___________________________________* NÃO VAI DEMORAR MUITO para a ECONOMIA_CHINESA ser o DOBRO da ECONOMIA AMERICANA. ___________________________________*

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Celebração do Ano-Novo Lunar em Luoyang, na província chinesa de Henan
Celebração do Ano-Novo Lunar em Luoyang, na província chinesa de Henan - Huang Zhengwei - 1º.fev.2022/Xinhua
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_________________________________________________Entenda, em três mapas, por que a posição da Ucrânia é estratégica

História do país se confunde com as origens dos povos eslavos no Leste europeu, e a expansão de seu território foi alvo de controvérsias presentes até hoje

Como as mudanças territoriais ucranianas explicam o aspecto estratégico da Ucrânia Foto: Editoria de Arte

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A crise envolvendo a alegada ameaça de uma invasão russa à Ucrânia, oito anos depois da anexação da Crimeia e da participação indireta de Moscou no conflito no Leste ucraniano, pôs em evidência os aspectos estratégicos e, sobretudo, históricos do país para toda a região. O Rus de Kiev, no século IX, foi o primeiro Estado eslavo no que é hoje o Leste europeu e está na base da fundação da Rússia, da Bielorrússia e da própria Ucrânia. Entenda, em três mapas, as mudanças territoriais do país que, hoje, está no centro de uma das mais sérias crises diplomáticas do mundo, e os impactos que elas tiveram no impasse atual.

Ucrânia no Império Russo (Limites em 1914)

Ao longo dos séculos, o território que hoje conhecemos como Ucrânia foi controlado por diversas forças estrangeiras, como poloneses, lituanos, mongóis e, por fim, russos, que ampliaram suas fronteiras. Algumas áreas, como as próximas ao Mar Negro e conhecidas como Nova Rússia, passaram por um intenso processo de "russificação". Hoje, grupos nacionalistas pró-Moscou defendem abertamente uma confederação para "refundar" a Nova Rússia, e o presidente Vladimir Putin chegou a usar o termo pelo menos duas vezes durante a crise de 2014, acendendo sinais de alerta em Kiev e além.

Ucrânia na União Soviética (Limites em 1990)

Após uma violenta guerra de independência, que teve como estopim a Revolução Russa de 1917, a Ucrânia foi incorporada à recém-criada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, com a junção dos territórios conhecidos como a Nova Rússia. Durante a Segunda Guerra Mundial, foram incorporadas à república soviética partes da Polônia, da Romênia e da antiga Tchecoslóváquia e, em 1954, houve uma expansão que até hoje é alvo de questionamentos: naquele ano, o então líder soviético, Nikita Kruschev, decidiu transferir o controle da Península da Crimeia da Rússia para a Ucrânia.

Em termos estratégicos, o acesso ao Mar Negro — Sebastopol, na Crimeia, é base de uma das principais unidades da Marinha russa desde o século XVIII — e a proximidade da Europa Ocidental eram caros a Moscou. Além dos navios de guerra, havia milhares de ogivas nucleares operacionais em solo ucraniano, todas devolvidas à Rússia depois de 1994 em troca de um compromisso, assinado por Rússia, EUA e Reino Unido, ao respeito "à independência e à integridade territorial" do novo Estado. Para muitos em Kiev, uma decisão equivocada.

Ucrânia pós-2014

A turbulência política do começo do século XXI pavimentou o caminho para o governo ucraniano deixar a órbita de influência da Rússia para buscar um alinhamento ao Ocidente, seguindo os passos de outras nações do antigo bloco socialista. Mas não seria tão fácil: o último líder pró-Moscou em Kiev, Viktor Yanukovich, precisou fugir para a Rússia em meio à revolta que derrubou seu governo e pôs um regime pró-Europa no lugar. Contudo, no início de 2014, após um referendo questionado internacionalmente, a Crimeia — a mesma cedida por Kruschev à Ucrânia seis décadas antes — retornaria ao controle russo. No Leste ucraniano, milícias separatistas pró-Rússia deram início a um conflito que deixou mais de 13 mil mortos, e fez com que Kiev perdesse o controle de fato de áreas consideráveis de seu território.

_________________________________________________Entenda por que os enclaves de Luhansk e Donetsk são a faísca do conflito entre Rússia e Ucrânia

Desde 2014, separatistas estão em guerra pela independência dos territórios; na segunda-feira, presidente russo Vladimir Putin reconheceu a independência das regiões e anunciou o envio de uma 'missão de paz'

Andrew E. Kramer, do New York Times

22/02/2022 - 04:30

Gleb Yegorov, de 17 anos, na estação de ônibus em Stanytsia Luhanska. Ele disse que deixou o leste separatista da Ucrânia para escapar do alistamento militar Foto: Lynsey Addario / New York Times
Gleb Yegorov, de 17 anos
Gleb Yegorov, de 17 anos, na estação de ônibus em Stanytsia Luhanska. Ele disse que deixou o leste separatista da Ucrânia para escapar do alistamento militar Foto: Lynsey Addario / New York Times

STANYTSIA LUHANSKA, Ucrânia — As pessoas passam pelo posto de controle arrastando malas de rodinha pela calçada lamacenta, atravessando uma das divisões políticas mais nítidas da Europa hoje.

Sob o sol do inverno na tarde de domingo, Gleb Yegorov, de 17 anos, chegou à Ucrânia depois de percorrer por uma zona-tampão de 800 metros e, na sequência, atravessar uma ponte de pedestres sobre uma ravina. À distância, disparos de artilharia eram ouvidos.

Atrás dele estava a região separatista apoiada pela Rússia, conhecida como República Popular de Luhansk, da qual ele disse estar fugindo para escapar do alistamento militar. Yegorov mal conseguira sair, disse ele, após oito horas de interrogatório no lado separatista da travessia — para onde nunca mais voltará.

— Não há futuro para mim lá — disse ele. — Eles mandam meninos para o front e nem pensam sobre isso se eles morrerem.

Durante anos, a República Popular de Luhansk e a República Popular de Donetsk, outra região separatista na Ucrânia, foram amplamente ignoradas. Elas eram apenas duas pequenas entidades políticas singulares, retrocessos stalinistas com uma política interna muito esotérica para merecer atenção do mundo exterior.

No entanto, agora que a maior guerra na Europa em décadas pode depender delas, em alguns momentos Luhansk e Donetsk aparentam ser o foco do pensamento de todos. Na segunda, o presidente russo Vladimir Putin reconheceu a independência de ambas.

A divisão entre esses miniestados e a Ucrânia é reminiscente do Muro de Berlim — ou seja, uma separação que surgiu não da língua ou da etnia, mas da política ao estilo da Guerra Fria. De um lado da linha de frente de cerca de 400 quilômetros está a Ucrânia, uma nação de aparência ocidental que aspira a se integrar às democracias europeias. Do outro, estão cerca de 3,5 milhões de pessoas vivendo em estados basicamente policiais.

Nos últimos dias, ambos os lados da região no Leste da Ucrânia têm feito previsões assustadoras sobre um eventual acontecimento que terá muitas mortes em algum lugar nas aldeias de mineração e agricultura — e eles estão jogando a culpa para o outro antes mesmo de algo acontecer.

“O Exército russo e os serviços especiais estão preparando um ataque terrorista, cujas vítimas devem ser residentes pacíficos”, alertou o comandante das Forças Armadas ucranianas, Valery Zaluzhny, em comunicado no fim de semana. "O inimigo está tentando usar isso como justificativa para trazer o Exército russo como 'pacificador'".

No domingo, o Ministério do Interior ucraniano divulgou um comunicado dizendo que o Ministério da Informação da República Popular de Donetsk estava pré-posicionando equipes de filmagem em locais de supostos ataques iminentes de drones ucranianos. “O objetivo de tais ações é demonizar os militares ucranianos”, disse.

A República Popular de Luhansk, por sua vez, disse que seu serviço de segurança — conhecido como MGB, uma versão do nome usado pela KGB na União Soviética — descobriu um carro-bomba controlado por rádio ao longo da rota percorrida por ônibus que transportavam evacuados. Não foi possível, porém, verificar a alegação de forma independente.

Aumentando as tensões, as repúblicas populares disseram que planejam evacuar 700 mil mulheres e crianças porque o Exército ucraniano planeja um ataque. Os governos ocidentais zombaram da ideia de que a Ucrânia lançaria um ataque no momento em que a Rússia acumulou, pelas estimativas americanas mais recentes, 190 mil soldados perto de suas fronteiras.

Moradores das regiões separatistas que evacuaram para a Rússia tinham visões totalmente diferentes da escalada de violência ao longo do front, acusando a Ucrânia de disparar artilharia contra cidades do lado que eles estavam.

Soldados ucranianos “estão a apenas 10 quilômetros de nós, e podemos ouvi-los muito bem”, disse Lyudmila N. Zueva, de 63 anos, ao entrar na Rússia no fim de semana.

Os enclaves se separaram em 2014 e, depois disso, dirigir para essas regiões no interior da Europa Oriental era viajar para um reino aparentemente distante do mundo contemporâneo. Pontes flutuantes foram erguidas ao lado de rodovias destruídas que traçam uma rota de cidades meio abandonadas. Acima, nenhum avião comercial pode ser visto. Os voos pararam em 2014 depois que um avião civil foi derrubado.

E o que acontece nas repúblicas é uma espécie de caixa preta.

