___________________________________* NÃO VAI DEMORAR MUITO para a ECONOMIA_CHINESA ser o DOBRO da ECONOMIA AMERICANA. ___________________________________*

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_________________________________________________Entenda, em três mapas, por que a posição da Ucrânia é estratégica
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A crise envolvendo a alegada ameaça de uma invasão russa à Ucrânia, oito anos depois da anexação da Crimeia e da participação indireta de Moscou no conflito no Leste ucraniano, pôs em evidência os aspectos estratégicos e, sobretudo, históricos do país para toda a região. O Rus de Kiev, no século IX, foi o primeiro Estado eslavo no que é hoje o Leste europeu e está na base da fundação da Rússia, da Bielorrússia e da própria Ucrânia. Entenda, em três mapas, as mudanças territoriais do país que, hoje, está no centro de uma das mais sérias crises diplomáticas do mundo, e os impactos que elas tiveram no impasse atual.
Ucrânia no Império Russo (Limites em 1914)
Ao longo dos séculos, o território que hoje conhecemos como Ucrânia foi controlado por diversas forças estrangeiras, como poloneses, lituanos, mongóis e, por fim, russos, que ampliaram suas fronteiras. Algumas áreas, como as próximas ao Mar Negro e conhecidas como Nova Rússia, passaram por um intenso processo de "russificação". Hoje, grupos nacionalistas pró-Moscou defendem abertamente uma confederação para "refundar" a Nova Rússia, e o presidente Vladimir Putin chegou a usar o termo pelo menos duas vezes durante a crise de 2014, acendendo sinais de alerta em Kiev e além.
Ucrânia na União Soviética (Limites em 1990)
Após uma violenta guerra de independência, que teve como estopim a Revolução Russa de 1917, a Ucrânia foi incorporada à recém-criada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, com a junção dos territórios conhecidos como a Nova Rússia. Durante a Segunda Guerra Mundial, foram incorporadas à república soviética partes da Polônia, da Romênia e da antiga Tchecoslóváquia e, em 1954, houve uma expansão que até hoje é alvo de questionamentos: naquele ano, o então líder soviético, Nikita Kruschev, decidiu transferir o controle da Península da Crimeia da Rússia para a Ucrânia.
Em termos estratégicos, o acesso ao Mar Negro — Sebastopol, na Crimeia, é base de uma das principais unidades da Marinha russa desde o século XVIII — e a proximidade da Europa Ocidental eram caros a Moscou. Além dos navios de guerra, havia milhares de ogivas nucleares operacionais em solo ucraniano, todas devolvidas à Rússia depois de 1994 em troca de um compromisso, assinado por Rússia, EUA e Reino Unido, ao respeito "à independência e à integridade territorial" do novo Estado. Para muitos em Kiev, uma decisão equivocada.
Ucrânia pós-2014
A turbulência política do começo do século XXI pavimentou o caminho para o governo ucraniano deixar a órbita de influência da Rússia para buscar um alinhamento ao Ocidente, seguindo os passos de outras nações do antigo bloco socialista. Mas não seria tão fácil: o último líder pró-Moscou em Kiev, Viktor Yanukovich, precisou fugir para a Rússia em meio à revolta que derrubou seu governo e pôs um regime pró-Europa no lugar. Contudo, no início de 2014, após um referendo questionado internacionalmente, a Crimeia — a mesma cedida por Kruschev à Ucrânia seis décadas antes — retornaria ao controle russo. No Leste ucraniano, milícias separatistas pró-Rússia deram início a um conflito que deixou mais de 13 mil mortos, e fez com que Kiev perdesse o controle de fato de áreas consideráveis de seu território.
_________________________________________________Entenda por que os enclaves de Luhansk e Donetsk são a faísca do conflito entre Rússia e Ucrânia

_________________________________________________Putin lança mísseis hipersônicos em exercício de forças nucleares na crise; veja vídeos
Foram usadas armas para guerra atômica e também modelos empregados num ataque convencional à Ucrânia
O presidente russo Vladimir Putin levou as estrelas de seu arsenal de mísseis estratégicos para a demonstração de força que fez ao Ocidente neste sábado (19), ao lado do ditador aliado da Belarus, Aleksandr Lukachenko.

