um patrimônio estimado em US$ 14,3 bilhões (R$ 73 bilhões), ele fez sua fortuna vendendo ativos após a queda da União Soviética que anteriormente pertenciam ao Estado russo.

Em 26 de fevereiro, dois dias depois do início da invasão russa à Ucrânia, Abramovich divulgou um comunicado que dizia que ele havia entregado "a administração do Chelsea FC" à fundação de caridade do clube. Mas ele continuará sendo o dono do clube.

Outro oligarca é Alexander Lebedev, ex-funcionário e banqueiro da KGB, cujo filho Evgeny é o proprietário do jornal London Evening Standard. Evgeny é cidadão britânico e membro da Câmara dos Lordes.

Outros países também têm oligarcas, mas esse termo não costuma ser usado como a mesma frequência de quando se trata da Rússia.

O ex-presidente ucraniano, Leonid Kuchma, supervisionou as privatizações e reformas econômicas libertais

O Instituto Ucraniano para o Futuro (UIF), uma organização independente com sede em Kiev, culpa a ampla influência dos oligarcas na sociedade, na indústria e na política ucranianas pela falta de desenvolvimento do país.

Em um relatório, a UIF diz que os "antigos oligarcas" do país prosperaram sob a presidência de Leonid Kuchma (1994-2005) após o colapso soviético na década de 1990. "Os oligarcas ucranianos receberam a maior parte de seus ativos por causa de um conluio com autoridades e via um processo não transparente de privatização. Desde então, o controle sobre o sistema político continua sendo um aspecto fundamental para salvar seus negócios."

Como os oligarcas ganharam dinheiro?

O diretor-executivo da UIF, Victor Andrusiv, disse em um evento no Wilson Center em Washington em 2019 que os oligarcas são "uma classe especial" de pessoas, com "uma maneira especial de fazer negócios" e que eles têm uma "maneira especial de viver e influenciar" o mundo.

"Eles não são realmente homens de negócios. São pessoas ricas, mas a forma como ficaram ricos é absolutamente diferente do que acontece em um Estado capitalista [funcional]", disse Andrusiv.

"Eles não criaram o negócio: eles sequestraram o negócio do Estado."

Por que existem tantos oligarcas russos?

Os oligarcas russos estão em evidência hoje por causa do que aconteceu após o fim da União Soviética em 1991.

No Natal de 1991, Mikhail Gorbachev renunciou à presidência soviética e entregou o poder a Boris Yeltsin, que se tornou presidente da recém-independente Rússia.

Mikhail Gorbachev renunciou em dezembro de 1991 e entregou seus poderes presidenciais a Boris Yeltsin

No comunismo não existia propriedade privada. Mas na Rússia capitalista houve privatização em larga escala — particularmente nos setores industrial, energético e financeiro.

Como resultado, muitas pessoas ficaram incrivelmente ricas durante a privatização no início dos anos 1990.

Indivíduos bem posicionados e com as conexões certas puderam adquirir fatias inteiras da indústria russa — muitas vezes lidando com matérias-primas como minérios ou petróleo e gás, que têm demanda no mundo todo.

Parte deles subornou funcionários públicos que permitiram essas privatizações — ou lhes deu empregos como diretores em suas empresas.

Os oligarcas possuíam meios de comunicação de massa, campos petrolíferos, siderúrgicas, empresas de engenharia e, muitas vezes, podiam pagar pouco imposto sobre lucros.

Eles apoiaram Yeltsin e financiaram sua campanha presidencial de 1996.

Putin e os oligarcas

Quando Putin sucedeu Yeltsin, ele começou a controlar os oligarcas.

Aqueles que seguiram alinhados politicamente com Putin tornaram-se ainda mais bem-sucedidos. Mas alguns dos oligarcas originais que se recusaram a seguir essa linha, como o banqueiro Boris Berezovsky, foram forçados a fugir do país. Mikhail Khodorkovsky, que já foi considerado o homem mais rico da Rússia, vive em Londres hoje em dia.

Quando perguntado sobre os oligarcas em 2019, Putin disse ao Financial Times: "Não temos mais oligarcas".

Mas pessoas com relações muito próximas a Putin conseguiram construir verdadeiros impérios no mundo dos negócios graças ao seu patrocínio.

Putin é fotografado após um treinamento de judô em Sochi junto aos bilionários Vasily Anisimov e Arkady Rotenberg

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A equipe da BBC News Brasil lê para você algumas de suas melhores reportagens

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Boris Rotenberg, que frequentou o mesmo clube de judô que Putin na infância, foi descrito pelo governo do Reino Unido como "um empresário russo proeminente com laços pessoais estreitos" com Putin.

Segundo a Forbes, Rotenberg tem uma fortuna de US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bilhões).

Tanto Rotenberg quanto seu irmão Arkady foram alvo de sanções do Reino Unido depois que Putin reconheceu as duas regiões separatistas de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia, como "repúblicas populares".

A Ucrânia, os EUA, a União Europeia, a Austrália e o Japão também impuseram sanções aos oligarcas russos. Após a invasão russa da Ucrânia, muitas dessas restrições provavelmente serão ainda mais rígidas.

Mas alguns oligarcas seguem sem sanções, como é o caso de Roman Abramovich, dono do Chelsea.

Após a invasão da Ucrânia, parlamentares do Reino Unido pediram que os ativos de Abramovich fossem sancionados, alegando laços estreitos do oligarca com o Kremlin — algo que o bilionário nega.

Abramovich não está sob nenhuma sanção do Reino Unido, da União Europeia ou dos EUA.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, precisou se corrigir depois de dizer erroneamente ao parlamento que Abramovich estava sendo alvo de sanções. A ministra de Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, se recusou a dizer se o governo considera sancionar o oligarca russo. Ao longo da guerra na Ucrânia, parte da imprensa britânica tem apontado laços próximos entre empresários russos e os conservadores, liderados por Johnson.

Um industrial com laços estreitos com o presidente Putin, Oleg Deripaska foi sancionado nos EUA desde abril de 2018,

O Tesouro dos EUA diz que ele foi "investigado por lavagem de dinheiro e acusado de ameaçar a vida de rivais comerciais, grampeando ilegalmente um funcionário do governo, e participando de extorsão e extorsão. Há também alegações de que Deripaska subornou um funcionário do governo, ordenou o assassinato de um empresário e tinha ligações com um grupo do crime organizado russo." Ele nega qualquer irregularidade.

_________________________________________________JEAN WYLLYS detona GUGA CHACRA: 'trata uma guerra como se fosse o roteiro de um filme ruim de Hollywood. MISÉRIA INTELECTUAL 

28 de fevereiro de 2022, 20:38
Jornalista Guga Chacra e Jean Wyllys

247 - O ex-deputado federal Jean Wyllys (PT) criticou a análise feita pelo jornalista da Globo Guga Chacra, que, nessa segunda-feira (27), publicou uma coluna intitulada "O heroico comediante contra o covarde ex-agente da KGB".

"O 'jornalismo' que trata uma guerra complexa, que corresponde a uma disputa de impérios e em que vidas humanas estão em jogo como se fosse o roteiro de um filme ruim de Hollywood. Quanta desinformação! Quanta miséria intelectual", escreveu o ex-parlamentar no Twitter.

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Por conta da análise, o jornalista sofreu duras críticas nas redes sociais. 


_________________________________________________Como a esquerda mundial vê a guerra entre Rússia e Ucrânia?

28 de fevereiro de 2022, 18:43

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Por Camila Araújo, do Opera Mundi - A ação militar russa na Ucrânia dividiu a esquerda mundial. Enquanto algumas agremiações e grupos veem a ofensiva russa como inaceitável, condenando os atos de Moscou contra um país soberano, outros partidos ao redor do mundo se colocam críticos à expansão da Otan rumo ao leste e acreditam que a ação se justifica.

Neste texto, compilamos o posicionamento de partidos de esquerda, centro-esquerda, ou aqueles ditos progressistas, da América do Sul, Europa e Ásia. 

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Partido Comunista de Cuba

O Partido Comunista de Cuba declarou neste sábado (26/02) que “a Rússia tem o direito de se defender” de uma “ameaça direta à sua segurança nacional”.

“Foi um erro ignorar durante décadas as bem fundamentadas demandas por garantias de segurança por parte da Federação Russa e supor que o país permaneceria indefeso diante de uma ameaça direta à sua segurança nacional”, defendeu um comunicado da chancelaria cubana, afirmando ainda que “não é possível alcançar a paz cercando ou encurralando os Estados”. 

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A ilha socialista afirma que advoga pela “segurança e soberania de todos” e que a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que seria determinada pelos Estados Unidos, conduziu a um cenário entre a Rússia e a Ucrânia que poderia ter sido evitado e cujos impactos são imprevisíveis. 

“São bem conhecidos os movimentos militares realizados pelos EUA e pela Otan nos últimos meses em direção às regiões adjacentes à Federação Russa, precedidos pela entrega de armas modernas à Ucrânia, que juntos constituem um cerco militar progressivo”, diz o texto, acrescentando que é preciso lembrar da “grande agressão contra a Iugoslávia" encabeçada pelo país norte-americano e pela aliança militar, que somou um “alto custo em vidas”. 

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A nota, publicada pelo Ministério das Relações Exteriores e replicada no site do jornal oficial do Partido Comunista de Cuba e pelo site da própria sigla, aponta que o país latino-americano apoia “vigorosamente” as normas internacionais sobre uso de força e que defende o Direito Internacional, estando comprometido com a defesa da paz.  

“Lamentamos profundamente a perda de vidas de civis inocentes na Ucrânia”, declarou a chancelaria cubana, afirmando ainda que a história irá responsabilizar o governo norte-americano pelas consequências de “uma doutrina militar cada vez mais ofensiva fora das fronteiras da Otan”. 

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Frente de Todos (Argentina)

A Frente de Todos não divulgou comunicado oficial sobre a situação na Ucrânia, mas compartilhou no Twitter o posicionamento do presidente do país Alberto Fernández, que é membro da coalizão de esquerda.

"Lamento profundamente a escalada da guerra que conhecemos pela situação gerada na Ucrânia. O diálogo e o respeito à soberania, integridade territorial, segurança dos Estados e direitos humanos garantem soluções justas e duradouras para os conflitos", declarou o mandatário.

Fernández disse ainda que a pandemia causou morte e sofrimento na humanidade, o que cria um "imperativo moral para que as partes se comprometam com a solução pacífica da controvérsia, agindo com a maior prudência e responsabilidade para garantir a paz mundial". 

Ele apela também para que as partes envolvidas não usem a força militar, voltem à mesa de diálogo e que a Rússia ponha fim à sua ofensiva. 

Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV)

Também na quinta-feira (24/02), o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que está no governo do país latino-americano com o presidente Nicolás Maduro, replicou em seu site uma nota, assinada pela chancelaria venezuelana, manifestando “preocupação com o agravamento da crise na Ucrânia” e lamentando o que chamou de violação dos Acordos de Minsk pela Otan e pelos EUA.

“O descarrilamento desses acordos violou o Direito Internacional e gerou fortes ameaças contra a Federação Russa, sua integridade territorial e soberania, além de impedir as boas relações entre os países vizinhos”, diz o comunicado, pedindo ainda um “retorno ao caminho do entendimento diplomático”. 

A nota da Venezuela também citou os mecanismos de negociação da Carta das Nações Unidas pela preservação da paz e da vida. 

Movimento ao Socialismo (MAS, Bolívia)

O presidente do Movimento ao Socialismo (MAS), o ex-mandatário do país Evo Morales vem se posicionando por meio das redes sociais diante da escalada de tensão no leste europeu. O MAS é o partido que está no governo atualmente, com Lucho Arche.

Na quinta-feira, Morales disse no Twitter que a guerra “nunca é a solução'' e que a “Bolívia é pacifista e anti-imperialista”. 

“Condenamos o intervencionismo dos EUA para confrontar dois países como a Rússia e a Ucrânia”, declarou Evo. Para ele, “a Europa não pode se tornar o teatro de operações dos EUA contra países soberanos”. 

Já neste domingo (27/02), o ex-presidente declarou que “as guerras são um negócio para o capitalismo, a indústria bélica e as empresas interessadas em recursos estratégicos”, sendo promovidas pelo que classifica como política expansionista da Otan. 

Ele defende ainda que a aliança militar deve ser processada e “desaparecer”, “por promover invasões e guerras” que deixam “milhares de mortos”, “por saquear recursos de países e defender os interesses do sistema capitalista que concentra riqueza em poucas mãos”.

Peru Livre

O partido governista peruano, o Peru Livre, que se coloca como uma sigla de tradição marxista-leninista-mariateguista, também não divulgou posicionamento oficial sobre o conflito no continente europeu. No entanto, o fundador e porta-voz da agremiação, Vladimir Cerrón, fez uma série de publicações em seu Twitter em apoio às ações da Rússia.

O secretário-geral do Peru Livre defendeu que a crise na Ucrânia é uma consequência da “manutenção da estrutura militar da Otan”, que, para ele, “nada mais é do que a máquina de guerra da América do Norte e da Europa”, cuja existência era válida na época da Guerra Fria e que agora “continua a colonizar”.

De acordo com o político, a Aliança Militar tem pretensão de controle mundial, construindo um aparelho “sinistro que põe em risco a paz mundial”, destacando que a organização está presente até mesmo no Peru, com 10 bases militares, “violando a independência nacional”.  