Jornalistas internacionais conseguirem permissão para entrar pode ser um desafio. E apenas um grupo internacional, uma missão de monitoramento da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) com uma autoridade fraca, tem observadores no local.

No entanto, algumas informações emergiram.

A liderança militar e civil tem mudado entre cidadãos russos com ligações suspeitas com agências de inteligência e ucranianos locais com currículos modestos, e foi derrubada por uma série de expurgos violentos. Em vários momentos, cargos importantes foram ocupados pelo dono de uma escola de comportamento canino, um homem que se apresentou como Papai Noel em um shopping, o operador de um esquema de pirâmide e um renomado chefe do crime organizado.

À medida que foram postos de lado e substituídos, os líderes separatistas culparam os militares ucranianos por assassinatos e emboscadas que autoridades em Kiev, capital da Ucrânia, disseram ser assuntos inteiramente internos.

Talvez o assassinato mais notável tenha sido o do presidente da República Popular de Donetsk, Alexander Zakharchenko, que morreu em um atentado a bomba em um restaurante em 2018 que cada lado culpou o outro.

A política dos enclaves é uma mistura de imperialismo russo e nostalgia da União Soviética. Bandeiras de foice e martelo são comumente hasteadas. Em escritórios do governo, funcionários penduram retratos de Stalin e ícones cristãos ortodoxos.

— Quando tudo começou naquela época, tive uma sensação de desconexão com a realidade — disse Maria Paseka, que deixou a República Popular de Luhansk e se mudou para o lado controlado pelo governo em agosto. — O quebra-cabeça não se encaixou. Parecia que todos ao redor ouviram algo que eu não sabia.

Na semana passada, a ordem do novo líder da República Popular de Donetsk, Denis Pushilin, de evacuar centenas de milhares de mulheres e crianças foi vista como um sinal particularmente ameaçador.

Pushilin, que interveio após o assassinato de Zakharchenko, disse que antecipou um ataque ucraniano que mataria civis.

Enquanto milhares de pessoas embarcaram em ônibus e foram evacuadas para a Rússia, algumas aproveitaram a oportunidade para fugir para o Oeste, cruzando para a Ucrânia no único posto de controle operacional: a passarela e um trecho de cerca de um quilômetro e meio de pavimentação, onde um cessar-fogo geralmente é respeitado para permitir a passagem de civis.

Yegorov, que partiu para evitar o alistamento militar, com os olhos verdes semicerrados sob o sol do fim da tarde, disse que morava com o avô, mas agora moraria com a mãe em Kiev. Ele disse que viu o que chamou de política falsa de renascimento comunista da liderança:

— Ninguém que eu conheça quer lutar pela República Popular de Luhansk.

_________________________________________________Putin lança mísseis hipersônicos em exercício de forças nucleares na crise; veja vídeos

Foram usadas armas para guerra atômica e também modelos empregados num ataque convencional à Ucrânia

Moscou

O presidente russo Vladimir Putin levou as estrelas de seu arsenal de mísseis estratégicos para a demonstração de força que fez ao Ocidente neste sábado (19), ao lado do ditador aliado da Belarus, Aleksandr Lukachenko.

Putin e Lukachenko acompanham lançamentos de mísseis em exercício estratégico russo, no Kremlin
Putin e Lukachenko acompanham lançamentos de mísseis em exercício estratégico russo, no Kremlin - Alexei Nikolski/Sputnik/AFP

Do centro de comando do Kremlin, o presidente russo ordenou o disparo de dois modelos de mísseis hipersônicos, mísseis balísticos, de cruzeiro e dois mísseis do tipo que seriam empregados numa guerra nuclear contra os Estados Unidos.

O exercício havia sido anunciado na véspera, como se fosse algo de rotina, mas rotina certamente não é. Segundo o analista militar Ivan Barabanov, não há lembrança de tantos disparos de modelos tão variados em uma só manobra —noves fora o seu "timing".

Putin está no centro do embate com o Ocidente em torno de suas demandas para que a Otan (aliança militar ocidental) não se expanda, e tem a Ucrânia cercada por 150 mil soldados que, para o presidente dos EUA, Joe Biden, deverão invadir o país vizinho.

O russo nega a intenção, mas o agravamento da situação no leste ucraniano, ocupado por aliados do Kremlin, tem levantado as sobrancelhas dos mais céticos acerca de um confronto.

Assim, o exercício serviu de lembre para os adversários acerca do potencial militar russo, que ganhou musculatura inaudita desde a Guerra Fria a partir da reforma do setor, iniciada após o quase vexame na guerra contra a minúscula Geórgia em 2008.

Hoje, como atesta a mais recente edição do "Balanço Militar", publicação anual do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, além de potência nuclear, a Rússia tem uma sofisticada capacidade de promover ações rápidas no seu entorno estratégico mais imediato —a Europa, para começar.

"As tarefas previstas durante o exercício das forças estratégicas de dissuasão foram totalmente cumpridas, e todos os mísseis atingiram os alvos designados", disse o Kremlin. Lukachenko, que sempre foi um aliado arisco de Putin, caiu sob sua órbita política após pedir ajuda a Moscou para reprimir os protestos contra sua reeleição fraudada em 2020.

Ele já tem 30 mil soldados russos em seu território fazendo manobras previstas para acabar no domingo (20). Ambos os líderes disseram, após encontro na sexta, que as tropas voltariam —mas não descartaram a permanência se assim acharem necessário, alimentado o temor ocidental de que está montada lá uma frente para atacar Kiev e o norte ucraniano.

Não foram divulgados números, mas a natureza dos mísseis empregados no exercício.

Uma das estrelas é o Tsirkon, um míssil hipersônico lançado de navio, que provavelmente foi disparado da fragata em que é testado, a Almirante Gorchkov, da Frota do Norte, no Ártico. Ele tem capacidade de levar ogiva nuclear, mas sua função primária é ataque outras embarcações.

Armas hipersônicas voam a mais de cinco vezes a velocidade do som (6.174 km/h). O Tsirkon (zircão, em russo) vai a quase o dobro disso. China e até Coreia do Norte testam modelos do tipo, e os EUA por ora estão atrás da corrida dessas armas do futuro, que usualmente podem manobrar rumo ao alvo, liderada pela Rússia.

Outro modelo disparado, no caso de caças e bombardeiros, foi o Kinjal (punhal), que já está em operação com aviões MiG-31 e Tu-22M3. Ele pode usar ogivas nucleares menores ou convencionais, e chega a Mach 12 (12 vezes a velocidade do som, ou 14.700 km/h).

Significativamente para o momento atual, no campo de Kapustin Iar (Astrakhan, sudeste russo) foram lançados mísseis Iskander-M (defensor, na origem árabe da palavra), modelo balístico de curto alcance (500 km). Há várias baterias dele nos exercícios em Belarus, o que significa que Kiev estaria sob sua mira facilmente em caso de uma guerra.

Repetindo a performance que impressionou analistas ocidentais na guerra civil da Síria, os russos disseram ter disparado mísseis de cruzeiro Kalibr (calibre) de submarinos nos mares do Norte e Negro, palco das tensões com a Ucrânia.

Bombardeiros estratégicos de longo alcance Tu-95MS lançaram também esses mísseis de cruzeiro, que voam em velocidade subsônica manobrando pelo terreno, contra alvos em campos da península de Kamtchatka, no Extremo Oriente russo.


Escalada de tensões gera temor de invasão russa na Ucrânia
Conheça os bombardeiros das potências

Por fim, a cereja do bolo da tentativa de intimidar o Ocidente, foram lançados um míssil intercontinental Iars (acrônimo russo para foguete de dissuasão nuclear) e um Sineva (azul).

O primeiro foi disparado da base de Plesestk, na região ártica russa próxima da Finlândia. Ele voou cerca de 5.500 km em espaço aéreo russo e atingiu o campo de provas de Kura, em Kamtchatka. Já o Sineva é um míssil lançado por submarinos em operação na Marinha russa.

Ele foi disparado do submarino nuclear Karelina, da Frota do Norte, do mar de Barents —não muito distante do ponto do qual o Iars levantou voo. Também atingiu Kura. Os dois mísseis são desenhados para levar múltiplas ogivas nucleares a alvos em outros continentes.

Na sexta, Biden havia dito não acreditar que Putin "remotamente pensasse" em uma guerra nuclear. As cinco potências atômicas com assento no Conselho de Segurança da ONU, Rússia, EUA, China, Reino Unido e França assinaram recentemente um documento reafirmando que não iniciariam tal conflito.

Escalada de tensões gera temor de invasão russa na Ucrânia

_________________________________________________EUA criticam 'solidariedade' de Bolsonaro a Vladimir Putin em encontro

16.fev.2022 - Jair Bolsonaro acompanha Vladmir Putin, presidente da Rússia, durante declaração à imprensa, em Moscou - Alan Santos/PR
16.fev.2022 - Jair Bolsonaro acompanha Vladmir Putin, presidente da Rússia, durante declaração à imprensa, em Moscou Imagem: Alan Santos/PR

Do UOL, em São Paulo 17/02/2022 20h42

Os EUA criticaram hoje a "solidariedade" prestada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) à Rússia durante encontro entre o chefe brasileiro e o presidente russo, Vladimir Putin, ocorrido em Moscou, nesta quarta-feira (16). A declaração foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado do governo americano à TV Globo.