Do centro de comando do Kremlin, o presidente russo ordenou o disparo de dois modelos de mísseis hipersônicos, mísseis balísticos, de cruzeiro e dois mísseis do tipo que seriam empregados numa guerra nuclear contra os Estados Unidos.
O exercício havia sido anunciado na véspera, como se fosse algo de rotina, mas rotina certamente não é. Segundo o analista militar Ivan Barabanov, não há lembrança de tantos disparos de modelos tão variados em uma só manobra —noves fora o seu "timing".
Putin está no centro do embate com o Ocidente em torno de suas demandas para que a Otan (aliança militar ocidental) não se expanda, e tem a Ucrânia cercada por 150 mil soldados que, para o presidente dos EUA, Joe Biden, deverão invadir o país vizinho.
O russo nega a intenção, mas o agravamento da situação no leste ucraniano, ocupado por aliados do Kremlin, tem levantado as sobrancelhas dos mais céticos acerca de um confronto.
Assim, o exercício serviu de lembre para os adversários acerca do potencial militar russo, que ganhou musculatura inaudita desde a Guerra Fria a partir da reforma do setor, iniciada após o quase vexame na guerra contra a minúscula Geórgia em 2008.
Hoje, como atesta a mais recente edição do "Balanço Militar", publicação anual do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, além de potência nuclear, a Rússia tem uma sofisticada capacidade de promover ações rápidas no seu entorno estratégico mais imediato —a Europa, para começar.
"As tarefas previstas durante o exercício das forças estratégicas de dissuasão foram totalmente cumpridas, e todos os mísseis atingiram os alvos designados", disse o Kremlin. Lukachenko, que sempre foi um aliado arisco de Putin, caiu sob sua órbita política após pedir ajuda a Moscou para reprimir os protestos contra sua reeleição fraudada em 2020.
Ele já tem 30 mil soldados russos em seu território fazendo manobras previstas para acabar no domingo (20). Ambos os líderes disseram, após encontro na sexta, que as tropas voltariam —mas não descartaram a permanência se assim acharem necessário, alimentado o temor ocidental de que está montada lá uma frente para atacar Kiev e o norte ucraniano.
Não foram divulgados números, mas a natureza dos mísseis empregados no exercício.
Uma das estrelas é o Tsirkon, um míssil hipersônico lançado de navio, que provavelmente foi disparado da fragata em que é testado, a Almirante Gorchkov, da Frota do Norte, no Ártico. Ele tem capacidade de levar ogiva nuclear, mas sua função primária é ataque outras embarcações.
Armas hipersônicas voam a mais de cinco vezes a velocidade do som (6.174 km/h). O Tsirkon (zircão, em russo) vai a quase o dobro disso. China e até Coreia do Norte testam modelos do tipo, e os EUA por ora estão atrás da corrida dessas armas do futuro, que usualmente podem manobrar rumo ao alvo, liderada pela Rússia.
Outro modelo disparado, no caso de caças e bombardeiros, foi o Kinjal (punhal), que já está em operação com aviões MiG-31 e Tu-22M3. Ele pode usar ogivas nucleares menores ou convencionais, e chega a Mach 12 (12 vezes a velocidade do som, ou 14.700 km/h).
Significativamente para o momento atual, no campo de Kapustin Iar (Astrakhan, sudeste russo) foram lançados mísseis Iskander-M (defensor, na origem árabe da palavra), modelo balístico de curto alcance (500 km). Há várias baterias dele nos exercícios em Belarus, o que significa que Kiev estaria sob sua mira facilmente em caso de uma guerra.
Repetindo a performance que impressionou analistas ocidentais na guerra civil da Síria, os russos disseram ter disparado mísseis de cruzeiro Kalibr (calibre) de submarinos nos mares do Norte e Negro, palco das tensões com a Ucrânia.
Bombardeiros estratégicos de longo alcance Tu-95MS lançaram também esses mísseis de cruzeiro, que voam em velocidade subsônica manobrando pelo terreno, contra alvos em campos da península de Kamtchatka, no Extremo Oriente russo.


Por fim, a cereja do bolo da tentativa de intimidar o Ocidente, foram lançados um míssil intercontinental Iars (acrônimo russo para foguete de dissuasão nuclear) e um Sineva (azul).