“O regime neonazista fantoche dos EUA baniu o partido comunista ucraniano, proibiu qualquer forma de transmissão socialista e dissolveu ilegalmente o grupo parlamentar comunista; enquanto ele considera as milícias pró-nazistas de extrema direita da Segunda Guerra Mundial como heróis”, opinou Cerrón.

A decisão da Rússia de lançar uma operação militar ao território vizinho, de acordo com ele, é uma “medida justa diante do genocídio que sofre [a população] há mais de oito anos pelo exército mercenário ucraniano reforçado com seus assessores da Otan”.

Segundo Cerrón, a Rússia tomou “medidas necessárias para as negociações diplomáticas e a única resposta dos EUA e da UE tem sido sanções econômicas e ameaças de tornar a Ucrânia neonazista membro da Otan”. 

Ele conclui dizendo o século XXI “será caracterizado pelo multilateralismo e pelo fim do mundo unipolar pró-EUA”, afirmando que Rússia, China, e “novas potências” como África do Sul ou Índia estão “moldando um novo cenário mundial onde o Peru terá que assumir um papel na América Latina”.

Convergência Social (Chile)

A Convergência Social, da qual o presidente eleito do Chile Gabriel Boric, que assume em 11 de março, faz parte, publicou um posicionamento oficial da sigla na última quinta-feira (24/02), rechaçando “soluções bélicas” da situação entre Rússia e Ucrânia e manifestando solidariedade ao povo ucraniano. A nota fala ainda em uma "convicção" na desmilitarização mundial, incluindo o fim de alianças militares “conduzidas por grandes potências”. 

Já o futuro presidente de esquerda chileno disse em seu Twitter que “a Rússia optou pela guerra como meio de resolver conflitos”, acrescentando que “condenamos a invasão da Ucrânia, a violação de sua soberania e o uso ilegítimo da força''. 

“Nossa solidariedade será com as vítimas e nossos humildes esforços com a paz", concluiu.

Partido Comunista do Chile (PCCh)

Já o PC chileno publicou uma nota condenando “os atos de guerra na resolução de conflitos”, afirmando que cada país deve assumir sua responsabilidade: Rússia primeiro, declara o comunicado, mas também os EUA e a Otan, “que, com as suas provocações, desejos expansionistas, interesses económicos e geopolíticos, juntamente com a sua política de armamento na Ucrânia, levaram ao desrespeito do tratado de Minsk”.

Para a sigla, este cenário “abriu o perigo de guerra” e que é preciso recuperar a paz. “A escalada ou envolvimento e confronto de potências com capacidades nucleares podem ter consequências trágicas para a humanidade. É por isso que nosso apelo é para que todos os esforços sejam feitos para a paz e uma solução política para os conflitos”, diz a nota.

Em seu Twitter, Daniel Jadue, prefeito de Recoleta e ex-presidenciável comunista, afirmou que não se trata de “bem e mal”, e sim sobre a vida das pessoas. 

“É urgente condenar sem dupla leitura o uso da força para resolver os conflitos e a coerência dos líderes mundiais”, declarou o membro do PC. 

Partido dos Trabalhadores (PT, Brasil)

O Partido dos Trabalhadores (PT), no Brasil, publicou na sexta-feira (24/02) uma nota assinada pela presidente da sigla Gleisi Hoffman e pelo Secretário das Relações Exteriores Romênio Pereira afirmando que “sempre defendeu” que as relações entre os países resguardem o respeito pela “autodeterminação dos povos” e o “diálogo democrático”.

“A resolução de conflitos de interesses na política internacional deve ser buscada sempre por meio do diálogo e não da força, seja militar, econômica ou de qualquer outra forma”, diz o comunicado, defendendo que a solução da crise entre Rússia e Ucrânia aconteça de forma pacífica com a mediação de fóruns multilaterais. 

Partido Comunista Brasileiro (PCB)

O PC brasileiro defendeu em nota datada do dia 25 de fevereiro o “fim da Otan e da guerra”, “pela paz e o socialismo na Ucrânia, na Rússia e em todo o mundo”, afirmando que “a única solução para esse conflito” seria a “luta independente da classe trabalhadora mundial contra o imperialismo dos EUA, da Otan e do sistema capitalista”. 

"Nenhuma burguesia de nenhuma nação trará aos explorados e oprimidos do mundo a paz. Acima de tudo, apontamos para a necessidade da classe trabalhadora ucraniana organizar-se para liquidar de uma vez o regime neofascista e estabelecer no país um Poder Popular, tomando em suas próprias mãos a iniciativa na luta por uma Ucrânia autodeterminada e socialista, avessa a todo tipo de intervenção burguesa estrangeira!", diz a nota. 

Frente Ampla (Uruguai)

A Frente Ampla, grupo de esquerda do Uruguai, divulgou nesta sexta-feira (24/02) uma nota expressando “preocupação” com o conflito e com as “gravíssimas consequências” que poderão impactar, segundo o comunicado, a comunidade internacional como um todo.

A sigla uruguaia afirma que “reitera seu compromisso com a paz, a independência e a soberania como chaves para a coexistência dos povos”, apelando para a moderação, o respeito recíproco, o diálogo e à diplomacia. Também cita os princípios da Carta das Nações Unidas. 

Partido Socialista (PS, Portugal)

O Partido Socialista de Portugal divulgou nota na quinta-feira (24/02) condenando “toda e qualquer violação do direito internacional” e afirmando que qualquer “visão alternativa ou mal-entendido” deve ser solucionado por via diplomática.

“Assim, condena veementemente o ataque militar russo contra a Ucrânia e apela à retirada imediata das forças militares russas” do território ucraniano, diz a sigla portuguesa. 

O PS aponta ainda para o direito internacional, os Acordos de Minsk, estabelecidos entre Rússia e Ucrânia em 2014 e 2015, e a retomada da via diplomática como uma solução para um futuro “pacífico e próspero para toda a região”. “Apoiamos fortemente a soberania e a integridade territorial da Ucrânia”, declara o comunicado, acrescentando ainda uma manifestação de solidariedade para o povo ucraniano e “em particular para a comunidade ucraniana presente no nosso país''. 

“Continuaremos a lutar por uma posição clara e consistente a nível da UE, bem como por sanções com repercussões económicas para os responsáveis por esta agressão”, conclui a agremiação.

Partido Comunista Português (PCP)

O Partido Comunista português publicou nota nesta quinta expressando preocupação pela situação no leste europeu, “envolvendo operações militares de grande envergadura da Rússia na Ucrânia, muito para além da região do Donbass”, região separatista em território ucraniano.

O comunicado fala ainda na necessidade de uma “urgente desescalada do conflito, à instauração de um cessar-fogo e à abertura de uma via negocial”, mencionado a Carta da ONU e a Ata da Conferência de Helsinque, assinado por 35 países, em sua maioria europeus, nos anos 1970, que fala sobre segurança e cooperação no continente. 

“O PCP salienta que o agravamento da situação é indissociável da perigosa estratégia de tensão e confrontação promovida pelos EUA, a Otan e a UE contra a Rússia”, declara a sigla, mencionando a expansão da aliança militar sobre o leste europeu e a “instrumentalização da Ucrânia, desde o “golpe de estado de 2014 com o recurso a grupos fascistas”. 

Segundo o partido, que mantém um espaço em seu site dedicado a explicar a situação ucraniana, este cenário levou à imposição de um regime xenófobo e belicista no território ucraniano. A agremiação comunista destaca ainda que a Rússia é um país capitalista, com posicionamento determinado pelos interesses de suas elites, que se opõe aos defendidos pelo PCP.

A nota aponta ainda para as declarações proferidas por Putin na última segunda-feira (21/02) em que critica “erros” na Ucrânia que teriam sidos cometidos pela União Soviética. Para o partido, a fala do mandatário russo é uma “grosseira deformação da notável solução” que o antigo bloco socialista teria encontrado para a questão das nacionalidades, com “respeito pelos povos e suas culturas''. 

“A solução não é a guerra, é a paz e a cooperação. Em defesa dos interesses e das aspirações do povo português e dos povos de toda a Europa”, acrescenta a nota, se opondo “à agressão imperialista da Rússia”. 

Bloco de Esquerda (Portugal)

Já o Bloco de Esquerda divulgou um comunicado na quarta-feira (23/02) se opondo ao que chamou de “guerra imperialista da Rússia”.

O texto é dividido em cinco pontos em que a agremiação defende, em primeiro lugar, que “o reforço da máquina de guerra da Otan” põe em perigo a paz na Europa. Diz também que o território russo deve respeitar a integridade territorial do vizinho ucraniano. 

O partido esquerdista também fala em “aventura militar de Putin” perante a “anexação do Donbass”, em referência ao reconhecimento da independência das regiões separatistas ucranianas de Donetsk e Lugansk anunciado pelo mandatário russo na última segunda-feira (21/02). 

“A atuação de Putin só encontra acolhimento significativo em conhecidas personalidades da extrema-direita europeia”, diz a nota do Bloco, defendendo que Portugal deve oferecer “solidariedade política e diplomática à Ucrânia para a preservação do seu território”. 

Por fim, a sigla diz que a imposição norte-americana de armamento e de bases da Otan nas fronteiras da Rússia desemboca numa escalada de tensão "à maneira da Guerra Fria” e que o governo português deve atuar pela neutralidade na Ucrânia.

Partido Trabalhista (Labour, Reino Unido)

O Partido Trabalhista do Reino Unido, de centro-esquerda, divulgou um posicionamento assinado pelo líder da oposição no Parlamento britânico Keir Starmer na última quinta-feira (24/02).

O político defende, no comunicado, que o governo de seu país deve fornecer “armas, equipamentos e assistência financeira” ao povo ucraniano, assim como apoio humanitário, além de aplicar as sanções “mais duras possíveis” contra a Rússia. 

Ele sinalizou que as penalidades significam excluir a Rússia de “mecanismos financeiros como o SWIFT e proibir o comércio de dívida soberana russa” e parabenizou o primeiro-ministro Boris Johnson pelo conjunto de sanções que aplicou contra o país do leste europeu. 

Ele também falou em “tranquilizar nossos aliados da Otan” e destacou que as consequências da ofensiva russa serão horríveis e trágicas para a Ucrânia, mas também para o povo russo, “que foi mergulhado no caos por uma elite violenta que roubou sua riqueza, roubou sua chance de democracia e roubou seu futuro”.

Starmer afirmou ainda que o Reino Unido também deve se preparar para dificuldades econômicas, porque “libertaremos a Europa da dependência do gás e do petróleo russos”. 

“Devemos apoiar o povo ucraniano em sua luta e devemos garantir que Putin falhe. Putin acabará aprendendo a mesma lição que os tiranos da Europa aprenderam no século passado”, disse o parlamentar. 

França Insubmissa

“A invasão militar da Ucrânia pela Rússia é um ato de guerra extremamente grave que condenamos nos termos mais fortes”, declarou o partido francês de esquerda França Insubmissa, que apresenta Jean-Luc Mélenchon como candidato para as eleições presidenciais deste ano no país europeu.

Para a sigla, a França deve fazer “todo o possível para diminuir a escalada e retornar à paz”, afirmando ser urgente proteger os civis e exigir um cessar-fogo imediato.

“Esta é a condição para a retomada do diálogo que pedimos no seio da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, que é o quadro adequado e legítimo para resolver esta grave crise”, defende o partido.

SPD (Alemanha)

Olaf Scholz, chanceler da Alemanha e um dos líderes do SPD (Partido Social-Democrata da Alemanha), afirmou neste sábado (26/02) que "a guerra de Putin é um ponto de virada" para a Europa e para o mundo. 

O governo federal anunciou ainda o fornecimento de armas ao país, afirmando que a Alemanha cumpre o “dever de assistência da Otan”, “com reforço das forças armadas alemãs para apoiar a Lituânia, o compromisso na Romênia, Eslováquia, Mar do Norte, Mar Báltico e Mar Mediterrâneo, bem como para a defesa aérea na Europa Oriental”.

O governo social-democrata alemão disse que pretende “investir fortemente em equipamentos de última geração” e que “disponibilizaria mais 100 bilhões de euros para isso no ano em curso''. Diz também que pelo menos 2% do produto interno bruto serão investidos anualmente em defesa no futuro. 

Die Linke (Alemanha)

O partido alemão Die Linke (que significa A Esquerda, em português), divulgou nota, assinada pelas lideranças Susanne Hennig-Wellsow e Janine Wissler, e pelos parlamentares Amira Mohamed Ali e Dietmar Bartsch, em que condena a agressão de Putin na Ucrânia.

“Nada pode justificar esta guerra de agressão, que é contrária ao direito internacional. A Rússia deve cessar imediatamente as hostilidades, concordar com um cessar-fogo e retornar à mesa de negociações”, defende a agremiação, afirmando se tratar da “situação mais perigosa para a paz na Europa em décadas”.

O Die Linke defende ainda a realização de uma conferência especial da ONU envolvendo Rússia, Ucrânia e todos os países vizinhos 

“Os países vizinhos não devem ser deixados sozinhos no acolhimento de refugiados. Apelamos a todas as pessoas para que participem nos numerosos comícios pela paz, cessar-fogo e desarmamento!”, conclui o comunicado. 