Vemos uma narrativa falsa de que nosso engajamento com o Brasil em relação à Rússia envolve pedir ao Brasil que escolha entre os Estados Unidos e a Rússia. Esse não é o caso. A questão é que o Brasil, como um país importante, parece ignorar a agressão armada por uma grande potência contra um vizinho menor, uma postura inconsistente com sua ênfase histórica na paz e na diplomacia. Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA à TV Globo

Vídeo de policiais detendo apenas jovem negro em briga gera revolta nos EUA

"O momento em que o presidente do Brasil se solidarizou com a Rússia, enquanto as forças russas estão se preparando para potencialmente lançar ataques a cidades ucranianas, não poderia ter sido pior. Isso mina a diplomacia internacional destinada a evitar um desastre estratégico e humanitário, bem como os próprios apelos do Brasil por uma solução pacífica para a crise", acrescentou.

Bolsonaro está em viagem oficial de quatro dias pela Europa: primeiro se encontrou com o presidente Vladimir Putin e empresários locais, em Moscou, e depois se reuniu com o líder húngaro, Viktor Orbán, em Budapeste.

Nas palavras de abertura de seu encontro privado com Putin, Jair Bolsonaro afirmou que "somos solidários à Rússia".

O presidente brasileiro não disse solidário em relação a quê, mas o seu anfitrião está no centro de uma das maiores crises de segurança no mundo desde o fim da Guerra Fria, a tensão com a Ucrânia e o Ocidente, que acusa Moscou de ameaçar invadir o país vizinho.

Antes da viagem de Bolsonaro, os EUA fizeram gestos para primeiro impedir a visita e, depois, para que ele levasse palavras duras a Putin sobre a condução da crise —o que evidentemente não aconteceu.

Tensão no Leste Europeu

A viagem de Bolsonaro a Moscou ocorreu enquanto os EUA e a Rússia protagonizam duro embate político internacional.

De um lado, os russos levaram cerca de cem mil soldados, tanques e armamentos pesados à fronteira com a Ucrânia, ameaçando invadir o país a qualquer momento, se os americanos e seus aliados ocidentais não interromperem qualquer processo para a entrada da Ucrânia na Otan, a aliança militar do Atlântico Norte.

Em contrapartida, os americanos ajudam a Ucrânia com armas e já deslocaram mais de 3 mil soldados para bases da Otan na Romênia e na Polônia. Outros países, como o Reino Unido, Itália e Espanha, pressionam a Rússia com ameaças de sanções econômicas severas e resposta ágil, caso a invasão seja realizada de fato.

_________________________________________________Na França, teoria da conspiração racista sai das sombras e vira assunto na corrida à Presidência

Expressão que até a ultradireitista Marine Le Pen rejeitava marca presença no discurso de Valérie Pécresse, do Republicanos

De Norimitsu Onishi, do New York Times

16/02/2022 - 06:00

Valérie Pécresse: uso de expressão racista chama atenção do eleitorado classe média francês Foto: ERIC PIERMONT / AFP

PARIS — Até alguns anos atrás, a teoria da conspiração racista da “grande substituição” —  que afirma que as populações cristãs brancas estão sendo intencionalmente substituídas por imigrantes não brancos — era tão tóxica na França que até Marine Le Pen, líder de longa data da extrema direita do país, recusou-se a usá-la. No entanto, na atual corrida à Presidência, Valérie Pécresse, candidata do partido de centro-direita nas próximas eleições, usou a expressão no fim de semana em um discurso pontuado por ataques contra imigrantes e muçulmanos.

Usada no que foi anunciado como o discurso mais importante até agora de Pécresse, um dos principais rivais do presidente Emmanuel Macron, a expressão alimentou intensas críticas de seus oponentes e aliados dentro de seu partido. Também destacou a virada da França para a direita, especialmente entre os eleitores de classe média, e a influência esmagadora de ideias e candidatos de direita nesta campanha.

Éric Zemmour, um autor de extrema direita, comentarista de televisão e agora candidato presidencial, foi a principal figura a popularizar o conceito na França na última década — descrevendo-o como uma ameaça civilizacional contra o país e o resto da Europa.

Em um discurso de 75 minutos diante de sete mil apoiadores em Paris — destinado a apresentar aos eleitores de todo o país a candidata de 54 anos, ex-ministra nacional do Orçamento e depois do Ensino Superior — Pécresse adotou os temas de Zemmour, dizendo que o a eleição determinaria se a França é uma “nação unida ou uma nação dividida”.

Ela disse que a França não está condenada ao “grande substituto” e pediu a seus apoiadores “que se levantem”. No mesmo discurso, ela fez uma distinção entre “francês do coração” e “francês dos papéis” — expressão usada pela extrema direita para apontar cidadãos naturalizados. Prometendo não deixar a França ser subjugada, ela disse que “Marianne não é uma mulher com véu” — referindo-se ao véu muçulmano e à imagem feminina que personifica a república francesa.

— Ao falar em “grande substituição”, ela deu legitimidade e colocou as ideias da extrema direita no centro do debate da corrida presidencial — disse Philippe Corcuff, especialista em extrema direita que leciona no Instituto de Políticas Estudos em Lyon. — Quando ela fala de “francês dos papéis”, ela está dizendo que serão feitas distinções entre os franceses de acordo com critérios étnicos. Sua estigmatização do véu muçulmano está na mesma lógica da extrema direita.

Críticas

A “grande substituição”, uma teoria da conspiração adotada por muitos supremacistas brancos em todo o mundo, inspirou assassinatos em massa nos EUA e na Nova Zelândia.

O uso de um termo antes limitado à extrema direita por Pécresse — que é a candidata do Republicanos, partido dos ex-presidentes Nicolas Sarkozy e Jacques Chirac — incomodou as pessoas dentro de seu próprio partido, que ainda querem traçar linhas claras entre o Republicanos e a extrema direita. Xavier Bertrand, um peso pesado do partido, disse: “O grande substituto... não somos nós”, segundo a mídia francesa.

Pesquisas mostram Pécresse, Le Pen e Zemmour pescoço a pescoço em segundo lugar, atrás de Macron no primeiro turno, marcado para 10 de abril. No segundo turno, em 24 de abril, um deles terá que encarar Macron, que também andou chegando para a direita, especialmente nos últimos dois anos da sua Presidência,

A ascensão repentina de Zemmour como candidato injetou o “grande substituto” e outras questões explosivas na corrida, forçando outros candidatos à direita a ajustar suas posições sob o risco de perder o apoio a ele.

Le Pen rejeitou expressamente o slogan, criticando-o como uma teoria da conspiração. Embora tenha mantido distância do termo, o presidente de seu partido, Jordan Bardella, começou a se referir a ele nos últimos meses.

Diante das críticas, Pécresse recuou um pouco, dizendo que o uso que fez da expressão havia sido mal interpretado.

Mas Nicolas Lebourg, um cientista político especializado em direita e extrema direita, disse que usar o termo simplesmente reflete um cálculo político: os apoiadores tradicionais da classe média de centro-direita também mudaram para a direita nos últimos anos.

— Desde 2010, houve um endurecimento significativo dos eleitores da classe média alta contra a imigração e o islamismo, mas ainda não vimos seus efeitos políticos — disse Lebourg.

_________________________________________________Apoio da China à Rússia é 'alarmante', diz Pentágono

15 de fevereiro de 2022, 20:13
Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping
Sputnik - Washington revelou preocupação com a diplomacia da China e o seu apoio à Moscou em "questões de segurança no continente europeu", alertou o Pentágono.

Falando à imprensa nesta segunda-feira (14), o secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, apresentou sua opinião sobre a colaboração cada vez mais estreita entre Pequim e Moscou.

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"Certamente temos observado o relacionamento florescente entre a Rússia e a China", observou Kirby ao comentar a declaração do presidente russo, Vladimir Putin, e de seu colega chinês, Xi Jinping, pedindo a suspensão da expansão da OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte) no início deste mês.

"A declaração conjunta de 4 de fevereiro certamente forneceu mais evidências de que a China decidiu que vai ficar ao lado da Rússia em relação ao que está acontecendo na Europa", disse Kirby.

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De acordo com Kirby, o apoio de Pequim a Moscou em questões de "alto risco é ainda mais desestabilizador para a situação de segurança na Europa". "É profundamente alarmante", completou.

Líderes ocidentais alertaram repetidamente por vários meses que a Rússia poderia ordenar em breve uma invasão da Ucrânia.

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Nesta terça-feira (15), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, reforçou mais uma vez que a Rússia não tem planos de invadir a Ucrânia e classificou como "info-terrorismo" a constante cobertura midiática sobre o assunto.

O ministro justificou que Moscou tem o direito de movimentar tropas dentro de seu território soberano e isto inclui a realização de exercícios militares.

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Após conversas entre Xi e Putin em dezembro, o conselheiro de política externa do líder russo, Yuri Ushakov, revelou que o presidente chinês apoia a oferta de garantias de Moscou.

Moscou e Pequim enfatizaram a importância de seu relacionamento em vários campos, incluindo comércio, energia, economia e defesa, com Putin afirmando no início de fevereiro que seus laços atingiram níveis "sem precedentes".