O primeiro foi disparado da base de Plesestk, na região ártica russa próxima da Finlândia. Ele voou cerca de 5.500 km em espaço aéreo russo e atingiu o campo de provas de Kura, em Kamtchatka. Já o Sineva é um míssil lançado por submarinos em operação na Marinha russa.
Ele foi disparado do submarino nuclear Karelina, da Frota do Norte, do mar de Barents —não muito distante do ponto do qual o Iars levantou voo. Também atingiu Kura. Os dois mísseis são desenhados para levar múltiplas ogivas nucleares a alvos em outros continentes.
Na sexta, Biden havia dito não acreditar que Putin "remotamente pensasse" em uma guerra nuclear. As cinco potências atômicas com assento no Conselho de Segurança da ONU, Rússia, EUA, China, Reino Unido e França assinaram recentemente um documento reafirmando que não iniciariam tal conflito.

_________________________________________________EUA criticam 'solidariedade' de Bolsonaro a Vladimir Putin em encontro
Do UOL, em São Paulo 17/02/2022 20h42
Os EUA criticaram hoje a "solidariedade" prestada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia durante encontro entre o chefe brasileiro e o presidente russo, Vladimir Putin, ocorrido em Moscou, nesta quarta-feira (16). A declaração foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado do governo americano à TV Globo.
Vemos uma narrativa falsa de que nosso engajamento com o Brasil em relação à Rússia envolve pedir ao Brasil que escolha entre os Estados Unidos e a Rússia. Esse não é o caso. A questão é que o Brasil, como um país importante, parece ignorar a agressão armada por uma grande potência contra um vizinho menor, uma postura inconsistente com sua ênfase histórica na paz e na diplomacia. Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA à TV Globo
Vídeo de policiais detendo apenas jovem negro em briga gera revolta nos EUA
"O momento em que o presidente do Brasil se solidarizou com a Rússia, enquanto as forças russas estão se preparando para potencialmente lançar ataques a cidades ucranianas, não poderia ter sido pior. Isso mina a diplomacia internacional destinada a evitar um desastre estratégico e humanitário, bem como os próprios apelos do Brasil por uma solução pacífica para a crise", acrescentou.
Bolsonaro está em viagem oficial de quatro dias pela Europa: primeiro se encontrou com o presidente Vladimir Putin e empresários locais, em Moscou, e depois se reuniu com o líder húngaro, Viktor Orbán, em Budapeste.
Nas palavras de abertura de seu encontro privado com Putin, Jair Bolsonaro afirmou que "somos solidários à Rússia".
O presidente brasileiro não disse solidário em relação a quê, mas o seu anfitrião está no centro de uma das maiores crises de segurança no mundo desde o fim da Guerra Fria, a tensão com a Ucrânia e o Ocidente, que acusa Moscou de ameaçar invadir o país vizinho.
Antes da viagem de Bolsonaro, os EUA fizeram gestos para primeiro impedir a visita e, depois, para que ele levasse palavras duras a Putin sobre a condução da crise —o que evidentemente não aconteceu.
Tensão no Leste Europeu
A viagem de Bolsonaro a Moscou ocorreu enquanto os EUA e a Rússia protagonizam duro embate político internacional.
De um lado, os russos levaram cerca de cem mil soldados, tanques e armamentos pesados à fronteira com a Ucrânia, ameaçando invadir o país a qualquer momento, se os americanos e seus aliados ocidentais não interromperem qualquer processo para a entrada da Ucrânia na Otan, a aliança militar do Atlântico Norte.
Em contrapartida, os americanos ajudam a Ucrânia com armas e já deslocaram mais de 3 mil soldados para bases da Otan na Romênia e na Polônia. Outros países, como o Reino Unido, Itália e Espanha, pressionam a Rússia com ameaças de sanções econômicas severas e resposta ágil, caso a invasão seja realizada de fato.
_________________________________________________Na França, teoria da conspiração racista sai das sombras e vira assunto na corrida à Presidência
Pesquisas mostram Pécresse, Le Pen e Zemmour pescoço a pescoço em segundo lugar, atrás de Macron no primeiro turno, marcado para 10 de abril. No segundo turno, em 24 de abril, um deles terá que encarar Macron, que também andou chegando para a direita, especialmente nos últimos dois anos da sua Presidência,
A ascensão repentina de Zemmour como candidato injetou o “grande substituto” e outras questões explosivas na corrida, forçando outros candidatos à direita a ajustar suas posições sob o risco de perder o apoio a ele.