PSOE (Espanha)

O premiê espanhol Pedro Sánchez, membro do Partido Socialista Obrero Español (PSOE), declarou que os fatos no continente europeu são “muito graves e muito simples ao mesmo tempo”, apontando que “uma potência nuclear violou a legalidade internacional e iniciou a invasão de um país vizinho”.

A nota assinada por Sánchez diz que a crise vai afetar outros países além dos dois envolvidos no conflito e apela para a retirada de tropas russas da Ucrânia. 

“A Espanha partilha interesses com a União Europeia, mas sobretudo partilhamos valores. E esses valores estão na base da nossa Constituição, da Constituição espanhola, e são também valores e princípios amplamente partilhados pelos cidadãos espanhóis: os valores da paz, do respeito pelo direito internacional, da solidariedade e também da cooperação humanitária com os povos afetados”, expressa o comunicado.

O PSOE defende o pacote de sanções aprovados pela União Europeia contra a Rússia e fala em ajuda financeira à Ucrânia 

Unidas Podemos (Espanha)

Já o partido espanhol Unidas Podemos diz em nota da quarta-feira (23/02) que “o reconhecimento unilateral da independência” de Donetsk e Lugansk pelo governo russo, que ocorreu no dia 21 de fevereiro, teria enterrado os Acordos de Minsk, algo sobre o qual Moscou disse na última semana estar “morto” há tempos devido a provocações de Kiev na região separatista.

A própria Unidas Podemos reconhece este cenário: “desde 2014 os acordos de paz de Minsk não deixaram de ser violados com constantes violações do cessar-fogo, somadas à recusa do Governo da Ucrânia em reconhecer o estatuto autônomo das regiões de Donbass incluídas no referido tratado”. 

Diz, no entanto, que “nenhum conflito com identidades nacionais em disputa pode ser resolvido dessa maneira. É necessário voltar à mesa de negociações e aos acordos de Minsk”. 

“Devemos também lembrar que, no centro deste conflito, está a política de expansionismo da Otan à Europa de Leste”, declara o partido, afirmando que tal situação impediu que a Rússia criasse uma estratégia de paz e segurança.

“Como já dissemos, falar da Otan é falar da fase da Guerra Fria que já foi superada. No cenário atual, todos os atores envolvidos sabem que a incorporação da Ucrânia à organização não é viável nem solução”, acrescenta a nota, pedindo cessar-fogo, desmilitarização da área e o fim da expansão da aliança militar. 

O comunicado conclui ainda que quem paga pelas sanções internacionais “é sempre a população: da Ucrânia, da Rússia e da Europa”.

Partido Comunista da Federação Russa

O Partido Comunista da Federação Russa (PCFR), maior oposição ao presidente Vladimir Putin no Parlamento, se posicionou na sexta-feira (25/02) a favor da ação militar na Ucrânia, e disse que somente a “desmilitarização e desnazificação [ucraniana] pode garantir segurança duradoura”.

“Impelir os provocadores de Kiev à paz e conter a agressividade da OTAN tornou-se o imperativo da época. Somente a desmilitarização e desnazificação da Ucrânia pode garantir segurança duradoura para os povos da Rússia, Ucrânia e de toda a Europa”, diz o texto.

O PCFR diz ainda que um dos objetivos dos EUA e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) é “escravizar a Ucrânia.” Para os comunistas, os ucranianos "não podem ser vítimas do capital mundial e dos clãs oligarcas".

“Os planos dos EUA e de seus satélites da OTAN de escravizar a Ucrânia não devem ser realizados. Estes planos agressivos criam ameaças críticas para a segurança da Rússia. Ao mesmo tempo, eles contradizem de forma flagrante os interesses do povo ucraniano", afirma a agremiação.

Outros partidos russos, como o Rússia Justa (centro-esquerda), também manifestaram apoio à ação militar em solo ucraniano. Segundo o líder do partido, Sergei Mironov, a operação “não é contra o povo da Ucrânia”, mas contra “Bandera, que tomou o poder [em referência Stepan Bandera, que colaborou com os nazistas na Segunda Guerra e cujo nome é hoje usado por grupos ultranacionalistas ucranianos]. Isso é ajuda a um povo fraterno, mas, em primeiro lugar, é pela proteção da Rússia, já que o fortalecimento de Bandera na Ucrânia inevitavelmente ameaça a segurança de nosso país.”

Partido Comunista da China

O Partido Comunista da China divulgou neste domingo (27/02), por meio de seu jornal People's Daily, um “posicionamento básico” do país em relação à crise ucraniana elaborado pelo chanceler Wang Yi.

Em primeiro lugar, diz o comunicado, a China “permanece respeitando e salvaguardando firmemente a soberania e a integridade territorial de todos os países”, cumprindo os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, que normatizam uma “promoção da paz entre as nações”. 

A nota aponta que o país asiático defende o conceito de “segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável'', apoiando e encorajando esforços diplomáticos “conducentes à resolução pacífica” da crise. 

Wang Yi pontua ainda, no texto, que a situação na Ucrânia, que tem sido acompanhada pela China, é algo que “não queremos ver”, acrescentando que o Conselho de Segurança da ONU deve “desempenhar um papel construtivo na resolução da questão ucraniana e que a paz e a estabilidade regional, bem como a segurança de todos os países, devem ser as prioridades”.

Em um outro comunicado divulgado na sexta-feira (25/02), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, afirmou que o país se opõe a qualquer ato que incite à guerra, defendendo ainda que a China em uma atitude responsável tenta dissuadir as partes a não aumentarem as tensões.

Os Estados Unidos, diz Hua, vêm fazendo justamente o contrário. "No período passado, os EUA enviaram pelo menos US$ 1,5 bilhão em mais de mil toneladas de armas e munições para a Ucrânia", completou. 

Partido Comunista da Ucrânia, Turquia, Palestina e de outros 31 países 

Uma declaração conjunta assinada por partidos comunistas de 34 países diferentes dos continentes americano, africano, asiático e europeu, afirma que a situação na Ucrânia é um "conflito imperialista" com “consequências da trágica” para os povos da antiga União Soviética. “Tanto as forças burguesas quanto as oportunistas estão completamente expostas”, declara a nota.

O comunicado comunista defende que os acontecimentos no leste europeu ocorrem “no quadro do capitalismo monopolista”, ligados a intervenções dos EUA, Otan e UE, em uma “acirrada competição com a Rússia capitalista pelo controle dos mercados, matérias-primas e redes de transporte do país”. 

“Denunciamos a atividade das forças fascistas e nacionalistas na Ucrânia, o anticomunismo e a perseguição aos comunistas, a discriminação contra a população de língua russa, os ataques armados do governo ucraniano contra o povo de Donbass”, diz o texto. 

A decisão da Rússia, prossegue a coalizão comunista, de reconhecer a independência da região separatista de Donetsk e Lugansk e de defender uma intervenção militar, “está ocorrendo sob o pretexto da ‘autodefesa’”, da desmilitarização e “desfascistização” ucraniana e “não foi feita para proteger o povo da região ou a paz, mas para promover os interesses dos monopólios russos no território ucraniano e sua feroz competição com os monopólios ocidentais”.

“Expressamos nossa solidariedade aos comunistas e aos povos da Rússia e da Ucrânia e estamos ao lado deles para fortalecer a luta contra o nacionalismo, que é fomentado por cada burguesia”, esclarece o comunicando, apelando para que “povos dos países cujos governos estão envolvidos nos acontecimentos, especialmente por meio da Otan e da UE, mas também da Rússia” lutem "contra a propaganda das forças burguesas que atraem o povo para o moedor de carne da guerra imperialista usando vários pretextos espúrios”. 

As agremiações comunistas exigem ainda o “fechamento de bases militares, o retorno para casa das tropas enviadas em missões no exterior" e o fortalecimento da "luta pelo desengajamento dos países dos planos e alianças imperialistas como a Otan e a UE”. 

_________________________________________________Jurista Pedro Dallari contesta esquerda que apoia Putin: “A tolerância com a barbárie vai demandar muita autocrítica”

“A Rússia não agiu em legítima defesa e nem sob autorização do Conselho de Segurança da ONU”, afirma o jurista e professor de Relações Internacionais da USP

28 de fevereiro de 2022, 22:39 h
www.brasil247.com - Jurista e professor Pedro Dallari  Jurista e professor Pedro Dallari
Por Paulo Henrique Arantes, especial para o 247 - Professor titular do Instituto de Relações Internacionais da USP, o jurista Pedro Dallari, em conversa com o Brasil 247, lançou palavras duras à parte da esquerda que aplaude o ataque da Rússia à Ucrânia. “A Rússia não agiu em legítima defesa e nem sob autorização do Conselho de Segurança da ONU, as duas possibilidades admitidas pela Carta das Nações Unidas. A guerra de agressão e a violação de direitos humanos sempre foram repudiadas pela esquerda. A tolerância com essa barbárie de parte da esquerda vai demandar muita autocrítica”, disse.

Dallari foi vereador e deputado estadual pelo PT, secretário de governo de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo e desde 1996 é filiado ao PSB, tendo presidido a Comissão Nacional da Verdade (Governo Dilma Rousseff). Como político, não tem histórico de contemporizar com a direita: em 2012, era nome certo como candidato a vice de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo, mas pulou do barco quanto a campanha petista aproximou-se de Paulo Maluf.

Sua análise da guerra Rússia-Ucrânia baseia-se em princípios do Direito Internacional. “É uma situação dramática e inaceitável em pleno Século XXI. Trata-se um ataque ilegal e imoral. Ilegal, sim, pois se configura juridicamente como ato de agressão. Imoral, pois gera um quadro grave de violações aos direitos humanos”.

Indagado pelo Brasil 247 sobre o fato de o ataque – a cada dia mais sangrento – constituir uma resposta ao uso da Ucrânia como palco para avanço da Otan (Organização para Tratado do Atlântico Norte) às franjas do território russo, Dallari foi didático: “Argumentos geopolíticos não podem justificar por si só a agressão a um Estado soberano e o desencadeamento de um quadro de graves violações de direitos humanos, com grande número de civis mortos , inclusive crianças, além de milhares de refugiados”.

Dallari rememora: “A Otan já ampliou a incorporação de países, e nem por isso a Rússia promoveu ataques. Se é legítimo o questionamento por parte da Rússia dessa expansão, a questão deve ser resolvida no campo da política, e não da guerra – esse é o avanço civilizacional representado pelo advento da ONU”.

O professor chama a atenção ainda para fato de os ataques terem adquirido nas últimas horas uma face ainda mais cruel, com uso de bombas de fragmentação, ao mesmo tempo em que se forma uma mesa de negociação entre os dois países. “É um quadro muito grave, pois a insensatez que caracteriza a ação russa gera extrema insegurança”, alerta.

Pedro Dallari, que presidiu o Tribunal Administrativo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), não acredita que as sanções econômicas impostas à Rússia pelas potências ocidentais surtam algum efeito dissuasivo de imediato na personalidade autoritária de Vladimir Putin. No longo prazo, contudo, a história deverá ser outra, acredita. “Assim como ocorreu com a África do Sul e o regime do apartheid,  com o tempo elas (as sanções) poderão conduzir a própria sociedade russa a pressionar pela viabilização de um novo governo que gere paz e estabilidade”, acredita. “É muito importante que haja o isolamento internacional do governo russo, que poderá conduzir a seu isolamento interno”, salienta. 

Sobre  a neutralidade oficial do Brasil diante do conflito, cujo anúncio foi precedido das falas juvenis e como sempre pouco críveis de Jair Bolsonaro, Dallari foi direto: “É inaceitável uma posição de neutralidade diante da guerra provocada pela Rússia”.


_________________________________________________Opinião: Entendendo Bolsonaro - Putin declara guerra ao globalismo que bolsonaristas tanto criticam

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante pronunciamento à nação em Moscou - Alexey Nikolsky/Kremlin/Sputnik via Reuters
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante pronunciamento à nação em Moscou Imagem: Alexey Nikolsky/Kremlin/Sputnik via Reuters
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* Vinícius Rodrigues Vieira

A ordem internacional liberal está sepultada de vez. Ao atacar a Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin insurgiu-se contra aquilo que os bolsonaristas chamam de globalismo. Não se defende nas linhas abaixo a clara violação de Moscou ao direito internacional. Apenas se constata que o equilíbrio de poder e as regras que orientaram as relações internacionais nas últimas três décadas já repousam no passado. Além de deixar um rastro de sangue, a marcha das tropas do Kremlin pavimenta um retorno a um mundo de esferas de poder, onde vale a lei do mais forte.

"É sabido que durante 30 anos temos tentado persistente e pacientemente chegar a um acordo com os principais países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) sobre os princípios de segurança igual e indivisível na Europa", escreveu Putin numa carta lida por ele mesmo durante pronunciamento na TV na manhã de quinta (24) no horário de Moscou.

"Em resposta às nossas propostas, fomos constantemente confrontados com enganos e mentiras cínicas, ou tentativas de pressão e chantagem, enquanto a Aliança do Atlântico Norte, entretanto, apesar de todos os nossos protestos e preocupações, está em constante expansão. A máquina militar está em movimento e, repito, está se aproximando de nossas fronteiras", destacou.