_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: As críticas falsas ao Reconstruir Melhor

Tenha cuidado com a má-fé, com a má lógica e com a má aritmética


O esforço do governo Biden para criar um futuro melhor para os Estados Unidos, chamado Reconstruir Melhor, está pousado no gume de uma faca política. Ninguém sabe quando ele se tornará lei. O que sabemos é que para que seja aprovado no Congresso ele terá de suportar uma tempestade perfeita de má-fé, má lógica e má aritmética.

Começando pelo começo: o Reconstruir Melhor é basicamente um plano de investimento no futuro dos Estados Unidos. Aproximadamente um terço dos gastos propostos é com crianças: pré-escolas, creches e créditos fiscais que reduziriam em muito a pobreza. Outro terço é gasto para ajudar a reestruturar a economia de modo a limitar a mudança climática. Se você incluir a lei de infraestrutura já aprovada, a agenda de Biden é majoritariamente voltada para o futuro.

E temos todos os motivos para acreditar que esses investimentos seriam altamente produtivos. Isso é claramente verdade em relação à ajuda às crianças. Há evidências avassaladoras de que ajudar crianças em desvantagem econômica as torna muito mais saudáveis e produtivas quando chegam à idade adulta; os benefícios são tão grandes que até em um sentido fiscal estrito a ajuda às crianças pode muito bem se pagar em longo prazo.

O mesmo vale para o investimento ambiental. A maior parte da discussão sobre esse investimento se concentra na mitigação em longo prazo da mudança climática, e com razão: a perspectiva do colapso da civilização tende a concentrar a mente.

É importante notar, porém, que reduzir nossa dependência dos combustíveis fósseis não apenas reduziria as emissões de gases do efeito estufa. Também diminuiria outras formas de poluição, notadamente óxidos de nitrogênio e enxofre, que têm efeitos negativos nas taxas de mortes, doenças e produtividade agrícola. E os benefícios da poluição reduzida chegariam rapidamente.

Um estudo recente da Nasa sugeriu que os ganhos para a saúde da política de mitigação climática não só valeriam trilhões de dólares, como também se materializariam com rapidez suficiente para superar qualquer custo da transição energética em uma década ou menos.

Então como alguém pode ser contra esses investimentos?

Acho que as convenções de reportagem exigem que os jornalistas finjam acreditar que os republicanos têm objeções de boa-fé ao plano de Biden —que eles estão preocupados com a dívida, ou o efeito sobre os incentivos, ou alguma coisa. Mas todos sabemos que sua principal objeção é simplesmente o fato de que é uma iniciativa dos democratas, o que significa que precisa falhar.

E também taxaria os ricos e ajudaria os pobres.

Na verdade, alguém pode se lembrar da última vez que figuras importantes do Partido Republicano se envolveram seriamente com verdadeiras preocupações políticas? O exemplo recente mais importante de que me lembro foi a aprovação do programa de seguro-saúde para crianças, em 1997. Desde então foi má-fé.

Enquanto a mais importante fonte de oposição ao Reconstruir Melhor é simplesmente o desejo de ver Biden falhar enquanto mantém os ricos o mais ricos possível, pode haver alguma preocupação sincera de que a lei aumente os déficits orçamentários.

Na verdade, ela não teria um impacto significativo na dívida —o Escritório de Orçamento do Congresso diz que os gastos estão quase completamente pagos, e tentativas de afirmar o contrário não são verossímeis. No entanto, mesmo que o déficit aumentasse, por que isso seria tão ruim?

Fiquei chocado outro dia com a declaração de Elon Musk de que o Reconstruir Melhor não deve ser aprovado porque aumentaria o déficit orçamentário.

Fato interessante: a Tesla foi fundada em 2003 e teve seu primeiro ano rentável em 2020. Isto é, passou 17 anos gastando mais do que recebia, porque estava investindo no futuro. Se, como muitos executivos gostam de dizer, o governo deve ser conduzido como uma empresa, por que não deveria se dispor a fazer a mesma coisa?

Folha Mercado

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Mais uma vez, a maior parte dos gastos propostos consistiriam em investimentos altamente produtivos.
Finalmente, há muita conversa sobre como o Reconstruir Melhor poderia agravar a inflação —conversa que parece envolver principalmente uma falha ao fazer as contas, por exemplo, confundindo décadas com anos individuais e deixando de dividir pelo Produto Interno Bruto.

É verdade que o preço da lei, US$ 1,75 trilhão (R$ 9,87 trilhões), é, na superfície, muito dinheiro. Mas são gastos ao longo de dez anos, o que significa que os gastos anuais seriam muito menores que o plano de resgate de US$ 1,9 trilhão (R$ 10,72 trilhões) aprovado no início deste ano, ou mesmo a lei de defesa anual de US$ 768 bilhões (R$ 4,33 trilhões) que a Câmara aprovou na semana passada.

Também, grande parte dos gastos seria paga com novos impostos. Além disso, nunca se deveria citar um número de orçamento impressionante sem colocá-lo em contexto. Lembre-se, a economia dos Estados Unidos é enorme. O Escritório do Orçamento avalia que em seu primeiro ano o Reconstruir Melhor ampliaria o déficit em 0,6% do PIB, número que encolheria com o tempo.

Não conheço nenhum modelo econômico que indique que gastos nessa escala fariam muita diferença na inflação. E, como grande parte dos gastos expandiria a capacidade produtiva da economia, provavelmente reduziriam a inflação com o tempo.

O Reconstruir Melhor é perfeito? É claro que não. Mas é a melhor legislação que provavelmente teremos nos próximos anos. E alegações de que deveríamos deixar passar esta oportunidade por preocupações sobre a responsabilidade fiscal ou a inflação são desinformadas no melhor dos casos, desonestas no pior.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: O que perderemos se não reconstruirmos melhor

Haverá enormes custos humanos e econômicos se os planos de gastos moderados de Biden forem descartados

The New York Times

Deixarei a análise política especializada para outros. Não sei por que o senador Joe Manchin aparentemente decidiu recuar em uma promessa explícita que fez ao presidente Biden. Ingenuamente, pensei que mesmo nesta era de rompimento de normas, honrar um acordo que você acabou de fazer fosse uma das últimas normas a desaparecer, já que a reputação por cumprir a palavra dada é útil até mesmo para políticos altamente cínicos. Também não sei o que, ou quanto, pode ser salvo do plano Reconstruir Melhor.

O que sei é que haverá enormes custos humanos e, sim, econômicos se os planos de gastos moderados, mas cruciais, de Biden forem descartados.

O fracasso em aprovar uma agenda social decente condenaria milhões de crianças americanas à má saúde e à baixa renda na idade adulta —porque é isso o que acontece com quem cresce na pobreza. Condenaria outros milhões a tratamento médico inadequado e ruína financeira se adoecerem, porque é isso que acontece quando as pessoas não têm seguro-saúde adequado. Condenaria centenas de milhares, talvez mais, a doenças desnecessárias e morte prematura pela poluição do ar, mesmo sem calcular o risco intensificado de catástrofe climática.

Senador democrata Joe Manchin, cujo apoio é crucial para passar pacote social de Biden. "Eu não posso votar por isso e não posso votar para dar continuidade a essa peça legislativa. Apenas não posso", disse ele na Fox News no domingo - Anna Moneymaker - 14.dez.2021/AFP

Não estou especulando. Há evidências avassaladoras de que as crianças de famílias de baixa renda que receberam ajuda financeira são significativamente mais saudáveis e mais produtivas quando atingem a idade adulta do que as que não receberam. Os americanos sem seguro muitas vezes não têm acesso a tratamento médico necessário e enfrentam contas impagáveis. E estudos mostram que as políticas para mitigar a mudança climática também produzirão maiores benefícios à saúde, pelo ar mais limpo, durante a próxima década.

Como um aparte, não está claro quantos americanos percebem a extensão em que estamos ficando para trás de outros países em termos de suprir as necessidades humanas básicas. Por exemplo, continuo encontrando pessoas que acreditam que temos a maior expectativa de vida do mundo, quando na realidade podemos esperar viver entre três e cinco anos a menos que os cidadãos da maioria dos países europeus.

Aliás, também há grandes e crescentes lacunas entre os estados americanos. Em 1979, a expectativa de vida na Virgínia Ocidental era apenas 14 meses a menos que em Nova York; em 2016 a lacuna tinha aumentado para seis anos. E sim, o estado natal de Manchin se beneficiaria imensamente dos gastos sociais que seu senador democrata parece determinado a bloquear.

A fragilidade da rede de segurança social dos EUA também tem consequências econômicas. É verdade que ainda temos um alto Produto Interno Bruto per capita, mas isso é principalmente porque os americanos tiram muito menos tempo de férias que seus homólogos no exterior, o que significa que eles produzem mais porque trabalham mais horas. De outras formas, ficamos para trás. Mesmo antes da pandemia, os americanos em idade mais produtiva eram menos propensos a ser empregados que os cidadãos do Canadá e de muitos países europeus, provavelmente em parte porque não ajudamos os adultos a continuar na força de trabalho oferecendo creches e licença parental.

Mas nós temos condições de melhorar nossas vidas? Uma resposta é que outros países ricos parecem administrar isso muito bem. Outra é que as objeções de Manchin à legislação proposta evaporam sob uma análise minuciosa.