Le Pen rejeitou expressamente o slogan, criticando-o como uma teoria da conspiração. Embora tenha mantido distância do termo, o presidente de seu partido, Jordan Bardella, começou a se referir a ele nos últimos meses.
Diante das críticas, Pécresse recuou um pouco, dizendo que o uso que fez da expressão havia sido mal interpretado.
Mas Nicolas Lebourg, um cientista político especializado em direita e extrema direita, disse que usar o termo simplesmente reflete um cálculo político: os apoiadores tradicionais da classe média de centro-direita também mudaram para a direita nos últimos anos.
— Desde 2010, houve um endurecimento significativo dos eleitores da classe média alta contra a imigração e o islamismo, mas ainda não vimos seus efeitos políticos — disse Lebourg.
_________________________________________________Apoio da China à Rússia é 'alarmante', diz Pentágono

_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: As críticas falsas ao Reconstruir Melhor
Tenha cuidado com a má-fé, com a má lógica e com a má aritmética
_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: O que perderemos se não reconstruirmos melhor
_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: Uma cruzada por Deus, a família e... bitcoin?
_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: Ataque da polícia do pensamento de direita
Não ensine nada que deixe os alunos incomodados
_________________________________________________Como Putin converteu Rússia em 'potência masculina mundial' e inspirou líderes como Trump e Bolsonaro
Mariana Sanches - @mariana_sanches - Da BBC News Brasil em Washington
15/02/2022 06h52
Russo se tornou um modelo de virilidade e masculinidade a inspirar políticos ao redor do mundo, como o americano Donald Trump, o húngaro Viktor Orban e o brasileiro Jair Bolsonaro.
"Você apagou os incêndios florestais, mas eu continuo em chamas", dizia a frase escrita sobre a imagem de uma jovem russa, sorridente e seminua. Como essa, outras 11 fotos com dizeres provocativos compunham um calendário de 2011 estrelado pelas estudantes de jornalismo da Universidade de Moscou e dedicado ao seu ídolo: o líder político russo Vladimir Putin que, no verão de 2010, tinha pessoalmente pilotado um helicóptero dos bombeiros para combater as queimadas que ameaçavam Moscou.
Presentes eróticos para comemorar o aniversário de Putin, no poder na Rússia há mais de duas décadas, são apenas um elemento da exaltação pública costumeira a uma característica central na personalidade do líder russo. Putin se tornou um modelo de virilidade e masculinidade a inspirar políticos ao redor do mundo, como o americano Donald Trump, o húngaro Viktor Orban e o brasileiro Jair Bolsonaro, que embarcou nesta segunda-feira (14/2) para Moscou com objetivo de se reunir com o chefe de Estado russo.
Além do episódio do helicóptero dos bombeiros, Putin já se deixou fotografar em uma série de situações másculas. Derrubou adversários num tatame em lutas de judô. Examinou os dentes de um urso polar no Ártico e de um tigre na Sibéria, ambos anestesiados. Pilotou um submarino e um barco e voou em uma espécie de asa delta motorizada. Posou de rifle em punho (e sem camisa) durante caçada na Sibéria. Surgiu de dorso nu em cavalgadas e pescarias. Preparou um churrasco. Exibiu-se com uma pistola em um estande de tiro ao alvo. Ou apenas apareceu em roupas esportivas enquanto treinava os músculos do peitoral, na academia.
Nenhum dos registros foi fortuito, fruto do trabalho de fotógrafos paparazzi. "É um trabalho de imagem pensado e executado pelo Kremlin. E, como a internet ainda é largamente livre na Rússia, se algo escapa ao controle e ofende ou desagrada, o governo russo pune", disse à BBC News Brasil Valerie Sperling, professora da Clark University, em Massachussets, e autora do livro Sex, Politics and Putin (Sexo, Política e Putin, em tradução livre).
Com altas taxas de popularidade, mesmo quando descontada a possível coerção sobre a população em um regime crescentemente autoritário, especialistas argumentam que Putin deve ao menos em parte ao perfil "machão" a admiração que inspira nos russos.