À primeira vista, pode-se pensar que o presidente russo reage como um animal supostamente acuado. Há, porém, bastante racionalidade e método em sua campanha militar na Ucrânia. Muito embora movimentações de tropas russas na fronteira com o país vizinho já tivessem ocorrido no ano passado, Putin esperou um cenário mais oportuno para dar o bote. Ao longo de seu começo de mandato, o presidente americano Joe Biden deu sinais de que não tinha condições materiais e ideológicas de retomar a hegemonia de seu país em termos militares, a qual se encontra em declínio desde o pós-11 de setembro, em 2001.

Na Europa, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson enfrenta forte oposição entre seus colegas conservadores após o "partygate". Ademais, o presidente Emmanuel Macron está ocupado buscando a reeleição na França, enfrentando, inclusive, candidatos de ultradireita apoiados pelo Kremlin. Por fim, a conservadora Angela Merkel não é mais a chanceler alemã. O governo de coalizão liderado pelo social-democrata Olaf Scholz tem o pacifista Partido Verde no comando da política externa da Alemanha.

Tal conjuntura somada ao fato de Moscou ter buscado mais laços econômicos com Pequim nos últimos dez anos acabou por encorajar Putin a deixar um pretenso legado de grandeza com a restauração daquilo que muitos russos -- inclusive na oposição -- enxergam como sua esfera de influência legítima, não obstante o avanço ocidental sobre ela desde a desintegração da União Soviética (URSS).

"Após o colapso da URSS, a redivisão do mundo realmente começou, e as normas de direito internacional que se desenvolveram até então -- e as principais, básicas, foram adotadas no final da Segunda Guerra Mundial e consolidaram amplamente seus resultados -- começaram a interferir com aqueles que se declararam vencedores na Guerra Fria", disse Putin também no pronunciamento que, na prática, indicou que a guerra contra a Ucrânia tinha começado.

Após listar uma série de ações lideradas pelos Estados Unidos e aliados sem a legitimidade do Conselho de Segurança da ONU -- notadamente a invasão do Iraque em 2003 --, Putin conclui que "[e]m geral, tem-se a impressão de que praticamente em todos os lugares, em muitas regiões do mundo, onde o Ocidente vem estabelecer sua própria ordem, o resultado são feridas sangrentas, não cicatrizadas, úlceras do terrorismo internacional e do extremismo".

Em outras palavras, Putin critica na prática o que o bolsonarismo costuma rotular de globalismo -- a tentativa de impor valores que, derivados em grande parte da experiência democrático-liberal do Ocidente, seriam estranhos às características nacionais e religiosas dos povos. Falamos aqui do respeito a minorias sociológicas, da promoção dos direitos humanos, do combate à destruição ambiental e, até mesmo, da tolerância à oposição política.

Tal como Putin, o bolsonarismo enxerga críticos ao governo como traidores da pátria. A participação da sociedade civil na definição dos rumos da nação é vista como uma potencial quinta coluna que coloca o país à mercê de inimigos externos. O "ativismo político e comportamental" deve ser combatido com unhas e dentes e, para tanto, o líder não pode se furtar de contar mentiras, como uma suposta ameaça comunista no Brasil ou o genocídio de russos na Ucrânia, um dos pretextos apresentados por Putin para angariar apoio doméstico a seus desvarios.

Talvez seja por tudo isso que o presidente Jair Bolsonaro tenha dito na recente visita a Putin que o Brasil é solidário à Rússia. Anti-liberal, o mandatário russo é um modelo para o brasileiro que, felizmente, não cogita invadir países vizinhos, mas é contra a existência de normas ambientais internacionais, desdenha do multilateralismo em geral e cujos seguidores mais aguerridos veem na ONU um instrumento do marxismo cultural.

Não é burrice tampouco má-fé: a demora de Bolsonaro em condenar a declaração de guerra da Rússia contra a Ucrânia reflete seus instintos políticos mais primitivos. Para quem votou no atual presidente visando uma aproximação com a Europa, ganhou em troca uma aliança com a nata dos autocratas globais. Pensando bem, na verdade, é aquilo que o bolsonarista raiz sempre buscou: um retorno à era pré-iluminista.

Putin joga a culpa de suas ações nos americanos e seus aliados. À esquerda e à direita, cai nesse conto quem quer. O presidente russo reúne características que autoritários de ambos os espectros políticos gostariam de ter. Como quem cala consente, só posso interpretar o silêncio de Bolsonaro sobre a guerra como um sinal de que ele não se importa de estar ao lado da esquerda autoritária latino-americana no respaldo a Putin. Nicolás Maduro e Daniel Ortega saudaram a ação de Putin como um evento "anti-imperialista".

Ditadores e proto-ditadores de todas as tendências odeiam o suposto globalismo não por ele ser expressão parcial da supremacia americana do pós-Guerra Fria. Trata-se sobretudo de um caso de ódio ao empoderamento de opositores, da valorização do contraditório e aceitação não violenta de outras visões de mundo.

Na instabilidade do mundo multipolar que se afirma nesses dias obscuros, ainda haveremos de testemunhar eleitores arrependidos de defender candidatos e partidos que apostam na revanche em vez de olharem adiante. Tal como a suposta "defesa da família" se tornou bandeira de conservadores hipócritas, um pretenso sentimento anti-imperialista esconde o ódio à soberania popular.

* Vinícius Rodrigues Vieira é doutor em relações internacionais por Oxford e leciona na Faap e em cursos MBA da FGV.

_________________________________________________Por que nenhum país enviou militares para ajudar a Ucrânia contra a Rússia

25.fev.2022 - Destroços de aeronave não identificada que colidiu com uma casa em uma área residencial em Kiev - Umit Bektas/Reuters
25.fev.2022 - Destroços de aeronave não identificada que colidiu com uma casa em uma área residencial em Kiev Imagem: Umit Bektas/Reuters

Ruben Berta Do UOL, no Rio 25/02/2022 18h51

O apoio direto de países do Ocidente à Ucrânia, por meio do envio de tropas ao país na guerra contra a Rússia, é considerado improvável, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

A Ucrânia deve se manter sozinha na linha de frente basicamente por dois motivos —o país não é um dos 30 membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e um eventual envio de militares contra uma potência nuclear como a Rússia poderia levar a um confronto de proporções incalculáveis.

Ucrânia: russos podem estar disfarçados de civis e militares ucranianos

O artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, que rege a Otan, prevê que um ataque armado contra um dos membros é considerado um ataque a todos, o que abre caminho para uma defesa coletiva.

Essa não é contudo a condição da Ucrânia. O país é considerado um parceiro da Otan, o que sinaliza que pode ingressar na aliança num momento futuro, mas não garante um apoio coletivo.

"A principal razão pela qual a Ucrânia sofre com a falta de apoio militar se deve ao fato de o país não integrar a Otan. Normalmente, os sistemas de alianças funcionam a partir da lógica de que um ataque contra um país do grupo significa um ataque contra todos os demais estados-membros, o que não é o caso da Ucrânia", afirma Leandro Gavião, doutor em História pela Uerj (Universidade do Estado do Rio) e professor da Universidade Católica de Petrópolis (RJ).

Um possível ingresso da Ucrânia na Otan é inclusive um dos panos de fundo para a invasão russa.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, vem tentando sem sucesso o compromisso de que o país vizinho não ingressará na organização. Pressionado, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já sinalizou ontem sobre a possibilidade de desistência.

Mapa Ucrania - Arte/ UOL - Arte/ UOL
Imagem: Arte/ UOL

Também nesta sexta-feira (25), Zelensky chegou a afirmar que o país se defende sozinho contra a Rússia. E disse ainda que o "país mais poderoso do mundo olhou de longe", no que seria uma referência aos Estados Unidos.

Mais tarde, porém, o presidente ucraniano disse, por meio das redes sociais, que chegou a um novo acordo com os EUA sobre mais sanções à Rússia e uma coalizão antiguerra.

  • 25.fev.2022 - Pessoas chegam à fronteira entre a Polônia e a Ucrânia, no vilarejo de Medyka, depois que a Rússia lançou uma operação militar maciça contra a Ucrânia - Kacper Pempel/Reuters

Apoio bélico

Os Estados Unidos e outros países do Ocidente têm apostado em sanções econômicas como forma de pressionar a Rússia. Houve apenas iniciativas isoladas de apoio bélico.

Na última quarta-feira (23), o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou o envio de armas para a Ucrânia. Ontem foi a vez de o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmar que fornecerá equipamentos de defesa ao país do Leste Europeu.

Também nesta sexta, o ministro da Defesa da Polônia, Mariusz Blaszczak, anunciou pelas redes sociais o envio de um comboio com munição.

O apoio militar, porém, não deve ir muito além disso, complementa o professor Leandro Gavião.

É difícil imaginar um cenário no qual as grandes potências ocidentais intervenham diretamente na guerra. Uma hipotética participação militar dos EUA, por exemplo, significaria um confronto direto entre dois Estados dotados de armamentos nucleares. As consequências de um conflito dessa magnitude seriam drásticas e provocariam uma completa redefinição da ordem mundial."Leandro Gavião, professor da Universidade Católica de Petrópolis

O fato de a Ucrânia não estar na Otan e o temor do Ocidente de um confronto de proporções globais também pesaram na decisão de Putin invadir o país vizinho, na opinião de Williams Gonçalves, professor de Relações Institucionais da Uerj.

"O Putin é um estrategista, preparado, independente de ser um autocrata, de a Rússia ser uma democracia ou não. Ele é um estadista experimentado. E o que ele fez foi pagar para ver. Ele apostou que os EUA e a Otan não ousariam um ataque que, evidentemente, em muito pouco tempo, se desdobraria numa guerra mundial."

O professor de Relações Internacionais da USP Kai Enno Lehmann diz não acreditar que haja vontade política dos países ocidentais num apoio militar à Ucrânia.

"Estariam entrando numa guerra com uma das forças armadas mais poderosas do mundo. E assumiriam um risco enorme de perda de vidas, o que não é um custo que governos ocidentais estão dispostos a assumir. Os custos financeiros, econômicos e políticos seriam muito altos, sem uma garantia de apoio da opinião pública no longo prazo. É uma guerra que não acabaria em cinco dias, em uma semana."

Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra e membro do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), reforça que não vê possibilidade de solidariedade militar da Otan à Ucrânia porque isso implicaria em um confronto direto entre potências nucleares.

"Seria difícil imaginar um confronto militar direto das duas grandes superpotências, entre o bloco da Otan e a Rússia. Quando falamos de Otan, são pelo menos três potências nuclearmente armadas: França, Reino Unido e Estados Unidos."

"Existe uma máxima nas relações internacionais de que a arma nuclear é um artefato para não ser usado. É o que se chamou na Guerra Fria de destruição mútua assegurada. Então qualquer confronto direto desaguaria no pior dos cenários, numa destruição completa de ambos, no limite da própria humanidade", completa Carmona.

Na quinta (24), o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, afirmou em entrevista à imprensa que o bloco não vai enviar tropas à Ucrânia. Segundo o diplomata, militares serão enviados apenas à região leste dos territórios da Otan, mas a Rússia vai pagar um "alto preço político e econômico".

A fronteira leste dos estados-membros da Otan é formada pela Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia —todos esses países fazem fronteira com a Ucrânia.

_________________________________________________A China não está em cima do muro, está do lado da Rússia | Marcelo Ninio - O Globo

Por Marcelo Ninio 25/02/2022 • 12:48

O presidente russo Vladimir Putin e seu colega chinês Xi Jinping durante uma cerimônia em Moscou

A ambiguidade da China em relação à crise na Ucrânia ainda existe na retórica, mas na prática Pequim está tomando o lado da Rússia. A inclinação tem intrigado especialistas, especialmente levando-se em conta a tradição de cautela da diplomacia chinesa, que sempre afirmou se guiar pelos princípios da não interferência e do respeito à soberania.

Pequim poderia ter mantido uma posição de neutralidade, evitando assim uma deterioração adicional nas relações com os Estados Unidos e com a União Europeia, seus maiores parceiros comerciais, num assunto que não lhe diz respeito diretamente. Também era uma chance de mostrar-se como uma potência benigna, usando a influência que tem sobre Moscou e Kiev — talvez como nenhum outro país — para construir uma solução diplomática, algo que França e Alemanha tentaram sem sucesso.

Em vez disso, o governo chinês preferiu usar a crise como uma oportunidade para culpar o Ocidente e desafiar as regras da ordem internacional liderada pelos EUA, uma ambição que está no cerne da parceria com Moscou. Ao apoiar as reivindicações da Rússia e no mesmo fôlego defender a soberania de todos os Estados, a ambiguidade continua presente no discurso oficial, das declarações no Conselho de Segurança da ONU à ginástica retórica diária dos porta-vozes diplomáticos em Pequim. Na escolha das palavras e do tom, porém, transparece o claro viés pró-Moscou.

Em alguns momentos, é como se para Pequim a Rússia não estivesse em guerra com a Ucrânia, mas com os EUA, tamanha a ferocidade endereçada a Washington. Foram particularmente emblemáticas pelo nível de agressividade as aparições esta semana de Hua Chunying, a principal porta-voz do governo chinês, ao chamar de “imorais” as ações do governo americano e responsabilizá-lo pela guerra, no momento em que a Rússia atacava a Ucrânia em várias frentes.