Manchin afirmou que o Escritório de Orçamento do Congresso determinou que o custo da lei é "superior a US$ 4,5 trilhões". Não, não é. Essa foi uma estimativa de despesas solicitada pelos republicanos —não o impacto consideravelmente menor sobre o déficit— sob a suposição de que tudo na lei se tornaria permanente, o que não está no texto da lei. E se o Congresso aprovou a prorrogação de programas como o crédito fiscal para filhos provavelmente também aprovaria as compensações de renda. A análise da lei pelo escritório do orçamento como está no texto —que a considerou aproximadamente neutra em déficit— é um guia muito melhor de seu provável impacto fiscal do que essa hipótese manipulada.

Quanto à afirmação de Manchin de que temos uma dívida pública "assustadora", talvez valha a pena comentar que os pagamentos de juros federais como porcentagem do PIB são apenas a metade do que foram sob Ronald Reagan, e que se você ajustar pela inflação —como deveria— eles são basicamente zero.

E a inflação? Os gastos propostos no Reconstruir Melhor se espalham por vários anos, por isso não aumentariam muito a demanda geral em curto prazo —o acréscimo ao déficit no primeiro ano seria de apenas 0,6% do PIB, o que não basta para causar muita diferença na inflação em qualquer modelo que conheço. Além disso, o Federal Reserve acaba de deixar claro que está pronto para aumentar as taxas de juros se a inflação não ceder, por isso os gastos do governo devem importar ainda menos.

Como eu disse, não vou tentar analisar os processos de pensamento de Manchin, e deixarei que outros especulem sobre seus motivos pessoais. O que posso dizer é que a carta que ele divulgou para explicar por que ele disse o que disse na Fox News não parece uma declaração política cuidadosamente elaborada; nem sequer parece um manifesto ideológico coerente. Na verdade, parece apressada —um apanhado de pontos do discurso republicano enunciados apressadamente na tentativa de justificar sua súbita traição e retratá-lo como vítima.

Desculpe, mas não. Os Estados Unidos são a vítima nessa história, e não um senador que está sendo criticado por quebrar uma promessa.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: Uma cruzada por Deus, a família e... bitcoin?

O que é a aliança cada vez mais profunda entre os trumpistas e a criptomoeda

Josh Mandel, um discípulo de Trump que tenta ser nomeado para senador republicano pelo estado de Ohio (centro-norte dos Estados Unidos), tuitou recentemente seus princípios: "Ohio precisa ser um estado pró-Deus, pró-família, pró-bitcoin". De fato, há uma antiga conexão entre o apoio à bitcoin e o extremismo de direita —como a tradicional associação entre o conservadorismo e a obsessão por ouro, só que mais forte.

Então o que isso significa?

O fato de muitos entusiastas da bitcoin dizerem coisas bizarras, por si só, não significa que as criptomoedas sejam uma má ideia. As pessoas podem apoiar coisas certas por motivos errados. Por exemplo, tenho certeza de que muitas pessoas aceitam o consenso científico sobre, digamos, a eficácia das vacinas não porque elas valorizem a pesquisa avaliada por pares, mas porque são impressionadas por pessoas em aventais de laboratório que usam palavras difíceis.

Mas realmente parece importante compreender os aspectos de culto do movimento da criptomoeda.
Primeiro, porém, um pouco sobre economia.

Representação de Bitcoin - Ozan Kose - 20.out.2021/AFP

Às vezes ainda encontro pessoas que dizem que vivemos numa era digital, por isso deveríamos usar dinheiro digital. Mas nós já usamos! Como muitas pessoas, eu pago a maioria das coisas clicando num mouse, inserindo meu cartão de crédito ou apertando um botão no celular. Eu costumava guardar trocados na carteira para comprar frutas e legumes nas barracas de rua em Nova York, mas hoje em dia até elas aceitam cartões.

Todos esses pagamentos, entretanto, dependem da confiança em uma terceira parte. As pessoas aceitam cartões de débito, pagamento eletrônico etc porque eles estão ligados a uma conta bancária. Todo o objetivo da bitcoin, como explicado em seu documento original de 2008, era abolir a necessidade desse tipo de confiança: ela validaria os pagamentos usando métodos relacionados à criptografia —comunicação codificada. O objetivo era criar um sistema de pagamentos "entre pares", independente das instituições financeiras.

Mas como fazer isso? Os bancos são tão inconfiáveis? Estive em muitas reuniões em que os céticos da criptomoeda pediram, o mais respeitosamente possível, exemplos simples de coisas que podem ser feitas melhor ou mais barato com criptomoeda do que por outras formas de pagamento. Ainda não ouvi um exemplo claro que não envolva atividade ilegal —que, para ser justo, pode ser mais fácil de esconder se for usada criptomoeda.

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A verdade é que embora a bitcoin exista há muito tempo pelos padrões da internet —13 anos!— ela e outras criptomoedas quase não fizeram incursões na função tradicional do dinheiro, como meio de troca usado para comprar bens e serviços. Números concretos são raros, mas parece que uma vasta maioria de transações em criptomoeda envolve especulação de mercado, e não os negócios comuns da vida.
Mas a bitcoin e suas rivais hoje têm um valor de mercado combinado de mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,6 tri). O que os investidores pensam que estão comprando?

Uma resposta é proteção contra o eterno temor de que os governos inflem sua riqueza —como colocou um artigo recente da Bloomberg, alguns bilionários estão comprando cripto para o caso de o dinheiro "ir para o inferno". De fato, houve 57 hiperinflações no mundo, pelo que sabemos. No entanto, todas ocorreram em meio ao caos político e social; você realmente acha que num ambiente desse tipo conseguiria entrar online e sacar suas bitcoins?

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Também há o medo de "perder a chance". A bitcoin atingiu uma espécie de ponto ideal: ela tem um ar high-tech e futurista, enquanto também atende à paranoia política. Os ganhos de capital resultantes levaram muitos investidores apolíticos a sentir que precisam entrar no jogo, enquanto também provavelmente induzem figuras públicas como Eric Adams, o novo prefeito de Nova York, a elogiar a bitcoin porque imaginam que isso os faz parecer avançados.

Mas as explicações confusas sobre a bitcoin significam que ela está destinada a implodir? Não necessariamente. Afinal, o ouro deixou de servir como meio de troca há gerações, mas seu valor não despencou. E não devemos descontar a importância da atividade ilegal. Há cerca de US$ 1,6 trilhão (R$ 9 tri) em notas de US$ 100 (R$ 563) em circulação —80% de toda a moeda americana—, apesar de ser muito difícil que consumidores comuns gastem notas de grande valor. O que você acha que as pessoas estão fazendo com todas as verdes de US$ 100?

Mas deixemos de lado as previsões do mercado e perguntemos o que há na aliança cada vez mais profunda entre a bitcoin e o movimento de Donald Trump "MAGA" —Make America Great Again.

A resposta, eu diria, é que a bitcoin deveria criar um sistema monetário que funcione sem confiança —e a direita moderna tem tudo a ver com promover a desconfiança. A Covid é um embuste; a eleição foi roubada; os incêndios florestais na Califórnia não têm nada a ver com a mudança climática, foram iniciados por lasers espaciais controlados por Rothschild.

Nesse contexto, é perfeitamente natural que os políticos trumpistas peçam o fim de um sistema monetário que funciona por meio dos bancos —sabemos quem os controla, certo?—​ e depende de uma moeda que é administrada por autoridades nomeadas pelo governo. Não há evidência de amplo abuso monetário, mas isso não importa para a extrema direita.

O ponto, então, é que embora haja questões econômicas reais associadas à criptomoeda, sua ascensão tem muito a ver com a loucura política generalizada que colocou a democracia americana à beira do precipício.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

_________________________________________________Opinião - Paul Krugman: Ataque da polícia do pensamento de direita

Não ensine nada que deixe os alunos incomodados

Os americanos gostam de pensar que seu país é um farol da liberdade. E apesar de termos falhado de várias maneiras em corresponder a essa imagem, acima de todas as enormes injustiças que brotaram do pecado original da escravidão, a liberdade — não apenas eleições livres, mas também liberdade de expressão e pensamento— é há muito tempo um elemento chave da ideia americana.

Hoje, porém, a liberdade está sendo atacada, e em mais frentes do que muitas pessoas percebem. Todo mundo sabe da Grande Mentira, a recusa da ampla maioria dos republicanos a aceitar a legitimidade de uma derrota eleitoral. Mas há muitas outras áreas em que a liberdade não apenas sofre ataques, como está retrocedendo.

Vamos falar, em particular, sobre o ataque à educação, especialmente, mas não apenas, na Flórida, que se tornou um dos principais laboratórios de erosão democrática nos Estados Unidos.

Livro pegando fogo - Adobe Stock

Os republicanos fizeram um avanço político considerável ao denunciar o ensino da TCR (teoria crítica da raça; a estratégia deu certo, apesar de a maioria dos eleitores não ter ideia do que é essa teoria, e na verdade ela não estar sendo ensinada nas escolas públicas. Mas os fatos nesse caso não importam, porque as denúncias sobre TCR são basicamente um disfarce para uma agenda muito maior: a tentativa de impedir as escolas de ensinar qualquer coisa que deixe as pessoas de direita incomodadas.

Eu uso essa última palavra com consideração: há um projeto de lei que corre no Senado da Flórida que declara que um indivíduo "não deve ser levado a sentir incômodo, culpa, nervosismo ou qualquer outra forma de aflição psicológica por causa de sua raça". Isto é, o critério para o que pode ser ensinado não é "Isso é verdade? É apoiado pelo consenso acadêmico?", mas sim "Isso causa incômodo em certos eleitorados?"