'Potência masculina mundial'
Ao chegar ao poder, no fim dos anos 1990, Putin passou a comandar um país que tentava se reerguer dos escombros da União Soviética. O bloco soviético implodira em 1991, e os russos se viam diante de questionamentos de identidade profundos, tendo que se acostumar ao capitalismo, lidar com o fracionamento do território e com a perda do status de potência global.
"Havia uma sensação de derrota generalizada, uma instabilidade econômica forte, com a desvalorização da moeda russa, e a derrota na Guerra Fria. A fragilidade era ainda mais evidente entre os pais de família russos, gente em seus 30, 40 e 50 anos que tinha perdido suas economias e seus empregos, que já não conseguia mais sustentar a família enquanto via jovens enriquecendo em novos negócios, e que era alvo de abertas críticas, por sua ausência na vida familiar, por violência doméstica e por problemas como o alcoolismo", afirma Amy Randall, professora de História da Santa Clara University, na Califórnia, e organizadora da edição especial "Masculinidades soviéticas", da publicação acadêmica Estudos Russos em História.
De acordo com Randall, a humilhação e o constrangimento russos perante o mundo nos anos 90 acabaram personificados pelo então líder do país, Boris Yeltsin, flagrado bêbado e em atitudes embaraçosas em eventos internacionais. Ele chegou a fingir que regia uma orquestra em uma solenidade militar e deu declarações sobre o desejo de desarmamento nuclear russo depois de passar da conta na bebida, tendo que ser desmentido por seus auxiliares.
Relativamente desconhecido do grande público, Putin surge no cenário político russo pelas mãos de Yeltsin, a quem viria a suceder. "Putin oferece aos russos essa imagem sóbria de agente durão, das artes marciais, egresso da KGB (o serviço secreto soviético). Se apresenta como o homem que iria levantar a Rússia, então de joelhos, e reestabelecer sua força no cenário internacional", diz Sperling.
É claro que não só de imagem se construiu a trajetória de Putin. Sob seu comando, o Exército russo retomou o controle da Chechênia, invadiu a Geórgia e anexou a Crimeia. Agora, o país vive às voltas com a possibilidade de um conflito armado com a Ucrânia. Desde o fim do ano passado, Putin mantém mais de cem mil soldados na fronteira entre os dois países e exige que a Ucrânia não seja admitida na Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, uma aliança militar liderada por EUA e Europa Ocidental que Putin vê como ameaça à segurança de seu país.
"Sob a liderança de Putin, a Rússia tem se estabelecido como uma potência masculina mundial, exibindo sua virilidade política, sua independência econômica e seu poderio tecnológico e militar. Putin deve sua popularidade - e sua habilidade de se manter por tanto tempo no poder - a mecanismos como seu nacionalismo masculinizado, à ambição de fazer a Rússia grande outra vez, ao seu uso de ideais patriarcais e à noção das diferenças de papéis sociais entre gêneros, além da aberta homofobia", afirma Randall, para quem Trump também encontrou no russo inspiração para seu slogan ("fazer os EUA grandes outra vez") e não apenas em seu antecessor Ronald Reagan.
'Melhores qualidades masculinas'
Foi a partir dessa perspectiva que Putin disse, em novembro de 2020, que Jair Bolsonaro apresentava "as melhores qualidades masculinas" no comando do Brasil. O elogio aconteceu durante o discurso do mandatário russo no encontro dos BRICS, bloco composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e fazia referência ao modo como Bolsonaro lidou com a pandemia de covid-19.
"Você até foi pessoalmente infectado por essa doença e resistiu à provação com muita coragem. Sei que aquele momento não deve ter sido fácil, mas você o encarou como um verdadeiro homem e mostrou as melhores qualidades masculinas, como força e força de vontade", disse Putin, segundo transcrição que o próprio governo brasileiro postou.
No léxico de Putin, esse é um elogio típico de quem pretende agradar e conhece bem o interlocutor. Bolsonaro já repetiu a performance de Putin em situações altamente fotografáveis: ele nadou em mar aberto, comandou motociatas, praticou tiro ao alvo, pilotou uma churrascada, jogou futebol, deu cavalo de pau em carro de competição. Quando a covid surgiu, disse que, no seu caso, uma eventual infecção seria leve "graças ao seu histórico de atleta".
Mas, de acordo com Sperling, "apenas mostrar que é durão não esgota as possibilidades de obter legitimidade política a partir da masculinidade".