Se não chega a ser um sinal verde para o ataque, a decisão de Pequim de não condenar a invasão de um país soberano — e negar-se até a chamar a invasão pelo nome — é um aval tácito, que propicia uma zona de conforto político e econômico para a Rússia. A crise está forçando a China a navegar entre objetivos contraditórios, mas no fim das contas suas ações estão servindo como um “facilitador” para a Rússia, disse em conversa virtual com correspondentes baseados em Pequim Mikko Huotari, diretor-executivo do mais importante centro de estudos sobre a China da Europa — Merics, sediado em Berlim.

— A China não está em cima do muro. Há muitos tons de cinza, mas o que vemos é uma posição bem diferente da adotada pela China em outras crises.

Não é uma mudança súbita, mas representativa da visão de mundo do presidente chinês, Xi Jinping, diz ele. No plano doméstico, ela inclui mais controle econômico e político. Na política externa, o projeto revisionista do sistema internacional manifestado na declaração do último dia 4, divulgada após o encontro de Xi com o presidente russo, Vladimir Putin. Os termos dessa declaração são o pano de fundo da invasão, afirma Huotari.

Para ele, o comportamento do governo chinês nesta crise indica que Pequim está disposto a absorver os eventuais custos do apoio à Rússia, sejam eles danos econômicos ou isolamento diplomático, em nome desse projeto revisionista. Além disso, como fica claro na declaração do dia 4, a China faz uma analogia entre suas preocupações de defesa no sudeste asiático com as alianças militares lideradas pelos EUA e as da Rússia com a Otan no leste europeu. Nesse sentido, o desafio lançado por Putin ao sistema de segurança da Europa com a invasão da Ucrânia torna-se conveniente para Pequim, como um lembrete de que há limites para a tolerância à expansão do poderio militar americano.

_________________________________________________A RUSSOFOBIA da mídia hegemônica na crise da Ucrânia - Jeferson Miola

Por Jeferson Miola

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“Na guerra, a primeira vítima é a verdade” - Autoria desconhecida

A cobertura que a mídia hegemônica faz da crise na Ucrânia é alarmantemente viciada, além de claramente racista e preconceituosa.

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Os meios de comunicação em todo mundo são meros repetidores dos mantras russofóbicos fabricados em Washington para instrumentalizar a guerrilha geopolítica e ideológica das “forças do bem”, a civilização ocidental, contra a “força do mal” – os russos, caucasianos e eurasiáticos.

Em geral, a mídia não só é subserviente ao “release único” escrito em Washington, como também é indigente e desonesta. Além de omitir aspectos étnicos, históricos e culturais dos povos eslavos, também mente, estigmatiza Putin e falsifica a história.

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Na reprodução do noticiário e através de comentaristas vulgares, despreparados ou mal-intencionados, a mídia hegemônica segue omitindo, por exemplo, os antecedentes históricos da crise atual, que se localizam na farsesca revolução Maidan, que desembocou no golpe financiado pelos EUA para derrubar o governo pró-russo de Viktor Yanukovytch em 2014.

A mídia continua escondendo, também, que a Ucrânia descumpriu o Protocolo de Minsk, assinado por representantes reconhecidos das repúblicas independentes de Donetsk e Luhansk e o governo ucraniano com a fiança institucional da própria União Europeia [aqui e aqui].

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E os meios de comunicação a serviço de Washington continuam omitindo o perfil neonazista do presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky e dos agrupamentos de ultradireita extremista que apoiam o governo.

É cada vez mais conhecida a conexão entre a ultradireita neonazista ucraniana e os grupos fascistas e neonazistas no mundo e, também, com o bolsonarismo – Sara Winter e “Os 300 do Brasil”. Mas, inclusive isso também é sonegado.

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Os EUA exercem sua primazia e hegemonia informacional e comunicacional no mundo por meio do pensamento único deste jornalismo de guerra. Um jornalismo sem compromisso com a verdade factual e histórica.

Nas últimas semanas, houve a escalada desta guerra informacional para criminalizar e demonizar o presidente russo Vladimir Putin e incensar o papel dos EUA e da OTAN.

Neste jornalismo de guerra, todos os veículos hegemônicos no Brasil – absolutamente todos, é preciso sublinhar – repetiram como papagaios o viés de análise de Washington. Não ficou de fora nem mesmo um único veículo de nenhum meio de transmissão – nas rádios, TVs, redes sociais e portais da internet.

Somente os portais da mídia independente estão desde o início da crise reportando os acontecimentos desde uma perspectiva abrangente e aberta. Não fossem estes veículos contra-hegemônicos de informação e comunicação, a população brasileira seria totalmente entorpecida com o pensamento único russofóbico.

Em semanas de crise, pela primeira vez apareceu em um veículo da mídia hegemônica uma abordagem dissonante do pensamento único. Aconteceu só agora, nesta sexta-feira, 25/2. O portal UOL publicou entrevista em que o analista político estadunidense Andrew Korybko afirma que “o Brasil e a Ucrânia foram ambos vitimados pelas guerras híbridas dirigidas pelos Estados Unidos com o objetivo de fortalecer a hegemonia unipolar norte-americana”.

Da mesma maneira que a Ucrânia rapidamente deverá assinar a rendição a Moscou, a MÍDIA HEGEMÔNICA SE VERÁ OBRIGADA a se render às exigências de um jornalismo PLURAL e HONESTO, se quiser sobreviver no mundo multipolar que começa nascer.

Caso contrário, será enterrada junto com os escombros da ordem unipolar e imperial que está morrendo.

_________________________________________________A Guerra da Ucrânia fecha o ciclo histórico iniciado com a queda do muro de Berlim?

Depois do 11 de setembro o INTERVENCIONISMO AMERICANO se acentuou, com as invasões do Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, golpes na Ucrânia, Paraguai, Honduras, Brasil, fora as tentativas frustradas.

Por Arnóbio Rocha 25 de fevereiro de 2022, 17:12

A sensação desta quinta-feira (25) foi a mesma dos anos de 1980, em que o medo de uma guerra nuclear a qualquer momento era tão comum. Todos sabíamos a quantidade de ogivas nucleares, o tipo de bomba, os avanços científicos do lado dos EUA, pois da antiga URSS nem sempre as informações poderiam ser confirmadas. Quantas noites e dias, batia o medo de que tudo fosse acabar, de repente um erro, uma bomba e um conflito se estabeleceria e era o fim da humanidade.

Era um clima terrível, melhor era não pensar, esquecer, reduzir-nos à nossa pouca significância, seguir a vida até onde ela pudesse ser vivida.

Alguns episódios foram marcantes, a queda do Skylab, que poderia cair em qualquer ponto da terra, por semanas aquela ameaça de desastre. Depois, em 1986, além da passagem do cometa Harley, cheia de presságios, de superstições. houve a hecatombe de Chernobyl, uma usina nuclear, atômica, numa das Repúblicas da URSS, justamente na Ucrânia. O maior acidente nuclear que se tem notícias, outros poderiam ter ocorrido, mas esse foi tão explorado, mesmo sem nenhuma imagem do local.

De vez em quando tinha-se notícias de um novo teste de misseis atômicos, com capacidade de ir de Moscou para Washington, e vice-versa, até que veio a solução Reagan, o escudo contra misseis russos, a guerra nas estrelas se materializando aos nossos olhos, mas dava mais insegurança do que expectativa de dias melhores. Aparentemente o tal “escudo”, só protegeria os países do norte, quem morava abaixo do Equador, que lute.

Esses pesadelos marcaram nossas vidas, nos anos 70 e 80, nem mesmo a militância política, aliviava uma certa tensão de medo de morrer a qualquer dia, um desastre nuclear.

Na metade dos anos 80, Gorbachev, vira o mandatário soviético e com a Glasnot e a Perestroika, foi desmontando o leste, os acordos pela destruição das armas nucleares, pois, não satisfeitos com a capacidade de destruição de uma vez, cada lado, teoricamente tinham armas para 8 mil possibilidades, a indústria da guerra nunca teve limites, nem naquela época, nem mesmo no presente.

A virada seguinte, no apagar das luzes dos anos 80, foi o esfacelamento do Leste Europeu. Um a um os países foram derrubando seus governos ligados ao Kremlin, culminando com a queda do muro de Berlim, em novembro de 1989.

O medo da guerra fria, de uma guerra nuclear, parecia dissipado, mesmo com o arsenal nuclear dos dois lados, ainda presentes. A promessa de uma nova era, fim da história, um mundo globalizado e plural, não durou dois anos.

Em fevereiro de 1991, mal das pernas, Bush Pai, invadiu a primeira vez o Iraque, aproveitando do novo ambiente sem a dualidade com a URSS, em plena fragmentação. 

Dali em diante, foram diversas intervenções convencionais ou por meio de guerras híbridas. 

Depois do 11 de setembro se acentuou, com as invasões do Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, golpes na Ucrânia, Paraguai, Honduras, Brasil, fora as tentativas frustradas.

Todo presidente dos EUA em dificuldade eleitoral, faz uma guerra para alimentar sua máquina armamentista, o patriotismo e o dinheiro de campanha, a ostentação de poder econômico e militar, dá votos.

Em fevereiro de 2022, pode ter se iniciado uma nova era, pelo menos se  fechou ciclo da queda do muro de Berlim, se fechou, a época dos EUA agindo como xerife global, invadindo, criando conflitos, derrubando governos, parece que chegou ao fim. A força da Rússia e o poderio econômico, silencioso da China apontam para outra realidade. Os músculos da Alemanha unificada e hegemônica na Europa, também afastam o continente da tutela dos EUA.

Que mundo começou ontem?

_________________________________________________Após década de investimentos, Rússia tem arsenal bélico avassalador

Felipe Betim Colaboração para o UOL, em São Paulo 25/02/2022 14h17

O poder bélico da Rússia não pode ser medido apenas pelo arsenal nuclear herdado da Guerra Fria. O país, que iniciou uma guerra contra a Ucrânia na quinta-feira (24), incrementou seus investimentos nas forças armadas a partir de 2010 e passou por um processo de modernização, de acordo com a publicação anual The military balance de 2021, publicada pelo IISS (The International Institute for Strategic Studies).

O país gasta hoje cerca de US$ 61 bilhões (R$ 312 bilhões) por ano em Defesa e está entre os que mais investem na área, junto com Estados Unidos, China, Índia e Arábia Saudita.

Putin ataca Zelensky e incentiva militares da Ucrânia a tomar o poder

Acompanhe as últimas notícias sobre o conflito na Ucrânia no UOL News:

"Depois da queda da União Soviética, a Rússia passou por problemas econômicos graves que tiveram reflexos na capacidade de manter suas forças armadas, impactando sua qualidade e modernidade", explica o internacionalista João Pedro Sá Teles, especialista em segurança. "Mas nos últimos anos os russos vêm fazendo um esforço deliberado para reverter essa situação. É uma tendência de renovação e modernização que vem de mais de uma década."

Isso faz com que a Rússia possua a capacidade de promover ações rápidas, segundo o IISS. "O processo de modernização que a Rússia passa está envolvendo tanto capacidade nuclear como capacidade convencional", explica Marcelo Valença, professor de Relações Internacionais da Escola de Guerra Naval.
Mapa Ucrania - Arte/ UOL - Arte/ UOL
Segundo ele, o país tem know how, expertise e os recursos para fazer uma guerra convencional de grande porte. "Os ataques contra a Ucrânia nas três frentes mostram isso. Começou com ataques aéreos, depois teve ataques navais e ataques terrestres. É um poder convencional avassalador que supera, em muito, as defesas nacionais da Ucrânia", completa.

O que todo esse investimento significa em termos práticos? Em primeiro lugar, as forças armadas russas têm 900 mil homens e mulheres e mais 2 milhões de reservistas, contra 209 mil militares ativos da Ucrânia e outros 900 mil reservistas, segundo o IISS. "É importante dizer que esses 900 mil não estão todos mobilizados. A Rússia possui uma fronteira enorme, inclusive com a China, e precisa manter militares mobilizados em outras partes", explica Sá Teles.

Às vésperas da invasão, a Rússia mantinha mais de 150 mil militares cercando a Ucrânia. "Essa vantagem numérica da Rússia significa, no entanto, que a longo prazo o país tem maior capacidade de mobilização, caso a guerra se estenda", acrescenta.

Tanques, mísseis e jatos

Além disso, a Rússia possui mísseis Iskander, com capacidade de detonar bombas comuns e nucleares em até 500 quilômetros, espalhados por toda sua fronteira. Possui também mais de 10.000 tanques, sendo que neste ano começou a produzir em massa o T-14 Armada. O veículo se adapta melhor aos terrenos e carrega mísseis mais potentes e de maior alcance, podendo chegar a 90 quilômetros por hora.

Já a força aérea é composta principalmente pelos sofisticados jatos Sukhoi SU-35. Mas a Rússia já deu um passo adiante e adquiriu caças SU-57, de quinta geração, capazes de competir com a moderna força aérea dos Estados Unidos.

Do ponto de vista naval, a Rússia conta com navios estacionados no Mar Negro, como o porta-aviões Minsk, da classe Kiev, que serve também como cruzador lança-mísseis; ou o Pyotr Morgunov, um navio de desembarque capaz de levar até 30 blindados. A frota russa conta ainda com submarinos nucleares capazes de atingir alvos a 200 quilômetros, como o Georgy Pobedonosets.

"É característica das grandes potências militares, como Estados Unidos, China e Rússia, possuírem forças convencionais absolutamente completas, com capacidade militar significativa em todos os nichos possíveis", explica Sá Teles.