Qualquer pessoa tentada a fazer uma interpretação inofensiva desse dispositivo —talvez seja apenas questão de não atribuir uma culpa coletiva?— deveria ler o texto da lei. Entre outras coisas, ela cita como dois exemplos básicos de coisas que não devem acontecer nas escolas "a negação ou minimização do Holocausto e o ensino da teoria crítica da raça" —porque sugerir que "o racismo está inserido na sociedade americana" (a definição da teoria no projeto de lei) é simplesmente a mesma coisa que negar que Hitler matou seis milhões de judeus.

O que é realmente chocante, entretanto, é a ideia de que as escolas devem ser proibidas de ensinar qualquer coisa que cause "incômodo" [ou desconforto] entre os estudantes e seus pais. Se você imagina que as consequências de se aplicar esse princípio se limitariam ao ensino sobre relações raciais, está sendo totalmente ingênuo.

Por um lado, o racismo está longe de ser o único tema perturbador na história americana. Tenho a certeza de que alguns estudantes acharão que a história de como chegamos a invadir o Iraque —ou mesmo de como nos envolvemos no Vietnã— os deixa incomodados. Removam esses temas do currículo!

Depois há o ensino de ciência. A maioria dos colégios ensina a teoria da evolução, mas importantes políticos republicanos ou são evasivos ou negam ativamente o consenso científico, supostamente refletindo o incômodo da base do partido com esse conceito. Quando o padrão da Flórida predominar, por quanto tempo o ensino da evolução sobreviverá?

A geologia, aliás, tem o mesmo problema. Estive em excursões na natureza em que os guias se recusaram a falar sobre as origens das formações rochosas, dizendo que já tiveram problemas com alguns clientes religiosos.

Ah, e dada a crescente importância da posição antivacina como emblema da aliança conservadora, quanto tempo levará para que a epidemiologia básica —talvez até a teoria microbiana da doença— receba o mesmo tratamento que a teoria crítica da raça?

O negacionismo da vacina em áreas rurais dos EUA

Depois temos a economia, que hoje em dia é amplamente ensinada no nível secundário. (Revelação: muitos colégios usam uma versão adaptada do texto sobre os princípios do qual sou coautor.) Diante da longa história de tentativas de viés político para impedir o ensino da economia keynesiana, o que você acha que o padrão da Flórida faria ao ensino em meu campo?

A questão é que a campanha de difamação contra a teoria crítica da raça é quase certamente o início de uma tentativa de submeter a educação em geral ao regime da polícia do pensamento da direita, o que terá consequências terríveis muito além do tema específico do racismo.

E quem vai aplicar as regras? Vigilantes pagos pelo estado! No mês passado, Ron DeSantis, o governador da Flórida, propôs uma "Lei Parem o WOKE" [WOKE é a sigla de "Wrongs Against Our Kids and Employees", ou "erros contra nossos filhos e empregados"], que daria aos pais o poder de processar distritos escolares que, segundo eles, ensinam a teoria crítica da raça —e cobrar honorários de advogados, um modelo parecido com a nova lei antiaborto do Texas. A mera perspectiva de tais processos jurídicos teria um efeito congelante no ensino.

Eu já falei que DeSantis também quer criar uma polícia especial para investigar a fraude nas eleições? Assim como os ataques à teoria crítica da raça, essa é obviamente uma tentativa de usar uma questão inventada —a fraude eleitoral é amplamente inexistente— como desculpa para intimidação.

Está bem, tenho certeza de que algumas pessoas dirão que estou dando demasiada importância a essas questões. Mas pergunte a si mesmo: houve algum ponto nos últimos cinco anos, digamos, em que as advertências sobre o extremismo de direita se mostraram exageradas e os que rejeitaram essas advertências como "alarmistas" estiveram certos?

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves






_________________________________________________Como Putin converteu Rússia em 'potência masculina mundial' e inspirou líderes como Trump e Bolsonaro

Mariana Sanches - @mariana_sanches - Da BBC News Brasil em Washington

15/02/2022 06h52

Russo se tornou um modelo de virilidade e masculinidade a inspirar políticos ao redor do mundo, como o americano Donald Trump, o húngaro Viktor Orban e o brasileiro Jair Bolsonaro.

"Você apagou os incêndios florestais, mas eu continuo em chamas", dizia a frase escrita sobre a imagem de uma jovem russa, sorridente e seminua. Como essa, outras 11 fotos com dizeres provocativos compunham um calendário de 2011 estrelado pelas estudantes de jornalismo da Universidade de Moscou e dedicado ao seu ídolo: o líder político russo Vladimir Putin que, no verão de 2010, tinha pessoalmente pilotado um helicóptero dos bombeiros para combater as queimadas que ameaçavam Moscou.

Presentes eróticos para comemorar o aniversário de Putin, no poder na Rússia há mais de duas décadas, são apenas um elemento da exaltação pública costumeira a uma característica central na personalidade do líder russo. Putin se tornou um modelo de virilidade e masculinidade a inspirar políticos ao redor do mundo, como o americano Donald Trump, o húngaro Viktor Orban e o brasileiro Jair Bolsonaro, que embarcou nesta segunda-feira (14/2) para Moscou com objetivo de se reunir com o chefe de Estado russo.

Além do episódio do helicóptero dos bombeiros, Putin já se deixou fotografar em uma série de situações másculas. Derrubou adversários num tatame em lutas de judô. Examinou os dentes de um urso polar no Ártico e de um tigre na Sibéria, ambos anestesiados. Pilotou um submarino e um barco e voou em uma espécie de asa delta motorizada. Posou de rifle em punho (e sem camisa) durante caçada na Sibéria. Surgiu de dorso nu em cavalgadas e pescarias. Preparou um churrasco. Exibiu-se com uma pistola em um estande de tiro ao alvo. Ou apenas apareceu em roupas esportivas enquanto treinava os músculos do peitoral, na academia.

Nenhum dos registros foi fortuito, fruto do trabalho de fotógrafos paparazzi. "É um trabalho de imagem pensado e executado pelo Kremlin. E, como a internet ainda é largamente livre na Rússia, se algo escapa ao controle e ofende ou desagrada, o governo russo pune", disse à BBC News Brasil Valerie Sperling, professora da Clark University, em Massachussets, e autora do livro Sex, Politics and Putin (Sexo, Política e Putin, em tradução livre).

Com altas taxas de popularidade, mesmo quando descontada a possível coerção sobre a população em um regime crescentemente autoritário, especialistas argumentam que Putin deve ao menos em parte ao perfil "machão" a admiração que inspira nos russos.

'Potência masculina mundial'

Ao chegar ao poder, no fim dos anos 1990, Putin passou a comandar um país que tentava se reerguer dos escombros da União Soviética. O bloco soviético implodira em 1991, e os russos se viam diante de questionamentos de identidade profundos, tendo que se acostumar ao capitalismo, lidar com o fracionamento do território e com a perda do status de potência global.

"Havia uma sensação de derrota generalizada, uma instabilidade econômica forte, com a desvalorização da moeda russa, e a derrota na Guerra Fria. A fragilidade era ainda mais evidente entre os pais de família russos, gente em seus 30, 40 e 50 anos que tinha perdido suas economias e seus empregos, que já não conseguia mais sustentar a família enquanto via jovens enriquecendo em novos negócios, e que era alvo de abertas críticas, por sua ausência na vida familiar, por violência doméstica e por problemas como o alcoolismo", afirma Amy Randall, professora de História da Santa Clara University, na Califórnia, e organizadora da edição especial "Masculinidades soviéticas", da publicação acadêmica Estudos Russos em História.

De acordo com Randall, a humilhação e o constrangimento russos perante o mundo nos anos 90 acabaram personificados pelo então líder do país, Boris Yeltsin, flagrado bêbado e em atitudes embaraçosas em eventos internacionais. Ele chegou a fingir que regia uma orquestra em uma solenidade militar e deu declarações sobre o desejo de desarmamento nuclear russo depois de passar da conta na bebida, tendo que ser desmentido por seus auxiliares.

Relativamente desconhecido do grande público, Putin surge no cenário político russo pelas mãos de Yeltsin, a quem viria a suceder. "Putin oferece aos russos essa imagem sóbria de agente durão, das artes marciais, egresso da KGB (o serviço secreto soviético). Se apresenta como o homem que iria levantar a Rússia, então de joelhos, e reestabelecer sua força no cenário internacional", diz Sperling.

É claro que não só de imagem se construiu a trajetória de Putin. Sob seu comando, o Exército russo retomou o controle da Chechênia, invadiu a Geórgia e anexou a Crimeia. Agora, o país vive às voltas com a possibilidade de um conflito armado com a Ucrânia. Desde o fim do ano passado, Putin mantém mais de cem mil soldados na fronteira entre os dois países e exige que a Ucrânia não seja admitida na Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, uma aliança militar liderada por EUA e Europa Ocidental que Putin vê como ameaça à segurança de seu país.