Ela afirma que as demonstrações públicas de tais habilidades costumam se somar também com questionamentos sobre a masculinidade dos oponentes. "E isso é feito, por exemplo, sugerindo que seu adversário não é homem o suficiente, ou é gay, ou ainda dizendo que a mulher dele é feia, não desejável", diz Sterling, que mapeou o comportamento masculino em diferentes líderes mundiais.
Há uma semana, Putin chamou a atenção do mundo com uma declaração em que censurava o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, crítico dos acordos de paz de Minsk. "Goste ou não, minha linda, você tem que aturar", disse Putin, usando uma expressão em feminino para se dirigir ao líder da Ucrânia. Já Bolsonaro, no auge de suas discussões com o presidente Emmanuel Macron acerca das queimadas na Amazônia, em 2020, republicou uma postagem que comparava a primeira-dama Michelle Bolsonaro, de 39 anos, com Brigitte Macron, de 68. A postagem dizia: "entende agora por que Macron persegue Bolsonaro?". E o próprio presidente comentava "Não humilha, cara Kkkkkk".
Outra tática comum é fazer "piadas" com estupro e misoginia. Em 2014, em discussão com a colega Maria do Rosário, do PT, o então deputado Jair Bolsonaro afirmou que "Jamais estupraria você, porque você não merece." Bolsonaro explicou que Rosário seria feia demais para seu gosto. Já Putin, em 2006, teria dito a um repórter israelense, a propósito de acusações de estupro contra o então presidente de Israel Moshé Katsav: "Diga olá a seu presidente. Ele se mostrou um sujeito muito poderoso. Estuprou dez mulheres. Estamos todos surpresos. Todos o invejamos". Depois da repercussão negativa do episódio, o Kremlin culpou uma falha na tradução pelo teor do comentário.
Em 2014, quando a então secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, comparou a invasão da Crimeia ao assalto do alemão Adolf Hitler sobre a Polônia, Putin foi sucinto: "Melhor nem discutir com mulheres". Disse ainda que o comentário de Hillary revelava "fraqueza". E que "fraqueza não é algo necessariamente ruim em mulheres". Já Bolsonaro, em 2017, afirmou sobre sua filha Laura: ""Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, aí no quinto eu dei uma fraquejada e veio uma mulher".
Sperling nota que esse tipo de recurso à masculinidade para legitimar - ou deslegitimar - políticos não é uma exclusividade da direita. Mas que talvez fique mais evidente entre políticos direitistas cuja pauta é socialmente conservadora, categoria em que tanto Bolsonaro quanto Putin se enquadram.
Putin se coloca como feroz defensor da família nuclear tradicional. "Quanto a esse papo de 'pai número 1' e 'pai número 2', já falei publicamente sobre isso e vou repetir novamente: enquanto eu for presidente isso não vai acontecer. Haverá papai e mamãe", disse Putin, em 2020. Em 1997, quando era deputado, Bolsonaro afirmou: "ninguém gosta de gay. A gente suporta".
Ao contrário do Brasil, no entanto, na Rússia o casamento homossexual é ilegal. Casais homoafetivos também não podem adotar crianças em conjunto. Se feita, a adoção é registrada apenas no nome de um dos pais.
Quanto à questão da violência doméstica, no Brasil, a Lei Maria da Penha completou 15 anos. Já na Rússia, a agressão de companheiros contra mulheres foi descriminalizada em 2017. A partir de então, apenas agressões dos maridos que provoquem graves lesões corporais nas esposas são passíveis de punição legal. A mudança legislativa representou um ganho do governo Putin, que tem ficado cada vez mais conservador com o passar dos anos.
"Putin e Bolsonaro se admiram e juntos reforçam esse senso de orgulho em relação à masculinidade. Bolsonaro tem claramente tentado emular Putin em suas posturas misóginas e homofóbicas, e em sua confrontação de lideranças europeias e multilaterais. Ele claramente vê em Putin um homem forte. E essa imagem do homem forte tem se tornado mais e mais popular e prevalente no mundo atual", diz Randall.