Policiais inspecionam fragmentos de um míssil que caiu numa rua da capital Kiev, logo após Putin determinar a invasão da Ucrânia Imagem: VALENTYN OGIRENKO/REUTERS

São elementos que poucas forças armadas possuem, como aviões de ataque, aviões de reconhecimento, mísseis de cruzeiro — usados sobretudo nos primeiros momentos da guerra, para inviabilizar a infraestrutura militar da Ucrânia —, mísseis de defesa de longo alcance, entre outros tipos de armamento.

Foi contando com todo esse aparato militar convencional que a Rússia chegou a Kiev já nesta sexta-feira (25). "Até o momento, a estratégia militar Russa tenta prevenir qualquer brecha de reação da Ucrânia. O país aumentou seus pontos de entrada, usando a Moldávia e a Bielorrússia como aliados de invasão, para dificultar a concentração de tropas [do país inimigo] e se infiltrar por linhas porosas", explica Valença. "É como uma boca fechando em cima da Ucrânia."

Armas nucleares

Além das forças convencionais, a Rússia possui o maior número de armas nucleares do mundo. São cerca de 4.500 ogivas, sendo que 1.600 são operacionais — cifra similar à dos Estados Unidos. Vladimir Putin demonstrou o poderio militar de seu país durante manobras em 19 de fevereiro. Na ocasião, exibiu dois modelos de mísseis hipersônicos, mísseis balísticos e de cruzeiro, entre outros.

Um deles é o poderoso Tsirkon, um míssil hipersônico com capacidade de levar uma ogiva nuclear. Em linhas gerais, armas hipersônicas superam em cinco vezes a velocidade do som, ultrapassando os 6.100 km/h. O poderoso Tsirkon, contudo, chega a cerca de 11.000 km/h.

No entanto, as armas nucleares da Rússia possuem um papel mais estratégico do que tático. "Não veremos sendo usadas em campo de batalha. Mas, no campo estratégico, impede a interferência de outra potência estrangeira", disse Sá Teles.

A explicação lembra a ameaça de Putin na quinta-feira: "Quem interferir levará consequências nunca antes experimentadas na história", disse o mandatário russo, em recado aos Estados Unidos e à Otan.

_________________________________________________Rússia ameaça Finlândia e Suécia: 'Sérias consequências político-militares' caso se juntem à Otan

Declarações ocorrem após o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmar que seu país estava recebendo apoio dos governos de Helsinque e Estocolmo; Biden diz que aliança está de 'portas abertas'

Bandeira da Otan tremula durante cerimônia de chegada de tropas dos EUA na base militar de Adazi, na Letônia Foto: INTS KALNINS / REUTERS
Bandeira da Otan tremula durante cerimônia de chegada de tropas dos EUA na base militar de Adazi, na Letônia Foto: INTS KALNINS / REUTERS

A Rússia ameaçou, nesta sexta-feira, Finlândia e Suécia com “graves consequências político-militares” caso os dois países, que assumiram há tempos uma posição de neutralidade, se juntem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar comandada pelos Estados Unidos. 

— A Finlândia e a Suécia não devem usar política de segurança prejudicando a segurança de outros países — disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, durante uma entrevista coletiva. — Claramente a adesão da Finlândia e da Suécia à Otan, que é antes de tudo uma aliança militar, teria sérias repercussões político-militares que exigiriam uma resposta de nosso país.

Após as declarações, o presidente americano, Joe Biden, disse que a aliança manterá sua política de “portas abertas” aos países europeus que “compartilhem seus valores e que queiram se unir a ela”.

No Twitter, o ministério ainda acrescentou: “Nós consideramos a posição do governo finlandês de manter uma política militar de não alinhamento como um fator importante para garantir a segurança e a estabilidade no Norte da Europa”.

As declarações ocorrem após o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmar que seu país estava recebendo apoio dos governos de Helsinque e Estocolmo, depois que a Rússia invadiu o território ucraniano, na quinta-feira.

“Grato à Finlândia por alocar US$ 50 milhões em ajuda. É uma contribuição efetiva para a coalizão antiguerra”, escreveu o líder ucraniano no Twiter. Em outra publicação, ele agradeceu também à Suécia, por fornecer “assistência militar, técnica e humanitária à Ucrânia”.

Finlândia e Suécia não são membros da Otan, embora o primeiro participe de alguns assuntos, a exemplo da reunião que ocorre nesta sexta-feira, em Bruxelas, para discutir a invasão da Ucrânia pela Rússia. A Suécia é neutra desde o início do século XIX, e a Finlândia, desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

No mês passado, a primeira-ministra finlandesa Sanna Marin disse que era "muito improvável" que o país aderisse durante o seu mandato à aliança atlântica.

No entanto, na quinta-feira, a primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, disse que poderia pleitar a adesão à Otan "caso a questão da segurança nacional se torne aguda". Foi essa declaração que motivou o tuíte da porta-voz da Chancelaria russa.

O não ingresso da Finlândia na Otan correspondeu a acertos feitos durante a Guerra Fria. Entre suas divergências atuais com a Otan, a Rússia tem acusado a aliança militar de violar um um acordo firmado no em 1999 no âmbito de Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) no qual os países se comprometiam a  não "fortalecer sua segurança à custa da segurança de outros Estados”.

Para Moscou, a expansão contínua da Otan desde o fim da Guerra Fria viola os compromissos posteriores e anteriores ao fim da União Soviética.

_________________________________________________Putin age como Pedro, o Grande, Lênin e Biden agiriam - Jeferson Miola

Por Jeferson Miola 25 de fevereiro de 2022, 08:49

Está amplamente documentado que a Ucrânia atua como um enclave dos interesses ocidentais e imperialistas na Eurásia para corroer o poder mundial da Rússia.

O governo ucraniano, de ultradireita neonazista, se originou do golpe de Estado de 2014 que derrubou o governo pró-russo de Viktor Yanukovich. Desde então, o país serve de plataforma para a ação da OTAN e dos EUA no entorno estratégico da Rússia.

Se Pedro I, o Grande, fosse o presidente atual da Rússia, e considerando as circunstâncias atuais, de ameaça à defesa e à soberania do império russo [que não se confunde com imperialismo], ele provavelmente agiria como Putin agiu na Ucrânia.

Se Vladimir Ilyich Ulianiov, o Lênin, fosse hoje o presidente da Rússia e enfrentasse as ameaças militares que a OTAN representa se instalando na porta de entrada da Rússia, provavelmente ele também reagiria nos mesmos moldes que Putin reagiu.

E, se se extrapolar esse exercício hipotético, é bastante provável que se Joe Biden – ou qualquer outro governante ocidental, como Emmanuel Macron, Olav Scholz, Boris Johnson etc –, fosse governante do Estado russo, também agiria da mesma maneira que Putin agiu.

Do ponto de vista geopolítico, a contraofensiva russa em relação à escalada de ameaças belicistas engendrada pela OTAN [leia-se, EUA] nos últimos 8 anos é uma decisão não só coerente e legítima, como perfeitamente inteligível.

Em matéria de geopolítica, perde tempo quem julga movimentos táticos e estratégicos com romantismo idealista ou de olho no perfil psicológico/ideológico dos atores em cena.

Geopolítica não é um jogo de rivalidades entre mocinhos e bandidos, como Washington incute por meio da sua mídia hegemônica com uma narrativa russofóbica racista.

Em geopolítica, não existe esta ideia pueril de torcida organizada de time de futebol. Defender, portanto, o entendimento de escolhas geopolíticas de quem quer que seja, não significa identificação ou alinhamento ideológico automático, mas compreensão do jogo geopolítico.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, é um político autoritário e ultraconservador. Entretanto, é equivocado empregar essa classificação para impugnar; e, menos ainda, para julgar as decisões dele em relação aos acontecimentos em curso e à atuação da Rússia na arena mundial.

Putin atua como um chefe de um Estado soberano que assistiu os EUA e seus aliados, com a conivência da ONU, descumprirem o Protocolo de Minsk.

Este protocolo, assinado em 2014 pela Ucrânia, Rússia e as Repúblicas de Donetsk e Lugansk sob os auspícios da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, estabelecia condições que, se cumpridas pela Ucrânia, teriam evitado o conflito presente.

Ante a surdez e a indiferença dos governos europeus e dos EUA aos sucessivos apelos e ultimatos de Moscou uma vez que o protocolo estava sendo desrespeitado, Putin não teve outra alternativa senão agir como representante de um Estado soberano detentor de formidável e, em certos níveis inigualável, poder nuclear.

Para defender sua segurança territorial e existencial, a Rússia se viu contingenciada a agir por conta própria. Não sobrou outra alternativa diante da expansão ameaçadora da zona de influência e de domínio militar dos EUA-OTAN na direção da fronteira oeste com a Rússia. A inação russa, neste caso, representaria um risco de avanço irrecuperável do terreno nacional pelos agressores.

A defesa do entendimento das escolhas militares da Rússia na Ucrânia, longe de significar qualquer adesão ao militarismo, au endeusamento do Putin ou à defesa da solução bélica dos conflitos entre as nações, representa o reconhecimento do direito intrínseco de cada país à soberania e à defesa nacional.

Ao defender a soberania da Rússia, Putin trabalha, ao mesmo tempo, para concretizar um mundo multipolar, livre do arbítrio e do poder unipolar e imperial dos EUA. Um mundo multipolar está nascendo.

_________________________________________________Conselho da Europa aprova suspensão da Rússia

25 de fevereiro de 2022, 14:28

RT - O Conselho da Europa aprovou nesta sexta-feira (25) uma moção para suspender os direitos de representação da Rússia na instituição, que foi formada após a Segunda Guerra Mundial para proteger os direitos humanos e o estado de direito em todo o continente.

“A decisão adotada hoje significa entretanto que a Federação Russa continua sendo membro do Conselho da Europa e parte das convenções relevantes do Conselho da Europa, incluindo a Convenção Europeia de Direitos Humanos”, disse a organização em comunicado.

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, saudou a medida, dizendo que seu país “considera isso uma medida necessária à luz da agressão militar inaceitável da Rússia contra a Ucrânia, o que constitui uma grave violação do direito internacional”.

A decisão segue o ataque militar maciço da Rússia contra a Ucrânia, que o Kremlin afirma ter sido lançado em apoio aos líderes separatistas que pediram apoio a Moscou.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, anunciou que o Conselho consideraria a participação da Rússia no órgão.

Após a decisão, Vladimir Dzhabarov, primeiro vice-presidente do Comitê de Relações Exteriores do Conselho da Federação da Rússia, exigiu que o Conselho da Europa devolvesse a taxa anual paga por Moscou à instituição sediada em Estrasburgo.

“Caro Conselho da Europa, se bem me lembro, as contribuições foram pagas no início do ano. Então, seja gentil, mostre decência e devolva a contribuição russa para o ano em curso. Tudo é justo!!!” o senador escreveu em seu canal Telegram. O valor é estimado em 32,5 milhões de euros.

Moscou lançou um pesado ataque militar contra a Ucrânia na quinta-feira – poucos dias depois de reconhecer a independência das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk no Donbass.

O reconhecimento foi uma resposta ao suposto descumprimento da Ucrânia de suas obrigações sob os acordos de Minsk, que foram em 2014 e 2015 para resolver o conflito entre os separatistas e o governo ucraniano.


_________________________________________________"Esta pode ser a última vez que você me vê vivo", diz Zelensky aos líderes da União Europeia

Volodymyr Zelensky
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247 - O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que teme pela sua vida diante da entrada de tropas russas em Kiev. “Esta pode ser a última vez que você me vê vivo", teria dito  Zelensky durante uma videoconferência com líderes da União Europeia na noite de quinta-feira (25), segundo a agência Axios.

A videochamada foi realizada antes da reunião de líderes da UNião Europeia que decidiu a imposição de novas sanções contra a Rússia. Pouco antes da ligação, Zelensky fez um discurso na televisão dizendo que ele era o alvo "número um" da Rússia e que seus familiares eram o alvo "número dois".

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Ainda segundo a reportagem, a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, afirmou à agências internacionais que quando os líderes da UE se despediram de Zelensky, eles sabiam que não poderiam vê-lo novamente. 

Nesta sexta-feira (25) ele apareceu, junto com outros membros do governo, em um vídeo gravado em uma rua de Kiev, capital ucraniana. No vídeo, divulgado nas redes sociais, Zelensky aparace trajando o que parece ser uma roupa de estilo militar e afirma estar defendendo a Ucrânia da ação militar russa.

_________________________________________________Veja a repercussão da invasão russa à Ucrânia

Presidente Putin anunciou invasão e comunidade internacional reagiu imediatamente.


Por g1

24/02/2022 01h29 Atualizado há 10 minutos
Explosão em Kharkiv — Foto: Reprodução/Globonews
1 de 1 Explosão em Kharkiv — Foto: Reprodução/Globonews

Explosão em Kharkiv — Foto: Reprodução/Globonews

Assim que a Rússia iniciou a operação de invasão da Ucrânia na madrugada desta quinta-feira (24), diferentes atores da comunidade internacional reagiram. Veja abaixo o que eles disseram:

Joe Biden, presidente dos EUA

O presidente americano condenou, em comunicado oficial da Casa Branca, a decisão de Putin de invadir a Ucrânia. Biden afirmou que "Putin escolheu uma guerra que trará perdas de vidas e sofrimento. O presidente norte-americano disse também que EUA e seus aliados responderão de forma unida e decisiva. "O mundo responsabilizará a Rússia", disse.