"Sob a liderança de Putin, a Rússia tem se estabelecido como uma potência masculina mundial, exibindo sua virilidade política, sua independência econômica e seu poderio tecnológico e militar. Putin deve sua popularidade - e sua habilidade de se manter por tanto tempo no poder - a mecanismos como seu nacionalismo masculinizado, à ambição de fazer a Rússia grande outra vez, ao seu uso de ideais patriarcais e à noção das diferenças de papéis sociais entre gêneros, além da aberta homofobia", afirma Randall, para quem Trump também encontrou no russo inspiração para seu slogan ("fazer os EUA grandes outra vez") e não apenas em seu antecessor Ronald Reagan.


'Melhores qualidades masculinas'


Foi a partir dessa perspectiva que Putin disse, em novembro de 2020, que Jair Bolsonaro apresentava "as melhores qualidades masculinas" no comando do Brasil. O elogio aconteceu durante o discurso do mandatário russo no encontro dos BRICS, bloco composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e fazia referência ao modo como Bolsonaro lidou com a pandemia de covid-19.


"Você até foi pessoalmente infectado por essa doença e resistiu à provação com muita coragem. Sei que aquele momento não deve ter sido fácil, mas você o encarou como um verdadeiro homem e mostrou as melhores qualidades masculinas, como força e força de vontade", disse Putin, segundo transcrição que o próprio governo brasileiro postou.


No léxico de Putin, esse é um elogio típico de quem pretende agradar e conhece bem o interlocutor. Bolsonaro já repetiu a performance de Putin em situações altamente fotografáveis: ele nadou em mar aberto, comandou motociatas, praticou tiro ao alvo, pilotou uma churrascada, jogou futebol, deu cavalo de pau em carro de competição. Quando a covid surgiu, disse que, no seu caso, uma eventual infecção seria leve "graças ao seu histórico de atleta".


Mas, de acordo com Sperling, "apenas mostrar que é durão não esgota as possibilidades de obter legitimidade política a partir da masculinidade".


Ela afirma que as demonstrações públicas de tais habilidades costumam se somar também com questionamentos sobre a masculinidade dos oponentes. "E isso é feito, por exemplo, sugerindo que seu adversário não é homem o suficiente, ou é gay, ou ainda dizendo que a mulher dele é feia, não desejável", diz Sterling, que mapeou o comportamento masculino em diferentes líderes mundiais.


Há uma semana, Putin chamou a atenção do mundo com uma declaração em que censurava o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, crítico dos acordos de paz de Minsk. "Goste ou não, minha linda, você tem que aturar", disse Putin, usando uma expressão em feminino para se dirigir ao líder da Ucrânia. Já Bolsonaro, no auge de suas discussões com o presidente Emmanuel Macron acerca das queimadas na Amazônia, em 2020, republicou uma postagem que comparava a primeira-dama Michelle Bolsonaro, de 39 anos, com Brigitte Macron, de 68. A postagem dizia: "entende agora por que Macron persegue Bolsonaro?". E o próprio presidente comentava "Não humilha, cara Kkkkkk".


Outra tática comum é fazer "piadas" com estupro e misoginia. Em 2014, em discussão com a colega Maria do Rosário, do PT, o então deputado Jair Bolsonaro afirmou que "Jamais estupraria você, porque você não merece." Bolsonaro explicou que Rosário seria feia demais para seu gosto. Já Putin, em 2006, teria dito a um repórter israelense, a propósito de acusações de estupro contra o então presidente de Israel Moshé Katsav: "Diga olá a seu presidente. Ele se mostrou um sujeito muito poderoso. Estuprou dez mulheres. Estamos todos surpresos. Todos o invejamos". Depois da repercussão negativa do episódio, o Kremlin culpou uma falha na tradução pelo teor do comentário.


Em 2014, quando a então secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, comparou a invasão da Crimeia ao assalto do alemão Adolf Hitler sobre a Polônia, Putin foi sucinto: "Melhor nem discutir com mulheres". Disse ainda que o comentário de Hillary revelava "fraqueza". E que "fraqueza não é algo necessariamente ruim em mulheres". Já Bolsonaro, em 2017, afirmou sobre sua filha Laura: ""Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, aí no quinto eu dei uma fraquejada e veio uma mulher".


Sperling nota que esse tipo de recurso à masculinidade para legitimar - ou deslegitimar - políticos não é uma exclusividade da direita. Mas que talvez fique mais evidente entre políticos direitistas cuja pauta é socialmente conservadora, categoria em que tanto Bolsonaro quanto Putin se enquadram.


Putin se coloca como feroz defensor da família nuclear tradicional. "Quanto a esse papo de 'pai número 1' e 'pai número 2', já falei publicamente sobre isso e vou repetir novamente: enquanto eu for presidente isso não vai acontecer. Haverá papai e mamãe", disse Putin, em 2020. Em 1997, quando era deputado, Bolsonaro afirmou: "ninguém gosta de gay. A gente suporta".


Ao contrário do Brasil, no entanto, na Rússia o casamento homossexual é ilegal. Casais homoafetivos também não podem adotar crianças em conjunto. Se feita, a adoção é registrada apenas no nome de um dos pais.


Quanto à questão da violência doméstica, no Brasil, a Lei Maria da Penha completou 15 anos. Já na Rússia, a agressão de companheiros contra mulheres foi descriminalizada em 2017. A partir de então, apenas agressões dos maridos que provoquem graves lesões corporais nas esposas são passíveis de punição legal. A mudança legislativa representou um ganho do governo Putin, que tem ficado cada vez mais conservador com o passar dos anos.


"Putin e Bolsonaro se admiram e juntos reforçam esse senso de orgulho em relação à masculinidade. Bolsonaro tem claramente tentado emular Putin em suas posturas misóginas e homofóbicas, e em sua confrontação de lideranças europeias e multilaterais. Ele claramente vê em Putin um homem forte. E essa imagem do homem forte tem se tornado mais e mais popular e prevalente no mundo atual", diz Randall.





_________________________________________________Justiça do Iraque ordena Curdistão a entregar todo o petróleo que detém

Região é autônoma em relação ao Iraque desde 1991 Imagem: Sebastian Meyer/Corbis via Getty Images

Em Bagdá (Iraque)

15/02/2022 11h51

Atualizada em 15/02/2022 11h54

O Tribunal Supremo iraquiano ordenou hoje que a região autônoma do Curdistão entregue o petróleo produzido em seu território ao governo federal de Bagdá, um assunto espinhoso que foi motivo frequente de discórdia há muitos anos.

Esta decisão do máximo órgão jurídico iraquiano corre o risco de não ser acatada por parte das autoridades do Curdistão, autônomo desde 1991.

Taiwan diz que avião chinês voou perto de ilha remota

A sentença ditada hoje pela Suprema Corte estipula "a obrigação do governo (do Curdistão) de entregar toda a produção de seus campos de petróleo ao governo federal".

Publicada no site do tribunal, também obriga a região autônoma a fornecer todas as facilidades para que as autoridades de Bagdá "revisem todos os contratos petroleiros assinados pelo Curdistão para a exportação de seu petróleo e gás".

O Iraque exporta cerca de 3,5 milhões de barris diários (mbd), o que representa mais de 90% da renda nacional. O Curdistão iraquiano extrai mais de 400 mil barris diários.

Durante janeiro, o Iraque exportou 99 milhões de barris, o que equivale a mais de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 42,8 bilhões, segundo cotação da época), de acordo com o Ministério do Petróleo.

_________________________________________________"O país mais rico do mundo está saqueando descaradamente o mais pobre", acusa China

14 de fevereiro de 2022, 07:31

247 - A decisão do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de utilizar o dinheiro do banco central do Afeganistão - depositado nos EUA - para "compensar vítimas dos ataques do 11 de Setembro" fez a China se manifestar.

A porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, acusou o governo estadunidense de "saquear" o povo afegão. "O país mais rico do mundo está saqueando descaradamente a riqueza do mais pobre! Seja qual for o pretexto, o dinheiro do povo afegão deve estar sob a posse e o controle deles mesmos, especialmente em sua hora de maior necessidade".

Veículos norte-americanos de imprensa, como a rede ABC, o canal de notícias MSNBC e os jornais Washington Post e New York Times, já vinham responsabilizando a retenção dos recursos afegãos pela fome no país.

Um porta-voz político do Talibã, Mohammad Naeem, também criticou a decisão de Biden. "Roubar os fundos bloqueados da nação afegã pelos Estados Unidos e sua apreensão é indicativo do menor nível de decadência humana e moral de um país e uma nação".

_________________________________________________“Aliança entre Rússia e China é o fato mais importante desde o fim da Guerra Fria e a dissolução da URSS", diz Celso Amorim

11 de fevereiro de 2022, 18:16

247 - O ex-ministro e embaixador Celso Amorim reagiu na TV 247 ao documento divulgado pelos governos russo e chinês no qual firmam oficialmente uma aliança entre os dois países e indicam o estabelecimento de uma nova ordem mundial. 

Segundo Amorim, este é “o fato mais importante desde o fim da Guerra Fria e da dissolução da União Soviética”.

A declaração conjunta entre os dois países, de acordo com o embaixador, “consolida e cristaliza uma tendência que vinha ocorrendo”. 

Este “pacto eurasiano”, disse Amorim, “não estava claro que iria tão longe”. “Fiquei muito impressionado com o documento. É um documento longo, pouco usual, conceitual, falando de coisas muito específicas, é de uma temática abrangente, então é um documento muito forte”.