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_________________________________________________"O país mais rico do mundo está saqueando descaradamente o mais pobre", acusa China
_________________________________________________“Aliança entre Rússia e China é o fato mais importante desde o fim da Guerra Fria e a dissolução da URSS", diz Celso Amorim
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_________________________________________________China se insurge contra o Quad, "ferramenta de hegemonia dos EUA"

Sputnik - Na sexta-feira (11), Pequim disse que o Quad (Diálogo de Segurança Quadrilateral), cujo formato prevê consultas anuais entre EUA, Austrália, Índia e Japão, é "essencialmente uma ferramenta para conter e sitiar a China, [a fim] de manter a hegemonia dos EUA".
"O objetivo é estimular o confronto e minar a solidariedade e a cooperação internacional", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, a repórteres.
"Como a Guerra Fria acabou há muito tempo, a tentativa de forjar uma suposta aliança para conter a China não ganha apoio e não leva a lado nenhum", afirmou o porta-voz.
Zhao pediu aos quatro países que abandonem a "antiquada mentalidade da Guerra Fria" e mudem sua abordagem em relação à China.
As declarações vieram depois que os ministros das Relações Exteriores dos países do Quad se reuniram em Melbourne, na Austrália, na sexta-feira (11). As autoridades emitiram uma declaração conjunta, prometendo manter a região do Indo-Pacífico "livre de coerção" – em aparente referência a Pequim, sob acusações de que estaria intimidando seus vizinhos.
Os membros do Quad também prometeram "enfrentar os desafios da ordem baseada em regras, inclusive nos mares do Sul e Leste da China", diz o comunicado.
_________________________________________________NÃO VAI DEMORAR MUITO para a economia chinesa ser o DOBRO da ECONOMIA AMERICANA.
E é essa China, que pode chegar a UM TERÇO do PIB MUNDIAL, que é desconhecida no Brasil.
As pessoas superestimam a China a curto prazo e a subestimam a longo prazo. No Ano do Tigre, que começou nesta semana, o medo é que a ômicron vá vencer a estratégia Covid zero do país, jogando o mundo em uma recessão. Mas mais importante que o futuro do país ao fim de 2022 é que acontecerá em 2032. Ou 2042, ou 2052.
Não vai demorar muito para a economia chinesa ser o dobro da economia americana. E é essa China, que pode chegar a um terço do PIB mundial, que é desconhecida no Brasil.
A escala do que acontece aqui é quase inimaginável. A cada dois anos, usa-se mais cimento na China do que em todo o século 20 nos Estados Unidos. O país, sozinho, responde por mais de 50% da demanda de cimento do mundo. E essa procura está longe de arrefecer.

Mais de 400 milhões de chineses vivem no campo, com renda comparável à de um brasileiro em zona rural (em Gansu, província pobre, a renda per capita é de R$ 2.500 por mês, contando as cidades), enquanto em Xangai essa renda é cinco vezes maior. Só que na China os direitos a serviços públicos estão ligados ao lugar de nascença, o chamado hukou.
Assim, um migrante pode ir para a cidade grande, mas não tem direito a escola para os filhos, nem saúde pública (que é gratuita só até certo ponto —tratamentos caros são problemas das famílias). O que acontece é que cidades gigantescas acabam sendo criadas nas províncias mais pobres.
E essa urbanização é um grande motor de crescimento. A crise da Evergrande é um problema de curto, mas não longo prazo. Apesar de a infraestrutura básica nas grandes cidades estar pronta, o que ainda tem por vir é muita coisa.
Um dos medos do governo para manter a estratégia de Covid zero é porque faltam hospitais e clínicas em grande parte do país. E uma das grandes questões que devem ser respondidas nos próximos anos é: a China vai criar uma rede de seguridade social?
Hoje, aqui é capitalismo quase na pura essência. O Estado dá alguma coisa, como educação quase gratuita, mas as famílias são responsáveis por cuidar dos seus se houver algum problema, como desemprego ou doença.
Mesmo na pandemia, com as pessoas em lockdown, o governo não distribuiu renda em larga escala como fizeram outros países. No máximo, houve alguma ajuda pontual, para os mais pobres.
Grande parte do país é atrasada. Tem gente que mora em casas com chão de barro, não muito diferente das partes mais pobres do mundo. E as escolas do interior são fracas, na média. Se por um lado isso gera imensa desigualdade, por outro é um mar de oportunidades para o crescimento do país, já que o desenvolvimento do resto do país continua a puxar mudanças nas áreas mais atrasadas.

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