Veja também:

António Guterres, secretário-geral da ONU

"Por favor, senhor Putin, leve seus militares de volta. Não permita uma guerra na Europa. Esse conflito deve parar agora. Essa guerra não faz sentido e causará um nível extremo de sofrimento. Essas atitudes terão consequências", afirmou o secretário-geral da ONU.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia

"Condenamos veementemente o ataque injustificado da Rússia à Ucrânia. Nestas horas sombrias, nossos pensamentos estão com a Ucrânia e as mulheres, homens e crianças inocentes enquanto enfrentam esse ataque não provocado e temem por suas vidas. Vamos responsabilizar o Kremlin", escreveu em rede social.

Boris Johnson, premiê do Reino Unido

"Estou consternado com os terríveis acontecimentos na Ucrânia e falei com o Presidente Zelensky para discutir os próximos passos. O presidente Putin escolheu um caminho de derramamento de sangue e destruição ao lançar este ataque não provocado à Ucrânia. O Reino Unido e nossos aliados responderão de forma decisiva", escreveu o líder britânico.

Já a secretária de Relações Exteriores britânica Liz Truss disse que convocou o embaixador russo para explicar as ações de Moscou.

"Convoquei o embaixador russo para me encontrar e explicar a invasão ilegal e não provocada da Ucrânia pela Rússia. Vamos impor sanções severas e reunir países em apoio à Ucrânia", disse Truss no Twitter.

Boris Johnson: Ataque à Ucrânia é maior catástrofe para Europa

Olaf Scholz, chanceler da Alemanha

Scholz qualificou a operação militar russa de uma "violação flagrante" do direito internacional, que provocou um "dia sombrio" em toda a Europa.

"A Alemanha condena nos termos mais enérgicos possíveis este ato inescrupuloso do presidente (russo, Vladimir) Putin. Nossa solidariedade está com a Ucrânia e seu povo", acrescentou Scholz em um comunicado.

Olaf Scholz diz que Putin cometeu erro sério ao atacar a Ucrânia

França

O enviado francês à ONU condenou a Rússia por ter escolhido a guerra e disse que o país precisa ser responsabilizado no Conselho de Segurança.

China

O Ministério das Relações Exteriores da China disse que a Rússia é um país independente e pode tomar suas próprias decisões com base em seus próprios interesses.

Fumio Kishida, Japão

O primeiro-ministro disse que o Japão condena fortemente as ações unilaterais da Rússia. Kishida disse que instruiu as suas autoridades relevantes a fazer todo o possível para garantir a segurança dos cidadãos japoneses na Ucrânia.

Bélgica

O ministro da Imigração da Bélgica, Sammy Mahdi, disse, em comunicado, que quer a União Europeia pare de emitir vistos para todos os cidadãos russos, incluindo estudantes, trabalhadores e turistas, disse o ministro do asilo nesta quinta-feira em resposta ao ataque de Moscou à Ucrânia.

"No momento, os russos não são bem-vindos aqui", disse ele, acrescentando que isso deve afetar estadias de curto e longo prazo.

França

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a França permanecerá ao lado da Ucrânia, em discurso televisionado à nação nesta quinta-feira (24), acrescentando que a ação russa contra o país do leste europeu terá consequências "duradouras e profundas" para o continente.

Itália

O primeiro-ministro italiano Mario Draghi pediu que Putin retire imediatamente as tropas da Ucrânia e que está na hora de impor "sanções difíceis para a Rússia".

Israel

Israel condenou as ações russas na Ucrânia e pediu às potências mundiais que resolvam a crise rapidamente.

"O ataque russo à Ucrânia é uma grave violação da ordem internacional, Israel condena o ataque, está pronto e preparado para fornecer ajuda humanitária aos cidadãos da Ucrânia. Israel é um país devastado pela guerra, a guerra não é o caminho para resolver conflitos", disse o ministro das Relações Exteriores, Yair Lapid, no Twitter.

República Tcheca

O presidente da República Tcheca, Milos Zeman, disse que o ataque da Rússia à Ucrânia é um "crime contra a paz" e exige uma resposta por meio de duras sanções, incluindo o corte do país do sistema de pagamentos internacionais SWIFT.

"É preciso isolar um homem louco. Não apenas defender-se dele com palavras, mas com medidas concretas."

O governo fechou ainda dois consulados russos na República Tcheca.

Eslováquia

O primeiro-ministro da Eslováquia, Eduard Heger, disse nesta quinta-feira (24) que ajudará refugiados da Ucrânia. O país anunciou o envio de até 1.500 tropas para a fronteira para auxiliar a saída de ucranianos.

Hungria

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, também condenou a ação russa.

"Com nossos aliados da UE e da Otan, condenamos o ataque militar da Rússia", disse Orban, acrescentando que a Hungria ficará de fora do conflito militar, já que a segurança dos húngaros é o mais importante.

Ele disse que a Hungria fornecerá assistência humanitária à Ucrânia e está preparada para receber refugiados do país.

Turquia

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia disse que o ataque russo contra a Ucrânia é uma violação das leis internacional e uma ameaça à segurança global.

Colômbia

O presidente da Colômbia, Ivan Duque, disse no Twitter que a Colômbia rejeita "categoricamente" os ataques russos contra a Ucrânia. "Esses eventos ameaçam a soberania da Ucrânia e colocam em risco a vida de milhares de pessoas, em uma situação inquestionável contrária ao Direito Internacional e à carta da ONU".

Argentina

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina afirmou que reitera "seu firme rechaço ao uso da força armada" e pede para a Rússia cessar as ações militares na Ucrânia.

_________________________________________________Petróleo passa de US$ 100 pela 1ª vez desde 2014 e Bolsas globais têm queda forte, após ataque russo à Ucrânia

Bitcoin despenca mais de 8% e é cotado abaixo de US$ 35 mil. Commodities como trigo e milho saltam mais de 5%

Extração de petróleo no estado americano do Texas Foto: Angus Mordant / Reuters

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LONDRES —  O petróleo ultrapassou a marca de US$ 100 o barril pela primeira vez desde 2014, as bolsas globais despencaram e o rublo atingiu uma mínima recorde nesta quinta-feira, depois que o presidente russo, Vladimir Putin, lançou um ataque à Ucrânia.

Os contratos futuros do petróleo Brent, referência no mercado internacional,  saltaram mais de 3,5% para ultrapassar os US$ 100 o barril pela primeira vez desde setembro de 2014.

Já o óleo leve americano, referência nos Estados Unidos, saltou 4,6%, atingindo US$ 96,22 por barril, o maior desde agosto de 2014. O ouro avançou mais de 1,7% para atingir seu nível mais alto desde o início de janeiro de 2021.

Bolsa da Rússia suspende negociações

Os principais mercados de ações da Europa abriram em baixa. Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX caía 3,43%, devido à forte dependência da Alemanha do fornecimento de energia da Rússia. A Bolsa de Paris recuava 3,25%.

Em Londres, a Bolsa tinha queda de 2,53%. Na Bolsa de Moscou, houve queda de mais de 10%, o que levou à suspensão das negociações.

No pré-mercado americano, os contratos do S&P 500 e do Nasdaq 100 caíam 1,7% e 2,3%, respectivamente.

Na Ásia, a Bolsa de Tóquio fechou com perdas de 1,81%, enquanto que a Bolsa de Hong Kong despencou 3,21%.

— No passado, quando você tinha crises geopolíticas, tendia a ter períodos muito voláteis nos mercados e depois a normalização, mas é difícil avaliar quando conseguiremos isso — disse Justin Onuekwusi, gerente de portfólio da LGIM.

Bitcoin e outras criptomoedas caem

No mercado de câmbio, o nervosimo se repetiu. O rublo se desvalorizou quase 7%, atingindo um valor sem precedentes de 86,98 por dólar.  O Banco da Rússia disse que realizará intervenções cambiais.

Já o iene japonês subiu em um movimento de segurança, enquanto o euro e as moedas ligadas a commodities recuaram.

Entre as criptomoedas, o Bitcoin caiu para menos de US$ 35.000 em meio à aversão ao risco. O segundo maior token, o  Ether, também sofreu pesadas perdas.

Grãos e metais sobem e devem pressionar inflação

Os preços das commodities subiram, de petróleo a grãos e metais, devido às preocupações de que os fluxos de matérias-primas sejam interrompidos pela crise. A Ucrânia é um grande exportador de grãos e as sanções podem isolar a Rússia, uma potência de commodities.

Os contratos de milho e trigo para entrega em maio registram salto de mais de 5% na Bolsa de Chicago, que concentra as negociações de commodities agrícolas.

A situação evidencia novos desafios para a recuperação global. Vários países convivem com preços já elevados de energia e alimentos, o que vem pressionando a inflação.

— A pressão sobre os preços da energia aumentará significativamente e aumentará os riscos de preços mais altos — disse Carsten Roemheld, estrategista de mercado da Fidelity International, por telefone.

_________________________________________________Capacidade militar russa supera, e muito, a ucraniana, mas Kiev tem ferramentas para responder à invasão

Vladimir Putin gastou bilhões de dólares nos últmos anos para modernizar suas Forças Armadas e seus arsenais nucleares, enquanto Ucrânia expandiu o acesso a equipamentos estrangeiros

DIFERENÇAS NO FRONT

Rússia tem um dos maiores exércitos do mundo, mas Ucrânia modernizou forças desde 2014

Tanques russos e bielorrussos participam de manobras militares perto de Brest, na Bielorrússia Foto: - / AFP

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Embora antecipada desde o final do ano passado, a possibilidade de um ataque russo à Ucrânia se tornou palpável depois que o governo de Vladimir Putin interrompeu as negociações diplomáticas com os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e reconheceu a independência das repúblicas separatista de Donetsk e Luhansk, no Leste ucraniano, na última segunda-feira.

Com o início da invasão russa, a diferença de forças entre os dois lados se mostra brutal. A começar pelo orçamento de Defesa russo, mais de dez vezes maior do que o ucraniano — a quantidade e qualidade dos equipamentos de Moscou também é superior, e seu aprimoramento é parte da estratégia de Putin de fortalecer o poder e a imagem da Rússia no mundo.

Nos primeiros anos do governo Putin, as Forças Armadas traziam o legado da crise dos anos 1990, com equipamentos defasados, tropas mal pagas e distantes, em termos tecnológicos, em relação ao Ocidente. O acidente com o submarino Kursk, em 2000, e os problemas na segunda Guerra da Chechênia e na intervenção na Geórgia foram vistos como sinais de que uma mudança era necessária.

Números das Forças Armadas da Rússia e da Ucrânia Foto: Editoria de Arte

E ela veio: partindo do aumento dos salários, passando pela compra de meias e novos calçados para os soldados e chegando ao desenvolvimento de mísseis “hipersônicos” e caças de quinta geração. Para Putin, incrementar sua capacidade militar faz parte da estratégia de projeção de poder da Rússia no mundo.

Na Síria, os bombardeios ajudaram a deter o Estado Islâmico e também as forças de oposição a Bashar al-Assad, aliado do Kremlin, que segue no poder. Em janeiro, tropas chegaram, em questão de horas, ao Cazaquistão, como parte de uma força de paz para enfrentar os distúrbios no país. Agora, na Ucrânia, a presença de quase 200 mil militares na fronteira serve para pressionar o Ocidente a ouvir as demandas de segurança regional feitas por Vladimir Putin.

Neste cenário, não há muito o que fazer, do lado ucraniano, caso o Kremlin dê um sinal verde para um ataque total: o número de soldados prontos para o combate e de equipamentos para a defesa nacional é bem inferior aos dos russos, que também poderiam usar sua superioridade aérea e ataques contra sistemas de comunicação para neutralizar estratégias de resposta.

Vale ressaltar que, por culpa da própria Rússia, as Forças Armadas ucranianas, com forte apoio estrangeiro, evoluíram em relação a 2014, ano da anexação da Crimeia e do início da guerra no Leste do país. Apenas os EUA forneceram US$ 2,5 bilhões em assistência de segurança, incluindo treinamentos, exercícios conjuntos e, mais importante, armamentos, como os mísseis terra-ar portáteis Javelin.

A Lituânia também ofereceu outro modelo de míssil portátil, os Stinger, marcados pelo papel que tiveram na Guerra do Afeganistão (1979-1989): a arma, fornecida aos mujahedins, foi responsável por derrubar dezenas de aeronaves soviéticas, e alguns historiadores a apontam como uma das responsáveis pela retirada da URSS.

Mlitares ucranianos descarregam caixas contendo o sistema de lançamento de foguetes FIM-92 Stinger, enviado pela Lituânia Foto: SERGEI SUPINSKY / AFP

Outras nações da Otan intensificaram o envio de equipamentos defensivos e financiaram iniciativas como a construção de hospitais de campanha. Boa parte da população tem treinamento militar, e poderia organizar forças de resistência, ao lado de paramilitares já estabelecidos.

Há que se mencionar ainda os drones Bayratkar TB2, fabricados pela Turquia, um membro da Otan. A aeronave é utilizada desde 2019 contra os separatistas pró-Rússia na região do Donbass — no ano passado, Putin, em conversa com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que a aeronave era um “ato de provocação”, e reclamou de seu fornecimento para Kiev. .