Em resumo, afirma o ex-ministro, o pacto entre as duas nações “não só consolida uma aliança como propõe para o mundo uma visão diferente da norte-americana, até valorizando instrumentos cuja criação tem como principal responsável os Estados Unidos mas os Estados Unidos têm abandonado, como as próprias Nações Unidas e a OMC [Organização Mundial do Comércio]”.

_________________________________________________Rússia pode atingir indústria de chips dos EUA, alerta Casa Branca

12 de fevereiro de 2022, 11:09

(Reuters) - A Casa Branca está alertando a indústria de chips para diversificar sua cadeia de suprimentos caso a Rússia retalie contra ameaças de restrições às exportações dos EUA bloqueando o acesso a materiais importantes, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

O potencial de retaliação ganhou mais atenção nos últimos dias depois que o Techcet, um grupo de pesquisa de mercado, publicou um relatório em 1º de fevereiro destacando a dependência de muitos fabricantes de semicondutores em materiais de origem russa e ucraniana, como néon, paládio e outros.

De acordo com estimativas da Techcet, mais de 90% dos suprimentos de néon semicondutores dos EUA vêm da Ucrânia, enquanto 35% do paládio dos EUA é proveniente da Rússia.

Peter Harrell, que faz parte do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, e sua equipe entraram em contato com membros da indústria de chips nos últimos dias, aprendendo sobre sua exposição a materiais de fabricação de chips russos e ucranianos e instando-os a encontrar fontes alternativas, as pessoas disse.

A Casa Branca se recusou a comentar os detalhes das conversas, mas um alto funcionário reiterou que o governo estava preparado se a Rússia invadisse a Ucrânia.

"Parte disso é trabalhar com as empresas para garantir que, se a Rússia tomar medidas que interfiram nas cadeias de suprimentos, as empresas estejam preparadas para interrupções", disse a pessoa.

"Entendemos que outras fontes de produtos-chave estão disponíveis e estamos prontos para trabalhar com nossas empresas para ajudá-las a identificar e diversificar seus suprimentos".

Joe Pasetti, vice-presidente de políticas públicas globais do grupo de fornecedores de fabricação de chips e eletrônicos SEMI, enviou um e-mail aos membros nesta semana avaliando a exposição aos suprimentos vitais de fabricação de chips, de acordo com uma cópia obtida pela Reuters.

"Conforme discutido na teleconferência de hoje, consulte o documento em anexo ... sobre a produção russa/ucraniana de vários materiais semicondutores", escreveu ele, referindo-se a um resumo da Techcet sobre C4F6, Palladium, Helium, Neon e Scandium da região problemática. . "Por favor, deixe-me saber se possíveis interrupções no fornecimento de qualquer um deles são uma preocupação para sua empresa."

O néon, fundamental para os lasers usados ​​na fabricação de chips, é um subproduto da fabricação de aço russa, de acordo com a Techcet. Em seguida, é purificado na Ucrânia. O paládio é usado em sensores e memória, entre outras aplicações.

O governo Biden ameaçou impor amplos controles de exportação contra a Rússia se ela invadir a Ucrânia. A Rússia, que reuniu mais de 100.000 soldados ao longo da fronteira com a Ucrânia, nega ter planos de atacar.

Alguns fabricantes de chips estão revisando suas cadeias de suprimentos para verificar possíveis consequências do conflito na Ucrânia. Uma pessoa em uma empresa de fabricação de chips, que não quis ser identificada, reconheceu que está analisando seu suprimento de neon e outros gases, alguns dos quais originários da Ucrânia.

"Mesmo que houvesse um conflito na Ucrânia, isso não cortaria a oferta. Isso elevaria os preços", disse a pessoa. "O mercado se contrairia. Esses gases se tornariam bastante escassos. Mas isso não impediria a fabricação de semicondutores", acrescentou.

De acordo com um executivo de startup de design de chips de energia, a agitação na Ucrânia fez com que os preços do gás raro aumentassem e poderia causar problemas de abastecimento. O flúor é outro gás que tem grande oferta daquela parte do mundo e pode ser afetado, acrescentou o executivo.

William Moss, porta-voz da Intel Corp, disse que a fabricante de chips não estava prevendo nenhum impacto no fornecimento de neon.

Mas a questão ainda é preocupante, porque a oferta global de chips está apertada e os pedidos de chips só devem aumentar. A Techcet estima que a demanda por todos os materiais aumentará mais de 37% nos próximos 4 anos, apontando para anúncios recentes da Intel, Samsung (005930.KS) e TSMC de Taiwan em Ohio, Arizona e Texas.

Os preços do neon subiram 600% no período que antecedeu a anexação da península da Crimeia pela Rússia em 2014, uma vez que as empresas de chips dependiam de algumas empresas ucranianas, de acordo com a Comissão de Comércio Internacional dos EUA.

_________________________________________________China se insurge contra o Quad, "ferramenta de hegemonia dos EUA"

Zhao Lijian, porta-voz da Chancelaria chinesa

Sputnik - Na sexta-feira (11), Pequim disse que o Quad (Diálogo de Segurança Quadrilateral), cujo formato prevê consultas anuais entre EUA, Austrália, Índia e Japão, é "essencialmente uma ferramenta para conter e sitiar a China, [a fim] de manter a hegemonia dos EUA".

"O objetivo é estimular o confronto e minar a solidariedade e a cooperação internacional", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, a repórteres.

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"Como a Guerra Fria acabou há muito tempo, a tentativa de forjar uma suposta aliança para conter a China não ganha apoio e não leva a lado nenhum", afirmou o porta-voz.

Zhao pediu aos quatro países que abandonem a "antiquada mentalidade da Guerra Fria" e mudem sua abordagem em relação à China.

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As declarações vieram depois que os ministros das Relações Exteriores dos países do Quad se reuniram em Melbourne, na Austrália, na sexta-feira (11). As autoridades emitiram uma declaração conjunta, prometendo manter a região do Indo-Pacífico "livre de coerção" – em aparente referência a Pequim, sob acusações de que estaria intimidando seus vizinhos.

Os membros do Quad também prometeram "enfrentar os desafios da ordem baseada em regras, inclusive nos mares do Sul e Leste da China", diz o comunicado.

_________________________________________________NÃO VAI DEMORAR MUITO para a economia chinesa ser o DOBRO da ECONOMIA AMERICANA. 

E é essa China, que pode chegar a UM TERÇO do PIB MUNDIAL, que é desconhecida no Brasil.

Opinião - Rodrigo Zeidan: A China do futuro

Nos PRÓXIMOS 30 anos, uma população que é o DOBRO da BRASILEIRA sairá da pobreza

As pessoas superestimam a China a curto prazo e a subestimam a longo prazo. No Ano do Tigre, que começou nesta semana, o medo é que a ômicron vá vencer a estratégia Covid zero do país, jogando o mundo em uma recessão. Mas mais importante que o futuro do país ao fim de 2022 é que acontecerá em 2032. Ou 2042, ou 2052.

Não vai demorar muito para a economia chinesa ser o dobro da economia americana. E é essa China, que pode chegar a um terço do PIB mundial, que é desconhecida no Brasil.

A escala do que acontece aqui é quase inimaginável. A cada dois anos, usa-se mais cimento na China do que em todo o século 20 nos Estados Unidos. O país, sozinho, responde por mais de 50% da demanda de cimento do mundo. E essa procura está longe de arrefecer.

Celebração do Ano-Novo Lunar em Luoyang, na província chinesa de Henan
Celebração do Ano-Novo Lunar em Luoyang, na província chinesa de Henan - Huang Zhengwei - 1º.fev.2022/Xinhua

Mais de 400 milhões de chineses vivem no campo, com renda comparável à de um brasileiro em zona rural (em Gansu, província pobre, a renda per capita é de R$ 2.500 por mês, contando as cidades), enquanto em Xangai essa renda é cinco vezes maior. Só que na China os direitos a serviços públicos estão ligados ao lugar de nascença, o chamado hukou.

Assim, um migrante pode ir para a cidade grande, mas não tem direito a escola para os filhos, nem saúde pública (que é gratuita só até certo ponto —tratamentos caros são problemas das famílias). O que acontece é que cidades gigantescas acabam sendo criadas nas províncias mais pobres.

E essa urbanização é um grande motor de crescimento. A crise da Evergrande é um problema de curto, mas não longo prazo. Apesar de a infraestrutura básica nas grandes cidades estar pronta, o que ainda tem por vir é muita coisa.

Um dos medos do governo para manter a estratégia de Covid zero é porque faltam hospitais e clínicas em grande parte do país. E uma das grandes questões que devem ser respondidas nos próximos anos é: a China vai criar uma rede de seguridade social?

Hoje, aqui é capitalismo quase na pura essência. O Estado dá alguma coisa, como educação quase gratuita, mas as famílias são responsáveis por cuidar dos seus se houver algum problema, como desemprego ou doença.

Mesmo na pandemia, com as pessoas em lockdown, o governo não distribuiu renda em larga escala como fizeram outros países. No máximo, houve alguma ajuda pontual, para os mais pobres.

Grande parte do país é atrasada. Tem gente que mora em casas com chão de barro, não muito diferente das partes mais pobres do mundo. E as escolas do interior são fracas, na média. Se por um lado isso gera imensa desigualdade, por outro é um mar de oportunidades para o crescimento do país, já que o desenvolvimento do resto do país continua a puxar mudanças nas áreas mais atrasadas.

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