Para especialistas, o Bayratkar TB2 pode ser eficaz em alguns tipos de combates, como contra forças de menor poder ofensivo ou em ações de guerrilha, mas provavelmente não faria diferença imediata em uma invasão russa.

_________________________________________________Forças russas atacam alvos em toda a Ucrânia após Putin ordenar invasão

Centros de comando militares da Ucrânia na capital, Kiev, e em Kharkiv são alvo de ataque de mísseis; tropas russas chegam a Mariupol e Odessa

O Globo e agências internacionais 24/02/2022 - 08:21

Fumaça preta sobe de um aeroporto militar em Chuguyev, perto de Kharkiv, na Ucrânia Foto: ARIS MESSINIS / AFP

MOSCOU — Forças russas atacaram alvos em toda a Ucrânia, após o presidente Vladimir Putin prometer “desmilitarizar” o país e substituir seus líderes na manhã de quinta-feira, desencadeando uma "invasão em grande escala" contra o país e a pior crise de segurança na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, enquanto o Ocidente ameaça punir com mais sanções em resposta.

A Rússia lançou uma enxurrada de mísseis, artilharia e ataques aéreos na quinta-feira.  Explosões foram ouvidas em Kiev, a capital; em Kharkiv, a segunda maior cidade; e em Kramatorsk, na região de Donetsk, um dos dois territórios do Leste da Ucrânia reivindicados por separatistas apoiados pela Rússia desde 2014. Fumaça preta pôde ser vista no Ministério da Defesa da Ucrânia, no centro de Kiev.

Vídeo registrou comboio russo cruzando o posto de fronteira da Crimeia

Pouco depois do anúncio, surgiram relatos de ataques a várias cidades ucranianas, incluindo a capital, Kiev, que amanheceram ao som

A guarda de fronteira da Ucrânia disse que estava sendo bombardeado de cinco regiões, incluindo da Crimeia, no sul, e da Bielorrússia, ao norte, enquanto colunas de tanques russos se moviam para o país. O Ministério do Interior da Ucrânia disse que a capital, Kiev, está sob ataque e instou os cidadãos a irem para abrigos.

Em um discurso televisionado nacionalmente antes da ofensiva, Putin disse que a Rússia não planeja “ocupar” seu vizinho, mas que a ação era necessária depois que os EUA e seus aliados cruzaram as “linhas vermelhas” da Rússia ao expandir a aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O presidente dos EUA, Joe Biden, chamou a ação de Putin de “um ataque não provocado e injustificado” e disse que “o mundo responsabilizará a Rússia”.

— Tomei a decisão por uma operação miitar — anunciou Putin em uma mensagem inesperada pela TV, denunciando um suposto genocício orquestrado pela Ucrânia contra a população de origem russa no Leste do país.

Trânsito foi intenso nas primeiras horas do dia. Metrô é rota de fuga

Pouco depois do anúncio, surgiram relatos de ataques a várias cidades ucranianas, incluindo a capital, Kiev, que amanheceram ao som de sirenes de alerta. Uma autoridade do governo ucraniano informou que ao menos 40 soldados ucranianos morreram pelos ataques russos e há dezenas de feridos. Militares ucranianos também divulgaram terem matado 50 soldados russos na fronteira orientnal e abatido cinco aviões e um helicóptero russos na região de Luhansk, o que não foi confirmado pela Rússia.

Os centros de comando militares da Ucrânia na capital e em Kharkiv foram alvo de ataque de mísseis, informou o site de notícias Ukrainska Pravda, citando uma fonte do Ministério do Interior ucraniano. Segundo a Interfax, tropas russas entraram nas cidades portuárias de Odessa e Mariupol, o principal município sob controle de Kiev na linha de frente com os separatistas pró-Moscou no Leste do país.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, pediu nesta quinta-feira que todos os cidadãos que estavam prontos para defender o país das forças russas se apresentassem, dizendo que Kiev entregaria armas a todos que as quisessem. Zelenskiy também pediu aos russos que saíssem e protestassem contra a guerra. Separadamente, o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia disse que “a situação está sob controle” e que as tropas russas estão sofrendo perdas.

Zelensky “deu ordens para infligir perdas máximas contra o agressor”, disse o comandante-em-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, major-general Valeriy Zaluzhny. O conselheiro presidencial Mykhailo Podoliak disse que as forças da Ucrânia estão “travando um combate pesado” e repelindo os avanços russos em algumas partes. Autoridades ucranianas disseram que a Rússia estava mirando principalmente em infraestrutura e silos militares, atingindo uma série de campos aéreos.

O ataque começou enquanto o Conselho de Segurança da ONU se reunia pela segunda vez nesta semana, com apelos dos países-membros para que Moscou não lançasse a ação. Vários países se apressaram em condenar a ação militar russa na Ucrânia, entre eles França, Portugal, Japão, Itália e Suécia. A China afirmou que está acompanhando de perto a crise e aconselhou seus cidadãos na Ucrânia a permanecerem em casa.

Na Casa Branca, o presidente dos EUA, Joe Biden, classificou o ataque russo de "injustificado".

"O presidente (Vladimir) escolheu uma guerra premeditada que vai causar uma catastrófica perda de vida e sofrimento humano", disse Biden em uma declaração. "A Rússia sozinha é responsável pela morte e a destruição que esse ataque vai causar. O mundo cobrará contas da Rússia", acrescentou Biden, afirmando que anunciará ainda nesta quinta, junto com os aliados americanos, mais punições à Rússia.

A União Europeia também considerou o ataque "injustificado", afirmando que responsabilizará Moscou pela invasão, segundo anunciou a chefe da Comissão Executiva do bloco, Ursula von der Leyen.

"Nestas horas sombrias, nossos pensamentos estão com a Ucrânia e as mulheres, homens e crianças inocentes que enfrentam esse ataque não provocado e temem por suas vidas", disse ela no Twitter. "Vamos responsabilizar o Kremlin", acrescentou von der Leyen.

Os líderes da UE devem realizar uma cúpula de emergência em Bruxelas, ainda nesta quinta-feira, depois que uma primeira rodada de sanções da UE à Rússia entrou em vigor no dia anterior. Espera-se que as sanções a seguir sejam muito mais agressivas do que as anteriores, e que a UE vá congelar ativos russos e interrompa o acesso de seus bancos ao mercado financeiro europeu, segundo altos funcionários europeus. Também deve ocorrer uma reunião de emergência da Otan e uma reunião do G7 por videoconferência nesta quinta-feira.

O chanceler alemão Olaf Scholz disse na quinta-feira que as sanções ocidentais garantirão que a Rússia pague um "preço amargo" por seu ataque.

— Putin está trazendo sofrimento e destruição para seus vizinhos diretos, ele está violando a soberania e as fronteiras da Ucrânia — disse Scholz a repórteres em Berlim. — Ele está colocando em risco a vida de inúmeras pessoas inocentes na Ucrânia, nação irmã da Rússia. Por último, ele está colocando em risco a ordem da paz em nosso continente. Não há justificativa para tudo isso. Esta é a guerra de Putin.

O ataque foi iniciado um dia após Moscou declarar que as autoproclamadas repúblicas separatistas de Donetsk e Luhansk haviam pedido ajuda para repelir "agressões" de Kiev, em meio a crescentes alertas dos EUA de que um grande ataque era iminente.

O presidente russo, que justificou a ação citando o pedido de ajuda dos separatistas e o que chamou de política agressiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra Moscou, pediu aos militares ucranianos que "deponham as armas".

Puin ainda advertiu que aqueles que "tentarem interfir conosco (...) devem saber que a resposta da Rússia será imediata e conduzirá a consequências que jamais conheceram".

— Estou seguro de que os soldados e oficiais russos cumpriram seu dever com coragem. A segurança do país está garantida — afirmou.

A operação foi lançada depois de Moscou vetar voos sobre parte da região de Rostov, a Leste de sua fronteira com a Ucrânia, que, por sua vez, anunciou o "perigo potencial" para a aviação civil ao restringir o tráfego em seu espaço aéreo. Posteriormente, todos os voos foram cancelados em Rostov.

Na noite de quarta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, havia feito um pronunciamento dramático de nove minutos na TV. Falando a maior parte do tempo em russo — e se dirigindo à população russa —, pediu que a Rússia não invadisse o país.

— O povo ucraniano quer a paz — disse, citando a história comum das duas nações. — O governo ucraniano quer a paz e está fazendo tudo para construí-la.

Horas antes, o Parlamento ucraniano havia aprovado um estado de emergência após o governo adotar uma série de medidas de preparação para uma guerra, desde convocar reservistas a pedir para seus cidadãos deixarem a Rússia imediatamente.

A Rússia também havia esvaziado sua embaixada em Kiev, e muitos países, incluindo o Brasil, pediram para seus cidadãos deixarem o país.

_________________________________________________O risco russo diante da História

Por Míriam Leitão 24/02/2022 • 04:30
Guardas de fronteira da Ucrânia

O momento é de extremo perigo global, e o que o presidente Vladimir Putin está fazendo pode significar o fim do mundo como o conhecemos desde o pós-guerra. É o que pensa o embaixador Rubens Ricupero. Para o mercado financeiro, a análise é a de que “já está no preço” uma ocupação ao leste do país, mas não uma invasão total. Eles se prepararam para essa reação de Putin e em relatório aos clientes os bancos já explicavam que era dado como certo que a Rússia enviaria mais tropas para a Ucrânia.

O que todas as análises concordam, seja no mercado financeiro, seja na política internacional, é que as sanções não vão deter Putin. O governo russo está sentado numa montanha de reservas cambiais, US$ 640 bilhões, e pode resistir à suspensão do acesso ao mercado internacional de capitais. Num relatório, o banco UBS avalia que se houver uma escalada do conflito isso levaria a um boicote completo do petróleo e gás russos. Com isso, o petróleo iria a US$ 125 o barril por dois trimestres, o que elevaria a inflação e reduziria em 0,5 ponto percentual o crescimento mundial.

Para quem tem uma visão mais ampla, o que está acontecendo é gravíssimo, lembra o início dos piores momentos do século passado e tem uma responsabilidade histórica bem mais complexa do que parece.

— Putin está adotando uma atitude que de fato põe em perigo mortal este mundo que conhecemos e que durou quase 80 anos, em que houve guerras localizadas, mas nunca um dos principais atores assumiu uma posição tão descaradamente contra a ordem estabelecida. Ele está usando métodos que levaram à Primeira e à Segunda Guerras Mundiais e já violou a Carta da ONU —diz Ricupero.

Olhando o passado recente, o embaixador avalia que há culpas do Ocidente também porque aproveitando-se da fraqueza russa após o fim da União Soviética expandiu a Otan além do razoável. Desde 1997, a Aliança Militar incluiu 14 países que haviam sido satélites soviéticos ou membros da própria União Soviética: República Checa, Hungria, Polônia, Eslováquia, Eslovênia, Bulgária, Romênia, Estônia, Lituânia, Letônia, Albânia, Croácia, Montenegro, Macedônia do Norte.

— Nada justifica o que Putin está fazendo hoje, mas a raiz histórica desse problema envolve responsabilidade do Ocidente — lembra o embaixador.

Para ele, o paralelo que pode ser feito é com o que houve na Alemanha de Hitler:

— Desde que Putin começou a fortalecer seu poder militar, ele fez questão de exibir isso. Invadiu a Geórgia em 2008, anexou a Crimeia em 2014, estimulou os separatistas do leste da Ucrânia, interveio violentamente na guerra civil da Síria. Em todos esses casos, alguns disseram que ele se daria mal, mas ele teve êxito. É um pouco como aquela história do Hitler. No início, tudo o que Hitler fez deu certo. Anexou a Áustria, depois os Sudetos, que eram regiões da Checoslováquia com populações que falavam alemão, um pouco como acontece agora na Ucrânia. No Acordo de Munique as potências cederam os Sudetos na expectativa de que, com isso, ele não invadiria a Checoslováquia. Hitler em seguida invadiu a Checoslováquia. Putin tem tido o mesmo êxito — avalia o embaixador.

Como a Ucrânia não é da Otan, não está protegida pelo artigo quinto do Tratado de Washington que estabelece que todos são solidários, quando um dos países for invadido. Então Putin só não teria invadido se avaliasse que seria muito alto o custo de uma campanha militar e de sanções prolongadas.

Esse foi o cálculo feito no mercado financeiro também. É interesse da Rússia continuar fornecendo matérias-primas e energia para a Europa. A Rússia é grande exportadora de petróleo, gás natural, trigo. O mercado sugere, como hedge, investir em commodities, porque se houver “disrupção de fornecimento”, os preços vão subir.

Quem entende a História sabe que, se houver a escalada de um conflito, não há proteção possível. A Rússia é detentora da maior quantidade de ogivas nucleares no mundo, mas é um país intermediário do ponto de vista econômico e em rápido declínio demográfico. 

— O tempo corre contra a Rússia. Esses são os países mais perigosos. Como eram a Áustria, Hungria e a Rússia czarista em 1914. O que Putin fez já abriu um rombo enorme no sistema criado em 1945. Entramos no tempo do imprevisível — explica Ricupero.

O agravante é o fato de que, como diz o embaixador, o traço tradicional da psicologia da política russa é a ideia de que eles estão cercados.

Com Alvaro Gribel (de São Paulo)


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